Library / Education / Educação nova: As bases
(Biblioteca Nacional de Portugal).)
*Nota de editor:* Devido à existência de erros tipográficos neste
texto, foram tomadas várias decisões quanto à versão final. Em caso
de dúvida, a grafia foi mantida de acordo com o original. No final
deste livro encontrará a lista de erros corrigidos.
Rita Farinha (Março 2012)
BIBLIOTECA DE PEDOLOGIA NACIONAL
Dr. ALVES DOS SANTOS
Professor da Universidade de Coimbra
EDUCAÇÃO NOVA
AS BASES
I
O CORPO DA CRIANÇA
(Com 32 figuras, no texto)
[Figura]
Livrarias Aillaud e Bertrand
PARIS--LISBOA
Livraria Chardron
PÔRTO
Livraria Francisco Alves
RIO DE JANEIRO
1919
Educação Nova
DO AUTOR:
1) Estatística (numérica e gráfica) _das escolas da 2.^a circunscrição
escolar_, Lisboa, 1906, ed. oficial, 1 vol.
2) A nossa escola primária (o que tem sido; o que deve ser), Pôrto,
1910, 1 vol.
3) Psicologia e pedologia (uma missão scientífica, no estrangeiro),
Coímbra, 1913, 1 fasc.
4) O ensino primário em portugal (nas suas relações com a história geral
da Nação), Pôrto, 1913, 1 vol.
5) O crescimento da criança portuguesa (subsidios para a constituição de
uma pedologia nacional), Coímbra, 1915, 1 vol.
6) Elementos de filosofia scientífica, Coímbra, 1915; 2.^a ed., Lisboa,
1918, 1 vol.
7) Educação nova (As bases)--O corpo da criança--Lisboa, 1919, 1 vol.
EM PREPARAÇÃO:
8) Educação nova (As bases)--A mentalidade da criança--1 vol.
BIBLIOTECA DE PEDOLOGIA NACIONAL
Dr. ALVES DOS SANTOS
Professor da Universidade de Coimbra
EDUCAÇÃO NOVA
AS BASES
I
O CORPO DA CRIANÇA
(Com 32 figuras, no texto)
[Figura]
Livrarias Aillaud e Bertrand
PARIS--LISBOA
Livraria Chardron
PÔRTO
Livraria Francisco Alves
RIO DE JANEIRO
1919
Todos os exemplares desta edição teem a rubrica autógrafa do autor
Educação Nova: As Bases
«Oh! le bruit des petits pieds de l'enfant! ce bruit léger et doux
des générations qui arrivent, indécis, incertain comme l'avenir.
L'avenir, c'est nous qui le déciderons peut-être, par la manière
dont nous aurons élevé les générations nouvelles».
Preface de l'Education et hérédité, I, de
M. Guyau
Nota Preambular
Mero subsídio para a constituìção de uma pedologia nacional, não tem
outras pretensões o presente livro que, no pensamento do seu autor, se
destina, tam sómente, por agora, a desbravar um terreno, a monte ainda
quási, nos domínios da nossa pedagogia.
Os elementos, de que nos servimos, longe de serem respigados em _obras
estrangeiras_, como é de uso corrente, entre nós, derivam de
observações e experiências, feitas sobre crianças da nossa terra.
Assim, se irá organizando uma pedologia portuguesa, tam necessária à
nossa educação.
Neste primeiro volume, ocupar-nos hemos do corpo da criança, com o fim
de investigar as leis do crescimento, em Portugal; no segundo[1],
estudaremos a mentalidade da criança, para conhecer as _energias
psíquicas_, que são características do nosso agrupamento étnico.
Importa ponderar que, em o nosso país, sem desprimor para ninguêm, em
vez de sciência, tem-se feito literatura pedagógica...
Há excepções, bem o sei; mas, de tal guisa, fica confirmada... a
regra.
¿Não terá soado ainda a hora de enveredar pelo caminho das nações
cultas?...
Introdução
«On ne connoît point l'enfance:... Commencez donc par mieux étudier
vos élèves car très-assurément, vous ne les connoissez point.»
Preface d'Emile, III, de
J. J. Rousseau.
INTRODUÇÃO
I
A criança; sua concepção bio-psíquica e social
1.--Como organismo vivo que é, a criança, do mesmo modo que as
plantas e os animais, está sujeita às leis físico-químicas e
biológicas, que regulam a actividade de todos os sêres vivos, que
existem à superfície da terra.
Mas, alêm da vida vegetativa, que pertence às plantas, e da _vida
sensitiva_, que é própria dos animais superiores, possue ainda a
criança a vida intelectual, apenas partilhada com o homem, do qual
incessantemente se aproxima, desde o início da sua evolução.
2.--Por virtude da vida vegetativa, a criança «cresce», isto é,
aumenta de volume e de densidade, à medida que se afasta do
nascimento, de conformidade com as leis específicas, que determinam
o ritmo e as outras características dêsse «crescimento».
Sob êste aspecto, a criança não tem outra função senão a de
«crescer», isto é, de adquirir um desenvolvimento somático, cujo
termo, em circunstâncias normais, só à hereditariedade pertence
estabelecer e fixar.
3.--Mercê da vida sensitiva que, no sentido rigoroso do têrmo, é
apanágio exclusivo dos sêres dotados dum sistema nervoso, a criança
aprende, cada vez com maior eficácia e precisão, a manter com o meio,
em que tem de viver, o equilíbrio, de que carece, para a conservação
da sua vida, isto é, a adaptar-se.
Seja qual fôr o conceito que se fizer da sensação, como expressão mais
simples, e elemento irredutível da consciência; mas, tendo em vista o
processo evolutivo da diferenciação e da complexidade orgânica,
não padece dúvida que o fenómeno da irritabilidade, que já se encontra
no mundo vegetal, de par com os tropismos das plantas, pode ajudar a
esclarecer o mistério da sensibilidade geral, que os _animais
superiores_ tambêm usufruem, e por cuja virtude a criança se torna
capaz de tirar o máximo proveito das suas experiências, em relação ao
mundo externo[2].
4.--Finalmente, pela vida do pensamento, que se manifesta sempre em
perfeita correlação com o desenvolvimento cerebral, a criança adquire
a capacidade de reagir, por um dinamismo progressivo, à _acção das
influências cosmo-telúricas_, subtraíndo-se a essas e a outras
influências, ou atenuando-as, em proveito da sua individualidade.
Manifestações desta vida (tambêm chamada de relação), alêm da
espontaneidade, que torna possível a resistência ao _automatismo dos
instintos_ e dos hábitos orgânicos, são a reflexão, que prepara o
advento e a consolidação da personalidade, e a tendência de
integração no meio social, como uma das bases essenciais do
carácter[3].
5.--Importa, porêm, advertir que, apesar desta tríplice _existência
funcional_, a vida da criança, como a do homem, não se scinde, nem
sofre soluções de continuidade, antes constitue uma _unidade
orgânica_, e uma concentração de energias, que não divergem entre si,
senão pelo mecanismo, a que dão origem, e pelas tendências e
impulsividades, que despertam[4].
6.--Vê-se, pois, que a criança, na integral complexidade dos
elementos que a constituem, e na plenitude das fôrças que a
caracterizam, é um organismo, cuja estrutura e actividade
dependem, não sómente das energias físico-químicas, a que todo o
Universo está sujeito, como tambêm sofrem a influência de tôdas as
leis biológicas e psíquicas, que interveem, tanto na formação da
consciência reflexa do homem adulto, como na _dinamogenia dos
instintos_, que engendram a vida social[5].
II
Sciências da Criança: Pedologia, Psico-pedagogia, Pedagogia
experimental; outros ramos da Pedagogia
1.--A pedagogia moderna, aceitando a proposta do professor Blum, de
Lyon[6], emprega a palavra pedologia para designar a _sciência natural
da criança_[7].
Mas a criança pode ser estudada em si mesma, sem outro intuito que
não seja o de a conhecermos, do mesmo modo que o botanista estuda as
plantas, ou o entomólogo, os costumes dos animais. Neste caso, o
estudo da criança será desinteressado; e, para ser profícuo, não
poderá deixar de submeter-se às regras do método, que a sciência
preconiza para a investigação de não importa que _fenómenos da
natureza_. Teremos, então, a pedologia pura que, sendo o _estudo
integral da criança_, compreende:
1) a biologia infantil (conhecimento da natureza física da criança,
em todos os estádios da sua evolução);
2) a psicologia infantil (estudo da mentalidade da criança); e
3) a sociologia infantil (estudo da sociabilidade da criança).
Pelo seu lado, cada um dêstes ramos da pedologia subdivide-se ainda
em diferentes capítulos, consoante as necessidades da _especialização
scientífica_.
Assim, a biologia infantil ou fisio-pedologia inclue o estudo da
anatomia e da fisiologia do embrião; do recêm-nascido; e da
criança, em tôdas as idades do «crescimento»[8].
A psicologia infantil ou psico-pedologia, consoante descreve os
processos mentais da criança, ou procura explicar a _sua origem e
evolução_, assim se denomina estrutural ou estática, e funcional
ou dinâmica[9].
A psico-pedologia estrutural deve os seus mais assinalados progressos
aos trabalhos de Tiedemann, Sigismund, Kussmaul, Preyer, etc.[10]
Quanto à psico-pedologia dinâmica, importa ainda distinguir o estudo
dos processos mentais da criança, na sua _continuidade vital
(genética)_, ou no seu funcionamento orgânico (cinemática), como
fizeram, alêm doutros psicólogos notáveis, John Dewey, de Chicago, e o
seu discípulo Irving King[11].
2.--Considerando, porêm, a criança, sob um aspecto utilitário, isto
é, estudando-a com determinados intuitos, ou para determinado fim, é
da pedologia aplicada que temos de nos socorrer, ou da pedotecnia,
como agora se diz.
Esta tambêm sofre divisões, conforme incide sobre a criança doente,
que importa curar (pediatria), ou sobre a criança delinqùente, que é
necessário regenerar (pedotecnia judiciária), ou ainda sobre a
criança, que nos propomos educar (pedagogia experimental).
A pediatria compreende a higiene infantil, a clínica infantil e a
psiquiatria infantil; e a pedotecnia judiciária subdivide-se em
criminologia infantil, e profiláctica pedológica.
Resta a pedagogia experimental, que se desdobra na psico-pedagogia
(psicologia infantil aplicada à pedagogia), na higiene escolar, e
na ortofrenia (estudo das crianças mentalmente anormais).
O esquêma que, a seguir, publicamos condensa e mostra as relações que
as sciências pedológicas manteem, entre si.
Como se observa, nêsse quadro, pelo lugar que nêle ocupa, a _pedagogia
experimental_ é a sciência que aplica ao estudo da criança normal os
princípios da pedologia teórica ou pura, no intuito de a educar.
3.--Há, porêm, outros ramos da pedagogia que, embora na aparência
independentes, todavia, não derivam doutra fonte que não seja da
pedologia: sciência comum e geral da criança. São os seguintes:
1) a pedagogia filosófica, que estuda as _questões gerais da pedagogia
e da pedologia_ (conceito e natureza da educação; fins a que tende;
leis que a regulam; possibilidade e necessidade da educação;
factores da educação; e seus agentes; princípios gerais e
fundamentais da pedagogia[12];
2) a pedagogia histórica, que estuda os sistemas de educação, _na
vida da humanidade_, através da história[13];
3) a pedagogia propedêutica, ou arte de educar (aprendizagem da
técnica do ensino);
4) a pedagogia escolar, que se ocupa da _organização material e
pedagógica das escolas_[14];
5) e, finalmente, a pedagogia administrativa, que trata da
administração e do govêrno do ensino[15].
{ Geral ou Pura { Bio-pedologia { _anatomia
{ (Desinteressada){ (Somática) { infantil._
{ { { _fisiologia
{ { { infantil._
{ {
{ {
{ { _Psico- { estrutural.
{ { -pedologia_ {
{ { (Psíquica) { funcional { genética.
{ { { cinemática.
{ { Sócio-pedologia.
PEDOLOGIA { { (Social)
(_Sciência {
natural da { { _higiene
criança_).[16] { { infantil._
{ { Pediatria { _clinica
{ { (a criança { infantil._
{ { doente ou { _psiquiatria
{ { anormal) { infantil._
{ {
{ _Aplicada ou { _Pedotecnia { _criminologia
{ Pedotecnia_ { Judiciária_ { infantil._
{ (Intencional){ (a criança { _profiláctica
{ delinqùente) { pedológica._
{
{ _Pedagogia { _psico- { _psico-
{ experimental_ { -pedagogia_ { -diagnóstica._
{ (a criança sã { {
{ e normal) { { _psico-
{ { -técnica._
{
{ higiene escolar.
{
{ ortofrenia.
III
A vida da criança; fases que atravessa durante o «crescimento», ou
idades da evolução do organismo humano
1.--A vida da criança, tanto sob o ponto de vista somático, como em
relação à sua actividade psíquica, varia com a idade e com o sexo;
e difere, não só em quantidade, como tambêm e principalmente _em
qualidade_, da vida do adulto[17].
A existência incontestável desta diferenciação estrutural e dinâmica
das crianças entre si, e da criança com o adulto, levanta o problema
dos factores do desenvolvimento, e o da _progressão funcional das
energias bio-psíquicas_, que nêle interveem.
¿Em que medida é que a hereditariedade e o meio influem na _evolução
da criança_; e porque é que o aparecimento e a _acção dos processos
psíquicos_ estão sujeitos à lei do progresso contínuo?
Dum modo mais geral, pode preguntar-se, se existe alguma relação entre o
desenvolvimento bio-psíquico da criança e o da espécie humana,
através das idades geológicas; ou se, pelo contrário, a _doutrina da
recapitulação_ carece de apoio sólido, em que se firme[18].
Nós, remetendo o leitor para os estudos especializados, que se referem
à interpretação genética das energias orgânicas do crescimento, e à
apreciação das influências mesológicas, que sôbre elas agem[19],
passamos à enumeração das fases da vida das crianças, de conformidade
com o _critério fisiológico da dentição, combinado com o da maturidade
sexual_[20].
2.--São seis as idades da evolução do organismo humano, desde o início
da vida extra-uterina, até à idade adulta:
1) recêm-nascença (até ao fim do primeiro mês, depois do
nascimento);
2) infância (desde o fim do primeiro mês, até aos três anos);
3) puerícia (desde os três anos, até aos sete);
4) adolescência (desde os sete, até à idade que oscila, para os
rapazes, entre os doze e os catorze anos; para as raparigas, _entre os
onze e os treze_);
5) puberdade (desde o fim da adolescência, até a uma época que,
segundo as circunstâncias, tambêm varia, em relação a cada sexo; não
indo, porêm, entre nós, em regra, alêm dos dezasseis anos, para os
rapazes, e dos quinze para as raparigas);
6) nubilidade (desde os quinze ou dezasseis anos, até aos
vinte)[21].
3.--A recêm-nascença inicia-se pela crise, resultante da passagem da
vida intra-uterina do feto para a vida extra-uterina; e
assinala-se, no recêm-nascido, pela existência de características,
que importam o mais absoluto automatismo[22].
À criança que vem de nascer, chamou Virchow «um ser espinhal», para
significar, sem dúvida, que é como um anencéfalo, que ela se comporta,
em todos os seus movimentos.
Efectivamente, o recêm-nascido é uma pura máquina de reflexas, que a
necessidade de adaptação ao meio exclusivamente acciona, _sob risco de
morte_. A espontaneidade só virá com o funcionamento sensorial que,
nesta curtíssima idade, só muito imperfeitamente se manifesta[23].
4.--A infância é a época, em que se completa a primeira dentição (os
vinte dentes do leite)[24]; e em que, ao ser fisiológico, que era a
criança, se ajunta agora um ser intelectual[25].
Compreende duas fases principais, indo a primeira, desde o início do
segundo mês, até aos catorze ou dezasseis meses; e a segunda,
desde aí, até aos três anos completos.
Infância, quer dizer: idade em que se não fala (de infans,
antis); todavia, a partir dos doze ou trêze mêses, a criança
principia já a emitir sons articulados; e, desde os dezoito até aos
vinte e quatro, mostra-se possuidora da _linguagem pròpriamente
dita_[26].
Alêm desta aquisição, tambêm pertence à segunda fase da infância a
auto-locomoção ou a marcha, que entra de ensaiar-se, em regra, nos
rapazes, entre os doze e os dezasseis mêses; e, nas raparigas, entre
os dez e os quinze[27].
5.--À terceira idade do «crescimento» chamou (e com muita propriedade)
o nosso Garrett puerícia (de puer, [)e]ris). É a _segunda
infância_, dos franceses, que se compreende entre os três anos e os
sete (início da segunda dentição, que apenas se completará, aos
vinte anos)[28].
Como, em seu lugar, veremos, as tendências dominantes desta idade
são os jogos; a imitação activa; a sugestibilidade; e os
interesses, que predominam, ligam-se ao _desenvolvimento da vida
mental_.
6.--A fase peri-pubertária costuma designar-se pela palavra
adolescência (de adol[)e]scens, [)e]ntis).
[Figura: 10 anos]
[Figura: 11 anos]
[Figura: 12 anos]
Alunos do Colégio Moderno
FASE PUBERTÁRIA
[Figura: 14 anos]
[Figura: 15 anos]
Nesta idade, como veremos, «a criança principia a emancipar-se; a
sua personalidade desenha-se, esboça-se»[29]; numa palavra, a
natureza, neste estádio da evolução, cuida de preparar o individuo
para a grande transformação orgânica e psíquica, que vai ser
realizada, na idade seguinte.
7.--Essa idade é a puberdade.
Segundo Paul Godin, a fase pubertária é «o momento do desenvolvimento
humano, em que o poder germinal orienta tôdas as fôrças do organismo
para a função da reprodução»[30].
Outros chamam-lhe a idade crítica; o eixo do crescimento; e todos
são concordes em atribuir os desequilibrios biológicos e psíquicos, em
que é fertil, à convulsão orgânica, produzida pelo _despertar do
gérmen vivo_, que dormitava na criança, desde o dia do nascimento.
A puberdade, cuja aparição, entre nós, eu tenho estudado[31], alêm dos
efeitos pilares do púbis e das axilas, da mudança da voz e, no sexo
feminino, do aparecimento do fluxo menstrual, manifesta-se tambêm pelo
aumento do tecido conjuntivo, pelo engrossamento dos ossos, pelo
robustecimento dos músculos, e pelo máximo de _volume e densidade do
cérebro_[32].
8.--A última fase da evolução é a nubilidade, que muitos identificam
já com a idade adulta.
O indivíduo, perdendo as características infantis, diferenciou-se,
segundo a lei dos sexos; e tornou-se definitivamente apto para _viver
sobre si_, e para assegurar a persistência da espécie.
IV
Elementos e subsídios, de que podemos dispor, para a constituição de uma
pedologia nacional
1.--De modo análogo ao que sucede em países estrangeiros, tambêm, entre
nós, se há procurado obter (embora com fortuna vária) _factos em
primeira mão_, que possam esclarecer os _problemas relativos ao
«crescimento» da criança portuguesa_.
Podem considerar-se como centros de investigação pedológica os
seguintes institutos:
1) a Escola-oficina n.^o 1, de Lisboa, que é uma _escola de ensino
integral e de preparação profissional_, destinada a adolescentes (dos
7 aos 14 anos)[33];
2) o Instituto médico-pedagógico da Casa Pia, de Lisboa, dirigido pelo
ilustre pedagogista, Dr. Costa Ferreira, que é autor de publicações
interessantes sobre pedologia;
3) a Tutoria do Pôrto, onde teem sido feitos _exames e observações
antropométricas e psiquiátricas em menores delinqùentes_, pelo distinto
antropologista, Dr. Mendes Corrêa;
4) a Tutoria de Lisboa, de que foi juiz presidente o Dr. Pedro de
Castro[34];
5) a Sociedade de estudos pedagógicos[35];
6) a Escola preparatória Rodrigues Sampaio, de que foi director o
consideradíssimo professor e eminente pedagogista, Dr. Adolfo Coelho;
7) a Escola Central de Reforma, de Caxias, dirigida pelo P.^e António
d'Oliveira;
8) o _Laboratório de psicologia experimental da Faculdade de Letras da
Universidade de Coímbra_, que nós fundámos e dirigimos, por deliberação
desta Faculdade, que, em 1912, nos mandou à França e à Suíça, a fim de
estudarmos a organização dos laboratórios psicológicos, e de
adquirirmos os utensílios e aparelhos necessários para o
funcionamento de um, em Coímbra[36].
2.--Algumas das investigações, realizadas nestes Institutos, tanto
sobre pedometria, como sobre psico-física dos órgãos dos sentidos, e
outros processos psicométricos, foram divulgadas pela imprensa; mas
o maior número das observações e experiências pedológicas, de que
felizmente podemos dispor, tem-se conservado inédito, mercê de várias
causas, entre as quais avulta aquela que se refere à carência de
recursos pecuniários, para ocorrer às despesas a efectuar com a sua
publicação, dada a criminosa indiferença do Estado por esta _ordem de
serviços_, que tem reputado de somenos importância, visto que ainda se
não resolveu a votar as verbas necessárias para a sua organização,
como base essencial de todo o sistema de ensino público e de tôda a
obra de educação nacional.
No laboratório de psicologia da Universidade de Coímbra, desde 1912,
que se não cessa de observar e experimentar sobre crianças e
adultos, no intuito de esclarecer alguns dos mais importantes
problemas da psico-física, da psico-fisiologia e da pedologia,
sendo considerável já o dossier dos trabalhos realizados,
principalmente na parte que se refere à acuidade sensorial; _função
mnésica_; tempos de reacção; ergografia; sugestibilidade;
psico-patologia da atenção, da imaginação, da inteligência; _sentido
cromático_; doenças oculares; psicologia do testemunho; _dinamogenia
dos sentimentos_; etc.; etc.
Universidade de Coímbra:
Laboratório de Psicologia Experimental
[Figura: Sala de conferências]
[Figura: Sala do laboratório]
Os resultados de tôdas estas experiências serão devidamente
considerados, no presente trabalho (principalmente, no 2.^o volume), de
par com as observações e estudos análogos feitos nos outros
estabelecimentos que indicamos.
V
Bibliografia portuguesa de assuntos relativos à psicologia e à pedologia
1.--*Questões gerais de pedagogia e pedologia:*
1) Almeida Garrett, Da Educação, 1.^a ed. Londres, 1829;
2) Dr. Adolfo Coelho, Os elementos tradicionais da educação, Pôrto,
1883;
3) Idem, Questões pedagógicas (os exercícios militares na escola),
separata do Instituto, Coímbra, 1911;
4) Idem, A pedagogia do povo português, apud Portugalia, V. I, fasc.
I;
5) Idem, O estudo da criança, apud "A Tutoria" (revista mensal
defensora da infância), n.^{os} correspondentes aos anos de 1912 e 1913,
Lisboa;
6) Idem, Educação e Pedagogia, apud _Boletim da Direcção Geral de
Instrução Pública_, Lisboa, 1902, fasc. I-V;
7) Dr. Alves dos Santos, A nossa escola primária, Pôrto, 1910;
8) Idem, O ensino primário em Portugal (nas suas relações com a
história geral da Nação), Pôrto, 1913;
9) Agostinho de Campos, Educação e Ensino, Pôrto, 1911;
10) Idem, Casa de pais, escola de filhos, 3.^a ed., Lisboa, 1917;
11) D. Virgínia de Castro e Almeida, _Como devemos criar e educar os
nossos filhos_, Lisboa, 1908;
12) Idem, Como devo governar a minha casa, Lisboa, 1916;
13) Carneiro de Moura, _A instrução educativa e a organização geral do
Estado_, Lisboa, 1909;
14) Faria de Vasconcelos, _Lições de Pedologia e Pedagogia
experimental_, Lisboa;
15) Mário Fortes, Manual de educação fisica, Viseu, 1906;
16) F. Palyart Pinto Ferreira, Algumas notas pedagógicas, Lisboa,
1916;
17) António Sérgio, Educação Cívica, Pôrto;
18) Luísa Sérgio, O Método Montessori, Pôrto;
19) Dr. Mendes Corrêa, Crianças delinqùentes, Coímbra, 1915;
20) P.^e António d'Oliveira, Criminalidade-Educação, Lisboa, 1918;
21) J. Augusto Coelho, Manual Prático de Pedagogia, Pôrto.
2.--*Assuntos especiais, e monografias sobre pedometria e pedotecnia:*
1) Dr. Alves dos Santos, Psicologia e Pedologia, Coímbra, 1913;
2) Idem, O Crescimento da criança portuguesa, Coímbra, 1917;
3) J. Freire de Matos, _Medida da atenção, por meio dos tempos de
reacção_, apud Revista da Universidade de Coímbra, vol. IV, n.^{os} 2
e 3;
4) A. C. Barroso da Silveira, Determinação do valor físico do adulto
(memento das mensurações mais importantes do corpo humano), Lisboa,
1917;
5) Dr. Costa Ferreira, O pêso do corpo da criança, apud _Archivo de
Anatomia e anthropologia_, Lisboa, 1915, vol. 3.^o, n.^o 2;
6) Idem, Sobre psicologia e pedagogia do gesto, Lisboa, 1916;
7) Idem, Sobre umas provas de exame da atenção voluntária visual,
Coímbra, 1916;
8) Idem, Agudeza visual e auditiva das crianças, Lisboa, 1916;
9) Idem, A visão das côres, Coímbra, 1916;
10) Idem, Auxanometria Militar, Lisboa, 1917;
11) Idem, Sobre a pigmentação da íris nalguns escolares portugueses,
Coímbra, 1918;
12) A. Pires de Lima, Jogos e canções infantis, Pôrto, 1916;
13) António Alfredo Alves, Jogos infantis, apud Revista de Educação
(boletim da S. E. P.), Lisboa, 1912, n.^o 4;
14) Alberto Pessoa, A prova testemunhal, Coímbra, 1913;
15) Costa Sacadura, A escrita direita e a escrita inclinada (sua
influência na função respiratória), Lisboa, 1907;
16) Eugénio de Castro Rodrigues, _Méthodes d'enseignement dans les
écoles primaires_, Lisboa, 1900;
17) Salvador Marques, Algumas palavras em defesa da criança, Lisboa,
1918;
18) Novais e Sousa, Assistência e Maternidade, Coímbra, 1915;
19) Costa Ferreira e José Pontes, _Wounded of the war at the Institute
of S.^{ta} Isabel_, Lisboa, 1918;
20) A. M. de Lima Carvalho, _A reeducação da fala dos gagos e
tatibitátes_ (tratado de ortofonia), Coímbra, 1918;
21) Costa Santos, Higiene ocular, Lisboa, 1914;
22) A. Aurélio da Costa Ferreira, Dois sphygmogramas de gagos, Lisboa,
1918.
Pedologia Somática
«La nature a, pour fortifier le corps et le faire croître, des
moyens qu'on ne doit jamais contrarier».
Livre II, 99, d'Emile, de
J. J. Rousseau
Pedologia Somática
*(O Corpo da Criança)*
CAPÍTULO I
Fases da vida dos organismos. «Crescimento»; suas espécies; e modos
de o estudar.
Leis do «crescimento»; e factores que o modificam.
1.--Existem na vida dos sêres organizados (cada vez mais
acentuadamente, à medida que da planta se passa ao animal e dêste ao
homem) tres fases ou períodos (de desigual extensão) que, por suas
características essenciais, se tornam dissemelhantes e
irredutíveis uns aos outros:
1) um tempo de crescimento (anabolia), que se efectua, por virtude dum
predomínio da assimilação funcional sobre a desassimilação orgânica;
2) uma fase de decadência ou decrescimento (catabolia) determinada,
de modo inverso, pela _preponderância da desassimilação sobre a
assimilação_;
3) um período de relativa estabilidade ou equilíbrio biológico
(probolia), durante o qual o organismo se reproduz.
Temos, pois, uma época construtiva, de integração orgânica que,
depois da fase êmbrio-fetal, se realiza durante um têrço
aproximadamente da vida humana (desde a nascença até à
nubilidade); um período destrutivo, de desintegração biológica,
que prepara e acompanha a velhice e conduz à morte; e, finalmente,
uma época intermediária, que subsiste, durante a juventude e a
maturidade.
2.--A Pedologia, considerando apenas a primeira fase do _metabolismo
humano_, distingue entre o «crescimento» normal e o _«crescimento»
anormal_; e, em ambos, atende tanto à morfologia (desenvolvimento
estrutural), como à fisiologia (desenvolvimento funcional).
Abandonando o estudo do «crescimento» anormal à pediatria e à
psiquiatria; e, reenviando o leitor, em matéria de _«crescimento»
normal_, na parte relativa à vida intra-uterina, para os tratadistas
da embriologia, restringiremos o nosso trabalho à análise da
ontogénese do organismo humano, desde o nascimento até à _idade
adulta_.
Sob o aspecto estrutural, o corpo da criança, através das _idades de
evolução_, varia, em função do tempo:
1) nas dimensões
2) na forma
3) nas proporções
4) nos elementos, de que se compõe.
E, quanto ao desenvolvimento fisiológico, todos sabem que as _funções
orgânicas_ divergem com a idade, e que há certos fenómenos, cuja
manifestação se verifica apenas em fases já avançadas do
«crescimento».
A criança transforma-se, pois; isto é, adquire as características da
idade adulta, por uma série de transformações contínuas, cuja
sucessão é determinada, e cujo aparecimento e limites são _função
do tempo_[37].
A isto se chama «crescimento» que, como veremos, pode ser absoluto
ou relativo, consoante se referir ao ritmo da evolução, ou às
proporções do corpo, nas diferentes idades desta.
3.--Para estudar a dinâmica do «crescimento», servem-se as _sciências
pedológicas_ da pedolexia (observação da criança) e da pedometria
(mensuração da criança).
A análise incide, tanto sobre os órgãos e os sistemas, como sobre
as funções; e as medidas somáticas devem ser individuais,
periódicas e polimétricas, isto é, devem abranger todos os
segmentos do organismo.
É o que se designa pela expressão de método auxanológico.
Reduzindo a esquêma esta processologia, temos:
{ Pedolexia { Estrutural (exame dos órgãos)
{ (Observação {
{ da criança) { Funcional (exame das funções)
_Investigação {
do {
«crescimento»_ {
{ Pedometria { craniométrica
{ (Mensuração { toracométrica
{ da criança) { braquiométrica
{ cruriométrica
{ pelvimétrica
4--Em o nosso país, as observações e_ mensurações_, realizadas no
intuito de conhecer as leis do «crescimento», são pouco numerosas;
todavia, algumas existem; e, na verdade, em quantidade bastante, pelo
que respeita ao «crescimento» absoluto, cujo ritmo, como adiante se
verá, reputamos, em relação ao sexo masculino, suficientemente
estabelecido e determinado.
