,,arte ,,de ,,louceiro ,,ou ,,tratado ,,sobre ,o ,,modo ,,de ,,fazer ,,as ,,lou,,as ,,de ,,barro ,,mais ,,grossas1 ,,traduzido ,,do ,,francez ,,por ,,ordem ,,de ,,sua ,,alteza ,,real1 ,o ,,principe ,,regente1 ,,nosso ,,senhor1 ,,por ,,jose ,,ferreira ,,da ,,silva ,illustration ,,lisboa ,,na ,,impressa ,,regia4 ,,anno ,,de #ahjd4 ,por ,ordem ,superior4 ,ars dux certior4 ,cic4 ,,arte ,,de ,,louceiro ,,de ,,barro ,,simples4 ,,introduc,a4 #a ,a ,arte do ,louceiro consiste em fazer vasilhas1 e outras obras de barro1 que se embebe em agua para o amolecer1 e se amassa e se d depois differentes figuras2 e se fazem cozer para lhe dar solidez1 conforme esta definia1 o que faz pitos1 o louceiro1 e os que fazem porcelana sa oleiros2 porm fazem obras mais perfeitas do que estes de que vamos a fallar4 ,assim entende-se por oleiros1 os que fazem obras communs1 e que por isso se podem dar baratas4 #b ,a argilla#a1 que se chama tambem terra barrenta1 faz a base das terras de que usa os oleiros1 e he a proposito dar os caracteres que a fazem particular destinguindo das outras terras4 ,para isto a vou considerar em seu estado de pureza1 ainda que he difficil1 ou talvez impossivel obtella sem mistura de differentes substancias estranhas1 que mudando sua natureza2 humas vezes a torna mais propria para as obras de oleiro1 e outras obrigara os oleiros a trabalhos consideraveis para purificar o barro1 sem o que seria inutil4#b #c ,a argilla#c ou barro puro he formada de partes muito finas1 que se unem muito humas s outras2 porque estando amontuadas em massa1 e unidas humas s outras1 cheguando a hum grande gro de secura1 endurecem1 de sorte que hum torra de argilla exactamente amassado1 e bem secco1 contrahe huma dureza de pedras3 por causa das suas partes serem muito finas1 neste estado he susceptivel de tomar certo polimento3 he macia1 e saponacea ao toque2 e por isso he que se chama a esta terra gorda4 ,ella atrahe a humidade1 o que a faz pegar a lingua se acaso a toca2 tambem se une bem s substancias gordas2 e por isso serve para tirar certas nodoas4#d #d ,depois de ter cortado1 ou quebrado em molleculas de mediocre tamanho1 se deixa ficar na agua1 de que ella se carrega em abundancia2 ella se incha propora que se carrega da agua e se pde desfazer huma pequena quantidade em muita agua4 ,mas quando se lhe na lana bastante para a reduzir a huma especie de lama1 e que se amassa como adiante explicaremos1 he o que se chama argamassar1 ella se faz glutinosa1 e frma huma massa muito ductivel1 que se pde estender sem a quebrar2 de sorte1 que hum habil oleiro chega a fazella tomar differentes figuras2 e quando se usa della em massa alguma cousa mais dura1 se pde fazer hum grande vaso1 com pouca grossura sem este se desfazer pelo pezo4 ,quando a argilla est assim bem amassada1 ou argamassada1 de sorte que faa huma massa firme1 na he penetravel agua1 em quanto na scca1 por isso se usa della nas argamaas dos tanques1 ou pias de conservar agua4 ,por isto he que os bancos de argilla que esta debaixo da terra forma muitas vezes tanques sobterraneos1 dos quaes nascem fontes de agua1 algumas vezes asss boa3 porque a argilla1 que na est exposta ao ar1 ao sol1 ou ao vento1 conserva sua humidade1 ductibilidade1 e a propriedade de na ser penetravel a agua4 #e ,os oleiros se aproveita da ductibilidade da argilla para a trabalharem na roda1 e moldes2 mas as argillas em seccando1 quanto mais puras sa1 mais encolhem1 isto he diminuem muito do seu volume1 medida que a agua se evapora3 e neste estado esta sujeitas a rachar-se e seria inuteis aos oleiros1 se elles na tivessem meios de lhe empedir o encolher tanto1 como adiante diremos4 #f ,a argilla1 pura tal1 como ns ao presente a consideramos ou detodo1 na he atacada pelos acidos1 ou muito pouco3 digo muito pouco porque em muitas argillas se pode descobrir o acido vitriolico4 ,esta argilla resiste muito aca do fogo sem se derreter1 e por conseguinte cozendo se adquire huma dureza igual dos seixos1 a ponto de que certas argillas bem cozidas chega a deitar fogo sendo feridas com ao4 ,esta propriedade parece indicar1 que hum fogo muito activo as faz tomar hum principio de defusa pois ainda que ella seccando indurece1 com tudo na chega ao gro que lhe d o fogo2 a argilla1 ou barro1 nunca muda de natureza por mais secca que fique2 conserva a propriedade de ser penetrada pela agua1 e tornar-se em huma massa ductivel2 pelo contrario cozendo-se muda totalmente de natureza3 j enta na he argilla1 he huma argamassa muito dura1 ou huma especie de area impenetravel1 agua e que na pde adquirir alguma ductibilidade com este fluido4 #g ,nisto a argilla differe muito das boas argamassas de cal1 e ara1 que endurecem1 seccando1 mas expondo-se a huma grande calcinaa a perdem4 ,a dureza da argilla cozida he muito differente1 das pedras calcares1 ainda as mais duras1 como o marmore1 porque estas pedras sendo expostas a hum grande fogo1 e reduzidas a cal perdem sua dureza1 que parece depender em parte da humidade1 pois que ellas perdem a sua firmeza1 logo que pela calcinaa1 se lhe dissipou toda a humidade1 que parece ser a que frma a unia das partes2 e quando fazendo a argamassa de cal e ara se lhe lana a humidade1 ella pelo tempo toma huma dureza bem consideravel3 pelo contrario a dureza da boa argilla se augmenta medida1 que se faz passar por hum grande fogo4 ,a grande violencia do fogo a racha1 defrma1 e a reduz a huma especie de vidro imperfeito1 mas que conserva sua dureza4 ,eis aqui o que me faz pensar1 que a dureza da argilla cozida consiste1 em que suas partes adquirem hum principio da fusa ou brandura pela grande aca do fogo1 e isto as une humas s outras1 brandura1 que se pde dizer1 que as argillas sa refractarias pella vitrificaa1 ou fusa perfeita4 #h ,estas observaes por mais sucintas1 que seja basta para caracterizar a argilla pura2 mas como se na encontra sem estar unida s substancias estranhas1 he mais importante para a arte de que tratamos1 fallar das argillas alliadas ou com mistura1 e taes como ellas se acha na terra1 pois desta especie he que se usa nas olarias4 ,as obras desta se vendem muito baratas1 e por isso se na pde ir buscar longe de casa1 como se faz para as obras preciosas1 e porcelanas2 he preciso que para ellas se use de argillas que esteja perto de casa4 ,felizmente a argilla se acha em muitos lugares em maior1 ou menor profundeza da terra1 se acaso se d attena s substancias com que se combina4 ,ha della muitas especies differentes3 acha-se humas vezes em grandes montes1 e outras em bancos que tem pouca espessura relativamente sua extensa2 em fim ella se destribue algumas vezes pela terra por veias1 que se devem seguir2 a especie de argilla na he sempre a mesma na continuaa da mesma veia1 ou quando se tira da terra mais superficial1 ou mais profunda4 #i ,a respeito de suas cres ao sahir da terra1 he branca1 cinzenta1 asulada1 tirando a cr da pedra asul ,ardosia1 verde1 amarella1 vermelha1 e de cr de marmore4 #aj ,estas differentes cres de argillas s nos podem dar indicios pouco certos da qualidade das louas que della se far3 com tudo na se devem desprezar2 porque estes indicios nos podem guiar a fazer experiencias para certificar-nos da sua boa1 ou m qualidade4 ,disso fallaremos ns adiante4 #aa ,em geral se preferem as argillas brancas1 ou escuras s amarellas1 vermelhas ou verdes1 e algumas vezes s que tem mistura de differentes cres4 ,estas cres dependem de huma tintura metlica1 sulfurea1 ou bituminosa2 por que1 como dissemos1 no modo de fazer pitos1 ha argillas que augmenta alvura quando se cozem1 porque a substancia apparente que alterava a sua cr era destructivel pelo fogo1 e as outras cozendo-se fica vermelhas1 amarellas1 escuras1 ou quasi negras4 ,parece que estas cres fixas sa causadas pelas differentes substancias metlicas1 que se dissolvem com os acidos especialmente o vitriolico3 porque he preciso que estas substancias colorantes se reduza em particulas muito subtis1 pois estas argillas de differentes cres parecem muito macias1 e impalpaveis entre os dedos1 e homogenias quando as corta4 ,as substancias tenues de que acabamos de fallar1 raras vezes altera os barros communs1 de que ao presente fallamos4 ,digo raras vezes1 porque algumas vezes as podem tornar fussiveis3 o que em alguns casos he grande defeito4 ,outras vezes lana vapores que fazem mal ao verniz1 ou vidrado com que se cobrem3 disto fallarei em outra occasia4 #ab ,segundo a qualidade dos barros1 e uso que delles se faz chama-se barro de tijollos1 de ladrilhos1 de panellas1 de cadinhos1 e pitos4 #ac ,muitas vezes os oleiros se servem de argillas1 que tem substancias heterogeneas mais sensiveis1 como a mica1#e pyrites#f terras calcareas#g aras de differentes naturezas1 e fragmentos de diversas qualidades da mina4 #ad ,na fallo aqui destas substancias1 que se acha em grandes pedaos1 e que os oleiros apanhando-as1 quando amassa o barro1 as lana fra2 mas das que se acha em molleculas asss grossas1 e que se persente nos dedos1 e se v quando se corta hum pedao de barro1 com tudo insufficientes para se tirar a ma todas estas materias de qualquer natureza1 que seja1 prejudica mais1 ou menos a loua1 quando seu volume he hum um pouco consideravel1 porque na se podem fazer obras asseadas1 e nem a superficie fica lisa4 ,he verdade que desfazendo esta argilla em muita agua1 e passando-a para outro vazo depois de precipitadas as substancias mais pezadas1 se tira argillas quasi isentas de partes heterogeneas1 e que serveria para obras mais delicadas2 mas esta preparaa do barro que se pde empregar em obras de loua fina requer muitas manobras1 quando se est fazendo loua grossa2 e assim dos barros areentos s se usa para fazer tijollos ou telha2 para a loua se escolhem veias de barro mais puro1 e isento de huma mistura grosseira1 ou de natureza1 que altere a bondade da loua4 ,vem a proposito entrar em algumas individuaes a este respeito1 porque principalmente da natureza destas misturas resulta a differente qualidade dos barros2 e o oleiro que se estabelece em hum lugar1 deve procurar todos os meios de conhecer a natureza do barro1 de que se deve servir1 sem se arriscar a perder muitas fornadas1 e arruinar-se4 #ae ,deve-se esfregar entre os dedos para ver se he macio ao toque1 e se he ligado1 e ductivel4 ,e encontrando-se corpos estranhos1 se devem alimpar1 e pr de parte para conhecer de que natureza sa4 ,na nos devemos contentar s com isto2 por que se a lavage1 de que acima fallamos1 para as obras communs precisa muita despeza1 deve-se sempre desfazer em agua hum bocado de argilla1 ao menos1 para conhecer-lhe precisamente a natureza1 e a quantidade de substancias pouco mais ou menos1 que esta misturadas com ella3 porque como as substancias de differentes generos tem pezos especificos1 que lhe sa particulares1 vasando muitas vezes a agua em que se diluio a argilla v4 g4 passados cinco minutos1 depois passados dez1 e depois quinze se chegar a separar as substancias1 que segundo o seu pezo1 se precipitarem mais depressa1 ou mais de vagar1 e assim se poder examinar separadamente estes differentes precipitados para se poderem conhecer melhor por experiencias particulares2 porque destas differentes ligas dependem1 em grande parte as qualidades das argillas1 e das louas1 que dellas se fazem4 ,he verdade1 que apezar da lavagem ellas conserva partes muito finas1 e muito divididas1 que lhe da cr1 como acima dissemos2 porm estas partes heterogeneas muito finas sa pouco nocivas as louas communs4 ,por exemplo1 se segundo diz ,mr4 ,pott1 a argilla sendo misturada com substancias de gesso se torna muito dura no fogo2 diz tambem que os barros vitrificaveis1 misturando-se com a argilla firme fica muito duros cozendo-se2 mas he hum grande defeito nas argillas o terem liga de pedras calcareas em molleculas de maior tamanho1 que se calcina ao cozer2 e depois quando sentem humidade1 incha1 e quebra a obra1 se esta no meio do barro1 e se fica na superficie1 a agua as dissolve1 e fica hum buraco em seu lugar3 todavia eu digo quando ellas sa maiores2 porque em certos casos as substancias calcareas reduzidas a p subtil1 e misturadas em pequena quantidade com substancias vitrificaveis1 podem contribuir para a bondade da loua4 ,he de experiencia que algumas vezes duas substancias1 que separadas na sa vitrificaveis1 unidas se vitrifica2 e com raza mais forte se vitrificar as particulas da cal combinando-se com substancias vitrificaveis4 #af ,as pyrites tambem sa huma qualidade de liga muito m2 queima-se ao cozer1 e se dissipa inteiramente1 e fica hum buraco em seu lugar1 ou quando menos1 faz huma mancha negra1 similhante a escorea de ferro1 e com difficuldade pega o verniz1 ou vidrado sobre ella4 ,os oleiros dizem que o mesmo vapor sulphureo1 que della1 se exhalla a queimar1 offende ao verniz das louas que esta visinhas4 #ag ,a ara he necessaria para impedir s argillas muito puras o encolherem1 e fazellas seccar e coser sem se quebrarem1 para isto sa proprias as aras refractarias1 que com difficuldade derretem4 ,os vasos que dellas se fazem1 soffrem hum grande fogo1 e na sa sujeitos a quebrarem pelas alternativas de frio1 e calor3 mas he preciso hum grande fogo para as cozer1 sem isto na fica o barro muito duravel4 ,pde-se com tudo fazer dellas boa loua1 e mesmo cadinhos2 porm sa permeaveis a todas as substancias1 que se torna muito fluidas pela fusa1 como os saes1 o chumbo2 porque ficando com o tecido pouco tapado1 na as pde conter4 ,podia-se fazer o seu tecido mais tapado ajuntando lhe hum bocado de barro vitrificavel4 ,com tudo se estas aras fossem em muito grande quantidade1 diminuiria totalmente a ductibilidade da argilla1 e seria muito difficil o trabalhalla particularmente na roda4 ,he verdade1 que pella lavagem1 se poderia tirar huma parte da ara1 que se achasse em muita abundancia no barro2 mas os oleiros na recorrem a este meio1 que precisa muita manobra3 elles preferem misturar as argillas1 que chama muito magras1 com outras1 que sendo muito gordas1 fazem encolher muito a loua1 e quebra-se ao seccar4 ,deste modo com a mistura pouco dispendiosa corrigem os defeitos dos dous barros1 hum por muito gordo1 e outro por muito magro4 #ah ,as areias fusiveis1 vitrificaveis1 e metllicas torna a argilla fusivel1 e a loua na pde supportar enta hum fogo consideravel sem ficar com defeito2 por isso quasi todas as obras destas argillas fusiveis1 sa cozidas ligeiramente1 seu interior he grosseiro1 ta poroso1 que a agua trespassa os vasos sobre tudo1 quando para impedir o encolher1 se lhe ajunta muita ara2 e neste estado do barro s se podem fazer delle vasos de ,jardins1 alguidares1 e fogareiros1 e para os utensis communs do uso se precisa cubrillos de hum esmalte1 que se chama verniz4 #ai ,a economia obriga a fazer estas louas que se trabalha com facilidade1 encolhem pouco1 e com hum fogo mediocre se cozem1 e tem a vantagem de se poderem expr ao fogo sem se quebrarem4 ,estas louas muito communs se fazem em grande quantidade1 porque se da baratas2 mas tem pouca solidez1 a menor queda as quebra1 e por isso sa pouco duraveis4 #bj ,quando se mistura estas areias vitrificaveis com as argillas1 ellas se chega a cozer bem1 sem as obras ficarem com defeitos1 o seu tecido muitas vezes fica bem fechado2 ellas se na dissolvem pelos acidos1 e conserva os metaes1 e saes derretidos2 porm1 como se chega muito natureza do vidro1 os vasos na podem soffrer a alternativa do frio1 e do calor2 e para que se na quebrem he preciso esquentallos com muito cuidado4 #ba ,os barros1 de que se usa1 para fazer as louas1 que chama de grda1 commumente tem este defeito2 sendo de hum tecido muito fechado1 resistem fusa dos saes1 e do vidro de chumbo3 porm he preciso muito cuidado1 quando se passa do frio para o calor4 ,para ellas na terem este defeito1 he preciso que na fiquem ta chegadas ao estado de vidro4 ,ha algumas que sa desta natureza1 e que se poderia ter por huma porcelana grosseira4 ,eu supponho os barros de que se fazem tem a liga de areia refractaria1 e de ara vitrificavel de donde resulta a vitrificaa4 ,na tenho tido commodo de examinar estes barros com bem cuidado para dar por certo1 o que acabo de dizer3 o que posso certificar he que tendo dissolvido em muita agua o barro de ,gournay1 de que se fazem os potes para a manteiga de ,isigny1 e tendo-a vasado depois de se ter precipitado huma parte da ara1 e pyrites1 que elle continha1 desta argilla privada de huma parte da sua areia1 mandei fazer cadinhos1 que se podia pr vermelhos ao fogo1 e depois lanallos em agua fria sem se quebrarem4 ,se eu tivesse ma estes barros1 estou persuadido1 que chegaria a fazer vasos1 que na teria algum mericimento pela belleza1 mas seria ta bons como a porcelana1 e teria todas as perfeies1 que podem haver nas louas communs4 #bb ,os oleiros na entra em exames ta circunstanciados3 se acha argilla macia ao tacto julga bem della amassa-na1 e trabalha3 se a acha muito magra1 e pouco ductil1 ajunta-lhe argilla muito gorda3 se vem que argilla diminue muito de volume em secando1 e que se fende1 emmagrecem-na ajuntando-lhe barro areento1 ou mesmo ara em propora que lhe permitta conservar sua ductibilidade1 e a fazem cozer2 se ellas derretem1 ou fica com defeito as peas no forno1 diminuem a actividade do fogo1 e s as emprega nos utensis communs do uso1 que cobrem de verniz4 ,se hum fogo ordinario na basta para as cozer1 ou dar-lhes toda a dureza1 de que sa susceptiveis1 ou vem que podem supportar grande fogo sem defeito1 cozem-nas como greda4 ,se com este grande fogo1 alcana que va tomando a natureza de vidro para poder resistir ao fogo1 fazem utensis1 que na devem servir no fogo2 como botelhas1 potes para manteiga1 saleiros1 alguidares1 quartas1 e potes para leiterias4 ,para torna-las menos frageis ao fogo1 liga as argillas muito fortes com barros j cozidos1 como potes de greda reduzidos a p2 enta1 sendo bem cozidos1 podem ir ao fogo os vasos ou peas1 ainda que na haja o cuidado de as esquentar primeiro2 mas os cadinhos para ensaios de metaes1 ou para saes derretidos1 he preciso que o barro na tenha substancia metlica1 que se derretesse e deixasse escapar o que estivesse derretido no cadinho4 #bc ,algumas vezes estas ligas vem feitas por natureza1 e os oleiros se servem da argilla tal1 qual a natureza lhas apresenta3 da qui vem a differena da loua de diversas ,provincias1 como as gredas escuras de ,normandia1 as da ,bretanha1 que tira sobre o azul1 as de ,beauvais1 que sa amarelladas1 tirando hum pouco a roxo1 as de ,s4 ,fargeau que sa brancas1 e finalmente nas de ,flandres1 que mais que todas1 se chega natureza da porcelana4 #bd ,do que acabamos de dizer1 se v que hum oleiro1 quando julga ter adquirido os conhecimentos necessarios sobre a natureza do barro1 de que se deve servir1 na est ainda no ponto de poder fazer indagaes2 porque h barros1 que1 s podem admittir hum mediocre cozimento3 outros1 que sa os melhores1 requerem ser cosidos em hum grande fogo4 ,para adquirir estes conhecimentos1 o oleiro deve fazer as primeiras fornadas com muita attena1 e examinar o estado das obras1 para se conduzirem melhor nas fornadas seguintes4 ,mas quando o oleiro se estabelece em hum lugar1 aonde se costuma trabalhar em certos barros1 est dispensado de fazer as experiencias de que acabamos de fallar1 aproveitando-se das que tem feito1 os que usa de trabalhar nelles4 #be ,nas bordas do bosque de ,orleans1 ha hum lugar1 que se chama ,nibelle1 onde ha muitos oleiros1 que fazem vasos de huma argilla bem pura1 que cozendo-se fica preta1 e na podem ir ao fogo4 ,esta loua he de hum tecido muito fechado3 e assim para os utensis de cozinha mistura hum barro branco1 e magro com esta argilla2 mas a agua trespassaria estas louas se na fossem envernizadas4 #bf ,o trabalho dos oleiros he pouco mais1 ou menos1 o mesmo em todas as ,provincias1 onde se trabalha em barro4 ,e assim vou explicar com individuaa a pratica dos oleiros de ,pars1 e quando houver occasia farei notar em que elles differem de outras partes4 ,,artigo ,i4 ,trabalho da loua1 segundo o uso de ,pars4 #bg ,os oleiros de ,pars tira o seu barro1 de ,gentillis1 ou ,areueil os que o cava1 seguindo as veias do barro bom1 o tira em pedaos quasi cubicos1 e vai para casa dos oleiros em carros1 como vem o cascalho1 ou pedras4 #bh ,quando os oleiros o recebem1 lana-no em covas1 onde fica mais1 ou menos tempo para invernar ou apodrecer1 como se diz em outros lugares2 de sorte1 que o barro1 que foi cavado no ,outono1 fica na cova todo o ,inverno1 e he tanto mais facil de trabalhar1 quanto mais tempo est na cova4 ,em alguns lugares1 os oleiros deixa ao ar o seu barro1 e o movem com enxadas todo o ,inverno1 por este meio o fazem mais ductivel4 #bi ,este he o mesmo barro que serve para fazer ladrilhos1 e obras de loua4 ,com tudo elle he mais preto1 ou mais branco1 conforme a profundeza1 de que foi tirado3 h alguns1 que vem misturados com estas duas cres1 e este se julga hum pouco melhor que os outros1 porm todos se gasta sem distinca em loua1 e em ladrilhos4 ,comeo agora a explicar o que respeita aos ladrilhos4 ,,artigo ,,ii4 ,dos ladrilhos1 e modo de amassar o barro1 com que elles se fazem4 #cj ,quando se tira da cova pedaos grandes de barro1 he preciso cortallos em pedaos1 mais pequenos possiveis4 ,para isso se pe huma taboa ,a fig4 #a1 est4 ,i1 sobre huma celha3 os oleiros chama assim huma pequena celha ,b sem fundo em huma ponta3 lana-se nesta pequena celha seis baldes de agua com pouca differena1 depois se pe hum blo de barro sobre a taboa ,a1 que dissemos se punha sobre a ponta sem fundo da celha ,b4 ,o oleiro corta em pequenos pedaos este blo de barro com huma faca de dous cabos ,d fig4 #b2 e logo que vai cortando o barro o vai lanando na agua da celha2 o barro1 que se ps de tarde a humedecer1 na manh seguinte est bem brando1 para se poder trabalhar2 porque basta oito horas para ficar sufficiente para o trabalho1 sendo pequenos os pedaos4 #ca ,as aparas das obras1 que ainda na fora cozidas1 se mistura com o barro novo2 este barro das aparas1 que j tem a liga da ara1 e j foi posto em camada amassado1 e trabalhado1 ajuda a trabalhar melhor o barro novo4 #cb ,o barro1 de que usa os oleiros de ,pars1 ou venha de ,areueil1 ou ,gentillis he muito gordo1 e por isso na pde servir sem liga3 he preciso ligallo com ara para diminuir-lhe a fora1 e fazello assim encolher menos4 ,talvez seria mais expediente1 e mais economico trabalhar o barro com a mquina representada na arte de fazer os pitos2 mas segundo o uso dos oleiros1 se faz esta mistura amassando o barro com os ps4 ,para isto1 os oleiros de ,pars1 costuma misturar duas celhas de barro novo1 huma de aparas1 se as h1 e cinco cestos de ara3 diminuindo-se a ara1 fica mais duros os ladrilhos2 porm custa mais a trabalhar4 ,seja como for1 os barros de ,belleville e ,areueil ambos sa bons1 e finos1 tem poucos seixos2 sua cr tira a amarella4#h #cc ,para fazer huma amassadura1 se comea estendendo ara sobre toda aquella pora do pavimento1 que occupar a camada2 reserva-se s hum cesto para o que adiante diremos2 esta ara1 que se precisa misturar com a argilla1 tambem embaraa ao barro apegar-se4 ,tira-se das celhas o barro das aparas1 que estava humedecendo1 como o novo2 estende-se sobre ara em camada2 porque como este barro he mais facil de amassar1 que o novo1 pe-se no lugar1 em que o barro se na amassa tambem4 ,as duas celhas de barro novo sa distribuidas pela circunferencia1 e por cima se lana hum bocado de ara1 da qual se reserva s meio cesto para o uso1 que adiante se dir4 #cd ,tres celhas de barro bem pisado1 basta para fazer quinhentas telhas1 e viria a fazer dous mil ladrilhos pequenos4 ,estando o barro disposto1 como j dissemos1 o amassador descalo se chega ao monte de barro2 a sua postura he1 com a ma esquerda firmada sobre o joelho esquerdo1 e porque o barro escorrega1 para na cahir1 tem na ma direita hum po1 em que se firma4 ,separando enta das bordas hum pouco de barro com o p esquerdo o despega1 e lana fra do monte1 d hum pequeno passo adiante1 e faz o mesmo2 de sorte que andando em roda de todo o monte1 e separando em cada passo quatro1 ou cinco pollegadas de barro1 ganha pouco a pouco o centro2 onde fica pouco barro1 porque elle tem separado para as bordas a maior parte4 ,como o do meio fica mais mal amassado1 elle acaba de amassar1 e separar o barro1 que ahi fica2 com hum ferro proprio corta em pedaos este barro1 e o tira com as mas com facilidade1 porque se despega por causa da ara1 que estava por baixo1 e o distribue por todo o monte4 ,depois de se ter tirado o barro1 que est no meio da camada fica huma coroa de dous circulos concentricos2 mas com a mesma pea de ferro corta as bordas da camada1 e as lana no meio1 depois amassa deste barro1 como fez a primeira vez1 e depois de acabar esta manobra1 na tira mais o do meio3 porm depois de ter cortado o barro com a pea de ferro1 elle o ajunta com a ma1 e o pe no meio2 depois o amassa de novo terceira1 e ultima vez1 estendendo o barro mais do que nas camadas precedentes1 para assim ficar mais delgado na camada4 ,feito isto1 est amassado1 e em termos de servir1 como vamos explicar4 #ce ,para apromptar assim tres pequenas celhas de barro1 hum homem vigoroso precisa ao menos quatro horas3 depois amontoa o barro2 e enta est em termos de servir4 #cf ,como he de muita importancia para a loua o distribuir-se igualmente por toda a massa1 o barro1 que se mistura hum com o outro1 ou a argilla com a ara1 e que as differentes misturas faa hum todo uniforme1 os oleiros1 para se certificarem disto1 corta o barro com hum arame de lata1 e examina se a cr est uniforme em toda a extensa do golpe1 e se ha lugares mais brilhantes1 que outros4 ,a uniformidade prva que os differentes barros esta bem misturados1 e que o todo est bem amassado3 nos lugares brilhantes est a argilla mais pura4 ,como se molda os ladrilhos4 #cg ,os ladrilhos se poderia moldar1 como dissemos na arte de fazer tijollos1 do mesmo modo que a telha1 e o tijollo4 ,os telheiros na fazem de outro modo os tijollos1 ou chamados ladrilhos de telha1 para os distinguir dos ladrilhos de loua1 que sa muito melhores1 e trabalhados mais propriamente do que os de telha1 ou tijollos4 ,os oleiros da a figura quadrada em hum molde de po aos