,,my/]io ,,d ,,natal ,,d ,,mesmo ,,auctor ,esphynge1 #a vol4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 #fjj ,s]to1 #a vol4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 #fjj ,agua de ,juv5ta1 #a vol4 4 4 4 4 4 #gjj ,a bico de p5na1 #a vol4 4 4 4 4 4 #gjj ,romanceiro1 #a vol4 4 4 4 4 4 4 4 4 #ejj ,j>dim das ,oliveiras1 #a vol4 4 4 4 #ejj ,fabul>io1 #a vol4 4 4 4 4 4 4 4 4 #ejj ,miragem1 romance1 #a vol4 4 4 4 4 4 #fjj ,!atro1 vol4 #a4 4 4 4 4 4 4 no prlo ,!atro1 vol4 #b44 4 4 4 4 4 4 4 4 #djj ,ouebranto 7,!atro71 vol4 #d44 4 4 #ejj ,apologos1 #a vol4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 #ejj ,no prlo1 a seguir em novas edies3 ,inv]no em flor4 4 4 4 4 4 4 4 4 #a vol4 ,o ,rei phantasma4 4 4 4 4 4 4 4 4 #a vol4 ,capital f$]al4 4 4 4 4 4 4 4 4 #a vol4 ,o morto4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 #a vol4 ,o p>aiso4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 #a vol4 ,o ,rajah de ,p5dejab4 4 4 4 4 4 4 #b vol4 ,a ,conqui/a4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 #a vol4 ,a ,torm5ta4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 #a vol4 ,o ,turbilho4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 #a vol4 ,coelho ,netto ,,coelho ,,netto ,,my/]io ,,d ,,natal ,,porto ,,livr>ia ,,*>dron ,de ,,lello ,,irm,o1 editores ,,rua ,,das ,,c>melitas1 #add ---- #aiaa ,o ,accordo assignado no ,rio de ,janeiro em #i de ,setembro de #ahhi1 entre o ,brasil e ,portugal1 assegur\ o direito de propri$ade litt]>ia e arti/ica em ambos os paizes4 ,a pres5te edio e/ devidam5te regi/ada nas ,biblio!cas nacionaes1 de ,lisboa e ,rio de ,janeiro4 ,,porto--,,impr5sa ,,mod]na 99 99 99 99 99 ,a p>tida ,era a hora sil5ciosa e tri/e d crepusculo4 ,abrumados de ouro os montes1 em duros p]fis1 esmaltavam de negro o horizonte abrazado4 ,abriam-se z primeiras e/rellas4 ,subiam da t]ra1 como o fumo das aras1 pannos alvos de nevoa4 ,pelos cam9hos esb>rondados1 em asp]o acclive1 beir&o grotas espontadas de c>dos1 cant>o ao hombro1 z tunicas arrepanhadas c9ta1 desfilavam donzellas conv]s&o e r9do4 ,juntas1 em passo miudo1 trepid&o nas p$ras1 com um *eiro de su>da e de silvas1 passavam nas trilhas ovelhas em rebanhos4 ,um rude e mazorro pa/or seguia-z cabisbaixo4 ,esbatiam-se z nuv5s de ouro qu&o ,jos e ,m>ia app>ec]am no limi> da casa promptos p>a a longa jornada1 por valles e montanhas1 em direco t]ra f>ta de ,be?leem onde iam cumprir a lei de ,augu/o4 ,fe*ada a porta a9da demor>am um in/ante sob a v9ha1 contidos pela saudade4 ,o homem1 por fim1 decidiu-se1 tom\ a fr5te1 vag>oso1 p5sativo e logo1 limp&o os olhos que z lagrimas nublavam1 a donzella seguiu4 ,elle grisalho1 alto1 robu/o1 a9da que um tanto curvado pelo p5dor con/ante em que vivia1 sempre incl9ado sobre o l5ho d (ficio1 falquej&o-o1 acepilh&o-o1 d&o-lhe frma e lu/ro4 ,ella1 mean de altura1 f9a e fragil4 ,suavem5te mor5a1 os olhos gr&es e tri/es eram dum limpido v]de d'agua1 e como dois lagos purissimos num areal1 ao sol2 e os cabellos1 escap&o-se d cairel d manto1 punham-lhe na fronte uma frisa de ouro4 ,mal se lhe adiv9hava o collo abotoado4 ,os ps1 alvos e pequ59os1 ass5tavam em s&alias e toda a sua riqueza consi/ia em um p> de braceletes de m>fim que lhe c+iam graciosam5te os pulsos f9os4 ,trilh&o a e/rada que ia t] fonte e seguia direita aos campos1 p>avam p>a fal> s moz1 companheiras e amigas de ,m>ia1 p>a correspond] saudao dos hom5s1 p>a att5d] s crianz que deixavam os seixos tom&o-lhes o passo1 p$9do que lhes tr\xessem das t]ras de alm con*as1 como z de ,ascalon1 que cons]vam no bojo o soluo das ondas4 ,e ,m>ia1 commovida1 *orava sobre o sorriso4 ,os campos toldavam-se de bruma e z oliveiras de pallida folhagem faziam no reco/o das coll9as como e/5daes de nevoa4 ,a9da havia quem trabalhasse a leira na ancia d fruto4 ,*iava um c>ro de lav\ra1 o guieiro afalava aos bois anim&o-os no lance abrupto de uma rampa4 ,*eg&o ao planalto e/]il1 que dom9ava os horizontes e onde o v5to zunia1 os viajantes fiz]am uma p>ada olh&o em r$or o r$5te dos montes4 ,l ficava ,naz>e? no valle feliz1 com o seu cas>io1 em cubos brancos1 como um pacifico rebanho adormecido4 ,ao longe tudo era c>regado e lugubre4 ,a noite *egava primeiro s alturas4 ,isolado1 com a lua pair&o acima d seu viso1 o ,?abor era como um peito de gigante de onde h\vesse espirrado aquella gotta de leite4 ,m>ia ignorava o mundo4 ,nunca h\v]a passado alm da fronteira da t]ra natal4 ,along&o os olhos pela va/ido que a vi/a alcanava1 montes1 v>zeas1 esplanados des]tos tri/es1 s5tia-se mesqu9ha e com m$o4 ,volt\-se1 a9da uma vez1 p>a olh> o tranquillo recanto em que sempre viv]a em pobreza e virtude4 ,mas a noite baixra2 r>os lumes picavam a trva4 ,ouvia-se vago murmurio1 como esca*o d'aguas1 sub9do d fundo obscuro onde jazia a cidade4 ,sahiu-lhe d corao um suspiro maguado3 --,onde fica ,be?leem8 ,jos levant\ o brao e e/5dia o cajado na direco da t]ra de ,david1 qu&o uma e/rella fulgur\1 illum9&o radiosam5te o ceu pr(undo4 --,ali6 disse o patri>*a1 numa voz que tremia1 compreh5d5do1 m>avilhado1 que aquelle a/ro surgira d5tro da noite como uma respo/a de ,deus moa pr$e/9ada4 99 99 99 99 99 ,o anjo ,a noite1 pr(undam5te escura e fria1 atravessada de v5to1 atroava o fragor de ramag5s e/ortegadas e d'aguas precipitosas que se desp5havam1 aos jorros1 pelos alg>es4 ,nas *ans a9da o transito era facil1 sem o v>ejo da v5tania que repulsava os cam9hantes1 como a imp$ir-lhes a m>*a2 mas nas g>gantas1 entre alcantis1 z lufadas1 aboc&o entrada1 esfusiavam desabridas1 uiv&o com a furia de alcatz fam9tas em ronda cva1 a f>isc> r$is4 ,todas z e/rellas haviam-se apagado1 ap5as rutilava1 enorme1 como lum>eu de vigilia em torre1 a que surgira e brilhava sobre ,be?leem4 ,os passos e/repitavam nos seixos1 e/alavam nas folhas e no ramalho secco4 ,um ramo que bolisse1 o l5to defluir de um fio d'agua por entre p$ras levantavam ruidos tem]osos4 s vezes ,jos det9ha-se1 hesitante na bifurcao de duas trilhas1 mas p\co durava a duvida porque uma das v]$as ennegrecia a9da mais1 ao passo que a outra rutilava fulgida1 como calada a diamantes1 (f]ec5do-se1 cl>a e segura1 aos p]egr9os4 ,como entrassem em s9uosa e esgalgada passagem1 murada de ro*as anfractuosas1 eriada de agaves e e*o&o como o ambito de uma cav]na1 ouviram leve1 fr\xo ruido como de esfrol> d'azas4 ,uma aguia1 talvez1 que acord>a em algum teso e de p1 att5ta1 al>g&o z azas1 ficra em attitude ho/il prompta a arremett] em defeza d n9ho4 ,o patri>*a1 acolh5do a esposa meiga1 cujas faces p>eciam de neve1 ap]t\ com =a o cajado e levant\ os olhos4 ,m>ia1 s5t9do o p]igo1 t>tamude\1 timida e tremula1 uma orao ao ,s5hor4 ,o receio de um ataque em sitio to desolado1 longe de toda habitao1 onde nem *oa de pegureiro havia1 deteve o homem4 ,os coraes batiam4 ,nella era o pavor d desconhecido1 o gr&e m$o tragico das sombras d ,s*el1 que erram1 noite1 pelos descampados2 nelle era temor por ella4 ,no falavam1 de olhos muito ab]tos1 quietos1 immoveis como os ro*$os que os emp>$avam4 ,de rep5te um cl>o fulgur\4 ,a passagem illum9\-se1 z p$ras sc9till>am e z palm\ras dos c>dos fic>am como de prata4 ,e elles viram uma gr&e luz flor da t]ra e cl>e&o z ro*as4 ,aves desp]t&o galreavam fe/ivam5te o canto da madrugada4 ,levant&o o olh> viram os dois a fonte d espl5dor4 ,era um anjo que os prec$ia1 ora trilh&o os cam9hos1 ora vo&o acima das ro*as1 p\s&o nos alc&ores qu&o o l5to e fatigado &> de ,m>ia ret>dava a m>*a4 ,a virgem sorria de enlevo e ,jos1 tolhido de commoo1 no se atrevia a enc>> o guia respl&ec5te1 cujo reflexo abria na t]ra um cl>o de lu>4 ,e z azas aflavam docem5te no sil5cio4 ,a virgem reconheceu no anjo o mancebo que a saudra com z palavras my/]iosas1 cuja promessa cumpria-se e ,jos reviu o div9o emiss>io que lhe app>ec]a em sonho1 sob a figueira d horto1 def5d5do a innoc5cia de ,m>ia1 em cujo seio1 cemo em corolla de flor1 a ,graa p]passava em g5ese imm>eavel1 fecund&o-o como o sol fecunda a leiva1 et]nam5te pura4 99 99 99 99 99 ,lyrios ,cl>eava4 ,manhan opca1 envolta em bruma que algodoava a t]ra1 fluctu&o com um l5to ondul>1 flu9do em fr\xeis alvissimos como p5nugem1 esg>&o-se1 dilu9do-se em fumo t5ue que se esvaa no ar sil5cioso4 ,a espaos frondes boiavam1 ram>ias exciduas irrompiam4 ,ouvia-se o l5tejo lacrimoso das folhas orvalhadas4 ,a t]ra dava-se av>am5te1 a tre*os curtos1 m$ida que os viajantes avanavam e o cam9ho p]corrido1 como os dias da vida1 eram logo fe*ados em branco pelos nevoeiros4 ,branco era tambem o ceu e tri/e1 pes&o sobre a t]ra1 to baixo que z nuv5s1 por vezes1 envolviam os p]egr9os4 ,pass>os piavam nas taliscas1 occultos2 vozes de gado1 long9quas1 evocativas1 annunciavam casaes4 ,m>ia tiritava4 ,a tunica pesava-lhe nos hombros1 humida1 e z faces1 rorejadas1 t+iam-se em duas rosas como se z flores1 transidas1 h\vessem procurado abrigo ao calor c>9hoso daquella mocidade pura4 ,jos di/rahia a companheira fal&o-lhe dos lug>es que iam atravess&o4 ,todos aquelles atalhos tortuosos1 aquelles c>reiros invios haviam sido1 em tempos remotos1 trilhados por patri>*as4 ,ali haviam-se travado batalhas sangu5tas2 ali alvej>a a t5da1 cresc]a1 em l\ro e/5dal1 o trigo1 retorc]a-se a v9ha1 pa/>a o arm5to1 corr]a o azeite1 fundira-se o f]ro1 brit>a-se a p$ra1 cos]a-se o b>ro sob z vi/as de ,iaveh omnipot5te4 ,por ali &>a ,elias trovej&o oraculos4 ,judi? afira o gladio lib]tador nas are/as daquellas p5has4 ,em poeira de ouro foi-se mud&o a nevoa3 era o sol4 ,j app>ecia uma nesga de azul2 arvores1 m\tas de/acavam-se3 a mortalha rasgava-se p>a a resurreio4 ,alegrem5te z aves1 em cl>as vozes1 cant>am a victoria da ,luz4 ,e ,m>ia1 cont5te1 d'olhos em extase1 esp]ava o a/ro annunciado pela fulgurao das nuv5s4 ,num recanto1 entre mirradas arvores de troncos retorcidos1 uma agua escura e quieta reluzia4 ,p$ras negras1 cob]tas de limo1 escondiam-se sob ramos ac5osos4 ,m>ia1 s5t9do a dobrez da fadiga1 os olhos pesados de somno1 s5t\-se to p]to d'agua que toda ella reflectiu-se na sup]ficie espelh5ta4 ,viu-se sem vaidade1 com a mesma innoc5cia com que se rev o pass>o e1 num mom5to1 infantilm5te1 m]gulh\1 at o punho1 z mos ambas no paul4 ,quiz ,jos repreh5del-a1 v5do-a1 porm1 sorrir1 sorriu tambem4 ,gottej&o sahiram z pequ59as mos da agua que tremia4 ,olhavam os dois os circulos que se abriam qu&o viram duas flores subirem tona1 brancas1 ab]tas em c9co petalas1 erectas em f9as ha/es1 como se o reflexo das mos da ,immaculada se h\vesse mat]ialisado em memoria da abluo ligeira4 ,eram lirios e trescalavam4 ,virtude1 brilho das almas1 que importa que desz vasa8 s imp]meavel como a luz1 purificadora como o raio de sol4 ,no p]des a limpida pureza e1 se entras no ,vicio1 fazes desabro*> a ,graa2 se afundas no ,crime1 tiras o arrep5dim5to4 ,o pantano era lobrego1 cob]to de folhas mortas e z mos de ,m>ia1 s com