Mas, em matéria de leis do «crescimento», importa separar aquelas que,
por sua natureza mesma, se tornam extensivas a tôdas as crianças, seja
qual fôr o meio em que vivam, e as raízes antropológicas, donde
procedam; e aquelas que pertencem exclusivamente às _crianças de cada
agregado social_, e não abrangem senão os indivíduos que participam dum
género de vida análogo, e promanam de uma mesma origem étnica.
Enumeraremos, entre as primeiras, como mais importantes:
1) a lei de Buffon (a que chamaremos de contraste), em virtude da
qual o feto cresce, cada vez mais, à medida que se aproxima do
nascimento, ao passo que a criança cresce, cada vez menos, à
medida que se avizinha da puberdade;
2) a lei da periodicidade, que regula a _sucessão de esfôrço e
repouso_ (relativo), na dinâmica do crescimento;
3) a lei da alternância, por cuja virtude os membros do corpo
(sobretudo, as pernas) crescem principalmente antes e durante a
puberdade, e o busto, depois;
4) a lei das compensações, que se revela na _aceleração do
crescimento_ de certos órgãos, em relação a outros _mais
desenvolvidos_[38].
À segunda categoria pertence, alêm da lei do ritmo (modalidade ou
manifestação da lei da periodicidade), a lei das proporções, que
preside a tôda a dinâmica do crescimento relativo.
5.--Estas leis, como resumo e expressão, que são, das relações
entre os fenómenos considerados, incluem, tambêm no caso presente, o
conceito das causas ou dos factores que agem sôbre o
«crescimento».
Indicaremos:
1) entre os determinantes fisiológicos: a raça, a gestação, o
sexo, a consanguinidade e a alimentação;
2) dos factores mesológicos: o meio cosmo-telúrico (clima,
estações, ar livre, claustração, etc.) e social (_vida
citadina_, e de campo, profissões e ocupações sociais, etc.);
3) dentre os agentes patológicos: as doenças (crónicas, ou agudas),
o raquitismo, a insuficiência tiroidiana, os estados neuropáticos,
etc.;
4) finalmente, das causas pedagógicas: os exercicios físicos, a
gimnástica, os jogos, etc.
Cada um dêstes factores age, a seu modo, sobre o _mecanismo do
«crescimento»_, robustecendo ou embaraçando, consoante as
circunstâncias, a energia intra-orgânica, que é a causa primordial
de tudo, naquele mecanismo[39].
CAPÍTULO II
«Crescimento» absoluto; sua determinação, em relação à criança
portuguesa; tabelas de médias, e respectivas curvas. O ritmo do
crescimento em Portugal
1.--Como noutro lugar dissemos[40], o «crescimento» absoluto
(determinável pelas medidas sintéticas: altura, pêso, perímetro
torácico) denuncia o ritmo da evolução, que é diferente, segundo a
procedência étnica, e varia com o meio, tanto físico, como
social.
Para o estudo dêste «crescimento», entre nós, e organização das
respectivas tabelas de médias, dispomos de _elementos
antropométricos_, mais do que suficientes, em quantidade, e óptimos,
em qualidade.
Êsses elementos, já por nós seriados[41], são os seguintes:
1) mensurações e pesagens efectuadas, durante um período de seis
anos, duas vezes em cada ano (novembro e julho), sobre um total de 1.385
indivíduos, do sexo masculino, de idades compreendidas entre os dez e os
dezoito anos, no antigo Colégio Militar, pelo médico João Carlos
Mascarenhas de Melo[42];
2) mensurações e pesagens, de Pedro Ferreira, no extinto _Colégio de
Campolide_, durante quatro anos seguidos (1905-1909) sobre 1227
crianças, do sexo masculino, de idades que variam, desde os seis até aos
vinte anos[43];
3) mensurações e pesagens do dr. Morais Manchego, realizadas em
escolas primárias, do sul do País, sobre 1.829 crianças, do sexo
masculino, desde os seis até aos dezanove anos de idade[44];
4) mensurações e pesagens efectuadas, na Maternidade de Lisboa,
sob a direcção do falecido professor Alfredo da Costa, desde 1899 a
1904, sobre mais de 2.800 crianças, de ambos os sexos, logo em seguida
ao nascimento[45];
5) pesagens de crianças tuteladas pela _Santa Casa da Misericórdia de
Lisboa_, em número de mais de 100.000, de idades compreendidas entre o
nascimento e os doze mêses, desde 1907 até 1913[46].
6) mensurações e pesagens do dr. Samuel Maia, realizadas em Lisboa,
no ano de 1908, sobre 5.912 crianças, de ambos os sexos, de 0 aos 10
anos de idade;
7) mensurações e pesagens efectuadas, no liceu de Coímbra, durante
doze anos (1905-1916), sobre um total de 1.180 alunos, do sexo
masculino, de idades variáveis entre os dez e os vinte anos;
8) mensurações e pesagens, realizadas, no _Instituto Feminino de
Educação e Trabalho_, de Odivelas, sob a direcção da médica D. Adelaide
Cabete, durante dois anos consecutivos (1914-1916), sobre 157 alunas;
9) mensurações e pesagens, empreendidas, na _Escola de Alunos
Marinheiros do norte_ (Leça de Palmeira) desde 1913 a 1916, sobre 241
alunos, do sexo masculino;
10) finalmente, mensurações e pesagens, realizadas, desde 1912, no
laboratório psicológico da Faculdade de Letras, de Coímbra, sobre
crianças de diferentes idades e procedências, como meio de iniciação dos
alunos da Escola Normal Superior na prática da _mensuração
antropométrica_, pelo emprêgo do método auxanológico[47].
2.--De tôdas estas medidas, aproveitando aquelas que, por suas
características, se tornam comparáveis, organizamos os seguintes
quadros de médias do _crescimento absoluto, normal, da criança
portuguesa, desde o nascimento até à idade adulta_:
3.--O quadro n.^o 1 (Alturas) baseia-se num total de _vinte e uma mil
e seiscentas mensurações_, assim distribuídas:
1) Maternidade de Lisboa (ambos os sexos), 2.877;
2) Samuel Maia (ambos os sexos), 8.685;
3) Colégio de Campolide (sexo masculino), 1.221;
4) Colégio Militar (sexo masculino), 1.385;
5) Morais Manchego (sexo masculino), 1.829;
6) Liceu de Coimbra (sexo masculino), 4.731;
7) Instituto, de Odivelas (sexo feminino), 631;
8) Escola de alunos marinheiros, do norte (sexo masculino), 241.
QUADRO N.^o 1
===========================================================================+
Idades | Maternidade | Samuel | Pedro |
| de Lisboa | Maia | Ferreira |
+-------+-------+-------+-------+-------+-------+
| S. M. | S. F. | S. M. | S. F. | S. M. | S. F. |
--------------+------------+-------+-------+-------+-------+-------+-------+
Recêm-nascido { Nascimento | 50,24 | 49,55 | -- | -- | -- | -- |
{ 0-1 | -- | -- | 66 | 63 | -- | -- |
Infância { 1-2 | -- | -- | 74 | 72 | -- | -- |
{ 2-3 | -- | -- | 83 | 81 | -- | -- |
Puerícia { 3-4 | -- | -- | 89 | 88 | -- | -- |
{ 4-5 | -- | -- | 96 | 94 | -- | -- |
{ 5-6 | -- | -- | 109 | 104 | 113,5 | -- |
{ 6-7 | -- | -- | 110 | 106 | 119,5 | -- |
{ 7-8 | -- | -- | 111 | 110 | 124 | -- |
Adolescência { 8-9 | -- | -- | 116 | 115 | 129 | -- |
{ 9-10 | -- | -- | 123 | 122 | 133 | -- |
{ 10-11 | -- | -- | -- | -- | 138 | -- |
{ 11-12 | -- | -- | -- | -- | 144 | -- |
{ 12-13 | -- | -- | -- | -- | 148 | -- |
Puberdade { 13-14 | -- | -- | -- | -- | 154,5 | -- |
{ 14-15 | -- | -- | -- | -- | 160,5 | -- |
{ 15-16 | -- | -- | -- | -- | 165 | -- |
{ 16-17 | -- | -- | -- | -- | 165,5 | -- |
Nubilidade { 17-18 | -- | -- | -- | -- | 166 | -- |
{ 18-19 | -- | -- | -- | -- | 169 | -- |
{ 19-20 | -- | -- | -- | -- | 171 | -- |
===========================================================================+
===========================================================================+
Idades | Colégio | Morais | Liceu |
| Militar | Manchego | de Coímbra |
+-------+-------+-------+-------+-------+-------+
| S. M. | S. F. | S. M. | S. F. | S. M. | S. F. |
--------------+------------+-------+-------+-------+-------+-------+-------+
Recêm-nascido | Nascimento | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
| 0-1 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
Infância | 1-2 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
| 2-3 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
Puerícia | 3-4 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
| 4-5 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
| 5-6 | -- | -- | 108 | -- | -- | -- |
| 6-7 | -- | -- | 114 | -- | -- | -- |
| 7-8 | -- | -- | 119 | -- | -- | -- |
Adolescência | 8-9 | -- | -- | 124 | -- | -- | -- |
| 9-10 | 132 | -- | 127 | -- | -- | -- |
| 10-11 | 135 | -- | 131 | -- | 132 | -- |
| 11-12 | 139 | -- | 135 | -- | 136 | -- |
| 12-13 | 143 | -- | 139 | -- | 139 | -- |
Puberdade | 13-14 | 150 | -- | 147 | -- | 143 | -- |
| 14-15 | 157 | -- | 149 | -- | 153 | -- |
| 15-16 | 162 | -- | 156 | -- | 159 | -- |
| 16-17 | 163 | -- | 161 | -- | 164 | -- |
Nubilidade | 17-18 | 165 | -- | 163 | -- | 165 | -- |
| 18-19 | 169 | -- | 165 | -- | 166 | -- |
| 19-20 | -- | -- | -- | -- | 168 | -- |
===========================================================================+
===========================================================================
Idades | Instituto | Alunos |
| feminino | Marinheiros | Médias gerais
| de Odivelas | |
+-------+---- --+-------+-------+---------------
| S. M. | S. F. | S. M. | S. F. | S. M. | S. F.
--------------+------------+-------+-------+-------+-------+-------+-------
Recêm-nascido | Nascimento | -- | -- | -- | -- | 50,24| 49,55
| 0-1 | -- | -- | -- | -- | 66 | 63
Infância | 1-2 | -- | -- | -- | -- | 74 | 72
| 2-3 | -- | -- | -- | -- | 83 | 81
Puerícia | 3-4 | -- | -- | -- | -- | 89 | 88
| 4-5 | -- | -- | -- | -- | 96 | 94
| 5-6 | -- | -- | -- | -- | 110 | 104
| 6-7 | -- | -- | -- | -- | 114,5 | 106
| 7-8 | -- | 117 | -- | -- | 118 | 113,5
| 8-9 | -- | 120,5 | -- | -- | 123 | 117,7
| 9-10 | -- | 125 | -- | -- | 128,7 | 123,5
| 10-11 | -- | 129 | -- | -- | 134 | 129
| 11-12 | -- | 134,5 | -- | -- | 138,5 | 134,5
| 12-13 | -- | 141,5 | -- | -- | 142 | 141,5
Puberdade | 13-14 | -- | 148 | -- | -- | 148,6 | 148
| 14-15 | -- | 152 | -- | -- | 154,8 | 152
| 15-16 | -- | 152,8 | -- | -- | 160,5 | 152,8
| 16-17 | -- | 154 | 161 | -- | 162,9 | 154
Nubilidade | 17-18 | -- | 153,7 | 161,2 | -- | 164 | 153,7
| 18-19 | -- | 151 | 161,3 | -- | 166 | 151
| 19-20 | -- | 154 | 161,5 | -- | 166,8 | 154
===========================================================================
O quadro n.^o 2 (Pêso) foi elaborado, em presença dos documentos que
acusam o elevado número de cento e dezassete mil e dez pesagens,
efectuadas nos seguintes Institutos:
1) Maternidade de Lisboa (ambos os sexos), 2.549 pesagens;
2) Misericórdia de Lisboa (ambos os sexos), 100.824;
3) Colégio Militar (sexo masculino), 3.034;
4) Colégio de Campolide (sexo masculino), 1.214;
5) Morais Manchego (sexo masculino), 1.271;
6) Liceu de Coimbra (sexo masculino), 2.370;
7) Samuel Maia (ambos os sexos), 4.878;
8) Instituto Feminino, de Odivelas (sexo feminino), 633;
9) Escola de alunos marinheiros (sexo masculino), 237.
QUADRO N.^o 2
============================================================+
| Maternidade | Misericórdia | Colégio |
| de Lisboa | de Lisboa | Militar |
Idades +-------+-------+-------+-------+-------+-------+
| S. M. | S. F. | S. M. | S. F. | S. M. | S. F. |
------------+-------+-------+-------+-------+-------+-------+
Nascimento | 3.236 | 3.103 | -- | -- | -- | -- |
0-1 | -- | -- | 7.500?| -- | -- | -- |
1-2 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
2-3 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
3-4 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
4-5 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
5-6 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
6-7 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
7-8 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
8-9 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
9-10 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
10-11 | -- | -- | -- | -- | 29.000| -- |
11-12 | -- | -- | -- | -- | 30.500| -- |
12-13 | -- | -- | -- | -- | 33.000| -- |
13-14 | -- | -- | -- | -- | 36.500| -- |
14-15 | -- | -- | -- | -- | 42.000| -- |
15-16 | -- | -- | -- | -- | 47.000| -- |
16-17 | -- | -- | -- | -- | 51.500| -- |
17-18 | -- | -- | -- | -- | 53.000| -- |
18-19 | -- | -- | -- | -- | 55.500| -- |
19-20 | -- | -- | -- | -- | 58.500| -- |
20-21 | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
============================================================+
============================================================+
| Colégio de | Morais | Samuel |
| Campolide | Manchego | Maia |
Idades +-------+-------+-------+-------+-------+-------+
| S. M. | S. F. | S. M. | S. F. | S. M. | S. F. |
------------+-------+-------+-------+-------+-------+-------+
Nascimento | -- | -- | -- | -- | -- | -- |
0-1 | -- | -- | -- | -- | 7.500| 7.000|
1-2 | -- | -- | -- | -- | 7.000| 8.700|
2-3 | -- | -- | -- | -- | 11.700| 11.250|
3-4 | -- | -- | -- | -- | 13.600| 14.550|
4-5 | -- | -- | -- | -- | 12.900| 14.290|
5-6 | -- | -- | -- | -- | 13.800| 15.700|
6-7 | 20.400| -- | -- | -- | 17.450| 16.450|
7-8 | 23.400| -- | -- | -- | 19.500| 18.140|
8-9 | 25.200| -- | -- | -- | 20.700| 20.950|
9-10 | 27.500| -- | -- | -- | 22.900| 23.250|
10-11 | 29.600| -- | 26.260| -- | -- | -- |
11-12 | 31.600| -- | 28.390| -- | -- | -- |
12-13 | 35.200| -- | 30.880| -- | -- | -- |
13-14 | 39.000| -- | 32.350| -- | -- | -- |
14-15 | 44.600| -- | 35.630| -- | -- | -- |
15-16 | 50.300| -- | 39.580| -- | -- | -- |
16-17 | 55.200| -- | 46.430| -- | -- | -- |
17-18 | 56.300| -- | 50.000| -- | -- | -- |
18-19 | 59.100| -- | 52.910| -- | -- | -- |
19-20 | 60.500| -- | 54.500| -- | -- | -- |
20-21 | 60.500| -- | -- | -- | -- | -- |
============================================================+
QUADRO N.^o 2 (Continuação)
=============================================================================
| Liceu de | Instituto | Alunos | Médias gerais
| Coímbra | feminino | Marinheiros |
| | de Odivelas | |
Idades +-------+-------+-------+-------+-------+-------+--------+-------
| S. M. | S. F. | S. M. | S. F. | S. M. | S. F. | S. M. | S. F.
------------+-------+-------+-------+-------+-------+-------+--------+-------
Nascimento | -- | -- | -- | -- | -- | -- | 3.236 | 3.103
0-1 | -- | -- | -- | -- | -- | -- | 7.500 | 7.000
1-2 | -- | -- | -- | -- | -- | -- | 7.900 | 8.700
2-3 | -- | -- | -- | -- | -- | -- | 11.700 | 11.250
3-4 | -- | -- | -- | -- | -- | -- | 13.600 | 14.550
4-5 | -- | -- | -- | -- | -- | -- | 12.900 | 14.260
5-6 | -- | -- | -- | -- | -- | -- | 13.800 | 15.700
6-7 | -- | -- | -- | -- | -- | -- | 18.900 | 16.450
7-8 | -- | -- | -- | 21.687| -- | -- | 21.450 | 16.913
8-9 | -- | -- | -- | 23.225| -- | -- | 22.950 | 22.087
9-10 | -- | -- | -- | 24.480| -- | -- | 25.200 | 23.865
10-11 | 28.000| -- | -- | 26.573| -- | -- | 28.200 | 26.573
11-12 | 30.000| -- | -- | 30.170| -- | -- | 30.100 | 30.170
12-13 | 33.000| -- | -- | 36.302| -- | -- | 33.000 | 36.302
13-14 | 37.000| -- | -- | 42.239| -- | -- | 36.200 | 42.239
14-15 | 42.000| -- | -- | 46.510| -- | -- | 41.050 | 46.510
15-16 | 48.500| -- | -- | 49.435| -- | -- | 46.300 | 49.435
16-17 | 53.000| -- | -- | 50.402| 52.500| -- | 52.000 | 50.402
17-18 | 55.000| -- | -- | 51.100| 53.500| -- | 53.500 | 51.100
18-19 | 57.500| -- | -- | 51.372| 54.000| -- | 55.125 | 51.372
19-20 | 60.000| -- | -- | 50.000| 55.000| -- | 56.675 | 50.000
20-21 | 60.500| -- | -- | -- | -- | -- | 60.500 | --
=============================================================================
Finalmente, para a elaboração do quadro n.^o 3 (Perímetro torácico),
cujas médias são a expressão sintética de sete mil mensurações,
contribuíram os seguintes estabelecimentos:
1) Colégio Militar (sexo masculino), com 1.385;
2) Colégio de Campolide (sexo masculino), com 1.223;
3) Liceu de Coímbra (sexo masculino), com 2.225;
4) Escola de alunos marinheiros (sexo masculino),
com 2.167.
QUADRO N.^o 3
(Sexo masculino)
====================================================================
| Colégio | Colégio | Liceu | Escola | Médias
Idades | Militar | de | de | de Alunos | gerais
| | Campolide | Coimbra | Marinheiros |
----------+----------+------------+---------+-------------+---------
6-7 | -- | 57,3 | -- | -- | 57,3
7-8 | -- | 59,3 | -- | -- | 59,3
8-9 | -- | 59,3 | -- | -- | 59,3
9-10 | -- | 60,7 | -- | -- | 60,7
10-11 | 62,5 | 61,9 | 61,4 | -- | 61,9
11-12 | 64 | 63,6 | 63 | -- | 63,5
12-13 | 66 | 65,5 | 65,1 | -- | 65,5
13-14 | 69 | 67,8 | 66,9 | -- | 67,9
14-15 | 72 | 71,2 | 67,1 | -- | 70,1
15-16 | 75,5 | 74,7 | 67,8 | -- | 72,6
16-17 | 78,5 | 77,8 | 79,1 | 83 | 79,6
17-18 | 80 | 79,3 | 80,3 | 85 | 81,1
18-19 | 81,5 | 80,8 | 81,2 | 85 | 82,1
19-20 | 82,5 | 81,8 | 82,7 | 85 | 83
20-21 | -- | 82 | 82,6 | -- | 82,3
4.--As condições em que foram mensuradas tôdas as crianças, a que
estes quadros se referem, assim como a técnica adoptada nas
mensurações, e ainda os gráficos que exprimem as respectivas
médias; tudo isso se pode ver, pormenorizadamente exposto, descrito e
apreciado, em a nossa monografia, já citada, sobre o _«crescimento» da
criança portuguesa_.
5.--Mas, alêm dos elementos enumerados, podemos acrescentar outros,
que daqueles não divergem sensivelmente, e são provenientes do _liceu
Pedro Nunes_, e do Colégio Moderno, de Coímbra, onde presentemente,
com o auxílio dos alunos da Escola Normal Superior, nos entregamos a
estudos de pedometria, no intuito de conhecer e determinar, com
precisão, as leis do crescimento, em Portugal.
A seguinte tabela inscreve as médias das mensurações realizadas, no
referido liceu, no ano lectivo de 1914-1915:
========================================================
| N.^o de | | | Ampl.
Idades | alunos | Altura | Pêso | torácica
--------+---------+-----------+-----------+-------------
9 | 12 | 1^{m},327 | 30^{k},5 | 51^{mm}
10 | 50 | 1^{m},342 | 29^{k},57 | 63^{mm}
11 | 89 | 1^{m},390 | 32^{k},21 | 73^{mm}
12 | 99 | 1^{m},431 | 34^{k},97 | 70^{mm}
13 | 97 | 1^{m},467 | 37^{k},96 | 71^{mm}
14 | 133 | 1^{m},526 | 41^{k},46 | 74^{mm}
15 | 102 | 1^{m},576 | 43^{k},39 | 82^{mm}
16 | 82 | 1^{m},629 | 50^{k},34 | 77^{mm}
17 | 46 | 1^{m},698 | 58^{k},19 | 87^{mm}
18 | 23 | 1^{m},689 | 55^{k},17 | 76^{mm},5
19 | 10 | 1^{m},671 | 59^{k},11 | 84^{mm}
20 | 1 | 1^{m},599 | 56^{k} | 110^{mm}
21 | 1 | 1^{m},683 | 47^{k},6 | 80^{mm}
--------+---------+-----------+-----------+-------------
No capítulo imediato, a propósito do crescimento relativo,
interpretaremos as notações, referentes ao Colégio Moderno, que
incidem sobre cento e vinte crianças, de diferentes idades, tôdas do
sexo masculino, observadas e mensuradas, segundo as prescrições do
método auxanológico.
6.--A seriação de todos os elementos considerados, assim como o
apuramento das respectivas médias, realizado de modo a fazer
corresponder, tanto quanto possível, à realidade os resultados do
cálculo, tornaram possível o traçado dos seguintes gráficos, que
revelam, com suficiente clareza, o ritmo do «crescimento», entre nós.
O primeiro dêstes gráficos (figura n.^o 1) inscreve as _curvas do
crescimento normal, médio, em altura, da criança portuguesa_ (uma para
cada sexo), baseadas, como dissemos, sôbre um total de _vinte e uma mil
e seiscentas mensurações_.
São curvas, estas, denominadas de grandeza, que acusam as _variações
da altura_, em função do tempo[48].
A linha horizontal do diagrama (eixo das abcissas) marca o tempo
(série das idades); a vertical (eixo das ordenadas) inscreve o
espaço (variações métricas da estatura).
A simples inspecção do gráfico convence imediatamente de que, como nas
observações de Quetelet, em relação à Bélgica[49], as crianças
portuguesas do sexo masculino excedem, em altura, durante todo o
percurso da sua evolução, as do sexo feminino.
É certo que o número de dados antropométricos, em que se baseia a
curva do «crescimento» das raparigas, orçando apenas por um sexto
daquele que fundamenta a curva dos rapazes, não pode reputar-se
suficiente, em ordem a conclusões definitivas; mas as mensurações
(aos milhares) do dr. Ferraz de Macedo, para o apuramento da _estatura
média_ em Portugal, acusam, em média, na idade adulta, em favor do
sexo masculino, um excedente que chega a atingir a quantidade apreciável
de dez centímetros[50].
[Figura: Fig. 1]
As diferenças sexuais, de resto, assim reveladas na fisionomia geral
das curvas, pelo paralelismo que nelas se mantêm, até aos catorze
anos, essas diferenças, dizemos, acentuam-se, de modo análogo, em cada
estádio particular e concreto da evolução.
Assim, logo à nascença, por exemplo, a estatura dos rapazes
ultrapassa, em média, em um centímetro, aproximadamente, a das
raparigas; e, a partir dos catorze anos, a disparidade das alturas
adquire tais proporções, que nós aconselhamos os estudiosos a que usem
de uma prudente reserva, relativamente a estas medidas.
Como elemento de confronto, para elucidação completa do assunto, aqui
deixamos consignadas, no presente quadrículo, as notações que se devem
aos pedologistas Variot e Chaumet, em relação à criança francesa:
==========================================
| Altura em centímetros
Idades +---------------+----------------
| Rapazes | Raparigas
---------+-------+-------+-------+--------
1-2 | 74,2 | Difer.| 73,6 | Difer.
2-3 | 82,7 | 8,5 | 81,8 | 8,2
3-4 | 89,1 | 6,4 | 88,4 | 6,6
4-5 | 96,8 | 7,6 | 95,8 | 7,4
5-6 | 103,3 | 6,5 | 101,9 | 6,1
6-7 | 109,9 | 6,6 | 108,9 | 7,0
7-8 | 114,4 | 4,5 | 113,8 | 4,9
8-9 | 119,7 | 5,3 | 119,5 | 5,7
9-10 | 125,0 | 5,3 | 124,7 | 4,8
10-11 | 130,3 | 5,3 | 129,5 | 5,2
11-12 | 133,6 | 3,3 | 134,4 | 4,9
12-13 | 137,6 | 4,0 | 141,5 | 7,1
13-14 | 148,1 | 7,5 | 148,6 | 7,1
14-15 | 153,8 | 8,7 | 152,9 | 4,3
15-16 | 159,6 | 5,8 | 154,2 | 1,3
==========================================
São nada menos de quatro os máximos que, nas curvas apresentadas, se
observam, através das idades de evolução: um, absoluto ou
primário, aos dezasseis anos (para o sexo masculino) e aos catorze
(para o sexo feminino); e três, relativos ou secundários: o primeiro
(para ambos os sexos) ao cabo dos doze meses, depois do nascimento; o
segundo (tambêm para ambos os sexos), aos seis anos; e o terceiro, aos
dez anos (para o sexo masculino) e aos oito (para o sexo feminino).
Estes máximos denotam ou marcam, como é óbvio, no ritmo do
«crescimento», os períodos mais agudos dêste, ou as fases mais
intensivas da energia intra-orgânica, que o determina.
Ponderando tudo, vê-se:
1) que a criança portuguesa (d'ambos os sexos) se desenvolve
enormemente, durante o primeiro ano de vida extra-uterina;
2) que a marcha, em seguida, do seu «crescimento» (ainda que
progressiva) se atenua, desde aí, até aos cinco anos, para, de novo
(embora por pouco tempo), se intensificar, a partir desta idade;
3) que se produz, depois, nessa mesma marcha, um relativo
afrouxamento (mais pronunciado, no sexo feminino), cujo mínimo se
verifica, aos oito anos (para os rapazes) e aos sete (para as
raparigas);
4) que o «crescimento» aumenta, em seguida, com moderação, desde esta
época, até aos doze anos (nos rapazes) e até aos treze (nas
raparigas), para, logo imediatamente depois, cair (sobretudo em
relação ao sexo masculino) num abatimento brusco e momentâneo que, em
breve, cessará;
5) finalmente, que, em seguida a esta relativa quietude fisiológica, o
«crescimento» se acelera, ainda uma vez mais, com forte intensidade,
até aos dezasseis anos (para os rapazes) e até aos catorze (para as
raparigas), sucedendo-se, depois, uma definitiva acalmia, durante a
qual a criança continuará, sem dúvida, a crescer, até ao termo da
sua evolução (dos vinte aos vinte e cinco anos), mas
insensivelmente, de modo muito lento e gradual.
Para concluirmos a análise de todos os elementos, de que podemos
dispor, e cuja síntese se encontra nas curvas, que temos
considerado, relativamente à estatura da criança portuguesa, nos
diferentes estádios do seu «crescimento», resta ainda (para clara
inteligência dos problemas antropométricos, cuja solução nos
interessa) referir os factos adquiridos aos seus _antecedentes
naturais_, e procurar interpretá-los, de conformidade com as _leis da
lógica_ e os princípios da sciência.
A criança, quando nasce, sofre, pela mudança de meio, a rutura dum
equilíbrío orgânico, que lhe põe a vida em risco, pelas
perturbações, a que dá origem, no funcionamento de todos os órgãos.
«Il faut, diz Ruyssen, sous peine de mort, que l'enfant s'accommode au
milieu»[51].
Esta adaptação a novas condições de existência, agravada, quási
sempre, pela crise genital do recêm-nascido (puberdade transitória),
gera uma luta, que determina, pela dinâmica da acção, o
desenvolvimento bio-psíquico da criança, tanto mais intenso e
forte, quanto maior é a impulsão natural para um novo equilíbrio
que, em ordem à consolidação das aquisições realizadas, substitua
aquele que foi comprometido, pela transição brusca e violenta da _vida
parasitária_ para a existência independente.
Não é, por isso, de admirar que, durante a infância (princípio do
segundo ano), as energias do crescimento sofram uma depressão, que
lhes atenue o poder ascensional, de que são dotadas; e que se
estabeleça êsse novo equilíbrio provisório que, por sua vez, ao cabo
de quatro anos (então já em plena puerícia), do mesmo modo, será
sacrificado, em holocausto àquelas mesmas energias, que exigem, no ser
que lhes está subordinado, novas combinações somáticas, e diferentes
proporções dos segmentos do seu organismo.
Realizadas, porêm, que sejam essas combinações, e atenuada a _crise de
expansão_, que as provoca, não há dúvida que, consoante se depreende dos
factos examinados, mais um equilíbrio (o terceiro, segundo a _ordem
cronológica_) se produzirá, agora com estabilidade menos precária, do
que os anteriores, visto que deverá subsistir, até ao fim da
adolescência (aos treze anos, para os rapazes; e aos doze, para as
raparigas), e só desaparecerá, com a crise pubertária (de tôdas a
mais enérgica e fecunda em transformações físicas e mentais), que
sobrevirá, por essa ocasião, na vida instável e agitada da criança.
