,,instrvc,,am ,,sobre ,a ,,cvltvra das ,amoreiras1 criaa dos ,bichos da seda1 ,,dirigida ,a conseruaa1 augmento das manufacturas da seda1 ,,estabelecidas ,pelo muito alto1 poderoso ,principe ,,dom ,,pedro ,,governador1 ,e ,,regente dos ,reinos de ,portugal1 ,e commetidas direca ,,de ,d4 ,,lvis ,,de ,,menezes ,conde da ,eiriceira1 ,veedor da fazenda ,real1 ,pelo ,p4 ,d4 ,,rafael ,,blvteav1 ,clerigo ,regular ,theatino da ,diuina ,prouidencia1 ,doutor na sagrada ,theologia1 ,prgador da ,magestade da ,raynha ,my de ,inglaterra1 ,calificador do ,s4 ,officio no ,reino de ,portugal4 ,illustrao ,,em ,,lisboa4 ,na ,officina de ,ioam da ,costa4 ,com todas as litenas necetiarias4 #afgi4 ,illustrao ,,ao ,,principe ,,nosso ,,senhor4 ,,senhor4 ,sigo o discreto dictame de ,parisatis#a ,rainha de ,persia1 que costumaua dizer1 que com os ,principes na se ha de falar1 sena com palauras de seda4 ,palauras de seda1 sa as que digo a ,v4 ,a4 no s pella summisso com que fallo1 mas tambem pella materia1 de que trato4 ,a materia deste liuro1 he a cultura das ,amoreiras1 ordenada criao dos ,bichos da seda1 7artificioso thesouro das mais opulentas ,monarquias17 porque de todas as vtilidades1 que a industria trabalho dos homens1 pode grangear1 nenhuma se iguala cultura destas plantas1 criaa destes insectos4 ,duas sa as fontes de todas as riquezas dos ,imperios1 a natureza1 a ,arte1 a natureza nas ,minas1 a ,arte nas ,manufacturas1 com esta differena que as riquezas1 que se encerra nos ,erarios da natureza1 na se alcana sena com os grandes dispendios1 trabalhos1 com que se abrem as entranhas da terra1 se reuoluem os ,elemtos1 se perturba o antigo silcio dos mais profundos ,abismos1 para delles se tirarem os metaes gerados com as secundas influencias dos ,planetas2 ,mas com muito menr gasto trabalho1 se conseguem as riquezas1 que por meio das ,artes se procuro1 sendo a ,arte da seda a mais lucratiua de todas as ,artes1 muito deue ,portugal ao cuidado1 generosa liberalidade1 com que ,v4 ,a4 solicita a introduco desta ,arte no seu ,reino1 que como aduirtio#b ,plutarco no #b4 liuro das virtudes de ,alexandre1 do mesmo modo1 que as plantas frutifico com a clemcia dos ares1 assim florec as ,artes com a munificencia dos ,princepes4 ,em todas as historias1 antigas1 modernas1 celebra a fama o zelo1 c que os ,reys1 os ,emperadores solicitro a introduco das sciencias1 das ,artes que elles conhecra proueitosas para a conseruaa1 augmento dos seus ,estados2 em hum ,princepe pois ta perfeito1 como ,v4 ,a4 na podia faltar huma ta illustre excellencia para o estabelecimento desta ,arte ta nobre1 to vtil ao ,reino2 quto mais que para a execua desta grande empreza1 tem ,v4 ,a4 dite dos olhos os explos dos maiores ,potentados da ,asia da ,europa4 ,a cultura1 criao dos bichos da seda1 se no conheceo em ,europa at o anno de #gjj da ,redempo do mundo1 no qual dous ,mges#c vindos da ,persia1 ou da ,china1 trouxero a ,constantinopla a semente dos bichos1 mostrro curiosidade daquella ,corte1 o admirauel1 quasi misterioso processo da vida daquelle bicho1 que nace1 quando as ,amoreiras comeo a se cobrir de folha1 se sustenta della menos de dous mezes1 at se cerrar dtro de h casulo1 que forma de si mesmo1 architecto1 hospede do seu aposento1 donde com prerogatiuas de ,fenis1 sahe borboleta1 a gerar a semente1 que se guarda sem nhum cuidado1 at se tornar a animar nos primeiros alentos da ,primauera4 ,foi se introduzindo a criao deste prodigioso insecto na ,grecia1 pellas ordens do ,emperador ,iustiniano1 mas no passou s mais ,prouincias de ,europa1 porque ,italia ocupada de naos barbaras tinha naquelle tempo perdida a antiga policia1 ,frana1 ,hespanha estauo padecendo as rusticas oppressos do mesmo jugo4 ,estaua esta ,arte to valida na ,asia1 que os dous maiores ,reinos della1 os mais polidos1 melhor gouernados1 a saber a ,china1 a ,persia1 deuio j ento1 deu hoje a mayor parte da sua opulcia1 criao dos bichos1 ,arte da seda4 ,na ,china1 se tem porcerto que se achou esta producam1 da ,china se repartio por todo o ,oriente1 toda a prata do ,iapo passa ,china a troco da seda1 hoje passa huma grande parte da prata do ,potoss pellas ,filipinas quelle grande ,imperio pellas sedas1 que delle nauego os ,castelhanos ,america4 ,a ,persia1 mete na ,india a troco de prata1 ouro1 ,cafilas riquissimas de seda1 por ,alepo manda continuamente aos ,setentrionaes1 ,cafilas de seda1 que carrego as naos do ,norte1 em ,alexandreta1 ,esmirna nas muitas frotas que sabemos2 de forte que1 os dous maiores ,imperios da ,asia1 deuem a sua grandeza1 a esta rica cultura4 ,os ,arabes1 depois que occuparo a ,persia1 passaro esta ar e s mais ,prouincias que dominaro1 ,scitia1 a toda a ,asia menor2 por elles passou a ,hespanha1 se cultiuou em ,granada1 dde sahia a melhor seda1 que se conhecia em ,europa1 elles leuaro esta cultura a ,sicilia1 aonde ficou1 depois que foro lanados daquella ,ilha1 dali se cmunicou a toda ,italia4 ,em ,sicilia1 principalmente em ,messina1 se cultiua com tanta abundancia1 que naquella ,cidade1 metem os estrangeiros s pella seda em rama1 mais de hum milho meio de patacas todos os annos1 assim a nobreza daquella ,cidade1 como a de ,napoles1 ,bolonha1 ,flora1 outras muitas de ,italia1 deuem a sua sussistencia a esta cultura1 porque assim como1 em ,portugal1 a nobreza via ao campo s vindimas1 ao recolher da azeitona2 vo l1 criao dos bichos1 que fazem com menor despeza1 trabalho1 c lucro incparauelmte maior4 ,faltaua esta cultura a ,frana1 aonde1 ,henrique ,,iv4 depois de cseguida a paz1 quis por este meio introduzir a abundancia3 ordenouse huma junta1 que s se aplicasse aos meios desta introduco1 primeiro na cultura das ,amoreiras1 logo na criao dos bichos1 as palauras do decreto com que se passaro as ordens1 aos #ac de ,outubro de #afjb4 so as seguintes4 ,el-,rey no seu ,conselho1 conhecendo que a introduco das sedas1 nas terras da sua obediencia1 he o mais conueniente remedio para euitar a saida1 que todos os annos se faz1 de quarto milhos de ouro a terras estrangeiras para a compra das sedas1 por ser conueniente esta introduco ao decoro publico1 occupao1 riqueza dos pouos do seu ,reino1 depois de ouuir os cmissarios1 ver as experiencias1 conhecer por estas a facilidade1 vtilidade que vir a nossos subditos1 c4 ,frana hoje entre as gloriosas acos de seu ,rey1 conta esta por ha das mais singulares1 por ser hum dos maiores fundamentos de sua riqueza2 suposto que nem todo o ,reino he capaz de produzir a seda1 he o trato cmum1 a occupao geral de tres ,prouincias1 ,langadoc1 ,prouena1 ,delfinado1 da ,cidade de ,turs4 ,em todas estas ,prouincias1 creceo o numero da gente1 as ,cidades dobraro o numero das casas1 dos habitadores1 se applicro os ,francezes de sorte na fabrica das sedas1 que no lhe bastdo a que trabalho1 mando frotas a ,italia1 ,esmirna a buscar seda para trabalharem1 que depois em obra repartem por toda ,europa4 ,a vista desta vtilidade se applicaro no ,piemonte esta cultura1 hoje tem seda para venderem aos ,francezes em ,rama1 para muitas fabricas1 que tem de excelentes veludos1 damascos4 ,na necessita ,v4 ,a4 destes explos para se animar execua de ha semelhante empreza1 que a raza de ,estado1 a zelo dos ,ministros1 o mesmo ,ceo fauorece com a benignidade do clima1 c que fez ao ,reino de ,portugal mais capaz que todos os da ,europa para produsir a seda4 ,a produco das amoreiras1 a criao dos bichos da seda1 ho mister clima temperado1 daqui nace1 que entre os ,tropicos1 fora de #de4 graos ao ,norte se no faz esta criao1 se em algumas partes se fas2 he com grande trabalho1 com pouco fruto4 ,depois de #be4 graos at #de4 se d com abundancia esta produco1 daqui vem a abundancia da ,persia1 que tem as melhores ,prouincias nesta altura1 como tbem da ,china na ,prouincia de ,nanchim1 nas mais que correm de #be4 at #de4 ao ,norte4 ,em toda esta distcia as ,prouincias1 que esta no meio das duas extremidades1 que esta mais distantes do frio de #de4 gros1 da calma de #be4 so as mais benignas1 as mais abundantes na criao dos bichos4 ,portugal1 comeando da foz do ,guadiana1 at a foz do ,minho1 est situado de #cg4 graos at #db4 na mesma altura de ,granada1 ,murcia1 de ,messina1 ,reino de ,napoles1 de ,alepo1 da ,persia1 da ,prouincia de ,nanchim na ,china1 que sa as partes do ,mdo1 que melhor produzem a seda1 com menos cuidado1 trabalho1 se do1 se crio os bichos1 dde se segue1 que produzir ,portugal com abundancia esta excellente materia4 ,i desde muitos annos a experiencia o tem mostrado assim1 na ,prouincia de ,tras-os-montes1 sem embargo de que he a parte mais setentrional deste ,reino1 daqui se pode colher1 o que ser1 nas ,prouincias mais chegadas ao meyo dia1 principalmente em ,alemtejo1 ,algarue1 ,estremadura1 j de dous annos a esta parte se tem experimentado esta verdade nesta ,corte de ,v4 ,a4 que tem o mais benigno1 tperado ,ceo1 que se conhece na ,europa1 porque a seda1 que se tem tirado dos bichos1 que se criaro nas casas1 em que se deu principio s manufacturas1 he mais forte1 mais fina1 rende mais1 que a melhor seda de ,italia4 ,suposto isto1 se ,portugal tiuer1 7como facilmente pode ter7 sedas em abundancia1 ter hum fruto1 que no pode ter baxa1 nem falta de saca1 porque como as ,naoens estrangeiras1 no podem criar seda nas suas terras1 necessariamente a ho de ir buscar s ,prouincias1 onde se cria2 se se criar em ,portugal com a cantidade1 que pode1 viro carregar as suas naos a ,lisboa1 antes que a ,messina1 ,alexandreta1 ,esmirna1 achando tanta mais conta na seda de ,portugal pella sua bdade1 como pello pouco custo1 que faro com huma nauegao breue1 de quatro1 seis mezes menos1 menos gasto de conboys1 riscos de ,piratas1 ter este ,reino que lhe dar a troco das drogas1 fazendas que meterem nelle1 succedendo a ,portugal o que a ,frana1 que lando quatro milhos de si1 antes de cultiuar1 laurar a seda1 hoje recebe muitos milhoens pella que laura1 que he em tanta copia1 que nam tem1 nem produz em si1 a quarta parte da que ha mister para as suas manufacturas4 ,a estas verdades ta claras como o sol1 se oppuzero nuuens de contrariedades1 sendo as manufacturas da seda vteis a todos os ,reinos1 pretendero alguns prouar1 que a ,portugal sa perniciosas estas manufacturas4 ,a diuersidade das opinioens1 de ordinario se origina1 dos varios fantasmas da propria conuenicia1 do mesmo modo que cada ,planeta luz com sua propria cor distincta1 assim a maior parte dos homems busco luzimentos com a cor que do aos seus proprios enteresses2 mas porque as cores que se vem no ar1 no sempre so intrinsecas1 verdadeiras1 mas s superficiaes1 apparentes1 aos olhos dos mais perspicazes ,ministros de ,v4 ,a4 parecero aereas1 fantasticas as cores1 com que estes quimericos estadistas pretendero vestir a fallacia dos seus argumentos4 ,a mais forosarazo de que se quizero valer1 foi1 que prohibindose neste ,reino1 7como ser preciso1 depois do perfeito estabelecimento das manufacturas da seda7 todos as sedas dos ,reinos estrangeiros1 infaliuelmente faltaria a saca das drogas do ,brasil1 com manfesta destruia do comercio1 que ate agora se sustentou pella continua entrada1 sahida do aucar1 do tabaco4 ,semelhte objeco a esta se fez aos ,ministros del ,rey ,christianissimo1 quando por ordem daquella ,magestade1 foro prohibidas em ,frana as manufacturas dos outros ,reinos2 porque com zelosa ignorancia lhe foi representado1 que os ,ingrezes1 ,holandezes no virio mais a ,frana buscaros vinhos1 nem os trigos1 com que todos os annos carregauo suas frotas3 mas deu a experiencia a conhecer a futilidade desta objeco1 porque no tempo que a tranquilidade da paz deixa liure o comercio destas ,naos1 no cesso os ,ingrezes1 ,holandezes de carregar infinitas embarcaoens com os vinhos1 trigos de ,frana4 ,a indigencia1 a necessidade sa os fundamentos da vnia1 sociedade humana1 foi effeito da diuina#d ,prouidencia1 que algas terras careceem dos mtimtos1 regalos1 de que outras abunda1 paraque com os vinculos do comercio se vnissem os habitadores das mais remotas ,regioens do mundo2 logo he ta infaliuel1 o comercio da ,europa com o ,brazil1 que de duas huma1 ou querer a ,europa passarse de aucar1 que he o mais delicioso mimo da terra1 austerse do tabaco1 que he o mais attractiuo feitio da natureza2 ou com huma prodigiosa mudana dos ares1 sobre natural melhor a dos climas1 se far a ,europa capaz de produzir o que ateagora na produzio desde o principio do mundo1 sena em algumas partes do ,reino de ,scilia1 em ta pequena cantidade1 que na sei se he sufficiente para prouer a ametade d',italia4 ,o aucar pois das ,barbadas 7,ilhas da ,america7 he muito inferior ao do ,brazil na quantidade1 qualidade1 porque em todos os ,emporios do mundo1 as drogas mais finas1 sa as mais appetecidas1 sempre o aucar do ,brazil1 ter sobre todo o mais1 huma incontrastauel preferencia1 verdade ta certa1 que hum dos mais celebres historiadores deste seculo escreueo ha mais de sessenta nos1 que na s a venda do aucar do ,brazil he infaliuel mas que tamb he certissimo o lucro desta venda4#e ,com outra raza ta futil como a primeira1 condena o aparente zelo de alguns1 o estabelecimento das manufacturas da seda neste ,reino1 he que cessando nas alfandegas os direitos que se paga da entrada das sedas estrangeiras1 na hauer dinheiro1 com que pagar os filhos da folha4 ,mas facilmente remedear ,v4 ,a4 este inconueniente com os direitos que se pagara a ,v4 ,a4 de toda a seda que se fabricar no seu ,reino1 dandose a ,v4 ,a4 hum tanto por cada arratel1 conforme se paga a el ,rey de ,castella1 se se plantarem neste ,reino cinco ou seis milhoens de amoreiras1 daqui a poucos annos hauer huma ta grande abundancia de seda1 que os direitos da que se fabricar no ,reino suas conquistas1 com os da que se repartir com os ,reinos estrangeiros1 importara ha excessiuamente maior summa de dinheiro1 que a que hoje se tira de todos os direitos da alfandega4 ,tem os ,ministros de ,v4 ,a4 ponderado estas razoens com madura prudencia1 porque os bons principios sa o presagio das venturas que se segu1 no felice exordio desta empreza1 todos esta preuendo a publica vtilidade dos futuros progreos4 ,a ,v4 ,a4 pois1 como suprema intelligencia1 que moue1 regula os orbes da sua ,monarquia1 agradece esta era1 successiuamente agradecer a ,posteridade os victoriosos impulsos desta gloriosa determinao4 ,huma das maiores felicidades de hum ,reino1 he que o ,rei se enriquea sem empobrecer aos pouos2 com as manufacturas da seda2 procura ,v4 ,a4 este bem comum1 como verdadeiro pay dos seus vassalos1 querer o ,ceo1 que no ,reinado de ,v4 ,a4 logremos ,portuguezes em realidade1 as ditas1 que os ,poetas fabulosamente attribuiro ao seu seculo dourado4 ,assim o espero1 peo a ,v4 ,a4 queira aceitar com agrado este pequeno trabalho1 que entre os estudos mais serios1 proprios da minha profisso1 tomei1 por se me significar da parte de ,v4 ,a4 o gosto1 que teria de ver esta materia praticada em lingoa ,portugueza1 pella grande vtilidade que della resultari ao ,reino2 no esperando eu do desuelo1 com que