o aflor>em1 tanto o purific>am que delle nasceu o lirio sem macula1 symbolo =moso e c&ido da innoc5cia4 99 99 99 99 99 ,a refeio ,suave som de frauta pa/oril deu a ,m>ia o encanto de uma egloga4 ,volt\ a cabea d\rada e viu o rebanho que se aproximava em vag>oso passo4 ,trazia-o um m59o1 gui&o-o por entre z h]vas de aroma4 ,um l9do m59o1 to alvo que no desp$ia sombra1 como z neves que os raios d sol atravessam2 to l\ro que a sua cabea alumiava4 ,v9ha a frauta so&o em suaves acc5tos e attrahidas1 enlevadas na musica1 abelhas voavam em volta d pa/or9ho1 que assim apasc5tava dois rebanhos3 um pela t]ra v]de1 outro pelos ares cl>os4 ,ergueu-se ,m>ia e1 sem diz] palavra1 olh&o os ubres apojados das ovelhas1 deu a s5tir o seu desejo4 ,como devia sab] aquelle leite que era a metamorphose das flores dos silvados6 ,como devia resc5d] na boca e aquec] e f>t>6 ,cal\-se a frauta e o m59o1 fit&o os olhos meigos no casal errante1 como se de muito o conhecesse e amasse1 deteve-se1 e os animaes p>>am4 ,fic\ o rebanho unido1 to junto que no fazia mais que um vello e z abelhas1 zumb9do1 puz]am-se a esvoaar em torno dos lirios alvos4 ,jos adiant\-se e1 (f]ec5do um obulo ao m59o1 p$iu-lhe um p\co de leite4 ,sorr9do1 o pa/or9ho tom\ o t>ro que trazia ao flanco4 ,logo1 entre z ovelhas1 h\ve um movim5to ancioso4 ,balavam todas (f]ec5do z tetas ref]tas1 atropelavam-se1 saltavam qu]5do1 cada qual1 s] a escolhida e o pa/or9ho br&am5te z afa/ava4 ,foi primeira1 ord5h\-a4 ,o leite esgui*\ em fio2 outra *eg\1 depois outra e a todas elle att5dia p>a que n5huma ficasse pret]ida4 ,j a espuma f]via cresc5do em flor1 transbord&o d vaso e z ovelhas fe/ejavam-se cont5tes4 ,sorr9do1 aceit\ ,m>ia a (f]ta d zagal2 bebeu a l5tos goles1 sabore&o4 ,e foi a vez de ,jos4 ,refeito1 o patri>*a insi/iu na ddiva da mo$a1 mas o m59o neg\-se a recebel-a3 ,que era um p\co de leite8 ,qualqu] pa/or f>ia o mesmo4 ,saud\-os1 e1 pondo-se fr5te das ovelhas1 lev\ a frauta aos labios4 ,os sons vibr>am4 ,l5to e manso o rebanho proseguiu4 ,foi ento que ,m>ia viu que z abelhas1 tantas que occultavam os lirios1 deixavam z flores vo&o musica da frauta4 --,l9do pa/or6 ,l9do rebanho6 disse1 enlevada1 a ,virgem4 ,mas logo1 ref]9do-se s abelhas que fugiam1 p]gunt\ a ,jos3 ,que t]o ellas buscado nas flores d'agua8 --,o arma e o nct>1 explic\ o patri>*a4 ,*eg>am-se os dois s flores e viram1 m>avilhados1 que e/avam *eias de mel cry/all9o e l\ro como o amb> precioso e to p]fumado como se contivesse toda a ess5cia das flores4 ,tom\ ,jos um dos lirios e deu-o a ,m>ia2 a ,virgem (f]eceu-lhe o outro4 ,depois1 deliciados1 contempl>am-se felizes4 --,a frauta j no sa1 vai muito longe o pa/or1 disse ,m>ia4 --,vai muito longe6 repetiu ,jos contricto1 levant&o os olhos p>a o ceu1 como se procurasse nas nuv5s o pa/or9ho l\ro e z ovelh9has brancas4 99 99 99 99 99 ,a nuvem ,sob a irradiao d sol a t]ra secca abrazava1 exhal&o um bafio de rescaldo4 ,tri/e1 flagellada ,samria pagan6 ,os deuses d ,g>iz91 depois da de/ruio d templo1 p>eciam hav] des]tado o monte onde os hom5s subiam a retemp]> a f1 de onde manava a seiva que se infiltrava nos campos e mant9ha vivas todas z fontes1 entre ro*as humidas4 ,ermo o sagrado monte1 esquecido o santu>io antigo1 z lav\ras mirr>am e um sol mais rdego cre/\ z h]vas1 sorveu z aguas outr'ora copiosas4 ,nem z torr5tes ligeiras conseguiram1 fug9do1 escap> inclem5cia e os leitos dos corregos1 em lodo secco1 e/alavam1 f5diam-se em gretas fundas4 ,um fio d'agua ra/ejava nos lug>es que1 antigam5te1 rios l>gos alagavam4 ,das fontes re/avam ap5as z p$ras calvas sobre areias torridas onde viboras esfusiavam1 entalisc&o-se ao rumor de passos4 ,de ponto em ponto uma ci/]na funda (f]ecia ao cam9hante a sua agua salobra4 s vezes o t]eb9?o =te sombreava-a ou figueiras e mimosas =mavam-lhe em torno um bosque am5o4 ,mas os trilhos1 ar5osos e p$r5tos1 eram ap5as habitados pelo c>do que esgalhava os ramos esp9hosos1 ab]tos em f]idas1 feios1 dis=mes como aleijes4 ,no se ouvia cant> um pass>o--s o gypaeto atravessava o espao fulgurante ou gr&es aguias ho/is1 p\sadas no cabeo das p5has1 devassavam os arr$ores busc&o o que pre>4 ,m>ia (fegava segu9do o esposo4 ,a areia escaldava-lhe os ps mimosos1 o sol abrazava-lhe a cabea4 ,cam9havam como atravez de *ammas1 sem que os olhos avi/assem um colmado1 a grata ramagem duma arvore4 t]ras frteis da ,galila6 valles alfombrados e frescos de tanta belleza por onde correm num]osos ribeiros cl>os4 ,galila6 ,tudo era desolao na tri/onha ,samria e o sol d outono queimava como nos inc5didos dias e/ivaes4 ,s]ia melhor esp]>em a t>de1 proseguirem com a br&ura d crepusculo2 mas a pressa que levavam no lhes p]mittia demora4 ,jos1 mais robu/o e affeito a rigores1 resi/ia2 a ,virgem1 porm1 comeava a s5tir-se atordoada3 faltava-lhe o ar1 os olhos ardiam-lhe4 --,*ega-te sombra d meu corpo1 disse-lhe o patri>*a4 ,ella ob$eceu4 ,mas o sol zombava da mis]icordia d amor e ,m>ia cont9ha z lagrimas1 calava z dores dos delicados ps ab]tos em f]idas1 no qu]5do que o esposo s(fresse com o seu s(frim5to4 ,o sol subia1 augm5tava o calor e o animo da ,virgem desfallecia qu&o uma nuvem cresceu acima d monte ,ebal4 ,era escura como os nimbus e apressava-se como impellida por um gr&e v5to4 ,b>ulho surdo annunciava-a1 igual ao ronco soturno que prec$e z s>aivadas de v]o4 ,a t]ra ent5ebrecia passagem obumbrada da nuvem1 que v9ha direita ao cam9ho trilhado pelo casal4 ,o ruido augm5tava torn&o-se como o esca*o das catadupas4 ,detiv]am-se os dois1 pallidos1 tolhidos de espanto4 ,subito ,m>ia sorriu3 --,so pombas1 disse4 ,eram1 effectivam5te1 milh>es de pombas azues que1 muito juntas1 =mavam a nuvem escura4 ,pair>am1 fic>am adej&o sobre elles1 com rumoroso arrulho1 e o sol quebrava-se-lhes nas azas e/5didas4 ,jos baix\ os olhos1 dobr>am-se-lhe os joelhos e a ,virgem1 olh&o z aves1 no deu pelo ge/o pi$oso nem ouviu z palavras devotas com que elle1 em extase1 adorava-a4 ,ento proseguiram sombra d imm5so pallio azul e fra da nuvem viva a t]ra1 qu5te e rutila1 ardia e faiscava ao sol4 99 99 99 99 99 ,ao pr d sol ,no ceu desbotavam1 esbatiam-se z cres vivas1 o ouro e a purpura fundiam-se em violete e1 docem5te1 a melancolia vesp]al envolvia a natureza e p5etrava z almas4 ,e ,m>ia p]gunt\3 --,porque mais tri/e d que a noite o breve in/ante d pr d sol8 --,porque uma agonia1 respondeu ,jos4 ,no a morte que impressiona1 o morr]4 ,a luz que vasqueja como o corpo que e/rebu*a4 ,a noite s]5a1 tem a immobilidade d cadav]4 ,quantas sombras havia na t]ra8 tantas quantas so os s]es e z coisas que exi/em4 ,o sol1 porque a vida1 discrim9a1 d a cada um a sua autonomia p>a o bem ou p>a o mal4 ,o homem tem a sua sombra1 como a =miga2 a cordilheira escurece uma regio e o gro de areia de/aca a sua man*a4 ,a noite cond5sa na mesma sombra todo o univ]so4 ,no in/ante da agonia a alma1 como o saltador que reca p>a ganh> impulso na corrida e =m> o pulo1 regressa na rem9esc5cia record&o a vida1 desde os dias primvos at hora suprema4 ,o crepusculo1 que lembra o amanhec]1 sem a alegria1 um reco madrugada p>a o salto d5tro da noite4 --,aquelle cl>o que alveja nos montes o lu>4 ,a lua como uma lampada que o sol deixa accesa qu&o p>te4 ,como a noite l9da6 --,e purificadora4 ,o somno um m]gulho na ,et]nidade4 --,qu&o eu era pequ59a1 mal anoitecia1 punha-me a trem] de m$o e s depois de rez> conseguia adormec]4 --,porque a ,f uma cl>idade que desfaz z sombras int]iores4 ,o que no cr como o cg que &a tacte&o1 sempre arriscado a p]igos1 ba/&o resval> num talude p>a precipit>-se no abysmo4 ,a ,f como a lampada dos templos3 sempre accesa e fulgur&o4 ,o homem de f &a mais seguro na escurido d que o incrdulo ao sol4 ,o horizonte d cr5te ,deus4 --,porque bate com mais vigor o corao noite8 --,z aguas murmuram mais alto no sil5cio8 no1 a voz a mesma1 a calma que isola faz5do-a p>ec] mais =te4 ,qu&o trabalhas sombra da v9ha ouves bal> o rebanho8 no1 entanto1 noite1 so]gues-te no leito voz lam5tosa duma ovelha p]dida4 ,o corao p>ece puls> com mais impeto nas horas de recolhim5to4 ,nas cav]nas pr(undas z vozes reboam1 o e/ellicidio de uma gotta faz ruido4 essa uma das vantag5s da noite--e/abelec] o sil5cio1 a quietude nalma p>a que a consci5cia faa o seu acto de contrico4 --,e z e/rellas8 quem z acc5de no ceu8 --,aquelle mesmo que abre z flores na t]ra4 --,n+uem o v4 --,e o ,p5sam5to1 quem o v8 ,enunciado um relampago1 realisado um espl5dor2 a sua ess5cia o g5io1 que g]a a ,ordem4 ,o mundo a realisao d ,p5sam5to de ,deus2 z obras ephem]as d mundo so a consub/anciao d p5sam5to humano4 ,o homem con/re1 o arti/a2 ,deus cra1 o ,v]bo4 --,e eu8 --,tu s ,m>ia1 disse o patri>*a1 afag&o-a pat]nalm5te4 ,it]ativas1 af9adas vozes murmur>am nos ares conclu9do o diz] d ancio3 444 *eia de ,graa1 o ,s5hor comtigo4 ,bemdita s tu entre z mulh]es4 ,ella deteve-se assu/ada e int]rog\ o esposo1 tremulo3 --,que dizeis1 meu s5hor8 ,jos1 que nada ouvira1 respondeu3 --,digo que s uma creatura de ,deus1 como a flor1 como a e/rella4 ,os *acaes latiam no des]to ao doce cl>o da lua4 99 99 99 99 99 ,a t5tao ,num]osa e/ropeada de innum]os corceis atro\ o sil5cio2 tubas clangor>am e1 rep5t9am5te1 como passassem entre duas alcantiladas p5has1 que o lu> ve/ia d'alvo1 viram altos pylonos de basalto1 s>ap9tados de hy]ogliphos1 ante os quaes esphynges mon/ruosas1 deitadas sobre /elas negras1 laivadas de sangu9eo1 com os bicos dos rijos peitos incru/ados de rubis1 cravavam no ceu os olhos my/]iosos4 ,mal *eg>am entrada port5tosa logo uma luz5te gu>da de cataphractos1 com petr9as de prata1 mont&o g9etes brancos de cr9as ra/ejantes1 ha/e&o lanz que alumiavam1 =m>am duas ext5sas alas ao longo d cam9ho areado de ouro1 sobre o qual frescam5te rociava uma s]5a pulv]isao de aromas4 ,os olhos p]diam-se na viso de uma va/a cidade mirifica1 toda em m>mores e prphydos1 com enormes templos1 palacios que eram cidadellas1 j>d9s de r$ol5tes leas1 rios beirados de arvores1 com z rampas em alcatifa de flores1 rol&o alisadas aguas sobre z quaes rebrilhava1 em tremul9a1 o lu>4 ,b>cos de prz curvas1 transbord&o brocados1 cruzavam-se com musicos sob doceis de s$a4 ,nos bosques que os cysnes p]corriam1 alvos como vivos m>mores1 mulh]es1 veladas de gaze1 coroadas de rosas1 rep\savam na f9a relva ou bal\avam-se em r$\z4 ,os zimborios d\rados1 os frontes dos templos tauxiados de ouro1 z escad>ias l>gas1 de zebrados degraus de cypol9o1 sub9do a pateos de mosaico1 espl5diam4 ,surdo rumor agitava a cidade onde a multido1 em fe/a1 tumultuava numa v>i$ade de trajos multicores4 ,passavam palanques sob flabellos empunhados por gr&es negros ve/idos de saios rubros1 com franjas de prata1 adagas c9ta1 emplumados turbantes cabea4 ,plau/ros rodavam com crepitaes levant&o uma nevoa l\ra4 ,phot9as de h>pas respondiam-se de um eirado a outro e1 num obelisco de