Esta crise durará três anos, e será a última do «crescimento»,
seguindo-se-lhe o equilíbrio orgânico definitivo, que só a doença
poderá comprometer, e a morte logrará destruir.
[Figura: CURVAS DO CRESCIMENTO NORMAL, MÉDIO, EM DENSIDADE (PÊSO), DA
CRIANÇA PORTUGUESA (117.010 PESAGENS)
Fig. 2]
7.--O segundo dos gráficos indicados [(agora aqui presente) (figura
n.^o 2)] representa, nas respectivas curvas (uma para cada sexo), a
marcha do «crescimento» normal, médio, em densidade (pêso) na
criança portuguesa.
Observando estas curvas, reconhece-se, desde logo, que a fisionomia
delas é sensivelmente diferente da que oferecem as das estaturas, que
temos examinado.
As raparigas (contràriamente ao que sucede, em relação à altura)
apenas são inferiores (em pêso) aos rapazes, no primeiro ano; desde os
seis aos doze anos; e depois dos dezassete anos. Em tôdas as outras
idades, manteem sobre êles uma superioridade, que chega a ser
surpreendente, pelos catorze anos.
Mas as inflexões recíprocas das duas curvas, que se cruzam e
mutuamente se penetram, não são sem simile, em países estrangeiros.
Veja-se, por exemplo, a seguinte tabela de Variot e Chaumet, relativa à
França:
============================================
| Pêso em quilogramas
Idades +----------------+-----------------
| Rapazes | Raparigas
---------+--------+-------+--------+--------
1-2 | 9,500 | Difer.| 9,300 | Difer.
2-3 | 11,700 | 2,2 | 11,400 | 2,1
3-4 | 13,000 | 1,3 | 12,500 | 1,1
4-5 | 14,300 | 1,3 | 13,900 | 1,4
5-6 | 15,900 | 1,6 | 15,200 | 1,3
6-7 | 17,500 | 1,6 | 17,400 | 2,1
7-8 | 19,100 | 1,5 | 19,000 | 1,6
8-9 | 21,100 | 2,1 | 21,200 | 2,2
9-10 | 23,800 | 2,7 | 23,900 | 2,7
10-11 | 25,500 | 1,8 | 26,600 | 2,7
11-12 | 27,700 | 2,1 | 29,000 | 2,4
12-13 | 30,100 | 2,4 | 33,800 | 3,8
13-14 | 35,700 | 5,6 | 38,300 | 4,5
14-15 | 41,900 | 6,2 | 43,200 | 4,0
15-16 | 47,500 | 5,6 | 46,000 | 2,8
============================================
Todavia, as assinaladas diferenças sexuais, e outras, que omitimos,
não impedem que, dum modo geral, tanto rapazes, como raparigas,
obedeçam às mesmas leis, e sofram influências análogas. Há só uma
reserva a fazer, e é que, em regra, o «crescimento» das raparigas é
menos irregular nos acidentes (comparem-se as duas curvas) e quási
sempre mais precoce, do que o dos rapazes.
Foi êste facto, que sugeriu ao Dr. Claparède a idea de comparar a um
match de corrida o «crescimento» dos dois sexos: «la croissance
comparée des filles et des garçons, diz êle, ressemble à un match de
course; garçons et filles partent ensemble, mais celles-ci, un instant
devancées, prennent bientôt les devans, puis leurs concurrents les
ratrapent et les dépassent, mais elles les dépassent de nouveau jusqu'à
ce que, enfin, les garçons l'emportent définitivement»[52].
Examinem-se as nossas curvas, e ver-se há que, com leves e acidentais
modificações, é precisamente o que se verifica na dinâmica do
«crescimento» português.
Nota-se assim que, nesta dinâmica, são três as principais fases do
«crescimento» enérgico, máximo, em densidade:
1) durante o primeiro ano (em ambos os sexos);
2) pelos seis anos (para os rapazes) e pelos oito (para as
raparigas);
3) pelos quinze, aproximadamente (nos rapazes), e pelos doze (nas
raparigas).
A primeira crise (e talvez a segunda) constituem, na opinião de
Camerer, uma «continuação da excessiva energia fetal do «crescimento»;
quanto à última, a sua explicação adequada encontra-se no advento e
na instalação da Puberdade[53].
8.--Para conclusão desta primeira parte do nosso estudo («crescimento»
absoluto da criança portuguesa), resta apresentar o gráfico da
curva, relativa ao perímetro torácico, que é o que, a seguir, na
página imediata (fig. n.^o 3), publicamos.
Esta curva pertence ao sexo masculino; não abrange a série tôda das
idades infantis; e apenas se baseia num total de sete mil
mensurações; contudo, não deixamos de reputar suficiente êsse número
para, sobre êle, estabelecer alguns princípios, e formular
determinadas conclusões.
[Figura: CURVA DO PERÍMETRO TORÁCICO (7.000 MENSURAÇÕES).
Fig. 3]
Como geralmente se sabe, o perímetro torácico (medida sintética da
espessura e da largura do tórax) é maior ou menor, consoante a
criança já entrou na puberdade, ou ainda permanece nas _fases
inferiores da evolução_[54].
Ora, as notações, que constituem a presente curva, não fazem
excepção àquela regra; alêm disso, como veremos, em lugar próprio, as
outras dimensões somáticas, que lhes correspondem, acham-se na _razão
inversa_ das projecções verticais, com que coincidem.
Êste facto e outros análogos, que estabeleceremos, servirão para
demonstrar a absoluta veracidade destas palavras de Pierre Mendousse:
«Chacun sait qu'entre le corps d'un petit enfant et celui d'un adulte il
y a des différences non seulement dans la grandeur totale, mais aussi
dans les proportions des diverses parties. Depuis le moment de la
naissance, chacune de celles-ci semble croître sinon pour son propre
compte, du moins suivant un rythme plus ou moins accéléré, d'où résulte
pour chaque âge un canon spécial de la forme humaine, variable
d'ailleurs dans une certaine mesure suivant la race, l'état de santé, la
nourriture, etc. Dans ce progrès continu, l'avènement de la puberté
détermine non seulement un accroissement de vitesse, mais sourtout des
variations plus rapides qu'auparavant dans les proportions extérieures
et plus encore dans le volume et le poids des organes, dont les uns
semblent s'hypertrophier, pendant que les autres se développent moins
vite ou s'atrophient, de sorte que l'état cénesthésique de l'adolescent
subit de profondes modifications, parfois douloureuses j'usqu'à la
défaillance, en particulier lorsque, vers les dix-huit ans, la
croissance s'étant ralentie, un nouvel état d'équilibre s'établit entre
les systèmes organiques devenus adultes».
Para confronto elucidativo, aqui reproduzimos a _tabela de
Pagliani_[55], com as suas duas séries de medidas, relativas à
capacidade vital e à circunferência torácica:
========================================
Idades | Capacidade | Circunferência
| vital | torácica
---------+------------+-----------------
10 | 1660 | 61
11 | 1700 | 61,2
12 | 1860 | 62,8
13 | 2045 | 65,2
14 | 2100 | 66,4
15 | *2445* | *69,5*
16 | 2485 | 70,3
17 | 2660 | 71,6
18 | 3115 | 72,6
========================================
Observando, agora, a fisionomia geral da evolução torácica, tal como
se esboça, em o nosso gráfico, a partir do plano horizontal,
existente entre os oito e os nove anos, nota-se, desde logo, uma
pronunciada ascensão da curva, que adquire gradual e progressiva
intensidade, à medida que a criança se vai aproximando do _fim
natural_, para que tende.
Logo, porêm, que êste movimento ascensional atinge os quinze anos
(fase pubertária), a sua aceleração torna-se tam brusca e
rápida, que quási se confunde com a vertical o fragmento de curva,
que a exprime.
Chega, depois, o máximo (aos dezassete anos); e, conquanto (até à
idade adulta) o tórax continue sempre a crescer mais, do que a
estatura[56], todavia, daí por diante, nenhuma variação dêsse
crescimento igualará jamais aquelas que, até lá, se produziram.
CAPITULO III
Insuficiência do estudo do «crescimento» absoluto para a solução de
todos os problemas antropométricos. «Crescimento» relativo ou
segmentar; sua determinação, tanto sintética, como analítica, pelo
confronto dos respectivos elementos.
1.--A determinação do ritmo do crescimento não basta em Pedologia,
porque, como vimos, há outras leis que as medidas sintéticas não
revelam.
A estatura, como síntese que é das alturas segmentares do corpo
acima do solo, valerá o que valêrem estas; por si só, essa medida
apenas significa que tal pessoa é grande ou pequena, o que é de
importância mínima, em pedometria; e, às vezes, até de _valor
negativo_, como sucederá, por exemplo, nos casos de _gigantismo com
infantilismo_, em que a _estatura cresce, à custa doutras dimensões
essenciais_ (largura, grossura, espessura) do sólido humano[57].
Pelo seu lado, o pêso nem sempre deve ser considerado, como exprimindo
um valor activo nos fenómenos do «crescimento», pois pode suceder que,
em vez de uma densidade muscular, acuse uma densidade adiposa, a
qual, como é óbvio, não passa de uma reserva e, às vezes, até dum
obstáculo à seqùência normal daqueles fenómenos.
Não há dúvida que a medida do pêso, em circunstâncias normais e,
sobretudo, a da sua evolução, constituem um meio excelente de avaliar
da saúde e do estado de nutrição da criança; a verdade, porêm, é que
não é êsse o único problema métrico a esclarecer: outros há que o
pêso, só por si, não resolve.
[Figura: Fig. 4]
Finalmente, o perímetro torácico (medida de valor apreciável, quando
relacionada com outras medidas) presta-se tambêm a _interpretações
erróneas_, por isso mesmo que pode representar, sob a _máscara da
gordura_, um falso volume do organismo.
A conclusão impõe-se, em relação a cada uma das mensurações indicadas,
considerada de per si; mas há casos, em que nem tôdas juntas
inspirarão maior confiança.
Examine-se, por exemplo, êste retardatário (figura n.^o 4), de quinze
anos e meio de idade, o qual, a julgar pela altura (quási de adulto),
pelo pêso (relativamente enorme), e pelo perímetro torácico
(considerável), se deveria reputar em _óptimas condições de
crescimento_; ¡e, todavia, não se trata senão de uma pobre criança
que, à hora das suas mensurações, não havia ainda feito a puberdade,
nem talvez jamais a chegasse a fazer!...[58].
É um caso típico de infantilismo total, tanto somático, como psíquico.
A investigação scientífica do «crescimento» descobriu que uma das leis
mais importantes dêste é a das proporções.
O vigor do organismo humano e o seu desenvolvimento normal, através
das idades de evolução (infância, puerícia, adolescência, puberdade,
nubilidade) não dependem sòmente do aumento, em altura, grossura, e
densidade; mas tambêm e principalmente das dimensões relativas de
todos os segmentos, que constituem êsse organismo.
Não é possível elaborar, acertadamente, um quadro de médias,
considerando apenas as medidas enumeradas; o que importa é pesquizar
a fórmula específica do nosso crescimento, construir o _cânon
antropométrico_ da criança portuguesa, _em tôdas as idades, e de ambos
os sexos_.
Achado êsse padrão, por êle será aferido o «crescimento», sendo então
fácil definí-lo e julgá-lo, com absoluta segurança.
2.--Os antigos falaram, por vezes, das proporções do corpo humano,
nas diferentes fases da sua evolução; a verdade, porêm, é que só a
sciência contemporânea logrou resolver o problema[59].
Sem querermos aprofundar agora êste assunto, basta ponderar que, depois
dos trabalhos definitivos de Manouvrier[60], não é possível continuar
a crêr nas curiosas ficções de Stratz que, havendo adoptado o
critério de Vitrúvio, afirmava incluir-se, oito vezes, a cabeça, na
estatura do adulto; sete, na do púbere; seis, na do adolescente;
cinco, na do infante; e quatro, na do recêm-nascido[3].
Não há de ser um segmento do corpo humano a medida comum das
dimensões reaes dêste; mas uma unidade métrica exterior: o
milímetro, como se acha estabelecido, em pedometria.
Seguindo na esteira desta orientação, e estabelecendo, desde já, o
confronto das medidas sintéticas, de que dispomos, não padece dúvida,
que o crescimento relativo da criança portuguesa denuncia, na sua
marcha progressiva, uma clara influência da lei da alternância, e
não se afasta sensivelmente das normas, a que se atende, em
pedologia.
Comparando, por exemplo, a curva da altura com as curvas do pêso
(figura n.^o 5) e do perímetro torácico (figura n.^o 6), reconhece-se,
desde logo, que, em relação ao sexo masculino, tanto a densidade, como
a grossura do organismo, só ultrapassam a altura, depois dos quinze
anos, que é a época, em que as dimensões horizontais entram de
contribuir mais, do que as verticais para o crescimento do _sólido
humano_.
Pelo que temos observado, ininterruptamente, a partir de 1903, a
puberdade masculina faz-se, em regra, entre nós, desde os catorze até
aos dezasseis anos, e a feminina, desde os doze até aos catorze[62].
Normalmente, os primeiros sinais da puberdade (P.^1) aparecem, no
sexo masculino, pelos treze ou treze anos e meio; no sexo feminino,
pelos onze ou onze e meio; e a sua instalação definitiva (P.^3 A.^1),
respectivamente, pelos catorze e doze anos. Alêm disso, importa notar
que o encerramento da fase pubertária (P.^5 A.^{3, 4 ou 5}) se realiza
sempre, ao cabo de dois anos, volvidos sôbre aquela instalação[63].
[Figura: Fig. 5]
Examinando o gráfico da figura 5, vê-se que efectivamente o _aumento
progressivo do pêso_ se intensifica, a partir dos catorze anos; e que é
precisamente aos dezasseis (P.^5 A.^5) que a respectiva curva adquire
sôbre a da estatura uma ascendência, que jamais cessará[64].
Mas é natural; porque, como se depreende do gráfico n.^o 6, a
criança, principiando a engrossar, em progressão intensiva, dos
quinze para os dezasseis anos (instalação definitiva, ou já
encerramento da puberdade), claro está que aumentará de densidade;
donde resulta o paralelismo, ou a semelhança fisionómica das duas
curvas (pêso e perímetro torácico).
Em contraprova, examine-se ainda o gráfico da figura n.^o 7, que
inscreve (para confronto) as curvas do pêso e do _perímetro
torácico_.
Depois dos nove ou dez anos, essas curvas caminham quási paralelamente
(como não podia deixar de ser); e, só depois dos dezassete anos, em que
é atingido o máximo absoluto comum, é que surgem inflexões, cuja
natureza importa à pediatria explicar.
Em os nossos exemplares de observação e estudo, há um (do sexo
feminino), em que se realizam, com notável precisão, as leis, a que
nos temos referido. O crescimento, em altura, como se pode
verificar, em face do gráfico da figura n.^o 8, acusa, pelos treze
anos, um aumento considerável, que teve o seu início, por ocasião do
aparecimento e instalação da puberdade; e podemos acrescentar que
essa progressão não afrouxou ainda, até a êste momento[65].
Mas não constituem os factos aduzidos todo o material, de que seja
possível dispor, para a organização scientífica dos _cânones
antropométricos_ das idades evolutivas da criança portuguesa.
[Figura: Fig. 6]
[Figura: Fig. 7]
[Figura: Fig. 8]
Temos medidas segmentares, que podem aproveitar a êsse fim; e vamos
apreciá-las, no capítulo imediato.
CAPÍTULO IV
Medidas segmentares para avaliação do crescimento relativo, ou das
proporções do corpo, nas idades de evolução. Cânones
antropométricos da criança portuguesa
1.--O estudo das _proporções métricas do corpo humano, desde o
nascimento, até à idade adulta_, exige que se considerem _três ordens de
segmentos_:
1) projecções verticais;
2) diâmetros;
3) perímetros ou circunferências.
Dos elementos da primeira categoria, interessam-nos, de modo especial,
em relação ao eixo do corpo, as alturas da cabeça e do tronco; e, em
relação aos apêndices, as dimensões (no seu conjunto) do _membro
torácico_ e do membro abdominal.
Como, em o nosso país, não existem (que nós saibamos) mensurações das
referidas alturas, procuramos, ao presente, obtê-las, em quantidade
e qualidade suficiente, sobre alunos do Colégio Moderno[66].
Á segunda categoria pertencem os diâmetros, tanto cranianos, como
torácicos, e pélvicos; mas de tôdas estas dimensões horizontais
algumas medidas possuímos, em condições de serem utilizadas; podendo
dizer-se o mesmo, em relação aos elementos da última classe:
perímetros, quer cranianos, quer torácicos, e ainda pélvicos.
As tabelas que, a seguir, publicamos consubstanciam todos êsses
elementos:
TABELA N.^o 1 (Maternidade de Lisboa)[67]
===================================================================
Número de mensurações | Diâmetros cranianos | Perímetros cranianos
----------+-----------+----------+----------+----------------------
S. M. | S. F. | O F[68] | B P[68] | S O F[68]
----------+-----------+----------+----------+----------------------
1491 | 1386 | 11,58 | 9,35 | 32,78
===================================================================
Estas mensurações (tabela n.^o 1) foram feitas _imediatamente depois
do nascimento_, sobre crianças que satisfaziam às condições seguintes:
1) «d'être nés vivants»;
2) «d'être nés par le sommet»;
3) «d'avoir été dégagés en OP.»;
4) «d'être des enfants à terme».
Quanto ao seu valor antropológico, não são essas medidas cefálicas
de natureza a inspirar-nos uma grande confiança, porquanto, como o
próprio autor diz: "la prise des mesures céphaliques est encore plus
difficile que celle des longueurs. D'abord, il est impossible qu'elles
soient, toutes, prises par la même personne, quand on opère sur un grand
nombre d'enfants, comme nous le faisons; puis, il faut compter avec la
difficulté inhérente à l'opération, quand il s'agit d'un enfant vivant,
comme c'est notre cas, la difficulté d'employer un instrument de
précision, et encore la difficulté de bien établir, pour tous les cas,
les mêmes points de repère, en les marquant toujours d'une manière
identique et irréprochable. _Aussi, nos mesures ne prétendent guère à la
rigueur d'une étude anthropométrique. Nous avons tout simplement cherché
à établir quelle serait, à peu près, la grandeur de la tête foetale,
tout de suite après la naissance_, pour obtenir, autant que possible,
une idée de la grandeur des diamètres de l'ovoide céphalique du foetus,
à l'occasion de sa descente par la filière génitale»[69].
Nem é para admirar que assim seja, por isso mesmo que a iniciativa das
duas mil oitocentas e setenta e sete mensurações, cujas médias a
mencionada tabela exprime, não tinha um _fim antropológico, mas tam
sòmente obstétrico_.
Todavia, não são para rejeitar, in limine, tam numerosas
observações; antes supomos muito conveniente a sua _seriação, como
subsídio para a avaliação indirecta da capacidade craniana do
recêm-nascido; e, portanto, do volume e pêso do seu cérebro_[70].
TABELA N.^o 2 (Observações de Costa Sacadura)[71]
=================================================================
Número de | Diàmetros | Perímetros
mensurações | cranianos | cranianos
--------+-------+---------------+---------------+----------------
S. M. | S. F. | O F | B. P. | S O F
--------+-------+-------+-------+-------+-------+-------+--------
| | S. M. | S. F. | S. M. | S. F. | S. M. | S. F.
256 | 273 +-------+-------+-------+-------+-------+--------
| | 11,22 | 10,96 | 8,92 | 8,87 | 32,51 | 32,33
--------+-------+-------+-------+-------+-------+-------+--------
Médias sem | | |
distinção | 11,09 | 8,89 | 32,42
de sexo | | |
=================================================================
As médias da tabela n.^o 2 resultam de cálculos efectuados sobre
quinhentas e vinte e nove mensurações de diâmetros e _perímetros
cranianos_ de recêm-nascidos, vivos, d'ambos os sexos, na _Maternidade
de Lisboa_, em 1904, pelo chefe de clínica dêsse estabelecimento, dr.
Costa Sacadura.
Essas mensurações, de rigor absoluto, quanto ao processo técnico,
tambêm foram feitas logo à nascença, como as da tabela n.^o 1; e,
conquanto se destinassem a servir intuitos exclusivamente clínicos,
todavia, nada obsta a que as aproveitemos (pelo menos O F, B P e _S
O F_, para o nosso fim antropológico: _determinação do índice cefálico
do recêm-nascido português_.
É certo que, pela ocasião em que foram tomadas, essas medidas exprimem
_dimensões de uma cabeça, que pode ter sido deformada pelo trabalho do
parto_; mas tambêm não padece dúvida, que êsse facto carece de eficácia
para invalidar aquela determinação, porquanto, em _matéria de
cèfalometria do recêm-nascido_, não se pode contar com certezas; mas
tam sòmente com aproximações[72].
Como se depreende da presente tabela (n.^o 3), as médias das
respectivas dimensões cefálicas, derivam de 49 observações,
realizadas no hospital geral de Santo António, do Pôrto, pelo dr.
Manuel Álvares Pereira Carneiro Leal.
TABELA N.^o 3 (Observações de Manuel Carneiro Leal)[73]
=================================================================
Número de | Diàmetros | Perímetros
mensurações | cranianos | cranianos
--------+-------+---------------+---------------+----------------
S. M. | S. F. | O F | B. P. | S O F
--------+-------+-------+-------+-------+-------+-------+--------
| | S. M. | S. F. | S. M. | S. F. | S. M. | S. F.
23 | 25 +-------+-------+-------+-------+-------+--------
| | 11,6 | 11,2 | 9,2 | 9,1 | 32,9 | 32,2
--------+-------+-------+-------+-------+-------+-------+--------
Médias sem | | |
distinção | 11,4 | 9,1 | 32,5
de sexo | | |
=================================================================
Dessas mensurações, excluem-se as que se referem a nados-mortos; mas
consideram-se as que pertencem a _recêm-nascidos de fraca
viabilidade_[74].
Aproximando agora as médias de tôdas as dimensões, que os três
mapas apresentados consubstanciam, podemos organizar o quadro geral
(n.^o 4) das medidas cefálicas do _recêm-nascido português, baseado em
três mil quatrocentas e cinqùenta mensurações, absolutamente
comparáveis_, porquanto, a-pesar-de realizadas por várias pessoas,
todavia, nem deixou de ser a mesma a técnica empregada, nem foram
diferentes as circunstâncias, em que se operou.
QUADRO N.^o 4 (_Diâmetro e Perímetro craniano
do recêm-nascido português_)
=================================================================
| | Diàmetros | Perímetros
Número | Nomes | cranianos | cranianos
de | dos +---------+--------+------------
observações | observadores | O F | B P | S O F
--------------+------------------+---------+--------+------------
2877 | Alfredo da Costa | 11,58 | 9,35 | 32,78
529 | Costa Sacadura | 11,09 | 8,89 | 32,42
48 | Carneiro Leal | 11,40 | 9,10 | 32,50
--------------+------------------+---------+--------+------------
Médias gerais (centímetros) | *11,35* | *9,11* | *32,56*
=================================================================
O índice cefálico médio dos portugueses, segundo as observações de
Ferraz de Macedo[75], Costa Ferreira[76], Álvaro Basto[77], Sant'Ana
Marques[78] e Fonseca Cardoso[79], é de 76,4, no vivo, e de 74,5, no
crânio.
Mas êste índice (apenas variável entre 78,7 e 75,2, nos 17
distritos) é o do adulto[80].
Que saibamos, não existem, em o nosso país, quaisquer trabalhos sobre
o _índice cefálico da criança portuguesa, nas diferentes idades da sua
evolução_, a começar no recêm-nascido; crêmos, todavia, que os
elementos, constantes do quadro n.^o 4, não poderão deixar de
reputar-se suficientes para legitimarem a adopção (ao menos, _a título
provisório_) da expressão 80,2, como valor médio do referido
índice, em relação ao recêm-nascido[81].
2.--Prosseguindo, apresentamos agora a seguinte tabela (n.^o 4), que
condensa os resultados (absolutamente inéditos) das observações
feitas no Liceu de Coímbra, nas circunstâncias que já indicámos, a
propósito da estatura.
A média do índice cefálico, correspondente a cada uma das idades
consideradas, figura numa coluna desta tabela.
TABELA N.^o 4 (Diâmetros cranianos, de alunos do Liceu de Coimbra)
=============================================+
| | |
| Antero-posterior máximo | |
| | |
Idades +--------------+--------------+ Média |
| | | | | | |
|12-15|16-19|20-23|24-27|28-31| |
| | | | | | |
-------+-----+-----+-----+-----+-----+-------+
| | | | | | |
10-11 | --- | 60 | 3 | --- | --- | 17,6 |
11-12 | --- | 120 | 13 | --- | --- | 17,8 |
12-13 | --- | 163 | 10 | --- | --- | 17,7 |
13-14 | --- | 144 | 13 | --- | --- | 17,8 |
14-15 | --- | 128 | 20 | --- | --- | 18 |
15-16 | --- | 101 | 39 | --- | --- | 18,6 |
16-17 | --- | 96 | 60 | --- | --- | 19 |
17-18 | --- | 80 | 62 | 1 | --- | 19,2 |
18-19 | --- | 59 | 61 | --- | --- | 19,5 |
19-20 | --- | 31 | 38 | --- | --- | 19,5 |
20-21 | --- | 20 | 23 | --- | --- | 19,6 |
| | | | | | |
=============================================+
================================================================
| | |
| Transverso máximo | |
| | |
Idades +--------------+--------------+ Média | Índice cefálico
| | | | | | |
|12-14|15-17|18-20|21-23|24-26| |
| | | | | | |
-------+-----+-----+-----+-----+-----+-------+------------------
| | | | | | |
10-11 | 50 | 17 | --- | --- | --- | 13,7 | 77,8
11-12 | 102 | 31 | --- | --- | --- | 13,6 | 76,2
12-13 | 123 | 50 | --- | --- | --- | 13,8 | 77,9
13-14 | 102 | 55 | --- | --- | --- | 14 | 78,7
14-15 | 86 | 58 | 4 | --- | --- | 14,3 | 79,4
15-16 | 52 | 88 | --- | --- | --- | 14,8 | 79
16-17 | 60 | 96 | --- | --- | --- | 14,8 | 77,8
17-18 | 50 | 93 | --- | --- | --- | 14,9 | 77,6
18-19 | 36 | 84 | --- | --- | --- | 15 | 76,9
19-20 | 20 | 49 | --- | --- | --- | 15,1 | 77,5
20-21 | 14 | 29 | --- | --- | --- | 15 | 76,5
| | | | | | |
================================================================
[Figura: POLÍGONO DE VARIAÇÃO DO INDICE CEFÁLICO, EM RELAÇÃO À IDADE
Fig. 9]
Consoante se depreende dos valores expressos na tabela n.^o 4, a
forma craniana que subsiste nos alunos do liceu de Coímbra, _em tôdas
as idades da sua evolução, a partir dos dez anos_, é a mesaticéfala,
segundo a nomenclatura de Topinard[82].
De facto, basta reparar no gráfico da figura n.^o 9 para, desde logo,
reconhecer que os valores extremos, registados (76,2--79,4), não
deixam de pertencer à mesma classe de índices, que ocupa a _posição
média_ entre a dolicocefalia e a braquicefalia.
Êste facto, que é fecundo em conseqùências, para o _estudo
ântropo-sociológico_ do nosso grupo étnico[83], acha-se plenamente
confirmado pelas observações realizadas na _Escola de alunos
marinheiros do Norte_.
Essas observações constam do mapa ou tabela n.^o 5 que, a seguir,
publicamos:
TABELA N.^o 5 (Alunos marinheiros)
===============================================================================
| Diâmetros cranianos |
+-------------------------------+-------------------------------+ Índice
Idades| Anos 1913-1914 | Anos 1914-1915 |cefálico
+-------------------------------+-------------------------------+
| Antero-posterior | Transverso | Antero-posterior | Transverso |
------+------------------+------------+------------------+------------+--------
| | | | |
16-17 | 18,3 | 14,5 | 19,1 | 14,7 | 78
17-18 | 19,2 | 14,7 | 19,2 | 14,6 | 76
18-19 | 19 | 14,5 | 19,3 | 14,5 | 75,5
19-20 | -- | -- | 20 | 15 | 75
| | | | |
===============================================================================
Confrontando os índices cefálicos desta tabela (n.^o 5) com aqueles
que lhes correspondem, na tabela n.^o 4 (liceu de Coímbra), notam-se,
sem dúvida, diferenças consideráveis; mas importa ponderar, que _essas
diferenças não são tamanhas, como à primeira vista poderia parecer,
visto que elas não importam nos_ *adolescentes*, _a que se referem, uma
mudança de classe, quanto à forma craniana, que se mantêm mesaticéfala_.
Com relação a medidas cefálicas, devemos registar ainda o _perimetro
craniano_, medido, na Escola de alunos marinheiros, durante dois anos
consecutivos, em mais de cento e cinqùenta rapazes.
A seguinte tabela (n.^o 6) condensa as respectivas mensurações.
E, da mesma procedência, podemos ainda mencionar (em matéria de
dimensões horizontais) as notações, que se referem ao perímetro e
aos diâmetros da bacia dos alunos considerados, as quais se acham
sintetizadas nas médias das tabelas (n.^{os} 7 e 8) que, a seguir,
publicamos:
TABELA N.^o 6 (Alunos marinheiros)
======================================================
| Perímetro craniano |
Idades +----------------+----------------+ Médias
| Ano 1913-1914 | Ano 1914-1915 |
-------+----------------+----------------+------------
| | |
16-17 | 55 | 55,5 | 55,2
17-18 | 54,9 | 55,3 | 55,1
18-19 | 54,6 | 55,7 | 55,1
19-20 | 56 | -- | 56
| | |
======================================================
TABELA N.^o 7 (Alunos marinheiros)
===============================
| Perímetro pélvico
Idades +-----------------------
| Ano 1914-1915
-------+-----------------------
|
16-17 | 78,5
17-18 | 79,3
18-19 | 80,2
19-20 | 83
|
===============================
TABELA N.^o 8 (Alunos marinheiros)
===============================================================================
| Diâmetros pélvicos |
+---------------------------------+-----------------------------+Índice
Idades| Anos 1913-1914 | Anos 1914-1915 |pélvico
+---------------------+-----------+-----------------+-----------+
| Antero-posterior[84]| Transverso| Antero-posterior| Transverso|
------+---------------------+-----------+-----------------+-----------+--------
| | | | |
16-17 | 17,7 | 25,2 | 18,8 | 26,4 | 70,7
17-18 | 18,5 | 25,9 | 19,3 | 26,5 | 72,1
18-19 | 20,5 | 26,3 | 20 | 26,8 | 76,2
19-20 | 20,6 | 26,6 | 20,3 | 27 | 76,2
| | | | |
===============================================================================
3.--Um dos elementos mais importantes para a avaliação das _proporções
do corpo humano_ é aquele que deriva das _mensurações diametrais do
tronco_, isto é, dos diâmetros pélvicos (já considerados), e dos
diâmetros torácicos[85].
