available by ,biblioteca ,brasiliana47 ,,qu,,da ,,que ,,as ,,mulheres ,t,m ,,para ,,os ,,tolos ,,traduc,o ,,do ,,snr ,,machado ,,de ,,assis ,,rio ,,de ,,janeiro ,,typographia ,,de ,f4 ,,de ,,paula ,,brito #fd--,praa da ,constituio--#fd #ahfa ,,advertencia ,este livro curto1 e talvez devera sel-o mais4 ,desejo que elle agrade1 como me sahe das mos2 mas com pezar que me vanglorio por esta obra4 ,fallar do amor das mulheres pelos tolos1 no arriscar ter por inimigas a maioria de um e outro sexo8 ,diz-se que a materia rica e fecunda2 eu accrescento que ella tem sido tratada por muitos4 ,se tenho1 pois1 a pretenso de ser breve1 no tenho a de ser original4 ,contento-me em repetir o que se disse antes de mim3 minhas paginas conscienciosas so um resumo de muitos e valiosos escriptos4 ,propriamente fallando1 uma comparao scientifica1 e eu obteria a mais doce recompensa de meus esforos1 como dizem os eruditos1 se inspirasse aos leitores a ida do aprofundar um to importante exemplo4 ,quanto imparcialidade que presidio a redaco deste trabalho1 creio que ninguem a por em duvida4 ,exalto os tolos sem rancor1 e se critico os homens de espirito1 com um desinteresse1 cuja exteno facilmente se comprehender4 ,,qu,,da ,,que ,,as ,,mulheres ,t,m ,,para ,,os ,,tolos ,,capitulo ,i ,il est des nuds secrets1 il est des sympathies4 ,passa em julgado que as mulheres lem de cadeira em materia de fazendas1 perolas e rendas1 e que1 desde que adoptam uma fita1 deve-se crer que a essa escolha presidiram motivos plausiveis4 ,partindo deste principio1 entraram os philosophos a indagar se ellas mantinham o mesmo cuidado na escolha de um amante1 ou de um marido4 ,muitos duvidaram4 ,alguns emittiram como axioma1 que o que determinava as mulheres1 neste ponto1 no era1 nem a razo1 nem o amor1 nem mesmo o capricho2 que se um homem lhes agradava1 era por se ter apresentado primeiro que os outros1 e que sendo este substituido por outro1 no tinha esse outro seno o merito de ter chegado antes do terceiro4 ,permaneceo por muito tempo este systema irreverente4 ,hoje1 graas a ,deus1 a verdade se descobrio3 veio a saber-se que as mulheres escolhem com pleno conhecimento do que fazem4 ,comparam1 examinam1 pesam1 e s se decidem por um1 depois de verificar nelle a preciosa qualidade que procuram4 ,essa qualidade 444 a toleima6 ,,capitulo ,,ii ,desde a mais remota antiguidade1 sempre as mulheres tiveram a sua queda para os tolos4 ,alcibiades1 ,socrates e ,plato foram sacrificados por ellas aos presumidos do tempo4 ,turenne1 la ,rochefoucauld1 ,racine e ,molire1 foram trahidos por suas amantes1 que se entregaram a basbaques notorios4 ,no seculo passado todas as boas fortunas foram reservadas aos pequenos abbades4 ,estribados nesses illustres exemplos1 as nossas contemporaneas continuam a idolatrar os decendentes dos idolos das suas avs4 ,no nosso fim censurar uma tendencia1 que parece invencivel2 o que queremos motival-a4 ,por menos observador e menos experiente que seja1 qualquer pessoa reconhece que a toleima quasi sempre um penhor de triumpho4 ,desgraadamente ninguem pde por sua propria vontade gozar das vantagens da toleima4 ,a toleima mais do que uma superioridade ordinaria3 um dom1 uma graa1 um sello divino4 ,o tolo no se faz1 nasce feito4 ,todavia1 como o espirito e como o genio1 a toleima natural fortifica-se e estende-se pelo uso que se faz della4 estaccionaria no pobre diabo que raramente pde applical-a2 mas toma propores desmarcadas nos homens a quem a fortuna1 ou a posio social cedo leva pratica do