tijollos1 ou ladrilhos que chama de fornalha4 ,elles tambem fazem em hum molde inferior fig4 #c1 os ladrilhos para os celleiros1 ou quartos1 que requerem pouca attena2 elles na os aperfeioa1 nem apara como aquelles1 que se destina para sallas1 e quartos acceados2 mas por este methodo a superficie dos ladrilhos1 na he bem dirigida1 os angulos muitas vezes fica rombos1 e o barro na fica suficientemente comprimido3 por isto he que nos ladrilhos de salla1 os oleiros se aperfeioa mais4 #ch ,he verdade1 que elles comea mettendo o barro em hum molde1 segundo o tamanho1 que devem ter os ladrilhos para as peas de barro1 que chama de culumnas3 mas depois que o barro est meio secco1 elles o batem1 e comprimem muito4 ,deste modo perdem os ladrilhos a figura regular1 que o molde lhe tinha dado1 e isto os obriga a cortar por hum calibre de ferro1 que os oleiros chama molde3 este calibre1 ou padra de ferro he cortado regularmente1 segundo o tamanho1 e figura1 que se quer dar aos ladrilhos4 ,tudo isto se far claro pelas indagaes1 em que vamos entrar2 mas convm fazer antes notar1 que supposto se possa fazer ladrilhos triangulares1 quadrangulares com dous cantos obtusos1 quadrados1 longos1 etc4 ,na se fazem sena quadrados1 ou de seis panos fig4 #c1 e tambem alguns meios tijollos para os socalcos das fornalhas1 dos muros1 ou outras cousas4 ,estas duas qualidades tem a vantagem1 que os ladrilhos de hum mesmo tamanho se unem exactamente huns aos outros sem deixar vacuo entre elles2 se fossem de cinco faces ficaria entre elles vacuo1 que seria preciso encher2 e alis sendo os angulos1 agudos1 com facilidade se quebraria4 #ci ,sendo outogonos1 ou de oito faces1 necessariamente entre quatro ladrilhos1 fica hum espao quadrado1 que he preciso encher com hum ladrilho pequeno4 ,s se fazem estes ladrilhos de oito faces1 quando o ladrilho pequeno he de cr differente dos grandes2 taes sa os ladrilhos pretos1 e brancos1 que fazem os que trabalha em marmore4 ,tambem vi em algumas ,provincias ladrilhos1 que sendo cobertos de verniz de differentes cres1 formava huma boa vista4 ,variando a figura dos ladrilhos1 e a cr pelo verniz1 e tambem a sua posia1 se podem fazer muitos repartimentos simetricos3 disto fallarei adiante2 porm1 como os ladrilhos de qualquer figura se fazem do mesmo modo1 vou explicar com individuaa1 como os oleiros fazem os ladrilhos hexagonos ou de seis faces4 #dj ,o oleiro comea fazendo no molde hum grande ladrilho quadrado4 ,este molde he hum caixilho de po que faz os ladrilhos mais grossos do que devem ser2 na s por que diminuem1 quando secca1 mas tambem1 porque fica mais delgados quando se batem4 #da ,para moldar os tijollos1 tem o oleiro huma taboa grossa a b1 est4 ,i1 fig4 #d1 que est posta sobre cavalletes fortes1 e pe no meio desta taboa huma pedra dura e unida1 ou hum pedao de po g1 de tres ou quatro pollegadas de grosso1 que tem differentes nomes2 em alguns lugares se chama urquain na ponta deste pedao de po dd est posto hum vaso cheio de agua ee1 e sobre o vaso hum instrumento de po que chama plaina ff e por diante est o caixilho1 ou molde gg4 ,alguns pe da parte esquerda do moldador hum blo de barro h1 destinado para encher o molde3 tambem se pe ahi o barro1 que se tira com a plaina ff4 ,outros tira s a quantidade1 que caressem1 de hum monte de barro ,h1 que est sobre o soalho1 perto delles4 direita do moldador est hum monte de ara i1 e se deve ter sobre a meza hum lugar k1 para se porem as obras j moldadas4 #db ,o moldador posto adiante da mesa1 toma com a ma esquerda hum bocado de ara1 e a espalha sobre a mesa1 ou sobre o pedao de po g fig4 #d1 pe por cima o molde tambem esfregado na ara2 depois o enche de barro comprimindo o com as mas o mais que pde2 porque este barro deve ser mais duro1 do que se servem os telheiros4 ,depois de estar o molde bem cheio por todas as partes1 o moldador toma a plaina ff fig4 #d2 molha-a na agua1 e pegando nella com ambas as mas1 a passa fortemente por cima do molde1 para tirar todo o barro1 que excede grossura1 que deve ter2 depois pegando no molde por hum dos cantos o puxa para si1 e mette a ma esquerda por baixo da pea1 para a soster a pe sobre as outras k fig4 #d1 e como este barro he amassado duro1 se pde passar de hum lugar para outro em as mas sem ficar com defeito4 ,a pouca ara1 que fica por baixo da pea1 basta para na a deixar pegar na outra sobre que se pe4 #dc ,depois de terem endurecido alguma cousa as peas1 ou ladrilhos1 que se tem tirado do molde se lana em huma especie de taboletas feitas de varas maneira de canios1 para o ar lhe dar de todas as partes2 e seccallas por cima se pe huma coberta de taboas para a chuva os na molhar4 #dd ,quando esta j meios seccos se vira debaixo para cima para seccar a parte1 que fica por baixo a polla no mesmo gro de seccura1 que a de cima4 #de ,em quanto estes ladrilhos esta ainda flexiveis se pe sobre hum banco forte huns sobre os outros1 e se batem com a parte chata do masso4 ,depois de batidos assim os ladrilhos1 se torna a pr sobre as varas1 aonde fica mais ou menos tempo1 conforme o calor do ar4 ,logo que o oleiro os julga sufficientemente seccos1 os tira das varas1 mas como o exterior sempre est mais secco que o interior1 quebrar-se-hia1 se acaso se tornassem a bater neste estado4 ,previne-se este accidente pondo-os em pilha1 huns sobre outros cinco ou seis dias1 para amolecer as superficies1 que estava seccas2 estas pilhas se fazem em hum quarto baixo1 e alguma cousa humido4 ,alm de que o ar humido deste lugar abranda a superficie das obras feitas1 e a humidade do seu interior se communica superficie1 que j estava bem secca4 ,quando se acha j bem flexiveis se tira da pilha1 e se torna a bater com mais fora do que antes no mesmo banco1 e logo se corta por medida certa em quatro partes2 depois se pe em pilhas de vinte cada huma junto a huma parede1 defendidos da chuva por huma coberta3 quando o barro est j hum pouco secco1 se pe na ponta de hum banco pilhas destes ladrilhos1 hum obreiro posto a cavallo no banco1 pega em hum molde de ferro est4 ,i1 fig4 #e1 da grossura de cinco linhas1 que est talhado em faces precisamente do tamanho e da figura1 que os ladrilhos devem ter1 e com hum cutello curvo fig4 #f1 corta tudo o que excede a pea de ferro1 que os oleiros chama molde4#i ,hum bom obreiro pde aparar #ahjj ladrilhos por dia4 ,as aparas cahem em hum peneiro1 onde se conserva para as misturar com o barro novo1 quando se fizer nova amassadura4 ,quando sahem os ladrilhos da ma do aparador1 va j em figura de ir para o forno1 logo que estiverem bem seccos4 #df ,seria impossivel fazer o primeiro molde tamanho1 que depois dsse quatro ladrilhos grandes2 estes assim se molda em huma frma maior cada hum separado1 como se fazem os tijollos de fornalhas2 com a differena porm de que os tijollos de fornalha1 na se batem1 nem se apara2 e os ladrilhos grandes1 que se fazem com aceio sa batidos1 e aparados por moldes1 como os pequenos4 #dg ,os ladrilhos feitos como acabamos de explicar1 carecem estar bem seccos para irem para o forno3 porm na se expe ao ,sol1 mas sim em parte onde lhe d o vento1 ou em lugar aonde chegue o calor do forno4 #dh ,quando os ladrilhos esta de todo seccos1 resta cozellos1 o que se faz como vamos a explicar4 ,do forno#aj1 e do modo de arranjar nelle os ladrilhos para se cozerem4 #di ,na arte de telheiro1 e de fazer tijollos se vem os fornos1 de que se servem alguns oleiros para cozer os ladrilhos3 onde se pde consultar o que nos dissemos a este respeito1 aqui trataremos s1 de duas qualidades de fornos1 de que se serve a maior parte dos oleiros de ,pars na smente para coser seus ladrilhos1 mas tambem toda a qualidade de louas3 depois fallarei dos fornos1 de que se servem os oleiros dos arrebaldes de ,saint ,antoine para cozer suas obras3 e por hora fallarei s dos fornos1 que esta mais em uso nos arrabaldes de ,s4 ,marceau2 elles vem representados na est4 ,i1 fig4 #g1 #h1 #i4 ,a fig4 #g representa o plano do forno2 a fig4 #h he a divisa deste mesmo forno no comprimento pela linha ,a1 ,c2 e a fig4 #i he huma divisa transversal pela linha ,g1 ,h1 da fig4 #g3 ,a he a boca do forno1 ou entrada da fornalha2 na qual se pe madeira para esquentar o forno1 como se v de ,a1 at ,b1 fig4 #g1 e #h2 de ,b1 at ,c1 he a capacidade interior do forno1 aonde se arranja os ladrilhos1 ou a loua1 que se quer cozer2 ,c1 ,d1 fig4 #h1 he hum tubo da chamin por onde sahe a fumaa4 ,como a communicaa do interior do forno com este tubo1 para descarga da fumaa1 he por baixo perto do pavimento do forno em ,c1 he preciso1 que a corrente de ar1 que entra pela boca ,a1 passe ao tubo ,d1 pelos buracos ,c4 ,deste modo1 tendo seguido a curvatura da abobada1 at perto de ,m1 fig4 #h2 o ar quente desce ao longo das paredes do tubo da chamin1 que se chama ,lingueta1#aa para ganhar os buracos1 que esta em ,c1 e tornar ao tubo ,c1 ,d4 ,por esta construca1 que he bem entendida1 o calor se distribue muito bem por todo o comprimento do forno3 mas1 como he mais estreito na sua entrada ,k1 ,i1 fig4 #g1 do que no fundo1 os lados em ,g1 ,h na recebem tanto calor1 como no meio2 mas isto se remedeia2 arrumando lenha nos dous lados1 como se v na fig4 #g1 e como adiante explicaremos4 ,f1 fig4 #g1 he huma porta1 por onde se entra no forno para o encher2 depois do forno cheio1 se tapa com hum muro de tijollos1 e se accende o fogo4 #ej ,antes de metter no forno alguma loua se levanta1 com tijollos em ,i1 ,h1 at a abobada1 huma separaa que tem aberturas1 pois se deixa entervallos entre os tijollos1 ou como dizem os obreiros crenaux#ab1 para que o calor do fornete ,a ,b4 se communique o forno4 ,esta separaa1 recebendo a mais viva aca do fogo1 chama-se la fausse-tire1 a qual se na desmancha em cda huma fornada1 pelo contrario se repara para que dure o mais que for possivel4 #ea ,como a parte de diante do forno est tapada em ,i1 ,k1 pela fausse-tire#ac he preciso carregallo pela abertura ,f1 e comea-se1 formando as tres primeiras ordens da parte da fausse-tire1 para isto se desmancha huma ordem de tijollos de fornalha1 que se pe de parte1 como se v em a fig4 #h1 entre as quaes se deixa huma aberta de quatro pollegadas e meia1 e se dispe estas abertas para estabellecer debaixo da fornalha huma corrente de ar quente1 de modo1 que pela subtileza do ar esquentado1 suba sempre melhor abobada4 ,sobre estes tijollos se arranja as pilhas de ladrilhos1 que se pe deitados1 como se v na fig4 #g1 de modo1 que haja dous dedos de distancia de hum ao outro ladrilho1 e que o meio do ladrilho da ordem superior corresponda ao vcuo dos ladrilhos da ordem inferior4 #eb ,depois de se terem levantado at abobeda quatro pilhas de tijollos ordinarios1 se pe achas de lenha entre as paredes do forno1 e as pilhas de tijollos3 depois se arranja sobre o pavimento do forno1 os tijollos de fornalha1 e por cima as pilhas de ladrilhos de ,sala2 acama-se nos lados as achas de lenha1 como se v fig4 #g1 e alm de huma ordem de achas em p1 que atravessa o forno1 como se v fig4 #g1 segundo a linha de ,g1 e ,h1 e se continua a encher o forno pondo por baixo os tijollos de fornalha1 e por cima os ladrilhos4 ,depois de se terem formado duas1 ou tres pilhas1 se pe achas de lenha entre as pilhas de tijollo1 e as paredes do forno1 alm disto se pe huma ordem de achas sobre a parede do fundo do forno1 que se chama ,lingueta4 ,quando as achas de lenha1 que se pe de p na tem o comprimento sufficiente para tocar na abobeda do forno por na perder lugar1 se pe por cima ladrilhos de sala dos maiores4 ,continua-se1 como temos explicado1 at chegar abertura ,f1 fig4 #aj2 para formar as ultimas ordens se pe sempre tijollos de fornalha3 as pilhas de ladrilho ordinario1 e as achas1 como j dissemos2 porm por na fechar a entrada ,f1 se comea1 enchendo primeiro o lado opposto abertura1 e se acaba por esta mesma abertura ,l1 que se fecha por huma parede de tijollos1 como j dissemos4 #ec ,em hum forno semelhante ao que se representa1 que tem dez ps de ,k1 a ,l1 e sete de ,k1 a ,i1 para cozer os ladrilhos se gasta carga1 e meia de madeira tanto para arranjar entre os ladrilhos como para a tempra#ad1 e huma camada de lenha rachada para queimar na fornalha ,a1 ,b1 e fazer o cozimento da loua2 a isto chama os oleiros la chasse4#ae #ed ,os que se lembrarem1 do que dissemos na arte de telheiro1 vera que he preciso primeiro esquentar o forno com hum pequeno fogo de pos grossos1 que faa mais fumo1 do que chamma4 ,por mais secco que parea o barro1 he preciso lanar fra ainda muita humidade no forno3 se esta dissipaa se apressar1 o barro se quebrar1 indo porm de vagar1 dissipa-se a humidade sem fazer estrago4 ,este pequeno fogo1 he que os oleiros chama humedecer1 talvez porque a loua com este pequeno calor se faz humida4 #ee ,accende-se hum pequeno fogo de pos grossos na boca da fornalha entre ,a1 e ,b1 fig4 #g1 e #h2 isto se contina trinta e seis horas1 para que as obras se esquentem pouco a pouco1 e perca a humidade1 que lhe resta1 ainda que os tijollos parea bem seccos quando se mettem no forno4 ,nas doze ultimas horas augmenta-se hum pouco o fogo1 e depois se faz no mesmo lugar hum grande fogo de lavareda com lenha secca1 e se contina por sete1 ou oito horas1 os pos que se mettera pelos lados1 e entre as pilhas dos ladrilhos1 se queima tambem e contribuem para ficarem perfeitamente cozidos4 ,finalmente na se pe mais lenha na fornalha1 e se lhe tapa a boca com huma chapa de ferro1 para ir esfriando pouco a pouco1 passados #g ou #h dias1 se tira a loua do forno4 ,,artigo ,,iii4 ,das obras de ladrilho4 #ef ,como em ,pars as obras de ladrilhos fazem parte do officio de ,oleiro1 he preciso fallar aqui dellas4 #eg ,nos lugares aonde ha gesso1 todas as obras de ladrilho se fazem com elle2 mas aonde o na ha1 se ladrilha com argamaa de cal1 e ara1 betume1 ou algumas vezes com huma mistura de argamaa1 e gesso2 na fallo aqui de hum mo modo de ladrilhar1 de que usa os paisanos1 assentando os ladrilhos sobre a argilla bem amassados com bastante ara1 para na encolher tanto o barro4 #eh ,quando se tem de ladrilhar com argamassa1 he preciso embeber bem de agua o ladrilho logo ao sahir do forno3 sem esta precaua o ladrilho atrahe a agua da argamaa1 e em lugar de tomar corpo se descompe1 e se torna quasi em ara pura4 #ei ,como a argamaa se pega menos ao barro do que o gesso1 alguns manda fazer por baixo do ladrilho1 regos1 ou buracos com hum pedao de po1 que se mette por baixo do ladrilho depois de o bater1 porm isto na est em uso4 #fj ,em ,pars todas as obras de ladrilho se fazem com gesso2 mas1 como o gesso vivo incha muito1 quando se usa delle puro1 por isso vem estas obras a ficar com defeito4 ,pde-se prevenir este inconveniente1 ou misturando o gesso hum pouco molle com cal1 ou ladrilhando por camadas1 e na pr outra em quanto na sca a primeira2 ao menos se deve evitar pr o ladrilho encostado parede de encontro1 e se dever deixar alguns ps em roda sem ladrilhar at o gesso dos ladrilhos do meio1 ter acabado de inchar2 h bons ladrilhadores1 que tendo precaua1 chega a ladrilhar com gesso s1 e a sua obra he melhor2 mas pela a maior parte os ladrilhadores mistura o p de carva peneirado com o gesso1 para elle na inchar tanto2 quanto mais p lhe ajunta1 menos temem1 que lhe inche o gesso2 e assim ladrilha com mais facilidade2 porque o gesso assim na pega com tanta promptida1 e elles na gasta tanto2 e isto he utilidade sua1 porque elles mesmos da o gesso4 ,por todos estes motivos ajunta elles tanto p de carva ao gesso1 que elle na toma corpo1 e quasi na se pga ao ladrilho2 ao contrario porm o gesso puro se pga tanto ao barro cozido1 que se na podem separar dous ladrilhos1 estando unidos hum ao outro com gesso4 ,seria melhor em lugar do p de carva misturar ara boa1 que faz corpo com o gesso1 e tambem o na deixa inchar tanto1 como se fra o gesso vivo4 #fa ,eu vi hum bom ladrilhador1 que em lugar do p de carva ajuntava ao gesso ferrugem de chamin2 esta mistura na deixa o gesso prender com tanta promptida1 e assim tinha elle tempo de assentar melhor os ladrilhos4 ,disse-me elle que este gesso assim na inchava tanto1 e me pareceo1 que estes ficava muito duro1 e muito adherente aos ladrilhos2 e por isso penso1 que se deve adoptar este methodo1 aonde ha gesso1 e ferrugem com facilidade4 #fb ,quando o gesso he raro1 e a ferrugem difficil1 se pde segurar bem o ladrilho com huma mistura de gesso1 e argamaa de cal1 e ara1 ou betume4 ,esta especie de argamaa bastarda1 que os nossos obreiros chama gchis1#af incha pouco2 com o tempo se torna muito dura2 e como se demora em inchar1 pde o ladrilhador com facilidade assentar os seus ladrilhos4 #fc ,em ,pars os pedreiros sa os que fazem o lugar em que se devem assentar os ladrilhos2 mas nas ,provincias os ladrilhadores1 pe ao nivel1 e aprompta o pavimento1 e lugar em que ha-de assentar os ladrilhos1 ou tijollos1 elles o fazem ordinariamente espalhando carva moido na parte1 e depois assenta em cima huma regua com hum nivel4 ,logo que o lugar est prompto lana por cima do p huma agua de gesso muito clara1 para lhe dar alguma consistencia4 #fd ,os ladrilhos fica mais seguros1 quando se assenta sobre o gesso puro1 ou simplesmente misturado com huma pouca de ara boa2 mas deve-se assentar o ladrilho depois do lugar estar secco1 e o gesso ter acabado o seu effeito1 hum assento da argamaa de cal1 e ara tambem he bom2 e o peior modo1 he o de assentar o ladrilho sobre o p de carva puro1 que sendo comprimido1 se abate1 e se desordena com facilidade2 por na poder dar hum assento slido ao ladrilho1 ou tijollo4 #fe ,em algumas ,provincias se prepara o pavimento com tufo branco1 que se passa por grades1 ou canissos1 humedece-se hum pouco2 para que sendo batido tome alguma firmeza4 #ff ,em outro tempo se carregava muito os pavimentos2 porm agora1 como os carpinteiros pe a madeira bem desempenada1 e igual na grossura2 recommenda-se aos ladrilhadores1 que na ponha muita carga por na pezar sobre as vigas4 #fg ,quando os quartos ou celleiros1 que se querem ladrilhar tem o assento preparado1 o ladrilhador estende huma corda por todo o comprimento da pea1 e pe por cima do gesso1 ou argamaa1 huma ordem de tijollos1 examinando sempre se vai direita1 e ao nivel1 porque esta primeira ordem he a que regula as outras2 pois1 sendo todos os ladrilhos1 ou tijollos feitos exactamente do mesmo tamanho1 formra ordens iguaes1 e bem direitas1 se o ladrilhador os pe de modo1 que na haja junta4 ,com tudo se por defeito do oleiro1 ou do ladrilhador ficarem as ordens alguma cousa curvas1 se remediar esta falta1 deixando huma junta1 ou emenda na curvatura4 ,isto sempre he hum defeito1 mas pouco sensivel1 quando a curvatura he pouco consideravel1 e que se indereita pouco a pouco4 ,como esta primeira ordem1 ou fileira deve dirigir todas as mais1 logo que estiver bem assentada1 se deve recommendar o na andar sobre ella pela na desordenar4 ,pe-se depois as outras fileiras1 de sorte que hum dos angulos que falta no tijollo1 que se pe se assenta no angulo1 que entra dos tijollos1 que esta postos na fileira1 deste modo vem a formar linhas obliquas4 #fh ,os ladrilhadores conserva o nivel em toda a extensa do pavimento por hum modo bem simples1 e expediente2 pe hum bocado de gesso1 ou argamaa no lado dos ladrilhos1 j postos1 tendo o cuidado1 de que fique a argamassa de huma grossura igual2 se usa do gesso pe s em huma extensa1 que occupe oito tijollos ou ladrilhos1 para terem tempo de os pr em seu lugar antes do gesso1 indurecer muito3 assenta1 por cima dos ladrilhos postos1 huma rgua de po de duas pollegadas de grosso e tres e meia de largo1 e lhe batem fortemente4 ,levanta com a ma esquerda esta rgua1 e batem sobre os ladrilhos at ella assentar igualmente sobre todos4 ,fica evidente1 que os postos por ultimo esta ao nivel depois da rgua assentar em todos igualmente2 o que se faz com facilidade pelas pancadas fortes1 que fazem enterrar os tijollos pelo gesso1 ou argamaa4 ,se alguns fogem da direca1 se abatem muito por falta do gesso1 o ladrilhador os levanta com a colher2 tira o gesso que estava por baixo1 e pe outro tijollo1 que fique sem defeito4 ,finalmente1 tendo acertado os ladrilhos1 rapa com o corte da colher o gesso1 ou argamaa1 que sobra por cima delles1 e pe outra vez ao lado dos tijollos hum bocado1 como acima se disse em extensa que occupe s #g1 ou #h1 tijollos1 que pe de novo1 e assim segue at acabar4 ,indo a encontrar na parede1 pde enta misturar carva em p com o gesso1 para que elle na inche2 porque aqui na esta sujeitos a sahirem do seu lugar como no meio4 #fi ,os ladrilhadores enchem as juntas1 que fica entre os ladrilhos1 postos algumas vezes com gesso misturado com argamaa de cal bem dura1 que lana com fora entre as juntas que fica2 outros lana sobre os ladrilhos agua com gesso muito liquida4 ,tira-se o gesso1 ou argamaa que se acha por cima dos ladrilhos1 esfregando-os com ara1 ou com palhas1 e depois de bem limpos se pinta com oleo1 pe-se-lhe cra1 e esfrega4 ,os tijollos de ladrilhar1 como se gasta1 e fica com covas pelo lugar1 por onde se anda1 e mesmo ao varrer por serem as vassouras commumente de alamo por evitar estes inconvinientes1 unta com sangue de boi1 que lhe d huma slidez muito duravel4 ,em algumas provincias se enverniza os ladrilhos1 como a loua1 forma divises bem agradaveis1 que varia por muitos modos4#ag ,,artigo ,,iv4 ,modo de fazer os differentes vasos1 e utensis de casa com o mesmo barro1 que serve para fazer os ladrilhos4 #gj ,os oleiros de ,pars para fazerem differentes obras se servem do mesmo barro dos ladrilhos2 s da a preferencia a certas veias onde a argilla he mais branca tirando hum pouco sobre o vermelho a qual os oleiros chama bom barro2 tira-se de ,arcueil1 e de ,vanvres1 como para o ladrilho2 liga-na com a mesma ara1 e na mesma quantidade1 que para os ladrilhos4 ,como se amassa com mais cuidado1 na se pde pr a amassar mais de huma celha1 ou quando muito duas de barro por cada vez4 #ga ,alguns oleiros1 depois do barro amassado1 lana hum torra sobre huma mesa grossa1 e o batem com hum mao de ferro1 como se faz no barro de pitos1 e esta operaa he muito boa2 porm ainda que elle tenha sido amassado1 e batido1 he preciso repassallo pelas mas para lanar fra algumas pyrites1 e pedras1 que possa ter ao que chama voguer4#ah ,para este fim amassa o barro sobre a mesa de moldar1 como fazendo huma pasta2 elles ajunta depois hum torra grande1 e passando alternativamente a palma da ma sobre este barro1 tira de cada vez huma camada bem delgada2 e assim com facilidade encontra os corpos estranhos1 e os lana fra4 ,depois de terem assim passado outro tanto1 como o volume de huma libra de manteiga1 amassa este torra que da a figura de hum cylindro1 dividem-no em dous1 e tendo huma ametade em cada ma1 as unem batendo com fora huma contra a outra2 depois o torna a amassar de novo1 e repetem esta manobra muitas vezes1 e va sempre lanando fra os corpos estranhos que encontra1 e acaba fazendo torres de barro maiores1 ou menores1 segundo o tamanho dos vasos1 que elles se prope fazer4 ,os oleiros tem differentes modos de vogar o barro3 porm todos consistem1 em trabalhar muito o barro para o amassar bem1 e separar-lhe todos os corpos estranhos1 que nelle se acharem2 porque para as obras que elles sa obrigados a dar baratas1 na podem fazer as despezas de lavar seus barros1 e de os passar pela peneira 7ou por hum crivo feito de arame de lata fino7 como fazem os que trabalha em loua fina4 ,a operaa de vogar he trabalhosa2 porque para a maior parte dos utensis1 que fazem os oleiros1 se deve amassar o barro muito mais duro do que para os ladrilhos1 principalmente havendo se de fazer vasos grandes1 porque na se poderia suster2 e o barro voga-se com muito mais cuidado para humas obras do que para outras4 #gb ,das obras de oleiro1 humas se fazem inteiramente ma1 como as caldeirinhas quadradas ,f1 fig4 #aj est4 ,i1 outras s se fazem na roda1 como os vasos de flores1 as tijellas1 e alguidares ,k1 fig4 #aa1 que na tem azas1 outras se fazem parte na roda1 e parte a ma1 como os vasos de tres ps1 as marmitas fig4 #ab1 os escalfadores fig4 #ac1 as caarolas fig4 #ad1 o corpo das quaes se faz na roda1 e os ps1 azas1 e orelhas se pe de fra ma4 #gc ,agora comeo a dizer alguma cousa sobre o trabalho da roda1 ou torno2 tambem explicarei como se acommoda nella differentes peas2 depois darei alguns exemplos das obras1 que se fazem inteiramente ma4 ,do modo de fazer os vasos na roda4 #gd ,ha duas especies de rodas3 huma he de ferro1 e esta he verdadeiramente a roda de oleiros2 e outra he de po e se chama o torno4 ,quasi todos os oleiros de ,pars se servem dellas2 porm adoptara a dos oleiros de loua fina vidrada4 #ge ,descripa da roda de ferro aa ,est4 ,i1 fig4 #e1 he o meio da roda1 que tem a pequena roda bb1 em alguns lugares se chama gimble1 sobre o qual est a obra cc1 em que se trabalha4 ,no meio aa1 se ajunta os raios da roda dd1 que sa de ferro4 ,nesta figura s se vem dous2 porm a roda tem seis1 como se v na figura #af4 ,estes raios vem dar em hum circulo de ferro1 ou ambos1 cuja grossura s se v aqui representada pela linha ee2 o meio aa1 diminue de grossura em ff1 e ainda mais em gg1 esta parte1 que he cylindrica1 e pontuada na figura1 he recebida por hum buraco em hum grosso pedao de po g1 que fica bem seguro por huma cruz de po hh1 e pelas prises ii4 ,em primeiro lugar he preciso conceber1 que o meio aa1 a parte ff1 e o cylindro pontuado g1 sa tomadas em hum mesmo pedao de po2 em segundo lugar que a parte cylindrica pontuada he recebida em hum buraco fundo1 que est no centro do pedao de po g1 no qual pde virar2 que este cylindro pontuado1 que tem a parte ff assim como este que nos temos chamado o meio aa1 por cima do qual est a pequena roda bb1 sobre a qual est a obra cc4 ,aqui se v1 que os raios dd1 sa obliquos1 de sorte que por suas revolues1 forma hum conico cortado em aa2 ,k sa as pequenas mesas1 que esta em roda do obreiro1 em que elle pe as bolas de barro1 de que vai fazer as obras1 e as mesmas obras depois de feitas1 huma gamela com agua1 hum calibre de ferro ordinariamente1 a que chama atelle ,l1 he huma taboa inclinada sobre a qual se assenta o obreiro4 ,tudo isto se tornar mais claro lanando os olhos sobre o plano perspectivo fig4 #ag4 #gf ,a he o meio