99,nota de editor399 ,devido exi/ncia de erros tipogrficos ne/e texto1 =am tomadas vrias decises quanto v]so f9al4 ,em caso de dvida1 a grafia foi mantida de acordo com o orig9al4 ,no f9al de/e livro encontr> a li/a de erros corrigidos4 ,rita ,f>9ha 7,outubro #bjaa7 ,figura ,figura ,,w5ceslau ,,de ,,moraes ,o ,,culto ,,d ,,* 7,,illu/ra,,es ,,de ,,yo%iaki7 ,figura ,,kobe ,typographia d ,kobe ,h]ald ,gravuras de ,got ,seikd #aije ,a ,vic5te ,almeida d',ea1 ,seba/io ,p]es ,rodrigues1 ,b5to ,c>queja1 i/o 1 ,tr9dade b5evol5te1 que a9da ha p\co1 de to longe1 me envi\ d5tro das folhas de um livro--z ,c>tas d ,japo1--o p]fume ineffavel da sua amizade1 (f]eo e/e outro livro1 exotico pela =ma1 exotico pelo texto1 mas no pelo s5tim5to de pr(unda gratido1 que inspir\ e/a primeira pag9a4 ,kobe1 ,junho de #aije4 ,w5ceslau de ,moraes4 ,figura ,o ,,culto ,,d ,,*4 ,falla-se d ,japo2 nem1 francam5te1 dev]a presumir-se que eu ia ref]ir-me a um paiz qualqu] occid5tal1 onde a nossa raa branca floresce4 no ,ori5te1 e em especial no ,extremo-,ori5te1 que z coisas communs da creao ou os usos e co/umes triviaes da vida so susceptiveis de m]ec] um tal requ9te de solemnidade s5tim5tal e de praxes de rito1 que con/ituam um v]dadeiro culto4 ,no espirito d europeu1 despoetizado pela *ateza dos ideas da epoca1 atribulado pelas multiplices exig5cias da vida1 p]v]tido pela febre d negocio1 no m$ram de ha muito os cultos4 ,especializ&o a obs]vao ao *1 havemos de convir que e/e artigo de comm]cio1 que de to longe nos vem1 propositadam5te adult]ado con=me o nosso go/o1 no fim de contas se resume n'uma dete/avel infuso que entr\ em moda no sport social1 simples pretexto p>a repa/os pel9tras1 p>a reunies banaes1 p>a pale/ras vs4 ,a ,asia outra coisa3 a muitos propositos imm]sa a9da em b>b>ismo1 se assim se qu] diz]2 com mil defeitos e mil erros1 que a sabia ,europa aponta a d$o e algumas vezes corrige1 qu&o pode1 com a logica dos seus conhos de tiro rapido2 o que ella retem a9da1 indiscutivelm5te1 e/a ,asia1 o c>act] ance/ral1 nada vulg>1 nada ra/eiro1 palpitante de orgulhos de raa1 apraz5do-se em sonhos e em *im]as1 ac>ici&o a l5da1 div9iz&o z coisas1 prodigaliz&o os cultos2 o que 1 em todo o caso1 uma maneira amavel1 de ir compreh5d5do a vida4 99 99 99 99 99 ,figura ,oh1 f dos velhos tempos6444 ,oh1 santos patri>*as de to v>ios paizes e to diff]5tes seitas1 t5azes campees1 que fo/es incut9do nos simples a cr5a1 a esp]ana1 o amor1--balsamos consoladores das duras mis]ias d'e/e mundo1--como eu vos amo1 a todos6444 ,meus pi$osos p5sam5tos elevam-se n'e/e mom5to a ,d>um4 ,segundo a tradio da g5te japoneza1 ,d>um1 o gr&e apo/olo indiano d buddhismo1 veio ,*9a ahi pelo comeo d seculo ,,vi da nossa era *ri/1 e em t]ras *9ezas prg\ em honra da v]dade1 illum9&o o espirito dos povos4 ,figura ,con/a que1 por volunt>ia desi/5cia das ephem]as alegrias t]reaes1 ,d>um vot\-se a pass> a vida de joelhos sobre o solo p$regoso1 absorto em contemplaes my/icas1 sem mesmo p]mittir-se o simples regalo de dormir4 ,tantos annos p]maneceu de tal maneira1 que z p]nas se lhe ga/>am1 cl>o e/2 e assim1 sem p]nas1 s com a cabea e com o tronco1 envolto n'um manto c>mezim1 que a9da hoje figurado4 ,a imagem tron\-se qu]ida e popul> entre e/a boa g5te japoneza2 mesmo um br9qu$o corriqueiro entre z mositas das creanz1--os santos e os m59os vivem sempre em boa companhia2--lembr&o o tal br9qu$o o nosso frade de sabugo1 pela teima em volt>1 por mais voltas que lhe dem1 sua po/ura habitual4 ,deve a9da sab]-se que ,d>um tem dado assumpto1 desde remotos tempos at hoje1 a p9tores da mais alta valia2 ,hokusai foi um d'elles1 p9t&o um famoso ,d>um sobre uma folha de papel de c]ca de duz5tos metros quadrados de gr&eza1 empreg&o oit5ta litros de t9ta no des5ho e s]v9do-se de c9co vass\ras laia de p9ceis2 e/5dida a tela sobre o campo1 no telhado de um templo a turba admirava a obra e applaudia o me/re4 ,mas voltmos ao que aqui mais nos int]essa1 respeitante ao v5]&o vulto que invoquei1 ajoelhado sobre z p$ras4 ,con/a mais que1 em c]ta noite1 z palpebras se lhe c]r>am de fadiga1 e o bom ,d>um deix\-se adormec]1 p>a s acord> pela manh4 ,ento1 p$9do a alguem uma tesoira ou in/rum5to p>ecido1 cort\ a si proprio z palpebras indignas e arremeou-z ao solo1 n'um ge/o de despeito444 ,z palpebras1 por milagre1 erraiz>am1 d&o nasc5a o a um gracioso arbu/o nunca vi/o1 que m$r\ mui de prompto e cujas folhas1 tratadas de infuso pela agua qu5te1 fram um rem$io precioso contra o somno e contra o cao das vigilias4 ,e/ava conhecido o *2 tem pois na ,*9a a sua origem1 e coisa santa1 como se acava de prov>4 ,cr quem qu]2 mas devo adv]tir que e/e livro foi escripto p>a os cr5tes4 ,figura 99 99 99 99 99 ,da ,*9a1 veio o * p>a z t]ras de ,nippon1 mas no se sabe qu&o4 ,figura ,velhas *ronicas m5cionam 7no diz] dos ent5didos n'e/e