onix canellado1 molle s]p5te de escamas de ouro1 vibr&o a l+ua bifida1 enroscava-se1 em l5tas espiras1 fic&o1 s vezes1 p5d5te1 a oscill> como uma grossa liana4 ,jos olhava pasmado e ,m>ia encolhia-se timida1 contempl&o1 deslumbrada1 a cidade fulg5te4 ,no era a tri/e ,si*em nem a sombria ,j]i*4 ,que cidade s]ia aquella to rica1 de tanta vida1 isolada na tri/onha e man9ha regio da ,samria8 ,subitam5te1 com improvisa fulgurao1 abriram-se de p> em p> z portas d templo maior e um grave cortejo app>eceu no p]i/ylo e vag>oso1 solemne1 poz-se a desc] a fulgida escaleira4 ,vozes1 ao ry?mo de in/rum5tos lyturgicos1 ento>am um cantico glorioso4 ,o povo pro/r\-se na areia micante das alam$as brad&o um nome =te4 ,c]uleo cl>o refulgiu cele/ialm5te4 ,coalh>am-se os ares de aves1 armas lampej>am em m5eio h]oico e toda a turba templ>ia =m\ no atrium1 ergueu um sonoro l\vor e roj\-se de bruos1 com um t9ir arg5t9o de armillas e braceletes4 ,e um homem alto1 alado1 com dois cornos de luz purpurea ard5do-lhe entre os cabellos crespos1 surgiu no limi> de ouro e/5d5do amorosam5te os braos a ,m>ia extatica4 ,a voz com que a *am\ reproduziu-se em e*o no sil5cio my/ico2 o seu olh> ardia e1 em torno d seu corpo atorreado1 relumbrava um halo como se o emmoldurassem *ammas4 --,vem6 ,o meu amor esp]ava-te ancioso4 s a eleita de m9h'alma4 ,*ega/e no tempo em que z rosas florescem4 ,z v9has crespas do fruto1 z abelhas fazem o seu mel1 o trigo r$\ra os campos1 os lagos so auc5aes ext5sos4 ,eu puz em ordem a natureza p>a z nossas nupcias sagradas4 ,vem6 ,a t]ra em que pisas nunca recolheu cadav]es4 ,entra/e no re9o da v5tura et]na4 ,vem6 ,e e/5deu os longos braos que alumiavam como caudas d'a/ros4 ,h\ve um clamor ovante feito com o nome suave de ,m>ia e outro que ribombava e os cataphractos1 levant&o-se1 a prumo1 nos e/ribos1 cruz>am z lanz =m&o uma abobada de sc9tillaes4 ,jos olhava1 mudo e receioso1 acolh5do ao peito a timida donzella4 ,um gallo cant\ em alguma h]dade proxima4 ,in/antaneam5te1 com uma surda exploso1 toda a cidade m>avilhosa e os s]es que a animavam subv]t]am-se4 ,os ares fic>am nublados de fumo1 e/ryges *irri>am4 ,de novo reapp>ec]am os campos rasos1 ermos1 e/]eis1 calados1 ao lu> livido4 ,m>ia1 com o corao sobresaltado1 murmur\3 --,que l9do sonho1 meu s5hor4 --,no foi sonho1 ,m>ia1 torn\ sombriam5te o patri>*a4 ,vamos6 ,os lirios trescalam1 os gallos cantam2 a madrugada que vem4 ,puz]am-se a cam9ho4 ,e1 pelos ares1 contorc5do-se em furor1 uma sombra alada fugia1 enorme1 mon/ruosa1 com dois cornos que coruscavam4 99 99 99 99 99 ,o milagre das lagrimas ,a e/rada1 a duas horas de ,si*em1 pelos montes1 l>ga e suave1 com acceitosas sombras de sycomoros e de am5doeiras1 era toda orlada de anemonas v]melhas e de m>g>idas brancas e am>ellas4 ,os khans succ$iam-se sempre abrigados em hortos frondosos1 com a ci/]na ao lado ou p]to de alguma fonte1 com a alp5drada rev]decida pela v9ha1 debaixo da qual os m]cadores1 que desciam de ,tyro ou d ,libano ou subiam de ,jopp1 comiam uma febra de anho reg&o-a com o v9ho fresco de ,engaddi1 emquanto os drom$>ios soltos iam e v9ham vag>osam5te ou deitados1 rum9&o1 c]ravam os olhos no/algicos vivida fulgurao d sol4 ,casas mis]rimas1 de muros de lodo1 cob]tas de palha1 confundiam-se com a ramagem dos elo5dros1 p]diam-se nos olivaes4 ,c>avanas desfilavam--os hom5s a cavallo1 com z lanz altas1 o albornoz ao v5to2 z mulh]es em jum5tos ou em c>ros1 entre f>dos e alc(as1 agasalh&o crianz sob z pontas dos mantos4 ,por vezes um canto suave rompia da turba1 rufavam tamboris1 k9n>e?s vibravam1 frautas desf]iam e os cavalleiros alegres faziam c>acol> os g9etes1 z mulh]es punham-se de p nos c>ros olh&o z muralhas que se aprumavam ao longe1 fe*&o cidades1 cujas casas1 em cubos brancos1 semelhavam tumulos4 ,jos evitava os p\sos1 fugia aos rumorosos adu>es1 mett5do por atalhos p>a evit> a *acota da g5te nomade4 ,ju/am5te atravessavam uma trilha des]ta qu&o ouviram um *oro tri/e e d]am de ro/o com uma moa mor5a que trazia nos braos uma criana in]te4 ,ps ella uma pequ5ita1 j com abundancia de flores1 a9da v>ejava os mattos procur&o anemonas4 ,v5do-os1 a mis]a su/eve o pranto e1 fit&o em ,jos os olhos rasos d'agua1 p]gunt\3 ,se a9da di/ava muito ,endor1 onde vivia ,b>uc1 o nazir1 que conhecia a virtude das h]vas e realisava curas m>avilhosas4 ,v5d]a z suas ovelhas e levava oito cyclos de prata e um coll> de ouro comprado em ,j]usalem e1 se tanto no ba/asse1 d>-se-ia como escrava pela saude d filho4 ,jos e/5deu o brao na direco d ,levante3 --,era alm1 muito longe1 atravez da montanha1 num valle sombrio1 a horas d ,jordo4 ,m>ia1 commovida1 quiz vr o infante4 ,a mi descobriu-lhe o ro/o4 ,era l9do6 ,os cabellos rolavam-lhe em ca*os l\ros1 os olhos jaziam como dois mortos sob z cupulas tumbaes das palpebras1 com os longos cilios repont&o como a h]va que via no ab&ono4 ,a boca1 de labios c]rados1 livida1 era como o leito secco de uma torr5te que o sol exhauriu e e/al\4 ,no se movia e1 to rigido1 to frio e/ava que s a illuso d amor podia a9da empre/>-lhe vida4 ,a pequ5ita cont9uava a rebusc> anemonas cant&o4 --,ides debalde a ,endor com o vosso filho1 disse commis]ado o patri>*a1 accresc5t&o3 ,b>uc pde s>> enf]mos1 mas s ,elias resuscitava os mortos4 --,qu]eis diz] que elle e/ morto68 exclam\ a mulh] trem5do4 ,se1 a9da hontem1 embalei-o nos braos444 ,se a9da e/\ com os peitos *eios de leite1 man&o copiosam5te como z ribeiras das coll9as4 ,ai6 de mim444 ,bem que eu no qu]ia cant> a cantiga tri/onha6 ,foi o canto tri/e que o fez fugir dos meus braos4 ,ai de mim6 ,adormeci-o p>a sempre4 ,e agora8 quem t] pi$ade da m9ha solido8 ,era elle s444 ,nasceu em noite de lu>1 f9\-se em manhan de nevoa4 ,e hei-de o deix> na t]ra ju/am5te agora qu&o o inv]no *ega6 ,ai6 de mim444 ,a saudade mud> o leite dos meus peitos em lagrimas p>a os meus olhos4 ,pobre de mim6 ,coitada de mim6 ,e a moa deix\-se cahir beira d cam9ho ap]t&o nos braos o corpo d filho morto4 ,a pequ5ita cont9uava a rebusc> anemonas4 ,m>ia incl9\-se compadecida sobre o cadav] e duas lagrimas da sua pi$ade rol>am na fronte gelida d defunto4 ,logo abriram-se os olhos da criana4 ,eram azues1 cr d ceu2 r5asc]am-lhe z rosas das faces1 os brac9hos in]tes e/5d]am-se e1 l9do1 com o espl5dor da vida1 o pequ5o sorria afog&o a cabea no collo mat]no4 ,o espanto emmudec]a1 immobilis>a a moa4 ,subito1 ergueu-se com um grito d'alma1 poz-se a rasg> a tunica na pressa s(rega de amam5t> o filho4 ,os peitos salt>am tumidos4 ,o pequ5o aboc\ avidam5te e a mi1 s5t9do-o sug>1 cont5te e com lagrimas1 ajoelh\-se e1 d'olhos no ceu1 fic\ como petrificada4 ,m>ia *orava por vl-a *or> v5turosa e1 como z suas lagrimas cahissem na t]ra1 a pequ5ita no teve mos p>a colh] z flores que nasciam1 brot&o como acima d'agua borbulham1 s mil1 z bolhas de ar4 99 99 99 99 99 ,cam9h&o ,m>ia cam9hava em sil5cio1 p5s&o naquella mi que1 rep5t9am5te1 passra da maior desv5tura maior felicidade pelo pre/igio das lagrimas mis]icordiosas4 --,o pequ5ito dormia e a pobre mi t9ha-o por morto4 ,foi ba/ante que eu lhe tocasse p>a que logo abrisse os olhos4 -- que o desp]ta/e1 disse o patri>*a sem alludir ao prodigio que te/emunh>a4 ,elle ia not&o1 com discreta res]va1 todas z m>avilhas que se realisavam passagem da ,virgem3 ribeiros que su/avam o curso (f]ec5do o leito enxuto p>a a travessia2 arvores que se cobriam de flores1 c>regavam-se de frutos v]g&o g5]osam5te os galhos2 vozes que murmuravam2 veios limpidos que reb5tavam das p$ras e1 durante os curtos somnos da donzella1 no lhe passavam desp]cebidos anjos que rondavam em torno dos bosques pis&o1 de leve1 os cam9hos avelludados4 ,a mais e mais se lhe firmava nalma a c]teza de que z palavras que ouvira em sonho haviam sido pronunciadas por um m5sageiro d ceu4 ,aquella era1 em v]dade1 a eleita da ,div9a ,graa1 a ,virgem pura de ,jud1 da qual devia nasc] o ,messias das g5tes4 ,elle acompanhava-a1 no como esposo e sim como s]vo1 ador&o-a de joelhos qu&o a via adormecida4 ,ella ignorava tudo4 ,sabia ap5as que era mi porque s5tia no seio os movim5tos d ,sr ,p]feito1 no qual conc5trava todo o seu amor4 ,j lhe crescia o collo1 pes&o1 arr$ondado e turgido4 ,o amor prep>ava o alim5to p>a ,aquelle que se nutria de my/]io4 --,z mis s(frem tanto pelos filhos6444 ,o amor das mis como a rosa que cresce entre esp9hos4 ,praza aos cu que meu filho no s(fra emquanto fr pequ59o4 ,z crianz no falam1 no at9am a indic> onde lhes punge a dr1 de sorte que a g5te no sabe como z ha de allivi> qu&o s(frem4 --,z mis adiv9ham4 --,so to fracas z crianc9has que tudo p]igo em torno dellas4 ,tremo qu&o p5so no meu pequ59o filho que vai nasc]1 to franz9o e to pobre4 ,onde o agasalh>emos ns8 --,entre os nossos braos1 como os pass>os resgu>dam o n9ho entre os ramos4 --,e o frio8 --,temos o nosso calor4 --,e a fome8 --,os peitos mat]nos so dois celleiros sempre *eios4 --,haveis de amal-o1 s5hor1 e ajud>-me emquanto elle c>ec] de ns8 --,por ti1 por ,elle1 por todos1 disse ,jos enlevado4 ,*egavam a um bosque de tam>eiras1 onde havia uma ci/]na c]cada de musgo4 ,um velho cg rep\sava sombra1 ouv9do cant> uma criana que br9cava s5tada nas folhas seccas4 99 99 99 99 99 ,o cg ,o velho era de ,j]i*4 ,esp]ava naquelle retiro a passagem das c>avanas que se encam9havam a ,j]usalem e sempre recolhia uma az9havrada mo$a1 um punhado de tm>as ou um esg>ado albornoz em que se enrolava1 bemdiz5do1 com palavras humildes e agradecidas1 a g5]osidade dos hom5s1 recomm5d&o-os ao deus de ,abraho1 de ,isaac e de ,jacob e indic&o-lhes os melhores e mais seguros cam9hos pelos montes4 ,jos ajunt\ z folhas espalhadas e fez uma alfombra onde ,m>ia adormeceu rev5do1 em sonho1 a sua alegre ,naz>e?1 z moz beira da fonte1 os pa/ores nos c]ros1 hora macia da t>de1 qu&o z cotovias baixam e desapp>ecem nas se>as e z aguas das levadas cantam4 ,conv]s>am os dois velhos--,jos fal\ da sua viagem1 o cg fal\ da sua cegueira4 --,e/ava assim desde moo1 um raio ceg>a-o no campo1 sob um sycomoro4 ,j se habitu>a treva como um prisioneiro que se h\vesse aco/umado ao c>c]e4 ,um magico de ,suza (f]ec]a-se p>a cural-o4 ,p$ira cem dra*mas1 baix>a a c9co5ta2 f>ia por v9te se elle lh'z (f]ecesse4 ,t9ha a9da a sua cabana e ovelhas1 v5d5do-z reuniria a somma1 mas1 p5s&o1 resolv]a deix>-se fic> na cegueira4 ,e suspir\3 --,illude-se quem julga que1 ao volt> aos antigos lug>es1 encontr> z coisas como deix\3 z proprias p$ras modificam-se e no so v>ias como z almas4 ,qu&o me annunci>am a morte de meu filho1 p$i que me puzessem junto d cadav]1 apalpei-o1 beijei-o2 ouvi os passos dos que o lev>am a ent]r>1 mas no vi o ent]ro4 ,ouvi o e/rondo da qu$a d c$ro que cobria de sombra a m9ha eira e1 a9da hoje1 v\ s5t>-me no sitio em que elle avultava e s9to-me agasalhado pela ramagem que no exi/e e ouo a alegre voz dos pass>9hos de outr'ora4 ,z coisas =am desapp>ec5do uma a uma1 eu mesmo envelhecia1 mas a cegueira cons]va a viso d passado4 ,o sol p>\ p>a mim na mocidade como p>\ sobre os muros de ,j]i* voz d batalhador4 ,vejo d5tro de mim tudo quanto deixei3 z g5tes1 os animaes1 z arvores1 os lug>es com z suas cabanas e os seus campos floridos4 ,s\ como a ave aprisionada1 de pequ59a1 em uma gaiola1 que no olha s5o a limitada paizagem que fica em torno da sua viv5da tri/e4 ,soltai-a1 esvoaar atordoada e1 se no regress> priso1 morr] de fome p]dida nas flore/as frondosas1 se no cahir nas g>ras dos abutres4 ,o homem de ,suza qu]ia d>-me a lib]dade4 ,p>a que8 p>a eu morr] de saudosa tri/eza s5t9do o des]to em volta de mim8 ,no6 ,vivo no passado1 o meu tempo j foi4 ,no cam9ho p>a a morte1 esp]o-a1 s5tado no limi> da mocidade1 ouv9do o rumor d tempo deva/ador1 sem vr os desa/res1 sem vr z lagrimas1 sem vr os ent]ros4 ,p]di-me dos meus1 dei em uma furna e nella vivo4 ,j agora e/\ habituado sombra4 ,p>a que hei de sahir se1 l fra1 s me esp]am ossadas8 ,se o proprio ,deus me (f]ecesse a luz eu lhe p$iria a morte4 ,volt> atraz4446 ,a h]va cresce1 o v5to revolve a areia desman*&o z nossas pegadas4 ,o campo1 que conhecemos florido1 mud\-se em c>rascal2 a g5te envelheceu ou morreu4 ,s ha um meio de no cam9h> *or&o-- seguir sempre em fr5te e se eu recobrasse a vi/a t]ia de retroc$] e ceg>ia de novo com os olhos afogados em lagrimas4 ,aonde vos dirigis8 --,a ,be?leem4 --,casa d po4 ali que deve nasc] o ,annunciado4 ,casa da abundancia1 celleiro d ,s5hor1 ,be?leem da f]tilidade6 ,de l que nos ha de vir o ,messias4 ,o campo de ,booz d> o trigo que ha de f>t> z almas4 -- p>a l que vamos4 --,que z e/rellas vos sejam propicias1 como fram a ,ru?1 a moa de ,moab4 99 99 99 99 99 ,d5tro da noite ,m>ia abriu os olhos qu&o z e/rellas nasciam4 ,o cg j havia p>tido levado pelo m59o4 ,z cig>ras cantavam vesp]as4 ,jos empunh\ o cajado3 ,m>ia deix\ o leito agre/e1 e seguiram4 ,z ultimas *ammas d sol apagavam-se no occaso e a nevoa polvilhava os ares como uma c9za4 ,mon/ruosos p5hascos1 talhados a pique beira de precipicios1 avultavam tem]osam5te na sombra4 ,palmeiras debruavam-se sobre z rampas4 ,toda a vegetao contorcida1 com z raizes flor da t]ra1 ag>r&o-se n]vosam5te s are/as dos p5hascos1 p>ecia recei> aquelles desp5hadeiros de onde subia atroadoram5te um esca*o soturno d'aguas con/rangidas4 ,escurecia4 ,os montes ridos da ,juda apres5tavam-se ho/is aos p]egr9os4 ,os cam9hos1 aos torcicollos1 confundiam-se augu/os1 escavados em brocas1 eriados d'aspas calc>eas1 orlados de intonsos esp9heiros que1 s vezes1 como g>ras1 det9ham os viajantes pelas tunicas4 ,e/ryges voavam1 p\savam nos ramos1 nos p5$os com gritos lugubres4 ,jos cam9hava a passo cauteloso1 sond&o o piso com o cajado1 det5do ,m>ia1 busc&o tranquillisal-a com palavras c>9hosas4 ,mas a treva ad5sava-se a mais e mais1 os roados confundiam-se com a sombra4 ,julg&o seguir a trilha direita1 o patri>*a e/5dia a mo e s5tia a asp]eza das p5has4 -- imprud5cia insi/irmos em proseguir em tal escurido1 disse ,m>ia com m$o4 ,deus que nos retm4 ,jos deteve-se4 ,p>ec]a-lhe t] ouvido vozes1 rumor de passos1 e/alos de ramos seccos1 como se viessem outros cam9heiros4 ,escut\ att5tam5te4 ,era o v5to que agitava o folh$o e eram z aguas pr(undas que ref]viam nos alg>es4 ,mas um cl>o suave acc5deu-se no fundo espesso d arvor$o4 ,quem s]ia8 ,encolh]am-se os dois1 olhos fitos na cl>idade1 que se adiantava como a luz de um fa*o4 ,uma c5telha pass\ na escurido1 outra gyr\ nos ares1 z folhas1 os ramos das arvores fic>am incru/ados de brazas4 ,surgiram da t]ra1 salt>am das ro*as1 subiram dos desfiladeiros1 a espessido e/rell\-se e todas z fagulhas1 un9do-se1 =m>am uma rutila umbella pair&o sobre ,m>ia e ,jos como a nuvem seguiu ,israel gui&o-o lum9osam5te pelo negror das noites no des]to4 ,eram pyrilampos que voavam em ord5ada phalange alumi&o os cam9hos obscuros4 ,e os dois1 sob o relume dos insectos1 cont9u>am a viagem d5tro dum rev]b]o que s ao cl>e> d'alva desapp>eceu nos ares4 99 99 99 99 99 ,presagio ,o ceu1 d'um azul transp>5te1 ia-se1 aos p\cos1 illum9&o4 ,os montes1 em recortes rigidos1 calvos1 com a p$ra expo/a1 a reluzir de humidade1 ou eriados de hispidos mattos1 resaltavam em asp]o1 mord5te relevo1 com os cimos respl&ec5do sob uma nevoa de ouro4 ,docem5te baliam placidos rebanhos4 ,z casas abriam-se2 hom5s1 a9da e/remunhados1 v9ham s portas1 bocejavam lan&o por entre z b>bas um halito brumoso4 ,s5tia-se a vis9hana de ,j]usalem pelo maior num]o de casas1 pela abundancia de gado nos valles v]des1 recortados de veios d'aguas4 ,burricos trotavam com alc(as e ceires de frutas4 ,risos cry/all9os annunciavam crianz2 ouvia-se um e/repitante *ap9h> e1 volta de um cam9ho1 no cl>o remanso de uma ribeira1 sob a ac5osa ramagem d salgueiral1 m59os ns saltavam1 atiravam-se de m]gulho1 aos gritos alegres1 flagell&o a agua com ramos ou p5dur&o-se1 a rir1 dos galhos incl9ados4 ,nos campos1 a espaos1 alvejavam sepul*ros2 ovelhas pa/avam em torno1 pombos c]cavam-nos em revoada arrulhante4 ,por entre a palha das *oz esfiava-se o fumo azul4 ,j os mo9hos trabalhavam e junto aos imm5sos lag>es1 onde se pisava a azeitona1 reluziam1 em fumeiro1 montes de bagao oleoso4 ,m>ia1 que cam9h>a cont5te at aquellas p>ag5s1 m$ida que avanava1 s5tia ap]t>-se-lhe o corao em presagio fune/o4 ,olhava anciosa os longes dos horizontes4 ,tudo era calmo4 ,a paizagem e/5dia-se acceitosa1 cortada de muros de hortos1 toda v]de1 bem diff]5te dos desolados ermos que ella deixra4 ,todavia a tri/eza empannava-lhe os olhos1 en*ia-lhe o corao e j transbordava em lagrimas4 ,v5do-a *or>1 ,jos p]gunt\ com meiguice3 --,s5tes-te fatigada8 --,no1 meu s5hor3 volt>ia a ,naz>e? sem p>>1 se pudesse4 --,e porque *oras8 --,no sei4 ,o corao ap]ta-se-me1 um gr&e m$o invade-me1 con/range-me4 ,tremo e s9to-me gel>4 ,z proprias flores causam-me horror4 ,z anemonas p>ecem-me *agas que sangram4 ,t5ho m$o1 um gr&e m$o1 como se fosse cam9h&o p>a a morte4 ,que tumulo aquelle que app>ece alm1 to alto1 to negro1 sob o vo dos corvos8 ,jos seguiu com o olh> a direco d ge/o de ,m>ia4 --,o que vs so z muralhas de ,j]usalem1 onde *eg>emos antes d pr d sol4 --,alm das muralhas1 aquelle tumulo negro1 to tri/e1 onde agora o sol brilha4 ,uma velha1 traz5do um jum5to pela arreata1 sahiu ao cam9ho vag>osa4 ,jos saud\-a1 a velha sorriu ,m>ia ab5o&o-a e a ,virgem1 escond5do a tri/eza num sorriso1 p]gunt\-lhe3 --,que tumulo aquelle1 alm6 to alto1 d5tro dos muros da cidade8 ,os corvos rondam-no1 deve hav] mortos ali4 -- um monte1 disse a mulh]4 --,um monte6 repetiu ,m>ia surpreh5dida4 --,o ,golgo?a4 ,o outro o ,goreb4 --,o ,golgo?a6 suspir\ a ,virgem e1 depois de um sil5cio dolorido1 deix&o-se cahir sobre z h]vas1 desat\ a *or> convulsam5te4 ,a velha anim\-a1 teve palavras inuteis de consolo e al5to4 ,jos ass5t\-se-lhe ao lado e1 tom&o-lhe z mos frias1 alis&o-lhe os cabellos humidos de orvalho1 p]gunt\-lhe3 --,que t5s8 ,ella no p\de respond]4 ,levant\-se e1 resignadam5te1 de olhos baixos1 cont5do os soluos1 poz-se1 de novo1 a cam9ho1 em direco cidade branca e atorreada1 ao sol4 99 99 99 99 99 ,pi$ade ,com um rebanho que recolhia levado por um pa/or cob]to de pelles1 z p]nas enroladas at os joelhos em vello srdido1 entr>am em ,j]usalem pela porta d m]cado1 hora em que z buz9as romanas troavam nas torres4 ,jos procurava di/rahir ,m>ia mo/r&o-lhe z gr&es bellezas1 a magnific5cia da cidade2 nomeava os edificios1 alguns long9quos1 esfumados nas primeiras sombras da noite4 ,a ,virgem1 porm1 seguia calada1 sem animo de levant> os olhos1 o corao c]rado em tri/eza inv5civel4 ,g5tes div]sas cruzavam-se nas ruas3 hom5s abaanados d des]to1 com o albornoz ao v5to1 o punho esmaltado das adagas reluz9do c9ta2 ph5icios cob]tos de jias1 com enormes coll>es de contas de ouro e braceletes de m>fim2 gregos geis pass&o ligeiros entre a multido1 com a tunica colhida ao brao1 z p]nas enlaadas em tiras de c\ro4 ,mulh]es mo/ravam-se s portas das casas1 enco/adas languidam5te aos umbraes1 olh&o em extase1 com um sorriso nos labios cr de purpura4 ,a algumas viam-se-lhes os peitos pela ab]tura das tunicas2 outras1 recl9adas em leitos m>*etados1 c]ravam mollem5te z palpebras gos&o o frescor dos flabellos que escravas agitavam4 ,errava no ar d5so um *eiro =te de aromatas4 ,e/ranhas musicas soavam e1 como os alb]gues e/avam *eios1 era um bab>iso alegre sob z frescas latadas1 por entre z quaes1 em corrid9ha airosa1 moz iam e v9ham com amphoras e crat]es4 ,o pa/or fal>a-lhes em uma mode/a e/alagem em ,beze?a1 p>a o lado d =te1 onde podiam encontr> agasalho seguro4 ,a casa era dirigida por um velho de ,siloeh e t9ha1 fama pelo seu anho t5ro e pelo seu v9ho puro4 ,l a*>iam p\sada e1 como ficava longe e no recebia mulh]es1 no s]iam incommodados pelos legion>ios que1 m5or agitao1 invadiam z casas brutalm5te lev&o tudo a conto de lana4 ,era um ran*o paup]rimo1 entre sebes de esp9hos1 onde aboletavam-se me/eiraes e hom5s dos montes que traziam ao m]cado favos de mel1 res9as1 balsamos e raizes4 ,o velho acolheu-os de boa sombra1 s]viu-lhes a refeio na sala lobrega que uma c&eia alumiava4 ,ru/icos bebiam1 jogavam e fra1 junto a um monte de p$ras1 um velho resmungava rasp&o1 com voracidade1 o fundo de uma escudella4 ,era um leproso noj5tam5te abo/ellado de ulc]as4 s *ufas dos hom5s1 que lhe atiravam cascas1 bagaos de frutas1 respondia aos reg\gos1 bram9do maldies e1 como prorompesse aos b]ros1 apanh&o p$ras p>a def5d]-se1 os hom5s revolt>am-se4 ,o hosp$e tranquillis\-os e1 sah9do ao t]reiro1 poz-se a assobi>4 ,enorme co salt\ da sombra rosn&o1 o tav]neiro aul\-o contra o leproso que se encolh]a e/>recido4 ,v5do o co inve/ir1 ,m>ia cahiu de joelhos1 junt\ z mos frias e1 tremula1 d'olhos no ceu1 implor\ pelo infeliz4 ,o animal raivava1 aos saltos2 os hom5s vocif]avam incit&o-o4 ,alguns riam no ante-go/o da sc5a cruel1 mas como o leproso1 t5t&o corr]1 tropeasse rol&o na t]ra e f]9do o ro/o no p$regulho1 o co1 que o alcanara1 poz-se a ganir e1 sacud9do a cauda1 fic\ de ra/os1 lamb5do mansam5te o sangue que escorria da cicatriz d m5digo4 ,e ,m>ia1 extactica1 no via a doce mis]icordia que immobilis>a em espanto os hosp$es d alb]gue4 99 99 99 99 99 ,cantico messianico ,ao romp] d'alva qu&o1 d lado d templo1 z cegonhas p>tiam em direco ao des]to e z pombas baixavam em nuv5s sobre o m]cado cat&o o gro que transbordava das ceiras1 o patri>*a desp]t\ ,m>ia e1 ligeiros como =agidos1 deix>am a e/alagem com os votos de boa jornada d hosp$eiro4 ,z buz9as romanas resoavam na s]5idade4 ,legion>ios recolhiam cadam5te a ,makros4 ,pobres1 que haviam p]noitado ao rel5to1 e/remunhavam sobre f>rapos4 ,num pateo1 entre muros de mac]ia1 espontado de h]vas sylve/res1 mugiam bois e hom5s bradavam4 ,corvos rondavam os ares attrahidos pelo *eiro