,,v]dadeiro ,,metodo ,,de ,,e/ud>1 ,,p>a ,s] util ,republica1 e ,igreja3 ,,proporcionado ,ao e/ilo1 e necesidade de ,portugal4 ,,expo/o ,em v>ias c>tas1 escritas polo ,r4 ,p4 99 99 99 ,b>bad9ho da ,congregasam de ,italia1 ao ,r4 ,p4 99 99 99 ,d\tor na ,univ]sidade de ,coimbra4 ,,tomo ,,primeiro4 ,illu/rao ,,val5sa ,,na ,,(ic9a ,,de ,,antonio ,,balle4 ,,ano ,,mdccxlvi4 ,,com ,,todas ,,z ,,lic5sas ,,neces>ias1 c4 ,,aos ,,rev]5disimos ,,padres ,,me/res1 ,,da ,,v5]avel ,,religiam ,,da ,,companhia ,,de ,,jezus4 ,no ,re9o1 e ,dom9io de ,portugal4 ,,antonio ,,balle ,,obzequiozam5te ,,sauda4 ,saiem luz1 ,rev]5disimos ,padres1 z c>tas eruditas1 de um autor mod]no3 z quais at agora corrram manuscritas1 por algumas maons3 mas *eg&o s m9has1 e conhec5do eu1 que podiam utiliz> a muitos1 me-rezolvi impremi-las4 ,o argum5to delas e/e4 ,c]to ,religiozo da ,univ]sidade de ,coimbra1 omem mui d\to1 como mo/ra nas suas c>tas2 p$io a um ,religiozo ,italiano1 seu amigo1 que vivia em ,lisboa2 que lhe-dse algumas in/ruso5s1 em todo o g5]o de e/udos4 ,o que o dito ,b>bad9ho executa1 em algumas c>tas3 explic&o-lhe em cada-uma1 o que lhe-p>ece3 e acomod&o tudo1 ao e/ilo de ,portugal4 ,e/e autor escreveo-z1 sem nem m5os suspeit>1 que se pod]iam impremir3 como con/a de alguns p]iodos de/as1 que nam impremi2 e de outras que cons]vo1 em que decl>a com mais individuasam1 o motivo de/a conrespond5cia3 e explica v>ias coizas1 que aqui nam se-a*am4 ,onde1 p>a consol> o dito autor1 que nam sei se a9da vive1 e faz] o que dezejava2 nam impremi s5am z que me-p>ecram neces>ias3 e a9da ne/as ocultei os nomes dos conrespond5tes1 e de algumas pesoas1 que nelas se-nomiavam3 p>ec5do-me ju/o e devido1 nam revel> os segr$os1 das conrespond5cias p>ticul>es3 pr9cipalm5te1 qu&o podia conseguir o fim1 de utiliz> o ,publico1 sem prejuizo de t]ceiro4 ,z c>tas encadeiam tam bem umas com outras1 que se-podem *am>1 um metodo completo de e/udos4 podem s]vir p>a todos2 mas especialm5te sam proporcionadas1 ao e/ilo de ,portugal3 pois e/e era o fim d autor4 ,prote/a ele nas mesmas c>tas in$itas1 que nam d]a em v>ias coizas1 melhor metodo2 porque temia1 que o seu amigo mo/rse z c>tas1 a pesoas preocupadas3 z quais nam f>iam nada1 se lhe-aconselhse tudo1 o que praticam em outros ,re9os3 e que por iso se-acomodava ao go/o1 d paz em que e/ava4 ,e nam cesava de encom5d>-lhe1 que z-nam-lese a om5s1 que int]pretasem mal z suas palavras2 e z-aplicasem1 a outro s5tido4 ,e qu]5do eu agora impremir e/as c>tas1 a quem z-devo d$ic>1 s5am a ,,vv4 ,,rr48 ,prezumo1 e com muita razam1 que se o autor ouvse de public> e/es escritos1 a n+uem mais os-(]ec]ia1 que a esa sagrada ,religiam3 vi/o mo/r> a cada paso1 o respeito e v5]asam1 que lhe-pr(esava4 ,e s5do eu nam m5os prop5so1 e obrigado a toda a ,companhia2 qu]o tambem mo/r>-lhe o meu reconhecim5to1 ne/a pequ5a (]ta4 ,se a m9ha posibilidade dse mais1 mais f>ia3 mas z =sas nam conrespondem aos dezejos3 e ,,vv4 ,,rr4 co/umam e/im> mais a vontade1 que z (]tas4 ,alem diso1 por todos os titulos deviam e/as c>tas1 s] consagradas ao seu nome4 ,sam ,,vv4 ,,rr4 aqueles1 que s podem ajud>1 os pios dezejos de/e autor3 aqueles1 que s tem =sas1 p>a iso3 e f9alm5te aqueles1 que mais que n+uem dezejam1 o adiantam5to da ,mocidade1 e se-cansam1 p>a o-conseguir4 ,acrec5to1 que o autor confesa1 que tudo apr5dra1 com a diresam desa ,r\peta1 e polos seus autores4 ,e asim1 torno a diz]1 por todos os titulos e/es livros1 se-lhe-devem d$ic>4 ,quam oportuna ocaziam se-me-(]ecia agora1 de ref]ir os l\vores desa v5]avel ,religiam1 se a mod]asam1 e umildade de ,,vv4 ,,rr4 nam me-tapse a boca6 ,quem tem dado mais1 e mais ilu/res escritores a ese ,re9o1 que a ,companhia8 ,quem tem promovido com mais emp5ho os e/udos1 que os seus me/res8 ,onde florecem z letras com mais vigor1 que nos seus ,colegios8 ,que omem d\to tem avido em ,portugal1 que nam bebse os primeiros elem5tos1 nas escolas desa ,religiam8 ,nam leio z i/orias dese ,re9o1 e ,conqui/as1 que nam veja a cada paso1 exemplos memoraveis1 da gr&e pi$ade1 da suma erudisam1 d inexplicavel zelo dos seus ,religiozos6 ,,vv4 ,,rr4 que abrram no-,ori5te z portas1 ao ,evangelho1 tem trabalhado com tal emp5ho1 na v9ha d ,s5hor2 que se contamos som5te os ,povos conv]tidos1 tem conqui/ado p>a a ,f1 e tambem p>a o ,re9o1 imp]ios va/isimos4 ,nem sei a quem atribua maior gloria3 se s armas vitoriozas dos ,portuguezes1 no ,ori5te2 se s pias exortaso5s1 e fadigas1 dos seus ,mision>ios4 ,mas se mais gloriozo o triumfo1 que se-consegue sem sangue1 som5te com a =sa da eloqu5cia1 sem prejuizo dos ,povos1 e com gr&e utilidade da ,republica3 ficam ,,vv4 ,,rr4 muito mais gloriozos1 que os mesmos ilu/res ,g5]ais ,portuguezes2 pois conseguram a vitoria1 nam dos corpos1 mas dos animos4 ,v5cram ,,vv4 ,,rr4 nam d]ram&o o sangue dos outrs1 mas o proprio3 e com ele escrevram o seu nome1 nam s nos livros da fama1 e de/as i/orias caducas2 mas no-mesmo livro da-vida3 e levantram um padram naquela patria1 em que z virtudes se-e/imam3 premeiam-se dignam5te os s]visos3 e a gloria dos vitoriosos nam morre4 ,nam me-volto p>a a ,africa1 p>a a ,am]ica1 que nam veja os ,religiozos da ,companhia1 conv]t5do os idolatras1 ajud&o os fieis1 ens9&o a todos4 ,a mesmo em ,portugal1 quem que nam seja obrigado1 ,companhia2 e nam exp]im5te os influxos1 desa b5igna ,religiam8 ,quem ja mais *eg\1 a uma das cazas desa ,religiam1 p>a busc> um confesor1 a qualqu] ora da noite2 que nam ficse consolado8 um ,pregador1 p>a qualqu] fe/ividade2 que nam fose ob$ecido1 a9da sem int]ese8 quem foi p$ir conselho1 em mat]ias de conci5cia2 que nam tivese promta respo/a8 quem quiz um p>ec] escrito1 em qualqu] mat]ia que o-quizese2 que nam tornse satisfeito8 ,se olho p>a z prizo5s1 vejo os ,religiozos da-,companhia consol&o os aflitos1 procur&o os livram5tos1 confes&o1 e con=t&o a todos4 ,se olho p>a z prasas1 e ruas publicas1 vejo os mesmos ,religiozos1 d\tr9&o os ignorantes1 excit&o a emulasam nos-m59os1 atra9do com suave maneira os que pasam1 p>a ouvirem a v]dade ,evangelica4 ,se olho p>a z igrejas1 vejo-os frequ5tes no confesion>io1 exort&o os fieis em dias det]m9ados1 exatisimos nas funso5s div9as1 que celebram com toda a magnific5cia1 e devosam4 ,se olho p>a z escolas1 vejo-os ens9&o aos m59os com gr&e amor1 e paci5cia1 nam s z letras1 mas a pi$ade1 que em toda a ocaziam lhe-inspiram4 ,z mesmas port>ias das suas cazas1 ens9am com o exemplo2 nos muitos m>tires1 e d\tos1 que nelas vemos p9tados2 que muda1 mas eficazm5te p]suadem1 seguir a mesma e/rada3 e ens9am com a d\tr9a1 nos livros que nelas incontramos1 que suavem5te incl9am a vontade1 p>a abras> a vida p]feita4 ,f9alm5te se olho p>a qualqu] ,religiozo da ,companhia1 vejo o retrato da cont95cia1 da mod]asam1 da mansidam1 da afabilidade1 d respeito3 coizas que me-infundem um sagrado t]ror4 ,bemdita ,religiam1 em que o ,prelado nam se-di/+ue d ,sudito1 s5am em t] mais trabalho1 e suport> o pezo1 d gov]no economico4 ,n+uem aspira aos gov]nos3 n+uem busca meios de conseguilos3 s9al c]to1 que se-adm9i/ram com os olhos em ,deus1 e na sua obrigasam4 ,nam di/9sam de magi/]ios3 nam iz5sam de graos4 ,o mesmo que ens9a a ,teologia na cadeira1 ens9a o cate*ismo nas prasas3 o mesmo que confesa os ,gr&es1 confesa os ,pequ5os3 o mesmo ,prelado que m&a aos mais1 ob$ece1 e s]ve nas ocazio5s a todos4 ,f9alm5te todos conspiram1 p>a d> gloria a ,deus1 utilidade ao proximo1 e s]vir no que podem ,republica4 ,nam qu]o traz] memoria1 o que esa sua ,religiam tem feito1 e faz1 nas mais p>tes da ,europa ,catolica4 ,deixo de p>te1 a inviolavel uniam que sempre teve1 com a ,s ,apo/olica3 e z p]siguiso5s1 e c5suras criticas1 que tem s(rido por esa cauza4 ,nem m5os falo na gloria1 que rezulta ,companhia1 de v] que tantas ,religio5s1 e ,congregaso5s1 que se-fundram despois dela1 todas a-tem tomado por treslado3 e nam julgam m]ec] com ju/isa1 os l\vores dos om5s pios1 s5am qu&o se-aviz9ham mais1 ao seu in/ituto4 ,e/e um milagre cont9uo daquele bemav5turado espirito1 que la no-,ceo e/ sempre p$9do a ,deus1 pola propagasam1 e aum5to da ,religiam que ca deix\3 unir tantas vontades1 p>a imit>em uma ,religiam1 que nam conta longa s]ie de seculos1 mas que a mais mod]na1 entre z famozas4 ,nam1 nam qu]o ref]ir mais s+ul>idades4 ,intr>ia na v]dade em uma mat]ia va/isima1 que me-d>ia argum5to1 p>a muitos e dilatados panegiricos2 mas exc$]ia os meus limites4 ,s consid]o1 o que faz em ,portugal1 e o que pratca no seu dom9io4 ,e/as coizas ocupam de sorte a m9ha ideia1 e admirasam1 que me-nam-p]mitem consid]> o demais1 a9daque seja gr&e e s+ul>4 ,nem tem que me-diz]1 que z outras ,religio5s sagradas todas se-cansam em obzequio da ,igreja3 ens9am muito1 e edificam muito4 ,confeso1 que todas tem z suas s+ul>idades3 todas m]ecem s] l\vadas3 todas dam gloria a ,deus1 e s]vem ,igreja3 mas cadauma no seu g5]o4 ,nam vejo alguma1 que t5ha todas z pr]ogativas1 que se-a*am juntas1 na ,religiam da ,companhia3 e que z-pratique1 nam por vaidade1 nam por outro int]ese mundano2 mas por amor de ,deus1 e por c>idade d proximo4 ,e/am todos os ,portuguezes tam p]suadidos1 de/a v]dade1 que quem quizese diz] o contr>io1 s]a publicam5te esc>necido4 ,os mesmos ,mon>cas de ,portugal1 que sabem ju/am5te e/im> a ,virtude2 nam co/umam intreg>1 a diresam da sua conci5cia1 s5am aos ,religiozos da ,companhia4 ,desde que ,,vv4 ,,rr4 intrram neses ,re9os1 conspirram todos eses ,sob]anos a reconheclos1 como prud5tisimos diretores1 da conci5cia dos om5s3 e por iso os-elegram1 p>a seus ,confesores4 ,os ,pr9cipes1 a ,caza ,real1 os ,gr&es1 a maior p>te dos om5s de letras1 e empregos1 todos praticam o mesmo4 ,nam posivel1 que se-+anem tantos om5s1 de dif]5tes g]>*ias1 e de incontrados int]eses1 sem que os-obrigue a exp]i5cia1 e a v]dade4 ,em todos os seculos1 e entre todos os om5s de juizo1 o cons5so de todos1 foi argum5to irrefragavel1 da evid5cia4 ,todos os om5s prud5tes l\vam a ,,vv4 ,,rr4 todos os-engr&ecem1 todos os-buscam1 todos se-s]vem das suas pr5das1 e virtudes3 ,e asim sam ,,vv4 ,,rr4 tais como eles int5dem4 ,mas eu ,,pp4 ,,rr4 ja sa fra d-meu argum5to4 ,comesei uma c>ta1 e a*o-me engolfado em um elogio3 ca naquilo mesmo que dezejava evit>4 ,nam sei se (5di a sua mod]asam1 com z m9has expreso5s3 que v]dade que nacem d corasam1 e sam pr(]idas com toda a s9c]idade1 de um bom amigo2 mas emfim sam elogios4 ,nam obram ,,vv4 ,,rr4 polos l\vores3 mas por um fim mais alto1 mais gr&e1 mais admiravel4 ,nam obram bem p>a o-p>ec]em1 e p>aque todos o-conhesam2 mas porque o seu in/ituto asim obriga3 asim =am criados3 vivem p]suadidos diso mesmo3 e nam podem obr> de outra sorte4 ,e/e o elogio1 que aquele enc>ecido ,romano#a deu la1 ao seu ,catam ,utic5se1 com adulasam excesiva3 mas que eu int5do1 que s se-pode aplic> a ,,vv4 ,,rr4 nam com lizonja1 mas com v]dade notoria2 porque o-digo publicam5te1 e a todo o mundo4 ,asim 1 nam obram bem os ,religiozos da ,companhia1 p>a agrad> ao mundo1 e conseguir os seus l\vores3 e dej&o eu faz]-lhe a vontade1 nam devo opor-me aos seus dezejos4 ,v]dade 1 que fal&o desa ,religiam1 dificultozam5te podia deix> de expremir1 alguma coiza d que int5do4 ,mas ,,vv4 ,,rr4 nam mo-p]mitem2 eu me-desdigo1 e d\ por nam dito1 quanto at aqui t5ho significado4 ,s digo1 que lhe-(]eso1 e d$ico z c>tas de um autor1 que con=me julgram os om5s d\tos1 que z-lram1 conheceo o v]dadeiro modo de e/ud>3 e p>a o-conseguir1 deu excel5tes d\tr9as3 e quem z-l] com animo dezapaixonado1 e tiv] voto na mat]ia1 a*> nelas tudo o que neces>io1 p>a aqui/> o bom go/o lit]>io2 qu]o diz]1 um juizo critico1 que ens9e abras> som5te o que se-deve1 em todo o g5]o de e/udos4 ,a*o nelas algumas vezes1 c]tas palavras1 e div]sidade na uniam dos-,pronomes1 e outras p>ticulas com os ,v]bos c4 con=me o idiotismo ,italiano2 que o autor pode s] que mudse1 se lhe-puzese a ultima mam3 porque me-p>ece1 que era bem in=mado da-l+ua ,portuguesa1 e nam pec\ por-ignorancia4 ,mas se nelas algumas coizas que em5d>1 e acrec5t>1 quem melhor o-pode faz]1 que ,,vv4 ,,rr4 ,comque ponho-z nas suas maons1 e (]eso-z ao seu crit]io3 e s direi o que me-p]t5ce1 a c]ca da prez5te edisam4 ,o autor segue uma ,ortografia p>ticul>1 7que eu1 movido das mesmas razo5s1 abrasei7 e que a9da nam e/ bem recebida1 nese ,re9o3 e asim p>a nam p>ec] novidade1 s] precizo l] z c>tas1 como se-a*am impresas3 obs]v&o bem a primeira1 na qual d razam1 da sua ,ortografia4 ,mas como em outras c>tas explica v>ias coizas1 que aqui nam se-a*am2 devo decl>las1 p>aque os leitores =mem conceito1 das op9io5s d autor4 ,em c]ta c>ta1 escrita entre a primeira1 e segunda d primeiro tomo1 diz1 que nam ob/ante que disse#b1 que a l9ha se-pode pr entre z diso5s1 p>a evit> os equivos3 v4g4 na p>ticula por1 qu&o significa cauza1 p>a a-di/+uir d-v]bo pr3 ou tambem nas p>ticulas no1 d1 da2 p>a z-di/+uir dos su/antivos n1 d1 e d v]bo1 d1 ds3 ,contudo obs]v&o ao despois1 que podia emb>as> os pr9cipiantes1 v] z l9has ne/as p>ticulas1 que sam frequ5tes2 julgra mais ac]tado1 tirlas das ditas p>ticulas3 como tambem de todas z t]m9aso5s plurais dos v]bos3 v4g4 dis]a-mos1 am>ia-mos1 quiz]-mos1 fiz]-des c4 pola razam que e/as t]m9aso5s sam mui frequ5tes1 e todos z-int5dem mui bem4 ,acrec5ta1 que tambem nam se-deve pr1 naquelas palavras e v]bos1 em que se-acrec5ta uma letra1 p>a evit> a uniam de vogais1 que fasam equivocos1 v4g4 fazla1 qu&o vale o mesmo1 que faz]-a1 i/o 1 faz] esa coiza4 ,tambem qu&o se-introduz o pronome no v]bo3 v4g4 dirmem1 que vale o mesmo que1 diram-me3 falosa1 obrigalosa1 que muitos escrevem mal asim2 falos-ia1 obrigalos-ia3 porque a dita palavra compoem-se de/as3 f>ia-os1 obrig>ia-os3 acrec5t&o um l1 p>a facilit> a pronuncia das-vogais3 onde sep>&o1 ia1 sep>am uma p>te neces>ia da palavra1 e fazem erro4 ,ne/es cazos diz1 que ba/a o ac5to em fazla1 dirmem1 obrigalosa4 ,a9daque na primeira e semelhantes1 qu&o sam imp]ativos1 faze-la1 qu]e-la c4 que valem1 faze-a1 qu]e-a2 nam reprova que se-ponha a l9ha1 p>a mo/r> que esdruxola1 e que se-pronunca dif]5tem5te4 ,asimque p>a facilit> a ,ortografia1 som5te deixa z ditas l9has ne/es cazos4 ,i4 ,na uniam dos pronomes com os v]bos1 ou das p>ticulas que s]vem de pronomes1 e sam dif]5tes das t]m9aso5s dos v]bos3 v4 g4 fazemos-lhe1 lhes-fazem1 nos-dizem1 dizem-no1 o-dizem1 z-qu]em4 ,,ii4 ,nos v]bos impesoais1 que unem com o reciproco3 fazem-se1 *amam-se1 se-nam-fazem3 ou tambem ne/es2 nos-explic>mos1 nos-virmos c4 e outras unio5s semelhantes3 como no v]bo qu&o une com a p>ticula se3 porque sempre se-pronunca unido3 se--de1 m-de c4 ,tudo i/o adv]tra confuzam5te1 no lug> apontado3 mas aqui o-explica melhor4 ,e com efeito t5do escrito com z l9has1 z primeiras trez c>tas1 nas segu9tes obs]va z regras1 que aqui d4 ,e dev5do eu1 ou tir> z l9has de todas1 ou polas em todas1 p>a proc$] co]5te2 segui e/a segunda p>te3 a9daque em algum plural de v]bo1 alguma vez a-nam-puz4 ,a quem nam agrad>1 obs]ve z regras que o noso autor d2 que eu tambem obs]vo4 ,adv]te na mesma c>ta o autor1 que s]a utilisimo1 que os om5s d\tos1 segu9do a regra da pronuncia1 puzesem i em muitos v]bos1 e nomes que deles nacem1 que se-pronunciam g]alm5te com i2 e nam se-podem pronunci> com e1 sem se-es=s>3 v4g4 empre/>1 engr&ec]1 env]gonh> c4 ,diz porem1 que ele s o-pratic\ em p\cos1 e mais comuns1 v4g4 intr>1 incontr>1 +an>1 int5d]1 +5h>1 import>1 in=m>1 e algum outro r>isimo4 ,o que fez1 p>a nam esc&aliz> de um jato os leitores1 p\co in=mados de/as coizas3 mas aconselhava1 que p\co a p\co se-introduzisem com i4 ,como tambem se-escrevesem com e1 alguns inf9itos1 v4g4 admetir1 p]metir1 defirir1 c4 nam ob/ante se pronunci>em com i1 os prez5tes c4 ,em algumas p>tes1 de duas ou trez palavras compoem o autor uma s3 damesma1 contantoque1 namob/anteque4 ,outras vezes escreve-z sep>adas3 com tanto que1 nam ob/ante que1 c4 o que eu cons]vei na impresam4 ,mas diz o autor que o-fez1 p>a mo/r>1 que se-podem unir1 e sep>>1 como cadaum quiz]3 ,o que fazem os seus ,italianos1 em v>ias palavras2 e os mesmos ,lat9os em paulo m9us1 nihilo m9us1 quam ob rem1 et enim c4 que escrevem ou sep>adas1 ou juntas1 como lhe-p>ece mais elegante4 ,mas o noso autor comum5te escreve-z unidas4 ,algum erro de ,ortografia segundo os tais pr9cipios1 se-cometeo ne/a edisam3 o que moralm5te nam se-podia evit>1 nam s5do o mesmo autor1 o que correge a impresam4 ,e/es p>ece-me que se-podem r$uzir1 a v>ios capitulos4 ,i4 ,puz]am algumas vezes ac5to agudo1 em lug> d grave2 e polo contr>io3 o que o autor di/+ue mui bem4 ,,ii4 ,falta o ac5to em algumas palavras1 em que o autor co/uma polo1 ou p>a evit> equivoco1 ou p>a facilit> a pronuncia3 v4g4 s]a1 v]bo2 e s]ia adjetivo3 escrevram1 pret]ito remoto2 e escrev]m1 futuro3 frma1 nome da escola2 e =ma1 nome de artifice3 c4 a9daque ne/e p>ticul> o contexto1 comum5te tira o equivoco4 ,,iii4 ,a*a-se alguma l9ha1 em p>te onde nam devia1 ou falta onde devia3 mas sam cazos mais r>os4 ,,iv4 ,v>ias vezes escrevram i1 por e1 em admitir1 defirir1 prefirir1 p]mitir c4 que o autor sempre escreve por e1 admetir c4 con=m&o-se1 segundo diz1 com a pronuncia comua1 e facil1 que sempre exprime o e1 tir&o em bem p\cos4 ,polo contr>io puz]am tambem e por i1 em +ano1 incontr>1 intr>1 +an> c4 que o autor sempre escreve por i1 pola mesma razam da pronuncia4 ,v4 ,falta alguma virgula onde devia e/>1 segundo os pr9cipios d autor3 e alguma se-acrec5t\4 ,,vi4 ,dividram algumas palavras mal no-fim das regras3 v4g4 m9-ha1 con-heso1 mel-hor1 ba-/a1 c4 dev5do porem o n1 e l das primeiras unir-se com h2 e o s da segunda com o a4 ,em inco-gnito1 p]-spetiva1 e outras p\cas que tem origem ,lat9a1 ou sam quazi ,lat9as2 int5do que melhor1 dividilas ne/a frma1 segu9do o e/ilo ,lat9o4 ,e/es erros suc$ram mais frequ5tem5te1 nos pr9cipios de ambos os tomos1 que se impremiam juntos3 tempo em que o corretor nam t9ha toda a noticia1 da ,ortografia d autor4 ,mas como os ditos erros nam p]v]tem o s5tido d-discurso2 por iso os-nam-apontei nas erratas4 ,e asim s apontei aqueles1 que me-p>ecram que mudavam o s5tido1 ou que eram totalm5te contr>ios1 ao e/ilo d autor1 ou comum da dita l+ua4 ,com z reflexo5s que aqui aponto1 pode o leitor cortez em5dlos1 qu&o s'incontr>em3 t5do vi/a e/a regra3 ,que a*&o-se div]sidade em alguma palavra1 que s vezes tem uma letra1 e n'outras ocazio5s letra dif]5te2 obs]ve o que mais frequ5te2 e saiba1 que iso o que o autor aprova4 ,advirto alem di/o1 que os que impremram o primeiro tomo1 nam t9ham ,u vogal maiuscolo pequ5o1 e asim s]vram-se de/e ,u1 p>a vogal2 e d'e/\tro ,v1 p>a consoante4 ,no segundo tomo comum5te se-di/+uem na figura4 ,tambem advirto1 que a m9ha impr5sa nam t9ha e/as duas l9has 1 p>a pr no-fim da-regra1 na divizam =sada das-palavras3 7o que s]a neces>io p>a di/+uir1 o que o autor aponta1 na primeira c>ta7 e asim puz som5te1 a l9ha simplez4 ,o que advirto ao leitor1 p>aque nam e/ranhe1 falt>em aquelas duas l9has1 que o autor encom5da1 e pratca3 a9daque com uma s l9ha1 muito bem se-conhece1 e di/+ue o s5tido4 ,f9alm5te advirto1 que puz alguns titulos das mat]ias1 no corpo de algumas c>tas4 v4g4 na da ,gramtica1 ,m$ic9a1 c4 o que fiz1 p>a facilit> a intelig5cia aos leitores1 e di/+uir z mat]ias4 ,i/o 1 ,,rr4 ,,pp4 o que t5ho que adv]tir ne/a c>ta1 sobre a impresam1 e intelig5cia das-ditas c>tas4 ,o mais que se-contem nelas1 comp5diei nos-sum>ios1 que puz no-pr9cipio de cadauma1 e tambem se-a*am no-,index1 de cada tomo4 ,nem me-p]t5ce amim =m> juizo delas1 qu&o z-(]eso a pesoas tam d\tas1 de quem eu devo receb] os ditames4 ,onde acabo a prez5te c>ta1 repet9do de novo a ,,vv4 ,,rr4 a v5]asam que lhe-t5ho1 e dezej&o-lhe z maiores felicidades1 e a toda a sua ,religiam4 ,,notas ,,de ,,rodap3 #a ,velleio ,pat]culo4 #b ,c>ta ,i4 pag4 #cf4 ,,index ,d que contem z ,c>tas d primeiro ,tomo4 ,,c>ta ,i4 ,motivo de/a correspond5cia3 e como se-deve cont9u>4 ,mo/ra-se1 com o exemplo dos ,antigos1 a necesidade de uma ,gramatica ,portugueza1 p>a comes> os e/udos4 ,d-se uma ideia1 da melhor ,ortografia ,portugueza3 e responde-se aos argum5tos contr>ios4 ,que o ,vocabul>io d ,padre ,bluteau se-deve re=m>1 p>a utilidade da ,mocidade4 ,pag9a #a4 ,,c>ta ,,ii4 ,danos que rezultam da ,gramatica ,lat9a1 que comum5te se-ens9a4 ,motivos porque nas escolas de ,portugal1 nam se-melhora de metodo4 ,nova ideia de uma ,gramatica ,lat9a facilisima1 com que1 em um ano1 se-pode apr5d] fundam5talm5te ,gramatica c4 pag4 #ei4 ,,c>ta ,,iii4 ,abuzos que se-introduzram em ,portugal1 no ens9> a l+ua ,lat9a4 ,mao modo que os me/res tem1 p>a in/ruir a ,mocidade4 ,propoem-se o metodo1 que se-deve obs]v>1 p>a sab] com fundam5to1 e facilidade1 o que pura ,lat9idade4 ,necesidade da ,geografia1 ,cronologia1 e ,i/oria1 p>a pod] int5d] os livros ,lat9os4 ,apontam-se os autores1 de que os me/res se-devem s]vir na ,lat9idade3 e como devem s]vir-se deles2 e expliclos com utilidade2 e z melhores ediso5s4 ,aponta-se o modo de cultiv> a ,memoria1 e ex]cit> o ,latim nas escolas4 pag4 #gd4 ,,c>ta ,,iv4 ,necesidade das l+uas ,ori5tais1 pr9cipalm5te ,grega1 e ,ebraica1 p>a int5d] z letras ,umanas3 mas muito pr9cipalm5te1 p>a a ,teologia4 ,modo de z-apr5d]4 ,utilidade da l+ua ,franceza1 e ,italiana1 p>a s] erudito com facilidade1 e sem despeza4 pag4 #aab4 ,,c>ta ,v4 ,discorre-se da utilidade1 e necefidade da ,retorica4 ,mao metodo com que se-trata em ,portugal4 ,vicios dos ,pregadores2 que sam totalm5te ignorantes de ,retorica4 ,que absolutam5te deve deix> o antigo e/ilo1 quem qu] sab] ,retorica4 pag4 #abd4 ,,c>ta ,,vi4 ,cont9ua-se a mesma mat]ia da ,retorica4 ,fazem-se algumas reflexo5s1 sobre o que v]dadeira ,retorica1 e origem1 dela4 ,que coiza sejam figuras1 e como devemos uz> delas4 ,div]sidade dos e/ilos1 e modo de os-pratic>3 e vicios dos que os-nam-admitem1 e praticam4 ,qual seja o metodo de p]suadir4 ,qual o metodo dos panegiricos1 e outros s]mo5s4 ,como se-deve ens9> ,retorica aos rapazes1 e a9da aos me/res4 ,algumas reflexo5s1 sobre z obras d ,p4 ,antonio ,vieira4 pag4 #aec4 ,,c>ta ,,vii4 ,fala-se da ,poezia4 ,os ,portuguezes sam m]os v]sejadores4 ,prejuizos dos me/res1 de nam poet>em em ,vulg>4 ,que coiza seja +5ho bom1 e mao4 ,especies de obras de mao +5ho1 em que caram alguns ,antigos1 mas pr9cipalm5te os ,mod]nos4 ,necesidade d ,crit]io1 e ,retorica1 em toda a sorte de ,poezia4 ,primeiro defeito de ,poezia1 a inv]osimilidade3 exemplos4 ,segundo defeito1 os argum5tos ridiculos4 ,reflexo5s p>ticul>es1 sobre z compoziso5s pequ5as ,portuguezas2 que nam podem d> nome1 a um omem3 defeitos da ,nasam1 provados com exemplos4 ,reflexo5s sobre o ,epigrama ,lat9o1 ,elogios1 inscriso5s ,lapid>es1 ,eglogas1 ,odes1 ,satiras1 poemas ,epicos4 ,que os ,portuguezes nam conhecram z leis1 d poema ,epico2 prova-se com ,camo5s1 ,*agas1 ,botelho de ,morais4 ,aponta-se o metodo1 com que se-devem regul> os rapazes1 no-e/udo da ,poezia4 ,nova ideia de uma ,arte ,poetica1 util p>a a ,mocidade4 pag4 #bae4 ,,c>ta ,,viii4 ,trata-se da ,filoz(ia4 ,mao metodo com que se-trata em ,portugal4 ,adv]t5cia das outras ,naso5s1 em procur> a ,ci5cia4 ,necesidade da i/oria da ,filoz(ia1 p>a se-livr> de prejuizos4 ,ideia da s]ie filoz(ica4 ,danos e impropri$ades da ,logica1 que comum5te se-explica4 ,d-se uma ideia1 da boa ,logica4 pag4 #bgf4 ,illu/rao ,,c>ta ,,primeira4 ,,sum>io4 ,motivo de/a conrespond5cia3 e como se-deve cont9u>4 ,mo/ra-se1 com o exemplo dos-,antigos1 a necesidade de uma ,gramatica ,portugueza1 p>a comes> os e/udos4 ,d-se uma ideia1 da-melhor ,ortografia ,portugueza3 e responde-se aos argum5tos contr>ios4 ,que o ,vocabul>io d-,padre ,bluteau se-deve re=m>1 p>a utilidade da-,mocidade4 ,meu amigo e s5hor3 ,ne/a ultima c>ta1 que recebo de ,v4 ,p4 entre v>ias coizas que me-propoem1 a pr9cipal1 o dezejo que tem1 de que eu lhe-diga o meu p>ec]1 sobre o metodo dos-e/udos de/e ,re9o3 e lhe-diga s]iam5te1 se me-p>ece racionavel1 p>a =m> om5s1 que sejam utis1 p>a a ,republica1 e ,religiam3 ou que coiza se-pode mud>1 p>a conseguir o dito int5to4 ,alem di/o1 qu] tambem1 que eu lhe-d alguma ideia1 dos-e/udos das-outras ,naso5s1 que eu t5ho vi/o4 ,quanto s outras proguntas1 p>ece-me que ba/antem5te respondo1 invi&o-lhe o papel incluzo3 no-qual a*>1 tudo o que qu]ia sab]4 ,mas polo que respeita ao negocio1 dos-metodos dif]5tes de e/udos1 duvidei por-algum tempo1 se ob$ec]ia a ,v4 ,p4 e t9ha algumas razo5s1 que me-p>eciam =sozas2 supo/a a gr&e pratica que t5ho1 de/e mundo1 e de/e ,re9o4 ,eu s\ ,e/rangeiro3 e com dificuldade me-explic>ei em uma l+ua1 que nam mamei no-b]so4 ,que nas m9has c>tas p>ticul>es1 eu cometa erros1 a bondade de ,v4 ,p4 mos-desculpa4 mas se eu escrev] em mat]ia1 que se-posa mo/r> a outrem2 e me-fugir da-boca1 alguma expresam m5os propria2 av] c5sores tam dezumanos1 que me-cond5em1 por-escrev] em l+ua alheia1 talvez sem adv]tirem1 que iso e/ suc$5do todos os dias1 aos mesmos nacionais1 que frequ5tem5te os-cometem4 ,alem di/o1 sempre foi coiza odioza1 d> regras em caza alheia3 e lembr&o-me eu de alguns1 que me-dis]am muito mal1 d-gr&e s]viso que fez ao ,re9o o ,p4 ,bluteau1 compondo o seu ,vocabul>io2 via de longe1 a tempe/ade que se-levant>ia contra mim1 se e/e meu p>ec] tivese a infelicidade1 de sair das-maons de ,v4 ,p4 ,mas a maior razam era1 porque i/o1 de em5d> o mundo1 e pr9cipalm5te o qu]] arranc> c]tas op9io5s1 d-animo de om5s envelhecidos nelas1 e consagradas ja por-um co/ume1 de que nam memoria2 negocio1 que exc$e z =sas de um s omem3 e pr9cipalm5te de um omem1 de tam p\co m]ecim5to1 e autoridade como eu4 ,e ,v4 ,p4 que tam v]sado na ,i/oria1 pode traz] memoria1 mil exemplos de/es1 que d]am1 e a9da oje dam1 ao mundo ,lit]>io1 mat]ia de gr&e admirasam4 ,lembr\-me tambem1 que eu s\ ,religiozo1 em uma ,religiam1 em que g]alm5te florecem p\co os e/udos3 e que1 por-e/e pr9cipio1 nam falt>iam om5s1 a9da prezados de d\tos1 que1 se *egasem a sab]1 de quem eram z c>tas1 z-desprezasem2 sem t]em a paci5cia1 de exam9> z m9has razo5s3 por se-p]suadirem1 que c]tos acid5tes ext]iores1 de emprego1 ve/ido1 c4 conduzem muito1 p>a o m]ecim5to das-obras3 e que1 sem piz> os ladrilhos de c]tas ,univ]sidades1 nam se-pode faz] coiza boa4 ,e/as1 e outras coizas1 que se me-(]ec]am memoria1 me-tiv]am1 como lhe-dise1 duvidozo4 ,f9alm5te z repetidas in/ancias que ,v4 ,p4 me-faz3 a sua gr&e autoridade3 e z plauziveis razo5s que me-alega1 me-fiz]am peg> na p5a1 p>a escrev] o meu p>ec]4 ,v4 ,p4 segura-me c]tas coizas1 que nam sam de p\ca consid]asam4 ,diz-me1 que oje muita g5te d-seu p>ec]1 nam s entre os ,secul>es1 mas tambem entre os ,regul>es3 de que me-cita bons exemplos4 ,diz-me1 que o bom go/o nas ,artes1 e ,ci5cias1 se-comes\ a introduzir em ,portugal1 no-feliz re9ado de/e ,augu/o ,mon>ca3 o qual ni/o1 tem ajudado mais o ,re9o1 que todos os seus antecesores4 ,f9alm5te promete-me1 que z m9has c>tas1 nam sairm da-sua mam1 ao m5os em meu nome4 ,com1 e/as condiso5s1 ob$eso a ,v4,p4 e me-gloreio muito1 que um omem da-sua lit]atura1 nam despreze o p>ec]1 de um sugeito de tam p\ca d\tr9a4 ,dividirei o argum5to1 em v>ias c>tas3 e como z m9has ocupaso5s1 e mole/ias mo-p]mitirem1 irei comunic&o a ,v4 ,p4 z m9has reflexo5s4 ,devo porem1 ne/a primeira c>ta1 faz] algumas prote/as4 ,primeira3 ,que eu nam acuzo1 ou cond5o1 pesoa alguma de/e ,re9o4 ,se s vezes nam me-agradam z op9io5s1 nem por-iso e/imo m5os os sugeitos1 e autores1 di/+o muito o m]ecim5to pesoal1 d-e/ilo de cada um1 ou metodo que obs]va3 e poso faz] e/a sep>asam1 sem (5d] pesoa alguma4 ,e/a reflexam p>a ,v4 ,p4 sup]flua1 pois conhese mui bem o meu animo2 e sabe1 que eu s pego na p5a1 p>a lhe-d> go/o4 ,mas porque pod] l] e/a c>ta1 a algum ignorante1 ou malevolo2 que int5da1 que eu1 diz5do o que me-p>ece dos-e/udos1 com i/o digo mal1 da ,religiam da-,companhia de ,jezu2 que ne/e ,re9o1 a que pr9cipalm5te ens9a a ,mocidade3 devo decl>>1 que nam ese o meu animo4 ,eu v5]o e/a ,religiam d\tisima1 por-agradecim5to1 e por-ju/isa4 ,por-agradecim5to1 porque ese p\co que sei1 eles mo-ens9ram3 e a9daque nas escolas nam apr5dese tudo1 apr5di-o conv]s&o com eles p>ticul>m5te1 e l5do os seus autores4 ,sempre cons]vei com eles1 intr9seca amizade3 e di/o cons]v>ei uma memoria sempit]na4 ,por-ju/isa1 porque s5do todas z ,religio5s v5]aveis2 e/a o- mais que todas1 segundo a m9ha op9iam4 ,p>ece que m&\ ,deus ,igreja e/es ,religiozos1 unicam5te p>a utilidade dos-proximos1 pois eles ens9am a d\tr9a1 e pi$ade1 com gr&e amor1 e trabalho3 sacrificam-se polos ,fieis1 em todas z ocazio5s3 e sam p]petuos def5sores da-,igreja ,catolica1 como confesam os mesmos ,erejes4 ,e/es sam os motivos da-m9ha v5]asam1 e p>cialidade por-eles4 ,mas asimcomo nem todos os ,jezuitas1 seguem z mesmas op9io5s de d\tr9a1 mas p]mitem aos seus mesmos1 a lib]dade de filoz(>1 d5tro dos-limites d-ju/o2 e uns sam contr>ios de s5tim5tos a outros3 ,asimcomo alguns ,jezuitas ,e/rangeiros1 tem reprovado diante de mim1 o metodo de ,portugal2 e alguns ,portuguezes me-confesram1 que o-seguiam por-necesidade1 e nam por eleisam2 e confesram limpam5te1 que se-podia1 e devia em5d> em muitas coizas3 7a*> ,v4 ,p4 muitos1 que lhe-digam1 que aquela ,logica ,c>valha1 e ,b>reta1 nam se-deviam explic> nas escolas1 mas coizas mais utis3 o que eu ouvi muitas vezes7 ,asim tambem nam s] m>avilha1 que eu me-desvie em muitas coizas1 d-e/ilo que seguem1 os ,religiozos da-,companhia ne/e ,re9o3 e reprove outras1 que obs]vam alguns dos-seus autores4 ,p>a tudo t]ia exemplos na mesma ,companhia1 e tambem em ,portugal4 ,mas nam me- neces>io tanto3 porque os mesmos ,jezuitas1 reconhecem de antemam e/a v]dade2 e sabem1 que1 sem injuri> uma ,religiam1 pode um omem1 s] de contr>io p>ec]4 ,conhecem muito bem e/es d\tos ,religiozos1 que ne/as dif]5sas de p>ec]es1 nam deve entr> o corasam1 porque e/am fra da-sua jurisdisam3 e se-podem d> entre pesoas1 mui unidas de incl9asam4 ,os ,jezuitas todos sam prud5tes3 e n5hum omem prud5te ignora1 e contr>eia e/as coizas4 ,os individuos de uma comunidade1 nem todos sam de igual tal5to3 e z comunidades de uma ,religiam1 nem todas seguem o mesmo metodo4 ,alem diso1 aqui em ,portugal1 muita outra g5te que ens9a4 os outros ,religiozos1 ens9am os seus1 e os de fra4 os me/res secul>es1 tambem ens9am4 ,e asim z m9has op9io5s1 podem t] por-objeto1 nam uma s pesoa4 ,i/o me-ba/a adv]tir1 a e/as pesoas1 que qu]em sab] mais que os autores3 e qu]]m explic>1 e int]pret> mal z m9has palavras4 ,onde concluo1 que a todos v5]o1 e e/imo mui p>ticul>m5te3 som5te direi1 o que me-p>ece se-devia faz]1 p>a pod] in/ruir com fruto4 ,a segunda coiza 3 que eu nam me-cans>ei1 em escrev] ,portuguez elegante3 mas me-s]virei das-palavras1 de que comum5te me-sirvo1 no-discurso famili>4 ,nas mat]ias de d\tr9a1 por-=sa devo s]vir-me1 de algumas palavras1 que nam sam ,portuguezas3 o que tambem fazem os ,lat9os1 qu&o tratam semelhantes pontos4 porque no-e/ado em que z coizas e/am1 nam se-s]v9do das-ditas palavras1 nam posivel1 explic> bem z mat]ias4 ,e asim deve ,v4 ,p4 e/> prep>ado1 p>a nam se-admir>1 de alguns t]mos novos2 e p>a me-desculp>1 os erros que posa comet]4 ,ocorre-me a9da t]ceira3 e vem as]1 que eu suponho1 que ,v4,p4 me-disp5sa1 de cit> todos os mom5tos autores1 de que tiro algumas das-noticias1 que lhe-dis]4 com tanto que eu aponte1 o que neces>io1 nam emporta quem o-diz4 ,ba/a que eu diga1 uma vez por todas1 que a major p>te d-que digo1 exp]im5tei eu mesmo3 outras coizas1 obs]vei em t]ceira pesoa2 ou li em autor aprovado4 ,v4,p4 olhe p>a a razam1 em que eu me-fundo3 porque e/a deve val] mais1 que a autoridade extr9seca4 ,tambem incid5tem5te digo1 nam a ,v4 ,p4 que sabe conhec] z coizas2 mas a algum1 que posa l] e/as c>tas3 que1 se algumas vezes apont> como optimos1 alguns autores ,erejes2 nam l\vo neles a sua p>ticul> religiam1 mas a erudisam1 ou metodo4 ,comum5te aviz>ei1 quais sam os ,erejes1 p>aque nam se-leiam1 sem lic5sa devida4 ,mas se acazo me-esquec] entam adv]tilo1 aqui o-advirto p>a sempre4 ,comeso pois ne/a c>ta1 pola ,gramatica3 que a porta dos-outros e/udos3 da-qual dep5de1 a boa eleisam dos-mais4 ,porque muitos nam int5dem1 o que significa e/e nome1 por-iso nam fazem1 gr&e progreso na ,gramatica4 ,eu1 a9da que falo com ,v4 ,p4 que o sabe1 fal>ei daqui emdiante1 como se false1 com quem o-nam-s\bese4 ,a ,gramatica1 a arte de escrev]1 e fal> corretam5te4 ,todos apr5dem a sua l+ua no-b]so3 mas se acazo se-cont5tam com esa noticia1 nunca fal>m como om5s d\tos4 ,os primeiros me/res das-l+uas vivas1 comum5te sam molh]es1 ou g5te de p\ca lit]atura3 de que vem1 que se-apr5de a propria l+ua com muito erro1 e palavra impropria1 e pola maior p>te palavras plebeias4 neces>io em5d> com o e/udo1 os erros daquela primeira d\tr9a4 ,uma razam1 a9daque boa1 um p5sam5to exquizito1 expo/o com palavras toscas1 ou que nam signifiquem1 o que se qu]2 dezagrada muito1 e comum5te nam p]suade4 ,contudo iso por-muitos seculos1 se-cont5tram os ,om5s1 de fal>1 como primeiro lhe ens9ram4 ,nam foi s5am despois d-t]ceiro mil5>io1 que os ,om5s se-aplicram a fal> bem4 ,=am os ,gregos os primeiros1 de que a ,i/oria nos-aponta1 que se-aplicasem a e/e e/udo3 e tal vez os unicos1 entre todos os ,ori5tais4 ,a sua ,gramatica consi/ia1 em conhec] bem z dif]5sas das-letras3 l]1 escrev]1 e fal> bem4 ,explicavam tambem os ,poetas2 nos-quais apr5diam a ,politica1 e ,religiam4 ,o gov]no da-,grecia1 que era quazi todo de ,republica1 7nas quais z publicas asembleias d-,povo1 delib]avam nos-maiores negocios7 lhe-inspir\ e/e dezejo4 conhecram eles1 quanto emportava fal> bem1 p>a fal> em publico3 e se-aplicram tanto a iso1 que d]am1 e a9da oje dam1 docum5tos a todo o mundo4 ,talvez niso =am mais escrupulozos doque conv9ha3 porque1 p>a cons]v> a sua l+ua pura1 nam qu]iam apr5d]1 l+ua alguma e/rangeira4 ,e/avam tam satisfeitos1 das-belezas da-sua l+ua1 que quazi desprezavam z outras todas4 desorteque qu&o os ,romanos1 despois de v5cidos os ,gregos1 os-transportram a ,roma2 av5do ne/a tantos1 e de dif]5tes g]>*ias1 se-obs]v\ 7como nota um autor de bom juizo7 que os ,romanos1 apr5d]am o ,grego3 mas n5hum ,grego1 e/ud\ a l+ua ,romana3 a9daque com o uzo1 alguma coiza int5dese4 ,e e/e co/ume1 durava a9da nos-tempos de ,cic]o4 ,com a l+ua pas\ da-,grecia p>a ,roma1 a incl9asam p>a a ,gramatica4 porque se-obs]v\1 que a l+ua ,lat9a se-comes\ a ap]feiso>1 desde o tempo dos-,cipio5s1 e cont9u\ at o seculo de ,augu/o4 que ju/am5te o tempo1 em que os ,gregos1 de/ruido o seu imp]io1 comunicram a sua l+ua aos ,romanos4 ,pois a9daque1 desde o tempo da-gu]ra com os ,sanitas1 e outros ,povos da-,magna ,grecia1 polos anos de ,roma #dga4 algum ,romano comesse a int5d]1 e fal> o ,grego2 foi r>o3 e som5te p>a pod] int5delos nas ,embaixadas1 e coizas semelhantes1 que o-apr5diam4 nam era vulg> e/e e/ilo3 o que s suc$eo ao despois4 ,=am os ,romanos os primeiros1 que apr5d]am volunt>iam5te l+ua e/rangeira4 o que nam con/a1 que ,povo algum1 antes deles1 tivese feito4 ,e ni/o mesmo1 me-p>ecem mais racionaveis3 porque conhec5do a necesidade dela1 p>a o e/udo da-,filoz(ia1 ,matematica1 e belas ,letras1 nam se-env]gonhram de receb] liso5s1 daqueles mesmos a quem t9ham v5cido1 e davam leis4 ,e/e um gr&e elogio1 p>a uma ,nasam tam consid]ada1 como a ,romana3 conhec] que v5cida em m]ecim5to2 e confes> publicam5te ese v5cim5to2 e pr o rem$io a esa falta4 ,paolo ,emilio1 aquele gr&e omem1 que de/ruio na pesoa de ,p]seo1 o imp]io de ,mac$onia1 antes de torn> p>a ,roma1 p$io aos ,at5iezes1 que lhe-buscasem um excel5te ,filoz(o1 p>a acab> de in/ruir1 seus dois filhos4 ,outros om5s gr&es1 que por-brevidade nam aponto1 seguiram o seu exemplo4 ,lelio1 e ,cipiam ,emiliano1 que tanto raf9ram a l+ua ,romana1 eram insep>aveis1 dos-seus me/res ,gregos3 dos-quais nam s apr5diam a ,filoz(ia1 mas tambem a ,gramatica2 e o modo de fal> bem1 e ap]feiso> a sua l+ua4 ,os ,filoz(os daquele tempo1 nam se-ocupavam som5te1 com discursos a]eos de ,logica2 mas e/5diam o seu conhecim5to1 p>a muitas outras coizas4 ,mas1 neces>io confes> uma v]dade2 em todo o tempo ouve dificuldade1 em se-receb]em co/umes novos1 a9daque fosem utis4 os ,velhos nam qu]em c$] dos-co/umes1 que uma vez espozram4 ,i/o vimos em ,roma1 no-consulado de ,e/rabo1 e ,messala3 que publicram um decreto1 em que ord5avam aos ,filoz(os1 e ,retoricos1 sairem de ,roma#c4 ,catam o velho1 que temia1 que os ,romanos1 pola vaidade de qu]]em fal> bem1 s]visem mal ,republica no-(icio das-armas2 foi um gr&e protetor di/o4 ,mas a ,v]dade1 por-mais que se encubra1 sempre transpira4 ,trez ,embaixadores ,at5iezes1 que1 c9co ou seis anos despois d-tal decreto1 vi]am a ,roma1 namorram todos com os seus discursos4 e1 nam ob/ante a repugnancia de ,catam1 e de alguns outros1 os e/udos das belas ,letras se-introduziram em ,roma1 e cada dia mais se-aum5tram#d4 ,a ,grecia foi reconhecida por-me/ra3 e ,at5as foi sempre reputada1 a ,univ]sidade de ,roma3 aonde se-m&avam os nobres ,romanos1 p>a apr5d]em o bom go/o4 ,os dois celebres ,antonios1 ,atico1 ,cic]o pai1 e filho1 e muitos outros l =am apr5d] o que s\b]am4 e o que mais cauza admirasam1 1 irem em tempo1 que z letras t9ham descaido na ,grecia4 tal era a boa op9iam que t9ham dela6 ,outros muitos ,gregos v9ham a ,roma1 e publicam5te ens9avam1 os e/udos ,gregos4 ,com e/e exemplo1 p\co mais de um seculo antes de ,cri/o1 se-abriram escolas ,lat9as em ,roma4 z quais1 a9da que com alguma contr>i$ade1 felizm5te e com gr&e concurso se-cont9uram4 ,delas sairam om5s mui gr&es1 que apurram1 quanto pud]am1 a l+ua propria4 ,tais =am ,cota1 ,sulpicio1 ,ort5sio1 ,m>co ,cic]o1 ,caio ,cez>1 ,m>co ,bruto1 ,messala1 ,as9io ,pollio1 e muitos outros que entam1 e oje v5]amos1 como me/res da-l+ua ,lat9a4 imitasam dos-,gregos1 comesram os ,romanos a apr5d]1 a ,gramatica da-sua l+ua1 no-mesmo tempo que apr5diam a ,grega4 ,a ,gramatica1 nam se-reputava1 coiza de p\ca emportancia3 mas a-consid]avam como baze da-,eloqu5cia3 e por-iso a ela se-aplicavam om5s gr&es2 e nela empregavam um tempo consid]avel1 os que qu]iam1 faz] figura na ,republica4 ,os livros ,retoricos de ,cic]o1 pr9cipalm5te os trez de ,oratore ad ,qu9tum ,fratrem1 especialm5te o ultimo3 o livro intitulado3 ,orator ad ,m>cum ,brutum3 e o de ,oratoriis ,p>titionibus3 nam s ens9avam ,retorica1 mas pr9cipalm5te fal> a sua l+ua1 com toda a pureza1 e grasa3 que era uma p>te pr9cipal da-,retorica4 ,caio ,julio ,cez>1 aquele gr&e omem em armas1 e letras1 nam se-env]gonh\1 de escrev] dois livros1 sobre a ,analogia da-l+ua ,lat9a#e4 ,m>co ,t]5cio ,v>ram escreveo com5t>ios d\tisimos sobre a sua l+ua1 e uma ,gramatica4 ,cont9u\ e/e co/ume1 at o tempo de ,qu9tiliano1 e seu dicipulo ,pl9io o moso3 o qual ,qu9tiliano1 alem de nos-explic>1 como se-ens9ava a ,gramtica ,lat9a2 ele mesmo nos-deix\ uns ,elem5tos dela1 no-primeiro livro das-suas ,in/ituiso5s4 ,e de cr]1 que se-cont9uase e/e e/ilo1 at os pr9cipios d-qu9to seculo de ,cri/o2 em que os ,godos entrram em ,roma3 ou um p\co despois1 em que os ,o/rogodos se-e/ablec]am na ,italia1 e arru9ram o imp]io ,lat9o3 abr9do com i/o a porta aos ,longob>dos1 que nela dom9ram tantos anos4 ,desorteque com o ,imp]io no-,occid5te1 se-pode diz]1 que se arru9\ a l+ua ,lat9a3 porque comes&o a de/ruir-se1 com a mescla de outras palavras1 foi neces>io em5dla com o e/udo1 e faz] ,gramatica dela4 ,e/e metodo de ens9> aos nacionais1 a ,gramatica da-sua l+ua1 nam s praticram os ,antigos2 mas at em um seculo b>b>o1 qual foi o de ,c>lo ,magno1 foi conhecido1 e praticado3 e o mesmo ,c>lo no-dito ,,viii4 seculo1 escreveo uma ,gramtica ,tudesca1 que era a l+ua da-sua corte4 ,nos-segu9tes seculos at o duodecimo1 em que a ignorancia tanto dom9\1 nam foi ignoto e/e uzo4 ,mas alguma ,gramatica que se-fazia1 era p>a int5d] o ,latim4 os livros eram r>isimos4 a critica n5huma4 e asim nam m>avilha1 se nam se-aplicram ao que deviam4 ,desde o seculo duodecimo at todo o seculo decimosexto1 re9\ outra p>ticul> ignorancia1 sobre o metodo4 ,muitos se-aplicram z letras1 mas muito mal4 s re9avam z agudezas1 e o e/ilo ridiculo4 ,no-seculo pasado1 que resuscit\ e/e metodo1 de ens9> a ,gramatica da-propria l+ua4 ,e1 na v]dade1 o primeiro pr9cipio de todos os e/udos deve s]1 a ,gramtica da-propria l+ua4 ,a razam porque nos-p>ece tam dificultozo1 o e/udo da-,gramatica ,lat9a1 7alem de outros motivos que em seu lug> direi7 porque nos-p]suadimos1 que toda aquela ma*9a de regras1 p>ticul> da-l+ua ,lat9a3 e nam quem nos-advirta1 quais sam z =mas p>ticul>es desa l+ua1 a que *amam ,idiotismos3 quais z comuas com z outras4 ,se a um rapaz que comesa1 explicasem1 e mo/rasem na sua propria l+ua1 que ,v]bo1 ,cazo1 ,adv]bio c4 que =mas p>ticul>es de fal>1 deque se-compoem1 a ,s9taxe da-sua l+ua3 ,se sem tantas regras1 mas com mui simplezes explicaso5s1 fizesem1 comque os pr9cipiantes refletisem1 que1 sem advirtirem1 executam z regras1 que se-a*am nos-livros3 e i/o1 sem g5]o algum de preceitos1 mas polo ouvirem1 e ex]cit>em3 ,seguro a ,v4 ,p4 que abririam os olhos por-uma vez1 e int5d]iam z coizas bem3 e se-facilit>ia a p]cesm das-l+uas todas4 ,i/o supo/o1 julgo que e/e deve s]1 o primeiro e/udo da-,mocidade4 e que a primeira coiza1 que se-lhe-deve aprez5t> 1 uma ,gramatica da-sua l+ua1 curta1 e cl>a3 porque ne/e p>ticul>1 a voz d-,me/re1 faz mais que os preceitos4 ,e nam se-devem intimid> os rapazes1 com mao modo1 ou pancadas1 como todos os dias suc$e3 mas1 com gr&e paci5cia1 explic>-lhe z regras3 e1 sobre tudo1 mo/r>-lhe nos-seus mesmos discursos1 ou em algum livro vulg>1 e c>ta bem escrita1 e facil2 o ex]cicio1 e a razam1 de todos eses preceitos4 ,se me-tocse o-fazelo1 regul>ia tudo de/a maneira4 ,primeiro1 explic>ia brevem5te z regras3 e obrigalosa a repetir1 z mesmas noticias g]ais4 ,despois1 d>lhea um livro de ,c>tas1 vg4 z d-,p4 ,antonio ,vieira3 escolh5do z mais facis3 ou alguma i/oria pequ5a1 digo1 que tivese capitulos pequ5os1 e p]iodos nam mui compridos3 e m&>ia1 que a-lesem3 e no-mesmo tempo apont>ia1 quais eram z p>tes da-orasam4 o que se-obs]va1 com gr&e facilidade4 ,ajunt>ia a i/o1 z regras mais pr9cipais de ,s9taxe3 porque como tudo i/o1 se--de recoz] na ,lat9idade1 ba/a ne/a ocaziam1 uma noticia g]al4 ,feitos e/es pr9cipios1 ens9>ia duas coizas1 mui pr9cipais em mat]ia de l+uas4 a primeira 1 a propri$ade das-palavras3 mo/r&o-lhe1 a =sa de cadauma daquelas1 que sam m5os comuas4 a segunda 1 a naturalidade da-fraze3 ens9&o-lhe1 que a afetasam1 se-deve fugir em tudo3 e que se-deve cuid> em explic> tudo1 com palavras mui naturais4 ,alem di/o1 ens9>ia aos rapazes1 pronunci> bem1 e l] exp$itam5te4 ,e/e ponto1 mui neces>io3 a*&o-se todos os dias om5s feitos1 que lem soletr&o1 e cant&o3 e que dizem mil b>b>ismos4 o que tudo proc$e1 de nam t]em tido me/res1 que lhes-ens9asem bem4 ,qu&o os rapazes e/ivesem mais adiantados1 obriglosia1 a escrev] algumas c>tas1 a div]sos asumtos4 e introduziria entre dois1 uma conrespond5cia epi/ol>3 ens9&o-lhe os tratam5tos1 e modo de escrev]1 a div]sas pesoas4 ,ne/a ocaziam tem lug>1 ens9>-lhe a boa ,ortografia1 e ,pontuasam4 incrivel1 a utilidade que daqui rezulta1 nam s p>a a intelig5cia da-,lat9idade2 mas p>a todos os e/udos da-vida4 ,e/e e/udo pode-se faz]1 sem trabalho algum3 e se-pode cont9u> no-mesmo tempo1 emque se-explica o ,latim3 ba/&o meia ora cada m5han1 l]1 e explic> o ,portuguez4 ,i/o se-pratica oje1 em algumas p>tes da-,europa4 e s os que nam tem juizo1 p>a conhec]em a utilidade1 que daqui rezulta1 que negam1 a necesidade de/e metodo4 ,mas aqui1 deixe-me ,v4 ,p4 lam5t>1 e admir>1 a neglig5cia dos-,portuguezes em promov]1 tudo o que cultura de +5ho1 e utilidade da-,republica4 ,a9da at aqui1 nam tem cuidado ne/as coizas3 e s] r>isimo1 o que s\b]1 que e/a ,gramatica pode s] util4 ,especialm5te nto i/o1 sobre a falta de escritos1 p>a in/ruir um ,secret>io pr9cipiante4 7falo dos-secret>ios dos-,gr&es1 e de tudo o mais1 fra das-,secret>ias ,reais47 ,nas-outras ,naso5s livros1 que ens9am a qualqu]1 a urbanidade e c]emonial d-seu ,re9o4 ,como escrevem os ,reis1 e os ,gr&es entre si1 e s pesoas de dif]5tes g]>*ias mais inf]iores4 como os inf]iores escrevem1 a toda a sorte de pesoas de maior esf]a1 tanto ,secul>1 como ,eclezia/ica4 c4 apontam-se os sobrescritos1 e poem-se algumas c>tas p>a exemplo4 ,i/o ens9a a todos2 e imp$e o faz] erros4 ,mas em ,portugal1 desconhecido e/e metodo4 ,um secret>io de um ,bispo1 ou ,c>dial1 ou ,fidalgo1 ou ,dezemb>gador c4 gov]na-se por-uma pura tradisam2 ou porque asim vio alguma c>ta2 sem mais conhecim5to da-mat]ia4 ,comtantoque um moso1 t5ha um c>at] comprido1 e dezemb>asado1 a que eles *amam1 letra de ,secret>ia1 o que ba/a4 ,confeso a ,v4 ,p4 que a9da at aqui1 nam vi secret>io algum de/es1 que s\bese escrev] duas palavras1 com juizo4 que tecese uma c>ta1 consid]&o quem escreve1 e a quem escreve3 emque circun/ancia3 se com dep5d5cia1 ou sem ela3 se por-agradecim5to de alguma f9eza1 e at5sam1 ou por-outro motivo4 ,nam consid]am circun/ancia alguma de/as3 z quais porem dev]iam consid]> muito2 porque fazem a c>ta1 mais1 ou m5os abundante de at5sam3 ,s5do c]to1 que o ,secret>io1 deve cons]v> o decro de seu amo3 mas no-mesmo tempo deve procur>1 que p>esa mais cortez que posa s]4 ,mas i/o1 o que eles nam int5dem4 e nada mais cuidam1 que mo/r>1 nam digo a gr&eza1 mas a sob]ba de quem escreve4 ,v] ,v4 ,p4 um pobre ,cavalheiro das-,prov9cias1 d-qual se pode diz]1 como dise aquele noso amigo,e/ res angu/a domi2 escrev] uma c>ta1 com mais sob]ania e mage/ade1 que nam f> o ,papa4 porque e/e1 comum5te poem,dilecto filio3 e aquele1 comes> uma c>ta ex abrupto1 e imprud5tem5te1 sem at5sam alguma4 ,os de maior g]>*ia1 a9da fazem pior4 e ap5as se a*> um1 que nam queira mo/r> na c>ta1 que mais1 da-pesoa a quem escreve4 ,por-fra1 co/umam prd-,bispo ,fulano3 d-,m>quez ,sicrano c4 coiza mais digna de rizo doque e/a6 ,z c>tas m&am-se lacradas1 p>a que n+uem saiba1 de quem sam2 e nem suspeite1 o que contem3 e e/es tais poem1 e as9am-se de fra6 ,que o-fasa o ,secret>io de ,e/ado1 ou outro ,m9i/ro1 que tem jurisdisam publica2 ju/o3 p>aque todos conhesam1 de quem a c>ta2 e1 se mais suc$] p]dela1 quem a-a*>1 a-entregue2 e lhe-t5ham o respeito1 que devido4 mas que o-fasam os outros1 e em negocios p>ticul>es2 e que o-fasam por-gr&eza1 m]ece compaixam4 ,t5ho vi/o milh>es de c>tas1 de ,c>diais1 ,pr9cipes ,sob]anos de outros ,re9os1 e muitos outros ,gran-s5hores1 e n5hum praticava e/a rapaziada4 ,mas eu vi mais doque i/o3 porque vi c>ta de uma gr&e pesoa1 que ,v4 ,p4 conhece1 que escrevia a outro mui condecorado1 que t9ha no-sobrescrito3 ,a ,fulano3 pondo o simplez nome1 sem ,s5hor1 nem titulo1 c4 e d5tro as9ava-se1 sem lhe-faz] comprim5to1 como se-faz nas ,pat5tes4 ,p]t5cem clase asima1 os que c>regam o sobrescrito1 com todas z circun/ancias de ,pai1 ,primo1 ,cunhado c4 o que tudo pode d> ocaziam1 a abrir a c>ta por-curiozidade4 ,o mesmo digo1 dos-que poem3 ,famili> d-,s4 ,(icio1 e outras coizas de/as4 ,ba/a pr um titulo pr9cipal1 ou1 qu&o muito1 dois maiores3 os mais ja se-int5dem1 ou se-supoem4 ,e/es sam semelhantes queles1 de que ja falmos tantas vezes1 que1 no-titulo das-c5suras dos-livros1 poem uma enfiada de empregos velhos3 ,ex-,prov9cial3 ,ex-,dif9idor3 c4 e dos-quais ,v4 ,p4 dizia1 com tanta grasa1 que lhes-faltava pr3 ,ex-,porteiro3 ,ex-,gu>diam3 ,ex-,procurador4 c4 ,o pior que ni/o1 caiem tambem os ,secul>es3 e poem frequ5tem5te3 ,colegial que foi no-,colegio de ,s4 ,paulo3 ,l5te que foi de ,leis1 ou de ,in/ituta4 c4 s lhes-falta acrec5t> a prepozisam1 e diz]3 ,ex-,colegial3 ,ex-,leitor3 ,ex-,secret>io3 ,ex-,g5]al3 ,ex-,coronel4 ,que t5do os empregos1 o-decl>em2 mui ju/o3 mas que ponham os que tiv]am1 e sam inf]iores aos que oje tem2 uma vaidade mal fundada3 e qu]] s] e/imado1 mais polos empregos1 que polo m]ecim5to4 ,leia ,v4 ,p4 a i/oria1 que escreveo ,alex&re ,f]reira1 e v]1 que no-titulo da-obra1 escreve toda a sua vida4 ,outros fazem d$icatorias de livros1 a pesoas ,gr&es1 e en*em boa meia folha de papel1 de titulos3 ,capitam-mor de c3 ,alcaide-mor de l3 c4 ,qu&o tivesem dito3 ,m>quez1 ou ,conde2 ,conselheiro1 ou ,g5]al c4 e/es titulos sorvem todos os outros4 ,de/es se-pode tambem diz]1 que lhes-esqueceo escrev]1 todas z qu9tas1 e cazas1 que posuem em div]sas ,vilas1 e ,cidades1 z pesoas a quem l\vam1 e d$icam z obras4 ,em ,italia1 s]ia gr&e injuria1 trat&o-se com um gr&e ,pr9cipe1 por-lhe todos os titulos3 porque era mo/r>1 que sam m5os conhecidos polo nome1 e pesoa4 cazas1 que tem muitos ,pr9cipados1 ,m>quezados1 ,condados3 e nam som5te de titulo1 mas com inteira jurisdisam e dom9io1 pois tem o direito,vit ,necis3 e cont5tam-se com um s titulo1 ou1 qu&o muito1 dois3 ,vg4 ,l\r5so ,colona1 ,duque de ,paliano1 ,conde/avel d-,re9o de ,napoles4 ,dom+os ,ors9i1 ,duque de ,grav9a4 ,prosp]o ,conti1 ,duque de ,poli4 ,e/as cazas tam antigas1 que algumas contam mais de mil anos1 e tem dado1 alem de inf9itos ,c>diais1 #ac4 ,papas1 outras c9co1 ,igreja de ,deus2 nam fazem vaidade de/es ridiculos titulos2 porque sabem1 que sam mui bem conhecidas4 ,mas os 999999 e pr9cipalm5te os ,portuguezes1 gov]nam-se por-outros pr9cipios4 ,tem alem diso e/es ,s5hores por-injuria1 se lhe-escrevem por-secret>io2 e qu&o nam vem toda a c>ta1 de proprio c>at]1 tocam a fogo4 ,veja ,v4 ,p4 quam dif]5tes sam1 os co/umes e/rangeiros6 ,em ,roma1 aonde o c]emonial e/ tanto em vigor1 que s vezes excesivo1 nam se-faz cazo de tal coiza4 escreve um ,c>dial a outro1 por-secret>io4 escrevem os inf]iores c4 por-secret>io4 ,i/o nam prova descortezia1 mas que um omem1 sumam5te ocupado4 nem pesoa alguma faz cazo di/o4 ,som5te se-pratica1 escrev] de proprio punho1 qu&o primeira c>ta de c]emonia a pesoa gr&e1 ou qu&o respondo1 a quem escreve de proprio punho3 ou n'outros cazos asim4 ,mas aqui1 s]ia um cazo rez]vado1 pratic> o contr>io4 ,ora tudo i/o1 int5d] mal z coizas3 falta de educasam3 falta de livros bons3 e expor-se ao rizo dos-om5s de juizo4 ,i/o pois deve acautel> o me/re1 qu&o in/rue os rapazes4 deve in=m>-se das-coizas3 ens9>-lhe como se-devem regul>3 e f9alm5te diz]-lhe em p\cas palavras aquilo1 que1 por-falta de livros1 som5te se-pode sab]1 com uma longa exp]i5cia4 ,e/as coizas devem-se trat>1 ne/es primeiros e/udos4 ,despois de t] escrito i/o1 me-veio mam1 uma ,gramatica ,portugueza1 compo/a polo ,p4 ,argote1 ,teat9o4 ,v]dadeiram5te nam ,gramatica completa3 mas o autor decl>a1 que s d regras1 p>a facilit> a intelig5cia da-l+ua ,lat9a4 ,o juizo que =mo de/a ,gramatica1 e/e4 ,o autor1 introduz9do um dialogo enfadonho1 dise1 em muitas folhas1 o que podia diz]1 em p\cas regras4 ,os dialogos nam s]vem mais1 que de faz] mil repetiso5s sem necesidade4 s]vem de cans> memoria aos rapazes1 sem fruto3 ens9&o-os a fal> como papagaio3 vi/oque nam int5dem o que dizem4 qu&o polo contr>io p\cos preceitos1 bem explicados com a viva voz d-,me/re1 ens9am mais1 com m5os trabalho4 ,i/o1 quanto ao metodo4 quanto s regras3 ,o que diz da-,analogia das-vozes1 p>ece-me mui bem2 e pode-se ens9> com utilidade4 ,a ,s9taxe de concord>1 pode pas>3 a de reg]1 nada me-agrada4 ,o ,p4 ,argote dezemp>\ o seu mesmo metodo1 por-seguir os erros de ,manoel ,alv>es1 e multiplic> regras sem necesidade2 as9&o reg5cias falsas3 qu&o tudo aquilo se r$uzia1 a explic> a reg5cia dos-,cazos1 polas regras fundam5tais2 que sam mui p\cas4 ,i/o o que deve cuid> o ,me/re3 r$uz9do z regras1 s v]dadeiras cauzas da-reg5cia3 apont&o algum p>ticul> idiotismo c4 porque i/o ba/a3 vi/oque a ,gramatica ,lat9a1 tambem se-deve explic> em ,portuguez1 e com p\cas regras4 ,a t]ceira p>te1 da-s9taxe ,figurada1 tir&o a ext5sam1 tambem pode pas>4 ,na qu>ta p>te1 o que diz dos-,dialetos c4 pode pas>3 a9daque tudo aquilo se dizia1 em duas palavras4 o que diz d-modo de reg] a l+ua ,portugueza1 uma gr&e sup]fluidade1 e p$ant]ia3 vi/oque nam me/re tam tolo1 que nam saiba1 como -de reg]1 uma c>ta ,portugueza4 ,i/o se-faz1 qu&o o e/udante nas escolas1 vai l5do a l+ua dita3 e o me/re lhe-explica1 o dialeto da-proza1 e d-v]so4 ,antes s]ia l\cura1 qu]] explic> ao pr9cipio1 o dialeto d-v]so4 porque os ,poetas1 que pola maior p>te nam pezam bem z coizas1 sem excetu> o ,camo5s2 caram na p>voice1 de aportuguez> mil palavras ,lat9as1 sem necesidade alguma3 e asim nam coiza p>a rapazes4 ,antes1 polo contr>io1 deve o me/re adv]tir-lhe1 que ese e/ilo1 nam se deve uz>4 ,f9alm5te1 a ,ortografia d-,p4 ,argote nada vale1 como abaixo direi4 ,mas1 em quanto nam ap>ece outra1 ou se-re=ma e/a arte2 pode o me/re uz> dela1 com z ditas cautelas4 ,devo tambem diz] a ,v4 ,p4 alguma coiza1 sobre a ,ortografia ,portugueza4 noticia que me-p>ece mui neces>ia1 e que com todo o cuidado se-deve comunic> aos pr9cipiantes3 pois da-falta de/a d\tr9a nace1 que em toda a sua vida1 escrevam mal3 e1 a9da despois de e/>em em lug>es de letras1 la/ima v]1 como muitos escrevem4 ,e e/as reflexo5s1 s]virm p>a em5d>1 o que diz o ,p4 ,argote1 nas suas ,regras ,portuguezas1 e algum outro4 ,i/o supo/o1 e compre5d5do em p\co1 o muito que outros escrevem ne/a mat]ia1 digo1 que os ,portuguezes devem pronunci>1 como pronunciam os om5s de melhor d\tr9a1 da-,prov9cia de ,e/remadura3 e1 po/o i/o1 devem escrev] a sua l+ua1 da-mesma sorte que a-pronunciam4 ,e/a uma s+ul>idade da-l+ua ,portugueza1 que s se-a*a nela1 na ,italiana1 e na ,ca/elhana3 a9daque e/a t5ha sua v>i$ade3 ponho de p>te a ,lat9a1 que morta4 ,daqui fica cl>o1 que devem de/]r>-se da-l+ua ,portugueza1 aquelas letras dobradas1 que de nada s]vem3 os dois ,,ss4 dois ,,ll4 dois ,,pp4 c4 ,na pronuncia da-l+ua1 nam se-ouve coiza alguma1 que fasa dobr>1 z ditas consoantes4 ,que se-escreva ,t]ra1 ,p]ra1 com dois rr1 int5do eu a razam3 e o ouvido me-aviza1 que a pronuncia =tisima no-r4 pois qu&o nam =te1 como em ,p]a1 ,c>acol1 escreve-se um s r4 mas em ,elle1 ,essa1 coiza sup]flua3 porque ou t5ha um1 ou dois ss4 sempre se-de pronunci>1 da-mesma sorte4 ,nas l+uas mortas1 faso escrupulo1 de mud> uma letra3 mas nas vivas1 em que ns temos todo o pod]1 e uzo1 qu&o a boa pronuncia nam ens9a o contr>io1 sam sup]fluas z repetiso5s4 ,os nosos ,italianos som5te dobram z letras1 qu&o a pronuncia dif]5te3 e sam tam escrupulozos obs]vadores da-pronuncia1 que nam ,nasam1 que os-iguale4 ,de que nace1 a gr&e dificuldade que os ,e/rangeiros tem1 em pronunci> bem a nosa l+ua1 nam ob/ante s] labial4 porque nam t5do eles1 ouvido tam esp]to1 p>a pod] p]ceb]1 a dif]5te pronuncia das-letras dobradas2 na pronuncia delas1 s]vem-se de uma pronuncia doce e simplez2 a qual os-acuza1 por-,e/rangeiros4 ,o motivo que os ,nosos tem1 p>a pronunci>em asim1 uma antiga tradisam1 desde o tempo em que a l+ua ,lat9a1 era viva e dome/ica entre os seus antepasados4 pois sem duvida1 que os ,romanos cuidavam muito1 em pronunci> bem a sua l+ua2 e que os me/res1 ens9avam i/o aos dicipulos com cuidado4 ,e/a tradisam cons]v\-se sempre em ,italia4 e nac5do o ,italiano1 da-corrusam d-,latim1 cons]vram sempre z mesmas letras dobradas1 que os ,lat9os tem3 e talvez acrec5tram mais alguma4 ,donde vem1 que os ,italianos1 a*&o no-,latim z letras dobradas1 pronunciram-nas como dobradas3 e1 por-e/e mesmo pr9cipio1 pronunci&o o ,italiano1 com alguma semelhansa d-,latim1 dobrram tambem z letras da-sua l+ua por cuja razam1 sam nela desculpadas1 z repetiso5s4 ,os ,francezes dobram algumas letras1 por-necesidade1 p>a di/+uirem z pronuncias3 outras dobram1 porque tomram os ditos nomes1 dos-,gregos1 e ,lat9os1 entre os quais antigam5te se-pronunciavam1 e escreviam asim3 como mo/ram os om5s1 que escrev]am ne/a mat]ia4 ,tambem ni/o tem v>iado muito3 e nam sam aprovados1 polos melhores criticos4 ,e oje os ,francezes mais d\tos1 regeitam muitas letras1 que p>ecem escuzadas1 por se-nam-pronunci>em3 como adv]te o ,p4 ,lima1 na sua ,arte ,portugueza1 e ,franceza4 ,muitos ,francezes sam de p>ec]1 que se-devam de/]r> todas4 e talvez com o tempo1 escrevam como falam3 vi/oque a9da nam muito tempo1 que e/a l+ua se-comes\ a purific>3 o que nam exc$e o tempo1 de ,luiz ,,xiv4 ,mas conc$amos-lhe o mesmo1 que oje conc$emos1 aos ,ebreos1 ,caldeos c4 c]to1 que a l+ua ,portugueza1 todos as5tam1 se-deve escrev] como se-pronunca3 e asim1 nam deve receb] letras1 que se-nam-pr(]em4 ,de/e meu p>ec]1 sam muitos ,portuguezes de boa d\tr9a1 com quem t5ho conv]sado ne/a mat]ia3 os quais nam podiam s(r]1 que1 s5do a pronuncia a regra da-,ortografia2 a9da asim ouvesem om5s prezados de d\tos1 que embrulhasem a ,ortografia1 com a preocupasam de qu]]em seguir1 a d]ivasam e origem4 ,se eu ouvese de escrev]1 tudo o que me ocorre ne/a mat]ia1 ou tudo o que se-pode diz] nela1 f>ia um longo tratado2 que s]ia contra o meo asumto1 e tambem contra a necesidade da-mat]ia1 a respeito de ,v4 ,p4 ,direi som5te1 o que p]t5ce ao meu argum5to4 ,nam ob/ante que eu muitos anos1 viva ne/a op9iam1 que a ,ortografia comua muito m2 e1 com e/a ideia1 t5ha feito um tratad9ho dela1 p>a uzo1 e regulam5to meu2 contudo nam me-atrevia1 a decl>> a todos1 o meu animo1 como faso a ,v4 ,p4 sab5do1 que a9da os mais d\tos se-ririam1 de que um ,e/rangeiro1 viese d> regras1 ne/a mat]ia3 ,sem se-lembr>em1 que tambem os que ne/es ultimos seculos1 escrevram sobre a ,ortografia ,lat9a1 eram ,e/rangeiros nela3 semque por-iso1 sejam mal ouvidos4 ,mas agora1 dev5do diz] a ,v4 ,p4 o meu p>ec] nela1 puz de p>te1 todos os respeitos politicos2 e nam s quiz apont>1 o que cond5o2 mas1 p>a o-faz] melhor1 tive a curiozidade de l]1 o que dise ne/a mat]ia o ,p4 ,bluteau4 cuja leitura me-confirm\1 no-meu propozito1 e me-convida1 a abrir-me mais promtam5te3 porque alfim vejo1 que t5ho mais padr9hos1 doque nam cuidava#f4 ,digo pois1 que da-obs]vasam que asima fiz1 e maxima que e/ableci1 se-devem tir> z reflexo5s1 p>a z outras letras1 e p>a todas z mudansas e correso5s da-,ortografia4 ,e comes&o pola letra ,a1 dobram alguns e/a letra1 em ,m5haan1 ,vaan c4 e de/e p>ec]1 ,du>te ,nunes de ,leam4 ,nam se-pode int5d]1 a razam de/es om5s4 ,na pronuncia1 nam se-ouve aquele segundo ,a1 e s]ia v]dadeiro ridiculo1 quem o-quizese pronunci>4 e asim porque se-aja de escrev]1 eu nam int5do4 ,o c]to 1 que a regra da-pronuncia1 ens9a o contr>io4 ,daqui pas&o ao ,b1 digo1 que e/a nam se deve cons]v>1 s5am naqueles nomes1 que especialm5te a-tem na pronuncia1 como ob/aculo1 ob/ante c4 mas naqueles1 que oje se-pronunciam sem ela1 p>ece-me escrupulo demaziado4 ,sobre o ,c1 a*a-se alguma div]sidade entre os mesmos ,portuguezes1 em que lug>es deve entr> qu&o tem c$ilha1 4 ,comum5te antes das-t]m9aso5s em o o-escrevem1 e mais em outras p>tes3 sobre o que nam regra alguma mais1 que o uzo4 ,ni/o alguns sam tam escrupulozos1 que se encontram escrito com s1 ,sapato1 fazem um orrivel espalhafato4 ,outros de/]ram o dito c1 e em seu lug> escrevem dois ss4 ,mas p>a fal> a v]dade1 e exam9> z coizas sem paixam1 tudo i/o sam iluzo5s4 ,n5huma dif]5sa na pronuncia se-a*a entre o c1 e o s3 se alguem contr>eia i/o1 que me-fasa a m]ce de mo-prov>3 porque o meu ouvido1 que ba/antem5te adv]tido1 nam conhece e/a div]sidade4 ,i/o supo/o1 pr dois ss1 em lug> d c1 uma sol5isima ridicul>ia1 sem mais razam1 que qu]] di/+uir-se dos-outros4 ,mas1 nam m]ecem mais indulg5cia1 os que se-esc&alizam de l]em1 ,sapato1 ,surrador c4 com s3 porque na m9ha e/imasam asim se-deve escrev]4 ,eu v]dadeiram5te nam sei donde veio1 que o a1 se-pronuncise sa3 mas se p]mitido conjetur> em mat]ia tam oscura1 suponho que foi1 por-engano de quem escrevia1 que p9tava mal o s3 e asim com o tempo tomram-no por-c3 ,porque a fal> a v]dade o c com c$ilha sam dois cc contrapo/os1 e que imitam ba/antem5te um s1 asim ,illu/rao3 onde cont9u&o a pronuncia d-s por-tradisam2 e a*&o-se escrito o dito 2 int5dram que era uma p>ticul> especie de c1 e asim o-escrev]am4 ,seja como =1 o c1 em tais cazos vale um s4 e por-e/a razam cuido1 que mais proprio1 e mais natural1 s]vir-se de/a letra simplez1 que d-dito c4 ,de/a sorte av]ia m5os confuzam na ,ortografia ,portugueza1 se as5tasem todos1 a nam escrev] antes de a1 ou o1 ou u1 s5am um s1 e nunca o dito c4 ,dirmem alguns1 que tambem o c antes de e1 ou i1 vale um s3 e que s] tambem neces>io de/]ralo1 e conv]telo em s4 ,mas eu respondo1 que mui dif]5te razam4 porque o c1 antes de e1 ou i1 tem o seu proprio soido1 sem viol5cia alguma3 e a9daque se-posa comp5s> com s1 contudo ne/e cazo deve-se p]mitir alguma coiza ao uzo1 que o-introduzio4 ,nam asim o c antes de a3 pois p>a faz] o soido que eles qu]em1 deve viol5t>-se1 sem t] analogia com z l+uas1 de que d]iva1 a nosa ,portugueza3 e asim p>ece-me gr&e sup]fluidade4 ,e/e o meu p>ec]3 ,contudo se alguem ateimse a s]vir-se d-dito c1 nam f>ia di/o um cazo rez]vado3 comtantoque confesase1 que igualm5te se-pode escrev] com s3 e que nam se-esc&alizase1 de quem fizese o contr>io4 ,de/a regra1 de escrev] con=me a pronuncia1 crejo que se-pode a*> excesam no-,*4 ,tem e/a letra aspirada com o h1 uma pronuncia em ,portugal semelhante ao x4 e asim dizemos ,*oro1 ,*ove c4 como se e/iv]a escrito1 ,xoro1 ,xove4 ,contudo algumas vezes se-deve pronunci>2 como se-fose um k4 o que int5do dos-nomes que vem d-,grego1 e nos-quais se-ouve o k na pronuncia4 vg4 ,ar*itetura1 ,ma*9a1 ,*imica c4 ,o ,bluteau nam admite i/o1 nos ,opusculos2 e def5de1 que sempre o * se-deve pronunci> quazi semelhantem5te ao x4 ,mas ele mesmo se-contr>eia no-,dicion>io3 pois diz1 que em ,portuguez se-deve escrev]1 ,ar*anjo1 ,patri>*a c4 com *1 a9daque se-pronuncie o k3 ,tomra pois que me-dese a div]sa razam1 porque em outros nomes oriundos da-mesma ,grecia1 se-deva escrev] com qui v4g4 ,mon>quia c4 ,o c]to 1 que em ambas z p>tes a razam a mesma4 ,antes p>ece-me1 que com maior razam se-deve fugir o qui3 porque em ,portuguez despois d-q1 sempre se-pronuncia o u1 desorteque o q por-si s nam une com z vogais1 sem se-pronunci> o u4 ,e como s]ia erro pronuncialo1 em ,mon>*ia1 ,*imica c4 daqui vem que tambm erro1 escrevelo4 ,a quem nam agrad> e/a m9ha op9iam1 de escrev] e/es nomes por-*1 s\ de p>ec]1 que adte o k dos-,gregos3 pois melhor *am> de fra1 uma letra ,e/rangeira1 doque escrev] o q1 que em ,portugal g]alm5te tem dif]5te pronuncia3 o que nam suc$e no-*1 que ja em muitas diso5s e/ recebido em ,portugal1 com privilegios de k4 ,e nam ob/a1 que a maior p>te dos-,ortografos ,portuguezes digam1 que o k sup]fluo no-,portuguez3 nam o mesmo dizelo1 que provalo3 aqui nam meio1 ou se-deve admitir o * com privilegios de k2 ou adot> o k1 em seu lug>4 ,sei que podem argum5t> com ,aquele1 ,aquilo c4 em que p>ece nam se-ouve o u3 mas i/o provm da-pronuncia1 que o-toca levem5te2 porque em todas z palavras ,portuguezas o q faz pronunci> o u3 ,qu&o1 ,quanto c4 ,e pr9cipalm5te av5do-se de introduzir1 em diso5s novas1 ou ,gregas1 deve sempre obs]v>-se o uzo mais comum4 ,du>te ,nunes poem sempre c antes de t1 como em ,docto1 ,doctr9a c4 ,de/a afetasam zomzombam os om5s de melhor juizo2 e cuido que com razam3 pois se aos nosos ouvidos insoportavel1 quem fala asim1 porque -de s] tol]avel1 quem o-escreve8 ,bluteau admite o tal e/ilo alguma vez1 p>a evit> o equivoco2 v4g4 ,compacto1 e ,compato3 mas eu nam vejo ni/o equivoco1 pois na segunda disam o ,com1 deve e/> sep>ado4 ,mas a9daque ouvese equivoco1 o contexto o-tira4 ,outros em lug> d-c1 sempre poem u1 e dizem1 ,auto c4 tambem e/a afetasam cond5avel3 porque ,ato1 mui boa palavra1 e todos a-int5dem4 ,em ,d\to c4 pode-se conc$] alguma coiza ao uzo4 ,co/umam muitos ,portuguezes dobr> os ee f9ais em muitas vozes1 especialm5te em ,fe1 ,se c4 e alguns dobram-nos em muitas outras palavras1 incl9&o-se1 segundo dizem1 a uma antiga pronuncia4 ,mas ou seja antiga1 ou seja de novo inv5tada1 deve-se fugir e/a introdusam1 pola mesma razam que disemos1 de s] contr>ia pronuncia4 ,concorda o ,bluteau diz5do1 que em algumas palavras se-supre1 com um ac5to sobre o 4 ,mas eu digo1 que nam s em algumas1 mas em todas se-deve escrev] um s e4 e quanto ao ac5to agudo1 digo1 que se-lhe-deve pr1 nam p>a mo/r>1 que falta um e2 mas p>a mo/r>1 que se-deve c>reg> a vogal2 porque asim ens9a a pronuncia4 ,pola mesma razam da-pronuncia1 se-deve de/]r> das-palavras ou ,portuguezas1 ou aportuguezadas o ,ph1 em lug> de ,f4 ,muitos ,portuguezes introduzem1 sem adv]t5cia1 em lug> d-f1 o dito ph3 outros dam longuisimas regras p>a di/+uir1 qu&o se-deve escrev] um1 qu&o outro4 mas uns e outros discorrem muito mal4 ,o ph dos-,gregos era um p1 aspirado com muita =sa1 e que alguma coiza decl9ava p>a f4 e nam av5do em ,portugal semelhante pronuncia1 erro introduzir o dito p1 qu&o temos c o f1 que tem o seu prprio soido4 ,daqui vem que a9daque ,filoz(ia1 ,triumfo c4 na sua origem tivesem o ph1 contudo oje que sam palavras ,portuguezas1 nam s adotadas polos d\tos1 mas de que indif]5tem5te se-s]vem todos2 devem-se escrev] com simplez f4 ,temos o exemplo nos-mesmos ,lat9os1 que1 qu&o adotavam algumas palavras ,e/rangeiras1 pronunciavam-nas com a pronuncia ,romana3 e davam-lhe z proprias decl9aso5s ,lat9as4 ,talvez lhe-cons]vavam algumas proprias letras1 em at5sam de s]em l+uas vivas4 ,e muitas vezes1 p>a se-livr>em da-impropri$ade1 escreviam1 e pronunciavam z ditas letras em ,grego puro3 como todos os mom5tos encontramos nos-seus escritos1 pr9cipalm5te nas c>tas de ,cic]o1 e alguns outros4 ,e/a lib]dade de acomod> z palavras1 ao e/ilo da-propria l+ua1 tiv]am sempre todos os ,povos cultos3 e devem t] tambem os ,portuguezes4 e asim signific&o o ph um p aspirado1 com algum soido de f2 nam o-devemos uz>1 vi/oque nas palavras ,portuguezas1 nam temos tal pronuncia4 ,quanto aos nomes1 que a9da nam e/am em uzo por-todos1 mas que som5te uzam1 ou p>a melhor diz]1 algumas vezes se-s]vem deles os lit]atos2 deve-se pratic> outra regra4 ,se sam nomes 7falo dos-,lat9os1 ,gregos1 ,ebreos c47 de coizas p]t5c5tes a ,artes1 ou ,ci5cias1 p>ece-me que se-devem escrev]1 com z suas letras orig9ais4 ,vg4 se quiz]-mos explic>1 ou escrev] os nomes p]t5c5tes ,anatomia1 que sam todos ,gregos1 segundo o e/ilo d-,portuguez2 escrev]emos palavras1 que se-nam-int5d]m3 e asim melhor1 seguir a d]ivasam ,grega4 ,o mesmo digo1 de algumas p>tes da-,m$ic9a1 da-,filoz(ia c4 ,muitos de/es nomes ou nam se-podem escrev] de outra maneira1 v4g4 ,pneumatologia c4 ou1 a9daque se-posam escrev]1 nam e/am g]alm5te recebidos1 nem a9da polos mesmos eruditos3 e asim nam gozam1 d-privilegio ,portuguez4 ,se sam nomes ,proprios1 entra a mesma regra3 ou sam p\co uzados2 e em tal cazo obrigasam escrevelos1 com z suas proprias letras4 ,onde nam cond5o quem escreve1 ,hom]o1 ,h]odoto1 ,h]odes c4 a9daque e/es trez1 e outros semelhantes que e/am ja muito em uzo1 podem mui bem escrev]-se sem h3 o que ate os nosos ,italianos ja fazem3 ,mas sempre mais desculpavel1 se em semelhantes nomes se-uzam letras da-origem4 ,quanto porem aos outros1 que s]vem de dif]5ci> z pesoas ,portuguezas1 e j e/am totalm5te naturalizados2 devem-se ve/ir1 com o traje de ,portugal4 ,e e/e uzo a*o praticado1 em todas z ,naso5s de melhor d\tr9a4 ,quazi todos os nomes da-,sagrada escritura1 se-a*am mudados na nosa ,vulgata4 ,vg4 ns dizemos1 o ,mesias3 e se ouvesemos pronunci> como e/ no-texto ,ebreo1 dev]ia-mos diz]1 ,maxiaggh com pronuncia =te1 e gutural no-g4 o que fiz]am os ,lat9os1 p>a ados> a pronuncia =te1 e asp]a dos-,ebreos4 ,traduz9do os ,gregos e/e nome1 escrev]am1 ,*ri/os3 os ,lat9os1 ,*ri/us3 de que ns tommos a palavra1 ,cri/o4 ,podia apont> mil exemplos1 que deixo por-brevidade4 ,os ,gregos qu&o pronunciavam os nomes ,lat9os1 faziam-no com o dialeto ,grego4 e por-iso ns a*amos1 que nas m$alhas ,gregas dos-,consules1 e ,imp]adores ,romanos1 os nomes e/am trans=mados4 ,vg4 e/e nome1 ,m>cus ,tullius ,cic]o1 os ,gregos escrev]am-no nas m$alhas1 ,m>kos ,tyllios ,kik]on1 que tem ba/ante dif]5sa d-,lat9o4 ,os ,lat9os1 como ja disemos1 davam a t]m9asam ,lat9a1 aos nomes ,gregos3 e muitas vezes deitavam-lhe fra algumas letras4 ba/a abrir os ,dicion>ios1 p>a reconhec] e/a v]dade4 ,os nosos ,italianos italianizam todos os nomes ,e/rangeiros1 que lhe-*egam s maons1 qu&o eles sam tais1 que se-podem pronunci> ,italiana3 e1 segu9do a pronuncia ,franceza1 de/]ram da-escritura1 os ditongos1 e tritongos2 pondo som5te a letra que conresponde ao tal ditongo4 outras ,naso5s fazem o mesmo4 ,se pois em todos os tempos ouve e/a lib]dade2 tambem se-deve pratic> em ,portugal4 ,e asim p>ece-me escrupulo ridiculo1 qu]] cons]v> em ,i]onimo1 o h1 e y3 e em ,ioz1 o ph c4 tudo i/o se-deve evit>1 escrev5do os nomes com z letras1 com que-se pronunciam em ,portugal4 ,emfim a regra g]al1 que todos os nomes de origem antiga c4 ou sejam ,proprios1 ou ,apelativos1 que e/am naturalizados1 e sam frequ5tem5te uzurpados1 ou por-todos os om5s1 como ,i]onimo1 ,triumfo1 c4 ou polo comum dos-d\tos1 como ,filoz(ia1 ,teologia1 ,fizica1 ,metafizica1 e mil outros2 devem-se escrev] como se-pronunciam4 ,os nomes ditos que nam sam g]alm5te uzados1 v4g4 ,!mi/io1 ,!opompo c4 por-nam esc&aliz> os ouv9tes1 ou confundir os ignorantes1 melhor escrevelos com z letras orig9ais4 ,os nomes1 em que entra duvida se sam1 ou nam uzados1 podem-se escrev]1 com z letras da-sua d]ivasam2 pois a duvida mo/ra1 que nam uzual4 ,i/o digo dos-nomes1 que sam puram5te antigos1 ou que se-d]ivam de l+uas mortas1 como a ,lat9a1 ,grega1 ,ebraica1 ,caldaica c4 ,quanto pois aos nomes de l+uas vivas1 pr9cipalm5te das-l+uas d-,norte1 em que se-a*am muitas consoantes seguidas c4 a*o que melhor1 e s vezes preciza necesidade1 escrevelos com todas z suas letras3 porque sem i/o1 nam se-pod]m di/+uir e reconhec]1 os ,autores1 z ,cidades c4 e nac] gr&e confuzam4 ,aquelas consoantes que a ns p>ecem sup]fluas1 nam o-sam p>a eles1 porque z-pronunciam1 supondo-lhe vogais3 onde tir&o-z1 nem os-int5d]emos pronunci>1 nem os-sab]emos procur> nos-livros4 ,e/a d\tr9a que at aqui e/ablecemos1 deve-se aplic>1 a todos os outros cazos que ocorr]em1 de quaisqu] letras que se-nam-pronunciam3 ,e asim nam neces>io repetila especialm5te1 em todas z palavras3 pois qualqu] por-simesmo pode aplicla4 ,onde1 segu9do a ordem d-,alfabeto1 deve-se de/]r> o ,g4 de ,madal5a c4 ,polo contr>io deve cons]v>-se em ,signific>1 ,magnifico c4 porque na pronuncia s'exprime4 ,a mesma razam p]suade1 que n5hum ,portuguez deve s]vir-se d-,h1 s5am qu&o tem dif]5te pronuncia4 v4g4 despois de c1 como em ,*ave1 despois de n1 como em ,m9ha c41 nunca porem qu&o se-diz1 ,he1 ,hei c4 ,de/a op9iam =am alguns antigos ,portuguezes1 como ,joam ,franco ,b>reto na sua ,ortografia2 que qu] se escrevam1 sem h3 e o ,p4 ,b5to ,p]eira na sua ,grammatica ,l+u ,lusitan1 que conc$e1 que em algumas p>tes se-pode deix>4 ,muitos ,portuguezes que atualm5te vivem1 e de mui boa d\tr9a1 def5dem =tem5te1 que se-exclua o h4 e a*ei um1 que som5te o-admitia1 qu&o di/+uia uma disam da-outra4 v4g4 ,ouve pode signific>1 teve1 e tambm1 e/ ouv9do3 onde no-significado de teve1 punha-lhe o h1 p>a nam cauz> confuzam4 ,conheso1 que o contexto mo/ra bem1 em que s5tido se-toma3 e sei que no-,latim1 inf9itas palavras1 que tem t]m9aso5s equivocas1 cujo v]dadeiro significado se-alcansa1 polo contexto4 ,e a9da no-,portuguez ,amra1 e ,am>1 se acazo nam tem ac5to1 som5te se-di/+uem polo contexto4 da-mesma sorte ,cria v]bo que significa1 ,tir> d-nada3 cria v]bo que significa1 ,produzir a t]ra3 cria v]bo que significa1 ,d> leite s criansas3 e cria1 imp]feito d-v]bo cr]3 nam se-di/+uem s5am polo contexto3 o que tambem suc$e em muitos outros4 ,digo som5te1 que nam cond5>ia1 quem o-escrevese ne/es cazos3 a9daque eu pratique comum5te o contr>io4 ,fra daqui1 julgo que nam se-deve escrev]1 em n5huma outra disam2 porque todas se-di/+uem mui bem1 sem ese s9al de aspirasam4 ,o ,bluteau1 que no-,dicion>io diz1 que em algumas p>tes se-podia deix> de pr o h no-pr9cipio2 em outros lug>es porem def5de1 a introdusam d-h1 qu]5dose desculp>1 com a l+ua ,italiana4 ,mas erra manife/am5te no-que diz4 porque nam s os om5s mais d\tos na l+ua ,italiana de/]rram o h d-pr9cipio1 e de muitas p>tes d-meio das-diso5s1 deix&o-o som5te despois de c1 e g1 como em ,bian*e1 ,vaghe2 porque aqui v]dadeiram5te aspirasam =te1 e tem seu p>ticul> soido3 mas tambem a mesma ,academia da-,crusca no-seu ,vocabul>io ,comp5diado e ,correto1 decl>a1 que som5te uza d-h1 p>a evit> algum equivoco4 v4g4 ,hanno1 ,v]bo que qu] diz]1 tem2 de ,anno1 nome que significa1 o ano4 ,como tambem em1 ,ho1 ,hai1 ,ha1 inflexo5s d-mesmo ,v]bo2 p>a z-di/+uir de algumas ,p>ticulas1 que tem a mesma t]m9asam4 a9daque ne/e cazo nam cond5am1 quem deixa o h4 ,qu&o muito admitem o h1 em ,hui1 ,hoi1 exclamasam de quem se-queixa1 ou outro semelhante monosilabo3 decl>&o porem1 que aqui1 e em quatro vozes que apontam1 s'introduzio por-erro antigo dos-impresores1 e nam por-alguma fundada razam4 ,o que muito de not>3 s5doque os ,toscanos aspiram =tem5te todos os monosilabos1 semque por-iso escrevam h4 ,fra de/as circun/ancias1 n5hum ,italiano d\to escreve h3 onde falsam5te se-s]ve o ,bluteau d-seu exemplo4 ,mas1 deix&o o que fazem os outros1 e pas&o ao que devem faz] os ,portuguezes1 digo1 que nam devem escrev] h s5am1 qu&o cauza dif]5te pronuncia1 como em ,m9ha1 ,diz-lhe c4 ,o qu&o ,v]bo1 muito bem se-di/+ue d-e ,conjunsam1 pondo-lhe emsima um ac5to4 ,nem eu poso int5d] porque razam ,v]bo1 deva escrev]-se com h1 e era1 eram c4 que sam inflexo5s d-mesmo ,v]bo1 sem ele4 ,tambm o s1 1 ,v]bos que significam t]1 mui bem se-di/+uem de s1 ,p>ticulas1 com a div]sidade d-ac5to grave4 ,tudo i/o asim di/+uem os nosos ,italianos1 que p>ticipam mais que n+uem da-l+ua ,lat9a1 e que sam mui adv]tidos ne/as pronuncias4 ,onde erro diz]1 ,huma1 ,humilde c4 mas deve-se escrev]1 ,uma1 ,umilde c4 ,nem obscura a razam3 ba/a olh> p>a pronuncia1 p>a sab]1 que erro1 pr o h4 ,antigam5te o h era s9al de uma =te aspirasam#g4 7int5do por e/a palavra aspirasam1 deit> p>a fra o ar que se-recebeo1 p>a refresc> o int]ior1 e ajud> a circulasam d-sangue3 o que advirto1 porque me-p>ece1 que entre muitos ,portuguezes1 nam bem c]ta a significasam de/a palavra1 aspirasam7 ,de/e f9al pois som5te se-s]viam1 p>a suprir z letras aspiradas dos-,gregos4 ,onde som5te s'escrevia antes das-vogais1 cuja pronuncia era bem aspirada1 e gutural1 como adv]te ,cic]o#h4 e talvez antes desas nam se-punha4 ,mas no-tempo da-pureza da-l+ua ,lat9a1 nunca os om5s d\tos escrev]am h despois de consoante3 mas som5te no-pr9cipio da-disam1 e antes de vogal3 e nam escreviam ,pul*]1 mas ,pulc]3 nam ,*>itas1 mas ,c>itas c4 o que a9da oje vemos1 nos-melhores manuscritos1 e inscriso5s lapid>es4 ,mas se alguma vez a-punham despois de consoante1 som5te o-faziam nas palavras ,gregas1 ou que de l traziam origem4 ,de que fica cl>o1 que na l+ua ,portugueza1 em que nam aspirasam alguma nem =te1 nem br&a2 nam se-deve pr aquele s9al1 que s s]ve de aviz> o ,leitor1 que aquela letra deve s] aspirada4 ,som5te d-,u duvidei por-algum tempo1 se admitia antes de si h3 porque1 a fal> v]dade1 p>ece-me s] aquela letra1 que em ,portugal se-pronuncia1 com alguma aspirasam2 porque a mesma natureza da-letra o-p]mite4 mas dez5ganram-me os meus ,italianos1 que1 s5do tam escrupulozos obs]vadores da-pronuncia1 nam poem h antes de disam alguma1 que comece por-u3 falo dos-que escrevem com a ultima p]feisam4 ,onde nem m5os os ,portuguezes devem t] escrupulo1 de os-escrev] sem h4 ,sobre z dif]5tes especies de ,,ii4 incrivel a bulha que alguns fazem1 especialm5te p>a det]m9>1 qu&o se-deve pr j rasgado1 ao pr9cipio das-diso5s4 ,cuido que e/a gr&e bulha1 se-pode r$uzir a duas palavras4 ,di/+uir o i vogal d-consoante1 mui neces>io1 p>a sab] qu&o f]e1 ou nam f]e a vogal4 *amamos rasgado1 ao consoante2 pequ5o1 ao vogal2 e di/+uem-se pola figura4 ,quanto ao escrevelos ao pr9cipio1 p\ca dificuldade pode nac]1 em quem escreve em ,portuguez2 vi/oque r>isima palavra ,portugueza comesa por-i vogal1 antes de outra vogal4 ,onde tir&o1 a ,v]bo1 ou alguma outra r>isima1 que agora nam me-ocorre2 em todas z palavras ,portuguezas1 que comesam por-i antes de vogal1 a dita letra consoante1 e deve-se escrev] rasgada2 ou de =ma pequ5a1 ou maiuscula1 segundo a necesidade4 ,alguma dificuldade pode nac]1 no-pr9cipio das-palavras impresas4 ,ne/e cazo nam dezaprovo1 que o i de ,joannes v4g4 e outros semelhantes seja rasgado1 p>a evit> alguma confuzam4 ,mas i/o int5de-se nos-nomes de frma pequ5a3 porque nos-de frma gr&e1 que a maiuscula ,romana1 p\ca necesidade temos de escrev] i rasgado no-pr9cipio3 pois com o outro1 igualm5te se-pronuncia bem4 ,quem porem em ambas z p>tes quizese pr i rasgado1 nam o-cond5>ia3 pr9cipalm5te se comesasem por-alguma das-duas ,portuguezas1 que asima aponto4 ,a maior dificuldade consi/e em det]m9>1 qu&o se-poem ,g1 qu&o ,i1 antes de e1 ou i1 nas palavras ,portuguezas4 v4g4 ,g5te escreve-se com g3 ,ereje uns o-escrevem com g1 outros com i1 ,i]onimo com i3 ,giro escreve-se com g3 ,e outras vezes antes d-e c4 poem-se um j consoante4 ,p>a d> razam de/as v>iaso5s1 tem alguns escrito longas pag9as3 mas n5huma ,regra das-que li1 deixa de t] suas exceso5s4 ,dizem1 que em ,g5te1 ,giro c4 a d]ivasam aponta o g4 conc$o3 mas que d]ivasam aponta a letra1 que devemos escrev] em ,ereje1 e outros semelhantes1 que nam tem analogia alguma1 com z letras da-sua d]ivasam8 ,o meu p>ec] e/e3 ,que os d\tos1 sigam a d]ivasam ,lat9a1 especialm5te no-pr9cipio2 e tanto nos-,apelativos1 como ,proprios1 que sempre comesam por-i3 tir&o qu&o despois se-segue outro i1 que entam melhor1 conv]t] o primeiro em g1 como ,g9ja4 ,que no-meio1 uzem mais d-g1 que d-i3 vi/oque ni/o tambem div]sidade1 a9da nos-que d]ivam d-mesmo ,latim4 ,mas1 nam se-lembr&o da-d]ivasam1 c4 posam s]vir-se indif]5tem5te de ambas4 ,os ignorantes sigam o co/ume e a prtica1 dos-que melhor escrevem4 ,nem devemos admir>-nos1 se em alguma letra nem todos concordem3 nam s5do posivel1 que conv5ham todos1 em mat]ia tam duvidoza e arbitr>ia4 ,tambem sobre z t]m9aso5s1 am1 e a1 fazem alguns longuisimas disputas1 e mui sup]fluam5te4 ,confesa o ,bluteau na sua ,proza ,apologetica1 que ja saram livros inteiros1 p>a deit> fra o a3 e que outros lhe respondram diz5do1 que o til nam era letra1 mas risco4 ,o ,bluteau protege a pose d-a4 mas decl>a1 que o til supre a letra n3 e def5de con/antem5te1 que nam se-deve tir> o til1 porque a t]m9asam a1 segundo ele diz1 mais engrasada1 que o am2 e por-e/e motivo deve-se cons]v>3 muito mais porque s]ia neces>io tambem1 desnaturaliz> z palavras1 ,birimbao1 ,catimbao1 ,pao1 c4 ,mas o ,bluteau ne/a mat]ia1 deix\-se gui> por-alguns prejuizos4 ,diz]1 que o til risco1 e nam letra1 o mesmo1 que nam diz] nada4 ,o c]to 1 que e/e risco faz1 que eu pronuncie um n demais1 que z letras que ali vejo3 onde1 *amem-lhe como quiz]em1 um v]dadeiro n4 ,diz]1 que a t]m9asam am1 dif]5te na pronuncia1 de a1 outro engano3 pois em qualqu] disam ,portugueza1 que se-a*e a t]m9asam am1 todos a-pronunciam como a3 e ,portuguezes mui d\tos s]vem-se indif]5tem5te de ambas3 e cuido que com muita razam2 se que a segunda se-deva tol]>4 ,os que contr>eiam i/o1 nam int5dem bem a mat]ia2 nem d'onde naceo1 e/a p>ticul> pronuncia em a4 ,quem bem consid]a o ponto1 reconhece facilm5te1 que aquele til1 um rigorozo m f9al3 e dev]ia escrev]-se1 ,falaom3 porque escrev5do-se de/a sorte1 e pronunci&o-se depresa1 faz o mesmo soido1 que ,fala4 ,daqui naceo1 aquela p>ticul> t]m9asam em a dos-,portuguezes3 porque com a presa de pronunci>em1 tocam tam de pasagem o o2 que nam se-ouve mais1 que o m3 o qual1 em vez de o-pronunci>em com os beisos fe*ados1 que a sua propria pronuncia2 pronunciam com um soido fanhozo d-n>iz3 que o e/ilo prez5te de pronunci> todo o m f9al1 em ,portugal3 nam av5do aqui m1 que se-pronuncie como deve s]4 ,alemdeque ba/ava alguma reflexam1 p>a conhec] i/o2 a*a-se manife/a razam1 p>a o-p]suadir4 ,a plica ou til1 deve signific> alguma letra3 de outra sorte s]ia sup]flua1 e nam produziria algum efeito4 ,e/a letra s pode s] m1 ou n1 e ambos f9ais3 porque de outra sorte s]a1 ,falamo1 ou ,falano3 o-que nam pode s]4 ,onde fica cl>o1 que ,falam1 uma s9cope de ,falaom3 e que tanto se-pode escrev] um1 como outro4 ,reconhece-se i/o melhor nos-plurais4 v4g4 ,ma1 faz maons3 ,v>a1 v>o5s3 nos-quais decl>adam5te se-ve o m1 ou n1 segundo a pronuncia4 ,e eu creio1 que antigam5te ne/es plurais1 em vez de n1 punham m2 e que a dificuldade de pronunci> o m junto com o s2 ou o som d-n>iz1 que p\co a p\co se-foi introduz9do no-m1 o-conv]teo em n ne/as t]m9aso5s3 pois a9da oje escrev5do-se com um m f9al1 a pronuncia o-faz p>ec]1 como n4 ,o que1 como dise1 um idiotismo p>ticul> dos-,portuguezes4 ,e e/a a razam1 porque os ,e/rangeiros1 nam podem pronunci> bem e/as dez95cias2 que na v]dade sam feias1 e asp]as t]rivelm5te3 porque nam quem lhe-explique1 que o til de a1 um m1 que os ,portuguezes1 por-corrusam1 pronunciam como um n2 nam s no-fim1 mas a9da no-meio das-palavras4 ,reconheci i/o por-exp]i5cia3 pois tantoque dei e/a explicasam a alguns1 e mo/rei o vicio da-l+uagem2 pronunciram melhor1 que os outros4 ,daqui concluo1 que z ditas t]m9aso5s1 a1 e am1 podem-se uz> indif]5tem5te2 vi/oque uma s9cope da-outra3 t5do introduzido o uzo1 nam pronunci> na segunda1 o o4 ,onde dise um erro ,inacio ,g>cez ,f]reira1 e alguns outros1 qu&o quiz]am def5d]1 que e/as dez95cias eram dif]5tes no-soido3 e qu&o ele lhe-*am\1 s9copes das-,ca/elhanas4 ,e nam sei1 se confirma tambem o que ate aqui dise1 v]1 que na ,prov9cia de ,entre ,doiro1 e ,m9ho1 a9da oje se-pronunca1 em muitas de/as palavras1 o o2 pois dizem1 ,tabaliom1 ,escrivom c4 ,mas eu digo mais1 e as5to1 que a9daque uma seja abreviatura da-outra1 emportava muito l+ua ,portugueza1 que se-deitase fra o til1 e a t]m9asam a1 escrev5do-se tudo ext5sam5te3 e uma de duas1 ou que se-escrevese ,falaom2 ou1 abrevi&o1 ,falam4 ,introduzir a primeira escritura1 s]a mais dificultozo2 porque e/es amigos nam qu]em re=mas utis3 e asim s] melhor1 pref]ir a segunda am1 que ja e/ recebida em ,portugal4 ,c]to 1 que qu&o os ,portuguezes escrevem1 a dita t]m9asam am1 pronunciam a3 e tambem c]to1 que muitos om5s d\tos s]vem-se da-primeira t]m9asam4 ,e/e modo de escrev]1 enco/ava-se mais p>a a pronuncia3 e com ele se-evitavam confuzo5s4 s]a tambm a l+ua mais facil de l]1 e pronunci>1 aos ,e/rangeiros3 pois ba/ava adv]tir-lhe1 que entre1 o a e m1 deve-se pr um o1 e pronuncialo depresa4 ,adv]timos porem1 que a9daque os ,portuguezes t5ham1 e/a pesima pronuncia na sua l+ua2 qu&o porem pronunciam a dita t]m9asam am1 no-,latim2 devem pronunciala com os beisos fe*ados1 como em seu lug> adv]tiremos3 poisque a l+ua ,lat9a nam e/ sugeita1 s suas leis4 ,qu]em alguns1 que em ,tempo1 e outras palavras1 em lug> d-m1 se-ponha n1 porque asim soa4 ,cuido1 que dizem mal3 porque a9daque alguns pronunciem o dito m1 como n1 pronunciam muito mal2 pois ne/a voz muito bem se-ouve o m1 e em outras tambem4 ,e a9daque em outras p>tes1 nam seja tam s5sivel o m1 deve cons]v>-se3 pois se ouvesemos de tir> todos os mm1 que nam se-explicam bem1 p\cos mm fic>iam em ,portugal4 ,em ,contigo1 ,consigo c4 podem tiralo4 ,contudo quem o-quizese tir> em todas z outras1 nem por-iso o-cond5>ia como erro4 ,a t]m9asam an1 tambem cauza duvidas1 a muitos ,portuguezes3 e eu julgo1 que nam deve t] n5huma4 ,a*am-se om5s que as5tam1 que nam tal t]m9asam no-,portuguez1 e def5dem i/o1 com muita =sa4 ,se disesem1 que a t]m9asam an1 antigam5te era am1 nam diriam mal3 mas qu]] def5d]1 que oje nam tal t]m9asam1 diz] um erro4 ,di/+uem-se oje os nomes ,fem99os1 dos-,mascul9os1 com e/a t]m9asam4 ,vg4 ,vam1 e ,van3 ,irmam1 e ,irman4 ,nem me-digam1 que o til risco1 e nam letra3 pois ja asima mo/rei1 que o til uma letra2 e que a pronuncia ens9a1 que -de s] n4 ,por-e/a razam concluo1 que s] neces>io1 pr o dito n expreso1 deit&o fra o til4 ,muitos ,portuguezes d\tos seguem e/a op9iam3 os quais rim-se de ,du>te ,nunes1 que qu]ia se-dobrasem os aa1 diz5do ,va1 ,m5ha4 ,sobre o ,p1 ja asima dise1 que nam se deve escrev] ph por-f3 ,agora digo1 que nem m5os se-pode s(r]1 o que muitos fazem1 pr p1 antes de t1 em muitas diso5s4 vg4 ,prompto c4 ,e/a uma afetasam p\co tol]avel3 vi/oque a pronuncia ,portugueza1 tem ja de/]rado e/e p4 ,onde nam a mesma razam d-b1 ou d-g1 ou d-d1 que se-cons]vam nas palavras1 ,obscuro1 ,significo1 ,adv]te3 porque e/e1 ouve-se mui bem3 e o p1 nam se-ouve sem afetasam4 ,e nam falta quem diga1 que nas duas primeiras palavras tem ja introduzido o uzo1 deix> aquelas letras na pronuncia3 o que eu nam cond5o3 como nem m5os cond5o1 quem z-pronunca4 ,pode s] que com o tempo1 se-deixem totalm5te4 ,quim]a por-,*im]a1 def5de ,bluteau1 e alguns outros3 eu julgo1 que sem razam alguma2 s5doque o qui1 tem mui dif]5te pronuncia1 doque a que se-ouve na palavra1 ,*im]a4 ,ja asima dise1 que a quem nam agrada1 escrev] e/as palavras1 por-*1 melhor1 uz> o k dos-,gregos1 doque o qui2 que tem em ,portugal dif]5te pronuncia1 na qual expresam5te se-ouve o u4 ,introduzio o uzo em ,portugal1 dobr> os rr1 qu&o tem pronuncia =te3 e p>ece-me que e/e uzo se-deve obs]v>1 nam faz5do cazo1 d-que aconselham alguns1 que um s r ba/ava4 ,nam poso s(r]1 que o ,bluteau na sua ,proza ,gramatonomica1 queira introduzir1 no-pr9cipio das-palavras ,portuguezas1 o s antes de consoante3 e escrev]1 ,squeleto1 ,spasmo1 ,sc5a1 ,sci5cia c4 ,e/a corresam tam =a d-escolio1 que n5hum ,portuguez1 que nam seja ,lat9o1 sab] pronunci> aquele s1 no-tal lug>3 e o que s\b] ,latim1 s] neces>io1 que pronuncie um e mui r$ondo4 ,a razam di/o 1 porque o s ,portuguez1 que nam f9al1 um v]dadeiro sibilo ou letra sibilante1 que faz ouvir a vogal ou antec$5te1 ou consequ5te4 e asim1 qu]] escrevela sem vogal1 mud> a pronuncia da-letra1 e faz] uma ridicul>ia1 fundada unicam5te em qu]] mo/r>1 que sabe a d]ivasam daquelas palavras4 ,abrasram algumas pesoas cegam5te1 a op9iam d-,bluteau3 mas nem por-iso dam razam1 ou fazem autoridade ne/a mat]ia4 ,onde1 antes de consoante1 nunca se-deve escrev] s simplez4 ,deve-se com cuidado di/+uir o u vogal1 d-consoante v1 ou v1 p>a nam orig9> duvidas4 ,o que muitos nam fazem1 a9da prezados de d\tos3 pois vejo escrituras deles1 que m]ecem compaixam4 ,i/o porem nam s no-,portuguez1 mas a9da no-,latim neces>io3 ,pois a9daque antigam5te1 7que os ,romanos escreviam com letras maiusculas7 todos os vv t9ham a mesma figura3 oje que1 com muita razam1 se-introduzio e/a necesidade1 devemos1 no-c>at] pequ5o1 di/+uir na figura e/as duas letras1 asimcomo z-di/+uimos na pronuncia4 ,e fazem mui bem os ,alema5s1 que1 a9da nas letras maiusculas1 di/+uem o vogal1 d-consoante1 nos-livros impresos4 ,diz ,alv>o ,f]reira ,v]a1 que n5huma disam ,portugueza1 deve acab> em x4 ,muitos porem acabam em x algumas palavras1 e entre elas1 ,felix1 ,simplex c4 ,o que eu sei 1 que a pronuncia ,portugueza acaba em x1 todas z palavras que acabam em s3 qu]o diz]1 que todo o s f9al pronunciam como x4 de que nam qu]o outra prova mais1 que cada um obs]ve1 como pronuncia o s f9al2 e que dif]5sa tem d-s1 que pronunciam no-meio das-diso5s4 ,o que supo/o1 se seja mais util1 acab> em x1 o que se-pronuncia como x1 ou pronunci> dif]5tem5te os ss f9ais2 eu o-deixo consid]> a ,v4 ,p4 ,mas deixemos o s1 na sua pose3 obs]vo1 que nam s o s f9al se-pronunca como x1 mas tambm o z f9al3 o que ,v4 ,p4 pode v] em1 ,diz1 ,luiz1 ,fiz c4 ,e daqui cuido que naceo a facilidade1 de pr o z1 em lug> de s f9al1 naquelas vozes de que se-=mam outras3 como1 ,diz1 dizes2 ,faz1 fazes2 p>a por-e/e meio faz] os plurais1 som5te com acrec5t> es4 ,o que eu nam cond5o1 mas antes aprovo1 e pratco com o exemplo1 e com a razam3 e cuido asim se-deve faz]4 ,ne/a letra digno de at5sam1 o demaziado escrupulo de alguns1 que magi/ralm5te decidem1 que o x tem dif]5te pronuncia d-*1 antes de e1 ou i3 e que erro diz]1 ,xapeo2 mas que se-deve pronunci>1 ,*apeo1 c>reg&o muito no-*1 p>a o-di/+uir d x3 e adv]tem1 que erro da-pronuncia da-,e/remadura1 pronunci> o *1 como x4 ,mas1 sem faz] cazo da-decizam de/es ,s5hores1 julgo1 que devemos cont9u>1 na pronuncia da-,e/remadura4 ,nam digo1 que na escritura conv]tamos o *1 em x3 deixo z coizas como se-a*am3 s digo1 que na pronuncia1 nam dif]5sa entre uma1 e outra letra4 ,em mat]ia de pronuncia1 sempre se-devem pref]ir1 os que sam mais cultos e falam bem na ,e/remadura1 que todos os das-outras ,prov9cias juntas4 ,ora c]to1 que os ditos pronunciam docem5te como um x3 e nem s eles1 mas muitisimos de outras ,prov9cias1 tem a mesma pronuncia4 ,som5te alguma div]sidade a*ei nos-,beir5ses1 que batem mais o dito c1 enco/&o-se pronuncia ,romana d-c4 ,mas seja como =1 e/as nam sam razo5s1 p>a p]suadir um omem1 a que pronuncie o dito *1 dif]5tem5te d-x3 qu&o a pronuncia comua e/ a seu favor3 a qual por-iso mesmo que mais suave1 deve s] pref]ida outra4 ,e saiba ,v4 ,p4 que notei outra coiza1 e vem as]1 que os que qu]em pronunci> o *1 nam como x1 es=sam-se desorte1 que1 na viol5cia comque pronunciam1 mo/ram bem1 que nam esa a sua pronuncia4 ,o diz]1 que se-devem di/+uir na pronuncia1 nem m5os p]suade3 porque eles mesmos admitem que s1 e c1 antes de e1 e i1 pronunciam-se da-mesma sorte3 onde nam tem que se-esc&aliz>4 ,e asim o diz]em eles1 erro1 nam faz =sa3 devemos respond]-lhe1 que eles sam os que erram4 ,advirto porem1 que no-meio das-diso5s introduzio o uzo1 nam pronunci> o x1 como no-pr9cipio2 mas segundo o e/ilo ,lat9o1 como se fose um cs br&o1 toc&o ligeiram5te o c3 v4 g4 em ,reflexam1 ,conexam c4 porque asim mais suave4 mas ,paixam1 a9da se-cons]va em toda a sua =sa2 e nam sei qual outro4 ,o ,y tem tantos apaixonados1 pr9cipalm5te entre os mod]nos ,portuguezes1 que quazi abuzam dele3 e a*am-se livros1 em que sam mais os yy1 que os ii3 especialm5te o ,curvo na sua ,atalaia da-,vida1 e alguns outros4 ,o ,bluteau1 segu9do a ,b5to ,p]eira1 diz1 que se-deve admetir nas palavras1 p>a mo/r> a origem remota delas1 pr9cipalm5te d-,grego c4 ,como se sem e/a noticia1 nam pudesemos sab] ,portuguez6 ,tomra porem que me-disese1 se ,meio1 ,cuidado1 ,saia c4 em que poem o tal y1 tem alguma analogia com a origem4 ,outros dam outras razo5s1 que nam m]ecem reflexam1 nem respo/a3 ,o c]to 1 que e/a vogal antigam5te valia o mesmo1 que o u1 ou t9ha um soido mais semelhante a u1 que a i4 onde se a-quiz]-mos tom>1 no-seu antigo vigor1 f>emos uma voz desemelhante1 que qu]emos pronunci>3 e se acazo deve val] um i simplez1 tomra que me-disesem1 por-qual razam a-poem1 onde nam neces>ia4 ,daqui vem1 que erro escrev]1 ,meyo1 ,ley1 ,hey1 ,rey c4 tudo i/o se-deve escrev] sem y1 porque nam sam nomes ,gregos1 mas puros ,portuguezes4 ,onde nam s os ,portuguezes1 mas os mesmos nomes ,gregos1 qu&o e/am bem aportuguezados1 como ,idropezia1 ,ulizes c4 se-devem escrev] sem y4 ,confeso1 que nam pude s(r] o ,bluteau1 o qual1 segu9do ao ,p]eira1 qu]1 que a vogal i nam seja sufici5te1 p>a faz] ditongo com a1 diz5do1 ,pai1 ,dai1 c4 mas que seja de necesidade pr o y1 p>a o ditongo4 ,e/e p>ec] nam necesita de confutasam3 pois quemqu] conhece1 que com ai1 se-pronunca1 da-mesma sorte que ay3 onde o uzo s]ve de respo/a2 e nam temos necesidade d-y1 p>a faz] o mesmo1 que fazemos com o i4 ,paso daqui ao ,z1 aquela letra desgrasada1 que teve a infelicidade de dezagrad>1 maior p>te dos-escritores ,portuguezes de/e seculo3 os quais nam s a-desprezram1 p>a introduzir em seu lug> o s2 mas alguns deles com decreto as5tram1 que se-devia de/]r> d-meio das-diso5s1 e prov] o seu lug> no-s4 ,e/es ,s5hores escrevem quazi tudo com s4 ,a*> ,v4 ,p4 em alguns dos-bem mod]nos 99 99 99 ,cez>1 ,faz]1 ,quiz]am1 ,miudeza1 ,r$uzir1 ,faz5da c4 tudo escrito com s4 ,entre eles a*ei um1 de mui boa fama1 que em uma orasam 99 99 escreve1 ,alteza1 ,sol5izado com z3 e p\co abaixo1 ,usurpram1 ,lisonja com s4 poem ,riqueza1 e logo ,lum9oso1 ,pr(usam4 poem ,fazem1 e logo ,religioso4 ,emfim a maior p>te de/es mod]nos d\tisimos escrevem1 ,alteza1 ,luzes1 