99,nota de editor399 ,devido existncia de erros tipogrficos neste texto1 foram tomadas vrias decises quanto verso final4 ,em caso de dvida1 a grafia foi mantida de acordo com o original4 ,no final deste livro encontrar a lista de erros corrigidos4 ,rita ,farinha 7,novembro #bjab7 ,,memoria ,,sobre ,o ,,melhoramento ,,da ,,cultura ,,da ,,beira ,e ,,da ,,navega,o ,,do ,,mondego ,,por ,d4 ,antonio d',almeida ,,alferes ,,do ,,exercito ,,com ,o ,,curso ,,completo ,,de ,,engenharia ,,em ,,commiss,o ,,hydrographica ,,no ,,concelho ,,de ,,montem,r ,o ,,velho4 ,dezembro de #aheg4 ,,coimbra ,,imprensa ,,da ,,universidade #aheh4 ,,memoria ,,sobre ,o ,,melhoramento ,,da ,,cultura ,,da ,,beira ,e ,,da ,,navega,o ,,do ,,mondego4 ,,memoria ,,sobre ,o ,,melhoramento ,,da ,,cultura ,,da ,,beira ,e ,,da ,,navega,o ,,do ,,mondego ,,por ,d4 ,antonio d',almeida ,,alferes ,,do ,,exercito ,,com ,o ,,curso ,,completo ,,de ,,engenharia ,,em ,,commiss,o ,,hydrographica ,,no ,,concelho ,,de ,,montem,r ,o ,,velho4 ,dezembro de #aheg4 ,,coimbra ,,imprensa ,,da ,,universidade #aheh4 ,um grande numero de rios da ,europa1 que antigamente corriam placidos entre as suas margens1 appresentam hoje um curso extremamente irregular2 as suas inundaes formidaveis causam nos valles1 que deveriam fertilisar1 desastres1 cuja repetio deu o alarme s povoaes marginaes4 ,o ,sena1 o ,loire1 o ,saone1 o ,isre1 o ,rhodano o ,durance tm assolado a ,frana 'nestes ultimos annos com inundaes cada vez maiores4 ,na ,italia o ,tibre e diversos outros rios1 pelas suas frequentes enchentes1 flagellam os valles4 ,em ,portugal o ,tejo e o ,mondego offerecem phenomenos similhantes2 se entre ns no foram estes to desastrosos como em outros paizes1 a perda das sementeiras1 das colheitas1 dos gados e dos instrumentos de lavoura1 tm sido por vezes o resultado funesto para a importante classe dos lavradores4 ,cabe pois ao ,governo1 sentinella avanada dos interesses do ,paiz1 mandar estudar e executar os trabalhos indispensaveis para remediar o mal1 aos homens da arte indagar qual deva ser o remedio applicavel com mais vantagem e menos dispendio4 ,conheo as minhas fracas foras para arrostar com to ardua tarefa1 porm desejo ser util em alguma cousa3 se errar1 sirva ao menos esta memoria de lembrar a penas mais habeis a importancia da questo1 para1 com a emenda1 fazer surgir a verdade4 ,a causa das inundaes 1 como todos sabem1 a concurrencia rapida e quasi simultanea em o leito dos rios das massas aquosas parciaes1 trazidas pelos seus affluentes quando as chuvas so copiosas ou so reforadas pelo derretimento das neves nas montanhas2 mas sendo a bacia dos rios a mesma que outr'ora1 no tendo variado as circumstancias climatericas1 por que motivo os mesmos phenomenos naturaes produzem hoje na ,europa effeitos que antigamente se no davam e no tm lugar ainda hoje na ,america1 onde a civilisao est menos adiantada8 ,a razo obvia3 porque na ,america as montanhas ainda esto cubertas de mattas virgens que demoram as aguas1 em quanto que na ,europa a populao mais densa roteou os montes para se alimentar4 ,quasi todos os autores esto concordes em attribuir a esta causa os estragos produzidos pelas aguas nos valles4 ,juliano narra que no seu tempo o ,sena corria sempre limpido com um nivel quasi constante2 hoje as suas aguas so turvas1 e o seu nivel eleva-se s vezes de #f at #h metros#a4 ,esta mudana1 diz ,m4 ,marry1 evidentemente devida cultura dos terrenos inclinados1 antigamente cobertos de mattas4 ,mais adiante1 l-se no mesmo tractado3 ,o que tem occorrido durante alguns annos successivos na bacia do ,rhodano1 prova que a roteao do ,jura e principalmente dos ,alpes teve para as bacias que recebem as suas aguas as consequencias as mais funestas4 ,voltando ao nosso ,mondego1 parece que antes de #adjj os senhorios obrigavam os rendeiros do campo a fazerem ahi pousadas e moradas1 e a morar nas terras corporalmente por si e suas pessoas4 ,no cartorio de ,s4 ,pedro em ,coimbra existe uma sentena proferida na ra de #acib pelo ,vigario da dicta cidade contra um inquilino3 no pleito foi allegado pela senhoria que era costume antigo pagarem os lavradores que morassem nas terras que as ,egrejas de ,coimbra tinham no campo o dizimo dos fructos e crianas#b ,egreja1 cujas forem as dictas terras#c4 ,ouvimos pela primeira vez fallar nas inundaes do ,mondego em uma ,carta ,regia de ,d4 ,affonso ,v1 do anno de #adfd1 que prohibe as queimadas e roteao das alturas vertentes no ,mondego4 7,lei que se no executou por iniqua47 ,mais tarde o ,marquez de ,pombal renovou esta lei com o mesmo resultado4 ,d'essa pocha em diante os clamores dos lavradores do campo subiram ao throno de todos os nossos ,monarchas sem que se achasse o remedio4 ,v-se que j em #adfd se conhecia a causa das cheias1 a mesma que hoje apontamos1 no s para o ,mondego1 mas tambem para grande numero de rios da ,europa4 ,o mar provavel banhasse em pochas anteriores ,monarquia todo aquelle valle a que chamam campos de ,coimbra4 ,santa ,eulalia ou ,santa ,olaia1 pequeno castello situado em um monte isolado ao ,oeste de ,monte-mr o ,velho1 na entrada do paul de ,fja1 tendo sido tomado aos ,mouros pelo ,conde ,d4 ,henrique1 foi doado por elle ao ,mosteiro de ,sancta ,cruz com todas as rendas1 portagens e mais direitos dos navios que entravam pela foz do ,mondego#d4 ,quatro seculos mais tarde1 ,el-rei ,d4 ,manuel mandou edificar uma ponte de pedra no paul de ,fja em lugar da de madeira que existia para obviar aos grandes fracassos que occasionavam aos povos as mars que a inundavam4 ,em #agij as mars ainda chegavam barca de ,monte-mr1 junto ao monte da ,ladroeira#e2 hoje o seu limite muito mais visinho ao ,oceano2 smente as mars grandes do equinocio do outomno fazem-se sentir at alli pelo empate da agua do rio1 que ento traz pouca4 ,no me demorarei em demonstrar que o campo levanta com os nateiros depositados pelas cheias3 ,o convento de ,santa ,clara1 enterrado at s impostas da abobada da ,egreja1 edificios que desappareceram completamente juncto a ,coimbra1 o provam de sobejo2 ora1 suppondo que os nateiros elevem o campo de um quarto de pollegada por anno1 termo medio2 de certo no serei taxado de exagerado pelos lavradores1 admittindo que o rio comeasse a transbordar desde o anno #adjj1 pois no anno #adfd j ouvimos queixas3 sero #deg annos1 o que nos d #ai palmos d'elevao desde o anno #adjj at agora2 ora1 segundo o nivelamento feito por ,estevo ,cabral em #agij1 a agua na ponte de ,coimbra estava #fc palmos a cima do preamar1 logo em #adjj achava-se smente #dd palmos acima d'este plano2 se o terreno conservou sempre a mesma inclinao relativa1 resulta que a mar em #adjj chegava a uma legoa de ,coimbra ou pouco mais1 pois elle d de declive #bb palmos #a4;a legoa4 ,infelizmente no smente o campo que levanta2 o alveo do rio eleva-se mais depressa pelos depositos d'ara trazidos da ,beira no tempo das cheias1 a ponto que chega altura dos campos1 e o ,mondego abre um novo leito2 assim tem ido correndo revelia por todo o valle nos seculos de que fallmos1 apoiando-se1 ora nos montes do norte1 ora nos do sul1 cubrindo as terras com camadas de ara3 haja vista o leito antigo ao nivel do campo1 e o novo encanamento feito em #agib1 j meio entulhado1 deixando apenas um metro d'altura entre seu alveo e o nivel do