da roda3 b a pequena roda1 que sustenta em si a obra c1 na qual se trabalha3 d1 os raios da roda ee1 cambas da roda3 f a parte cylindrica do meio1 por baixo do qual fica a que est pontuada na fig4 #a1 perto de g3 h a taboa que esta segura aqui por huma massa de gesso3 k as mesas pequenas1 sobre que se pe a obra logo depois de feita3 l1 a taboa inclinada1 em que se assenta o obreiro3 m1 taboas grossas inclinadas1 que tem entalhes profundos1 em que os obreiros pe os ps como se v fig4 #af1 e #ag2 estas especies de assento para os ps se chama poiaes3 n sa as obras j acabadas3 o1 blos de barro para fazer outras obras3 p1 os pilares1 ou ps direitos1 que sustm as mesas k1 l4 #gg ,a figura #af representa a mesma maquina vista em plano1 e virada para se poder ver a roda por baixo3 g1 a parte cylindrica1 que entra em hum buraco fundo feito na pea g3 f1 parte cylindrica mais grossa2 aa1 o meio da roda aonde se ajunta os raios d3 ee1 a camba3 p sa os encaixes destinados para receber os ps direitos que sustem as mesas k1 e o assento l3 m1 lugar de pr os ps4 #gh ,nos campos muitas vezes he de po1 tudo o que aqui se representa de ferro2 neste caso a camba da roda he muito grossa3 para que com o seu peso conserve por mais tempo o movimento1 que o oleiro lhe imprime4 ,como ellas sa menos perfeitas que as de ferro1 escuso entrar em individuaes a seu respeito4 #gi ,para se trabalhar sobre esta roda1 he preciso imprimir-lhe hum movimento circular rapido1 com hum po a1 est4 ,,ii1 fig4 #d1 que se chama virador4 ,v-se nesta fig4 #d1 hum obreiro disposto para pr a roda em movimento2 est sentado no assento l1 os ps esta nos entalhes dos lugares de ter os ps m2 e com huma ponta do virador a1 toca em hum raio de roda para a fazer andar1 e imprimir-lhe hum movimento circular1 que ella conserva bem tempo para o obreiro1 fig4 #e1 poder formar hum vaso4 ,do torno1 ou roda1 que os oleiros de obra grossa tomra dos de obra fina4 #hj ,esta roda a1 fig4 #ah1 est4 ,i1 he de po1 e tem de grosso tres ou quatro pollegadas1 para que o maior peso lhe faa conservar o movimento mais tempo2 ella he atravessada por hum eixo de po1 ou de ferro b1 que finda por baixo da roda em hum mancal3 este eixo passa ao nivel da mesa por hum colar1 e tem na sua extremidade superior huma roda pequena c1 sobre a qual est a obra d2 o obreiro h1 estando assentado hum pouco obliquamente sobre a taboa inclinada i1 tem muitas vezes as pernas ambas do mesmo lado de sorte1 que o eixo b1 lhe passa por detraz da perna esquerda2 muitas vezes tem as pernas abertas1 e o eixo lhe passa pelo meio1 estando os ps apoiados1 e o esquerdo fica na travessa g1 da mesa3 f1 he huma gamella com agua3 tendo o obreiro o p esquerdo sobre a travessa g1 apoia o p direito ligeiramente sobre1 a roda e empurrando-a para diante lhe imprime hum movimento circular1 que se communica a roda pequena c1 sobre a qual est a obra d4 ,como esta roda na vira ta veloz1 quanto a de ferro1 o obreiro pde formar a sua obra com mais regularidade1 e pde accelerar-lhe o movimento1 ou retardarllo conforme lhe parecer1 e paralla mesmo quando quer3 o que se na pde fazer com a roda de ferro4 #ha ,quando o obreiro tem as pernas ambas do mesmo lado1 se tem a direita canada1 pde tocar a roda com o p esquerdo3 algumas vezes para tocar a roda mais ligeira se vale de ambos os ps para a tocar4 #hb ,ha alguns oleiros ,alemes1 que tendo o eixo b1 entre as pernas1 se servem de ambos os ps2 mas he preciso enta1 que o p direito toque a roda para diante1 e com o esquerdo a puxe para si3 com o uso se vem a facilitar este movimento dos ps em sentidos contrarios4 #hc ,a roda de ferro he commoda para fazer obras1 que na requerem muita regularidade4 ,logo que o oleiro lhe imprime o movimento com o virador1 ella vira com muita ligeireza1 e seu movimento se enfraquece pouco a pouco1 e isto he muito vantajoso2 porque1 quando se comea huma pea a roda na pde virar muito ligeira1 mas para a acabar1 carece mesmo de virar devagar3 algumas vezes perde ella o seu movimento antes da pea1 estar acabada1 e enta precisa o oleiro com o virador tornar-lhe a dar novo movimento4 #hd ,como com a roda de po est o oleiro senhor de augmentar1 ou diminuir o seu movimento1 e ainda de interromper1 fica esta mais commoda para obras finas1 e que requerem mais exaca2 e ao presente os oleiros de ,pars j na fazem uso da roda de ferro4 ,trabalho do ,oleiro sobre a roda4 #he ,os oleiros molha as mas na s por se na pegar o barro a ellas1 mas tambem para alizar a obra1 que comea entre as mas ambas1 tendo huma dentro do vaso1 e a outra fra3 outras vezes aperta o barro entre o dedo pollegar e o index de ambas as mas4 ,he impossivel relatar todas as differentes posies que o oleiro d as mas2 muitas vezes varia a posia em huma mesma obra4 ,para aperfeioarem a obra1 ou diminuir-lhe a grossura1 se servem do calibre1 que elles chama atelli2 elles tem muitos de differentes figuras1 conforme requer a obra que elles fazem3 alguns destes calibres tem molduras1 e a maior parte sa de ferro2 mas tambem alguns sa de po4 #hf ,quando se v trabalhar hum habil oleiro de roda parece que o seu trabalho he muito facil de executar2 todavia requer muita destreza3 porque na he facil dar igualdade de grossura a hum vaso de barro tendo huma ma dentro delle1 e outra fra4 ,tambem se augmenta a difficuldade1 e se faz conhecer mais a habilidade do obreiro1 quando he preciso dar mais grossura ao vaso em humas partes1 do que em outras3 seria1 por exemplo1 mais facil fazer o fundo de hum alguidar mais grosso1 do que os lados2 com tudo he melhor que o fundo seja mais delgado1 que os lados4 ,outras obras precisa maior grossura na barriga ou bojo2 e hum habil obreiro chega a executar todas estas cousas com bastante exactida1 sem se servir de compao1 ou outra alguma medida4 ,na se limita s nisto2 porque estende1 ou aperta o barro1 sua vontade1 de sorte que tendo feito hum vaso grande1 o torna pequeno1 querendo1 e de largo o faz estreito1 se he alto o reduz a baixo2 e1 aproveitando-se da ductilidade do barro1 faz delle o que quer2 com tudo nota-se1 que os pratos razos e fundos1 etc4 que fora feitos na roda1 se quebra quasi sempre pellas linhas circulares1 o que na acontece aos vasos feitos em moldes2 parece1 que trabalhando-se o barro na roda algumas camadas se na unem perfeitamente4 #hg ,adiante representarei muitas obras1 que se fazem na roda2 mas para dar hum exemplo do que podem fazer os oleiros de obra grossa1 escolherei hum mealheiro ,est4 ,i1 fig4 #ai4 ,vou explicar como se faz esta pequena pea ta commum1 que he de hum s pedao1 fechado de todas as partes1 e feito inteiramente sobre a roda1 sem ser soldada1 nem feita de tiras1 ou pedaos3 o que parece difficil de executar4 #hh ,o oleiro torneia na roda a parte baixa1 ou fundo do mealheiro1 como se quizesse fazer hum pote ou vaso pequeno2 depois recalca o barro1 e aperta a abertura2 formando como hum pequeno zimborio1 e isto faz huma especie de aperto para isto aperta o barro da parte de fra com o dedo pollegar1 e por dentro o sustenta com o index1 e isto contina em quanto pde ter o dedo index dentro do mealheiro4 ,quando j na pde ter o dedo comprime com o pollegar1 e index huma pora maior de barro1 que fica reservada em roda do buraco1 e neste lugar frma hum bota1 que tapa inteiramente o mealheiro1 depois com a folha de huma faca abre a fenda por onde se introduz o dinheiro1 e por dentro nas margens desta fenda se forma rebarbas1 que na deixa sahir o dinheiro1 quando se sacode o mealheiro2 finalmente com hum fio de lata1 ou arame1 a que os oleiros chama serra1 despega o mealheiro da roda pequena sobre a qual se frma a loua4 #hi ,havendo-se de fazer na roda hum grande alguidar para ensaboar2 como as bordas sa grossas1 e elle he muito mais largo na boca do que no fundo1 he preciso usar de hum barro mais duro1 porque sendo molle1 na se poder suster4 ,como nestes alguidares se costuma fazer lugar de escorrer ou vazadouro a modo de goteira isto se faz antes de os despegar da roda2 para este fim se dobra com os dedos o lugar aonde se quer fazer a goteira em quanto o barro ainda est molle4 ,em fim1 estando feito o alguidar1 ou outra qualquer obra1 se despega da roda com huma folha de faca1 se a obra he pequena1 ou com hum arame se he grande4 #ij ,h alguidares grandes1 em que se pe orelhas2 porm estas na se fazem na roda2 adiante fallaremos delles1 assim como de outras muitas obras1 nas quaes he preciso pr pz1 e azas1 etc4 #ia ,os vasos communs de flores n1 fig4 #ag1 est4 ,i1 se fazem inteiramente sobre a roda2 devem ser hum pouco mais largos para cima do que para baixo1 para se poder tirar o torra direito1 e levar as plantas com o torra em que se crira3 em cima e na boca se lhe frma hum corda que os fortifica1 e os torna mais faceis de mudar de hum lugar para outro4 ,as gamelas tambem se fazem na roda1 e acaba em cima com huma borda grossa1 ou corda1 como inteiramente os vasos de flores4 ,os pratos se fazem do mesmo modo2 mas para as bordas acabarem com regularidade se servem do calibre4 #ib ,os vasos de despejos ,a1 ,b1 ,d1 fig4 #bj1 est4 ,i1 se fazem por duas vezes4 ,sabe-se que elles sa mais largos por huma ponta1 do que pela outra b1 que frma huma cinta1 ou anel de barro1 que se lhe pe quatro dedos distante da sua borda1 alguns oleiros chama anel1 e outros viret4 ,com huma s operaa se acaba todo o vaso1 e na ponta b1 fica mais estreito1 e ahi se frma hum anel3 e depois se despega de cima da roda pequena ou prato1 onde est pegado por hum bocado de barro1 que ahi se deixou2 acaba-se a ponta a1 mais larga1 que deve receber em si a ponta b1 que he mais estreita1 e tem o anel de que acima falamos2 estes vasos se fazem inteiramente na roda2 porm por duas vezes4 ,na he o mesmo a respeito dos vasos em dous ,e1 ,c1 fig4 #bj1 ou que se dividem em dous para corresponder dous assentos4 ,a este respeito se deve notar1 que h tubos de despejo que sa mais largos1 que outros2 e por isso se fazem tubos1 que tem hum p de diametro1 e outros s tem oito1 ou nove pollegadas4 ,ora1 quando se faz hum tubo de barro1 que se deve dividir em dous como ,e1 ,c1 a parte ,a1 ,b1 que corresponde a huma serie de tubos1 que se estende desde a cava1 at a divisa1 ordinariamente se faz com tubos de maior diametro1 e as divises ,e1 ,c1 se fazem com tubos de menor diametro4 ,para fazer o vaso ou tubo que se divide em dous1 sa precisos tres tubos hum grande1 e dous pequenos2 pe-se a seccar hum pouco est4 ,,ii1 fig4 #g4 o que explicarei com brevidade2 e tendo posto o grande pote sobre a mesa em que se ha de preparar est4 ,,ii1 fig4 #h1 com a ponta rebaixada para baixo1 chanfra-se a ponta larga que est para cima1 chanfra-se tambem as pontas mais estreitas dos dous tubos do molde pequeno1 para as soldar com o grande1 como se dir4 ,desta sorte os tubos1 que se dividem em dous se fazem parte na roda1 e parte ma2 mas por na separar daqui cousa alguma1 das que pertencem aos vasos de despejo1 por isso julguei dever fallar de tudo4 ,farei ver smente1 que se pde fazer a separaa dos tubos1 sendo ta grandes huns1 como outros1 como se representou em ,a1 ,b1 ,c1 ,d1 fig4 #bj1 est4 ,i4 ,comeo outra vs a fallar nas obras que se fazem inteiramente na roda4 #ic ,para fazer testos de potes1 marmitas1 escalfadores1 fogareiros etc4 como ,i1 ,est4 ,i1 fig4 #ab1 pe se sobre1 a roda pequena1 ou prato hum blo de barro2 do qual se querem fazer varios testos1 comea-se primeiro a formar a parte de baixo do testo1 que he hum pouco convexa no meio2 depois apertando-se com os dedos da outra ma o barro1 que est por baixo do testo1 se forma a parte de cima1 que he concava2 faz-se no meio hum bota1 e se acaba despegando-o do barro com o dedo1 ou folha de faca4 ,depois querendo se se pe o testo sobre o barro que est na roda1 e se aperfeioa enta pela parte de cima2 mas de ordinario se na pratica isto3 successivamente se tira tantos testos1 quantos pde dar o barro que est na roda4 #id ,os testos de fogareiros1 e escalfadores fig4 #ac1 ,est4 ,i1 se fazem pouco mais1 ou menos da mesma frma1 ainda que seja hum pouco mais compostos1 porque devem ter hum circulo1 ou anel que encaixa dentro da bocca do escalfador4 ,como se podem formar obras no torno com hum calibre4 #ie ,para calibrar as obras1 se usa de hum torno pouco mais ou menos1 como o da fig4 #ah4 ,elle tem huma roda a1 hum eixo b1 que tem a roda pequena1 ou prato c1 sobre o qual est a obra d4 ,est claro que ajustando-se por cima da mesa hum calibre1 que se possa chegar para diante1 ou retirallo da obra d1 vontade do obreiro certamente formar com exactida as voltas1 ou molduras1 que se quizerem na obra1 tirando-lhe por fra o barro1 que se ps de mais2 porm este calibre s pde formar o exterior1 e na se pde usar delle nos vasos1 que devem ser trabalhados tambem por dentro2 serve s para os ps destinados a sustentar vasos1 ou outras cousas de ornatos1 que ma se alimpa por dentro1 por na ser o interior de alguma consequencia2 mas pde-se fazer uso de hum torno quasi semilhante para os vasos de jardim1 como vou explicar4 ,como se fazem no torno vasos grandes de jardim4 #if ,quasi todos os vasos grandes de jardim se fazem por moldes2 com tudo elles se podem tambem fazer no torno1 com hum calibre grande ee1 entalhado nos lugares1 que devem sobresahir no vaso1 e formar os salientes nas partes onde os contornos do mesmo vaso devem ser ocas1 ou cavadas4 ,supponhamos1 que se quer fazer1 o vaso ,est4 ,i1 fig4 #ba2 faz-se de tres pedaos2 hum faz o p1 outro o corpo l1 e outro o testo m1 ao qual se ajunta alguns ornatos1 como hum globo1 huma pinha1 pomo1 etc4 ,vou agora explicar como se faz o corpo ,l1 sobre a mesa ,b1 ,est4 ,i1 fig4 #ba4 ,o calibre1 que anda em roda se forma de hum po vertical hh1 cuja ponta debaixo ou pia1 se introdus em hum buraco1 feito no meio da mesa aa1 que deve ser forte1 e por cima he sustida por hum cachimbo de po g1 que fica preza a huma pea tambem de po1 quadrada bb1 assim he preciso conhecer que o po vertical hh1 vira livremente sobre si mesmo4 ,este po deve ser bem forte para poder sustentar com firmeza a potencia ii1 que deve puxar o calibre ee1 que algumas vezes forceja muito pela impressa que faz no barro1 que excede do corpo do vaso4 ,tambem se ajuda a fazer firme o calibre segurando-o por baixo com a ma1 que vai sobre a mesa em o1 e com a outra ma tirando o barro1 quando se v que o calibre tem muito barro para levar4 ,percebe-se1 que as peas de po quadradas bb1 assim como a mesa aa1 devem estar bem firmes2 mas como se far por differentes modos1 segundo o lugar1 em que se levantar o torno1 eu me contento s em mostrallo4 ,o oleiro pe o seu barro sobre a mesa aa1 e tendo huma ma dentro do vaso1 e outra fra lhe far tomar pouco mais1 ou menos a figura1 que elle projecta dar ao vaso2 digo1 pouco mais1 ou menos2 porque o calibre ee1 he o que deve aperfeioar a figura do vaso4 ,este calibre ee1 he huma taboa pouco grossa1 cujas bordas termina em chanfro1 e sa talhadas de modo1 que o contorno das bordas faz1 por assim dizer1 a contra prova do vaso que se quer fazer4 ,deve-se segurar bem com parafusos em huma pea de po quadrada ii1 que frma huma potencia2 para se adiantar1 ou recuar este calibre1 segundo a grossura1 que se quer dar ao vaso1 a potencia ii1 he fendida1 e tem hum grande encaixe2 de sorte que afroxando o parafuso1 o calibre ee1 se pode chegar-se para diante1 ou recuar1 e se segura apertando o parafuso4 ,estando tudo assim disposto1 se faz virar ma o calibre ee1 que leva diante de si o barro1 que h de mais1 e o oleiro o accrescenta nos lugares aonde falta2 ao mesmo tempo pe o vaso1 quasi igual na grossura com hum calibre por dentro1 tirando o barro1 que ha de mais aonde he muito grosso4 ,finalmente1 quando o corpo do vaso est bem formado1 se deixa hum par de dias sobre a mesa1 para que o barro se faa mais duro2 depois se despega da mesa1 com hum arame2 tira-se o pedao de po g1 e tendo tirado o po hh2 como tambem o calibre ee1 pega-se no vaso com ambas as mas1 depois de tirado o po hh1 que o atravessa em seu eixo2 e se pe o vaso a seccar4 ,enta se faz o testo com outro calibre1 e o p tambem com hum calibre proprio a figura que se lhe deve dar4 ,depois de terem estado as peas algum tempo a seccar1 vira-se sobre a mesa1 em que se aperfeioa1 para se alimparem por dentro com hum instrumento proprio para isso ,y1 ,est4 ,,ii1 fig4 #a1 e formar-lhe aneis para se ajustarem differentes peas4 ,parecendo conveniente ao oleiro ajuntar azas ao corpo do vaso1 e adiante se explicar o modo de o fazer3 algumas vezes se segura fixo1 e immovel1 o calibre e o vaso he que vira sobre huma rodela1 que se move ma4 ,tudo isto pouco mais ou menos he o mesmo4 ,vasos grandes de barro cozido4 #ig ,todo o mundo conhece os vasos grandes de hum barro esbranquiado1 vidrados por dentro1 que chama talhas1 ,a1 fig4 #bj1 ,est4 ,,ii1 elles se fazem em ,provena4 ,muitas pessoas attentas sua saude1 para evitar os inconvenientes que poderia resultar do cobre1 manda vir estas talhas para conservar a agua de que usa4 ,ha algumas muito grandes1 que sa grossas1 e slidas2 com tudo cobrem-se tambem de esteiras de palha1 e com esta precaua dura muito tempo sem se quebrarem2 havendo cuidado no ,inverno de as ter em parte1 onde na gele a agua1 que tem dentro4 ,quasi todos os ,navios as leva para conservar a agua destinada para a meza do ,capita2 e em ,provena se conserva o azeite nestas talhas4 #ih ,o gosto1 que tem todos de conservar a agua em talhas1 tem obrigado aos oleiros1 que trabalha em greda1 a fazer potes ta grandes1 quasi como os vasos de que se acaba de fallar4 ,ha alguns1 que leva a quarta parte de hum almude4 ,eu os conservo no meu laboratorio de ,chymica em ,campagne feitos1 em ,saint ,fargeau1 vidrados por dentro2 os que se vendem em ,pars1 e os que tem torneira1 ou esguicho1 vem de ,picarda4 #ii ,porm vi em muitos lugares1 e igualmente tenho muito tempo vasos grandes de barro vermelho1 entre os quaes h alguns1 que leva mais de meio almude3 os que sa bem feitos a agua os na penetra1 inda que na seja vidrados4 ,servem para muitos usos2 para guardar lexivias2 para fazer salmouras em lugar de celhas de salgar carne2 e vi em jardins algumas1 que1 estando rodeadas de obras de pedra calcaria1 servia de conservar a agua1 para se regarem1 ou aguarem as plantas4 ,eu na sabia de donde vinha estes vasos1 e talvez se faa em muitos lugares2 mas ,mr ,desmarais me fez ver no calendario ,limousin do anno de #aggj hum artigo1 que julguei dever introduzir aqui4 #ajj ,hum quarto de legoa distante de ,montmoreau que fica seis legoas ao ,sul1 de ,angoulme se acha a ,cidade ,saint ,eutrope1 e quasi todos os habitantes desta ,cidade fazem loua4 ,conta-se ahi trinta familias todas empregadas neste trabalho3 vinte e cinco fornos esta sempre occupados em cozer loua miuda1 pratos pequenos1 grandes1 e panellas para o fogo de differentes tamanhos2 porm ha tres1 que esta destinados para cozer differentes obras1 e principalmente vasos grandes para fazer ,lixivia1 e salgar toucinho1 etc4 ,todos os oleiros1 que tem de cozer destes vasos grandes1 os leva a hum destes tres fornos4 #aja ,para esta qualidade de louas servem-se de huma argilla muito ductil1 que se acha junto da alda4 ,a occupaa das mulheres1 e dos meninos1 he humedecer1 e amassar1 esta argilla com huma massa de ferro sobre hum pila1 tambem da os ultimos talhes loua1 o que se chama aperfeioar3 porm na he isto s o que elles fazem1 ainda va cortar arbustos1 e pos miudos para aquentar os fornos de cozer as louas4 #ajb ,os homens fazem vasos grandes em huma roda muito simples ,d1 ,est ,,ii4 fig4 #c4 ella se frma de duas rodellas ,e1 1 semelhantes s de hum zimborio de moinho4 ,estas rodellas esta juntas huma outra por seis furos ,g3 a rodella ,f1 tem hum buraco em ,h1 para receber a espiga ou eixo ,i1 que est bem segura por baixo na terra2 de sorte1 que este zimborio em sua espiga1 ou eixo1 vem a formar como huma dobadoura4 ,o obreiro pe o barro sobre a rodella ,e1 e com o p que pe sobre a outra roda ,f1 a faz andar lentamente4 ,logo que est feita a primeira base do vaso1 elle trabalha os lados1 accrescentando successivamente rolos de barro1 que liga huns sobre os outros1 unindo as superficies interiores1 e exteriores com as mas3 deste modo chega a acabar vasos grandes1 os quaes torna redondos por meio do torno2 e elle tem cuidado de dar pequenas pancadas com a palma da ma no barro para o comprimir4 ,depois de seccos estes vasos se fazem cozer nos fornos grandes1 quasi semilhantes aos que se representara na ,est4 ,i1 fig4 #g1 #h1 e #i4 ,estas louas se vendem principalmente em ,angouleme1 ,perigueux1 ,saintonge1 ,bordeaux4 ,os oleiros na podem dar vasa s encommendas que tem dellas4 #ajc ,quando os vasos1 de que se tem tratado1 sa muito grandes1 se fazem de muitas peas3 huma frma o fundo1 outra o corpo1 e outra a parte mais alta2 e todas estas peas se unem com aneis de barro1 que se cozem com o vaso1 e fica ta slidas1 como se fossem de huma s pea4 #ajd ,v-se em alguns vasos1 feitos em ,normandia1 partes sahidas para fra e sa adornos2 algumas vezes estas partes postas circularmente1 servem de encobrir1 e fortificar os lugares1 em que fora as soldaduras4 #aje ,a fig4 #b1 ,m1 he hum grande vaso de barro1 no qual se pe algumas vezes huma torneira1 para fazer delle huma fonte1 ou lavatorio1 e substituir os de cobre3 h alguns que tem por dentro pratos desenhados por linhas pontuadas2 estes pratos esta cheios de buracos1 e se lhe pe ara grossa para filtrar a agua1 e fazer fontes areentas4 #ajf ,sa bem conhecidos os potes cylindricos de ,normandia1 em que vem as manteigas de ,isignes4 ,depois de vazios1 as familias pequenas se servem delles para conservar agua4 ,a fig4 #f1 ,p1 est4 ,,ii1 he huma botelha de barro de ,normandia4 ,quando se faz no torno a barriga ,,qq1 e o gargallo ,r1 se solda na barriga no lugar ,t4 #ajg ,na fao huma maior relaa das differentes obras1 que se fazem inteiramente no torno2 pois o que se acaba de dizer bastar para fazer perceber o modo porque se fazem aquelles1 de que se na falla3 agora vou fallar das obras1 que se fazem1 parte no torno1 e parte na mesa para lhes pr azas1 e ps4 ,,artigo ,v4 ,das obras1 que se fazem parte na roda1 e parte na mesa para lhes pr azas1 e ps4 #ajh ,depois de comeadas estas obras no torno1 e se lhes ter dado a figura1 que devem ter1 se despega da rodella com o fio ou arame de latam1 e se pe sobre humas taboas1 a que chama armaa de ripas1 ,d ,est4 ,,iii1 fig4 #d1 porque esta ao tempo1 e se frma de ripas2 deixa-se seccar as obras hum pouco1 ou endurecer sombra1 mesmo defendidas de huma grande corrente de ar1 porque he preciso1 que sequem lentamente4 #aji ,depois das obras estarem alguma cousa duras sobre as ripas1 se transporta para huma mesa pondo humas ao p das outras para as aperfeioar4 #aaj ,esta operaa consiste em remediar a ma os defeitos1 que se lhe percebem2 se ha barro pegado em huma parte1 se tira com huma faca de po muito estreita que se molha2 se as bordas de algum vaso se inclinara para alguma parte1 indireita-se2 se na barriga se fez alguma cova1 passa-se a ma por dentro do vaso para o endireitar fazendo vir para fra2 se as boccas1 que devem ser redondas1 apparecem ovaes1 se indireita apertando-as entre as mas4 ,algumas vezes he preciso cortar por baixo os vasos para ficarem com o assento mais firme2 isto se faz pondo a bocca do vaso sobre a mesa1 e o fundo para cima2 depois se tira o barro com hum instrumento de ferro ,y1 fig4 #a1 ,est4 ,,ii1 que tem crte4 ,da-se de differentes formas huns sa1 direitos1 outros curvos1 chama-se tournassin4 #aaa ,sobre a mesa tambem he1 que se pe os ps1 os cabos1 e azas nas peas1 que os devem ter4 #aab ,todas estas cousas sa peas relativas que se solda nos lugares1 em que se devem pr1 tendo-se feito ma sobre huma mesa4 ,o modo de soldar os cabos1 as azas1 e os ps he o mesmo2 porm devem haver certas precaues por se na despegarem estas peas4 ,alguns exemplos bastara para se perceber esta pequena manobra4 #aac ,tomo por exemplo huma marmita2 frma-se no torno a barriga1 o gargallo e a borda1 e deixando-se sobre as ripas este corpo de marmita1 se pe sobre a mesa para o aperfeioar1 e ajuntar-lhe as azas4 ,os oleiros se porta nisto de dous modos differentes3 huns forma a aza sobre a mesa2 da-lhe o contorno1 que lhe convem2 depois para apegar ao corpo da marmita1 raspa hum pouco os dous lugares1 onde se deve pegar a aza ao corpo da marmita2 esfrega estes lugares com hum bocado de barro novo1 solda a aza apertando-a fortemente com o dedo pollegar contra o corpo da marmita1 ou do fogareiro1 etc4 ,outros1 depois de ter raspado o corpo da marmita1 pe sobre o mesmo lugar hum pedao de barro novo1 que trabalha ma para o fazer tomar a figura de aza2 e depois de o terem preparado raspa o lugar aonde ella deve chegar1 e pondo hum pouco de barro novo1 e apertando bem com os dedos a aza se pega de modo1 que na despega mais4 ,este methodo se tem por mais slido1 do que o precedente4 #aad ,as orelhas aa1 dos potes ,est4 ,i1 fig4 #ab se solda do mesmo modo1 que as azas das marmitas4 #aae ,em geral para que duas peas se ajuntem bem1 he preciso que os dous barros esteja no mesmo gro de seccura2 na sendo assim1 huma pea encolheria mais do que outra1 e se despegaria1 ou quebraria4 ,com tudo se o corpo da marmita seccasse muito se tornaria a humedecer no lugar1 em que se quizesse soldar1 pondo-lhe por cima hum panno molhado1 que dentro em huma noite humedece quanto basta4 #aaf ,o corpo dos potes de tres ps fig4 #ae1 ,est4 ,,ii1 se faz no torno1 depois se trazem para ahi os ps1 e azas1 como disse da marmita1 e para se soldarem se poem na mesa com a bocca para baixo2 e testo ,c1 na deve ter borda com encaixe4 #aag ,o corpo dos escalfadores fig4 #ac1 ,est4 ,i1 se faz ao torno2 frma-se a barriga a1 redonda1 depois aperta-se o barro para formar a parte cylindrica b1 fortifica-se o bordo com hum rlo ou anel de barro1 faz-se-lhe hum pequeno bico1 e quando esta j alguma cousa duros2 leva-se para a mesa de aperfeioar para se acabarem1 e pr-lhe a aza ,c1 como se disse da marmita4 #aah ,o corpo b4 das cassarolas1 etc4 ,est4 ,i1 fig4 #ad1 se faz no torno1 ha oleiros que fazem no mesmo torno o cabo1 outros o fazem ma sobre huma taboa4 ,todos o solda a cassarola1 como j se explicou4 #aai ,os cabos que se