available by ,biblioteca ,brasiliana47 ,,qu,,da ,,que ,,z ,,mulh]es ,t,m ,,p>a ,,os ,,tolos ,,traduc,o ,,d ,,snr ,,ma*ado ,,de ,,assis ,,rio ,,de ,,janeiro ,,typographia ,,de ,f4 ,,de ,,paula ,,brito #fd--,praa da ,con/ituio--#fd #ahfa ,,adv]t5cia ,e/e livro curto1 e talvez dev]a sel-o mais4 ,desejo que elle agrade1 como me sahe das mos2 mas com pez> que me vanglorio por e/a obra4 ,fall> d amor das mulh]es pelos tolos1 no arrisc> t] por inimigas a maioria de um e outro sexo8 ,diz-se que a mat]ia rica e fecunda2 eu accresc5to que ella tem sido tratada por muitos4 ,se t5ho1 pois1 a pret5so de s] breve1 no t5ho a de s] orig9al4 ,cont5to-me em repetir o que se disse antes de mim3 m9has pag9as consci5ciosas so um resumo de muitos e valiosos escriptos4 ,propriam5te fall&o1 uma comp>ao sci5tifica1 e eu obt]ia a mais doce recomp5sa de meus es=os1 como dizem os eruditos1 se inspirasse aos leitores a ida d apr(und> um to importante exemplo4 ,quanto imp>cialidade que presidio a r$aco de/e trabalho1 creio que n+uem a por em duvida4 ,exalto os tolos sem rancor1 e se critico os hom5s de espirito1 com um des9t]esse1 cuja ext5o facilm5te se compreh5d]4 ,,qu,,da ,,que ,,z ,,mulh]es ,t,m ,,p>a ,,os ,,tolos ,,capitulo ,i ,il e/ des nuds secrets1 il e/ des sympa?ies4 ,passa em julgado que z mulh]es lem de cadeira em mat]ia de faz5das1 p]olas e r5das1 e que1 desde que adoptam uma fita1 deve-se cr] que a essa escolha presidiram motivos plausiveis4 ,p>t9do de/e pr9cipio1 entr>am os philosophos a indag> se ellas mant9ham o mesmo cuidado na escolha de um amante1 ou de um m>ido4 ,muitos duvid>am4 ,alguns emittiram como axioma1 que o que det]m9ava z mulh]es1 ne/e ponto1 no era1 nem a razo1 nem o amor1 nem mesmo o capri*o2 que se um homem lhes agradava1 era por se t] apres5tado primeiro que os outros1 e que s5do e/e sub/ituido por outro1 no t9ha esse outro s5o o m]ito de t] *egado antes d t]ceiro4 ,p]maneceo por muito tempo e/e sy/ema irrev]5te4 ,hoje1 graz a ,deus1 a v]dade se descobrio3 veio a sab]-se que z mulh]es escolhem com pl5o conhecim5to d que fazem4 ,comp>am1 exam9am1 pesam1 e s se decidem por um1 depois de v]ific> nelle a preciosa qualidade que procuram4 ,essa qualidade 444 a toleima6 ,,capitulo ,,ii ,desde a mais remota antiguidade1 sempre z mulh]es tiv]am a sua qu$a p>a os tolos4 ,alcibiades1 ,socrates e ,plato =am sacrificados por ellas aos presumidos d tempo4 ,tur5ne1 la ,ro*ef\cauld1 ,rac9e e ,molire1 =am trahidos por suas amantes1 que se entreg>am a basbaques notorios4 ,no seculo passado todas z boas =tunas =am res]vadas aos pequ5os abbades4 ,e/ribados nesses illu/res exemplos1 z nossas contemporaneas cont9uam a idolatr> os dec5d5tes dos idolos das suas avs4 ,no nosso fim c5sur> uma t5d5cia1 que p>ece inv5civel2 o que qu]emos motival-a4 ,por m5os obs]vador e m5os exp]i5te que seja1 qualqu] pessoa reconhece que a toleima quasi sempre um p5hor de triumpho4 ,desgraadam5te n+uem pde por sua propria vontade goz> das vantag5s da toleima4 ,a toleima mais d que uma sup]ioridade ord9>ia3 um dom1 uma graa1 um sello div9o4 ,o tolo no se faz1 nasce feito4 ,todavia1 como o espirito e como o g5io1 a toleima natural =tifica-se e e/5de-se pelo uso que se faz della4 e/accion>ia no pobre diabo que r>am5te pde applical-a2 mas toma propores desm>cadas nos hom5s a quem a =tuna1 ou a posio social c$o leva pratica d mundo4 ,e/e concurso da toleima innacta e da toleima adquirida que produz a mais temivel especie de tolos1 os tolos que o academico ,trublet *am\ tolos completos1 tolos integraes1 tolos no apogo da toleima4 ,o tolo ab5oado d co pelo facto de s] tolo1 e pelo facto de s] tolo1 que lhe vem a c]teza de que qualqu] c>reira que tome1 hade *eg> felizm5te ao t]mo4 ,nunca solicita empregos1 aceita-os em virtude d direito que lhe proprio3 ,nom9or leo4 ,ignora o que s] corrido ou desd5hado2 onde qu] que *egue1 fe/ejado como um cnviva que se esp]a4 ,o que oppor-lhe como ob/aculo8 to en]gico no *oque1 to igual nos es=os e to seguro no resultado6 a ro*a despegada1 que rola1 corre1 salta e avana cam9ho por si1 precipitada pela sua propria massa4 ,sorri-lhe a =tuna p>ticul>m5te ao p das mulh]es4 ,mulh] alguma resi/io nunca a um tolo4 ,n5hum homem de espirito teve a9da impunem5te um p>vo como rival4 ,porque8444 ,ha necessidade de p]gunt> porque8 ,em que/o de amor1 o p>allelo a e/abelec] entre o tolo e o homem de siso1 no p>a confuso d ultimo8 ,,capitulo ,,iii ,em mat]ia de amor1 deixa-se o homem de espirito embal> por extranhas illuses4 ,z mulh]es so p>a elle entes de mais elevada natureza que a sua1 ou pelo m5os elle empre/a-lhes z proprias idz1 suppe-lhes um corao como o seu1 imag9a-z capazes1 como elle1 de g5]osidade1 nobreza e gr&eza4 ,imag9a que p>a agrad>-lhes preciso t] qualidades cima d vulg>4 ,naturalm5te tmido1 exagg]a mais ao p dellas a sua insuffici5cia2 o s5tim5to de que lhe falta muito1 o torna desconfiado1 indeciso1 atorm5tado4 ,respeitoso at a timidez1 no ousa exprimir o seu amor em palavras2 exhala-o por meio de uma no int]rompida s]ie de meigos cuidados1 t]nos respeitos e att5es delicadas4 ,como nada qu] cu/a de uma indignidade1 no se cons]va cont9uam5te ao p d'aquella que ama1 no a p]segue1 no a fatiga com a sua pres5a4 ,p>a int]essal-a em suas magoas1 no toma ares sombrios e tri/es2 pelo contr>io1 es=a-se por s] sempre bom1 affectuoso e alegre junto della4 ,qu&o se retira da sua pres5a1 que mo/ra o que s(fre1 e d]rama z suas lagrimas em segr$o4 ,o tolo1 porm1 no tem desses escrupulos4 ,a intrepida op9io que elle tem de si proprio1 o reve/e de sangue frio e segurana4 ,satisfeito de si1 nada lhe p>alysa a audacia4 ,mo/ra a todos que ama1 e solicita com in/ancia provas de amor4 ,p>a faz]-se not> d'aquella que ama1 importuna-a1 acompanha-a nas ruas1 vigia-a nas igrejas e espia-a nos espectaculos4 ,arma-lhe laos grosseiros4 mesa1 (f]ece-lhe uma fructa p>a com]em ambos1 ou passa-lhe my/]iosam5te com muito geito um bilhete de amores4 ,ap]ta-lhe a mo a danar e saca-lhe o ramalhete de flres no fim d baile4 ,n'uma noite de p>tida1 diz-lhe dez vezes ao ouvido3 ,como bella6 porquanto revela-lhe o in/9cto1 que pela adulao que se alcanam z mulh]es1 bem como se z p]de1 tal qual como acontece com os reis4 ,de re/o1 como nos tolos tudo sup]ficial e ext]ior1 no o amor um acontecim5to que lhes mude a vida3 cont9a como antes a dissipal-a nos jogos1 nos sales e nos passeios4 ,,capitulo ,,iv ,o amor1 disse alguem1 uma jornada1 cujo ponto de p>tida o s5tim5to1 e cujo t]mo inevitavel a s5sao4 ,se i/o v]dade1 o que ha a faz]1 embelec] a e/rada e *eg> o mais t>de possivel ao fim4 ,ora1 quem melhor que o homem de espirito sabe p>ol> beira d cam9ho1 p>> e colh] flres1 s5t>-se s sombras frescas1 recit> av5turas e procur> desvios