mundo4 ,este concurso da toleima innacta e da toleima adquirida que produz a mais temivel especie de tolos1 os tolos que o academico ,trublet chamou tolos completos1 tolos integraes1 tolos no apogo da toleima4 ,o tolo abenoado do co pelo facto de ser tolo1 e pelo facto de ser tolo1 que lhe vem a certeza de que qualquer carreira que tome1 hade chegar felizmente ao termo4 ,nunca solicita empregos1 aceita-os em virtude do direito que lhe proprio3 ,nominor leo4 ,ignora o que ser corrido ou desdenhado2 onde quer que chegue1 festejado como um cnviva que se espera4 ,o que oppor-lhe como obstaculo8 to energico no choque1 to igual nos esforos e to seguro no resultado6 a rocha despegada1 que rola1 corre1 salta e avana caminho por si1 precipitada pela sua propria massa4 ,sorri-lhe a fortuna particularmente ao p das mulheres4 ,mulher alguma resistio nunca a um tolo4 ,nenhum homem de espirito teve ainda impunemente um parvo como rival4 ,porque8444 ,ha necessidade de perguntar porque8 ,em questo de amor1 o parallelo a estabelecer entre o tolo e o homem de siso1 no para confuso do ultimo8 ,,capitulo ,,iii ,em materia de amor1 deixa-se o homem de espirito embalar por extranhas illuses4 ,as mulheres so para elle entes de mais elevada natureza que a sua1 ou pelo menos elle empresta-lhes as proprias idas1 suppe-lhes um corao como o seu1 imagina-as capazes1 como elle1 de generosidade1 nobreza e grandeza4 ,imagina que para agradar-lhes preciso ter qualidades cima do vulgar4 ,naturalmente tmido1 exaggera mais ao p dellas a sua insufficiencia2 o sentimento de que lhe falta muito1 o torna desconfiado1 indeciso1 atormentado4 ,respeitoso at a timidez1 no ousa exprimir o seu amor em palavras2 exhala-o por meio de uma no interrompida serie de meigos cuidados1 ternos respeitos e attenes delicadas4 ,como nada quer custa de uma indignidade1 no se conserva continuamente ao p d'aquella que ama1 no a persegue1 no a fatiga com a sua presena4 ,para interessal-a em suas magoas1 no toma ares sombrios e tristes2 pelo contrario1 esfora-se por ser sempre bom1 affectuoso e alegre junto della4 ,quando se retira da sua presena1 que mostra o que soffre1 e derrama as suas lagrimas em segredo4 ,o tolo1 porm1 no tem desses escrupulos4 ,a intrepida opinio que elle tem de si proprio1 o reveste de sangue frio e segurana4 ,satisfeito de si1 nada lhe paralysa a audacia4 ,mostra a todos que ama1 e solicita com instancia provas de amor4 ,para fazer-se notar d'aquella que ama1 importuna-a1 acompanha-a nas ruas1 vigia-a nas igrejas e espia-a nos espectaculos4 ,arma-lhe laos grosseiros4 mesa1 offerece-lhe uma fructa para comerem ambos1 ou passa-lhe mysteriosamente com muito geito um bilhete de amores4 ,aperta-lhe a mo a danar e saca-lhe o ramalhete de flres no fim do baile4 ,n'uma noite de partida1 diz-lhe dez vezes ao ouvido3 ,como bella6 porquanto revela-lhe o instincto1 que pela adulao que se alcanam as mulheres1 bem como se as perde1 tal qual como acontece com os reis4 ,de resto1 como nos tolos tudo superficial e exterior1 no o amor um acontecimento que lhes mude a vida3 contina como antes a dissipal-a nos jogos1 nos sales e nos passeios4 ,,capitulo ,,iv ,o amor1 disse alguem1 uma jornada1 cujo ponto de partida o sentimento1 e cujo termo inevitavel a sensao4 ,se isto verdade1 o que ha a fazer1 embelecer a estrada e chegar o mais tarde possivel ao fim4 ,ora1 quem melhor que o homem de espirito sabe parolar beira do caminho1 parar e colher flres1 sentar-se s sombras frescas1 recitar aventuras e procurar desvios e