,a ,,vista ,,alegre ,,apontamentos ,,para ,a ,,sua ,,historia ,,por ,j4 ,a4 ,,marques ,,gomes ,,socio ,,correspondente ,,do ,,instituto ,,de ,,coimbra ,e ,,das ,,sociedades ,,de ,,geographia ,,de ,,lisboa ,e ,,porto ,,porto ,,typ4 ,,commercio ,e ,,industria #bb1 ,rua do ,corpo da ,guarda1 #bb #ahhc ,a ,,vista ,,alegre ,,apontamentos ,,para ,a ,,sua ,,historia ,,por ,j4 ,a4 ,,marques ,,gomes ,,socio ,,correspondente ,,do ,,instituto ,,de ,,coimbra ,e ,,das ,,sociedades ,,de ,,geographia ,,de ,,lisboa ,e ,,porto ,,porto ,,typ4 ,,commercio ,e ,,industria #bb1 ,rua do ,corpo da ,guarda1 #bb #ahhc ,,ao ,,senhor ,duarte ,ferreira ,pinto ,basto ,junior ,a menos de dois kilometros de ,ilhavo e sobranceira ao brao da ria de ,aveiro1 que liga a chamada ,calle da ,villa com o ,bcco1 fica a ,vista ,alegre4 ,quadra bem este titulo risonha povoao em que um dos homens mais prestimosos e emprehendedores que ,portugal tem conhecido no presente seculo1 veio fundar a fabrica de porcelanas1 que do local toma o nome4 ,a ,vista ,alegre como povoao em si1 tem tambem como o importante estabelecimento que a tornou conhecida tanto no paiz como no estrangeiro1 uma historia sua de quem a lenda por mais d'uma vez se apossou j1 deturpando-a4 ,no nos canaremos em lhe procurar a etymologia pois fra de duvida que o nome lhe proveio do formosissimo panorama1 que a contorna1 moldurando-lhe o rosto gentil4 ,anteriormente fundao da fabrica1 a ,vista ,alegre no tinha fros de povoao1 era uma quinta apenas4 ,um templo formosissimo e uma casa modesta que servia de habitao aos proprietarios da quinta1 eram os unicos edificios1 que ali existiam1 e isto ainda no primeiro quartel do seculo ,,xix4 ,a fundao d'um to bello templo1 como o de ,nossa ,senhora da ,penha de ,frana1 n'um sitio to ermo1 como era a ,vista ,alegre1 fez com que muitos principiassem a architectar romances mais ou menos verosimeis4 ,imaginaram-se desterros e deportaes1 e bem assim fofo ninho de criminosos amores d'um prelado illustre com uma dama de elevado nascimento e freira professa n'um dos conventos de ,lisboa4 ,no longe da ,vista ,alegre1 a um kilometro para o sul1 fica o antigo logar da ,ermida1 villa e concelho at #ahcd a quem ,d4 ,manoel deu foral em #h de junho de #aead4 ,n'esta povoao houve um praso1 cuja origem data de seculos1 tendo por cabea uma grande quinta denominada o ,pao da ,ermida4 ,este praso e quinta andava no senhorio dos ,mouras ,manoeis1 familia muito illustre1 pois trazem a sua descendencia de ,d4 ,branca de ,sousa1 filha de ,lopo ,dias de ,sousa1 gro-mestre da ,ordem de ,christo4 ,alguns escriptores teem confundido a quinta da ,ermida com a da ,vista ,alegre1 e affirmado que foi seu proprietario o bispo de ,miranda1 ,d4 ,manoel de ,moura ,manoel4 ,nem a quinta da ,vista ,alegre j foi conhecida por quinta da ,ermida1 nem to pouco aquelle prelado foi dono de qualquer d'ellas4 fra de duvida que ,d4 ,manoel de ,moura ,manoel vinha frequentes vezes passar alguns dias e s vezes1 mezes at1 quinta da ,ermida1 que conjunctamente com o praso do mesmo nome pertencia a seu irmo primogenito ,ruy de ,moura ,manoel4 ,durante a sua estada aqui1 travou relaes com o proprietario da quinta da ,vista ,alegre1 o ,dr4 ,manoel ,furtado ,botelho1 relaes que se foram tornando cada vez mais intimas de sorte que passados annos edificou em terrenos dependentes da mesma quinta a ,capella de ,nossa ,senhora da ,penha de ,frana4 ,por morte de ,ruy de ,moura ,manoel1 passou a quinta da ,ermida para seu filho ,rodrigo de ,moura ,manoel1 que tendo casado com ,d4 ,rosalia da ,silva1 filha de ,luiz ,lobo da ,silva1 governador e capito general de ,angola morreu sem successo1 pelo que os seus bens passaram para suas irms4 ,a ,ermida pertenceu a ,d4 ,maria ,maximilianna1 casada com ,jeronimo de ,castilho4 ,por morte d'este1 ficou sendo senhor d'ella seu filho ,jeronimo ,antonio de ,castilho que conjunctamente com sua mulher ,d4 ,joaquina ,izabel ,freire de ,castro1 a vendeu por escriptura lavrada nas notas do tabellio da ento villa de ,aveiro1 ,manoel de ,sousa ,bastos em #ae de janeiro de #agbg1 a ,zeferino ,rodrigues ,caudello4 ,em #ag de maro de #ahab fez venda da mesma quinta ao snr4 ,jos ,ferreira ,pinto ,basto1 ,d4 ,bernarda ,thereza ,umbelina ,caudello de ,maviz ,sarmento1 nta do referido ,zeferino ,rodrigues ,caudello4 ,o proprietario da quinta da ,vista ,alegre ,dr4 ,manoel ,furtado ,botelho1 tendo fallecido em #i de setembro de #agcc1 dispoz dos seus bens como se v da parte do seu testamento que passmos a transcrever do livro dos obitos da freguezia de ,ilhavo1 no anno de #agcc3 que seria sepultado na capella de ,nossa ,senhora da ,penha de ,frana1 e deixava entre outras missas1 cincoenta pela alma do seu amigo o snr4 ,bispo que foi de ,miranda4 ,instituia por sua universal herdeira ,d4 ,theodora de ,castro ,moura ,manoel1 de seus bens1 e que esta poderia vender d'elles o que lhe parecesse para dividas e ser freira sem constrangimento de pessoa alguma nem justia alguma lhe tomaria conta1 nem lhe fariam inventario2 e os bens que ficassem por sua morte d'ella1 iriam ao usufructo do seu testamenteiro o padre licenciado ,domingos ,ferreira da ,graa1 cura de ,ilhavo1 e por morte d'este a ,nossa ,senhora da ,penha de ,frana da ,vista ,alegre1 que entrando na posse seria obrigada a fabrica da capella a fazer uma festa dita ,senhora em #h de setembro de cada anno1 da qual o capello daria contas ao ,dr4 ,vizitador4 ,no foram1 ao que parece1 totalmente cumpridas as disposies do testador1 pois certo que os seus bens tiveram um destino muito differente do que o que lhe havia marcado4 ,d4 ,theodora de ,castro ,moura ,manoel era como o proprio nome o indica filha do bispo de ,miranda1 a quem pertencia tambem o appellido ,castro pois o houve de sua me1 ,d4 ,maria de ,castro4 ,aquella senhora1 destinada segundo parece para a vida claustral1 no tomou o habito1 nem to pouco chegou a casar1 mas teve um filho1 a quem deu o nome de seu pae1 d'ella1 ,manoel ,pereira de ,moura ,manoel1 que ordenando-se foi abbade da freguezia de ,s4 ,romo de ,guimares4 ,o appellido ,pereira1 do mesmo modo que o de ,castro era tambem pertena do bispo1 pois era segundo neto de ,joo ,rodrigues da ,costa e de sua mulher ,d4 ,isabel ,pereira4 ,o abbade ,manoel ,pereira de ,moura ,manoel morreu ainda em vida de sua me1 mas no sem deixar successo1 pois teve uma filha de ,d4 ,clara ,maria de ,barros1 natural de ,gondar1 no concelho de ,guimares1 ,d4 ,josepha ,caetana de ,castro1 que casou em #bj de novembro de #agdh com o capito ,manoel ,alvares ,brando1 de ,santa ,marinha de ,taboa1 no bispado de ,coimbra4 ,d'este consorcio nasceram duas filhas e um filho que todos foram baptisados na egreja de ,s4 ,salvador de ,ilhavo1 a cuja parochia pertence a ,vista ,alegre4 ,d4 ,theodora de ,castro ,moura ,manoel falleceu em #agfg1 sendo sepultada na capella de ,nossa ,senhora da ,penha de ,frana1 quaes porm as suas disposies testamentrias se as deixou1 so desconhecidas4 ,o testamenteiro do dr4 ,manoel ,furtado ,botelho1 o padre licenciado ,domingos ,ferreira da ,graa1 para quem devia passar o usufructo da herana que aquelle havia deixado a ,d4 ,theodora de ,castro ,moura ,manoel1 sobreviveu ainda a esta1 pois s falleceu em #g de maio de #aggb1 mas se elle usufruiu ou no a herana que ponto muito duvidoso1 sendo certo porm que tal herana por venda ficticia ou por outro qualquer meio1 nunca chegou a pertencer fabrica da capella de ,nossa ,senhora da ,penha de ,frana1 pois passou para o capito ,manoel ,alvares ,brando e d'este para seus filhos1 um dos quaes ,alexandre de ,castro ,brando1 que foi capito-mr de ,cantanhede1 vendeu em #ahae a quinta e capella da ,vista ,alegre ao snr4 ,jos ,ferreira ,pinto ,basto4 ,esboamos a historia da ,vista ,alegre1 agora resta-nos reunir aqui alguns apontamentos biographicos do fundador da capella de ,nossa ,senhora da ,penha de ,frana e fazer uma descripo ainda que rapida da mesma capella4 ,d4 ,manoel de ,moura ,manoel nasceu em ,serpa1 sendo seus paes1 ,lopo ,alvares de ,moura e ,d4 ,maria de ,castro4 ,filho segundo d'uma casa vinculada como era a sua1 e no querendo seguir a carreira das armas1 abraou a que lhe restava1 segundo o seu nascimento--a ecclesiastica4 ,seguindo os estudos superiores na ,universidade de ,coimbra1 doutorou-se em ,canones1 e na qualidade de oppositor a uma das cadeiras d'esta faculdade1 foi eleito collegial do ,real ,collegio de ,paulo em #bh de julho de #afch1 sendo reitor do mesmo o dr4 ,ambrosio ,trigueiros ,semmedo4 ,em #ag de dezembro de #affj foi nomeado conego doutoral da ,s de ,lamego1 d'onde passou para a de ,braga por promoo que obteve no #a4 de maio de #afff4 ,nomeado deputado da ,inquisio de vora passou para ,inquisidor da de ,coimbra em #ac de outubro de #affc1 e a deputado do ,conselho ,geral do ,santo ,officio em #ac de abril de #afgd4 ,eleito em lista triplice para reitor da ,universidade1 foi provido n'este logar por el-rei ,d4 ,pedro ,,ii1 em #bc de agosto de #afhc1 que o nomeou por essa occasio sumilher da cortina4 ,havendo prestado juramento em #af de novembro daquelle anno1 governou a ,universidade at o #a4 de fevereiro de #afij em que foi eleito o seu successor ,d4 ,nuno da ,silva ,telles4 ,durante o seu reitorado residiu por differentes vezes em ,lisboa1 principalmente nos annos de #afhh e #afhi4 ,escolhido para bispo de ,miranda em #bh de abril de #afhi1 foi sagrado em outubro do mesmo anno na egreja parochial de ,nossa ,senhora dos ,anjos de ,lisboa1 pelo cardeal ,d4 ,verissimo de ,lencastre1 sendo assistentes ,d4 ,fr4 ,luiz da ,silva1 bispo da ,guarda1 e ,d4 ,simo da ,gama1 bispo do ,algarve4 ,fazendo jornada para as ,caldas de ,s4 ,pedro do ,sul1 adoeceu gravemente nos ,ferreiros1 proximo a ,vizeu1 e ahi falleceu em #g de setembro de #afii4 ,durante a doena foi-lhe enfermeiro sollicito o bispo d'aquella diocese1 ,d4 ,jeronimo ,soares1 que assistiu tambem ao seu funeral e ordenou que fosse sepultado na capella-mr da egreja d'aquella freguezia1 d'onde as suas cinzas foram trasladadas para a ,vista ,alegre em #agjf4 ,ignora-se o anno em que ,d4 ,manoel de ,moura ,manoel mandou edificar a capella de ,nossa ,senhora da ,penha de ,frana1 mas ainda assim parece no haver duvida que foi j depois de estar bispo em ,miranda4 de bello aspecto a frontaria do templo1 avistando-se a algumas leguas de distancia os corucheus das suas duas torres4 ,o interior no menos elegante4 ,as paredes do corpo da capella so forradas d'alto a baixo de bons azulejos1 todos coevos da sua fundao--fins do seculo ,,xvii1-- a aboboda ornatada de boas pinturas a fresco4 ,tem dois altares lateraes de boa talha dourada1 dedicados ambos ,virgem1 sob a invocao do ,rosario e da ,conceio4 ,o retabulo e altar da capella-mr so trabalhos primorosos em fino marmore de ,italia4 ,embebido na parede da mesma capella e do lado da epistola1 est o tumulo do fundador1 fabricado primorosamente de granito de ,an4 ,a urna funerria sustentada por tres lees de farta juba1 que parecem prestes a ser esmagados pelo seu peso4 ,no centro da urna1 levantado em alto relevo1 est um escudo oval partido1 com as armas dos ,mouras ,manoeis1 tendo por timbre um chapeu episcopal4 ,sobre ella est a figura do bispo1 de vestes prelaticias1 meia deitada1 com a mo esquerda sobre o peito e a direita estendida com que a apontar para o ,tempo1 que est ao fundo sobraando o panno mortuario que deve cobrir o sarcophago4 ,a execuo primorosa1 conhecendo-se at nos mais pequenos lavores o primor do cinzel que o trabalhou4 ,o povo rude das aldeias visinhas1 acredita que tal obra no podia ser executada por mos de homens1 e por isso attribue-a ao diabo1 creando uma lenda que o snr4 ,brito ,aranha reproduziu j no seu bello livro ,memorias historico-estatisticas de algumas villas e povoaes de ,portugal4 ,o nome do esculptor ,claudio de ,laplada cahiu com effeito no olvido1 de sorte que o forasteiro1 que visitando a ,vista ,alegre perguntasse quem havia feito o tumulo do bispo1 recebia sempre em resposta aquella lenda4 ,fronteiro a este tumulo1 est um outro1 muito mais modesto1 sem duvida1 mas ainda assim digno de ser apreciado1 como obra que do mesmo artista4 ,sobre uma urna funeraria1 onde se v tambem um escudo1 com as armas dos ,castros1 est sentada uma figura de mulher sustentando na mo esquerda um baixo relevo1 representando uma cabea de freira1 alluso sem duvida vida monachal que o bispo desejava que sua filha ,d4 ,theodora de ,castro ,moura ,manoel abraasse1 pois era1 como as treze arruellas dos ,castros do escudo o indicam1 para ella destinado o moimento4 ,por debaixo d'este tumulo e por tanto fronteiro ao do bispo est uma grande lapide de marmore branco1 tendo gravada a seguinte inscripo latina3 ,deo opt4 ,max4 ,deiparae virgini ,diei ultimae ,supremo ,judicio ,supremus ,judex3 ,rectrici universi ,rector universitatis3 ,episcopo animarum ,animosus episcopus4 ,in ,mortis asylum1 voti titulum1 gratitudinis tropheum1 ,hoc templum1 hanc aram1 hunc tumulum dedicat sacrat signat ,ill4mus et ,r4mus ,dnus ,d4 ,emmanuel de ,moura ,manuel ,qui ,a ,b4 ,ferdinando ,castellae ,rege progenitus1 sanctorum soboles1 electum genus est3 ,armis et literis1 ordine1 et cursu manens1 stella micans1 et dimicans fuit3 ,aulae supernae cum ,pontificibus ascriptus simili gloria sacerdos ,christi erit4 ,favente natura1 comite1 virtute1 auxiliante gratia4 ,cui ,ortum dedere ,serpae ter maxime conjuges ,lupus ,alvares de ,moura1 commendator de ,trancoso1 ,trium ,ecclesiarum ,patronus1 ,trium maioratuum ,dnus ,et ,d4 ,maria de ,castro ,ex ,imperiali ,emmanuelium stirpe pari nobilitate decorata4 ,quem ,serenissimi ,portugaliae ,reges ,destinarunt caducco1 ,selegerunt consilio3 ,sancti ,officii ,tribunal ,judicem habuit ,deputatum ,inquisitorum dignissimum3 ,academia ,conimbricensis ,collegam educavit1 ,rectorem coluit4 ,ecclesiae ,luzitanae ,canonicum nutrierunt alumnum1 et sponsum receperunt ,episcopum4 ,tot gradus ,providentia ,supponente1 ,ut meritis augeretur1 quod sanguini debebatur4 ,cujus ,magnutudinem ,integritatem ,sapientiam ,multiplex fama loquitur1 ,ipsa ,juvidia fatetur1 ,hoc opus salamonicum testatur4 ,quo ,arca coronata1 suffulciens1 ,propitiatorium1 ,custodit miraculosum simulachrum ,virgae ,virginis quae rupit rupem4 ,de cujus nativitate1 quam celebrat1 gaudens1 ,sub cujus umbra1 quam desiderat1 sedens1 ,zoculo fecit locum2 ,munimentum construxit monumento4 ,herculeas columnas1 vel potius ,machabaicas1 ,saxeas fixit1 non terreas finxil1 ,ut viderentur ab omnibus navigantibus mare3 ,non plus ultra4 ,hujus tanti viri si effigiem quaeris1 ,inspict utrumque antrum3 ,franci--hispanicum scilicet1 et ,bethlemiticum4 ,quibus ,ut simon dormit2 ut ,pastor vigilat2 ,immo etiam vigilat1 cum dormit2 ,nam illic spiritus inter vigiles associatur ,caelesti militiae1 ,dum hoc corpus1 virginis protectione securum ,requiescit in pace4 ,hoc ,epitaphium insculptum ,fuit anno ,domini #afig4 99 99 99 99 99 ,,traduc,o ,ao ,deus ,omnipotente ,virgem ,me de ,deus para o ultimo dia4 ,juizo supremo ,moderador do ,universo ,bispo das almas4 ,supremo ,juiz ,reitor da ,universidade ,bispo animoso ,para ,asylo na morte1 satisfao d'um voto monumento de sua gratido dedica este templo1 consagra este altar2 erige este tumulo o ,ill4mo e ,rev4mo ,snr4 ,d4 ,manoel de ,moura ,manoel1 a quem ,o sangue do bemaventurado ,d4 ,fernando ,rei de ,castella ,communicou as virtudes d'uma raa d'eleies nunca desmentidas3 --nas armas1 nas letras1 na gerarchia2-- no progredir ,astro de brilho constante1 ,inscripto entre os ,pontifices na superna ,curia partilhara similhante gloria no sacerdocio de ,christo3 ,no lh'o nega a natureza2 acompanha-o a virtude1 auxilia-o a graa4 ,viu a luz em ,serpa gerado dos preclarissimos esposos --,lopo ,alvares de ,moura-- ,commendador de ,trancoso1 ,padroeiro de tres ,egrejas e ,senhor de tres morgados1 e--,d4 ,maria de ,castro-- descendencia no menos illustre3 da familia imperial dos ,manoeis4 ,os ,serenissimos ,reis de ,portugal destinaram-o para o ,caducco1 e elegeram-o para o seu ,conselho2 ,o ,tribunal do ,santo ,officio no cargo de ,juiz deputado o possuiu como lustre de inquisidores4 ,a ,academia ,conimbricense houve-o por collega1 e o recebeu por seu ,reitor4 ,as ,egrejas de ,portugal o occuparam no tirocinio de ,conego1 venerando-o depois como ,bispo4 ,permittiu a ,providencia quando passasse por estas provas1 para que adquirisse pelos meritos o que ao sangue era devido4 ,a fama sem descano apregoou a sua magnanimidade1 inteireza1 sabedoria1 e mesmo a inveja isto confessa2 e testemunha-o esta obra ,salomniaca em que qual arca curvada1 para abrigo1 ,propiciatorio1 se venera a miraculosa imagem da vara da ,virgem1 que fende a rocha1 ,em honra da sua natividade1 que celebra jubiloso levantou grande monumento em pequeno recinto1 esperando repousar sua sombra1 porque aspira4 ,n'elle ,construiu para defesa do monumento ,columnas d',hercules ou antes ,machabaicas fortes1 e no frageis2#a para que todos quantos correm o mar saibam que se no pode passar alm4 ,se desejas conhecer o retrato de to illustre varo1 busca-o nas duas grutas1 na franca hispanica e na bethelemica4 ,se n'ellas como ,pedro dorme1 est vigilante como pastor2 ou antes seu somno a vigilia2 pois alm se associa celeste milicia entre os vigilantes espiritos1 aqui o seu corpo est sob a guarda da ,virgem1 ,repousa em paz4 ,este epitaphio foi feito no anno de ,christo de #afig4 #a ,refere-se s torres da capella4 ,um outro monumento antigo da ,vista ,alegre1 a fonte do ,carapichel1 hoje quasi soterrada1 mandada construir em #afif pelo bispo ,d4 ,manoel de ,moura ,manoel1 e notavel pela sua frma e excellente agua1 e muito principalmente por uma inscripo em caracteres gothicos e que a que passamos a transcrever3 ,esta fonte1 navegante1 cuja liquida corrente cristaes prodiga desata attenes vistosa prende4 ,esta nympha que ao ,vouga s em leguas mais de sete adoa as aguas salgadas1 feita ,nayade ou ,nereide4 ,esta agua que o bem commum vara liberal deve de um sabio pastor sacro militar1 juiz1 regente4 ,esta veia cuja origem a do ,paraiso excede2 pois da casa da ,senhora mais bem nascida descende4 ,contm todas as virtudes das fontes mais excellentes e d remedios vida depois de dar morte sede se a frequentas por agrado4 99 99 99 99 99 ,sendo aos narcisos enfeite das graas ,natalis e das musas ,hippocrene e ,aratuhsa de ,alpheo mas por modo differente3 pois de um rio a outro rio aquella foge1 esta segue4 ,egeria de melhor ,numa que magnifico e prudente na arca o numero invoca no tanque a prata dispende4 ,biblis que1 sem culpa1 ao rio irmo por parte de ,thetis murmurando a esquivana vae abraar docemente4 ,fonte emfim do sol contigua ao templo de ,deus dos ,deuses contra a calma a fonte fria para o frio fonte quente4 ,se a buscas por medicina qual a de ,circe ou ,sthys4 99 99 99 99 99 ,fonte que as doenas cura cristal que a vista esclarece iguala a fonte de ,marsyas com benfica antitheses3 pois se aquella pedras cria est'outra pedras derrete4 ,no se turba com as vozes1 antes para que a celebrem1 sarando-as como a de ,samos as louva como a de ,eleasis4 ,ao que estuda suas margens activa a memoria sempre como a fonte de ,beocia1 opposta ao curso de ,lethes4 ,a quem da fonte ,salmacis bebeu as aguas ardentes esta agua banhando as fontes livra do amor1 qual ,seleno1 e quando perdido abrindes achas no ,vouga ou heyncestes esta qual fonte de ,erigon 99 99 99 99 99 faz com que o vinho aborreces4 ,se por devoo visitas sua affluencia perenne choro com que olhos pios na capella ,virgem servem4 fonte de ,jerich que as plantas da rosa vestem e que outro ,eliseu com ,moura fez suave1 lenta e fertil4 fonte prophetisada se tanto pde dizer-se pois sae do templo santo e vae regando a torrente4 ,do mar de graas ,maria o rio e fonte procedem mas l junto lapa mana c da mesma penha desce4 ,bebe1 pois1 bebe vontade achars que 7muitas vezes7 to util para a saude quo para a vista alegre4 99 99 99 99 99 ,historiamos ainda que a largos traos a historia da ,vista ,alegre e fizemos a descripo dos seus monumentos antigos1 agora mister que nos occupemos da sua historia moderna e do importante estabelecimento que a fez florescer e tornou conhecida no mundo da ,arte4 ,os portuguezes que haviam sido os primeiros povos da ,europa1 que introduziram a porcelana oriental no commercio do ,occidente1 foram quasi que os ultimos a ensaiarem o seu fabrico4 ,datam apenas do ultimo quartel do seculo ,,xviii estes ensaios1 realisados em ,lisboa pelo brigadeiro ,bartholomeu da ,costa e no ,rio de ,janeiro1 pelo professor regio1 ,joo ,manso ,pereira4 ,parece que as experiencias de ,bartholomeu da ,costa para obter a porcelana dura1 foram feitas na antiga fabrica do ,rato1 empregando como materia prima1 differentes barros explorados nas visinhanas de ,aveiro4 ,ignora-se hoje quaes seriam estes barros1 no obstante o affirmar-se1 no sabemos com que fundamento1 que foi o de ,talhadella1 concelho de ,albergaria4 ,o que certo porm que no arsenal do ,exercito em ,lisboa1 quando se estudava o melhor systema de fundir a estatua de ,el-,rei ,d4 ,jos ,i1 se reuniu uma importante colleco de barros de differentes pontos do paiz1 contando-se n'este numero o de ,talhadella1 que foi o preferido para a edificao do forno onde se deluiu o metal4 ,as qualidades refractarias d'este barro eram conhecidas j ento1 pois havia annos antes que um chimico francez1--,drout1 o havia descoberto1 fazendo at com elle