caso mel9droso71 que em #gbi da era ,*ri/1 durante uma fe/a religiosa de espav5to1 o imp]ador ,%omu (f]ecia * a bonzos de alta g]>*ia2 mas fica-se ignor&o se j antes s]ia conhecido444 ,p>ece que um bom abbade buddi/a1 ,d5gyo ,dai%i1 foi o primeiro que obteve a planta em solo japonez1 em #hje2 o * era ento j uma beb]agem favorita entre os bonzos *9ezes1 que d'ella se s]viam durante z vigilias prolongadas das suas praticas nocturnas4 ,mais rec5tem5te1 a9da outro1 bonzo1 ,eisei1 t5do ido ,*9a1 de l volt\1 traz5do z sem5tes preciosas1 e no monte ,sefuri1 em ,*ikuz51 cuid\ da sua sem5teira4 ,p\co depois1 a9da mais outro bonzo 7sempre os bonzos67 de nome ,mioy1 colh5do de ,eisei os v>ios segr$os de cultura1 novas sem5tes adquiriu1 e em ,toga-no-o em ,uji1 log>es vis9hos de ,kyoto1 att5tam5te se entreve em cultiv> o *2 em ,uji1 de pref]5cia1 fram os resultados excell5tes4 ,dois seculos depois1 c]ca de #adjj1 o %ogun 7g5]alissimo7 ,a%ikawa ,yo%imitsu imprimiu vigoroso impulso s plantaces de ,uji1 z quaes tanto fram prosp]&o1 m]c da riqueza d torro1 que de ento at hoje o * d'aquelle sitio tem sido celebrado como o melhor de todo o imp]io2 d'elle exclusivam5te se s]ve o ,imp]ador4 99 99 99 99 99 ,o ,japo a t]ra das camelias3 camelia japonica1 l diz o lat9orio dos botanicos4 ,figura ,qu&o1 por f9s de novembro1 comeam os frios e z geadas e p\co t>da que z neves alvejem nos dorsos das montanhas1 qu&o cessam z ultimas floresc5cias dos j>d9s1 ento que comecam o/5t&o-se z bellas flores d'e/a espl5dida familia das camelias4 ,vem primeiro z sazankas1 umas brancas1 cutras roseas1 de mimosissimas petalas frisadas2 seguem-se z camelias simples1 sangu9eas1 surd9do da rama espessa de arvores gigantes1 espalhadas pelos campos2 e aps vem z flores cuidadas1 de luxo1 v>i&o em innum]as =mas1 v>i&o em innum]os tons1 desde o branco de leite ate ao roseo quasi negro4 ,ento igualm5te desabro*a a pequ59a flr d *1 que tambem uma camelia1 subtilm5te p]fumada1 compo/a de c9co petalas9has alvas contorn&o e proteg5do o feixe aureo dos e/ames4 99 99 99 99 99 ,figura ,pass&o1 em horas de ocio1 junto dos campos de *1 dos quaes s9to praz] em ac]c>-me1 pale/ro com os aldees e apr5do noes v>ias1 respeitantes delicada planta4 ,no pode s] transplantada1 nem se multiplica por e/aca ou por enx]to1 s por sem5teira se propaga4 ,os paizes qu5tes1 como os paizes frios1 so-lhe nocivos2 prosp]a nos climas temp]ados1 nos sitios lavados de ar e luz1 vis9hos dos cursos de agua1 conv9do um ligeiro declive ao solo de cultura4 ,os arbu/os so dispo/os em r5ques p>allelos1 de norte a sul1 p>a que o sol lhes bata em *eio desde pela manh at noite2 z plantas mais cuidadas reclamam na primav]a gr&es toldos de palha1 que abriguem das geadas z t5ras folhas dos reb5tos4 ,durante o primeiro anno1 disp5sam adubos1 que depois se applicam em p]iodos frequ5tes4 ,a gu]ra aos v]mes1 aos insectos1 exige zelos incessantes4 ,no fim de quatro annos1 j o arbu/o se pre/a primeira colheita2 mas so z velhas plantas1 de cem annos1 de duz5tos annos1 z que melhor produzem4 ,figura 99 99 99 99 99 ,quem quiz] tom> conhecim5to com a planta de *1 nas melhores condios de prosp]idade e em mais bellas galas de aspecto pittoresco1 tem de ir at ,uji1 di/ante qu9ze milhas de ,kyoto2 escolh5do de pref]5cia um dos primeiros dz de maio1 qu&o os reb5tos novos comeam vicej&o1 o que m>ca o inicio da fa9a da colheita4 ,fa9a e fe/a3 a povoao inteira acorda da sua modorra prov9ciana2 desp]ta em esp]anz1 em jubilos1 em actividades incanaveis1 p>a vot>-se aos cuidados da preciosa folha2 dev] presumir-se1 em bom crit]io1 que a quadra remoante da primav]a em flores1 com aromas nas brisas e qu5turas creadoras1 con/itue tambem um =te e/imulo p>a a alegria rep5t9a que se p9ta nos ro/os de toda aquella g5te4 ,o quadro dev]as aprazivel4 ,aps uma banal e/ao de l9ha f]rea1 e/5de-se a cidades9ha g>rida1 com z suas viella muito limpas e a fila de loj9has ab>rotadas de v>ia m]cancia4 ,depois segue-se o rio1 de aguas limpidas e frescas1 rico de tradies de gloria2 galga-se a ponte em arco1 entra-se no bairro das *ayas1 dos hoteis1 em tal quadra povoados de freguezes galh(eiros e de g5tis mulh]es1 z guei%as1 que cantam ou d$ilham no insep>avel %amic52 e vem depois os campos1 va/os campos de * a succ$]em-se pelo horisonte fra1 cuidados como j>d9s1 em longos al9ham5tos de arbu/os1 copados1 arr$ondados1 lembr&o enormes mang]icos1 de delicada rama de um v]de esculro bronzeado2 no azul di/ante1 alguns famosos templos confusam5te se recortam4 ,figura ,z moz de ,uji e/ream kimonos novos p>a o caso1 arrega&o z mangas com fitas esc>lates2 am>ram em turbante em volta dos cabellos toalhas de cr azul e branca2 e assim1 esbeltas1 graciosissimas1 em ran*os de dez1 de doze companheiras1 dirigem-se ao trabalho4 ento um encanto p>a os olhos ir a g5te