,library of ,portugal 7,biblioteca ,nacional de ,portugal747 99,nota de editor399 ,devido existncia de erros tipogrficos neste texto1 foram tomadas vrias decises quanto verso final4 ,em caso de dvida1 a grafia foi mantida de acordo com o original4 ,no final deste livro encontrar a lista de erros corrigidos4 ,rita ,farinha 7,setembro #bjaj7 ,,ensino ,,intuitivo ,,livro ,,destinado ,s ,m,,es ,e ,,paes ,,de ,,familia ,e ,s ,,professoras ,e ,,professores ,,de ,,instruc,o ,,primaria ,,por ,,jo,o ,,jos ,,de ,,sousa ,,telles ,socio honorario da ,sociedade das ,sciencias ,medicas de ,lisboa1 ,socio honorario da ,sociedade ,pharmaceutica ,lusitana ,,professor ,,de ,,portuguez ,e ,,introduc,o ,,historia ,,natural ,,lisboa ,,ferreira1 ,,lisboa ,c4a #acb--,rua ,aurea--#acd #ahgc ,,ensino ,,intuitivo ,,ensino ,,intuitivo ,,livro ,,destinado ,s ,m,,es ,e ,,paes ,,de ,,familia ,e ,s ,,professoras ,e ,,professores ,,de ,,instruc,o ,,primaria ,,por ,,jo,o ,,jos ,,de ,,sousa ,,telles ,socio honorario da ,sociedade das ,sciencias ,medicas de ,lisboa1 ,socio honorario da ,sociedade ,pharmaceutica ,lusitana ,,professor ,,de ,,portuguez ,e ,,introduc,o ,,historia ,,natural ,,lisboa ,,ferreira1 ,,lisboa ,c4a #acb--,rua ,aurea--#acd #ahgc ,,lisboa ,,typographia ,,universal ,,de ,,thomaz ,,quintino ,,antunes ,,impressor ,,da ,,casa ,,real #aaj--,rua dos ,calafates ,ill4mo e ,ex4mo ,sr4 ,conselheiro ,jos ,silvestre ,ribeiro ,ha annos1 ouvindo os louvores1 que intelligencia e probidade de ,v4 ,ex4a tecia um dos mais peregrinos talentos de ,portugal1 o grande poeta1 hoje ,visconde de ,castilho1 senti irresistivel desejo de ler os escriptos de ,v4 ,ex4a e de o conhecer em pessoa4 ,dessedentei-me agradavelmente e com muito proveito1 nas numerosas paginas1 que da penna de ,v4 ,ex4a haviam saido1 umas reunidas em volumes1 outras espalhadas pelos periodicos1 todas porm rescendendo suave e1 digamos assim1 castissimo perfume de natural bondade e heroicas virtudes1 qualidades que para mim valem muito mais que toda a erudio1 e que realam sobremodo a que v4 ex4a possue vastissima1 colhida no incessante estudo de quantos engenhos famosos tem opulentado as sciencias1 as artes e a litteratura4 ,j eu1 havia muito1 conversava com ,v4 ,ex4a em espirito e me reputava seu discipulo amicissimo1 quando tive a boa fortuna de fallar a ,v4 ,ex4a e de ser por ,v4 ,ex4a acolhido com a benevolencia1 que lhe conquista a sympathia de quantos o tratam4 ,data d'esse dia a nossa amizade1 confiado na qual ouso offerecer a ,v4 ,ex4a este livro modestissimo1 que se alguma cousa vale pela boa f com que foi escripto4 sympathico o assumpto2 creio que mais um brado pedindo a to necessaria reforma do ensino infantil e primario na casa paterna e na escola1 que to pouco tem ainda de paternal4 ,ser perdido1 como os que o viajante extraviado soltaria no deserto1 implorando o favor dos homens8 ,talvez4 ,incessantemente ha clamado o nosso probo amigo o ,sr4 ,visconde de ,castilho1 e nem aquella potentissima intelligencia1 nem aquella phrase1 que nos faz acreditar a fabula de ,orpho1 nem a auctoridade d'aquella quasi intuio do bom e do bello ha conseguido1 que amanhea para as criancinhas o dia da sua regenerao intellectual4 ,no serei eu mais feliz2 mas dar-me-hei por bem pago do trabalho1 que puz em escrever estas paginas1 se uma s me1 que seja1 ou um s mestre1 aproveitar os conselhos1 que lhes dou1 e se1 quando mais no obtenha1 uma criancinha me dever algumas lagrimas de menos e algum bom ensinamento a mais4 ,associando o nome illustre e venerando de ,v4 ,ex4a a esta obrinha1 imito o bom do ,aim ,martin e posso dizer a ,v4a ,ex4a o que elle disse ao mavioso ,lamartine4 ,en vous offrant ce livre1 je