e outras p\cas palavras com z3 e tudo o re/ante1 em que devia entr> o z1 vai com s4 ,o ,vieira1 e outros1 que nam admitem tantos ss1 contudo em algumas diso5s seguem o mesmo1 e escrevem vg4 ,brazil1 com z1 e ,reside1 com s4 ,mas eu creio1 que neces>ia mui p\ca m$itasam p>a conhec]1 que todos e/es erram4 ,os ,portuguezes tem a pronuncia d-z asp]isima3 que creio lhe-fic\1 da-comunicasam com os ,moiros1 e ,arabios1 que abundam muito diso3 e eu a*o em ,portugual1 muitos vocabulos de/as ,naso5s4 ,onde t5do o s1 e z1 dif]5tisimas pronuncias1 erro sem desculpa1 pr o s1 em lug> d-z1 qu&o e/e deve t] toda a sua =sa1 como no-pr9cipio1 ou meio das-diso5s4 ,dezafio todos os ,portuguezes1 p>aque pronunciem e/as palavras dif]5tem5te1 vg4 ,luzes1 e ,lizonja2 ,abrazado1 e ,plauzivel2 ,riqueza e ,religiozo4 nam av] algum que se-atreva a diz]1 que nas primeiras se-ouve z1 e nas segundas s3 mas em ambas z p>tes se-ouve um z mui gr&e1 e gordo4 ,s5do pois e/a pronuncia p>ticul> na l+ua ,portugueza1 a*a ,v4 ,p4 que se-pode s(r]1 de/]r> todos os zz1 p>a introduzir uma letra1 que soa dif]5tem5te8 a i/o *amo eu de/ruir1 nam em5d>1 a boa ,ortografia4 ,alem diso1 eu a*o em ,portugal motivo1 p>a diz] o contr>io4 ponhamos exemplo ne/as duas palavras1 ,azeite1 e ,aceite2 ou tambem1 ,razam1 e ,raam4 ,n+uem dir1 que e/as duas palavras soam da-mesma sorte3 porque em tal cazo nam av]ia motivo1 p>a z-di/+uir na pronuncia4 todos tambem conhecem1 que o c1 com c$ilha 1 antes de vogal1 pronuncia-se como s2 e que por e/a razam muitisimos ,portuguezes indif]5tem5te uzam delas4 ,daqui pois segue-se1 que se z1 se-deve pronunci> como s1 os ditos p>es de vocabulos devem pronunci>-se da-mesma sorte4 ,mas sem eu p]gunt> i/o a om5s d\tos1 mas som5te ao leigo da-coz9ha de ,v4 ,p4 sei que me-respond]1 que ,razam1 e ,raam1 sam coizas mui dif]5tes3 ,azeite1 e ,aceite1 nam m5os3 ,e asim nam t5ho lug> de duvid>1 que1 pronunci&o-se dif]5tem5te1 devem tambem escrev]-se1 com letras dif]5tes4 ,se conc$em1 que o z se-deve cons]v>1 em algumas vozes1 como todos conc$em2 que razam 1 p>a o-nam-cons]v> nas outras8 ,se dizem1 que o dito s se-deve pronunci> como z1 m]ecem rizo qu&o qu]em pr aquele por-e/e4 ou deitem fra e/a letra d-alfabeto2 ou escrevam-na onde deve entr>4 ,faz] o contr>io1 de/ruir a pronuncia da-l+ua1 ou batiz> de novo z letras4 ,som5te porei z em lug> de s1 no-fim de algumas diso5s1 de que se-=mam outras1 como asima dise3 porque o uzo introduzio e/a pronuncia d-z1 semelhante ao s4 o que suspeito que provm de uma ,apocope1 que se-a*a nas tais palavras3 e que antigam5te despois d-z se-punha uma vogal3 como exemplo em muitas l+uas1 e tambm na ,portugueza4 ,l5do eu a e/e int5to o ,bluteau nos-opusculos1#i fiquei confirmado1 que p\cos om5s p5sam bem1 a9da dos-que tem bom nome4 ,confesa1 que muitos eram de p>ec]1 que s'escrevese ,filoz(ia1 sem ph3 e que sempre se-avia de seguir a pronuncia1 pois era e/a a maior excel5cia d-,portuguez2 no-qual z letras dobradas eram inutis4 ,que de/a op9iam era ,du>te ,nules de ,leam1 ,joam de ,b>ros1 nas suas ,ortografias2 e outros muitos autores1 que escrevram da-l+ua4 ,contudo diz1 que na ,academia d-,ericeira se-as5tra1 que nem sempre se-devia escrev] como a pronuncia3 ,mas aqueles nomes que conhecidam5te enc]ravam orig5s sem corrusam1 s'escrevesem como na sua etimologia1 qu&o z letras nam fosem como a pronuncia3 e asim ,coro1 e nam ,*oro3 ,mon>quia1 e nam ,mon>*ia3 ,e que os zz s'evitasem muitas vezes1 s]v9do-se d-s4 ,confeso a ,v4,p4 que nam pude l] i/o sem rizo4 ,eu nunca li z obras d-,leam1 ou ,b>ros1 nem me-cansei em buscalas3 mas agora fico =m&o melhor conceito deles4 ,polo contr>io nam sei1 quais eram os votantes na dita conf]5cia3 porem olh&o p>a o que as5tram1 =mo mao conceito d-seu juizo3 pois conhec5do a razam1 e t5do bons autores1 que os-apadr9hasem2 a9da asim quiz]am seguir os prejuizos e preocupaso5s que mamram1 som5te por-s]em antigas4 ,i/o c]tam5te nam em5d> a ,ortografia4 ,o pior 1 que o ,bluteau conhec5do i/o mesmo1 como em algumas p>tes confesa1 deixa-se gui> da-corr5te4 ,asima mo/rei1 que ,mon>*ia1 deve-se escrev] com *1 vi/oque asim escrevem ,ar*anjo os contr>ios c4 e nam tem divesa razam1 sem cairem em uma sup]fluidade4 ,dev5do pois de/]r> o *1 melhor s]vir-se de k2 mas nunca de q4 ,o mais tambem ja fica adv]tido4 ,c]tam5te que o diz] o ,bluteau1 que nos-nomes se-deve obs]v>1 a ,ortografia da-d]ivasam1 como em ,philosophia c4 porque de outra sorte nam se-sab]m busc> nos-,dicion>ios2 reflexam que m]ece rizo3 porquanto z d]ivaso5s1 s z-procuram os d\tos3 e e/es bem z-sabem4 os ignorantes1 nem asbuscam1 nem necesitam de buscalas1 a9daque queiram fal>1 e escrev] puram5te4 ,at aqui t5ho feito algumas reflexo5s1 pr9cipalm5te sobre z coizas1 que se-devem deix>3 agora f>ei outras1 sobre z que se-devem acrec5t>4 ,nam cuide ,v4 ,p4 que e/as sam de m5or mom5to ne/a mat]ia3 antes muitas vezes delas dep5de o aum5to1 a pureza1 e elegancia da-l+ua4 ,ponho em primeiro lug> os ,ac5tos3 que creio1 sam indisp5savelm5te neces>ios1 p>a di/+uir muitas palavras4 ,nam podemos sem eles sab]1 se ,am>a1 pret]ito1 ou futuro3 e damesma sorte em outras muitas palavras4 ,tambem p>a di/+uir os ,nomes1 dos-,v]bos1 vg4 ,pronuncia nome1 de ,pronunca v]bo4 ,asimque e/e deve s] todo o cuidado dos-me/res3 que devem adv]tir aos discipulos1 em que p>tes se-devem pr1 p>a bat] com mais1 ou m5os =sa z vogais1 e di/+uir os tempos1 e z vozes3 vi/oque os ,portuguezes nam tem letras dobradas1 que antigam5te s]viam a outros1 p>a mo/r> z dif]5tes pronuncias4 ,porque eles com z dobradas1 pronunciavam dif]5tem5te3 e os ,portuguezes1 tir&o em p\quisimas palavras1 pronunciam como se e/ivese uma simplez letra4 ,nam ignora ,v4,p4 que z virgulas1 pontos1 e dois pontos1 =am inv5tados1 p>a di/+uir melhor o discurso4 ,e/e um dos-defeitos da-antiga escritura1 que t9ha p\cos s9ais de/es3 e por-iso s vezes bem embrulhada4 ,muitas vezes v] ,v4,p4 um ponto1 despois de cada palavra3 o que faz gr&isima confuzam4 ,outras vezes1 o lug> em que punham o ponto1 mo/rava a div]sidade da-pontuasam3 qu]o diz]1 que o polo na cabesa1 ou no-corpo1 ou no-p da-letra1 mo/rava que era virgola1 dois pontos1 e ponto4 ,e como nam temos docum5tos bem cl>os1 a9da oje v>eiam muito os ,gramaticos no-det]m9>1 qu&o era ponto1 e qu&o virgula c4 ,com efeito eu vi uma lapide antiga1 na qual os pontos todos e/avam em um mesmo sitio1 no-corpo das-letras3 o que aum5tava a confuzam4 ,os ,mod]nos mais adv]tidos inv5tram e/es div]sos s9ais1 p>a nam nos-engan>-mos nas pauzas1 e no-s5tido d-discurso4 ,mas a9da ni/o proc$ram devag>3 e eu vi livros impresos nos-primeiros tempos1 qu]o diz]1 nos-f9s d-seculo ,,xv4 e pr9cipios d-,,xvi4 nos-quais nam avia mais que virgulas1 e todas damesma figura3 o que aum5tava s5sivelm5te o emb>aso3 s5do neces>io um gr&isimo e/udo1 p>a di/+uir os s5tidos4 ,e i/o se-pratca a9da oje nos-orig9ais das-,bulas ,romanas1 escritos sem virgulas1 nem pontos3 os quais quem nam pratico dos-e/ilos da-,dat>ia1 nam pode l]2 nam s polo c>at] ,gotico1 mas pola ,pontuasam4 ,os ,mod]nos evitram i/o1 com a dif]5sa de figuras4 ,onde s5do os ,ac5tos1 os que tiram a confuzam pronuncia1 e ens9am1 como se-devem di/+uir z p>tes d-discurso2 valem inf9ito preso1 e devem pratic>-se com cuidado4 ,nam digo1 que escrupulozam5te pratiquemos z trez sortes de ac5tos3 pois nem os mesmos ,romanos se-s]viam muito d-circumflexo1 que com o tempo p]dram4 ba/a uz> d-agudo1 que se-escreve asim 77 p>a bat] mais z silabas3 d-grave ne/e modo 77 p>a z p>ticulas1 que se-tocam m5os3 em algum cazo quem quizese podia pr o circumflexo sobre o 1 p>a d> lug> ao ponto desima4 ,ifto o que ba/a4 ,aos ac5tos seguem-se z l9has1 que se-escrevem entre z diso5s1 p>a z-junt>1 ou dividir na pronuncia4 ,os ,ebreos tambem t9ham e/as l9has1 e alguns ,povos ,europeos4 ,algum ,portuguez a-uza4 mas s]a ju/o que a-uzasem mais1 e com regras det]m9adas3 pois ajuda muito a pronuncia1 e di/+ue muito z diso5s1 pr9cipalm5te z compo/as4 ,julgo1 que se-deve uz> naquelas1 que compoem duas palavras p]feitas1 que co/umam e/> s vezes sep>adas4 v4g4 ,fazemos-lhe1 lhes-fazem1 nos-dizem1 dizem-no c4 ,com i/o se-mo/ra1 qu&o os ,pronomes unem com os ,v]bos1 nam s no-s5tido1 mas na pronuncia3 e f9alm5te1 qu&o muitas diso5s na pronuncia compoem uma4 ,deve-se tambem pr entre a ,p>ticula se1 qu&o ,pronome1 e o ,v]bo4 v4g4 ,se se-fiz]4 o primeiro se1 ,conjunsam condicional3 o segundo1 ,pronome1 e une com o ,v]bo4 ,onde a dita l9ha de gr&e utilidade1 p>a mo/r> z palavras1 que devem pronunci>-se unidas4 v4g4 o ,nos1 algumas vezes ,nom9ativo1 ,ns fazemos2 e pronuncia-se sep>ado1 e com ac5to =te3 outras vezes ,cazo1 v4g4 nos-fazem3 o que se-di/+ue mui bem com a dita l9ha4 ,tambem s vezes s]ve1 p>a di/+uir os tempos4 v4g4 ,amse pret]ito1 e ,ama-se prez5te1 com e/a l9ha se-di/+uem3 porque e/a sep>asam de vozes mo/ra1 que1 qu&o *egamos ao a1 deve corr] a pronuncia1 p>a apanh> o se3 que o mesmo que diz]1 deve nam p>> no-a1 nem c>regalo3 no-que se-di/+ue o tempo4 ,sei1 que com os ac5tos se-podem di/+uir e/as coizas1 digo1 e/e ultimo cazo2 e por iso digo1 que ou uma1 ou outra coiza se-deve pratic>3 a9daque eu1 por-int5d] que sam neces>ias1 pratco ambas4 ,quanto ao se1 nam s deve t] l9ha1 qu&o se-une im$iatam5te ao ,v]bo1 mas tambem qu&o s'int]rompe com a ,p>ticula negativa4 v4 g4 se-nam-faz1 qu&o vale o mesmo que1 nam se-faz4 porque a9daque a ,p>ticula p>esa que sep>a2 contudo no-dito cazo a negasam unida ao ,v]bo1 e faz com ele um s corpo1 e s5tido3 damesma sorte que entre os ,lat9os1 a p>ticula 9 unida aos ,v]bos4 ,onde a sep>asam1 som5te quanto vi/a3 e z duas l9has ens9am1 que se-deve pronunci> tudo1 como uma s palavra4 ,s]ve s vezes a dita l9ha nam s p>a unir z palavras1 que ese o seu pr9cipal fim2 mas p>a evit> os equivocos4 ,e asim poem-se na ,p>ticula ,por1 qu&o significa cauza c4 p>a di/+uila d-,v]bo ,pr4 tambem nas ,p>ticulas no1 d1 da1 p>a z-di/+uir dos-,su/antivos n1 e d1 e d-,v]bo d1 ou ds4 ,em todas e/as1 e outras semelhantes1 milita a mesma razam4 nas quais porem s] ju/o pr ac5to1 qu&o deve s]4 ,em outras p>tes t5ho vi/o uz> e/as l9has1 que nam me-p>ecem de tanta necesidade4 v4g4 ,fazemos3 que algum d\to escreve3 ,faze-mos3 ou tambem qu&o uma consoante se-conv]te n'outra1 p>a evit> o concurso de muitas vogais3 v4g4 ,faz-la1 ,am-la1 que vale o mesmo que1 ,faz]-a1 ,am>-a4 ,mas ne/as primeiras pesoas d-plural p>ece escuzada1 porque se-int5dem muito bem1 e e/am muito em uzo4 ,e o mesmo julgo1 dos-segundos exemplos3 muito mais porque ne/as em que vai ,la1 muitas nam se-a*am sep>adas s vezes1 v4g4 ,qu]e-la c4 ,mas quem ne/es segundos exemplos ateimse a praticala1 nam f>ia erro4 ,o que porem me-p>ece afetasam 1 qu]] sep>> e/a voz ,m5te1 dos-nomes com que faz ,adv]bio3 ,pia-m5te1 ,antiga-m5te c4 ,na pronuncia de/as diso5s1 nam pode av] engano3 e quem z-sep>a1 int5de mal z coizas4 ,podem opor-me uma dificuldade1 vem as]1 qu&o se-dividem z palavras no-fim das-regras1 como -de conhec] quem copeia1 se na segu9te regra deve pr a palavra inteira1 ou com a dita l9ha4 ,mas a i/o respondo1 que se-conhece muito bem de/e modo3 se z palavras se-dividem por-necesidade da-regra1 poem-se no-fim duas l9has asim 3 qu&o se-dividem na divizam da-l9ha1 ba/a pr uma s l9ha4 ,primeiro exemplo asim3 ,fazia3 segundo exemplo3 ,faz-me4 ,se no-fim da-regra se-a*a o ,fa com duas l9has1 s9al que na impr5sa1 ou copia deve s] inteira a disam3 se tem s uma l9ha1 suc$5do fic> toda a disam na segu9te regra1 deve t] tambem a l9ha3 e i/o facil de pratic>4 ,creio que s] mui ju/o1 introduzir na l+ua ,portugueza1 os ,apo/r(es3 que sam umas virgulas1 que se-escrevem no-alto de uma consoante antes da-vogal segu9te2 p>a mo/r>1 que falta uma vogal1 e que a consoante se-deve unir na pronuncia1 com a vogal da-segu9te disam4 ,digo na proza1 porque no-v]so o ,camo5s1 e outros ja os-introduzram4 ,os nosos ,italianos introduzram os ,apo/r(es1 p>a abrevi>em z diso5s3 vi/oque1 com5do-se z ditas vogais na-pronuncia1 sup]fluo escrevelas3 ba/&o ali pr o s9al1 de que dev]iam e/>4 ,o mesmo fazem os ,francezes3 e cuido que1 sem alguma c5sura1 o-podem introduzir os ,portuguezes4 ,onde s] p]metido escrev]1 ,amor d' ,antonio3 ,cam d'agua c4 ,a razam di/o 1 porque ou na proza1 ou no-v]so nam se-faz cazo daquela primeira vogal3 e asim podemo-nos disp5s> de a-escrev]4 ,em #b4 lug>1 porque nam se-p]de com i/o o s5tido1 nem se-faz equivoco4 ,em #c4 porque faz a pronuncia mais doce4 o que pr9cipalm5te se-conhece1 qu&o z vogais sam semelhantes3 no-qual cazo pronunci> dois ee1 ou dois aa1 asp]o1 e cansa4 ,asim cuido1 que ne/e cazo1 neces>io2 nos-outros1 mui agradavel o ,apo/r(e4 ,nem i/o tam novo em ,portugal1 que nam se-a*em ve/igios de/a uniam na pronuncia3 antes nam coiza mais frequ5te4 ,consid]e ,v4,p4 e/as palavras1 ,de/e1 ,daquele1 ,damesma1 e outras semelhantes2 e v] nelas o que digo4 ,antigam5te escrevia-se1 ,de e/e1 ,de aquela1 ,de a mesma c4 o que facilm5te alcansa quem consid]a1 o que vale aquele d1 e com que motivo se-introduzio4 ,mo/r\ a esp]i5cia1 que1 pronunci&o e/as p>ticulas sep>adas1 ficava asp]a a pronuncia3 e asim deit>am-nas fra at da escritura4 ,o que supo/o1 o que eu aconselho 1 que pratiquem com z outras diso5s1 que se-unem na pronuncia1 o mesmo que tem praticado com e/as3 e que em ambas z p>tes ponham o ,apo/r(e1 p>a mo/r> a vogal que falta2 e com i/o ens9> melhor a compozisam das-diso5s1 sabelas conhec]1 e busc>4 ,apo/>ei eu1 que de dezmil om5s ,portuguezes1 a um s nam veio nunca imag9asam1 que ,de/e c4 compo/a de ,de1 e ,e/e4 ,proguntei i/o a alguns1 e nam me-s\b]am respond]3 e contudo s]viam-se indif]5tem5te de/es t]mos4 ,eu t]ia uzado mais amiudo dos-,apo/r(es3 mas como a9da nam e/am bem introduzidos1 temo que me-nam-int5dam4 p\co a p\co devemos aco/umalos a i/o4 ,outra coiza t5ho que repre5d]1 na maior p>te dos-,portuguezes1 e vem as]1 que dividem muitas diso5s1 que deviam e/> juntas4 ,vg4 escrevem1 ,a9da que1 ,p>a que1 ,com que1 ,por que1 e outras conjunso5s semelhantes4 ,mas erram1 porque aquelas palavras qu&o se-seguem umas a outras1 devem e/> unidas1 e fazem uma s palavra3 e at i/o pode s] neces>io1 p>a fugir de equivocaso5s4 ,se eu dis]3 ,p>a que omem me-m&a6 ,com que razam me-p]suade6 ne/e cazo o que1 ,relativo4 e deve e/> sep>ado4 ,mas qu&o significa o mesmo1 que etsi1 ut1 igitur1 quia1 como nas quatro asima apontadas2 deve e/> junto3 o que s]vir muito1 p>a os-di/+uir ambos4 ,i/o mesmo praticram os ,romanos4 ,attam51 ,et5im1 sam compo/os de ,at1 tam52 ,et1 enim4 ,quamobrem compo/o de trez diso5s1 n5huma das-quais ,adv]bio3 e contudo juntas fazem de muitos nomes um4 ,e i/o mesmo devem faz] os ,portuguezes ne/as diso5s indecl9aveis3 e a9da algumas vezes nas decl9aveis1 que se-unem com o ,articulo c4 o que o uzo ens9>2 e a pratica dos-om5s d\tos confirm>4 ,tambem sobre os ,plurais s]a neces>io1 e/ablec] um uzo con/ante4 ,o ,p4 ,b5to ,p]eira diz1 que o plural de al1 ais1 e nam aes4 e p>ece que tem razam2 porque a pronuncia mo/ra um i1 e nam um e4 ,mas ni/o tanta v>i$ade1 que uns escrevem ais1 outros aes3 e o pior 1 que o mesmo escritor s]ve-se s vezes1 d'ambas z t]m9aso5s4 ,um de/es o ,bluteau3 que1 t5do aprovado na ,proza ,gramatonomica a op9iam d-,p]eira1 contudo escreve ,misaes1 e outros plurais semelhantes4 ,mas ja adv]ti1 que o ,bluteau incon/ante na ,ortografia4 ,mais controv]sos sam1 os que acabam em er1 como ,*ancel]1 cujo plural qu]em muitos que seja ,*anc]eis3 e ni/o tropesa muita g5te boa4 ,cuido1 que mais proprio1 e mais *egado analogia1 ,*ancel]es3 e asim todos os mais4 ,damesma sorte ,almisc>1 deve faz]1 ,almisc>es4 ,tambem mui duvidozo o plural de ,simplez1 como tambem ,feliz4 ,muitos escrevem o primeiro com x1 em ambos os num]os3 o que aum5ta a confuzam4 ,outros escrevem no-s+ul>1 ,simplice3 que p>ece afetasam v]gonhoza4 ,ou acabe em s1 ou z no-s+ul>1 o plural deve acrec5t> som5te um es3 v4g4 ,simpleses1 ou ,simplezes4 ,o mesmo digo1 dos-que afetam diz] no-s+ul>1 ,felice1 e plural ,felices4 ,digo1 que no-s+ul> deve-se diz] ,feliz1 ou com s1 ou z2 e no-plural ,felizes3 e asim dos-mais4 z palavras ,indice1 e ,index1 ja oje se-recebem indif]5tem5te em ,portugal4 ,que ,brazil1 fasa ,brazis1 e/ muito bem3 mas que ,malsim1 ,beleguim1 fasam ,malsis1 ,beleguis1 como qu]em alguns2 contra a pronuncia boa1 que mo/ra um n mui cl>o4 ,e asim e/es em im1 devem acab> em ins1 ,mals9s4 ,os outros plurais em aons1 a5s1 e o5s1 facil det]m9alos2 adv]t9do z anomalias que se-a*am nas tais regras1 que nam sam p\cas4 ,mas nam pra a qui a re=ma3 deve-se d> um paso mais adiante1 e acrec5t> muita coiza1 em que defeitoza a l+ua ,portugueza4 ,consi/e a primeira1 em adot> algumas palavras ,e/rangeiras1 p>a explic> melhor o que qu]emos4 ,nam a*o em ,portugal palavra1 que explique a idea que =mam os nosos ,italianos1 7e a9da os ,francezes7 qu&o pr(]em e/a palavra1 ,p5so3 diz5do1 ,um omem que p5sa bem3 ,que p5sa mal c4 ,diz]1 ,ajuiz>1 nam explica3 porque ajuiz> uma especie de ,p5s>2 mas nam compre5de tudo quanto diz1 ,p5s>4 ,nem m5os s]ve1 ,consid]>3 porque consid]> o mesmo que ,m$it>1 ,exam9> uma mat]ia2 e ,p5s> diz mais4 ,um meu amigo1 p>a dezat> e/e n1 s]vio-se de ,p5sam5te>3 mas p>ece afetado4 mais proprio e natural1 s]vir-se d-,v]bo ,p5s>1 que compre5de todas z op]aso5s d-int5dim5to4 ,onde1 diremos que um omem ,p5sa bem1 qu&o se-s]ve de todas z qualidades da-m5te ou int5dim5to1 como deve s]4 ,a mesma dificuldade pode nac] em outras palavras4 ,aqui confundem ,iuizo1 e ,int5dim5to3 s5do coizas muito dif]5tes4 porque cada nome de/es di/+ue uma p>ticul> faculdade da-alma1 e/a de int5d]1 aquela de julg>4 ,a e/as duas unem outras duas1 ,+5ho1 e ,tal5to3 z quais nam s sam dif]5tes das-ditas1 mas entre si4 ,+5ho1 som5te explica a facilidade que temos1 p>a unir dif]5tes ideias1 de um modo que eleve4 ,tal5to1 significa a capacidade tanto de int5d]1 como de julg>1 e discorr]4 ,s]a bom1 que se-di/+uisem e/es significados1 e se-explicasem aos rapazes1 p>a nam confundir z palavras4 ,p>ece-me1 que p>a explic> aquilo1 a que os ,lat9os *amam1 ,m5s1 ,intellig5tia1 e algumas vezes ,intellectus1 se-podia adot> em ,portugal a palavra ,m5te1 como fazem os nosos3 a qual explica melhor tudo4 ,o uzo tem introduzido1 que ,int5dim5to seja s9onimo de ,m5te4 ,a e/as se-podiam ajunt> outras muitas palavras ,e/rangeiras1 que explicam melhor o que se-qu] diz]2 pr9cipalm5te qu&o se-trata de ,artes e ,ci5cias3 cujos t]mos neces>io uz>1 mas com cautela4 ,nam digo1 que se-devam adot> cem mil t]mos ,lat9os1 que no-,portuguez sam inutis3 antes cond5o i/o muito em ba/antes ,portuguezes1 que en*em os seus escritos1 de mil palavras ,lat9as sem tom nem som1 som5te p>a p>ec]em eruditos4 ,e/e aquele vicio dos-p$antes ou ignorantes1 a que os nosos *amam1 ,p$ant]ia4 ,o que digo 1 que nam av5do t]mo proprio em ,portuguez1 se-pode1 e deve busc> fra3 e muitas vezes pode-se busc> fra1 nam tanto por-preciza necesidade1 quanto p>a maior ornato da-l+ua3 aqual ju/o que nam seja tam pobre1 que nam t5ha algumas ocazio5s dois ou trez s9onimos1 p>a explic> z mesmas coizas3 outras vezes p>a ados> a pronuncia asp]a de algumas vozes antiquadas3 e faz] seja mais bela1 e mais suave a l+ua mat]na4 ,mas aqui que e/ o juzo1 em sabelos adot> sem afetasam4 ,porei um1 ou dois exemplos4 ,em ,portugal nam nome proprio1 p>a nomi> aquele criado de libr1 que acompanha seu amo a p viz9ho c>ruagem1 ou cavalo4 ,os nosos ,italianos explicam i/o com uma palavra1 ,/affi]e1 ou ,palafr5i]e4 ,porque nam uz>emos de/es t]mos em ,portugal8 ,*amamos aqui ,letrado1 ao que advoga nas cauzas3 *amamos aos om5s d\tos1 ,letrados4 ,mas i/o uma impropri$ade4 ,letrado1 ,d\to1 ,erudito1 ,sabio1 sam s9onimos1 mas de significasam mui g5]ica4 ,aos que advogam1 deviam *am> ,advogados3 que o seu nome proprio1 a9da na l+ua ,lat9a1 como diz ,qu9tiliano1 e ,asconio3 ,advocatus1 i4 e4 ,patronus1 ,caussidicus4 ,adotram os ,portuguezes e/as palavras1 ,b]l9da1 ,paquebote1 ,e/ufa1 ,sege c4 p>a di/+uir z dif]5tes sortes de c>ruag5s de que uzam3 mas podiam adot> muitas mais3 av5do aqui outras c>ruag5s1 que nam tem nome proprio1 que em outras p>tes o-tem4 ,z artes ,lib]ais1 ,ci5cias c4 trat&o-se em ,portuguez1 devem t] os seus nomes ,e/rangeiros1 mas aportuguezados4 ,f9alm5te1 se eu ouvese de escrev] tudo1 o que me-ocorre ne/a mat]ia1 f>ia um groso volume3 e asim cont5to-me1 de apont> e/es exemplos4 ,o que encom5do muito 1 que com e/e pretexto1 nam nos-en*am a l+ua de ,lat9ismos1 ,francezismos1 e ,italianismos1 como entre outros fez ,inacio ,g>cez1 nas ,notas ao ,camo5s4 ,s]a mui util1 que os om5s d\tos introduzisem uma t]m9asam c]ta1 em todos os ,patronimicos de ,prov9cias c4 no-que falta muito a l+ua ,portugueza4 ,a um omem das-,prov9cias1 *amam ,alg>vio1 a outro ,alemtejam1 a outro ,m9hoto1 ,beiram c4 ,e a9da e/es nomes nam sam g]alm5te1 e b5ignam5te recebidos2 porque se-reputam injuria4 ,mas o pior 1 qu&o pasamos aos ,patronimicos de ,cidades2 comum5te nam se-a*am3 mas dizem3 ,um omem d',evora3 ,um d',elvas c4 ,ne/e cazo p>ece licito1 faz] nomes novos1 e diz]1 ,evor5se1 ou ,ebor5se1 ,coimbr5se1 ,portu5se c4 ,e o mesmo dos-outros antec$5tes3 os quais podem t]m9>-se em duas maneiras3 v4g4 ,alg>vi5se1 ou1 com outra dez95cia ,romana1 ,alg>viano3 ,alemtej5se1 ,al5tejano3 ,beir5se1 ,beirano c4 ,nos-nomes de ,prov9cias ,ultram>9as1 deve-se obs]v> o mesmo4 v4 g4 ,brazile5se c4 ,insol5se1 ,indiano c4 ,em todo o cazo porem1 tanto na introdusam de nomes novos1 como na pronuncia dos-antigos1 sempre se-deve cuid>1 em ados> a pronuncia1 e fazela1 quanto mais pud] s]1 facil4 ,ni/o pois muito que cond5> em ,portugal1 pr9cipalm5te ne/es mod]nos eruditos2 que1 qu]5do p>ec] elegantes1 e mui v]sados na sua l+ua1 e orig5s dela2 dizem coizas1 que uma pi$ade ouvilos4 ,v4g4 ,escrevem1 ,volumozo3 s5do ,volum9ozo muito mais suave1 e mais *egado analogia ,lat9a4 ,dizem1 ,exceptas3 s5do mais natural ,excetuadas1 que vem d-,v]bo ,excetu>1 que mui ,portuguez3 qu&o polo contr>io nam a*o nela1 o v]bo ,except>4 ,dizem1 ,eregia3 que (5de os ouvidos com a pronuncia3 s5do melhor ,erezia1 que mais doce e nem por-iso m5os con=me ao ,latim4 ,dizem1 ,pesoa comum3 que uma v]dadeira ridicul>ia3 porque a9daque a palavra comum1 signifique coiza de muitos2 deve t] z suas duas t]m9aso5s em ,portuguez1 asimcomo tem no-,latim1 em que explica dif]5tem5te o ,neutro3 e o sup]lativo ,communissimus1 tem trez mui r$ondas4 ,onde deve diz]-se1 ,coiza1 ou pesoa comua c4 ,f9alm5te1 7deix&o por-agora outras re=mas de/es escrupulozos7 nto que escrevem ,pai1 ,mai1 ou com y1 ou com i4 ,quanto ao primeiro concordamos3 mas nam no-segundo3 porque na pronuncia ouve-se um e1 e n mui r$ondo3 e asim deve escrev]-se ,ma51 porque asim pronunciam os om5s de melhor d\tr9a4 ,nem vale o diz]1 que com i/o se-con=mam mais1 com outras semelhantes palavras ,portuguezas3 porque1 como ja dise1 o uzo1 fundado sobre a pronuncia mais doce1 faz lei ne/e p>ticul>#aj4 ,tambem eles dizem ,catam1 ,v>ram c4 e no-mesmo tempo dizem ,cic]o1 ,pollio c4 e nam ,cic]am1 ,polliam c4 s5do a mesma razam4 ,no-mesmo ,latim1 ou ,italiano vemos1 que uma palavra se-pronunca de um modo1 e outra1 que vem damesma origem1 dif]5tem5te4 o que ,v4 ,p4 pode v] nos-livros de ,cic]o1 que apontei asima1 que traz exemplos de tudo3 por-nam cit> agora exemplos vulg>es1 que sam muitos4 ,asim as5to1 que1 com e/a regra diante dos-olhos1 que se-deve em5d> e re=m> a l+ua4 ,mas o que me-d mais vontade de rir 1 v] z cautelas que praticam1 p>a diz]em1 ,porco4 ,uns dizem1 o ,gado mais asqu]oso3 outros dizem1 ,c>ne su9a3 e l\vam muito i/o em alguns antigos escritores4 ,tudo pu]ilidades4 ,porco nam palavra obc5a3 dizem-na os ,lat9os1 e os nosos ,italianos diante d-,papa4 ,antes creio que asqu]ozo1 traz a memoria nam s coiza suja1 como o porco1 mas coiza que volta o e/omago4 ,e/as delicadas orelhas pronunciam1 sugidade1 escrem5to1 lesmas1 ratos1 p]sevejos1 piolhos1 pulgas1 e outras coizas imundisimas sem dificuldade3 e a*am-na gr&e em pronunci>1 ,porco4 ,que lhe-p>ce a ,v4 ,p4 a esquipasam8 ,f9alm5te devo adv]tir a ,v4 ,p4 que e/es seus nacionais1 a9da fal&o1 pronunciam mal muitas letras no-meio2 mas pr9cipalm5te nos-f9s das-diso5s4 ,v4g4 e f9al1 pronunciam como i3 como em ,de-me1 ,pos-me c4 todo o o f9al1 acabam em u3 v4g4 em ,tempo1 ,como1 ,buxo c4 cujos nomes quem qu] pronunci> ,portugueza1 deve acab> em u4 todo o m f9al1 e no-meio1 como n4 todo o e antes de a no-meio da-disam1 pronunciam como se-fose um tritongo4 v4g4 ,cea1 ,vea3 que pronunciam ,ceia1 ,veia3 namob/anteque na escritura1 comum5te nam ponham o i4 ,e ni/o m]ecem rizo alguns ,portuguezes1 que nas suas ,ortografias impresas ens9am1 que na l+ua ,portugueza se-devem pronunci> algumas letras1 a9daque nam e/ejam escritas3 e que umas letras devem pronunci>-se por-outras2 v4g4 a*&o-se ,outo ,d\s c4 se-deve pronunci> o u1 como i4 ,i/o1 como digo1 qu]] confirm> os rapazes1 nos-seus erros4 ,dev]iam polo contr>io diz]1 que1 pronunci&o-se o i em ,cea1 se-deva escrev] tambem com i1 p>a se-con=m> com a pronuncia3 ,muito mais porque eles escrevem ,meio1 ,veio1 ,correio com i1 e a mesma razam milita1 nos-que apontamos1 e semelhantes4 ,damesma sorte a*&o-se escrito ,outo com u1 dev]iam ens9> aos rapazes1 a con=m>-se com a escritura1 se int5dem que arrezoada3 se porem int5dem1 como na v]dade 1 que p>ece asp]a e dura2 deviam diz]1 que se-escrevse com i2 e nam engan> os rapazes na pronuncia4 ,e na v]dade nam poso int5d]1 por-que razam1 pronunci&o os om5s d\tos nos-seus discursos1 ,dois1 ,oito1 ,oit5ta1 ,toiros1 ,coizas c4 devam na escritura mudalo em u2 se nam por-se-con=m> com quatro velhos imp]t95tes1 que int5dem e julgam mal das-coizas4 ,e/e o mesmo cazo de ,optumus1 ,maxumus1 ,dividundo1 ,faciundo1 e outros semelhantes dos-,lat9os4 ,cic]o1 ,cez>1 ,nepote1 e outros om5s cultos1 nam pud]am s(r] aquela pronuncia2 e conv]tram aquele u em i1 p>a faz] suave a l+ua3 ,salu/io1 que nos-ultimos tempos o-quiz cons]v>1 foi criticado3 e nem m5os agrad\ ,v>ram1 que era o protetor das-antiguidades4 ,onde deve i/o tambem s] p]metido na l+ua ,portugueza1 que filha damesma ma51 tem z mesmas qualidades4 ,p>ece coiza galante1 que e/es om5s1 em vez de facilit> aos ,e/rangeiros1 a pronuncia da-sua l+ua2 s busquem meios de aum5t>1 a asp]eza dela4 ,c]tam5te que o ,camo5s no-,,xvi4 seculo1 apur\ muito a sua l+ua1 s]v9do-se da-,italiana c4 e i/o devemos ns tambem faz]1 em5d&o os erros de ,camo5s1 nam s no-que digo2 mas em outras coizas1 em que ele pec\1 e eu podia adv]tir4 ,concluo diz5do1 que na l+ua ,portugueza1 nam s se-devem tir> z letras sup]fluas1 onde nam se-pronunciam2 mas escrev] outras1 que se-pronunciam1 e at aqui se-deixavam4 ,onde1 todas z vezes que se-pronunca o i entre e1 e a2 deve-se escrev]4 ,v4g4 ,cadeia1 ,ideia1 ,ceia1 ,veia c4 vi/oque os ,portuguezes escrevem comum5te1 ,meia de cals>1 meia duzia c4 e a razam a mesma em ambas z p>tes4 ,por-e/a mesma razam se-deve escrev] em todos os ,v]bos1 como ,leia1 ,paseia c4 porque se os-pronunciasem como ,ceo1 ,plebeo1 ,*apeo c4 ne/e cazo era ju/o que lho-tirasem3 mas lev&o o i na-pronuncia1 tambem o-deve t] na escritura4 ,de/a sorte som5te1 se-pod] introduzir uma ,ortografia c]ta1 e g]al1 que nam necesite d> div]sas razo5s em todas z palavras4 ,rep>e ,v4 ,p4 que eles escrevem ,aia1 ,maia c4 com i1 porque o som de/a vogal cl>o3 e porque nam f>am o mesmo com outros nomes1 que sam puros ,portuguezes8 ,a*o alem di/o om5s1 que aconselham1 se-tire de ,arrecad>1 ,arremat> c4 o arre2 e se-diga1 recad>1 remat>4 ,sam de/e p>ec] o ,bluteau1 e algum outro4 ,mas e/as orelhas tam delicadas e escrupulozas1 que se-(5dem com tais m9ucias2 nam tem dificuldade1 de se-s]virem em todas z pag9as de/es t]mos1 ,com noticia2 c4 o que abunda no-,bluteau3 ou1 como diz o ,vieira1 ,por razam1 e outras tais4 ,p>ece-me1 que e/as cacafonias m5os s(riveis1 se-dev]iam evit>2 deix&o z outras que nada (5dem4 ,e/e metodo de re=m> a ,ortografia1 era melhor que se-nam-impremise4 ,ora de/e dano de pronunci> mal o ,portuguez1 de que at aqui fizemos m5sam2 rezulta outro1 de cons]v> no-,latim os mesmos erros4 onde s]a mui util1 que se-em5dasem quanto pudesem4 ,sei1 que i/o tem sua dificuldade1 porque os ignorantes sam muitos1 e pronunciam mal3 mas ,roma nam se-fez em um dia4 ,seja ,v4 ,p4 um dos-primeiros a d> exemplo3 p]suada i/o mesmo aos seus amigos3 que os outros os-imit>m4 ,de/e modo introduzirm em ,portugal uma ,ortografia1 quanto mais pod] s]1 con/ante2 o que at aqui nam tem avido3 e asim s] mais bela1 e facil a pronuncia2 e mais armoniozos os v]sos ,portuguezes4 ,i/o me-p>ece ba/a adv]tir1 sobre a ,ortografia ,portugueza1 vi/o nam faz] tratado dela4 muito mais1 porque com e/as p\cas regras1 se-pode respond]1 s outras dificuldades que ocorr]m4 ,algumas obs]vaso5s de m5or mom5to1 podem-se v]1 nas ,ortografias ,portuguezas3 t5do a adv]t5cia1 de nam se-deix> engan>1 das-regras que dam1 porque comum5te sam mui ms4 ,o ,p4 ,b5to ,p]eira1 que cuido foi dos-primeiros que escrevram ne/a mat]ia1 d muito ms regras2 e s proprias p>a de/ruir1 o que cada um sabe4 ,o ,b>reto1 o ,leam1 o ,v]a1 tem algumas coizas boas1 entre outras muito ms4 ,na mesma clase ponho1 o que diz o ,p4 ,argote1 nas suas ,regras ,portuguezas2 e algum outro4 ,tais autores copi>am-se fielm5te uns a outros1 sem exam9>em a mat]ia4 ,sei que alguns1 dam em razam d-que escrevem1 a*>em-no asim escrito1 nos-antigos ,portuguezes4 ,mas e/a razam1 de caboesquadra4 ,porque trat&o-se de l+uas vivas1 que nam e/avam purgadas polo pasado1 mas que na nosa idade1 se-vam r$uz9do p]feisam2 e de/a1 da-qual no-noso tempo1 ap>eceo o primeiro ,vocabul>io2 nam devemos e/>1 polo que dis]am os ,velhos3 mas exam9>1 se razam1 p>a se-diz] asim4 ,obs]ve ,v4 ,p4 que os que asim respondem1 contr>eiam-se na pratica3 porque nam uzam daquelas palavras toscas1 que a9da lemos nas leis antigas1 nos-te/am5tos1 doaso5s1 e outros docum5tos1 que deixram os ,antigos4 ,s]a uma ignorancia manife/a1 e afetasam indesculpavel1 fal> oje com muitas palavras1 de que uzram os antigos ,portuguezes4 ,e i/o1 nam por-outra razam1 s5am porque a l+ua se-foi purg&o1 e os om5s mais capazes int5dram1 que se-devia fal> de outra maneira4 ,e se i/o se-pratca1 com inteiras palavras1 porque o-nam-pratic>emos1 com melhor pronuncia8 ,alem di/o1 ja coiza muito antiga1 que o uzo e juizo dos-om5s d\tos1 e de boa eleisam1 decida ne/e p>ticul>4 ,e como ajam muitos ,portuguezes intelig5tes1 que escrevem polo contr>io2 e as9am boa razam d-que dizem2 nam tem lug> ni/o1 uma prescrisam sem fundam5to4 ,no-tempo de ,cic]o1 a l+ua ,romana t9ha de idade1 polo m5os1 uns setec5tos anos2 7cont&o som5te da-fundasam de ,roma3 porque sabemos1 que a l+ua d-,latio muito mais antiga7 e contudo ele1 e outros om5s d\tos1 a-purgram muito bem4 ,obs]ve ,v4 ,p4 os fragm5tos que temos1 de ,livio ,&ronico1 ,enio1 ,e/acio ,cecilio1 ,pacuvio c4 e z obras de ,catam o velho1 de ,plauto2 e a*>1 palavras dezuzadas1 e mui toscas2 e1 em algumas obras1 uma compozisam languida1 e sem grasa4 ,prosiga mais p>a baixo1 exam9e z obras de ,t]5cio1 ,lucrecio1 ,v>ram1 ,catlo1 ,salu/io c4 a*> neles a l+ua mais mudada1 e palavras mais polidas4 ,desa f9alm5te ultima f9eza da-idade de oiro da-,lat9idade1 qu]o diz]1 aos que melhor falram1 no-seculo de ,augu/o2 e sempre lhe-crec] a admirasam1 porque crece a mudansa4 ,pacuvio1 e ,e/acio tem tanta semelhansa com ,cic]o1 ,cez>1 ,cornelio ,nepote1 ,virgilio1 ,oracio c4 como o dia com a noite4 naqueles1 tudo inculto3 e ne/es1 tudo polido1 palavras1 fraze1 e metodo4 ,e mais todos entram na idade de oiro6 ,o mesmo ,cic]o1 em alguns seus tratados1 adv]te1 quanto trabalhra ne/e p>ticul>1 p>a apur> a l+ua4 ,oracio tambem adv]te1 que o bom uzo1 o que em5da z l+uas4 ,f9alm5te adv]tiram os ,gramaticos1 e ,oradores de melhor nome1 que a ,ortografia1 e/ sugeita ao co/ume#aa3 e um d\to ,lat9o1 deix\ escrito ne/a mat]ia3 ,antiquitatem po/]ior consuetudo vicit#ab4 ,e nem som5te encontr> ,v4 ,p4 palavras mudadas1 mas novas4 ,os ,romanos nam t9ham palavras p>a tudo3 e asim foi neces>io tomalas pre/adas3 pr9cipalm5te em mat]ias de ,ci5cias1 e ,artes3 z quais adotram como ,lat9as4 ,e/e o privilegio das l+uas vivas4 ,mas c]tam5te nam conhece e/e privilegio1 quem se-esc&aliza1 como vi alguns1 de que se-recebam palavras e/rangeiras em ,portugal4 ,se os ,portuguezes z-nam-tem1 que mal fazem1 em p$ilas aos outros8 ,nam aprovo porem1 o que muitos fazem1 s]vir-se sem tom nem som1 de vozes e/rangeiras1 e palavras puram5te ,lat9as1 t5do outras ,portuguezas tam boas4 ,o que obs]vo em muitos1 que prezumem de ,criticos1 e ,poetas3 especialm5te no-dito ,inacio ,g>cez ,f]reira4 ,o que digo 1 que nam se-a*&o proprias1 nam delito1 procuralas em outras l+uas2 ou fazelas novas3 e que1 qu&o z proprias sam asp]as1 se-devem ados>4 ,e/e mesmo uzo1 de purg> z l+uas1 melhor&o na boa pronuncia1 e enriquecelas com palavras novas1 qu&o necesidade2 e/ g]alm5te introduzido4 ,a*ei livros1 a9da impresos1 ,+lezes1 ,francezes1 ,espanhoes1 e ,italianos1 com inf9itas palavras1 que ja oje nam e/am em uzo1 e com um e/ilo de fraze p\co uzada4 e lembro-me agora1 t] vi/o anos1 um livro de ,g5ealogias de ,fl&res1 escrito polos anos de ,cri/o #adjj41 em um ,francez tam embrulhado1 que o-t9ham imprimido1 com a v]sam de ,francez mod]no a lado3 sem o qual socorro1 nam era facil int5delo4 ,os nosos antigos ,poetas tem palavras1 que oje se-nam-recebem4 ,em ,dante1 e ,petr>ca1 a*am-se coizas nam mui f9as2 e tambem em outros4 ,os ,mod]nos de todas e/as ,naso5s1 melhorram sobre os ,antigos1 e s]viram-se d-seu direito1 p>a em5d> a l+ua4 os mesmos ,portuguezes o-fiz]am4 ,f9alm5te i/o tam cl>o1 que me-env]gonho de o-prov>4 ,e com efeito1 a e/es que asim respondem1 ou asim argum5tam1 s]ia mais ac]tado1 nam-lhe-respond]4 faz]-lhe muito favor mo/r>1 que tais argum5tos tem respo/a4 ,mas eu o-faso aqui1 porque a amizade de ,v4,p4 me-obriga a ob$ecelo3 e escrevo i/o1 mais p>a satisfaz] seu dezejo1 doque mat]ia4 ,a outra razam1 que outros af9am1 p>a se-desculp>em dos-seus erros 1 que umas vezes dobram z letras1 p>a mo/r>em donde se d]ivam3 outras1 p>a a significasam1 qu]o diz]1 os div]sos tempos3 ,e asim escrevem ,escritto com dois tt1 p>a mo/r>1 que vem de ,scriptus3 e ,amasse com dois ss1 p>a o-di/+uir d-prez5te ,ama-se4 ,e/a razam a*> ,v4 ,p4 em alguns livros impresos4 ,mas1 com todo o respeito que devo1 a quem uza dela1 digo1 que nada vale4 ,a maior p>te das-palavras ,portuguezas1 tem origem ,lat9a3 o que at z criansas sabem3 quiz]a pois que me-disesem1 porque se-devem dobr> em v9te1 ou tr9ta palavras1 e nam nas mais8 ,alem diso se ,v4 ,p4 obs]va1 muitas palavras ,portuguezas1 a*>1 que nam s tem origem1 mas sam puras ,lat9as4 ,v4g4 ,aplaudo1 ,aplico c4 e ne/as s] tambem neces>io dobr> os pp1 e escrev] trez consoantes seguidas1 como no-,latim4 ,s] tambem neces>io pr o s1 antes de ,ci5cia4 e f9alm5te comes> muitas diso5s1 por-duas consoantes1 mn1 pn1 sp1 ps3 porque tudo i/o no ,latim4 ,o c antes de t1 tambem se-deve pr1 em muitas palavras1 como em ,b5$icto1 ,doctor1 c4 ,e nam sei1 se1 os que seguem o dito p>ec]1 admitirm todos e/es acrecimos3 o que nem m5os o ,italiano1 que se-preza de filho primog5ito d-,latim1 admite em tudo4 ,crece o argum5to se obs]vamos1 que o ,portuguez tem palavras ,arabias1 ,goticas1 ,+lezas1 ,tudescas c4 o que supo/o1 s] neces>io em cadauma1 pr a sua dif]5sa orig9al3 ou ao m5os nas ,lat9as1 p>a z-nam-confundir com z outras4 ,f9alm5te se a tal razam valese1 nam dev]ia quem uza dela2 pr h1 em v]bo1 e outros de/es3 porque na sua origem nam o-tem4 ,mas1 deix&o outras obs]vaso5s1 com que podia prov>1 a insufisi5cia das-ditas razo5s2 d>ei s uma1 que prova por-todas3 e e/a especialm5te s]ve1 contra aqueles ,portuguezes que dizem1 que se-devem dobr> muitas letras1 porque se-pronunciam dobradas2 e expresam5te se-ouvem os dois mm1 em comum1 e outras semelhantes4 ,digo1 que p>a respond] a e/es1 ba/a cit>-lhe o exemplo1 da-l+ua ,italiana4 ,nam vi a9da ,portuguez algum 7nam falo dos-que pasram a ,italia at a idade de #g ou #h anos3 porque e/es p]dram a sua lngua1 e falam o ,italiano1 como l+ua propria7 por-mais e/udiozo1 e dilig5te que fose1 que apr5dse a pronuncia1 pr9cipalm5te ,toscana1 ou ,romana3 em que expresam5te se-pronunciam z duas letras consoantes3 todos z-pronunciam como una simplez4 ,v4 g4 ,di/+uem os nosos ,capello1 que significa ,cabelo1 de ,cappello1 que significa ,*apeo2 com pronunci> dois pp1 e dois ll no-#b4 ,n5hum ,portuguez o-*ega a di/+uir3 e por-iso sam logo conhecidos1 por-,e/rangeiros4 ,o mesmo digo em todas z outras dobradas3 ,o mais que vi foi1 pronunci> os dois zz1 v4g4 em ,palazzo1 ,ragazzo3 mas i/o com muito es=so1 e pola razam1 de que se-pronunciam dif]5tem5te3 qu]o diz]1 que os dois zz1 pronunciam-se como ds3 que1 se tivesem soido igual1 nam os-pronunci>iam4 ,e/a exp]i5cia con/ante mo/ra1 que falso diz]1 que os ,portuguezes1 na-sua pronuncia natural1 e sem faz] um gr&e es=so1 pronunciem z dobradas4 ,d-que se-segue1 que sam inutis z tais letras4 ,e em tal cazo entra a m9ha regra1 que z letras inutis1 se-devem de/]r>1 da-l+ua ,portugueza4 ,sobre a pontuasam1 t5ho p\co que adv]tir a ,v4 ,p4 cl>o1 que a ,virgula foi inv5tada1 p>a d5ot> a int]rusam que se-faz1 qu&o se-toma a respirasam3 e p>a d> alguma di/9sam ao discurso1 e imp$ir a equivocasam nele4 ,tem seu proprio lug>1 qu&o se fazem di/9so5s de ,nomes1 ou de outras palavras1 que dep5dem d-mesmo ,v]bo1 e se-unem em uma propozisam4 v4 g4 ,p$ro foi soldado1 capitam1 coronel1 e *eg\ a s] g5]al4 ,uza-se tambem dela1 antes da-,conjunsam copulativa1 e adv]sativa4 v4g4 ,p$ro1 e ,paulo "pram3 ,nem ,p$ro1 nem ,paulo p>tio4 ,mas nam se deve uz>1 qu&o a conjunsam e/ entre s9onimos3 v4 g4 ,antonio tem eloqu5cia e facundia4 ,p$ro tem gr&e animo e valor4 ,porem muito bem se-uza entre propoziso5s1 que signifiquem o mesmo2 a que podemos *am> s9onimas4 v4g4 ,cez> subjog\ todo o imp]io ,romano1 e com a s]ie das-suas vitorias conseguio1 que os ,gov]nadores1 o-reconhecesem sob]ano4 a9daque entre e/as1 s5do longas1 podese escrev] ponto e virgula1 ou dois pontos4 ,utilm5te se-uza da-virgula1 p>a di/+uir e faz] mais cl>o o discurso3 o que se-faz em trez cazos4 ,i4 sep>&o z propoziso5s1 regidas pola mesma pesoa1 ou coiza4 v4g4 ,umas vezes ri1 outras *ora4 ,tom\ uma lansa1 e lhe-atraves\ o peito4 ,,ii4 int]romp5do o s5tido1 com outras palavras4 v4 g4 ,deus1 autor d-mundo1 pai de miz]icordia2 e tem provid5cia das-criaturas2 mas qu&o a int]rusam comprida1 melhor pr-lhe ponto e virgula2 como abaixo diremos4 ,,iii4 sep>&o aquelas propoziso5s1 emque a segunda1 objeto da-primeira4 v4g4 ,dezejo v]1 como suc$] o negocio4 ,qu]] ,deus1 que iso nam se-v]ifique4 ,f9alm5te se s vezes nam se-poem virgula1 pode nac] confuzam no-discurso4 v4 g4 ,cuid&o na m9ha aflisam1 e ocupado ne/e p5sam5to1 confuzo sa de caza4 se nam ouvse virgula1 em p5sam5to1 podia unir-se com confuzo1 e cauz> nova confuzam4 ,mas ni/o das-virgulas1 neces>io t] muito cuidado1 de nam s] excesivo3 como fazem alguns1 prezados de d\tos1 que em cada palavra poem virgula4 o exceso1 e a falta igualm5te se-devem evit>4 ,tambem a p>5tezis1 especie de virgula3 e consi/e ne/e s9al1 77 com o qual se-compre5dem algumas palavras4 ,escreve-se1 qu&o d5tro de uma propozisam1 se-inclue outra1 sep>ada d-s5tido2 ou p>a excesam1 ou decl>asam de alguma coiza4 v4g4 ,deixo de diz] 7a9daque pod]ia com razam7 z atrocidades que cometeo4 ,o ,amor1 7como a*amos escrito na ,sagrada escritura7 tam =te como a morte4 ,porem1 se a int]rusam breve1 ba/am duas virgulas4 v4g ,o ,amor1 como ja dise1 uma gr&e paixam4 ,despois da-virgula1 seguem-se os dois pontos4 ,e/es se-poem1 qu&o o s5tido da-orasam completo1 quanto su/ancia2 mas nam em quanto ao fato3 qu]o diz]1 qu&o o que se-escreveo1 faz por si s s5tido p]feito2 desorteque podia-se t]m9> com um s ponto3 mas quem escreve1 a9da tem alguma coiza que acrec5t>1 p>a melhor decl>> a coiza1 ou expremir alguma circun/ancia1 com a qual se-acabe de todo o p]iodo4 v4g4 ,recebi o d\tisimo livro que v4m4 me-m&\3 p>a me-obrig> com i/o a9da mais1 doque e/ava4 ,ne/e p]iodo1 despois de m&\1 escrevem-se dois pontos3 porque o s5tido1 ja e/ completo2 mas a9da que acrec5t>4 ,e e/es dois pontos se-podem replic>1 em um longuisimo discurso1 tantas vezes1 quantas o s5tido da-orasam = sufici5tem5te completo4 ,mas a melhor regra que ni/o se-pode obs]v>1 e/a3 ,se a propozisam que se-segue1 nam muito indep5d5te da-antec$5te1 deve-se pr dois pontos4 v4 g4 ,e/ud> v>ias ci5cias1 no mesmo tempo1 antes confunde1 que d\tr9a3 como tambem o com] no-mesmo tempo com]es dif]5tes1 tanto nam engorda1 que (5de4 ,mas se eu comesse a segunda1 por-palavras m5os dep5d5tes1 dev]ia pr um ponto4 v4 g4 ,e/ud> v>ias ci5cias1 no-mesmo dia1 antes confunde1 que ens9a4 ,damesma sorte1 como dizem os ,m$icos1 mui dif]5tes com]es no-e/omago1 imp$em a dige/am4 ne/e cazo ponho ponto1 porque o s5tido mais sep>ado4 ,porem se z propoziso5s sam breves1 int5do mais ac]tado1 sep>alas com uma virgula4 v4 g4 ,o e/ud> muito junto faz confusam1 como tambem o com] muito4 ,o ponto1 co/uma-se pr1 no-fim d-p]iodo1 e qu&o o s5tido totalm5te completo4 ,ne/e p>ticul> obs]vo1 que muitos em ,portugal ens9am1 que despois de ponto1 sempre se-poem letra gr&e4 ,o que um engano manife/o2 e contra a pratica dos-que melhor escrevem3 que dizem1 que qu&o os p]iodos sam breves1 e em c]to modo dep5dem uns dos-outros2 ba/a despois de ponto1 pr letra pequ5a3 e qu&o i/o suc$e no-fim d-v]so1 poem-se dois pontos3 vi/oque o v]so segu9te deve sempre comes>1 por-letra gr&e4 ,onde os om5s d\tos adv]tem1 que nam s se-pode escrev] letra pequ5a1 despois de ponto f9al2 mas tambem algumas vezes1 despois de dois pontos1 letra gr&e3 qu&o o p]iodo comprido1 e se-tem po/o muitas vezes dois pontos3 ou tambem qu&o se-introduz alguma pesoa que fala1 ou coiza semelhante4 ,e aqui incid5tem5te advirto1 que ni/o de escrev] letra gr&e1 um gr&e abuzo3 av5do escritores que a-escrevem1 em mil coizas desneces>ias3 o que (5de a vi/a4 ,e asim1 nam av5do razam =soza1 deve-se escrev] letra pequ5a1 que mais natural4 ,z regras que ni/o dam1 os om5s mais adv]tidos1 se-r$uzem a e/as4 ,poem-se letra gr&e4 ,i4 qu&o se-comesa o discurso4 ,,ii4 nos-nomes proprios1 e sobr5omes tanto de ,pesoas1 como ,prov9cias1 ,cidades1 ,ilhas1 ,montes1 ,m>es1 ,rios1 ,v5tos1 e ,animais4 ,,iii4 nos-nomes de dignidade1 ou ab/ratos1 como ,bispado1 ,papado c4 ou concretos1 como ,papa1 ,rei1 ,abade1 ,conego1 ,s5ador c4 mas nam se-poem nos-de (icios inf]iores1 como soldado1 p9tor1 sapateiro4 ,,iv4 nos-nomes apelativos1 qu&o se-tomam por-alguma coiza p>ticul>4 v4 g4 ,o ,orador ,romano1 por-,cic]o3 o ,d\tor ,angelico1 por-,s4 ,tomaz3 ,religiam1 pola vida ,religioza c4 ,v4 nos-nomes d-g5]o1 ou especie1 qu&o significam todo o g5]o1 ou especie4 v4 g4 ,a ,t]ra r$onda4,os ,rios correm p>a o m>4 porque signific&o um individuo p>ticul> da-dita especie2 v4g4 um bocado de t]ra c4 ba/a letra pequ5a4 ,,vi4 z coizas inanimadas tomadas como pesoas1 ou polo g5]o4 v4 g4 ,a ,ira uma gr&e paixam4 ,o ,amor cega os mais d\tos c4 ,,vii4 os ,adjetivos tomados como ,su/antivos4 v4g4 ,o ,amigo1 outro eu4 ,o ,=te1 aum5ta o animo nos-p]igos4 ,,viii4 os nomes que significam multidam4 v4g4 ,s5ado1 ,republica1 ,cabido1 ,turcos1 ,+lezes c4 ,,ix4 os nomes da-mat]ia1 de que pr9cipalm5te se-trata4 v4g4 ,a ,inc>nasam1 a ,simonia4 ou tambem os nomes das-pr9cipais p>tes1 em que se-divide um todo4 v4g4 ,ne/e cazo pecam alguns1 por-,ignorancia1 ou por-,malicia4 ,por-,ignorancia1 pecam aqueles c4 ,x4 qu&o no-discurso se-introduz alguma pesoa1 que fala4 v4g4 ,volt&o-se entam p>a o ceo ,s4 ,paulo1 dise1 ,s5hor1 que qu]eis que eu fasa8 mas se o discurso que se introduz1 fose mui longo1 s]a mais ac]tado1 sep>alo com um ponto s9al4 ,e a palavra que se-segue1 despois d-ponto int]rogativo1 nam deve t] letra gr&e2 porque nam comesa um s5tido novo4 ,e/as sam z regras1 e/ablecidas polo melhor uzo4 ,contudo alguns1 que a9da s vezes z-limitam1 qu&o int5dem1 que nam sam neces>ias4 v4 g4 ,v9do juntos dois nomes1 um g5]ico1 e outro p>ticul>1 como ,seita ,turquesca1 ,igreja ,catolica1 ,s5ador ,romano1 ,academia ,real1 ,concilio ,toletano1 ,concilio ,g]al1 c4 deitam fra a letra gr&e dos-primeiros1 e som5te a-cons]vam nos-segundos1 que di/+uem os primeiros4 ,porque a9da-que em outras ocazio5s1 a*&o-se som5te a palavra1 ,igreja1 oncilio1 c4 t5ha letra gr&e2 ne/e cazo porem1 p>ece s] escuzada3 o que eu aprovo4 ,outros a9da fazem mais1 que1 a*&o muitas de/as ultimas palavras1 que aponto1 como ,s5ador1 ,consul1 c4 escrevem-nas com letra pequ5a3 pr9cipalm5te se e/ unida a algum su/antivo ,proprio4 v4 gr4 ,joannes rex4 ,cic]o consul4 ,e i/o a*amos mui praticado1 em antigos manuscritos2 e belisimas ediso5s de livros mod]nos1 em5dadas por-om5s mui d\tos4 ,onde nam se-deve cond5>1 se algum o-pratic> em alguma conjuntura1 p>a evit> tanta letra gr&e4 ,outros a9da limitam1 o que se-diz nos-num]os ,v1 e ,,ix4 porque int5dem1 que nem sempre neces>ia1 a dita letra gr&e4 ,e em tal cazo1 ou escrevem letra gr&e1 s na primeira vez3 ou poem uma risca por-baixo1 escrev5do2 o-que na impr5sa conv]tem em letra cursiva3 ou nam a-poem3 ,nam p>ec5do muito bem um papel1 em que repetidas vezes se-encontram z mesmas palavras1 com letra gr&e3 o que (5de a vi/a4 ,torn&o pois aos pontos3 algumas vezes o p]iodo inteiro1 acompanhado de admirasam1 ou int]rogasam3 e em tal cazo o ponto se-acompanha1 com o f9al proporcionado4 ,a admirasam1 nota-se asim1 767 v4g4 ,morreo1 cazo admiravel6 dezesp]ado4 ou em qualqu] outra p>te1 em que entre a admirasam1 ou simplez exclamasam4 ,a int]rogasam1 ou progunta1 di/+ue-se com e/e f9al1 787 v4g4 ,e porque nam pod]ei eu faz] i/o8 qual de vos outros mo-pode imp$ir8 ,muitas vezes suc$e1 que a nt]rogasam acompanhada de exclamasam4 v4 g4 que gr&es consequ5cias1 sem-de seguir de um tal fato6 ou tambem3 ,e como posivel1 que te-occorrese faz] i/o8 e ne/es cazos1 licito pr um1 ou outro f9al1 como melhor lhe-p>ec]4 porem de adv]tir1 que qu&o a progunta mui comprida1 e que na longueza1 p]de a =sa de progunta2 os om5s mais d\tos1 nam co/umam pr-lhe no-fim1 o f9al de int]rogasam3 mas se lho-poem1 no-pr9cipio1 ou no-fim d-primeiro p]iodo1 ou nam lho-poem4 ,v4g4 ,julgas tu1 que om5s de tam p\ca consid]asam1 que siguam um tal e/ilo1 nem fasam cazo da-palavra1 nem procurem ileza a sua onra1 nem t5ham diante dos-olhos e/as circun/ancias3 z quais se eu nam tivese executado1 totalm5te me-falt>ia aquela b5evol5cia1 que c]tam5te me-mo/ram1 os que exam9am z m9has aso5s 4 ,ne/e p]iodo1 ou se-deve pr ponto de int]rogasam1 despois de tu3 ou1 despois de circun/ancias3 ou1 em n5huma p>te3 vi/oque o contexto mo/ra bem1 em que s5tido se-fala4 ,f9alm5te deve-se adv]tir1 que outra sep>asam de p]iodo1 a que *amam ,p>agrafo3 o qual se-comesa1 qu&o a mat]ia que se-trata1 se-acab\2 e se-pasa a outra mat]ia4 ,muitas vezes se-comesa p>agrafo1 qu&o o discurso tem sido comprido1 e1 por-nam-faz] confuzam1 neces>io v>ialo4 o que suc$e1 qu&o sobre a mesma coiza1 alego muitas razo5s1 e cada uma ocupa uma meia pag9a4 ,em tal cazo1 p>a evit> a confuzam1 e d> mais go/o1 e repoizo a quem le2 ju/o comes> p>agrafo4 ,o que porem se-deve regul>1 pola prud5cia de quem escreve3 pois tam enfadonho 1 comes> p>agrafo1 despois de trez folhas1 como despois de trez ou quatro regras4 ,caiem no-primeiro de/es defeitos1 alguns prezados de d\tos3 que1 ouv9do diz]1 que os ,antigos nam uzavam das-sep>aso5s de capitulos2 sem mais outra reflexam1 fazem um longuisimo discurso1 sem divizam de p>agrafos3 em modo tal1 que se-p]de a respirasam l5do-os4 ,no-segundo1 caiem muitos ,escola/icos1 que de cada texto fazem um p>agrafo4 ,uma1 e outra coiza se-deve evit>4 ,alem das-ditas pontuaso5s2 inv5tram os escritores1 pr9cipalm5te mod]nos1 outra1 a que *amam1 ponto e virgula4 e i/o p>a v>i> a pontuasam1 e p>a evit> pr tantas virgulas seguidas1 antes dos-dois pontos1 nos-p]iodos longos4 ,e/e ponto e virgula1 uma pauza1 maior que a virgula1 e m5or que os dois pontos4 ,poem-se1 qu&o a orasam ja faz algum s5tido2 mas nam o que ba/a p>a se-int5d]1 de que se-fala3 e a9da a primeira propozisam1 esp]a pola segunda1 p>a se-pod] int5d]4 v4 g4 ,a9daque eu nam t5ha1 todo o d9heiro neces>io1 p>a a compra2 f>ei o posivel1 polo alcans>3 p>a concluir de uma vez1 e/e negocio4 ,no-qual p]iodo1 qu&o *egamos palavra1 compra2 ja temos algum s5tido3 e qu] diz]1 que nam tem d9heiro p>a a compra4 mas fica o s5tido imp]feito1 por-cauza da-palavra a9da3 a qual faz que eu esp]e1 pola segu9te propozisam at alcans>1 onde faz sufici5te s5tido4 ,daqui fica cl>o1 que ponto e virgula tem o seu proprio lug>1 despois das-prepoziso5s1 que comesam por-como1 qual1 quanto1 se1 a9daque c4 z quais introduzem aquela dep5d5cia1 que digo4 ,f9alm5te despois de qualqu] prepozisam1 em que aja palavras1 que unam com z palavras segu9tes4 ,especialm5te se-poem1 qu&o se-fala de coizas opo/as3 ou qu&o se-faz enum]asam de muitas p>tes1 e se-especificam todas4 v4 g4 ,de/ruia cazas1 e templos2 o sagrado1 e pr(ano2 o seu1 e o alheio1 c4 ,adv]te-se porem1 que os p]iodos1 os quais1 s5do longos1 podem receb] ponto e virgula2 em cazo que sejam curtos1 ba/a que t5ham virgula3 por-nam faz] tam enfadonha a repetisam dos-pontos e virgulas4 v4 g4 ,ne/e p>ticul> duas op9io5s3 uma de ,cujacio2 a outra seguem ,joam ,&r1 e ,o/i5se4 p>ec] a muitos1 que em ,cujacio1 ba/a uma virgula1 o que eu nam dezaprovo3 outros qu]]m ponto e virgula4 e asim livre a cada um1 faz] o que lhe-agrad>4 ,polo contr>io1 se os p]iodos fosem mui compridos1 se-dev]ia pr ponto4 v4 g4 se eu disese3 ,prova-se i/o com duas razo5s4 ,a primeira 1 porque c4 ne/e cazo se a explicasam de/a primeira razam1 se-e/5dse at metade da-folha1 ou a9da mais2 no-fim1 deve-se pr ponto som5te3 e muitas vezes pode s] neces>io1 comes> a segunda razam1 nam s com letra gr&e1 mas a9da em novo p>agrafo4 ,tambem qu&o se-tem po/o algumas vezes1 ponto e virgula2 co/umam os om5s d\tos1 escrev] dois pontos2 a9daque o s5tido nam seja completo quanto ao fato3 p>a mo/r>1 que se-deve faz] maior int]rusam2 e descans> quem le1 e quem ouve4 ,i/o 1 o que me-ocorre adv]tir1 ne/e p>ticul> da-pontuasam4 ,devo porem decl>> a ,v4 ,p4 que e/a mat]ia1 nam ponto matematico1 que nam admite mais1 ou m5os3 antes1 polo contr>io1 dep5de muito1 da-vontade de quem escreve4 ,porque a9daque todos conv5ham1 na-razam das-regras2 qu&o porem decemos aos cazos p>ticul>es1 e a exam9>1 se ne/e1 ou naquele cazo1 deve entr> virgula1 ou ponto e virgula c4 a*a-se muitas vezes div]sidade1 a9da entre os om5s d\tos4 ,eu ne/e p>ticul>1 propuz o que vejo pratic>1 aos que melhor escrevem2 e que se e/riba1 na razam das-regras3 mas nam cond5>ei1 quem se-afa/> alguma vez de/as adv]t5cias1 comtantoque nam se-desvie em modo1 que fasa despropozitos4 ,eu mesmo s\ o primeiro1 que z-nam-sigo escrupulozam5te3 antes muitas vezes1 em lug> de ponto e virgula1 escrevo virgula3 em vez de dois pontos1 ponho virgula e ponto3 e qu&o os p]iodos sam curtos1 nam t5ho s vezes dificuldade1 de escrev] virgula1 em lug> de ponto3 ou outra semelhante mudansa4 ,o que faso qu&o me-p>ece1 que com e/es s9ais1 fica ba/antem5te sep>ado o discurso1 e livre de confuzam3 e porque vejo1 que muitos escrevem damesma sorte1 e me-int5d]m tambem4 ,e/a a pr9cipal regra1 em mat]ia de pontuasam3 evit> z confuzo5s1 e procur> que os outros int5dam1 tudo quanto eu qu]o diz]4 ,devo porem diz] a ,v4 ,p4 que vejo muitos autores ,portuguezes bem mod]nos1 que fazem gala1 de z-desprez>3 e publicam obras1 nas quais em uma pag9a tudo sam virgulas1 e ap5as se-a*a um ponto4 ,especialm5te 99 99 99 e outros que ,v4 ,p4 bem conhece4 ,o ,conde da-,ericeira ,d4 ,francisco ,xavi] de ,m5ezes tambem seguia e/a d\tr9a3 pois em algumas suas aprovaso5s de livros1 que t5ho vi/o1 tudo sam virgulas3 desorteque n+uem o-pode l] seguidam5te1 porque cansa a respirasam4 ,e se i/o pode s] l\vavel1 eu o-deixo julg> aos dezapaixonados intelig5tes4 ,muitas outras miudezas1 se-podiam adv]tir1 tanto na mat]ia de ,pontuasam1 como de ,ortografia3 mas e/as ou se-a*am1 nas in/ruso5s impresas a e/e int5to2 ou1 se nam se-a*am1 como na v]dade z-nam-vemos2 apr5dem-se com o uzo3 e quem p]cebe bem1 z adv]t5cias que temos dado1 escrev] sem emb>aso algum com p]feisam3 e pod] rezolv]1 qualqu] das-que ocorr]em4 ,eu nam det]m9ei1 escrev] um tratado completo3 mas unicam5te1 sug]ir a ,v4 ,p4 o que se-a*a mais bem notado1 ne/a mat]ia3 e o que deve ens9> um me/re1 ao dicipulo1 a quem explica a l+ua ,portugueza4 ,p>a ,v4 ,p4 i/o sup]fluo3 e p>a os ignorantes1 a9da muito4 mas eu tomo a lib]dade de fal> com ,v4 ,p4 como com um pr9cipiante1 porque asim mo-tem ord5ado4 ,som5te acrec5to1 que i/o que dise da-,pontuasam1 se-deve int5d]1 nam s no-,portuguez1 mas no-,latim2 e nas-mais l+uas1 que de/a nacram4 ,concluirei e/a c>ta lembr&o a ,v4 ,p41 que1 p>a facilit> e/e e/udo ,mocidade1 s]ia neces>io1 que algum omem d\to1 abrevise o ,dicion>io d-,p4 ,bluteau1 e o-r$uzise gr&eza1 de um tomo em folha1 ou dois em #d4o ,n+uem pode olh> p>a a obra d-,p4 ,bluteau1 sem fic> esmurecido1 pola quantitade de volumes4 ,e/e ,religiozo era d\to1 e infatigavel3 e fez nasam ,portugueza um gr&e s]viso2 compondo um ,dicion>io1 que ela nam t9ha3 e quem dis] mal dele ne/e p>ticul>1 invejozo1 ou ignorante4 ,mas tem alguns defeitos1 que s]a neces>io em5d>3 ,era mui m$rozo3 e nam t9ha metodo4 ,o m$o1 reconhece-se em cada pag9a das-suas obras4 ,=a maltratado por-alguns ,portuguezes inju/am5te2 e a cada paso se-queixa1 e d uma satisfasam4 ,os ,prologos1 tanto na primeira ,obra1 como no-,suplem5to1 sam insoportaveis3 e apo/>ei1 que se-nam-a*a omem1 de tanta paci5cia1 e tam mao go/o1 que os-posa l] todos seguidam5te3 porque a cada mom5to1 repete z mesmas coizas4 ,e o pior 1 que com diz] tanto1 nam explica o que deve3 pois qu]5do um leitor sab]1 o que ele faz no-,dicion>io1 e que razam d da-obra2 nam sabe por-onde -de comes>4 ,com um s titulo dirigido ao leitor 99 99 99 compre5dia todos1 os que ele poem no-seu ,prologo3 e com um ,prologo mui breve1 dava razam de toda a obra4 ,os om5s d\tos1 int5dem mui bem z coizas3 e sabem desculp> um autor1 que escreve uma volum9oza obra3 especialm5te um que escreva um ,dicion>io1 que seja o primeiro que ap>ece naquela l+ua4 ,nam pior trabalho que e/e3 e nam algum que m5os p>esa gr&e1 a quem o-nam-prov\1 doque e/e4 ,desorteque *eg\ a diz] o d\to ,escalig]o#ac1 que era pior e/e trabalho1 que s] cond5ado s m9as1 como faziam os ,romanos4 ,comque a e/es1 ba/am p\cas palavras3 a os ignorantes1 nam se-devem d> satisfaso5s1 ou digam bem1 ou mal4 ,nem m5os me-agrada o titulo da-obra1 que mui afetado1 e *eio de sup]fluidades4 ,ja se-sabe que um ,dicion>io1 compre5de todas z palavras1 com que se-explicam na dita l+ua1 todas z coizas imag9aveis4 ,e o exemplo que ele traz de ,fureti]e1 ,mor]i1 ,h(man1 que en*ram o titulo1 de semelhantes coizas1 nam desculpa os seus erros3 porque se-caza muito bem1 que errem dois om5s de dif]5tes ,naso5s1 na mesma mat]ia4 ,avulta tambem muito a obra1 porque z explicaso5s sam longas1 e o c>at] mui gr&e4 ,o que tudo se-podia r$uzir1 a m5or ext5sam3 ba/&o um exemplo de um bom autor1 e deit&o =a tantos ,lat9s1 e citaso5s sup]fluas4 ,e asim1 todo aquele gr&e ,vocabul>io1 se-pode r$uzir nas segundas-impreso5s1 a trez ou quatro volumes1 se lhe-tirasem o que tem de sup]fluo3 e s]a tambem mais b>ato1 e mais util ,republica4 ,mas1 a9da despois de tudo iso1 s]a neces>io1 faz] um ,comp5dio1 p>a uzo dos-rapazes4 ,que o que os ,nosos tem feito1 comp5di&o o ,vocabul>io da-,crusca1 qu]o diz]1 da-l+ua ,toscana1 7sam trez ou quatro volumes7 em dois tomos de #do4 ,mas ne/e ,dicion>io1 se-dev]ia acautel> outra coiza1 em que caio o ,p4 ,bluteau2 que foi1 nam di/+uir z palavras boas1 de algumas plebeias1 e antigas4 ,ele ajunt\ tudo3 e a9da muitas palavras ,lat9as1 que muitos ,portuguezes mod]nos afetadam5te aportuguezram4 ,e e/e o maior defeito que eu a*o1 naquele ,dicion>io4 porque nam ens9a a fal> bem ,portuguez2 como o da-nosa ,crusca1 que nam tem1 s5am o que puro ,toscano2 e nota s vezes o que antigo1 ou poetico c4 ,sei1 que alguma div]sidade se-a*a3 porque os nosos autores1 que fazem texto1 sam os que escrevram1 em um seculo det]m9ado3 e asim tudo o que mod]no1 entre ns b>b>o4 ,polo contr>io a l+ua ,portugueza1 como p\co tempo que comes\ a ap]feiso>-se1 nam pode excluir1 tudo o que mod]no4 ,contudo1 dev]ia o ,p4 ,bluteau1 nam abras> s5am os autores1 que falram melhor4 v4 g4 desde o fim d-seculo pasado p>a c3 ou encurt> mais o tempo4 ,e a9da neses1 que talvez nam s]am iguais em tudo1 escolh]1 o que mais racionavel3 e nam tudo o que aportuguezram alguns de/es1 prezados de eruditos2 que1 por-=sa1 qu]em introduzir1 uma mixtura de ,portuguez1 com ,latim4 ,temos o exemplo da-,academia ,franceza1 a qual no-seu ,dicion>io1 nam poz z vozes plebeias1 e antigas2 mas z puras1 e que oje falam os om5s cultos4 ,a9daque1 como diz o ,s5hor de ,fureti]e1#ad ju/o1 que se fasa um ,dicion>io p>te1 das-vozes antigas1 e baixas3 p>aque1 por-meio dele1 posamos int5d]1 os antigos docum5tos4 ,i/o fiz]am muitos na l+ua ,lat9a1 compondo som5te ,vocabul>ios da-inf]ior ,lat9idade1 como ,vossio1 ,izidoro1 ,spelman1 ,du ,cange3 o qual ultimo fez tambem outro1 p>a o ,grego inf]ior4 ,e i/o mesmo dev]ia t] feito ,bluteau3 pondo em um volume1 z palavras boas2 no-outro1 z antigas c4 ,o c]to 1 que os ,nosos no-,comp5dio da-,crusca1 som5te puz]am z puras3 e adv]tram z que sam poeticas1 e nam tem lug> na proza4 ,o mesmo ,bluteau em c]ta p>te#ae1 reconhece a necesidade de/e di/9to livro2 e deu uma ideia dele1 nos-,catalogos que traz1 no-,suplem5to4 ,mas se o dito ,p4 o-nam-fez1 porque quiz compre5d]1 tudo o que se-a*a em ,portuguez1 ou por-outro motivo2 no-,comp5dio porem d-dito ,dicion>io1 nam se-deviam escrev]1 s5am palavras puras e boas1 e segundo a pronuncia mais suave4 ,e4g4 nam escrev] ,devaam1 porque o dise o ,vieira3 mo/r&o a analogia1 que se-deve diz] ,devosam3 muito mais1 porque asim o-pronunciam os d\tos1 e mais agradavel4 ,o mesmo digo1 de ,outo c4 porque escrev5do muitos om5s d\tos comum5te1 ,oit5ta2 nam a*o que t5ham boa disp>idade1 p>a1 no-mesmo livro1 escrev]em1 ,outo3 como ,v4 ,p4 v] em muitos livros mod]nos4 ,e asim a pronuncia melhor1 s5do apadr9hada por-om5s d\tos1 deve s] pref]ida4 ,tambem se-devia no-dito cazo1 em5d> a ,ortografia d-,bluteau1 que v>iante3 e e/ablec] uma c]ta1 e sempre a melhor4 ,e/e ,comp5dio s]ia mui neces>io4 os que quizesem majores noticias1 podiam procurlas no-,vocabul>io gr&e4 ,i/o o que me-ocorre4 ,v4 ,p4 cons]ve-me a sua b5evol5cia1 e rogue a ,deus por-mim nos-seus sacrificios4 ,deus ,gu>de c4 ,illu/rao ,,notas ,,de ,,rodap3 #c ,sueton4 de ,cl4 ,rhet4 ,c4 ,i4 #d ,auditis oratoribus ,grcis1 cognitisque eorum litt]is1 adhibitisque doctoribus1 incr$ibili quodam no/ri hom9es dic5di /udio flagrav]unt4 ,cic]o l4 ,i4 de ,orat4 num4 ,,xiv4 #e ,a4 ,gel4 l4 ,i4 c4 x4 #f ,o ,bluteau no-,prologo d-,suplem5to1 fal&o com o leitor ,pseudo-critico1 confesa1 que muitos om5s d\tos1 nam dobram z letras no-,portuguez3 a9daque cond5a1 que muitos nam obs]vem1 a analogia e d]ivasam d-,latim1 e ,grego4 que a co/umada cantil5a dos-,velhos4 ,reconhece porem1 que s]ia neces>io1 re=m> a ,ortografia ,portugueza4 ,mas1 conhec5do i/o1 adot\ no-seu ,dicion>io1 todas z v>iaso5s de ,ortografia dos-autores2 como confesa no-,prologo d-,suplem5to4 ,o que nam tem desculpa em um omem1 que e/ud\ tr9ta anos1 o argum5to d-seu livro4 #g ,s4 ,aug4 l4 ,i4 confess4 ,c4 ,,xviii4 ,catullus ,c>m4 #he4 #h ,no livro1 ,orator ad4 ,m4 ,brutum4 #i ,na #f4 conf]5cia lit]>ia aos #ah de ,maio de c4 em caza d-,conde da-,ericeira4 #aj ,impetratum e/ a consuetud9e1 ut pecc>e suavitatis caussa lic]et4 pom]idianas quadrigas1 quam po/m]idianas1 lib5tius dix]im3 meh]cule1 quam meh]cules4 ,non scire quidem1 b>b>um jam videtur3 nescire dulcius4 ,ipsum m]idiem cur non m$idiem8 ,cr$o1 quod erat insuavius4 ,cic]o4 ,orator4 ad ,m4 ,b4 num4 #dg4 ,et infra ,consule v]itatem1 repreh5det3 ref] ad aures1 probabunt4 qure1 cur8 ita se dic5t juv>i4 voluptati autem aurium morig]>i debet oratio4 #aa ,qu9til4 l4 ,i4c4,i4 ,v>ro de l+ua ,l4 l4#f4 alii4 #ab ,m>ius ,victor9us ,aff4 de ,ortographia4 #ac ,si quem dira manet s5t5tia ,judicis olim ,damnatum a]umnis1 suppliciisque caput3 ,hunc neque fabrili lass5t erga/ula massa1 ,nec rigidas vex5t fossa metalla manus4 ,lexica contexat1 nam cet]a quid mor]8 omnes ,pn>um facies hic labor unus habet4 ,sylv>um ,c>m4 #ci4 #ad ,pref4 du ,dicionaire ,univ]sel4 #ae ,prozas ,academic4 fol4 #bf4 ,illu/rao ,,c>ta ,,segunda4 ,,sum>io4 ,danos que resultam da-,gramatica ,lat9a1 que comum5te se-ens9a4 ,motivos porque nas-escolas de ,portugal1 nam se-melhora de metodo4 ,nova ideia de uma ,gramatica ,lat9a facilisima1 com que1 em um ano1 se-pode apr5d] fundam5talm5te ,gramatica c4 ,despois d-e/udo da-,gramatica ,vulg>1 segue-se o da-,lat9a4 e de/a direi a ,v4,p4 o meu p>ec]1 na prez5te c>ta4 ,qu&o entrei ne/e ,re9o1 e vi a quantidade de ,c>tapacios1 e ,artes1 que eram neces>ias1 p>a e/ud> som5te a ,gramatica2 fiquei pasmado4 ,fal&o com ,v4 ,p4 algumas vezes1 me-lembro1 que lhe-toquei e/e ponto3 e que nam lhe dezagradram z m9has reflexo5s1 sobre e/a mat]ia4 ,sei1 que em outras p>tes1 onde se-explica a ,gramatica de ,manoel ,alv>es1 tambem lhe-acrec5tam algum livr9ho3 mas tantos como em ,portugal1 nunca vi4 ,z decl9aso5s dos-,nomes1 e ,v]bos e/udam1 pola ,gramatica ,lat9a4 a e/a se-segue um ,c>tapacio ,portuguez1 de ,rudim5tos4 despois outro1 p>a ,g5]os1 e ,pret]itos1 muito bem comprido4 a e/e um de ,s9taxe1 bem gr&e4 despois um livro1 a que *amam ,*orro3 e outro1 a que *amam ,promtu>io3 polo qual se-apr5dem os escolios de ,nomes e ,v]bos4 e nam sei que mais livro 4 ,e p>ece-lhe a ,v4 ,p4 p\ca mat]ia de admirasam1 qu&o tudo aquilo se-pode compre5d]1 em um livr9ho em #ab4o e nam mui gr&e8 ,despois diso ouvi diz]1 que ocupavam seis1 e sete anos e/ud&o ,gramatica3 e que a maior p>te de/es dicipulos1 despois de todo ese tempo1 nam era capaz de explic> por-si s1 z mais facis c>tas de ,cic]o4 ,confeso a ,v4 ,p4 que nam int5di i/o1 nem donde proviese o dano4 ,alguns sugeitos1 bem intelig5tes de politica1 me-d]am algumas razo5s1 que nam p>eciam inv]osimeis4 ,mas eu1 sem aprov>1 ou reprov> alguma delas1 e tambem sem me-demor> com e/a mat]ia2 discorr]ei sobre o m]ecim5to da-,gramatica ,lat9a2 e sobre o modo1 com que se-deve apr5d]4 ,ora convem todos os om5s de bom juizo1 e que tem vi/o paizes ,e/rangeiros1 e lido sobre i/o alguma coiza2 convem1 digo1 que qualqu] ,gramatica de uma l+ua1 que nam nacional1 se-deve explic> na l+ua1 que um omem sabe4 ,se ,v4,p4 quizese apr5d] ,grego1 e p>a e/e efeito lhe-desem uma ,gramatica toda ,grega1 e um me/re que som5te false ,grego2 pod]ia1 =sa de ac5os1 vir a int5d] alguma palavra2 mas nam s]a posivel1 que apr5dese ,grego3 o mesmo suc$]ia1 em qualqu] outra l+ua e/rangeira4 e se algum ateimase1 que som5te daquela sorte1 se-podia apr5d] ,grego1 diriamos1 que era l\co4 ,pois suponha ,v4,p4 que e/amos no-cazo4 coiza digna de admirasam1 que muitos om5s de/e ,re9o1 queiram apr5d] ,francez1 ,tudesco1 ,italiano1 de uma sorte1 e o ,latim de outra muito dif]5te4 ,apr5dem aquelas l+uas com um me/re1 que z-fala ambas1 e explica a l+ua incognita1 por-meio daquela que eles conhecem e falam3 e com uma s ,gramatica se-poem em e/ado1 de int5d]em os autores bem1 e1 junto com o ex]cicio1 de fal>em ,francez corr5tem5te4 ,e tomra que me-disesem1 porque nam se-deve pratic> o mesmo1 no-,latim3 e porque razam se-aja de c>reg>1 a memoria dos-pobres e/udantes1 com uma inf9idade de v]sos ,lat9os1 e outras coizas1 que nam s]vem p>a nada ne/e mundo8 ,*ega e/e prejuizo a tal extremo1 que o ,p4 ,b5to ,p]eira1 escreveo uma ,ortografia ,portugueza1 em ,latim4 ,desorteque quem nam int5de ,latim1 segundo o dito ,p41 nam pode escrev] corretam5te ,portuguez4 ,os def5sores de/e metodo1 nam alegam outra razam mais1 que s]em os v]sos1 mais facis de se-cons]v>em na memoria3 e que em todo o tempo1 a eles se-pode recorr]1 p>a t] prez5tes z regras4 ,mas e/a razam1 pu]il1 e ridicula4 ,primeiram5te se alguma coiza valse1 dev]ia pratic>-se com v]sos ,portuguezes3 porque s eses int5dem os e/udantes4 ,e qual o e/udante que int5de1 os v]sos ,lat9os das-regras1 pr9cipalm5te s5do tam embrulhados1 como os d-,p4 ,manoel ,alv>es8 ,o c]to 1 que progunt&o eu a alguns rapazes1 a explicasam deles1 n5hum ma-s\be d>4 ,e eisaqui temos1 que p>a os rapazes1 nam s]vem os tais v]sos4 ,se pois falamos dos-om5s adiantados1 e/es sabem ,latim1 polo ex]cicio de l]1 escrev]1 e fal>3 comque nam tem necesidade1 de recorr] a semelhantes regras4 ,e se qu]em exam9>1 alguma dificuldade de ,gramatica1 vam consult> os ,criticos1 que z explicam3 nam z simplezes ,gramaticas1 que nem m5os z-tocam3 e talvez e/ablecem pr9cipios1 contr>ios mesma solusam4 ,f9alm5te a ,gramatica ,lat9a p>a os ,portuguezes1 deve s] em ,portuguez4 ,e i/o p>ece quiz diz] o ,p4 ,manoel ,alv>es1 na adv]t5cia que faz aos me/res1 no-fim das-decl9aso5s dos-,v]bos#af4 a9daque ele praticase o contr>io1 d-que aconselha3 pois dev]ia1 nam t] dado o exemplo1 introduz9do uma ,gramatica puram5te ,lat9a4 ,a outra coiza que se-deve reprov> 1 que obriguem os rapazes1 a apr5d] trez sortes de regras3 em v]so1 em proza ,lat9a1 e em proza ,vulg>3 como adv]te bem o dito ,padre4 ,i/o1 qu&o nam lhe-queiramos d> outro nome1 p]d] tempo1 sem utilidade1 e com prejuizo gr&e3 sem av] outra razam1 que seguir um co/ume envelhecido1 a9daque prejudicial4 ,mas o que mais me-admir\ ne/e p>ticul>1 e cl>am5te me-mo/r\1 quanto pode nos-,om5s a preoccupasam dos-primeiros e/udos1 foi1 v] que o ,s>g5tomr ,manoel ,coelho1 que p>ecia s] mais alumiado ne/as mat]ias1 p]t5d5do di/+uir-se d-,comum1 d&o aos pr9cipiantes1 uma facil explicasam das-oito p>tes da-orasam2 a9da asim caie na simplicidade1 de pr primeiro a regra em ,latim p>a um rapaz1 que a9da nam tem noticia da-dita l+ua2 mas que apr5de os primeiros elem5tos4 ,tal a =sa de um mao co/ume1 que cega a9da aqueles1 que qu]em dezembrulh>-se dele6 ,e/a reflexam su/ancial3 mas a9da outras de maior mom5to4 ,entremos bem d5tro na ,gramatica4 ,toda a ,gramatica ,lat9a se-r$uz a explic>1 a natureza1 e acid5tes das-oito vozes1 que podem entr> na orasam ou discurso3 e o modo de z-unir1 e compor os p]iodos4 ,e i/o deve-se faz] com a maior cl>eza1 e mais breves regras1 que se pud]em excogit>4 ,o que c]tam5te nam se-consegue com a ,gramatica uzual3 porque nam coiza mais confuza1 nem mais *eia de exceso5s1 que a dita ,gramatica1 como todos vem4 ,o mundo e/ava mui falto de noticias1 e de metodo1 antes d-seculo pasado4 ,desde o re/ablecim5to das-letras ,umanas na ,europa1 direi melhor1 no-,ocid5te1 que podemos fix> nos-pr9cipios d-seculo ,,xv4 melhor direi1 desde a inv5sam da-,impr5sa no-meio d-dito seculo2 at o fim d-,,xvi4 nam tiv]am os om5s tempo de cuid>1 em d> metodo proprio s ,letras1 e ,ci5cias4 ,nam fiz]am p\co aqueles primeiros d\tos1 em procur> manuscritos1 e impremir os antigos autores1 mais corretam5te que pudese s]4 ,a*amos alguns1 no-fim d-,,xv4 e no-,,xvi4 seculo1 que =am letrados =sa de e/udo1 mas nam de metodo4 ,temos tambem alguns om5s1 que s\b]am bem ,latim nese seculo1 porque liam muito polos bons autores3 nam porque tivesem a*ado a *ave1 de ir p>a diante com facilidade1 e explan> z dificuldades de ,gramatica1 aos e/udantes4 ,f9alm5te esa gloria e/ava rez]vada1 p>a o seculo ,,xvii4 ,os pasados seguiam uns a outros1 sem mais eleisam1 que o co/ume4 viam1 e e/udavam com os olhos1 e juizo alheio4 ,mas no-pr9cipio d-seculo ,,xvii4 ap>ecram alguns1 que quiz]am s]vir-se d-proprio3 e foi-lhes facil1 conhec] os erros dos-antec$5tes1 porque eram gr&es4 ,asim se-abrram os olhos ao mundo1 em todo o s5tido4 um conhecim5to facilit\ outro4 e eisaqui ab]ta a porta ao metodo4 ,de-me ,v4 ,p4 om5s1 que queiram exam9> z mat]ias com razam2 que nam inculquem um autor1 porque seus me/res lho-dis]am1 mas porque digno de seguir-se2 que eu lhe-prometo1 adiantam5to nas ,ci5cias todas4 ,a seu tempo discorr]ei das-outras3 agora cont9uemos com a ,gramatica4 ,t9ha no-tempo d-,concilio de ,tr5to o d\to ,julio ,cez> ,escalig]o1 comesado a exam9> a ,lat9idade1 segu9do o exemplo1 e lumes d-famozo ,ago/9ho ,saturnio2 o qual t9ha ja notado v>ios erros1 nos-outros ,gramaticos4 ,escalig]o1 d&o um paso adiante1 public\ um livro1 com o titulo ,de ,caussis ,l+u ,lat93 em que d\tisimam5te expoem o seu s5tim5to1 sobre os elem5tos da-,gramatica3 mas nam toca a con/ruisam das-,p>tes4 ,a leitura de/e livro1 abrio os olhos a ,francisco ,san*es1 que era um pr(esor celebre de letras ,umanas1 na ,univ]sidade de ,salamanca4 ,e/e d\to empre5deu no-segu9te seculo1 com o mesmo titulo1 a explicasam da-con/ruisam das-p>tes daorasam3 e com tanta felicidade1 que descobrio z v]dadeiras cauzas1 at quele tempo ignoradas4 ,e/e livro incontr\ em ,salamanca1 e tr\xe p>a ,roma1#ag nos-pr9cipios d-seculo pasado1 o famozo ,gasp> ,scioppio1 ,conde de ,cl>avale1 de nasam ,tudesca3 aquele gr&e omem em letras ,sagradas e ,pr(anas2 e que empreg\ toda a sua vida1 em e/udos gramaticos4 ,o livro de ,san*ez fez todo o efeito1 que podia esp]>-se4 ,scioppio 7que nam co/umava diz] bem1 daquilo que o-nam-m]ecia2 antes1 polos seus inimigos1 ta*ado1 como c5sor dezumano7 c$5do evid5cia das-razo5s1 proseguio o mesmo metodo de ,san*es3 ilu/r\1 e re=m\ a sua d\tr9a3 e compoz a primeira ,gramatica1 que ap>eceo segundo os tais pr9cipios4 ,no-mesmo tempo o famozo ,g]>do ,joam ,vossio em ,ol&a1 tam b5em]ito das-letras ,umanas1 e ,sagradas1 explic\ a9da melhor o dito metodo2 segu9do em tudo ,san*es1 e ,scioppio2 os quais ou copeia1 ou ilu/ra4 ,e/a 1 e s] sempre1 a ,epoca famoza da-,lat9idade1 e ,gramatica4 ,a e/es trez gr&es om5s1 seguram em tudo e por-tudo os melhores ,gramaticos1 que despois ouv]am3 e devem seguir1 os que tem juizo p>a conhec]1 como se deve e/ud> a ,lat9idade4 ,por-,fransa1 ,alemanha1 ,ol&a1 ,italia1 e outras p>tes se-dilat\ e/e metodo3 e alguns escrevram belisimas ,gramaticas1 segundo os tais pr9cipios4 ,a razam porque nam se-propag\ mais 1 porque pola maior p>te os e/udos da-,mocidade1 sam dirigidos por-alguns ,religiozos1 que seguem outras op9io5s4 ,os d\tisimos ,jezuitas1 ens9am gr&e p>te da-,mocidade1 em v>ias p>tes da-,europa3 e nam qu]5do ap>t>-se1 d-seu ,manoel ,alv>es1 rejeitram todas z novas ,gramaticas4 ,alguns de/es ,religiozos1 que trato famili>m5te1 e e/imo muito pola sua d\tr9a1 e pi$ade2 me-dis]am cl>am5te1 que bem viam1 que o ,alv>es era confuzo1 e difuzo2 e que z outras eram melhores3 nem se-podia neg>1 que os pr9cipios de ,scioppio fosem cl>os1 e c]tos3 mas que o ,p4 ,g]al nam qu]ia1 se-ap>tasem d-,p4 ,alv>es1 por-s] ,religiozo da-,companhia4 ,e/e o motivo1 porque o ,p4 ,alv>es se-cons]v\1 nas escolas dos-tais ,religiozos3 e e/a tambem a origem da-t5acidade1 comque muitos seguem1 aquilo mesmo que cond5am4 ,os outros ,religiozos1 a9daque nam sejam ,jezuitas1 tem z mesmas obrigaso5s1 e op9io5s4 ,a maior p>te1 cuida p\co niso3 e vam viv5do1 como seus me/res lhe-ens9ram4 ,nam tem noticia dos-melhores autores1 que na mat]ia3 cuidam1 que no-mundo nam outra ,gramatica1 fra que a d-,p4 ,alv>es4 ,e todos e/es1 cont5t&o-se de int5d]1 um p\co de ,latim bom1 ou mao1 nam cuidam em sab] ,gramatica4 ,os me/res ,secul>es1 pola maior p>te1 sam ignorantisimos1 e puros p$antes4 e de/a sorte de g5te nunca esp]\ aum5to1 a republica ,lit]>ia4 neces>io porem confes>1 que fra de ,portugal1 a9daque p]zi/am algumas de/as razo5s1 muitisimos ,religiozos1 e ,secul>es ens9am1 segundo os v]dadeiros pr9cipios4 ,comque1 consid]ado bem tudo i/o1 nam tem que se-m>avilh> ,v4 ,p4 de que um metodo1 que l\vam tanto os om5s d\tos1 t5ha tido tam mao recebim5to1 em v>ias p>tes4 ,mas e/as ,gramaticas que tem saido1 a9daque sigam os mesmos pr9cipios1 nem todas se explicam com igual cl>eza4 ,eu direi o que a*ei nas melhores1 e o como se-pode ord5> uma ,gramatica1 util p>a a ,mocidade4 ,a ,gramatica deve-se dividir1 em dois volumes4 ,no-primeiro1 devem-se trat> aquelas coizas1 que indisp5savelm5te devem e/ud> os pr9cipiantes4 no-segundo1 aquelas reflexo5s1 que sam mais proprias p>a os adiantados1 e p>a os me/res3 como sam z dificuldades de ,gramatica1 e z razo5s daquelas regras1 que p>ecem m5os comuas4 ,explico agora a primeira p>te4 ,e/a primeira p>te 7podemos-lhe *am> pura ,gramatica3 porque a segunda1 sam com5tos sobre ela7 divide-se naturalm5te1 em quatro p>tes3 ,etimologia1 ,s9taxe1 ,ortografia1 e ,prozodia4 a primeira trata das-,vozes3 a segunda da-,uniam delas3 a t]ceira das-,letras3 a qu>ta da-,quantidade das-silabas4 ,,etimologia4 ,na primeira p>te1 trata-se da-origem e dif]5sa das-vozes ,lat9as1 que podem entr> na orasam1 por-sua ordem4 ,primeiro1 explica-se o ,nome1 e suas especies4 ,o ,nome1 tem trez acid5tes1 que sam1 ,g5]o1 ,cazo1 ,t]m9asam4 ,os ,g5]os1 que tanta bulha fazem nas escolas1 explicam-se com toda a brevidade4 regras g]ais da-significasam1 e p>ticul>es da-t]m9asam4 ,na primeira regra1 poem-se todos os que p]t5cem ao ,mascul9o4 v4g4 ,sam d-,mascul9o1 os nomes de ,om5s c4 #b4 ,sam d-,fem99o1 os nomes de ,molh]es1 ,naos c4 #c4 ,sam d-,neutro1 os nomes de ,letras1 ,frutas c4 ,tambem z p>ticul>es1 se-r$uzem a trez4 v4 g4 ,sam d-,mascul9o os nomes em ,o1 como ,s]mo3 em il1 como ,mugil c4 ,acabado i/o1 poem-se um escolio que diga3 ,nomes que sam d-,mascul9o1 por-excesam das-outras regras4 v4g4 ,cometa1 ,adria1 ,h>pago1 ,spl5 c4 ,o mesmo metodo se-pode pratic> no-,fem99o1 e ,neutro4 ,e com seis regras1 se-explicam todos os ,g5]os3 e se-acaba e/a gr&e b>afunda de ,c>tapacios4 ,se pois o e/udante quiz] sab] a razam1 porque alguns nomes1 que p>eciam de um g5]o1 se-atribuem a outro2 pode ir v]1 a segunda p>te da-,gramatica4 ,segue-se explic>1 quantos ,cazos tem o ,nome4 e em #c4o lug> a ,decl9asam3 mo/r&o quantas 3 e em cada uma delas1 quais sam a ,lat9as1 quais z ,gregas4 ,tudo i/o se-pode diz]1 com muita cl>eza e brevidade2 ba/&o aleg> um exemplo1 em cada especie de t]m9aso5s1 que podem entr> em cada decl9asam4 ,com e/e metodo1 em uma vi/a de olhos1 p]cebe o e/udante os nomes1 que p]t5cem a cada decl9asam4 ,despois1 podem-se explic> os ,nomes ,compo/os1 os ,anomalos de g5]o1 de num]o1 de cazo1 e de decl9asam4 ,a segunda especie de ,nome1 o ,adjetivo4 ,e aqui tem lug> explic>1 z div]sas especies de ,adjetivos3 ,pozitivos1 ,comp>ativos c4 z suas decl9aso5s1 e anomalz4 ,o ,pronome1 tem seu lug> despois d-,nome3 porque tambem 1 uma especie de ,adjetivo4 ,onde deve explic>-se logo1 a sua div]sidade3 e z decl9aso5s dos-,simplezes1 e ,compo/os4 ,o ,v]bo1 a mais dificultoza p>te1 nas ,gramaticas vulg>es3 e por-iso p$e gr&e at5sam4 ,explicadas z divizo5s dos-,v]bos2 e apontado1 que quatro ,decl9aso5s ou ,conjugaso5s3 segue-se logo1 explic> os ,pret]itos4 v4 g4 ,a primeira1 tem no-inf9ito a longo antes de re3 no-,pret]ito faz1 avi3 no-,sup9o atum3 ut amo1 amavi1 amatum1 amre4 ,tiram-se os ,v]bos em bo1 ut ,cubo3 em co1 ut ,mico c4 ,e i/o se-obs]v> em todas z ,conjugaso5s4 ,de/a sorte conclue-se em p\cas palavras1 toda aquela gr&e ar5ga de ,pret]itos1 que nam tem fim nas escolas de ,portugal4 ,se pois o e/udante nam qu] apr5d]1 toda aquela enfiada de ,v]bos1 nam emporta3 ba/a que apr5da um exemplo1 e saiba busc> os outros3 porque a pratica ens9a o demais4 ,seguem-se z ,decl9aso5s dos-,v]bos1 a que vulg>m5te *amam1 ,l+uag5s4 ,e aqui a*amos ba/antes erros1 nas ,gramaticas comuas1 e tambem confuzo5s3 porque m&am apr5d] aos rapazes1 coizas totalm5te sup]fluas2 e nam explicam z neces>ias4 ,quanto ao ,indicativo1 concordamos com ,manoel ,alv>es3 s dizemos1 que aquele ,pret]ito plus quam p]feito1 uma ar5ga1 que n5hum e/udante int5de2 nem os me/res explicam4 ,deve-se explic> asim3 ,amavi1 ,pret]ito p]feito proximo2 que afirma uma coiza1 simplezm5te pasada3 ,amav]am1 ,pret]ito p]feito remoto1 que nam s se-int5de de uma coiza pasada2 mas que ja era pasada1 antes de outra1 de que eu falo como pasada4 ,dizemos mais1 que aquele ,futuro p]feito1 nam o- no mundo3 pois e/a voz1 o mesmo ,futuro segundo1 que ele poem no-,conjuntivo4 ,alem dos-primeiros tempos d-,indicativo1 tem o ,v]bo1 segundo ,prez5te1 que ,amem3 segundo ,imp]feito1 que ,am>em3 segundo ,p]feito1 que ,amav]im3 segundo ,pret]ito remoto1 que ,amavissem3 segundo ,futuro1 que ,amav]o4 ,mas i/o pode-se explic> em ,portuguez1 com div]sas palavras4 ,a e/as segundas vozes1 ou segundo modo1 podemos *am> ,conjuntivo3 porque pola maior p>te1 une-se com outras p>tes4 ,daqui vem1 que erro1 pr nas ,gramaticas3 ,modo ,optativo1 ,conjuntivo1 ,pot5cial1 ,p]misivo3 porque por-e/e e/ilo1 podem-se acrec5t> muitos outros ,modos3 s5do c]to1 que1 ajunt&o-lhe novas p>ticulas1 nacem dif]5tes modos de se-explic>4 ,ba/a adv]tir ao e/udante1 que aquele ,amem1 pode-se tom>1 em div]sos s5tidos3 o que se-conhece1 polo contexto da-orasam4 tudo o mais tempo p]dido1 e ens9> uma falsidade3 pois nam tais modos sep>ados3 s5do que a l+uagem1 ou a voz sempre a mesma4 ,amem1 qu&o significa posibilidade1 e qu&o significa p]misam1 nam se-di/+ue mais1 que polo contexto4 ,e i/o ba/ava que brevem5te se-adv]tise1 apont&o um exemplo3 porque o mais ens9a a lisam1 e reflexam sobre os bons autores4 ,o t]ceiro ,modo o ,imp]ativo3 a que podemos *am>1 por-di/9sam1 ,prez5te t]ceiro3 ,ama4 ,futuro t]ceiro3 ,amato4 ,o ,inf9ito1 aquele2 a que v]dadeiram5te devemos *am>1 ,impesoal3 pois nam tem det]m9ado num]o1 ou pesoa1 ou tempo c4 ,e/e tem uma voz3 a que1 a9daque impropriam5te1 podemos *am>1 ,prez5te1 e ,imp]feito3 que ,am>e4 a qual tem todas z significaso5s d-,prez5te1 e ,imp]feito primeiros4 ,p>a os outros ,pret]itos s]ve1 ,amavisse4 ,tem ,futuro1 que ,amaturum esse3 e outro ,futuro remoto1 que ,amaturum fuisse4 ,g]undios1 ,sup9os1 e ,p>ticipios4 ,i/o po/o1 deve-se explic>1 como se-=mam os tempos4 ,e ni/o se-compre5de1 a primeira p>te das-,l+uag5s4 ,seguem-se os ,v]bos ,anomalos1 qu]o diz]1 os que nam tem analogia1 com z quatro ,conjugaso5s3 sam ,volo1 ,nolo1 ,malo1 ,f]o1 ,eo1 ,edo1 ,fio1 ,mem9i c4 ,aio1 ,inquam1 ,=em4 ,e ni/o se-enc]ra tudo1 o que se-diz d-,v]bo4 ,os ,gramaticos fazem aqui uma b>afunda de explicaso5s1 e divizo5s1 em ,neutros1 ,comuns1 ,depo5tes1 ,dim9utivos1 ,frequ5tativos1 ,d5om9ativos1 ,imitativos c4 mas tudo i/o sup]fluo4 ,todos os ,v]bos1 tir&o dois1 sam ,ativos1 ou ,pasivos3 porque ou significam zm1 ou paixam3 e a e/as especies se-r$uzem os apontados4 ,ba/a adv]tir1 o que significam e/as palavras1 e a que conjugasam p]t5cem os ditos v]bos3 apont&o um exemplo de cada um4 o que porem melhor se-faz1 no-ex]cicio da-leitura1 e tradusam4 ,ao ,v]bo1 segue-se o ,p>ticipio3 que aqui se-deve explic> com z suas divizo5s4 not&o quais sam os ,v]bos que os-tem3 quais os em que faltam3 quais deles =mam ,comp>ativos1 e ,sup]lativos4 ,no-,adv]bio1 deve-se explic> e apont>1 os que sam de progunt>1 os que significam tempo1 lug>2 e outras dif]5tes especies deles4 ,despois1 a ,prepozisam3 mo/r&o z que sam sep>aveis1 e z que se-nam-sep>am4 ,como tambem adv]tir1 que coiza acrec5tam ao ,nome1 e ,v]bo1 e/as ,prepoziso5s4 ,sobre a ,int]jeisam1 deve mo/r>1 quais sam z que significam1 os dif]5tes afetos d-animo1 p>a o e/udante pod] s]vir-se na ocaziam4 ,a ,conjunsam1 tambem tem suas especies3 que sam ,conjuntiva1 e ,disjuntiva1 ,condicional1 ,concesiva c4 e e/as todas devemos apont>3 aleg&o exemplos em cada uma4 ,despois da-,etimologia das-vozes1 tem lug> explic> o ,metaplasmo3 que vale o mesmo que diz]1 c]tas figuras1 polas quais se-acrec5tam1 ou dim9uem z letras das-diso5s3 v4 g4 ,gnavus pro ,navus c4 ,noticia e/a sumam5te util p>a int5d]1 z dif]5tes vozes ,lat9as4 ,e ni/o se-compre5de1 tudo o que deve sab]-se sobre a ,etimologia1 com a maior cl>eza1 e brevidade imag9avel4 ,,s9taxe4 ,despois1 segue-se a ,s9taxe4 ,e a qui maior a dificuldade3 porque se a ,etimologia1 nas ,gramaticas ord9>ias1 confuza2 a ,s9taxe delas a mesma confuzam4 neces>io v>i> muito d-comum1 p>a ens9> v]dadeira ,s9taxe4 ,nam t5ho tempo p>a prov> o que digo3 mas seguro a ,v4 ,p4 que o que escrevo1 ja provado evid5tem5te1 polos autores que aponto1 e outros que os-com5tram3 e que1 se a necesidade o p$ise1 com p\co trabalho mo/r>ia tudo3 porque t5ho vi/o o que ba/a4 ,e asim apont>ei som5te1 z rezoluso5s4 ,a ,s9taxe ens9a a unir z vozes1 p>a faz] a orasam3 e1 por-meio de/a1 =m> um bem regulado discurso4 ,a con/ruisam ou uniam ou ,regul>1 que segue z regras da-,arte3 ou ,figurada1 que se-desvia delas1 mas funda-se na autoridade dos-bons escritores4 ,a con/ruisam ,regul> funda-se na ,concordancia1 ou na ,reg5cia4 ,*amo ,concordancia1 qu&o z p>tes concordam1 em alguma coiza comua4 v4g4 o ,su/antivo concorda com outro ,su/antivo em cazo1 que comum a ambos4 ,nas ,concordancias a*amos alguns erros comuns1 que em breve apont>emos4 ,nam se-devem admetir mais concordancias1 7nam falo daquela entre dois ,su/antivos7 que de ,su/antivo com ,adjetivo3 ,v]bo com o ,nome4 ,o ,adjetivo concorda com o ,su/antivo em num]o1 e cazo1 que sam comuns a ambos3 nam em g5]o1 porque o ,adjetivo nam tem g5]o1 mas som5te o ,su/antivo3 poem-se porem o ,adjetivo em uma t]m9asam1 conrespond5te ao g5]o d-,su/antivo4 ,alem di/o o ,adjetivo1 nam concorda com o ,su/antivo proprio1 v4g4 ,petrus3 mas com o ,su/antivo comum1 v4g4 ,homo3 e vale o mesmo diz]3 ,petrus e/ bonus3 que se disese-mos3 ,petrus e/ homo bonus3 vel artifex1 vel magi/] bonus c4 ,qu&o nam nome comum1 recorre-se aos nomes1 ,res1 ,factum1 ,opus1 ,negotium1 e outros semelhantes1 que antigam5te t9ham1 significasam mais ext5sa1 que a que oje lhe-dam4 ,damesma sorte qu&o ,ovidio dise3 ,nox1 ,amor1 ,v9um nil mod]abile suad5t2 deve-se int5d] asim3 non suad5t factum1 vel opus1 vel negotium mod]abile4 ,virgilio umas vezes dise3 ,prne/e altum3 int5d5do ,oppidum4 outras vezes3 ,prne/e sub ipsa3 int5d5do sub ipsa ,civitate4 podia tambem diz]3 ,prne/e altus3 int5d5do ,locus4 ,t]5cio dise3 ,eunu*um suam2 int5d5do ,como$iam1 ou ,fabulam2 porque ,eunu*us mascul9o4 ,deixo outros exemplos1 com que se-mo/ra1 que a concordancia sempre com o ,su/antivo comum4 inf9itos exemplos que provam1 que o ,relativo concorda com o susequ5te expreso1 ou supreso1 em num]o1 cazo1 e t]m9asam conrespond5te ao g5]o3 damesma sorte que outro ,adjetivo4 ,temos exemplo bem cl>o em ,cic]o1 d-expreso3 ,ego tibi illam ,aciliam legem re/ituo1 qua lege simul accusa/i#ah3 e em outra p>te#ai3 ,sequitur enim caput1 quo capite non p]misit4 ,cez> abunda muito de/es modos de fal>1 porque afetava cl>eza4 ,a*am-se exemplos d-supreso3 ,populo ut plac]5t1 quas fecisset fabulas#bj3 i4 e4 ,populo ut plac]5t fabul1 quas fabulas fecisset4 ,d-que fica cl>o1 que o ,relativo concorda1 em g5]o1 num]o1 e cazo1 como dizem comum5te1 com o seu susequ5te2 que o mesmo antec$5te-repetido4 ,i/o ba/a por-agora4 ,a segunda concordancia1 d-,v]bo com o ,nome3 os quais concordam em num]o1 que comum a ambos3 nam em pesoa1 porque e/a som5te d-,v]bo3 mas poem-se o ,v]bo em uma t]m9asam1 conrespond5te pesoa1 que o ,nome significa4 ,devem-se porem adv]tir algumas coizas4 ,i4 ,a primeira1 e segunda pesoa d-,v]bo1 r>as vezes se-con/rue com o ,nome expreso1 s5am por-di/9sam1 ou emfaze4 ,,ii4 ,a t]ceira pesoa d-,v]bo1 con/rue-se tambem com um ,v]bo inf9ito4 v4g4 ,scire tuum nihil e/3 pro1 sci5tia tua4 ,tambem algumas vezes sem nome expreso3 v4g4 ,aiunt1 supple1 hom9es4 ,tonat1 sup4 ,deus4 outras vezes com o ,nom9ativo3 ,saxa pluunt4 ,tambem se-uza d-,nome1 sem ,v]bo expreso3 ,r>i quippe boni4 i4 e4 sunt4 ,,iii4 ,no-,v]bo com o ,nome1 tem lug> a ,figura ,s9tesis1 que p>ece1 que discorda d-,nome expreso3 mas a v]dade que concorda1 com o s9onimo oculto4 v4 g4 ,p>s epulis on]ant m5sas3 onde o ,v]bo concorda1 com o s9onimo oculto1 ,plurimi4 ,tem tambem lug> a figura ,zeugma1 em que o ,v]bo concorda1 com o mais viz9ho3 ,tu quid ego1 populus mecum desid]et1 audi4 ,tem tambem lug> a ,silepsi1 emque o ,v]bo concorda1 com o mais digno3 ,si tu1 ,tullia lux no/ra valetis1 ego1 suavissimus ,cic]o valemus4 ,,iv4 ,porque o ,adjetivo significa acid5te1 nam pode e/> s sem su/antivo1 que signifique a su/ancia4 o mesmo digo das-t]m9aso5s d-,v]bo que significa1 movim5to de alguma coiza3 e asim sempre se-sub9t5de a dita coiza4 ,nam ,orasam sem ,v]bo1 e ,nome4 se o ,v]bo f9ito1 o supo/o ,nom9ativo3 se inf9ito1 ,acuzativo4 ,a ,letra1 ,silaba1 ,voz1 e ,orasam1 pode s] supo/o d-,v]bo1 e d-,adjetivo4 ,v4 ,d-sobr$ito se-inf]em v>ias coizas4 falso1 que os ,nomes de num]o1 come tres1 decem1 concordem entre si4 falso1 que os ,adv]bios1 e ,conjunso5s concordem com o ,indicativo1 ,optativo c4 deve-se diz]1 que se-con/rue um com outro4 ,e ni/o com p\ca dif]5sa se-compr5de1 tudo o que se-diz da-,s9taxe de concord>4 ,a ,reg5cia1 a que mo/ra o seu efeito1 em outra coiza que rege4 ,quatro sam z vozes que regem outras3 ,nome1 ,v]bo1 ,p>ticipio1 e ,prepozisam4 falso1 o que se-ens9a comum5te1 que o ,adv]bio1 ,conjunsam1 ,int]jeisam1 ,v]bo pasivo1 ,p>ticipio pasivo1 ,g]undio1 ,nome adjetivo1 reja1 e pesa cazo3 porque o cazo que se-a*a com eles1 regido de uma p>te supresa1 pola figura ,ellipsis4 ,a reg5cia ou ,gramatical1 que segue z regras da-arte3 ou ,figurada1 que se-desvia delas4 ,e porque a reg5cia se-ex]cita nos-,cazos d-,nome1 daqui vem1 que toda a ,s9taxe de ,reg5cia se r$uz1 explicasam deses seis ,cazos4 v4g4 no-,nom9ativo aponta-se1 qu&o entra na orasam4 despois1 quais sam z p>tes da-orasam1 que se-con/ruem com ele1 ou simplez1 ou dobrado4 ,o mesmo digo de todos os outros ,cazos3 na explicasam dos-quais deve-se muito adv]tir1 de mo/r> quais sam z p>tes1 que v]dadeiram5te os-regem3 e nam engan> os e/udantes1 com z d\tr9as das-,gramaticas vulg>es4 ,v4g4 o ,g5itivo cazo som5te regido1 por-um ,su/antivo expreso1 ou supreso3 ou por-uma p>te1 que e/eja em lug> de ,su/antivo4 pois neces>io mo/r>-lhe1 que se-enganam os outros1 que atribuem o tal ,g5itivo1 a outras p>tes da-orasam4 ,com e/e metodo1 explica-se mui brevem5te a ,s9taxe1 e mui solidam5te3 porque se-r$uzem todas z con/ruiso5s figuradas1 ao modo de fal> regul>3 e se-descobrem os v]dadeiros pr9cipios da-,reg5cia3 po/os os quais1 dezap>ecem todos aqueles ,ap5dices1 e ,limitaso5s da-,gramatica uzual3 z quais nam de outra coiza nacem1 s5am de e/ablec] pr9cipios falsos4 ,despois1 explica-se a ,gramatica ,figurada3 e se-aponta o fundam5to da-,figura1 e como se-pode r$uzir con/ruisam natural4 porque sem e/a intelig5cia1 nam se-pode ir p>a diante na ,gramatica4 ,,ortografia1 ,e ,,prozodia4 ,z outras duas p>tes da-,gramatica sam mais facis1 porque m5os contr>iadas4 ,a noticia das-,letras1 e ,ortografia1 sumam5te neces>ia1 p>a escrev] bem1 e l] corr5tem5te nam s a mod]na1 mas tambem a antiga escritura3 em que v>eiam muito z letras4 ,o mesmo digo da-,prozodia1 ou quantidade das-silabas4 ,tambem ni/o neces>io1 uz> melhor metodo1 que o da-,gramatica comua3 e conheso eu muito bem1 que se podem diz]1 com mais cl>eza4 ,eisaqui tem ,v4,p4 uma idea d-que s9to1 sobre a ,gramatica4 ,p>ece-me ba/ante o que dise1 p>aque veja ,v4 ,p4 quanto trabalho encurt>ia uma ,gramatica1 concebida ne/es t]mos3 e uns pr9cipios tam cl>os1 como os em que se-funda4 ,nam poso dilat>-me mais ne/a mat]ia1 porque s]a compor ,gramatica2 e o meu argum5to nam ese4 ,eu sei1 quem tem compo/o uma ,gramatica1 p\co dif]5te da-ideia que propuzemos3 e tem compo/o outro p>ticul> escrito1 com que se-apr5de ,gramatica mais facilm5te1 e em m5os tempo3 os quais podia public>1 p>a utilidade de/e ,re9o4 ,dois nosos amigos lhe-p$iram in/antem5te1 que a-impremise3 mas ele desculpa-se sempre com diz]1 que mais facil1 conqui/> um novo mundo2 doque desp]suadir os ,velhos1 da-antiga ,gramatica4 ,cita alguns exemplos com que mo/ra1 que a paixam obra ne/es p>ticul>es mais1 que o juizo3 e lam5ta-se muito1 que se-t5ham reprovado tantas coizas1 sem z-l]em1 nem int5d]em4 ,o que eu poso segur> a ,v4 ,p4 1 que com e/e metodo1 apr5de-se em um ano mais ,gramatica1 doque nam sabem muitos1 que a ens9am tr9ta anos1 ou pasram nela toda a sua vida4 erro p]suadir-se1 que um omem ou deva1 ou posa t] prez5tes todas z regras1 que se-a*am na ,gramatica d-,p4,alv>es4 ,a exp]i5cia dev]ia dez5gan>1 os que e/udram por ela2 e mo/r>-lhe1 que aquele e/udo morre com a escola4 ,um e/udante1 despois de seis ou sete anos de ,manoel ,alv>es1 se acazo nam le os antigos ,lat9os1 e procura int5dlos2 ou nam pasa p>a a ,filoz(ia1 onde a necesidade o-obriga a int5dlos1 e fal> a tal l+ua2 fica toda a sua vida ignorante de ,latim1 com toda a sua ,gramatica4 ,porem se acazo segue o ex]cicio d-,latim1 de tal sorte se-famili>iza com a l+ua1 como se =a nacional2 e comesa a fal> por-uzo4 ,aqui nam neces>io mais prova1 que proguntlo a eses mesmos leitores4 ap5as cons]vam umas ideias g]ais1 das-regras de ,gramatica4 ,onde fica cl>o1 que tudo aquilo sup]fluo4 ,o metodo porem que aponto1 mais facil de se-cons]v> na memoria1 porque natural3 e *ega origem das-coizas4 ,mas em um e outro si/ema v]dade1 que preceitos sem uzo1 nada valem4 ,onde deve o e/udante1 nam s apr5d] a ,gramatica1 mas ex]cit> esas regras no-discurso1 na leitura1 e na composizam3 descobr9do em toda a leitura z regras1 que na ,gramatica lhe-ins9uam3 no-que deve t] igual cuidado o me/re1 que o e/udante4 ,no-primeiro ano1 deve ens9>lhe ,gramatica3 o que se-pode faz] com muita facilidade4 ,no-segundo1 traduzir os autores mais facis3 como algumas ,c>tas de ,cic]o1 z ,fabulas de ,f$ro1 ,t]5cio1 ,cornelio ,nepote4 procur&o que o e/udante as9e a reg5cia das-p>tes1 e descubra neses livros1 os pr9cipios que e/ud\3 e int5d5do z outras p>ticul>idades mais reconditas da-,gramatica3 z quais nam sam p>a o primeiro ano4 ,mas1 p>a proc$] ni/o com utilidade1 deve o me/re ord5> ao e/udante1 que ja vio uma vez a ,s9taxe1 que escreva em ,portuguez1 polas palavras que melhor lhe-p>ec]1 mas sempre dif]5tes daquelas1 que e/am na regra1 a razam de alguma regra2 apont&o um exemplo1 e explic&o z p>tes todas dese exemplo4 ,pode tambem o me/re tom>1 um p]iodo de duas regras1 em algum autor cl>o2 e dalo ao rapaz1 p>aque o-explique em uma folha de papel3 pondo nela toda a reg5cia gramatical1 sem deix> nem m5os uma virgula1 por-explic>4 ,e qu&o o rapaz aprez5ta a sua c>ta1 exam9lo de tudo1 o que nela se-contem2 p>a v] se v]dadeiram5te o-int5de4 ,e i/o mesmo se-pode pratic> ao pr9cipio1 qu&o traduzem os autores4 ,e/e modo de e/ud>1 nam enfada os pr9cipiantes1 vi/o d>em-lhe tempo p>a consid]>1 o que m-de escrev]4 ,ao pr9cipio1 deve s] em caza3 qu&o sam adiantados1 na escola4 ,alem diso o e/udante1 p>a escrev] a sua explicasam1 neces>io que leia1 e int5da bem a regra3 que busque no-,dicion>io1 o significado das-palavras3 e de/a sorte que a-imprime bem na memoria4 ,qu&o o e/udante = adiantado1 entam que se pode obrig>1 a repetilo de memoria3 mas nem sempre3 pois algumas vezes bom1 d>-lhe o p]iodo1 p>aque fasa a explicasam por-papel3 ,com a dif]5sa porem1 que se o p]iodo avia s] de quatro regras1 seja de seis1 ou oito4 ,explic&o i/o por-escrito1 incrivel1 quanto se-int5de melhor3 pr9cipalm5te se o me/re1 quanto lhe-tom> conta1 fiz] z proguntas neces>ias2 em5d> os erros1 e explic> tudo como deve4 ,mas e/a c>ta ja mais comprida1 doque eu qu]ia faz-la3 porem poso segur> a ,v4 ,p4 que a9da me-fica muito que diz]4 ,contudo d-que t5ho escrito1 fica bem cl>o1 o que eu int5do3 e p>a ,v4 ,p4 mais que ba/ante4 ,fico s ord5s de ,v4 ,p4 como seu criado4 ,illu/rao ,,notas ,,de ,,rodap3 #af ,patrio s]mone tantum decl>&a ,rudim5ta1 ,g5]a1 ,decl9ationes1 ,anomala1 ,prt]ita1 ,sup9a3 ne simul ligata soluta oratione prcepta memorit] recit>e cogantur4 ,quod etiam 9 ,syntaxi1 qu&o ea primum explicatur1 obs]v&um e/4 #ag ,veja-se a sua ,gramatica da-edisam de ,scav5io1 na ,prefasam4 #ah ,9 ,v]4 act4 #c4 #ai #b4 ,agr>4 #bj ,t]5t4 9 ,&ria4 ,illu/rao ,,c>ta ,,t]ceira4 ,,sum>io4 ,abuzos que se-introduzram em ,portugal1 no-ens9> a l+ua ,lat9a4 ,mao modo que os me/res tem1 p>a in/ruir a ,mocidade4 ,propoem-se o metodo1 que se-deve obs]v>1 p>a sab] com fundam5to1 e facilidade o que pura ,lat9idade4 ,necesidade da-,geografia1 ,cronologia1 e ,i/oria1 p>a pod] int5d] os livros ,lat9os4 ,apontam-se os autores1 de que os me/res se-devem s]vir na ,lat9idade3 e como devem s]vir-se deles2 e expliclos com utilidade3 e z melhores ediso5s4 ,aponta-se o modo de cultiv> a ,memoria1 e ex]cit> o ,latim nas escolas4 ,meu amigo e s5hor1 ,t>dei em escrev] a ,v4,p4 porque tive legitimas ocupaso5s4 ,cont9u&o pois o fio das-m9has reflexo5s1 da-,gramatica paso p>a a ,lat9idade3 porque me-p]suado1 que e/e mesmo cam9ho deve seguir o e/udante1 que qu] t] p]feita noticia1 da-l+ua ,lat9a4 ,e/a noticia c]tam5te nam se-consegue1 com a pura ,gramatica3 mas com a cont9ua lisam de bons autores1 e reflexam sobre z suas melhores obras4 ,aliud e/ grammatice1 aliud lat9e loqui3 adv]tio ja no-seu tempo ,qu9tiliano4 e com muita razam3 porque a escrupuloza sugeisam s regras da-,gramatica imp$e1 sab] fal> a l+ua4 ,a ,gramatica a porta1 pola qual se-entra na ,lat9idade3 e quem pra no-ve/ibulo1 nam pode v] z s+ul>idades d-,palacio4 ,quantos om5s a*a ,v4 ,p4 que1 com t]em sido me/res de ,gramatica muitos anos1 saibam peg> na p5a1 e escrev] uma pag9a em bom ,latim8 respond] a uma c>ta com facilidade8 e faz] qualqu] outra coiza1 em que seja neces>io1 uz> da-l+ua ,lat9a8 ,eu conheso inf9itos sugeitos1 que pasram a sua vida ne/e ex]cicio1 e qu&o m-de escrev] ,latim1 s]vem-se de expreso5s em tudo b>b>as1 e indignas d-seu ex]cicio4 ,outros1 a9daque t5ham eleisam de palavras1 nam se-despem dos-idiotismos da-sua l+ua3 que o mesmo que fal> ,portuguez1 com palavras ,lat9as4 ,uma vez que obs]vam1 aquela reg5cia gramatical que e/udram1 p>ece-lhe que fazem a sua obrigasam4 ,os que se-qu]em ap>t> de/e uzo1 decl9am p>a outro extremo viciozo1 que a afetasam3 e nam buscam1 s5am palavras gr&es e sonoras1 sesquip$alia v]ba1 com z quais atroem os ouv9tes1 ou leitores4 ,e daqui entam nace1 aquele e/ilo ridiculo1 que tanto dom9\ nos-seculos da-ignorancia2 e oje em ,italia *amamos1 e/ilo d-seculo ,,xvi4 ,a e/es ultimos *ama o comum dos-,gramaticos1 gr&es ,lat9os4 um l\v> a ,deus1 v] a prezunsam de uns1 e a ignorancia de outros4 ,a*ei-me prez5te em algumas oraso5s ,lat9as1 que se-recitram sobre div]sos asumtos2 e nam podia zs admir>1 a afetasam1 e e/ilo dezigual1 que re9ava em toda a orasam4 ,despois diso1 li muitas compoziso5s1 feitas por-eses mesmos3 li muitas po/ilas de div]sos leitores1 que t9ham pasado com l\vor1 por-aqueles bancos3 e em tudo notei o mesmo defeito4 ,e tudo i/o provm1 de se-cont5t>em com a erudisam de quatro temas1 que lhe-m&am compor3 e de nam se-int]n>em na lisam dos-bons autores1 e que escrevram no-tempo da-mais pura ,lat9idade4 coiza imposivel1 que um omem que t5ha tomado o go/o1 v]dadeira ,lat9idade1 com facilidade o-p]ca4 ,a9da qu&o trata asumtos umildes1 e argum5tos em que obrigado s]vir-se1 de expreso5s b>b>as1 v4g4 na ,filoz(ia1 ou ,teologia ,p]ipatetica2 ou a9da qu&o despreza o fal> elegante2 la mo/ra sempre1 o conhecim5to que pose daquela l+ua4 ,nos-seus escritos conhecem muito bem os om5s intelig5tes1 o que ele podia faz]4 caiem-lhe da-p5a palavras proprias4 um e/ilo facil e natural o c>at] das-suas obras4 ,mo/ra a exp]i5cia o que digo3 e convem ni/o os om5s de alguma d\tr9a4 ,daqui vem1 que os que qu]em faz] progreso na ,lat9idade1 procuram logo um autor facil e elegante1 como qualqu] dos-que na m9ha ultima apontei2 e desorte se-famili>izam com ele1 que tomam e imitam a sua fraze1 e modo de fal>4 ,quem qu] fal> uma l+ua1 deve conv]s> com os om5s que a-falam bem4 ora os que oje falam bem ,latim1 sam eses quatro livros1 que nos-deix\ a ,antiguidade3 e com eles neces>io conv]s> tanto1 que apr5damos o que se-pode apr5d]4 ,pode tambem av] p]igo1 na lisam deses mesmos bons livros3 e pode suc$]1 que com bons livros1 se-saiba mal ,latim3 ,digo i/o1 polo que t5ho obs]vado1 em gr&e p>te de/e ,re9o4 ,om5s 1 que lem indif]5tem5te1 todos os livros antigos2 e pola vaidade de qu]]em sab] tudo1 nam sabem nada4 ,=mam um e/ilo dezigual1 que nam de seculo algum3 e com gr&e trabalho1 nam conseguem o fim que qu]iam4 ,ne/e defeito1 nam s caiem os p\co d\tos2 mas *egram a cair1 om5s de gr&e d\tr9a4 ,erasmo1 que foi um omem tam d\to como ,v4,p4 sabe1 c5surado ne/e ponto4 ,a gr&e lisam que t9ha1 dos-antigos autores1 e ,padres1 imp$io-lhe =m> um e/ilo det]m9ado4 ,contudo iso1 nam sei se a*> ,v4,p4 muitos no-seu ,re9o1 que escrevam como ele4 ,o c]to 1 que ,erasmo nam lia os ,antigos por-vaidade1 mas por-necesidade dos-seus e/udos3 mas e/es de quem eu falo1 nam se-livram de/e pecado4 ,outros1 furtam indif]5tem5te1 de todos os autores que lem2 p>a pod]em en*] z suas compoziso5s3 s]vido-se imprud5tem5te1 de/es livros de ,fraseologia3 sem adv]tirem1 que sempre -de s] capa de rom5dos3 e que os div]sos mantim5tos primeiro se-m-de digirir1 p>a se-conv]t]em em uma su/ancia1 que seja uni=me e simplez4 ,a outra razam que 1 p>a que se-posam engan>1 a div]sidade de e/ilo1 e m]ecim5to deses mesmos ,antigos4 ,quanto ao e/ilo1 c]to que os qu]em s] ,i/oricos1 f>am mal em l] z ,filipicas de ,cic]o1 z ,com$ias de ,t]5cio1 os ,epigramas de ,catlo1 e outras semelhantes compoziso5s3 porque nam conduzem ao seu fim2 a9daque sejam escritas1 no-seculo da-bela ,lat9idade4 omes9o digo das-outras proporcionadam5te4 ,podem-se l] e/es autores3 mas cada um deve aplic>-se ao que insigne1 na mat]ia que ele trata4 ,se bem ouso diz]1 que ,t]5cio s]ve-se das-expreso5s1 no-seu proprio significado3 que ,cez> fal\ melhor1 que n5hum dos-,romanos3 nem por-iso ei-de logo met] ,cez>1 e ,t]5cio em toda a p>te4 p>a o conhecim5to da-l+ua1 todos me-podem s]vir3 nam asim p>a o ex]cicio p>ticul>1 que eu qu]o4 ,quanto ao m]ecim5to c]to1 que nem todos os ,antigos sam iguais4 antes muitos que escrevram no-seculo de ,augu/o1 e em tempo de ,tib]io1 fiz]am-no com tal neglig5cia1 que mal tem lug>1 na idade de prata da-l+ua ,lat9a3 e sem injuria se-podem coloc>1 na idade de bronze4 ,e/a adv]t5cia mais neces>ia em ,portugal1 que em outros ,re9os3 porque os me/res aqui1 tem p\ca noticia de/as coizas4 ,nas escolas da-,lat9idade1 v] ,v4,p4 traduzir livros1 de m]ecim5to mui dezigual3 e pas> de um p>a outro sem eleisam1 nem adv]t5cia1 som5te p>a en*] tempo1 e complet> o ano4 ,na #c4 e #d4 em que os rapazes comesam a traduzir1 explicam pola m5han1 z ,filipicas de ,cic]o c4 e de t>de1 a ,eneide1 ou ,ovidio de ,tri/4 ,na #b4 e #c4 pola m5han1 ,suetonio2 de t>de ,oracio4 ,mas eu vi mais3 vi um me/re que explicava aos dicipulos1 z ,oraso5s de ,cic]o1 ,m>cial1 e o ,!saurus ,poeticus4 ,e que coiza boa pode sair daqui8 ,nam ens9am aos e/udantes1 qual o m]ecim5to de cada autor1 que lhe-m&am traduzir3 e como pode o e/udante adv9hlo8 ,alem diso1 aquilo de explic> no-mesmo tempo1 proza1 e v]so1 e i/o a pr9cipiantes1 nam pode m5os1 que produzir mon/ruozidades4 ,o pobre e/udante1 com a memoria *eia de tam dif]5tes especies1 nam pode di/+uir o branco1 d-negro3 nem *eg> a conhec] bem1 qual o e/ilo da-proza1 e qual o d-v]so4 ,muito pior a9da 1 comes> por-tais livros3 porque z ,filipicas1 e ,eneide1 nam ,latim p>a rapazes1 mas p>a om5s feitos4 por-e/es livros devem acab> o e/udo1 e nam pr9cipilo4 ,tambem o ,suetonio1 nam livro proprio da-,escola1 porque nam escreve com a pureza dos-outros da-idade de oiro4 era melhor ,livio1 ,nepote c4 que1 alem da-pureza de l+ua1 sam p]feitos modelos de eloqu5cia4 ,outros m&am traduzir liso5s d-,brevi>io1 ou ,concilio de ,tr5to3 diz5do que sam neces>ias1 p>a quem -de seguir a ,igreja4 ,e i/o tambem uma sol5isima l\cura4 ,cada lisam d-,brevi>io de seu autor1 e de e/ilo dif]5te4 ,a9da das-que se-tiram da-,escritura1 se-deve diz] o mesmo3 umas sam oscuras1 que sam z dos-livros pr(eticos2 outras mais cl>as1 que sam z dos-i/oricos3 e o ,latim delas nam bom1 porque a fraze b>b>a4 ,e qu]]1 que um e/udante traduza i/o1 qu]]1 que nam saiba ,latim4 ,tambem o ,concilio nam prprio1 p>a d> boa d\tr9a3 porque se-s]ve de um e/ilo ,=5se proprio de ,roma1 que nam ,lat9o4 ,se o-fazem p>a int5d] e/es livros1 sup]fluo expliclos4 ,nam omem n5hum tam decepado1 que1 se int5de bem ,latim1 nam int5da z ,bulas2 a9daque nunca z-t5ha lido4 ,e/> o v]bo viz9ho ou di/ante1 nam muda1 ou dificulta o s5tido1 a quem le todo o p]iodo3 e quem tem alguma pratica delas1 int5de-z m>avilhozam5te1 a9daque seja mao ,lat9o1 como vi muitas vezes em ,roma4 ,o que supo/o1 muito mao emprego1 obrig> o e/udante a traduzir ,bulas1 ou ,con/ituiso5s3 e pr9cipalm5te a traduzilas palavra por-palavra1 como fazem e/es me/res4 ,o ,eclezia/ico1 nam neces>io que traduza2 ba/a que z-int5da4 ,antes muito mal feito1 obriglos a traduzir asim3 porque o tal ,latim nam se-deve traduzir ad v]bum1 mas ad s5sum4 ,o que ba/ava que o me/re adv]tise1 qu&o quizese d>-lhe alguma noticia diso3 pois em tal cazo ba/>ia1 que m&se l] alguns p]iodos1 e explic> o s5tido4 ,i/o ba/a3 o mais p]d] tempo4 ,contudo iso sam p\cos os que conhecem1 que com i/o se-p]de o tempo3 antes blazonam1 qu&o procuram embrulh> os rapazes1 com coizas oscuras4 ,a*ava-me eu em uma p>te1 em que c]to ,m4 de ,filoz(ia1 p>a exam9> um rapaz1 m&\-lhe traduzir aquelas palavras de ,s4 ,paulo ad ,cor4 ,aemulor enim vos ,dei mulatione c4 que era o capitulo da-,ora1 que e/ava rez&o4 ,o rapaz1 que nam era mao e/udante1 traduzio lit]alm5te3 mas como nam fazia bom s5tido1 o me/re dito deu gr&es rizadas1 e fez esc>neo d-rapaz4 ,eu calei-me por-prud5cia3 mas tive meus impetos de lhe-diz]1 ,v4,p4 ri-se de um pobre rapaz1 que nam obrigado a sab]1 o s5tido da-,escritura1 nem os ebraismos1 que se-a*am na ,vulgata3 e eu apo/>ei1 que ,v4,p4 o primeiro que nam int5de1 o que ni/o diz ,s4 ,paulo4 ,com efeito se eu ap]tava os negalhos1 e/ava c]to1 que s]a mui mao int]prete1 da-dita ,epi/ola4 ,o c]to 1 que nam maior p>voice1 que m&> traduzir palavras oscuras3 e que e/a p$ant]ia se-devia de/]r> de lug>es1 onde se-sabe fal>4 ,alem di/o1 obrigado o e/udante1 a compor v>ios p]iodos1 a que *amam oraso5s3 repetir uma quantidade de regras ,lat9as1 e ,portuguezas3 e se o pobre rapaz nam pode respond] a tudo1 em vez de lhe-alivi> o pezo1 e mo/r>-lhe a e/rada1 e animlo a proseguila2 dam-lhe muita palmatoada2 e obrigam-no a odi>1 todo o g5]o de e/udos4 ,de que nace1 aquela gr&e ignorancia1 que se-obs]va ne/es paizes4 ,daqui fica cl>o1 que com tal metodo1 p\co se-pode sab] de ,latim4 la/ima que os ,pr(esores1 nam *eguem a conhec] por-uma vez1 o ridiculo de/e co/ume4 ,todos os primeiros e/udos naturalm5te dezagradam1 porque sam cansados3 e p>aque avemos enfa/i> mais os pobres rapazes8 ,um omem consumado nos-e/udos1 qu&o e/uda uma l+ua e/rangeira1 v4g4 ,grego1 ,ebraico1 ou ,caldaico1 nam pode m5os que enfa/i>-se1 daqueles primeiros elem5tos4 ,tem gr&e dezejo de sabla3 conhece o metodo de apr5d] a dita l+ua3 reconhece a necesidade que tem dela1 p>a int5d] z ,escrituras ,santas3 contudo iso qu&o se-aplica a ela1 mil vezes deita fra os mesmos livros3 e nam-se-a*a com rezolusam1 de torn> a s]vir-se deles4 ,falo pola exp]i5cia propria1 e pola de alguns amigos1 que se-aplicram s l+uas e/rangeiras4 ,e nam a*a ,v4,p4 que uma crueldade1 ca/ig> rigorozam5te um rapaz1 porque nam int5de logo a l+ua ,lat9a8 que de si mesmo dificultoza1 e a9da o-p>ece mais1 na confuzam comque lha-explicam4 ,i/o o mesmo1 que met] um omem1 em uma caza sem luz1 e d>-lhe pancadas1 porque nam ac]ta com a porta4 ,v4 ,p4 e/ em uma ,univ]sidade1 onde facil dez5gan>-se com os seus olhos4 ,entre no-,colegio das-,artes1 corra z escolas baixas2 e v] z muitas palmatoadas1 que se-m&am d> aos pobres pr9cipiantes4 ,p5etre porem com a consid]asam1 o int]ior das-escolas3 exam9e se o me/re lhe-ens9a1 o que deve ens9>3 se lhe-facilita o cam9ho1 p>a int5dla3 se nam lhe-c>rega a memoria1 com coizas desneces>iisimas3 e a*> tudo o contr>io4 ,o que supo/o1 todo e/e pezo e/ fra1 da-esf]a de um pr9cipiante4 ,ora nam lei que obrigue um omem1 a faz] mais d-que pode3 e que ca/igue os defeitos1 que se-nam-podem evit>4 ,nam nego1 que deve av] ca/igo3 mas deve s] proporcionado4 ,um e/udante que imp$e1 que os outros e/udem3 que faz rapaziadas pezadas c4 ju/o que seja ca/igado3 e1 av5do re9cid5cia1 que seja desp$ido4 ,s]a bom1 que nesa sua ,univ]sidade1 se-dese um rigorozo ca/igo1 a9da de morte1 aos que inju/am5te acometem os ,novatos2 e fazem outras insol5cias4 ,a br&ura comque se-tem proc$ido ne/e p>ticul>1 talvez foi cauza1 d-que ao despois se-fez1 e a9da se-faz4 ,nese p>ticul> s]a eu inexoravel3 porque a paz publica1 que o ,pr9cipe promete1 aos que concorrem p>a tais ex]cicios1 p$e-o asim3 e em outros ,re9os1 executam-no com todo o rigor4 ,falo som5te d-ca/igo que se d1 por-cauza de nam ac]t> com os e/udos4 a emulasam1 a repre5sam1 e algum outro ca/igo de/e g5]o faz mais1 que os que se-praticam4 neces>io t] muita paci5cia com os rapazes1 e ens9los bem3 nam segu9do a op9iam daquele ,bispo de ,vizeo ,d4 ,ric>do ,rosel1 que em um exame reprov\ ,,xvi4 e/udantes afio1 porque pronunciram ,idolum1 com a segunda breve4 ,i/o s faz1 quem nam conhece o que deve4 ,um omem pode ignor>1 a quantidade de muitas silabas1 e s] um gr&e ,lat9o4 ,todos os dias se-(]ecem duvidas na quantidade delas1 aos om5s d\tos3 pr9cipalm5te naquelas palavras1 que tem origem ,grega3 na qual l+ua o ,o1 e ,e sam de duas sortes1 breves1 e longos4 ,e/e rigor c5suravel4 deve-se pratic> outro e/ilo4 ,a*o a9da mais outro inconv5i5te1 p>a sab] ,latim1 praticado nas escolas3 que 1 compor muito naquela mat]ia1 que int5dem mui p\co4 ,um pobre e/udante a9da nam int5de ,latim1 e ja lhe-dam v>ios temas1 que sam c]tas oraso5s vulg>es1 p>a traduzir na l+ua ,lat9a4 ou dam a orasam ,portugueza1 com p>tes ,lat9as2 ou uma s5t5sa ,lat9a1 p>a eles a-dilat>em1 e prov>em4 ,mas um e outro metodo1 um erro masi*o4 ,que coiza boa -de faz] um rapaz1 que a9da nam sabe ,latim8 ,d> z p>tes conrespond5tes ao ,portuguez1 e obrig> o e/udante1 a que se-sirva delas em uma orasam longa2 o mesmo que qu]]1 que ele siga os despropozitos d-seu me/re4 ,a9da qu&o o e/udante ac]tse com tudo1 nam ac]t>ia com os idiotismos1 i/o 1 com os modos de fal>1 que sam proprios da-l+ua ,lat9a3 e fal>ia ,portuguez1 com palavras ,lat9as4 ,pode-se p]metir o d> z p>tes1 em uma breve orasam2 e i/o a um rapaz que comesa3 mas nam se-deve obrig> outro mais adiantado1 a seguir tal metodo4 ,devia o me/re ens9> ao dicipulo1 compor bem uma orasam ,portugueza breve1 uma c>ta1 um comprim5to1 ou coiza semelhante4 ,p>a i/o tem o e/udante1 toda a facilidade posivel1 porque o-faz em uma l+ua que sabe2 e na qual o me/re pode cl>am5te mo/r>-lhe os erros4 ,qu&o o e/udante s\bse faz] i/o bem1 entam lhe-aconselh>ia1 que a-conv]tse em ,latim1 deix&o-lhe toda a lib]dade da-compozisam4 ,em5dados os erros de ,gramatica1 se os-ouvse1 em5d>ia os erros da-l+ua3 e lhe-mo/r>ia1 a dif]5sa que 1 entre e/as duas l+uas3 e a div]sidade que ap>ece1 entre escrev] segundo z regras de ,gramatica1 e segundo o e/ilo da-boa ,lat9idade4 ,mas ni/o proc$]ia com adv]t5cia4 ,primeiro1 nam procur>ia que escrevesem1 s5am em e/ilo famili> e facil4 despois1 segundo o adiantam5to que tivesem1 pas>ia aos argum5tes ou asumtos mais dificultozos2 os quais explic>ia muito bem4 ,de/a sorte1 acompanh&o a tradusam com a compozisam1 facilit>ia muito o e/udo1 e conseguiria promtam5te o int5to4 ,de/e e/ilo rezult>iam muitas utilidades4 ,primeiram5te1 sairiam os om5s da-escola1 nam s sab5do a l+ua ,lat9a1 mas tambem a sua4 la/ima1 que om5s que pasram tantos anos1 nas escolas pequ5as1 e gr&es2 om5s que e/am oje ens9&o a outros1 e ocupam c>gos de ,letras1 e ,politica2 nam saibam escrev] uma c>ta6 ,pois i/o coiza1 que suc$e todos os dias4 ,eu me lembro1 que ,v4,p4 se-queix\ ja di/o3 e me-dise1 que a*ava muitos ,religiozos1 que t9ham o mesmo defeito3 e reconheceo comigo1 que a origem de/es danos era1 a que aponto4 ,cometem-se mil erros de ,gramatica1 na propria l+ua1 e inf9itos de ,ortografia4 ,prep>am-se muitos p>a escrev] uma c>ta1 como p>a faz] um ato publico4 ,procuram palavras bem dezuzadas1 ou e/rangeiras2 e v]bos que nam no mundo4 ,e com i/o compoem uma c>ta1 sumam5te afetada1 e de um e/ilo1 que mais declamatorio1 que epi/ol>4 ,e/es sam os que sabem mais3 e os que sabem m5os1 p$em a e/es1 que lhas-componham4 ,e tudo i/o provm1 de nam t]em uzo de compor na sua l+ua3 e de nam t]em quem lhe-ens9e1 qual o e/ilo de ,c>ta1 qual o de ,orasam3 e nam av] uma alma cri/an1 que lhe-p]suada1 que a afetasam deve-se evit>1 em todos os g5]os de eloqu5cia1 mas muito pr9cipalm5te1 no-e/ilo famili>4 ,a segunda utilidade 1 sobre a intelig5cia da-l+ua ,lat9a4 ,um rapaz que de sua cabesa escreve uma c>ta1 ou comprim5to1 ou (]ecim5to ,portuguez1 com palavras proprias2 ja sabe1 o que -de diz] em ,latim3 s lhe-falta1 t] z palavras ,lat9as1 p>a z-coloc>4 ,a i/o pois deve suprir o me/re4 ,suponho1 que lhe-tem ja ens9ado a ,gramatica3 e tambem a traduzir de ,latim1 em ,portuguez1 p>a int5d] os t]mos3 e supondo e/es pr9cipios1 facilm5te o rapaz int5d]1 quais sam z palavras1 de que -de uz>3 ou ao m5os s] facil ao me/re1 mo/r>-lhas4 ,eu no pr9cipio seguiria e/a regra4 ,comporia diante dele em ,latim1 p>te da-dita c>ta1 ou toda3 e lhe-d>ia a razam d-que fazia3 explic&o-lhe1 porque uzo daquele v]bo1 e nam de outro3 porque uzo daquela fraze1 mais doque outra4 ,capacit&o-o1 que a todas z palavras ,portuguezas1 nam pode conrespond] uma ,lat9a3 mas neces>io uz> de p]ifraze1 ou rodeio de palavras1 p>a z-pod] explic>4 ,e/e o defeito que ns a*amos1 no-metodo de d> z p>tes3 porque nam conrespond5do elas sempre umas a outras1 por-=sa -de sair uma embrulhada4 ,sabido tudo i/o1 d>lhea a incumb5cia1 de escrev] a dita c>ta em ,latim1 sem lhe-mo/r>1 a que eu t9ha compo/o3 e p$irlheia a razam1 de tudo o que t9ha feito4 ,alem di/o1 com e/e metodo apr5de-se o que significa1 escrev] ,latim com propri$ade4 ,um me/re que se-cont5ta1 com a ,arte d-,p4,alv>es1 e com a noticia d-,dicion>io d-,p4,b5to ,p]eira1 nam sabe di/+uir entre muitos s9onimos1 qual o proprio1 p>a o que qu] explic>4 ,figuro um exemplo4 ,t5ho necesidade de uz>1 d-,v]bo ,p$ir3 p>a i/o ocorrem logo mil ,v]bos3 ,po/ulo1 ,posco1 ,peto1 ,flagito1 ,efflagito1 ,oro1 ,rogo1 ,precor1 ,obsecro1 e alguns outros4 ,quem sabe p\co1 int5de que sam rigorozos s9onimos2 e nam tem dificuldade1 de s]vir-de indif]5tem5te de todos3 mas quem sabe mais1 conhece que nem todos o-sam3 porem que alguns daqueles ,v]bos1 significam mais1 ou m5os4 v4g4 ,po/ulo significa p$ir aquilo1 que se-me-deve3 po/ul>e jure4 ,flagito significa p$ir com in/ancia1 e injuriozam5te4 ,efflagito p$ir com gr&e in/ancia2 e acrec5ta sobre ,flagito1 alguma coiza4 ,o mesmo dos-outros com sua proporsam4 ,d-que fica cl>o1 que qu]5do eu explic>1 que peso com in/ancia2 direi muito mal3 ,vehem5t] po/ulo4 cum clamore magna in/antia obsecro4 ba/a que diga1 ,flagito4 ,o mesmo digo1 em div]sas outras mat]ias4 ,i/o nam ens9a o ,alv>es1 nem o ,p]eira3 mas i/o deve ens9> o me/re1 mo/r&o ao e/udante1 quais sam os vocabulos proprios1 p>a explic> o que qu]4 ,de/a sorte aco/uma-se o rapaz desde o pr9cipio1 a s]vir-se de t]mos proprios1 e frazes naturais ,l+ua3 ,e com i/o ins5sivelm5te toma o go/o da-boa ,lat9idade1 e da-sua mesma l+ua3 e apr5de z leis da-,tradusam1 mui neces>ias a quem -de l]1 e s]vir-se de autores e/rangeiros4 ,dirme ,v4,p4 que eu peso muito3 e que i/o nam facil1 praticlo nas escolas3 porque nem todos os me/res1 tem a erudisam que aponto2 e nem todos os e/udantes1 sam capazes desa d\tr9a3 ,e eu respondo1 que nam coiza mais facil de se-execut>4 ,ponha-me ,v4 ,p4 nas escolas outra ,arte3 um bom ,calep9o dos-mod]nos1 r$uzidos gr&eza d-,dicion>io d-,p4 ,p]eira2 que tudo se-rem$eia4 ,e/as duas coizas sam sumam5te neces>ias4 ,a ,arte comua1 ens9a muita coiza m3 e a ,prozodia1 tem muito erro4 ,nam di/+ue z idades dos-vocabulos3 mas com uma simplez e/rel9ha qu]1 que ns suspeitemos mal1 de tudo o que dezagrad\ ao corretor3 o qual s vezes erra1 como ouvi queix> os mesmos ,jezuitas4 ,alem diso1 de/]ra da-,lat9idade muitos nomes1 que sam ,lat9os2 e introduz outros1 puram5te b>b>os4 ,nam explica a =sa das-vozes3 nem mo/ra com exemplos1 os significados proprios1 e figurados de cada palavra3 alem de muitas outras coizas1 que se-podem not>4 ,e asim s]a neces>io1 compor um ,dicion>io pequ5o p>a os rapazes2 ou s]vir-se de algum e/rangeiro4 v4g4 o de ,danet1 ou a9da melhor1 o que ultimam5te se-compoz em ,tur91 por-ordem d',el-,rei de ,s>danha1 p>a uzo das-escolas3 que sam dois tomos 9 #do4 ,italiano e ,latim1 ,latim e ,italiano3 e traduzir z palavras ,italianas em bom ,portuguez4 ,e/ablecido i/o1 conheso eu entre os d\tisimos ,jezuitas1 mosos de toda a erudisam1 e capacidade1 proprios p>a execut>em dignam5te1 e/e emprego4 ,comque1 tire ,v4,p4 das-escolas1 os que sabem p\co2 e em seu lug> ponha e/\tros3 prescreva-lhe o metodo apontado3 fasa com que o executem sem epikeas1 7como fez ultimam5te o dito ,duque de ,saboia aos seus suditos1 det]m9&o-lhe o metodo1 de ens9> ,latim1 e ,leis c47 e v]1 com que facilidade se-re=mam z escolas4 ,todos os e/udantes1 asim como sam capazes de s(r]em1 aquele mao metodo1 com mais razam receb]m outro1 que seja mais cl>o e facil1 e seguilom com mais boa vontade4 ,o dano de/a era consi/e em qu]]em1 que um e/udante1 que sabe p\co1 e a quem nam ens9am a sab] mais1 mo/re que sabe muito2 e1 p>a o-mo/r>1 componha muito4 ,eu nam peso tanto4 ,suponho que tem ja1 um bom ano de ,gramatica1 e que tem pasado p>te d segundo ano1 traduz9do de ,latim em ,portuguez3 onde nam me p>ece que peso muito1 se qu]o que no-re/o d-ano1 se-empreguem em compor ,latim1 polo metodo que asima digo4 ,e/e tal e/udante nam noviso1 mas adiantado2 e pode com fruto aplic>-se a e/e e/udo4 ,fal&o-lhe em ,portuguez1 e compondo polo metodo que aponto2 muda-se de si/ema4 ,nas escolas comuas sabe-se p\co1 qu&o os-obrigam a compor3 v4g4 na qu>ta1 e t]ceira1 em que comesam a traduzir de ,latim1 em ,portuguez2 nesa mesma clase1 e no-mesmo tempo comesam a faz] tema4 ,e i/o nam pode produzir bom efeito4 ,mas ne/e si/ema1 qu&o se-compoem1 ja o negocio e/ adiantado3 e vai-se adiant&o mais1 com a dita compozisam4 ,a*a-se tambem outro inconv5i5te bem gr&e1 ne/as escolas1 sobre i/o da-compozisam2 que 1 obrig> os e/udantes a faz]em1 ou indireit>em v]sos rotos3 e ca/iglos rigorozam5te1 se os-nam-fazem4 desorteque ou sejam1 ou nam aptos p>a a ,poezia1 todos m-de faz]1 o mesmo num]o de v]sos4 ,mo/ra p\co int5d] de v]sos1 quem pratca i/o3 porque nam facil1 obrig> o entuziasmo a que v5ha1 qu&o qu] o me/re4 ,mas o que mais p>a rir 1 que fasam i/o om5s1 que prezumem muito de s] ,poetas1 e matam g5te com z suas poezias4 ,fal&o com alguns me/res ne/e p>ticul>1 respond]am-me que o-faziam1 p>a que os e/udantes tivesem alguma erudisam1 dos-,poetas ,lat9os4 ,proguntei-lhe1 que necesidade avia desa noticia3 respond]am-me3 ,que era neces>ia1 p>a a intelig5cia da-l+ua ,lat9a4 ,poisque1 cont9uei eu1 qu&o ,v4,v4,p4,p4 int5desem bem ,cic]o1 ,cez>1 ,cornelio ,nepote1 ,livio1 ,pat]culo c41 e pudesem expliclos com facilidade1 e escrev] como eles2 t9ham m$o de nam sab] ,latim2 ou s]a neces>io1 recorr] a eses ,poetas8 ,aqui nam s\b]am que respond] mais1 doque recorr] ao co/ume1 das-,univ]sidades da-,europa4 ,mas eu1 que nam qu]ia deix> fugir a preza1 p$i-lhe1 que me-provasem1 que nesas ,univ]sidades1 emque se-sabe ens9>1 7avemos de concord>1 que algumas que seguem1 o e/ilo de ,portugal1 a9daque mais mod]ado7 explicavam os ,poetas1 s p>a int5d] a l+ua3 ou que obrigavam os e/udantes1 a que fizesem v]sos como eles4 ,aqui ficram calados4 ,e1 na v]dade1 era dificil coiza1 que quem nunca sara de ,portugal1 ou nam t9ha exam9ado com gr&e at5sam1 os e/udos e/rangeiros1 discorrese fundadam5te sobre eles4 ,mas a v]dade 1 que nam coiza mais contr>ia boa razam1 que e/a pratica de faz] v]sos4 ,os om5s nam tem capacidade igual2 e nem todos sam capazes de tudo3 antes s vezes a*am-se mosos tam rudes1 que dificultozam5te podem int5d] o ,latim4 ,e como m-de e/es compor v]sos elegantes8 ,as5tamos1 que1 p>a a intelig5cia da-l+ua ,lat9a1 l\cura1 obrig> a faz] v]sos4 ,o mais que podem faz]1 e que eu nam reprovo1 1 qu&o o e/udante sabe bem a l+ua ,lat9a1 m&>-lhe traduzir1 alguns dos-,poetas antigos melhores1 como ,lucrecio1 ,virgilio1 ,ovidio1 ,oracio1 ,catlo1 e algum outro3 mas r>o2 porque ni/o se-compre5de o melhor4 ,e i/o p>a mo/r>1 z frazes p>ticul>es dos-,poetas1 e tambem o bom go/o da-l+ua4 s5do c]to que alguns de/es escrevram1 com purisima ,lat9idade1 como ,virgilio nas ,georgicas1 e ,eglogas3 ,oracio nas ,epi/olas1 e ,satiras3 ,ovidio nas ,epi/olas s ,damas ilu/res4 ,quanto ao ,v]so1 qu]] p]d] tempo1 obrig> os om5s a fazlos3 e s]a melhor1 empreg> aquele tempo1 em coiza mais util4 ,ouv]am om5s d\tisimos1 e os- prez5tem5te1 que nam sabiam faz] v]sos4 ,no-tempo de ,cic]o avia om5s1 que faziam v]sos1 com gr&e facilidade1 e insignes na dita pr(isam3 e contudoiso e/avam mui longe1 d-m]ecim5to de ,cic]o4 ,e/e gr&e omem nam ignorava1 o como se-faziam os v]sos3 e com efeito alguns fez1 cujos fragm5tos a9da oje exi/em3 mas o seu tal5to1 e a sua maior prop5sam era1 p>a a ,retorica4 ,nam que eu julgue1 que os v]sos de ,cic]o sejam maos2 como muitos ignorantes1 e que qu]em fal> d-que nam int5dem1 se-p]suadem4 ,os v]sos de ,cic]o1 pr9cipalm5te os ,f5om5os de ,arato1 sam tam elegantes e tam belos1 como os de ,lucrecio3 nem eu a*o div]sidade s5sivel entre uns1 e outros3 e igualm5te admiro ambos1 pr9cipalm5te olh&o p>a a mat]ia1 sobre que compuz]am4 ,pois se todos admiram em ,lucrecio1 explic> com tanta naturalidade1 coizas tam dificultozas1 cons]v&o a elegancia1 e o espirito de ,poeta2 o mesmo l\vor1 e polas mesmas razo5s1 compete a ,cic]o3 o qual com a frequ5cia de l]1 e em5d> ,lucrecio1 t9ha aqui/ado a mesma facilidade1 e e/ilo4 ,p>a conhec] o que ni/o podia ,cic]o1 ba/a lelo nas p>tes1 em que nam viol5tado1 pola e/]ilidade da-mat]ia4 ,nam sei se se-podem a*> na ,antiguidade1 v]sos mais armoniozos1 que os que a9da oje lemos1 d-livro segundo d-seu ,consulado4 ,e/e bocado som5te mo/ra bem1 na m9ha e/imasam1 o que ,cic]o podia4 ,nem ob/a1 que ,m>cial1 ,juv5al1 ,qu9tiliano1 zombasem de um c]to v]so de ,cic]o3 i/o1 como nota bem o d\tisimo ,turnebo#ba1 nada prova4 ,o que nam agradava a e/es1 agradava no-tempo de ,augu/o3 e muitos om5s gr&es1 7como adv]tio um gr&e critico daqueles tempos7 e/imavam mais os ,antigos1 que outros bem nomiados#bb4 ,se em muitas p>tes1 ,cic]o nam se-asemelha a ,virgilio1 nem por-iso p]de nada d-seu m]ecim5to4 ,nem m5os semelhante ,oracio nas suas ,satiras1 e ,epi/olas3 nem em tudo ,lucrecio2 e com tudo sam famozos ,poetas3 e a naturalidade com que se-explicam1 e acomodam o v]so exametro1 a tudo o que qu]em1 mais e/imada1 entre os criticos de bom go/o1 doque a elevasam de ,virgilio4 ,o e/ilo daquele tempo p$ia1 gr&e naturalidade nas-compoziso5s4 ,e nam falta quem c5sure ,virgilio1 em s] tam elevado e artificiozo nos-v]sos3 no-que alguma coiza se-desvia de ,om]o4 ,contudo n+uem nega1 que1 se na ,eneide1 e ,georgica obs]v\ bem o decoro2 e su/5t\ a dignidade d-argum5to2 nas ,eglogas pec\ muito1 porque nam obs]va a simplicidade natural no-e/ilo pa/oril3 mas procura que falem os pa/ores1 com toda a civilidade1 e arrogancia de cidado5s3 o que nam v]osimel4 ,mas1 torn&o a ,cic]o1 fic>ia prejudicada a ,republica de tam gr&e tal5to1 se1 pola ,poezia1 deixse a ,oratoria4 ,conheceo aquele gr&e omem o seu tal5to3 cultiv\-o3 e saio aquele oraculo1 que entam v5]\ ,roma1 e oje admira o mundo4 ,e/a1 uma gr&e lisam p>a os ,mod]nos1 consult> o tal5to2 e nunca viol5t> a natureza4 ,onde ne/e p>ticul>1 deve-se consult>1 a incl9asam dos-rapazes3 e av5do-a1 explic>-lhe brevem5te1 z dif]5tes sortes de compoziso5s metricas3 nam os-ocup&o s5am em asumtos brevisimos3 deix&o-lhe toda a lib]dade no-compor3 mas em5d&o-os1 e d&o-lhe di/9tam5te1 a razam da-em5da4 ,at aqui t5ho falado a ,v4,p4 em alguns abuzos1 das-escolas de/e ,re9o1 que imp$em sab] a l+ua ,lat9a4 ,agora fal>ei nos-requizitos1 p>a a intelig5cia da-dita l+ua3 a falta dos-quais1 nam se-deve cont>1 entre os m5ores abuzos3 e tambem apont>ei o modo1 comque se-deve regul>1 o e/udo d ,latim2 e a eleisam de livros1 p>a o-conseguir com brevidade4 ,p>ec] um p>adoxo1 se eu dis] a ,v4,p4 que1 a9da obs]v&o tudo quanto asima digo1 nam se-pode sab] ,latim1 7nam digo com toda a p]feisam2 porque uma l+ua morta1 nam se-*ega a sab] bem3 mas sablo no-melhor modo posivel7 sem alguma noticia da-,geografia1 e ,cronologia1 e das-,antiguidades1 em que entram os ,co/umes1 a ,fabula c4 e contudo1 nam coiza mais v]dadeira doque e/a4 ,eu nam qu]o sair d-livro mais uzual1 que nas escolas se explica1 que ,qu9to ,curcio4 ,nele ocorrem todos os mom5tos nomes1 de ,g5tes1 de ,povos1 ,regio5s1 ,cidades c4 fala-se de gu]ras entre ,naso5s e ,naso5s4 ,e que conceito -de =m> d-escritor1 aquele que o-explica1 se ele nam sabe1 se diz bem1 ou mal8 porque1 ignor&o a ,geografia1 nam sabe1 nem *ega a compre5d]1 em que p>te d-mundo1 e/ejam z tais ,g5tes1 se viz9has1 ou di/antes4 ,como -de o leitor int5d]1 z conqui/as de ,alex&re1 se ele nam sabe por-onde foi1 que ,naso5s v5ceo1 que dificuldades sup]\8 ,alem diso1 suc$e muitas vezes1 que ese escritor1 que o e/udante le1 se-enganse nos-lug>es3 e i/o entam erro sobre erro1 que o leitor nam pod] decifr>4 ,nam i/o cazo metafizico1 mas engano bem comum em muitos escritores4 ,q4 ,curcio engan\-se muitas vezes1 por-ignorancia da ,geografia3 ,pl9io1 e alguns outros3 como admiravelm5te mo/ra o d\to ,joz ,escalig]o1 nos-,prolegom5os de ,manilio4 ,o mesmo ,manilio1 ,virgilio1 ,lucano1 ,floro errram algumas vezes na ,geografia1 e podem cauz> o mesmo erro no-juizo1 de quem = ignorante dela4 ,dirme ,v4 ,p4 que e/e conhecim5to1 p>ece s] mais neces>io1 p>a nam se-engan> na leitura dos-autores1 doque p>a int5d] a l+ua3 p>a a ,critica1 e nam p>a a ,lat9idade4 ,confeso1 que p>a a ,critica1 de indisp5savel necesidade3 mas o que digo 1 que nam pode o e/udante1 int5d] com facilidade um autor1 que trata a i/oria de um conqui/ador1 sem a noticia dos-pazes de que fala3 e nem m5os o-pod] int5d] com go/o4 ,polo contr>io1 se in=mado1 a9daque sup]ficialm5te1 de/a noticia1 p]cebe m>avilhozam5te o fato3 facilita-se a intelig5cia d-autor3 e por-e/e meio a da-dita l+ua4 ,um moso1 que ignora totalm5te a ,geografia1 toma limpam5te um nome de ,cidade1 polo de um ,re9o1 e polo de uma ,pesoa3 e outros de/es enganos1 que vam acompanhados1 da-ignorancia da-l+ua4 ,quem nam s\b] v4g4 que ,napoles1 nome de uma ,cidade1 e de um ,re9o juntam5te2 nam s confundir os t]mos1 mas tambem z coizas1 que a ambas se-aplicam4 ,e i/o nam som5te dano da-,i/oria1 mas tambem imp$im5to1 p>a a intelig5cia da-l+ua ,lat9a4 ,a*am-se alem diso muitas ,cidades d-mesmo nome1 em ,regio5s bem di/antes4 v4 g4 a antiga ,geografia mo/ra-nos na ,azia muitas1 com o nome de ,alex&ria1 de ,seleucia1 de ,ecbatana1 e bem longe umas de outras4 ,o que quem nam sabe1 p]suade-se1 que se-fala som5te de uma3 e nam int5de a mat]ia de que se-fala4 ,e de/es exemplos1 de que abunda muito a ,i/oria antiga1 se-colhe a necesidade da ,geografia1 a9da p>a a l+ua4 ,s]a coiza ridicula1 que um omem lese ,q4 ,curcio1 p>a int5d] z palavras1 e nam p>a o s5tido da-,i/oria3 ou que1 sem a intelig5cia de/a1 prezumise que pod]ia alcans>1 a propri$ade das-palavras4 ,muito mais s5do c]to1 que com o socorro da-,i/oria1 se-int5dem muitas coizas1 que sem ela imposivel int5d]2 e a intelig5cia d-contexto abre a porta1 p>a se-int5d]em muitos nomes4 bem vulg> aquele lug> de ,lucano1#bc em que1 fal&o dos-,arabios1 que sairam d-seu paz1 diz ,umbras mirati nemorum non ire s9i/ras 3 o que1 sem ,geografia1 imposivel int5d]4 ,virgilio diz l em c]ta p>te#bd3 ,g5s inimica mihi ,tyrrh5um navigat quor 3 ,como se-pode sab] sem ,geografia1 que coiza aquele m> ,tirr5o8 quem a-ignora1 pode-o tom> polo m> ,baltico1 ou ,etiopico1 ou ,pacifico4 ,de que vimos a concluir1 que1 alem d-s5tido i/orico1 a mesma propri$ade das-palavras ,lat9as1 nam se-alcansa em v>ias ocazio5s1 sem ,geografia4 ,p>ece-me pois1 que uma breve noticia da-,geografia1 deve s] o preludio1 da-lisam dos-autores4 ,a obs]vasam das-pr9cipais ,cidades1 de que fala o autor1 que se--de l]3 das-viag5s1 que fiz]am os conqui/adores3 os f9s e limites dos-seus imp]ios3 i/o deve primeiro obs]v>-se4 ,mas porque e/a noticia s]a de-m9uta1 se a-nam-unisem com a noticia1 da-,geografia de toda a t]ra2 deve-se apr5d] e/a noticia brevem5te em um ,mapamundo3 ajunt&o-lhe a noticia da-,esf]a ,armil>3 das-divizo5s d-,ceo1 e da-,t]ra c4 ,o que com gr&e facilidade se-pode faz]3 pois1 como diz um omem d\to1 e/e e/udo nam p$e mais1 doque olhos1 e alguma memoria4 ,na ,esf]a ,armil> conhece-se1 a dispozisam d-,ceo1 respetivam5te ,t]ra3 no-,globo1 a dos-,re9os3 e em uma c>ta p>ticul>1 a da-,prov9cia1 ou ,re9o de que se-trata4 ,adv]t9do1 que qu&o se-fal> em alguma ,cidade1 deve-se not>1 de quais delas se-mudram os nomes antigos1 em alguns mod]nos4 ,a*am-se c>tas1 que apontam os antigos nomes1 das-,cidades da-,grecia1 e ,italia3 e e/as sam1 z que pr9cipalm5te se-dev]m not>1 p>a int5d] os escritores antigos1 que falram de/as ,regio5s4 ,sophianus descreveo bem1 a antiga ,grecia3 e ,cluv]ius1 a antiga ,italia4 ,e i/o precizo sab]1 comp>&o os nomes daquelas antigas ,cidades1 com os das-mod]nas2 e procur&o nas c>tas mod]nas1 os sitios das-antigas ,cidades1 muitas das-quais ja nam exi/em4 ,cel>io public\ um belisimo ,comp5dio da-antiga ,geografia1 em #b4 volumes de #d4o ,tambem compuz]am ,introduso5s ,lat9as ,cluv]io1 pr9cipalm5te p>a a antiga2 e ,luitz4 ,quem quizese maiores noticias dev]ia l]1 o ,petrus ,b]tius,!atrum ,geographi ,vet]is4 fol4 c4 e e/e mesmo autor compoz3 ,vet]is ,geographi ,tabul4 fol4 c4 ,e/e autor1 que escreveo nos-pr9cipios d-seculo pasado1 famozo4 ,oje muitos mod]nos que escrevram bem1 em ,francez1 ou ,italiano4 ,duplessis1 e ,buffi] escrevram bons ,comp5dios2 que temos oje nas ditas duas l+uas4 ,jacobo ,ode fez tambem um belo comp5dio ,lat9o3 e mais mod]no4 ,os ,s5hores ,sanson1 e de l',isle compuz]am c>tas ,geograficas1 nam s de todas z p>tes d-mundo1 mas especialm5te1 das-antigas divizo5s d-,imp]io ,grego1 e ,romano c4 ,e i/o o que deve faz] o me/re1 e ens9lo qu&o neces>io3 porque de/a sorte1 aco/um&o os rapazes a busc> na c>ta1 que deve t] na escola1 a dita ,cidade2 imprime-se a ,geografia na memoria1 como quem br9ca4 ,em segundo lug> entra logo a ,cronologia1 que nam m5os neces>ia1 p>a int5d] os autores1 e fugir os anacronismos1 ou confuzam de tempos4 ,nam neces>io ne/es pr9cipios entr>1 nas disputas que 1 sobre os pr9cipios dos-,re9os c4 i/o negocio1 que p$e gr&e e/udo1 e d\tr9a1 e se-rez]va p>a outra idade4 ,ba/a apeg>-se ao calculo mais recebido e comum1 que poem a v9da de ,cri/o no-ano #djjj4 da-criasam d-,mundo3 a que *amam o calculo de ,uss]ius por-s] e/e autor1 o que o explic\ melhor4 ,aqui pois neces>io l]1 em um breve comp5dio1 a s]ie dos-tempos1 desde o pr9cipio d-,mundo1 at agora3 not&o os maiores sucesos1 em que ano acontecram3 v4g4 ,diluvio de ,no1 ,vocasam de ,abram1 ,saida dos-,ebreos d-,egito1 ,de/ruisam d-primeiro ,templo de ,j]uzalem1 ,v9da de ,cri/o1 ,paz da-,igreja c4 ,especialm5te deve not> o que emporta1 p>a a intelig5cia dos-autores1 que qu] explic>3 e sempre que mud> de autor1 deve not>1 em que tempo escreveo1 e de que tempo escreveo4 p>a o que nam s]vem p\co1 os ,dicion>ios ,i/oricos de ,h(man1 e ,mor]i c4 ,quanto aos ,comp5dios de ,i/oria tantos1 que sup]fluo1 que eu aponte n5hum4 ,ne/e pr9cipio deve-se busc>1 o mais breve4 ,por-iso me-p>ece1 que o ,petavio mui longo4 o ,cel>io bom1 mas tambem nam curto4 ,tursel9o1 e alguns outros escrevem bem2 mas em ,latim4 o ,bossuet p>ece-me melhor p>a o pr9cipio2 e a*a-se em ,italiano1 ou ,francez4 ,tambem o ,valemont1 no-primeiro tomo1 traz uma c>ta ,cronologica g]al1 que pode ba/> p>a o int5to4 ,e como e/e volume e/ traduzido em ,portuguez1 p>ece-me1 que por-ele deve l] o e/udante3 e o me/re pode s]vir-se1 de quaisqu] dos-apontados asima1 que sam dos-melhores4 ,em quanto nam ap>ece alguma i/oria ,portugueza1 proporcionada aos rapazes1 que e/udam nas escolas3 aos quais ba/a diz]1 o que som5te precizo1 sem tantos rodeios3 o que me dizem e/ atualm5te faz5do1 um omem d\to meu conhecido4 sup]fluo que eu mo/re1 a confuzam que nace1 no juizo dos-pobres pr9cipiantes1 por-falta de alguma noticia de ,cronologia3 e quanto podem err>1 se d]em cr$ito a tudo1 o que dizem os antigos escritores4 ,eles errram em muitas p>tes1 por-nam t]em noticia dos-tempos3 e p>a ns nam cairmos nos-mesmos erros1 que julgam todos os om5s d\tos1 que sam neces>ios1 e/es requizitos4 ,um omem que ouve fal> em ,alex&re ,mac$onio1 e nam sabe1 em que tempo ele floreceo2 confundilo com muita facilidade1 com ,alex&re ,sev]o ,imp]ador dos-,romanos4 ,filipe ,mac$onio1 e ,filipe ,romano nam se-di/+uem polo nome1 mas polo div]so tempo em que florecram4 os dois ,romanos tambem =am ,reis de ,mac$onia3 e a div]sidade e/1 em que =am juntam5te1 ,imp]adores ,romanos1 e florecram alguns seculos despois dos-primeiros4 ,e/a confuzam se-aum5ta1 qu&o se-fala de om5s d-mesmo nome1 da-mesma ,nasam1 e talvez d-mesmo tempo4 ,ouv]am alguns ,m>cos ,cato5s1 ,m>cos ,antonios1 ,m>cos ,brutos1 ,m>cos ,val]ios1 ,m>cos ,cic]os1 ,apios ,claudios c4 todos ,romanos1 e alguns contemporaneos4 ,e quem nam di/+ue i/o1 nam pode =m> conceito das-coizas4 ,i/o supo/o1 alguma t9tura de ,cronologia neces>ia1 p>a int5d] a ,i/oria1 e1 sem a intelig5cia de/a1 nam se-pode int5d] o ,latim1 dos-que escrevram ne/a l+ua4 ,p>a facilit> e/e e/udo gr&e segr$o1 t] em caza uma c>ta ,cronologica1 de que se-tem feito algumas ,lat9as1 em duas folhas gr&es de papel4 ,a*am-se umas tiradas das-obras d-,p4 ,petavio1 ,lat9as3 e/as1 com a dif]5sa de p\cos anos antes de ,cri/o1 uni=mam-se com z de ,uss]ius4 ,o ,delf9i fez umas em ,roma1 segundo a ,cronologia d-,uss]ius1 em #d folhas gr&es1 que eu t5ho1 e sam boas4 ,lanceloti fez outras em ,p>iz1 segundo a ,vulgata1 qu]o diz]1 segundo o ,uss]ius3 e sam otimas1 pr9cipalm5te despois de ,cri/o4 ,o ,p4 ,p$ro de ,s4,cat>9a ,religiozo ,b]n>do1 fez outras em ,fransa1 segu9do o ,uss]ius3 sam boas1 a9daque alguma coiza ext5sas4 ,o ,musanzio ,jezuita ,italiano fez umas1 em quatro folhas gr&es1 se me-nam-engano1 porque av] anos que z-vi2 em que segue a ,cronologia d-,labb ,jezuita1 que poem a v9da de ,cri/o no-ano #djec4 d-,mundo3 mas nam sam ms4 ,outro ,jezuita1 que o ,p4 ,cass9i1 acrec5t\-z por-ordem de ,b5$ito ,,xiii4 ,o ,sanson1 e ,p]izonio c4 comp5diram tambem taboas boas4 ,z d-,s5hor ,langloit sam otimas1 mas cuido que nam sam p>a rapazes2 porque unem os trez calculos ,grego1 ,ebraico1 ,sam>itano3 o que c>rega muito a memoria4 ,o ponto e/ que o e/udante abrse1 uma ,cronologia c]ta3 e nam mude de c>tas todos os dias2 mas meta umas na memoria4 ,toda a div]sidade e/1 antes da-v9da de ,cri/o3 porque despois dele todos concordam1 e r>isima a dis5sam4 ,se algum curiozo traduzise1 umas de/as melhores taboas1 em ,portuguez1 p>a uzo da-,mocidade1 em5d&o-z em alguma p>te1 e acomod&o-z necesidade d-,re9o2 f>ia gr&e s]viso ,republica4 ,eu comecei tempos e/e trabalho1 e t9ha ideiado uma c>ta mui facil3 mas imp$ido com outras ocupaso5s1 nam pude acabla4 se ,v4 ,p4 tiv] go/o1 porlheei a ultima mam4 ,feito i/o1 deve-se l] um comp5dio de ,i/oria4 ,ne/e pr9cipio ba/a o ,valemont1 que j se-a*a em ,portuguez3 e o me/re no-emtanto pode l] um comp5dio da-,i/oria univ]sal3 v4 g4 o que fez o ,cluv]io em #d4o que bom3 e pr9cipalm5te o que se-impremio em #afgb4 que mais correto3 ,e prep>>-se p>a sab] explic>1 e/as noticias aos dicipulos1 qu&o falam na ,cronologia4 ,mas di/o fal>emos em outra ocaziam4 ,quanto pois s antiguidades ,gregas1 e ,romanas1 ou aos ,uzos1 e ,co/umes de/as ,naso5s2 sam indisp5saveis p>a p]ceb]1 os autores antigos4 ,um de/es escritores nam escrevia p>a ns1 mas p>a os seus3 aos quais eram notorios os co/umes1 nam s publicos1 mas tambem privados da-sua ,nasam4 onde alud9do aos ditos1 nam se-cansa em os-explic>4 ,entam int5diam-no todos3 mas oje nam4 e neces>io p>a o-int5d]-mos1 que procuremos e/a noticia naqueles1 que z-recolhram4 ,um ,i/orico que na prez5te era1 cont&o z virtudes de um s]vo de ,deus1 disse1 que celebrava ,misa todos os dias1 t9ha ,extazis c4 como falava com g5te1 que o-int5dia1 nam t9ha necesidade1 de se-explic>4 ,se pudese suc$]1 que daqui a mil anos nam ouvese ,misa1 ou aquele livro caise em maons de outra ,nasam1 que nam tivese noticia de ,misa2 c]to1 que nam int5d]ia1 o que se-dizia2 a9da que int5dese a l+ua3 e s]a neces>io1 que primeiro int5dse1 que coiza era ,misa1 e outros de/es nomes2 p>a diz]1 que int5dia bem a i/oria1 em que se-a*avam e/as expreso5s4 ,os antigos escritores em quazi todas z pag9as1 aludem aos seus co/umes civis1 e eclezia/icos4 ,falam de ,flam9es1 ,augures1 ,pat]patratos1 ,sacrificios1 ,apoteozes1 ,ve/ais c4 ,encontram-se mil nomes p]t5c5tes gu]ra1 ,tribunus ,militum1 ,tribunus ,plebis1 ,c5turio1 ,qu9quag5>ius1 ,decanus1 ,tri>ius1 ,primipilus c4 como tambem de ma*9as1 e ap>elhos belicos de muitas especies4 ,a cada paso se-tropesa com o nome1 de ,consul1 ,proconsul1 ,prtor1 ,proprtor1 ,qu/or1 ,legatus1 ,edilis c4 cada emprego dos-quais t9ha seu p>ticul> ex]cicio2 sem a noticia d-qual1 nam posivel int5d]1 a =sa da-expresam que o-significa4 ,quem nam sabe1 que os ,consules1 que prezidiam aquele ano no-,s5ado1 eram os mesmos aquem se-di/ribuam z ,prov9cias1 onde se-fazia a gu]ra2 e a quem se-entregava o gov]no d-ex]cito2 nam pod] int5d]1 como uma dignidade1 que p>ece civil1 se-introduza nas-mat]ias milit>es4 ,quem nam sabe1 que no-tempo dos-,consules1 ouv]am ,tribunos ,milit>es1 os quais gov]nram a ,republica em lug> dos-,consules1 com imp]io consul>2 e cont9uram muitos anos com suas int]ruso5s2 int5d]1 que ,tribunus ,milit>is nam era magi/rado2 mas valia o mesmo1 que ,tribunus ,militum3 que conrespondia aos ,coroneis dos-nosos ,regim5tos4 ,quem nam tem lido1 que no-mesmo ano se-elegiam muitos ,consules1 e ,proconsules1 ou muitos ,tribunos ,milit>es1 p>a abrang]em a todas z necesidades da-,republica2 ju/am5te se-p]suadir1 que1 em se-fal&o de ,consul1 discorre-se damesma e unica pesoa4 ,quem nam s\b]1 que os ,pretores m&avam-se p>a z prov9cias pequ5as1 com imp]io consul>2 int5d]1 que se-fala som5te d-,pretor ,urbano1 ou ,p]egr9o1 que adm9i/ravam a ju/isa em ,roma4 ,f9alm5te s os ignorantes1 que podem neg> e/a necesidade3 os d\tos todos a-reconhecem4 ,ns nam temos ,i/oricos ,lat9os que escrevesem1 os seus co/umes patrios3 sam os ,gregos de quem recebemos1 o que oje sabemos3 porque como os ,gregos escreviam1 p>a os seus ,gregos1 aos quais nam eram notos1 os e/ilos ,romanos2 t9ham cuidado de lhe-adv]tir1 tudo o que era neces>io1 p>a a intelig5cia da-,i/oria4 ,polibio deix\-nos uma p>ticul> descrisam1 da-,dicipl9a milit>1 dos-,co/umes dome/icos1 das-,leis publicas dos-,romanos4 ,dionizio de ,halic>nasso1 dos-,sacrificios1 ,magi/rados1 e toda a politica da-,religiam1 e d-,e/ado4 ,plut>co tambem nos-ens9a muita coiza4 ,mas como nem todos sam capazes1 de l]em e/es autores1 por-iso s] bom recorr]1 aos ,comp5dios4 ,joam ,ross9o fez uma boa colesam das-,antiguidades ,romanas1 em ,latim3 que oje se-a*a acrec5tada por-,demp/]us4 ,e/ima-se pola brevidade1 a ,republica ,romana d-,cantelio3 mas eu int5do que melhor o ,neuport,rituum qui olim apud ,romanos c4 ,quem quiz] maiores noticias pode-z l]1 no-,corpus ,antiquitatum ,roman>um d-,grevio1 em #ab4 tomos fol4 que compre5de todos1 os que escrevram ne/a mat]ia3 e onde pode consult>-se alguma dificuldade1 que ocorr]4 ,tambem bom1 t] alguma noticia das-,religio5s div]sas dos-,antigos3 e p>a i/o pode s]vir1 ,alex&] ,s>di de ,moribus1 ,ritibus ,g5tium4 #ab4o ou ,joannes ,bohemus ,aubanus de eodem #af4o ou ,van-,dal5 de ,oraculis ,e?nicorum4 #d4o o mesmo de ,idolatria #d4o obra mod]na3 ou o ,b>clai ,icon ,animorum2 p>a os co/umes das-,naso5s3 ou o ,p4,pomei ,pan!on ,my?icum4 ,nam aponto outros livros1 porque sam em l+uas vulg>es e/rangeiras3 a9daque e/es1 talvez sejam os melhores1 porque expoem tudo com cl>eza1 e brevidade4 ,o mesmo digo da-,fabula1 a que aludem todos os mom5tos1 os ,antigos4 neces>io sab]1 e/a mitologia dos-,antigos1 p>a os-int5d]2 e busc> autores que a-expliquem1 sem a qual noticia1 fal>m muito1 e nam sab]m nada4 ,dos-,mod]nos melhor1 o ,jovet ,i/oria de todas z ,religio5s d-,mundo #c4 tomos de #d que se-a*a em ,francez1 ou ,italiano4 ,e/a noticia neces>ia1 s5am aos rapazes1 que se-div]tem com outras coizas1 ao m5os aos me/res1 que explicam os ditos autores3 e1 se a-nam-tiv]em1 por-=sa m-de diz] muito des-propozito3 e mo/r>m ens9>1 o que nam *egram a int5d]4 ,ja sei1 que *eg&o ,v4,p4 a e/e emportante ponto1 me-progunt>1 qual me/re conheso eu1 que t5ha toda e/a erudisam3 ou se me-p]suado1 que um rapaz1 que saie das-escolas1 e que nam tem no-corpo mais1 que quatro anos de ,filoz(ia1 asim ou asado1 qu&o entra a ens9> nas escolas baixas2 seja capaz de/a d\tr9a tam neces>ia1 p>a faz] bem a sua obrigasam8 ,a i/o respondo1 que quanto capacidade1 n+uem lha-pode neg>3 pois e/e pezo nam maior1 que z suas =sas4 ,ba/>ia que o-obrigasem1 e ens9asem a e/ud> i/o que digo1 mo/r&o-lhe a necesidade que de o-int5d]1 p>a pod] faz] a sua obrigasam2 que ele f>ia tudo1 o que era neces>io4 ,e se acazo introduzisem1 e/e metodo nas escolas1 e o-protegese quem pode fazlo1 cont9u>sea1 damesma sorte que se-cons]va1 o metodo ord9>io4 ,reconheso1 que s]a alguma coiza dificultozo1 p]suadir a muitos om5s mosos1 que1 a9daque ens9em o ,latim1 nam s tem p\ca noticia dele1 mas nem m5os tem noticia1 d-que neces>io1 p>a o-sab]3 o que s]a facil prov>-lhe1 faz5do-lhe uma exata li/a dos-requizitos2 e progunt&o-lhe1 se os-posuiam4 ,mas emfim tudo se-v5ce1 trat&o-se com pesoas de juizo1 pi$ade1 e docilidade3 e z razo5s que apontamos1 pod]iam obr> muito1 se tivesem a paci5cia1 de z-qu]]em l]1 e int5d]4 ,suponho pois que o e/udante1 tem alguma noticia1 d-que asima apontamos1 ou que polo m5os a-tem o me/re1 que seja capaz de lhe-explic> em p\cas palavras2 e apont>-lhe os livros1 onde se-podem beb] e/as noticias3 7z quais podem-se ir apr5d5do no-mesmo tempo1 que se-explicam os autores1 explic&o uma ora cada m5ham1 alguma p>te delas7 ,apont>ei agora o modo1 com que se-deve regul>1 no-e/udo da-,lat9idade4 ,em primeiro lug>1 deve som5te procur> de sab]1 a propri$ade dos-vocabulos3 p>a o que deve busc> autores1 que falasem mui naturalm5te1 e com e/ilo famili>4 ,p>a i/o nam melhores autores que ,plauto1 e ,t]5cio3 porque a9da-que em alguns lug>es sejam1 ou p>esam oscuros2 falam porem com e/ilo famili>1 e com fraze naturalisima1 e longe de ornam5tos3 que toda a dificuldade na intelig5cia da-l+ua4 ,c]tam5te ,t]5cio um autor1 que nam tem preso1 pola pureza da-l+ua3 e tambem c]to1 que e/es ,comicos p>ecem mais ,prozadores1 que ,poetas4 ,onde nam poso zs rir-me1 qu&o ouso a alguns me/res respond]1 que ,t]5cio nam p>a rapazes1 porque oscuro4 ,os que asim falam1 nam l]am ,t]5cio1 nem sabem ,latim4 ,proguntra-lhe eu1 se mais oscuro ,t]5cio1 que ,oracio3 ou se prezumem eles1 que e/e1 e ,virgilio sejam mais cl>os1 e proprios p>a rapazes1 doque um ,comico4 ,se bem consid]asem e/es1 quanto neces>io p>a diz]1 que int5dem ,oracio1 e a ,eneide2 c]tam5te julg>iam dif]5tem5te4 ,mas com e/es om5s nam falamos4 ,o c]to 1 que ,cic]o julg\1#be que a poezia ,comica1 nam se-di/+uia da-,proza1 s5am em s] escrita como v]so3 mas nam na dificuldade4 e tambem n+uem duvda1 que a ,proza mais facil1 que qualqu] ,poema4 ,em todo o cazo devem-se l] e/es autores1 com os ,com5t>ios3 e o me/re deve suprir com a explicasam2 nam traduz9do muito2 mas ese p\co com tal cl>eza1 que nam fique dificuldade alguma ao rapaz4 ,quem nam s\b] explic> bem ,t]5cio1 pode cont5t>-se com ,f$ro4 ,e/e autor trat\ argum5tos simplezes1 que sam c]tas fabulas1 com uma disam pura e natural3 e1 a9daque ,poeta1 p>ece ,prozador2 e p>a pr9cipiantes famozo4 e/imada a edisam1 que o d\to ,gronovio nos-deu1 de ,plauto4 ,sobre ,t]5cio muitos tem escrito1 mas nem todos bem4 ,com razam se-dise1 que ,f>nabio1 e-,m9elio1 afet&o brevidade1 deixram mil coizas emportantes4 ,madame le ,fevre public\ a mais bela tradusam1 e notas sobre ,t]5cio1 que at o seu tempo t9ha ap>ecido3 mas em ,francez1 l+ua que nem todos int5dem3 como tambem ,monsieur le ,fevre seu ,pai1 t9ha ilu/rado eruditam5te ,f$ro4 ,no-e/ado prez5te s]virmea da-edisam de qualqu] deles1 ad usum ,delph9i1 c4 que p>ece s] a mais tol]avel1 das-mod]nas4 ,e/es primeiros autores nam se-devem l] corr5do1 como muitos fazem2 mas devem-se l]1 e rel] at5tisimam5te4 v4g4 l5do ,f$ro deve o me/re1 nam deix> de explic> coiza alguma1 que seja neces>ia1 p>a int5d] a l+ua4 ,onde deve not> e explic>1 todas z dificuldades de ,s9taxe3 porque a9daque na ,gramatica se-expliquem1 som5te l5do os autores se-int5dem bem4 ,e t] cuidado1 de r$uzir a con/ruisam emb>asada e figurada1 ao modo de fal> natural3 explic&o a ,figura1 em que se-funda4 ,despois1 not> a propri$ade das-palavras4 ,e qu&o encontr> algumas1 que p>esam s9onimas1 deve ens9>1 se v]dadeiram5te o-sam1 ou que coiza acrec5tam4 ,em t]ceiro lug> deve ens9>-lhe1 a pronunci> bem o ,latim3 que o que comum5te nam sabem em ,portugal3 pois a9da os mesmos me/res1 pronunciam z palavras corrutam5te4 v4 g4 ,em ,omnis nam pr(]em o m3 os tt f9ais pronunciam como dd3 o m f9al pronunciam como n3 e entre e1 e a sempre pronunciam sup]fluam5te um i4 v4 g4 ,meam1 ,deam c4 os ss f9ais como x4 ,o que sem duvida gr&e defeito da-pronuncia3 deix&o por-agora outros erros1 que se-podem not>4 ,alem diso (]ec5do-se-lhe algum t]mo1 d-,latim antigo1 deve ens9>1 o modo antigo de pronunci>4 v4g4 ,maxumus1 ,militiai c4 ,e/as noticias dam muita erudisam1 a quem e/uda o ,latim3 e como muitos nam fazem cazo delas1 por-iso ignoram1 o que ,latim1 e todos os mom5tos encontram1 dificuldades novas4 ,i/o que digo de ,f$ro1 deve-se int5d] de qualqu] outro autor3 ,mas i/o o que muitos nam int5dem3 antes qu]em l] muito1 int5d5do poco2 doque sab] bem a l+ua1 com um s livro4 ,de que vem1 que a ,mocidade nam apr5de nada1 com o seu metodo3 pasam-se os anos nas escolas baixas1 que se-deviam empreg>1 em coizas mais utis3 pois na v]dade quem nam reflete1 como deve1 no-que le1 tanto emporta que leia ,cic]o1 como os atos de ,m>ia ,p>da4 ,o que emporta muito no-pr9cipio 1 nam d> aos rapazes livros1 que t5ham p]iodos longos3 mas breves1 e com fraze natural4 ,por-e/a razam alguns ,italianos d\tos1 e despois deles os ,francezes1 aconselham1 que no-pr9cipio devem-se fugir1 z i/orias difuzas1 os ,oradores1 e coizas semelhantes3 especialm5te os ,poetas ,eroicos c4 e que melhor1 tir> de ,cic]o1 e outros autores elegantes e cl>os2 tir>1 digo1 alguns p>agrafos melhores3 indireit> z frazes1 e transpoziso5s dos-,v]bos3 e polas na ordem natural4 ,s5do breves1 e elegantes1 podem os rapazes int5d-las1 e tir> da gr&e utilidade4 ,a exp]i5cia mo/r\-me1 que diziam bem3 pois v5do eu1 que alguns rapazes nam int5diam1 os discursos compridos1 e z figuras da-orasam2 feita e/a exp]i5cia1 int5dram tudo facilm5te4 ,mas i/o que a e/es aconselho1 a*a-se feito ja por-om5s d\tos3 os quais escolhram entre os autores1 z coizas mais facis1 e melhores1 e r$uziram-nas a capitulos dif]5tes3 v4 g4 s quatro virtudes pr9cipais3 p>a que os rapazes1 nam s apr5dam a l+ua1 mas tambem o moral das-aso5s4 ,a maior p>te sam de ,cic]o3 mas tambem se-a*am de outros autores4 ,sam trez livr9hos pequ59os1 impresos em ,p>iz3 e tambem se imprimram em ,italia na ,cidade de ,pez>o1 em #agdj4 ,e/es livros valem um mundo1 e tem aproveitado a inf9itas pesoas3 e quem ajudse com eles os seus dicipulos1 conhec]ia a v]dade d-que dizemos4 ,e por-e/a mesma razam digo1 que a leitura dos-,comicos1 inf9itam5te util aos rapazes3 v4 g4 a de ,t]5cio4 todos os p]iodos sam breves3 r>isima vez se-a*a transpozisam mui oscura3 e os modos de fal>1 sam tirados d-e/ilo comum3 motivo polo qual1 sem trabalho se-int5dem4 ,plauto tambem s]a bom3 mas como tem ba/antes palavras antigas1 ou escritas no-antigo modo1 nam tam proprio1 p>a pr9cipiantes4 ,oracio nam o-aconselho3 nem outros semelhantes1 que p$em maior erudisam4 ,em lug> de ,oracio ne/es pr9cipios1 aconselh>ia ,catlo1 que nam s purisimo ,lat9i/a1 mas mui natural1 e com inf9itas grasas4 ,devem-se sep>>1 os poemas impudicos1 e explic> os outros1 com todo o cuidado1 e dilig5cia4 ,mas1 supondo que o me/re1 nam tem os ditos livros1 direi o que deve faz]1 despois da-leitura de ,f$ro1 e ,t]5cio4 ,dev] pois explic> em outra clase1 z c>tas de ,cic]o1 a que *amam ,famili>es1 com os com5trios de ,manucio1 ou ad usum ,delph9i1 que sam otimas3 nam todas juntas1 mas saltiadas4 ,onde dev] pref]ir1 z que escreve a sua molh] ,t]5cia1 e a seu lib]to ,tiro3 como tambem z de recem5dasam4 ,e/as sam z mais naturais1 breves1 e cl>as3 desorteque nam enfadam o e/udante3 porque sam compo/as naquele e/ilo famili>1 que todos int5dem4 ,vi nam muito tempo uma pequ5a colesam1 de/as mais facis epi/olas de ,cic]o1 cuido que impresas em ,padova2 que eram otimas1 p>a e/es pr9cipios4 ,despois1 na mesma clase pode l]1 os ,i/oricos mais facis3 como sam ,caio ,cez>1 ,cornelio ,nepote1 ,veleio ,pat]culo4 ,e/es trez escrevram no-seculo da-mais pura ,lat9idade1 e sam incomp>aveis3 pr9cipalm5te os dois primeiros1 que sam sumam5te naturais1 e cl>os4 ,mas e/es autores nam se-devem l] seguidos3 sim int]rompidos1 e tir&o deles os lug>es mais s+ul>es4 ,se o e/udante1 tiv] feito aproveitam5to no-,t]5cio1 e tiv] ja lido alguns extratos1 r$uzidos ordem natural2 ba/a explic>-lhe e/es autores1 sem mud> a ordem das-palavras3 p>aque p\co a p\co das-coizas facis1 v intr&o nas dificultozas4 ,e t] o me/re a adv]t5cia1 de nam obrig> sempre os rapazes1 a que traduzam de rep5te3 mas em dias alt]nados4 ,e comum5te deve ord5>-lhe1 que escrevam em caza a sua tradusam3 e qu&o vi]em escola1 f> que dem a razam1 de tudo o que traduzram4 ,e/e modo de ens9>1 aproveita muito1 e imprime z coizas na memoria4 polo contr>io o metodo comum1 de diz] de cr1 fal> como papagaio1 e expo/o a mil enganos4 ,onde dev] o me/re cuid> muito1 em que escrevam z suas traduso5s2 pois com o tempo s]ve i/o1 p>a ens9> a traduzir bem3 que o que muitos nam sabem4 ,qu&o o e/udante *ega a e/e e/ado1 pode-lhe ord5>1 que componha alguma coiza3 mas sempre asumtos breves3 pola maior p>te tirados das-obras1 que traduz3 o que pode faz] trez vezes na semana4 ,eu comec>ia polas c>tas3 que um modo de compor facil4 ,uma ou duas vezes d>lhea z p>tes3 t5do cuidado de escrev] primeiro1 uma c>ta ,portugueza pequ5a1 e com ordem natural4 ,ou traduzir uma pequ5a de ,cic]o1 que s]a o mais ac]tado3 obrig&o-os a que compuzesem outra semelhante1 sem porem se-s]vir em tudo1 das-mesmas palavras1 e fraze4 ,despois1 d>ia outra c>ta facil1 sem p>tes3 obrig&o-o a que z-buscse3 e ens9&o-lhe o modo4 ,em #c4o lug> d>ia uma c>ta mais elegante1 sem a ordem natural3 porque se acazo se-aco/umam1 a escrev] o ,latim conrespond5te ao ,vulg>1 nunca sab]m faz] outra coiza4 ,despois diso1 pas>ia a outro asumto mais dificultozo1 e sempre breve4 v4g4 a discrisam1 ou c>at]1 de uma pesoa det]m9ada3 no-que s+ul> ,velleio ,pat]culo4 ou obrigalosa a ref]ir1 algum pequ5o suceso3 d&o-lhe primeiro o ,portuguez2 e deix&o-lhe a incumb5cia1 de pr o ,latim4 ,i/o quanto pode faz] um rapaz1 no-dito tempo3 e se o-*ega a faz]1 nam faz p\co4 ,com o tempo1 e qu&o = l5do outros autores mais dificultozos1 que lhe-podem d> outros asumtos3 porque o rapaz1 em quanto e/iv] na ,lat9idade1 deve faz] duas coizas1 compor1 e traduzir4 ,deve porem o me/re fugir1 de lhe-d> p5sam5tos e s5t5sas oscuras1 por-tema2 porque z-nam-int5dem3 e ne/e tempo nada mais se-procura1 que ens9>-lhe que coiza 1 pura ,lat9idade4 ,qu&o o me/re l] z compoziso5s1 deve em5dlas1 e d>-lhe a razam1 de tudo o que faz4 ,ao pr9cipio som5te cuid>1 na propri$ade3 com o tempo ens9>-lhe tambem1 o que elegancia1 e p>ticul> idiotismo da-l+ua ,lat9a3 mo/r&o-lhe como se-deve traduzir1 tanto de ,latim em ,portuguez1 como de ,portuguez em ,latim4 ,s]a bom que o me/re algumas vezes1 traduzise ele mesmo1 algum paso de ,cic]o c4 e o-propuzese ao e/udante por-tema3 nam lhe-deix&o v] o orig9al1 s5am despois de feita a compozisam3 p>aque asim reconhecese o moso a div]sidade1 entre o que t9ha feito1 e devia faz]4 ,mas i/o som5te se-pode faz]1 nas clases altas1 e qu&o ja o rapaz tem noticia ba/ante1 da-,lat9idade3 porque de/a sorte1 que se-apr5de1 qual o e/ilo dos-bons autores4 ,pode1 despois dos-ditos autores1 explic> os ,i/oricos mais dificultozos3 que sam ,tito ,livio1 ,salu/io1 ou tambem ,qu9to ,curcio4 ,o qual ,curcio1 a9daque se-suponha t] escrito1 no-re9ado de ,vespaziano1 que era a idade de prata2 ou1 como diz ,scioppio1 o pr9cipio da-idade de bronze da-l+ua ,lat9a2 contudo1 escrito com a mais pura ,lat9idade d-seculo de ,augu/o3 e o e/ilo belisimo4 ,livio mais copiozo1 e mage/ozo1 e digno da-gr&eza d-,imp]io ,romano4 ,quanto a ,salu/io1 convem todos1 que z suas frequ5tes ,ellipsis1 e o demaziado laconismo1 fazem-no duro1 e oscuro3 mas escritor de sumo pezo1 e s+ul> eloqu5cia4 ,nam me-p>ece porem1 proprio p>a rapazes1 polas muitas e mui =tes meta=as1 e ba/ante oscuridade4 ,onde o meu p>ec] s]a1 que dos-dois primeiros1 se-tirasem alguns lug>es escolhidos1 p>a se-explic>em aos pr9cipiantes4 ,na mesma ultima clase podem-se explic>1 alguns extratos das-oraso5s de ,cic]o1 pr9cipalm5te das-mais facis1 que sam3 ,pro ,ar*ia ,poeta3 ,pro lege ,manilia3 ,pro ,m>cello3 e z ,catil9>ias4 ,mas obrig> um rapaz1 a que z-v traduz9do seguidam5te1 e inteiram5te1 como co/umam muitos1 int5d] mal o negocio4 ,n5hum omem pode l] com go/o1 uma inteira orasam de ,cic]o1 se nam um gr&e ,lat9o1 e ,retorico3 e oraso5s de ,cic]o tam longas1 v4g4 z ,v]r9as1 que a9da um omem d\to1 nam z-le1 sem se-cans>4 ,l] uma pag9a oje1 e no-segu9te dia outra2 a9da pior3 porque se-p]de o s5tido1 e nam se-int5de o que se-explica3 de que nace o enfado1 nam s nos-rapazes1 mas nos-gr&es4 ,onde o melhor 1 procur> alguns pasos breves1 e escolhidos3 uma descrisam3 um inteiro argum5to3 um inteiro p]iodo d-exordio4 ,o mesmo digo1 daqueles que explicam1 o ,somnium ,scipionis1 o livro de ,s5ectute1 ,amicitia1 c4 quem faz i/o1 nam int5de o que faz4 ,os ditos livros nam se-podem int5d]1 sem sab] a i/oria3 da-antiga ,filoz(ia3 o que nam deve1 nem pode um rapaz4 ,eu1 t5do lido algumas vezes ,cic]o inteiram5te1 s o-*eguei a int5d]1 7se que o-int5do7 qu&o li em ,la]cio1 e ,plut>co1 a i/oria das-setas dos-,filoz(os4 ,os que introduziram o e/ilo comum1 e que a*amos no-livro a que *amam1 ,selecta1 c]tam5te ou nam refletram1 ou nam int5diam i/o3 porque dam aos rapazes1 livros muito dif]5tes1 e que s sam p>a om5s adiantados4 ,salu/io nam p>a rapazes4 ,ouvram diz]1 que os livros pequ5os de ,cic]o1 eram p]feitisimos no-seu g5]o2 e sem mais reflexam os-traduzem4 ,mas polo mesmo pr9cipio deviam explic>1 os livros de ,oratore ad ,q4 ,fratrem3 ,orator ad ,m4 ,brutum3 e os trez de ,(ficiis3 que sam a melhor coiza que ele fez1 ne/e g5]o4 ,a*o porem outras razo5s1 que se-devem at5d]1 qu&o se-fala com pr9cipiantes4 ,qu&o o rapaz traduz e/es autores mais dificultozos1 com a mesma ordem que se-a*a neles1 entam precizo1 que escreva a sua tradusam4 ,a razam 1 porque e/es autores uzam de muitas transpoziso5s1 frazes1 e figuras1 z quais nem sempre se-podem traduzir lit]alm5te3 e asim qu]] que um rapaz1 de rep5te a*e o v]bo1 ou p]ifraze propria1 l\cura3 e vale o mesmo que ignor>1 que coiza seja tradusam4 ,os me/res ao seu b(ete1 muitas vezes nam a*am1 a palavra propria1 p>a a boa tradusam3 como mo/ra bem o famozo ,monsieur ,huet1 no-seu livrode ,cl>is ,int]pretibus3 em que1 aponta os defeitos1 em que caram os om5s gr&es3 ,e se i/o suc$e aos d\tos2 como posivel1 que o-fasa d]ep5te um pr9cipiante8 ,o que supo/o1 deve o me/re d>-lhe tempo1 p>a escrev] em caza a sua tradusam3 ou ao m5os na escola4 ,e despois ens9>-lhe1 como se-deve traduzir bem de ,latim em ,portuguez3 porque int5dido i/o bem1 conhece-se como se-devem conv]t] z mesmas frazes ,portuguezas1 em outras ,lat9as3 ao que *amamos1 boa ,lat9idade4 ,por-e/a razam digo1 que o que fez aquele livro1 a que *amam1 ,pai ,velho2 que poem a tradusam de ,virgilio1 ou o que qu] que 1 palavra por-palavra2 m]ecia s] asoitado polas ruas publicas3 e tambem os me/res1 que se-s]vem dele3 e o livro1 queimado em prasa publica4 ,nam coiza mais prejudicial p>a a ,mocidade1 que semelhantes livros3 pois mo/r&o ens9> a traduzir1 sam a cauza1 de que se-nam-saiba4 ,o pior 1 que os me/res praticam o mesmo1 que diz o livro1 nas suas traduso5s4 ,cujo metodo tal1 que ou os rapazes e/ejam dez1 ou v9te anos nas escolas1 nunca int5d]m ,latim3 como na-v]dade suc$e3 pois traduz9do todos ,virgilio1 n5hum o-int5de4 ,a*ei-me em c]ta p>te1 emque um celebre me/re traduzia1 o pr9cipio d-qu>to livro da-,eneida3 ,at ,reg9a gravi jamdudum saucia cur c4 palavra por-palavra3 e tam pago de si mesmo1 como se fose1 o melhor int]prete d-mundo4 ,dise eu a um-discipulo1 que escrevese a tradusam d-seu me/re1 e despois lha-mo/rse1 progunt&o-lhe1 se era boa aquela tradusam4 ,asim o fez3 e o me/re1 cuid&o que era coiza d-dicipulo1 foi o primeiro que dise1 que nam pre/ava p>a nada4 ,pois e/a1 replic\ o discipulo1 a que ,v4,p4 ontem dise4 ,env]gonhado o me/re1 quiz sab]1 quem lhe-d]a o conselho1 e respondeo3 ,que uma coiza era1 compor na banca1 e outra1 explic> na escola4 ,que p>voice6 e/a propozisam vale o mesmo que diz]3 ,que na banca se-deve compor bem3 e na escola explic> mal4 ,a fal> a v]dade quem explica a rapazes o dito livro1 ou coiza semelhante1 sabe mui p\co3 porque pola maior p>te aquelas palavras1 nam se-devem tom> no-proprio s5tido1 mas meta=icam5te3 e expliclas segundo o s5tido d-,poeta4 ,e por-e/e motivo torno a diz]1 que os ,poetas1 pr9cipalm5te ,eroicos1 nam sam p>a rapazes1 que e/udam ,latim4 ,confeso a ,v4,p4 que a9da nam ouvi um me/re1 que na escola disese3 ,e/a palavra1 nam se-pode traduzir bem3 neces>io explicla asim4 mas todos seguem o comum e/ilo1 que muito mao4 ,onde a m9ha regra g]al e/a3 ,qu&o ouso um me/re1 que1 explic&o livros eloqu5tes1 traduz asim3 ,petrus ,p$ro3 ,amat1 ama3 ,joannem1 a ,joam3 sem mais outro exame as5to1 que nam sabe ,latim4 ,deve o me/re pratic> outro e/ilo1 se qu] que aproveite aos e/udantes3 e o melhor 1 o que aponto4 ,i/o ba/a por-agora1 sobre a tradusam4 ,qu&o digo1 que se-devem l] e/es livros1 nam qu]o diz]1 que se-leiam todos3 mas um1 ou outro dos-que aponto2 que sam os melhores1 e mais proporcionados ao noso cazo4 ,mas tambem c]to1 que1 l5do-os como digo1 quazi se-podem l] todos4 ,o pr9cipal ponto e/1 em seguir a ordem que ins9uo3 porque sem ela1 nac] confuzam e imp$im5to1 como todos os dias obs]vamos no-metodo vulg>3 s5do c]to1 que primeiro se-devem l]1 os que falram a l+ua naturalm5te1 doque os que abundam muito de meta=as1 e mil outros ornam5tos dificultozos4 ,mas nem m5os i/o ba/a1 se o me/re nam explic> o que deve4 ,onde o ponto de toda a consid]am consi/e1 no-modo da-explicasam4 ,qu&o pois o e/udante e/iv] adiantado1 deve o me/re1 alem das-coizas que asima apontei1 explic> outras4 v4g4 a s9taxe dificultoza3 a =sa das-palavras3 o modo de pronunci> antigo3 e not> outras coizas1 que se-encontr>em4 ,porque os rapazes das-escolas maiores devem sab]1 nam s o que ,latim puro1 mas tambem z outras p>ticul>idades1 que con/ituem a elegancia4 ,a*am-se autores1 que se-s]vem de palavras ,lat9as1 e contudo nam tem aquela p>ticul> grasa1 a que *amam os intelig5tes1 boa ,lat9idade4 ,consi/e e/a s vezes1 em uma fraze inteira3 tambem em um dim9utivo1 ou frequ5tativo c4 coizas que dam inf9ita grasa ao e/ilo ,lat9o2 e frequ5tem5te se-a*am1 nos-melhores autores ,lat9os1 como ,t]5cio1 ,cic]o c4 ,onde1 e/e deve s] o cuidado d-me/re3 mo/rlas qu&o ocorrem3 e not> a p>ticul> grasa que tem1 naquele lug>4 ,deve tambem not> o modo1 com que os bons autores comesam1 ou acabam o discurso1 ou os unem entre si1 qu&o compoem uma orasam inteira4 ,e/a uniam consi/e s vezes1 em uma conjunsam3 s vezes1 em outra p>ticula4 ,e e/e o p>ticul> e/ilo da-boa ,lat9idade3 que neces>iam5te se-deve ens9> aos rapazes1 p>aque o-executem1 qu&o compoem4 ,alem di/o1 qu&o encontr> alguma expresam oscura1 ou porque fundada em uma fabula1 ou coiza semelhante1 deve explicla4 ,de/a sorte se-int5d]m os autores1 e se-pod] tir> proveito da-sua leitura4 ,e i/o o que um me/re d\to faz1 com muito go/o1 porque conhece a utilidade1 que daqui rezulta3 e s entam pode repre5d] com ju/isa os rapazes1 qu&o da-sua p>te faz tudo o que deve1 p>a os-ens9>4 ,mas antes de concluir i/o1 qu]o diz] alguma coiza1 sobre z ediso5s deses mesmos autores1 que tambem noticia util4 ,em todo o cazo devem-se procur>1 z melhores ediso5s de/as obras1 z mais corretas1 e com boas notas4 ,todos os livros com5tados ad usum ,delph9i1 a9daque uns sejam melhores que outros1 comum5te1 e pr9cipalm5te p>a o noso cazo1 sam bons4 mas devem s] da-edisam de ,p>iz1 ou de ,ol&a3 porque z de ,italia mod]nas1 nam pre/am p>a nada4 ,emporta muito t] o texto correto1 p>a se-nam-engan>1 ne/e p>ticul>4 ,os ,ol&ezes sam famozos4 ,z ediso5s de ,grevio1 e ,gronovio1 e outros om5s d\tos1 a9daque nam t5ham notas1 7mas quazi todas z-tem7 sam corretisimas4 a edisam de ,cic]o por-,v]burgio1 cum notis v>iorum1 em ,ol&a exatisima4 ,em ,+lat]ra tambem fiz]am algumas boas3 e a impr5sa de ,+lat]ra1 e ,p>iz mais negra1 que a de ,ol&a3 e por-iso agrada mais4 ,i/o que digo das-ediso5s1 se-int5da1 nam s dos-,prozadores1 mas dos-,poetas4 ,o que porem encom5do muito ao e/udante 1 que1 ne/es pr9cipios1 se qu] sab] ,latim1 leia p\cos livros3 mas eses que escolh]1 leia-os tantas vezes1 e com tanta at5sam1 como se ouvesem de s] eles1 o seu unico e/udo4 na segunda vez a*> m5ores dificuldades3 e asim nas outras4 ,i/o ba/a1 p>a s] um gr&e ,lat9o4 ,nem aconselh>ei a rapaz algum1 que leia os ,poetas4 ,p>a sab] ,latim1 escuzado1 e s]ve de imp$im5to3 na ,retorica melhor que se-leiam3 mas melhor qu&o sam gr&es4 ,porem por-nam deix> de d> metodo1 na leitura dos-autores1 direi brevem5te o modo3 e s]vir1 p>a os que se-quiz]em aplic> totalm5te a i/o4 ,digo pois1 que os que quiz]em aplic>-se leitura dos-,poetas1 podem fazlo1 despois de t] feito e/as prep>aso5s3 procur&o som5te1 os mais e/imados polos d\tos4 ,p>a int5d] e/es neces>io1 l] algum tratado1 que explique a ,mitologia dos ,antigos3 e que nos-de uma noticia breve das-fabulas1 que eles todos os mom5tos aludem4 ,i/o po/o1 deve-se l] ,ovidio nas ,metamorfozes1 e ,fa/os1 em que explica toda a ,mitologia3 despois z ,eroidas1 que sam z suas melhores obras1 e z mais facis4 z outras podem-se rez]v> p>a outro tempo4 ,despos1 l] ,virgilio todo at5tisimam5te3 ao qual deve seguir ,oracio1 nas suas ,odes2 melhor direi1 todo1 porque um autor inimitavel4 ,qu]em muitos1 que com e/e se-leia1 ,gracio ,falisco1 ,olimpio1 e ,nemesiano1 ,poetas ,bucolicos3 a9daque na v]dade sejam muito inf]iores1 a ,oracio4 ,e f9alm5te1 ,e/acio1 e ,lucano4 ,i/o ba/a p>a t]1 uma gr&e noticia de ,poetas3 pr9cipalm5te l5do-se1 com a devida at5sam4 ,e quem tiv] bem e/udado os ditos1 pode1 sem mais me/re1 l] qualqu] dos-outros1 que se-(]ec]3 mas apont>ei alguns4 ,quem pois quiz] l] amores1 veja ,ovidio1 de ,arte am&i1 ,catlo1 ,tiblo1 ,prop]cio3 que sam todos no-seu g5]o famozos4 ,os melhores satiricos sam1 despois de ,oracio1 que o me/re2 ,juv5al1 e ,p]sio4 ,m>cial um autor1 que entre mil coizas insulsas1 tem algumas boas4 agradam mais aos om5s intelig5tes de ,poezia1 e ,lat9idade os ,epigramas de ,catlo4 ,quanto a ,lucrecio1 e ,manilio1 sam juntam5te ,filoz(os1 e ,poetas3 e o primeiro sempre teve1 e a9da cons]va1 muitos admiradores2 e um puro ,lat9i/a4 ,ni/o se compre5de1 o melhor da-,antiguidade4 ,sobre z edifo5s p\co que diz]4 ,todos e/es autores =am com5tados1 p>a uzo d-,delfim de ,fransa1 por-ordem de ,luiz ,,xiv4 ,e/as ediso5s sam melhores que z antec$5tes3 e z concordancias que se-fiz]am1 de cada um de/es autores1 valem inf9ito1 p>a a intelig5cia dos-vocabulos da-l+ua3 pois mo/ram os dif]5tes uzos1 e a =sa das-expreso5s4 ,alem das-,delf9as1 outras ediso5s ant]iores1 que tem seu m]ecim5to4 ,por-p\co que um omem se-famili>ize com os livros1 e consulte os ,bibliotec>ios impresos1 e trate os om5s que sam v]dadeiram5te d\tos2 conseguir todas z noticias neces>ias1 p>a se-regul> na eleisam dos-livros1 e ediso5s4 ,mas quem quiz] l] e/es autores1 advirto-lhe1 que os-nam-leia seguidos1 sim int]rompidos3 pois nem tudo neles igualm5te bom4 ,onde1 devem-se colh] z coizas melhores3 porque e/a sorte de leitura agrada3 uma longa leitura enfa/ia1 e s s]ve p>a um omem1 que nam fasa outra coiza4 ,nam aconselho1 que se-expliquem ,poetas ne/as escolas3 mas que aja uma ou duas sep>adas1 em que som5te se-trate e/a mat]ia4 ,e ja *e falamos de livros1 neces>ios p>a a intelig5cia d-,latim1 deve tambem o e/udante sab]1 de quais se-deve s]vir1 p>a compor c4 ,ni/o muito abuzo2 porque comum5te alguns aconselham livros1 que nam pre/am4 ,o ,c>dial ,adriano de ,s]mone ,lat9o2 ,hub]to ,gifanio1 nas suas ,obs]vaso5s1 ,tomaz ,l9ac]1 sam autores famozos1 p>a ens9> o modo1 de escrev] bem3 pr9cipalm5te o ultimo4 ,enrique ,e/evam1 e o ,vossio1 escrevram bem sobre z palavras1 que nam sam ,lat9as1 ou que o-p>ecem4 ,o ,ducange fez um belo ,dicion>io1 de ,infima ,lat9itate3 que oje se-a*a mui acrec5tado1 polos ,b5$it9os de ,s4 ,mauro1 e cuido que sam1 alguns seis tomos de folha4 ,o ,dicion>io ,etimologico de ,vossio1 pode d> gr&e e fundada noticia1 da-,lat9idade4 ,nizolio1 e ,c>los ,e/evam1 compoz cadaum seu ,dicion>io1 p>a z vozes que se-a*am em ,cic]o3 mas o ultimo melhor1 que o primeiro4 ,p>a t] noticia de toda a ,lat9idade1 e v] o uzo dos-vocabulos1 neces>io consult>1 o ,tezoiro da-,l+ua ,lat9a1 de ,rob]to ,e/evam4 #d4 tom4 p>a os rapazes1 pode s]vir o ,calep9o de ,facciolati1 que mais breve4 ,p>a v] z dif]5sas das-palavras1 utilisimo ,anzonio ,popma1 e o ,p4 ,vavassor ,jezuita1 e tambem o ,borri*io4 ,p>a sab] o uzo1 e =sa das-,p>ticulas da-,lat9idade1 famozo o ,/evve*io1 e despois dele o ,p4 ,tursel9o1 da-edisam d-,facciolati4 ,os me/res podem l] o ,tomasio1 e ,s*vv>tio1 que sam amplisimos4 ,z ,fraseologias nam z-aconselho a n+uem3 mas das-melhores1 a de ,manucio1 que comp5di\ z de ,t]5cio1 e ,tullio3 e melhor que e/e1 o ,p>eo1 que acrec5t\ z de ,plauto3 e fez mais outras obras utis1 p>a a ,lat9idade4 ,a*am-se mais alguns autores1 como o ,s*orus1 ,cell>ius c4 que escrevram ne/as mat]ias3 mas e/es que apontamos1 sam os melhores4 ,e e/as noticias ba/am ao pr9cipiante3 z outras apr5d] com o tempo4 ,t5ho dito o meu p>ec]1 sobre o modo facil de apr5d]1 a boa ,lat9idade4 ,mas antes que acabe1 direi a ,v4,p41 que p>a conseguir e/e fim1 e sab] compor com facilidade1 conduz muito1 t] a memoria *eia de muitas especies4 ,sem ela nada vale a aplicasam3 vi/oque a nosa ci5cia nada mais 1 que a simplez memoria1 d-que temos e/udado4 ,n+uem duvda1 que a memoria com o ex]cicio se-ap]feisoa1 pr9cipalm5te nos-rapazes3 e que todo o trabalho1 que ni/o se-poem na mocidade1 s]ve muito1 p>a quem -de seguir os e/udos4 ,mas a dificuldade e/1 em sab] cultiv> a memoria4 ,quem obriga os rapazes1 a apr5d] muito v]so1 e muita ar5ga2 faz-lhe mal1 cuid&o faz]-lhe bem4 ,eu comp>o a memoria1 *eia de semelhantes ideias1 a uma livr>ia gr&e1 cujos livros nam e/am nas e/antes1 mas amontoados no-meio1 e polos cantos3 quem nela procura um livro det]m9ado1 nam o-encontra3 mas (recem-se-lhe cem mil1 que nada fazem ao cazo4 ,damesma sorte a memoria mal regulada3 qu&o lhe-p$em uma ideia1 (rece tantas1 e tam fra d-propozito2 que o retrato da-confuzam3 de que nace1 que nunca se-apr5dem bem1 z outras ,ci5cias4 ,i/o supo/o1 deve cuid> o me/re1 em ex]cit> a memoria dos-pr9cipiantes1 em algumas det]m9adas mat]ias4 ,primeiro1 aco/umlos a diz]em em breves palavras a lisam1 que m-de explic>4 ,despois1 explic> aos ditos1 alguns pasos seletos de autores1 pr9cipalm5te ,poetas3 v4g4 alguma das-fabulas de ,f$ro1 ou ,ovidio3 mas curtas1 e sempre agradaveis2 pois s asim entram4 ,ne/as1 os rapazes devem diz] primeiro1 o que contem3 despois1 poco a p\co ir repet9do1 todas z palavras3 com o tempo pode-se aum5t>1 o num]o dos-v]sos4 ,e e/e ex]cicio pode-se faz] dois1 ou trez dias da-semana4 ,qu&o o rapaz tem algum ex]cicio2 entam tem lug>1 s]vir-se de metodo1 nas coizas que decora4 ,onde t]a cuidado de lhe-ens9>1 algumas descriso5s1 algumas exortaso5s1 ou-breves oraso5s c4 mas primeiro explic>-lhas bem3 pois sem iso qu]]1 que pronunciem como papagaios4 ,ni/o nam devem mole/> os rapazes1 com pancadas3 mas animlos com premios1 a que decorem bem algumas coizas3 remun]&o ou l\v&o1 os-que o-fazem melhor3 sempre coizas utis1 e que posam s]vir com o tempo4 ,mas deve cuid> muito o me/re1 de nam p]metir aos rapazes1 a leitura de/es livros de ,fraseologia1 antes banilos1 como coiza mui prejudicial4 ,sam cpas de rom5dos1 cadaum de sua cor1 que nam podem faz] coiza boa4 cauzam preguisa aos e/udantes3 e arru9am o bom go/o da-,lat9idade4 ,devem-se escolh] z descriso5s c4 nos-mesmos livros que e/udam3 e m&>-lhe apr5d] z frazes1 nos-mesmos autores que traduzem4 ,o mais madras>ia1 e ignorancia4 ,t5ho a9da outra reflexam que faz]3 e/a1 sobre o fal> ,latim nas escolas4 ,ni/o dois vicios3 alguns falam sempre a sua l+ua3 de que vem1 que saiem das-escolas1 sem sab] diz]1 um comprim5to ,lat9o3 e e/e o defeito1 que re9a em ,portugal4 ,outros1 que pola maior p>te sam ,polacos1 ,ung>os1 ,alema5s1 obrigam a fal> sempre ,latim3 a9da antes de int5d]em bem ,latim4 ,tambem i/o um gr&e defeito3 pois se os que sabemos bem ,latim1 nam podemos fal> com dezemb>aso2 que f> um rapaz1 que a9da o-nam-sabe6 ,e/a a razam1 por-que vemos muitos de/es ,e/rangeiros1 7e eu vi tambem molh]es7 que falam ,latim corr5te4 mas que ,latim8 um ,latim tal1 que melhor nam int5dlo4 ,p>a fal> ,latim depresa1 s]vem-se de frazes b>b>as1 e t]mos vulg>es3 e en*em a cabesa com aquilo1 em modo tal1 que em n5hum tempo podem deix>1 o dito e/ilo4 ,nam sei que grasa tem cans>-se1 p>a escrev] ,latim bem1 e cans>-se tambem1 p>a fal> ,latim mal3 nem m5os int5do1 que necesidade aja1 de fal> semelhante ,latim4 ,quem -de faz] jornadas1 por-paizes ,e/rangeiros1 se sabe bem ,latim1 nunca tem dificuldade em se-explic>1 se acazo tem algum uzo4 que o-fale mais ou m5os depresa1 iso nada emporta4 ,nem m5os aprovo1 aquela afetasam de alguns ,portuguezes1 que1 qu]5do fal> ,latim com algum ,e/rangeiro1 e/am meia ora a consid]>1 um p]iodo ,cic]oniano3 e desprezam z vozes vulg>es4 ,e/e tambem outro defeito consid]avel4 ,se os que falam ,portuguez afetado1 nam se-podem suport>2 que f>am os que falam com afetasam1 o ,latim8 ,o ,latim das-conv]saso5s deve s]1 o mais natural de todos4 o ponto e/ t] palavras puras3 a s9taxe delas deve s] natural1 e cl>a4 ,v4,p4 nam v] afetaso5s em ,t]5cio1 ou ,plauto1 ou ,f$ro1 porque falavam com e/ilo famili>4 ,a l+ua ,lat9a tem i/o de bom1 que se-caza com a elevasam1 e naturalidade4 ,onde1 devemos sab] aplic> o e/ilo1 mat]ia2 p>a conseguir o fim1 de fal> com muita naturalidade1 e nam fal> mal4 ,i/o suppo/o1 p>ece-me que deve av] nas escolas1 algum ex]cicio de ,latim3 mas requ]em-se algumas cautelas4 ,primeiro1 nam se-deve fal> ,latim1 s5am na ultima escola da-,lat9idade1 ou da-,retorica3 qu&o ja os rapazes1 int5dem bem o ,latim4 ,em segundo lug>1 nam devem fal> ,latim sempre1 mas em dias det]m9ados4 ,primeiro1 podem ens9>-lhe a diz]1 alguns comprim5tos de uma1 e outra p>te3 despois1 pode-se introduzir algum ,dialogo1 sobre a mat]ia que se-e/uda3 em que de uma p>te1 um rapaz progunte alguma coiza3 da-outra1 responda outro1 sempre em ,latim4 ,mas primeiro deve o me/re explic>1 como i/o se-deve faz]3 e s] ele o primeiro1 a d> exemplo4 ,e nam deve obrig> todos1 a que falem no-mesmo dia3 mas comes> polos melhores3 despois por-turno os outros1 em dias det]m9ados3 aviz&o-os primeiro1 p>a que v5ham prep>ados4 ,desorteque cada e/udante ousa fal> muitas vezes1 os outros3 e asim v apr5d5do1 p>a qu&o lhe-*eg> a sua vez4 ,pode o me/re fal> a miudo1 algumas coizas ,lat9as1 com algum dos-e/udantes1 que =em mais capazes1 a9da fra dos-dias as9ados3 t5do cuidado1 de fal> bem2 e ens9>-lhe sempre1 o como se-deve fal>4 ,de/a sorte pode ajud> muito1 os e/udantes3 pr9cipalm5te se s\b] excit> entre eles1 a emulasam1 l\v&o muito os que o-fazem bem1 e remun]&o-os4 ,e/e o v]dadeiro metodo1 de ens9> a fal> ,latim4 ,comes&o de/a sorte1 mais facilm5te o fal>m1 nas escolas da-,filoz(ia3 e de/e modo aqui/>m aquela facilidade1 que neces>ia1 a quem -de seguir z letras4 ,i/o o que me-ocorre diz]1 sobre o e/udo da-l+ua ,lat9a3 pod]ia acrec5t> muita coiza2 mas e/as ba/am1 p>a o que se-qu]4 ,pr\v]a a ,deus1 que e/as se-puzesem em execusam2 entam me-diria ,v4,p4 se me-enganava eu no-meu conceito4 ,deix&o p>a a vi/a outras razo5s1 com que podia p]suadir1 o que digo2 ins9u>ei uma bem cl>a4 ,entre tantos que se-aplicam1 ao e/udo da-,l+ua ,lat9a1 mo/re-me ,v4,p4 quantos sam capazes de se-apont>em1 como exemplo de boa ,lat9idade4 ,exam9e ,v4,p4 quantos autores tem c1 nos seus pazes1 que componham ,latim1 como milh>es1 que eu poso apont>1 nos-,re9os e/rangeiros2 e a9da alguns em ,espanha1 que escrevram asombrozam5te4 ,se me-mo/r> um ou dois1 que nam ignoro que aja1 as5te que o-nam-tr\x]am das-escolas2 mas cu/\-lhe boas fadigas em caza3 ou talvez porque saram fra d-,re9o1 e tratram1 com quem lhe-abrise os olhos1 como o ,bispo ,ozorio c4 ,quazi todos os outros falam ,latim das-escolas4 ,e tantas te/emunhas1 que todos os dias saiem das-escolas1 provam bem1 que e/a ignorancia1 influ5cia d-mao metodo4 ,di/o podia eu cit> muitos1 e muitos exemplos1 se mo-nam-imp$ise a mode/ia4 99 99 99 porque a9daque t5ham d\tr9a1 e tal5to1 o mao metodo que bebram na mocidade1 imp$e o aproveitam5to4 ,c]to ,religiozo d\to1 dev5do d> conta de si1 em um congreso erudito1 queix&o-se de lhe-nam-t]em dado1 c]tos papeis1 concluia asim3 ,qu ad no/ram faciunt hi/oriam monum5ta omnia3 sive scripta1 sive transcripta1 sive prscripta2 sive conge/a1 sive dige/a1 sive indige/a2 peto1 expeto1 repeto3 posco exposco1 reposco3 quro1 exquiro1 requiro3 flagito1 efflagito3 oro1 p]oro4 ,todo o corpo d-discurso era semelhante4 ,nam sei se se-pode faz]1 coiza pior3 e apo/>ei eu1 que os seus ,religiozos d\tos1 s]am os primeiros1 a cond5> e/e ,latim4 ,o pior 1 que afet&o tanto1 sab] a =sa dos-,v]bos1 engan\-se em alguns4 ,porque o flagito1 e efflagito1 nam s significam1 p$ir com i/ancia1 mas p$ir com injuria#bf1 e com p\ca v]gonha3 o que suponho1 ele nam quiz diz]4 ,tambem o p]oro1 nunca ouvi1 nem a*ei em autor ,lat9o1 que significse p$ir4 tambem ,or>e monum5ta1 fraze que nunca a*ei nos-,lat9os4 ,os primeiros trez nomes significam a mesma coiza1 no-noso cazo3 pois ele nam p$ia cazas1 nem e/atuas2 mas coizas escritas3 e asim o sive1 p>ece mal ins]ido4 ,damesma sorte o conge/a1 nam se-opoem1 a dige/a1 e indige/a2 pois a cadaum de/es se-pode aplic>3 s5doque g5]ica4 ,z outras exam9> ,v4,p4 com mais vag>1 que eu nam t5ho4 ,e nam som5te os que se aplicam1 a dif]5tes mat]ias1 mas aqueles mesmos1 que se-empregam na ,lat9idade1 muitas vezes nam sam iguais4 v4 g4 ,antonio ,rodriguez da-,co/a1 ,conselheiro d-,vltram>1 que escrevia ,latim com muita facilidade1 esquecido s vezes de simesmo1 escreve algumas c>tas ,lat9as1 fra d-e/ilo famili>1 que p>esem oraso5s academicas4 ,mas pior que e/e1 o ,m>quez ,manoel ,teles da-,silva1 e o ,conde de ,vil>maior1 os quais ambos tropesam t]rivelm5te ne/a mat]ia1 de elevasam afetada4 ,o primeiro1 na c>ta com que aprova1 os ,epigramas d-,p4 ,reis1 que comesa ,cum nullum c4 uza de um e/ilo1 que a9da nam vi coiza mais impropria3 ,o segundo1 nas c>tas que escreve1 a ,antonio ,roz da-,co/a1 afetado por-um novo modo2 e incl9a muito p>a a declamasam1 demora-se muito com os lug>es comuns1 e nam obs]va1 o v]dadeiro e/ilo epi/ol> c4 ,confeso a ,v4,p4 que l5do1 e exam9&o ,cic]o1 nam a*ei nele nem oraso5s1 nem c>tas afetadas4 ,som5te na idade de prata 1 que comeso a v]1 a afetasam1 porque ja deg5]ava a eloqu5cia4 ,de que concluo1 que os que lem bem polos ,antigos1 e sabem imitlos1 escrevem com muita naturalidade1 e no-mesmo tempo sublimidade4 ,qu&o porem nam se-lem os ,antigos1 ou1 l5do-se1 nam se-faz como se-deve2 nam se-pode faz] coiza boa4 o que1 como asima dizia1 nace d-mao metodo1 de quem ens9a4 ,qu&o em um paz1 florecem com gr&e aplicasam z ,artes1 coiza obs]vavel1 que saiem muitos excel5tes4 ,no-tempo de ,cic]o1 nam s ele falava bem ,latim2 mas avia uma inf9idade que o-falavam1 com a mesma pureza1 e grasa2 e muitos ,oradores1 de gr&e m]ecim5to4 ,se ,v4,p4 tira das-c>tas de ,cic]o1 os nomes de muitos1 que lhas-escrevram2 entre elas1 e z de ,cic]o1 nam a*> dif]5sa alguma4 ,o bom go/o naquele tempo1 era tam raf9ado1 que ,cez>1 e ,atico1 repre5dram alguma palavra de ,cic]o3 e o modo de or> de/e ultimo1 nam agradava a ,bruto1 a ,calvo1 e ,pollio1 que eram om5s d\tisimos4 ,toda a mage/ade1 e pureza da-l+ua de ,tito ,livio1 nam o-livr\1 de s] c5surado em ,roma1 por-aqueles delicados criticos4 ,o gr&e ,as9io ,pollio a*\ ne/e escritor1 c]tas palavras1 e e/ilo d-paz em que nacra2 que os om5s cultos de ,roma1 nam lhe-qu]iam p]do>4 tal era o delicado go/o daqueles ,s5adores1 e ,cortezo5s6 ,os mesmos ,romanos1 t9ham um demaziado escrupulo1 ne/e ponto4 ,um ,comico1 que no-teatro errava uma silaba1 e um ac5to1 levava gr&isimas surriadas#bg4 tal era a f9eza d-juizo daquela ,republica6 ,se damos um paso mais atraz1 e entramos em ,at5as1 onde z ,artes1 e ,ci5cias tanto florecram1 que dali se-espalhram1 polo re/o da-,europa2 a*>emos1 que ne/a gr&e escola1 at a g5te plebeia1 polo co/ume de ouvir or>1 e fal> bem em publico1 aqueles gr&es ,oradores2 t9ha aqui/ado1 um tam exquizito go/o da-l+ua1 que qu&o os ,oradores subiam tribuna1 temiam (5d]1 com alguma m5os boa expresam1 orelhas tam delicadas4 ,avia muitos anos1 que o ,filoz(o ,te(ra/ro abitava em ,at5as1 e t9ha feito um p>ticul>isimo e/udo1 de fal> a sua l+ua1 segundo o dialeto de ,at5as3 comtudo iso diz a ,i/oria1 que da-pronuncia de uma palavra1 conheceo que era e/rangeiro uma molh]1 que v5dia legumes em ,at5as#bh4 ,a*amos na i/oria ,grega1 mil outros exemplos1 que confirmam1 quam g]al era1 o bom go/o da-eloqu5cia1 entre os ,gregos4 ,nas asembleias publicas da-,grecia1 em que se-recitavam ,poemas1 e ,i/orias ao ,povo2 sabemos1 que muitas vezes regeitram algumas1 por-nam *eg>em1 f9eza de outras4 ,dionizio o velho1 ,rei de ,s>agosa nam era mao ,poeta3 vi/oque com uma das-suas compoziso5s1 alcans\ o premio1 nos-jogos da-,grecia1 digo1 nos-jogos ,olimpicos3 mas porque m&ra primeiro duas1 que nam *egavam ao m]ecim5to1 da-t]ceira1 foi esc>necido por toda a asembleia4 ,deixo outros ,antigos4 ,e1 se decemos a e/es ultimos seculos1 e ao prez5te1 poso mo/r> a ,v4 ,p4 com toda a evid5cia1 que em ,londres1 ,am/]dam1 ,leid51 ,p>iz1 ,roma1 ,napoles1 ,padoa1 ,bolonha1 ,piza1 e outras muitas p>tes1 onde se-cultivam os bons e/udos2 os que neles sam in/ruidos1 por-p\co que saibam1 aqui/am um p>ticul> go/o1 em todo o g5]o3 e que neses mesmos empregos de ,ci5cias1 e ,artes1 inf9itos om5s excel5tes4 ,d-que manife/am5te se-prova1 que onde se-ens9a bem1 sempre om5s gr&es3 e que onde os-nam-1 uma prova manife/a1 d-mao metodo1 de quem ens9a4 ,t5ho dito a ,v4 ,p41 quanto a brevidade de uma c>ta p]mite1 o que me-p>ece deve faz]1 quem qu] sab] ,latim4 ,pod]ia acrec5t> outras coizas2 mas esas sam som5te neces>ias1 aos que qu]em s] insignes1 nas letras umanas4 ,p>a ,v4 ,p4 que tam v]sado nelas1 o que digo1 p>ece a9da sup]fluo3 e p>a os-outros1 muito mais3 vi/oque nam a*o muitos1 que queiram e/a gloria1 e queiram conseguila1 com e/es meios4 ,comque pro aqui3 ,e dezej&o a ,v4 ,p4 felicisimas fe/as1 e boas intradas de anos2 com todo o corasam me-as9o c4 ,illu/rao ,,notas ,,de ,,rodap3 #ba ,adv]s>4 l4 #g4 c4 #ai4 #bb ,z palavras de ,furio ,alb9o citado por-,macrobio1 sam e/as4 ,nemo debet antiquiores ,poetas ea ratione viliores put>e1 quod eorum v]sus nobis scabri vid5tur4 ,ille enim /ilus maxime1 tunc placebat3 diuque laboravit tas secuta1 ut magis huic molliori /ilo acquiesc]et4 ,itaque m9ime defu]unt1 imp]antibus etiam ,vespasianis1 qui ,lucretium pro ,virgilio1 ,lucilium pro ,horatio leg]5t4 ,petrus ,cr9itus1 de ,poetis ,lat9is4 #bc ,l4#c4 v4 #bdh4 #bd ,a5eid4 ,i4 v4 #fg4 #be ,itaque video visum esse nonnullis1 ,platonis1 ,democriti locutionem1 etsi absit a v]su1 tam51 quod incitatius f]atur1 cl>issimis v]borum lum9ibus utatur1 potius poema put&um1 quam comicorum poet>um3 apud quos1 nisi quod v]siculi sunt1 nihil e/ aliud quotidiani dissimile s]monis4 ,cic]4 de ,orat4 ad ,m4,b4 num4#bj4 #bf ,expectatione promissi tui moveor1 ut admoneam te1 non ut flagitem3 misi autem ad te quatuor admonitores1 non nimis v]ecundos3 qui metuo1 ne te =te flagit5t3 ego autem m&avi1 ut rog>5t4 ,cic]o ,epi/4 famil4 l4#i4 ep4 #h4 ,qu9til4--,efflagita/i quotidiano convitio1 ut libros jam emitt]e incip]em c4 #bg ,at 9 8 7num]is7 si paullum modo (f5sum e/1 ut aut contractione brevius fi]et1 aut productione longius2 !atra tota reclamant4 ,cic]o l4#c4 de ,oratore n4#ej4 #bh ,cic]o1 de ,cl>is ,orator4 n4#df4 ,illu/rao ,,c>ta ,,qu>ta4 ,,sum>io4 ,necesidade das-l+uas ,ori5tais1 pr9cipalm5te ,grega1 e ,ebraica1 p>a int5d] z letras ,umanas3 mas muito pr9cipalm5te1 p>a a ,teologia4 ,modo de z-apr5d]4 ,utilidade da-l+ua ,franceza1 e ,italiana1 p>a s] erudito com facilidade1 e sem despeza4 ,meu amigo e s5hor1 ,talvez esp]ava ,v4 ,p4 que eu ne/a c>ta1 passe direitam5te ,retorica2 e comesse a discorr] sobre aquela mat]ia1 que nos-ocup\ ba/ante tempo2 e nos-deu ocaziam1 p>a faz] muitas1 e mui utis reflexo5s4 ,tambem esa era a m9ha int5sam2 se me-nam ocorrese outra coiza1 que julgo s] igualm5te neces>ia3 e que nam nos-ocup>1 s5am uma c>ta1 e nam mui longa4 ,falo d-e/udo das-l+uas ,ori5tais3 que muitos desprezam1 porque nam tem juizo1 p>a conhec] o bom1 rezolusam p>a o-empr5d]1 e metodo p>a o-conseguir4 ,eu nam fal>ei de todas3 mas das-duas mais pr9cipais1 e que todos os om5s d\tos reputam1 que sam sumam5te neces>ias3 e como tais se-ens9am1 em quazi todos os e/udos1 da-,europa culta3 tais sam a ,grega1 e ,ebraica4 ,sam e/as duas l+uas em ,portugal1 totalm5te desconhecidas1 a9da nas-,univ]sidades3 o que mui obs]vavel3 porque ,univ]sidade deve compre5d]1 todo o g5]o de e/udos4 ,os ,espanhoes conhecram muito bem1 e/a necesidade3 e vemos que nas pr9cipais das-suas ,univ]sidades ens9am1 nam s e/as1 mas outras ,ori5tais4 ,mas em ,portugal obs]vo1 que nam noticia delas4 ,nese colegio das-,artes1 dizem que uma cadeira de ,grego3 mas como se a-nam-ouvese1 porque nam tem ex]cicio4 ,os ,secul>es1 que algumas vezes entram na aula1 p>a se-div]tirem4 ,os ,jezuitas mosos1 sam na v]dade obrigados1 a frequ5t> por-algum tempo1 a dita escola2 e nos-dias santos le-se um capitulo de ,s4 ,joam ,crizo/omo1 ou coiza que o valha3 mas como todos e/es mosos1 e/am na op9iam1 que aquilo p>a nada s]ve2 n5hum se-aplica a ela4 ,despois de quatro anos de e/udo1 me-dise um1 que nam sabia mais1 que e/a palavra3 4 ,a*ei outro1 que sabia o ,padre noso1 e ,ave ,m>ia3 e de/es a*am-se alguns3 mas n5hum o sabia escrev] d]ep5te4 ,f9alm5te nam a*ei algum1 que s\bse explic>1 quatro regras de ,grego1 nam digo eu de algum ,poeta1 ou coiza dificultoza2 mas nem m5os d-,te/am5to ,novo1 ou algum ,s4 ,padre facil4 ,e i/o obs]vei a9da naqueles1 que t9ham sido me/res de ,grego3 7nam por-falta de capacidade3 mas de aplicasam7 e fasa ,v4 ,p4 a exp]i5cia1 que a*>1 que nam m9to4 ,os outros todos1 ou sejam ,regul>es1 ou ,secul>es1 nam tem mais noticia d-,grego1 que d-,kyrie ,eleison3 e d-,ebreo1 s conhecem a palavra ,aleluia1 ,am51 e alguns nomes proprios de om5s1 ou ,cidades1 que se a*am na ,vulgata1 a9da-que transfigurados3 e cont5tam-se com e/a noticia3 ,antes rim-se muito1 se acazo lhe-dizem1 que um e/udo neces>io4 ,mas a v]dade 1 que aos ,teologos indisp5savelm5te neces>io1 sablo2 s5am a todos1 ao m5os aos que se-int]nam na ,teologia1 e a-ens9am4 ,s5am diga-me ,v4 ,p4 se nacse uma dificuldade1 sobre a intelig5cia d-texto ,ebreo1 ou ,grego1 ou de algum ,s4 ,padre2 como muitas vezes suc$e1 conv]s&o com os ,erejes1 ou disput&o entre os ,catolicos2 a quem se--de progunt>8 s] neces>io escrev]1 a ,fransa1 ,roma1 ,v5eza1 ,napoles c4 p>a sab] a respo/a8 que coiza mais v]gonhoza6 ,e que diriam aqueles ,teologos1 se ouvisem1 que aqui nam avia1 quem os-int5dse8 ,mas di/o fal>emos1 em outra p>te4 ,por-agora s digo1 que asim como ao ,teologo neces>io1 int5d] ,latim1 p>a l] a ,vulgata ,lat9a2 asim tambem neces>io1 int5d] os textos ,orig9ais1 de que esa ,vulgata se-tir\4 ,p]suadem-se muitos1 e alguns mo-confesram1 que s a ,vulgata m]ece autoridade4 i/o 1 porque nam e/udram a mat]ia4 ,convem todos os ,teologos de boa d\tr9a1 que o ,concilio ,trid5t9o1 qu&o decl>\ ,aut5tica1 a nosa ,vulgata2 s a-pref]io1 s outras ,vulgatas ,lat9as3 mas nam a-pref]io1 nem a-comp>\ com z ,fontes1 ,grega1 e ,ebraica4 ,de que vem1 que e/as cons]vam oje1 toda a sua autoridade3 e por-elas se-em5d\ a ,vulgata1 no-tempo de ,sixto ,v41 e ,clem5te ,,viii4 e a9da oje se-pode em5d>1 em v>ias coizas1 que nela adv]tem os om5s d\tos4 ,e por-e/e pr9cipio fica cl>o1 que pode av] gr&e utilidade1 e necesidade1 em consult> z ditas ,fontes4 ,alem da-,escritura1 temos os ,,ss4,padres da-,igreja ,grega1 que escrevram na sua l+ua4 ,o ,teologo todos os in/antes tem necesidade1 de consult> e/es ,orig9ais3 porque z ,v]so5s nem sempre sam fieis4 ,muito mais porque nam se-ignoram z controv]sias1 que todos os dias nacem1 nas escolas ,catolicas1 sobre z palavras dos-,padres1 e dos-,concilios4 ,alem diso1 o ,juri/a tem necesidade d-,grego1 p>a alcans> o v]dadeiro s5tido1 de muitas con/ituiso5s ,imp]iais2 que =am escritas em ,grego4 ,o ,canoni/a o mesmo3 vi/oque deve procur>1 z fontes da-,dicipl9a ,eclezia/ica3 a qual pola maior p>te1 det]m9\-se nos-,concilios3 muitos dos-quais celebrram-se no-,ori5te3 e a9da algum no-,ocid5te1 em ,grego2 como o ,flor5t9o no-tempo de ,eug5io ,,iv4 ,tambem p>a int5d]1 o ,decreto de ,graciano1 que se-funda todo1 sobre a antiga ,dicipl9a3 e os mesmos ,,pp4 ,gregos4 ,o ,m$ico tem necesidade d-,grego1 p>a int5d] z obras1 de ,ipocrates3 p>a v] o que dise ,gal5o1 e ,areteo de ,capadocia2 que1 despois de ,ipocrates1 foi o melhor ,m$ico dos-seus tempos3 e alguns outros4 tambem neces>ia ao ,m$ico1 p>a int5d] a ,anatomia1 e suas p>tes1 cujos nomes sam ,gregos3 nam av5do ,ci5cia1 em que se-encontrem mais nomes ,gregos3 como tambem p>a int5d] os nomes1 de muitas inf]midades4 ,ni/o cuido que convirm sem dificuldade1 os mesmos ,p]ipateticos1 se quiz]em exam9> o cazo4 ,mas eu paso adiante1 e digo1 que z ,letras ,umanas1 e a9da a mesma ,lat9idade1 nam se-pode int5d] bem1 sem alguma noticia d-,grego4 ,os ,romanos adotram inf9itos t]mos ,gregos3 cuja propria significasam nam se-alcansa1 sem sab] o ,grego4 ,z mesmas decl9aso5s1 a dez95cia de muitos ,v]bos1 p$em alguma erudisam ,grega4 mas i/o s o-int5de1 quem se-famili>iza com o ,latim4 ,quanto pois ao e/udo d-,grego1 e ,ebraico1 nam ele tam emb>asado1 como o-p9tam4 ,os ,me/res podiam brevem5te d>1 alguma noticia d-,grego3 nam se-cans&o em explic>1 todos os preceitos de ,gramatica 7e/e o defeito de muitos ,pr(esores74 ,ba/a ao pr9cipio sab]1 z decl9aso5s1 e conjugaso5s1 sem