e delongas8 ,um c>acol de cabellos mal arranjado1 um comprim5to m5os apressado que de co/ume1 um som de voz discordante1 uma palavra mal escolhida1 tudo lhe pretexto p>a demor> os passos e prolong> os praz]es da viagem4 ,mas quantas mulh]es apreciam esses ca/os manejos1 e compreh5dem o encanto dessas p>adas borda de uma veia limpida que reflecte o co8 ,ellas qu]em amor1 qualqu] que seja a sua natureza1 e o que o tolo lhes (f]ece lhes ba/ante1 por mais insipido que seja4 ,,capitulo ,v ,o homem de espirito qu&o1 *ega a faz]-se am>1 no goza de uma felicidade completa4 ,atemorisado com a sua v5tura1 trata antes de sab] porque feliz4 ,p]gunta porque e como amado2 se1 p>a uma amante1 elle uma necessidade1 ou um passatempo2 se ella c$eu a um amor inv5civel2 emfim1 se elle amado por si mesmo4 ,cra elle proprio e com eng5ho z suas magoas e cuidados2 como o ,sib>ita que1 deitado em um leito de flres1 s5tia-se incommodado pela dobra de uma folha de rosa4 ,n'um olh>1 n'uma palavra1 n'um ge/o1 a*a elle mil nuanz imp]ceptiveis1 desde que se trata de int]pretal-z contra si4 ,esquece os encomios que levem5te o tocam1 p>a lembr>-se sm5te de uma obs]vao feita ao m5or dos seus defeitos e que ba/ante o tortura4 ,mas1 em comp5sao desses torm5tos1 ha no seu amor tanto encanto e delicias6 ,como e/uda1 como extrahe1 como sabora z volupias mais fugitivas ate a ultima ess5cia6 ,como a sua s5sibilidade especial sabe descobrir o encanto das criancices frivolas1 dos invisiveis attractivos1 dos nadas adoraveis6 ,o tolo um amante sempre cont5te e tranquillo4 ,tem to robu/a confiana nos seus pr$icados1 que antes de t] provas1 j mo/ra a c]teza de s] amado4 assim deve s]4 ,em sua op9io faz uma gr&e honra mulh] a quem d$ica os seus effluvios4 ,no lhe deve felicidade2 elle que lh'a d e como tudo o leva exagg]> o b5eficio1 no lhe vem ida que se possa t] p>a com elle +ratides4 ,assim1 no meio das alegrias d amor1 saborea a9da a embriaguez da fatuidade4 ,mas como1 em def9itivo1 elle proprio o objecto de seu culto1 depressa o tolo se aborrece1 e como o amor p>a elle no mais que um entret5im5to que passa1 os ultimos favores1 longe de o engr&ec]em mais1 desligam-n'o pela saci$ade4 ,,capitulo ,,vi ,o homem de espirito v no amor um gr&e e s]io negocio1 occupa-se delle como d mais grave int]esse de sua vida1 sem di/raco1 nem res]va4 ,pde p]d] nelle algumas das suas qualidades viris1 mas p>a cresc] em abnegao1 em d$icao1 em bondade4 ,supporta tudo d'aquella que ama sem nada exigir della4 ,qu&o ella att5de a alguns dos seus votos1 qu&o prev9e alguns dos seus desejos1 longe de ensob]bec]-se1 agradece com uma effuso mesclada de sorpreza4 ,p]doa-lhe g5]osam5te todos os males que lhe causa1 porque1 muito orgulhoso p>a enraivec]-se ou la/im>-se1 no sabe provoc>1 nem a pi$ade que ent]nece1 nem o m$o que faz cal>4 ,oh6 que inf]no1 se a m v5tura lhe dep>a uma mulh] bella e m1 uma namoradeira fria de s5tidos1 ou uma moa de rabugice precce6 ,s(fre ento vivam5te com a p]fidia da mulh] amada1 mas desculpa-a pela fragilidade d sexo4 ,a sua indulg5cia pde ento conduzil-o degradao4 ,elle segue a olhos fe*ados o declive que o arra/a ao abismo1 sem que a queixa1 a ambio1 a =tuna possam retel-o4 ,o nescio escapa a e/es p]igos4 ,como no elle quem ama1 elle quem dom9a4 ,p>a v5c] uma mulh] f+e1 por alguns mom5tos o excesso de desesp]o e da paixo2 mas isso