n'ai qu'un but1 c'est de rattacher mes paroles aux vtres1 c'est d'tayer leur faiblesse de votre force1 ma raison de votre raison4 ,je veux qu'on dise un jour3 ,ceux-ci ont connu les veritables biens1 ils se rencontrrent dans la mme foi1 ils s'aimrent devant le mme ,dieu4 ,de ,v4 ,ex4a ,admirador muito amigo ,joo ,jos de ,sousa ,telles4 ,lisboa #g de julho de #ahgc4 ,,ensino ,,intuitivo ,o livro1 que hoje publicmos1 uma tentativa modesta de acclimao de uma ida excellente1 que l por fra tem produzido optimos resultados4 ,applaudem-na unanimes os mais insignes pedagogistas inglezes1 allemes1 americanos1 francezes1 e belgas2 e ainda que tantos homens competentissimos em assumptos de ensino e educao nol-a no apregoassem famosa1 bastaria a simples enunciao d'ella1 para que enthusiasticamente a adoptassemos4 ,antes1 porm1 de exprmos minudenciosamente a ida nova1 e nova lhe chammos attendendo ao pouco que se tem vulgarisado em ,portugal1 de razo nos parece conversarmos amigavelmente com o leitor cerca de alguns pontos da educao e instruco elementar4 a educao da puericia e da juventude a mais gloriosa e ao mesmo tempo a mais difficil obrigao1 que ,deus impoz ao homem e mulher4 luz da philosophia e da moral1 a paternidade e a maternidade consistem menos em gerar o infante1 do que em desenvolver-lhe e aperfeioar-lhe incessantemente as faculdades da alma e do corpo1 at que possa cumprir os seus deveres e arrostar as contrariedades da vida na curta1 mas trabalhosa peregrinao1 que principia no bero e acaba no tumulo4 ,incumbe1 pois1 aos paes empregar todos os meios ao seu alcance1 para que os filhos1 creaturinhas imbelles1 que a ,providencia confiou a seus cuidados1 cheguem no mais curto espao de tempo1 e pelo emprego de processos razoaveis1 amenos1 e repassados de amor e ternura ao estado de perfeio physica1 intellectual e moral1 que constitue o homem1 tal qual deve ser1 tal qual ,deus quer que elle seja1 tal qual a sociedade bem organisada o requer1 para obreiro prestadio da civilisao4 ,infelizmente1 nem todos os paes conhecem os seus deveres2 e dos que os conhecem1 muitissimos ha1 que os no cumprem1 ou por modo mui imperfeito se desempenham d'elles4 ,d'esta ignorancia e negligencia funestissimas provem os maiores males1 que affligem a humanidade1 males para os quaes a maior parte das vezes no ha remedio4 ,tratando de assumpto differente1 disse um douto1 que muitas descobertas se poderiam fazer1 se opportunamente perguntassemos3 ,por que8 ,appliquemos o engenhoso e facil processo de ,arago ao exame das causas determinantes de alguns vicios sociaes1 e convencer-nos-hemos de quo exacta a nossa assero4 ,estamos na via publica4 ,de toda a parte se nos apresentam creanas esfarrapadas1 semi-nuas1 esqualidas1 famintas1 petulantes2 revolvem-se umas na lama e no p2 dormem outras1 tiritando1 chuva e ao vento2 estas divagam estendendo a mo asquerosa e pedindo uma esmola aos que passam2 aquellas soltam dos labios rosados palavras1 que fazem enrubecer os que as ouvem4 ,chamae-as1 e perguntae-lhes quem alli as deixou1 flres no esterquilinio1 passarinhos implumes entre abutres esfaimados1 anjos manchando as azas na sujidade das caladas4 ,responder-vos-ho3 ,nossas mes e nossos paes4 ,ides vosso caminho1 alegre1 tranquillo1 olhando em redor1 vendo prepassar trens sumptuosos1 soberbos cavallos1 mulheres elegantes1 homens felizes e descuidsos4 ,chega-vos aos ouvidos um echo1 um gemido1 um choro infantil2 olhaes444 ,que vdes8 ,na soleira de um portal1 vestida em uns andrajos1 quasi morta de fome e de frio uma criancinha1 cujas faces1 em vez de serem orvalhadas pelas lagrimas da materna alegria1 e aquecidas pelos beijos fervidos da que lhe deu a existencia1 se