magnificos tijolos refractarios1 para o que estabeleceu um forno nas proximidades d',aveiro1 segundo affirma ,raton4 ,dos resultados obtidos por ,bartholomeu da ,costa para o fabrico da porcelana1 so hoje apenas conhecidas uma medalha representando em relevo a estatua equestre do ,terreiro do ,pao1 e uns camafeus com o busto de ,d4 ,maria ,i4 ,tanto aquella1 como estes1 so copias de medalhas abertas em #agge1 por um dos nossos mais notaveis gravadores e illustre filho d',aveiro--,joo de ,figueiredo4 ,depois d'estas tentativas para obter uma verdadeira porcelana outras se fizeram em ,coimbra1 mas sem melhor1 ou nem mesmo igual1 resultado1 at que o snr4 ,jos ,ferreira ,pinto ,basto1 estabeleceu um pequeno laboratorio chimico no jardim do seu palacio do largo das ,duas ,egrejas em ,lisboa1 isto em #ahbj ou #ahbb1 afim de descobrir barros com os requisitos necessarios para fabricar porcelana4 ,parece que quem incutiu no animo esclarecido d'aquelle benemerito patriota esta ideia foi o general ,jos ,pedro ,celestino ,soares1 que possuia alguns dos produtos obtidos por ,bartholomeu da ,costa4 ,foram1 segundo consta1 pouco animadores os resultados agora obtidos pelo snr4 ,jos ,ferreira ,pinto ,basto1 mas como o seu animo emprehendedor no tolerava peias nem to pouco afrouxava perante qualquer contrariedade fosse ella qual fosse1 resolveu proseguir as experiencias iniciadas1 fundando desde logo uma grande fabrica4 ,o local aprazado foi ,aveiro1 e isto por a tradico indicar como sendo d'aqui o barro de que ,bartholomeu da ,costa obteve a sua chamada porcelana4 ,apesar de possuir as duas magnificas propriedades da ,ermida e da ,vista ,alegre1 o snr4 ,jos ,ferreira ,pinto ,basto1 quiz estabelecer a nova fabrica na propria cidade1 e para isso entabolou negociaes com o proprietario da ,quinta dos ,santos ,martyres1 para a adquirir1 o que no poude conseguir por esta propriedade fazer parte de um antigo vinculo4 ,attenta esta difficuldade1 resolveu ento estabelecer a fabrica na ,vista ,alegre1 para o que se principiaram a fazer ali differentes edificaes4 ,foi em janeiro de #ahbd1 que principiaram os trabalhos para a fabrica1 a que veio presidir um dos filhos do fundador1 o snr4 ,augusto ,ferreira ,pinto ,basto4 ,uma das obras que primeiro se concluiu foi um pequeno forno para cozer loua1 feito segundo as indicaes e immediata direco de ,domingos ,raimo1 oleiro d'uma fabrica de ,coimbra4 ,em abril fizeram-se as primeiras experiencias para obter a porcelana4 ,realisou-as ,bento ,fernandes1 mestre de olaria na fabrica de ,rato1 com o barro de ,util1 concelho de ,cantanhede1--e o de ,talhadella1 do concelho de ,albergaria a ,velha4 ,foi pouco satisfatorio o resultado obtido1 mas ainda assim a ideia da fundao da fabrica no soffreu quebra de sorte que o snr4 ,jos ,ferreira ,pinto ,basto pediu a ,el-,rei ,d4 ,joo ,,vi para que lhe fossem concedidos os privilegios de que gosava a fabrica de vidros da ,marinha ,grande1 o que obteve como consta dos documentos que segue3 ,d4 ,joo1 por graa de ,deus1 rei do reino unido de ,portugal1 ,brazil e ,algarves1 d'aquem e d'alm mar em ,africa1 ,senhor de ,guin1 etc41 etc4 ,fao saber que ,jos ,ferreira ,pinto ,basto me representou por sua petio1 que elle pretendia erigir para estabelecimento de todos os seus filhos com egual interesse1 ainda mesmo os menores logo que cheguem idade competente1 uma grande fabrica de loua1 porcelana1 vidraria e processos chimicos1 na sua quinta chamada da ,vista ,alegre da ,ermida1 freguezia de ,ilhavo1 comarca de ,aveiro1 visinha barra1 pedindo-me que eu houvesse por bem de auctorisar este estabelecimento na frma proposta e conceder-lhe a iseno de direitos de todos os materiaes que necessarios lhe forem para a sua laborao2 assim como tambem das manufacturas que exportar para o ,brazil ou para qualquer parte deste reino e dos paizes estrangeiros1 e todas as mais graas1 privilegios e isenes de que gosam1 ou gosarem de futuro as fabricas nacionaes1 e particularmente a dos vidros da ,marinha ,grande1 no que lhe forem applicaveis2 e tendo em considerao1 ao dito requerimento1 e constando-me por informao do corregedor da comarca1 a que mandei proceder1 que o projectado estabelecimento deve ser de grande utilidade para os povos pela vastido dos seus differentes ramos2 que construido em edificio proprio1 em que j se teem feito avultadissimas despezas2 que o seu local o mais vantajoso por ficar nas margens de um rio navegavel1 rodeado de pinheiros e outras materias combustiveis1 assim como de excellentes barros1 areias finas e brancas1 e seixo crystallisado1 tudo proprio para as vidrarias e porcelanas1 como se tem verificado por felizes ensaios2 e finalmente que o supplicante um dos negociantes mais ricos e grande proprietario de muitos predios1 tanto n'aquella comarca1 como nas do ,porto e ,penafiel1 sendo alm d'isso dotado de um genio emprehendedor1 a quem as difficuldades no embaraam1 nem desanimam as despezas2 por todos estes motivos3 hei por bem de approvar o mesmo estabelecimento na frma pedida1 concedendo-lhe todas as graas1 privilegios1 e isenes de que gosam ou vierem a gosar as outras fabricas de identica natureza3 e mando a todas as justias e mais pessoas a quem o conhecimento d'esta pertencer1 que assim o cumpram e faam cumprir como n'ella se contm1 sem duvida ou embarao algum4 ,el-,rei nosso senhor o mandou pelos ministros abaixo assignados1 deputados da real junta do commercio1 agricultura1 fabricas e navegao4 ,anselmo de ,souza ,machado ,corra de ,mello a fez4 ,lisboa1 em #a de julho de #ahbd4--;,d'esta #hjj reis4--,no impedimento do deputado secretario1 ,jos ,antonio ,gonalves a fez escrever4--7,assignados7 ,jos ,manoel ,placido de ,moraes e ,jos ,antonio ,gonalves4 ,seguem-se os registos da real junta do commercio de #bb de fevereiro de #ahbf2 da alfandega de ,lisboa de #bc de fevereiro de #ahbf3 da alfandega do ,porto de #a de maio de #ahbf2 da alfandega de ,aveiro de #ai de maio de #ahbf2 da alfandega de ,villa do ,conde de #i de junho de #ahbe4 99 99 99 99 99 ,d4 ,joo1 por graa de ,deus1 imperador do ,brazil1 e rei de ,portugal e dos ,algarves1 d'aquem e d'alm mar em ,africa1 ,senhor de ,guin1 etc41 etc4 ,fao saber aos que esta proviso virem1 que subindo minha imperial e real presena1 pela real junta do commercio1 a consulta a que mandei proceder sobre o requerimento de ,jos ,ferreira ,pinto ,basto1 em que pedia privilegio exclusivo por vinte annos1 para o fabrico de porcelana1 vidraria1 e processos chimicos da sua fabrica1 estabelecida e approvada por proviso de #a de julho de #ahbd1 na sua quinta da ,vista ,alegre1 sita no termo e freguezia de ,ilhavo1 comarca de ,aveiro1 supplicando igualmente a prohibio absoluta de se exportarem as materias primas da mesma porcelana1 para que outros emprehendedores no usem tirar commodo dos assiduos trabalhos1 fadigas e grandes despezas1 que empregou na descoberta das referidas materias nas visinhanas do ,porto e ,aveiro1 sendo elle o primeiro descobridor4 ,e constando pela mencionada consulta e averiguaes que lhe precederam1 estar o supplicante nas circumstancias de obter as graas que implora3 fui servido conformar-me