,,obras ,,completas ,,de ,a4 ,f4 ,,de ,,castilho --#d-- ,felicidade pela ,agricultura ,ilustrao ,,livraria ,,barateira ,,lisboa #cd-,,rua ,,do ,,duque-#cf4 ,tel4 ,t4 #abfd ,,obras ,,completas ,,de ,,antonio ,,feliciano ,,de ,,castilho ,,volume #d4 ,,volumes ,,publicados3 ,i--,,amor ,e ,,melancolia4 ,,ii--,a ,,chave ,,do ,,enigma4 ,,iii--,,cartas ,,de ,,ecco ,e ,,narciso4 ,,iv--,,felicidade ,,pela ,,agricultura 7#a4 vol47 ,,no ,,pr,,lo3 ,v--,,felicidade ,,pela ,,agricultura 7#b4 vol47 ,,obras ,,completas ,,de ,a4 ,f4 ,,de ,,castilho ,revistas1 annotadas1 e prefaciadas por um de seus filhos ,,iv ,,felicidade ,,pela ,,agricultura ,,segunda ,,edi,o ,,volume ,i ,ilustrao ,,lisboa ,,empreza ,,da ,,historia ,,de ,,portugal ,sociedade editora ,,livraria ,,moderna ,r4 ,augusta #ie ,,typographia #de1 ,rotins1 #dg #aijc ,,advertencia ,,dos ,,editores ,pelos bons julgadores foi sempre considerada esta ,felicidade pela ,agricultura uma das obras mais cheias de estro e pujana1 que sahiram do cerebro de ,castilho4 ,joo de ,andrade ,corvo costumava dizer3 --,em qualquer pagina que eu o abra1 tem sempre este livro o condo de me entreter1 e fazer-me pensar longamente4 ,livro que faz meditar um homem da valia de ,andrade ,corvo1 bom4 ,escreveu ,castilho tudo isto aos poucos1 entre outras variadas tarefas1 para um periodico1 que redigia em ,ponta-,delgada3 ,o ,agricultor ,michaelense4 ,na solido do seu viver1 ento muito incerto e cheio de saudades1 entre um rancho de cinco filhos pequeninos a pedirem-lhe instruco e educao1 no meio de um povo amigo predisposto para o bem1 e com a visinhana do mar1 que tanto influe a pensamentos srios1 acordaram no antigo ermito do ,caramulo1 no ex-redactor da ,revista ,universal1 os pensamentos rasgadamente humanitarios1 que o desvelaram e absorveram no resto da vida4 ,orientou-se1 sem o suspeitar1 no sentido pratico do bem2 e toda a sua alma de homem bom e de poeta vibrou em anhelos de felicitao publica4 ,esses anhelos tomaram forma litteraria1 e deram a presente srie de artigos1 dictados desde ,janeiro de #ahdh at ,dezembro de #ahdi4 ,via ento ,castilho a regenerao da ,patria1 d'esta ,patria que elle tanto amou1 consubstanciada n'uma ideia unica3 o desenvolvimento da ,agricultura1 e da ,instruco popular4 ,enganar-se-hia8 ,a campanha que nos annos proximos havia de sustentar1 com a penna1 com a palavra1 com o amor1 com a ira1 e com annos de existencia1 comeou1 a bem dizer1 aqui4 ,este opusculo marca uma epoca da vida de ,castilho4 ,com os seus alti-baixos de forma1 com a sua exuberancia opulenta1 com as suas loucuras srias to sublimes1 com o seu desalinho familiar1 que por si mesmo consegue impr-se1 so estas paginas o acordado sonho de um vidente1 que adianta tres seculos sua era4 ,as utopias do autor encapellam-se1 como antecipao grandiosa e gloriosa1 que lhe retrata a indole4 ,so lembranas irrealisaveis algumas para desde j8 sel-o ho2 mas dos devaneios e aspiraes dos homens de alma tem a ,humanidade lucrado sementes de muitos bens4 ,lanadas terra intellectual1 veem a final a germinar1 e a desatar-se em flores e frutos4 ,deixar devanear estes grandes sonhadores1 cuja regio se libra a meio-caminho entre o presente e o futuro1 entre o real e o ideal1 entre a terra e o ceo4 ,escutemol-os1 que para algures1 no sonhado de ns outros1 nos levam estas sereias do bem3 ,preciosas revelaes auto-biographica3 se nos deparam no livro a cada passo1 aproveitadas j1 e detidamente explicadas 7quanto o podem ser7 nas suas ,memorias4 ,pobre e desajudado1 pugnou1 quanto soube e poude1 em favor de uma ideia1 que o alimentou e o aniquilou3 a civilisao da sua terra4 um livro singular este1 que se no pode ler sem respeito e commoo4 ,o pensador transparece no poeta4 ,o lyrico devaneador completa-se no philosopho4 ,o patriota reala-se pelo christo4 ,exhala-se de cada paragrapho um vago perfume campestre1 que verdadeira delicia3 a mente do escritor foge1 sempre que pode1 para as solides das hortas e dos casaes2 as metaphoras so tomadas quasi sempre ao viver rural2 a linguagem1 portugueza de lei1 sabe ao bom falar dos montanheiros4 ,se elle tivesse refundido a obra1 deixal-a-hia de certo mais perfeita2 mais sincera no a podia deixar4 ,e que melhor prenda do que a sinceridade8 ,ao meu amigo o ,ex4 ,snr4 ,jos ,silvestre ,ribeiro em penhor de admirao1 respeito1 e affecto ,antonio ,feliciano de ,castilho4 ,,advertencia ,reuni para este livrinho algumas das minhas utopias1 j publicadas em um pequeno1 mas bonissimo1 periodico mensal provinciano1 ,o ,agricultor ,michaelense1 a fim de que o outono1 que to cedo vem s folhas periodicas1 no destruisse com ellas os meus pensamentos de amor dos homens4 ,a esses artigos1 alguns outros1 ainda que poucos1 ajuntei de identica natureza4 ,diz-me a consciencia1 que a maior parte das minhas esperanas n'estas paginas vem prematura1 e que poucos d'estes bons e santos desejos1 ou nenhuns1 se realisaro em vida dos nossos netos4 consciencia respondo3 que1 se eu tivesse de viver duzentos annos mais1 ou se d'aqui a duzentos annos houvesse de renascer1 de boa-mente reservaria para ento o que hoje antecipo4 ,os intolerantes1 os fanaticos de cada parcialidade politica1 tero muito que abocanhar n'este pobre escrito4 ,pedir-lhes misericordia1 ou mesmo justia1 fra tempo perdido4 ,dir-lhes-hei s1 que no escrevi para elles4 ,os homens bons e sinceros1 que so os que me importam1 ainda quando no concordem comigo1 louvaro as minhas intenes4 ,se1 em uma ou outra parte1 eu parecer por ventura censor1 em demasia acre1 de coisas do meu tempo 7de pessoas nunca72 se d'ahi quizerem inferir mexeriqueiros1 que as minhas rases so proclamaes1 e os meus entranhados amores de alma1 clamores e rebates sediciosos1 no lhes hei-de oppr 7o que alis fra verdade1 e que de si se apresenta71 que as revolues no so os livros quem as faz1 mas sim as coisas2 as obras1 ou a falta de obras1 dos poderosos1 e no as palavras dos obscuros e inermes2 que as paginas s teem fora activa1 quando os actos que n'ellas se tratam lh'a communicam2 e que essa fora activa1 ainda quando nem uma lettra se escreva1 e ento muito mais1 sempre existe e sempre actua2 que1 em summa1 o attribuirem ao meu livro efficacia para concitar as turbas1 fazerem-me ao mesmo tempo honraria demasiada1 e demasiada injuria4 ,no amo revolues1 nem as quero1 nem creio n'ellas2 tenho vivido este ultimo meio seculo1 e no ignoro1 de todo1 o como doidejaram os precedentes2 mas1 ainda que para ahi me fugisse a vontade 7que no foge71 faltavam-me a voz e o desembarao1 indispensaveis para o papel1 pelo menos extravagante1 de tribuno4 ,se alguma coisa a tal respeito pregoei1 mais foi contra as insurreies1 que a favor d'ellas2 mais foi gritar aos governantes1 que se houvessem de collar no officio por boas obras1 do que aos governados1 que os derribassem2 quando no1 consultar o livro a cada passo4 ,se descreio em algum1 ou alguns1 dos presuppostos artigos de f constitucional1 no culpa minha1 nem culpa2 affiro-os pela raso pura2 avalio-os pelos resultados2 comparo-os c dentro1 no meu fro1 j com as obras inconsequentes1 j com os versateis discursos de muitos dos estadistas1 que por elles fazem obra2 e digo1 com toda a paz da minha philosophia humilissima1 que me parece no seria mau pensarmos outra vez um pouco em taes artigos4 ,toda a discusso d luz2 e toda a luz creadora4 ,as theses politicas no so porm as minhas2 as minhas1 o epilogo do meu livro1 a isto se reduzem3 temos terra1 que pode ser mais e melhor cultivada2 devemos cultival-a2 temos alma1 que pode ser mais e melhor allumiada2 devemos allumial-a2 temos corao1 que pode ser mais puro1 mais virtuoso1 e mais amante1 e mais corao2 devemos aproveital-o4 ,a terra nos far ricos2 a instruco1 poderosos2 a moralidade1 unidos4 ,a riqueza1 o poder1 a fraternidade1 que so a civilisao1 felizes4 ,quanto ,agricultura1 as minhas diligencias no deixaram1 talvez1 de contribuir o seu poucochinho1 segundo alguem cr1 para este promettedor trfego de ,sociedades agricolas1 que hoje vai no ,reino4 ,quanto ,instruco publica primaria1 ajudei1 e contino a ajudar1 a obra santa1 com o que pude e posso2 do que1 dou por prova o odio e perseguies1 com que os obscurantes me teem honrado4 ,quanto moralidade e fraternidade1 esses bens1 d'aquelles dois bens se ho-de filiar2 mas ha-de ser tarde4 ,s quando deixarmos de ser politicos1 principiaremos a ser bons4 ,do livro1 como producto litterario1 no ha por que falemos2 foi escrito de carreira1 sem traa prvia1 nem plano ordenado4 ,nem digo bem escrito2 foi conversado1 como quer que as ideias vieram vindo4 ,refundira-o eu1 se houvesse tempo1 ou valesse a pena2 decotaria redundancias3 aproximaria pontos homogneos1 que vo separados2 reduziria as doutrinas a um systema1 e concatenao severa de raciocinios4 ,nada d'isso farei4 ,apraz-me conservar-lhe o seu caracter fortuito e desambicioso2 s assim1 que me posso n'elle reconhecer4 uma conversao1 com todos os seus altibaixos1 com todas as suas duvidas e incertezas1 com todas as suas quebras e digresses1 com todo o desalinho de homem sincero1 que antes quer ser amado1 e merecel-o1 do que citado e admirado1 inda que o podesse4 ,pro j1 porque estender mais as advertencias sobre coisa to pequena1 j passaria de ociosidade4 ,i ,excellencias da vida rustica ,,summario ,os campos so mais nobres que as cidades4--,o trato rural produz tudo4--,a ,agricultura1 com os seus dois filhos1 ,industria e ,commercio1 a expresso maxima da ,munificencia ,divina1 e o mais claro argumento da sociabilidade do homem4--,as cidades so centros para a circulao da moeda4--,s um povo agricola deveras rico4--,as honras dadas ,agricultura assentam em principios muito reaes4--,a ,biblia1 e ,homero4--,os ,romanos da ,republica4--,o que eram as mulheres n'esse tempo4--,a gratido divinisou entre as gentes primitivas os inventores industriaes e ruraes4 ,refutao de um dito de ,santo ,agostinho4--,origem das mythologias campestres4--,os deuses rusticos eram uma decomposio da ,providencia4 ,o ,christianismo destruiu aquellas risonhas crenas4 ,o campo tomou outra especie de interesse4--,klopstock e ,gessner4--,as sciencias naturaes vieram substituir com vantagem a perdida idealidade dos campos4--,esboo da grandeza e poder d'estas sciencias4--,confirmar o lavrador na religiosidade hereditaria4--,excitar os ricos e poderosos1 para que amem o campo e seus cultores4--,elogio moral e politico do viver campestre4 ,a arte variadissima de obrigar a terra a produzir tudo1 no uma arte rude1 pois todas as sciencias a cortejam1 e a servem2 no obscura1 pois a mais antiga e universal2 no vil nem desprezivel1 pois s depende de ,deus1 em quanto os homens todos dependem d'ella4 ,as cidades1 que affectam desprezar os campos1 d'elles nasceram2 por elles vivem e medram1 que s l teem as suas raizes4 ,transformam-se ellas1 envelhecem1 amesquinham-se1 doidejam1 morrem1 e esquecem2 em quanto elles1 os campos1 permanecem1 riem1 amam1 do1 e promettem de continuo2 coexistiram desde o principio1 coexistiro at ao fim1 com a raa humana4 ,a charrua e o enxado topam em toda a parte com as ruinas de templos e palacios4 ,essas maravilhas ephmeras da ,arte pompearam um momento sobre o solo desvestido1 e logo a ,natureza as afogou2 as recobriu outra vez com o seu slo1 com a sua vegetao1 com os seus frutos1 com as suas fragrancias1 com a sua paz1 com as suas harmonias1 primitivas e ineffaveis4 ,ouvis nas cidades grandes aquelle sussurro profundo de mil vozes1 como bramir de ,oceano8 o estrpito da industria1 o trfego do commercio1 a ebriedade das mezas1 o vozear dos espectaculos4 ,que ,fada produziu e conserva tudo isso8 a ,agricultura4 ,vde os exercitos1 esse espantoso numero de consumidores improductivos1 esses celibatarios ministros da religio da morte4 ,quem os gerou8 ,quem os renova8 ,quem os alimenta8 ,o cho pacifico da lavoira4 ,o seu po1 a sua carne1 o seu vinho1 os seus legumes1 os seus vestidos1 os seus cavallos1 os seus carros1 as suas bandeiras1 os seus mil tambores4444 tudo por l se creou4 ,tudo aquillo1 que va como remoinho devastador1 que no deixa seno cinzas1 sangue1 e lagrimas aps si1 tudo aquillo nasceu e folgou pelas aldeias e casaes2 relinchou pelas planicies hervosas2 mugiu nas leziras encalmadas2 trepou e baliu pelos cerros2 ciciou loirejando pelos chos1 como espiga de alambre2 vicejou em florestas2 amadureceu reluzindo por entre as parras movedias dos oiteiros4 ,que povoao1 no creada por ,deus1 anima1 cruza1 devassa1 todos esses mares8 ,esses portentos da sciencia e ousadia do homem1 que affrontam com victoria ventos e ondas1 j pelas montanhas vegetaram1 floriram1 hospedaram ninhos e musicas4 ,as suas azas candidas1 que os levam de extrema a extrema do globo1 as tranas ondeantes das suas enxarcias1444 foram linhares florescentes1 onde as viraes dos valles se embalavam4 ,a epiderme grossa e negra1 que lhes reveste o corpo1 e lh'o torna1 como o dos monstros marinhos1 inviolavel agua1 estillou-se do pinheiro queimado em succo denegrido2 gottejou de outros troncos em rezinas balsamicas2 creou-se nos ossos do animal1 que arrasta o carro e o arado2 expremeu-se em oiro liquido do fruto luzidio da oliveira4 ,os braos1 que os domam e os meneiam1 como o cavalleiro dirige o seu corcel a todas as partes1 robusteceu-os1 quasi todos1 o sol dos campos4 ,que levam ellas1 essas cidades sem alicerce1 por quem as mais remotas se communicam1 e todos os filhos de ,ado no fazem mais que uma familia8 ,que levam1 que assim vo assoberbadas8 ,levam os frutos da cultura do septentrio1 aos longinquos moradores do sul2 as produces regaladas do meio-dia1 s praias severas do norte2 os perfumes e sabores do oriente1 at s ultimas orlas das ,hespanhas2 a alegria das mezas occidentaes1 aos banquetes opparos dos ,chinezes4 ,e o trabalho de um camponez humilde1 de sua mulher e de seus filhos1 o que1 sem sahirem do torro que os brotou por entre as plantas e os gados1 povoou todos esses mares sem limites de celleiros1 dispensas1 e adegas fluctuantes1 e abasteceu1 sem o saberem1 ao seu desconhecido irmo1 em paizes de que nunca ouviram o nome1 recebendo de l1 em troca1 o que nunca sonharam que a terra procreasse6 99 99 99 99 99 ,difficilmente1 por mais que refujmos para longe dos campos1 e para o centro do luxo1 difficillimamente encontraremos com objecto1 que1 no todo ou em grande parte1 no devesse o seu ser industria agricola4 ,a corporificao mesma d'este pensamento1 isto1 que estamos escrevendo agora1 isto1 que vs amanhan estareis lendo1 este nosso aprazivel praticar entre desconhecidos1 este daguerreotypar para os vindoiros um reflexo passageiro do espirito1 a quem o devemos1 se no a esta ,arte inexhaurivel8 ,o papel1 a penna1 a banca1 o prelo1 as balas1 a tinta de impresso1 o alimento que mantm os braos1 de que tudo isto se ajuda1 quem se no a ,agricultura1 o deu8 ,quem se no ella1 ou um milagre de muitos milagres1 o podra dar8 ,a ,agricultura1 a velha e robusta me dos povos1 auxiliada dos seus dois incanaveis primogenitos1 ,industria e ,commercio1 a bemfeitora por excellencia2 a compensadora unica das differenas das regies2 a expresso maxima da ,divina ,munificencia1 e o mais claro documento da nossa social destinao4 ,qualquer ,sciencia1 qualquer ,arte1 supprimida1 deixaria uma falta1 mais ou menos para sentir2 mas a falta da ,agricultura desataria de repente a ,sociedade1 e dentro em pouco extinguiria o proprio homem4 99 99 99 99 99 ,longe de ns o insensato pensamento de negarmos s cidades a sua importancia6 ,a baixo das choas aldeanas1 nada mais nobre que as cidades2 nada1 que as ,leis mais devessem favorecer1 depois dos campos4 ,os metaes preciosos1 de que uma inveno profunda1 e quasi inspirada1 compz1 por que assim o digmos1 o sangue1 que devia circular por todo o corpo social1 necessitavam1 como o sangue no corpo de cada individuo1 deposito amplo e energico1 para onde confluissem de toda a parte1 e que outra vez para toda a parte os deramasse4 ,a ,cidade foi o corao do paiz agricola1 e centro unitivo de sua vida4 s cidades1 as industrias1 secundaria e terciaria2 o manufacturar as materias2 o permutar as manufacturas4 ,aos campos a primaria industria2 o ministrar a omnimoda materia para essas duas outras4 ,artes e ,commercio encantadores so1 que modificam1 metamorphoseiam1 e transferem tudo sem cessar2 mas s a ,agricultura cria1 s ella1 filha primognita da ,divinidade1 1 sobre a terra1 ,divindade4 ,s um povo que lhe quer1 e a quer1 e a serve com desenganada preferencia1 s esse rico2 rico sem fausto1 mas rico sem receio de empobrecer4 ,as minas canam e exhaurem-se2 as conquistas levantam-se e fogem2 as fabricas podem cahir1 ao erguerem-se novas fabricas n'outras partes2 a grande louca do mundo moderno1 a moda1 as derriba a cada passo1 roando-as1 ao passar1 com o seu vestido novo1 ou com os seus novos enfeites2 o mesmo ,commercio1 no seu carro triumphal de oiro1 corre estrepitoso por cima de alturas resvaladias1 por entre despenhos e rivaes inimigos1 que ao primeiro descuido o precipitaro4 ,s a terra entretanto se no esgota2 s n'ella se podem empregar beneficios1 sem colher ingratides2 s ella pode dizer1 como o seu ,creador3 ,pedi e recebereis2 s ella pode supprir tudo1 sem poder outra alguma coisa suppril-a4 ,quando ella treme1 sacode de sobre si1 em nuvens de p1 castellos massios1 paos alterosos1 armazens e feitorias de portas chapeadas1 como um leo1 com um frmito musculoso das jubas1 afugenta os insectos1 que vieram poisar sobre elle em quanto dormia2 mas a ,queluz e ,versailles do lavrador1 a sua choasinha de palha1 essa vacilla um momento1 como as arvores circumstantes2 assustou-se1 como um passarinho entre as ramadas2 mas fica em p1 e rasserena-se1 vendo tudo em derredor to arraigado1 to vioso1 to quieto1 como d'antes4 99 99 99 99 99 ,foi a consciencia d'estas verdades obvias1 e que s o excessivo crescimento do luxo era efficaz para escurecer1 foi1 dizemos1 a consciencia d'estas verdades1 a que fez com que em todos os tempos se protegesse e honrasse a ,agricultura1 e em alguns paizes por modo tal1 que aos almiscarados passeadores das capitaes pareceria hoje fabuloso1 ou ridiculo quando menos4 ,os dois mais antigos livros1 que o mundo velho nos deixou1 a ,biblia1 epopa de ,deus1 e ,homero1 biblia dos poetas1 a cada pagina nos maravilham com o que antes nos devra servir para sizuda meditao1 e algum exemplo3 com a singela pintura do enlace da autoridade com o trabalho rural4 ,reis e ,principes homericos1 raios de valor nos combates1 nos dias da paz cultivam1 e pastoreiam3 e mais de um heroe d'esses1 ao expirar1 d a ultima saudade ao pensamento dos bosques da sua infancia4 ,os patriarchas da antiga ,lei1 os juizes1 e os ,reis do ,povo hebreu 7semelhantes n'aquillo aos maioraes de algumas tribus arabias1 e aos regedores de alguns povos simplices da ,america e da ,africa1 ainda hoje7 distribuiam a justia1 j sombra de um carvalho1 j sentados1 como em throno1 na mda do seu trigo borda da eira2 ou1 reclinados entre os seus rebanhos1 ensinavam com aplogos e parbolas campestres1 as virtudes naturaes1 a concordia1 a rectido1 a beneficencia4 ,os ,romanos das eras recommendaveis1 os ,romanos da ,republica1 essa gente exemplar1 j expurgada da barbaria de sua origem1 e ainda no pervertida pelas riquezas e luxo2 equidistantes de ,romulo e de ,nero2 revolviam com a charrua o cho da ,patria1 que alargavam com a espada4 ,da rabia1 se iam arrancar os generaes para as victorias2 do ,capitolio redescendiam1 com alvoroo1 para se irem concluir a geirasinha largada em meio4 ,ento as matronas eram ,cornelias2 e as donzellas1 ,virginias4 ,ento era soberbo epitaphio3 ,n'este sepulcro no formoso jaz uma formosa mulher4 ,governou sua casa2 fiou lan4 ,ento eram guies e estandartes magnificos umas paveias de feno no alto de uma lana4 ,ento1 emfim1 podia dizer o ,poeta1 com verdade3 no s que as selvas eram dignas de consules1 se no que eram dignos os aldeos1 dos feixes e da purpura4 ,retraimos-nos lanando comtudo um olhar saudoso para aquellas edades ridentissimas1 em que os nomes e feitos memorandos se no escreviam nos annaes1 mas se embalsamavam de poesia para mythos4 99 99 99 99 99 ,qual foi d'essas antigas gentes1 fabuladoras por philosophia1 a que no divinisou1 e no ergueu sobre aras1 para incensos e hymnos da posteridade1 os inventores1 introductores1 ou aperfeioadores1 das diversas ,artes prestadias1 e da ,arte da ,agricultura sobre todas8 ,cyble1 ,osiris1 ,saturno1 ,cres1 ,triptlemo1 ,fauno1 ,pales1 ,baccho1 ,pomona1 ,vertumno1 ,aristeu1 ,flora1 eis ahi uma parte d'esse ,olympo terrestre1 com que as ,musas por mais de dois mil annos se inspiraram1 e que1 se j hoje no ressam nos cantos1 nem por isso ficaram menos sacros para os coraes agradecidos4 ,demonios so os deuses da gentilidade--exclamava1 no seu enthusiasmo religioso1 o ,bispo de ,hppona4--,demonios so1 cujos nomes nunca mais ho-de profanar estes meus labios4 ,enganais-vos1 ,agostinho1 se abrangeis a esses bons deuses rusticos no vosso anthema4 ,desendeusae-os embora2 mas1 em vez do ferrete de demonios1 decretae-lhes foros de grandes ,homens1 e grandes ,mulheres1 j que de ,anjos no pode ser4 ,se procuramos1 na raso pura1 o que por nenhum documento se rastreia1 o por que os ,romanos1 apz os ,gregos1 os ,gregos apz os ,egypcios1 e os ,egypcios ,deus sabe apz quem1 assim se comprouveram de povoar de numes e semi-numes indgetes os seus campos1 facil se nos depra a chave do enigma4 ,obra foi1 instinctiva e simultanea1 de rusticos1 e philosophos2 do povo1 e dos agentes da alta ,politica dos ,estados4 ,o poder comprehendeu a utilidade de sanccionar culto que nobilitasse o lavrador1 divinisando todos os objectos do seu trato1 e a propria terra3 os camponezes1 por si mesmos1 de motu proprio1 coadjuvaram o poder n'esse mui real empenho seu1 com darem largas propria phantasia1 faculdade sempre tendente para o poetico e maravilhoso4 ,e de feito1 que mais natural erro 7se assim nos podemos exprimir71 que abuso mais para desculpas e louvor1 do que imaginar o homem1 ao ver-se rodeado de successivos beneficios e presentes da ,natureza1 que andavam ahi velando sobre elle1 por toda a parte1 a todas as horas1 entes beneficos1 poderosos e invisiveis1 a quem por isso cabiam amor e agradecimento8 ,por no abrangerem a ,providencia na universalidade1 decompunham-na em mil ,providencias2 e n'este sentido a idolatria era ainda um culto ao ,supremo ,desconhecido1 ,,ignoto ,,deo2 era o matiz brilhante e confuso1 formado de vapores da terra entre ella e o ,co1 como arreboes e aurora do ,,sol1 que estava para nascer4 99 99 99 99 99 ,alm da gratido1 outra causa1 se menos sublime1 por ventura mais urgente1 levaria os filhos das aldeias a abraarem na alma1 sem exame1 aquellas crenas1 logo que referidas na conversao dos velhos autorisados1 ou evangelisadas pelos poetas1 por esses engenhos de eleio1 a quem sempre se attribuiram mysteriosas relaes com outros mundos4 ,esta causa era1 no meio da solido1 a tendencia para a sociabilidade4 ,o viver semi-eremitico do camponez1 e as suas occupaes1 quasi todas manuaes1 deixavam-lhe alma e corao livres1 vazios1 carecentes1 avidos de alimento4 ,nos desenhos do ,vaticano se v1 copia de uma pedra antiga1 a imagem da ,agricultura representada por uma ,psyche1 arrimada a um sacho1 e meditabunda4 ,ento o pastor folgou de cuidar que uma deusa o acompanhava occulta1 e o amava1 defendendo-lhe o rebanho2 que de dentro de cada arvore1 ao perpassar1 lhe sorria uma ,nympha2 que outra despejava da urna subterranea as aguas que o dessedentavam2 que a aura refrigerativa das sstas era vivente1 e lhe furtava beijos fugindo2 que a sua flauta fra inventada por ,pan em hora de mgoas amorosas1 e as suas cantigas eram repetidas com ternura pela namorada de ,narciso4 ,o semeador1 lanando o gro terra1 commettia a sua subsistencia ao corao maternal de uma beldade2 o pomareiro encommendava a outra1 ainda mais beldade1 encher-lhe os aafates e cestos para o outono2 e o vinhateiro via um menino1 to gentil como o proprio ,amor1 e um velho to folgaso como esse menino1 andarem-lhe brincando por entre as cepas para florescerem4 ,o dia1 derramava-o dos cos o deus da musica e dos versos4 scismadora melancolia das noites presidia1 l do carro da lua1 uma virgem candida1 que de manhan andra caando pelos bosques1 e de quem havia segredos444 para se contarem ao ouvido das raparigas4 ,assim se era amado1 porque se amava2 e se amava1 porque se era amado4 ,assim se ganhava animo para supportar a solido2 ou1 por melhor dizer1 assim a solido se transformava em sociedade2 sociedade to numerosa1 to garrida1 to illustre1 to sensitiva1 to amavel1 to munfica1 sobre tudo1 qual nunca jmais a poderiam ter os sarus das maiores ,crtes1 e dos maiores ,reis4 99 99 99 99 99 ,sob o astro esplendido do ,christianismo tudo isso passou1 como perante o sol do estio desapparecem as multicores florinhas1 que borboleteavam por valles e oiteiros4 ,o campo desenfeitiado se consagrou por bellezas mais severas2 mas a solido reappareceu em grande parte1 e qui mais profunda e melancolica1 em derredor do camponez4 porque j se aprendra do ,historiador da ,creao1 que a fertilidade s nascia do trabalho1 e que o trabalho era castigo da desobediencia2 que a terra no era patria1 se no degredo1 e a vida no estado1 se no caminho por valle de muitas lagrimas4 ,os frutos j no foram ddivas de nymphas1 sim esmolas1 que a troco de suor e oraes se lanavam l de cima aos necessitados1 para elles as repartirem com os indigentes4 ,as novas festas campestres1 as ,rogaes de ,maio1 a procisso das ,alleluias1 no compensavam1 para os sentidos1 as sacras profanidades de outro tempo4 ,acudiram ,musas do ,cedron e do ,jordo1 successoras1 e no herdeiras1 d'aquellas nove da ,castlia e ,aganippe1 e forcejaram por enthronisar no campo das antigas divindades esvaecidas novos ,genios mais formosos1 ainda que menos sensuaes2 verdadeiros quanto existencia1 e s quanto aos attributos fabulosos4 s ,dryades1 ,orades1 e ,faunos1 succederam na tutella das arvores1 dos oiteiros1 e das planicies1 ,anjos invocados do ,empyrio pelas harpas germanicas do cantor delicioso de ,abel1 do cantor sublime do ,messias4 ,mas esses ,espiritos custodios das plantas e das aguas1 das flores e das estrellas1 em quem a imaginao creu1 talvez1 em quanto ressoavam os accentos d'aquellas harpas1 volveram aos ,ceos com ,gessner e ,klopstock1 como os numes haviam volvido ao nada2 e a solido campestre recomeou2 ou proseguiu4 ,o ideal da vida agricola achava-se pois abolido1 e para todo sempre4 ,a obra das ,musas do ,lbano caducra1 como a obra das filhas do ,parnaso4 ,a arvore no era mais que um lenho verde2 a fonte1 agua2 a terra1 terra4 ,acode a ,sciencia1 para repoetisar tudo4 99 99 99 99 99 ,a ,sciencia da ,natureza nos tempos modernos um gigante1 animado de mil espiritos1 armado de mil braos1 guarnecido de mil azas1 dotado de mil ouvidos e mil olhos2 engolfa-se1 como aguia1 por ceos e ceos2 colhe no vo os cometas e os planetas1 e lhes toma o pezo e a medida2 distingue na atmosphera imperceptiveis e subtilissimos fluidos1 e os senhoreia como a outros tantos ,genios poderosos1 constrangendo-os a explicarem-se1 e a servil-a2 estende a vista senhoril pela superficie do orbe1 e impe1 como o primeiro homem1 nome proprio a cada vivente sensitivo1 a cada planta1 a cada composto1 a cada elemento da materia bruta e inerte1 desde a colossal baleia1 at o microscopico infusorio1 desde o giganteo baobab1 at o pulverulento lichen1 desde os alterosos ,andes1 at as parcellas imponderaveis do simples mineral4 ,entre tantos milhes de individuos1 estabelece os reinos1 determina as classes1 subdivide e forma ordens1 reconhece os generos1 caracterisa as especies1 e descobre as mutuas relaes de nexo ou afastamento4 ,funda preciosos inventarios de tantas riquezas1 os methodos naturaes1 e os systemas artificiaes4 ,abysma-se nas profundezas da terra1 e reapparece com os documentos da historia do ,mundo2 medita-os1 e prophetisa o que l vai1 j nos incommensuraveis seis dias do ,gnesis1 j nas eras subsequentes4 ,interroga a vida em todos os seus mysterios3 na gerao1 na reproduco1 na conservao1 no crescimento1 nas metamorphoses2 aqui1 lhe recebe a confisso de um segredo2 alm1 lhe arranca outro2 conjectura todos2 e muitos1 por ventura lh'os adivinha4 ,ajudada das artes1 filhas suas1 nutridas aos seus peitos1 entretece industriosamente todos esses innumeraveis fios de luz1 que de cada ponto da materia lhe ressurtiram1 e por suas combinaes inesperadas faz apparecer1 de momento para momento1 novos recursos para as mesmas artes1 novas foras e vantagens para o homem4 ,o campo1 sondado pela ,sciencia em cada camada do seu terreno1 em cada elemento dos seus adubos1 em cada gotta do seu orvalho1 em cada molcula dos seus gazes1 em cada pro das suas plantas e animaes1 em cada tcita relao de tudo seu com os meteros1 com a electricidade1 com o frio e calor1 com a luz e as trevas1 com cada um dos ventos1 com cada uma das quadras1 com cada um dos mezes1 com cada um dos dias1 e horas do dia1 o campo1 repetimos1 encerra pois mais poesia1 poesia mais bella1 mais fecunda1 mais vivaz1 mais duradoira1 que as antigas4 ,a arvore do pago fra nympha2 e a do simples christo1 simples meza de caridade4 ,a arvore para o sabio um microcosmo de maravilhas2 um prego1 no j mudo1 de ,sabedoria1 de ,poder1 de ,bondade sem limites4 99 99 99 99 99 ,felizes ns1 se1 interpretando uma ou outra harmonia da ,natureza1 podermos confirmar o camponez na sua religiosidade hereditaria6 ,felizes1 no menos1 se nos ricos senhores crearmos1 ou accrescentarmos1 o amor dos seus campos1 e o salutar affecto aos pobresinhos1 que com o seu suor lh'os fertilisam6 se1 tornando-lhes aprasivel o rusticar1 e descobrindo-lhes com ,zimmermann os thesoiros da solido1 contribuirmos para que alguns vo ser divindades veneradas no seu torro1 e ensinar com o seu trato polidez aos filhos das aldeias retemperando-se entre elles1 e readquirindo algum pouco d'aquella innocencia velha foragida das cidades6 ,que vendo nos seus bosques e seras alguma coisa mais que lenha e farinha1 sintam que a ,agricultura o parentesco1 a amisade1 a intimidade1 o trato de mutuos beneficios1 entre o homem e a ,terra sua me4 ,que repitam com ,bentham3 ,a classe dos que trabalham1 se a derradeira no vocabulario dos soberbos1 no vocabulario da san ,politica a primeira4 ,que muita vez1 nos seus passeios meditativos1 exclamem enternecidos1 como a ,baroneza de ,stal3 ,pobre gente6 meio silvestres1 meio civilisados6 