fal> nos-dialetos4 z anomalias podem-se deix>2 e ba/a que com o tempo se-obs]vem1 qu&o se-vai l5do4 ,z outras p>tes da-,gramatica ba/a velas uma vez1 p>a z-sab] procur>1 qu&o s] neces>io4 ,despois1 toma-se um autor1 que t5ha junto a v]sam ,lat9a3 e em cada voz se-deve obs]v>1 se raiz1 ou nam3 e1 qu&o duvid>1 procurlo no-,dicion>io4 ,em um mez1 ou dois1 pode conseguir1 ba/ante noticia de/es pr9cipios4 ,despois1 com o socorro d-,dicion>io1 e da-v]sam1 deve comes> a explicasam1 de algum autor facil4 ,os ,i/oricos1 e ,prozadores devem s] pref]idos1 aos ,poetas2 como mais dificultozos4 ,um omem d\to ens9a1 que se-deve seguir e/e metodo4 #a4 ,l] os ,e/ratagemas de ,poly5o1 que sam mui cl>os3 os ,dialogos de ,luciano1 e pr9cipalm5te os ,*>act]es ,e?ici1 de ,te(ra/o2 que elegantisimo4 #b4 os dois famozos ,i/oricos1 ,x5(onte1 e ,erodoto3 que enc]ram z delicadezas1 e grasa1 da-l+ua ,atica4 #c4 a e/es podem seguir-se ,tucidides ,i/orico2 ,isocrates1 e ,demo/5es ,oradores2 e ,platam1 ,filoz(o o mais eloqu5te1 e culto da-,antiguidade4 ,quem *eg> a int5d] bem e/es1 t5ha a consolasam1 que sabe bem ,grego4 ,pode-se apr5d] alguma noticia1 dos-co/umes ,gregos1 nas obras de ,ubbo ,emmius1 e ,joannes ,meursius1 que sam os que melhor explicram1 z antiguidades ,gregas4 ,outros qu]em1 que se-comece polo ,evangelho de ,s4 ,lucas1 e ,atos dos-,apo/olos2 ou polas fabulas de ,esopo3 despois ,luciano1 ,erodoto1 ,x5(onte1 ,isocrates3 e no-fim ,om]o1 e ,plut>co1 e alguma coiza de ,demo/5es4 ,um1 e outro de/es metodos se-pode seguir3 mas agrada-me mais o primeiro4 ,o pr9cipal ponto e/1 que ne/es pr9cipios1 qu&o se-a*am lug>es dificultozos1 deve-se pas> adiante3 e l] os autores saltiados1 por-nam enfa/i> os rapazes4 ,sobre os ,poetas1 nam me-canso em diz] muito3 porque quem tem noticia da-l+ua1 tem ja ba/ante luz p>a v]1 como se--de regul>1 na sua lisam4 ,concordam os om5s da-pr(isam1 que o melhor ,poeta1 e mais cl>o 1 ,ari/(anes3 mas ba/antem5te obc5o4 ,onde1 quem nam s\b] l] tais coizas1 sem p]igo2 dev] pas> a ,om]o1 e ,esiodo1 que sam os mais facis entre os ,eroicos1 e que se-s]vem de expreso5s1 mais cl>as4 ,v]dade 1 que ne/es ,poetas1 uma dificuldade nam pequ5a1 que consi/e1 na v>i$ade de dialetos1 e inflexo5s1 e mudansas de palavras1 proprias-dos ,poetas3 mas a i/o se-supre com o ,dicion>io1 que explica di/9tam5te1 e/as palavras4 ,aconselham os d\tos1 que1 antes de l] ,om]o1 leia-se o ,ev]h>do ,fei?io,antiquitates ,hom]ic3 no-qual ele descreve a i/oria1 dos-tempos ,eroicos1 de que trata ,om]o4 ,dos-,poetas ,eroicos pode-se pas>1 aos ,bucolicos1 que sam ,mos*o1 ,bion1 ,!ocrito2 p>a apr5d] o dialeto ,dorico1 em que escrevem3 s]v9do-se d-pequ5o ,dicion>io1 de ,s*revelius4 ,a melhor edisam de/es autores 1 a de ,daniel ,he9sio3 em que1 alem das-de/e1 se-a*am tambem z notas1 de ,scalig]o1 e ,casaubon4 ,despois pode l]1 os ,poetas ,tragicos3 entre os quais os mais facis1 e judiciozos sam1 ,euripides1 e ,sophocles3 porque os outros1 s os-podem int5d]1 os que sam bem praticos da-l+ua4 ,e como suponho1 que o e/udante ne/e tempo1 7i/o nam se-faz nas primeiras escolas3 mas qu&o um ja adiantado no-,latim7 t] ja noticia1 das-leis da-,poezia2 pode1 l5do e/es autores1 ir descobr9do1 e beb5do na sua fonte pura1 z grasas da-,poezia1 em todos os g5]os4 ,uma coiza porem neces>io adv]tir1 nam s aos dicipulos1 mas tambem aos me/res1 porque ne/e defeito caiem muitos pr(esores publicos3 e vem as]1 que nam se-cansem em m&> compor1 aos pobres rapazes3 porque e/a l+ua1 que oje morta1 nam neces>io falla1 ba/a int5dla com facilidade4 ,encontram-se muitos1 que explicam aos rapazes1 trez1 ou quatro regras de ,grego1 e obrigam-nos a compor1 pag9as inteiras4 ,onde vem a cair no-mesmo defeito1 que em outra c>ta ja dise1 7fal&o da l+ua ,lat9a7 de qu]]em1 que os rapazes sejam me/res1 naquela mat]ia1 na qual nam *egram a9da as]1 dicipulos4 ,em uma palavra3 a exp]i5cia ens9a1 que absolutam5te neces>io1 int5d] ,grego3 e que inutil1 o escrevlo2 qu&o um omem nam e/ empregado em coizas1 que o-pesam4 ,sobre z ,gramaticas1 oje tantas1 que sup]fluo1 que eu diga coiza alguma4 ,muitos sam apaixonados1 pola de ,cl5>do1 com z notas de ,antesignan3 porque nela se-a*a com facilidade1 o que s com gr&e trabalho se-busca1 em outros livros3 e tambem ens9a o uzo da-,gramatica1 r$uz9do-a aos preceitos g]ais3 o que ilu/ra muito o int5dim5to4 ,mas oje as5tam todos1 que a de ,lanceloto1 a que *amam de ,porto real1 a mais facil1 e z reflexo5s mais solidas4 mas em ,francez1 ou ,italiano1 e nam p>a o cazo4 ,alem de/as1 inf9itas mais mod]nas1 que sam mui boas1 e ,lat9as4 ,um amigo noso compoz a ,gramatica ,grega1 e ,ebraica1 cada uma em duas folhas de papel gr&e1 com uma cl>eza inimitavel1 p>a um pr9cipiante4 ,procuro que a-imprima1 p>a utilidade dos-,portuguezes4 sem duvida a mais facil1 que t5ho vi/o ne/a mat]ia4 ,no-cazo que o e/udante nam t5ha1 quem o-aconselhe1 na eleisam de livros2 deve sempre apeg>-se a uma ,gramatica1 das-mais mod]nas1 e mais breves3 pr9cipalm5te compo/as por-alguns secul>es1 ,+lezes1 ,ol&ezes1 ,alema5s1 e alguns ,francezes4 ,porque como e/es nam seguem z leis1 que obrigam alguns ,regul>es1 a nam se-desvi>em1 dos-seus antigos metodos2 procuram sempre1 melhor> no-metodo1 e na intelig5cia3 como a exp]i5cia me-tem mo/rado4 ,e ne/as letras ,umanas sem duvida1 que os ,secul>es exc$em muito1 aos ,regul>es4 ,sobre o ,dicion>io1 p>ece-me que o e/udante deve s]vir-se1 d-,scapula1 que co/uma r$uzir todos os d]ivados1 sua raiz4 ,i/o ao pr9cipio cauza dificuldade1 porque se-ignora1 que coiza os d]ivados acrec5tam1 sobre a raiz2 p>a os-pod] sep>>1 e procur> no-seu lug>4 ,mas ne/e cazo ba/a procur>1 no-fim d-,lexicon1 a voz como se-a*a2 que ali se-ens9a1 de que raiz vem1 e aonde se-deve procur>4 ,e de/a sorte apr5de um omem1 o v]dadeiro modo de sep>> os d]ivados das-suas raizes3 e fica com a intelig5cia1 de uma quantidade de t]mos3 coiza que vale inf9itam5te ne/a l+ua4 ,se o e/udante p\co a p\co apr5dse de memoria1 z raizes2 facilit>ia muito e/e e/udo1 e int5d]ia mais depresa os d]ivados4 ,o ponto todo e/ em nam deix> totalm5te e/e e/udo1 por-todo o decurso da ,lat9idade1 e ,retorica3 porque a9daque s expliquem1 duas regras cada dia1 no-cabo de um ano1 adianta-se muito4 ,a ,gramatica ,ebraica muito mais facil1 que a ,grega4 ,antigam5te escreviam os ,ebreos1 sem vogais3 e o v]dadeiro modo de pronunci>1 pasava de pais a filhos1 por-tradisam3 e a9da oje a ,biblia1 que se-cons]va nas suas s9agogas ou escolas1 co/uma escrev]-se sem vogais1 como eu vi muitas vezes4 ,mas despoisque os ,ebreos1 tornram d-cativeiro de ,babilonia1 e1 com p]misam de ,artax]xes ,longimano1 re/ablecram1 a ,igreja ,judaica1 e todos os ritos da-sua antiga religiam3 entam1 segundo se-prezume1 se-inv5tram os ditos pontos1 ou vogais4 ,c]ta coiza 1 que nese tempo os ,ebreos1 t9ham p]dido a sua l+ua1 e s int5diam a ,caldeia4 ,onde nas s9agogas1 que entam se-introduzram1 era neces>io1 que um int]prete explicse em ,caldeo1 z palavras da-,biblia1 que outro pr(]ia e lia em ,ebreo4 ,e como uma l+ua morta1 nam se-pode apr5d]1 nem ens9>1 sem vogais2 fica cl>o1 que os d\tores1 que com ,esdras publicram1 uma edisam correta da-lei1 os-inv5tram1 p>a pod]em ens9la1 aos que ignoravam a l+ua4 porem provavel1 que entam som5te inv5tasem1 z c9co vogais3 e nam tantas1 como ao despois se-uzram4 ,e/a noticia cons]v\-se1 nas escolas dos-,gramaticos1 ou escolas de l]3 7entre os ,ebreos avia escolas de ,gramatica2 e outras de ,teologia7 mas nam nas escolas de ,teologia3 porque os om5s d\tos1 que ja sabiam a l+ua1 nam necesitavam diso4 ,mas despois da-ultima de/ruisam de ,j]usalem1 no-ano #gj4 de ,cri/o1 t5do-se espalhado os ,ebreos1 por-todo o imp]io ,romano2 e muito pr9cipalm5te1 despois da-disp]sam que tiv]am1 no-tempo de ,adriano2 acrec5t&o-se todos os dias z tradiso5s1 foi neces>io escrevlas1 p>a se-pod]em cons]v> na memoria1 e *eg>em a todos4 ,i/o fiz]am eles1 polos anos de ,cri/o #aej43 cujo libro *amam ,misn2 que um corpo de toda a d\tr9a dos-,ebreos1 ritos1 c]emonias1 e religiam4 ,a e/a fiz]am dois com5t>ios3 um em ,babilonia1 polos anos de ,cri/o #cjj43 outro em ,j]uzalem #bjj4 anos quazi despois4 ,e de/e ,com5to1 e da-,misn1 se-compoem os dois ,talmudes1 que a9da oje temos4 ,i/o supo/o1 v5do os d\tores1 que os pontos dos-,gramaticos eram utis1 p>a cons]v> a antiga maneira de l]2 adotram os ditos pontos1 e comesram a s]vir-se deles1 p\co mais ou m5os1 no-seculo qu9to de ,cri/o4 ,muitos suspeitam1 que se-deve i/o aos d\tores1 da-escola de ,tib]iades4 ,seja como =1 o que sabemos de c]to 1 que desde ese tempo1 comesram a escrev] c]tos s9ais1 debaixo1 e desima das-consoantes2 p>aque todos os ,ebreos1 pronunciasem z vozes ,ebraicas1 segundo a antiga tradisam4 ,de entam p>a c 1 que noticia expresa1 das-vogais#bi4 ,mas como os ,ebreos sempre =am mi/]iozos2 p>a ocult> o v]dadeiro s5tido d-texto ,ebreo1 inv5tram tanta vogal que nam se-le1 entre outras que se-lem2 que e/a oje a maior dificuldade1 de/a l+ua4 ,umas vezes a mesma vogal le-se3 outras1 nam se-l3 umas vezes conv]te-se em outra2 e talvez nam se-conv]te3 e i/o emb>asa muito os pr9cipiantes4 ,int5dido i/o1 o metodo de apr5d] o ,ebraico 1 a pr5d] a conhec]1 e unir z letras1 e pr(]ir z diso5s3 porque a pronuncia dilig5te som5te neces>ia1 aos que qu]em fal>1 nam aos que som5te a-qu]em int5d]4 ,deix&o ao pr9cipio1 aquela inf9idade de exceso5s1 sobre a mudansa de pontos1 c4 deixados os inf9itos ac5tos1 que p>a nada s]vem3 ba/a t] noticia1 das-regras g]ais1 p>a sab] l]1 e pronunci> facilm5te4 ,daqui pasa-se s decl9aso5s dos-,nomes1 e seus div]sos e/ados4 ,a maior dificuldade e/1 nos-,v]bos3 porque tem t]m9asam mascul9a1 e fem99a1 o que ao pr9cipio p>ece imb>asado3 a9daque com o tempo1 ajude muito p>a int5d]1 com quem1 e de quem se-fala2 se com omem1 ou com molh]4 ,deve pois sab] di/9tam5te1 quais sam os v]bos quiesc5tes1 e defetivos4 ,z anomalias deles podem-se deix>1 porque se-apr5dem com o uzo4 ,e/a l+ua nam tem s9taxe p>ticul>3 e todos os idiotismos apr5dem-se em meia ora4 ,daqui deve pas> a l] a ,biblia1 t5do sempre prez5te um ,dicion>io1 v4g4 o ,comp5dio ,hebraico ,*aldaico de ,buxtorfio4 utilisimo s]virse d-texto ,ebreo1 com a v]sam lit]al de ,pagn9o1 correta por-,montano3 porque alem-de que se-apr5de1 a propria significasam dos-vocabulos1 tem m>gem1 boas notas de ,gramatica1 e aponta z raizes4 ,o que ajuda muito um pr9cipiante1 pr9cipalm5te se a-qu] busc>1 no-,lexicon3 e muito neces>io sab]1 quais sam z raizes1 p>a t] sufici5te noticia1 da-l+ua4 ,com o tempo obs]va-se a ,s9taxe da-l+ua1 e os idiotismos1 ou maneiras proprias de se-explic>1 dif]5tem5te das-outras l+uas3 o que se-r$uz a p\cos pontos1 e se-apr5de d-contexto4 ,os livros que primeiro se-devem l]1 sam os mais facis1 como o ,p5tateuco1 os livros dos-,juizes1 e ,reis1 ,p>alipom5on4 ,os ,pr(eticos1 e ,sapi5ciais podem rez]v>-se1 p>a outro tempo1 por-s]em mais oscuros4 ,mas p>a int5d] e/es livros1 neces>io prep>>-se com a lisam1 das-antiguidades ,ebraicas4 ,o ,s5hor de ,fleury public\ um tratad9ho1 dos-co/umes dos-,israelitas1 em ,francez1 que tambem se-a*a em ,italiano3 que me-p>ece proporcionado1 p>a um pr9cipiante3 e escrito com gr&e at5sam4 ,podem tambem s]vir1 a ,politia ,judaicade ,b]tramo3 ,respublica ,hebrorumde ,sigonio1 ou de ,cuneo2 que sam muito boas4 ,nam aponto livros de maior erudisam1 porque nam s]vem1 p>a e/es pr9cipios4 ,se a i/o que dizemos1 ajunt> cada dia1 a lisam de um capitulo da-,escritura1 e consult> nas coizas em que duvid>1 a v]sam ,grega dos-,,lxx42 ou z ,concordancias de ,conrado ,kirk]2 pod] conseguir facilm5te1 ba/ante noticia da-l+ua ,ebraica4 ,i/o digo1 p>a um pr9cipiante3 porque p>a os ,teologos de pr(isam1 a seu tempo direi1 que mais neces>io1 ne/a mat]ia4 ,e/e e/udo1 como tambem o da-l+ua ,grega1 uma vez que se-int5deo1 pode cont9u>-se em dias alt]nados1 por-todo o tempo dos-outros e/udos1 sem p]turbasam alguma3 porque a e/as l+uas ba/a consagr>1 z oras m5os preciozas d-dia4 ,i/o 1 o que muita g5te nam int5de1 ou nam qu] int5d]1 ne/es pazes3 porque qu&o nam tem1 outra razam que d>1 alegam a dificuldade da-dita l+ua1 e a p\ca utilidade1 que dela se-tira3 aqual nam ba/a1 p>a comp5s> o trabalho1 que se exp]im5ta em apr5dla4 ,seguro a ,v4 ,p4 que com gr&e admirasam m9ha1 ouvi i/o a alguns1 de quem =mra bom conceito2 e que totalm5te se-desvaneceo1 com e/e discurso4 ,nam a*o que falasem asim1 alguns antigos-,portuguezes1 que cuido sabiam um p\co mais1 d-que e/es1 que agora respondem asim3 antes polo contr>io a*o1 que alguns ,religiozos antigos1 aplicram-se a e/as l+uas com cuidado1 e por-iso sam mais conhecidos1 no-mundo lit]>io1 d-que e/es1 com quem prez5tem5te conv]samos4 ,eu atribo i/o1 maior comunicasam que entam avia1 com os d\tos das-,naso5s e/rangeiras3 pois s a*o ve/igios de maior erudisam1 qu&o a e/e ,re9o v9ham ens9>1 os ,e/rangeiros3 ou qu&o os ,portuguezes am apr5d]1 e ens9>1 fra dele4 ,polo contr>io despoisque se-deix\1 e/e com]cio lit]>io1 vejo z coizas mui mudadas4 ,nam podem s] ocultos a ,v4 ,p4 os nomes de alguns deles3 ,o ,p4 ,j]onimo ,olea/ro1 ,dom9icano ,lisbo5se1 que cuido se-*amse ,j]onimo da-,zambuja1 compoz um com5t>io ,ebraico ao ,p5tateuco1 e cuido que a outros livros mais1 se-nam me-engano2 poisque av] anos1 que vi e/a obra4 ,a*o tambem citado um c]to ,d4,p$ro1 ,conego ,regul>1 e um ,fr4,eitor ,p9to1 ,j]onimiano1 ambos ,portuguezes1 por-om5s mui v]sados1 na l+ua ,ebraica3 a9da-que eu nam poso1 =m> juizo das-tais obras1 porque z-nam-vi4 ,mas t5ho motivo p>a suspeit>1 que fosem om5s d\tos1 vi/oque apr5diam z l+uas orig9ais1 p>a com5t>em a ,escritura4 ,tambem a*ei um ,religiozo meu1 qu]o diz] ,obs]vante1 *amado ,fr4,francisco de ,s4,luiz1 ,lisbo5se1 po/]ior aos ditos2 que floreceo no-tempo d-,concilio de ,tr5to1 e alguns anos despois4 ,e/e tal compoz em ,italia1 uma ,gramatica ,ebreia1 com o titulo ,globus ,canonum ,arcanorum ,l+u ,sanct1 ,sacr ,scriptur 3 que um livro bem volum9ozo em #d4 e que d$ic\ ao ,c>dial de ,m$ici1 impreso em ,roma #aehf4 ,e/e tal autor1 7que1 segundo diz1 =a no-seculo leitor de ,leis em ,coimbra1 e ,salamanca2 e se-metra ,frade em ,espanha7 d a int5d]1 que compuz]a o livro em ,italia3 decl>&o1 que de c9co5ta anos apr5dra o ,ebraico1 que ao despois =am z suas delicias4 ,onde p]suade com muitas palavras1 a necesidade da-dita l+ua2 e se-enfa/ia1 contra os que a-regeitam4 ,com efeito o omem p>ece bem in=mado1 da-dita l+ua3 a9daque caise no-defeito1 dos-,gramaticos d-seu tempo2 qu]o diz]1 em faz] uma confuzisima e mui enfadonha ,gramatica2 na qual quiz epilog>1 quanto a*\ em ,elias ,levita1 e outros ,rab9os3 como tambem em vrios autores1 que o prec$ram4 ,mas e/e era defeito daquele tempo1 em que nam sabiam1 que coiza era bom metodo4 ,contudo v]dade1 que o dito ,p4 fez um gr&e progreso1 na dita l+ua1 em uma idade maior2 naqual tambem e/ud\ ,teologia3 e entre ocupaso5s de pr$icas1 e outras semelhantes1 segundo diz1 nunca deix\1 e/e e/udo tam util4 ,e/a noticia que d\ d-tal autor1 porque ignoro1 se ,v4 ,p4 tem noticia dele1 vi/o escrev] longe de ,portugal4 ,acrec5to a e/e1 o ,p4 ,mac$o1 ,portuguez1 e da-mesma ,religiam3 omem de prodigioza memoria1 7a9daque nam de igual juizo7 segundo mo/r\ nas suas famozas concluzo5s1 que def5deo em ,v5eza1 de que ,v4 ,p4 tem boa noticia3 que sabia a l+ua ,grega1 segundo me-dis]am alguns dos-seus ,religiozos1 da-mesma ,prov9cia4 ,d-,grego tambem no-seculo #af4 avia mais noticia1 que nam oje1 ne/e ,re9o4 ,polos tempos d-,concilio de ,tr5to1 um tal ,joam ,vaz1 que foi me/re de ,umanidades em ,salamanca1 sabia bem ,latim1 e ,grego3 e no-mesmo tempo ,f]n&o ,so>es1 7que compoz uma ,gramatica ,lat9a1 p>a uzo d-,duque de ,bragansa1 impresa em ,evora no-ano #aegb47 era sufici5tem5te in=mado1 d-,grego4 ,ajunto a e/es1 o ,bispo ,j]onimo ,ozorio1 o qual nam s apr5deo fra de ,portugal ,latim bem1 mas teve ba/ante noticia d-,grego1 e ,ebreo3 e podia nomi> alguns outros1 que agora nam me-ocorrem4 ,doque se-segue1 que naqueles tempos1 os me/res ,portuguezes1 nam seguiam o p>ec]1 que agora vejo tam comum1 deque e/as l+uas ,ori5tais devam desprez>-se4 ,onde1 com e/es exemplos1 podiam muitos aplic>-se1 a coizas mais utis ,republica4 ,eu apontei algum exemplo3 pode s] que ajam muitos mais1 e de l+uas p]egr9as3 porque eu nam escrevo e/a i/oria4 ,s]a tambem ju/o1 que o e/udante com o tempo1 apr5dse ,francez1 ou ,italiano1 p>a pod] l] z m>avilhozas obras1 que ne/as l+uas se-tem compo/o1 em todas z ,ci5cias2 de que nam temos1 traduso5s ,lat9as4 ,antigam5te int5diam os d\tos1 que era neces>io sab] ,latim1 p>a sab] z ,ci5cias3 mas no-seculo pasado1 e ne/e prez5te1 dez5gan\-se o mundo1 e se-p]suadio1 que z ,ci5cias se-podem trat>1 em todas z l+uas4 ,p>ece-me que com muita razam3 porque a maior dificuldade das-,ci5cias consi/e1 em s]em escritas em ,latim1 l+ua que os rapazes nam int5dem bem4 ,onde nam s sabem mal a mat]ia1 mas o tempo que deviam empreg>1 em a-e/ud>1 ocupam em p]ceb] a l+ua4 ,com e/a adv]t5cia1 os ,+lezes1 ,ol&ezes1 ,francezes1 ,alema5s c4 comesram a trat> todas z ,ci5cias1 em ,vulg>4 ,e/a oje a moda4 ,os melhores livros a*am-se escritos1 em ,vulg>3 e qualqu] omem que saiba l]1 pode int5d] na prez5te era1 todas z ,ci5cias4 ,nam que i/o seja totalm5te1 ideia nova3 porque me-lembro1 t] lido uma c>ta de ,paulo ,manucio1 escrita a ,diogo ,hurtado de ,m5donsa ,embaixador ,cez>eo1 d$ic&o-lhe os livros ,filoz(icos de ,cic]o2 emque se-diz1 que o maior imp$im5to das-,ci5cias 1 s]em tratadas em l+uas e/rangeiras1 digo1 ,lat9a c4 ,o que o dito ,manucio1 com toda a paixam que t9ha l+ua ,lat9a1 nam dezaprova4 ,desorteque ja no-seculo #af41 emque o mundo comes\ a abrir os olhos1 em muitas coizas1 p5savam asim3 o que porem som5te se-execut\1 ne/es ultimos tempos4 ,de c]to tempo a e/a p>te1 os nosos ,italianos comesram a seguir1 o mtodo dos-,transmontanos4 ,comes\ i/o1 traduz9do os livros ,+lezes1 e ,francezes3 despois1 pasram a compor orig9alm5te4 ,desorteque quem oje qu] t]1 muitas noticias boas com facilidade1 deve int5d] ,francez1 ou ,italiano4 ,e/e e/udo nam p$e gr&e tempo1 pod5do s]vir-se dos-livros ,lat9os1 que tem a tradusam lit]al ,franceza2 como sam o ,t]5cio1 e ,oracio1 de ,madame ,d',aci]1 e de um ,jezuita c4 ,e e/es mesmos autores ,lat9os1 se-a*am traduzidos em v]so ,italiano1 defronte d-,latim1 por-dois om5s mui d\tos de-,italia4 ,o ,italiano mais facil4 ,mas nam int5da ,v4 ,p4 que eu s\ tam inexoravel1 que queira c>reg> os pobres rapazes1 com tanto pezo4 nada aponto1 que nam vise execut> a muitos rapazes3 e poso afirm> a ,v4 ,p4 que e/es e/udos1 nam sam dificultozos em si mesmo3 o mao metodo os-p9ta dificultozos4 ,contudo nam obrigo3 aponto som5te a utilidade4 ,qu&o o e/udante nam se-a*e1 com e/e dispozisam1 pode rez]vlo p>a tempo mais descansado4 ,fico s ord5s de ,v4 ,p4 como seu criado c4 ,illu/rao ,,notas ,,de ,,rodap3 #bi ,veja-se ,ludovicus ,cappellus 9 ,arcano punctuationis1 contra ,j4 ,buxtorf4 ,filium4 ,illu/rao ,,c>ta ,,qu9ta4 ,,sum>io4 ,discorre-se da-utilidade1 e necesidade da-,retorica4 ,mao metodo com que se-trata em ,portugal4 ,vicios dos-,pregadores3 que sam totalm5te ignorantes de ,retorica4 ,que absolutam5te deve deix> o antigo e/ilo1 quem qu] sab] ,retorica4 ,f9alm5te tempo1 de pas>-mos ,retorica3 p>a com ela complet> os e/udos1 das-escolas baixas4 ,sei que ,v4,p4 tem go/o1 de ouvir-me fal> dos-outros3 e me-faz a m]ce ne/a sua diz]1 que imprime z m9has c>tas1 na memoria3 mas sei tambem1 que de todos os e/udos das-,umanidades1 de n5hum tem mais emp5ho1 que da-,retorica4 ,pois se bem me-lembro das-nosas conv]saso5s1 conheci entam em ,v4 ,p4 um ard5te dezejo1 de me-ouvir fal> ne/a mat]ia2 e de qu]] in/ruir-se1 dos-p>ticul>es e/ilos de ,retorica1 e muito pr9cipalm5te dos-s]mo5s1 de outros pazes3 porque me-dise1 que nam lhe-agradava1 o e/ilo de/e ,re9o3 o qual muitas vezes segura1 por-necesidade4 ,ne/a c>ta direi brevem5te1 o que me ocorre1 sobre os defeitos1 e tambem sobre o modo de os-evit>4 ,a ,retorica naceo na ,grecia1 como todos os outros melhores e/udos3 e de la se-espalh\1 polas mais p>tes da-,europa4 mais mod]na1 que a ,gramatica3 mas teve a mesma origem4 ,qu]5do os om5s na ,grecia1 p]suadir aos ,povos1 v>ias coizas2 foi neces>io que obs]vasem1 como eles se-p]suadiam3 e quais eram os meios1 comque se-moviam1 z paixo5s d-animo4 ,de que naceo e/a arte1 a que *amam ,retorica3 que quazi tam antiga1 como a ,filoz(ia2 qu]o diz]1 que comes\ a florec]1 despois da-metade d-qu>to mil5>io4 ,agrad\ e/a erudisam aos ,romanos1 que se-regulram polo mesmo metodo3 e tanto se-entregram a ela1 que1 se nam exc$ram aos ,gregos1 na ci5cia2 sem duvida exc$ram-nos na aplicasam1 e ex]cicio3 porque na v]dade *egram a namor>-se1 da-sua galant>ia1 e utilidade4 ,dos-,romanos a-recebram os outros ,povos1 e ,naso5s3 entre z quais z que mo/rram mais juizo1 aplicram-se a ela com cuidado1 polos mesmos motivos4 ,e1 na v]dade1 nam coiza mais util1 que a ,retorica3 mas nam alguma1 que com mais neglig5cia se-trate1 ne/e ,re9o4 ,se ,v4,p4 obs]v>1 o que os me/res ens9am nas escolas1 a*>1 que uma embrulhada1 que n5hum omem1 quanto mais rapaz1 pode int5d]4 ,primeiram5te1 ens9am a ,retorica1 em ,latim4 ,erro consid]avel3 porque nada tem a ,retorica1 com o ,latim3 s5doque os seus preceitos compre5dem1 e se-ex]citam em todas z l+uas4 ,daqui nace o primeiro dano1 que 1 que os rapazes nam a-int5dem1 porque a9da nam int5dem ,latim3 e nace tambem o primeiro engano1 que 1 p]suadirem-se os ditos rapazes1 que a ,retorica s s]ve1 p>a z oraso5s ,lat9as4 ,asim me-respondram muitos1 nam s rapazes1 mas tambem sac]dotes4 ,d-que eu conclui1 que saiem da-,retorica1 como nela intrram3 e exam9&o z ,retoricas1 que eles apr5dem1 fiquei tambem p]suadido1 s]em elas tais1 que nam podiam produzir1 outro fruto4 ,e1 valha a v]dade1 nam s os rapazes que e/udam1 mas nam sei se os mesmos me/res1 vivem p]suadidos de/a razam3 porque obs]vo1 que fal&o-lhe muito1 em exemplos ,lat9os1 nam se-s]vem dos-vulg>es1 p>a mo/r> o artificio da-,retorica4 ,como se os preceitos s s]visem1 p>a compor ,latim1 e oraso5s e/udadas3 ou como se nas l+uas vulg>es1 nos-discursos famili>es1 nam pudesem t] lug>1 os preceitos da-,arte6 ,e com i/o ficam novam5te p]suadidos os e/udantes1 que s p>a oraso5s ,lat9as1 s]ve a ,retorica4 ,mas por-p\co que se-exam9e1 o que ,retorica1 a*>se1 que ,arte de p]suadir3 e por consequ5cia1 que a unica coiza1 que se-a*a1 e s]ve no-com]cio umano2 e a mais neces>ia p>a ele4 ,onde quem diz1 que s s]ve p>a p]suadir na cadeira1 ou no-pulpito2 conhece p\co1 o que ,retorica4 ,confeso1 que nos-pulpitos1 e cadeiras faz a ,retorica gala1 de todos os seus ornam5tos3 mas nam se-limita neles3 todo o lug> teatro p>a a ,retorica4 ,nam agrada um livro1 se nam escrito com arte3 nam p]suade um discurso1 se nam =mado com metodo4 f9alm5te uma c>ta1 uma respo/a1 todo o ex]cicio da-l+ua1 necesita da-diresam da-,retorica4 ,a mesma ,filoz(ia1 s]ve-se utilm5te da-elegancia4 ,a ,teologia tem necesidade dela2 porque 7como adv]te um omem d\to7 nam pode explic> z v]dades espirituais1 que sam o seu objeto1 s5am ve/9do-z de palavras s5siveis1 com que z-p]suada4 ,a ,lei ou ,civil1 ou ,canonica1 nam se-pode disp5s>1 da-,retorica4 ,como -de or> um ,advogado1 in=m> o ,juiz1 def5d] o ,reo2 se ele nam sabe1 em que lug> devem e/> z provas1 ou de que prova -de s]vir-se1 p>a acl>> a v]dade da-sua cauza1 e excit> os afetos d-,juiz8 ,como -de compor uma escritura1 se ele nam sabe1 o metodo de a-tec]1 de dilat> os argum5tos1 e s]vir-se das-suas proprias razo5s8 ,o discurso de um omem despido de todo o artificio1 nam pode m5os1 que s] um ,cahos4 ,pod] t] boas razo5s3 excogit> provas mui =tes3 mas se z-nam-sabe dispor com ordem1 quem pod] int5dlo8 quem se-p]suadir delas8 ,a dispozisam das-p>tes1 d nova alma ao todo3 convida a conhec] z proporso5s3 mo/ra a relasam e dep5d5cia1 que umas tem das-outras3 coloca na sua ju/a proporsam1 o que de outra sorte nam se-pod]ia int5d]4 ,os diamantes1 os rubis1 e outras p$ras preciozas sam belas1 e s]vem de gr&e ornam5to3 mas segundo o lug> em que e/am4 ,enca/oadas com artificio1 mo/ram toda a sua galant>ia1 e dam novo lu/re mesma prata1 e oiro que z-rodeia2 e ornam muito z pesoas1 que z-trazem3 po/as porem sem ordem em um monte1 ou mi/uradas com outras p$ras1 nam p>ecem preciozas1 mas ou p$ras groseiras1 ou cri/ais4 ,os a/ros1 que compoem a beleza d-,univ]so1 nam tem em si mesmos1 beleza alguma3 mas a proporsam os-faz vi/ozos4 ,quem vise a ,lua de p]to1 a*>ia um globo1 sem div]sidade alguma de/e t]re/e3 o mesmo digo1 dos-outros planetas opacos4 ,quem exam9se de viz9ho o ,sol1 nam v]ia mais1 que uma fogueira3 o mesmo digo1 dos-outros igneos4 ,mas todos e/es va/os globos1 po/os na sua ju/a proporsam1 fazem tal efeito1 mo/ram tam extraord9>ia beleza2 que um famozo argum5to1 p>a v]1 a suprema mam que os-cri\4 ,o ,sol po/o no-c5tro d-,univ]so1 segundo a ipoteze 7que agora suponho7 de ,cop]nico1 d luz aos mais planetas1 alma ao ,mundo1 vigor t]ra1 utilidade aos om5s1 e gloria ao seu criador4 ,se se-*egse mais viz9ho a ns1 queim>ia tudo3 e acabava-se o ,mundo4 ,e eisaqui o efeito1 da-boa proporsam e ordem4 ,um omem d\to adv]tidam5te *am\ ,retorica1 a ,p]spetiva da-razam3 porque na ordem inteletual faz o mesmo1 que a ,p]spetiva1 nas di/ancias locais4 ,em uma taboa liza1 ideia a p9tura um palacio1 com im5sa pr(undidade3 e muitas vezes com tal artificio1 e tam semelhante ao natural1 que se-enganam os olhos4 ,nam sam z cores que orig9am1 e/a delicioza equivocasam2 porque com uma s cor1 se-consegue o mesmo int5to3 mas a dispozisam das-p>tes1 o sab] pr cada uma na sua ju/a di/ancia1 o sab]-lhe d> z sombras1 com proporsam da-arte1 produz e/e m>avilhozo efeito3 e faz que eu veja1 reconhesa1 e admire1 o que de outra sorte nam pod]ia v]4 ,e/e mesmo o cazo da-,retorica4 ,ela tem =sa tal1 que me-obriga a descobrir1 o que eu de outra sorte nam v]a4 ,os mat]iais podem s] simplezes1 z razo5s mui s+elas2 mas a dispozisam delas f> efeitos tais1 que sem ela nam se-conseguiriam4 eu v]ei1 e int5d]ei1 o que sem ela nam facil int5d]4 ,ora de toda e/a d\tr9a se-concle1 a ext5sam da-,retorica3 porque s5do ela a que d alma1 a todos os discursos2 e novo pezo1 a todas z razo5s2 fica cl>o1 que tem lug> em toda a p>te1 em que se arrezoa e discorre4 ,dirmem1 e ja mo-dis]am alguns1 que e/e discurso dirigido1 a introduzir um e/ilo afetado nas conv]saso5s2 e c>reg> todos com o pezo1 de fal> por-tropos e figuras3 nam pr(]ir discurso1 que nam seja segundo z regras da-arte3 cuja afetasam pior1 que fal> sem ,retorica4 ,mas e/a objesam igualm5te di/ante1 da-boa razam1 que d-meu int5to2 e unicam5te fundada1 em nam sab]1 que coiza ,retorica4 ,p]mita-me ,v4,p4 que eu me-dilate alguma coiza1 ne/e p>ticul>1 p>a explic> o que digo1 o que devo1 e livr> a muita g5te1 de/e prejuizo4 ,os rapazes1 que e/udam ne/es pazes1 nam sabem nada de ,retorica1 porque lha-nam-ens9am3 ,os que sam adiantados1 e cont9uram os e/udos1 sabem a9da m5os2 porque bebram pr9cipios1 tam contr>ios boa razam1 que ficam imposibilitados1 p>a se-em5d>em4 ,em todo e/e discurso prote/o1 que nam falo daqueles om5s1 que com r>o juizo1 e f9a critica se-dez5ganram1 das-preocupaso5s comuas1 e seguem outra e/rada3 dos-quais eu conheso alguns3 falo som5te d-,comum1 e falo fundado nas suas obras3 nas quais se-reconhece a v]dade1 de quanto digo4 ,e/am todos p]suadidos1 que a ,eloqu5cia consi/e na afetasam1 e s+ul>idade3 e1 por-e/a regra1 qu]5do s] eloqu5tes1 procuram de s] mui afetados nas palavras1 mui s+ul>es nas ideias1 e mui fra de-propozito nas aplicaso5s4 ,tem ,v4,p4 mui belo exemplo nos-s]mo5s3 que eu1 p>a maior cl>eza1 dividirei em v>ias especies4 ,encom5da-se um s]mam v4g4 de ,exequias1 de um ,g5]al4 ,o meu bom ,pregador mo/ra aqui1 todo o seu +5ho1 e eloqu5cia4 ,saie logo um texto da-,escritura1 p>a tema3 e -de s] d-te/am5to ,velho1 porque -de s] pr(etico4 ,no-s]mam mo/ra o ,pregador1 que e/ava revelado1 na escritura da-,antiga igreja1 que aquele ,g5]al avia faz] famozas aso5s3 e nam s aso5s 9 g5]e eroicas1 mas especialm5te e/ava revelado1 que avia ganh> a batalha d-,canal1 ou das-,l9has de ,elvas4 ,e i/o e/ava pr(etizado1 com tanta individuasam1 que nam se-podia dezej> mais4 ,despois1 vai recolh5do z outras pr(ecias1 da-vida daquele ,g5]al4 ,mo/ra1 que a batalha de ,saul contra os ,fili/eos1 era figura da-gr&e batalha1 que o seu eroe ganh\4 ,se suc$eo1 que ne/a batalha algum piquete1 dse pr9cipio zm2 se era em p>tes montuozas2 nam deixa de obs]v>1 que tudo iso t9ha ja suc$ido a ,jonatas1 e ao seu escudeiro3 onde vem1 que at aquela circun/ancia1 e/ava pr(etizada4 ,pasa adiante1 e comesa a levant>1 e requ9t> p5sam5tos4 ,diz1 que o seu eroe1 era maior que ,saul1 nam s de corpo1 mas tambem de animo3 que era mais a=tunado que ,david3 mais prud5te que ,salamam3 ,e se nam logo um texto cl>o1 com que se-prove i/o1 nam falta um expozitor1 que diga uma palavra1 da-qual o ,pregador conclue manife/am5te1 que o texto nam se-pode int5d]1 de outra sorte4 ,daqui pasa um p\co mais p>a baixo4 ,mo/ra1 que ,alex&re ,magno1 em sua comp>asam1 era um ridiculo3 que o seu eroe t9ha um corasam1 ao m5os1 como metade da-,am]ica3 que fez coizas1 que a n+uem vi]am imag9asam3 e que som5te a ele se-pode aplic> o1 ,siluit t]ra 9 conspectu ejus4 ,se tem alguma noticia de-,i/oria1 nam deixa de mo/r>1 que ,julio ,cez>1 ,paulo ,emilio1 ,qu9to ,fabio1 ,anibal1 ,pirro1 c4 podiam s] seus dicipulos4 ,e outras coizas de/as1 que se o dito ,g5]al fose vivo1 e z-ouvise1 nam podia deix> de env]gonh>se1 de tal panegirico4 ,i/o quanto ao asumto4 ,quanto dispozisam3 ,despois de um gr&e exordio1 e comum5te improprio1 divide o s]mam em trez pontos3 r>as vezes em dois3 r>isimas conclue com um s discurso4 ,promete mo/r> em cada um1 que o seu eroe teve uma s+ul>idade1 a maior d-mundo3 o que tudo qu] tir>1 da-,sagrada escritura4 ,p$e a grasa1 p>aque ,deus lhe-inspire1 o que deve diz]1 em mat]ia de tanta importancia3 e prosegue o s]mam1 na frma dita4 ,se pois z exequias sam de ,molh]1 saie logo1 o ,muli]em =tem quis inv5iet8 e nam a-t5do a*ado o ,sabio1 afirma ele1 que a gloria de a*> e/a mulh]1 e/ava rez]vada sua dilig5cia4 ,e1 a9daque a ,s5hora fose ,religioza1 e de animo pacifico2 nam pode deix> de intr>1 o fato de ,judita2 em que ele mo/ra1 que a dita ,s5hora ,judita3 a sua espada eram z dicipl9as1 e cilicios3 ,ol(]nes era a figura d-mundo1 que ela mat\1 e pro/r\ com facilidade1 c4 ,mas como na escritura ,antiga1 p\cos exemplos de molh]es eroicas1 recorre logo ,nova1 e la vai busc>1 a ,molh] d-,dragam1 e outras de/as figuras4 ,f9alm5te1 discorre das-virtudes da-dita ,s5hora1 polo e/ilo das-d-,g5]al4 ,nam me-neg> ,v4,p4 que e/a a pratica de/e ,re9o3 porque lhe-mo/r>ei1 muitos livros impresos1 em que se-a*am e/es s]mo5s2 e de om5s que tiv]am1 e cons]vam gr&e fama4 ,progunto agora3 a*a ,v4,p4 que i/o preg>8 que sab] discorr]8 que s] eloqu5te8 ,em primeiro lug>1 o tema da-,escritura1 e z provas tiradas dela1 sam erro de toda a consid]asam4 ,e/es ,pregadores nam devem t] lido1 o concilio de ,tr5to#cj1 que proibe1 uz> das-palavras sagradas1 aplicadas a coiza pr(ana3 nam devem sab]1 que expresam5te proibido1 explic> a ,escritura1 s5am segundo a expozisam1 dos-,,ss4,,pp4 da-,igreja4 ,conc$o1 que um expozitor mod]no1 disse alguma propozisam1 que se-pudese aplic> ao asumto3 por-iso ei-de seguila8 quantos de/es expozitores1 nam vemos todos os dias1 que nam sabem o que dizem8 que omem prud5te faz cazo1 de semelhantes escritores1 que nam fundam a sua expozisam1 na d\tr9a da-,igreja8 ,despois diso1 quem pod] def5d] aquelas provas1 tiradas da-,escritura8 ,ou qu] o ,pregador diz]1 que os fatos da-,antiga igreja1 eram figura d-seu asumto2 e e/a uma propozisam tem]>ia1 por-nam lhe-d> outro nome2 e contr>ia comua d\tr9a dos-,padres1 e da-,igreja3 ou nam se-p]suade di/o2 e nam se-livra da-c5sura1 fulm9ada por-muitos canones1 por-abuz> imprud5tem5te1 de palavras sacrosantas4 ,porque eu nam a*o1 que semelhante aplicasam seja outra coiza mais1 que aplic> com gr&e irrev]5cia1 umas palavras santas1 a um s5tido1 p>a que nam =am pr(]idas3 e a um s5tido indigno1 pr(ano1 e falso3 que o mesmo1 que cond5a o ,concilio4 ,respondem alguns1 que i/o qu&o muito prova1 que a aplicasam nam boa2 por-s] de coiza sagrada1 a uma pr(ana3 mas nam prova1 que no-s]mam nam se-obs]vram1 os preceitos da-,oratoria4 ,mas e/a mesma respo/a mo/ra1 que nam int5dem1 que coiza ,retorica4 ,se a ,retorica arte de p]suadir1 quem mais se-p]suadio com provas1 que nam fazem ao cazo8 ,que omem de juizo -de int5d]1 que aquele ,g5]al foi gr&e1 porque ,saul o-foi tambem8 que p>5tesco tem uma coiza1 com outra8 ,e como a obrigasam daquele panegiri/a seja1 mo/r>1 e engr&ec]1 z virtudes d-seu eroe2 todas z provas que tir> da-,escritura1 nam concluem p>a o seu int5to4 ,conheso1 que alguma vez se-pode aleg>1 um paso da-,escritura1 damesma sorte que se-cita um paso1 da-i/oria ,pr(ana3 porque a i/oria da-,escritura1 tambem na mat]ia de ,politica ens9a muito3 mas ne/e s5tido nam se-s]vem1 os ,oradores de/e ,re9o1 como coiza notoria3 porem sim1 no-s5tido de pr(ecia4 ,se pois aquele paso1 nada faz ao cazo1 com que razam o-alega8 ,pode-se *am> ,orador1 um omem que se-funda em razo5s1 que nam conduzem1 p>a o seu int5to8 ,temos ja1 que a e/e omem falta1 a pr9cipal p>te de ,orador1 que ,inv5tio3 o sab] busc> razo5s proprias1 p>a o seu int5to1 e que prvem o que ele qu]4 ,peca logo na aplicasam3 e niso mesmo peca1 contra a ,retorica4 ,suponha ,v4,p4 que da-outra p>te e/ava outro ,orador1 que respondse aos argum5tos4 suponha que o cazo suc$ia no-,egito1 aonde antigam5te se-expunham os cadav]es1 diante dos-juizes1 p>a s]em julgados4 ,um publico acuzador1 ref]ia todos os defeitos1 e respondia aos l\vores1 que nam eram fundados4 ,se o omem era de boa fama1 dava-se a s5t5sa a seu favor1 e ent]rava-se com onra e panegirico1 acompanhado de gr&es l\vores d-,povo3 se era cond5ado1 privava-se de sepultura1 e a sua memoria ficava abom9avel#ca4 ,que coiza julga ,v4,p4 que diria o noso ,pregador1 ne/e cazo8 p>ece-me1 que fic>ia conv5cido de falsidade1 o ,orador2 e env]gonhada a fama d-eroe1 que ele nam s\b]a def5d]4 ,ora esmeuce ,v4,p4 z mais p>tes daquele s]mam1 e v] quantas faltas de ,retorica1 ali se-incontram4 ,que m dispozisam dos-argum5tos6 que arra/ada confirmasam das-provas6 ,i/o supondo1 que o paso que ele cita1 t5ha alguma semelhansa1 com o que qu] prov>4 ,mas nam ve ,v4 ,p4 quantas coizas os ,pregadores inculcam1 que de n5hum modo se-seguem1 d-texto8 ,e/e o segundo ponto1 que nam me-p>ece de p\co mom5to1 ne/a mat]ia3 e i/o melhor se-conhece1 qu&o qu]em esquadr9h>1 z palavras dos-,pr(etas1 ou dos-livros ci5tificos4 ,primeiram5te tomam umas palavras troncadas1 7que se fosem inteiras1 eram contr>ias ao asumto7 e delas d$uzem o seu p5sam5to4 ,e que diz ,v4,p4 a e/e modo de com5t>8 p>ece-me que i/o aquilo mesmo1 a que1 em bom ,portuguez1 se-*ama1 impo/ura3 porque tir> p5sam5tos de um texto1 que nam diz tal coiza4 ,despois1 recorrem a um expozitor1 ou ,s4 ,padre1 o qual talvez guiado d-furor d-seu zelo1 ou com exceso retorico1 dise alguma propozisam1 que1 p>a nam s] erezia1 neces>io tomla muitos furos abaixo1 d-que soa3 no-que concordam todos os ,criticos1 e ,teologos4 ,aqui o meu ,pregador1 sem p]d] nem m5os uma silaba1 traduz a propozisam como se-a*a3 e nela ,levanta uma ma*9a de p>adoxos1 com que p]t5de prov>1 coizas mui v]dadeiras1 e sezudas4 ,nam cito exemplos1 porque falo com ,v4,p4 que sabe mui bem1 de quem eu falo4 ,e av] quem me-negue1 que i/o falt> ,retorica8 av] quem se-atreva a diz]1 que i/o sab] elogi>8 ,se os argum5tos sam v]dadeiros1 sempre sam fra d-asumto3 se o-nam-sam1 nam deixam de s] impo/uras3 e nam sei qual de/as1 pior falta de ,retorica4 ,mas prosigamos o exame1 e vejamos o que fazem1 nos-outros asumtos4 ,saie um s]mam de zm de grasas a ,deus1 por-algum gr&e b5eficio conc$ido2 como saude1 batalha c4 ou por-alguma zm m ca/igada1 com gloria de ,deus2 como o r\bo d-,sacram5to em ,s4,engracia1 ,ato da-,f c4 ,int5de ,v4,p4 que por-mud>em de asumto1 mudam de metodo8 nam s5hor3 e a pratica mo/ra o contr>io4 ,o argum5to dos-primeiros dois s]mo5s deve s]1 d> grasas a ,deus1 por-tam especial b5eficio3 e excit> a pi$ade dos-,fieis1 p>a que o-l\vem1 por-e/e favor que fez4 ,e/e o asumto3 e a e/e fim deve o ,pregador dirigir1 todos os seus p>ticul>es argum5tos4 ,mas iso o que ele nam faz4 ,o que ele cuida 1 busc> algum conceito sutil1 e s+ul>1 com que posa diz] alguma novidade1 e mo/r> o seu +5ho4 ,eu li um s]mam d 99 99 99 que p]t5cia a uma de/as clases3 em que o ,pregador1 por-qu]] diz] uma novidade teologica1 dise uma erezia3 que som5te o-nam-foi na sua boca1 porque nam int5deo1 o que dise3 a9daque tivese ba/antes anos1 ens9ado ,teologia4 ,la a*\ porem um ,s4,padre mod]no1 que cuido fose ,s4 ,b]n>do1 que lhe-deo mat]ia ao conceito4 ,mas a v]dade 1 que o dito ,s4 que frequ5tem5te uza de ip]boles1 nam dise lit]alm5te1 o que ele supoz4 ,mas fose o que fose1 o s]mam teve mil aplauzos1 e impremio-se com onra 99 99 994 ,ja se-sabe1 que a saude ou batalha1 -de s] pr(etizada1 na ,escritura d-,antigo te/am5to1 ou polo m5os d-,evangelho1 e com s9ais mui p>ticul>es3 porque segundo e/es autores1 nam s]mam sem tema sagrado2 seja o que =4 ,se o tema nam calsa bem1 nam falta quem o e/5da3 que e/e o comum refugio1 de todos e/es s5hores4 ,cont\-me pesoa mui v]dadeira1 que1 a*&o-se em c]ta ,cidade de/e ,re9o1 suc$ra1 que a molh] de um tang$or de rabeca1 faz5do voto por-uma inf]midade p]igoza2 qu&o se-vra livre1 quiz]a agradec] ao ,santo1 o tal b5eficio1 com uma fe/a e/rondoza1 e com s]mam4 ,o dito amigo conhecia o ,pregador3 e incontr&o-se com ele1 dise-lhe3 ,que tema toma vos8 ao que ele respondeo1 ,ja t5ho escolhido z palavras3 ,surge1 asc5de ,be!l2 fac ibi alt>e c4 ,reprogunt\ o meu amigo1 ,que conexam tem iso1 com o que vos qu] diz]8 ao que o ,pregador respondeo s]iam5te3 ,o texto otimo3 porque que ,jacob era rabequi/a1 iso provo eu logo1 com dez expozitores4 ,e com efeito o s]mam1 saio semelhante promesa4 ,eu mesmo asi/i uma vez a um s]mam1 de zm de grasas1 porque ,deus conc$ra *uva1 despois de uma gr&e e/]ilidade4 neces>io adv]tir1 que se-t9ham feito v>ias prociso5s1 com imag5s milagrozas1 semque ,deus ouvise1 os clamores d-,povo4 ,na ultima1 levram um ,cri/o com a cruz2 e suc$eo1 que p\co despois *oveo alguma coiza4 ,o meu ,pregador1 que t9ha fama de gr&e letrado1 prometeo mo/r> no-s]mam1 que a *uva nam podia vir1 por-outro e/ilo4 ,e prov\ i/o1 com a nuvem de ,elias3 a qual asimque a p>eceo1 desfez-se o ceo em tempe/ades4 ,mo/r\ pois1 com dois expozitores mod]nos1 que aquela nuvem1 era ,cri/o com a cruz s co/as4 ,faltavam algumas circun/ancias1 entre z quais era1 a da-tempe/ade seguida2 que ca nam t9ha exemplo4 ,rem$i\ o omem a i/o1 promet5do em p\co tempo1 a tempe/ade4 7o que podia seguram5te pr(etiz>2 porque despois de uma gr&e elevasam de vapores1 uma vez que e/es comesam a mov]-se1 cl>o1 que m-de cair7 ,suc$eo o cazo da-gr&e *uva3 e o meu ,pregador1 alem da-fama de ,orador1 saio com a de ,pr(eta2 que lhe-frut\ muito bem4 ,os que sabiam p\co1 e/avam pasmados1 da-felicidade de +5ho d-omem3 mas um dos-que e/avam no-confeso1 e t9ha pezado bem o s]mam1 fal\-me em dif]5te maneira4 ,e de/es s]mo5s1 pud]a eu cit> inf9itos4 ,se o s]mam d-dezagravo d-,sacram5to1 ja se sabe1 que som5te preg> bem1 quem mo/r>1 que textos expresisimos1 em que se-decl>a1 que no-ano ,n4 s5do ,bispo ,n4 ,mordomo da-fe/a ,n4 s tantas oras d-dia1 avia suc$] a dita coiza4 ,mas nam ba/a i/o1 porem neces>io1 algum novo p5sam5to1 que comum5te prova tudo o contr>io1 d-que qu] p]suadir4 ,e aqui devem intr>1 todas z outras circun/ancias1 que apontmos4 ,nam se-lembra o ,pregador1 que o asumto sempre o mesmo3 que 1 d> grasas a ,deus1 por-descobrir1 com altisima provid5cia1 os sacrilegos3 e com iso mo/r>1 a sua miz]icordia1 mansidam1 e ju/isa3 e que e/e asumto sempre se-deve inculc>1 v>i&o unicam5te z palavras1 com mais ou m5os +5ho1 segundo o cab$al de quem fala4 ,nam adv]te1 que f>ia muito maior impresam1 p9t> a atrocidade daquele delito1 de uma p>te2 e da-outra1 z inf9itas virtudes1 que ,deus quiz mo/r>1 naquele ca/igo4 ,nada di/o lembra ao ,pregador4 o que emporta 1 subtiliz> bem4 ,mas o que dali se-segue 1 sair o auditorio tam p]suadido1 da-p\ca capacidade d-,pregador1 como p\co p]suadido1 d-que ele det]m9ra p]suadir-lhe4 ,e que nam diz um de/es amigos1 qu&o se-lhe-encom5da um s]mam de ,intrada1 ou ,pr(isam de ,freira6 ,aquele s]mam nada mais 1 doque um panegirico da-eleisam1 e p]sev]ansa da-,freira1 e outras boas qualidades2 acompanhado de uma exortasam1 p>a p]sev]> na virtude4 ,i/o o que deve diz] o ,pregador3 mas i/o o que n5hum diz4 ,o que importa 1 mo/r>1 que e/a ,freira era tanto d-agrado de ,deus1 que m&\ ao mundo um1 ou muitos escritores ,sagrados1 p>a lhe-comporem a vida1 muitos seculos antes de nac]4 ,um amigo meu teve a incumb5cia1 de um de/es s]mo5s3 e logo lhe-adv]tram1 que t]ia mui boa paga1 se a*se na ,escritura1 toda a vida da-,freira4 ,ela era ,dom9icana1 e mui devota d-,roz>io3 t9ha sido ,pupila alguns anos1 no-dito ,conv5to3 o s]mam era na oitava da-fe/a d-,roz>io4 ,ele1 que som5te qu]ia um bom prez5te1 tom\ z palavras d-capitulo ,,iv4 d-,cantico3 ,v5i de ,libano sponsa mea1 v5i de ,libano1 v5i3 coronab]is4 ,mo/r\1 que a ,freira tiv]a tres e/ados1 de ,pupila1 ,novisa e ,pr(esa3 e que a cadaum conrespondia sua vocasam1 e seu v5i1 com que ,deus a-*amava1 por-boca de ,salamam4 ,que o ,libano1 reprez5tava o ,mundo1 donde ,deus a-*amava p>a o ,clau/ro4 ,coronab]is1 explicava a ,religiam1 que toda consagrada ao ,roz>io3 e que no-mesmo ,roz>io1 que uma coroa de rozas1 a*ava o premio da-sua eleisam1 e ob$i5cia4 ,acomod\ novam5te i/o ao ,roz>io1 dividido em mi/]ios dolorozos1 gozozos1 e gloriozos2 cada especie dos-quais conrespondia1 aos seus trez e/ados3 o que ele prov\1 com textos expresisimos4 ,desorteque a concluzam d-negocio foi1 que todas z circun/ancias da-vida da-,freira1 e/avam pr(etizadas com tanta cl>eza1 por-,salamam2 que qualqu] cego reconhec]ia1 que aquele texto som5te falava1 da-,s5hora ,d4 ,fulana1 filha de ,fulano1 moradora em tal p>te1 ,freira em e/\tra1 c4 ,o que eu sei 1 que toda e/a metafizica frut\1 c9co mo$as1 e um bom prez5te3 e que z ,freiras nam cabiam na pele de cont5tes4 ,e i/o suc$e todos os dias3 e alguma vez eu o-t5ho prez5ciado1 ne/as fe/as4 ,se o s]mam d-,ato da-,fe1 comum5te decl9am p>a dois extremos3 ou nam *egam a diz]1 o que devem2 ou dizem muito mais1 d-que nam devem4 ,o ,santo ,(icio ju/am5te m&a preg>1 queles om5s p5it5ciados1 p>a os-alumi> na sua cegueira3 e e/a uma ideia sacrosanta4 ,mas eu nam sei1 se os tais ,judeos ficam p]suadidos3 o que sei 1 que os s]mo5s que eu leio1 nam sam proprios1 p>a os-p]suadir4 ,avemos as5t> em primeiro lug> ni/o1 que e/es ,judeos ,portuguezes1 sam ignorantisimos diso mesmo1 que qu]em pr(es>4 ,nam sabem mais1 s5am que o ,sabado se-deve gu>d>3 e outras noticias g]ais4 de l+ua ,ebraica nada sabem3 m5os de ,caldaica3 que sam z duas l+uas1 em que e/am escritos1 os ritos e co/umes ,judaicos4 ,i/o sem duvida3 e quem ouve os procesos1 conhece cl>am5te1 qual a sua ignorancia ne/e ponto4 ,quanto ignorancia dos-ritos ,judaicos1 nam neces>io aleg>1 te/emunhas ,ori5tais1 nem ir busc> os ,rab9os1 ,maimonides1 ,jacob ,baal-aturim1 ,joseph ,c>o c4 ba/a que ,v4 ,p4 leia o ,sigonio1 ,m5o*io1 ,cuneo1 ,reim]o1 ,sp5c]o1 que escrevram eruditam5te1 de ,republica ,hebrorum3 ou algum dos-outros1 que tratram das-escolas1 e ritos1 como ,seld51 ,godvv9 c4 e fic> mui bem p]suadido1 que e/es seus ,portuguezes1 nam sabem que coiza s] ,judeo3 e sam ,judeos1 mais por-g5io depravado1 que por-erudisam4 ,i/o supo/o1 alguns ,pregadores1 como o ,cranganor1 p>a mo/r>em a sua erudisam ,rab9ica1 entram em c]tas mat]ias dificultozas1 e procuram noticias mui p>ticul>es1 tiradas dos-que impugnram os ,rab9os2 p>a mo/r>em aos ,judeos1 o seu +ano4 ,copeiam fielm5te1 toda a noticia que se-lhe-(]ece1 na tal mat]ia3 nam sem se-+an> algumas vezes1 como suc$eo ao dito ,cranganor2 que por-nam t] intelig5cia1 das-ditas l+uas1 nem da-i/oria ,judaica1 nem t] nunca ab]to o ,talmud2 s]vio-se algumas vezes de argum5tos1 que tem mui boas respo/as4 7devemos confes> em obzequio da-v]dade1 que entre os ,ebreos ouv]am sempre1 om5s mui d\tos1 que propuz]am tais dificuldades sobre a ,escritura1 que fazem su> muitos ,catolicos d\tisimos1 p>a lhe-respond]4 onde sem exquizita erudisam1 melhor nam toc>1 semelhantes mat]ias7 ,f9alm5te =sa de ajunt>em noticias1 em lug> de um s]mam1 fazem um tratado ,contra ,judos4 ,o que digo1 com boa paz d-dito ,arcebispo1 e seus apaixonados3 porque nam qu]o dim9uir-lhe a e/imasam3 mas som5te trazelo p>a exemplo1 d-que aponto4 ,o que se-segue daqui 1 que com todo e/e trabalho1 nem fazem s]mam1 nem podem p]suadir2 pois nam proporcionam z provas1 ao asumto4 ,porque inculc> erudisam ,rab9ica1 a om5s totalm5te ignorantes de/as mat]ias1 manife/am5te zomb> d-seu emprego1 e d-auditorio3 e tanto vale i/o1 como se lhe-pregasem em ,p]siano1 ou discorresem em dif]5te mat]ia4 ,alem diso1 gr&e div]sidade1 entre uma disputa1 e um s]mam2 entre uma dis]tasam1 e uma exortasam3 e p]de o seu tempo e a sua fama1 quem confunde e/es dois nomes1 e o significado deles4 ,ora eisaqui tem ,v4 ,p4 o que fazem e/es1 com qu]]em diz] muito4 ,os outros1 que asima apontamos1 seguirem div]sa e/rada1 nam sei se os-*ame1 mais cond5aveis4 ,e/es sam aqueles1 que qu]em preg> aos ,judeos1 polo e/ilo dos-outros s]mo5s1 com conceitos sutis1 e p5sam5tos exquizitos4 ,e nam neces>io muito p>a int5d]1 que se os ,catolicos ,romanos1 que e/udamos aquela d\tr9a1 que eles inculcam2 os-nam-int5demos1 e nos-dezagradam muito2 que coiza suc$]1 aos ,judeos8 ,ouve s vezes ,v4 ,p4 propor um asumto1 que p>ece ao int5to3 segue com o p5sam5to1 o ,pregador no-seu discurso3 e qu&o nam se-precata1 e/e o-dezempra1 e inf]e uma consequ5cia tal1 que obriga a rir4 ,seguro a ,v4 ,p4 que1 t5do lido alguma coiza ne/a mat]ia1 e t5do obs]vado muito2 som5te ne/e g5]o a*ei1 um s]mam ,portuguez1 que se-pudese l]3 a9daque tambem c>regava no-silogismo1 e intrava bem d5tro na ,metafizica3 mas foi o que vi m5os mao4 ,mas1 colhamos z velas1 p>ece a ,v4 ,p4 que e/e modo de preg> l\vavel1 ou tol]avel8 p>ece-lhe1 que e/ fra da-jurisdisam1 de uma arrezoada critica8 ,o nam proporcion> z provas ao auditorio1 ou seja diz5do-lhe1 o que eles nam *egam a int5d]2 ou fal&o-lhe com ideias1 de que n+uem se-pode p]suadir2 erro da-primeira esf]a4 ,temos outro modo de preg>1 aos ,ebreos idiotas1 deix&o de p>te1 toda a v]dade especulativa1 e s]v9do-se unicam5te1 de exemplos s5siveis3 os quais1 bem discorridos1 produzem efeitos1 que talvez se-nam-alcansam1 com erudisam mui exquizita4 ,de todos os argum5tos1 que se-(]ecem p>a p]suadir1 a ext9sam da-,antiga igreja1 deve o orador escolh]1 os m5os embrulhados2 e p]suadilos1 com a =sa da-sua eloqu5cia4 ,niso que consi/e a arte1 em dilat> os argum5tos1 que nam sam reconditos4 ,a v9da de ,cri/o ao mundo1 oje bem cl>a3 e p>a o-s] mais1 neces>io t] cuidado1 em dispor os-argum5tos1 e fugir das-sutilezas4 ,nam v]dade mais notoria1 que a exi/5cia de um ,deus3 e obs]vasam dos-melhores ,filoz(os1 e ,teologos1 que os antigos ,padres p>a a-prov>em1 nam se-s]viam de sutilezas inauditas3 mas cont5tavam-se com a prova mais trivial1 que 1 a exi/5cia d-,mundo1 e pr9cipalm5te de/e noso globo t]re/e4 ,e/a unica prova1 bem explicada e esmeusada1 conv5ceo o int5dim5to umano muito mais1 doque nam fiz]am1 despois d-undecimo seculo1 todas z sutilezas dos-,dialeticos3 e a9da oje os melhores ,filoz(os as5tam1 que s nela nam se-a*am s(ismas4 ,i/o ao que ns *amamos1 sab] conhec] o m]ecim5to das-provas1 e sab] manej> a eloqu5cia4 ,mas os nosos ,pregadores1 int5dem o contr>io3 e s cuidam em procur> ideias1 que a n+uem t5ham ocorrido3 e por-iso nacem aqueles s]mo5s1 de que o mundo ,lit]>io se-ri4 ,a outra especie de s]mo5s1 em que com mais facilidade1 se-dizem despropozitos1 sam os ,panegiricos de ,santos4 ,e/a especie compre5de1 muitas sortes de s]mo5s3 nos-quais inf9itas coizas1 que cond5>4 ,ouvir ,v4 ,p4 coizas1 que cauzam orror4 v4g4 ,devem preg> um s]mam de ,s4 ,antonio3 em que deviam ref]ir1 z virtudes d-,santo3 ilu/rlas com o artificio da-,retorica2 p>a anim> os fieis a imitlo4 ,mas i/o1 que era a obrigasam d-,panegiri/a1 p>ece coiza mui trivial1 aos ,pregadores mod]nos4 ,julg>iam que ficavam dezacr$itados1 se-dizesem s e/a v]dade4 neces>io levant> ma*9a3 e faz] uma trepesa1 compo/a de mil ridicul>ias4 ,dividem pois o s]mam1 nas-trez p>tes solitas3 em cada uma das-quais prometem prov> coizas1 que nada tem de v]osimel4 v4g4 ,que ,s4 ,antonio nam foi omem1 mas anjo3 e a e/e seguem-se outros pontos1 damesma especie4 ,concluem pois1 que se a ,f nam e/udse cautelas1 *eg>iam a diz]1 que se equivocava com ,deus4 ,eu t5ho ouvido i/o1 algumas vezes3 e cont\-me pesoa de muita autoridade1 que ouvira ele mesmo1 em c]ta ,cidade d-,re9o1 propor e/es trez pontos3 ,que o ,santo de que pregava1 era gr&e omem3 gr&e anjo3 e gr&e ,deus4 e que tudo i/o avia de sair1 d-,evangelho4 ,e segur\-me a dita pesoa1 que1 ouv9do i/o1 sara da-igreja1 sem qu]] esp]> polas provas3 tam esc&alizado fic\6 ,lembra-me ao int5to1 o que escreve um autor1 mui acr$itado em ,portugal4 ,pregava ele de ,s4 ,antonio1 com o co/umado tema1 ,vos e/is lux mundi3 e qu]5do diz] alguma coiza s+ul>1 tir\ e/e asumto3 ,que uma vez que ,s4 ,antonio naceo em ,portugal1 nam =a v]dadeiro ,portuguez1 se nam =a luz d-mundo4 porque o s] luz d-mundo nos-outros om5s1 s privilegio da-,grasa3 nos-,portuguezes1 tambem obrigasam da-,natureza4,p>eceo-me argum5to nam s s+ul>1 mas inaudito1 qu]] faz] que os ,portuguezes1 fosem ,apo/olos por-natureza3 muito mais1 porque se o ,pregador provse o que prometia1 tam longe e/ava1 de faz] ao ,santo um ,panegirico1 que lhe-prep>ava uma ,satira3 e desm5tia com z suas provas1 aquelas s+ul>idades1 que qu]ia descobrir no-,santo3 pois qu&o muito se-diria1 que pregava de todos os ,portuguezes4 ,com e/a op9iam exam9ei z provas3 z quais se-r$uziam a i/o4 ,que ,cri/o con/ituira os ,portuguezes1 ,apo/olos das-,naso5s e/rangeiras3 e que asim o-prometra1 a ,el-,rei ,d4 ,afonso ,i4 e1 como se nam ouvse1 quem negse tal coiza1 *ama-lhe v]dade aut5tica4 ,a i/o acrec5ta1 uma pr(ecia de ,s4 ,tom1 7nam sei em que ar*ivo a-a*\7 que os ,infieis se-conqui/>iam na ,india1 com z armas de ,portugal3 nam com z de f]ro1 mas com z d-escudo1 que sam z ,qu9as3 z quais ,cri/o1 diz ele1 deu aos ,portuguezes1 por-armas4 ,e como ,s4 ,antonio era ,portuguez1 avia conqui/> ,infieis1 como fez3 e avia conqui/los com z ,qu9as3 que nam s de ,portugal1 mas tambem sam z armas1 da-m9ha ,religiam4 ,p>eceo duro ao ,pregador diz]1 que os ,indios se-aviam conqui/> com z ,qu9as1 e nam com z espadas3 mas a i/o1 a*\ ele g5u9a solusam1 na saida que os ,ebreos fiz]am1 d-,egito4 ,pondra1 que1 s5do-lhe proibidas z armas1 diga a ,vulgata#cb3 ,armati asc5d]unt filii ,israel de t]ra ,aegypti4 ,exam9a pois1 que armas eram e/as3 e logo z-a*a1 no-orig9al ,ebreo1 que diz3 ,asc5d]unt filii ,israel qu9i1 qu9i ,a sim1 diz o ,pregador1 saram os ,ebreos com qu9as2 pois esas lhe-s]virm de armas1 asc5d]unt armati4 ,confirma i/o1 com z c9co p$ras de ,david1 das-quais afirma1 que eram z c9co *agas de ,cri/o1 tiradas da-torr5te d-seu sangue1 com z quais d]rub\ o gigante4 ,e/a a virtude das qu9as4 ,por-iso ,s4 ,antonio seguio z b&eiras das-qu9as1 p>a mo/r> que era ,portuguez1 d]rub&o com elas1 o ,fili/eo da-,erezia4 ,at aqui o ,pregador4 ,e/a em su/ancia a primeira prova d-dito s]mam2 na qual a*> ,v4 ,p4 mat]ia1 p>a mil reflexo5s4 ,deixo z i/oricas1 pois bem cl>o1 que sam mui ligeiras provas1 p>a afirm> tal p>adoxo4 ,e/a ap>isam ao ,rei ,d4 ,afonso3 a r$oma de vidro *eia de olio1 que veio d-,ceo a ,clodoveo3 e outras de/as coizas1 que se-a*am nas i/orias1 sam boas p>a div]tir rapazes3 e os ,criticos z-cons]vam todas1 no-mesmo arm>io1 em que gu>dam z p5as da-,f5ix4 ,mas nam poso p]do>-lhe1 a m int]pretasam1 e aplicasam d-texto4 ,e/e autor c]tam5te nam leo o texto ,ebreo1 ou se o leo1 nam o-*eg\ a int5d]3 porque o texto diz uma coiza1 muito dif]5te1 doque ele supoem4 v]dade1 que o texto ,ebreo s]ve-se de uma palavra1#cc que em ,latim qu] diz]1 ,qu9tati3 como se dis]amos1 de c9co em c9co3 mas e/e modo de fal> nam proprio2 translato1 e d$uzido d-e/ilo belico4 ,donde vem1 que explic&o os antigos ,ebreos1 a dita expresam1 as5tam todos que qu] signific>1 armados4 ,s div]sificam1 p>a explic> p>ticul>m5te1 a =sa da-dita palavra4 ,kim*i diz asim3 ,c+idos de armas1 na qu9ta co/a4 outros explicam3 ,c+idos com c9co g5]os de armas4 ,seph>adi v]te3 ,qu9que turmis asc5d]unt1 sub quatuor vexillis4 ,nam ,moises cum s5ioribus ,israel1 9 m$io quatuor turm>um manebat4 ,alem diso1 todos os om5s mais d\tos na l+ua ,ebreia1 expondo a dita expresam1 despois de porem o t]mo proprio e lit]al1 que ,qu9tati1 acrec5tam1 id e/1 ,acc9ti1 ,exp$iti3 que o mesmo que1 ,armati1 ,p>ati4 ,desorteque com gr&isima adv]t5cia1 o tradutor da-,vulgata dise1 ,armati4 ,e qu] diz] o ,ebreo1 que os ,israelitas saram armados1 e em frma de batalha2 promtos p>a acomet]em1 e se-def5d]em4 ,e i/o coiza c]ta1 entre os d\tos4 ,o que supo/o1 veja ,v4 ,p4 que p>5tesco tem i/o1 com z qu9as4 ,alem diso1 suponhamos que v]dadeiram5te se-devia int5d]1 de c9co em c9co3 que tiramos daqui p>a o int5to8 pod]ia diz] o texto1 que am qu9i1 qu9i3 mas nunca dise3 ideo armati1 quia qu9i qu9i3 e pesima ,logica aquela1 que de duas coizas sem conexam1 tira tal consequ5cia4 ,tambem falso diz]1 que os ,ebreos saram dez>mados3 qu&o lemos o contr>io3 pois nam s z batalhas que d]am1 mas z obras que fiz]am no-campo1 mo/ram bem1 que nam s armas1 mas toda a sorte de in/rum5tos1 levram d-,egito4 ,ja nam falo na aplicasam da-pr(ecia1 a ,s4 ,antonio3 pois se ,s4 ,tom fal\ das-,indias1 que tem i/o que faz]1 com ,s4 ,antonio1 que preg\ na ,europa8 ,nam falo nas p$ras de ,david1 cuja aplicasam tem tanta proporsam1 como entre um1 e c9co4 ,i/o que unicam5te disemos1 ba/a p>aque ,v4,p4 int5da1 o conceito que se-deve faz]1 de semelhantes s]mo5s3 os quais nada mais sam1 que um m]o jogo de palavras1 sem v]dade1 nem v]osimilidade alguma3 e que se-desfazem em v5to1 qu&o1 se-exam9am de p]to4 ,eu p>ei no-primeiro ponto3 avia a9da quatro que exam9>3 mas eses deixo eu1 sua consid]asam4 ,ora int5de ,v4,p4 que o ,santo fica elogiado1 com tal panegirico3 que o auditorio fic> p]suadido3 que o ,orador m]ece s] l\vado1 por-tal s]mam8 ,sei a respo/a que ,v4,p4 me--de d>1 porque sabe d> s coizas1 a sua ju/a e/imasam3 mas nem todos sam d-seu p>ec]4 e apo/>ei eu1 e ,v4,p4 nam mo-neg>1 que mais g5te e/uda1 polo tal autor1 doque pola ,escritura1 e ,,ss4 ,padres4 ,o mesmo autor em outra p>te1 dev5do preg> de ,s4 ,b>tolomeo1 e suc$5do i/o em uma ,cidade1 em que se-e/ava p>a eleg]1 um gr&e ,prelado1 que nam t9ha conexam com a fe/a2 tom\ por-tema e/as palavras1 de ,s4 ,lucas3 ,elegit duodecim ex ipsis1 quos ,apo/olos nom9avit3 e em vez de preg> de ,s4 ,b>tolomeo1 preg\ das-obrigaso5s das-eleiso5s3 sem diz] em todo o corpo d-s]mam1 uma s palavra de ,s4 ,b>tolomeo4 ,no-ultimo p>agrafo1 lembr\-se da-sua falta3 e1 p>a rem$i> o cazo1 diz mui secam5te1 que tudo o que dis]a1 se-devia aplic>1 ao dito ,santo4 ,porque s5do ele o sexto ,apo/olo1 e/ava no meio1 que o lug> de mais autoridade3 ,e a razam di/o era1 porque conrespond5do ele #f4;a p$ra da-nova ,j]uzalem1 que era o ,s>dio2 e/a no-,racional de ,aram1 era a primeira3 onde ficava cl>o1 que o sexto ,apo/olo1 devia s] o primeiro4 ,a*a nova semelhansa entre ,s4 ,b>tolomeo1 e o ,s>dio3 porque e/a1 segundo ,pl9io1 de cor de c>ne viva3 e consegu9tem5te1 um belo retrato de ,s4 ,b>tolomeo1 que fic\ em c>ne viva1 e sem pele4 ,e torn&o das-peles vivas1 s eleiso5s1 acaba o s]mam1 damesma sorte que o-comes\4 ,progunto agora3 que outra coiza avia ele diz]1 se pregse das-eleiso5s8 ,nam ignora ,v4,p4 que os s]mo5s panegiricos1 p]t5cem ao g5]o demon/rativo2 e quem jamais pode s(r]1 que um ,orador1 que deve elogi> ,p$ro1 false de ,paulo8 ,julga ,v4,p4 que se-pode *am> ju/a digresam1 nam fal> uma palavra no-asumto1 p>a se-met] em mat]a alheia2 e que por-titulo n5hum p]t5cia ao ,pregador8 ,mas exam9emos ese p\co que diz1 de ,s4,b>tolomeo3 eu nam a*o ali coiza1 que nam seja inv]osimel4 ,aquilo de qu]]1 que ,s4 ,b>tolomeo fose criado ,apo/olo na #f4 eleisam1 falso2 porque tal nam diz o ,evangelho4 ,o que eu a*o no-,evangelho 1 que ,cri/o1 despois d-jejum de #dj4 dias1 pas&o defronte de ,joam1 e diz5do e/e3 ,ecce ,agnus ,dei3 dois seus dicipulos seguram ,cri/o3 um deles era ,&r1 que incontr&o de t>de1 seu irmam ,simam1 o-conduzio a ,cri/o4 ,no-dia segu9te ,cri/o *am\ ,filipe3 e e/e1 incontr&o ,natanael1 convid\-o p>a seguir ,cri/o4 ,p\co despois1 torn&o ,cri/o de ,caf>naum1 torn\ a *am> ,simam1 e ,&r2 que provavelm5te se-t9ham ap>tado de ,cri/o1 p>a ex]cit>em o seu (icio3 e nunca mais se-ap>tram dele3 e no-mesmo cam9ho *am\ ,jacob1 e ,joam4 ,se pois ,natanael o mesmo que ,b>tolomeo1 como alguns d\tos mod]nos#cd conjeturam1 com muito fundam5to2 em tal cazo o #d4 eleito3 ou o segundo1 faz5do outra contra4 ,se ,natanael dif]5te de ,b>tolomeo1 como diz ,s4 ,ago/9ho#ce1 e ,gregorio ,magno#cf1 ne/e cazo devemos confes>1 que nam sabemos1 qu&o foi *amado ,b>tolomeo4 ,o c]to 1 que o ,evangelho nam explica1 circun/ancia alguma da-sua vocasam1 e da-sua vida1 com o nome de ,b>tolomeo4 ,nem m5os da-,i/oria temos1 como morreo ,b>tolomeo2 av5do gr&e disp>idade de p>ec]es3 a9daque a mais comua 1 que morrse esfolado4 ,o motivo que teve o ,pregador foi1 v] que em ,s4,lucas1 despois das-ditas palavras1 nomeia-se em #f4 lug> ,b>tolomeo3 e asim int5deo1 que =am todos eleitos1 naquela ocaziam4 ,um bocad9ho que s\bse mais de ,i/oria1 lhe-p\p>ia e/e erro1 tam c5suravel em um ,teologo4 ,mas a9daque i/o asim fose2 nam ba/ava p>a lhe-*am>1 a #f4 eleisam1 por-s] uma s3 e muito m5os dev]ia e/a circun/ancia1 d> mat]ia a um s]mam4 ,a outra coiza1 que o #f4 ,apo/olo fose mais nobre1 que o primeiro1 uma ideia nova3 o que s pod]ia int5d]-se1 se puzese-mos os ,apo/olos em l9ha1 ou dobrase-mos a l9ha em angulo4 ,despois diso seguirsea1 nam que o #f4 era mais nobre que o primeiro3 mas sim1 que #f4 e primeiro era o mesmo4 ,e ja em lug> de ,,xii4 que entam se-nomeiam1 se-r$uzem os ,apo/olos a ,,xi4 ,tambem aquilo de qu]]1 que ,s4 ,b>tolomeo seja maior1 que ,s4 ,p$ro1 nam sei se se-pode s(r]4 ,mas pior que tudo o cazo1 da-p$ra ,s>dio4 ,se e/a1 por-s] de cor de c>ne1 se-*ama c>n]9a1 tanta semelhansa tem com ,b>tolomeo1 como com os mais ,apo/olos3 porque todos eram de c>ne1 e c>ne viv5te4 ,mas o noso ,pregador fund\-se na palavra1 viva3 que aplicada c>ne1 significa em ,portuguez1 7mas nam na l+ua de ,pl9io7 c>ne sem pele3 e da que tir\ o p5sam5to3 que1 como asima dizia1 se-r$uz1 a um m]o jogo de palavras4 ,e/e o co/ume de/es ,pregadores3 qu&o se-exam9am z suas provas1 com sangue frio2 nada mais sam1 que um m]o trocadilho de palavras1 sem v]dade1 nem a9da v]osimilidade3 sem a qual c]to1 que n+uem se-pode p]suadir4 ,ora eu podia cit> de/es exemplos1 a milh>es1 e sem sair d-mesmo ,pregador3 mas coiza enfadonha1 e tambem escuzada1 p>a quem1 como ,v4 ,p41 tem tanta pratica de/es panegiricos4 ,se o panegirico de ,n4 ,s5hora1 p>ece a e/es tais1 que nam coiza1 que nam seja licito diz]1 em obzequio seu3 ,sem adv]tirem1 que a ,santisima ,virgem1 se-d>ia por-mais bem s]vida1 sem tais s]mo5s1 com a simplez relasam1 das-suas gr&es virtudes4 ,o pior 1 que autores1 que fom5tam e/es s]mo5s1 com livros bem gr&es compo/os ao int5to1 a que *amam conceitos pr$icaveis4 ,os ,espanhoes abundam muito di/o3 e ajuntam uma inf9idade de p>adoxos1 que cuidam prov>1 com algumas expreso5s figuradas1 que se-a*am nos-,,ss4 ,padres4 ,a*ei um ,espanhol1 *amado ,b>tolomeo de los ,rios1 que compoz um groso volume1 todo tecido de/as ip]boles4 ,ele prova1 que ,n4,s5hora meza d-,sacram5to3 pam3 v9ho3 ,cri/o em c>ne4 f9alm5te diz tanta coiza insolita1 que nam sei como pud]am vir imag9asam1 de um omem prud5te4 ,e tudo i/o tira de umas ip]boles1 de ,s4 ,anselmo1 ,b]n>do1 e alguns asceticos mais mod]nos4 ,e/ranho modo de prov>6 s]vir-se das-figuras de que uzram os ,padres1 sep>las d-contexto1 p>a prov> uma propozisam absoluta4 ,se valse e/a ,logica1 e ,retorica1 com z mesmas palavras da-,escritura1 se-pod]ia prov> muita coiza falsa1 e ridicula4 ,ns temos em ,s4,joam1 uma ip]bole bem famoza4#cg ,sunt autem alia multa1 qu fecit ,jesus3 qu scribantur p] s+ula1 nec ipsum1 arbitror1 mundum cap]e posse eos1 qui scrib5di sunt1 libros4 ,quem daqui quizese prov> mui s]iam5te1 que uma livr>ia gr&e como o ,mundo1 nam compre5d]ia1 todas z aso5s de ,cri/o1 s]a l\co3 porque todos os ,padres int5dem o texto1 ip]bolicam5te3 e a ,escritura abunda muito1 de/as expreso5s4 ,o mesmo digo1 das-expreso5s figuradas dos-,padres4 ,comque1 semelhantes autores sam a origem1 de todos e/es danos3 porque os ignorantes1 que nam sabem di/+uir o branco d-negro1 s]vem-se de semelhantes livros1 como de oraculos4 ,mas1 sem busc> exemplos de longe1 tornemos ao meu ,pregador asima1 e v] ,v4,p4 provas bem eficazes1 d-que lhe digo4 ,pregava ele da-,asumsam da-,s5hora1 na igreja de ,n4 ,s4 da-,gloria2 com o tema1 ,m>ia optimam p>tem elegit4 ,prote/a em primeiro lug>1 que nam lhe-agrada coiza alguma1 d-que tem dito os ,,pp4 e ,expozitores todos3 e que qu]1 coiza mais f9a4 ,os ,padres o mais que dis]am foi3 ,que ,m>ia escolheo a maior gloria1 entre todos os bemav5turados4 o noso ,pregador p>ec5dolhe1 que1 diz5do aquilo1 diziam uma bagatela2 sobe de ponto1 e diz3 ,que a comp>asam de gloria a gloria1 nam se-deve faz] s1 entre a gloria de ,m>ia1 e a gloria de todas z outras criaturas umanas1 e angelicas3 s5am com a gloria d-mesmo ,criador delas1 a quem ,m>ia cri\4 ,a palavra optimam 7cont9ua ele7 a tudo se-e/5de3 porque s5do sup]lativa1 poem z coizas no-supremo lug>3 d-qual se-nam-exclue ,deus1 antes se-inclue es5cialm5te4 ,ne/e tam remontado s5tido p]t5do prov>1 e mo/r> oje1 que a gloria de ,m>ia1 comp>ada com a gloria d-mesmo ,deus2 e faz5do da-gloria de ,deus1 e da-gloria de ,m>ia1 duas p>tes2 a melhor p>te1 a de ,m>ia4 ,at aqui o ,pregador4 ,ba/ava a propozisam d-asumto1 p>a prov> o que digo3 mas peso a ,v4 ,p4 um bocad9ho de s(rim5to1 p>a ouvir a expozisam1 e a primeira prova4 ,a9daque a gloria de ,deus1 7diz ele7 inf9itam5te maior1 que a de ,m>ia2 a melhor p>te que pode escolh] uma ma5 1 que a gloria de seu filho seja a maior4 ,como ,m>ia ma5 de ,deus1 e ,deus filho de ,m>ia2 mais se-gloreia a ,s5hora1 de que seu filho goze1 esa inf9idade de gloria1 doque se a gozra em si mesma4 ,e daqui se-segue1 que consid]ada a gloria de ,deus1 e a gloria de ,m>ia1 em duas p>tes2 porque a p>te de ,deus a maxima2 a p>te de ,m>ia a otima4 ,po/o i/o1 prova com ,s5eca1 ,ovidio1 ,plut>co1 e ,claudiano1 que os ,filhos podem v5c] os ,pais1 em b5eficios1 e em gloria3 e que i/o 1 o que mais deve dezej> um ,pai4 ,de que conclue3 ,que se entre a gloria de ,deus1 e de sua ma51 =a a escolha da-mesma ,s5hora1 o que a ,s5hora avia escolh] p>a si 1 que seu ,filho a-exc$se1 e v5cse na mesma gloria2 como v]dadeiram5te a-exc$e e v5ce4 ,despois di/o produz alguns ,padres1 que1 escrev5do a div]sas pesoas1 dezejavam1 que os ,filhos deles exc$esem aos proprios ,pais3 traz outros exemplos da-,escritura2 e conclue com uma prova teologica1 que diz o contr>io1 d-que ele qu] prov>4 ,e/e o s]mam em breve3 no-qual nam p\co1 que obs]v>4 ,primeiram5te o asumto que tira tal1 que se tivese a infelicidade1 de o-prov> direitam5te1 dizia uma erezia4 cauza orror som5te ouvir propolo4 ,a explicasam pior1 que o mesmo asumto4 ,n4 ,s5hora nam podia escolh] uma coiza1 emque nam entra lib]dade3 como 1 s] a gloria de um tal filho maior1 que a da ma53 porque iso era neces>io4 ,teve a ,s5hora lib]dade p>a aceit>1 ou nam aceit>1 o s] ma5 de ,cri/o3 mas nada1 de lib]dade1 sobre a gloria4 ,na supozisam imposivel1 que ,s5hora desem a escolh]1 o tom> p>a si a gloria toda d-,filho2 ou cont5t>-se de t] um filho1 que a-tivese asim2 eu nam sei o que a ,s5hora diria3 nem p]t5ce ao ,pregador1 adv9hlo4 v]osimel1 que a ,s5hora nam deix>ia de escolh] p>a si1 uma gloria de tanta dignidade4 ,mas de supoziso5s imposiveis1 que omem prud5te tir\ jamais1 consequ5cias absolutas8 ,fica logo cl>o1 que aqui nam ouv]am1 duas p>tes de gloria3 entre z quais a da-,ma5 fose maior1 que a d-,filho4 ,e quanto a e/as sutilezas metafizicas1 nam provam1 nem concluem coiza alguma1 qu&o se--de p]suadir1 alguma coiza v]dadeira4 ,quanto prova teologica1 ela tal1 que me-env]gonho saise da-boca1 de quem e/ud\ ,teologia4 ,propoem z palavras de ,s4 ,paulo#ch3 ,non rap9am arbitratus e/1 se esse qualem ,deo3 s$ semetipsum ex9anivit1 =mam s]vi accipi5s1 9 similitud9em hom9um factus1 habitu inv5tus e/ ut homo4 propt] quod ,deus exaltavit illum3 d$it illi nom51 quod e/ supra omne nom54 ,daqui d$uz1 ,que recebeo o ,filho d-,pai1 por-v]dadeira e propria eleisam1 o (icio e dignidade de ,r$emtor d-g5]o ,umano1 faz5do-se juntam5te omem3 e com e/a nova1 e inefavel dignidade1 recebeo um nome sobre todo o nome1 que o nome de ,jezus3 mais sublime e v5]avel1 polo que 1 e polo que significa1 que o mesmo nome de ,deus3 ,9 nom9e ,jesu omne g5u flectatur4 ,recebeo a pote/ade judici>ia3 ,pat] non judicat quemquam3 s$ omne judicium d$it ,filio4 ,recebeo o primeiro trono1 entre z pesoas da-,,ss4 ,tr9dade3 ,dixit ,dom9us ,dom9o meo1 s$e a dextris meis4 ,se pois o ,padre podia tom> tudo i/o p>a si1 porque o-nam-tom\ todo8 por-n5huma outra razam1 s5am porque era filho4444 int5d5do1 que qu&o fosem de seu filho1 entam eram mais suas3 e que mais e melhor z-gozava nele1 que em si mesmo4 ,sam palavras d-,pregador4 ,aplica i/o ,s5hora1 e conclue1 ,que por-iso elegeo a melhor p>te3 ,m>ia optimam p>tem elegit4 ,nam me-qu]o demor> muito ne/e exame1 porque s]a nunca acab>3 direi som5te de pasagem1 que o noso ,pregador com todo e/e discurso desfaz1 quanto p]t5dra mo/r>4 ,conc$amos-lhe tudo de b>ato1 e que o ,filho teve maior gloria que o ,pai4 c4 progunto3 ou daqui se-segue1 que desa maior gloria d-,filho1 rezult\ no-,pai maior gloria1 doque t9ha o ,filho1 ou nam8 ,se rezult\ maior gloria2 ficam desm5tidas todas z provas d-,pregador1 com que qu] mo/r>1 que o ,filho exc$e ao ,pai1 na gloria4 ,se nam rezult\ maior gloria2 nunca se-pode diz]1 que o ,pai escolheo meliorem1 immo optimam p>tem4 p>aque s]ve pois toda aquela ar5ga1 se nam -de prov>1 o que qu]8 ,de toda e/a metafizica pois1 com que o ,pregador en*e o s]mam1 o que se-segue 1 que se-contradiz a si mesmo4 ,mas quem pod] admetir1 z provas d-,pregador1 tomadas lit]alm5te1 como ele z toma8 ,em primeiro lug> falso1 que o ,pai dse ao ,filho1 com propria eleisam som5te sua1 a gr&eza de ,r$emtor3 porque s5do a ,inc>nasam1 obra ad extra1 como lhe-*amam os ,teologos1 todas z trez pesoas com uma unica vontade1 concorrram p>a ela4 ,e i/o nam sam ,teologias exquizitas3 mas os primeiros elem5tos da-,f4 ,polo contr>io1 o noso ,pregador supoem mui di/9tam5te1 que o ,pai t9ha uma vontade1 e o ,filho outra3 porque sem e/a supozisam1 nam corre o argum5to4 ,e semelhante supozisam1 nam sei como os ,qualificadores a-deixram pas>4 ,em-segundo lug> falso1 que o nome de ,jezus seja maior1 que o nome de ,deus4 ,aquele supra omne nom5 nam se-int5de1 compre5d5do o nome de ,deus4 falso1 que o ,pai abjudicase de si1 a pote/ade judici>ia4 falso1 que o ,filho t5ha o primeiro trono1 entre z pesoas da-,,ss4 ,tr9dade4 ,todos aqueles textos1 se-devem int5d]1 com seu gram de sal1 segundo a expozisam dos-antigos ,santos1 e d\tr9a da-,igreja4 falso f9alm5te1 que a gloria d-,filho1 que lhe-rezulta da-r$emsam1 seja maior que a d-,pai4 ,ora tudo i/o era neces>io1 que fose v]dade1 p>aque a p>idade fose boa1 e provse1 o que o ,pregador qu]ia4 ,alguns me-respondram ja1 que z palavras dos-textos mo/ravam1 o que o ,pregador dizia3 e que nos-s]mo5s nam se-deve procur>1 rigor teologico4 ,e/a a cantil5a comua1 de/es apaixonados por-tais s]mo5s4 ,a i/o ja respondi v>ias vezes1 e ne/a mesma c>ta4 ,o que dal se-segue 1 que tais s]mo5s sam trocadilhos de palavras3 e que pram na sup]ficie1 sem pr(und>em o s5tido4 ,semelhantes ni/o a outro s]mam1 que eu li1 em que o autor1 p>a prov> a negrura da-,morte1 trazia o texto3 ,lan>um nigr nullum colorem imbibunt4 como se ba/se alguma semelhansa de palavras1 p>a prov> p5sam5tos graves6 ,tambem falso diz]1 que nos-s]mo5s nam se-deve busc>1 rigor teologico4 ,eu int5do por e/e nome1 v]dade teologica3 e supo/o i/o con/antem5te def5do1 que n5hum s]mam se-deve tol]> entre ,catolicos1 que t5ha propoziso5s contr>ias1 dita v]dade4 ,z ampliaso5s1 z ip]boles1 z delicadezas1 podem t] lug> nas oraso5s3 mas devem s] de outra qualidade1 que z que aponto4 ,eu deixei o s]mam quazi no-fim1 em que avia outro p5sam5to1 bem galante3 mas nam t5ho tempo1 p>a me-demor> tanto1 com e/as coizas4 ,d-que at aqui t5ho dito1 cuido fic> ,v4,p4 p]suadido1 d-que afirmo1 se quiz] t] o trabalho1 de ajunt> z m9has reflexo5s1 com a leitura d-tal s]mam4 99 99 99 ,e/a mat]ia de panegiricos tam ampla1 que s]a neces>io um gr&e volume1 p>a toc> levem5te1 o que lhe-p]t5ce4 ,a*am-se porem outros panegiricos1 que rigorozam5te o-sam1 e eu consid]o divididos1 em v>ias clases4 ,compre5de a primeira aqueles1 que tratam de v>ias aso5s de ,cri/o1 como ,m&ato1 ,sacram5to1 ,resurreisam1 ,ac5sam c4 ,aqui onde os ,pregadores lambicam o +5ho1 p>a diz]em coizas mui s+ul>es3 e aqui onde se-mo/ra1 a qu9ta es5cia de toda a sutileza4 ,aquele1 ,cum dilexisset suos1 9 f9em dilexit3 tem-se espremido de tantas maneiras1 que eu ja nam sei1 que coiza boa pode bot> de si3 e ,pregador conheso eu1 que1 aplic&o o texto a mui dif]5te asumto1 em lug> de preg> de ,cri/o1 preg\ de si4 ,nas provas porem concordam e/es s]mo5s1 com os antec$5tes1 com a unica dif]5sa de mais1 ou m5os4 ,sobre o da-,resurreisam1 ja se-sabe1 que os melhores ,pregadores dizem suas galant>ias1 e nam p\cas p>voices1 improprias daquele lug>1 e da-mat]ia que tratam3 como tambem p\co dec5tes1 a qualqu] outro lug> sezudo4 ,ajunto a e/a1 outra qu9ta especie de s]mo5s1 tambem panegiricos1 que sam os l\vores de algumas obras pias1 como ,publicasam d-,jubileo1 ,obras de ,miz]icordia1 ,prociso5s c4 ,e/es ja sabemos1 que sem pr(ecia nam podem pas>3 porque como ja dise a ,v4 ,p4 muitas vezes1 e/e um pecado nacional de/es paizes1 p>a o qual a9da at aqui1 nam ouve r$emsam4 ,com o que asima dise dos-outros1 pode-se int5d] o que se-deve diz] de/es4 o defeito g]al3 e asim a respo/a sempre a mesma4 ,quanto aos s]mo5s das-,dom+as de ,qu>esma1 e ,miso5s1 devo confes>1 que tem m5os defeitos1 que os outros3 porem sempre cons]vam os es5ciais4 ,tambem neles 7de ,qu>esma7 sutilezas1 asumtos impropriisimos1 pesima dispozisam de provas1 e outras coizas de/as4 ,o que v]dadeiram5te nam poso s(r] 1 que e/es seus ,pregadores ,portuguezes1 procurem s+ul>iz>-se1 com esquipaticos asumtos1 nos-mesmos s]mo5s da-,qu>esma4 ,o ,pregador da-m5han1 dizem que explica o ,evangelho3 o de t>de1 toma um asumto mais g]al1 que di/ribue em s9co ,dom+as1 sem se-sugeit> ao ,evangelho d-dia4 ,aqui pois move a compaixam ouvir1 o que alguns excogitam1 e quanto trabalham p>a descobrir na ,escritura1 um num]o de c9co1 que seja acomodavel1 ao dito asumto4 ,uns1 vam busc>1 z c9co p$ras de ,david3 p>a atir> ao auditorio1 uma seixada espiritual cada ,dom+a4 ,asumto improprio1 e s coiza digna de um m59o1 que nam int5de1 o que eloqu5cia3 s5do c]to1 que dezemp>am logo o seixo1 p>a fal>em em outra mat]ia4 ,outros1 vam busc> no-,c>dial ,ugo1 que afeta s] moral1 e mi/]iozo1 algumas palavras g]ais1 que posam cals> s c9co ,dom+as4 ,tudo i/o sam ar5gas3 mas e/es a9da sam mais tol]aveis4 ,os que eu nam poso s(r] sam1 os que1 sa9do =a d-num]o de c9co1 por-se-qu]]em s+ul>iz> dos outros1 tomam ideias mais improprias4 ,tal foi um ,pregador de boa fama1 que ouvi1 o qual tom\ por-asumto1 explic> o ,racional de ,aram1 ou aquele pano que trazia o ,sumo ,sac]dote dos-,ebreos1 no-peito1 em dias de funsam1 com doze p$ras preciozas cravadas1 em que e/avam esculpidos1 os nomes das-doze tribus4 ,e/e titulo de s]mam agrad\ muito1 aos que tem o juizo nos-cotovelos1 que sam os mais4 ,concorri eu tambem1 p>a ouvir o s]mam1 porque cazualm5te naquele dia1 a*ava-me na dita ,cidade3 e como ja se-falava muito nas tais ,dom+as1 que =am pregadas em outra p>te1 fui ouvir1 que asumto tirava d-,racional3 e como acomodava z doze p$ras1 com z c9co ,dom+as4 ,com efeito o meu bom ,pregador1 escolheo entre z p$ras1 z que lhe p>ecram1 e regeit\ z outras4 ,galante modo de explic>1 o ,racional de ,aram6 ,d-s]mam nada digo1 porque a coiza fala de si4 ,sa9do eu p>a =a1 incontrei um ,religiozo da-,companhia meu amigo1 e um dos-om5s de melhor juizo1 que eu t5ho c vi/o2 o qual ap]t&o-me a mam1 me-dise3 ,amigo1 o ,racional uma pe/e3 o pobre ,aram nam esp]ava1 que o-tratasem tam mal3 e concluio diz5do1 que tudo aquilo era uma p>voise4 ,com efeito eu nam a*o1 que proporsam t5ha uma coiza1 com outra3 ou p>a que ei-de ir busc> um titulo1 que nada tem que faz]1 com o s]mam4 ,nam sei como e/es ,pregadores +5hozos1 nam tem buscado1 os c9co escudos das-armas de ,portugal1 ou z c9co qu9as3 em que se-podia diz]1 muita coiza boa4 ,nam sei como nam se-tem apegado1 s c9co torres de ,lisboa1 a de ,s4,giam1 d-,bugio1 de ,belem1 a ,torre ,velha1 e o ,=te da-caza da-,india3 daqui podiam sair muitos tiros espirituais1 e se-podia diz]1 muita coiza bonita4 ,nam sei como nam explicam1 os c9co d$os da-mam1 e mil outras coizas1 que se-podem compre5d]1 debaixo de/a ideia de c9co4 ,mas1 a fal> a v]dade1 tudo i/o sam rapaziadas3 e os que procuram e/es asumtos1 nam sabem o seu (icio1 nem de que cor 1 preg>4 ,eu int5do que o ,pregador de t>de1 deve tir> d-,evangelho1 um asumto proprio p>a o auditorio4 ,nem me-digam1 que o de m5han ja explic\ o ,evangelho4 os que asim falam1 nam sabem que coiza ,escritura4 ,o mesmo ,evangelho1 pode d> inf9itos asumtos4 ,nam neces>io1 que todos se-sirvam das-mesmas palavras3 podem-se escolh] outras3 procur> os ,,ss4 ,padres1 e tir> um asumto proprio3 p>a iso s]vem os ,expozitores4 ,na qu9ta ,dom+a de ,qu>esma1 todos se-s]vem das-palavras3 ,se ,v]itatem dico vobis c e pregam da-,v]dade em g]al4 ,um omem que eu conheci1 preg&o em um ,conv5to de ,freiras1 tom\ z ultimas palavras3 ,tul]unt ergo lapides ut jac]5t 9 eum4 ,jesus autem abscondit se1 exivit de templo4 ,daqui tir\ e/e asumto3 ,que ,cri/o ne/a zm quiz]a ens9>-nos1 com quanta dilig5cia devemos fugir1 de pr(an> os ,templos4 porque nam s se-escondeo ,cri/o3 mas fugio4 ,com a primeira zm1 evitava a pr(anasam com a obra1 imp$9do a morte3 com o sair1 evitava a pr(anasam com a int5sam1 fug9do da-prez5sa de om5s2 que a9da cons]vavam os dezejos1 de o-pr(an>4 ,acomod\ i/o ao int5to1 mo/r&o1 quanto ,deus abom9ava1 a pr(anasam dos-,templos4 ,nam avia asumto mais proprio1 ao lug>3 porque nam avia lug> mais pr(anado com aso5s1 e int5so5s pecam9ozas4 ,e/e era um asumto novo3 nam sutil1 e ridiculo2 mas v]dadeiro1 e mui proprio3 ,e i/o *ama-se preg>3 o mais1 fal> de alto4 ,quem tem +5ho1 e leitura1 pode tir> inf9itos asumtos1 d-mesmo ,evangelho1 acomodados ao seu cazo4 ,mas qu&o o ,pregador nam quizese1 s]vir-se d-,evangelho1 p\co import>ia3 ba/ava que escolhese um ,vicio1 p>a o-cond5>1 em cada ,dom+a1 digo dos-que mais re9am naquela ,cidade4 ,porque os s]mo5s de ,qu>esma1 sam rigoroza misam3 e se-deve busc>1 argum5to proprio p>a i/o4 ,qu]o a9da conc$]1 que cada um de/es c9co s]mo5s1 deva t] relasam1 com os outros1 e compor um corpo de d\tr9a3 digo a9da ne/e cazo1 que fcil a um omem de juizo1 busc> um argum5to natural1 e solido1 que se-posa dividir em c9co p>tes2 p>a explic> cada p>te1 em sua t>de3 ,sem diz] ridicul>ias e sutilezas2 mas coizas1 v]dadeiras1 utis1 e graves3 e aplic&o sempre o s]mam1 necesidade d-auditorio4 ,e/e o defeito g]al1 da-maior p>te de/es ,pregadores1 que comum5te se-s]vem de ideias g]ais1 que nam calsam bem ao auditorio2 e de que nam se-tira fruto algum3 pois tam ridiculo 1 fal&o a om5s d\tos1 qu]]-lhe explic>1 z pesoas da-,tr9dade c4 como fal&o a pesoas ignorantes1 s]vir-se de ideias especulativas2 ou1 fal&o s ,freiras1 preg> da-politica de ,ma*iavelo1 e aos ,ru/icos1 d-,pr9cipium quo 9 div9is3 da-,exi/5cia def9itiva e circunscritiva na ,euc>i/ia c4 como eu ja ouvi a alguns pregadores1 e me/res4 ,a i/o *ama-se1 nam sab] o decoro1 qu]o diz]1 nam sab] trat> a mat]ia1 nem aplic> os argum5tos aos ouv9tes3 coiza que cond5am os ,retoricos#ci4 ,tambem notei em c]tos ,pregadores1 alem dos-ditos1 c]tos defeitos1 que nam sam de pequ5a consid]asam4 ,om5s 1 que aplicam os s]mo5s1 s suas p>ticul>es int5so5s2 e em lug> de preg>em1 d-que devem1 pregam de si3 ,e como o tema nam d p>a i/o1 dezempram logo o asumto1 p>a met]em outros p5sam5tos mui alheios3 e qu]5do diz] tudo1 nam dizem coiza que valha4 ,alguns1 desp$em-se no-s]mam1 das-pesoas suas conhecidas3 99 99 99 outros1 fazem satira aos ,prelados1 ou ao gov]no politico da-,cidade c4 ou1 a pesoas p>ticul>es1 ou aos seus mesmos ouv9tes4 ,e ne/e ultimo ponto1 nam s caiem os ignorantes1 mas pola maior p>te1 os de maior d\tr9a1 e prezumsam3 e por iso s vezes z provas1 sam tam arra/adas1 que uma pi$ade ouvilos4 ,eu qu]o conc$] de b>ato1 que seja v]dade o que dizem3 mas nam aquele o seu lug>3 e sempre tem promto o argum5to3 ,v4 ,p4 foi *amado p>a preg> di/o1 e nam daquilo4 ,e/e nam pequ5o defeito de ,retorica3 pois ali5> os animos dos-ouv9tes3 de que se-segue1 nam se-pod] obt] a p]suazam4 ,e/es sam os defeitos mais g]ais1 mas comuns1 de todos e/es seus ,pregadores4 ,dos-quais se-conclue cl>am5te1 que lhes-falta a pr9cipal p>te da-,retorica1 que a ,inv5sam3 da-qual falta nacem1 todos os outros defeitos1 que imp$em o bom go/o da-eloqu5cia4 ,criados desde a primeira mocidade1 com aquele pesimo e/ilo1 de busc> conceitos exquizitos1 e dividir a orasam em tantas p>tes1 quantos eles sam2 p]dem os melhores argum5tos1 que lhe-d>iam mat]ia1 p>a tec] uma orasam cont9uada2 que p]suadise o auditorio1 e fose digna de se-ouvir4 ,nam reprovo z divizo5s1 qu&o sam neces>ias1 e a mat]ia z-p$e3 reprovo sim muito1 o acomod> a mat]ia s divizo5s1 p>a faz] a co/umada trepesa4 ,de/a falta1 de nam sab] busc> z provas1 nace a segunda1 e tam importante1 da-,dispozisam4 ,pois nam t5do argum5tos proprios1 nam podem dispolos em maneira1 que =mem uma orasam unida3 na qual o exordio1 ou seja unido1 ou sep>ado1 =me um p]feito corpo com o todo3 e em que z p>tes obs]vem1 a sua ju/a proporsam1 e tal1 que umas sirvam de acl>> z outras3 e conduzam p>a o fim1 de p]suadir o que se-qu]4 ,de/a mesma falta nace1 a da-,locusam3 s5do c]to1 que quem nam a*a um argum5to1 acomodado ao que qu]1 mas vai busc&o sutilezas2 nam incontra com palavras proprias1 p>a expremir um p5sam5to sezudo1 e nobre3 nem a*a aquelas que sam neces>ias1 p>a orn> com armonia os p5sam5tos2 desorteque fasam uma orasam armonioza1 e agradavel1 sem s] afetada3 o que nam tem p\ca dificuldade#dj4 ,de que vem1 que comum5te en*em o discurso1 de mil tropos e figuras1 fra d-seu lug>2 que mo/ram1 o p\co tal5to d-,pregador1 e a ignorancia1 da-sua propria l+ua4 ,nace daqui tambem1 nam sab] escrev] uma c>ta1 ou =m> qualqu] outro discurso1 que posa p]suadir4 ,f9alm5te nace1 o nam sab] discorr] com propri$ade1 em mat]ia alguma4 ,leia ,v4 ,p4 z c>tas que se-a*am de ,frei ,p$ro de ,s1 e ,frei ,lucas de ,santa ,cat>9a1 e outros semelhantes3 leia os seus discursos3 e v]1 que c>tas1 oraso5s1 s]mo5s c4 tudo o mesmo4 ,nam se-a*a mais1 que equivocos1 palavras sem significado1 p5sam5tos inv]osimeis1 enc>ecim5tos inauditos1 em uma palavra1 uma l+ua nova1 que s]ve p>a toda a sorte de asumtos1 sem di/9sam4 ,os ignorantes go/am muito di/o1 e copeiam e/a sorte de papeis1 com todo o cuidado1 e acumulam quantos podem3 mas os que v]dadeiram5te int5dem a mat]ia1 nam podem m5os que rir-se1 de tais escritos2 dos-quais toda a alma cri/an deve fugir1 como contr>ios1 boa eloqu5cia4 ,a razam de tudo i/o a mesma3 porque quem bebe aquele e/ilo1 de sutilezas1 afetaso5s1 e s+ul>idades2 nam sabe di/+uir os e/ilos1 proprios dos-div]sos argum5tos1 que se-lhe-(]ecem3 e asim nam sabe1 nem pode faz] coiza boa1 nem *eg> a p]suadir n+uem4 uma prova manife/a di/o1 a inf9ita di/ancia que eles poem1 entre s]mam funebres na ,igreja1 e orasam funebre na ,academia4 ,ne/a nam tema3 comum5te nam divizam de pontos3 nam textos da-,escritura3 m5os sutilezas3 e a*a-se um discurso cont9uado1 a9da-que *eio de mil impropri$ades1 e ridiculos enc>ecim5tos3 ,no-outro a*a-se tudo o contr>io4 ,de que provm e/a gr&e mudansa8 eu o-direi3 ,de nam sab]1 o que ,retorica3 porque os preceitos em ambas z p>tes1 sam os mesmos4 ,no-pulpito1 poso uz> de mais zm d-corpo2 e anim> com a voz o discurso3 na-academia recito com mais br&ura4 ,mas o papel em ambas z p>tes o mesmo3 e doque se-faz na academia1 podiam eles inf]ir1 o que devem faz] no-pulpito4 ,porem aqui me-p>ece1 que ouso diz] a ,v4 ,p4 que ja que apontei os defeitos1 aponte o modo de os-em5d>4 ,mas i/o2 ,p4 muito rev]5do1 nam negocio que se-posa faz]1 com tanta brevidade1 pois p$iria um tratado inteiro4 ,o que t5ho dito1 ba/ava p>a um omem de juizo3 e a lisam dos-bons autores1 complet>ia tudo4 ,contudoiso1 p>a ob$ec] a ,v4 ,p4 nam deix>ei de faz] alguma reflexam1 adqu]ida p>te com a lisam dos-outros1 p>te com a m9ha propria exp]i5cia1 e reflexam3 z quais ,v4 ,p4 aplic>1 aos cazos p>ticul>es4 ,mas como i/o p$e mais tempo1 qu]o rez]vlo p>a outra c>ta3 e acabo e/a1 com p$ir a ,v4 ,p41 me-cons]ve na sua grasa4 ,deus gu>de c4 ,illu/rao ,,notas ,,de ,,rodap3 #cj ,quia nonnulli ,sacr>um scriptur>um v]ba s5t5tias1 ad pr(ana quque detorqu5t2 ad scurrilia1 scilicet1 fabulosa1 vana1 adulationes1 detractiones1 sup]/itiones1 impias diabolicas incantationes1 div9ationes1 sortes1 libellos etiam famosos3 ad toll5dam bujusmodi irrev]5tiam1 prohibet ,s4 ,synodus1 ne quisquam quomodolibet v]ba scriptur ,sacr ad hc1 similia audeat usurp>e3 atque bujusmodi tem]atores violatores v]bi ,dei1 juris arbitrii pnis p] ,episcopos co]ceantur4 ,trid5t4 ,sess4 ,i4 #ca ,diodor4 ,sic4 l4 #a4 sect4#b4 #cb ,exodi ,,xiii4 #ah4 #cc #cd ,rup]t4 9 ,johann4 ,i4 ,to/at4 9 ,mat?4 ,x4 ,jans54 ,alapide ,h>m4 9 ,johann4 ,i4 c4 #ce ,aug4 9 ,johann4 ,homil4 #g4 9 ,ps4 #fe4 #cf ,9 ,job4 ,,xxxii4 #ae4 #cg ,,xxi4 #be4 #ch ,ad ,philipp4 ,,ii4 #f4 #ci ,e/ autem quid deceat oratori vid5dum1 non 9 s5t5tiis solum1 s$ etiam 9 v]bis4 ,non enim omnis =tuna1 non omnis honos1 non omnis auctoritas1 non omnis tas1 nec v]o locus1 aut tempus1 aut auditor omnis1 eodem aut v]borum g5]e tract&us e/1 aut s5t5ti>um3 semp]que 9 omni p>te orationis1 ut vit1 quid deceat1 e/ consid]&um3 quod 9 re de qua agitur positum e/ 9 p]sonis eorum1 qui dicunt1 eorum1 qui audiunt 4 ,cic]4 ,orat4 num4 #ba4 #dj ,atque illud primum videamus1 quale sit1 quod vel maxime desid]at dilig5tiam1 ut fiat quasi /ructura qudam1 7v]borum7 nec tam5 fiat op]ose3 nam esset cum inf9itus1 tum pu]ilis labor4 ,cic]4 ,orat4 num4 #dd4 ,illu/rao ,,c>ta ,,sexta4 ,,sum>io4 ,cont9ua-se a mesma mat]ia da-,retorica4 ,fazem-se algumas reflexo5s1 sobre o que v]dadeira ,retorica1 e origem dela4 ,que coiza sejam figuras1 e como devemos uz> delas4 ,div]sidade dos-e/ilos1 e modo de os-pratic>3 e vicios dos-que os-nam-admitem1 e praticam4 ,qual seja o metodo de p]suadir4 ,qual o metodo dos-panegiricos1 e outros s]mo5s4 ,como se-deve ens9> ,retorica aos rapazes1 e a9da aos me/res4 ,algumas reflexo5s1 sobre z obras d-,p4 ,antonio ,vieira4 ,nam int5da ,v4 ,p4 que ei-de falt> promesa3 pois nam s com promtidam1 mas com muito go/o execut>ei ne/a c>ta1 o que prometi na ultima3 e direi o como se-devem int5d]1 z coizas que dise1 p>a em5d> os defeitos1 que ne/es ,retoricos vulg>es s'incontram3 e que eu apontei na c>ta pasada4 ,digo pois1 que o primeiro1 e mais importante ponto que deve adv]tir1 quem qu] =m>1 o bom go/o lit]>io1 1 fugir totalm5te de/as ,retoricas comuas1 nam s manuscritas1 mas tambem impresas4 ,e/\ p]suadido1 que elas sam a primeira ru9a dos-e/udos3 porque inspiram mui maos pr9cipios1 e nam ens9am o que devem4 ,ouso l\v> muito ne/es pazes1 o ,c&idatus ,rhetoric d-,p4 ,pomei1 o ,ariadne ,rhetorum d-,jugl> c4 e me/res conheso eu1 que nam tem mais noticia da-,retorica1 que a que d o dito livro1 ou outro semelhante4 ,i/o porem m]a iluzam3 porque p>a nam sab] nada1 nam melhores livros1 que os ditos4 ,e/es1 e outros tais autores1 fazem uma enum]asam das-p>tes da-,retorica1 mui seca e desc>nada4 propoem mil que/o5s1 e nam rezolvem n5huma bem4 todo o livro consi/e em divizo5s1 e subdivizo5s1 que enfadam antes de s'int5d]em4 ,mas o pior 1 qu&o ens9am a s]vir-se1 dos-lug>es ,retoricos3 qu&o mo/ram os div]sos modos1 de ampli> um argum5to3 dizem mil coizas inutis1 e que mais facilm5te s'apr5dem1 l5do os bons autores1 que e/ud&o z tais obs]vaso5s4 ,e/e em c>ne o defeito1 em que caiem os ,logicos ,p]ipateticos1 qu&o se-dilatam muito1 sobre a frma silogi/ica1 e ponte dos-asnos3 despois de diz]em muito1 sam obrigados a reconhec]1 que nada daquilo s]ve1 p>a coiza alguma3 e que na pratica d-argum5t>1 nam s sam inutis1 mas at imposiveis z tais regras4 ,nam a*ei at aqui ,p]ipatetico algum1 que1 dev5do em algum ato publico1 prov> de rep5te alguma propozisam1 que lhe-duvidasem2 se-s]vise de tal metodo3 nem m5os a*ei omem algum1 que1 s5am int5deo1 e e/ud\ bem a mat]ia1 que -de trat>2 s]v9do-se unicam5te dos-lug>es ,retoricos1 fizese coiza capaz4 ,*ama-se p]d] inutilm5te o seu tempo1 qu]] ens9> todas aquelas ar5gas3 das-quais unicam5te rezulta1 a desvanecida op9iam de uma ci5cia1 que nam tem4 ,os rapazes que e/udram aquilo1 p]suadem-se1 que sam ,retoricos da-primeira esf]a3 que podem1 com a ajuda de quatro adjetivos e s9onimos1 e quatro descriso5s afetadisimas1 ar5g> de rep5te1 em qualqu] mat]ia4 ,int5dem1 que nam orasam1 que nam obs]ve a dispozisam1 que eles lem na sua ,retorica4 julgam1 que nam discurso oratorio1 sem todas aquelas mex](adas4 ,f9alm5te1 como nam lhe-explicam1 o v]dadeiro uzo da-,retorica1 e artificio da-v]dadeira eloqu5cia2 p]suadem-se1 que s nos-discursos academicos1 tem ela lug>4 ,de que nace1 que despois de p]d]em bem tempo nas escolas1 a que *amam de ,retorica1 ficam totalm5te ignorantes dela4 ,i/o supo/o1 neces>io de/]r> uma1 e admetir outra sorte de ,retorica4 ,ja as5tamos1 que a ,retorica deve s] em ,portuguez1 p>a os que nacram em ,portugal3 porque1 asim s'int5dem os preceitos3 e na sua mesma l+ua se-mo/ram1 os exemplos4 ,nam avemos de c>reg> os rapazes1 com dois pezos3 int5d] a l+ua1 e int5d] a ,retorica3 tambem nam avemos f+ir os ,om5s1 como nam sam2 imag9&o rapazes mui agudos1 e esp]tos4 ,tudo i/o iluzam4 ,os rapazes sam de div]sas capacidades3 e muitos sam rudes4 comum5te apr5dem ,retorica1 qu&o a9da nam int5dem bem ,latim4 ,e asim1 neces>io fal>-lhe em ,portuguez3 muito mais1 porque ou queiram s] ,pregadores1 ou ,advogados1 ou ,i/oricos c4 tudo i/o se-faz c em ,portuguez3 e l\cura ens9> em ,latim uma coiza1 que pola maior p>te1 se -de execut>1 em ,vulg>4 ,e/a a primeira regra d-,metodo1 facilit> a intelig5cia4 ,nam t5ho at aqui vi/o1 7pode s] que aja7 ,retorica ,portugueza impresa4 ,c]to sugeito mo/r\-me tempos1 alguns apontam5tos que fiz]a3 mas nam m]eciam o nome de ,retorica4 t5ho vi/o v>ios livros de conceitos3 mas nam era coiza1 que m]ecese l]-se4 ,sei porem1 que atualm5te se-copeia1 uma ,retorica ,portugueza1 que me-p>ece propria p>a =m>1 o bom go/o da-,eloqu5cia4 ,um amigo meu mui p>ticul> a-compoz1 p>a uzo seu4 p$io-me noticia1 dos-melhores autores ne/a mat]ia3 e deles copi\1 o que conconduzia1 p>a o seu int5to4 uz\ comigo a amizade1 de consult>-me na dispozisam dela4 teve a mod]asam de ouvir1 e nam desprez>1 z m9has reflexo5s4 cuido que felizm5te conseguio1 o seu int5to3 devo faz] e/a ju/isa1 sua gr&e capacidade4 ,nam sei1 se a-det]m9a divulg>3 o que se pud] s]1 procur>ei de a-comunic> a ,v4 ,p4 seguro1 de que nam lhe-dezagrad>4 ,mas1 torn&o ao fio das-m9has reflexo5s3 ,ja dise ao pr9cipio1 que s5do a ,retorica1 arte de p]suadir1 t9ha lug> em todo o discurso1 que seja pr(]ido com e/e fim4 ,doque se-segue1 que a ,retorica tem tanta ext5sam1 quanta qualqu] l+ua3 o que muitos nam int5dem1 a9da dos-que lem z ,retoricas4 ,p>ece p>adoxo a muitos1 de/es enf>9hados nos-e/udos1 diz]-se1 que n'uma c>ta1 que escrita com e/ilo simplez2 n'uma ,poezia1 na ,i/oria1 e n'um discurso famili> c4 deve t] lug> a ,retorica4 ,e i/o provm de int5d]em1 que a ,retorica consi/e1 em figuras mui dezuzadas1 tropos mui e/udados c4 e asim p>ece-lhe1 que nam se-caza uma coiza com outra4 ,mas por-p\co que e/es tais1 exam9asem a mat]ia2 conhec]iam1 que tudo se-deve tom>1 em div]so s5tido4 ,nam l+ua ne/e mundo1 tam fecunda de palavras1 que posa expremir1 todas z ideias d-int5dim5to3 ,a fecundidade que tem a m5te1 em =m> conceitos1 e a facilidade com que de uma mesma coiza1 frma inf9itas ideias1 tal2 que pode empobrec]1 todas z l+uas d-mundo4 ,s]iam neces>ias muitas palavras1 p>a um omem pod] diz] s(rivelm5te1 o que int5de4 ,mas i/o p$iria tempo inf9ito1 e o com]cio umano se-f>ia insoportavel4 ,conhecram os ,om5s muito bem i/o1 e cuidram em lhe-pr o rem$io4 ,daqui naceo a necesidade de s]vir-se1 de algum modo de expremir1 que1 a9daque nam diga tudo1 excite div]sas ideias no-int5dim5to1 e p\pe o trabalho1 de pr(]ir muitas palavras4 ,a exp]i5cia mo/r\1 que z nosas ideias tem uma c]ta uniam1 com que mutuam5te se-ajudam3 pr(]ida uma das-quais1 todas z outras se-aprez5tam4 ,i/o asim po/o1 os ,om5s s\b]am aproveit>-se1 de/a exp]i5cia2 e comesram a s]vir-se de um nome por-outro1 p>a pod] excit> a ideia1 d-que qu]iam4 ,um nome que significava uma coiza1 aplic\-se p>a signific> outra2 e se-transport\ da-sua significasam propria p>a outra1 por-cauza de c]to respeito1 ou relasm1 ou ordem1 ou nexo1 que uma coiza tem com outra4 ,a i/o *amram ,tropo1 palavra ,grega1 que significa transpozisam3 e e/es modos de fal>1 *amram-se ,figuras3 z quais podem s] inf9itas3 mas os ,retoricos z-r$uzram a pequ5o num]o1 cont&o z mais uzuais3 e de/as se-faz memoria1 nas comuas ,retoricas1 com div]sos nomes4 ,e/es ,tropos1 ,meta=as1 ou ,metonimias1 que significam o mesmo1 tem gr&e uzo1 e sam neces>ias em todas z l+uas1 e ornam muito3 nam s porque encurtam o discurso1 e fazem mais go/oza a conv]sasam2 mas tambem porque exprimem melhor1 o que se-qu] diz]1 doque outras palavras4 ,diz mais s vezes1 uma s meta=a1 que um longo discurso3 e com uma s palavra1 mais bem int5dido um omem1 doque com a fecundidade de inf9itas4 ,quem ouve diz]1 que ,alex&re era um raio da-gu]ra2 a ideia d-raio1 que uma coiza s5sivel1 exprime bem o gr&e pod]1 com que e/e omem sugeitava tudo3 a velocidade das-suas conqui/as3 o eco das-suas vitorias2 que atroava tudo1 e a9da z mais remotas ,naso5s4 ,e/e ju/am5te o c>at] de ,alex&re3 como ja a ,escritura t9ha del9eado4 ,uma s ideia excita mil outras1 ao int5to4 ,e como os ,om5s e/am aco/umados1 a e/as imag5s s5siveis2 os tropos que delas se d$uzem1 valem inf9ito4 ,ap5as o comum dos-,om5s pode int5d]1 e julg> de outra sorte4 ,sam boas1 asim 3 mas o uzo que z-faz racionaveis3 qu]o diz]1 que se-devem uz> em tempo1 e lug> proprio1 e qu&o o discurso o-p$e4 ,o que nam adv]t9do os ignorantes1 s]vem-se p\co sabiam5te das-,figuras2 e com muito e/udo1 falam bem mal4 ,nam maior beleza em uma c>a1 que os olhos3 mas se um ro/o nacse com mais de dois2 se *egse a t] meia duzia1 s]a um mon/ro4 ,deve av] figuras3 mas -de av] proporsam1 eleisam1 dispozisam3 ou seja no-discurso famili>1 ou na ,i/oria1 ou na ,cadeira4 ,e/e o gr&e segr$o d-fal> bem3 