,,influ5cia ,,da ,,religi,o ,,sobre ,a ,,politica ,,d ,,e/ado4 ,,pelo ,,au?or ,,d ,,velho ,,lib]al ,,d ,,d\ro4 ,,lisboa3 #ahbf4 ,,na ,,impr5sa ,,da ,,rua ,,dos ,,fanqueiros ,n4 #abi ,b4 ,com lic5a4 ,,influ5cia ,,da ,,religi,o ,,sobre ,a ,,politica ,,d ,,e/ado4 ,dai a ,deus o que he de ,deus1 e a ,ces> o que he de ,ces>4 ,s4 ,mat?4 #bc4 ,montesquieu no seu livro intitulado ,espirito das ,leis1 diz3 que a ,religio ,ca?olica ,romana he mais propria p>a os ,gov]nos ,mon>*icos2 e que a ,religio ,prote/ante he mais propria p>a os ,gov]nos ,republicanos4 ,no livro que trata das causas da decad5cia d ,imp]io ,romano1 diz3 que a ,religio ,*ri/ concorreo muito p>a a decad5cia d ,imp]io dos ,ces>es4 ,eu respeito muito os tal5tos1 e s+ul> agudeza daquelle gr&e homem2 mas no posso concord> com taes proposies1 nas quaes no diviso sombras de probabilidade2 antes diviso ass]es indecorosas ,mage/ade da ,religio d ,salvador4 ,o seculo1 em que vivemos1 he mui prop5so a faz] jogo da ,religio p>a todas z revolues politicas4 ,os impios1 bem assim como os fanaticos1 qu]em a*> na ,religio os docum5tos dos seus capri*os2 e p>ece que no ha mais nobre t>efa p>a hum ,escriptor publico1 d que illu/r> os hom5s em similhantes crises1 p>a que no se abuse d que ha sobre a ,t]ra de mais sagrado1 e p>a que no se invoque o ,nome de ,deos em vo no meio de ridiculos p>tidos1 e de commoes an>quicas1 que so filhas todas dos nossos erros1 e das nossas l\cas paixes4 ,tornemos pois a ,montesquieu2 e confundamos a mania daquelles1 que p]t5dem a*> na ,religio pretextos p>a d\r> impo/uras4 ,o ,filho de ,deos na pl5itude dos tempos foi m&ado d ,ceo ,t]ra p>a reconcili> o ,ceo com o ,mundo2 p>a enlaar a ,natureza com a ,graa2 e p>a faz] de todos os ,povos hum s ,povo1 digno d ,agrado d ,pai ,cele/e4 ,prg\ a todos sem di/9co de ,gov]nos2 e m&\ os seus ,discipulos por todo o ,orbe1 sem lhes faz] excepes de ,re9os1 ou de ,republicas2 de ,gov]nos ,absolutos2 ou de ,gov]nos ,repres5tativos4 ,o seu fim era plant> o imp]io da v]dade e da virtude sobre z ru9as da m5tira e d vicio2 e os ,apo/olos tiv]o a mesma l+uagem diante dos ,reis1 que diante dos ,presid5tes d ,areopago4 ,era p>a elles indiff]5te annunci> o ,re9o de ,deos nas ,mon>*ias da ,asia1 ou nas ,republicas da ,grecia4 ,faamos pois e/e racioc9io p>a refut> sem replica1 no s a proposio de ,montesquieu1 como a p]t5o daquelles1 que prgo o ,absolutismo1 como fundado no ,*ri/ianismo4 ,a ,religio ,ca?olica ,apo/olica ,romana foi trazida d ,ceo p>a todo o ,mundo a seguir4--,ora o ,mundo era compo/o de diff]5tes ,gov]nos1 ,absolutos1 ,repres5tativos1 ,mon>*icos1 ,democraticos1 ,republicanos1 ,mi/os1 c4--,logo a ,religio ,ca?olica ,apo/olica ,romana he propria p>a todos os ,gov]nos4 ,logo he hum absurdo affirm> que a ,religio ,ca?olica no he propria p>a os ,gov]nos ,livres2 e he p]igosissimo erro affirm> que os ,gov]nos ,con/itucionaes so incompativeis com a ,religio de ,jesu ,*ri/o4 ,a ,religio no tem nada com z frmas dos ,gov]nos4 ,o ,salvador decl>\1 que o seu ,re9o no era d'e/e ,mundo4 ,elle ord5\ a seus ,discipulos1 que ob$ecessem aos ,gov]nos1 e/abelecidos em todo o ,orbe2 e no lhes m&\ indag> os ,titulos por que