,illustration ,,juli,o ,e ,a ,,biblia ,illustration3 ,o pequenito parece que se vae saindo ,pag4 #aj4 ,,emilio ,,martinez ,,juli,o ,e ,a ,,biblia ,,traduzido ,,do ,,hespanhol ,,por ,,guilherme ,,dias #c4 ,,edi,o ,,livraria ,,evangelica ,,rua ,,das ,,janelas ,,verdes1 #cb ,,lisboa ,,imprensa ,,limitada ,marianos--,rua das ,janelas ,verdes ,,lisboa ,,capitulo ,i ,a beno de ,deus ,ao cair duma tarde de primavera1 entramos no pateo duma casa situada na rua dos ,embaixadores1 em ,madrid1 onde nos chamaram1 desde logo1 a ateno duas janelas que1 a julgar pelo ruido que delas sahia1 uma devia ser a da oficina dum carpinteiro1 e a outra a dum latoeiro4 ,perto desta ultima janela1 uma mulher j de edade1 a julgar pelos seus cabelos brancos1 estava sentada1 lendo com grande interesse um livro1 que tinha sobre os joelhos4 ,no podemos1 pela posio em que ela est1 ver o seu rosto1 porm chama-nos a ateno a seriedade com que l o livro e o desejo1 que se lhe nota no rosto1 de aproveitar na leitura os ultimos instantes que lhe restam da luz do dia4 ,no sabemos que estranha simpatia nos arrasta para aquela mulher4 ,de repente1 entra no pateo um rapaz1 que diz3 --,senhora ,josefa1 o mestre chama-a4 ,ento ela levantou a cabea1 porm a surpreza1 em que estavamos1 no nos deixou ouvir a resposta4 ,aquele nome1 aquelas feies e aquela voz traziam-nos memoria uma pessoa a quem muito estimavamos1 e uns acontecimentos que seguramente se nos tinham apagado da memoria4 ,josefa atravessou o pateo e desapareceu4 --,quem esta senhora8--perguntmos ao rapaz que neste momento recolhia a cadeira em que ,josefa estava sentada4 --,a me do mestre--respondeu-nos ele1 e desapareceu por uma porta1 que havia no pateo1 e que dava passagem para a loja do vidraceiro4 ,ento sahimos para a rua1 e1 olhando para a vitrine duma loja que ha ao lado do portal1 a nossa vista foi fixar-se no seguinte letreiro1 que se l no cimo dela3 ,,juli,o ,,vidraceiro1 ,,chumbeiro ,e ,,latoeiro ,este nome tambem nos traz memoria uma pessoa e um facto1 e a nossa surpreza foi grande quando a porta da loja se abriu e apareceu nela um rapaz1 a quem havia bastante tempo conheceramos quando era ainda menino1 disputando com um sacerdote4 ,efectivamente1 este homem ,julio1 e a senhora que lia no pateo era ,josefa1 a vendedeira4 ,mas que mudana6 ,quem havia de reconhecer neste joven o filho de ,josefa8 ,pouco depois da epoca em que o conhecemos1 o ,senhor lhe proporcionou trabalho em casa dum bom mestre1 onde1 ao fim dum ano1 se cativou das suas simpatias4 ,era o mestre de ,julio de edade avanada1 viuvo e pae duma joven de #ai anos1 que o tratava com todo o carinho duma boa filha1 e a qual se chamava ,maria das ,dres4 ,ao cabo dum ano1 que ,julio esteve frente da casa1 progrediu esta de tal maneira que o mestre no deixava de falar em toda a parte no seu oficial4 ,passados dois anos1 depois que ,julio estava em casa do mestre1 viu-se este atacado duma pneumonia1 e1 sentindo que os seus ultimos momentos se aproximavam1 chamou ,julio e disse-lhe3 --,julio1 tu tens-te portado em minha casa como um homem de bem444 os meus ultimos momentos aproximam-se1 e desejo1 j que outra coisa no pode ser1 que me ds a tua palavra de honra que continuars em minha casa sendo o que eras at aqui444 ,lembra-te de que esta casa o amparo duma orf1 e de que1 se tu nos deixares1 no sei o que ser dela444 eu bem queria444 mas444 ,e o ancio deteve-se como se temesse dizer alguma inconveniencia4 --,mestre--respondeu ,julio soluando1--,deus no querer que morra1 mas1 se essa fr a ,sua vontade1 cumpra-se444 eu lhe prometo que continuarei velando pela casa com mais solicitude do que at aqui444 e que ,maria das ,dres ser para mim uma irm444 j que outra coisa no444 --,julio--disse-lhe o seu mestre1--fala claro2 um velho que se acha s portas da morte faz-te este pedido4 --,pois bem--respondeu ,julio1--j ha tempo que1 comigo mesmo1 tenho admirado as virtudes e prendas que adornam sua filha1 porm o receio de que me atribuissem fins interesseiros1 pela diferena de posies1 obrigaram-me a calar e a no dizer palavra4 --,graas te dou1 oh meu ,deus--exclamou o ancio1--porque coroaste os meus desejos4 ,e1 mandando chamar a filha1 depois de consultar a vontade dela e de receber a aprovao de ,josefa1 ,julio e ,maria das ,dres se receberam por marido e mulher1 na presena do oficial do registo civil4 ,pouco depois falecia o mestre de ,julio4 ,a beno de ,deus se estendeu sobre os dois esposos at ao ponto de conceder-lhes1 como fruto do seu matrimonio1 um menino1 ao qual pozeram o nome de ,paulo4 ,tal o estado de ,julio e sua familia4 ,j que nosso amigo1 entremos na sua loja4 ,nada ha de extraordinario que nos chame a ateno1 excepto um quadro em carto1 colocado numa das paredes1 que diz3 ,lembra-te de santificar o dia de descano4 ,trabalhars seis dias1 e fars neles tudo o que tens para fazer2 o setimo dia1 porm1 o dia de descano consagrado ao ,senhor1 teu ,deus2 no fars nesse dia obra alguma1 nem tu1 nem teu filho1 nem tua filha1 nem o teu servo1 nem a tua serva1 nem o teu animal1 nem o peregrino que vive das tuas portas para dentro2 porque o ,senhor fez em seis dias o cu e a terra e o mar e tudo o que neles ha1 e descanou ao setimo dia2 por isso o ,senhor abenoou o dia setimo e o santificou4 ,vamos agora travar conhecimento com um dos visinhos de ,julio1--o dono da oficina de carpinteiro4 ,chama-se ,joo1 homem de #fe a #fh anos4 ,apezar desta edade1 ainda est vigoroso1 e1 se no fra por algumas dres que sofre1 em consequencia de ter dormido muitas noites ao relento1 no tempo da guerra dos sete anos1 estaria forte como um rapaz4 ,o seu caracter bom1 liberal desde a medula dos ossos1 e sargento da ,guarda ,nacional4 ,a sua familia compe-se de ,brigida1 sua esposa1 e uma joven de #ah a #bj anos1 chamada ,antonia1 fresca e lou como as flores de maio e na qual ele faz consistir toda a sua felicidade4 ,joo est despedindo os oficiaes e aprendizes1 dizendo-lhes3 --,vinde s dez horas2 j sabeis que manh dia de ,santo ,antonio1 e que no se trabalha4 --,porm1 mestre--observou um--a obra que ha oito dias encomendaram tem de se entregar na segunda feira4 --,nesse caso1 trabalharemos no domingo at s tres horas da tarde4 ,no dia de ,santo ,antonio no se prga um prego em minha casa2 o dia do santo do nome de minha filha1 e tanto basta4 s dez horas aqui vos espero para o baile3 no esqueaes as guitarras2 at eu hei-de bailar444 ,santo ,antonio quem vae presidir festa4 ,minha filha poz-lhe no altar o docel de veludo1 que me custou cerca de dez libras1 e se lhe acendero pelo menos quarenta luzes4 ,ide ver o altar4 ,todos ficaram admirados do bom gosto que presidiu ao adorno do altar1 e1 pensando j no divertimento que iam ter1 sairam alegres1 esfregando as mos de contentes4 ,quando o mestre ficou s1 avistou ,julio1 que brincava com o filhinho1 e1 dirigindo-se a ele1 disse-lhe3 --,boas noites1 visinho4 --,boas noites1 sr4 ,joo--respondeu ,julio4 ,,capitulo ,,ii ,devoo e444 vinho ,o pequenito parece que se vae saindo4 -- verdade1 sr4 ,joo--respondeu ,julio4 ,depois de guardarem alguns momentos de silencio1 disse ,julio3 --,porque no se senta1 sr4 ,joo8 --,com muito gosto--respondeu este1 sentando-se num banco ao lado de ,julio1 e acrescentando3 ,como vamos com respeito a trabalho8 --,tenho mais do que o que se pode fazer4 ,acabo de tomar uma encomenda de caldeires para um regimento de artilheria1 e trabalhamos sem cessar1 graas a ,deus4 --,pois eu tambem tenho muito que fazer4 ,alem do trabalho da casa1 ainda tenho oito obras de fra4 --,eu--continuou ,julio--vou comear a fazer sero de manh em deante4 --,como assim8--perguntou o carpinteiro--vae trabalhar manh1 que dia de ,santo ,antonio8 --,e porque no8 manh1 no meu entender1 um dia como os outros4 --,certamente--replicou o sr4 ,joo4--,olhe1 eu no sou l muito amigo dos santos2 mas no dia de ,santo ,antonio no consinto que em minha casa se prgue um prego4 santo a quem quero muito1 porque o advogado da minha filha4 verdade que eu devia trabalhar manh1 porque na segunda feira tenho de entregar umas travessas6 ,mas1 dia por dia1 prefiro trabalhar no domingo4 --,trabalhar ao domingo coisa que eu no farei1 porque ,deus assim o manda e preciso obedecer-,lhe4 ,neste momento1 ,dres1 ,brigida e ,antonia assomaram porta das suas respectivas habitaes1 cumprimentando-se ao mesmo tempo4 ,dres pegou no menino1 que estava ao colo do marido1 e dirigiu-se para a carpinteria1 a cuja porta estava a sr4 ,brigida acenando-lhe para que fosse ter com ela4 ,deixemos os dois homens continuar na sua conversao e escutemos o que dizem as duas mulheres4 --,que me quer1 sr4 ,brigida8--disse ,dres ao chegar4 --,que nos deixes ver o teu filho4 --,pois est bem gorducho--disse com orgulho ,dres1 apresentando-lhe o menino4 --,oh6 est lindo como os amores6--insistiu ,brigida1 tomando o menino nos braos1 e acrescentando3--,ah6 que se o seu av o visse6444 --,por fim--interrompeu a me de ,antonia--tu foste feliz1 porque perdeste um pae muito bom mas encontraste um marido to bom como ele4 --,isso verdade2 no tenho motivos seno para dizer bem do meu ,julio4 --,deve querer muito ao filhinho1 no verdade8--perguntou ,antonia4 -- cego por ele--respondeu ,dres4 -- natural--acrescentou a sr4 ,brigida--,como o primeiro e est to lindo444 ,santo ,antonio o abene4 --,senhora ,brigida--respondeu ,dres1 pegando no menino1--abenoando-o ,deus1 quanto basta4 --,filha1 e os santos tambem1 e porque no8 -- que--disse a filha do carpinteiro--,dres tem presente o rifo que diz3 ,o que ,deus no quer1 santos no podem2 no verdade8 --,pois olhe--disse ,brigida1--eu tenho muita f em ,santo ,antonio1 porque um santo de muita virtude1 ou ele no fosse chamado ,advogado dos impossiveis4 ,sem ir mais longe1 outro dia perdi uma nota do banco de #ajj pesetas2 imediatamente acendi uma vla a ,santo ,antonio que tinha na sala1 rezei-lhe um ,padre ,nosso1 e em seguida1 remexendo bem na comoda1 no terceiro gaveto1 onde eu no costumo guardar dinheiro1 encontrei a nota2 desde ento no ha de faltar ao santo1 todos os dias1 uma lamparina acesa4 ,j vs1 pois1 que444 --,pois eu no vejo nisso outra coisa seno que com o andar do tempo perder realmente as #ajj pesetas1 gastando-as em azeite com o santo4 ,demais1 se1 em logar de haver mal gasto o tempo em rezar e acender luzes ao santo1 tivesse remexido bem a comoda1 teria achado o seu dinheiro1 pois que no estava perdido2 se em vez de o ter metido na comoda1 o tivesse deixado cair na rua1 veria como ,santo ,antonio no lho traria a casa4 --,filha1 s muito incredula6 --,de modo nenhum1 senhora ,brigida1 eu creio444 --,em quem crs8 ,porm no isso2 o que eu pergunto 3 ,qual o ,cristo da tua devoo8 o ,cristo do ,prado1 da ,f1 o ,cristo do ,perdo1 ou1 emfim1 qualquer dos muitos outros ,cristos8 --,a nenhum desses1 porque no conheo mais do que o ,cristo1 ,filho de ,deus1 que est nos cus4 ,neste momento foi interrompida a conversa1 porque lhes chamou a ateno um tropel de gente que vinha rua acima4 ,no meio da multido1 vinham dez ou doze rapazes com guitarras e bandurras1 e na frente deles um rancho de mulheres1 jovens tambem1 e vestidas ao uso do povo1 de saias redondas1 como eles dizem1 porm com luxo4 ,ao chegar oficina do carpinteiro1 deixaram de tocar1 pararam1 e o que fazia de director disse3 ,v2 siga a seguidilla4 ,as guitarras deram a entrada1 e uma mulher cantou3 ,antonio glorioso ,livrae-nos de todo o mal1 ,alcanando-nos a vitoria ,de toda a fora infernal4 --,senhores1 l para dentro toda a gente--disse o sr4 ,joo2--porm onde esto essas mulheres8444 ,brigida444 ,antonia444 --,ah6 me6--exclamou ,antonia1--vo entrar1 e eu no queria que me vissem emquanto no estivesse com o vestido novo4 --,sim8--respondeu a me1--pois vers como tudo se arranja6 ,brigida dirigiu-se para a porta1 e chegou ainda a tempo para dizer ao marido1 que vinha frente dos convidados3 --,alto l6 no permitida a entrada at que o santo1 o presidente da festa1 esteja devidamente preparado4 --,muito bem1 exclamaram a uma voz todas as pessoas presentes4 ,a me de ,antonia entrou1 fechando a porta sobre si1 e momentos depois1 quando a filha j estava com o seu vestido novo1 veiu de novo porta1 dizendo3 --,podem entrar4 ,homens e mulheres penetraram na sala1 e1 depois de trocados os primeiros cumprimentos1 cada um procurou logar1 ficando algumas mulheres ajoelhadas deante do altar1 rezando ao santo4 --,senhores--exclamou ,joo1--emquanto se prepara a ceia1 entretenham-se como puderem4 ,cantem e bailem umas seguidillas4 ,oh' ,santo ,antonio1 ,meu amante corao1 ,quer na vida1 quer na morte1 ,sde a nossa salvao4 --,bravo6 bravo6444 venha de l outra1 disseram alguns4 ,as guitarras continuaram tocando1 e outro rapaz cantou3 ,antonio glorioso1 ,a ti chego confiado1 ,que nas minhas aflies ,hei de ser remediado4 --,agora1 para poder continuar--disse o que tinha cantado-- preciso que venha vinho para molhar as guelas4 -- isso mesmo--exclamou entusiasmado o mestre carpinteiro--tem razo o rapaz4 ,vinho tinto1 sim1 porque sem ele no se pode tocar1 nem cantar1 nem bailar4 ,o vinho preciso para tudo1 e tanto que sem ele os padres no podem dizer a missa4 ,bem se expressou aquele que disse3 ,onde no ha vinho no ha talento4 ,brigida1--acrescentou ele1 dirigindo-se a sua mulher--enche um cangiro com vinho e tral-o c4 ,deixemos agora que se divirtam e festejem o santo portuguez a seu modo4 ,entretanto vamos visitar o nosso amigo ,julio e sua familia4 ,o nosso amigo1 acompanhado de sua me1 est sentado mesa1 espera que lhe sirvam a ceia4 ,o pequenito ,paulo dorme no seu bero1 e ,dres vem da cosinha com a comida1 que coloca em cima da mesa4 sala1 onde esto1 chega o ruido que vae na casa de seu visinho ,joo4 --,demos graas ao ,senhor--disse ,julio1 depois que ,dres se sentou mesa4 ,todos inclinaram a cabea1 e ,julio dirigiu a ,deus a seguinte orao3 --,oh6 nosso ,deus6 ,damos-,te graas pelos bens que nos dispensas1 dando-nos saude1 trabalho e sustento2 abena a minha familia1 e o meu filhinho1 abena a oficina1 e perda a esses pobres cegos ali do lado que ,te esto ofendendo2 lembra-te dos pobres e dos enfermos2 o que tudo ,te pedimos pelos merecimentos de ,jesus ,cristo1 ,nosso ,salvador4 ,amen4 --,conte-nos agora--disse ,julio1 dirigindo-se a sua me1--o que vocemec leu hoje na sua ,biblia4 --,cheguei ao versiculo #be do cap4 #aa do ,evangelho segundo ,s4 ,mateus1 onde ,jesus diz3 ,graas ,te dou a ,ti1 ,pae1 ,senhor do cu e da terra1 porque escondeste estas coisas aos sabios e entendidos e as revelaste aos pequeninos4 ,meditei sobre isto1 e que grande verdade que ,deus nos revelou coisas to importantes que as podemos sentir mas que nunca poderemos expressar6 --,oh6 sim--exclamou ,julio4--,deus ensina-nos diariamente coisas muito boas1 no verdade1 ,dres8 --,oh6 sim--respondeu ela1--a mim tem-me ensinado1 por ,sua misericordia1 muitas coisas2 a principal tem sido mostrar-me que sem ,jesus ,cristo eu era uma pecadora perdida1 e que1 graas a ,ele1 agora sou salva2 antigamente eu andava fazendo obras que julgava meritorias1 taes como dar dinheiro para sufragios1 jejuar1 ouvir missa1 etc4 --,e eu--disse a me de ,julio--que me fiava nos conselhos dos confessores1 e mandava dizer missas1 acender velas aos santos2 que comprava a ,bula da ,santa ,cruzada1 para poder comer carne1 e a ,bula dos ,defuntos6 ,e a respeito das indulgencias8 ,se algum valor elas tivessem1 eu ganharia mais indulgencias do que cabelos tenho na cabea6 ,quando penso no erro em que vivi1 estremeo de medo6 --,pois eu--disse ,dres--ainda me lembro de que no havia dia nenhum1 em que fosse ao mercado fazer as compras1 que no lanasse dinheiro na caixinha das almas6 --,oh6 terrivel conta--disse ,julio1--teem que dar a ,deus aqueles que se esforam por manter no erro a gente simples e credula4 --,e quanta gente vive por esse mundo enganada6--exclamou a me de ,julio4 --,eu--interrompeu ,dres--sinto-o por todas as pessoas com quem trato1 porm sinto-o de preferencia por ,antonia1 qual desejava tornar conhecida a verdade4 ,tanto ela como sua familia so muito boas pessoas2 desde creana quero-lhe como a irm4 --,sim--disse ,josefa2--no emtanto repara como passam a noite1 cantando e bailando deante dum altar4 ,o erro dos romanos vae to longe que lhes faz colocar sob o mesmo teto ,deus e o diabo ao mesmo tempo4 ,bailando adoram1 e adorando bailam4 --,e o peor --acrescentou ,julio--que no levam geitos de se emendarem4 ,a inobservancia do domingo coisa muito m1 e eu vejo com grande sentimento que o nosso visinho prefere trabalhar no dia de domingo1 comtanto que guarde o dia de ,santo ,antonio2 quer dizer3 profana o dia do ,senhor para guardar o dia dum santo imaginario4 ,a regenerao das classes trabalhadoras deve principiar pela observancia do domingo2 para elas o dia do repouso uma necessidade para se refazerem as foras fisicas que se gastam nos outros seis dias4 ,eu por mim mesmo tenho observado que aqueles que trabalham os seis dias e no descanam ao setimo gastam-se mais depressa1 e gozam menos saude1 do que aqueles que guardam o dia do ,senhor3 e isto sem falar do concernente saude da alma4 ,neste momento1 tendo acabado j de cear1 chamaram porta que dava para o pateo4 ,julio levantou-se1 indo abril-a1 e ,antonia1 acompanhada de outra joven1 apresentou-se na sala1 onde ainda estavam sentadas mesa ,dres e ,josefa4 --,deus lhes d boas noites--disseram ambas ao entrar1 e a filha do carpinteiro acrescentou3 --,venho da parte de meu pae dizer-lhes que teria muito prazer se viessem cear comnosco4 ,julio e sua mulher acompanharam a filha do carpinteiro e a sua amiga a casa4 --,mestre1 mestre--exclamou o carpinteiro ao ver entrar ,julio1--venha c para o meu lado e sirva-se dalguma coisa4 --,muito obrigado1 sr4 ,joo--respondeu ,julio1--porm permita-me que no me sirva de nada2 sua filha testemunha de que nos viu sentados mesa4 --,bem1 no me importa--disse o carpinteiro1--hoje ha em minha casa carta branca para que cada qual faa o que quizer em honra de ,santo ,antonio2 que todos se divirtam e que ninguem esteja triste4 ,a ceia continuou sem nenhum incidente1 at que sobremesa o sr4 ,joo disse3 --,agora os brindes2 que cada qual brinde por quem quizer4 ,julio estava sentado na cadeira1 pensando no triste estado daquela gente4 ,dres falava com ,antonia e outras raparigas da sua edade4 --,brindo--exclamou o sr4 ,joo--por ,santo ,antonio1 que o santo de minha filha1 pela liberdade1 e para que fiquem confundidos os inimigos da ordem4 ,ao brinde do dono da casa corresponderam os convidados1 bebendo cada qual o seu copo4 ,a este brinde sucederam-se outros4 ,um dos assistentes1 joven ainda1 oficial de confeiteiro1 observou que ,julio no tomava parte nos brindes1 e1 fazendo convergir sobre ele as atenes de todos1 disse-lhe3 --,ento vocemec porque no bebe8 ,no gosta de vinho8 --,no bebo--respondeu ,julio--porque acabo de cear em minha casa1 e eu no costumo beber seno s comidas4 --,ora--disse o confeiteiro com modos impertinentes--isso ser muito bom para a saude1 porm eu creio que o vinho sempre bom4 --,cada um tem as suas idas1 e eu tenho as minhas4 --,pois olhe3 o que a mim me parece que vocemec tem cara de padre1 e que se no brinda porque no homem4 --,ai6--exclamou ,julio com toda a calma1--por aquilo que eu brindaria seria para que ,deus lhe desse mais juizo e menos palavriado4 ,uma gargalhada geral ressoou em toda a sala ao ouvirem as palavras de ,julio4 ,este1 conhecendo1 pelo estado dos convidados1 que aquilo no era logar proprio nem para ele nem para sua esposa1 deixou a sala1 despedindo-se cortezmente de todos4 ,o baile prolongou-se at uma hora da madrugada2 no havia cabea que estivesse em si4 ,o sr4 ,joo1 numa linguagem ininteligivel1 disse3 --,senhores444 manh444 disse444 manh444 ser dia4 ,proponho que vamos horta1 ao campo444 como ha que madrugar444 preciso dormir444 com que cada mocho a seu souto444 tenho dito4 --,bem1 bem6--exclamaram todos com alegria4 --,ordem1 companheiros6--gritou com voz um pouco rouca o confeiteiro2--antes de nos separarmos venha mais um gole e dancemos o galope infernal4 --,sim1 sim1 disseram alguns1 vamos ao galope infernal4 ,encheram-se os copos e esvasiaram-se1 e as guitarras tocaram desafinadamente4 ,alguns pares comearam a bailar444 ,bailar8 ,melhor diriamos que aquilo no era baile1 mas sim dana de furias2 aquela massa de gente empurrava-se e pisava-se1 indo dum lado para o outro4 ,por fim sucedeu o que era de esperar4 ,o confeiteiro e a sua companheira cairam no cho e aos outros aconteceu o mesmo1 por estarem com a cabea toldada pelo vinho4 ,que scena6 homens e mulheres1 em revolta confuso1 rolando pelo cho2 o calor sufocava6 as vozes1 no meio das quaes se ouviam alguns ais1 ensurdeciam1 e tudo isto diante do santo da sua devoo6 ,por fim foram levantando-se conforme poderam1 os devotos do santo1 excepo duma joven que ficou estendida no cho1 por efeito duma pancada violentissima que havia recebido4 ,ento que foram os lamentos e os ais2 uns resavam ao santo1 outros abriam roda1 e abanavam com os lenos1 e finalmente ,antonia correu ao seu quarto por um frasquinho de essencia que1 aplicado ao nariz da pobre menina1 fl-a voltar a si4 ,finalmente1 depois do susto que tiveram1 o que muito natural1 os convidados sairam para a rua1 ficando s a familia da casa4 ,antonia entrou no seu quarto chorando1 porque na ocasio do baile tinha caido1 e na queda tinha partido um dos brincos1 perdendo tres diamantes que tinha mandado engastar nele4 ,que diro seus paes8 ,encontrar ,santo ,antonio os diamantes8 ,,capitulo ,,iii ,no dia de ,santo ,antonio ,amanheceu o dia #ac de ,junho do ano de #ah44 puro e sereno4 ,dois estabelecimentos dos muitos que ha na ,rua dos ,embaixadores estavam ainda fechados s cinco e meia da manh1 e dois grupos bem distintos um do outro estavam batendo a cada uma das respectivas portas4 ,estes dois estabelecimentos eram3 a oficina do sr4 ,joo e a oficina do nosso amigo ,julio4 porta deste esto quatro homens e dois rapazes vestidos com a roupa do trabalho1 com um pequeno saco na mo1 que continha1 certamente1 o almoo1 preparados para se entregarem ao trabalho1 apezar de ser o dia de ,santo ,antonio4 ,a porta de ,julio abriu-se1 e aqueles que estavam espera entraram4 ,o grupo que aguardava que o sr4 ,joo ou alguem da sua casa dsse sinaes de vida compunha-se de jovens dum e doutro sexo1 com guitarras e bandurras1 vestidos com a sua roupa domingueira4 ,depois duns minutos de espera1 tambem foi aberta a porta1 aparecendo o sr4 ,joo1 que disse3 --,bons dias1 senhores4 --,bons dias1 sr4 ,joo4 --,j veiu o carro8 --,sim1 j est porta4 --,nesse caso1 que v um rapaz buscar a canastra4 ,o sr4 ,joo transmitiu a ordem1 e um dos moos do carro entrou1 voltando depois com uma canastra cabea em que iam as viandas e no cimo uma bateria de garrafas de vinho1 o que foi saudado pelo grupo quando o viram1 com gritos de entusiasmo1 entre os quaes se distinguia a voz dum deles1 que disse3 --,viva ,santo ,antonio1 e as ,antonias e todos os que estamos aqui reunidos6 ,sobretudo viva a festa e o prazer6 ,a conversa interrompeu-se porque o sr4 ,joo apareceu na loja1 e logo em seguida sua mulher e filha4 ,ao verem esta1 um--viva a filha do mestre6--ressoou na oficina4 ,quando estavam subindo para a carruagem1 chegou um pedreiro porta da loja do mestre carpinteiro1 dizendo-lhe3 --,o senhor vae passar o dia ao campo8 --,sim2 que queres8 --,venho do mando do mestre de obras para ver quantos caixilhos posso levar4 --,dize-lhe que hoje no levas nenhum2 dia de ,santo ,antonio e no trabalho4 --,porm1 veja bem1 mestre1 que um partido de operarios no pode trabalhar se se no levar isso para a obra4 --,pois que vo para o campo assim como eu4 ,o rapaz retirou-se4 ,entretanto ,brigida e ,antonia falavam com ,julio e ,dres1 porta da sua oficina4 ,instavam com eles para que os acompanhassem1 porm em vo4 --,nesse caso1 se teimam em ficar--disse ,brigida1--no deixem de olhar c pela casa4 --,esteja descanada--disse ,julio1--que ns olharemos pela sua casa4 ,brigida despediu-se1 e a sua filha1 aproximando-se de ,dres1 disse-lhe ao ouvido3 --,ai1 ,dres6 mau dia de ,santo ,antonio vamos ter4 ,a vespera foi m e o dia no ser melhor6 ,depois te contarei tudo4 ,como passaram o dia as personagens da nossa historia8 ,vamos dizer-vol-o em poucas palavras1 tanto quanto nos seja possivel4 ,julio passou o dia trabalhando1 e tanto ele como sua familia e oficiaes gozaram perfeita tranquilidade4 ,quanto ao mestre carpinteiro1 vamos encontral-o com sua familia e amigos no campo pelas cinco horas da tarde4 ,todos se acham alegres1 como natural1 quando se vae passar o dia ao campo1 e especialmente hora de comer4 --,vamos--disse neste momento mestre ,joo1--trinchemos estas aves1 como dizem os ricos4 --,quem fala agora aqui de ricos8--,vivam os pobres6 --,viva a liberdade6--gritou ,joo4 --,viva666 --,olha--perguntou o confeiteiro--para que queres tu a liberdade8 --,homem444 eu444 para444 que sim444 porque meu av foi muito liberal444 e odiava os padres1 a religio e os ricos4 --,que no se fale aqui de politica--disse uma mulher4 --,sim1 sim1 para fra daqui a politica2 falemos antes de religio1 o que est na ordem do dia desde que chegaram aqui os protestantes4 ,falemos1 pois1 de religio1 como falou hontem noite o mestre ,julio1 que tem cara de padre4 --,pois falemos de religio--disse uma das pessoas presentes2 e1 dirigindo-se ao confeiteiro1 disse-lhe3 ,tu que s8 catolico apostolico romano1 ou judeu8 --,homem--respondeu ele--eu sou hespanhol4 ,uma gargalhada geral acolheu esta resposta4 --,de que se riem vocs8--perguntou ele--,eu nasci em ,madrid1 portanto sou hespanhol4 --,isso nada tem que ver4 s cristo8 --,sim4 --,catolico apostolico romano8 --,sim4 --,nesse caso crs no ,papa4 --,eu no creio no ,papa4 --,e nos padres8 --,to pouco4 --,e na ,virgem8 --,sim4 --,pois ento no s catlico apostolico romano1 porque no crs no ,papa4 --,lembra-te de que ele infalivel4 --,sim1 e exactamente agora1 porque infalivel1 perdeu ele o poder temporal1 e contra ele se levantam os proprios catolicos4 ,ha pouco li num jornal1 de que sou assinante1 que o padre ,jacinto1 esse padre ou frade francez que tanto tem dado que falar1 vae casar-se1 e o mesmo vae fazer um sabio alemo que se chama444 no me posso recordar agora do seu nome2 o certo que eles dizem que os padres devem ser casados4 --,isso que uma grande verdade--disse outra pessoa presente1--os padres devem ser casados2 assim no se presenciariam certos escandalos444 --,mas que o ,papa--disse outro-- muito provavel que saia de ,roma1 apezar de toda a sua infa444li444bi444lidade4 --,em vista de tanta trapalhada que ha na egreja e tanta palhaada--exclamou o sr4 ,joo--eu no sou nada2 o que me ensinaram meus paes isso ensino eu a minha filha2 porm eu444 creio que ha um ,ser supremo1 mas que no intervem em coisa alguma deste mundo2 fao o bem que posso1 respeito os santos1 e no me meto com ninguem2 e com isto tenho a certeza de ganhar o cu1 se que o ha4 --,isso sim--exclamaram alguns--isso que ser cristo4 ,assim continuou a conversao1 expondo cada qual as suas idas religiosas4 ,segundo eles1 fazer o bem que se pode fazer1 crer num ,ser que antes um no ser1 visto que em nada intervem1 e respeitar os santos1 eis o que preciso para uma pessoa ser crist e salvar-se4 ,que cegueira6 ,e quem tem a culpa de tanto erro8 ,no hesitemos em o declarar2 a culpa tem-na em sua maior parte um clero to ignorante como fanatico1 porm sobretudo to egoista1 que no ergue a voz seno quando se v ofendido nos seus interesses materiaes4 ,ha milhares e milhares de pessoas como o mestre ,joo1 excelentes paes de familia1 homens honrados segundo o mundo1 porm em questes religiosas1 j por vezes o temos observado1 com o facto de fazerem o bem que podem do-se por satisfeitos4 ,erro6 lamentavel erro6 ,aqueles que em tal coisa crem que escutem o que disse ,jesus ao doutor da lei4 ,mestre--disse um doutor da lei a ,jesus--o que preciso que eu faa para alcanar a vida eterna8 ,e ,jesus lhe disse3 ,o que est escrito na lei8 ,como ls tu8 ,e1 respondendo o doutor1 disse3 ,amars o ,senhor teu ,deus1 de todo o teu corao1 com todas as foras do teu entendimento1 e o teu proximo como a ti mesmo4--,bem falaste 7respondeu ,jesus72 faze isso e vivers4 ,faze isso e vivers2 no basta fazer uma parte1 preciso fazer tudo para a gente se salvar4 ,porm agora surge esta pergunta3 ,pode o homem fazer tudo8 ,no4 ,para ele cumprir a lei1 ganhar a salvao da sua alma1 impossivel2 porm temos um ,substituto que fez tudo2 foi-nos dado um que no deixou nada por fazer4 ,esse um ,jesus ,cristo1 e s por ,ele temos redeno1 justificao e santificao4 ,sim1 pela f em ,jesus temos assegurada a salvao da nossa alma4 ,sem a f em ,jesus nada temos4 ,porm voltemos reunio4 j quasi noite1 e os amigos do mestre ,joo1 este e sua familia1 preparam-se para irem para suas casas4 ,ao subirem para o carro1 o boleeiro ria como um perdido na almofada1 e por mais que fizessem para o dissuadirem disso no poderam4 ,o carro partiu1 e todos iam alegres e contentes4 ,o confeiteiro comeou a sentir-se incomodado com o movimento do carro1 e principiou a gritar3 --,parem6 parem6 he6 he6 sinto-me incomodado3 quero444 ,inclinou-se para um lado1 e1 sem que ninguem podesse evital-o1 caiu do carro abaixo4 ,o cocheiro fez um supremo esforo para parar os cavalos1 porm em vo2 no o pde fazer seno depois de terem dado alguns passos4 ,toda a gente1 soltando gritos de horror1 desceu do carro1 e foi logo para junto do confeiteiro1 que jazia estendido no cho1 banhado em sangue1 sendo necessario transportal-o para a casa mais proxima4 ,houve uma pessoa que1 apezar da muita devoo que tinha a ,santo ,antonio1 no pde deixar de exclamar3 --,se ,santo ,antonio no tivesse vindo ao mundo1 nem tivesse amanhecido o seu dia1 no se teria perdido com isso coisa nenhuma4 ,ao passo que outro acrescentou3 ,melhor nos teria sido passar o dia com ,julio1 trabalhando na oficina1 e ganhando para ns e nossas familias4 ,,capitulo ,,iv ,consequencias ,so decorridos quinze dias desde o dia de ,santo ,antonio at hoje4 ,em casa do mestre ,joo deve ter havido alguma coisa de extraordinario4 ,reina l uma agitao fra do costume2 as mulheres andam apressadas dum para outro lado e o rosto de mais duma delas est humedecido pelo pranto4 ,que ter sucedido8 ,consequencias duma vespera e dum dia de ,santo ,antonio4 ,quer pela perda dos diamantes1 quer pelo susto que recebeu com a queda do moo confeiteiro1 ,antonia veiu para casa doente4 ,no dia seguinte manifestou-se-lhe uma febre to intensa que o medico declarou que no havia tempo a perder1 pois via-a ameaada duma congesto cerebral4 ,acrescentou que o caso no podia ser mais grave1 e que1 portanto1 seria conveniente que se preparasse espiritualmente4 ,a pessoa que recebeu esta noticia foi a ,dres4 ,a me de ,antonia estava como fra de si2 o pae chorava como uma creana1 e para dizer tudo numa palavra--todo e qualquer teria pena daquela familia1 to triste agora como alegre ainda no havia muitos dias4 ,dres transmitiu a noticia a uma tia de ,antonia1 a qual disse que no a comunicava aos paes dela4 ,por fim1 depois de muita hesitao1 resolveram dizel-o a um sacerdote que vivia na mesma casa4 ,chamava-se ,francisco1 era ainda novo1 um tanto instruido e1 apezar de fanatico nas suas idas religiosas1 gozava de bastantes simpatias entre os seus freguezes4 ,as mulheres despediram-se do padre ,francisco1 e dez minutos depois um aprendiz de ,julio entrou na oficina do carpinteiro1 dizendo3 --,sr4 ,joo1 o meu mestre pede-lhe que v loja dele1 pois que precisa muito de falar-lhe4 ,o carpinteiro seguiu o rapaz1 e1 logo que avistou ,julio1 este disse-lhe3 --,boas tardes1 sr4 ,joo4 ,como vae ,antonia8 --,mal1 muito mal4 ,filha da minha alma6 --,senhor ,joo--disse ,julio muito comovido--no se aflija4 ,emquanto um doente tem vida1 ainda ha esperana4 ,venha comigo c para dentro1 que temos que falar4 ,quando chegaram sala e se sentaram1 ,julio deixou que o seu amigo se tranquilisasse um pouco1 e chamou por sua me para que trouxesse um copo de agua4 --,ento1 sr4 ,joo6--disse a senhora ,josefa1 apresentando-lhe o copo com a agua--no se entregue dr dessa maneira1 tenha confiana em ,deus4 --,deus1 ,deus--exclamou o carpinteiro1--,deus no ouve1 ,deus est444 ,a senhora ,josefa ia a responder1 porm um gesto de ,julio indicou-lhe que saisse1 e assim o fez1 dizendo3 --,jesus est em toda a parte4 --,senhor ,joo--disse ,julio quando sua me saiu1--ha sucessos na vida mediante os quaes posta prova a alma do homem4 ,quando um pae sofre o que vocemec est sofrendo1 e cr e confia em ,deus1 no se desespera assim4 --,no sei1 ,julio1 o que teem as suas palavras1 que tanto me consolam2 porm1 no1 no1 minha filha no deve morrer to joven444 eu proprio a disputarei a ,deus4 --,quer disputal-a a ,deus8 --,sim1 como8 --,pela orao4 --,eu no sei rezar1 nem quero2 o que quero minha filha4 --,to pouco eu quero que reze2 o que eu quero que se volte para o ,senhor com humildade1 dizendo3 ,senhor1 no te deixarei se no me abenoares2 ofereo-,te minha filha1 faze dela o que fr da ,tua vontade2 smente ,te rogo que ma deixes1 ou que me ds foras para sofre este golpe no caso de ma levares2 tem piedade de mim1 em nome de ,jesus4 --,eu no sei dizer isso2 eu no sei orar4 --,no8 ,pois ento diga ao ,senhor3 ,senhor1 ensina-me a orar444 ,jesus disse3 ,tudo o que pedirdes em orao1 tendo f1 recebereis4 ,estavam nisto quando bateram de mansinho porta da sala4 ,julio abriu1 e o ,p4 ,francisco entrou1 saudando ,joo e ,julio1 que por sua vez corresponderam saudao4 --,pois1 senhores1 deixo-os ssinhos--disse ,julio4 --,no1 no1 de modo nenhum2 deve at ficar--respondeu o sacerdote1 acrescentando3--,vejamos1 sabe j o sucedido1 sr4 ,julio8 --,no--respondeu ,julio--eu tratava de o consolar1 exortando-o a que pozesse a sua confiana em ,deus1 infinitamente bom4 ,todos tomaram assento1 e o ,p4 ,francisco disse3 --,sim1 certo que ,deus bom1 porm quer que da nossa parte faamos alguma coisa4 --,e que devemos fazer ns8--perguntou ,julio4 --,oh6--exclamou o sacerdote--a penitencia6 ,esse precioso dom que nos concedeu a misericordia dum ,deus ,salvador6 ,dom que1 acompanhado da poderosa intercesso da ,bemdita ,virgem e de toda a crte celestial de anjos1 querubins e santos1 nos abre infalivelmente as portas do cu1 j se v1 uma vez que haja a absolvio do sacerdote1 apoz a confisso6 ,sim1 meu amigo1 se receia alguma coisa por sua filha1 deve1 revestindo-se de valor1 dizer-lhe444 que se confesse4 ,joo ia a falar1 quando o ,p4 ,francisco o interrompeu1 dizendo3 --,j sei o que me vae dizer4 ,dir o que todos dizem1 isto 1 que a confisso feita por um enfermo no leito da morte um golpe terrivel para ele4 ,mas porqu8 ,quando o sacerdote1 vestido com os seus habitos talares1 e com a autoridade que ,deus e a santa egreja lhe do1 se aproxima da cabeceira do doente para o advertir de que se acha s portas da eternidade1 e de que o espera talvez a condenao eterna1 a sua presena e palavras actuam de tal maneira no espirito do doente que lhe do novas foras2 e1 no momento de se confessar para poder receber a ,jesus sacramentado1 opera-se nele uma tal mudana que se pode atribuir certeza1 que dada ao enfermo1 da absolvio dos seus pecados dada aqui na terra pelo sacerdote romano e ratificada no cu4 ,ento pode o moribundo entregar-se com inteira confiana proteco da me dos pecadores1 e morrer em estado de graa e em perfeita e completa paz4 --,eu pergunto uma coisa--disse ,julio4--,o sacerdote no diz nada de ,jesus aos enfermos8 --,sim1 diz2 porm o nome de ,maria ,santissima mais doce1 induz mais facilmente ao arrependimento4 --,no estou de modo nenhum conforme com isso1 porque1 afinal1 quem operou a salvao dos pecadores1 ,maria ou ,jesus8 --,a salvao obra dos dois1 porque1 se ,jesus morreu1 foi concebido no ventre da ,virgem e amamentado aos seus peitos2 e1 ainda que no fosse por isso1 pelo facto de ela ser me de ,jesus1 ,este ha de declinar nela todo o poder4 ,sem ,maria no podia existir ,jesus4 --,porm essas doutrinas so hereticas2 onde encontra o senhor uma s palavra na ,biblia que autorize taes opinies8 --,mas se a ,biblia o no diz dil-o a egreja e os padres4 --,a palavra de ,deus tem mais autoridade do que padre algum1 pois que o melhor deles falivel4 --,porm de que se trata8--perguntou mestre ,joo4 --,simplesmente--respondeu o sacerdote--dizer-lhe que sua filha est perigosamente doente1 e que preciso que se confesse4 --,filha do meu corao6--exclamou o carpinteiro1 louco pela dr4--,minha pobre filha6 ,com que ento morre844 ,houve um momento de silencio1 durante o qual o sacerdote e mestre ,julio encararam com profunda simpatia o aflito pae4 ,,capitulo ,v ,tlim444 tlim444 tlim444 tlim444 ,no dia seguinte ao dos acontecimentos narrados no capitulo antecedente1 estava tudo preparado para se levar o ,viatico a ,antonia4 ,a opinio do padre ,francisco prevaleceu1 e ele mesmo confessou a filha do carpinteiro4 ,ao anoitecer j estavam todos os amigos de mestre ,joo e grande numero de visinhos esperando que soasse a hora marcada para irem egreja4 ,entre os visinhos faltava um1 era mestre ,julio4 ,deixemol-os no caminho da egreja1 e ouamos o seguinte dialogo entre duas visinhas3 -- estranho que a mulher de mestre ,julio no esteja neste momento em casa de ,antonia1 visitando-a tanto a miudo como a visitava4 --,olhe1 sr4 ,tomazia1 segundo o que tenho ouvido dizer1 ela e o marido so protestantes1 e por isso444 como vo 444 --,protestantes6 ,vocemec est louca1 sr4 ,joana6 ,pois ento no conheo eu ,dres desde pequenina1 e no foi baptizada em ,s4 ,caetano8 --,pois filha1 o que lhe digo e repito que mestre ,julio protestante4 --,pois est muito enganada4 ,os protestantes no so hespanhoes nem esto baptizados4 --,ento que so eles8 --,so uns estrangeiros que vieram de longe1 da mourama1 mandados de l para conquistarem a ,hespanha4 --,pois a mim disseram-me em segredo que ,julio era protestante4 --,no1 esse est baptizado e hespanhol2 e ha pouco entrou em sua casa o padre ,francisco2 j v que1 se ele fosse protestante1 no entraria ali aquele sacerdote4 --,pois exactamente por isso que eu o sei4 ,o padre ,francisco soube que mestre ,julio estava aconselhando o pae de ,antonia a que no deixasse confessar a filha1 e foi l a casa para o trazer comsigo4 -- verdade6 ,isso um misterio4 --,misterio no2 ha quem diga444 ,neste momento ouviu-se o tlim444 tlim444 tlim444 tlim444 da campainha anunciando a chegada do ,viatico4 ,imediatamente em casa da enferma e nas casas visinhas se estabeleceu uma grande confuso4 ,os moradores dos andares superiores desceram porta da rua1 uns trazendo luzes e outros com brazas nas ps1 em que queimavam alfazema e incenso4 ,o som da campainha ouvia-se cada vez mais distintamente1 e os que vinham na frente com tochas acesas entraram no portal4 ,toda a gente se poz de joelhos4 ,o sacerdote passou pelo meio1 murmurando palavras que no se entendiam1 e entrou pela porta que dava para as trazeiras da carpinteria4 ,a porta de ,julio1 de que j falmos1 e que ficava em frente da de mestre ,joo1 permaneceu fechada1 causando este facto grande surpreza4 ,emquanto o sacerdote estava l dentro1 alguns dos que tinham vindo acompanhar processionalmente o ,viatico ficaram no portal1 porque no cabiam no quarto da enferma1 e1 para no perderem o tempo1 comearam a fumar e a conversar muito tranquilamente4 --,oua l1 visinha--disse um individuo a uma mulher que estava com um candieiro na mo4--,quem mora nessa casa cuja porta est fechada e que no teve uma triste vela para alumiar o ,senhor quando passou8 --,ali--respondeu a mulher1 apontando para a porta que estava fechada-- a oficina de mestre ,julio4 ,no so muito amigos destas coisas1 nem ele nem sua familia2 so444 --,protestantes8 --,exactamente4 --,oh6 com mil bombas6 ,ouve tu--dirigindo-se a outro--2 naquela casa mora um protestante3 deveriamos chamal-o e obrigal-o fora a abrir a porta e trazer uma luz4 --,no1 deixae-vos de loucuras1 cada um livre de pensar como quizer--respondeu ele4 --,bom1 bom--disse um homem j de edade1--por essa tolerancia da mocidade em admitir estrangeiros que a ,hespanha est assim4 --,no--respondeu uma visinha1--manh mesmo o comunicaremos ao sr4 padre ,francisco1 pedindo-lhe que diga ao senhorio que despea aquelas aves de mau agouro4 ,neste ponto terminou a conversa1 pois que tinha tambem terminado a cerimonia da administrao do ,viatico enferma4 ,pz-se tudo na mesma ordem2 tornou a soar a campainha1 e o ,deus inventado pela ,egreja romana saiu de casa1 e l foi novamente nas mos dum simples mortal4 ,vejamos entretanto o que estava fazendo aquela familia que conservou a porta sempre fechada1 e que nem uma triste vela acendeu passagem do vitico4 ,dres1 ,josefa e ,julio estavam sentados na sala1 tendo este ultimo deante de si um livro aberto4 --,que tristeza--disse ,julio--me causa tudo o que se est passando na casa de ,joo6 ,que diferente o que esto fazendo com ,antonia daquilo que o ,senhor ordena na ,sua ,palavra6 ,leiamol-a e vejamos o que se deve fazer com os enfermos4 ,na ,epistola de ,s4 ,tiago1 cap4 ,v1 vv4 #ad e #ae1 l-se o seguinte3 ,est entre vs algum enfermo8 chame os presbiteros da egreja1 e estes faam orao sobre ele1 ungindo-o em nome do ,senhor2 e a ,,ora,o ,,da ,f salvar o enfermo1 e o ,senhor o aliviar2 e1 se estiver em alguns pecados1 ser-lhe-ho perdoados4 ,taes so as instrues que temos na ,palavra de ,deus1 e portanto no devemos afastar-nos delas1 desprezando-as4 ,faamos a orao da f que salvar o enfermo1 pedindo a ,deus por nossa visinha a quem tanto estimamos2 no que a nossa orao a salve1 mas sim porque uma recomendao de ,deus1 e por meio da qual liberalisa a ,sua graa e concede os ,seus dons4 ,porm preciso fazer essa orao com f4 ,minha me e tu1 ,dres1 sentem-se com verdadeira f1 para pedir ao ,senhor por ,antonia1 crendo firmemente que o ,senhor a aliviar8 --,sim1 responderam elas resolutamente4 --,pois ento oremos ao ,senhor4--,pozeram-se todos de joelhos1 e1 depois duns momentos de meditao profunda1 ergueu-se a voz de ,julio1 pausada e solene1 dizendo3 --,oh6 ,senhor e nosso ,pae6 ,ajoelhamo-nos deante de ,ti1 em nome de ,jesus ,cristo1 para ,te suplicarmos que nos concedas uma beno especial4 ,senhor1 lemos na ,tua ,palavra que nos mandas que oremos pelos enfermos1 prometendo que a orao da f salvar o enfermo1 e que ,tu1 ,senhor1 o aliviars4 ,d-nos a f necessaria para ,te pedirmos por ,antonia1 nossa visinha4 ,tu1 oh6 ,deus1 sabes todas as coisas1 e conheces todos os coraes4 ,sabes1 pois1 a situao em que se encontra a nossa amiga e o estado do seu corao4 ,ah6 ,senhor6 ,no permitas que1 enganada por praticas vs1 que lhe ensinaram1 sua consciencia continue a estar adormecida1 pois que nesse caso qual ser o seu despertar8 ,oh6 bom ,deus2 aqui ,te apresentamos a promessa2 agora1 ,senhor1 atende ao que ,te pedimos3 ,que levantes ,antonia do seu leito1 e que a convertas a ,ti1 sarando-lhe deste modo o seu corpo e a sua alma4 ,senhor1 concede-nos isto1 faze-nos ver o ,teu poder1 d consolao a seus paes1 e restitue-lhes sua filha2 mas1 se fr do ,teu agrado leval-a para ,ti1 salva a sua alma4 ,ouve-nos1 ,senhor2 assim ,to pedimos em nome1 por amor e pelos merecimentos de ,jesus ,cristo1 ,teu ,filho4 ,amen4 --,amen1 repetiram as duas mulheres4 ,quando se levantaram1 ,julio disse3 --,agora aguardemos a resposta do ,senhor4 --,olha1 ,julio--disse ,dres1--vou ver como est ,antonia1 e volto j4 --,se te deixarem entrar4441 observou ,josefa4 --,e porque no me ho de deixar entrar8 --,porque como nenhum de ns foi porta quando passou o ,viatico444 --,nesse caso--interrompeu ,julio1--se te disserem alguma coisa que no te agrade1 volta imediatamente para casa4 ,dres saiu1 e dentro em breves instantes eil-a em casa de mestre ,joo4 ,estranho contraste se apresentou ento aos seus olhos6 ,o altar de ,santo ,antonio estava iluminado como na vespera do seu dia1 e adornado de flores2 porm s gargalhadas e ao ruido das guitarras havia sucedido o pranto2 ao forte sapatear da dana1 o andar de mansinho nas pontas dos ps2 atmosfera viciada pelo fumo dos cigarros a no menos viciada atmosfera do fumo do incenso e da alfazema4 ,na presena do ,santo tinha sido a orgia1 na presena do ,santo as lagrimas e os soluos4 ,e este1 impassivel deante das palavras grosseiras de ento1 continuava impassivel agora dr e ao pranto de toda uma familia4 ,ento ofereceram-lhe canes1 agora oferecem-lhe oraes1 e1 se quelas foi completamente surdo e cego1 a mesma surdez e cegueira manifesta em presena destas4 ,o mal principiou no dia do ,santo1 ou antes na vespera1 e quando e como acabar8 ,estas ideias perpassam pelo espirito de ,dres1 que pde observar tambem como1 sua entrada1 algumas mulheres que estavam na sala cessaram de falar e a encaravam com certa reserva4 --,boas noites--disse ela4 --,boas noites--responderam as pessoas que estavam4 --,posso ir ver ,antonia8 ,as mulheres hesitaram2 por fim uma disse3 --,pode ir4 ,dres entrou na alcova1 e aproximou-se silenciosamente da cabeceira da enferma1 inclinando-se para a ver4 ,antonia abriu os olhos1 e logo que reconheceu que era ,dres disse-lhe com voz debil3 --s tu1 ,dres8 --,sim1 sou eu--respondeu ela1--como ests8 --,mal1 muito mal2 no sinto a cabea4 --,pois nesse caso no fales4 --,no1 no falarei2 o cheiro da cera e do incenso entonteceram-me444 ,porque no vieste antes8 --,deves saber1 ,antonia1 que1 ainda que no esteja a teu lado1 lembro-me de ti e oro a ,deus por ti4 ,vou deixar-te4 ,pensa em ,deus1 minha amiga1 e lembra-te de que s ,jesus ,cristo que pode salvar-nos4 --,eu j recebi a comunho4 --,muito bem2 porm no fies a tua salvao de mais ninguem seno de ,jesus ,cristo4 ,por ,ele sers salva4 --,assim o farei444 porm no vs ainda1 senta-te aqui junto de mim4 ,dres calou-se e sentou-se1 orando em silencio por sua amiga4 ,passados alguns momentos1 saiu para a sala1 e1 dirigindo-se s mulheres que ali estavam1 disse-lhes3 --,onde esto os paes de ,antonia8 --,no sabemos--respondeu uma1 muito secamente4 ,dres1 apezar de notar que a sua pergunta no tinha sido bem recebida1 continuou3 --,parece-me que as senhoras deviam apagar algumas luzes do altar4 ,antonia queixa-se do calor e do cheiro da cera4 --,bem sabemos--respondeu a tia de ,antonia--aquilo que temos de fazer4 ,e a proposito2 a senhora far-nos-hia um grande favor no tornando aqui at que ,antonia esteja livre de perigo4 ,o confessor prohibiu que fale com certa classe de gente444 e444 --,sim--interrompeu ,dres--e entre essa classe de gente esto ,julio1 sua me e sua mulher1 no verdade8 ,pois bem1 retiro-me1 porm graas a ,deus que em minha casa orarei pela minha amiga1 e sei que ,deus me ouvir4 --,j lhe dissemos que pode retirar-se--exclamaram todas4 --,sim1 retiro-me--disse ,dres com as lagrimas nos olhos--retiro-me1 e que ,deus vos perde o mal que me fazeis4 ,as mulheres continuaram por alguns momentos falando1 e ,dres saiu1 chorando1 em direco de sua casa4 ,ao verem-na entrar assim1 sufocada pelas lagrimas1 ,julio e ,josefa levantaram-se apressados1 interrogando-a3 --,morreu8 --,no--respondeu ,dres4 --,ento que foi8 --,ai6444 por ordem do confessor no podemos entrar mais naquela casa4 --,e ento isso motivo para que te aflijas assim dessa maneira8--exclamou ,julio4 --,sim1 porque quero muito a ,antonia1 e desprezam-nos sem saber porqu6 --,sem saber porqu8--disse ,josefa--,no digas isso2 eles de mais o sabem2 porque ns somos cristos e eles no2 eis ahi o motivo4 --,porm podiamos ter feito tanto bem a ,antonia444 que444 --,o mesmo lhe podemos fazer agora--disse ,julio4--,oremos sem cessar por ,antonia1 e ,deus nos ouvir4 ,quanto ao mais1 preparemo-nos para sofrer toda a classe de desprezos e insultos1 porm pensemos no que disse ,jesus ,cristo3 ,lanar-vos-ho fra das sinagogas2 e vir tempo em que1 quando qualquer vos matar1 julgar que com isso faz um servio a ,deus4 ,confiana1 pois1 e oremos ao ,senhor pelos nossos inimigos4 ,,capitulo ,,vi ,manda-o minha filha1 e quanto basta ,ao declinar da tarde do dia seguinte em que ,antonia recebeu o ,viatico1 a sua cabea estava um pouco mais leve1 manifestando alguns sinaes de melhoras4 ,perguntou ento por ,dres4 --,no est aqui--respondeu a mulher que cuidava dela4 --,nesse caso chamem-na--disse ela4 ,a mulher saiu da alcova para dar conhecimento aos paes de ,antonia do desejo que ela acabra de manifestar4 ,a me enxugou as lagrimas1 procurou tranquilisar-se para entrar no quarto de sua filha1 qual perguntou carinhosamente3 --,que queres1 minha filha8 --,quero ver ,dres4 --,para qu8 ,o confessor disse que no falasses com ela4 --,no quero saber do que disse o confessor2 o que eu quero falar com ela1 e tanto basta4 ,o confessor encheu-me de muito medo1 impoz-me uma penitencia que444 finalmente1 quero ver ,dres4 --,minha filha1 socega1 no penses em nada1 nem te recordes de nada4 --,minha me--disse ,antonia1 j bastante agitada--j disse que quero ver ,dres1 e hei-de vl-a4 ,ela entende-me e diz-me umas coisas que ninguem as sabe dizer444 quero ver ,dres1 j disse444 e se fosse possivel444 ,mestre ,joo1 desejoso de ouvir o que dizia sua filha1 tinha-se aproximado p ante p da alcova1 escutou a petio de sua filha1 e em seguida entrou e disse resolutamente4 --,para que queres ver ,dres8 --,para falar com ela--respondeu ,antonia4 --,pois espera1 que eu mesmo vou chamal-a4 --,muito obrigada1 meu pae1 muito obrigada444 ,joo saiu da alcova1 e sua mulher apoz ele1 dizendo-lhe3 --,porm espera1 homem2 v o que fazes6 --,o que fao8--perguntou ele muito secamente4 --,ento sempre vaes chamar essa mulher8 --,sim2 e no s a ela como tambem o seu marido4 --,homem1 tu ests444 --,estou como queiras que esteja1 porm agora vou chamal-os4 ,pede-o minha filha1 e quanto basta4 --,porm o padre ,francisco disse que no e444 no4 --,e minha filha diz que sim1 e444 e sim4 ,e ,joo1 sem fazer caso do que dizia sua mulher1 acompanhada no mesmo tom pela tia de ,antonia1 saiu em direco da oficina de ,julio1 pedindo a este a sua mulher e sua me que fossem a sua casa1 logo que fechassem a porta4 ,dres1 acompanhada de seu marido1 entrou na casa de sua amiga4 --,antonia--disse ,dres muito baixinho4 --,ah6 s tu8--respondeu a filha do carpinteiro1 reanimando-se4 --,como ests8 --,mal1 ,dres1 muito mal2 porm no sei que voz secreta me diz que desta vez ainda no morro4 --,tem confiana em ,deus e est socegada1 filha1 esperando que a ,sua vontade seja feita444 porm no fales mais444 --,mas eu quero falar-te4 --,e a cabea8 --,a cabea j no me doe tanto4 ,oh6 se tivessem continuado as mesmas dres de hontem1 certamente que j no seria deste mundo444 ,no podiam deixar-nos ssinhas8--disse para duas mulheres1 suas visinhas4 --,sua me--respondeu uma delas--disse que a no deixassemos nem um instante s4 --,pois saiam agora e vo para a sala4 --,olha--disse ,antonia quando se viu ssinha com ,dres--tu s a pessoa em quem tenho mais confiana1 e por isso1 se eu morrer1 desejo encarregar-te de certas coisas444 --,antonia1 querida ,antonia--interrompeu ,dres--no te alteres1 socega4 ,no disseste ainda ha pouco que no morrerias desta vez8 --,no me altero1 ,dres1 e to pouco penso em morrer4 ,depois de descanar um momento1 disse3 --,recordas-te de que1 no dia de ,santo ,antonio1 em que fui para o campo1 ao despedir-me de ti te disse3 ,mau dia vou ter8 --,sim4 --,v ento como acertei sem ser profetiza4 ,por mais que pedisse de todo o meu corao ao ,santo1 no fui ouvida dele4 --,olha1 ,antonia1 e cr o que te vou dizer3 ,em logar de pedires a ,santo ,antonio1 pede em nome de ,jesus4 ,foi ,ele que te remiu com o ,seu sangue2 ,ele te chama2 para que deixar a ,deus pelo homem1 o certo pelo duvidoso8 --,sim1 sim1 tens razo444 ,olha1 hontem quando me deram o ,santissimo pareceu-me que estava tranquila1 porm hoje1 que a minha cabea est um pouco mais leve1 as duvidas assaltam o meu espirito2 pois que a verdade que1 quando me confessei1 com a cabea j quasi perdida1 o ,p4 ,francisco me falou da morte1 do inferno1 e no sei de quantas coisas mais4 ,no estado em que tinha a cabea1 a minha confisso444 --,antonia1 s ,deus pode perdoar os pecados2 portanto1 s a ,ele que deves confessar-te2 dize-,lhe1 pois3 ,pae1 pequei contra ,ti1 mas por amor de ,jesus ,cristo perda todos os meus pecados4 --,e dize-me ,dres1 ,deus perdoa assim to facilmente8 ,no haver nada que purgar8 --,no1 no ha nada1 porque ,cristo purgou tudo4 --,ai1 ,dres1 se eu pudesse crr nisso1 que bem sentiria6 --,se queres1 esta noite vir ,julio1 e ele te falar a esse respeito4 --,sim1 quero1 que venha4 ,tenho um encargo a fazer-te4 ,abre a gaveta daquele toucador e v se ali ha uma caixinha2 dentro dela ha uns brincos1 a um falta-lhe fazer o aro2 sabe quanto custa e dize-mo4 ,dres obedeceu1 fazendo o que ,antonia lhe havia recomendado4 ,as duas amigas pouco depois despediram-se1 e ,dres saiu em direco a sua casa4 ,vejamos entretanto o que fazem mestre ,joo1 sua mulher e a tia de ,antonia1 irm de ,joo1 que esto na oficina4 --,tenho dito--dizia a sr4 ,brigida--que no quero que essa mulher esteja ahi1 e no estar4 --,e ,antonia--respondeu o carpinteiro--disse que quer que esteja1 e estar4 --,porm tu queres perder a alma da pequena8 perguntou sua irm4 --,o que vs ambas quereis que eu perca a paciencia1 e ento444 --,essa mulher cheira-me a enxofre1 ,joo4 --,e dize-me1 querida ,brigida1 no te cheirava a enxofre quando lhe recomendavas que tivesse cuidado da nossa casa8 --,ento no sabia o que eles eram4 --,sim1 que o sabias1 porque na noite em que baptizaram o seu filho foste capela dos protestantes vl-o baptizar4 --,eu no sabia que eram to maus como so4 --,porm eles que te fizeram8 --,a mim nada1 porm o ,p4 ,francisco sabe-o muito bem1 e por isso ele diz o que diz4 ,estou certa de que agora ,dres est dizendo a nossa filha que no acredite em ,deus nem nos santos1 para que morra em pecado e seja condenada4 --,isso--observou a tia--se no a matar4 --,quando digo que444 --,esta noite--interrompeu ,brigida--vou chamar o ,p4 ,francisco para que confesse outra vez ,antonia4 --,e eu1 se torno a ver o padre dentro de minha casa1 vs e ele saireis correndo pela porta4 ,repara1 ,brigida1 que estou meio louco1 que jmais te faltei ao respeito2 porm eu sei que ,dres no diz a nossa filha nenhuma coisa m1 e que no quero o padre em minha casa4 ,se at aqui tenho sido fraco1 agora no o sou4 --,digo-te que vir o ,p4 ,francisco444 e ha-de vir4 ,a disputa terminou1 saindo mestre ,joo a tratar dos seus negocios1 e ,brigida saiu apoz ele para ir falar com o padre1 a quem disse3 --,ah6 meu padre6 minha filha quiz ver a mulher de ,julio1 e meu marido foi chamal-a4 --,pois necessario impedir que ela lhe fale4 --,oh6 senhor6 ,j esto falando ha bastante tempo6 --,porm1 qual a opinio de seu marido a tal respeito8 --,meu marido diz que ,dres no diz coisa alguma que seja m a ,antonia6 --,ento como se entende isso8 ,no diz nada que seja mau8 ,julgue a senhora por si mesma4 ,a primeira coisa que sem duvida lhe ter dito que no faa caso daquilo que eu lhe disse2 que ser bom que se entregue a ,deus e que tenha confiana n',ele 7e isto para a enganar1 pois que este o sistema dos protestantes71 porm que no satisfaa a penitencia1 porque uma loucura que d muito incomodo2 tambem lhe ter dito que pode muito bem salvar-se sem recorrer a nenhum santo2 e que no creia de maneira nenhuma no poder e intercesso de ,maria ,santissima4 ,oh6 contra a bemaventurada ,virgem certamente que ter dito coisas que no esto na cartilha2 como1 por exemplo1 que nunca existiu1 que no foi pura e444 --,oh6 que horror6 que horror6--exclamou ,brigida com os olhos fra das orbitas1 como tomada dum grande espanto1 e acrescentou3 --,e no poder vir agora comigo1 que no est em casa meu marido8 --,sim1 sr4 ,brigida4 --,ento corramos a salvar minha filha4 ,o sacerdote saiu em companhia da sr4 ,brigida1 para visitar ,antonia4 ,na oficina j estava mestre ,joo1 que1 oferecendo uma cadeira ao padre1 lhe disse3 --,poder dizer-me a que devo a honra da sua visita8 --,sim1 senhor--respondeu o ,p4 ,francisco2--sua mulher disse-me coisas muito graves e serias4 --,minha mulher fala mais do que aquilo que deve444 --,no se altere1 sr4 ,joo--disse o sacerdote1 acrescentando3--,no trate assim sua pobre mulher4 --,nunca--respondeu mestre ,joo--tratei mal a minha mulher nem a ninguem1 porm agora empenharam-se em se oporem quilo que eu ordeno1 e isto no posso consentil-o4 --,mas em que se opem sua vontade8 --,em que no quero que contrariem minha filha no estado em que ela est4 --,aquele que mais quer mal a ,antonia vocemec4 --,eu8 --,sim1 senhor2 vocemec1 que lavra a eterna condenao dela1 lanando-a no inferno1 onde ser para sempre atormentada1 porque1 estando prestes a sua ultima hora1 vocemec1 seu pae1 cerca de pessoas que444 --,essas pessoas so to dignas como ,v4 ,s4 e como eu--exclamou o carpinteiro com certa energia1 e acrescentou3--,que mal lhe fizeram ,dres e seu marido para que fale dessa maneira8 --,so uns herejes--respondeu o sacerdote--que renegam a f crist4 --,p4 ,francisco1 se no tivesse em ateno o seu caracter sacerdotal1 dir-lhe-hia claramente que aquilo que diz no verdade4 --,como6 eu minto6--exclamou o padre1 levantando a voz4 --,oua1 sr4 padre3 na minha casa ninguem levanta mais a voz do que eu4 --,eu sou um ministro de ,deus e tenho poder para erguer a minha voz sagrada1 sempre e onde seja necessario4 --,joo1 s prudente--disse a sr4 ,brigida em voz suplicante4 --,cala-te--respondeu o marido2 e em seguida1 dirigindo-se ao padre1 disse-lhe3--,para que veja como eu respeito esses direitos1 peo-lhe que me diga franca e claramente o que quer1 ou ento que saia de minha casa4 --,bem--respondeu o padre1--venho confessar sua filha1 pois de contrario morre em pecado e ser condenada1 por ter falado com essa mulher que est excomungada4 --,e eu digo-lhe que no confessar minha filha1 e que1 pelo contrario1 o ,sr4 ,julio e sua mulher estaro constantemente em minha casa e cabeceira de minha filha4 --,pois eu no respondo pela sua alma1 nem nenhum santo estar sua cabeceira quando exale o ultimo suspiro1 e1 o que mais ainda1 ninguem lhe dir uma missa por sua alma1 pois que ser inutil4 --,to inutil ser ento como o agora4 ,no fui seno uma vez capela dos protestantes1 e nessa ocasio tirei mais proveito do que em todas as vezes que fui missa4 ,ali se l e prega o ,evangelho4 ,ali o ministro roga a ,deus pela nao1 pelo governo1 pelos enfermos1 pelos pobres e pelos aflitos4 ,ali os assistentes tomam parte no culto cantando hinos4 ,ali falam em hespanhol1 de modo que o senhor e todos podem entender o que se diz4 ,o senhor que lingua fala quando diz missa8 ,tanto pode ser mouro1 como grego1 como latim2 o que eu sei que no entendo palavra4 --,nem faz falta que entenda2 o que lhe faz falta crr4 --,mas crr em qu8 --,no valor da missa4 --,porm1 que valor tem a missa8 --,muito4 --,pois eu dou-lhe uma libra para que diga uma missa afim de que minha filha fique boa4 --,a missa no cura seno as enfermidades da alma4 --,pois ento enganaram minha mulher1 pois que eu sei que lhe aconselharam a que mandasse dizer missa pela saude de minha filha4 --,parece mentira que um homem que tem em sua casa um altar dedicado a ,santo ,antonio fale dessa maneira4 --,o que vou fazer do ,santo ,antonio1 mais tarde o ver4 ,como me ha-de ouvir ele1 se no mais do que um pedao de madeira8 ,fique sabendo que eu vi esse ,santo quando tinha cortia4 ,do mesmo tronco de madeira fizeram o ,santo e um cavalo4 --,oh6 no posso ouvil-o por mais tempo4 --,pois o que lhe digo verdade2 o escultor muito meu amigo4 --,por ultimo1 permite-me que confesse sua filha8 --,no1 senhor4 --,e que lhe fale8 --,tambem no4 --,julio falar com ela8 --,sim1 senhor4 ,e a mim me ensinar a viver2 a sua casa mais abenoada do que a minha4 --,no durar muito essa beno1 eu lho prometo1 nem habitar por muito tempo na casa onde mora4 --,pode fazer tudo o que quizer4 ,,capitulo ,,vii ,a visita ,retrocedamos e voltemos a encontrar ,dres no momento de entrar em sua casa1 depois da visita que fez sua amiga4 ,julio e sua me1 apenas a viram1 perguntaram-lhe como estava ,antonia1 e1 ao saberem que ia melhor1 ,julio exclamou3 --,a orao da f salvar o enfermo1 e o ,senhor o aliviar4 --,deus fiel--acrescentou a sr4 ,josefa4 ,dres contou a seu marido a conversa que tivera com ,antonia1 e o encargo que ela lhe fez dos brincos4 hora do costume ,julio fechou a porta da loja1 e1 munindo-se da sua ,biblia1 saiu1 acompanhado de sua me e ,dres1 em direco da casa de mestre ,joo4 ,bateram de mansinho porta1 que ,joo veiu abrir4 --,entrem para a oficina4 ,antonia est dormindo1 e o medico1 bastante surpreendido1 disse que isto era um bom sinal4 ,na carpinteria estavam a senhora ,brigida1 a tia de ,antonia e mais tres mulheres4 --,boas noites--disseram ao entrar4 --,boas noites--responderam com certa reserva as pessoas que ali estavam4 --,ento ,antonia est dormindo8 ,oh6 isso um bom sinal4 --,e diga-me1 sr4 ,brigida1 se sua filha chegar a ter saude1 a quem atribue essa graa8 --,eu atribuo-a ao bemaventurado ,santo ,antonio1 que jmais me negou o que eu lhe tenho pedido4 --,permite-me1 querida ,brigida--interrompeu mestre ,joo--que te diga que o tal ,santo ,antonio no te ouviu na ocasio presente4 ,eu j dantes estava certo1 porm agora estou certissimo1 de que ,santo ,antonio no te ouviu1 nem te ouve1 nem jmais te ouvir1 ainda que o chames com uma buzina4 --,certamente que1 tendo um marido to pouco devoto como tu1 ainda que chame por todos os santos da crte celestial1 nenhum me ouvir4 --,com que ento eu sou um impio6 ,e como o sabes tu8 ,o que me psa no corao no o ter-me oposto a que ,antonia se confessasse1 mas sim ter sido to fraco que permitisse que o padre ,francisco a tenha confessado4 ,tendel-o entendido8 ,demais1 agora creio-me menos impio do que antes1 porque1 em logar de no pensar nada em ,deus1 agora penso alguma coisa4 --,senhores--interrompeu ,julio1--se me permitem1 direi algumas palavras1 as quaes1 com o auxilio de ,deus1 nos sero muito uteis para esclarecer esta questo4 --,senhor ,julio--disse ,brigida1--todos sabemos as doutrinas que professa2 eu sei o que creio1 e nada me desviar dessa crena4 --,muito bem1 senhora ,brigida--respondeu ,julio1--porm permita-me uma pergunta8 ,em que cr8 --,eu creio no que diz a ,egreja4 --,e que diz a ,egreja8 --,a ,egreja diz444 diz444 diz o que diz2 eu bem sei o que diz4 --,mulher--interrompeu o carpinteiro1--com essas razes ficamos inteirados4 --,diga-me1 sr4 ,brigida--esclamou ,julio1--que conseguiu ,antonia com a confisso que fez ao ,p4 ,francisco8 --,muito--respondeu a mulher do carpinteiro1--pois se daquela ocasio tivesse morrido certamente que se salvava4 --,isso no certo1 pois que a confisso no salva ninguem1 porm1 apezar de tudo1 diga-me3 quantas coisas so necessarias para fazer uma boa confisso8 --,sim1 senhor1 so cinco2 ,catecismo do ,padre ,ripalda sobre a penitencia1 7pag4 #ed7 exame de consciencia1 dr do corao444 --,ouve--interrompeu o marido1--eis ahi o que no tinha nossa filha2 o que ela tinha era uma forte dr de cabea4 --,cala-te e no digas loucuras444 dr de corao1 proposito de emenda1 dizer os pecados ao confessor e cumprir a penitencia4 --,muito bem1 e cr que sua filha1 hontem de tarde1 atormentada pelas dres da doena1 estava nas disposies de ter esses requisitos1 sem os quaes1 segundo a ,egreja romana1 no se pode fazer uma confisso capaz de obter o perdo dos pecados8 ,vejamos3 ,antonia1 em consequencia do ataque cerebral1 sofrendo da cabea horrivelmente1 vae confessar-se2 preparam-na de antemo para isso6 dizem-lhe que o confessor ir dali a uma hora1 e que preciso fazer exame de consciencia2 nada menos do que passar em revista tudo o que disse e fez desde a ultima vez que se confessou4 ,dali a uma hora vem o confessor1 e a joven1 que no pode sequer abrir os olhos1 e a quem o menor ruido incomoda1 tem que ouvir e responder s perguntas que ele lhe faz2 isto se ela pode falar1 pois que do contrario o confessor pega-lhe na mo e comea a confessal-a pelos dedos4 ,depois disto1 que no pouco1 vem a penitencia1 que geralmente consiste em rezar tantos ,padre ,nossos1 tantas ,av ,marias1 tantas ,salv-,rainhas1 tantos ,credos1 etc4 ,suponhamos agora que o penitente tem dr do corao e muito proposito de emenda2 porm ter foras para cumprir a penitencia e fazer exame de consciencia8 ,mas isto ainda no tudo2 dali a uma hora vem o ,santissimo1 que muitas vezes administrado ao enfermo no periodo agudo da doena1 e esto to convencidos de que dificil ao doente o tomar a particula que a todo o doente que a recebe pergunta o sacerdote3 ,j passou8 ,por consequencia1 sr4 ,brigida1 so estas as boas disposies para a gente se salvar8 ,a me de ,antonia calou-se1 e algumas mulheres1 e com elas o sr4 ,joo1 disseram maquinalmente3 --,tem razo4 ,julio conheceu que estava senhor da situao1 e1 levado dum grande zelo em anunciar o ,evangelho1 continuou desta maneira3 --,a um enfermo no se deve falar seno de ,jesus2 na ,palavra de ,deus encontram-se frases to consoladoras como estas3 ,o sangue de ,jesus-,cristo nos purifica de todo o pecado4 ,ainda que ande nos vales da sombra da morte1 no temerei mal algum4 ,na verdade1 na verdade1 vos digo que aquele que cr em mim tem a vida eterna4 ,eu1 diz ,jesus1 sou a ressurreio e a vida2 aquele que cr em mim1 ainda que esteja morto1 viver4 ,estas palavras necessariamente comovero o enfermo e o faro exclamar3--,e quem s tu8--,e ento o ,filho de ,deus responde ao enfermo3 ,eu sou o bom ,pastor2 o bom ,pastor d a vida pelas ,suas ovelhas4 ,eu sou ,jesus4 ,e todo aquele que vem a mim1 no o lanarei fra444 ,quando ,julio acabou de falar1 fez-se um silencio profundo4 ,por fim1 uma das mulheres disse3 --,sabe que gostei muito do que acaba de dizer1 e que nunca ouvi falar assim8 --,parece que o que dizes tem visos de verdade--acrescentou a irm de mestre ,joo4 --,senhora--disse ,julio1--as palavras do ,evangelho so verdadeiras2 porm1 tornando nossa questo1 repito3 ,crem que a confisso1 feita da maneira por que a ,egreja a preceita1 salva8 --,se no salva--respondeu ,brigida1--temos feito tudo o que podemos para que assim seja4 --,porm1 amiga1 um deploravel erro crr que a confisso feita ao ouvido dum sacerdote pode abrir as portas do cu4 ,na ,biblia ,sagrada no ha uma s palavra cerca da confisso secreta2 nem to pouco os apostolos a praticaram4 ,mas1 apezar de tudo1 a sua filha ficou mais tranquila1 depois que se confessou8 --,no1 senhor--apressou-se a dizer mestre ,joo4 --,desejou ver outra vez o seu confessor8 --,no1 senhor2 ope-se tenazmente a isso--respondeu ainda o carpinteiro4 --,ope-se a isso--disse ,brigida--porque no falta quem lhe meta na cabea idas corrompidas4 --,senhora ,brigida--exclamou ,julio--se diz isso referindo-se a minha esposa1 eu lhe asseguro que ,dres no disse a ,antonia palavra alguma m4 ,estou certo de que no lhe falou seno de ,jesus1 seu ,salvador4 --,pois eu no sei outra coisa mais seno que minha filha no quer ver o ,p4 ,francisco1 e ela ter as suas razes4 ,neste momento a mulher que velava por ,antonia entrou na oficina para dizer que ,antonia tinha acordado e que chamava4 ,suspendeu-se1 pois1 a conversao1 e todos se dirigiram para a sala1 entrando ,brigida to smente na alcova4 ,brigida aproximou-se do leito de sua filha e perguntou-lhe3 --,como ests1 minha filha8 --,bastante melhor--respondeu a enferma1 que acrescentou3--,dres no veiu8 --,sim1 est ali4 --,pois ento que venha4 ,a mulher do carpinteiro saiu da alcova1 e pouco depois todos entraram nela4 ,trocadas algumas palavras referentes ao estado de ,antonia1 ,julio disse-lhe3 --,antonia1 disseram-me que desejava ver-me4 ,diga-me3 em que lhe posso ser util8 --,ah6 ,julio1 desejava vl-o anciosamente1 e agora essa anciedade aumentou4 ,a enferma calou-se por alguns instantes4 ,depois1 fitando os olhos em ,julio1 com uma expresso indescritivel1 perguntou-lhe3 --,qual o caminho que conduz ao cu8 ,julio vacilou por alguns momentos1 comovido pela anciedade daquela pergunta1 e por fim disse3 --,vou dizer-lho1 querida amiga4 ,jesus quem lhe responde3 ,eu sou o ,caminho1 a ,verdade e a ,vida2 ninguem vem ao ,pae seno por mim4 ,jesus1 pois1 o caminho que conduz ao cu8 --,bem444 porm que tenho a fazer para seguir esse caminho e entrar no cu8 --,o mesmo ,jesus o diz3 ,no temas2 cr smente1 e sers salva4 --,porm crr1 em qu ou em quem8 --,se confessares com a tua boca ao ,senhor ,jesus e crres do teu corao que ,deus ,o ressuscitou dos mortos sers salva4 ,cr no ,senhor ,jesus e sers salvo4 ,isto o que diz a ,santa ,palavra4 ,julio ficou silencioso1 observando o efeito que aqueles textos faziam na enferma4 ,por fim1 ,antonia disse3 --,porm no tenho que fazer nada para salvar-me8 --,a ,palavra do ,senhor diz-lhe3 ,cr smente e sers salva1 e acrescenta3 ,justificados1 pois1 pela f1 temos paz com ,deus por meio de ,nosso ,senhor ,jesus ,cristo4 --,porm1 ,julio1 isso parece-me uma coisa impossivel1 porque sou muito pecadora444 --,sim8 ,pois precisamente por isso pde apropriar a si as palavras de ,jesus1 que diz3 ,no vim a chamar os justos1 mas sim os pecadores4 ,pode por isso considerar que ,deus perdoa gratuitamente1 mas1 se ainda lhe resta alguma duvida1 atenda que o proprio ,jesus que vae falar3 ,o ,filho do ,homem veiu buscar e salvar o que havia perecido2 e todo aquele que vem a mim1 no o lanarei fra4 --,ah6 ,julio1 que doce consolao para a minha alma6 ,porm parece-me impossivel que ,deus me ame dessa maneira4 --,oua o que diz a ,sua ,palavra3 ,de tal maneira ,deus amou ao mundo1 que lhe deu ,seu ,filho unigenito1 para que todo o que nele cr no perea mas tenha a vida eterna4 --,oh6 como ,deus bom6 ,porm1 como nenhum dos meus confessores me disse nada dessas coisas1 seno que1 ao contrario1 o ,p4 ,francisco1 apezar da fraqueza em que eu estava1 me sobrecarregou com uma penitencia que444 --,os confessores sabem a razo por que calam essas coisas1 e a menina tambem algum dia o saber4 ,agora o importante que creia no bom ,jesus1 e que o aceite como seu ,salvador4 ,houve outro momento de silencio2 ninguem se atreveu a interrompel-o4 ,por fim1 mestre ,joo disse3 --,parece incrivel que os padres no nos ensinem coisas to boas como as que ,julio acaba de dizer-nos4 --,meu pae--disse ,antonia1--desejo possuir um livro como o de ,julio4 --,sim1 minha filha1 manh mesmo o ters1 se ,julio me disser onde se vendem4 --,e que lhe parece tudo isto8--perguntou a sr4 ,josefa a ,brigida4 --,oh6 parece-me que muito bom--respondeu esta1--porm a mim no ha nada que me arranque s minhas opinies4 --,senhores--interrompeu ,julio1--creio que incomodamos a enferma1 e que devemos retirar-nos4 --,no--replicou vivamente ,antonia1--a mim no me incomoda2 pelo contrario1 no sabe o bem que as suas palavras causaram minha alma1 e a paz que sinto2 porm de que modo pedirei perdo ao ,senhor para o obter8 ,sou uma pobre pecadora1 que se encontra s portas da morte4 --,visto que deseja falar1 falemos4 ,um homem teve dois filhos1 e disse o mais moo deles a seu pae3 ,d-me a parte da herana que me toca4 ,e passados no muitos dias1 depois de ter recebido a herana1 partiu para uma terra muito distante1 num paiz estranho4 ,um pecado nunca vae s2 sempre arrasta outro comsigo4 ,o joven1 ao ver-se em perfeita liberdade1 e possuidor de grandes bens1 gastou tudo o que seu pae havia ganho4 ,porm gastou-o em coisas santas8 ,em esmolas8 ,no2 dissipou toda a sua fazenda1 vivendo dissolutamente4 ,bem depressa o joven se viu reduzido pobreza4 ,que fazer8 ,deus enviou quele paiz uma grande fome1 e o joven1 s e pobre1 teve que sofrer aquela praga at ao ponto de desejar as landes que comiam os porcos que ele guardava4 ,neste estado1 entrando em si1 veiu-lhe imaginao a sua casa e o seu pae4 ,quantos jornaleiros--disse ele--ha em casa de meu pae que teem po em abundancia1 e eu aqui pereo fome6 ,desta reflexo nasceu outra em sua alma4 ,quanto tenho pecado6 ,que fazer8 ,levantar-me-hei1 e irei buscar a meu pae1 e dir-lhe-hei3 ,pae1 pequei contra o cu e deante de ti3 j no sou digno de que me chames teu filho2 faze de mim como dum dos teus jornaleiros4 ,concedeu-lhe o pae o que ele pediu8 ,no1 mil vezes no4 ,o pae v vir l ao longe um homem1 esfarrapado1 coberto de p4 ,alguns homens do povo passam junto dele1 olham-no de alto a baixo1 porm no o conhecem4 ,ah6 os olhos dum pae vem a uma grande distancia4 ,o ancio reconhece naquele1 que parecia um mendigo1 seu filho1 e corre ao seu encontro1 abraa-o1 e1 quando lhe ouve a confisso que ele faz1 reconhece o seu arrependimento1 e no diz6 ,trazei-lhe uma enxada ou uma p1 mas sim3 ,tirae depressa o seu primeiro vestido e vesti-lho1 metei-lhe um anel no dedo e uns sapatos nos seus ps2 trazei tambem um vitelo bem gordo1 e matae-o para comermos e para nos regalarmos4 --,agora1 meus amigos--continuou ,julio--apliquemos esta parabola a ns mesmos4 ,todos temos pecado4 ,cada um de ns um filho prodigo1 nosso pae ,deus1 e perdoar-nos-ha ,ele8 ,sim1 certamente1 porque se o estipendio do pecado a morte1 a graa de ,deus a vida perduravel em ,cristo ,jesus 7,rom4 #f3 #bc74 ,deste modo se explicam as palavras de ,jesus3 ,assim vos digo que haver maior jubilo no cu sobre um pecador que se arrepender do que sobre noventa e nove justos que no ho mister de arrependimento 7,luc4 #ae3 #g74 ,no cr1 querida ,antonia1 que ,deus quer e pode perdoar-lhe desta maneira8 --,oh6 dificil explicar o que sinto2 smente posso dizer que creio de todo o corao