no passa de um meio de gu]ra1 tatica de c]co p>a engan> e s$uzir o inimigo4 ,logo depois recobra elle a tyrannia e no a abdica mais4 ,p>a entret]-se nisso1 tem o tolo o seu me?odo1 z suas regras1 a sua l9ha de conducta4 indiscreto por pr9cipio1 porquanto divulg&o os favores que recebe1 compromette a que lhe conc$e e ao mesmo tempo afa/a z rivalidades nasc5tes4 susceptivel pela razo1 cioso por calculo1 afim de promov] esses proveitosos amos1 que lhe s]vem1 a seu grado1 p>a conduzir a uma ruptura def9itiva1 ou p>a exigir um novo sacrificio4 ,mo/ra uma cruel indiff]5a1 indic&o p\ca confiana nas provas de sympatia que lhe do4 ,n'um baile1 prohib9do sua amante de danar1 no faz caso della de proposito4 ,afflige-a com app>5cias de infidelidade1 falta hora m>cada p>a se encontr>em1 ou depois de se t] feito esp]>1 vem1 d&o desculpas equivocas de sua demora4 ,habil em seme> a inquietao e o su/o1 faz-se ob$ec] =a de s]1 e acaba por inspir> uma affeio s9c]a =a de promovel-a4 ,,capitulo ,,vii ,o homem de espirito1 assu/ado com o vacuo imm5so1 que deixa no corao uma affeio que se p]de1 s rompe o lao que o pr5de causa de dilac]aes int]iores4 ,como bem se disse1 s5do preciso um dia p>a conseguir1 preciso mil p>a se reconqui/>4 ,mesmo no mom5to em que volta a s] livre3 quantas vezes um sorriso1 um m5eio de cabea1 uma maneira de pux> o ve/ido1 ou de incl9> o *apell9ho de sol1 no o faz recahir no seu antigo captiveiro6 ,de re/o1 a mulh]1 a quem elle tiv] revelado o segr$o d seu corao1 fic> sempre p>a elle como sr ap>te4 ,no a esquece nunca4 ,morta1 ou sep>ado1 nutre por aquella que a p]deu longas saudades4 ,p]seguido pela lembrana que della cons]va1 descobre muitas vezes que z outras mulh]es por quem se apaixona s tem o m]ito de se p>ec]em com ella4 ,d-se elle ento a comp>aes que o desvairam1 que o irritam1 que o pem fra de si1 exig9do no seu traj>1 no seu &> e at no seu fall>1 alguma c\sa que lhe recorde o seu implacavel ideal4 ,e se elle o ab&onado1 que de torturas que s(fre6 ,viv] sem s] amado p>ece-lhe intol]avel4 ,nada pde consolal-o ou di/rahil-o4 ,no caso de torn> a v] os sitios que =am te/emunhas da sua felicidade1 evoca sua memoria mil circum/ancias p]sev]antes e crueis4 ,alli e/ a c]ca *eirosa1 cujos esp9hos rasg>am o vo da infiel2 aqui1 o rio que a m$rosa s ousava atravess> amp>ada pela sua mo2 alm e/ a alam$a1 cuja ara f9a p>ece t] a9da o molde de seus ligeiros passos4 ,contempla na janella z longas e alvas cort9as1 no peitoril os arbu/os em flr1 na relva a mesa1 o banco1 z cadeiras em que outr'ora se s5t>am4 possivel que ella t5ha mudado to de rep5te8 ,pois no foi a9da hontem que de volta de um passeio ao bosque1 lhe enxug\ o suor da te/a1 e que se lhe pr5dia em doce e extranho amplexo8444 ,hoje1 nem mais duras1 nem mais ap]tos de mo1 nem mais dessas horas ebrias em que todo o passado ficava esquecido6 ,elle e/ s1 entregue a si mesmo1 sem =a1 sem alvo3 o delyrio d desesp]o4 ,o tolo e/ cima dessas mis]ias4 ,no o assu/a um futuro pr5he de qualqu] inquietao afflictiva4 ,sempre acob]tado pela b&eira de incon/ancia1 desfaz-se de uma amante sem luta1 nem remorso2 utilisa uma traio p>a vo> a novas av5turas4 ,p>a elle nada ha de t]rivel em uma sep>ao1 porque nunca suppe que se possa colloc> a vida n'uma vida alheia1 e que faz5do-se um habito dessa communidade de exi/5cia1 faz-se p\co novam5te s(fr]1 qu&o ella