mas os que d'entre elles so virtusos1 oh6 esses teem um genero de innocencia e bondade1 que l nos mundanos se no acha4 ,ou1 reclinados ao sol posto no poial da sua granja1 revolvam calados aquellas palavras1 com que a ,biblia1 na sua maravilhosa simplicidade1 nos encarece o viver facil do ,povo eleito no reinado de ,salomo3 ,comer1 beber1 e folgar1 sem nenhuns medos1 cada um sombra do seu parreiral e da sua figueira4 ,oh6 e as mos do que tudo isto chegar a dizer1 que venturas no dispartiro tacitamente pelas agradecidas choas de tantos1 que1 em meio de montes de riquezas1 no tinham muitas vezes um po negro para os seus meninos6 ,quem faz amar os campos--escrevia ,delille--faz amar a virtude4 ,oh ricos1 ricos6 ,quo pouco vos custra o ser ditosos1 creando nos outros alegrias para vs mesmos6 ,quo facil vos fra acabar com o antigo pleito1 que pende entre a penuria e a opulencia6 ,quo facil1 e quo glorioso1 o fazerdes 7e no vossa custa1 se no at com proveito vosso7 com que os filhos1 como vs1 de uma terra fertil no fugissem d'ella1 para se irem comer po de escravos1 e estalar de saudades em sertes longinquos6 ,se amais o cho onde nascestes1 creae e enraizae n'elle verdadeiros lavradores4 ,lavradores verdadeiros no so s os cidados mais productivos1 mas tambem os mais pacificos e patrioticos4 ,janeiro de #ahdh ,,ii ,sociedades de ,agricultura ,,summario ,as associaes agricolas ho-de diminuir as averses publicas1 e restituir o amor do trabalho4--,a ,sociedade ,promotora da ,agricultura ,michaelense mostra o que taes sociedades valem4--,vantagens que j tem dado4--,o seu exemplo ha-de ser imitado1 mesmo em ,portugal4--,a convico da necessidade de olhar pela ,agricultura j sentida geralmente4--,as regeneraes politicas s sero verdadeiras tendo por base a ,agricultura4--,todas as revolues teem origem na bolsa4--,tributos devem-se exigir1 proporcionando-se meios de os pagar4--,os poisios deviam repartir-se pelos soldados4--,como seria um bom ,governo4--,aqui no entra ,politica segundo hoje a entendem4--,declarao de qual a do autor4--,como as ,crtes e o ,governo podem felicitar sem custo a ,nao4--,se elles o no fizerem1 faam-n-o os particulares1 associando se4 ,por um interessante periodico do ,funchal1 ,o ,madeirense1 vemos com prazer1 que tambem ali se torna a olhar com amor para a terra1 a grande ,me1 como philosophicamente lhe chamavam os ,antigos4 ,a terra o campo neutro1 no qual1 ainda hoje1 se podem congregar os animos1 que as contendas sociaes dissociaram e lanaram a monte4 ,no seno no seio da ,natureza immutavel1 universal1 inexhaurivel1 que os homens podem encontrar novamente a convivencia de ideias1 e a fraternidade1 a que os leva o seu instincto1 tanto como a sua razo4 ,se o trabalho a condio indispensavel de todos os bens1 se a unio a indispensavel condio de todo o trabalho de veras fecundo1 quem no v que as ,associaes agricolas1 alm do grande beneficio de tornarem a enfeixar um pouco a familia humana1 ho de promover o trabalho1 ,anjo custodio de saude e bons costumes8 ,o que as ,associaes agricolas esto dando de si nos povos representantes e coripheus da civilisao1 historia j to publica e corrente1 que ainda aquelles que a no estudam a sabem pouco mais ou menos4 ,mas1 preterindo1 como logares communs1 a ,frana e a ,inglaterra1 figuras obrigadas em qualquer pagina dos nossos contemporaneos1 como aquell' outras de ,grecia e ,roma em cada escrito dos nossos paes1 prguemos nossa gente com o exemplo1 muito mais persuasivo1 dos santos de casa4 99 99 99 99 99 ,a ,sociedade ,promotora da ,agricultura ,michaelense a demonstrao viva do que taes corpos valem1 e podem1 para o aperfeioamento dos lavradores4 ,nascida de hontem1 se pode dizer1 sem amparo algum externo1 sem uma dotao larga1 para converter em factos a decima parte dos seus bons desejos1 constantemente a braos com as difficuldades dos tempos1 ainda no apreciada nem comprehendida na propria terra1 e com mais de metade das suas foras intrinzecas desaproveitadas1 com um viver intermittente1 reduzida a hibernar por quasi toda a bella estao1 e no inverno mesmo s incompletamente concorrida de seus membros e sem ouvintes para a animarem recolhendo-lhe o fruto das discusses2 n'uma palavra3 no havendo tido1 por si at agora mais que tres ou quatro vontades perseverantes1 mas inquebrantaveis1 mas inflexiveis1 mas cheias de f e amor1 esta ,sociedade contm j nos seus fastos algumas paginas1 que a gratido da ,historia ha-de doirar1 e os futuros lavradores beijar com enternecimento4 ,o rusticissimo horror das innovaes agrarias1 esse ridiculo espantalho millanario de todas as ideias uteis1 no se destruiu1 porque no pode destruir-se2 mas vai recuando para dentro dos limites de uma prudente e cautelosa espectativa2 isto 3 a curiosidade moderada1 que no d passo sem primeiro palpar o terreno1 mas que1 apenas o sente solido1 adianta e assenta o p para no retroceder1 occupa j o logar do empyrismo intolerante e indomesticavel4 ,no se instruiu ainda o camponez2 a tarefa de seculos no cabe em dias2 mas fez-se-lhe entrever a sua ignorancia2 uma grande passada no caminho do ,progresso4 ,fez-se-lhe conjecturar1 por factos sensiveis1 que havia1 fora da sombra do seu campanario1 e mesmo dentro nas cidades1 amigos seus e da terra1 habilitados pelo estudo para mestres e guias2 que os livros no eram todos sonhos vos de charlates1 e que de muitos d'elles sabiam raios1 luminosos como os do sol1 que fertilisavam a terra largamente2 que no havia sacrilegio em trocar a enxada de ,ado pelo instrumento s de hontem inventado1 mas que multiplica as foras1 as horas1 os frutos1 as moedas1 os ocios innocentes1 e os praseres4 ,insinuou-se a pouco e pouco1 e sem rumor1 nas praticas do sero da ,aldeia3 primeiro1 a crena de que o ,mundo era mais amplo que os confins da parochia ou do municipio1 e muita planta boa1 e muito animal prestadio opulentavam outros paizes1 que1 se viessem ao municipio e parochia1 lhes accrescentariam os haveres2 que se podia produzir mais e melhor em frutos e materias primas1 para industrias que ao longe se enxergavam2 e que o pretender aperfeioar as raas brutas1 as manadas1 os rebanhos1 e os animaes domesticos1 no era absurdo nem impiedade1 pois que a tudo isso se chegava sem mais feitio que o entendimento que ,deus nos deu4 ,no queremos affirmar que o poiso secular1 scco e maninho1 dos espiritos da populao rustica se ache j desmoitado4 ,affirmmos porm1 e poderia provar-se1 que da fundao da ,sociedade promotora data um progresso notavel na ,agricultura d'este paiz2 que ha hoje ahi em exercicio muito instrumento moderno de inquestionavel prestimo2 que alguma raa de animaes caminha para o aperfeioamento2 que as plantas preciosas estrangeiras so desejadas e bemvindas2 que se vai pegando a curiosidade do experimentar4 ,n'uma palavra3 um observador attento e sagaz sente nas ideias rusticas o que quer que seja de vivaz1 de vegetativo1 de medranoso2 semelhante ao que se percebe nas hortas1 de vero1 pela calada da noite1 quando ao luar se est suavemente devaneando3 um rumor vago e tenue pela folhagem2 um cheiro suave de vitalidade1 que circular de seiva1 encorpar de hsteas1 desabrolhar de gomos1 explicar de folhas1 nascer de botes1 abrir de flores1 enchar e amadurecer de frutos2 so os fluidos impalpaveis do dia que passou1 que por ali se esto s escuras corporificando para abundancia2 d'aquelle rudo sem nome1 e quasi imperceptivel1 que l para o diante se ho-de acogular as eiras1 encher os celleiros e os lagares1 assoberbar-se os carros1 os portos1 e os navios1 nutrir-se os homens e os animaes1 as aldeias e as cidades4 ,deixae continuar em sua aco a causa impulsiva d'este movimento1 que j se opera nos espiritos camponezes1 e vereis as innovaes cada vez menos repugnadas1 a sciencia pratica avantajada de anno para anno1 e com ella vir raiando um pouco tambem da sciencia especulativa1 unica fonte dos progressos ulteriores e indefinidos4 99 99 99 99 99 ,felizmente1 este exemplo grande e nobre que a ,sociedade ,michaelense est dando a todos os dominios ,portuguezes1 e metrpole mesma1 gro lanado em terreno1 que nos parece achar-se j devida e sufficientemente preparado4 ,de toda a parte onde ha ,portuguezes1 isto 3 de toda a parte onde sobre um solo fertil negreja a penuria1 saem gritos clamando pela ,agricultura ausente1 como pelo ultimo e unico ,messias terrestre2 e esses clamores1 quando assim se tornam geraes1 so sempre prophecia4 ,a convico chegou a todos os animos3 a uns pelo raciocinio1 aos outros pelo mero instincto2 mas em todos est2 em quasi todos clama2 e j em muitos se agita insoffrida1 para se converter em obras4 ,se os commodos da vida1 isto os deleites do corpo1 os do corao1 e os do espirito1 so o alvo a que tiram de longe1 e de encontrados pontos1 todas as opinies1 todos os systemas1 todas as parcialidades1 a ,agricultura para ,portugal deve 7e no pode deixar de ser7 havida pela ,politica suprema1 pela ,politica das ,politicas2 pois quando1 renascida e adulta1 a nossa ,agricultura nos houver feito laboriosos1 abastados1 modestos1 bons1 unidos1 e irmos1 ento1 e s ento1 que as theorias de liberdade deixaro de fluctuar e transformar-se ao spro das palavras1 como as nuvens inconsistentes ao capricho dos ventos4 ,as instituies sociaes querem todas uma base2 e no ha para ellas alicerce1 como a terra a desentranhar-se em riqueza2 tanto assim1 que o proprio regimen absoluto1 e ainda o desptico1 em quanto no faltam ao ,povo com po e um pouco de recreio1 permanecem1 no combatidos1 nem quasi murmurados2 ao mesmo passo que as mais philosophicas e altisonantes constituies em terra faminta1 isto em terra pelos homens desaproveitada1 so victima1 muitas vezes innocente1 mas sempre victima1 dos irreconciliaveis odios da indigencia4 99 99 99 99 99 ,no se ha mistr ser profundo sabedor na historia das revolues1 para reconhecer que todas ellas1 proxima ou remotamente1 teem na bolsa a sua origem2 assim como evidente1 que em quasi toda a parte a terra trabalhada quem enche a bolsa2 ou1 pelo menos1 que s ella quem1 enchendo-a1 pode prometter com affoiteza conserval-a cheia4 ,um dos mais deploraveis erros1 se no o mais deploravel1 procurar acudir aos males produzidos pela miseria1 extorquindo aos proprios miseraveis com uma das mos o que depois1 bem ou mal1 em todo ou em parte1 se derrama sobre elles4 ,o ,thesoiro publico s abastado1 ou1 mais verdadeiramente1 s ha ,thesoiro publico1 onde se no obrigado a arrecadar para elle sangue1 lagrimas1 e maldies4 ,os tributos so uma necessidade2 mas para os ,governos justos e previdentes no no menor subministrar aos governados meios de produco1 com que satisfaam aos tributos4 ,facilitae-me encher a minha tulha1 e pedi-me embora metade d'ella para remir o desamparo dos meus visinhos4 ,mas se pela minha porta aberta no vedes1 em toda a minha poisada terrea1 nem lume1 nem po1 nem assento1 nem mais vestido que os andrajos que andam no corpo1 no me vendais para o tributo o bercinho n do filho1 e a enxerga desconchegada da me2 no m'os vendais que o no quer ,deus2 no m'os vendais1 no m'os vendais1 que por um tosto ou dois os havereis matado a elles e a mim1 e vossa consciencia tambem2 e todos estes mortos se alevantaro hora prescrita1 para matarem a vossa causa4 ,se os haveres so o sangue do corpo social1 e se o corpo social jaz por debilidade1 pensaria alguem cural-o abrindo-lhe as veias e as artrias8 ,em quanto houver terras devoluto1 a dar cardos e urzes em logar de trigo e azeite2 em quanto houver braos com ociosas armas s costas1 ou encruzados sobre o peito descarnado2 em quanto no repartirdes esses braos por essas terras1 e essas terras por esses braos1 com um alvio1 um punhado de sementes1 dois ou tres cruzados para uma choa de colmo1 um cathecismosinho de ,agricultura1 e uma boa iseno de direitos at que a abenoada plantao se desate toda em frutos2 em quanto fordes tolerando que o vicio1 o ruim exemplo1 a indiligencia1 e a ignorancia1 lancem quotidianamente na voragem sempre crescente da prostituio milhares de moas1 nascidas com entendimento e corao para mes de familias1 e a maior parte das quaes o haveriam ido ser1 se o seu hediondo celibato no fra effeito necessario do celibato forado de tantos homens2 em quanto1 pelo concurso de tamanhos desconcertos1 deixardes que permaneam estereis1 despresadas1 e despresiveis1 as duas mais formosas e mais santamente productivas coisas do mundo1 a terra1 e o seio da mulher2 sereis mendigos a governar mendigos1 sereis loucos a vexar attribulados4 ,podereis chamar-vos ,governo1 segundo o ,direito constituido1 e pelas trombetas de uma parcialidade1 da vossa2 mas pela ,natureza1 mas pela philosophia1 mas pelo vosso proprio senso intimo444 nunca merecereis tal qualificao4 99 99 99 99 99 ,damos por superfluo declarar que1 se algum nescio1 ou maligno1 vir d'isso a que ahi chamam ,politica nas poucas linhas que deixamos escritas1 no foi absolutamente nossa inteno1 nem o 1 nem o ser nunca1 descer das alturas serenas e claras do raciocinio at essas escuras e lodacentas encruzilhadas4 ,no processmos nenhum homem1 nenhum bando1 nenhum systema2 ou processmol-os todos4 ,hoje 7comprazemo-nos de o repetir7 no commungmos seno ,meza catholica da ,philosophia4 ,todas as variaes protestantes da egreja politica liberal nos so desconhecidas4 ,lanmos ao ar e ao vento as palavras de bom conselho1 com hombridade e sem odio1 como todos devem2 a nossa consciencia a respirar alto4 ,a parcialidade que fizer obra do que ns s fazemos discurso1 ser essa a que ns bemdiremos4 ,os primeiros estadistas1 que arvorarem por estandarte na ponta de sua lana sem ferro a relha da charrua e o sacco da semente1 sero os que nos movam1 sem que nol o peam1 a irmos urna2 e f que no votaremos seno por elles1 porque esses nos havero feito acreditar na edade de oiro4 ,a edade de oiro no est no passado1 como a sonharam os poetas1 mas no porvir1 e bem proxima se o quizermos4 ,no ha de baixar do ,ceo com deuses1 mas ha-de rebentar da terra com frutos e creanas1 quando os homens se encurvarem para a invocar4 99 99 99 99 99 ,segundo os axiomas que deixamos tocados1 grandes1 imperiosos1 e urgentissimos so os deveres1 que s autoridades executivas e legislativas incumbem1 de remover obstaculos1 e proporcionar meios para que a ,agricultura nacional se levante e cresa1 com aquella espantosa rapidez1 com aquelle vigor prodigioso1 que todas as coisas nobres assumiram sempre em nossa terra1 quando de veras as quizemos4 ,legisladores e governantes1 dizei ,faa-se2 de todos os cantos da ,monarchia se repetir em milhes de eccos3 ,faa-se4 ,e far-se-ha4 ,e o ,povo ,portuguez reapparecer aos olhos do mundo to grande e magnifico nos seus trajos de lavrador1 e coroado de oliveira1 como outr'ora soldado e conquistador1 coroado de loiros1 e cicatrizes2 mas com uma vantagem summa na sua nova transformao3 que as conquistas e pelejas o matavam afogado em oiro e sangue2 em quanto a ,agricultura o haver remoado como o ,eso da fabula1 e opulentado do oiro vegetal1 unico oiro que sustenta e se semeia para mais oiro4 ,pois se acha emfim conhecido o caminho largo e facil que nos ha-de levar felicidade2 pois que tantos desejos o devoram j em espirito1 por que no nos poremos desde hoje em marcha para a conseguirmos quanto antes8 ,se os ,legisladores1 se os ,governantes1 se as supremas ,autoridades no souberem1 ou no poderem1 ou no ousarem1 collocar se nossa frente2 se houver interesses1 que se lhes representem maiores do que o interesse maximo2 saibmos e ousemos ns1 ns os cidados1 ns o ,povo1 ns que o podemos1 progredir sem mais impulso que o nosso instincto salvador1 sem mais guia que a razo demonstrada4 ,tambem uma columna de luz levou o ,povo eleito1 atravez do deserto1 para a ,terra da ,promisso4 ,quem nos dar fora8 a associao4 ella possivel8 facilima4 ,como se organisar8 ,vamos vel-o4 ,agosto de #ahdh4 ,,iii ,continuao do assumpto ,,summario ,o ,jornalismo deve ser prgador da fraternidade agraria1 exhortador e mestre de cultura1 sendo o ,diario do ,governo quem d o exemplo4--,como se formou a ,sociedade ,promotora da ,agricultura ,michaelense1 podem outras formar-se e imital-a4--,uma ,sociedade ,promotora para cada cidade em que houver centro episcopal e administrativo4--,sociedades filiaes fomentadas por ambos estes poderes4--,relaes mutuas entre as primeiras e as segundas4--,quadro dos resultados provaveis de tal systema4--,para a sua realisao bastam os cidados1 sem auxilio do ,governo4--,desenho geral da proposta machina de ,sociedades1 e descripo do seu jogo4--,indicao de meios pecuniarios para a manuteno d'estas ,sociedades4--,summa conveniencia de um ,ministerio dos negocios da ,agricultura4--,o que se tornaria ,portugal1 realisados todos estes alvitres4--,deseja-se que no ,parlamento se alevante um homem4 ,antes de tudo1 necessario que a ,imprensa1 representante n'este caso da opinio publica1 tome a si o excital-a ainda mais1 o esclarecel-a sobre os meios1 o alvitrar1 o discutir1 o convencer os incrdulos1 o afervorar os tibios2 emfim1 que procure compenetrar-se de profunda f1 para a transmittir egualmente profunda a seus ouvintes2 armar se de constancia1 de pertinacia1 de fanatismo 7se licito dizel-o7 at ver consumada a regenerao4 ,o ,jornalismo1 que1 podendo1 deixa de ser missionario do ,progresso1 alguma coisa peor que uma ociosidade3 um musgo1 que devora arvore multiforme da instruco proficua1 parte da seiva que a devia alimentar4 ,em vez pois das questes futeis e ephmeras1 saturnaes da ,imprensa1 que s almas bem nascidas j repugnam2 em vez das quotidianas batalhas dadas no campo das utopias1 com descargas cerradas de improprios2 dem os jornaes1 uma e muitas vezes1 parte das suas columnas1 como expiao 7quando mais no seja71 exhortao para a fraternidade agrria1 exhortao que se tornar de tanto maior pezo1 quanto elles proprios1 os jornaes1 discordes em todos os outros pontos1 se apresentaro n'este unanimes e amigos4 ,mais3 alguma poro do espao que por posse velha vo encher s folhas estrangeiras1 de novellas excusadas 7quando no nocivas7 de anecdotas ridiculas1 de vanidades de toda a casta1 franqueiem n-o a originaes1 traduces1 ou imitaes1 que1 ensinando ao lavrador alguma novidade util1 no tocante ao seu officio1 lh'o ensoberbeam aos seus proprios olhos1 pela prova de que a ,imprensa1 os sabios1 e as naes crescidas e policiadas1 o no desprezam4 99 99 99 99 99 ,dada e conservada aos espiritos1 por via dos periodicos1 esta saudavel e fecunda excitao1 o arbitrio de se formarem ,associaes promotoras da ,agricultura espontaneamente nasceria1 se fosse possivel que a mesma ,imprensa se houvesse esquecido de o suscitar1 e aconselhal-o4 ,presumimos ns demasiadamente dos nossos collegas1 os escriptores publicos1 quando para tal coadjuvao os convidmos8 ,certo que no4 ,o amor patrio1 que todos elles professam1 o egoismo que todos ns temos1 a louvavel ambio de contribuir para um resgate1 e depois tambem a preciso de refocillar a espaos a alma1 fatigada de sobresaltos e pelejas1 tudo nos afiana que a maior parte d'elles1 pelo menos1 acudir ao chamamento3 e primeiro que nenhum o ,diario do ,governo1 pois por vinte rases o deve1 e por mil modos o pode mais que todos4 99 99 99 99 99 ,como se formou a ,sociedade promotora ,michaelense8 ,pela vontade de alguns poucos particulares amantes do seu torro2 sem prvia suggesto externa1 sem mo que de cima se lhe estendesse4 ,nasceu por si1 e de si2 foi uma formao espontanea2 e comtudo vingou1 cresceu1 e aqui a estamos j hoje citando por modelo4 ,logo1 onde quer que haja tres ou quatro cidados egualmente esclarecidos e zelosos1 esses podero o que estes poderam2 e tanto mais facilmente ainda o podero esses1 quanto havero1 para os guiar1 a experiencia dos seus predecessores1 as lies do tempo para se amestrarem1 e j maior favor publico para os influir4 ,comeadas por pequeno mas forte nucleo nos pontos do territorio mais bem situados1 ou mais bem relacionados para servirem de centros1 as ,sociedades promotoras da ,agricultura no tardaro em se encorpar e robustecer1 absorvendo e assimilando em si quantos homens1 quantas influencias1 quantos meios de aco1 se encontrarem ao seu alcance4 ,estas ,sociedades primordiaes1 conviria talvez1 que fossem tantas em numero1 quantas so as terras1 em que ha uma capital administrativa1 e uma sde episcopal1 ou mesmo uma s d'estas duas poderosas entidades4 ,sob a presidencia de taes cabeas1 eil-as ahi podendo desde logo diffundir em torno de si1 por toda a parte1 ,sociedades filiaes4 ,pelo ,governador ,civil1 cada ,administrao de ,concelho formaria a sua4 ,pelo ,bispo1 aggregar-se-hia uma sombra de cada campanario4 ,algumas1 bem o antevemos1 abortariam pelo desfervor1 pela ignorancia1 ou pela impopularidade de um ou de outro d'estes agentes subalternos2 mas outras pululariam1 no semeadas1 no logar d'essas2 e1 quando mesmo ficassem na sera1 aqui ou acol1 algumas rareiras1 paciencia2 o fruto da restante sobraria para consolar4 ,por este systema1 as luzes se diffundiriam dos grandes focos1 por uma irradiao constante1 para todos os pontos2 e de todos os pontos convergiriam para os grandes centros as noticias dos resultados das tentativas1 para ahi serem comparados1 pesados1 e formulados em regras2 e o clamor das precises locaes1 para se lhes dar logo1 ou se lhes sollicitar de mais alto1 o competente remedio4 99 99 99 99 99 ,imaginemo-nos j chegados ao tempo1 em que taes votos sejam cumpridos4 ,que movimento nos espiritos6 que actividade nos homens6 que produco na terra6 que aproveitamento do tempo1 das foras1 e dos cabedaes6 que duplicao na sociabilidade6 que fraternisao das cidades com os campos6 ,desappareceram os mendigos2 todos os braos acham trabalho2 todo o trabalho cria po2 o ,thesoiro recebe sem sacrificios1 paga sem tergiversaes1 resgata o passado1 olha para o futuro sem pavor1 ouve benos em vez de maldies2 da sua voragem vulcanica rebentou uma fonte1 que nunca mais ha-de seccar2 todo o ,paiz ri1 floreja1 e canta2 todas as aldeias enxameiam em creanas1 como todas as charnecas em frutas e casaes2 os rios e as estradas carreiam abastanas2 bandeiras de todas as ,naes se esvoaam em cardume nos portos1 permutando com os productos do solo as obras das suas industrias variadas1 e ainda parte do seu oiro4 ,sim2 a tamanho paraizo nos pode chegar a ,agricultura1 s com a mera proteco dos cidados2 mas proteco crente1 energica1 regular1 e inquebrantavel1 sem at se necessitar de que o ,governo directamente a coadjuve2 basta que lhe no empea1 e lhe remova um ou outro estorvo grande e conhecido4 99 99 99 99 99 ,desenhmos agora em contornos as rodas d'esta machina de ,sociedades1 que tantos milagres ha-de perfazer1 e indiquemos o seu movimento1 e o seu jogo4 ,cada ,sociedade-me ter sempre em vista dois objectos capitaes3 infiltrar nos lavradores e operarios rusticos a possivel instruco anloga1 proporcionando-lhes1 ao mesmo tempo1 meios para aperfeioamentos2 e sollicitar dos poderes supremos do ,estado a promulgao de boas ,leis agrarias1 a revogao ou emenda das damnosas3 ,o primeiro fim conseguil-o-ho3 estabelecendo e augmentando continuamente1 com discernimento e desvelo1 uma bibliotheca de ,agronomia1 ,veterinaria1 ,historia natural1 e mais sciencias accessorias2 dando ao publico1 por via de catalogos impressos1 uma noticia succinta de taes obras1 facilitando o seu estudo a todos os interessados1 quer sejam socios1 quer no2 discutindo nas suas sesses todos os pontos agronomicos de interesse local2 recebendo1 e at provocando1 consultas sobre as materias duvidosas1 procurando1 por meio de estudo e debate1 acudir-lhes com soluo prompta2 publicando um ,jornal de ,agricultura1 accommodado principalmente natureza1 condies1 circumstancias1 interesses1 illustrao1 e costumes1 do seu ,districto2 por meio d'este ,jornal aconselhando as sementeiras e plantaes novas de vantagem bem averiguada1 a importao de novos animaes uteis1 ou de aperfeioadores das raas j existentes1 bem como o uso dos instrumentos serviaes1 inventados ou aperfeioados2 encarregando-se de mandar vir qualquer d'esses objectos para qualquer cidado que lh'os encommende1 mediante uma segurana que responda pelo reembolso2 procurando ter1 a par com a bibliotheca1 um deposito de instrumentos e machinas1 em grande ou em modelos1 ou1 quando menos1 em estampas1 e sempre franco2 de algumas das machinas ou instrumentos tendo mesmo para alugar ou emprestar quellas pessoas1 que para os comprarem no possuirem meios2 inserindo constantemente no seu periodico1 em linguagem chan e sincera1 o quadro das operaes ruraes immediatas para o ,districto agrario da sua residencia2 renovando de anno para anno este trabalho1 sempre a melhor2 fazendo annualmente uma festa rural para distribuio de premios1 tanto aos lavradores e creadores1 como aos fabricantes de objectos de primeira necessidade1 aos inventores e autores de alguma coisa util1 aos mestres que mais fruto houverem produzido no ensino primario1 e mesmo ao homem ou mulher1 que1 por alguma excellencia moral1 haja merecido um solemne testemunho de apreo e gratido dos seus concidados2 estabelecendo emfim1 que esta festa rural caia1 se fr possivel1 na estao formosa1 e coincida com a principal romaria1 ou festa religiosa1 ou feira1 do seu ,districto1 procurando imprimir n'este acto a maior solemnidade religiosa e civil2 para o que1 os ,prelados e os ,governadores ,civis com a melhor vontade coadjuvaro4 ,quanto ao segundo fim1 facilmente se desempenharo d'elle as ,sociedades-mes1 examinando1 com circumspeco e madureza1 por via de discusso nas suas sesses1 e de publicidade no seu jornal1 e em outros1 os pontos carecentes de reformao legislativa ou executiva1 quer em relao aos tributos e direitos1 quer s isenes1 quer aos premios1 quer aos tratados de commercio1 quer s communicaes de terra e agua1 etc4 99 99 99 99 99 ,para quasi todas estas coisas necessitam de dinheiro as ,sociedades mes2 e nem justo1 nem prudente1 pretender que sobre os homens zelosos que as compem caia mais esse nus2 antes nossa opinio1 que de nenhum d'elles se deve exigir nem joia1 nem mensalidade1 nem quotisao4 ,pelo contrario3 se fosse possivel1 todos os que s sesses concorressem1 todos os que trabalhassem1 haviam de ter direito a uma determinada remunerao1 como em certas ,academias ,reaes e dotadas acontece4 ,fra isso mais um penhor de estabilidade1 mais um estimulo para aco4 ,d'onde porm ha-de vir o dinheiro8 de uma loteria annual do ,districto1 autorisada pelo ,governo1 e cujos premios poderiam ser em bens de raiz1 animaes1 e instrumentos agrarios2 premios muito mais prestadios que o dinheiro1 em relao aos fins do instituto4 ,poderia vir mais1 de doaes ou heranas 7que no deixaria de as haver71 logo que a experiencia houvesse demonstrado a firmeza e efficacia de taes institutos4 ,os documentos d'esta assero acham-se em bom numero nas historias das ,misericordias1 ,hospitaes1 ,albergarias1 ,casas-pias1 ,asylos de infancia e de velhice1 e mais instituies de beneficencia1 tanto dentro como fra de ,portugal4 ,poderia vir de beneficios nos theatros1 assemblas1 phylarmonicas e outras4 ,poderia vir1 e muito provavelmente viria1 de christianissimas oblatas dos ,prelados4 ,poderia vir do producto dos alugueres de animaes para creao1 e de instrumentos4 ,poderia vir da venda dos jornaes1 cathecismos1 e mais obras uteis vulgarisadas pela mesma ,sociedade4 ,poderia vir1 finalmente1 de uma quinta1 ou predio exemplar1 propriedade que cada uma das ,sociedades mes deveria ter1 para as suas experiencias e demonstraes praticas1 e com que1 ao mesmo tempo que ensinasse mudamente aos seus visinhos1 redobraria a f e fervor nos seus consocios4 ,em summa3 tudo quanto concorresse para abastar1 acreditar1 influir1 radicar1 e perpetuar estas ,sociedades1 poderosissimos focos de fecundao1 tudo seria para tentar e aproveitar4 ,quizeramos ns ver j chegado o tempo1 em que cada uma d'estas ,sociedades promotoras ha-de reunir no seu gremio todas as illustraes agricolas e scientificas dos seus contornos1 todos os proprietarios territoriaes e industriaes1 os philanthrophos e caritativos1 os ricos e os negociantes1 as autoridades e as foras de todo o genero1 os mundanos mesmo1 e at os avarentos4 ,tomramos vel-a no meio de um torro bem seu1 bem cultivado1 bem jardim e bem palmito2 em casas suas bem suas1 bem alegres1 bem hospedeiras1 bem convidativas2 com a sua bibliothecasinha muito franca2 com o seu deposito patente de instrumentos e machinas1 arsenal de guerra contra a esterilidade4 ,tomramos vel-a1 centro attractivo para os passeios dos domingos por entre as hortas frescas1 os pomares avergados1 as searas luxuriantes1 e os jardins ridentissimos4 s conferencias de to feiticeira corporao1 como deixariam de concorrer at as damas e os mancebos1 com mais fervor que aos ,parlamentos1 quasi com tanto como aos theatros8 99 99 99 99 99 ,eis collocadas as rodas grandes1 s quaes o juizo do ,governo e o do publico ho-de servir de motor e mola real4 ,consideremos as pequenas rodas1 as que1 engranzadas com estas1 e recebendo d'ellas o movimento ho-de ir actuar sobre cada pequeno lavrador1 sobre cada palmo de terreno4 ,so as ,sociedades filiaes4 ,compr-se ha cada uma d'ellas dos grandes ou pequenos cultores1 proprietarios1 e mais interessados da circumvisinhana1 sob a presidencia do ,parocho1 do ,administrador do ,concelho1 ou qualquer dos socios1 preferido pluralidade de votos4 ,reunir-se-ho em dias e horas1 em que a cessao1 dos trabalhos ruraes lhes d vaga para discutirem1 e aos no socios occasio para assistirem discusso1 e illustrar-se4 ,o jornal da ,sociedade-me subministrar a estas ,sociedades-filhas assaz de pontos de slido interesse1 com que se occupem4 ,quando porm assim no acontea1 as conveniencias locaes so em toda a parte um thema inexgotavel4 ,n'estas pequenas reunies se elaboraro os projectos de melhoramento1 e se procuraro os meios para se elles realisarem4 ,os melhoramentos podem depender unicamente de boa vontade e exforos dos moradores da terra2 podem depender de soccorros intellectuaes ou materiaes da ,sociedade-me2 ou podem ser taes1 que s o ,throno1 ou s o ,parlamento1 lhes abra caminho4 ,no primeiro caso1 a ,sociedade-filial1 por si e pelos seus adherentes1 tratar de os realisar2 no segundo caso1 recorrer ,sociedade-me para que lhe acuda4 ,no terceiro1 recorrer ainda a ella1 para que requeira1 apadrinhe1 e faa apadrinhar o requerimento4 ,cada uma das ,sociedades filiaes estar pois em continua correspondencia com a respectiva ,sociedade me1 com mutua e