desejo de me empregar1 em tudo1 o que toca ao seruio de ,v4 ,a4 outro premio1 que o ver effeituados os to proueitosos documentos1 que neste liurinho se encerro4 ,aos dous ,religiosos1 que primeiro mostrra na ,corte de ,constantinopla os prodigiosos segredos da natureza na criao dos bichos da seda1 fezo ,emperador ,iustiniano consideraueis merces de presente1#f prometendolhe outras maiores para o futuro1 para mim as maiores1 que podere receber da ,real grandeza de ,v4 ,a4 serm a da sua beneuolencia1 protecam1 junta com o conhecimento1 de que ainda que estrangeiro no sgue1 sou ,portuguez no amor1 se a ,inglaterra deuo o nacimto1 a ,frana a criaam1 a ,italia1 o habito1 da sagrada ,religiam que professo1 em ,portugal deuo summa piedade de ,v4 ,a4 tam singulares beneficios1 que em demonstraam do meu agradecimento1 de sejo de vencer todos os vassallos de ,v4 ,a4 no affecto1 no zelo1 no obsequio4 ,deos guarde a ,real pessoa de ,v4 ,a4 como estes ,reynos ha mister1 todas os seus vassallos desejamos4 ,de ,v4 ,a4 o menor ,capella1 ,orador4 ,d4 ,,rafael ,,blvteav4 ,clerigo ,regular da diuina ,prouidencia4 ,,notas ,,de ,,rodap3 #a ,parisatis my de ,cyro1 ,rey de ,persia4 #b ,vt fruges sub grata aris temperie proficiunt2 sic scienti1 artes sub dominantium liberalitate1 honorificentia1 benignitate4 ,plutarch lib4 #b4 de virtute1 fortuna ,alexandri4 #c ,tel seric tate ,iustiniani ,imperatoris cpt1 qu pris ,persicis mercatoribus tantm deferebantur1 cum ignorarent quomodo fierent1 nec scirent fila esse vermium4 ,cterm originem illius duo ,monachi ex ,india ,byzantium profecti1 declararunt1 ftumque illorum vermium1 oua nimir peregrina attulerunt1 in fimo collocata in vermes transformart1 mori folijs aluert1 indeque natur magistr ipsis filnm reddentibus1 sericum confecerunt4 ,zonaras #c4 ,annal4 tom4 #c4 p4 #ie4 #d ,effecit ,deus1 vt alter alteris indigeremus1 vt sic nos quoque conjungeret2 quoniam amicitias maximas facit vsus1 indigentia1 propterea nec omnia vbique gigni permisit1 vt inde etiam cogeret permisceri1 ,chrisost4 hom4 #cd4 in #a4 ad ,corinth4 #e ,ex ea merce negotiatores1 vel maximum capiunt emolumentnm1 siquidem nauibus quotannis in ,europam euecta1 certissimo compendio long1 latque diu enditur4 ,maffus in libro secundo historiarum ,indicarum1 mihi pag4 #fh4 #f ,eos ,monacos ,iustinianus1 in prsentia1 muneribus2 de ctero magnis pollicitationibus ad illud prstandum confirmauit4 ,procopius ,csariensis1 ex eo ,zonaras #c4 ,annalium tom4 #c4 ,illustrao ,,licen,,as4 ,por ordem dos muito ,reuerendos ,padres ,consultores de nossa ,religia1 vimos este ,liuro intitulado3 ,instruco sobre a cultura das amoreiras1 criao dos bichos da seda1 composto pello ,p4 ,d4 ,rafael ,bluteau1 ,clerigo ,regular1 ,theatino da diuina ,prouidencia1 ,calificador do ,s4 ,officio1 muito conhecido nesta ,corte1 por seu singular engenho1 admirauel eloquencia1 nos melhores pulpitos della1 no achamos contenha cousa alga contra a nossa ,s4 ,f1 bons costumes4 ,he pequeno o ,liuro na materia1 pello que trata de hum bichinho1 no conhecido de muitos1 pouco estimado de quasi todos1 he muito grande na calidade1 porque a se obseruar bem os documtos1 que d o ,author1 he certo resultar grandes vtilidades ao ,reyno1 que por falta das manufacturas se v ta exhausto1 diminuido de dinheiro1 com gral dor de todos os zelosos do seu acrecentamento2 quando a obra por si s na fora de tanta estimao1 o seria pella elegancia com que o ,author a escreue1 com clareza1 verdade1 compendiosas regras1 nam duuidamos1 que o particular gosto1 com que a lemos1 abranja a todos os que a lerem1 assim nos parece muito digna de se dar estampa1 para que o ,reyno logre as prosperidades1 que ella lhe promete1 o ,autor o nome de zeloso1 amante do ,reyno de ,portugal1 que he o de que mais se preza1 com que em parte lhe quer pagar os aplausos1 affecto1 com que o ouuem4 ,lisboa em o ,conuento de ,n4 ,s4 da ,diuina ,prouidencia aos #bh4 dias do mez de ,maro de #afgi annos4 ,d4 ,luis ,maria ,sacchi1 ,clerigo ,regular ,theatino da ,diuina ,prouidencia1 ,doutor na sagrada ,theologia4 ,d4 ,nicolao ,barby1 ,clerigo ,regula ,theatino ,diuina ,prouidencia1 ,doutor na sagrada ,theologia4 ,consultores ,clericorum ,regularium4 ,hoc opus inscriptum 7,instruco sobre a cultura das amoreiras1 criao dos bichos da seda7 ,p4 ,d4 ,raphaele ,bluteau ,anglo4 nostr ,congregationis ,theologo1 ,lusitano idiomate compositum1 juxta assertionem ,patrum1 quibus id cmisimus approbatum1 vt ,typis mandetur1 quoad nos spectat1 facultatem concedimus4 ,in quorum fidem prsentes litteras1 man propria subscriptas1 solito nostr ,congregationis sigillo firmauimus4 ,rom die #b4 ,nouembris #afgh4 ,d4 ,leonardus ,duardus ,consultor ,c4 ,r4 ,d4 ,emmanuel de ,puteo ,consultor ,c4 ,r4 ,d4 ,michael ,pignatellus ,consultor ,c4 ,r4 ,d4 ,ioannes ,augustinus ,griti1 ,secretarius4 99 99 99 99 99 ,por ordem dos ,senhores do ,cselho geral do ,s4 ,officio1 vi a ,instruco sobre a cultura das amoreiras1 criao dos bichos da seda1 que cpoz o ,m4 ,r4 ,p4 ,doutor ,d4 ,raphael ,bluteau1 ,clerigo ,regular ,theatino da ,diuina ,prouidcia1 ,prgador da ,rainha my de ,inglaterra1 ,qualificador do ,s4 ,officio em este ,reyno1 sogeito ta conhecido1 que na s nas ,naoens estrangeiras1 como he para elle a nossa1 mas at na propria patria he celebrado seu talento1 por peregrino2 na cont o ,tratado cousa1 que offenda a nossa ,s4 ,f1 ou bons costumes2 antes c elle seu ,author1 no s instrue1 mas anima as almas c muitos documentos para a virtude1 aos ,portuguezes c muitas lios para o augmento do b cm porque ainda que este estiuera por h fio1 mostra que c os fios de h bichinho1 pode a industria humana ajudada da ,prouidencia ,diuina1 no s sustentar1 mas enriquecer a ,monarchia1 c o que ficar immortal seu nome na nossa memoria1 pois nca dir ,portugal de seu engenho1 o que disse da arte do bicho da seda1 ,ioo ,ouuen no liu4 #b4 dos seus ,epigramas3 ,epigram #agh4 ,arte mea pereo1 tumul mihi fabricor ipse1 ,fila mei fati duco1 necemque neo4 ,este he o meu parecer4 ,carmo #h4 de ,noubro de #afgh4 ,o ,doutor ,fr4 ,gregorio de ,iesus4 99 99 99 99 99 ,vista a informao1 podese imprimir a ,instruco sobre a cultura das amoreiras1 criao dos bichos da seda1 ,author o ,p4 ,d4 ,raphael ,bluteau1 impressa tornar para se conferir1 se dar licena1 para correr1 sem ella no correr4 ,lisboa #h4 de ,noubro #afgh4 ,manoel de ,magalhaens de ,menezes4 ,manoel ,pimentel de ,sousa4 ,manoel de ,moura ,manoel4 ,fr4 ,valerio de ,s4 ,raymundo4 99 99 99 99 99 ,podese imprimir4 ,lisboa #ag4 de ,nouembro de #afgh4 ,fr4 ,c4 ,bispo de ,martyria4 ,,senhor4 ,este ,tratado1 no s he digno de impressa1 mas necessario2 os argumentos da vtilidade priuada1 donde resulta a publica1 sa demstraos visiueis4 ,o seu ,author1 ainda que estrangeiro por orig1 he b nacional nos affectos1 empregando o que estudou fra1 no edificio deste alicerse1 aonde ha de estribar ha grde parte da prosperidade do ,reyno1 o que o faz digno de hum singular louuor1 ,v4 ,a4 mandar1 o que mais conuier a seu ,real seruio4 ,lisboa de ,feuereiro #aj4 de #afgi4 ,antonio ,vellez ,caldeira4 99 99 99 99 99 ,qve se possa imprimir1 vistas as licenas do ,s4 ,officio1 ,ordirio1 depois de impresso rornar ,mesa1 para se taixar conferir1 sem isso no correr4 ,lisboa #aa4 de ,feuereiro de #afgi4 ,marquez ,p4 ,roxas4 ,basto4 ,rego4 ,visto estar cforme com o ,original1 pode correr este ,liuro4 ,lisboa #ba4 de ,iunho de #afgi4 ,fr4 ,c4 ,bispo de ,martyria4 ,taixo este ,liuro em cem reis4 ,lisboa #bg4 de ,junho de #afgi4 ,magalhaens de ,menezes4 ,roxas4 ,basto4 ,rego4 ,illustrao ,,advertencia ,,aos ,,portvgvezes ,as artes#g liberaes1 mecanicas1 sa as fontes do b commum1 as bases das ,republicas1 as columnas#h dos ,imperios2 humas se empenho no sustento da vida1 como a agricultura2 outras se armo contra as inuasoens dos inimigos1 como a milicia2 outras se desuelo para o descubrimento1 conquista de terras estranhas1 como a nautica2 de donde se segue1 que florecem as ,monarquias com tanto maior gloria1 felicidade1 quto maior he o numero1 a perfeio das artes2 que nellas se exercito4 ,nas artes mais nobres1 sempre floreceo a ,lusitania1 admirou o ,parnasso a elegcia dos seus ,poetas1 estranhou ,neptuno a ouzadia dos seus ,argonautas1 ,marte enuejou a valentia dos seus ,capitaens1 mas sempre se mostrou o pouo de ,portugal descuidado das artes inferiores1 em que comummente se occupo os pouos dos outros ,reinos2 ,antipatia deue ser que o brio da nao tem com acoens do vulgo1 conhecendo-se cortada para heroicas emprezas1 se enuergonha de se abater a plebeios exercicios4 ,nisto sa os ,pouos de ,portugal semelhantes aos de que escreue#i ,xenophonte1 que nunca se occupaua em ,artes mechanicas1 para que na degenerasse a nobreza do animo1 c a humildade do exercicio4 ,mas suposto que esta briosa liberdade aceredita a bizarria dos genios1 he muito prejudicial ao bem cmum dos ,estados1 porque della se occasiona ha perpetua1 quasi natural ociosidade no pouo1 a ociosidade dos pouos1 he causa da pobreza dos ,reinos4 ,as tres materias1 sobre que obro todas as artes1 7que genericamte chamo lanificas7 sa la1 linho1 seda1 mas deixando as primeiras duas1 que na sa deste lugar1 a mais nobre1 a mais lucratiua1 a mais misteriosa1 he a arte da seda4 ,a ,nobreza desta arte serue de estimulo altiua inclinao dos ,pouos2 o lucro que della se tira1 alta as esperanas dos mercadores1 os misterios que nella se descobrem1 desperto a admirao dos ,sabios4 ,em primeiro lugar1 he esta arte to nobre1 que pode seruir de occupao mesma nobreza1 sem desdouro do seu luzimento1 como se experimenta em quasi todas as ,cidades d',italia1 porque nas partes aonde est introduzida a criao dos bichos da seda1 na ha caza nobre1 em que os senhores della1 na se occupem neste apraziuel exercicio1 em muitas cazas ha teares1 em que at as molheres tecem fitas1 ou sedas ligeiras para adorno das suas cazas1 das suas pessoas4 ,a nobreza das scicias1 das artes1 se mede pella calidade dos seus objectos1 que cousa mais nobre1 que a seda1 que he o objecto1 a materia1 sobre que esta arte se exericita4 ,a nobreza1 serue a seda1 nas galas2 aos ,senadores1 nas ,togas2 aos ,capitas1 nos ,estdartes2 aos ,sacerdotes1 nas sagradas vestiduras2 aos ,bispos1 nas ,mitras2 aos ,cardeaes1 nas ,purpuras2 aos ,monarchas nos ,diademas2 aos ,pontifices1 nas ,tiaras4 ,as ,damas1 offerece a seda flores1 que no murcha1 nas primaueras2 chamas1 que na offendem1 nos carmezins2 no lauor dos bordados1 labirintos sem confusa1 nas ondas dos chamalotes1 mares sem tormentas1 sem naufragios4 ,serue a seda para as pompas funebres1 para os triumphos1 he o enfeite das ,cortes1 o apparato dos ,palacios1 o ornato dos ,templos1 dos ,altares1 o adorno dos mesmos ,sanctuarios1 retratos da gloria1 hospicios da ,diuindade4 ,em segundo lugar1 a vtilidade1 que se tira da criao dos bichos da seda1 melhor se conhece pella experiencia1 que pello discurso4 ,duas amoreiras grandes1 ou quatro pequenas1 basto para sustentar meia ona de bichos1 que produz seis arrateis de seda1 a qual qutidade posta em meadas1 val tres mil reis o arratel1 de sorte que hum trabalho1 ou huma curiosidade1 que na custa dous mil reis1 no espao de outo semanas ao mais1 rende dezoito mil reis4 ,os pobres pois1 que na tem campos para cultiuarem amoreiras1 nem cazas sufficientes para a criao dos bichos1 se podem occupar em tirar1 dobar a seda1 esta he ha occupaa honesta1 vtil1 principalmente a muitas mulheres honradas1 que em outros exercicios de maior trabalho1 de menos proueito1 gasto a vista1 a saude1 a vida4 ,nas ,prouincias de ,flandes1#aj se conta mais de doze mil pessoas1 que se sustento s de dobar a seda1 que lhe vem em rama1 nas frotas da companhia das ,indias ,orientaes4 ,com esta mesma occupao1 j se sustentam em ,lisboa1 mais de trezentas pessoas1 que dobo a seda1 que se laura nos cincoenta teares1 das nouas manufacturas1 crecendo 7como se espera7 o numero das amoreiras1 teares1 at se poder laurar toda a seda1 que he precisa1 para o ,reyno1 suas ,conquistas1 ser tam vniuersal a occupao de dobar a seda1 que poucas familias pobres hauer em ,portugal1 a que falte o sustento1 se se occuparem neste exercicio4 ,alm da ganancia1 que a criaam dos bichos1 o dobar da seda1 todos os mais officios dependtes das manufacturas1 prometem aos pobres1 a cultura das amoreiras promete ,nobreza grandes vtilidades1 riquezas1 porque muito mais facil1 proueitosa he a cultura destas plantas1 que a das oliueiras1 larangeiras1 em que muitas cazas de ,portugal1 tem ha considerauel parte das suas rdas1 porque as oliueiras na dam fruto1 se nam depois de muitos annos1 as larangeiras1 nam medram1 se nam em terras mimosas1 has1 outras estam tam sogeitas s inclemencias do tempo1 que hum vto1 ha neuoa1 ou ha chuua intempestiua1 he sufficiente para destruir as nouidades4 ,pello contrario1 a cultura das amoreiras1 he tam facil1 tam breue1 que em tres1 ou quatro annos1 se poem ha amoreira1 em estado de se comear com ella1 a criaam de muitos bichos1 a natureza lhe deu a propriedade1 de lhe nam fazer dano1 mas antes lhe ser vtil1 tirar-lhe as folhas4 ,a duraam pois desta aruore he tal1 que nas ,prouincias onde se cultiua1 nam ha memoria do tempo1 em que foram plantadas4 ,as amoreiras1 se crio neste ,reyno1 em toda a terra1 sem ser necessario occupar a melhor1 nos mtes1 ainda entre as areas2 o publico pde ordenar1 se plantem junto dos caminhos1 como se fez em ,frana1 ,italia1 os particulares podem cercar dellas as suas quintas1 vinhas1 considerdo que as folhas desta aruore1 sa mais proueitosas1 que os frutos das melhores plantas1 como se tem experimtado1 estes dous vltimos annos1 nesta ,cidade de ,lisboa1 em algas partes da banda d'alem1 aonde a folha de cada amoreira1 rendeo a seus donos1 cinco1 seis1 at outo tostoens4 ,por onde augmentandose a criao dos bichos1 ao mesmo passo que crecerem1 se cobrirem de folhas as amoreiras1 nouamente plantadas1 os rendimentos de hum moral de cinco1 ou seis mil amoreiras1 serm muito maiores1 mais certos1 que os de hum oliual1 ou laranjal1 de outras tantas mil oliueiras1 ou laranjeiras1 finalmente com a cultura das amoreiras1 criaam dos bichos1 se far a ,nobreza mais rica1 ficar a pobreza aliuiada1 a ociosidade desterrada1 se euitar a sahida do dinheiro do ,reyno1 se abrir o caminho ao muito que entrar pellas mas dos ,estrgeiros1 a troco da seda em rama1 ter ,portugal muitas ,prouincias da ,europa1 tributarias sua industria1 todas sera admiradoras da sua opulencia4 ,nas mas de ,deos1 os mais debeis1 despreziueis sogeitos1 sa os artifices das maiores marauilhas1 tambem nas mas dos ,princepes1 que sa as imagens de ,deos na terra1 podem as materias mais humildes1 na aparencia mais inuteis1 obrar prodigiosos effeitos2 se ,deos antigamente destruyo ao ,egipto com mosquitos1 gafanhotos1 pode o ,princepe nosso ,senhor enriquecer a ,portugal1 c folhas1 com bichos1 folhas de amoreiras1 bichos de seda4 ,os bons ,ministros dos ,princepes1 sa como as ,aguias1#aa que da mais sublime ,regia do ar1 