com o parecer d'ella1 por minha immediata resoluo de #e de dezembro do dito anno3 e hei por bem conceder ao supplicante o exclusivo que pede por tempo de vinte annos1 ampliando o de quatorze1 que a lei em geral permitte2 em atteno utilidade e circumstancias particulares d'este estabelecimento2 ficando-lhe outrosim concedida a absoluta prohibio de se exportarem as materias primas para a porcelana1 descobertas pelo supplicante1 e confirmados os mesmos privilegios e prorogativas de que gosam as mais fabricas do reino como se expressa1 na primeira proviso4 ,e mando s justias e mais pessoas a quem o conhecimento d'esta pertencer1 que a cumpram e guardem conforme n'ella se contm1 fazendo tranzito pela chancellaria mr do reino4 ,pagou de novos direitos #edj reis1 que se carregaram ao thesoureiro d'elles a fl4 #afe v4 do livro #dj4 e se registou o conhecimento a fl4 #aai v4 do livro #if4 ,o imperador e rei nosso senhor o mandou pelos ministros abaixo assignados deputados da real junta do commercio1 agricultura1 fabricas e navegao4--,jos ,antonio ,ribeiro ,soares a fez em ,lisboa1 a #c de maro de #ahbf4--;,d'esta #hjj reis4--,na ausencia do deputado secretario1 a fez escrever e assignou ,luiz ,antonio ,rebello e ,jos ,antonio ,gonalves4 ,seguem-se os mesmos registos copiados na proviso anterior4 ,estava portanto fundada a fabrica de porcelana1 mas restava descobrir o kaulin de que ella se obtem4 ,fabricava-se loua verdade1 mas esta loua era m faiana em vez de boa porcelana4 ,procuraram-se barros em differentes pontos do paiz1 e construiram-se novos fornos1 conforme plantas vindas de ,sevres1 mas nada disto deu o resultado que se desejava1 de sorte que em #ahbf o fundador contractou na ,saxonia tres artistas para virem dirigir o fabrico da porcelana e ensinal-o aos operarios portuguezes4 ,dos tres s vieram dois1 sendo apenas verdadeiro artista um1 ,jos ,scrder1 pois o outro no passava de um charlato4 ,scrder1 que era um modelador de merito1 prestou importantes servios fabrica1 creando bons discipulos que lhe perpetuaram o nome4 ,como o artista contractado na ,allemanha1 que no chegou a partir1 apesar de haver recebido j um importante subsidio para as despezas da viagem1 era quem devia tomar a direco da officina de pintura1 contractou o snr4 ,jos ,ferreira ,pinto ,basto1 n'aquelle mesmo anno1 dois pintores de loua1 ,joo ,maria ,fabri e ,manoel de ,moraes1 discipulos da ,casa-pia de ,lisboa4 ,aquelle morreu um anno depois de ter vindo para a ,vista ,alegre2 este conservou-se ali at #ahcc1 no como pintor1 mas sim como esculptor1 produzindo n'este genero bons trabalhos4 ,tudo parecia agourar um feliz resultado1 mas tal resultado cada vez se ia tornando mais demorado e incerto1 de sorte que a empresa teria succumbido s innumeras difficuldades que surgiram de todos os lados1 se testa d'ella e dominando tudo no estivesse a incansavel actividade1 a poderosa energia1 e invencivel perseverana do snr4 ,jos ,ferreira ,pinto ,basto4 ,os operarios estrangeiros conheciam o trabalho dos materiaes a que nos seus paizes estavam habituados1 e no podiam fazer obra por aquelles que na ,vista ,alegre se lhes offereciam2 a sua aptido sendo como era puramente pratica no podia por si s crear ou modificar processos2 necessitava que o genio inventivo e a sciencia viessem em seu auxilio4 ,o snr4 ,ferreira ,pinto reconheceu esta verdade1 de sorte que em #ahcj mandou seu filho o snr4 ,augusto ,ferreira ,pinto ,basto1 a ,frana1 a fim de estudar na fabrica de ,sevres1 verdadeira escola das artes ceramicas1 os melhores processos e meios de investigao4 ,ali recebeu aquelle cavalheiro sabios conselhos e preciosas indicaes do director d'aquella importante manufactura1 o illustre ,brogniart1 que lhe fez ver a completa impossibilidade de se fabricar porcelana1 sem o kaulin1 que era o que faltava na ,vista ,alegre4 ,o snr4 ,augusto ,ferreira ,pinto regressou a ,portugal trazendo amostras do kaulin empregado em ,sevres1 e depois da sua chegada os ensaios e experiencias continuaram incessantemente na ,vista ,alegre1 mas sempre sem melhor resultado1 at que em #ahcd se descobriu o verdadeiro kaulin4 ,o snr4 ,ferreira ,pinto tinha mandado vir de differentes pontos do paiz1 por intermedio dos administradores do contracto do tabaco1 de que elle era arrematante1 amostras de quantos barros havia mais ou menos conhecidos1 a fim de se ver se entre elles se encontrava o desejado kaulin4 ,estes barros eram todos submettidos a um exame chimico1 mas com resultado sempre negativo para o fim que se tinha em vista4 ,ao mesmo tempo que se procedia a estes exames um aprendiz de oleiro1 fazia por conta propria algumas experiencias no s com aquelles barros1 mas com outros que a pedido seu lhe eram trasidos por operarios que dos concelhos de ,ovar e ,feira vinham trabalhar nas construces que na ,vista ,alegre se estavam fazendo4 ,entre estes barros veio o kaulin de ,val ,rico1 d'aquelle ultimo concelho2 trouxe-o um trolha e foi reconhecido pelo aprendiz oleiro que1 no meio da sua humilde obscuridade1 prestou o grandiosissimo servio fabrica de lhe descobrir a materia prima para o fabrico da porcelana1 servio este que no tinha podido ser prestado por os administradores do contracto do tabaco1 do paiz inteiro1 que d'isso haviam sido encarregados4 ,o descobridor pois do kaulin empregado hoje na ,vista ,alegre foi ,luiz ,pereira ,capote1 natural de ,ilhavo1 que falleceu em #ahgj4 ,descoberto o kaulin1 principiou desde ento a fabrica a produzir porcelana dura1 datando portanto de #ahcd o seu fabrico1 que se foi aperfeioando gradualmente1 de frma que em #ahdj principiou a ,vista ,alegre1 a poder competir em qualidade com fabricas estrangeiras1 o que no succedeu com os preos1 pois produzia s caro4 ,o elevado dos preos difficultou durante alguns annos a extraco de loua1 tornando-a pouco conhecida4 ,os armazens da fabrica estavam atulhados de loua1 quando em maio de #ahdf rebentou no ,minho a revoluo popular4 ,os proprietarios da fabrica receiosos de que ella fosse victima da furia popular annunciaram a venda por lotes de toda a loua em deposito1 venda que se realisou por preos bastante convidativos1 que fez com que os productos da ,vista ,alegre se espalhassem1 divulgando o seu bem acabado e a sua barateza4 ,estava aberto um novo periodo de prosperidade para a fabrica1 mas este periodo s principiou a sentir-se de #ahdh em diante1 pois o resto do anno de #ahdf e maior parte do de #ahdg1 a fabrica nada produziu1 pois estava fechada em resultado dos acontecimentos politicos d'essa epocha4 ,prosperando sempre d'anno para anno1 a fabrica chegou ao apuro em que hoje est1 apresentando largas tendencias para progredir1 tal a activa e intelligente direco que hoje tem4 ,para se avaliar dos progressos da fabrica basta dizer-se que os seus productos tem sido premiados em todas as exposies de ,londres1 ,paris1 ,philadelphia1 ,vienna d',austria1 ,rio de ,janeiro e ,porto2 do consumo que tem obtido os mesmos productos so prova irrefutavel os seguintes algarismos3 ,em #ahfj 4 4 4 4 4 #ba3idijjj ,em #ahgj 4 4 4 4 4 #bf3iidjjj ,em #ahhj 4 4 4 4 4 #di3gejjjj 99 99 99 99 99 ,conjunctamente com a fabrica de