o qual como muitos1 segundo adv]ti1 nam *egam a p5etr>1 qu&o ouvem fal> em ,tropos1 tremem de ps e cabesa3 e p]suadem-se1 que algum enima s+ul>isimo1 rez]vado p>a algum ato publico1 ou coiza semelhante4 ,como z palavras sam z que significam1 o que pasa d5tro d'alma1 ouve necesidade de procur> palavras1 p>a expremir1 nam s o que a alma conhece1 mas tambem o que qu]2 ao que *amamos1 afetos da-alma1 ou paixo5s4 ,o ,omem nem sempre se-a*a1 na mesma dispozisam de animo3 mas esporiado de alguma coiza1 saie fra de si1 e entam fala de outra maneira1 mui dif]5te4 ,z expreso5s com que se decl>a i/o1 se-*amam ,figuras2 com a dif]5sa1 que os ,tropos sam figuras das-vozes3 e e/as que aqui digo1 sam figuras d-animo4 incrivel1 a div]sidade de/as vozes d-animo4 ,um omem agitado1 nam s no-ext]ior d-ro/o1 mo/ra a sua p]turbasam1 mas tambem no-modo d-seu discurso4 ,z paixo5s viol5tas1 alt]am a bela armonia dos-umores3 engrosam os objetos3 imp$em que a alma d a devida at5sam1 ao que julga3 no-mesmo in/ante a-transportam1 de uma coiza p>a outra3 sam como o m> alt]ado1 que joga a pela com um navio4 ,onde1 agitadas com tanta confuzam1 z fibras d-c]ebro1 a alma1 que em virtude daquela armonioza dep5d5cia1 que e/ableceo ,deus entre ela e o corpo2 deve conhec] todas z imag5s1 que elas lhe-prez5tam2 nam tem1 se me- licito explic> asim1 rep\zo algum4 ,a alma agitada1 imprime novo movim5to nas fibras1 e e/as na ma*9a3 de que nacem z palavras3 com z quais d&o-se dezafogo ira1 que moveo a ma*9a1 se-d tambem rep\zo1 alma4 ,s5do pois z nosas palavras1 consequ5cias dos-movim5tos d'alma1 e conrespond5do p]feitam5te1 aos nosos p5sam5tos2 cl>o1 que o discurso de um omem1 que e/ sumam5te agitado1 deve s] dezigual4 ,algumas vezes p>ece e/e omem difuzo1 e frma uma exata p9tura1 das-coizas que sam objeto1 da-sua paixam3 e cuid&o que o-nam-int5dem bem1 repete a mesma coiza1 em cem dif]5tes maneiras4 ,algumas vezes int]rompe o discurso1 e sepra z palavras umas das-outras1 diz5do de uma s vez1 ba/antes coizas4 ,muitas vezes v>eia o discurso1 com mil proguntas1 com exclamaso5s1 com frequ5tisimas digreso5s4 ,f9alm5te um discurso de/es v>eia-se1 com inf9itos modos de fal>3 os quais modos sam tam proprios1 daquelas paixo5s d'onde nacem1 que1 ouv9do-os pr(]ir1 fica um omem =m&o1 ju/a-ideia da-paixam4 ,e/as pois sam z tanto celebres ,figuras d-animo3 z quais n5huma outra coiza sam mais1 que modos de fal> p>ticul>es1 e dif]5tes dos-modos de fal> natural e uzual4 ,e/as ,figuras1 que sam z naturais p9turas das-paixo5s1 sam sumam5te utis1 e neces>ias no-com]cio umano4 ,um p9tor famozo1 7dise um gr&e ,retorico1 de quem eu aqui sigo z pizadas7 que qu] del9e> um pa9el i/oriado1 nam s p9ta z figuras1 que devem intr> no-quadro2 mas procura1 que cada uma e/eja naquele ato1 que exprima1 o p>aque ele ali a-poem3 nem s i/o1 mas at no-ro/o lhe-p9ta1 aqueles acid5tes1 que d5otam a paixam1 de que sam produzidos4 ,explico-me melhor4 ,um omem agitado1 e alt]ado com a col]a1 nam tem o ro/o s]5o2 mas fica palido3 abre uns olhos1 que p>ecem *eios de fogo3 c>rega a vizeira3 f9alm5te mo/ra no-ro/o mil acid5tes1 que sam os c>at]es da-,col]a4 ,i/o pois o que procura imit>1 o p9tor3 e se *ega a imitlo bem1 s e/e o bom p9tor4 ,o ,retorico nam tem cores1 com que imit> a natureza1 como o p9tor3 mas tem palavras1 p>a imit> aquelas1 que pr(]e um omem dom9ado da-paixam1 que ele qu] p]suadir3 e como e/as paixo5s t5ham1 dif]5tes c>at]es2 neces>io que se-sirva de dif]5tes figuras1 p>a z-expremir#da4 ,alem di/o1 n+uem pode p]suadir outro1 sem que excite nele aquela paixam1 que lhe qu] p]suadir3 porque z paixo5s sam os in/rum5tos2 e1 p>a me-s]vir de uma expresam filoz(ica1 z ma*9as que abalam a alma1 e a-incl9am p>a onde qu]em4 ,ora p>a excit> e/as paixo5s nos-outros1 neces>io1 que um omem se-mo/re dom9ado1 da-mesma paixam3#db porque1 supo/a aquela p>ticul> dispozisam1 e semelhansa dos-nosos corpos1 deixamo-nos p]suadir daquela paixam1 que vemos nos-outros3 dos-mesmos s5tim5tos3 dos-mesmos afetos3 se nam se-a*a algum ob/aculo1 que empesa o curso da-natureza4 ,naturalm5te incl9amos a t] compaixam1 de uma pesoa1 que mo/ra e/> sumam5te aflita3 rimos qu&o nos-a*amos1 em um gr&e div]tim5to dos-s5tidos4 ,polo contr>io1 nam *oramos1 nem mo/ramos compaixam1 de uma pesoa que ri2 a9daque v]dadeiram5te seja miz]avel4 neces>io t] um animo mui nobre1 p>a se-ve/ir dos-s5tim5tos1 e necesidades dos-outros1 semque lhas-exponham4 ,nam obram os ,om5s comum5te asim3 obram porem asim1 qu&o recebem o movim5to1 d-impulso das-paixo5s4 ,e/a a simpatia das-paixo5s3 7se acazo tal voz1 significa coiza alguma7 e daqui se-mo/ra bem1 a necesidade das-,figuras1 p>a efeito de p]suadir4 ,nam me-cans>ei1 em d> o num]o das-,figuras1 e explic> o que significam1 e qu&o se uza delas4 ,di/o abundam muito1 z ,retoricas ord9>ias3 a9daque sam p\cas1 que o-expliquem de um modo1 que se-posa p]ceb]4 ,z ,figuras sam inf9itas3 mas os ,retoricos r$uzem-nas1 a umas c]tas regras g]ais1 e-mais comuas4 ,direi som5te1 que e/as ,figuras1 sam z v]dadeiras1 armas da-alma1 com que ela faz gu]ra s outras almas2 ou v5ce1 ou v5cida3 e produzem juntam5te mil outros efeitos4 ,primeiram5te1 elas decl>am aquelas v]dades1 que sam oscuras2 e excitam nos-,om5s a at5sam1 p>a z-p]ceb]4 ,aquela gr&e repetisam1 aqueles muitos s9onimos1 nam sam inutis na ,retorica#dc3 antes sam de inf9ito preso3 porque mo/ram o que se-p]t5de em tanta luz1 e de tantas p>tes2 que imposivel o-ignorlo3 imprimem com tanta =sa uma v]dade1 descobrem todas z circun/ancias com tanta cl>eza2 que imposivel nam admetilas4 ,mas no-mesmo tempo e/as ,figuras1 se sam bem naturais1 e se p9tam bem a origem de que nacem2 movem de tal sorte a alma1 que a-arra/am e conduzem1 p>a aquele objeto1 de que se-fez a imagem#dd4 ,e como a alma nam pode v] uma v]dade cl>a1 sem a-receb]2 daqui nace1 que por-=sa admite o objeto1 e cons5te3 e temos o omem p]suadido4 ,e/as sam z ,figuras1 que sam a baze da-,eloqu5cia4 ,mas nam int5da ,v4 ,p4 que eu qu]o p]suadir indif]5tem5te1 toda a sorte de ,figuras1 e uzo delas3 e/\ mui longe diso1 e def5do con/antem5te1 que s no-bom uzo delas1 que e/ a ,eloqu5cia1 pr9cipalm5te sublime4 ,i/o o que eu dezejra refletisem comigo algumas pesoas1 que1 por-nam-adv]tirem e/e importante ponto1 dam luz p>tos mon/ruozos4 ,se z nosas paixo5s sam mal ord5adas2 se nam se-excitam qu&o deve s]2 coiza cl>a1 que z ,figuras s s]virm1 de p9t> a confuzam das-nosas ideias1 e a p\ca eleisam d-noso juizo4 ,um omem que s'enfada qu&o nam deve2 que em um discurso placido1 introduz mil ,figuras =tes2 que progunta2 que responde2 que exclama2 e mo/ra gr&e paixam1 a9daque nam aja de p]suadir1 ou disput> com alguem3 um v]dadeiro l\co1 que guiado1 da-sua de/emp]ada imag9asam1 empunha a espada1 p>a combat] com um inimigo imag9>io4 ,pois e/e o retrato de muitos autores1 que julgam nam s]em bons escritores1 se nam uzam de todas z sutilezas d'arte3 ,semelhantes ni/o a um omem de ,prov9cia1 com que eu jantei uma vez1 que p>a mo/r> que tiv]a boa educasam1 comia z uvas com o g>fo4 ,outros1 que devem p]suadir1 e tem mat]ia p>a empreg>1 boa ,retorica2 s e/udam palavras1 que t5ham cad5cia armonioza1 mas tam afetada1 que pola maior p>te deg5]a em v]so4 ,fazem mil reflexo5s inutilisimas3 procuram fal> sempre por-s5t5sas3 cuidam em introduzir conceitos sutis1 e divizo5s importunas3 com z quais ar5gas nam procuram p]suadir1 mas agrad>1 e conseguir fama de eloqu5tes4 ,e e/es eu os-reputo muito mais ignorantes1 que os primeiros1 pola sua afetasam4 ,o c]to 1 que uns e outros nam int5dem1 nem o fim1 nem os limites da-,retorica3 e que em lug> de e/imasam1 conseguem desprezo4 ,z ,figuras devem-se empreg>1 em toda a ocaziam4 ,temos ,figuras p>a tudo3 negocios graves1 m$iocres1 e p>a a mesma conv]sasam famili>4 ,ba/a p]suadir-se1 de uma importante v]dade1 que 1 que a ,figura nam se-deve procur>1 mas naturalm5te aprez5t>-se3 porque1 como t5ho mo/rado1 sam consequ5cias das-paixo5s4 ,obs]ve ,v4 ,p4 um omem ru/ico1 que nam seja totalm5te e/upido1 ou uma molh] de juizo1 mas nam d\tora3 entre com eles em um discurso famili>1 sobre alguma mat]ia1 que lhe-p]t5sa3 dificulte-lhe conc$]-lhe alguma coiza1 que a eles p>esa v]dadeira1 ou que na realidade o-seja3 e obs]ve miudam5te1 quantas ,figuras introduzem no-discurso4 ,e f9alm5te1 a*> mais =sa1 nas suas razo5s1 qu&o sam em mat]ia v]dadeira1 doque nos-discursos1 de muitos ,oradores de fama4 ,eu fiz e/a exp]i5cia muitas vezes3 e sempre tirei por-fruto1 da-m9ha m$itasam1 que z ,figuras m-de s] naturais3 e que som5te se-fala bem1 qu&o se-fala animado1 de algum v]dadeiro int]ese1 e se-deixa gui>1 de uma paixam arrezoada4 ,v4 ,p4 obs]v> i/o1 nos-seus proprios discursos1 a9da naqueles1 que p>ecem m5os consid]ados1 e que sam pr(]idos1 quazi por-impulso da-natureza4 ,z col]as nam sam iguais1 nem z paixo5s3 e asim ,figuras ne/es mesmos discursos4 ,fazem-se antitezes1 por-cauza de gr&es movim5tos1 e tambem por-ligeiras comoso5s4 ,o dezejo que um omem tem1 de expremir-se1 e de p]suadir z coizas que diz1 tem v>ias de/as ,figuras4 ,na conv]sasam mais placida1 repetem-se sem rep>o1 os mesmos t]mos muitas vezes4 s]vimo-nos de div]sas expreso5s1 p>a signific> o mesmo4 p]mitem os mais escrupulozos criticos1 faz] alguma breve descrisam1 e procur> alguma semelhansa1 p>a explic> melhor a mat]ia4 pode-se progunt> o p>ec] dos-que ouvem1 sobre o que se-pr(]e2 e mo/r>-lhe1 que neces>io refletir1 sobre algumas das-circun/ancias alegadas4 ,tudo i/o pratica-se todas z oras1 ou se-pode pratic>1 sem enfado de quem ouve1 e sem incorr] na c5sura1 de quem obs]va4 ,ora z ,figuras nam sam v]des nem azuis1 sam em c>ne e/as mesmas que apontamos1 e outras a e/as semelhantes4 ,e eisaqui1 que nam s nas oraso5s1 e discursos e/udados1 mas em todo o discurso1 tem lug> z ,figuras4 ,em uma palavra1 primeiro ouv]am ,figuras1 doque ouvse arte de ,retorica3 aqual nada mais 1 doque a obs]vasam das-naturais ,figuras4 ,e asim todo o e/udo de um omem1 v]dadeiram5te eloqu5te1 consi/e1 em obs]v> bem1 a necesidade da-mat]ia2 e intr> tanto d5tro nela1 que posa =m> um discurso natural1 mas no-mesmo tempo eficaz3 e em que z ,figuras fujam-lhe da-boca1 sem que ele v detraz delas1 p>a orn> o discurso4 ,muito neces>io 1 e/ud> a natureza3 e/ud> o c>at] das-,paixo5s3 fal> naturalm5te3 que s asim se-fala eloqu5te1 e s asim se-p]suade4 ,e/e o primeiro ponto1 ou o mais importante1 em mat]ia de ,retorica4 ,o segundo1 e de nam m5or consequ5cia1 e/1 em sab] proporcion> o e/ilo1 ao argum5to que se-trata4 ,consi/e o e/ilo1 em c]tas maneiras de s'explic>1 e c]tas p>ticul>es expreso5s1 que cada omem uza3 z quais comum5te seguem o impeto d-fogo1 que cadaum tem3 nam se a*&o dois om5s1 que sejam p]feitam5te iguais no-e/ilo1 como nem m5os no-temp]am5to4 ,digo pois1 que o e/ilo se-deve regul>1 segundo a mat]ia1 que se-trata#de4 ,z expreso5s magnificas e nobres1 ornam z coizas1 de uma c]ta mage/ade1 e mo/ram o gr&e conceito que delas frma1 quem asim fala3 se a mat]ia nada tem de extraord9>io1 antes sumam5te vil2 impropriam5te se-lhe-aplicam1 tais expreso5s4 ,polo contr>io1 z coizas que se-podem consid]> sem comosam1 devem-se diz] com e/ilo simplez3 outras mais e/udadam5te3 o que faz a v>i$ade de e/ilos3 que os me/res da-arte r$uzem comum5te1 a trez4 ,qu]em diz]1 que ou o discurso sumam5te nobre1 ou sumam5te trivial1 ou m$iocre3 primeira1 conresponde o e/ilo sublime3 segunda1 o e/ilo simplez3 t]ceira1 o m$iocre4 ,a prud5cia e intelig5cia com que se-devem aplic>1 e/es trez g5]os d'eloqu5cia1 o pr9cipal emprego1 d-,retorico4 ,,sublime4 ,qu&o se-qu] d> uma alta ideia1 de alguma coiza1 neces>io refletir no-mesmo tempo1 em muitas circun/ancias4 ,por-muito nobre que seja o sugeito1 de que se-trata1 pode t] mil imp]feiso5s3 onde neces>io procur>1 de o-por vi/a d'aquela p>te1 que melhor p>ece2 p>a pod] impremir1 uma ju/a ideia da-sua gr&eza3 procur&o quanto pode s]1 de lhe-cobrir1 ou disf>s> os defeitos1 sem prejuizo da-v]dade3 volt&o-o e revolt&o-o de todas z melhores p>tes1 p>a pod] mo/r>1 at z m9imas p]feiso5s que tem3 e t5do muito cuidado1 de nam sair com alguma expresam1 ou p5sam5to1 que de/rua o que se-tem fabricado4 ,caiem ne/e defeito inf9itas pesoas1 a9da d'aquelas1 que nam sam decepadas3 ,oradores1 ,i/oricos c4 mas sobre tudo os ,poetas3 que1 por-=sa d-consoante1 ou da-quantidade d-v]so1 dizem mil coizas ou mal ditas1 ou mal aplicadas4 ,li um soneto de c]to ,espanhol1 que descrevia um n>iz gr&e3 o qual1 despois de t] dito muita coiza d-dito n>iz1 conclue desfaz5do1 quanto enc>ecra4 ,porei som5te os t]cetos4 ,erase un espolon de una gal]a4 ,erase una piramide de ,egito4 ,las dose ,tribus de n>izes era4 ,erase un n>izissimo inf9ito4 ,mu*issima n>iz1 n>iz tan fi]a1 ,que en la c>a de ,ans fu]a delito4 ,despois dos-quatro v]sos antec$5tes1 em que exag]ava t]rivelm5te o tal n>iz1 saie com uma frioleira1 que de/rue tudo4 ,admetida de grasa1 a comua op9iam d-vulgo1 de que os ,judeos tem n>izes gr&es3 admetida novam5te a frioleira1 de que ,ans1 por-s] ,pontifice1 o-devese t] maior3 c]to1 que nam t]ia um n>iz maior1 que todo o corpo4 ,demos-lhe1 que fose tam gr&e3 que proporsam tem i/o1 com uma piramide1 e n>iz inf9ito8 ,de/es exemplos a*o a cada paso3 de que concluo1 que e/es nam sabem1 z leis da-,retorica1 nem da-,poezia4 ,quanto s expreso5s1 a9daque z-dezejo nobres1 e com armonia sonora2 devem porem uz>-se1 com mod]asam4 ,prud5tem5te se-comp>\ um discurso1 no-g5]o sublime1 com um palacio magnifico3 ne/e -de av] cazas p>a os amos1 p>a os criados1 e tambem e/rev>ias p>a os cavalos4 ,e/as nam m-de s]1 como z anticam]as1 nem ornadas como os gab9etes3 mas m-de t] c]ta magnific5cia ru/ica1 e proporsam ao todo3 m-de s] todas z p>tes no-seu g5]o1 belas1 gr&es1 mage/ozas4 ,um palacio que tem um portam pequ59o1 p>ece coiza ,m\risca1 e nam de ,ar*iteto intelig5te4 tudo -de s] gr&e1 mas no-mesmo tempo proporcionado4 ,damesma sorte em um discurso1 nem todos os p5sam5tos podem s] exquizitos1 ou a locusam sublime3 -de av] p5sam5tos bons1 exquizitos1 e m$iocres3 a locusam damesma sorte1 em alguns lug>es sublime2 v4 g4 nas p]oraso5s1 e exag]aso5s c4 em outras m$iocre2 v4 g4 nos-exordios1 nas confirmaso5s de provas c4 e em outras simplez e natural1 como nas n>raso5s1 e outros lug>es4 ,mas todas e/as coizas m-de t] proporsam entre si3 devem s] ornadas e ve/idas daquela tal gr&eza1 que mo/re s]em p>tes1 de uma coiza gr&e4 ,asim se-compoem1 um discurso p]feito4 ,e/a magnific5cia de expreso5s gr&iozas1 e armoniozas1 convem ao e/ilo sublime1 com a di/ribuisam dita1 de aplic> z melhores1 s coizas que m]ecem maior at5sam4 ,tambem no-e/ilo sublime devem intr>1 reflexo5s judiciozas1 e v>ias s5t5sas1 que excitem a at5sam4 ,nele tem seu proprio lug>1 z ,figuras gr&es3 ,s5do c]to1 que um argum5to nobre1 nam se-pode trat>1 sem alguma p>ticul> comosam3 de que nace aquele modo de expremir-se1 em que consi/em z ,figuras4 ,devem porem pratic>se1 segundo z obs]vaso5s asima feitas4 ,e/a porem a maior dificuldade1 d-e/ilo ,sublime3 e sam p\cos os om5s1 que saibam abras>1 uma di/ribuisam mod]ada de ornam5tos1 no-discurso4 ,a maior p>te dos-que escrevem1 sam como aquelas pesoas1 que nam tem educasam de ,corte4 ,e/as1 p>a se-mo/r>em bem in=madas1 e de boa eleisam2 c>regam tanto os ve/idos de oiro1 e a cabesa de joias2 que em lug> de p>ec]em bem1 (5dem a vi/a4 ,o pior 1 que no-defeito que repre5demos1 caiem tambem os que sam da-,corte1 como os que sam de fra3 e mais dificultozo em5d>-se4 ,um omem que tem m eleisam no-ve/ir1 tem tantos c5sores vi/a1 que =sa de critica1 e de obs]vasam1 consegue a em5da4 ,nam asim o que escreve3 sam p\cos os que c5surem1 porque sam p\quisimos os que saibam1 como se-deve c5sur>4 ,alem diso1 nam algum1 que prezuma tam mal d-seu juizo1 que leia por-livros1 que lhe-mo/rem1 z suas imp]feiso5s4 ,busca som5te aqueles1 que mais lhe-agradam1 e sam mais uzuais3 e em vez de s'em5d>1 confirma-se na sua m eleisam4 ,v4 ,p4 nam a*> um ,pregador1 que e/ude por-,cic]o1 ,demo/5es1 ,m4 ,s5eca1 ,qu9tiliano3 ou leia alguns1 dos-que compuz]am boas reflexo5s1 sobre z ditas obras3 a*> porem muitos1 que e/udam por-s]mon>ios1 e muito maos3 e e/es nam podem escrev] melhor1 doque lem nos-tais autores4 ,outros escritores1 qu]5do-se di/+uir d-,comum1 nam go/am s5am1 de expreso5s gr&es3 e de tal sorte se-deixam gui>1 por-e/e furor2 que nam produzem palavra1 que nam seja de p e meio2 e que nam acabe d'e/oiro1 como uma bomba4 ,z palavras e fraze natural1 o modo de s'expremir uzual1 a9daque seja o mais proprio da-mat]ia1 nada vale4 desprezam tudo1 o que nam e/rondozo4 ,n5hum de/es dir3 ,petrus amavit ,joannem3 nam s5hor3 mas qu]em p]ifraze3 ,accidit ut ,petrus amore prosequ]etur ,joannem2 ou alguma fraze mais comprida4 ,e/es om5s vem todas z coizas1 por-microscopio3 tudo lhe-p>ece gigantesco3 ou1 p>a melhor diz]1 tudo trans=mam4 ,a sua cabesa como a de ,d4 ,quixote3 a quem mo9hos p>eciam palacios2 e nam avia coiza p>a ele1 que nam fose mage/oza4 ,daqui nace1 que tudo exprimem pola mesma maneira4 o discurso comesa por-,figura1 e acaba em ,figura4 ,e/e o vicio comum de/es pazes2 mas muito pr9cipalm5te dos-,poetas1 e ,oradores4 ,e/es om5s confundem o ,eloqu5te1 com o ,arrogante2 a ,exag]asam com a ,inv]osimilidade3 sem adv]tirem1 que sam coizas bem dif]5tes4 ,ora e/e o v]dadeiro c>at] da-ignorancia3 tanto mais dificultozo de s' evit>1 quanto c]to1 que muitos om5s gr&es em outro g5]o1 tem caido ne/e defeito4 ,e/e o ponto que se-deve adv]tir1 com mais circunspesam3 e/e o defeito que se-deve fugir1 com mais cautela4 ,o que se-consegue primeiro1 com alguma reflexam judicioza3 segundo1 com a lisam de bons autores1 que falem como devem1 e proporcionem o e/ilo1 ao asumto4 ,nam coiza mais ridicula1 doque uma gr&e afetasam de palavras sonoras1 em coizas onde nam devem intr>#df4 ,em lug> de engr&ec]em quem fala1 mo/ram a pobreza d-seu int5dim5to3 que nam t5do cab$al1 de d> palavras p>a tudo1 p$e-z empre/adas1 ou furta sem adv]t5cia1 z que incontra4 ,v] tambem ,v4 ,p4 que muitos1 qu]5do fal> elegante1 acabam tudo em tom de v]so3 ,porque nam *ego a am>1 nam poso padec]3 e com e/e ar1 e er2 ir1 e or2 e consonancias semelhantes1 vam en*5do o discurso1 que dev]iam cuid> de orn>1 com bons p5sam5tos e conceitos4 ,i/o mais vulg>1 doque ,v4 ,p4 imag9a3 e a*a-se muita g5te de bigode1 que *ama a i/o elegancia4 ,eu sei que o num]o oratorio1 ou armonia dos-p]iodos1 de que ,cic]o fala em v>ios lug>es1 uma gr&e beleza1 em todo o discurso1 pr9cipalm5te oratorio#dg3 mas sei1 que muito dif]5te1 d-que cond5o4 ,nam regra exata1 p>a o num]o oratorio3 a orelha a que ens9a1 qu&o o p]iodo armoniozo#dh4 ,mas neces>io que t5ha mui ms orelhas1 quem nam di/+ue1 que z consonancias que apontamos1 em lug> de agrad>em1 (5dem1 e sam uma afetasam4 ,em ,portugal sam r>isimos1 os que obs]vam o num]o1 a9da nos-discursos e/udados4 ,ou afetam v]so1 e i/o vicio#di3 ou decl9am p>a outro extremo1 que a languideza1 e tambem i/o vicio insoportavel4 ,a m$iania que se-busca2 e quem bem int5de o que num]o1 nas c>tas1 e no-discurso famili>1 sem adv]tir o-pratica4 ,p>a i/o qu]-se boa orelha1 aco/umada a ouvir l]1 e pronunci> bem4 ,pecam alem di/o2 em faz] p]iodos tam compridos1 que nam se podem l] de um jato3 o que tambem falta de num]o4 ,a lisam dos-bons livros rem$eia i/o1 e introduz um omem1 na v]dadeira e/rada da-,eloqu5cia4 ,mas neces>io1 lelos sem prejuizos1 e com animo de apr5d]4 ,o e/ilo ,sublime tem seu proprio lug>1 nas oraso5s1 e s]mo5s3 na ,poezia ,eroica1 e ,tragica3 e pode s vezes t] lug>1 na ,i/oria1 qu&o s' introduzem a fal>1 algumas pesoas4 ,z oraso5s de ,cic]o1 os poemas ,epicos de ,om]o1 e ,virgilio1 sam de e/ilo sublime4 ,,simplez4 ,ao e/ilo ,sublime contrapomos1 o e/ilo ,simplez ou umilde4 ,asim como z coizas gr&es1 devem explic>-se magnificam5te2 asim o que umilde1 deve-se diz] com e/ilo mui simplez1 e modo d' expremir mui natural4 ,z expreso5s d-e/ilo simplez sam tiradas1 dos-modos mais comuns de fal> a l+ua3 e i/o nam se-pode faz]1 sem p]feito conhecim5to1 da-dita l+ua4 ,e/a 1 segundo os me/res d'arte1 a gr&e dificuldade1 d-e/ilo simplez4 ,facil coiza a um omem1 de alguma lit]atura2 orn> o discurso com figuras3 antes todos prop5demos p>a iso3 nam s porque o discurso s' encurta2 mas porque talvez nos-explicamos melhor1 com uma figura1 doque com muitas palavras4 ,polo contr>io1 p>a nos-explic>mos naturalm5te e sem figura1 neces>io busc> o t]mo proprio1 que exprima o que se-qu]3 o qual nem sempre se-a*a1 ou ao m5os1 nam sem dificuldade3 e sempre se-qu] p]feita intelig5cia da-l+ua1 p>a o-execut>4 ,alem di/o1 z ,figuras encantam o leitor1 e imp$em-lhe p5etr> e descobrir os vicios1 que se-cobrem1 com tam ricos ve/idos4 ,nam asim no-e/ilo simplez1 o qual1 como nam faz pompa de ornam5tos1 deixa consid]> miudam5te1 todos os p5sam5tos d-escritor4 ,por-iso se-diz1 que o e/ilo simplez 1 o lapis ,lydius d-,juizo4 ,i/o que digo1 das-expreso5s comuas e naturais1 deve-se int5d] com proporsam4 ,nam qu]o diz]1 que um omem civil fale1 como a plebe2 mas que fale naturalm5te4 ,a mat]ia d-e/ilo umilde1 nam p$e elevasam de figuras c4 mas nem por-iso se-deve expremir1 com aquelas toscas palavras1 de que uza o povo ignorante4 ,nam o mesmo e/ilo baixo1 que e/ilo simplez3 o e/ilo baixo1 sam modos de fal> dos-ignorantes e p\co cultos3 o e/ilo simplez1 modo de fal> natural e sem ornam5tos2 mas com palavras proprias1 e puras4 ,pode um p5sam5to1 t] e/ilo sublime1 e nam s] p5sam5to sublime3 e pode a*>-se um p5sam5to sublime1 com e/ilo simplez4 ,explico-me4 ,p>a s] sublime o e/ilo1 ba/a que eu vi/a um p5sam5to1 e o-orne com figuras proprias1 a9daque o p5sam5to nada t5ha1 de sublime4 ,polo contr>io1 *amamos simplezm5te sublime1 7com os ,retoricos7 quela beleza e galant>ia de um p5sam5to1 que agrada e eleva o leitor1 a9daque seja pr(]ida1 com z mais simplezes palavras4 ,desorteque o sublime pode-se a*>1 em um s p5sam5to1 ou figura c4 ,importa muito int5d]1 e di/+uir i/o1 p>a nam s] enf&onho nas conv]saso5s1 e nas obras que p$em e/ilo umilde4 ,v4 ,p4 tem um bom exemplo de e/ilo simplez1 nas ,c>tas famili>es de ,cic]o1 pr9cipalm5te nas que escreve aos de sua caza3 nas ,eglogas c4 de ,virgilio3 nas ,fabulas de ,f$ro3 ,c>tas de ,pl9io a algumas pesoas3 e outras obras da-,antiguidade4 ,em ,portuguez z ,c>tas d-,p4 ,vieira1 tir&o algumas que deg5]am em s]mam c4 podem-se l]1 p>a o e/ilo simplez4 ,e e/as sam z melhoras obras1 d-dito ,religiozo4 ,,m$iocre4 ,d-que a ,v4 ,p4 t5ho dito fica cl>o1 qual o e/ilo ,m$iocre3 aquele digo1 que p>tecipa de um e outro e/ilo4 ,tambem e/e e/ilo nam p\co dificultozo3 porque neces>io1 cons]v> uma m$iania1 que nam deg5]e em viciozos extremos3 e sam p\cos aqueles1 que conhecem z coizas1 na sua ju/a proporsam1 e =mam aquela ideia1 que m]ecem4 ,ja dise1 que a mat]ia a que det]m9a1 qual -de s] o e/ilo3 e asim uma mat]ia m$iocre1 p$e um e/ilo proporcionado4 ,a maior p>te das-coizas de que falamos1 sam m$iocres3 e daqui vem1 que ne/e e/ilo de fal>1 deve-se empreg> um omem1 que qu] fal> bem2 e conseguir fama1 de omem eloqu5te4 ,um omem de juizo1 que conhece z coizas como sam1 frma delas ideias ju/as1 e v]dadeiras2 e z-explica com z palavras1 que sam mais proprias4 ,d' onde vem1 que o e/ilo m$iocre compete propriam5te1 s ,ci5cias todas1 ,i/oria1 e outras coizas d'e/e g5]o3 nas-quais se-reprez5tam coizas nam vis1 mas m$iocres2 porem reprez5tam-se1 damesma sorte que sam1 e com palavras proprias4 ,tambem z c>tas de negocios graves1 ou eruditas1 e aquelas de c]emonia a pesoas gr&es c4 co/umam s] ne/e e/ilo4 porem de adv]tir1 que o e/ilo m$iocre1 admite todos os ornam5tos d'arte3 beleza de figuras1 meta=as1 p5sam5tos f9os1 belas discriso5s1 armonia d-num]o1 e da-cad5cia3 ,contudo nam tem a vivacidade1 e gr&eza d-sublime4 ,p>ticipa de um e outro1 sem se-asemelh> a n5hum4 tem mais =sa e abundancia que o simplez2 m5os elevasam que o sublime3 e prosegue com paso igual1 e mui br&am5te4 ,alegam-se por-bons exemplos ne/e g5]o1 z ,georgicas de ,virgilio3 a maior p>te das-c>tas de ,cic]o a ,pomponio ,atico3 c4 os ,com5t>ios de ,cez> c4 a9daque e/es1 por-nam t]em ornam5tos1 quazi p]t5cem ao simplez3 z vidas de ,cornelio ,nepote4 c4 ,quem bem int5de i/o1 fica p]feitam5te in/ruido d-modo1 com que deve aplic>-se1 a dif]5tes mat]ias4 ,o e/ilo da-,i/oria p$e cl>eza1 e brevidade4 aquela1 p>a explic> todos os acid5tes da-mat]ia3 e/a1 p>aque1 sem longas frazes1 que susp5dem a at5sam1 descreva z coizas que deve1 com um fio de discurso cont9uado1 e sem s] int]rompido com aqueles movim5tos1 que con/ituem o ,orador#ej4 ,porque ne/e cazo nam pode cons]v>1 uma c]ta inalt]abilidade1 e quietasam de animo1 que tam neces>ia1 p>a nam incl9> mais p>a uma p>te1 que p>a outra2 e diz] z coizas com v]dade1 e sem exag]asam4 ,pode porem o ,i/orico1 mo/r> a sua eloqu5cia1 no-ref]ir z ar5gas1 que s' introduzem na ,i/oria2 no-p9t> z paixo5s c4 mas tudo i/o com adv]t5cia1 e sem p]d] de vi/a a v]dade4 pois a ,i/oria aquela mat]ia na qual1 despois da-,oratoria1 mais se mo/ra1 a eloqu5cia vigoroza4 ,em segundo lug> fica cl>o1 qual deve s] o e/ilo ,dogmatico ou ,didascalico1 a que por-outro nome *amamos1 e/ilo ,ci5tifico4 ,aqui nam se-trata de p]suadir1 om5s apaixonados1 excit&o z armas1 comque a alma se-move p>a e/a1 ou aquela p>te4 ,o primeiro po/ulado que se-poem1 no-pr9cipio dos-,tratados mod]nos 1 que o leitor se-dispa1 de todo o g5]o de prejuizos1 e paixo5s3 e que exam9e z razo5s1 como m]ecem4 ,onde supondo-se um leitor docil1 nam neces>io1 seguir o e/ilo veem5te#ea4 ,mas ni/o mais1 e m5os1 segundo z ,ci5cias4 ,a ,geometria1 que explica v]dades cl>as1 e que nam int]esam n+uem1 deve-se trat> placidisimam5te1 com aquelas palavras1 que sam precizam5te neces>ias1 p>a a explicasam dos-t]mos c4 ,a ,logica1 ,fizica1 ,metafizica p$em ja um e/ilo mais ornado3 ja se-disputa com om5s1 que tem suas prev5so5s3 z v]dades nam sam tam cl>as3 p]metido s]vir-se de um e/ilo mais n]vozo4 ,pr9cipalm5te na era prez5te1 em que a ,filoz(ia1 despida daquela antiga e ridicula sev]idade1 trata-se oje em todas z l+uas1 e com vocabulos proprios1 e se-famili>iza com todos4 ,onde pode trat>-se em e/ilo famili>1 por-c>ta1 em dialogo1 ou de outra maneira2 emque pode t] lug>1 um g5]o de eloqu5cia mais ornada4 ,a ,teologia pode s] tratada1 com e/ilo mais elevado4 ,somos int]esados em def5d]1 a v]dade da-religiam1 contra os ,ateos1 e ,infies1 e ,erejes4 ,e/e int]ese nam pode m5os1 que ac5d] em ns1 alguma paixam bem devida4 ,onde nam m>avilha1 se algumas vezes nos-transportamos1 fal&o de ,teologia1 e seguimos um e/ilo mais elevado e viril4 ,nam digo1 que tudo se aja de trat>1 em e/ilo oratorio1 ou que se-devem def5d] z que/o5s1 com ironias c4 e nam com razo5s solidas3 s]a i/o um erro consid]avel1 e mui cond5avel3 digo som5te1 que ja p]metido1 s]vir-se de alguma figura1 e uz> de e/ilo mais elegante4 ,os antigos ,padres uzram de/e e/ilo1 quem mais1 e quem m5os4 ,e oje todos os om5s de melhor d\tr9a1 nam desprez&o a frma da-,escola1 uzam porem dela com tanta mod]asam1 que comum5te expoem z suas s5t5sas1 sem aquele e/ilo das-escolas1 que at aqui re9ava4 ,o que faz que seja mais bela a ,teologia3 mais conclud5te o discurso3 e poem vi/a1 e na sua luz todas z razo5s3 porque s asim z-int5dem todos1 e se-evitam palavras1 que nada significam nas escolas4 ,quanto s outras ,ci5cias pr(anas1 pola maior p>te tratam-se mais placidam5te1 segundo a necesidade da-mat]ia4 ,em t]ceiro lug> fica cl>o1 qual o e/ilo dos-,poetas4 ,qu]em os ,poetas1 7diz um ,retorico7 agrad>1 e elev> o animo dos-ouv9tes1 com coizas extraord9>ias e m>avilhozas3 e nam pod5do *eg> ao fim que se-propoem1 s5am su/5t&o a sublimidade das-coizas que dizem1 com o sublime das-palavras que uzam2 daqui vem1 que nam se-sugeitam s leis d-uzo comum2 mas =mam1 p>a se-explic>1 um idioma novo4 ,tudo neles gr&e e extraord9>io2 imag9asam1 conceito1 e palavras4 ,daqui nace1 que z figuras devem s]1 z suas mimozas1 ,alem diso1 como z v]dades ab/ratas nam agradam1 porem sim z coizas1 que entram polos s5tidos2 fica cl>o1 que qu]5do o ,poeta agrad>1 deve procur> meta=as1 com que reprez5te z coizas s5siveis1 e quazi palpaveis3 porque asim que imprimem1 uma p>ticul> comosam4 ,e/e o pr9cipio1 que obrig\ os antigos ,poetas1 a romp]em com c]tas ideias1 que nos-p>ecem *im]as4 ,cada ,virtude1 e cada ,paixam na ,poezia1 uma ,deuza3 porque a descrisam de/as ,deuzas tam m$onhas1 ou tam engrasadas1 faz outra impresam no-animo1 doque a simplez palavra de ,virtude1 ou ,vicio4 ,e/ ,deus 9 nobis1 agitante calescimus illo4 ,qu&o uma vez s'esqu5ta1 a imag9asam d-,poeta1 nam fala como os demais om5s3 e asim nam m>avilha1 que en*a o discurso de ,figuras1 e +5he tantas fabulas e f+im5tos4 ,i/o tam proprio dos-,poetas1 que at os sagrados ,poetas1 p>a se-explic>em1 s]vem-se de todo o g5]o de meta=as4 ,i/o porem deve int5d]-se dos-poemas1 que tem por-objeto1 mat]ia gr&e3 os div]tim5tos dos-pa/ores1 que compoem z ,eglogas2 z i/orias que dam mat]ia s ,com$ias2 e mil outras poezias1 que se-podem consid]> com m5os paixam1 devem s] tratadas1 por-outro e/ilo4 ,a regra g]al1 que ao pr9cipio demos1 infalivel1 e consi/e ni/o3 ,a qualidade da-mat]ia deve det]m9> o e/ilo1 a9daque posa s] mais ou m5os ornado3 o que s'int5da tanto da-,proza1 como d-,v]so4 ,i/o quanto ao e/ilo4 quanto pois s regras d-,poema1 nam aqui1 o proprio lug>1 de z-explic>3 porque eu nam faso tratado1 mas reflexo5s4 ,dirmem alguns1 que e/as adv]t5cias conduzem1 p>a faz] uma obra solida1 mas nam p>a a-faz] bela1 e ornada3 que o pr9cipal emprego da-,retorica4 ,e com efeito e/a a co/umada cantil5a1 de/es vulg>es ,oradores1 que ignoram z belezas da-arte4 ,em algumas p>tes1 temos notado e/e defeito3 e aqui1 p>a o-confut> melhor1 f>emos outra adv]t5cia4 ,digo pois1 que e/e +ano comum1 fica sufici5tem5te asima conv5cido3 s5do c]to1 que nam se-requ]em outras regras1 p>a fal> com elegancia1 e ornato1 doque z que asima dmos1 p>a fal> com propri$ade4 ,a mesmisima coiza se-pode expremir1 com div]sos nomes1 segundo o modo com que se-consid]a4 ,a maior beleza e ornam5to de uma compozisam1 aquilo que eleva um leitor racionavel e judiciozo1 7que sam os que podem faz] lei7 a exasam1 e propri$ade com que se-a*a dispo/a1 e executada uma-obra4 ,quem nam int5de e/e ponto1 noviso na ,retorica4 ,mas1 decl>&o i/o melhor aos pr9cipiantes3 ,tem a ,retorica ornam5tos naturais1 e artificiais3 aqueles entram neces>iam5te em qualqu] obra3 e/es com p>cimonia4 ,o primeiro ornam5to a v]dade1 ou semelhansa das-palavras com z ideias1 e objeto delas4 ,a mais m$onha cobra p9tada1 agrada3 z coizas mais ord9>ias1 qu&o sam bem explicadas1 nam podem dezagrad>4 ,deve o discurso t] primeiram5te1 cl>eza nas expreso5s1 p>a pod] ins9u>-se no-animo2 armonia1 e facil pronuncia4 ,e/es sam os naturais4 ,entre os artificiais1 poem-se z ,figuras todas1 os ,tropos1 z magnificas expreso5s1 z aluzo5s1 alguma +5hoza aplicasam c4 z quais sam s vezes tambem recebidas1 como a mesma v]dade3 e elevam a alma com o encanto oculto da-gr&eza1 p>a a qual ela tem prop5sam natural4 ,ne/es em que se-deve empreg> o juizo1 di/ribu9do-os com muita p>cimonia1 e boa eleisam4 ,n5huma coiza orna1 que nam seja racionavel3 qu&o os ornam5tos sam repetidos1 ou e/am muito juntos1 sam importunos1 e dezagradam muito3 confundem a vi/a1 e cobrem toda a beleza d-sugeito4 ,ja ni/o falmos l>guisimam5te4 ,f9alm5te qu&o o ornam5to1 nam se-funda em v]dade1 a9daque um p\co enc>ecida2 uma afetasam ridicula1 que mo/ra nac]1 de um +5ho mui trivial4 ,os ignorantes sam1 os que procuram com cuidado1 e/as ridicul>ias1 p>a aqui/> fama de d\tos por-e/a via1 vi/o que a-nam-podem por-outra4 ,outro defeito a9da a*o1 em que comum5te caiem1 e vem as]1 en*] o discurso de alegaso5s importunas1 de pasos ,lat9os1 de v]s9hos1 e outras coizas que incontram4 ,podem z aluzo5s1 alegaso5s c4 t] lug>1 qu&o necesidade de ouvir z palavras1 na mesma l+ua orig9al2 ou p>a mo/r> a s9c]idade1 de quem z-cita2 ou a elegancia1 de quem z-escreveo3 o que r>as vezes suc$e3 tudo o mais tempo p]dido1 e trabalho mui escuzado4 ,e/e dezejo de p>ec] erudito1 com a repetisam de mil pasos de autores1 tem aluc9ado inf9ita g5te4 ,conheci um1 que nam abria a boca1 que nam repetise um v]so de ,m>cial1 de ,juv5al c4 ,exam9e ,v4,p4 e/e ponto1 e a*>1 que o defeito mais g]al1 doque nam p>ece4 ,conheso p\quisimos e/udantes desa ,univ]sidade1 falo pr9cipalm5te dos-,opozitores1 e dos-que tem prezunsam de lit]atura2 cuja conv]sasam seja tol]avel4 ,p>a diz]em1 que agora dia2 sairm com um1 e talvez muitos textos d-,dige/o1 ou ,codigo c4 ,nam deixam pas> coiza1 que nam ornem com algum v]s9ho mod]no3 e quem sabe mais di/o1 mais ci5te4 ,aquele1 ,erubescimus s9e lege loqui1 int5dem-no tam n e cr1 que uma pi$ade4 ,tambem entre os ,religiozos1 nam falta de/a faz5da3 aquele1 t&em1 item1 a p>te rei1 cum hoc quod1 hoc unum e/2 e outras de/as palavras1 sam mui frequ5tes nos-seus discursos3 e tambem seus textos da-,escritura1 e seus v]s9hos ,lat9os4 ,i/o entra em todas z conv]saso5s1 a9daque sejam de idiotas1 e molh]es3 antes nese cazo melhor1 porque se-grangeia fama sem emb>aso4 ,e/e mao modo de p5s>1 e discorr]1 pas\ ja das-conv]saso5s1 p>a z compoziso5s3 e por-iso ,v4 ,p4 ve tantos discursos1 ou s]mo5s1 ou oraso5s1 que se-nam-podem s(r]4 ,t5ho lido mil oraso5s mod]nas 99 99 99 e r>isima a*ei1 em que nam intrse ,pl9io o moso1 cl>o ou oculto3 mas pola maior p>te entra cl>o3 e s vezes a orasam tem mais palavras de ,pl9io1 doque de quem a-compoz4 ,ouvram diz]1 que o ,panegirico de ,pl9io1 o mais suportavel1 que nos-deix\ a ,antiguidade2 e sem mais exame1 en*em tudo de ,pl9io4 ,outros pasam d-,panegirico s ,c>tas3 um de/es o ,p4 99 99 que no-elogio funebre de ,julio de ,melo1 faz uma i/oria1 em que introduz muitos p]iodos1 tirados de v>ias c>tas de ,pl9io1 que dizem o mesmo1 que ele repete4 ,e/e modo de elogi>1 totalm5te novo1 e ignoto ,antiguidade3 mas nem por-s] novo cuido que agrad>1 aos que int5dem a mat]ia4 ,ne/es ,panegiricos a*> ,v4 ,p4 duas coizas comum5te3 uma1 ,pl9io1 e algum autor semelhante3 a segunda1 o ,sol1 com z ,e/relas4 ,mais v>a m5os v>a1 aqui vem d> todos4 ,s]a porem melhor1 que e/es autores puzesem dep>te1 ,pl9io2 e disesem alguma coiza de sua caza3 e nam dez5quietasem z ,e/relas1 traz5do-z p>a uma coiza1 p>a a qual nam calsam bem4 ,nam e/e1 o modo de elogi>4 di/o se-rim todos os om5s que sabem4 ,at z aprovaso5s dos-livros1 &am *eias de/es textos1 s vezes arra/adisimos1 e talvez tirados da-,escritura1 p>a prov> uma frioleira4 ,os que nam trazem textos1 introduzem razo5s bem desneces>ias1 e difundem-se em elogios1 tam excesivam5te enc>ecidos1 que n+uem os-pode l] sem nauzea4 ,a9daque disesem a v]dade1 e bem2 sempre era um gr&e defeito1 e impropri$ade4 ,vi anos a vida d-,infante ,d4 ,luiz1 em #d4o escrita polo ,conde de ,vimiozo2 da-qual z aprovaso5s1 sem enc>ecim5to algum1 compoem metade d-volume4 ,e nam s fazem i/o nos-livros2 mas em papeis avulsos1 e breves4 ,vi uma ,egloga1 escrita por-um c]to ,felipe ,joz da-,gama1 no-nacim5to de um neto de ,joam ,alv>es da-,co/a2 cujas aprovaso5s eram maiores1 que a obra4 ,o pior 1 que t9ha uma aprovasam d-,conde da-,ericeira1 ,d4 ,francisco ,xavi] de ,m5ezes1 que caa na mesma simplicidade4 ,com efeito1 e/e era o c>at] d-dito ,conde3 que1 p>a mo/r> que sabia muito1 c>regava z suas p9turas1 com tantos ornam5tos1 e d\tr9a1 que p>eciam ridiculas4 ,ele era um omem erudito3 mas ignorava totalm5te aquilo1 a que *amam modo1 metodo1 e crit]io4 comtantoque false muito1 nam lhe-importava se dizia bem4 ,e nav]dade na dita aprovasam da-,egloga1 tem coizas indignas4 ,deixa logo o argum5to1 e pasa a descobrir entre ,joam ,alv>es da-,co/a e ,as9io ,pollio1 gr&e uni=midade4 despois1 difunde-se sobre os l\vores da-,poezia4 f9alm5te faz uma selada tal1 que nam vi coiza mais confuza4 ,eu nam disputo agora1 se a dita ,egloga m]ece eses l\vores3 conc$o tudo de grasa3 o que digo 1 que se-explicava em duas palavras3 e gr&e impropri$ade faz] uma c5sura et]na i/oriada1 p>a uma brevisima ,egloga4 ,c]tam5te o ,p4 ,e/acio de ,almeida1 que em mat]ia de ,poezia ,lat9a1 cuido que sabe alguma coiza mais1 que o dito ,conde2 mo/r\ o seu juizo na aprovasam1 cont5t&o-se com diz]1 que era digna de s'impremir4 ,e i/o deviam tambem faz] os outros3 deix&o de faz] ,panegiricos1 a coizas que nam m]ecem1 ou que m]ecem m5os3 e fazlos de um modo1 que m]ece mais rizo a erudisam que trazem1 que a que lhe-falta4 ,o ,p4 ,d4 ,manoel ,caietano de ,s\za1 tambem seguia e/a op9iam4 ,compoz o ,s>g5tomr ,manoel ,coelho1 uma ,explicasam das-oito p>tes da-orasam3 mas tam pequ59a1 que nem m5os se-lhe-deve *am> livro1 mas cad]n9ho4 7foi impresa em ,lisboa1 no-ano #agbf47 ,suc$e que ,d4 ,manoel aprova e/a obra3 e aqui1 tom&o z coizas desde o pr9cipio1 faz uma longuisima c5sura1 e um catalogo dos-,gramaticos d-,re9o c4 ,tudo coizas desneces>ias6 ,e sei eu1 que1 se ouvse de impremir-se em outro ,re9o1 se-cont5t>iam com escrev]1 ,imprimatur4 ,com e/a adv]t5cia obs]ve ,v4 ,p41 z aprovaso5s dos-livros1 e v]1 que a9da nam digo metade1 d-que devia4 ,ne/e p>ticul> de aprovaso5s1 nam vi omem em ,portugal mais mod]ado1 que ,fr4 ,manoel ,guilh]me3 fugia quanto podia de m5tiras e afetaso5s2 e cl>am5te dizia1 o seu p>ec]4 ,mas oje suc$e o contr>io3 porque s vezes fazem-se emp5hos1 p>a det]m9> os c5sores3 e e/es tais1 nam c5suram o livro1 mas agradecem a eleisam4 ,e sei eu tambem1 que qu&o o ,p4 99 99 99 impremio a sua obra 99 99 t5do feito um ,teologo1 a c5sura difuza2 =am-lhe p$ir novam5te1 que se-dilatse mais1 e l\vse a obra com maior ext5sam4 ,e nam pod5do livr>-se d-emp5ho1 que era =te2 acrec5t\ alguns s9onimos1 p>a satisfaz] s p>tes3 o que sei da-mesma boca d-c5sor4 ,onde com e/es exemplos1 nam devemos admir>-nos1 se incontramos os elogios tam frequ5tem5te 99 99 99 ,mas1 torn&o dita erudisam afetada1 digo1 que a e/e modo de orn> e discorr]1 *amam os ,retoricos1 ornam5tos falsos4 ,porque os outros1 podem t] lug> no-discurso1 e s se-procura a p>cimonia3 e/es1 de n5hum modo devem intr> nele4 ,ja gran tempo 1 que os om5s de juizo clamram1 contra e/e abuzo3 pr9cipalm5te porque1 bem exam9ada a coiza1 uma sol5isima impo/ura1 e azilo de ignorancia3 s5do c]to1 que e/es tais nunca tem m5os erudisam1 que qu&o mo/ram t] tanta4 ,quem ouve aquela ma*9a de textos1 p]suade-se que um omem1 de erudisam inf9ita3 mas nada m5os3 e eu poso jur> de muitos1 que nam abriram os livros que citam1 a9daque sejam bem uzuais4 ,rem$eiam-se com o ,!atrum ,vit ,human1 ,polyantea de ,langio1 e outros de/es armaz5s1 em que polo ,a4 ,b4 ,c4 a*am-se z mat]ias1 dispo/as4 ,de que vem1 que os om5s intelig5tes nam podem m5os1 que rir-se de tais compoziso5s4 ,lembro-me1 que um leitor de c]ta ,religiam1 qu]5do p]suadir-me1 que um seu amigo sabia ,latim p]feitam5te2 dizia-me1 que lia sempre por-,plut>co3 e c>regava muito em ,plut>co4 ,ouvi e/a muzica algum tempo2 e nam pod5do s(r] mais1 proguntei-lhe1 se ,plut>co era bom ,lat9o4 ,aqui o omem3 ,poisque1 iso tem duvida8 na antiguidade nam a*a ,v4 ,p4 um ,lat9o1 como ,plut>co4 ,o que daqui se-seguio foi1 fic> eu =m&o mui mao conceito1 dele1 e d-seu amigo4 ,de um1 por-diz] o que nam sabia3 pois se tivese ab]to ,plut>co1 ou a*>ia o texto ,grego com a v]sam ,lat9a2 ou t5do som5te a v]sam1 a*>ia no-frontispicio1 o nome d-tradutor4 ,d-outro1 porque a9daque a tradusam1 nam seja b>b>a1 contudo nam livro p>a se-imit>3 falo da-v]sam de ,curs]io1 e ,xil&ro1 c4 ,tambem nam pequ5o defeito1 a gr&e repetisam de s5t5sas1 sem necesidade4 ,p]suadem-se muitos1 que1 fal&o por-s5t5sas1 ficam graduados como sutilisimos1 e fundadisimos letrados4 ,lram em ,s5eca ,filoz(o1 ou ,lucano1 ou ,tacito1 ou algum semelhante1 uma quantidade de/as s5t5sas2 e1 sem mais exame1 nem adv]t5cia1 adotam aquele e/ilo2 e deitam mais s5t5sas pola boca fra1 que uma c>ranca de xaf>iz nam deita agua4 ,v]dadeiram5te um div]tim5to1 bem digno de se-procur> em oras ociozas1 t] uma conv]sasam com um de/es4 ,eu gozei e/a felicidade algumas vezes3 e nam me-podia satisfaz] de obs]v>1 aquela circunspesam magi/ral1 com que pr(]em z palavras1 em tom decizivo e com toda a magi/ralidade1 de um ,padre de ,concilio4 ,ja eu lhe-p]dora a mat]ia3 o que nam poso s(r] 1 o modo com que se-explicam4 ,se eles tivesem obs]vado e int5dido1 que aquele mesmo ,s5eca foi o primeiro1 que comes\ a p]v]t]1 o bom go/o da-,lat9idade1 com tam enfadonhas s5t5sas3 com z quais p]deo entre os seus1 e entre todos os que se-seguram de alguma e/imasam2 aquele conceito1 que pod]ia aqui/>1 se fose mais p>co de ornam5tos2 sab]iam entam1 com que olhos se-devem l]1 c]tos autores4 ,mas eu falo em um supo/o1 que me-p>ece falso1 e vem as]2 que e/es tais pr(iram1 v]dadeiras s5t5sas3 falam como se fose por-s5t5sas2 mas nam sei se o que dizem1 m]ece e/e nome4 ,porque a ,s5t5sa deve1 em p\cas palavras1 diz] muito1 e dize-lo com modo s+ul>3 o que r>as vezes se-a*a neles4 ,note tambem ,v4 ,p4 outro defeito de eloqu5cia1 no-mesmo frontispicio dos-livros4 ,e/am e/es seus autores1 tam preocupados polas esquipaso5s1 que nam se-cont5tam1 de pr o titulo d-livro cl>o3 mas ou inv5tam um e/rambotico1 ou acrec5tam algum epiteto1 que oscurece o negocio4 v4 g4 ,cri/ais1 d'alma1 fraze d-corasam3 ,f5ix r5acida3 ,alivio de tri/es1 consolasam de queixozos3 e outras coizas de/as1 que qu&o eu z-leio1 me-vem memoria1 o ,belor(onte lit]>io1 ,clypeus ,mundi1 e outros titulos ridiculos1 que s e/avam bem1 na boca de ,d4 ,quixote de la ,man*a4 ,e i/o nam s a*> ,v4 ,p4 entre os ,antigos1 mas entre e/es ,mod]nos4 ,traduz um ,ba*>el os ,epigramas d-,p4 ,reis1 em v]so ,portuguez1 e d-lhe e/e titulo3 ,imag5s conceituozas4 ,ora1 falemos sem paixam1 int5de ,v4 ,p4 que1 l5do-se e/es titulos1 pod] um omem adv9h>1 o que contem e/es livros8 ,eu nam t5ho dificuldade em apo/>1 que nam3 e digo mais1 que e/e autor nam int5deo1 o que qu] diz] aquele titulo3 pois1 a fal> v]dade1 nam maior despropozito1 que a uniam daquelas duas palavras1 p>a explic> a dita v]sam4 ,e ponho agora de p>te a l\cura1 de traduzir em ,portuguez1 epigramas de/es ,lat9os1 cuja galant>ia nam consi/e1 em um conceito nobre2 mas em palavr9has1 ou equivocos1 que p]dem o pico1 na tradusam4 ,mas nam pra ni/o o abuzo3 antes *eg\ a t]mos1 de se-nam-*am>em z coizas1 com os seus nomes1 porem com outros muito dif]5tes4 ,vi concluzo5s de ,logica1 que se-intitulavam3 ,regnum ,alg>bi5se 9 quatuor vicos di/9ctum3 ,vicus primus1 de ,signis3 secundus1 de ,enunciatione c4 que se-podia int5d]1 s] uma c>ta geografica4 ,outras de ,filoz(ia intitulavam-se3 ,pigm5ta ,philosophica4 ,f9alm5te *amavam-lhe como qu]iam4 ,e i/o mui frequ5te1 nas escolas da-,companhia3 e nam falt\ ja quem me-disse1 que eram titulos +5hozos4 ,e/es titulos1 ,conclusiones1 ,propositiones1 ,!ses1 nam pre/am ja p>a nada3 sam coizas dos-antigos1 e nomes mui ord9>ios4 ,e que *ama ,v4 ,p4 a i/o1 s5am jur>1 de nam diz] z coizas direitas1 mas de fal> em ,p]siano1 ou ,*9ez8 ,e se ,v4 ,p4 exam9> e/e defeito1 a*>1 que sam p\cos os autores1 que nam caiam nele4 ,outros acrec5tam epitetos afetados4 v4g4 ,regras da-l+ua ,portugueza1 ,espelho da-l+ua ,lat9a3 deix&o agora muitos outros1 que podia acrec5t>4 ,contudo eu int5do1 que era mais natural1 e nobre diz]3 ,regras da-,gramatica ,portugueza1 p>a introduzir os rapazes1 na ,gramatica ,lat9a3 ou a9da mais breve1 e melhor3 ,introdusam p>a a ,gramatica ,lat9a3 e fal&o asim1 todos o-int5d]iam4 ,que fizesem i/o nos-dois ultimos seculos1 paci5cia3 mas agora1 que o mundo abrio os olhos1 e todos procuram explic>-se bem2 nam se-pode s(r]3 e vale o mesmo que mo/r>1 que nam int5dem em que consi/e1 a elegancia da-l+ua1 e a =sa da-eloqu5cia4 ,os seic5ti/as sam os que caram1 ne/a ridicul>ia3 os antigos d\tos todos1 a-evitram3 e se algum se-desvi\ dela1 nam teve sequazes1 e deve s] reprovado4 ,os titulos dos-,antigos1 todos sam simplezes3 ,cornelius ,celsus1 de ,re ,m$ica3 ,caii ,julii ,cs>is1 de ,bello ,gallico c4 ,cic]onis ,orationes1 ,epi/ol1 de ,f9ibus bonorum c4 e outros a e/es semelhantes4 ,e/as palavras mo/ram bem1 o de que se-trata3 e aquela nobre simplicidade encanta mais1 que todas z afetaso5s1 a quem int5de1 que coiza ,eloqu5cia4 ,os ,mod]nos d\tos1 qu&o nam sam anonimos1 que qu]em br9c>2 s]vem-se de titulos sezudos1 breves1 e cl>os3 e ni/o em que oje se-cuida4 ,com efeito nos-titulos se-mo/ra1 o juizo d-autor4 ,eles sam os que apontam a mat]ia3 e devem nam diz] m5tiras1 e fal> em l+ua1 que todos int5dam4 ,p]t5cem a e/a clase1 os que nas ,concluzo5s publicas1 poem por-que/am pr9cipal uma coiza1 que nam significa nada1 e nam p]t5ce mat]ia4 ,confeso a ,v4 ,p4 que qu&o a primeira vez1 vi ne/e ,re9o e/as concluzo5s1 fiquei pasmado3 e qu&o vi1 que a dita que/am nam se-disputa1 nem s]ve de nada1 a9da me-admirei mais4 ,um de/es imprime umas ,concluzo5s de ,logica3 d$ica-z a ,cri/o ,crucificado3 7porque e/es mosos tem tanta devosam1 que em n5hum lug> a-podem encubrir7 e poem por-que/am pr9cipal3 ,se fic\ mais gloriozo ,cri/o na cruz1 que no-,tabor4 ,outro faz umas concluzo5s de ,mat]ia ,primeira1 e poem por-que/am3 ,utrum 9 ,lun concavo degant hom9es8 ,f9alm5te bem r>o aquele1 que poem que/am pr9cipal1 tirada das-concluzo5s3 mas ou da-d$icatoria1 ou de outra coiza1 que nam significa nada4 ,e e/>m s vezes semanas inteiras1 lambic&o o +5ho1 p>a excogit> uma que/am sutilisima1 que calse bem d$icatoria4 ,e que *ama ,v4 ,p4 a i/o8 s5am diz] m5tiras3 s]vir-se de palavras que nam significam nada3 improprias ao argum5to3 s p>a mo/r>1 que tem +5ho4 ,saiem eles logo diz5do1 que um co/ume antigo3 ,e eu respondo1 que mao co/ume3 e que se-deve em5d>4 ,na m9ha ,italia poem-se z concluzo5s simplezm5te1 sem e/es rodeios4 ,se z concluzo5s sam d$icadas a ,c>diais1 ou ,bispos1 ou outras pesoas gr&es2 e/es vam asi/ir em publico1 as5tados defronte d-,def5d5te3 o qual porem e/ na cadeira3 e ali faz ao pr9cipio um comprim5to ,lat9o1 pesoa a quem d$ica1 breve1 e cl>o3 e procura fal> em l+ua1 que todos int5dam1 e mo/r> a sua d\tr9a sem sutilezas1 nem coizas que m]esam rizadas4 ,nem int5da ,v4 ,p4 que e/es defeitos que aqui aponto1 sam de um ou dois autores3 nam s5hor1 sam g]ais4 ,leia ,v4,p4 e/as obras ,portuguezas mod]nas1 pr9cipalm5te oraso5s ,academicas1 em que fazem o/5tasam1 de toda a erudisam e adv]t5cia2 e confirm> o que digo4 99 99 99 ,entre os mod]nos1 o ,conde da-,ericeira tem muito di/o1 como ja disemos4 ,comesa z suas coizas com uns rodeios1 e umas oscuridades1 que sem com5tos nam se-int5dem4 ,daqui pasa a ac>ret>1 tudo quanto leo3 e comum5te dezemp>a o asumto1 p>a diz] o que lhe-ocorre4 v4g4 ,no-elogio ,funebre de ,francisco ,dionizio de ,almeida diz1 que tomava por-emp5ho1 descrev] o elogio de ,tito ,pomponio ,atico1 que morrra no-dito dia4 ,mas sem fal> em ,atico1 mete outras noticias e/rangeiras1 e diz mui p\co d-defunto4 ,promete enc>ec] a p]da d-defunto3 mas nada di/o faz4 ,o mesmo ,conde no-elogio d-,papa ,inoc5cio ,,xiii4 decl>a logo1 que nam seguir os preceitos da-,retorica1 mas da-,i/oria3 e com efeito faz um catalogo difuzisimo e insoportavel1 da-g]asam d-dito ,papa3 e de/e nam diz nada4 ,dev5do porem sab]1 que a obrigasam sua era1 exalt> z virtudes d-seu eroe1 e nam z dos-pasados4 ,pois asimcomo n5huma molh] feisima m]ece s] l\vada1 porque filha1 de uma molh] mui bonita3 antes polo contr>io1 a f]mozura da-ma5 d ocaziam1 p>aque nos-admiremos da-filha3 asim tambem z virtudes dos-pasados1 nam s]vem de panegirico aos prez5tes3 neces>io mo/r>1 que e/es exc$em os seus maiores1 nas mesmas aso5s4 ,d-que fica cl>o1 que o dito ,conde sabia p\co1 elogi>4 ,e nam se podia esp]> m5os1 de um omem que prote/a1 de nam seguir a ,retorica4 ,e quantos p>5tes1 qu]o diz]1 apaixonados1 nam vemos de/e fidalgo6 ,mas sem nomi> mais n+uem1 prov>ei tudo com outra orasam1 feita na morte1 de ,d4 ,manoel ,caietano de ,s\za3 da-qual porem nam sei quem o autor1 nem onde foi impresa2 porque uma que a*ei em c]ta p>te1 e a9da cons]vo1 nam tem z primeiras folhas1 e comesa na folha #g4 ,mas seja quem =1 mod]no3 vi/oque o ,s\za morreo p\co tempo3 e se ,v4 ,p4 a-tem lido1 a*> uma gr&e prova d-que digo4 ,e/e omem faz uma orasam1 que um groso volume4 ,primeiro defeito d-panegirico4 ,confeso1 que asi/i a muitas e dif]5tes exequias1 de ,pontifices1 ,imp]adores1 ,reis1 ,pr9cipes sob]anos1 ,c>diais1 e ,s5hores gr&es3 e nunca vi alguma1 que *egse metade de/a4 ,mas i/o nada4 tudo o que ele diz d-tal ,s\za1 podia-se r$uzir qu>ta p>te1 e a9da s]a longa4 ,consi/e pois e/e gr&e volume1 emque o tal ,panegiri/a1 p>a mo/r> que era erudito1 v]teo nela1 quanta erudisam t9ha4 ,explic>meei se dis]1 que ali se-a*a o ,teatro de los ,dioses1 e ,!atrum ,vit ,human1 em corpo e alma4 ,nam diz coiza alguma1 p>a que nam traga um bocado de antiguidade1 comum5te arra/ada4 v4g4 ,p>a diz]1 que o ,s\za unia a pi$ade com a ci5cia#eb2 introduz a p>5tezis de uma pag9a1 em que entra ,alex&re1 ,cez>1 ,cipiam c4 ,p>a diz]1 que o dito nam quiz]a mo/r> a sua ci5cia1 s5am em ,lisboa#ec2 nomeia ,univ]sidades sem tom nem som3 salt&o de ,bolonha aos ,paizes ,baixos3 de ,p>iz outra vez a ,padua3 de ,espanha a ,g]mania c4 e a cada paso mete fabulas1 sem ps nem cabesa4 ,e e/e ju/am5te o defeito1 que eu asima cond5ava4 ,sobre o que me-lembro das-grasas1 de um omem mui d\to1 que foi ,mons5hor ,s]g>di3 ,e/e qu&o se-a*ava em alguma p>te1 em que algum de/es1 que t9ham lido alguma fabula1 ou i/oria1 a-qu]iam introduzir ou bem ou mal2 dizia-lhe galantem5te3 ,diga1 meu s5hor1 diga tudo o que tem e/udado1 e/a noite4 ,nam falo ja em alguns erros de i/oria3 como diz]1 ,que a b>ca de ,s4 ,p$ro naveg\ polo ,tibre3 ,que por ele tambem intrram1 z ,troianas gals de ,eneas3 e outros semelhantes#ed4 ,um bocad9ho que e/udse mais de ,i/oria1 e ,geografia1 lhe-mo/r>ia1 como z coizas ou =am1 ou nam =am3 e lhe-ens9>ia1 que o lug> em que dezemb>c\ ,eneas1 nam foi o ,tibre1 polo qual nunca naveg\4 ,*ama aos ,romanos1 dec5d5tes de ,eneas1 e ,ascanio4 como se ,eneas fose o ,no dos-,lav9ios1 ,albanos1 e ,romanos6 ,mas a i/o *amo eu v5ialidades3 o que nam poso s(r]1 sam outras falsidades1 que diz naquele panegirico2 pr9cipalm5te qu&o qu] sar1 fra de ,portugal4 ,ne/e cazo o omem trans=ma tudo4 ,um comprim5to feito a ,d4 ,manoel ,caietano1 uma c>ta escrita mais cortezm5te1 sam aut5ticas provas1 da-sua im5sa lit]atura4 ,que p\co in=mado 1 da-politica dos-outros ,re9os1 e/e ,panegiri/a6 e quam p\co sabe di/+uir1 o enc>ec] uma coiza1 e o inv5tala6 ,pode o ,retorico dilat>1 e exag]> muito um argum5to3 mas sempre d5tro dos-limites da-v]osimilidade4 ,ora uma p>voice manife/a diz]1 ,que o ,s\za foi a ,roma1 p>a espant> todo o orbe lit]>io3 ,que em todo o mundo se-ouviam1 os brados da-sua fama3 ,que a ,europa susp5sa e admirada confes\1 que exc$ia a sua mesma fama c4#ee3 ,que a ,europa confes\1 que a sua erudisam era maior1 que todos os enc>ecim5tos1 com que o-celebravam no-mundo1 z mesmas cem bocas da-,fama#ef4 ,i/o sam m5tiras mui manife/as3 e a i/o *ama-se satiriz>1 e nam1 elogi>4 ,nam pra aqui a galh(a3 diz1 ,que nam se-sabe em ,portugal1 que os ,re9os e/rangeiros desem1 ne/es ultimos tempos1 um omem1 que se-posa comp>> ao ,s\za#eg4 ,que o-nam-saiba ele1 conc$o3 vi/oque pola sua orasam1 mo/ra sab] muui p\co3 mas que o-ignorem outros ,portuguezes1 nego r$ondam5te4 ,conheso eu om5s1 que sabem di/+uir muito bem ,d4 ,manoel ,caietano1 de inf9itos om5s1 muito mais d\tos que ele4 ,eu creio que ,d4 ,manoel ,caietano foi d\to1 e s\be mais1 doque o comum dos-,portuguezes3 a9daque eu nam poso julg> por-exp]i5cia1 porque nunca o-tratei3 mas polas suas obras o-discorro3 mas nam sam elas tais1 que ponham um omem1 na primeira esf]a dos-d\tos4 ,e sei eu muito bem1 que a sua ,exp$itio ,hispanica1 mui p\co e/imada em muitas p>tes3 e que nam pode obrig>1 os om5s mais d\tos1 e de uma critica purgada2 a que mudasem de op9iam1 sobre a v9da de ,santiago3 e eu s\ um daqueles1 que a9da nam se pode p]suadir1 das-suas razo5s4 ,mas qu]lo comp>>1 com outros gr&es om5s da-,europa1 mo/r>1 que nam int5de e/e (icio4 ,que semelhansa tem o ,p4 ,s\za1 com ,petavio1 ,sirmondo1 ,launoi1 ,arnaud d',&illy1 ,valois1 ,mor91 ,huet1 ,bossuet1 ,tomass91 ,noris1 ,calmet1 ,mabillon1 e outros muitos ,catolicos8 ou com algum dos-,erejes1 como ,grotio1 ,scalig]o1 ,uss]io1 ,seld51 ,j4 ,g]>do ,vossio1 ,daniel ,he9sio1 ,dall1 ,samuel ,petit1 ,saumaise1 ,bo*>t1 ,lightfoot1 ,hott+]1 ,joam ,gronovio1 ,luiz de ,dieu1 e outros muitos que deixo8 os quais todos vivram no-seculo pasado1 e muitos deles alcansram ,d4 ,manoel ,caietano1 e morrram ne/e seculo8 ,que semelhansa1 torno adiz]1 em va/idam de noticias1 em antiguidades1 l+uas ori5tais1 ,teologia c48 tanta como o dia com a noite4 ,e/es que =am conhecidos1 em todo o mundo d\to1 e s]am et]nam5te v5]ados4 ,bem mo/ra e/e ,panegiri/a1 que nam sabe que coiza erudisam1 qu&o fala de/a sorte4 ,nam falo na ,filoz(ia1 pois todos sabem1 que om5s florecram1 no-fim d-seculo pasado1 e no-prez5te3 dos-quais a ,d4 ,manoel ,caietano1 7que dizem era ,p]ipatetico1 ou a9daque o-nam-fose7 bem legoas de di/ancia4 ,em tudo se-mo/ra o ,panegiri/a1 p\co in=mado d-mundo3 e1 polo que vejo1 cuido que era algum pobre ,religiozo1 que nunca sara de ,portugal2 e asim vivia mui satisfeito da-sua t]ra3 pois *ega a diz]1 que z ,univ]sidades de ,portugal1 at no-edificio1 exc$em muito1 z dos-outros ,re9os#eh4 ,no-que mo/ra int5d] tanto de ,ar*itetura1 como de erudisam4 ,mui dif]5tem5te me-fal\ um ,portuguez1 que e/iv]a em ,roma1 e t9ha outros conhecim5tos3 o qual confes\ limpam5te1 que em mat]ia de bom go/o1 valia mais uma s janela da-,sapi5cia1 ou ,univ]sidade ,romana1 ou d-,colegio ,romano dos-,jezuitas1 que todas z ,univ]sidades1 e ,colegios de ,portugal3 e nam era enc>ecida a propozisam4 ,e/e o motivo1 meu amigo e s5hor1 porque os ,e/rangeiros nam crem1 em n5hum de/es panegiricos3 porque dizem1 que os ,portuguezes1 namob/anteque comum5te sejam invejozos1 e digam mal uns dos-outros2 qu&o porem tomam o emp5ho de elogi>1 m5tem dez5caixadam5te1 e tudo trans=mam3 e at dizem mal dos-outros todos1 p>a elogi> o seu eroe4 ,se l\vam um ,santo1 nam s nam ,santo igual ao seu2 mas quazi *egam a diz] mal1 dos-outros todos4 ,o mesmo faz o noso ,panegiri/a4 ,que um omem fasa uma orasam mui mal3 que se-explique infelizm5te3 que introduza na-orasam1 quantas coizas leo3 que ignore o e/ilo de elogi>1 e amplific> os argum5tos3 que seja languido e sem grasa na compozisam3 que nam saiba1 manej> a sua l+ua3 que ignore a colocasam das-palavras1 e armonia dos-p]iodos3 como faz e/e ,panegiri/a2 nam s]a gr&e coiza3 o que nam poso s(r] 1 que t5ha prezumsam desm$ida1 e que diga mal dos-outros1 e d'aquilo que nam int5de4 ,o que se-faz ne/as oraso5s1 e com especialidade o autor de/a4 ,p>a diz]1 que o ,s\za e/ud\ em ,portugal1 e nam fra dele2 emprega quatro boas pag9as#ei1 diz5do mal1 dos-que vam e/ud> fra de ,portugal3 porquanto c em ,portugal1 segundo ele diz1 tudo se-a*a1 e muito melhor1 que nos-outros ,re9os4 ,os mesmos livros3 om5s mais d\tos3 ,univ]sidades melhores1 e mais flor5tes da-,europa3 ,portugal o ,re9o da-,sab$oria2 d-qual os ,e/rangeiros podiam p>ticip> com mais razam1 doque os ,portuguezes deles3 e outras semelhantes4 ,e que diz ,v4 ,p4 a e/a propozisam8 coiza mais e/upida6 ,e conc$em-se lic5sas1 a semelhantes escritos6 ,s5hor ,panegiri/a1 respond]ia eu1 nam ba/a t] os livros1 neces>io int5dlos3 e iso o que os pragu5tos dizem1 que muitos c nam sabem4 ,todos os ,lat9os nas escolas lem ,cic]o2 e p\cos o-int5dem2 e muito m5os o-imitam4 ,mas1 suponhamos que o-sabem alguns2 ,porv5tura1 sabem-no ou ens9am-no nesas ,univ]sidades8 nam s5hor1 que eu prez5ciei tudo o contr>io4 ,alem diso1 aqui nam ex]cicio de l+uas1 ,filoz(ia boa1 ,matematicas1 ,teologias ,pozitivas c4 ,i/oria1 ,m$ic9a v]dadeira1 e outras faculdades3 se me-nac] alguma duvida1 a quem o-ei-de progunt>8 ,alem diso1 esa falta de ex]cicio cauza1 de que se-ignorem muitos livros3 pois c]to1 que em ,portugal1 nam se-conhecem livros bons1 que sam bem vulg>es em outros ,re9os3 e o ,panegiri/a um deles2 que por-nam conhec] os autores1 diz muita falsidade1 no-seu ,panegirico4 ,despois que se-fund\ a ,academia da-,i/oria1 quantos livros nam se-conhecem1 que antigam5te se-ignoravam8 ,conc$o1 que se em ,portugal se-introduzisem outros e/udos1 com o &> d-tempo f>iam o mesmo1 que nos-outros pazes3 mas como a9da e/amos mui longe d'esa epoca1 nam m>avilha1 que muitos vam e/ud> fra1 o que c se-nam-sabe4 ,pr\v]a a ,deus1 que fosem muitos mais3 e que e/udasem bem3 e viesem introduzir ese bom go/o1 em ,portugal4 ,quanto ao que diz o ,panegiri/a1 que os ,e/rangeiros podiam apr5d]1 dos-,portuguezes2 tem muita razam3 mas deixo a ,v4 ,p4 o-det]m9>1 se -de s] em armas1 ou letras4 ,se ele s\bse o conceito1 que aqueles tem dos-,portuguezes1 fic>ia mui admirado4 ,e p>a nam busc> exemplos remotos1 direi a ,v4,p4 que eu falei em c]ta ,cidade1 com um ,religiozo1 que vi]a in/ruir em ,rilhafoles1 os ord9&os3 e me-dise1 que ficra pasmado1 de v] a ignorancia de/es pazes1 pr9cipalm5te dos-,cl]igos3 muitos dos-quais1 nam ob/ante t]em fama de d\tos1 necesitavam apr5d]1 os primeiros rudim5tos da-,f4 ,e/e falava por-exp]i5cia2 pois e/iv]a dois anos em ,portugal3 era alemdiso um omem de virtude1 e mui mod]ado no-fal>4 ,veja ,v4 ,p4 que conceito eles tem di/o4 ,pode-se not> no-mesmo ,panegiri/a1 a inco]5cia3 ,qu&o lhe-tem conta1 p>a avult> a ci5cia d-,s\za2 ,roma uma ,cidade *eia de om5s d\tos3 a ,arcadia uma coiza famozisima3 um congreso de ,virgilios1 e ,oracios4 ,qu&o nam lhe-tem conta1 os ,e/rangeiros nam sabem nada3 e tudo podem apr5d]1 dos-,portuguezes3 quem int5d] tal omem6 ,em uma palavra1 e/e omem cuido nam fez coiza pior1 na sua vida4 ,todas z comp>aso5s que faz1 sam arra/adas1 e inv]osimeis3 z exclamaso5s1 que frequ5tem5te introduz1 fra d-propozito1 e d-lug>3 z p>5tezis longuisimas1 sup]fluas1 e insoportaveis3 a fraze afetada1 mas sem elevasam ou nobreza2 repet9do em cada regra a ,ilu/risima1 a um ,religiozo1 e a um morto4 ,f9alm5te nam sabe d> =sa1 aos argum5tos que traz1 dilat&o-os com artificio retorico4 ,mas nam qu]o fal> mais ne/a mat]ia1 porque p>ece que faso gr&e cazo1 de uma coiza que o-nam-m]ece4 faz] gr&e favor ao autor1 critic>-lhe os defeitos1 que sam inf9itos4 ,antes devo p$ir a ,v4 ,p4 p]dam1 de o-t] demorado1 com semelhante orasam3 o que fiz por-duas razo5s3 ,primeira1 p>aque ,v4 ,p4 vise1 a inf9ita di/ancia que poem1 entre s]mam funebre na igreja1 e orasam funebre na academia3 como se os preceitos da-,retorica fosem dif]5tes6 ,segunda1 p>aque vise p9tados em uma s orasam1 todos os defeitos que lhe-t5ho apontado1 re9>em ne/es pazes3 pois s5do e/e um dos-mod]nos1 caie em todos eles1 nam diz5do o que deve2 e diz5do o que nam deve4 ,os quais sam mui consid]aveis defeitos1 de ,retorica4 ,o que at aqui t5ho expo/o a ,v4 ,p4 ba/antem5te mo/ra1 o que eu t9ha propo/o3 e d uma v]dadeira ideia1 d-que ,retorica1 em que se-deve uz>1 e como se-deve uz>4 ,e com efeito m5os a9da ba/a3 poisque t5do ,v4 ,p4 gr&e compre5sam de mat]ias1 e mais que tudo1 =m&o juizo exato das-coizas2 nam lhe-podem s] ocultas1 e/as que aponto2 e nam pode deix> de fal>1 com belisima ,retorica4 ,mas juizos tam sepultados na mat]ia1 que nam podem consid]> outras coizas1 s5am aquelas que uma vez vram3 nem receb]m a v]dade mais cl>a1 e demon/rada1 se nam propo/a com aqueles t]mos1 e por-aquele metodo1 que uma vez ouvram4 ,i/o me-obriga a faz] alguma reflexam1 sobre z p>tes da-,retorica1 ou sobre e/as ,retoricas uzuais1 e pr9cipalm5te sobre o e/ilo d-pulpito3 vi/oque ne/es pazes1 p>a i/o incl9am mais3 e ni/o que necesitam1 de melhor diresam2 p>a os-livr> daqueles ridiculos prejuizos1 de que e/am *eios4 ,,metodo ,,de ,,p]suadir4 ,manife/a l\cura p]suadir-se1 que neces>io sab] tudo1 o que dizem z ,retoricas1 p>a s] ,orador#fj4 ,ja adv]ti a ,v4 ,p4 que e/as ,retoricas comuas1 eram pola maior p>te uma li/a de nomes1 e divizo5s1 imp]t95tes de se-apr5d]em1 e dificultozas p>a se-cons]v>em3 mas tudo i/o podia suc$]1 a9daque a mat]ia fose boa4 ,porem eu nam p>o aqui1 mas digo1 que nam s polo modo com que o-dizem1 mas iso mesmo que dizem1 tem p\quisima ou n5huma utilidade2 e nada conduz p>a o fim1 de fal> bem1 e p]suadir4 ,e digo da-maior p>te delas1 o que l dise ,cic]o de outra ,retorica1 que escrevra ,cleantes1 ,que p>a nam sab] fal>1 nam avia coisa melhor#fa4 ,sam s9co z p>tes da-,retorica3 ,procur> meios de p]suadir3 dispolos3 fallos bem3 e/udlos de memoria3 e pronuncilos com z aso5s que se-devem4 ,a i/o ajuntam1 os trez meios de p]suadir1 que sam z provas1 os co/umes1 e z paixo5s dos-ouv9tes4 ,dizem alem diso1 que qualqu] discurso oratorio deve t] exordio3 despois1 n>r> o fato3 despois provlo1 e respond] aos motivos contr>ios3 f9alm5te p]orasam1 na qual se-faz um epilogo dos-motivos1 e se-excita novam5te1 o animo dos-ouv9tes4 ,tudo i/o v]dade3 mas se p>>mos aqui1 p\co sab]emos de ,retorica4 ,eu direi alguma coiza da-,inv5sam3 sobre z outras1 reporto-me a eses livros comuns2 e s toc>ei1 o que me-= neces>io4 ,p>a busc> argum5tos ou provas1 que p]suadam1 o que p]t5de o ,orador2 propoem os ,retoricos uma li/a de nomes1 aque *amam1 lug>es comuns3 os quais ens9am1 consid]> o argum5to de tantas p>tes1 e voltlo de tantas maneiras1 que seja facil1 diz] muita coiza d-tal sugeito4 ,confeso1 que e/as consid]aso5s g5]icas1 dam mat]ia p>a fal> muito2 e em tal ou qual cazo1 podem nam s] inutis3 mas1 segu9do o p>ec] dos-om5s de exata critica1 con/antem5te digo1 que e/es lug>es nada m5os ens9am1 que a fal> bem3 sum9i/ram ideias g]ais1 palavras sem su/ancia1 n>izes de c]a1 que se-aplicam a tudo1 e nam p]suadem nada em p>ticul>4 ,um de/es que cre muito nos-,topicos1 fal> uma ora inteira1 sem diz] coiza alguma com propozito3 ju/am5te como os ,logicos da-,escola4 ,e/es escrevem longuisimos tratados de ,syllogismo1 dam mil regras1 p>a discorr] com propri$ade1 e sem fal5cia2 e p>a prov> tudo o que ocorr]4 ,a ouvilos na cadeira1 julg> um omem1 que sam letrados univ]sais3 mas introduza-os ,v4 ,p4 em um discurso p>ticul>1 e v]1 que tudo aquilo palhada3 concluirm um discurso pior1 doque nam f>1 um (icial ignorante4 ,muitas vezes nam sabem nem comeslo1 nem acablo3 e se lhe-metem a p5a na mam1 la/ima v]1 como escrevem z suas razo5s4 ,o mesmo ,cic]o1 que tam apaixonado era pola ,retorica1 e seus preceitos1 que escreveo um livro dos-,topicos2 contudo reconhece1 que neces>io muito juizo1 p>a se-s]vir de/es lug>es1 em modo que nam digamos p>voices#fb4 ,quem pois reflete ni/o1 int5de o conceito que se-deve faz]1 de semelhantes lug>es4 ,se nam fose p]metido fal>1 s5am naquilo que se-sabe1 a maior p>te de/es1 que fazem pr(isam de fal> em publico1 fic>ia calada4 ,n+uem capaz de discorr] em uma mat]ia2 se que a-nam-tem e/udado fundam5talm5te3 e nunca pod] d$uzir1 boas consequ5cias1 se acazo nam pose bem1 os pr9cipios4 ,pode um ,fizico e/> *eio de silogismos1 at os olhos2 t] lido quantas ridicul>ias se-tem dito1 sobre os apetites da-,mat]ia2 se acazo nam tem bem exam9ado1 z exp]i5cias3 nam pod] explic>1 qualqu] uzual f5om5o4 ,pode um ,teologo sab]1 a qu9ta es5cia da-frma silogi/ica2 mas se nam sabe bem1 em que textos se-fundam os ,dogmas1 nam s] ,teologo s5am de nome4 ,i/o supo/o1 a primeira e importantisima regra da-,inv5sam 1 int5d] bem a mat]ia1 que se-trata#fc3 porque s asim facilm5te se-incontram1 os argum5tos proporcionados ao sugeito3 e tam facilm5te se-incontram1 que naturalm5te se-aprez5tam1 caiem da-boca1 e da-p5a4 ,e/e o gr&e defeito1 de/es ,pregadores ,portuguezes4 ,propoem-lhe uma mat]ia1 que eles ignoram3 e em lug> de e/ud>em o que devem1 =mam logo ideia1 d-que qu]em diz]2 e despois procuram os textos1 que fasam ao int5to3 e se os-nam-a*am1 viol5tam5te os-arra/am3 porque f9alm5te1 seja como =1 deve-se prov>1 o que se-propoz4 ,ora a ,escritura nem sempre d textos lit]ais1 p>a confirm> todas z *im]as1 que os ,pregadores propoem3 e asim neces>io recorr]1 a algum de/es com5tadores ,p]ipateticos3 muitos dos-quais adotam nos-com5t>ios1 z sutilezas3 e1 se falta e/e1 nunca falta um de/es ,asceticos1 que provam tudo o que qu]em3 e temos o s]mam feito4 ,se o ,pregador tivese e/udado a mat]ia1 conhec]ia1 que v]dades importantes1 como sam z da-religiam1 nam se-podem prov> com sutilezas1 mas com razo5s solidas3 razo5s solidas nam se-podem a*>1 p>a prov> conceitos ridiculos3 de que vem1 que neces>iam5te um omem que sabe a mat]ia1 deve desprez> e/as pu]ilidades2 e consid]> todos os s]mon>ios1 talhados por e/a m$ida1 como livros que nam se-devem l]4 ,que s]ia d-mundo ,retorico1 se todos os om5s um dia1 abrisem os olhos6 ,eu seguro a ,v4 ,p4 que de cemmil livros1 que se-a*am ne/a mat]ia1 p\quisimos se-pod]iam cons]v>2 e alguns deles1 s por-faz] favor1 aos seus autores4 ,pois aquilo que entam f>iam todos1 devem oje faz] os om5s1 que se-qu]em aproveit> a si1 e aos outros4 ,qu&o eu era rapaz1 e som5te conhecia os autores polo sobrescrito1 consid]ava mais felizes1 e d\tos aqueles om5s1 que posuiam mais livros1 doque os que t9ham m5os3 porque1 dizia eu1 aqueles gozam a lisam1 de mais autores1 e de mais om5s insignes4 ,naquele tempo1 ,escritor1 e ,d\tor1 eram s9onimos no-meu ,vocabul>io4 ,eu era um daqueles1 7que por-nosos pecados1 a9da vemos oje tantos7 que m$a a ,ci5cia a palmos3 quanto mais livros1 mais ci5cia3 e o livro maior sempre me-p>ecia1 tezoiro mais preciozo4 ,mas despois que me-famili>izei1 com aqueles mortos3 que revolvi muitas1 e gr&es livr>ias3 que consultei om5s d\tisimos3 que li at5tam5te os ,criticos3 e f9alm5te que tomei o trabalho de exam9>1 com os proprios olhos1 o m]ecim5to de muitas das-ditas obras3 trans=mei-me ne/e p>ticul>3 e =mo tam dif]5te conceito d-mundo2 que se explicse tudo o que int5do1 nam cons]v>ia tam boa conrespond5cia1 com tanta g5te4 ,ora i/o que se-pode diz]1 de toda a sorte de livros1 aplico eu oje aos s]mon>ios1 e outros que tratam de ,retorica3 e conclo1 que p\quisimos de/es livros se-podem l]1 e a9da eses com cuidado4 coiza digna de obs]v>1 que ne/es pazes1 a maior p>te dos-que e/udam1 confundem o ,+5ho1 com o ,juizo3 o ,juizo1 com a ,d\tr9a3 e/a1 com o ,crit]io3 s5do coizas na v]dade bem dif]5tes4 ,pode um omem s] +5hozo1 porque pode unir dif]5tes ideias que elevem1 ao que *amamos ,+5ho2 e nam t] uma oitava de ,juizo3 porque f9alm5te o ,juizo aquela faculdade da-alma1 que sepra uma coiza da-outra1 e conhece cadauma1 como em si4 ,pode e/e omem t] ,juizo1 e nam t] ,d\tr9a1 porque nam tem e/udado4 ,pode t] alguma ,d\tr9a1 e nam t] aquela que neces>ia1 p>a =m> bom ,crit]io4 ,i/o p>ece-me bem cl>o4 ,mas nam o-int5dem asim aqueles1 que por-v]em um1 que idei\ v>ias *im]as1 e =m\ algumas ideias sutis1 mas ridiculas2 logo o-batizam1 por-omem de juizo1 e gr&e d\tor4 ,e daqui entam nace1 que z ideias daquele tal omem1 sam recebidas com mais respeito1 doque nam eram z respo/as1 em ,delfos4 ,mas1 torn&o ao argum5to4 ,p>a p]suadir1 qu]-se em primeiro lug>1 boa ,logica1 que d os v]dadeiros ditames1 p>a julg> bem#fd3 em segundo lug>1 um juizo cl>o1 que os execute4 ,sem e/es primeiros pr9cipios4 sam sup]fluos todos os ditames4 ,da-,logica em seu lug> fal>emos4 ,dec5do pois ao p>ticul> digo1 que s a v]dade ou v]osimilidade1 a que pode p]suadir um omem2 e aquela val5te arma1 com que nos-acomete a razam4 ,n+uem deixa de se-p]suadir1 de uma v]dade cl>a4 ,v]dade que muitos se-p]suadem1 da-ap>5cia3 mas tambem c]to1 que os-move a v]dade1 que nela imag9am4 ,asimque s a v]dade a que p]suade1 qu&o se-lhe-d at5sam4 ,a =sa que os om5s fazem1 p>a div]tir os olhos d-int5dim5to1 p>a outra p>te2 a que imp$e1 que a v]dade nam triumfe1 produz9do o seu efeito1 que a p]suazam4 ,ni/o que e/ o emp5ho d-,orador1 em descobrir a v]dade3 mo/rla em toda a sua cl>eza3 e manife/> o erro opo/o4 ,ni/o se-di/+ue o v]dadeiro ,orador1 d-,declamador4 ,e/e1 cont5t&o-se das-ap>5cias1 ve/e o erro com a masc>a da-v]dade3 o ,orador porem descobre e manife/a o erro1 e poem a v]dade em toda a sua luz4 ,or> nam +an>1 sim introduzir no-animo1 alguma v]dade importante4 ,mas muitas vezes os ,oradores1 tem mais necesidade1 de conv5c] o erro1 doque e/ablec] alguma v]dade notoria4 ,n+uem toma o trabalho de p]suadir1 que ,deus ca/iga1 e premeia3 i/o sabem todos os ouv9tes3 o ponto e/ em mov] os om5s p5it5cia1 mo/r&o o gr&e erro1 de a-def]ir p>a a ora da-morte4 ,em descobrir o erro1 que deve cuid> muito o ,orador4 ,os om5s nam se-+anam nas consequ5cias1 porque comum5te d$uzem-nas muito bem3 o em que se-+anam 1 nos-pr9cipios2 porque1 por-falta de exame1 recebem uns falsos1 como se fosem v]dadeiros4 ,deve pois o ,orador1 mo/r> a falsidade de/es pr9cipios4 deve mo/r>-lhe em que dis]am bem1 e em que falram +anados4 ,de/a sorte mo/r&o-lhe a v]dade1 se a mat]ia o-p$e2 ou1 se notoria1 descobr9do-lhe bem o erro1 se-consegue o fim da-p]suazam4 ,mas nam ba/a i/o1 p>a p]suadir3 e sam neces>ias outras circun/ancias1 p>a introduzir no-animo1 a v]dade4 ,a primeira 1 a at5sam4 ,que importa1 que o ,sol alumeie o ,mundo1 se eu depropozito me-retiro em uma caza oscura2 ou polo m5os1 nam d\ at5sam aos objetos1 que se-me-propoem8 ,damesma sorte importa p\co1 que a v]dade seja notoria1 e o erro muito bem conv5cido2 se eu nam faso at5sam p>a uma1 nem p>a outra coiza4 ,deve pois com cuidado o ,orador1 excit> a at5sam3 e como z coizas ord9>ias1 nam conseguem i/o1 mas sim a s+ul>idade e novidade2 deve o ,orador1 ve/ir iso mesmo que diz1 de uma c]ta novidade1 que o-reprez5te s+ul>4 ,z ,figuras dam e/a novidade s coizas3 e por-iso elas sam1 z que movem muito a at5sam3 d&o a int5d]1 que o objeto novo1 gr&e1 s+ul>4 ,c]to amigo meu1 descrev5do a c>a de uma molh]1 igualm5te feia1 e desvanecida2 s\be d> tal novidade a e/e asumto1 que bem umilde1 e e/]il2 que com go/o se-lia a descrisam1 d-pr9cipio at o fim4 ,porei aqui um soneto1 que fez ao dito asumto1 e que tem o mesmo artificio4 ,es feia3 mas desorte1 que orroroza tua vi/a bela a feialdade4 ,mas t5s =tuna tal1 que a enormidade ,te-consegue os tributos de =moza4 ,c>a tam feia1 coiza tam pasmoza ,todos obs]vam1 e move a r>idade4 ,nam desp]ta o comum1 a curzidade3 ,s] r>a1 que te-adla vaidoza4 ,ama-se o ,belo1 e cega o mesmo afeto4 ,o ,feio1 pois nam liga o p5sam5to1 ,deixa miudam5te v] o objeto4 ,iso faz1 que se-obs]ve ese port5to4 ,quanto e/s obrigada1 a ese aspeto2 ,se no-enorme te-d m]ecim5to6 ,o outro importante ponto1 de excit> a at5sam 1 nam mo/r> o objeto1 que se-propoem1 s5am qu&o a at5sam1 ja nam neces>ia4 ,embebido o omem da-curiozidade1 de sab] o que se-propoem1 v5do sempre coizas novas1 e que prometem despois de si1 outras maiores2 vai segu9do com a consid]asam o ,orador1 atque lhe-explique1 a inteira su/ancia d-negocio4 ,asim se-cons]va o ouv9te at5to2 e1 e/&o at5to1 se-lhe-introduzem1 z v]dades que se-qu]em4 ,nos-,poetas de algum nome v] ,v4 ,p4 e/e artificio1 bem executado3 e tambem em muitos ,prozadores4 ,o mesmo ,gracian no-seu ,criticon1 +5ha desorte a n>rasam1 das-figuras que introduz2 que acaba o capitulo1 qu&o se--de explic>1 algum gr&e fato3 e rez]v&o a solusam1 p>a o segu9te1 conduz o leitor1 desde o pr9cipio at o fim1 sempre com curiozidade de l]4 ,e/e tambem o artificio mais comum1 das-oraso5s de ,cic]o1 e de alguns ,oradores mod]nos1 que o-s\b]am imit>3 como eruditam5te adv]te1 um gr&e ,retorico da-m9ha ,religiam#fe4 ,e ni/o que se-di/+ue o ,orador1 d-,filoz(o4 ,ambos tem por-objeto1 a ,v]dade3 mas o ,filoz(o nam co/uma1 mov] a vontade3 cont5ta-se1 de expor z razo5s3 porem se acazo nam a*a um leitor1 sem prejuizos e preocupaso5s nam conclue nada4 ,mas o ,orador move z paixo5s3 excita a curiozidade3 mo/ra a v]dade de tantos modos1 com tanta cl>eza1 com tanta eficacia3 desfaz os prejuizos com tanto e/udo2 que f9alm5te conv5ce o ouv9te4 ,o #c4o ponto importante 1 sab] ganh> a vontade1 ou ins9u>-se1 no-animo dos-ouvntes4 ,a ,v]dade1 diz o prov]bio1 am>goza3 e uma v]dade nua e crua1 propo/a a uma pesoa1 que z-nam-coze bem1 dura de dig]ir4 ,deve pois o ,retorico1 ins9u>-se galantem5te1 no-animo dos-ouv9tes3 propondo-lhe a v]dade1 ve/ida de um tal modo1 que ele a-admita1 quazi sem adv]tir4 ,v4,p4 ja sabe1 que z pirolas de qu9aqu9a1 e outras tais am>gozas1 se-cobrem com m>melada1 ou obreia branca1 p>a se-engulirem sem dificuldade4 ,eu sei muito bem1 que e/e negocio1 nam e/ na esf]a1 de todos os ,pregadores4 ,requ] gr&e pratica d-mundo3 gr&e-conhecim5to dos-om5s3 d-modo com que obram1 e com que se-excitam z paixo5s3 f9alm5te uma ,filoz(ia p>ticul>1 que descubra a origem de todos os movim5tos d-animo3 lisam de bons autores3 e p]feita sagacidade3 qualidades todas que p\quisimos *egam a conhec]1 quanto mais posur4 ,julga-se comum5te1 e nam sem razam1 que o conceito que os ouv9tes tem1 da-virtude e m]ecim5to d-,pregador2 conduz muito1 p>a se-p]suadirem4 ,quem vai ouvir um omem1 de quem fama comua1 s] muito santo1 ou muito d\to2 vai meio conv]tido1 ou p]suadido4 ,em todas z ,aldeias1 -de av] um b>beiro1 que julgue de s]mo5s3 o qual e/imado1 como o omem mais intelig5te4 ,os ,aldeio5s talvez nam ouvem1 o que diz o ,pregador2 mas e/am at5tisimos aos movim5tos1 que faz o b>beiro3 se e/e aprova o discurso1 o ,pregador famozo4 ,asim se-vive nam s nas ,aldeias1 mas tambem nas ,cidades4 ,sam p\cos os om5s capazes1 de julg>em por-si3 mas vem1 ouvem1 e julgam1 polos s5tidos dos-outros4 ,a prev5sam pois com que se-ouve um omem1 aquela que1 entre a maior p>te dos-om5s1 decide d-seu m]ecim5to3 e e/a tal op9iam de m]ecim5to1 a que faz receb] com agrado1 os discursos3 os quais1 qu&o nam a*am opozisam no-animo1 produzem todo o seu efeito4 ,e asim deve o ,pregador1 mo/r>-se digno de o-s]3 deve preg> primeiro com z obras1 que s entam os seus discursos1 s]am bem recebidos1 e os seus ouv9tes fic>m p]suadidos1 d-que lhe-propoem4 ,mas devem e/as virtudes s] v]dadeiras1 porque sem iso1 nada conclem4 ,em #d4 lug>1 deve cuid> muito o ,orador1 em nam (5d] com palavras1 os seus ouv9tes4 ,os ,om5s nam go/am1 de repre5so5s publicas3 e p>ece que com razam4 ,tudo se-pode p]suadir1 com bom modo3 e facilm5te concordamos no-que nos-dizem1 se ouvimos z razo5s1 propo/as com amizade1 e com br&ura3 e propo/as por-um omem1 que nam faz vaidade da-,eloqu5cia3 que nam o/5ta triumfos3 mas que utilm5te se-s]ve dela1 p>a nos-incl9>1 p>a onde devemos4 ,em qu9to lug>1 neces>io tambem1 mo/r> aos ouv9tes a utilidade1 daquilo que lhe-propoem3 mo/r>-se p>cial dos-seus int]eses1 p>a os-pod] traz]1 p>a a p>te contr>ia4 ,ns facilm5te damos orelhas queles1 que int5demos obram1 polo noso mesmo motivo2 e e/am p]suadidos1 da-mesma paixam4 ,por-iso muitas vezes neces>io1 nam cond5> tudo quanto eles dizem3 l\v> alguma p>te1 p>a pod]mos cond5> a outra1 com mais eficacia1 e efeito4 neces>io1 sab] diz] mal nas ocazio5s1 modific&o a c5sura1 com alguns elogios4 ,obs]vei sempre1 que um omem que nega tudo1 ou conc$e tudo1 nam concle nada4 ,devemos d> lug> prev5sam2 e algumas vezes d> tempo col]a3 esfogada a qual1 entam que pode t] lug>1 a p]suazam4 ,p>a i/o requ]-se d\tr9a1 prud5cia1 afabilidade1 e outras muitas virtudes4 ,deve em #f4 lug>1 sab] excit> propriam5te1 z paixo5s2 e inspir> aquelas que sam proprias1 p>a mov] o ,omem4 ,sam z paixo5s z que nos-movem3 e nam coiza1 que nam posa faz] um omem1 se-acazo se-lhe-excit\1 a paixam proporcionada4 ,ni/o pois que deve e/ud> o ,orador3 inspir&o aquelas1 que sam neces>ias1 p>a abras> a v]dade que propoem4 ,p>a i/o neces>io1 e/ud> bem z paixo5s d-animo2 porque1 sem e/as ma*9as1 c]to1 que nada obram os ,om5s4 ,i/o que at aqui temos dito1 abrasa todo o g5]o de oraso5s1 e s]mo5s3 mas especialm5te se-devem not> algumas coizas1 p>a a eloqu5cia d-pulpito3 que compre5de duas sortes de oraso5s1 ,panegiricas1 e ,morais4 ,em primeiro lug> uma ridicul>ia e impropri$ade1 tom> um texto da-,escritura1 p>a faz] um panegirico ,funebre4 ,nam o asumto1 explic> a ,escritura3 mas sim engr&ec]1 z virtudes todas daquele omem2 p>aque todos o-imitem3 e consol> o auditorio da-sua p]da1 com a vi/a dos-monum5tos1 das-suas s+ul>es pr]ogativas4 ,onde deve-se descrev] a vida dele2 tom&o z aso5s mais famozas1 e deix&o m5ud5cias ridiculas1 que nam dam maior ideia1 da-dita pesoa4 ,devem-se n>r>1 e engr&ec] z aso5s3 deve-se na exag]asam empreg> todo o artificio da-,retorica2 sem deg5]> naquelas ridicul>ias1 que todos os mom5tos vemos3 a ,i/oria1 o exemplo pode d> novo lu/re1 s mesmas virtudes4 ,mas sempre devemos t] diante dos-olhos1 que uma coiza orasam1 em que se-p]suade1 a execusam da-virtude2 e outra panegirico3 naquela tem lug>1 os textos da-,escritura2 ne/a de n5huma sorte4 ,em uma palavra1 todo o artificio que se-deve pratic>1 em todas z oraso5s exornativas1 que ou l\vam1 ou vitup]am2 consi/e em n>r>1 e amplific>4 ,desorteque1 p>a nam faz] i/oria1 deve nam s n>r>2 mas de tal sorte di/ribuir a n>rasam1 que despois de n>r> um fato1 ou uma s]ie de fatos1 que p]t5sem ao mesmo ponto2 os-amplifique3 e asim mo/re o seu juizo1 na n>rasam2 e a sua eloqu5cia1 na amplificasam#ff4 ,como todas z oraso5s d-g5]o demon/rativo1 t5ham e/ado de comp>asam1 porque nam se-disputa1 an res sit1 mas quanta sit3 deve s] o pr9cipal artificio d-,orador1 introduzir a controv]sia conjetural2 com que manife/e1 a gr&eza da-zm1 consid]&o miudam5te todas z coizas1 que a-podem relev>4 ,despois1 conjetur> das-virtudes pasadas1 o que ele f>ia ne/as1 ou em outras circun/ancias c4 ,podem tambem ne/es panegiricos t] lug>1 div]sos outros artificios1 de controv]sia ,def9itiva1 ,translativa1 e ,judicial2 praticados polos antigos ,retoricos3 os quais conduzem muito1 p>a e/e mesmo fim4 ,quanto dispozisam dos-argum5tos1 aconselha ,cic]o1 que primeiro se-toquem1 os b5s ext]nos1 qu]o diz]1 da-g]asam3 despois1 os d-corpo1 e os d-animo4 ,quanto s aso5s1 que ou se-siga a ordem dos-tempos1 ou se-r$uzam a div]sos titulos de virtudes#fg4 ,de/a sorte n>r&o1 e amplific&o1 se-pod] =m>1 um panegirico p]feito4 ,pas&o daqui aos panegiricos de ,santos1 em quanto se-pud]em evit> temas1 s] mais arrezoado3 mas qu&o ou o co/ume1 ou o g5io obrigue1 a tom> algumas palavras da-,escritura2 nam neces>io1 esquadr9h> pr(ecias1 nem procur> de acomodalas lit]alm5te3 ba/a que z ditas t5ham alguma analogia1 com a mat]ia de que se-trata4 ,pode-se seguir a s5t5sa da-,escritura1 p>a comes> o s]mam2 sem a-introduzir novam5te1 no-corpo dele4 ,i/o t5ho vi/o faz]1 a om5s muito gr&es3 e p>ece-me que um tal exemplo1 se-deve pref]ir aos outros4 ,no-corpo da-obra1 deve-se seguir o mesmo e/ilo1 das-outras oraso5s laudatorias2 n>r>1 e amplific>4 ,mas como a vida dos-,santos1 pr9cipalm5te antigos1 ja nota a todos2 p>a evit> o fa/io a e/es delicados1 pode escolh] uma1 ou duas aso5s mais famozas1 e delas =m> o seu panegirico4 ,e e/e metodo o mais frequ5te1 qu&o se-fala em ,santos antigos3 cujas aso5s todas ou sam bem notas1 ou deles som5te sabemos1 uma ou outra virtude1 mas publica a todo o mundo3 ou algum gr&e privilegio1 conc$ido por-,deus ao dito omem3 e e/e o-engr&ecem1 com todo o artificio da-,retorica4 ,mas nos-mod]nos1 cuja vida nam mui notoria2 melhor1 seguir a ordem dos-tempos1 ou virtudes1 e explic> toda a vida d-,beato4 ,o gr&e ,orador ,paulo ,segn]i1 preg&o de ,s4,e/evam1 engr&ece a virtude de/e ,m>tir1 com v>ias consid]aso5s4 #a4 s] ,s4,e/evam o primeiro1 que dse a vida pola ,f4 #b4 tela dado por-uma f1 que entam comesava1 e era a9da desconhecida4 #c4 tela dado nam s sem esp]ansa1 de receb] aplauzos1 mas com c]teza moral1 de exp]im5t> oprobrios e d]rizo5s4 #d4 t] dado o proprio sangue por-um1 de quem nam t9ha recebido1 tam privilegiados favores1 como recebram os ,apo/olos4 #e4 porque uma tal zm m]eceo1 comunic> a ,paulo1 e outros que o p]seguiam1 a sua mesma f4 ,com e/e exemplo1 se-podem tec] mil panegiricos3 adv]t9do muito1 que e/es pontos1 nam se-devem prov> sep>adam5te1 como fazem ne/e ,re9o2 porque e/e metodo de/rue1 a uni=midade d-s]mam1 e imp$e o ex]cicio oratorio3 mas de um se-deve pas> a outro1 de modo tal que1 sem adv]tir o ouv9te1 se-veja introduzido na consid]asam1 de uma nova pr]ogativa2 com que o ,pregador vai requ9t&o1 z virtudes que n>ra2 e seguidam5te o-conduz ao fim1 de o-p]suadir1 que gr&e o sugeito1 de que se-trata4 ,e ni/o se-compre5de tudo1 o que p]t5ce ao g5]o laudatorio1 qu]o diz]1 aos s]mo5s em que se-l\va alguma pesoa1 ou alguma zm de pi$ade4 ,a outra especie de s]mo5s1 a que *amam ,morais1 podem em c]to modo p]t5c]1 ao g5]o demon/rativo3 o qual nam s compre5de1 os que l\vam alguma zm1 mas os que vitupram outras3 como sam os morais1 que p9tam o ,vicio mui feio1 p>a mov] os ,om5s1 a que abrasem a ,virtude opo/a4 ,mas como ni/o entra a p]suazam1 e admoe/asam1 que sam proprias d-g5]o delib]ativo2 podemos *am>-lhe1 mixtos de ambos os g5]os4 ,mas *amem-lhe como quiz]em1 o mesmo artificio1 que asima disemos1 se-pratica nos-outros2 deve pratic>-se ne/es1 com sua proporsam3 qu]o diz]1 que se-tome um asumto s+ul>1 e proprio d-que se-qu] diz]2 e que se-busquem argum5tos1 e se-dilatem demaneira1 que sempre se-v sub9do2 p>a *eg> a p]suadir-se1 o que se-qu]4 ,i/o supo/o deve o ,pregador1 fugir de dois extremos3 um1 de qu]] agrad> muito1 diz5do galant>ias1 e en*5do a orasam de p5sam5tos sutis1 de aplicaso5s *im]icas1 e outras coizas de/as3 outro1 de nam qu]] agrad> coiza alguma1 como fazem c]tos mision>ios1 que propoem z v]dades tam nuas e cruas1 que inf9itam5te dezagradam4 ,contra os primeiros1 ja asima dise alguma coiza1 repre5d5do z afetaso5s1 onde nam entram3 s5do c]to que nam entram tais coizas1 em mat]ias tam sezudas e graves4 ,mas porque muita g5te1 que1 qu]5do fugir d-primeiro defeito1 caie no-ultimo2 e p>a cubrir a propria ignorancia1 despreza todos os ornam5tos da-,retorica2 neces>io mo/r> a e/es1 o seu +ano1 com o exemplo dos-om5s d\tos1 e pios4 ,o ,pregador ,evangelico deve in/ruir1 e mov]3 e nam se-ins9u&o1 no-animo dos-ouv9tes1 nam conseguir o p]suadilos4 ,onde1 diz com muita razam ,s4 ,ago/9ho#fh1 que o ,orador ,cri/am1 deve sab] uz>1 dos-livros dos-,etnicos2 pr9cipalm5te dos-,retoricos1 p>a agrad>1 e p]suadir3 o que prova com exemplos1 de muitos ,padres1 que fiz]am o mesmo4 ,semelhante p5sam5to expoem ,s4 ,j]onimo1 escrev5do a ,magno ,orador ,romano3 e ,s4 ,gregorio ,nazianz5o diz mui cl>am5te#fi1 que todos os seus e/udos pr(anos t9ha deixado1 m5os a ,retorica3 na qual exp]im5tava todos os dias1 inf9itas utilidades2 e que dela se-s]vra1 e s]via sempre4 ,s4 ,bazilio1 ,s4 ,ambrozio1 e outros ,,ss4 mui d\tos nas letras pr(anas1 praticram o mesmo3 e nas suas obras conhecemos ns1 como podemos uz>1 dos-tais autores4 ,onde deve o ,pregador1 t] sempre na memoria1 aquelas palavras de ,s4 ,ago/9ho no-lug> citado3 ,volumus non solum intellig5t]1 s$ lib5t] audiri4 e em outra p>te3 ,nolumus fa/idiri etiam quod submisse dicamus 44444 ,illa quoque eloqu5tia g5]is temp]ati1 apud eloqu5tem ,ecclesia/icum1 nec inornata rel9quitur1 nec indec5t] ornatur4 ,deve alem diso o ,pregador1 nam s in/ruir1 e agrad>2 mas pr9cipalm5te mov]3 o que conseguir por-meio d-g5]o sublime1 e patetico1 qu&o se-trata de p]suadir1 z obras boas3 porque no-sab] mov] que consi/e1 o v]dadeiro triumfo da-eloqu5cia4 ,e p>a faz] i/o1 nam se-requ]em1 como j dise1 sutilezas1 mas razo5s =tes1 e bem dispo/as1 e exag]adas4 c4 ,i/o obrigasam4 ,quanto ao meio de o-conseguir1 deve1 despois de bom fundam5to1 nas letras umanas1 t] gr&e lisam da-,escritura1 e dos-,padres que apontamos3 cujas homilias ens9am1 como se-deve preg>1 p>a tir> fruto4 ,nam creio1 que aja ,pregador ou ,mision>io1 que queira s] mais santo1 mais d\to1 e mas zelante1 da-onra de ,deus2 que os que apontamos1 e outros semelhantes1 como ,s4 ,joam ,crizo/omo c4 e t5do eles praticado i/o1 com tanto l\vor2 eles tambem devem s]1 os nosos me/res4 ,especialm5te se-deve l] ,s4 ,ago/9ho1 nos-livros de ,doctr9a ,*ri/iana1 onde explica bem a mat]ia4 ,mas porque a maior p>te de/es1 prezados de ,criticos1 e ,retoricos1 que nam sabem a i/oria ,eclezia/ica1 nem ,lit]>ia2 int5d]m1 que e/es ,padres s cuidavam na virtude1 e nam sam bons p>a se-imit>em1 na eloqu5cia c4 s] neces>io explic>-lhe em breve1 quem eles eram4 ,bazilio ,ces>e5se1 ou ,magno1 de quem aqui falamos1 e/ud\ muitos anos1 na mais famoza escola1 que era ,at5as4 foi um dos-mais famozos ,filoz(os1 ,gramatico1 e ,retorico insignisimo4 z suas homilias sam um p]feitisimo modelo de eloqu5cia3 e o gr&e ,photio *ega a diz]1 que se-podem igual>1 a ,demo/5es4 ,leva a palma pr9cipalm5te1 nos-,panegiricos4 ,gregorio ,niss5o seguio z pasadas1 de seu irmam ,bazilio4 foi publico pr(esor de ,retorica1 e insigne ,filoz(o3 e tam amante das-letras pr(anas1 e especialm5te da-,retorica1 que ,s4 ,gregorio ,nazianz5o1 amigo comum de ambos1 na c>ta #dc4 cond5a1 e/e seu nimio e/udo4 ,o e/ilo dele sublime1 e juntam5te agradavel4 ,s4 ,gregorio ,nazianz5o foi condicipulo1 e amigo de ,s4 ,bazilio4 ,na eloqu5cia qu]em muitos1 que exc$a ao mesmo ,bazilio4 f9alm5te tam sublime na pureza1 e elegancia2 que o gr&e ,erasmo diz1 que nam se-pode traduzir bem em ,latim1 por-cauza da-magnific5cia c4 ,s4 ,ambrozio era eruditisimo em ,grego1 e ,latim1 mais doque comum5te se-nam-cre4 o seu e/ilo concizo1 e agudo1 e quazi semelhante ao de ,s5eca2 a9daque melhor4 ,nam era gr&e ,retorico3 mas fluido1 e proprio p>a conv5c] os erros com d\tr9a1 pi$ade1 e gravidade4 ,s4 ,j]onimo todos sabem que era um omem eloqu5tisimo1 em ,latim1 e ,grego c4 e mui v]sado nos-livros dos-,etnicos1 e na ,filoz(ia ,grega1 e ,i/oria2 e sumam5te veem5te3 ,onde pode-se apr5d] nele1 muita coiza boa4 ,s4 ,ago/9ho a9daque nem na pureza da-l+ua1 nem no-e/ilo seja igual a ,j]onimo1 e outros asima2 contudo na sutileza1 e no-mesmo tempo na pr(undidade d-juizo1 talvez o-exc$e4 ,c]tam5te que a9daque fose1 pr(esor de ,retorica1 nam fez gr&e aproveitam5to2 nem *eg\ erudisam dos-outros4 ,mas dele se-pode apr5d] muito3 pr9cipalm5te nos-ditos livros de ,doctr9a ,*ri/iana1 emque ens9a que dotes se-requ]em1 p>a int]pret> bem z ,escrituras2 e faz] z outras obrigaso5s de um ,eclezia/ico4 ,asimque dele se-podem apr5d]1 muitos ditames4 ,s4 ,joam ,crizo/omo tambem era d\tisimo4 ,alem da-pureza da-l+ua1 que p>ece um v]dadeiro ,atico1 une trez coizas admiravelm5te2 que sam a facundia1 a erudisam1 e a facilidade3 desorteque n+uem trat\ z mat]ias1 com mais cl>eza1 e naturalidade4 ,alem diso s+ul> ni/o1 que acomod\ a sua d\tr9a1 capacidade dos-ouv9tes2 e por-iso agrada a todos3 em modo que p>a preg> ao povo1 z suas obras ens9am muito4 ,e/es sam os ,santos1 que propomos ao e/udante2 e nam s porque sam santos1 e mui v]sados nas d\tr9as sagradas2 mas especialm5te porque o-sam nas pr(anas3 com z quais =mram o bom go/o1 e int5dram melhor z sagradas4 ,porque muitos nam tem1 e/es pr9cipios de letras umanas1 aplicadas s div9as2 por-iso vemos tantos ,pregadores1 que nam sabem abrir a boca4 ,e porque nas mesmas letras umanas1 muitos z-nam-e/udram como deviam1 nem *egram a conhec]1 qual era o bom go/o1 da-,eloqu5cia2 por-iso tambem ,v4,p4 ve todos os dias om5s1 que nam s nam sabem1 faz] um papel s(rivelm5te2 mas nem m5os conhec] nos-outros1 z delicadezas da-,oratoria4 ,desorteque se acazo lhe-mo/ram1 uma orasam bem feita2 nam lhe agrada3 ou s vam busc> nela1 z coizas m5os s(riveis2 palavr9has1 e coizas semelhantes3 sem olh>em p>a o todo da-orasam1 p>a a proporsam1 e dispozisam das-p>tes1 o modo de dilat> os argum5tos1 de acl>> uma v]dade2 a v]osimilidade dos-mesmos argum5tos1 e outras p>ticul>idades1 em que consi/e a eloqu5cia4 ,a e/e modo pois de exam9>1 como eles fazem1 *amo eu1 julg> com os cotovelos3 e tudo i/o nace1 de t]em e/udado mal4 ,tambem outra coiza importante1 deve adv]tir o ,pregador1 que sam z aso5s4 p>ece i/o nada1 e uma pr9cipal p>te na ,oratoria4 ,ni/o pecam ba/antem5te em ,portugal4 ,vemos ,pregadores1 que p5eiram no-pulpito1 mov5do os brasos e maons orizontalm5te1 com afetasam v]gonhoza4 vemos outros1 que amasam1 e dam e/ocadas com os brasos1 arregas&o z mangas1 e faz5do mil coizas e po/uras improprias4 ,nam pode ,v4,p4 cr]1 quanto i/o desfigura o ,orador1 e esfria o animo dos-que o-ouvem4 ,um papel bom1 qu&o mal reprez5tado1 nam vale nada3 o que todos os dias exp]im5tamos4 ,bem nota a i/oria de ,demo/5es1 o qual t5do ja dezesp]ado1 de pod] or> em publico1 pola infelicidade da-sua pronuncia2 um ,com$iante o anim\1 com a esp]ansa de reprez5t> bem3 e deo-lhe tais liso5s1 que foi a cauza pr9cipal1 d-gr&e nome1 e aceitasam que ao despois teve4 ,os ,romanos1 que sabiam quanto importava1 reprez5t> bem o seu papel1 desorte se-ex]citavam ni/o1 que tomavam liso5s dos-,com$iantes2 como o mesmo ,cic]o de si confesa4 ,e com efeito1 nam podiam tom> melhores me/res3 porque os ,comicos eram tam insignes ni/o1 que falavam som5te1 com z aso5s4 ,nos-ultimos tempos da-,republica1 se-introduzram nos teatros1 os ,pantomimos3 que era uma especie de ,com$iantes1 que com z aso5s som5te explicavam1 o que outro1 que e/ava imovel no-fim d-teatro1 dizia4 ,desorteque um falava2 e o ,pantomimo animava com a zm1 a expresam d-outro4 ,tal era a dilig5cia1 com que sabiam com a zm1 acompanh> os movim5tos d-animo6 ,i/o faziam aqueles que sabiam1 que coiza era ,retorica3 e i/o deve faz] qualqu] omem1 que -de or> em publico4 ,os nosos ,italianos sam os unicos1 entre todas z ,naso5s1 que melhor exprimam com a zm1 o que dizem3 e nam s qu&o oram1 mas tambem qu&o rectam v]sos4 ,os ,+lezes nam se-movem1 qu&o rectam3 os ,francezes esfogueteiam1 e cantam3 os ,espanhoes *oram3 outros tem outros defeitos4 ,mas pola maior p>te convem todos1 que os ,italianos1 sam os mais expresivos3 e um gr&e +5ho ,francez1 d-seculo pasado1 *eg\ a diz]1 que os nosos ,italianos naturalm5te eram1 ,com$iantes4 ,porem em ,portugal1 muita falta di/o4 ,dos-,pregadores notorio1 que nam s lhe-falta a zm1 mas at o tom da-voz1 que nam acompanha com a zm4 ,confeso a ,v4,p4 que nunca pude s(r] a afetasam1 com que muitos pregam a ,paixam1 ou z ,lagrimas4 ,e/udam uma voz flebile1 mas com modo tal1 que em lug> de faz] *or>1 provoca o rizo3 muito mais se consid]amos o que dizem1 com a dita voz flebile4 ,eles circunscrevem o e/ilo patetico1 na dita voz3 e as5tam que ela ba/a1 p>a mov]4 ,l\curas6 ,o mesmo digo1 qu&o fazem a exclamasam p>a o ,sepulcro1 nos-s]mo5s de ,qu>esma4 todo o ponto e/1 em grit> muito3 p$ir mil miz]icordias3 e com i/o se-cont5tam4 ,mas a fal> a v]dade1 e/es nam sabem o seu (icio4 ,o e/ilo patetico1 a coiza mais dificultoza1 da-,retorica1 como confesa ,cic]o#gj3 e nele que consi/e o triumfo1 e aplauzo da-eloqu5cia4 ,nam pequ5a dificuldade1 ou p>a melhor diz]1 coiza admiravel1 que z palavras que pr(]e um omem1 ajam de mov] em mil ouv9tes1 os mesmos s5tim5tos1 que qu] o ,orador3 amor da-,virtude3 odio d-,vicio3 aborrecim5to de si mesmo6 ,que cuida ,v4,p4 que s] neces>io1 p>a conseguir i/o8 neces>ia d\tr9a admiravel3 p>ticul> conhecim5to das-paixo5s umanas2 como se-excitam1 e adormecem3 aso5s proprias3 e em uma palavra1 sab] uz> das-,figuras1 na ultima p]feisam3 e i/o nam se-faz com voz flebile1 nem com grit>ias1 mas com outras virtudes oratorias4 ,nam digo1 que quem prega e/es s]mo5s1 e/eja r9do3 digo sim1 que deixe aquelas afetaso5s1 e reconhesa em que consi/e1 o mov] os animos3 qual a zm1 qual a voz proporcionada4 ,mas pior que tudo 1 qu&o rectam v]sos3 r>isimo vi1 que pronuncise v]so bem4 ,comum5te vam detraz d-consoante1 e fazem pauza1 nam no-fim d-s5tido1 mas no-fim d-v]so3 o que erro manife/o4 ,p>ece i/o pior1 qu&o rectam v]sos ,lat9os1 nos-quais nam consoante3 de que vem1 que um c>m5 pronunciado por-um deles1 e por-outro que o-saiba anim> com a voz1 e zm1 p>ece dif]5te4 ,e/e defeito deve em5d> o omem1 que qur s] p]feito4 deve ex]cit>-se em caza1 diante de algum amigo bem in=mado2 p>a v]1 se expremio bem1 a zm que qu]4 ,s asim conseguir1 s] ouvido com go/o4 ,mas eu qu]o p>>1 ne/e ponto3 porque se deixo corr] a p5a1 em