fazem no torno sa muito mais proprios1 do que os feitos ma sobre a taboa2 porm bom he explicar como se faz no torno hum tubo co pelo qual apenas se pde introduzir hum dedo4 ,comea-se por baixo1 com sufficiente largura1 para formar o tubo entre o pollegar1 e os outros dedos4 ,este tubo tem pouca altura1 e deve ser grosso1 porque ser preciso estendello no comprimento2 para isto comprimindo brandamente o tubo entre as mas1 se estende1 levantando as mas1 e elle diminue de grossura propora que se estende em comprimento2 acaba-se fazendo-lhe huma pequena orla na borda c4 ,em fim se despega da rodella2 e depois de ter comprimido hum pouco a ponta1 que ha-de pegar no corpo da cassarola1 como as azas dos fogareiros etc4 #abj ,os coadores se fazem como as cassarolas1 etc4 s sim demais se lhe abrem buracos com huma especie de buril1 quando elles esta meios seccos4 #aba ,tambem se fazem fogareiros pequenos1 em que se pe brazas para os esquentadores de madeira2 fazem-se no torno1 e antes de os tirar da rodella1 se faz chato hum dos lados que he formado em parte do fundo2 tira-se o barro1 que excede o resto das bordas do fogareiro3 forma-se ma o outro lado1 e ajusta-se no meio desta face hum bota2 assim esta pequena pea he quasi de todo feita a ma1 ainda que ella se comea1 e se aperfeioa sobre a rodella1 sem a tirar para a mesa de aperfeiar4 #abb ,r1 ,est4 ,,ii1 fig4 #aj1 he hum candeeiro quasi todo feito no torno1 ajunta-se smente hum bocado de barro em a1 e em b1 com huma aza em c4 #abc ,tambem se fazem regadores de barro3 o corpo se faz inteiramente sobre o torno1 assim como o tubo1 que se faz como o cabo das cassarollas2 vaza-se hum pouco na ponta1 que se tapa com huma placa de barro cheio de buracos1 pe-se por cima hum bucado de barro para tapar a metade da embocadura2 solda-se o tubo ao corpo do regador3 sustem-se por aquella parte1 que na est ca2 solda-se a aza e rega admiravelmente4 ,,artigo ,,vi4 ,de algumas obras1 que se fazem inteiramente ma4 #abd ,ja se disse que alguns oleiros fazia todas as suas obras ma4 ,para dar huma ida deste trabalho vou explicar como se fazem os esquentadores quadrados ,f1 ,est4 ,i1 fig4 #aj4 #abe ,os esquentadores1 e fogareiros1 que devem ter dentro em si o fogo1 se fazem com o mesmo barro de que se fazem os ladrilhos1 excepto que1 em lugar de ajuntar ara argilla1 os oleiros emmagrecem o barro com a escoria de ferro moida2 e passada por huma peneira de cabello1 ajuntando hum demiqueve de barro a dez boisseaux do p de escumalha4 ,amaa-se esta mistura como j disse1 fallando os ladrilhos4 ,para fazer hum esquentador1 se molda sobre hum caixilho de madeira1 se forma duas como telhas1 ou pastas de barro direitas1 se pe nas varas a enxugar1 e se batem huma vez do mesmo modo1 que os ladrilhos3 depois em quanto est ainda branda1 se toma estas duas telhas1 que chega para fazer hum esquentador4 ,pe-se huma destas telhas na mesa de aperfeioar1 raspa-se-lhe as bordas sobre hum calibre de po1 para o acertar1 divide-se a largura em tres partes1 das quaes a do meio faz o fundo do esquentador a1 e as outras duas fazem os grandes lados bb1 bb1 levantando-os quasi perpendiculares1 mas que fiquem alguma cousa inclinadas para fra1 bem entendido1 que com os dedos se frma em baixo hum angulo1 quasi de quina viva2 da outra telha1 ou pasta de barro se tira os dous pedaos1 que ha-de tapar as pontas do esquentador2 solda-se nos grandes lados bb1 fazendo o mesmo que j disse a respeito do modo de soldar as azas1 e as orelhas dos vasos2 finalmente a mesma segunda telha chega para fazer o tampo de cima dd2 no meio da qual se faz hum buraco quadrado com a folha de huma faca molhada1 que he para o testo4 ,na se faz encaixe para receber este testo2 mas quando se tira1 corta-se o barro obliquamente1 para o chanfro servir de encaixe1 para que o testo na possa cahir dentro do esquentador2 aperfeioa-se todos os lugares das soldaduras1 e se acaba fazendo buracos1 tanto por cima1 como pelos lados do esquentador1 com hum instrumento de ferro1 que faz as vezes de hum trado4 ,sobre a mesa se lhe fazem tambem as azas ff1 e o bota de testo e4 ,,artigo ,,vii4 ,das obras1 que se fazem com moldes4 #abf ,visto se ter fallado das obras feitas a ma1 parece justo explicar-se como se fazem em moldes2 mas1 como este trabalho pertence mais ao louceiro de obra fina1 do que ao oleiro2 por hora darei hum s exemplo1 descrevendo1 como se pde fazer hum vaso de jardim4 ,molda-se com o gesso hum vaso co1 sobre outro1 que tenha boa figura1 mandado reparar por hum escultor3 divide-se em tres partes1 segundo o comprimento1 o gesso co que se moldou sobre aquelle1 que se quer imitar1 bem entendido1 que se faz separadamente1 o co que deve fazer o corpo do vaso1 e o que deve fazer o p1 e o que faz o testo4 #abg ,reunem-se os tres pedaos1 que tem fazer o corpo1 pe-se firmes segurando-os com cordas1 e1 tendo esfregado com alguma gordura o molde por dentro1 com a ma1 se pe huma camada grossa de barro dentro do molde1 e se aperta para tomar bem a figura do molde1 deixa-se endurecer hum pouco o barro no interior do molde3 como ao seccar encolhe1 elle se despega do molde2 mas1 antes de estar inteiramente secco1 se desata as cordas1 separa-se as tres peas1 de que consta todo do molde1 e tira-se o vaso de barro1 que se pe a enxugar nas ripas1 prepara-se1 ou aperfeioa-se depois com hum pequeno pedao de po chamado1 bauehoir1 especie de tasquinhador1 ou goiva1 e na precisa ser escultor para o fazer4 #abh ,com o instrumento de alimpar1 chamado tournassin1 se tira por dentro o barro1 que ha de mais1 e se forma hum assento1 ou encaixe por onde se ajusta o p1 e o testo1 depois de moldados1 ao corpo do vaso4 ,alguns fazem moldes particulares1 para formarem as azas1 e folhagens2 mas como j disse1 s me props fallar superficialmente das obras moldadas1 porque na arte de louceiro da obra fina se trata disso com individuaa1 aonde se ensina a fazer pratos recortados1 sopeiras1 tigelas1 e mais utensis de meza com molduras1 e mesmo figuras de homens1 e animaes4 ,,artigo ,,viii4 ,modo de enfornar as obras de olaria1 e cozelas4 #abi ,quando tratei dos ladrilhos1 dei a descripa dos fornos1 de que usa ordinariamente os oleiros de ,pars1 advertindo1 que estas obras se poderia cozer nos mesmos fornos de telha1 que fica representados na arte de telheiro4 ,aqui s fallarei dos fornos dos oleiros de ,pars1 que sa muito bem pensados1 e de hum uso commodo3 trazendo-se lembrana1 o que fica dito no principio desta ,memoria a respeito dos ladrilhos2 he superfluo dizer1 como se arranja as differentes obras nesta sorte de fornos4 #acj ,da parte da bocca por detraz da ,fausse-tire se arranja os vasos1 que ha-de ficar bem cozidos1 huns sobre outros1 os quaes correm menos risco de se quebrarem3 taes sa os vasos de flores1 e os tubos para despejo etc4 ,tambem se pe junto ao fundo do forno ,,lm1 fig4 #h1 est4 ,i1 que chama lingueta1 onde ha muito calor1 porque o ar quente deve descer a este lugar1 para sahir pelas aberturas1 por onde se descarrega a fumaa1 que fica inteiramente por baixo4 #aca ,a primeira camada de baixo se faz com tijolos ou ladrilhos grosseiros de assoalhar1 ou vasos grandes de despejo1 que se pe em lugar destes ladrilhos4 ,como os vasos grandes tem bastante fora para supportarem a loua1 que se lhe pe por cima1 com elles se pde fazer a primeira camada4 ,deve haver cuidado de se prem na mesma fileira os vasos de hum tamanho1 observando1 como nos tijolos1 que a ordem de cima leva no meio vasos1 que forma a ordem de baixo1 como se v fig4 #i1 est4 ,i2 mas1 como huma das principaes attenes1 he exactamente encher o forno1 e de lhe meter a mais loua1 que lhe he possivel1 para tirar melhor partido da lenha1 que gasta2 pe-se as peas pequenas dentro das grandes2 os testos dos esquentadores se pe nos mesmos esquentadores1 em que ha de servir1 os vasos pequenos tambem se pe entre os grandes1 para encher os vas o mais exactamente que fr possivel4 ,pe-se pos1 como para os tijolos1 ou ladrilhos1 pelos lados1 e se distribuem pelo forno de distancia1 em distancia por entre a obra4 ,corta-se as rachas de po1 com que se forra a loua1 metendo-as entre a abobada de forno1 e a mesma loua1 e se acaba fazendo hum muro de tijolo na porta falsa4 ,por fim esquenta a loua com mais cuidado1 de que com o tijolo1 e o fogo se contina pouco mais ou menos o mesmo tempo1 se sa louas ordinarias1 e continua-se por mais tempo1 se se trata de cozer loua de greda4 ,,artigo ,,ix4 ,descripa de outra especie de forno1 que usa os oleiros dos arrabaldes de ,s4 ,antonio para cozer suas obras4 #acb ,quasi todos os oleiros dos suburbios de ,s4 ,maral1 se servem do forno1 j descripto no tratado dos ladrilhos1 e que est representado na est4 ,i1 fig4 #g1 #h1 e #i1 tanto para cozer os ladrilhos como as louas2 e estes fornos1 que occupa muito pouco lugar1 se imaginara mui engenhosamente1 e sa muito bons para a economia de lenha4 ,com tudo a maior parte dos oleiros dos suburbios de ,s4 ,antonio s usa destes fornos para os ladrilhos1 e para cozer as outras louas1 se servem de hum forno1 que se assemelha muito aos de oleiro de obra fina1 cuja descripa vou agora dar4 #acc ,a fig4 #a1 est4 ,,iii1 representa a altura do forno1 visto por fra da parte da boca da fornalha1 ou a altura sobre a linha1 ,c ,d1 do plano fig4 #b4 que he tomada rente ao nivel do forno4 ,a1 he o foga ou fornalha que est em terra em hum buraco2 v-se apontado pelas mesmas letras nas figuras #a1 #b1 #c1 e #ad4 ,o que conduz o fogo1 desce dentro desta cova1 e forra de lenha pela boca da fornalha1 debaixo do corpo do forno1 onde se metem as obras1 que se querem cozer4 ,logo em principio para temperar1 faz hum pequeno fogo na entrada da fornalha em ,a1 fig4 #c1 que representa toda a extensa da fornalha1 e fundaa do forno2 depois para fazer o fogo grande1 chega o fogo at ,e1 e o distribue por dentro de toda a extensa da fornalha2 porm enta accommoda a lenha em p na boca da fornalha1 para diminuir a corrente do r1 que levaria o calr para o fundo do forno1 e ao mesmo tempo a parte de diante receberia pouco calor4 ,com tudo he preciso1 que elle se distribua com a igualdade possivel por toda a extensa do forno3 e esta he huma attena que deve ter o atiador4#ai #acd ,a abobada ,f fig4 #d4 que cobre a parte superior da fornalha tem os buracos aaa1 etc4 ,por estes buracos1 que tambem se pdem vr em ,f fig4 #b4 se representa o fundo1 ou pavimento do forno1 que est por cima de abobada1 que cobre a fornalha2 por estes buracos aaa1 he que passa o ar quente da fornalha1 ,a1 fig4 #d4 para o corpo do forno ,g1 que est por cima1 e no qual se arruma a obra que se quer cozer vidrada4 ,este corpo do forno he fechado por cima1 com huma abobada ,h1 fig4 #d4 a qual tem os buracos bbb1 do mesmo modo que a abobada ,f2 e isto mesmo se v tambem na fig4 #e4 em ,h2 e por estes buracos he1 que o ar quente passa do corpo ,g1 fig4 #d4 ao corpo ,i1 aonde se pe as louas1 que se querem cozer em branco4 ,como o ar quente sempre sobe1 logo que o forno se esquente1 no corpo ,i1 he maior o calor do que no corpo ,g1 que ao principio tinha mais calor1 do que o outro1 que fica mais alto4 #ace ,na parte mais alta de abobada1 que cobre este corpo superior1 ha hum buraco ,k1 fig4 #d4 de seis ou oito pollegadas em quadra1 e de mais quatro buracos ,k1 fig4 #a4 e #e4 ,estes cinco buracos servem para dar sahida ao ar que entra pela boca da fornalha1 para obrigar ao calor a sobir at ao alto do forno4 #acf ,enche-se a camera ,g1 fig4 #d4 por huma porta ,l1 fig4 #a1 e #d4 que se fecha com huma parede de tijolos1 ou pedaos de loua1 logo que se acabou de encher o forno1 antes de accender o fogo3 deixa se s huma pequena abertura em ,m1 fig4 #a4 para dar sahida a huma parte da fumaa1 que poderia enfraquecer a marcha do ar quente necessario para cozer a obra4 ,por cima desta pequena abertura ,m1 ha huma parede como de huma chamin de cozinha1 e hum tubo ,n ,n1 fig4 #a1 e #d4 para conduzir a fumaa por sena espalhar na officina4 #acg ,a camera ou o corpo superior ,i1 fig4 #d4 se enche de loua1 que se quer cozer em branco1 por huma porta que est em ,o1 e que se fecha1 quando o corpo est cheio1 fazendo no alto desta porta huma abertura semilhante que fica notada em ,m1 fig4 #a1 e1 como se na receia incommodo de fumaa por ser esta abertura muito alta1 se lhe na faz cuberta1 nem tubo de chamin3 sobe-se ao corpo do forno ,i1 por huma escada ,p4 fig4 #a4 #ach ,por fim se gradua o fogo como acima fica dito2 comeando por hum fogo pequeno para esquentar a obra1 e acabando por hum fogo muito activo de lenha rachada4 ,,artigo ,x4 ,do verniz ou vidrado1 que se pe na loua4 #aci ,a maior parte das obras de barro ordinarias deixa transpirar a agua por seus poros1 maiormente quando se mistura muita area no barro3 misturando-se pouca area1 os vasos conserva bem a agua2 mas na pdem sofrer o fogo3 ora1 como a maior parte da loua1 para os utensilios de huma casa deve ir ao fogo1 os louceiros na lhe poupa a area2 porm dando-lhe esta faculdade de rezistir ao fogo1 se torna penetraveis a agua1 como se acaba de dizer4 ,quasi todos estes utensis com tudo a devem conter2 para lhe dar esta propriedade1 se cobrem de huma camada de verniz1 que1 vitrificando-se1 na deixa a agua passar4 ,e assim para os alguidares1 e vasos do uso das leiterias1 os oleiros se servem de hum barro puro1 que toma corpo1 e na deixa transpirar a agua2 porm estes vasos se quebraria1 se os puzessem ao fogo3 por isso lana muita area no barro1 de que ha-de fazer os vasos1 que servem para o fogo2 e depois os vidra1 para poderem reter a agua4 #adj ,aqui s se fallar em resumo do verniz das louas1 que he muito grosseiro2 porque o verdadeiro lugar de tratar disto a fundo1 he quando se tratar da loua fina4 #ada ,os oleiros para vidrarem as suas obras1 se servem da mina do chumbo2 e a isto he que se chama pedra de chumbo no commercio1 e os oleiros chama verniz3 ou se servem do zarca1 ou chumbo vermelho1 que impropriamente chama mina de chumbo2 que he huma cal de chumbo com huma cr vermelha bem viva4 ,o falecido ,mr4 ,jars1 nas memorias da ,academia1 deo o modo de o fazer tomar esta cr vermelha pela calcinaa4 ,tambem se servem ainda do lithargirio1 isto he1 do chumbo calcinado1 que perdeo huma parte do seu phlogistico pela aca do fogo1 e que est em hum estado de vitrificaa imperfeita4 ,elles se servem destas substancias por dous modos1 como agora vou a explicar4 ,primeiro methodo4 #adb ,quebra-se a pedra de chumbo sobre huma pea de cobre para sena perder cousa alguma2 passa-se por huma peneira de cabello1 e o resto se piza em gral de ferro1 e se torna a passar1 at que tudo se passe pela peneira4 #adc ,alguns oleiros compra o chumbo em chapa1 e elles mesmos o reduzem a cal2 julgo que seria melhor usar do lithargirio1 ou chumbo vermelho4#bj #add ,prepara-se o lithargirio como a pedra de chumbo2 elle se reduz a p muito facilmente1 e o zarca ainda mais2 ajunta-se a hum1 ou a outro destes ps por medida outra tanta quantidade de area como ha dos ps de lithargirio1 zarca ou da pedra de chumbo2 deve-se notar1 que todas as preparaes de chumbo1 se vitrifica1 e facilita muito a vitrificaa das substancias terreas2 ,a area faz huma parte consideravel do verniz1 por meio de chumbo1 que serve de fundente3 como o chumbo he caro1 e a area na custa dinheiro1 os oleiros poupa muito1 misturando a area com o chumbo e eu creio1 que esta liga da area na altera a bondade do vidrado4 ,o chumbo s sobre o barro faz huma cr amarella1 querendo-se que este esmalte1 ou verniz seja verde1 em duzentas libras de lithargirio1 ou cal de chumbo se lana sete1 ou oito libras de limalha de cobre4#ba ,querendo-se1 que tenha huma cr escura1 mistura-se-lhe manganesia1 que he huma mina de ferro pobre e refractaria2 ella he de hum azul denegrido granulado4 ,della se servem os vidraceiros2 mas quando lana muita1 faz o vidro roxo4 ,acha-se em ,piemonte1 em ,toscana1 ,bohemia1 e ,inglaterra4 ,a pedra1 que se vende com o nome de marcassita differe della pouco1 ou nada4 ,estas materias1 sendo pulverisadas1 forma verdadeiramente o verniz dos oleiros1 que s falta applica-lo sobre os vasos1 que na fora ainda cozidos1 porm que esta j seccos1 e promptos para se cozerem4 ,para o p se pegar aos vasos se humedecem na agua chamada gorda1 que he a agua1 em que se dissolveo a argilla2 depois antes que esta agua se seque1 se espalha por cima os ps de que acabamos de fallar1 virando a pea por todos os lados1 a fim de ficarem cobertos todos os lugares1 que se querem envernizar2 e como ha muitas peas1 que s se querem esmaltar por dentro1 nestas se na pe os ps pela parte de fra4 #ade ,deixa-se as peas suar hum pouco1 depois se arruma no forno do modo1 que j expliquei2 de sorte que com huma s operaa se coze o barro1 e se derrete o verniz1 que vitrifica na superficie4 ,por este methodo economiza-se a lenha2 porm gasta muito chumbo3 e tambem porque o p sena pde espalhar igualmente1 em alguns lugares fica muito1 e quando se derrete1 espalha se pelos outros vasos4 ,na he s este o inconveniente3 como he preciso meter muita lenha para cozer as obras com grande fogo1 ha tambem o inconveniente1 de que1 queimando-se esta1 levanta muita cinza1 que vem a offender o esmalte1 quando se est derretendo4 #adf ,o outro methodo consiste em pr o verniz nos vasos1 que j esta cozidos2 gasta se mais lenha2 porque as obras va duas vezes a cozer ao forno2 porm evita-se enta os inconvenientes de que acabo de fallar2 alm do que1 como os oleiros s depois das obras cozidas he que conhecem a perfeia dellas1 ha huma grande vantagem em pr o verniz nas peas depois de cozidas2 pois em todas as fornadas1 se quebra1 e se desfigura algumas peas1 e assim s se pe o verniz ou esmalte nas que sahem do forno perfeitas4 ,daqui resulta ser menos o gasto do chumbo1 na levando verniz1 as peas que quebrara2 este methodo tambem contribue muito a economisar o chumbo2 porque os que o seguem liviga o lithargirio1 e a pedra de chumbo com agua em huma m representada separadamente est4 ,,ii1 fig4 #aa1 e #ab4 ,elles liviga estas differentes substancias separadas1 e com agua de sorte1 que correm maneira de caldo1 pelos vasos1 que lhe fica por baixo1 e pe o verniz liquido na loua1 cozida1 lanando esta especie de caldo sobre os vasos1 ou mettendo dentro nelle as peas1 que se querem envernizar por dentro1 e por fra2 e isto he melhor1 e de mais economia4 ,applica-se o verniz com hum pincel1 que o pe mais lizo1 e s se pe nos lugares onde se julga conveniente4 ,finalmente estas substancias bem livigadas se applica aos vasos em corpo o mais delgado1 que he possivel e se julga conveniente4 #adg ,deixa-se seccar as peas1 o que se faz em pouco tempo1 porque a loua que vem do forno atrahe promptamente a humidade4 #adh ,pe-se no forno1 onde se lhe d hum fogo pouco mais ou menos igual quelle com que se cozia2 mas na se deve meter lenha entre as peas1 e sobre a obra2 por evitar1 que a cinza sena espalhe sobre o verniz1 quando est derretido pelo fogo4 ,na ha inconveniente1 em pr lenha dos lados1 principalmente quando ha a precaua de se pr perto alguns vasos1 que na seja envernizados1 ou que se cozem a primeira vez2 e he melhor conservar o fogo por mais tempo no forno1 do que meter lenha entre a loua4 ,huma das vantagens do forno1 que imita o dos louceiros de obra fina1 he na estar exposto ao inconveniente das cinzas4 #adi ,os oleiros na concorda em dar a preferencia a hum destes methodos2 cada hum se encosta quelle que pratca4 ,os que applica o verniz em p sobre o barro cr confessa1 que gasta mais chumbo2 porm dizem1 que o seu verniz ou esmalte penetra melhor o barro1 e se pega mais intimamente4 ,os outros sustenta que o verniz pega muito bem no barro cozido1 e allega a favor do seu methodo o menor consummo do chumbo1 e o aceio da sua obra1 sendo o verniz distribuido em huma grossura mais uniforme2 mas os que seguem este methodo1 na esta ainda do mesmo parecer sobre hum ponto1 que me parece bem importante4 ,huns dizem que s basta cozer medianamente a obra1 antes de a meter no verniz1 para que o verniz se possa introduzir pelos poros do barro1 e que ao depois he preciso dar hum grande fogo para cozer as obras cubertas de verniz4 #aej ,outros dizem1 que da primeira vez1 que se cozem1 he preciso fazer hum grande fogo1 e da segunda quanto baste para derreter bem o verniz3 a favor desta pratica podem dizer1 que1 como o chumbo vitrifica a area1 produz este effeito naquella1 que est na superficie dos vasos cozidos1 o que o faz muito adherente a estas qualidades de obras2 em segundo lugar2 que na sendo preciso hum grande fogo para o cozimento1 se evita o meter lenha entre a loua1 e por cima della1 e isto a izenta dos mas effeitos da cinza4 #aea ,eu me inclino primeira pratica1 porque se precisa hum fogo violento1 para fundir bem o esmalte1 e este mesmo fogo acaba de cozer o barro3 preciza o verniz estar bem derretido1 para o chumbo poder vitrificar a area1 que est na superficie da loua4 ,este sentimento he conforme ao uso de quasi todos os oleiros2 com tudo na me proponho a decidir qual seja o methodo2 porque na tive occazia de fazer sobre isto experiencias decisivas4 #aeb ,parece-me que o artigo do verniz se poderia aperfeioar1 sem obrigar os oleiros s despezas consideraveis2 julgo por exemplo1 que elles deveria1 misturar com o seu chumbo huma area1 ou hum quartz fusivel#bb que se vitrifica facilmente com o chumbo1 e deste modo poderia economisar este metal2 talvez mesmo1 que achassem elles huma vantajem em frittar#bc sua area antes de a misturar com o chumbo2 e o moido poderia ser melhor que a area4 ,por hora1 sa idas1 que se devem olhar como simples conjecturas1 at que se experimentem1 e conbinem por differentes modos4 #aec ,todas as vezes1 que se coze1 se fecha exactamente o forno1 logo que cessa o fogo2 para que conserve o calor1 e as peas1 esfriem pouco a pouco3 porque huma parte da loua quebraria se ao sahir quente do forno1 se expozessem ao ar frio4 ,quando o forno est j bem frio1 e se quer tirar a loua1 se abre a parede1 ou porta falsa1 para por ella se tirarem as obras que esta cozidas2 porm muitas vezes succede1 que1 o verniz derretendo-se1 corre de hum vaso para outro1 e se acha muitos vasos pegados4 ,quando a adherencia he pouco consideravel1 se separa facilmente2 mas algumas vezes se quebra os vasos1 indo-se a separar1 e este inconveniente succede mais vezes quelles que pe o verniz em p1 do que os que usa delle diluido em agua1 porque a camada do verniz he mais delgada1 e por isso menos sujeita a correr4 #aed ,j disse1 que o verniz na pegava sobre as manchas negras semilhantes a escoria do ferro1 que fazem os pyrites1 que se queima ao cozer4 ,quando as peas valem o trabalho1 os oleiros repara em parte estes defeitos1 pondo muito verniz sobre as manchas negras2 porm estas obras preciza tornar outra vez ao forno1 e causa grande incmmodo ao oleiro4 ,quando se tira do forno as peas1 as mulheres com facas grossas tira os pedaos de barro1 que se prendem aos vasos4 #aee ,como sobre as louas de ,lyones vi obras1 e louas fabricadas nas provincias vizinhas de ,lia1 tenho gosto de dizer tambem alguma cousa a respeito dellas2 e para isto procurei a ,mr4 de la ,tourrette da ,academia de ,lia1 e correspondente da ,academia das ,sciencias de ,pariz1 que tem hum zelo admiravel em ajudar com suas luzes todos1 que emprendem indagaes uteis4 #aef ,as memorias1 que me procurou ,mr4 de la ,tourrette1 dizem respeito a tres qualidades de louas2 que sa a de ,pr em ,forez1 a de ,franche ville em ,liones1 e a de ,s4 ,valerio no ,delphinado4 ,agora s me servirei das excellentes memorias1 que recebi sobre a loua de ,s4 ,valerio1 porque1 como as obras1 que ahi se fazem1 sa de loua fina1 he justo fallar dellas1 quando se tratar da arte de loua fina1 que ao depois se publicar4 ,da loua de ,pr em ,forez4#bd #aeg ,pr he huma aldea junto freguezia1 e termo de ,s4 ,bonnet-,les-,oules em ,forez distante duas boas legoas de ,s4 ,esteva1 e huma de ,s4 ,galmier4 #aeh ,dizem1 que o estabelecimento desta fabrica de louas tem perto de quatrocentos annos3 em outro tempo havia neste lugar quarenta olarias1 e cada huma tinha seu forno2 agora s tem cinco1 por causa das muitas olarias1 que se tem estabelecido na mesma provincia4 #aei ,nestas louas se emprega duas qualidades de barro1 que se mistura1 hum vermelho1 e outro escuro1 ambas se acha em abundancia perto de ,pr nos confins da freguezia de ,s4 ,bonnet1 e nos das freguezias de ,bauthcon1 e ,vanche4 #afj ,acha-se na terra em bancos mais1 ou menos extensos1 os do barro escuro tem quasi dez pollegadas de alto1 e os de barro vermelho sa mais grossos2 o barro escuro he mais gordo que o vermelho4 #afa ,as louas de ,pr soffrem melhor o fogo1 do que outras muitas4 #afb ,amassa-se estes barros com hum masso de ferro sobre huma prancha1 ou mesa forte1 e depois se trabalha na roda4 #afc ,os fornos sa redondos1 tem cinco1 ou seis ps de diametro1 e sete1 ou oito de alto1 sem cuberta2 sa feitos de tijolos grossos juntos com barro gordo1 e leva huma contra parede1 feita de pedra de edificios com argamassa de cal1 e area4 #afd ,estes fornos1 que se assemelha bem aos de telheiros se esquenta com lenha por tempo de dez1 ou doze horas1 e mais segundo a estaa3 nas primeiras quatro1 ou cinco horas s se faz hum pequeno fogo2 depois se augmenta1 e se faz muito activo4 #afe ,o verniz se faz da pedra de chumbo1 ou do mesmo chumbo que se tira em pedra das minas vizinhas3 piza se1 e passa se por huma peneira1 e se liviga com pedras muito duras ,est4 ,,ii1 fig4 #aa1 e #ab4 ,g1 ,h4 #aff ,tendo-se preparado assim o verniz se usa delle liquido2 lana-se nos vasos1 e se volta para todos os lados1 como se os lavassem4 ,estando o corpo da pea cuberto de verniz1 se lana o resto em huma celha1 para servir para outros vasos4 #afg ,applica-se o verniz sobre vasos cr de cinza1 mas muito seccos2 e quando o verniz est secco1 se pe as louas no forno4 #afh ,querendo-se1 que o verniz seja verde1 mistura-se limalha de cobre com o chumbo1 como acima se disse4 #afi ,os vasos desta qualidade de loua rezistem muito ao fogo1 como tambem os cadinhos para a fundia dos metaes2 tem se feito muitas experiencias em ,s4 ,esteva3 elles se fazem dos dous barros misturados1 e amassados juntos1 como j fica dito4 #agj ,fazem-se nestas olarias1 tijellas1 