manifesta utilidade2 pois se1 por um lado1 as innovaes e progressos podem vir das naes mais peritas em ,agricultura at ao casal mais embrenhado nas serras1 como1 pela irrigao1 as aguas1 hauridas das entranhas da terra1 vo desde o tanque que as recebe1 at ao p da plantinha mais afastada na fazenda1 por outro lado1 e em compensao1 todas as phases e circumstancias das culturas parciaes1 nas suas ultimas ramificaes1 convergiro1 por que assim o digmos1 para o sensorio commum do ,districto1 habilitando-o d'est'arte a raciocinar1 com exaco e segurana1 sobre as necessidades e conveniencias de todos e de cada um4 99 99 99 99 99 ,a estas propostas1 pede o rigor logico ajuntemos outra1 que lhes valer de complemento natural4 ,esta proposta1 a mais importante de todas quantas se podem fazer1 a creao de um ,ministerio dos negocios da ,agricultura4 ,n'este ,ministerio se centralisariam as luzes de todas as ,sociedades-mes4 ,n'elle1 como em um espelho concavo1 se reuniria1 transmittido por ellas1 o conhecimento preciso de todas as fraces topographicas do ,paiz2 e1 como de um espelho convexo1 d'elle se dispartiriam para os pontos mais remotos1 como para os mais proximos1 providencias salvadoras4 ,o ,ministro da ,agricultura1 lavrador elle mesmo1 comporia a sua ,secretara de homens da sua confiana1 de reconhecida honra1 patriotas1 amantes da terra1 agricultores1 proprietarios ruraes1 ou naturalistas4 ,auxiliado pelas luzes de taes empregados1 pelas luzes e communicaes da ,imprensa1 e pelas representaes das ,sociedades-mes1 elle poderia no s dar quotidianamente mil providencias importantes comprehendidas nas suas attribuies1 mas ainda apresentar ao ,parlamento grandes projectos para ,leis salvadoras1 que no tardariam a ser sanccionadas4 99 99 99 99 99 ,resummos-nos1 e terminemos4 ,portugal est pobre2 no tem para pagar as dividas2 no tem para se manter2 e de anno para anno se deteriora a sua sorte4 ,o presente um martyrio3 o futuro1 que deve resultar da continuao de tal presente1 horrorisa a imaginao4 ,portugal est desatado2 ha insociabilidade1 ha odios mutuos e acerbos1 e que1 herdados e transmittidos pela educao1 se tornaro ainda mais implacaveis4 ,portugal 7consequencia legitima das duas verdades precedentes7 tem a sua moralidade relaxada1 ou perdida4 ,o instincto de vida lhe est aconselhando ,agricultura1 como riqueza1 como vinculo1 como civilisao4 ,portugal tem terras1 que pedem braos e populao1 e tem muitos milheiros celibatarios ociosos1 que folgariam de as cultivar2 tem um ,exercito1 que o devora1 tanto quanto o podia opulentar1 e cuja existencia se no abona por nenhuma sincera considerao de independencia1 de paz1 ou de ordem publica4#a ,a philosophia1 que festejou a abolio total das ,ordens religiosas1 a despeito de to fortes argumentos moraes e juridicos1 requer1 sob pena de flagrante inconsequencia logica1 a secularisao d'estes conventos militares4 ,quem expulsou os ,frades1 do claustro para a fome1 por que no convidaria os ,soldados1 do quartel para a lavoira8 ,o paralello entre os ,soldados e os ,frades poderia ser extenso1 e conteria um grande poder de argumentao a fortiori2 mas obvio2 qualquer por si o far em querendo4 ,portugal tem1 afra o ,exercito1 um crescido numero de individuos e de familias1 que definham1 que1 litteralmente falando1 morrem fome4 ,qual d'essas familias1 qual d'esses individuos1 recusaria um torro1 fosse onde fosse1 se todo o torro1 com a boa vontade1 meza posta8 ,dados ,agricultura operarios1 que existem1 e que lhe falecem1 ella mesma pela sua energia vital intrinzeca se desenvolveria1 pois vemos que assim mesmo1 ao acaso e desajudada1 l comea a revolver-se para se querer alevantar4 ,as ,sociedades promotoras augmentariam e dirigiriam essa mesma energia1 chegando com a sua aco1 de um lado pelas ,sociedades secundarias1 at aos casaleiros2 do outro lado1 pelo seu crdito1 pelas suas relaes1 pelo seu valimento1 at s ,camaras legislativas e ao ,governo4 ,o ,ministerio dos negocios da ,agricultura daria unidade aos movimentos d'este vasto e bello corpo4 ,ento o futuro estaria conquistado1 as dividas mortas1 os males sanados e esquecidos4 ,ento haveria fora publica1 porque haveria f2 haveria em todos os coraes amor da ,patria1 porque haveria a todos os olhos uma ,patria para amar4 ,a guerra interna seria impossivel4 ,a guerra externa1 se podesse jamais accommetter-nos1 veria rebentar da terra exercitos invenciveis1 porque defenderiam as suas lareiras1 as suas hortas1 e os seus filhos4 ,o ,thesoiro trasbordaria para todas as artes preciosas da paz1 porque haveria fontes perennes e copiosas para a sua alimentao4 99 99 99 99 99 ,ser isto uma utopia8 ,utopia6444 ,a utopia1 a chymera1 o absurdo1 pretender colher fruto de arvore sem raiz e carcomida de musgo2 presumir1 que a um edificio arruinado se acode remendando lhe com barro1 aqui e acol1 as paredes exteriormente2 cuidar1 que se ressuscitar um afogado calcando-o para o fundo do lodo1 e lanando-lhe penedos para cima4 ,a utopia1 a desgraa1 e a miseria1 crer que as palavras1 as estenographias1 os algarismos1 so capazes de crear coisa alguma4 ,creadores1 abaixo de ,deus1 no os ha seno o campo1 e o amor4 ,o senso commum o sabe1 e a ,historia no sabe outra coisa4 ,feliz o ,deputado1 que entrasse pelas salas do ,parlamento com um projecto de organisao agricola1 egual ou semelhante a este1 e1 levantando o por cima da sua cabea1 exclamasse3 ,por amor de vs e da vossa descendencia1 salvemos a ,patria1 hoje que ainda tempo4 ,adiemos1 por consenso unanime1 todas as outras questes alcunhadas maximas4 ,decidida esta1 todas se havero n'ella resolvido4 ,setembro de #ahdh ,,notas ,,de ,,rodap3 #a ,na ,revista ,universal1 artigo #acgh do #b4 volume p pondermos falando no oramento do ,ministerio da ,guerra4 ,,iv ,continuao ,,summario ,a organisao de ,sociedades1 j proposta1 no se deve regeitar1 ainda que se reconhea por defeituosa4--,deseja o autor1 que todos os homens de algum poder sejam utopistas como elle4--,liga promotora dos ,interesses materiaes do ,paiz2 seu ,elogio1 com uma restrico4--,um ,banco para adiantar dinheiro aos lavradores far muito beneficio1 mas s quando ,parlamento e ,governo agricolas houverem proporcionado ao lavrador instruco1 dado proteco aos seus trabalhos1 aberto caminho1 sahida1 e emprego aos seus productos4--,outra vez ,sociedades agricolas4--,propem-se succintamente alguns alvitres4--,os estatutos das ,sociedades uteis no pagarem direitos4--,a importao de coisas uteis ,agricultura1 premiada4--,premios aos melhores lavradores1 aos introductores de novidades agrarias1 aos autores e traductores de obras agronomicas praticas4--,quintas exemplares4--,mandae mancebos a outros paizes1 habilitar-se para vir ensinar ,agricultura4--,escolas de ,agricultura volantes4--,projecto de ,lei de premios4--,ordem do ,arado4 ,a organisao que deixmos proposta susceptivel de modificaes e melhoramentos2 firmemente o acreditmos4 ,que se segue d'ahi8 que se regeite1 porque em vez de optima s boa8 porque em vez de boa s medocre8 ,absurdo4 ,a consequencia discreta e prudente que1 examinada1 se emende2 emendada1 se approve2 approvada1 se experimente2 e confirmada pela experiencia1 se conserve1 se radique1 se abene1 e se aproveite4 ,no vir porm prematuro o alvitre8 ,no estaremos cantando alvoradas a quem no est para acordar8 ,ainda mal1 que bem pode ser isso verdade6 ,n'esse caso1 desde j acceitmos1 antes que nol-o imponham1 o epitheto de loucos2 costumado e universal castigo de toda a vontade generosa1 que primeiro mette o p vereda que algum dia tem de ser estrada4 ,oxal1 todavia1 que alguns loucos sublimes1 convencidos1 como ns1 de que j no temos salvao possivel seno pela ,agricultura1 e de que ,portugal1 como o ,antheu da fabula1 derrubado pelo ,hercules do luxo1 s da terra pode reassumir as perdidas foras1 appaream intrpidos a apostolar ,agricultura2 uns na ,imprensa1 que a grande charrua de desbravar entendimentos2 outros na tribuna1 que onde a raso publica se concentra em ,lei2 outros no ,governo1 que onde at sem ,lei1 no s ha1 se no que sobram1 foras para o bem2 outros finalmente1 e sobretudo1 entre os cabeas administrativos1 e os cabeas espirituaes do ,povo4 ,para esses irmos nossos em caridade e em patriotismo1 que vamos ainda escrever algumas poucas linhas das nossas solitarias utopias4 ,semeie o homem1 que ,deus a seu tempo far nascer4 99 99 99 99 99 ,n'este momento lemos com a mais viva satisfao1 em carta que nos chega de ,lisboa1 o seguinte3 ,para melhorar a nossa ,agricultura organisou-se agora aqui uma ,sociedade1 ou1 por melhor dizer1 ,companhia1 com o titulo de ,liga promotora dos ,interesses materiaes do ,paiz1 presidida pelo sr4 ,ayres de ,s ,nogueira4 ,o fim agricola4 ,j celebraram duas sesses no salo grande do theatro de ,d4 ,maria ,,ii4 ,na ultima leu o ,presidente um projecto1 que reputava ancora de salvao1 segundo o qual se deve crear um ,banco rural em ,lisboa1 com o fundo de vinte milhes1 em dinheiro1 inscripes1 aplices1 tendo este ,banco filiaes em todas as terras do ,reino4 ,bemvindo seja1 e vingue1 e prospre abenoado nas terras de ,portugal1 este tutelar pensamento6 ,filho elle1 talvez1 do que j em #ac de ,fevereiro d'este anno se propunha1 se acceitava1 e se applaudia na ,sociedade promotora da ,agricultura ,michaelense1 e que os nossos leitores se recordaro haver lido a paginas #cf e #cg do jornal d'aquella ,sociedade 7,assignalamos esta circumstancia1 porque1 se o alvitre foi de gloria para ,san-,miguel1 a adopo do alvitre bom no honra menos a ,portugal7#b4 ,sim2 esta uma providencia1 que alegra1 e retinge de esperanas bem verdes o solo sobre que se alevanta2 como nuvem chuvosa1 que se estende sobre o terreno requeimado e empobrecido do estio2 todos os rostos se riem sua aproximao2 os visinhos do aos visinhos os parabens2 todos saem alvoroados a receber-lhe as primeiras aguas2 os rebanhos1 mesmo a festejam2 as aves a cantam1 sacudindo as azas humidas2 pela superficie da vegetao corre um frmito voluptuoso4 ,sim2 grande e grandioso o beneficio2 mas ser elle bastante8 no3 as necessidades agrarias so variadas1 numerosas1 digamos infinitas4 ,mal se acode a uma1 se a todas se no acode2 pelo menos a muitissimas e s principaes4 99 99 99 99 99 ,suppomos1 imaginamos j1 o oiro e a prata a choverem porta do lavrador na vespera da sementeira1 da plantao1 do arroteamento2 e que digno uso far o triste rustico d'esses meios de aco1 d'essas foras que se lhe liberalisam1 d'essa colheita1 que se lhe antecipou ao trabalhar1 se lhe minguam luzes de sciencia alheia1 ou sua1 que o dirijam8 vontade intima1 que lhe d impulso8 certeza1 ou quasi certeza1 de consumo ao que vai produzir8 ,que far emfim1 se1 ainda tendo tudo isto1 ,leis viciosas o avexarem no seu officio1 lhe arrancarem os operarios e os filhos para a milicia1 lhe multarem com tributos o suor1 como se devra multar a ociosidade1 o luxo1 e os vicios1 e lhe exposerem a herdade a ser talada pela guerra civil1 os bois do seu arado comidos1 as ovelhas do seu adubo espingardeadas1 o carro e as arvores do seu pomar convertidos em fogueiras para aquecer a tropa rta1 ou a guerrilha descala e bandoleira que transita8 ,n'uma palavra3 que aproveitar que o predio se lhe desentranhe em frutos1 como uma cornucopia1 se a estrada para o mercado no existe1 se o rio convisinho1 que deve transpr1 no tem ponte1 se o que podia carrear-lhe os moios se obstruiu1 e apodrece dormente pelas margens usurpadas8 ,eis aqui chagas velhas1 asquerosas1 e envenenadas1 que a nossa ,agricultura padece em todo o corpo1 e para cujo curativo no sufficiente balsamo um ,banco rural4 ,se de veras queremos ser salvos1 no ha remedio seno soccorrermo-nos a uma reforma e organisao franca1 sincera1 absoluta1 cabal1 completissima3 ,crtes mais lavradoras que financeiras2 mais lavradoras que politicas2 ou antes muito politicas por muito lavradoras2 ,leis agrarias1 e mais ,leis agrarias2 e para todas as anti-agrarias suppresso e execrao2 um ,ministerio da ,agricultura fecundo1 dadivoso1 vigilante1 e incanavel como o seu objecto2 e1 sobretudo1 associao universal dos homens bons1 dos homens intelligentes1 dos homens de sciencia1 dos homens de fortuna1 dos homens de aco1 dos homens de valimento1 dos homens patriotas1 dos homens de bem1 dos homens homens1 finalmente4 ,repitmol o1 ainda a risco de enfadar1 e repitmol-o1 porque ,evangelho3 no ha sacrificio1 que1 por grande1 se deva recusar terra1 pois ella s que possue o segredo1 que os estadistas procuram cegamente nos livros e nos calculos4 ,no no perseguir uns1 no divinisar outros1 e no trocar todos com perpetuo e devastador fluxo e refluxo2 no associal-os entre si1 e reconcilial-os com a me-,terra1 que est a condio facillima de todas as venturas4 99 99 99 99 99 ,as ,sociedades promotoras1 quaes as havemos bosquejado1 seriam para o lado dos operarios rusticos pharol1 bussola1 thesoiro1 conselho1 estimulo1 proteco1 refugio1 canal para a entrada dos gados1 das sementes1 dos instrumentos novos1 e para a sahida e venda dos productos4 ,para a parte dos que governam seriam no menos pharol1 no menos bussola1 no menos thesoiro1 no menos conselho1 no menos estimulo1 no menos proteco1 no menos refugio1 no menos segurana e felicidade2 pois que a felicidade e segurana dos governantes1 s da felicidade e segurana dos governados se compe1 e s d'ellas se pode compr4 ,assumpto era este para interminaveis commentarios2 mas estreiteza de papel1 mas estreiteza ainda peor de vontade em quem nos ha-de ler 7ou no ler7 nos acovarda4 ,dizer tudo1 no o podemos2 tudo calar no nol-o soffre o corao4 ,vamos cerrar em epilogo mais algumas lembranas1 que ahi fiquem j1 de proposta considerao das futuras e das presentes ,sociedades agricolas1 do futuro ,ministerio da ,agricultura1 dos ,deputados1 e da ,imprensa4 99 99 99 99 99 ,i--,se a associao a me dos prodigios2 se os que se associam do1 por voluntario tributo1 tempo1 trabalho1 despezas1 a um interesse publico2 no repugnante contradico que o ,governo1 representante natural de todos os publicos interesses1 lhes carregue ainda os onus1 e1 a troco de uma illiberalissima sanco de seus estatutos1 de uma inintelligivel licena para existirem1 lhes exija nas secretarias uma avultada somma pecuniaria8 ,no deveriam antes as associaes agricolas1 as industriaes1 as artisticas1 as litterarias1 e ainda as de mera e honesta recreao1 ser to livres como so em nossas casas os convites1 os bailes e os festejos8 ,e ainda mais3 as uteis no mereceriam1 em vez d'esta compresso nascena1 premios e louvores segundo a sua importancia8 ,,ii--,a introduco de tudo quanto pode contribuir para o aperfeioamento da ,agricultura no deveria ser1 da mesma sorte1 no s isenta de direito1 seno ainda premiada8 ,,iii--,no seria sobre modo util legislar mais premios1 para os que no trato da ,agricultura se extremassem8 ,quem universalisou a cultura da batata1 seno o premio8 ,no deveria semelhantemente havel-os para todos os primeiros introductores de novidades agrarias1 para os autores1 mesmo para os traductores1 de escriptos agronomicos de uso pratico1 verbi-gratia imprimirem-se-lhes gratuitamente esses escritos pela ,typographia ,nacional8 ,,iv--,no j tempo para a creao de quintas exemplares8 ,v--,no seria ajuizadissima providencia enviar mancebos1 previamente habilitados1 matricular-se nas escolas agrarias praticas das naes adiantadas1 os quaes1 depois de viajadas a ,frana1 a ,allemanha1 a ,inglaterra1 a ,italia1 a ,suissa1 se recolhessem mestres e regeneradores para entre os seus conterraneos8 ,,vi--,os lavradores1 os camponezes em geral1 dir-se-hia que1 semelhantes s plantas1 lanam no sei que raizes no torro nativo4 ,a ideia de se desviarem1 mesmo para perto e para pouco tempo1 lhes repugna2 o seu viver tem as demarcaes da sua fazenda4 ,e depois1 fallecer-lhes-hiam os haveres1 para se irem to longe escola rural2 os haveres1 e o animo tambem1 que entretanto ahi lhes ficava a herdade sem tutella1 a casa sem escora1 os paes alquebrados dos annos1 sem bordo nem companhia4 ,no fra logo uma providencia to santa como philosophica e fecunda1 fazer d'esses regressados viajantes--agrnomos1 professores ambulantes de ,agricultura1 que se fossem de ,districto em ,districto1 e de ,provincia em ,provincia1 doutrinando como ,apstolos8 assentando hoje aqui a sua escola1 sombra da arvore rustica no alto do oiteiro1 e tomando para thema da prgao os predios circumjacentes2 os mais bem cultivados1 assim como os mais errados e perdidos8 d'aqui a um mez1 mais longe1 em cima das mdas da eira1 por uma noite de luar1 adubando os preceitos1 no meio dos ouvintes apinhados1 com episodios da sua ,odyssa por terras alheias1 com apraziveis digresses1 sempre bem vindas1 sobre a ,sabedoria e ,liberalidade ,divina8 ,como os ,apstolos antigos1 estes evangelisadores do trabalho1 em toda a parte assignalariam com milagres a sua passagem2 as gandaras se transformariam em seras debaixo de seus ps1 em pomares e mattas por cima de suas cabeas2 os baldios1 em pastagens2 os gados famintos1 em lustrosos rebanhos e manadas2 a arca mal cheia1 em celleiros atulhados2 a bora sem conduto1 em meza saborosa2 a choa lodacenta1 em casinha de sobrado e vidraas1 com dois ou tres livros para o sero1 um leito alvo e ffo para a noite1 e um oratorio1 sempre enfeitado de flores frescas1 para as aces de graas quotidianas4 ,tudo isto1 que infinito para a felicidade1 o haveria feito o passeio de um s homem pela provincia4 ,quando elle houvesse passado1 mandasseis muito nas boas horas o exactor dos tributos2 no havia de voltar com as mos vazias4 ,,vii--,seja-nos permittido citarmo-nos a ns mesmos1 transcrevendo para este papel de consciencia o que em outro papel1 tambem de consciencia1 escreviamos em #ag de ,abril de #ahde1 por occasio do relatorio do ,baro ,thnard sobre a admiravel ,exposio da ,industria franceza n'esse anno4 ,o conselho que ento davamos1 ninguem dir que fosse insensato1 nem vergonhoso ou ruim de receber1 nem que1 recebido1 podesse ser improductivo2 e entretanto4444 soou no deserto2 no encontrou um s ecco pelo ,parlamento1 nem pelo ,governo1 nem pela ,imprensa2 ainda dormiam todos4 ,agora que j a miseria cresceu1 em tres annos1 mais tres seculos1 repetimol-o4 ,pode ser que j alguem tenha acordado4 ,oxal63 ,reflicta-se no exemplo d'aquella grande ,nao1 a ,frana1 e cuide-se em o imitar4 ,l a par da inveno1 apparece constantemente o premio4 ,convidar e abrir salas aos productos da ,industria1 alguma coisa 1 mas no basta4 ,para os espiritos capazes de crear1 seja em que genero fr1 no ha estimulo como o do premio honorifico2 e o premio honorifico1 as medalhas de oiro1 de prata1 ou de bronze1 recebendo-se como thesoiros1 podem custar pouquissimo a quem as d4 ,tantos no so os premiaveis n'este pequeno ,reino1 que hajam taes premios de montar a muito2 e oxal que subissem a contos de ris6 ,a esta verba nova de despeza do ,estado corresponderia outra de receita milhares de vezes maior4 ,fundada no exemplo da ,frana1 dos ,estados-unidos etc41 parece-nos que nenhum servio mais relevante poderia fazer a ,sociedade promotora da ,industria nacional1 do que offerecer ao ,governo1 para elle apresentar s ,crtes1 um projecto de ,lei de premios para os inventos e aperfeioamentos4 ,a nossa proxima futura ,exposio poderia sahir dez vezes mis esplendida e animadora1 que a passada4 ,e no conviria at1 e no seria inteiramente conforme com o espirito d'este seculo1 crear uma ,ordem nova especial para os benemeritos da ,industria1 como nos tempos guerreiros se creavam tantas para os extremados no exforo8 ,ser mais honrosa1 e ser sobre tudo mais util1 a heroicidade militar1 que o engenho creador e renovador da terra8 ,assim bradavamos ns em favor de todos os generos de ,industria4 ,hoje limitamos o requerimento ,industria me de todas3 ,agricultura4 99 99 99 99 99 ,homens1 que o ,povo escolhe e envia1 e a quem paga1 para lhe formulardes em ,leis a sua vontade1 mostrae-vos dignos de to alta misso2 decretae a ,,ordem ,,do ,,arado4 ,outubro de #ahdh4 ,,notas ,,de ,,rodap3 #b ,pode consultar-se o ,agricultor ,michaelense1 publicao mensal1 orgam da ,sociedade1 n4 #b1 de ,fevereiro de #ahdh4 ,refere-se ,castilho a uma proposta do seu consocio ,jos do ,canto1 intitulada ,banco ,rural4 ,,nota ,,dos ,,editores ,v ,crtes agricolas ,,summario ,a ,patria est em perigo2 deve-se deixar de curandeiros4 ,o campo e o trabalho ho-de salval-a4--,singular historia de um mancebo ,inglez4--,o regresso da ,agricultura no desagradavel1 nem vil1 nem rude2 e o unico possivel para ns4--,desenvolve-se a j tocada idia de ,crtes de lavradores4--,prova-se1 que s por este meio teremos ,governo1 que merea o nome de representativo4--,quadro de um tal ,parlamento4 ,no saimos da cabeceira da nossa querida e atribulada enferma4 ,foi poderosa1 opulenta1 rainha1 e bella2 jaz sem foras1 nua1 desprezada1 e agonisante2 s a belleza no perdeu ainda4 ,de mais1 nossa me4 ,d'ella e n'ella nos formmos e nos nutrimos2 d'ella recebemos a vida1 a fala1 as oraes da infancia1 os conhecimentos1 os brases1 as glorias de todo o genero2 d'ella os objectos de todas nossas affeies mais intimas4 ,o seu ser o nosso ser2 os seus infortunios so nossos2 a nossa prosperidade seria a sua4 ,gratido1 piedade1 interesse1 sentimento religioso1 nos obrigam a no desamparar a ,patria1 em quanto respira4 ,superior a ella1 no ha seno o genero humano1 como acima do genero humano s ha ,deus4 ,mas1 pela admiravel harmonia1 com que a universalidade das coisas est ligada1 no s a ,deus e ao genero humano serve quem serve ,patria1 se no que serve ainda familia1 e ao seu proprio individuo4 ,irmos1 no nol-o dissimulemos3 a enfermidade de nossa me grave2 os seus males1 complicados e antigos2 o seu virar-se e revirar-se to a miudo1 sem poder estar de lado algum1 prova desequilibrio geral nos principios vitaes4 ,se a queremos salvar1 e salvar-nos1 no ha remedio seno lanar fra todas as beberagens1 com que medicos e charlates nol-a teem peorado de dia para dia1 e recorrer a novo tratamento4 ,mas qual8 o que muitas vezes tem salvo a doentes j desenganados da medicina3 os ares e os exercicios do campo4 99 99 99 99 99 ,um mancebo ,inglez1 nobre1 opulento1 e excessivamente mimoso da fortuna1 via-se chegado pelos prazeres insensibilidade1 e pelo abuso da vida ao inevitavel termo d'ella4 ,a ,natureza o abandonava2 a alma se lhe anoitecra2 no corao mesmo no lhe vicejava j um s desejo1 a no ser o vago instincto de existencia1 que o ultimum moriens4 ,nem a mocidade nem a fortuna tinham j foras para reanimar a sua victima4 ,a sciencia1 baldadas as derradeiras tentativas1 lhe voltra as costas confusa e desconsolada4 ,no era um moribundo aquelle homem2 era um morto4 ,para ser enterrado s lhe faltava o acabar de cahir4 ,em ,paris estava2 estatua entre danas2 acipreste entre flores2 holocausto entre fragrancias e musicas2 e o seu derradeiro sol ia pr-se4 ,reune os servos2 despede se d'elles1 que choram recebendo os copiosos effeitos da sua liberalidade4 ,cerra n'um cofre os papeis1 algumas joias1 e um retrato de mulher formosa444 que se esquece de beijar2 e1 guardando a chave1 entrega ao seu hospedeiro este deposito1 com tal declarao de ultima vontade3 --,se eu no voltar dentro em um anno1 arrombae este cofre2 arrecadae para vs as preciosidades que n'elle achardes2 o de mais1 que vos seria inutil1 remettei para ,londres pessoa que ahi mesmo fica designada4 ,no era ainda passado o anno1 e j todos1 os que o haviam conhecido1 consagravam saudade e algumas lagrimas444 7talvez uma lagrima7 ao prematuro e ignorado fim de um mancebo amavel e bom1 a quem a felicidade se azedra em morte4 ,eil-o que reapparece1 como que de baixo da terra6 ,mas quo outro6 reverdecido e florescente6 o rosto alto2 as faces risonhas2 os olhos vvidos2 andar ligeiro2 todos os movimentos faceis e graciosos4 ,o semblante crestado revla que foi o sol e a ,natureza quem o retemperou4 ,pede o seu cofre2 abre-o com alvoroo2 d as joias ao seu depositario fiel2 mas o retrato4444 beija-o com lagrimas1 com alegria1 com soffreguido6 ressuscitra-lhe o corao com a saude4 ,que feiticeira1 ou que magico1 operou tamanho prodigio8 o ,,trabalho1 e a ,,natureza4 ,o pouco vigor que lhe restava1 empregou-o1 como quem pe a ultima pea de cobre n'um jogo de parar1 na tentativa de um viver duro e sbrio2 metteu-se s estradas1 obscuro moo de cavalgaduras2 sujeitou-se a todos os caprichos dos viajantes1 das estaes e do acaso2 despejou a p1 a lguas e lguas1 e muitas vezes de um s flego1 os caminhos mais asperos1 como os suaves1 por soes e chuvas1 por neves e ventanias2 dormiu contente onde a sorte lh'o deparou3 aqui sobre o feno1 ou ao lume2 alm entre lenoes2 mais longe na terra nua e humida2 a fome1 cosinheiro optimo1 lhe temperou o po negro e os legumes grosseiros2 o costume dentro em pouco lhe tornou agradavel o remedio1 a principio amargoso4 ,o exforo1 que lhe reconquistra a existencia1 ficou para lh'a guardar4 ,a historia d'aquelle mancebo podra ser lio para ,naes4 ,o luxo e o desconcerto tambem as matam1 como aos individuos4 ,tambem1 como aos individuos1 o ,trabalho e a ,natureza as podem ressuscitar4 99 99 99 99 99 ,de mais1 a occupao agricola para um povo nem sequer desabrida4 ,se tem espinhos4444 verdura1 flores1 e frutos lh'os disfaram4 ,se a sua lida continua1 a variedade a acompanha2 se lhe chamam canceira1 ella saude2 se pobreza1 ella a fonte de todos os haveres2 se obscura e humilde1 ella a menos dependente2 se rude1 ella a mais cheia de conhecimentos praticos1 a mais visinha do ,creador1 e1 como tal1 a mais fecunda em inspiraes4 ,accrescentemos que para ,portugal no ha j hoje outra occupao possivel4 ,a conquista8 no4 ,os descobrimentos8 no4 ,as minas8 no4 ,a industria8 no4 ,as nossas conquistas1 os nossos descobrimentos1 as nossas minas1 a nossa industria1 o solo da ,patria4 o unico mister para que ainda nos restam braos1 instrumentos1 foras1 e liberdade4 o unico lavor1 em que nenhumas invejas estrangeiras perigosas ho-de vir perturbar-nos4 ,o ,sceptro de ,d4 ,affonso ,henriques1 e o de ,d4 ,manuel1 perderam-se2 o de ,d4 ,jos quebrou-se4 ,sceptro1 e no escrneo1 s pode ser hoje no ,throno ,portuguez o de ,d4 ,sancho ,i1 e o de ,d4 ,diniz4 99 99 99 99 99 ,em um dos nossos precedentes artigos suscitmos a ideia de ,crtes lavradoras4 ,este assumpto1 que desde ento no cessmos ainda de considerar1 cada vez se nos representa mais fundamental1 e mais ponderoso para a nova e desejada reformao2 e isto por muitas rases2 mas principalmente porque por ,leis novas que a ,agricultura s pode ser protegida3 e essas ,leis1 quanto mais agricola for o ,parlamento que as dictar1 tanto mais concretas e acertadas ho-de sahir4 ,quem primeiro estreou na terra virgem o arado creador1 primeiro aos homens deu macio sustento em aureas messes1 e em meditadas ,leis costumes1 ,patria1 ,cres foi2 tudo ddiva de ,cres4 ,so palavras postas bem dignamente na bocca de uma das ,musas por um dos maiores poetas do mundo1 por ,ovidio1 que amava e praticava tambem a ,agricultura1 e1 onde convinha1 sabia elevar-se ,philosophia4 99 99 99 99 99 ,como faremos ns1 porm1 para que o ,parlamento se componha de verdadeiros representantes dos interesses agricolas8 ,excellentemente2 facillimamente3 associando-nos desde j1 por toda a parte1 para trabalharmos para as primeiras eleies nacionaes em sentido nacional4 ,que as sociedades secretas enredem e machinem1 no esconderijo das noites1 para a candidatura dos seus politicos4 ,reunmo-nos ns1 ao olho do sol dos domingos1 depois da ,missa do dia1 sobre a relva do adro de cada ,parochia rural1 a discutir qual dos visinhos o que melhor cultiva a terra da ,patria1 o que tem mostrado mais sincero amor lavoira1 aos operarios1 aos filhos1 e a toda a familia2 mais caridade para com os indigentes1 mais desvelo para com os animaes do seu uso1 mais observancia das ,leis1 mais actividade no grangear1 mais innocencia e concerto no viver4 ,descobertas essas phnices 7que existem1 e depressa se descobrem7 dmo-nos fortemente as mos para no commettermos a outrem os mais caros dos nossos interesses4 ,famos d'estas listas de consciencia1 que possam entrar sem vergonha na urna1 s ento propriamente collocada na casa de ,deus e da orao4 ,e em verdade3 com que despejo se ousa ainda1 depois de vinte e oito annos de experiencia e demonstrao#c1 chamar representante ou mandatario1 de ,ga ou dos ,aores1 o homem1 de quem os ,aores e ,ga no ouviram jmais falar1 e que nem talvez1 em carta geographica1 jmais os visse6 ,como veio o alemtejano procurador de ,traz-os-montes1 e o minhoto do ,alemtejo1 e quasi sempre o lisboeta de toda a parte1 quando o triste 7ou antes o alegre7 tudo ignora de todo o ,reino1 afra os corredores de ,s4 ,carlos1 as alamedas do ,passeio ,publico1 as galerias de ,s4 ,bento1 e as arcadas do ,terreiro do ,pao1 d'onde se sobe para as secretarias onde se requer8 ,eleies de faco4 ,eleies de dependencia4 ,eleies de compra1 ou de compadria4 ,eleies sem cr1 ao menos1 de verosemelhana ou possibilidade4 ,eleies sem eleio4 ,eleies verdadeiramente fabricadas nas trevas1 e para trevas4 ,comedia1 que seria para rir1 se no fosse para chorar1 e mais van cem vezes que as dos tablados1 pois que ahi1 ao menos1 se o actor no a personagem que representa1 apparece falando acertadamente como ella1 e advogando nos termos proprios os seus interesses4 ,fazem-no assim os representantes parlamentares8 ,pedi1 a uma e uma1 a cada ,provincia1 que vos mostre o rol dos beneficios1 de que foi devedora s diligencias da maior parte dos desconhecidos mandatarios em quem votou4 ,uma reforma para fazer1 at por ,lei1 seria que ninguem podesse dar o seu suffragio a cidado fora do seu districto demarcado4 ,ento sim1 que poderia existir de veras representao nacional4 ,os subornos seriam ainda possiveis1 assim como os enganos de vontade1 e as fraudes2 mas do mero possivel ao certo1 ao constante1 ao inevitavel1 vai infinita distancia2 e de dois methodos viciosos 7mormente onde se trata da felicidade de um ,povo7 sempre ao menos vicioso que se deve dar a preferencia4 99 99 99 99 99 ,ao ,governo monarchico absoluto pz a philosophia uma accusao peremptoria2 a saber3 a falsidade manifesta1 e conseguintemente a nullidade1 do seu fundamento unico1 o ,direito ,divino4 ,aos olhos d'essa mesma philosophia1 como poderemos ns sustentar o chamado regimen liberal1 se a sua base1 tambem unica1 a representao do ,povo1 fr manifestamente uma chimera8 ,ha ahi quem negue que ella o seja8 ,onde est elle8 em que parcialidade8 e como o provaria8 ,confessemos1 meus amigos1 que todos havemos peccado at hoje um grande peccado contra a ,liberdade e contra a ,patria1 e contra a nossa consciencia1 e contra o senso commum4 ,confessemol-o1 que ser nobre1 e sobre tudo ser util1 a confisso1 pois a ella se poder seguir a vergonha1 vergonha a emenda1 e emenda o remedio4 99 99 99 99 99 ,as sociedades eleitoraes1 uma vez instituidas1 poderiam estender a sua aco benefica a muito mais que escolha e nomeao dos ,legisladores4 ,no falamos j nas ,juntas de ,parochia1 cujas attribuies1 em ponto pequeno1 so relevantes2 mas as ,camaras dos ,municipios no so talvez de menos importancia que o ,parlamento mesmo2 j pela sua influencia1 mais ou menos directa1 na feitura dos ,deputados1 e na formao da ,junta geral do ,districto e do ,conselho de ,districto1 isto na aco legislativa e na administrativa1 j pelas suas proprias attribuies municipaes1 isto maternaes1 domesticas1 e economicas4 ,em quanto s se procurarem campees da ,politica para ,vereadores1 como geralmente se costuma1 os campos e as aldeias1 a lavoira1 e mil pequenas industrias1 s tero padrastos em vez de paes4 ,n'uma palavra3 ,para que o ,systema representativo seja uma realidade1 uma formosura1 uma salvao2 para que se coadune com o entendimento1 com a vontade1 com os multiplicadissimos interesses de todos2 no s util e necessario1 indispensavel1 que os cargos electivos1 de qualquer natureza que sejam1 se dem segundo as aptides1 para bem se preencherem sem respeito algum s opinies politicas1 nem indifferena e incredulidade1 pois muita gente ha ahi hoje1 e da melhor em consciencia e em patriotismo1 a quem to longas decepes tornaram incrdula1 e apparentemente indifferentista sobre os negocios publicos4 ,no nos explicmos bem4 ,ha muita gente1 que1 enfadada de ver a ,politica substituida constantemente pela individualidade1 as coisas pelas pessoas1 e os principios pelas ambies1 no vai enxovalhar o seu patriotismo na tauromachia das eleies1 nem nas orgias dos clubs2 conserva latente1 e como que de reserva para melhores tempos1 o seu patriotismo2 mas que1 chegada a hora de o mostrar por obras1 o presentar inteiro1 energico1 productivo1 desinteressado1 incorruptivel1 e inquebrantavel4 ,eis ahi1 sobre tudo1 os salvadores de que havemos grandemente mistr para ,deputados1 para ,vereadres1 para ,conselheiros de ,districto1 para membros da ,junta geral de ,districto1 e das ,juntas de ,parochia1 em summa1 para todos os postos que forem electivos1 desde a base at ao vrtice da pyramide2 e oxal que electivos fossem todos os cargos1 havendo1 por toda a parte para as eleies a confederao1 que propomos1 dos homens sinceros1 de bem1 e patrioticos6 assim como oxal no houvesse um s cargo electivo em quanto a eleio fosse uma mentira e uma injuria6 injuria tanto para os que diante da urna arremedam votar1 lanando listas que no leram1 como para aquelles sobre quem taes escolhas recaem2 como para quem1 no fundo de espeluncas1 fabricou a seu bel praser essa expresso de uma vontade popular que no existe4 ,este alvitre1 este conselho1 esta supplica1 que a philosophia1 que a honra1 que o santo amor da ,patria dirigem a todos e a cada um de ns1 s os ambiciosos vs1 s os mal amigos da ,patria1 s os insensatos1 os poderiam repellir4 ,maravilhosamente salutares para os governados1 elles o so no menos para os governantes4 ,o ,rei1 o ,ministerio1 que por esta estrada franca e descoberta uma vez se resolvessem a caminhar1 seriam o mais popular e o mais abenoado dos ,reis1 e o mais duradoiro de todos os ,ministerios4 ,as revolues no nascem de mais de tres causas3 o horror instinctivo do homem para com o engano1 para com a violencia1 e para com a fome4 ,o ,governo representativo1 assim1 no seria uma burla2 as consciencias fariam a sua obra sem coaco2 e1 por uma consequencia necessaria1 ,leis boas trariam por toda a parte abundancia1 e com ella contentamento e bons costumes4 ,o ,povo1 que no jamais suicida1 e tem um maravilhoso instincto do bem1 defenderia como arca de alliana o ,governo que a taes destinos o houvesse conduzido4 444 ,deus nobis hc otia fecit4 99 99 99 99 99 ,limitemo-nos porm ao nosso ponto primario1 ,crtes agricolas1 pois1 conseguidas ellas1 por ellas1 que fazem as ,leis1 facilmente se conseguiro todas as outras necessarias innovaes4 ,seja pois o incanavel empenho das sociedades eleitoraes1 que desde j se devem formar1 o contrabalanar1 vencer1 e destruir1 a influencia malfica das sociedades eleitoraes j existentes1 secretas ou publicas1 mas todas ellas exclusivamente politicas2 diversas entre si1 e at inimigas mutuas1 mas todas comprovadamente impotentes para bemfazer4 vista da incontestabilidade de ser a ,agricultura a que s nos pode restaurar1 poderia perguntar-se3 ,no conviria votar unicamente em agricultores para ,deputados8 ,a nossa opinio que o ,parlamento deve conter de tudo2 sem o que1 no seria representao nacional2 e por outra parte1 a no ser assim1 se acharia carecente de muitos conhecimentos necessarios4 ,entretanto1 pela mesma raso de dever elle ser representao nacional1 deve compr-se de lavradores a sua grande maioria1 pois ou em exercicio1 ou em propriedade1 lavradora 1 e lavradora deve ser1 a pluralidade da nossa gente4 ,entretanto1 como as nossas associaes eleitoraes no ho-de ser as unicas a trabalhar1 como as do egoismo mal entendido e incorrigivel ho-de sempre existir1 e sollicitar com tanto mais fora1 quanto mais se sentirem contrastadas pelas nossas diligencias1 prudentissimo arbitrio fra que nos cerrassemos ns outros em esquadro1 para s votarmos em lavradores1 e1 quando muito1 em um ou outro industrial benemerito e de esperanas4 ,felizes1 ainda assim1 se os nossos eleitos constituissem a maioria1 e se os exforos e machinaes dos inimigos s lograssem pr na teia parlamentar a proporcionada e necessaria mescla dos outros interesses secundarios6 99 99 99 99 99 ,outra considerao1 que muita fora nos faz para instarmos pela maioria agricola no ,congresso1 que1 mesmo para s equilibrar os interesses da terra com todos os outros bem ou mal entendidos interesses1 indispensavel que os partidarios dos primeiros sejam muito mais numerosos que os dos segundos4 ,a ,arithmetica1 com parecer de exaco absoluta1 1 por via de regra1 em coisas moraes1 a mais erronea de todas as medidas4 ,as decises por votos nol-o provam a cada hora3 nas assembleas dez podem ser mais que cem1 e todos os dias o so4 ,christovo ,colombo era um s contra toda uma armada2 ,galileu um s contra todo o mundo3 e todavia1 com um s voto contra tantos1 a ,america descobriu-se1 e a ,terra move-se4 ,no pretendemos inferir d'aqui o absurdo de que se outorgue a palma s minorias2 a nossa consequencia d'aquelle principio inquestionavel que n'uma corporao destinada a um grande fim social1 mas que por fora tem de ser composta de elementos heterogeneos1 alguns nullos1 e no poucos hostis1 se os presumptivos partidarios da boa causa so por sua natureza menos atrevidos e influentes que os seus antagonistas1 s pelo excesso do numero que podero compensar o que em foras e importancia lhes fallea2 e portanto1 se ambicionmos que triumphe a boa causa1 temos de fazer pela quantidade d'elles a compensao da sua qualidade4 ,os filhos dos campos1 qualquer jerarchia1 educao1 illustrao1 que alis lhes supponhmos1 teem1 em toda a parte1 em presena dos filhos das ,cidades1 um no-sei-qu de pudor e timidez1 que parece ser fruto indigena da solido4 ,como as creanas e as mulheres1 perdem elles metade das suas foras e recursos naturaes1 logo que sentem que so observados4 ,a duplice desconfiana em que esto1 por uma parte1 da sua rudez1 por outra1 da superioridade e maligno escarneo dos bem falantes1 lustrosos1 e regalados moradores das cidades1 onde elles s entram como fornecedores e servos1 quebra-lhes metade da sua energia varonil4 ,creados com o falar sbrio1 cho1 e sem atavios1 no s a eloquencia dos fazedores de phrases os deslumbra1 mas at a verbosidade esteril os enleia e os sophisma2 esgrimindo com arrogancia1 se os no convence1 muitas vezes lhes desarma o bom senso1 s forte da sua fora intrinzeca4 ,finalmente1 a tatica e estrategia parlamentar1 sciencia occulta que se no aprende em poucos dias1 por mais predisposio que se tenha para desleal e ruim1 ho-de sempre trazer o pobre aldeo sincero como vendido1 romper-lhe as fileiras no fervor do combate1 voltar-lhe as armas contra si1 precipital-o em ciladas1 converter-lhe a miudo a victoria ganha em derrota1 endoidecel-o1 desgostal-o1 e pl-o em fuga para o seu campo amado1 que o conhece1 e que d'elle conhecido1 e para entre os seus visinhos1 cujos enganos elle sabe antever e illudir4 por tudo isto que1 se o numero os no affoitar1 elles sero sempre derrotados2 e o beneficio1 que ,patria poderiam fazer1 se mallograr a despeito das suas consciencias1 sans como os seus ares1 e das suas rases1 robustas1 mas informes como os seus troncos4 ,estas ,crtes levariam ainda muitas outras vantagens a quantas para ahi se nos teem feito em nosso nome4 ,as provincias1 pelo trato mutuo dos seus representantes1 ficar-se-hiam conhecendo2 fraternisariam2 aprenderiam1 umas de outras1 com que adiantar ou aperfeioar as suas culturas4 ,seria applicar primeira das artes beneficios proporcionaes aos que as luzes superiores teem ultimamente recebido dos ,congressos scientificos4 ,ainda mais1 e ainda melhor3 o ,rei1 que tudo deve presencear1 e no pode demover-se do seu ,throno1 ouviria e veria d'est'arte as provincias2 abrangeria com a imaginao1 com o amor1 e com as providencias1 alguma coisa mais que o recinto confuso da sua ,capital4 99 99 99 99 99 ,pintae1 meus amigos1 desde j1 na phantasia1 o que sero taes ,crtes1 se a ,divina ,bondade nol-as tem de outorgar3 ,homens fortes1 sizudos1 vestidos do seu linho1 e modestas lans fiadas e tecidas por suas filhas e companheiras2 condecorados1 no com fitas1 mas com os honrosos calos da charrua2 no frizados pelo cabelleireiro parisiense1 mas com o semblante bello de hombridade1 e crestado dos soes2 sem pomposos nomes herdados1 mas creando cada um d'elles um1 de que seus descendentes se no ho-de envergonhar4 ,madrugam para o grangeio da ,patria1 como l costumavam fazel-o para o da fazenda2 aproveitam em cheio as horas1 como nos dias apressados da sementeira4 ,as suas vozes1 sem outras entoaes que as da convico e do affecto1 expem as verdades com a graa inimitavel da nudez1 como na eira do seu casal deixavam espairecer sem vestidos os seus filhinhos e netos4 ,os seus discursos so como os seus predios3 frutos1 e no jardins2 po1 gado1 azeite1 vinho1 madeira de crte1 em vez de flores ephmeras e estreis4 ,as suas argumentaes no lh'as ensinou a logica das assemblas1 essa perigosa tintureira de verdades e mentiras2 dos factos positivos lhes saem sem exforo as consequencias1 como do gro do trigo a espiga do trigo1 do caroo a arvore1 e do amor dos homens a virtude4 ,os talentos1 as boas vontades1 as emprezas promettedoras1 no expiraro mingua2 elles sabem que uma pouca de rega tem dado vida e fruto a muito pomar4 ,no mesquinharo os salarios ao trabalho1 mas exigiro que o trabalho os merea1 porque ouviram ao seu ,pastor ler no ,evangelho1 que se no deve amarrar a bocca ao animal que est suando na debulha4 ,no sorriem com philosophica sobranceria do que se refere ao unico principio slido de toda a moral humana2 elles presencearam sempre1 assim como o carvalho da serra e a hervinha emboscada no vallado1 que luz e calor no procedem seno de cima4 ,ao votar1 no interrogam os olhos ou os acenos de ninguem2 perguntaram elles jamais se se devia plantar na estao propria1 ou se ao rebanho sequioso se havia de dar de beber8 ,os motivos ruins1 no os entendem2 que insensato dispz nunca tojos e espinheiros na herdade amanhada para o manter8 ,o medo das contrariedades no lhes tolhe pugnar pelo que de sua natureza prestadio2 esto affeitos a ver as intempries das estaes ameaarem a sera1 e a sera1 por derradeiro1 encher a tulha4 ,ignoram a sciencia dos financeiros1 mas sabem que a diligencia e a boa-f grangeiam cabedaes4 ,os pontos duvidosos1 meditam n-os antes de os decidir1 como antes de comprar uma courella examinavam comsigo e com os visinhos a indole do cho1 as conveniencias e as desconveniencias do seu fabrico4 ,no armam fama1 nem trepidam diante das injurias2 as phrases dos periodicos malignos1 como as dos lisonjeiros1 lhes resvalam pelo ouvido sem entrar2 ha-de-se deter a junta de bois no meio do sulco1 porque zuniu o mosquito8 ,no fim de cada sesso1 retiram-se contentes do que fizeram1 para meditarem1 cada um a ss1 com o seu entendimento e corao1 o que lhes resta para fazer4 ,o amor do genero humano o seu ultimo pensamento antes de adormecer2 a ventura da sua aldeia1 da sua provincia1 e da ,patria1 o seu sonho de toda a noite1 de todas as noites1 e de todos os dias4 99 99 99 99 99 ,oh6 meu abenoado ,parlamento de lavradores6 ,semelhante ao enxame industrioso1 vs fabricareis sem estrondo1 do que ha mais bello e amavel sobre a terra3 para ella o oiro liquido e medicinal do mel1 para o ,ceo os santos lumes dos altares4 ,como vs1 todos ns gosaremos da doura que houverdes preparado2 s os zangos vos odiaro4 ,a vossa ,rainha1 no cimo da colmeia1 feliz e abenoada1 no ter inveja aos maiores ,soberanos4 ,oh6 podesse ,ella1 entre os seus innocentes e maternaes sonhos de ante-manhan1 perceber1 levados por algum ,genio de amor1 uns eccos sequer d'estes nossos votos6 ,o seu entendimento avaliaria quanto ha de intrinzeca bondade1 e de affecto aos homens1 e de devoo para com ,ella mesma1 n'estes votos de ,portuguez4 ,a felicidade de um ,povo1 e a de quem o rege1 so uma e indivisivel4 ,novembro de #ahdh4 ,,notas ,,de ,,rodap3 #c ,castilho comea aqui a datar o aprendizado constitucional desde a revoluo de #ahbj4 ,,os ,,editores4 ,,vi ,o ,clero1 e as ,mulheres ,,summario ,na obra proposta1 para todos ha tarefa3 a dos escriptores semear a palavra4--,defensa e apologia do ,clero2 necessidade e modo de o reformar4--,os ,bispos1 eleitos pelo ,povo1 apresentados pelo ,governo1 confirmados pelo ,pontifice4--,um ,seminario para cada ,bispado1 em que se ensinem1 com as sciencias moraes e mysticas1 os rudimentos das sciencias terrestres mais necessarias4--,as ,parochias providas pelos respectivos ,bispos1 e modo como4--,vantagens que d'ahi resultaro4--,justo panegyrico das mulheres4--,reivindicao para ellas do direito de votao4--,bens1 que de um tal acto de justia deveriam advir sociedade4 ,os pensamentos do nosso corao acharam eccos2 porque o santo amor da terra e dos homens no morre nunca4 ,o fogo existia2 a nossa voz no fez mais do que assoprar de cima de uma parte d'elle a cinza que o occultava4 ,com to felizes auspicios1 como poderiamos ns deixar de proseguir8 ,prosigmos2 no j a sonhar em voz alta1 mas em voz alta a meditar1 a propr1 a pedir4 99 99 99 99 99 ,concordes estamos 7dir-se-hia que por uma inspirao salvadora1 baixada na hora da angustia sobre todos ns ao mesmo tempo7 concordes estamos1 e convencidos1 de que s a associao das nossas foras1 to malbaratadas at agora em mutuamente se espedaarem1 e apesar d'isso ainda to grandes1 to sufficientes para uma faanha2 applicando-se com f1 com ardor1 com perseverana1 ,agricultura1 pode no s aguentar as nossas cidades1 que a lano e lano se desabam1 mas fundal-as novas1 dilatar e multiplicar as aldeias1 engrinaldadas de vegetao frutifera1 transformar a guerra em amor1 a mendicidade em trabalho1 o roubo1 a venalidade1 a agiotagem1 a alcunhada politica1 e a prostituio1 essas outras mendicidades1 muito mais torpes e odiosas1 em honesta e folgada vida1 em produco1 em virtude1 em paz1 em contentamento1 em gloria1 em liberdade1 em poderio4 ,fomos um grande ,portugal2 em nossa mo est sermos1 e breve1 um ,portugal ainda maior1 mais formoso1 mais seguro1 mais festejado1 mais attractivo para estrangeiros1 mais hospedador de suas prendas1 de suas artes1 de suas sciencias1 de sua multiplice civilisao4 ,queirmos2 queirmos de veras4 ,congreguemo-nos fraternalmente2 os dos campos1 nos campos2 os da cidade1 com os olhos n'elles4 ,lavremos e semeemos todos2 uns com o ferro e o gro1 outros com o oiro1 outros com a doutrina1 que tambem oiro2 os legisladores com as ,leis2 os magistrados com a proteco2 e ns1 ns os apstolos descalos1 a quem a ,providencia recusou terra1 oiro1 sciencia1 e autoridade1 mas a quem1 em compensao de tudo isso1 outorgou alguma alma e muitissimo amor1 ns os escritores1 semeemos tambem alguma coisa no cho da ,patria1 a que j est impendente larga beno de regenerao3 semeemos a palavra4 ,que nenhum de ns se acovarde por desconfiana de sua fraqueza2 que nenhum sonegue o que tem por verdade1 com medo de que os poderosos lh'o desprezem1 os nescios lh'o impugnem1 e os malignos lh'o escarneam4 ,onde a boa vontade nos houver illudido1 valer-nos-ha ella mesma de excusa2 e1 falta de approvao1 conciliar-nos-ha o tacito affecto dos homens de bem4 ,quanto a ns individualmente1 asss havemos j provado n'estes artigos1 cujo fio vamos seguindo1 quanto1 apesar de conhecermos melhor que ninguem a nossa incompetencia1 e a confessarmos a cada hora1 propomos com lisura e franqueza1 o que julgamos poder salvar a nossa moribunda4 ,nem a lisonja1 nem contemplaes pusillanimes1 nem medo a ruins interpretaes1 nem a indifferena d'aquelles mesmos por quem fazemos votos1 nos demoveram ainda do nosso proposito1 atrevido talvez1 mas honrado de certo4 ,com egual abnegao1 com egual soltura1 com ainda maior convico1 pois nos cresce de mez para mez1 continuaremos a lavrar o nosso testamento de ,portuguez1 estas desenfeitadas linhas1 mas para ns mais amadas1 que toda quanta poesia nos florejou a mocidade4 99 99 99 99 99 ,para dois pontos convocamos agora a atteno sizuda das nossas futuras ,sociedades promotoras da ,agricultura1 do ,parlamento de lavradores1 que os seus esforos nos ho-de produzir1 do ,ministerio da ,agricultura1 que esses legisladores ho-de fundar1 e finalmente do proprio ,throno2 para o que1 novamente rogamos a todos os nobres missionarios da ,imprensa levem os nossos alvitres1 corroborados com o seu saber1 e ungidos com a sua eloquencia1 at onde o humilde e longinquo da nossa voz os no deixaria penetrar4 ,estes dois assumptos1 ambos grandes e ambos esquecidos1 ambos de summa importancia1 assim para o mal como para o bem1 e ambos injusta e cruelmente desprezados1 so3 o ,,sacerdocio1 e as ,,mulheres4 99 99 99 99 99 o ,sacerdocio ,catholico uma instituio eminentemente social1 e cuja origem divina 1 por isso mesmo1 impossivel no reconhecer4 ,no renovaremos n'este logar disputaes intempestivas1 e j exhaustas1 sobre os beneficios e as calamidades1 de que em tal ou tal paiz1 em tal ou tal seculo1 o ,clero tem sido1 voluntaria ou forada1 activa ou passivamente1 causador4 ,esses argumentos de alguns factos 7ou de muitos factos7 contra theses universaes e duas vezes millannarias1 no podem servir para mais1 que para lhes realar a evidencia4 ,quanto mais os da escola fossil de ,voltaire1 quanto mais os anachronicos citadores do ,citador1 e os mui respeitaveis ,compadres do ,abb ,laurent1 esperdiarem o seu engenho para nos afeiarem em romances obscenos a vida licenciosa de um ou de outro1 ou de muitos ,sacerdotes2 quanto mais nos affirmarem1 sob sua palavra honrada1 e vista de umas estatisticas que s elles possuem1 que o numero d'estes discolos infinito2 tanto mais1 sem o sentirem1 sem o quererem1 engrandecem a fora intrinzeca e divina de uma instituio1 que1 desde o tempo dos ,apstolos at ns1 ainda no cessou de ser havida por mantenedora da arca-santa da ,f e dos costumes4 ,se ella fosse humana1 se ella fosse sobretudo r da millionesima parte dos crimes e horrores1 que os seus adversarios 7vares probos e honestissimos67 lhe assacam1 como haveria resistido a dezoito seculos8 a trezentas revolues na politica1 e outras tantas nas ideias8 aos vaivens das seitas1 e das chamadas philosophias8 s minas surdas do indifferentismo8 ao fanatismo sanguinario de alguns de seus membros1 e perfidia e desero de tantos outros8 ,neros e ,sardanaplos appareceram mais de uma vez na cadeira de ,s4 ,pedro4 ,mos em vo sagradas cavaram masmorras e accenderam fogueiras2 seguraram os pulsos a povos1 para que tirannos os agrilhoassem2 afiaram os punhaes e as espadas para guerras fratricidas2 e a ,sciencia1 filha do ,ceo como a luz1 em nome do ,ceo a perseguiram4 ,e entretanto1 atravez d'esses arroios de sangue e lagrimas1 e d'esses montes de cinzas e ruinas1 o esquadro candido dos ,levitas continuava a sua peregrinao para o ,ceo1 abenoando1 e abenoado2 penitenciando se em segredo pelos maleficios de que era innocente2 vertendo lagrimas e chrysma sobre as feridas de seus irmos2 semeando na terra desconsolada o amor e as esperanas4 ,ao notarem ignorancia e corrupo no ,clero1 os semi-philosophos imprevidentes votam1 sem hesitar1 a sua abolio4 ,os sabios1 isto os prudentes e amigos da humanidade1 calculam caladamente3 o que se tornaria o rebanho1 privado de pastores6 os costumes1 sem doutrina nem censura6 as penas sem conforto6 as prosperidades e soberbas1 sem contrapezo6 os seis dias da terra1 sem um dia do ,ceo6 ,depois1 comparam essa corrupo e essa ignorancia 7desgraadamente muito certas7 com a corrupo e ignorancia ainda maiores de quasi todos os inimigos da ,egreja2 e1 convencendo-se de que o mal no sem cura1 propem1 em vez de exterminio1 que sempre o primeiro recurso dos barbaros3 contra aquella ignorancia1 luz de sciencia2 contra aquella dissoluo1 outra vez luz1 disciplina1 e vigilancia4 ,no est o remedio em fechar a residencia parochial1 depois de expulso d'ella o ,cura indigno1 deixando muda e s escuras a casa da orao4 ,no est em despejar os paos episcopaes1 para morada e pagode de especuladores enriquecidos1 e as cathedraes para quarteis1 theatros1 ou serrarias de madeira4 ,est1 sim1 em precaver por ,leis sabias1 como sem custo as ha-de fazer o nosso ,parlamento agricola1 que os ,bispos e ,parochos sejam sempre o que o seu nome1 o seu caracter1 a ,lei da sua instituio1 a utilidade1 a necessidade1 e a vontade do ,povo1 e a sua propria consciencia1 lhes ordena que sejam4 ,ser isto exequivel8 sim1 sim2 e tanto1 e por to faceis meios1 que o que s admira e espanta no se achar j de muito em execuo1 em praxe1 e em costume4 ,o primeiro ponto1 o primeiro passo1 a primeira condio impreterivel para esta reformao to necessaria e to urgente1 quer a consideremos luz do ,co1 quer dos interesses temporaes1 a boa escolha dos ,bispos4 99 99 99 99 99 ,foram os ,bispos1 nos seculos doirados da ,egreja1 e nas terras onde ella mais floresceu1 eleitos1 cada um pelo proprio rebanho a que havia de presidir#d4 ,nada mais liberal1 nada mais natural e justo1 nada mais conveniente1 que essa usana2 nada mais digno de se ressuscitar n'uma edade1 que blasona de liberrima e philosophica4 ,a nomeao dos ,prelados pelo ,chefe do ,estado civil1 e s dependente da sanco do ,pontifice1 sanco em que tantas contemplaes1 tantos motivos extranhos ao merito real1 podem influir1 1 mesmo para os entendimentos mais myopes1 viciosa1 e mais que arriscadissima a desacerto4 esta uma verdade1 que 7ainda mal67 os factos teem repetidamente confirmado4 ,que de vezes uma parcialidade vencedora1 j para recompensar1 j para predispr servios profanos e profanissimos1 no tem enviado das catacumbas facciosas para os thronos episcopaes1 ora lobos1 ora apestados e leprosos1 ora defuntos6 mos geladas para as boas obras6 coraes gelados para os bons desejos6 linguas geladas para as palavras de amor6 ,o ,co nos defenda de citar exemplos2 e para qu8 ha ahi quem os no conhea1 e os no deplore8 ,escolhido1 ou pelos ,ecclesiasticos do ,bispado1 e em escrutinio secretissimo1 aquelle d'entre seus membros1 que por virtudes1 luzes1 patriotismo e prudencia1 notavelmente se avantaja1 ou 7melhor e mais liberalmente ainda7 votado tambem em escrutinio secreto por todos os fieis da ,diocese1 assim de um como de outro sexo1 n'esse devemos presumir que est a idoneidade para o grande sacerdocio1 para a relevantissima magistratura do ,episcopado4 ,o juizo do ,povo haver sido o juizo de ,deus4 ,ao ,chefe temporal do ,estado1 liberto assim de uma responsabilidade tremenda1 s resta levar com alegria a santa proposta aos ps do ,throno do ,vigario de ,christo1 para impetrar obra terrestre a sanco suprema1 e no desligar o interesse da parte1 do formoso e admiravel systema da unidade catholica4 ,sagrados nas sdes de todas as egrejas ,prelados de to altos abonos1 logicamente indispensavel deixar-lhes as mos livres para o seu lavor1 que infinito e complicadissimo4 ,e quando no1 consideremos1 com madureza1 o que um homem collocado no centro de muitos milhares de homens1 para acudir a todas as necessidades espirituaes1 e a grande numero das temporaes1 umas e outras imperativas1 e sempre recrescentes4 ,a ,orao ,dominical cifra o seu espantoso encargo4 ,os seus primeiros predecessores1 os ,apstolos1 viveram e morreram a cumpril-o4 ,christo mesmo no curava s as almas1 se no tambem os corpos2 prgava as virtudes1 e ao mesmo tempo multiplicava o po e os peixes no deserto1 e o vinho nas bodas4 ,o seu ,precursor na ,lei escrita1 ao mesmo passo que dava os mandamentos do ,sinai1 e extirpava a idolatria1 libertava o povo do captiveiro1 desentranhava os rochedos em fontes1 o co em man e em aves1 as nuvens em luz1 debellava a peste1 e encaminhava os peregrinos para a ,terra da promisso e da abundancia4 ,tudo isto1 que fez ,moiss1 que fez ,jesus1 e em que os ,apstolos o imitaram1 tudo isto ha-de emprehender1 e ha-de conseguir at s raias do impossivel1 o ,prelado que fr digno da sua misso4 ,mas como bastariam dois unicos braos1 uma s lingua1 para tanto instruir1 e para tanto obrar8 ,de nenhuma sorte4 ,o amor1 mesmo no homem1 pode no ter limites2 mas teem-n-os as fras4 por isso1 que de cada ,s brotaram em de redor d'ella quantidade de ,parochias1 como da arvore boa se transplantam ramos para lhe continuarem e multiplicarem os frutos em muitas partes ao mesmo tempo4 ,a voz do grande ,pastor1 repetida pelos seus coadjutores1 fez-se ouvir at da ovelha mais desgarrada1 no reconcavo dos valles1 ou no cume das serras2 e os beneficios das suas mos1 transmittidos por mos fieis1 poderam diffundir-se para todos os quatro ventos do co at ao horizonte4 ,d'esta simples considerao se deriva inquestionavelmente1 que1 sendo os ,parochos nada menos que delegados e representantes dos ,bispos1 como os ,bispos o so de uma ,providencia paternal1 e necessitando o ,chefe conhecer e reconhecer1 animar1 e dirigir constantemente aos seus immediatos mandatarios1 so elles tambem1 elles ss1 livres1 liberrimos1 independentes1 os que os devem educar1 preparar1 eleger1 conservar1 suspender1 ou excluir4 logo necessario1 que o ,governo temporal seja por ,lei inhibido de prover as freguezias2 direito ou costume esse1 ao qual principalmente se deve imputar a odiosa ruindade1 e incapacidade absoluta1 de tanto e tanto ,parocho1 que1 mais que os livros dos impios1 teem em toda a parte concorrido para o descredito da ,religio4 ,o ,governo s deve1 quando muito1 superintender1 como vigia supremo do ,estado1 no comportamento dos ,curas de almas como cidados1 e no que o seu officio tiver de puramente secular4 ,o de ,cesar1 a ,cesar2 o de ,deus1 a ,deus4 ,nada mais orthodoxo4 99 99 99 99 99 ,assim como ao obreiro1 para se lhe poder tomar conta da obra1 se ho-de primeiro dar materiaes e instrumentos1 assim a cada ,bispo ho-de umas ,crtes de juiso conceder1 no em vans promessas escritas1 mas effectivamente1 com que organisar e manter um ,seminario1 com mestres a todos os respeitos dignissimos2 de fora da ,diocese1 se n'ella os no ha2 de fora do ,reino1 se os no ha no ,reino4 ,para aqui1 mos largas6 mos rtas6 mos prodigas1 se licito dizel-o6 que a mis nescia de todas as economias a que nega adubo1 sementes1 e rega1 ao solo de que pretende fruto4 ,oh6 de que desperdicios no tem j sido causa a no entendida palavra economia6 ,sob os olhos do ,bispo1 medraro alm de toda a esperana estes viveiros de ,parochos1 educados na theoria e pratica da ,sciencia ,divina por mestres1 que sero ao mesmo tempo seus exemplares4 ,elles ahi aprendero1 com as sciencias moraes e mysticas1 o que hoje seria imprudencia1 temeridade1 e infamia1 querer d'ellas apartar3 aprendero as sciencias1 que renovam e regeneram a terra1 e que1 matando a perguia e a penuria1 aplanam1 atravz de uma bemaventurana passageira1 o caminho para outra1 que no finda2 a hygiene2 os rudimentos da medicina domestica1 e da veterinaria2 a agricultura e a physica2 as noes geraes da jurisprudencia do ,estado1 e os deveres politicos2 um pouco da economa publica1 muito da caseira2 os methodos mais faceis de ensino para as materias mais necessarias2 em summa3 habilitar-se-ho para poderem e quererem ser1 em tudo1 o opposto a muitos dos deploraveis ,parochos dos nossos dias4 ,entre os ,clerigos1 alumnos de um mesmo ,seminario1 instruidos nas mesmas materias1 e pelos mesmos professores1 ha-de haver differenas de genios1 de gostos1 de talentos1 de virtudes4 ,cada individuo tem a sua organisao2 cada educao de infancia affeia para o futuro um diverso homem4 ,differenas1 como as que se notam nos individuos1 existem no menos entre as povoaes4 ,o ,bispo1 que1 durante o longo curso de estudos1 haver podido reconhecer e verificar a aptido especial de cada um dos seus alumnos1 saber depois distribuil-os segundo o caracter e necessidades das ,parochias3 para a mais inerte e atrazada1 o mais progressivo e emprehendedor2 para a mais licenciosa1 o mais modesto2 para a mais indigente1 o mais caritativo2 para a mais aspera1 o mais soffredor2 o mais conciliador para a mais desavinda2 o menos rustico e o mais instruido para a mais cortesan4 99 99 99 99 99 ,imaginae 7se tendes imaginao que abranja o infinito7 imaginae o que viro a ser1 em alguns annos1 as freguezias1 mormente as ruraes1 presididas por taes vares4 ,a ,f se reanimar1 menos pela eloquencia das homilas1 que pelos milagres da caridade4 ,pelos predios sorrir a abundancia1 pelas vidas a harmonia4 ,apertar-se-ho os laos entre os membros de cada familia1 os dos visinhos com os visinhos1 os dos cidados com os seus concidados4 ,a semana deslizar1 como um ramal de horas de prata1 nas festas da lavoira e da industria2 o domingo nas festas do ,senhor1 e nos folguedos innocentes1 que a ,religio permitte e ama1 e nos quaes se prepara o casto amor que reproduz as familias1 e se podem exercitar a graa e dextreza corporal1 que realam a obra-prima do ,creador4 ,vde como sombra fresca da parreira do presbyterio1 