As tabelas n.^{os} 9, 10 e 11 que, a seguir, publicamos, resumem as
mensurações comparáveis dos diâmetros torácicos de crianças,
pertencentes ao liceu de Coímbra, ao extinto colégio de Campolide, e
à escola de alunos marinheiros do norte[86].
TABELA N.^o 9 (Liceu de Coimbra) (Diâmetros torácicos)
==============================================
| Diâmetro ântero-posterior | |
Idades +-----+-----+-----+-----+-----+ Médias|
|12-15|16-19|20-23|24-27|28-31| |
-------+-----+-----+-----+-----+-----+-------+
| | | | | | |
10-11 | 133 | 8 | 1 | --- | --- | 13,7 |
11-12 | 141 | 34 | --- | --- | --- | 13,9 |
12-13 | 100 | 46 | --- | --- | --- | 14,7 |
13-14 | 65 | 80 | 3 | --- | --- | 15,8 |
14-15 | 20 | 85 | --- | --- | --- | 16,7 |
15-16 | 10 | 100 | 90 | --- | --- | 19,1 |
16-17 | 8 | 80 | 100 | 47 | --- | 20,6 |
17-18 | 5 | 40 | 100 | 30 | --- | 21 |
18-19 | --- | 37 | 98 | 35 | --- | 21,4 |
19-20 | --- | 5 | 70 | 20 | --- | 22,1 |
20-21 | --- | --- | 60 | 17 | 15 | 22,5 |
| | | | | | |
==============================================
===============================================================================
| Diâmetro transverso | |Índice torácico
Idades +-----+-----+-----+-----+-----+-----+-----+-----+Médias|(sem fracções)
|12-14|15-17|18-20|21-23|24-26|27-29|30-32|33-35| |
-------+-----+-----+-----+-----+-----+-----+-----+-----+------+----------------
| | | | | | | | | |
10-11 | -- | -- | 120 | 22 | -- | -- | -- | -- | 19,4 | 141
11-12 | -- | -- | 126 | 43 | 6 | -- | -- | -- | 19,9 | 143
12-13 | -- | -- | 100 | 20 | 26 | -- | -- | -- | 20,4 | 138
13-14 | -- | 3 | 3 | 132 | 10 | -- | -- | -- | 22 | 139
14-15 | -- | -- | 7 | 72 | 26 | -- | -- | -- | 22,5 | 134
15-16 | -- | -- | -- | 15 | 113 | 60 | 12 | -- | 26 | 136
16-17 | -- | -- | 2 | 9 | 60 | 103 | 61 | -- | 27,2 | 136
17-18 | -- | -- | -- | -- | 44 | 124 | 7 | -- | 27,3 | 134
18-19 | -- | -- | -- | 2 | 12 | 130 | 26 | -- | 28 | 130
19-20 | -- | -- | -- | -- | 11 | 70 | 14 | -- | 29 | 131
20-21 | -- | -- | -- | -- | 8 | 50 | 34 | -- | 29,8 | 132
| | | | | | | | | |
===============================================================================
TABELA N.^o 10 (Colégio de Campolide) (Diâmetros torácicos)
===================================================================
| Diâmetro | Diâmetro | Índice
Idades | ântero-posterior | transverso | torácico
| (médias) | (médias) | (sem fracções)
---------+------------------+------------------+-------------------
| | |
6-7 | 14,4 | 20 | 138
7-8 | 15,4 | 19,5 | 126
8-9 | 15,2 | 19,5 | 128
9-10 | 15,7 | 19,7 | 125
10-11 | 15,7 | 20,5 | 130
11-12 | 16 | 21,1 | 132
12-13 | 16,6 | 21,6 | 130
13-14 | 17 | 22,4 | 132
14-15 | 17,6 | 23,4 | 132
15-16 | 18,4 | 24,7 | 134
16-17 | 18,9 | 25,6 | 146
17-18 | 19,4 | 26 | 134
18-19 | 19,4 | 26,4 | 136
19-20 | 20 | 26,5 | 132
20-21 | 18,4 | 27 | 146
| | |
===================================================================
TABELA N.^o 11 (Alunos marinheiros) (Diâmetros torácicos)
=========================================================
| Diâmetro | Diâmetro |
| ântero-posterior | transverso |
Idades +-----------+-----------+-----------+-----------+
| Anos | Anos | Anos | Anos |
| 1913-1914 | 1914-1915 | 1913-1914 | 1914-1915 |
--------+-----------+-----------+-----------+-----------+
| | | | |
16-17 | 19,5 | 19,7 | 25 | 25,8 |
17-18 | 20,2 | 19,7 | 26,1 | 26,3 |
18-19 | 19,3 | 20 | 26,4 | 26,6 |
19-20 | 19 | 20 | 27 | 26,5 |
| | | | |
=========================================================
=================================================
| Ant. post. | Transv. | Índices
Idades +------------+----------+ torácicos
| Médias | (sem fracções)
--------+------------+----------+----------------
| | |
16-17 | 19,6 | 25,4 | 129
17-18 | 19,9 | 26,2 | 131
18-19 | 19,6 | 26,5 | 135
19-20 | 19,5 | 26,7 | 136
| | |
=================================================
De cada uma destas três tabelas (n.^{os} 9, 10 e 11) extraímos as
notações, com que organizámos o quadro n.^o 5, no intuito de
aproximar todos os elementos considerados, e obter médias gerais,
não sòmente das respectivas mensurações, como dos índices, a que
elas dão origem[87].
A técnica, adoptada nas observações, foi análoga para todos os
observadores: compasso de espessura de Broca, com as pontas
apoiadas, respectivamente, à _altura da extremidade inferior do
esterno_, e sobre a saliência óssea posterior, do mesmo plano
horizontal (diâmetro ântero-posterior); e, no mesmo _plano
xifo-esternal_, sobre as convexidades costais (_diâmetro
transverso_)[88].
QUADRO N.^o 5 (Diâmetros e índices torácicos) (médias gerais)
==============================================
| Diâmetro ântero-posterior |
+----------+------------+-------------+
Idades | Liceu de | Colégio de | Alunos |
| Coimbra | Campolide | marinheiros |
-------+----------+------------+-------------+
| | | |
6-7 | -- | 14,4 | -- |
7-8 | -- | 15,4 | -- |
8-9 | -- | 15,2 | -- |
9-10 | -- | 15,7 | -- |
10-11 | 13,7 | 15,7 | -- |
11-12 | 13,9 | 16 | -- |
12-13 | 14,7 | 16,6 | -- |
13-14 | 15,8 | 17 | -- |
14-15 | 16,7 | 17,6 | -- |
15-16 | 19,1 | 18,4 | -- |
16-17 | 20,6 | 18,9 | 19,6 |
17-18 | 21 | 19,4 | 19,9 |
18-19 | 21,4 | 19,4 | 19,6 |
19-20 | 22,1 | 20 | 19,5 |
20-21 | 22,5 | 18,4 | -- |
| | | |
==============================================
========================================================
| Diâmetro transverso |
+-------------------------------------+ Índice
Idades | Liceu de | Colégio de | Alunos | tarácico
| Coimbra | Campolide | marinheiros |
-------+----------+------------+-------------+----------
| | | |
6-7 | -- | 20 | -- | 138
7-8 | -- | 19,5 | -- | 126
8-9 | -- | 19,5 | -- | 128
9-10 | -- | 19,7 | -- | 125
10-11 | 19,4 | 20,5 | -- | 135
11-12 | 19,9 | 21,1 | -- | 137
12-13 | 20,4 | 21,6 | -- | 134
13-14 | 22 | 22,4 | -- | 135
14-15 | 22,5 | 23,4 | -- | 133
15-16 | 26 | 24,7 | -- | 135
16-17 | 27,2 | 25,6 | 25,4 | 137
17-18 | 27,3 | 26 | 26,2 | 133
18-19 | 28 | 26,4 | 26,5 | 133
19-20 | 29 | 26,5 | 26,7 | 133
20-21 | 29,8 | 27 | -- | 139
| | | |
========================================================
Para boa inteligência dos valores métricos, constantes do quadro
n.^o 5, e sua legítima interpretação, construímos o presente gráfico
(figura n.^o 10), pelo qual se vê (se o confrontarmos com os gráficos
das figuras n.^{os} 1 e 2), que os 15-16 anos constituem, como que o
eixo da evolução somática, por isso mesmo que assinalam uma
profunda modificação no sistema ou no ritmo dessa evolução.
[Figura: Fig. 10]
De facto, antes dessa idade (coincidente com a _instalação da
puberdade_), o que mais aumenta no organismo são as _dimensões
verticais_ (alturas), ao passo que, depois, o que sobretudo concorre
para o crescimento são as dimensões horizontais (larguras,
espessuras, grossuras).
Fica, assim, mais uma vez demonstrado, pelos factos, que a _lei da
alternância_ (como expressão da lei das proporções) é efectivamente o
grande princípio regulador de tôda a energética do crescimento[89].
4.--Com os elementos enumerados e sumàriamente descritos, nas páginas
precedentes, podemos agora organizar os *cânones antropométricos da
criança portuguesa*, em tôdas as idades da sua evolução somática: 1)
nascença; 2) infância; 3) puerícia; 4) adolescência; 5)
puberdade; e 6) nubilidade ou idade adulta.
As percentagens dêstes cânones, assim como os seus _valores
numéricos absolutos_ (expressos em centímetros) são sempre calculados
sobre as médias das respectivas mensurações.
Na falta destas (infelizmente, freqùente), recorre-se a valores de
tabelas estrangeiras, organizadas com elementos colhidos em meios,
tanto quanto possível, assimiláveis ao nosso.
1)
Cânon antropométrico da Idade adulta
A
Projecções verticais (altura dos segmentos)[90]
=============================================================================
| Sexo masculino |
Partes do corpo +-----------------------------+
| Percentagem | Valor métrico |
| | absoluto[91] |
----------------------------------------------+-------------+---------------+
{ 1) Cabeça[92] | 13,3% | 22^{cm},18 |
{ 2) Pescoço[93] | 4,2% | 7^{cm},10 |
I. Busto. { 3) Tórax[94] { | |
{ 4) Ventre[95] { 35% | 58^{cm},38 |
{ 5) Bacia[96] { | |
----------------------------------------------+-------------+---------------+
{ 1) Espádua { | |
{ 2) Braço { 19,5% | 32^{cm},53 |
{ Superior { 3) Cotovêlo { | |
{ (torácico)[97] { | | |
{ { 4) Antebraço { 14% | 23^{cm},45 |
{ { 5) Punho { | |
{ { | | |
{ { 6) Mão { 11,5% | 19^{cm},19 |
II. Membros { | | |
{ { 1) Anca { | |
{ { 2) Côxa { 20% | 33^{cm},36 |
{ { 3) Joelho { | |
{ Inferior { | | |
{ (abdominal)[98]{ 4) Perna { 23% | 38^{cm},36 |
{ 5) Tornozêlo { | |
{ | | |
{ 6) Pé { 4,5% | 7^{cm},61 |
=============================================================================
=============================================================================
| Sexo feminino
Partes do corpo +------------------------------
| Percentagem | Valor métrico
| | absoluto
----------------------------------------------+-------------+----------------
{ 1) Cabeça { {
{ 2) Pescoço { {
I. Busto. { 3) Tórax { 53,5% { 82^{cm},39
{ 4) Ventre { {
{ 5) Bacia { {
----------------------------------------------+-------------+----------------
{ 1) Espádua { {
{ 2) Braço { {
{ Superior { 3) Cotovêlo { --- { 69^{cm}
{ (torácico) { 4) Antebraço { {
{ { 5) Punho { {
{ { 6) Mão { {
II. Membros { | |
{ { 1) Anca { {
{ { 2) Côxa { {
{ Inferior { 3) Joelho { 46,5% { 71^{cm},61
{ (abdominal) { 4) Perna { {
{ 5) Tornozêlo { {
{ 6) Pé { {
=============================================================================
B
Perímetros (grossura dos segmentos)
=========================================================
| Valores métricos absolutos
Partes do corpo +----------------+-----------------
| Sexo masculino | Sexo feminino
----------------------+----------------+-----------------
| |
I. Cabeça[99] | 56^{cm} | 53^{cm}
II. Tronco[100] | 83^{cm} | 85^{cm}
III. Braço[101] | 31^{cm} | --
IV. Antebraço[102] | 27^{cm} | --
V. Côxa[103] | 53^{cm},5 | --
VI. Perna[104] | 39^{cm} | --
| |
=========================================================
C
Diâmetros (espessura e largura dos segmentos)
===========================================================================
| Valores métricos absolutos
Partes do corpo +----------------+------------------
| Sexo masculino | Sexo feminino
---------------------------------------+----------------+------------------
| |
I. Cabeça { ântero-posterior[105] | 19^{cm},7 | 18^{cm},6
{ transverso[106] | 15^{cm} | 14^{cm},7
| |
II. Tronco { ântero-posterior[107] | 20^{cm},4 | 18^{cm},5
{ transverso[108] | 28^{cm},4 | 24^{cm},8
| |
III. Bacia { ântero-posterior[109] | 20^{cm},5 | 20^{cm}
{ transverso[110] | 26^{cm} | 27^{cm}
| |
===========================================================================
D
Outras MEDIDAS:
========================================================================
| |
|Sexo masculino | Sexo feminino
---------------------------------------+---------------+----------------
| |
{de todo o corpo | 66 quil. | 52 quil.
Densidade (pêso) {do cérebro | 1 quil., 360 | 1 quil., 200
{_do cérebro, em | |
relação ao corpo_ | 2% |
---------------------------------------+---------------+----------------
| |
Índice cefálico | 76,4 | 75,7
Índices torácicos {1.^o | 139 | 133
{2.^o | 50 | 55
Índice pélvico[111] | 78 | 74
| |
=======================================================================
A presente síntese gráfica (figura n.^o 11) representa o _corpo
humano_, na idade adulta, segundo as proporções do antropologista
Topinard[112]; e as figuras seguintes (n.^{os} 12, 13, 14 e 15)
resumem (de conformidade com os elementos considerados) as _proporções
do corpo da criança portuguesa, nas diferentes idades da sua evolução_.
São expressões gráficas dos cânones antropométricos (em parte,
conjecturais) que elaboramos, sob forma numérica[113].
Resta agora, para complemento do nosso estudo, determinar as
características mentais e morais de cada uma daquelas idades, em
ordem a fazer corresponder aos cânones somáticos que as exprimem, os
cânones psíquicos, por que se revelam.
A psicologia do homem português tem sido estudada, com fortuna vária,
por nacionais e estrangeiros[114].
Nós, remetendo o leitor para as obras especiais, apenas observaremos
que o adulto lusitano é (e sempre foi) o que se pode chamar um _tipo
equilibrado_: inteligente, afável, laborioso, sóbrio; mas, ao mesmo
tempo, pouco tenaz nas suas iniciativas, e um tanto supersticioso e
fatalista.
[Figura: CÂNON ANTROPOMÉTRICO DA IDADE ADULTA
Fig. 11]
Para explicar a época de Quatrocentos, falou-se do afêrro ao solo do
homem do Norte, do mesmo modo que, para interpretar Quinhentos, se
invocou o urbanismo, a versatilidade e o espírito de aventura do
homem do Sul[115]; a verdade, porêm, é que, nem mesmo em relação ao
Passado, essa distinção pode subsistir, porquanto, não só o Brasil é
um produto do Norte, como até, na própria emprêsa da Índia, a
participação dêste é insofismável.
Sem a superstição das origens, embora com respeito absoluto pela
hereditariedade, entendemos que é do Presente que importa curar; e,
desde então, ninguêm contestará que a qualidade primacial da gens lusa
é a maleabilidade, ou seja êsse admirável _poder ou capacidade de
adaptação_, que torna os portugueses cosmopolitas, e os habilita a
assimilar, com proveito e facilidade, os produtos da civilização.
2)
Cânon antropométrico do Recêm-nascido
(Durante o primeiro mês)
A
Projecções verticais (altura dos segmentos)[116]
===============================================================================
| Sexo masculino | Sexo feminino
+-----------+-------- +-----------+--------
Partes do corpo | | Valor | | Valor
|Percentagem| métrico |Percentagem| métrico
| |absoluto | |absoluto
------------------------------------+-----------+---------+-----------+--------
| | | |
{Cabeça | 23%[117] |11^{cm},5| -- | --
I. Busto {Pescôço } | | |
{Tronco } 43%[118] |21^{cm},5| -- | --
| | | |
------------------------------------+-----------+---------+-----------+--------
| | | |
{Superior | | | |
{ (torácico)[119] | 34% |17^{cm} | -- | --
II. Membros { | | | |
{Inferior | | | |
{ (abdominal)[120] | 34% |17^{cm} | -- | --
| | | |
===============================================================================
B
Perímetros (grossura dos segmentos)
==================================================================
| Valores métricos absolutos
Partes do corpo +---------------+---------------
| Sexo masculino| Sexo feminino
----------------------------------+---------------+---------------
| |
I. Cabeça (Perímetro craniano) | 32^{cm},56 | --
II. Tronco (Perímetro torácico) | 33^{cm} | --
| |
==================================================================
C
Diâmetros (espessura e largura dos segmentos)
=======================================================================
| Valores métricos absolutos
Partes do corpo +-----------------+----------------
| Sexo masculino | Sexo feminino
------------------------------------+-----------------+----------------
| |
{ ântero-posterior máximo | 11^{cm},35 | --
Cabeça{ | |
{ transverso | 9^{cm},11 | --
| |
=======================================================================
D
Outras MEDIDAS:
=============================================================================
| Sexo masculino | Sexo feminino
+----------------+---------------
| |
{ de todo o corpo | 3^{quil.},236 | 3^{quil.},103
{ do cérebro | 350^{gr}. | 290^{gr}.
Densidade (pêso){ do cérebro em relação | |
{ ao corpo | 11% | --
--------------------------------------------+----------------+---------------
Índice cefálico | 80,2 | --
| |
{ 1.^o[121] | 100 | --
Índices torácicos{ | |
{ 2.^o[122] | 66 | --
| |
=============================================================================
Conformação geral do recêm-nascido[123]:
1) Cabeça volumosa. (Na cabeça, o que mais avulta é o crânio; a
face é pouco desenvolvida);
2) Tronco cilindrico. (Os diâmetros do tórax são iguais);
3) Pernas curtas.
À criança que vem de nascer, chamou Virchow um ser espinhal; e com
razão, porque, embora ela possua um cérebro, já bastante
desenvolvido[124], todavia, em tôda a dinâmica da sua vida, não existe
acto, que possa furtar-se ao mais completo e perfeito
automatismo[125].
[Figura: CÂNON ANTROPOMÉTRICO DO RECÊM-NASCIDO
Fig. 12]
Se fôsse lícito falar de uma psicologia do recêm-nascido, seria para
lhe reduzir a consciência embrionária à cenestesia (sensações
viscerais) e ao instinto de nutrição[126].
De facto, à hora da nascença, a criança (como os anencéfalos) não
passa dum reactivo (sem espontaneidade) às excitações do _mundo
externo_; e, por muito tempo ainda, ficará uma perfeita _máquina de
absorpção_, destinada a servir, quási exclusivamente, as necessidades da
vida vegetativa[127].
Não se torna, portanto, muito difícil descobrir a _fórmula psíquica do
recêm-nascido_: «une bouche qui vagit et qui absorbe», como escreveu o
director do Instituto de psicologia zoológica, de Paris[128].
3)
Cânon antropométrico da Infância
(Pelos três anos)
A
Projecções verticais (altura dos segmentos)[129]
===============================================================================
| Sexo masculino | Sexo feminino
+-----------+-------- +-----------+---------
Partes do corpo | | Valor | | Valor
|Percentagem| métrico |Percentagem| métrico
| |absoluto | |absoluto
-----------------------------------+-----------+---------+-----------+---------
| | | |
{Cabeça | 20% |16^{cm},6| -- |16^{cm},6
I. Busto {Pescôço } | | |
{Tronco } 42% |34^{cm},8| -- |34^{cm}
| | | |
-----------------------------------+-----------+---------+-----------+---------
| | | |
{Superior | | | |
{ (torácico) | 37% |30^{cm},7| -- |29^{cm},9
II. Membros { | | | |
{Inferior | | | |
{ (abdominal) | 38% |31^{cm},6| -- |30^{cm},8
| | | |
===============================================================================
B
Perímetros (grossura dos segmentos)
==================================================================
| Valores métricos absolutos
Partes do corpo +---------------+---------------
| Sexo masculino| Sexo feminino
----------------------------------+---------------+---------------
| |
I. Cabeça (Perímetro craniano) | 48^{cm} | --
II. Tronco (Perímetro torácico) | 50^{cm} | --
| |
==================================================================
C
Diâmetros (espessura e largura dos segmentos)
=======================================================================
| Valores métricos absolutos
Partes do corpo +-----------------+----------------
| Sexo masculino | Sexo feminino
------------------------------------+-----------------+----------------
| |
{ ântero-posterior máximo | 16^{cm},7 | --
Cabeça{ | |
{ transverso | 13^{cm},4 | --
| |
=======================================================================
D
Outras MEDIDAS:
===============================================================================
| Sexo masculino | Sexo feminino
+-----------------+----------------
| |
{ de todo o corpo | 11^{quil.},700 | 11^{quil.},250
{ do cérebro | 800^{gr}. | 780^{gr}.
Densidade (pêso){ do cérebro em relação | |
{ ao corpo | 7% | --
--------------------------------------------+-----------------+----------------
Índice cefálico | 80 | --
| |
{ 1.^o | -- | --
Índices torácicos{ | |
{ 2.^o | 60 | --
| |
==============================================================================
J. J. Rousseau expôs, no seu Emílio, tôdas as ideas essenciais à boa
organização dum cânon psíquico da infância. Diz êle: «Les premières
sensations des enfants sont purement affectives; ils n'aperçoivent que
le plaisir et la douleur. Ne pouvant ni marcher ni saisir, ils ont
besoin de beaucoup de temps pour se former, peu à peu, les sensations
représentatives qui leur montrent les objets hors d'eux-mêmes; mais en
attendant que ces objets s'étendent, s'éloignent pour ainsi dire de
leurs yeux, et prennent pour eux des dimensions et des figures, le
retour des sensations affectives commence à les soumettre à l'empire de
l'habitude; on voit leurs yeux se tourner sans cesse vers la
lumière...»[130].
[Figura: CÂNON ANTROPOMÉTRICO DA INFÂNCIA
Fig. 13]
A idade infantil (até aos três anos) será tôda preenchida pela
aquisição de hábitos, que tornem possível e rápida a _faculdade de
adaptação_.
O infante não é já sòmente uma bôca que absorve; mas tambêm uma
actividade que se exerce, no sentido de promover e assegurar o seu
equilíbrio com o meio.
São molas reais da dinâmica infantil o prazer e a dôr; e a êstes
estimulantes da evolução orgânica, se deve quási tôda a _fórmula
psíquica da infância_, que é análoga à do animal superior[131].
Não será, pois, de admirar que as aquisições mentais das crianças
desta idade se subordinem à lei da recorrência, que é o grande
princípio regulador de tôda a vida representativa[132].
Em resumo, a psicologia da infância, longe de confinar-se no
mecanismo dos instintos, ultrapassa a própria _esfera da
afectividade_, e compreende já as manifestações complexas da percepção
e da associação[133].
4)
Cânon antropométrico da Puerícia
(Pelos sete anos)
A
Projecções verticais (altura dos segmentos)[134]
===============================================================================
| Sexo masculino | Sexo feminino
+-----------+-------- +-----------+---------
Partes do corpo | | Valor | | Valor
|Percentagem| métrico |Percentagem| métrico
| |absoluto | |absoluto
-----------------------------------+-----------+---------+-----------+---------
| | | |
{Cabeça | 16% |18^{cm},3| -- |16^{cm},9
I. Busto {Pescôço } | | |
{Tronco } 40% |45^{cm},8| -- |42^{cm},4
| | | |
-----------------------------------+-----------+---------+-----------+---------
| | | |
{Superior | | | |
{ (torácico) | 42% |48^{cm} | -- |44^{cm},5
II. Membros { | | | |
{Inferior | | | |
{ (abdominal) | 44% |50^{cm},4| -- |46^{cm},7
| | | |
===============================================================================
B
Perímetros (grossura dos segmentos)
==================================================================
| Valores métricos absolutos
Partes do corpo +---------------+---------------
| Sexo masculino| Sexo feminino
----------------------------------+---------------+---------------
| |
I. Cabeça (Perímetro craniano) | 50^{cm},8 | --
II. Tronco (Perímetro torácico) | 50^{cm},3 | --
| |
==================================================================
C
Diâmetros (espessura e largura dos segmentos)
=======================================================================
| Valores métricos absolutos
Partes do corpo +-----------------+----------------
| Sexo masculino | Sexo feminino
------------------------------------+-----------------+----------------
| |
{ ântero-posterior máximo | 17^{cm},6 | --
Cabeça{ | |
{ transverso | 14^{cm} | --
| |
{ ântero-posterior | 14^{cm},4 | --
Tronco{ | |
{ transverso | 20^{cm} | --
| |
=======================================================================
D
Outras medidas:
===============================================================================
| Sexo masculino | Sexo feminino
+-----------------+----------------
| |
{ de todo o corpo | 18^{quil.},900 | 16^{quil.},450
{ do cérebro | 1^{quil.},100 | 950^{gr}.
Densidade (pêso){ do cérebro em relação | |
{ ao corpo | 5% | --
--------------------------------------------+-----------------+----------------
Índice cefálico | 79 | --
| |
{ 1.^o | 138 | --
Índices torácicos{ | |
{ 2.^o | 51 | --
| |
==============================================================================
Na progressiva diferenciação funcional da criança, a puerícia ocupa
um lugar proeminente, porque é nesta idade que a _espontaneidade
mental_, servida pela experiência, abre novos horizontes à _vida
representativa_; e gera a idea do eu, que vai ser a _base da
personalidade_[135].
O psicólogo Baldwin caracterizou a puerícia, chamando-lhe: «_período
de percepção dos objectos_, e de correspondentes reacções, por
sugestão e imitação»[136].
[Figura: CÂNON ANTROPOMÉTRICO DA PUERÍCIA
Fig.14]
Efectivamente, o que mais domina, nesta época, são os _interêsses
perceptivos e glóssicos_[137]; alêm de que, o desenvolvimento da
atenção espontânea e o início da atenção voluntária (condições
essenciais do raciocínio) tambêm são suas características.
Sintéticamente, a puerícia representa, na vida evolutiva da criança,
a idade média, ou o período de transição (ainda não influenciado
pela lei dos sexos) entre a impulsividade dos instintos, temperada
já por uma certa autonomia da consciência, e a _idade crítica do
crescimento_, que será aquela, em que se operar a transformação
definitiva do corpo da criança no organismo do adulto.
5)
Cânon antropométrico da Puberdade
(Pelos quinze anos)
A
Projecções verticais (altura dos segmentos)[138]
===============================================================================
| Sexo masculino | Sexo feminino
+-----------+-------- +-----------+---------
Partes do corpo | | Valor | | Valor
|Percentagem| métrico |Percentagem| métrico
| |absoluto | |absoluto
-----------------------------------+-----------+---------+-----------+---------
| | | |
{Cabeça | 14% |21^{cm},6| -- |21^{cm},2
I. Busto {Pescôço } | | |
{Tronco } 39% |60^{cm},4| -- |59^{cm},3
| | | |
-----------------------------------+-----------+---------+-----------+---------
| | | |
{Superior | | | |
{ (torácico) | 44% |69^{cm},7| -- |68^{cm},4
II. Membros { | | | |
{Inferior | | | |
{ (abdominal) | 47% |72^{cm},8| -- |71^{cm},5
| | | |
===============================================================================
B
Perímetros (grossura dos segmentos)
==================================================================
| Valores métricos absolutos
Partes do corpo +---------------+---------------
| Sexo masculino| Sexo feminino
----------------------------------+---------------+---------------
| |
I. Cabeça | 54^{cm} | 51^{cm}
II. Tronco | 72^{cm},6 | 71^{cm},5
III. Braço | 24^{cm},3 | --
IV. Antebraço | 20^{cm} | --
V. Côxa | 44^{cm} | --
VI. Perna | 29^{cm} | --
| |
==================================================================
C
Diâmetros (espessura e largura dos segmentos)
=======================================================================
| Valores métricos absolutos
Partes do corpo +-----------------+----------------
| Sexo masculino | Sexo feminino
------------------------------------+-----------------+----------------
| |
{ ântero-posterior | 18^{cm},6 | --
I. Cabeça { | |
{ transverso | 14^{cm},8 | --
| |
{ ântero-posterior | 19^{cm},1 | --
II. Tronco{ | |
{ transverso | 26^{cm} | --
| |
{ ântero-posterior | 16^{cm},5 | --
III. Bacia{ | |
{ transverso | 22^{cm} | --
| |
=======================================================================
D
Outras medidas:
===============================================================================
| Sexo masculino | Sexo feminino
+-----------------+----------------
| |
{ de todo o corpo | 46^{quil.},300 | 49^{quil.},435
{ do cérebro | 1^{quil.},300 | 1000^{gr}.
Densidade (pêso){ do cérebro, em | |
{ relação ao corpo | 3% | --
--------------------------------------------+-----------------+----------------
Índice cefálico | 79 | --
| |
{ 1.^o | 136 | --
Índices torácicos{ | |
{ 2.^o | 46 | --
| |
Índice pélvico | 75 | --
| |
==============================================================================
A adolescência constitue uma época de instabilidade orgânica, que
prepara a criança para os desequilíbrios da puberdade.
«Nenhum período da vida, escreve Mendousse, é mais fecundo em surprêsas
de todo o género, porque, ao lado das faculdades novas que começam a
desenhar-se, persistem os hábitos antigos, que não querem
desaparecer»[139].