humedecem com as lagrimas da amargura infantil4 ,levantae o pobresinho1 apertae-o contra o peito1 osculae aquella carinha de jasmim e rosas1 e perguntae-lhe3 ,anjo meu1 que barbaros te deixaram aqui abandonado8 ,e a innocencia vos responder1 no com palavras1 que as no sabe ainda articular1 mas com ternissimos soluos3 ,abandonou-me meu pae e minha me4 ,alm vae caminho do cemiterio1 a tumba1 que andou de porta em porta recolhendo os miseros1 cujas familias no poderam coalhar o bastante para o modesto funeral dos seus parentes4 ,fazei-a parar2 mandae que a abram2 olhae para dentro4 ,horror6 exclamareis vs ao ver por entre os adultos exanimes1 em sacrilego desarranjo1 um bando de creanas quasi esqueletos1 rachiticas1 chagadas1 meio apodrecidas1 com signaes evidentes de terem vindo ao mundo com o estigma da morte profundamente gravado nas frontes innocentes4 ,martyres obscuros1 podereis vs dizer-lhes1 para quem o mundo no teve nem uma cora1 nem uma palma2 estrellas cadentes1 que brilhastes um momento e desapparecestes n'um eterno occaso2 quem assim vos macerou os corpinhos1 e vos deu a beber o fel da morte ao alvorecer da vida8 ,e a mudez sombria d'aquellas florinhas envenenadas na hastea1 e emurchecidas antes de desabrocharem1 responder3 ,nossos paes e nossas mes4 ,vdes aquelle peralvilho1 aquelle afeminado1 todo pomadas1 todo essencias1 gesto insolente1 olhar altivo e desdenhoso1 que vae rindo e galhofando com outros da sua ral4 ,parou1 fazem-lhe roda1 applaudem-n'o outros taes4 ,que bocadinhos de oiro estar elle a dizer8 ,escutae-o4 ,mfa da religio1 que desconhece2 insulta os sacerdotes1 que acertam de passar junto d'elle2 escandalisa as donzellas2 zomba dos ancios2 aos pobres1 em vez de os esmolar1 despede-os insolente4 ,indagae como to cedo se depravou aquelle moo1 que deveria estar ainda sentado no banco da escola4 ,dir-vos-ho que incuria paterna deve elle toda a sua ruina4 ,entrae no templo a presencear as augustas ceremonias1 que rememoram a angustiosa paixo e morte do grande amigo da humanidade4 ,que observaes8 ,a turba irreverente1 descomposta1 sacrilega1 rindo1 conversando1 ostentando galas1 trocando gracejos1 costas para os altares1 olhares distrahidos1 attitudes grosseiras e vilans4 ,quantas preces saem d'aquelles labios8 ,que pensamentos povoam aquellas mentes8 ,que piedosos affectos existem em tantos coraes8 ,escandalisa-vos o desacato8 ,quereis saber porque na egreja esto1 como no poderiam estar na casa da opera8 ,chamae de banda um dos levianos e perguntae-lhe o que lhe ho dito seus paes da grandiosa tragedia do ,calvario2 do incruento sacrificio1 que a representa1 da respeitabilidade do altar1 do valor das preces humildes e sinceras8 ,responder-vos-ha1 sorrindo3 ,no vos comprehendo2 meus paes nunca me fallaram d'essas coisas4 ,que vozearia aquella8 ,porque tantos gritos1 tamanho borborinho8 ,ergue-se um homem mal trajado1 e arenga turba4 ,poucas palavras tem dito1 e j uns o applaudem phreneticos1 j outros o vituperam enfurecidos4 o povo soberano1 que usa e abusa de seus direitos4 ,a onda encapellada das ruins paixes sobe1 sobe1 invade a improvisada tribuna e derruba o ,demosthenes improvisado4 ,todos fallam1 todos proclamam a ida nova4 ,ouamol-os4 ,abaixo os padres1 no precismos d'elles2 abaixo a religio1 que para nada presta2 acabemos com a propriedade1 os ricos s querem beber-nos o sangue2 viva o communismo1 grita um2 viva o socialismo1 que melhor1 responde outro2 nada1 nada d'isso1 venha a republica4 ,acabemos com os tributos e seremos felizes2 e o exercito para que serve8 ,elimine-se o exercito4 ,pedi instruco1 pedi ensino facil1 bom1 universal1 escolas primarias a cada canto1 bibliothecas populares1 livros optimos