que ,jesus meu ,salvador e que estou salva4 --,que o ,senhor abenoe a sua f4 ,todos se levantaram para se despedirem2 ,julio e sua familia dirigiram-se para casa4 ,joo e as mulheres ficaram falando1 com louvor1 de ,julio4 ,brigida smente repetia3 --,no1 no1 a mim no ha nada que me arranque das minhas opinies4 ,parece verdade1 parece444 ,pouco tempo depois toda a gente1 menos a tia de ,antonia1 que ficava aquela noite a cuidar dela1 se retirou para descanar4 ,,capitulo ,,viii ,a calunia ,passaram quinze ou vinte dias desde que ,julio anunciou o ,evangelho em casa de mestre ,joo4 ,antonia1 obtendo sensiveis melhoras1 havia entrado em convalescena1 e1 se bem que ainda fraca1 costumava vir para o pateo1 onde passava algum tempo acompanhada por ,dres1 ambas sentadas1 lendo ou conversando4 --,numa dessas tardes1 depois de terem lido e meditado sobre uma passagem do ,evangelho1 ,dres disse sua amiga3 --,antonia1 manh o dia em que devo ir buscar os brincos4 --manh6444 ,eis aqui a primeira parte de ,santo ,antonio6444 ,no sei como o direi a meu pae4 --,ouve1 ,antonia2 ,julio no teria inconveniente algum em dar-nos os #fjj reales que custa o concerto2 graas a ,deus1 hoje temos essa quantia2 porm alguem poder reparar em que tratamos de enganar teus paes4 --,sim1 ,dres1 sim2 o melhor que ns mesmas digamos tudo a meu pae4 --,e porque no dizl-o a tua me8 ,no julgas que seria melhor8 --,no1 ,dres2 infelizmente1 minha pobre me1 imbuida pelos conselhos de algumas pessoas1 est muito reservada para comigo2 o outro dia vi-a ajoelhar-se deante de ,santo ,antonio1 e ouvi-lhe pedir a minha morte1 chorando copiosamente4 --,a tua morte6 --,sim4 ,minha me julga que eu estou condenada1 e1 segundo pude compreender1 essa crena dimana daquilo que algum padre lhe tem dito1 pois que ela dizia ao ,santo entre outras coisas3 ,santo ,antonio1 peo-te que faas entrar no bom caminho a minha filha2 prometo que mandarei dizer uma missa todos os primeiros sabados de cada mez1 e isto emquanto eu viva1 se fizeres com que minha filha volte ao seio da ,egreja ,catolica ,romana4 ,porm se isto no pode ser1 d-lhe um momento de arrependimento1 e depois manda sobre ela um raio da tua divina graa e leva-a para ti4 ,as duas amigas guardaram silencio1 profundamente impressionadas ao considerarem a orao dirigida por ,brigida ao ,santo4 ,depois de alguns momentos1 ,antonia disse3 --,agora chama meu pae1 para lhe falarmos dos brincos4 ,dres ia chamar ,joo1 quando este apareceu no limiar da porta4 ,o carpinteiro tinha mudado completamente4 ,desde que sua filha se poz boa1 recobrou o seu genio alegre2 e1 relativamente s suas idas1 devemos dizer que tambem haviam experimentado alguma mudana1 como j tivemos ocasio de ver4 --,passava--disse ele1 sorrindo-se--da sala para a oficina1 vi-as juntinhas e disse3 ,vamos ver de que se ocupam as duas amigas4 ,antonia fez sinal sua amiga para que principias-se a conversa1 ,dres compreendeu-a1 e disse ao sr4 ,joo1 rindo-se3--,realmente quer saber do que estavamos falando8 --,sim1 senhora4 --,mas se lhe custar cara a sua curiosidade8 --,ah6 ento vocs vo pr a preo o seu segredo8 --,sim1 senhor4 ,no o vendemos por menos de seis libras4 --,nesse caso1 eu vol-as darei sem regatear4 --,e ns--disse ,antonia--confiamos na sua palavra4 ,dres1 deixando o seu ar alegre e tomando outro mais serio1 disse3 --,sr4 ,joo1 deve estar muito agradecido a ,deus1 que lhe restituiu a sua filha4 ,tambem deve estar crente de que1 terminando a doena de ,antonia1 terminaram as consequencias da vespera e do dia de ,santo ,antonio2 porm realmente no terminaram4 --,mas a que vem esse discurso--perguntou o sr4 ,joo1 acrescentando3--,de vagar1 de vagarinho4 --,ento j que assim o quer1 l vae4 ,na vespera de ,santo ,antonio1 na ocasio da dana1 cairam ao cho alguns pares4 ,antonia tambem caiu1 como sabe1 e na queda perdeu um brinco de diamante1 cuja compostura valia precisamente as seis libras que valia o nosso segredo4 ,dres em seguida calou-se4 ,mestre ,joo ficou pensativo1 e depois perguntou3 --,onde est o brinco8 --,em casa do ourives--respondeu ,dres4 --,porm tua me sabe-o8 --,no1 meu pae2 eu dei a guardar o brinco a ,dres para que o entregasse a vocemec1 se eu morresse1 e1 se me restabelecesse1 pensava mandal-o concertar1 sem dizer-lhe nada1 e por meio do meu trabalho arranjar a quantia precisa para a compostura1 porm ,dres aconselhou-me a que dissesse isto mesmo a meu pae4 --,bom conselho2 vou dar-te o dinheiro1 e eu direi a tua me o que se me oferecer sobre o caso2 ou ela pega no santo e o pe onde eu o no veja1 ou queimo-o para aquecer a cola4 ,no quero c em minha casa mais santos de tal natureza4 ,tua me que v com o santo e quantos desgostos nos tem causado4 ,nada1 nada1 para fra de minha casa idolos de madeira4 ,no quero que haja aqui outra coisa seno a ,biblia2 isso me basta4 ,o carpinteiro e sua filha meteram-se em casa1 e poucos momentos depois apareceu ,antonia ao limiar da porta para dar o dinheiro a ,dres4 ,as duas amigas separaram-se sem reparar numa pessoa que as escutava1 e que exclamou quando elas desapareceram3 --,que descoberta6 ,corro a ver se encontro o ,p4 ,francisco para dizer-lhe o que vi e ouvi4 ,suas palavras eram muito misteriosas4 ,no1 no as esqueo1 e logo444 lhe deu muito dinheiro1 muito1 muito4 ,aquela que assim falava subiu as escadas com a agilidade que lhe permitiam os seus muitos anos4 ,como havemos de encontrar esta personagem1 vamos descrevel-a a largos traos4 ,era a comadre ,claudina1 uma mulher que andava pelos seus setenta anos de edade4 ,o nome com que vulgarmente era conhecida no bairro era o da tia dos enredos1 e realmente que assim era4 ,o seu prazer era falar duns e outros1 e no poucas dissenes tinha causado em muitas casas4 ,sustentava-se esta mulher de esmolas que lhe davam4 ,no implorava a caridade publica1 porm sabia perfeitamente levar a vida para arranjar donativos da ,sociedade de ,s4 ,vicente e outras2 alm disso1 nunca faltava s festas de egreja1 e ali se colocava junto da pia da agua benta1 que oferecia s senhoras da fidalguia1 recebendo em troca1 como esmolas1 algumas moedas4 ,alm disso1 fazia quantos recados lhe mandavam1 levando sempre o rosario na mo4 ,eterna bisbilhoteira1 nada se sabia da sua vida1 seno o que ela dizia3 que era de muito boa familia1 e que nunca quiz casar-se1 apezar de se lhe oferecerem vantajosas ocasies4 ,deste ser to repugnante serviu-se o ,p4 ,francisco para se pr ao facto da vida intima das duas familias1 a de mestre ,julio e a de mestre ,joo4 ,a velha ouviu a conversa1 e1 sem saber do que se tratava1 correu a casa do ,p4 ,francisco para dizer-lhe o que muito bem lhe pareceu1 porm mentindo1 e por tal modo que bem se pode dizer que a ela estava reservada a condenao descrita no ,apocalipse1 cap4 #ba3 #h3 e444 a todos os mentirosos1 a sua parte ser no lago ardente de fogo e enxofre1 que a segunda morte4 ,assim que chegou a casa do ,p4 ,francisco1 disse-lhe3 --,senhor1 descobri uma coisa espantosa4 ,esta tarde1 quando vinha da egreja1 de assistir festividade das ,quarenta horas1 vi porta a filha do carpinteiro com a mulher do vidraceiro4 ,estavam to absortas na conversa que no repararam em mim4 ,eu aproximei-me1 quanto pude1 delas1 e ouvi que ,antonia dizia sua amiga3 ,ahi tens o dinheiro1 e arranja tudo isso depressa4 ,tenho d de meus paes6 ,oh6 se minha me soubesse6444 ,e passou-lhe para a mo uma certa soma de dinheiro4 ,o sacerdote ficou pensativo por alguns instantes1 dizendo por fim3 --,e quanto dinheiro julga que ,antonia deu a ,dres8 --,pelos modos vinte libras--respondeu a velha4 --,tanto6 --,sim1 senhor1 deu-lhe at oiro1 que eu bem vi4 ,o padre despediu a velha1 recomendando-lhe o maior segredo1 e dando-lhe uma peseta4 ,claudina esperava maior recompensa do que esta1 pelo que1 quando chegou porta da rua1 comeou a murmurar do padre1 e fez comsigo o firme proposito de contar tudo ao mestre carpinteiro4 ,logo que a velha saiu1 o ,p4 ,francisco mandou chamar ,brigida1 e dentro de poucos momentos estava esta sentada ao lado do sacerdote1 que lhe dizia3 --,acabaram de dizer-me que viram sua filha dar dinheiro mulher do vidraceiro1 uma soma bem boa4 --,minha filha6 ,ah6 senhor6 isso uma calunia4 --,muito folgarei que assim seja4 --,sim1 senhor1 assim 1 pois que minha filha no uma ladra4 --,eu no disse tanto4 ,porm donde tirou ,antonia o dinheiro que deu a ,dres8 --,tel-o-hia dado minha filha a mulher de ,julio para que o guardasse4 ,esta razo de ,brigida pareceu transtornar o padre4 ,aquilo podia ser verdade4 ,comtudo1 disse mulher do carpinteiro3 --,creio que no me enganaram quando me disseram isto2 porm1 pelo sim pelo no1 ser bom que vocemec conte o dinheiro que tem em casa1 para ver se lhe falta algum4 ,eu--acrescentou--no digo que sua filha de proposito e caso pensado a roubasse1 mas podia dar-se o caso de que o fizesse aconselhada pela mulher de ,julio1 que um agente dos protestantes4 ,brigida despediu-se do sacerdote1 e saiu em direco de casa4 ,quando l chegou1 seu marido tinha saido e sua filha estava em casa de ,dres4 ,sobressaltada com o que o ,p4 ,francisco lhe havia dito1 dirigiu-se comoda1 abriu uma das gavetas e tirou uma saquinha em que marido e mulher guardavam o fruto das suas economias4 ,despejou depois todo o dinheiro sobre a comoda e comeou a contal-o4 ,quando acabou1 uma palidez mortal cobria o seu rosto4 --,ter-me-hia enganado6--disse ela comsigo2 e tornou a contar4 ,por fim1 depois de contar duas1 tres e quatro vezes o dinheiro1 guardou-o na mesma saquinha1 pl-o no mesmo sitio1 e deixando-se cair1 quasi desfalecida1 numa cadeira1 exclamou3 --,parece-me um sonho6444 ,seiscentos reales6 ,no2 ,antonia no foi444 ela to boa1 to444 porm ,d4 ,francisco sabe mais do que eu444 sim1 sim1 enganaram-na4 ,ah6 tratantes6 ,logo que venha ,joo1 dar-se-ha parte autoridade1 e cadeia com eles444 ,ah6--exclamou meio sobressaltada--e as joias que ela trazia na noite de ,santo ,antonio8444 ,onde as ter8 ,sim1 j sei que ela me disse que as tinha na gavetinha do toucador4 ,a pobre mulher1 meio louca1 entrou na alcova de sua filha1 abriu a gavetinha do toucador1 e procurou com a maior anciedade4 ,encontrou o colar1 porm faltavam os brincos4 --,mais esta ainda--exclamou4--,oh6 ,santo ,antonio bemdito6 ,virgem do ,amparo6 ,que fazer agora8444 ,vou j a casa do sr4 padre ,francisco pedir-lhe o seu conselho4 ,brigida saiu1 sem dizer nada em casa1 em direco da morada do padre ,francisco4 ,emquanto ,brigida subia as escadas da casa do padre ,francisco1 chegava ,antonia sua1 com os brincos que j ,dres havia trazido do ourives4 ,seu pae j vinha perto de casa4 ,chegava porta no mesmo momento em que a comadre ,claudina sahia da sua4 --,guarde-o ,deus1 senhor ,joo--disse a velha4 --,que ,ele a acompanhe--respondeu o carpinteiro1 dirigindo-se para dentro de casa4 --,senhor ,joo--gritou a velha1--oua uma coisa4 --,que que tem para me dizer8 --,nada1 seno que sinto muito a desgraa que acaba de o ferir4 --,a mim8 --,sim1 senhor444 porm444 j sei1 vocemec1 como to bom1 no querer fazer-lhe mal algum444 ,de resto1 eles bem o mereciam4 --,senhora ,claudina--exclamou o carpinteiro com impaciencia1--peo-lhe o favor de falar claro1 que tenho pressa4 --,porm no sabe o que sucedeu em sua casa8 --,no1 senhora2 como v1 chego agora de fra e444 --,pois j tenho pena de ter principiado2 mas emfim444 ,ouvi dizer na visinhana que ,dres aconselhou sua filha a que lhe dsse dinheiro1 e esta tarde viram ,antonia dar dinheiro a ,dres4 ,eu1 no seu caso1 metia na cadeia ,julio1 sua me e sua mulher4 ,o carpinteiro encarou com desprezo a velha1 e dirigiu-se a casa1 deixando-a porta4 ,entrando1 deu as boas tardes aos seus oficiaes1 e subiu logo sala1 onde achou sua filha lendo4 --,boas noites1 filha--disse ele4 --,boas noites1 meu pae--respondeu ,antonia4--,aqui esto os brincos1 que ,dres j me trouxe4 --,a proposito--interrompeu-a seu pae1 pegando nos brincos1--sabes que te viram dar o dinheiro a ,dres1 e diz-se pela visinhana1 sem duvida com m inteno1 que ,dres te aconselhou a que lhe ds dinheiro4 --,santo ,deus6--exclamou ,antonia2--pode ser isso verdade8 --,sim1 agora mesmo acaba de mo dizer a velha ,claudina4 --,o pae j sabe quem essa mulher4 --,sim1 j o sei2 porm1 quer seja ou no verdade o que ela diz1 bom estar prevenido4 ,e tua me8 --,no sei2 quando cheguei a casa1 no estava c4 --,parece-me que em todo este negocio anda a mo do padre ,francisco4 ,tua me no est em casa1 porm a roupa com que costuma sair est ali pendurada4 --,talvez que esteja aqui perto falando com alguma visinha4 --,ou ento em casa do padre ,francisco444 ,espera1 vou subir l acima ao ultimo andar1 onde mora o padre ,francisco1 para ver se tua me l est444 ,oh6 se ela l estiver444 --,meu pae1 peo-lhe que no se deixe levar do seu genio2 tenha mo em si4 --,descana1 que no farei mais do que dizer a tua me que desa c para baixo4 ,antonia ficou orando em silencio para que ,deus tivesse compaixo de sua me1 emquanto o carpinteiro subia as escadas que conduziam ao ultimo andar1 que era a morada do padre ,francisco1 para ver se sua mulher estava l ou no4 ,efectivamente1 estava ali chorando a pobre ,brigida1 e escutando os conselhos do padre ,francisco4 ,assim que este viu o marido de ,brigida1 levantou-se para o receber1 e1 apezar da resistencia que ele opoz1 obrigou-o a entrar4 ,o padre1 quando ele entrou1 fechou a porta por dentro1 e1 quando mestre ,joo se sentou1 disse-lhe3 --,deus certamente que lhe inspirou a ida de vir aqui4 ,provavelmente ignora o que sucedeu em sua casa4 ,o carpinteiro num instante formou o seu plano1 e disse num tom fingido3 --,vim aqui em procura de minha mulher2 e estranho que ela esteja aqui1 quando o seu logar era em sua casa4 ,brigida no se atrevia a olhar para o marido2 o sacerdote disse3 --,sua esposa veiu aqui procurar1 no seio da verdadeira religio1 remedio para os seus males4 --,e porque1 se tem algum pezar1 mo no comunica a mim primeiro8 ,com que direito vem confiar os seus desgostos a um homem que no o seu marido8 --,parece-me1 sr4 ,joo1 que duvida de sua esposa e de mim4 --,de minha esposa no duvido1 porm de si duvido4 --,talvez preferisse antes que sua mulher fosse aconselhar-se com o vidraceiro1 no verdade8 --,certamente2 ele um homem casado1 e como pae de familia conhece o que so os pezares que muitas vezes nos torturam4 --,bom hipocrita o tal ,juliosinho6 ,forte maroto4 ,joo no pde conter-se por mais tempo1 e1 erguendo-se1 bastante excitado1 disse3 --,p4 ,francisco1 se no estivesse em sua casa1 tel-o-hia ensinado a ter cuidado com a lingua4 ,diga-me1 o senhor que se chama ministro de ,jesus ,cristo3 ,em que pagina do ,evangelho aprendeu a insultar assim uma pessoa que no est presente8 ,onde esto essa caridade e amor que devem revestir um ministro do ,senhor8 ,p4 ,francisco1 muito pouco sei ainda do ,evangelho1 porm digo-lhe que o senhor ser um ministro do papa ou do arcebispo1 mas no um ministro de ,jesus4 --,repito o que ha pouco disse4 ,sofrerei com paciencia tudo o que disser4 ,com que ento1 porque no sou casado1 no sirvo para dar conselhos a uma mulher casada8 ,ento no pode haver religio1 porque nenhum ministro casado nem nunca o foi4 --,perdo444 ,o senhor sabe perfeitamente que na primitiva egreja os sacerdotes eram casados1 e a noite passada ouvi ler uns versiculos da ,biblia a ,julio1 os quaes dizem que os bispos e diaconos devem ser todos casados4 ,o carpinteiro voltou-se para sua mulher e disse-lhe3 --,v1 vamos daqui para fra4 --,espere um pouco1 mestre2 oua l uma historia4 ,ha em ,madrid uns aldeos que teem uma filha4 ,esta filha cae doente1 muito doente4 ,uns visinhos1 muito amigos do pae1 entram-lhe em casa e aproveitam-se da confiana que depositam neles para abrir as gavetas e roubar o que encontram4 ,sucede1 porm1 que a pobre enferma444 passemos por alto alguns pormenores444 a enferma tem na gaveta do seu toucador umas joias que lhe so roubadas por uma sua amiga2 e1 como se isto no fosse bastante1 apenas se restabelece1 a sua amiguinha a seduz para que roube seus paes1 e hoje os visinhos da casa em que vivem viram a joven1 ainda mal convalescente1 entregar sua amiga uma boa soma4 ,conhece as personagens desta historia8 --,sim1 senhor4 --,continuar a crr na sinceridade religiosa de ,julio e sua familia8 --,mais do que nunca--exclamou com exaltao o carpinteiro4 ,brigida e o ,p4 ,francisco entreolharam-se1 possuidos de grande surpreza4 --,mais do que nunca--prosseguiu mestre ,joo1--porque conheo o infame caluniador que smente trata de perder um honrado pae de familia4 --,senhor ,joo6444 --,senhor ,p4 ,francisco1 prudencia1 e escute-me como eu o tenho escutado4 ,na vespera da festa que tantas desgraas acarretou a minha familia1 minha esposa adornou minha filha com as joias que eu lhe dei no dia do nosso casamento4 ,quando minha filha danava perdeu uns diamantes dos seus brincos1 e1 prescindindo eu tambem dalguns pormenores1 direi que minha pobre filha entregou esses brincos a ,dres para que os mandasse concertar se ela se restabelecesse1 e para que mos entregasse1 se morresse4 ,minha filha julgava que ,dres adeantava o dinheiro1 pagando-lhe ela a pouco e pouco4 ,dres1 porm1 por ser sua amiga1 aconselhou-a a que me contasse tudo4 ,assim o fizeram1 e esta mesma tarde lhes entreguei o dinheiro que custou a compostura4 ,veja como to cruelmente caluniaram uma familia honrada1 to smente porque o senhor ou outra qualquer pessoa viu minha filha dar o dinheiro sua amiga4 ,sabe agora qual o seu dever8 ,quer cumprir com o dever que o seu ministerio lhe impe8 --,eu o que creio que vocemec est contando uma historia para salvar o vidraceiro4 ,aposto que no aparecem os brincos4 ,mestre ,joo1 j meio fra de si1 levantou-se de novo1 e1 tirando do bolso um pequeno embrulho1 disse3 --,e chama-se ministro do ,senhor6 ,no1 e mil vezes no4 ,no o 4 ,abriu o embrulho1 tirou de dentro uma caixinha1 abriu-a1 e mostrou os brincos1 cujas pedras1 sob a aco da luz do candieiro1 brilharam intensamente1 ferindo a vista dos circunstantes4 ,ento o carpinteiro1 voltando-se para sua mulher1 disse-lhe3 --,so estes os teus brincos8 --,so--respondeu ,brigida1 depois de os ter examinado4 --,ento1 ,p4 ,francisco1 sabe agora qual o seu dever8 --,qual8 --,como cristo1 como sacerdote1 deve descer e pedir perdo a ,julio1 a ,dres e a minha filha1 que to cruelmente caluniou4 --,pedir perdo6 ,vocemec est louco6 ,quem so eles para me perdoarem8 --,no quer pedir perdo s pessoas ofendidas8 --,no4 --,pois manh ter de ser chamado presena do juiz4 ,joo guardou as joias1 e1 voltando-se para sua mulher1 disse-lhe3 --,j vs que classe de gente esta4 ,eles exigem aos outros o que eles no querem fazer4 ,espero que ters emenda4 ,dito isto1 saiu atraz de sua mulher4 ,p4 ,francisco ficou sem saber o que dizer4 ,,capitulo ,,ix ,novos acontecimentos ,logo que chegaram a casa1 ,joo1 dirigindo-se a sua filha1 disse-lhe4 --,vs como no me enganei8 ,vs como a mo do padre andava metida neste negocio8 --,o que se passou8--perguntou ,antonia a seu pae1 deixando o livro que estava lendo4 ,o carpinteiro contou a sua filha tudo o que tinha sucedido1 e ao terminar disse3 --,se tua me no tomar emenda com isto1 digo-te que no tem juizo4 ,com relao ao padre1 vamos chamal-o presena da autoridade4 --,meu pae--disse ,antonia1--grande o poder de ,deus1 e1 como ,ele disse1 a mentira no pode permanecer4 ,a respeito de fazer mal ao padre ,francisco1 creio que ,julio no permitir isso1 pois ,jesus perdoou na cruz e orou mesmo pelos ,seus proprios algozes1 e ,ele mesmo disse3 ,abenoae aqueles que vos amaldioam2 e orae por aqueles que vos caluniam4 ,dito isto1 saiu mestre ,joo4 ,brigida permaneceu calada1 e ,antonia deu razo ao que seu pae acabra de dizer1 exprimindo-se assim3 --,sim1 minha me no seja insensata1 procurando a salvao por um outro caminho1 que certamente a conduzir perdio4 ,como pde escutar1 sem se exaltar1 a voz que lhe disse3 ,sua filha uma ladra8 --,ai6 minha filha6 ,eu nunca cri nisso1 porm j vs que me faltava o dinheiro1 faltavam-me os brincos1 e j podes calcular que desconfiava de que alguem nos tivesse roubado4 ,porm tu me perdoars1 no verdade8 --,como6--exclamou ,antonia--eu perdoar-lhe6 ,demos graas a ,deus e peamos-,lhe que1 do que acaba de suceder1 resulte um grande beneficio para a sua alma4 ,entremos agora em casa de ,julio4 ,deve ter ali sucedido alguma coisa de extraordinario1 e1 para nos inteirarmos do que se est passando1 escutemos o que mestre ,joo diz ao seu visinho3 --,mas o que ha8--perguntava ,joo ao seu visinho4 --,que minha me tem uma pneumonia4 --,porm que diz o medico8 --,diz que por emquanto no pode emitir opinio segura3 porm disse-me que estivesse preparado para tudo4 --,no faa caso2 os medicos dizem sempre isso4 --,cumpra-se a vontade de ,deus4 ,depois dalguns momentos de silencio1 o carpinteiro disse3 --,no sabe o que sucedeu8 --,o que foi8 ,joo contou a ,julio tudo o que havia sucedido1 e tudo o que dele se havia dito4 ,quando ,julio ouviu que o visinho tratava de levar o assunto aos tribunaes1 respondeu3 --,de modo nenhum1 sr4 ,joo4 ,jesus1 meu ,mestre1 jmais fez tal coisa2 ao contrario1 em vez disso1 manda que eu pea por aqueles que me caluniam e dizem mal de mim4 ,o ,p4 ,francisco poder lanar mo de tudo para fazer-me mal1 mas se ,deus est comigo quem ser contra mim8 --,foi isso mesmo o que disse ,antonia2 porm isso no para o meu caracter2 pela minha parte1 o meu desejo e a minha vontade eram castigar o ,p4 ,francisco4 --,diga-me1 sr4 ,joo3 sabe o ,padre ,nosso8 --,sim1 senhor4 --,e costuma rezal-o8 --,pelo menos todos os domingos na egreja4 --,pois no proximo domingo no o reze2 pois que1 quando chegar quelas palavras1 ,perda-nos as nossas dividas1 assim como ns perdoamos aos nossos devedores1 pedir a ,deus1 a quem vocemec devedor1 que lhe perdoe como est disposto a fazer ao ,p4 ,francisco4 ,jesus disse3 ,mas1 se no perdoardes aos homens as suas ofensas1 to pouco o vosso ,pae vos perdoar as vossas4 --,o visinho tem sempre maneira de me convencer4 --,no1 meu amigo1 a palavra de ,deus que o convence4 --,agora vou pedir-lhe um favor1 e que me permita que eu ponha sua disposio tudo o que houver em minha casa e de que sua me precise4 --,muito obrigado1 em breve ns o incomodaremos4 ,todavia ainda no chegou a ocasio de incomodar ninguem1 a no ser o ministro da nossa egreja1 a quem j mandmos chamar4 --,como6 ,to perigosa est sua me6 --,no1 senhor2 porm no devo aguardar que ela esteja nos paroxismos da morte para que lhe falem de ,jesus1 seu ,salvador4 ,joo saiu1 e ,julio fechou a loja4 ,assim que o carpinteiro contou em sua casa o que se estava passando em casa do visinho1 ,antonia1 que se ia deitar1 mostrou desejos de ir a casa de ,dres1 e1 como no houvesse ninguem que podesse dissuadil-a de tal1 pois que ainda no era de todo bom o seu estado de saude1 ela e seus paes1 depois de fechada a loja1 foram visitar ,josefa4 ,quando iam a entrar1 chegava tambem um sujeito que batia porta4 ,julio foi abrir1 e1 ao ver esse sujeito1 tirou o bonet1 que costumava trazer em casa1 e saudou-o respeitosamente1 dizendo-lhe3 --,boas noites1 sr4 ministro4--,e em seguida aos seus visinhos3--,boas noites1 senhores4 ,entraram todos1 e chegados sala1 depois de trocados os primeiros cumprimentos1 o ministro1 dirigindo-se a ,julio1 disse-lhe3 --,ento que ha1 amigo ,julio8 --,minha me tem uma pneumonia1 e desde que caiu doente no cessa de chamar pelo senhor4 --,e posso vl-a8 --,sim1 senhor2 tenha a bondade de entrar na alcova4 ,entraram todos4 ,o ministro1 chegando-se junto do leito e inclinando-se um pouco para a doente1 disse em voz baixa3 --,a graa de ,nosso ,senhor ,jesus ,cristo seja comsigo1 irm4 --,ah6 o sr4 ministro8--exclamou a enferma1 procurando erguer a cabea4 --,sim1 sou eu1 porm esteja quietinha4 ,como est8 --,muito mal e muito bem4 --,vejamos2 queira explicar-se4 --,senhor ministro2 sinto-me bem1 porque creio que muito em breve irei ver o meu ,jesus1 e sinto-me mal1 porque sofro muitissimo no corpo4 ,seguiram-se alguns momentos de silencio1 findos os quaes disse o ministro3 --,diga-me1 querida irm1 se o ,senhor a chamasse ,sua presena neste momento1 estaria preparada para se apresentar diante d',ele8 --,oh6 sim1 senhor4 ,eu sou uma grande pecadora1 porm sei que o sangue de ,jesus purifica de todo o pecado4 ,uma coisa me aflige1 sr4 ministro1 e o saber que tenho sido ingrata desprezando o amor e a graa de ,deus4 --,senhora1 o perdo de ,deus no tem limites1 e ,jesus morreu no ,calvario1 dando a ,sua vida pelos proprios ingratos4 ,agora o que preciso que confie no que ,ele disse3 ,no temas2 cr smente1 e sers salva4 --,assim o fao1 senhor4 --,pois ento esteja certa de que aquilo que agora sofre no mais do que a preparao para uma coisa melhor4 --,assim o creio2 morrer viver1 porque passar para uma outra vida em que no haver mais morte4 --,se do seu agrado1 vou ler-lhe alguns versiculos da ,palavra de ,deus4 --,sim1 sim4 ,o ministro tirou do bolso uma ,biblia1 e1 folheando-a1 disse4 --,leiamos o cap4 #aa do ,evangelho segundo ,s4 ,joo1 desde o versiculo #a at ao #de4 ,todos estavam suspensos dos labios do bom servo de ,deus4 ,as cinco pessoas que estavam presentes pareciam nem sequer respirar4 ,a enferma1 essa parecia no sentir as dores que a torturavam2 seguia at o movimento dos labios do ministro4 ,era evidente que o ,espirito ,santo estava naquela alma4 ,o ministro1 quando acabou de ler1 disse3 --,meus amigos1 e minha irm enferma1 pouco posso acrescentar quilo que acabei de ler2 smente desejo que fixem a sua ateno1 e especialmente a querida irm ,josefa1 nos versiculos #d e #be2 em que ,jesus diz3 ,esta enfermidade no para morte1 mas para gloria de ,deus1 para que o ,filho de ,deus seja glorificado por ela4 ,disse-lhe ,jesus3 ,eu sou a ressurreio e a vida2 aquele que cr em ,mim1 ainda que esteja morto1 viver4 ,a estas palavras1 o ,senhor ressuscitou a ,lazaro1 precisamente porque ,jesus a ressurreio e a vida4 ,ns estavamos mortos em nossos delitos e pecados1 porm veiu ,jesus1 que a vida1 e cada um que cr n',ele um ,lazaro levantado do sepulcro4 ,por essa mesma razo ,s4 ,paulo exclama3 ,onde est1 morte1 o teu aguilho8444 ,graas sejam dadas a ,deus1 que nos deu a vitoria por ,nosso ,senhor ,jesus ,cristo4 --,ah6--exclamou a senhora ,josefa--quanto bem derramou o senhor1 com essas palavras1 na minha alma6 --,ento demos graas a ,deus4 ,todos tomaram uma atitude reverente1 e1 ao cabo dalguns segundos1 ouviu-se a voz do ministro1 que dizia3 ,oh6 ,senhor1 nosso ,deus6 ,tu ds a saude1 e ,tu ds a enfermidade4 ,tu ds a morte1 porm tambem depois da morte uma vida que nunca acabar4 ,senhor1 acabamos de escutar as palavras consoladoras de ,teu ,filho ,jesus2 concede1 ,senhor1 que elas dem consolao tua serva que est doente4 ,sara-a1 ,senhor1 abena-a1 aumenta a sua f em ,jesus1 e o amor para comtigo1 e1 se fr do ,teu agrado chamal-a a ,ti1 prepara-a para isso4 ,ouve-nos1 ,senhor1 pelo amor de ,jesus ,cristo1 ,amen4 ,amen--repetiram todos4 ,a enferma comeou a delirar1 em virtude da intensidade da febre4 ,neste momento1 ,julio1 inclinando-se para sua me1 perguntou-lhe3 --,como est1 minha me8 --,dentro em pouco no haver para mim nem dr1 nem aflio1 nem morte444 ,tudo estar acabado444 e eu com ,jesus no cu1 e ,jesus comigo444 --,no falem com ela--disse o ministro2--est sob o dominio da febre4 ,fez-se um profundo silencio1 e depois ouviu-se a enferma1 que com voz debil dizia3 --,vejo um logar magnifico444 ali ha um ,cordeiro444 vdel-o8 vdel-o8 o ,cordeiro de ,deus1 que tira os pecados do mundo4 ,a enferma1 depois duma breve pausa1 exclamou3 --,tenho sde4 ,dres embebeu uma pequena esponja num liquido que tinha num copo1 e chegou-lha aos labios1 chupando ela com avidez4 ,seguiu-se outra pausa2 o delirio aumentava1 e tornou a ouvir-se a voz da enferma3 --,a ,jehovah chamei1 estando em angustia1 e ,ele me respondeu444 ,jehovah1 ouve a minha orao e chegue o meu clamor ,tua presena444 ,no dia da minha angustia ,te chamarei1 porque ,tu me respondes444 ,porque a minha alma est cheia de males444 e a minha existencia444 proxima do sepulcro444 ,agora1 pois444 nenhuma condenao ha444 para os que esto em ,cristo ,jesus4 --,feliz delirio--exclamou ,julio em voz baixa2--ele te faz gozar antecipadamente da presena de ,jesus1 teu bemdito ,salvador6 ,dres e ,antonia choravam em silencio4 --,senhor6--disse com voz debil a enferma1 dirigindo-se ao ministro3--,sinto que morro4 --,bemaventurados--disse o ministro--os que morrem no ,senhor4 --,eu sou uma grande pecadora4 --,pois precisamente porque todos somos grandes pecadores que morremos444 ,o estipendio do pecado a morte444 ,porm o bom ,deus1 que no quer a morte do pecador1 mas sim que ele se arrependa e viva1 eis que raiz do pecado promete um perdo1 dizendo3 ,se o ,meu povo se humilhar1 e orar e procurar o ,meu rosto1 e se converter dos seus maus caminhos1 ento ,eu o ouvirei desde os cus e perdoarei os seus pecados4 ,se os vossos pecados frem da cr da escarlata1 ficaro brancos como a neve2 se frem roxos como o carmezim1 ficaro como a branca l4 --,eu tenho sido muito pecadora--disse ,josefa1 profundamente comovida4 --,jesus ,cristo--continuou o ministro--veiu salvar os pecadores4 ,ele mesmo disse3 ,no vim chamar os justos1 mas sim os pecadores4 ,vou ler o capitulo #e da ,epistola de ,s4 ,paulo aos ,romanos4 ,o ministro leu-o1 e tal impresso produziu1 tanto nos circunstantes como na enferma1 que era profundissimo o silencio que reinava ali4 ,evidentemente o ,espirito do ,senhor estava ali4 ,os textos que mais chamaram a ateno de ,josefa foram3 ,justificados1 pois1 pela f1 temos paz com ,deus por meio de ,jesus ,cristo1 porque1 sendo ainda pecadores1 morreu ,cristo por ns2 logo muito mais agora1 que somos justificados pelo ,seu sangue1 seremos salvos por ,ele da ira2 porque1 se1 sendo inimigos1 fomos reconciliados com ,deus pela morte de ,seu ,filho1 muito mais1 estando reconciliados1 seremos salvos por ,sua vida4 --,oh6--exclamou a enferma--confio em ,ti1 bom ,jesus1 confio em ,ti4 ,tu me salvas1 ,tu me redimiste para ,deus com o ,teu sangue4 --,deseja que oremos8--perguntou o ministro4 --,sim1 sim1 senhor1 oremos4 ,o ministro levantou-se da cadeira1 no que foi imitado pelas pessoas presentes1 ficando os visinhos bastante surpreendidos1 por ser a primeira vez que presenciavam semelhante coisa4 --,oh ,senhor6--exclamou o ministro com voz solene4--,perante um espirito prestes a abandonar a materia1 perante um corpo que vae descanar1 porm cuja alma vae viver1 no podemos deixar de louvar e bemdizer o ,teu nome4 ,senhor1 ainda que ,tu no tenhas necessidade disso1 ns vamos recordar-,te as ,tuas promessas1 pois que nisso encontramos grande consolao4 ,tu enviaste ,jesus ,cristo ao mundo1 para que todo aquele que n',ele cr no perea mas tenha a vida eterna4 ,oh bom ,deus1 cumpre esta promessa na pessoa enferma por quem ,te suplicamos4 ,teu ,filho ,jesus disse3 ,eu sou a ressurreio e a vida2 aquele que cr em ,mim1 ainda que esteja morto1 viver4 ,senhor1 infunde a f de ,jesus ,cristo na enferma por quem ,te rogamos4 ,tu prometeste arremessar para as profundidades do mar os pecados daqueles que confiam em ,jesus2 que isto seja assim para comnosco1 e em especial para com a nossa irm enferma4 ,d-lhe f1 para que ela tenha animo para o tranze por que est passando2 saude1 se lhe convem1 e sobretudo uma abundante efuso do ,teu ,santo ,espirito4 ,oh6 ,deus1 pelos merecimentos de ,jesus1 concede-nos isto444 ,amen4 --,amen--repetiram todas as pessoas ali presentes1 verdadeiramente impressionadas4 --,senhor--exclamou ,josefa1 em voz fraca1--tenho a certeza de que ,jesus est cabeceira do meu leito1 com os braos abertos1 aguardando a minha alma4 --,sim1 minha irm--disse o ministro4--,jesus est aguardando-a para a conduzir presena de ,seu ,pae1 para receber a cora de justia que ,ele adquiriu para si por meio do ,seu sangue4 ,no esquea que ,jesus disse3 ,no vos hei de deixar orfos2 virei ter comvosco4 ,eu sou a ressurreio e a vida2 aquele que cr em ,mim1 ainda que esteja morto1 viver4 ,e1 tendo dito isto1 fez sinal de se retirar4 --,v com ,deus1 senhor ministro--disse ,josefa1 procurando erguer a cabea3--que o ,senhor o abene1 assim como a sua congregao2 se quando voltar j tudo tiver acabado para mim4441 recomendo-lhe meus filhos444 ,josefa no poude continuar4 ,um ataque de tosse no lhe permitiu falar1 e1 quando socegou1 o ministro1 depois de dirigir algumas palavras de consolao familia1 saiu4 ,depois dalguns momentos de silencio1 ,josefa chamou4 --,que deseja1 minha me8--perguntou ,julio4 --,traze-me c o menino--respondeu ela com voz quasi ininteligivel2--quero dar-lhe o ultimo beijo4 --,minha me1 socegue4 ,para que afligir-se se todavia444 --,no1 meu filho1 esta lampada vae apagar-se2 no trateis de infundir-me esperanas4 ,para que quero viver1 se ,jesus me espera8444 ,trazei-me o meu neto4 ,dres entrou na alcova1 levando nos braos o menino adormecido4 ,ajudaram a levantar a enferma1 que ficou por alguns momentos encostada a umas travesseiras1 e tomou o menino nos braos4 ,extraordinario contraste6 ,a vida nos braos da morte6 --,est a dormir--disse ,dres4 --,no importa--respondeu ,josefa2--traze-me444 traze-me c uma luz1 quero vl-o bem vontade444 a lamparina no d bastante luz4 ,uma das pessoas presentes foi buscar um candieiro4 ,a enferma ficou durante alguns momentos contemplando o menino4 --,oh6--exclamou--assim devia dormir ,jesus quando era menino444 ,desejaria vl-o acordado1 e que se risse para mim4 to doce o sorriso duma creana6 ,naquele instante o menino abriu os olhinhos1 cujas finissimas palpebras haviam sido feridas pela forte luz do candieiro4 ,o pequeno ,paulo olhou para um lado e para outro e comeou a sorrir-se4 --,oh6--exclamou ,josefa4--,que bom ,deus1 que me concede at as consolaes dos pequeninos6 ,em seguida beijou ,paulo1 dizendo3 --,senhor1 abena este menino e prepara-o para o ,teu servio por meio de ,jesus4 ,tornou a beijal-o e entregou-o a ,dres4 s quatro horas da manh a febre havia desaparecido4 ,a enferma1 mais aliviada1 chamou seus filhos1 que entraram na alcva4 --,chamo-vos--disse ela--porque vou para a minha morada4 ,julio e ,dres choravam em silencio4 --,porque choraes8--perguntou ela4--,vou viver com ,jesus1 e ali vos espero4 ,podereis desejar-me coisa melhor do que esta8 --,minha me--disse ,julio1--minha querida me1 ns amamol-a tanto que no podemos deixar de sentir a sua falta4 --,no tendes nada que sentir444 ,escutae os meus ultimos conselhos4 ,a enferma tinha entre as suas mos as mos de seus dois filhos4 ,depois duma curta pausa1 ,josefa falou assim3 --,meus queridos filhos1 lembrae-vos de mim444 ,sde fieis f do bom ,jesus1 para que vejaes vir a morte com a mais completa tranquilidade4 ,educae o vosso filho no amor de ,deus444 ,ah6444 todo o carinho que me tendes a mim transferi-o para ele444 ,amae-vos muito1 muito1 muito4 ,orae ao ,senhor1 e agora recebei a minha beno4 ,julio e sua mulher ajoelharam-se1 e a velha1 voltando-se1 ainda que com custo1 para o lado em que eles estavam1 estendeu a mo sobre a cabea deles e disse3 --,senhor1 por amor de ,jesus1 rogo-,te que abenes meus filhos4 ,que o amor de ,deus1 a graa de ,jesus ,cristo e a comunicao do ,espirito ,santo seja comvosco4 ,amen4 ,a morte comea a vir444 j a sinto4 ,sim1 sim1 minha amiga1 vem1 vem1 aproxima-me de ,jesus444 ,dizem que a morte horrivel444 ,oh6 no6 ,quo bela me parece6 ,todos choravam4 ,a moribunda prosseguiu3 --,no choreis1 mas alegrae-vos444 ,julio1 meu filho1 no te aflijas444 ,hoje domingo3 no domingo vou para o cu2 oh6 que domingo mais ditoso vou passar ao lado de ,jesus6444 ,quando tinha saude1 reunia-me com os irmos na egreja444 ,hoje me reunirei com os anjos e santos no cu444 ,ouvi o meu ultimo desejo444 ,quando pela manh vier o ministro1 rodeae o meu corpo e fazei aqui um pequeno culto4 ,agora dae-me um beijo4 ,julio e sua mulher beijaram a enferma4 ,depois1 com as mos de seus filhos entre as suas1 disse3 --,j est aqui2 vejo a ,jesus1 que estende para mim os ,seus braos444 ,vou para ,ti1 doce esposo da minha alma4 ,adeus1 amigos444 ,adeus1 ,dres444 ,adeus1 meu filho444 ,jesus444 rece444be444 meu espiri444to444 ,a enferma1 que havia erguido a cabea1 pousou-a de repente sobre a travesseira4 ,um grito unanime ressoou na habitao4 --,adeus1 minha me--exclamou ,julio com o corao partido de dr4--,adeus1 minha querida me4 ,goza em paz o descano eterno444 ,o ,senhor o deu1 o ,senhor o tirou444 bemdito seja o nome do ,senhor4 ,,capitulo ,x ,de corpo presente ,passados os primeiros momentos de confuso1 que sempre sucedem num caso como o que acabamos de presenciar1 ,julio1 com uma tranquilidade de espirito admiravel1 principiou a dispr tudo o que