Daqui, um conflito de energias, que lança o adolescente em
perplexidades, cuja eficiência, por vezes, lhe pode ser funesta.
[Figura: CÂNON ANTROPOMÉTRICO DA PUBERDADE
Fig. 15]
Stanley Hall redigiu o catálogo dos contrastes e das _flutuações
mentais e morais da adolescência_, pelo qual se vê que, de facto, a
criança desta idade possue uma vida inadaptada, que é a fonte dos
seus êrros e da maior parte dos seus sofrimentos[140].
Quando a puberdade se aproxima, então, a anarquia e o choque das
tendências, ainda é maior.
A criança, solicitada por fôrças estranhas, cujos efeitos
desconhece, sofre dum desequilíbrio, que lhe não permite adaptar-se,
desde logo, às condições do meio; e passarão alguns anos, antes que se
organizem, em direcções definidas, os novos hábitos mentais, que as
novas circunstâncias exigem.
A puberdade é o centro do crescimento; a idade crítica, por
excelência; aquela, em que se decide a sorte, todo o futuro da
criança[141].
Época das grandes transformações do organismo; e, sob a influência da
_diferenciação, estádio decisivo da constituição específica de cada
sexo_, a puberdade marca, na marcha da evolução, o momento preciso,
em que a Natureza entra de preparar o ser humano para o _exercício
da função_, de que depende a perpetuidade da espécie.
Esta é a sua característica fundamental e diferencial, o eixo sôbre
que gira toda a complexa e contraditória psicologia do adolescente.
CAPÍTULO V
Processo bio-químico do «crescimento»: osteogénese
1.--Como fenómeno do metabolismo funcional, o «crescimento» é uma
resultante da síntese assimiladora do organismo, operada sob a
influência das leis físico-químicas, que a regulam[141].
Essa síntese, porêm, não se realiza, da mesma maneira e nas mesmas
condições, em relação a todos os tecidos do organismo; antes cada
elemento somático cresce, a seu modo, consoante a estrutura que
possue e a função a que se destina.
Ora, sendo provável que à acção osteogénica se subordine o
crescimento de todos os tecidos do organismo, tanto em
macroplastia (crescimento vertical), como em euriplastia
(crescimento horizontal), é do crescimento ósseo que nos devemos
ocupar.
2.--Principiando pelo crânio, todos sabem que a sua morfologia se
modifica constantemente, desde a vida embrionária, até à velhice.
No início da gestação, o crânio é cartilaginoso e membranoso;
depois, no estado fetal, adquire grande número de _pontos de
ossificação_, de textura diversa, que se vão mutuamente soldando, de
modo que, à nascença, o seu número é já muito limitado.
Não é, pois, de admirar que a abóbada craniana do recêm-nascido e a
do infante se componham, desde logo, de ossos, ligados uns aos
outros, por suturas e fontanelas[143], cujas principais, em _norma
superior_, são a obélica e a brègmática (vulgo, a moleirinha, que
fecha completamente, pelos quinze meses); e, em norma lateral, a
astésica[144].
A ossificação, porêm, dêsses espaços membranosos, faz-se com tamanha
rapidez que, pelos meados da infância, não existem já senão suturas,
as quais, por sua vez, tambêm vão desaparecendo, pela vida adiante, e de
tal sorte que, na extrema velhice, o crânio reduz-se a uma _massa
óssea_, quási tam contínua e homogénea, como o era o _crânio membranoso
do embrião_[145].
3.--Onde, todavia, se revela melhor o mecanismo do «crescimento», é na
evolução da coluna vertebral (a princípio, tôda ela cartilaginosa) e,
sobretudo, no crescimento dos ossos longos do organismo.
Na extremidade de cada diáfise óssea existe uma espécie de apêndice,
chamado epífise, que se liga àquela, por uma cartilagem, de natureza
particular, que os antropólogos designam pelo nome de _cartilagem de
conjugação_.
Emquanto dura o período de «crescimento» (entre os vinte e os vinte e
cinco anos), as epífises, normalmente, permanecem separadas da _massa
óssea_ que lhes corresponde (diáfises), pela respectiva _faixa
cartilaginosa_, cuja estrutura é sede de uma _transformação
histo-quimica_[146]; mas, quando aquele período se encerra, em
obediência à lei da hereditariedade, é porque as epífises se
soldaram às diáfises, ou a ossificação invadiu, em tôda a sua
espessura, as cartilagens de conjugação.
[Figura: Fig. 16]
As duas figuras que, a seguir, publicamos, extraídas da Obra de
Launois, já citada, são radiografias da mão e do joelho dum indivíduo
de estatura gigantesca, que, pelos trinta anos, continuava a
crescer. Nessas radiografias, se observa nìtidamente a
persistência daquelas cartilagens, a separar, por exemplo, as
diáfises do cúbito e do rádio (figura, n.^o 16) e as _diáfises do
fémur, da tíbia e do peróneo_ (figura, n.^o 17) das epífises, que lhes
pertencem.
[Figura: Fig. 17]
Segundo Topinard, são reùnidas ao corpo do respectivo ôsso, pelos
quinze anos, as extremidades superiores do rádio e do cúbito
(epífeses); pelos dezassete, as dos dedos; pelos dezoito, as do
fémur, e as inferiores da tíbia e do peróneo; pelos dezanove,
as dos metatársios, e a superior do humerus; finalmente, pelos
vinte, as dos mètacárpios, e as das extremidades inferiores do
fémur, do rádio, do peróneo e do cúbito[147].
CAPÍTULO VI
Fórmulas antropométricas do «crescimento» normal, nas idades de
evolução. Anomalias do «crescimento»; sua determinação, pelo
processo antropométrico.
1.--Como se depreende dos quadros expostos no capítulo IV, cada _idade
de evolução_ possue suas características antropométricas essenciais.
Estas características derivam, não sòmente das assinaladas _dimensões
verticais e horizontais_ e doutros elementos do sólido humano, em
cada uma daquelas idades, como tambêm e principalmente das formas e
cubagens dos respectivos órgãos.
Ora, tanto as formas (que resultam do desenvolvimento relativo das
diversas partes dum órgão), como as cubagens (que atestam o seu
volume específico), podem exprimir-se, por meio de fórmulas (a que
chamam índices), que denunciam sintéticamente as relações ariméticas
de determinadas dimensões com outras, que se tomam por
unidades[148].
Os índices que, em ordem ao fim que nos propômos, mais importa
considerar, são:
1) o índice cefálico (D. T. C. x 100 / D. A. P. C.);
2) os índices torácicos ([D. T. T. x 100 / D. A. P. T.] e [_P.
T._ x 100 / A.]);
3) o índice do tronco (B. x 100 / A.);
4) o índice muscular (Ab. M. / P.); e, finalmente,
5) o índice cérebro-visceral (C. / V.).
O índice cefálico (expressão da relação centesimal do _diâmetro
ântero-posterior máximo do crânio_ com o seu _diâmetro transverso
máximo_) é, em Portugal, segundo as notações registadas, de 80, desde
a recêm-nascença até à infância; e de 76-79, desde a puerícia, até
à puberdade. No adulto, êste índice, desprezando fracções, fixa-se
em 76[149].
O primeiro índice torácico (expressão da relação centesimal do
diâmetro ântero-posterior máximo do tórax (espessura do peito) com o
seu diâmetro transverso máximo (largura do peito), é de 100, na
recém-nascença; de 138, na puerícia; de 136, na puberdade; e de
139, na idade adulta[150].
O segundo índice torácico (expressão da relação do _perímetro
torácico_ multiplicado por cem, com a altura do corpo) decresce
gradualmente, com a idade (66, na recêm-nascença; 60, na infância;
51, na puerícia), até à puberdade, em que baixa a 46. O _índice do
adulto_ (s. m.) 50, (s. fem.) 55.
O índice do tronco (fórmula da relação centesimal que existe entre as
dimensões verticais do busto e as da estatura) tem servido de
critério para agrupar as crianças em três categorias, consoante são
braquísquelas (pernas curtas), macrósquelas (pernas longas) ou
mesatísquelas (pernas médias).
A braquisquelia normal é a forma antropométrica, peculiar da
recêm-nascença, da infância e ainda da puerícia. O número médio,
que exprime o respectivo quociente, oscila, segundo os nossos
cálculos, entre 55 e 80.
A macrosquelia manifesta-se, na adolescência e, sobretudo, no
período peri-pubertário. O índice que lhe corresponde varia de 50 a
55.
Finalmente, a mesatisquelia (característica da idade adulta), em
circunstâncias normais, por isso mesmo que exprime a forma definitiva
do sólido humano, só se esboça, a partir da puberdade.
O quociente respectivo é 52[151].
Resta o índice muscular (relação do perímetro máximo do antebraço
com o pulso) para cuja avaliação carecemos de elementos suficientes; e
o índice cúbico crânio-visceral (C/V), do qual C representa o
volume aproximado do cérebro, determinado pelo cálculo da _capacidade
craniana_ (dupla multiplicação dos diâmetros ântero-posterior máximo,
transverso máximo, e vertical); e V, a capacidade do tronco,
onde se acham encerradas as vísceras (tambêm dupla multiplicação dos
diâmetros ântero-posterior máximo, e transverso máximo do tórax, e
vertical do tronco).
Êste índice (C/V) que exprime, portanto, a relação proporcional
que existe entre o encéfalo (centro da vida mental) e as vísceras
(centro da vida vegetativa), varia enormemente, desde o nascimento
até à idade adulta, numa ordem decrescente, que desce de 74 a 20.
2.--Como, noutro lugar dissemos, o «crescimento», cujas _fórmulas
antropométricas_ acabamos de sumariar, pode ser retardado ou
acelerado, por virtude de múltiplices influências, sem que, por êsse
facto, deixe de considerar-se como normal.
Se, porêm, o limite das oscilações do «crescimento» fôr ultrapassado,
então, sem dúvida que se tratará de «crescimento anormal», ou de
anomalias do «crescimento».
Estas anomalias, consoante as circunstâncias, poderão revestir
diferentes formas; mas as principais são redutíveis a três:
1) suspensões;
2) desvios;
3) desequilíbrios do «crescimento».
As suspensões do «crescimento» dão origem ao nanismo, ao
raquitismo, ao infantilismo, etc.[152].
Os desvios e os desequilíbrios podem gerar o virilismo, o
feminismo, o gigantismo, a acromegalia, o senilismo; e, alêm
doutras anomalias, o simples retardamento ou atraso físico[153].
Tôdas estas doenças, por via de regra, derivam de estados orgânicos,
a que os médicos chamam distrofias (do grego [Grego: Dustrophos]);
havendo-as do pâncreas, das cápsulas supra-renais, do fígado, das
glândulas genitais, do timus, e, sobretudo, do corpo tiroide,
glândula de secreção interna, situada na parte externa do _canal
laringo-traqueal_[154].
A insuficiência tiroidiana (hipotiroidia), é a principal causa do
maior número das anomalias do «crescimento». Porquê? Laumonier
responde: porque essas anomalias andam sempre ligadas (como o efeito
à sua causa) à carência das substâncias (que o corpo tiroide,
normalmente, segrega) capazes de neutralizar a acção dos venenos
produzidos pelo próprio organismo, e de tornar os elementos nervosos
refractários a êsses venenos[155].
O mixòedêma, por exemplo, em tôdas as suas formas, deriva de
perturbações orgânicas, que teem a sua origem na atrofia ou no
desaparecimento do corpo tiroide; mas o gigantismo, a que já nos
referimos, resulta precisamente dum vício oposto, a que se poderá chamar
hipertiroidia, e que consiste em conservar, aos ossos, por uma
superabundância de secreção específica, alêm de todo o limite, o
poder osteogénio, ou a capacidade de crescer[156].
Como nota final dêste capítulo, cumpre estabelecer que se torna
necessário não confundir as anomalias do crescimento físico com as
perturbações do desenvolvimento mental (idiotia, imbecilidade,
psicastenias, etc.), cujas causas se devem procurar, antes, em _lesões
do sistema nervoso_, determinadamente do cérebro, do que em _afecções
somáticas_; e que é no confronto das proporções normais do corpo, nas
idades de evolução, com as do organismo que se pretende avaliar, que
consiste o processo antropométrico da determinação das _anomalias
físicas_.
CAPÍTULO VII
Doenças das crianças, nas idades de evolução. A mortalidade
infantil, em Portugal. Crescimento desequilibrado; suas
conseqùências.
1.--Há certas doenças que parecem específicas das crianças, como a
coqueluche, por exemplo, as infecções obstétricas, etc.; e outras
que, conquanto extensíveis ao adulto, todavia, atacam, de preferência,
as crianças, como a difteria (determinadamente, o garrotilho), por
exemplo, a escarlatina, o trasorelho, o sarampo, etc.[157].
São conhecidos vários ensaios de classificação, por idades, _das
doenças infecciosas das crianças_; tendo-se procurado tambêm, entre nós,
organizar, em bases sérias, a estatística nosológica infantil[158].
Em face das últimas publicações do Instituto central de higiene[159],
verifica-se que, em Portugal, as doenças mais freqùentes da
recêm-nascença e da infância são aquelas que derivam da _debilidade
congénita_, dos vícios de conformação, e das _infecções do tubo
digestivo_ (gastro-enterite); as da puerícia afectam, com singular
pertinácia, o aparelho respiratório; e as da adolescência e
puberdade, incidem, determinadamente, sobre os pulmões e sobre o
sistema nervoso[160].
2.--Em relação à mortalidade infantil portuguesa, reputamos
suficientemente averiguado o cálculo que a eleva à enorme cifra de
duzentos, por mil, com menos de dois anos de idade, isto é, a um
quinto dos nados-vivos e sobreviventes, até àquele limite[161]. O
seguinte gráfico (figura n.^o 18) exprime resultado análogo, pelo que
respeita à cidade de Coímbra[162].
Só, em Lisboa, Pôrto e Coímbra, morrem, em média, por ano, mais de _oito
mil crianças_, dambos os sexos; e, em todo o país, de tôdas as idades,
até aos vinte anos, nada menos do que, em média, um total,
verdadeiramente apavorante, de cinqùenta e cinco mil, ou seja a
metade da mortalidade geral da população!
3.--Nenhuma, porêm, destas afecções pode ser considerada como _doença
propriamente do «crescimento»_, isto é, como processo mórbido, que
tenha origem exclusiva nos fenómenos da evolução somática.
Êsses procedem sempre dum _crescimento desigual ou desencontrado dos
tecidos do organismo_.
Sem dúvida que se não trata da desigualdade, que resulta da _lei
fisiológica da alternância_; mas de perturbações ou _acidentes do
crescimento_, que possam afectar o equilíbrio funcional do _sólido
humano_, ou alterar-lhe a constituição anatómica.
Estes acidentes (cuja natureza é irredutível às anomalias, _de
paralelismo do crescimento_) manifestam-se, de preferência, durante a
fase peri-pubertária.
_Percentagens da mortalidade das crianças da primeira infância, na
cidade de Coimbra_
[Figura: Fig. 18
....... m. 0-1 }
} Em relação ao total obituário
.--.--. m. 0-2 }
------- m. 0-1 Em relação ao número de nascimentos]
Por essa ocasião, as crianças sofrem, muitas vezes, de dôres nos
ossos, nas articulações, nos músculos; teem cefalalgias,
freqùentes; padecem de cloro-anemia, de neurastenia, de
perturbações cardiacas; experimentam _mutações bruscas de temperamento
e de carácter_; sentem impulsividades mórbidas; etc., etc.[163].
Ora, tôda esta sintomatologia constitui aquilo a que chamaremos o
sindroma do crescimento desigual, cujas causas profundas se devem
procurar, concretamente, em factos, de natureza análoga à dos dois que
vamos indicar: 1) a coincidência da suspensão ou abrandamento (aliás,
normal) do crescimento cutâneo, por ocasião da puberdade, com o
aumento, alêm de tôda a medida, dos ossos longos, por virtude dalguma
infecção do organismo[164], ou de qualquer outra causa, _de ordem
bio-química_; 2) o crescimento desencontrado do eixo cinzento (medula)
e do canal ósseo que lhe serve de baínha (coluna vertebral)[165].
CAPÍTULO VIII
Higiene do «crescimento»; exercícios físicos: jogos e gimnástica
1.--É evidente que para crescer bem, não basta _deixar agir a
natureza_ (embora isso seja essencial); mas tambêm é necessário
auxiliar o crescimento, isto é, _colocar o organismo em condições que
sejam favoráveis à sua evolução normal, e impedir ou contrariar a acção
dos factores, que possam ser prejudiciais a essa evolução_.
Entre as práticas que a higiene aconselha, em ordem ao objectivo
designado, ocupam primacial lugar os jogos infantis, e a gimnástica.
Os _jogos são agentes naturais e instintivos do crescimento físíco e do
desenvolvimento mental_, sendo por virtude da sua eficiência que a
hipertrofia do organismo se realiza com maior persistência e
eficácia[166].
Sem querermos arriscar um conceito definitivo acêrca da _natureza
intrínseca da actividade lúdica_, diremos, entretanto, que nos parece
ser o jôgo um efeito natural das leis biológicas, a que todos os
organismos se submetem, nas suas relações com o meio, em que carecem
de subsistir.
O jôgo é uma forma de adaptação, um prè-exercício (como lhe chamou
Karl Groos), um ensaio ou uma preparação para a vida[167].
Os instintos herdados, com a organização e a ela inerentes (instintos
fundamentais) e, principalmente, os instintos derivados dêstes
(instintos adquiridos) não aproveitariam tam perfeitamente à _vida dos
organismos_, como lhes aproveitam, pela eficiência dos jogos, que não
se destinam, senão a desenvolver, radicar e robustecer essas
energias latentes, de cuja acção depende aquela vida[168].
Mas, alêm desta função primordial (tornar apto o ser para o fim, a
que o destinam as leis da vida), servem ainda os jogos:
1) para desenvolver actividades novamente adquiridas;
2) para estimular o «crescimento»;
3) para reduzir e canalizar tendências nocivas;
4) para criar e manter hábitos sociais;
5), finalmente, para corrigir a fadiga e regenerar as energias,
gastas pelo trabalho orgânico.
Os jogos são muitos, e variam, de país para país e, dentro de cada
nação, de província para província e até de localidade para localidade,
consoante o género de vida, as tendências, as aptidões, os _usos e
costumes_, e as necessidades físicas, morais e sociais das
respectivas populações.
Tem-se procurado classificar os jogos; mas, em virtude da
multiplicidade dos critérios adoptados, falta unidade de vistas, e
não há acôrdo nas classificações[169].
Entre nós, tambêm o problema não tem sido descurado, embora os
trabalhos empreendidos sejam raros e incompletos[170].
Nós, reconhecendo que, sob o aspecto pedagógico, os jogos constituem
outros tantos meios, admiravelmente eficazes, de _auxiliar o
«crescimento»_; desenvolver a inteligência; aguçar a sensibilidade;
robustecer e disciplinar a vontade; e formar o carácter, agrupamos
os jogos, nas seguintes categorias:
1) jogos motores (ou somáticos, porque desenvolvem o organismo);
2) jogos sensoriais (porque educam os sentidos e _promovem a
destreza e precisão dos movimentos_);
3) jogos experimentais (porque aperfeiçoam a inteligência, e
satisfazem o instinto de curiosidade das crianças);
4) jogos afectivos (ou emocionais, porque _fomentam a cultura da
sensibilidade_);
5) jogos inibitórios (porque despertam a atenção e _educam a
vontade_); e, finalmente,
6) jogos estéticos (ou artísticos, porque _estimulam os sentimentos
desinteressados da criança_).
O seguinte esquema resumirá o nosso ensaio de classificação (segundo
o critério adoptado) dos jogos portugueses, mais conhecidos e
praticados, em todo o país.
2.--Do mesmo modo que os jogos, também a gimnástica interessa ao
«crescimento»; não, porêm, a gimnástica pedagógica (útil apenas à
formação do carácter), e muito menos a gimnástica atlética, que
perturba e pode comprometer até a marcha e o _equilíbrio do
«crescimento»_[171]; mas a gimnástica higiénica, e desta, a
gimnástica respiratória, cuja prática é de manifesta vantagem à _saúde
do corpo_ e à dinâmica da sua evolução[172].
{ marcha; carreira; salto; dança;
{ gerais { luta; natação; patinagem;
{ { escorregamento; etc.
{ motores {
{ { { escondidas; caminhos; barra;
{ { especiais { eixo; péla; arco; baloiço; papagaio;
{ { rodas e rondas infantis;
{ { guerras; jôgo dos patos; etc.
{
{ { tiro ao alvo; malha ou fito;
{ { gerais { jogos de equilíbrio;
{ { { etc.
{ sensoriais {
{ { { homem; semana; botão; ferrinho;
{ { especiais { pião; cabra-cega; forquilha;
{ { funda; inco, bilharda; das
{ { cinco pedrinhas; o recorte; etc.
{
{ { damas; gamão; dominó;
{ { gerais { xadrez; todos os actos de
{ { { curiosidade; etc.
{ experimentais {
{ { { paciências; adivinhas;
{ { especiais { anel; disparates;
{ { colecções; etc.
Jogos {
{
{ { jogos de imitação,
{ { gerais { e de imaginação;
{ { { jogos de fantasia; etc.
{ afectivos {
{ { { a boneca; todos os actos
{ { especiais { de auto-ilusão
{ { consciente; etc.
{
{ { todos os actos de domínio sôbre
{ { gerais { si próprio; auto-imposições e
{ { { auto-repressões: etc.
{ inibitórios {
{ { { fazer de estátua;
{ { especiais { atitudes de imobilidade,
{ { diante do espelho; etc.
{ { construções em terra, areia, neve,
{ { gerais { etc.; modelagem; pintura, e desenho
{ { { de objectos; jogos dramáticos; etc.
{ estéticos {
{ { combinações de côres;
{ especiais { repassagem de desenhos
{ coloridos; etc.
São os seguintes os efeitos da respiração profunda, que a _gimnástica
respiratória_ promove e assegura:
1) activa as trocas gasosas, combinando uma maior quantidade de
oxigénio com a hemoglobina do sangue;
2) descongestiona os órgãos internos, sobretudo, o cérebro;
3) regulariza as funções digestivas;
4) desenvolve a musculatura do tórax e do abdómen;
5) permite o arejamento das _partes do pulmão, em que o ar não penetra,
senão com dificuldade_; finalmente,
6) auxiliando a assimilação e a desassimilação, facilita a
atenção, roboriza a vontade, assegura a disciplina[173].
CAPÍTULO IX
Evolução geral da mentalidade; fases desta evolução; e leis que a
regulam.
Os factores bio-psíquicos do «crescimento»
1.--A vida mental da criança (psiquismo infantil) não pode isolar-se,
em nenhuma das fases do seu progressivo desenvolvimento, da _evolução
do sistema nervoso_, cuja trajectória segue, desde o útero.
É absolutamente incontestável que, _sem cérebro, não há
consciência_[174], e que a consciência se afirma sempre, na razão
directa da complexidade e da plasticidade do cérebro[175].
Certamente que não ousamos atribuir a causalidade da consciência à
pura organização, como fazem os materialistas; mas apenas
reconhecemos o facto averiguado da perfeita correlação e da
coexistência necessária da actividade psíquica com a _energia
cerebral_[176].
Nos animais vizinhos dos vegetais (infusórios, pólipos, espongiários,
etc.), do mesmo modo que (segundo parece) tambêm nos vermes, não
existe ainda a consciência, mas tam sòmente irritabilidade e, quando
muito, sensibilidade diferencial[177]; à medida, porêm, que se
organiza o sistema nervoso, as excitações (causas físico-químicas
das reacções) vão-se convertendo em impressões, e estas em
sensações que, pela sua diferenciação, acabam por gerar a
consciência, e, depois, a auto-consciência, ou a _capacidade de
conhecer os próprios estados e respectivas modificações_[178].
Só a partir dos vertebrados, é que, por intermédio do cérebro, se
torna possível a vida consciente e, com ela, a atenção, a memória,
a imitação, a associação; numa palavra, as chamadas _operações
intelectuais_[179].
2.--Conquanto, porêm, na criança que vem de nascer, exista já um
cérebro completo, dum modo geral, _em tôdas as suas partes
essenciais_, contudo, tanto a estrutura, dessas partes, como a
aptidão para o seu funcionamento é que distam ainda muito daquele
grau de perfeição, que se torna indispensável para a _integralidade da
vida mental_[180].
Estudos recentes, empreendidos por investigadores eméritos[181],
permitem estabelecer que, no encéfalo do recêm-nascido, a _substância
cinzenta do cérebro_ é constituída por células ainda imperfeitas; e
que carecem de consistência e de fixidez as fibras nervosas que ligam
os hemisférios aos gânglios da base do cérebro, às _camadas
ópticas_, e aos corpos estriados, dum modo geral, aos _centros
sub-corticais_[182].
Alêm disso, sabe-se hoje que, sòmente a partir do primeiro mês de _vida
extra-uterina_, é que se acentuam e desenvolvem as circunvoluções,
cuja estrutura se vai complicando, à medida que a _superfície do
cérebro_ aumenta de extensão e de volume[183]; e, finalmente, tambêm
é positivo que a mielinização do encéfalo, conquanto seja iniciada no
útero, todavia, só se acaba, pela vida adiante, em fases já
relativamente avançadas da evolução[184].
Quer tudo isto dizer que, mesmo sob a relação do pêso e do volume, o
cérebro não nasce perfeito e completo; embora, comparado com o
resto do corpo, traga, à nascença, um desenvolvimento que,
numèricamente, se poderá computar na quarta parte (25%) _do seu volume
total_.
O diagrama que, a seguir, publicamos (fig. n.^o 19), representa o
crescimento do cérebro, desde o início da vida intra-uterina, até à
puberdade, em que atinge o seu _máximo desenvolvimento, sob a relação
do pêso e volume--absolutos_.
Mostra êste gráfico que o pêso absoluto do cérebro aumenta, com a
idade, ao passo que o seu pêso relativo diminue.
À medida que o organismo cresce, o cérebro, sem deixar de acompanhar
êsse crescimento, até à puberdade, contudo, cada vez, _cresce, com
menor intensidade_ (como se verifica pelos _aumentos, relativos a cada
idade de evolução_); e, ao mesmo tempo, acusa uma _progressiva
diminuição, nas proporções que mantêm com o corpo_[185].
[Figura: Fig. 19]
Donde resulta que, sob a relação da quantidade, a evolução cerebral
realiza-se e consuma-se antes da evolução somática, embora, sob o
ponto de vista qualitativo, o cérebro continue a desenvolver-se.
O seguinte gráfico (figura n.^o 20), completa o anterior, por isso
mesmo que continua a curva da evolução para alêm da puberdade, no
intuito de figurar, quantitativamente, tôda a vida do cérebro, desde
que o homem nasce, até que morre.
Para compreensão, todavia, de todos os fenómenos da _bio-dinâmica
mental_, torna-se necessário considerar o _elemento qualitativo do
crescimento cerebral_, isto é, a sua capacidade fisiológica.
[Figura: Fig. 20]
Esta capacidade (que tambêm não exclue o elemento quantitativo)
compreende ou abrange a _eficiência de tôdas as causas que possam
concorrer para a organização da vida cerebral_. Dentre essas causas
(algumas pouco conhecidas, ainda), indicaremos, como mais importantes,
as seguintes: 1) a composição química; 2) a _quantidade de substância
cinzenta_; 3) o número e a complexidade das circunvoluções; 4) a
morfologia do encéfalo; 5) a _relação do cérebro com as outras partes
do encéfalo_; 6) as _relações do mesmo órgão com a altura e, em geral,
com a massa activa do corpo_; 7) o exercício cerebral; 8) a
experiência do indivíduo; 9) o _arranjo molecular das células
cerebrais_; 10) as associações dinâmicas dos elementos nervosos, etc.,
etc.[186].
Ora, se considerarmos todos êstes factores, desde logo, teremos de
reconhecer a existência de uma outra curva: a da _aptidão funcional do
cérebro_, cuja trajectória não coincide com aquela que exprime a sua
evolução quantitativa, porque, como se verifica neste diagrama
(figura n.^o 21) o cérebro continua a crescer, depois da puberdade (15
anos); e até com muito maior intensidade, a partir dos vinte anos;
para só se deter, aos cinqùenta, em que estaciona (por tempo de dez
anos, em circunstâncias normais), antes de decrescer, como sucede,
depois dos sessenta[187].
[Figura: Fig. 21]
Se compararmos, porêm, agora, esta curva da bio-dinâmica cerebral com
a curva da consciência (figura n.^o 22), notaremos que, desta vez,
entre as duas curvas, há um paralelismo perfeito, o que explica e
ilustra estas palavras concludentes e profundamente autorizadas de A.
Marie: «A sciência demonstra, de uma maneira absolutamente certa, o
facto da _simultaneidade e da correlação constantes e necessárias da
actividade nervosa com a actividade mental_, fazendo dessas actividades
dois fenómenos inseparáveis, os quais nunca deixam de se manifestar
conjuntamente, _e nem se pode conceber que um se produza, sem o
outro_[188].
3.--O estudo (embora rápido) que vamos fazer das fases da mentalidade,
confirmará plenamente o nosso conceito da evolução da consciência,
pois mostrará que, entre a inconsciência, em que a criança se gera, e
a inconsciência, em que o individuo acaba, se escalonam vários _graus
de consciência_, cada qual representativo de seu progresso, e todos
ligados a estados orgânicos, até a um limite, cuja transposição
importa, sempre e em tôdas as circunstâncias, a decadência e, com ela,
a desorganização e a morte.
A consciência crepuscular, que o gráfico (fig. n.^o 22) regista,
como pertencendo ao período êmbrio-fetal da evolução humana, sem
dúvida que não representa qualquer estado psíquico que possa
diferenciar-se da pura cenestesia. O feto, conquanto, em verdade,
constitua um reactivo mais enérgico até, do que a própria mãe[189],
contudo, carece de vida consciente, porque, com um _cérebro ainda
incipiente_ e sentidos apenas esboçados, não é susceptível das
operações orgânicas, que condicionam aquela vida.
A expressão--psicologia embriológica--(de que, por vezes, usam os
autores) nada mais pode significar, do que a _espécie de
semi-consciência_, que se atribue ao nascituro, essa _consciência
onírica, sui generis_, que se manifesta por um «sôno, sem sonhos», e à
qual nós chamamos consciência crepuscular[190].