lug> de reflexo5s1 escrev]ei um tratado de ,retorica4 ,reconheso que j ca1 no-mesmo defeito que cond5o3 mas a mat]ia tam fecunda1 e z reflexo5s ocorrram-me1 com tanta promtidam1 que nam pude deix>1 de z-admetir4 ,direi porem a ,v4 ,p41 que l5do o que t5ho escrito1 a*o que sufici5te1 p>a introduzir um moso no-e/udo1 da-v]dadeira ,eloqu5cia4 e quem se-capacit> bem de/as reflexo5s2 e comes> a l] os bons autores1 tanto ,lat9os1 como ,vulg>es2 e obs]v> neles1 o artificio das-oraso5s2 sem l] mais outra ,retorica1 pode sair gravisimo ,orador4 ,e/a prezunsam nam nace de mim1 mas damesma qualidade dos-preceitos3 os quais sam tam antigos1 como os ,oradores3 que o mesmo que diz]1 sam os mesmos que execut\ ,demo/5es1 e ,es*9es1 e ,isocrates3 que nos-deix\ escritos ,ari/oteles1 ,demetrio1 e ,long9o3 que pratic\ e ens9\ com tanto l\vor ,cic]o1 ,m4 ,s5eca1 e ,qu9tiliano1 e outros autores antigos4 ,z ,retoricas comuas nam apontam1 s5am alguns nomes1 que eu aqui nam quiz apont>3 sem sab] os quais1 pode um omem s]1 muito bom ,retorico1 se s\b] imit> e/es treslados4 ,como tambem pode um omem1 com exata lisam de bons livros1 discorr] bem1 sem sab] z especies de silogismos1 que apontam os ,logicos4 ,ne/e p\co que t5ho propo/o1 cuido que *eguei1 ao v]dadeiro pr9cipio da-,eloqu5cia4 ,nam apontei o artificio1 dos-div]sos e/ados de controv]sias oratorias2 porque nam era ese o meu argum5to2 nem tambem se-a*a1 nas ,retoricas ord9>ias3 e som5te se-pode apr5d]1 nos-mesmos autores orig9ais4 ,o meu ,religiozo que asima aponto1 explica muito bem e/es artificios1 d&o os exemplos orig9ais3 mas tambem se-demora com m9ucias3 e como escreve em l+ua e/rangeira1 nam p>a o cazo4 ,outros1 de que eu me-aproveitei mui bem1 tambem escrevem em l+uas e/rangeiras1 ou sam difuzisimos4 ,ne/e cazo p>a diz] a ,v4 ,p4 o meu p>ec]1 aconselho ao e/udante ,portuguez1 que nam tem alguma boa ,retorica ,portugueza2 que1 despois de int5d] bem1 o que aqui lhe-aponto1 tome alguma ideia1 da-di/ribuisam da-orasam2 a sab]1 exordio1 n>rasam1 provas1 epilogo3 que leia brevem5te1 o nome das-figuras das-palavras1 e d-animo3 o que o me/re facilm5te podia explic>4 ,po/o i/o1 segue-se l] um autor ,portuguez1 no-qual posa faz]1 z reflexo5s neces>ias4 ,mas aqui e/a a dificuldade3 e eu que nam co/umo +an> n+um1 dev5do diz]-lhe s9c]am5te o que int5do2 digo1 que nam a*o algum1 que posa s] modelo4 ,dos-s]mo5s nam t5ho que diz]1 s5doque ja expliquei1 o que eram4 ,z oraso5s ,academicas1 que se-lem nos-,anonimos c4 nam m]ecem que se-leiam4 ,algum elogio da-,academia ,real1 que mais tol]avel1 peca por-outro pr9cipio3 porque m]a i/oria1 sem artificio algum retorico4 99 99 99 ,e aos que respondem1 que tambem os ,francezes praticam o mesmo1 nos-elogios dos-seus ,academicos2 respondo o mesmo3 que os ditos elogios sam i/orias1 e nam panegiricos3 e asim o-julgam todos1 os que tem voto na mat]ia4 ,li nam muitos dias o d-,c>dial de ,polignac1 que teve ultimam5te seus aplauzos3 e a*ei que o autor1 se ouvse de escrev] a i/oria d-dito1 nam se-s]viria1 nem de outras palavras1 nem p5sam5tos1 nem frazes4 ,com efeito eu julgo1 que aqueles om5s nam qu]em faz] outra coiza1 que explic> em breve1 a vida1 e m]ecim5tos dos-seus ,academicos4 ,onde como eles nos-disp5sem1 de lhe-*am> orasam1 ou panegirico2 conc$emos-lhe tudo o mais3 mas devemos porem reconhec]1 que nam sam obras no-g5]o ,oratorio3 e que nam sam p>a se-imit>em4 ,onde ne/e cazo deve o me/re1 tom> sobre si o trabalho1 de explic> tudo em ,cic]o3 s]v9do-se p>a i/o d-,p4 ,cigne ,jezuita3 o qual1 segu9do o metodo de um c]to ,+lez1 faz a analize das-oraso5s de ,cic]o4 ,e asim nelas deve o me/re1 mo/r> o artificio da-,oratoria1 faz5do z segu9tes reflexo5s4 ,not> primeiro a =sa das-razo5s1 dispo/as com boa ordem1 unidas naturalm5te1 e amplificadas com artificio4 ,not> a v]osimilidade das-ideias3 a pureza e elegancia das-palavras3 a mod]asam e propri$ade dos-epitetos3 o num]o oratorio1 que consi/e em c]ta colocasam armonioza de palavras1 mas que nam deg5]e em v]so3 a introdusam das-figuras1 qu&o neces>io excit> z paixo5s3 z precauso5s que obs]va1 p>a nam dezagrad>4 ,obs]v&o bem i/o1 na lisam dos-autores1 ba/ava p>a conseguir1 o bom go/o da-,eloqu5cia4 ,deve porem unir-se com i/o1 o ex]cicio4 ,onde o me/re compor1 uma breve orasam ,portugueza1 segundo z regras da-arte3 e mo/r> nela aos dicipulos1 o artificio e galant>ia dela4 ,faz5do-se i/o em ,portuguez1 facilm5te se-apr5de3 e s asim podem eles1 int5d] bem os preceitos1 e executlos4 ,i/o nam fazem em ,portugal os me/res1 e quazi se-env]gonham1 de escrev] em ,portuguez3 sem adv]tirem1 que a ,retorica ne/es pazes1 mais se-ex]cita em ,vulg>1 que em ,latim4 ,mas por-e/a razam suc$e1 que saiem todos da-,retorica1 sem sab]em dela mais1 que o nome4 ,porem1 torn&o ao e/udante1 t5do-lhe propo/o um modelo1 de faz] uma breve orasam2 s] neces>io ex]citlo4 ,i/o facilm5te se-faz1 propondo-lhe na escola um asumto1 e progunt&o-lhe1 o que eles diriam em tal cazo1 p>a def5d] v4g4 ou acuz> aquela pesoa4 ,c]tam5te um rapaz com a logica natural1 dir algumas razo5s1 que lhe-ocorrem3 pois vemos1 que a n5hum rapaz faltam razo5s1 p>a se-desculp> dos-erros que faz1 qu&o o-qu]em ca/ig>4 ,a um rapaz pode d>1 a incumb5cia de acuz>1 e a outro de def5d]4 ,despois que ambos tem dito o seu p>ec]1 dev] o me/re1 sum9i/r> alguma razam mais2 e ord5> aos rapazes1 que z-escrevam1 e fasam z suas oraso5s1 d-melhor modo que pud]em4 ,i/o feito1 deve o me/re em5d> os erros1 tanto de l+ua1 como de ,retorica2 d&o-lhe razam1 de tudo o que faz3 e v>i&o sucesivam5te os asumtos4 ,de/a sorte apr5de-se mais ,retorica1 em uma semana2 doque polo metodo vulg>1 em dez anos4 ,qu&o o e/udante sabe bem1 que coiza ,retorica1 no-re/o d-ano se-pode empreg>1 em compor ,oraso5s ,lat9as3 ou traduz9do1 z que compoz em ,portuguez1 o que mais ac]tado ao pr9cipio3 ou compondo outras novas4 ,p>a quem ja int5de ,latim1 e sabe compor bem em ,portuguez1 i/o um div]tim5to1 sem t] dificuldade alguma4 ,t] pois o me/re cuidado1 de lhe-encom5d>1 que leia os trez livros de ,oratore de ,cic]o1 e ,orator ad ,m4 ,brutum1 como tambem o de ,oratoriis ,p>titionibus3 os quais dois ultimos sam a qu9ta es5cia1 de toda a ,retorica4 ,encom5de-lhe que se-famili>ize1 com z ,oraso5s de ,cic]o1 p>a apr5d] os seus modos de explic>4 ,z outras reflexo5s sam iguais1 em ambas z l+uas1 com sua proporsam3 e tambem o modo de em5d> os defeitos1 que os e/udantes cometem4 ,de/a sorte sem duvida que em um ano1 podiam sab] muito facilm5te ,retorica1 e mui solidam5te4 ,quanto aos me/res1 s\ de p>ec]1 que leiam at5tam5te1 nam s os ditos livros1 que apontamos de ,cic]o1 e alguns outros1 p]t5c5tes tambm ,retorica2 mas os de ,qu9tiliano1 em que faz belisimas reflexo5s1 sobre ela4 ,valla diz#ga1 que n+uem pode1 int5d] bem ,qu9tiliano1 sem primeiro sab] bem ,cic]o3 nem m5os seguir p]feitam5te ,cic]o1 sem ob$ec] aos preceitos1 de ,qu9tiliano4 ,o c]to 1 que ,qu9tiliano um ,retorico insigne1 e um gr&e ,critico1 que toda a sua vida empreg\ em refletir1 e ens9>3 e tem m>avilhoza eloqu5cia3 e dele podem tir> os me/res1 z neces>ias reflexo5s1 p>a comunic> a seu tempo1 aos rapazes4 ,se o me/re quizese1 mais alguma noticia p>ticul>1 e v] z fontes1 de toda a ,retorica2 devia l] os livros ,retoricos de ,ari/oteles1 que o me/re ne/a mat]ia1 e os ditos sam a sua melhor obra3 nela bebram todos4 ,podia s]vir-se da-v]sam ,lat9a1 se nam int5dse o ,grego4 ,a e/e ajunto um famozo ,critico1 e ,retorico1 que ,dionizio ,long9o1 no-seu tratad9ho de ,sublimi /ilo3 em que faz admiraveis reflexo5s1 s]v9do-se tambem da-,v]sam#gb4 ,e quem quizese mais1 podia l] o ,demetrio ,fal]eo3 a9daque nos-outros a*a-se tudo4 ,a e/es quatro1 ,ari/oteles1 ,cic]o1 ,qu9tiliano1 e ,long9o1 se-r$uz tudo o que melhor na ,antiguidade1 sobre a ,retorica4 ,aconselh>ia tambem ao me/re1 que lese os panegiricos ,lat9os1 que temos dos-,antigos1 comes&o em ,pl9io1 e pas&o aos outros que se intitulam1 ,panegyrici ,vet]es2 que cuido sam uns qu9ze1 compo/os no-qu>to1 e qu9to seculo3 nam p>a os-seguir em tudo3 mas p>a os-conf]ir com os antigos1 v] em que dif]em1 e aproveit>-se deles1 em alguma coiza m5os m4 ,adv]t9do ne/es ultimos1 que o que aconselhamos nam a l+ua1 que tem seus defeitos2 mas algum p5sam5to c4 ,retoricas mod]nas nam aconselho n5huma1 nem a dicipulos1 nem a me/res3 tir&o o ,vossio1 nas suas ,in/ituiso5s ,oratorias1 que famozo3 o qual podiam l] uns1 e outros1 qu&o quizesem p>ticul>iz>1 alguma noticia4 ,a9daque quem le1 e int5de bem1 o livro ,orator de ,cic]o1 nam necesita mais3 mas como breve1 pode-se p]metir1 l] alguma coiza mais4 ,aconselh>ia tambem1 que apr5desem bem a l+ua ,italiana1 p>a l]em z famozas traduso5s que se-a*am1 dos-,antigos ,oradores ,gregos1 e ,romanos1 feitas por-om5s insignes3 como tambem p>a l]em z belisimas obras1 em mat]ia de ,eloqu5cia2 que os nosos ,italianos tem produzido1 e produzem todos os dias4 ,n+uem nos-disputa a pr]ogativa1 de que a ,eloqu5cia sempre se-cons]v\1 em ,italia4 ,os ,francezes1 que nam c$em facilm5te1 no-p>ticul> de lit]atura1 fazem-nos e/e elogio4 ,e a9daque eles abundem de om5s d\tos1 ne/a faculdade2 vemos que na ,italia se-cons]v\ sempre1 com mais ext5sam1 e pureza4 ,quem le o ,p4 ,paulo ,segn]i ,jezuita1 o ,c>dial ,cass9i ,capuc9ho1 e a9da o mesmo ,mons5hor ,b>b]9i1 tambem ,capu*9ho1 e mil outros de div]sas ,religio5s1 e ,secul>es sem num]o2 p>ece-lhe que conv]sa1 com o mesmo ,cic]o3 porque =mados sobre e/es antigos modelos1 em nada se-di/+uem1 dos-orig9ais4 ,acrec5ta-se a i/o a l+ua1 que1 despois da-,lat9a1 a mais bela1 e armonica1 p>a a ,eloqu5cia4 ,tem mais os ,mod]nos1 outra circun/ancia2 vem as]1 que t5do-se aplicado a div]sas mat]ias1 nam s pr(anas1 mas sagradas1 de que nam ve/igio1 nos-antigos ,retoricos2 fiz]am aos nosos olhos mais famili> e/a faculdade1 e mais facil de se-imit>3 porque dam belisimos exemplos1 em tudo4 ,de/a sorte famili>iz&o-se muito1 com os ,antigos1 e ,mod]nos2 obs]v&o em que dif]em1 e em que sam l\vados2 se-pode conseguir1 a v]dadeira ,eloqu5cia4 ,conheso1 que se eu false com outra pesoa1 que nam fose ,v4 ,p4 se-esc&aliz>ia muito1 que eu nam aconselhse aqui1 a leitura d-,p4 ,vieira1 d-,b>am ,conego ,regul>1 d-,bispo de ,m>tiria1 d-,arcebispo de ,cranganor1 e de alguns outros1 que nam aponto2 p]suad9do-se1 que e/es om5s sam orig9ais1 de toda a e/imasam4 ,e nam sei se ,v4,p41 a9daque sup]ior no-crit]io aos outros1 int5de1 que algum deles podia t] lug>1 entre outros que l\vo4 ,mas eu1 meu amigo e s5hor1 nam t5ho ni/o p>cialidade alguma2 e julgo1 segundo o que int5do1 na m9ha conci5cia4 ,v]dadeiram5te coiza indigna1 de todo o omem +5uo1 quanto mais de um ,religiozo2 desprez> autores1 que o-nam-m]esam1 e sejam em simesmos dignos1 de todo o l\vor3 mas nam m5os indigno1 aprov> um escritor1 contra aquilo que int5do4 ,eu ja fiz a m9ha sol5e prote/a1 na primeira c>ta1 e ne/a da-,retorica tambem2 que nam p]t5dia defraud> n+uem1 da-sua ju/a e/imasam3 e novam5te aqui repito1 que e/imo inf9itam5te qualqu] de/es ,religiozos3 mas eu os-di/+o muito das-suas obras1 que nada e/imo4 ,e comes&o polo mais famozo1 o ,p4 ,vieira teve mui bom tal5to2 gr&e facilidade p>a se-explic>2 fal\ mui bem a sua l+ua2 e nas suas c>tas autor1 que se-pode l] com go/o1 e utilidade4 ,quanto aos s]mo5s1 e oraso5s1 deix\-se arrebat>1 d-e/ilo d-seu tempo2 e talvez foi aquele que com o seu exemplo1 deu mat]ia a tanta sutileza1 que sam z que de/ruem a ,eloqu5cia4 ,nos-seus s]mo5s1 nam a*> ,v4 ,p4 artificio algum retorico1 nem uma ,eloqu5cia que p]suada4 ,muitos1 que go/am daquelas galant>ias1 l5do-o sairm div]tidos3 mas n5hum omem de juizo exato1 sair p]suadido delas4 ,sam daquelas teias de aranha1 bonitas p>a se-obs]v>em1 mas que nam pr5dem n+uem4 ,eu comp>o e/a sorte de s]mo5s1 aos equivocos3 que p>ecem bonitos1 qu&o se-ouvem a primeira vez2 mas qu&o se-exam9am de p]to1 nam concluem nada4 ,porque f9alm5te se ,v4 ,p4 le os tais s]mo5s1 e exam9a z provas e artificio delas2 v] muitas coizas1 que *eiram a ,metafizica das-escolas3 mas nam a*> alguma1 das-que asima aponto1 como neces>ias4 ,os exemplos que asima apontei1 sam comum5te tirados1 dos-seus s]mo5s3 e com eles vi/a1 pod] ,v4 ,p4 conhec]1 quantas coizas eu deixei1 que podia apont>4 ,se pois i/o se-*ama preg>1 e preg> bem1 eu o-deixo consid]>1 aos dezapaixonados4 ,o dezejo que o ,p4 ,antonio ,vieira1 em quazi todos os s]mo5s mo/ra1 de agrad> ao ,publico1 a9da qu&o s vezes o-critica2 deixa bem compre5d]1 que se-con=mava muito1 com o e/ilo corruto d-seu seculo4 ,t9ha +5ho1 imag9asam fecunda1 e deix&o-se conduzir1 d-impeto d-seu fogo1 ou talvez procur&o de excit> em si1 uma especie de entuziasmo2 rompia nas primeiras ideias1 que lhe-ocorriam2 que sempre eram sutis1 polo co/ume que t9ha1 de idei> asim4 ,eu falo com ,v4,p4 que tem gr&e noticia dos-ditos s]mo5s1 em virtude da-qual conhece1 com que razam eu-digo i/o3 que se-false com outro1 s]a mui facil1 prov> tudo quanto escrevo4 ,mas nam poso deix> de ins9u>1 que a maior prova d-que proponho1 a sua decantada obra1 ,clavis ,prophet>um3 de que nos-d uma ideia1 no-livro que intitula1 ,i/oria d-,futuro4 ,ne/e livro a*a ,v4,p41 uma *im]a mui bem ideiada1 e que a n+uem mais ocorreo4 ,promete prov> primeiro1 que -de av] no-mundo1 um novo ,imp]io3 mo/r>1 que ,imp]io -de s]3 det]m9>1 z suas gr&ezas e felicidades3 explic>1 por-que meios se--de introduzir3 individu>1 em que t]ra1 em que tempo1 e em que pesoa -de comes> e/e ,imp]io#gc3 o qual -de s] tam gr&e como todo o mundo1 sem ip]bole1 nem s9$o*e#gd4 ,prova i/o1 segundo diz1 com uma pr(ecia de ,s4 ,frei ,gil3 com o juram5to d',el-,rei ,d4 ,afonso3 e com outras provas de/e calibre4 ,diz tambem1 que a maior p>te1 -de sair da-,escritura2 na qual e/am reveladas1 todas e/as coizas4 ,quanto ao ,imp]ador1 a9daque cl>am5te o-nam-explica1 d muito bem a int5d]1 que sair de ,portugal2 porque aos ,portuguezes que propoem1 e/as felicidades4 ,alem di/o em outra p>te#ge decl>a mui bem1 que e/e ,imp]ador s] o filho primog5ito1 d-,s]5isimo ,rei ,d4 ,p$ro ,,ii4 e pret5de provlo com os mesmos fundam5tos1 com que prova o ,imp]io1 na ,i/oria d-,futuro4 ,e nas c>tas que escreve1 a algumas pesoas1 lhe-explica1 que z felicidades de ,portugal1 e/am muito viz9has4 ,eu nam entro aqui a disput>1 se e/es fundam5tos1 7nam falo das-,escrituras1 pois l\cura p]suadir-se1 que falam em tal mat]ia7 sejam ba/antes1 p>a afirm> tal p>adoxo3 bem cl>o1 que i/o tem ap>5cias de com$ia2 e bem p>ece obra feita1 p>a div]tir o tempo4 ,mas a9daque fose v]dade1 que z conqui/as feitas1 e/ivesem tam di/9tam5te pr(etizadas1 na ,sagrada escritura2 e despois d-suceso se-int5desem2 fica em p a dificuldade1 de tir> da-,escritura1 z conqui/as futuras1 de/e novo ,imp]ador4 ,e quanto aos expozitores que ele aponta1 e s pr(ecias de/es mod]nos1 em que se-funda2 creio nam f>emos injuria ao ,p4 ,vieira1 se nos-rirmos de todas e/as provas1 esp]&o1 que z-procure mais fundadas4 ,mas o que digo a ,v4,p4 1 que na dispozisam de/e livro preambulo1 se-ve o e/ilo d-,p4 ,antonio ,vieira3 porque tudo prova com a ,escritura4 ,a9da z coizas mais triviais1 z pr(anas1 e a mesma ju/isima exaltasam de ,d4 ,joam ,,iv4 ele z-qu] prov> aos ,espanhoes1 com z ,escrituras4 ,o pior 1 que pola major p>te1 funda-se em palavr9has da-,vulgata4 ,e e/e mui mao modo de int]pret>3 porque nam t5do ,deus falado em ,latim1 mas em ,ebraico1 ,caldaico1 e alguma coiza em ,grego2 neces>io sab] e/as l+uas1 p>a alcans>1 a v]dadeira intelig5cia d-orig9al4 ,sem e/as prep>aso5s1 n5hum int]prete se-mete a diz]1 coizas novas3 mo/r&o a exp]i5cia1 que comum5te se-+anam1 e s podem diz]1 sutilezas p\co s(riveis4 ,e eu creio que nam sam mui tol]aveis1 z que ele aqui escreve3 obs]v&o-se suma contr>i$ade1 na int]pretasam que d1 aos seus mesmos fundam5tos4 ,umas vezes1 a decimasexta g]asam1 o ,c>dial ,rei ,d4 ,enrique3#gf e a9da lhe-faz a m]ce1 de nam cont> a vida d',el-,rei ,d4,alfonso ,i4 que cuido devia s] o primeiro1 no-catalogo4 ,outras vezes1 a decimasexta g]asam ,d4 ,joam ,,iv42 e ,d4 ,p$ro ,,ii4 a prole at5uada#gg3 e como ao dito ,rei nam se-pode aplic>1 a palavra at5uada2 procura aplicla a seu filho1 o ,pr9cipe entam nacido4 ,eisque morre o tal ,pr9cipe a9da m59o3 ,ne/e cazo o noso int]prete excogita a saida1 de lhe-ir d> no-,ceo1 a inve/idura d-,imp]io#gh3 e comesa com outra metafizica pior1 que a primeira4 ,f9alm5te despois de muitas obs]vaso5s1 fica desm5tida a v]dade1 d-juram5to d',el-,rei ,d4 ,alfonso3 e o ,imp]io d-mundo1 que tam cl>am5te e/ava pr(etizado1 e prometido ao tal ,pr9cipe1 l vai polos ares3 e nem m5os ap>5cia1 que se-torne outra vez a re/ablec]3 pois d-tempo em que ele escrevia at e/e1 vam bons #hj4 anos2 e a9da nam vemos ap>5cias diso4 ,eisaqui tem ,v4 ,p4 o que sam todas e/as *im]as1 da-,i/oria d-,futuro2 e das-coizas que tem p>5tesco1 com ela4 ,ora e/as sutilezas d-,p4 ,vieira1 cuido que tem arru9ado1 muita g5te3 porque =m&o gr&e conceito1 d-seu tal5to2 o-imitram tanto letra1 que nada agrad\1 que nam *eirse ao mesmo e/ilo4 ,ja coiza muito antiga1 que em mat]ia de lit]atura1 um omem seja o treslado1 p>a que olhem os outros d-seu tempo4 ,qu&o em uma ,cidade um sugeito consegue1 fama de eloqu5te1 os outros o-imitam2 e s vezes por-seculos inteiros1 se-cons]va o mesmo e/ilo#gi4 ,aquele ,s5eca a quem *amam o ,filoz(o1 nam se-duvida1 que t9ha gr&e +5ho1 e d\tr9a3 mas qu]5do-se s+ul>iz>2 entre os antec$5tes1 comes\ a faz] um e/ilo tam florido2 que foi a primeira cauza1 de se-p]d] o bom go/o da-,eloqu5cia1 que re9ra no-tempo de ,augu/o4 ,mult 9 eo cl>que s5t5ti3 7diz um ,orador gr&e7 multa etiam morum gratia leg5da3 s$ 9 eloqu5do corrupta pl]aque3 atque eo p]niciosissima1 quod abundant dulcibus vitiis4 ,vettes eum suo ig5io dixisse1 ali5o judicio4 nam si aliqua contempsisset1 si p>um concupisset1 si non omnia sua amasset1 si r]um pond]a m9utissimis s5t5tiis non fregisset2 cons5su potius eruditorum1 quam pu]orum amore comprob>etur#hj4 ,palavras que me-p>ecem cortadas1 p>a o ,p4 ,antonio ,vieira3 d-qual creio que se-pode diz]1 que se1 s]v9do-se d-seu +5ho1 seguise outro e/ilo2 s]a um gr&e omem3 qu&o porem nam se-ocupse com o argum5to1 da-,i/oria d-,futuro4 ,e daqui compre5d] ,v4,p4 que conceito se-deve =m>1 daqueles muitos epitetos1 com que os apaixonados o-l\vam4 ,*amam-lhe1 ,me/re d-pulpito3 ,pr9cipe dos-,oradores3 ,me/re univ]sal de todos os declamadores ,evangelicos3 ,aguia ,evangelica3 e mil coizas de/as4 ,outros lem z suas obras de joelhos1 em s9al de respeito3 e om5s de tam p\ca consid]asam1 que imprimem e/as noticias#ha2 e nam se-env]gonham de diz]1 ,que o mundo sem contradisam1 lhe-deo a coroa1 de ,pr9cipe dos-,oradores4 ,mas e/e c5sor1 que nam fez maior jornada1 que de ,lisboa a ,madrid2 nam era juiz compet5te1 ne/a matria3 nam s1 porque t9ha vi/o p\co mundo2 mas porque t5do som5te conv]sado1 com os que liam o ,vieira de joelhos2 e nam s5do a ,eloqu5cia1 e belas ,letras pr(isam sua1 segundo mo/ra2 t9ha imp$im5to dirim5te1 p>a vot> com ac]to4 ,i/o pois que digo de/es1 aplico a todos os outros4 ,criados com o prejuizo1 de que o ,vieira foi1 um gr&e ,orador2 e ouv9do sempre repetir i/o aos velhos1 que bebram aquela d\tr9a2 nam m>avilha1 que digam tantas coizas dele1 e que o-imitem tam cegam5te4 ,v4,p4 pode faz] uma exp]i5cia1 que eu ja fiz1 e vem as]3 qu&o ouvir a um de/es1 gab> muito o ,vieira1 e l\vlo com alguns dos-ditos epitetos2 fasa-me a m]ce de lhe-progunt> primeiram5te1 emque consi/e s] gr&e ,orador3 despois1 que lhe-explique1 que qualidades oratorias sam1 z que exc$em no-,p4 ,vieira4 ,se lhe-respond] bem ao primeiro ponto1 e/\ c]to1 que nam respond] ao segundo3 mas a exp]i5cia mo/r>1 que o primeiro nam t] respo/a4 ,eu a9daque nam co/umo (5d] n+uem1 e muito m5os na sua c>a2 a*&o-me porem com c]ta pesoa1 que me-dise m>avilhas d-tal autor1 rezolvi-me a faz]-lhe e/a progunta4 ,leu ,v4,m4 bem z obras de ,lysias1 ,isocrates1 ,iseus1 ,demo/5es1 ,es*9es1 ,te(ra/o1 e ,cic]o1 e tudo o que de bom na ,antiguidade8 obs]v\ miudam5te z delicadezas1 e s+ul>idades daqueles2 e a dif]5sa que se-a*a entre eles1 e ,pl9io1 e alguns outros mais inf]iores1 como ,naz>io1 ,auzonio1 ,pacato c48 leu os antigos ,retoricos1 ,ari/oteles1 ,cic]o1 ,qu9tiliano c4 ou algum de/es mod]nos1 que d]am belisimos preceitos1 como ,vossio1 ,cavalcanti1 e ,plat9a3 e outros que nas suas oraso5s os-executram1 como ,policiano1 ,mureto1 ,vavaflor1 ,cuneo1 ,grav9a1 ,paol9o1 ,politi c48 ,diz1 nam s5hor4 ,pois sem tais prep>aso5s1 conclui eu1 nam entro em discurso com ,v4 ,m4 sobre e/as mat]ias1 porque nos-nam-int5d]emos4 ,onde vem ,v4 ,p4 a conhec]1 que z aprovaso5s de/es om5s1 nam devem faz] =sa a n+uem1 p>a reconhec] por-gr&e ,orador1 o ,p4 ,vieira4 ,eu que t5ho vi/o mais algum mundo3 e falado com ba/ante g5te d\ta3 e conhecido em ,roma om5s1 que t9ham tratado1 com os que ouviram o ,p4 ,vieira3 nam a*ei nada doque ouso diz] dele4 ,bem sim1 que foi um ,religiozo e/imavel1 polas suas pr5das1 e virtudes3 o que tudo pode e/>1 sem s] me/re dos-,oradores4 ,falei com muitos ,religiozos da-,companhia1 que t9ham dele p]feita noticia2 e me-falram como de um omem1 que era e/imado em ,portugal1 mas nam em ,roma4 ,acrec5te ,v4,p4 a i/o1 que muitos opusculos d-,vieira1 =am compo/os em ,italiano3 e at os mesmos s]mo5s se-a*am traduzidos nele1 por-um seu apaixonado1 ao m5os um tomo que vi anos3 e asim pode-se julg>1 com todo o conhecim5to da-mat]ia4 ,vejo sim1 que os mesmos ,jezuitas1 e todos os om5s d\tos1 reconhecem o m]ecim5to1 d-,p4,paulo ,segn]i ,jezuita1 e de v>ios outros ,oradores damesma1 e de dif]5te ,religiam2 que sam reconhecidos e v5]ados1 como ,oradores da-primeira esf]a3 e que tanto se-di/+uem dos-s]mo5s d-,vieira1 como o dia da-noite4 ,de que v5ho a concluir1 que quatro ,portuguezes1 ou ,espanhoes1 que dizem o contr>io1 nam podem faz] mud> de conceito1 ao mundo intelig5te4 ,a9da nas suas mesmas c>tas1 que l\vo1 a*o coizas que reprov>4 ,de/e num]o a afetasam1 de repetir em cada regra1 o tratam5to da-pesoa1 com quem fala4 ,pois a9daque nos-discursos famili>es1 posa t] s vezes lug> iso2 nas c>tas1 enfadonho3 e z pesoas1 e ,naso5s cultas1 fogem todas dese vicio4 ,nem vale o-diz]1 que em ,latim se-co/uma3 porque na tal l+ua1 nam (5de os ouvidos2 vi/oque o tratam5to comum5te nam se-di/+ue1 das-div]sas inflexo5s d-,v]bo4 ,os nosos ,italianos1 que p>ticipam mais d-,latim1 uzam da-palavra ,ella1 p>a evit>em aquela repetisam3 e a9da e/a com mod]asam4 ,e oje os que escrevem melhor1 despois de d>em o tratam5to1 uma ou duas vezes1 ou em c>ta p>ticul>1 ou prologo de livro2 s]vem-se da-palavra ,vo/ra1 que se-ref]e a ,alteza1 ,em95cia1 ,santidade1 ,excel5cia c4 nam s porque e/a ,elipsi1 nam prejudica1 ao respeito que se-deve1 aos ,s5hores gr&es2 mas porque s5do mais simplez e natural1 tambem mais nobre2 e se-evita a ridicula afetasam de alguns mod]nos1 *eg&o-se mais ao e/ilo1 da-,antiguidade4 ,e1 valha a v]dade1 e/e p]iodo3 ,excel5tisimo s5hor1 a excel5tisima pesoa de ,vosa ,excel5cia gu>de ,deus1 como ,portugal1 e os criados de ,vosa ,excel5cia avemos mi/]3 com que o ,vieira fe*a muitas c>tas1 ao ,m>quez de ,g\veia1 e outras pesoas2 nam se-pode l] sem nauzea3 a*&o-se muitas vezes1 em quatro regras das-suas c>tas1 c9co vezes ,vosa ,s5horia c4 ,o segundo rep>o caie1 sobre a fetasam de muitos p]iodos1 e c>tas inteiras4 ,o que o mesmo coletor delas nam oculta1 qu&o diz1 que muitas nam publicra1 por-nam s]em tanto naturais4 ,de que eu cuido1 nam se-pode produzir melhor prova1 que a c>ta que o ,p4 ,argote public\1 nas suas ,regras ,portuguezas2 e que escrita ao ,c>dial ,lanca/ro3 a qual compo/a naquele e/ilo1 que *amamos dos-,seic5tos4 ,ba/a l] o primeiro p]iodo3 ,com melhor saude que o ano pasado2 e com m5os vida1 porque ele pas\3 a segunda p>te d-qual1 noticia mui digna1 de se-m&> a um ,c>dial1 porque coiza mui recondita4 ,o que se-segue no-segundo p>agrafo1 sam1 ,sepulturas d-segr$o3 resurreiso5s da-confiansa3 exequias no-templo d-dez+ano3 e/atuas da-+ratidam1 e coizas semelhantes1 que oje tem ranso4 ,e nam sei se se-pode p]do>1 a um omem d\to como o ,p4 ,argote1 o traz] a tal c>ta1 p>a exemplo de con/rusam facil1 e boa locusam4 ,conheso1 que muitas vezes z c>tas damesma pesoa1 nam sam iguais3 ou porque algumas escreveo1 qu&o era moso1 e sabia p\co2 ou porque z-fez muito em presa4 ,conheso i/o1 e o-p]doo3 o que reprovo 1 que o coletor nam s\bse sep>> umas1 das-outras1 imprem9do z melhores4 ,e aqui noto incid5tem5te1 que o que fez o prologo da-colesam1 que eu ignoro quem fose1 dise uma falsidade1 qu&o afirm\2 ,que nas l+uas vulg>es1 tem todas z ,naso5s escritores1 mas nam em gr&e num]o1 de/e e/ilo4 ,eu lhe-poso nomi>1 som5te na ,italiana1 nam digo duzias1 mas c5tos3 publicadas muitos e muitos anos antes1 que saisem luz1 z d-,vieira3 e entre e/es escritores1 muitos de purisima locusam1 e e/ilo inimitavel4 ,e o que mais de admir>1 om5s que tratram z ,ci5cias1 mas pr9cipalm5te todas z p>tes da-melhor ,filoz(ia2 com tal cl>eza1 propri$ade1 e metodo1 que env]gonham os ,filoz(os da-,escola3 os quais1 empregados toda a sua vida nela1 explicam-se muito mal4 ,na l+ua ,franceza1 inf9itos tomos de c>tas1 em todas z mat]ias2 e alguns famozos4 ,deixo a ,+leza1 e ,ol&eza1 nas quais sei que se-tem seguido1 e/e e/ilo4 ,onde1 nam av5do coiza mais uzual1 que e/es escritores2 mo/ra-se o tal coletor1 mui p\co in=mado d-mundo4 ,o t]ceiro rep>o que faso 1 sobre a ,ortografia1 que nada me-agrada4 ,nelas a*o mui praticado aquele e/ilo1 que se-deve de/]r>1 da-l+ua ,portugueza2 e vem as]1 a duplicasam escuzada1 de muitas consoantes2 e mil outras1 que na m9ha primeira c>ta mo/rei a ,v4 ,p4 que nam deviam seguir1 os om5s d\tos4 ,onde p]suado-me1 que ne/e p>ticul>1 tam longe e/ de s] omem insigne1 que eu o-nam-porei por-exempl>1 a um pr9cipiante4 ,ora eisaqui tem ,v4 ,p4 que z mesmas c>tas d-,vieira1 que eu julgo s]em a sua melhor obra2 a9daque t5ham muita coiza boa1 sejam facis1 e z palavras nam sejam ms2 contudo1 nam m]ecem aqueles cegos1 e enc>ecidos l\vores1 que lhe-dam e/es apaixonados3 os quais ou e/am preocupados1 polas mesmas op9io5s2 ou julgam por-cabesa alheia2 e nunca tiv]am a paci5cia1 de exam9> bem a mat]ia4 ,defeito mui antigo ne/es c5sores3 que aprovam os livros comum5te1 sem os-l]em3 e nam se-cont5tam de aprovlos1 mas os-elogiam1 e tam enc>ecidam5te1 que p]dem toda a f4 ,deixo aos om5s de melhor juizo1 faz] a analize das-tais obras1 com mais tempo1 que eu nam t5ho4 ,mas eu ja vejo1 que me-t5ho ab]to muito com ,v4,p4 o que fiz1 confiado na nosa amizade4 ,c]tam5te nam dis]a tanto com outro3 pois sei c]tam5te1 que quem nam tiv] exam9ado i/o1 me-t] quazi por-l\co4 ,eu sempre fugi1 de/a sorte de conv]saso5s1 com pesoas que sabem p\co3 porque me-ens9a a exp]i5cia1 que se-p]de o tempo1 e o conceito4 ,mate-me ,deus com g5te1 que me-int5da3 e que me-nam cond5e1 sem p]ceb] z m9has razo5s1 e respond] a elas4 ,porque aquilo de reprov> um escritor1 som5te porque impugna os defeitos1 de que eu go/o2 sem t] o s(rim5to de exam9>1 z dificuldades que propoem2 a9daque seja uzo mui comum1 nam sei porem se conclud5te4 ,emfim com ,v4,p4 nam e/e p]igo3 porque eu sei muito bem1 que ao seu tal5to1 nada se-encobre3 e que mais p>a ex]cit> o seu juizo1 doque p>a apr5d] alguma coiza nova1 que tem a bondade1 de me-consult>4 ,mas sempre devo decl>>-lhe1 que o juizo que =mo das-obras1 d-,p4,antonio ,vieira2 deve s] int5dido1 com todo o respeito devido1 sua memoria4 ,eu e/imo muito e/e ,religiozo1 polas suas virtudes1 e capacidade4 ,vejo nas suas c>tas retratado1 um animo gr&e3 um dez9t]ese nobre3 uma viva paixam polos aum5tos d-seu ,re9o3 e ard5te dezejo de se-sacrific> por-ele3 e1 p>a nam ocult> coiza alguma1 vejo a suma +ratidam dos-seus nacionais1 que conrespondram a tantas f9ezas1 com aso5s indignas3 e nam s nam s\b]am e/im>1 tam gr&e omem1 mas pozitivam5te o-opremram1 e a sua familia4 ,e/as circun/ancias todas mo-p9tam1 mais e/imavel3 e se eu vivse no seu tempo1 s]a o seu maior amigo4 ,deve tambem o que digo int5d]-se1 sem a m9ima (eza da-,religiam da-,companhia3 a qual tem produzido1 tantos om5s gr&es ne/e g5]o2 que sem dor alguma pode ouvir decl>>1 que um dos-seus ,religiozos1 nam iguala1 nem *ega1 gloria de muitos outros3 o que provm m5os d-tal5to1 que d-infeliz e/ilo daquele tempo1 que nam conhecia1 outro go/o de ,eloqu5cia4 ,damesma sorte que ,pl9io ,cecilio1 a9daque tivese tal5to1 e indole insigne2 nam pode m5os que p>ticip>1 d-e/ilo d-seu seculo2 que deg5]ava muito1 da-mage/ade da-primeira ,eloqu5cia4 ,unicam5te devo adv]tir i/o a ,v4 ,p41 p>a ju/ific> o meu proc$]1 contra aquela acuzasam1 que me-podiam faz] aqueles1 que1 ouv9do-me fal> d'eloqu5cia ,portugueza1 visem que nam citava1 o ,p4 ,vieira4 ,o conceito que =mo1 dos-s]mo5s e oraso5s d-,vieira1 com mais razam se-deve aplic>1 a todos os outros s]mon>ios2 que ,v4 ,p4 conhece1 e/>em muitos furos abaixo d-,vieira4 ,digo pois1 que o ,orador1 que qu] avult> no-mundo lit]>io1 deve deix> todos os s]mon>ios ,portuguezes1 ou ,espanhoes2 e seguir a e/rada que asima lhe-abrimos3 que p>ece s]1 a v]dadeira e/rada da-,eloqu5cia3 e i/o p>ece-me que ba/a1 p>a regul> o metodo da-,oratoria4 ,deve a i/o ajunt>1 o cont9uo ex]cicio de compor3 e ex]cit>-se juntam5te em p>ticul>1 p>a pod] fal> em publico3 s5do c]to que o ex]cicio de compor1 e fal> conduz muito1 p>a beb] os pr9cipios1 e sablos uz> a seu tempo1 com dezemb>aso4 ,p]doe-me ,v4 ,p4 a ext5sam de/a1 que desde o pr9cipio eu prev1 que s]a comprida3 e cons]ve-me muito na sua memoria4 ,deus gu>de etc4 ,illu/rao ,,notas ,,de ,,rodap3 #da ,sic igitur dicet1 ut proponat quid dicturus fit3 ut cum transeg]it jam aliquid1 def9iat3 ut se ipse revocet3 ut quod dixit it]et3 ut argum5tum ratione concludat3 ut int]rog&o urgeat3 ut rursus quasi ad int]rogata sibi ipse respondeat3 ut contra1 ac dicat1 accipi s5tiri velit3 ut addubitet quid potius aut quomodo dicat3 ut dividat 9 p>tes3 ut aliquid rel9quat ac negligat3 ut ante prmuniat3 ut 9 eo ipso1 9 quo repreh5datur1 culpam 9 adv]s>ium conf]at4 ,ut spe cum 81 qui audiunt1 nonnunquam etiam cum adv]s>io quasi delib]et3 ut hom9um s]mones moresque describat3 ut muta qudam loqu5tia inducat3 ut ab eo quod agitur av]tat animos3 ut spe 9 hil>itatem risumve conv]tat3 ut ante occupet quod videat opponi3 ut comp>et similitud9es3 ut utatur exemplis3 ut aliud alii tribu5s disp]tiat3 ut int]pellatorem co]ceat3 ut aliquid retic]e se dicat3 ut d5untiet1 quid caveant3 ut lib]ius quid audeat3 ut irascatur etiam3 ut objurget aliqu&o3 ut deprecetur1 ut supplicet3 ut m$eatur1 ut a proposito decl9et aliquantulum1 ut optet1 ut execretur3 ut fiat iis1 apud quos dicet1 famili>is4 ,atque alias etiam dic5di quasi virtutes sequatur3 brevitatem si res petet3 spe etiam res dic5do subjiciet oculis3 spe supra f]et1 quam fi]i possit3 significatio spe erit maior1 quam oratio3 spe hil>itas1 spe vit1 natur>umque imitatio 4 ,cic]o4 ,orat4 n4 #dj4 #db ,nec umquam is1 qui audiret1 inc5d]etur1 nisi ard5s ad eum p]v5iret oratio4 ,cic]4 ,orat4 n4 #ch4 #dc ,sic igitur dicet ille1 quem expetimus1 ut v]set spe multis modis e&em1 unam rem3 hreat 9 eadem1 commoreturque s5t5tia c4 ,cic]o4,orator4n4#dj4 #dd ,hoc 7g5us dic5di7 vehem5s1 inc5sum1 incitatum1 quo causs eripiuntur3 quod cum rapide f]tur1 su/9]i nullo pacto pote/4 ,idem1 ibid4n4#cg4 #de ,is ergo erit eloqu5s1 qui ad id1 quodcumque decebit2 pot]it accomod>e orationem4 ,quod cum /atu]it1 tum1 ut quidque erit dic5dum1 ita dicet2 ut nec satura jejune1 nec gr&ia m9ute1 nec item contra3 s$ erit rebus ipsis p> qualis oratio4,cic]4,orat4n4#cf4 #df ,quam enim indecorum e/ de /illicidiis cum apud unum judicem dicas1 amplissimis v]bis1- locis uti communibus3 de maie/ate populi ,romani summisse1 subtilit]8 ,cic]4 ,orat4 num4 #ba4 #dg ,omn9o duo sunt qu condiant orationem3 v]borum num]orumque jucunditas4 ,9 v]bis ine/ quasi mat]ia qudam1 9 num]o autem expolitio4 ,cic]4 ,orat4 num4 #ee4 #dh ,s$ quia r]um v]borumque judicium prud5ti e/3 vocum autem1 num]orum aures sunt judices3 quod illa ad intellig5tiam ref]untur1 hc ad voluptatem3 9 illis ratio inv5it1 9 8 s5sus artem4 ,ibidem num4 #di4 #di ,nam circuitus ille1 quem spe jam diximus1 incitatior num]o ipso f]tur labitur1 quoad p]v5iat ad f9em1 insi/at4 ,p]spicuum e/ igitur1 num]is a/rictam orationem esse deb]e1 c>]e v]sibus4444 ,inculcamus autem p] imprud5tiam spe etiam m9us usitatos1 s$ tam5 v]sus3 vitiosum g5us1 longa animi provisione fugi5dum4 ,ibid4 n4 #ef4 #ej ,9 hi/oria n>ratur ornate1 regio spe aut pugna describitur3 int]ponuntur etiam conciones hortationes4 s$ 9 8 trata qudam flu5s expetitur1 non hc contorta acris oratio4 ,cic]4 ,orator4 num4 #bj4 #ea ,mollis e/ enim oratio ,philosophorum umbratilis nec s5t5tiis1 nec v]bis in/ructa popul>ibus1 nec juncta num]is1 s$ soluta lib]ius4 ,nihil iratum habet1 nihil invidum1 nihil atrox1 nihil mis]abile1 nihil a/utum4 ,ca/a1 v]ecunda1 virgo incorrupta quodammodo4 ,cic]4 ,orator4 n4 #ai4 #eb ,pag4 #bg4 #ec ,pag4 #df4 #ed ,pag4 #ee4 #ee ,pag4 #eg4 #ef ,pag4 #ff4 #eg ,pag4 #ec4 #eh ,pag4 #di4 #ei ,pag4 #dg4 #dh4 #di4 #ej4 #ea4 #fj ,ego hanc vim intelligo esse 9 prceptis omnibus1 non ut ea secuti oratores1 eloqu5ti laudem s9t adepti3 s$ qu sua sponte hom9es eloqu5tes fac]5t1 ea quosdam obs]vasse1 atque id egisse4 ,sic esse non eloqu5tiam ex artificio1 s$ artificium ex eloqu5tia natum4 ,cic]4 l4 ,i4 de ,orat4 num4#cb4 #fa ,scripsit artem ,rhetoricam ,cleantes1 s$ sic1 ut siquis obmuttesc]e concupi]it1 nihil aliud leg]e debeat4 ,cic]4 lib4 ,i4 de ,orat4 num4 #g4 #fb ,judicium igitur adhibebit3 nec inv5iet solum quid dicat1 s$ etiam exp5det4 ,nihil enim e/ f]acius +5iis iis prs]tim1 qu discipl9is exculta sunt4 ,s$ ut segetes fcund ub]es1 non solum fruges1 v]um h]bas etiam effundunt inimicissimas frugibus3 sic int]dum ex 8 locis aut levia qudam1 aut caussis ali5a1 aut non utilia gignuntur3 quorum ab oratoris judicio delectus magnus adhibebitur alioqui4 ,cic]4 ,orator4 num4 #ae4 #fc ,volo enim prius habeat orator rem1 de qua dicat1 dignam auribus eruditis2 quam cogitet1 quibus v]bis quidque dicat1 aut quomodo4 ,idem4 ibid4 num4 #cd4 #fd ,esse igitur p]fecte eloqu5tis puto1 non eam solum facultatem hab]e1 qu sit ejus propria1 fuse lateque dic5di2 s$ etiam vic9am ejus atque f9itimam1 dialecticorum sci5tiam assum]e4 ,cic]4 ,orat4 n4 #cb4 ,et infra ,nec v]o dialecticis modo sit in/ructus1 s$ habeat omnis philosophi notos tractatos locos 4444 nihil1 inquam1 s9e ea sci5tia1 quam dixi1 gravit]1 ample1 copiose dici explic>i pote/4 #fe ,fra ,gianangelo ,s]ra1 ,capuc9ho de ,fa5za1 na sua ,retorica c4 #ff ,conficitur autem g5us hoc dictionis n>r&is expon5disque factis1 s9e ullis argum5tationibus2 ad animi motus l5it] tract&os magis1 quam ad fidem faci5dam1 aut confirm&am accommodate4 ,non enim dubia firmantur3 s$ qu c]ta1 aut pro c]tis posita sunt1 aug5tur4 ,cic]o de ,p>tit4,orat4n4#ba #fg ,de9de e/ ad facta1 v5i5dum3 quorum collocatio e/ triplex3 aut enim temporum s]v&us e/ ordo3 aut inprimis rec5tissimum quodque dic5dum3 aut multa v>ia facta 9 propria virtutum g5]a sunt dirig5da4 ,cic]o ibidem n4#bc4 #fh ,de ,doctr4 ,*ri/4 lib4#b4 n4#fj4 #fi ,orat4 #c4 #gj ,cic]4 de ,orat4 n4 #cg4 #ga ,l4 ,i4 ,antidot4 9 ,pog4 #gb ,imprimio-se e/e autor1 ,grace ,lat9e1 cum notis ,tanaquilli ,fabri1 ,salmurii anno #affc4 9 #h4 #gc ,i/oria d-,futuro ,cap4 ,,iii4 num4 #bg4 #gd ,ibidem1 num4 #cb4 #ge ,s]mam da-,palavra de ,deus desemp5hada4 4 ,,viii4,s]mam da-,palavra d-,pregador emp5hada1 e def5dida4 4 ,,ii4 #gf ,i/oria d-,futuro4 ,c4 ,,viii4 nu4#abb4 #gg ,palavra de ,deus emp5hada4 4,,viii4 num4#d4 ,s]mam da-,palavra de ,deus dezemp5hada4 4 ,,ii4 #gh ,palavra d-,pregador emp5hada1 e def5dida4 4 ,,iii4 #gi ,hc vitia unus aliquis inducit1 sub quo eloqu5tia e/3 cet]i imitantur1 alt] alt]i tradunt4 ,s5eca ,epi/4 #aae4 #hj ,qu9tiliano4 #ha ,aprovasam d-primeiro tomo das-,c>tas d-,vieira1 por ,alex&re ,f]reira4 ,illu/rao ,,c>ta ,,setima4 ,,sum>io4 ,fala-se da-,poezia4 ,os ,portugueses sam m]os v]sejadores4 ,prejuizos dos-me/res1 de nam poet>em em ,vulg>4 ,que coiza seja +5ho bom1 e mao4 ,especies de obras de mao +5ho1 em que caram alguns ,antigos1 mas pr9cipalm5te os ,mod]nos4 ,necesidade d-,crit]io1 e ,retorica1 em toda a sorte de ,poezia4 ,primeiro defeito de ,poezia1 a inv]osimilidade3 exemplos4 ,segundo defeito1 os argum5tos ridiculos4 ,reflexo5s p>ticul>es1 sobre z compoziso5s pequ5as ,portuguesas2 que nam podem d> nome1 a um omem3 defeitos da-,nasam1 provados com exemplos4 ,reflexo5s sobre o ,epigrama ,lat9o1 ,elogios1 inf]iso5s ,lapid>es1 ,eglogas1 ,odes1 ,satiras1 poemas ,epicos4 ,que os ,portugueses nam conhecram z leis1 d-poema ,epico3 prova-se com ,camo5s1 ,*agas1 ,botelho de ,morais4 ,aponta-se o metodo1 com que se-devem regul> os rapazes1 no-e/udo da-,poezia4 ,nova ideia de uma ,arte ,poetica1 util p>a a ,mocidade4 ,a c>ta que ,v4 ,p4 me-m&\ ne/a semana1 deu-me p>ticul> consolasam2 porque vi nela a imagem1 da-sua sob]ana prud5cia1 d-seu crit]io exatisimo1 e da-sua inimitvel +5uidade4 ,mas i/o p\co3 vi nela executado1 tudo o que e/e g5]o pode p]metir1 em mat]ia de ,retorica4 ,v4 ,p4 quiz d>-me dois contra3 e mo/r>-me1 que z m9has reflexo5s eram sup]fluas3 pois avia um omem ne/e mundo1 que sabia execut> primorozam5te1 tudo aquilo4 ,mas diso mesmo me-rezulta1 gr&e gloria4 ,ou ,v4 ,p4 o-fez1 porque eu lho-avizei2 e ne/e cazo1 que gloria nam s] a m9ha1 de t] um dicipulo de/a qualidade8 ou o-fez porque asim o int5dia1 sem que lhe-avizse2 e fico igualm5te gloriozo1 v5do que z m9has reflexo5s se-con=mam1 com z de uma pesoa1 que eu e/imo tanto4 ,ponho de p>te os outros comprim5tos1 que me-faz3 porque nam qu]o uzurp>1 o que nam m]eso4 ,o que eu escrevi1 nam meu1 mas o que ens9ram os om5s mais insignes1 ne/a faculdade3 de cuja lisam eu o-tirei4 a e/es 1 que ,v4 ,p4 o-deve agradec]3 e a mim1 s a boa vontade que t5ho1 de o-s]vir4 ,no-fim da-sua c>ta1 repete ,v4 ,p4 uma circun/ancia1 que ja me-p$io em outra sua3 vem as]1 que diga alguma coiza1 da-,poezia4 ,eu me-lembro mui bem1 da-sua petisam3 a qual nam deixei por-esquecim5to1 mas com suma adv]t5cia3 vi/oque s despois da-,retorica1 se-deve trat> da-,poezia3 a qual nada mais 1 que uma ,eloqu5cia mais ornada4 ,s me-re/a uma dificuldade1 qu]o diz]1 se pod]ei eu dezemp5h>1 o que ,v4 ,p4 me-encom5da4 ,eu t5ho p\ca noticia de ,poetas ,portuguezes3 ou nam t5ho toda1 a que neces>ia1 p>a =m> juizo exato deles4 ,desde que li alguns1 os-desprezei quazi todos1 porque me-nam-agradram4 ,contudo lembr&o-me1 que a m$ida d-v]so ,portuguez1 a mesma d-,italiano2 e que z regras em todo o mundo culto1 sam z mesmas2 direi alguma coiza que me-ocorre3 se err>1 dev] desculp>-me2 lembr&o-se que s o-faso1 p>a lhe-ob$ec]4 ,digo pois1 que o e/ilo dos-,poetas de/e seu ,re9o1 e de/a sua l+ua1 p\quisimo me agrada3 porque totalm5te contr>io1 ao que fiz]am os melhores modelos da-,antiguidade1 e ao que ens9a a boa razam4 ,a razam di/o 1 porque os que se-metem a compor1 nam sabem que coiza compor3 onde1 qu&o muito sam ,v]sificadores1 mas nam ,poetas4 ,e di/o nam queira ,v4 ,p4 melhor prova que v]1 que n5hum at aqui se-rezolveo a escrev]1 uma boa arte ,poetica ,portugueza3 todos se-rem$eiam com e/a ,espanhola1 que muito m faz5da4 ,c]to meu conhecido me-mo/r\ tempos1 uma manuscrita3 mas nada mais era1 que um comp5dio da-dita ,espanhola2 em que som5te se-trata1 das-m$idas dos-v]sos1 e comb9aso5s de consoantes3 o que e/ mui longe de se-*am>1 arte ,poetica4 ,onde concluo1 que a9da nam vi livro ,portuguez1 que ens9se um omem1 a inv5t>1 e julg> bem2 e =m> um poema como deve s]4 ,de que nace1 que os que qu]em poet>1 o-fazem segundo a =sa da-sua imag9asam3 e nam produzem coiza1 digna de se-v]4 ,com efeito v] ,v4 ,p4 muitos1 que qu&o escrevem dez v]sos1 lhe-*amam ,decima3 e qu&o unem quatorze1 *amam-lhe ,soneto3 e asim das-mais compoziso5s4 ,desorteque compoem antes de sab]em o que devem diz]1 e como o-devem diz]3 e qu&o tem =mado uma c>am9hola1 em trajes de ,poezia1 ficam mui satisfeitos2 e comesam a diz] mal1 de tudo o que nam int5dem4 ,de/es se a*am1 nam duzias1 mas c5tos4 ,de nam t]em pr(undado a mat]ia1 nacem todos os defeitos da-,poezia3 de que se-a*am inf9itos na ,espanha1 e tambem em ,portugal4 ,g]alm5te int5dem1 que o-compor bem consi/e1 em diz] bem sutilezas2 e inv5t> coizas1 que a n+uem ocorresem3 e com e/a ideia produzem p>tos1 v]dadeiram5te mon/ruozos2 e que eles mesmos1 qu&o os-exam9am sem calor1 dezaprovam4 ,os me/res de ,retorica1 em cujas escolas que se-faz algum poema1 e que deviam ens9> e/as coizas2 sam os primeiros que se-calam1 e deixam faz]1 o que cadaum qu]4 ,env]gonham-se1 de poet> em ,portuguez3 e tem por-pecado mortal1 ou coiza p\co decoroza1 fazelo na dita l+ua4 ,imag9aso5s1 e prejuizos ridiculos6 ,a ,poezia nam pecadora3 a aplicasam a que a-pode faz] cond5avel1 se nam reta3 e como iso pode suc$] tanto na proza1 como no-v]so2 da vem1 que e/es que julgam asim1 nunca deviam escrev] em ,portuguez4 ,em todos os tempos os om5s de virtude1 se aplicram a e/e ex]cicio4 ,os ,santos ,padres mais d\tos1 compuz]am muita coisa em v]so4 ,s4 ,bazilio1 ,s4 ,gregorio ,nazianz5o =am gr&es ,poetas4 ,o primeiro1 compoz expresam5te um tratado1 no-qual ens9ava o modo1 de l] os ,poetas com utilidade4 ,o segundo1 v5do que ,juliano ,apo/ata ,imp]ador ,romano1 proibra aos ,cri/aons1 l] os ,poetas ,etnicos2 compoz algumas poezias1 imit&o ,om]o1 ,p9d>o1 ,euripides1 ,m5&ro c4 p>a in/rusam da-mocidade ,cri/an4 ,e i/o nam o-fiz]am em ,p]siano1 ou ,arabio2 mas na sua l+ua mat]na1 que era a ,grega4 ,o mesmo fez ,apol9>io ,bispo de ,laodicea1 e alguns outros4 ,s4 ,inacio de ,loyola1 e outros mod]nos tambem fiz]am1 v]sos vulg>es4 ,se damos um paso atraz1 a*>emos1 que muitos escritores ,sagrados1 escrevram em v]so4 ,o que tam cl>o1 que n+um pode m5os que rir-se de v]1 que um ,portuguez se-env]gonhe de poet> na-sua l+ua1 faz5do-o em ,latim4 ,como se na l+ua ,lat9a1 nam se-pudesem diz] todas z l\curas1 que se-dizem na ,portugueza6 ,de que vem1 que1 segundo o e/ilo das-escolas1 um ,portuguez obrigado a nam sab]1 que coiza ,poezia4 ,alem di/o1 aquilo que lhe-ens9am de ,latim1 nada mais 1 que a m$ida de quatro v]sos2 e faz] alguma breve compozisam4 ,desorteque em n5huma l+ua se-fazem1 z reflexo5s neces>ias1 p>a s] bom ,poeta4 ,antes pratic&o-se na ,lat9a1 uma sorte de v]sos feitos mod]na1 com muitas sutilezas1 e conceitoz9hos2 e/e e/ilo se-difunde1 nas compoziso5s ,portuguezas1 com g]al dano da-,poezia4 ,duas sam z p>tes1 que compoem o ,poeta1 ,+5ho1 e ,juizo4 ,+5ho p>a sab] inv5t>1 e unir ideias semelhantes1 e agradaveis3 ,juizo p>a z-sab] aplic>1 onde deve4 ,e ne/as duas p>tes pecam1 nam s os mod]nos1 e m$iocres ,poetas2 mas pecram a9da os antigos1 e gr&es om5s2 nos-quais nem tudo igual3 como mo/ram1 aqueles1 que criticram com juizo1 os ,antigos4 ,a*amos om5s com muito +5ho1 e com p\co juizo3 porque e/as duas coizas1 podem-se unir muito bem3 e p>a nam p>ec] falsa1 a m9ha propozisam1 p]mita-me ,v4 ,p4 que me-explique melhor4 ,o ,+5ho consi/e1 em sab] unir ideias semelhantes1 com promtidam1 e grasa2 p>a =m> p9turas que agradem1 e elevem a imag9asam3 desorteque nam ba/a que sejam semelhantes2 neces>io que divirtam1 e arrebatem4 v4 g4 ,qu&o o ,poeta diz1 que a g>ganta da-sua amada1 branca como a neve3 ni/o nam ap>ece +5ho3 se porem acrec5ta1 que igualm5te fria2 ni/o e/ o +5ho4 ,polo contr>io o ,juizo1 aquela faculdade da-alma1 que peza exatam5te todas z ideias3 sepra umas das-outras3 nam se-deixa +an> da-semelhansa3 e atribe a cada uma1 o que seu4 ,i/o1 p$e uma exata m$itasam1 e prud5cia fundada3 aquilo1 s p$e uma memoria *eia de muitas1 e dif]5tes ideias4 ,e daqui vem1 que vemos frequ5tem5te1 om5s de imag9asam fecunda1 e +5ho vivo2 sem um escrupulo de juizo3 antes comum5te tem m5os juizo1 os que tem mais +5ho3 motivo polo qual produzem obras1 que m]ecem rizo4 ,os que nam di/+uem i/o1 confundem ,+5ho1 e ,juizo3 e *amam om5s de juizo1 aos que dizem mil ridicul>ias1 e produzem inf9itas mon/ruozidades1 e despropozitadas imag9aso5s4 ,o v]dadeiro +5ho pois1 uma semelhansa de ideias1 que div]te1 e eleva4 ,polo contr>io o falso +5ho consi/e1 na semelhansa de algumas letras1 como os ,anagramas1 ,cronogramas c4 s vezes na semelhansa de algumas silabas1 como os ,ecos1 e alguns consoantes insulsos3 outras vezes na semelhanzas de algumas palavras1 como os ,equivocos c4 f9alm5te consi/e tambem1 em compoziso5s inteiras1 que ap>ecem com dif]5tes figuras ou p9turas1 como abaixo diremos4 ,de/as duas especies de +5ho bom1 e mao1 se-compoem uma t]ceira1 que p>ticipa de ambas1 a que alguns d\tos *amram ,+5ho mixto3 que consi/e1 p>te na semelhansa das-ideias1 e p>te das-palavras4 v4 g4 ,imag9a o ,poeta1 que o ,amor tem1 semelhansas de fogo3 e une e/as duas ideias1 na sua imag9asam4 ,s]ve-se das-palavras de fogo1 e *ama2 p>a explic> e/a paixam d-animo3 e como elas tem significasam inc]ta1 rezulta daqui um todo1 que tem p>te de +5ho1 e p>te de ap>5cia3 o qual mais ou m5os e/imado1 segundo que dom9a mais ou m5os1 um que outro3 qu]o diz]1 segundo que a semelhansa caie mais1 sobre z ideias1 que sobre z palavras4 ,na idade de oiro da-,lat9idade1 ap5as se-a*a ve/igio diso1 tir&o em ,ovidio1 que tem alguma coiza3 na idade de prata1 ,m>cial cuido que foi o inv5tor3 e ne/es ultimos seculos1 nam se-ve outra coiza4 ,mas a v]dade 1 que um conceito que nam ju/o1 nem fundado sobre a natureza das-coizas1 nam pode s] belo3 porque o fundam5to de todo o conceito +5hozo1 a v]dade3 nem se-deve e/im> algum1 qu&o nam se-reconhesa nele1 ve/igio de bom juizo4 ,e como os ,antigos obs]vram muito i/o1 por-iso neles se-obs]va1 c]ta maneira natural de escrev]1 e c]ta simplicidade nobre1 que tanto os-faz admiraveis4 ,polo contr>io1 os que nam tem +5ho p>a faz]em31 que um conceito brilhe1 com a sua propria luz1 sem a-p$ir empre/ada2 vem-se obrigados1 procur> toda a sorte de ornam5tos1 e apeg>-se a quaisqu] agudezas boas1 ou ms2 p>a com elas faz]em figura1 e p>ec]em +5hozos4 ,nas obras dos-,antigos nam di/+uem o bom1 nem o mao3 abrasam os mesmos erros1 como se fosem m>avilhas3 sem adv]tirem1 que a9daque fosem nosos me/res1 nam os-devemos seguir1 com os olhos fe*ados2 mas abras> neles1 o que nam repugna boa razam4 ,de/e pr9cipio nac]am1 aquelas ridiculas compoziso5s1 que tanto re9ram1 no-seculo da-ignorancia1 digo no-fim d-seculo ,,xvi4 de ,cri/o1 e metade d-,,xvii4 e de/]radas dos-pazes mais cultos1 a9da oje se-cons]vam em ,portugal1 e nas mais ,espanhas4 ,os om5s daqueles seculos ignorantes1 nam obs]vram nos-,antigos o bom1 mas o mao4 ,vram1 que neles se-a*avam ve/igios1 de um mao +5ho2 e ese foi o que abrasram3 de-sorteque a9da oje tem os d\tos gr&e trabalho1 em de/]r> i/o1 da-m5te dos-om5s4 ,alguns ,poetas ,gregos ridiculos1 autorizram e/e uzo4 ,atribue-se a ,!ocrito1 mas falsam5te1 uma especie de/es poemas1 a que ns podemos *am> p9tados1 ou figurados4 ,reprez5ta um1 o ,ovo2 outro1 uma ,ma*ad9ha2 outro1 um ,alt> c4 ,i/o uma pu]ilidade1 indigna de um ,poeta tam gr&e1 como ,!ocrito4 ,c]tam5te p>a faz] semelhantes v]sos1 deve o ,poeta &> detraz1 nam d-bom conceito1 mas da-palavra longa1 ou curta3 vi/oque os v]sos nam sam1 de igual m$ida e gr&eza4 ,e/e pesimo go/o se-re/ableceo1 no-seculo pasado1 nam s no-v]so1 mas tambem na ,proza4 ,eu vi um ,ecce ,homo1 feito de letr9has miudas1 que cont9ham o te/am5to ,novo4 vi um retrato d-,imp]ador ,joz1 cuja cabeleira1 e ve/ido era feito de v]sos4 f9alm5te a*a-se muito di/o1 nos-,poetas tolos d-seculo ,,xvi4 e ,,xvii4 ,o que me admira ne/e p>ticul> 1 que o ,padre ,bluteau1 que nacra em um ,re9o1 no-qual se-sabe1 que coiza ,eloqu5cia1 e bom go/o2 quizese introduzir tambem i/o1 em ,portugal4 ,li av] anos um papel avulso1 que ele compuz]a nas exequias1 da-,ra9ha ,d4 ,m>ia de ,saboia1 molh] d',el-,rei ,d4 ,p$ro ,,ii4 e o-intitul\ ,pro!us doloris2 em que se-cont9ha ba/ante di/o4 ,avia um epitafio piramidal1 cujo artificio consi/ia1 em t] algumas regras mais compridas que outras4 ,avia tambem v>i$ade de di/icos1 em que se-aludia s letras todas d-,a4 ,b4 ,c43 e muita de/a ridicula faz5da4 ,t9ha tambem uma enfiada daqueles titulos1 que ele co/uma pr nos-seus prologos1 e que embrulham o e/omago1 aos leitores de p]feito juizo4 ,com efeito eu ja dise a ,v4,p4 que e/e era o e/ilo1 d-tal ,religiozo3 metodo1 crit]io1 bom go/o1 nam sabia de que cor era4 o mais cansado escritor1 que eu t5ho vi/o4 ,na v]dade era infatigavel1 em algumas coizas3 mas nam era autor p>a se-imit>3 porque bebra desorte1 e/e e/ilo de ,portugal2 que at em ,p>iz quiz def5d] a um ,c>dial1 que o e/ilo de preg> dos-,portuguezes1 era excel5te3 o que cuido t] lido1 em uma das-suas obras pr$icaveis4 ,emfim tudo i/o efeito1 de mao go/o1 e n5hum crit]io4 ,daqui tambem nacram1 z outras compoziso5s mais ridiculas4 ,conta a ,i/oria1 de um c]to ,tryphiodoro2 que compoz uma ,ode1 sobre os trabalhos de ,ulizes2 e dividio e/e poema em #bd4 livros1 a que deo o nome das-#bd4 letras d-,alfabeto1 pola razam contr>ia3 vi/oque no-primeiro livro1 faltava o ,a4 no-segundo1 o ,b4 c4 e em n5hum se-a*ava a palavra1 que tivese a dita letra d-titulo4 ,eu vi uma compozisam mod]na1 que seguia o mesmo metodo4 ,c]tam5te nam coiza mais ridicula1 que e/es ,lipogramas4 ,s]a um belo div]tim5to1 obs]v> e/e ,poeta1 emp5hado a revolv] todos os ,dicion>ios2 s p>a deit> fra1 a letra escomungada4 ,s]a neces>io1 desprez> a voz mais propria1 e mais elegante2 som5te por-t] a desgrasa1 de se-a*> nela1 a dita letra4 ,mas que coiza s]a a tal compozisam6 que palavras ridiculas6 que fraze inaudita6 que conceitos improprios6 ,foi =tuna1 que o tal autor teve p\cos sequazes1 na ,antiguidade4 ,dos-,enigmas de palavras1 entre os ,povos d-,ori5te a*amos muito4 ,era entre eles1 uma pr9cipal p>te da-sab$oria2 sab] propor1 e decifr> os ,enigmas4 ,os mesmos ,reis se-div]tiam1 em propor uns a outros1 e/as adv9haso5s3 e s vezes nos-convites1 e/e era o ultimo prato4 ,mas de/es om5s nam falamos1 porque ignorram1 o que era bom go/o4 ,mas a9da entre os ,gregos ouve algum1 que fez algum enigma3 mas =am r>os1 como mo/ra o noso ,lilio ,gregorio ,gyraldi1 nos-seus ,opusculos4 ,os ,romanos mais adv]tidos1 fugram di/o4 ,sobre a outra sorte de ,enigmas p9tados c4 algum ve/igio vemos1 nos-,antigos3 mas eles t9ham outro dif]5te motivo4 ,em ,roma era proibido1 que um p>ticul> puzese a sua efigie1 que era o mesmo que a sua arma1 no-d9heiro corr5te4 ,caio ,cez>1 que era o ,prov$or da-,caza da-mo$a1 m&\ esculpir nelas1 a figura de um ,elefante3 porque a palavra ,cez> em l+ua ,punica1 significa ,elefante4 ,tambem entre os ,gregos1 pr9cipalm5te ,at5iezes1 era proibido sev]am5te1 que os e/atu>ios1 e artifices puzesem o seu nome1 nas e/atuas c4 ,mas dois ,ar*itetos1 t5do feito um gr&e palacio1 esculpiram em v>ias p>tes1 uma ,lag>tixa1 e uma ,ran1 que eram os seus nomes4 ,obs]vei eu tambem muitas vezes1 na famoza e/atua eque/re de bronze1 d-,imp]ador ,m>co ,aurelio1 que se-a*a em ,roma na prasa d-,capitolio2 que z cr9s d-cavalo entre z orelhas1 reprez5tavam uma coruja3 que sem duvida era o nome d-autor3 que v]osimelm5te era ,at5iez1 vi/oque em ,at5as avia gr&e abundancia delas4 ,mas i/o que os ,antigos fiz]am1 por-necesidade1 alguns ,mod]nos o-fazem1 por-eleisam3 e se-cansam em inv5t> um enigma1 como em faz] alguma obra eloqu5te4 ,nam poso deix> de escrev] aqui um epitafio1 que cita um autor de bom juizo1 que se-poz na lapide sepulcral4 ,o morto *amava-se3 ,nicolao ,antonio ,simeoni3 e qu]5do-lhe faz] um epitafio +5hozo1 escrevram i/o3 ,hic jacet ,b>ium1 ,patavium1 de ,nunc dimittis4 ,b>ium aludia a ,s4,nicolao ,arcebispo de ,b>i3 ,patavium a ,s4,antonio de ,padua3 e ,nunc dimittis ao canto d-velho ,simeam4 ,veja ,v4,p4 que tal era o enigma1 e que tal s]a o autor6 ,di/o a9da oje se-a*a muito1 entre os ignorantes3 e eu t5ho vi/o ba/ante1 em ,portugal4 ,intrei uma vez na caza1 de c]to cavalheiro ,portuguez1 que e/ava l5do um livro de ,epigramas ,lat9os1 9 #d4 proguntei-lhe1 que coiza lia3 e respondeo-me1 ,que lia o melhor ,epigramati/a1 e o melhor ,enigmatico4 ,que o autor era um ,portuguez mod]no1 o qual em cada ,epigrama ocultra um enigma1 com tanto e/udo2 que toda aquela m5han procurra decifr> um1 sem o-conseguir4 ,que ja t9ha alcansado1 o segr$o de outros3 e que reconhecia1 que neles avia muito +5ho4 ,(]eceo-se p>a me-empre/> o livro1 e decifr> algum4 ,eu agradeci a at5sam3 e respondi-lhe1 que t9ha mais que faz]3 e que nam qu]ia privlo d-go/o1 de se-ocup> em coizas tam +5hozas4 ,e a i/o *ama-se +5ho6 e quem publique tais livros1 ne/e seculo6 ,ponho na mesma clase os ,ecos1 ,equivocos1 ,anagramas1 ,acro/icos1 ,cronogramas1 ,consoantes =sados1 ,lab]9tos c4 ,tudo i/o a9daque tivese seus ve/igios1 em alguns m5os adv]tidos da-,antiguidade2 resucit\1 ou se-inv5t\1 nos-seculos da-ignorancia4 ,eu sei que ,ovidio1 em uma p>te das-suas ,metamorfozes1 qu&o fala da-,n9fa ,eco1 antes de s] mudada em puro eco1 introduz algum4 ,mas alem de que o-p$ia1 a necesidade da-mat]ia2 vi/o s] ela o argum5to1 da-sua descrisam2 os om5s de juizo rim-se1 da-sua pu]ilidade3 s5do c]to que ,ovidio1 caio em muitos defeitos1 e escreveo com mais facilidade1 que reflexam4 ,mas nam se-pode s(r]1 que om5s mod]nos1 e que mo/rram d\tr9a em muitas coizas1 caisem ne/a rapaziada1 cond5avel a9da em um rapaz3 e que fizesem compoziso5s1 expresam5te p>a mo/r>1 que sabiam faz] eco4 ,eu vi ecos1 que respondiam em ,latim1 e outras l+uas3 e tive compaixam d-,poeta1 que se-cansra com aquilo4 ,os ,equivocos nam os a*o na ,antiguidade1 sep>ados dos-,enigmas1 tir&o r>isimo1 que em outra p>te direi3 sam inv5sam mod]na4 ,v4 ,p4 sabe muito bem1 que s re9ram1 no-tempo da-ignorancia2 e que os ,espanhoes1 e ,portuguezes mais adv]tidos1 fogem oje deles4 ,com efeito nam coiza mais ridicula1 que *am> conceito1 a um +ano3 e procur> aquilo1 que se-devia evit>4 ,qu&o eu li algumas das-,jornadas1 de ,j]onimo ,baa1 tive compaixam d-dito ,religiozo3 e as5tei1 que a jornada que devia faz]1 era de sua caza p>a o ,ospital4 ,e/a sorte de ,poetas sam doidos1 a9daque nam furiozos4 ,mas nam cuide ,v4,p4 que i/o e/ totalm5te reprovado3 eu a9da conheso1 quem o-pratica3 e qu&o se-lhe-(]ece ocaziam1 de diz] um equivocoz9ho1 banham-se em agua de ,cordova4 ,nam falo dos-idiotas1 porque e/es nam cuidam niso3 mas de/es *amados d\tos1 ,frades1 ,secul>es1 ,sac]dotes1 ,e/udantes c4 entre e/es a*a-se muito di/o3 porque nam se-incontra uma alma cri/an1 que dez+anadam5te lhe diga1 que aquilo uma p>voice4 ,mas o pior 1 que ja o ,equivoco pas\ d-,portuguez1 p>a o ,latim3 e muitos que deviam sab]1 que coiza era ,latim1 nam fazem escrupulo1 de introduzirem nele equivocos2 compondo um ,latim novo1 *eio de todas e/as ar5gas4 ,um autor de cr$ito1 a quem eu e/imei muito1 pola sua d\tr9a1 e pi$ade1 tambem tropes\ ne/a mat]ia2 compondo uma descrisam d-,ceo1 por-equivocos4 ,e/a obra1 que =a prometida anos antes1 com dif]5te titulo2 teve muita g5te em gr&e esp]ansa2 e eu fui um deles3 mas despois que a-li1 confirmei-me no-conceito em que e/ava1 de que nam obra p>a e/e seculo2 mas c5to c9co5ta anos antes1 s]a um prodigio4 ,todo o artificio consi/e1 em t] buscado nomes de ,santos1 que signifiquem v>ios (icios da-,republica1 de que se-a*am c>ros nos-m>tirologios c4 e descrev] uma ,cidade ideial1 introduz9do em seus lug>es1 os ditos nomes4 ,contudoiso e/a obra teve mil adoradores1 e apologi/as2 que mo/ram abras>1 a mesma op9iam4 ,eu porem que dezejo coop]>1 p>a o cr$ito de/e omem1 quiz]a que se-nam-tivese publicado3 porque me-p>ece1 que nam digna de e/> ao p1 de outras obras d-mesmo autor3 e que def5d] o contr>io1 mo/r> mais paixam1 que dic]nim5to3 e de/e meu p>ec] =am1 os ,e/rangeiros de juizo1 a quem a-mo/rei4 ,mas o que e/e fez em uma s mat]ia1 fazem outros em toda a ocaziam3 e desculpam-se com um ou dois ,e/rangeiros1 que sam os gavad9hos4 ,como se os ,e/rangeiros1 nam fizesem tambem p>voices6 ou como se naquelas ,naso5s nam ouvese1 quem abom9se tal metodo6 ,com efeito o ,tezauro1 mas pr9cipalm5te o ,jugl>1 de quem se-s]vem ne/e g5]o de equivocos1 e agudezas2 insoportavel3 e tem sido o que arru9\ muita g5te1 que nam peza bem o que abrasa4 ,ele compoz uma c]ta coiza1 a que *ama ,elogios3 feitos em um ,latim1 que nam se-sabe de que seculo 2 porque todo *eio de sutilezas1 e equivocos2 e cada palavra se-deve tom>1 em s5tido dif]5te doque soa4 ,o primeiro ,elogio feito ao ,v]bo ,et]no1 comesa asim3 ,amicus sil5tii ,deus e/4 ,semel 9 tota t]nitate locutus ,deus1 ,uno omnia dixit 9 ,v]bo4 ,prima sui fecunditate facundus1 ,ipsa sui conceptione fit p>5s2 ,veja ,v4 ,p4 o que aqui vai6 ,a palavra sil5tium aqui tam impropria1 que nam pode s] mais3 porque sil5tium um t]mo relativo1 que significa e/> calado1 ou quieto2 quem primeiro fal\1 ou fez rumor3 e i/o nam se-pode aplic> ao ,p4 ,et]no1 o qual sempre fala a mesma palavra1 que entam fal\4 ,onde nam coiza mais contr>ia ao sil5cio1 que o fal> d-,et]no ,pai3 e1 segu9do a sutileza d-,jugl>1 deve-se diz]1 que nam quem seja1 mais amigo de fal>1 porque nunca se-cala4 ,a palavra semel tambem impropria4 ,ela nam significa uma coiza1 que sempre se-faz3 mas que se-faz uma vez s3 e no-noso cazo1 que j pasada3 e i/o nem m5os se-pode aplic>1 ao ,padre4 ,tambem o nome locutus1 rigorozam5te fal&o1 nam significa1 quem pronunca uma palavra1 como ele supoem2 mas quem faz um discurso4 ,uno omnia dixit 9 ,v]bo1 nam fraze ,lat9a1 no-s5tido em que ele a-toma3 porque uno v]bo1 ou v]bo dic]e1 de que uzam os ,lat9os2 nam significa1 pronunci> uma voz1 como supoem o elogio2 mas diz] p\cas palavras1 e explic> muito em p\co3 a palavra ,v]bum1 aqui rigorozo equivoco4 ,prima sui fecunditate1 nam sei o que qu] diz]3 porque eu nam a*o1 que o ,padre ,et]no g]se mais1 que um filho3 e a palavra prima relativa4 ,alem diso a palavra fecunditas1 nam significa1 g]> uma s vez2 mas muitas1 e s] f]til3 e nem m5os i/o se-aplica1 ao ,p4 ,et]no4 ,o mesmo digo da-palavra facundus1 que nam significa1 quem pronuncia uma s palavra2 mas quem eloqu5te1 e sabe faz] muitos e bons discursos3 e tudo i/o e/ longe d-s5tido1 em que o-toma ,jugl>4 ,a palavra conceptio1 outro equivoco4 ,ela nam significa1 conhec] e int5d] alguma coiza2 mas compre5d]1 como um vazo compre5de o licor1 que lhe-deitam3 e ne/e s5tido se-transf]e1 p>a explic> o modo1 com que o ut]o das-molh]es1 recebe a sem5te2 de que rezulta a g]asam4 ,significa tambem1 excogit>3 e em n5hum de/es s5tidos se-pode aplic>1 ao ,p4 ,et]no3 pois nem o ,pai excogita o ,filho2 nem se-concebe a si1 mas ao ,filho4 ,asimque toda e/a ar5ga se-r$uz1 a um trocadilho e jogo de palavras3 como ,v4 ,p4 pod] reconhec]1 se quiz] l] o dito autor4 ,e que diriam os nosos antigos ,romanos1 se visem abuz> da-mage/ade dos-,elogios3 de/ruir a naturalidade1 e simplicidade da-l+ua ,lat9a3 p]v]t] a propri$ade das-suas expreso5s3 som5te p>a diz] quatro sutilezas1 que nam concluem nada8 ,contudo iso e/e autor1 b&ido de outros ,re9os1 a*\ muitos imitadores1 e idolatras ne/e3 aos quais s] mais facil p]suadir1 que os antigos ,romanos nam s\b]am1 escrev] com elegancia2 doque que o ,p4 ,jugl> nam seja1 um milagre de d\tr9a1 e facundia4 ,mas p]mita-me ,v4 ,p4 repetir o v]s9ho1 quisque suos patimur manes3 o c]to 1 que e/e e/ilo1 com mais razam se-deve evit> no-,latim1 que no-,portuguez4 ,os ,anagramas sam inv5sam nova1 e tambem agradam muito1 ne/es paizes4 ,que div]tim5to nam 1 v] um p]feito anagramati/a1 dez5tranh> daquela palavra1 mil coizas dif]5tes6 ,eles conv]tem o branco em negro2 o dia em noite2 o omem em be/a4 ,se o tempo que aplicam1 a e/a rapaziada1 o-aplicasem a coiza s]ia2 podiam faz] um poema ,epico bem gr&e4 ,a*am-se alem di/o me/res1 que fom5tam i/o2 d&o premios aos rapazes1 que nas escolas1 ouv9do alguma palavra1 descobrem nela um anagrama puro4 ,s]a i/o nada1 se se-contivese d5tro das-escolas3 mas o mao 1 que saie p>a fra1 e se-introduz nos-discursos graves4 ,asi/i uma vez a um s]mam da-,conceisam1 pregado polo ,p4 99 99 99 o qual =a muitos anos me/re1 e t9ha fama de gr&e ,teologo2 que prov\ o que dise1 com anagramas1 tirados d-nome da-,s5hora1 e de algumas palavras d-,evangelho4 ,creio que neces>ia mui p\ca reflexam1 p>a conhec] o ridiculo1 de/e e/ilo4 ,os ,acro/icos sam primoscomirmaons dos-,anagramas1 e nacram no-mesmo seculo4 ,a*am-se +5hos m>iolas tam infatigaveis1 que no-mesmo ,soneto poem trez vezes1 o mesmo nome3 duas nas extremidades1 e uma no-meio4 ,p>a faz] i/o ja ,v4 ,p4 sabe1 quantas palavras neces>io volt>1 e revolt>4 ,e como z palavras se-buscam1 polo comprim5to1 c4 segue-se que se-m-de desprez> z melhores2 s p>a a*> aquela1 em que e/eja aquela letra inicial1 e aquele num]o de silabas4 ,e daqui fica cl>o1 que coiza pode s]1 a dita compozisam4 ,os ,ebreos despois d-,talmud1 sam os que se-aplicram a e/as ridicul>ias1 de ,anagramas c4 mas fom5te p>a a*> mi/]ios1 nas ,escrituras4 ,porem e/es mod]nos1 procuram som5te o div]tim5to4 ,dos-,cronogramas vi algum em ,portugal1 mas r>o4 ,os ,tudescos sam insoportaveis ne/a mat]ia1 e tambem os ,ebreos mod]nos4 ,consi/e pois o ,cronograma1 em pr no-pr9cipio1 ou fim de um livro1 ou em alguma inscrisam1 c]tas palavras2 p>te das-quais letras sejam maiusculas3 z quais juntas decl>em a era1 em que foi feito o livro4 ,om5s 1 que p]dem mezes1 p>a busc> z ditas palavras4 ,onde1 qu&o ,v4 ,p4 vir algumas de/as inscriso5s1 em m$alhas1 ou livros2 nas quais entre letras miudas se-a*em majusculas2 nam se-canse em busc> o conceito1 que nam 3 busque o ano1 d-milezimo corr5te4 ,mais vulg> em ,portugal1 outra sorte de +5ho falso1 a que *amam ,consoantes =sados4 ,qu&o qu]em exp]im5t> um omem1 se tem +5ho2 dam-lhe consoantes e/ramboticos1 p>aque complete os v]sos3 e como i/o seja o mesmo1 que obrig> um omem1 a que diga despropozitos2 ja se-sabe que saiem compoziso5s1 indignas de se-v]em4 ,se um omem qu&o qu] faz] um ,soneto1 polos consoantes de outro1 ao mesmo asumto1 e sem se-incontr> no-mesmo conceito2 lhe-cu/a3 se despois que um ,poeta faz1 uma boa quadra de um ,soneto2 nam a*a s vezes os consoantes proprios1 p>a a segunda2 e p>a explic> o que tem ideiado3 consid]e ,v4 ,p4 que coiza pod] faz]1 qu&o o-obrigam1 a diz] despropozitos8 ,o mesmo digo1 qu&o dam os motes com f9ais dezuzados1 e que nam tem outras vozes consoantes4 ,sempre me-p>eceo ridiculo e/e e/ilo3 e nunca pude s(r]1 que v9do quatro amigos1 elogi> outro em um oiteiro2 lhe-ajam de d> motes1 p>a os-torm5t>4 i/o recomp5s> uma f9eza com uma injuria2 e qu]] uma satira1 em lug> de l\vor4 ,deviam d> ao ,poeta1 som5te o asumto2 e deix>-lhe a lib]dade1 de faz] a ,decima como quizese3 porque o entuziasmo deve t]1 lib]dade na expresam3 sem a qual nam posivel1 deix> de diz] p>voises4 ,ou1 em cazo de lhe-d>em o mote1 devia s] com algum f9al1 que tivese muitas vozes consoantes da-l+ua3 p>aque pudese contrafaz]-se m5os1 e produzir coizas dignas4 ,porem sempre direi1 que efeito de um +5ho mui mao1 d> consoantes e/ramboticos3 e que todo o omem de juizo deve fugir1 de/a rapaziada4 ,em outros ,re9os1 sempre se-deixa a lib]dade1 a quem gloza3 e na m9ha ,italia1 onde sabem que coiza ,poet>2 a e/es glozadores1 a que la *amam ,improvizadores1 nunca dam motes1 mas s o asumto4 ,e por-iso alguns1 e vi tambem molh]es1 que discorriam prodigiozam5te3 e cujas obras escritas1 m]ec]iam gr&e l\vor4 ,especialm5te incontrei um omem1 de m5te tam fecunda1 que polo espacio de trez oras despois de jant>1 fez cont9uam5te v]sos2 v>i&o eu sempre os asumtos4 ,v]sejava em oitava rima1 con=me o co/ume dos-v]sejadores de ,italia3 e com tanta promtidam2 que *eguei a suspeit>1 que z-trazia e/udadas3 desorteque me-vi obrigado1 a v>i> inf9itam5te os argum5tos3 mas o omem sempre era o mesmo3 e o pr(luvio de palavras nam t9ha limite4 ,notei especialm5te duas coizas s+ul>es3 nunca err\ v]so1 ou na quantidade1 ou no-consoante3 e nam uzava de palavras sem significado1 de que frequ5tem5te uzam os ,poetas2 mas dizia coizas bem ditas1 e de su/ancia4 ,mas e/e gr&e omem1 qu]5do-lhe eu d> um mote1 nam se-quiz sugeit> a glozlo4 ,nele fiz algumas reflexo5s1 das-que a ,v4 ,p4 aponto4 ,vemos a9da outra coiza pior1 que 1 introduzir os consoantes1 ou rimas1 no-v]so ,lat9o4 ,nos-seculos da-ignorancia1 ouve um ,poeta de/es1 que r$uzio a metade da-,eneida1 em v]so ,lat9o rimado4 ,a*am-se a9da alguns ,imnos eclezia/icos1 feitos no-undecimo1 duodecimo1 e segu9te seculo1 com consoantes e toantes4 vi alguns ,portuguezes1 que go/avam di/o4 ,mas tudo efeito de suma ignorancia2 e nam conhec]1 qual a beleza1 e armonia da-l+ua ,lat9a4 ,+5hos ord9>ios1 que nam podem *eg> galant>ia1 dos-antigos e bons ,poetas2 qu]em-se s+ul>iz>1 com tal e/ilo3 e por-iso se-devem desprez>4 ,tambem os ,lab]9tos de letras1 sam mui mimozos em ,portugal3 e ,poeta conhece ,v4,p41 que e/im\ mais um lab]9to que fez1 doque se fiz]a alguma famoza compozisam4 ,outros tem por-coiza gr&e1 faz] lab]9tos de qu>tetos1 dispo/os em c]ta figura1 de-sorteque se-lem por-todas z p>tes2 e sempre cons]vam1 a mesma consonancia4 ,outros fazem v]sos1 que se-lem p>a diante1 e p>atraz3 de uma p>te1 fazem um s5tido3 da-outra1 outro contr>io3 empregam ni/o tempo consid]avel1 nam s em fazlo1 mas em decifrlo3 e *amam a i/o1 emprego de sublime +5ho4 ,que om5s6 ,o simplez nome de lab]9to ba/a1 p>a desprez> e/a sorte de compoziso5s3 olh> p>a eles1 deve confirm> e/e propozito4 ,decifrado um lab]9to de letras1 comum5te a*a-se o nome de uma pesoa1 e nada mais3 e onde e/ aqui o +5ho8 ,cu/a s vezes ao ,poeta1 faz] um lab]9to de um qu>teto1 um mez2 e como nam pode *eg> a encobrir a compozisam1 de modo que outro em um abrir de olhos1 a-nam-decifre2 todo o +5ho d-,poeta1 que lhe-cu/\ um mez1 exc$e outro1 com um abrir de olhos4 ,os outros lab]9tos de qu>tetos c4 n5hum tem conceito3 porque nam podem unir-se duas coizas1 poet> bem1 e poet> em lab]9to4 ,e asim com muito trabalho consegue o ,poeta1 que os outros conhesam2 que ele nam sabe faz]1 v]sos bons4 ,igualm5te e/imada ne/e paiz1 uma especie de ,sonetos1 em que se-repete a mesma palavra1 em todos os v]sos3 que o mesmo que a galant>ia1 dos-consoantes =sados4 ,porque obrigado o ,poeta1 a introduzir a dita palavra em cada v]so1 nam pode idei> livrem5te2 nem unir um v]so com outro2 nem sair com alguma compozisam1 que seja digna4 ,podia cit> mil exemplos3 mas nam queira ,v4 ,p4 n5hum melhor2 que o ,soneto que se-atribue ao ,*agas1 e comesa3 ,o tempo ja de si me-p$e conta4 ,em todos os v]sos entra1 a palavra tempo3 que uma embrulhada t]rivel3 e o conceito d-fim consi/e ni/o3 ,e que se-*ega o tempo de d> conta4 que em c>ne o mesmo primeiro v]so4 ,e onde a*a ,v4 ,p4 a galant>ia8 o mesmo digo dos-outros4 ,e tudo i/o provm1 de que tais ,poetas int5dem1 que o-faz] um ,soneto segundo z leis comuas1 coiza ridicula3 e asim qu]em1 esquipasam p>ticul>4 ,se os om5s consid]>em1 que coiza era a ,poezia3 se tivesem bem int5dido1 os pr9cipios dela3 se quizesem decifr>1 em que consi/e a beleza e armonia1 que nos-eleva1 qu&o ouvimos um bom poema3 nam podiam m5os1 que desprez> todas e/as compoziso5s2 que sam indignas1 at dos-proprios rapazes4 ,s os que nam sabem1 que coiza +5ho1 se-aplicam a e/as ridicul>ias4 ,dezesp]&o de *eg>1 mage/ade dos-antigos compozitores2 nam a*ram outro meio de s]em at5didos1 que faz5do ridicul>ias4 ,suc$eo-lhe o mesmo1 que aos ,godos1 com a ,ar*itetura3 nam t5do sido in/ruidos nas boas artes1 como =am os ,gregos1 e ,romanos2 e nam pod5do *eg>1 nobre simplicidade da-antiga ,ar*itetura3 ornram z suas fabricas1 de tudo o que lhe-(]eceo1 a sua mal regulada imag9asam4 ,desorteque os om5s1 que no-seculo prez5te obs]vam1 os monum5tos que nos-ficram1 de/es b>b>os2 nam cesam de admir>1 a p\ca proporsam que se-descobre1 em todas z suas fabricas3 e o mao go/o que ap>ece1 em todos os seus ornam5tos4 ,muitos deles viviam em ,roma3 t9ham debaixo dos-olhos1 z famozas fabricas dos-,romanos3 e desprez&o tudo i/o1 produziam mon/ruozidades4 ,asim sam os autores de/as ,poezias3 tem os bons livros3 podiam neles obs]v>1 o que devem3 e desprezam tudo i/o1 p>a seguirem fanta/icas imag9aso5s4 ,onde dise com galant>ia1 um autor mod]no2 que se a gloria de belo +5ho1 se-consegura som5te1 com o trabalho que empregam1 naquelas ridicul>ias2 ele nam qu]ia s] belo +5ho3 pois era melhor1 s] =sado da-gal1 que conseguilo com tanto cu/o4 ,e eu acrec5to1 que se e/ivese na m9ha mam1 cond5>ia e/es tais ,poetas1 a pas>em a sua vida faz5do ,acro/icos1 ,anagramas1 ,lab]9tos2 retirados d-com]cio dos-om5s2 e felicit>-se com os seus inv5tos4 ,t5ho a9da outra coiza que adv]tir1 que tambem efeito1 de mao +5ho2 e sam aqueles ditos1 que *amam agudos1 e jogos de palavras2 que se-a*am frequ5tem5te nos-,prozadores1 e frequ5tisimam5te nos-,poetas4 ,v] ,v4 ,p4 pesoas1 que cuidam diz] grasas1 e coizas +5hozas2 e dizem insipidas ridicul>ias4 ,outros1 s]vem-se de uma palavra com um c1 que po/a com um l1 significa coiza dif]5te3 e daqui =mam uma c>am9hola1 a que *amam +5ho2 e ficam mui satisfeitos1 da-sua agudeza4 ,o pior e/1 em que om5s que escrevram1 sobre a agudeza2 e quiz]am ens9> i/o1 aos leitores4 ,li anos um livr9ho pequ5o1 de um ,espanhol1 que cuido era ,gracian2 e se-intitulava ,tratado de la ,agudea3 lembro-me que o autor no-prologo1 dezejava ao livro a boa =tuna1 de cair em maons1 de quem o-int5dse4 ,polos meus pecados eu fui um1 dos-que nam se-cansram em int5dlo3 porque logo int5di1 que o livro nam m]ecia que se-lese4 ,qu]] ens9> a diz] grasas1 e agudezas2 o mesmo que qu]] ens9>1 a mud> a natureza3 quem nam proprio p>a e/as coizas1 nam z-pode apr5d]4 ,z grasas1 pola maior p>te1 tem beleza respetiva3 em boca de uns1 tem grasa2 na dos-outros1 nam3 a agudeza qu&o nam pura1 o mesmo4 ,pola maior p>te1 z que pasam com e/e nome1 nam m]esem e/e titulo3 sam m]os jogos de palavras1 que agradam inf9itam5te aos ignorantes4 ,ne/e p>ticul> a v]dadeira regra e/a3 ,se o conceito traduzido em outra l+ua1 cons]va a mesma =sa2 pode-se *am> p5sam5to ou agudo1 ou +5hozo1 segundo z circun/ancias3 se a-p]de1 pronuncie ,v4 ,p4 livrem5te1 que uma ridicul>ia3 e que s pode t] lug>1 entre g5te que go/a daquilo4 ,a*am-se1 v]dade1 nos-,antigos muitas1 e mui insulsas4 ,ari/oteles na sua ,retorica aponta algumas1 a que *ama ,p>agramas4 ,cic]o no livro #b4 de ,oratore1 trat&o das-facecias d-,orador1 indica outras muitas3 e ele mesmo em v>ias p>tes das-suas obras1 s]ve-se delas3 porque e/e era o seu defeito1 s] mui faceto3 e com z suas facecias aqui/ava1 p]igozos inimigos4 ,mas devo diz]1 em obzequio da-v]dade1 que z que ele aponta1 quazi todas sam frioleiras1 e ridicul>ias2 que nam m]ecem nome1 de p5sam5to +5hozo3 e se ,v4 ,p4 me-nam-cre1 leia o dito livro1 e a*> que lhe-digo a v]dade4 ,e/as v5ialidades em que caram e/es gr&es om5s1 sam recomp5sadas com inf9itas boas qualidades1 que neles vemos3 e sam tambem desculpaveis1 por-outro pr9cipio2 que a falta de ,critica1 que tiv]am os ,antigos4 ,aqueles +5hos elevados dos-primeiros autores1 nam faziam todas z reflexo5s neces>ias1 p>a proc$]em com exasam3 polo contr>io1 os que os-seguram1 a9daque inf]iores na gr&eza de +5ho1 exc$em no-metodo1 e na critica3 e s\b]am evit>1 os defeitos dos-primeiros4 ,om]o gr&e1 natural1 tem p5sam5tos elevadisimos1 e exc$e ni/o a ,virgilio3 contudo e/e1 que escreveo despois1 a9daque t5ha m5os natureza1 mo/ra mais arte que ,om]o3 pois s\be evit> um defeito1 que frequ5tem5te se-a*a em ,om]o1 que 1 amonto> sup]fluos epitetos1 e s vezes insulsos3 como tambem z digreso5s1 e coloquios insipidos1 sem necesidade alguma4 ,cic]o no-seu livro de ,cl>is ,oratoribus1 em que c5sura1 tudo o que ouve de bom na ,antiguidade2 traz belisimas reflexo5s1 sobre os defeitos de alguns ,oradores3 e bem procur\ nas suas obras1 fugir dos-tais defeitos4 ,contudo ,qu9tiliano1 que floreceo um seculo e meio despois1 a9daque muitos furos abaixo1 d-m]ecim5to de ,cic]o2 adv]tio coizas1 que a ,cic]o t9ham fugido4 ,a v]dade 1 que os escritores que escrevram1 despois dos-primeiros2 reflet9do sobre z primeiras obras1 exam9ram melhor1 que coiza era bom +5ho2 e d]am regras1 que os primeiros ignoravam4 ,qu9tiliano um de/es3 mas sobre todos ,dionizio ,long9o1 que floreceo no-meio d-#c4 seculo cri/am4 ,e/e omem1 que alem de ,filoz(o1 e ,retorico1 era um p]feitisimo ,critico2 ens9\ no-tratado1 que nos-deix\ de ,sublimi /ilo1 como se-devia julg> ne/as mat]ias3 e que coiza se-devia *am> ,+5ho3 e todo o mundo d\to1 concord\ com ele4 ,a ignorancia1 que p\co despois se-introduzio no-,imp]io2 fez com que se-esquecesem1 de/e metodo de julg>3 o qual se re/ableceo nos-f9s d-seculo ,,xvi4 mas pr9cipalm5te no-pasado1 e no-prez5te2 em que z coizas se-e/imam1 nam polo que p>ecem1 mas polo que sam4 ,mas como nem todos tem juizo1 p>a int5d]em z coizas2 daqui nace1 que ne/e mesmo seculo ,,xvii4 e a9da prez5te1 se-a*am pesoas1 que confundem z ditas coizas3 e que1 se acazo *egam a l] os ,antigos1 nam sabem adv]tir1 o que neles se-deve imit>1 ou desprez>3 e por-iso *amam p5sam5tos +5hozos a coizas1 que e/am mui longe diso3 o que frequ5tisimam5te se-incontra1 ne/e ,re9o4 ,um de/es ,poetas1 obs]v&o z desprezantes maneiras de olh>1 da-sua ,dama2 e conv5cido no-mesmo tempo1 da-eficacia que os seus olhos t9ham1 p>a inspir>-lhe amor2 os-consid]a como espelhos u/orios1 feitos de c>amelo3 mas pod5do ele viv]1 nos-maiores ardores que o-abrazavam2 conclue1 que a zona torrida abitavel4 ,qu&o a sua ,dama tem lido a c>ta1 que lhe-escreveo1 com sumo de limam1 po/a ao calor d-fogo2 lhe-p$e1 que a-torne a l]1 luz das-*amas de amor4 ,qu&o ela *ora1 dezeja que um suave calor1 excitado polo amor1 fasa de/il> aquelas lagrimas1 pasadas polo alambique d-seu corasam4 ,qu&o ela e/ auz5te1 a*a-se alem d-oit5tezimo grao de latitude2 qu]o diz]1 qu>5ta graos mais viz9ho d-,polo1 doque qu&o se-a*a com ela4 ,o seu amor ambiciozo um fogo1 que sobe naturalm5te p>a sima3 o seu amor a=tunado1 p>ece-se com os raios d-,sol3 e o seu amor deza=tunado1 asemelha-se s *amas d-inf]no4 ,qu&o o amor lhe-tira o sono1 uma *ama1 de que nam saie fumo3 e qu&o a prud5cia o combate1 um fogo asoprado polo v5to4 ,o seu corasam um ,etna1 que em vez da-(ic9a de ,vulcano1 oculta aquela de ,cupido4 s vezes1 o corasam d-,poeta a*a-se nevado1 no-peito de todas z belas3 outras vezes asado1 na viz9hansa dos-seus olhos4 ,umas vezes1 afoga-se d5tro das-lagrimas2 e no-mesmo tempo arde1 entre os brasos de amor3 semelhante a e/es foguetes de nova inv5sam1 que ardem1 e e/oiram debaixo da-agua4 ,em todo e/e discurso v ,v4 ,p4 que o ,poeta supoem1 que o amor v]dadeiro fogo de coz9ha2 e que une e/as duas ideias1 fogo1 e amor2 p>a delas d$uzir1 todos os seus conceitos2 a que ele *ama sutis1 e +5hozos4 ,i/o agrada ao comum dos-om5s1 namob/anteque seja uma fantazia impropria1 e e/ravagante4 ,porem ja eu lhe-p]dora e/e +5ho mixto2 se uzasem dele com mod]asam3 o que nam poso s(r] 1 que sem prud5cia o-introduzam por-tudo3 e nos-queiram p]suadir1 que gr&e +5ho1 *am> a uma coiza com div]so nome3 e que a dita coiza tal1 como a-p9tam4 ,a*o tambem mui radicado ne/es paizes1 7a9daque tambem em alguns e/rangeiros7 aquilo de s]vir-se sem reflexam1 das-div9dades dos-,pagaons1 em toda a sorte de poemas1 ,sagrados1 e ,pr(anos3 e cuidam muitos1 que faz5do ao pr9cipio a solita prote/a1 de que os-nomeiam no-e/ilo poetico2 tem feito a sua obrigasam4 ,pode-s] que a-t5ham com a religiam3 mas c]tam5te nam a-tem1 com os bons ,poetas4 ,com grasa dise um omem d\to1 que toda a ci5cia de muitos mod]nos ,poetas1 nam pasava1 das-,metamorfozes de ,ovidio4 ,a v]dade 1 que os ,poetas mod]nos1 sam prodigos de/a mitologia4 ,se l\vam uma molh] =moza1 ocupam-se mais em descrev] ,el5a1 ou ,v5us2 ,l$a1 ou ,europa2 doque a dita beleza4 ,se elogiam um eroe1 entra logo ,mavorte1 e ,alcides2 e pola maior p>te nam saiem daqu4 ,mas i/o sem duvida ridicul>ia4 ,em um poema burlesco1 tem grasa a dita mitologia1 porque s se-trata de div]tir1 com a aplicasam3 mas em um poema s]io1 fantazia cond5avel4 ,que o-fizesem os ,etnicos1 t9ham desculpa na sua cegueira3 mas que o-fasa um ,catolico1 em cuja religiam nada significam1 tais nomes3 que introduza ,d4 ,joam de ,ca/ro1 como gr&e amigo de ,m>te2 e e/ablesa boa conrespond5cia1 entre ,belona1 e ,d9iz de ,melo2 um erro que nam se-pode p]do> a um ,poeta1 que pasa de #ae4 anos4 ,os que nam sabem engr&ec]1 z v]dadeiras virtudes2 que recorrem s fabulas1 p>a ornam5to d-seu poema4 ,nunca pude s(r] um ,poeta1 no-pr9cipio de um poema mod]no1 invoc> z ,muzas1 e ,apolo2 p>a lhe-inspir>em os p5sam5tos3 m&> ,m]curio1 com algum despa*o de importancia3 obrig> ,m9]va1 a que tome a figura1 de algum conselheiro3 *am> d-,inf]no ,plutam1 p>a excit> discordias1 entre algumas pesoas3 nam p]metir tempe/ades1 semque ,v5us v p$ir a ,eolo1 que fasa das-suas3 nam cons5tir p]da de batalha1 semque o ,de/9o atire alguma1 das-suas solitas p$radas4 ,i/o uma afetasam1 digna de compaixam4 ,ns temos na nosa religiam coizas1 que podem suprir1 a todas z ideias dos-,antigos4 ,temos ,deus1 temos ,anjos1 temos ,santos1 que nos-podem inspir> o bem3 e temos ,diabos1 p>a inspir> o mal4 ,o ,poeta mo/r>ia mais +5ho1 se ele fizese os seus v]sos2 doque p$9do a ,apolo1 que lhos-inspire4 ,um furiozo v5to excitado polo ,diabo1 pode faz] o mesmo espalhafato1 em uma armada2 que ,eolo1 com todas z suas ,furias4 ,p>a d> razam de uma batalha p]dida1 mais natural e v]dadeiro1 recorr] polvora1 balas1 e prud5cia d-,g5]al2 doque ao ,de/9o1 ou ,fado1 que sam palavras sem significado4 ,o ,diabo nam m5os prejudicial1 paz e quietasam dos-,om5s1 que pode s] ,plutam1 com ,cloto1 e z suas companheiras4 ,quem dece ao ,inf]no1 p>a tir> de l ,la*esis1 e outras de/as ,furias2 nam lhe-era mais b>ato1 tir> um diabrete1 p>a concluir tudo aquilo8 ,os ,gregos nam se-s]vram das-div9dades dos-,ebreos1 ou ,sirios1 p>a explic>em z suas coizas2 mas daquelas que e/avam e/ablecidas1 no-seu paz3 ,e porque avemos ns s]vir-nos das-,gregas1 t5do outras melhores8 ,o que supo/o1 m]ecem rizo os ,poetas1 que se-ocupam com e/as ridicul>ias3 porque ou qu]em signific> com aqueles nomes1 alguma coiza2 e i/o sacrific> o seu cate*ismo1 mitologia dos-,antigos3 ou nam significam coiza alguma2 e novam5te m]ecem rizo1 por-fal>em em coizas1 que nam pode av]3 e p]d] a v]osimilidade d-poema1 s]v9do-se de coizas1 e vozes1 que n+uem pode int5d]4 ,que o ,poeta em uma meta=a1 em uma semelhansa1 ou em alguma breve aluzam1 tocse algum de/es pontos2 pod]sea alguma vez p]do>3 mas introduzilos em todo o corpo d-poema1 como faz o ,camo5s na ,luziada1 que introduz ,v5us1 e ,baco por-toda a p>te1 sem descrisam alguma2 ou tambem o ,*agas1 e o comum de/e ,re9o2 i/o mo/r>2 que nam tem juizo ou dic]nim5to1 na aplicasam dos-ornam5tos poeticos4 ,e muito de admir>1 que os que sabem tambem descrev] ,v5us1 e ,baco2 nam saibam descrev]1 um omem seu contemporaneo1 sem recorr] ,antiguidade4 ,pode-se porem s(r]1 que o ,poeta fale com z coizas inanimadas1 como com pesoas3 v4 g4 com os ,ceos1 ,t]ra1 ,elem5tos1 ,morte c4 e fasa outras de/as figuras de ,retorica3 i/o nam (5de nem a religiam1 nem a boa razam3 aquilo1 (5de ambas z coizas4 ,e/es defeitos nos-,poetas suc$em1 porque lhe-faltam os dois pr9cipais requizitos1 ,crit]io1 e ,retorica4 ,*amo ,crit]io1 a uma boa ,logica natural1 ex]citada na lisam de bons autores3 ,retorica ja se-sabe1 que a arte de p]suadir1 sem a qual nam se-pode s] bom ,poeta3 a qual supoem ,juizo1 e ,crit]io4 ,a simplez propozisam de/es dois requizitos ba/a1 p>a at>ant> e/es ,poetas ord9>ios3 os quais se-rim de todo o corasam1 qu&o ouvem diz]1 que sem t] s+ul> ,retorica1 nam se-pode s] bom ,poeta2 ou ao m5os int5d]1 o artificio da-,poezia4 ,e/es +5hos das-duzias1 pram na sup]ficie das-coizas4 ,julgam que ,retorica1 fal> em proza2 ,poezia1 fal> em v]so4 ,mas os om5s que int5dem a arte1 rim-se a9da mais1 da-sua ignorancia4 ,cuido que facilm5te p]suadirei a ,v4,p4 o que digo1 se lhe-puz] diante dos-olhos1 que coiza ,poezia2 e i/o a que *amamos1 arte ,poetica4 ,a ,poezia uma viva descrisam das-coizas1 que nela se-tratam3 outros lhe-*amam p9tura que fala1 e imita o mesmo que f>ia a natureza1 e com que agrada aos om5s4 ,o artificio da-,poezia tem por-fim1 agrad>3 e por-iso s se-emprega em d> regras1 com que posa ocup> go/ozam5te um +5ho4 ,a i/o consagram os ,poetas1 todo o seu +5ho1 e juizo4 ,se buscam argum5to elevado1 p>a agrad>1 com a ideia de gr&eza3 se procuram imit> a v]dade1 p>a agrad>1 com a galant>ia da-imitasam3 se nam dizem coizas contr>ias s nosas incl9aso5s1 i/o mesmo p>a agrad>3 se propoem movim5tos apaixonados1 com que p9tam ao vivo1 dif]5tes afetos da-alma2 tambem iso p>a agrad>3 desorteque e/e o idolo1 d-artificio poetico4 ,e como i/o nam se-pode conseguir1 sem sab] procur> p5sam5tos1 ou argum5tos proprios1 p>a mov] z nosas paixo5s3 sab] s]vir-se de palavras proprias1 p>a p9t> aquela coiza que se-qu]2 o que enc]ra z ,figuras da-voz1 e d-animo3 ,fica bem cl>o1 que p>a faz] tudo1 o que p$e a arte1 se-requ] boa ,retorica4 ,mas e/a razam se-int5d] melhor1 se-obs]v>mos z dif]5tes especies1 de ,poezia4 ,todo o ,poema se-divide em ,dramatico1 e ,n>rativo4 ,compre5de o ,dramatico1 a ,com$ia1 ,trag$ia1 e tudo o mais em que os que entram no-poema2 reprez5tam com a viva zm1 tudo o que se-diz3 o ,n>rativo compre5de1 todas z mais especies de poemas1 em que se-faz discurso1 sem zm viva4 ,e/as sam inf9itas2 mas a9da se-r$uzem1 a duas pr9cipais especies3 uma1 compre5de z poezias1 que se-cantam3 outra1 aquelas que se-lem4 ,na primeira1 entram z ,odes1 ,imnos1 e todas z especies de cantigas3 na segunda1 entram todas z outras compoziso5s3 que a9da se-dividem em trez1 ,d\tr9ais1 ,i/oricas1 e ,oratorias4 ,ne/es trez g5]os se-tem compo/o1 famozisimos poemas4 v4g4 ,o poema de ,lucrecio1 um tratado em que expoem1 a ,fizica de ,epicuro3 os ,f5om5os de ,arato1 que ,cic]o traduzio em ,latim1 sam um tratado de ,a/ronomia2 o mesmo digo d-,poeta ,manilio3 z ,georgicas de ,virgilio1 sam um tratado de ,re ru/ica3 os ,fa/os de ,ovidio1 sam a i/oria das-antiguidades ,romanas3 e o poema de ,lucano1 uma i/oria das-gu]ras civis4 ,o que supo/o1 quem pode neg>1 que um tratado de ,d\tr9a1 ou de ,i/oria1 p$e uma exata noticia de ,retorica8 ,e com efeito p>a escrev] semelhantes tratados em v]so1 nam dezejam os me/res outra erudisam2 s5am a que neces>ia1 p>a escrev] em proza2 tir&o alguma expresam metrica4 ,pas&o ao #c4o g5]o1 tudo o que os ,oradores fazem1 no-g5]o demon/rativo2 que compre5de os l\vores1 e vitup]ios1 de uma det]m9ada pesoa1 ou zm2 fazem tambem os ,poetas4 ,os ,epitalamios sam l\vores1 que se-dam a uma pesoa1 no-dia d-matrimonio3 os ,epic$ios sam l\vores1 despois de morto3 z ,apoteoses sam qu&o se-l\vam desorte1 que se-f+e colocrem-se1 entre os ,deuzes3 e tudo i/o em c>ne1 um panegirico4 ,z ,satiras sam repre5sam d-vicio2 e tambem p]t5cem ao g5]o demon/rativo4 z mesmas c>tas se-escrevram antigam5te1 em v]so3 de que nos-deix\ bons exemplos1 ,ovidio c4 ,nam ignora ,v4 ,p4 que a e/es trez g5]os se-r$uzem1 todas z compoziso5s1 nam s ,lat9as1 mas ,vulg>es4 ,fazem-se ,sonetos1 ,silvas1 ,qu9tilhas1 ,elegias c4 em l\vor1 e vitup]io3 escrevem-se ,c>tas em ,silvas1 ,decimas1 ,t]cetos1 ,qu>tetos1 ,romances c4 f9alm5te todos os discursos de proza1 se-podem r$uzir em v]so4 ,e asim a mesma ,retorica que neces>ia1 p>a regul> os nosos discursos1 na proza2 o- tambem1 no-poema4 ,onde vem1 que a ,poezia1 uma ,retorica mais florida3 e a quem falta e/a1 nam pode s] bom ,poeta4 ,como posivel1 que o ,poeta exprima na ,elegia1 a sua paixam1 desorteque mova2 se ele nam sabe1 a arte de mov]8 como pode nos-dialogos expremir1 o que cadaum qu]1 e deve diz]2 se ele nam sabe o que deve1 e como o-deve diz]8 ,torno s ,com$ias1 e ,trag$ias1 e delas progunto o mesmo3 ,como pode o ,poeta faz]1 que cadaum dos-reprez5tantes exprima1 a paixam de que e/ posuido2 se ele nam sabe1 que coiza paixam1 nem como se-move8 nam pode s] que um omem1 que ignore i/o1 fasa uma ,com$ia boa4 ,tambem a ,trag$ia nam consi/e som5te1 em inv5t> um argum5to nobre3 em sab] embrulh> uma quantidade de sucesos1 que cauzem m>avilha1 qu&o se dez9trigam3 mas sobre tudo neces>ia a propri$ade1 e c>at]1 em cada p>te2 p>a mov] o animo3 o que p$e1 p>ticul> ,retorica4 ,quanto ao poema ,epico1 c]to que compre5de1 todas z outras especies de poemas n>rativos3 e nele se-pode empreg>1 tudo o que de f9o na ,retorica4 ,o pr9cipal asumto dele 1 um panegirico4 ,nele se-a*am ar5gas famozas3 algumas sam delib]ativas1 outras judiciais4 a*am-se acuzaso5s c4 a*a-se a i/oria d-eroe4 a*am-se muitos conceitos de d\tr9a1 e outra erudisam4 entram nele c>tas1 epigramas1 dialogos3 e f9alm5te tudo o que melhor1 na ,poezia4 ,motivo porque se-dise1 que era a coiza mais dificultoza1 da-arte ,poetica4 ,onde1 compre5d5do todas z outras especies de ,poezia1 se cada uma delas p$e ,retorica1 que f> o poema pico8 ,daqui fica cl>o1 que conceito se-deve =m>1 de/es vulg>es ,poetas1 que ,v4 ,p4 incontr> todos os dias4 ,eles nam sabem1 que coiza ,retorica1 e bom go/o em mat]ia n5huma2 como lhe-mo/rei na m9ha ultima c>ta3 e asim que coiza boa podem faz]1 na ,poezia8 ,se fazem alguma coiza m5os m1 porque cazualm5te suc$eo2 ou asim o-lram em em algum livro1 d' onde o-r\bram3 mas ignoram a razam1 porque asim se-faz4 ,e i/o nam s] ,poeta1 nem p>a la vai4 ,e nam cuide ,v4 ,p4 que falo por-conjetura3 mas com exp]i5cias mui c]tas3 e ja me-suc$eo p$ir a um me/re1 que explicava um paso de ,virgilio a um dicipulo2 que me-explicse a mim1 porque se s]vra o ,poeta daquelas expreso5s3 e nam s nam mo-explic\1 mas nem m5os me-int5deo4 ,desorteque incontr&o-se todos os dias1 tantos ,poetas2 nam coiza mais r>a1 que um ,poeta4 ,e com efeito o segr$o p>ticul> da-,poezia1 pr9cipalm5te ,eroica1 nam o-pode conhec]1 s5am quem bom ,retorico4 ,consi/e ele1 segundo dizem os me/res da-arte1 em sab] propor desorte1 o argum5to que se-escolheo2 que s ap>esa1 o que tem de extraord9>io1 e n5hum defeito3 e em sab] inspir> ao leitor1 curiozidade de l] todo o poema3 nam decl>&o tudo logo1 mas confuzam5te3 faz5do nac] uma dificuldade da-outra1 p>aque se-esporeie o dezejo3 dilat&o a leitura1 e en*5do a i/oria1 por-meio dos-,epizodios2 p>aque o leitor nam p]ca de mira1 o seu pr9cipal argum5to3 e f9alm5te nam dezat&o o n da-dificuldade1 s5am qu&o tem conduzido o leitor1 ao fim d-poema4 ,tudo i/o pode ,v4 ,p4 obs]v>1 na ,eneida de ,virgilio1 ou na ,j]uzalem d-,tasso4 ,eles propoem ao pr9cipio em breve1 o argum5to da-sua obra2 e prometem coizas gr&es4 ,nam comesam polo pr9cipio da-vida d-eroe2 mas por-uma zm famoza1 que empre5deo no-meio da-sua vida3 da-qual com artificio p>ticul>1 fazem recu> o leitor1 at os primeiros trabalhos d-seu eroe4 ,uma dificuldade excita outra3 demaneiraque o leitor nunca se-cansa1 na leitura4 ,e que outra coiza fazem os ,retoricos1 qu&o qu]em excit>1 a at5sam dos-seus ouv9tes8 ,ja eu dise a ,v4 ,p4 que ese era o pr9cipal artificio1 das-,oraso5s de ,cic]o1 e a9da de muitos ,oradores da-,antiguidade4 donde concluo1 que s um bom ,retorico o-pode faz]4 ,alem diso os ,retoricos encom5dam muito1 que o ,orador nam diga1 s5am coizas v]osimeis3 porque com falsidades manife/as1 n+uem se-eleva4 ,e i/o mesmo dizem1 todos os bons ,poetas3 antes nada mais cuidam1 que repres5t> v]osimel1 tudo o que propoem4 ,desorteque quanto mais se exam9a a ,poezia1 tanto mais cl>am5te se-reconhece1 a ,retorica4 ,e e/a a razam2 porque vemos todos os dias1 que muitos1 qu]5do s] ,poetas1 sam uns ridiculos3 porque lhe-falta o pr9cipal fundam5to2 que 1 sab] pez> z coizas1 e d> a cada uma o seu preso4 obs]v&o aquilo1 a que os ,lat9os *amam1 decorum3 que consi/e no-introduzir cada um1 a fal> segundo o seu c>at]4 ,todos os defeitos apontados1 sam es5ciais1 e frequ5tes3 mas e/e ultimo da-inv]osimilidade1 mais g]al1 doque se-nam-int5de4 ,a*am-se p\cos ,poetas1 que nam pequem contra i/o3 pecam no-,drama1 e pecam no-,epico3 a9daque ne/e m5os2 porque sam r>isimos os que compoem1 poemas ,epicos4 ,mas em toda a outra sorte de poema ,n>rativo1 sam mui frequ5tes em ,portugal4 ,nas ,com$ias p\co caiem os ,portuguezes1 porque nam se-aplicam a elas3 r>as vi1 fra das-de ,camo5s3 mas os ,espanhoes caiem muito ni/o4 ,v] ,v4 ,p4 um pa/or1 que fala com mais filoz(ia e prud5cia1 que um ,cipiam ,nasica1 ou ,catam ,utic5se4 ,a*am-se relaso5s1 com enc>ecim5tos tam despropozitados1 que nam m]ecem outro nome1 que uma enfiada de manife/as m5tiras4 ,algumas vezes1 um omem vulg> faz uma ,decima1 ou ,oitava d]ep5te3 outras vezes1 d melhores conselhos1 que um consumado ,jurisconsulto4 ,f9alm5te em tudo se-ve p9tada1 a inv]osimilidade4 ,nam digo eu s ,cald]on1 mas o mesmo ,d4 ,antonio de ,solis2 que em outras coizas mo/r\ mais juizo1 que ,cald]on2 ne/a o-p]de4 ,e f9alm5te todos os ,espanhoes sam o mesmo3 porque tropesam a cada paso na sutileza1 que impropria na boca1 de semelhantes pesoas3 e tambem impropria da-,com$ia3 que nada mais 1 que uma imagem da-vida1 propo/a aos olhos dos-om5s1 p>a repre5d] z aso5s ridiculas dos-mesmos4 ,dos-,espanhoes o-apr5dram os ,portuguezes3 e comum5te se-p]suadem1 que quem sutiliza melhor1 e diz coizas m5os v]osimeis1 melhor ,poeta4 ,meta=as mui fra de propozito1 enc>ecim5tos inauditos1 sam os seus mimozos4 ,ouvi gav> muito um ,soneto d-,*agas1 feito a um cavalo d-,conde de ,sabugal1 pola meta=a da-,muzica1 e comesa asim3 ,galh>do bruto1 teu acorde al5to ,muzica nova1 com que aos olhos cantas3 ,pois na armonia de cad5cias tantas1 clave o freio2 solfa o movim5to4 ,mas eu consid]&o o tal ,epigrama a*o1 que uma completa p>voise1 desde-a primeira palavra1 at a ultima4 ,nam a*o nele1 conceito algum3 z palavras sam improprias3 e muitas nam tem significasam c]ta3 e nam conclue com p5sam5to que eleve1 que a obrigasam d-,epigrama4 ,nam sei como o dito ,poeta nam fez outro1 a um burro de ,valada1 ou ma*o de ,almagro2 pola meta=a da-,logica1 ou ,geometria4 ,podia descobrir na s]i$ade de/es animais1 semelhansas de um omem que filozfa3 no-seu paso grave1 o fundado d-juizo3 tambem nas suas orelhas1 semelhansas de uma sesam conica3 no-corpo1 ve/igios de um p>alelogramo3 no-movim5to1 a ideia de v>ias l9has3 e nas unhas1 uma porsam de circulo3 com outras ridicul>ias de/as4 ,z meta=as podem t] lug>2 mas nam devem s] e/as1 que sam arra/adisimas4 ,i/o nam int5dem os que o-l\vam3 mas i/o deviam int5d]1 os que prezumem s] ,poetas4 ,o outro ponto dos-enc>ecim5tos1 frequ5tisimo ne/es pazes4 ,nam coiza mais comua1 entre e/es *amados ,poetas1 doque enc>ecim5tos incriveis2 e s]vir-se de palavras1 que nam significam nada4 ,e sem sar d-,*agas1 que p>ece a muitos1 que bom ,poeta2 consid]e ,v4 ,p41 o que ele diz ne/e ,soneto1 feito a um p pequ5o de uma ,dama4 ,in/ante de jazm91 concepto breve1 ,atomo de azuz5a presumido2 ,pues os juzgam las ancias del s5tido1 ,sospe*a de cri/al1 su/o de nieve4 ,n pie1 m5tira sois3 pues como aleve1 ,ni v]dad en un punto aveis cumplido4 ,antes creo que escrupulo aveis sido3 ,pues de s]1 o n s]1 la duda os mueve4 ,como1 si idea sois de ojos tan cl>os1 ,hazeis los ojos f p>a cre]os1 ,y hazeis la vi/a f p>a mir>os8 ,yo me resuelvo en f9 que he de p]d]os4 ,pues si el v]os es solo imag9>os2 ,si5do imag9acion1 como he de v]os8 ,e/e ,soneto tem tido mil aplauzos3 e ja a*ei quem me-disese1 que era onde podia *eg>1 o +5ho umano4 ,contudo iso eu def5do1 que os que o-l\vam1 proguntados polas palavras d-,soneto2 m-de confes>1 que o-nam-int5dem4 ,primeiram5te e/as palavras1 in/ante de jazm91 concepto breve1 atomo presumido1 sospe*a de cri/al1 su/o de nieve1 ancias del s5tido3 sam frazes que nada significam3 e nam s em ,portuguez1 mas em n5huma l+ua4 ,dezafio todos e/es poetas ,portuguezes1 p>aque me-digam1 se ouvisem um omem fal> em proza daquela sorte1 se o-int5d]iam3 pois bem cl>o1 que o que nada significa em proza1 muito m5os significa no-v]so4 ,e temos1 que o primeiro qu>teto nada significa3 porque qu]5do