delongas8 ,um caracol de cabellos mal arranjado1 um comprimento menos apressado que de costume1 um som de voz discordante1 uma palavra mal escolhida1 tudo lhe pretexto para demorar os passos e prolongar os prazeres da viagem4 ,mas quantas mulheres apreciam esses castos manejos1 e comprehendem o encanto dessas paradas borda de uma veia limpida que reflecte o co8 ,ellas querem amor1 qualquer que seja a sua natureza1 e o que o tolo lhes offerece lhes bastante1 por mais insipido que seja4 ,,capitulo ,v ,o homem de espirito quando1 chega a fazer-se amar1 no goza de uma felicidade completa4 ,atemorisado com a sua ventura1 trata antes de saber porque feliz4 ,pergunta porque e como amado2 se1 para uma amante1 elle uma necessidade1 ou um passatempo2 se ella cedeu a um amor invencivel2 emfim1 se elle amado por si mesmo4 ,cra elle proprio e com engenho as suas magoas e cuidados2 como o ,sibarita que1 deitado em um leito de flres1 sentia-se incommodado pela dobra de uma folha de rosa4 ,n'um olhar1 n'uma palavra1 n'um gesto1 acha elle mil nuanas imperceptiveis1 desde que se trata de interpretal-as contra si4 ,esquece os encomios que levemente o tocam1 para lembrar-se smente de uma observao feita ao menor dos seus defeitos e que bastante o tortura4 ,mas1 em compensao desses tormentos1 ha no seu amor tanto encanto e delicias6 ,como estuda1 como extrahe1 como sabora as volupias mais fugitivas ate a ultima essencia6 ,como a sua sensibilidade especial sabe descobrir o encanto das criancices frivolas1 dos invisiveis attractivos1 dos nadas adoraveis6 ,o tolo um amante sempre contente e tranquillo4 ,tem to robusta confiana nos seus predicados1 que antes de ter provas1 j mostra a certeza de ser amado4 assim deve ser4 ,em sua opinio faz uma grande honra mulher a quem dedica os seus effluvios4 ,no lhe deve felicidade2 elle que lh'a d e como tudo o leva exaggerar o beneficio1 no lhe vem ida que se possa ter para com elle ingratides4 ,assim1 no meio das alegrias do amor1 saborea ainda a embriaguez da fatuidade4 ,mas como1 em definitivo1 elle proprio o objecto de seu culto1 depressa o tolo se aborrece1 e como o amor para elle no mais que um entretenimento que passa1 os ultimos favores1 longe de o engrandecerem mais1 desligam-n'o pela saciedade4 ,,capitulo ,,vi ,o homem de espirito v no amor um grande e serio negocio1 occupa-se delle como do mais grave interesse de sua vida1 sem distraco1 nem reserva4 ,pde perder nelle algumas das suas qualidades viris1 mas para crescer em abnegao1 em dedicao1 em bondade4 ,supporta tudo d'aquella que ama sem nada exigir della4 ,quando ella attende a alguns dos seus votos1 quando previne alguns dos seus desejos1 longe de ensoberbecer-se1 agradece com uma effuso mesclada de sorpreza4 ,perdoa-lhe generosamente todos os males que lhe causa1 porque1 muito orgulhoso para enraivecer-se ou lastimar-se1 no sabe provocar1 nem a piedade que enternece1 nem o medo que faz calar4 ,oh6 que inferno1 se a m ventura lhe depara uma mulher bella e m1 uma namoradeira fria de sentidos1 ou uma moa de rabugice precce6 ,soffre ento vivamente com a perfidia da mulher amada1 mas desculpa-a pela fragilidade do sexo4 ,a sua indulgencia pde ento conduzil-o degradao4 ,elle segue a olhos fechados o declive que o arrasta ao abismo1 sem que a queixa1 a ambio1 a fortuna possam retel-o4 ,o nescio escapa a estes perigos4 ,como no elle quem ama1 elle quem domina4 ,para vencer uma mulher finge1 por alguns momentos o excesso de desespero e da paixo2 mas isso no passa de um meio de guerra1 tatica