d sangue4 ,qu&o pass>am z muralhas1 sah9do no campo d oleiro1 o sol brilhava nas pa/ag5s humidas e pass>9hos cruzavam o vo cant&o na alegria d sol4 ,m>ia cam9hava d'olhos altos1 como enlevada4 ,ineffavel sorriso illum9ava-lhe o ro/o l9do1 arrepios n]vosos sacudiam-na de in/ante a in/ante4 --,l e/ ,be?leem6 disse ,jos e/5d5do o cajado na direco dos montes a9da enfaixados em nevoa4 ,m>ia empallideceu e1 d'olhos fitos nos outeiros graciosos da t]ra de ,david1 rompeu1 de rep5te1 a cant>1 sobre uma antiga melodia hebraica1 repet9do inspiradam5te z palavras que lhe sahiam d'alma3 ,espirito ,p]feito1 ancia das almas mis]as1 se s ,tu que em mim assi/es1 bemdita seja a c>ne fragil em que te enc]ra/e e de onde deves romp]1 g]m5 da ,r$empo1 em ,flor de ,mis]icordia4 ,espirito ,p]feito1 lume que de mim fize/e a ,tua lampada1 que o ,teu cl>o espalhe-se pela t]ra faz5do brot> a sem5teira nos campos e o ,amor no corao dos hom5s4 ,espirito ,p]feito1 fonte de copiosas aguas bemfazejas1 se d meu seio que vais jorr>1 bemdita seja a ,dr que me lanou na vida1 bemditas sejam z lagrimas que j por ,ti hei v]tido4 ,espirito ,p]feito1 esp]ana dos desanimados1 se eu s\ o ramo v]de que ,te hei de d>1 bemdita seja a afflico de m9h'alma na hora atorm5tada em que1 innoc5te1 me julguei culpada e1 pura1 vi a suspeita man*> a m9ha virg9dade4 ,espirito ,p]feito1 se s a ,r$empo annunciada1 bemdigo a ,tua v9da1 sem orgulho1 por me hav]es tomado por ,teu trmite e pro/ro-me ante a ,tua ,graa e exalto a ,tua ,b5efic5cia4 ,espirito ,p]feito1 ,sr dos sres1 no nado a9da1 gloria a ,ti e ,tua origem cele/ial4 ,virgem1 d>-te-ei ao mundo4 ,eu s\ como o olh> que se no macula por transmittir ao corpo a viso4 ,por mim entras no mundo como o sol1 e tudo que elle alumia1 entra1 pelo olh>1 no c]ebro4 ,eu s\ a pupilla que communica ao ,univ]so a ,cl>idade ,magnifica4 ,espirito ,p]feito1 l\vado sejas sempre pela ,tua ,virtude e pela ,tua ,excell5cia4 ,sahes da c>ne mortal sem traz]es peccados3 passas por ella como uma imagem que se reflecte nagua4 ,espirito ,p]feito1 ,graa de ,israel1 ,esp]ana das ,g5tes1 ,messias444 ,meu corao alegra-se s5t9do-,te e o meu corao o captivo que almeja a lib]dade4 ,eu s\ a ,fraqueza humilde *amada ,mulh]4 ,s\ a escrava que g]a o seu ,lib]tador1 a ,sombra de onde sahe a ,luz1 o ,peccado que floresce em ,p]do444 ,jos ouvia-a com os olhos rasos d'agua4 ,z cotovias cantavam na altura lum9osa4 ,longe1 sob a fulgurao d sol1 respl&eciam os muros de ,be?leem1 entre outeiros4 99 99 99 99 99 ,o campo de ,booz hora clida1 abafada em que z folhas dormem e z ribeiras murmuram de leve1 vag>osas1 remans&o-se sob z quietas sombras1 e toda aza encolhe-se entre os ramos mais d5sos1 e todo reptil encova-se na t]ra mais humida1 d]am os dois num campo de f>ta se>a onde alumiavam foices e moz juntavam gavellas1 cant&o1 emquanto os hom5s ceifavam assu/&o z cotovias que t9ham os seus n9hos r5tes d *o1 na raiz d trigal4 ,m>ia1 com o manto sobre a cabea1 enlevada naquella messe de ouro e na alegria ruidosa d trabalho1 ouvia z vozes que se cruzavam sub9do dos trigos altos1 onde os se>eiros desapp>eciam1 como se fsse o proprio campo que cantasse o l\vor d sol4 ,ia to entretida que no viu ,jos adiant>-se1 direito a uma palhoa onde um velho jazia1 s5tado ante um monte de v]gas1 tec5do um alc(e e cant&o4 ,aligeir\ os passos e alcanou o esposo ju/am5te qu&o elle saudava o ancio4 --,dizei-me a quem p]t5ce e/e campo to rico e *eio de tanta alegria8 --,a ,ob$1 segundo de/e nome1 desc5d5te de ,booz1 o semeador4 --,foi1 ento1 ne/a t]ra que a moabita a*\ agasalho junto d homem bom1 que a am\8 --,sim1 foi aqui4 ,e/a a leira de ,ephracta1 a mais f]til entre z mais abundantes e g5]osas4 ,e/e campo foi o leito nupcial onde se g]\ a raa robu/a dos reis de ,israel4 ,aqui nasceu ,david1 tronco =te1 e/irpe augu/a de que ha de sahir a ,imm>cessivel ,flor annunciada1 cujo p]fume en*] z almas de ineffavel v5tura4 ,e/e o celleiro de ,iaveh4 ,e vs1 v9des de longe8 --,de ,naz>e?1 na ,galila4 --,e ides8 --,a ,be?leem4 ,urge que l *eguemos antes d pr d sol4 --,t5des tempo4 ,s5tai-vos um mom5to1 a hora da refeio4 ,o que t5ho d p>a rep>tir comvosco4 ,a vossa companheira1 esposa ou filha1 vem fatigada2 que descance um in/ante sombra1 gos&o a se/a4 ,entr>eis na cidade com a fresca da t>de4 ,aceit>am os p]egr9os o convite hospitaleiro3 s5t>am-se e com]am d po molhado em mel e beb]am pelo mesmo t>ro o leite *eiroso4 ,fic>am os dois velhos conv]s&o e ,m>ia1 enco/&o-se aos feixes de trigo1 cobriu o ro/o com o manto e adormeceu4 ,z moz cantavam na eira levant&o m$as de ouro e1 sob o sol escaldante1 no alto ceu azul1 z cotovias voavam e os seus gritos abr&avam-se na di/ancia1 esmoreciam p]didam5te4 99 99 99 99 99 ,na e/rada de ,be?leem ,frio e pallido1 esfumado em brumas1 o crepusculo baixava na tri/eza da t>de sil5ciosa4 ,no remonte dos c]ros p$regosos1 hirtas palmeiras immoveis p>eciam gravadas1 em negro1 no fundo d\rado d occaso4 ,aves esvoaavam caladas4 ,docem5te1 com um tremulo murmurio1 fluiam pelos canaes de rega z aguas levadias1 e z vozes soturnas dos bois soltos1 err&o1 de vag>1 no campo re/olhado1 soavam como gemidos4 ,os p]egr9os seguiam uma v]$a suave1 entre debruns de anemonas4 ,m>ia p>ava de in/ante a in/ante1 arf&o4 ,amollecida1 alquebrada1 olhava com desanimo os outeiros a9da long9quos e suspirava1 sem atrev]-se a diz] ao esposo o seu cao4 ,jos1 porm1 not\-lhe a l5tido dos passos e1 amp>&o-a1 anim\-a c>9hoso3 --,e/amos a *eg>4 ,l app>ecem z casas de ,be?leem2 z luzes brilham por entre z arvores4 ,mais um mom5to e t]emos rep\so em alguma e/alagem4 ,ella p>\1 fic\ a olh> o ceu nublado como a implor> al5to p>a *eg> ao t]mo da viagem4 -- um peso que me curva1 murmur\ em voz sumida4 ,s9to-me to fraca que no sei se pod]ei acompanh>-vos at z coll9as de alm4 ,toda eu esmoreo4 ,o meu desejo deix>-me fic> no cam9ho1 deitada nas h]vas1 e dormir um somno gr&e4 ,nunca me pes\ tanto o corpo1 o proprio espirito pesa-me1 to c>regado e/ de m$o e de cuidados sombrios4 ,que s] de mim e d',elle ao nasc] em to desabrigados lug>es1 longe de tudo1 friagem da noite1 com e/e v5to que retalha z c>nes como um f]ro mortal8 ,o *i> de um c>ro lev\-lhes a att5o p>a o cam9ho des]to4 ,uma voz cantava na tri/eza da t>de moribunda3 ,h]vas d campo florido1 ,que aroma6 ,que trescal>6 ,bem se v que o seu ve/ido ,&\ por vs a roar4 ,outeiro em flor1 o teu vello1 ,v]de e f9o1 ao meu ciume ,confessa que o seu cabello ,deix\ nelle o seu p]fume4 ,o c>ro app>eceu acogulado de trigo1 r9*&o1 ao passo moroso dos bois que traziam os cornos floridos de acacias4 ,jos dirigiu-se ao c>reiro1 robu/o moo1 e p$iu-lhe passagem p>a ,m>ia1 mo/r&o-a1 pro/rada e languida1 entre o rosman9ho *eiroso4 ,o moo acc$eu e os dois ajud>am a ,virgem a subir1 fiz]am-lhe lug> macio sobre z paveias l\ras e os bois arranc>am4 ,e cam9h&o1 ,jos ia enlevado na esposa e o c>reiro1 d'aguilhada ao hombro1 olhos fitos no ceu1 insi/ia na egloga3 ,h]vas d campo florido1 ,que aroma6 ,que trescal> ,bem se v que o seu ve/ido ,&\ por vs a roar4 99 99 99 99 99 ,na cav]na ,diante de uma trilha que se p]dia no arvor$o deteve-se o c>reiro e disse3 --,aqui me despeo1 e/e o meu rumo4 ,a e/rada em que e/ais1 direita e facil1 guia-vos a ,be?leem4 ,seja o ,s5hor comvosco4 ,sem es=o ,jos tom\ a ,virgem nos braos1 p\s\-a na t]ra1 agradec5do ao moo a g5tileza de a hav] recebido no seu c>ro4 ,e elle1 galantem5te1 respondeu3 --,tr\xe a flor viva no trigal ceifado1 e1 com to geitosa respo/a1 desp$iu-se e foi-se1 aguilhada ao hombro1 de vag>1 fr5te dos bois1 cant&o1 em voz apaixonada1 os l\vores d seu amor mimoso4 ,os dois cam9h>am alguns passos1 ,m>ia amp>ada ao esposo1 l5ta1 tolhida de s(frim5to2 mas no p\de ir alm da cav]na e deteve-se4 ,o asp]o int]ior d antro t+ia-se de laivos rubros1 ao tremulo flammej> d'uma fogueira junto qual um velho pa/or1 z mos e/5didas ao lume1 cant>olava baix9ho4 ,ovelhas ondulavam na sombra4 ,logo entrada1 na anfractuosidade da ro*a1 havia uma mang$\ra4 ,um jum5to dormitava e1 junto delle1 rum9&o1 jazia deitada uma vacca com o seu novilho4 ,disse ,jos a ,m>ia3 --,firma-te a mim e vamos devag>9ho4 ,havemos de a*> apos5to em alguma e/alagem4 ,ella sorriu docem5te1 resignada1 mas os seus olhos meigos =am p>a a cav]na4 ,o patri>*a1 api$ado1 adiant\-se e fal\ ao pa/or4 --,seja o ,s5hor comvosco6 --,seja bemv9do quem *ega e assim annuncia-se ao humilde4 --,hosp$e na t]ra v5ho de longe e commigo1 em e/ado que no cons5te es=o1 trago a m9ha esposa1 que aqui v$es4 ,se p]mittirdes que ella fique um mom5to comvosco emquanto procuro hosp$agem1 sempre o meu corao vos ha de l\v>4 ,o velho pa/or1 idoso1 de f>tas b>bas am>ellecidas1 longos cabellos espalhados pelos hombros1 que um melte cobria1 so]gueu-se e fal\3 --,a cav]na no tem porta1 a9da mais franca que os templos4 ,entrai e abeirai-vos d lume1 que a noite comea a esfri>4 --,ella fica1 eu sigo pela p\sada4 ,m>ia1 timida1 entr\4 ,logo o pa/or acam\ z palhas1 al>g&o um leito f(o e1 v5do-a reco/>-se1 volt\ ao seu lume e ao canto com que se entret9ha4 ,e o patri>*a p>tiu4 ,a9da que no conhecesse a cidade1 tanta era a g5te que se movia nas ruas1 que no lhe foi difficil1 p]gunt&o1 encam9h>-se a uma e/alagem4 ,logo entrada1 sob o va/o alp5dre1 viu altas pilhas de f>dos e1 em torno1 e/5didos em pelles1 m]cadores e recoveiros4 ,o hosp$e1 mo/r&o-lhe o transbordo da casa1 disse3 --,so hom5s que se aboletam ao rel5to1 por falta de commodos4 ,difficilm5te encontr>eis quem vos receba1 porque z fe/as attrahiram gr&e m de e/rangeiros e z feiras trazem das c]canias todos os lavradores4 ,guie-vos o ,s5hor4 ,e ,jos proseguiu4 ,nas viellas e alfurjas havia turbas cant&o e bail&o em volta de fogueiras4 ,debalde o ancio entrava nas e/alag5s2 z proprias *\panas recebiam hosp$es e1 pelas coll9as1 entre fogos1 cl>eavam t5das4 ,err\ at t>de sem exito4 ,j o sil5cio annunciava hora alta qu&o1 quebrado de fadiga1 retroc$eu pelas betesgas des]tas1 ao latido dos ces errantes1 em rumo cav]na4 ,avi/\-a de longe1 alumiada por um cl>o de lu>1 e1 como levantasse os olhos dem&&o o a/ro1 deu com um anjo deslumbrante que1 abr9do azas l>gas1 diaphanas1 feitas como de nevoa e luz1 ia e v9ha no espao1 rond&o a noite4 ,entr\4 ,o velho pa/or velava diante das brazas vividas e1 entre ovelhas1 sobre a palha l\ra1 a ,virgem dormia s]5a4 99 99 99 99 99 ,natal ,o espl5dor mais imp5etravel que a treva e foi uma muralha fulgurante que encobriu ,m>ia qu&o se realis\ a prophecia d ,bem4 ,na hora em que os gallos cant>am a primeira vez subito cl>o respl&eceu no fundo da cav]na4 ,a luz foi tanta1 to int5sa que atravess\ o somno em que jaziam o patri>*a e o pa/or4 ,jos so]gueu-se d'impeto1 firm&o-se nas mos1 (fuscado pela cl>idade vivida que irradiava em /alactites de um brilho augu/o1 mud&o em rutilos diamantes todas z p$ras