Para que haja verdadeira consciência (embora ainda embrionária ou
rudimentar) é necessário que o indivíduo humano deixe a _vida
parasitária_, em que persistiu, durante a gestação; e, pelo
nascimento, adquira a vida independente, que usufruirá, até à morte.
[Figura: Fig. 22]
Passiva, chamamos nós à consciência do recém-nascido, para
significar que ela se reduz às _sensações, que as impressões sensoriais
determinam no seu cérebro ainda virgem; e aos instintos que deve à
hereditariedade_.
E será esta, depois do período êmbrio-fetal, a primeira fase da
vida psíquica da criança, na sua evolução para a idade adulta.
Durante êste primeiro mês, o recêm-nascido sofrerá a crise grave,
que deriva da mudança de meio, a que foi coagido, pelas _energias do
crescimento_, e ensaiará as primeiras _adaptações às novas condições de
vida_[191].
Os progressos, todavia, serão rápidos. Desde o fim do primeiro mês,
até aos cinco anos (infância e primeira fase da puerícia), a
actividade da consciência não cessará de intensificar-se, adquirindo a
criança faculdades e aptidões, que lhe assegurarão (cada vez, com
maior persistência e eficácia) o equilíbrio, de que carece, com o
novo meio, em que tem de viver.
Por isso, atribuímos consciência activa ao organismo, que se
encontra neste estádio da evolução psíquica; isto é, qualidades,
energias e possibilidades, que se traduzem por _actos
neuro-psíquicos_, de complexidade crescente, à medida que decorre a
infância, e se entra na puerícia, a época inicial da
auto-consciência, ou seja das operações superiores da vida mental.
Assim, com a puerícia (época do pensamento espontâneo, ou _idade
preguntadora_, de Sully), alêm do desenvolvimento da linguagem
(substituição gradual da palavra concreta, pelo _conceito geral ou
abstracto_)[192], aparece o espírito de curiosidade (tam peculiar às
crianças desta idade); radica-se a atenção espontânea, e esboça-se a
atenção voluntária; imperam as tendências que se inspiram nos
interêsses perceptivos e glóssicos; surgem os _primeiros ensaios da
personalidade_; e afirmam-se já, embora com carácter rudimentar, as
leis bio-psiquicas da vontade consciente.
Depois, com a adolescência, e com a puberdade, a _curva da dinâmica
mental_ subirá sempre e, cada vez, com maior celeridade, para nunca mais
se deter, senão na idade madura, em que, havendo atingido o _máximo de
intensidade_, aí perdurará, até à decadência[193].
O quadro (n.^o 6) que, a seguir, publicamos, resume as
características das idades de evolução, distribuindo-as, pela _ordem
cronológica do seu aparecimento_, e mantendo a subordinação em que se
encontram, umas em relação às outras.
QUADRO N.^o 6
+===================+=========================================================+
| _Idades | |
| de | Características essenciais |
| Evolução_ | |
+-------------------+---------------------------------------------------------+
| Recêm-nascença { Vida vegetativa, e puro automatismo (a princípio) |
| (Durante o { nas relações do indivíduo com o meio. Reacções |
| 1.^o mês) { mecânicas a excitações exteriores. Necessidade |
| { máxima: nutrição. Primeiras adaptações. |
| |
| { Vida afectiva simples: prazer e dôr |
| { 1) _Até aos { física. Adaptações sensorio-motoras. |
| Infância { doze meses_ { Linguagem balbuciada. _Interesses |
| (Desde o segundo { { perceptivos_. |
| mês até aos três { |
| anos) { |
| { 2) _Dos doze { Vida afectiva complexa: acção |
| { meses até { emocional. Aquisição de hábitos. |
| { aos très { Espontaneidade mental. Imitação |
| { anos_ { passiva_. Linguagem rudimentar. |
| |
| { Atenção voluntária. Imaginação |
| { 1) _Dos très { incipiente. Desenvolvimento da |
| { aos cinco { memória orgânica. Curiosidade. |
| { anos_ { Interesses glóssicos. |
| Puerícia { { Sugestibilidade. Imitação activa. |
| (Desde os très { { Linguagem racional. |
| aos sete anos) { |
| { { Organização da vida mental. _Poder |
| { 2) Dos { de análise. Memória psíquica. |
| { cinco aos { Diferenciação das funções psíquicas. |
| { sete anos_ { Interesses gerais. _Linguagem |
| { integral_. Actividade lúdica intensa. |
| |
| { Fixação e expansão da personalidade. |
| { Egocentrismo. Sociabilidade. |
| { 1) _Sexo { Desenvolvimento da vontade. |
| Adolescência { masculino_ { Dinamogenia dos sentimentos. |
| (Desde os oito { { Interesses morais e estéticos. |
| aos doze anos) { |
| { { Período sentimental. _Plasticidade |
| { 2) Sexo { orgânica e psíquica. _Exuberância de |
| { feminino_ { movimentos_. _Espírito de iniciativa, |
| { e de emulação_. Pudor. |
| |
| { Instinto sexual. _Instabilidade |
| { psíquica_. Impulsões do temperamento. |
| { 1) _Sexo { Formação definitiva do carácter. |
| { masculino_ { Concentração mental; e diferenciação |
| Puberdade { { de tòdas as faculdades. _Interesses |
| (Dos doze aos { { éticos e sociais_. |
| dezasseis { |
| anos) { { Exaltação do sentimento. Imaginação |
| { { viva. Diferenciação sexual. Aquisição |
| { 2) _Sexo { dos _hábitos característicos da |
| { feminino_ { mulher_. Perfeita adaptação ao seu |
| { fim fisiológico. Coquetismo. |
| { Interesses éticos e sociais. |
+===================+=========================================================+
4.--O estudo sintético, que temos feito da evolução mental, revela,
nessa evolução, do mesmo modo que no «crescimento» físico, a
existência, tanto de leis gerais (relativas à dinâmica psíquica,
considerada in totum), como de leis especiais (privativas de cada
função).
Entre aquelas, ocupam primacial lugar as duas seguintes:
1) O processo bio-psíquico da evolução mental depende, em grande
parte, do crescimento físico, e acompanha sempre o _desenvolvimento do
sistema nervoso_[194];
2) O conteúdo da consciência (quantidade de conhecimentos, e
valorização de funções) está na razão directa da _complexidade das
relações da criança com o meio_.
Quanto às leis especiais, indicaremos estas, apenas:
1) a atenção é a condição primária da consciência;
2) a memória depende da plasticidade do cérebro;
3) entre o pensamento e a vida das imagens cerebrais a relação é a
mesma que existe entre a conclusão e as premissas dum raciocínio;
4) as formas de expressão derivam de actos reflexos, e passam dos
gestos às palavras, e destas aos sinais, que as exprimem.
5.--Para conclusão dêste capítulo, resta enumerar ainda os _factores
bio-psíquicos do «crescimento»_; isto é, tôdas aquelas energias, e
todos aqueles meios de acção, que podem influir no _processo da
evolução_ (tanto somática, como psíquica). Êsses factores,
condensá-los hemos, no seguinte esquêma:
{ ancestrais (hereditariedade).
{ naturais {
{ { { actividade lúdica (jogos).
{ { pessoais {
Factores da { { { passiva.
evolução orgânica { { imitação {
{ { activa.
{
{ { exercícios fisicos.
{ artificiais {
{ gimnástica.
Apêndices
APÊNDICES
I
Elementos para a organização de uma caderneta pedológica, destinada
a sistematizar o estudo do «crescimento»
1)
Indicações prévias relativas ao exemplar de estudo:
1) Nome e pronomes.....................................
{ Nome...........................
{
{ Pai { Idade..........................
{ {
{ { Estatura.......................
2) Filiação {
{ { Nome...........................
{ {
{ Mãe { Idade..........................
{
{ Estatura.......................
3) Naturalidade........................................
4) Residência..........................................
{ económicas[195]...
{
5) Condições do meio em que vive { morais[196].......
{
{ sociais[197]......
6) Ensino que recebe[198]..............................
7) Antecedentes hereditários[199]......................
8) Antecedentes pessoais[200]..........................
9) Particularidades[201]...............................
10) Aspecto geral[202].................................
2)
Exame fisiológico e clínico:
+===============================+
| TRIMESTRES |
+---+---+---+---+---+---+---+---+
|1.^o 4.^o 7.^o |
| | 2.^o | 5.^o | 8.^o|
| | | 3.^o | | 6.^o | | |
| | | | | | | | | |
+---+---+---+---+---+---+---+---+
1) Data da observação | | | | | | | | |
+---+---+---+---+---+---+---+---+
2) Pele e couro cabeludo[203] | | | | | | | | |
+---+---+---+---+---+---+---+---+
3) Ossos e articulações[204] | | | | | | | | |
+---+---+---+---+---+---+---+---+
4) Aparelho digestivo[205] | | | | | | | | |
+---+---+---+---+---+---+---+---+
5) Aparelho respiratório[206] | | | | | | | | |
+---+---+---+---+---+---+---+---+
6) Aparelho circulatório[207] | | | | | | | | |
+---+---+---+---+---+---+---+---+
7) Aparelho génito-urinário[208] | | | | | | | | |
+---+---+---+---+---+---+---+---+
8) Aparelho locomotor[209] | | | | | | | | |
+---+---+---+---+---+---+---+---+
9) Sistema nervoso[210] | | | | | | | | |
+---+---+---+---+---+---+---+---+
10) Malformações[211] | | | | | | | | |
+---+---+---+---+---+---+---+---+
11) Deformações[212] | | | | | | | | |
+---+---+---+---+---+---+---+---+
12) Fôrça física[213] | | | | | | | | |
+---+---+---+---+---+---+---+---+
13) Fadigabilidade[214] | | | | | | | | |
+===+===+===+===+===+===+===+===+
Mensurações do corpo humano
V. Vértex.
C. Canal auditivo.
F. Fúrcula esternal.
A. Acromion.
E. Epicôndilo.
I. Crista ilíaca.
T. Grande trocânter.
P. Púbis.
M. Médio.
J. Joelho.
Mal. Tornozêlo.
[Figura: Pontos de Referência]
3)
Exame antropométrico[215]:
+=============================================================================+
| MEDIDAS | TRIMESTRES |
+---------------------------------------------+-------------------------------+
| |1.^o 4.^o 7.^o |
| | | 2.^o | 5.^o | 8.^o|
| | | | 3.^o | | 6.^o | | |
| | | | | | | | | | |
|---------------------------------------------+---+---+---+---+---+---+---+---+
| | | | | | | | | |
| 1) Data da observação | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| 2) Pêso | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { 3) Vértex (em pé) | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { 4) Vértex (assentado) | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { 5) Canal auditivo | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { 6) Fúrcula esternal | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
|Projecções{ 7) Acromion | | | | | | | | |
|Verticaes { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| (10) { 8) Cotovêlo | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { 9) Médio | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { 10) Grande trocânter | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { 11) Joelho | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { 12) Tornozêlo | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { 13) Diâmetro bi-acromial | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { 14) D. ântero-posterior do tórax | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
|Diâmetros { 15) D. transverso do tórax | | | | | | | | |
| (5) { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { 16) D. ântero-poster. do crânio | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { 17) D. transverso do crânio | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { 18) Perímetro craniano | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { 19) Per. xifo-esternal (repouso) | | | | | | | | |
|Circunfer.{ +---+---+---+---+---+---+---+---+
| (4) { 20) Per. xifo-ester. (inspiração)| | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { 21) Antebraço (máx. e mínimo) | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { 22) Compr. e largura do pé | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| Outr. { 23) Compr. e largura da mão | | | | | | | | |
| medidas { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { 24) Envergadura | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| | | | | | | | | |
+=============================================+===+===+===+===+===+===+===+===+
4)
Exame psicológico:
+=============================================+===============================+
| | TRIMESTRES |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| OBSERVAÇÕES |1.^o 4.^o 7.^o |
| | | 2.^o | 5.^o | 8.^o|
| | | | 3.^o | | 6.^o | | |
| | | | | | | | | | |
|---------------------------------------------+---+---+---+---+---+---+---+---+
| | | | | | | | | |
| 1) Data da observação | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { côr do íris | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { Olhos{ côr da auréola | | | | | | | | |
| { { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { { acuidade { ôlho dir._| | | | | | | | |
| { visual_ { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { { ôlho esq.| | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { Sentido cromático | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { { ouvido dire. | | | | | | | | |
| { _Acuidade { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { auditiva_{ ouvido esqu. | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { Acuidade olfactiva | | | | | | | | |
| 2) Órgãos { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| dos { Acuidade gustativa | | | | | | | | |
| sentidos { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { Acuidade táctil | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { Sentido álgico | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { Sentido estereognóstico | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { espontânea | | | | | | | | |
| 3) Atenção { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { voluntária | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { análise qualitativa | | | | | | | | |
| 4) Memória { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { análise quantitativa | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| 5) Inteligência | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| | | | | | | | | |
+=============================================+===+===+===+===+===+===+===+===+
Notas: 1) A acuidade visual deve ser medida, com o auxílio da _escala
optométrica_ de Monoyer; e o sentido cromático, com as _tábuas
pseudo-isocromáticas_, de Stilling.
2) A acuidade auditiva mede-se, pelo processo do relógio, e pela
voz segredada.
3) A acuidade olfactiva avalia-se pelo olfactómetro; e a
gustativa, pelo gueusímetro.
4) A acuidade táctil determina-se, pelos estesiómetros; a álgica,
pelos algesimetros; e o sentido estereognóstico, pelo _processo de
reconhecimento das curvaturas_.
5) A atenção aprecia-se, pelos tempos de reacção, e por _processos
didascálicos_.
6) A memória mede-se, por diferentes processos, consoante a função
que se pretende considerar.
7) A inteligência avalia-se, pela aplicação dos tests de Binet e
Simon.
5)
Exame etológico e psiquiátrico:
+=============================================+===============================+
| | TRIMESTRES |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| OBSERVAÇÕES |1.^o 4.^o 7.^o |
| | | 2.^o | 5.^o | 8.^o|
| | | | 3.^o | | 6.^o | | |
| | | | | | | | | | |
|---------------------------------------------+---+---+---+---+---+---+---+---+
| | | | | | | | | |
| 1) Data da observação | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| 2) Humor habitual | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { activo | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { nervoso | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { emotivo | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| 3) Temperamento { apático | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { voluntarioso | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { impulsivo | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { equilibrado | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| 4) Sugestibilidade | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| 5) Sensibilidade moral | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| 6) Capacidade de trabalho | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| 7) Conduta | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| 8) Aptidões | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { Fobias | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { Timidez | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| 9) Defeitos { Cólera | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { Mentira | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { Preguiça | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| 10) Síntese--Carácter | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| | | | | | | | | |
+=============================================+===+===+===+===+===+===+===+===+
6)
Síntese da evolução--Fórmulas:
+=============================================+===============================+
| | TRIMESTRES |
| |1.^o 4.^o 7.^o |
| NOTAÇÕES | | 2.^o | 5.^o | 8.^o|
| | | | 3.^o | | 6.^o | | |
| | | | | | | | | | |
+---------------------------------------------+---+---+---+---+---+---+---+---+
| | | | | | | | | |
| { E/B[216] | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| _Relações e { C/V[217] | | | | | | | | |
|1) proporções { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| dos segmentos_ { O/V[218] | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { S=2E(D+d)[219] | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { P^{1} ou P^{2}[220] | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
|2) _Fórmulas da { P^{2}+A^{1}[221] | | | | | | | | |
| Puberdade_ { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { P^{5}+A^{3-5}[222] | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { cefálico | | | | | | | | |
| { ([D. tr.x100]/ | | | | | | | | |
| { [D. ant. p. m.])[223] | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
|3) Índices { torácico | | | | | | | | |
| { ([D. transv.×100]/ | | | | | | | | |
| { [D. ant. post.])[224] | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { pélvico | | | | | | | | |
| { ([D. s. p. b.×100]/ | | | | | | | | |
| { [Dist. Cr. Ilíacas])[225] | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { H. (humor) | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
|4) Simbolos { T. (temperamento) | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { M. (musculatura) | | | | | | | | |
| { +---+---+---+---+---+---+---+---+
| { O. (ossatura) | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
|5) CR.=E-(P+[Per. T. insp.+exp.]/2)[226] | | | | | | | | |
| +---+---+---+---+---+---+---+---+
| | | | | | | | | |
+=============================================+===+===+===+===+===+===+===+===+
II
(Sumário da «tese» apresentada, discutida e integralmente adoptada
pelo «Congresso Nacional de Educação física», realizado em Lisboa,
por iniciativa do «Gimnásio Club Português», nos dias 9-12 de junho
de 1916.)
A CRIANÇA PORTUGUESA
RELATOR: Dr. Alves dos Santos, professor de Filosofia e director do
Laboratório de Psicologia Experimental, da Faculdade de Letras da
Universidade de Coimbra; professor de Psicologia Infantil, na
Escola Normal Superior; e director da Biblioteca da mesma
Universidade; sócio efectivo da Academia das Sciências de Portugal.
INTRODUÇÃO
1) A Criança; sua concepção bio-psíquica e social.
2) Sciências da Criança: Pedologia; Psico-pedagogia; Pedagogia
experimental.
3) A vida da Criança; fases que atravessa, durante o «Crescimento», ou
idades de evolução do sólido humano: infância, puerícia, adolescência,
puberdade, nubilidade.
4) Características de cada uma destas idades, sua importância e
influência na marcha do «Crescimento».
5) Divisão dêste estudo em três partes, versando a primeira sobre o
Corpo da Criança; a segunda, sobre a Mentalidade da Criança; e a
terceira, sobre a Personalidade da Criança.
6) Elementos e subsídios, de que podemos dispor para a constituição de
uma Pedologia nacional: observações, mensurações, e experiências
realizadas em estabelecimentos de ensino, e noutros meios infantis,
assim como no Laboratório de psicologia experimental, de Coimbra. Resumo
das aquisições de factos, em primeira mão, que permitem, a nosso ver,
desde já, algumas generalizações sobre o modo de crescimento da criança
portuguesa.
PRIMEIRA PARTE
*O corpo da criança*
CAPÍTULO I
Noção do «Crescimento». Fenómenos que o constituem. Causas que o
determinam. Leis que o regem. Influências que o modificam.
CAPÍTULO II
Método a empregar no estudo dos fenómenos do «Crescimento».
CAPÍTULO III
Manifestações do «Crescimento» em altura, largura, espessura, grossura e
densidade; ou projecções verticais, diâmetros, circunferências,
cubagens, e pêso do sólido humano.
CAPÍTULO IV
«Crescimento» absoluto ou global, e «Crescimento» relativo ou segmentar.
Ritmo do «Crescimento» absoluto da Criança portuguesa. Fundamentos da
Curva que exprime êsse ritmo.
CAPÍTULO V
Insuficiência das medidas sintéticas (estatura, perímetro torácico, e
pêso) para a avaliação rigorosa dos fenómenos do «Crescimento».
CAPÍTULO VI
«Crescimento» relativo, ou proporções métricas do corpo da Criança,
desde o nascimento até à idade adulta.
NOTA:
O relator apresentará ao Congresso as fórmulas do «Crescimento» ou os
cânones antropométricos das idades de evolução da criança portuguesa; e
exporá os fundamentos dessas fórmulas.
SEGUNDA PARTE
*A mentalidade da criança*
CAPÍTULO I
Origem e evolução da mentalidade infantil. Leis que a regulam;
influências que a modificam. Curva desta evolução. Relações do
desenvolvimento somático com o desenvolvimento psíquico.
CAPÍTULO II
Os sentidos e a inteligência. Estudo experimental da inteligência. A
atenção; a memória, e a imaginação das crianças.
CAPÍTULO III
Comparação do psiquismo animal com a psicologia das primeiras idades da
evolução.
NOTA:
O relator apresentará ao Congresso as conclusões dos seus estudos sôbre
a medida do trabalho mental, pelo método de Kraeplin, assim como sôbre a
análise quantitativa e qualitativa da Memória; e sôbre a psicometria da
atenção.
TERCEIRA PARTE
*A personalidade da criança*
CAPÍTULO I
Noção da «personalidade». O carácter; seus elementos constitutivos e
manifestações. Noção bio-psíquica e moral do carácter. Formação do
carácter, princípios em que deve assentar.
CAPÍTULO II
Estados mórbidos da personalidade: a mentira; a preguiça; a timidez; a
cólera; as fobias das crianças. Patologia da vontade.
CAPÍTULO III
Os vícios da educação tradicional; necessidade de uma reforma na
processologia da educação. Resumo e conclusões.
NOTA:
O relator apresentará ao Congresso os resultados dos seus trabalhos
experimentais, realizados no Laboratório de psicologia, sôbre a
sugestibilidade das crianças; e o valor do testemunho infantil.
CONCLUSÕES GERAIS
I
*Crescimento físico*
1) Existem em Portugal, em relação ao sexo masculino, elementos mais do
que suficientes para a organização de uma tabela de médias, baseada nas
observações e mensurações, que exprimem o «Crescimento» absoluto da
Criança portuguesa, isto é, nas medidas sintéticas da altura, do
perímetro torácico, e do pêso.
2) Mas o simples conhecimento do ritmo do «Crescimento» é insuficiente
para a perfeita inteligência da natureza física da Criança, e das leis
do seu desenvolvimento integral.
3) Donde resulta a necessidade de prosseguir activamente, em nossos
meios didascálicos e infantis, pela aplicação do método auxanológico, na
colheita de elementos (mensurações segmentares do sólido humano), que
permitam generalizações seguras sobre as proporções métricas do corpo
das crianças, nas idades de evolução.
4) Emquanto, porêm, não existir, entre nós, um número suficiente de
observações e mensurações daquela natureza, que justifiquem a adopção
definitiva das fórmulas antropométricas do «Crescimento» da Criança
Portuguesa, podemos e devemos adoptar provisóriamente cânones
antropométricos, cujos fundamentos se encontram, em parte, nas medidas
que são comuns ao «Crescimento» absoluto; e, em parte, nas percentagens
que resultam das médias de mensurações obtidas em crianças de países
estrangeiros, que reúnem maior número de afinidades com as nossas
crianças.
II
*Desenvolvimento mental*
1) Não há diferença de natureza entre o psiquismo dos animais superiores
e a mentalidade infantil das primeiras idades.
2) A curva do desenvolvimento mental coincide, em quási tôda a sua
extensão, com a curva do «Crescimento» físico; e, em todo o caso,
acompanha sempre a trajectória da evolução do cérebro.
III
*Formação do carácter*
1) Os factores da educação moral devem ser os mesmos da educação física,
porque a disciplina em que se baseiam ambas estas educações tem as
mesmas origens orgânicas, e produz análogos efeitos psíquicos.
2) Os estados mórbidos da Personalidade são mais eficazmente combatidos
pela higiene, do que pela autoridade.
III
Programas de Pedologia e de higiene escolar; prescrições de higiene
dentária; e instruções sôbre Pedometria, destinadas às novas
escolas normais primárias. (Regulamento e programas para execução
da lei n. 233, publicados no «Diário do Govêrno» n.^o 24, de 10 de
fevereiro de 1916.)
PROGRAMA DE PEDOLOGIA
Pedologia.--Sua definição e importância. Movimento pedológico.
Pedologia e pedotecnia.
Psicologia e pedagogia.
Pedagogia experimental e pedagogia geral. Psicopedologia e
psicopedagogia.
Relação da pedologia com a pedagogia.
Pedologia somática e pedologia psíquica.
Métodos da pedologia somática.
Os caracteres descritivos e os caracteres métricos.
Noções elementares de antropometria escolar.--Estudo dos principais
caracteres métricos. Relação entre o pêso, a altura e o perímetro
torácico.
Coeficientes de robustez.
Mensurações nos alunos segundo a «Ficha individual».
O crescimento durante a idade escolar.--Ideas gerais sôbre os métodos
do estudo do crescimento.
Proporções métricas do corpo da criança desde o nascimento à idade
adulta.
Influências que actuam no crescimento. Leis do crescimento.
Crescimento visceral.
A criança, o adolescente e o adulto.
Crescimento irregular. Perturbações orgânicas que produz e suas
consequências pedagógicas.
A puberdade.--Sua definição.
Características fisiológicas e psicológicas da puberdade.
Duração do período da puberdade.
Pedologia psíquica.--Definição. Métodos.
Desenvolvimento intelectual e psíquico em geral.
Factores dêste desenvolvimento e diferentes estádios.
Desenvolvimento sensorial.--Visão. Audição. Olfacto. Gôsto. Tato. Os
sentidos estereognósticos. O sentido cinestésico.
A atenção. A associação. A imaginação. A memória e o hábito. A
percepção. O juízo e o raciocínio.
Desenvolvimento dos sentimentos.--Os movimentos. Os sentimentos em
geral. As emoções e as tendências. Os instintos. Os interesses infantis;
seu papel na educação. A vontade. O carácter.
A linguagem, os gestos, a fisionomia e os costumes das crianças.
Medida do desenvolvimento psíquico nas diferentes idades.
Tests mentais.
Relações entre o crescimento físico e o crescimento psíquico.
Influências psíquicas imediatas da escola.
Herança psicológica e educação.
Crianças visuais, auditivas e motoras.--Os tipos mixtos.
Fadiga intelectual. Generalidades.
Noções gerais dos processos de medição da «fadiga intelectual»:
a) Processos directos. Ditado, leitura, cálculo, cópia, memoriação, etc.
b) Processos indirectos. Estesiometria, algesimetria, dinamometria,
ergografia, etc.
Influência de diversos factores sôbre a fatigabilidade.
Influência do trabalho físico sobre a fadiga mental.
Sobernal.
O repouso. O sono.
Dextrismo, sinistrismo e ambidextrismo.
Alunos preguiçosos.
Ideas gerais sôbre as crianças anormais. _Sua diagnose e
classificação_.
As relações do professor com o médico.
Puericultura.--Puericultura intra-uterina. Primeiros cuidados a
dispensar aos recêm-nascidos. Alimentação do 0 aos 2 anos. Noções gerais
da higiene da primeira infância.
PROGRAMA DE HIGIENE ESCOLAR
História da higiene escolar.--Evolução da higiene escolar em Portugal.
Edifício escolar.--Suas condições higiénicas. Salas de classe e
anexos, recreios, etc.
Mobiliário escolar.--Bases fisiológicas do mobiliário racional.
Diferentes tipos de mobiliário.
Iluminação das escolas.--Iluminação natural e artificial.
Fotometria escolar.
Aquecimento.
Ventilação das escolas.--Diferentes processos de ventilação.
Higiene da vista.--Higiene da leitura e da escrita. Os livros e os
cadernos escolares. Condições higiénicas da sua impressão.
Higiene do ouvido.
Higiene do nariz e da bôca.
Higiene da garganta.--Fisiologia da voz. Afecções de laringe.
Profilaxia das perturbações da fonação. Defeitos de pronúncia. Sua
profilaxia e correcção.
Atitudes viciosas.--Suas conseqùências.
Doenças escolares não contagiosas.
Doenças contagiosas.--Profilaxia das doenças contagiosas, na escola.
Desinfecção. Vacinações e revacinações.
Relações recíprocas entre alunos e professores, sob o duplo ponto de
vista das doenças contagiosas e das influências morais.
Educação física.--Bases fiisiológicas desta educação.
Princípios a que deve obedecer a elaboração dum horário.
Repartição das horas do trabalho e do repouso.
Cantinas escolares. Colónias escolares. _Escolas e classes ao ar
livre_. Internatos e externatos. Passeios e excursões escolares.
PRESCRIÇÕES DE HIGIENE DENTARIA
I
Antes te esqueças de lavar a cara do que a bôca e os dentes.
II
Habitua-te, tam cedo quanto possível, à higiene dentária. Aquele que é
desleixado em criança, dificilmente se corrige mais tarde.
III
A conservação e o bem-estar dos dentes de leite é tam importante, como o
dos dentes permanentes.
IV
Não abuses de doces e de alimentos muito moles. O melhor meio natural de
evitar a cária é mastigar com fôrça pão com côdea espêssa.
V
Nunca te esqueças de lavar a bôca, à noite.
VI
A limpeza mecânica dos dentes, feita com uma escôva e com um palito,
constitue a base de tôda a higiene dentária.
VII
As lavagens da bôca com líquidos antisépticos inofensivos e um bom pó ou
pasta dentifrícia são muito eficazes para completar a higiene dentária e
bocal. Os dentifrícios que são cáusticos para a mucosa, ou que
descalcificam os dentes, devem ser rejeitados. O sabão é um bom
dentifrício.
VIII
Faze inspeccionar os dentes, uma ou duas vezes por ano, por um dentista,
a fim de que êle descubra os focos mórbidos e os faça desaparecer, antes
que sejam muito extensos.
IX
O tártaro (pedra) deve ser extraído, de tempos a tempos.
X
Os dentes e as raízes que não possam ser conservados e tratados, devem
ser extraídos, sejam dolorosos ou não.
INSTRUÇÕES SOBRE PEDOMETRIA
Condições gerais:--As modificações morfológicas, fisiológicas e
psíquicas, produzidas pelos exercícios de educação física (exercícios
neuro-musculares e de adaptação aos meios) podem ser medidas ou
apreciadas e formarem dois grupos principais: somático e
físico-psíquico.
As mensurações constituem o processo mais racional de verificar os
efeitos dos exercícios, se nelas se observarem as indicações seguintes:
O observador possuìrá a técnica de medir e conhecerá a razão e o fim de
cada medida. Tomará as medidas à mesma hora, de preferência de manhã,
antes de qualquer exercício ou refeição e tanto quanto possível nas
mesmas condições e em períodos bem determinados, ex.: em Outubro e
Junho.
Estas medidas e observações serão apontadas em colunas individuais no
livro das mensurações, donde se tirarão tôdas as notas para a
organização das médias e dos índices de classificação individual
somática e fisiológica.
Os alunos serão medidos e observados de torso nu e descalços e as alunas
só com os fatos de gimnástica.
Para se assegurar bem da medida deverá esta repetir-se, acto contínuo,
as vezes que forem necessárias.
Nota.--As mensurações obtidas gráficamente por bons instrumentos
oferecem mais confiança.
TÉCNICA:
Para medir a altura:--O examinando colocar-se há na craveira na
atitude de sentido.
Para medir o pêso:--Torna-se necessário uma balança decimal bem tarada
e de fácil manejo. Os alunos serão pesados em ceroulas; as alunas com os
seus fatos de gimnástica.