de cerco para enganar e seduzir o inimigo4 ,logo depois recobra elle a tyrannia e no a abdica mais4 ,para entreter-se nisso1 tem o tolo o seu methodo1 as suas regras1 a sua linha de conducta4 indiscreto por principio1 porquanto divulgando os favores que recebe1 compromette a que lhe concede e ao mesmo tempo afasta as rivalidades nascentes4 susceptivel pela razo1 cioso por calculo1 afim de promover esses proveitosos amos1 que lhe servem1 a seu grado1 para conduzir a uma ruptura definitiva1 ou para exigir um novo sacrificio4 ,mostra uma cruel indifferena1 indicando pouca confiana nas provas de sympatia que lhe do4 ,n'um baile1 prohibindo sua amante de danar1 no faz caso della de proposito4 ,afflige-a com apparencias de infidelidade1 falta hora marcada para se encontrarem1 ou depois de se ter feito esperar1 vem1 dando desculpas equivocas de sua demora4 ,habil em semear a inquietao e o susto1 faz-se obedecer fora de ser1 e acaba por inspirar uma affeio sincera fora de promovel-a4 ,,capitulo ,,vii ,o homem de espirito1 assustado com o vacuo immenso1 que deixa no corao uma affeio que se perde1 s rompe o lao que o prende causa de dilaceraes interiores4 ,como bem se disse1 sendo preciso um dia para conseguir1 preciso mil para se reconquistar4 ,mesmo no momento em que volta a ser livre3 quantas vezes um sorriso1 um meneio de cabea1 uma maneira de puxar o vestido1 ou de inclinar o chapellinho de sol1 no o faz recahir no seu antigo captiveiro6 ,de resto1 a mulher1 a quem elle tiver revelado o segredo do seu corao1 ficar sempre para elle como sr aparte4 ,no a esquece nunca4 ,morta1 ou separado1 nutre por aquella que a perdeu longas saudades4 ,perseguido pela lembrana que della conserva1 descobre muitas vezes que as outras mulheres por quem se apaixona s tem o merito de se parecerem com ella4 ,d-se elle ento a comparaes que o desvairam1 que o irritam1 que o pem fra de si1 exigindo no seu trajar1 no seu andar e at no seu fallar1 alguma cousa que lhe recorde o seu implacavel ideal4 ,e se elle o abandonado1 que de torturas que soffre6 ,viver sem ser amado parece-lhe intoleravel4 ,nada pde consolal-o ou distrahil-o4 ,no caso de tornar a ver os sitios que foram testemunhas da sua felicidade1 evoca sua memoria mil circumstancias perseverantes e crueis4 ,alli est a cerca cheirosa1 cujos espinhos rasgaram o vo da infiel2 aqui1 o rio que a medrosa s ousava atravessar amparada pela sua mo2 alm est a alameda1 cuja ara fina parece ter ainda o molde de seus ligeiros passos4 ,contempla na janella as longas e alvas cortinas1 no peitoril os arbustos em flr1 na relva a mesa1 o banco1 as cadeiras em que outr'ora se sentaram4 possivel que ella tenha mudado to de repente8 ,pois no foi ainda hontem que de volta de um passeio ao bosque1 lhe enxugou o suor da testa1 e que se lhe prendia em doce e extranho amplexo8444 ,hoje1 nem mais douras1 nem mais apertos de mo1 nem mais dessas horas ebrias em que todo o passado ficava esquecido6 ,elle est s1 entregue a si mesmo1 sem fora1 sem alvo3 o delyrio do desespero4 ,o tolo est cima dessas miserias4 ,no o assusta um futuro prenhe de qualquer inquietao afflictiva4 ,sempre acobertado pela bandeira de inconstancia1 desfaz-se de uma amante sem luta1 nem remorso2 utilisa uma traio para voar a novas aventuras4 ,para elle nada ha de terrivel em uma separao1 porque nunca suppe que se possa collocar a vida n'uma vida alheia1 e que fazendo-se um habito dessa communidade de existencia1 faz-se pouco novamente soffrer1 quando ella tiver de quebrar-se4 ,da mulher1 