brutas e faz5do d asp]o slo1 eriado em p$r\os1 uma rea espl5dida como se fosse embutida de gemmas lapidadas4 ,o pa/or1 attonito1 deslumbrado1 arra/ava-se tacte&o e a cav]na1 a mais e mais acl>ada1 p>ecia toda uma *amma alva como se um lu> m>avilhoso a en*esse magnificam5te4 ,os dois hom5s1 atordoados1 no falavam--e/5diam z mos e os seus d$os *ammejavam como raios d'a/ros e da lum9osidade despr5dia-se um p]fume1 novo na t]ra1 aroma cele/ial que enlevava como um encantam5to4 ,alm da cav]na a noite negrejava calada e erma de e/rellas4 ,p\de o pa/or arra/>-se at o limi> e o seu corpo1 esgueir&o-se1 refulgia como o de uma salam&ra4 ,tremulo1 *eg\ entrada1 respir&o1 a l>gos sorvos1 o ar frio que v9ha dos outeiros4 ,levant\ o olh> e recu\ espavorido4 ,escada altissima1 de sc9tillantes degraus1 ligava o cimo d outeiro ao ceu ab]to em radiante prtico e anjos desciam1 tantos que p>eciam uma catadupa que se desp5hava espumej&o iriada de sol1 com sc9tillaes de p$r>ias4 ,no p\de olh> e1 roj&o-se1 com a face na t]ra1 ouvia o murmurio das azas4 ,no disse palavra1 immovel1 tolhido de assombro1 s5t9do a transfigurao da noite4 ,jos conseguiu levant>-se e cam9h\ l5tam5te atravez d espl5dor4 ,m>ia app>eceu-lhe entre z mansas ovelhas que1 reunidas1 bafejavam z palhas onde um pequ59o infante1 z mos9has na boca1 os olhos c&idos ab]tos1 p>ecia contempl> a ,virgem que sobre ,elle incl9ava-se4 ,olh\-a1 fit\ no t5ro corpo os olhos e viu que o c]cavam tres figuras de incomp>avel belleza4 ,uma1 z mos diaphanas cruzadas sobre o peito1 os olhos baixos1 conc5trada1 rezava4 ,outra1 d'olhos enlevados1 com uma palma v]de na mo debil1 sorria4 ,a t]ceira1 de joelhos1 aquecia com o halito1 envolv5do-o nos seus longos cabellos l\ros1 o corpo recem-nado4 ,por onde t]iam entrado os tres s]es8 ,que anjos s]iam8 ,no os p\de reconhec] o patri>*a1 mas *eg&o-se ,virgem tom\-lhe a mo e beij\-a4 ,ella mo/r\-lhe o ,filho com uma t]nura to meiga que o sorriso no p\de por si s exprimil-a e lagrimas corr]am4 ,assim d]am os olhos1 d'uma s vez1 todos os seus !s\ros3 o brilho d olh> e os diamantes da meiguice1 essa humildade d amor4 ,p\co a p\co foi-se a luz ext+u9do1 a sombra retom\ a cav]na4 ,z ,virg5s desapp>ec]am e ,m>ia1 acolh5do o pequ59o nos braos1 *eg\-o ao collo1 aqueceu-o1 afag\-o4 ,foi mi antes de s] s]va4 ,s depois de o beij> e/remecidam5te ouviu z vozes que atroavam a noite3 ,gloria a ,deus nas ,alturas1 ,paz aos hom5s na t]ra de ba vontade4 ,occorr]am-lhe z palavras d anjo4 ,lembr\-se1 ento1 que o ,sr nascido d seu seio era o ,deus da ,promessa4 ,deit\-o delicadam5te nas palhas e ajoelh\-se ador&o-o4 ,jos1 afa/ado d grupo1 pre/ava culto ,virgem e ao ,infante e o ceu1 pela voz dos ,espiritos eleitos1 saudava o ,natal messianico1 aprego&o a v9da d ,filho d ,homem1 portador da ,pi$ade4 ,ergueu-se o pa/or1 olh\ o ceu e1 ouv9do os anjos1 sahiu a corr] brad&o inspiradam5te a ,ba ,nova4 ,e os gallos puz]am-se a cant> annunci&o a maior e a mais bella madrugada d mundo4 99 99 99 99 99 ,z tres virg5s ,qu&o o ,m59o adormeceu ,jos1 aproxim&o-se de ,m>ia1 p]gunt\-lhe baix9ho3 ,se vira z tres virg5s que c]cavam o ,infante ung9do-o de luz8 ,a ,immaculada respondeu no mesmo tom discreto3 --,logo que sahiu d somno1 a9da antes de vr meu filho1 dei com ellas1 immoveis1 acl>&o toda a cav]na1 de joelhos em torno d ,recem-nascido4 ,no falavam4 ,no sei quem so4 ,desapp>ec]am de rep5te como z e/rellas desapp>ecem4 --,s]iam anjos8 ,uma s]5a voz1 sah9do das p$ras1 fal\ no sil5cio3 --,a primeira toda a ,cr5a d ,homem3 a ,virtude que leva a ,alma pres5a d ,altissimo4 ,antes da v9da d ,messias era a nevoa indecisa que respl&ecia e obumbrava-se2 agora a ,luz pura e p]5ne1 a luz viva que guia ao ,p>aiso atravez de todos os abrolhos1 por meio dos mais rduos s(frim5tos1 v5c5do z mais p]v]sas t5taes1 sempre direita1 inflexivel e segura4 a ,f4 ,o seu olh> no se desvia1 a sua l+uagem a prece1 a sua confiana ,deus4 a mais =te das tres4 ,a segunda uma consoladora4 ,p>ece um reflexo da primeira3 a ,esp]ana4 ,ve/e-se de illuses1 recama-se de sonhos p>a di/rahir a ,alma1 livr&o-a d desesp]o4 como o ramo v]de que se incl9a borda dos abysmos4 a div9a miragem que1 atravez das agruras da vida1 reanima o corao combalido1 cre&o p]spectivas v5turosas4 ,s1 uma encantadora que vive a inv5t> m>avilhas1 ligada ,f a precursora que desbrava o cam9ho p>a a travessia da alma4 ,sem ella a mis]ia s]ia um flagello1 a dr s]ia intol]avel4 uma =a feita de sonho4 ,isolada a fantasia4 ,a t]ceira o ,amor1 a lagrima que se conv]te em mis]icordia1 a bondade omnipot5te1 a meiguice que salva1 a resignao que remitte1 a paci5cia que con=ta1 a lan que agasalha1 o l9ho que e/anca o sangue1 o lume que aquece4 o conjuncto amoroso de todas z b5efic5cias--a ,c>idade4 ,so z tres irmans que acompanham o ,messias4 ,elle tom\-z ao paganismo e conv]teu-z transmitt9do-lhes a sua ess5cia4 ,eram z ,k>ites1 so z ,virtudes4 ,fram z ,graz1 so z b5eficiadoras4 ,com ellas ,jesus f> a r$empo d ,homem4 ,p>a combat] o mal1 pod5do traz] z legies adamant9as1 tr\xe z humildades4 ,cal\-se a voz e os dois olh>am-se m>avilhados4 --,no ouvi/e fal>8 --,sim1 meu s5hor1 fal>am4 ,z ovelhas e/avam de p e olhavam1 como se tambem procurassem o my/]ioso1 int]locutor4 ,mas o ,m59o agit\-se no leito palhio1 e/5deu os brac9hos e *or\4 ,pre/o1 ,m>ia tom\-o ao collo1 acon*eg\-o cobr9do-o com o manto4 --,deve s] frio1 disse ,jos4 --,fome1 talvez1 disse ,m>ia1 anciosa por d> o peito f>to ao pequ59o ,filho4 99 99 99 99 99 ,o primeiro leite primeira suco da boca da criana ,m>ia e/remeceu1 s5t9do uma dr aguda1 como se um punhal lhe h\vesse atravessado o seio4 ,longe1 porm1 de fugir com o peito dolorido1 incl9\ o bu/o1 d&o-se toda ao sublime m>tyrio1 com a alma a brilh> nos olhos que a dr orvalh>a de lagrimas4 vido1 o infante sugava1 cav&o z bo*e*as e o leite1 aflu9do1 rasgava passag5s como a torr5te que se desp5ha da altura v9c&o a t]ra e arra/&o o que se lhe antolha levada4 ,o ,div9o alim5tava-se d s(frim5to humano e naquellas opal9as gottas de leite--sangue e agua fundidos em c&ura--o ceu commungava na t]ra4 ,a ,c>ne mortal nutria o ,espirito ,p]5ne1 o ephem]o transfundia-se no ,et]no3 z duas coll9as alvas tocavam o ,inf9ito1 que era a boca de ,jesus1 de onde deviam jorr>1 em caudaes1 z leis santas1 os sabios julgam5tos1 a b5o e o p]do4 ,a ,virgem sorria e o seu collo turgido ondulava de v5tura1 em quanto o patri>*a1 ajoelhado1 contemplava o grupo1 aureolado pelo cl>o da fogueira1 cuja *amma resurgira ao sopro da brisa nocturna4 ,fra resoavam canticos2 vozes1 sons de h>pas en*iam o espao4 ,por vezes um cl>o relampejava diante da gruta espl5dida passagem rapida de um anjo4 ,m>ia1 incl9ada sobre o ,filho1 s a elle s5tia1 ouv9do ap5as o l5to gorgulh> d leite que elle sugava s(frego4 ,todo o mundo ali e/ava nos seus braos3 a t]ra com os seus v]geis floridos1 o ceu com z suas e/rellas fulgidas4 ,que lhe importava a aurora se na p5nugem l\ra que seus d$os afagavam na cabec9ha d filho1 ella via o espl5dor maior que podem contempl> olhos de mi6 ,que lhe importavam os anjos se1 no fundo lum9oso das pupillas da criana1 via dois pequ59os s]aph9s alegres8 ,que lhe importava a imm5sa alegria univ]sal1 se o seu corao transbordava de felicidade com aquelle amor6 ,levant\-se um al>ido fra1 na e/rada obscura4 ,jos sahiu ao limi>4 ,um b&o de hom5s corria em tropel em direco ao abrigo agre/e4 fr5te delles1 vo&o e alumi&o-lhes o cam9ho com o espl5dor das azas1 um anjo e/5dia o brao mo/r&o a cav]na4 ,outros cruzavam longe1 em enxames cl>os4 ,no cimo dos c]ros grupos respl&eciam4 ,subito uma grita atro\ o sil5cio3 ,hosannah6 ,hosannah6 ,o pequ5o adormeceu docem5te com a boca collada ao peito mat]no4 ,m>ia beij\-o e1 incl9ada1 qu$\ em enlevo4 ,hosannah6 ,hosannah6 bradavam =a4 ,ella sobresalt\-se e1 *am&o o esposo1 p]gunt\3 --,quem clama assim1 meu s5hor8 --,pa/ores4 ,guia-os um anjo4 ,vm ador> o ,infante4 ,e ella1 cuidadosa3 --,comtanto que o no desp]tem444 ,e acon*eg\-o ao collo agasalh&o-o junto d corao4 99 99 99 99 99 ,adorao dos pa/ores ,tumultuosam5te os pa/ores *eg>am cav]na e o velho1 dono d rebanho1 que acolh]a o casal no seu tugurio1 adiant\-se ao grupo e fal\ ao patri>*a3 --,deixai-nos vr e ador> o ,deus vivo4 ,j o t9ha por tal e qu&o sahi p>a a noite1 com os olhos (fuscados1 fui brad&o no sil5cio a ,ba ,nova4 ,os hom5s que dormiam nas *oz1 z ovelhas que se ap]tavam nos apriscos1 z mesmas arvores sem folhas1 z mesmas p$ras sem vida e/remec]am m9ha voz pregoeira4 ,eu levava na boca uma palavra que e/rondava4 ,o que eu dizia aos que me ficavam p]to retumbava como o som da buz9a que vai de quebrada em quebrada ou como o trovo tempe/uoso que se ouve em todos os pontos3 na planicie e no valle1 na montanha e na furna4 ,de mim sahia a annunciao e1 c]to1 a m9ha palavra a9da vai pelos ares viva1 lev&o s pvoas mais remotas a v5turosa noticia4 ,o que eu dizia na t]ra anjos repetiam nos ares4 ,os espiritos cele/iaes fiz]am-se meus e*os e a9da clamam bat5do z azas1 tang5do lyras que sam docem5te4 ,no havia uma e/rella e todas agora reluzem2 a/ros nunca vi/os brilham no fundo ceu4 ,no havia folha em ramo e z arvores e/o todas cob]tas e cantam fe/ivam5te pass>9hos nas montas4 ,o outono ve/iu-se com z galas da ,primav]a4 ,s um ,deus f>ia prodigios taes4 ,deixai-nos vr e ador> o ,deus vivo4 ,os pa/ores br&iram os cajados brad&o1 de novo3 ,hosannah6 ,hosannah6 ,e1 como ,jos se afa/asse d&o-lhes passagem1 precipit>am-se tumultuosam5te e1 ajoelh&o-se1 ador>am o ,div9o ,infante4 ,todos levavam ddivas campe/res3 e/e um anho1 de vello f9o1 a boca resc5d5do a leite2 outro um casal de rolas2 esse1 um favo de mel1 aquelle uma lan s$osa e1 cada qual1 (f]t&o o seu pres5te1 p$ia1 em orao intima1 a graa d ,m59o ,deus4 ,m>ia olhava receiosa aquelles hom5s rudes que c]cavam seu ,filho4 ,como eram muitos os mais velhos levantavam nos braos os pequ5os p>a que vissem o ,recem-nado e diziam-lhes3 ,p$e6 ,z crianz1 sorr9do1 p$iam pelo gado e pelas fontes3 que ovelha alguma morresse1 que nunca z aguas seccassem4 ,um pequ5ito1 s5tado no hombro de um agigantado pegureiro1 olhava p5sativo e calado4 ,p$e6 disse-lhe o homem4 --,se ,elle fosse ,deus444 murmur\ a criana1 e uma lagrima rol\ dos l9dos olhos infantis4 ,os outros adoravam e1 no sil5cio1 ouvia-se ap5as1 de qu&o em qu&o1 um timido balido4 ,rep5t9a1 triumphante1 uma voz brad\ entrada da cav]na3 --,gloria a ,deus ,salvador6 ,o pa/or9ho e/remeceu no hombro d pegureiro1 volt\ a cabea e viu uma &rajosa mulh] livida1 macil5ta1 que e/5dia os braos magros procur&o abrir passagem na multido rev]5te4 ,reconheceu-a e1 despr5d5do-se dos braos que o mant9ham1 correu ao seu encontro e1 lan&o-lhe os braos c9ta1 disse commovido3 --,fui eu1 mi1 que ,lhe p$i4 ,deus6 ,entra e adora-o4 ,dorme nas palhas4 ,os pa/ores1 reconhec5do a entrevada