campo4 ,resumindo3 99,o valle levanta com os nateiros2 as mars retrogradam proporo2 o alveo do rio eleva-se mais depressa que o campo2 chegando altura d'este1 as aguas procuram um novo leito499 ,eis a indole invariavel do ,mondego desde seculos1 demonstrada tanto pelos documentos historicos como pela observao dos factos que tm lugar nossa vista4 ,adiante procuraremos deduzir d'ella as legitimas consequencias4 ,mas antes d'isso lancemos uma vista d'olhos sobre os inconvenientes trazidos por um regimen to irregular4 ,so de duas especies3 #a4o considerados em relao aos campos2 #b4o em referencia navegao4 ,pelo que diz respeito aos campos1 o defeito capital do rio sem dvida a sua grande elevao1 que1 como j vimos1 tende sempre a augmentar4 ,no estado actual1 um metro d'agua no rio1 os campos j esto alagados3 quando essas inundaes vm no inverno depois do recolhimento ou antes das sementeiras1 as aguas no causam mal aos campos1 antes pelo contrario os fertilizam1 o seu estrume1 nem se emprega outro2 sem ellas o campo era improductivo1 pois o seu solo formado de uma areia fina misturada de humus sem argila quasi nenhuma2 mas1 quando as cheias se apresentam em maio1 fins d'agosto ou setembro1 o mal irreparavel3 vo-se as esperanas e o suor dos lavradores2 a colheita est perdida4 ,mesmo quando as inundaes vm em tempo competente1 a grande velocidade que traz a agua despenhada das serras1 d'onde desce em torrentes1 escorregando sobre um terreno de grande declive e n1 composto de areias roladas sem aggregao quasi alguma1 leva comsigo enormes massas de ara1 que vai depositando pouco e pouco1 proporo que a sua velocidade diminue1 isso no leito do rio navegavel1 de modo que por baixo do rio temos um rio d'aras1 parte das quaes1 d'involto com as aguas1 penetram pelas quebradas1 para invadir o campo1 que cobrem de suas camadas e tornam o terreno improductivo por muito tempo2 vejam-se os campos de ,bolo1 onde as aras esterilizaram duas legoas de comprimento1 sobre um quarto de legoa de largura4 ,se ao menos o ,mondego conservasse durante uma grande parte do anno uma estiagem regular1 e um volume d'agua maior no intervallo de cada cheia1 as areias seriam conduzidas ao mar pela corrente2 mas #ae dias depois da chuva1 o rio tem mui pouca agua4 ,em quanto navegao1 raras vezes no anno essa se faz com commodidade e com a brevidade necessaria3 assim no vero1 a pouca agua que traz o rio1 ainda essa espalhada em diversos caneiros no mesmo leito1 no d profundidade sufficiente para os mais pequenos barcos poderem navegar com facilidade2 a navegao faz-se ento vara1 os barqueiros vem-se na obrigao de saltarem muitas vezes ao rio1 e mesmo escavar a areia para abrirem passagem2 os barcos levam menos de meia carga1 e gastam dois e trez dias para ir da ,figueira a ,coimbra1 quando deveriam gastar um1 mesmo na ausencia de todo o vento3 d'ahi resulta uma grande despeza de transporte para os generos que seguem esta via de communicao principal de toda a ,beira4 ,para se conhecer a importancia d'essa navegao1 direi que a ,figueira hoje o #c4o porto do ,reino2 #ab barcos cada dia 7termo medio7 transitam pelo rio com generos1 o que d annualmente #dcbj barcos1 que1 a #e carradas cada um1 transportam #bafjj carradas alm dos passageiros1 que so muitos visto que no inverno1 por falta d'estrada1 a communicao entre ,coimbra e ,figueira por terra torna-se de uma difficuldade immensa4 ,conhecida a causa do mal1 que 1 como j dissemos1 a velocidade com que as aguas da chuva descem dos montes ao rio1 cavando enormes barrocas nos flancos da serra1 arrastando comsigo as areias para deposital-as no leito do ,mondego e por cima dos campos1 ha