no vero1 e no inverno ao lume da sua cosinha terrea1 veem contentes as creanas aprender1 ora as letras1 as contas1 e a escrita1 ora o cathecismo1 ora os deveres sociaes em historias singelas e amoraveis6 ,ouvi como dos mesmos labios1 que distribuem o biscato da alma a aquelles passarinhos implumes1 sai o conselho de paz1 que solda1 melhorada1 a amisade entre os desavindos1 o consolo para o corao viuvo1 a correco benevola1 mais efficaz que a severidade1 a esperana precursora da ,providencia e aurora da esmola1 aqui uma consulta sobre o praso e melhor modo de uma plantao1 de um crte de madeiras1 ou do encaminhar as aguas de uma rega1 ali uma supplica de filho1 cujo pae cahiu com uma dor ou accidente repentino1 e que no sabe como lhe acuda em quanto o medico no chega6 ,todas as linguas fala o ,parocho1 excepto a da maledicencia4 ,para os males que no admittem remedio1 ainda elle sabe e applica um balsamo3 a conformidade4 ,o presbyterio a crte do logar1 com ser a mais pobre casa de todo elle4 ,todos l vo1 tributar respeito ou pedir graas4 ,os grandes saem d'ali maiores porque aprenderam a humildade2 os ricos1 mais ricos porque aprenderam a dar2 os infelizes1 serenados porque viram um ,anjo4 ,governantes1 este homem no far eleies1 mas far subditos fieis1 cidados pacificos e laboriosos4 ,no mentir em favor vosso1 mas tambem contra vs no mentir4 ,se jamais no ,sacrificio da ,ara se implorou com fervor paz e concordia1 d'aquella bocca se ho-de elevar quotidianamente taes oraes1 como perfume de incenso sem mistura4 ,esquecei esse monarcha de espiritos no meio do seu povo2 elle vos serve com mais zelo do que vs mesmos vos servis4 ,em torno d'elle intercede-se cada noite pela vida de bons e maus4 ,em quanto elle respirar1 sabei que ha no ,reino um recanto1 em que a indigencia mesma no amaldia4 ,os filhos se ufanaro de haver sido por elle baptisados2 os esposos1 de lhe terem recebido a beno2 os moribundos1 de lhe exhalarem no seio a alma1 por elle j desenleada de espinhos1 e j de antemo coroada das aucenas do ,ceo4 ,estes sero necessariamente os ,parochos procedentes das escolas d'aquelles ,bispos4 ,uma ,lei de homens1 mas de homens sos e sizudos1 haver creado uma semelhana de paraizo4#e 99 99 99 99 99 ,falmos do sacerdocio de ,deus2 falemos do da ,natureza2 falemos das ,mulheres4 ,um phenomeno moral dos mais inexplicaveis1 a dependencia1 a sujeio1 a especie de tutella ignominiosa da mulher em todos os paizes1 em todas as edades1 em todos os graus da civilisao4 ,nascido d'ella1 creado por ella e para ella1 referindo a ella quasi todos os seus trabalhos1 pensamentos1 e ambies1 proclamando-a soberana1 acatando-a quasi como uma semi-divindade terrestre1 o homem no canou ainda de tratal-a de facto como serva4 ,o seu nome triumpha na lyra dos poetas2 as suas graas1 na tela dos pintores e no marmore dos estatuarios2 o seu credito1 na lana dos antigos paladins1 na pistola e espada dos modernos duellistas2 a sua appario na sociedade recebida com murmurio festivo e lisonjeiro1 como a da aurora na espessura a que ella traz vida4 ,se desprende a voz1 a razo parece mais bella passando pela sua bocca2 a virtude perde o seu azedume2 um feitio indefinivel lhe careia todos os animos2 o tumulto se apaziga2 os vicios grosseiros escondem o rosto e emmudecem at a deixarem passar4 ,o rasto de aromas1 que os seus cabellos e os seus vestidos deixam apoz si1 no egualam ao vago e voluptuoso affecto1 que o mais leve dos seus movimentos coou at ao fundo dos coraes4 ,respeita-se-lhe o juiso2 ama-se-lhe o espirito1 a modestia1 a decencia1 os instinctos bons1 nobres e generosos1 a timidez que no exclue a heroicidade4 ,colhem-se-lhe as palavras benevolas1 como diamantes que se enthesoiram e defendem com ciume2 fazem-se os maiores sacrificios para lh'as merecer4 ,o mais soberbo sente-se ufano no dia em que obtem a sua mo2 o mais avaro daria metade dos thesoiros pelo seu primeiro suspiro1 e os thesoiros todos pelo seu primeiro beijo2 o mais sabio a consulta1 como a melhor e menos fallivel poro de si mesmo4 ,n'uma palavra3 o mais grave dos nossos interesses1 a primeira educao moral dos nossos filhos1 a quem commettida8 dir-se-hia que a nossa alma1 ainda tenra1 se nutre no seio da sua1 como entre os seus braos bebemos no leite de seus peitos o seu amor4 ,e todavia444 ,abri os codigos de todo o mundo1 e perguntae-lhes o que este ente1 complexo de tantas maravilhas1 creado para companhia do homem1 mas depois do homem1 como elle o fra depois dos brutos1 e os brutos depois dos entes insensitivos4 ,todos os codigos vos respondero3 uma escrava4 ,e alguns3 uma victima4 ,os trabalhos continuos1 obscuros1 e inglorios1 so a sua vida2 e a sua morada um carcere4 ,aqui1 a excluem dos recreios mais honestos2 alm1 a punem com o ridiculo1 se deixa respirar o seu talento2 uma decencia convencional e tirannica lhe impe silencio quasi continuo4 ,a aco1 o passo1 o dito mais indifferentes1 lhe so interpretados4 ,as ,universidades lhe esto fechadas2 defezas as magistraturas e os tribunaes2 inaccessiveis o fro e a tribuna4 ,s da caridade1 dos hospitaes1 das escolas de infancia1 e do claustro da orao1 a no poderam excluir4 ,que dizemos6 no s a ,asia as vende1 como se vendem as flores para os regalos dos opulentos1 e a ,inglaterra as deixa vender nos seus mercados como animaes de carga1 se no que a propria ,frana1 a patria da cortesia e do melindre1 a terra em que ellas mais imperam sobre as artes1 o gosto1 e a sociabilidade1 a ,frana mesma1 lhes impe nas suas ,leis obediencia e respeito s vontades de um marido4 ,da sujeio filial1 a unica reconhecida pela ,natureza1 l passam para o captiveiro conjugal4 ,o anel de um noivado o primeiro de um grilho muitas vezes insoffrivel1 e que nenhumas foras lhes podero quebrar4 ,o nome do seu senhor lhes para logo imposto em vez do paterno2 a marca1 o ferrete do dominio2 marca indelevel1 que sobreviver ao possuidor1 e que s um possuidor novo encobrir1 substituindo a esse nome o seu nome1 e tirannia extincta uma segunda tirannia#f4 ,ainda cercemos o desenho2 ainda enfraquecemos as cres do quadro2 mas no haver corao generoso1 que ao encaral-o no estremea4 99 99 99 99 99 ,o ,homem ,deus redimiu as naes do predominio romano1 do fatalismo1 e das paixes divinisadas2 sublimou1 sobre tudo1 os pobres e os perseguidos a grau de humanos1 e de mais que humanos4 ,a philosophia moderna restituiu a liberdade natural ao pensamento4 ,a politica1 sua filha1 desatou o jugo de ferro da cerviz dos povos1 e o atirou feito pedaos para o abysmo do passado4 ,a philanthropia1 ou talvez a especulao1 aboliu a escravaria das povoaes negras4 infancia mesma vai chegando o que possivel de emancipao2 asylos e escolas a convidam a instruir-se2 e ao aoite1 que d'antes lhe desfolhava os brios em flor1 succederam a affabilidade e os carinhos1 to necessarios aos pequeninos como o po4 ,que dizemos8 at para os irracionaes pululam na ,europa sociedades protectoras4 ,e a ,mulher86 ,a ,mulher1 nossa me1 nossa esposa1 nossa filha1 nossa irman1 a ,mulher1 nossa ama1 nossa educadora1 nossa ecnoma1 nossa enfermeira1 a ,mulher que nos civilisa1 que nos adoa1 nos encaminha1 nos aconselha1 nos acompanha e consola nos trabalhos1 nos reala e requinta as alegrias1 a ,mulher1 que no vive1 que no quer1 que no pode viver seno para ns1 que nos soffre e nos perdoa de continuo1 a ,mulher que toda amor1 e a mais brilhante revelao do ,co1 a ,mulher444444 ainda escrava6 escrava em plena ,europa6 em pleno ,christianismo6 quasi como na ,africa e na ,asia sob os influxos do ,koro6 escrava como na ,india1 como na ,china1 como na ,tartria1 como na ,turquia1 como na ,russia1 como entre os selvagens errantes1 como entre os ,romanos barbaros1 escrava1 como sempre e em toda a parte6 99 99 99 99 99 ,j que ellas se no queixam 7pobres victimas s feitas para soffrer67 ousemos ns defender os seus interesses apesinhados2 e no contra os nossos1 se no ainda em nosso beneficio4 ,parlamento das nossas esperanas1 congresso de lavradores1 atrevei-vos a uma ,lei1 que vos doire na ,historia1 e vos immortalise4 ,decretae1 depois de seis mil annos1 ,a ,,alforria ,,da ,,mulher4 ,no so a milicia1 as magistraturas1 os governos das provincias1 que para ellas vos pedimos2 no so as cadeiras de legisladores1 nem as do magisterio2 n'uma palavra3 no so nenhuns dos cargos1 que a prepotencia lhes disputaria1 e de que a ,natureza as tornou isentas 7no por fracas1 no por inferiores em espirito1 mas porque foram fadadas para mes74 ,dae-lhes porm o que sem injuria no poderieis recusar-lhes3 reconhecei-lhes1 como a seus esposos1 como a seus paes1 como a seus filhos1 o direito de suffragio4 ,de que poderieis vs arrecear-vos franqueando-lhes o caminho urna8 ,no teem ellas tanto interesse como ns1 em que ,leis sabias rejam1 e homens sabios administrem8 ,no zelaro ellas o bem da terra em que vivem seus consortes e a sua prole8 ,no so ellas dotadas para avaliar os meritos1 para estremarem a verdade e a impostura1 de uma maravilhosa sagacidade1 occulta arma defensiva com que a ,natureza as premuniu contra as offensivas do nosso sexo8 ,no vivem mais longe do tumulto da praa1 que a ns outros tanta vez nos desvaira1 lanando-nos em turbilhes1 j de odios1 j de amores insensatos e contradictorios8 ,no teem innatamente1 alm do instincto da harmonia1 o espirito da justia8 ,no foi j por isso1 que nas antigas allianas entre ,carthaginezes e ,gallos se estabeleceu1 que1 onde de parte a parte recrescessem rases de queixa1 fossem arbitros1 por ,carthago os seus magistrados1 pelas ,gallias as suas mulheres8 ,mas--vos segredaro alguns com maligno sorriso--conhecem ellas o grande jogo da ,politica8 fazem ideia do que seja a ordem publica8 com quem o aprendeu a sua roca para lh'o ensinar8 ,no1 homens honrados1 ellas no sabem a ,politica2 e eis ahi uma das grandes vantagens que nos levam para eleitoras2 mas a ordem publica1 se a no sabem1 adivinhal-a-ho1 que para isso1 entre seus filhos e domesticos1 so rainhas de pequenos reinos4 ,essa roca1 alvo do epigramma ingrato e insolente1 o seu sceptro2 e pode ser que acerca da felicidade commum da aldeia1 da freguesia1 e da provincia1 lhes haja ella dito muito mais1 nas caladas dos seres de inverno1 que maior parte dos nossos eleitores cortesos a lampada parisiense entre os baralhos de cartas e os montes de oiro4 ,mas concedamos-lhes que nossas esposas1 nossas mes1 e nossas filhas1 nunca jamais at agora pensaram sobre os negocios do ,estado1 como vos elles dizem4 ,por isso mesmo1 por isso mesmo1 lhes deveis restituir mais depressa o seu usurpado e imprescriptivel direito de votao2 porque essa indifferena1 se n'ellas existe1 mais uma calamidade1 pois so as educadoras da gerao que nos ha-de succeder4 ,concedamos ainda mais3 que o precioso affecto da ,liberdade n'ellas quasi nullo4 ,de quem a culpa8 ,d'ellas66 ,no2 mas de ns outros1 que a poder de escravido lh'o adormentmos4 ,restitui s ,mulheres o seu quinho legitimo de ,liberdade1 e vereis como ella se consolida sobre fundamentos de amor mais que duplicados4 ,que miserrima contradico esta3 que onde para a herana da ,cora a ,lei salica no governa1 onde ,mulher se reconhece aptido para o cargo supremo do ,estado1 se lh'a denegue para votar como cidadan em mandatarios dos communs interesses6 ,de uma coisa podeis vs estar certos1 ,deputados2 e 3 que as eleies em que ellas entrassem1 por menos acertadas que a sua inexperiencia as produzisse1 no dariam 7porque era impossivel7 mais vergonhosos resultados1 que todas quantas sua revelia havemos feito1 e que1 para vergonha nossa1 l ficam registadas na ,historia4 99 99 99 99 99 ,oh6 ,se o humilde ,portugal estava ainda guardado para dar do fundo do seu abysmo to altas lies1 to esplendidos exemplos ,europa e ao ,mundo6 ,uma ,representao nacional genuina e insophismada6 um ,clero sabio1 virtuoso1 paternal6 a ,mulher investida na plenitude dos seus destinos sociaes64444 ,no dia em que a ,patria cingisse por suas mos tres coras to magnificas1 morriamos felizes4 ,teriamos vivido uma eternidade de bemaventurana4 ,dezembro de #ahdh4 ,,notas ,,de ,,rodap3 #d ,nullus invitis dandus est ,episcopus2 ille omnibus prferendus1 quem cleri ac plebis consensus concorditer elegerit4--,s4 ,gregor4--,epist4 ad ,nastas4 #e ,os nossos respeitos s doutrinas canonicas conhecido e provado4 ,a innovao que propmos e que dever ter iniciativa no ,parlamento1 para se tornar effectiva necessita da censura e regular approvao da ,egreja4 ,,castilho4 #f ,com estas reflexes no pretendemos desapprovar a subordinao das mulheres a seus maridos nos termos em que a prescrevem os nossos livros sagrados4 ,s no queremos que esta dependencia se converta em escravido1 que a legitima autoridade marital degenere em tirannia4 ,eva1 diz um ,padre da ,egreja commentando o ,genesis1 no foi formada da cabea de ,ado1 para que no tivesse a presumpo de o querer dominar2 nem to pouco foi formada dos ps do homem1 para que por elle no fosse considerada como serva2 foi-o de uma costella1 a fim de que se entendesse que era destinada a ser sua companheira4 ,,castilho4 ,,vii ,primeiro sero do casal ,propriedade territorial ,,summario ,vantagens do escrever4--,vantagens do ler4--,o autor no pode por ora dizer o que tratar n'estes seus seres d'aqui avante1 mas tenciona il-os empregando na sua ideia querida da felicitao da ,patria pela ,agricultura2 para o que1 vai proseguindo nas suas utopias4--,a propriedade territorial no um direito natural1 mas um dos direitos da sociedade permanente4--,no direito de possuir terra no se contem o poder deixar de cultival-a4--,apontamentos para uma ,lei importantissima a este respeito4--,a theoria pode-se estender dos predios rusticos aos urbanos4 ,que bella coisa1 meus amigos camponezes1 no o escrever e o ler6 ,uma folha de papel1 que a principio no foi mais que umas hervinhas verdes1 depois umas febras seccas e pardas1 nos dias da sua maior gloria talvez uma camisa1 e a final um trapo despresado e esquecido2 uma folha de papel pde ser uma origem de delicias e venturas4 ,por meio d'ella1 um homem desconhecido1 e fechado no seu cantinho1 logo que ,deus lhe lana na alma um reflexo passageiro da ,verdade e do ,summo ,bem1 prende esse raio de luz celeste1 liberalisa-o para toda a parte1 solidifica-o1 bem como de um gaz1 que se no v nem palpa1 se faz no fundo das minas um diamante2 lana-o assim para o thesoiro commum dos conhecimentos humanos2 e1 quando ninguem mais lh'o diz1 diz-lhe baixinho a sua consciencia3 ,oh6 ,bem hajas1 que dste a esmola da alma alma6 ,bem hajas1 que as horas que podras gastar no ocio1 ou em gosos futeis1 em dissipar ou em adquirir haveres1 ou em me envenenar a mim1 que sou a tua boa consciencia1 empregaste-as em proveito dos teus semelhantes6 ,bem hajas6 e bem havers por certo6 ,os teus exforos no sero perdidos1 nem para o ,co nem para a terra4 ,l em cima1 o ,liberalisador de toda a verdade te coroar2 e j1 c no mundo1 uma especie de immortalidade e de omnipresena ser a tua partilha4 ,sobreviver-te-has em parte a ti mesmo4 ,o teu nome e os teus pensamentos estaro ao mesmo tempo em muitos logares1 graas a esta folha de papel2 e os annos1 que ho-de destruir o teu corpo1 deixaro a tua honrada memoria a crescer para os seculos4 ,mas1 se tal a boa sorte do escritor de veras2 se os seus deleites lhe descontam o trabalho e penas que o acompanham2 se da sua miseria elle se consola com a lisonjeira certeza de afortunar aos outros2 se no silencio do seu albergue desguarnecido ouve j a sua futura fama1 e na sua enxerga de palha riem sonhos1 que nunca visitaram os colxes de plumas de soberbes inuteis2 a mesma folha de papel1 que1 a baixo de ,deus e do estudo1 o tornou venturoso1 multiplicada pela ,imprensa vai fazer por elle muitos outros venturosos4 99 99 99 99 99 ,a leitura1 meus amigos6 ,sabeis vs bem o que a leitura86 de todas as artes a que menos custa1 e a que mais rende4 ,ha livros1 que1 semelhantes a barquinhas milagrosas1 incorruptiveis e innaufragaveis1 nos levam1 pelo ,oceano das edades1 a descobrir1 visitar1 e conhecer todo o ,mundo que l vai4444 ,os povos antigos revivem para ns com todos os seus usos1 costumes1 trajos1 feies1 crenas1 ideias1 vicios1 virtudes1 interesses1 e relaes4 ,a ,historia a mestra da vida1 e as suas lies ampliao e complemento ao nosso juizo natural4 ,no que foi1 aprendemos o que deve ser4 ,dizem que mente s vezes6 tambem na sera ha joio1 e nem por isso deixais vs de ceifar com alegria4 ,mas1 apesar das suas mentiras1 fica ainda sendo a ,historia uma das mais verdadeiras coisas do mundo4 ,os contemporaneos de cada um dos homens notaveis1 heroes ou monstros1 dos tempos antigos1 talvez os no vissem to ao natural como ns c de longe4 ,porqu8 por isso mesmo que eram vivos2 cercavam-n-os um estrondo confuso1 e vozes contradictorias1 que para ns emmudeceram4 ,o amor e o odio1 o terror e o enthusiasmo1 tingiam nas suas cores os feitos e os ditos3 o espectador1 muito de perto1 e distrahido com os seus proprios negocios1 no podia abranger a totalidade de uma scena s vezes immensa e complicada4 ,no nem ao-p em demasia1 nem em demasia longe1 que os objectos se julgam com exaco4 99 99 99 99 99 ,mas no s a ,historia1 meus amigos1 que nos encanta instruindo-nos4 ,desde a ,mathematica1 que pza e mede os astros1 at ao officio mais humilde1 no ha sciencia1 arte1 nem mistr1 que os livros nos no ensinem divirtindo-nos4 ,vs1 se ldes ao sero1 cultivais melhor e mais lucrativamente no dia seguinte2 sabeis conservar melhor os vossos frutos administrar com mais interesse os vossos haveres4 ,outro tanto acontece aos vossos visinhos1 ferreiro1 carpinteiro1 surrador1 tintureiro1 tecelo1 etc4 ,a povoao onde se sabe ler1 e se l1 floresce mais1 mais pacifica e morigerada1 mais unida e rica1 mais poderosa1 mais contente1 mais amavel1 e mais amada4 ,porque haveis de saber1 meus amigos1 que tudo quanto os homens teem descoberto e inventado para augmentar as suas foras1 os seus cabedaes1 a sua saude1 as suas virtudes1 as suas relaes de amor1 e o numero das horas suaves e alegres1 tudo1 de muitos seculos para c1 se tem ido guardando nos livros4 um patrimonio de sciencia e bondade1 que vai sempre a crescer de paes a filhos1 onde cada um pode tomar s mos cheias o que lhe convm1 e para onde a cada um licito1 e at mesmo dever muito agradavel1 levar o pouco ou muito que o seu juizo lhe subministra4 um commercio mutuo de todos os tempos e de todas as almas1 do qual ninguem sai lesado1 e no qual mesmo dando se recebe4 ,quanto a mim1 meus bons visinhos1 estou muito satisfeito com a minha tarefa litteraria4 ,outros1 mais capazes de vos instruir na ,agricultura1 teem a bondade de tomar a si esse encargo1 para o qual eu mesmo vos confessei j que me no sinto habilitado4 minha conta est procurar desenfadar-vos algum sero do domingo4 ,que quereis8 quem nasceu para pouco444 ,um poeta como um d'estes passarinhos1 que ,deus creou para recreao do lavrador na fora dos seus trabalhos4 99 99 99 99 99 ,se eu ao menos podesse dizer-vos desde j o em que havemos de entreter-nos4444 mas adivinhae-o l6 ,o passarinho1 um minuto antes de abrir o bico1 sabe por ventura o que vai gorgear8 a verdura1 a virao1 o sol ou a estrella do momento1 que o inspira2 a sua hypocrene muitas vezes a ultima gotta de orvalho1 que bebeu no calix de uma flor por onde passou4 ,mas1 assim como nos cantares do plumoso poeta dos bosques ha sempre o que quer que seja de bom e affectuoso conselho1 de revelao do ,co1 com o qual elle parece tratar mais de perto do que ns2 assim o meu espirito1 que mora todo c dentro no corao1 e por elle vale alguma coisa1 s praticar comvosco1 segundo espero em ,deus1 em algum dos seus sonhos de felicitao para o genero humano4 ,porque haveis de notar1 boa gente1 que1 se o que est feito muito1 muito mais ainda o que est para fazer4 ,cada gerao adianta um passo2 os netos sabem mais que os avs2 cada anno floreja ideias1 que os seguintes convertem em frutos1 e outros1 alm1 amadurecem e colhem4 ,nos ares andam sempre ideias de todas as edades 7sem falar nas que vo cahindo mortas72 umas decrpitas2 outras recemnascidas1 que ainda se no atrevem a voar2 outras adultas e robustas2 e nenhuma das que se chegam a transformar em obras1 deixou de ser na origem muito extranhada1 e muito havida por impossivel ou perigosa1 e de padecer perseguio da parte de nescios e ruins4 ,ora eu1 que 7,deus louvado7 de ruins me no temo1 e a escutar nescios me no detenho1 parece-me que no poderia1 por em quanto1 empregar melhor a minha folha de papel1 e o vosso sero no casal1 do que em vos relatar os meus sonhos ou devaneios solitarios sobre a salvao da ,patria pela ,agricultura2 axioma este j hoje comprehendido por todos os que a ,natureza no condemnou a viver e morrer sem comprehenderem nunca nada4 ,e como possivel que d'entre vs outros algum1 ou muitos1 vo um dia deputados quelle bemdito ,parlamento de lavradores1 de que eu ha dois mezes vos falava1 consentir-me-heis que1 ao lume da vossa lareira1 exponha aos vossos juizos1 naturaes e no pervertidos1 mais alguns alvitres para ento4 ,quem nos pode prohibir governarmos o mundo em scco o nosso poucochinho8 ,no s toda a gente o faz1 e quasi que se no faz outra coisa1 se no que a maior e talvez melhor parte das ,leis1 primeiro que fosse promulgada por legisladores1 tinha sido inventada por homemzinhos obscuros como ns1 e d'elles passada consciencia geral4 99 99 99 99 99 ,se alguns chamarem politica e ruindade a este uso que ns fizermos do pouco ou muito entendimento1 que ,deus nos deu para amarmos os nossos semelhantes1 no vos haveis de agastar1 nem eu tornar-lhes resposta2 que1 por mais que thesoirem1 no nos descozem o saio1--como l diziam os nossos velhos4 ,vdes vs8 acostumaram-se quillo de ver em tudo politica1 e de chamarem politica a tudo2 e depois1 teem um medo1 que se finam1 at das verdades velhas1 quanto mais das novas6 ,l se entendem2 e assim bom1 para se no irem d'este mundo totalmente desentendidos4 ,no1 meus amigos1 politica1 no sentido estreito que elles do a esta palavra1 politica do soalheiro e do mexerico1 de acreditar a ,pedro e desacreditar a ,paulo1 de velhacar ,leis e receitar venenos1 d'essa no fazemos ns1 que nos regala andar com o nosso rosto descoberto1 e dormir as nossas noites de um somno e com as portas e janellas abertas em no fazendo frio4 ,agora3 se s questes de philosophia social1 que elles nunca leram1 ou1 se leram1 no entenderam1 ou que1 se as entenderam1 lhes no cahiram a elles em graa2 se ao exame dos fundamentos da felicidade publica1 sem referencia a tempos nem a pessoas1 chamam politica1 essa temol-a feito1 e 7por mais que lhes pse7 havemos de fazel-a sempre1 que no somos nenhuns ,esas da ,liberdade1 que vendessemos o nosso morgado1 como por si dizia outro poeta chamado ,lamartine1 respondendo a um satyrico damnado da sua terra4 99 99 99 99 99 ,mas4444 para nos no parecermos com aquelle parvo do conto1 que sabeis1 que em logar de adiantar caminho1 para chegar feira a horas e negociar1 se deteve todo o dia com o carapuo na mo diante de um pilriteiro1 pedindo sombra movedia licena para passar1 eis aqui j1 meus futuros ,legisladores1 um objecto1 que asss me parece digno da vossa considerao4 ,a propriedade sobre o terreno1 claro est no ser um direito natural2 mas nem por isso podemos dizer que no seja direito1 e muito respeitavel4 ,sem elle no existiria ,agricultura4 ,sem ,agricultura1 no existiria sociedade fixa e civilisada4 ,com a sociedade nasceu pois1 assim como outros muitos direitos2 confirmou-se com a posse2 identificou-se com as ideias e consciencias1 como com os interesses1 e ficou sendo1 por que assim o digamos1 um direito natural relativo1 e secundario4 ,a philosophia1 tanto como as ,leis e a fora1 o deve proteger4 ,no quanto a elle que vos lembro reformaes1 mas s quanto ao modo de regular o seu uso4 99 99 99 99 99 ,adquiri eu uma terra por qualquer titulo legal2 minha1 no ha duvida4 ,posso arrendal-a1 posso doal-a1 vendel-a1 emprestal-a1 edificar n'ella1 cultival-a a meu sabor1 etc4 corrente4 ,mas posso eu por ventura1 por ser minha1 deixal-a estar improductiva8 ,o senso commum1 quanto a mim1 responde instantaneamente que no4 ,e porqu8 ,porque haveria n'isso leso de terceiro1 que a sociedade1 para cujo beneficio extra-natureza1 se no contra a natureza primitiva1 se instituira e santificra este direito4 ,o avarento poder ainda ter as suas preciosidades em inercia1 e portanto perdidas2 porque em realidade o oiro e a prata1 posto que fecundantes1 no so natural e essencialmente productivos4 ,mas o torro1 que ,deus fez para nos trazer1 nos albergar1 e nos alimentar6 o torro1 que por si reverdece todas as primaveras1 que as nuvens e o sol andam regando e aquecendo todo o anno6 o torro que parte do solo patrio6 o torro ficar dando ortigas e silvas1 por indolencia de um homem estupido1 quando roda d'elle muitos braos carecem de trabalho1 e muitas boccas pedem po sem o obter66 ,eis ahi o que1 por mais velha que seja a posse1 nunca jamais poder chegar a ser bom direito4 ,folgra de explanar comvosco este ponto1 que to facil e abundante em consideraes1 quo momentoso para a felicidade commum2 mas levar-nos hia longe4 ,seria pois a ,lei1 que eu propozesse1 substancialmente isto3 --,o proprietario que passar um anno sem cultivar algum dos seus terrenos1 pagar de multa tres vezes o valor do fruto que esse terreno1 bem tratado1 houvera podido produzir4 --,o que o deixar dois annos de poisio perdel-o-ha1 para ser dividido pelos pobresinhos da freguesia1 ou do concelho1 que no tiverem terra4 ,meus amigos1 se alguem l por fora nos impugnar o alvitre1 que bom e santo1 e que1 adoptado1 augmentaria de repente o trabalho1 a riqueza dos particulares1 e os recursos nacionaes2 se alguem1 digo1 nol-o vier assoviar porta e injuriar-nos sandiamente1 pl-o-hemos to claro1 que at esses o entendam2 e ainda o accrescentaremos com algumas indicaes sobre predios urbanos1 que so tambem um dos usos1 e podem ser um dos abusos1 da terra4 ,janeiro de #ahdi ,,viii ,segundo sero do casal ,fraternisao da cidade e campo ,,summario ,uma boa ,lei sonhada4--,os proprietarios ruraes1 residentes na ,cidade1 so obrigados a viver algum tempo nas suas fazendas4--,delicias novas que essa obrigao lhes proporciona4--,nos campos ha um vislumbre de egualdade4--,bens que a estada dos senhores no campo trar por elles aos camponezes1 e pelos camponezes a elles4--,o autor sabe1 por experiencia1 o como nos campos a ,natureza mesma nos melhora e suavisa4--,os camponezes so menos ruins e infelizes que os cidados2 e mais felizes e melhores se ho-de tornar1 quando a ,lei passar de sonho a realidade4--,apontam-se alguns dos muitos melhoramentos1 materiaes4--agricolas1 economicos1 artisticos1 etc41 que ho-de com o tempo brotar d'esta ,lei4 ,sonhei eu1 meus bons amigos1 que se tinha a ,providencia achado n'estes nossos tempos em mar de muita poesia3 que j existia de veras um ,parlamento de lavradores1 e que as ,leis1 e com ellas os costumes1 tinham chegado a final a grande concerto e formosura4 ,uma d'estas ,leis bemditas vos quero eu contar2 porque se algum dia 7que pode ser7 as nossas semeadas ,sociedades de ,agricultura pegarem1 e1 por diligencias d'ellas1 tal ,parlamento chegar a apparecer1 l considerareis1 com o vosso vagar1 se do sonho se no deveria fazer realidade4 ,o que lhe deu pga foi aquella nossa pratica do sero ultimo1 sobre a obrigao que todo o dono de terra tinha de a aproveitar4 99 99 99 99 99 ,sonhava eu pois1 que todos os proprietarios de bens rusticos1 a quem no assistia alguma particular raso muito attendivel para o contrario1 eram obrigados a morar nos seus campos alguma parte do anno44444 99 99 99 99 99 ,reverdecia a primavera1 e eil-os l sahiam das cidades1 colmeias grandes1 onde1 entre muitos zumbidos1 se fabricam favos de fel4 ,at s barreiras1 ainda iam murmurando contra a salutar violencia1 que os bania temporariamente4 ,logo ali1 ao desembocarem das ruas estreitas e sombrias1 que nenhuma estao altra1 para a amplido de campos e horizontes1 a serenidade do ceo azul se lhes comea a filtrar dos olhos para a alma4 ,a madre-silva de cima do cmoro lhes d as suas rescendentes boas-vindas2 e para o corao se lhes ca parte da bemaventurana que inspira aos seus filhinhos libertos o aspecto das papoilas cr de fogo1 a rir na verdura sem limites2 dos rebanhos1 que ondeiam branquejando pelas planicies2 dos moinhos1 que bracejam cantando pelos oiteiros4 ,tudo para elles descobrimento e maravilha3 os passaros1 que altercam graciosos pelos ramos2 as aguas1 que manam1 a debuxar os arvoredos toucados de flores e sol2 os cantares dos rusticos no trabalho2 a choupaninha pobrissima1 mas que tem ainda com que albergar hospedes2 as andorinhas1 que tambem vieram l de outras terras pendurar-lhe por cima da janella unica1 e ao abrigo do tecto de palha1 o bero dos filhos4 ,atravez d'estas scenas1 to antigas e sempre novas1 to sem artificio e to cheias de harmonias1 to casuaes e to sabiamente variadas e contrapostas1 toda aquella opulenta familia cidadan vai j invejando a boa sorte dos filhos das aldeias1 para quem s parece existir a ,natureza4 ,ao estrpito da sua carroagem saem s portas as creanas1 cuja nudez mostra carnes dignas do cinzel de um ,assis ,rodrigues1 e que riem sempre1 como os ,seraphins do retbulo da freguezia2 moas esbeltas1 a quem o carmim da aurora corou as faces1 como pomos1 e que em seus trajos de lan resplandecem como dahlias soberbas em vazos pobres2 e bons velhos1 que entre tres e quatro geraes de descendentes seus ainda os ajudam com o conselho1 e o po que em ocio lhes comem1 lh'o pagam com as vivazes historias do passado4 ,a carroagem passa por entre essa multido1 to afortunada quanto na terra se pode ser2 passa2 mas no seu vo colheu e deixou sorrisos de benevolencia4 ,chegada sua nova residencia a familia cidadan1 sente-se mais larga em quartos pequenos1 d'onde se descortinam campos e montes1 do que l nos doirados e espaosos carceres de seus sales4 ,tudo para todos os sentidos lhe novo3 a linguagem chan e respeitosa dos visinhos2 as horas e qualidade das refeies2 as danas e cantares do sero2 o deitar antes que o sete-estrello v alto2 o erguer muito primeiro que o sol1 e quando o passarinho vem dizer vidraa que j dia2 o lavar e almoar na fonte1 por baixo da parreira2 o sahir para toda a parte sem a pesada libr das galas2 o descobrir em cada passeio um sitio incognito1 e menos esperado do que para ,colombo o foi o ,novo ,mundo4 ,no ha pessoa que os no saude pelos seus nomes1 que no procure