surpreh5del-z no afan d seu mi/]1 disp]sas pelas camp9as fra1 como borboletas2 indo de um ramo a outro ramo1 de um arbu/o a outro arbu/o1 por vezes occult&o-se entre o v]de mais d5so da folhagem4 ,os d$os roseos1 miud9hos1 a escorr]em de orvalho e multiplic&o-se em ge/os delicados1 vo colh5do os reb5tos t5ros d * e atir&o-os a gr&es ceiras dispo/as pelo *o2 z boccas vo sorr9do1 pat5te&o z enfiadas alvas dos d5t9hos2 os olhos esbrazeam em juv5is amores inconfessados2 z vozes unem-se s vozes1 em ry?mos commov5tes de velhas ces locaes3 ,figura ,qu&o nasce o sol radioso ,por cima d'aquelle oiteiro1 ,todas z aguas d rio ,p>ecem memo um brazeiro6444 ,n'e/as aguas d rio d',uji --,ta milagrosas que so6-- ,lavam-se todos os males ,de que s(fre o corao444 ,figura ,no campo1 z rap>igas4 ,nas casas1 os hom5s1 z velhas1 z creanz4 ,s] r>a a familia que no t5ha int]esses na labuta2 z gr&es fabricas con/ituem excepo1 como em todas z primitivas indu/rias japonezas2 em cada alb]gue se improvisa uma manufactura1 mode/a1 familial1 onde todos trabalham1 risonhos1 pale/r&o4 ,o * escolhido1 escaldado1 po/o a secc>1 grelhado em =nos1 enroladas z folhas ou r$uzido p1 depois empacotado1 gu>dado em latas1 em caixas1 em boies2 um mel9droso amanho que requ] mos incanaveis1 d$os pre/imosos1 cuidados inauditos1 segr$os de processo1 meticulosidades devotas que espantam os pr(anos1 nas quaes collabora a g5te toda valida d'aquelles arr$ores4 ,figura 99 99 99 99 99 ,tal a indu/ria graciosa e tal o * que os japonezes bebem4 ,vde agora como a civilizao occid5tal contra/a com os usos d'e/es asiaticos4 ,tem os japonezes1 p>a l d ,pacifico1 um gr&e consumidor d seu producto3 o ,yankee4 ,tanto mimo e tanto esm]o na apanha da folha e prep>oes que se succ$em no ba/>iam p>a o * que os am]icanos vo beb]4 ,vem de ,uji e de outros pontos1 tal como os japonezes o prep>am1 p>a z firmas e/rangeiras de ,kobe e de ,yokohama2 ento submetido a novas op]aes1 ao sabor d f9o palad> de ,nova-,york e de ,*icago4 ,no so agora z camponezas1 esbeltas e traj&o r\pas novas1 que acodem ao mi/]2 trabalham ma*9as a vopor1 fumegam *am9s e gu9*am engr5ag5s2 e occupa-se no prep>o um mundo fem99o inqualificavel1 escoria das cidades1 esf>rapado1 piolhoso1 horripilante1 que a g5te v sahir das fabricas t>de como uma leva de m5digas1 *eias de p1 de pu/ulas1 de mis]ia4 ,o fabrico d * ao go/o am]icano consi/e n'um segundo aquecim5to em gr&es =nos e na addio de v>ios productos1 como o p de uma c]ta p$ra1 soop/one1 e o azul da ,prussia4 ,assim exp$ido4 99 99 99 99 99 ,figura ,a introduco e vulg>isao d * na t]ra japoneza deveu gr&e incremanto uma indu/ria desde remotos tempos ex]cida1 mas toscam5te praticada1--a c]amica1--que havia de alcanar com o corr] dos tempos um supremo grau de p]feio como arte nacional4 ,a cons]vao da preciosa folha1 exig9do escrupulos inauditos p>a ret] o seu p]fume1 m>c\ o ponto de p>tida4 ,foi ,to%iro1 um oleiro da aldeia de ,seto1 na prov9cia de ,ow>i1 quem fabric\ os primeiros boies p>a gu>d> o *1 empreg&o processos que apr5d]a na ,*9a1 respeitantes p]feio da pa/a e dos esmaltes4 ,passava-se i/o ha sete seculos2 e curioso regi/> que seto-mono 7objecto de ,seto7 a9da hoje o nome consagrado p>a indic> qualqu] artigo de c]amica4 ,dos boies1 pass\-se gradualm5te s *av5as1 aos bules1 g5til e complicada baixella que a infuso foi reclam&o e o luxo pondo em moda2 e ora aqui e/ como a c]amica no ,japo1--faiana ou porcellana1--que att+iu requ9tes de arte primorissima1 deveu ao * e agua morna os seus melhores progressos4 99 99 99 99 99 ,qu&o comecram a tom> * os japonezes1 era e/e r$uzido a um impalpavel p e com elle se fazia a beb]agem2 depois veio o uso de empreg> z folhas1 ap5as escolhidas e passadas pelos =nos2 e e/a1 a9da hoje1 a maneira mais commum de prep>al-o4 ,figura ,no ,japo1 toda a g5te toma *1--ricos e pobres1 nobres e plebeus3--bebe-se na occasio das refeies e a toda a hora1 a pequ59os golos4 ,no l>1 qu&o entra o visitante1 (f]ecese-lhe1 aps z rev]5cias1 uma alm(ada de regalo e uma *av5a de *4 ,o m]cador1 qu&o qu] se amavel com o freguez1 s]ve-lhe antes de tudo uma *av5a de *1 pale/ra1 falla da *uva e d bom tempo2 s mais t>de se trata d negocio4 ,nos templos famosos1 em ,kyoto por exemplo1 o bonzo (f]ece * ao p]egr9o antes de lhe mo/r> z reliquias e os museus4 ,pelos cam9hos mais agre/es1 que vo s]pe&o pelas coll9as arriba1 ha ru/icos poisos espaados aqui e acol1 onde o cam9heiro descana alguns m9utos1 bebe uma *av5a de *1 troca um sorriso1 deix&o em retorno um cobre sobre a e/eira4 ,um re/aurante1 na pittoresca l+uagem japoneza1 diz-se uma *aya1--que qu] diz]--casa de *4--,de sorte que a *av5a de *1 que acompanha os bons-dias dados a quem *ega1 no con/itue simplesm5te uma norma rut9eira1 um habito banal1 torn\-se como que o symbolo da doce hospitalidade japoneza1 um rito