duas especies de meios a empregar para remover o mal3 #a4o os meios preventivos2 #b4o os meios repressivos4 ,ninguem duvda1 creio1 que os primeiros sejam os mais suaves e os mais valiosos tanto em politica1 em administrao1 na guerra como nas sciencias4 ,a ,hygiene preferivel medicina1 e esta prefere quando pde a preveno represso4 ,os elementos so temiveis1 no por si1 mas pela somma immensa dos seus esforos parciaes3 pois antes do seu grande incremento que devemos combatel-os1 o que para os rios significa que devemos atacal-os na sua origem1 vr se possivel diminuir o volume das aguas que chegam simultaneamente aos valles1 demorando-as sobre o declive dos montes1 e para o ,mondego especialmente evitar a alluvio d'aras que vm entulhar o alveo4 ,os meios at hoje empregados no ,mondego foram todos repressivos1--construir maraches1 fazer encanamentos parciaes1 ora pelo norte1 ora pelo sul2 o resultado foi sempre o mesmo2 o rio melhora por algum tempo1 entulha-se de aras1 mister um novo encanamento em cada seculo#f2 ora1 proseguir em um systema de que a experiencia tem mostrado a insufficiencia1 pertinacia pelo menos1 expr-se a enterrar novos milhes no rio1 que tudo sepulta debaixo do seu leito#g4 ,em quanto as aguas descerem das serras em #bd ou #cj horas1 em quanto as aras1 despenhadas das barrocas e dos montes pela impetuosidade da torrente1 chegarem ao valle onde o declive quasi nullo e a largura muito maior1 em todo o rio e campo se ho de depositar1 inutilisando em poucos annos o melhor encanamento possivel4 ,com effeito1 qual ser o leito que possa conter uma massa d'aguas que cobre todo o valle do ,mondego no comprimento de #f legoas1 com meia legoa de largura e altura de um at #b metros8 ,se no possivel conter entre mottas esta enorme massa d'aguas1 que no conhece por margens seno os montes que bordam o campo1 se as mesmas causas produzem sempre os mesmos effeitos na ordem dos phenomenos naturaes1 devemos procurar destruir a causa1 recorrer aos meios preventivos1 por elles diminuiremos o volume das enxurradas que sahem de repente ao valle1 tornaremos o rio navegavel de vero1 conservando-lhe as aguas2 evitaremos que uma grande parte das areias desam ao rio1 tornaremos em fim o seu regimen uniforme e estavel2 ento smente deveremos tractar de um encanamento regular1 tornado muito mais facil1 mais durador e menos dispendioso4 ,estes meios so simples na sua execuo1 e por uma grande felicidade favorecem a agricultura dos montes1 ao passo que evitam a ruina do campo1 harmonizando o interesse geral com o bem dos particulares4 ,o primeiro meio applicavel a todos os terrenos d'encosta1 desaguando no ,mondego ou nos affluentes d'este3 consiste em cavar barrocas horizontaes de um metro de largura 7#d-a_/b palmos7 proximamente1 com #b-a_/b palmos de profundidade1 e #acj at #adj palmos de comprimento1 fechadas nas extremidades1 collocadas em degros por todo o declive dos montes1 com intervallo de cerca #cjj palmos entre fileira e fileira4 ,escuso dizer que encontrando-se algum obstaculo como rocha1 estrada ou valla1 interrompe-se a barroca para continuar do lado opposto4 ,este meio to simples1 que todo lavrador pde executar sem auxilio d'arte1 traz comsigo vantagens importantissimas3 com effeito1 sendo #f legoas a distancia entre ,coimbra e ,lares1 sendo meia legoa a largura media do campo entre estes dous pontos1 e sendo um metro a altura das cheias ordinarias1 segue-se que o volume d'agoa detido 'neste caso de #ib1eeg1dajmc1 se1 como diz ,estevo ,cabral1 a superficie da ,beira de #bjj legoas quadradas2 admittindo que #a_/c seja planicie1 restam #acd legoas quadradas de encostas ou serras1 em