algum pretexto para lhes falar1 que se no julgasse feliz de os poder servir4 ,os obsequios mais delicados lhes affluem a cada hora s portas1 trazidos por mos1 que s os seus callos accusam de grosseiras4 ,na cidade os visinhos no se conhecem1 ou so inimigos mutuos2 os do campo1 quaesquer que sejam as differenas de gerarchia e fortuna1 so irmos da mesma tribu4 ,a donzella de vestido branco no teme perder o seu ,dom danando no seu jardim ao domingo com a filha do seu honrado hortelo2 nem o mancebo esbelto1 que sabe de cr todas as arias novas1 e ambas as chronicas de cada prima-donna1 se cr deshonrado passando na caa o dia com o soldado velho1 que ainda voltou das guerras para vir morrer na freguezia de seus paes4 ,ao luar1 nas mdas da eira1 vel-os como correm folgando1 vozeando1 mergulhando na palha1 e reapparecendo ao som de palmas1 os imberbes herdeiros de oito e dez nomes1 e os pequeninos1 que1 sem terem menos avs1 no receberam mais nomes que os de seus paes6 ,se em alguma parte se encontra um vislumbre da egualdade1 sonhada pelos philosophos para consolar penas1 s nos campos que essa filha de ,deus se entrev formosa1 travssa e risonha1 como a ,galata de ,virgilio por entre os salgueiros4 ,d'esta convivencia1 que as semanas e os mezes vo apertando cada vez mais1 que vantagens no redundam para os moradores do palacio rustico1 e para os camponezes6 ,os primeiros esquecem muito passatempo ruinoso1 que julgam indispensavel2 os segundos muita grosseria de trato1 em que nunca haviam advertido4 ,a casinha terrea ensinou ao solar sobriedade1 e amor do trabalho2 mas d'elle aprendeu o aceio1 as commodidades faceis1 e o gosto4 ,o senhor deixou-se entrar da caridade1 presenceando as fadigas e miserias dos seus rendeiros2 o trabalhador1 vendo-o bom1 cessou de o temer e odiar como o seu genio mau e invisivel4 ,as relaes e valimentos na crte attrahiram muitos favores1 quando menos alguma justia1 ora para a viuva1 a quem pretendiam arrancar o filho para o ,exercito2 ora para o lavrador1 a quem contratempos desmerecidos vedaram pagar ao ,fisco4 ,as damas1 quando se ausentarem1 havero deixado amigas1 que repitam o seu nome sem inveja1 e os seus louvores com desvanecimento2 e l para o inverno1 a poisada em que tudo falta a fra a esperana1 ver muita vez acorrer-lhe l de longe1 do meio da ,babylonia1 a sua providencia3 o fatinho conchegado para as creanas1 o enxoval para a filha casadoira1 o tabaco para a caixa vasia do velho1 o linho para as rocas e o fiado para o tear1 e a paga adiantada1 para que o jantar no sejam suspiros1 e a ceia lagrimas4 ,n'uma palavra3 as cidades conhecero e amaro os campos2 e os campos perdoaro e abenoaro a opulencia das cidades4 ,os grandes tero ido l retemperar a saude gastada dos vicios e cuidados1 e repoisar a bolsa1 dos duellos1 do jogo1 das tirannias da moda1 das violencias da vaidade e das paixes4 ,estas ferias1 dadas a tres coisas to damnosas1 como so o gasto do corpo1 a inanio da alma1 e o desbarate da fazenda1 pode ser que em bastantes dos que as disfrutarem venham a produzir mudanas de vida1 mui sinceras1 mui duradoiras1 e sobre modo uteis para a pessoa e para o proximo4 99 99 99 99 99 ,eu por mim1 meus ricos pobres do campo1 no duvido1 se no que o creio com todas as veras d'alma3 porque1 vedes vs8 eu mesmo j tambem vivi1 e annos1 fora e muito longe das cidades1 e sei como as estrellas conversam comnosco em nos colhendo a ss n'essas vossas solides4 ,sei como deitado a um meio-dia de estio1 sombra de um dos immensos guarda-soes verdes abertos por ,deus aos passarinhos1 aos rebanhos1 e aos homens1 respiramos ares bonissimos de saude1 de sabedoria e benevolencia2 folheamos o canhenho do nosso passado1 e sorrimos de desprezo a tanto lidar por nadas1 a tanta figura anan que ali fez papel de gigante1 e a tantos montes de oiro1 que representaram de gros de areia4 ,tinha-nos irritado a malignidade de um satyrico8 ,passa-nos por cima da cabea um besoiro negro1 e envergonhamo-nos de lhe ter dado atteno4 ,tinhamo-nos consternado com o mallogro de um empenho8 ,o ciciar da sera visinha nos diz3 ,tambem aqui1 entre as minhas espigas1 vo algumas negras e vazias2 mas nem por isso me chamam pobre4 ,tinhamos visto nos homens o egoismo8 ,estamos sentindo em torno de ns a prodigalidade a palpitar1 a revolver-se1 a rescender1 a cantar1 por toda a superficie da terra4 ,tinhamos chegado pela tristeza ao scepticismo8 ,por cima de ns no descortinamos seno ceo1 e ceos4 ,erguendo nos1 e afastando-nos d'ali1 quando por entre as arvores1 alm1 nos chama o fumo da nossa cosinha1 saudamos ainda mais cordealmente ao visinho ou ao passageiro desconhecido2 jantamos com mais apetite2 e se o mendigo1 enviado pela ,providencia1 vem n'essa hora entoar porta o ,padre ,nosso1 assentamol-o nossa direita1 alegramos a sua velhice com o nosso melhor vinho2 e1 finda a refeio1 ambos damos graas ao ,pae ,commum1 pela esmola que a um e outro acaba de fazer4 ,oh que sim6 cada folha no campo sabe mais1 e aconselha melhor1 para isto de contentamento interior1 que todas quantas academias existem de ,pekim at ,lisboa1 de ,lisboa at aos confins da ,america4 99 99 99 99 99 --,mas--perguntar-me-heis vs--sendo assim1 por que no somos ns1 os do campo1 inteiramente bons e bemaventurados8 ,inteiramente664444 ,no pode ser1 que esse inteiramente no cabe ao mundo2 porm menos desgraados e menos ruins que ns outros1 os da cidade1 crde firmemente que o sois4 ,padeceis minguas1 que o viandante descobre pela vossa janella sem vidraas4 ,sim1 mas l esto muitos palacios1 onde1 entre arrazes e sedas1 se curtem amarguras1 como entre flores se escondem viboras4 ,ali1 sem espectadores1 se representam tragedias inauditas4 ,quantos de cima de um cofre de oiro se no levantam pallidos e blasphemando1 para se irem pendurar n'um lao1 algozes de si mesmos6 ,quantos n'um coche envernizado por mo de pintor heraldico1 ou montados n'um cavallo que lhes custou o preo de duas herdades1 no vo lavar com o proprio sangue n'um duello a afronta1 talvez chimerica1 que receberam1 ou1 para tirarem um espinho da honra1 carregar-se para toda a vida com o remorso de um homicidio6 ,vedes vs8444 ,e no vedes ainda nada2 e nem eu vol-o quero nem devo mostrar4 ,mas crde2 fiae-vos em mim3 ,lanadas bem as contas por quem experimentou ambos os vivres1 os menos maus dos maus1 e dos infelizes os menos desaventurados1 sois vs4 ,e a mais ireis1 quanto mais d'estas verdades vos convencerdes2 que j l dizia1 ha dois mil annos1 outro poeta bem vosso amigo 7como todos os de veras o so71 um poeta que s para vs escreveu uma das mais admiraveis obras do mundo3--,oh6 ditosos1 ditosissimos os lavradores1 se elles acabassem de entender as suas ditas64444 ,j vdes1 como podeis esmolar virtudes e satisfao aos desconsolados das ruas largas e das praas espaosas4 ,s por isto1 j valia bem a pena de que o nosso ,parlamento de amigos da terra promulgasse1 muito depressa1 a ,lei com que eu sonhava1 e com que ainda sonho4 99 99 99 99 99 444444,mas cavae-me bem fundo com o discurso n'esta materia1 e vereis quantos outros bens vos no promette6 ,a vossa estrada e os vossos caminhos transversaes esto por fazer2 o vosso rio1 a obstruir-se de todo1 a comer-vos os campos com areias1 e as vidas com febres4 ,na vossa capella assovia o vento e ca a chuva2 o seu calix de estanho2 o seu ,missal rto2 o seu ,crucifixo perdeu o doirado1 e as rosas da cora da ,me de ,deus1 ainda que artificiaes1 esto murchas como as das suas faces4 ,o vosso cemiterio augmenta o horror morte1 pelo desamparo2 l os vossos parentes no teem sombra de arvore piedosa1 onde a saudade sinta delicias em orar2 e os ces e animaes do monte podem ir pela noite desenterral-os e comel-os4 ,no digais nada a ninguem2 mas todas essas lastimas1 que vs deplorais ha tantos annos1 ho-de findar1 como quer que seja1 com a estada dos ricos entre vs4 ,o solo mesmo sente que em vossas casas fallece a prata e o cobre4 ,ora deixae-os residir por ahi alguns mezes1 e dir-me-heis1 e dir-me-ha o mesmo solo1 e ainda mais galhardamente que vs1 se das cidades enriquecidas pela ,agricultura no refluiu a final algum oiro para os campos4 ,os vossos filhinhos carecem de mestres2 os da cidade tambem teem corao1 e tambem teem filhos2 vereis como vos brindam com escolas4 ,hoje frequentemente vos acontece desejardes n'um repente um bom conselho1 que s a ,sciencia pode dar1 j para o vosso trato agrario1 j para a vossa industria1 j para o vosso commercio1 j para a vossa demanda1 ou para o governo da vossa vida4 ,esses homens da cidade teem livros2 teem certas tinturas geraes1 que d o trato do mundo2 teem amigos e conhecidos1 a quem podem escrever e consultar4 ,at o amor proprio 7quando no fosse j a humanidade7 vol-os tornaria serviaes4 ,o vosso domingo s escpa do tdio pelo somno1 pela conversao ociosa1 que degenera em maledicencia1 ou444 pelos praseres grosseiros1 perigosos e funestos1 da taberna4 ,as vossas dansas j a vs proprios vos canam de montonas1 e os vossos cantares sem pensamento j faziam bocejar aos bisavs4 ,deixae estar3 aquella gente da cidade vos trar 7at por seu interesse71 e vos ensinar1 recreios que vos encantem4 ,vereis o que um theatro4 ,amareis e cultivareis a musica4 ,e ,deus sabe quantos talentos1 que por entre vs se perdiam1 se no ho-de aproveitar6 quantas divindades no dareis ainda s adoraes da ,capital6 quantos brases de verdadeiros meritos no grangear para si o vosso logarejo6 99 99 99 99 99 ,pensae n'isto1 pensae n'isto1 meus amigos2 e 7rebente de inveja quem rebentar1 definhe quem quizer1 de odio contra a ventura do ,povo7 trabalhae1 e orae a ,deus1 para que venhamos a ter aquellas ,crtes que sabeis4 ,fevereiro de #ahdi4 ,,ix ,terceiro sero do casal ,indole campestre da ,poesia ,,summario ,a ,poesia nasceu nos campos1 e para elles propendeu sempre4--,quem foi ,ovidio4--,o seu poema dos ,fastos4--,duas amostras d'este poema4--,festa das sementeiras entre os ,romanos4--,festa do deus ,trmino4 ,dizia-vos eu1 meus camponezes1 que todos os poetas de veras eram vossos amigos2 no ha nada mais certo4 ,a ,poesia nasceu nos campos1 e por muito tempo s conheceu esse viver vioso e perfumado4 ,veio a fazer-se dama ambiciosa de mais refinadas delicias2 assentou vivenda nas cidades2 fez-se muito sabia1 muito altiva muito maldica1 muito contradictoria2 ora devota1 ora impia1 ora frivola1 ora profunda2 mas l os seus campos nunca se lhe desluziram da lembrana4 ,em nenhuma parte a ouvirieis cantar combates1 viagens1 descobrimentos1 artes1 luxo1 amores1 ou desejos de melhor vida para alem-mundo1 que lhe no fugisse um olhar de saudade para o seu paraiso de flores4 ,a edade de oiro1 que a sua scisma contnua1 posta umas vezes no passado1 outras no futuro1 a edade de oiro 7que ,deus sabe se to fabulosa como cuidam1 a no ser em relao ao seu titulo71 que era ella se no a ,arcdia1 o viver campestre1 manso e regalado8 ,livros dos mais antigos do mundo1 os de ,moiss e os de ,homero1 uns e outros mananciaes de ,poesia1 no teem pagina1 que nos no espelhe uns reflexos das bemaventuranas patriarchal e heroica1 que so tambem ,arcadia1 com leves modificaes4 ,passaram os povos antigos1 com as suas religies e usos particulares4 ,nos escritos que de ento sobreviveram1 que o que mais nos encanta8 ,no so por certo as descripes dos seus usos exclusivos1 ainda que para ahi se attrai fortemente a curiosidade2 so1 sim1 os toques allusivos ao viver rural1 porque emfim1 ahi que o ponto de contacto de todas as edades1 e de todas as civilisaes4 ,o campo que o centro de unidade da especie humana4 99 99 99 99 99 ,se tivessemos vagar1 muito nos haviamos de entreter relendo em commum1 aqui no vosso casal1 alguns dos mais guapos trechos dos poemas de eras mui diversas1 e paizes mui remotos1 por onde acabarieis de conhecer quanto o vosso trato namorou sempre aos bons engenhos4 ,fra leitura para cem annos bem aproveitados4 ,falemos de um s autor1 mas1 que1 pela grandeza do seu talento1 vale centos4 ,nasceu este na ,italia1 em tempo do poderio ,romano1 vai em dezanove seculos1 e quando o latim era ainda lingua viva e bizarra4 ,chamava-se ,publio ,ovidio ,naso1 e era cavalleiro1 ou fidalgo d'aquellas eras4 ,vivia na ,crte1 bem relacionado com a principal ,nobreza1 e mui cabido no pao dos ,imperadores4 ,tinha um engenho prodigioso para a ,poesia2 cultivou o com os estudos da eloquencia1 com o trato dos outros poetas contemporaneos1 com as sciencias1 com as viagens ,grecia1 que era a ,frana d'aquelles tempos1 e ,athenas a sua ,pars4 ,compz uma quantidade de obras1 que ainda existem quasi todas2 a maior parte amorosas e voluptuarias4 ,as mulheres eram para elle o maior bem do mundo2 o segundo1 as amenidades da ,natureza 7ninguem dir que tivesse mau gosto o nosso ,ovidio74 ,este homem1 depois de ter gosado quanto era possivel da vida de ,roma1 de repente1 e j ao descahir para velho1 desterrado4 ,e que desterro6 ,de ,italia1 para a ,russia6 do seio das delicias1 para uma povoao barbara1 glacial1 sempre em contingencias de guerras6 ,ali se v1 longe de sua mulher1 de sua filha1 de seus amigos1 dos campos do seu nascimento1 das damas1 e dos applausos4 ,a causa do seu desterro um enigma1 que tem desatinado os historiadores1 e a que ainda ninguem rastreou soluo provavel4 ,coisa de amores 7ou seus ou alheios7 deveu por certo de andar por ahi4 ,o que sabemos que1 l no desterro1 lembrando-lhe com muitas saudades tudo quanto havia perdido1 nada lhe doa mais no corao1 que o ver-se privado do seu quintalinho nos arrabaldes de ,roma1 onde outr'ora a mo que to gentis coisas escrevia se deliciava1 muita vez1 em podar e enxertar as suas arvores4 --,coitado de mim6--dizia elle--ainda que eu aqui me quizesse metter a lavrador1 os bois d'esta terra no entendem latim4 ,em tal e tamanho desamparo1 que at morte lhe durou1 s as ,musas o no desampararam4 ,a isso devemos duas deliciosas colleces de magoadissimas ,cartas em verso1 mulher1 aos amigos1 a ,cesar mesmo1 sollicitando vir morrer onde nascra1 e metade de um poema intitulado ,os ,fastos4 99 99 99 99 99 ,eram os ,fastos de ,ovidio uma obra em doze ,livros1 de que s ficaram os primeiros seis4 ,tinham por objecto descrever e explicar as principaes festas religiosas pagans de cada um dos doze mezes2 a origem archeologica de cada uma d'ellas2 e a sua coincidencia com as revolues astronomicas4 ,eis aqui o como elle prepe a totalidade do seu plano3 ,festas do ,lacio anno1 origens suas quaes astros vo1 quaes veem1 diro meus versos4 ,esta obra1 alm de outras suas1 traduzi eu2 e por signal que offereci a traduco a um muito particular amigo d'elle1 meu1 e vosso1 que o ,secretario da nossa ,sociedade de ,agricultura4 ,ha nos ,fastos muitas e mui bellas provas do que eu ha pouco vos dizia3 do amor que o bom do ,ovidio tinha vida campestre4 ,amostrar-vos-hei algumas2 e v1 por estreia1 o final do seu mez de ,janeiro4 ,canta assim3 ,,festa ,,das ,,sementeiras ,nos ,annaes1 onde as festas veem marcadas1 festas em vo busquei das sementeiras4 ,vendo-me a folhear1 cuidoso1 assiduo1 e entendendo-me o empenho1--,em balde as buscas--rindo a ,musa me diz2--festas mudaveis das fixas no registro achar querias8 ,teem marcada estao1 e o dia incerto2 celebram-se no praso em que esto prenhes de sementes os chos4 ,gosae do ocio farta manjadoira1 bois coroados2 l vir logo a activa ,primavera1 cerviz repoisada impondo jugo1 co'a renascente lida afadigar-vos4 ,no abrigo do casal durma por ora a canada charrua2 a terra fria no deseja1 no soffre1 o ser rasgada4 ,agora1 que jaz finda a sementeira1 lavradores1 dae folga ao solo1 aos braos2 lustrem colonos sua aldeia em festa1 dem a seus fogos a annual fogaa4 ,tellus e ,cres1 madres das seras j com seus mesmos gros se propiciem1 j coa's entranhas da suina fmea4 ,d'entre ambas nasce o gro que nos sustenta3 ,cres nol-o produz2 mantem-n-o a ,terra4 consocias em ddiva to rica1 deusas1 por quem a rude antiguidade se abrandou1 se poliu1 deixada a glande por mais nobre manjar1 dae aos colonos1 em premio a seu trabalho e a seus desvelos1 colheita sem medida1 e que os sacie4 ,dae augmento continuo aos germes tenros1 e que a neve nascena os no destrua4 ,em quanto disparzirmos as sementes1 alimpae-nos o ceo com ventos brandos2 mal que enterrada fr1 mandae-lhe as chuvas2 e1 pois so gloria vossa as pingues messes1 que em vagas de oiro1 ao longo d'essas veigas1 rumorejam fartura1 eia1 salvae-as do avido bico das aladas hostes6 ,por ora1 que inda a terra o gro recata1 vs1 formigas poupae-o2 usura grande havereis d'elle1 se aguardais a aceifa4 ,livre de trpe alforra a messe vingue1 e cr de alma saude o ,cu lhe influa2 que nem definhe pallida1 nem perca por excesso de vio e nimia pompa4 ,joio1 vista nocivo1 os chos no brotem1 nem trpe aveia as sementeiras mescle4 ,s se vejam medrar profusamente as cevadas1 o trigo1 e a rija escndia1 a escndia1 a fogos dois predestinada4 ,lavradores1 por vs taes so meus rogos4 ,co'os rogos meus os vossos se misturem1 por que uma e outra deusa os ratifiquem4 ,ferina longo tempo a humanidade s nutriu bellicosos pensamentos4 ,mais apreo que a relha a espada tinha1 e em foros de nobreza era anteposto o corsel que peleja1 ao boi que lavra4 ,no trabalhava a enxada2 ia-se em lanas dos alvies o ferro2 o ensinho em elmos4 ,graas1 deusas1 a vs1 a vs1 ,cesares6 o ,genio marcial agrilhoado j sob os ps de ,roma em vo se extorce4 ,o toiro acceite o jugo2 o solo1 os germes2 ,cres1 filha da paz1 co'a paz triumphe4 99 99 99 99 99 ,ouvi-lhe agora a narrao da festa1 que em seu tempo se fazia no mez de ,fevereiro1 em honra do deus ,trmino1 ou ,trmo4 ,este deus no era mais nem menos que um marco1 de pedra ou pau1 que extremava os predios4 ,com raso lhe davam aquelle culto2 nada mais respeitavel1 que a propriedade2 nada mais judicioso1 que santifical-a4 ,,festa ,,do ,,deus ,t,,rmino ,finda a noite1 alvorea a costumada festa do deus que nos comparte os campos4 ,quer tsca pedra1 ,trmino1 te embleme1 quer tronco informe pela mo de antigos enterrado no cho1 sempre s deidade4 ,para ti donos dois1 de oppostas partes1 c'ra e c'ra te cingem2 blo e blo te vem de c1 de l2 como porfia1 ahi se te engenhou ara campestre4 ,l nos traz a aodada fazendeira no seu testo quebrado as scuas vivas que apurou do borralho4 ,o bom do velho racha a lenha miuda1 ergue-a em pyramide2 sua a cravar no cho ramos festivos4 ,agora em cascas sccas ceva o fogo1 tendo em p ao seu lado1 em quanto assopra1 o filhinho abraado a largo cesto4 ,tres vezes d'ali tira e lana ao fogo punhados de aurea ,cres4 ,toma os favos1 que a filha pequenina lhe apresenta pelo meio cortados4 ,trazem outros o vinho2 tudo aqui se liba s chammas4 ,alvitrajada a turba espectadora religioso silencio attenta observa4 ,co'o sangue quente de immolada ovelha que ufano purpureja o vulto informe do commum velador1 o honrado ,trmino6 e quando1 em vez de ovelha1 haja leita1 no temais que se anoje4 ,o brodio franco aos bons visinhos1 coraes lavados1 que o celebram com f1 que jubilosos vo tecendo um louvor a cada prato4 ,ouvi1 ouvi seu rustico descante2 do deus do festejo o panegyrico3 ,salve1 ,trmino sacro1 tu1 que extremas bairros1 cidades1 reinos6 cada campo fra sem ti um campo de batalha4 ,mantens1 desambicioso1 insubornavel1 as herdades em paz das ,leis sombra4 ,se a terra ,thyretide te houvra1 no ceifaria a morte heroes seiscentos de ,argos e ,esparta no fatal duello2 no se lra de ,othryades o nome n'um vo tropheo de mentirosas armas1 que inda ,patria infeliz custou mais sangue4 ,capitolino ,jupiter que diga que invencivel te achou1 quando ao fundar-se-lhe a rea do templo1 ao passo que os mais numes para dar-lhe logar retrocediam1 tu s1 qual nol-o conta annosa fama1 ousaste resistir1 ficar1 ter parte no templo augusto1 e adoraes com ,jove2 e inda l1 por que nada alfim te ensombre1 sobre ti ao ceo livre rta a abobada4 ,nume de to gentil perseverana1 em qualquer a leveza achra venia2 contradico em ti suicidio fra4 ,mantm pois sempre1 sacra sentinella1 mantm pois sempre1 ,trmino1 teu posto4 ,desprza os rogos do vizinho avaro2 no lhe concedas do terreno um ponto4 ,ceder a humanos quem resiste a ,jove86 ,vem bater-te enxado1 pulsar-te arado8 proclama a vozes3 ,meus confins so estes2 d'alm1 tu2 d'aquem1 elle2 ambos cohibo1 e em cohibir aos dois aos dois protejo4 ,uma estrada une ,roma aos ,laurentinos1 reino que o ,teucro prfugo buscra2 l1 dos marcos o sexto em honra tua v que lanosa victima se immola4 ,trmino1 j que acceitas cultos nossos1 ampara nos2 sustenta o nosso ,imperio4 ,de cada povo o espao circumscripto2 so de ,roma os confins confins do globo4 99 99 99 99 99 ,quo grande1 meus amigos1 no era o ,povo em que um ,poeta podia dizer isto1 sem medo de que o mundo1 nem a posteridade1 o desmentisse6 ,e ns tambem1 ns1 os ,portuguezes1 j houve um tempo1 em que pouco menos fomos4 ,ouvi como o nosso ,cames o cantava3 ,mas em tanto que cegos1 e sedentos andais do vosso sangue1 gente insana1 no faltaro christos atrevimentos n'esta pequena ,casa ,lusitana4 ,de ,africa tem maritimos assentos2 na ,asia mais que todas soberana2 na quarta parte nova os campos ara1 e1 se mais mundo houvera1 l chegra4 ,hoje444 que so aquella ,roma1 e este ,portugal8 ,roma pereceu4 ,portugal1 se no agonisa1 enferma gravemente4 ,mas para ,roma no ha j esperana2 para ns ha ainda uma ,sabeis qual8 ,sois vs1 vs mesmos1 vs unicamente1 ,lavradores4 ,maro de #ahdi4 ,x ,quarto sero do casal ,continuao do precedente ,,summario ,mais ,ovidio4--,recommenda a ,germanico o ,livro ,,iv dos ,fastos1 por ser ,abril consagrado a ,venus1 a ascendente da familia ,julia4--,nobiliario troiano dos ,romanos4--,raso por que no calendario de ,romulo era ,maro o primeiro mez1 e ,abril o segundo4--,uma etymologia grega de ,abril4--,outra etymologia latina da mesma palavra4--,abril pertence de direito a ,venus1 como principio de toda a attraco e reproduco das especies4--,venus tirou os homens do estado silvestre1 e fez nascer a ,poesia1 e todas as bellas1 e boas ,artes4--,roma1 mais que todos os povos1 deve a ,venus adoraes4--,origem de uma festa annual dos ,romanos a esta deusa4 ,o nosso ,ovidio1 que j conheceis1 quem ha-de regalar-vos este ,sero4 ,ides ouvil-o no introito do seu ,livro ,,iv dos ,fastos1 cantar-vos as origens d'este mez4 ,fala com o ,imperador ,germanico4 ,abril de #ahdi4 ,n4 ,b ,,do ,,editor--,seguia-se na #a impresso d'esta obra um largo trecho da traduco dos ,fastos2 mas como esse fragmento pertence por sua indole a outro genero de estudos1 e entraria aqui descabido at certo ponto1 entendeu o editor1 para no allongar demasiado o volume com um accessorio1 alis brilhante1 supprimil-o1 remettendo o leitor edio especial dos ,fastos4 ,,digress,o ,,sobre ,a ,sociedade dos ,amigos das ,lettras e ,artes em ,s4 ,miguel ,,advertencia ,entre o precedente ,sero do ,casal e o seguinte1 falta o do mez de ,maio4 ,o autor estava ausente4 ,a #ba de ,fevereiro partira para ,lisboa1 deixando promptos os d'esse mez e dos dois immediatos1 esperando regressar a tempo de no haver interrupo4 ,mas os negocios1 que to empenhado o levavam ,crte1 s o deixaram tornar a #bd de ,maio4 ,eram estes negocios a approvao dos ,estatutos da ,sociedade dos ,amigos das ,lettras e ,artes em ,s4 ,miguel pelo ,governo1 e a concesso de um pouco de terreno nacional n'esta ,ilha1 a cerca do extincto convento da ,conceio1 desaproveitada1 e as ruinas da contigua egreja de ,s4 ,jos1 para a ,sociedade ali edificar sua custa uma casa para as suas escolas1 sesses1 exposies1 concertos musicos1 representaes scenicas1 etc42 tudo objectos de publico e manifesto interesse4 ,fez o autor em ambas estas diligencias tudo quanto era humanamente possivel2 e1 apezar da santidade e generosidade de taes requerimentos1 da optima sombra que de toda a parte os cercou desde a primeira hora1 das formaes e reiteradas promessas dos que mais podiam influir no despacho1 o que s logrou trazer foram os ,estatutos approvados 7ainda assim com suas restrices desconfiadas1 que uma to desambiciosa ,sociedade por ventura no merecia71 e uma esperana1 j ento muito vaga1 de se obter o terreno2 o terreno1 condio to substancial para a existencia da ,sociedade1 como a existencia da ,sociedade provadamente o para o progresso e lustre das ,artes1 das ,lettras1 e da sociabilidade n'esta paragem4 ,n'este livro1 repositorio de sos desejos1 propostas e ousadias civilisadoras1 entendeu-se no seria mal cabida uma singela memoria de taes factos1 pois quando se lhe pz por titulo ,felicidade pela ,agricultura1 na palavra agricultura se abrangeram implicitamente1 como at agora se tem visto1 e se continuar a ver at ao fim1 todos os outros verdadeiros interesses inseparaveis d'ella1 quer os consideremos activa1 quer passivamente2 e para os quaes1 ,deputados e ,ministros amigos da terra no poderiam deixar de olhar com amor principalissimo4 ,a mesma razo1 que o autor no ,prologo deu1 de haver colligido n'este volume alguns dos seus artigos impressos no ,agricultor ,michaelense1 lhe fez fora para aqui lhes intercalar os seguintes1 que1 por andarem dispersos em periodicos1 j hoje estavam sendo como se no existissem4 ,o amor-proprio nada fez para o caso4 ,o autor sabe o pouco valor de forma litteraria1 que ha em tudo isto2 mas cr1 em sua consciencia1 que deixa a seus filhos um bom exemplo1 e a outros cidados zelosos indicaes uteis4 ,finalmente3 pela publicidade1 que muitas vezes me da opinio1 como esta quasi sempre o vem a ser dos factos1 figurou-se-lhe que poderia1 perante o ,parlamento e o ,throno1 dar assim um derradeiro impulso pretenso pendente4 ,di faciant6 ,no quer o autor perder este lano de agradecer1 perante os contemporaneos e vindoiros1 s pessoas que mais sollicitas se teem havido em patrocinar o requerimento3 ao sr4 ,d4 ,pedro da ,costa de ,sousa de ,macedo1 ento dignissimo ,governador ,civil de ,ponta-,delgada2 aos srs4 ,redactores do ,aoriano1 e do ,correio d'esta mesma cidade2 ao da ,revista ,universal ,lisbonense1 e aos de outras folhas de ,portugal1 nomeadamente ao do ,diario do ,governo1 o sr4 ,vilhena ,barbosa2 ao sr4 ,mexia1 benemerito ,secretario da ,camara electiva2 aos honrados ,membros da ,commisso de ,fazenda da mesma ,camara2 a um grande numero de ,senhores ,deputados e ,dignos ,pares2 ao mui distincto ,presidente do ,tribunal do ,thesoiro2 ao sabio ex-,ministro da ,fazenda1 o sr4 ,franzini2 ao exemplar de ,governadores ,civis1 o sr4 ,jos ,silvestre ,ribeiro1 etc41 etc41 etc4 444444no premio vil ser conhecido por um prego do ninho seu paterno4 ,i ,carta ao ,redactor da ,revista ,universal ,lisbonense ,ill4 collega e amicissimo snr4 ,ribeiro de ,s4 ,lisboa #f de ,maro de #ahdi4 ,se a reconhecida modestia de ,v4 ,s4 se oppozesse a que estas poucas linhas fossem incluidas na sua ,revista1 ficaria eu perante o ,publico insanavelmente condemnado pelo mais vil de todos os ingratos2 pois desde que ,v4 ,s4 se encarregou de tal redaco1 com geral e manifesto proveito1 at hoje ainda no perdeu a minima occasio de provar a sua extremada benevolencia1 a sua devoo1 o seu 7ousarei dizel-o87 fanatismo de amisade para comigo4 ,honrando me1 como ,v4 ,s4 o tem feito1 ,v4 ,s4 se tem sobretudo engrandecido a si mesmo4 ,exemplos de to alta generosidade em tempos de egoismo to profundo2 linguagem to do corao1 quando a maledicencia se tornou moda1 e se pavoneia como donaire2 fidelidade assim para com a amisade velha1 em terra onde as novas mesmo so apenas respeitadas2 pagar todo o pouco louvor que se deve1 ajuntando-lhe com alegria o que nunca chegar a ser merecido1 mas que nem por isso deixar de produzir mui fecundos estimulos para o bem2 e1 para remate de singularidade1 fazer tudo isto longamente1 e com inalteravel constancia1 a um homem desterrado pela fortuna para alm-mar por anno e dia1 que vale o mesmo que dizer1 a um morto e enterrado sem cipreste nem epitaphio444 eis aqui o que a ,v4 ,s4 o torna unico em merito1 e unico a mim tambem em felicidade4 ,forcejemos por nos conservar como ,deus nos fez3 coraes sinceros e amantes1 almas impermeaveis s invejosas malevolencias1 que to boas coisas estragam por esse mundo4 ,o systema1 que ,v4 ,s4 tem religiosamente seguido na nossa ,revista1 de exforar e coroar todas as boas vontades1 de animar e dirigir todos os principiantes1 de restaurar brios a todos os desanimados1 em summa de manter n'essa folha um honrado campo de exercicios1 de emulaes sem odio1 e de premio para todos sem distinco1 quanto a mim o mais glorioso1 o mais patriotico1 e o mais eminentemente moral1 de quantos systemas se podem adoptar em jornalismo4 ,para almas pequenas teria uma inconveniencia1 que a de semear ingratides muito feias e ruins4 ,mas onde estaria o merecimento do bem-fazer1 se todos fossem agradecidos8 ,como experimentado falo3 o melhor travesseiro1 onde uma cabea1 que j quer ir branquejando1 se pode reclinar para bons somnos1 melhores sonhos1 e optimas vigilias1 o bem que se fez sem esperana de retribuio1 e as amarguras passageiras1 que maldosamente nos deram a tragar4 ,continue pois ,v4 ,s4 no seu apostolado1 baptisando1 confirmando1 e convertendo1 principalmente a pobre gente moa e inexperiente1 para a unica verdadeira religio terrestre1 a illustrao e a moralidade4 ,o que havia de empregar comigo1 j muito conhecedor1 e muitissimo desencantado1 das vaidades litterarias1 d o exclusivamente gerao nova1 que1 atravez de tropeos e quedas1 vai caminhando para muito grandes destinos4 ,quanto a mim1 presente de j pouco futuro1 e passado que a fortuna desfloriu e quebrou antes do fruto1 c me ficarei sentado na pedra immovel do angulo da estrada1 seguindo1 com os meus votos de muito amor1 esse bando juvenil que marcha para o futuro1 por entre o qual vai por ventura mais de um que me ama1 e muitissimos a quem eu amo4 ,dia vir1 em que o actual ,redactor da ,revista1 depois de os ter fielmente acompanhado e dirigido1 se ha-de tambem1 l a diante1 assentar como eu hoje1 e seguil-os s com as saudades4 para ento1 meu bom amigo1 que o esperam as recompensas interiores1 as unicas de que ninguem nos pode defraudar4 ,solitario ento1 como eu hoje1 ,v4 ,s4 conversar1 mo por mo1 e horas largas1 com a sua consciencia2 porque emfim1 como diz um excellente ,poeta1 o bem que fazemos perfuma nos a alma2 sempre d'elle nos lembramos o nosso poucochinho4 ,entretanto1 meu caro e honestissimo escriptor1 nem ento deixar o seu distincto entendimento de pagar1 de algum modo1 ,patria e ,humanidade o que todos lhes devemos4 ,do escripto1 ,v4 ,s4 passar a obras mais positivas3 do desejar e do aconselhar1 ao emprehender e ao conseguir2 