Para medir a capacidade vital:--É necessário utilizar um espirómetro,
como o de Charles Verdin, colocá-lo a conveniente altura, usar duas
tubuladuras de borracha com as competentes embocaduras de vidro para se
poderem substituir a cada exame e desinfectar convenientemente.
Modo de medir:--O examinando, em face do aparelho, toma o tubo de
vidro (embocadura) na bôca, depois de ter enchido quanto pode o pulmão,
cerra os lábios sôbre o tubo para não perder ar e expira suavemente todo
o ar que possa, o que será registado pelo espirómetro.
Para medir a mobilização torácica:--O examinando, de calcanhares
juntos, mantêm os braços laterais e horizontais. Fazem-se 3 provas e
tira-se a média.
Diâmetros xifoìdianos:--É necessário um compasso de espessura como o
grande de Collin.
Modo de medir:
Diâmetro transverso:--Aplicam-se as pontas do compasso nos pontos mais
laterais do tórax e no nível do ponto esterno-xifoìdiano; o examinando
faz, então, a maior inspiração e logo a seguir a mais completa expiração
e toma-se nota dos diâmetros máximo e mínimo.
Diâmetro ântero-posterior:--Aplica-se uma das pontas do compasso no
ponto esterno-xifoìdiano e a outra na linha das apófises espinhosas e ao
nível daquele ponto; no resto procede-se como no transverso.
Perímetros xifoìdianos:--Na falta dum instrumento que nos dê com
precisão e facilidade gráficamente o perímetro torácico é mais prático
usar, com o devido cuidado, a fita métrica inextensível.
Modo de medir com a fita:--Aplica-se esta horizontalmente ao nível do
ponto esterno-xifoìdiano, o examinando faz a máxima inspiração e logo a
seguir a máxima expiração e o observador toma nota dos perímetros máximo
e mínimo.
Perímetro umbilical:--Procede-se como no perímetro torácico.
Nota.--Os perímetros tomam-se só aos alunos.
Para medir a fôrça de pressão e de tracção:--Para a de pressão é
necessário um dinamómetro como o de Collin; para a de tracção um
dinamómetro como o de Andrew.
Modos de medir:--Na pressão toma-se o dinamómetro na concha da mão e
cerra-se esta com a máxima fôrça, repete-se duas vezes e toma-se a prova
maior; na tracção tomam-se os anéis das cadeias, um em cada mão,
tiram-se para os lados, repete-se e toma-se a maior prova.
Para se obter o ritmo respiratório:--Na falta de um adequado
pneumógrafo, o número e o ritmo podem obter-se pela palpação; o
observador, colocado por detrás do examinando, aplica as mãos sôbre os
seus ombros, estendendo os quatro dedos sôbre as clavículas e as
primeiras costelas e os polegares estendidos para o dorso, ou em face do
examinando, aplica-lhe as mãos nos lados do tórax e em presença de um
relógio observa o ritmo e conta as respirações num minuto.
Para tomar o ritmo cardíaco:--Na falta dum esfigmógrafo de uso e de
precisão, o professor, tomando o pulso, obterá o número, o ritmo, a
forma e apreciará a pressão em repouso e depois dum escolhido exercício,
ex.: uma pequena carreira.
Para classificar os desvios ósseos da coluna vertebral:--Na falta dum
raquiógrafo conveniente, o professor pode chegar por uma observação
inteligente: dos movimentos da coluna, da sua forma na atitude de
sentido, das atitudes das espáduas e da cabeça, da forma torácica, etc.,
a conhecer os desvios.
Do tórax:--Na falta dum toracógrafo o observador pode usar o
cirtómetro de chumbo ou ainda, o compasso de espessura tirando os
diâmetros necessários para o que o examinando tomará a atitude de
sentido com os braços laterais e horizontais.
IV
DECRETO N.^o 4:900
Sendo urgente codificar e regulamentar tôdas as disposições legais em
vigor, relativas às Escolas Normais Superiores das Universidades de
Coimbra e Lisboa;
Atendendo à autorização concedida pelo § único do artigo 42.^o do
decreto com fôrça de lei n.^o 4:649, de 13 de Julho de 1918;
Usando da faculdade que me confere o n.^o 3.^o do artigo 47.^o da
Constituição Política da República Portuguesa;
Hei por bem, sob proposta do Secretário de Estado da Instrução Pública,
decretar o seguinte:
Artigo 1.^o É aprovado e mandado pôr em execução o Regulamento das
Escolas Normais Superiores das Universidades de Coimbra e Lisboa, que
faz parte integrante dêste decreto, e vai assinado pelo Secretário de
Estado da Instrução Pública.
Art. 2.^o Ficam, pelo presente regulamento, codificadas tôdas as
disposições legais em vigor, relativas às Escolas Normais Superiores,
substituídos os decretos regulamentares n.^o 2:117, de 27 de Novembro de
1915, n.^o 2:509, de 14 de Julho de 1916, n.^o 2:646, de 26 de Setembro
de 1916, n.^o 2:943, de 18 de Janeiro de 1917, n.^o 3:012, de 6 de Março
de 1917, n.^o 3:097, de 18 de Abril de 1917, e n.^o 3:330, de 3 de
Setembro de 1917, e regulamentados os decretos com fôrça de lei, de 21
de Maio de 1911 e n.^o 4:649, de 13 de Julho de 1918.
Art. 3.^o Fica revogada a legislação em contrário.
O Secretário de Estado da Instrução Pública o faça publicar. Paços do
Govêrno da República, 5 de Outubro de 1918.--Sidónio Pais--_José Alfredo
Mendes de Magalhães_.
V
Índice Analítico do 2.^o Volume desta Obra:
(NO PRELO)
*PEDOLOGIA PSÍQUICA*
(A mentalidade da Criança)
CAPÍTULO I
1) Órgãos dos sentidos: sensibilidade cutânea; sua discriminação.
2) Sensações tácteis, de pressão, térmicas, álgicas. 3) Sentido
cinestésico e sentido estereognóstico. 4) A cinestesia. 5) Acuidade
do tacto; sua medida. 6) Estesiometria. 7) Educação dos sentidos
cutâneos.
CAPÍTULO II
1) A visão; anatomia e fisiologia do bolbo ocular; mecanismo da
visão. 2) Emetropia, ametropia e hipermetropia. 3) Medida da
acuidade visual. 4) Sentido cromático; suas anomalias. 5) Medida
dêste sentido; tábuas pseudo-isocromáticas de Stilling.
CAPÍTULO III
1) A audição; mecanismo das sensações auditivas. 2) Medida da
acuidade auditiva. 3) Sentido otolítico.
CAPÍTULO IV
1) Os sentidos químicos: olfacto e gôsto. 2) Morfologia e
funcionamento dos respectivos órgãos. 3) Olfactometria e
gustometria.
CAPÍTULO V
1) A atenção; suas espécies. 2) Patologia da atenção. 3) Medida da
atenção. 4) Educabilidade da atenção.
CAPÍTULO VI
1) A memória; suas operações fundamentais. 2) Patologia da memória.
3) Análise qualitativa da memória: processos; experiências. 4)
Análise quantitativa da memória. 5) Educação da memória.
CAPÍTULO VII
1) A inteligência; sua noção. 2) Nível intelectual e nível escolar.
3) Medida da inteligência: processos; escala métrica da
inteligência. 4) Estudo scientífico do trabalho mental. 5) A fadiga
física e a fadiga mental: sua medida.
CAPÍTULO VIII
1) Noção da personalidade. 2) O carácter; seus elementos
constitutivos e manifestações. 3) Formação do carácter; princípios
sobre que deve assentar. 4) Os estados mórbidos da personalidade: a
mentira, a preguiça, a timidez, a cólera, as fobias das crianças.
5) Patologia da vontade. 6) Os vícios da educação tradicional. 7)
Educação moral e cívica das crianças, segundo os princípios da
pedagogia moderna. 8) A moral na escola.
VI
O estudo do «crescimento», no Colégio Moderno de Coimbra, pela
aplicação do método auxanológico
O estudo do «crescimento», pelo método auxanológico, faz-se
presentemente, sob a nossa direcção, em alunos internos do _Colégio
Moderno_, de Coimbra.
As primeiras mensurações foram realizadas, durante os meses de maio e
junho, do ano de 1918.
Em maio e junho, dêste ano de 1919, ao prefazerem-se doze meses
completos, continuou-se êste serviço antropométrico, que não pôde ser
executado em novembro e dezembro (fim do 1.^o semestre), como convinha,
mercê das ocorrências políticas, que perturbaram a vida nacional.
Foram observados e mensurados (e continuá-lo hão a ser) 115 alunos,
de idades que se acham compreendidas entre os dez e os dezoito anos.
As medidas são tomadas, sempre, sobre o corpo nu do aluno; o
material pedométrico empregado é aquele que indicámos, a página 145
(nota); e a técnica regula-se, pelas instruções do D.^r Paulo
Godin, publicadas, a página 243 e seguintes, do seu livro: «_La
Croissance pendant l'âge scolaire_», Paris, 1913.
Alêm das medidas segmentares, relativas ao crescimento físico,
colhemos, nas observações, todos os elementos necessários para o
estudo da puberdade. E nem sómente nos preocupou a _pedometria
somática_, mas tambêm iniciamos trabalhos, que aproveitem à _pedometria
psíquica_, isto é, à medida da acuidade sensorial, e ao _exame
psíquico, etológico e psiquiátrico_ dos alunos.
Nesta primeira exposição, limitar-nos hemos a divulgar os _resultados
antropométricos_ obtidos, condensando-os, nos seguintes mapas: 1) das
projecções verticais; 2) do pêso; 3) da puberdade.
I
+==================================================================+
| Projecções Verticais Sintéticas (médias) |
+-------------+-------------+------------+------------+------------+
| | Número | Altura | Busto |B X 100 |
|Idades (anos)|de indivíduos|(milímetros)|(milímetros)|-------[227]|
| | | | | A |
+-------------+-------------+------------+------------+------------+
| 10 | 9 | 1,273 | 0,680 | 53 |
| 11 | 5 | 1,382 | 0,716 | 51 |
| 12 | 7 | 1,412 | 0,724 | 51 |
| 13 | 14 | *1,474* | 0,737 | 50 |
| 14 | 32 | 1,496 | 0,765 | 51 |
| 15 | 25 | *1,587* | 0,800 | 50 |
| 16 | 15 | 1,614 | 0,810 | 50 |
| 17 | 7 | 1,649 | 0,850 | 51 |
| 18 | 1 | 1,635 | 0,844 | 51 |
| Total.... | 115 | -- | -- | -- |
+=============+=============+============+============+============+
Verifica-se, pela leitura dêste primeiro mapa, que o «crescimento»
dêstes alunos do Colégio Moderno não se afasta sensivelmente dos
resultados gerais, a que chegámos, em relação à criança portuguesa.
Assim, a macrosquelia (característica da adolescência e da
puberdade) é evidente, do mesmo modo que tambêm é normal o _índice do
tronco_, que, como se vê, oscila entre 50 e 53.
II
+======================================+
| |
| Pêso (médias) |
| |
+-------------+------------+-----------+
| | Número de | |
|Idades (anos)| indivíduos |Quilogramas|
+-------------+------------+-----------+
| 10 | 9 | 26 |
+-------------+------------+-----------+
| 11 | 5 | 33 |
+-------------+------------+-----------+
| 12 | 7 | 34 |
+-------------+------------+-----------+
| 13 | 14 | 38,5 |
+-------------+------------+-----------+
| 14 | 32 | 40,5 |
+-------------+------------+-----------+
| 15 | 25 | 42 |
+-------------+------------+-----------+
| 16 | 15 | 43 |
+-------------+------------+-----------+
| 17 | 7 | *54,5* |
+-------------+------------+-----------+
| 18 | 1 | 52 |
+-------------+------------+-----------+
| Total | 115 | -- |
+=============+============+===========+
E, quanto a crises do «crescimento», a conformidade com a curva, que
traçámos[228] é absoluta: veja-se como o ritmo, em geral, se mantêm, e
como o paralelismo das acelerações e das acalmias (relativas) se
acusa, em todo o percurso da escala.
Sobre pêso, apenas há a observar que, de conformidade com as
conclusões a que se tem chegado, a marcha do «crescimento» é
regular; e que tambêm de harmonia com a curva do gráfico
respectivo[229], a fisionomia desta é análoga.
Segue-se o mapa da puberdade, cuja leitura será, de grande interêsse
e importância, para todos quantos se interessem pelos estudos de
pedologia, entre nós.
+=======================================================+
| Puberdade (sinais físicos) |
+--------+----------+-----------+-----------+-----------+
| Idades | Número de|P^{1, 2, 3 | P^3 A^1 | P^5 A^5 |
| (anos) |indivíduos| ou 4}[230]| [231] | [232] |
+--------+----------+-----------+-----------+-----------+
| 10 | 9 | 0 | 0 | 0 |
+--------+----------+-----------+-----------+-----------+
| 11 | 5 | 0 | 0 | 0 |
+--------+----------+-----------+-----------+-----------+
| 12 | 7 | 1 | 0 | 0 |
+--------+----------+-----------+-----------+-----------+
| 13 | 14 | 5 | 1 | 0 |
+--------+----------+-----------+-----------+-----------+
| 14 | 32 | *12* | 3 | 2 |
+--------+----------+-----------+-----------+-----------+
| 15 | 25 | 5 | *13* | 4 |
+--------+----------+-----------+-----------+-----------+
| 16 | 15 | 5 | 4 | 5 |
+--------+----------+-----------+-----------+-----------+
| 17 | 7 | 0 | 1 | *6* |
+--------+----------+-----------+-----------+-----------+
| 18 | 1 | 0 | 0 | 1 |
+--------+----------+-----------+-----------+-----------+
| Total | 115 | -- | -- | -- |
+========+==========+===========+===========+============+
Verifica-se, em presença dêste mapa que, sem dúvida por influência do
internato, a puberdade, entre os alunos do Colégio Moderno,
manifesta-se, um pouco tardiamente, em relação a perto de 50% dêstes
alunos.
Efectivamente, antes dos catorze anos, em trinta e cinco alunos, apenas
sete, de mais de doze anos, apresentam vestígios dos sinais físicos,
característicos da puberdade.
Aos catorze anos, de trinta e dois alunos, só dezassete entram na _fase
pubertária_; e torna-se necessário ultrapassar essa idade, para que
todos se submetam à eficiência da lei.
Importa, porêm, notar que, dentre aqueles, em quem o «crescimento» se
afirma normal, a puberdade aparece, de facto, pelos catorze anos, de
conformidade com o que se acha estabelecido, em relação à _criança
portuguesa_; instala-se, aos quinze; e encerra-se, pelos dezassete anos.
ÍNDICE
Páginas
Nota Preambular 7
Introdução
I--A criança; sua concepção bio-psíquica e social 11
II--Sciências da criança: Pedologia, Psico-pedagogia, Pedagogia
experimental; outros ramos da Pedagogia 14
III--A vida da criança; fases que atravessa, durante o «crescimento»,
ou idades da evolução do organismo humano 18
IV--Elementos e subsídios, de que podemos dispor, para a
constituição de uma Pedologia nacional 25
V--Bibliografia portuguesa de assuntos relativos à psicologia
e à pedologia 29
PEDOLOGIA SOMÁTICA
O CORPO DA CRIANÇA
Capítulo I--Fases da vida dos organismos. «Crescimento»;
suas espécies, e modos de o estudar.
Leis do «crescimento», e factores que o modificam 35
Capítulo II--«Crescimento» absoluto; sua determinação,
em relação à criança portuguesa; tabelas de
médias, e respectivas curvas. O ritmo do
«crescimento», em Portugal 39
Capítulo III--Insuficiência do estudo do «crescimento» absoluto,
para a solução de todos os problemas antropométricos. «Crescimento»
relativo ou segmentar; sua determinação, tanto sintética,
como analítica, pelo confronto dos respectivos elementos 59
Capítulo IV--Medidas segmentares, para avaliação do «crescimento»
relativo, ou das proporções do corpo, nas idades de evolução.
Cânones antropométricos da criança portuguesa 69
Capítulo V--Processo bio-químico do «crescimento»: osteogénese 105
Capítulo VI--Fórmulas antropométricas do «crescimento» normal,
nas idades de evolução. Anomalias do «crescimento»; sua
determinação, pelo processo antropométrico 110
Capítulo VII--Doenças das crianças, nas idades de evolução.
A mortalidade infantil, em Portugal. «Crescimento»
desequilibrado; suas consequências 116
Capítulo VIII--Higiene do «crescimento»; exercícios físicos:
jogos e gimnástica 120
Capítulo IX--Evolução geral da mentalidade; fases desta
evolução e leis que a regulam. Os factores bio-psíquicos do
«crescimento» 125
APÊNDICES
Páginas
I
Elementos para a organização de uma caderneta pedológica,
destinada a sistematizar o estudo do «crescimento» 141
II
A criança portuguesa (sumário da tese apresentada, discutida
e integralmente adoptada pelo I _Congresso nacional de
educação física_, realizado em Lisboa, em 1916) 151
III
Programas de Pedologia, e de higiene escolar; prescrições
de higiene dentária; e instruções sôbre pedometria, constantes
do decreto, n.^o 2.213, publicado no «Diário do Govêrno»
n.^o 24 de 10 de Fevereiro de 1916, que aprovou o
regulamento e programas para execução da lei n.^o 233 de
7 de Julho de 1914 sôbre o ensino normal primário 157
IV
Decreto n.^o 4.900, que reformou as escolas normais superiores 165
V
Índice analítico do 2.^o volume desta obra 166
VI
O estudo do «crescimento», no Colégio Moderno, de Coimbra,
pela aplicação do método auxanológico 168
Livrarias Aillaud e Bertrand
LISBOA--73, Rua Garrett, 75
ANTOLOGIA PORTUGUESA
Cada volume brochado .............. 1$20
» » encadernado ........... 1$60
A série da ANTOLOGIA PORTUGUESA, que virá a constar de uns trinta
volumes, pelo menos, não será apresentada ao público com numeração
editorial. Cada possuidor a ordenará como entenda, ou cronológicamente,
ou por poetas e prosadores, segundo o seu critério e vontade.
* * * * *
Volumes no prélo e prestes a saír:
*Manoel Bernardes*, 2 volumes.
*Alexandre Herculano*, 2 volumes.
*Frei Luís de Sousa*, 2 volumes.
*Guerra Junqueiro*, 1 volume.
Em preparação:
*Camões lírico, Antonio Vieira
Fernão Lopes, Eça de Queiroz, Bocage,
Lucena, Damião de Góis, Castilho,
Antéro de Figueiredo,
Sá de Miranda, João de Barros,
Camilo,
Os Cancioneiros, Fernão Mendes Pinto,
Gil Vicente, Garrett,
Garcia de Rezende, etc., etc.*
*Notas:*
[1] Cf. o índice analítico, no fim dêste livro.
[2] Cf. Ch. Richet, Essai de psychologie générale, Paris, 1912; G.
Bohn, La nouvelle psychologie animale, Paris, 1911; P. H. Souplet, _De
l'animal à l'enfant_, Paris, 1913.
[3] Cf. John Dewey, L'école et l'enfant, Paris, 1913.
[4] Cf. Dewey, _Interpretation of the savage mind, apud Psychol.
Review_, 1902, pág. 217 e segs.
[5] Cf. Th. Ruyssen, Essai sur l'évolution psychólogique du jugement,
Paris, 1904.
[6] Cf. G. Persigout, Essais de Pédologie générale, Paris, 1909.
[7] E. Claparède, Psychologie de l'enfant et Pédagogie expérimentale,
Paris, 1916.
[8] Cf. Preyer, Physiologie de l'embryon, Paris, 1885; Ch. Letourneau,
La Biologie (origine et lois de la vie), Paris, 1912; A. Soulié,
Précis d'anatomie topographique, Paris, 1911.
[9] Cf. E. Claparède, _Psychologie de l'enfant et Pédagogie
expérimentale_, Paris, 1916.
[10] Cf. Pérez, La psychologie de l'enfant, Paris, 1878; Preyer,
L'âme de l'enfant, Paris, 1881.
[11] Cf. The psychology of child development, Chicago, 1903.
[12] Para o estudo de todos êstes problemas, cf. E. Roehrich,
Philosophie de l'éducation (essai de pédagogie générale), obra
premiada pelo Instituto de França, Paris, 1910; L. Cellerier,
Esquisse d'une science pédagogique, Paris, 1910; J. Dubois, _Le
problème pédagogique_, Paris, 1911; L. Dugas, _Le problème de
l'éducation_, Paris, 1911; J. de la Vaissière, Psychol. Pédag., Paris,
1916.
[13] Cf. Paul Barth, Principi di Pedagogia e didattica, trad. ital.,
Milão, 1917.
[14] Cf. J. Carré et Roger Liquier, Traité de Pédagogie scolaire,
Paris, 1905.
[15] Cf. E. Brouard, Inspection des écoles primaires, Paris, 1887.
[16] Cf. E. Claparède, Ob. cit.; G. Persigout, Ob. cit.; E. Blum,
La pedologie, apud L'année psychologique, 5.^o Vol., Paris, 1899.
[17] A criança pensa e age, segundo leis diferentes, à medida que
evoluciona da infância à puerícia e daí à puberdade. Cf. Dr.
Alves dos Santos, O Ensino primário em Portugal (nas suas relações com
a história geral da Nação), Pôrto, 1913, pág. 201.
[18] Cf. J. M. Baldwin, _El desenvolvimiento mental en el niño y en la
raza_, trad. esp. , Barcelona, 1910; J. Wilbois, _Les nouvelles méthodes
d'éducation_, Paris, 1914; P. Hachet-Souplet, De l'animal à l'enfant,
Paris, 1913.
[19] Cf. Th. Ribot, L'hérédité psychologique, Paris, 1910; Davidson,
The recapitulation theory and human infancy, New-York, 1914; Jacques
Loeb, Fisiologia comparata del cervello e psicologia comparata, trad.
ital., Milão, 1908.
[20] Há outros critérios de classificação das idades do crescimento;
por exemplo: o critério psico-biológico da aparição dos interesses; o
critério psicológico da adaptação sensorial; o critério didascálico;
etc.; etc. Cf. E. Claparède, Ob. cit.; G. Stanley Hall, _Adolescence
its psychology and its relations to physiology, anthropology, sociology,
sex, crime, religion and education_, New-York, 1911.
[21] Cf. Dr. Alves dos Santos, O crescimento da criança portuguesa,
Coimbra, 1917.
[22] Cf. Année psychologique, 1911, pág. 48; Th. Ruyssen, _Essai sur
l'évolution psychologique du jugement_, Paris, 1904, pág. 71 e segs.;
Ch. Letourneau, La psychologie ethnique, Paris, pág. 25 e segs.; E.
Apert, Les maladies des enfants, Paris, 1914.
[23] Cf. E. Cramaussel, Le premier éveil intellectuel de l'enfant,
Paris, 1911.
[24] A evolução dentária é um fenómeno contínuo, que tem a sua
origem no segundo mês da vida intra-uterina, embora a _erupção dos
dentes_ só principie, pelo sexto mês, depois do nascimento. Os
primeiros dentes são os incisivos inferiores medianos; entre os oito e
os dez meses, irrompem os incisivos superiores medianos; pelo décimo
mês, os incisivos superiores laterais; do décimo até ao décimo segundo
mês, os incisivos inferiores laterais. Depois do primeiro ano,
aparece todo o grupo dos oito incisivos. Até aos quinze meses, saem os
quatro primeiros prè-molares; pelos dois anos, os quatro caninos;
pelos dois anos e meio, os quatro últimos prè-molares.
[25] Cf. Th. Ruyssen, Ob. cit.; Ch. Letourneau, _La psychologie
ethnique_, cit.
[26] Cf. B. Perez, Les trois premières années de l'enfant, Paris,
1911, pág. 289 e segs.
[27] Tôda a criança que, aos dezasseis mêses, não andar, deve ter-se
por suspeita de raquitismo, ou de _afecções crónicas do sistema
nervoso_. Cf. E. Apert. Les maladies des enfants, cit., pág. 16.
[28] Os vinte dentes do leite começam a caír, pelos sete anos, sendo
substituídos, sucessivamente, pela mesma ordem da sua aparição, por
dentes definitivos. Os incisivos medianos são substituídos, dos sete
para os oito anos; os laterais, dos oito para os nove; os _primeiros
prè-molares_, pelos dez anos; os caninos, pelos onze; os _segundos
prè-molares_, dos doze para os treze anos. Ao mesmo tempo, completa-se o
sistema dentário, pela erupção dos grandes molares, nos espaços
ainda livres das maxilas: pelos seis anos, os _quatro primeiros grandes
molares_; pelos doze anos, os segundos grandes molares; finalmente,
pelos vinte anos, os últimos grandes molares (dentes do siso). Cf.
Apert., Ob. cit., pág. 14.
[29] G. Compayré, L'adolescence, Paris, 1909, pág. 187.
[30] La Croissance pendant l'âge scolaire, Paris, 1913, pág. 114.
[31] Cf. Dr. Alves dos Santos, O «crescimento» da criança portuguesa,
Coimbra, 1917; e apèndice ao presente livro.
[32] Cf. Dr. Alves dos Santos, Ob. cit., pág. 64, nota 3.^a
[33] Esta escola tem uma aula de educação dos sentidos, e publica,
actualmente, um Boletim, que é a continuação da Revista de Pedagogia
(Educação), da qual saíram doze números.
[34] Esta Instituição publica estudos e trabalhos sobre as
crianças, numa Revista mensal, que tem por título «A Tutoria».
[35] Esta Sociedade tem por órgão um Boletim trimestral (_Revista de
Educação Geral e Técnica_), onde são publicados os resultados das
investigações, a que procede, sobre «_o desenvolvimento físico e,
psíquico da criança_».
[36] Cf. Dr. Alves dos Santos, Psicologia e Pedologia (relatório uma
missão de estudo, no estrangeiro), Coímbra, 1913.
[37] Cf. V. Houssay, La forme et la vie, Paris, 1900.
[38] Cf. Dr. Alves dos Santos, O «crescimento» da criança portuguesa
(subsídios para a constituíção de uma pedologia nacional), Coímbra,
1917, pág. 63 e segs.
[39] Cf. Dr. Alves dos Santos, Ob. cit.; P. Godin, _La croissance
pendant l'âge scolaire_, Paris, 1913; E. Apert, Maladies des enfants,
Paris, 1914; J. Comby, Traité du rachitisme, Paris, 1901; J. Philippe,
Les anomalies mentales chez les écoliers, Paris, 1905.
[40] Cf. Dr. Alves dos Santos, O «crescimento» da criança portuguesa,
cit., pág. 7 e segs.
[41] Cf. Dr. Alves dos Santos, O «crescimento» da criança portuguesa,
Ob. cit., pág. 10 e segs.
[42] Cf. Anuários do Rial Colégio Militar: anos de 1899-1900;
1900-1901; 1901-1902; 1902-1903; 1903-1904; 1904-1905.
[43] Cf. La gymnastique médicale au collège de Campolide, 1910.
[44] Cf. Memória do Terceiro Congresso Pedagógico, promovido pela
Liga Nacional de Instrução, Lisboa, 1913, pág. 211 e segs.:
Contribuição ao estudo do crescimento da criança portuguesa.
[45] Cf. Alfredo da Costa, _Quelques renseignements statistiques sur la
maternité provisoire de Lisbonne_, Lisboa, 1906.
[46] Cf. _Relatórios dos serviços médicos e farmacêuticos da Santa Casa
da Misericórdia de Lisboa_, anos económicos de 1907-1908 a 1912-1913,
seis fascículos.
[47] Sobre as medidas pedométricas, a que se referem os n.^{os} 6, 7,
8, 9 e 10, cf. o nosso livro, cit. _O crescimento da criança
portuguesa_.
[48] Cf. E. J. Marey, _La méthode graphique dans les sciences
expérimentales_, Paris, 1885; E. Claparède, _Psychologie de l'enfant et
pédagogie expérimentale_, Genève, 1916.
[49] Cf. Anthropométrie ou mésure des différentes facultés de l'homme,
Bruxelles, 1871.
[50] TAILLE MOYENNE DES PORTUGAIS CONTEMPORAINS, DISTRIBUÉS PAR
PROVINCES
==============================================================================
| TAILLE
+-------------+-----------------------------------------
Provinces | Hommes | Femmes
(Caractères +=======================================================
démonstratifs) | Moyenne | Basse | Moyenne | Haute
| millimètres | | |
----------------------+-------------+-------------+-------------+-------------
M = Minho | 1627.95 | | |
TM = Trás-os-Montes | 1645.53 | Jusqu'à De Au
D = Douro | 1652.64 | 1520 | 1521^{mm} | dessus de
BA = Beira Alta | 1630.15 | jusqu'à 1621^{mm}
BB = Beira Baixa | 1646.83 | | 1620 |
E = Estremadura | 1634.55 |
A = Alentejo | 1625.34 | | |
Alg = Algarve | 1633.20 |
IA = Ile des Açores } | | |
} 1651.45 |
IM = Ile de Madère } | | |
| | 33.33% 54% 12.67%
Moyenne générale | 1639 | ---------------------------------------
Envergure générale | 1673 | 100.00
==============================================================================
[51] Cf. Th. Ruyssen, Essai sur l'évolution psychologique du jugement,
Paris, 1904, pág. 72.
[52] Cf. Psychologie de l'enfant et pédagogie expérimentale, cit.,
pág. 419.
[53] Cf. Dr. A. Aurélio da Costa Ferreira, O peso do corpo da criança
(lição de encerramento do curso de pedologia, na escola normal de Lisboa
no ano lectivo de 1914-15) apud Archivo de anatomia e anthropologia,
Lisboa, 1915, vol. 3.^o, n.^o 2.
[54] O perímetro torácico ultrapassa, em média, a metade da altura,
no adulto; e fica inferior a essa metade, na criança, cuja idade se
ache compreendida entre os sete e os dezasseis anos.
[55] Cit. por Stanley Hall, ob. cit., vol. 1, pág. 99.
[56] Cf. Pierre Mendousse, L'âme de l'adolescent, Paris, 1911; A.
Marro, La puberté chez l'homme et chez la femme, Paris, 1901.
[57] Cf. P. Godin, La croissance pendant l'âge scolaire, cit.; E.
Apert, Les enfants retardataires, Paris, 1902.
[58] Cf. Dr. E. Apert, Les enfants retardataires, Paris, 1902, páginas
10 e segs., donde se extraíu esta fotogravura.