pratos grandes1 e pequenos4 ,loua de ,franche ville em ,lyones4 #aga ,julga-se em ,lyones que esta olaria j existia no tempo dos ,romanos4 #agb ,usa ahi de duas sortes de barros1 hum amarello1 e outro cr de cinza1 e ha alguns1 que tem mistura destas duas cres4 ,o amarello se acha ordinariamente em hum terreno magro1 e areento1 em lugares muitos elevados2 o cr de cinza em valles por bancos maiores1 ou menores1 e mais1 ou menos espessos2 mas estes barros sa muito abundantes1 porque neste lugar se fabrca muita loua1 desde hum tempo immemoravel4 #agc ,o barro amarello he mais aspero ao toque1 e mais grosseiro1 do que o cr de cinza1 que he muito macio1 e nelle sena encontra area4 #agd ,o amarello soffre melhor o fogo1 do que o cr de cinza4 #age ,em ,franche ville se fazem duas qualidades de loua2 e isto depende da especie de barro de que a fazem4 #agf ,o amarello resiste perfeitamente o fogo2 o cinzento1 que se chama gaubino1 como he hum barro mais puro faz huma loua mais compacta1 que na pde aturar o fogo2 mas a loua feita com o barro amarello1 se descasca ao ar1 isto he1 cahe-lhe o verniz ou a superficie2 o cr de cinza supporta muito melhor as suas influencias4 #agg ,dizem1 que as plantas postas em vasos deste barro na produzem4 ,mistura-se estes dous barros para hum corrigir as faltas do outro4 #agh ,nas olarias se fazem vasos na roda1 e outros em molde conforme requer a sua figura4 ,finalmente amassa-se estes barros batendo-os com huma massa de ferro como se faz em ,pr4 #agi ,os fornos1 semelhantes aos dos telheiros1 humas vezes sa redondos1 e outras vezes quadrados4 ,faz-se o fogo debaixo de huma abobada1 em que ha buracos quadrados de tres1 at quatro pollegadas de diametro1 separadas humas das outras seis1 ou sete pollegadas2 para que o ar quente se communique ao interior do forno1 onde se arruma as obras1 ellas devem estar bem seccas antes de se expr ao fogo1 precisa-se quasi cento e quarenta feixes pequenos de lenha para huma fornada4 #ahj ,para envernizar estas louas1 querendo-se que o esmalte seja verde1 se usa do chumbo hermetico1 ou mina de chumbo1 que se liviga debaixo da m com agua1 como fica dito1 e a limalha de cobre4 ,querendo-se fazer o verniz branco1 na se lhe ajunta a limalha de cobre2 e quando se usa do chumbo s em huma loua de barro amarello1 fica o esmalte avermelhado3 este verniz se emprega no barro cr4 ,limito-me a estas indicaes geraes1 porque j se tratra com individuaa em outro lugar4 ,,artigo ,,xi4 ,das ,louas1 que se chama de greda4 #aha ,a vista do que disse no principio deste pequeno tratado a argilla he a baze dos barros1 que servem para fazer as louas2 porm segundo as substancias1 que se acha misturadas com a argilla1 ha humas1 que fazem obras muito mais solidas do que outras4 ,quando estas substancias torna a argilla fusivel1 se cozem com pouco fogo1 e por isso se pde dar a loua mais barata2 destas he que acabei agora de tratar4 ,a argilla pura1 sendo de natureza a encolher muito1 se racha ao seccar1 ou ao cozer2 mas quando a argilla se mistura com huma area refractaria1 ou muito difficil de derreter1 resulta daqui hum barro1 que pde seccar1 e cozer-se sem rachar1 e que faz louas muito duras1 quando experimenta hum grande fogo4 ,em geral este he o motivo porque se chama loua de greda4 ,ha qualidades dellas muito differentes2 os vasos de greda cr de castanha1 em que vem as manteigas de ,isigny1 sa muito duras1 e sonoras2 elles rezistem muito bem a hum fogo grande1 e na sa atacaveis pelos acidos3 esta he huma excellente loua2 he quasi ta sonora como a porcelana1 quando se quebra a sua gr he muito fina1 e hum pouco brilhante3 e por isso he muito chegada natureza do vidro2 tambem tem o defeito de se quebrar1 quando se faz passar subitamente do quente para o frio1 ou ao contrario4 ,e porque suspeitei1 que este defeito vinha1 de estar a argilla ligada com muita area que se tinha vitrificado pelo muito fogo1 eu a fiz lavar2 e depois de se ter precipitado huma pouca de area mais pezada1 e mais grosseira1 e pequenas pyrites1 que tinha em grande quantidade1 mandei fazer cadinhos com o barro fino1 que depois se precipitou4 ,estes cadinhos vindo vermelhos do fogo1 e depois mettendo-se em agua fria sena quebrra4 ,se eu estivesse vizinho destas olarias1 persuado-me que poderia fazer vasos1 na ta formosos1 como os de loua fina1 a mais commum1 porm que seria ta bons para o uso como a melhor porcelana4 ,fiz vir este barro de ,gournai1 a ,normandia2 mas como na me podia vir1 sena em pequena quantidade1 s fiz muito poucas experiencias em obras pequenas1 porque se acabou logo o barro4 ,convido os phisicos1 que tiverem a ma as olarias de greda1 a fazerem experiencias mais decisivas do que estas1 que acabo de referir2 porque esta especie de barro me parece digna de sua attena4 #ahb ,como quasi todas as louas de greda1 que se vendem em ,pars vem de ,beauvais1 e que na ha lugares em todo o reino1 aonde se trabalha nestas qualidades de louas1 que passa mesmo para os estrangeiros1 desejei ter maiores luzes sobre a posia das veias do barro proprio para estas louas1 sobre o modo de o preparar1 finalmente sobre tudo1 o que respeita a esta qualidade de obras4 #ahc ,dizem1 que as olarias se estabelecera em outro tempo em huma freguezia1 que ainda agora se chama ,s4 ,germano da olaria2 porm ellas se tem abandonado3 agora neste lugar s se fazem tijolos1 telhas1 e ladrilhos4 ,na freguezia de ,savignier1 onde ha quatorze oleiros1 que trabalha em greda1 se acha hum barro muito proprio para estas qualidades de obras1 e os obreiros sa peritos no modo de o trabalhar4 ,em ,chapelle-au-,pot1 huma legoa distante de ,savignier ha seis oleiros2 porm elles trabalha por hum modo muito inferior neste barro1 do que no de ,savignier2 ainda que elle he quasi da mesma natureza4 #ahd ,huns1 e outros s vezes tem muito trabalho em achar veias de barro de boa qualidade4 ,depois de se tirarem dous1 ou tres ps da superficie1 se comea a perceber as veias dos barros1 que se procura2 mas ellas s sa boas1 de vinte ps de fundo por diante1 e se tira barro ainda de mais fundo2 e enta os obreiros temem o cahir-lhe a terra em cima4 ,ha veias mais grossas1 e mais largas humas do que outras1 que se seguem em quanto se acha barro de boa qualidade3 distinguem-se duas especies delle2 o que se chama greda1 muitas vezes he bastantemente duro1 e dificil de tirar4 ,com estas duas qualidades de barros se fazem duas especies de louas1 huma com o barro1 que se chama greda1 e outra com hum barro hum pouco differente2 com este se fazem vasos1 que pdem ir ao fogo2 mas as do outro se quebra1 se sena esquenta com muito cuidado1 com tudo quebra-se menos do que os da greda escura de ,normandia4 ,os cadinhos s se fazem aqui de encomenda3 o obreiro1 que tem mais fama de os fazer bem1 passa o barro por huma peneira1 escolhe-o1 e amassa-o com mais cuidado do que os outros3 a preparaa deste barro he1 quasi a mesma1 que os oleiros de ,pars da ao seu4 #ahe ,interrompo1 o que hia a dizer das olarias de ,beauvais1 para fazer notar1 que os melhores cadinhos1 que podem haver para os fundidores1 sa os que se fazem de hum barro branco1 que se acha em ,s4 ,samsa1 quasi seis legoas distante de ,beauvais4 ,estes cadinhos esbranquiados1 bem cozidos1 muito sonoros1 resistem ao maior fogo1 sem se quebrarem1 e sem se penetrarem pelos saes2 tem de mais a vantagem1 de na precizarem tanto cuidado como os cadinhos de greda1 quando se metem no fogo1 ou quando se tira4 ,agora torno a fallar do trabalho de ,beauvais4 #ahf ,quando se tira a argilla da terra1 leva-se para casa do obreiro1 pe-se em pequenos pedaos1 lana-se em huma cova com agua1 para ella se penetrar1 e fazer-se ductil2 deixa-se at o outro dia1 e enta se tira em massa2 o obreiro a corta1 e a torna a pr em camadas na mesma cova de donde a tirou1 para a amassar1 e misturalla com huma pouca de area1 ligeiramente salpicada de cal3 finalmente amassa-se como fazem os oleiros de ,pars2 depois de se ter amassado1 e tornado a ajuntar por quatro vezes1 se fazem bolos1 que se leva a huma mesa1 para o amassar1 e trabalhar bem1 como fica j explicado a fundo4 ,trabalha-se depois sobre huma roda de ferro est4 ,,ii1 fig4 #d1 e #e4 ou de po que se faz mover com o p fig4 #ah1 est4 ,i2 porque os oleiros de ,savignier se servem de humas1 e outras1 segundo as obras1 que elles tem de fazer4 ,em huma palavra o trabalho dos oleiros de ,picardia na differe essencialmente1 do que acima disse tanto para a factura das obras1 como para dar-lhe o verniz4 #ahg ,as louas de greda se cozem a grande fogo2 os fornos esta postos em pleno ar sobre huma pequena elevaa de terra2 differem pouco dos fornos dos oleiros dos suburbios de ,s4 ,maral est4 ,i1 fig4 #g1 #h1 e #i4 s com a differena1 que1 sendo feitos sobre hum pequeno cabeo1 se caminha sempre subindo desde a entrada at o fundo do forno1 e isto facilita a distribuia do ar quente4 ,na parte opposta da fornalha1 na ha o tubo de chamin ,c ,d1 fig4 #c4 est4 ,i2 mas na parte baixa ,c1 se forma pequenas arcadas para a dissipaa da fumaa2 por este lugar he que se metem as obras no forno1 depois se fecha com huma parede de tijolos4 ,estes fornos ordinariamente tem #de at #ej ps de comprido1 e dez1 ou doze de largo no meio1 e huma altura igual debaixo da abobada2 porm na sua embocadura s tem quasi seis ps de alto4 #ahh ,o fogo se faz diante da embocadura do forno em huma fornalha de abobada1 que tem quasi quatro ps de largo1 e cinco de comprido1 e outro tanto de alto4 ,comea-se com hum pequeno fogo1 depois se augmenta1 e se acaba com hum fogo de lenha miuda1 que se inflama muito1 e se contina oito dias1 e oito noutes sem interrupa4 #ahi ,as louas1 que devem servir no fogo1 ou que ha de ser envernizadas1 na leva hum fogo ta violento3 trabalha-se quasi como as louas de ,pars2 mas para cozer as louas de greda se gasta #af1 ou #ah cordas 7cada corda tem #d ps d'alto1 e #h de comprido7 de pos grossos1 e quatro centos feixes de lenha mais fina para o ultimo fogo4 #aij ,a manteiga de ,prevalais1 vem em potes de huma greda azulada1 que he muito boa2 mas eu na sei exactamente o modo de trabalhar esta pequena loua1 e por isso na entro em grandes individuaes a este respeito4 #aia ,em ,zimmeren1 quatro legoas de ,treveris1 e em muitos lugares na provincia de ,luxembourg1 se faz huma especie de loua que he muito boa1 de huma greda muito fina1 e branca1 cuja superficie he luzente sem se cubrir de verniz2 este brilhante he formado pelo mesmo barro1 que passou por huma vitrificaa superficial2 eu penso que ella se forma pelo vapor do sal marinho1 que se lana no forno1 como nas obras de barros brancos1 que se tem feito em ,montereau4 #aib ,os que vem da provincia de ,luxembourg1 trazem todos os annos desta loua a ,pars ao ,armazem de loua fina1 aonde va comprar os que contrata neste genero4 ,na pude ter maiores conhecimentos sobre o modo trabalhar nestas louas4 #aic ,julgo1 que os barros1 que fazem boas louas de greda1 se prepara de argilla1 de hum bocado de area vitrificavel1 e de area muito refractaria2 porque em todas as fabricas1 onde se fazem boas louas1 e ainda mesmo nas de porcelana1 se fazem entrar com successo na composia pedaos de louas quebradas1 reduzidas a p1 depois de se conhecer1 que sa de qualidade capaz de resistir a hum grande gro de fogo4 ,das ,louas de ,s4 ,fargeau4 #aid ,alm das louas de greda1 que se fazem em ,bretanha1 ,normandia1 e ,picardia1 se fazem muito boas em ,s4 ,fargeau4 ,como esta cidade1 que he huma das mais antigas de ,frana1 est distante de ,briara quatro legoas4 ,o ,loire serve para se transportar esta loua a muitos lugares4 ,leva-se pelo ,loire por exemplo a ,chateauneuf1 de donde se destribue por terra a muitos lugares4 ,como daqui vem a ,pithiviers1 cidade muito visinha s nossas terras1 tive occasia de a comprar1 e conhecer a bondade desta loua2 cheguei mesmo a prover-me de vasos de ,chymica1 que mandei fazer em ,s4 ,fargeau por modelos1 que enviei4 ,ha ahi louas1 que sa cubertas de hum verniz escuro muito duro1 e que resistem muito bem a aca dos acidos mais concentrados2 tive cucurbitas1 e capiteis de lambiques1 em que ajustei grandes refrigerantes de cobre2 estes vasos sa ta impenetraveis aos vapores os mais subts1 como o melhor vidro1 e resistem muito melhor a aca do fogo4 #aie ,como quiz adquirir conhecimentos sobre a natureza desta loua1 procurei com confiana a ,mr4 o ,presidente de ,s4 ,fargeau1 por conhecer o seu zelo para tudo1 o que tem relaa com o progresso das artes1 e que pode utilisar ao bem pblico4 ,elle mesmo quiz responder em huma ,memoria as perguntas que lhe fiz por instrua sua1 e isto me pe em estado de dar huma ida bem exacta dos methodos1 que seguem os oleiros deste lugar4 ,ainda que estas louas sa conhecidas pelo nome de greda de ,s4 ,farjeau1 com tudo ellas se na fazem nesta cidade mas sim em huma pequena povoaa que dista huma1 ou duas legoas da cidade4 #aif ,em geral a argilla1 que se emprega para a loua que nos occupa1 he cinzenta2 mas della se distinguem duas qualidades2 huma mais branca1 que a outra1 tem huma area fina2 com este barro se fazem vasos de huma greda mais compacta1 e fina1 do que com a outra1 e se coze mais forte4 ,ellas na va ao fogo2 e por isso desta greda se fazem potes de manteiga1 quartas1 e botelhas etc4 ,este barro1 depois de cozido1 toma huma cr amarella clara2 com tudo1 fazendo se passar por hum grande fogo1 toma a cr cinzenta4 ,com elle se fazem vasos1 que se enverniza1 e outros na3 para distinguir este barro do outro1 eu o chamarei barro branco4 #aig ,a outra especie de barro tambem he cr de cinza1 porm mais escura1 que a precedente2 e por isso o chamarei escuro4 ,os oleiros acha esta argilla mais forte1 e mais pura1 que a branca3 com este barro he que elles fazem os utensis do uso que devem ir ao fogo2 na o cozem ta forte1 como o outro1 e huns vasos va envernizados1 e outros na4 ,estes dous barros1 sendo cozidos1 toma a mesma cr pouco mais1 ou menos1 e os vasos1 feitos de hum1 ou outro barro destes1 nos lugares1 aonde fica mais expostos a aca do fogo1 se torna brilhantes na superficie1 como se fossem envernizados4 #aih ,os oleiros fazem muitas obras de cada hum destes barros separados1 e puros1 sem mistura alguma2 tambem as fazem de ambos os barros branco1 e escuro misturados1 sem lhe ajuntarem outro barro1 ou area4 #aii ,ambos estes barros se acha mais1 ou menos fundo em camadas de dous ps1 at seis de grosso4 ,estes bancos de argilla se cava facilmente com o enxada1 ou enxada4 #bjj ,estes barros sa bem finos2 e moem-se entre os dedos2 com tudo entre elles se encontra calhos1 e pedras1 e se lana fra quando se acha nas mas1 ou debaixo dos ps4 #bja ,este barro se reduz a pequenos pedaos com qualquer instrumento1 que corte2 depois1 humedecendo-se com agua1 se amassa at tres vezes1 e depois se trabalha com as mas1 como fazem os oleiros de ,pars4 #bjb ,muitas vezes o amassa1 logo que o tira2 com tudo os oleiros convem1 que elle se trabalha melhor1 depois de passar hum inverno ao ar2 e este sentimento he geral em todas as olarias4 #bjc ,como disse acima1 que se humedecia para o pr em estado de ser amassado1 devo advertir1 que o na lana na agua1 como fazem os oleiros de ,pars2 porm deita de doze1 at quinze baldes de agua em huma carrada de barro4 #bjd ,os vasos se trabalha em huma roda1 que se faz andar com hum po1 como se v representado na est4 ,,ii1 fig4 #d1 e #e4 #bje ,pe-se as azas1 e se aperfeioa a obra1 do mesmo modo que fazem os oleiros de ,pars1 como fica dito4 #bjf ,o forno dos oleiros de ,s4 ,fargeau1 com pouca differena1 he o mesmo que fica representado na est4 ,i1 porm he hum pouco metido pela terra2 de modo que para meter a lenha1 se precisa descer a huma cova1 que tem quasi nove ps de largo1 quatro de fundo1 e quatro de va4 ,o corpo do forno1 aonde se arruma os vasos1 tem dezenove ps de comprido1 dez de largo1 onde ha maior largura1 e seis de alto4 #bjg ,para huma fornada se gasta vinte cordas de lenha miuda1 ou nove de lenha grossa2 daqui se v que estes fornos se esquenta por hum modo muito differente dos de ,pars4 #bjh ,o fogo dura quatro dias1 e tres noites sem parar2 por doze horas he o fogo brando para esquentar1 e todo o mais tempo he com muito fogo para cozer perfeitamente3 quando se para com o fogo1 se fecha o forno1 e fica assim tres dias1 e tres noites1 de sorte que1 quando se tira a loua1 j ella est fria4 ,se a loua se tirasse logo huma parte quebraria derrepente1 e o resto seria muito fragil2 e desta sorte o tempo1 que a loua fica no forno depois de cozida1 equivale ao recozimento dos vidraceiros1 sem o qual tudo se quebraria1 principalmente passando do quente para o frio4 #bji ,pe-se no mesmo forno os vasos de barro branco1 que na se destina para servir no fogo1 os de barro cinzento1 que ha-de ir ao fogo1 e os da mistura destes dous barros4 ,toda a differena1 que se observa no cozer1 he pr os vasos de barro branco perto da entrada do forno1 no lugar aonde ha maior calor1 e os de barro misturado no meio do forno1 e os de barro cinzento na extremidade do forno1 onde ha menos calor4 #baj ,os oleiros de ,s4 ,fargeau fazem o seu verniz com duas materias mais1 ou menos vitrificaveis1 a que chama ,latier2 este ,latter vem das fornalhas1 em que se trabalha a mina de ferro4 ,hum he escuro1 e em parte vitrificado2 o outro he verde1 e he hum verdadeiro vidro muito duro4 #baa ,acha-se estas substancias espalhadas sobre a terra2 ainda que junto a ,s4 ,fargeau na haja fornalhas de ferro2 presume-se que as houvera antigamente4 ,reduzem a p por meio de huma maquina de dous piles que se faz mover por huma manivela1 e de huma roda2 estes piles na ponta debaixo leva huma chapa de ferro1 como a dos piles de socar casca de curtume4 ,quando se precisa pouca quantidade de verniz1 se pulverisa as materias1 de que acabo de fallar em hum gral com ma de ferro2 passa-se por huma peneira de cabello2 este p enta est da cr de cinza1 e os oleiros o chama ,latier en laquet1 7escoria para verniz74 #bab ,applica-se este verniz ao barro cr1 porm bem secco2 para o p se pegar1 se humedecem os vasos em agua1 e se pulverisa exactamente com este p1 que fica muito adherente1 quando se derrete pela aca de hum grande fogo1 e se encorpora a superficie do barro4 #bac ,como se applica sobre estes vasos crs1 o mesmo fogo1 que coze o vaso1 faz derreter o verniz1 que se torna escuro cr de castanha1 e muito duro4 #bad ,para os vasos de barro branco mais expostos ao fogo se mistura com a escoria huma pouca de cinza fresca passada por peneira4 ,dizem os oleiros1 que sem isto1 o verniz se queimaria4 ,no meio do comprimento do forno se pe simplesmente as escorias2 e na ponta1 aonde ha menos fogo1 se ajunta s escorias hum bocado de cal de chumbo para ajudar a fusa4 #bae ,este verniz1 como j disse1 toma huma cr da castanha muito unida1 e brilhante1 e he ta bom como o dos oleiros de ,pars2 mas he preciso hum grande fogo para o fazer derreter3 e nisto convem com louas que se cozem em greda e todas as de ,s4 ,fargeau sa desta qualidade4 ,modo de procurar as louas huma cr negra1 que de algum modo supre o verniz4 #baf ,eu tirei do ,calendario ,limousino1 algumas individuaes sobre as louas de ,s4 ,eutropio em ,angoumes especialmente sobre as que chama panellas1 e destas humas sa envernizadas1 e outras na2 estas va huma s vez ao forno1 as outras va duas vezes1 e nelle se deixa tres dias para ficarem perfeitamente cozidas4 ,seu verniz nada tem de particular3 porm he justo referir huma industria1 com que os oleiros de algum modo suprem o verniz1 tingindo de preto os vasos1 que em muitas serventias sa preferiveis aos envernizados4 ,consiste pois nisto sua industria4 #bag ,assim que se pe a loua no forno1 se lhe lana1 por cima cinza de ,estevas1 ou urzes1 e se cobrem com ella o mais que pde ser4 ,pe-se depois seis1 ou sete feixes deste arbusto no fogo4 ,depois de se inflammarem bem estes feixes se tapa as bocas superiores do forno1 e se sufoca o fogo3 a loua deste modo recebe a fumaa1 que a penetra1 quando ella est ainda humida 7a que chama suar a loua7 quando se comea a esquentar1 ou a dar a tempera4 ,esta fumaa ajuntando-se com a cinza faz huma cr negra1 e muito solida s louas4 ,depois desta fumigaa1 se abrem os buracos superiores do forno1 e se continua a cozer a loua4 ,loua de ,inglaterra4 #bah ,mr4 ,jars1 correspondente da ,academia1 sabendo1 que eu me occupava em fazer a arte de oleiro teve prazer em me communicar algumas memorias sobre a loua de ,inglaterra1 que elle tinha achado entre os papeis do falecido seu irma da ,academia das ,sciencias4 ,na deve haver duvida1 que se ,mr4 ,jars as tinha publicado1 teria ajuntado muitas individuaes1 que as fizessem mais claras2 mas julguei devellas dar taes1 quaes elle me remetteo1 persuadido que as pessoas j instruidas no trabalho da loua podera nellas achar algumas praticas1 que cooperem para a perfeia desta arte4 #bai ,comt de ,nordhumberlane4 ,nas visinhanas da ,cidade de ,neuwcastle se estabelecera differentes fabricas de loua2 onde se fazem de toda a qualidade1 a excepa s da branca1 que em ,frana chamamos de barro de ,inglaterra4 #bbj ,neuwcastle est situada com a maior vantagem para este commercio3 o carva de pedra he muito1 e barato1 porque o do gasto do paiz na paga direito algum4 #bba ,em quanto aos materiaes proprios para fazer a loua estes tambem lhes vem baratos1 porque os ,navios que va levar o carva a ,londres1 na volta lhos trazem2 visto deverem trazer lastro4 ,a materia propria para fazer a pederneira1 ou pedras de tirar fogo3 sabe-se que dellas ha grande abundancia na parte ,meridional de ,inglaterra2 pois de ,douvres at ,londres1 quasi todo o terreno he huma mistura de greda1 e pederneiras4 #bbb ,destas materias fazem o lastro os mais dos ,navios1 que muitas vezes volta de ,londres vazios2 deves-se suppr1 que tornando a ,neuwcastle ellas se vendem baratas2 os que toma os fornos de cal de empreitada1 que sa muitos na visinhana do rio1 as compra2 elles fazem huma mistura de greda1 pederneira1 e pedra de cal sem distina alguma1 e cozem tudo acamado1 huma cousa por cima de outra4 ,depois da calcinaa he muito facil distinguir a pederneira1 ainda que se torna muito branca de escura que era dantes2 pe se de parte esta pederneira para se vender aos oleiros1 a raza de oito1 ou nove xelins a tonelada2 e cada huma tem vinte quintaes de cento1 e doze libras de pezo de ,inglaterra4 #bbc ,em geral sa semilhantes todos os fornos1 de que se servem para cozer a loua2 s differem na construa em serem maiores1 ou mais pequenos4 #bbd ,a loua ordinaria1 que se chama loua fina1 para a distinguir de huma mais1 commum1 do que adiante se fallar1 se faz de huma argila de cr cinzenta1 tirando mais a branca1 e da pederneira calcinada1 que entra na composia de quasi todas as louas4 ,antes de misturar1 ou preparar1 como se segue4 #bbe ,cada fabrica tem huma especie de moinho1 para moer a pederneira1 que he tocado por agua1 ou por hum cavallo2 alguns donos destes moinhos compra a pederneira1 e a vendem1 depois de moida aos oleiros4 ,este moinho consiste em huma especie de pia de po de cinco1 ou seis ps de diametro1 cujo fundo se faz de humas grandes pederneiras na calcinadas1 postas humas ao p das outras de modo1 que deixa entre si vacuos bem consideraveis2 no meio deste fundo ha hum mancal1 que recebe o pia de hum po vertical com hum brao em que se prende o cavallo1 ou bois que o tocao 7no ,brazil se chama atafona27 em roda deste po esta muitas pederneiras grandes encaixadas1 e seguras com gatos de ferro1 que servem de ms4 ,mr4 ,jars1 vio destes moinhos1 aonde em lugares de pederneiras1 se servem de marmores durissimos1 de que fazem a m superior1 unindo quatro pedras grossas com gatos de ferro ao po vertical4 #bbf ,nestes moinhos1 e entre estas pedras1 se moe a dita pederneira calcinada1 lanando-lhe sempre agua2 quando a agua est j bem carregada1 se tira huma cavilha de po1 que est na pia1 para cahir agua em huma peneira de cabello1 e desta em huma celha3 lana-se nova agua no moinho1 e se procede do mesmo modo1 que fica dito1 lanando outra vez na pia1 o que na pde passar pela peneira2 depois disto1 se passa por huma peneira de seda muito fina1 quando se quer misturar com a argilla1 que se prepara do modo seguinte4 #bbg ,a argilla1 de que se faz a loua1 se tira do condado de ,devonshire1 de donde vem por mar1 e serve de fazer lastro aos ,navios de volta1 como a pederneira2 tambem se servem della para fazer pitos3 posta em ,neuwcastle custa sete1 ou oito xelins a tonelada4 ,he cr de cinza1 tirando mais o branco2 tem a gr muito fina2 dilue-se com agua em tanques grandes1 agitando-a bem para se dividir melhor2 depois se passa esta argilla desfeita n'agua por huma peneira de cabello ta fina1 como aquella1 em que se passou a pederneira1 e depois em huma de seda ta fina1 como a da pederneira2 e enta se vai logo fazer a mistura4 #bbh ,mistura se dez partes de agua carregada de argilla com huma parte da agua da pederneira3 estando tudo bem misturado1 se trata da evaporaa da humidade1 e reduzir tudo a consistencia de massa1 o mais breve que for possivel1 para que a pedra na tenha tempo de se separar da argilla1 e precipitar-se1 o que faria a mistura desigual4 ,tem-se experimentado o calor do sol1 mas sem fruto2 servem-se de humas especies de fornos para esta opperaa4 #bbi ,estes fornos consistem em huma caixa comprida1 ou especie de bacia formada de tijolos1 sustida por cima com barras de ferro3 tem huma grelha para se fazer ahi fogo de carva de terra1 e na extremidade da caixa huma chamin para receber a fumaa4 ,esta mistura carregada de agua se pe nestas para evaporar-lhe a humidade1 at huma consistencia conveniente para ser amassada2 depois disto se tira este barro1 e se pe em hum lar liso1 feito de pedras chatas1 ou com taboas3 aqui se trata de amassar tudo1 e pr a massa em ponto de ser trabalhada4 #bcj ,forma-se logo obras a ma na roda orisontal1 quando ellas esta j meias seccas1 se acaba na roda vertical com os instrumentos2 outras finalmente se forma em moldes de gesso3 para preparar estes moldes1 o melhor modo de queimar o gesso he o seguinte4 #bca ,o do uso ordinario1 que se chama alabastro1 parece ser hum gesso branco semilhante ao que se tira nas visinhanas de ,salins em ,franche ,comt2 reduz-se a p que se passa por huma peneira