que se devem abrir barrocas2 segundo o systema que apresentamos em #ajjjm ou #ajj hectares devem abrir-se #ae barrocas de #ajjjm de comprimento cada uma1 ou #aejjjm1 que a razo de #j1mc#e por metro corrente1 contero #gejjmc d'agua2 admittindo que a legoa quadrada tenha #ca hectares1 abriremos por legoa quadrada #dfe1jjjm de barrocas as quaes daro um producto de #bcb1ejjmc1 e as #acd legoas quadradas tero em deposito #ca1aee1jjjmc d'agua2 isto 1 o tero do volume detido no campo1 o que ser sufficiente para evitar as pequenas cheias de septembro ou de maio1 que causam damno s colheitas2 alm d'isso as aguas da chuva1 obrigadas descer os degros d'esta grande escada1 mesmo depois das barrocas cheias1 chegaro mais lentamente ao rio1 dando tempo para escoar as primeiras aguas1 quebraro a sua grande velocidade1 e por consequencia no levaro to facilmente a terra vegetal e as areias2 as terras levadas depositar-se-ho 'nellas1 e facil ser ao lavrador pela limpeza das barrocas estrumar as suas proprias terras1 em quanto que hoje1 ellas vo beneficiar os proprietarios da base da montanha4 ,o deposito d'agua conservar-se-ha nas barrocas at fins d'abril1 pocha em que findam as chuvas1 e filtrando na terra conservar-lhe-ho humidade at o principio de junho1 isto 1 at ao tempo em que necessaria aos cereaes2 por este motivo as terras dos montes tornar-se-ho mais productivas1 pois todos sabem que os estrumes precisam ser dissolvidos para penetrar na planta em frma de seiva1 e todos lamentam a falta d'agua nos mezes do estio4 ,o augmento de produco compensar em dois ou trez annos a despeza da abertura1 que se reduz a #cjjj ris por hectare a razo de #bj ris o metro corrente#h1 attendendo a que os mezes d'inverno so os mais proprios para este trabalho4 ,os pequenos lavradores podem abril-as elles mesmos1 visto ser o tempo o genero que menos lhes custa a dar 'naquella estao4 ,por este meio conseguiremos egualmente augmentar o volume d'agua da estiagem1 tornando a navegao mais facil2 pois1 filtrando por entre as terras1 tarde ou cedo a agua l ir parar4 ,emfim1 evitaremos que uma parte das aras venha entulhar o alveo do rio1 o que mais para temer que a propria cheia4 ,este systema novo de irrigaes1 j praticado em ,frana em algumas partes em vista do melhoramento da cultura1 tem correspondido ao que d'elle se esperava4 ,j4 ,r4 ,pelonceau#i1 insigne engenheiro francez1 que o aconselha1 tendo presenciado a sua applicao1 assevera ser proprio a todo o genero de cereaes e legumes1 e que as proprias mattas se tornam por este meio mais productivas e viosas4 ,o segundo meio1 que propomos meditao do pblico1 a plantao d'arvoredos em todas as encostas que vertem no ,mondego ou nos seus affluentes3 a medida no nova1 j o ,marquez de ,pombal a decretou2 se tivesse sido executada1 no teriamos que lamentar os desastres que procuramos remediar4 ,com effeito1 uma montanha plantada de arvores1 e por consequencia cuberta de terra vegetal e musgos1 actua como uma esponja1 que absorve a agua de repente e no a restitue seno pingo a pingo2 uma montanha calva perde rapidamente a sua terra vegetal1 de sorte que as chuvas escorregam sobre os seus flancos1 dando origem s torrentes nos logares elevados1 e s inundaes nos valles4 ,certamente esta plantao geral das encostas no poder ser feita por meio de uma ,lei violenta1 nem to pouco de repente2 mas no posso deixar de notar que as mattas vo desapparecendo da ,beira1 que a madeira j falta1 que ella tornar-se-ha tanto mais necessaria quanto maior fr o desinvolvimento da nossa civilisao4 ,os caminhos de ferro1 as minas de ,leiria e outras1 que por ventura existam na ,provincia1 sero um dia