ao alcance de todos no preo e no estylo2 pedi moralidade1 diz com voz firme e sonora um operario1 fronte ampla1 respeitaveis cans1 rosto sereno1 mo calejada pelo trabalho4 ,fra com o visionario brada a turba4 ,que quer dizer instruco8 ,para que servem os livros8 ,para que prestam as escolas8 regouga um miseravel1 em cujo rosto se retrata a ignorancia e occiosidade2 e bradando turba1 aps si a leva canada1 mas no saciada de disparatar4 ,dirigi-vos ao operario honesto e prudente e informae-vos de quem sejam aquelles doidos4 ,uns infelizes1 dir elle1 bons coraes1 ms cabeas4 ,pobresinhos todos2 porm mais pobres de instruco que de dinheiro1 porque todos tem aptido para o trabalho1 mas a todos faltou a educao4 ,no tiveram paes1 como eu felizmente tive1 que os mandassem ensinar4 ,a mr parte nem ler sabem1 nem fazer o seu nome4 ,se lhes fordes perguntar o que seja republica1 socialismo1 communismo1 salario1 religio1 exercito1 boa f vos affirmo que no podero responder coisa que geito tenha4 ,mas deixemos estes homens1 nem todos maus2 muitos bonissimos1 desvairados pela febre ardente de antigos e profundos padecimentos1 que buscam a verdade e o bem1 como os alchimistas da idade media1 por meios absurdos e inconvenientes1 mas que tem a coragem de affrontar os perigos1 de sacrificar a propria vida1 e de soffrer com a resignao dos martyres dos primeiros seculos do christianismo esses hediondos supplicios1 a que ainda hoje o mundo civilisado assiste com profunda magoa e indignao4 ,volvamos os olhos para aquell'outros4 ,d'onde vem8 ,das enxovias4 ,para onde vo8 ,para o degredo4 ,homens1 mulheres1 crianas6 ,deixam a patria1 os amigos1 as familias1 os formosos campos1 onde nasceram1 este co to puro1 este sol to esplendido1 este clima to amoravel1 este abenoado e feracissimo torro1 para irem em paizes inhospitos luctar com a morte opprobriosa1 ralados de saudades1 roidos de remorsos1 despreziveis aos olhos de todos1 e condemnados pela voz implacavel da propria consciencia4 ,vm alli assassinos1 sacrilegos1 perjuros1 fratercidas1 patrecidas1 ladres1 incendiarios2 todos os crimes1 todas as torpezas1 todas as infamias1 o lodo asqueroso de todas as humanas miserias1 as trevas da ignorancia preversa1 a lepra do grande corpo social4 ,ponde os olhos n'aquelle quadro1 mes e paes4 ,no interrogueis os que o crime despenhou2 no insulteis a desgraa2 no amargureis mais aquelles coraes devastados e corroidos pelo crime1 onde poder haver ainda alguma fibra incorrupta e sensivel2 mas perguntae a vs mesmos que educao receberam aquelles miseros de seus progenitores8 que sorrisos e carinhos lhes cercaram os beros8 que palavras ouviram aquelles entes ao entrar na vida8 que exemplos tiveram para seguir8 quaes as escolas1 a que os mandaram8 que affectos semeiaram n'aquelles coraes8 quantas vezes lhes apontaram para o co e lhes fallaram de ,deus8 que noes lhes deram da verdade1 da justia1 da honra1 do dever8 que meios empregaram para lapidarem aquelles diamantes8 que processo adoptaram para desinvolver-lhes a intelligencia8 ,e se no acertardes com as respostas a estas e a muitas outras perguntas1 que o caso suscita1 ide-vos por essas cidades1 e villas1 e aldeias1 e povoados e indagae a historia de cada um d'aquelles infelizes4 ,raro achareis que se prevertesse o que dos paes houvesse recebido desvelada educao4 ,mas o que educao desvelada8 ,eis o ponto importantissimo1 para o qual chammos a atteno de todos4 ,no o desenvolveremos aqui4 ,assumpto para um livro1 e j larga e proficientemente tratado por grandes mestres da sciencia de educar4 ,diremos apenas1 que muitos paes e mestres ha1 por desgraa nossa e d'elles1 que no comprehendem nem a extenso1 nem a intensidade da