vem na terra1 os mais pequenos insectos3 ,d4 ,luis de ,menezes1 ,conde da ,eyriceira1 na suprema eleuaa da dignidade1 em que attende desuelado aos interesses da ,monarquia ,lusitana1 vio com perspicacia de ,aguia1 aquelle insecto1 sutilissimo artifice da seda1 nesta ,corte apenas conhecido1 com igual agudeza preuio os grandes emolumentos1 que podia dar ,republica a criaa1 multiplicaa desta industriosa creatura1 para este effeito insistio o ,conde1 em que se prantassem amoreiras em todas as ,prouincias do ,reyno1 deu ordem a que viessem de varias partes da ,europa ,officiaes para as manufacturas1 para esta noua introduca1 desfez tantas duuidas1 venceo tantas opposioens1 se offereceo martyr do bem publico s penalidades de tantos1 tam varios1 ta impertinentes cuidados1 que pode seruir de exemplar ao zelo1 amor da partia1 de admiraa constcia1 de perpetuo assumpto aos encomios da posteridade2 j se anticipa a fama em applaudir as virtudes militares1 politicas1 com que chegou aos mais sublimes postos1 sem mais diligcia1 que hauelos merecido1 se a sua penna1 he a mina das luzes c que se manifesta ao mundo as faanhas dos ,heroes de ,portugal1 algum dia a multida das suas gloriosas acoens1 ser a muitos volumes de ,annaes1 illustre1 ineuitauel embarao4 ,mas porque na gloria das victorias1 que de ordinario se attribue ao valor dos ,capitaens1 na deixa de ter sua parte a valentia dos soldados2 tamb na prudente ,economia dos ,estados1 tal vez se acredita os ,ministros inferiores1 sem prejuizo da gloria dos supremos ,suposto isto1 razam he1 que para memoria dos vindouros1 se faa aqui mena do zelo1 habilidade1 desuelo1 com que ,rolando du ,clos t proposto1 solicitado1 adiantado esta noua introduca das manufacturas da seda1 com ta euidentes experiencias1 c ta felice successo1 que toda esta ,corte se admirou1 de quese fizesse ta vtil a ,portugal1 a industria de hum ,estangeiro2 mas a verdadeira patria dos sogeitos de talento1 he a terra em que exercita as suas virtudes1 entre as muitas differenas que ha entre os homens1 os animaes1 ha das principaes1 he que os animaes acha a sua patria1 os homens a escolhem2 aquelles acho por patria a terra1 em que nac1 estes escolhem por sua patria1 a terra em que pretendem fundar sobre os alicerses da sua virtude1 a sua fortuna2 com esta consideraam escolheo ,roldo du ,clos a ,portugal por sua patria1 est ta naturalizado1 que atreuendo-se a ha empresa maior1 que as suas foras1 parece tem tresladado em si os brios da nao ,portugueza1 que sempre fez facil ao seu valor1 tudo o que conheceo superior1 ao seu poder4 ,c generosa1 discreta emulao1 quizeram lograr juntamte com ,rolando du ,clos1 a gloria desta empresa1 como socios no mesmo negocio1 companheiros no mesmo trabalho1 ,francisco ,lopes ,franco1 vara de muita virtude1 prudencia1 muy conhecido nesta ,corte1 como benemerito do ,reyno1 ,ioo ,soares da ,costa1 cuja intelligencia1 zelo do augmento do bem cmum1 promete grandes acertos1 para o perfeito estabelecimento desta fabrica1 no reparando ambos em contribuir largamente para ella com sua fazendas1 para que a de ,s4 ,a4 dos seus vassallos se acrecente4 ,de maneira que esta artificiosa maquina das sedas1 que nos seus principios1 estaua fundada sobre ha s columna1 tem hoje mais pessoas1 que a sustento1 do que teue o fabuloso ,ceo dos ,poetas1 porque descana nos hombros de tres ,atlantes4 ,as obras da arte1 tem como as da natureza1 a sua infancia1 por debeis principios1 sobem ao auge do seu augmento4 ,a seda na boca do bicho1 que a forma1 he h fio2 nas anafayas1 he tea2 nos casulos1 he nouelo2 nas dobadouras1 he meada1 assim crece a seda em quantidade1 perfeio1 at que nas vestiduras do homem1 chega a ser1 o ornamento de hum pequeno mundo4 ,do mesmo modo1 teue esta fabrica da seda1 alicerses to frageis1 como os da mesma seda1 no exordio do seu ser1 porque comeou por hum tear de fitas1 em menos de hum anno se viro armados cincoenta teares1 em que se fazem tafets1 gorgoroens1 galas1 primaueras1 cetins1 telas1 breuemente trabalhar outros cincota1 se correspder os progressos a estes principios1 daqui a algs annos1 ter ,portugal mais sedas1 que las1 os que agora julga esta empresa impossiuel1 ou danosa ao ,reino1 conhecer a sua possibilidade1 na euidcia do successo1 a sua vtilidade1 na importancia do proueito4 ,tenho mostrado como a arte da seda1 he to nobre1 que pode seruir de exercicio nobreza1 to lucratiua1 que nelle achar o ,reyno ha mina de excessiuas riquezas1 resta que vejamos como esta mesma arte1 he to misteriosa1 que pode dar perpetuos motiuos de contemplao1 admirao1 intelligencia dos ,sabios4 ,o nacimento1 criaam1 vida dos bichos da seda1 encerro em si to profundos misterios1 que no s por interesse1 mas por recreao1 por curiosidade1 podem occupar as pessoas mais virtuosas1 as ,religiosas1 as ,damas1 os ,philosofos1 mais doutos ,theologos do mundo4 ,os principaes artigos1 misterios da ,f ,catholica1 sa a existcia de hum ,deos1 a ,trindade das pessoas na natureza diuina1 a ,encarnao do ,verbo1 o nacimento de ,christo1 a adoraa dos ,reys ,magos1 a transfigurao1 a morte1 ,resurrei do ,senhor4 ,todos estes misterios1 no bicho da seda1 admirauelmente se representam4 ,primeiramte aos ,atheistas1 filhos da incredulidade1 partos da cegueira1 que nam tem olhos para o ,deos1 que os mesmos cegos adora1 mostra este insecto com palpaueis marauilhas1 a existencia do ,author da natureza2 que se nam ha no mundo hum artifice supremo1 qual he o ,mestre das artes1 que este prodigioso artifice1 sem mestres exercita8 fia1 tece1 edifica1 fia sem mos1 sem braos tece1 sem algum instrumento1 edifica o seu domicilio1 se com a efficacia da sua palaura1 ,deos fez ao vniuerso1 este milagroso ,arquitecto1 sem voz1 sem falla1 fabrica no seu casulo1 hum pequeno mundo4 ,as luzes da verdade abre os olhos1 incredulo ,atheista1 j que nas luzes dos ,astros1 nos brilhantes ,planetas1 nam ves da ,diuindade os rutilantes reflexos1 confessa que para proua de que no mundo ha ,deos1 este bichinho basta4 ,adoramos a ,deos1 hum na essencia1 trino nas pessoas2 neste insecto admiramos1 tres sogeitos distinctos em ha s natureza1 porque o principio do seu ser1 he hum pequenino ouo da grossura de hum gra de mostarda1 do ouo nace hum bicho1 do bicho ha borboleta2 de maneira que em ha s substancia1 se acham tres suppositos realmente distinctos2 a substancia destes suppositos se cmunica1 mas no se cmunico os suppositos1 com tudo a substancia1 os suppositos sa physicamente a mesma essencia1 esta essencia nos tres suppositos obra por differentes modos do mesmo modo1 que nas pessoas diuinas1 ha pessoa nam tem as perfeioens relatiuas da outra1 suposto que cada pessoa he igualmente perfeita1 mas antes fora imperfeia que a propriedade da primeira pessoa1 se achasse na segunda1 na terceira1 assim no tem a pessoa do ,pay a propriedade relatiua do ,filho1 nem o ,filho possue a propriedade relatiua do ,pay1 nem ao ,espirito ,santo1 se attribu as perfeioens do ,pay1 em quanto ,pay1 nem as do ,filho1 em quanto ,filho2 tambem nos tres suppositos da substancia deste prodigioso insecto1 nam tem o ouo as perfeioens proprias do bicho1 nem o bicho1 as da borboleta1 nem a borboleta1 as do bicho1 n do ouo1 porque o ouo nam anda como o bicho1 nem o bicho voa como a borboleta1 nem a borboleta1 o bicho perseueram sem corrupo de hum anno para outro1 como o ouo4 ,no ,verbo encarnado1 estam vnidas duas differentes naturezas1 a humana1 a diuina2 no bicho da seda se acham duas diuersas naturezas1 porque como bicho he reptil1 como borboleta he volatil2 no reptil1 se figura a humildade do ser humano1 no volatil1 se simboliza a sublimidade do diuino4 ,por virtude do ,espirito ,santo1 tomou o ,verbo ,eterno carne nas entranhas de huma ,virgem2 a semente dos bichos se anima1 ou com o calor do ,sol1 ou com o calor natural1 no peito de huma donzella4 ,christo entre palhas naceo1 o bicho da seda entre folhas nace2 naceo o ,senhor no mais profdo silencio da noite1 o bicho da seda no silencio viue1 com os estrondos1 morre4 ,no presepio1 os ,reys sabios buscara ao ,senhor1 sa sabios os ,reys1 que procura no seu ,reyno a criaam deste insecto4 ,no ,thabor1 ,christo se transfigurou1 ficara suas vestiduras brancas como a neue1 tambem o bicho da seda se transfigura em ha borboleta1 que se iguala neue na aluura4 ,o ,senhor que a todos veste1 morreo n em hum madeiro1 o bicho da seda1 que a todos d de vestir1 viue1 morre n1 retratto da paciencia1 da pobreza4 ,finalmente resuscitou o ,senhor1 no sepulcro1 deixou as mortalhas1 o bicho da seda rompe o casulo1 em que estaua sepultado1 nelle deixa duas pelles1 como despojos da morte1 trofeos da immortalidade4 ,mas he tempo que acabe1 acabo aduirtindo aos discretos1 que cada aca do bicho da seda1 he hum jeroglifico1 em cada jeroglifico1 se significa ha virtude4 ,todos os documentos de bem viuer1 se aprendem na contemplaa da vida1 morte deste ,rey dos insectos1 a charidade1 a prudencia1 a penitencia1 o desengano das vaidades do mundo4 ,que charidade mais entranhauel pode hauer1 que desentranhar-se para vestir os ns2 forma o bicho da seda com a substancia das suas entranhas1 os defensiuos com que os homens1 se arma contra as injurias do tempo1 para remedear necessidades alheas1 conuerte em preciosas roupas1 os seus proprios alimentos4 ,que prudencia mais soberana1 do que ordir innocentes enredos1 para cseguir gloriosas victorias2 fia o bicho da seda os lao1 em que se prende1 se encarcera a si mesmo1 mas quando he tempo1 quebra a prizam1 sahe victorioso4 ,nos labirintos da ,corte1 muitos se enredam no que tecem1 mas nam se sabem desembaraar1 do em que se enredo4 ,qual dos mais solitarios ermitaens pode competir com o bicho da seda1 nas asperezas da penitencia8 qual contemplatiuo ,anacoreta1 viueo como elle em ha cella sem porta1 sem janella1 jejuando com tam grande rigor1 que pello espao de muitos dias1 nam toma ha folha verde para seu sustento1 tam apartado deste mundo1 que viue retirado em hum outro mundo1 morto na apparencia1 na realidade sepultado4 ,em conclusam1 este mesmo insecto1 que parece nascido para fomento de pomposas vaidades1 he aquelle1 que melhor nos desengana da vaidade das pompas humanas1 porque a riqueza das sedas que laura1 nam he outra cousa1 que o excremento das folhas1 que come1 para nos aduertir1 que a nossa vida depende de hum fio1 tecidura de hum o fio se reduzem todas as obras da sua vida2 cuidemos todos na fragilidade da vida humana1 para ns assegurarmos ha morte santa4 ,a arte das artes he saber morrer1 porque o premio desta arte1 he o mesmo ,deos na eterna bem-auenturana3 ,os erros1 que nas mais artes se cometem1 sam reparaueis1 mas he irreparauel o desacerto de huma m morte3 ,esta he a mais importante aduertcia1 das que se encerro nesta introduco1 fiz as duas primeiras como zeloso do bem do ,reyno1 remato com esta1 como desejoso do bem das ,almas4 ,d4 ,,rafael ,,blvteav ,clerigo ,regular ,theatino da diuina ,prouidencia4 ,,notas ,,de ,,rodap3 #g ,artes bonorum fontes esse aiuunt4 ,xenophon4 de institut4 ,cyri lib4 #g4 #h ,artes non ornamenta solum ,reipublic sunt1 sed etiam auxilia1 fulcra4 ,lipsius in lib4 de ,cruce in prfat4 ad barb4 ord4 #i ,xenophon1 in conomico4 #aj ,in ,belgio1 ,sericum crudum1 quod magna copia ex ,italia1 ,regionibus ,orientalibus1 prcteris ver ex ,persia ,societatis ,indi ,orientalis defertur 7vt secundum rei veritatem multis obseruat est7 amplius1 quam duodecim millia hominum occupat1 qui tantummodo in eo separando1 glomerando occupantur4 ,schookius in ,belg4 fder4 lib4 #g4 cap4 #ai4 #aa ,aquila ,auis solaris est acuti visus1 ita vt in summo ,aere exists1 qu in terra subsident videat4 ,etzler4 in ,isagog4 physic4 cap4 #d4 ,illustrao ,,index ,,dos ,,principaes ,,avthores1 que escreueram o nacimento1 criao1 vida1 propriedades do bicho da seda4 ,plinio1 histor4 natural4 liu4 #aj4 cap4 #bc4 ,ieronimo ,vida1 ,bispo de ,alba1 em dous ,liuros1 que tem composto em versos hexametros1 de ,bbice4 ,vlysses ,aldourando1 no seu ,liuro de ,insectis4 ,simo ,maiolo1 ,bispo de ,vulturara1 no seu ,liuro intitulado1 ,dies ,caniculares1 no ,colloquio quinto4 ,luis de ,granada da ,ordem de ,s4 ,domingos1 na introducam do symbolo da ,f1 p4 #a4 cap4 #ba4 ,gaspar ,kiokio1 ,iurisconsulto ,alema nos ,tratados1 que fez de rario1 liu4 #b4 cap4 #f4 ,e ,christouo ,pellero1 nos ,cmentarios que fez sobre os mesmos ,tratados4 ,thomas ,garzoni1 ,author ,italiano1 no ,liuro chamado1 ,piazza ,vniuersale1 liu4 #d4 cap4 #a4 ,e ,christoua ,isnardo2 em hum ,liuro cposto em ,idioma ,francez1 impresso em ,paris no anno de #affe4 ,este vltimo ,author1 escreueo sobre a cultura das amoreiras1 criaam dos bichos da seda1 mais clara1 diffusa1 methodicamente1 que todos os mais1 por isso delle se tirou a maior parte das noticias1 que se encerram nos seguintes ,capitulos4 ,illustrao ,,index ,,dos ,,capitulos1 ,,qve contem este ,liuro4 ,i4 ,,parte4 ,cap4 ,i4 ,das differenas das amoreiras1 das suas excellencias4 ,cap4 ,,ii4 ,varios modos de plantar as amoreiras brancas1 pretas4 ,cap4 ,,iii4 ,modo de transplantar as aruores nascidas por semente4 ,cap4 ,,iv4 ,modo de pltar as amoreiras por mergulho4 ,cap4 ,v4 ,modo de pltar as amoreiras por estaca4 ,cap4 ,,ui4 ,modo de pltar as amoreiras por enxerto4 ,cap4 ,,vii4 ,como se deuem entreter as amoreiras4 ,cap4 ,,uiii4 ,modo de colher a semente das amoreiras1 para a semear4 ,,ii4 ,,parte4 ,cap4 ,i4 ,do lugar proprio para criar os bichos4 ,cap4 ,,ii4 ,regra para conhecer1 escolher os melhores gros1 fazer sahir os bichos4 ,cap4 ,,iii4 ,das mudas dos bichos1 como conuemtratalos no tpo dellas4 ,cap4 ,,iu4 ,modo de colher1 conseruar as folhas das amoreiras4 ,cap4 ,v4 ,das doenas dos bichos da seda1 dos remedios1 que se lhe podem aplicar4 ,cap4 ,,vi4 ,segredo para fazer nacer sem semente1 muitos bichos da seda1 que dara excelltes gros com abundancia4 ,cap4 ,,uii4 ,modo de fazer sobir1 fiar os bichos da seda4 ,cap4 ,,uiii4 ,do tempo em que os casulos se ha de tirar dos ramos4 ,,iii4 ,,parte4 ,cap4 ,i4 ,do modo com que se deuem aparelhar os casulos para delles tirar a seda1 como se podem conseruar muito tpo1 impedindo que as borboletas na os furem4 ,cap4 ,,ii4 ,como se deuem escolher os casulos1 vnir as borboletas para que ponha a semente4 ,cap4 ,,iii4 ,da forma do forno1 dobadoura1 outros instrumentos para tirar a seda4 ,cap4 vlt4 ,do barbilho1 do modo de o aparelhar4 ,illustrao ,,instrvc,,am ,,sobre ,a ,,cultura das amoreiras1 criao dos bichos da seda4 ,i4 ,,parte4 ,,capitvlo ,i4 ,das differenas1 propriedades das amoreiras4 ,como o fundamto principal da seda1 depende das amoreiras1 esta rica aruore1 cujas folhas seruem de sustento aos bichos1 ser o assumpto dos primeiro ,capitulo deste ,tratado4 ,duas sortes de amoreiras se conhecem1 has brancas1 outras negras4 ,a differena1 que as primeiras fazem das segdas1 comea pello fruto1 porque produzem cmumente amoras brancas1 ou pardas1 mais pequenas que as negras1 menos saborosas2 as folhas sa de hum verde mais claro1 a casca1 a madeira mais