da bonhomia d'e/a g5te1 ex]cido religiosam5te entre amigos1 entre e/ranhos tambem1 porque ao e/ranho1 que l>ga porta z s&alias1 vem ao nosso l> e nos sada1 deve-se ja um sorriso e a sua p>te de con=to4 ,figura 99 99 99 99 99 ,figura ,na casa1 nua de moveis1 porem mimosa de aceios requ9tados1 figura sempre o brazeiro sobre a e/eira1 enas brazas vae f]vilh&o a *aleira de f]ro *eia de agua2 o bon 7uma b&eja7 e/ c]ca1 cont5do o bule1 z c9co *av5as 7c9co1 porque8 talvez por s]em c9co os d$os em cada mos9ha japoneza71 os c9co pires de madeira ou de metal1 o c(re de e/anho cont5do o * em folhas e a9da o pequ59o recipi5te em porcellana *amado yuzama%i1 cuja ord9>ia s]v5tia vae muito em breve conhec]-se4 ,o s5tim5to arti/ico japonez deprava-se naturalm5te na indu/ria de hoje1 em gr&e p>te com de/9o exportao p>a a ,europa e p>a a ,am]ica2 nos ut5silios communs de uso indig5a1 onde no int]vem o mod]nismo1 que a9da reside o go/o e/hetico1 puro e inconfundivel1 da g5te japoneza1 revel&o por si o complicado conjuncto de esm]os1 de elegancias1 de *im]as1 em que a alma d'e/e povo se deleita4 ,no que respeita o s]vio de *1 inn>ravel a g5tileza de todo e/e ars5al de bagatelas1 m9usculas1 d&o a impresso de s]em de/9adas a um banquete de bonecas6444 ,figura ,a agua passa da *aleira p>a o yuzama%i1 onde arrefece1 pois preceito faz]-se o * com agua que f]veu1 mas ja no f]ve2 prep>a-se depois no bule a infuso1 que (f]ecida aos hosp$es nas pequ59as taz de f9a porcellana4 ,eis a s+ela practica e eis a mode/a (f]ta1 actos da vida intima no p\cas vizes repetidos durante cada dia1 desde pela manh at noite4 ,pod]iam julg>-se sem m]itos que valessem d e/ranho um in/ante de att5o e um comm5t>io2 mas no succ$e assim4 ,p>a a alegria dos olhos1 a simples prep>ao d * imprime um relevo delicioso graciosidade innata na musum1 na attitude que lhe mais habitual1 de joelhos sobre a e/eira1 junto d seu brazeiro4 ,a mimica impressiva1 unica2 privilegio d'aquella figur9ha meiga e ondulante e d'aquella buliosa mo1 de f9issimos contornos1 da japoneza1 que 1 em summa1 a ,eva mais g5tilm5te pu]il1 mais captivantem5te *im]ica1 mais fem99a emfim1 de todas z ,evas d'e/e mundo4 ,p>ece c]to que jamais o japonez1 que ignora o beijo1 haja poisado a bocca n'aquella mo que exhibe espl5dores de graa p>a s]vir-lhe o *2 o =a/eiro1 em intimidade s]5a1 pode ensai> o gal5teio se a phantasia o t5ta2 e ento v] talvez1 que a mosita da musum1 reconhecida ao afago1 se con*ega de encontro aos labios1 se demora1 como uma rola docil gulosa de c>9hos4 ,figura 99 99 99 99 99 ,figura ,o * japonez1 s]vido inv>iam5te sem leite e sem assuc>1 que lhe prejudic>iam o aroma1 a bebida mais suavem5te agradavel que possa (f]ec]-se ao nosso palad> 7no de todos porem1 ams um palad> s5tim5tal1 um tanto sonhador444 que n'i/o dos nossos orgos de s5tir ha temp]am5tos1 aptides affectivas c>act]i/icas44474 ,o guyokur1 por exemplo1 que o mais celebrado * de ,uji e de todo o ,japo1 in/illa taes subtilezas balsamicas de sabor1 que mais p>ece um p]fume2 pod]ia diz]-se que uma m>avilhosa al*imia conseguiu liquifaz] os aromas de flores--flores dos j>d9s1 flores silve/res1--transf]ido d olphato ao palad> a impresso d goso4 ,assim o guyokur2 cl>o e/ que z palavras no podem traduzir s5o por comp>ao z emoes s5tidas2 e e/a1 a d agradoce deliciosissimo que nos fica nos labios1 p]si/9do1 como na memoria p]si/e uma rem9isc5cia1 uma saudade1 imcomp>avel444 ,o * joponez tem a virtude de mitig> a sde4 ,assi se explica o habito dos japonezes no beb]em agua2 mesmo na =a dos calores1 em pl5o ago/o1 a *av5a de *1 saboreada a goles1 lhes d pl5o consolo4 ,aponta-se-lhe mais outros condes3 excita ligeiram5te o organismo1 combate o cao das vigilias1 pr$ispe ao bem e/>1 infiltra no c]ebro no sei que subtil embriaguez1 lucida todavia1 que nos torna mais affectivos s s5saes de agrado e mais aptos s elaboraes d p5sam5to 99 99 99 99 99 ,figura ,a maneira de prep>> a infuso d * em p e a arte de s]vil-o con/ituem a to famosa c]imonia *amada d *-no-yu4 ,foi assim que o uso d * se introduzio no ,japo1 como uma pratica liturgica dos frades buddhi/as da seita de ,daisu1 ex]cida no proposito de prolong>es z my/icas vigilhas preceituadas2 s]via ao mesmo tempo de pretexto p>a reunies intimas1 que eram1 imag9a-se1 um aprazivel des5fado prov]bial monotonia d conv5to2 s5do um meio efficaz de e/reit> laos de e/ima1 pelas confid5cias segr$adas1 pelos sorrisos beatificos que se cruzavam1 em quanto que a unica taa ia pass&o1 de mo em mo1 de bocca em bocca1 frat]nalm5te1 at a esvazi>4 ,figura ,mais t>de adopt\-se entre o povo o uso das folhas2 mas o *-no-yu p]si/iu nas bonz>ias1 propag&o-se tambem nos co/umes pr(anos1 ento com um exub]ante luxo de app>ato1 que muito apaixon\ a alta nobreza4 ,pelos dias que correm1 a9da e/ em moda1 sem di/9co de classes2 um