que deixa de amar1 elle s conserva o nome1 como o veterano conserva o nome de uma batalha para glorificar-se1 ajuntando-o ao numero das suas campanhas4 ,,capitulo ,,viii ,ha uma poca em que custa-se muito a amar4 ,tendo visto e estudado um pouco a mulher1 adquire-se uma certa dureza que permitte approximar-se sem perigo das mais bellas e seductoras4 ,confessa-se sem rebuo a admirao que ellas inspiram1 mas uma admirao de artista1 um enthusiasmo sem ternura4 ,alm disso ganha-se uma penetrao cruel para ver1 atravez de todos os artificios de casquilha1 o que vale a submisso que ellas ostentam1 a doura que affectam1 a ignorancia que fingem4 ,e prenda-se um homem nessas condies6 ,de ordinario entre trinta a trinta e cinco annos1 que o corao do homem de espirito fecha-se assim sympatia e comea a petrificar-se4 entretanto possivel que nelle tornem a apparecer os fogos da mocidade1 e que elle venha a sentir um amor to puro1 to fervente1 to ingenuo1 como nos frescos annos da adolescencia2 longe de ter perdido as perturbaes1 as aprehenses1 os transportes da alma amorosa1 sente-os elle de novo com emoo mais profunda e d-lhes um preo tanto mais elevado1 quanto elle est certo de no os ver renascer4 ,oh6 ento lastima-se o pobre insensato6 ,eil-o obrigado a ajoelhar-se aos ps de uma mulher para quem nada o merito de caminhar pouco a pouco atraz de sua sombra1 de fazer exercicio em torno aos seus vestidos1 de se extasiar diante de seus bordados1 de lisonjear os seus enfeites4 ,ai1 triste6 esses longos supplicios o revoltam1 e1 ,pygmalio desesperado1 afasta-se de ,galata1 cujo amor se no pde reanimar4 ,esses symptomas de idade so desconhecidos ao tolo1 porquanto cada dia que passa no lhe faz achar no amor um bem mais caro1 ou mais difficil a conquistar4 ,no tendo sido1 nem melhorado1 nem endurecido pelos revezes da vida1 continuando a ver as mulheres com o mesmo olhar1 exprime-lhes os seus amores com as mesmas lagrimas e os mesmos suspiros que lhes reserva para pintar os antigos tormentos4 ,e como elle s exigio sempre dellas apparencias de paixo1 vem facilmente a persuadir-se que amado4 ,longe de fugir1 persevera e--triumpha4 ,,capitulo ,,ix ,o homem de espirito o menos habil para escrever a uma mulher4 ,quando se arrisca a escrever uma carta1 sente difficuldades incriveis4 ,desprezando o vascono da galanteria1 no sabe como se hade faze entender4 ,quer ser reservado e parece frio2 quer dizer o que espera e indica receio2 confessa que nada tem para agradar1 e apanhado pela palavra4 ,commette o crime de no ser commum ou vulgar4 ,as suas cartas sahem do corao e no da cabea2 tem o estylo simples1 claro e limpido1 contendo apenas alguns detalhes tocantes4 ,mas exactamente o que faz com que ellas no sejam lidas1 nem comprehendidas4 ,so cartas decentes1 quando as pedem estupidas4 ,o tolo fortissimo em correspondencia amorosa e tem consciencia disso4 ,longe de recuar diante da remessa de uma carta1 muitas vezes por ahi que elle comea4 ,tem uma colleco de cartas promptas para todos os gros de paixo4 ,allega nellas em linguagem brusca o ardor de sua chamma2 a cada palavra repete3 meu anjo1 eu vos adoro4 ,as suas formulas so emphaticas e chatas2 nada que indique uma personalidade4 ,no faz suspeitar excentricidade ou poesia2 quanto basta2 mediocre e ridiculo1 tanto melhor4 ,effectivamente o extranho que ler as suas missivas1 nada tem a dizer2 na mocidade o pai da menina escrevia assim2 a propria menina no esperava outra cousa4 ,todos esto satisfeitos1 at os amigos4 ,que querem mais8 ,,capitulo ,x ,emfim1 o homem de espirito1 em vista do que 1 inspira s mulheres uma secreta repulsa4 ,ellas se admiram com o ver timido1 acanham-se com o ver delicado1 humilham-se com vel-o distincto4 ,por muito que elle faa para descer at ellas1 nunca consegue fazel-as perder o acanhamento2 choca-as1 incommoda-as1 e esse acanhamento1 de que elle causa1 torna frias as conversaes mais indifferentes1 afasta a familiaridade e assusta a inclinao prestes a nascer4 ,mas o tolo no atrapalha1 nem offusca as mulheres4 ,desde a primeira entrevista1 elle as anima e fraternisa-se com ellas4 ,eleva-se sem acanhamento nas conversas mais insulsas1 paira e requebra-se como ellas4 ,comprehende-as e ellas o comprehendem4 ,longe de se sentirem deslocadas na sua companhia1 ellas a procuram1 porque brilham nella4 ,podem diante delle absorver todos os assumptos e conversar sobre tudo1 innocentemente1 sem consequencia4 ,na persuaso de que elle no pensa melhor1 nem contrario a ellas1 auxiliam o triste1 quando a ida lhe falta1 suprem-lhe a indigencia4 ,como se fazem valer por elle1 justo que lhes paguem1 e por isso consentem em ouvil-o em tudo4 ,entregam-lhe assim os seus ouvidos1 que o caminho do seu corao1 e um bello dia admiram-se de ter encontrado no amigo complacente um senhor imperioso6 ,,capitulo ,,xi ,comprehende-se1 por este curto esboo1 como e quanto differem os tolos e os homens de espirito nos seus meios de seduco4 ,a concluso final 1 que os tolos triumpham1 e os homens de espirito falham1 resultado importante e deploravel1 nesta materia sobre tudo4 ,,capitulo ,,xii ,depois de ter indagado as causas da felicidade dos tolos1 e da desgraa dos homens de espirito3 perderemos tempo precioso em accusar as mulheres8 ,no hesitamos em deitar as culpas sobre os homens de espirito1 como fez o profundo ,champcenets4 ,porque no estudam os tolos1 diz-lhes este autor1 para conseguir imital-os8 ,hade custar-vos muito fazer um tal papel3 mas ha proveito sem dezar8 ,e depois1 quando assim sois a isso obrigado1 visto como no vos do outro meio de soluo1 querer subtrahir o bello sexo ao imperio dos tolos1 descortinando-lhe a perversidade do seu gosto1 cousa em que ninguem deve pensar1 uma loucura2 fra o mesmo que querer mudar a natureza1 ou contrariar a fatalidade4 ,por quanto1 ficai sabendo1 contina ,campcenets1 que as mulheres no so senhoras de si proprias2 que nellas tudo instincto ou temperamento1 e que portanto ellas no podem ser culpadas de suas preferencias4 ,s respondemos pelo que praticamos com inteno e discernimento4 ,ora1 qual dellas pde dizer que predileco a impelle1 que paixo a obriga1 que sentimento a faz ingrata1 ou que vingana lhe dicta as malignidades8 ,debalde procurareis nellas to cruel prodigio2 nenhuma cumplice do mal que cansa2 a este respeito1 o seu estouvamento attesta-lhes a candura4 ,porque vos obstinaes em pedir-lhes o que a ,providencia no lhes deu8 ,ellas se apresentam bellas1 appetitosas e cgas3 no vos basta isto8 ,querel-as com juizo1 penetrantes e sensiveis1 no conhecel-as4 ,procurai as mulheres nas mulheres1 admirai-lhes a figura elegante e flexivel1 affagai-lhes os cabellos1 beijai-lhes as mos mimosas2 mas tomai como um brinquedo o seu desdem1 aceitai os seus ultrages sem azedume1 e s suas coleras mostrai indifferena4 ,para conquistar esses entes frageis e ligeiros1 preciso atordoal-os pelo rumor dos vossos louvores1 pelo fasto do vosso vestuario1 pela publicidade das vossas homenagens4 ,,capitulo ,,xiii ,sim1 sim1 de mister ousar tudo para com as mulheres4 ,,fim