tiv] de quebr>-se4 ,da mulh]1 que deixa de am>1 elle s cons]va o nome1 como o vet]ano cons]va o nome de uma batalha p>a glorific>-se1 ajunt&o-o ao num]o das suas campanhas4 ,,capitulo ,,viii ,ha uma poca em que cu/a-se muito a am>4 ,t5do vi/o e e/udado um p\co a mulh]1 adquire-se uma c]ta dureza que p]mitte approxim>-se sem p]igo das mais bellas e s$uctoras4 ,confessa-se sem rebuo a admirao que ellas inspiram1 mas uma admirao de arti/a1 um en?usiasmo sem t]nura4 ,alm disso ganha-se uma p5etrao cruel p>a v]1 atravez de todos os artificios de casquilha1 o que vale a submisso que ellas o/5tam1 a dura que affectam1 a ignorancia que f+em4 ,e pr5da-se um homem nessas condies6 ,de ord9>io entre tr9ta a tr9ta e c9co annos1 que o corao d homem de espirito fe*a-se assim sympatia e comea a petrific>-se4 entretanto possivel que nelle tornem a app>ec] os fogos da mocidade1 e que elle v5ha a s5tir um amor to puro1 to f]v5te1 to +5uo1 como nos frescos annos da adolesc5cia2 longe de t] p]dido z p]turbaes1 z apreh5ses1 os transportes da alma amorosa1 s5te-os elle de novo com emoo mais pr(unda e d-lhes um preo tanto mais elevado1 quanto elle e/ c]to de no os v] r5asc]4 ,oh6 ento la/ima-se o pobre ins5sato6 ,eil-o obrigado a ajoelh>-se aos ps de uma mulh] p>a quem nada o m]ito de cam9h> p\co a p\co atraz de sua sombra1 de faz] ex]cicio em torno aos seus ve/idos1 de se extasi> diante de seus bordados1 de lisonje> os seus enfeites4 ,ai1 tri/e6 esses longos supplicios o revoltam1 e1 ,pygmalio desesp]ado1 afa/a-se de ,galata1 cujo amor se no pde reanim>4 ,esses symptomas de idade so desconhecidos ao tolo1 porquanto cada dia que passa no lhe faz a*> no amor um bem mais c>o1 ou mais difficil a conqui/>4 ,no t5do sido1 nem melhorado1 nem endurecido pelos revezes da vida1 cont9u&o a v] z mulh]es com o mesmo olh>1 exprime-lhes os seus amores com z mesmas lagrimas e os mesmos suspiros que lhes res]va p>a p9t> os antigos torm5tos4 ,e como elle s exigio sempre dellas app>5cias de paixo1 vem facilm5te a p]suadir-se que amado4 ,longe de fugir1 p]sev]a e--triumpha4 ,,capitulo ,,ix ,o homem de espirito o m5os habil p>a escrev] a uma mulh]4 ,qu&o se arrisca a escrev] uma c>ta1 s5te difficuldades incriveis4 ,desprez&o o vascono da galant]ia1 no sabe como se hade faze ent5d]4 ,qu] s] res]vado e p>ece frio2 qu] diz] o que esp]a e indica receio2 confessa que nada tem p>a agrad>1 e apanhado pela palavra4 ,commette o crime de no s] commum ou vulg>4 ,z suas c>tas sahem d corao e no da cabea2 tem o e/ylo simples1 cl>o e limpido1 cont5do ap5as alguns detalhes tocantes4 ,mas exactam5te o que faz com que ellas no sejam lidas1 nem compreh5didas4 ,so c>tas dec5tes1 qu&o z p$em e/upidas4 ,o tolo =tissimo em correspond5cia amorosa e tem consci5cia disso4 ,longe de recu> diante da remessa de uma c>ta1 muitas vezes por ahi que elle comea4 ,tem uma colleco de c>tas promptas p>a todos os gros de paixo4 ,allega nellas em l+uagem brusca o ardor de sua *amma2 a cada palavra repete3 meu anjo1 eu vos adoro4 ,z suas =mulas so emphaticas e *atas2 nada que indique uma p]sonalidade4 ,no faz suspeit> exc5tricidade ou poesia2 quanto ba/a2 m$iocre e ridiculo1 tanto melhor4 ,effectivam5te o extranho que l] z suas missivas1 nada tem a diz]2 na mocidade o pai da m59a escrevia assim2 a propria m59a no esp]ava outra c\sa4 ,todos e/o satisfeitos1 at os amigos4 ,que qu]em mais8 ,,capitulo ,x ,emfim1 o homem de espirito1 em vi/a d que 1 inspira s mulh]es uma secreta repulsa4 ,ellas se admiram com o v] timido1 acanham-se com o v] delicado1 humilham-se com vel-o di/9cto4 ,por muito que elle faa p>a desc] at ellas1 nunca consegue fazel-z p]d] o acanham5to2 *oca-z1 incommoda-z1 e esse acanham5to1 de que elle causa1 torna frias z conv]saes mais indiff]5tes1 afa/a a famili>idade e assu/a a incl9ao pre/es a nasc]4 ,mas o tolo no atrapalha1 nem (fusca z mulh]es4 ,desde a primeira entrevi/a1 elle z anima e frat]nisa-se com ellas4 ,eleva-se sem acanham5to nas conv]sas mais insulsas1 paira e requebra-se como ellas4 ,compreh5de-z e ellas o compreh5dem4 ,longe de se s5tirem deslocadas na sua companhia1 ellas a procuram1 porque brilham nella4 ,podem diante delle absorv] todos os assumptos e conv]s> sobre tudo1 innoc5tem5te1 sem consequ5cia4 ,na p]suaso de que elle no p5sa melhor1 nem contr>io a ellas1 auxiliam o tri/e1 qu&o a ida lhe falta1 suprem-lhe a indig5cia4 ,como se fazem val] por elle1 ju/o que lhes paguem1 e por isso cons5tem em ouvil-o em tudo4 ,entregam-lhe assim os seus ouvidos1 que o cam9ho d seu corao1 e um bello dia admiram-se de t] encontrado no amigo complac5te um s5hor imp]ioso6 ,,capitulo ,,xi ,compreh5de-se1 por e/e curto esboo1 como e quanto diff]em os tolos e os hom5s de espirito nos seus meios de s$uco4 ,a concluso f9al 1 que os tolos triumpham1 e os hom5s de espirito falham1 resultado importante e deploravel1 ne/a mat]ia sobre tudo4 ,,capitulo ,,xii ,depois de t] indagado z causas da felicidade dos tolos1 e da desgraa dos hom5s de espirito3 p]d]emos tempo precioso em accus> z mulh]es8 ,no hesitamos em deit> z culpas sobre os hom5s de espirito1 como fez o pr(undo ,*ampc5ets4 ,porque no e/udam os tolos1 diz-lhes e/e autor1 p>a conseguir imital-os8 ,hade cu/>-vos muito faz] um tal papel3 mas ha proveito sem dez>8 ,e depois1 qu&o assim sois a isso obrigado1 vi/o como no vos do outro meio de soluo1 qu]] subtrahir o bello sexo ao imp]io dos tolos1 descort9&o-lhe a p]v]sidade d seu go/o1 c\sa em que n+uem deve p5s>1 uma l\cura2 fra o mesmo que qu]] mud> a natureza1 ou contr>i> a fatalidade4 ,por quanto1 ficai sab5do1 cont9a ,campc5ets1 que z mulh]es no so s5horas de si proprias2 que nellas tudo in/9cto ou temp]am5to1 e que portanto ellas no podem s] culpadas de suas pref]5cias4 ,s respondemos pelo que praticamos com int5o e disc]nim5to4 ,ora1 qual dellas pde diz] que pr$ileco a impelle1 que paixo a obriga1 que s5tim5to a faz +rata1 ou que v+ana lhe dicta z malignidades8 ,debalde procur>eis nellas to cruel prodigio2 n5huma cumplice d mal que cansa2 a e/e respeito1 o seu e/\vam5to atte/a-lhes a c&ura4 ,porque vos ob/9aes em p$ir-lhes o que a ,provid5cia no lhes deu8 ,ellas se apres5tam bellas1 appetitosas e cgas3 no vos ba/a i/o8 ,qu]el-z com juizo1 p5etrantes e s5siveis1 no conhecel-z4 ,procurai z mulh]es nas mulh]es1 admirai-lhes a figura elegante e flexivel1 affagai-lhes os cabellos1 beijai-lhes z mos mimosas2 mas tomai como um br9qu$o o seu desdem1 aceitai os seus ultrages sem az$ume1 e s suas col]as mo/rai indiff]5a4 ,p>a conqui/> esses entes frageis e ligeiros1 preciso atordoal-os pelo rumor dos vossos l\vores1 pelo fa/o d vosso ve/u>io1 pela publicidade das vossas hom5ag5s4 ,,capitulo ,,xiii ,sim1 sim1 de mi/] ous> tudo p>a com z mulh]es4 ,,fim