branca1 he a razam1 porque conseruam o nome de brancas1 ainda que algas produzo amoras negras4 ,posto que as folhas de has1 outras1 sirua nutritura dos bichos1 as folhas das amoreiras brcas se prefer s das amoreiras negras1 por quatro razos4 ,primeira1 porque sa mais tenras1 delicadas1 de melhor gosto1 alimto aos bichos3 ,segunda1 porque produzem a folha vinte dias primeiro1 que as outras1 se anticipa com ellas a criaa dos bichos1 de vinte dias1 s calmas do mez de ,iunho1 que lhe sa ctrarias3 ,terceira1 porque ellas aruores crec1 se cultiuo mais facil1 breuemente1 que as outras3 ,quarta1 porque em algas terras1 a experiencia tem mostrado ser a seda dos bichos1 que se sustenta da folha destas amoreiras1 mais fina1 de mais valor4 ,porm a expericia tem mostrado1 que a seda de ,portugal1 ade s se vza das amoreiras pretas1 he melhor1 que a mais fina de ,italia1 como que se podem s plantar as amoreiras brancas1 pela segunda calidade de anticiparem as folhas1 suposta esta razam se podem pr entre dez amoreiras pretas1 duas brancas4 ,ella aruore he a mais fermosa1 a mais vtil de todas as aruores1 que seruem ao ornato dos cpos1 ao proueito dos homens1 quanto fermosura1 o proua bem a sua vista1 quanto vtilidade1 o manifesta os seus effeitos1 que sa a vnica riqueza de muitas1 grdes ,cidades4 ,os seus troncos nam differem dos choupos1 de todas as outras aruores fortes1 resistem agoa mais que todas1 donde se segue1 que seru a todo genero de obras de terra1 mar1 alguns naturalistas escreu1 que a sua casca serue para fazer cordas1 para ha fabrica de panos grosseiros4 ,a natureza prouida na criaam dos bichos da seda1 que hauiam de seruir ao ornato do mundo1 izentou esta aruore de toda a sorte de animaes immundos1 venenosos1 que comem as folhas1 os frutos de todas as outras aruores1 porque nenhum se vio j mais nas amoreiras2 este attributo1 este priuilegio da natureza1 he propriedade especifica desta nobre planta4 ,he esta aruore ta fertil na produco de seus ramos1 que quem tem copia de amoreiras1 tem lenha em grande abundancia para o fogo1 sem incommodar as aruores4 ,a riqueza das suas folhas he tal1 que duas aruores de justa grandeza1 basta para o sustto de meya ona de gras de bichos1 os quaes criandose mediocremente1 produzem seis1 ou sete arrateis de seda1 que de ordinario se vende por tres mil reis1 o arratel4 ,as suas folhas1 sa o melhor alimento1 que a terra produz para o gado1 o seu fruto o melhor1 que se conhece para seuar galinhas1 frangos1 capoens1 toda a sorte de ,aues4 ,,capitvlo ,,ii4 ,varios modas de plantar as amoreiras brancas1 pretas4 ,ha quatro modos de pltar1 criar esta vtil aruore4 ,primeiro1 por semte tirada das amoras4 ,segundo1 por mergulho dos ramos1 que sahem ao p da aruore1 junto terra4 ,terceiro1 por estacas1 ramos cortados1 plantados em outro lugar4 ,quarto1 por enxerto de amoreiras brcas em pretas1 ou em quaesquer outras aruores proprias para sofrer o enxerto4 ,quanto ao primeiro modo1 he conueniente que seja em lugar fechado1 defendido1 abrigado dos ventos frios1 em terra cauada1 mouida1 estercada com esterco meudo1 depois lanarlhe a semente na altura de hum dedo1 de sorte que os gras fejo bem cubertos4 ,o mesmo effeito produzem as amoras inteiras1 postas ha noyte de molho em agoa clara1 nam se meta1 ou junto1 ou entre as sementes1 alga outra planta4 ,se a terra he humida1 nam he necessario regalas1 porque cria ha codea que impede1 que a plta saya2 por conseruar a humidade da terra1 he bom cubrir o lugar1 aonde est a semente1 c palha1 ou jco1 se se semear na ,primauera1 conuem defender o lugar de ,pardais1 ou outras quaesquer ,aues4 ,ha duas sezoens proprias para esta cultura1 por semente4 ,primeira3 ,abril1 ,mayo4 ,segunda ,iulho1 ,agosto4 ,e em ,portugal se pode anticipar1 de hum mez a primeira4 ,a sesa da ,primauera1 he a melhor2 em ha1 outra sesa1 se he possiuel1 se deue escolher no quarto crescente da ,lua hum dia claro1 sereno2 meterseham as sementes em distancia de quatro ps de ha a outra1 depois de pegadas em dias quentes1 se pdem1 deuem regar com instrumentos de arame1 que tenham os buracos meudos4 ,nas terras frias1 ha outras cautelas1 contra giadas1 neues1 que entre ns sa inuteis4 ,,capitvlo ,,iii4 ,modo de transplantar as amoreiras1 nascidas por semente4 ,depois de plantadas as amoras 7como fica dito7 he necessario mouer1 trabalhar a terra1 pello menos tres vezes cada anno1 nos mezes de ,abril1 ,iunho1 ,agosto1 quando a terra esteja1 humida ou pella chuua1 ou pello orualho1 mas de sorte1 que este trabalho da terra1 nam toque as raizes4 ,quando for necessario1 se regar smente1 porque a demasiada agoa1 nam faa apodrecer as raizes4 ,nos mezes de ,maro1 ,abril seguintes1 he necessario podar1 cortar c hum instrumento muito fino1 os ramos que os troncos lanarem1 o que se continuar todos os annos1 cortandose tamb o tronco no mais alto1 meyo palmo smente1 quando for crescdo1 se lhe deixar ao mais1 tres ramos4 ,e como c este cuidado1 beneficio1 chegarem altura de seis ps1 grossura de hum brao1 se transplantar nos lugares aonde se quizerem pr1 aduertindo quese se houuerem de transplantar em campo descuberto1 exposto a todo o genero de animaes1 ser conueniente deixar crecer as aruores1 a outo ps de alto4 ,isto mesmo1 se obseruar com as aruores1 que vierem de ,prouincias distantes1 lugares estrgeiros2 se vier pequenas1 se meter em lugares serrados1 defendidos1 com distancias proporcionadas1 se ter o mesmo cuidado de as cultiuar4 ,e se vierem da grandeza de seis1 ou outo ps1 as transplantar logo 7como fica dito7 fazendo1 se puder ser1 que cheguem nos mezes de ,setbro1 ,outubro1 ,nouembro1 que he o tempo em que has1 outras se deuem transpltar1 ou ao menos nas ,luas nouas de ,maro1 ,abril4 ,quando se transplantarem1 se abrir cauas propora das aruores1 deixando as aruores mais na superficie1 que no fundo da terra2 mas he conueniente1 que as cauas seja mais altas1 porque a agoa da chuua1 que nellas entrar1 far pegar mais fortemente as raizes1 se lanar nas cauas eruas arrancadas do campo1 que vindo a apodrecer1 lhe seru de esterco2 mas estas eruas1 na tenha raizes1 quaesquer outras immundicias1 sa proprias para o mesmo effeito4 ,ser necessario regalas no mesmo tempo1 que se metem na terra1 nos mezes seguintes de ,iulho1 ,agosto1 para que peguem bem1 cercar o tronco da aruore de alguns paos1 espinhos1 da altura de hum p para as defender nos primeiros mezes1 se mouer1 trabalhar a terra nos primeiros annos4 ,a m1 a boa terra he igualmente fructifera para estas aruores1 mas a seca1 ligeira mais propria para a bdade da folha1 ainda que na humida1 nos valles1 junto a ,ribeiras1 sa mayores as aruores1 crecem mais facilmente2 nisto tem as amoreiras a natureza das vinhas1 junto das quaes vem com perfeia1 sem ser danosas s vinhas4 ,os lugares mais expostos ao ,sol1 sa os melhores4 ,em toda a parte1 onde se puzerem1 se lhe dar distancia de has a outras1 de duas1 ou tres braas ao menos1 porque naturalmente esta aruore he muito copada1 o tronco muito grosso2 mas ainda que se ponha mais junta1 na deixa de crecer da mesma sorte4 ,,capitvlo ,,iv4 ,modo de plantar as amoreiras por mergulho4 ,avara1 ou ramo da amoreira1 que estiuer mais perto da terra1 se poder melhor dobrar1 se meter na terra o mais distante da aruore1 que puder ser1 sem se arrancar da aruore1 nem quebrar1 de sorte1 que nam possa receber a substancia della1 fazendo sahir superficie da terra hum1 ou dous botoens do mesmo ramo1 que poderia produzir outros ramos o anno seguinte1 junto do lugar onde se deixarem de fora1 se meter ha estaca1 a qual dentro da terra se atar ao ramo com hum junco molhado2 he necessario regar esta planta1 como fica dito das sementes1 at que lance raizes4 ,esta sorte de planta por mergulho1 se far no outono1 no vltimo quarto da ,lua1 ou na ,primauera1 a tempo que a aruore comece a mostrar1 que quer florecer4 ,no anno seguinte1 quando se entender1 que o ramo mergulhado tem lanado raizes1 se cortar da aruore1 se deixar no mesmo lugar1 ou se passar a outro1 para depois se transplantar1 cultiuada como fica dito1 at seis1 ou outo ps de alto1 se se deixar ficar no lugar do mergulho se cortar spre o ramo do tronco da aruore1 no segundo anno1 porque de outra sorte tirar a si a substancia da aruore1 a enfraquecei4 ,,capitvlo ,v4 ,modo de plantar as amoreiras por estaca4 ,as amoreiras nacem com a mesma facilidade por estaca1 que por semente1 mergulho4 ,quando a amoreira quizer florecer se cortar hum ramo1 que desse j dous annos flor1 fruto1 que haja ao menos outo annos1 que tenha sahido da aruore1 sdo possiuel seja torto1 tenha duas pontas na parte por onde se cortar1 para que metido na terra1 o ramo saya direito1 o p entre torto1 possa formar duas raizes4 ,estes ramos se meter na terra em regos1 como se plantam as vinhas1 hum pouco profundos1 nam deixando fora da terra mais que dous1 ou tres botoens do ramo4 ,he conueniente fender1 abrir a ponta deste ramo1 que entra na terra1 de tres1 ou quatro polegadas1 meter entre as fenda algs gras de trigo1 ou ceuada1 porque vindo a humedecerse1 conseruarm fresco o tronco1 o far pegar mais facilmente1 conuem regalos1 quando for necessario1 at se entender que tem raizes1 crecendo he necessario podalos1 cultiualos1 como fica dito1 diante se dir4 ,,capitvlo ,,vi4 ,modo de plantar as amoreiras por enxerto4 ,onde ha amoreiras pretas1 este he o mais facil meyo de hauer as brancas1 enxertando nellas garfos das brancas1 aonde falta1 se pod enxertar em quaesquer outras aruores4 ,os modos dos enxertos1 sam os cmuns1 que se tem c as outras aruores1 o tpo mais proprio he na ,primauera1 mas todo o tempo que serue para os enxertos das outras aruores1 serue s amoreiras4 ,he necessario escolher o garfo das aruores mais velhas1 daquellas que dam a mais fermosa1 a melhor folha1 escolhendo os garfos mais nouos1 que esta na aruore mais expostos ao meio dia1 mais nas extremidades da aruore1 que no meyo1 que tenham a folha muito verde1 redda1 nam manchada4 ,,capitvlo ,,vii4 ,como se deuem entreter as amoreiras4 ,todas as precauoens necessarias para tirar da amoreiras hum proueito annual1 ter grandes1 fermosas aruores1 he de as limpar todos os annos das branchas1 ramos mal formados1 secos1 cortar1 podar os ramos1 que se separo muito das aruores1 desiguaes aos outros1 a fim de fazer a aruore copada1 mais facil de colher a folha4 ,o primeiro anno1 que as aruores ser transplantadas ao lugar1 aonde ha de ficar1 se deuem cortar todos os ramos1 branchas1 deixando s cinco1 ou seis1 os melhor situados na aruore4 ,no anno seguinte1 destes cinco ramos1 se deixara s tres os melhores1 em situao triangular1 igual1 a fim que a produca da aruore seja igual1 formada s de tres branchas principaes4 ,he bom cortar na estremidade do tronco principal1 entre as tres branchas1 tudo o que estiuer seco1 as branchas1 que se cortarem1 se forem grossas1 a dous1 tres ps de longo da aruore1 tronco principal1 a fim de que vindo a secar1 na se cmunique aruore1 se cortar de alto abaixo1 por dar queda agoa da chuua1 que na penetre o interior2 se as branchas cortadas tiuer no anno seguinte muitos ramos1 se cortar sem deixar a cada huma mais que dous1 ou tres na forma1 que se ter feito s branchas4 ,se depois de dous annos1 as folhas que as nouas aruores produzirem sahirem manchadas1 de pouca substancia1 ser bom cortar as extremidades dos ramos1 meter nelles enxertos de bs garfos1 quanto mais garfos lhe enxertarem1 ser melhor1 mas este enxerto he mais vtil1 que necessario4 ,ha ha especie de amoreiras2 como terceiras1 entra brancas1 negras1 a qual tem a folha mais larga1 que a das outras1 differente em cr1 mais tenra1 de melhor gosto aos bichos4 ,as amoras sa de hum pardo escuro1 maiores que todas as outras4 ,as folhas destas amoreiras sam mais naturaes aos bichos1 mas no a comem com tanto apetite1 como as folhas das amoreiras brancas4 ,com tudo he conueniente ter algas aruores desta terceira especie1 para a dar aos bichos na vltima muda1 porque o muito que comem da outra folha1 lhe faz algas vezes dano4 ,alm de que1 a experiencia tem mostrado que fazem a seda mais forte1 estas amoreiras se chamo cmumente de ,hespanha1 posto que a planta he natural de ,sicilia4 ,onde ha copia de amoreiras1 mais folhas1 do que he necessario para o alimento dos bichos1 he cueniente deixar de colher a folha de algas aruores1 ou colher de todas com moderao1 porque ainda que o colher a folha1 nam trata mal as aruores1 no anno seguinte1 as folhas sa de melhor substancia1 vem em maior abdancia4 ,he conueniente1 deixar as aruores que t melhor1 mais grossa a folha1 o fruto maior1 em grande quantidade1 para dar aos bichos nos vltimos dias1 por duas razoens4 ,primeira porque sendo as folhas melhores1 mais substanciaes1 se deue guardar para a vltima muda dos bichos1 quando esto mais perto de formar a seda4 ,segunda1 porque tendo as amoreiras quantidade de amoras1 no lhe tirando logo a folha1 chega o fruto a toda a perfeio1 serue para semente de aruores1 para ceuar as ,aues2 muitas vezes sucede1 que algas aruores carrego tanto de fruto1 que he inutil colher as folhas1 por serem muito pequenas4 ,como succede1 que alguns annos1 os bichos sahem1 se animo primeiro que as aruores tenham folha capaz para o seu sustento1 se pode com industria apressar a folha1 metendo esterco meudo dentro da raiz das aruores1 roda do p1 na ,lua noua de ,feuereiro1 regando as com agoa morna em hum dia bom1 de ,sol4 ,das aruores nouas1 7se puder ser7 tambem das velhas1 se deue colher a folha1 com tal ord1 que se nam quebrem os ramos grandes1 dos pequenos se nam devem cortar1 os que esto na extremidade da vara1 ou ramo grde4 ,os mais curiosos da cultura das aruores1 fazem cortar as folhas pello p1 com ha thesoura1 por saluar os ramos1 po lanois ao p das aruores1 para que caya sobre elles4 ,mas quem tem muita criao de bichos1 no pode guardar esta regra1 pella muita folha de que necessita4 ,mas sempre he necessario1 guardar o que fica dito sobre os ramos1 pondo cuidado em no quebrar os grandes1 se se quebro1 conuem cortalos por baixo1 donde sa fendidos4 ,quando a folha de toda a aruore he colhida1 deue visitarse a aruore1 cortar tudo o que nella ha de ramos secos1 podar todos os ramos1 que se separarem muito da aruore4 ,quem quizer cortar as aruores1 ou por velhas1 ou por lhe parecer1 que necessito deste beneficio1 o no deue fazer pello tronco1 mas pellos ramos2 porque pello tronco1 he totalmente renouala1 perder a folha1 por alguns annos1 porque nem he boa para os bichos1 os primeiros tres1 ou quatro annos da aruore noua1 nem se pode tirar sem dano da aruore4 ,o melhor modo de cortar para as melhorar1 o que se vza em ,sicilia1 he mandar subir aruore hum homem com ha fouce de p longo1 cortar os ramos mais distantes1 at onde pode alcanar1 no mez de ,maro em hum bom dia1 da ,lua noua1 ou por no perder a folha daquelle anno1 nos mezes de ,mayo1 ,iunho1 ao mesmo tempo1 que a folha se vai colhendo4 ,os homens practicos na ,agricultura1 fazem isto mesmo1 no s s amoreiras1 que he a aruore mais vtil1 mais a