porcelana1 fundou o snr4 ,jos ,ferreira ,pinto1 na ,vista ,alegre no mesmo anno de #ahbd uma outra de vidro e cristal1 que lhe ficou annexa4 ,os primeiros trabalhos foram dirigidos por um allemo1 ,francisco ,miller1 que havia annos j estava dirigindo a do ,cvo1 no concelho de ,oliveira d',azemeis1 o qual foi substituido em #ahbf por ,joo da ,cruz e ,costa1 de ,lisboa1 que esteve a dirigir o fabrico do vidro at #ahcd4 ,foram desde logo bastante satisfatorios os resultados obtidos1 de sorte que o fundador procurou pol-a logo a par das melhores do estrangeiro1 mandando vir mestres experimentados para as differentes officinas de lapidao e floristagem4 ,para aquella contractou em #ahbj na ,inglaterra ,samuel ,hunles1 que veio para a ,vista ,alegre ganhar #bdjj reis diarios1 e ali esteve at #ahbh1 deixando bons discipulos4 ,o mestre de florista era italiano1 e no passou de ,lisboa1 onde chegou em #ahbg1 por alguem lhe affirmar que era muito miasmatico o clima da ,vista ,alegre4 ,para ali foram os aprendizes d'esta officina1 que ao fim de tres annos de pratica foram dados por promptos1 affirmando o mestre que um d'elles ,joo ,ferreira ,ribeiro1 de ,vagos1 estava j mais mestre do que elle1 o que no era sem fundamento1 pois veio para a ,vista ,alegre dirigir a officina de florista o que fez com talento4 ,no periodo decorrido de #ahcf a #ahdj1 foi enorme a produco do vidro1 e todo da melhor qualidade1 pois alguns dos productos fabricados n'esta epocha so de uma perfeio inexcedivel4 ,quando n'aquelle anno o fabrico da porcelana entrou na phase de aperfeioamento e progresso a que j nos referimos1 o do vidro principiou a decahir consideravelmente at que cessou de todo em maio de #ahdf4 ,em meados de #ahdh continuou a fabricar-se mas em muito menor quantidade e esta mesma s de liso1 pois os lapidarios e floristas1 durante aquelle interregno1 uns tinham ido para a fabrica da ,marinha ,grande1 outros applicaram-se a outros misteres1 de frma que os tempos aureos da fabricao do vidro na ,vista ,alegre1 passaram para nunca mais voltarem4 ,em #ahhj acabou de todo a fabrica de vidro1 demolindo-se o respectivo forno1 mas mesmo j at a esta epocha eram grandes as interrupes que se davam com o seu fabrico1 estando por vezes muitos mezes sem trabalhar4 99 99 99 99 99 ,annexo fabrica de porcelana e vidro1 houve tambem um laboratorio chimico1 e a elle se referem os reaes ,alvars de #a de julho de #ahbd e #c de maro de #ahbf4 ,foi fundado como aquellas fabricas em #ahbd4 ,de #ahbg a #ahcb teve por director ,d4 ,euzebio ,roiz1 official de cavallaria do exercito hespanhol e chimico muito distincto1 que veio para ,portugal como emigrado em #ahbj4 ,depois da sua sahida acabou o laboratorio1 do qual no podemos obter mais noticias4 99 99 99 99 99 ,de #ahbg a #ahce foram os productos da fabrica marcados com um ,v4 ,a4 entre duas palmas rematadas por uma cora4 ,esta marca era gravada1 sendo o carimbo aberto por ,manoel de ,moraes1 de quem j fizemos meno4 ,de #ahch a #ahfa no foi geralmente marcada a loua1 pois s em alguns servios d'almao de maior preo apparece um ,v4 ,a4 dourado4 ,de #ahfa em diante marcada toda a loua1 tanto branca como pintada1 com um ,v4 ,a4 em azul4 99 99 99 99 99 ,com o fim de crear artistas habeis para as duas fabricas de porcelana e vidro1 fundou em #ahbf o snr4 ,jos ,ferreira ,pinto ,basto1 na ,vista ,alegre um collegio com o internato1 onde se ensinava1 alm d'um dos misteres da fabrica1 instruco primaria e musica4 ,a inaugurao foi feita com grande solemnidade1 vindo assistir a ella o fundador4 ,os primeiros alumnos admittidos foram treze1 e o director ,jos ,vicente ,soares1 de ,penafiel4 ,esta instituio acabou em #ahdb1 chegando a ter nos ultimos annos quarenta alumnos4 99 99 99 99 99 ,como dependencia da fabrica1 ha tambem na ,vista ,alegre1 um pequeno mas elegante theatro1 que alm da galeria ou camarote destinado aos proprietarios da fabrica1 tem platea com capacidade para cento e oitenta logares4 ,foi fundado em #ahea1 realisando-se a inaugurao com as comedias ,um duello em ,campolide1 ,o quarto de duas camas1 ,util e agradavel4 ,o panno de bocca e bem assim o tecto foi pintado pelo director da officina de pintura ,chartier ,rousseau4 ,aquelle representa a ,vista da ,praia ,grande de ,macau1 e este ,apollo e as nove musas4 ,anteriormente fundao do actual theatro houveram dois1 datando a fundao do mais antigo de #ahbe ou #ahbg1 e que foi inaugurado com a representao da comedia ,o gallego lorpa4 99 99 99 99 99 ,como dependencia do collegio organisou-se tambem em #ahbf uma phylarmonica privativa da fabrica1 e composta unica e exclusivamente de operarios d'ella4 ,esta phylarmonica ainda continua a existir e tem tido desde o seu principio at hoje os seguintes regentes3--,jos ,vicente ,soares1 de #ahbj a #ahbh3 ,prudencio ,apolinario1 de #ahcj a #ahcd2 ,filippe ,marcelino ,classe1 de #ahcd a #ahch2 ,antonio ,dias1 de #ahch a #ahde3 ,joo ,antonio ,ferreira1 de #ahdg a #ahea2 ,antonio ,dias1 de #aheb a #ahff2 e ,joaquim ,martins ,rosa1 de #ahfg1 em diante4 99 99 99 99 99 ,os pruductos da fabrica da ,vista ,alegre tem sido premiados com medalhas de cobre e prata em todas as exposies do ,londres1 ,paris1 ,philadelphia1 ,vienna d',austria1 ,rio de ,janeiro e ,internacional do ,porto4 99 99 99 99 99 ,a fabrica da ,vista ,alegre tambem tomou parte muito activa nos acontecimentos politicos de #ahdf e #ahdg4 ,quando em #ad de maio d'aquelle anno a cidade de ,aveiro adheriu ao pronunciamento popular iniciado no ,minho1 a populao operaria da ,vista ,alegre pronunciou-se tambem e fraternisando com os que n'aquella cidade se haviam revolucionado1 marchou com elles para ,cantanhede e d'aqui para ,coimbra1 a fim de receber ordens e instruces da junta governativa1 que ali se havia installado4 ,de ,coimbra marcharam os operarios da ,vista ,alegre e os populares d',aveiro para ,villa ,nova de ,gaya1 onde se conservaram at que o ,porto adheriu tambem causa que elles defendiam4 ,feita a revoluo no ,porto em #i d'outubro contra o golpe de ,estado de #f do mesmo mez1 os operarios da ,vista ,alegre abraaram logo com enthusiasmo a causa da junta1 procedendo immediatamente organisao d'um corpo de voluntarios1 com o nome de ,batalho ,nacional do ,concelho d',ilhavo4 ,no dia #bc de outubro marchou o batalho para o ,porto1 levando por commandante um dos proprietarios e administrador da fabrica1 o snr4 ,alberto ,ferreira ,pinto ,basto1 e por major o director da mesma fabrica1 ,joo ,maria ,rissoto4 ,no dia #bh de outubro fez o batalho da ,vista ,alegre1 pois era assim que era conhecido1 a sua entrada no ,porto1 indo sua frente o ,visconde de ,s da ,bandeira1 que chegando n'esse mesmo dia de ,lisboa1 quiz honrar os valentes operarios1 commandando-os n'aquelle dia4 ,organisando-se a diviso com que o ,visconde de ,s da ,bandeira1 devia operar em ,traz-os-montes contra as foras do ,baro do ,casal1 o batalho da ,vista ,alegre foi um dos escolhidos para d'ella fazerem parte1 e como tal entrou na aco de ,valle ,passos1 que teve logar em #aj de novembro4 ,so bem conhecidos os resultados d'esta aco1 para que os relatemos aqui4 ,como o nosso proposito s fallarmos