era preciso para as ultimas homenagens que devia tributar quela que fra sua me4 s oito horas da manh1 um grupo de mulheres estava conversando num dos corredores1 e1 antes de entrarmos no quarto mortuario1 escutemos o que dizem4 --,sabem vocs o que sucedeu8--dizia uma das mulheres4 --,sim--respondeu uma delas2--morreu a me de mestre ,julio4 --,sim1 morreu6 exclamaram todas1 menos uma que disse3 --,pois no senti vir o ,viatico4 -- claro--disse outra--que no veiu o ,viatico2 pois que a defunta no se confessou nem sequer recebeu a extrema uno4 --,jesus1 ,maria1 ,jos6--exclamaram todas em cro4 --,pois no sabem vocs que ela era protestante8--disse a primeira que falou4 --,ah66444 --,os protestantes no comungam nem se confessam4 --,ento morrem como ces8 --,sim1 senhora4 --,sabe a visinha o que fazem8--disse uma2--eu presenciei-o quando ,antonia esteve doente4 ,lem um livro a que chamam a444 a444 ,biblia4 ,e na verdade que esse livro tem coisas muito bonitas3 fala de ,deus1 de ,jesus ,cristo e444 --,por muito bom que isso seja--interrompeu outra1--no se confessar a gente e no comungar mau4 ,pelo menos deviam fazel-o hora da morte4 ,eu1 pela minha parte1 no sou daquelas que comem com os santos2 desde que me casei1 e j l vo vinte anos1 que no tornei a confessar-me2 porm hora da morte no passarei sem o fazer4 ,deve forosamente ficar com cara de excomungada1 essa gente1 depois de morta6 --,sim1 sim1 ficam negros como o carvo4 --,porm ainda no sabe o melhor--acrescentou outra4 --,o que 8--perguntaram as outras com interesse de o saberem4 -- que1 se no comungam1 no querem1 em compensao1 que os seus mortos morram fome4 ,uma ruidosa gargalhada soou no corredor4 --,porm1 se esto mortos--disse uma1--como ho de morrer de fome8 --,pois oua--disse um tanto irritada a outra2--eles crem que depois de mortos comem1 e por isso pem-lhes no caixo um pouco de presunto1 uma garrafa de vinho e dois pes4#a --,ah6--exclamou uma--isso no verdade4 ,quando o padre protestante veiu ajudar a sr4 ,josefa a bem morrer1 eu estava em sua casa1 e ouvi-lhe dizer umas coisas muito bonitas444 e444 por tal modo o disse que nos fez chorar4 --,isso no motivo para que eles no creiam que os mortos comem2 olhe a visinha3 no outro dia leu meu marido um livro intitulado ,o monstro das sete cabeas1 que dizia que ha uma nao1 l muito longe1 em que se cr que os mortos veem do outro mundo a este chupar o sangue dos vivos2 chamam-lhe lam444 lam444 vampiros4 --,sim1 sim1 eu no os vi1 porm sei que os protestantes metem no caixo do morto o que j disse4 --,porm--disse uma--para que mais questes sobre este assunto8 ,vamos ver a morta e dissiparemos estas duvidas4 --,sim1 sim--exclamaram todas4 ,no mesmo instante dirigiram-se a casa de ,julio4 ,vamos ns tambem com elas4 ,quando alguem se aproxima do logar onde ha um cadaver1 parece que se respira uma certa atmosfera glacial4 ,ao mais indiferente e ao mais frivolo oprime-se-lhe o corao4 ,quando as mulheres entraram na sala1 havia nela varias pessoas1 entre as quaes estavam ,antonia1 sua familia1 ,julio e ,dres4 ,um profundo silencio reinava ali4 ,no meio da sala1 e sobre uma mesa coberta com um pano de baeta negra1 estava um caixo1 e dentro dele o cadaver de ,josefa vestido de preto1 o que fazia ressaltar a brancura dum lenol que havia de servir de sudario1 e que estava agora estendido ao lado do caixo4 ,o cadaver tinha na cabea uma touca engomada e adornada com uma linda renda1 o que lhe dava ao rosto um aspeto agradavel4 ,nenhum sinal havia imprimido a morte naquele rosto1 que estava branco como o arminho1 sulcado de veneraveis rugas1 com os olhos naturalmente fechados1 os labios ligeiramente entreabertos1 como se ainda respirasse1 e1 a no ser pela falta de movimento no peito1 qualquer pessoa teria dito que ,josefa estava dormindo um sono tranquilo4 ,em suas mos1 estendidas naturalmente1 tinha uma sempre-viva1 e em seu peito seus filhos haviam colocado um amor-perfeito1 como a ultima e eterna recordao que os acompanharia durante toda a sua vida4 ,entretanto as mulheres que tinham ido ali com o proposito de ver o presunto1 o po e o vinho esforavam-se inutilmente por descobrir aqueles objetos4 ,porm tudo foi em vo4 ,mas1 se no viam a comida nem a bebida1 descobriram em troca outra coisa no menos importante4 ,a sr4 ,josefa no tinha luzes666 ,uma nova personagem entrou na sala1 acompanhada duma mulher1 um homem e uma creana--uma familia das relaes intimas de ,julio e sua mulher4 ,quando apareceu na sala1 passou-se uma scena de lagrimas que no tentaremos descrever4 ,depois de darem desafogo s lagrimas1 aproximou-se do caixo essa pessoa que havia entrado1 e que era o ministro4 ,depois de contemplar por alguns instantes o cadaver1 disse3 --,ditosa tu1 que ests agora gozando as delicias eternas na presena do ,senhor4 --,no verdade1 sr4 ministro--disse ,julio--que o rosto de minha me no ficou desfigurado8 --,no2 parece melhor do que quando estava doente4 ,a que horas morreu8 --s cinco4 --,quaes foram as suas ultimas palavras8 --,jmais as esquecerei6444 ,senhor ,jesus1 recebe o meu espirito4 ,houve uma pequena pausa4 ,por fim1 o ministro disse3 --,vamos agora celebrar um pequeno culto1 deixando os que j dormem no ,senhor para nos ocuparmos de ns1 que ainda peregrinamos pelo mundo4 ,meus amigos--acrescentou1 dirigindo-se aos circunstantes--vamos celebrar o dia do ,senhor4 ,depois1 tirando do bolso um livro de hinos1 com no pouca surpreza da maior parte das pessoas presentes1 cantaram tres estrofes do seguinte hino3 ,olha a linda violeta6 ,d na sombra seu odor2 ,no se queixa1 no deseja ,ser notavel1 nem maior4 ,para a violeta humilde1 ,para a mais soberba flr1 ,sopra a mesma brisa amena1 ,vem do sol egual calor4 ,deus a toda a creatura ,marca o proprio logar2 ,d riqueza1 d pobreza1 ,tudo como apraza dar4 ,jesus ama e convida ,todos para os mesmos cus3 ,ricos1 pobres1 jovens1 velhos1 ,podero reinar com ,deus4 ,as vozes do cantico atrairam para a casa de ,julio as atenes da visinhana1 e por tal modo que se encheu a sala1 e era grande o numero de pessoas que escutavam porta e no passeio aquilo que para eles era uma grande novidade4 ,como temos de falar do culto que se celebrou quando tiraram o cadaver de casa1 passamos por alto este que ali se realisou1 contentando-nos apenas com dizer que todos os que ouviram ficaram extremamente comovidos1 e realmente aquela morte serviu para a vida de muitos que at ento nada sabiam do nome de ,jesus4 ,terminado o culto1 o ministro saiu1 os visinhos foram-se retirando1 fazendo comentarios1 porm to grande a ignorancia que1 todavia1 no faltavam mulheres que dissessem3 --,no lhe pozeram no caixo nem o presunto1 nem o vinho1 nem os pes1 mas certamente que o faro quando o cadaver sair de casa4 ,,capitulo ,,xi ,um culto funebre ,ao cair da tarde do domingo de que nos ocupmos no capitulo anterior1 um grande numero de pessoas sahia da casa do nosso amigo ,julio4 ,a maior parte das pessoas que foram ver o cadaver1 depois que sahiam1 ficavam porta ou na rua1 formando pequenos grupos4 ,quasi todos os que ali estavam reunidos eram membros da egreja a que ,julio e sua familia pertenciam4 ,o ministro1 ao terminar o culto daquele dia na sua egreja1 anunciou do pulpito que tinha falecido uma irm em ,cristo2 disse onde morava1 a hora a que devia realizar-se o enterro1 e por isso se achavam ali tantas pessoas reunidas4 ,a aglomerao de gente chamava a ateno e atrahia um grande numero de pessoas4 ,como era muito natural1 entre a multido no havia conformidade de idas ou de crenas1 e por isso no era raro ouvirem-se dialogos mais ou menos burlescos ou srios1 mas que denotavam a mais completa ignorancia cerca das ,escrituras1 e o fanatismo por parte duns e o conhecimento mais ou menos profundo delas por parte doutros4 ,ouamos alguns desses dialogos4 --,que enorme quantidade de gente que vem ao enterro da protestante6--dizia uma mulher a outra4 --,sim--respondeu ela4--,vem muita gente4 ,sero todos amigos de ,julio8 --,no2 veem para fazer numero e para que se diga depois que ha muitos protestantes em ,madrid4 --,ouam l--interrompeu outra mulher das que estavam no portal1 e que ouvira a conversa1--ns que estamos aqui no viemos para fazer numero1 mas sim porque nos amamos uns aos outros1 como ,cristo nos amou4 ,as duas visinhas ficaram por um momento silenciosas1 fitando de alto a baixo a mulher que havia interrompido a conversa4 ,por fim uma delas disse3 --,e diga-me1 minha senhora3 neste enterro do velas8 --,no1 senhora1 porque no precisamos de velas4 --,como se meteu na nossa conversa julguei444 --,qu8 --,que davam velas4 --,pois j fica sabendo que no4 --,parece-me que a senhora uma dessas agentes do protestantismo que andam a arranjar pessoas para a seita2 porm advirto-lhe que aqui perde o seu tempo1 porque1 pelo que respeita a ns1 nem a senhora nem ninguem nos engana4 ,v1 amigasinha1 v divertir-se no enterro1 e passe muito bem4 ,entretanto1 um homem1 j de edade avanada1 discutia na rua com varios jovens que o rodeavam4 --,sim1 senhores3 entre ns1 quando um irmo morre1 somos ns mesmos que o conduzimos e o enterramos com as nossas proprias mos1 sempre na terra1 porque nos cemiterios evangelicos no ha nichos1 nem galerias1 para os cadaveres1 e que custam dinheiro2 de modo que quem entra num cemiterio catolico pode muito bem figurar-se que est lendo os preos dos logares dum teatro1 onde o rico se assenta num camarote1 e o pobre vae para a geral4 --,isso muito natural--disse um4 --,no o julgo assim2 pois1 ensinando-nos os padres que uma das obras de misericordia enterrar os mortos1 so eles proprios que levam dinheiro4 --,oua l--interrompeu outro1--tambem muitas vezes enterram de graa4 --,sim6--exclamou o velho--bonito enterro1 no tem duvida6 ,comparemos4 ,morre qualquer pessoa que deixa1 por exemplo1 uns dois mil duros4 ,ento a egreja1 que de todos1 se converte no patrimonio dum4 ,ao longo das naves colocam bancos cobertos de pano preto2 acendem-se todos os altares2 as luzes1 em volta da ea1 no teem numero2 no cro cantam-se os hinos proprios1 acompanhados por uma orquestra1 que noite ter de servir no teatro2 os sacerdotes trajam as suas mais ricas vestes e444 que sei eu quantas coisas mais2 os padres cantam com toda a fora dos pulmes1 os meninos do cro correm alegres dum lado para o outro3 o sacristo anda numa roda viva3 o defunto gordo e444 tanto basta444 ,porm morre um pobre4 ,pois ento a coisa muda completamente de figura4 ,uma mulher miseravelmente vestida dirige-se a casa do proco1 e diz-lhe1 entre lagrimas e soluos1 que lhe morreu seu marido1 seu pae ou seu irmo2 o padre toma nota das indicaes que a mulher lhe d1 porm quando vem a saber que pobre e que tem de fazer o enterro por caridade1 diz-lhe que se retire1 e que hora aprasada l iro buscar o cadaver4 ,ora1 porque o padre tem que fazer1 no vae a casa do defunto2 os doridos pedem aos visinhos que o acompanhem ao cemiterio2 estes assim o fazem1 e1 quando l chegam1 aproxima-se o padre1 que diz um tal latinorio qualquer1 deita-lhe uma hissopada de agua1 a que chamam benta1 e retira-se4 ,ora diga-me3 isto uma obra de misericordia8 ,onde est aqui a caridade8 --,que divertido o velho6--disse um daqueles jovens4 --,que divertido6 que divertido6--gritavam outros bons catolicos4 ,neste momento ouve-se dizer3 ,ahi vem o ministro4 ,efectivamente no meio do grupo que discutia apresentou-se um cavalheiro vestido de preto1 que disse4 --,recebei o fraco na f1 e no para contendas de disputas4 ,em meio do silencio repentino que produziram as palavras desta personagem os jovens criticos desapareceram4 ,entretanto o ministro disse-lhes como o haviam informado do sucedido e aconselhou prudencia1 entrando depois na casa mortuaria1 seguido dum grande numero de pessoas4 ,um silencio profundo1 smente interrompido pelos soluos entrecortados dalgumas pessoas1 reinava na sala onde estava depositado o cadaver de ,josefa4 ,junto janela do pateo estava apinhado um grande numero de pessoas1 tanto visinhas como estranhas1 e diz-se que o proprio ,padre ,francisco1 que morava no andar superior1 estava entre o povo1 vestido secular1 com o fim de perturbar a ordem4 ,o corredor e o portal estavam atulhados de pessoas4 ,depois que o ministro proferiu algumas palavras1 disse3--,agora vamos celebrar um culto ao ,senhor1 e para isso vamos pedir-,lhe o ,seu auxilio4 ,todos os circunstantes se descobriram1 e a voz do ministro se elevou em tom solene1 dizendo3 --,em nome do ,pae1 do ,filho e do ,espirito ,santo4 ,amen4 --,cantemos o hino seguinte3 ,tu s a minha esperana1 ,achou minha alma em ,ti ,a paz e segurana ,que carecia aqui4 ,desde que a ,ti conheo1 ,desde que ,te abracei1 ,receios mais no sinto ,nem tremo mais da lei4 ,a espada da justia ,suspensa sobre mim1 ,foi j descarregada1 ,meu ,salvador1 em ,ti4 ,o golpe que levaste ,foi s em meu logar1 ,porquanto1 assim quizeste ,por fiador ficar4 ,ah6 quanto amor sentias1 ,meu ,salvador1 ,jesus6 ,quando por mim morreste ,na ensanguentada cruz4 ,e quanto no me cumpre ,a vida consagrar ,a ,ti1 que ,te ofereceste ,minha alma resgatar4 ,terminado o hino1 que produziu opinies desencontradas nas pessoas presentes1 o ministro1 abrindo a sua ,biblia1 disse3 ,escutae1 meus irmos e amigos1 o que est escrito na ,palavra de ,deus1 na primeira ,epistola de ,s4 ,paulo aos ,corintios1 cap4 #ae4 99 99 99 99 99 ,quando o ministro terminou a leitura1 disse3 ,meditemos agora sobre o versiculo #bb do capitulo que acabamos de ler4 ,amados irmos e amigos3 ,deus1 por um ato da ,sua infinita misericordia1 reuniu-nos hoje aqui em redor dum cadaver para obrigar-nos a pensar no que somos e quando e como morreremos4 ,com relao ao primeiro ponto1 o que a vida do homem1 as ,escrituras nos dizem que vaidade1 e que os seus dias passam como a sombra4 ,no livro do ,eclesiastes lemos3 ,quem sabe qual o bem do homem na vida8 ,todos os seus dias so vaidade1 os quaes passam como sombra4 ,agora na presena deste cadaver1 que um dos muitos testemunhos sagrados que existem1 o homem perguntar3 ,nasci eu to smente para sofrer e morrer8 ,no1 certamente4 ,o homem no foi creado para sofrer e morrer1 o homem foi creado para gozar e ser feliz2 porm o homem1 por um ato do seu livre arbitrio1 atraiu a morte sobre si e sobre toda a terra4 ,pouco a pouco foram-se todos retirando1 e muitos daqueles que ali tinham ido por curiosidade ou por espirito de critica sairam1 dizendo o que disse a mulher que foi ver se descobria no caixo o presunto1 o vinho e os pes3 --,no se pode dizer nada em presena disto4 ,o que certo que isto mais serio e ha nisto mais verdade do que em tudo o que vmos na nossa egreja4 ,desde hoje1 ainda que eu o no seja1 defenderei os protestantes1 e manh444 manh1 quem sabe8444 ,o enterro de ,josefa1 ou1 antes1 a sua morte1 foi um acontecimento para os visinhos da casa que j conhecemos4 ,illustration3 ,ento como vae o trabalho8 ,pag4 #ajj4 ,faziam-se os mais singulares comentarios2 e na visinhana falava-se animadamente disto4 ,para podermos apreciar a sensao que aquele ato causou1 ouamos alguma coisa do que se diz4 ,estamos no corredor do terceiro andar da mesma casa em que morava ,julio4 --,diga-me c1 senhora ,francisca4 ,esteve hontem no enterro protestante8 --,sim1 senhora ,amalia1 estive1 e creia que o que diziam do po e do vinho mentira4 --,como8 -- o que lhe digo1 e1 se no se fia em mim1 pergunte-o senhora ,vitoria1 que foi comigo4 --,filha--disse ,vitoria1--o que lhe sei dizer que aquilo mais serio do que o que imaginei1 e que nada se parece com os nossos enterros4 ,no enterro dos protestantes ha mais caridade do que nos nossos4 --,pode muito bem ser--replicou ,amalia--que os padres falem mal dessa religio porque no lhes convenha que ela se estabelea entre ns4 --,senhoras--disse ,vitoria1--proponho que vamos egreja protestante para vermos o que aquilo 4 --,sim1 sim1 iremos4 --,porm1 amigas--disse ,francisca1--no teem observado que caracter to bom o da familia de ,julio8 --,sim1 sim--respondeu ,vitoria1--no negam um favor a ninguem4 ,olhe1 quando meu marido caiu enfermo1 ,dres foi a primeira que veiu perguntar se era preciso alguma coisa1 e ao sair deixou-me um duro1 que eu lhe quiz restituir1 e que ela nunca quiz receber4 ,so muito caritativos4 ,assim continuam falando2 porm deixemol-as para irmos ouvir dois amigos nossos4 --,creio1 querida ,brigida1 que j estars convencida1 e que se antes julgava mal era porque me haviam dito o contrario do que tenho visto4 --,minha me1 no resista s verdades do ,evangelho4 ,viu como morreu a me de ,dres4 ,que f no manifestou at ao seu ultimo suspiro6 ,e1 como v1 ela no se confessou nem comungou1 e no emtanto recebeu a morte com a alegria que todos presencimos4 -- verdade1 verdade6 --,creia-me1 minha me1 no que lhe digo4 ,venha comnosco capela1 e ver como ali se fala de ,jesus4 ,tenha f para ter vida em sua alma4 ,jesus tudo1 e sem ,jesus no ha nada4 ,jesus amor1 como ,seu ,pae amor2 e se o amor do ,pae se demonstra duma maneira to manifesta1 em dar ,seu ,filho para morrer por ns1 no foi menor o amor de ,jesus em dar-,se a ,si por ns4 --,bom1 bom2 irei capela1 e verei4 ,a verdade que tenho visto coisas que me teem agradado4 ,taes eram as disposies em que esta familia se achava4 ,em casa de ,julio reinava a mais completa tranquilidade4 ,a loja foi aberta no outro dia hora do costume1 e tudo voltou a seguir o seu curso ordinario4 ,a f daqueles dois esposos havia resistido quela durissima prova4 ,,capitulo ,,xii ,intrigas do confessionario ,passado um mez depois da morte de ,josefa1 estava ,julio uma manh trabalhando sua banca1 quando uma joven se apresentou na loja1 dizendo3 --,senhor mestre1 meu amo manda dizer que venha comigo para pr uns vidros que se quebraram4 ,julio olhou com bastante surpreza para a rapariga1 e por fim respondeu-lhe3 --,diga a seu amo que dentro dalguns minutos l irei4 ,a rapariga saiu1 e ,julio dirigiu-se imediatamente sala onde estava sua mulher1 para lhe dizer3 --,no sabes1 ,dres1 quem me chamou para me dar trabalho8 --,se tu ainda mo no disseste444 --,pois acaba de estar na loja a creada do ,p4 ,francisco1 que me mandou chamar para lhe ir pr uns vidros4 ,que julgas disto8 ,dres ficou um tanto pensativa1 e depois disse3 --,penso que esse homem te chama para fazer-te mal4 --,a mim8 --,sim1 a ti1 ou1 antes1 a ns4 --,confio em ,deus1 e isso me basta4 ,julio saiu1 e dentro de poucos momentos estava no gabinete do sacerdote4 ,depois de se saudarem mutuamente1 o ,p4 ,francisco disse3 --,certamente que ha de estranhar que eu o mandasse chamar1 no verdade8 --,com franqueza--respondeu ,julio1--nem estranho1 nem deixo de estranhar4 -- que eu estou convencido de que o senhor um homem de bem1 mas um pouco exaltado em assuntos de religio2 um dia vir1 porm1 em que caia em si e se arrependa2 finalmente1 eu rogarei ,virgem para que assim suceda4 ,agora cumpra a misso para que o mandei c chamar4 --,sim1 senhor1 tomarei a medida e irei em seguida colocar os vidros4 ,julio saiu2 e o padre1 passeando pela casa1 dizia1 falando comsigo mesmo3 --,j est lanada a rde1 e o peixe cair nas suas malhas4 ,julio entrou em seguida1 e1 emquanto punha os vidros1 disse-lhe o ,p4 ,francisco3 --,tome l um cigarro1 sr4 ,julio4 ,julio aceitou o cigarro que o padre lhe ofereceu1 e em seguida foi ocupar-se do seu servio4 ,passados alguns momentos1 o ,p4 ,francisco disse3 --,ento1 como vae o trabalho8 --,bem1 graas a ,deus4 ,o sacerdote no sabia como principiar a conversa que tinha por fim averiguar quem eram os que com ,julio frequentavam a capela evangelica4 ,assim que1 com uma refinada sagacidade1 disse3 --,eu no vejo um grande movimento de obras em ,madrid4 ,no ha construes2 quem tem dinheiro guarda-o1 e isso no bom sinal4 --,pois agora vae ter logar um grande numero de edificaes1 e eu espero tomar de arrematao tudo o que diz respeito minha arte1 num novo bairro que se vae abrir4 ,os olhos do padre faiscaram raios de alegria1 porm dissimulou quanto pde1 e1 com ares de indiferena1 disse ao vidraceiro3 --,e quem o capitalista que vae empreender essas construes8 --,o conde de ,x444--respondeu ,julio1 emquanto colocava um vidro no caixilho da janela4 ,o padre saltou de alegria4 ,se ,julio o tivesse visto1 desde logo teria suspeitado de alguma coisa2 porm1 felizmente para o sacerdote1 e infelizmente para ele1 estava de costas1 ocupado no seu trabalho1 e no pde notar coisa nenhuma4 --,isso bom1 mestre1 isso bom--disse o ,p4 ,francisco--ter bons freguezes2 agora o que preciso no os deixar fugir4 -- casa que paga muito bem aos operarios e artistas a quem d trabalho4 --,diga-me agora3 no caso de que seu filho viva1 que modo de vida pretende dar-lhe8 --,ele ainda muito pequenino para falarmos disso2 porm1 sem embargo1 o que eu lhe afirmo que no violentarei a vocao de meu filho2 ofereci-o ao ,senhor1 e teria muito gosto em poder vl-o um ministro d',ele4 --,porm1 homem1 se me permite1 dir-lhe-hei que no pode haver um fiel ministro do ,senhor fra da egreja romana4 --,perde1 sr4 ,p4 ,francisco2 porm1 se um individuo prega o ,evangelho com fidelidade1 esse tal um fiel ministro do ,senhor4 --,bem1 no nos metamos em discusso2 porm creia-me1 e s isso o que lhe digo1 que se no muda de idas a mo de ,deus retirar-se-ha de si4 --,pois eu creio exactamente o contrario1 porque ,deus me ama4 ,nisto ,julio terminou o trabalho da colocao dos vidros1 e em seguida despediu-se do ,p4 ,francisco1 que lhe disse que lhe mandaria1 dahi a momentos1 a importancia da obra4 ,quando ,julio saiu1 o ,p4 ,francisco exclamou3 --,anda1 imbecil2 vendeste-te a ti mesmo4 ,ento queres que essa creana cresa1 para que manh seja uma vibora para os catolicos86 ,antes disso morrers tu de fome6 ,a guerra est declarada444 ,ou eu te reduzo miseria1 ou tu renegas o protestantismo4 ,a senhora do conde de ,x444 confessada dum amigo meu1 e j podes1 miseravel vidraceiro1 contar com a freguezia perdida4 ,agora mais do que nunca1 vou ser seu amigo1 e veremos4 ,entretanto1 ,julio chegou ao portal onde se encontrou com mestre ,joo1 o qual disse ao vl-o3 --,ol1 sr4 ,joo1 como vamos8 --,eu--respondeu o carpinteiro--vou bem1 graas a ,deus4 ,porm donde vem o visinho8 --,aposto que no atina4 --,eu no4 --,pois venho do andar de cima1 de pr uns vidros4 --,de casa do ,p4 ,francisco8--perguntou mestre ,joo1 surpreendido4 --,sim1 senhor1 de casa do ,p4 ,francisco mesmo4 ,mandou-me chamar1 subi e portou-se comigo muito bem4 --,pois sabe voc o que vejo em tudo isso8 que o padre trama alguma coisa contra si4 --,isso mesmo me disse ,dres2 porm no deixa de ser um mau pensamento1 tanto da sua parte como da parte dela4 ,no abrigue em si maus pensamentos1 sr4 ,joo1 pois j sabe que ,jesus disse3 ,no julgueis para no serdes julgados1 pois que com a medida com que medirdes vos mediro a vs tambem4 -- verdade isso1 amigo2 porm tambem deve saber que no mesmo capitulo ,jesus disse3 ,pelos frutos os conhecereis4 ,j vou aprendendo alguma coisa da ,biblia4 --,alegro-me muito com isso1 sr4 ,joo1 alegro-me muito4 ,at logo4 ,ambos os visinhos se separaram1 indo cada qual para sua casa4 99 99 99 99 99 ,estamos no interior da egreja de 4441 em ,madrid4 direita da porta da entrada ha um canto escuro1 e nele uma especie de guarita1 mais ou menos artistica1 que aquilo a que a egreja romana chama um confessionario4 ,ali dentro senta-se uma personagem mais sombria ainda2 junto grade do confessionario est uma senhora elegantemente vestida4 ,no podemos saber se nova ou velha1 porque tem o rosto coberto com um vu negro4 ,aproximemo-nos silenciosamente1 e1 ainda que nos alcunhem de indiscretos1 escutemos a confisso desta senhora1 a qual pode interessar-nos alguma coisa4 ,neste momento fala o padre4 --,quanto tempo tem ,v4 ,ex4 deixado passar desde que se confessou pela ultima vez8 --,quinze dias1 meu padre--respondeu a penitente2--mas no me d esse tratamento1 peo-lhe4 --,quinze dias6 ,porque esteve todo esse tempo sem vir ao tribunal da penitencia8 --,meu padre1 no tenho podido1 porque444 nos foi necessario1 umas vezes1 receber em nossa casa1 outras ir ao ,pao1 e ainda outras ocuparmo-nos de coisas similhantes4 --,isso no desculpa1 mas1 emfim1 sente-se arrependida de ter deixado decorrer todo esse tempo sem vir lavar a sua alma8 --,sinto-me1 sim1 senhor4 --,passemos a outro assunto4 ,cumpriu a ultima penitencia8 --,sim1 padre1 e acrescentei tres missas no altar de ,s4 ,sebastio4 --,a ,virgem lhe recompensar essa aco4 --,ah1 meu padre1 tenho tanto de que acusar-me6 ,sou uma to grande pecadora6 --,animo1 filha1 animo6 ,entregue todos os seus cuidados ao confessor1 que acha sempre disposto a perdoar1 pois que lhe foi conferido esse poder por ,jesus ,cristo1 quando ,este disse3 ,et quodcumque ligaveris super terram erit ligatum est in coelis1 et quodcumque solveris super terram1 erit solutum est in coelis4 ,comecemos agora a confisso pelos mandamentos4 --,acuso-me de no amar a ,deus1 pois que1 se ,o amasse1 no ,o teria ofendido4 --,adeante4 --,posto que no tenha muito o costume de jurar1 creio que o fiz4 --,quantas vezes por mez8 --,no me lembro1 meu padre4 --,quantas vezes por dia8 --,no posso tambem dizer4 --,quantas vezes por hora1 ao menos8 --,no sei1 j disse4 --,em resumo1 no sabe coisa alguma444 natural4 ,tanto tempo sem se confessar6 ,e com respeito ao terceiro mandamento1 o de guardar os dias santificados8#b --,acuso-me de1 na quarta-feira da semana passada1 que era dia de festa1 no ter ido missa4 ,o padre fez um movimento brusco1 e exclamou numa voz a custo reprimida3 --,isso demais1 senhora condessa4 ,no posso tolerar que caia em similhantes faltas1 e se ,v4 ,ex4444 --,meu padre--murmurou1 aterrada1 a dama1--no me d esse tratamento4 ,quando me trata por condessa1 fico a tremer1 porque para mim um sinal de que est zangado4 --,e estou-o1 com efeito1 minha senhora2 no assistir missa em dia de preceito uma coisa horrivel4 ,no posso perdoar-lhe4 ,chore1 chore1 mas lembre-se de que o que necessario so atos e no lagrimas4 --,imponha-me a penitencia que quizer2 estou disposta a cumpril-a2 por minha parte mandarei hoje dizer duas missas no altar das almas4 --,bem1 bem1 preciso emendar-se1 porque o diabo1 oh6 o diabo muito sagaz1 e1 como sabe que a senhora condessa to boa1 quer distrail-a do cumprimento dos seus deveres1 e isso obra de ,satanaz4 ,v1 continue4 --,o quarto1 honrar pae e me2 mando dizer muitas e muitas missas por alma de meus paes1 e assim os honro2 amo e respeito os ministros do altar4 --,tem rezado pelo nosso pae espiritual1 o ,sumo ,pontifice8 --,sim1 padre2 tenho rogado a ,deus para que aumente os seus dias e a sua infalibilidade1 para bem da egreja4 --,isso muito louvavel1 minha filha1 e a ,virgem v com agrado tudo o que fazemos4 ,passemos ao quinto mandamento4 --,disso no tenho que acusar-me4 ,no estranho que a condessa de ,x444 no sentisse remorsos na sua consciencia em face deste mandamento2 pois ela1 como a maior parte dos catolicos1 ignorava que no mata o seu similhante s aquele que d um tiro ou uma punhalada1 cometendo peor aco aquele que mata a honra do individuo2 pois que a calunia peor do que um punhal4 ,porm continuemos escutando a confisso1 pois que1 absorvidos nas nossas reflexes1 deixmos de ouvir um mandamento4 ,o padre diz3 --,tem alguma coisa de que acusar-se com respeito ao setimo mandamento8 --,no1 padre2 pelo menos que eu me lembre4 --,e com respeito ao oitavo8 --,padre1 algumas vezes tenho mentido4 --,quantas8 --,no me lembro1 padre4 --,porm1 mentiras graves ou leves8 --,no1 senhor2 no so graves4 --,nada diremos do nono2 porm o que me diz cerca do decimo mandamento8 --,digo1 padre1 que desejo servir a ,deus e amal-,o sobre todas as coisas4 --,deseja servir e amar a ,deus8 --,sim1 padre4 --,pois essa a tarefa mais dificil e1 portanto1 a mais meritoria nestes tempos4 ,a heresia tem invadido tudo2 hoje diz-se mal de tudo2 pe-se em duvida o poder da ,virgem1 e fazem-se esforos inauditos para destruir a religio que recebemos dos nossos paes4 ,a condessa deu um suspiro4 --,sim--continuou o padre1-- preciso desagravar a to fortemente agravada ,virgem ,maria1 e os maiores inimigos que tem a religio so os protestantes4 --,e quem so essas pessoas8 -- uma canalha1 senhora condessa1 uma canalha2 inimiga do clero e da nobreza444 ,porm so de uma sagacidade pasmosa1 metem-se em toda a parte e1 como pertencem s mais infimas camadas da sociedade1 necessitam de trabalhar para comer1 e no se lhes importa comer o po daqueles proprios a quem odeiam444 ,oh6 aquelas pessoas que teem operarios devem ser muito cautelosas em saberem a gente que empregam no seu servio6 --,hoje mesmo falarei ao administrador da minha casa1 e1 se houver l algum operario nessas condies1 ser imediatamente despedido4 --,pois era ahi que eu queria chegar1 sr4 condessa4 ,v4 ex4 tem muito perto de sua casa um protestante4 --,jesus6 ,maria ,santissima6 --,sim1 senhora1 o mestre vidraceiro a quem o sr4 conde vae dar trabalho no novo bairro que projeta mandar edificar4 ,certamente que todo o dinheiro que ganha o empregar contra os padres1 e em favor dos da sua seita4 --,o vidraceiro protestante6 --,sim1 senhora2 to protestante como o foi sua me1 a qual morreu sem se confessar1 exatamente como se fosse um co4 --,pois nas poucas vezes que o vi pareceu-me bom homem4 ,o outro dia vi-o falar com os creados1 e chamou-me a ateno o interesse com que o escutavam4 --,provavelmente estaria prgando as suas perversas doutrinas4 --,e que devo fazer8 ,o confessor figurou uma grande surpreza e exclamou3 --,pergunta v4 ex4 o que deve fazer8 ,e v4 ex4 diz que serve a ,deus8 --,padre1 padre--interrompeu a condessa1 chorando copiosamente1--no me atormente2 perdo1 senhor1 perdo444 ,aconselhe-me o que devo fazer444 -- de todo o ponto preciso que v4 ex e o sr4 conde chamem esse homem1 e1 se ele no abandonar o seu erro1 devem despedil-o e retirarem-lhe toda a proteco4 --,porm1 padre1 ele pode dizer que no protestante ou que deixa de o ser2 e nesse caso que fazer8 ,o padre ficou pensativo1 e depois respondeu3 --,em qualquer dos casos1 v4 ex4 no o despede at que eu a avise2 porm1 se teima em confessar as suas idas e pertinaz1 ento rua com ele no mesmo instante4 --,assim o farei1 meu padre2 porm permite-me uma pergunta8 --,sim1 senhora4 --,como soube isso do vidraceiro8 --,senhora1 ns1 os ministros da religio1 velamos pelas almas que nos esto confiadas4 ,vamos1 porm1 adeante4 ,tem mais alguns pecados de que acusar-se8 --,sim1 mas no me lembro deles4 --,bom2 eu perdo-lhe todos os pecados1 tanto os confessados como os esquecidos1 sub conditione4 --,como8 --,com a condio de que ha de fazer o que lhe tenho dito4 --,sim1 padre1 sim4 --,pois agora vou dar-lhe a seguinte penitencia3 jejuar durante sete dias1 rezando em cada dia1 hora a que devia almoar1 um rosario1 tres salv-rainhas e tres crdos2 alm disto1 deve ouvir sete missas1 sendo quatro pagas por v4 ex41 em desagravo de ,maria ,santissima e pelas bemditas almas do purgatorio2 isto como justa expiao de ter ficado sem missa no dia preceituado pela egreja como dia de guarda4 --,agora1 pergunto-lhe3 sabe de alguma esmola que eu possa fazer8 --,as freiras de ,a4 precisam dum sino maior do que aquele que teem4 --,pois bem1 eu me encarregarei disso4 ,far-lhes-hei presente dum sino cujo som seja claro e se oua distintamente ao longe4 --,bem1 filha1 muito bem2 isso muito meritorio1 pois que o sino a voz de ,deus4 7,pobres visinhos dos arredores do convento674 --,agora--continuou o padre1--prepare-se para eu a absolver4 ,a condessa curvou-se1 dizendo o acto de contrio1 emquanto que o sacerdote pronunciava algumas palavras em latim4 ,depois deu a mo a beijar condessa1 e saiu do confessionario1 emquanto que ela se levantava pensando na penitencia que tinha de cumprir4 ,agora tres perguntas e tres respostas3 ,quem perdeu nessa confisso8 ,o nosso amigo ,julio e os visinhos do convento de ,a4 ,quem ganhou8 ,as freiras do convento de ,a4 e outros4 esta a confisso que ,nosso ,senhor ,jesus ,cristo e os apostolos ordenaram1 em ,seu nome8 ,os leitores que respondam4 ,,capitulo ,,xiii ,frutos do confessionario ,julio estava um dia com sua mulher1 com a mulher do carpinteiro e com ,antonia1 celebrando um culto de familia4 ,o texto que estudavam era aquele que se acha escrito nos ,proverbios1 que diz3 ,a maldio de ,jehovah est sobre a casa do impio1 porm ,ele abenoar a morada dos justos4 ,julio dizia3 --,deus no pode faltar s ,suas promessas2 portanto1 confiemos na ,sua divina misericordia1 que ,ele certamente no poder deixar de nos socorrer4 ,se o ,senhor nos causa hoje aflies1 aceitemol-as como uma beno dele2 se nos manda alegrias1 recebamol-as egualmente1 porque dele dimanam4 ,depois que oraram1 ,julio veiu para a loja e principiou o seu trabalho4 ,cerca das nove horas da manh1 apresentou-se na loja um individuo que saudou afavelmente o mestre1 dizendo-lhe em seguida3 --,mestre1 o sr4 conde mandou-o chamar4 ,julio foi imediatamente4 ,no momento em que ,julio foi introduzido na sala1 o conde1 recostado numa cadeira1 fumava tranquilamente1 emquanto que a condessa estava sentada numa outra1 entretida a folhear um album4 --,o mestre vidraceiro--disse o administrador1 inclinando-se na presena dos seus amos4 ,julio saudou-os com um movimento de cabea4 ,o conde falou assim3 --,vocemec foi sempre quem fez o trabalho c da casa2 porm1 agora444 agora4441 finalmente1 agora a sr4 condessa lhe dir o que tem a dizer2 eu no posso ocupar-me de nada2 tenho muito em que pensar2 fala tu1 condessa4 --,vocemec que o vidraceiro da casa8 --,sim1 sr4 condessa4 --,pois amigo1 eu no posso1 ainda que me pese1 deixar de lhe dizer que no estamos satisfeitos comsigo4 --,ento em que ofendi eu os senhores condes8--perguntou ,julio1 surpreendido4 --,quero que todos os nossos operarios tenham uma irrepreensivel conduta religiosa1 que cumpram fielmente todos os preceitos da egreja2 do contrario1 sero despedidos1 e no podero contar comnosco para coisa alguma4 ,diga-me uma coisa3 costuma ouvir missa8 --,contando com a benevolencia de ,v4 ,ex41 atrevo-me a dizer que isto tem toda a aparencia de uma confisso1 e desde j declaro que s a ,deus que me confesso4 ,v4 ,ex4 pergunta-me se vou missa2 mas eu pergunto1 por minha vez3 ,para que hei de assistir missa1 se no compreendo o que o padre diz8 --,no estou para discusses3 disseram-me que vocemec era protestante1 e eu no quero negocios com essa gente4 --,sou cristo1 minha senhora4 --,nesse caso1 no tenho nada a dizer4 ,mas que vem a ser isso de no entender a missa8 --,e ,v4 ,ex4 entende-a1 porventura8 --,entendo4 --,pois pela minha parte1 como desconheo a lingua de que se faz uso na missa1 nada daquilo tem significao alguma4 ,peo licena para lhe observar uma coisa4 ,s4 ,paulo1 escrevendo aos ,corintios1 diz3 ,dou graas a ,deus1 que falo todas as linguas que vs falaes1 mas eu antes quero falar na egreja cinco palavras da minha inteligencia1 para instruir tambem os outros1 do que dez mil palavras em lingua estranha4 --,ns no temos nada com o que ,s4 ,paulo disse ou deixou de dizer2 os bons catolicos devem guiar-se por aquilo que a egreja estabeleceu1 e seguirem o conselho dos seus confessores4 ,a missa o sacrificio de ,cristo na cruz1 e os fieis podem1 l no seu intimo1 aplical-a a este ou quele fim4 --,senhora condessa1 ,v4 ,ex4 est num lamentavel erro4 ,o sacrificio de ,cristo no se pode repetir4 --,no trato agora dessas questes1 e o que desejo que me diga claramente3 catolico ou protestante8 cr na ,virgem8 cr no ,papa8 --,creio em ,jesus ,cristo1 e s nele confio2 se isto ser protestante1 ento sou-o1 de facto4 --,ouves1 conde8 --,ouo--respondeu este1 e acrescentou3--,de hoje em deante no quero mais negocios comsigo1 sr4 ,julio4 ,queira retirar-se1 para no mais pr os ps nesta casa4 --,senhor conde1 estou persuadido de que cumpri sempre com a minha obrigao1 e1 se o ser cristo obsta a que eu entre em sua casa1 no me convem de frma alguma estar aqui4 ,logo que terminar o trabalho que tenho entre mos1 deixar de os incomodar a minha presena4 --,no1 no--exclamou a condessa2--retire-se quanto antes4 --,mas que1 minha senhora1 dispendi em aviamentos para a restaurao desta sala uma quantia para mim bastante elevada1 e se no concluo a obra sofro um grande prejuizo4 --,e que tenho eu com isso8 ,v ter com os seus amigos protestantes que lhe paguem4 --,senhora--exclamou1 indignado1 ,julio1--os protestantes1 meus amigos1 ou1 para melhor dizer1 meus amados irmos1 nada me devem2 quem fez com que eu empregasse em materiaes o fruto dos meus labores foram os condes de ,x1 que teem obrigao de me pagar4 --,pois bem--disse o conde1--paga-se-lhe tudo1 para que se v embora4 --,no--gritou a condessa1--no se lhe paga coisa alguma2 se comprou material1 no o comprasse4 ,ou renega a sua religio1 ou pe-se j na rua4 --,renegar ,cristo6--exclamou ,julio2--no1 senhora condessa1 isso que no4 ,cristo deu a ,sua vida por mim1 e no ,o vendo por um punhado de oiro4 ,a ,escritura fala dum ,judas1 no fala de dois4 ,fique com o dinheiro1 e faa de conta que lho dei de presente4 --,no sei como me contenho--exclamou o conde2--se no fosse por sujar a mo1 fazia calar essa boca4 ,ponham este homem l fra--ajuntou ele1 chamando pelos creados4 --,no necessario1 que eu sei onde a porta4 ,que ,deus lhes perde o prejuizo que me causaram4 ,julio retirou-se4 ,o palacio dos condes era situado na ,castelana1 e o vidraceiro1 assentando-se num banco que ficava sombra duma arvore1 tirou a sua ,biblia da algibeira1 e1 enxugando algumas lagrimas rebeldes1 leu estas consoladoras palavras3 ,nenhum te poder resistir todo o tempo que viveres3 como fui com ,moiss1 assim serei comtigo2 no te deixarei nem te desampararei4 7,josu1 #a3e74 ,depois entrou em casa1 e contou a sua mulher o que se havia passado4 --,e que vaes tu fazer com esse material perdido8--perguntou lhe a esposa4 --,procurar--respondeu ,julio--quem o compre1 ainda que seja por menos preo4 --,ai1 ,julio6 ,no sei que estranho pressentimento me diz que o ,p4 ,francisco tem parte neste negocio4 ,julio foi para a loja e poz-se a trabalhar4 ,de tarde1 o ,p4 ,francisco apareceu na loja1 dizendo-lhe3 --,venho pagar-lhe uma divida4 ,o padre tirou um porte-monnaie e1 dando-lhe o dinheiro1 disse-lhe3 --,parece-me que no est bom4 ,a sua cara1 pelo menos1 indica que vocemec est mal de saude4 --,graas a ,deus1 no estou2 porm tive hoje um grande desgosto4 --,vamos l2 questes domesticas1 no verdade8 --,no1 senhor--respondeu ,julio1--desgostos com os freguezes4 ,o padre compreendeu imediatamente tudo1 pois o seu amigo1 o confessor da condessa de ,x444 j lhe havia dito que ,julio ia ser despedido4 ,o ,p4 ,francisco conheceu que no devia dizer palavra1 e ia a retirar-se quando uma nova personagem entrou na loja de ,julio4 --,boas tardes--disse ele ao entrar4 ,todos responderam saudao1 acrescentando ,julio3 --,como6 ,o senhor por aqui8 --,homem--respondeu o recem-chegado em tom familiar1--venho ralhar comsigo4 --,ora essa6 --,encurtando razes4 ,quero abrir o caf no dia primeiro4 --,pois olhe1 sr4 ,mariano1 como v1 j comprei o zinco e esto trabalhando nele2 porm para estar pronto para esse dia1 impossivel4 --,porm1 faltando ainda quatro dias at l1 parece-me444 --,desculpe1 mas so apenas tres dias6 --,como8 ,quinta1 sexta1 sabado1 domingo1 so quatro4 --,no1 senhor1 no deve contar o domingo4 --,j principiamos com exquisitices1 no verdade8 ,no seja doido nem fanatico4 ,essas preocupaes significam o retrocesso de oitenta anos4 --,ser o que quizer1 porm ,deus mais antigo do que o senhor2 portanto1 entre ,ele1 que me manda no trabalhar1 e o senhor1 que manda que eu trabalhe1 devo obedecer antes a ,ele do que ao senhor4 --,porm1 no conhece que ,deus no se intromete nessas coisas8 ,que lhe importa a ,deus que vocemec trabalhe ou no8 ,no faa mal a ninguem1 que trabalhar no pecado1 no verdade1 sr4 padre ,francisco8 --,deus quer--respondeu o padre ,francisco--que se santifiquem os dias de festa4 ,no domingo e mais dias preceituados pela egreja deve-se ouvir missa444 depois444 se preciso trabalhar1 pode-se fazer mediante licena4 ,julio1 porm1 como protestante444 --,qu6 vocemec protestante8--exclamou o freguez4 --,sou cristo evangelico--respondeu ,julio4 --,pois1 mestre1 assim no est bem4 ,no v que todos os freguezes o vo deixar8 ,protestante a coisa peor que pode haver6 porque no ser hespanhol4 --,o que ser protestante--exclamou ,julio1 j um pouco exaltado-- ser mais hespanhol do que muitos2 protestante ser bom filho1 bom pae1 bom esposo1 bom amigo e um bom crente em ,jesus4 ,os catolicos romanos desprezam os mandamentos de ,deus e submetem-se ao capricho dos homens2 chamam doidos e fanaticos queles que os guardam1 taes quaes se encontram na ,biblia1 e crem em milagres1 em bulas1 em reliquias1 em infernos com caldeiras de pez1 em diabos grandes e diabos pequenos1 em serpentes que se enroscam1 em um purgatorio de que ,jesus no teve a menor noticia1 em um limbo1 em bulas a gosto do comprador444 em tudo1 menos em ,jesus e no ,evangelho4 --,julio1 ,julio--disse o sacerdote1--no fale de tal modo1 porque no faz mais do que dizer blasfemias4 --,ao catolico romano pouco se lhe importa ir missa e dali ao baile2 isto no dia do ,senhor4 ,e que proveito tira da missa8 --,ouve o ,evangelho1 ou uma parte dalguma epistola4 --,sim8 ,pois peo-lhe ao senhor1 que catolico romano e que certamente ha de ter ouvido alguma missa1 que nos diga o que sabe do ,evangelho que tem ouvido na egreja8 --,senhores--respondeu ele1--a falar a verdade1 costumo ir poucas vezes missa1 porm eu no sei o que o sacerdote diz444 ,est disposto a fazer a obra para o dia que indiquei8 --,estou1 sim1 senhor--respondeu ,julio1--porm1 pelo que diz respeito a trabalhar no domingo1 no trabalho4 --,quer dizer que pelas suas exquisitices vou ser prejudicado1 no abrindo o estabelecimento no dia que quero4 ,vamos1 ,julio1 seja razoavel1 deixe-se de protestantismos e trabalhe1 que isso o que lhe d de comer4 --,sr4 ,mariano1 completamente inutil que se empenhe em fazer-me trabalhar ao domingo1 pois por todo o dinheiro do mundo no o farei4 --,nesse caso1 ponto final na questo4 ,no o incumbirei de mais trabalhos4 --,bem1 como quizer2 obedeo a ,deus1 e quanto basta4 ,o padre ,francisco quiz aparentemente harmonizar a questo1 porm foi tudo em vo4 ,a voz de ,deus1 que ordenava ao nosso amigo o guardar o dia de descano e santifical-o1 teve mais fora do que tudo4 ,minutos depois1 o freguez de ,julio saiu1 e juntamente com ele o padre ,francisco4 ,julio entrou no seu quarto para orar1 dizendo3 --,jesus1 ,tu me dizes3 ,e todo aquele que no traz a sua cruz e no vem apoz mim no pode ser meu discipulo4 ,,capitulo ,,xiv ,da loja agua-furtada ,a desgraa pairava sobre a casa de ,julio4 ,em pouco tempo aquela casa1 antes to feliz1 veiu a ser a casa da dr e da aflio4 ,j se no ouvia na loja o bater do martelo nem as alegres canes dos operarios4 ,por todas as partes se havia espalhado a noticia de que o vidraceiro era protestante1 e1 por consequencia1 o descredito foi geral4 ,em vo ,julio sofria tudo com paciencia2 em vo visitava os seus antigos freguezes2 em vo1 na aparencia1 clamava ao ,senhor3 parecia que o cu e a terra o haviam abandonado4 ,para maior desgraa1 sua esposa1 torturada pelos sofrimentos1 tinha decaido da f1 e isto era o que mais o atormentava4 ,at o seu proprio amigo1 o mestre ,joo1 que era o unico que poderia ajudal-o1 estava fra de ,madrid1 ocupado numas obras2 tudo1 pois1 como j dissemos1 se pronunciava contra ele4 ,assim chegou o dia em que ,julio teve de deixar a loja da casa que habitava1 indo alugar a agua-furtada da mesma1 para onde foi trabalhar como simples oficial4 ,faltavam tres dias para fazer a mudana4 ,julio no estava em casa1 e ,dres estava s1 dando o peito a seu filho1 quando sentiu abrir a porta da loja4 ,levantou-se para ver quem entrava1 e dirigindo-se porta deu de rosto com o padre ,francisco1 que1 depois de a cumprimentar1 lhe disse3 --,julio est em casa8 ,sabido que ,dres olhava desde ha muito com certa desconfiana para o padre1 pois que julgava que ele era o causador das suas desgraas1 e assim que com grande reserva e muito secamente lhe respondeu3 --,no1 senhor2 saiu4 ,o padre compreendeu o que se passava no espirito daquela mulher1 e num momento concebeu o seu plano4 --,pois realmente sinto-o--disse o sacerdote1--pois que vinha falar com ele1 afim de ver se queria encarregar-se duma obra4 --,pois no posso dizer-lho1 porm parece-me que actualmente lhe ser dificil1 pois que no temos os meios necessarios para comprar os materiaes4 --,no importa isso2 se seu marido quizer1 os donos da obra lhe adeantaro tudo o que seja preciso4 ,porm1 estranho v-los nesse estado1 sem terem nada que fazer1 quando tinham to boa freguezia6444 --,pois olhe--disse ,dres com inteno1--alguem tem a culpa disto4 --,no me parece que alguem possa ter culpa1 ou se compraza com os males que sofrem4 ,o unico culpado de tudo isso o seu esposo1 por causa dessas idas que tem e que to desprezadas so de todos4 ,se seu marido no tivesse a insensatez de se fazer protestante444 ,ora veja l1 protestante444 uma coisa que no tem razo de ser444 que acabar em breve e que444 finalmente444 consta lhes que muitos clerigos tenham passado para essa seita8 --,sim1 senhor2 sei dalguns4 --,so aqueles que no quizeram sujeitar-se aos seus votos e para quem a religio era uma coisa pesada4 ,finalmente1 ,dres1 creia-me1 o que lhe est sucedendo no mais do que um aviso de ,deus1 um preludio de acontecimentos mais graves2 no me admiraria se manh lhes morresse o seu filho4 --,cale-se1 senhor6 --,e era um grande favor que a ,virgem lhes fazia1 pois que seria melhor para ele morrer do que ficar eternamente condenado4 --,e porque ha de o meu filho ser condenado8 --,porque a educao religiosa que lhe derem no pode ser boa4 --,ns o educaremos na f do ,salvador e nas maximas do ,evangelho4 --,sim1 porm dum ,evangelho corrompido1 e mostrando-lhe um ,salvador que o no poder salvar1 porque lhe falta a autorizao de ,sua bemdita ,me4 --,padre ,francisco1 ,jesus no necessita de autorizao de ninguem1 pois que salva quem quer4 --,que lhe pedir seu filho que a senhora no lhe faa8 ,pois tambem ,jesus no pode fazer seno o que ,sua bemdita ,me manda4 ,emfim1 noutra ocasio falaremos mais detidamente sobre este assunto4 ,queira dizer a seu esposo que esta tarde virei falar-lhe1 e que a obra1 de que o venho encarregar1 lhe far ganhar uma boa quantia4 ,passe bem1 sr4 ,dres2 medite em tudo o que temos falado1 e creia-me3 sem ,maria1 nem o cu seria cu4 ,tome esta estampasinha e reze deante dela umas ,av-,marias1 pois de cada vez que o fizer ganhar cem dias de indulgencia4 ,o padre ,francisco saiu1 mas ainda ,dres estava com a tal estampasinha na mo quando ,julio1 abrindo a porta1 e observando que sua esposa tinha um papel na mo1 aproximou-se1 perguntando-lhe o que era4 --,uma imagem da ,virgem ,maria que me deu o padre ,francisco--respondeu ela4 --,e como ou com que fim te deu o padre ,francisco esse papel8 ,dres contou a seu marido o sucedido1 e depois disse3 --,que pensas fazer8 --,o que penso fazer8--respondeu ,julio4--,dizer ao padre ,francisco que no torne a falar-te de religio1 e1 pelo que respeita obra1 far-lha-hei se podr1 mas que no venha c falar-me em condies1 porque444 --,julio1 chega-te razo e pensa no nosso filho4 ,alm disso1 o padre ,francisco apresentou-me umas razes de bastante peso1 cerca da ,virgem4 --,para grandes provas me tem reservado o ,senhor1 e a mais dura ver a tua falta de f4 ,escuta-me1 ,dres1 e jmais duvides da palavra d',aquele que disse3 ,passaro o cu e a terra1 mas as minhas palavras no passaro444 --,julio1 a minha f vacilou alguma coisa1 porm eu rogarei a ,deus para que a aumente4 --,bem1 oremos a ,deus4 ,ambos os esposos ajoelharam1 e pouco depois ouviu-se a voz de ,julio1 que pronunciou esta singela orao3 ,senhor1 aumenta a nossa f2 agora mais do que nunca1 necessitamos de crr para sermos fieis444 ,no sabemos at onde nos provars1 porm estamos seguros de que ,tu nos ajudars4 ,sim1 ,pae ,eterno1 se temos sido fieis no tempo da prosperidade1 justo que o sejamos no tempo da adversidade4 ,agora d-nos a ,tua beno1 pelo amor de ,jesus4 ,amen4 ,chegou por fim o dia destinado para que o nosso amigo ,julio desocupasse a loja4 ,a senhora ,brigida e ,antonia esto em casa de ,dres4 --,o caso --disse ,brigida--que1 se meu marido estivesse em ,madrid1 daria o dinheiro a teu esposo e no havia necessidade de fechar a loja4 --,julio--respondeu ,dres--certamente que no aceitaria dinheiro1 no tendo probabilidade de o pagar4 --,que coisas tens1 ,dres6--exclamou ,antonia4--,se meu pae emprestasse dinheiro a ,julio1 no fecharias a loja1 e pode ser que com o andar do tempo melhorasseis de situao4 ,eu sei que a ,biblia prohibe ter dividas2 porm claro que1 entre irmos1 e quando por uma preciso1 no prohibido1 pois que a palavra de ,deus manda que os irmos se socorram entre si4 --,dize-me1 ,dres--perguntou a mulher do carpinteiro1--no poderia ser que ,julio pedisse alguns dias de espera1 e entretanto eu escrevia a meu marido8 ,oh6 se ns chegassemos a saber isto a tempo1 teriamos escrito a ,joo sem vs o saberdes1 e tudo se arranjaria444 --,direi isso mesmo a ,julio--disse ,dres1--e logo lhes participarei a resoluo dele4 ,assim continuaram conversando1 emquanto que ,julio1 que se achava na loja empacotando as ferramentas1 falava com o padre ,francisco4 --,porm que isso8--dizia o padre4--,ento muda de casa8 --,no1 senhor--respondeu ,julio1--deixo a loja4 --,deixa a loja8 --,que quer8 ,algumas pessoas no vem outra coisa mais seno aquilo que os seus olhos alcanam1 e querem que os outros faam o mesmo4 ,amigo1 o sr4 conde de ,x444 e outros ho de algum dia experimentar o que est escrito3 ,no oprimirs o teu proximo1 nem o roubars2 no retenhas o trabalho do jornaleiro em tua casa--at manh4 ,sim1 aqueles que procedem como o conde de ,x4441 que me fez comprar um material que depois para nada me serviu1 no compreendem que o ,senhor1 um dia1 lhes pedir estreitas contas1 pois que ,ele disse3 ,no negars a paga a teu irmo indigente e pobre1 ou ao peregrino1 que mora comtigo na terra1 e est de tuas portas para dentro2 mas pagar-lhe-has no mesmo dia o preo do seu trabalho antes do sol posto1 porque pobre1 e disso sustenta a sua vida2 no suceda que ele clame contra ti ao ,senhor1 e isto se te impute a pecado 7,deut4 #bd3 #ad e #ae74 --,julio--disse o padre ,francisco1--no deve admirar-se de que todos lhe voltem as costas2 as suas idas religiosas no so de molde a atrair-lhe as afeies do mundo4 --,sim1 a mim no me admira que o mundo me aborrea1 quando ,jesus1 o meu ,salvador1 disse3 ,se o mundo vos aborrece1 sabei que primeiro do que a vs me aborreceu ,ele a mim4 ,se vs fosseis do mundo1 amaria o mundo o que era seu2 mas porque vs no sois do mundo1 antes eu vos escolhi do mundo1 por isso que o mundo vos aborrece 7,s4 ,joo #ae3 #ah1 #aj74 ,aquilo que realmente me admira que pessoas que aparentam um tal escrupulo no sintam remorsos em sua consciencia em roubar a um pobre1 como eu1 o fruto do seu trabalho1 e no hesitem em lanal-o na miseria4 --,julio1 deixemos de parte essa questo4 ,o senhor pode adquirir do conde ,x444 mais do que aquilo que perdeu4 ,renuncie por um momento a essas preocupaes1 abra os olhos luz1 e creia em si4 ,eu venho encomendar-lhe uma obra1 que pode dar-lhe alguns lucros2 quer fazel-a8 --,sr4 padre ,francisco1 no posso empreender obra alguma1 por pequena que seja1 pois no tenho dinheiro para material nem para as ferias dos oficiaes4 --,no lhe importe isso--disse o padre2--eu ofereo-lhe aquilo de que necessite4 ,a pessoa que encomenda a obra lhe adeantar o dinheiro preciso para os materiaes e para as ferias4 --,e que obra essa8--perguntou ,julio4 --,tudo o que pertence sua arte1 na egreja de ,s4 ,n41 notando que tem muito que fazer2 obra que durar muitos mezes4 --,muito bem2 no tenho nisso o menor inconveniente4 ,e no me impor condio alguma que me torne impossivel o aceitar a obra8 --,no1 nenhuma2 pois que a condio imposta para todos aqueles que ali trabalham to simples que ninguem at hoje deixou de a aceitar4 --,qual 8 --,o paroco diz missa s nove horas da manh1 qual deseja que assistam todos os artistas que ali trabalhem4 --,e assistem todos8 -- natural4 ,quem se recusar a isso8 --,suponhamos1 sr4 padre ,francisco1 que o paroco me impe essa condio1 e que me nego a assistir missa1 o que me suceder nesse caso8 --,nesse caso no poder continuar a trabalhar na egreja4 --,pois ento inutil que tornemos a falar mais nisso2 pela minha parte no assisto missa4 --,porqu8 --,creio inutil repetir-lhe aquilo que j por tantas vezes lhe tenho dito sobre o assunto4 ,no tendo a missa para mim o valor que vs lhe daes1 no posso nem devo assistir a ela4 --,porm pense bem que est na maior miseria1 e no smente vocemec1 como sua mulher e seu filho4 --,pois o ,senhor1 que tem cuidado das avesinhas e dos lirios dos campos1 cuidar de mim1 de minha mulher e de meu filho4 --,vamos2 quer encarregar-se8 --,sim1 senhor4 --,nesse caso1 espero que v missa4 --,no1 senhor1 eu no posso assistir a um acto que a minha consciencia reprova4 --,ento no estranhe que a fome bata sua porta3 ser um castigo de ,deus1 que o avisa por minha boca4 --,no1 no um aviso2 diga antes uma tentao de ,satanaz1 permitida por ,deus1 para provar a minha f4 --,julguei que podia valer-lhe em alguma coisa1 porm enganei-me4 dificil deter em sua carreira o homem que marcha a passos agigantados para o precipicio4 ,que a ,virgem tenha misericordia de si4 --,folgo imenso com que tenha falado da ,virgem1 pois que me esquecia de dizer-lhe duas coisas3 a primeira que me faa o favor de no falar a minha mulher cerca de religio2 a segunda que no lhe torne a dar estampas de santos ou de virgens1 pois que1 como pode muito bem compreender1 no deve meter-se onde no o chamam4 --,se eu dei a sua esposa alguns conselhos1 foi porque a encontrei triste e aflita4 ,eu1 na minha qualidade de sacerdote1 tenho o dever de consolar os tristes4 --,muito bem3 porm aquilo que disse a minha esposa1 em vez de servir para a consolar1 devia servir para acender em seu peito a duvida1 e estabelecer em minha casa uma guerra religiosa2 portanto1 que no torne a suceder uma tal coisa4 --,quer isso dizer--respondeu o padre ,francisco--que me prohibe de falar com sua esposa1 no verdade8 --,sim1 senhor3 sobre assuntos de religio prohibo-lhe terminantemente que lhe fale4 --,nesse caso impossivel que ,deus o ajude4 --,padre ,francisco1 parece-me que o culpado de que me tenham tirado o trabalho em casa dos condes ,x444 foi vossa senhoria4 --,pois fui eu1 verdade1 que influi para que fosse despedido da casa4 --,ento teve valor para perder desse modo um pae de familia8 --,basta1 basta1 ,julio2 estou canado de lutar2 venho oferecer-lhe o bem1 e o senhor rejeita-o2 ha-de1 por conseguinte1 sofrer-lhe as consequencias4 --,padre ,francisco3 nem ,v41 nem ,roma1 nem a fome1 nem as ameaas so suficientes para apartar-me do amor que ha em ,cristo ,jesus4 --,nesse caso1 guerra e guerra sem treguas4 ,o padre saiu furioso da loja1 e ,julio1 elevando os olhos ao cu1 exclamou3 --,julga1 ,senhor1 aos que me fazem dano1 expugna aos que me combatem4 7,sal4 #cd3 #a74 ,emquanto isto sucedia1 dialogavam assim ,antonia e sua me na carpinteria3 --,sim--dizia ,brigida1--escreve a teu pae1 contando-lhe os apuros do nosso amigo1 e que imediatamente nos mande dinheiro4 --,quanto lhe peo8 --,no sei2 porm explica-lhe o caso1 e ele poder calcular quanto preciso4 ,antonia comeou a escrever1 e1 depois dalguns instantes1 leu a sua me a seguinte carta3 ,madrid444 ,querido pae1 muito me alegrarei que ao receber esta esteja de saude2 ns estamos boas4 ,escrevemos-lhe para referir-lhe uma coisa que muito o entristecer4 ,julio1 o nosso amigo1 deixa a loja1 por manejos dos seus inimigos1 que quasi o reduziram miseria4 ,deixaremos o nosso amigo sem auxilio8 ,no4 ,espero que meu pae atender aos rogos de sua esposa e filha4 ,esperamos que aproveitar a ocasio de fazer alguma coisa por amor de ,jesus1 tendo em conta que ,deus ama aquele que d com alegria4 ,sem mais1 receba o carinho destas que o amam ,brigida e ,antonia4 ,p4 ,s4--,lembre-se daquilo que ,dres fez por mim quando estive doente1 e de que os desgostos que isso lhe ocasionou1 e aquilo que agora est sofrendo1 tudo isso consequencia do que fez por mim4 ,os nossos amigos perdem-se se de pronto no os socorremos4 --,bem1 bem1 filha--exclamou ,brigida ao ouvir a leitura da carta2--escreves melhor do que um ministro4 ,anda1 vae deitar a carta no correio4 ,,capitulo ,,xv ,j comea6444 ,no dia seguinte ao dos acontecimentos referidos no capitulo anterior1 os tranzeuntes da ,rua dos ,embaixadores1 ao passarem por certa casa1 poderam ler--,,juli,o1 ,,vidraceiro1 ,,chumbeiro1 ,,chocolateiro--e colocado sobre a porta um papelinho escrito pelo porteiro da casa1 em pessima ortografia1 com os seguintes dizeres3 ,aluga-se esta loja2 o porteiro tem as chaves e dir as condies4 ,sim1 ,julio tinha deixado a loja por no poder pagar o aluguer1 e agora vive na agua-furtada n4 #ab1 da mesma casa4 ,como costume entre amigos mostrar a casa em que vivem1 ,julio o faz a todos os que se interessam na sua historia4 ,depois de se subirem cento e quinze degraus1 chega-se a uma galeria1 ou1 melhor1 a um corredor1 em que fica a morada de ,julio4 ,consta de tres compartimentos--sala1 cosinha e alcova4 ,agora que estamos dentro da casa1 ouamos o que dizem o nosso amigo e sua mulher4 --,cr-me--dizia ,julio1--o ,senhor tirou-nos a loja1 fazendo-nos vir viver para aqui4 ,por alguma coisa foi que o ,senhor fez isto4 --,e para que o fez ,ele8 --,olha1 ,dres1 no crs que neste corredor se pode anunciar o ,evangelho a mais de duzentas pessoas8 --,creio1 ,julio1 que no ters necessidade de chamar o ministro para isso4 --,no1 realmente4 ,porque hei de ceder a outro as benos que eu posso receber8 ,por certo que seria uma loucura4 --,e que tencionas fazer8 --,uma coisa muito simples4 ,hoje mesmo convidas as visinhas para uma reunio religiosa4 ,dizes que todo aquele que deseje ouvir as novas do ,evangelho pode vir aqui esta noite1 s oito horas em ponto4 --,bem1 farei o que tu desejas1 e que o ,senhor nos abene4 ,julio saiu de casa1 e em poucos momentos ,dres estendia no corredor algumas peas de roupa que tinha lavado4 --,bons dias1 visinha--disse-lhe uma mulher do corredor em frente4 --,bons dias1 senhora--lhe respondeu ,dres4 ,dentro de si sentia uma coisa que lhe dizia3 ,comea a trabalhar para ,jesus4 --,est hoje um bonito dia6--disse a visinha4 --,realmente est um dia muito bonito4 ,veja que formoso est o cu6 ,quem seria capaz de fazer um cu similhante a este8 ,e ainda dizem que no ha ,deus6 --,e quem se atreve a sustentar similhante disparate8 --,no faltam1 infelizmente1 pessoas que o faam2 pessoas que no teem religio nem consciencia4 --,a proposito1 ,dres1 permite-me que entre em sua casa para lhe perguntar umas coisas8 --,com muito gosto4 --,vou ver se fervem as panelas que deixei ao lume1 e depois irei ter comsigo4 ,quando ,dres se viu ssinha1 exclamou3 --,senhor1 d-me foras e aumenta a minha f1 se queres que faa alguma coisa por ,ti4 ,por amor de ,jesus1 concede-me o ,teu santo ,espirito4 ,amen4 --,posso entrar8--disse uma voz do lado de fra4 --,entre--respondeu ,dres4 ,no mesmo momento entrou a mulher que tinha falado com ,dres4 ,esta ofereceu-lhe uma cadeira1 e ela1 depois de tomar assento1 disse-lhe3 --,ento porque deixou a loja8 --,que quer a visinha--respondeu ,dres4--,caprichos da sorte1 ou1 melhor1 azares da vida4 --,a mim disseram-me que foi por vocemecs serem protestantes que os despediram da casa4 --,pois no verdade3 fomos ns que nos despedimos1 porque o meu esposo perdeu de repente o dinheiro que tinha1 e bem assim a freguezia1 por causa das suas idas religiosas4 --,porm1 ,dres1 perde-me que lhe diga4 ,eu no entendo uma palavra cerca das suas crenas religiosas4 ,a mim disseram-me que os protestantes no crem em ,deus1 nem na ,virgem1 nem nos santos4 ,quando morreu sua me1 ouvi tudo o que o padre disse1 e pareceu-me que no que dizia tinha razo2 assisti ao enterro1 e fiquei impressionada3 mas porque que todos so contra vocemecs8 --,por que razo foram todos contra ,jesus8 ,eis aqui a causa3 os que crem em ,jesus so perseguidos porque o seu ,divino ,mestre o foi4 --,porm vocemecs crem em ,deus e na ,santissima ,trindade8 --,sim1 senhora2 ns cremos em tudo isso1 e mais ainda cremos em tudo o que est escrito na ,biblia4 --,muito desejaria tornar a ouvir falar algum dos que pensam como vocemecs4 --,pois olhe1 se tem esse desejo1 ,julio vae fazer algumas reunies neste mesmo quarto1 e pode assistir a elas4 --,no sabe quanto me alegro em saber isso4 ,no faltarei2 porm diga-me3 ,quando que seu marido principia8 --,esta mesma noite s #h horas1 e1 visto que a senhora a primeira moradora da casa que o sabe1 peo-lhe que444 --,no diga nada8 ,descance que444 --,pelo contrario1 peo-lhe que o diga a todas as pessoas que muito bem lhe parecer4 ,seria um grande prazer para ns que todos os moradores e a visinhana ouvissem o ,evangelho4 --,pois ento eu lhe asseguro que toda a visinhana o saber4 ,em poucos momentos1 todos os moradores da casa sabiam que ,julio ia dar reunies protestantes1 e todos se dispozeram a ir ouvil-o1 uns por curiosidade e outros por zombaria4 ,quando o padre ,francisco soube isto1 exclamou3 --,j comea6 e eu que julgava que esse homem cederia fome e miseria6 ,na minha vida no tenho visto pessoa mais teimosa6 ,que fazer8 ,ah6 se se promovesse um escandalo1 podia suceder que o senhorio os despedisse da casa2 e o escandalo1 sim1 ha de dar-se4 ,parece mentira que os homens se obcequem a este ponto444 ,no emtanto1 isto faz-me supr que ,julio recebe alguma paga4 ,assim continuou o padre1 falando comsigo4 ,por fim veiu a noite1 e1 ainda que alguma coisa fria por ser outono1 a gente apinha-se nos corredores1 por no caberem todos os que haviam concorrido dentro do quarto4 s oito horas em ponto da noite1 ,julio entrou no quarto1 saudando todas as pessoas4 ,depois dirigiu-lhes a palavra da seguinte maneira3 --,amigos1 bastante embaraosa para mim a situao em que me encontro ao dirigir-vos a palavra4 ,falo-vos por duas razes3 a primeira porque a isso ,deus me envia1 para que vos anuncie as novas de salvao que se encontra em ,jesus ,cristo2 a segunda1 a menos importante1 para me justificar do que dizem1 pois que1 na opinio de muitos1 duvida-se do meu caracter e da minha honra4 ,parece que muitos dos que esto presentes estranharo que um protestante v falar do cristianismo1 quando1 segundo dizem por ahi1 ns os protestantes somos uns herejes1 uns incredulos1 que duvidam de tudo4 ,se isto ou no verdade1 ides vs julgal-o ouvindo dos meus labios a minha profisso de f1 na qual eu1 bem como todos os cristos evangelicos1 a quem vs chamaes protestantes1 cremos4 ,para que bem o compreendaes1 escutae com ateno4 ,creio em ,deus ,pae ,todo ,poderoso1 ,creador do cu e da terra4 ,creio em ,jesus ,cristo seu ,unico ,filho1 ,nosso ,senhor2 ,o qual foi concebido por obra do ,espirito ,santo2 ,nasceu de ,maria ,virgem2 ,padeceu sob o poder de ,poncio ,pilatos2 ,foi crucificado1 morto e sepultado2 ,desceu aos infernos2 ,ao terceiro dia ressuscitou dos mortos2 ,subiu ao cu2 ,est sentado mo direita de ,deus ,pae ,todo ,poderoso2 ,donde ha de vir a julgar os vivos e os mortos4 ,creio no ,espirito ,santo2 ,na ,santa ,egreja ,catolica2 ,na comunho dos santos2 ,na ressureio da carne2 ,na vida eterna4 ,amen4 ,um murmurio de vozes de aprovao e surpreza rompeu de todos os labios4 ,as vozes que mais se distinguiram foram3 --,esse ,credo egual ao nosso6 --,crem em ,deus6 --,e na ,virgem666 --,e em que ,cristo foi concebido pelo ,espirito ,santo666 --,sim1 meus amigos--continuou ,julio1--ns1 isto 1 os cristos do ,evangelho1 cremos em tudo o que est escrito na palavra de ,deus4 ,quanto dizem de ns uma completa calunia4 ,jmais duvidmos da virtude de ,maria1 me1 no de ,deus1 porque ,deus no teve pae nem me1 porm sim me de ,jesus1 emquanto homem como ns4 ,ns no confiamos em ninguem seno em ,cristo1 porque sabemos que em nenhum outro ha salvao2 porque do cu abaixo nenhum outro nome foi dado aos homens pelo qual os homens devem ser salvos 7,,atos #d3ab74 ,no confiamos nas obras que possamos fazer1 pois que1 por melhores que elas sejam1 no so mais do que trapos de imundicie4 ,no nos submetemos ao jugo de ,roma1 porque na palavra de ,deus no se ordena que o cristo esteja sujeito a tal ou qual egreja1 mas sim a ,cristo1 e porque esta egreja tiranisa as consciencias1 obrigando a crer em dogmas taes como a infalibilidade1 que nos faz ver a figura do papa retratado na segunda ,epistola de ,s4 ,paulo aos ,tessalonicenses1 cap4 #b41 ver1 #c e #d1 onde se diz1 falando da segunda vinda do ,senhor3 ,ninguem de modo algum vos engane2 porque no ser sem que antes venha a apostasia1 e sem que tenha aparecido o homem do pecado1 o filho da perdio1 aquele que se ope1 e se eleva sobre tudo o que se chama ,deus1 ou que adorado1 de sorte que se sentar no templo de ,deus1 ostentando-se como se fosse ,deus4 ,ns1 os protestantes1 no fazemos caso dos dias de jejum1 porque ,s4 ,paulo diz3 ,ninguem vos julgue pelo comer nem pelo beber 7,col4 #b3 #af74 ,tambem sabemos1 para que nos acautelemos deles1 que alguns prohibiro casar-se1 e mandaro abster-se das coisas que ,deus creou para que com aco de graas participassem delas os fieis e os que teem conhecido a verdade 7#a4 a ,tim4 #d3 #c74 ,no fazemos caso algum dos mandamentos romanos1 no que diz respeito a dar dinheiro ou velas1 ou coisas similhantes para o culto1 pois que na ,palavra de ,deus achamos escrito3 ,ninguem vos desencaminhe1 afectando parecer humilde1 e dar culto aos anjos1 que nunca viu no estado de viador1 inchado vmente no sentido da sua carne 7,col4 #b3 #ah74 ,algumas vozes de aprovao sairam dentre os ouvintes4 --,sim1 meus amigos--prosseguiu ,julio1--dos protestantes dizem-se muitas coisas que assim no so4 ,ns1 os protestantes1 cremos na ,virgem dos ,evangelhos1 mas no na ,virgem da egreja romana1 porque a ,virgem desta egreja em nada se parece com aquela4 ,no lhe rezamos por duas razes3 a primeira porque no sabemos rezar2 sabemos sim orar a ,deus2 e a segunda porque nem os apostolos1 nem as tres ,marias1 nem nenhuma das personagens do seu tempo o fizeram4 ,e que diremos cerca das bulas8 ,as bulas6 ,famosa chave romana que abre e fecha as portas do cu1 desde o minimo preo de dois reales#c at somas um tanto consideraveis4 ,roma tem bulas para todos1 j vdes--acrescentou em tom ironico4--,roma tem bulas at para defuntos4 ,emfim1 ,roma no perde ocasio de tirar dinheiro4 ,desde que uma pessoa nasce at que morre1 paga dinheiro e mais dinheiro para os cofres da egreja4 ,dinheiro para baptizar1 dinheiro para casar1 dinheiro para enterrar1 dinheiro para missas1 dinheiro para tudo4 ,ah6 os sacerdotes desta egreja no teem em conta que ,s4 ,paulo vivia custa do trabalho de suas mos1 e que nem ,s4 ,pedro nem os demais apostolos foram subvencionados pelo ,estado3 no tiveram p de altar1 nem direitos paroquiaes1 nem casulas batidas a oiro1 nem calices de prata1 nem baculos do mesmo metal1 nem tiara1 nem mitra1 nem chapu cardinalicio1 nem foram abades1 nem conegos444 ,porm1 se no tinham nada disto1 em troca recebiam1 para administral-o1 o dinheiro dos ricos1 e com isso a egreja vivia com algum desafogo4 ,este era o costume apostolico1 e por ser este costume que ns defendemos acusam-nos de herejes e nos excomungam1 e no fazem mais porque ,deus no lhes permite4 ,meus amigos1 j vos so conhecidas em parte as doutrinas dos cristos evangelicos2 agora julgae por vs mesmos4 manh mesma hora de hoje1 se vos dignardes vs escutar-me1 falaremos dalgum ponto do ,evangelho2 porm1 antes de vos retirardes1 sabei duas coisas3 primeira1 que de tal maneira ,deus amou o mundo que lhe deu o ,seu ,filho ,unigenito1 para que todo o que nele cr no perea1 mas tenha a vida eterna 7,s4 ,joo #c3 #af74 ,a segunda que nenhuma condenao ha para os que esto em ,cristo ,jesus 7,rom4 #h3 #a74 ,que o ,senhor nos abene4 ,amen4 ,julio retirou-se para a alcova1 e a gente tambem saiu1 discutindo entre si2 alguns foram felicital-o4 ,o padre ,francisco1 que havia estado observando tudo1 dizia a ss comsigo3 --,e no houve escandalo6 ,e esse homem que vae convencel-os6 ,como evitar isso8 ,o bom do padre trazia a cabea numa braza viva1 pensando como havia de inutilizar o seu inimigo1 sem se lembrar de que era melhor tomar o parecer que o fariseu ,gamaliel deu no conselho de ,jerusalem1 celebrado contra os apostolos1 em que disse3 ,no vos metaes com estes homens1 e deixae-os2 porque1 se este conselho1 ou esta obra1 vem dos homens1 ela se desvanecer2 porm1 se vem de ,deus1 no a podereis desfazer1 para que no parea que at a ,deus resistis 7,atos #e3 #ch-dj74 ,,capitulo ,,xvi ,um sermo1 um desafio1 e uma hora de f ,os visinhos da casa de ,julio estavam alvoroados4 ,entre eles tinha-se despertado um movimento religioso como poucas vezes se tem visto4 ,merecia a pena s oito horas da noite o ir ver o interior da casa2 pateo1 corredor1 janelas1 tudo estava atulhado de pessoas1 que levantavam a cabea para olhar para um corredor do quarto andar1 donde um homem lhes falava4 ,tinham decorrido cinco noites desde que ,julio pela primeira vez falra no corredor1 e coisas maravilhosas tinham acontecido4 ,na sexta noite do culto1 achava-se ,julio prgando1 e tinha tomado para texto as palavras de ,jesus3 ,porque onde esto dois ou tres reunidos em ,meu nome1 ahi estou ,eu no meio deles 7,s4 ,mat4 #ah3 #bj74 ,o nosso amigo estava quasi no fim da sua prgao1 depois de ter exposto aos seus ouvintes quo grande era o amor do ,salvador1 que1 depois de ter dado a vida pelos pecadores1 estava disposto a recebel-os1 pois que1 s com invocal-,o1 ,ele ,se aproximava dos coraes4 ,depois de tudo isto1 disse3 ,temos1 pois1 que onde se reunem dois ou tres em nome do ,senhor1 ali est a egreja4 ,portanto1 meus amigos1 no necessario ir a tal ou tal egreja1 nem escutar esta ou aquela pratica1 no2 se dois ou tres cristos se unem em um caminho ou num deserto1 e ali elevam os seus coraes para orar1 ou antes para falar de ,jesus1 ali est a ,egreja com o seu divino ,esposo no meio4 ,mais facil que o ,senhor habite em uma pobre agua-furtada1 onde uma familia faz a sua orao matutina1 do que num templo onde os sentidos se deleitam e o espirito se distrae com o som do orgo1 o espectaculo do luxo e os perfumes do incenso4 ,sabei que o ,senhor no habita em templos feitos por mos de homens1 como diz o profeta3 ,o cu o ,meu trono1 e a terra o estrado dos ,meus ps4 ,que casa ,me edificareis vs1 diz o ,senhor1 ou qual o logar do ,meu repouso8 ,no fez1 porventura1 a ,minha mo todas estas coisas8 7,atos #g3 #di--ej74 ,assim fala o ,senhor4 ,no so1 pois1 as afilagranadas cupulas duma catedral1 ou os sumptuosos tetos dum templo1 nem os canticos latinos1 nem o incenso1 nem as luzes1 nem o luxo1 os objetos que fazem com que o espirito de ,deus desa das manses celestes onde habita2 antes pelo contrario1 essas coisas afugentam o ,espirito de ,deus4 --,as suas malditas idas1 sim1 que o conduziro a si e queles que o escutam aos infernos--disse uma voz do fim do corredor4 ,todos os olhares se dirigiram para o sitio donde havia saido a voz1 e deram com o padre ,francisco1 que1 aceso em ira1 apostrofava o vidraceiro4 ,taes insultos lhe dirigiu que os assistentes comearam a gritar3 --,fra1 corvos6 ,fra1 corvos6 ,no queremos latinorios4 --,o ,evangelho claro1 e os padres no querem que a gente o leia1 para que se no venham a descobrir os seus embustes4 --,fra1 fra o padre6 --,silencio1 meus amigos--gritou ,julio4 ,a vozeria cessou1 e ento o vidraceiro1 dirigindo-se ao padre ,francisco1 disse-lhe3 --,podia no interromper a nossa reunio por um modo to pouco delicado4 ,no sei porque seja tratado assim aquele que diz a verdade4 --,voc nem diz nem conhece a verdade--exclamou o padre ,francisco4 ,e acrescentou com concentrado odio3 --,voc um miseravel que recebe dinheiro dessas malditas sociedades inglezas para perder a ,hespanha1 para subjugal-a444 --,sr4 padre ,francisco--disse ,julio num tom veemente--,o senhor um caluniador4 ,certamente que a si que eu devo o prgar o ,evangelho2 pois saibam todos que1 por causa desse senhor1 perdi a minha loja e a minha posio4 ,to caritativo1 fez quanto pde para a minha miseria e para a miseria da minha familia4 --,fra1 fra o padre6--gritaram de novo as pessoas presentes4 --,silencio6--tornou a exclamar ,julio--,o sr4 padre ,francisco um dos padres de mais talento da freguezia2 tem estudos1 e diz que estou no erro2 eu1 pelo contrario1 no sou mais do que um pobre artista sem estudos1 e1 mais ainda1 com um futuro bem triste4 ,pois apezar disso1 eu desafio-o a discutir comigo na vossa presena4 --,bem1 bem--exclamaram os circunstantes4 --,senhores--disse o padre ,francisco1 um tanto embaraado1--eu no posso discutir com este homem sem licena dos meus superiores2 portanto no lhe aceito o repto1 antes o desprzo4 --,parece-me--disse ,julio--que isso uma evasiva2 o senhor1 se 1 como diz1 ministro do ,evangelho1 no pode deixar de combater o erro onde quer que se encontre2 a sentinela que v como o inimigo se aproxima da brecha que ela guarda no espera que os seus chefes lhe mandem fazer fogo3 assim o senhor deve colocar-se em frente do erro sem aguardar licena de ninguem4 --,este--exclamou