elles gov]navo4 ,donde se inf]e1 que a ,religio no influe sobre z diff]5tes especies de ,mon>*ias1 ou de ,republicas2 e que os ,padres no e/o au?orisados em virtude d seu ,santo ,m9i/]io a declam> contra ,gov]nos ,con/itucionaes1 ou no ,con/itucionaes2 e nem a elles compete tom> p>tidos pela ,pessoa1 ou pela frma d ,gov]no ,politico4 ,e/e argum5to he de bem facil compreh5so2 e queira ,deos que elle seja espalhado por todas essas ,aldeas p>a des5gano de alguns ,padres1 que sabem mal e/as mat]ias1 e p>a des5gano d ,povo1 que deve fe*> os ouvidos a qualqu] d\tr9a contr>ia2 pois que j ,s4 ,paulo dizia ao seu rebanho1 que depois delle virio lobos em lug> de pa/ores1 que no sab]io apasc5t> os rebanhos2 e que no pod5do s(fr] a sua d\tr9a1 se conv]t]io p>a z fabulas4 ,qualqu] ,ecclesia/ico he hum ,cidado muito respeitavel em quanto dirige o ,povo com a palavra e o exemplo pelos cam9hos da salvao2 mas qu&o se intromette em que/es politicas1 e desvaira o ,povo p>a p>tidos1 he hum falso ,pr(eta de ,belial2 e he to p]igoso ao ,?rono1 e tranquillidade publica1 quanto indigno da ,religio1 que p>ece pr(ess>4 ,nem o ,evangelho1 nem z ,epi/olas dos ,apo/olos1 e nem a ,tradio dos antigos ,padres da ,igreja au?oriso os ,m9i/ros da ,religio ,ca?olica a intromett]-se com a ,politica dos ,gov]nos2 e por isso ,montesquieu no tem razo em affirm> que e/a ,religio no he propria p>a os ,gov]nos ,livres4 ,nem elle pde argum5t> com o exemplo de alguns ,papas1 que nos seculos da b>b>idade ,go?ica se intromettro com a ,politica de alguns ,gov]nos4 ,os abusos no fazem argum5to ne/as mat]ias4 ,a ,religio sempre condemn\1 e a9da hoje condemna similhantes proc$im5tos4 ,z que/es d ,sac]docio e d ,imp]io j e/o bem elucidadas2 e o mesmo ,gov]no ,portuguez em diff]5tes epo*as tem mo/rado que sabe mant] o ,?rono em todo o seu espl5dor contra p]t5es abusivas d ,sac]docio4 ,j se sabe o que he de ,deos1 e o que p]t5ce a ,ces>2 e nem a ,junta ,apo/olica nos ha de atir> t]ra nos olhos1 porque j veio muito t>de p>a r5ov> z sc5as de sangue1 que o fanatismo apres5t\ na ,europa4 ,nunca a sci5cia da ,religio e/eve to apurada como agora1 apes> das impi$ades d seculo2 e os ,padres d\tos das nossas eras no fazem s5o remont> aos primeiros seculos da ,igreja p>a beb]em nas fontes limpas dos ,apo/olos e dos ,santos ,padres z d\tr9as que ficro escurecidas1 e viciadas no seculo decimo1 e nos seculos subsequ5tes1 at que a re/aurao das letras arranc\ o joio1 que o homem inimigo seme\ na se>a d ,pai de ,familias2 e espalh\ o cl>o ,div9o da luz1 que a invaso dos ,vndalos tonsurados t9ha escondido debaixo da rasa4 ,v&alos tonsurados *am\ ,pope aos ,padres ,godos1 que conv]t5do-se ao ,*ri/ianismo1 tr\x]o p>a elle re/os da sua b>b>idade1 e que p>ece1 deixro sem5tes1 entre ns4 ,no ,pao ,ar*iepiscopal de ,braga a9da e/o os retratos de muitos com m$onhos bigodes1 e ameaantes mitras1 segundo a moda daquelles tempos2 e alguns delles =o excell5tes ,pa/ores1 e mui ornados de virtudes no meio das trevas1 que ento (fuscavo o firmam5to da ,igreja4 ,mas deixemos esses seculos1 e esses usos1 que p\co nos podem in/ruir2 e remontemos aos dias de ,ambrosio1 e ,ago/9ho1 p>a apr5d]mos o como os ,padres se devem conduzir no meio das mudanz1 e dos ,gov]nos ,politicos4 ,o ,imp]io ,romano depois das gu]ras civis de ,m>io1 e ,syla1 e depois d despotismo dos ,ces>es1 hia cah9do aos p$aos debaixo d seu luxo1 e dos seus vicios1 sem que o ,*ri/ianismo tivesse p>te nos seus desman*os1 como ,montesquieu p]t5de3 e nem a humanidade dos ,titos1 nem a filos(ia dos ,anton9os1 nem o codigo de ,ju/9iano1 nem a val5tia de ,beliz>io podio evit> sua ru9a2 porque a maqu9a e/ava velha1 z molas reaes da virtude consumidas2 e o ro$or despotismo1 que t9ha feito baque> o ,imp]io dos ,*aldeos1 e dos ,p]sas1 a9da possuia o mesmo pre/imo1 que tem hoje1 que he--acab> com tudo1 e acab> comsigo mesmo4-- ,ne/e e/ado de fraqueza1 de ignorancia1 e de crime1 os ,b>b>os d ,norte se desp5ho em cima d ,imp]io1 como huma torr5te dos ,alpes1 qu&o o gelo se descoalha em cima dos mis]aveis1 que e/o descuidados nas suas fraldas4 ,sobre a ru9a d ,?rono ,ces>eo se e/abelecem diff]5tes ,re9os com diff]5tes frmas de ,gov]no em toda a ,*ri/&ade2 e qual foi a conducta dos ,papas1 dos ,bispos1 e de todos os ,sac]dotes ,ca?olicos8 ,gemro entre o ,ve/ibulo1 e o ,alt>3 reconhecro os novos ,reis dos ,godos1 dos ,o/ro-,godos1 e dos ,v&alos1 como havio reconhecido os ,gov]nos ,ces>eos2 e nunca se intromettro com z mudanz politicas1 apes> de que ellas influio consid]avelm5te sobre a paz da igreja4 ,s(frro de/]ros e m>tyrios no ,gov]no dos ,b>b>os1 como no ,gov]no de ,decio e ,diocleciano2 e jmais "qro sobre a legitimidade de taes ,gov]nos4 ,santo ,ago/9ho teve o desgo/o de v] a9da a invaso dos ,godos1 que de/ruro os ,templos2 e *or&o sobre z ru9as de ,c>?ago1 como ,j]emias sobre z ru9as de ,j]usalem1 compunha o seu ,livro da ,cidade de ,deos1 no qual ens9\ ,po/]idade a respeit> z ,au?oridades1 que a ,provid5cia ,div9a colloca sobre os ,povos p>a os reg] com v>a de furor1 ou com sceptro de clem5cia4 ,s4 ,j]onymo fug9do s intrigas da ,corte1 foi traduzir a ,biblia nas grutas de ,belem2 e outros =o p>a a ,!baida e ,des]tos d ,egypto e/abelec] a vida mona/ica1 que era bem diff]5te d que he hoje2 e que elev&o os espiritos contemplao das v]dades et]nas1 os di/rahia das que/es d seculo1 que s p]t5cem quelles1 a quem ,deos entreg\ o cuidado temporal de dirigir z ,naes4 ,no entanto ficro muitos ,pa/ores e ,presbyt]os p>a anim> os ,fieis no meio da invaso dos ,b>b>os3 prgavo o ,evangelho aos novos ,reis1 e novos ,povos1 e conv]t5do muitos ao ,baptismo1 inspirro aos ,b>b>os a dura ,evangelica1 e e/5dro o ,re9o de ,deos em todos os ,re9os da ,t]ra4 ,seguio-se dahi1 que os ,b>b>os =o ins5sivelm5te p]d5do a sua f]ocidade3 os ,reis fundro muitas ,igrejas2 ab&onro a sua ,idolatria2 e a ,religio d ,calv>io correo desde o ,tibre at s m>g5s d ,baltico4 ,se o ,*ri/ianismo influio naquelles ,gov]nos e naquelles ,povos1 foi s com a p]suaso1 ado&o os co/umes1 melhor&o z ,leis b>b>as dos ,lomb>dos2 e nunca tra&o planos1 nem de ,gov]nos ,repres5tativos1 nem ,absolutos4 ,em quanto os ,francos fazio os seus ,e/ados ,g]aes1 em quanto ,c>los ,magno fazia os seus ,captul>es1 e outros ,reis p>tilhavo a ,europa ao seu arbitrio1 os ,padres conv]tio os ,g5tios1 prgavo a ob$i5cia aos ,povos1 