muito fina2 depois se pe ao fogo dentro em hum vaso de barro2 move-se bem com hum po de espao em espao2 e logo que elle se agita pelos globulos de ar1 que delle sahem1 se chama a isto fazello ferver4 ,continua-se at se julgar bem calcinado1 depois se humedece com agua para fazerem moldes do modo que se quer4 #bcb ,mr4 ,jars vio preparar bules para ch1 cujo corpo se fez com as duas differentes rodas2 mas a aza1 e o bico se fazem em moldes de gesso2 estes moldes esta perto do fogo para estarem seccos4 ,quando se quer formar a aza de hum bule de ch que est feito ordinariamente1 se tem hum molde que consiste de duas peas de gesso1 se applica huma sobre a outra1 e que sa ocas com a figura que deve ter a aza2 faz-se hum rolo do barro1 e se estende no molde de maneira1 que o encha perfeitamente2 applica-se por cima a outra a metade do molde2 depois se pe tudo ao p do fogo hum bocado de tempo2 tira-se a pea do molde1 e se ajusta no corpo do bule humedecendo o barro com agua no lugar aonde se soldar4 #bcc ,os bicos se fazem por modo alguma cousa differente1 tem-se moldes semelhantes aos precedentes1 bem seccos1 e applicados hum sobre outro3 em huma das extremidades1 que communica na capacidade interior1 tem hum buraco1 por onde se lana a massa muito clara1 porm de modo1 que fica huma abertura no interior da pea formada1 que vem a fazer o bico do bule4 ,o molde de gesso bem secco sem duvida1 he o que ajuda a fazer este vacuo1 embebendo com a sua porozidade a agua da massa do barro1 assim que esta toca nas paredes do molde4 ,este molde se pe por algum tempo ao p do fogo1 como o outro de que j fallei1 antes de se tirar a pea1 que depois se solda no bule1 do mesmo modo que se solda a aza4 #bcd ,mr4 ,jars1 vio em differentes fabricas muitos moldes de gesso para fazer pratos1 e tigellas recortadas1 e com differentes feitios3 vantagem consideravel1 para diminuir o preo da ma de obra4 ,toda a loua1 feita deste modo1 se pe sobre taboas debaixo dos telheiros1 ou alpendres aonde secca2 ha caixas redondas feitas de barro ordinario1 peneirado grosseiramente1 porm amassado com muito cuidado2 commummente tem duas pollegadas de grosso1 quatro1 ou cinco de fundo1 e hum p de diametro2 nesta caixa se arruma de ordinario a loua2 no forno1 se pe huma sobre outra2 fazem-se muitas ordens no fundo3 isto frma differentes pilhas1 conforme o tamanho da fornalha4 #bce ,assim que est quasi cheio se fecha a porta falsa com tijolos1 e barro1 e se lana carva nas cinco fornalhas de vento distribuidas em roda da fornalha grande4 ,quando se accende1 entra a chama na s pelas cinco chamins1 mas tambem pelas pequenas aberturas1 que va ter a cada huma dellas2 assim o calor se introduz igualmente por todo o interior da fornalha3 este calor deve continuar trinta horas1 depois que pra o fogo2 logo que esfria a fornalha1 se tira a loua para a envernizar4 #bcf ,todos os vernizes1 de que se usa1 tem por base o chumbo2 tambem se servem da pedra1 ou mina de chumbo1 o zarca1 e o alvaiade1 conforme a qualidade da loua2 accrescenta-se-lhe alguma outra materia para variar a cr4 ,para diminuir o preo do verniz se lhe ajunta huma certa quantidade de pederneira calcinada1 e a mesma argilla1 de que se faz a loua2 assim que secca o verniz1 com que se cubrio a loua1 se pe de novo nas caixas1 e depois na fornalha1 como se fez d'antes1 e ao cabo de trinta horas est em termos de ser vendida4 #bcg ,pode-se usar de toda a qualidade de carva para a cozer4 #bch ,a loua assim preparada1 e cozida1 como fica dito1 na est subjeita ao perigo de se quebrar pelo calor da agua fervendo1 ou pelo fogo1 com tanto que se na ponha de repente em hum fogo muito ardente4 ,esta loua serve para cozer no forno toda a qualidade de manjares1 mas principalmente a loua branca1 que se fabrca no ,condado de ,stafford4 ,a sua descripa tambem se ha de dar4 #bci ,o interior da loua cozida he muito branco1 e de huma gr muito compacta4 ,ainda que se lhe na percebe apparencia de vitrificaa1 se pode dizer1 que se avisinha muito a ella4 #bdj ,fabrica-se outra especie de loua no mesmo lugar1 e fornalha1 que se faz com outra argilla escura1 como a precedente3 nesta na entra a pederneira2 mas a sessenta partes deste barro se ajunta huma parte de magnesia reduzida a p muito fino3 depois desta mistura1 se evapora a maior parte da humidade em hum forno semelhante ao precedente2 cobre-se de hum verniz negro1 em cuja composia entra tambem a magnesia2 esta loua passa pelas mesmas operaes1 que a primeira1 e resiste igualmente ao calor4 #bda ,muitas vezes se applica desenhos em ouro sobre esta loua negra2 para isto se tem hum licr1 que se chama goldsize ou mordente1 que se traz de ,londres3 he huma especie de verniz composto de differentes modos2 com este verniz pinta o obreiro tudo1 o que quer1 sobre a loua alguma cousa ainda quente2 depois do que applica sobre a pintura folhas de ouro batido 7ou pa de ouro17 e com hum p de lebre se faz cahir o ouro dos lugares1 que na fora envernizados2 pe-se depois esta loua em huma pequena fornalha1 que est de parte1 com grades de ferro1 e sua chamin2 o fundo he huma chapa debaixo da qual se pe o carva1 a fumaa1 e a chama sahem pela chamin4 #bdb ,pouco distante desta fabrica ha hum lugar em que se faz loua grosseira1 e que vai ao forno huma s vez1 porm com hum fogo continuado por quarenta horas4 ,a fornalha he semelhante precedente2 porm muito maior2 tem sete fornalhas de vento1 e sete chamins1 em lugar de cinco1 que a outra tem4 ,estas fornalhas de vento sa quasi de cinco ps de distancia de hum centro a outro4 #bdc ,a argilla cinzenta que serve para a loua1 de que se acabou de fallar1 na vista he em tudo muito semelhante de que se servem em ,staffordshire para a loua branca2 com tudo as experiencias1 que della se fizera1 tem provado1 na ser susceptivel da mesma impressa do sal1 para a cobrir de hum bom verniz4 #bdd ,loua do ,condado de ,stafford4 ,as minas de carva tem dado lugar a hum estabelecimento de fabricas de loua de todo o genero nas visinhanas da ,cidade de ,neuwcastle2 por isso as de loua branca sa mais numerosas4 ,dizem que ha de dez a quinze mil almas empregadas nas minas de carva1 e nas fabricas de louas2 mas sem contradia o maior numero se occupa na loua4 ,na se vem ali sena pequenas povoaes habitadas de oleiros1 e fabricas deste genero em toda esta parte do ,condado de ,stafford1 e hum grande numero de fornalhas1 principalmente nos lugares aonde se tirou1 e aonde ainda se tira carva4 #bde ,a argilla1 de que usa para a loua branca1 he de duas especies1 quasi semelhantes2 s se faz differena dellas pelo uso como adiante se dir4 ,tira-se de ,devonshire1 e dizem1 que esta provincia a d para todas as fabricas de loua de ,inglaterra4 ,a pederneira1 de que se faz tambem hum grande uso1 se tira de ,gravesande1 ou verdadeiramente das margens do ,tamisa4 #bdf ,o ponto principal desta loua1 isto he1 para a ter bem branca1 e livre de manchas1 consiste na preparaa da argilla1 e em sua mistura com a pederneira2 pe-se a argilla em hum tanque com agua para a fazer humedecer2 dilue-se bem1 agitando-a com hum pedao de po1 esta agua assim carregada se coa1 para outro tanque por huma peneira de cabello1 para separar1 o que na est diluido1 esta se torna a lanar no primeiro tanque4 ,espera-se que haja huma suficiente quantidade de argilla j pssada1 e depois se agita fortemente1 e se passa por huma peneira fina4 ,para a misturar com a pederneira1 se faz o mesmo1 que em ,neuwcastle em ,northumberland2 a pederneira se calcina do mesmo modo em hum forno de cal2 e depois se pulverisa1 e liviga em hum moinho tocado ordinariamente pela agua2 a pederneira neste estado he levada a fabrica4 ,para a mistura ser perfeita1 se deve diluir em agua na mesma consistencia1 em que estava a argilla4 #bdg ,a propora he de ajuntar huma parte de pederneira a seis partes de huma destas argillas2 e a cinco partes da outra argilla se ajunta huma de pederneira4 ,depois da argilla ter sido passada por peneiras duas vezes1 como acima se disse1 se torna a passar terceira vez por huma peneira ainda mais fina1 e enta he que se medem as pores4 #bdh ,deve haver huma pequena celha1 que se enche seis vezes da argilla passada pela peneira2 e depois se enche huma vez da agua da pederneira1 e assim se continua at haver a quantidade da massa1 que se quer2 para a mistura ficar perfeita1 precisa as duas massas1 ou aguas de argilla1 e pederneira1 ter igual consistencia1 e se mexem bem ambas juntas2 e depois se torna a passar quarta1 e quinta vez por huma peneira fina e desta ultima vez se coa no tanque de tijolos1 que tem por baixo o fogo4 #bdi ,as peneiras se fazem com fio de cambraia mais1 ou menos fino2 os caixes1 ou tanques de tijolo1 onde se pe a seccar a materia1 sa semelhantes quelles que se usa nas fabricas1 de que acima se fallou2 a mistura de barro e area secca nelles lentamente1 agita-se huma vez por outra com huma p para seccar mais com igualdade2 neste tanque fica at ter a consistencia precisa para ser trabalhada2 enta se leva esta pasta para huma especie de sobrado bem limpo1 e com muito aceio1 aonde hum homem com os ps o trabalha1 e amassa at julgallo proprio para fazer a loua4 #bej ,todas as pas1 que na leva molduras1 nem sa recortadas1 se forma sobre huma roda vertical1 que hum menino faz mover2 a que he de molduras1 se forma em moldes de gesso4 ,estes moldes de gesso consistem em huma pea de gesso1 que tem interiormente a figura que deve ter a pea ou seja prato1 ou tijella1 ou outra qualquer1 no qual gesso se gravou o desenho1 que se quer dar a pea4 #bea ,bate-se e trabalha-se hum bolo de barro1 depois se estende com hum rolo4 ,depois que se estendeo o barro tanto1 quanto quer o official1 se pe sobre o molde aonde se aperta bem com as mas1 e se molha na agua1 se he preciso1 para a massa se na pegar a elle1 e tambem para fazer liza a parte exterior do prato1 ou tijella4 #beb ,este trabalho se faz em hum quarto onde ha fogo1 para que os moldes sempre esteja bem seccos1 e que1 depois de algumas horas1 se possa tirar as peas1 que nelles se formara4 #bec ,como he preciso pulir as louas nos lugares1 aonde na leva verniz1 para tomarem melhor o verniz2 logo que tem seccado alguma cousa sombra as mesmas obras1 que se fizera na roda vertical1 se leva ao torno1 aonde se aperfeioa1 e se fazem mais iguaes2 e depois disto1 se pulem na mesma roda ou torno1 applicando lhe por cima huma folha de ferro liza1 nos lugares1 que devem ser pulidos4 ,da mesma sorte se fazem em moldes peas redondas2 as peas ovaes1 que na podem ser pulidas no torno1 se lava bem com huma esponja1 e agua1 e depois com hum pedao do mesmo barro cozido1 e pulido1 se pulem todas as partes1 que o devem ser4 ,esta loua ordinariamente se arruma em taboas a sombra para ahi seccar inteiramente antes que se ponha no forno4 #bed ,nas visinhana de ,neuwcastle ha argilla propria1 para fazer as caixas em que se pe a loua2 estas caixas sa redondas1 fazem se-lhe em roda cinco1 ou seis buracos de duas em duas pollegadas1 e de meia pollegada de diametro2 seu tamanho he proporcionado aos das peas1 que se querem meter nellas4 #bee ,quando se quer arrumar a loua nestas caixas1 os meninos prepara o que a deve suster2 e sa huns pequenos pedaos da mesma argilla formados em parallelipipedos2 e1 estando ainda muito humidas1 se applica sobre greda pizada grosseiramente1 que se pega sobre toda sua superficie1 com isto se guarnece o fundo das caixas1 e destes parallelipipedos se servem para suster cada huma das peas1 para que ellas na toquem humas nas outras2 por se na pegarem com o verniz2 esta greda de todo se na pega a loua1 e nem lhe faz a menor marca1 e se o faz em algumas peas1 estas se rejeita4 #bef ,os fornos1 em que se faz cozer esta loua1 sa pouco mais1 ou menos semelhantes a estes1 de que se tem fallado3 a differena1 que ha1 consiste s em que elles commummente tem oito fogos1 e por conseguinte oito chamins interiores2 mas estas chamins s tem a abertura superior4 ,dizem que estas pequenas aberturas1 que os outros tem1 para a loua envernizada1 faria mal a loua branca1 porque a chama1 que sahe da envernizada indo dar nas caixas da loua branca a faria amarella4 ,outra differena3 toda a pora espherica da abobada1 est guarnecida de buracos1 que na sa precisos para as outras louas2 fazem-se logo oito em roda da fornalha1 no principio da abobada1 postos entre cada chamin1 depois outras dezeseis por cima1 e finalmente seis em roda do buraco principal1 que esta no meio da abobada1 e que serve de chamin4 ,estes buracos tem tres1 ou quatro pollegadas de diametro2 no tempo da operaa se tapa3 seu uso adiante se dir4 #beg ,todas as caixas1 que encerra a loua se pe humas sobres as outras1 e forma differentes pilhas2 metem-se no forno de modo1 que haja huma pilha destas caixas debaixo de cada hum destes buracos1 de que se acaba de fallar4 ,como ha trinta e hum buracos1 comprehendendo a abertura do meio1 ou chamin principal1 pe-se trinta1 chamadas pilhas2 a ultima caixa1 que faz a extremidade da pilha1 se cobre com testo feito de barro1 de figura conica4 #beh ,a loua branca vai s huma vez ao fogo1 mas he hum fogo continuo1 que atura quarenta1 e oito horas4 #bei ,o tempo de lhe dar o verniz por meio1 ou adjutorio do sal marinho1 he quasi quatro1 ou cinco horas1 antes de se acabar de cozer2 depois que a loua tem sofrido hum fogo de quarenta1 e tres1 ou quarenta1 e quatro horas1 se trazem1 para junto do forno1 oito alqueires 7medida de ,inglaterra7 de sal marinho 7que he quanto basta para hum forno da capacidade deste1 de que acabo de fallar47 ,ha hum levantado em roda da abobada ou corpo espherico do forno1 sobre o qual sobem dous obreiros1 que com huma colher de ferro lana pelos buracos sal marinho1 sobre cada huma das cubertas de cada pilha4 ,logo que lanara o sal1 torna a tapar os buracos1 que tinha aberto1 para introduzir as colheres1 e continua assim andando em roda do dito forno1 lanando em cada buraco a mesma quantidade de sal1 pouco mais1 ou menos4 ,elles fazem isto mesmo por tempo de quatro1 ou cinco horas1 e na deixa outro intervallo1 sena o que he preciso1 para sahir a grande fumaa1 que faz o sal4 ,a cuberta1 ou testo de cada pilha deve ser de tal figura1 que o sal lanado por cima1 cubra inteiramente a pilha2 quando cahe1 enta o acido do sal se introduz ao interior das caixas1 toca a superficie da loua1 e accelera a vitrificaa da pederneira1 que entra na composia da mesma4 ,esta vitrificaa exterior he o unico verniz1 que se lhe d4 #bfj ,o sal com que se faz esta operaa1 he muito branco1 e em gros grossos1 quasi semelhante ao que se faz em ,lons-he-,saunier1 para o gasto dos ,suissos4 #bfa ,o preo desta loua he de meio xelim at dous xelins a duzia de tijellas2 este ultimo preo he o da loua melhor e de boa cr2 o primeiro preo he da loua de refugo4 ,a qualidade do carva na he essencial para fazer a loua melhor1 ou inferior4 ,,artigo ,,xii4 ,do oleiro de fogareiros4 #bfb ,ainda que os oleiros1 que fazem os fogareiros1 e cadinhos para os ,chymicos1 chamados fournalistas faa hum mesmo corpo com os que fazem os ladrilhos1 utensis do uso1 e outras obras1 de que j fallei1 pareceo-me justo tratar separadamente das obras dos que fazem fogareiros1 e mais instrumentos chymicos2 porque seu modo de trabalhar he muito differente da pratica dos outros oleiros4 #bfc ,os de ,pars se servem como os outros oleiros da argilla1 que tira em ,gentilly4 ,para a amaciarem1 e tornalla ductil1 e propria a ser trabalhada2 corta-na em pedaos sobre huma taboa1 como os outros oleiros2 estes pedaos cahem em tinas1 ou celhas com agua3 quando est j bem penetrada da agua1 a tira para a amassarem4 ,se a argilla he muito forte1 elles a fazem magra1 como os outros oleiros2 mas para isto na se servem da area3 quando elles se prope fazer obras usuaes1 como esquentadores para serventias pequenas1 ou fogareiros para fazer esquentar os ferros de engomar1 e outras obras1 que se da baratas3 neste caso liga o seu barro com escorias de ferro pizadas1 e passadas por hum crivo1 misturando depois partes iguaes deste p1 e do barro2 porm para os fogareiros chymicos1 como elles tem de soffrer hum fogo violento1 e continuo1 convem substituir a area huma substancia capaz de resistir maior aca do fogo1 e na se tem achado outra cousa melhor para liga1 do que os pedaos destes vasos de greda escura1 que servira de trazer manteiga de ,isignes2 dizem elles1 e eu na sei se he com fundamento1 que a loua de ,picardia na he ta boa como a de ,normandia4 #bfd ,seja como for elles compra aos tendeiros estes pedaos de greda de ,normandia s medidas2 elles os piza com huma massa de ferro1 ou de po guarnecida de ferro1 sobre huma pedra muito dura1 ou hum calho1 que se pe sobre a ponta de hum po grosso2 depois os passa por hum crivo bem fino1 para que as molecudas da greda se reduza1 quando muito1 ao tamanho de hum gra de milho3 elles mistura pouco mais1 ou menos tanto deste p1 como da argilla1 ou cinco partes deste p com quatro de argilla2 porque elles dizem1 e com raza1 que os fogareiros sa tanto mais fortes1 quanta maior pora leva deste p1 e que argilla deve ser quanta baste para o ligar1 finalmente usa deste p mais fino para os cadinhos1 do que para os fogareiros4 #bfe ,os oleiros que fazem os fogareiros prepara argilla1 como os outros oleiros2 elles escolhem ma todos os corpos estranhos1 que encontra1 quando a corta1 e amassa2 mas escolhem com mais cuidado aquella1 que destina para fazer cadinhos2 elles a trabalha1 e a amassa sobre huma meza1 e lana fra com muito cuidado todos os calhos1 pyrites1 ou fragmentos de pedra calcar1 que encontra nas mas4 ,alguns para fazerem os cadinhos mais perfeitos1 depois de terem feito seccar a argilla1 a pulverisa1 e a passa pela peneira2 se elles acha huma veia de barro1 que contm muitos destes corpos estranhos1 o pe de parte para fazerem os fogareiros1 e reserva o barro mais puro para os cadinhos4 #bff ,amassa o barro1 como os outros oleiros1 pe o p do barro cozido sobre hum sobrado1 e a argilla por cima2 depois de terem feito a primeira amassadura1 tira o barro do meio para os lados1 e dos lados para o meio4 ,alguns amassa o barro batendo-o sobre huma meza com huma massa de ferro1 e acaba de o amassar trabalhando-o nas mas4 #bfg ,at o presente se v1 que o trabalho destes differe pouco dos outros oleiros2 porm elles sena servem de roda nem de moldes ocos1 para formar suas obras2 fazem-nas inteiramente a ma1 como explicarei4 #bfh ,os fogareiros portateis1 que estes fazem na servem aos ,chymicos2 pois para certas operaes1 se forma outros de hum feitio particular2 elles mesmos os fazem com tijollos1 que unem com o barro dos fornos1 ou com argamassa de cal1 e ladrilho moido1 ou com hum luto1 composto de huma parte de barro1 outra de esterco de cavallo secco1 e de duas de area4 #bfi ,alguns fazem a sua argamassa com hum bocado de barro de fornos1 e muita cinza de lixivia1 ou cenrrada1 passada por huma peneira1 e humedecida com agua4 ,mas como os tijollos communs na resistiria a certas operaes1 por serem faceis de vitrificar1 se fazem estas fornalhas mais fixas com tijollos1 e barro de cadinhos4 #bgj ,o barro destes tijollos he o mesmo1 que se usa para fazer os fogareiros portateis2 estes tijollos se fazem em moldes de po1 que se enchem deste barro4 ,assim que os tijollos tomra hum bocado de consistencia1 depois de tirados dos moldes1 batem-nos sobre huma taboa para comprimir o barro3 mas com cuidado para os na desfigurar4 #bga ,os mestres dos fornos fazem estes tijollos quadrados1 quasi do mesmo modo1 que os ordinarios1 e tambem os meios tijollos quadrados1 para fazer os igualamentos4 #bgb ,para dar varias figuras aos fornos os mestres fazem tijollos de certa bitola1 e figura est4 ,,ii1 fig4 #ac4 ,e os ,chymicos se servem delles para fazer fornos redondos1 de sorte que algumas vezes quatro tijollos fazem a circunferencia de hum pequeno forno1 para os grandes se carecem muitos mais4 ,ainda que se mude a curvatura destes tijollos segundo a figura1 que se quer dar ao forno1 sempre se tem meios tijollos1 que sa muito commodos para igualar as superficies4 ,estes tijollos se fazem em caixilhos1 ou moldes1 como os tijollos ordinarios3 a est4 ,,ii1 fig4 #ad4 he para fazer os apoios dos cadinhos2 e b1 dos quadrados4 #bgc ,os mestres dos fogareiros sa os que prepara os materiaes1 e os ,chymicos as pe em obra1 unindo os tijollos com barro de forno1 ou com as argamassas1 de que j fallei4 ,entre o cinzeiro1 e a fornalha se pe huma grade de ferro1 alguns tapa as portas ou aberturas com huma chapa de ferro delgada2 outros se contenta em pr por cima das portas hum pedao de ferro chato1 maneira de portal4 ,dentro do laboratorio1 que est por cima da fornalha1 se pe humas chapas de ferro para supportar hum banho de area1 ou cucurbitas1 ou retortas1 ou cadinhos2 finalmente fazem mais fortes estes fornos1 pondo-lhes por fra humas chapas delgadas de ferro1 que o cerca por todos os lados3 porm na ha cousa melhor para segurar os tijollos1 e impedir1 que se na despeguem com a fora do fogo1 do que prender na argamassa1 que os une pedaos de redes velhas de arame de ferro de tostar o tabaco rap3 estas na fazem enchimento1 e por causa dos buracos1 e desigualdades destas redes fazem huma excellente liga com a argamassa4 ,na entro em grandes individuaes sobre as fornalhas fixas1 porque isto na he huma parte essencial dos oleiros1 que fazem fogareiros2 as fornalhas portateis1 ou fogareiros para o uso dos ,chymicos1 que verdadeiramente fazem a base desta arte1 sa os de que eu vou tratar com alguma maior individuaa4 #bgd ,os oleiros mestres de fogareiros1 ou fornalhas portateis as fazem quadradas2 taes sa as fornalhas de cadinho a est4 ,,ii1 fig4 #ae1 e algumas de fusa fig4 #af2 mas as fornalhas de digesta1 e as de reverbero1 em huma palavra1 quasi todas as fornalhas portateis sa redondas4 ,humas sa de huma s pea isto he cinzeiro1 foga1 e laboratorio2 na tem mais que por-lhe em cima a abobada3 outras sa formadas de muitas coras1 que se pe humas sobre outras2 algumas se pe sobre huma trempe de ferro1 e estas na tem cinzeiro1 porque a cinza cahe no cha2 porm a maior parte tem hum cinzeiro1 hum foga1 onde se pe o carva sobre huma grade1 que deixa cahir a cinza1 e d passagem ao ar1 que aviva o fogo4 ,os mestres de fogareiros algumas vezes fazem estas grades de barro2 enta he huma chapa de barro redonda1 em que se abrem muitos buracos2 outras se servem de grades de ferro4 ,por cima do foga est hum espao1 que se chama o laboratorio1 porque neste lugar he que se pe o banho de maria1 ou de area1 ou huma retorta3 tem huma abertura por onde se introduz o collo1 ou huma cucurbita1 ou cadinhos2 e todas estas cousas sustidas por algumas peas de ferro1 e muitas vezes acaba tudo por hum corpo espherico1 ou zimborio1 que serve de reverberar o calor sobre a retorta1 ou os cadinhos1 que esta no laboratorio4 ,ha sempre no alto do zimborio huma abertura de tres ou quatro pollegadas de diametro conforme o tamanho da fornalha1 e esta abertura tem algumas vezes huma ponta de tubo1 para se poderem ajustar nella tubos mais compridos1 quanto se quer augmentar a actividade do fogo2 porque para accender-se o carva com mais vivacidade1 e produzir muito mais calor1 se precisa estabelecer na fornalha huma corrente de ar1 que entre pelo cinzeiro1 e saia por cima da fornalha4 ,ora esta corrente de ar depende da ligeireza do ar quente1 em comparaa ao pezo do ar frio1 e esta ligeireza se augmenta a propora1 que elle se esquenta mais1 e tambem propora de huma maior columna de ar quente no cume da fornalha3 e assim para se augmentar a actividade do fogo na fornalha1 precisa1 que possa entrar por baixo huma sufficiente quantidade de ar frio1 e ajuntar por cima da fornalha huma extensa de tubos1 para se fazer assim huma maior columna de ar quente1 que serve como de huma bomba maior2 he preciso tambem1 que o diametro deste tubo seja proporcionado ao tamanho da fornalha2 eu na envestiguei sobre estas propores1 porque ellas na pertencem ao official3 este se deve conformar com as ordens do ,chymico1 que varia isto1 conforme as operaes1 que pretende fazer4 #bge ,ha outras mais aberturas1 tanto no zimborio1 como no corpo da fornalha1 que se abrem1 ou se fecha para augmentar1 ou diminuir o calor1 conforme se quer1 e levallo mais para huma parte da fornalha1 do que para outra2 para isto se deixa estes buracos abertos1 ou se fecha1 quando se julga a proposito1 com batoques feitos mesmo de barro3 a isto chama registros4 #bgf ,devem-se fazer muito grossas as paredes das fornalhas1 para que na escape o calor para o laboratorio1 onde incommoda ao artista1 e ao mesmo tempo falta para operaa4 #bgg ,eu disse que os mestres de fogareiros fazia fornalhas quadradas1 e dei por exemplo as fornalhas de cadinho a est4 ,,ii1 fig4 #ae2 ellas tem hum cinzeiro a1 que tem huma porta1 por cima da qual est o laboratorio b1 e huma abertura que na se communica dentro da fornalha1 mas sim huma especie de forno1 feito de barro de cadinhos delgado1 chamado moufles1 ou receptaculo2 delle fallarei1 quando tratar dos cadinhos3 este laboratorio est sustido por grades de ferro1 que atravessa o interior da fornalha1 e de todas as partes cercado por carves ardentes2 no moufle1 ou receptaculo he que se pe os cadinhos para fazer as experiencias dos metaes1 das peas esmaltadas1 e dos cadinhos para certas operaes4 ,a fornalha he cuberta por hum zimborio quadrado1 em cima do qual est huma grande abertura1 que se pde tapar com hum testo1 ou se lhe pe hum tubo1 quando se quer que o fogo tenha huma grande actividade4 ,por meio deste receptaculo1 se podem expr a hum grande calor as materias1 sem receberem alguma impressa de fumaa1 nem mesmo vapores de carva4 #bgh ,a fig4 #af4 ,c1 representa huma fornalha de fusa1 na qual se accende o fogo com hum folle2 e por isso he que na tem grade no cinzeiro a1 nem abertura por baixo na parte a1 d1 nem tubo em cima para fazer maior corrente1 de ar na fornalha2 o folle faz as vezes desta corrente de ar4 #bgi ,a parte aa1 aa1 ,b1 he huma pea de barro1 que frma a parte debaixo do cinzeiro1 onde se pde notar huma abertura b1 a qual vai ter ao tubo do folle1 e o vento sahe pela abertura c2 o corpo da fornalha dd1 se pe sobre o fundo aa4 ,he preciso notar no interior desta fornalha huma