pois que eu mesmo1 sem ter ainda inteiramente despedido a ,musa1 a quem devi a pouca fama que me deram2 sem ter renunciado o meu logar no banquete commum dos escriptores conterraneos1 j me acho1 de feito1 e com todas as veras1 empenhado n'estas menos brilhantes1 mas no menos uteis1 tarefas do nosso seculo4 ,os meus poemas hoje so as escolas1 os methodos melhorados de ensino1 a instruco e civilisao dos operarios1 a esmola da doutrina s pobres almas infantis2 porque a doutrina moeda sem a qual esses pobresinhos nunca chegariam1 em tempo algum1 a poder mercar felicidade para si1 nem para as suas mulheres1 nem para os seus filhos1 se ,deus lh'os der1 nem para a sua ,patria4 ,mas444 este campo em que entrava agora vasto2 deixemol-o para outro dia4 ,eu lhe contarei1 para os seus leitores e nossos amigos1 o que n'este sentido j tenho feito com admiravel fortuna2 e o mais1 e muito mais1 a que se estendem os nossos projectos1 que a ,providencia1 segundo espero1 ha-de continuar a favorecer4 ,de ,v4 ,s4 etc4 ,a4 ,f4 ,,de ,,castilho ,,ii ,segunda carta ao mesmo ,meu estimavel ,amigo ,lisboa1 #h de ,maro de #ahdi ,fiel ao promettido1 relatarei summariamente1 por no consumir espao largo em to util folha1 o que tenho feito e projectado relativo ,instruco na nossa formosa ,ilha de ,s4 ,miguel4 aquelle1 meu bom ,amigo1 um torro bemdito quanto a fertilidade vegetativa1 e no menos pelo que respeita a bons engenhos e mos industriosas2 mas de to ruim estrella1 e to desamparado da ventura1 que1 podendo ter de tudo copiosamente1 de quasi tudo carece ainda4 ,attribuem muitos este desconcerto ao clima1 que dizem entibiar1 por sua molleza1 a energia do querer2 outros1 ao modo como a propriedade l se acha repartida2 outros teem para si que injustia1 desfavor e esquecimento da ,me ,patria que produziram1 e teem conservado1 aquelle atrazo4 ,eu por mim no rejeito explicao alguma d'estas1 e deploro que1 logo sobre uma das mais ricas joias da ,cora portugueza1 assim houvessem de cahir1 para a marear1 tres influxos to maleficos4 ,quanto ao clima1 que1 por quente e humido1 quebranta as vontades1 ao mesmo passo que pucha e encorpa todo o genero de plantas1 mal que no tem remedio4 ,a diviso da terra1 e a organisao da propriedade1 no nos pertence a ns reformal-as4 ,resta o desamparo da pobre enjeitada e desterrada no meio do ,oceano4 ,a esse respeito ha certamente muito e muitissimo1 que se pode1 e que por mil rases se deve1 fazer4 ,quando bem se adverte em que a ,ilha de ,s4 ,miguel se alistou na vanguarda do ,exercito libertador1 que generosa offereceu haveres e sangue pelo ,codigo e pela ,filha de ,dom ,pedro1 e se v ao presente quasi toda 7ou toda7 opposio1 impossivel desconhecer uma fora-maior1 que operou tal metamorphose2 porque estes ,insulanos nem so maus1 como alguns os pintam1 nem turbulentos1 nem loucos2 mas teem1 como todos1 o instincto da vida1 e o da justia4 ,defenda-me ,deus de fazer ao ,throno a injuria de suppr1 quanto mais de acreditar1 como alguns por l dizem no accesso da sua melancolia1 que1 de proposito e a acinte1 o ,governo os tem querido conservar sempre na ignorancia e abjeco1 pondo-lhes de industria magistrados malficos ou nullos1 difficultando-lhes a instruco1 expremendo-os1 torcendo-os1 exhaurindo-os do seu oiro1 e no lhes deixando d'elle com que fazerem nenhuma das faceis obras publicas de que mais carecem4 ,a verdade 1 todavia1 que1 por mal informado sobre as necessidades d'aquella ,provincia longinqua1 e por lhe no chegarem c os seus clamores1 o ,governo 7posto que sem imputao7 tem commettido1 deixado subsistir e crescer1 o mal1 at o ponto de no faltar por l1 mesmo no ,povo infimo e rudissimo1 mesmo na classe mais alta1 e nos mais distinctos entendimentos1 quem sonhe com as perigosas utopias de uma independencia4 ,no digo bem2 houve essas utopias2 hoje um ,governador ,civil s direitas1 como sempre l e por toda a parte os devra ter havido1 fez ver quelle bom ,povo que a ,soberana1 por quem se votou1 no ingrata2 elle lhe promove1 at onde pode1 as commodidades2 lana-lhes balsamo nas feridas1 que flagellos continuos lhes abriram2 administra justia prompta e inteira2 concilia os despeitados2 acompanha-os e precede-os pelo caminho franco do progresso illustrado2 o medico de todas as dres1 o procurador de todas as minguas para que no basta a sua autoridade4 ,graas aos seus exforos1 todas as parcialidades vo a convergir para o grande centro2 todas as foras conspiram j para a luz1 para o trabalho1 e para a civilisao4 ,a ,revista extranha ,politica2 tambem eu o sou2 mas isto no ,politica2 pelo menos no o do genero1 especie1 e variedade1 d'aquellas com que nada queremos2 um paragrapho singelo de ,historia1 util por mais de uma via1 e que em resultados praticos pode ser fecundo4 ,julguei dever aproveitar-me da occasio de confial-o a um papel sincero e acreditado1 no s para exemplo e incentivo1 mas tambem para galardo e desafronta1 pois me consta que j linguas mexeriqueiras andam por ahi no seu costumado officio de desacreditar e empecer ao que no podem imitar4 ,o que nenhuma voz se atreveria a proferir hoje em ,s4 ,miguel contra o chefe administrativo1 pois em logar de eccos s provocaria indignao ou risadas1 vem1 cobarde e maldosamente1 espalhal o aqui1 por saberem que entre as suas calumnias e a verdade est um fosso de #bab leguas de ,oceano4 ,ora1 como os cros de milhares de benos1 de to longe1 devem aqui soar menos que as invejinhas presentes1 que por todas as abertas se insinuam1 e quanto mais despreziveis mais vo zumbindo1 julguei dever de consciencia levantar por cima d'esse sussurro1 pequeno1 anonymo1 e ingratissimo1 um brado forte e independente4 ,quem affirma e sustentar que ,san ,miguel no teve ainda cabea administrativa mais zelosa1 mais energica1 mais intelligente1 nem mais bemquista1 nem mais promettedora em tudo e por tudo de uma era nova1 que o sr4 ,d4 ,pedro da ,costa de ,sousa de ,macedo1 quem o affirma e sustentar1 quem assigna1 com todas as lettras de seu proprio nome1 esta carta4 ,qualquer dos invejosos ou inimigos d'aquella ,ilha1 que houver dito o contrario1 que levante a luva e descubra o rosto4 ,com esta condio1 achar-me-ha na estacada prompto a dar-lhe razo do dito4 ,nem um1 meu ,amigo1 nem um ha-de apparecer2 afiano-lh'o eu2 e se apparecer1 tanto melhor2 justia e verdade no se acrisolam seno ao fogo#g4 ,a alguem parecer que1 para ser em materia incontroversa1 e alheia1 j tenho deixado correr o preambulo por fra das medidas2 mas no assim1 pois1 por uma parte1 a zizania que s mos cheias se espalha1 e se rega convenientemente1 ainda que de certo no ser com chuvas de ,danae1 sempre a final damna o bom gro2 e quanto a serem-me extranhos estes interesses1 tambem o no so1 porque defendendo o sr4 ,sousa de ,macedo1 no advogo simplesmente o interesse publico1 no me limito em servir ao amigo como amigo1 e1 como escriptor1 a um excellente engenho portuguez1 se no que arrazo pelo meu proprio credito4 ,sim1 os nossos inimigos so communs2 communs as accusaes que nos fazem4 ,segundo elles1 quando escrevem e imprimem1 ambos somos miguelistas2 segundo elles1 quando falam1 ambos somos republicanos1 communistas1 sansimonistas1 fourieristas1 e no sei que mais4 ,segundo elles1 por fora1 ambos somos flagellos da ,clera ,divina4 ,e porqu8 porque1 l por dentro1 bem sabem elles to bem como ns mesmos1 to bem como toda a ,ilha de ,s4 ,miguel1 que1 se temos ambio1 s de contribuirmos cada um com todos os seus meios1 e com os que o outro lhe possa proporcionar1 para a maior felicidade moral e physica do maior numero2 para a educao e instruco do ,povo2 para a prosperidade e esplendor da terra2 para o restabelecimento da harmonia entre os visinhos1 e entre os mais apartados dominios do mesmo ,reino4 ,os actos magnificos da sua1 apenas encetada1 carreira publica1 o jornal verdadeiramente cartista de ,s4 ,miguel1 ,a ,verdade1 os tem enthesoirado2 o jornal mesmo da opposio n'aquella ilha os tem recebido com louvor2 o ,povo1 com agradecimento2 o ,throno1 com satisfao4 ,quanto a mim1 homem obscuro1 e quasi sem foras proprias alm da boa-vontade1 relevar-se-me-ha que n'um jornal1 destinado a viver como livro1 lance como um protesto contra calumniadores1 a meno do pouco bem que desejei1 e talvez consegui1 fazer em terra portugueza4 ,no por vangloria que me fao ,homero da minha ,iliada2 porque o curar do bom-nome um dever religioso2 e apresentar estimulos para que outros faam mais e melhor1 um dever social2 e o deixar exemplos de ,patriotismo a filhos1 um dever natural1 o mais suave e o mais santo de todos os deveres4 ,entre as lastimas1 que em ,s4 ,miguel fui descobrir 7bem contra o que de tal ,ilha me haviam pintado71 as que mais me doeram foram3 a grande mingua de instruco para o ,povo1 alis aptissimo para toda a especie de boa doutrina2 a carencia de estimulos1 que de alguma sorte neutralisassem a perguia natural2 e a pouquissima1 e quasi nenhuma1 convivencia dos moradores4 ,a todos estes males me pareceu que poderia acudir uma ,sociedade1 se jmais se chegasse a organisar1 que sinceramente posesse peito a crear escolas com bons methodos2 a accender emulaes entre artistas e artifices2 e a pr no possivel contacto as differentes classes4 ,uma ,sociedade de ,agricultura1 que j ali existia1 prestantissima para o seu grande fim1 era comtudo extranha a todos estes1 que a mim se me representavam como de primeira necessidade e urgencia4 ,coadjuvando pois os empenhos d'essa ,sociedade exemplar1 como redactor que tive a honra de ser1 do seu periodico1 e com algumas propostas1 que ella se dignou de me acolher benevola#h1 comecei a tratar1 ao mesmo tempo1 com alguns poucos amigos1 de instituir outra1 e mais ampla1 ,sociedade de ,lettras e ,artes4 ,nunca jamais a fortuna sorrira to benigna a projectos meus4 ,crescemos de semana para semana1 at ao ponto de em minha casa no cabermos1 ser-nos foroso irmos celebrar no theatro as nossas sesses1 e passarmos hoje de quatro centos1 incluindo-se n'esta conta o ,prelado1 o ,vigario geral1 o ,governador ,civil1 o ,militar1 o commandante da fora armada1 o ,administrador do ,concelho1 o ,presidente da ,camara ,municipal1 o ,presidente e outros ,juizes da ,relao1 o ,juiz de ,direito1 o ,delegado do ,procurador ,regio1 em summa1 tudo que a cidade de ,ponta-,delgada possue de mais alto1 de mais illustre1 de mais instruido1 e de mais patriotico1 sem falar em muitas senhoras respeitabilissimas1 que promptamente se fizeram inscrever para esta cruzada de civilisao4 ,a ,sociedade acha-se pois por sua parte constituida1 e os seus estatutos j subiram ,real ,presena para obterem approvao4 ,os beneficios que ella tem produzido1 sendo apenas recem-nascida1 se no egualam1 nem s publicas necessidades1 nem aos nossos desejos1 so j todavia attendiveis1 e promettedores de muito maiores4 ,a ,exposio da ,industria ,michaelense1 desde o dia de ,natal do anno proximo passado at muito depois dos ,reis1 foi mais que um espectaculo imprevisto e maravilhoso3 foi um fomento efficacissimo ao trabalho e natural habilidade dos habitantes4 ,quatro grandes salas continham apenas os productos1 que ahi se apinharam1 offerecidos admirao de cerca de vinte mil visitadores1 incluindo n'esse numero os repetentes4 ,em todos os generos appareceram primores1 e muitos em desenho e pintura1 em gravura1 em escultura1 em flores artificiaes1 de seda1 de lan1 de cabello1 de pennas1 de cera1 de conchas2 bordados1 obras de ourives1 de galvanisador1 de doirador1 de ferreiro1 de serralheiro1 de cuteleiro1 de carpinteiro1 de marceneiro1 entalhador e torneiro1 de machinismo1 de tecelagem1 de fiao de linho1 de algodo1 e de seda2 de encadernao1 etc41 etc41 etc4 ,a ,ilha mesma ficou admirada das riquezas industriaes1 que possuia sem o saber4 ,accenderam-se-lhe novos brios com este documento irrefragavel de suas foras2 e tudo nos faz esperar1 que a seguinte exposio no ceder a esta em esplendor4 ,o que n'este momento as ,ilhas ,canarias esto forcejando por conseguir1 j existe pois nas dos ,aores1 graas ao poder da associao4 ,as escolas so outro bem1 menos brilhante sim1 porm ainda mais slido que o precedente4 ,as que no gremio da ,sociedade se acham j trabalhando1 so3 tres de ,leitura2 uma de ,doutrina christan2 uma de ,arithmetica2 uma de ,geometria applicada s ,artes2 uma de ,desenho de figura e paizagem2 uma de ,poetica e ,declamao2 uma de ,hygiene2 uma de ,francez1 para senhoras2 uma de ,inglez1 para homens2 uma de ,geographia2 uma de ,encadernao4 ,,aulas ,,abertas1 ,,mas ,,ainda ,,espera ,,de ,,discipulos uma de ,agrimensura2 uma de ,desenho topographico2 uma de ,dana2 uma de ,torno2 uma de ,pyrotechnia4 ,,aulas ,,em ,,projecto uma de ,economia politica2 uma de ,historia2 uma de ,gymnastica2 uma de ,natao2 uma de ,calligraphia2 uma de ,musica4 ,das aulas em actividade1 as que teem dado mais satisfatorios resultados so3 as de ,leitura1 a de ,arithmetica1 a de ,geometria1 e a de ,desenho de figura e paizagem1 que1 por ter sido de todas a primeira fundada1 e a que abriu to nobre exemplo1 merece especial meno4 regida pelo ,director do ,lyceu ,aoriano1 o snr4 ,pedro de ,alcantara ,leite4 ,em realidade1 meu bom ,amigo1 ha j1 n'aquelle nascente complexo de estudos uteis1 alguma coisa que para o nosso mesmo ,portugal poderia servir de exemplo4 ,a ordem e a boa policia das classes2 o canto religioso1 com que os alumnos se preparam para o trabalho1 invocando a ,graa ,divina#i2 o amor que manifestam aos seus generosos mestres1 sem prejuiso do respeito e da atteno2 o contentamento com que s lies assistem2 o fruto que tiram dos methodos simplices1 racionaes1 e aprasiveis1 que ahi se empregam2 tudo isto j muito1 e no seno um comeo2 pois somos de hontem1 se pode dizer4 ,o que os ,amigos das ,lettras e ,artes1 que j por ahi algum velhaco semsabor1 por ter talvez ouvido falar de phalansterios1 acoimou de phalansterianos1 o que os ,amigos das ,lettras e ,artes1 digo1 teem j concorrido para desenvolver o espirito de sociabilidade1 nem os mais pirronicos o poderiam negar4 ,o oitavario de ,santa ,cecilia#aj1 por elles celebrado1 com poesia e musica1 no theatro de ,s4 ,sebastio2 as tres noites de saru artistico1 no decurso da ,exposio2 as proprias sesses ordinarias2 so documentos incontroversos d'esta verdade4 ,ahi se teem visto1 e se vem1 reunidos1 misturados1 com a mais irreprehensivel decencia1 com perfeita satisfao mutua1 os artifices1 os artistas1 os nobres1 e os litteratos2 o morgado1 e o operario que sua e vla para sustentar os filhos2 os magistrados mais consideraveis1 as damas das melhores familias1 e o mechanico sem nome1 mas no sem virtudes4 ,feliz commercio1 em que todos lucram6 os pequenos1 aprendendo1 no trato das pessoas educadas1 as maneiras faceis1 elegantes1 decentes1 que lhes faltavam2 os grandes1 educando assim indirectamente o povo1 com quem foroso viverem1 e forrando-se por consequencia1 para o futuro1 o dissabor de muita grossaria4 ,se d'estes phanlasterios se pode alguem queixar1 no sero seno os apologistas da taberna1 e certas outras casas no menos moraes e honestas4 ,o amor do trabalho tem recebido notavel impulso do complexo de tudo isto1 e de outra causa ainda1 que far rir os nescios1 mas que nenhum espirito dotado de philosophia deixar de entender3 falo do ,hymno do trabalho#aa1 brilhante composio musica de um dos ,socios1 o snr4 ,moraes ,pereira4 ,este ,hymno tornou se de repente o mais popular dos cantos em toda a superficie da ,ilha2 as vozes1 os instrumentos1 o assobio1 o repetem de continuo pelas ruas1 pelas salas1 pelas officinas1 na lavoira1 no theatro1 nas escolas1 em toda a parte4 quella constante exhortao ,trabalhar1 meus irmos1 que o trabalho riqueza1 virtude1 vigor4 ,d'entre a orchestra da serra e do malho brotam vida1 cidades1 amor4 tem-se visto muito brao1 que desfallecia com a perguia1 reforar-se para a tarefa4 ,o malho e a serra mesmos1 como que se magnetisam4 ,se eu tivesse uma officina de qualquer industria1 quereria que os meus obreiros cantassem1 em cro e a miudo1 aquelle ,hymno4 ,se a grave ,allemanha me ouvisse isto1 no me negaria a raso4 ,aqui tem1 meu bom ,amigo1 o que j hoje a incalumniavel ,sociedade dos ,amigos das ,lettras e ,artes em ,s4 ,miguel4 ,os seus destinos ulteriores1 quem os calcular8 ,avivente-a ,deus1 que teem de ser immensos2 tantos1 tamanhos1 e to esperanosos so os bons engenhos1 habilidades1 e desejos d'aquelles nossos optimos irmos insulanos6 ,para assegurar1 do possivel modo1 fora e estabilidade a tal instituto1 em terra to necessitada1 e to propria d'elle1 pareceu-me que devia a ,sociedade radicar-se1 e tornar-se independente de inconstancias e entibiamentos de vontades4 ,para isto1 duas coisas eram1 a meu ver1 necessarias3 grangear-lhe casa1 e dote4 ,de um e outro alvitre me riram a principio1 como de utopia rematada4 ,nem por isso descorooei4 ,puz-me capa aguardando mono1 e no tardou4 ,hoje1 nem na ,sociedade nem fra d'ella ha j quem no acredite firmemente em que de donativos e esmolas1 esmolas em dinheiro1 em generos1 e em trabalho1 havemos de levantar um dote e uma casa ,sociedade1 assim como os ,frades erigiram conventos1 e para os conventos grangearam rendas4 ,os ,frades pediam em nome do ,ceo1 eram acreditados1 obtinham2 ns havemos de pedir em nome da humanidade1 e do ,ceo tambem1 e havemos de obter egualmente1 porque o nosso pequeno passado j1 aos olhos de toda a gente1 o fiador do nosso prestimo4 ,a casa que meditamos1 e que eu j d'aqui antevejo feita em menos de um anno1 para as nossas escolas1 para o nosso theatro de declamao1 para as nossas sesses1 para a nossa bibliotheca1 para o nosso museu1 para as nossas exposies1 para os nossos concertos musicos1 para o nosso basar de productos industriaes1 em summa3 para toda a especie de bons servios publicos4 ,como poderia o ,publico deixar de nos favorecer na edificao1 at lhe prmos a ultima telha1 o ultimo prego1 e o ultimo vidro8 ,elle e ns havemos de acarretar1 todos1 pessoalmente1 a pedra a areia se fr preciso4 ,ns por entre elle havemos de ir de povoao em povoao1 de casal em casal1 sem vergonha e com alegria1 a p e de sacco s costas1 mendigando para a obra santa4 ,quando ns e o povo assim estamos determinados a cumprir o nosso dever poderiam o ,governo e o ,parlamento1 que so a providencia grande do ,reino1 deixar de nos coadjuvar8 ,no podiam nem podem4 por isso que1 a par dos ,estatutos para a ,real approvao1 eu j fiz subir ao ,throno a petio com que1 em nome e como presidente da ,sociedade1 supplico se nos conceda um pequeno terreno nacional1 ha j annos devoluto1 sobre que edifiquemos4 ,grande1 pingue1 rendosissimo que elle fosse1 nol-o deveriam outorgar1 pois nenhum uso se poderia jmais d'elle fazer mais proveitoso e abenoavel do que este4#ab ,oxal que em muitas partes do ,reino se levantassem institutos eguaes1 sollicitando e obtendo eguaes ou ainda maiores concesses6 ,para mais facilitar a graa que sollicitamos1 e ao mesmo tempo para nos adstringir mais observancia dos nossos deveres1 eis aqui uma clausula do requerimento1 consignada no menos nos ,estatutos3 ,se em algum tempo 7o que ,deus no permitta7 a ,sociedade dos ,amigos das ,lettras e ,artes deixar de existir1 isto 1 se algum dia deixarem de apparecer as suas obras beneficas1 a sua casa e bens passaro para o usufruto do ,hospital do ,districto1 e l ficaro at que1 ou com os mesmos individuos ou com outros1 mas com os mesmos estatutos1 e para os mesmos fins1 a ,sociedade reapparea4 ,meu caro e incanavel obreiro de civilisao1 apadrinhe com a grande autoridade da sua philosophica e eloquente folha1 esta petio1 a mais justa1 a mais desinteressada1 a mais nobre1 que em nenhum tempo se fez2 no para que a despachem1 que para ahi no cabem duvidas1 mas para a maior brevidade do despacho4 ,cada dia que se perde para as obras de instruco e moralisao um mal1 e so males infinitos que se no ressarcem4 ,de ,v4 ,s4 etc4 ,,antonio ,,feliciano ,,de ,,castilho4 ,,notas ,,de ,,rodap3 #g ,de feito1 nem um appareceu2 mas os mexericos sollapados progrediram1 e por derradeiro triumpharam4 ,castilho4 #h ,acham-se impressas no #b4 tomo do ,agricultor ,michaelense4 ,,castilho #i ,este canto no fim da presente carta se pode ver4 #aj ,foi uma esplendida festa4 ,a #b4 das tres peas de poesia que se acham depois d'esta carta o ,hymno de ,santa ,cecilia1 que o autor para esse fim compoz4 #aa ,no fim d'esta carta se publica apoz o ,hymno de ,santa ,cecilia4 ,,castilho4 #ab ,pelo ,ministerio do ,reino nada foi possivel conseguir-se2 raso por que1 perdidas d'aquella parte as esperanas1 se recorreu ao ,parlamento1 com a petio que ao diante se ler4 ,,castilho4 ,,ii ,,invoca,o ,a ,,deus ,,antes ,,de ,,come,,ar ,o ,,estudo ,posta em musica1 para uso das escolas dos ,amigos das ,lettras e ,artes em ,s4 ,miguel pelo ,snr4 ,dr4 ,joo ,jos da ,silva ,loureiro e #b4 vez em ,lisboa pela ,snr4 ,d4 ,carolina ,smith ,rosier ,tu cujo amor em canticos celebram sem cessar o mundo dos espiritos1 o ,ceo1 a terra1 o mar1 ,senhor1 acolhe as supplicas de pobres filhos teus6 ,illustra-nos6 melhora-nos6 ampara-nos1 ,deus6 ,a luz--disseste--faa-se4 ,e a noite em luz se fez4 ,dissipe egual prodigio a sombra em que nos vs4 ,nas trevas da ignorancia no medra o santo amor4 ,illustra-nos6 amemo-nos6 ,senhor6 ,senhor6 ,senhor6 ,,iii ,,hymno ,,de ,,santa ,,cecilia ,,na ,,festa ,,da ,,sociedade ,,dos ,,amigos ,,das ,,lettras ,e ,,artes ,,em ,s4 ,,miguel ,,posto ,,em ,,musica ,,pela ,,snr4 ,d4 ,,leonor ,,vidal ,,dalhunty ,musa das castas citharas de ethrea melodia1 ,anjo1 ,mulher1 ,cecilia1 salve em teu festo dia6 ,da terra aos ,ceos elevem-se nas azas das canes a ti nossos espiritos e nossos coraes6 ,melhor que o incenso1 a musica1 do ideal linguagem bella1 os ineffaveis jubilos mente nos revela4 ,dos sentimentos plcidos1 do amor1 da paz1 do bem1 ella1 invisivel mgica1 ella o segredo tem4 ,musa christan1 confirma-nos o ardor que ao bem nos guia4 ,auspicioso aos miseros finde o teu festo dia4 ,,iv ,,hymno ,,da ,,sociedade ,,dos ,,amigos ,,das ,,lettras ,e ,,artes4 ,,exhorta,o ,,ao ,,trabalho ,,com ,,musica ,,do ,,snr4 ,,jo,o ,,luiz ,,de ,,moraes ,,pereira ,,voz ,no regao do luxo a opulencia os canassos do ocio maldiz4 ,entre as lidas sorri a indigencia2 co'o po negro se julga feliz4 ,c,,ro ,trabalhar1 meus irmos1 que o trabalho riqueza1 virtude1 vigor4 ,d'entre a orchestra da serra e do malho brotam vida1 cidades1 amor4 ,,voz ,deus1 impondo ao peccado a fadiga1 t na pena sorriu paternal3 s quem vence a perguia inimiga reconquista o edn terreal ,c,,ro ,trabalhar1 meus irmos1 etc4 ,,voz ,quem d graas aos ,ceos ao sol posto8 ,quem lh'as d vendo a aurora raiar8 o obreiro2 o suor lhe enche o rosto1 mas seus dias no turva o pesar4 ,c,,ro ,trabalhar1 meus irmos1 etc4 ,,voz ,o que vive na inercia aborrida no somente de irmos roubador2 suicida1 e mais vil que o suicida2 suicida1 a quem falta o valor4 ,c,,ro ,trabalhar1 meus irmos2 etc4 ,,voz ,caia opprobrio no vil ocioso1 que desherda o presente e o porvir4 ,s noite compete o repouso2 s aos mortos o eterno dormir4 ,c,,ro ,trabalhar1 meus irmos1 etc4 ,,voz ,mar e terra1 ar e ceo1 tudo lida4 ,deus a todos poz luz e deu mos4 ,lei suprema o trabalho na vida4 ,trabalhar1 trabalhar1 meus irmos6 ,c,,ro4 ,trabalhar1 meus irmos1 que o trabalho riqueza1 virtude1 vigor4 ,d'entre a orchestra da serra e do malho brotam vida1 cidades1 amor4 ,v ,extracto da ,revista ,universal ,lisbonense de #bf de ,abril de #ahdi ,a hora muito adiantada tivemos noticia do ,requerimento1 que ao diante publicamos1 dirigido ,camara dos ,senhores ,deputados pelo ,snr4 ,a4 ,f4 de ,castilho1 como ,presidente da ,associao dos ,amigos das ,letras e ,artes estabelecida em ,s4 ,miguel4 ,sobre a importancia e grande urgencia do assumpto diz o ,requerimento quanto basta para que a ,camara no demore uma deciso1 que ser para ella um padro de gloria1 que no morre4 para louvar o modo honroso1 com que o ,secretario1 o snr4 ,mexia1 apresentou este ,requerimento4 ,oxal que to bom principio seja signal de breve e favoravel resoluo4#ac ,em o numero proximo1 e na presena de documentos e factos incontestaveis1 faremos por chamar a atteno do ,governo1 da ,camara1 e do ,publico1 sobre materia de to alto interesse ,,notas ,,de ,,rodap3 #ac ,adiante se encontra a fala do sr4 ,mexia4 ,,castilho4 ,,vi ,requerimento ,camara dos ,senhores ,deputados ,,senhores3 ,existe hoje nos confins dos estados ,portuguezes uma ,sociedade1 talvez sem exemplo1 que nasceu grande1 possante1 auspiciosa1 e1 em poucos mezes de existencia1 apresenta j momentosos1 copiosissimos1 e incontestaveis resultados para a illustrao e ventura do ,publico4 ,esta ,sociedade a dos ,amigos das lettras e artes em ,s4 ,miguel1 cujos ,estatutos j em #c do corrente ,abril foram confirmados por ,s4 ,m4 ,f4 ,quando se v1 ,senhores1 o que uma tal organisao germinalmente contm de sciencia de moralidade1 de prosperos fados para as geraes que teem de vir1 e j mesmo para esta1 impossivel no a abenoar1 desejando-lhe vida sem limite4 ,para o fim de a conseguir1 ella pz no remate dos seus ,estatutos1 como chave de abbada1 a declarao de que era immortal1 como o sentimento de beneficencia que a produzira2 e1 para realisar esse nobre sonho de ambio humanitaria1 determinou fundar para si1 isto 3 para suas escolas1 bibliotheca1 museu1 representaes scenicas1 exposies1 etc41 uma formosa casa1 e uma dotao sufficiente2 com a expressa condio de que1 se por algum imprevisto concurso de circumstancias1 a sua benefica existencia cessasse de se manifestar1 dotao e casa passariam ipso facto para o usufructo do ,hospital de ,ponta-,delgada1 o qual1 a todo o tempo que a mesma ,sociedade recomeasse os seus trabalhos1 ficaria obrigado a fazer-lhe de tudo fiel e promptissima restituio2 providencia esta1 que mereceu a approvao de ,s4 ,m4 ,f41 como sem duvida obter tambem a vossa4 ,a ,sociedade no se dissimula1 ,senhores1 que uma casa e uma dotao assim1 tanto no so empreza facil1 que primeira vista devem parecer um puro sonho de devaneadores philanthropicos4 ,entretanto no ha j hoje n'aquella ,cidade e ,ilha1 quem no esteja convencido da mais que probabilidade da realisao certa de tal desiderandum1 s pelo meio dos donativos1 esmolas1 e servios gratuitos1 tanto dos ,socios1 como de extranhos ,sociedade2 graas aos milagrosos frutos1 que todos teem visto brotar da nossa ,exposio da ,industria michaelense1 e das nossas incanaveis ,escolas1 de ler1 de arithmetica e geometria applicada s ,artes1 de ,doutrina christan1 de desenho de figura e paizagem1 de francez1 de inglez1 de poetica e declamao1 de musica1 de hygiene1 etc44 ,a perguia1 doena espordica em toda a parte1 mas ali peste geral e antiquissima1 tem j singularmente diminuido com esta maravilhosa excitao dada a todas as coisas uteis pela ,sociedade dos ,amigos das ,lettras e ,artes2 o ,hymno do trabalho canta-se j em toda a superficie da ,ilha1 e o seu amor vai-se filtrando do canto para as obras4 ,como poderia pois a populao deixar de contribuir gostosa com esmolas1 que a final no so dadas seno a ella mesma e a seus filhos8 ,com esmolas de cobre se fundaram e dotaram conventos1 como palacios de ,monarchas1 nos seculos de ,f4 ,n'esta edade de interesses materiaes1 e de illustrao1 poderia o bom senso fazer menos em favor do nosso ,instituto8 ,a ,sociedade vem pois1 ,senhores1 vossa respeitavel presena supplicar lhe coadjuveis a projectada edificao do seu ,solar de ,lettras e ,artes1 cedendo mesma ,sociedade a pequena crca do extincto convento da ,conceio d'aquella ,cidade1 hoje palacio do ,governo ,civil1 com a adjacente rea e ruinas da egreja de ,s4 ,jos4 ,a planta1 que1 junto com este requerimento se offerece vossa considerao1 bem claramente mostra no haver excesso no pedido1 pois n'aquelle pouco terreno se teem de erigir salas1 escolas1 basar1 officinas1 e theatro1 de que no ha um unico publico1 n'uma ,cidade de tanta importancia2 devendo ficar ainda sufficiente espao descoberto para exercicios gymnasticos1 to conducentes para a boa creao physica4 ,o informe que o ,ex4 ,governador ,civil do ,districto de ,ponta-,delgada dirigiu ao ,governo sobre esta preteno1 deve necessariamente concordar com o exposto1 e dar a conhecer1 por outra parte1 ser aquelle um terreno1 que se acha ha annos devoluto4 ,nunca propriedade nacional haver sido mais util1 nem mais louvavelmente empregada1 do que esta1 que em menos de um anno1 a datar da concesso1 estar convertida em um manancial de instruco1 de moralidade1 de affecto para com um ,governo1 que no perde occasio de felicitar os povos4 ,lisboa #bd de ,abril de #ahdi4 ,o ,presidente da ,sociedade dos ,amigos das ,lettras e ,artes em ,s4 ,miguel ,a4 ,f4 ,,de ,,castilho4 ,,vii ,fala do ,secretario da ,camara ,electiva o ,snr4 ,joo de ,sande e ,magalhes ,mexia ,salema na sesso de #be de ,abril de #ahdi fielmente trasladada do ,diario das ,crtes ,sr4 ,presidente ,desci de proposito d'esse logar da meza1 para no declinar a honra1 que ha pouco recebi1 de ser incumbido pelo sr4 ,antonio ,feliciano de ,castilho1 de apresentar a esta ,camara uma representao da ,sociedade dos ,amigos das ,lettras e ,artes de ,s4 ,miguel1 de que elle dignissimo ,presidente1 em que se pede a concesso da crca do extincto convento da ,conceio1 para n'ella levantarem o edificio do seu solar de ,lettras e ,artes4 ,ha momentos1 que recebi esta representao2 de um rapido lanar de olhos sobre ella1 conheci a importancia e urgencia do objecto4 ,alm da natureza d'este1 a ,camara sabe avaliar a considerao1 que merece uma corporao scientifica1 pedindo auxilio dos ,eleitos do ,povo2 e muito mais1 tendo sua testa um nome to conhecido1 no s na ,litteratura portugueza1 como tambem na ,litteratura europa4 ,n4 ,b--,o requerimento foi mandado para a ,commisso de ,fazenda2 de l passados poucos dias1 ao ,ministerio da ,fazenda1 para informar2 d'este ao ,tribunal do ,thesoiro1 para o ouvir4 ,em todas estas tres estaes se deram ao requerente as mais agradaveis esperanas4 ,eis ahi o que at hoje1 que isto se imprime 7#bd de ,novembro de #ahdi17 pode na materia historiar4 ,a4 ,f4 ,,de ,c4 ,,viii ,excerpto da ,revista ,universal ,lisbonense de #c de ,maio de #ahdi ,concesso do terreno para as escolas da ,sociedade dos ,amigos das ,lettras e ,artes em ,s4 ,miguel ,o nosso promettido artigo acerca da mui patriotica ,sociedade dos ,amigos das ,lettras e ,artes fica perfeitamente substituido pelo ,memorial1 que ao deante publicamos1 feito pelo seu digno ,presidente o snr4 ,castilho4 ,a brevidade que este negocio requer inquestionavel2 mistr no