toda a forte de aruores de fruto4 ,se se cortarem os ramos c folha1 conuem cortarlha logo1 porque separada dos ramos1 se pode guardar dous dias1 conseruada nelles1 se perde em poucas horas1 se nam quizerem separala dos ramos1 se conseruar metendo os ramos em vazos de agoa4 ,no conuem colher as folhas1 quando choue1 nem logo depois de chouer1 porque tem mostrado a expericia1 que colhidas1 ou cortadas com agoa1 he de grande prejuizo s aruores4 ,por euitar este inconueniente1 conuem ter folha de resto em tpo chuuoso1 ou que promete chuua1 guardala em lugares frescos1 mas no to humidos1 que se humedea a folha1 porque humida1 he danosa aos bichos1 quando est humida1 he remedio darlhe ar1 mouela4 ,emfim as amoreiras1 como todas as outras aruores1 amo estar em terra laurada1 cauada1 estercada1 he vtil fazerlhe este beneficio de tpos em tempos3 ,guardandose esta regra na agricultura desta rica planta1 se tirar hum proueito inestimauel1 se criarm boas aruores1 que durar seculos1 como experimentamos nas quese plantaro em ,frana1 no ,delfinado1 ,langadoc1 ,prouena1 outras ,prouincias1 por ordem de ,henrique ,,iu4 que hoje se cseruo perfeitas com grande vtilidade dos proprietarios1 os quaes tiro de tres modos o interesse dellas4 ,primeiro1 criando os bichos1 tirdo a seda4 ,segdo1 alugando as aruores1 ou vendendo a folha1 sogeitandose quem as aluga1 ao dano considerauel1 que por descuido1 ou malicia se fizer nellas4 ,terceiro1 dando a folha1 caza para a criao dos bichos1 outra pessoa dando os gras1 tomando o cuidado de os criar1 sustentar at formarem os casulos1 seda1 cuja quantidade se separa1 ficando a ametade para o senhor da caza1 aruores1 outra para quem deu os gras1 criou os bichos4 ,,capitvlo ,,vlt4 ,modo de colher a semente das aruores1 para as semear4 ,as amoreiras brancas1 produzem de ordinario grande quantidade de amoras1 particularmente as brcas1 cujas amoras sa pardas escuras1 ou pretas4 ,as amoras de que se houuer de tirar a semente1 se deuem colher maduras1 de aruores1 de que se nam colhesse folha1 porque o fruto das amoreiras de que se colheo a folha1 no chega a inteira perfeio1 como fica dito4 ,todas as amoras de amoreira branca1 que tem semente 7porque nem todas a tem7 sa boas1 mas as amoras pretas de amoreiras brancas1 sa as melhores4 ,as amoras1 de que se houuer de guardar a semente1 se deuem colher na forma seguinte4 ,estenderse-h hum lanol de pouco valor1 ao p da aruore 7digo de pouco valor1 porque as nodoas das amoras1 sa difficeis de tirar17 abanarse-ha a amoreira sobre elle1 o que baste para que cayo as amoras maduras4 ,he conueniente1 que sejo colhidas sobre hum lanol1 porque cahindo no cho1 se enchem de terra1 area1 de que depois se no distingue a semente4 ,colhidas do lanol1 se passarm a hum taboleiro1 ou se por sobre ha meza estendidas1 em caza alta1 de sobrado1 onde se deixar cinco1 ou seis dias para amadurecerem bem1 mouendo as todos os dias para euitar a podrido4 ,passados os seis dias1 se meterm em hum saco molhado1 ou em huma peneira muito fina1 molhada1 se espremer1 amassar bem com as mos1 para separar as sementes das amoras1 depois se tomar tudo o que fica no fundo do saco1 ou na peneira1 se lanar em hum alguidar cheo de agoa clara1 no qual em breve espao se distinguir a semente1 porque deceao fundo da agoa1 tudo o mais que fica das amoras1 est nadando em cima4 ,depois de colhida a semente1 se estender sobre ha toalha de linho1 se por ha hora smente ao ,sol1 donde depois de passada a hora se limpar de todo o p1 que tiuer1 se guardar para se semear na seso1 forma1 que fica dito no ,capitulo ,,ii4 onde tamb se disse1 que basta semear as amoras1 que tenho semente1 colhidas por abano1 postas a amadurecer o tempo necessario4 ,quem quizer escuzar este trabalho1 pode mandar vir de ,sicilia1 outros lugares de ,italia1 as sementes1 ainda que ordinariamente no so boas1 por duas razos1 ou por muito velhas1 ou por ser colhidas sem cuidado1 de amoras podres4 ,mas he facil de conhecer1 separar a boa de m semente1 metendo-a em hum vazo de agoa1 a que depois de tres horas cahir no fundo do vazo1 he a boa1 a que ficar em cima1 se lanar fora1 como inutil4 ,tudo o que fica dito das amoras de amoreiras brancas1 se pode obrar com as amoras pretas1 que se comem cmumente4 ,de todas estas quatro sortes1 se criar amoreiras em grande ctidade1 em tempo breue1 sem trabalho1 nem considerauel despeza4 ,para conclusa desta ,primeira ,parte1 em que tratei do modo de plantar as amoreiras1 aduirto que a cultiuao destas aruores1 he1 foi sempre a mais geral1 nobre1 vtil occupaa dos homens4 ,os antigos a comeara1 c ella se deuertira no deserto os ,anacoretas1 como os mais ,religiosos no principio de suas instituioens4 ,das obras de ,s4 ,ieronimo colhemos1 que entre-tinha nesta occupao os ocios dos estudos1 a encomendaua a hum de seus ,discipulos1 para que os frutos de que se sustentaua1 fossem merecidos pello seu trabalho4 ,todos os que seguir este louuauel costume1 esta nobre occupao1 tirar della tres grdes ventagens4 ,primeira1 a satisfaa que ter de plantar as aruores1 de as ver crecer1 de colher os frutos dellas1 que nos sam mais saborosos quando sahem1 como obras das nossas mos4 ,segunda1 o interesse1 proueito1 que resulta deste trabalho1 porque he certo1 consta pella experiencia1 que em dous campos de igual grandeza1 bondade1 hum plantado de todas as aruores de que se pode tirar fruto1 proueito1 outro s de amoreiras1 o custo de cultiuar estas1 he menor a ametade1 o proueito he quatro vezes maior4 ,terceira1 porque a cultiuaam destas aruores1 he vtil1 nam s a quem as plantou1 mas a hum numero ta grande de pessoas1 como sa as que obro1 trabalha nas sedas1 desde a criao dos bichos at a tenda do ,mercador4 ,e os vindouros viuir agradecidos ao nosso trabalho1 com a mesma razam1 justia1 com que ns viuemos ao seu4 ,cmumente se desprezam no mundo1 as plantas1 se descuida os homens da cultura dellas1 pella desconfiana1 que tem1 de lhe colher os frutos4 ,deste erro1 que justamte deueser condenado de todos1 nos liura a considerao do que deuemos a nossos ,aus1 que se tiuera1 seguira aquella opinia1 nam lograramos hoje1 o que elles com o seu trabalho1 com a sua cultura nos deixaram4 ,somos obrigados todos a cuidar na posteridade1 os pays pello que deu aos filhos1 todos pello que deuem sociedade ciuil1 terra em que nacram4 ,por que trabalhos passaram os antigos ,portuguezes1 no descobrimento de tantas ,ilhas1 ,terras1 ,reynos1 de que hoje logra seus sucessores os frutos1 as riquezas8 ,mais para ns1 que para si1 cultiura os primeiros descobridores as terras1 que possuimos1 assim como1 ns abenoamos os seus trabalhos1 agradecemos o seu cuidado1 assim os que vierem depois de ns1 term muito1 que nos agradecer1 em lhe deixarmos ha vtilidade certa na terra1 em que viuimos4 ,digamos finalmente os louuores1 encomios1 que dam os ,authores a esta rica planta1 a que chamo symbolo da prudencia1 porque produz a folha1 depois que passa as inclemencias do ,inuerno1 no mesmo tempo1 que os bichos 7a cujo sustento a natureza a criou7 comeo a se animar1 sem produzir flor1 produz mais fecunda que as outras1 folha1 fruto4 ,a sua duraam he tam grande1 que se lhe nam sabe termo1 em ,italia1 em algas ,prouincias de ,frana1 ha amoreiras tam antigas1 que se perdeo a memoria do tempo em que foram plantadas4 ,os que escreuem as excellencias desta aruore1 dos bichos da seda1 affirmo1 que viera das ,prouincias ,orientaes1 em algas das quaes1 os bichos formo a seda nas campanhas1 sem cuidado1 ajuda dos homens1#ab porque naquellas partes fauorece o ,ceo esta criaam com tam singular prouidencia1 que nam choue no tempo1 em que os bichos faz nas aruores a seda4 ,estes mesmos ,authores escreuem1 que ha cento1 dez annos1 que foram trazidos a ,grecia1 ,italia1 na ,prouincia de ,prouana em ,frana1 como mais vesinha de ,italia1 ha cem annos1 que se introduzio o vzo de criar os bichos2 as aruores1 que se plantro naquelle tempo1 esto agora com toda a sua fora1 vigor1 sa as mais fermosas1 as mais lucratiuas1 as menos sogeitas ao rigor dos tempos4 ,illustrao ,,notas ,,de ,,rodap3 #ab ,in ,trapobane sericum1 sine cultu1 ex arboribus detrahitur ,bombycibus confectum4 ,linschot cap4 #bc4 in commentar nauigationum4 ,illustrao ,,ii4 ,,parte4 ,,contem ,o ,,modo ,,de criar os bichos1 at tirar a seda4 ,,capitvlo ,i4 ,do lugar proprio para criar os bichos4 ,para fazer ha copiosa criao de bichos de seda1 se deue preparar hum lugar cmodo1 em que se aliment sete semanas1 que tem de vida1 ao menos nos vltimos trinta dias1 porque nos primeiros1 se podem criar em lugares mais estreitos1 em quaesquer camaras1 a que no fazem nenhum genero de dano1 como no sejo sotas1 ou lugares humidos1 mas em camaras claras1 liures ao vento4 ,conuem que as camaras1 se for possiuel1 tenho janellas has defronte das outras1 algas ao meyo dia1 porque nos dias calmosos entre o ar liuremente1 mas tambem que tenho vidraas1 ou encerados porque nos dias tempestuosos1 frios esteja abrigados4 ,he necessario1 que no haja nenhum mao cheiro1 he preciso cerrar todos os buracos de ratos1 impedir1 que no entrem na camara1 galinhas1 frangos1 ou pardais4 ,na camara destinada a esta criao1 se armarm junto das paredes1 partileiros da altura1 que se quizer1 segundo a criao que se faz1 nelles se meterm taboleiros diuididos huns dos outros1 meyo palmo1 huns sobre outros em distcia de hum couado1 pello meyo da caza1 se pode tambem armar1 deixando espao entre hs1 outros1 capaz de poder andar liuremte a pessoa1 que tiuer cuidado delles1 para poder meter escadas para sobir aos taboleiros mais altos1 a lhe meter folhas4 ,os taboleiros1 tenho as bordas altas1 para impedir1 que os bichos nam cayam1 para maior preuam1 he conueniente que os taboleiros debaixo sejo maiores1 que os primeiros1 porque vindo a cahir os bichos do taboleiro alto1 fiquem no baixo1 se nam percam4 ,os partileiros1 sobre que se ham de armar os taboleiros1 em altura de quinze ps1 pod ter seis ords de taboleiros4 ,as pessoas que costumo fazer esta criao todos os annos1 faz por ha s vez a despeza destes partileiros4 ,he bom pr sobre elles1 papeis1 assim para a conseruaam1 limpeza delles1 como para a facilidade1 que com elles se tem em mudar os bichos1 quando he necessario2 muitos escuzo esta despeza a qual nam he considerauel1 toda a casta de papel serue a este effeito4 ,as pessoas pobres1 a que falta a cmodidade de caza separada1 de partileiros1 taboleiros1 fazem a criaam sobre a mesma caza1 como seja de taboado1 dentro de arcas1 cestos1 alcofas1 ou sobre taboas postas de parede a parede1 sem outro cuidado mais1 que de os guardar a todos os bichos1 passaros1 que os comem4 ,a frequente entrada de gte nas cazas1 o fogo1 o fumo no lhe fazem dano1 o que lhe faz dano1 he o grande estrondo de sinos1 a vesinhana de officios mecanicos1 como ,ferradores1 ,ferreiros1 outros semelhantes1 que lhe causa o mesmo dano1 que os trouoens1 pello que ser conueniente de os apartar1 o mais que puder ser1 destes estrondos1 suposto que sendo nascidos entre elles1 lhe na fazem dano4 ,,capitvlo ,,ii4 ,regras para conhecer1 escolher os melhores gras1 fazer sahir os bichos4 ,os melhores gras1 sam os que vem de ,sicilia1 do ,leuante1 de ,hespanha2 sam pequenos1 pardos escuros1 muito redondos1 para conhecer sesa mortos1 ou falsificados1 se quebrara hum entre as vnhas1 se lar bem de humor luzente1 he sinal de bondade4 ,os gras de ,piemonte1 nam sa tam bons1 como os de ,hespanha4 ,os de ,bolonha sa iguaes na bondade1 pello cuidado1 que naquella ,cidade se poem1 em os tirar1 como ordinario trato della4 ,os de ,messina sa os que mais se estima em ,europa4 ,em conhecer os gras ha alga difficuldade1 porque a semente das borboletas1 que se nam jtaro com os machos1 tem a mesma cor1 o mesmo pezo1 quebrada lana a mesma humidade1 nam tem seruio algum1 como tambem a semente feita de borboletas1 sahidas de casulos pequenos1 cuja seda nam tem a bondade ordinaria4 ,para euitar estes inconuenites1 he preciso1 valerse de correspondencias fieis1 nos lugares aonde se compram4 ,os primeiros a enganr1 ser enganados1 sam os que faz trato desta mercancia1 porque compro quantidades grandes2 o mais seguro he1 quando se encontram nouidades boasde bichos1 ter cuidado de guardar as sementes1 na forma1 que se dir no fim deste ,tratado4 ,nam he necessario guardar1 seno a qutidade1 que se pode criar2 para ha ona de gras1 bastar duas1 ou tres amoreiras grandes1 ou cinco1 ou seis pequenas4 ,posto que os gras dos bichos da seda1 se animo de si mesmos1 logo que o calor da ,primauera os aquenta1 he conueniente cobrilos1 por duas razoens4 ,primeira1 por anticipar a criao s calmas de ,iunho1 antes que as amoras sejam maduras1 porque a folha he mais difficil de colher1 as amoras lhe communica demasiada humidade4 ,a segunda he1 porque os bichos sayam hum mesmo tpo1 o que he mais facil com calor artificial4 ,para euitar este inconueniente1 costumo em algas partes1 depois de os benzer nas ,igrejas1 metelos em bom vinho1 o espao de meyo quarto de hora1 depois lanalos sobre hum linho branco1 polos a enxugar ao ,sol1 se nam for muito ardente1 ao fogo em distancia proporcionada3 o tempo conueniente1 he a ,lua noua de ,abril1 mas nas terras quentes1 ade a folha se anticipa1 a regra principal he1 quando as amoreiras tiuerem folhas capazes de se colherem4 ,depois que os gras estiuerem secos1 se meter em ha caixa b cerrada1 limpa1 com algodam pellas extremidades1 em que s caiba a qutidade dos gras1 que se quizerem cobrir1 se por a caixa abrigada1 aonde haja fogo se for em terra1 tempo frio1 nella se meter a caixa em h cubertor de papa1 ou de pano1 estando desta sorte dous1 ou tres dias1 se ver que os bichos comeo a se animar1 mouer sobreo algoda1 o que visto1 se meter sobre a boceta1 ha folha de papel branco com buracos1 por onde possa caber os bichos1 sobre ella folhas de amoreiras1 at que os bichos suba1 se peguem nas folhas4 ,tanto que as folhas estiuerem cubertas dos bichos1 que naturalmente sobem1 se pegam nellas1 se tirar com as folhas1 se passarm aos taboleiros1 aonde se ha de continuar a criaa delles4 ,esta preuenam de fogo1 vinho1 se escuza nas terras quentes1 aonde basta a das caixas cubertas em cazas abrigadas4 ,,capitvlo ,,iii4 ,das mudas dos bichos1 como conuem tratalos no tempo dellas4 ,os bichos mudo quatro vezes desde o nacimento1 at formar os casulos2 em cada ha destas mudas1 dormem o espao de tres1 ou quatro dias1 sa como immoueis1 ou doentes1 no comem at mudar as pelles1 o que se conhece1 quando parecem mais brancos1 mais curtos do que ero4 ,depois que mudo1 comem outo dias1 at tornar a segunda muda1 assim at a quarta1 em que chega a toda a sua grandeza1 que he a grossura1 como de ha pena de pato1 o comprimento de duas polegadas4 ,acabadas as mudas1 nam ha regra a guardar1 para os mudar de cama ou lhe dar de comer1 porque ha1 outra cousa se deue fazer sempre que tiuerem necessidade4 ,a ordem1 he passalos dos taboleiros1 em que estam1 a outros taboleiros na muito juntos huns dos outros1 darlhes a comer folhas