furioso o padre ,francisco--no logar proprio para discutir4 ,a casa propriedade do senhorio1 e no para que voc venha com o seu palavriado escandalizar os visinhos com suas corrompidas doutrinas4 --,fra6 fra o padre6--disse uma voz4 --,fra8--repetiu o padre4--manh vou dar parte ao senhorio de tudo quanto aqui se est passando1 e veremos se se lhes prohibe ou no amontoarem-se nas escadas e no corredor1 interrompendo a passagem4 --,pois senhores--gritou um dos moradores--em minha casa1 de manh em deante1 ha logar para nos reunirmos4 ,se o sr4 ,julio quizer1 podem todos juntarem-se ali sem escrupulo1 e assim deixaremos as escadas livres1 para que o sr4 padre ,francisco possa descer e subir1 sem que a sua sotaina se amarrote4 ,todos os moradores aplaudiram1 emquanto que o padre ,francisco entrou em sua casa aceso em colera4 ,julio concluiu o sermo1 e1 depois de ficar convencido de que na noite proxima se celebraria culto em casa do visinho1 que a tinha oferecido1 cada qual foi para sua casa1 e meia hora depois o socego e silencio reinavam em todas as habitaes4 ,julio e sua esposa estavam sentados em casa1 conversando4 --,e que vaes fazer8--disse-lhe a esposa4 --,no sei--respondeu ,julio1--no sei2 todas as portas se fecham2 hontem esperava trabalho1 porm o mestre no ficou com a obra e no me pde admitir4 ,bem sabe ,deus1 querida esposa1 que smente sinto isto por ti e por nosso filho4 ,os recursos esgotaram-se1 e no vejo de pronto como poderemos obter remedio4 ,eu sei que ,deus providenciar1 sim1 indubitavelmente tem que o fazer4 ,fui vender a ferramenta1 porm querem valer-se da ocasio1 e por aquilo que me custou duas libras smente me do uma4 --,julio1 j te disse que no vendas a ferramenta2 se manh nos estabelecermos de novo1 far-te-ha falta4 --,certamente1 e no sei que estranho pressentimento me diz que tornaremos para a loja que deixmos4 --,muito me alegraria com isso--disse ,dres1--porque foi naquela casa que morreram os nossos paes4 ,sabes--acrescentou--que manh tenho de ir ao ,monte dos socorros empenhar alguns objetos4 --,ah6 ,dres6--exclamou ,julio--se tu tivesses f6 ,dize3 crs com todo o corao o que est escrito na palavra de ,deus8 --,sim1 ,julio4 ,o vidraceiro pegou na ,biblia1 que estava em cima da meza1 e disse3 --,dres1 no temos dinheiro para comprar po manh1 e1 se no vaes empenhar alguns objetos1 nem mesmo umas tristes sopas podes dar ao nosso filho1 no verdade8 ,estas palavras arrancaram silenciosas lagrimas dos olhos de ,dres1 que apertou ao peito o filhinho1 que ela beijou sofregamente1 entretanto que a creancinha se sorria1 indiferente aos pezares daquela que a estreitava em seu seio4 --,no chores--continuou ,julio1--o ,senhor mesmo nos ensinou a dizer3 ,d-nos o po nosso de cada dia2 pois bem1 vamos orar1 pedindo-,lhe esse po4 ,julio abriu a ,biblia no ,evangelho de ,s4 ,joo1 cap4 #af1 e leu os versiculos #bc e #be1 dizendo3 --,escuta esta preciosa promessa feita por ,jesus2 ,na verdade1 na verdade1 vos digo3 se vs pedirdes a ,meu ,pae alguma coisa em ,meu nome1 ,ele vol-a ha de dar4 ,vs at agora nada pedistes em ,meu nome2 pedi e recebereis1 para que o vosso gozo seja completo4 ,tudo o que pedirdes em orao1 crendo1 o recebereis4 ,agora1 com to ricas promessas1 e to bom ,intercessor1 prostremo-nos deante de ,deus4 ,,capitulo ,,xvii ,o dinheiro do diabo e o dinheiro de ,deus s onze horas do dia seguinte quela noite de que acabamos de falar1 achavam-se ,julio e ,dres em sua casa1 dialogando assim3 --,com que1 nada encontraste8--dizia ,dres4 --,nada1 ,dres1 nada absolutamente4 --,e vamos ficar assim todo o dia8 ,no temos dinheiro para comer1 e nem ainda acendi lume por no ter que cosinhar4 ,o menino mama muito1 e eu sinto-me cair de fraqueza4 ,que vamos fazer8 ,julio permaneceu em silencio por alguns momentos1 e em seu rosto via-se retratada a luta que atormentava a sua alma4 ,nunca a tentao o havia perseguido com mais fora4 ,via sofrer sua esposa1 e tudo o levava a perder a sua confiana em ,deus4 ,por fim1 depois dum breve espao de tempo1 abanou a cabea1 como se quizesse afastar dela alguma ida que mais o atormentava1 e disse em resposta a sua esposa3 --,o que faremos8 ,esperar4 ,esperar que ,deus responda nossa orao4 ,neste momento o padre e outro sacerdote apareceram porta4 --,bons dias1 senhores--disseram eles ao verem o vidraceiro e sua mulher4 --,bons dias--responderam eles1 e ,julio acrescentou3--,que pretendem8 --,vimos--respondeu o padre ,francisco--falar comsigo4 --,nesse caso entrem4 ,ambos entraram1 e1 emquanto ,julio fechava a porta1 ,dres ofereceu uma cadeira a cada um deles4 ,o padre ,francisco tomou a palavra1 e disse a ,julio3 --,julio1 certamente estranhar a minha vinda a sua casa1 no verdade8 --,e a que devo eu a honra da sua visita8 --,vimos ver se afinal nos harmonizamos4 --,no entendo4 --,pois olhe1 a loja que ocupava est ainda por alugar2 quer tornar a ocupal-a8 --,no1 senhor1 porque para isso parece-me que seria preciso fazer alguma coisa que nem sequer desejo que se me proponha4 ,o amigo do padre ,francisco tomou a palavra e disse3 --,apezar de no ter a honra de o conhecer1 fui convidado por este amigo para lhe falar4 ,o padre calou-se1 e depois duma breve pausa continuou3 --,eu sou o confessor da sr4 condessa de ,x444 e tenho bastante influencia sobre ela4 ,o amigo trabalhava naquela casa1 e por suas exquisitas idas perdeu o trabalho4 ,porm1 a coisa mais simples eu falar com a condessa e imediatamente poder de novo ser readmitido ao trabalho no palacio4 ,j falei com o sr4 padre ,francisco sobre aquilo que poderemos fazer por si1 e se abandona o mau caminho que trilha pode ainda ser feliz4 ,illustration3 444uma carta e uma letra de dezoito libras ,pag4 #adf4 --,senhor padre--respondeu ,julio1--agradeo o interesse que a minha situao lhe desperta1 porm inutil que fale por mim condessa4 ,hoje um dia em que ainda no almomos2 porm1 antes morrer de fome do que negar o meu ,salvador4 --,vamos1 est resolvido a continuar a prgar aqui na casa8 --,mais do que nunca1 respondeu ,julio4 --,bonita prgao ha de fazer1 se ainda no comeu4 --,o ,senhor me alimentar com a ,sua palavra1 pois que est escrito3 ,no smente o homem viver do po1 mas de toda a palavra que sae da boca de ,deus4 --,muito bem2 pois agora mesmo lhe daremos duas libras se no prgar4 --,no prgar8 ,ora sempre os senhores teem coisas6 ,o seu dinheiro perea com os senhores1 que julgam amordaar com ele a palavra nos meus labios4 ,o ,senhor d-me alguma coisa que vale mais do que algumas libras4 ,cristo deu-me uma coisa1 a minha salvao1 a qual1 apezar de os senhores julgarem vendel-a a tanto por missa1 no comprada com todo o dinheiro do mundo4 ,no prgar6 --,porm--disse o confessor dos condes de ,x444--se o no faz por si1 faa-o ao menos por sua esposa e filho4 ,vocemec senhor da sua vontade para se deixar morrer fome1 porm no deve obrigar os outros a que o faam4 --,julio--disse o padre ,francisco-- to credulo que julga ver entrar por aquela porta o corvo de ,elias com um po no bico4 --,sr4 padre ,francisco1 eu no estranharia ver entrar um corvo com po2 pois ,aquele que o mandou a ,elias vive ainda e todo poderoso para mandar-me a mim1 no um corvo1 mas sim um anjo1 que me conforte4 --,v l--disse o padre ,francisco1 levantando-se--apezar de no querer ceder1 e para que veja que no somos to maus como julga1 ahi tem essa libra para que se remedeie2 entretanto pense bem na sua situao4 ,o padre ,francisco dirigiu-se a ,dres para dar-lhe a libra1 mas1 antes de lha deixar cair no regao1 ,julio suspendeu o brao do padre1 dizendo-lhe3 --,agradeo-lhe do corao a esmola1 porm guarde o seu dinheiro1 pois que ns para nada o queremos4 ,o padre ,francisco1 sem poder responder uma palavra1 e metendo o dinheiro no bolso1 saiu furioso do quarto1 seguido do outro sacerdote4 ,quando os dois esposos ficaram ss1 ,julio exclamou3 --,at quando1 ,senhor1 ,te esquecers de mim8 para sempre8 ,at quando afastars de mim a ,tua face8 ,o nosso ,deus refugio1 e esforo1 favorecedor nas tribulaes 7,sal1 #ab3a2 #de3a74 --,dres1 o ,senhor pe prova a nossa f2 e sabe que o ,senhor prova at ao ultimo momento4 ,tem f1 que ,deus providenciar4 ,passados uns momentos1 durante os quaes ,julio esteve exortando sua esposa1 bateram de novo porta4 ,julio foi abril-a1 e um carteiro apareceu com uma carta para o vidraceiro4 ,julio fechou a porta1 e1 dirigindo-se a sua esposa1 disse-lhe3 --,ser esta carta a resposta nossa orao de hontem noite8 ,antes que ,dres respondesse1 rasgou o envelope1 e tirou de dentro dele uma carta e uma letra de dezoito libras4 ,julio leu em voz alta3 ,povoao de 999999 ,querido visinho ,desejo do corao que ao receber esta passe sem novidade em companhia de sua mulher e seu filhinho4 ,eu gzo saude e alegria1 graas a ,deus4 ,porm1 como teve coragem para sofrer tanto sem4448 ,vamos1 digo-lhe que eu no tenho paciencia1 e que o padre ,francisco no faria o que fez se eu ahi estivesse4 ,pensando bem1 eu devia zangar-me comsigo1 porque estar em necessidade e no me pedir nada coisa que no compreendo1 e que no de amigo4 ,porque no me escreveu8 ,emfim1 agora nada se remedeia do que deixo dito1 visto o mal j estar feito4 ,remeto-lhe essa letra para que torne para a sua loja1 e continue no seu negocio4 ,no se aflija com a ida de que tem de me pagar essa quantia2 somos amigos e irmos em ,jesus2 assim que1 emquanto no tiver dinheiro de sobra1 no mo pagar4 ,falei com o administrador das obras onde estou trabalhando1 e pode vir esta assinar a escritura1 cujas condies lhe remeto1 para tomar a empreitada da obra de pintura2 um bom negocio444 ,daqui em deante a carta falava de coisas relativas ao negocio de ambos1 e por fim dizia3 ,no o incomodo mais1 seno para dizer-lhe que aqui no trabalhamos aos domingos1 e que o trabalhador que solta ms palavras eu o despeo4 ,e minha mulher e minha filha continuam de saude8 ,faa-me muito recomendado a ,dres1 minha ,brigida e minha filha2 tambem me far lembrado aos meus oficiaes1 muitos beijos no seu filhinho1 e o visinho receba o carinho deste que deseja muito vl-o4 ,joo4 ,quando ,julio acabou de ler a carta1 olhou durante alguns momentos para sua esposa1 que parecia estar imersa num sonho1 e por fim exclamou3 --,quando me via atribulado clamei ao ,senhor1 e ,ele me respondeu 7,sal4 #ai3 #a74 ,eis aqui1 ,dres1 a resposta nossa orao de hontem noite4 ,crs que ,deus sempre providenceia8 --,sim1 ,julio1 e peo perdo a ,deus pela minha falta de f4 --,este dinheiro mandado por ,deus1 e devemos aceital-o2 agora demos graas ao ,senhor por ,sua misericordia4 ,ambos os esposos se ajoelharam1 e a voz de ,julio se fez ouvir1 dizendo3 --,louva1 alma minha1 ao ,senhor2 eu louvarei ao ,senhor durante a minha vida2 cantarei salmos ao meu ,deus por quanto tempo eu viver4 ,no queiras confiar nos principes1 nem nos filhos dos homens1 em quem no ha salvao4 ,sair o seu espirito e tornar sua terra2 naquele dia perecero todos os pensamentos deles4 ,ditoso aquele de quem protector o ,deus de ,jacob e cuja esperana no ,senhor seu ,deus1 o qual fez o cu e a terra1 o mar e todas as coisas que neles ha2 o que guarda verdade para sempre1 faz justia aos que sofrem injuria2 d sustento aos famintos4 ,o ,senhor desata os que esto em grilhes2 o ,senhor alumia os cegos2 o ,senhor levanta os oprimidos2 o ,senhor ama os justos2 o ,senhor guarda os peregrinos1 ampara o orfo e a viuva1 e destruir os caminhos dos pecadores4 ,o ,senhor reinar pelos sculos2 o teu ,deus1 oh ,sio1 reinar por todas as geraes4 7,sal41 #ade74 ,senhor1 graas ,te damos por tudo o que tens feito para ns1 em nome de ,jesus4 ,amen4 ,depois duma curta pausa1 ,dres disse3 --,senhor1 aumenta a nossa f e perda os nossos momentos de duvida1 por amor de ,jesus4 ,amen4 ,quando se levantaram de orar1 ,julio correu a dar noticias de ,joo a ,brigida e a ,antonia1 e em seguida foi ao banco receber a letra4 ,uma hora depois ,julio e ,dres almoavam1 e duas horas mais tarde j ,julio tinha falado com o senhorio1 ficando outra vez senhor da loja1 pelo que foi tirado o papel que anunciava que a loja se alugava4 ,o padre ,francisco notou aquilo1 e disse comsigo1 esfregando as mos de alegria3 --,ol6 ,ento j est alugada a loja6 ,agora1 se o vidraceiro quizer estabelecer-se1 ter que ir procurar outra4 ,sinto com isto um grande prazer4 ,oh6 como estou alegre6444 ,,capitulo ,,xviii ,pobre padre ,francisco ,depois dum dia em que a ,providencia de ,deus havia to misericordiosamente tirado a ,julio dos apuros em que se achava1 este1 com o corao inundado de gozo1 preparou-se para prgar na casa que o visinho1 por um impulso espontaneo1 lhe havia cedido para l falar de ,deus4 ,o padre ,francisco no podia levar a bem estas coisas4 ,sagaz e manhoso1 media a grandes passos o soalho do seu gabinete1 vestido de habitos talares1 com um barrete de veludo preto na cabea1 e o cigarro na boca2 passeava ali1 meditando no modo de exterminar ,julio e com ele a m semente1 quando umas ligeiras pancadas soaram na porta4 --,entre--disse o padre ,francisco4 ,a creada foi dizer-lhe que a sr4 ,joana desejava vl-o4 --,que entre--disse o padre4 ,momentos depois entrou uma mulher1 que saudou o padre1 beijando-lhe a mo1 e dizendo-lhe3 --,disseram-me que vossa senhoria deseja falar-me1 e por isso venho aqui para saber o que deseja4 --,os meus agradecimentos4 ,diga-me3 hontem noite foi ouvir o vidraceiro8 --,sim1 senhor2 agora j no fala no corredor1 mas sim em casa do sr4 ,hipolito4 noite foi l muita gente2 e olhe que disse coisas muito boas2 falou de ,deus1 das tentaes de ,jesus1 quando o diabo ,lhe disse que convertesse as pedras em pes1 e quando o ,senhor lhe disse que a ,deus smente se deve adorar444 ,a este respeito disse que era um grande pecado a gente pr-se de joelhos deante dos santos444 finalmente1 falou muito bem444 --,basta1 basta--exclamou o padre ,francisco4--,senhora ,joana1 aquilo que ,julio disse no foi mais do que uma serie no interrompida de erros1 condenados pela egreja1 pelo papa1 pelos concilios e por todos aqueles que teem sido reconhecidos por santos4 ,aposto que no falou bem dos padres8 --,nem bem1 nem mal4 --,aposto que no falou bem da egreja romana8 --,no disse nem uma palavra4 --,no importa1 esse silencio um pecado4 ,disse alguma coisa de ,maria santissima8 --,no1 senhor4 --,j se v2 pois se os protestantes no crem nela6444 ,todos esses propagadores de nova especie no so seno pessoas que teem por oficio enganar os outros1 a troco duma certa quantia que recebem para isso4 --,e com que interesse8444 --,oh6--interrompeu o padre ,francisco--,vocemec no pode compreender o interesse que teem1 nem o fim que teem em vista4 ,se no fossem os sacerdotes1 j teria desaparecido a religio dos nossos paes6 ,para socego da sua alma1 eu peo-lhe que no v ouvir essas ms doutrinas4 --,muito bem1 senhor padre ,francisco--respondeu a mulher1 farei tudo o que mande4 --,porm mister1 em troca1 ajudar a egreja4 --,sim1 senhor1 sim1 eu a ajudarei4 --,bem2 pois pode fazer com que nessa casa no se prguem mais heresias1 e eu a recompensarei4 --,como8 --,a habitao onde mora fica pelo lado de cima do quarto onde prga esse doido4 ,agora o que podemos fazer arranjarmos gente para fazer muito barulho1 correr dum lado para o outro1 assobiar1 arrastar as cadeiras1 etc4 etc4 ,deste modo1 como o ruido os distrair1 no podero entender-se1 e acabar por no ir ninguem reunio4 ,eu darei duas pesetas por cada noite em que haja reunio4 --,ser servido1 senhor padre ,francisco1 no pelo interesse do dinheiro1 mas sim para agradar a ,deus1 e esta mesma noite comearemos a tarefa2 asseguro-lhe que esta noite no se entendero4 ,porm o meu quarto muito pequeno1 e no alcana seno uma parte da sala onde eles se reunem3 seria bom dizer quele que vive no quarto do lado para que faa o mesmo4 --,bem2 arranje tudo e faa o que bem lhe parea1 comtanto que consigamos o fim desejado3 interromper as reunies4 --,bem2 assim se far4 ,o padre ,francisco deu tres pesetas mulher1 que hipocritamente no queria recebel-as2 porm por fim aceitou-as e saiu4 ,poucos momentos depois de ficar s1 o padre ,francisco tornou a encetar o monologo interrompido pela chegada da sr4 ,joana4 --,deste modo--dizia comsigo--no podero durar muito as reunies1 porm o caso que todos falam bem do que dizem essas pessoas4 ,no1 pouco tempo lhes durar o passatempo2 agora j outra coisa3 se o meio de fazer barulho no surtir efeito1 vou ter com o senhorio1 ofereo-lhe cinco pesetas mais do que ,julio lhe d1 e com certeza que o despede4 ,de repente olhou para o relogio de parede e exclamou3 --,com a brca6 ,dez horas menos vinte1 e s dez tenho de dizer missa6444 ,vamos6 ,em seguida poz a capa1 e1 depois de recitar algumas oraes em latim deante dum crucifixo de marfim1 saiu4 --,tero j aberto a loja que pertenceu a ,julio8--pensava ele ao descer a escada2--sendo assim1 entro e direi ao novo inquilino que deite bastante agua benta em todos os cantos para afugentar o diabo4 ,nisto chegou rua1 e efectivamente a loja do vidraceiro estava aberta1 se bem que nas estantes no houvesse nada e os vidros estivessem sujos4 ,evidentemente o novo inquilino estava-se mudando4 ,o padre ,francisco foi pr por obra o seu pensamento2 chegou porta da vidraa1 levantou o fecho1 abriu1 e um grito saiu de sua boca4 ,no meio da loja estava um homem dando ordens para a colocao dos objetos1 e esse homem era444 era444 ,julio4 ,a surpreza no permitiu que o padre ,francisco dissesse uma palavra4 ,voltou a fechar a porta1 e1 palido e convulso1 entrou outra vez no portal para perguntar ao porteiro como que ,julio estava na loja1 donde dias antes havia sido despedido4 --,porque voltou de novo a alugal-a--respondeu o porteiro4 ,tal abalo produziu esta noticia no sacerdote que1 cambaleando1 como se estivesse brio1 subiu com custo os degraus da escada1 recolheu-se em casa1 e naquele dia no disse missa4 ,,capitulo ,,xix ,evangelicos e romanos ,ao aceitar o dinheiro que to generosamente lhe mandou o seu visinho ,joo1 ,julio aceitou tambem as condies das obras que ele lhe ofereceu para tomar de empreitada4 ,por este motivo foi forado a sair de ,madrid1 mas1 como no queria que se suspendessem as reunies1 encarregou delas um joven evangelista1 o qual continuou prgando durante o tempo em que ,julio esteve ausente4 ,o joven a quem ,julio deu o encargo de continuar a obra por ele principiada fl-o apezar de quantos obstaculos lhe pozeram para o dissuadir disso o padre ,francisco e os seus4 ,entretanto1 os costumes duma grande parte dos visinhos iam-se reformando notavelmente1 graas poderosa influencia do ,evangelho4 --,bons dias1 senhora ,dres--diziam esposa do nosso amigo4 --,bons dias--respondeu ela--2 ento como vamos8 --,muito bem4 ,diga3 haver esta noite culto8 --,sim1 senhora2 esta noite1 como todas as outras4 --,alegro-me muito com isso1 porque no quero que meu marido perca um4 ,no sabe que desde que ouviu o ,evangelho est mudado8 ,no sabe que j no domingo no foi jogar bola8444 ,nem se embebedou4 ,saiu pela manh1 s dez e meia2 e eu desde logo voltei-me para ,deus para pedir-,lhe3 ,senhor1 permiti que o meu ,jos no se embebede hoje4 meia hora depois do meio-dia disse-me3 ,francisca1 prepara-te e prepara o pequeno1 que vamos dar um passeio4 ,acredite-me1 ,dres1 que julguei que estivesse sonhando4 ,quando fui para a alcova para vestir-me1 pulava de alegria4--,imagine1 ha doze anos que estamos casados e ha onze que no sahia com ele4 ,vesti-me1 arranjei o pequeno1 e quando chegmos porta da rua1 sabendo o seu costume de1 logo que sahia1 se dirigir para o jogo da bola1 encaminhei-me para esse lado1 mas ele disse-me3 ,vamos por este lado1 pois que odeio o sitio onde se joga a bola3 quantas bofetadas te dei por ir ali64 ,interroguei-o cerca do caso1 e disse-me que desde uma noite em que o seu marido leu e falou sobre um texto que diz1 ,no vos enganeis1 porque nem os que se do a bebedices entraro no reino de ,deus1 essas palavras gravaram-se-lhe de tal modo no corao1 produzindo-lhe tal impresso1 que desde ento at agora no tornou a embebedar-se4 --,muito me alegro pelo que me diz cerca da mudana de seu marido--disse ,dres--2 pelo que deve dar graas a ,deus1 no a meu marido2 pois s ,deus o que pode mudar os coraes1 e ,ele quem mudou o corao de seu marido4 --,diga-me1 senhora ,dres3 sendo to bom aquilo que o seu marido diz1 porque que os padres lhe fazem tanta guerra8 --,pois a razo clara3 emquanto eles1 por exemplo1 dizem que ha um purgatorio1 meu marido e todos os que crem na ,biblia1 que a ,palavra de ,deus1 negam a existencia de tal logar2 porque na ,palavra nada se diz a tal respeito4 ,emquanto os padres1 dizendo que so os sucessores dos apostolos1 asseguram que praticam o que aqueles praticaram1 ns1 os cristos evangelicos1 lhes perguntamos com a ,biblia na mo em que logar disse missa algum dos apostolos1 ou lhes pedimos que nos mostrem as indulgencias concedidas por ,s4 ,pedro ou ,s4 ,paulo4 --,tem toda a razo4 ,at depois4 ,entretanto1 os visinhos partidarios do catolicismo1 ou1 antes1 aqueles que1 sendo indiferentes a toda a denominao religiosa1 eram cegas maquinas do padre ,francisco1 faziam os maiores esforos1 j que no podiam impedir as reunies1 ao menos para estorvar a tranquilidade que deve reinar nelas4 ,para que os nossos leitores possam formar uma ida do que costumam fazer os inimigos do ,evangelho1 referiremos o que se passou um domingo noite em casa do sr4 ,hipolito1 emquanto se celebrava o culto4 ,como dissemos1 era domingo4 s oito horas da noite1 a habitao do sr4 ,hipolito estava cheia de gente4 ,num dos extremos da sala ha uma mesa1 e por detraz dela est um joven de vinte a vinte e cinco anos de edade1 vestido modestamente3 fala sobre o que est escrito no ,evangelho de ,s4 ,mateus1 cap4 #g3af4 ,pelos seus frutos os conhecereis4 ,emquanto ele se esforava por demonstrar aos seus ouvintes como cada um mesmo podia conhecer-se e dar a conhecer aos outros se era cristo1 o teto da sala parecia vir abaixo4 ,pancadas no soalho1 gargalhadas1 cantigas em altas vozes1 ruido de objetos que rodavam em direces opostas1 um barulho similhante ao duma habitao de loucos1 e no dum aposento onde vivessem creaturas racionaes4 ,alm do incomodo que isto causava1 distraindo aqueles que escutavam1 no pode dizer-se o mal que isto causava ao prgador1 distraindo-o tambem e obrigando-o a levantar a voz e a no descanar um momento afim de manter a ateno do auditorio4 --,sim--dizia ele1--pelos frutos bons ou maus de cada um1 isto 1 por meio das nossas obras na vida diaria1 que conhecemos e damos a conhecer se somos cristos444 ,neste momento uns fragmentos de gesso cairam do teto1 emquanto que se sentia um ruido infernal4 ,alguns dos que estavam escutando sairam e dirigiram-se habitao do visinho de cima para pedir-lhes que fizessem menos barulho4 ,penetremos ns ali para ver em que se ocupam aqueles servos de ,roma4 ,em uma pequena habitao acham-se umas vinte pessoas de ambos os sexos1 que ao som duma guitarra desafinada saltam1 pateiam1 correm1 vo e veem4 ,sobre uma mesa suja e imunda est um grande jarro com vinho4 ,a desordem que reinava era medonha4 ,ao principiar a festa1 a dona da casa havia-lhes dito que o objeto da reunio era impedir1 por meio do barulho1 os cultos protestantes que se celebravam no quarto que ficava pelo lado de baixo4 ,para melhor os animar1 disse-lhes um sem numero de desatinos que devemos calar1 e por fim declarou-lhes que o padre ,francisco lhes pagava aquele jarro de vinho1 po e queijo1 para passarem agradavelmente aqueles momentos4 ,quando souberam que o fim com que ali se reuniam era para dar escandalo1 fizeram-no com a maior alegria4 ,cantavam as mais grosseiras canes1 misturadas com freneticos morras dados aos protestantes2 e no de estranhar que fizessem tudo aquilo em nome da religio1 visto que era um sacerdote quem pagava a despeza1 e tudo era feito por inspirao sua4 ,as pessoas que se dirigiam a este foco de infamia chegaram por fim4 ,ao aparecerem1 cessou o barulho1 e um deles1 que vivia na casa1 disse senhora ,joana3 --,vimos pedir-lhes que faam menos barulho1 pois aquilo que esto fazendo indicio de m creao1 que no podemos tolerar4 --,ns--replicou a senhora ,joana--estamos em nossa casa1 onde ninguem manda1 e onde podemos fazer o que muito bem nos der na vontade4 --,sim1 menos incomodar os visinhos2 esta uma casa em que vivem muitos moradores1 e portanto no ha que atender comodidade particular1 mas sim geral4 --,sabe o que lhe digo8--respondeu1 desagravando-se1 a senhora ,joana--pois se ns os incomodamos com o barulho do baile1 bailem vocs tambem3 e incomodar-nos-hemos dessa maneira mutuamente e444 ,alm disso1 se vocs no estivessem fazendo bruxarias1 no teriam dado logar a isto4 ,sobretudo1 estou em minha casa444 e o que disse est dito4 --,ol6--acrescentou1 dirigindo-se aos seus amigos1--toca a bailar4 ,viva a religio6 ,morram os protestantes6 ,era quasi certo que romanos e protestantes viriam s mos1 se no se apresentasse a autoridade do logar1 acompanhado do dono da casa em que se celebrava o culto evangelico4 ,a dita autoridade foi presenciar a reunio evangelica1 e foi testemunha ocular de tudo o que se passou2 pelo que1 chegando porta do quarto1 no momento mesmo em que ,joana pronunciava as palavras que j conhecemos1 disse3 --,boas noites1 senhores4 ,aquelas boas noites fizeram com que o socego se restabelecesse4 --,parece-me que demasiado o barulho que vocs fazem1 e venho dizer-lhes que isso incomoda os visinhos4 ,um dos homens1 que estava tocando a guitarra1 levantou-se e1 dirigindo-se ao recemchegado1 sem saber quem era1 disse-lhe3 --,quem voc para falar assim8 ,creia que j me aborrece tanto palavriado1 e1 se me chega a mostarda ao nariz1 nem voc nem nenhum dos protestantes que esto l em baixo fica com um cabelo na cabea4 --,parece-me que o vinho faz com que fale desse modo1 alis444 --,se no se cala--interrompeu o homem1--arremesso-lhe daqui mesmo onde estou com444 ,j lhe disse1 quem voc8 porventura algum protestante8 --,sou quem agora mesmo o leva para a casa de deteno2 sou o regedor da freguezia4 ,e ao ouvir isto todos ficaram como estatuas4 --,senhor regedor--disse1 passados alguns momentos1 a dona da casa1 com uma entoao to servil agora como antes tinha sido insultante--senhor regedor2 eu lhe confessarei por que razo estamos fazendo o que v1 se nenhum mal nos fizer4 --,o escandalo sempre escandalo1 e o meu dever castigal-o2 porm queira dizer4 --,o padre ,francisco1 que vive no andar superior1 d-nos algumas pesetas para fazermos barulho e interrompermos as reunies protestantes que se celebram l em baixo1 e ns sem saber444 pois444 o faziamos4 --,bom2 vamos ter com o padre2 porm venha a senhora comigo4 ,todos desceram1 e1 ao passarem pela porta1 aberta de par em par1 da casa do sr4 ,hipolito1 ouviam a voz do prgador1 que1 terminando o culto1 orava1 dizendo naquele proprio instante3 --,senhor1 perda aos nossos visinhos l de cima1 que em sua cegueira profanam o ,teu santo dia1 dando escandalo4 ,senhor1 eles crem que desse modo abafaro a ,tua palavra2 j vs o seu erro4 ,entretanto faze que ns demos frutos que manifestem a diferena que ha entre os que ,te conhecem e os que ,te no conhecem4 ,,capitulo ,,xx ,o ,cristo das ,completas e um lignum crucis ,como acabamos de ver1 o regedor1 acompanhado da senhora ,joana1 entrou na casa do padre ,francisco4 ,no nos dizem os nossos apontamentos o que se passou entre eles1 porm o que sabemos que as reunies evangelicas continuaram com toda a regularidade4 ,o mesmo padre ,francisco parecia ter perdido o seu antigo ardor1 e agora nada fazia contra aqueles a que ele chamava seus inimigos1 se bem que no cessasse de pensar e tornar a pensar comsigo sobre o caso4 ,depois de pensamentos desencontrados1 acabou por desejar ter uma conferencia com o joven que dirigia os cultos4 ,esta soluo pareceu-lhe a melhor de todas4 --,sim--disse ele comsigo1--esse joven muito creana ainda1 e com habilidade poderei informar-me por ele do que realmente ha nessas sociedades4 ,ao mesmo tempo poderei convencel-o dos seus erros1 e no me ser impossivel conseguir dele que uma noite1 em vez de celebrar o culto1 como eles dizem1 faa uma retractao das suas doutrinas2 nesse caso eu triunfava1 e acabava com essa maldita obra1 e depois444 ,o padre esfregou as mos de contente1 e depois tratou de indagar onde e como poderia dirigir-se ao joven evangelista4 ,cheio de alegria1 pegou na pena e escreveu a seguinte carta3 ,madrid444 ,embaixadores n4444 ,sr4 ,mateus ,n4 ,se bem que no tenha a honra de o conhecer1 seno por tel-o visto algumas vezes1 peo-lhe me conceda o especialissimo favor de aceitar um talher minha meza1 s tres horas da tarde do dia de manh1 ou do dia que designe4 ,espero que no ver nisto qualquer traio3 estou disposto a dar-lhe quantas provas de segurana julgue convenientes1 pois tenho smente por objectivo falar-lhe sobre religio4 ,seu afectuosissimo ,francisco ,maria dos ,anjos4 ,ao anoitecer daquele mesmo dia1 o padre ,francisco recebeu uma carta nos seguintes termos3 ,madrid444 ,sr4 ,p4 ,francisco ,maria dos ,anjos ,aceito a honra que me concede1 e manh s tres horas da tarde estou sua disposio4 ,nada receio1 porque ,deus ir na minha companhia2 smente peo a ,v4 que1 se vamos tratar de assuntos da religio1 seja com a ,biblia na mo4 ,seu afectuosissimo servo1 que deseja ser seu irmo em ,jesus1 ,mateus ,n4 ,no dia seguinte1 poucos minutos antes das tres1 o joven evangelista batia porta do padre ,francisco1 que veiu logo receber o seu hospede1 estendendo-lhe a mo com a expresso mais afectuosa1 e dizendo-lhe3 --,seja bemvindo1 senhor ,mateus2 entre1 entre na minha habitao1 onde descanar e jantar comigo4 ,entraram juntos na sala1 e1 passados alguns momentos de silencio1 disse o padre ,francisco3 --,queira desculpar que1 sem o conhecer1 lhe oferecesse um talher minha meza4 -- para mim subida honra--respondeu o joven--o receber uma tal prova da sua bondade para comigo4 ,seguiram-se alguns momentos de silencio1 durante os quaes o joven no desviava os olhos dum precioso armario de pau preto1 que o padre tinha em frente da meza de jantar4 --,bonito movel6--exclamou ,mateus4 --,realmente--exclamou o padre ,francisco-- uma bonita pea1 porm o que mais bonito e tem mais valor o que est dentro4 ,o padre ,francisco levantou-se1 dirigindo-se ao armario1 e poz o dedo num boto amarelo1 o que deu logar a que as portas se abrissem1 deixando ver uma especie de capela com o seu altar1 imagens e uma lampada de prata1 cuja luz ardia continuamente4 ,ao abrir-se o armario1 o padre ,francisco tirou o solideo1 fez uma reverencia ao altar e1 voltando-se para ,mateus1 disse-lhe3 --,venha ver1 que ha aqui coisas esplendidas4 ,o joven aproximou-se do altar1 sem se inclinar nem fazer o menor sinal de reverencia4 --,veja--prosseguiu o padre ,francisco--o meu pequeno tesouro4 ,essa ,virgem do ,pilar1 que de prata1 tem um merito artistico extraordinario4 ,aquele crucifixo de marfim tambem muito bom1 e custou-me1 quando estive em ,roma1 trinta e cinco libras4 ,v aquele ,s4 ,pedro8 ,foi presente da minha madrinha de baptismo1 que mo deu quando cantei missa1 e ento meu padrinho1 para que eu tivesse o par completo1 mandou-me fazer aquele ,s4 ,paulo4 ,so ambos de oiro4 ,meu tio mandou-me do ,brazil1 quando era mordomo do arcebispo daquele paiz1 esta reliquia3 um pedacinho dum dos degraus da casa de ,ans4 ,porm ainda no lhe mostrei o melhor1 que aquele ,cristo4 ,o padre ,francisco apontava para uma tla1 onde estava pintado um ,nazareno com a cruz s costas3 representava-,o de meio corpo e quasi do tamanho natural4 -- o ,cristo das ,completas1 imagem muito milagrosa4 ,saiba que j falou4 --,j falou1 esse pedao de linho6--exclamou ,mateus4 --,sim1 senhor2 queira ouvir a historia4 ,essa imagem achava-se exposta venerao dos fieis num convento2 nesse convento havia uma freira to enamorada dela que cada vez que se ajoelhava para adorar passava ali horas esquecidas4 ,sucedia com isto que1 ainda que o sino tocasse para as rezas1 aquela esposa do ,senhor no o ouvia e faltava sempre a elas4 ,uma tarde achava-se a freira em adorao imagem e tocou o sino para as ,completas1 porm ela no ouviu o toque1 e ento a divina imagem1 abrindo os seus divinos labios1 avisou a sua amiga1 dizendo-lhe3 ,olha que tocam para ,completas4 --,pois sr4 padre ,francisco1 no posso acreditar no que diz4 ,falar um pedao de pano pintado6 --,como8 ,acaso no falou a burra de ,balao8 --,sim1 senhor1 porm aquele caso foi muito diferente1 pois444 --,falaremos nisso depois do jantar4 ,veja outra preciosidade4 ,este ,lignum crucis trouxeram-mo de ,jerusalem4 ,cresceu tanto emquanto o trouxe ao pescoo que tive que o cortar tres vezes durante um ano4 ,o joven1 sem poder conter-se1 soltou uma ruidosa gargalhada1 mas1 reprimindo-se em seguida1 disse ao padre ,francisco3 --,espero que me desculpe este imprudente riso1 que me veiu sem querer aos labios2 e logo que fechar o armario lhe contarei o motivo por que me ri quando me contou a historia do ,cristo das ,completas4 ,o padre fechou o armario e sentou-se numa cadeira em frente do joven1 que disse3 --,ha pouco tempo achava-me eu numa loja de ourives desta capital2 o dono1 que meu amigo1 deu a um aprendiz1 para que o limpasse1 um relicario que ali tinham levado para esse fim4 ,o relicario era nada mais nada menos do que um ,lignum crucis1 e1 ao dal-o o meu amigo ao aprendiz1 disse-lhe que tivesse todo o cuidado2 porm o rapaz1 apenas lhe pegou1 deixou-o cair4 ,oh dr6 pegaram no relicario1 olharam para dentro1 e a reliquia havia desaparecido4 ,em vo a procuram1 mas como uma coisa sumamente pequena no pde ser encontrada4 ,em tal situao que fazer8 ,pois1 senhor1 um oficial da casa cortou um pedacinho da cadeira em que estava sentado e colocou-o no sitio em que devia estar a reliquia4 ,passado pouco tempo1 disse-me o meu amigo que a dona do relicario o procurara para lhe arranjar uns brincos2 ento perguntaram-lhe pelo seu ,lignum crucis1 e toda alvoroada exclamou3 ,cresceu extraordinariamente desde que o mandei compr1 pois que j o cortaram duas vezes4 --,pois bem--continuou ,mateus1--o fenomeno compreende-se3 a tal senhora levou o relicario ao peito1 e1 como a caixinha era de papelo forrado de seda1 penetraram nela facilmente a humidade e o calor1 o que fez com que o pedacinho de madeira aumentasse de volume1 obrigando-o assim a sair do pequenissimo orificio destinado para a reliquia1 pelo que foi necessario cortar duas vezes o tal fingido ,lignum crucis1 que j dava de si material para outros novos4 --,porm isso--exclamou o padre ,francisco--foi uma aco m1 um sacrilegio4 --,eu no quero nem pretendo agora julgar se a aco foi boa ou m2 porm quem disse a ,v4 que a sua reliquia no egual ao pedacinho de madeira de que temos falado8 --,no1 senhor2 este foi trazido da ,terra ,santa4 --,bem1 nesse caso ser um pedacinho de madeira de ,jerusalem1 da ,terra ,santa1 e sempre alguma coisa4 ,note que uma das coisas que deram logar ,reforma foi o abuso das reliquias4 ,por todas as partes encontramos ossos deste ou daquele santo1 e o peor que no raro encontrar o mesmo osso dum santo em quatro pontos distintos1 e1 se no1 diga-o a celebre queixada de ,santa ,apolonia4 --,isso444 --,desengane-se1 senhor padre ,francisco1 ,jesus tudo4 ,o ensino da egreja romana consiste em no prgar4 ,se em vez de fanatizar com reliquias e outras coisas1 se ensinasse ao povo a palavra de ,deus1 e o que disse ,jesus3 ,eu sou o caminho1 a verdade e a vida2 ninguem vem ao ,pae seno por mim1 e estas outras3 ,cr no ,senhor ,jesus ,cristo e sers salvo1 o povo no estaria to cego e no fiaria a sua salvao de reliquias ridiculas e falsas1 e que s servem para nos apartar de ,jesus e conduzir-nos ao inferno4 ,umas pancadas dadas na porta vieram interromper a conversao4 --,entre--disse o padre ,francisco4 ,a creada entrou na sala1 anunciando que a comida estava na meza4 --,vamos1 sr4 ,mateus1 vamos para a meza1 e emquanto comemos teremos ocasio de conversar4 ,e o padre ,francisco1 tomando o joven pelo brao1 encaminhou-se para a sala de jantar4 ,,capitulo ,,xxi ,a conferencia s tres e meia horas da tarde1 o padre ,francisco e o seu hospede estavam sentados meza4 ,quando j tinham comido algumas colheres de sopa1 o padre ,francisco1 numa voz meliflua1 disse ao joven3 --,amigo ,mateus1 desejei vivamente falar comsigo1 movido da melhor boa vontade1 e peo-lhe que ponha de parte as nossas diferenas religiosas1 para que conversemos como se fossemos alheios s questes que vamos tratar4 ,o joven manifestou com a cabea um sinal de assentimento1 e o padre ,francisco1 continuando o seu discurso1 disse3 --,sempre me chamou a ateno a propaganda to tenaz que os protestantes fazem em ,hespanha1 sem embargo de que pouco podem adeantar4 ,vocs espalham livros1 pagam a missionarios1 pagam o aluguer das casas onde prgam1 as quaes1 apezar de estarem sempre vasias1 custam bom dinheiro444 ,quem paga para tudo isto e qual o fim que teem em vista8 --,eu1 por minha vez1 devia perguntar-lhe3 ,quem enche as chamadas arcas de ,s4 ,pedro8 ,donde saem essas somas que vo engrossar os tesouros do pontifice italiano8 --,os bons catolicos que444 --,desculpe-me1 senhor padre ,francisco1 j sei qual a resposta2 essas somas saem1 em sua grande maioria1 da nobreza1 que1 em logar de socorrer as necessidades do seu proprio paiz1 manda dinheiro para uma coisa de que no quero ocupar-me4 ,pois bem3 existem fra daqui homens que crem em ,cristo2 estes homens sabem que smente nesse nome que podemos ser salvos2 compreendem que uma parte do que o ,senhor lhes d devem empregal-a no servio do mesmo ,deus1 e em vez de darem a um homem para que o empregue sua vontade1 sustentando soldados e outras coisas1 enviam aos paizes onde o ,evangelho ignorado missionarios que prguem o nome de ,jesus1 custeiam a despeza dos livros que falem d',ele1 e sobretudo dedicam somas enormes impresso da ,biblia na lingua de cada povo4 --,o maior de todos os males6--exclamou o padre ,francisco4--,isso o peor de tudo4 --,como8--disse o joven1 surpreendido4--,diz que a vulgarisao da ,palavra de ,deus entre o povo a coisa peor da propaganda evangelica86444 --,sim1 senhor--afirmou o padre ,francisco1 acrescentando3--,supondo mesmo que a traduo est feita com a melhor boa f1 quem se lembra de pr nas mos dum povo ignorante um livro to profundo como a ,biblia8 ,eu mesmo no me atrevo a estudar a ,biblia1 nunca a leio1 com medo de extraviar-me4 ,a ,santa ,biblia foi smente escrita para homens doutos e instruidos1 e no se deve mostrar ao povo1 e muito menos deixal-a em suas mos1 pois que isso serviria to smente para o perder4 --,no tem razo no que diz--disse ,mateus1--e no que afirma vae de encontro ao que est escrito1 pois recordo-me perfeitamente de que o ,salmista diz3 ,tocha resplandecente para os meus ps a tua palavra1 e luz para o meu caminho444 7,sal4 #aah3 #aje74 --,pode dizer o que quizer1 porm no ha provas suficientes que autorizem o povo a que leia a ,biblia4 --,como assim1 se a palavra de ,deus est cheia dessas autorizaes8 ,a ,biblia era lida publicamente na sinagoga4 ,moiss recebeu ordem do ,senhor para a ensinar s pessoas adultas1 s creanas1 e at mesmo aos estrangeiros que habitavam entre o povo de ,israel4 --,porm observe1 ,mateus1 que ento era outra coisa1 pois ainda no tinha vindo ,jesus ,cristo1 e era preciso recorrer profecia2 mas hoje1 que ,cristo j veiu1 de modo nenhum devemos recorrer ao ,antigo ,testamento1 para nos inspirarmos nas antigas praticas4 --,se bem que no me conformo com essa opinio--replicou o joven1--no emtanto recorramos1 pelo menos1 ao ,evangelho1 e444 --,isso mesmo fazemos ns--disse o padre ,francisco1--pois que todos os dias na egreja se l o ,evangelho e alguns trechos das ,epistolas4 --,sim8 ,e diga-me em que lingua so lidos o ,evangelho e esses trechos das ,epistolas4 --,em latim1 por ser o idioma universal da egreja4 --,como diz que o latim a lingua universal da egreja1 quando a egreja composta de italianos1 hespanhoes1 portuguezes1 francezes1 inglezes1 e de outras naes1 e cada qual fala a sua lingua particular8 ,quem fala hoje em dia latim8 excepo do clero1 creio que ninguem4 ,ento preciso falar a cada um na sua propria lingua4 ,que significa o facto de1 quando os apostolos receberam o ,espirito ,santo1 comearem a falar diversas linguas8 ,significa certamente que deviam contar as maravilhas de ,deus a cada povo1 na sua propria lingua1 para que ele podesse entender4 ,os apostolos falavam diversas linguas1 depois de terem recebido o ,espirito ,santo1 e1 segundo alguns crem1 sem saberem eles mesmos que falavam lingua estranha3 mas seja como fr1 se o ,senhor obrou tal milagre porque convem que o ,evangelho seja prgado ao povo na sua propria lingua1 para que ele o possa entender4 ,assim ,s4 ,paulo diz1 na sua primeira ,epistola aos ,corintios1 cap4 #ad3 #ah e #ai3 ,graas dou ao meu ,deus1 que falo todas as linguas que vs falaes2 mas eu antes quero falar na egreja cinco palavras da minha inteligencia1 para instruir tambem os outros1 do que dez mil palavras em lingua estranha4 ,o padre ,francisco ficou silencioso1 sem saber que responder1 vencido pelos argumentos do joven4 ,porm acrescentou logo3 --,sim1 tudo o que diz parece verdadeiro1 porm eis ahi o que resulta de ler a ,biblia sem os comentarios da egreja4 --,pois eu digo a ,v4 que1 lendo a ,biblia com as notas do padre ,scio1 se encontram os mais solidos argumentos em favor da minha assero4 --,bem--disse o padre ,francisco1--acabemos de comer1 e1 visto que o senhor assim o deseja1 iremos consultar a ,biblia4 --,se lhe parece--disse ,mateus1--discutiremos se as ,sagradas ,escrituras devem ou no ser lidas pelo povo4 --,sim1 discutamos--respondeu o padre1--porm1 antes disso1 permita que lhe apresente os argumentos que tenho a meu favor1 pois que1 se eles o convencerem1 pouparemos palavras inuteis4 ,o primeiro argumento que posso apresentar a tradio--coisa esta muito digna de se ter em conta4 ,porque que nenhum bispo tem permitido at hoje que a ,biblia circule livremente nas mos do povo8444 ,o segundo que1 ao instituir ,cristo a familia sacerdotal1 como pode dizer-se em hipotese1 claro est que foi s para que os sacerdotes1 e smente estes1 sejam depositarios e interpretes da ,biblia444 ,depois444 ,depois444 ,os concilios6444 ,essas assembleias de homens doutissimos6 ,poos de sabedoria humana e divina6444 ,os papas6444 ,essa cadeia no interrompida de homens cheios do ,espirito ,santo1 que vem comunicando-se duns para os outros desde o primeiro que teve o primado6 ,todos estes so concordes em que a ,biblia deve ser prohibida para aqueles que1 alterando a sua significao ou dando-lhe uma interpretao forada1 podem extraviar as almas1 precipitando-as no inferno4 ,mateus1 seja franco2 o senhor mesmo no experimentou duvidas cerca do dogma cristo ocasionadas pela leitura da ,biblia sem notas8 ,responda-me1 porm faa-o com franqueza1 dizendo o que realmente sente4 --,vou responder-lhe com a franqueza que deseja4 ,principio pela sua ultima pergunta4 ,no1 senhor2 jmais experimentei duvidas cerca do dogma cristo quando principiei a ler a ,biblia2 o que1 sim1 senti desde logo que possui o sagrado livro foi uma sensao de temor e respeito1 que no posso explicar4 ,ao ler as manifestaes do amor de ,deus1 fiquei assombrado2 depois1 com as ,epistolas1 aprendi uma poro no pequena de doutrina1 e por ultimo o livro dos ,atos dos ,apostolos me ensinou a evangelizar4 ,eis aqui do que me serviu a ,biblia4 ,hoje em dia1 que me acho familiarizado com a sua leitura1 esquadrinho o ,antigo ,testamento1 estudo as profecias1 a minha alma canta lendo os ,salmos1 sofre com ,job e goza com ,jos1 aprendendo quaes so os juizos de ,deus1 que ,se serve de tantos meios para fazer bem ao homem4 ,sim1 padre ,francisco1 a leitura da ,biblia enche o espirito de santas emoes1 demonstra a enormidade do pecado1 tornando-o odioso nossa alma1 e nos faz ver antecipadamente os inefaveis gozos que a misericordia dum ,deus de amor nos prepara nos logares que hoje nos so desconhecidos4 ,depois dalguns momentos de silencio1 durante os quaes o padre ,francisco se mostrou muito pensativo1 o joven evangelista prosseguiu3 --,agora passemos a outra coisa1 da qual falarei pouco1 pois que quero falar com a ,biblia4 ,diz ,v4 que nunca na antiguidade houve quem lesse a ,biblia1 querendo1 sem duvida1 dar a entender que at ao seculo ,,xvi no houve quem se ocupasse na traduo do sagrado texto em lingua vulgar4 ,contra esta assero fala o bispo ,ulfilas1 que viveu no seculo ,,iv1 o qual1 quando os godos invadiram a ,hespanha1 havia j traduzido para o gotico as ,sagradas ,escrituras2 levanta-se ,recesvinto1 que viveu no ano de #fej-fgb1 rei dos godos1 que entre as suas virtudes contava um desejo insaciavel de conhecer os misterios das ,escrituras1 no que respeitava sua salvao2 levanta-se um ,joo1 bispo de ,sevilha1 que no seculo ,,iii traduziu a ,biblia para o arabe1 afim de que os arabes que tinham invadido a ,hespanha podessem ll-a e instruir-se nas verdades crists2 ,d4 ,jaime ,i1 que reinou nos anos de #abac a #abgf1 e que to pouco est conforme com ,v41 padre do seculo ,,xix1 pois1 emquanto que ,v4 cr que a interpretao da ,biblia pertence aos sacerdotes1 aquele rei1 dizem as cronicas1 possuia um conhecimento profundo das ,sagradas ,escrituras1 as quaes explicava e prgava como o mais consumado mestre de teologia1 em qualquer cidade onde se achasse4 ,este rei no smente prgou ao povo1 seno que no concilio de ,lyon1 e perante o ,papa ,gregorio ,x e mais prelados1 tomou para texto as palavras de ,isaias3 ,levanta-te2 resplandece1 etc41 etc41 as quaes desenvolveu com notavel admirao de todos4 ,outro hespanhol1 ,luiz de ,gusmo1 mestre de ,calatrava1 mandou traduzir a ,biblia1 no ano de #adcb1 ao sabio judeu ,moiss1 e1 como este opozesse algumas dificuldades1 conseguiu o nobre mestre1 fora de dinheiro e ameaas1 convencer o judeu2 a traduo fez-se1 e numa nota do ,moiss l-se3 ,at hoje tenho gasto mil dobres1 desde que se principiou1 at ao estado em que a vdes4 ,devo advertir-lhe1 sr4 padre ,francisco1 que os mil dobres de ento correspondem a umas #bejj libras esterlinas de hoje4 ,agora julga ainda que no houve reis1 bispos e nobres que lessem a palavra de ,deus8 ,como se atrevem os senhores a afirmar coisas que no conhecem nem sabem8 ,porm1 vamos ao texto4 --,vejamos2 eu acho na palavra de ,deus o mandamento de ensinar a ,biblia s creanas1 e aqui1 no livro chamado o ,deuteronomio1 cap4 #f1 vers4 #f-i1 leio o seguinte3 ,e as palavras que eu hoje te intimo estaro gravadas no teu corao2 e as referirs a teus filhos1 e as meditars assentado em tua casa1 e andando pelo caminho1 ao deitar-te para dormir e ao levantar-te2 e as atars como sinal na tua mo2 e elas estaro e se movero deante dos teus olhos1 e as escrevers no limiar e nas portas da tua casa4 --,a primeira coisa que tenho que opr a isso--respondeu o padre ,francisco-- que esse texto pode estar alterado1 ou no ser exato1 pois o senhor diz que esse livro uma ,biblia completa1 o que no pode ser1 pois que to extensa materia no pode estar contida em to pequeno volume2 e1 visto que no est anotado1 no podemos ns interpretal-o4 --,muito bem--replicou o joven2--nesse caso faa favor de trazer a ,biblia4 ,o padre ,francisco dirigiu-se a um armario1 e tirou de l tres grandes volumes4 ,procurou entre eles1 e por fim disse3 --,aqui est o texto que voc cita2 vou ll-o4 ,o padre leu3 ,e estas palavras que eu hoje te intimo estaro em teu corao1 e as contars a teus filhos1 e as meditars sentado em tua casa1 e andando pelo caminho1 ao deitar-te para dormir1 e ao levantar-te3 e as atars como sinal na tua mo1 e elas estaro e se movero deante dos teus olhos1 e as escrevers no limiar e portas da tua casa4 --,diga-me que diferena ha entre o que est na minha ,biblia e o que est na sua8--perguntou ,mateus4 --,realmente nenhuma1 respondeu o padre2 porm aqui ha algumas notas1 e estou certo de que elas discordam da opinio dos senhores4 ,vejamos4 ,e onde diz3 ,e as contars a teus filhos ha uma nota que explica este texto1 dizendo3 ,instruirs nelas a teus filhos1 pois a isto se reduz a perfeio do homem4 ,o padre ,francisco ficou sem saber o que dizer1 e ,mateus1 aproveitando aqueles momentos1 disse3 --,pois1 longe de discordar da nossa opinio1 esse mesmo o nosso sentir4 ,j v1 pois1 que estamos de perfeito acordo4 --,mas diga-me--disse o padre ,francisco1--no tem nenhuma nota na sua ,biblia sobre esse texto8 --,no2 nem precisa 2 na ,biblia no queremos opinies de homens4 ,neste ponto houve alguns momentos de silencio1 depois dos quaes o padre ,francisco1 como iluminado por uma ideia1 disse3 --,porm1 ,mateus1 no estamos ns divagando8 ,no lhe dizia eu que esse livro extravia os ignorantes8 ,pense1 e veja bem que estamos tratando a questo num terreno falso4 ,nos tempos de ,moiss devia-se ler e meditar nestas coisas2 porm veiu ,jesus ,cristo e encerrou a ,antiga ,aliana2 de modo que estes mandamentos so inuteis1 porque no nos pertencem a ns4 --,certamente--respondeu ,mateus4--,vamos agora ao ,novo ,testamento4 ,no ,evangelho de ,s4 ,joo1 cap4 #e1 ver4 #ci1 lemos3 ,examinae as ,escrituras1 pois julgaes ter nelas a vida eterna1 e elas mesmas so as que do testemunho de mim4 --,aqui1 como v1--acrescentou o joven-- ,cristo que fala4 --,sim--replicou o padre1--porm fala cerca dos judeus que no queriam reconhecel-,o como ,messias4 ,este texto nada tem que ver comnosco1 os cristos4 --,eu no creio assim1 mas recorreremos a outros4 ,na segunda ,epistola de ,s4 ,paulo a ,timoteo1 cap4 #c1 ver4 #ad a #ag1 lemos3 ,mas tu persevera nas coisas que aprendeste1 e que te foram confiadas1 sabendo de quem as aprendeste1 e que desde a infancia foste educado nas ,sagradas ,letras1 que te ,,podem ,,instruir para a salvao1 pela f que em ,cristo ,jesus4 ,toda a ,escritura divinamente inspirada util para ensinar1 para repreender1 para corrigir1 para instruir na justia1 afim de que o homem de ,deus seja perfeito1 ,,estando ,,preparado ,,para ,,toda ,a ,,obra ,,boa4 --,peo-lhe1 sr4 padre ,francisco1 que examine este texto na sua ,biblia e veja que instrues d ,s4 ,paulo a um seu discipulo que est frente duma egreja4 ,o padre ,francisco quasi tinha medo de pegar na ,biblia2 por fim1 depois de muito instado pelo evangelista1 tomou o livro1 percorreu o texto1 leu-o para si e disse3 --,sim1 o texto egual ao que leu4 ,e1 ocultando o rosto entre as mos1 calou-se2 parecia que o seu espirito estava como que envolvido em terriveis lutas4 ,depois dum breve espao de tempo1 o sacerdote ergueu a cabea e disse ao joven3 --,meu amigo1 se soubesse o que me vinha a acontecer1 isto 1 que havia de ter este desassocego de espirito que agora sinto1 jmais teriamos falado a tal respeito2 finalmente1 deixemos de discutir1 e separemo-nos para no nos vermos mais4 --,separarmo-nos6--exclamou1 comovido1 o joven--,separarmo-nos6 ,de modo nenhum1 sr4 padre ,francisco2 agora mais do que nunca desejo que a nossa amizade principie4 ,sim1 sr4 padre ,francisco2 estudaremos juntos a palavra de ,deus4 ,lendo a ,biblia1 conhecer ,cristo1 tal como ,ele 2 lendo a ,biblia1 beber no manancial da agua pura1 que refrescar a sua alma1 apagando-lhe o fogo das obras vs em que hoje se engolfa4 ,nos ,atos dos ,apostolos achar qual foi a constituio e o regimen da ,egreja primitiva1 e ver como a egreja em que milita1 apezar de se chamar apostolica1 no conserva nada dos apostolos4 ,ali ver que ,pedro no teve primado algum4 ,pelas ,escrituras jmais poder provar que aquele apostolo estivesse em ,roma4 ,ali1 finalmente1 encontrar que nem os apostolos nem aqueles que com eles se juntavam renderam culto ,virgem1 nem a nenhuma outra creatura1 nem tinham confessionarios nem confisso feita ao ouvido do sacerdote4 --,pois1 sr4 ,mateus--disse o padre ,francisco depois duma breve pausa1--aquilo que diz parece ser verdade1 porm falaremos noutra ocasio2 deixe-me meditar e pensar1 porque creio que444 emfim444 no me declaro vencido4 --,bem1 no quero incomodl-o mais--acrescentou o joven1--porm manh1 quando v dizer a sua missa1 recorde-se de que no ,novo ,testamento est escrito que ,jesus1 com ,,um ,s ,,sacrificio1 fez perfeitos aqueles que santificou2 assim que1 se foi com um s sacrificio1 aquele que o senhor celebre completamente inutil4 ,agora1 rogo-lhe em nome de ,jesus que leia a ,biblia2 ela lhe far conhecer o erro em que est2 e no quizera sair daqui sem que me dsse a sua palavra de ler os capitulos #e1 #f1 #g1 #h e #i da ,epistola aos ,hebreus4 ,depois de cinco horas de discusso1 o joven saiu daquela casa e1 ao despedir-se1 disse ao sacerdote2 --,no tornaremos a ver-nos8 --,no sei--respondeu o padre1--veremos2 se ,deus quizer1 sim2 seno cada qual seguir o seu caminho4 ,ambos1 depois de se apertarem a mo1 se separaram4 ,,capitulo ,,xxii ,temor1 inquietao e duvidas ,quando o sacerdote ficou s1 fechou-se no seu quarto1 depois de dar ordem creada de que por ninguem nem por coisa nenhuma o fosse incomodar4 ,o padre ,francisco sentou-se mesa do escritorio1 sobre o qual poz o candieiro e a ,biblia4 ,depois apoiou os cotovelos na mesa1 ocultou o rosto entre as mos1 e nesta posio esteve muito tempo4 ,durante este intervalo s se ouvia o oscilar da pendula do relogio1 que vinha perturbar o profundo silencio que ali reinava4 ,por fim1 o padre ,francisco1 mudando de posio1 disse3 --,ah6 ,que revolta confuso de idas surgem no meu espirito444 ,sim1 sinto uma sde insaciavel de saber a verdade do assunto444 ,esse joven mais sabio do que eu julgava1 seus argumentos so de peso1 e suas palavras teem tal expresso de verdade que1 se no me convenceram1 pelo menos fizeram penetrar a duvida no meu espirito4 ,o sacerdote calou-se1 e depois duma breve pausa continuou comsigo3 --,as citaes que fez1 e que lemos nesse livro--dizia1 apontando para a ,biblia1--to gravadas ficaram na minha mente que jmais as esquecerei444 ,oh6 receio ter cometido um pecado1 lendo este livro6 ,porm444 ,porventura no li eu as notas e no vi que esto conformes com a explicao e at mesmo com a aplicao que delas fez o joven8444 ,e1 no fim de tudo1 os ,evangelhos e as ,epistolas que ns lemos missa444 ,ah6 a missa6 ,parece que to pouco acredita nela6 ,no1 pois neste ponto no lhe concedo nada2 eu sei que ,jesus instituiu a missa quando instituiu o sacramento da ,eucaristia1 e sei que os apostolos tambem disseram missa444 ,novamente o padre ,francisco se calou1 porm ao cabo dalguns momentos continuou3 --,emfim1 vou ver o que a verdade444 ,lerei os capitulos que me disse da ,epistola aos ,hebreus444 ,certamente que lerei as notas2 e assim no haver receio de que o meu espirito se extravie4 ,o padre ,francisco abriu a ,biblia1 procurou a ,epistola e principiou a ler o capitulo #d1 depois de ter recitado uma breve orao em latim4 ,diversas foram as impresses que o padre ,francisco recebeu durante a leitura2 impressionavam-no sobremaneira os versiculos #ad e #ae do cap4 #d2 o #bj do cap4 #f2 porm sobretudo surpreendeu-o o que estava escrito nos versiculos #bd e #bh do cap4 #g1 e no poude passar mais adiante4 ,ali1 viu clara e terminantemente a falsidade de que a missa seja o sacrificio de ,cristo4 ,no versiculo #ba do citado cap4 #g1 leu cerca de ,cristo3 ,que no tem necessidade1 como os outros sacerdotes1 de oferecer todos os dias sacrificios1 primeiramente pelos seus pecados1 depois pelos do povo1 porque isto o fez uma vez1 oferecendo-,se a ,si mesmo4 ,recorreu o sacerdote s notas1 desejoso de que elas lhe fizessem compreender outra coisa distinta daquilo que ele compreendia1 isto 1 que depois do sacrificio de ,cristo teria havido alguma razo poderosa para se celebrar a missa4 ,ancioso1 cravou os olhos no livro e leu3 ,ofereceu-,se a ,si mesmo1 no por pecados proprios1 como impiamente disse ,socino1 pois que o ,apostolo lhe chama ,santo1 ,inocente1 ,imaculado1 seno que satisfez ao ,pae por ns4 ,o ter-,se oferecido uma vez no exclue os sacrificios da ,egreja ,crist1 porque o mesmo que se efectuou cruento sobre a cruz est expresso no incruento dos nossos altares4 7,conc4 ,trid4 ,sesso #bb1 cap4 #aa74 ,o padre ,francisco deu um murro em cima da mesa e exclamou3 --,claro que a missa uma representao do sacrificio de ,cristo1 porm esta nota do ,concilio de ,trento est abertamente em oposio com aquilo que ns ensinamos1 isto 1 que na missa sacrificamos a ,cristo real e verdadeiramente1 pois que temos em nossas mos um ,cristo real1 material e verdadeiro4 ,no posso compreender isto1 porm creio que o sacrificio de ,cristo no se repete mais444 ,oh6 que est dando entrada no meu corao a heresia6444 ,nada1 nada444 porm1 sim1 a olhos vistos se pode observar que existe uma contradio entre os nossos ensinos e as nossas praticas444 ,o sacerdote1 canado por uma luta to prolongada1 decidiu ir refugiar-se no leito1 esperando encontrar repouso no sono4 ,fez as suas oraes do costume1 porm podemos afirmar que nessa noite os seus labios mais do que o seu espirito tomaram parte nos exercicios piedosos1 pois que o espirito1 esse achava-se bastante perturbado4 ,todavia1 contra as suas esperanas1 passou aquela noite preza de pezadelos que o no deixaram dormir4 ,impossivel nos seria descrever os sinaes de terror que se desenhavam no rosto do padre ,francisco ao levantar-se do leito1 ao romper do dia4 ,tremulo e agitado1 principiou a vestir-se com uma precipitao desusada1 e exclamou3 --,oh ,santissima ,virgem do ,pilar6 ,tu s boa1 tu s pura1 tu no querers que eu1 que te amo at ao ponto de ter-te aqui encerrada nesta arca santa1 para que nem o proprio ar te d2 tu1 oh flr de ,nazar1 oh estrela da manh1 no querers que eu me perca444 ,no sou eu sacerdote8 ,no te amo mais do que a minha vida8444 ,no daria at o meu proprio sangue por ti8 ,porque1 pois1 no me ouves8444 ,acaso j me no amas a mim8 ,em que te ofendi8 ,oh ,virgem ,santissima1 no te mostres indiferente quando eu te oro2 pelo contrario1 concede-me o que te peo6444 ,agora vou dizer missa2 a ti a ofereo1 excelsa ,senhora2 prepara-me tu1 e perdoa-me todos os meus pecados1 que na tua presena confesso4 ,e o sacerdote1 cruzando as mos sobre o peito1 inclinou a cabea e disse em voz baixa3 --,eu1 pecador1 me confesso a ,deus#d e bemaventurada sempre ,virgem ,maria1 e ao bemaventurado ,s4 ,miguel ,arcanjo1 e ao bemaventurado ,s4 ,joo ,baptista1 e aos santos ,apostolos ,s4 ,pedro e ,s4 ,paulo e a todos os ,santos444 que pequei gravemente por pensamentos1 palavras e obras1 por minha culpa444 por minha culpa444 por minha gravissima culpa4 ,portanto1 rogo bemaventurada ,virgem1 ao bemaventurado ,s4 ,miguel ,arcanjo1 ao bemaventurado ,s4 ,joo-,baptista1 e aos santos ,apostolos ,s4 ,pedro e ,s4 ,paulo1 e a todos os ,santos444 que rogueis por mim a ,deus1 ,nosso ,senhor444 ,amen444 ,jesus1 ,maria1 ,jos1 perdoae-me o grave pecado de ler o que no devia ter lido1 e falado com quem no devia falar1 que me fez sonhar aquilo que eu no queria4 ,senhor1 ,maria1 ,santos que habitaes as manses celestes4 ,sumo ,pontifice1 ,arcebispo da diocese1 perdoae-me444 ,amen4 ,o sacerdote1 depois de se ter persignado tres vezes1 levantou-se1 e1 fechando o armario1 dirigiu-se ao seu quarto2 uma vez ali1 poz a capa e1 tomando o gorro1 saiu4 ,emquanto ia a caminho da egreja1 novos pensamentos se lhe cruzaram pelo espirito1 inquietando-o muitissimo4 ,via em sua imaginao a ,virgem do ,pilar1 deante da qual se tinha ajoelhado1 to resplandecente1 to formosa444 ento1 por uma transformao1 viu-a negra1 sem aquela expresso de bondade no rosto que sempre tinha1 tal qual como quando estava nas mos do artista2 depois1 viu-a no cadinho derretida1 e por ultimo acabou por perguntar a si mesmo3 ,ter-me-ha ouvido esse pedao de prata8 ,como nesta luta estava interessada a cabea e o corao1 tornava-se ainda mais amarga1 porque o que aquela aprovava este rejeitava1 e vice-versa2 assim que1 depois da pergunta anterior1 veiu-lhe ao espirito o seguinte pensamento3 ,porm1 se eu me prostrei deante daquela imagem1 no foi para a adorar a ela1 mas sim aquilo que representa4 ,por fim chegou egreja1 e1 depois de tomar uma pouca d'agua benta1 com que fez uma cruz na testa e na cora1 dirigiu-se para a sacristia4 ,a sacristia desta egreja digna de ser observada4 ,quasi todas1 com pequenas excepes1 so eguaes4 ,um compartimento maior ou menor1 com um armario a um dos lados1 que serve ao mesmo tempo de meza1 o qual de madeira e duma construo pesada4 ,nos seus gavetes guardam-se os paramentos1 a cera1 etc4 ,na parede lateral do lado oposto1 ha uma especie de banco corrido1 que oculta um caixo a todo o comprimento1 onde os sacerdotes guardam as capas1 quando se preparam para celebrar a missa4 ,quadros misticos1 um crucifixo1 uma pequena taa de pedra com agua1 onde o sacerdote lava as mos antes e depois da missa1 compem todo o adorno daquele logar4 ,devemos fazer especial meno duma antiquissima mesa1 por detraz da qual ha uma cadeira de couro1 no menos antiga4 ,fazemos meno especial destes dois objectos1 que no faltam em nenhuma egreja paroquial1 no por sua antiguidade nem por sua beleza artistica1 mas sim porque naquela cadeira e por detraz daquela mesa senta-se um sacerdote4 ,vejamos de que se ocupa ele4 ,uma mulher entra na sacristia1 dizendo que deseja mandar dizer uma missa em tal ou qual altar2 mandam-na ter com o sacerdote que est sentado mesa1 o qual recebe o dinheiro e escreve num livro1 respondendo depois3 ,pode-se ir embora1 que a missa c se dir444 ,depois chegam duas senhoras1 com um recem-nascido4 ,veem mandar dizer uma missa de parida1 como vulgarmente se chama4 ,o clerigo recebe dinheiro e diz3 ,a primeira que agora se fr dizer a missa que deseja4 ,costuma suceder que alguma pessoa entra na sacristia pedindo o ,viatico para algum enfermo1 e ento no falta sacerdote que no murmure3 --,no podem vir noite8 ,a esta hora to impropria6 ,assim est em perigo o doente8 ,e deste modo1 ainda que o sacerdote se revista com as vestes proprias1 ainda que o sino d o sinal do estilo1 numa palavra1 ainda que se v desempenhar aquele oficio no mesmo instante1 no se faz sem primeiramente se haver murmurado cerca da hora1 do frio1 do calor1 dos muitos degraus que ha para subir1 se o enfermo pobre e habita nas aguas-furtadas dum quinto andar4 ,em resumo1 para aquele que vae com o dinheiro na mo tudo est muito bem2 para o pobre1 porm1 outra coisa2 tudo se faz1 mas sempre de m vontade4 ,para terminar esta descrio1 diremos que na sacristia1 geralmente1 reina o melhor humor4 ,os sacristes1 rodeados por seis ou oito meninos do cro que olham com inveja para a sotaina1 e aspiram chegar a serem sacristes quando haja logar1 ralham sobre a repartio mal feita dalguma propina1 ou sobre o dever de ajudar ou no missa4 ,porm que ha a estranhar em que os meninos do cro faam isto1 quando os sacerdotes lhes do tal exemplo8 ,numa palavra1 se os nossos leitores querem inteirar-se a fundo e conhecer as miserias da egreja romana1 vo estudal-as no interior dalgumas sacristias paroquiaes1 na certeza de que vero com surpreza e escandalo o que o autor destas linhas tem tido ocasio de ver4 ,porm1 voltando ao padre ,francisco1 achava-se sentado e absorto em suas meditaes1 quando um dos sacristes se aproximou dele para lhe dizer que era a hora de dizer missa4 ,o padre ,francisco principiou a paramentar-se1 recitando em latim1 durante esse ato1 as rezas do ceremonial4 ,recordou-se ento de que nenhum dos apostolos havia usado aquelas vestes1 e1 a seu pezar1 olhava para elas agora com uma certa indiferena que lhe seria impossivel explicar4 ,por fim tomou o calix e saiu para a egreja4 ,ao subir os degraus do altar-mr1 sentia esvaecimentos de cabea2 porm1 apezar disso1 continuou4 ,segundo o costume1 recitou as primeiras oraes1 e1 ao chegar ao confiteo deo1 etc2 quiz concentrar-se comsigo para fazer uma confisso digna1 porm naquele momento assaltou-o este pensamento3 ,primeiramente pensou que nem ,s4 ,paulo nem ,s4 ,pedro deviam ter celebrado missa recitando aquela orao1 pois1 de contrario1 eles mesmos se pediriam perdo dos seus proprios pecados2 segundo1 se1 como de supr1 esta orao no se dizia no tempo dos apostolos1 claro que era um remendo deitado depois1 e em tal caso a missa no era como a celebraram os apostolos4 ,imediatamente o assaltou outro pensamento3 --,que nescio sou em pensar assim6 ,claro que nem ,s4 ,pedro nem nenhum apostolo disse esta orao2 porm nem por isso a missa est alterada1 visto que desde o introito at ao ,evangelho no so seno oraes preliminares1 que no formam parte da missa4 ,deixemos1 pois1 de pensar nestas coisas4 ,continuou na celebrao4 ,por fim chegou ao ,evangelho2 o menino do cro que ajudava missa mudou o missal da esquerda para a direita do altar1 e o sacerdote principiou a ler o ,evangelho1 que naquele dia era o cap4 #d de ,s4 ,joo1 ou a passagem de ,jesus com a samaritana4 ,o sacerdote lia rapidamente2 porm ao chegar aos versiculos #ba1 #bb e #bc1 uma luz penetrou no seu espirito1 e por um momento parou na leitura1 at que com muita ateno e pausa tornou a ler3 ,vs adoratis quod nescitis444 --,sim--pensou o padre ,francisco--,vs adoraes o que no sabeis4 ,isso sucede maioria dos catolicos4 ,que sabe cerca de ,deus essa gente que se ajoelha atraz de mim8 ,como pode estar orando com recolhimento1 se est olhando para mim com toda a ateno1 para se ajoelhar quando eu me ajoelho1 e levantar-se quando eu me levanto8 ,ced venit hora--prosseguiu lendo--et nunc est1 quando veri adoratores adorabund ,patrem in spiritu et veritate4 ,nam et ,pater tales quoe rit1 qui adorant eum1 in spiritu et veritate oportet adorare4 --,oh--disse o padre--eis aqui uma doutrina na qual nunca havia posto a ateno4 ,os verdadeiros adoradores adoraro o ,pae em espirito e verdade1 porque ,ele ,espirito e verdade2 alm disso1 porque tambem o ,pae busca taes adoradores para que ,o adorem4 ,o ,senhor1 pois1 deseja um culto espiritual1 porm certamente que o culto que ns1 os catolicos1 ,lhe rendemos tem muito pouco de espiritual1 antes externo e material4 ,jmais pensei nisto4 ,o sacerdote continuou a missa1 e concluiu-a1 saindo da egreja sem falar a ninguem4 ,as devotas que costumavam ouvir a missa que ele dizia sahiam1 dizendo3 --,hoje sim1 que o padre ,francisco disse uma missa bem comprida6 ,ao chegar a casa escreveu a seguinte carta3 ,madrid444 ,embaixadores444 ,meu caro ,sr4 ,mateus ,n4 ,apezar de ter resolvido no incomodal-o mais1 sinto muito ter de o fazer1 pedindo-lhe que venha por esta sua casa quando lhe seja possivel1 tendo em conta que uma alma que sofre necessita da sua presena4 ,seu afectuosissimo1 ,francisco ,maria dos ,anjos4 ,,capitulo ,,xxiii ,romano e evangelico ,passaram dias terriveis para o padre ,francisco4 ,nestes dois dias comeu pouco1 dormiu menos e permaneceu encerrado em casa1 sem sair rua1 nem mesmo para dizer missa4 ,no fim destes dois dias bateram porta4 ,a creada veiu abrir1 e anunciou logo3 ,o sr4 ,mateus4 --,que entre6 que entre6--disse o padre1 que no poude conter-se1 indo ele mesmo porta4--,bemvindo1 bemvindo seja1 senhor ,mateus4 ,saudaram-se mutuamente e entraram logo no escritorio4 ,depois de tomarem assento1 disse ,mateus3 --,hontem noite1 s onze e meia1 recebi a sua carta1 pois que estive numa povoao prgando1 e1 como lhe disse1 cheguei hontem a essa hora2 por isso apressei-me hoje em vir1 e aqui me tem s suas ordens4 --,meu amigo1 impossivel dizer-lhe as angustias que sofro4 ,o meu espirito luta1 e mesmo de noite no posso descanar4 ,no dia em que lhe escrevi1 no pude dizer a missa com a tranquilidade de espirito necessaria3 noite1 antes de me deitar1 li a ,biblia1 e fui acometido de horriveis pesadelos4 ,e o padre ,francisco contou ao joven os sonhos que teve durante a noite1 e tudo o mais que lhe sucedeu na missa4 ,depois continuou3 --,que significa tudo isto8 ,porque sofre tanto a minha alma8 ,eu lhe peo1 sr4 ,mateus1 que me diga franca e lealmente se o que cr o cr do corao2 se assim 1 qual a base da sua f1 porque difere das crenas da ,egreja1 porque tem em pouca conta a missa444 numa palavra1 desejo que me diga sinceramente se obedece sua consciencia1 ou se1 tanto o senhor como os da sua seita1 esto filiados para1 sob a capa do ,evangelho1 destruir a ,egreja catolica1 e substituil-a pelo seu protestantismo4 ,fale-me com toda a franqueza1 na certeza de que ninguem saber esta nossa conversa1 e em troca ter restituido a tranquilidade e o repouso minha alma4 ,finalmente1 sr4 ,mateus1 ou me demonstra clara e terminantemente as erradas crenas que eu confesso1 ou diz-me que os protestantes obedecem a planos duvidosos1 pois de contrario porque protestam8 ,o padre ,francisco calou-se2 o seu olhar estava fito no semblante do evangelista1 como se quizesse magnetisal-o4 ,passados alguns segundos1 disse ,mateus3 --,senhor padre ,francisco1 tenho-o estado escutando com toda a seriedade de animo1 e compreendi que a sua alma necessitava dum tal desafogo4 ,agora vou responder primeira das suas perguntas1 pois que1 para melhor inteligencia1 vou dividil-as em dois grupos4 ,deseja saber qual o caracter do protestantismo4 ,bem2 aqui1 em nome do ,senhor1 a quem desde que sou convertido jmais invoco em vo1 lhe asseguro que os protestantes1 ou1 antes1 os cristos evangelicos1 no obedecem1 em materias religiosas1 a planos duvidosos2 que por nenhuma causa desejam que o mundo se perca1 que no odeiam os ministros1 nem os fieis da ,egreja romana1 antes pelo contrario teem compaixo deles1 e1 por ultimo1 que os protestantes desejam que o ,evangelho1 em toda a sua pureza1 se estabelea em toda a superficie da terra1 e que1 conforme as palavras do ,senhor1 o mundo seja cheio do conhecimento do ,seu nome4 ,agora1 a segunda parte da minha resposta que a unica regra de f dos protestantes a palavra de ,deus1 conforme se acha contida nos livros do ,antigo e ,novo ,testamentos2 que acatamos tudo quanto a ,biblia diz2 que nos submetemos aos seus ensinos e rejeitamos pela base tudo aquilo que est em contradio com as ,escrituras ou que no achamos nelas estabelecido4 ,isto posto1 e antes de passarmos a outro ponto1 devo perguntar-lhe se depois disto1 e do mais sobre o que vamos falar1 o ,senhor1 pelos meus labios1 lhe pozer vista os erros dos romanistas1 promete no resistir por mais tempo ao ,espirito1 antes pelo contrario obrar conforme ele lhe dite8 --,sim1 senhor--respondeu o sacerdote4 --,pois bem1 observe1 face do ,evangelho1 os erros da ,egreja de que ministro4 ,mas para proceder com metodo1 tratemos da questo pessoalmente1 quero dizer1 como se ,v4 fosse o fundador do romanismo e eu do protestantismo4 --,bem1 muito bem--disse o padre ,francisco2--principiemos pela missa4 ,eu digo1 e a ,egreja o confirma1 que ,jesus foi quem instituiu a missa1 quando instituiu o sacramento da ,eucaristia4 --,e eu--disse ,mateus--digo que1 antes de mais nada1 precisamos de definir a missa4 ,pergunto1 pois3 o que a missa8 --,a missa--respondeu o sacerdote-- um sacrificio1 no qual o sacerdote oferece a ,deus1 em sacrificio incruento1 a ,jesus ,cristo1 ,filho de ,deus4 ,este sacrificio pode aplicar-se em beneficio dos defuntos cujas almas se acham no purgatorio1 por algumas faltas que cometeram neste mundo4 --,perfeitamente--replicou o evangelista4-- assim como o entende a ,egreja romana2 no emtanto1 eu digo-lhe que no ouvi jmais tantos erros em to poucas palavras4 ,em primeiro logar1 como procederam os apostolos em relao ao partir do po8 ,no cap4 #b dos ,atos1 ver4 #db a #df1 leio que eles1 com as pessoas convertidas1 participavam da comunho entre si1 celebrando o partir do po nas casas1 e todos com alegria glorificavam a ,deus4 ,agora1 pois1 sabemos que os apostolos no se serviram desta especie de obreia1 que a egreja romana emprega na comunho1 seno que comiam o po como ,jesus lhes ordenou2 tambem bebiam vinho1 no smente os apostolos1 como todos quantos participavam da comunho1 coisa contraria ao que faz o sacerdote romano1 que priva do calix o povo1 o que me d direito de lhe perguntar3 ,quem instituiu o sacramento1 o sacerdote ou ,cristo8 ,o ,senhor1 falando do calix1 diz3 ,,bebei ,,todos ,,dele4 ,quem ,v4 para opr-se vontade do ,fundador1 que quiz que todos se aproveitassem do ,seu sangue8 ,em segundo logar1 a missa no foi instituida por ,cristo1 nem por ,seus apostolos1 porque um papa1 ,damaso1 bispo de ,roma1 no ano de #cfh1 instituiu o confiteor2 ,gelasio1 no ano de #dib1 compoz os ,hinos1 ,coletas1 ,responsorios1 ,graduaes1 ,prefacios1 e tambem acrescentou o ,vere dignum et justum est4 ,simaco1 no ano de #eab1 decretou que nos domingos e festas principaes dos martires se cantasse a ,gloria in excelsis ,deo4 ,pelagio1 pelo ano de #eef1 acrescentou a comemorao dos defuntos4 ,gregorio ,i1 pelo ano de #fjj1 fez as ,antifonas e o ,introito1 ordenando que a kirie-eleyson se cantasse nove vezes1 e do mesmo modo o ,aleluia4 ,alm disso1 tambem ordenou este papa que o ,pater ,noster se cantasse em alta voz1 e sobre a hostia consagrada2 tambem acrescentou ao canon3 ,dies que nostres in tua pace disponas4 ,o padre ,francisco estava verdadeiramente assombrado1 o que deixava ver claramente pelo gestos com que acompanhava as palavras de ,mateus1 que continuou assim3 --,sergio1 que morreu em #gja1 ordenou que o ,agnus ,dei se cantasse tres vezes antes de partir a hostia4 ,gregorio ,,iii acrescentou secreta missa3 ,quorum solemnitas hodie in conspectu tuae magestates celebratur1 domine deus noster1 in toto orbe terrarum4 ,nicolau ,i acrescentou as sequencias4 ,no me negar ,v4 que ,sixto ,i acrescentou o ,sanctus1 ,sanctus ,dominus ,deus ,sabaoth4 ,inocencio ,i1 pelo ano de #dje1 acrescentou o osculo de paz4 ,leo ,i inventou o ,orate1 frates1 o ,deo gratis1 e acrescentou ao canon ,senatum sacrificium1 immaculatam hostiam1 e o ,hanc igitur oblationem4 ,e1 depois de tudo isto1 no v ,v41 meu caro amigo1 que ,cristo no instituiu a missa1 mas sim que esta foi obra em que muitos colaboraram8 ,o padre continuou silencioso4 ,mateus prosseguiu3 --,existe outra prova maior do que todas1 que demonstra claramente a extraordinaria mentira de que ,cristo instituiu a missa4 ,o grande ,te igitur clementissime ,pater uma parte da missa1 na qual se faz meno do papa1 do bispo e do rei1 o que uma prova irrecusavel de que nem instituiu a missa1 nem to pouco a disse1 pois que no ,seu tempo ainda no havia papas nem bispos4 ,no ,communicates faz-se meno da ,virgem e dos muitos santos que no existiram seno muitos anos depois dos apostolos1 como ,s4 ,cipriano1 ,s4 ,loureno1 ,s4 ,crisostomo1 ,s4 ,cosme1 ,damio e outros4 ,ora isto prova a verdade da minha assero4 ,agora convem observar a subtileza romana4 ,no pem no canon a ,s4 ,pedro1 porque1 se o pozessem1 poderia dizer-se que aquele apostolo tinha procurado a nossa propria gloria4 ,com isto conveno o mais pertinaz ou cego de que nem ,cristo nem nenhum dos apostolos disseram missa1 nem conheceram o que isso era4 ,o sacerdote deu um suspiro e disse3 --,triste coisa a gente encontrar-se em presena da fria verdade que esmaga6 ,oh6 que ,deus perde a todos4 ,o evangelista continuou3 --,agora passemos s ,escrituras4 ,v4 apresenta-me como razo das suas crenas a autoridade dos homens2 e eu aceito-a para confundir essa autoridade com a de ,deus4 ,a essencia1 o fundamento1 da missa1 est contida no artigo ,v4 do ,credo do ,papa ,pio ,,iv1 que diz assim3 ,confesso1 eu mesmo1 que na missa se oferece a ,deus um verdadeiro1 proprio e propiciativo sacrificio pelos vivos e defuntos1 e que no santissimo sacramento da ,eucaristia esto verdadeira1 real e substancialmente o corpo e o sangue1 juntamente com a alma e a divindade1 de ,nosso ,senhor ,jesus ,cristo1 e que se verifica uma converso de toda a substancia do vinho no ,seu sangue1 qual converso chama a ,egreja ,romana ,,transubstancia,o4 ,tambem confesso que sob qualquer das duas especies se recebe ,cristo total e completamente1 e que so um verdadeiro sacramento4 ,este artigo1 ensinado aos catolicos1 obriga-os a crr em varias coisas2 porm as duas principaes so3 primeira1 que na missa se oferece a ,deus um sacrificio de propiciao pelos vivos e pelos mortos2 segunda1 que na missa1 e sob as especies do po e do vinho1 est real1 verdadeira e substancialmente ,cristo1 com a ,sua alma e divindade4 ,depois disto1 e dado o caso de que alguem ousasse levantar-se contra tal impiedade1 ou no podesse admitir uma tal crena1 vem-nos o concilio de ,trento decretar em sua sesso #bb1 canon ,,iii1 o seguinte3 ,se alguem disser que o sacrificio da missa smente um sacrificio de louvor e aco de graas1 ou uma mera comemorao do sacrificio feito sobre a cruz1 e que no propiciatorio1 ou que aproveita smente quele que o recebe1 e que no deve ser oferecido pelos vivos ou pelos mortos1 por seus pecados1 castigos1 penitencias mal cumpridas e outras necessidades1 seja anatema4 ,todo o catolico romano est obrigado a calar-se e a acatar esta doutrina1 esteja ou no conforme com ela1 sob pena de ser fulminado pelo anatema4 ,o ensino1 pois1 desta egreja que1 cada vez que um sacerdote celebra missa1 oferece a ,deus um sacrificio proprio e propiciatorio pelos vivos e pelos mortos4 ,quem o sacrificado neste sacrificio8 ,cristo1 o mesmo ,cristo do ,golgota1 o ,jesus de ,belem4 ,quando principimos esta discusso1 disse-lhe que1 tal como a queda e o caido1 assim tinha que ser a redeno e o ,redentor4 ,agora--acrescentou1 tirando do bolso a ,biblia--contra a doutrina de que o sacrificio de ,cristo possa repetir-se ou renovar-se1 temos o cap4 #f1 vers4 #i e #aj da ,epistola de ,s4 ,paulo aos ,romanos4 ,sabendo que1 tendo ,cristo ressurgido dos mortos1 ,j ,n,o ,,morre1 ,,nem ,a ,,morte ,,ter ,,sobre ,,ele ,,mais ,,dominio4 ,porque1 emquanto a ,ele morrer pelo pecado1 ,ele morreu uma s vez2 mas1 emquanto a viver1 vive para ,deus4 ,escute tambem o que dizem os textos seguintes3 ,cristo uma vez morreu pelos nossos pecados2 o ,justo pelos injustos1 para nos oferecer a ,deus 7#a4 de ,pedro #c3ah74 ,e no entrou para se oferecer muitas vezes a si mesmo1 como o ,pontifice cada ano entra no santuario com o sangue alheio2 doutra maneira lhe seria necessario padecer muitas vezes desde o principio do mundo1 mas agora aparece uma s vez na consumao dos seculos1 para destruio do pecado1 oferecendo-se a si mesmo por vitima4 ,assim como est decretado aos homens que morram uma vez1 e que depois disto se siga o juizo1 assim tambem ,cristo foi ,,uma ,s ,,vez imolado para esgotar os pecados de muitos2 e a segunda aparecer sem pecado aos que o esperam1 para a salvao 7,hebreus1 #i3be--bh74 ,mas este1 havendo oferecido uma s hostia pelos pecados1 est sentado para sempre dextra de ,deus1 esperando o que resta1 at que os seus inimigos sejam postos por escabelo dos seus ps 7,hebreus1 #aj3ab e #ac74 ,estes textos do ,novo ,testamento1 que acabo de ler1 demonstram claramente que a missa1 ou1 melhor1 a preteno de sacrificar a ,cristo todos os dias1 e em muitos logares ao mesmo tempo1 contraria vontade de ,deus1 que quer um s sacrificio4 ,disto deduzo uma consequencia1 e a seguinte--que os anatemas de ,roma so contra ,deus4 ,agora claro que para haver sacrificio necessario haver vitima1 e desta aproveita-se a egreja romana por meio da sua transubstanciao1 porm tenha ,v4 em conta que sem derramamento de sangue se no faz remisso4 ,ora1 onde est na missa o derramamento de sangue8 ,de que instrumentos cortantes se serve o sacerdote nesse sacrificio8 ,quem derrama ali o sangue8 ,e que no digam os romanos que tudo ali se faz em figura e memoria1 porque em tal caso cae sobre eles o anatema tridentino2 preciso crer1 ainda que no se veja1 que ,cristo desce s mos do sacerdote1 e que este ,o oferece em sacrificio ao ,eterno4 ,ah6 ,roma faz muito bem em se servir1 para representar a f1 duma matrona com os olhos vendados4 ,compreendo a razo por que ,roma no quer o livre exame1 pois que odeia a luz6 ,pois bem1 padre ,francisco1 o senhor sacerdote romano1 permita que lhe diga que est nas trevas2 no est em ,deus1 porque ,deus luz4 ,o joven calou-se1 e o sacerdote disse3 --,ainda que a minha alma receba uma dulcissima consolao1 ainda que desejaria confessar-lhe tudo o que sinto1 pode descanar4 ,porm1 se no quer1 continue4 --,no estou canado--respondeu o joven1 acrescentando3--,alm disso1 desejo terminar a questo que nos ocupa4 ,que ,cristo1 material ou corporalmente1 est na missa1 que a ,sua presena verdadeira e real1 no dizer da egreja romana1 no resta duvida1 pois no canon ,i1 sesso #ac do referido concilio de ,trento1 diz-se3 ,qualquer que negar que no sacramento da ,eucaristia se contm verdadeira1 real e substancialmente o corpo e o sangue de ,nosso ,senhor ,jesus ,cristo1 juntamente com ,sua alma e divindade1 e por consequencia ,cristo todo1 mas afirmar que est ali em simbolo ou figura1 ou por ,sua propria virtude1 ,,seja ,,anatema4 ,torno1 pois1 no j a dizer que ,roma anatematiza o ,deus que ela adora1 seno que se ope com seus decretos vontade soberana de ,deus4 ,como pode estar ,cristo no sacramento1 ou na missa1 duma maneira corporal8 ,a ,escritura1 em oposio a isto1 diz3 ,pelo que1 se ressuscitastes em ,cristo1 buscae as coisas que so de l de cima1 ,,onde ,cristo estar sentado dextra de ,deus 7,col41 #c3a74 ,ao qual 7,jesus7 certamente necessario que o cu receba at aos tempos da restaurao de todas as coisas1 as quaes ,deus falou por boca dos ,seus santos profetas1 desde o principio do mundo4 7,atos1 #c3ba74 ,mas ,este 7,jesus71 havendo oferecido uma s hostia pelos pecados1 ,,est ,,sentado ,,para ,,sempre dextra de ,deus4 7,hebreus1 #aj3 #ab74 ,como1 pois1 se atrevem os senhores a sustentar que ,cristo desce a este mundo1 quando preciso que esteja dextra de ,deus at que se cumpram todas as profecias8 ,como podem sacrificar ou renovar o sacrificio d',aquele que com um s sacrificio fez perfeitos os que santificou8 ,porm vou fazer-lhe uma pergunta1 qual1 se responder satisfatoriamente1 prometo crer1 no digo na transubstanciao1 mas em tudo o que de mim exija o infalivel romano4 ,a pergunta esta3 ,que ,cristo que ,roma sacrifica--o glorificado dos cus ou o terreno do ,golgota8 ,o primeiro1 atendendo ao que diz ,s4 ,paulo1 ha corpos celestes e corpos terrestres1 celestial1 ou seja o ,cristo glorificado2 a esse tal impossivel sacrificar1 porque j est glorificado1 e portanto1 alm da ,sua natureza1 que a isso se ope1 seria necessario fazer baixar um ser dum logar de gloria a um mundo de padecimentos e a sofrer dres4 ,se me dizem que sacrificam o corpo de ,cristo como est c no mundo antes de ser glorificado1 digo que no pode ser1 porque no existe1 e porque o ,cristo que o sacerdote sacrifica no corresponde1 nem em peso nem em tamanho1 ao ,cristo que nasceu em ,betlehem4 ,que ,cristo glorificado1 e que o ,seu corpo um corpo celestial1 ns o sabemos1 por aquilo que est escrito na primeira ,epistola de ,s4 ,paulo aos ,corintios1 cap4 #ae3 #de-dh1 e ainda mais pela leitura de todo o capitulo em que se diz que os que habitam nos cus teem corpos celestiaes4 ,depois duma breve pausa1 o joven continuou3 --,se alguma crena eu tivesse cerca da transubstanciao1 bastar-me-hia1 para abandonal-a1 ter lido no missal romano as regras sobre os defeitos da missa1 que ,v4 conhecer perfeitamente4 ,ha uma pagina de que eu me recordo muito bem1 e que diz3 ,se uma hostia consagrada chegar a desaparecer1 por qualquer acidente1 pelo vento1 ou por milagre1 ou fr devorada por um animal1 consagre-se ento outra4 ,como possivel que ,aquele a quem os crentes obedecem1 esteja exposto a ser levado pelo vento8 ,como dizer que um milagre pode fazer desaparecer outro milagre8 ,como dizer que ,cristo est exposto a ser devorado pelos ratos1 que se do perfeitamente nos retabulos carunchosos das egrejas8 ,como sei que no ignora o que dever fazer o sacerdote se uma mosca ou uma aranha cair no vinho consagrado1 que deve ser bebido1 se da parte do sacerdote no houver nauseas1 no lho repetirei1 porm1 sim1 direi alguma coisa da famosa regra que diz3 ,se no inverno se ,,gelar ,o ,,sangue no calix1 deve envolver-se este em panos quentes2 se isto no fr bastante1 coloque-se dentro de agua quente perto do altar1 at que se ,,derreta ,o ,,sangue1 tendo o cuidado de que no entre agua no calix4 ,pode haver1 meu amigo1 maior cumulo de impiedades8 ,o sangue de ,cristo gelado6 ,ento que ,cristo que sacrificam8 --,meu amigo--disse o sacerdote1 profundamente comovido1--desde que me ordenei notei algumas coisas que no compreendia1 porm em que cri1 pela obediencia passiva1 a que somos obrigados4 ,hoje tenho ouvido algumas que julgo serem verdadeiras1 porm desejo ficar s para me ajoelhar deante de ,deus1 e pedir-,lhe que mostre o que devo fazer4 ,tudo o que neste momento podesse dizer-lhe no seria ditado por uma consciencia livre1 pois que me encontro sob a influencia dos seus argumentos4 ,todavia1 eu lhe prometo obrar conscienciosamente1 e1 para que tenha uma prova disso1 vou fazer-lhe uma promessa e um pedido4 ,o joven prestou toda a sua ateno1 e o sacerdote prosseguiu3 --,a promessa esta3 no tornarei a dizer missa at que ,deus me convena de que um erro tudo quanto o senhor acaba de me dizer2 o pedido que me deixe a sua ,biblia para que eu possa ll-a e confrontal-a com a minha4 ,uma coisa mais3 se o ,senhor me disser que a egreja da qual sou sacerdote no de ,cristo1 renunciarei s ordens e me separarei dela4 ,o joven e o padre ,francisco combinaram o dia em que se veriam outra vez1 e1 depois duma breve orao que o evangelista fez1 este saiu da casa do sacerdote1 pedindo a ,deus a sua converso4 ,,capitulo ,,xxiv ,as duas cartas ,os nossos leitores certamente que ainda no perderam de memoria a personagem principal da nossa historia1 o mestre ,julio4 ,este1 bem como o seu amigo1 o mestre ,joo1 continuam em ,m41 e1 se bem que amiudadas vezes escrevam s suas respectivas familias1 nada temos dito a esse respeito1 porque tambem nada digno de especial meno tem ocorrido4 ,alguns dias depois da entrevista do padre ,francisco com o evangelista1 achava-se ,dres costurando a um canto da loja1 quando um aprendiz se dirigiu a ela e lhe disse3 --,mestra1 est aqui uma carta4 ,dres ergueu de repente a cabea e tomou a carta das mos do rapaz2 com a rapidez do relampago1 abriu-a1 e1 vindo sentar-se numa cadeira1 comeou a ler a carta1 que era concebida nestes termos3 ,povoao de ,m444 ,querida esposa4 ,que1 quando esta chegue s tuas mos gozes saude em companhia do nosso filho1 so os desejos de teu esposo4 ,joo e eu passamos sem novidade4 ,recebi a tua ultima1 e1 inteirado do que me dizes1 agradeo-te as noticias que me ds de tudo1 porm especialmente cerca dos negocios do nosso estabelecimento2 no esperava outra coisa do sr4 ,mateus1 que um bom cristo4 ,sabers que j concluimos aqui as obras 7o que falta agora para fazer pouco7 e podemos ir a ,madrid passar alguns dias para comprar materiaes e descanarmos1 emquanto os arquitetos principiam outros trabalhos4 ,depois d'manha1 pois1 terei o prazer de ver-te e de beijar o nosso querido ,paulo4 ,dou graas ao ,senhor1 porque aqui ficam alguns que j conhecem o ,evangelho1 os quaes se reunem todos os domingos e passam uma hora e meia lendo a palavra da vida4 ,alegro-me tambem com o que me participas cerca das visitas de ,mateus a casa do padre ,francisco1 e peo ao ,senhor que converta esse infeliz sacerdote4 ,o sr4 ,joo diz-me que tenhas cuidado de observar1 todas as vezes que ,mateus sobe as escadas do padre1 se torna a descel-as1 pois que diz que no tem confiana nos catolicos1 porm eu digo que ,deus maior do que todos e que ,ele guardar ,seus filhos de todo o mal4 ,hontem recebemos a ultima importancia do trabalho1 e1 como j te disse1 paguei ha tempos ao sr4 ,joo o dinheiro que nos emprestou1 e ainda temos uma economia dalgumas libras4 ,para concluir1 te direi que de saude vou bem4 ,pois at o sr4 ,joo diz que estou muito gordo1 o que no admira1 porque quando aqui cheguei quasi cahia de fome4 ,pobre esposa1 quanto tens sofrido6 ,porm1 repara como o bom ,deus nos tem abenoado6 ,sem mais1 d lembranas aos oficiaes1 familia do nosso amigo1 beijos ao menino1 e tu recebe o amor de teu esposo4 ,julio4 ,dres deu graas a ,deus pela carta que tinha recebido1 e depois saiu precipitadamente pela porta que dava para o corredor1 em direco casa da familia de ,joo4 ,dres levava a carta na mo1 e1 ao abrir a porta1 encontrou-se com ,antonia1 que1 com outro papel na mo1 vinha para sua casa4 --,carta6--exclamaram ao mesmo tempo as duas jovens assim que se viram4 --,de meu marido--disse ,dres4 --,de meu pae--respondeu ,antonia4 --,pois vamos para tua casa--respondeu ,dres--ali as leremos2 no bom que tua me fique s4 --,como queiras--respondeu ,antonia4 ,ambas entraram na carpinteria1 onde estava a senhora ,brigida chorando de alegria4 ,antonia comeou a ler4 ,povoao de ,a444 ,querida esposa e filha4 ,muito me alegrarei que ao receber esta gozeis a mais perfeita saude1 que o que eu mais desejo2 eu estou bom1 para o que queiraes mandar4 ,brigida e ,antonia1 estou certissimo de que ides receber um alegro1 quando receberdes estas curtas letras4 ,sim1 certamente que vos alegrareis4 ,sabereis que depois d'manh chegamos a casa1 pois que por agora concluimos aqui o trabalho4 ,vou dar-vos um abrao1 forte1 muito forte2 sois vs as duas pessoas a quem mais quero neste mundo4 ,tambem quero muito a ,dres e a seu filho1 sem falar em seu marido1 que o melhor homem que debaixo do cu existe4 ,est sempre a prgar e com a ,biblia na mo4 ,eu tenho-lhe dito muitas vezes3 ,oh homem1 no v que se riem de si nas suas proprias barbas8--,porm ele tem mais paciencia do que ,job1 que1 segundo creio1 foi o homem mais paciente do mundo4 ,a mim faz-me sofrer muito1 porque quando vejo que ha alguem que se ri das nossas crenas no sei que faria2 porm ,julio sempre me est a repreender1 dizendo3 ,senhor ,joo1 ,jesus diz3 ,aprendei de mim1 que sou manso e humilde de corao3--veja que os discipulos de ,jesus no ho de ser homens colericos3 veja que1 porque no somos do mundo1 por isso nos aborrece o mundo4 ,com estas e outras razes faz de mim tudo quanto quer4 ,outra coisa3 ,o padre ,francisco ainda vos molesta por causa dos cultos8 ,que vontade tenho de ir1 para o confundir a ele e gente6 ,todas as manhs oramos por ele1 ,julio e eu2 porm1 se ,deus no faz um milagre1 deixar esse senhor de ser padre romano quando eu deixar de ser carpinteiro4 ,aquele o seu oficio1 como este o meu2 emfim1 eu1 para no ocupar-me dele1 no quero outra coisa mais seno que nos deixe em paz4 ,no vos incomodo mais2 saudades a ,dres1 beijos a ,paulo1 lembranas aos oficiaes da casa1 aos aprendizes e a todos os que perguntem por mim4 ,recebei saudades de ,julio4 ,e agora disponde1 no que vos aprouver1 deste que vos estima e deseja ver1 ,joo4 --,vs8--disse ,brigida4--,nada nos diz meu marido das obras nem dos ganhos2 smente tem na imaginao o padre1 de quem no gosta1 pelo mal que a todos nos tem feito4 --,a mim--exclamou ,antonia--pouco me importam as noticias com respeito a interesses2 o principal saber que teem saude e que veem breve4 --,claro--respondeu ,brigida1--porm repito-vos que o seu eterno pesadelo o padre4 --,meu pae--insistiu ,antonia--tem um corao nobre4 ,homem rude1 sabe amar com toda a sua alma1 e odeia menos do que parece4 ,estou certa de que1 se manh o padre ,francisco se visse em alguma dificuldade e meu pae podesse tiral-o dela1 fal-o-hia com grande prazer1 pois que este o seu costume4 --,amigas--disse ,dres1 interrompendo a conversa1--recebemos boas noticias1 e por isso devemos dar graas a ,deus4 ,em seguida todas se pozeram de joelhos em orao a ,deus1 rogando-,lhe por aqueles dois seres que to queridos eram s tres mulheres4 ,no aposento em que oravam estava o altar com ,santo ,antonio2 porm nem uma palavra houve para o santo4 ,,capitulo ,,xxv ,o regresso ,no dia marcado nas cartas por ,julio e o sr4 ,joo1 chegaram ambos a ,madrid4 ,suas familias foram esperal-os estao do caminho de ferro1 e agora todos juntos se acham na loja de ,julio1 conversando1 e entre outras pessoas se encontra o joven ,mateus1 pois terminado o culto daquela noite1 como soubesse que o seu amigo ,julio chegava1 foi tambem esperal-o4 ,depois das primeiras saudaes1 e no momento em que os achamos sentados conversando em casa de ,julio1 ,mateus falava assim3 --,pois sim1 meus amigos1 durante a vossa ausencia aconteceram muito boas coisas nesta casa4 --,pelo que diz--perguntou ,julio1--o culto continuou a fazer-se sem interrupo8 --,sim1 senhor4 --,e contina a vir gente8 --,j se v que sim4 --,e diga-me--interrompeu o sr4 ,joo1--o padre tem-os incomodado8 --,ah6--exclamou o evangelista4--,pobre padre ,francisco6 ,neste momento a sua alma passa por uma luta terrivel2--a luta entre o bem e o mal1 entre a verdade e o erro1 entre o seguir as verdades do ,evangelho e as praticas romanas4 ,tal a sua situao2 o pobre sacerdote luta1 porm creio que essa luta lhe ser proveitosa4 --,sim1 sim1 pensem no padre--disse o carpinteiro--e vero o que lhes sucede4 --,no sei--disse ,mateus1--porm parece-me que o padre ,francisco deixar os erros de ,roma4 --,pois senhor--insistiu o sr4 ,joo1--muito desejarei que assim suceda1 porm444 --,nada1 senhores--interrompeu ,julio1--a obra no nossa1 a obra de ,deus4 ,ele tem que obrar2 ns1 com as nossas duvidas e com a nossa falta de f1 fazemos o que fizeram as multides no tempo de ,jesus3--impossibilital-,o1 com as nossas incredulidades1 de que obre maravilhas4 ,depois dalgumas palavras mais1 ,mateus manifestou inteno de se retirar para que os dois recem-chegados descanassem4 ,julio propoz que se tivesse um pequeno culto de aco de graas ao ,senhor1 pelo regresso dos dois ao seio de suas familias1 e1 feito isto1 cada qual retirou-se para sua casa4 ,no dia seguinte1 assim que circulou a noticia da chegada de ,julio1 quasi todos os visinhos foram visital-o e apertar-lhe a mo4 ,as mulheres no cessavam de falar sobre a vinda de ,julio1 e tanto assim que muito depressa chegou a noticia aos ouvidos do padre ,francisco1 que permanecia em sua casa1 sem sair dela e sem querer receber ninguem4 ,o pobre sacerdote lia sem cessar a ,biblia1 orava continuamente1 e a sua alma ia-se abrindo cada vez mais para recolher nela a verdade4 ,o padre ,francisco havia envelhecido dez anos4 ,estava palido1 com os olhos encovados1 e tanto assim que a sua governante1 assustada1 lhe tinha proposto1 por vezes1 que se chamasse um medico1 ao que ele se havia recusado abertamente4 ,no momento em que soube da chegada do vidraceiro1 um raio de alegria iluminou o seu palido semblante1 e imediatamente mandou chamar ,julio1 o qual1 recebido o recado1 dirigiu-se a casa do sacerdote1 emquanto ,dres foi dar a noticia ao sr4 ,joo e sua familia4 --,ah6--exclamou o carpinteiro--j comeamos de novo8 ,pois eu asseguro-vos que1 se acaso trama alguma coisa contra vocs1 lhes mostrarei o que vale este velho4 ,entretanto1 o padre ,francisco1 frente a frente de ,julio1 contava-lhe os seus temores1 as suas duvidas1 descobria-lhe1 emfim1 o estado de sua alma4 --,pois para mim--disse-lhe o vidraceiro depois de o ouvir--a coisa clara e a soluo desta questo simples2 ,v4 antes no conhecia a verdade1 pelo que procedia julgando servir a ,deus2 hoje a verdade lhe foi revelada por meio da ,palavra da ,vida2 agora1 pois1 no tem mais do que dois caminhos a seguir3 ou ter a f dos anjos1 ou ter a f do demonio4 --,no compreendo--disse o padre4 --,pois creio que me explico bem--disse ,julio4--,os demonios crem em ,deus1 e1 comtudo1 tremem2 os anjos crem em ,deus e se deleitam n',ele4 ,se ,v4 viu a luz1 ,cristo1 e no a segue1 por esta unica razo est no caminho da perdio2 e devo advertil-o de que o ,evangelho j lhe foi anunciado1 e ,jesus j ,se lhe manifestou4 ,se teme mais aquilo que diro de si1 se teme a anciedade1 se receia perder a sua posio aqui no mundo1 se no teme a ira de ,deus para com aqueles que rejeitam a ,jesus1 resiste ao ,espirito ,santo1 e este o mais terrivel pecado que o homem pode cometer4 ,julio calou-se1 e o sacerdote1 que se achava numa grande agitao nervosa1 passados alguns instantes1 disse3 --,no caso de que eu me decidisse pelo ,evangelho1 como ,v4 o compreende1 que deveria fazer8 --,a primeira coisa era crr no ,senhor ,jesus1 como o unico ,salvador e ,intercessor entre ,deus e os homens2 a segunda coisa era abandonar completamente as praticas romanistas1 resignar todos os cargos que exerce no seio da sua ,egreja e fazer a sua profisso publica da sua f na presena duma congregao de cristos evangelicos1 dedicando-se em seguida a prgar a verdade1 com o mesmo afinco e zelo com que antes prgava o erro4 ,finalmente1 se quer ver o que deve fazer1 se convertido ao ,senhor1 veja e estude o que fez ,s4 ,paulo quando deixou de ser ,saulo4 --,sim--exclamou o padre ,francisco-- preciso que eu prefira o bem a tudo1 a verdade ao erro4 ,porm o mais dificil para mim1 o que mais me tortura1 a ida do que diro de mim os meus colegas4 --,por muito que digam1 esteja certo de que nenhum deles vae responder por ,v4 no dia do juizo4 ,se tem medo do que diro1 do mundo1 tema antes o que dir1 do sangue de ,jesus1 tema o que dir aquele manso ,cordeiro1 quando ,ele se levantar para lanar-lhe em rosto o desprezo que tem do ,seu sacrificio j feito4 ,eu--disse o ,senhor--eu mesmo vos consolarei4 ,quem s tu para teres medo dum homem mortal1 e do filho do homem1 que assim como o feno se secar8 ,e te esqueceste do ,senhor1 teu opifice1 que estendeu os cus e fundou a terra1 e todo o dia tremeste continuadamente vista do furor daquele que te atribulava e se tinha disposto para te perder2 onde est agora o furor do que te atribulava8 7,isaias1 #ea3 #ab e #ac7 ,desgraado daquele que pelo mundo abandona a ,deus4 --,no falemos mais2 creio em meu corao que devo fazer o que diz1 porm ha alguma coisa que mo impede2 dentro de poucos dias ter noticias minhas4 ,depois duma breve orao1 ,julio despediu-se do padre ,francisco1 profundamente convencido de que ,deus trabalhava no corao do sacerdote4 ,quando chegou a sua casa1 estava l o mestre ,joo1 que ao vl-o disse3 --,aposto em que o padre mais uma vez o enganou6 --,senhor ,joo--respondeu ,julio1--oremos ao ,senhor pelas almas que trabalham por abandonarem o mal1 e s quaes ,satanaz persegue e pe mil obstaculos para as impedir de se acercarem do ,senhor4 ,a converso dum sacerdote romano para ,satanaz um verdadeiro desespero4 ,,capitulo ,,xxvi ,o padre ,francisco ,j haviam decorrido oito dias desde que ,julio tinha regressado a ,madrid1 e quatro desde que ele havia falado com o padre ,francisco4 ,julio tornou a encarregar-se do culto que se celebrava em casa4 ,uma noite1 depois de prgar1 anunciou aos concorrentes que na noite seguinte um novo prgador desejava dirigir-lhes a palavra1 e taes coisas disse e por tal modo encareceu o assunto1 chamando a concorrencia dos assistentes1 e especialmente dos visinhos1 que na noite de que vamos falar a sala do culto1 corredor e mais dependencias1 donde se podia ouvir1 estavam atulhadas de gente4 ,no semblante de todos via-se desenhados os desejos mais veementes de conhecer o novo prgador4 ,chegou1 por fim1 a hora de principiar o culto1 e a curiosidade ia satisfazer-se4 ,julio ocupou a cadeira que ficava pelo lado detraz da meza1 invocou o auxilio do ,senhor1 cantou-se como de costume um hino1 fez-se orao1 e em seguida ,julio leu o cap4 #ee de ,isaias4 ,em logar de tomar o texto para prgar1 ,julio afastou-se para um dos lados da meza1 quando acabou de ler4 ,neste momento abriu-se uma porta de vidraa1 que ficava pelo lado de traz dele1 e entrou um individuo1 que veiu ocupar o logar do prgador4 ,este individuo1 vestido de preto1 fez com que todos os concorrentes exclamassem1 possuidos de profunda admirao3 --,oh6 ,o padre ,francisco666 ,houve uns momentos de assombro geral1 durante os quaes foram sentar-se a ambos os lados da meza ,julio e o joven evangelista ,mateus4 ,passados aqueles momentos1 o padre ,francisco disse3 --,sim1 amigos meus1 o padre ,francisco1 que1 tendo ouvido na palavra de ,deus o convite a todos os sedentos para virem s aguas1 cheio de sde acode pressuroso a esse manancial de aguas divinas2 o padre ,francisco1 que ouviu ainda a tempo o aviso de ,deus3 o padre ,francisco1 emfim1 que1 impelido hoje por uma fora desconhecida1 por uma voz que lhe grita3 para deante vem para fazer aqui1 e depois em outra parte1 uma confisso dos seus erros1 e uma profisso de f4 ,todos sabeis quem eu sou1 todos me conheceis3 e por isso mesmo a vs outros1 antes do que a ninguem1 venho dizer-vos que creio no milagre portentoso do ,santo1 porque dos meus olhos tambem cairam as escamas do erro4 ,eu era cego1 guia de cegos2 e ai6 sem o pensar1 a quantos precipitei eu no barranco6 ,nescio de mim que1 tendo o ,evangelho em minhas mos1 jmais estudei as verdades nele contidas1 fiando-me smente na interpretao rotineira que me haviam ensinado nas cadeiras de teologia que cursei4 ,porm1 graas a ,deus1 vim ao reconhecimento da verdade que ha em ,cristo ,jesus1 e hoje abandono o erro que est na ,egreja de ,roma4 ,de hoje em deante serei cristo de ,cristo1 porm no cristo do ,papa2 serei prgador do ,evangelho1 porm no serei sacerdote2 perderei com isso a minha reputao1 o meu credito1 tudo2 porm no me importa2 ganhei a ,cristo2 quanto basta2 e a todos quantos julguem ver no meu procedimento um fim interesseiro1 emprazo-os para deante do ,tribunal ,supremo1 naquele dia em que todo o oculto ser manifesto4 ,sim1 separo-me dos erros de ,roma1 porque aprendi no ,evangelho qual o caminho onde se serve a ,deus1 e o meio que existe para entrar no cu4 ,se me separo da ,egreja de ,roma1 porque esta egreja d ao homem um sem numero de intercessores1 ao passo que a ,palavra de ,deus me ensina que ha um ,deus e um s mediador entre ,deus e os homens1 ,jesus ,cristo homem4 ,separo-me da ,egreja de ,roma1 porque ela diz que o homem se salva por suas boas obras1 fazendo deste modo que ele tome parte em sua salvao1 e isto em menoscabo de ,cristo1 o unico ,salvador1 porque est escrito cerca dele3 ,em nenhum outro ha salvao1 porque do cu abaixo nenhum outro nome foi dado aos homens pelo qual possamos ser salvos1 e em menoscabo da ,palavra1 que diz3 ,pela graa sois salvos pela f1 e isto no de vs1 pois dom de ,deus4 ,separo-me da ,egreja ,romana1 porque nela tudo material e nada espiritual1 fazendo um vil negocio das coisas mais santas2 pois que do mesmo modo vende tanto os sacramentos1 como as bulas1 como as missas1 como as indulgencias1 etc41 etc41 sem ter em conta que foi dito por ,jesus3 ,de graa recebestes1 de graa dae4 ,no posso por mais tempo permanecer no seio da ,egreja ,romana1 que conta entre os seus dogmas o da ,transubstanciao4 ,meus amigos1 estudei essa questo ha poucos dias1 e estou intimamente convencido de que ,jesus e ,seus apostolos nada disseram cerca da missa1 nem to pouco a instituiram1 nem1 e ainda muito menos1 a disseram4 ,separo-me da ,egreja ,romana1 porque vi que ela alterou as praticas estabelecidas por ,jesus e os apostolos1 aumentando1 tirando ou modificando sacramentos1 como vou passar a expr3 ,o baptismo que a egreja ministra no o que ministraram nem ,joo1 nem ,paulo1 nem nenhum dos apostolos4 ,em primeiro logar1 faz o seguinte3 exorcismo do sal1 que o sacerdote pe nos labios da creana2 o exorcismo da creana1 soprando-lhe sobre o rosto1 por tres vezes2 outro exorcismo de sal2 o presbitero pe saliva no nariz e nos ouvidos do recem-nascido1 e tambem o unge nos hombros e no peito1 com o oleo dos catecumenos4 ,como j disse1 procurei com todo o cuidado na ,palavra de ,deus1 para ver se ela autorizava taes praticas1 e no achei sequer a menor sombra destas supersties4 ,filipe1 ,paulo e ,pedro1 e todos quantos administraram o baptismo1 smente exigiam a f em ,cristo1 sem usarem exorcismos1 nem velas1 nem unturas4 ,baptizavam em qualquer ponto onde havia agua1 tendo presente o mandamento de ,cristo3 ,ide e ensinae1 baptizando em nome do ,pae1 do ,filho e do ,espirito ,santo4 ,depois do baptismo cobram-se #bd reales1 o que indica que por esta quantia ,roma introduz na familia crist um ser qualquer4 ,protesto contra a confisso romana1 e aceito a ,biblia4 ,pela primeira1 o homem se confessa ao homem1 a quem no ofendeu1 e esquece o verdadeiro ofendido2 o penitente envergonha-se dum homem e no se envergonha de ,deus4 ,eu fui confessor1 e conheo os segredos do confessionario1 pelo que vos digo que fujaes dele4 ,o homem deve confessar-se a ,deus4 ,declaro que adiro ao ,evangelho em toda a sua pureza2 que o prohibir aos homens a leitura da ,palavra de ,deus uma pratica que tem por fim levar os homens a que no vejam o erro em que vivem e o abandonem1 com menoscabo da autoridade de ,deus1 que ordena em muitas passagens da sua ,palavra que esta seja lida1 sabida e estudada por todos os homens4 ,roma1 porm1 prohibe ao povo a leitura das ,escrituras1 e manhosamente procede do mesmo modo para com os sacerdotes1 para que tanto uns como outros no vejam as adulteraes e corrues que essa egreja tem feito1 alterando umas coisas e introduzindo outras4 ,confesso tambem que a ,egreja de ,roma comete uma grande maldade1 alterando o mais respeitavel de todos os sacramentos2 falo da sagrada ,eucaristia4 ,a egreja romana1 querendo corrigir o que ,jesus fez1 prohibe o calix aos fieis no ato da comunho1 ao passo que o ,senhor diz3 ,bebei todos dele referindo-se1 no smente aos discipulos1 mas a quantos depois deles haviam de comemorar a morte do ,senhor at que venha4 ,finalmente1 protesto contra tudo o que ,roma faz1 por duas razes3 ou porque tudo est viciado1 ou porque est em contradio manifesta com as prticas apostolicas e com a vontade de ,deus4 ,confesso que1 emquanto fui sacerdote 7pois desde hoje deixo de o ser71 procedi impelido pelo zelo e fanatismo1 de que estava possuido1 e porque cria fazer um servio a ,deus6 ,quanto me enganei6 ,deus me perde6 ,confesso que procurei fazer muito mal a este amigo--e apontava para ,julio--em seus interesses2 confesso que1 a solicitaes minhas1 o capelo duma familia nobre influiu sobre certa dama1 de quem era confessor1 e ,julio perdeu1 no smente o trabalho de certa casa1 como tambem as economias que havia empregado em materiaes para aquele trabalho2 d'ahi principiou a decadencia da casa de ,julio1 e por isso teve ele que fechar a sua loja1 e aqui cometi outro pecado maior4 ,quando se achava na miseria1 fui oferecer-lhe recursos em troca da sua consciencia4 ,confesso que por minha parte empreguei todos os esforos para impedir a celebrao dos cultos aqui nesta casa1 valendo-me de quantos meios bons ou maus estavam ao meu alcance2 confesso que chamei este joven--disse ele1 apontando para ,mateus--com m inteno1 e confesso1 por fim1 que fui to grande pecador que smente pela maravilhosa misericordia de ,deus estou convencido de que ,ele me perdoar1 pois que lho peo em nome de ,jesus ,cristo1 e vs todos a quem ofendi me perdoareis egualmente1 porque sois cristos e porque vol-o peo pelas entranhas misericordiosas de ,cristo4 ,havia nas palavras do padre ,francisco tal convico e tal acento de verdade que1 ao ouvil-as1 algumas vozes se ouviram1 dizendo3 --,sim1 sim1 est perdoado4 ,e a todas estas vozes sobressaiu uma1 que disse3 --,bem1 bem1 senhor padre ,francisco1 ,v4 um bom sacerdote1 liberal1 honrado e honesto2 perdo-lhe tudo e estimo-o4 ,foi mestre ,joo quem disse isto4 ,,conclus,o ,no se pode descrever a sensao que a profisso do ex-sacerdote romano fez no auditorio4 ,profundamente impressionado1 no pde prosseguir no discurso1 pelo que ,mateus1 levantando-se e fazendo sinal de silencio1 disse3 --,irmos e amigos4 ,acabamos de escutar as palavras de quem1 tendo militado sob as bandeiras do erro1 abriu os olhos luz1 e hoje acode pressuroso a refugiar-se em ,cristo4 ,fez uma confisso de todos os seus atos assim como da sua f1 pelo que ns devemos recebel-o4 ,o ,senhor no desprezou nenhum dos que iam ter com ,ele1 o ,senhor no desprezou o ex-padre romano2 ns1 portanto1 no devemos desprezal-o1 mas sim amal-o4 ,agora oremos ao ,senhor4 ,depois que fizeram orao e cantaram um hino1 todos os ouvintes foram apertar a mo ao novo convertido1 dirigindo-lhe as palavras mais afectuosas4 ,ele1 por sua parte1 respondia a todos carinhosamente1 e por ultimo os ouvintes retiraram-se4 ,no dia seguinte1 o padre ,francisco devolveu ao seu superior as suas licenas e a renuncia do seu titulo de sacerdote1 e nunca mais1 apezar de quanto fizeram os seus antigos companheiros para o convencerem1 tornou a dizer missa2 cresceu-lhe o cabelo1 que cobriu a cora1 e dentro de poucos mezes ninguem conhecia aquele que pouco tempo antes tinha sido padre catolico4 ,a imagem de santo ,antonio foi destruida2 os cultos continuaram na casa em que ,julio vivia2 ,julio e ,joo continuaram frente das suas oficinas2 o padre ,francisco1 segundo fama1 fez-se missionario evangelico2 por meio dele ,deus anuncia o ,evangelho da paz a muitos hespanhoes sepultados no erro4 ,o ,senhor permita que sejam muitos os que assim conheam a verdade e a sigam6 ,,notas #a ,no estranhem isto os leitores4 ,no se pode assinalar a origem desta e outras absurdas crenas1 porm certo que o povo baixo as tem4 #b ,os leitores devem lembrar-se de que um padre romano quem fala1 e de que os mandamentos foram deturpados por essa egreja4 #c ,cerca de #b escudos4 #d ,note-se que nesta formula de confisso faz-se meno de tudo1 menos de ,jesus ,cristo4 ,,indice ,pag4 ,i--,a beno de ,deus #e ,,ii--,devoo e444 vinho #aj ,,iii--,no dia de ,santo ,antonio #bj ,,iv--,consequencias #bg ,v--,tlim444 tlim444 tlim444 tlim444 #cb ,,vi--,manda-o minha filha1 e quanto basta #dj ,,vii--,a visita #di ,,viii--,a calunia #ei ,,ix--,novos acontecimentos #gb ,x--,de corpo presente #he ,,xi--,um culto funebre #ia ,,xii--,intrigas do confessionario #ii ,,xiii--,frutos do confessionario #aaj ,,xiv--,da loja agua-furtada #aah ,,xv--,j comea6 #abh ,,xvi--,um sermo1 um desafio1 e uma hora de f #acg ,,xvii--,o dinheiro do diabo e o dinheiro de ,deus #adc ,,xviii--,pobre padre ,francisco #aej ,,xix--,evangelicos e romanos #aed ,,xx--,o ,cristo das ,completas e um lignum crucis #afa ,,xxi--,a conferencia #afh ,,xxii--,temor1 inquietao e duvidas #agi ,,xxiii--,romano e evangelico #ahh ,,xxiv--,as duas cartas #bjj ,,xxv--,o regresso #bje ,,xxvi--,o padre ,francisco #baj ,concluso #baf