sahida de barro ee1 que circula ao redor da fornalha2 esta se destina para suster a parte ff1 que frma a parte baixa do foga na altura dd2 porm tem nos angulos quatro aberturas gg1 pelas quaes o vento do folle entra no corpo da fornalha1 que he ao mesmo tempo foga1 e laboratorio1 e aviva o fogo em todas as partes desta repartia1 e em toda a circunferencia do cadinho1 que est posto no meio do fundo ff1 como se v indicado nos pontos dd4 ,deste modo fica rodeado de hum calor muito vivo1 sem receber immediatamente o vento do folle1 que sendo frio1 o refrescaria1 e muitas vezes o faria rebentar4 ,a cuberta1 ou testo ,c1 s se pe quando se tira o cadinho1 para apagar o fogo1 e fazer esfriar a fornalha devagar4 ,esta fornalha chamada de fusa se v1 que he muito bem ideada1 a que se segue na carece de folles4 #bhj ,tambem se pde fazer uso de huma fornalha da invena de ,mr4 ,maquer1 que produz hum calor muito forte1 e vitrifica quasi todas as substancias que nella se pe4 ,esta fornalha na tem cinzeiro2 pe-se sobre huma trempe2 por baixo tem huma grade1 pela qual cahe a cinza1 e d huma passagem livre ao ar4 ,a porta s serve para facilmente se alimpar a grade com o esborralhador1 no cazo de precisar4 ,a porta he destinada para se ajustar por detraz hum cadinho para algumas operaes1 em que se tomasse o fumo1 ou vapores de carva2 a parte posterior est1 como se v1 inclinada para traz da fornalha3 e a porta grande serve para metter o carva na fornalha2 he preciso que ella seja grande1 porque esta fornalha consome muito carva2 esta parte faz vezes de zimborio1 tem no meio hum principio de tubo1 para receber os outros tubos1 que se ajusta huns por cima dos outros1 e quantos mais se mettem mais calor ha4 ,bem se v que esta fornalha deve ter muita actividade1 porque se estabelece no interior huma corrente do ar1 estando o fundo todo aberto1 e a columna de ar quente se eleva muito4 ,finalmente pe-se no interior algumas grades de ferro para sustentar o receptaculo1 quando se pe hum cadinho1 ou muitos1 e vasos que contm as materias de que se fazem as experiencias4 #bha ,a fig4 #ag1 est4 ,,ii1 he hum pequeno forno1 de digesta destinado para entreter em hum calor brando certas substancias por hum tempo consideravel4 #bhb ,o que aqui se representa1 he de folha de ferro1 forrado por dentro de barro de cadinhos2 a he o cinzeiro2 b lugar onde se pe o fogo2 c he huma tapagem1 que cobre todo o forno2 d he huma torre1 onde se pe huma provisa de carva1 por na ser preciso pollo a miudo pela porta e3 enche-se de area a capacidade c1 f1 e nesta area he que se pe os crisoes1 ou vasos1 que contm as materias postas em digesta4 ,este forno1 ao contrario daquelles1 de que acima fallei1 he destinado para entreter por muito tempo hum calor brando1 e igual2 para isto he preciso1 que a corrente de ar1 que deve atravessar este forno1 seja vagarosa1 e bem dirigida4 ,he evidente1 que fechando-se exactamente as portas g1 e1 e os buracos1 que esta no testo1 ou cuberta h1 da torre d1 o fogo se apagaria1 e que1 abrindo-se estes buracos1 o carva se consumiria com presteza1 e produziria muito calor4 ,e assim para obter hum meio conveniente1 se devem abrir alguns dos buracos1 que esta nas portas g1 e1 e algumas das que esta na cuberta da torre h3 por meio disto o carva1 que se ps na torre d1 na se accende1 mas cahe pouco a pouco na parte b1 a medida que se vai gastando o que ahi est2 e quando a torre he grande1 o fogo se entretem por muito tempo no forno1 sem ser preciso haver com elle algum cuidado4 #bhc ,eu podia trazer hum maior numero de fornos1 ou fogareiros1 que fazem estes oleiros2 porm alguns exemplos bastara para fazer comprehender seu modo de trabalhar4 #bhd ,todas as fornalhas portateis1 ou fogareiros sa feitas ma com argilla1 misturada com o p dos vasos de manteiga1 como fica dito4 #bhe ,com hum compasso se risca em huma meza a largura1 que a fornalha deve ter no fundo2 depois o oleiro tendo posto sobre a meza hum bocado de cinza fina1 para que o barro sena pegue1 estende1 como fazem os pasteleiros1 huma pasta de barro redonda1 e a pe sobre o trao que fez o compasso2 este he o fundo da fornalha2 depois com este mesmo barro faz outra pasta1 que pe em roda sobre a pasta de barro1 que frma o fundo1 tendo cuidado de os comprimir bem com os dedos1 e dar-lhe mais grossura1 do que devem ter as paredes da fornalha1 na s porque o barro encolhe1 mas tambem1 porque batendo-o1 diminue a grossura4 ,ajunta outros rolos de barro huns sobre outros1 e tem o cuidado de os comprimir1 e unir bem com os dedos para vir a fazer tudo hum s corpo1 na ficando vacuo interposto entre as camadas de barro1 porque o ar contido neste vacuo faria arrebentar o forno1 quando se dilatasse pelo calor4 ,quando o forno chega a altura1 em que se deve pr a grade1 por cima do cinzeiro1 frma huma pequena sahida ou borda com o mesmo barro para suster a grade4 #bhf ,pensa1 e com raza1 que os rolos de barro1 comprimidos com os dedos deixa desigualdades4 ,depois que o forno tem chegado a huma certa altura1 o official passa o gume da ma1 de cima a baixo1 e ao travs1 e deste modo o une1 e torna igual4 ,esta operaa une a obra1 e destroe as desigualdades1 e a faz compacta1 tirando-lhe os pequenos vacuos1 que teria ficado4 ,continua por diante a pr os rolos de barro para levantar o forno1 e formar a parte1 que se chama fornalha1 ou o foga2 depois o laboratorio at o lugar1 em que se deve pr o zimborio1 e de vez em quando pule a obra1 como j fica dito4 #bhg ,sabe-se muito bem1 que os fornos sa mais largos por cima do que por baixo4 ,o habito dos bons forneiros he1 o que os obriga a observar este methodo regularmente1 vindo a dar s paredes dos fornos a devida grossura2 fazem-lhes varios contornos muito regulares1 e para tudo isto na carecem de regua1 nem compasso1 he s com a vista1 e nem tem outros instrumentos1 sena as mas1 e o instrumento de bater o barro em pasta4 #bhh ,querendo-se formar pequenas chamins para dar sahida ao vapor do fogo1 se fazem no corpo do forno buracos1 que se tapa com o mesmo barro disposto na figura conveniente a ma1 ou em molde1 e segura-se quasi como as azas na loua4 ,os lugares1 em que se pga1 para mudar o forno de hum lugar para outro1 e as sahidas1 ou crescimento de barro1 que se faz por baixo das portas1 se comea1 quando se frma o corpo do forno1 e se aperfeioa1 quando se acaba de bater4 ,feitos assim os fornos1 como se acaba de dizer1 e aperfeioada a superficie com os dedos se pe a enxugar1 e depois se acaba2 para isto se bate com huma taboasinha por fra1 e mesmo por dentro1 quando o diametro o permitte2 abrem-se as portas com huma faca molhada1 finalmente em quanto o barro est ainda mole1 e ductil1 se aperfeioa todas as partes do forno2 e os habeis obreiros os fazem com tanta perfeia1 como se fossem feitos em moldes1 ou em roda4 #bhi ,fazem-se parte batoques para os registros1 e portas para fechar as aberturas2 escolhem-se em hum numero que ha de differentes tamanhos1 as peas1 que servem3 isto he facil2 porque1 como se fazem de cantos1 ou quadradas1 servem nas aberturas1 que se fizera no forno4 #bij ,os fornos grandes se fazem de muitas peas4 ,o cinzeiro a1 a fornalha b1 e o laboratorio c sa formados da differentes peas1 que se ajusta humas sobre outras com encaixes4 ,como estas peas devem ser todas iguaes por medida1 para ajustarem humas sobre as outras1 os oleiros logo que fazem o cinzeiro as medem exactamente o seu diametro por cima com hum compasso1 e risca esta medida em huma meza1 e em cima forma a pea c1 que deve ajustar por cima2 deste modo o barro encolhe com igualdade1 e as peas se ajusta bem1 depois do barro ter tomado consistencia se apara1 e aperfeioa os encaixes1 e se pe as peas humas sobre outras1 e se batem com a taboinha1 de sorte que o forno parece ser de huma pea s4 #bia ,depois de comeado hum forno1 se precisa acabar sem parar2 porque o barro humido na se liga com o barro secco1 e este j teria encolhido2 e por isso1 sendo preciso parar com a obra1 se deve cubrir com pannos molhados por na seccar4 #bib ,quando se acaba o forno1 se devem fazer em roda1 e em differentes alturas rasgos fundos1 para se passar hum fio de arame grosso1 que abrace toda a circunferencia do forno1 em cada hum destes rasgos2 porque isto ajuda muito a conservar os fornos4 #bic ,a abobada1 que se deve pr sobre o forno como j disse1 tambem se faz a ma e sem moldes1 ajustando rolos de barro mais finos1 do que os do corpo do forno1 huns sobre os outros2 comea-se por hum trao de compasso que mostra a largura de cima do forno1 aonde se deve pr a abobada2 e para o barro se poder suster toma-se de algum1 que se amassasse mais duro2 e em geral o barro1 em que trabalha os forneiros1 he mais duro1 do que o dos outros oleiros4 #bid ,algumas vezes1 em quanto o barro na est ainda muito duro1 com moldes lhe imprimem varias molduras para adorno dos fornos4 #bie ,os fornos de cadinhos se trabalha do mesmo modo que este1 de que acabo de fallar1 tudo he a ma2 e sem usarem de regua nem compasso1 lhe da huma figura muito regular3 s o cadinho deve ser trabalhado por differente modo3 delles fallarei1 quando tratar dos cadinhos4 #bif ,fazem tubos1 para descarregar a fumaa1 com o mesmo barro dos fornos1 e os forma com hum cilindro de po1 que he mais grosso em huma ponta do que em outra para poder-se tirar o molde1 depois do tubo feito1 e para o barro sena pegar ao po1 esfrega em cinza muito fina4 ,assim que o barro do tubo ficou alguma cousa duro1 batem-no com a taboinha para alizallo1 e fazello mais compacto4 #big ,os oleiros fazem os cadinhos na roda1 e os forneiros as fazem a ma em huma especie de torno de po1 que elles chama molde1 c d1 fig4 #bb1 est4 ,i4 #bih ,suposto que disse que os oleiros de ,picardia fazia bons cadinhos com o seu barro de greda1 toda via arrebenta no fogo1 se os esquenta precipitadamente2 porm se os esquenta aos poucos resistem a hum fogo violento sem se desfigurarem1 e resistem a aca dos saes1 e metaes derretidos4#be #bii ,o barro de ,gournaes em ,normandia he muito bom2 elle sopporta hum fogo muito grande sem se desfigurar2 mas tem o defeito de conter em si muita quantidade de pequenas pyrites1 e fragmentos de mina de ferro4 ,eu disse1 que tinha chegado a remediar ao menos em partes1 estas faltas1 dissolvendo-o em muita agua1 e deixando precipitar o que era mais pezado1 e mais grosseiro1 para me servir do barro fino1 que se precipitava depois4 #cjj ,para fazer os vasos das fabricas de vidros1 em que se tem o vidro derretido1 tres semanas sem interrupa1 se escolhe da boa argilla1 a mais pura1 que se possa achar2 liga-se com esta mesma argilla bem cozida1 reduzida a p4 ,esta liga se faz em differentes doses1 segundo a argilla he mais1 ou menos macia e ductil1 e mais disposta a fechar-se1 sendo cozida2 de sorte que certas argillas cruas na podem soffrer sena partes iguaes de argilla cozida1 e outras muito macias podem soffrer cinco1 e seis partes de argilla cozida em quatro partes da crua4 #cja ,ha fabricas de vidros1 que fazem os seus grandes cadinhos1 a que elles chama potes1 com rolos de barro1 como os nossos forneiros1 outros os fazem em moldes4 #cjb ,os forneiros de ,pars fazem seus cadinhos com argilla cinzenta de ,gentilly2 elles a escolhem1 e alimpa com mais cuidado1 do que para os fornos2 depois a liga com pouco mais de outro tanto de barro cozido1 que passa por hum crivo hum pouco mais fino1 do que para os fornos4 ,depois de terem preparado o barro o estendem pouco a pouco sobre hum molde de po c est4 ,i1 fig4 #bb1 que tem a figura que deve ter o interior do cadinho1 tendo-o esfregado com area fina1 para que o barro sena pegue2 comea pelo fundo do cadinho1 cobrem o molde com huma camada de barro1 que tem tres1 ou quatro linhas de grosso1 e estendem-na pouco a pouco com pequenos golpes2 e isto fazem com muita destreza1 e regularidade4 ,estes cadinhos sa bons para muitas operaes1 ainda que na podem supportar hum fogo muito grande1 nem ter saes em fusa1 como fazem os cadinhos de greda1 e os de ,allemanha4 #cjc ,do modo seguinte os tenho feito para as pequenas experiencias de mina4 ,dissolvi a argilla de ,gentilly em muita agua1 e deixei precipitar os corpos mais pezados2 fiz depois seccar a argilla pura1 que se precipitou em ultimo lugar2 depois a pizei1 e passei por huma peneira fina4 ,com estas preparaes separei da argilla todos os corpos estranhos1 a excepa s das substancias1 que estava muito soltas1 e em particulas minimas3 liguei esta argilla com o p dos vasos de manteiga passados por peneira fina1 e formei os cadinhos em hum molde de cobre comprimindo-os1 do modo que se faz o forno dos pitos4 ,estes cadinhos era bons2 com tudo na podia soffrer hum fogo grande1 e me achei melhor com a argilla branca1 de que se fazem os pitos em ,normandia2 pois esta argilla commummente he mais izenta de substancias estranhas1 do que s argillas de cres4 ,digo commummente1 porque ha argillas brancas1 que sa mui fusiveis1 e carregadas de partes metallicas2 e por isso o mais seguro he experimentallas antes de fazer uso dellas2 visto que se pode dizer em geral1 que he preciso escolher huma argilla1 que na seja fusivel1 e sobre tudo1 que na tenha mistura de pyrites1 de substancias metallicas1 nem de area vitrificavel2 porque os saes1 ou substancias metallicas1 que se pe nestes cadinhos vitrifica estas substancias estranhas ao barro1 e os cadinhos ou racha1 ou fura4 ,havendo huma argilla pura1 e refractaria1 que d ductilidade a pasta1 se precisa1 como j fica dito1 ligalla com algum p de tijollo1 para impedir argilla1 de se encolher1 e rachar ao cozer4 ,he preciso1 que estes ps de tijollos seja refractarios3 por isto nas fabricas de vidros se servem da argilla1 que elles mesmos fizera cozer2 e para os cadinhos pequenos basta os pitos bem cozidos1 e feitos em p4 ,os forneiros fazem uso do p dos vasos de manteiga de ,normandia3 desgraadamente sua argilla na he tal1 como se poderia desejar4 ,elles o sabem2 e para fazer seus cadinhos melhores1 mistura muito p de greda com a argilla2 porm enta na fica muito compacto o barro dos cadinhos1 e deixa passar pelos poros as materias1 que tem em fusa1 quando esta muito fluidas4 ,os cadinhos de greda na tem este defeito2 e assim he preciso observar huma justa propora nestas ligas2 porque1 pondo-se muita argilla crua1 he bem difficil de impedir o racharem os cadinhos ao seccar1 ou ao cozer2 e pondo-se muito p1 fica os cadinhos com pouca firmeza1 e na podem suster o pezo dos metaes1 e tendo os poros muito abertos1 o metal1 e sobre tudo os saes1 os penetra3 por isso dizem alguns1 que he preciso misturar-lhe hum bocado de area vitrificavel4 ,mr4 de ,reaumur1 por exemplo1 se achou bem em fazer cadinhos com partes iguaes de greda1 area1 e barro de pitos4 #cjd ,as ligas seguintes sa exageradas por alguns2 mas eu nunca as experimentei4 #cje ,duas partes de argilla boa1 pura1 e bem secca1 duas partes de p de vasos de greda1 huma parte de area2 alguns lhe ajunta hum bocado de limalha de ferro1 e agua salgada4 #cjf ,outro3 seis partes de argilla secca1 duas partes de caput mortuum de agua forte1 duas partes de p de vasos de greda1 huma parte de escorias de ferro1 e huma de vidro muido1 e hum bocado de cal desfeita ao ar4 #cjg ,outro3 partes iguaes de argilla secca1 de amianto1 talco espurio1 ou terra de gelo1 ou mica4 #cjh ,fazem-se cadinhos em figura de copos2 algumas vezes se lhe faz hum pequeno aperto por cima1 formando bico3 tambem se fazem triangulares1 para vasarem o metal com mais commodo4 ,finalmente fazem-se para ensaiar minas de metaes preciosos2 estes termina em ponta d1 para que o metal derretido se ajunte melhor no fundo do cadinho2 enta se lhe faz hum pequeno p para que elles se sustenha melhor dentro1 e fora do forno4 #cji ,a respeito das capsulas1 e cabeas s differem dos cadinhos por sua figura1 assim como certos cadinhos com p1 a que os ,francezes chama tutes4 #caj ,as mangas1 ou receptaculos para os fornos de crisoes se fazem com o mesmo barro dos cadinhos2 estende-se o barro bem delgado sobre huma meza1 assim como fazem os pasteleiros2 corta-se hum pedao desta pasta para fazer a parte de cima do receptaculo2 pe-se este pedao sobre hum molde a1 para lhe fazer tomar huma curvatura conveniente1 e servindo-se do mesmo molde se lhe ajusta por baixo o fundo1 e por detraz outro pedao para fechar huma das pontas do receptaculo1 estando bem justos estes differentes pedaos1 se deixa endurecer hum pouco o barro2 enta se acaba de fazer esta pea3 com huma faca molhada se lhe abrem os pequenos buracos dos lados1 e esta promptos para se cozerem4 #caa ,para fazer huma retorta o forneiro faz o corpo sobre hum torno1 ou molde de po1 como os cadinhos1 e o bico em outro molde1 que he huma cavilha hum pouco curva2 com a ma aperfeioa a parte mais larga do bico2 e acaba soldando1 e reunindo as duas peas4 ,do modo de cozer os fornos1 e cadinhos4 #cab ,tem havido ,chymicos1 que pretendera na ser preciso cozer os fornos2 porque elles servindo1 viria a adquirir o gro de cozimento1 que lhe convem3 eu na sou desta opinia4 ,os fornos1 que s sa seccos sem se cozerem1 correm o risco de quebrar quando se faz preciso mudallos de lugar2 alm disto1 qualquer bocado de agua que lhe caia os humedece1 e os faz em pedaos4 ,por isso he preciso cozer os fornos1 e os cadinhos2 mas os forneiros s da hum meio cozimento4 #cac ,o forno1 de que se servem os louceiros1 he quadrado1 e rente com o soalho2 faz-se de tijollo a abobada3 quasi em p e meio do terreno se pe huma grade de ferro2 mette-se a obra no forno1 entrando por baixo da abobada pela porta4 ,quando ha obras pequenas1 que podem caber por entre as grades1 interpe-se grades miudas por entre as principaes4 ,a grade de ferro se pe quasi p e meio por cima do soalho do forno4 #cad ,estando o forno cheio de differentes obras1 levanta-se sobre a grade de ferro huma tapagem de tijollos4 ,sendo feita esta tapagem sobre a grade1 fica por baixo hum espao1 pelo qual se mette a lenha necessaria para cozer3 a tapagem s chega at tocar a abobada2 fica hum espao por onde sahe a fumaa1 que na tem outra sahida2 ella he recebida pelo tubo da chamin4 #cae ,accende-se de manh hum pequeno fogo para esquentar1 ou fazer seccar as peas2 augmenta-se pouco a pouco1 e a obra em hum dia fica cozida tendo gasto pouco menos de hum carro de lenha2 prefere-se a lenha bem secca para fazer maior chama4 ,deixa-se esfriar a obra hum dia1 ou dous1 depois se tira1 e esta em termos1 de se entregar aos ,chymicos4 #caf ,fazem-se pratos de barro para cadinhos1 que sa de varios tamanhos3 servem ordinariamente de apoio1 quando se mettem debaixo dos cadinhos1 e das retortas3 algumas vezes se servem delles para cubrir os cadinhos4 ,aqui apresento tambem as seguintes notas que ,mr4 ,dymares da ,academia das ,sciencias me communicou1 quando j estava quasi impressa esta arte do louceiro4 #cag ,em ,sauxillanges1 e ,marzac1 duas pequenas cidades de ,avergne1 a primeira vizinha de ,issoire1 e a segunda distante de ,ambert1 quasi duas leguas1 e meia1 se fazem cadinhos para uso dos ourives2 sua figura he conica2 onde os ha de todos os tamanhos2 a sua principal venda se faz em ,lea4 #cah ,os louceiros de ,sauxillanges tira seu barro perto de ,monge no dominio de ,moye2 elles na cava mais de tres1 at quatro ps de fundo2 he huma especie de ,kaolin misturada com mica1 e area grossa de quartz em grande propora4 ,lava-se este barro para lhe tirar a area2 dilue-se o ,kaolin na agua1 que vai carregada delle1 e a area de quartz fica no fundo dos vasos4 ,o ,kaolin se deposita depois nas celhas1 aonde se deixa assentar todo o que a agua traz em si4 #cai ,o barro de que se usa em ,marzac he da mesma natureza1 e se trabalha do mesmo modo1 que o de ,sauxillanges2 tira-se trinta1 ou quarenta ps de fundo1 perto da povoaa de ,espinasse1 dependente da freguezia de ,marzac4 ,algumas vezes se mistura o ,kaolin com o outro barro argiloso1 que se tira em ,champetrieres1 e ,castellet perto de ,ambert4 ,desta mistura resulta cadinhos mais proprios para resistir ao fogo1 que os primeiros1 e nestas vistas he que se cuida muito em cozellos4 ,o barro de ,sauxillanges1 e de ,marzac empregados sem mistura fica bem brancos depois de cozidos4 #cbj ,em ,s4 ,junien pequena cidade de ,limousin tambem se fazem semelhantes cadinhos destinados para os mesmos vasos1 e de hum barro da mesma natureza2 tira-se de ,malaise vizinha da grande estrada de ,limoge para ,s4 ,junien1 e tambem duas leguas distante desta ultima cidade4 ,este barro he a base de toda a loua1 que se faz em ,s4 ,junien para outros usos4 ,supposto que he muito branco1 se coze muito mal1 e he sujeito a arrebentar ao fogo4 #cba ,ha tambem muitas fabricas de loua nas cidades de ,duris1 de ,gandalounia1 e ,chavagnai em ,limousin4 ,o barro1 que os oleiros chama neste paiz toupiniers1 he huma especie de ,kaolin1 pouco ductil2 mas o que merece attena he a composia do seu verniz4 ,mas para o fazer se servem da mina do chumbo de ,glanges1 que elles calcina1 e lhe ajunta por fundentes quartz branco da area1 de que se servem os nossos louceiros4 ,para reduzir este quartz a p com facilidade1 o pe vermelho ao fogo1 e neste estado o lana em agua fria2 a subita passagem do quente ao frio reduz a p esta pedra3 depois a mistura com cal de chumbo1 e liviga estas duas substancias juntas1 em huma m4 ,,fim4 ,,notas #a ,alguns chama argilla a huma terra vermelha1 gorda1 muito cheia de ara1 de que usa para os fornos1 e por isso em ,pariz a chama barro de fornos3 este barro vem unido com ara ferruginosa2 porm na verdade argilla1 e barro1 sa dous termos synonimos4 #b ,estes trabalhos consistem em differentes lavagens que na podem servir para as louas communs por serem muito baratas4 #c ,ha poucas argillas puras1 pela maior parte trazem diversas unies4 ,destinguem-se muitas especies #a4 argilla branca em ,alemanha ,weisser thon4 ,esta he a mais pura1 e mais propria para as obras de loua1 tambem serve para pitos1 de que fallarei em outra parte4 ,conserva a cr branca no fogo1 vitrifica-se com difficuldade1 endurece a ponto de dar faiscas de fogo4 #b4 ,a argilla cinzenta em ,alemanha ,schwarzgrauer thon menos pura que a primeira1 e por isso na he ta propria para a loua fina1 e s serve para a grossa4 #c4 ,a argilla negra1 que toma esta cr dos mineraes1 de que est carregada1 bem lavada e preparada pde servir para loua4 #d4 ,a argilla azulada he a mais commum de todas1 della se fazem tijollos1 e telha4 #e4 ,a argilla vermelha escura he a mais fussivel de todas2 serve para cobrir as outras obras inferiores4 ,ella tem muita impureza1 e por isso se passa por peneira antes de a pr em obra4 #f4 ,a argilla amarella tirando a preto1 he magra misturada com ara2 serve para pratos grossos1 e tigllas1 e outras obras que na va ao fogo3 os ,alemes a chama ,schulf4 #g4 ,argilla esponjoza1 que se na pde trabalhar na roda1 he preciso trabalha-la quasi secca4 #h4 ,a argilla cinzenta de fazer bilhas como as que vem de ,normandia4 #d ,para ter conhecimento exacto da natureza destes barros1 se deve consultar ,vallerio1 ,m4 ,pott1 e o ,diccionario de ,chymica de ,maquer4 #e ,a mica he huma especie de pedra folhada1 brilhante refractaria3 ha de muitas especies4 ,apparecem aras1 com mica1 ou malacaxeta1 cheias de muitas partes brilhantes4 ,as partes brilhantes da mica se asemelha ao talco4 #f ,os pyritis sa mineraes que se assemelha a pedaos de mina por seu pezo1 e cr resplandecente2 e com effeito contm alguma especie metlica2 porm raras vezes1 e em pouca quantidade2 e tem muito enxofre1 e arsenico4 #g ,terras calcareas sa aquellas1 que expostas a hum sufficiente gro de fogo adquirem todos os caracteres de cal viva4 #h ,a ara para os tijollos deve ser mais grossa1 e sem mistura de terra2 a que se lana na agua1 e na a tolda he a melhor2 a dos montes he preferivel dos rios2 se esta estiver carregada de pedra4 #i ,molde3 os louceiros chama assim hum caixilho de madeira1 em que elles forma os ladrilhos1 e tambem1 cavados em gesso1 que servem para fazer com o barro differentes ornatos4 #ch est4 ,i1 fig4 #e4 #aj ,comparando todos os fornos1 conhecidos em ,frana1 ,suissa1 ,alemanha1 e ,hollanda os mais engenhosos para a economia da lenha1 e perfeia de cozer sa os de ,suecia descriptos por ,wynblad em huma ,memoria que vem no ,tom4 ,,iv4 da ,arte de telheiro desta obra pag4 #aab 4 #dhe4 #aa ,lingueta1 he a separaa dos ladrilhos1 que termina alguns fornos de loua1 por baixo da qual esta as aberturas1 chamadas creneaux #di1 #eb1 #acj4 #ab ,crenaux1 he a abertura1 que se faz no forno1 ou para dar huma communicaa ao ar quente1 ou para escapar a fumaa #ej1 #acd4 #ac ,fausse-tire1 he a separaa da abertura1 que forma os ladrilhos1 separando a fornalha do corpo do forno4 #ej4 #ad ,entende-se aqui por tempra aquelle pequeno calor1 que se chega loua #cf horas primeiro a esquentalla s para depois lhe chegar fogo forte4 #ae ,chasse2 grande fogo de chama1 que se faz no fim do cozimento com feiches de lenha1 ou madeira rachada4 #ec4 #af ,gchis especie de argamassa1 ou mistura de huma pora de gesso em p com argamassa de cal1 e ara4 #fb4 #ag ,com ladrilhos de duas cres s assentados com differentes posies1 se podem formar muitas vistas agradaveis1 o ,author assevra que se podem fazer at #hf variedades4 #ah ,voguer amassar ma4 #ai ,o forno dos oleiros ,alemes he muito simples2 he quadrilongo1 de hum comprimento proporcionado a fora de cada fabrica1 da altura de hum homem pouco mais1 ou menos4 ,a parte superior tem a figura de hum ovo1 ou he chata1 e baixa compe-se de terra gorda1 e de palha picada para conservar o calor4 ,o interior1 se faz de tijolos1 e com abobada1 as paredes de huma parte1 e outra devem ser fortes4 #bj ,os oleiros ,alemes para as suas obras communs se servem s do lithargirio1 a que chama ,glatte1 ,silberglatte4 ,piza-se1 passa-se por huma peneira1 e liviga-se sobre huma pedra4 ,para que o lithargirio na corra muito1 se lhe ajunta huma igual quantidade de area branca1 e fina4 ,esta mistura se pe liquida ao dezejo de cada hum2 lana-se huma quantidade sufficiente no vaso1 que se quer envernizar1 e que j est cozido1 move-se e se despeja aquella quantidade1 que sobra1 e j na pega4 ,passado hum quarto de hora1 j se pde levar o vaso para cozer o verniz4 ,o vaso com o verniz deve estar no forno #af4 ou #ah4 