que vivia a gem]1 encolhida num e/rame1 recu>am pasmados e ella1 trem5do como se e/ivesse de p sobre uma lapide de neve1 p]gunt\ ao filho que a contemplava3 --,e tu1 to pobres9ho6 que lhe de/e1 meu filho8 --,uma lagrima1 m9ha mi444 e foi tudo que lhe pude d>4 99 99 99 99 99 ,dr ,tom&o a urna1 ao cl>e> d'alva1 qu&o o velho pa/or sahia com o rebanho1 ,jos acompanh\-o p>a que elle o guiasse fonte4 ,logo que os dois hom5s desapp>ec]am z h]vas que ourelavam a cav]na cresc]am prodigiosam5te1 emm>anh&o-se em tapigo que encobriu a entrada4 ,a ,virgem1 de in/ante a in/ante1 abria os olhos e1 so]gu5do-se1 ficava em extase contempl&o o ,filho1 cujo halito dbil *eirava docem5te a leite4 ,po/o que ap5as tivesse horas j ella lhe havia descob]to todos os encantos e se lh'o arrebatassem dos braos1 confund9do-o com mil crianz1 reconhecel-o-ia sem trabalho1 tanto o t9ha nos olhos e no corao gravado4 ,olhava-o qu&o o s5tiu mov]-se1 contorc5do-se4 ,num tremor de sobresalto enrij\ os brac9hos1 bateu z palhas com os ps rosados e rompeu num *oro =te que rep]cutia no int]ior como se z p$ras *orassem com elle1 commovidas4 ,tom\-o ,m>ia ao collo1 acal5t&o-o ao calor d seio4 ,falava-lhe com t]nura1 int]rogava-o1 *amava-o e1 sem pod] allivial-o1 poz-se a *or> afflicta e1 sobre a div9a face z suas lagrimas cahiam gotta a gotta como o orvalho cahe das folhas sacudidas pelo v5to4 ,ai6 d'ella1 como se julgava culpada e infeliz v5do s(fr] o pequ59o amor1 to novo1 to innoc5te1 to sem culpa e j support&o z torturas h]dadas da c>ne4 ,comeava a ,div9dade a visit> o s(frim5to3 a p]egr9ao de ,deus atravez da ,agonia annunciava-se pelo primeiro *oro4 ,elle havia de conhec] todas z ,dres1 todas z ,angu/ias p>a pod] julgal-z allivi&o o ,homem1 cuja r$empo trazia4 ,t5ro1 mal p\sado na vida1 j e/rebu*ava doridam5te4 ,e comeava ap5as--era a iniciao4 ,outros maiores torm5tos =mavam a phalange suppliciante1 a alam$a tragica da exi/5cia1 onde a alegria como o nimbo sol> que passa difficilm5te por entre z frondes compactas4 ,que faz]8 ,deu-lhe o peito4 ,poz-se o ,infante a mam> vag9do1 e/remec5do e ella1 relance&o em torno os olhos humidos e afflictos1 implorava o my/]io4 ,tudo era sil5cio em volta1 n+uem que a soccorresse4 ,e os anjos8 ,j haviam regressado ao ceu4 ,o ,infante fic>a entregue ao seu pi$oso voto4 ,deus entrava desacompanhado no mundo1 s] como os demais s]es1 homem como os outros hom5s1 integr&o-se na ,humanidade4 ,s lhe val]am os c>9hos de ,m>ia3 o calor d collo1 o enlace amoroso dos braos1 os beijos repetidos =am1 p\co a p\co1 allivi&o-o e1 de novo1 adormeceu tranquillo1 no mais sobre a palha l\ra1 mas acon*egado ao seio1 n9ado pelas palpitaes d corao mat]no4 99 99 99 99 99 ,receio ,f9o raio de sol ins9u&o-se na cav]na p\s\ na palha abr9do um aro de ouro em torno da cabea d ,infante adormecido4 ,todas z aves *ilreavam1 g>rulas moz passavam na e/rada2 s vezes eram rcuas de drom$>ios desfil&o em ruidoso atropello4 ,m>ia pre/ava att5o ao rumor1 recei&o pelo ,filho4 ,tom\-o muito ao seio e1 quasi de ra/os1 apr(und\-se na sombra escond5do o seu !s\ro com amorosa av>eza4 ,to l9do6 quem o no desej>ia6 ,e se um d'aquelles hom5s1 descobr9do-o1 inve/isse p>a arrebatal-o1 quem o def5d]ia8 ,na treva ficava a cob]to de todos os olh>es4 ,no fundo da cav]na l5tejava tri/em5te uma m9a e a cada gotta d e/ellicidio respondia um som lacrimoso4 ,o ar era frio e humido1 z p>$es luziam lutul5tas e1 fra1 o sol brilhava1 alegre e tepido1 em fitas1 em nimbos de ouro1 lampej&o nas are/as agudas da abobada escabrosa4 ,qu&o ,jos reapp>eceu--a h]va da entrada subitam5te esm>riu--v5do des]ta a palha1 e/ac\1 olh&o espantado1 com appreh5ses de desgraa4 ,que s]ia feito delles8 ,cam9h\ alguns passos4 ,o corao batia-lhe1 tremia-lhe a urna ao hombro4 ,m>ia1 reconhec5do-o1 fal\ d seu escond]ijo3 --,aqui1 meu s5hor4 ,o patri>*a adiant\-se e1 s5t9do a friagem d sitio1 ouv9do o tri/e gottej> na lage1 p]gunt\3 --,porque busca/e to obscura jazida onde o ar regela e a luz no *ega8 ,l fra ha um calor macio e s5te-se o aroma das h]vas vivas1 ouvem-se z vozes alegres4 ,aqui ha o sil5cio e a melancolica espessido dos tumulos4 --,eu e/ava s1 meu s5hor e o corao1 dantes to animoso1 agora to timido que eu viv]ia1 de boa m5te1 num subt]raneo s p>a que olhos maus no fitassem meu filho nem o invejassem ado5t&o-o4 ,no sei que voz me fala d5tro d corao p$9do-me que o def5da4 ,ouo-a a todo in/ante4 ,dizem-me os anjos que ,elle ,deus444 ,no me pass>am desp]cebidos os prodigios da noite3 tudo vi1 tudo ouvi1 mas m9h'alma ord5a-me que o resgu>de1 que o no p]ca de vi/a1 que sempre o traga acautelado1 talvez porque pequ59o e fraco4 ,no sei se pecco com a presumpo de def5d] quem omnipot5te1 mas como hei de lut> contra mim8 --,mas se o ceu nos diz e prova que ,elle o ,filho de ,deus porque has de recei> os hom5s8 -- o corao que receia4 --,e entre o que diz o corao e o que affirmam os anjos hesitas1 ,m>ia8 --,s5hor1 os anjos falam pelo ,ceu1 o corao fala pelo meu amor4 ,se ,deus a*a-me rebelde1 curvo-me ao seu ca/igo4 ,e1 humildem5te1 ajoelh\-se ante o b]o4 ,jesus1 abr9do os olhos cl>os1 pr(undos1 fit\-os nella e1 como se lhe quizesse respond]1 sorriu4 99 99 99 99 99 ,o somno ,m>ia mal hum$eceu os labios borda d t>ro de leite de ovelha que o pa/or ord5h>a antes de p>tir4 ,cuidados traziam-na appreh5siva4 ,se o filho e/remecia sobresaltava-se-lhe o corao1 se o via immovel1 dorm9do1 temia que h\vesse morrido e logo1 anciosam5te1 afag&o-o1 *am&o-o1 desp]tava-o4 --,deixa-o dormir1 disse-lhe o patri>*a1 o somno necess>io vida1 a sombra em que a alma rep\sa4 ,o espirito das crianz refugia-se no somno como o dos velh9hos--o primeiro porque d'elle sahiu e a9da o tem por n9ho2 o segundo porque o procura como abrigo4 ,no o desp]tes1 deixa-o dormir4 -- que me p>ece e/> morto4 ,no faz o mais leve movim5to e1 qu&o elle assim fica1 meu corao pra retransido4 -- a s]5idade4 ,s o somno dos maus transmitte ao corpo a convulso d pesadello4 ,o somno uma visita morte3 os innoc5tes fazem-na sorr9do1 os peccadores fazem-na espavoridos4 ,no receies que ,elle passe to c$o ,et]nidade de onde veiu4 ,a9da que no tr\xesse a misso que o fez baix> ao mundo1 fosse ,elle to da t]ra como o filho da zagala dos montes1 no o dev]ias tir> d rep\so4 ,no des5t]ras a sem5te por no a v]es flor d solo1 deixas que ella v5ha a flux e reb5te1 abra o r5ovo e cresa4 ,o somno uma incubao4 ,porque no sonha8 porque no tem impresses4 ,o sonho como um reflexo em que ha e*o1 a reproduco confusa da vida com a rep]cuo indi/9cta das vozes e dos ruidos4 ,ha quem veja presagios no sonho como o nmade v realidades na miragem4 ,com que ha de sonh> quem no tem consci5cia da vida8 ,deixa-o dormir4 noite que a flore/a cresce e a criana como a arvore4 ,o lu> manso1 uma luz sil5ciosa de vigilia1 uma tunica diaphana sobre a treva--no desp]ta4 ,z e/rellas so meigas porque a noite deve s] tranquilla p>a que a ,natureza descance4 ,peixa-o dormir4 ,cons]va-te immovel e calada1 no p]turbes a vida my/]iosa4 ,demais1 ,elle o ,et]no4 ,a ,morte passa por ,elle como a lam9a de uma espada por um raio de sol4 ,deixa-o dormir4 ,bem sei que o egoismo das mis *ega a insurgir-se contra z leis de ,deus2 no te insurjas tu1 que ,o g]a/e4 ,elle precisa rev] a ,humanidade entr&o na ,vida e goz&o1 sah9do1 talvez1 pela ,morte com s(frim5to4 --,meu s5hor6 exclam\ a ,virgem e/5d5do z mos1 commovida4 --,so palavras1 ,m>ia4 ,ai6 de mim1 quem s\ eu p>a pronunci> oraculos sobre ,aquelle que tem o de/9o da ,vida na sua mo direita6 ,so palavras que digo4 ,deixa-o dormir4 99 99 99 99 99 ,palavras de ,m>ia ,como eu agora compreh5do que se viva escravisada a um sorriso6 ,qu&o t5ho meu filho ao collo1 nutr9do-se d meu sangue1 que deixa a cr da purpura e ve/e-se de branco p>a no macul> os labios innoc5tes1 toda a m9ha vida nelle se conc5tra4 ,a ,felicidade e a ,desgraa s5tam-se junto de mim1 s9to-z no cont5tam5to que me alvoroa e nos presagios e/ranhos que me occorrem4 preciso s] mi1 t] g]ado p>a conhec] o v]dadeiro amor4 ,a alma sahe-me d corpo e fica junto d ,infante4 ,se me arr$o um mom5to s9to-me logo attrahida como por uma pesada corr5te que se me pr5de ao corao4 ,e tanto o contemplo1 tanto6 que fico com elle d5tro dos olhos como quem fita um objecto ao sol e depois o v em toda p>te1 a9da na treva mais d5sa4 ,dantes1 qu&o z mis falavam-me de seus filhos1 sempre eu z a*ava exagg]adas nos l\vores4 ,que diriam de mim z que agora me ouvissem6 ,o meu desejo era no t] na boca outras palavras s5o e/as3 ,meu filho6 ,so z que o corao inspira-me1 so z que me agradam ouvir4 ,ellas fazem um gyro alegre como um casal de pass>9hos br9c&o4 ,sahem-me dos labios1 entram-me pelos ouvidos cant&o1 circulam o meu corao e tornam boca4 ,meu filho6 ,e no ha todo um mundo de amor d5tro d'ellas8 ,que mais preciso p>a a v5tura8 ,qu&o z suas palpebras desc]ram-se incl9o-me e busco vr nas suas pupillas--que so agora os meus espelhos--o que ellas contm4 ,fico to p]to que ellas s a mim reproduzem4 ,d mais t5ho ciume1 nem qu]o que seus olhos t5ham outros habitantes4 ,qu&o ,elle e/remece1 tremo4 ,qu&o ,elle sorri to gr&e a m9ha alegria que fico num atordoam5to desvairado1 sem sab] que faa1 e *oro e rio4 ,ai6 de mim qu&o ,elle *ora4 ,no t5des notado que s\ agora como uma fam9ta p]dida que no se sacia de alim5to8 ,no que t5ha fome1 no2 mas p5so n',elle e1 como preciso que ,elle encontre sempre f>to o peito em que se nutre1 trans=mo-me em celleiro4 ,dormir1 nem sei se durmo1 porque ao mais leve movim5to que ,elle faa surpreh5do-me a mim mesma a*&o-me a seu lado1 agasalh&o-o1 afag&o-o1 procur&o readormecel-o ou acal5t&o-o1 se *ora4 ,eu no era assim amorosa1 meu s5hor4 ,agora que o t5ho no p>ece que vivo no mundo1 s d',elle me lembro4 ,onde ,elle e/ ahi que me apraz viv]4 ,o seu b]o um oasis em imm5so des]to4 ,dizeis1 s vezes1 que me di/raio porque no vos respondo de prompto4 ,no di/raco1 que a alma e/ junto d',elle--o corpo fica vasio como uma casa fe*ada cujo dono trabalha na se>a4 ,disse/es uma vez3 ,z mis adiv9ham4 ,como conheceis o corao mat]no6 ,e ha mis que ficam no mundo qu&o lhes morre o filho4 ,como se podem gui> na vida8 ,como podem cam9h> sem arrimo8 ,como podem vr sem luz8 ,como no sossobram no pranto8 ,eu444 --,porque *oras1 ,m>ia8 --,porque s\ feliz1 meu s5hor444 99 99 99 99 99 ,z duas mis ,junto a uma velha figueira1 que ficava a dois passos da cav]na1 onde a e/rada1 bifurc&o-se1 dava uma s9uosa trilha p>a os montes e um cam9ho direito p>a os campos1 s5t>a-se ,m>ia com ,jesus ao collo1 goz&o o frescor da manhan s]5a e v5do os pombos revo>em1 com rumoroso ruflo d'azas1 pass&o1 repass&o em torno4 ,jos desc]a fonte4 ,zagalejos passavam sopr&o frautas e o sol1 acc5d5do z cam>9has d orvalho1 fazia da paizagem uma ext5sa sc9tillao4 ,a ,virgem entret9ha-se1 enlevada no pequ5ito que