palavra educar4 ,para uns educar crear1 nutrir o animal1 desenvolver-lhe o physico2 e nem sempre conforme os dictames da medicina e da hygiene4 ,para outros educar iniciar a criana nas regras mais elementares da leitura1 da escripta1 da contabilidade e de uma arte ou officio4 ,no falta quem se vanglorie de ter educado bem1 excellentemente1 seus filhos1 por que lhes deu mestres de linguas antigas e modernas1 de geographia1 de historia1 de philosophia e de muitas outras cousas mais4 ,tal se orgulha de ver o herdeiro de seu nome sair laureado de uma escola ou academia e entrar na sociedade precedido da fama de optimo estudante4 ,tal outro se julga em paz com a sua consciencia e se tem por excellente educador1 porque o mancebo1 cujos primeiros estudos dirigiu1 das columnas de um jornal assombra o mundo com seus artigos1 ou deleita as turbas com versos1 que reputa mais correctos e melodiosos que os de ,cames1 ,garrett ou ,castilho4 ,e consistir em to pouco a sciencia difficilima de educar8 ,no1 mil vezes no4 ,que vale ao homem1 a quem ,deus concedeu uma certa poro de intelligencia1 susceptivel de indefinido desenvolvimento1 crescer e medrar no physico1 permanecendo-lhe embryonaria a melhor das faculdades8 ,que vale ao homem1 que poderia elevar-se pelo estudo1 pela leitura1 pela applicao das potencias da alma e vir a ser um poderoso auxiliar do progresso da humanidade1 qualquer que fosse a sua posio social1 saber apenas os primeiros rudimentos das artes de aprender1 e tanto pela superficie1 que nem d'elles se possa servir1 a no ser nos mais simples usos da vida8 ,quantos e quantos dos que cursaram as escolas e as academias1 e n'ellas se distinguiram1 tiveram mais trabalho em debellar os erros da educao elementar do que em arcar com as difficuldades1 e segredos das sciencias superiores8 ,e quantos no vem dos institutos scientificos imperfeitamente instruidos1 no por culpa dos mestres1 nem d'elles mesmos1 mas pela incuria e ignorancia dos paes e dos primeiros educadores8 ,todos os homens intelligentes1 que tem consagrado a vida ao magisterio superior1 reconhecem e confessariam1 se quizessem1 que a falta de cultivo intellectual nas edades tenras difficulta extremamente aos estudantes a comprehenso das sciencias1 e os inhabilita para tirarem dos cursos mais bem delineados as vantagens1 que d'elles poderiam obter4 ,d'ahi a meia sciencia1 as ideas falsas1 a confuso dos principios1 a impossibilidade das grandes concepes1 a timidez na applicao pratica1 o desamor do estudo1 que fecunda o que nas aulas se ouviu1 e a propenso para a preguia1 que se contenta com o pouco cabedal adquirido e no busca grangear mais4 ,se das escolas superiores passarmos s secundarias1 encontraremos as mesmas causas produzindo os mesmos effeitos2 e dir-nos-ho os professores intelligentes e zelosos1 que das mos dos paes e dos primarios educadores1 receberam a mr parte dos alumnos com os olhos do espirito to cerrados ainda1 que de todo desconheciam as verdades mais elementares e intuitivas1 os phenomenos mais simples e intelligiveis1 as relaes mais claras4 ,na escola primaria1 o professor instruido1 que comprehenda quanto tem de nobre e grandioso o seu ministerio1 em apparencia to humilde1 na realidade to augusto2 que considere na criana o homem e no homem o futuro todo inteiro da humanidade2 que abranja com a vista o largo horisonte das criaturinhas1 que o rodeiam1 e que deseje dissipar as trevas d'aquelles entendimentos com luz tenue e suave1 como convem a edades infantis1 tem ainda a luctar com os defeitos da educao domestica1 que devendo ser a primeira1 a mais engenhosa1 a mais insistente1 e mais efficaz1 muitas vezes nulla1 muitas quasi nulla e quasi sempre deficiente4 ,e se o que vamos dizendo se applica em cheio educao das faculdades intellectuaes da puericia1 que so ainda assim1 as que os paes de ordinario mais appetecem ver desenvolvidas nos filhos1 outro tanto se pde asseverar da educao physica e moral4 ,conhecida a doena1 urge accudir-lhe com o remedio4 ,j o bom do ,jenuense1 mestre de nossos paes1 mestre de muitos de ns outros1 que hoje ensinamos e que suppmos ter alguma valia1 e to injustamente esquecido e mettido para o canto1 dizia3 ,principiis obsta1 sero medecina paratur1 cum mala per longas invalure moras4 ,acode ao doente apenas a molestia d o primeiro rebate2 que de nada lhe prestar o remedio1 tardio4 ,e haver remedios1 que prestem para os males de que enferma a educao elementar8 ,ha1 e muitos2 o caso est em applicar-lh'os a tempo e judiciosamente4 ,no todos apontaremos aqui1 porque no este livrinho um tratado de pedagogia1 mas to smente um1 que valer por muitos4 remedio barato1 condico esta que no para desprezar2 de facil manipulao2 composto de simples1 que por toda a parte e a toda a hora se acham2 e por cima de tudo isto1 to agradavel1 que em vez de lhe fazerem caretas1 os que o devem tomar1 o appetecem e pedem sequiosos e nunca fartos de saboreal-o4 este remedio o ,ensino intuitivo4 ,para applical-o1 diga-se j e bem alta e claramente1 nem todos servem4 ,em mos de ignorantes converte-se em veneno1 e em vez de beneficios1 s produz males4 indispensavel1 pois1 que paes e mestres1 que hajam de o empregar1 possuam profundo e variado cabedal de conhecimentos4 ,antes1 porm1 de entrarmos a dizer o que este ensino seja1 convem que nos lembremos das condices organicas1 physiologicas e intellectuaes das crianas4 o infante um organismo em via de formao1 incompleto1 fransino1 em que a vida animal consiste quasi exclusivamente no movimento tumultuoso1 na expanso incessante1 na assimilao continua4 ,abriu os olhos ha pouco1 e ainda no teve tempo de ver bem o grandioso espectaculo da natureza1 cujos protentos o deslumbram2 descerraram-se-lhe hontem os ouvidos1 e por isso lhe echoam l dentro1 ainda confusas1 as harmonias1 os ruidos1 as palavras1 que mal percebe2 aspira sofrego os aromas1 que rescendem as flores1 mas no os distingue2 sabora o nectar1 mas querer tambem provar o fl e degustar o absintho2 apalpa enlevado a pelle assetinada e suavissima das faces maternas1 mas queimar-se-ha incauto na chama da vla1 que admira1 sem a comprehender4 ,no intimo1 na cabea1 cujos ssos ainda se no consolidaram completamente1 no corao1 que palpita violento1 jorrando sangue para todo o corpo1 comeam de germinar as idas e os affectos1 cuja elaborao de hora para hora1 de dia para dia1 de mez para mez se complica1 e transmitte com incrivel velocidade4 ,so dois mundos luctando atravez do fragil envolucro1 que chammos corpo2 o mundo externo1 cujos variadissimos factos contempla attonito sem suspeitar que os determinam infinitas leis1 que os encadeam reciprocamente innumeras relaes1 e que sobre elle actuam incessantemente3 o mundo interior1 o mundo dos sentimentos1 das ideas1 dos affectos1 cuja admiravel genese comea1 e que ha de irromper atravez dos sentidos1 e reagir violento sobre os modificadores de fra4 ,a creana porque um ente material1 que tende a completar-se1 carece de muita alimentao1 de muito sol1 de muito e bom ar1 de muito movimento1 de liberdade1 e de sensaes variadas1 mas suaves1 que a deleitem1 e que attraiam a sua atteno4 ,se todas ou algumas d'estas condices lhe faltarem vel-a-heis extinguir-se subito1 como a luz de uma vla mingua de oxigenio2 ou estiolar-se e pender para o tumulo1 onde no tardar a sumir-se1 como a planta1 que germinou em solo arido e assombrado4 ,como creatura intelligente e