ele signific>1 um p pequ5o2 s]ve-se de t]mos1 que nam significam iso4 ,na segunda quadra sobe de ponto o enc>ecim5to3 e nam se-cont5t&o de diz]1 que pequ5o1 e um ponto2 acrec5ta1 que nam tal p no-mundo2 pois som5te fica a duvida1 se o-ouve1 ou nam ouve4 ,nos-t]cetos desfaz1 quanto t9ha dito4 ,primeiro as5ta1 que o p se-ve3 despois diz1 que nam asim1 e que som5te se-pode sab] por-tradisam1 que tal p3 e conclue1 que nam exi/e s5am na imag9asam1 e nam posivel que se-veja4 ,e/a a analize d-dito ,soneto4 ,ora diga-me ,v4,p4 polo amor de ,deus1 se int5de o que qu] diz]1 e/e ,poeta4 ,primeiram5te1 ele nam conseguio o seu fim1 que era mo/r>1 que o p da-sua ,dama era pequ5o3 prov\ mais doque qu]ia2 e mo/r\1 que nam avia tal p4 ,alem diso nam adv]te1 a inv]osimilidade d-conceito4 ,nam consi/e a beleza de uma figura1 em t] um ponto por-p2 antes i/o de=midade3 consi/e1 em t] um p proporcionado3 e nas-molh]es1 a sua proporsam 1 que o p seja mais pequ5o4 ,e eu int5do1 que a ,dama fic>ia mais cont5te1 de t] um p gr&e2 doque de nam t] ps1 e necesit> de moletas4 ,dirme ,v4 ,p4 que o ,poeta deve f+ir1 e inv5t> alguma coiza1 p>a l\v>3 conc$o3 mas nam devem s] semelhantes p>voices1 que em vez de agrad>1 fazem nauzea4 ,podem-se diz] muitas coizas daquele p3 mo/r>1 que p>a o complem5to da-beleza1 nam proporsam melhor1 que um p pequ5o3 que ni/o exc$e ela muito1 todas z mais s5horas3 que a sua brancura1 e delicadeza inimitavel3 que tem toda a grasa que se-pode imag9>1 em semelhante p>te d-corpo4 ,i/o1 quanto ao s]io4 ,pas&o ao burlesco1 podem-se diz] mil outras coizas3 e pode o ,poeta inv5t>1 alguma coiza galante2 com que adorne e/es conceitos4 ,asim torno a diz]1 que os que l\vam o ,soneto1 sem consid]>em i/o1 nam o-int5dem4 ,se ,v4,p4 exam9a o motivo1 de todos e/es enc>ecim5tos2 a*> que provm1 d-que no-pr9cipio apontamos4 ,todo o ponto de/es ,poetas e/1 em s+ul>iz>-se1 seja como =3 e asim buscam argum5tos esquipaticos1 os quais obrigam a procur>1 conceitos despropozitados4 ,e unido a i/o1 que eles sabem p\co1 o que qu] diz] elogi>2 daqui vem1 que amontoam conceitos inv]osimeis2 e s]vem-se de expreso5s1 que nada significam3 z quais ou por-=sa d-consoante1 ou da-novidade1 agradam aos ignorantes4 ,que o ,poeta disse maos conceitos2 a9daque fose um gr&e defeito1 era mais tol]avel3 mas que1 por-qu]] diz] coizas p]egr9as1 diga p>voices1 e contr>i$ades2 e fale em uma l+ua1 que n+uem int5de2 i/o sim que se-*ama1 gr&e defeito de ,poezia4 ,conheso1 que os s9onimos sam s vezes neces>ios3 que os epitetos dam muita galant>ia1 nos-poemas3 mas com algumas condiso5s4 #a4o m-de s] coizas1 que signifiquem4 #b4o di/ribuidos com mod]asam4 ,mas e/as duas coizas sam1 z que pola maior p>te ignoram1 e/es ,poetas3 e com tantoque consigam o consoante1 nam rep>am1 em tudo o mais4 ,mas sobre todos1 e/e tal ,frei ,antonio das-,*agas1 caio ni/o3 quazi todas z suas obras1 consi/em em palavras1 sem conceito1 e sem significado4 ,os ,romances sam m5os maos3 tambem o ,saco da-,j]uzalem ,cele/e1 a9daque *eio de aluzo5s mui de/emp]adas1 pode pas>3 os ,sonetos quazi todos sam pe/e3 e o mesmo digo da-,filis1 que muitos l\vam1 porque a-nam-int5dem4 ,sei que se ,v4 ,p4 l] i/o ao ,p4 99 99 99 me-t] por-um ,cafre1 que nam int5de1 que coiza ,poezia3 mas eu nam falo sem prova3 e qu&o ele me-s\b] respond]1 entam lhe-d>ei razam4 ,ba/a que ,v4 ,p4 leia os titulos1 de muitos ,sonetos2 p>a conhec] o que digo4 ,qu&o eu leio e/as inscriso5s3,a*&o na beleza de ,filis1 razam p>a deixlaaos olhos de ,filis com nevoasf9eza de nam am> a ,filisfaz5do m]ito da-ouzadiaduvidas de decl>>-sefaz5do razam d-atrevim5toconfuzam d-seu amorsa9do ,filis de noite ao campo3 e outros asumtos semelhantes2 ja sei1 que z compoziso5s sam p>voises3 e com efeito comp>e ,v4 ,p4 os d-,*agas1 com e/es titulos2 e veja se concordam1 e se os-int5de4 ,o mesmo lhe-digo d-,p9a1 e outros semelhantes4 ,p]suada-se ,v4 ,p4 que um asumto mao1 -de produzir ms obras3 porque se um argum5to fecundo1 tratado por-um omem que sabe1 s vezes nam saie bem2 que f> um infecundo1 pr9cipalm5te tratado1 por-quem nam sabe elogi>8 neces>io t] muito +5ho1 e juizo1 p>a sab] trat> bem1 semelhantes argum5tos4 ,e porque muitos nam tem1 e/as duas circun/ancias2 por-iso nacem e/as compoziso5s1 de que ns nos-rimos4 ,mas pasemos dos-,sonetos1 ao poema ,epico1 famoza ,filis d-dito ,*agas2 e v] ,v4 ,p4 que nada mais 1 que uma enfiada de antitezes1 que nada significam3 e que s agradam a e/es1 que se div]tem com consoantes ,gregos1 sem int5d]em o que lhe-agrada4 ,tudo i/o se-ve1 no-pr9cipio d-poema3 ousa ,v4,p4 a primeira ,oitava4 ,yo que en la flor de mis prim]os aos ,cant de ,amor1 las dulces tiranias2 ,y en los e*izos de agradables daos ,m5ti las horas1 y enga los dias3 ,aora en num]osos des5gaos1 ,si llanto son las consonancias mias2 ,de la beldad que fue de ,grecia espanto1 ,lloro el amor1 y la trag$ia canto4 ,ne/a oitava a*am-se mil coizas galantes3 dulces tiraniasagradables daosm5ti las horas e outras coizas de/as1 que jogam os murros4 ,especialm5te consid]o1 a e/rutura da-,oitava4 ,na primeira quadra diz i/o3 ,que ele1 que no-pr9cipio da-sua idade1 fiz]a v]sos amatorios1 e asim pasra os dias3 ,e/a p>te p$ia outra segunda1 em que disse3 ,que agora1 dez+anado daquelas pu]ilidades1 se-ocupava em faz]1 um poema ,epico1 e s]io4 ,asim comesa ,virgilio a sua ,eneide1 e outros ,poetas3 mas i/o o que nam diz o noso ,*agas4 ,p>ece-me1 que na palavra num]osos1 queira signific> metricos3 e iso cuido que nam significa1 mas que s significa muitos3 porem i/o nam nada4 ,a p>5tezis,si llanto son las consonancias mias nam tem conexam1 com o que asima dise3 z consonancias1 ou os v]sos podem s] *oro1 e canto2 qu]o diz]1 alegria4 ,mas nem m5os concorda com o que abaixo diz1 o que asima dise3 porque nam boa opozisam e/a3 ,t5do at aqui feito v]sos amatorios2 agora com muitos dez+anos1 7se que os meus v]sos sam *oros7 *ro o amor1 e canto a trag$ia4 ,a palavra canto na primeira quadra deve signific>1 nam quem canta cantigas1 mas quem faz poemas3 e ne/e s5tido a-tomam todos os ,poetas1 e o ,*agas tambem3 pois o que qu] diz] i/o3 ,que t5do feito muitos v]sos1 na sua mocidade2 agora se empregava em outros asumtos4 ,o que supo/o1 opondo-lhe na segunda quadra1 o *oro2 diz uma p>voice3 pois o contr>io a poezias amatorias1 cant> coizas graves4 ,onde contrapondo-lhe o *oro2 vem a tom> a palavra canto1 como equivoca2 que coiza indigna de um poema ,epico4 ,tambem aquela antiteze ultimalloro el amor1 y la trag$ia canto uma pu]ilidade4 ,bem se-mo/ra que o ,poeta1 novam5te qu] introduzir por-equivoca1 a palavra canto4 ,alem diso1 se o argum5to da-sua obra1 uma trag$ia amatoria2 sep>&o o amor da-trag$ia1 diz outra p>voice4 ,pasemos segunda ,oitava4 ,musa que cultam5te amaneci/e ,c&ida en las auroras de mi ori5te2 ,y al alma tantas vezes me infundi/e ,tu div9o furor1 tu afecto ardi5te3 ,si dignos son de tu concepto tri/e1 ,num]os ti]nos de una voz doli5te2 ,mi afecto inflama1 h> que en dulce rima ,cante el dolor1 la consonancia gima4 ,tem ,v4 ,p4 ne/a ,oitava1 quazi z mesmas inco]5cias4 ,musa c&ida1 eu nam sei o que qu] diz]4 ,amaneci/e en las auroras de mi ori5te1 sam trez s9onimos viciozos3 amanhec] na aurora1 uma p>voice3 aurora d-ori5te1 a9da maior p>voice4 ,aquela repetisam,tu afecto ardi5te nam t9ha lug> despois de furor3 porque a ,muza comunica o seu furor1 ou veia2 qu]o diz]1 dirige o ,poeta no-canto3 mas nam comunica o seu afeto4 ,concepto tri/e1 impropriam5te se-aplica ,muza3 a qual nam tri/e3 e muito m5os1 qu&o inspira ,epopeia4 ,f+e-se que a ,muza seja uma ,deuza1 toda ocupada em alegrias2 a quem o ,poeta invoca1 p>aque lhe-conc$a um espirito1 digno d-,p>nazo4 ,una voz doli5te1 supoem1 que o ,poeta e/ aflito3 e i/o improprio em um ,poeta1 que nam escreve os seus torm5tos1 mas os alheios4 ,que outra coiza avia diz] ,dem(onte1 se compuzese a sua i/oria8 ,o ultimo v]so uma antiteze ridicula1 e v]dadeiram5te coiza de rapaz3 novam5te opoem aqui o ,poeta o *oro1 ao canto2 s5do coizas1 que no noso cazo nam sam opo/as3 porque canto aqui nam significa cant>4 ,o que diz o ,poeta1 se-r$uz a i/o3 ,que a dor -de cant>1 e a consonancia1 ou o v]so -de gem]3 e quem pode l] i/o sem rizo8 ,f9alm5te eu p>o aqui3 porque se quizese exam9> todas z ,oitavas1 comporia um volume4 ,ba/a que ,v4 ,p4 o-leia1 e exam9e1 e a*> que todo o livro se-compoem di/o2 e de palavras que nam se-int5dem2 e epitetos que nam significam nada4 ,confeso1 que a9da nam vi ,poeta1 que escrev5do tanto1 disse tam p\co1 como o ,*agas4 ,e/as reflexo5s que faso a ,v4 ,p4 sobre o ,*agas1 poso faz] em outras obras2 nam s de autores das-duzias1 mas a9da daqueles que se-a*am joeirados1 na ,f5ix ,r5acida2 e em outras coleso5s de poemas4 ,mas escolhi e/e autor1 porque mui conhecido1 e l\vado1 e procurado de muitos3 e asim quiz apont> um1 p>a exemplo4 ,o que porem digo dele1 deve-se aplic> a todos os outros1 que seguem o mesmo e/ilo4 ,o ponto e/ t] bem na cabesa1 z regras da-,poezia2 e exam9> sem paixam1 z obras2 que facilm5te se-descobrirm1 os defeitos4 ,se ,v4 ,p4 com e/es pr9cipios1 toma o trabalho de exam9>1 muitos dos-seus ,poetas1 ou a maior p>te deles2 a*>1 que tropesam no-mesmo defeito d-,*agas2 com a unica dif]5sa de mais1 ou m5os3 e a9da muitos dos-que tem bom +5ho2 porque lhe-falta o juizo1 p>a sab]em exam9> z mat]ias4 ,a regra que eu obs]vo ne/e p>ticul>1 e/a3 qu&o vejo um ,poeta de/es1 que se-s]ve de expreso5s1 que nada significam2 ou que compoem de sorte1 que o-nam-int5dem2 as5to que nam quiz s] int5dido2 e em tal cazo1 procuro faz]-lhe a vontade1 e nam o-leio4 ,com e/a sorte de om5s faso o mesmo1 que com os lab]9tos1 e enigmas c4 os quais nunca me-cansei em decifr>4 eles que o-fazem1 que se-divirtam com iso4 ,se todos as5tasem ne/e pr9cipio1 v]ia ,v4 ,p4 como se-mudava a ,poezia ne/es pazes3 porque s]iam obrigados os ,poetas1 a l]em som5te z suas obras3 e asim1 ou se-dez+an>iam eles mesmos com o tempo2 ou1 nam +an>iam os outros3 e pod]seam a*> ,poetas1 de algum m]ecim5to3 pr9cipalm5te se *egasem a conhec]1 quais sam os requizitos neces>ios1 p>a a ,poezia4 ,a razam de/es inconv5i5tes 1 porque se-p]suadem comum5te1 que p>a s] ,poeta1 ba/a sab] a m$ida de quatro v]sos3 e sab] +5h> conceitos exquizitos4 ,quem se-funda ni/o1 nam pode sab] nada3 sam neces>ias muitas outras noticias4 neces>io d\tr9a1 e int5d] bem z mat]ias que se-tratam4 neces>ia a ,filoz(ia1 e sab] conhec] bem1 z aso5s dos-,om5s1 z suas paixo5s1 o seu c>at]3 p>a z-sab] imit>1 excit>1 e adormec]4 ,aqui entra novam5te a ,retorica1 que supoem todas aquelas coizas3 entra uma p\ca de i/oria1 p>a nam diz] p>voices3 entra a i/oria da-,fabula c4 ,tudo i/o se-mo/ra manife/am5te1 nos-melhores poemas que temos da-,antiguidade4 ,virgilio1 e ,oracio c4 eram om5s que int5diam p]feitam5te1 o que tratavam3 e sabiam muita coiza1 que introduziam proprisimam5te1 nos-seus poemas2 de que se-compoem1 o ornam5to deles4 ,o mesmo digo1 de outros ,poetas mod]nos1 e insignes4 ,onde1 quem nam tem e/es fundam5tos1 v]sejador1 mas nam ,poeta3 e neces>iam5te -de diz]1 muita p>voice4 ,seguia-se despois de/as reflexo5s g]ais1 fal> especialm5te1 nos-defeitos das-p>ticul>es3 mas nem eu t5ho tempo p>a i/o1 nem o-p]mite1 a brevidade de uma c>ta4 ,onde1 som5te direi alguma coiza mais g]al1 que compre5da z compoziso5s pequ5as2 e tambem alguma coiza d-poema ,epico2 vi/oque o ,dramatico nam tem uzo1 em ,portugal4 ,digo pois1 que ne/es pazes vejo1 mui radicada c]ta op9iam1 de *am> ,poeta1 a quem o-nam-3 e d> e/imasam a poezias1 que a-nam-m]ecem4 ,uma vez que um omem faz um ,soneto1 com algum conceito2 ou ,decimas1 com alguma naturalidade2 a*am-se logo mil admiradores1 que dizem1 s] famozo ,poeta4 ,v4 ,p4 t] ouvido frequ5tisimam5te1 que qu&o em um ,oit]o se-gloza um mote1 com facilidade2 e/am promtos mil aplauzos1 p>a o ,poeta3 eu o-prez5ciei muitas vezes3 e e/a a comua op9iam4 ,mas na v]dade um +ano comum1 porque aquilo nam s] ,poeta1 nem p>a l vai4 ,semelhantes sortes de compoziso5s1 nam dam cr$ito a n+uem3 i/o p]suade a boa razam1 e a exp]i5cia3 ,quanto exp]i5cia1 progunte ,v4 ,p4 7o que eu ja fiz7 a um de/es ,glozadores1 qual o artificio da-,poezia2 e v] que nam sabe de que cor 3 e nam digo s de/es das-duzias1 mas a9da dos-que glozam felizm5te3 e consegu5tem5te nam ,poeta4 ,a razam confirma o mesmo3 porque o artificio de/as obras nam n5hum3 a sua contextura tam facil1 que por-mao que seja o ,poeta1 sempre ac]ta com elas4 ,a ,decima1 a ,qu9tilha1 o ,madrigal1 z ,liras1 a ,silva1 o ,romance lirico1 ,qu>tetos puros1 e de p quebrado1 ,t]cetos c4 nada mais p$em1 que a naturalidade-d-conceito1 e expresam3 qu&o muito1 algum bocad9ho daquele +5ho mixto2 que consi/e1 em t] no-fim algum p5sam5to meigo2 explicado com alguma fraze agradavel1 e delicada1 ou coiza semelhante4 ,i/o nam p$e tal5to1 mas som5te alguma imag9asam3 a qual nam se-a*a omem tam desgrasado1 que a-nam-t5ha4 ,onde1 po/o i/o em trages de ,poezia1 saie uma ,decima1 ou coiza semelhante4 ,nam digo1 que um bom ,poeta1 nam posa faz] e/as coizas tam bem2 que agradem aos om5s1 de melhor p5etrasam3 s5do c]to1 que quem tem juizo o-mo/ra1 a9da nas coizas pequ5as2 como fiz]am os ,antigos3 o que digo 1 que explic&o um p5sam5to1 polo modo que aponto1 pode qualqu] faz] ,decimas c4 que agradem4 ,antes muito de adv]tir1 que qu&o e/es poemas pequ5os se-e/udam muito1 e neles qu]em mo/r> muito e/udo2 *eiram a ,filoz(ia1 e p]dem toda a grasa4 ,e/e defeito t5ho obs]vado1 em muitos ,espanhoes1 e ,portuguezes2 que se-prep>am p>a faz] uma ,decima1 a uns olhos azuis2 ou a uma ,dama que deix\ cair1 uma luva em t]ra2 ou a um s9al que se-despeg\ d-ro/o2 e outros semelhantes asumtos2 como se ouvesem de cant> a gu]ra dos-,romanos1 com ,mitridates1 ou com ,c>tago4 ,i/o um defeito es5cial3 e nam sab] aplic> o poema1 ao asumto3 s5do c]to1 que semelhantes compoziso5s s se-inv5tram1 p>a asumtos ou burlescos1 ou amatorios2 ou de coizas dome/icas1 que nam p]mitem e/udo p>ticul>3 e asim todo o m]ecim5to de semelhantes obras consi/e1 n'um conceito delicado1 e natural4 ,o ,poeta p]de a naturalidade1 todas z vezes que procura1 com gr&e e/udo1 mo/r> +5ho3 e nunca dezagrada mais1 que qu&o procura agrad> muito3 porque o conceito a-de aprez5t>-se1 e nam procur>-se4 ,por-e/e motivo sam dignos de rizo c]tos ,poetas1 e ,poetezas1 que fazem ,romances1 e coizas semelhantes2 com tal e/udo1 que nam se-int5dem sem com5t>io4 ,a ,madre ,joana de ,mexico1 uma delas3 tambem ,gongora nos-seus ,romances3 e dos-mod]nos ,eug5io ,g]>do ,lobo3 que tem alguns1 que1 a9da despois de muito e/udo1 nam se-p]cebem4 ,f9alm5te i/o defeito g]al dos-,espanhoes3 e dos-que eu li1 nam a*ei algum1 que nam pecase ni/o4 ,dos-,espanhoes o-recebram os ,portuguezes1 e p\cos sam os que se-excetam4 ,o ,*agas nos-seus ,romances1 tir&o em c]tas p>tes1 dos-mais naturais3 tambem o ,camo5s no-lirico4 ,vi tambem ne/e g5]o alguma coiza d-,conde de ,t>\ca1 morto no-,imp]io2 que me-agrad\ pola naturalidade1 e imag9asam3 e algum outro1 mas r>o4 ,dos-oscuros nam cito exemplos1 porque nam coiza mais comua que i/o3 e neles pod] ,v4 ,p4 reconhec]1 e/e defeito4 ,o pior 1 que se um omem faz uma ,decima1 ou coiza semelhante1 como deve s]2 nam agrada a e/a sorte de ,poetas1 e *amam-lhe coiza trivial3 qu]em ideia mais sup]lativa3 e sempre o oscuro1 inv]osimel1 arra/ado1 lhe-p>ece que enc]ra1 melhor d\tr9a4 ,mas o sal d-negocio consi/e1 em m&> i/o sua ,dama1 ou a um amigo1 que o-nam-int5de3 e fic>em lamb5do os beisos1 dos-aplauzos4 ,i/o vale o mesmo1 que se lhe-m&asem uma ,ode de ,p9d>o1 ou ,anacreonte2 porque umas e outras =am ,gregas4 ,nam crivel1 quanta g5te padece e/a inf]midade3 que p>a mo/r>em ou d\tr9a1 ou +5ho2 procuram nam s]em int5didos1 nam s nas compoziso5s1 mas a9da nos-discursos famili>es4 ,a*ei-me em uma ,prosisam de ,freira1 onde vi c]to 999999 que s5do dezafiado por-uma ,freira1 despois de fal> muito1 lhe-fal\ nas precizo5s objetivas dos-,logicos1 e repetio muito v]so ,lat9o4 ,mas a ,freira nam c$eo3 porque se ele falava ,latim1 ela falava uma l+ua1 que n+uem int5dia4 ,despois de fal> muito tempo1 com um pr(luvio de palavras incrivel2 juro a ,v4 ,p4 que nam pude p]ceb]1 o que ela qu]ia diz]3 pois a9daque z palavras eram ,portuguezas1 a fraze porem era tal1 que nam se-podia decifr>4 ,e/a ,freira tem muitos p>5tes ne/e mundo4 ,conclo pois1 que e/a sorte de poemas1 que p$em som5te naturalidade1 e alguma imag9asam2 a n+uem podem d> nome1 de ,poeta4 ,o ,soneto tambem p]t5ce a e/a regra3 mas c]to1 que pola qualidade d-v]so1 admite mais elevasam de expreso5s1 que os outros poemas nomiados4 ,contudo iso def5do1 que o conceito deve s] natural3 deve t] v]dadeiro +5ho3 e s na maneira de explic>-se1 que e/ a galant>ia d-,soneto4 ,consi/e pois a obrigasam d-,soneto1 em propor na #a4 quadra o asumto3 na #b4 expliclo com algum conceito3 de que se-tire o argum5to1 p>a os t]cetos4 ,os ,poetas1 que tem mais cab$al1 expoem o asumto nos-primeiros dois v]sos3 nos-dois segundos comesam a discorr]4 ,tal o ,soneto feito morte de uma ,s5hora1 cuido que polo ,bacel>1 e diz asim3 ,v5ceo a ,morte1 o ,fabio1 a ,=mozura4 ,am>ilis a bela c9za fria4 ,procura ,amor faz]1 que o-nam-sabia1 ,e esconde o cazo1 ne/a p$ra dura c4 ,outras vezes o ,poeta expoem na primeira palavra1 o asumto3 e de/a sorte o ,soneto1 que citei a ,v4 ,p4 em outra c>ta1 feito a uma c>a mui feia4 ,mas nem todos os asumtos1 se-podem propor asim2 e pod5do1 nem todos os ,poetas sam capazes1 de o-faz]em4 ,porem gr&e beleza d-,soneto1 que na primeira quadra diga algum conceito2 que d mat]ia a todo o discurso da-segunda2 e encadeie naturalm5te com os t]cetos4 ,e sem sair d-tal ,soneto1 o-repitirei novam5te2 porque me-p>ece que prova1 o que digo3 ,es feia3 mas desorte1 que orroroza tua vi/a bela a feialdade3 ,mas t5s =tuna tal1 que a enormidade ,te-consegue1 os tributos de =moza4 ,c>a tam feia1 coisa tam pasmoza ,todos obs]vam1 e move a r>idade4 ,nam desp]ta o comum a curzidade3 ,s] r>a1 que te-adla vaidoza4 ,ama-se o ,belo1 e cega o mesmo afeto4 ,o ,feio1 pois nam liga o p5sam5to1 ,deixa miudam5te v] o objeto4 ,i/o faz que se obs]ve ese port5to4 ,quanto e/s obrigada1 a ese aspeto2 ,se no-enorme te-d m]ecim5to6 ,ne/e ,soneto1 que em tudo natural1 o conceito dos-dois ultimos v]sos da-primeira quadra1 prova-se na segunda1 e se-confirma nos-t]cetos3 d&o mat]ia ao conceito d-fe*o1 que nobre e natural1 e diz mais doque soa4 ,mas nem todos seguem e/e p>ec]3 e v] ,v4 ,p4 inf9itos ,sonetos1 a9da de om5s que prezumem s] ,poetas1 que pecam contra tudo i/o4 ,eles tem dois extremos3 ou dizem conceitos inv]osimeis1 e enc>ecim5tos tam fra d-escolio1 que n+uem os-pode s(r]2 ou dizem frioleiras2 ou f9alm5te s]vem-se de conceitos1 que nam fcil int5d]3 e o melhor da-galh(a e/1 em que ornam tudo i/o com frazes1 que nam se-p]cebem4 ,de tudo a*> ,v4 ,p4 exemplos1 sem sair d-,*agas3 o qual tem ,sonetos em que se-a*am1 e/as trez coizas3 inv]osimilidades1 oscuridades1 e frialdades4 ,quanto s inv]osimilidades1 nam queira ,v4 ,p4 melhor prova1 que o ,soneto ,espanhol1 feito ao p pequ5o d'aquela ,s5hora c4 mas a9da outros4 ,faz ele alguns ,sonetos1 a que *ama ,eroicos1 e entre eles algum ao ,conde da-,torre1 que mat\ de um golpe um toiro4 ,asumto mui mimozo dos-,portuguezes1 ao qual t5ho lido inf9itos ,sonetos1 de dif]5tes autores4 ,int5de ,v4 ,p4 que e/e titulo ,eroico1 promete um p5sam5to nobre e admiravel8 asim devia s]2 mas nada m5os 3 e ne/es eroicos entram igualm5te z sutilezas1 e impropri$ades4 ,se me-nam-d cr$ito1 ousa o primeiro1 que diz asim3 ,tam gr&e golpe1 o ,conde ilu/re1 d/es ,nese amante de ,europa que mata/es2 ,que s o e/rago1 que ao f]ir cauza/es1 ,todos os ,signos atro\ cele/es4 ,tam veloz1 tam biz>ro acomete/es2 ,que1 no-impulso m5or com que voa/es2 ,ao golpe orr5do a morte anticipa/es3 ,e por-demais a execusam fize/es4 ,falt\ emprego espada1 ao braso =te ,lug>3 onde ap>ece a desm$ida ,=sa1 que enveja ,alcides1 e ,mavorte4 ,e int5do que ambiciozo da-f]ida1 ,por-s] o bruto o cr$ito da-morte1 ,cauza vos-deu1 p>a tir>-lhe a vida4 ,e/e ,soneto que ,v4 ,p4 aqui v1 mui gavado3 mas exam9ado ele bem1 p>5te *egado dos-outros amatorios4 ,na primeira quad]na se-obs]va a pu]ilidade1 de *am> ao toiro1 ,amante de ,europa2 som5te p>a diz]1 que se-espantram os mais signos cele/es4 ,tomra que me-disse1 se se-espant\ tambem o signo de ,libra c4 ,na #b4;a quadra desfaz1 o que dise na primeira3 e afirma1 que o ,conde nam mat\ o toiro2 mas fez som5te a eroica zm1 de d> em um corpo morto3 e o mesmo consuma1 no-primeiro t]ceto4 ,o que contem o ultimo t]ceto1 nam se-pode int5d]3 porque que queira diz] ,cr$ito da-,morte1 eu nam sei3 o que sei 1 que p>a faz] uma antiteze ridicula1 de morte1 e vida3 compoem dois v]sos1 que nada significam4 ,p>ece que qu]ia diz] o ,poeta1 que o bruto1 que era inimigo da-morte1 =a com go/o (]ec]-se a ela4 ,mas i/o1 alemdeque desm5te o que primeiro dis]a1 que ele nam matra o boi2 nam se-pode explic>1 com o ultimo v]so3 porque d> cauza pode alguem1 sem se-(]ec] morte4 ,em uma palavra1 i/o um conceito ,grego4 ,e di/o a*> ,v4 ,p4 frequ5tem5te1 no-mesmo autor4 ,os seus conceitos eroicos1 sam tam sup]lativos1 que eu os-nam-int5do4 ,em outro ,soneto a ,d4 ,joam de ,ca/ro1 sobre o mesmo asumto1 conclue asim3 ,d-valor sorte foi3 mas de tal sorte1 ,que a sorte foi valor1 ,ca/ro biz>ro3 ,sem s] az> d-bruto o d>-lhe a morte4 ,antes se-ve1 que com feliz desg>ro ,l no c>ro da-,fama e/ mais =te1 ,que e/e que foi de ,europa amante escravo4 ,o consoante ultimo p>ece devia s] esc>ro1 e nam escravo3 mas o conceito obriga a diz]1 o contr>io4 ,porem i/o nada3 o que eu digo a ,v4 ,p4 1 que o que qu]em diz] e/es dois t]cetos1 confeso a m9ha ignorancia1 eu nam sei3 nem at aqui a*ei1 quem mo-explicse4 ,v4 ,p4 t] o trabalho de o-consult>1 com aquele seu amigo1 que l\va tanto e/e autor3 e not> de cam9ho1 se1 escrev5do em ,t>t>o1 podia s] m5os inteligivel4 ,qu&o e/es ,poetas1 qu]em fugir da-oscuridade1 decl9am p>a outro extremo2 que 1 diz] coizas1 que nam tem grasa alguma1 a que se-*ama frioleiras4 ,e tal o fe*o de outro ,soneto1 ao mesmo asumto1 e polo mesmo autor3 que eu repetirei todo1 porque se no-fim mais cl>o1 nam m5os galante no-pr9cipio4 ,foi1 o ,conde biz>ro1 de tal sorte ,a vida dese bruto prezumida2 ,que o ,roxo m> da-mais cruel f]ida ,julgava escrito seu al5to =te4 ,mas s vs1 raio ilu/re de ,mavorte1 ,fiz]eis1 com puxansa nunca ouvida1 ,que por-onde sair nam pode a vida1 ,sob]ba intrase arrebatada a morte4 ,emfim caio o bruto3 e p>ecia1 ,que o tom d-golpe1 que nos-vales dura1 ,em todo o ar exequias lhe-fazia4 ,pois foi tal desa espada a =sa dura1 ,que a9da a t]ra p>ece que lhe-abria1 ,com os sobejos d-golpe1 a sepultura4 ,e/e ,soneto p>5te d-antec$5te4 ,e/a fraze vida prezumida1 nam sei o que significa3 muito m5os int5do1 os dois ultimos v]sos da-primeira quadra3 tam sublime o conceito1 que creio1 que nem m5os o seu amigo 99 99 se-atrev] a expliclo1 em boa proza4 ,tambem aquilo de *am> ,m> roxo1 ao ,m> v]melho2 nam se-pode p]do> a um omem1 que fez1 ou int5t\ faz] um poema ,epico4 ,a antiteze que se-a*a na #b4;a quadra1 de ,sair vida1 e intr> morte1 outra +lezia4 ,o que eu a*o 1 que se o toiro morreo de uma cutilada1 pola mesma p>te por-onde intr\ a morte1 saio a vida no-sangue3 e i/o nam puxansa nova2 mas coiza bem uzual4 ,o ultimo t]ceto1 tem um conceito bem ord9>io1 e em tudo semelhante1 ao de outro famozo ,soneto ao mesmo asumto1 que comesa3 ,foi p>a o raio de aso curta esf]a1 e conclue asim3 ,que emprego s(r] =sa tam dura8 ,abra o boi3 rasgue a t]ra3 e de/a sorte ,saia em sobras da-morte1 a sepultura4 ,mas eu devo diz] o que int5do3 a*o que em ambas z p>tes o ,poetas dis]am1 o que diria qualqu] omem de ganh>4 despois de t]em engr&ecido tanto o golpe1 sam mui frios na concluzam4 ,p>a acompanh> com o ,soneto1 p>ece-me que t9ham dois conceitos1 mais exquizitos4 ,um era diz]1 que com a =sa da-caida furra o bruto1 o globo t]raqueo2 e =a p>>1 no-emisf]io dos-,antipodas4 ,o outro era concluir1 que ao toque da-espada1 se-anihilra o bruto3 tom&o e/a palavra1 no-s5tido filoz(ico1 que supoem uma =sa mais que umana4 ,cuido que i/o era mais conv5i5te1 ao e/ilo de ,portugal4 ,v4 ,p4 diga ao seu amigo1 que fasa nota de/es dois conceitos2 p>a se-s]vir1 nas ocazio5s de toiros4 ,em outra p>te faz o mesmo ,*agas dois ,sonetos1 que acabam com duas frioleiras insoportaveis4 ,um feito1 morte da-,infanta ,d4 ,joana1 e conclue asim3 ,transpo/a qu&o m5os admirada1 ,anoiteceo na aurora de uma vida1 ,e se-eclis\ de um ,sol na madrugada4 ,mas s5do z luzes tantas1 quem duvda1 ,se era o viv] de muito dezejada1 ,que o morr] foi de p\co m]ecida4 ,o outro feito1 a outro cavalo d-,conde de ,sabugal1 que campiava bem4 ,e/e autor era t5tado com tais asumtos3 e creio que na caval>isa d-dito ,conde1 nam deix\ animal sem ,soneto3 f9alm5te fez um1 que conclua asim3 ,n pues de ,febo el tiro lum9oso1 ,n de ,alex&ro el ,zefiro animado ,rapido se compita1 o g5]oso4 ,pues pref]i5do a todo lo animado1 ,los puso desayrados en lo ayroso1 ,corridos los dex con lo p>ado4 ,e/es dois fe*os sam z majores frialdades1 que eu a9da vi3 nam se-podem l] sem compaixam3 e i/o alem de t]em antitezes1 e v]sos1 que nam se-int5dem4 ,e nam cuide ,v4 ,p4 que i/o suc$e som5te no-,*agas1 e outros ,poetas2 a*a-se nos-melhores3 e ,camo5s um deles4 ,e/e omem1 que no-,lirico t9ha muita naturalidade2 qu]5do introduzila nos ,sonetos1 fez a maior p>te deles sem grasa alguma4 ,ponho ne/e num]o os dois gavad9hos1 que se-tem glozado cem-mil vezes3 comesa um3 ,sete anos de pa/or ,jacob s]via3 e conclue asim3 ,comesa de s]vir outros sete anos ,diz5do1 ,mais s]vra1 se nam =a ,p>a tam longo amor1 tam curta a vida4 outro comesa3 ,alma m9ha g5til que te-p>ti/e3 e acaba3 ,roga a ,deus1 que teus anos encurt\1 ,que tam c$o de c me-leve a v]-te1 ,quam c$o de meus olhos te-lev\4 ,consid]e ,v4 ,p4 sem paixam1 e/es dois ,sonetos2 e obs]ve se a*a neles1 o c>at] d-,epigrama4 ,eu digo que nam3 porque o ,epigrama deve concluir1 com algum conceito que agrade1 e arrebate com a novidade2 e deixe int5d] mais1 doque nam diz3 e iso o que eu nam a*o1 em n5hum deles4 ,o primeiro contem uma i/oria1 sem artificio algum poetico3 e conclue com um comprim5to bem uzual4 ,um amante logrado1 que m5os podia diz] que i/o3 ,mais s]vra1 se nam =a p\co todo o tempo1 p>a empreg> no-seu s]viso8 ,contudo iso1 nam ob/ante s] uma coiza fria1 eu obs]vo outro defeito maior1 que a impropri$ade4 ,p>a faz] uma antiteze1 de amor longo1 vida curta2 s]ve-se de uma fraze impropria3 pois amor longo1 p>voice2 porque ref]e-se a tempo3 e aqui deve-de ref]ir a gr&eza2 e diz]1 amor gr&e3 no-qual cazo vai por-t]ra1 o conceito4 ,d-outro ,soneto digo o mesmo3 todo ele se-r$uz a i/o ,tu que e/s la no-,ceo1 p$e a ,deus1 que me-leve a v]-te depresa3 e que m5os se-pode diz]1 a um morto amado8 ,e/e outro fe*o semelhante ao d-,borges1 que faz5do um ,soneto1 morte da-,infanta ,d4 ,francisca1 fal&o com a ,morte1 concle asim3 ,se nam podes ja t] igual projeto1 ,p5dura a f\ce1 e deixa de s] ,morte4 ,se o-disse ao pr9cipio1 e dele d$uzise alguma coiza boa2 s]a m5os mao3 mas rez]vlo p>a o fim1 nam int5d] e/e (icio4 ,e/a especie de conceitos1 nam neces>io dizelos3 e/am ditos por-si1 e todos os-diriam4 ,ne/e mesmo fe*o d-,camo5s1 noto outra impropri$ade4 ,a palavra c$o no-primeiro v]so1 ref]e-se a tempo2 e qu] diz]1 depresa e logo1 sem rep>> em idade1 ou coiza semelhante4 ,o que po/o1 comp>a muito mal o ,camo5s um c$o1 com outro c$o1 s5do coizas dif]5tes2 e vale o mesmo que diz]3 ,asim como tu p>ti/es na flor da-idade de/e mundo1 asim eu p>ta logo c4 a qual propozisam manife/am5te se-ve1 s] uma p>voise4 ,toda a grasa pois d-dito conceito1 se-r$uz palavra c$o3 que aqui um rigorozo equivoco3 coizas indignas de um ,soneto4 ,onde conclo1 que no-,camo5s nam vejo1 o espirito d-,epigrama2 porque a sua naturalidade talvez afetada1 o-faz languido3 e o ,epigrama1 a9daque natural1 deve t] outra elevasam4 ,e asim os que qu]em faz] bem ,sonetos1 devem evit> nam s a inv]osimilidade1 e oscuridade2 mas tambem a frialdade4 ,muitas coizas r$uzidas a ,decima1 ou outra tal compozisam1 p>ecem bem2 que em ,soneto p>ecem muito mal4 ,no-e/ado em que e/ oje a ,poezia2 pode intr> no-,soneto1 alguma coiza de +5ho mixto3 porque e/es co/umam agrad> mais4 ,creio porem que melhor1 faz] p\cos e bem1 que muitos dos-comuns4 ,e/a sorte de poemas imp]feitos valem p\co1 e nam sam capazes de d>em nome1 a um ,poeta4 ,onde qu&o nam sam sup]lativos1 nam se-podem s(r]4 ,e/e porem o defeito1 de muitos ,portuguezes2 que1 faz5do ,sonetos mal1 a9da asim nam cesam de fazlos3 f>am dez e doze a uma roza1 e asumtos semelhantes3 outros em um ,oiteiro fazem ba/antes glozas1 a um s mote3 e se os primeiros sam maos1 os ultimos sam pe/e4 ,mas1 torn&o ao +5ho1 concluo1 que em toda a sorte de poemas pequ5os1 deve o ,poeta t] sempre diante dos-olhos2 que o es5cial deles 1 a naturalidade1 unida a um p5sam5to galante1 expo/o com delicadeza4 ,e/a pode consi/ir1 em um s5tido oculto1 que diz muito1 qu&o p>ece que nam diz nada3 em alguma pancada picante1 cob]ta com um veo mode/o3 em uma grasa1 expo/a ironicam5te com maneira s]ia3 em um p5sam5to f9o1 cob]to com uma palavra groseira4 ,no-,soneto porem deve pratic>-se i/o1 com m5os meiguise1 e mais elevasam4 ,no-que reprovo o e/ilo de muitos1 que se-s]vem dos-,sonetos1 ou ,romanses ,eroicos1 p>a coizas amatorias2 nas quais nam entram bem3 porque o v]so endecasilabo1 p$e emprego mais sezudo3 o ,lirico proprio p>a e/as coizas4 ,o que digo d-,epigrama ,portuguez1 digo tambem d-,lat9o1 porque z regras sam z mesmas3 e com mais razam se-devem nele evit>1 os equivocos c4 porque a l+ua ,lat9a nam s(re1 semelhante e/ilo4 ,os ,epigramas dos-,gregos eram naturais1 a9daque com grasa3 e/e e/ilo seguio ,catlo4 ,porem ,m>cial no-tempo dos-,vespazianos1 pr9cipalm5te de ,domiciano2 que era a decl9asam da-eloqu5cia ,lat9a2 e quazi o pr9cipio da-idade de bronze1 segundo os que int5dem melhor2 foi o que comes\ a introduzir1 ou raf9> z agudezas1 e equivocos1 nos-,epigramas3 o que agrad\ entam1 porque se-comesava na-,corte a p]d]1 o bom go/o da-,eloqu5cia4 ,com efeito alguns dos-seus ,epigramas podem pas>1 em obzequio daquele tempo2 e tambem d-nosso1 que a9da e/ alguma coiza ocupado1 com sutilezas3 mas sam r>isimos1 e apo/>ei que nam *egam a qu9ze1 os bons4 ,a maior p>te porem sam frialdades1 e p>voises1 que os om5s de juizo tem desprezado2 e reconhecem e/> muito abaixo1 da-nobreza de ,catlo4 ,mureto1 que imit\ tambem ,catlo1 que p>ece o mesmo autor1 *ama a ,m>cial1 ,bobo de ,com$ia3 e o noso ,lilio ,gregorio ,giraldo1 a quem todos os d\tos reconhecem1 por-omem de juizo exatisimo ne/as mat]ias2 diz deles com galant>ia1 que s podem agrad>1 aos asnos4 ,temos mais alguns antigos ,epigr4 que podem pas>4 ,dos-mod]nos a*am-se alguns bonitos3 mas incontrei tambem1 coleso5s de ,epigramas mod]nos1 indignisimos2 e a maior p>te sam asim3 e asim neces>io lelos1 com muita adv]t5cia4 ,o +5ho mixto re9a1 ne/as compoziso5s2 pr9cipalm5te desde o fim d seculo ,,xvi4 a e/a p>te4 ,*amo felicidade faz] um ,epigrama1 que seja bom4 ,onde diz com grasa o d\to ,p4 ,rap91 que o ,epigrama se nam excel5tisimo1 nada vale3 e que tam dificultozo 1 faz] um bom1 que se-pode cont5t>1 quem *ega a faz] um1 em toda a sua vida4 ,e/a mat]ia dos-,epigramas1 que sam rigorozas inscriso5s funebres na sua origem2 a9daque ao despois se-aplicasem1 a outras mat]ias2 me-conduz a fal>1 nos-,elogios lapid>es3 que sam um quid m$ium1 entre a proza e o v]so2 e o ,jugl> lhe-*ama1 lib]a ,posis4 ,ne/a mat]ia t5ho p\co que adv]tir a ,v4 ,p4 porque o-r$uzirei a duas palavras4 ,n5hum omem de juizo1 deve seguir o e/ilo1 d-,tezauro1 ,jugl>1 ,mas5io1 ,labb c4 se uma rapaziada cond5avel1 introduzir na l+ua vulg> equivocos1 e sutilezas2 e que n5hum omem d\to faz2 que s] introduzilos na ,lat9a1 em que ns nam temos jurisdisam8 ,alem diso1 a l+ua ,lat9a nam p]mite i/o4 os que e/imam a bela ,lat9idade1 devem escrev]1 como os da-idade de oiro2 ou qu&o muito de prata2 e nadamais se-deve imit>4 ,nos-f9s da-idade de prata1 que se-comesram a introduzir tais agudezas1 por-culpa de ,s5eca ,filoz(o1 e seu sobr9ho ,lucano3 mas pr9cipalm5te de ,m>cial1 que floreceo p\co despois4 ,motivo porque muitos bons criticos qu]em1 que a idade de prata acabe com ,n]o1 no-ano #fg4 de ,cri/o3 v5do quanto dali p>a diante1 descaio a ,eloqu5cia4 ,mas a9da nos-f9s da-idade de prata1 nam e/ava o cazo tam arru9ado3 o que alcanso1 das-inscriso5s dese tempo4 ,d-tempo dos-,anton9os p>a diante1 qu]o diz]1 desde os pr9cipios d-segundo seculo de ,cri/o1 que totalm5te se-comes\ a arru9>1 e intrram z sutilezas3 mas pior que tudo1 desde a metade d-dito seculo p>a baixo4 ,f9alm5te arru9\-se a l+ua ,lat9a1 com o imp]io ,romano1 no-qu9to seculo3 da p>a diante re9\ a ignorancia1 at o meio d-decimoqu9to seculo4 ,contudo atrevo-me a diz]1 que nam s nos-f9s d-,imp]io1 mas nem a9da nos-seculos da-ignorancia1 se-a*a muita sutileza1 e equivocos2 se os-comp>amos com os nosos4 ,som5te nos-f9s d-decimosexto seculo1 comesram a ap>ec]3 mas totalm5te se-raf9ram1 nos-pr9cipios d-decimosetimo3 e durram quazi at os f9s d-dito3 at que ap>ecram om5s1 que reprovram e/e e/ilo1 e seguiram a ,antiguidade4 ,i/o ba/a p>a mo/r>1 que se-deve desprez> e/a novidade2 que incompativel1 com a beleza das-expreso5s1 e mage/ade da-antiga ,eloqu5cia4 ,os +5hos pobres1 que vam detraz de/as ridicul>ias1 p>a s]em e/imados2 vi/o nam o-pod]em conseguir1 por-outro e/ilo4 ,no-tempo de ,augu/o1 em que coz9heiros1 pa/eleiros1 e mosos dos-mo9hos1 sabiam mais de ,eloqu5cia1 e bom go/o2 doque a maior p>te de/es mod]nos d\tores2 nam se-escrevia asim3 z inscriso5s eram naturais1 cl>as1 e em p\cas palavras4 ,abra ,v4 ,p4 o4 ,grut]o1 ,re9ecio c4 e v] provado o que digo4 ,a9da na idade de prata1 e bronze1 a maior p>te das-inscriso5s sam naturalisimas3 o que eu obs]vei muitas vezes1 exam9&o os antigos monum5tos1 que exi/em em ,roma2 esculpidos no-qu>to1 e qu9to seculo3 como tambem uma inf9idade de sepulturas p>ticul>es1 dos-seculos inf]iores1 escritas com toda a naturalidade1 e grasa4 ,e i/o deve faz]1 quem qu] m]es] l\vor3 e nam seguir os pasos de/es ignorantes1 que fazem ,lat9s novos4 ,quanto s divizo5s de regras em gr&es1 e pequ5as2 c]to1 que algumas se-a*am na ,antiguidade2 mas r>as3 e regul>m5te por-necesidade1 de comes> outro capitulo c4 ,comum5te escreviam sem divizo5s1 e muito m5os divizo5s afetadas2 como quem escreve c>ta4 ,o que eu obs]vei muitas vezes3 e nam s nas antiquisimas2 mas a9da nos-monum5tos escritos1 at a ru9a d-,imp]io1 e inf]iorm5te4 ,no-fim d-,,xvi4 seculo1 que comesram a introduzir1 e/a ridicul>ia4 ,comes\ polos titulos dos-livros3 pas\ aos arcos triunfais c4 ,de entam p>a c e/ilo lapid> significa1 um ,latim escrito em dif]5tes regras maiores1 e m5ores1 segundo a eleisam de quem escreve4 ,eu c]tam5te nos-pr9cipios de livros1 c4 deix>ia z coizas como e/am3 mas nas inscriso5s lapid>es1 nam me s]v]ia de/as divizo5s de regras mod]na3 porque se aquilo nam v]so1 que necesidade 1 de dispolo daquela sorte8 ,alem diso1 z inscriso5s lapid>es devem s] brevisimas1 e cl>isimas3 e asim nam neces>io divizam1 porque nam motivo1 p>a se-confundir a g5te4 ,i/o o que eu nam poso s(r]1 ne/es mod]nos p\co adv]tidos2 que fazem inscriso5s et]nas4 ,mas i/o contra o bom go/o3 a ,antiguidade explicava-se em duas palavras3 a simplicidade1 e brevidade1 era toda a galant>ia das-inscriso5s4 ,li muitas vezes1 e sempre com p>ticul> go/o1 z inscriso5s que a9da oje vemos1 nos-antigos monum5tos1 que exi/em em ,roma4 ,no-portico d-,pan!on a9da oje lemos3 ,m4 ,agrippa ,l4 ,f4 ,cos4 ,t]tium ,fecit3 que qu] diz]1 ,m>co ,agripa1 filho de ,lucio1 t]ceira vez consul1 fund\ e/e portico4 ,e/a d-seculo de ,augu/o4 ,mas a9da z inf]iores sam asim4 ,v5cra ,tito ,vespaziano os ,judeos3 demolra ,j]uzalem3 conclura uma das-mais ob/9adas gu]ras1 que tiv]am os ,romanos3 o ,s5ado1 levant&o-lhe um arco ,triumfal p]petuo1 nam dise uma ar5ga sempit]na2 cont5t\-se de escrev] e/as palavras3 ,s5atus ,populusque ,romanus ,divo ,tito1 ,divi ,vespasiani ,f4 ,vespasiano ,augu/o4 ,no-frontispicio d-templo consagrado polo ,s5ado1 ao ,imp]ador ,anton9o1 e sua molh]2 lem-se e/as palavras3 ,divo ,anton9o1 ,d4 ,fau/9ae4 ,s4 ,c4 ,no-p$e/al da-coluna ,anton9a1 le-se3 ,m4 ,aurelius ,imp4 ,arm5is1 ,p>?is1 ,g]manisque bello maximo devictis1 triumphalem hanc columnam rebus ge/is insignem ,imp4 ,anton9o ,pio patri suo d$icavit4 ,e na coluna ,trajana triumfal lemos a9da3 ,s5atus ,p4 ,r4 ,imp4 ,cs>i ,divi ,n]v ,f4 ,n]v ,trajano ,aug4 ,g]m4 ,dacico ,pontif4 ,max4 ,trib4 ,pote/4 ,,xvii4 ,imp4 ,,vi4 ,cos4 ,,vi4 ,p4 ,p4 ad decl>&um quant altitud9is mons1 locus tantis op]ibus fit ege/us4 ,deixo de cit> outras1 porque coiza bem vulg>4 ,ne/as inscriso5s ve ,v4 ,p4 a naturalidade1 simplicidade1 brevidade3 sem divizo5s1 mas com fraze cont9uada4 ,se porem algumas vezes1 eram z inscriso5s mais compridas1 prov9ham dos-titulos dos-,imp]adores1 que se-co/umavam escrev]3 ou porque nela se-nomiavam v>ias pesoas1 cadauma com o seu titulo2 que o mesmo que dif]5tes inscriso5s3 mas i/o r>as vezes3 o comum era polo contr>io4 ,nam asim nos-mod]nos1 que fazem inscriso5s et]nas1 sem nobreza1 ou grasa alguma2 e com divizo5s importunas e afetadas4 ,mas qu&o quizesem seguir e/as divizo5s1 p\co import>ia2 contantoque fugisem1 dos-vicios apontados4 ,uma coiza porem nam poso s(r]1 e vem as]1 escrev]em livros em e/ilo lapid>1 com z divizo5s ditas4 ,se eles int5dem1 que e/e e/ilo tam proprio das-lapides1 que nam pode av] lapide1 por-outro e/ilo2 quiz]a que me-disesem1 porque compoem livros asim3 ou lapide1 ou livro4 ,nam coiza mais ridicula que e/a4 ,mas o que m]ece mais rizo v]1 que qu&o algum compoem um de/es livros1 saiem logo os c5sores1 canoniz&o o dito e/ilo2 e diz5do mal1 dos que desprezam e/as rapaziadas4 99 99 99 ,um bocad9ho de melhor go/o na l+ua ,lat9a1 e um bocad9ho mais de reflexam1 p\p>ia e/as criticas inju/as4 ,pas&o agora s compoziso5s mod]nas1 p\co me-fica que diz]4 ,z mais consid]aveis entre z pequ5as sam1 a ,egloga1 ,elegia1 ,ode4 ,a ,egloga nam tem uzo em ,portugal3 em que nam se-aplicam a descrev]1 a imagem da-vida pa/oril1 cujo c>at] a simplicidade1 e mod]asam3 nem tambem e/a compozisam1 p$e muito +5ho3 ba/a s] ac]tado4 ,camo5s nas suas ,eglogas1 introduz tanta v>i$ade de v]sos1 que nam se-pode l] com go/o2 porque faz p]d]1 a ideia da-,egloga4 ,alguma delas con/a de ,oitavas1 ,cansam1 ,t]cetos c4 mas i/o nam se-deve imit>4 ,pode alguma vez v>i>-se1 a uniam das-rimas3 mas na mudansa de v]sos1 deve-se proc$] com cuidado2 porque muito impropria4 ,z outras duas compoziso5s1 sim se-uzam em ,portugal3 mas comum5te debaixo de outros nomes4 ,a ,elegia1 tem por-emprego1 descrev] s5tim5tos ou amores2 ou expremir qualqu] paixam amoroza4 ,donde vem1 que o seu c>at] deve s]1 o ent]necido1 explicado por-um modo animado2 mas quanto mais pode s] natural3 que o que faz quem *ora1 ou ama3 e aqui tem lug>1 z ,figuras proprias de/a paixam4 ,cuido que p>a i/o mais proprio1 o ,romance ,lirico1 e a ,silva2 porque sam compoziso5s naturais1 e que se-podem anim>1 como cadaum qu]3 o ,endecasilabo nam me-p>ece tam proprio p>a i/o2 porque z de ,camo5s em ,t]cetos1 nam soam bem4 ,ne/e p>ticul> a*o um notavel defeito1 em alguns ,poetas1 que qu]em faz] d-,soneto ,elegia3 e afet&o um s conceito f9al1 mo/ram tanto e/udo2 que de/ruem a ideia da-,elegia4 ,uma paixam nam se-dezafoga1 em #ad4 v]sos3 p$e compozisam mais comprida1 e livre de afetaso5s3 acrec5t&o a-i/o1 que nem m5os o v]so os-ajuda4 ,mas a9da o ,lirico1 se se-compoem de discursos sep>ados1 como sam z ,decimas2 nam p]mite lib]dade da-expresam1 p>a dezafog> a paixam4 ,tambem nam aprovo os qu>tetos ,liricos1 porque mo/ram afetasam4 ,com efeito muitas que eu vi1 ne/es dois g5]os1 cuido que mais moviam z ,damas a rizo1 que a compaixam4 ,a ,ode aquela compozisam1 com que se-l\vam z aso5s dos-,deuzes1 ou om5s ilu/res4 ,e/a explicasam ba/a p>a mo/r>1 que p$e um gr&e +5ho1 imag9asam elevada1 expresam nobre e correta2 e toda a galant>ia e vivacidade1 que se-a*a na arte de p]suadir4 ,qu]-se juizo1 p>a tec] uma ,ode com mage/ade1 e sem defeitos4 ,a ,antiguidade nos-propoem ,oracio1 como o melhor exemplo ne/a mat]ia3 porque s\be unir duas coizas bem dificultozas1 a elevasam1 com a delicadeza e dosura4 ,p>a i/o na l+ua ,portugueza p>ece proprio1 o ,romance ,eroico1 a ,cansam1 ,t]cetos ,eroicos1 qu]o diz]1 endecasilabos3 mas o ,lirico nam creio que posa satisfaz]1 toda a gr&eza d-argum5to4 ,sobre tudo reprovo muito1 elogi> z aso5s de um omem1 em um ,soneto3 e/e s pode s]vir1 p>a uma zm4 ,o v]so endecasilabo sezudo1 grave1 e p>ece proprio1 p>a e/es argum5tos3 mas deve a compozisam t]1 o comprim5to neces>io1 de outra sorte s(ca-se3 motivo porque nunca pude p]do> a ,camo5s2 pr9cipalm5te faz] compoziso5s amatorias1 com o titulo de ,ode4 ,e/as trez compoziso5s1 que aqui nomiamos1 r$uzem-se ao poema ,n>rativo ,epico1 de que sam p>tes1 ou dep5d5cias4 ,a ,satira p>te da-,com$ia1 p>a a qual se-r$uz3 contudo muitos que nam fazem ,com$ias1 div]tem-se em faz] ,satiras4 ,mas neces>io muita adv]t5cia1 ne/a mat]ia4 ,a ,satira nam deve repre5d]1 s5am o que v]dadeiram5te viciozo2 p>a in/ruir os ,om5s1 d-que devem fugir3 e p>a conseguir i/o1 qu]-se muita delicadeza4 ,quem repre5de o ,vicio ab]tam5te com invetivas1 concle p\co3 por-e/e motivo nam agrada ,juv5al1 que um declamador4 ,o melhor 1 p9t> com galant>ia1 o ridiculo d-,vicio1 quazi como quem o-nam-qu] mo/r>4 ,e/e foi o metodo de ,oracio2 que por-iso agrad\ muito3 mas nam foi ele o inv5tor2 foi o ,filoz(o ,socrates1 que t9ha uma arte p>ticul>1 de descobrir z ignorancias dos-,om5s1 mo/r&o de o-nam-qu]] faz]4 ,os mod]nos que seguram e/e metodo1 conseguram melhor que outros1 o seu int5to4 ,a i/oria de ,d4,quixote1 ne/e g5]o famoza1 e galante3 go/ei muito de a-l]4 ,polo contr>io1 os que fazem ,satiras oscurisimas1 como ,p]sio1 e dos-mod]nos ,gracian no-seu ,criticon1 e ,b>clai no-seu ,eu=miam c4 nam se-podem s(r]3 e eu creio1 que eles mesmos em v>ias p>tes1 nam int5dem o que dizem4 ,os nosos ,italianos tem um go/o p>ticul>1 p>a z ,satiras2 porque em duas palavras dizem muito1 e com galant>ia2 deix&o int5d] mais1 doque nam explicam4 ,t5ho vi/o algumas ,lat9as belisimas1 e bem mod]nas3 como tambem ,com$ias1 no-seu g5]o famozas4 ,i/o digo da-,satira em comum3 nam aconselho a n+uem1 que fasa ,satiras a pesoas p>ticul>es1 a9daque sejam viciozas2 porque contra a c>idade4 ,em ,portugal a9da nam li uma ,satira bem feita1 a9da das-p>ticul>es3 z que vi eram afrontas e injurias1 nam ,satiras4 ,conclo diz5do1 que o v]dadeiro modo1 que os om5s intelig5tes tem a*ado1 p>a compor e/es pequ5os poemas2 1 despois de/as g]ais reflexo5s1 aprez5t>-lhe os melhores exemplos na mat]ia3 e mo/r>-lhe com o d$o1 o artificio1 e toda a galant>ia4 ,s asim se-obs]va1 que coiza +5ho1 e agudeza2 como1 e qu&o se-pode uz> dela4 ,f9alm5te t5do pasado brevem5te1 polas compoziso5s pequ5as2 direi alguma palavra da-,epopeia1 ou poema ,epico4 ,se ouvse de fal> ni/o como devo1 f>ia um tratado3 e asim nam sa9do d-meu e/ilo1 f>ei som5te algumas reflexo5s4 ,e/e poema1 como ja dise a ,v4 ,p41 a coiza mais dificultoza1 da-,poezia3 qu] tal +5ho1 tal erudisam1 tal juizo1 que quem o-consid]a bem1 nam se-atreve a fazlo3 muito mais se obs]va os defeitos1 em que caram muitos1 dos-que o-tem empr5dido4 ,asima dise a ,v4 ,p4 qual o artificio de/e poema1 que compre5de em si1 todas z especies d-,n>rativo3 e que por-iso p$e1 gr&isimo fundam5to de ,retorica1 p>a o-pod] trat> bem4 ,nam e/a a fruta dos-,sonetos1 e ,decimas1 que nacem a cada canto2 coiza mais dificultoza3 z regras sam tantas1 e tam dificultozas1 que sam p\cos os que se-atrevam1 e r>isimos os que nam pequem1 contra algumas4 ,e/e o motivo1 porque nam produzirei muitos te/emunhos1 pr9cipalm5te s5do o meu argum5to1 cont]-me nos-limites de ,portugal4 ,c]tam5te ne/e ,re9o1 r>isimo o poema ,epico4 ,o ,conde/avel de ,francisco ,rodriguez ,lobo1 o ,macabeo de ,miguel da-,silveira1 a ,ulisea de ,gabriel ,p]eira de ,ca/ro1 por-confisam dos-mesmos ,portuguezes de melhor d\tr9a1 nam m]ecem e/e nome3 algum outro que posa av] manuscrito1 e que agora nam me-ocorre1 p]t5ce mesma clase4 ,asim p>ece1 que com razam se-dise2 que a unica ,epopeia que ap>eceo em ,portugal1 foi a de ,camo5s4 ,mas i/o mesmo confirma o que digo1 da-dificuldade d-poema ,epico4 ,se ,v4 ,p4 consulta os seus nacionais1 os-a*> tam preocupados polo ,camo5s2 que mais facilm5te ouvirm diz] mal1 da-religiam1 doque d-poema ,epico de ,camo5s4 ,os que deviam faz] a critica d-dito autor1 fazem o elogio4 ,um de/es ,manoel de ,f>ia e ,s\sa1 que de com5tador1 se-conv]teo em panegiri/a3 e em vez de explic>1 o que o ,poeta quiz diz]1 nos-diz o que lhe-p>ece3 v5d5do-nos z suas imag9aso5s1 polas ideias d-,poeta3 e qu]5do desculplo a9da nas coizas1 em que mais cond5avel4 ,com efeito e/e com5tador1 mo/ra int5d] p\co1 a mat]ia que trata3 ao mesmo tempo em que diz mal1 de todos os melhores ,poetas ,e/rangeiros1 que c]tam5te ele nam leo1 ou nam *eg\ a int5d]2 nam ob/ante que muitos o-l\vem1 como um oraculo4 ,inacio ,g>cez ,f]reira1 que fez z notas ao ,camo5s1 int5deo melhor a mat]ia4 ,dos-livros que ele cita1 se-conhece logo1 que -de ajuiz> melhor2 porque se-s]vio dos-melhores na ,poetica1 tanto ,francezes1 como ,italianos4 ,alem diso1 escreveo em ,italia1 onde teve tempo de consult>1 os om5s mais intelig5tes2 sobre z dificuldades1 que lhe-ocorresem4 ,e com efeito ajuiza melhor3 mas nam tam bem1 que em algumas p>tes nam se-+ane3 como s]a facil mo/r>1 se tivese tempo4 ,contudo e/e ,portuguez s9c]am5te reconhece1 algumas faltas su/anciais no-,camo5s4 ,o que ba/a p>a me-livr> da-calunia1 dos-que me-quizesem cond5>1 por-met] colh]ada1 ne/a mat]ia4 ,mas como eu int5do bem1 a l+ua ,portugueza2 p>ece-me que nam s\ improprio1 p>a julg>4 ,avemos de confes>1 que ,camo5s teve muito +5ho1 imag9asam fecunda e gr&e3 e que se-tivese e/udado ou tratado1 com quem ens9se bem1 z coizas que devia2 pod]ia dezemp5h> o argum5to da-,epopeia4 ,com efeito o que fez de bom1 tom\ dos-nosos3 pois nas suas obras reconheso eu1 que int5dia o ,italiano1 e que se-aproveit\ bem d-,petr>ca1 ,boccaccio1 e outros4 ,teve f9alm5te muitas qualidades de ,poeta3 e p>a aquele tempo1 em que nam avia1 os conhecim5tos que oje 1 m>avilha1 que escrevse tam bem4 ,mas qu]lo comp>> com ,om]o1 como fazem muitos3 ou qu]lo coloc>1 sobre os das-outras ,naso5s todas2 com a razam1 de que o seu poema o-traduzio um ,francez na sua l+ua2 e o ,paggi na nosa ,italiana2 iso nam deixa de s] tem]idade1 fundada em uma prova fra d-cazo4 ,tambem um curiozo se-div]tio1 em traduzir o ,vieira em ,italiano2 e contudo n+uem faz cazo de tal tradusam1 e autor3 e o mesmo suc$e ao ,camo5s2 que a maior p>te dos-nosos bons ,poetas1 nam sabem que o-ouve no-mundo4 ,alem diso1 s]a neces>io prov> primeiro1 que e/es tradutores eram ,poetas1 e nam ,v]sejadores3 que int5diam bem a mat]ia2 e nam se aluc9ram na tradusam4 ,z v]so5s ,espanholas nem m5os concluem3 porque =am feitas1 debaixo d-mesmo clima3 ,os outros ,e/rangeiros que o-l\vam1 fundam-se no-que dizem os ,espanhoes1 ou ,portuguezes1 como ,v4 ,p4 pode obs]v>3 e alguns que *egram a lelo1 nam dizem bem dele4 ,na v]dade o ,camo5s1 entre muito boas qualidades1 tem muitos defeitos1 nacidos de dois pontos3 o primeiro1 falta de erudisam3 o segundo1 de juizo e dic]nim5to4 ,primeiram5te1 err\ o titulo da-obra4 ,os me/res da-arte tomam o titulo1 ou da-pesoa1 como ,odyssea1 ,eneide3 ou d-lug> da-zm1 como ,iliade1 que tomado da-,cidade de ,ilio prim>ia da-,troade4 ,o ,camo5s em vez de tom> o dito titulo1 de ,vasco da-,gama c4 toma-o de todos os ,portuguezes3 busc&o p>a i/o um t]mo ,lat9o1 que tanto calsa aos ,portuguezes navegantes1 como aos que ficram no-,re9o3 e o pior 1 que o-toma no-plural1 que nam tem exemplo1 na boa ,antiguidade4 ,err\ a propozisam d-,poema3 pois dev5do e/a cont]1 uma s zm pr9cipal2 ele porem em vez de propor1 a navegasam d-,gama1 que era a sua zm2 propoem todos os v>o5s illu/res1 de que se-compoem a inteira i/oria de ,portugal2 com expresa divizam das-coizas da-,europa1 ,africa1 e ,azia3 e deles expresam5te promete a ,el-,rei ,d4 ,seba/iam1 cant> z aso5s eroicas3 o que diz desde a ,e/ancia ou ,oitava #ab4 d-primeiro ,canto1 p>a diante4 ,com efeito executa lit]alm5te1 o que promete3 porque no-pr9cipio d-,canto ,,iii4 descreve a ,europa3 e desde a ,e/ancia #ba4 dese ,canto1 at o fim d-,canto ,,iv4 expoem z coizas da-,europa1 e ,africa at ,el-,rei ,d4 ,manoel4 ,no-fim d-,canto ,,iv4 entra com o descobrim5to da-,india2 e cont9ua no-,v4 at o ,x4 em que fala nos-,gov]nadores da-,india3 e de-pasagem toca na ,am]ica4 ,desorteque e/e ,poeta na propozisam1 inclue todas z p>tes da-fabula d-poema3 que um erro masi*o4 ,i/o v] ,v4,p4 nas-duas primeiras ,e/ancias4 ,i4 ,z armas1 e os v>o5s as9alados1 ,que da-,ocid5tal praia ,lusitana2 ,por-m>es nunca de antes navegados ,pasram a9da alem da-,taprobana3 ,que em p]igos e gu]ras es=sados1 ,mais doque pode a natureza umana2 ,entre g5te remota edificram ,novo ,re9o1 que tanto sublimram3 ,,ii4 ,e tambem z memorias gloriozas ,daqueles ,reis1 que =am dilat&o ,a ,f1 e o ,imp]io3 e z t]ras viciozas ,d',africa1 e d',azia &ram deva/&o3 ,e aqueles que por-obras valorozas ,se-vam da-lei da-,morte lib]t&o2 ,cant&o espalh>ei1 por-toda a p>te2 ,se a tanto me-ajud> o +5ho1 e arte4 ,tudo o que se-compre5de ne/as duas ,e/ancias1 propozisam3 e tudo i/o ele promete cant>4 ,mas a9daque na propozisam de um poema se-posam acrec5t>1 alem da-zm1 algumas coizas2 e/as devem fic> fra da-fabula1 e nam deve o ,poeta cantlas2 e som5te nos-epizodios d-dito poema1 que se-toca alguma delas4 v4 g4 ,o novo ,re9o que se-fund\ entre g5te remota c4 acrec5tam5to1 que rezulta da-zm2 e som5te se-canta por-epizodio4 ,o ,camo5s porem inclue tudo na propozisam1 e asim o-executa3 desorteque consid]&o os que inculca1 na segunda ,e/ancia2 bem se-ve que entram1 nam por-acrec5tam5to1 mas direitam5te4 ,contudo os ,reis de ,portugal1 de que trata no-,canto ,,iii41 e ,,iv41 nada tem que faz]1 com a pr9cipal zm1 e entram por-epizodio4 ,os que por-obras valorozas se-vam da-lei da-morte lib]t&o1 que sam todos os outros ,portuguezes ilu/res1 tanto antigos1 como mod]nos2 tambem e/am fra da-pr9cipal zm1 que a navegasam d-,gama4 ,com efeito o ,camo5s l os-introduz por-epizodio1 no-pr9cipio d-,canto ,,viii4 mas nam ob/ante iso1 na propozisam d-poema mete-os direitam5te1 com os outros4 ,os que =am gov]n> a ,india1 tambem entram por-epizodio1 no-pr9cipio d-,canto ,x4 mas sem rep>> niso1 ele os-propoem com os outros1 no-#e4 e #f4 v]so da-#b4 ,e/ancia4 ,asim na primeira ,oitava confunde1 os que =am com o ,gama conqui/> a ,india1 com os que ao despois =am gov]nla3 e de uns e outros diz1 que edificram novo ,re9o4 ,e/e defeito de toda a consid]asam1 ne/a mat]ia4 ,g>cez os-reconhece em ,camo5s3 mas qu]5do desculp> nele1 o t] propo/o muitos v>o5s1 com o exemplo de ,caio ,val]io ,flaco2 mo/r> que ignora1 o p\co conceito que os eruditos tem1 das-obras de ,flaco2 nas-quais a*am mil defeitos contra a arte2 e n5huma grasa1 ou beleza3 desorteque os seus erros1 nam podem s]vir de desculpa1 aos de ,camo5s4 ,err\ alem diso o ,camo5s1 em nam su/5t> sempre o c>at]1 e gr&eza d-seu eroe3 que abaixa s5sivelm5te no-,canto ,,viii4 d-meio p>a diante4 ,err\1 nas enfadonhas digreso5s que introduz1 por-toda a p>te4 ,err\1 em acab> quazi todos os ,cantos1 com esclamaso5s mui fra de propozito1 e muito contra o e/ilo da-,epopeia4 ,tambem err\ consid]avelm5te1 introduz9do no-seu poema1 z ,div9dades dos-,etnicos3 nam alegoriz&o a coizas santas1 como pu]ilm5te p]t5de o ,f>ia3 nam aos ,planetas p]sonalizados1 como b5ignam5te int]preta o ,g>cez2 o qual f+io uma nova con/elasam p>a ,baco1 que nam se-int5de o que 3 mas em s5tido proprio1 damesma sorte que falram os-idolatras ,romanos2 pois mete ,v5us1 e ,baco imprud5tem5te por-toda a p>te4 ,i/o tam cl>o no-seu poema1 que me-admiro muito1 que aja quem o-queira desculp>1 ne/a mat]ia4 ,se nam quiz]-mos diz]1 que se-s]vio de palavras sem significado2 que s]a outro erro4 ,mas deix&o muitos outros erros1 em mat]ia d-,epico1 que se-podiam apont>2 tem outros nam m5os c5suraveis1 em todo o g5]o de ,poezia4 ,muitos v]sos errados1 por-exceso de silabas3 outros por-falsidade das-rimas1 que nam sam consoantes c4 muitas palavras ,lat9as sem necesidade alguma2 vi/oque em ,portugal ba/antes igualm5te boas4 ,tem alem diso outros defeitos1 comuns ne/e ,re9o3 entre eles a prezunsam1 de diz] sempre s5t5sas3 o que nam nega o ,g>cez1 nega porem1 que ,camo5s seja oscuro2 e afirma1 que os seus v]sos sam canoros4 ,e eu confeso a ,v4 ,p4 que a*o e/es dois defeitos expresam5te no-,camo5s3 e que reconheso1 que um d\to ,francez1 que o-c5sura ni/o1 tem muita razam4 ,os v]sos de ,camo5s sam languidos1 e pola maior p>te sem grasa4 ,escreve comum5te muitas vogais seguidas3 e como os ,portuguezes co/umam na pronuncia1 com] z ditas vogais1 umas com outras2 neces>io1 p>a nam err> o v]so1 tom> frequ5tes respiraso5s1 e faz] muitas pauzas no-meio d-v]so3 o que faz p]d] a armonia4 ,a prova di/o l] o ,camo5s3 pois a cada paso se-incontram os exemplos3 que se eu quizese cit>1 s]a neces>io faz] um livro4 ,mas deix&o outros muitos1 obs]ve ,v4 ,p4 e/es1 no-pr9cipio d-primeiro ,canto4 ,o qu>to1 e qu9to ,afonso1 e o t]ceiro4 ,em vs os olhos tem o ,m\ro frio4 ,dai-me agora um som alto1 e sublimado4 ,e co/umai-vos ja a s] invocado4 ,com uma coroa e cetro rutilante4 ,gu]ra ,roma tanto se-afamram4 ,onde o dia comprido1 e onde breve4 ,da-antiga tam amada sua ,romana4 ,e outro polas onras que p]t5de4 ,deit&o p>atraz m$onho1 e irado4 ,e/rangeiros na t]ra1 lei1 e ,nasam4 ,a ,natura sem lei1 e sem rasam4 ,quem dis] que e/es v]sos1 e outros que podia apont>1 sam armoniozos1 e en*em bem a orelha2 neces>io que t5ha orelhas mui compridas4 ,sam p\cos os v]sos de ,camo5s1 que nam t5ham algum defeito de disonancia4 ,a oscuridade n+uem lha-pode neg>1 qu&o queira exam9>1 z suas compoziso5s4 ,nace em primeiro lug>1 de uz> de palavras ,lat9as aportuguezadas1 sem necesidade alguma3 e i/o nam uma ou outra vez1 o que se-podia p]do>1 e podia enriquec] a l+ua1 multiplic&o os s9onimos da-mesma palavra3 mas frequ5tisimam5te1 com afetasam manife/a4 ,nace em segundo lug>1 de introduzir palavras1 e frazes1 que nada significam2 o que mais frequ5te na ,luziada3 porque no-,lirico explica-se naturalm5te4 v4g4 ,e/as palavras3 som sublimado3 furia gr&e1 e sonoroza3 esp]> jugo1 e vitup]io3 t5ro ge/o3 ,m\ro frio3 suprema et]nidade3 e outras que se-a*am na-invocasam que faz1 a ,el-,rei ,d4 ,seba/iam2 sam palavras que nada significam1 e cauzam confuzam em quem le4 ,nace tambem1 de c]tas aluzo5s =sadas1 e trazidas de longe1 que frequ5tem5te uza4 ,a #f4;a e #g4;a ,e/ancia1 em que comesa o comprim5to ao dito ,rei1 tam oscura1 que nam se-pode int5d] sem com5t>io3 e o mesmo podia diz]1 de quazi toda a invocasam4 ,i/o a*a-se frequ5tem5te1 em todo o poema3 o que unido com a neglig5cia d-v]so1 faz1 como dise um omem d\to1 que cada ,e/ancia seja um mi/]io3 o que um consid]avel defeito1 em um poema ,epico3 cuja disam deve s]1 a9daque nobre1 natural1 cl>a1 inteligivel4 ,onde qu&o o ,g>cez qu] def5d]1 a cl>eza de ,camo5s2 mo/ra que nam e/ despido1 de toda a paixam3 e vem a cair no-mesmo defeito1 que ele cond5a no-,f>ia4 ,e/es defeitos sam mui consid]aveis1 ne/e ,poeta2 e mo/ram o p\co dic]nim5to que t9ha1 das-coizas3 e quem os-nam-di/+ue1 nam int5de que-coiza ,poezia4 ,contudo1 tir&o e/es defeitos1 nam deixa de s] um1 dos-melhores ,poetas ,portuguezes4 ,quanto ao poema de ,filis1 e ,dem(onte1 obra d-,*agas1 de que asima falei2 ele tal1 que eu nam sei como lhe-*ame4 ,pola figura1 p>ece ,epopeia3 mas exam9ado d5tro1 nam mais que uma i/oria de amor1 mui afetada4 ,reconheso1 que o autor o-deix\ imp]feito3 como se-ve d-,canto ,,viii4 que nam tem mais que #e4 ,e/ancias2 e d-,x4 que tem #ae4 mas o corpo da-obra mo/ra mui bem1 o que o ,poeta qu]ia4 ,o titulo e/e3 ,filis1 ou ,poema ,tragico de ,filis1 e ,dem(onte4 e ni/o se-descobre1 que o ,*agas nam sabia1 que coiza era poema ,epico1 nem como dele se-faziam os titulos4 ,a zm d-poema 1 a navegasam de ,dem(onte1 que se-retirava d-sitio de ,troia3 e o ,poeta p]de logo de vi/a e/e ponto1 e ocupa o poema com amores4 ,no-primeiro e segundo ,canto1 em que descreve a gu]ra de ,troia1 e o seu naufragio2 imita s]vilm5te ,virgilio1 quazi palavra por-palavra4 ,som5te o-nam-imita1 nas comp>aso5s3 pois sam tam frequ5tes e enfadonhas1 z que introduz2 que nam se-podem l] sem fa/io4 ,o ,,iii4 ,canto uma disputa escola/ica1 sobre o amor2 com mil conceitos improprios1 e de rapaz4 ,no-,,iv4 em uma casada aju/a-se o cazam5to3 e copeia fielm5te ,virgilio1 na cova onde se-retirram os amantes c4 ,o ,v4 ,canto consi/e na descrisam d-lago ,av]no1 caza de ,plutam1 e outras ar5gas mais2 em que entra um sacrificio1 que nam se-sabe o que qu] diz]3 e f9alm5te ,dem(onte mata ,ard5io4 ,z duas descriso5s d-,palacio de ,plutam1 e da-jornada que e/e fez2 sam z coizas mais ridiculas1 que eu a9da vi4 ,o ,canto ,,vi4 uma i/oria tragica1 dos-amores de uma pa/ora2 que nada tem que faz]1 com a zm d-poema4 ,mas a melhor i/oria e/ no-,canto ,,vii4 em que o ,poeta reprez5ta o seu eroe mui descansado1 polo espaso de dez mezes2 sem que posamos sab]1 o que fez nese tempo4 ,despois1 qu&o ele ja nam cuidava mais em ,at5as1 o-*ama seu pai4 cu/a-lhe a p]suadir a ,filis1 que o deixe p>tir3 mas f9alm5te p>te4 ,o ,,viii4 ,canto nam diz nada4 ,o ,,ix4 uma embrulhada t]rvel4 ,comesa com z saudades de ,filis3 e/a vai consult> a ,sibila ,delfica1 sobre os sucesos de ,dem(onte4 ,descreve a ,sibila e a sua caza mui mal4 ,poem na boca da-,sibila um epizodio1 da-,geografia de toda a t]ra2 em que mi/ura umas coizas1 com outras1 e comete alguns erros4 ,mo/ra-lhe a ,sibila o seu ,dem(onte1 ador&o a ,florisbe4 ,filis raivoza rompe o espelho magico2 e suc$e um espalhafato orr5do4 ,filis fica esa noite no-campo1 7nam se-fal&o mais no-que suc$eo ,delfia7 exclam&o contra z +ratido5s de ,dem(onte3 e mata-se com a sua propria mam4 ,e aqui descreve pu]ilm5te1 os efeitos da-sua morte4 ,no-,canto ,x4 torna ,dem(onte p>a ,tracia1 e sab5do a morte de ,filis1 que se-conv]tra em arvore1 qu] abrasla3 e suc$e milagre1 que no-mesmo in/ante produzio a dita1 folhas1 frutos1 e aromas3 os ramos tangram1 e balhram z flores4 ,e/a em duas palavras a s]ie1 e analize d-poema3 na qual v] ,v4 ,p4 que e/e ,poeta nem m5os sabia1 o que significava poema ,epico4 ,e/a sua compozisam1 nam tem unidade de zm3 porque toda a zm se-acaba em p\cos dias1 com o cazam5to3 a viagem ultima1 foi um div]tim5to4 ,nam tem fabula3 porque se-ve cl>am5te1 que uma i/oria1 sem enr$o1 nem solusam4 ,a descrisam da-,t]ra que faz a ,delfia1 nam tem p>5tesco algum1 com a zm4 i/o uma embrulhada1 que eu nam vi tal4 ,a trans=masam de ,filis em arvore1 e o milagre das-flores2 outra p>voice1 que ali nam t9ha lug>4 ,s falt\ ao ,poeta diz]1 que ,dem(onte se-en=cra na dita arvore3 e acabava a trag$ia4 ,tambem lhe-falta a unidade de tempo c4 ,quanto ao modo de diz]2 em quazi todas z p>tes se-s]ve de palavras1 que nada significam3 z frazes sam afetadas3 os conceitos sam pu]is3 e qu&o diz alguma coiza mais e/udada1 ve-se uma afetasam cond5avel em tudo4 ,ignora totalm5te o decoro1 e c>at] dos-sugeitos3 o que se-ve1 qu&o introduz no-,canto ,,iii4 um gu]reiro como ,dem(onte1 disput&o uma que/am amatoria2 como f>ia um academico1 a quem enc>regasem e/e asumto3 ou tambem qu&o deixa uma ,ra9ha como ,filis1 uma noite inteira1 no-meio de um bosque m$onho1 sem companhia2 o que mo/ra1 a suma inv]osimilidade3 alem de muitas coizas1 que podia not>4 ,onde torno a concluir1 que de poema ,epico1 o ,*agas nam sabia nada3 e que pode ,v4 ,p4 aconselh> ao noso 99 99 99 que nam t5ha dificuldade1 de empre/> o tal poema2 porque se o-p]d]1 p]de p\co4 ,outro ,portuguez *amado ,francisco ,botelho de ,morais1 e ,vasconcelos1 public\ dois poemas3 um intitulado ,el ,nuevo ,mundo3 cujo argum5to 1 o triumfo de ,osiris1 na corte de ,atlantide3 e e/e nam pude v]4 ,o que porem vi av] anos1 foi o outro poema intitulado1 ,el ,alfonso3 em que com ,,xii4 ,cantos descreve1 a primeira conqui/a de ,portugal1 por-,afonso ,i4 ,polo que agora me-lembro1 cuido que nam se-pode *am> ,epopeia3 mas uma simplez /oria da-dita gu]ra1 alt]ada com algumas fabulas3 desorteque nam tem artificio algum1 de ,epopeia4 ,e/e ,poeta quiz imit> em tudo1 ,lucano3 e nam o-pod5do imit> naquilo1 que tem melhor2 som5te o-imit\1 nas enfadonhas digreso5s1 e exclamaso5s1 que s vezes introduz3 s5do uma de/as tam gr&e1 que ocupa um inteiro ,canto4 ,tambem o-quiz imit> na afetasam1 de mo/r>-se ,a/ronomo1 e ,fizico3 pois nos-ultimos cantos1 faz sem necesidade vrios discursos escola/icos1 ne/a mat]ia3 a qual1 polo que mo/ra1 int5dia mui p\co4 ,z fabulas sam afetadas1 e com ba/antes inv]osimilidades3 entre e/as ponho a da-,deuza que v9ha polo ar1 acavalo em um gr&e leam c4 os v]sos sam duros3 e em todo o poema re9a1 uma oscuridade ins(rivel3 o que creio provm tambem1 de escrev] em ,espanhol4 ,nunca pude int5d]1 por-que razam um ,portuguez deixa a sua l+ua1 p>a escrev] na ,espanhola1 que pola maior p>te nam alcansa bem4 ,mas e/a afetasam mui vulg>1 em muitos de/es seus nacionais1 que qu]em p>ec] eruditos4 ,i/o o que agora me-ocorre1 sobre e/e ,poema3 o que digo1 porque nam sei se ,v4,p4 tem noticia dele1 por-s] impreso fra de ,portugal4 ,dos-outros ,poetas nam digo nada3 porque s5do uzuais1 d-que t5ho dito1 pode ,v4,p4 =m> conceito1 das-suas obras4 ,os ,romances1 a que os ,portuguezes *amam ,novelas1 sam v]dadeiras ,epopeias em proza2 e devem s] feitos damesma sorte4 ,contudo a*am-se p\cos1 que m]esam e/e titulo3 pois os ,portuguezes1 e ,espanhoes que se-a*am1 nada mais sam1 que i/orias de amor mui inv]osimeis4 ,o ,telemaco de ,monsieur de ,salignac uma ,epopeia das-mais bem feitas1 e escritas1 que tem ap>ecido4 ,d-poema ,dramatico direi p\ca coiza1 vi/oque os ,portuguezes1 nam se-aplicam a ele2 por-se-p]suadirem que o ,drama1 nam tem tanta grasa em ,portuguez1 como em ,espanhol4 ,mas e/e prejuizo comum1 nam tem sombra de v]osimilidade4 ,reconheso1 que toda a ,poezia soa melhor1 na l+ua ,italiana1 que n\tra alguma3 o que confesam os eruditos das-outras ,naso5s1 que *egram a posuir bem1 a l+ua ,italiana3 e a9da alguns ,francezes d\tos3 nam ob/anteque outros queiram1 que a ,franceza seja propria1 p>a a ,poezia4 7no-que1 com sua lic5sa1 int5do que dizem muito mal3 porque nam coiza mais insulsa1 que o v]so duodecasilabo1 de que uzam comum5te os ,francezes1 e o modo de rim> deles4 no-,lirico1 e algumas cantigas1 sam mais tol]aveis4 ,mas g]alm5te fal&o1 a l+ua ,franceza p\co propria1 p>a a ,poezia3 porque nam tem n]vo1 nem armonia7 ,mas o c]to que1 despois da-,italiana1 z duas melhores l+uas sam1 a ,portugueza1 e ,espanhola4 ,e eu acrec5to mais1 que a ,portugueza p>ece-me mais propria1 p>a alguns g5]os de ,poezia1 doque a ,espanhola3 porque sezuda e grave1 e nam tem aquele falso brilhante1 que muitos l\cam5te admiram1 na ,espanhola4 ,se tiramos z t]m9aso5s em a1 ou am2 e aons1 e o5s c4 nam sei que melhoria t5ha a ,espanhola1 sobre a ,portugueza2 p>a diz]em1 que aquela propria p>a o ,drama1 e e/a nam4 ,muito mais grave que a ,espanhola1 a ,lat9a2 e contudo n+uem lhe-nega1 o pod] s]vir no-,drama4 ,onde1 os que por-e/e pr9cipio deixam de compor ,dramas1 em ,portuguez2 vivem mui preocupados1 e nunca consid]ram bem a mat]ia4 ,mas a razam ultima 1 porque a e/es mod]nos nam agrada1 o modo de compor1 a ,com$ia antiga3 e s se deleitam1 com e/a mod]na3 7de que p>ece t] sido inv5tor1 ,lope de ,vega7 e como e/a compo/a de mil sutilezas1 e coizas semelhantes2 por-iso go/am das-,espanholas1 que abundam di/o4 ,mas como e/e e/ilo muito mao1 e se-deve pratic> outra coiza dif]5te2 daqui vem1 que devem reconhec]1 que a l+ua ,portugueza tam capaz p>a o ,drama1 como a ,espanhola4 ,o ,drama1 ou seja ,trag$ia1 ou ,com$ia1 nam mais que uma in/rusam1 que se-d ao ,povo1 em alguma mat]ia4 ,a ,trag$ia trata1 de algum cazo extraord9>io1 suc$ido a pesoa gr&e4 ,com i/o se-modra1 a gr&e ambisam dos-,om5s1 ens9&o-lhe a conhec]1 que z condiso5s de/a vida e/am sugeitas1 a todas z infelicidades4 ,alguns defeitos se-tem introduzido1 na-,trag$ia mod]na3 pois dev5do ela cont] som5te1 coizas eroicas2 introduzram muitos1 imit&o aos ,espanhoes1 eroes amantes4 ,e a9da os nosos ,italianos1 p>a agrad>em ao ,povo1 que tem secreta incl9asam1 p>a ouvir e/es enr$os amantes2 o-praticam3 a9daque os om5s intelig5tes desprezem e/e e/ilo1 que s proprio da-,com$ia4 ,nam crivel1 que arte p>ticul> se-requ] na ,trag$ia1 p>a s] boa4 ,nela se--de v]1 um enr$o bem ideiado3 um argum5to digno e nobre3 uma elevasam de p5sam5tos gr&e3 uma p>ticul> arte de excit> z paixo5s1 com p9turas exatas1 e discursos proprios das-pesoas que falam3 f9alm5te tudo -de s] animado1 gr&e1 s+ul>1 sem s] afetado3 ,o que na v]dade mui dificultozo3 e a9da muitos om5s gr&es1 em algumas de/as qualidades2 nam conseguram1 unilas todas4 ,a ,com$ia uma p9tura1 d-que suc$e na vida civil e dome/ica4 ,ela ens9a mil coizas aos ouv9tes1 mo/r&o de nam-qu]] ens9>1 mas som5te div]tir3 porem nese mesmo div]tim5to1 e/ o ens9o3 porque ela p9ta desorte1 os defeitos dos-,om5s2 que quem os-ve1 ou ouve1 nam pode m5os1 que env]gonh>-se deles1 e cond5los4 ,e/e o segr$o da-,com$ia1 sab] imit> bem a natureza2 porem em modo que o-vejamos1 sem adv]tir-mos o artificio4 ,convem pois com a ,trag$ia1 em tudo3 s div]sifica no-argum5to4 ,e asimcomo na ,trag$ia nam ba/a1 enr$> bem um suceso2 mas neces>io obs]v>1 a v]osimilidade2 desfaz] naturalm5te1 o n d-argum5to1 obs]v&o escrupulozam5te1 os c>at]es das-pesoas2 asim tambem a ,com$ia3 na qual deve re9> em tudo a naturalidade1 mas judiciozam5te dispo/a3 porque daqui rezulta1 aquela p>ticul> galant>ia e sal1 que os om5s de juizo a*am1 nas boas ,com$ias4 qu&o entra nelas afetasam1 acab\-se a grasa4 ,por-e/e pr9cipio digo a ,v4 ,p4 que nunca a*ei ,com$ia ,espanhola1 que se-pudese s(r]4 ,r>as vezes o ,espanhol imita a natureza3 re9a a afetasam1 e z sutilezas em tudo4 ,o mesmo bobo1 que dev]ia reprez5t>1 a figura de um l\co2 fala com tanta descrisam1 como o omem mais eloqu5te1 e judiciozo3 z molh]es todas sam d\toras3 todos dizem grasas1 e agudezas3 e asim nam se-obs]va1 a v]osimilidade dos-c>at]es4 ,qu]5do afet> tanta grasa1 sam os om5s mais insulsos1 que a9da vi4 ,porque a grasa deixa de o-s]1 todas z vezes que ap>ece o artificio1 e nam nace das-entranhas da-mat]ia4 ,a nosa ,com$ia ,italiana mais natural3 e a9daque alguns t5ham introduzido1 outro e/ilo florido1 os om5s mais d\tos o-tem desprezado4 ,a nosa l+ua propria p>a galant>ia1 e dosura da-,com$ia4 ,o +5ho d-,poeta prepra a mat]ia1 p>a faz] rir3 e a galant>ia da-expresam1 ajuda esa mesma mat]ia1 p>a agrad> mais3 o que se-a*a frequ5tem5te1 na nosa l+ua4 ,na v]dade dom da-natureza1 sab] inv5t> mat]ias agradaveis1 e expolas em modo que agradem3 mas alem de/e +5ho requ]-se juizo1 p>a sab] di/ribuir z galant>ias1 onde devem intr>4 ,p>ece facil1 o argum5to da-,com$ia3 contudo dificultoza a execusam3 e s5do tantos os que compoem1 sam p\cos os que o-fazem com felicidade4 ,a maior p>te daquelas ,com$ias1 que em ,cidades inteiras tem tido1 gr&es aplauzos2 exam9adas de p]to1 m]ecem compaixam4 ,os ,poetas ajuntram muitas ideias ridiculas1 com que pudesem div]tir os ignorantes1 e adul> z suas incl9aso5s3 e como e/es sam os mais1 daqui nace1 que se-dam aplauzos a coizas1 que os-nam-m]ecem4 ,o omem de juizo vai ,com$ia1 com outros olhos1 que nam o ignorante1 e rude4 ,e/e pra na sup]ficie d-que ouve3 aquele p5etra com a consid]asam1 a int5sam d-,poeta3 e qu&o nam a*a o que deve1 em vez de rir1 vem-lhe vontade de *or>4 ,alem d-que asima disemos1 a*a-se outro defeito1 no-mat]ial das-obras de teatro1 qu]o diz]1 na sua reprez5tasam3 vem as]1 qu]]em unir em tudo a reprez5tasam1 com o orig9al4 ,alguns1 p>a inspir>em orror1 reprez5tam nas ,trag$ias1 a morte de um omem1 e outras coizas improprias4 ,era melhor1 que o-matasem detraz dos-ba/idores1 p>a p\p> e/a descortezia aos ouv9tes3 ba/&o que expuzesem1 o corpo morto4 ,vi algumas vezes nas ,com$ias1 intr> om5s acavalo em v]dadeiros cavalos3 vi c>ros triunfais tirados por-quatro cavalos brancos2 com p]igo de d>em quatro coices1 e deit>em abaixo os ba/idores2 ou faz]em alguma porc>ia no-teatro3 vi arreb5t>em bombas1 e foguetes3 vi d> fogo a uma ,cidade1 e uma ,armada3 e muitas coizas semelhantes4 ,mas i/o uma impropri$ade1 indigna de om5s prud5tes4 ,a ,com$ia imitasam d-natural1 e todos sabem i/o3 e asim nam se-devem introduzir coizas1 que desm9tam o que ,com$ia4 ,muitas vezes ve-se vo> um omem1 na ,com$ia3 outras vezes um diabrete vivo dece d-teto1 prezo por-uma corda3 p>ecem-me os bonifrates d-,prezepio1 que tem um arame na cabesa4 ,tambem aquilo de introduzir um ,rei1 e ,ra9ha em uma cam]a1 rodiados de soldados armados2 ou aquilo de d> uma batalha sobre o teatro1 nada tem de v]osimel3 ,porque nem o ,rei1 qu&o e/ fal&o com a ,ra9ha1 tem z gu>das de corpus na mesma sala3 nem uma batalha se-pode d>1 em quatro palmos de t]ra4 ,um bom ,poeta d> melhor ideia de uma ,armada1 ou batalha1 com uma famoza descrisam2 e pod] com ela inspir>1 s5tim5tos mais gr&es1 e nobres2 doque com aqueles acid5tes ext]iores1 e improprios daquele lug>4 ,mas o ,povo vai ,com$ia1 p>a a-v]1 e nam p>a ouvir3 e s fica satisfeito1 com e/as coizas4 ,nam asim os om5s que podem julg>1 d-m]ecim5to das-obras3 e/es nam podem deix>1 de cond5> i/o2 e sug]ir ao ,poeta1 que disponha melhor z suas figuras4 ,i/o o que agora me-ocorre4 ,acrec5to som5te1 que z ,com$ias de ,camo5s nam me-agradam2 a9daque uma delas p>ece mais s(rivel4 ,outras que vi mod]nas em ,portuguez1 t9ham mais artificio3 e na v]dade eram m5os ms4 ,t5do pois apontado a ,v4 ,p4 os defeitos mais comuns dos-seus ,poetas2 segue-se exam9>1 se e/as reflexo5s podem s] utis1 e como o-podem s] aos rapazes4 ,e quanto utilidade1 sem duvida1 que a noticia das-regras neces>ia1 p>a int5d] os autores3 e a dos-v]sos1 p>a int5d] a dif]5te armonia das-suas obras3 especialm5te na l+ua ,lat9a1 porque a beleza dos-v]sos consi/e1 na sua cad5cia4 ,alem diso1 a leitura dos-bons ,poetas1 eleva o int5dim5to p>a p]ceb]1 e ajuiz> nobrem5te2 e ajuda muito a ,eloqu5cia3 e como nam se-posam int5d] os ,poetas1 sem sab] z regras2 neces>io t]1 alguma noticia delas4 ,quanto ao modo1 ja dise em outra c>ta a ,v4 ,p4 que l\cura obrig> os rapazes1 a faz]em v]sos3 e mi/ur> os v]sos1 com z outras compoziso5s2 como se fose coiza neces>ia1 p>a int5d] o ,latim3 os que fazem i/o1 nam int5dem a mat]ia3 p>ece-me que o modo mais natural e/e4 ,a ,poezia deve-se ens9>1 em uma escola sep>ada1 em que nam se-trate outra coiza4 ,exam9&o primeiro o rapaz1 se t9ha ou nam g5io p>a a ,poezia2 lhe-progunt>ia expresam5te1 se a-qu]ia seguir3 e qu&o ele me-disse1 que sim2 e eu com a exp]i5cia vise1 que t9ha prop5sam p>a iso2 lhe-d>ia uma arte ,poetica ,portugueza1 feita por-e/e modo4 ,na primeira p>te devem-se cont]1 z regras g]ais da-,poezia1 e a div]sa noticia de poemas3 vi/oque z regras sam z mesmas1 em todas z l+uas3 e i/o i/oricam5te1 porem ornado com algum exemplo4 ,na segunda p>te1 deve-se primeiro trat>1 das-dif]5tes compoziso5s ,portuguezas1 e algumas p>ticul>es d-,re9o3 e aqui explic>1 como se-frma a ,decima1 ,soneto c4 apont&o um exemplo1 em cada coiza3 not&o especialm5te1 a cad5cia dos-v]sos1 e e/ilo da-fraze poetica4 ,i/o nam p>ece coiza de mom5to1 aos que nam sam da-pr(isam3 mas de inf9ito preso1 aos que entram em semelhante e/udo1 e o-pr(undam4 ,a*am-se mil ,poetas1 que tem veia2 mas porque lhe-falta a d\tr9a1 pecam contra z leis da-arte1 e nam brilham4 ,ne/e tempo deve-se propor-lhe uma ,decima1 ou ,soneto escrito c4 que ele nunca vise2 e obriglo a que em escrito1 fasa a analize da-dita obra1 se boa1 ou m2 que defeitos1 ou belezas enc]ra4 ,e/e e/ilo de m&> pr a lisam por-escrito1 s]ve inf9itam5te1 p>a a intelig5cia das-coizas que e/udam2 e p>a a memoria3 e repetido v>ias vezes1 qu&o ja tem noticia das-regras1 p\pa inf9itas explicaso5s1 e faz-se com toda a felicidade3 e tem o rapaz tempo de consid]>1 e em5d>4 ,de/a primeira p>te1 deve pas> segunda1 tambem em ,portuguez2 em que se-trate1 das-p>ticul>es compoziso5s ,lat9as1 e sua v]sificasam4 ,aqui deve-se repetir o mesmo1 que disemos da-l+ua ,portugueza4 ,not> especialm5te1 z dif]5tes frmas de v]sos1 de que se-=mam z dif]5tes compoziso5s ,lat9as1 como a ,elegia1 ,epigrama1 ,ode1 ,idilio c4 ,despois a cad5cia d-v]so1 tanto a simplez1 que comua a todo o poema1 como z p>ticul>es3 z susp5so5s1 elizo5s c4 e z que sam proprias1 de v>ias paixo5s d-animo4 ,despois o e/ilo e fraze poetica2 que aquele p>ticul> idiotismo1 de que se-s]vem os ,poetas3 que se-compoem de expreso5s elevadas1 com que se-v>eia muito o discurso2 expondo z coizas gr&es1 com muita nobreza2 e z pequ5as1 com muita galant>ia4 ,f9alm5te aqueles epitetos proprios1 tam belos no-v]so1 como afetados na proza3 e mil outras coizas1 que sam p>ticul>es d-e/ilo poetico1 e que con/ituem a sua beleza4 ,e/as coizas a um rapaz1 que l um poema1 som5te p>a int5d] a ,lat9idade2 nam sam neces>ias3 mas a um que qu] compor1 sam sumam5te importantes3 e sem elas f> v]sos1 mas nam-s] ,poeta4 ,a ,compozisam s]a a ultima coiza1 que eu m&se faz] aos rapazes3 porque p$e uma memoria1 *eia de muitas especies3 o que nam pode t] um rapaz4 ,deve-se comes>1 polas compoziso5s ,portuguezas3 d&o asumtos facis1 e nam m&&o compor1 s5am obras breves2 p>a t]em ocaziam1 de z-em5d>4 ,e ne/a ocaziam pode o me/re explic>-lhe melhor1 quais sam z expreso5s proprias1 p>a expremir o que qu]3 e d>-lhe por-e/e meio1 uma boa noticia da-sua l+ua4 ,com o tempo1 e obs]v&o a capacidade d-e/udante1 pode ir aum5t&o1 o num]o das-compoziso5s3 s5do sempre melhor1 m&> compor uma obra boa1 a um c]to asumto1 doque muitas ms1 a dif]5tes4 ,feito i/o1 nam crivel1 quanto se-facilita a compozisam no-,latim4 ,s] pois e/a a ultima p>te da-compozisam3 t5do a mesma adv]t5cia1 de comes> por-,di/icos1 ,epigramas c4 asumtos brevisimos3 pois nam enfa/iam os rapazes2 antes com eles se-dezemb>asam muito1 p>a z outras obras4 ,e aqui1 qu&o o me/re lhe-ens9a1 a compozisam ,lat9a2 lhe-deve ens9> tambem1 o modo de pronunci> o ,latim4 ,c]to 1 que a ,l+ua ,lat9a1 despois da-,grega1 exc$eo muito z mod]nas todas1 na armonia das-suas expreso5s3 a qual coiza como ns nam sabemos1 por-iso nam a*amos nela a beleza1 que a*avam os ,antigos4 ,contudo devemos procur> de imit>1 a boa pronuncia3 o que pr9cipalm5te neces>io1 no-v]so4 ,quanto aos exemplos1 devem eles s] p\cos1 e bons3 e deve o me/re fugir de ,regia ,p>nasi1 e outros livros de/es1 que e/ragam o bom go/o da-,eloqu5cia1 e ,poezia3 porque na leitura dos-melhores autores1 apr5de-se melhor4 ,asimque1 nam a*&o i/o feito1 pode o me/re nos-mesmos autores mo/r> os lug>es1 que sam neces>ios3 e encom5d> muito aos rapazes1 que os-leiam1 e decorem3 pois s asim se-faz algum progreso1 na ,poezia4 ,de/a sorte pode s]1 que ouvesem mais ,poetas bons1 doque nam 2 entre tantos mil v]sejadores1 que ,v4,p4 e/ ouv9do todos os dias4 ,a ,poezia nam coiza neces>ia1 na ,republica3 faculdade arbitr>ia1 e de div]tim5to4 ,e asim nam av5do necesidade de faz] v]sos1 ou fazlos bem1 ou nam fazlos3 por-nam se-expor s rizadas1 dos-intelig5tes4 ,se eu vise que o e/udante1 nam t9ha incl9asam compozisam1 explic>ia brevem5te1 z leis poeticas2 que uma erudisam sep>ada da-compozisam1 e que todos podem apr5d]2 ao m5os p>a int5d]em z obras3 e o-deix>ia empreg>1 no-que lhe-p>ecse4 ,de/a sorte1 livres os e/udantes daquele cativeiro1 podiam empreg>-se em coizas utis1 e d> outro lu/re ,republica4 ,sei1 que nem todos os me/res sam capazes1 de escrev]em semelhante arte3 mas se alguem a-fizese1 e se-imprimise2 podia ajud> muito a todos4 ,c]to amigo meu1 omem mui d\to1 me-dise um dia de/es1 que um seu conhecido1 avia p\co tempo t9ha acabado um manuscrito1 polo e/ilo que dizemos4 ,eu a9da o-nam-vi3 mas =mo tal conceito de quem mo-dise1 que julgo nam s] mao3 se o-pud] conseguir1 nam deix>ei de aviz> a ,v4 ,p4 ,f9alm5te com i/o acabo e/a c>ta1 que ja me-p>ece longa3 a9daque se olho p>a o que devia diz]1 curta4 ,t5ho dito nela a ,v4,p4 o que me-ocorreo sobre uma mat]ia1 que av] ba/antes anos que deixei3 e consegu5tem5te nam sei se t]ei satisfeito1 a sua expetasam1 sobre a ,poezia ,portugueza3 da-qual1 como ja prote/ei1 t5ho p\ca noticia4 ,mas ,v4,p4 que me-obriga a fal>1 em todas z mat]ias2 deve e/> prep>ado1 p>a ouvir coizas boas1 m$iocres1 e algumas mal ditas4 ,e asim agradesa-me som5te a boa vontade1 e promtidam com que ob$eso1 ao que me-m&a4 ,deus ,gu>de c4 ,illu/rao ,illu/rao ,,c>ta ,,oitava4 ,,sum>io4 ,trata-se da-,filoz(ia4 ,mao metodo com que se-ens9a1 em ,portugal4 ,adv]t5cia das-outras ,naso5s1 em procur> a ,ci5cia4 ,necesidade da-i/oria ,filoz(ica1 p>a se-livr> de prejuizos4 ,ideia da-s]ie ,filoz(ica4 ,danos1 e impropri$ades da-,logica vulg>4 ,da-se uma ideia1 da-boa ,logica4 ,meu amigo e s5hor1 ,dir ,v4 ,p4 que eu s\ mui preguisozo em respond]1 e cons]v> a conrespond5cia1 com os amigos3 mas se-s\bse como eu t5ho e/ado1 reconhec]ia1 que nam falto1 s5am com ju/ificada cauza4 ,eu s\ filho da-ob$i5cia2 e e/a me-ocup\ ba/antes dias3 a i/o se-seguio1 a m9ha co/umada indispozisam da-cabesa1 que me-imp$io l] coiza alguma4 ,tambem me-lembr\1 que t9ha remetido a ,v4 ,p4 um proporcionado livro1 com o titulo de c>ta2 e que nam lhe-faltava que l]4 ,agora livre de algum modo1 de um e outro imp$im5to2 pego na p5a p>a cont9u>1 o noso com]cio lit]>io4 ,nas duas ultimas me-p$e ,v4 ,p4 com in/ancia1 que me-dilate bem sobre a ,logica1 e que nam me-p\pe1 a n5huma outra p>te da-,filoz(ia4 ,eu nam sei1 se pod]ei dignam5te satisfaz]1 a curiozidade que ,v4 ,p4 mo/ra1 ne/as mat]ias3 porque f9alm5te muito que diz] nelas2 e muitas coizas1 que nam am-de agrad>3 mas f9alm5te direi4 ,lembro-me1 que na nosa ultima conv]sasam me-dise ,v4 ,p4 que z escolas de ,filoz(ia de/e ,re9o1 necesitavam a9da maior re=ma1 que z outras3 porque o mao metodo das-escolas baixas1 alguma coiza se-pode em5d> com o tempo3 porem uma vez que o e/udante comes\ a prov>1 o ergo1 e atqui1 e a br9c> com eles1 e excogit> s(ismas1 e metafizicas oscuras2 de tal sorte se-ocupa1 com aquele negocio1 que nam posivel por-lhe rem$io3 de que nace1 a confuzam na ,m$ic9a1 ,teologia1 e mais ,ci5cias4 ,como ,v4,p4 reconhece de antemam e/a v]dade1 me-animo a diz]-lhe s9c]am5te1 o meu p>ec]4 ,eu v]dadeiram5te nam sei1 se z escolas de ,filoz(ia de/e ,re9o1 tem pior metodo1 que z escolas baixas3 sobre iso avia muito que diz]3 o que sei porem 1 que ne/es pazes nam se-sabe1 de que cor seja i/o1 a que *amam boa ,filoz(ia4 ,e/e vocabulo1 ou por-ele int5damos ci5cia1 ou com rigor gramatico1 amor da-ci5cia2 vocabulo bem ,grego ne/es paizes4 ,v] ,v4 ,p4 que se-d e/e nome1 a coizas bem galantes3 ,univ]sais1 ,s9ais1 ,proemiais1 e outras coizas de/as4 ,os pobres rapazes pasam os seus trez e quatro anos1 l5do ar5gas mui compridas3 e saiem dali1 sem sab]em o que lram1 nem o com que se div]tram4 ,falo d-e/ilo das-,univ]sidades3 porque o das-outras escolas o mesmo1 quanto mat]ia2 e a9da p\co dif]5te1 quanto dispozisam4 ,no-primeiro ano se-pasa com dois tratados1 a que *amam ,univ]siais1 e ,s9ais2 cadaum dos-quais t] qu&o p\co1 os seus #bj4 cad]nos1 de duas folhas3 e ja vi me/re1 que dit\ #dj4 cad]nos1 som5te de ,univ]sais4 ,no-segundo ano acabam-se os ,s9ais3 e p>te d-ano fala-se muito1 em ,mat]ia ,primeira1 e ,cauzas2 ao que *amam ,fizica4 ,no-t]ceiro ano e/udam-se ,inteleso5s1 ,noticias1 ,topicos1 e algumas que/o5s de ,metafizica1 digo d-,ente em comum3 e com e/as quatro1 e z duas d-primeiro ano1 se-faz o ,ba*>el4 ,no-qu>to explica-se um tratado1 a que *amam ,g]asam e ,corrusam3 e av5do tempo1 outro a que *amam de ,anima 9 communi4 ,despois fazem concluzo5s1 nas ditas mat]ias1 ou semelhantes3 que um ato em que muitas vezes suc$e1 que o def5d5te nam tem1 argum5to algum4 ,segue-se o ,lic5ciado1 que um exame sobre z #f4 mat]ias d-,ba*>el1 com mais outras que apontamos3 e temos o omem graduado1 ,filoz(o4 ,se i/o pode s] bom metodo2 se tais mat]ias podem =m>1 um bom ,filoz(o2 eu o-deixo consid]>1 aos pios leitores4 ,progunte-lhe ,v4 ,p4 aqueles ,univ]sais1 e ,s9ais1 de que coiza s]vem1 qu&o se acaba a ,filoz(ia4 ,diga-lhe que lhe-apontem1 em que p>te da-,teologia sam neces>ios3 que dogma se-explica com tal d\tr9a3 fasa-lhe outras proguntas de/as1 e v] que limpam5te lhe-confesam1 que tudo aquilo morre com a escola4 ,se repetir a progunta em outras mat]ias1 concluir o mesmo4 ,e eisaqui tem ,v4,p4 o que significa ,filoz(ia1 ne/es pazes4 ,mas i/o s]a nada3 o melhor da-fe/a e/1 na satisfasam com que ficam1 de t]em e/udado tudo aquilo4 ,se alguem lhe-contradiz um ponto2 se alguem qu] tom> o trabalho de lhe-mo/r>1 que nada daquilo vale um figo2 ou que ,ari/oteles nam fal\ naquele s5tido2 ou que a ,filoz(ia se-deve trat> de outra maneira2 e que asim a-tratam naqueles pazes1 que dam leis ao mundo1 em mat]ia de erudisam2 e a9da em ,roma1 nas b>bas d-,papa c4 acab\-se tudo1 e vem o mundo abaixo com grit>ias4 ,a tal propozisam uma erezia1 contr>ia diametralm5te ,escritura1 e s def9iso5s dos-,concilios1 e ,padres2 e ao co/ume da-,igreja ,catolica2 que canoniz\ z obras de ,ari/oteles1 e tambem a d\tr9a dos-,arabes4 ,galilei1 ,desc>tes1 ,gaz5do1 ,newton1 e outros de/es que a-nam-seguram1 *eiram a ,atei/as2 ou polo m5os e/am um palmo di/antes1 d-erro4 ,e/as ,filoz(ias s re9am1 em pazes de ,erejes4 ,os e/rangeiros que def5dem i/o1 sam quatro bebados1 que impugnam o que nam int5dem1 e nam int5dem o que pr(]em4 ,i/o1 e outras coizas semelhantes1 t5ho eu ouvido algumas vezes4 ,proguntava eu em c]ta ocaziam a um me/re1 que me-p>ecia bom omem2 e cujo defeito cuido que era1 nam malicia1 mas ignorancia3 ,tem ,v4,p4 lido nos-orig9ais1 a d\tr9a de ,desc>tes1 ,galilei1 ,gaz5do1 ,newton tem exam9ado fundam5talm5te1 os que explicram melhor1 a d\tr9a d-primeiro2 como o ,p4 ,malebran*e1 o ,baile1 o ,regis1 o ,le ,gr&3 ou os que expuz]am a de ,gaz5do1 como o ,sagu5s1 ,maignan c48 diz1 ,nam s5hor4 ,obs]v\1 cont9uei1 polo m5os z objeso5s1 que o ,p4 ,g5>i ,dom9icano propoz ao ,sagu5s1 e ,monsieur ,arnaldo ao ,p4 de ,malebran*e em outro s5tido2 com z respo/as de/es ultimos8 diz1 ,nem m5os4 ,muito bem3 pois diga-me1 int5de ,v4,p4 na sua conci5cia1 que pode s] juiz ne/a mat]ia1 sem t] exam9ado1 z razo5s de ambas z p>tes3 e muito mais =m> uma c5sura tam rigoroza1 como cond5> a religiam1 dos-que seguem e/a ,filoz(ia8 ,respondeo o omem3 ,na v]dade eu nam s\ in=mado1 da-mat]ia3 mas t5ho ouvido diz] muito mal dela1 a outros me/res1 de quem eu =mo conceito4 ,m>avilhozam5te3 mas diga-me1 cont9uava eu1 tem ,v4,p4 c]teza1 que eses tais exam9asem o que digo2 ou1 a9daque o-exam9asem1 que julgasem sem paixam1 e fosem capazes de decidir o ponto3 porque sem i/o deve-me conc$]1 que nada provam8 ,diz1 ,eles alegavam c]tas palavras1 de que eu inf]i1 que os-t9ham vi/o4 ,mas1 proseguia o dialogo1 pod] ,v4 ,p4 mo/r>-me1 que dogma se-de/rue1 com e/a nova d\tr9a8 ,os acid5tes ,euc>i/icos1 e todo o si/ema da-,grasa4 ,muito bem3 vi/oiso temos1 que z frmas acid5tais no-s5tido de ,ari/oteles1 sam de f8 diz1 sem duvida4 ,vi/oiso1 ou na ,escritura1 ou por-tradisam nam int]rompida1 digo1 polo cons5so de todos os ,padres1 def9iso5s de ,concilios1 ou ,igreja ,romana1 e/> det]m9ado i/o3 porque eu nam reconheso outros pr9cipios1 p>a fund> propozisam de f4 ,mas atrev]se ,v4 ,p4 a mo/r>-me1 esa decl>asam8 ,decl>o1 que eu tambem s\ catolico ,romano1 e creio que na ,euc>i/ia e/ ,cri/o1 debaixo dos-acid5tes de pam1 e v9ho3 o que digo 1 que os tais acid5tes nam sam frmas1 no-s5tido p]ipatetico3 e di/o que peso1 esa decl>asam de f4 ,concluio ele diz5do3 ,iso nam poso eu faz]1 porque nam t5ho vi/o a mat]ia4 ,bem1 respondi eu1 pois pesa ,v4 ,p4 a um dos-seus amigos1 que lhe-descubra e/a revelasam1 ou decreto2 e entam fal>emos sobre o p>ticul>3 porque agora tem pozitivo imp$im5to4 ,e/e dialogo podia-se repetir1 com mais alguns acrecimos2 e execut>-se com algumas pesoas1 que ouso fal> ne/as mat]ias1 com tanta satisfasam2 como se s\besem o que dizem1 e int5desem a mat]ia1 de que falam4 ,eu tive alguns ratos de div]tim5to1 conv]s&o com alguns de/es me/res4 ,eles confundem1 todos os autores mod]nos2 e sem mais exame os-acuzam1 dos-mesmos erros3 e com e/ranha dialetica os-cond5am1 de ignorancia4 ,como se um omem d\tisimo1 nam pudese uma vez1 diz] um despropozito6 ,os que tem erudisam exquizita1 sabem que no-mundo ouve um ,desc>tes3 e algum deles1 mais r>o que mosca branca1 leo alguma coiza1 dos-,pr9cipios1 ou ,m$itaso5s ,metafizicas4 ,e aqui ela3 sobe cadeira1 e vomita mais decizo5s1 contra o pobre ,desc>tes2 doque ele nam dise palavras3 ,e sem exam9>1 se ele seguido em tudo1 int5de que tudo o que ,desc>tes dise1 foi1 e recebido1 com a mesma v5]asam2 e sam todos obrigados1 a seguilo4 ,em c]ta jornada que eu fiz1 incontrei em uma e/alagem um ,religiozo 99 99 que tiv]a a felicidade1 de l] ,desc>tes3 o qual1 conhec5do que eu era ,e/rangeiro1 intr\ logo na mat]ia3 e todo o tempo que dur\ ceia1 empreg\ ele em prov>1 que1 segundo os pr9cipios d-tal ,filoz(o1 a ,euc>i/ia e/ava som5te1 nos nosos olhos4 ,veja ,v4 ,p4 como e/e int5dia bem1 a d\tr9a dos-,c>tezianos6 ,mas eu que v9ha cansado d-cam9ho1 e com fome2 p>a abrevi> a disputa conc$i tudo1 e meti-me na cama4 ,nam a*o melhor modo de respond]1 a e/a sorte de g5te4 ,eu c]tam5te nam s\ ,c>teziano1 porque me-p]suado1 que o tal si/ema em muitas coizas1 mais +5hozo1 que v]dadeiro3 mas confeso a ,v4 ,p4 que nam poso fal> no-tal ,filoz(o1 sem gr&isima v5]asam4 ,e/e gr&e omem1 na ,matematica foi insigne1 e inv5t\ algumas coizas1 at ali ignoradas2 e promoveo outras com felicidade4 ,em mat]ia de ,filoz(ia1 a*o que foi inv5tor1 de um si/ema novo4 ,i/o nam p>ece nada1 aos ignorantes3 mas aos om5s que int5dem1 qual a dificuldade de inv5t>1 e inv5t> com tanta propri$ade2 que a9da despois de descub]tas z ma*9as1 gr&e p>te das-exp]i5cias e/eja da-sua p>te2 s9al de um +5ho elevadisimo1 e de gr&e crit]io4 ,alem diso ele foi o primeiro1 que abrio a porta1 re=ma dos-e/udos3 pois a9daque ,bacon de ,v]ulamio1 e ,galileo ,galilei1 tivesem indicado o metodo1 de faz] progresos na ,fizica2 e alguns outros os-fosem imit&o2 c]to porem1 que ,desc>tes foi o primeiro1 que fez um si/ema1 ou inv5t\ ipoteze2 p>a explic> todos os f5om5os naturais3 e por-e/e pr9cipio1 abrio a porta aos outros1 p>a a re=ma das-,ci5cias4 ,e a9daque em tudo nam ac]tse2 tambem c]to1 que se ele nam fose o primeiro1 os outros nam t]iam cuidado1 de em5d> os seus erros1 e de adiant> os e/udos1 como e/am oje4 ,onde com todos e/es pr9cipios1 nam poso s(r]1 que om5s totalm5te ignorantes da-mat]ia2 e que nam sabem de ,desc>tes mais1 que o nome2 e a9daque o-leiam1 nam tem olhos p>a o-int5d]3 a9da asim tam indignam5te o-tratem2 e injuriem um omem1 de quem eles nam s]iam capazes1 de s]em amanu5ses4 ,se e/es c5sores tivesem lido1 a i/oria das-,ci5cias1 e d-re/ablecim5to delas1 desde o ,concilio de ,tr5to a e/a p>te2 =m>iam div]so conceito de/as coizas3 e nam vomit>iam tantos improp]ios1 contra os mod]nos ,filoz(os3 como eu vejo todos os dias1 em v>ios autores1 que pod5do mo/r>1 o seu m]ecim5to2 o-p]dem todo1 qu&o entram a fal> ne/as mat]ias1 com tanta seguransa1 como os que z-tem bem e/udado4 ,dizem mil falsidades1 que nunca suc$ram3 f+em def9iso5s1 que nunca se-sonhram3 confundem a d\tr9a revelada1 com z op9io5s da-,escola3 e qu]em que os ,,ss4 ,,pp4 aprovasem pr(eticam5te1 a ,escola/ica2 que se-inv5t\ alguns seculos1 despois d'eles mortos4 ,e/a a celebre cantil5a de/es me/res1 pr9cipalm5te de/e ,re9o3 ,a qual provm1 da-gr&e ignorancia em que se-vive1 da-,i/oria antiga1 e mod]na1 e dos-e/ilos dos-outros pazes3 d-p\co conhecim5to que tem1 de livros3 e f9alm5te de qu]]em s] me/res1 em uma mat]ia1 em que a9da nam =am dicipulos4 ,sei1 que a maior p>te dos-,om5s1 vive mui satisfeita1 dos-e/ilos1 e s+ul>idades d-seu paz3 mas nam sei1 se quem requ9te e/e prejuizo com tanto exceso1 como os ,espanhoes1 e ,portuguezes4 ,obs]vo1 que os ,francezes1 ,+lezes1 ,ol&ezes1 que nam sam dos-que tem pior op9iam1 e com razam1 de si2 aproveitam-se com todo o cuidado1 dos-excesos que lhe-levam1 z outras ,naso5s4 ,os ,francezes1 m&am muita g5te a ,roma1 p>a se-ap]feiso>em na ,ar*itetura1 ,escultura1 ,p9tura2 e em tudo o que p]t5ce1 s antiguidades ,romanas4 ,sabem que e/as artes1 se-cons]vram sempre em ,roma1 com di/9sam3 reconhecem1 que os ,romanos posuem o melhor1 que ne/e g5]o nos-deix\ a ,antiguidade2 e pode fugir b>b>idade1 dos-inc5dios de ,roma3 e asim m&am l os om5s mosos e intelig5tes1 p>a beb]em o bom go/o1 da-,antiguidade4 ,muitos ,s5hores ,+lezes1 ,ol&ezes1 ,francezes1 ,alema5s1 que correm o mundo1 p>a =m>em os co/umes2 demoram-se tempo ba/ante em ,roma1 e nas pr9cipais ,cidades de ,italia2 p>a obs]v>em escrupulozam5te1 todas z antiguidades ,romanas3 e v]em com os seus olhos aquilo1 de que e/am *eios os livros4 ,eu acompanhei alguns deles1 que faziam e/as obs]vaso5s2 e os-a*ei sumam5te in/ruidos1 nas antiguidades ,gregas1 e ,romanas3 e com dezejo exorbitante1 de v]em com os seus olhos1 e apr5d]em o que nam sabiam3 e faziam gloria de e/ud>1 o que ignoravam4 ,polo contr>io vejo1 que os nosos ,italianos se-aproveitam bem1 das-belas ediso5s de livros1 e outra erudisam exquizita1 que se-a*a nos-livros1 de/as naso5s ,ultramontanas3 e que a9da em mat]ias de ,ci5cias1 se-reglam polo metodo1 das-,univ]sidades de ,sorbona c4 das-,academias ,regias de ,londres1 ,p>iz1 ,s4 ,pietroburgo1 c4 por-conhec]em1 que ali se-ex]citam melhor2 e dali saiem z melhores obras4 ,i/o v]dadeiram5te conhec]1 o m]ecim5to de cada coiza4 ,mas obs]vo tambem1 que e/e metodo ignorado nas ,espanhas1 e mui pr9cipalm5te em ,portugal3 onde vejo desprez>1 todos os e/udos ,e/rangeiros1 e com tal emp5ho2 como se fosem maos co/umes1 ou coizas muito nocivas4 ,lembro-me a e/e int5to1 da-i/oria d-,espanhol de ,am/]dam4 ,nela viviam em uma e/alagem1 um ,espanhol1 e um ,cavalheiro ,flor5t9o4 ,retir&o-se e/e um dia a caza1 progunt\ ao ,espanhol1 que lhe-p>ecia ,am/]dam3 a belisima dispozisam da-,cidade no-mat]ial1 e =mal3 a lib]dade d-trato1 contida d5tro dos-limites d-ju/o3 emfim ia-lhe repet9do uma por-uma1 todas z s+ul>idades de ,am/]dam2 e sobre cada uma lhe-proguntava1 o que lhe-p>ecia4 ,mas o ,espanhol1 aban&o a cabesa1 nam respondia palavra4 ,at que o ,flor5t9o enfadado lhe-dise3 ,valha-me ,deus1 s vos a-de s] s+ul> ne/e mundo1 nos-seus go/os2 e s a um ,espanhol nam -de agrad>1 uma ,cidade como ,am/]dam1 em que todos tem tanto que admir>8 ,a i/o respondeo o ,espanhol mui laconico3 ,vaya1 p>a p9tada4 ,e/a mesma respo/a1 com p\ca dif]5sa1 me-tem dado alguns1 em outras mat]ias4 ,qu&o se-vem obrigados com exemplos a reconhec]1 que os ,e/rangeiros lhe-levam1 consid]avel exceso2 respondem r9do1 que asim 3 mas que som5te 1 em coizas inutilisimas4 ,i/o supo/o a*o1 que o melhor modo de dez+an> e/a g5te1 e mo/r>-lhe os seus prejuizos2 1 por-lhe diante dos-olhos1 uma breve i/oria1 da-mat]ia que tratam3 e p]suado-me1 que e/e o mais neces>io prolegom5o1 em todas z ,ci5cias4 ,creia ,v4 ,p4 que com e/a noticia1 p\pa-se muito trabalho1 e muito e/udo3 adianta-se um omem muito1 na intelig5cia da-mat]ia3 e s asim fica capaz1 de ouvir o que deve1 e dez+an>-se por-simesmo4 ,asimque int5do1 que por-e/a i/oria se-deve comes>4 ,nam digo1 que o e/udante deva sab]1 z op9io5s de todas z setas de ,filoz(ia2 mas ao m5os qu&o comesram3 quais =am z mais famozas3 em que coiza comum5te