exploradas1 augmentando consideravelmente o consumo d'este genero4 ,a exportao vai crescendo d'anno para anno1 e os estaleiros da ,figueira tomaro importancia logo que a barra seja de mais facil accesso3 tudo convida pois o lavrador previdente a semear pinhaes nos terrenos arenosos1 pouco proprios para outra cultura4 ,o ,governo possue1 assim como as ,camaras municipaes1 muitos terrenos na ,beira3 cuide em mandar plantar mattas1 abrir 'nellas barrocas horizontaes2 o seu desinvolvimento ser mais rapido1 a agricultura conhecer os seus verdadeiros interesses1 e no ser to difficil1 como se poderia suppr1 alcanar esta reforma3 ella poder exigir dez ou vinte annos para completar-se2 mas o proveito para a navegao do rio e para o campo de ,coimbra ser proporcional ao seu adiantamento4 ,em um paiz como o nosso1 em que os particulares no tm iniciativa1 mistr que o ,governo d o exemplo com experiencias bem dirigidas4 ,como terceiro meio para evitar o entulhamento do rio1 proporia collocar em todas as barrocas1 vallas ou affluentes e no proprio alveo1 nas suas partes no navegaveis1 tapagens1 feitas de estacas com ramos de salgueiros entrelaados2 estas tapagens repetidas de #ejj em #ejj metros perpendicularmente corrente1 deixariam filtrar as aguas1 detendo as aras2 e o seu custo to pequeno1 que no duvdo se venham a fazer com grande vantagem4 ,taes so as medidas1 que julgo proprias para evitar o flagello das inundaes e tornar as aguas uma fonte de riqueza para os habitantes da serra4 ,oxal que a opinio pblica favorea este meu empenho4 ,se se applicarem1 como entendo deva ser1 os tres meios conjunctamente1 os desastres iro diminuindo em proporo do adiantamento do novo systema d'agricultura1 e desapparecero quando completo na bacia do ,mondego2 tendo ento o rio maior volume medio1 arrojar para o mar grande parte das aras que o entulham4 ,o encanamento ser no s possivel1 mas facil1 observando as regras de que ninguem discrepa2 a saber3 #a4o ,as mottas devem ser eguaes nas duas margens1 pois fortificar uma d'ellas sem a outra1 attacar a propriedade do visinho#aj4 #b4o ,um encanamento um trabalho que se deve fazer simultaneamente em todo o valle1 sob pena de ver destruidos os trabalhos feitos4 #c4o ,os rios vo crescendo para a foz2 por consequencia a resistencia das mottas deve crescer em proporo conveniente jusante4 ,,fim4 99,notas399 #a ,marry1 ,cours de navegation1 pag4 #f4 #b ,criao4 #c ,o ,instituto1 ,jornal scientifico e litterario1 impresso em ,coimbra4 #d ,memorias ,montemorienses4 #e ,estevo ,cabral1 ,memoria sobre os melhoramentos do ,mondego4 #f ,encanamento feito pela margem norte em #agid4 ,encanamento novo feito em #agib1 j entulhado4 #g ,diz ,estevo ,cabral que ao p da ,gera ha pedra enterrada1 sufficiente para construir uma cidade4 #h ,um vallador a razo de #bdj ris por dia1 faz em terreno do monte #fj palmos correntes1 com a largura e profundidade que indicmos1 o que d #d ris por palmo corrente ou #ah ris por metro1 e ns calculmos #bj ris por metro corrente4 #i ,j4 ,r4 ,pelonceau1 ,note sur les dbordements des fleuves et rivires4 #aj ,a este respeito precisamos de uma boa legislao1 pois no ,mondego cada um fortifica-se como quer1 roubando o terreno do proprietario da margem opposta1 e tornando o rio cada vez mais sinuoso4 ,lista de erros corrigidos ,aqui encontram-se listados todos os erros encontrados e corrigidos3 ---------------------------------------- ----------------------- ,original ,correco ---------------------------------------- ----------------------- pg4 #ae profundidode profundidade nota #aj raspeito respeito ---------------------------------------- -----------------------