moral1 necessita que lhe dirijam e robusteam as faculdades1 proporo que se forem desenvolvendo1 ministrando-lhes objectos apropriados s foras das mesmas faculdades1 e em quantidade tal1 que nem as cancem1 nem as desgostem4 ,no desprezo d'estes principios est1 a nosso ver1 o primeiro e mais funesto erro do actual systema da educao infantil4 ,na maxima parte das escolas da puericia entram quotidianamente as criancinhas faltas do indispensavel alimento1 e alli se conservam largas horas em casas estreitas sombrias e mal ventiladas1 respirando ar infecto1 inhibidas de fazer os movimentos1 que a sua edade imperiosamente reclama1 sem horisontes extensos e ridentes1 que as alegrem1 sem nada que as encante e lhes deleite os sentidos4 ,o mestre1 seno carrancudo e severo1 quasi sempre sufficientemente serio e concentrado1 para no lhes incutir a confiana e amr1 que so os mais suaves e ao mesmo tempo os mais fortes laos1 que prendem o discipulo ao perceptor4 ,comea a lio4 ,no ha canticos1 nem musicas1 nem exercicios gymnasticos1 nem historiasinhas1 que alegrem aquelles coraes e instruam aquellas mentes nas coisas1 que com maior facilidade poderiam comprehender4 ,para os mais pequeninos1 para aquelles que mais se lembram ainda dos beijos maternaes e das douras da casa paterna1 o triste e monotono a1 b1 c1 as aridas columnas do syllabario1 e a empyrica taboada4 ,para os mais crescidinhos1 a grammatica1 a historia patria1 a chorographia1 a doutrina christ4 ,que percebem os pobres infantes de tudo aquillo1 que involuntariamente decoram1 e machinalmente repetem8 ,nada1 ou quasi nada4 ,tomae d'entre os alumnos de uma escola o mais adiantado1 o mais estudioso1 o que mais talento revele1 e interrogae-o4 ,ouvil-o-heis repetir o compendio1 mo ou bom1 com certa facilidade e elegancia2 mas se lhe perguntardes o sentido de uma palavra1 a razo de um facto1 vel-o-heis crar e emudecer1 porque a elle1 o estudante eximio1 deixaram sempre em pouso as mais nobres faculdades da alma1 excitando-lhe apenas1 e ainda assim por um processo defeituoso1 a faculdade auxiliar1 a memoria4 ,olhar com seriedade para a educao e instruco da infancia1 e reformal-a completamente1 adequando-a s edades dos estudantinhos1 e tornando-lh'a facilima1 deleitavel1 e todo o ponto util1 no s necessidade urgente1 seno dever impreterivel4 ,o primeiro passo para esta grande reformao1 que o bom senso1 a sciencia1 a caridade1 e o interesse de todos ns esto ha muito a pedir a grandes brados1 dar-se-ha quando os governos1 os municipios1 as associaes e os particulares se resolverem a edificar casas para escolas infants1 e primarias1 espaosas1 alegres1 agasalhadas1 com o seu jardim1 meio descoberto1 meio assombrado com arvoredo1 tendo no centro um pequeno lago ou tanque e aos lados alguns apparelhos e jogos gymnasticos2 quando a frequencia da escola infantil1 preparo para a primaria1 fr obrigatoria2 quando o ensino da infancia fr esclusivamente confiado a mulheres intelligentes1 instruidas1 honestas e amoraveis1 que do corao se consagrem ao ministerio sacratissimo de educadoras1 e que a todos os discipulos1 amem e acarinhem1 como se fossem todos elles seus filhos queridos2 e quando finalmente o ,ensino intuitivo se tornar obrigatorio e exclusivo nas escolas infants2 e obrigatorio1 como auxiliar de qualquer outro1 nas escolas primarias e secundarias4 ,muitos annos ho de decorrer1 infelizmente1 primeiro que se realizem estes nossos alvitres4 ,levantar-se-ho contra elles os ramerraneiros1 os enthusiastas do passado1 os indifferentes1 os que no crem no aperfeioamento humano comeado a operar na escola infantil1 os que s vem a prosperidade publica1 no exercito1 nas estradas1 nos caminhos de ferro1 nos