se-di/+uiam3 e como se-cont9uram4 ,a ,filoz(ia o conhecim5to das-coizas1 que ne/e mundo2 e das-nosas mesmas aso5s1 e modo de z-regul>1 p>a conseguir o seu fim4 ,em todos os ,povos d-mundo1 e em todos os tempos a*amos om5s1 que mais ou m5os se-aplicram1 a e/as coizas4 ,mas o noso e/udante nam neces>io1 que suba tam alto3 ba/a que conhesa1 os ,filoz(os da-,grecia4 ,toda a ,filoz(ia ,grega se-dividio ao pr9cipio1 em duas setas2 de que nacram4 todas z outras3 e/as duas sam a ,jonica1 e ,italica4 ,a ,jonica fund\ ,?ales ,milesio1 um dos-sete ,sabios da-,grecia2 o qual1 como diz ,diog5es ,la]cio1 naceo #fdj4 anos antes de ,cri/o4 ,foi gr&e ,a/ronomo1 ,geometra1 ,filoz(o1 e escreveo muito de ,fizica4 ,teve v>ios dicipulos1 que se-ens9ram sucesivam5te3 ,anaxim&ro1 ,anaxim5es1 ,anaxagoras1 ,ar*elao1 e ,socrates4 ,e/e ,socrates foi aquele gr&e omem1 que en*eo de admirasam a ,antiguidade3 e alguns dos-nosos ,,ss4 ,,pp4 se-empregram1 na sua defeza4 ,socrates teve muitos dicipulos1 que fundram escolas sep>adas4 ,ari/ipo fund\ a escola ,cir5aica1 ,ph$o a ,eliaca1 ,euclides a ,meg>ica1 ,anti/5es a ,c9ica3 da-qual naceo a ,e/oica1 que foi famoza3 porque ,m5$emo ultimo pr(esor da-,c9ica1 foi me/re de ,z5am1 que fund\ a ,e/oica4 ,damesma escola de ,socrates t5do saido ,platam1 fund\ a ,academica4 ,cadauma de/as escolas se-div]sificava nas op9io5s3 o que neces>io1 que o e/udante advirta4 ,platam foi o mais insigne discipulo1 de ,socrates3 naceo #dbh4 anos antes de ,cri/o3 e foi o primeiro que compre5deo1 z trez p>tes da-,filoz(ia4 ,na ,fizica seguia os s5tim5tos1 de ,eraclito1 que se-reputava o melhor ,fizico3 na ,metafizica seguia em tudo1 a ,pitagoras3 e no-,moral1 e ,politico seguia a d\tr9a1 de ,socrates2 poisque som5te ao ,moral1 e/e se-aplicra4 ,a escola de ,platam se-dividio em duas1 ,academica1 e ,p]ipatetica4 ,a primeira cont9u\ os dogmas de ,platam3 donde vem1 que ,platonicos1 e ,academicos significam a mesma coiza4 ,nela suc$eo a ,platam1 seu sobr9ho ,speusippo2 a e/e ,x5ocrates1 ,polemon1 ,crantor1 e ,crates4 ,a ,crates suc$eo ,ar*esilao dicipulo de ,crantor1 e tambem de outro ,filoz(o *amado ,pyrrho3 d-qual ,pyrrho apr5deo1 um novo metodo de filoz(>2 com o qual fund\ a ,academia ,m$ia1 que dur\ at ,c>neades4 ,e/e ultimo1 faz5do nela alguma re=ma1 in/ituio a ,academia ,nova2 que dur\ at ,antioco3 que foi o ultimo dos-,academicos1 e foi me/re de ,m>co ,tullio ,cic]o4 ,a ,p]ipatetica fund\ ,ari/oteles1 dicipulo de ,platam4 ,diz ,cic]o1 que som5te se-div]sificava da-,platonica1 nas vozes2 mas nam nos-s5tim5tos e op9io5s4 ,dava ,ari/oteles z suas liso5s1 no-,liceo3 e cont9u\ a escola nos-seus sucesores1 at ,diodoro2 que se-conta por-ultimo ,p]ipatetico3 desorteque ja nos tempos de ,cic]o1 e/a escola se-a*ava mui descaida4 ,a outra seta de ,filoz(ia1 a que *amam ,italica1 foi fundada por-,pitagoras1 naquela p>te de ,italia1 a que *amram ,magna ,grecia4 ,e/e ,pitagoras florecia #efd4 anos antes de ,cri/o3 e despois de longuisimas p]igr9aso5s1 p>a apr5d]2 se-e/ableceo em ,crotona ,cidade de-,calabria3 e ens9\ com gr&e aplauzo1 a ,filoz(ia4 ,e/a seta foi famozisima1 pola frequ5cia dos-ouv9tes1 e pola sua durasam4 ,dela nacram v>ias3 a ,eleatica1 que uns atribuem a ,x5ocrates1 outros a ,democrito4 ,anax>*o ultimo dos-,filoz(os ,eleaticos1 foi me/re de ,pyrrho1 que fund\ a seta ,pyrrhonica1 ou ,sceptica4 ,tambem da-,eleatica saio a ,epicureia1 uma das-mais celebres setas da-,antiguidade2 e talvez a que dur\ mais3 pois no-segundo seculo da-,igreja1 a9da e/ava em flor4 ,e/es sam os div]sos ramos1 da-seta ,italica4 ,tambem um seculo despois de ,cri/o comes\ outra1 a que *amram ,ecletica1 a qual teve ba/antes dicipulos4 ,o seu pr9cipal in/ituto era1 nam jur> nos-dogmas de n5huma seta3 mas tir> de todas1 o que p>ecia melhor4 ,de alguns de/es a9da temos z obras3 o ultimo foi ,damascio4 ,e/a seta agrad\ muito aos ,padres1 dos-primeiros seculos da-,igreja2 porque p>ecia a mais racionavel4 ,e/as sam z dif]5tes setas1 da-antiga ,filoz(ia4 ,de/as a ,academica1 ,e/oica1 ,pyrrhonica1 ,epicureia1 e ,p]ipatetica1 durram na ,grecia com p\ca dif]5sa1 at o tempo de ,augu/o1 qu]o diz]1 at ,cri/o4 ,nos-ultimos dois seculos da-,republica ,romana a*amos1 que os ,romanos comesram a e/ud>1 a ,filoz(ia4 ,nam que eles fundasem setas1 como os ,gregos2 mas iam e/ud> ,grecia3 ou s]viam-se em ,roma dos-,gregos1 que v9ham ,italia3 e seguiam quem uma1 quem outra seta de ,filoz(ia ,grega4 ,pola maior p>te eram ,academicos1 e ,e/oicos3 alguns =am ,epicureos3 r>isimo ,p]ipatetico4 ,os livros de ,ari/oteles1 que ele deixra a ,!ophra/o seu discipulo1 e/e os-deix\ a ,neleo3 os erdeiros d-qual1 p>a os-r\b> curiozidade d',el-,rei de ,p]gamo1 de quem eram suditos2 o qual procurava livros1 p>a a sua ,biblioteca2 os-ent]rram3 d'onde =am cazualm5te tirados1 polos seus dec5d5tes2 que os-v5dram a ,apellico ,at5iez1 quazi todos comidos da-umidade4 ,onde1 p>a se-copi>em1 foi neces>io en*]1 todos os vazios da-corrusam3 com o que s5sivelm5te se-alt]ram1 z op9io5s4 ,despois da-morte de ,apellico1 ,silla ,ditador ,romano os-transport\ de ,at5as1 p>a ,roma2 e se-entregram a ,tiraio1 p>a os-em5d>1 e dispor em melhor ordem4 ,e t5do-se feito muitas copias1 sem z conf]ir com os orig9ais2 foi pior o suceso em ,roma1 que nam t9ha sido em ,at5as4 ,comes\ entam a s] conhecido melhor1 e/e ,filoz(o3 e os ,romanos comesram a faz] uzo1 pr9cipalm5te das-suas d\tr9as politicas4 ,entre os ,filoz(os ,romanos s+ul>iz\-se ,cic]o2 ouv]am tambem alguns outros1 de que a9da temos z obras4 ,at que f9alm5te1 com a ru9a d-,imp]io no-,ocid5te1 se-arru9\ tambem1 a noticia das-,ci5cias4 ,nos-pr9cipios d-,,viii4 seculo de ,cri/o1 os ,pr9cipes ,arabes dicipulos de ,mahomet1 os quais uzurpram gr&e p>te da-,africa1 ,azia1 ,grecia1 ,espanha1 e ,sizilia2 nas invazo5s que fiz]am1 nas ,cidades da-,grecia1 entre os r\bos com que se-recolhram1 =am alguns dos-livros dos-seus autores4 ,e agrad&o-se de/es e/udos1 fiz]am em modo1 que ,almanon ,califfo ou ,imp]ador ,s>ac5o1 no-ano #hbj4 m&\ p$ir ao ,imp]ador de ,con/ant9opoli1 aonde z ,ci5cias a9da se-cons]vavam2 os melhores livros ,gregos2 os quais se-m&ram traduzir em ,arabio4 ,nam s5do o g5io dos-,arabes incl9ado a ,poetas1 ,i/oricos1 e ,oradores2 som5te se-aplicram aos ,filoz(os1 e ,matematicos3 e entre eles escolhram trez1 que =am1 ,ari/oteles1 ,ipocrates1 e ,gal5o4 ,aplicram-se a e/as ,ci5cias2 e pr9cipalm5te ,*imica1 ,magia1 ,geometria1 ,algebra1 e ,fizica4 ,fundram ,univ]sidades em ,tuniz1 ,tripoli1 ,fez1 ,m>rocos1 e algumas p>tes da-,espanha3 d'onde saram alguns om5s insignes1 p>a aquele tempo3 ,entre os quais se-s+ul>iz\ ,av]roes2 o qual na ,univ]sidade de ,cordova1 fez o seu gr&e com5to1 sobre ,ari/oteles1 no-meio d-seculo duodecimo4 ,ne/e meio tempo a fama de ,ari/oteles1 que e/ava tam bem e/ablecida1 entre os ,arabes2 comes\ a divulg>-se1 entre os ,cri/aons4 ,a comunicasam que os ,napolitanos t9ham1 com os ,sizilianos1 lhe-deu noticia dos-e/udos1 e/ablecidos entre os ,arabes da-,sizilia4 ,tambem a viz9hansa da-,fransa com a ,espanha1 abrio a comunicasam aos e/udos3 e se-cre1 que por-e/e meio pasram a ,fransa1 os livros de ,ari/oteles2 e intrram na ,univ]sidade de ,p>iz4 ,ja l sabiam1 que avia ,dialetica1 e a-e/udavam3 mas da-,fizica ,ari/otelica1 nada sabiam4 ,f9alm5te ou p>a pod]em disput> com os ,judeos1 e ,maometanos1 como fundadam5te suspeita ,monsieur de ,fleury2 ou por-outra razam que nam se-sabe2 os ,teologos recebram b5ignam5te ,ari/oteles1 e p\co a p\co o-introduzram1 na ,teologia4 ,os primeiros =am introduz9do z ,dialeticas1 como ,abell>do1 ,rob]to ,pullo1 ,p$ro ,poiti]s1 e alguns outros no-duodecimo seculo4 ,daqui pasram a introduzir1 z d\tr9as ,fizicas3 o que suc$eo1 no-seculo decimot]ceiro4 ,os primeiros =am ,alb]to ,magno1 ,alex&re de ,ales3 despois ,tomaz de ,aqu9o1 e alguns mais4 ,despois de ,s4 ,tomaz veio ,escoto1 que fund\ escola sep>ada3 e despois de/e1 seu dicipulo ,okam tambem ,franciscano1 fundador da-seta dos-,nom9ais4 ,demodoque despois d-seculo ,,xiv4 a ,filoz(ia se-dividia em trez setas1 ,tomi/as1 ,escoti/as1 e ,okami/as3 z quais com alguns mudansas durram1 at o ,concilio de ,tr5to1 celebrado no-meio d-seculo ,,xvi4 ,nam falo no-metodo de ,raimundo ,lullo de ,maiorca1 porque pola sua oscuridade1 nam teve sequazes3 excetu&o alguns ,maiorqu9os1 mais l\cos que ele4 ,no-ano #aefe4 ,b]n>do ,telesio de ,cos5za em ,italia1 public\ a sua ,filoz(ia1 que teve alguns sequazes4 ,p\co despois ,jordano ,bruno ,dom9icano1 public\ muitos livros1 em que1 entre algumas coizas boas1 dise muita e/ravagancia2 sobre o ,univ]so inf9ito1 e div]sos mundos4 ,despois de/e1 ,tomaz ,campanela1 tambem ,dom9icano ,calabrez1 public\ algumas obras de ,filoz(ia1 quazi segundo os pr9cipios d-,telesio4 ,ne/e mesmo seculo ,,xvi4 d-meio p>a diante1 qu]o diz]1 polos tempos d-,concilio de ,tr5to1 comes\ a e/ablec]-se o si/ema ,fizico-cele/e1 de ,nicolao ,cop]nico3 que resucit&o a op9iam de ,filolao1 e ,eraclides ,pontico1 sobre o movim5to da-t]ra arr$or d-,sol2 teve muitos sequazes1 que as5tram1 s] um si/ema pref]ivel aos outros4 ,no-fim d-seculo ,,xvi4 saio luz o si/ema de ,tico ,brahe1 que tambem teve sequazes4 ,mas n+uem mais deo tanta luz ,fizica1 quanta ,francisco ,bacon de ,v]ulamio ,*ancel] mr de ,+lat]ra3 o qual no-fim d-mesmo seculo1 e pr9cipio d-segu9te1 apont\ o v]dadeiro metodo de adiant> a ,fizica1 em belisimas obras que a e/e int5to nos-deix\2 pr9cipalm5te de ,augm5tis ,sci5ti>um1 e de ,novo ,organo4 ,eu consid]o z especulaso5s de/e gr&e omem1 como a mais famoza epoca1 da-v]dadeira ,filoz(ia3 porque obs]vo de entam p>a diante1 uma total mudansa1 e adiantam5to sempre p>a o melhor4 morreo polos anos #afcf4 de anos #ff4 ,no-mesmo tempo de ,bacon1 no fim d-,,xvi4 e pr9cipios d-,,xvii4 floreceo o insigne ,galileo ,galilei ,flor5t9o2 que segu9do os ditames de ,bacon1 uz\ da-,matematica1 p>a explic> a ,fizica3 e aum5t\ s5sivelm5te a ,mecanica3 a qual desde ,ar*im$es at o seu tempo1 quazi nada se-t9ha adiantado4 ,ele descobrio muitas leis1 d-movim5to dos-corpos1 tanto solidos1 como fluidos2 e tambem da-,gravidade1 e da-,luz1 e d-,som c4 desorteque pode-se diz]1 que ele foi o que comes\ a s]vir-se1 da-boa ,fizica4 morreo em #afdb4 de anos #gh4 ,comesado o seculo ,,xvii4 florecram ,desc>tes1 e ,gaz5do3 que d&o um paso mais adiante1 descobriram mais t]ra1 e comesram a abrir os olhos ao mundo4 ,ja se-sabe z disputas1 que os ,p]ipateticos tiv]am1 com e/es novos ,filoz(os2 e z injurias1 que contra eles vomitram4 ,desde o fim d-,concilio de ,tr5to1 em que os melhores ,teologos t9ham ab]to os olhos1 sobre a ,teologia2 e comesado a int5d]1 que nam se-devia mi/ur> com ela1 a ,p]ipatetica2 t9ha e/a descaido muito3 mas nam tanto1 que muitos ,regul>es nam int5desem1 que devia s] a mimoza entre z mais4 ,de que nacia1 que com todo o emp5ho a-def5diam3 porque1 a fal> v]dade1 nam int5diam mais1 nem t9ham outras noticias4 ,mas despois que se-viram atacados1 por-e/es mod]nos ,filoz(os2 os quais nos-pr9cipios de/e seculo conspirram todos1 p>a abrir os olhos1 ao mundo ,lit]>io2 nam qu]5do os velhos1 p]d] z suas conqui/as1 fiz]am um espalhafato orr5do3 e o m5os que dis]am foi1 que se-t9ha levantado uma nova p]seguisam1 na ,igreja ,catolica2 com a publicasam de/as ,filoz(ias4 ,mas como i/o eram balas de lan1 e palavras sem fundam5to1 nem v]osimilidade2 nam faziam bre*a4 ,polo contr>io os ,mod]nos desp$iam1 con/antes exp]i5cias1 que eram balas eficazes4 ,em modo tal que a dita ,filoz(ia foi-se cont9u&o1 e com =sa3 e s os ,regul>es1 e nem todos1 seguiam a ,p]ipatetica4 ,a introdusam das-,academias ,exp]im5tais1 deu novo es=so1 a e/a ,filoz(ia4 ,despois da-morte de ,c>tezio no-ano #afdj41 e a de ,gaz5do no-de #afee42 t9ham comesado z ditas ,filoz(ias1 a aqui/> cr$ito3 mas a9da com algum m$o2 pois nam t9ham toda a neces>ia protesm1 que tiv]am p\co despois4 ,nam foi s5am despois que se-abrio1 a ,academia de ,londres no-ano #affb4 ou #fc4 e a de ,p>iz no-#afff41 que z ,ci5cias naturais se-cont9uram1 com emp5ho3 asi/9do-lhe os ,reis1 com o d9heiro e protesm4 ,dilat\-se a9damais e/e co/ume1 porque o ,imp]ador ,leopoldo no-ano #afgj4 movido d-bom suceso das-duas ,academias2 fund\ tambem1 ou1 melhor direi1 protegeo uma ,academia ja comesada1 com o nome de ,academia dos-,curiozos da-,natureza4 ,el-,rei de ,prusia em #agjj4 fund\ tambem a sua ,academia exp]im5tal4 ,os nosos ,italianos fiz]am o mesmo4 ,o ,conde de ,m>silli em #agab4 in/ituio uma em ,bolonha1 que tambem famoza3 em ,padua e outras p>tes abrram-se outras4 ,em #agbe4 a ,imp]atriz ,cat>9a abrio em ,s4,petroburgo em ,moscovia1 outra famoza3 deix&o por-agora outras muitas1 que se-abriram em dif]5tes p>tes da-,europa4 ,e/a dilatasam de e/udos naturais *am\ a si1 todos os melhores ,filoz(os1 pr9cipalm5te os ,secul>es4 ,tambem alguns ,regul>es1 nos-f9s d-pasado seculo1 comesram a deix>1 z sutilezas de ,ari/oteles4 ,porem ne/e ,,xviii4 seculo inf9itos se-tem decl>ado1 contra o antigo e/ilo2 e ens9am publicam5te1 a ,filoz(ia mod]na4 ,em ,italia1 e a9da em ,roma1 por-toda a ,fransa1 ,alemanha c4 se-tem divulgado e/e metodo3 e os mesmos ,regul>es1 que ao pr9cipio o-t9ham proibido1 nam tem oje dificuldade alguma1 em def5dlo4 ,v]dade 1 que algumas ,religio5s &a o-nam-aprovram3 mas tambem c]to1 que muitos leitores delas sam decl>adam5te1 ,filoz(os mod]nos4 ,os d\tisimos ,dom9icanos1 e ,jezuitas1 que p>eciam os mais emp5hados1 polo antigo metodo2 comesram a admetir1 a nova ,filoz(ia3 nam s em ,fransa1 mas a9da em ,italia4 ,e eu sei de c]to1 que em algumas p>tes de ,italia os ,jezuitas1 v5do que nas suas escolas e colegios1 faltavam consid]avelm5te os e/udantes1 que concorriam a outros e/udos publicos2 se-vram obrigados1 a re=m> o antigo metodo1 e introduzir os e/udos novos4 ,tam p]suadidos e/am todos oje1 que o antigo metodo nam s]ve1 p>a coiza alguma4 ,e/a1 em p\cas palavras1 a s]ie da-,filoz(ia3 na qual se-compre5de mui bem1 com quam p\ca razam e/es me/res de ,portugal1 cond5em uma coiza2 que e/ tam bem introduzida3 e nam entre ,erejes1 como eles dizem1 mas entre ,catolicos mui pios1 e d\tos4 ,e tambem se-conhece1 com quam p\ca razam queiram p]suadir-nos1 que os ,,ss4 ,,pp4 aprovram1 a d\tr9a de ,ari/oteles3 pois nam s5do ela1 ou polo m5os e/a que pasa1 com o nome de ,ari/oteles2 conhecida antes d-seculo ,,xiii4 bem cl>o1 que os ,,pp4 nam podiam aprov> uma coiza1 que nam conheciam1 nem int5diam1 que nac]ia no-mundo4 ,seguro a ,v4 ,p4 que se e/es me/res1 que oje exaltam tanto ,ari/oteles1 conhecesem os ,,pp4 nam polo sobrescrito1 mas por-d5tro2 e tivesem bem exam9ado z suas obras2 fic>iam env]gonhados1 da-sua gr&e ignorancia1 e talvez tem]idade3 pois v]iam nos-escritos dos-,padres1 que nada mais encom5dam1 que deit> fra das-escolas ,ari/oteles3 evit> todos os s(ismas da-,dialetica3 e propor z suas razo5s1 com a maior cl>eza posivel4 ,aprovavam na v]dade1 a boa ,dialetica2 mas despida totalm5te de ar5gas4 ,e ne/a paz se-cont9u\1 at o undecimo seculo3 no qual1 como asima digo1 introduzram nas escolas1 e/as embrulhadas4 ,desorteque a exam9> bem o negocio1 ,ari/oteles mui mod]no1 nas escolas ,catolicas3 e a9da nesas nam dur\1 s5am at o ,concilio de ,tr5to3 pois de entam p>a c p\co a p\co se-abrram os olhos ao mundo3 e oje todos os-tem mui bem ab]tos4 ,int5dido i/o muito bem1 com o que se-p\pam mil respo/as1 e emb>asos a cada mom5to2 deve o e/udante pas>1 p>a a ,filoz(ia4 ,mas neces>io1 que primeiro int5da1 que coiza ela 2 p>a nam se-embrulh>1 com z co/umadas confuzo5s da-,escola4 ,eu suponho que a ,filoz(ia 1 ,conhec] z coisas polas suas cauzas3 ou conhec]1 a v]dadeira cauza das-coizas4 ,e/a def9isam recebem os mesmos ,p]ipateticos1 a9daque eles a-explicam1 com palavras mais oscuras3 mas *amem-lhe como quiz]em1 vem a signific> o mesmo4 v4 g4 ,sab] qual a v]dadeira cauza1 que faz subir a agua na sir+a1 ,filoz(ia3 conhec] a v]dadeira cauza1 porque a polvora aceza em uma m9a1 desp$asa um gr&e p5hasco1 ,filoz(ia3 outras coizas a e/a semelhantes1 em que pode intr>1 a v]dadeira noticia das-cauzas das-coizas1 sam ,filoz(ia4 ,mas como no-conhec] z cauzas das-coizas1 pr9cipalm5te naturais1 pode av] +ano2 e muitas vezes nos-+anemos1 tom&o uma coiza por-outra3 alem diso como nos-mesmos discursos1 com que nos-qu]em p]suadir alguma coiza1 suc$a frequ5tem5te +ano1 cub]to com ap>5cia de v]osimilidade2 ao que *amam ,s(isma1 ou ,p>alogismo3 daqui vem1 que cuidram os om5s1 em fugir e/es +anos1 e descobrir o vicio d-discurso1 p>aque nam caisemos nele4 ,i/o primeiro comes\1 sem arte alguma3 mas cazualm5te um omem descobrio um erro1 outro descobrio outro1 e asim os mais4 ,alguns dos-quais1 faz5do uma colesam de/as obs]vaso5s1 fiz]am tratados1 em que se-pudese apr5d]1 o modo de nam se-+an>4 ,a i/o *amram ,logica ou ,dialectica3 que muito mais antiga que ,ari/oteles3 mas ele foi o que a-compil\ com melhor metodo1 a respeito d-seu tempo3 a9daque muito imp]feita1 se olhamos p>a o noso4 ,quem fose o autor de/a colesam1 not> o e/udante1 qu&o l] a i/oria da-,filoz(ia4 ,os ,antigos dizem1 que foi ,z5am ,eleates1 que a-ens9\ a ,socrates3 e/e a ,platam3 d-qual a recebeo ,ari/oteles4 ,mas e/a ,logica ,socratica1 era por-outro e/ilo1 e conv5cia com proguntas4 ,platam era um p\co mais dogmatico4 ,comum5te se-cre1 que ,speusippo1 e ,ari/oteles1 ambos dicipulos de ,platam1 guiados polos discursos dele1 fizesem no-mesmo tempo1 e cada um p>asi1 e/a nova colesam1 e acrec5tasem muita coiza sua3 os ,e/oicos com o tempo1 acrec5tram muitas mais4 ,seja como =1 o cazo 1 que os ,antigos reconhecram1 que p>a conhec]1 e discorr] sem +ano1 sobre z cauzas de todas z-coizas2 neces>io obs]v> algumas regras1 a que quiz]am *am>1 ,logica4 ,desorteque e/a *amada ,logica1 n5huma outra coiza mais1 que um metodo e regra1 que nos-ens9a a julg> bem1 e discorr] ac]tadam5te4 ,asimque e/ablecido e/e importante ponto1 fica cl>o1 que se-deve abras> aquela ,logica1 que conduz a e/e fim3 e fugir qualqu] outra1 que nos-desvia dele4 ,t5do p]cebido e/e ponto1 nam pode av] duvida1 sobre o cazo que devemos faz]1 de/a *amada ,logica dos-,escola/icos3 ba/a exam9>1 se o que se-ens9a com e/e nome1 util1 ou prejudicial1 p>a julg>1 e discorr] bem4 ,porque se a*amos1 que nam conduz2 saie por-legitima consequ5cia1 que se-deve deix>1 e e/ud> outra coiza mais util4 ,ora eu creio1 que sem gr&e trabalho se-conhece1 que e/a ,logica vulg>1 nam d n5huma utilidade1 antes cauza suma confuzam4 ,os ,proemiais sam a coiza mais inutil d-mundo4 ,com a simplez explicasam1 d-que ,logica2 sabe um e/udante quanto ba/a1 p>a intr> nela1 e s] um gr&e ,logico3 toda a outra noticia util se-pode apr5d]1 em uma adv]t5cia1 a que *amam not&o4 ,que a ,logica t5ha por-objeto1 os atos d-int5dim5to1 ou z coizas1 ou os modos de sab]2 nada s]ve p>a discorr] bem3 o que importa 1 t] boas regras1 e sablas uz> bem4 ,aqueles ,univ]sais1 e ,s9ais sam coizas indignas de se-l]em3 o m5os que neles a*o1 a inutilidade3 o pior o metodo3 p>ecem a mesma confuzam3 e de talsorte embrulham a m5te1 de um pobre pr9cipiante1 que nam facil ao despois1 int5d] bem coiza alguma4 ,em lug> de facilit>em a um rapaz1 a intelig5cia das-coizas2 o-confundem com uma quantidade de s(ismas1 e sutilezas1 tam fra de propozito2 que eu nam sei1 como os me/res nam fazem escrupulo1 de p]d]em tam inutilm5te o tempo4 ,acrec5to a i/o1 a inutilidade3 pois p>a n5huma p>te das-,ci5cias s]ve aquilo4 ,o mais que se-tira dos-,s9ais sab]1 que z vozes s]vem1 p>a decl>> z ideias da-m5te1 e os afetos da-alma3 e que m$iante z vozes comunicamos aos outros1 o que int5demos1 e qu]emos4 ,que z vozes nam excitam nos-que ouvem1 z ideias de quem z-pr(]e1 por-virtude alguma natural1 que t5ham p>a iso3 mas porque asim o-det]m9ram1 os om5s de uma ,nasam4 ,s5do c]to que z vozes1 que em ,portugal significam uma coiza1 em outro ,re9o significam coiza dif]5te1 ou nada significam4 ,e/a toda a noticia util1 que se-tira dos-,s9ais3 e i/o coiza que se-apr5de1 em um qu>to de ora3 tudo o mais que dizem dos-,s9ais1 sam ar5gas ridiculas1 que espremidas na mam1 nam deitam uma gota de d\tr9a4 ,v4,p4 que p]deo ba/ante tempo1 com e/as ar5gas2 fasa-me a m]ce de me-mo/r>1 alguma que/am util1 entre tantas que no-tal tratado se-incluem3 e/\ c]to que1 uz&o da-sua co/umada +5uidade1 me-dir1 que nam a*a alguma4 ,de que fica bem cl>o1 que o tal tratado1 som5te div]tim5to de om5s ociozos4 ,nem me-faz =sa que o ,p4 99 99 99 me-disse um dia1 que os ,s9ais eram o ,apex ,philosophi3 e o seu ,p4 ,colegial 99 99 99 me-disse mui sezudam5te1 que os ,s9ais t9ham seu uzo na ,teologia3 poisque na ,tr9dade se-falava1 em priori signo c4 nem um1 nem outro sabia o que dizia1 como z suas respo/as mo/ram3 e1 a9daque fosem leitores de ,filoz(ia1 t9ham necesidade1 de a-e/ud> outra vez4 ,quanto aos ,univ]sais da-,escola1 comque se-ga/a tanto tempo1 nam sam melhores que os ,s9ais3 todos sam talhados1 pola mesma m$ida4 ,pase ,v4,p4 ligeiram5te com os olhos1 por-aqueles tratados2 e me-dir1 o que a*a em tantos cad]nos4 ,ali disputa-se mui l>gam5te1 se se-d ,univ]sal a p>te rei1 como eles lhe-*amam3 se a ,unidade de precizam1 e ,aptidam sejam da-es5cia d-,univ]sal3 e outras coizas de/as1 que qu&o eu z-consid]o1 fico p]suadido2 que os que falam ni/o1 nam int5dem iso mesmo que pr(]em4 ,que bulha nam se-faz1 sobre a divizam em c9co especies6 que ar5gas1 sobre cada especie em p>ticul>6 que confuzo5s1 sobre z precizo5s6 ,ora eu tomra que me-disesem1 o que se-tira de todo aquele negocio2 e que noticia util p>a discorr] se-colhe1 de todas aquelas confuzo5s8 ,a*ei muitos1 que1 despois de alguns anos de ,filoz(ia1 e despois de t]em def5dido concluzo5s publicas1 e com gr&e aceitasam2 nam sabiam1 por-qual razam se-introduzram os ,univ]sais1 na ,logica4 ,o que digo dos-,univ]sais1 deve-se aplic> aos ,pr$icam5tos2 que uns introduzem na ,logica1 outros na ,metafizica3 e sobre os quais se-disputa1 com igual f]vor4 ,os om5s mais adv]tidos entre os ,p]ipateticos1 reconhecem a v]dade d-que digo1 e s9c]am5te confesam1 que se-deviam cort>1 e/as longuisimas disputas1 que p>a nada s]vem4 ,p]ipatetico1 e bem ,p]ipatetico1 era o ,su>es ,granat5se1 o ,b>reto ,portuguez c4 contudo sam d-meu p>ec]3 e o tal ,b>reto acrec5ta#hb1 que o aum5to que se-deo aos ,s9ais1 vicio dos-,portuguezes4 ,mas torn&o aos ,univ]sais1 de que falavamos1 a unica razam que eles alegam1 p>a introduzirem e/a longa ar5ga de ,univ]sais1 e ,pr$icam5tos2 1 porque z propoziso5s de que se-fazem os silogismos1 con/am de pr$icados univ]sais4 ,digo pois1 se aquilo nam tem mais s]v5tia1 que mo/r>1 que um nome pode s] univ]sal1 ou p>ticul> c4 de que s]ve aquela ar5ga sempit]na1 que nam conduz p>a iso8 ,c]tam5te que1 segu9do os seus mesmos pr9cipios1 tudo aquilo se podia r$uzir1 a meia folha de papel4 ,nem cuide ,v4 ,p4 que eu reprovo1 toda a sorte de exame1 das-propoziso5s univ]sais1 e p>ticul>es3 conheso1 que iso pode t] seu uzo1 e tem utilidade3 mas tambem conheso1 que se-deve trat> de outra maneira1 como em seu lug> direi4 ,som5te cond5o muito1 o que dizem os ,p]ipateticos2 porque nem s]ve p>a o int5to1 que eles propoem2 nem p>a outro algum3 confunde z especies1 e int5dim5to dos-rapazes3 e o mesmo a que nos *amamos1 p]d] tempo sem int]ese algum1 e sem sab] por-qual razam4 ,mas prosigamos o curso1 da-,logica ,p]ipatetica4 ,aos ,pr$icam5tos1 e ,s9ais1 segue-se o enfadonho tratado de ,enunciatione1 ou ,propozisam4 ,aqui fazem eles inf9itas disputas1 tam fra de propozito2 que eu fico pasmado4 ,confundem a propozisam vocal com a m5tal1 ou ato d-int5dim5to3 ora disputam de uma1 ora de outra3 desorteque nam se-pode sab]1 o que eles qu]em explic>4 ,s5do aquele um tratado1 que se-deve explic> mui cl>am5te1 p>a int5d] os segu9tes2 eles o-fazem com tal neglig5cia1 e confuzam1 como quem nam cuidse ne/e fim4 ,o melhor que eu a*o 1 que em vez de proporem z coizas1 em que todos convem2 disputam tudo o que propoem3 e a cada propozisam acrec5tam1 uma longa cadeia de argum5tos2 e s vezes tam embrulhados1 que um omem adiantado t]ia trabalho1 em lhe-respond]4 ,e como -de o pr9cipiante1 =m> conceito das-coizas1 e execut> os ditames que le2 se ele nada a*a1 em que todos conv5ham3 mas em cada propozisam a*a1 quem o-contradiga8 ,i/o o mesmo1 que se um c>p9teiro tomse um apr5diz1 e em lug> de lhe-ens9>1 como se--de s]vir dos-in/rum5tos2 fizese longuisimos discursos1 sobre a div]sidade de in/rum5tos de ,c>p9teiro3 cont&o-lhe miudam5te1 que a alguns nam agradam1 aqueles in/rum5tos3 que outros escrevem1 que se-deviam fabric> de outra maneira3 e todo o tempo passe com i/o4 ,e/e o gr&e defeito que eu a*o1 ne/as ,logicas3 nam busc>em aquelas coizas1 em que todos convem1 p>a z-explic> aos e/udantes4 nam a*>em um metodo de ens9> ,logica1 comes&o por-docum5tos cl>os1 que todos int5dam3 fug9do todo o g5]o de disputas1 que nam s]vem p>a pr9cipiantes4 ,pois e/e devia s]1 todo o seu cuidado3 e quem nam pratica e/e metodo1 nam qu] ens9> ,logica4 ,i/o conhec] ,v4 ,p4 melhor1 olh&o p>a z longas disputas1 que eles aqui introduzem1 sobre os atos v]dadeiros e falsos4 ,nam crivel1 a confuzam com que aquilo se-trata4 nam m5os admiravel1 a quantidade de coizas falsas1 que ali se-supoem1 como se fosem demon/raso5s matematicas4 ,disputa-se com f]vor1 se o mesmo ato d-int5dim5to1 posa pas> de v]dadeiro1 p>a falso3 e outras coizas de/as4 ,i/o supoem manife/am5te1 que o dito ato dura algum tempo1 na alma2 porque se nam durse1 a que/am s]a de nada4 ,mas i/o que eles supoem1 manife/am5te falso4 ,ba/a olh>1 p>a z muitas di/raso5s involunt>ias1 que um omem tem2 p>a conhec]1 que a nosa alma e/ em cont9uo movim5to de conhecim5tos3 e que devemos diz]1 que ela nam pra em algum juizo1 ou ato4 ,a9da qu&o nos-p>ece1 que sempre cuidamos na mesma coiza1 creio eu que nam p]zi/e1 o mesmo ato3 mas que a alma muitas1 e muitas vezes consid]a1 a mesma coiza3 que o mesmo que diz]1 com atos dif]5tes4 ,a razam di/o nam me-p>ece oscura3 pois vejo a viol5cia1 que neces>io faz] ao int5dim5to1 p>a o-fix> no-mesmo objeto3 pois um m9uto que nos-descuidamos1 ja e/amos em outro objeto4 ,e a9da qu&o nos-p>ece1 que consid]amos um s1 v4 g4 um pa9el2 c]to que fazemos muitos atos3 pois nam vemos s um ponto1 mas dif]5tes pontos1 e p>tes d-mesmo todo3 o que se-faz1 com div]sos atos4 ,nam crivel1 com quanta velocidade a alma conhece1 e pasa de um objeto p>a outro4 ,fazemos todos os in/antes mil aso5s1 que nam adv]timos3 e contudo c]to1 que a alma z-conhece todas3 mas falas com tal velocidade1 que p>ece z-nam-conhece4 ,de/e g5]o o cont9uo movim5to de pe/anas1 que ns fazemos2 e a alma1 por-ob$i5cia da-qual se-faz1 o-conhece3 e contudo n5hum de ns adv]te tal coiza4 ,o que mo/ra bem1 quam veloz a nosa alma1 em pas> de um conhecim5to p>a outro4 ,e s5do i/o tam cl>o1 os-,p]ipateticos1 sem faz]em cazo di/o1 introduzem z suas longas dis]taso5s1 fundadas sobre um supo/o falso4 ,demos-lhe1 que seja mat]ia duvidoza2 sempre coiza ridicula1 propor como coiza c]ta um fundam5to1 que tem tantas ap>5cias de falsidade3 e ocup> o tempo com i/o1 dev5do ens9> outras coizas4 ,mas1 p>a abrevi> e/e exame1 pase ,v4 ,p4 comigo1 ao tratado de ,priori resolutione4 ,na primeira p>te se-disputa et]nam5te1 sobre os t]mos1 e div]sos modos1 com que significam z coizas4 ,i/o explicado bem com cl>eza1 e brevidade1 podia s]vir ao e/udante de alguma coiza3 mas iso o que eles nam fazem3 e todo o tempo pasam em disput>1 se o v]bo ,e/ pode s] t]mo2 e outras galant>ias de/as4 ,o que dizem das-,propoziso5s1 da-sua ,conv]sam1 das-,modais1 tam embrulhado1 e tam inutil2 que nam sei1 que pior coiza se-posa diz]4 ,seguro a ,v4 ,p4 que ja a*ei ,p]ipateticos1 que +5uam5te me-confesram1 que a maior p>te daquelas coizas eram inutis4 ,mas sem gr&e trabalho1 cuido que mo/r>ei a ,v4 ,p4 que tudo aquilo1 que ne/as escolas se-disputa1 se-deve totalm5te pr de p>te4 apont>ei uma unica razam1 que compre5de o ,priori1 e ,po/]iori1 da-,logica vulg>4 ,exam9e ,v4 ,p4 com toda a at5sam1 quanto se-disputa naquelas duas p>tes da-,logica1 e fasa-me a m]ce de not> mui di/9tam5te1 algumas coizas4 #a4;a ,se o que ali se-disputa1 mat]ia inteligivel4 ,cuido1 que a respo/a s] cl>a1 se olh>-mos p>a o que suc$e nos-e/udantes3 pois c]to1 que despois de muitas1 e muitas explicaso5s1 comum5te nam int5dem1 o que ali se-diz4 ,apelo1 p>a o que cadaum exp]im5ta em si1 e p>a o que os me/res exp]im5tam1 nos-dicipulos4 ,sei polo contr>io1 que os m59os int5dem muito bem z coizas1 se lhas-explicam bem3 e sabem d> razam d-seu dito4 v4g4 se dis]em a um rapaz3 ,aquele ramo que ves naquela porta1 s9al que ali se-v5de v9ho3 porque em todas z p>tes em que se-v5de v9ho1 se-co/uma pr aquele s9al2 porque asim det]m9ram1 os nosos antigos3 e/\ c]to1 que -de int5d] facilm5te1 o que lhe-dizem4 ,ora fale-lhe ,v4 ,p4 por-e/as palavras3 ,aquele ramo s9al ex in/ituto d-v9ho3 que se-con/itue na razam de s9al1 por-um respeito de dep5d5cia d-ato da-vontade1 que o-deput\ p>a signific> v9ho3 polo que se-di/+ue d-s9al natural1 que se-con/itue1 por-um respeito de indep5d5cia3 ,despois de toda e/a ar5ga filoz(ia1 o tal rapaz int5d] muito m5os1 o que lhe-dizem1 doque se lhe-falasem em ,caldeo4 ,de que vem1 que a9da z coizas que se-deviam diz]1 se-dizem de um modo tal1 que nam se-int5dem4 ,i/o quanto ao modo de se-explic>3 pasemos mat]ia4 ,a #b4;a coiza que ,v4 ,p4 deve not> 1 a s]v5tia que tem aquelas regras1 p>a discorr] sem +ano1 em toda a mat]ia4 ,traga ,v4 ,p4 memoria1 tudo o que tem e/udado de ,priori1 e ,po/]iori1 e t5ha o s(rim5to de consid]>2 se lhe-s]vem1 ou nam1 p>a int5d]1 e discorr] bem em qualqu] mat]ia3 ou p>a prov> alguma coiza1 que lhe-seja neces>ia2 nam s nos-atos publicos qu&o argum5ta1 ou def5de2 mas a9da no-seu b(ete1 qu&o compoem em alguma mat]ia3 ou a9da no-discurso famili>4 ,t5ho tantas provas1 da-sua c&ura de animo1 que nam t5ho receio que diga1 t] exp]im5tado utilidade4 ,mas eu nam qu]o por-agora1 um juiz tam alumiado como ,v4,p4 cont5to-me que me-respondam os mesmos1 que p]dem os anos com e/as ar5gas4 ,eu os-faso juizes ne/a disputa3 e lhe-deixo consid]>1 se1 qu&o eles provam o que lhe-negam1 ou discorrem famili>m5te2 o-fazem porque se-lembram das-regras2 ou se o-fazem1 porque asim se-co/uma discorr] no-mundo3 e a lisam que tem tido1 lhe-sum9i/ra os argum5tos e meios t]mos3 e a natural p5etrasam que cadaum tem1 lhe-mo/ra1 com a maior promtidam1 a conexam das-p>tes8 ,o que eu poso diz] ne/e p>ticul> 1 que muitos ,escola/icos1 como ja apontei1 me-dis]am1 que era inutil toda aquela ma*9a de regras3 e li alguns1 damesma op9iam4 ,o ,p4 ,arriaga no-prologo da-sua ,filoz(ia diz cl>am5te1 que nam dit\ muitas que/o5s da-frma ,silogi/ica1 porque lhe-p>ecram escuzadas3 e que av5do v9te anos que era me/re2 nunca vra1 que pesoa alguma se-s]vise da-ponte dos-,asnos1 p>a argum5t>1 ou respond]4 ,e quanto a e/a p>te da-,ponte dos-asnos1 a*> ,v4 ,p4 muitos1 que dizem s] inutil4 ,mas eu paso adiante com o discurso1 e creio1 que nem m5os me-mo/r>m omem1 que se-sirva das-,figuras1 ou de alguma das-outras regras2 qu&o qu] prov> alguma coiza s]ia4 ,conheso1 que os que argum5tam ne/a mat]ia1 p>a mo/r>em que a-tem e/udado2 ou os que nam qu]em argum5t> com razo5s1 mas com palavr9has1 maneira dos-s(i/as2 pod]m faz] algum uzo delas3 o que digo 1 que qu&o um omem qu] prov>1 o que lhe-negam1 nunca se-s]ve1 de tais ar5gas4 ,se ele tem +5ho1 e d\tr9a1 mais de presa se-lhe-(]ece o meio t]mo1 e modo de o-diz]2 doque a regra1 que o-ens9a4 ,se nam tem +5ho1 e/\ c]to que nem regras1 nem figuras1 nem modos1 nem coiza alguma lhe-ocorr]2 com que posa discorr] fundadam5te4 ,nunca me-suc$eo que1 discorr5do comigo1 me-viese imag9asam1 s]vir-me d-silogismo4 nunca vi trat> negocio algum grave1 com o meio da-,dialetica3 a9da s5do z p>tes1 pesoas de toda a p5etrasam2 e t5do p]dido muito tempo1 com a ,dialetica4 ,i/o da-,logica o mesmo1 que a ,retorica3 os ignorantes das-regras1 se tem +5ho e alguma lisam1 oram e provam melhor o que dizem1 doque os ,logicos e ,oradores da-,escola4 ,o omem ignorante das-regras1 nam p]de tempo com palavr9has1 mas vai direito razam1 e busca aquelas que conduzem1 ao seu int5to4 ,ora sem duvida1 que z razo5s1 e nam z palavras1 sam z que p]suadem1 e provam o que se-qu]4 ,pod]m z palavras1 e modo com que se-diz1 d> mais luz s razo5s3 mas palavras sem razo5s nada provam4 ,e e/a a razam1 porque os ,logicos f9os discorrem pior1 que os que nam sam ,logicos4 ,e e/a mesma razam me-d fundam5to p>a diz]1 que melhor que nam se-fale1 em tais regras4 ,a*o a9da outra razam1 e cuido s] mais =te1 p>a nam seguir e/e metodo d-silogismo2 vem as]1 que o silogismo nam s]ve em modo algum1 de ajud> a razam1 p>a que aum5te os seus conhecim5tos1 e neles discorra bem4 ,qu&o se--de p]suadir1 e discorr] bem1 o primeiro e pr9cipal ponto e/1 em descobrir z provas3 o segundo1 em dispolas com tal ordem1 que se-conhesa cl>a e facilm5te1 a conexam e =sa delas3 o t]ceiro1 em conhec] cl>am5te1 a conexam de cada p>te da-d$usam3 o qu>to1 em tir> uma boa concluzam d-todo4 ,e/es dif]5tes graos se-conhecem muito bem1 em qualqu] demon/rasam matematica4 ,uma coiza 1 p]ceb] a conexam de cada p>te1 ao mesmo tempo que um me/re vai explic&o a demon/rasam3 outra coiza dif]5te1 conhec] a dep5d5cia1 que a concluzam tem1 de todas z p>tes da-demon/rasam3 t]ceira coiza muito dif]5te1 conhec] por-simesmo cl>a e di/9tam5te1 uma demon/rasam3 e f9alm5te uma qu>ta coiza1 totalm5te dif]5te das-trez1 t] a*ado z provas1 de que se-compoem a demon/rasam4 ,o que supo/o1 o silogismo nam faz mais1 que mo/r> a conexam das-p>tes1 sem ens9> a busc> z provas3 onde fica cl>o1 que nam de gr&e socorro razam4 ,muito mais1 porque a alma pode conhec]1 e conhece1 muito mais facilm5te por-simesmo1 a conexam das-p>tes2 doque por-n5hum silogismo4 ,quantos om5s nam vemos todos os dias1 que int5dem mui bem1 toda a =sa de uma razam2 a falacia1 e eficacia de um discurso comprido2 e discorrem mui ac]tadam5te2 sem t]em ouvido fal> em silogismos8 ,e nam digo som5te1 entre os om5s de boa educasam2 mas quem quiz] consid]>1 a maior p>te da ,africa1 e ,am]ica2 a*> om5s que discorrem tam sutilm5te1 como os nosos ,europeos2 sem sab]em r$uzir um argum5to frma4 ,a*ei negros v9dos de la1 tam maliciozos1 e f+idos2 que nam se-pode diz] mais4 ,ja eu dise a ,v4 ,p4 em outra p>te1 que me-tem feito muitas vezes mais =sa1 z razo5s de muitos ru/icos1 doque de alguns ,logicos1 e ,oradores de pr(isam4 ,a9da daqueles mesmos que e/udam ,logica1 r>isimos sam que *eguem a conhec]1 por-que razam trez propoziso5s1 comb9adas de um c]to modo1 produzam uma conduzam ju/a3 e que saibam com toda a individuasam1 por-que razam de mais de #fj4 comb9aso5s dif]5tes1 s umas #ad4 sejam boas4 ,a maior p>te de/es e/udantes cont5tam-se1 com uma ,dialetica tradicional3 e nada mais fazem doque cr]1 o que lhe-dise seu me/re1 que c]tos ,modos r$uzidos a c]tas ,figuras1 sam bons2 outros1 sam maos3 sem *eg>em a c]tific>-se1 que na v]dade asim 4 ,ora daqui saie por-legitima consequ5cia1 que1 se v]dade o que eles dizem1 que o silogismo o v]dadeiro e unico in/rum5to da-razam1 com o qual que se-pode *eg>1 ao conhecim5to das-coizas2 antes de ,ari/oteles1 n+uem racioc9\ bem1 nem teve conhecim5to c]to2 e despois dele1 entre v9temil om5s nam se-a*> um1 que goze esa =tuna4 ,mas eu creio que s]a l\co1 quem tirse tal consequ5cia3 obs]v&o-se cl>am5te1 que os ,om5s int5dem z coizas bem1 sem o dito socorro4 ,tomra que me-disesem1 com que outra ,dialetica conheceo ,ari/oteles1 que muitos daqueles ,modos eram c]tos1 e outros falazes2 s5am com a p5etrasam da-sua m5te1 que reconheceo a conv5i5cia que se-dava1 entre umas ideias1 e disconv5i5cia entre outras8 ,a nosa m5te tem de sua natureza a facilidade1 de conhec] a conexam de/as ideias1 a polas em boa ordem1 e tir> delas concluzo5s ju/as2 sem que p>a i/o a-prep>em1 com artificio algum4 ,dizei a uma molh] ru/ica1 convalec5te de uma gr&e inf]midade1 que asopra um norde/e agudo1 e que o ,ceo ameasa gr&e *uva3 ela facilm5te p]ceb]1 que nam tempo p>a sair de caza4 ,o seu juizo une com toda a facilidade1 e/as dif]5tes ideias2 ,norde/e1 ,nuv5s1 ,*uva1 ,umidade1 ,frio1 ,recaida1 ,p]igo de morte3 e i/o em um abrir de olhos2 sem t] necesidade daquela frma artificial1 e emb>asada de qu9ze ou v9te silogismos4 ,ora c]to1 que o silogismo nam sum9i/ra e/a faculdade de p]ceb]1 e ord5> z ideias2 nem sum9i/ra z ideias p>a iso3 e como de/as duas coizas dep5da tudo2 fica bem cl>o1 que nam s]ve p>a discorr] bem4 ,se ,v4 ,p4 obs]va o que dizem os doidos1 a*>1 que eles nam se-+anam nas consequ5cias1 mas nos-pr9cipios3 e por-iso discorrem mal4 ,unram-se por-alguma cauza1 no-int5dim5to de um doido1 duas ideias2 v4 g4 a que tem de si1 e a que tem de um ,rei3 po/as z quais1 discorre o omem mui bem3 qu] ,mage/ade3 qu] g5tilom5s1 e tr5o de sob]ano c4 ,e/as consequ5cias decem mui bem1 daquele pr9cipio3 todo o mal e/1 nas ideias que ele abras\1 e unio mal4 ,damesma sorte os que nam sam doidos3 nam consi/e o +ano nas consequ5cias1 porque a alma com toda a facilidade z-inf]e1 e p]cebe a conexam delas com os meios3 todo o ponto e/1 nos-pr9cipios1 e pr z ideias em boa ordem4 ,i/o nam sum9i/ra a ,silogi/ica1 e asim nam me-p>ece que pode s]vir1 p>a o que se-p]t5de4 ,a nosa m5te naturalm5te incl9a1 p>a admetir uma propozisam por-v]dadeira1 em virtude de outra admetida por-tal2 ao que *amam inf]ir3 e a*a com facilidade1 uma t]ceira ideia1 que t5ha conexam1 com ambas z duas4 ,progunto agora3 ou a m5te busc&o a ideia t]ceira1 se-c]tific\ da-conexam dela1 com z primeiras1 ou nam8 ,se a-procur\ asim1 fez um conhecim5to c]to3 se a nam-procur\1 fez um erro3 mas em ambos os cazos fez tudo1 sem silogismo4 ,se o omem nam tivese conhecido1 a conv5i5cia da-t]ceira ideia1 com z duas extremas2 nunca pud]a afirm>1 a consequ5cia4 ,ora c]to1 que o silogismo em nada contribue a mo/r>1 e =tific>1 a conexam d-meio com os extremos3 ele mo/ra som5te1 a uniam dos-extremos entre si1 em virtude da-conexam com o meio1 que ja e/ conhecida4 ,em uma palavra1 a9daque eu conhesa1 a quantidade1 e qualidade de duas propoziso5s1 nam sei se sam v]dadeiras3 e a ,silogi/ica som5te ens9a1 a inf]ir2 nam a conhec] z premisas3 se uma delas = falsa1 s] falsa a concluzam4 ,asimque nam o silogismo o que ens9a1 a discorr] bem3 antes tudo o contr>io2 conhece mais facilm5te o juizo1 a conexam de muitas ideias1 todas z vezes que e/am po/as em ordem natural2 doque r$uz9do-se s embrulhadas d-silogismo3 como a exp]i5cia todos os dias ens9a4 ,acrec5to a i/o1 que sem a boa ordem das-ideias1 nam se-pode d> boa ordem1 aos silogismos4 ,ponha ,v4 ,p4 um juizo embrulhado1 com mil ideias inco]5tes1 e v] se pode faz] algum silogismo4 ,polo contr>io1 ponha em boa ordem1 z ideias de um silogismo2 e v] com que facilidade se-int5dem sem silogismo1 que sempre mais emb>asado4 ,mais facilm5te se-int5de a conexam de omem1 e viv5te1 pondo z ideias ne/a ordem1 natural2 omem1 animal1 viv5te3 doque ne/a2 animal1 viv5te1 omem1 animal3 que a =ma d-silogismo4 ,quanto aos que dizem1 que o silogismo s]ve1 p>a descobrir os +anos dos-s(ismas1 e discursos retoricos2 c]to que se-+anam muito4 ,o motivo por-que nos-+anamos nos-tais discursos 1 porque ocupados da-beleza daquela meta=a1 ou p5sam5to delicado1 nam exam9amos a conexam das-ideias1 de que se-compoem4 ,explique ,v4 ,p4 o que diz o s(i/a1 sep>e umas ideias das-outras2 e v] que se-acaba o s(isma1 sem necesidade de silogismo3 porque po/as elas na sua ordem natural1 int5dem-se m>avilhozam5te1 se sam1 ou nam co]5tes4 ,e que outra coiza fazem os ,dialeticos vulg>es1 qu&o respondem a algum s(isma8 ,v4 ,p4 opor um s(isma2 e respondem-lhe logo3 ,di/+uo m9orem1 v4g4 mat]ialit]1 conc$o3 =malit]1 nego4 p$e ,v4 ,p4 a explicasam dos-tais t]mos2 e eles lha-dam com um discurso longo1 ou curto1 mas sem g5]o algum de silogismo4 ,onde p>ece-me que sem injuria podemos diz]1 que os que def5dem a necesidade d-silogismo1 como de uma famoza arma contra os s(ismas2 ou zombam1 ou nam int5dem o que dizem4 ,desorteque exam9&o bem o silogismo1 ele nam d ideias2 que sam os pr9cipios dos-nosos conhecim5tos3 nam d a boa ordem das-ideias1 e da-p]cesm1 porque iso faz a alma por-si s4 ,s]ve fom5te de pr em c]ta ordem1 z p\cas ideias que ns temos3 e o maior uzo que tem 1 nas disputas dos-,escola/icos2 aonde s vezes d a vitoria4 ,o mais in=mado ne/a arte1 confunde com eles1 e conv5ce o que nam tanto3 e a9da em tal cazo nam o-r$uz ao seu p>tido3 porque nunca se-vio1 que os silogismos produzisem ese bom efeito2 que aquele que fica conv5cido1 passe p>a a op9iam d-contr>io4 ,conhec] que nam sabe respond]3 mas nam receb] tanta luz1 que aja pas> p>a a p>te d-seu adv]s>io4 ,e/a a natureza d-silogismo4 ,mas a9daque e/a razam seja mui =te1 cuido que dos-mesmos pr9cipios dos-,escola/icos1 se-tira nova razam1 p>a se-excluirem1 e vem as]2 que z tais regras d-silogismo s s]vem1 p>a e/es silogismos simplezes1 feitos de propoziso5s que con/am de dois t]mos1 e ,v]bo3 v4 g4 ,todo o omem animal ,p$ro omem ,logo ,p$ro animal4 ,qu&o porem intramos nos-silogismos1 compo/os de v>ias propoziso5s1 e com mil t]mos obliquos2 l\cura p]suadir-se1 que neles valham tais regras1 tomadas no-rigor da-,logica4 ,incontram-se mil discursos de evid5cia tal1 que n5hum omem de juizo1 pode duvid> da-sua v]dade3 vemos cada mom5to discursos1 a que os ,logicos *amam ,sorites1 compo/os de dez1 e doze propoziso5s2 tam cl>os e manife/os2 que todos os-devem admetir1 a9da aqueles que nunca lram ,logica3 que a maior prova da-v]dade1 e evid5cia3 e contudo nam p]t5cem1 a ,figura alguma das-ditas4 ,sei1 que alguns de/es ,logicos antigos se-am(9am1 p>a lhe-descobrir a ,figura1 e ,modo2 mas sup]fluam5te3 pois a9daque dizem muitas coizas1 e apontam outras propoziso5s1 que expoem z ditas2 e nas quais expon5tes qu]em mo/r> de alguma maneira1 z regras2 nam provam o que dizem1 nem respondem ao que se-lhe-progunta3 fic&o sempre em p a dificuldade1 que o dito silogismo1 d-modo que se-propoem1 nam p]t5ce a ,figura alguma3 e contudo v]dadeiro1 e todos o-int5dem com facilidade4 ,e como nos-discursos famili>es1 nos-discursos oratorios1 e qu&o se-impugnam propoziso5s ou concluzo5s2 som5te se-uze de/es discursos compo/os2 fica cl>o1 que em n5huma de/as p>tes podem t] lug>1 z tais ,figuras3 e que nam s sam inutis1 mas imposiveis4 ,seguro a ,v4 ,p4 que t5do lido muito1 vi/o1 e ouvido muito1 e asi/ido a disputas de toda a consid]asam2 nam vi n+uem1 que se-s]vise da-dita ,frma4 ,nunca vi conv]t] ,ereje algum com frma ,silogi/ica1 nem ,ebreo1 ou ,atei/a4 ,e contudo t5ho-me a*ado em algumas p>tes1 com e/as trez sortes de pesoas1 e conv]sado com eles l>guisimam5te4 ,eles me-respondram sempre com razo5s ou boas1 ou ms2 mas nunca com frma ,silogi/ica3 e qu&o alguma vez suc$ia1 que o discurso caa em que/am de nome2 logo me-adv]tiam1 que deixase a ,dialetica1 e argum5tse com razo5s4 ,nem m5os falei com algum1 que me-disese1 t]-lhe suc$ido o contr>io3 nem a*o dogma algum1 que necesite da-frma ,silogi/ica1 p>a se-pod] int5d]1 ou explic>4 ,nam leio que ,cri/o1 ou os ,apo/olos se-s]visem d-silogismo1 p>a p]suadir z v]dades1 que def5diam2 e propunham3 nem a*o que a ,igreja ,romana1 ou os ,concilios uzasem de/a frma1 p>a decl>> alguma mat]ia controv]sa3 antes tudo o contr>io4 ,vejo que os ,,ss4 ,,pp4 encom5dam muito1 que os ,dogmas se-prvem com razo5s solidas1 fug9do de todas z sutilezas da-,dialetica3 e que eses mesmos ,padres praticam muito bem1 o que encom5dam4 ,o que mo/ra bem1 a n5huma necesidade1 ou utilidade de/es t]mos da-,escola1 na ,teologia4 ,alem di/o a*o outra nova razam1 p>a desprez> totalm5te e/as d\tr9as3 vem as]1 o enfadonho metodo que introduzem1 em todo o g5]o de discursos4 ,nam coiza mais dezagradavel e confuza1 que um longo discurso ,dialetico3 e nam discurso1 que1 r$uzido ao metodo da-,escola1 nam seja longuisimo4 ,um p>agrafo de discurso famili> mui breve e cl>o1 r$uzido a silogismos1 en*e boa meia folha de papel4 ,ouvem-se cem vezes os mesmos t]mos3 porque cada silogismo deve repetir1 uma das-propoziso5s d-antec$5te4 ,e tudo aquilo se-pode diz]1 em breves palavras1 e com muita cl>eza1 sem nem m5os introduzir um silogismo4 ,polo contr>io1 qu&o entra o silogismo1 neces>io recorr]1 a propoziso5s g]ais1 que nam toam bem1 nem provam muito3 e tem mais ap>5cia de declamasam1 que de prova filoz(ica1 e discurso s5sato4 ,e/a simplez propozisam3 ,qu]o-vos bem1 pois vos-t5ho ob$ecido1 e nam podeis duvid>1 da-s9c]idade comque vos-sirvo3 porque t5des exp]i5cia con/ante1 deque a n5hum outro o-faso3 pode d> de si ba/antes silogismos1 se ouv] quem a-dilate4 v4 g4 ,quem faz a outro1 tudo o que lhe-p$e2 d s9al c]to1 de lhe-qu]] bem4 ,eu t5ho-vos feito1 quanto me-t5des p$ido3 logo t5ho-vos dado um s9al c]to1 deque vos-qu]o bem4 ,o s9al c]to d-qu]] bem1 nam pode sep>>-se1 d-mesmo qu]] bem3 logo se eu vos-d\ um s9al c]to1 deque vos-qu]o bem1 ob$ec5do ao que me-ord5ais2 c]to1 que vos-qu]o bem4 ,provo a maior4 ,quem faz a outro1 tudo o que lhe-p$e1 e o outro nam pode duvid>1 da-s9c]idade com que lhe-ob$ece2 d-lhe um s9al c]to1 de lhe-qu]] bem4 ,eu t5ho-vos feito quanto me-p$i/es1 e alem diso vs nam podeis duvid>1 da-s9c]idade d-afeto1 com que vos-sirvo3 logo faz5do-vos o que me-p$is1 d\-vos um s9al c]to1 de vos-qu]] bem4 ,provo e/a maior4 ,quem t5do uma exp]i5cia con/ante1 deque um sugeito que conhece1 a n+uem co/uma s]vir2 nam ob/ante iso tem outra exp]i5cia con/ante1 deque e/e mesmo sugeito o-s]ve a ele2 recebe um s9al c]to1 da-s9c]idade com que lhe-ob$ece4 ,vs t5do con/ante exp]i5cia1 deque eu nam sirvo a n+uem2 nam ob/ante iso t5des outra exp]i5cia con/ante1 que eu sempre vos-sirvo1 e ob$eso3 ,logo t5do vs e/as duas exp]i5cias1 recebeis um s9al c]to1 da-s9c]idade com que vos-ob$eso4 ,nam qu]o cont9u> mais1 os silogismos da-maior3 e nem m5os qu]o cont9u>1 z provas da-primeira m5or subsumpta3 o que dise ba/a p>a prov>1 que qualqu] pequ5a propozisam compo/a1 pode produzir mil silogismos4 ,ora c]to1 que a primeira propozisam cl>a1 e todos a-int5dem3 e aquela longa enfiada de silogismos oscura1 e s a-int5dem1 os que sabem a frma ,silogi/ica3 e contudo iso nam diz mais1 doque dizia a primeira propozisam4 ,d-que se-conclue1 que o dito metodo se-deve desprez>1 qu&o nam fose por-outra razam mais1 que por-s] enfadonho1 e cauz> mole/ia sem utilidade4 ,dirme ,v4 ,p4 que e/e meu discurso tem por-fim1 cond5> todo o silogismo3 e de/]r> d-mundo todos os livros1 que se-explicam por-silogismos3 e mo/r>1 que nam s sam inutis1 mas prejudiciais3 como ja me-respondeo um ,dialetico4 ,mas a i/o respondo1 que nam esa a m9ha int5sam4 ,confeso1 que todos os nosos discursos1 se-podem r$uzir em silogismos3 um s]mam1 um discurso famili>1 uma escritura que p]suade1 um inteiro livro1 pode-se *am>1 silogismo compo/o de inf9itos t]mos obliquos3 nas mesmas demon/raso5s matematicas1 se-podem descobrir silogismos4 ,a9da digo mais1 nam discurso que p]suada1 que nam seja em vigor de um silogismo1 ou cl>o1 ou oculto4 ,contudo iso def5do1 que de p\ca ou n5huma utilidade o silogismo1 p>a quem -de discorr] bem4 ,nam o mesmo int]vir o silogismo em tudo1 que s] a unica arma1 com que se-discorre bem2 desorteque quem nam tem esa noticia1 seja obrigado a discorr] mal4 ,qu&o ,ari/oteles escreveo1 z suas reflexo5s sobre o silogismo2 nam nos-quiz ens9>1 a faz] silogismos2 porque iso fazemos ns sem reflexam1 nem e/udo algum3 quiz som5te mo/r>-nos1 em que se-fundava1 a v]dade dos-nosos conhecim5tos discursivos3 e como proc$ia o int5dim5to1 qu&o cons5tia em algum objeto4 ,porem nam devemos daqui inf]ir1 que sem pratic> adv]tidam5te1 tudo o que ele propoem1 nam posamos discorr] bem3 nam s5hor3 a dita noticia mais especulativa1 que pratica4 ,abrse ,v4 ,p4 bons pr9cipios1 e evid5tes2 e v] que p]feitos racioc9ios frma1 sem noticia alguma da-,silogi/ica3 explic>meei com um exemplo4 ,p>a com] alguma coiza1 e com iso su/5t>-se um omem1 neces>io mov] uma gr&e quantidade de musculos1 que se-movem matematicam5te4 ,qu]-se uma p>ticul> dispozisam da-l+ua1 p>a empurr> o com] p>a os-d5tes1 e despois p>a a goela3 qu]-se a saliva1 p>a ajud> a triturasam1 e o f]m5to no-e/omago3 e f9alm5te mil outras coizas1 que agora me-nam-ocorrem4 ,tudo i/o tam neces>io1 e e/as coizas e/am tam unidas1 que falt&o uma1 nam suc$]ia o cazo4 ,s]ia porem l\co quem1 ouv9do i/o1 nam quizese com]1 sem sab] primeiro tudo1 quanto tem dito os ,matematicos1 sobre z leis d-movim5to1 e sobre a ,mecanica3 como tambem tudo o que tem dito os ,anatomicos2 sobre os ditos musculos1 umores1 f]m5taso5s c4 ,e/e omem morr]ia de fome1 no-mesmo tempo que outro1 r9do-se da-sua l\cura1 com]ia mui descansado1 e com muito go/o4 ,a razam di/o 3 porque sem tanta erudisam1 a ma*9a d-noso corpo e/ dispo/a em modo1 que met5do o com] na boca1 e qu]5do ma/ig>1 7fra dos-imp$im5tos7 tudo aquilo se-faz1 sem e/udo ou reflexam alguma4 ,damesma sorte a ma*9a espiritual da-nosa alma1 7se me- licito1 s]vir-me de/a expresam7 recebeo tal faculdade de ,deus1 que conhece todas z coizas evid5tes1 e especialm5te a conexam de umas ideias com outras1 sem e/udo ou artificio algum3 a9daque nese mesmo ato de conhec]1 pratique aquilo1 que sup]fluam5te apr5d]ia de outro4 ,daqui fica cl>o1 que s]v9do-nos d-silogismo p>a p]suadir1 nem por-iso somos obrigados1 a sab] e/as coizas4 ,contudo aprovo que se apr5da1 alguma noticia mais g]al3 o que se-pode faz] em duas palavras4 ,pode alem diso o silogismo t] seu uzo entre aqueles1 que desde rapazes e/am aco/umados a ele4 ,quiz]a porem que a g5te reconhecse1 que o silogismo vale dez1 e nam cem1 nem mil3 e que nam nos-quebrasem a cabesa com o silogismo1 como uma inv5sam s+ul>1 p>a conhec] a v]dade1 e aum5t> os conhecim5tos1 nas ,ci5cias4 ,explico i/o com outro exemplo1 de que ja se-s]vio um gr&e omem1 d-seculo pasado4 ,vemos om5s de vi/a tam curta1 que nam podem v] di/9tam5te os objetos1 em alguma di/ancia1 sem uns oculos sumam5te concavos de uma1 ou de ambas z p>tes4 ,mas porque eles nam vem sem eles1 nem por-iso devem julg> o mesmo1 dos-outros3 porque muitos1 que vem m>avilhozam5te1 sem tal socorro4 ,damesma sorte a alma dos-,escola/icos1 nam ve sem os oculos d-silogismo3 que lhe-fasa muito bom proveito1 e se-sirvam deles quanto quiz]em3 a alma porem dos-outros om5s1 ex]cit&o-se em discorr] com adv]t5cia1 pode v] a conexam das-ideias1 sem aquele socorro4 ,sirva-se cadaum d-que quiz]1 e mais lhe-convi]3 o que importa 1 que os ,p]ipateticos nam julguem todos1 pola mesma m$ida3 e da-falta de oculos nos-outros1 nam infiram1 que todo o mais mundo &a s cegas4 ,conheso1 que algumas vezes se-pode uz> d-dito metodo1 com utilidade2 qu&o se-qu] introduzir um dialogo1 p>a evit> os discursos compridos1 e oratorios4 ,mas em tal cazo sam neces>ias v>ias cautelas1 p>a s] util o dito metodo3 porque se deixamos prov> a cadaum o que qu]2 caimos no-defeito1 que qu]ia-mos evit>4 ,deve pois evit>-se toda a sup]fluidade1 e toc> unicam5te o ponto da-que/am4 ,mas ne/e cazo1 nam tanto e/imado o tal metodo1 por-s] ,escola/ico1 mas por-s] metodo de dialogo3 no-qual se-propoem a dificuldade1 por-uma p>te1 e da-outra se-lhe-d a respo/a4 ,temos um belo exemplo1 no-,concilio g]al ,flor5t9o1 congregado por-,eug5io ,,iv4 ,como nele se-avia trat>1 da-uniam da-,igreja ,grega1 com a ,lat9a2 sobre alguns pontos em que div]sificavam2 escolhram-se seis om5s de cada p>te1 p>a exam9>em a que/am1 e diz]em o que se-avia propor1 por-uma e outra p>te3 e lhe-ord5ram1 que1 deixados os discursos compridos1 seguisem um metodo breve1 e dialetico4 ,mas quem exam9a nos atos d-tal ,concilio1 que coiza era e/e metodo dialetico1 a*a1 que nada mais era1 s5am um dialogo sem rodeios1 nem prolixidades3 no-qual de uma p>te1 um punha a dificuldade3 e da-outra1 o seu opozitor respondia sim1 ou nam3 ou brevem5te dava a razam1 porque duvidava c4 ,e/a foi toda a ,dialetica1 que se-pratic\ na dita disputa3 o que bem mo/ra1 que muitas vezes se-*am\ dialetico1 o e/ilo de fal> concizo e breve2 sem aquelas ,figuras que con/ituem1 o e/ilo retorico3 e i/o o mesmo que eu digo1 s] muito util4 ,mas nam a*> ,v4,p4 que se-fizese cazo1 das-ridicul>ias da-,logica vulg>3 ou que1 faz5do-se1 rezultse da utilidade alguma3 que era o que eu asima dizia4 ,nem cuido que ,v4 ,p4 me-mo/r>1 que s ,ci5cias rezultase utilidade alguma1 d-uzo d-silogismo4 ,a fal> v]dade1 n5hum omem d\to cuid\ nunca ne/as ridicul>ias3 os s(i/as sim4 ,os seculos d-silogismo =am os mais b>b>os1 e ignorantes4 ,ele comes\ c no-,ocid5te no-,,ix4 seculo3 aum5t\-se com muito mais exceso no-,,xi4 e dur\ at o meio d-,,xvi4 ,e que coiza boa a*a ,v4,p4 neses tempos8 ,polo contr>io1 desde o pr9cipio d-,,xvii4 em que o silogismo se-comes\ a deix>1 e se-procur\ outro metodo2 o aum5to tam s5sivel1 que s]a l\cura mo/rlo3 muito mais ne/e ultimo seculo1 em que os olhos e/am mais ab]tos4 ,asimque1 com e/es exemplos vi/a1 nam p>ec] m>avilha que eu diga1 que o silogismo vale p\co1 e tem s]vido de muito p\co3 e que av5do outra ideia melhor1 l\cura1 demor>-se com ele4 ,de tudo i/o concluo1 que a ,logica que pode s]vir no-mundo1 mui div]sa1 de/a *amada ,logica das-escolas3 a qual por-muitos pr9cipios nem m5os se-deve l]4 ,creio que ,v4,p4 me-p]do> e/a digresam1 com que int]rompi1 o que lhe-qu]ia diz] da-,logica2 se-quiz] refletir1 que nam alheia d-meu argum5to3 antes ju/ifica o que abaixo lhe-direi1 e me-p\pa algumas repetiso5s4 ,torno ideia1 que lhe-qu]ia d> da-,logica4 ,digo pois1 que o metodo de filoz(> nam se-deve seguir1 porque o diz e/e1 ou aquele autor3 mas porque a razam e exp]i5cia mo/ram1 que se-deve abras>4 ,i/o o que eu nam poso met] em cabesa1 a muita g5te3 porque a maior p>te d-mundo1 nam exam9a os pr9cipios das-coizas2 mas vam uns detraz dos-outros como c>neiros2 sem mais eleisam1 que o co/ume3 e antes qu]em err>1 por-cabesa alheia1 que ac]t> pola propria4 ,p]suadem-se1 que os velhos nam podem ens9>1 coiza alguma m3 e recebem os tais ditames1 com a posivel v5]asam4 ,n5hum toma o trabalho de exam9>1 se a op9iam boa1 ou m3 uma vez que a-dis]am os antigos me/res1 o que ba/a4 ,de que nace1 que om5s de +5ho mui p]spicaz1 seguem d\tr9as contr>ias a toda a boa razam2 e que eles mesmos dezaprovam1 qu&o lhas-explicam bem4 ,entre tantos ,p]ipateticos1 que ,v4,p4 conhece1 nam a*> algum que duvidse uma s vez1 se ,ari/oteles na sua ,logica dise bem1 ou mal3 como con/e que o-dise ,ari/oteles1 o que ba/a3 nam falt> modo de explic>1 a dita d\tr9a1 ou texto4 ,e de/e pr9cipio nacem1 aqueles gr&es com5t>ios1 com que am(9am a paci5cia ao mundo2 e fazem p]d] o tempo1 nas escolas4 ,bem cl>o que um omem1 que escrupulozam5te com5ta um autor1 supoem s] v]dade1 quanto ele diz3 pois de outra sorte1 devia faz] um rigorozo exame1 na mat]ia que com5ta4 ,e eisaqui tem ,v4,p4 que e/es tais1 qu]5do ens9> aos outros a discorr] bem1 eles sam os primeiros1 que discorrem muito mal4 ,falava eu em c]ta ocaziam1 com um me/re ,p]ipatetico1 e ca9do o discurso sobre uma de/as mat]ias1 me-produzio ele um texto d-,filoz(o1 em uma que/am bem controv]sa4 ,respondi eu1 que nam me importava1 o que dizia o ,filoz(o1 mas o que ele na dita conv]sasam me-provava4 ,aqui admirado o omem clama logo1 ,v4,p4 nam pode neg> o texto3 deve expliclo4 ao que eu pontualm5te respondi3 ,quem lhe-dise a ,v4,p4 que eu nam poso neg> o texto8 dise-lho algum concilio ,ecum5ico1 ou algum texto da-,escritura8 ,se ,v4,p4 me-citse1 alguma propozisam de ,euclides2 em tal cazo lha-admetiria2 nam porque ,euclides o-dise1 mas porque a evid5cia mo/ra1 que dise bem2 e todos reconhecem a v]dade1 das-ditas propoziso5s3 fra daqui nam admito s5am aquilo1 que me-provam com cl>eza1 e v]dade4 ,onde neces>io que ,v4,p4 primeiro que tudo1 me-prove trez coizas4 #a4 ,que ,ari/oteles nam podia diz] uma p>voice1 adv]tidam5te4 #b4 que nam podia +an>-se4 #c4 que o que ns oje a*amos nos-seus escritos1 seja v]dadeiram5te o que ele dise3 po/as e/as circun/ancias consid]>ei entam1 o que ei-de respond] ao texto4 ,at aqui o discurso1 que eu tive com o dito ,padre4 ,agora acrec5to1 que o dito me/re1 ouv9do e/as m9has razo5s1 nam se-aquiet\3 mas cont9u\ de admir>-se damesma sorte1 que se nam lhe-tivesem respondido coiza alguma4 ,concluo pois1 que neces>io seja bem l\co1 quem nam conhece1 quam gr&e imp$im5to seja1 p>a discorr] bem1 seguir z pizadas de um autor s1 ou seja ,ari/oteles1 ou algum mod]no4 ,a ,v]dade1 e a ,razam uma s4 ,todos podemos discorr]1 e int5d] o que nos-dizem3 e quem fala em maneira que melhor o-int5dam1 e prova melhor o que diz1 ese que se-deve seguir1 com pref]5cia aos outros4 ,se acazo nam prova o que diz1 antes o que diz nam p>ece bem1 ou razo5s p>a se-int5d]1 que mao2 nam se-deve faz] cazo1 de tais discursos4 ,e/a a p$ra de toque1 nam s da-,logica1 mas de qualqu] outra ,faculdade3 tom> por-pr9cipios coizas tais1 que z-int5dam todos1 os que dam alguma at5sam s ditas regras3 mas pr9cipalm5te neces>io1 na ,logica4 ,c]tam5te que a ,logica nam foi feita1 p>a ,cl]igos1 ou ,frades1 ou pesoas de uma exquizita erudisam3 deve s]vir a todos os que falam1 e racioc9am3 e nam s em discursos e/udados2 mas em qualqu] sorte de discurso1 publico ou p>ticul>2 s]io ou agradavel4 ,se ela s]ve1 p>a ens9> a discorr] bem1 deve d> ditames1 que posam s]vir em toda a p>te1 em que se-discorre1 e se-deve discorr] bem4 ,importa p\co1 o que dise e/e ou aquele1 da-,logica3 o que importa 1 facilit> os meios1 p>a nam se-+an>3 e busc> p>a i/o um metodo1 que a boa razam p]suade s] util1 e os om5s que tem voto na mat]ia1 reconhecem com razam1 e exp]i5cia1 s] o unico meio1 p>a conseguir aquele fim4 ,alem diso propolo de um modo1 que qualqu] pesoa de juizo1 se-capacite da-dita v]dade4 ,i/o supo/o1 f>ei a ,v4,p4 algumas reflexo5s1 sobre o metodo de dirigir o juizo4 ,mas devo supor1 que falo com um omem1 sem n5huma preocupasam3 e que nam t5ha lido ,logica alguma3 ou1 se a-tem lido1 que procure esquec]-se de tudo3 mas no-mesmo tempo que t5ha juizo cl>o1 p>a conhec] z coizas4 a e/e omem f>ei1 z segu9tes reflexo5s4 ,,ideia ,,da ,,logica ,ns temos uma alma capaz de conhec]1 todas z coizas de/e mundo4 ,recebemos d-,criador e/a alma1 dotada de maior p]spicacia1 doque oje nam temos4 ,o pecado de noso primeiro pai1 nos-tr\xe por-ca/igo1 s]mos sugeitos ao +ano3 e por-p5a d-mesmo pecado se-nos-limit\1 a esf]a da-nosa p]spicacia3 nam conhecemos tam bem como ele1 e somos mais sugeitos1 a conhec] mal4 ,contudo a alma a mesma1 que era ao pr9cipio3 foi criada p>a conhec] a ,v]dade1 e fic\-lhe sempre a prop5sam p>a ela3 em modo que1 qu&o a alma ve uma v]dade cl>a1 nam pode deix> de conhecla1 e abrasla4 ,n5hum omem de juizo duvda1 se omem3 n5hum duvda1 se fala1 ou e/ calado2 se e/ em p1 ou as5tado3 por-=sa -de admetir uma de/as coizas1 porque sam mui cl>as2 e uma delas -de s] v]dade4 ,por-iso ns pecamos1 e pec&o nos-desviamos da-v]dade da-lei div9a1 que tam con=me boa razam2 porque nam damos at5sam1 dita v]dade3 que se a-desemos1 sem duvida fic>iamos p]suadidos1 que se-devia pratic>1 o que ela diz4 ,mas a rebeldia que exp]im5tamos1 no-noso corpo1 que com dificuldade se-sugeita1 aos ditames d'alma2 a cauza de/e mal4 ,ele nos-incl9a sempre1 p>a a p>te contr>ia1 com a isca de coizas agradaveis3 e a alma1 div]tida com outras consid]aso5s1 dificultozam5te volta os olhos p>a a v]dade3 e por-iso a-nam-recebe3 e por-iso peca4 ,e/a a origem1 de todos os nosos +anos1 e de todos os nosos danos4 ,se a alma nam fose arra/ada1 polos tumultos da-fantezia1 que comum5te a-+ana2 conhec]ia mui bem toda a v]dade3 nam s aquelas que conduzem1 p>a posuir um bem et]no2 mas tambem1 e/as v]dades indif]5tes das-coizas naturais3 e discorr]ia sem +ano1 em toda a mat]ia3 mas z cauzas dos-+anos sam tam frequ5tes1 ne/a vida mortal2 que nam m>avilha1 se os om5s ajuizam tam mal3 e ajuiz&o asim1 obrem em tudo mal4 ,i/o supo/o1 a unica m$ic9a que se-tem a*ado1 p>a ajuiz> bem1 desvi> z cauzas1 que nos-conduzem ao +ano4 ,ponho de p>te1 o ajuiz> bem p>a conseguir1 a bemav5turansa sobr5atural3 7a9daque daqui posa receb] muita luz2 contudo como necesita de outras coizas1 e nam ese o meu argum5to2 por-iso o-deixo7 e falo som5te d-discorr] bem1 em todas z outras mat]ias4 ,digo pois1 que o v]dadeiro segr$o de ajuiz> bem1 desvi> z cauzas que nos-+anam1 e fazem julg> mal4 ,p>a faz] i/o1 neces>io exam9> os modos1 com que a alma conhece2 e meios de que se-s]ve1 p>a se-explic>4 ,ns nam trazemos da-b>riga da-ma51 conhecim5to algum3 todos os-adqu]imos despois de nacidos4 ,ba/a olh>1 p>a o que faz um m59o2 p>a v] a sua ignorancia1 e que nace despido de todo o conhecim5to4 ,ele apr5de a sua l+ua1 como ns apr5demos uma l+ua e/rangeira3 qu]o diz]1 asimcomo ns1 apr5d5do uma l+ua e/rangeira1 s =mamos ideia dos-nomes que vamos apr5d5do1 e nam daqueles que a9da nam ouvimos3 asim tambem um m59o1 s tem ideia das-palavras que ouve1 e n5huma das-outras1 que nunca ouvio4 ,mas alem diso nem m5os tem ideia das-coizas1 que significam os tais nomes1 s5am das-que ve1 ou ouve4 ,um m59o nam pr(]e1 s5am z palavras que ouve3 s int5de e fala daquilo1 que lhe-tem dito1 ou vi/o4 o que mo/ra cl>am5te1 que nam tem outros conhecim5tos1 s5am os que entram polos s5tidos4 ,os que def5dem ideias inatas1 que mo/rem alguma1 que nam entre polos s5tidos2 ou nam se-d$uza das-ideias1 que intrram por-eles3 e/\ c]to1 que nam ap>ec] alguma1 a que nam posamos descobrir1 e/a origem4 ,sam pois os s5tidos1 z pr9cipais portas1 polas quais entram z ideias1 na alma4 ,umas de/as ideias entram1 por-um s s5tido3 v4 g4 a ,solididade dos-,corpos1 que entra polo tato3 outras entram por-dois s5tidos3 v4 g4 a figura1 que pode intr> polo tato1 e juntam5te polos olhos4 ,algumas ideias orig9am-se em ns1 com a m$itasam1 ou reflexam3 de/e g5]o a vontade1 p]cesam c4 ,outras entram umas vezes por-s5sasam2 outras1 pola reflexam3 v4g4 o go/o1 dor1 exi/5cia1 unidade1 pot5cia1 sucesam4 ,f9alm5te muitas ideias simplezes1 se-orig9am em ns1 por-meio das-cauzas privativas2 tais sam z ideias que ns temos1 das-qualidades dos-corpos3 v4g4 a ideia de negrura c4 ,o exame dilatado de/e negocio1 p]t5ce a outro lug>3 ba/a por-agora que o ,logico conhesa1 que por-todas e/as vias podemos receb]1 ideias simplezes4 ,admiravel a virtude que a alma tem1 p>a unir1 e comb9> e/as dif]5tes ideias simplezes1 que por-e/e modo recebe4 ,v]dade 1 que alma nace despida1 de todo o conhecim5to atual3 mas fica mui bem recomp5sada1 com a virtude de-que ,deus a-dot\1 de pod] conseguir muitas1 e novas ideias1 com dif]5tes comb9aso5s4 ,un9do z ideias1 que intrram polos s5tidos1 frma a alma muitas outras ideias3 outras vezes exam9&o z proprias ideias1 nacem dif]5tes ideias na alma4 ,de/a dif]5te comb9asam de ideias1 nacem todas z ideias compo/as1 que ne/a vida exp]im5tamos4 ,mas a9daque sejam inf9itas z ideias compo/as1 que a alma frma1 podem-se r$uzir1 a trez sortes de ideias3 que sam z ideias dos-,modos1 das-,su/ancias1 e das-,relaso5s4 ,z ideias dos modos sam aquelas ideias que ns =mamos1 de div]sas coizas que nam exi/em por-si1 mas sam dep5d5cias de outras coizas4 v4g4 a ideia que eu t5ho de um triangulo1 de uma coluna1 de um circulo c4 ,e/as a9da sam de duas maneiras3 ou sam ideias de modos simplezes1 ou de modos mixtos4 ,*amo modos simplezes1 s ideias dos-modos1 que sam compo/as1 de duas ideias damesma especie3 v4g4 a ideia que eu t5ho de doze1 de cem c4 que compo/a das-ideias1 de muitas unidades juntas3 a ideia de im5sidade1 que compo/a1 da-repetisam de dif]5tes ideias de di/ancia1 repetidas sem fim3 e como cada di/ancia se-supoem s]1 uma modificasam de espacio2 a dita ideia uma ideia compo/a4 ,*amo modo mixto1 uma ideia compo/a1 de modos de dif]5te especie3 v4 g4 a ideia de beleza1 que um compo/o de dif]5tes cores1 e proporso5s1 que d go/o v5do-se4 tambem a idea de amizade1 m5tira1 obrigasam c4 ,e/as ideias une o int5dim5to1 sem exam9> se exi/em1 ou nam3 e a e/as d o nome1 que lhe-p>ece4 ,os om5s porem comum5te1 recebem e/as ideias dos-outros1 que lhe-explicam o significado1 de muitos t]mos4 ,desorteque ou por-aplicasam1 ou por-exp]i5cia recebemos z ideias1 dos-modos mixtos4 ,a segunda especie de ideias1 sam z das-,su/ancias4 ,nam pod5do ns int5d]1 como z ideias simplezes exi/am por-si s1 nos-aco/umamos a supor alguma coiza1 que z-su/5ta3 ao que damos o nome1 de ,su/ancia4 ,digam o que quiz]em1 os que falam de ,su/ancia1 como de uma coiza1 que eles int5dem bem o que 2 c]to 1 que nam tem os om5s1 mais cl>a ideia de su/ancia4 ,onde ideia de su/ancia1 ideia de uma c]ta coiza incognita2 a qual1 qu&o ns qu]emos explic>1 nam sabemos diz] o que 3 mas som5te dizemos2 que uma coiza1 que ns supomos s] a baze1 daquelas ideias que vemos4 ,e e/a ignorancia aplicavel1 a qualqu] sorte de ideia de su/ancia4 ,quanto s ideias das-p>ticul>es su/ancias1 esas =mamos ns1 un9do quantas ideias podemos t] de uma coiza4 v4g4 un9do a ideia de cri/al9o1 durisimo c4 =mamos ideia1 d-diamante4 ,mas alem de/as1 devemos unir-lhe1 a ideia confuza que ns temos1 de uma coiza que z-su/5ta3 e daquelas ideias1 e de/a1 rezulta a ideia compo/a1 que ns temos ne/e mundo1 da-su/ancia d-diamante4 ,d-que se-segue1 que tam cl>a ideia temos ns1 da-su/ancia d-,corpo1 como d-,espirito3 pois n5huma outra ideia temos mais1 que dos-modos ou efeitos1 que se-obs]vam2 unidos dita ideia de uma coiza1 que supomos su/antla3 cujos efeitos tam cl>am5te se-conhecem d-,espirito1 como d-,corpo4 ,alem de/as ideias de su/ancia1 =mamos outra ideia compo/a1 ou complexa de su/ancia1 un9do dif]5tes ideias de su/ancias4 v4 g4 un9do dif]5tes ideias de naos1 pesas de artilh>ia1 m>9heiros1 almirante c4 fazemos a ideia complexa de armada3 e damesma sorte de ex]cito1 mundo c4 ,a e/as damos um s nome1 porque na v]dade uma s ideia4 ,a t]ceira sorte de ideias1 sam z ,relaso5s4 ,e/as frma a alma1 comp>&o uma coiza com outra3 de que nacem mil d5om9aso5s1 que tem proprios nomes1 e nos-conduzem a conhec]1 outra coiza3 e sem os tais nomes1 nam conhecemos muitas relaso5s4 ,e/es nomes s se-podem d>1 qu&o se-poem o fundam5to deles4 v4 g4 ,p$ro omem3 mas se ele se-caza1 e/e contrato s]ve p>a lhe-d> o nome1 de m>ido4 ,e/as ideias de relaso5s1 sam muitas vezes mais cl>as1 que z ideias das-coizas1 que e/am sugeitas s ditas relaso5s2 ou das-su/ancias4 ,a ideia de pai1 e irmam mais cl>a1 que a ideia de omem3 e com muita mais facilidade eu int5do1 que coiza um irmam2 doque int5do1 que coiza um omem4 ,conhece-se mais cl>am5te1 que coiza um amigo1 doque que coiza ,deus4 ,porque o conhecim5to de uma zm1 ou de uma simplez ideia1 ba/a muitas vezes1 p>a me-d> o conhecim5to1 de uma relasam4 ,polo contr>io1 p>a conhec] um s] su/ancial1 neces>io um exato conhecim5to1 de uma colesam de ideias4 ,devemos porem adv]tir1 que todas e/as relaso5s se-t]m9am1 em ideias simplezes3 a9daque nos-p>esa1 tudo o contr>io3 e os nomes que conduzem a m5te1 p>a conhec] outra coiza1 alem d-sugeito da-d5om9asam2 sempre sam relativos4 ,que todas z relaso5s sejam compo/as1 de ideias simplezes1 coiza p>a mim c]ta3 mas p>a o-prov>1 s]a neces>io1 faz] um longo discurso1 sobre todas z especies de relaso5s3 p>a mo/r>1 donde vem a ideia de ,cauza1 ,efeito1 ,lug>1 ,ext5sam1 ,id5tidade1 ,div]sidade c4 como tambem z relaso5s morais3 v4 g4 ,bem1 ,mal1 ,crime1 ,inoc5cia c4 ,mas rez]vo-me p>a explic> iso a ,v4 ,p4 em outra ocaziam3 e agora cont9uo z m9has reflexo5s4 ,e/a em breve a origem1 de todas z nosas ideias4 ,daqui fica cl>o1 que das-nosas ideias umas sam simplezes1 outras compo/as3 umas adv5ticias1 que entram polos s5tidos1 e outras que a m5te faz1 a que *amam faticias4 ,de/as umas sam cl>as1 outras confuzas2 umas adequadas1 e outras inadequadas4 ,f9alm5te reais1 e *im]icas2 s+ul>es1 p>ticul>es1 e univ]sais4 ,de todas z ideias1 z que mais frequ5tem5te faz a alma1 sam z univ]sais4 ,e/as frma a alma1 consid]&o uma coiza1 que tem outras semelhantes3 onde consid]&o todas em uma masa1 sem consid]> dif]5sa alguma p>ticul>1 =mamos ideia univ]sal4 v4 g4 ,temos trez sortes de triangulos3 um se-*ama ,equilat]o1 outro ,isosceles1 e o t]ceiro ,escal5o3 cada um dos-quais tem suas p>ticul>es propri$ades4 ,mas consid]&o os ditos triangulos som5te1 como uma figura de trez angulos1 sem det]m9> z propri$ades de cadaum1 =mamos uma ideia univ]sal1 que se-pode aplic>1 a cada triangulo de p]-si4 ,e/e modo de consid]>1 se-*ama nas escolas precizam3 palavra tirada d-v]bo ,prsc9do1 ou ,prcido1 que o mesmo que cort>1 sep>>3 porque sep>amos os triangulos1 das-suas propri$ades4 ,e/as ideias univ]sais tem entre os ,logicos1 div]sos nomes4 ,*amam a uma1 ,g5]o3 a outra1 ,especie1 ,dif]5sa1 ,proprio1 ,acid5te4 ,ba/a int5d] brevem5te1 o significado de/as vozes1 p>a pod] s]vir-se na ocaziam2 e int5d] o que os ,logicos1 qu]em diz] com elas3 nam consid]o outra utilidade1 ne/es c9co ,pr$icaveis4 ,polo contr>io1 tudo quanto deles dizem os ,logicos1 comum5te falso3 pois supoem cl>am5te1 que ns temos p]feito conhecim5to1 das-,es5cias3 o que manife/a falsidade4 ,s5do pois1 que z nosas ideias1 s se-podem comunic> aos outros1 por-meio daqueles s9ais1 a que *amamos vozes2 devemos faz] alguma reflexam1 sobre esas mesmas vozes1 ou palavras3 o que pode cont]1 alguma coiza util4 ,z palavras nam significam os p5sam5tos1 por-virtude natural2 mas porque asim o-det]m9ram os ,om5s4 ,a maior p>te das-palavras sam g]ais1 qu]o diz]1 significam ideias g]ais3 porque s]a imposivel1 e inutil1 que cada coiza p>ticul>1 tivese um nome di/9to3 o com]cio umano f>seia insuportavel1 e os ,om5s nam aum5t>iam os seus conhecim5tos4 ,aco/um&o-se os ,om5s1 a faz]em ideias ab/ratas1 d]am-lhe nomes1 a que *amam g]ais1 ou univ]sais4 nomes p>a z ideias simplezes1 p>a os-modos1 e relaso5s c4 e todos e/es neces>io sab]1 como se-=mam1 e que coizas p>ticul>es tem4 ,suc$e s vezes1 que se-introduzam imp]feiso5s nas palavras1 por-cauza que z ideias que significam1 sam mui complexas1 e sam cauza que os nomes fiquem duvidozos4 ,suc$e tambem1 que os ,om5s abuzem das-palavras1 s]v9do-se de umas1 a que nam dam significado c]to1 ou lho-dam mui oscuro c4 ,devem-se rem$i> e/es defeitos3 t5do prez5te a origem deles1 e o modo com que se-rem$eiam3 o que se-obs]va nos-autores1 que explicam i/o4 ,i/o o que p]t5ce1 ,p]cesam4 ,alem da-faculdade que a m5te tem1 de =m> ideias1 a cuja damos o nome de ,p]cesam2 tem mais outra faculdade1 de comp>> uma ideia com outra1 e reconhec] a conv5i5cia1 e disconv5i5cia delas3 ao que *amamos ,cons5tim5to1 ou ,juizo4 ,asimque o julg> nada mais 1 que c]tific>-se a m5te1 que uma coiza convem a outra1 ou nam convem3 e comp>&o ela uma ideia com outra2 reconhece1 e se-c]tifica da-conv5i5cia1 ou disconv5i5cia4 ,se o juizo se-explica1 com z vozes2 *ama-se ,propozisam1 ou ,enunciasam3 e em tal cazo1 tanto aquilo a que convem uma coiza1 como z vozes porque se-explica2 *ama-se sugeito da-propozisam3 e o que convem1 *ama-se pr$icado4 ,dec5do pois div]sidade de juizos1 digo1 que se a m5te se-c]tifica1 da-conv5i5cia entre duas propoziso5s1 *ama-se juizo afirmativo2 se da-disconv5i5cia1 *ama-se negativo4 ,nam digo1 que aja juizos negativos1 no-s5tido em que o-tomam os ,logicos vulg>es3 mas *ama-se afirmativo1 ou negativo1 segundo a coiza que afirma4 ,e/a div]sidade de propoziso5s1 ou juizos1 alcansa-se d-s5tido1 nam das-palavras3 z quais s5do negativas1 podem t] s5tido afirmativo4 ,o que muitos nam adv]t9do1 fazem mil disputas1 e ar5gas sobre coizas bem cl>as4 ,qualqu] dos-nosos juizos1 7o mesmo digo das-propoziso5s1 que sempre correspondem aos juizos7 afirmativo1 ou negativo1 ou explica o nome2 ou explica z nosas ideias2 ou explica alguma outra coiza que exi/e3 ao primeiro *amamos1 juizo ,nom9al3 ao segundo1 ,ideial3 ao t]ceiro1 ,real4 v4g4 ,qu&o eu digo3 ,o oiro nam p$ra3 e/e juizo real4 qu&o digo3 ,a ideia que eu t5ho de p$ra1 dif]5te da-ideia1 que t5ho de oiro3 e/e juizo ideial4 qu&o digo3 ,e/e nome ,amor significa1 um afeto da-alma1 ou um juizo que =mo1 da-excel5cia de uma pesoa em algum g5]o1 e utilidade que me-pode rezult> dela3 e/e juizo *ama-se nom9al4 ,d-conhecim5to de/as trez sortes de juizos1 dep5de o bom ou mao uzo1 que fazem os ,om5s1 das-suas faculdades1 em qualqu] mat]ia que se-lhe-propoem4 ,a maior p>te das-disputas nace1 de que nam int5demos bem1 z def9iso5s dos-nomes3 e cadaum z-toma1 no-seu s5tido4 ,o mesmo digo das-def9iso5s1 que explicam z ideias dos-outros1 pr9cipalm5te dos-mortos4 ,atribuimos aos autores que lemos1 mil coizas que eles nunca dis]am4 ,s]vimo-nos dos-,dicion>ios1 como de oraculos3 sem adv]tir1 que aqueles que os-compuz]am1 podiam s(r] o mesmo +ano1 procur&o a v]dadeira intelig5cia de/e nome4 ,o mesmo suc$e nas def9iso5s reais1 tanto nas da-es5cia1 como de algum acid5te ou modo4 ,p]suadimo-nos1 que sempre sam v]dadeiras3 e de/e modo abras&o-z sem exame1 e/ablecemos um pr9cipio1 que por-=sa nos--de conduzir ao +ano4 ,sobre i/o das-def9iso5s1 bem vulg> o erro dos-,logicos comuns1 que dizem1 que a def9isam se-pode faz] por-uma ideia1 ou simplez p]cesam1 a que eles *amam1 ,apre5sam4 ,i/o falso por-muitos pr9cipios3 nem se-pode faz] def9isam alguma1 que nam seja1 reconhec5do a conv5i5cia dela1 com o seu objeto4 ,qu&o dizemos1 ,animal racional3 7suponho agora1 que e/a seja a v]dadeira def9isam d-,omem3 de que duvido muito1 e com razam7 ou a m5te conhece a conv5i5cia daquela ideia1 com a ideia de ,omem2 ou nam4 ,se a-conhece1 def9e3 mas em tal cazo produz um conhecim5to1 ou cons5tim5to1 a que *amamos ,juizo3 porque o expremir1 ou nam expremir1 com a boca o ,e/1 nam faz ao cazo4 ,se a-nam-conhece1 nam def9e2 mas pr(]e duas ideias sep>adas4 neces>io int5d]1 e adv]tir tudo i/o muito bem1 p>a nam se-+an>1 com o que eles dizem4 ,alem de/es juizos1 frma a m5te inf9itos outros1 damesma sorte1 que disemos das-ideias4 ,temos juizos simplezes1 compo/os1 s+ul>es1 e univ]sais4 ,a e/as se-r$uzem todas z sortes de juizos1 ou propoziso5s vocais4 ,conhece-se a especie a que p]t5ce1 pola qualidade d-sugeito4 ,faz tambem a m5te juizos v]dadeiros1 e falsos4 ,e aqui neces>io o crit]io1 p>a nam se-+an>4 ,consi/e o crit]io da-v]dade1 na evid5cia com que se-propoem uma coiza1 desorteque nam deixe duvid>1 de s] asim4 ,ni/o se-+anavam manife/am5te os ,pirronicos2 que *egram1 ou f+ram de duvid> daquilo mesmo1 que viam com toda a evid5cia4 ,sobre i/o da-evid5cia1 div]sos graos3 se a propozisam evid5te sem prova1 *ama-se axioma3 se em vigor das-provas se-faz evid5te1 *ama-se ilasam1 ou concluzam evid5te4 ,tambem e/as concluzo5s evid5tes1 segundo z mat]ias recebem div]sos nomes3 umas vezes dizemos1 que tem evid5cia metafizica2 outras fizica2 e outras moral2 z quais sem muito trabalho se-int5dem4 ,f9alm5te a*am-se juizos duvidozos1 v]osimeis1 e inv]osimeis3 cuja natureza se-int5de1 com a simplez explicasam1 e um breve exemplo4 ,e/as sam z duas op]aso5s dif]5tes da-m5te1 ,p]cesam1 e ,juizo4 nem alguma outra de dif]5te especie4 ,tudo o que a m5te faz 1 v>i> e/as duas em dif]5tes maneiras3 faz5do de muitas ideias1 uma compo/a3 e reconhec5do a conv5i5cia ou disconv5i5cia1 de uma com outra3 e pondo-z em ordem proporcionada1 p>a se-conhec]em4 ,qu&o os ,dialeticos dizem1 que ne/as trez afirmaso5s4 ,todo o omem animal4 ,p$ro omem4 ,logo ,p$ro animal4 a ultima propozisam de dif]5te especie1 das-primeiras2 dizem uma coiza1 que nam pod]m nunca prov>4 ,o que eu a*o 1 que tanto a ultima1 como z primeiras1 sam juizos1 com que o int5dim5to reconhece1 a conv5i5cia de duas ideias4 ,se o e/> em ultimo lug>1 ou reconhec] e/a1 porque ja t5ho reconhecido z outras1 faz mud> de especie2 s]a neces>io admetir1 outras muitas op]aso5s d-int5dim5to4 ,i/o supo/o1 a pr9cipal op]asam livre da-m5te1 o ,racioc9io1 ou ,discurso4 ,consi/e ele em que1 dadas duas1 ou trez1 ou dez1 ou v9te ideias1 se a primeira convem segunda2 e e/a t]ceira2 e e/a qu>ta c4 a primeira -de convir ultima4 ,de/a sorte o int5dim5to corre da-primeira1 p>a a segunda3 de/a1 p>a a t]ceira c4 ,e ao juizo com que reconhece1 a conv5i5cia da-primeira com a ultima2 se-d o nome1 de racioc9asam1 inf]5cia1 concluzam1 discurso1 e alguns outros nomes3 o que nam faz mud> a especie3 pois na v]dade um juizo1 com que eu afirmo e/a coiza1 porque t5ho afirmado1 z antec$5tes4 ,onde pode a consequ5cia s] boa1 e s] falsa1 se uma das-premisas falsa3 e som5te s] v]dadeira1 se z premisas o-=em tambem4 ,o que importa pois 1 julg> primeiro bem1 e nam se-+an> nas premisas3 porque s asim 1 que nam se-+an> na concluzam4 ,p>a faz] i/o1 neces>io not>1 com inf9ita dilig5cia1 z cauzas e ocazio5s dos-nosos erros1 p>a os-pod] evit>4 ,a primeira ocaziam de +ano1 sam z nosas mesmas ideias4 ,ns p]cebemos mal1 e contudo qu]emos discorr] com seguransa3 os nosos s5tidos sam falazes1 e sum9i/ram-nos frequ5tes ocazio5s de +ano1 em mat]ia fizica4 ,o not> e/es erros1 p$ia uma longa dis]tasam4 ,ba/a not>1 que nos-+anamos nas ideias de gravidade1 levidade1 asp]eza1 go/o1 *eiro1 e som c4 ,cuidamos que e/as coizas exi/em nos-objetos1 qu&o na v]dade nada mais sam1 que modificaso5s d-noso corpo1 e espirito4 ,z ideias que recebemos polos olhos1 tem mais outra razam1 p>a s]em falsas3 pois segundo a div]sa figura dos-olhos1 de dif]5tes pesoas1 devem reprez5t> os objetos ou majores1 ou m5ores doque sam4 ,e asim nam nos-devemos fi> sempre delas1 p>a julg>4 ,a segunda cauza1 sam z ideias que =mamos3 em virtude das-quais mil vezes nos-+anamos4 ,*amo aqui ideias1 quelas supoziso5s que fazemos1 p>a explic> os efeitos da-natureza4 ,uma vez que nos-ocorre1 uma supozisam ou si/ema1 que nos-p>ece racionavel1 sem demora alguma o-abrasamos como v]dadeiro2 sem adv]tir1 que muitos si/emas dif]5tes1 podem explic> provavelm5te1 a mesma coiza4 ,outra especie de ideias que fazemos1 sam z ab/raso5s3 segu9do z quais1 muitos julgam imprud5tem5te4 ,atribuimos a div]sos efeitos1 div]sas cauzas3 sem adv]tir1 que a mesma cauza pode produzir dif]5tes1 e s vezes incontrados efeitos4 ,daqui nacem1 mil +anos na ,fizica1 v4g4 z virtudes que atribuimos1 a muitos m$icam5tos1 que nunca sonhram telas4 ,a t]ceira cauza de +ano1 sam z palavras1 de que nos-s]vimos4 ,int5demos1 que muitos t]mos significam o mesmo1 qu&o na v]dade nam sam s9onimos4 ,z vozes s]vem1 p>a explic> os p5sam5tos3 e como nem todos int5dem o mesmo1 nem todos vem a explic> o mesmo4 ,das-su/ancias inviziveis1 nem todos s5tram o mesmo3 temos o exemplo ne/as vozes1 ,deus1 ,animus1 ,spiritus1 ,angelus c4 s quais alguns antigos unram c]tas ideias1 e outros unram dif]5tes4 ,o que int5de um ,deus1 de figura umana3 o que supoem1 um ,deus igneo3 o que o-julga1 de um corpo sutilisimo3 o que o-cre espiritual3 todos se-s]vem d-mesmo nome3 o mesmo digo de outros nomes4 ,tambem os ,om5s se-div]sificam1 na ideia das-su/ancias corporeas3 uma ideia frma o ignorante1 d-,corpo3 e outra mui dif]5te1 o ,filoz(o4 ,tambem nas def9iso5s de ,vicio1 ,virtude1 ,pi$ade1 ,santidade1 ,ju/isa1 ,obrigasam c4 se-div]sificam muito os om5s3 de que a ,i/oria sum9i/ra1 famozos exemplos4 ,os mesmos ,dicion>ios apontam vozes1 a que ns oje damos um s5tido2 e antigam5te t9ham outro3 v4 g4 ,navis1 ,triremis c4 ,onde quem nam di/+ue com cuidado i/o1 frequ5tem5te se +ana1 e discorre mal4 ,a qu>ta cauza dos-nosos +anos1 sam os afetos d-animo2 que produzem inf9itos erros4 ,eles imp$em-nos muitas vezes1 exam9> bem z mat]ias1 e por-consequ5cia1 julg> bem4 ,e muitas vezes fazem-nos am>1 ou dezej> o duvidozo por-c]to4 ,os que abrasram de todo o seu corasam1 uma d\tr9a2 nam s nam se-cansam em exam9>1 z razo5s contr>ias2 mas nem o-podem faz]1 porque z-nam-vem4 ,acrec5to a i/o1 que nem m5os z-qu]em v]1 a9daque lhas-(]esam3 nem a9da outras obras indif]5tes1 que saiem damesma p5a1 9 odium auctoris4 ,e/e ju/am5te o cazo que suc$eo ne/e ,re9o1 a um ,teologo meu conhecido1 que t9ha abrasado a ,ci5cia m$ia4 ,intr\ em uma livr>ia1 onde cazualm5te abrio um livro1 que tratava dos-prolegom5os da-,escritura3 lidos alguns p>agrafos1 l\v\ muito a mat]ia1 e o metodo2 e progunt\ quem era o autor3 e qu&o ouvio diz]1 que era um ,dom9icano1 fe*\ logo o livro1 e nam dise mais palavra4 ,comque1 s] neces>io despir-se1 de todos os prejuizos2 p>a int5d] z coizas bem1 e pod] discorr] com ac]to4 ,conhecidos os erros1 neces>io evitalos1 procur&o a v]dade4 ,p>a o-faz]1 precizo obs]v> algum metodo4 pois o metodo aquela op]asam d-int5dim5to1 tam neces>ia em todo o g5]o de ,ci5cias3 e sem a qual nam se-pode discorr] bem4 ,o discurso aquele progreso1 que o int5dim5to faz1 de um conhecim5to p>a outro3 o metodo o que prep>a a mat]ia1 ao discurso4 ,desorteque a m5te com o metodo dispoem z ideias1 em boa ordem3 e com o discurso reconhece a conv5i5cia delas4 ,de duas sortes o metodo4 ,dispomos z vezes os nosos conhecim5tos1 de uma tal maneira1 que dividimos a coiza que qu]emos conhec]1 nas suas p>tes3 p>aque asim z-posamos conhec] todas1 e consequ5tem5te o todo4 ,e/e metodo *ama-se rezolutivo1 ou analitico1 que vale o mesmo4 ,emprega-se comum5te1 p>a reconhec] a v]dade de muitas que/o5s1 e p>a descobrir1 e adqu]ir conhecim5tos4 ,a outra sorte de metodo 1 qu&o dev5do ens9> uma d\tr9a aos outros1 detal-sorte dispomos1 os nosos conhecim5tos2 que int5d5do cada um deles1 v5ha o dicipulo a conhec]1 todo o corpo da-,ci5cia1 que se-compoem1 daquelas p>ticul>es d\tr9as4 ,e/e metodo *ama-se compozitivo1 ou s9tetico1 que sam s9onimos3 ou tambem metodo de d\tr9a1 ou didatico1 ou didascalico3 que vale o mesmo4 ,e de/e uzam comum5te os bons me/res1 qu&o ens9am alguma mat]ia4 ,p>a nam nos-+an>mos no-metodo1 neces>io t] diante dos-olhos1 que ns ignoramos a es5cia1 de todas z coizas4 ,onde ignoramos1 a es5cia da-,mat]ia1 d-,corpo1 das-,frmas1 d-,espirito1 e das-nosas mesmas ideias3 neces>io antes de tudo1 pr e/a adv]t5cia4 ,i/o supo/o1 fazem-se que/o5s indisoluveis1 a que nam podemos respond]3 que sam z que dep5dem1 d-conhecim5to da-es5cia das-coizas3 e de/as nam falamos4 ,temos alem diso que/o5s soluveis1 que se-dividem em trez especies3 ,i4 po/o um atributo1 progunta-se qual o sugeito que lhe-compete4 ,,ii4 po/o o sugeito1 progunta-se qual atributo det]m9ado lhe-compete4 ,,iii4 dado o atributo e sugeito1 progunta-se se um compete a outro4 ,trez sam z fontes donde se-tiram1 z soluso5s de todas z que/o5s3 ,razam1 ,exp]i5cia1 e o ,te/emunho dos-autores4 ,z leis d-metodo ,analitico sam e/as4 ,int5d] os vocabulos3 det]m9> z que/o5s3 sep>> z p>tes delas3 fugir de todo o g5]o de equivocos3 fugir das-oscuridades3 e/ablec] t]mos comuns1 e cl>os3 int5d] os te/emunhos e autoridades1 em que se-funda4 ,alem diso1 sab] os requizitos que sam neces>ios1 p>a intr> em uma que/am3 v4g4 p>a a ,i/oria1 z ,antiguidades1 ,cronologia1 ,geografia c4 p>a a ,fizica1 a noticia das-melhores exp]i5cias c4 ,l] o contexto1 e v] z mais coizas que apontam os outros1 p>a nam err> no-crit]io4 ,t] prez5tes os canones1 que comum5te se-as9am1 p>a di/+uir z obras supo/as1 das-v]dadeiras4 ,o metodo ,s9tetico1 ou metodo de mo/r> a v]dade1 tem e/as leis4 ,nam admetir voz sem a-explic>3 nam mud> o significado das-vozes3 nam concluir sem evid5cia3 nam inf]ir s5am de pr9cipios provados4 ,quem obs]va e/as regras1 pode t] a consolasam1 que tem boa ,logica4 ,t5do vi/o o modo1 com que o e/udante se-deve regul>1 no-metodo das-,ci5cias2 fica cl>o1 como se-deve cont] nas disputas publicas1 tanto argum5t&o1 como respond5do4 ,deve pois argum5t> com razo5s1 e nam com palavras3 fug9do de s(ismas1 como indignos de um ,filoz(o1 que s9c]am5te ama a v]dade4 ,se quiz] s]vir-se d-silogismo p>a argum5t>1 pode fazlo4 ,digo porem1 que muitas vezes sem silogismo1 expor melhor z suas razo5s3 s]v9do-se de um metodo de dialogo curto1 e cl>o4 ,no-que toca a respond]1 se o argu5te se-s]vir de silogismos1 com boas razo5s1 pode seguir o mesmo metodo3 se pois ele comes> com o s(isma1 melhor r$uzilo fra da-,frma1 p>a lhe-ens9> a argum5t>4 ,em todo o cazo nam se-deve deix> pas> propozisam oscura1 que nam se-explique4 ,se ,v4,p4 obriga a explic>-se um s(i/a1 e pr em pratos limpos1 o que qu] diz] ne/a1 ou naquela propozisam2 acab\-se o s(isma4 ,e/a nam ideia nova1 de que se-devam admir> os ,dialeticos3 eles o-praticam todos os dias argum5t&o1 e respond5do4 ,se o que di/+ue uma propozisam1 uza de t]mos incognitos2 ou se o que argum5ta1 se-s]ve de semelhantes propoziso5s2 v] ,v4 ,p4 que os mais adv]tidos ,p]ipateticos1 sam os primeiros a diz]-lhe1 que explique a propozisam1 ou di/9sam4 ,julgo pois1 que o mesmo deve faz] qualqu] def5d5te1 que tem a infelicidade1 de t] um ,dialetico por-argu5te4 ,ponha-se o e/udante ne/e primeiro pr9cipio1 de nam deix> pas> palavras confuzas1 como fazem os ,geometras2 e v] que se-acabam1 todas z disputas3 z quais comum5te v]sam1 sobre a div]sa intelig5cia dos-t]mos2 e nam tem mais =sa1 que aquela que lhe-d1 a dispozisam artificial d-silogismo4 ,desorteque r$uzido a proza corr5te1 o que e/ava armado em silogismo1 nam tem =sa alguma4 ,t5ho dado em breve a ,v4,p4 uma ideia da-,logica1 que pode s] util ne/e mundo1 p>a todos os empregos4 ,i/o necesitava s] provado1 com mais ext5sam2 mas iso exc$e o metodo de uma c>ta4 ,d-que aponto1 compre5de ,v4 ,p4 muito bem1 como se-deve dispor a ,logica1 p>a s]vir em todo o g5]o1 de bom discurso4 ,digno de admirasam1 que aja quem int5da1 que a ,logica som5te deve s]vir1 p>a a ,teologia3 e que por-iso a-en*am1 de todos aqueles t]mos1 que se-a*am na ,escola/ica comua3 e fasam uma ,logica1 que nam s]ve p>a coiza alguma4 ,como se os om5s som5te na ,fizica1 ou ,teologia devesem discorr] bem2 e nas outras coizas mal6 ,p]suado-me1 que importa igualm5te discorr] bem1 em todas z mat]ias da-vida civil1 que naquelas duas4 ,a maior p>te dos-,om5s1 nam seguem aquela pr(isam1 mas outras dif]5tes1 e nam m5os utis ,republica2 tanto nos-empregos altos1 como baixos2 e asim neces>io1 que t5ham regras1 p>a se-regul> em todos os seus empregos2 qu]o diz] na politica publica1 e privada1 a que *amam vulg>m5te ,economia4 ,cuido1 que a ,logica que apontei a ,v4 ,p4 sum9i/ra meios proprios1 p>a nam se-+an> em ideia alguma1 quanto posivel ao ,omem evit> os +anos1 ne/a vida mortal3 e que por-e/e pr9cipio se-deve pref]ir1 a todas z outras4 ,toda a dificuldade oje consi/e em det]m9>1 qual de/as mod]nas1 7porque das-,p]ipateticas n5huma se-deve l]7 posa sum9i/r>1 z ideias que procuramos4 ,ni/o direi a ,v4 ,p4 o meu p>ec]1 no-qual t5ho alguns companheiros3 vem as]1 que a9da at aqui nam tem ap>ecido alguma1 que satisfasa inteiram5te1 ao que dezejamos4 ,t5ho lido quazi todas z mod]nas impresas1 algumas bem r>as1 e tambem algumas manuscritas3 e a*ei que muitos copiram-se fielm5te4 ,dos-outros que podemos *am> autores1 todos tem coizas boas1 e deles se-pode tir> muito2 mas nem tudo neles bom3 alem diso algum deles s p>a om5s consumados1 e nam p>a rapazes3 e sam mui difuzos4 ,onde p>a os pr9cipiantes1 as5to1 que a9da nam ap>eceo1 a ,logica dezejada4 ,e asim s] neces>io1 s]virse de alguma das-melhores1 em5d&o-lhe os defeitos4 ,*eg&o eu aqui1 veio vizit>-me o ,s5hor 99 99 99 e progunt&o-lhe com confiansa de amigo1 se sabia de alguma boa ,logica2 me respondeo1 que o 99 99 compoz ultimam5te toda a ,filoz(ia1 por-um modo excel5te1 que ele t9ha vi/o4 ,proguntei-lhe que me-explicse1 o metodo da-,logica3 e despois de o-ouvir1 e consid]>1 as5to que se-uni=ma muito1 m9ha op9iam3 e pode s] que seja a9da mais cl>o1 e mais util p>a os pr9cipiantes1 que e/e que asima apontei4 ,comque tem ,v4 ,p4 a ,logica que dezejava3 sabe ,v4 ,p4 mui bem1 de que pezo o juizo de/e amigo4 ,dise-me que v5cidas c]tas dificuldades 9999 faz conta impremila4 ,deus o-p]mita4 ,i/o o que me-ocorre por-agora diz] a ,v4 ,p4 p$9do ao ,s5hor1 o-cons]ve por-muitos anos4 ,,fim ,,d ,,primeiro ,,tomo4 ,,notas ,,de ,,rodap3 #hb ,9 ,logica1 de ,signis disp4 ,i4 9 ,prooemio4 ,,erros ,t5do a*ado que e/es erros sam mais frequ5tes ne/a edisam2 por iso d\ uma regra g]al1 p>a se-em5d>em3 os outros notam-se abaixo4 ,a*&o-se ,leia-se engano1 dez5gano1 engan>1 +ano1 dez+ano1 +an>1 dez5gan>4 dez+an>4 comprimir1 imprimir1 oprimir1 compremir1 impremir1 opremir admitir1 p]mitir1 e outras c4 vozes1 que se-=mam de/es ,inf9itos3 tir&o algumas1 que o autor excetua4 dim9uir c4 dem9uir c4 entr>1 encontr>1 emport>1 intr>1 incontr>1 import>1 en=m>1 eng5h>1 eng5ho2 e in=m>1 +5h>1 +5ho c4 outras vozes e nomes que de/es nacem4 p>ese1 conhese c4 p>ece1 conhece c4 ,o ac5to que se-a*a nos monosilabos1 j1 l1 c1 v1 l2 tambem erro d corretor3 porque o autor s o-poem em d1 d1 ds1 ms1 pr v]bo c4 p>a os-di/+uir das p>ticulas1 e vozes semelhantes4 ,como tambem em p1 ps1 s1 e outra r>isima4 ,,erros4 ,,em5dem-,,se4 ,pag9a #b4 regra #c4 tal-vez talvez p4 #c4 r4 #aa4 sup]fla sup]flua p4 #d4 r4 #e4 necess>io neces>io p4 #e4 r4 #f4 lis5sa lic5sa p4 #f4 r4 ult4 necess>io neces>io p4 #g4 r4 #f4 pola pola pola p4 #i4 r4 #d4 defa l+ua desa l+ua r4 #bd4 mani]a maneira p4 #aj4 r4 #a4 necess>io neces>io r4 #bh4 enf9a ens9a p4 #aa4 r4 #bb4 divido devido p4 #ab4 r4 #d4 propoziam prepozisam r4 #cc4 c>act] c>at] p4 #ac4 r4 #aa4 mam mam r4 #ah4 memoria memoria p4 #ad4 r4 ult4 ,nasam ,nasam p4 #ae4 r4 #aj4 discipulos dicipulos p4 #ag4 r4 #bf4 mais mais mais r4 #ca4 necess>io neces>io p4 #bj4 r4 #aa4 p>t5c5tes p]t5c5tes p4 #bd4 r4 #bh4 indo ,g]undio1 ou ou alguma p4 #bh4 r4 #ad4 ,m5aha ,m5ha r4 #cb4 naqual na qual p4 #bi4 r4 #af4 necess>io neces>io r4 ult4 afim asim p4 #cj4 r4 #ab4 *e que r4 #bb4 pronunei> pronunci> p4 #ca4 r4 #e4 espo/a respo/a r4 #aa4 ,ley ,hey ,ley1 ,hey r4 #ag4 suffici5te sufici5te r4 #ah4 ditongo1 ditongo4 p4 #cd4 r4 #ac4 discipulos discipulos p4 #ce4 r4 #bd4 ne/es ne/as p4 #ch4 r4 #i4 e/as e/> p4 #dj4 r4 #aa4 os seu os seus p4 #da4 r4 p5ul4 div]-se diz]-se p4 #dc4 r4 #c4 como e como n p4 #df4 r4 #d4 ouro oiro p4 #dg4 r4 #bi4 feguidas seguidas p4 #dh4 r4 #ca4 algua alguma p4 #ej4 r4 #bg4 efcrevem escrevem p4 #ea4 r4 #bg4 odiscurso o discurso p4 #eb4 r4 #bg4 f9al s9al p4 #ec4 r4 #i4 rep\zo repoizo r4 #cd4 prepoziso5s prepozisam propoziso5s propozisam p4 #ee4 r4 #bh4 mais-l+uas mais l+uas p4 #ef4 r4 #ac4 grosa obra volum9oza obra r4 ult4 erga/ual erga/ula p4 #eg4 r4 #bh4 plebejas plebeias r4 #bi4 ,fureti] ,fureti]e p4 #ei4 r4 #bd4 de-donde donde p4 #fj4 r4 #bf4 escrevo escreveo p4 #fc4 r4 #g4 esp]>-fe esp]>-se p4 #fd4 r4 ult4 tres trez p4 #fh4 r4 #cg4 ,coem$iam ,como$iam p4 #gj4 r4 #bj4 explicaam ,explicasam p4 #gd4 r4 #d4 ,lat9idade ,lat9idade p4 #gf4 r4 #bg4 omesmo o mesmo p4 #gi4 r4 #ca4 ,univ]fidade ,univ]sidade p4 #hc4 r4 #be4 det]m9ado-lhe det]m9&o-lhe p4 #hh4 r4 #ca4 ,geograsia ,geografia p4 #ie4 r4 #d4 melhores melhores r4 #bj4 di/+ia di/+uia ,nota ,democrici ,democriti p4 #if4 r4 #cg4 nam das nam d> p4 #ih4 r4 #ce4 se-co/umam se-aco/umam p4 #ii4 r4 #a4 ,valeio ,velleio p4 #ajj4 r4 #ad4 a i/oria3 a i/oria1 p4 #ajc4 r4 #a4 da-fua da-sua r4 #d4 enf9> ens9> p4 #ajd4 r4 #ch4 de livos de livros p4 #aae4 r4 #ai4 os qu] os que p4 #aai4 r4 #ag4 utilissimo utilisimo r4 #ca4 o s5hor o ,s5hor r4 #cb4 tratrad9ho tratad9ho p4 #abf4 r4 #e4 s5sisiveis s5siveis r4 #g4 ,advogago ,advogado p4 #abg4 r4 #af4 to/a toda p4 #abh4 r4 #ag4 asam zm p4 #acj4 r4 #f4 comuna comua p4 #acc4 r4 #cj4 mis]icorda miz]icordia p4 #acd4 r4 #af4 ,lbano ,libano r4 #bd4 div$ido dividido r4 #be4 oque o que p4 #acg4 r4 #bj4 ,panigiri/a ,panegiri/a p4 #aci4 r4 #aj4 come como p4 #adj4 r4 #g4 primeiio primeiro p4 #ada4 r4 #ah4 ,ago/9o ,ago/9ho p4 #adb4 r4 #c4 major maior p4 #add4 r4 #cc4 arhitratus arbitratus p4 #ade4 r4 #bc4 na-gloria na gloria r4 #cb4 ,enc>nasam ,inc>nasam p4 #adf4 r4 #ce4 div$idos divididos p4 #adh4 r4 #c4 tem\ tom\ r4 #ad4 z-que z que r4 #cf4 m5ham m5han p4 #adi4 r4 #bi4 div$ir dividir p4 #aej4 r4 #bh4 div$ir dividir p4 #aeb4 r4 #bb4 p$]ia p$iria p4 #aei4 r4 #ae4 mis]avel miz]avel p4 #afh4 r4 #be4 de g5]e deg5]e p4 #agj4 nota ,philosopborum ,philosophorum p4 #agd4 r4 #ca4 consuza confuza p4 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viz9hanza viz9hansa p4 #bhf4 r4 #bc4 de de de r4 #ce4 fi/ema si/ema ,,fim