[59] Cf. Pierre Mendousse, L'âme de l'adolescent, cit., P. Godin, _ob.
cit._, Stanley Hall, ob. cit.
[60] Cf. _Étude sur les rapports anthropométriques en général et sur les
principales proportions du corps_ (_Mém. de la Soc. d'Anthrop. de
Paris_, 1902, vol. II, 3.^a série, fasc. 3.^o).
[61] Cf. Der Körper des Kindes, Stuttgart, 1909.
[62] Segundo Deniker, a puberdade faz a sua aparição, nos _países
quentes_, entre os onze e os catorze anos; nos países frios, entre os
quinze e os dezoito; e nos países temperados, entre os treze e os
dezasseis; acrescentando, porêm, que é mistér contar com as _influências
étnicas_, género de vida, regime alimentar, etc. Cf. _Les races et
les peuples de la terre_, pág. 132.
[63] P. e A. exprimem a eclosão pilar do púbis e das axilas. A
mudança da voz e, no sexo feminino, o fluxo menstrual tambêm são
características da puberdade. Os expoentes referem-se à quantidade.
[64] Confrontem-se os dados antropométricos inscritos na figura n.^o
12, com as tabelas que exprimem as médias de quatro mil mensurações
feitas por Variot e Chaumet, em escolas e creches da cidade de Paris.
Cf, págs. 54 e 58 dêste trabalho.
[65] Aida nasceu em 14 de dezembro de 1903. Estatura do pai, 1,474; da
mãe, 1,579. Doenças: 1) sarampo (aos 2-1/2 anos); 2) coqueluche (aos
3 anos); 3) bronquite aguda (aos 3-1/2 anos); 4) _enterites
freqùentes_ (dos 6 até aos 11 anos); 5) variola benigna (aos 8 anos);
6) trasorelho (aos 8 anos); 7) escarlatina (aos 11-1/2 anos). Duas
quedas, aos 5 anos. Como o gráfico indica, o _crescimento, em
altura_, a partir dos seis anos, diminue de intensidade, para não
recrudescer, senão, pelo aparecimento da puberdade.
Aos onze anos (dezembro de 1914), desenvolvimento dos seios, e P.^1.
Em 10 de março de 1915, primeiras regras, e P.^2. Em setembro, do
mesmo ano, P.^3 A.^1.
[66] Na organização dos cânones antropométricos, temos de acumular
esta lacuna, considerando, provisòriamente, valores estrangeiros, que
serão substituídos por valores nacionais, quando os houver apurados.
[67] Cf. Prof. Alfredo da Costa, Quelques renseignements, etc., cit.,
pág. 96, donde são extraídos os elementos desta tabela.
[68] O F designa o diâmetro occipito-frontal (ântero-posterior
máximo, da glabela à parte posterior occipital).
B P significa o diâmetro bi-parietal (a maior distância que separa
transversalmente as duas bossas parietais).
S O F representa a circunferência do crânio, à altura das _bossas
frontais_.
[69] Cf. ob. cit., pág. 95.
[70] Cf. Mies, Le poids du cerveau des nouveau-nés, apud _Revue
d'anthropologie_, 1889. Dr. G. Paul-Boncour, Anthropologie anatomique,
§ 3.^o. Volume et capacité du crâne. Indice cubique, pág. 261 e
segs.
[71] Cf. _Quelques considérations sur les dimensions de la tête du
foetus à terme_, apud Compte-rendu du Congrès intern. de méd.,
Lisbonne, pág. 277 e segs.
[72] O índice cefálico varia, durante a infância e na puerícia: a
sua fixidez não se estabelece, senão a partir dos nove anos.
«Ordináriamente, ao nascer, diz J. Deniker, as crianças parecem mais
dolicocéfalas, do que os adultos da sua raça; mas, a partir do primeiro
mês, a cabeça cresce mais de-pressa, em largura, do que em
comprimento...». «As nossas investigações pessoais convencem de que a
cabeça do infante aumenta, a princípio, em largura, para chegar, em
seguida, gradualmente, à forma definitiva, que se estabelece, pelos dez,
doze ou quinze anos, segundo as raças». Races et peuples de la terre,
Paris, 1900, págs. 88 e 89.
[73] Cf. Contribuição para o estudo da bacia na mulher portuguesa,
Pôrto, 1916, pág. 72 e segs.
[74] Cf. Contribuição para o estudo da bacia, etc., cit.
[75] Cf. _Elementos elucidativos sôbre a relação dos índices cefálicos e
da estatura com a capacidade craniana_, apud O Instituto, 1900, mês de
setembro.
[76] Cf. Crânios portugueses, Coímbra, 1906.
[77] Índices cefálicos dos portugueses, Coímbra, 1898.
[78] Estudo de antropometria portuguesa, Lisboa, 1898.
[79] Notas sôbre Portugal, Lisboa, 1908, tomo I.
[80] Cf. Fonseca Cardoso, ob. cit., pág. 66. Cf. tambêm sobre êste
assunto, Bento Carqueja, O Povo Português, págs. 47 e segs.
[81] Em França, H. Muffang, professor do liceu de Saint-Brieuc,
procedeu, em vários estabelecimentos de ensino do seu país, a
investigações cefalométricas, no intuito de verificar, se as _leis da
antropo-sociologia_ são ou não aplicáveis a _determinados grupos de
população_; e se existe alguma relação entre as _aptidões intelectuais
das crianças e as suas dimensões cranianas, ou seu índice cefálico_. As
conclusões que formulou são as seguintes: «Il semble qu'il existe une
rélation entre les formes du crâne et certaines tendances, novatrices ou
conservatrices, en matière d'enseignement, et une rélation entre les
succés scolaires et les dimensions absolues du crâne. Une plus forte
longueur cranienne semble coïncider soit avec plus d'énergie, soit avec
plus d'aptitude intellectuele». Cf. Études d'anthropo-sociologie,
Paris, 1897, págs. 2 e 3.
[82] Cf. L'homme dans la nature, Paris, 1891, pág. 149.
[83] Cf. G. de Lapouge, Les lois de l'anthropo-sociologie, apud _Revue
Scientifique_, fasc. de outubro de 1897.
[84] Êste diâmetro é o sacro-púbico.
[85] Cf. H. Vierordt, _Anatomische, physiologische und physikalische
Daten und Tabellen_, Iena, 1906.
[86] Alêm das mensurações, que temos indicado, existem outras,
pertencentes à Escola de alunos marinheiros do Norte, sobre
perímetros do braço, do antebraço, da côxa, da perna, do
pescôço, da bacia; sobre a distância inter-mamilar, e outras;
sobre a capacidade vital; fôrça muscular, etc.
[87] O índice torácico, que calculamos para cada idade, é o que
exprime _a relação do diâmetro transverso máximo, multiplicado por 100,
com o diâmetro ântero-posterior máximo_.
[88] Em Campolide, tambêm se empregava esta mesma técnica. No _livro
das mensurações_, a oitava coluna tinha a seguinte rubrica:
«Diâmetros xifoidianos (transversal e ântero-posterior) tomados
durante a inspiração, a expiração e o tempo médio.»
[89] Cf. A. Soulié, Précis d'anatomie topographique, Paris, 1911, pág.
8-12; Godin, ob. cit., P. Topinard, L'anthropologie, págs. 311 e
segs.
[90] Proporções de Topinard.
[91] Os valores métricos absolutos dos segmentos são referidos à
estatura (1^{m},66, no homem; 1^{m},54, na mulher).
[92] Do Vértex ao Queixo.
[93] Do Queixo à Fúrcula esternal.
[94] [95] e [96] Da Fúrcula esternal à base da Bacia.
[97] (Espádua, braço e cotovêlo) do acrómion ao cotovêlo;
(antebraço, punho e mão) do cotovêlo à apófise estilóide.
[98] (Anca, côxa e joelho) da base da bacia ao _centro do
joelho_; (Perna e tornozêlo) do joelho ao tornozêlo; (Pé) do
tornozêlo ao solo.
[99] Circunferência máxima.
[100] Perímetro xifoidiano.
[101] [102] [103] [104]: Sobre estas medidas, cf. P. Godin, _ob.
cit._, págs. 252 e 253.
[105] No plano compreendido entre o ponto metópico e a _convexidade
occipital_ (a parte mais saliente).
[106] Entre os parietais, ubicumque inveniatur, de modo a obter o
máximo afastamento das pontas do compasso.
[107] Ao nível da extremidade inferior do esterno. É o diâmetro
esterno-vertebral.
[108] Ao nível da 8.^a costela.
[109] Sacro-púbico.
[110] Biilíaco (distância entre as cristas ilíacas).
[111] Fórmula do índice pélvico:
Índice= Diâmetro sacro-púbico da _Bacia_X100 / Distância entre as
cristas ilíacas
[112] Cf. L'homme dans la nature, cit., pág. 126.
[113] O desenho destas figuras pertence ao sr. Eduardo Ferraz, que o
executou, sob a nossa direcção.
[114] Cf. António Arroio, O povo português, apud _Notas sôbre
Portugal_, t. II, págs. 73 e segs.; Marques Braga, _Ensaio sôbre a
psicologia do povo português_, Coimbra, 1902.
[115] Cf. J. Augusto Coelho, Evolução geral das sociedades ibéricas,
Lisboa, 1908, t. II.
[116] As percentagens e os valores métricos são referidos à _altura
média do recêm-nascido_ (0^m,50).
[117] Quási a quarta parte da altura.
[118] Quási dois terços da altura.
[119] Braço, antebraço, mão.
[120] Côxa, perna, pé. Pouco mais de um têrço da altura.
[121] Êste índice exprime a relação do diâmetro transverso,
multiplicado por 100, com o diâmetro ântero-posterior.
[122] Êste 2.^o índice exprime a relação do perímetro torácico,
multiplicado por 100, com a altura do corpo.
[123] Ambos os sexos.
[124] Cf. Charlton Bastian, Le cerveau organe de la pensée, t. II,
cap. 1.^o.
[125] Cf. Ch. Letourneau, La psychologie ethniqne, Paris, págs. 25 e
segs.
[126] Cf. Bernard Perez, Les trois premières années de l'enfant,
Paris, 1911, págs. 10 e segs.
[127] Cf. P. Hachet-Souplet, De l'animal à l'enfant, Paris, 1913, pág.
127 e segs.
[128] Cf. P. Hachet-Souplet, ob. cit., pág. 127.
[129] Altura total do corpo: 83^{cm} (s. m.); 81^{cm} (s. fem.).
[130] J. J. Rousseau, Émile, ou de l'éducation, 4 vols., La Haye,
1762.
[131] Cf. Th. Ruyssen, _Essai sur l'évolution psychologique du
jugement_, cit., págs. 67 e segs.
[132] Cf. P. Hachet-Souplet, ob. cit., págs. 70 e segs.
[133] Cf. Ed. Cramaussel, Le premier éveil intellectuel de l'enfant,
Paris, 1911.
[134] Altura total do corpo: 114^{cm},5 (s. m.); 106^{cm} (s. fem.).
[135] Cf. M.^{me} Necker de Saussure, L'éducation progressive, L. II,
cap. IV; Fr. Queyrat, La logique chez l'enfant, Paris, 1907; B. Perez,
L'enfant de trois a sept ans, Paris, 1907.
[136] Cf. Le développement mental chez l'enfant et dans la race, trad.
fr., págs. 15 e 16.
[137] Cf. E. Claparède, _Psychologie de l'enfant et pedagogie
expérimentale_, Paris, 1916, págs. 515 e segs.
[138] Altura total do corpo: 154^{cm},8 (s. m.); 152^{cm} (s. fem.)
[139] Cf. L'âme de l'adolescent, cit., pág. 21.
[140] Cf. Adolescence, etc., cit., t. II, págs. 75 e segs.
[141] «L'adolescence est l'âge de la puberté, l'âge où la sexualité
s'établit définitivement, où le garçon devient homme, où la fille
devient femme. Et personne ne saurait contester que la puberté marque
une étape importante et décisive dans le cours de la vie humaine». Cf.
G. Compayré, L'adolescence, Paris, 1909, pág. 5.
[142] Cf. J. Laumonier, La physiologie générale cit.
[143] Cf. Paul-Boncour, Anthropologie anatomique, cit., pág. 56 e
segs.
[144] Cf. Topinard, L'anthropologie, cit.; Quételet, Anthropométrie,
Paris, 1871; Paul-Boncour, Ob. cit., pág. 60.
[145] Cf. J. Deniker, Les races et les peuples de la terre, Paris,
1900.
[146] Lannois depois de explicar essa transformação, pelo estudo das
modificações estruturais que a lâmina cartilaginosa sofre, a partir
do seu centro para o ôsso diafisiário, desde o _tecido hialino
típico_, até à zona osteóide ou de ossificação, escreve: «assim se
forma o tecido ósseo, primitivamente esponjoso, que se juxtapõe e
assimila ao do corpo e da extremidade dos ossos. O modo de ossificação
indicado é activo e contínuo, prosseguindo, durante a infância, e
exagerando-se na adolescência, muitas vezes, por forma brusca,
determinando um crescimento mais ou menos rápido; que, todavia,
definitivamente se extingue, dos vinte aos vinte e cinco anos. Se,
então, examinarmos a região que corresponde à faixa cartilagínea
juxta-epifisiária, nenhuns vestígios encontraremos dela: a cartilagem
substituíu o ôsso, sendo completa a fusão da epífise com a diáfise». Cf.
Études biologiques sur les géants, cit., págs. 333, 334 e 335.
[147] Cf. L'Anthropologie, cit., pág. 143; cf. mais: Papillaut,
L'homme moyen à Paris, apud Bull. et Mém. de la Soc. d'Anthrop.,
1902; P. E. Launois, _Causes et consèquences de la prolongation de
l'ossification des cartilages de conjugaison_, apud _Compt. rendus de
l'association des anatomistes_, Liège, 1903; Alexis Julien, _Loi de
l'apparition du premier point épiphysaire des os longs_, 1892.
[148] Cf. Dr. G. Paul-Boncour, Anthropologie anatomique, cit, pág. 117
e seg.
[149] Cf. Alves dos Santos, O Crescimento da Criança portuguesa, cit.,
pág. 78-80 e 90; 71-77.
[150] As notações que apresentamos, representativas aliás de grande
número de mensurações, divergem muito do índice torácico de
Weisgerber, pelo que respeita ao adulto, pois que o fixa em 118. Cf.
P. Topinard, L'homme dans la nature, cit., pág. 260.
[151] Cf. Dr. L. Manouvrier, _Étude sur les rapports anthropométriques
en général et sur les principales proportions du corps_, apud _Mém. de
la Soc. anthr._, Paris, 1902, T. II.
[152] Cf. Dr. E. Apert, Les enfants retardataires, Paris, 1902; J.
Comby, Traité du rachitisme, Paris, 1901.
[153] Cf. E. Regis, Précis de psychiatrie, Paris, 1914; Baréty, _De
l'infantilisme, du sénilisme, du féminisme, du masculisme et du facies
scrofuleux_, Nice médical, 1876.
[154] Cf. L. Testut, Traité d'anatomie humaine, Paris, 1911, T. III,
6.^a ed., págs. 762 e segs.
[155] Cf. La physiologie générale, cit., págs. 424-426.
J. Héricourt atribue tambêm à insuficiência funcional da _glândula
tiroide_ outros acidentes e perturbações, que pertencem ao _reumatismo
crónico_: dôres nervosas e musculares, retracções aponevróticas,
cefalalgias, moléstias de pele, etc.
Cf. L'hygiène moderne, Paris, 1907, pág. 12.
[156] O sr. Dr. A. Aurélio da Costa Ferreíra, num artigo publicado na
Medicina Moderna (fevereiro de 1917) atribue a gaguez a excessos de
secreção da glândula tiroide. Cf. Anuário da Casa-Pia, 1916-1917,
pág. 544-546; cf. tambêm do mesmo autor, Dois sphygmogramas de gagos,
Lisboa, 1918.
Sobre as relações do corpo tiroide com as perturbações da
ossificação, cf. C. Denis, _De l'influence de la glande thyròide sur
le développement du squelette_, Lyon, 1896; Boullenger, _De l'action de
la glande thyròide sur la croissance_, Paris, 1896; Rogowitch, _Effets
de l'ablation du corps thyròide_, apud Arch. de Physiol., nov. de
1888; Gley, Sur les fonctions du corps thyròide, apud _Arch. de
physiol. norm. et pathol., Paris, 1892; P. E. Launois, Études
biologiques sur les géants_, cit., págs. 340 e segs.; _Iunta para
ampliacion de estudios_... Anales, T. XVII, _memoria 3.^a,
Investigaciones acerca de la inervación del páncreas como glándula de
secreción interna_, por José Maria de Corral, Madrid, 1918.
[157] Cf. E. Apert, Maladies des enfants, cit., M. Springer, _Études
sur la croissance et son rôle en pathologie_, Paris, 1890; J. Comby,
Traité des maladies de l'enfance, Paris, 1899; _Maladies de
croissance_, apud Arch. de Médéc., 1890.
[158] Cf. Dr. Álvaro F. de Novais e Sousa, Assistência e Maternidade,
Coímbra, 1915; Sobral Cid, _Mortalité infantile en Portugal--XV Congrès
International de Médicine_, Lisboa, 1906.
[159] Cf. Boletim mensal de estatística demográfico-sanitária, Lisboa,
Impr. Nacional.
[160] Cf. Anuário estatístico de Portugal (vol.^{es} de 1903 a 1916),
Lisboa, Impr. Nac.
[161] Cf. Dr. Novaís e Sousa, ob. cit., págs. 5 e segs.
[162] Êste gráfico foi-nos amavelmente cedido pelo snr. Dr. Novais e
Sousa, que o publicou, pela primeira vez, na _Assistência e
Maternidade_, cit.
[163] Cf. Pierre Mendousse, L'âme de l'adolescent, cit.
[164] Cf. Paul Godin, ob. cit., pág. 143 e segs.
[165] Cf. Paul Godin, ob. cit., pág. 152 e segs.
[166] Cf. Dr. E. Claparède, Psychologie de l'enfant, etc., cit., pág.
429 e segs.; Fréd. Queyrat, Les jeux des enfants, Paris, 2.^a ed.,
1908; Dr. Alves dos Santos, O ensino primário em Portugal, cit.;
Stanley Hall, Adolescence, etc., cit.; Colozza, _Psychol. und
Pädagogik des Kinderspiels_, Altenburg, 1900.
[167] Cf. J. Wilbois, Les nouvelles méthodes de l'éducation, Paris,
1914.
[168] Cf. P. Hachet-Souplet, De l'animal à l'enfant, Paris, 1913; Th.
Ribot, L'hérédité psychologique, Paris, 1910.
[169] Cf. para conhecimento dessas classificações, Dr. E. Claparède,
ob. cit., págs. 462 e segs.; Queyrat, Les jeux de l'enfant, Paris,
1905.
[170] Cf. António Alfredo Alves, Jogos infantis, apud _Revista de
educação_, Lisboa, julho de 1912; F. Adolfo Coelho, _Jogos e rimas
infantis_, Pòrto; Augusto Pires de Lima, Jogos e canções infantis,
Pòrto, 1916.
[171] Pertencem a Mosso estas palavras concludentes: «Até há pouco
tempo, os educadores e os fisiologistas limitavam-se a dizer que a
gimnástica alemã era inútil e perigosa; começa-se a dizer agora que essa
gimnástica é prejudicial. Cf. Éducation physique de la jeunesse,
Paris, 1895, pág. 256. E Cellérier acrescenta: «A gimnástica não passa
de uma abstracção do jôgo; tiraram-lhe os atractivos dêste para lhe
conservarem apenas o esfòrço e a fadiga, que importa». Cf. _Esquisse
d'une science pédagogique_, Paris, 1910, págs. 192 e 193.
[172] O homem nasce, vive e morre, num meio aéreo; por isso, o _ciclo
da vida_ compreende-se entre uma inspiração inicial e uma _expiração
final_. A vida é, portanto, uma oxidação, assegurada pelo jôgo
elástico dos pulmões e do coração. Donde resulta que tôda a gimnástica
(para ser racional) deve facilitar aquele jôgo, isto é, _ser
respiratória_. Cf. Dr. Tissié, Précis de gymnástique rationelle,
Paris, 1900.
[173] Cf. Dr. Desfossés, La gymnastique respiratoire chez les enfants,
Paris, 1900. Cf. Tambêm P. Barth, Pedagogia e Didatica, trad. ital.,
Turim, 1917, pág. 453 e segs.
[174] Cf. Dr. E. Toulouse, Le Cerveau, Paris, 1901; Th. Ribot, _Les
maladies de la mémoire_, Paris, 1900; Ch. Richet, _Essai de psychologie
générale_, Paris, 1912.
[175] Cf. Claude Bernard, La science expérimentale, Paris, 1878, págs.
367-403; K. Pearson, La grammaire de la science, trad. franç. do
inglês, Paris, 1912, pág. 49 e segs.
[176] Cf. R. Turro, La méthode objective, apud Revue philosophique,
n.^{os} 10 e 11, de out. e nov. de 1916.
[177] Cf. G. Bohn, La nouvelle psychologie animale, cit., pág. 17 e
segs.
[178] Cf. Jacques Loeb, _Die Bedeutung der Tropismen für die
Tierpsycholog.; E. Gley, Études de psychologie physiol. et pathol._,
Paris, 1903.
[179] Cf. Ch. Richet, Dictionnaire de physiol., pal. cerveau; W.
James, Principii dí psicologia, trad. ital., Milão, 1909, pág. 10-91.
[180] Cf. James Sully, Études sur l'enfance, trad. franç., Paris,
1898; Ch. Letourneau, La psychologie éthnique, Paris, 1900.
[181] Cf. Traité International de Psychologie Pathologique, Paris,
1911-1912, T. I, cit.; P. Flechsig, Études sur le cerveau, trad.
franç., Paris, 1898; J. P. Morat, Traité de physiologie (Fonctions
d'innervation), Paris, 1902; W. Bechterew, La psychologie objective,
Paris, 1913; Meumann, Experimentelle Pädagogik, 1907; W. James,
Principii di psicologia, cit.
[182] Cf. Ch. Letourneau, La psychol. éthn., cit.
[183] Cf. J. Deniker, Les races et les peuples de la terre, cit., pág.
119 e segs.
[184] Cf. Traité Intern. de psychol. pathol. T. I, cit., pág. 472.
[185] As notações que o diagrama (fig. n.^o 19) exprime, pertencem
aos cânones antropométricos, expostos a páginas 85-104.
[186] Cf. J. Deniker, Ob. cit., pág. 123; _Traité intern. de psych.
pathol._, cit. T. I, págs. 297--314; H. Höffding, _Esquisse d'une
psychologie fondée sur l'expérience_, Paris, 1909, págs. 39-94; 118-122;
W. James, Ob. cit.; Preyer, L'âme de l'enfant, págs. 298-304.
[187] Os elementos que consideramos para a concepção desta curva,
assim como os da curva da consciência (fig. n.^o 22) são hauridos dos
testemunhos dos psicólogos e dos fisiologistas, dispersos pelos
livros de sciência, e tambêm da observação e da experiência pessoal.
A forma gráfica dessa concepção é absolutamente original.
[188] Cf. o pref. do T. II do _Traité international de psychologie
pathologique_, cit.
[189] Cf. Ch. Feré, Sensation et mouvement, Paris, 1900, pág. 94 e
segs.
[190] Cf. B. Perez, Les trois premières années de l'enfant, Paris,
1911, com pref. de James Sully; págs. 1-9.
[191] Cf. páginas 18 e segs. Cf. Preyer, L'âme de l'enfant, trad.
franç. cit; B. Perez, Les trois premières années de l'enfant, Paris,
1911; A criança, quando nasce, exerce duas espécies de actividades
(ambas inconscientes): 1) reacções, consecutivas a excitações
(reflexas); 2) actos hereditários, necessários à manutenção da vida
(instintos). Os centros nervosos dêstes movimentos encontram-se no
eixo cinzento (medula) e nos centros sub-corticais.
[192] A linguagem é função do sistema nervoso. Depois dos _centros
nervosos hereditários_, e dos centros corticais sensoriais, o primeiro
centro que se organiza é o da linguagem falada; mas esta só existirá
verdadeiramente, quando existir uma perfeita imagem cerebral, isto é,
uma idea ou um símbolo, de que seja expressão.
Aos sons inarticulados do recêm-nascido (puras reflexas do
sistema nervoso), segue-se a linguagem imitativa e balbuciada do
infante; depois a palavra rudimentar da criança que atinge o fim do
primeiro ano; e só, por último, é que surge a _linguagem propriamente
dita_, isto é, a linguagem, como expressão do pensamento. Cf. Dr.
Alves dos Santos, Elementos de Filosofia scientífica, 2.^a ed.,
Lisboa, 1918, pág. 221 e segs.; Revue Philosophique, Jan. de 1918,
fasc. n.^o 1.
[193] Pertencem à adolescência e ao período peri-pubertário, como
características, que lhes são específicas:
1) espírito combativo e audaz;
2) optimismo; ingenuidade; consciência do próprio valor;
3) coragem; luta contra o mêdo;
4) egotismo ou egocentrismo (expansão da personalidade; _amor
de si_);
5) sociabilidade;
6) instabilidade (mental e moral);
7) superactividade e dinamogenia dos sentimentos; etc., etc.
Cf. Pierre Mendousse, L'âme de l'adolescent, Paris, 1911; G. Compayré,
L'adolescence, Paris, 1909.
[194] A êste paralelismo chama A. Marie: _lei da simultaneidade e da
correlação necessária entre a energia nervosa e a actividade mental_.
[195] Meios de fortuna ou recursos materiais dos pais ou tutores.
[196] Conduta (normal ou anormal) da família.
[197] Profissão dos progenitores ou tutores.
[198] Oficial, particular ou doméstico.
[199] Fisiológicos e patológicos.
[200] Dentição, marcha, fala (épocas em que se produziram).
[201] Acidentes (doenças, quedas, traumatismos, assimetrias).
[202] Bom, mau, péssimo; grande, pequeno, médio; nutrido, magro,
esquelético; esbelto, atarracado.
[203] Estado da pele; sua coloração e dos cabelos.
[204] «Crescimento» (normal ou anormal) do sistema ósseo.
[205] Estado da bôca e dos dentes.
[206] Determinação da capacidade vital (quantidade de ar que podem
conter os pulmões dilatados): 3 a 4,^{m3} no adulto, normal.
Freqùência de respiração: a) no adulto, normal, 14 a 18
respirações, por minuto; b) no recêm-nascido, 50; c) nas idades
intermediárias, entre 15 e 45, caminhando para êsses extremos, consoante
a criança, pela sua idade, se aproxima ou afasta da recêm-nascença.
Cada respiração compreende uma inspiração e uma expiração. A
capacidade vital mede-se com o espirómetro.
[207] O estado da circulação sanguínea pode apreciar-se, por meio do
cardiógrafo (que mede ou regista as pulsações do coração), do
pneumógrafo (que avalia a amplitude torácica), e do esfigmógrafo
(que mede as pulsações da artéria radial (pulso). Segundo Mathias
Duval, o número médio de pulsações, por minuto (medidas com o auxílio
dum relógio, de segundos), em regra, é: à nascença, 160 a 180; 2)
no fim do primeiro ano, 100 a 115; 3) na puerícia (pelos 7 anos), 90
a 100; 4) no período peri-pubertário, de 80 a 90; 5) na _idade
adulta_, 70 a 75.
[208] Desenvolvimento dos órgãos genitais; e sinais da puberdade.
[209] Desenvolvimento da musculatura.
[210] Tonus ou capacidade de reacção.
[211] Defeitos de construção orgânica.
[212] Modificações sobrevindas, durante o «crescimento».
[213] Fôrça muscular (das mãos, dos rins, etc.), medida pelos
dinamómetros.
[214] Fadiga física e fadiga mental; sua medida, por _processos
directos_ e indirectos.
[215] Observação geral: Tòdas as medidas são tomadas sôbre a
criança nua. O material pedométrico é o auxanómetro de Paul Godin:
dois compassos de espessura (um, mais pequeno, para _medidas
cranianas_; outro, maior, para os diâmetros torácicos); uma _fita
métrica inextensível_, para as circunferências; e uma _balança de
precisão_, para as pesagens.
O perímetro torácico mede-se à altura da extremidade inferior do
esterno, na sua articulação com o apêndice xifóide.
O diâmetro vertical do crânio toma-se, desde o vértex ao
anti-tragus.
O diâmetro vertical do tronco mede-se, desde a fúrcula esternal até
ao grande-trocânter.
Antebraço (máximo) representa a grossura muscular; (mínimo) representa
a grossura óssea (pulso).
[216] E (estatura) B (busto).
[217] C (cérebro) V (vísceras).
[218] O (ossatura).
[219] S (superfície do corpo) E (estatura) D (diâmetro ântero-posterior
máximo do crânio) d (diâmetro bi-acromial).
[220] Eclosão pilar do púbis. Primeiros sinais da Puberdade.
[221] Instalação da Puberdade. P (púbis) A (axilas).
[222] Encerramento do período pubertário.
[223] D. tr. (diâmetro transverso do crânio) D. ant. p. m. (diâmetro
ântero-posterior máximo do crânio).
[224] D. transv. (diâmetro transverso do tórax) D. ant. post. (diâmetro
ântero-posterior do tórax).
[225] D. s. p. b. (diâmetro sacro-púbico da bacia) Dist. cr. ilíacas
(distância entre as cristas ilíacas).
[226] É a fórmula de Pignet.--C. R. (coeficiente de robustez física) E
(estatura) P (pêso) Per. T. (perímetro torácio) insp. (inspiração) exp.
(expiração).
[227] Índice do tronco.
[228] Cf. pág. 48.
[229] Cf. pág. 53.
[230] Aparição da Puberdade.
[231] Instalação da Puberdade.
[232] Encerramento da Puberdade.
Lista de erros corrigidos
Aqui encontram-se listados todos os erros encontrados e corrigidos:
+----------+-------------------------+---------------------------+
| | Original | Correcção |
+----------+-------------------------+---------------------------+
|#pág. 59 | semgentares | segmentares |
|#pág. 113 | «crescimento anormal, | «crescimento anormal,» |
+----------+-------------------------+---------------------------+
No quadro 5, na linha 13 da última coluna, o número surge sumido na obra
original.
Sendo esse número resultado da média de valores apresentados
anteriormente, conclui que esse seja "133".