habito g5til que fic\ dos velhos tempos e a que todos podem entreg>-se1 tido em valia pela delicadeza e/hetica d sc5>io e a9da no despido d pre/igio ortodoxo que lhe vem da remota tradio4 ,o *-d-yu1 se pode def9ir-se1 a arte de prep>> a infuso d * em p1 com esses escrupulos de limpeza1 com esses requ9tes de elegancia de que s capaz o japonez2 s5do a bebida (f]ecida a alguns amigos de eleio1 a dr$e reunidos n'um rec9to dispo/o p>a a paz d p5sam5to e p>a o agrado dos s5tidos4 ,bom diz] agora que os codigos ref]5ets a mat]ia to grave so innum]os1 div]sas z escolas2 e os gr&es pr(issionaes1 *j9 7hom5s d *71 de celebridade immor$oira1 c5t5as de volumes escrev]am sobre o assumpto4 ,figura ,tudo foi regulam5tado e comporta um preceito1 que no licito esquec]4 ,non tempos aureos d *-no-yu o pavilho que recebia os hosp$es era con/ruido n'um j>d9 e ob$ecia a uma ar*itectura inconfundivel4 ,no seu arranjo int]no1 p>a a cr das p>$es1 p>a a disposio de luz1 p>a o num]o das e/eiras1 p>a a j>ra com flores ou com um ramo de arvore1 havia praxes a seguir2 o kakemono 7quadro susp5so da p>$e7 devia repres5t> uma paizagem que fsse impression> a pupilla com c>9ho2 ou antes uma simples s5t5a escripta por um p9cel de me/re calligraphico1 pois nada commove tanto a aguda s5sibilidate d'e/a g5te como os seus c>actres de e/ranha con/ruco1 cada um equival5do j a uma syn!se de ideas e pr$ispondo1 pela s5tida contemplao--ora por uma des5voltura de trao1 ora por uma ondulao de curva1--ao vago discorr] da alma sonhadora444 ,o plano d j>d9 submettia-se a regras det]m9adas1 pelas quaes o eng5ho indig5a se revelava em graz prodigiosas1 aqui pelos contornos d lago e pelas pontes9has que o cruzavam1 alem pela escolha dos arbu/os e das p$ras1 na int5o +5ua e amorosa de impr vi/a a illuso de uma paizagem ru/ica1 r$uzida a propores m9usculas4 ,mais d que i/o3 a alma das coisas1 o que de inexplicavel e de subtil p>ece eman> de um conjuncto qualqu] onde os olhos se poisem1--tranquillidade das sombras1 arrogancia de um tronco1 t]nura das relvas444--devia resalt> sugge/ivam5te d j>d9s9ho japonez1 imprimir-lhe um c>act]1 uma philosophia1 acord&o na m5talidade dos visitantes um s5tim5to de paz1 de triumpho1 de saudade444 ,cl>o e/ que z flores de luxo1 como z rosas1 como z camelias1 como z peonias1 eram excluidas1 por improprias da int5o de quadro agre/e dada sc5a4 ,figura ra de e/ylo a monum5tal lant]na1 tal como se encontra nos templos1 de p$ra1 tanto mais valiora quanto mais esv]deada e roida de vetu/os musgos1 e espalh&o pela noite vagas cl>idades coadas pelas suas fre/as9has cob]tas de papel2 os japonezes deleitam-se em contempl>1 aps uma nevada1 z amplas cupulas em unbella d'e/as lant]nas de templos e de j>d9s1 receptaculos onde a neve poisa e se demora1 em f(os vello de =mas extravagantes1 de deslumbrante alvura4 ,um outro accessorio se encontrava1 c]ca d pavilho3 o p$ao de ro*a bruta com uma pequ5a cavidade *eia de agua1 onde os hosp$es iam lav> z mos antes de entr>em1 como em purificao liturgica4 ,at a l+uagem empregada entre os convivas ob$ecia a regras de pragmatica3 os assumptos de religio ou de politica eram banidos2 a phrase devia model>-se n'um agradavel discorr]1 sem f]ir mel9dres de n+uem4 ,a cortezia impunha-se3 preceituava-se que o hosp$e pr(]isse palavras de l\vor pelo que via1--alfaias de s]vio1 arranjo d apos5to1 horisontes em volta1--mas sem insi/5cia em demasia1 que pod]ia p>ec] p\co s9c]a ou pelo m5os importuna4 ,figura ,v>iadissimos objectos devem encontr>-se no apos5to1 como o brazeiro1 o c>vo de res]va contido n'um ce/9ho1 a *aleira1 o abano de p5nas1 o ca*imbo1 o tabaco1 o p9cel1 o papel e a escrevan9ha4 ,os artigos de/9ados p>ticul>m5te ao *1 muitas vezes contidos n'um e/ojo especial1 so os segu9tes3 a boceta com p]fumes1 que antes de tudo se lanam sobre z brazas e embalsamam o ambi5te2 a j>ra com agua fria e a compet5te colh] feita de um p$ao de bambu2 o * em p n'am c(res9ho de *>o e a colh]9ha adjunta2 duas taz1 de b>ro ou de porcellana1 uma usada no v]o1 de cr cl>a1 e outra escura1 usada no inv]no2 um curioso ut5silio feito de f9as lascas de bambu reunidas em feixe1 com que se agita na *av5a a mi/ura d * em p com a agua morna2 f9alm5te a tigela onde se lavam e o p$ao de s$a de f9issimo tecido1 com que se enxugam1 z pez empregadas4 o dono da casa quem deve prep>> o *1 solemnem5te1 presc9d9do d mais ligeiro auxilio dos criados2 elle que o (f]ece aos convidados4 ,a mo executa set5ta e c9co movim5tos1 n'um *-no-yu havido por s+elo444 e trez5tos1 qu&orequ]idas todas z =malidade ortodoxas4 ,figura 99 99 99 99 99 ,no tempo d g5]alismo d ,imp]io1 *amado ,toyotomi ,hideyo%i1 mais conhecido na hi/oria pelo gr&e ,taiko-sama1 quasi todos os g5esaes eram *aj91 i/o 1 f]v5tes apaixonados da c]emonia d *-no-yu4 ,em #aehe1 o proprio ,taiko-sama organis\ um *-no-yu colossal nas vis9hanz de ,kyoto1 a9da hoje memorado como fe/a de inigualavel espl5dor3 uma ext5so de qu9ze kilometros quadrados era occupada por innum]os kiosques1 aonde os g5]aes prep>avam o *2 todos1 nobreza e plebe1 os ricos e os m5digos1--um enxame humano6--t9ham entrada2 ,hideyo%i visit\ todos os poisos e por suas proprias mos prop>\ *1 que (f]eceo aos *efes favoritos4 ,figura ,relembr&o o passado1 ju/am5te n'um p]iodo de eff]vesc5cias gu]reiras culm9antes no ,japo1 talvez p>ea e/ranho1 talvez p>ea comico1 que esses rudes h]is de to gr&es faanhas1 os indomaveis vet]anos das gu]ras na ,*9a e na ,cora1 despissem armaduras1 tirassem os dois sabres da c9tura1 p>a virem vot> horas *im]icas a aquec] a agua sobre brazas e a prep>> o *444 ,mas o contra/e1 por si1 explica o facto3 era precisam5te essa dura exi/5cia de batalhas e de lances sangr5tos1 de inclem5cias de vida nomada1 de longo cogit> em extratagemas e em argucias1 que impunha aos hom5s dirig5tes a doce tregua d *-no-yu4 ,o convivio com os p>tid>ios e os amigos1 o desfilas d povo alegre a rev]5te1 a v]de paizagem de repoiso1 a solemnidade hypnotica dos ge/os1 tudo contribuia p>a (f]ec] um curto aprazim5to quella g5te1 que assim ia apag&o da memoria os amorgores s(fridos1 e/ret&o sympa?ias1 retemp]&o =z p>a z proximas luctas4 99 99 99 99 99 ,figura ,o *-no-yu att+iu depois1 durante a longa paz da dyna/ia %ogunal dos ,tokugawa1 uma epo*a de exagg]os fau/uosos1 de dissipaes p>adoxaes4 ,escolhiam-se z baixellas de entre objectos muitos antigos e firmados por um nome de fabricante pre/igioso1 e por isso r>issimos1 preciosissimos2 e e/ava ento em moda (f]ecel-os1 no mom5to das ruidosas desp$idas1 s bellas companheiras d fe/im1 que haviam com z suas guit>ras1 com z suas ces1 com z suas graz pr(issionaes1 enfeiti&o os hosp$es444 ,sorv]am-se =tunas n'e/e abysmo4 de ento que se conta que um amador empreg\ n'um *-no-yu ut5silios no valor de tr9ta e oito mil y5s1 o que passa de quatro mil libras e/]l9as2 um outro adquiria por tr9ta mil y5s um s boio de *6444 ,figura ,ha c]ca de tres ou quatro annos1 em um leilo de ,tokyo1 um japonez compr\ por tres mil y5s uma *av5a de *-no-yu2 prova i/o que a9da ha devotos *aj9 pres5tem5te4 ,com effeito1 se o luxo sem limites que c>act]iz\ o *-no-yu dos bons tempos feudaes desapp>eceu p>a sempre com a mudana de regim5 e com a mudana de co/umes1 cont9u\ todovia e/a elegante pratica m]ec5do uma alta e/ima4 ,hoje1 os dois sexos a ella se d$icam1 e pode affirm>-se que faz p>te da boa educao de uma m59a1 exig9do uns seis ou sete annos a sua apr5dizagem4 ,z guei%as tambem se in/ruem em tal culto2 z celebres danz primav]aes da cidade de ,kyoto1 conhecidas pela d5om9ao de ,miyako-odori1 so sempre prec$idas d *-no-yu1 em que (ficiante uma das mais g5til guei%as d log>2 e a multido acode1 com devota delig5cia1 a sabore> o p]fumado *4 99 99 99 99 99 ,figura ,no me peam agora1 a mim1 pr(ano na mat]ia e viageiro fatigado de to multiplices impresses que t5ho v9do colh5do por e/e mundo fra1 uma op9io pessoal sobre o *-no-yu4 ,e/ive uma vez1 c]to1 com dois ou tres amigos1 em uma das *ayas de mais fama da cidade de ,kobe2 e ,tama-,guiku 7o ,malmequ]-,precioso7 era a espl5dida sac]dotiza da c]imonia4 ,a impresso que d'aquella noite gu>do indef9ida1 fugidia1 como de um vago sonho que tivesse4 ,fic>am-me rem9isc5cias indecisas d luxo sombrio e h>monioso e d aceio extremo das coisas impregnadas de exotismo onde pois\ o meu olh>4 ,na meia luz d placido apos5to1 amplo e sil5cioso como um templo1 contornava-se1 di/ante1 um vulto de mulh]1 de joelhos1 envolta em s$as magnificas4 ,z att5ces fixavam-se especialm5te1 como que por attraco hypnotica1 nas suas mos f9issimas1 alvej&o no espao como se fossem de m>fim1 tom&o de e/ranhos ut5silios1 prep>&o no sei que filtro de magia1 pois&o em mimicas hi]aticas1 quaes mos de my/ica (ficiante de uma religio desconhecida4 ,por fim1 convidado a p>tilh> no sacrificio1 acceitava uma taa com * que me era (f]ecida e levava-a aos labios commovido1 com no sei que subitos escrupulos de apo/ata mal firme444 ,tama-,guiku concluira4 ,ergueu-se1 deslumbrante de graz1 de atavios1 de mage/ade4 ,o seu ro/9ho meigo illum9ava-se ento da exaltao beatifica que lhe electrizava o espirito2 dirigiu sobre ns a ard5cia negra dos seus olhos1 saud\-nos rev]5te444 rev]5te1 no porque uma imfima cortezia sequ] lhe m]ecessemos1--pobres occid5tais ign>os6--mas em e/ricta ab$i5cia aos preceitos rituaes2 e desapp>eceu da sc5a4 99 99 99 99 99 ,a proposito d'e/as divagaes respeitantes ao * e ao seu culto1 vem-me agora ao p5sam5to e a9da me compunge um dramatico episodio da exi/5cia intima japoneza1 que contado me foi ha c]ca de tres annos4 ,v\ t5t> descrevel-o4 ra no fim de maio4 ,eu a*ava-me em ,kobe4 ,um meu amigo japonez1 *aj9 apaixonado1 p>tira p>a ,uji1 onde devia assi/ir a umas co/umadas reunies votadas ao *-no-yu1 em casa de um p>5te1 cuja filha1 a g5tilissima ,o-,hana1 era eximia na arte2 entre ns ficra comb9ado que eu iria encontral-o1 passadas tres semanas1 em ,n>a1 a cujos velhos monum5tos qu]iamos vot> horas de e/udo4 ,haviam decorrido ap5as uns tres dias1 qu&o d tal sujeito recebi um bilhete1 p\co mais ou m5os n'e/es t]mos3--,pode seguir p>a ,n>a1 onde me encontr>4 ,falh\ o *-no-yu4 ,o-,hana suicid\-se4 ,pesava sobre ella uma desdita igual pobre ,hi*i da l5da444-- ,ora1 eu conhecia ,o-,hana2 e a l5da1 que por signal con/itue o !ma de uma notavel pea de !atro1 no me era de todo e/ranha4 99 99 99 99 99 ,vamos por p>tes4 ,a l5da como segue4 ,no sei ha quantos seculos e nem sei em que log>1--nem importa sabel-o1--havia em c]ta rua dois e/abelecim5tos de negocio1 dos que se *amam ,yaoya em l+ua d paiz1 onde se vemdem v>iadas provises1--fructos1 legumes1 hortaliz1 ovos1 peixe e muitas coisas mais4--,defrontavam um com o outro4 ,n'um1 habitava c]to casal com uma filha unica1 ,o-,hi*i2 n'outro1 um outro casal com um s filho1 ,ki*isa4 ,quiz a m(9a sorte que se enamorassem um d outro4 ,m(9a sorte8 ,sim1 embora1 primeira vi/a1 no seja o caso concebivel1 qu&o se saiba que ambos eram jov5s1 g5tis e animados de doces ent]necim5tos amorosos4 ,eu me explico todavia4 ,os velhos codigos nipponicos1 a9da hoje respeitados1 impem aos filhos o preceito de h]d>em o appellido de seus paes2 o filho mais velho h]da a mais o enc>go de *efe de familia1 com a adm9i/rao dos b5s e a sup]9t5d5cia no culto pi$oso devido aos p>5tes fallecidos4 por e/e processo que z g5ealogias no (f]ecem my/]ios e z familias se et]nizam1 cons]v&o religiosam5te o mesmo appellido durante seculos sem conto2 cess&o ap5as no caso excepcional de todos os desc5d5tes acab>em1 consangu9eos ou no1 pois de uso corr5te *am> ao l>1 por adopo1 filhos alheios4 ,o filho unico pode c]tam5te cas>1 e a esposa recebe o appellido d m>ido4 ,a filha unica pode igualm5te cas> e ento o esposo recebe o appellido da mulh]4 ,e/-se agora p]ceb5do como p>a ,o-,hi*i e ,ki*isa o problema se complicava em demazia1 por s]em ambos filhos unicos4 ,um meio s se apres5tava1 o de uma das familias adopt> um filho e/ranho1 sobre quem recahissem os enc>gos de uma suppo/a primog5itude4 ,mas o alvitre era quasi impraticavel1 por aquelles tempos feudaes que iam corr5do1 dep5d5do da sanco suprema d daimy1 que a neg>ia1 por s] o caso novo2 sem j cont> com o orgulho revoltado dos paes da noiva1 ou dos paes d noivo1 da familia emfim que1 p>a evit> de s] ext9cta1 tivesse de inve/ir um filho alheio nos dev]es que competem ao legitimo4 ,figura c]to que z duas familias se oppoz]am com toda a vehem5cia a taes amores1 e a casa se trans=m\ p>a ,o-,hi*i em duro enc]ro e a e/ima dos seus em aggresses cont9uas4 ,foi ento que a pobre musum1 captiva n'uma alcova1 desesp]ada1 l\ca de amores1 m$it\ em pr fogo ao seu l> de torm5tos1 na cr5a de que z *ammas lhe tr>iam a lib]dade e o ensejo de reunir-se quelle a quem vot>a todo o seu affecto4 ,err\ porem nos calculos1 como succ$e tantas vezes qu&o se tem qu9ze annos e o p5sam5to voja no mundo das *im]as3 descob]to o seu crime ap5as po/o em pratica1 foi trazida ju/ia da cidade e condemnada morte4 ,figura ,vem agora a proposito n>r> um porm5or curioso1 que de toda a trag$ia o que mais me ent]nece4 ,a mis]a seguia1 con=me o e/ylo1 pelas ruas populosas1 am>rada ao dorso de uma be/a1 p>a ignom9ia propria e p>a lico d povo2 mais t>de s]ia executada4 ,a meio da jornada expiatoria1 os seus longos cabellos soltos1 como at ento eram usados1 cahiam-lhe em desal9ho sobre a fronte1 *eios da poeira dos cam9hos1 escorr5do de suor1 fu/ig&o-lhe z faces4 ,ento1 ou porque quizesse p\p>-se a um torm5to a mais1 ou--quem sabe8--por um re/o de g>ridice dem9ia1 viram-n'a rasg> com os bellos d$os tremulos um p$ao da s$a c>mezim d =ro d ve/ido1 com quem am>r\ junto nuca1 ergu5do os braos1 esses pobres cabellos444 ,a idea p>eceu graciosa s rap>igas1 que se iam junt&o em grupos curiosos p>a obs]v>em o cortejo2 e desde ento z japonezas comearam de us> aquelle enfeite1 que p]si/e at hoje e a que *amam kikida%i--litt]alm5te3 f>rapo--em memoria de ,o-,hi*i1 a tri/e namorada de ,ki*isa444 ,figura 99 99 99 99 99 ,mas vamos depressa ao fim da hi/oria4 ,qu&o em ,n>a dep>ei com o meu amigo japonez1 o tri/e fim de ,o-,hana escl>eceu-se em breve4 ,havia em ,uji duas familias aba/adas1 ,fukumoto e ,yamagu*i1 possu9do z mais bellas culturas de * d'aquelles campos4 ,os ,fukumoto juravam que o seu * ra o melhor de todo o ,imp]io1 e os ,yamagu*i diziam d seu * a mesma coisa2 eram no fim de contas uns caturras1 pr(ess&o um sup9o orgulho d seu nome e um culto pelo mi/] a que se davam2 alem d'i/o1 ou por i/o1 p\co affeioados entre si1 confirm&o a ju/ia d'aquelle ditado