deixar esfriar a f dos poucos mas honrados ,portuguezes1 que ainda teem animo para se interessarem pela verdadeira fortuna da ,nao4 ,oxal que to repetidas instancias influam1 no s nas ,camaras ,legislativas1 mas tambem no ,governo1 para que se no perca o ensejo de completar um grande pensamento4 ,,memorial ,ill4 ,ex4 ,snrs4 ,em nome e como ,presidente da ,sociedade dos ,amigos das ,lettras e ,artes em ,s4 ,miguel1 tive a honra de vos dirigir um requerimento1 para que o ,governo fosse autorisado a metter a mesma ,sociedade de posse de um pequeno cho nacional1 para n'elle se edificarem1 nossa custa1 casas para as nossas escolas1 para as nossas sesses1 museu1 bibliotheca1 basar industrial1 theatro1 etc44 ,esse requerimento foi pela ,camara remettido sua respectiva ,commisso4 ,o meu fim1 n'este ,memorial1 ,ill4 e ,ex4 ,snrs4 sollicitar para a deciso d'este negocio a maior urgencia4 ,a ,sociedade nasceu1 e tem produzido para o ,publico beneficios consideraveis1 sem concurso algum da fora publica1 por effeito unicamente da sua boa vontade e perseverana1 como se prova pelo ,relatorio impresso1 que eu ajuntei ao mesmo requerimento4 ,todavia1 para que a nossa existencia continue1 e o publico michaelense no seja privado dos frutos de instruco1 que j comea a colher1 e mesmo para que o nosso exemplo de illustrado e desinteressado patriotismo possa vir a ser imitado n'este ,reino1 at hoje to baldio para a civilisao intellectual1 indispensavel que depois de approvados1 como j o estamos1 pelo ,governo1 se nos faa a requerida concesso1 prompta e incessantemente4 ,o adiamento seria matar-nos a f1 e conseguintemente mallograr1 do modo mais vergonhoso e barbaro1 os bens que podmos1 queremos1 e sabemos1 produzir1 como demonstrado4 ,eu faria offensa1 tanto aos vossos entendimentos1 como ao vosso amor patrio1 se1 mesmo hypotheticamente1 admittisse aqui1 para a combater1 a objeco da pobreza4 ,querer vender1 para obter algum conto de ris1 que nos no pode salvar1 um cho1 que no vendido deve produzir muita illustrao1 fra uma simonia horrorosa1 e deploravel1 uma torpeza1 de que ninguem seria capaz1 quanto mais um ,parlamento portuguez6 ,outras consideraes ha na petio a que alludo1 e que vos foi presente1 as quaes de certo vos decidiro a despachal-a1 no s bem1 mas immediatamente4 ,abstenho-me de as reproduzir1 e mesmo de ajuntar outras muitas1 no menos ponderosas1 por no vos tomar superfluamente o tempo1 que deveis a tantos outros importantissimos1 ainda que no mais importantes1 negocios do ,estado4 ,lisboa1 #c de ,maio de #ahdi ,a4 ,f4 ,,de ,,castilho4 ,,ix ,artigo do dia no ,diario do ,governo de #g de ,maio de #ahdi ,lisboa1 #f de ,maio4 ,um pensamento elevado1 patriotico1 e civilisador1 dotou ha poucos tempos a ,ilha de ,s4 ,miguel com uma das mais uteis e illustradas instituies1 que se podem organisar em honra e beneficio da civilisao de qualquer povo4 ,essa instituio1 intitulada ,sociedade dos ,amigos das ,lettras e ,artes em ,s4 ,miguel1 deu comeo n'esta ,ilha a uma era inteiramente nova para a vida moral e physica dos seus habitantes4 ,abrindo as suas portas a todas as classes1 admittindo em seu seio todos os que amam e cultivam as ,lettras e ,artes1 todos os que desejam vel-as prosperar1 todos os que aspiram a iniciar-se nos seus mysterios1 de repente se fez poderosa pela concorrencia de muitas intelligencias1 e de muitos exforos encaminhados e excitados por uma alma energica e perseverante1 que toda enthusiasmo e devoo pelas ,lettras1 e que toda se abraza em verdadeiro e acrisolado amor da ,patria4 ,dentro em pouco esta ,associao1 composta de alguns centenares de pessoas1 desde a mais alta nobreza1 at mais humilde profisso1 incluindo as principaes ,auctoridades da ,ilha1 e tendo sua frente o seu instituidor e incanavel procurador1 o snr4 ,antonio ,feliciano de ,castilho1 abriu ao ,publico aulas1 de leitura1 de ,doutrina christan1 de arithmetica1 de geometria applicada s ,artes1 de desenho de figura e paizagem1 de poetica e declamao1 de hygiene1 de francez para senhoras1 de inglez para homens1 de geographia1 de encadernao1 de agrimensura1 de desenho topographico1 de dana1 de torno1 e de pyrotechnia2 e projecta abrir aulas de economia politica1 de historia1 de gymnastica1 de natao1 de calligraphia1 e de musica4 ,algumas d'aquellas aulas1 frequentadas por um numero consideravel de individuos1 numero que excedeu toda a expectao1 vo dando de si os melhores resultados4 ,fazendo nas suas salas uma ,exposio da ,industria michaelense1 reuniu abundantissima copia de productos1 to variados1 e muitos to excellentes1 que apresentaram um quadro bem esperanoso dos progressos industriaes d'aquella ,ilha#ad2 quadro que em breve ali se dever repetir2 accrescentado e melhorado sem duvida pelo poderoso estimulo e nobre emulao1 que o primeiro deveria produzir no animo de todos os industriaes4 ,d'est'arte1 esta sabia ,instituio vai fazendo convergir para um centro1 para um fim de utilidade geral1 as ideias e exforos dos moradores de ,s4 ,miguel2 e1 ao passo que attrai para esta obra de interesse publico1 vai fazendo tolerantes os partidos2 vai-lhes unindo os homens2 vai adoando os costumes1 e moralisando o ,povo pelas relaes da intima convivencia1 pelos apertados laos do interesse commum4 ,mas para que o pensamento d'esta ,associao se possa desenvolver como o concebeu seu illustre autor1 como o expressam os ,estatutos da ,sociedade1 j approvados pelo ,governo1 como o desejam todos os ,socios1 e com elles todos os ,michaelenses1 necessario um edificio1 com a capacidade e construco proprias para as diversas escolas1 para as sesses1 para uma bibliotheca1 para um museu1 para um theatro de declamao1 para uma sala de concertos musicos1 para as exposies1 e para um basar de productos industriaes4 ,lembrou-se a ,sociedade de o construir sua custa1 e para esse fim encarregou o seu ,presidente1 o snr4 ,antonio ,feliciano de ,castilho1 de vir pedir ao ,governo e s ,crtes a pequena cerca do extincto convento da ,conceio1 e a adjacente rea e ruinas da egreja de ,s4 ,jos1 para ali se fundarem os estabelecimentos da ,sociedade4 ,o requerimento j foi presente ,camara electiva1 e depois remettido ,commisso competente4 ,uma e outra1 dando a este negocio a importancia e considerao que elle merece1 esperamol-o com confiana1 no s o ho-de resolver favoravelmente1 mas com a brevidade que reclama um objecto de tamanho interesse publico4 ,x ,carta ao redactor da ,verdade1 semanario michaelense ,snr4 ,redactor ,permitti1 que eu tome na vossa folha um pequeno espao para um acto de gratido2 dal-o primeira de todas as virtudes no perdel-o4 ,entendimento superior1 vs comprehendeis que os interesses materiaes1 e intellectuaes1 que a vossa folha se encarregou de promover1 no so os unicos de que depende a felicidade publica4 ,tanto1 pelo menos1 como esses1 contribuem para ella o desempenho dos deveres moraes1 e os affectos nobres4 ,arrojou-me a adversidade 7se por ventura o era67 para esta ,ilha com tudo que eu mais amava4 ,cheio de boa f1 e com a minha illimitada benevolencia1 mas sob os mais ruins auspicios1 desembarquei n'ella2 vinha precisado de amar1 e no vi a quem2 de trabalhar1 e no achei em qu4 ,a diante de mim tinha vindo a mentira preparar-me o ruim gazalhado4 ,anoiteceu-se-me1 de todo1 o corao1 e esmoreci2 era mais um desencantamento1 depois de tantos2 era a ultima folha verde das minhas esperanas1 a cahir4 ,onde cuidra que viria renascer entre irmos1 para uns a outros nos amarmos muito1 dei com a peor das solides1 que tal sempre a que se encontra entre homens1 e que falam a nossa lingua4 ,perde ,deus a quem1 sem nenhuma raso para me querer mal1 me calculou1 urdiu1 e teceu essa teia de dias perdidos e noites veladas4 ,por mim lhe quizera eu tambem perdoar2 mas n'esses maleficios to gratuitos havia um quinho1 e largo1 para entes que eu amava mais que a mim proprio4 ,e1 ainda por cima1 se veio ao cabo a extranhar-me que eu no agradecesse o haver-se especulado com a nossa fome e ignomnia6 e porque arranquei as azas do visco com que se me tinham querido prender1 declararam-me guerra peor que de morte1 que assim se pode qualificar a da calumnia4 ,emfim1 perde-lhe ,deus1 j que em mim a natureza humana no pode tanto4 ,mas n'um dia de festa para o corao1 como este hoje o para mim1 devo dar de mo a todas essas coisas feias e desconsoladas1 ou antes1 hei-de agradecer a quem1 por isso mesmo que ento me fez curtir tamanhas penas d'alma1 concorreu 7ainda que sem o querer7 para dar mais realce s delicias que hoje desfruto4 ,so os jejuns do corao os que fazem as ,paschoas do amor4 ,passados aquelles primeiros tempos1 em que me parecia ter naufragado para aqui1 como para uma praia ou erma ou inimiga1 comearam de me alvorecer dias mais claros4 ,as falsas ideias que de mim se tinham mandado a diante1 foram-se desvanecendo4 ,conheceu-se1 e reconheceu se1 que eu no viera para a terra alheia para genero algum de malevolencia1 quanto mais para a mais perigosa e peor de todas as guerras1 a dos ,guelphos e ,gibellinos do seculo ,,xix2 que1 pelo contrario1 toda a minha preciso era a ,poesia e o ,amor1 corporificados no trabalho1 que illustra e civilisa4 ,ento os amigos comearam1 a um e um1 a apparecer-me2 e 7posso dizel-o1 sem que m'o hajam a vaidade7 tudo quanto por ahi havia de melhor em entendimento e vontade1 e no era pouco1 se me foi unindo em espirito e trato4 ,ressuscitei no meu cemiterio1 e vi-o cidade4 ,na terra do desterro respirei a peito cheio ares de ,patria4 ,tornei a achar no interior a alma1 e n'ella a esperana1 que murcha e no sca4 ,reaccendi a lampada da minha f social2 e tal e tanta encontrei1 em torno de mim1 a boa gente desejosa1 como eu1 das coisas do porvir1 e da felicitao do mundo pelo trabalho1 que1 sem sabermos como1 nos vimos de repente ,sociedade poderosa1 activa1 descrente em impossiveis1 e por isso mesmo capaz dos maiores milagres4 ,se tal ,sociedade os tem feito1 muito mundo o sabe j hoje4 ,se para o provar no bastassem as obras1 os odios dos ruins o demonstrariam4 ,quando1 para sollicitar do ,governo a approvao d'esta mesma ,sociedade1 e do ,parlamento um pouco de cho em que ella deitasse raizes1 me pareceu conveniente ir eu a ,lisboa1 e fui1 no levei unicamente saudades de mulher e filhos2 ,s4 ,miguel toda era j familia minha2 todos aqui nos queriamos j muito1 porque emfim1 chegaramos a conhecer-nos de parte a parte1 desfeitas as preoccupaes e aleives1 que1 tambem de parte a parte1 se haviam arteiramente disseminado4 ,l1 nem o trfego dos negocios1 nem as multiplices occupaes do espirito1 nem o brilho de tamanha cidade1 nem o affecto que expiram de si os sitios conhecidos da nossa puericia e adolescencia1 nem os emboras e cortejos da ,imprensa obsequiosa1 nem mesmo os testemunhos to solemnes de apreo1 que porfia me davam todos esses mancebos1 esperanas e j ornamentos da ,litteratura e ,poesia nacional1 nada me poude entibiar as saudades da minha ,ilha1 d'este benigno e pacifico torro1 em que eu fizera mais e melhor que nascer1 pois renascra n'elle4 ,mais que nenhuma outra coisa1 estes tres mezes de ausencia me descobriram quanto lhe eu queria4 ,oh6 se de mim dependesse o to facil melhoramento dos seus destinos6 ,a voz1 e a penna1 essas sim que as empreguei eu incessante em lhe advogar os interesses da fortuna e do credito2 em quanto1 por ventura ou por desgraa1 filhos seus1 deslembrados do solo com quem nascimento e uso os travaram em parentesco1 empregavam a occultas todos os empenhos e valimentos para lhe empecer 7e ,deus sabe se em parte o no conseguiam71 era eu1 extranho e obscuro1 quem1 servindo verdade e justia1 lhe pagava1 como podia1 a minha divida de gratido4 ,ao regressar1 os dias me pareciam no acabar nunca1 e os sonhos das noites me vinham todos povoados de imnumeraveis e cordeaes abraos1 de emboras1 perguntas e respostas de bons amigos1 de caricias domesticas1 de escolas vicejantes1 de salas de industria1 da musica do trabalho1 de toda a poesia das esperanas4 ,se metade d'isso1 que eu vim gosando embalado pelas ondas1 por baixo da immensidade do ,ceo1 e no me afastando de uma ,patria1 seno para me aproximar a outra1 se a metade d'esses sonhos se realisar1 ,s4 ,miguel dentro em poucos annos ser visitada de toda a parte com admirao e encantamento1 que para tudo1 mesmo para a realisao das mais altas utopias do bem1 so a sua terra1 os seus haveres1 e as almas dos seus moradores4 ,nem lisonjeio1 snr4 ,redactor1 nem cuido que o bem-querer me desvaire4 ,as provas do futuro que antevejo1 j todos as palpmos no passado1 e sobretudo no presente4 ,apoz dez dias levados no ocio1 a ss com a minha alma1 n'estas suaves cogitaes1 imaginae1 snr4 ,redactor1 qual no seria o meu enlevo1 quando1 ao aportarmos aqui1 pelo sol de uma formosa tarde1 que tambem esperana1 me vi de repente cercado de saudaes e festejos1 entre os braos de tudo que mais amo1 recebido em verdadeira ovao de amisade1 conduzido pelo brao de minha esposa1 entre os meus filhos e os meus consocios1 ao som do ,hymno da ,industria1 ao estrpito de foguetes1 por baixo de flores1 e atravez do nosso bom ,povo apinhado pelas ruas1 at dentro de minha casa6 ,eis aqui1 snr4 ,redactor1 o que eu para desafogo de tantos affectos accumulados no peito1 carecia de escrever4 ,agradecer684444,como hei-de eu agradecer o que apenas cabe em expresso8 ,a benevolencia de uma grande cidade1 como pode retribuil-a quem1 por uma parte1 s possue os bons desejos1 e por outra1 se sente confundido e aniquilado com a grandeza mesma do obsequio8 ,sr4 ,redactor1 se eu no tivesse j antes consagrado a esta generosa terra tudo quanto em mim ha de amor e querer1 agora lh'o consagrra para todo sempre1 e ficaria ainda empenhado4 ,snr4 ,redactor1 o dia #be de ,maio de #ahdi foi o mais bello dos meus quarenta e nove annos4 ,egual ou superior a este1 s poder alvorecer para mim1 quando eu a vir to prospera quanto ella o merece1 e o pode ser4 ,,vosso1 etc4 ,,antonio ,,feliciano ,,de ,,castilho ,ponta ,delgada #be de ,maio meia noite4 99 99 99 99 99 ,n4 ,b4 precedente carta fizeram varias folhas de ,portugal a honra de a reproduzirem1 liberalisando por esta occasio ao autor testemunhos de benevolencia1 que para toda a vida o empenharam em agradecimento4 to suave para um homem o sentir-se amado6 e amado por espiritos distinctos6 e amado1 at ao ponto de lhe supporem mais de virtudes e meritos do que em realidade possue1 e ha-de nunca possuir6 ,ainda a risco de ser havido por vaidoso1 o autor succumbe tentao de apresentar aqui a seus leitores1 isto 1 a muitos outros amgos seus1 uma das mais floridas e ricas mostras de to parcial e enternecedora benevolencia2 o preambulo que predita carta pz ,o ,pharol1 folha verdadeiramente notavel por sua litteraria elegancia1 pelo fogo e independencia de seus juizos1 pela sua aspirao forte e constante para o ,bello4 ,a proverbial severidade das criticas do ,pharol faz ainda sobre-sahir para a gratido o preo do que se vai ler4 ,quantas feridas e penas d'alma se no suavisam e curam com o balsamo de expresses taes6 ,,xi ,artigo extrahido do numero #aj do ,pharol periodico de ,lisboa ,o ,senhor ,antonio ,feliciano de ,castilho e os ,michaelenses ,todos sabem que o sr4 ,castilho tem titulos valiosos admirao e ao respeito da ,patria1 que elle tem sempre honrado e servido com a sua dedicao e com o seu genio4 ,vivos andam na memoria de todos1 os nobres exforos que elle tentou1 para rehabilitar as ,lettras portuguezas1 e trazer a formosa lingua nacional competencia com os mais ricos1 flexiveis1 elegantes1 e expressivos idiomas do mundo4 ,sabidos e decorados1 se multiplicam1 mais pela voz que pela imprensa os harmoniosos trechos do poeta mais sonoro1 mais sabedor1 mais correcto1 se no o mais inspirado dos poetas nacionaes contemporaneos4 ,como os grandes genios1 o sr4 ,castilho tem purificado a sua alma pelas amargas provaes da adversidade4 ,como todos os grandes talentos1 tem visto os invejosos e mesquinhos urdirem-lhe no silencio as insidias1 com que a mediocridade se desfora do talento4 ,a sua cora de poeta no se tem afeminado com as complacencias de uma vida descuidosa e opulenta4 ,no o poeta funccionario1 com avultadas penses para entoar cantos cortesos e mentidos4 ,no o poeta-agitador1 fazendo servir as inspiraes do estro apothese dos corrilhos de faco4 ,no o poeta-aristocrata1 dedilhando a lyra por elegancia1 e entoando os dithyrambos da indifferena e da sociedade4 o poeta-poeta2 o homem que canta1 porque nasceu para cantar2 que ama o ,povo1 porque o ,povo grande2 que o no adula porque no espera d'elle recompensas faustosas4 o homem que respondeu ao ostracismo1 com que lhe celebraram a reputao1 indo contar aos ,michaelenses1 que o acolheram1 no os queixumes amargos do ressentimento1 mas as maravilhas da nova civilisao2 que levantou ali um brado generoso de melhoramento physico e moral2 que falou quelle ,povo dcil e industrioso a linguagem florida e eloquente da ,poesia1 para lhe apontar as novas sendas do ,progresso2 e que teve a gloria de crear mais proslytos com os seus hymnos de paz1 com as suas homilias ferventes1 do que muitos estadistas com as suas portarias severamente formuladas1 com os seus oramentos capciosos e inextricaveis4 ,pde-se dizer que o snr4 ,castilho realisa em ,s4 ,miguel o mytho de ,amphion1 alevantando os muros de ,tebas ao som mavioso e brando da sua lyra melodiosa4 ,o sr4 ,castilho o novo thaumaturgo do ,progresso4 sua voz a civilisao marcha impetuosa1 e inaugura-se na humilde possesso de ,portugal4 ,a ,industria exalta se1 a ,agricultura acorda4 ,as ,artes1 em convivencia fraternal1 auxiliam-se mutuamente4 ,a ,instruco derrama-se gratuitamente pelas classes menos favorecidas da populao4 ,os costumes como que se humanisam1 deixadas as tristes controversias da lucta politica2 e os habitantes da ,ilha afortunada celebram com ineffavel jbilo e extremada sinceridade o poeta1 que foge da metrpole para viver com elles1 trabalhar pela commum prosperidade1 illustral-os pela sua doutrina1 e animal-os com o seu infatigavel exemplo4 para satisfazer divida de reconhecimento que o snr4 ,castilho contrahiu para com os bondosos michaelenses1 que1 ao pisar de novo aquellas praias abenoadas1 elle publicou a carta que abaixo transcrevemos1 modelo de devoo civica1 de affectuosa eloquencia1 e de simpleza de corao4 ,quantos tribunos ephmeros1 quantos dictadores ciosos1 que se dizem alevantados pelo suffragio do ,povo1 folgariam de poder escrever estas linhas de congratulao1 com a mo na consciencia1 com o assentimento voluntario de uma populao inteira1 que repete n'um cro numeroso o refro do bello ,hymno da ,industria michaelense3 ,trabalhar1 meus irmos1 que o trabalho1 riqueza1 virtude1 vigor4 ,d'entre a orchestra da serra e do malho1 brotam vida1 cidades1 amor4 ,,notas ,,de ,,rodap3 #ad ,na ,secretaria do ,reino deve existir a magnifica relao1 que d'isso dirigiu ao ,governo o sr4 ,d4 ,pedro da ,costa de ,sousa de ,macedo1 ento ,governador ,civil do ,districto4 ,n'esse papel pedia o mesmo snr4 que o autorisasse o ,throno a deduzir do cofre central uma pequena quantia para premios industriaes1 alm dos que elle do seu bolsinho particular tencionava offerecer para a seguinte ,exposio4 ,,castilho4 ,,fim ,,do ,,primeiro ,,volume ,,notas ,retrato de ,castilho ,ha coincidencias notaveis2 conveniente no as desaproveitar2 parecem arabescos na sobrehumana calligraphia da ,providencia4 ,o retrato com que se adorna este volume1 reproduco em photogravura1 pelo talentoso artista o sr4 ,thomaz ,bordallo ,pinheiro1 de um pequenino esboceto pintado por seu excellente pae1 o notavel sr4 ,manuel ,maria ,bordallo ,pinheiro4 ,quem diria ao pintor1 que1 cincoenta e quatro annos andados1 um filho1 ainda ento por nascer1 havia de reproduzir a sua obra8 ,o esboceto foi pintado do natural1 na casa onde o artista habitava1 rua da ,f1 palacete direita subindo1 em alguma visita que lhe fez ,castilho na demora de quasi tres mezes que passou em ,lisboa 7#bg de ,fevereiro a #ae de ,maio de #ahdi71 achando-se ento de residencia na ,ilha de ,s4 ,miguel4 ,appareceu no espolio do eximio artista1 e foi offerecido a um filho de ,castilho4 ,v-se que estava apenas em principio2 mas 1 ainda assim1 documento precioso1 j pela semelhana1 que ia bem encaminhada1 j pela inteno affectuosa que motivou tal trabalho4 ,o velho ,bordallo ,pinheiro foi muito admirador e amigo do ,poeta1 e este ufanava-se de lhe retribuir eguaes sentimentos4 ,pag4 #ab1 lin4 #c e seg4 ,polemicas4 ,houve1 com effeito1 folicularios mal ensinados1 que pretenderam inculcar ser ,castilho um revolucionario perigoso1 uma especie de demaggo subvertedor de usos antigos e arraigadas crenas2 isso deu aso a guerras crueis1 cuja memoria no desejamos evocar aqui1 mas que muito amarguraram o sincero ,poeta4 ,quem ler com atteno este livro1 ver quanto eram infundadas taes accusaes4 ,o livro innovador1 e no desordeiro2 amante1 e nunca hostil4 ,lamenta o que v1 deseja o bem1 e procura remedio aos males que nos affligem4 ,interpretar as utopias theoricas pelo lado demolidor1 no as entender4 ,pag4 #bg1 lin4 #g e #ab4 ,gessner4 ,so tristissimas as vicissitudes da reputao dos poetas4 ,ha nomes1 que1 depois de encherem o mundo1 esquecem miseravelmente propria phalange dos homens de ,lettras4 ,salomo ,gessner1 que no seu tempo foi um luminar1 tanto pela belleza da forma dos seus livros1 como pela sua moral1 de poucos ,allemes hoje lido e conhecido a fundo4 ,castilho1 que desde a meninice o leu1 o tratou1 o venerou1 e at alguns dos seus idyllios traduziu1 e imitou outro1 conservou sempre ao virtuoso cantor suisso um verdadeiro culto4 ,para os que hoje entre ns ignoram quem foi ,gessner1 duas palavras biographicas3 ,nasceu em ,zurich em #agcj4 ,homem bom1 quanto se pode ser1 benefico1 optimo marido1 optimo cidado comeou por typographo2 o trato intimo com as lettras elevou-o ao conhecimento das ,lettras2 graas sua applicao e perseverana1 tornou-se ,gessner um verdadeiro filho dilecto do ,publico3 j pela graa e singeleza dos seus idyllios1 j pela moral pura e santa que todos elles respiram4 ,em toda a parte onde appareceu recebeu provas de apreo1 at das testas coroadas4 ,falleceu em ,zurich a #b de ,maro de #aghg4 ,a celebre ,madame de ,genlis conta da seguinte maneira uma sua visita ao poeta suisso3 ,tinha-me ,gessner convidado para o ir ver sua casa de campo2 e eu estava curiosissima de conhecer a mulher com quem elle casra por amor1 e que o soube inspirar4 ,imaginava-a uma especie de pastorinha encantadora1 e phantasiava a habitao de ,gessner como uma choupana elegante1 circumdada de vergeis e flores2 ali1 segundo eu pensava1 s se bebia leite1 e se pisavam ptalas de rosas ,chego1 atravesso um resumido quintal1 cheio de cenoiras e couves2 isto1 confesso1 comeou a perturbar seu tanto os meus devaneios bucolicos e idyllicos4 ,entrei na sala1 e que vejo8 ,no meio de uma fumaceira densa de tabaco1 avisto ,gessner a fumar cachimbo1 e a beber cerveja2 ao lado d'elle sentava-se a mulher1 com a sua grande touca1 e a fazer meia4 ,o acolhimento de ambos1 a doce unio d'aquellas almas1 o seu affecto para com os filhinhos1 a singeleza de tal quadro1 tudo isso me pintou ao vivo os singelos costumes pastoris que o poeta costumava cantar4 ,assisti pois a um idyllio1 presenceei a edade de oiro1 no em poesia brilhante1 mas sob o seu aspecto vulgar e desataviado4 ,pag4 #bg1 lin4 #h e #ab4 ,klopstock4 ,klopstock 7,pedro ,gottlieb7 autor do poema epico ,messiada1 nasceu em ,quedlinburg787 a #b de ,julho de #agbd4 ,cursou as melhores escolas superiores da ,allemanha1 concluindo na ,universidade de ,leyde o curso theologico4 ,desposou uma notavel e talentosa mulher1 ,meta ,moller1 fallecida em #ageh4 ,foi muito protegido por el-,rei ,frederico ,v1 de ,dinamarca4 ,os merecimentos d'este poeta como linguista e estylista so muito apreciados dos entendedores4 ,castilho elogiava com enthusiasmo a ,messiada4 ,este denominado ,pindaro da ,allemanha falleceu a #ac de ,maro de #ahjc4 ,pag4 #bi1 lin4 #bh ,zimmermann4 ,allude ,castilho ao celebre livro ,da ,solido1 por ,zimmermann2 obra de pensador1 evangelho para solitarios1 consolao para tristes2 livro bom e optimo1 que lastima se no reproduza entre ns em traduco4 ,castilho prezava muito esta obra1 lia-a1 relia-a1 e fazia-a estudar aos filhos4 ,pag4 #cf1 lin4 #cd e seguintes at ao meio da pag4 #cg4 ,esse admiravel periodo que principia3 ,n'uma palavra3 um observador attento1 de eloquencia rara4 ,diz um critico entendedor o seguinte3 ,este trecho s um cego o podia escrever2 ha ahi uma observao muda1 uma atteno intelligente1 que s o sexto sentido que possuem os cegos de talento sabia expressar4 ,percebe-se a conteno do ouvido do corpo1 e ainda mais a do ouvido da alma4 uma esplendida manifestao de forma e de pensamento2 a linguagem do silencio das noites2 a intuio das trevas4 ,pag4 #dg1 lin4 #ad4 ,diario do ,governo ,refere-se ,castilho ao ,diario como propagandista nato de sans doutrinas4 preciso notar que at certo prazo a folha official teve entre ns uma feio litteraria1 e no se limitava a simples registo impresso da chancellaria governamental4 ,era superintendida por um redactor1 persona grata ao ,ministerio reinante1 sujeito illustrado e habil2 publicava noticias estrangeiras1 artigos de litteratura1 polemicas serias1 etc4 ,por isso o nosso poeta dizia que o ,diario devia e podia entrar na propaganda de theorias civilisadoras1 mais e melhor que outras folhas4 ,pag4 #fc1 lin4 #d1 ,ayres de ,s4 ,ayres de ,s ,nogueira1 irmo do celebre ,bernardo de ,s1 ,visconde de ,s da ,bandeira1 e depois ,marquez1 e de outros no menos prestadios cidados1 figurou em ,portugal como um dos maiores fautores da ,agricultura e das industrias nacionaes4 ,como ,vereador1 como ,deputado1 como particular1 empenhou-se toda a vida nos progressos publicos4 ,foi uma gerao notavel esta familia de homens bons1 valentes1 dedicados1 honestos1 impetuosos para o bem4 ,castilho1 amigo particular de todos elles1 apreciava-os no muito que valiam4 ,pag4 #ia1 ,o ,clero e as mulheres4 ,se jamais houve doutrina bem orthodoxa1 e philosophica1 e social1 esta sobre o provimento dos ,bispados e das ,parochias1 que eu expuz e provei1 mais pelo gosto de expr e provar verdades1 do que por me persuadir que por ellas se havia de fazer obra4 ,em tal campo suppunha eu impossivel achar adversarios2 esquecia-me dos guerrilheiros4 ,um periodico de ,s4 ,miguel chamado ,o ,cartista1 pz-me 444 supponho que por impio4 ,um periodico de ,lisboa 7cuido que se chamava aquillo ,a ,unio7 disse ao publico1 scca e esparvoadamente1 em ar de quem lhe denunciava uma coisa medonha1 que eu viera a ,s4 ,miguel pr-me frente de valentes1 para pugnarmos pela eleio popular dos ,bispos4 ,claro est que no respondi1 nem pessoa alguma respondeu1 ,unio de ,lisboa1 nem ao ,cartista de ,s4 ,miguel4 ,no ,clero1 consta-me que no faltaram contra mim murmuraes2 todavia1 no chegaram suppurao da ,imprensa4 ,com essas devia eu contar1 e contava4 ,se no houvesse clerigos indoutos e ruins1 para honrarem com o seu odio a minha proposta1 tambem esta1 por falta de materia prima1 teria deixado de existir4 ,pelo que respeita emancipao politica das mulheres1 no s nenhum homem me fez ecco1 se no que todas quantas senhoras ouviram o alvitre1 fizeram cro contra elle4 ,esta sua opposio1 parecendo provar muito e muito em desabono da minha these1 provou muitissimo a favor d'ella2 recusam o seu quinho de liberdade1 porque a no apreciam2 e no a apreciam1 porque ainda a no provaram4 ,o que muito sensatamente se pode portanto jurar contra a innovao1 que veio antes do seu tempo proprio1 mil annos2 quando menos1 bons quinhentos4 ,no importa4 ,o que chymera1 algum dia ser realidade1 como infinitas realidades de hoje algum dia ho-de ser chymeras4 ,o tempo um grande ,homero1 que inventa de continuo2 e o ,mundo um poema de metamorphoses4 ,o que s vezes faz com que os poetas terrestres paream doidos a quem os ouve1 que no meio dos primeiros cantos antecipam a leitura de algumas estancias pertencentes a cantos ulteriores4 ,pag4 #abe1 lin4 #bj4 ,assis ,rodrigues ,refere-se ,castilho ao bom e perito artista ,francisco de ,assis ,rodrigues1 ,professor e por fim ,director da ,academia ,real das ,bellas ,artes de ,lisboa4 ,foi discipulo de seu pae1 o esculptor ,faustino ,jos ,rodrigues1 amigo e alumno do grande ,joaquim ,machado de ,castro4 ,as relaes entre ,castilho e ,assis ,rodrigues comearam na infancia1 e conservaram-se sempre cordeaes4 ,em #ahcf o estatuario fez o busto do ,poeta4 ,pag4 #ach1 lin4 #af4 ,os ,fastos de ,ovidio4 ,projectou ,castilho1 segundo se v1 dedicar a sua traduco dos ,fastos a ,jos do ,canto2 mas como entre esta data e a publicao da dita verso elle lhe dedicou outras composies1 no realisou o que tencionava em #ahdi4 ,obras completas de ,a4 ,f4 de ,castilho #c--;,cartas de ,ecco e ,narcizo1 verso4 #d-e--;,felicidade pela agricultura1 #b vols4 #f-g--;,a primavera1 verso1 #b vols4 #h a #ae--,vivos e mortos1 spreciaes morais1 literarias e artisticas1 #h vols4 #ai-bj--,o presbyterio da montanha1 prosa1 #b vols4 #ba-bb--,o outomno1 verso1 #b vols4 #bg-bh--,novas escavaes poeticas1 verso1 #b vols4 #bi a #cb--,theatro1 ,cames1 drama e notas1 #d vols4 #cc--,theatro1 ,cance1 tragedia original4 #cd--,theatro1 ,um anjo da pela do diabo--,o casamento de oiro1 comedias4 #ce--,theatro1 ,aristodemo1 tragedia4 ,a volta inesperada1 fara4 #cf--,theatro1 ,a festa do amor filial4 ,a filha para casar1 comedias4 #cg-ch--,palestras religiosas e consolaes1 prosa e verso1 #b vols4 #ci a #de--;,casos do meu tempo1 prosa4 #g vols4 #df--;,estrelas poeticas para o ano de #ahec1 verso4 #dg a #ej--,tlas literarias1 prosa1 #d vols4 #ea--,os ciumes do bardo1 ,as flores1 e a confisso de ,amelia1 verso4 #eb-ec--,mil e um misterios1 romance dos romances1 #b vols4 #ed--;,a noite do castelo1 poema4 #ee--,tributo portuguez memoria do ,libertador1 prosa4 #eh a #fj--,novas tlas literarias1 prosa e verso1 #c vols4 #fa a #fc--,methodo ,portuguez de ,leitura4 ,directorio do mesmo1 #c vols4 #fd-fe--;,castilho pintado por le proprio4 ,as escolas dos asilos de ,infancia desvalida1 #b vols4 #ff--;,felicidade pela instruo4 #fg--;,ajuste de contas4 #fh--,noes rudimentares para uso das escolas1 #b vols4 #gj e #gb--,resposta aos novissimos impugnadores do ,methodo portuguez1 #c vols4 #gc a #ge--,tratado de ,mnemnica1 #c vols4 #gf--,ou eu ou eles1 e ,tosquia de um camelo4 #gg a #hj--;,cartas1 #d vols4 ,,imp4 ,,lucas ,c4 -- ,,rua ,,diario ,,de ,,noticias #fa -- ,,lisboa