horas4 ,se o verniz1 na foi bem livigado1 fica desigual1 e cheio de gras4 #ba ,querendo-se que o esmalte seja branco1 mistura-se cinco partes de estanho com vinte de chumbo2 fazem-se calcinar em hum vaso de barro no forno de calcinaa4 ,a fornalha se deve esquentar algumas horas antes de se lanar nella o chumbo1 e a chama deve sempre dar sobre o chumbo1 para isto deve ser o forno de reverbro4 ,deve-se mover o metal com huma espatula de ferro at elle se reduzir em cinzas4 ,enta se lana o estanho1 e se move do mesmo modo1 at que este tambem se converta em cinzas4 ,augmenta-se o fogo1 at que as cinzas esteja abrazadas2 enta se diminue o fogo1 e se deixa esfriar1 movendo-as sempre com a espatula4 ,mistura-se estas cinzas com igual pora de sal1 e de area2 pe-se tudo em hum vaso descoberto1 e se pe nesta segunda calcinaa todo o sal se evapora1 a materia contida no vaso se abate1 e o peso diminue2 porm o sal s se ajunta para facilitar a fusa4 ,piza-se a materia calcinada em hum gral de ferro1 e se liviga cuidadozamente em huma pedra1 com huma quantidade de agua sufficiente1 para a tornar de huma consistencia liquida4 ,cahindo sobre o verniz qualquer bocado de gordura1 por pouca que seja1 desmancha todo o trabalho1 porque os metaes torna a tomar sua primeira frma1 e o verniz desaparece de cima dos vasos1 em que se tinha applicado4 ,o p1 cahindo sobre o verniz1 faz no esmalte huns pequenos buracos4 #bb ,o quartz1 he huma pedra dura1 cr de leite1 meia transparente1 e vitrificavel1 que se acha em muitos lugares1 especialmente nas minas4 ,ainda que o quartz se vitrifica1 quando se mistura com huma argilla vitrificavel1 ou chumbo2 com tudo por inadvertencia se inculcou esta substancia2 he melhor substituir o spath1 fusivel que se vitrifica mais facilmente4 #bc ,frittar1 he calcinar a materia do vidro1 para separar della todos os corpos gordos1 que daria alguma cr suja ao vidro4 #bd ,na ha aqui pas algum1 em que se na faa loua para o uso dos seus habitantes3 ellas sa mais1 ou menos perfeitas segundo a qualidade dos barros2 mas todas se fazem sobre os principios j explicados4 ,hum observador attento podera contribuir a aperfeioar esta arte no lugar1 que habita1 applicando-se a examinar as differentes qualidades de barro1 suas composies1 e suas misturas4 #be ,as operaes ,chimicas na se podem fazer1 sena em cadinhos cozidos para poderem resistir a aca dos dissolventes ,chimicos1 e a hum calor muito forte4 ,os de argilla boa tem o inconveniente de quebrar1 passando do quente para o frio4 ,foi preciso procurar-se misturas1 que os fizessem soffrer estas variaes1 e ao mesmo tempo conter os metaes derretidos por hum grande espao4 ,os melhores cadinhos vem de ,hessa4 ,veja-se ,arte de ,porcelana4 ,diz ,mr4 ,pott que estes cadinhos se fazem com huma boa argilla refractaria1 misturada com duas partes de area de mediana grossura1 separando-se a mais fina por hum crivo4 ,esta mistura emmagrece o barro1 e na o deixa encolher1 nem rachar1 nem fazer-se muito compacto1 sendo cozido2 ,a area deve ser de huma grossura mediana1 sendo fina1 os cadinhos se quebra4 ,mr4 ,pott diz mais que os cadinhos destinados para fundia de vidros1 na devem levar area grossa1 nem calhos1 ou outras materias semelhantes1 que sa sujeitas a derreter-se4 ,para evitar isto1 se ajunta a argilla o p da mesma argilla cozida1 e pizada grossa2 a mistura se faz com partes iguaes1 ou duas desta argilla cozida2 duas1 e meia1 e ainda tres1 e huma s da argilla nova1 quanto melhor he esta tanta maior pora admittem da outra cozida2 e deste modo se fazem os grandes cadinhos para as fabricas de vidros4 ,mr4 ,pott fez hum grande numero de experiencias a este respeito3 elle misturou a argilla com as caes metallicas1 ossos calcinados1 pedras calcares1 talco1 amianto1 pedra pomes1 esmeril1 e muitos outros1 e de todas estas experiencias na lhe resultou hum cadinho sem defeito em todas as vistas4 ,com tudo parece1 que se poderia fazer cadinhos melhores do que todos os conhecidos4 ,para isto se precisaria ter huma boa argilla bem refractaria1 isenta de materias piritosas1 e ainda de barros ferruginosos2 este deveria ser lavado com cuidado para separar-lhe a area1 e depois misturallo com duas1 ou tres partes de argilla cozida1 e pizada grosseiramente4 ,os cadinhos formados em moldes deveria ser cozidos em hum fogo muito forte4 ,,explica,a ,,das ,,figuras4 ,estampa ,i4 ,figura #a4 ,b1 tonel1 em que est a agua1 para cortar o barro1 e o diluir1 a estampa ,a1 o barro ,c1 que se corta1 o instrumento ,d1 que serve para cortar este barro4 ,figura #b4 ,d1 instrumento1 com que se corta o barro4 ,figura #c4 ,h1 molde para fazer tijolos de seis faces ,g1 fig4 #e4 ,figura #d4 meza para moldar1 ab1 sustida pelos ps ee1 g1 urquain1 que he huma pedra dura1 sobre que se pem o molde dd1 e1 vaso cheio de agua1 f1 plano1 k1 obras postas humas sobre as outras1 h1 barro amassado para encher o molde1 i1 monte de area para se espalhar sobre o urquain4 ,figura #e4 na vinheta1 monte de barro prestes para se trabalhar4 ,figura #f4 cutelo curvo para cercear os tijolos4 ,figuras #g4 #h4 e #i4 representa o forno1 de que se servem quasi todos os oleiros1 maiormente para cozer os tijolos4 ,figura #g4 representa o plano do forno ao nivel do terreno4 ,a1 entrada da fornalha4 ,,ab1 onde se faz o fogo1 como se mostra pelas mesmas letras fig4 #h4 ,k1 ,i1 separaes dos ladrilhos1 entre os quaes ha espaos vasios1 para que o ar quente se communique ao forno4 ,esta separaa1 que divide a fornalha do interior do forno1 se chama la-fausse-tire4 ,f1 hum va1 ou buraco da porta1 chamado tetin4 ,por este lugar se entra no forno para lhe arranjar a loua3 e em estando cheio1 se fecha este tetin com hum muro de tijolos1 a que chama la ,languete1 em baixo desta1 ha duas portas1 ou aberturas ,l1 fig4 #h4 que se chama creneaux1 ou1 como dizem os ,louceiros carneaux3 por estas aberturas passa a fumaa para o tubo do chamin ,,cd1 fig4 #h4 que representa a vista do forno pela longitude4 ,,ab1 he a fornalha3 ,,kl1 assoalho do forno4 ,v-se acima do ,k1 la fausse-tire4 ,a1 ,e1 ,m1 he a abobada do forno2 em ,,lm1 est a lingueta1 abaixo de ,c1 os creneaux1 e ,,cd1 tubo da chamin para descarga da fumaa4 ,v-se em a1 os tijolos da fornalha postos em carreira1 para sustentar os tijolos1 de que se enche o forno4 ,figura #i4 he huma vista do mesmo forno transversal pela linha ,,gh1 da fig4 #g4 por baixo em ,,ab1 esta tijolos de assoalhar1 ou vasilhas de commodidades1 sobre que se arranja as louas1 com que se enche o forno4 ,figura #aj4 ,t1 caldeirinha quadrada1 feita a ma1 e sobre a meza de aperfeioar4 ,figura #aa4 alguidar1 ou gamela commum de loua4 ,figura #ab4 especie de fogareiro chamado toupine4 ,figura #ac4 escalfador4 ,figura #ad4 pequena cassarola4 ,figura #ae4 roda dos oleiros vista em golpe4 ,figura #af4 roda dos ,oleiros1 vista de perfil4 ,fig4 #ag4 roda dos ,oleiros1 vista em plano aa1 meio da roda ff1 arvore da roda1 que vra em huma pea de madeira1 que se acha acima de g1 a qual se conserva segura pela cruz hh1 e as prises ii1 acima do meio aa1 est o prato bb1 em que anda a obra cc1 que se trabalha4 ,os raios da roda se assignala em dd1 e as peas da roda volteadas em ee1 ,k1 as taboletas sobre que se pem as louas n1 que se querem trabalhar sustentadas tambem como o assento l1 que he inclinado pelos montantes pp4 ,avista-se pela parte de dentro as peas entalhadas1 que servem de assento ao trabalhador4 ,figura #ah4 ,a1 trabalhador que faz hum vaso na roda de fazer loua fina4 ,figura #ai4 hum mealheiro1 que tambem bem chama cache-maille4 ,figura #bj4 ,a1 ,b1 ,c1 ,d1 ,e1 serve para fazer ver como se fazem ao torno as vasilhas para as decentes commodidades1 como estes potes se ajusta huns com os outros pelas bocas1 como se fazem os potes de duas bocas ,e1 ,c4 ,figura #ba4 ,a1 modo de fazer hum vaso com o calibre4 ,o vaso est firme1 o calibre he que vra4 ,figura #bb4 d1 cadinho com o molde c1 sobre que o fazem4 ,estampa ,,ii4 ,figura #a4 #g4 tournassin1 ou tournassir1 serve para aperfeioar o fundo dos potes1 que se fizera ao torno4 ,este instrumento he de ferro1 que se tem de differentes tamanhos1 e de diversas frmas4 ,figura #b4 vaso de greda de ,picardia1 mais delgado1 do que os jarros cobre-se por fra do vime para se preservar4 ,os que receia da agua1 que se guardou em vasos de metal1 manda pr em baixo hum registo1 ou chave1 de que se servem1 como de huma fonte de cobre4 ,querendo-se que este fique proprio para clarificar a agua1 pem-se-lhe placas de estanho1 que descana em aneis salientes pela parte de dentro1 que o ,oleiro faz em lugares assignalados pelas linhas de pontuaa a1 e b4 ,he ainda melhor substituir as placas de estanho com testos de greda quasi semelhantes a de ,m1 proporcionando o seu tamanho1 ao diametro interior do vaso1 e se pem area entre estes dous testos4 ,figura #c4 vaso grande de barro1 chamado pounes1 do qual se servem para salgar as carnes1 para fazer as pequenas lexivias1 e para conservar1 nos jardins1 agua1 que se destina para os regamentos4 ,faz-se em hum torno ,,efg1 que se assemelha a huma lanterna de moinho4 ,,ikl1 he o seu eixo que se firma na terra1 e u1 faz andar roda brandamente a lanterna ,,ef1 e a propora que vai virando se frma o vaso1 accrescentando rolos de barro huns sobre outros1 que se une com huma pea1 chamada atelle4 ,figura #d4 na vinheta1 obreiro1 que imprime na roda hum movimento circular com huma vara1 ou po a1 chamado tourneire1 este obreiro se assenta no assento inclinado l1 e pem os ps nos entalhes m4 ,figura #e4 obreiro1 que imprimindo muito movimento na sua roda1 faz entre as suas mas hum jarro4 ,figura #f4 garrafa1 ou redoma de greda1 cujo bojo se faz ao torno4 ,figura #g4 louas1 que se secca arranjadas no recebedor4 ,figura #h4 obreiro1 que aperfeioa os potes na meza de os preparar4 ,figura #i4 monte de barro preto para o trabalho4 ,figura #aj4 candieiro de barro1 quasi totalmente feito ao torno4 ,figura #aa4 ,g1 vista de hum moinho1 para moer o verniz4 ,figura #ab4 ,h1 m do mesmo moinho4 ,figura #ac4 ,e1 tijolo de barro para cadinhos1 volteado para ficarem fixas as fornalhas4 ,figura #ad4 ,g1 caixilho para moldar tijolos1 o qual se faz de differentes tamanhos1 e diversas figuras1 como quadrados1 e curvos4 ,figura #ae4 fornete de cadinhos4 ,figura #af4 fornete de fusa1 em que se deve animar o fogo com folles4 ,figura #ag4 pequeno athanor1 ou fornete de digesta4 ,tem em d1 hum reservatorio de carva1 que faz poder-se conservar por muito tempo hum fogo brando1 sem se precisar lanar-lhe continuamente o carva4 ,estampa ,,iii4 ,nesta ,estampa se representa hum forno1 de que usa muitos ,oleiros1 mui parecido com os fornos das louas finas4 ,figura #a4 mostra o exterior do forno4 ,a1 a boca da fornalha3 deve-se descer por hum fosso para se lhe introduzir a lenha4 ,,lm1 o tetin1 ou abertura1 pela qual se entra por baixo na camara para se prem os potes4 ,a parede que fecha esta abertura1 estando a camara cheia1 na se dilata at o alto da abertura1 por este lugar sahe a fumaa recebida no cabaz1 e tubo4 ,n1 se sobe para a camara superior pela escada ,p1 e a fumaa escapa pelas aberturas ,k4 ,o tetin1 para pr a obra nesta camara1 est no alto da escada ,p4 ,figura #c4 he a fornalha1 em que se mette a lenha3 sua boca he em ,a4 ,,taboa ,das ,materias1 e ,explicaa dos termos proprios ,arte do ,louceiro4 ,a4 ,abertura1 que se dirige ao forno para o encher1 a qual se fecha com huma parede de ladrilhos1 antes de se introduzir o fogo4 ,pag4 #ea4 #acj4 ,acido vitriolico1 se acha em muitas argillas 4 #f4 ,agua grossa1 agua em que se mistura huma pouca de argilla1 serve para pegar o verniz em p nas obras de loua #add4 ,alabastro1 sorte de gesso empregado em ,inglaterra na loua #bca4 ,alquifoux1 mina donde se tira o chumbo1 que he brilhante azulada mui pezada quebradia1 e abundante de enxofar #ada4 ,amassar a argilla #cb4 ,ambert1 ,cidade da baixa ,auvergne4 ,annel1 vid4 ,viret4 ,aparas1 obras que se na tem levado ao forno #ca4 ,aperfeioar1 concertar ma as obras que se fizera ao torno1 e pr-lhe azas1 e ps4 ,apodrecer1 vid4 ,invernar4 ,arcueil1 ,cidade de ,frana #bg4 ,area misturada com argilla #ac4 ,seu uso na loua #ag4 #cb4 ,fusivel1 vitrificavel1 e metalica #ah4 ,para fazer tijolos #be4 ,serve para moldar #dh4 ,argamassar1 amassar o barro1 quer seja simples1 quer se componha de muitas misturas juntas #d4 ,argilla1 barro gordo compacto ductil1 amolessendo-se em agua #b4 ,ductibilidade da argilla #e4 ,sua dureza depois de cozida #g4 ,sua cr #aa4 ,argilla para as louas de ,inglaterra #bbg4 ,para as louas brancas de ,staffordshire #bde4 ,assento1 taboa inclinada1 que faz parte do torno do ,louceiro1 sobre que se assenta o trabalhador4 ,ateille1 pedao de madeira1 ou de ferro1 que tem huma certa figura1 e que se pde comparar com o que os pedreiros chama calibre1 para fazer as molduras #ge4 #ie4 ,b4 ,barro gordo vid4 ,argilla4 ,barro de ladrilhos #ab4 ,barro de telhas ,ibid4 ,barro de tijolos ,ibid4 ,barro de cadinhos ,ibid4 ,barro de pitos ,ibid4 ,barro1 bom barro #gj4 ,barro branco #aif4 ,batoques vid4 ,registros4 ,beauvais1 ,cidade ,episcopal da ,picardia4 ,bonnet les-,oules 7,saint7 ,parroquial do ,fores4 ,c4 ,cadinho vid4 ,crizes4 ,calcaria 7pedra7 pedra1 que pela calcinaa na se vitrifica totalmente1 mas se converte em cal #ac4 ,calibre vid4 ,ateille4 ,candieiro de barro #abb4 ,cassarolas1 vasos de barro #aah4 ,castellet1 ,villa de ,auvergne #cai4 ,champetieres1 ,villa de ,auvergne #cai4 ,chumbo 7mina de7 d-se impropriamente este nome a huma cal de ,chumbo1 que pela calcinaa toma huma cr vermelha1 chamada chumbo vermelho1 zarca1 ou minium4 ,coadores1 vaso de barro #abj4 ,cortar o barro1 he dividillo em talhadas1 mas delgadas que forem possiveis #cj4 ,curto 7barro7 assim chama os ,oleiros a hum barro1 que na sendo bem ductil1 na se pde estender muito sem se quebrar4 ,cutelo vid4 ,faca4 ,creneaux1 aberturas que se fazem no fornete1 quer para dar huma communicaa de ar quente1 quer para sahir a fumaa #ej4 #acd4 ,crisoes1 ou cadinhos 7barro de7 #ahe4 ,cadinhos de ,picardia #bih4 ,seu cozimento #cab4 ,crivo para passar o barro #ga4 ,cozimento da loua #bd4 ,d4 ,devonshire1 ,provincia ,meridional de ,inglaterra1 onde ha muito bons ,prtos frequentadissimos4 ,exeter he a sua ,capital4 ,digesta 7fornete de7 #bha4 ,e4 ,ebauchoir1 pequeno pedao de madeira cortada de diversos modos1 de que se servem os ,escultores1 para fazerem seu molde1 ou em barro1 ou em cera #abg4 ,escalfador1 sorte de vaso #id4 ,espinasse1 ,villa de ,auvergne dependente da ,paroquia de ,marzac4 ,esquentador #abe4 ,eutrope 7,saint7 ,villa de ,angomes4 ,f4 ,faca de dous cabos para cortar o barro #cj4 ,faca curva para aparar os ladrilhos #de4 est4 ,i4 fig4 #f4 ,fargeau 7,saint7 ,cidade de ,frana no ,gatinnes4 ,fausse tire1 separaa que forma os tijolos1 apartando o foga do corpo do forno #ej4 ,fio de lata1 instrumento para cortar o barro3 he huma ponta de fio de arame guarnecida de hum punho em cada extremidade3 faz-se a arbitrio1 e se apropra conforme a posia que lhe querem dar #ce4 ,fogareiros1 ou fornalhas portateis1 quadradas #bgd4 ,forno de cozer os tijolos #di4 est4 ,i4 fig4 #g4 #h4 #i4 ,forno do ,louceiro #abi4 ,outro forno #acb4 est4 ,,iii4 fig4 #a4 #b4 #c4 ,de ,pr em ,lionnes #afc4 ,de ,franche ville #agi4 ,de ,beauvais #ahg4 ,de ,s4 ,fargeau #bjf4 ,do ,condado de ,northumberland1 em ,inglaterra #bce4 ,do ,condado de ,stafford #bef4 ,fornete de vento de ,mr4 ,macquer #bhj4 ,forno dos ,oleiros #cac4 ,fornalha1 lugar do forno1 em que se pem a lenha1 ou carva #bhf4 ,fornalha de fusa #bgd4 est4 ,,ii4 fig4 #af4 ,de calcinaa para o esmalte #ic4 ,fornistas1 trabalhadores que fazem fornetes1 e cadinhos para os ,chymicos #bfb4 ,franche-,ville1 ,alda no ,leonnes1 em que se faz loua #aga4 ,fritar1 calcinar a materia do vidro #ajj4 ,fusa 7fornalha de7 fornalha principalmente destinada para a fusa dos metaes1 em que se accende o fogo com folles #bgi4 ,g4 ,gauchis1 especie de argamassa1 a que se mistura huma pora de gesso em p1 com argamassa de cal1 e de area1 ou bitume #fb4 ,galmier 7,saint7 pequena ,cidade do ,forez4 ,gaubino1 assim chama no ,lionnes a huma argilla cinzenta1 muito pura1 da qual se faz huma loua fechadissima1 e pouco propria para o fogo #agf4 ,gentilles1 pequena ,villa da ,ilha de ,frana4 ,gesso vid4 ,alabastro4 ,gimble1 d-se em alguns lugares este nome ao prato do torno que sustem a obra #ge4 ,gournay1 ,cidade de ,normandia no paiz de ,bray1 celebre pelas suas manteigas1 de que se faz huma grande venda em ,pars4 ,greda 7loua de7 sa as que se aproxima mais a ,porolana #aha4 ,greda de ,normandia #bc4 #ahb4 de ,bretanha #bc4 de ,beauvais #bc4 de ,s4 ,fargeau #bc4 #aid4 de ,flandres #bc4 ,gesso #bca4 ,h4 ,huma amassadura1 o que se amassa de huma vez com os ps #cb4 ,i4 ,inglaterra 7loua de7 #bah4 ,loua negra #bdj4 ,invernar1 he deixar o barra extrahido da mina em hum fosso1 ou em montes ao ar1 o que contribue para se alisar melhor #bh4 ,isigny1 ,cidade grande na baixa ,normandia1 com hum pequeno ,porto #ba4 ,issoire1 ,cidade de ,frana na baixa ,auvergne #cag4 ,jonc vid4 ,viret4 ,junien 7,saint7 pequena ,villa da baixa ,marcha4 ,k4 ,kaolin1 he huma argilla branca1 que ainda cozida1 conserva a sua alvura1 a qual na he muito ductil1 e frequentemente se acha misturada de differentes substancias1 como a mica1 espato etc4 #cba4 ,l4 ,laboratorio assim se chama1 o lugar do forno1 em que se pem os cadinhos cucurbitas1 e as differentes substancias que se querem pr ao fogo #bgd4 ,ladrilhos1 modo de os fazer #cj4 ,tijolos chamados ladrilhos #cg4 ,caraolar ,ibid4 ,triangulares1 quadrangulares ,ibid4 ,oitogonos #ci4 ,hexagonos ,ibid4 ,langueta1 unia de ladrilhos1 que termina alguns fornos de louas1 em baixo desta esta as aberturas1 chamadas creneaux #di4 #eb4 #acj4 ,latier1 ou ,latter1 escorias de ferro1 que se desprendem nas fornalhas1 e serve aos ,louceiros para envernizarem as suas obras #baa4 ,latier1 en ,laquet1 he esta escoria de ferro reduzida a p4 ,lithargirio1 ou chumbo rubro vid4 ,chumbo4 ,loua de ,s4 ,germain1 ,parroquia de ,beauvois #ahc4 ,m4 ,masso de ferro1 proprio para socar o barro #ga4 ,malaise1 ,cidade no ,lymoussin #cbj4 ,manganesia1 mina de ferro pobre1 e refractaria de hum azul denegrido cheia de granitos #add4 ,marcassita vid4 ,manganesia4 ,marzac1 ,villa de ,auvergne1 onde se fabrica cadinhos para os ourives #cag4 ,meio1 parte da roda do ,louceiro de barro #ge4 ,mealheiro1 vaso de barro commum1 inteiramente fechado s com huma fenda por cima por onde se introduz dinheiro1 e para o tirar se precisa quebrar este vaso #hh4 ,mica1 especie de fragmentos talcosos1 que se acha misturados com pedra1 ou area #ac4 ,meza de moldar #da4 est4 ,i4 fig4 #d4 ,meza de madeira1 em que se pem o barro amassado para se trabalhar #ga4 est4 ,i4 fig4 #e4 ,mina de chumbo vid4 ,chumbo4 ,minio vid4 ,chumbo4 ,montmoreau vid4 ,s4 ,eutrope4 ,moufle1 pequeno forno de barro cozido1 que se pem nas fornalhas quadradas vid4 ,fornalhas portateis #bgg4 ,molde1 os ,oleiros da este nome a hum caixilho de madeira1 em que elles forma os creneaux3 tambem ha concavo de gesso1 que serve para formar com o barro differentes ornatos #ch4 est4 ,i4 fig4 #e4 ,moldes para fazer os cadinhos #big4 ,moldar os ladrilhos #cg4 ,moldes empregados nas ,fabricas de louas de ,inglaterra #bea4 #bed4 ,moinho para moer a pedra para as louas de ,inglaterra #aee4 ,n4 ,nibelle1 pequena ,villa de ,gatinnes #be4 ,northumberland1 ,provincia de ,inglaterra3 loua deste ,pars #bai4 ,p4 ,panellas1 grandes vasos de barro1 mas commummente de greda #baf4 ,pedra calcaria #dc4 ,pitos #cb4 ,plaina1 pea de madeira para moldar as obras #da4 ,pr en ,forez1 ,alda do ,lionnes1 em que se fabrca ,porolana #aeg4 ,prevalais1 ,parroquia de ,bretanha #aij4 ,pyrites1 substancia mineral que contm pouco metal1 e muito enxofre1 ou arsenico #ac4 ,m liga para a loua #af4 ,q4 ,quartz1 pedra dura cr de leite meia transparente1 e vitrificavel #aeb4 ,qualidades da boa loua #ai4 ,r4 ,regadores feitos de barro #abc4 ,registros1 aberturas feitas em differentes lugares do forno1 que se abrem1 ou fecha com rolhas para diminuir1 ou aumentar o fogo #bge4 ,rodas empregadas na fabrica de loua #gd4 ,roda de ferro #ge4 est4 ,i4 fig4 #e4 ,roda de madeira vid4 ,forno4 ,s4 ,sal marinho1 seu uso para as louas de ,inglaterra #bei4 ,savignier1 pequena ,cidade da ,picardia #ahc4 ,sauxillanges1 pequena ,cidade de ,auvergne1 em que fazem crizoes para os ourives #cag4 ,serra1 fio de lata1 que serve de desprender as obras de cima do prato vid4 ,fio de lata4 ,seccar as obras #dd4 ,staffordshire1 ,provincia de ,inglaterra1 em que se fazem louas brancas #bdd4 ,t4 ,taboa da roda #gf4 ,talhas para ensaboar #hi4 ,para brazas #aba4 ,tamiz para passar a pederneira #bdi4 ,terra calcaria #ac4 ,modo de a experimentar #ad4 #bb4 ,tetin vid4 ,abertura4 ,toupiniers #cba4 ,torno1 roda de madeira1 que se faz virar com o p1 para formar sobre o prato as obras1 que se querem fazer1 como se faz na roda do ,louceiro #hj4 est4 ,i4 fig4 #ah4 ,torno ,inglez #bej4 ,tounassin1 instrumento de ferro algum tanto cortante1 a que se d differentes figuras2 serve para trabalhar por baixo dos vasos1 que se despega de cima dos pratos #aa4 ,tempera1 lanar a agua sobre o barro para o amollecer #cj4 ,temperar1 dar hum pequeno fogo as louas para acabar de seccar antes de se dar o grande fogo para as cozer #ed4 ,testos dos fogareiros1 e escalfadores #id4 ,tutes1 especie de cadinho com p como o de hum vidro de beber agua #cji4 ,v4 ,urquain1 pedra dura compacta1 ou taboa de madeira1 sobre que se pem molde1 para formar as louas1 e grandes tijolos #da4 ,vanvres1 ,parroquia1 ou ,freguezia da ,ilha de ,frana #gj4 ,do ,condado de ,stafford #beb4 ,vasos de despejo1 sorte de pote sem fundo em forma de tubo redondo1 mais largo de huma ponta do que da outra1 serve para as decidas dos lugares de recreio #ib4 est4 ,i4 fig4 #bj4 ,tambem se fazem de pedra de roca4 ,vasos de ,jardim #if4 #abf4 ,vasos para flores communs #ia4 est4 ,i4 fig4 #ag4 ,verniz1 reboco de huma substancia vitrificada1 de que se cobre a loua de barro #ah4 #ahi4 ,outro methodo de applicar o verniz #adf4 ,de ,pr em ,lionnes #afe4 ,de ,franche-ville #ahj4 ,de ,s4 ,fargeau #bab4 ,do condado de ,northumberland em ,inglaterra #bcf4 ,virador1 vara que serve para imprimir o movimento circular na roda de ferro #gi4 est4 ,,ii4 fig4 #d4 ,viret1 ou virola sorte de anel de barro que forma salientes4 ,voguer1 manear1 e amassar o barro ma para lhe separar os corpos estranhos1 e alimpar mais perfeitamente #ga4 ,z4 ,zimmeren1 ,villa de ,luxembourgo1 onde se faz loua #aia4 ,,indice ,,dos ,,artigos ,,que ,,se ,,contem ,,nesta ,,obra4 ,observaes preliminares4 ,pag4 #c4 ,artigo ,i4 ,do trabalho da loua1 segundo o uso de ,pariz4 #bb4 ,artigo ,,ii4 ,dos ladrilhos1 e como se amassa o barro1 com que elles se fazem4 #bc4 ,como se molda os ladrilhos4 #bh4 ,do forno1 e do modo de se arranjar nelle os ladrilhos para se cozerem4 #ce4 ,artigo ,,iii4 ,das obras dos ladrilhos4 #da4 ,artigo ,,iv4 ,modo de fazer os differentes vasos2 e utensilios domesticos com o mesmo barro1 que serve para fazer os ladrilhos4 #di4 ,modo de fazer os vasos na roda4 #eb4 ,descripa da roda de ferro4 ,ibid4 ,do torno1 ou roda1 que os ,oleiros de obra grossa tomar1 dos de obra fina4 #ee4 ,trabalho do ,oleiro sobre a roda4 #eh4 ,como se podem formar obras no torno com hum calibre4 #fe4 ,como se fazem ao torno os vasos grandes de ,jardim4 #ff4 ,vasos grandes de barro cozido4 #fi4 ,artigo ,v4 ,das obras1 que se fazem parte na roda1 e parte na meza para lhe pr azas1 e ps4 #gd4 ,artigo ,,vi4 ,de algumas que totalmente se fazem ma4 #hj4 ,artigo ,,vii4 ,das obras1 que se fazem com moldes4 #hb4 ,artigo ,,viii4 ,do modo de enfornar as obras de olaria1 e cozellas4 #hd4 ,artigo ,,ix4 ,descripa de outra especie de forno1 que usa os ,oleiros dos arrabaldes de ,s4 ,antonio para cozer suas obras4 #hf4 ,artigo ,x4 ,do verniz1 ou vidrado que se pem na loua4 #ij4 ,primeiro ,methodo4 #ib4 ,sobre as louas de ,lionnes4 #aja4 ,da loua de ,pr1 em ,forez4 #ajb4 ,loua de ,franche ville1 no ,lionnes4 #aje4 ,artigo ,,xi4 ,das louas1 que se chama de greda4 #ajh4 ,das louas de ,s4 ,fargeau4 #aaf4 ,modo de procurar para as louas huma cr negra1 que de algum modo supre o verniz1 ou vidrado4 #abc4 ,loua de ,inglaterra4 #abd4 ,artigo ,,xii4 ,do ,oleiro de ,fogareiros4 #add4 ,notas da ,academia ,real das ,sciencias4 #agc4 ,explicaa das ,figuras4 #agf4 ,,erratas ,nota do transcritor3 ,corrigido2 e alguns erros adicionais tambm foram corrigidos4 ,pag4 ,lin4 ,erros ,emendas #d #e conisderar considerar #h #h deffere differe #ab #aa se ttrara se tirar a ,ibid4 #i percente persente ,ibid4 #ai pricipitadas precipitadas #ae #ag he sa ,ibid4 #ah queima-se queima-se #af #ba que que que #ag #bj e precisa se precisa ,ibid4 #cc quando misturando quando se mistura #ah #a a seu o seu ,ibid4 #ab a hum de hum #ai #ac commuus communs #bj #g salgadeiras saleiros ,ibid4 #bg as utensis os utensis #bb #d avou vou #bb #aa seu o o seu #bf #ah acabada acaba #ca #bc tilheiros telheiros #cd #d sahe sahem ,ibid4 #bi defferentes differentes ,ibid4 #d sahe sahem #dc #bg elle estes #dg #f as portas os postos ,ibid4 #ac as levanta os levanta #dh #ac e unta unta #eb #aj ,fig4 #ae4 ,fig4 #e4 #ec #bf e cambas cambas #ed #ag caimba camba #eg #af perde ella adde o seu movimento #fj #g mealheilro mealheiro ,ibid4 #cj o qual a qual #fa #b insaboar ensaboar ,ibid4 #ai esses estas #fd #b tab4 est4 #fh #d se po-chegar se pode chegar ,ibid4 #e e se de guraapertando e se segura apertando #ga #aa destinadas destinados #gd #c torno2 que torno2 pois o que #ge #ac indireitar endireitar #gf #ag o pegar apegar #gg #bb so poem se poem #hj #ah moido1 e passado moida1 e passada #ie #ah quer querem #ajb #aj ,feroz ,forez #ajc #ai do barro adde escuro ,ibid4 #bg se estes amassa-se estes ,onde se achar levigar1 levigados1 la-se livigar1 livigados4 ,e onde invernizar1 invernizadas1 la-se envernizar1 envernizadas4 #adg #be cenrada cenrrada #aec #a fig4 fig4 #ae4 #aeh #bh a une o une #aei #ad fazem-lhe fazem-lhes ,illustration3 ,louceiro de barro ,simples4 ,est4 ,i4 ,illustration3 ,louceiro de barro ,simples4 ,est4 ,,ii ,illustration3 ,louceiro de barro ,simples4 ,est4 ,,iii4