da ,vista ,alegre1 diremos que o batalho d'este nome1 entrou com galhardia em fogo sustentando-o com vigor at mesmo depois da desero dos regimentos #c e #ae de infanteria4 ,no podendo1 porm1 resistir ao choque da cavallaria e ao d'um d'aquelles regimentos1 que o carregra bayoneta1 o batalho retirou com alguma confuso para a rectaguarda1 unindo-se depois ao resto das foras com que ,s da ,bandeira voltou para o ,porto4 ,durante o resto da lucta no tomou parte em qualquer outro combate1 mas guarneceu por vezes differentes pontos das linhas e alguns d'elles muito importantes1 at que teve de depr as armas como as demais foras populares1 em virtude da conveno assignada em ,gramido em #ba de junho de #ahdg4 99 99 99 99 99 ,no dia #ac de cada mez ha na ,vista ,alegre1 um mercado muito importante1 conhecido pela triplice denominao da ,feira dos treze1 da ,ermida1 e do ,bispo4 ,este mercado foi estabelecido a requerimento do juiz1 vereadores e mais povo das villas da ,ermida e ,ilhavo1 por alvar de #ae de junho de #afic1 que ordenou que o mercado mensal se tornasse em annual no dia #ac de setembro1 dia da invocao da padroeira da capella da ,vista ,alegre--,nossa ,senhora da ,penha de ,frana4 99 99 99 99 99 ,fizemos j a historia da fabrica1 justo que agora d'ella faamos descripo ainda que rapida1 e que digamos tambem alguma cousa do systema de fabrico n'ella empregado4 ,,descrip,o ,,da ,,fabrica modestissima a apparencia exterior da fabrica1 de frma que a impresso por ella produzida ao forasteiro que pela vez primeira a visita1 nem por sombras lhe dar a conhecer que elle se acha frente a frente com um dos mais importantes estabelecimentos industriaes no s do paiz1 mas at da ,peninsula4 ,correndo parallelos com um grande parque1 pelo lado do norte1 esto os armazens da loua branca e pintada1 loja de vendas e escriptorio4 ,entre estas duas dependencias da fabrica que fica a entrada que d accesso a um pateo arborisado1 volta do qual esto os armazens j referidos1 a casa do deposito1 e officina de frmas e moldes1 e bem assim a das gazetas1 deposito de material de incendios1 casa onde se guardam os restos do antigo museu da fabrica1 officina de carpentaria1 e entrada para a estancia das lenhas4 ,so vastos os armazens de deposito de loua pintada e branca1 especialmente o d'esta ultima1 que era onde antigamente estavam os fornos de estender vidraa4 ,a officina de moldes e gazetas est bem montada como todas as restantes da fabrica2 no deposito do material de incendios1 ha duas bombas1 machados1 e canecos de pau para agua1 em profuso1 e outros objectos proprios1 tudo preparado e prompto para acudir a qualquer sinistro4 provisoria a casa onde esto os productos que compem o chamado muzeu da fabrica1 o que deveras para lamentar1 pois tornam-se dignos d'uma boa collocao1 a fim de poderem ser examinados e apreciados1 como merecem4 ,a estancia das lenhas fica ao norte do edificio e est completamente isolada d'elle4 ,mede #fg1m#fj de comprimento e #eb1m de largura4 ,a sua superficie rectangular1 tendo volta1 os telheiros que abrigam a lenha das chuvas4 ,d'aquelle pateo passa-se para as officinas da olaria4 ,so duas salas bastante espaosas1 onde ha #ch rodas d'oleiro2 junta a estas est uma outra mais pequena1 que a officina de aprendisagem e deposito de modelos4 ,junto d'aquellas ha um terreno ajardinado onde esto os telheiros para seccar a loua4 ,da officina de olaria passa-se a um longo corredor ao fim do qual esto as officinas de pintura4 ,so duas as salas destinadas para a pintura1 cheias de luz e bem ventiladas4 ,ornam-lhe as paredes esboos de ,v4 ,rosseau1 e placas de porcelana com o retrato do fundador da fabrica1 brases d'armas1 quadros de costumes1 fructos1 etc4 direita d'aquelle corredor fica a lithographia4 ,montada1 segundo todas as exigencias do fim a que destinada1 funcciona apenas de #ahhj em diante4 ,so bastante satisfatorios os resultados obtidos pelo processo lithographico1 que tem a grande vantagem de ficar muito mais barato do que o geralmente seguido na pintura da porcelana1 e aqui desde principio adoptado4 ,em seguida lithographia fica o deposito da loua que hade ser pintada e do lado fronteiro a casa das muflas onde ha tambem duas estufas para seccar a loua pintada4 ,da sala da pintura desce-se para o deposito do barro preparado e casa da amassadura1 e d'aqui para a officina de triturao1 onde se acham montados as galgas e pises a que d movimento uma machina a vapor4 ,para alm da machina esto as estufas para seccar areia1 alimentadas com o calor perdido das caldeiras1 um torno a que ella d movimento1 e as officinas de serralheria4 ,parallela com esta parte do edificio1 que a mais vasta de todo elle1 fica a estancia do carvo e differentes telheiros para a secca do barro4 ,proximo1 est a officina de lavagem e escolha de materiaes empregados no fabrico da porcelana4 ,os fornos1 esses1 tres ficam pouco acima d'estas ultimas officinas1 e o outro que o maior1 junto ao deposito da loua branca1 ao p do qual fica tambem a officina de vidrar4 ,ao norte da casa dos tres fornos e do lado fronteiro do caminho do servio da fabrica fica a officina de esculptura1 o laboratorio em que se opera a soluo do oiro e preparao de algumas tintas4 ,est tambem ahi junto a caldeira para a calcinao do gesso4 ,as materias primas empregadas no fabrico da porcelana so em toda a parte1 em que ella se fabrica1 as argilas kaulinicas1 o quartzo e o feldspatho4 ,aquellas1 vem para a ,vista ,alegre1 de ,valle ,rico1 concelho da ,feira e este de ,villa ,me1 ,mangualde e ,porto4 ,as argilas kaulinicas so aqui lavadas e passadas por peneiras a fim de se separarem os corpos em diversos estados de aggregao4 ,as areias grossas que dellas ficam so depois empregadas como quartzo4 ,o quartzo e o feldspatho so escolhidos primeiramente tambem afim de evitar que levem grandes pores d'oxido de ferro1 que ordinariamente lhe anda unido1 depois calcinam-se e levam-se para as galgas4 ,os differentes materiaes que ho de compr a porcelana1 depois de devidamente moidos e lavados so compostos e em seguida levados s ms horisontaes para os moer e misturar1 e em seguida guardados em depositos at adquirirem um certo grau de consistencia4 ,d'estes depositos vae a massa para a casa da amassadura onde lanada em vasos de barro poroso1 de frma de pyramides conicas troncadas1 a que se d o nome de coques4 ,d'estes coques a massa levada para uma larga banca de pedra1 a fim de ser amassada a ps4 ,so dois ou mais homens que amassam a porcelana na banca referida2 amassada ella dividem-a em muitas fraces1 com a frma de cones1 e que denominam plas4 ,estas plas so em seguida levadas para a officina das rodas de oleiro1 onde so separadamente amassadas mo sobre uma pequena banca de marmore1 a fim da massa ficar mais unida e homogenea1 e bem assim desapparecerem alguns veios escuros que s vezes adquire1 ficando assim apta para ser obrada4 ,o methodo empregado na ,vista ,alegre na execuo das differentes peas de porcelana1 o de encher e o de moldar4 ,as caixas refractarias--gazetas--onde se mettem as peas para serem levadas aos fornos so fabricadas por meio de moldes de gesso1 variando as suas