acompanhava a ronda alig]a das aves1 qu&o uma pallida mulh]1 &rajosa e descala1 os cabellos desgr5hados1 os olhos fundos1 a caveira e/al&o a pelle secca1 app>eceu no cam9ho1 to l5ta e com to alto e angu/ioso arquejo que foi por elle que ,m>ia s5tiu a aproximao da infeliz4 ,era a9da moa1 cons]vava na mis]ia um re/o de emmur*ecida belleza4 ,os olhos negros ardiam febris como dois c>ves em que faiscassem fagulhas2 z rosas das faces haviam am>ellecido1 os labios1 reseccados e lividos1 e/alavam em f5das como golpes4 ,trazia nos braos1 envolta em grosseiras faixas1 uma criana que vagia4 ,diante da ,virgem deteve-se4 ,arras>am-se-lhe os olhos d'agua e1 p>ada1 trem5do1 e/5deu a mo magra1 a p$ir4 ,m>ia enc>\-a compadecida e1 como no possuisse mo$a1 no respondeu infeliz1 alanceada de p5a4 ,e a mulh] soluou3 --,no por mim que peo1 por elle4 ,t5ho-o1 desde hontem1 ao seio1 beb5do sangue--no um peito que lhe d\1 mas uma f]ida4 ,a boca d pobres9ho e/ da cr da anemona4 ,no lam5t>ia a dr com que a sua fome me apunhala se o visse saciado1 mas o sangue no f>ta e1 a9da que eu lhe no recuse o que me re/a de vida1 s9to-o enfraquec] a mais e mais4 ,j no *ra1 nem abre os olhos1 comea a agonis>1 como a planta que o sol mirra na t]ra adu/a4 ,dai-me o ba/ante p>a que elle viva um dia1 s emquanto eu viva4 ,que elle morra depois de mim p>a que eu o receba na morte4 ,m>ia fez lug> junto figueira p>a a enf]ma e1 entreg&o-lhe ,jesus1 tom\ o pequ59o moribundo4 ,poz-lhe na boca o peito turgido e logo o s5tiu sug> avidam5te4 ,a mis]a mulh] embalava o div9o ,infante1 ap]tava-,o ao collo com m$o de que *orasse e int]rompesse a esmola que seu filho recebia4 ,to enlevada e/ava v5do o seu p5hor mam> que nem s5tiu que os seus peitos1 junto aos quaes ,jesus agasalhava-se1 en*iam-se1 apojavam-se4 ,e toda ella refazia-se3 a c>ne r5ovava-se-lhe robu/a1 voltava-lhe a cr ao ro/o4 ,satisfeita1 a criana adormeceu ao collo de ,m>ia e da boqu9ha entreab]ta escorreu1 rol\ na t]ra uma gotta de leite1 cah9do1 como uma prola1 na raiz da figueira4 ,z duas mis olh>am-se caladas por que z crianz dormiam4 ,troc>am-nas tom&o1 cada qual1 a que lhe p]t5cia e a mis]avel1 agradec5do a esmola1 foi-se por entre z m>g>idas d cam9ho4 ,p]deu-se no meio das arvores1 reapp>eceu no lanante d c]ro4 ,de rep5te1 j no cimo1 envolta em luz1 e/ac\ d]re&o a cabea como p>a olh> o ceu em pl5o e subito1 lan&o os braos1 tomb\ sobre os joelhos4 ,d]a1 sem duvida1 pelos peitos *eios4 ,m>ia1 p>a seguil-a com o olh>1 levant\-se e1 como se apoiasse figueira1 uma folha cahiu4 ,s5t9do os d$os humidos mir\-os--e/avam molhados de leite4 ,d'onde proviria8 da f9a ha/e da figueira de onde se de/ac>a a folha4 ,a arvore sorv]a a gotta de leite que rol>a da boca d pobres9ho e sempre a v]te mo/r&o-a aos incr$ulos1 mal se lhe arranca uma folha ou se lhe golpeia um galho1 como uma prova da mis]icordia suave4 99 99 99 99 99 ,a e/rella ,ao decl9> d sol1 qu&o cessava toda a alegria rural e1 quietos1 em magotes brancos1 os rebanhos desciam das pa/uras e o canto das aves morria em e/rebilhos tri/es1 ,jos1 entrada da cav]na1 z mos cruzadas sobre o cajado1 contemplava o ceu macio1 b>rado de ouro no occid5te1 onde os outeiros p>eciam ard] como altas pyras sobre z quaes flammejasse um lume votivo4 ,um molle1 languido quebranto pro/rava a natureza4 ,z arvores espreguiavam-se em movim5tos morosos2 r>os pass>os aligeiravam o vo atravess&o a luz vesp]al4 ,nas quebradas sombrias crescia a voz das aguas borbulhantes1 salt&o1 esca*o&o de p$ra em p$ra at fluirem mansas sob z p5didas ramas que p>eciam trem] de frio4 ,longe1 na cidade1 resoava o tumulto humano4 ,grossos rolos de fumo negro subiam aos ares1 fundiam-se1 dissipavam-se e1 m$ida que a noite conqui/ava a paizagem1 apontavam pequ59as e/rellas esmalt&o o ceu4 ,a voz de ,m>ia no fundo da cav]na entoava suavem5te4 ,era o encantam5to mat]nal1 a mimosa cantil5a com que ,jesus adormecia4 ,o patri>*a1 recolhido em p5sam5to1 olhava1 e1 como se voltasse p>a o lado d ori5te obscuro1 viu um como fulgido alfange *ammej&o na treva4 ,tremeu e1 fit&o o olh> na e/ranha app>io1 not\ que avanava no ceu vag>osam5te4 ,era uma e/rella enorme1 de brilho coruscante1 que p>ecia hav] atravessasado a teia da ,via ,lactea1 t5do della trazido um rutilo f>rapo que a seguia atravez d espao4 ,o a/ro subia em m>*a grave e z demais e/rellas esmoreciam sua passagem como se se retrahissem timidas4 ,pelos cam9hos1 pelos outeiros hom5s1 mulh]es p>avam attonitos olh&o o prodigio4 ,alguns1 atemorisados1 invocavam deuses1 roj&o-se por t]ra2 outros fugiam at]rados2 crianz *oravam espavoridas4 ,e qu&o a noite negrej\ fe*ada1 o a/ro1 com a flammejante cauda ab]ta1 pair\ no ceu1 sobre a cav]na1 como uma palma de luz que assignalasse o b]o d ,messias4 99 99 99 99 99 ,epiphania ,pa/ores1 que faziam a vigilia no campo1 contemplavam embevecidam5te a e/rella m>avilhosa1 qu&o ouviram cant>es e rumorosa e/ropeada como se fe/iva e d5sa turba viesse pela enco/a d c]ro mais alto4 ,ergu]am-se e/ranh&o a c>avana e viram romp]1 luz de ar*otes1 cujo cl>o t+ia sangu9eam5te a noite1 um cortejo brilhante e desusado4 ,os animaes p>eciam ajaezados de ouro1 com recamos de p$r>ias1 tamanho era o fulgor que irradiavam nos cabeios ardegos em que v9ham4 ,onagros1 tangidos por negros1 trotavam sacolej&o f>dos e tres drom$>ios enxairelados cam9havam entre lanz g>bosam5te empunhadas por cavalleiros robu/os4 ,tambor9os e anafis soavam em conc]to1 regul&o o ry?mo da m>*a2 vozes bradavam e a turba descia assu/&o z ovelhas e os gr&es bois que trasmalhavam mett5do-se pelos mattos4 ,os ces de gu>da1 att5tos1 d'orelhas fitas1 cons]vavam-se sil5ciosos como se reconhecessem os *egadios4 ,por vezes z lanz *ocavam-se1 t99do1 e c]rada1 na cl>idade fulva dos ar*otes1 a c>avana aproximava-se4 ,na planicie1 ao r\co e/rugir de uma buz9a1 e/ac\ em ordem4 ,ligeiram5te1 de/ros e aodados negros desfiz]am gr&es rolos1 f9c>am cepos e1 em p\co1 t5das retes>am-se4 ,os animaes1 alliviados da c>ga1 deitavam-se na h]va fresca1 espojavam-se cont5tes e1 em volta das t5das1 como uma sebe de gu]ra1 os cavalleiros crav>am z lanz pelos cantos fic&o os f]ros luz9do como e/rellas4 ,os pa/ores1 esgueir&o-se na sombra1 procuravam *eg> ao acampam5to p>a vr de p]to os *efes da ho/e que com tanta gr&eza se movia4 ,um d'elles1 mais ousado1 foi descob]to por um gr&e negro que trazia s co/as1 susp5so d'uma corr5te1 um d>do de f]ro4 ,sem tempo de fugir cahiu em pod] d vigia que logo o conduziu t5da mais sumptuosa1 toda alfaiada de s$a e purpura e nublada de aromatas4 ,lampad>ios de ouro illum9avam-na4 ,a h]va desapp>ecia sob tapetes altos1 escudos lampejavam e1 como o negro o impellisse1 viu-se o pa/or na pres5a de tres hom5s ricam5te p>am5tados1 com fotas na cabea rutilantes de gemmas4 ,eram magos das t]ras remotas4 ,um alvo1 a b>ba negra e f>ta espalhada no peito sc9tillante de p$r>ias2 outro da cr am>ellada dos filhos das extremas da ,asia2 o t]ceiro negro1 com imm5sas cam&ulas de ouro em volta d pescoo1 braceletes nos punhos1 argolas nas orelhas e na fronte alta1 preso por um na/ro1 um diamante que coruscava4 ,o pa/or ajoelh\-se e1 m$roso1 esp]ava ouvir palavras sev]as1 qu&o um dos hom5s tranquillisadoram5te p]gunt\3 --,se sabia em que pao1 por ali p]to1 nasc]a o rei dos judeus4 ,o ru/ico1 sem ent5d] a p]gunta1 fic\ arvoado1 imag9&o-se victima de uma zomb>ia4 ,lembr&o-se1 porm1 dos anjos e de todos os prodigios da noite messianica1 respondeu vagam5te3 --,p]to d'aqui nasceu--e os ceus fe/ej>am o seu natal--um m59o1 filho de pobres1 v9dos de t]ras long9quas4 ,a9da l e/ no mesmo tugurio1 ao collo da mi1 que uma l9da moa1 sob a gu>da de um ancio v5]avel4 bem p]to d'aqui1 na cav]na d outeiro sobre o qual paira e brilha a e/rella alada que app>eceu no ceu4 ,levant>am-se os tres hom5s--o pa/or sahiu da t5da e1 e/5d5do o brao na direco d outeiro1 disse3 -- ali1 sob a e/rella4 --,deve s]1 disse o negro4 ,e os dois outros concord>am4 ,e1 desp$9do o pa/or com uma bolsa de mo$as de ouro1 fic>am de p1 em sil5cio1 contempl&o adorativam5te a e/rella que respl&ecia4 99 99 99 99 99 ,adorao dos magos ,ao dealb> tron>am z buz9as e a c>avana moveu-se em direco cav]na4 ,a gr&e e/rella a9da luzia no ceu4 ,os magos seguiam fr5te nos drom$>ios e1 em torno delles1 nitriam1 c>acolavam os g9etes dos cavalleiros com os seus telizes d\rados1 os seus cap>aes de purpura4 ,qu&o a turba defront\ com a cav]na todos os hom5s ape>am e1 respeitosam5te1 com humildade de s]vos1 deix&o no limi> os papuzes m>*etados1 os magos p5etr>am zumbridos1 como se fossem de ra/os1 lev&o nas mos1 devotam5te1 z p>eas significativas4 ,recebeu-os o patri>*a e1 como a ,virgem se levantasse1 com ,jesus ao collo1 os tres hom5s pro/r>am-se de joelhos1 descobr9do-se1 depondo os turbantes1 e1 incl9&o a cabea1 fic>am um mom5to em v5]ao sil5ciosa4 ,o primeiro fal\ (f]ec5do a myrrha4 --,homem1 ,filho de ,deus1 a arvore d des]to deu d seu tronco a res9a que te (f]eo4 ,o seu p]fume uma =a que se oppe de/ruio da c>ne3 et]nisa o corpo como a ,virtude et]nisa o espirito4 ,o segundo incl9\-se com um escr9io *eio de ouro3 --,rei1 z m9as1 onde rebrilham os veios rutilantes1 d]am a poeira que te (f]eo3 ouro1 symbolo d pod]1 *amma fria da t]ra4 ,tudo elle v5ce3 a mis]ia e a propria ,virtude4 ,desopprime e escravisa1 r$ime e p]v]te1 o bem e o mal4 ,nas mos munificas luz que acl>a e salva2 nas mos crueis *amma que consome4 ,o negro fal\ por ultimo com uma pat5a de inc5so3 --,a arvore in/illa a lagrima que resc5de1 lagrima que1 ao lume1 conv]te-se em fumo e evola1 dem&&o o ceu1 como hom5agem da t]ra4 ,como lagrima1 uma conc5trao2 como aroma1 uma oblata4 o inc5so com que se glorificam os deuses4 a (f]5da das t]ras negras ao ,deus que r$ime4 ,g5te1 que afluira cav]na1 pa/ores e se>eiros1 me/eiraes1 velhos1 mulh]es e crianz das arribanas proximas entr>am e1 diante da palha humilde1 toda a gr&eza e toda a humildade confrat]nis>am e tambem o sol1 como enviado d ceu1 ador&o o ,infante da ,mis]icordia que baix>a p>a cumprir z prophecias traz5do aos hom5s a religio d ,amor4 ,e ,m>ia1 deslumbrada1 sem ouvir z vozes glorificadoras1 olhava1 contemplava1 adorava o pequ59o ,filho4 ,o sol c]c\-os de espl5dor e a ,virgem1 de p no meio da turba1 com ,jesus ao collo1 era o purissimo alt> sobre o qual se mo/r>a s g5tes o ,div9o ,p]do4 ,,indice ,pag4 ,a p>tida #e ,o anjo #ac ,lyrios #ai ,a refeio #be ,a nuvem #ca ,ao pr d sol #ci ,a t5tao #de ,o milagre das lagrimas #ee ,cam9h&o #fe ,o cg #ga ,d5tro da noite #gg ,presagio #hc ,pi$ade #ia ,cantico messianico #ig ,o campo de ,booz #aje ,na e/rada de ,be?leem #aji ,na cav]na #aac ,natal #aba ,z tres virg5s #abi ,o primeiro leite #ace ,adorao dos pa/ores #ada ,dr #adg ,receio #aea ,o somno #aeg ,palavras de ,m>ia #afa ,z duas mis #afg ,a e/rella #age ,epiphania #agi ,adorao dos magos #ahe