frescas1 limpas de todo o p1 colhidas ao ,sol1 porque nam tenham orualho1 metendo sempre folhas nos lugares vazios1 junto aos bichos1 por euitar que se nam juntem huns com os outros o que no he danoso nos primeiros dias4 ,o modo de os mudar dos taboleiros1 he com as folhas1 em que esto pegados1 hum quarto de hora1 depois que esto pegados nellas1 no mesmo tempo meter folhas frescas no lugar donde os tiram1 para os bichos1 que ficam1 porque estas mudanas se fazem para lhe dar mais espao1 quando crecem4 ,os mais curiosos tem agulhas grossas de prata1 ou latam1 para os hir mudando1 em quanto ha perigo1 de os mudar com os dedos4 ,tres1 ou quatro dias depois de animados1 conuem mudalos1 que a caza nam esteja exposta a ventos frios2 nas terras frias1 se fazem secar os taboleiros ao fogo1 para lhe tirar a humidade1 depois de cinco1 ou seis dias1 os tornam a mudar4 ,quando os bichos sam grandes1 na ha perigo de os mudar1 tocar c os dedos1 n de os expor1 costumar ao ar1 em bons dias4 ,as pessoas1 que nam tem tempo cmodidade de mudar os bichos de lugar1 os separar antes que se mudem1 he necessario separalos1 mudalos nas mudas1 obseruar com cuidado1 quando sahem dellas1 para os hir separando1 darlhe de comer logo1 porque sahem com apetite1 duas vezes no dia1 qudo sahem da primeira muda2 quando da segunda1 o mesmo2 tres vezes no dia se lhe dar de comer1 quando sahem da terceira muda1 qudo da quarta1 todas as vezes1 que se virem as folhas pella maior parte comidas1 porque lhe he danoso estarem sepao considerauel sem comer1 quando esto chegados ao tempo de subir1 para este tempo lhe guardarm as amoreiras melhores1 que tenha as folhas mais fortes1 porque lhe faz fazer a seda mais forte4 ,deue obseruarse1 que algumas amoreiras1 antes do ,s ,ioam1 produzem segunda ordem de folhas1 que sam muito tenras1 humidas1 na conuem dar destas aos bichos1 porque a demasiada substancia1 que lhes da1 os faz entropecer1 estando chegados a subir4 ,a melhor preuenam ctra este dano1 he comealos a criar com abundancia de boa folha1 porque farm a seda em seis semanas1 ou quarenta cinco dias4 ,,capitvlo ,,iv4 ,modo de colher1 conseruar as folhas das amoreiras4 ,as folhas das amoreiras1 se deuem colher depois do ,sol secar o orualho1 ou a agoa de chuua1 em tempo chuuoso1 porque aos bichos da seda1 nenha cousa lhe faz maior dano1 que folhas molhadas do orualho1 ou da chuua4 ,a folha guardada doze1 ou quinze horas1 at dous dias1 he melhor para os bichos1 do que se se lhe der logo1 depois de tirada da aruore1 recen-colhida4 ,e se no ouuer outra folha1 que lhe dar1 mais que a que se colher em tpo de chuua1 melhor he fazelos jejuar1 que darlhe folha molhada1 he preciso esperar1 que se seque1 para este effeito1 porm a folha entre dous lanois1 ou entre dous panos de linho1 depois de secos ao lume1 os sacudirm para fazer correr a agoa das folhas1 que tambem por este modo se secarm mais da depressa1 com o vento que tomo nesta agitaam2 depois de sacudidas as estender sobre camas1 ou panos1 para que acabem de se secar de todo4 ,qudo se v1 que tpo ameaa chuua1 conuem fazer ha boa prouisa de folha1 para dous1 ou tres dias1 que he o tempo1 que se pode guardar1 se estiuer em lugar fresco1 em que corra o ar1 he preciso mouela muitas vezes no dia1 porque as folhas amontoadas has sobre as outras1 se esquenta1 ficam humidas1 molhadas1 como as que se colhem com orvalho1 ou chuua1 porque esta sua humidade faz muito mal aos bichos nam podem servir1 senam depois de enxutas2 entre tanto1 se os bichos necessitarem de folha1 se lhe reuoluerm as camas1 elles acharm que roer nas folhas1 que tem debaixo de si4 ,a folha das aruores situadas em lugares humidos1 sombrios1 aonde nam chegam os rayos do ,sol1 faz mal aos bichos1 como tambem as folhas amarellas1 ou manchadas de pardo escuro1 como lentilhas2 na sa menos danosos aos bichos1 os renouos1 que brota do tronco da amoreira1 ou dos ramos mais grossos do mesmo anno4 ,conuem1 que os que colhem a folha1 tenha as mas limpas1 que nam cheirem a cebollas1 n alhos1 que antes de a hir colher nam tomem tabaco de fumo1 que na quebrem os ramos1 quando a colhem4 ,na colher as folhas1 s mos cheas1 mas folha por folha 7se for possiuel17 porque assim conuem para as amoreiras1 para os bichos2 para as amoreiras1 porque nam se arrancarm os renouos do anno2 para os bichos1 porque as folhas se colherm inteiras1 nam tomarm o mao sabor dos ramos1 com que se roo1 quando se apanho com violencia4 ,em conclusa1 por as folhas em sacos1 ou em cestos muito limpos1 nam as apertarm muito1 porque apertadas se quebra facilmente1 em menos de meya hora se esquentam1 ficam molhadas1 como se fora tomadas da aruore1 em tempo de chuva1 ou com orvalho4 ,,capitvlo ,v4 ,das doenas dos bichos da seda1 dos remedios1 que se lhe podem aplicar4 ,os bichos estam sogeitos a dous generos de doenas1 has naturaes1 outras accidentaes4 ,as naturaes1 sa as quatro mudas1 que fazem at o tempo1 em que comea a fazera seda2 em cada muda1 deixam a pelle1 estam tres1 ou quatro dias sem comer1 ficam sem mouimento1 como adormecidos1 se aparta huns dos outros1 quanto podem2 estas mudas1 ainda que naturaes1 sam causa de alga quebra nos bichos4 ,as suas doenas accidentaes sa causadas do rigor dos tempos2 da m calidade da folha2 da pouco sadia situaa do lugar1 em que se cria2 do mao trato1 que se lhe d2 do mao cheiro1 que os offende4 ,em quanto ao rigor do tempo1 a calma lhe faz mais mal1 que o frio4 ,quando se leuanta algum vento frio1 desabrido1 conuem ter a caza bem fechada1 no meyo della alguns fogareiros1 com brazas acezas1 na caruoens1 cerrar todas as portas1 janellas por onde pode entrar o vento4 ,ao excesso da calma1 se remedear com abrir todas as portas1 janellas1 para os refrescar1 c lhe mudar muitas vezes as camas1 porque lhe causa muito calor4 ,se tal-vez deixarem de comer1 ou se as folhas1 que se lhe deram de hum pasto a outro1 na forem comidas1 no se lhe deue dar outras1 bom ser mudalos do taboleiro1 ou partileiro em que estam1 darlhe nouas folhas1 no lhe pr outras1 at que no sejo bem comidas4 ,e se no estiuerem em estado1 que se possa bolir nelles1 como quando esto na muda1 em que no comem1 por adormecidos1 ou doentes1 pouca folha se lhe deue dar1 ou nenha1 at na acabarem de roer a que se lhe deu1 bom he deixalos neste estado1 sem lhe fazer mouimento algum1 at que elles mesmos acord do letargo1 madorna1 em que esto4 ,se os bichos no medrarem1 se muitos delles morrerem1 bom ser mudar lhe as camas1 perfumar os partileiros1 se ouuer lugar1 melhor ser1 mudalos para outra caza1 com particular cuidado1 hir spre apartando os dotes1 darlhe a melhor folha1 mas pouca1 mais a meudo1 do que se costumaua1 para os espertar1 na lhe dar folha1 se no tiuerem comido a que tem debaixo de si1 perfumalos c encenso1 beijuim1 outros cheiros1 heruas cheirosas do campo1 ou com o fumo de toucinho magro1 presuntos1 chourios fritos1 ou postos sobre as brazas4 ,tambem os perfumarm pondo no lume hum ferro1 hum calhao1 apagando-o com vinho1 ou vinagre1 ou maluasia3 ,estes fumos1 vapores1 despertam1 alegro1 saro aos bichos4 ,por esta mesma razam1 bom ser borrifar algas vezes a caza1 em que os bichos estiuerem1 as paredes1 os taboleiros1 com vinho1 ou vinagre1 esfregar tudo com eruas1 folhas de aruores1 de b cheiro1 como funcho1 alecrim1 louro1 outras semelhtes1 principalmente se estiuerem doentes1 se morrerem muitos1 porque de outra sorte1 estes cheiros seriam inuteis1 poderiam prejudicar1 por serem fortes4 ,o bafo1 dos que tiuerem comido alhos1 cebollas1 ou porros1 ou dos que mastigam1 tomo tabaco de fumo1 he danoso aos bichos1 qudo esto sas1 muito mais1 qudo esto doentes1 por isso estes taes nam os tocarm1 nem bolirm com as folhas1 nem quem andar com sal4 ,as moas1 mulheres1 que andarem com suas menstruas purgaoens1 nam bolirm nos bichos1 nem entrarm nas cazas1 em que estiuerem1 em quanto lhe durar este achaque1 porque isto os mata4 ,he necessario que nas cazas1 em que esta criao se fizer1 haja muita quietao1 que seja em parte donde no se ouo de perto tiros de armas de fogo1 nem sons de sinos1 tambores1 ou trombetas1 sobre tudo no se dem pancadas grandes na caza donde estiuerem1 deixando cahir alga cousa de pezo1 arrastrando bofetes1 cadeiras1 ou outras cousas1 que abala os sobrados1 porque qualquer destes estrondos1 lhes causa doenas nas mudas4 ,em quanto os bichos comearem a fiar1 tecer a sua seda a formar o seu casulo1 na faa bolir os estrados1 ou partileiros1 em que estiuerem por ser este o tpo da fora do seu trabalho1 em que comea a encolher o corpo1 as pernas1 qualquer mouimto1 que lhe occasionar1 lhe faz quebrar o fio da seda1 com que tec o casulo1 depois anda buscando o fio em quto o na acha1 passa o tempo de tecer1 se reduzem figura de ha faua1 a maior parte rebenta nos casulos1 que depois fica molles1 na da a seda1 que hauia de dar1 se na desinquietra os bichos4 ,das grandes chuuas com trouoens1 que sobreuem1 quando os bichos sa crecidos1 se lhe origina a maior parte das doenas1 das quaes os poder liurar o cuidado1 que se ter delles4 ,as chuuas1 s lhe sa danosas1 pella grande humidade1 que lhes causa ou pella difficuldade de ter boa folha4 ,esta humidade se pode remediar c fogareiros de brazas acezas1 nam de caruoens1 como fica declarado1 as folhas se poder secar na forma1 que tenho dito4 ,pello que toca aos trouoens1 em algum modo se pode euitar o dano1 que fazem aos bichos1 perfumando os com o cheiro de talhadas de presumto1 ou chourio fritos1 ou postos sobre as brazas1 fazendo entrar na caza1 em que se cria1 muitas pessoas1 que farm algum leue rumor1 poderm reuoluer os bichos1 em quanto durarem os trouoens1 isto os aliuia muito1 o estrondo dos trouoens nam os apanha com tam grande sobresalto4 ,sinaes das doenas1 so quando se faz amarellos1 quando incha1 quando sam luzidios1 ou quando tem nodoas1 como de pisaduras1 quando se acho molhados por baixo com humidade amarella1 he necessario separar os doentes dos sas1 logo lanar fora os que se acharem com esta humidade1 a estes bichos1 chama o vulgo1 ,porcas2 tem as pernas mui inchadas1 negras nas estremidades1 as nodoas do corpo auultam mais1 sam differentes das dos outros bichos1 h dia1 ou dous1 antes que este humor delles distille1 sam muito molles da barriga1 das pernas1 suposto que se lhe pode dar algum aliuio1 apartando os dos mais1 antes que a inchao seja grande1 vzdo dos remedios acima declarados1 porque assim escapariam alguns2 mais acertado he deitalos s gallinhas1 do que gastar o tempo em os currar1 borrifando os1 passando os pello vinagre1 ou por outras agoas que os ,authores aponto2 em todo o cazo1 he absolutamente preciso1 separalos dos sas1 antes que a agoa1 que distillam1 lhes saya da barriga1 para que os mais se nam molhem1 que as folhas1 a que a agoa chegar1 nam tomem o mao gosto daquella humidade1 que he todo o mal1 que pode fazer aos bichos1 por quanto esta enfermidade nam se communica1 porque nam he contagiosa4 ,tambem se deuem pr de parte1 os que de ordinario ando pellas bordas dos taboleiros1 ainda que nam esteja em termos de fazer muda porque a penas podem chegar quarta muda sem rebentarem por grande cuidado1 que se tenha delles1 a causa porque chegam a viuer tanto1 he o muito ar1 que toma1 andando pellas estremidades dos taboleiros4 ,eu para mim entdo1 que a doena dos bichos1 he incurauel1 para elles serem de algum proueito1 os deitar s galinhas1 para suprir a falta destes bichos inuteis1 he foroso1 preuenirse c alguma semente mais1 para que a criaam se faa com a desejada quantidade2 meia ona de mais1 em dezouto1 ou vinte onas1 bastar4 ,os que nunca criram bichos1 se poder facilmente enganar1 imaginando que alguns bichos1 que naturalmente sam pardos1 escuros1 tem a mesma doena1 que os a que chamo porcas1 mas esta casta de bichos1 he a melhor de todas1 ha muitos delles nos gras1 que vem de ,hespanha4 ,quando perfumar os bichos1 tomar sentido1 que entre os perfumes1 nam haja certas eruas1 sementes1 cascas1 que fazem hum cheiro muito danoso aos bichos1 como faz o fumo de couros queimados1 de sedas de porco1 cabelos1 pelos de outros animaes1 porque tudo isto1 para os bichos1 he peonha4 ,passo em silencio muitas outras cousas venenosas para os bichos1 para nam dar noticias de h mal1 que os mal intencionados poder fazer1 em dano dos que fazem esta criaam1 porque he tam grande a malicia de alguns1 que de proposito vam borrifar de noite as folhas nas mesmas amoreiras1 com certas agoas1 que empeonhento os bichos vem a ser esta malicia tam refinada1 como a dos que vendem as sementes assadas no forno1 ou lauadas c agoa feruente1 com a qual misturo alga boa para que se entenda1 que se nam sahe toda luz1 he falta dos que fazem a criao1 nam dos que vendem a semente4 ,isto pratica a gente de h ,reyno para outro1 isto muitas vezes se experimentou na semente1 que se mandou para ,frana1 s a fim de que naquelle ,reyno nam houuesse abundancia de sedas1 forosamente se seruissem das das outras ,naoens4 ,por isso ensinarei no seguinte ,capitulo1 o modo com que neste ,reyno poder hauer daqui em diante1 to boa semente1 como nos ,reynos estrangeiros1 para que possamos escuzar a sua1 juntamente as sedas1 que nos vem de fora4 ,,capitvlo ,,vi4 ,segredo para fazer nascer muitos bichos da seda1 sem semente1 que darm excelltes gras com abdancia4 ,nas terrs1 em que nam ha semente alga dos bichos da seda1 suprir a ,arte esta falta1 com ha prodigiosa metamorphosi1 de que fallo muitos ,authores1 que de ordinario se experimenta em muitas partes do ,oriente4 ,no tempo da ,primauera1 quinze dias depois de comear a sahir a folha das amoreiras1 tomarm ha vacca prenhe1 antes d'ella parir1 vinte dias arreo1 a sustentarm com folhas de amoreira1 nam lhe dando erua1 nem feno1 nem algum outro genero de alimento1 nem tam pouco lhe darm de beber1 depois de nascida a vitella1 continuarm outros outo dias1 dar vacca folhas de amoreira4 ,depois disto1 matarm a vitella no tempo em que estiuer farta do leite da my1 a cortarm em pedaos1 at as patas dos ps1 das mos1 que deitarm fora1 no tirarm nada das mais partes do corpo1 mas ajuntarm tudo1 a carne1 o sangue1 os ossos1 a pelle2 as tripas1 em ha gamela de pao1 a porm no mais alto sobrado da caza1 para se nam sinta o fedor4 ,toda esta mestura de carnes1 ossos1 sangue1 se corromper1 desta corrupo nacerm hs bichinhos1 que se recolherm com folhas de amoreira1 em que naturalmente se pego1 passados aos taboleiros1 se criarm na mesma forma1 que os outros1 at fazerem os seus casulos1 dos quaes sahirm borboletas1 que ajuntandose1 porm gras muito melhores1 que os dos outros bichos4 ,mas porque esta semente perde com o tpo a sua virtude1 he opinio de alguns1 que s pose seruir outo1 ou dez annos1 no cabo dos quaes1 ser preciso renouar esta mesma produco1 ou transformao c o sangue1 carne1 ossos da vitella1 como fica declarado4 ,esta experiencia se pode fazer com muita facilidade1 c pouca despeza1 ser de grnde vtilidade1 para os que a fizerem4 ,o insigne ,poeta ,ieronimo ,vida1 ,cremonse1 ,bispo de ,alba descreue esta marauilhosa