apres5tavo aos ,reis os ,juizos de ,deos sobre elles1 e no qu]io sab] das que/es d ,campo de ,m>te1 nem das ,juntas ,legislativas4 ,tanto z antigas ,decretaes1 como o ,trid5t9o na ,sesso #bb de ,re=matione prohibio sempre ao ,cl]o a +]5cia em os negocios secul>es4 ,logo a influ5cia da ,religio sobre a ,politica dos ,gov]nos era n5huma2 e os ,pregoeiros d ,evangelho no fazio mais que ext]m9> vicios1 plant> virtudes1 de/ruir erros1 e ganh> conqui/as p>a o ,ceo4 ,se os ,papas e os ,bispos tiv]o no &> d tempo uma influ5cia mui positiva em os negocios politicos1 foi porque os ,reis assim o quiz]o2 e talvez porque assim conv9ha aos int]esses da ,europa naquelles tempos1 assim como hoje convem ao ,sy/ema ,repres5tativo de ,portugal nome> os ,bispos p>a ,p>es d ,re9o4 ,porm o espirito da ,religio nada influe sobre essas c\sas2 e nem responde pelos resultados da maior1 ou m5or influ5cia1 que os ,reis do ao ,sac]docio sobre os ,negocios d ,imp]io4 ,a ,religio no olha p>a ,sy/emas ,politicos2 olha p>a a salvao dos hom5s3 o seu ,re9o he et]no2 e os seus ,dogmas fundam5taes no so v>iaveis1 e sujeitos vicissitude dos tempos1 como os ,dogmas da ,politica t]r5a4 ,cessem pois os amigos1 ou inimigos da ,religio de affirm> que ella tem huma influ5cia positiva sobre os sy/emas de ,gov]no4 ,a sua influ5cia he s sobre os co/umes2 e qu&o p>ece s] sobre os sy/emas1 he isso obra dos membros da ,religio1 e no dos dogmas1 que frmo a sua ess5cia4 ,no confundamos a obra de ,deos com a obra dos hom5s2 e no attribuamos ao espirito d ,evangelho a conducta de/e1 ou daquelle ,sac]dote1 que falla e obra segundo os seus int]esses1 ou z suas paixes1 e no segundo z maximas1 que lhe deix\ ,jesu ,*ri/o1 e os seus ,apo/olos4 ,o assass9ato de ,h5rique ,,iv1 e ,c>los ,i no foi obra da ,religio1 foi obra d fanatismo2 e a in/ituio d ,santo ,(ficio1 e revolues de alguns ,e/ados no =o dictames d ,evangelho2 =o introduces dos erros d tempo1 e da incuria dos ,reis1 que no conhecro bem1 nem os int]esses d ,?rono1 nem a ,d\tr9a d ,salvador4 ,a ,escriptura ,santa e/ *eia de s5t5z t]riveis contra os mos ,gov]nos1 e contra os ,povos revoltosos4 ,ella amaldioa os ,tyrannos2 grita contra z revoltas das ,tribus3 mas nem m&a aos ,povos que se revoltem1 nem patroc9a os ,reis1 que abuso d seu pod]4 ,l\va hum ,josias pi$oso1 condemna hum ,assu]o tyranno1 e no qu] que os seus ,discipulos conspirem contra n5hum4 ,h]odes era hum valido de ,cleopatra ,ra9ha d ,egypto1 o qual ,m>co ,antonio t9ha nomeado p>a ,rei dos ,judeos por indec5tes pr9cipios de patronato2 e qu&o elle disse a ,jesu ,*ri/o que t9ha pod] de o mat>1 ,jesu ,*ri/o no lhe conte/\ o pod]1 e s disse3 no t]ias pod] em mim1 se o ,ceo no o tivesse assim qu]ido4 ,tal he a frase da ,religio em todos os ,gov]nos2 e ella sempre reput\ como discolos e an>qui/as os ,sac]dotes que proc$em d'outra maneira1 deix&o o seu m9i/]io pacifico p>a se complic>em1 como diz o ,apo/olo1 com os negocios secul>es4 ,os ,pr9cipes das ,naes busco o dom9io1 disse o ,salvador aos ,apo/olos2 mas vs no deveis faz] o mesmo4--,vos autem non sic4-- ,nos ,re9ados de ,f]n&o de ,ca/ella1 e de ,isabel de ,arago app>eceo ,colombo1 e s]vio-se de hum frade ,confessor d ,pao1 p>a faz] com que o ,gov]no lhe desse auxilios no descobrim5to d ,novo ,mundo1 a fim de conv]t] almas p>a o ,ceo4 ,e/a ida concorreo p>a se faz] a primeira ,exp$io1 e outras subsequ5tes2 e daqui vem diz]em alguns1 que a ,religio influio na ,politica ,hespanhola p>a z b>b>idades que ,piz>ro e ,cortez commettro no ,mexico1 e no ,p]4 ,mas p>a que attribuir ao ,evangelho a desm>cada cubia d ouro1 que animava os ,hespanhoes2 e o desejo de e/5d] os seus ,dom9ios1 que devorava o seu ,gov]no8 ,se alguns ,padres concorrro p>a aquellas horrorosas ladroeiras1 no foi porque a ,religio lhes ens9asse tal conducta2 foi porque ero indignos filhos da ,igreja1 e porque mi/urados com a soldadesca contrahio os seus lic5ciosos proc$im5tos4 ,o ,bispo de ,las ,cazas1 ,s4 ,francisco ,xavi]1 ,padre ,anxieta1 e outros1 d]o ,religio hum cr$ito immortal entre os ,indios2 e se a ,religio influio alguma c\sa naquelles negocios1 foi p>a adoar a sorte dos conqui/ados1 e torn> mais br&os os conqui/adores4 ,env]gonhem-se pois os ,padres das nossas eras1 que abuso da ,religio1 qu]5do influir no confessionrio e no pulpito sobre o ,sy/ema ,politico4 ,inculquem aos ,povos o respeito e v5]ao p>a com z ,leis1 e o ,gov]no da ,patria1 que a*>em exi/5te3 e se mesmo o ,gov]no qualqu] p]seguir a ,religio1 no conspirem contra elle1 porque os antigos ,padres nunca conspirro contra os ,dioclecianos4 ,he o cumulo da insol5cia1 e da ignorancia declam> hum ,abbade1 ou outro qualqu] ,sac]dote contra hum ,gov]no1 com o pretexto de que elle no he legitimo2 ou de que he contr>io ,religio4 ,quem lhes deo au?oridade p>a se erigirem em ,juizes dos ,gov]nos8 ,ob$eo1 e preguem o ,re9o de ,deos4 ,ba/a de enxovalh> a ,religio de huma maneira to indec5te1 e to desconhecida dos primeiros ,discipulos d ,salvador4 ,no lhes ba/a o abuso1 que elles muitas vezes fazem d !s\ro dos pobres8 ,p>a que qu]em d> aos impios mais pretextos p>a declam>em contra a ,religio8 ,p>a que vitup]o o seu ,m9i/]io8 ,no sabem1 que o fanatismo he to p]igoso como a lib]t9agem8 ,concluamos pois1 que a ,religio no influe sobre a ,politica dos ,e/ados1 s5o p]suad9do com a palavra1 e o exemplo1 p>a abr&> o ,g5io dos ,reis1 e melhor> os co/umes dos ,povos3 ,o mais he dete/avel abuso4 ,os ,padres da mais alta ,j]>quia no podio t] sobre a ,t]ra maior pod]1 d que aquelle que teve o ,salvador4 ,ora1 o ,salvador decl>\ ab]tam5te diante de ,pilatos1 que no t9ha algum pod] sobre os ,re9os d ,mundo2 logo os ,padres da mais alta ,j]>quia no tem algum pod] sobre os ,re9os d ,mundo4 ,se o meu ,re9o fosse de/e ,mundo1 disse o ,salvador a ,pilatos1 os meus ,m9i/ros havio de combat]1 e disput> p>a que eu no fosse entregue aos ,judeos2 mas o meu ,re9o no he de/e ,mundo4--,si ex hoc mundo esset ,regnum meum1 m9i/ri mei utique dec]t>5t ut non trad]] ,judeis3 nunc autem ,regnum meum non e/ h9c4 ,s4 ,joo4 #ah4 v4 #cf4 ,v]dade he1 que o ,salvador depois de hav] triunfado da morte no ,sepul*ro1 disse--,foi-me dado todo o pod] no ,co1 e na ,t]ra2 e eu vos m&o por esse ,mundo1 como meu ,pai me m&\--,mas e/e pod] he m]am5te espiritual1 como evid5tem5te se inf]e das subsequ5tes palavras1 nas quaes des5volve a natureza