dimenses conforme as peas que devem conter4 ,bem seccas as peas que sahiram da roda do oleiro1 ou dos moldes1 procede-se ao seu enfornamento1 collocando-se primeiramente dentro das gazetas ou sem ellas4 ,levadas ao forno so collocadas no segundo pavimento1 pois agora s recebem o calor brando1 a que chamam--chacote4 ,recebida esta primeira cosedura1 vo para a officina de vidrar4 ,o vidrado dado por immerso das peas dentro d'uma grande tina em que se acham diluidos em agua os corpos que compem o esmalte4 ,as peas mettem-se e tiram-se rapidamente ficando tambem logo seccas como se no houvessem recebido banho algum4 ,o vidrado tirado dos pontos de contacto e dado nos pontos em que a pea no o poude receber na parte coberta pela mo4 ,os retoques so feitos com pincel4 ,mettidas novamente dentro das gazetas1 sobre cujo fundo1 se lana alguma areia1 afim de que a elle ellas se no peguem1 so outra vez enfornadas mas agora no outro pavimento do forno1 a fim de receberem o grande calor que termina a cosedura4 ,as gazetas so collocadas umas sobre outras1 formando pilhas em toda a altura do forno1 a que se d o nome de fios4 ,feito o enfornamento1 em que trabalham oito forneiros e um trabalhador1 accendem-se as quatro fornalhas que tem o forno1 fazendo para que a intensidade do lume1 seja a mesma1 e ao mesmo tempo em todas as fornalhas1 a fim de estabelecer a uniformidade da temperatura4 ,passadas #aj horas de lume brando1 a que chamam lume de esquenta1 tapam-se as boccas dos fornos com tijolos refractarios1 afim de concentrar a fora do calor interiormente1 comeando ento o grande calor1 a que do o nome de lume de calda1 renovando successivamente a lenha nas fornalhas em maior quantidade que para lume brando1 conservando-se assim o fogo bem activo e uniforme ordinariamente por espao de vinte e quatro horas1 chegando algumas vezes a trinta e seis4 ,conhecendo-se que est completa a cosedura1 tira-se a lenha das fornalhas1 diminuindo gradualmente d'este modo o calor dentro do forno1 e conservando a loua dentro d'elle at que esteja completamente fria1 para ento se comear a desenfornar4 ,de entre as peas vidradas separam-se ento as que tem de ser pintadas1 para o que so conduzidas para um armazem junto s salas da pintura4 ,so muitas as cres usadas na pintura da porcelana1 quasi todas vitreficaveis e obtidas por meio de combinaes de oxidos1 saes metallicos e fundentes4 ,os oxidos empregados de preferencia so o oxido de choromio1 o de ferro1 o de uranio1 de manganez1 de zinco1 de cobalto1 de antimonio1 de cobre1 de estanho e de iridium4 ,os principaes saes empregados so o chromato de ferro1 de barita1 de chumbo e algumas vezes o chloreto de prata4 ,depois de pintada a loua vae estufa para seccar as tintas e em seguida para dentro das muflas a fim de fixar em si as tintas1 ganhando as respectivas cres1 as quaes se vetrificam com os fundentes4 ,,machinas ,e ,,fornos ,a machina a vapor1 collocada na officina de triturao1 a que j nos referimos1 foi feita em ,lisboa por ,bachelay4 ,tem duas caldeiras de fogo central e fora de #ad cavallos4 ,foi assente em #ahee por ,daniel ,werlong1 artista de raro merito com o curso de artes e officios em ,paris1 que durante alguns annos dirigiu a officina de serralheria da fabrica4 ,a chamin que d vaso ao fumo das caldeiras tem #ad1m de altura e foi construida em #ahgi1 por operarios do estabelecimento4 ,a machina communica movimento por meio d'uma correia sem fim1 a um tambor fixo no veio principal o qual o transmitte por meio de engrenagens aos differentes engenhos destinados a moer e misturar os materiaes1 empregados no fabrico da porcelana4 ,ha quatro fornos destinados para coser a porcelana1 todos com a frma cylindrica1 construidos com tijolos refractarios fabricados no estabelecimento4 ,cada um d'elles tem quatro fornalhas e dois andares2 o maior tem cinco4 ,no inferior colloca-se a loua que tem de ser esmaltada1 elevando-se a temperatura ao rubro branco1 e no superior a que tem apenas a receber o calor brando ou pequeno fogo que lhe d o poder absorvente para ser vidrada4 ,no chacote a cosedura adquire o rubro cereja proximamente a temperatura da fuso de ferro4 ,o chacote aquecido pela chamma perdida do primeiro compartimento4 ,sobre as fornalhas dos fornos ha aberturas rectangulares1 chamadas vigias por onde se observa o grau de calor e se tiram as amostras1 sobre as quaes se verifica directamente o estado da cosedura4 ,alm dos quatro grandes fornos ha outros mais pequenos destinados a fixar as tintas1 que so as muflas4 ,estes fornos1 se tal nome se lhe pode applicar1 so caixas feitas de argila refractaria1 separadas umas das outras por paredes de igual natureza4 ,contm varios compartimentos formados por folhas de ferro1 a que servem d'apoio calos tambem d'argila refractaria4 ,so oito as muflas1 tendo cada uma d'ellas fornalha independente4 99 99 99 99 99 ,escripta a historia da fabrica e feita a descripo d'ella1 nada mais nos resta do que apresentar uma resenha dos seus administradores1 directores1 mestres de pintura e manufactura de porcelana1 que o que vamos fazer4 ,eil-a3 ,administradores3--,os snrs4 ,augusto ,ferreira ,pinto ,basto1 de #ahbd a #ahbh2 ,alberto ,ferreira ,pinto ,basto1 de #ahbh a #ahef2 ,duarte ,ferreira ,pinto ,basto1 de #ahef a #ahfa2 ,domingos ,ferreira ,pinto ,basto1 de #ahfa a #ahhb2 ,duarte ,ferreira ,pinto ,basto ,junior1 de #ae de maio de #ahhb em diante4 ,directores3--,os snrs4 ,antonio d',almeida ,ferreira ,duque1 de #ahcf a #ahdj2 ,joo ,maria ,rissoto1 de #ahdj a #ahgh3 ,duarte ,ferreira ,pinto ,basto ,junior1 de #ahgh a #ahhb2 ,joo ,antonio ,ferreira1 de #ae de maio de #ahhb em diante4 ,mestres de pintura3--,os snrs4 ,victor ,francisco ,chartier ,rousseau1 de #ahcf a #aheb2 ,gustavo ,fortier1 de #ahec a #ahef2 ,filippe ,fortier1 de #aheg a #ahfj2 ,gustavo ,fortier1 de #ahfa a #ahfe2 ,joaquim ,jos d',oliveira1 de #ahff a #ahha2 ,francisco da ,rocha ,freire1 de #ahha em diante4 ,mestres de porcellana3--,os snrs4 ,joo da ,silva ,monteiro1 de #ahbf a #ahcc2 ,joo da ,silva ,monteiro ,junior1 de #ahcc a #ahch2 ,joo ,antonio ,ferreira1 de #ahch a maio de #ahhb4 ,presentemente no ha mestre de porcelana1 mas sim dois contra-mestres1 os snrs4 ,antonio ,augusto ,affonso1 que tem a seu cargo a preparao das materias primas1 frmas e modelos1 e ,manoel da ,silva ,marianno1 que dirige a manufactura4 ,fim4 ,,pre,o #bjj ,,reis 99 99 99 99 99 ,,obras ,,do ,,mesmo ,,auctor ,memorias de ,aveiro4 ,d4 ,duarte de ,menezes--esboo biographico4 ,o ,districto de ,aveiro2 noticia geographica1 estatistica1 seraldica1 archeologica e biographica da cidade de ,aveiro e todas as villas e freguezias do seu districto4 ,a mulher atravez dos seculos2 estudo historico sobre a condio politica1 civil1 moral e religiosa da mulher3 #a4 parte--sociedades primitivas1 ,china1 ,india1 ,persia1 ,assyria1 ,egypto e ,israel4 ,d4 ,joanna de ,portugal 7a princeza santa7 esboo biographico4 99 99 99 99 99 ,,em ,,via ,,de ,,publica,o ,luctas caseiras--,portugal de #ahcf a #ahea4 ,aveiro e o seu concelho4 ,,joaquim ,,de ,,vasconcellos ,e ,,marques ,,gomes ,exposio districtal de ,aveiro em #ahhb--,reliquias da arte nacional4