obra da arte1 da natureza1 no seu segundo ,liuro de ,bombice4 ,eis aqui os versos do ,author1#ac para satisfao dos curiosos4 ,,notas ,,de ,,rodap3 #ac ,sicut ,apes teneri reparantur cde ,iuuenci1 ,hc super accedit tantum labor2 ante ,iuuencus ,bis denosque dies1 bis denasque ordine noctes ,graminis arcendus pastu1 prohibendus ab vndis2 ,interea stabulis tantum illi pinguia mori ,sufficiunt folia1 lactenti cortice ramos4 ,viscera vbi csi fuerunt liquefacta1 videbis ,bombicem fractis condensam erumpere costis1 ,atque globos toto tinearum efferuere tergo1 ,et veluti putres passim concrescere fungos4 ,,capitvlo ,,vii4 ,modo para fazer sobir1 tecer os bichos da seda4 ,o ,fazer a sede1 he tam natural aos bichos1 que apenas sahem da semente1 quando comeam a deitar do estamago hum fiosinho de seda1 se bem repararmos1 veremos as casquinhas da semente pegadas ha com outra1 com has sedinhas quasi imperceptiueis1 as folhas que se deixa sobre a semente1 o papel furado1 para obrigar os bichos a sahir1 tambem ficam pegadas pella tecidura dos raminhos da seda1 que os bichos deixaram4 ,por onde consta1 que em quanto1 viuem1 sempre tem este fio de seda aparelhado para se pegarem1 qudo querem1 porque ainda que depois de sobidos1 se deixem cahir1 sempre lhes fica a ponta da seda na boca1 para tornarem a pegar1 assim como fazem as aranhas4 ,de maneira1 que tanto que chegar o tempo destinado para os bichos fazerem a seda1 elles mesmos1 em achando lugar proporcionado para se agasalharem1 comear a fazer o seu casulo1 sem arte alga1 ou industria dos que tem cuidado de os criar4 ,pouco mais1 ou menos de doze dias depois da quarta muda1 se acha em estado de dar principio sua obra1 o que se pode facilmte conhecer1 por estes sinaes4 ,primeiro1 o corpo se lhe faz mais claro1 quasi transparente como hum ,alambre1 como se ver1 tomando-os na mo1 pondo os luz do ,sol de dia1 ou ao lume da candea de noite4 ,segundo1 os circulos1 que tem roda do corpo1 passa de ha cr verde1 a ha cr de ouro1 em que se representa a seda1 que elles tem no esta mago4 ,terceiro1 o bico da boca1 se lhe faz mais agudo4 ,quarto1 anda de ha parte1 outra1 por meyo dos outros1 sem se lhe dar de comer1 leutando a cabecinha1 do mostras de querer hir lenha1 fiar a sua seda4 ,primeiro que os bichos chegu a esta madureza1 perfeio1 he precizo ter nos partileiros as casinhas1 ou cabanas armadas1 com ramos dobrados1 a modo de arco1 os quaes ser de giesta1 ou louro1 vide1 medronho1 vime1 feto1 ou de outras plantas1 ou heruas1 que no tenho humidade alga nem espinhos1 que possa offender os bichos1 quando sobem1 ou quando cahem4 ,em cada casinha por a quantidade dos bichos1 que parecer cforme capacidade do lugar1 os estender sobre folhas de papel muito limpas1 no plano da mesma casinha4 ,desde enta comearm a lhe dar pouco de comer1 mas boas folhas1 muitas vezes1 de dia1 de noite1 j na teram mais o cuidado de os alimpar1 nem de os mudar4 ,mas s lhe abriram as portas1 janellas nos dias de calma para os refrescar1 se se leutar algum vento frio1 desabrido1 as tornaram a fechar para os defender das asperezas do tempo4 ,tres dias depois1 que os bichos tiuerem principiado o seu casulo1 se a maior parte delles estiuer trabalhando na lenha1 se ficarem muito poucos no cha da casinha1 tomar estes poucos1 guardandose de abalar as casinhas1 os tirar juntamente com suas camas1 com o papel1 deixando as taboas limpas1 os poram em outra casinha vazia sobre outro papel nouo1 limpo1 lhe daram outras folhas frescas como d'antes4 ,esta limpeza das casinhas tres1 ou quatro dias1 depois de sobir a maior parte dos bichos1 he muito necessaria1 porque a folha1 que ctinuamente se poem para sustento dos que fica em baixo1 faz as camas maiores1 o mao cheiro1 que dellas sahe1 offende os bichos4 ,alm de que sempre arrebento alguns nas camas1 cuja podrido exhala vapores mui danosos aos bichos1 principalmte naquelle tempo1 em que necessitam de ar fresco1 liure de toda a corrupo4 ,em quanto aos bichos preguiosos1 que tardo em sobir1 depois de passados a outra cabana1 se lhe diminuir o comer pello espao de cinco1 ou seis dias1 quando se encolherem1 se fizerem vermelhos1 os porm em papelios1 para os ajudar a fiar4 ,e se nam houuer tempo1 ou se nam tiuerem paciencia para fazer a quantidade de papelios1 que basta os porm todos sobre hum monto de cauacos de vime1 ou de outros pedacinhos1 fragmtos da lenha1 de que se compuzeram as cabanas1 aduertindo que nam serue guardar os casulos desta casta de bichos1 para fazer semente1 porque os que della sahirem1 term a mesma falta1 quasi todos serm curtos1 pequenos4 ,,capitvlo ,,viii4 ,do tempo1 em que os casulos se ho de tirar da lenha4 ,no primeiro dia1 que o bicho comea a fiar1 forma a sua anafaya1 que he como ha tea de aranha1 no segundo comea o seu casulo1 se cobre quasi todo de seda2 no terceiro1 no se v j1 nos seguintes1 vai espessando a sua obra1 sem nca quebrar o fio1 que he to delgado1 juntamente to comprido1 que nam he hyperbole dizer1 que com hum destes fios1 se pode cingir ha grande ,cidade1 porque tem quasi duas legoas de comprimento4 ,suposto isto1 depois de outo1 ou dez dias1 tirar c destreza os casulos da lenha1 os guardar em cestos1 ou alcofas2 dar alg tpo mais aos vagarosos1 mas tambem no esperar1 que os que foram mais diligentes na tecidura do seu casulo1 o cheguem a furar1 porque feria ha grande perda1 para os que os criaro4 ,illustrao ,,iii4 ,,parte4 ,,capitvlo ,i4 ,como se deuem aparelhar os casulos1 para delles tirar a seda1 conserualos muito tempo1 impedir que as borboletas nam os fur4 ,se os que criaram os bichos1 por falta de fiandeiras1 ou pella grande abdancia da nouidade1 nam tiuerem tempo1 nem commodo1 para tirar a seda dos casulos1 quatro1 ou cinco dias1 depois que os casulos for tirados dos ramos1 porm os casulos ao ,sol1 desde o meio dia at as quatro horas da tarde1 tornando-os a pr1 tirar tres dias1 spre nas mesmas horas1 por este modo os ardores do ,sol1 affogarm os bichos nos seus casulos4 ,tambem poderm pr em parte separada dos casulos1 algumas mantas1 ao maior calor do ,sol1 quatro ou cinco horas ao menos1 nestas mesmas mantas1 cobertores muito quentes1 recolherm os casulos1 os cobrirm1 porque com este calor abafadio1 os bichos morrerm mais depressa4 ,depois disto1 os casulos se poder guardar muito tempo1 ouue quem os guardou mais de cinco annos1 ficando a seda tam boa1 como a que fora tirada quinze dias1 depois de acabada a criaa2 verdade he que nam parece tam lustrosa nas meadas1 mas depois de tinta1 aparelhada1 tem a mesma bdade1 perfeia que a outra1 porque no casulo1 o bicho transformado em faua1 se seca1 se mirra de maneira1 que na tem1 nem toma mais humidade alga1 com que possa fazer dano seda4 ,em tempo pois chuuoso1 ou cheo de neuoas1 se far com o calor do forno o que se hauia de fazer com o calor do ,sol4 ,porm os casulos em cestos1 alcofas1 ou sacos velhos1 dentro de hum forno mediocremente qute1 como quando se tira o po depois de cozido1 se quatro1 ou cinco horas de ,sol1 eram precisas para fazer morrer os bichos1 para este mesmo effeito1 bastar hum quarto de hora do calor do forno muito bem tapado1 chegando os ouuidos boca do forno1 ouuirm estalar os bichos1 ranger nos seus casulos1 como formigas lanadas em cinzas quentes1 logo immediatamente tirarm os casulos do forno1 os enuoluerm em cobertores muito quentes1 este calor os acabar de matar a todos1 porque se ficarem os casulos ao ar descoberto1 muitos dos bichos tornaram a viuer1 furaram os casulos4 ,depois disto1 estenderam os casulos sobre taboas ao ar1 ou ao ,sol1 para os secar1 endurecer1 porque alguns delles fico fofos1 em razam da humidade que lhe cmunicaram os bichos1 que estaldo dentro delles por fora do calor1 deixa ir de si huma agoa1 ou humor1 com que fica embebida a seda1 assim postos ao ,sol1 ou ao ,ar1 os reuoluera muitas vezes cada dia1 para que tornem a recuperar a sua primeira tesura4 ,primeiro que meta os casulos no forno1 tirara o barbilho1 que est a roda delles1 como os dedos1 sem lhe chegar com as vnhas1 para preseruar os casulos mais altos1 do calor do forno1 que os poderia torrar1 pora hum panno de linho1 ou folhas de papel sobre os cestos ou alcofas1 na amontoara os cazulos em cantidade nem os apertara nos cestos1 paraque todos igualmente sinta os effeitos do calor1 que he preciso1 para a extina dos bichos4 ,,capitvlo ,,ii4 ,como se deuem escolher os casulos1 vnir as borboletas paraque ponham a semente4 ,escolhera os casulos mais tesos1 mais corados1 porque as borboletas1 que delles sahem poem a melhor semente2 na importa1 de que cor seja os casulos1 com tanto que a cor seja viua sobida1 porem os de cor de verdemar sa os melhores4 ,para fazer huma ona de semte1 ha mister cem pares de casulos1 cem casulos de borboletas machos1 outros cem de borboletas femeas4 ,quando apartarem os casulos para a semente aduirtira1 que em cada casulo o bicho se moua1 solto1 desapegado1 o que conhecera sacudindo brandamente o casulo1 junto dos ouuidos1 porque se o bicho na bolir1 ser sinal1 que est podre1 pegado seda1 neste estado na serue para o nosso intento4 ,os casulos dos machos1 na t a seda ta liza1 como a das femeas1 sa cumpridinhos1 agudos por ambas as extremidades do ouado4 ,os casulos das femeas tem a seda mais lisa1 sa mais redondos por huma parte1 que por outra1 como hum ouo de galinha1 a maior parte so rombos por ambas as partes4 ,por estes sinaes1 differenciaro os casulos huns dos outros1 poro de parte os dos machos1 das femeas em igual cantidade2 se acontecer1 que sahio mais femeas que machos1 na ser ta grande a perda1 como se succedr o contrario1 porque huma borboleta macho1 pode seruir para duas borboletas femeas1 suposto que no ser to boa a semente1 como a do que s se vnir com huma4 ,enfiara todos os casulos com huma agulha1 no furaro de todo a seda1 mas s a superficie della1 faro como contas ou coroas de cem casulos cada huma1 as penduraro1 sem bolir mais nellas1 esperdo que os bichos sahio trsformados em borboletas4 ,as femeas seram muito mais aluas1 que os machos1 tero o ventre tres vezes maior4 ,os machos se daro a conhecer logo em rompendo do casulo1 porque batero as azas1 c muita pressa1 esperteza1 o que as femeas no fazem4 ,tomaro as borboletas pellas azas1 ou pello corpo com os dedos c delicadeza1 sem os apertar1 os poro sobre folhas de papel1 ou sobre estamenhas velhas outros panos1 que no tem pelo1 talvez ser necessario chegar as borboletas humas s outras1 como as virem vnidas1 as deixaro assim desde a manha1 a t a noite1 depois apartaram os machos1 os deitaro1 as femeas poro a semente4 ,esta vnio das borboletas ha de durar noue ou dez horas1 quer de dia1 quer de noite1 no mais1 porque a demaziada dilao desta vnio1 prejudicaria perfeio1 multiplicao da semente4 ,faro muita diligencia1 por no fazer arrebentar os gros1 qudo os tirarem do pano1 ou papel1 em que as borboletas os lanaro1 para os tirar nam se valeram de ferros1 ou outros instrumtos1 que corto1 mas s vzaro de alguns pedacinhos de ouro1 ou prata adelgaados1 sem talho1 se os vintens del ,rey ,d4 ,manoel foro hum pouco mayores1 seria muito bonspara este effeito4 ,quando os gros sah da borboleta1 so brancos1 no mesmo dia se fazem como verdes1 depois vermelhos1 pouco a pouco vo tomando huma cor de pardo escuro1 que sempre conseruo1 esta vltima cor he o sinal da mais perfeita semente2 alguns gros se acho1 que sempre fico brancos1 estes no presto para nada4 ,de ordinario cada borboleta femea lana trezentos gros1 has lano mais1 outros menos1 porque muitas no podem lancar todos os que tem dentro de si1 com elles morrem4 ,guardara os gras de todo o genero de bichos1 ratos1 formigas1 grillos1 ostera em lugares1 a que na possa chegar galinhas1 nem aues1 porque sa mais golosas dos gros dos bichos da seda1 do que dos mesmos bichos viuos4 ,poro os gras dentro de ha arca ou contador1 em caxas bem fechadas1 enuoluidas em panos de la ou linho1 que na tenha humidade1 alguma2 as tera em lugares iztos dos rigores do calor1 do frio4 ,por esta razo1 no os guardarm junto das chemins1 em que de ordinario se acende o lume1 nem junto das janellas expostas s inclemencias dos ares1 nem em outros lugares frios1 humidos1 mas temperados1 porque o calor faz nacer os bichos antes do tpo1 o frio congela os gros1 a humidade os corrompe4 ,com estas precauos nacero os bichos a seu tempo1 se conseruaro os gros de no em no1 sera mais copiosas as nouidades1 se perpetuar em huma casa esta rica semente4 ,mas he precioso renouar a semente de tres em tres annos1 misturandoa com outros gras vindos de fora1 ou com os que se colherem de huma vitella morta1 na forma1 que fica declarado no ,capitulo #f4 da #b4 parte porque a semente renouada torna a cobrar a virtude1 actiuidade1 que se lhe vai diminuindo com o tpo1 que tudo gasta1 tudo acaba4 ,,capitvlo ,,iii4 ,da forma do forno1 dobadoura1 outros instrumtos para a tirar a seda4 ,em tirar a seda do casulo1 passala a meadas com huma roda1 ou dobadoura1 h tacho de agoa quente1 j sa as camponezas rusticas de ,tras-os-montes1 ta peritas1 que facilmente podem ensinar esta arte s mais prouincias do ,reyno4 ,mas porque semelhantes exercicios melhor se aprendem com a vista1 experiencia1 do que c a lia1 discurso1 tratarei com breuidade esta materia1 apontdo s alguns particulares1 para aliuiar o trabalho1 apurar a industria das fiandeiras4 ,o forno se ha de fazer em lugar abrigado da chuua1 do vento1 o tacho nam ha de ser muito profundo1 nem muito largo4 ,a portinha1 por onde sa ha de por a lenha no forno1 se far dez polegadas mais abaixo do fundo do tacho1 afastada delle hum palmo1 paraque o fumo se perca se consuma no forno ao redor do fundo do tacho4 ,os cazulos se pora na agoa hum pouco antes1 que comece a feruer1 porque na agoa fria1 a goma dos casulos se dissolue1 o mesmo succede1 quando est feruendo4 ,ajtar fiandeira dez ou doze fios1 cforme a seda houuer de ser fina1 ou forte2 para a fitaria1 a seda deue ser muito delgada1 outo fios basta1 mas para os panos1 veludos1 se deuem ajuntar doze fios ao menos4 ,fiar com a mayor presteza que for possiuel1 porque quanto menos esta os casulos na agoa1 sahe a seda com mayor lustre1 em mayor cantidade4 ,,cap4 ,,vltimo4 ,do ,barbilho1 do modo de o aparelhar4 ,o ,barbilho1 propriamte faldo1 he a quella primeira seda1 a que chama anafaya1 que os bichos fia primeiro que comecem a tecer o seu casulo4 ,porem de baixo desta palaura1 barbilho1 se entende toda a seda1 que se tira com os dedos do redor dos casulos1 quando se da a fiar1 juntamente todos os casulos furados pellos bichos1 todos os desperdios da seda1 que a fideira na pode inteiramente tirar4 ,este genero de seda1 na pode ser fiado em meadas na dobadoura1 mas he preciso cardalo1 depois tiralo na roda1 cu na roca1 para este effeito1 fara primeiro o que se segue4 ,ajuntara todas estas reliquias1 sobejos da seda1 tirara della os bichos que acharem1 a limparo de toda a immundicia1 depois a metero em molho em agoa clara1 dentro de hum alquidar1 ou em qualquer outro vazo de barro1 ou cobre1 