de/e pod] diz5do--,hide1 prgai1 baptisai em meu ,nome1 e ens9ai os hom5s a obs]v> o que eu vos t5ho ens9ado4-- ,dividro os ,apo/olos entre si e/a imm5sa t>efa1 e com z armas da palavra1 e d exemplo influro muito sobre a ignorancia1 e os co/umes d seculo2 mas nunca influro sobre a frma das ,republicas ,gregas1 nem d despotismo ori5tal4 ,a ,lei ,evangelica nada t9ha de commum com z ,leis ,politicas4 ,os ,apo/olos fugio dos mos ,gov]nos1 que no os qu]io escut>2 mas no dizio aos ,povos1 que se revoltassem contra os ,reis impios1 e inimigos da ,igreja1 ,elles ens9ro1 que resi/ir ao pod] era resi/ir ,ord5ao ,div9a2 e pela palavra pod] ent5dio indi/9ctam5te qualqu] ,gov]no4 ,logo1 a9da que o ,gov]no ,con/itucional1 dado pelo ,s5hor ,d4 ,,p$ro1 ,legitimo ,rei de/es ,re9os1 fosse hum ,gov]no (f5sivo aos int]esses da ,igreja1 no t9ho os ,padres direito p>a lhe resi/ir1 e p>a ens9> aos povos a desob$ec]-lhe4 ,devio rog> a ,deos por elle1 a9da1 que fosse h]ege2 e qu&o vissem1 que elle lhes ord5ava c\sas contr>ias vontade expressa de ,deos1 devio sacudir o p dos sapatos1 e fugir p>a outro ,re9o2 ou s(fr] o m>tyrio1 porque em tal caso he melhor ob$ec] a ,deos1 d que aos hom5s1 como dizia ,s4 ,paulo1 qu&o fugia1 de hum p>a outro clima4 ,a falta de ,luzes sobre e/a mat]ia j ate\ na ,europa v]gonhosas cont5das entre o ,sac]docio1 e o ,imp]io4 ,o pod] temporal he ess5cialm5te div]so d pod] espiritual4 ,nem os ,reis podem absolv] peccados1 e consagr> ho/ias2 nem os ,padres podem julg> ,gov]nos1 nem faz] ,leis3 e qualqu] +]5cia que elles posso t] sobre z ,leis1 e ,politica d ,e/ado1 no he filha d pod] que ,jesu ,*ri/o lhes deo2 he sim dimanada da g5]osidade dos ,sob]anos1 que tem qu]ido honr> por e/e modo os ,successores dos ,apo/olos4 ,se os ,artigos d ,concilio de ,tr5to1 que no so ess5ciaes ao espirito da ,religio1 tem voga e =a em nossa ,legislao1 he porque os ,s5hores ,reis de ,portugal os quiz]o acceit>1 mi/ur&o o ,direito ,canonico com z ,leis d ,re9o2 alis no t]io algum vigor1 como na ,frana1 aonde taes ,artigos no tiv]o a mesma legal acceitao4 ,limitem-se pois os ,padres a prg> o ,re9o de ,deos2 a conduzir os ,povos pela e/rada1 que vai d tempo et]nidade2 a p]suadir a todos1 que ob$eo ao ,gov]no1 que se a*> e/abelecido em o ,?rono2 e no queiro influir sobre aquillo1 em que o seu ,div9o ,me/re nunca influio4 ,lembrem-se que ,padres de mui alta ,j]>quia1 mesmo em o nosso ,re9o1 j =o victimas de huma ju/ia sev]a1 por qu]]em resilir1 e salt> da l9ha de conducta1 que o ,evangelho lhes tem traado4 ,a ,igreja a9da no escreveo1 nem escrev] em seu ,m>tyrologio o nome daquelles1 que tem padecido por conspir>em contra os ,sob]anos4 ,a ,igreja s canoniza os que padecem pelo ,nome de ,jesu ,*ri/o2 e no reconhece por filhos os p]turbadores d ,e/ado1 e os semeadores de d\tr9as1 que no tem outro fundam5to1 que o seu mo g5io1 e ambiciosa fantasia4 ,v5de-se na ,typografia da ,rua dos ,fanqueiros ,n4 #abi ,b--e nas ,lojas de ,livros de ,caetano ,antonio de ,lemos1 ,rua d ,ouro ,n4 #aab--,romo ,jos da ,silva1 aos ,m>tyres--,antonio ,m>ques da ,silva1 ,rua ,augu/a ,n4 #aii-- ,igualm5te se a*a no ,porto na ,rua das ,flores ,n4 #ajb4--,preo #hj reis4