portuguez1 com curso em todas z longitudes d planeta444 dos (ficiaes d mesmo (ficio4 ,o casal ,fukumoto t9ha um filha unica1 ,o-,hana2 o casal ,yamagu*i t9ha um unico filho1 ,naot>4 ,e/e era um p]feito rapazola1 amavel1 intellig5te1 segundo affirma quem o viu4 ,o-,hana era uma musum em pl5a flr da vida1 educada em todos z g5tis pr5das d seu sexo4 ,n+uem como ella despr5dia suavissimos sons d koto1 a h>pa nacional2 n5humas mos se mo/ravam to habeis de p9heiro ou de lirios floridos trazidos d j>dim2 no *-no-yu era incomp>avel4 ,figura ,figura ,eu vi ,o-,hana uma s vez1 nos p>ques de ,kyoto1 qu&o em p]egr9ao primav]al se vae contempl>1 luz da lua1 a celebre c]ejeira de ,guion1 toda ve/ida de pequ59as petalas4 ,o-,hana ra uma d'essas japonez9has embebidas de enlevo e de exotismo1 taes como vs z conheceis dos leques1 dos biombos4 ,i/o ba/a1 falta de melhor1 p>a def9ir-lhe o vulto em m9iatura1 esguio e ondulante1 cob]to de s$as preciosas2 e p>a imag9>-lhe o ro/o pallido em =ma de pevide de melo1 os olh9hos c]rados1 os f9os traos das sobrancelhas em viez1 a boqu9ha sorrid5te1 rubra1 lembr&o uma c]eja1 e o p5teado444 o p5teado colossal como uma enorme borboleta de azevi*e1 que lhe h\vesse p\sado1 de azas ab]tas1 sobre a nuca4 ,ria1 curvava-se em mesuras1 em m5eios1 agit&o no ar z descommunaes mangas d kimono2 e l ia segu9do o seu cam9ho entre um b&o de amigas1 antes ziquezague&o1 a passos miud9hos1 indcisos1 sem intuito4 ,e eu ia p5s&o que alli e/ava1 em c>ne e osso1 a companheira deliciosissima1 anjo de graz e fada de sorrisos1 p>a quem podesse (f]ec]-lhe--japonez cl>am5te1--uma cas9ha de papel em extremos de limpeza1 com duas e/eiras sobre o *o1 um bule com *1 um prato com confeitos1 uma j>ra com ramos vicejantes2 e fr5te o jad9s9ho1--bambus tufados1 azaleas em flor1 p$ras musgosas1 o pequ9ono lago1 onde peixes v]melhos nadassem pa*orr5tos e rs coaxassem em noites e/ivaes444-- ,figura ,o-,hana e ,naot> am>am-se44 ,no se sabe porque4 ,porque eram ambos jov5s1 vis9hos1 conhecidos2 e em circun/ancias semelhantes a juv5tude attrahe a juv5tude444 ,qu&o e/a incl9ao foi conhecida1 z duas familias irromp]am em no dissimulados az$umes4 ,o casam5to era impossivel4 ,se a adopo de um filho alheio podia resolv] em !oria o problema1 quem v9ha sujeit>-se ao sacrificio8 ,os ,yamagu*i8 ,os ,fukumoto8 ,mas nem uns nem outros1 com os diabos6444 ,os nomes das duas familias1 proc$5tes de uma l9hagem to remota que em vo se t5t>ia inve/ig>-lhes a origem1 gosavam em todo o ,imp]io de um pre/igo inconfundivel1 conqui/ado durante annos sem conto pela pobidade m]cantil dos seus negocios1 pela excell5cia d * da sua lavra1 pela nobre *i5tela nos ca/elos2 pod5do ap5as pr-se em duvida1 se o * dos ,yamagu*i pref]ival ao * dos ,fukumoto4 ,ora1--m]c de um capri*o de e/\vados1--inve/ir1 por uma adopo d acaso1 um e/ranho na posse de tal nome1 e ungil-o dos nobres enc>gos que competem a um futuro *efe de familia--,fukumoto ou ,yamagu*i1--nem por br9cadeira se propunha6444 ,que ,o-,hana e ,naot> se casassem1 int5dia-se2 era esse mesmo o seu dev]1 de p]petu> pela prole os nomes dos avs2 mas confiassem no bom tacto dos paes1 que sab]iam escolh]-lhes noivos d seu agrado e em condies de no virem p>turb> a paz das familias e f]ir o amor das tradies4 ,figura ,muito bem4 ,qu&o os dois namorados se conv5c]am da impossibilidade de viv]em um p>a outro1 tiv]am c]ta noite uma furtiva entrevi/a beira d ,ujigawa1 a pittoresca ribeira1 que ento s]peava em gr&e *eia de aguas1 resultado das ultimas *uvas copiosas4 ,d]am-se z mos1 p>ece2 sorriam-se um p>a o outro2 no se sabe o que segr$>am entre si1 porque n+uem e/a alli p>a os ouvir444 ,qu&o1 ao romp] d dia1 z moz de ,uji seguiam p>a a apanha d *1 em ran*os galh(eiros1 qu$>am-se de rep5te junto ao rio1 *eias d espanto1 de pavor1 v5do a boi> dois corpos detidos na m>anha dos juncos1 rigidos1 lividos1 mortos1 porem sorr9do a9da e d&o-se a9da z mos444 99 99 99 99 99 4444444444444444444444444444444444444444 44444444444444444444444444444 ,n'e/as aguas d rio d',uji1 --,to milagrosas que so6-- ,lavam-se todos os males ,de que s(fre o corao444 ,figura ,figura ,li/a de erros corrigidos ,aqui encontram-se li/ados todos os erros encontrados e corrigidos3 ---------------------------------------- -------------------- ,orig9al ,correco ---------------------------------------- -------------------- pg4 #ai d outros de outros pg4 #bc ama norma uma norma pg4 #bd ua indu/ria na indu/ria pg4 #bd a mod]nismo o mod]nismo pg4 #bf da flores de flores pg4 #cc exteuso ext5so pg4 #cc homeus hom5s pg4 #cg desappaeceu desapp>eceu pg4 #ch appelldo appellido pg4 #ci dos familias das familias pg4 #ci umo suppo/a uma suppo/a pg4 #de pela excell5cias pela excell5cia pg4 #de nobre enc>gos nobres enc>gos ---------------------------------------- --------------------