pelo espao de tres1 ou quarto dias2 cada dia mudarm a agoa para que nam se corrompa1 que o barbilho se faa mais aluo4 ,nesta agoa os casulos se farm mais moles1 se dissoluer a goma1 que os bichos communicram aos casulos1 quando os tecram4 ,depois porm tudo junto a feruer dentro de ha caldeira1 em barella clara1 passada por hum pano1 purgada das cinzas1 com que foi feita4 ,feruerm os casulos meya hora1 depois de desfeita a goma1 que os faz tam tesos1 como pergaminho1 os lauarm com agoa clara1 as molheres os fiarm com o fuso1 ou com a roda1 mas primeiro os farm cardar1 para os fiar com mais facilidade4 ,com este fio de barbilho muito delgadamente fiado1 se podem tecer panos tam finos1 como os que se fazem com a seda1 tirada na dobadoura1 outros fazem delle retroz para cozer1 dandolhe o lustre4 ,finalmente para conclusam desta obra1 digamos que nos bichos da seda1 tudo he milagroso em quanto viuem1 tudo o que delles fica1 depois de mortos1 aproueita4 ,illustrao ,illustrao ,,amplissimis ,,fratribvs ,d4 ,d4 ,,ferdinando ,,mascareni4 ,comiti ,turre4 ,,et ,d4 ,d4 ,,francisco ,,mascareni4 ,comiti ,cocolini4 ,hactenus public studui vtilitati1 nunc vestr seruire cupio oblectationi2 c emim his quisque rebus delectetur1 quibus quodam natura ductu incumbit1 quid jucundius afficiat liber ali ingenio juuenes1 quam fructus artium liberalium8 ,o pes1 auitum stemma1 generosus sanguis1 ,aul oblectamenta1 vobis sunt post studia1 omnes quippe animi affectus1 vni voluistis fieri sapienti vectigales4 ,percurrendo amnioris litteratur curriculo1 vix tas alijs integra sufficit1 vestra vobis satis fuit ,adolescentia2 cum ,musis versamini1 vt sororibus1 cum ,apolline loquimini1 vt fratre2 dum alter alterum erudit conttione transcendere studetis1 domus vestr fiunt1 domicilia doctrinar1 scientiar ,augustalia1 bipartitum ,vlyssiponis ,athenum4 ,quibus attent perspectis1 vt aliquid libellus hic complecteretur1 quod ad vestrum palatum faceret1 perneceari esse arbitratus sum1 vt qu de ,mororum cultura1 ,bombicum educatione1 sparsi in vulgus1 plebeio sermone1 humilique stylo1 eadem vobis nobiliore dicendi charactere depicta sisterem4 ,mirabimini prudtiam in ,moro1 in ,bombice industriam1 in vtroque1 recondita natur solerter operantis arcana4 ,quid moro sapientius8 ,arbor postrema germinat morus1 vt fructificet securior1 ftusq2 suos haud euocat in lucem1 nisi extorri hyeme1 exanimis ,aquilonibus1 prouecto jam vere4 ,quid industrius ,bombice8 vno ,bombix instrumento1 ore scilicet1 innatum sericum deducit in fila1 carminat in lanugines1 contorquet in mandros1 congerit in stamina4 cogit in glomos2 describit orbes sine circino1 sine penicillo colores inducit1 sine vllo aduentitio apparatu1 domunculam instruit1 ,csarum ,palatijs splendidiorem4 ,tanti tamen1 tam strenui ,artificis opera omnia sunt posthuma1 haud e nim e a absoluit1 nisi sepultus2 verm1 quia 7vt dici solet7 excellens in arte non debet mori1 prodit pensili tumulo rediuiuus1 ipsi inuidendus ,phnici2 nam ex reptanti ,eruca1 alatus ,papilio1 nobilior resurgit1 qum vixerat4 ,in ,moro1 ,bombice1 natura fortunam imitatur1 summa imis1 ima summis miscentem2 ,morus1 ,abor regia1 fit vermiculi pabulum2 ,bombix1 ignobilis vermiculus1 ejectamentis suis ,reges vestit4 ,vitam exorditur ,bombix cum vere1 vt parentur homini elagantia indumenta1 dum se terra circumtegit florenti chlamyde4 ,editus in lucem1 solis pascitur frondibus arboris1 cui adscribitur sapientia1 in hoc ,adamo prudentior1 quod ,arboris sapienti folia comedit1 integro1 intactoq2 fructu4 ,operosissimus ,bombix1 propria in pelle non quiescit1 paucis enim diebus quater ponit exuuias1 abjicitque pellem1 vt exuat torptem desidi senectam4 ,omni tamen labore supersedet1 ceditque vit1 si fort1 sonus ingens obtuderit opertem1 debetur enim opifici silentium1 operi admiratio1 resque ipsa postulat1 vt ad ,bombicis ingeniosa molimina1 orbis attonitus immutescat4 ,non ide sordidus ,bbix1 quia vermis1 nam seruat vrbes ab otij tabe1 innumeras exercens operas1 ,regnaque sine hoc verme sunt cadauera1 vt pote nuda1 quia sine ornatu2 exanguia1 quia sine diuitijs1 emedullata1 quia sine viribus2 vires quippe ,regnorum ex diuitijs existunt1 ingentes ver diuitias affert ,bombix eximijs suis operibus1 filis auricoloribus auream suis alumnis retexit tatem4 ,quod alij vermes eripiunt mortuis1 viuis reponit hic vermis1 corrosarum in sepulchro vestium damna resarcit1 nouis1 pretiosisque textis4 ,quid plura8 totum se ,bombix exhaurit1 vt hominem ditet1 viscerumque suorum ,clotho1 tenuissima ducit fila1 vt vitam protrahat in ,reipublic beneficium4 ,hc ego3 ,reliqua magistri mei calamo1 c ,poeticen doceret in ,collegio ,flexiensi3 ,secundis auribus accipite1 qu ,gallus hic ,olor cecinit de mori1 ,bombicis que natura2 dud est1 quod hc carmina diem aspexere1 sed nunc ver proferuntur ad lucem1 quia ad vos4 ,enim ver1 omnia in vobis1 pulchr quadam1 vnanimi mulatione collucent1 natalium splendor1 jubar ,sapiti1 fulgor ingenij1 fulgetra eruditionis1 irradiantium ornamenta virtutum4 ,omnes denique lucis fontes in vos deriuastis1 vt ,patri respondeatis1 qui omnes in se colligit ,heroas2 im omnibus antecellit1 fortior ,achille1 ,marte bellacior1 sapientior ,socrate1 perspicacior ,vlysse1 ,hercule laboriosior1 facundior ,mercurio1 grauior ,catone1 ,apolline benignior4 ,quapropter1 mihi videmini ill du stell1 circa ,solem de nouo deprehens1 qu ,mathematicis ncuptur1 comes ,solis1 haud enim solm estis1 tituli dignitate ,comites1 comites suauitate mor1 sed estis comites solis1 nam excelltissimum ,fronteri ,marchionem ,parentem vestr1 pleno gradu comitamini in stadio virtutis1 glori4 ,valete1 viuite paribus animis1 honoribus1 quando quidem illam flicitatem1 quam ,ethnicus ,ausonius#ad vidit in syderibus illis germanis1 ,castore1 ,polluce1 adumbratam1 in vobis re comprobatam omnes demiramur4 ,humillimus1 addictissimus feruus4 ,d4 ,,raphael ,,blvteavivs4 ,clericus ,regularis ,theatinus4 ,,notas ,,de ,,rodap3 #ad ,virtutis1 fortitudinis protendunt influxum4 ,ausonius de ,castor4 ,pollu4 ,illustrao ,,lavdes ,,mori1 ,,et ,,bombicis4 ,laus ,mori4 ,romulidas1 ,myrtus#ae ,paphia exornauit1 ouantes2 ,pura triumphales decorauit ,laurea ,ppas3 ,prima dedit ,quercus seruati prmia ciuis3 ,sumit ,idumam prpes victoria ,palmam3 ,ast ea1#af qu nutu superis dominatur imis ,fortun stolidas1 qu scit1 contundere vires1 ,quque adamanti domitrix prudtia fati1 ,vn ex ,arboribus voluit sibi crescere mor3 ,hc amat1 hc cingit cantia tpora fronde1 ,vturi en agedum1 secura1 ignaraque corda1 ,prospicite1 dubi casus prnoscite sortis4 ,si pudor insanis1 morus sapit1 illa doloso ,nil temer credit zephyro1 nam veris adulti ,iam certum expects sol1 n germinat ante ,frigoris infesti1 quam cuncta recesserit aura3 ,tum floretq2 viretq2 simul1 longq2 repdit ,dna mor1 atq2 vn tot se nocte profdit4 ,viderat moni nudam quam vesper ab#ag ,oet1 ,proximus#ah ,ido de vertice cernit ,eous ,frondos1 pariter grauid1 partuq2 leuat4 ,sic properat tener germen1 ne frigidus aer ,man coquat2 medione die ne torreat stus4 ,insidias cli ne tunc vereare sereni ,amplis1 vasto qu cca pericula ,ponto3 ,vt bene subductam deducas nauita ,pinum1 ,sint tibi#ai ,vergili1 videas c germina mori4 ,quin vbi dilectis cultoribus annua ,poma ,reddidit1 hybernis ne frondibus incubet ,auster1 ,aduerso pugns ,bore1 certamine fratr1 ,collisi inter se frangantur in arbore rami1 ,sponte sua capitis sacri deponit honorem4 ,vtque minus fiat suis obnoxia ventis ,iratique ,iouis telo1 fugit ardua1 ,morus1 ,morus in antiquis arbor gratissima lucis4 ,ad ,lun radios hc ludunt spe sub vmbra ,csert ,satyris ,nymph1 plaudtq2 choreas1 ,spe legit ftus#bj gle formosa caducos1 ,ebria#ba ,sileno queis sublinat ora jacenti4 ,poma gerit morus triplici distincta colore1 ,n paribus spatijs albtq2 rubentq2 nigrtq2 ,at color ille parum ltus1 qui fructibus ater1 ,omina sanguineis nec sunt nisi tristia moris2 ,quid te nigra mouent8 niger est#bb ,phbeius oscen1 ,nec tamen augurio quicquam flicius illo1 ,solis vbi nitido veniens spectatur ab ortu4 ,astror somnimater1 nox alma1 quadrigis ,inuehitur nigris3 ebeno tumet ,india nigro3 ,laudamus nigros oculos1 nigrumq2 capill1 ,ac nigras violas1#bc fului editus imbre metalli ,deperijt nigros ,cephe ,virginis artus4 ,quod vero funesta putt de sanguine mora1 ,in vulgum has sparsit#bd ,babylonia fabula nugas2 ,dat meritas igitur pnas pdet ,arachne1 ,inuisique operis casso est addicta labori2 ,non quod ,palladi ctenderit mula tel1 ,mortalisq2 ,deam justas stimularit in iras1 ,sed potius gemin quod per mdacia cdis ,inuidi mor1 miserosq2 onerauit ,amores1 ,assyrio tingens lugentia poma cruore4 ,adde quod nostris ,regionibus alba leguntur1 ,antiquis ignara ,italis1 cloque latino4 ,iam nec ,poni1 jam nec succus ,panace ,dictamniq2 feris1 notissima gramina1 capris1 ,iudice me1 moris certare salubribus ausint4 ,nec mihi#be ,moly tuum referas1 herbamq2 potentem ,capte oculis vates2 ,moris plura petuntur ,prsidia1 plures illis natura creatrix ,vi quadam occult ccessit pellere morbos4 ,his ide#bf ,catius finiri prandia jussit1 ,cecropio ,catius sapient primus in horto2 ,inde fit ad noxas gri prope corporis nes ,panchrestos1#bg vero perhibent vt nomine ,graij4 ,mororum infuso coalescunt vulnera succo3 ,auribus1 atque ori prodest1 aluoq2 moranti1 ,languentemque leuat stomach1 capitisque dolorem4 ,discutit veteres panos1 tormina sedat4 ,vipereo est hostis generi1 tetrisque venenis1 ,thessala1 qu tellus1 quque in mala pocula gignit1 ,vncta prometheo cautes motica tabo4 ,arboris ejusdem folijs medicabere tritis ,artubus ambustis1 diri morsibus hydri4 ,saucius hoc nosset#bh magni prceptor ,achillis1 ,n ,deus optasset lethum1 nec ,lemnia tanto ,saxa fatigasset gemitu#bi ,pantius heros4 ,hirsuto hinc alitur spectdus corpore ,bombyx2 ,nascnturq2 domi1 qu qud littore rubro ,mollia distincti mittebant vellera seres4 ,radicis sileo varios1 corticis vsus1 ,morbor auxilijs hc tota est nobilis ,arbor1 ,monijsque cani non dignior vlla camnis4 ,laus ,bombicis4 ,qv me ,phbe1 rapis8 quas hinc sublatus in auras1 ,aera per liquid1 rapidis circumuehor alis8 ,vos ne adeo#cj ,serum intueor mollissima ,regna ,lanificos cplexa greges1 agnosco partem ,bombycemq2 sinu recubant molliter albo4 ,te quoque1#ca quam memorant prim euoluisse nitentes ,folliculos1 vnde in paru collecta figuram ,alitis1 ignotas penn trepidante per auras ,tinea carpsit iter1 dulcesq2 animte susurros ,ore1 poli ltis resonarunt quora bombis4 ,ten igitur vermis video nutricula1#cb ,thisbe1 ,errantue sinu placid amplexaris alunum1 ,scilicet1 hc morus ramo frdente tenellum ,excipit1 claras magn trsmittit ad ,artes4 ,namque vbi ter pigro renouauit corpora somno1 ,iam senium increpitans1 pleni pondera ventris1 ,continu1 tanta est edendi gloria fili1 ,exercetur1 effundit qusita per uum ,stamina1 ditis opes vteri1 suspensaq2 densos ,fila regens inter ramos1 atque ordine ducs1 ,mille legit1 relegitque vias1 circinat orbes ,sponte sua donec niueo se carcere claudat4 ,mox autem interior circ vndique stamina densat1 ,albentiq2 ,thoro immoriens glomeratur in ouum4 ,sed neq2 t tine vllus honos1 aut gloria filo1 ,pphila ni modicos ,bbic euoluere folles1 ,aut aperire caui docuisset tegmina linthei4 ,en eti digitis prtentat mollibus oram ,educitque globo1 lucisque emittit in auras ,rursus aui similem1 sed te ne subdola captet ,et dulcem pullis ,philomela immitibus esc1 ,auferat1 ,ah vereor6 melius ccluse latebis1 ,hanc sine necquiquam modulis1 crispoque susurro ,bldiri1 tenues disperdere carm in auras1 ,ni facias1 rostro implebit crudelior alui ,ingluui1 ac viuo viua abdet corpora busto4 ,ctera quinetiam volucr ltissima turba ,gaudet in incautos vermes inuadere1 sed,dij ,dij prohibete nefas1 recreet mage carmine dulci1 ,vnguibus abstineat4 ,niueo jam plurima surgunt ,bombici tabulata1 gradus aulque per altos ,mille4 ,prius pubes stabultem rustica ramis ,in nemora alta videns errare1 ignara silebat1 ,hic vbi nascenti ,seres dominantur ,eoo1 ,deterior donec paulatim de color1 artes ,extudit1 duros homines emollijt tas2 ,fortunate nimis1 diuq2 hominq2 superba ,gloria1 centeno reparans tua funera ftu2 ,viue sacris ,bombix decus admirabile ,templis1 ,viue duc1 ,regumq2 augustis addite pallis1 ,nec tua laniger superabunt fila bidentes ,tergoribus niueis1 quuis sua vellera laudet ,hispalis1 magno ,tyrios incocta rubores ,mutaris#cc ,milete1 olim tibi#cd ,phrixea cedt1 ,tu quoque ne#ce ,biturix contra tua mollia jactes ,vellera1 nec facies1 etenim jam vilia sordent4 ,illustrao ,,notas ,,de ,,rodap3 #ae ,myrtus ,paphia1 quia ,veneri sacra1 ,venus autem in vrbe ,paphia1 celeberrimo in ,templo colebatur4 #af ,morus quippe est sapienti symbolum1 non enim ante germinat1 quam frigus penitus fugatum esse cognouerit1 ftum celerrim grandit ac maturat1 ne caloris aduentantis injuri ldi possit4 #ag ,oeta monia1 siue ,thessalica1 est enim mons ,thessali in ,grcia1 in quo monte1 vt inquit ,seruius1 stell videntur occidere4 #ah ,sicut de monte ,ida nasci4 #ai ,vergili seu ,pleiades1 sunt sept stell ante genua ,tauri qu ortu suo prim nauigationis tempus ostendunt4 #bj gle fuit ,nympha hoc nomine1 vna ,naiadum4 #ba ,sileno1 id est ,bacchi nutritio1 quem in antro jacentem pueri deridebant4 #bb ,aquila ,ioui ,sacra4 #bc ,perseus1 ,iouis filius1 ex ,danae1 quam ,iupiter commutatus in speciem aurei imbris vitiauit4 ,hic ,andromedam1 ,cephei1 ,regis thiopum1 filiam1 vxorem duxir4 #bd ,pyramus1 adolescens ,babylonius1 mutuo ,thisbes amore captus1 vbi ejus domo ex pacto egress1 cruentat reperit vestem1 ratus esse deuoratam1 gladio se sub moro interfecit2 illa autem superueniens1 multa gemens querens1 eidem gladio incubuit4 ,morus autem fructus antea candidos in nigrum colorem mutauit4 #be ,moly est herba ,homeri carmine celeberrima4 #bf ,cato inter ,grcos sapientissimus scripsit librum de re rustica4 #bg ,medicamentum quod ad omnes morbos conducit4 #bh ,chiron1 ,achillis ,pdagogus1 in medicina peritissimus1 sagitt hydr lerne veneno imbut vulneratus1 durissimis cruciatibus conficiebatur morique optabat1 sed non poterat1 quod vtroque parente immortali natus fuisset4 #bi ,vulcanus ,iouis filius clo deturbatus in lemnum ,insulam4 #cj ,seres sunt populi ,scythi ,asiatic ,sera vrbe dicti1 apud quos arbores lanam tenuissimam1 ex qua vestimenta serica fiebant1 proferre credit sunt1 quia vermes eandem lanuginem producentes nutrierunt4 #ca ,pamphila1 ,coa mulier1 qu prima telas ,bombicum rediri1 rursusque texere inuenit4 #cb ,thisbe1 id est morus1 quia hc arbor fuit conscia amorum ,thisbes4 #cc ,miletus1 ,ciuitas ,asi1 vbi tingebantur lan pretiosissim4 #cd ,vellus aureum quod ,phrixus in ,templo suspendit4 #ce ,biturix1 ,ciuitas ,galli ,aquitanic4 ,,erratas4 ,,emmendas4 ,pag4 ,reg4 #ab4 #aa4 que #ad4 #b4 ,outoubro ,outubro4 #bg4 vltim4 infali1uel infaliuel #ef4 vltim4 po do #fi4 #c4 com elle como elle1 #aah4 #b4 inteira a inteira #abi4 #a4 ajudas ajuda4 #bad4 vltim4 sepulus sepultus #bai4 #ae4 comites comes #bba4 #f4 contendere contundere