telegraphos electricos1 nas escolas superiores1 nas academias1 e nos museos1 como se tudo isto no estivesse a pedir1 para ser verdadeiramente util1 muita e slida instruco no povo1 muita moralidade1 e muito amor ao trabalho1 e como se estas indispensaveis qualidades as podesse ter uma nao1 onde no ha escolas infants1 onde as escolas primarias so pouquissimas e defeituosas1 onde os methodos de ensino so ruins1 e onde os professores1 muitos d'elles dignissimos e habeis1 so to vergonhosamente retribuidos1 que para pobrissimamente viverem1 tm de se occupar em misteres totalmente alheios do ensino e educao4 ,muitos annos1 repetimos1 ho de decorrer primeiro que os exemplos da ,america1 generosissima com a instruco primaria1 sejam imitados na extrema ,europa4 ,no o quer o deficit1 exclamaro os financeiros1 e applaudil-os-ho todos os que mais ou menos manuseam o oramento do estado4 ,se a indole d'este escripto o permittisse1 facil nos seria impugnar esta nefasta e incessante invocao da pobreza publica1 e mostrar que em ,portugal o que falta1 e muito1 verdadeiro patriotismo1 sincera vontade de progredir1 a iniciativa individual nos arrojados commettimentos1 caracteristicos dos povos1 que comprehendem os seus deveres de membros da grande familia social e que os no pospe aos seus interesses particulares4 ,colhmos1 porm1 as vlas s consideraes1 que todos estes assumptos nos suggeriram1 e entremos j a dizer o que seja o ,ensino intuitivo1 e as vantagens que d'elle resultam4 ,todos os que lidam com crianas tero percebido que nas primeiras idades o homem dominado incessante e invencivelmente pela curiosidade1 ou desejo de saber2 que para saciar esta inclinao empregam os infantes no s os olhos1 mas os outros sentidos2 que ao verem um objecto1 mrmente se lhes agrada1 ficam diante d'elle como que absortos1 com os olhos mui abertos1 s vezes quasi sem pestanejar2 que se lh'o consentem1 tomam nas mosinhas o que primeiro estiveram vendo1 e o apalpam1 a principio com timidez1 depois com afoiteza2 que o levam ao nariz1 e bocca1 e que por fim comeam de separar as partes de que se compe1 se no inteirio4 ,apoz tal exame1 e s vezes simultaneamente1 chovem as perguntas3 ,o que isto8 ,quem fez8 ,de que 8 ,para que serve8 ,quem trouxe8 ,tero tambem observado os educadores1 que n'estes exercicios instinctivos1 as criancinhas1 em geral1 no comparam1 nem por consequencia raciocinam4 ,fazem como as abelhas1 que andam de planta em planta1 de flr em flr1 colligindo os materiaes com que mais tarde ho de fabricar o seu mel4 ,com a differena que as abelhas nasceram aptas para aquella industria e nunca em vez de mel nos do outro produto2 e as criancinhas1 artistas novis1 mas livres e dotadas de intelligencia perfectivel1 podem pela maneira imperfeita porque as suas faculdades intellectuaes e moraes se comearem a desenvolver1 e continuarem a exercer-se1 viciar de tal arte o espirito1 que de futuro ou nada possam conhecer bem1 ou s com extrema difficuldade e grande dispendio de tempo4 ,em aproveitar as naturaes tendencias da infancia e juventude1 em amenisar-lhe o comeo da extensa e espinhosa senda1 que tem de percorrer na vida1 em desenvolver-lhes e aperfeioar-lhes gradual e insensivelmente as faculdades2 em enriquecer-lhes de copiosos e variadissimos conhecimentos o espirito2 em formar-lhes o corao1 desenvolvendo n'elle astuciosamente o gosto do bom1 do bello e do verdadeiro2 em habilital-as o mais cedo possivel1 sem a minima violencia1 para a vida pratica1 deixando para tempo opportuno theorias e systemas1 para comprehender os quaes mister intelligencia robusta1 em que consiste o ,ensino intuitivo4 este ensino primeiro que tudo dos sentidos externos1 os quaes maneira que se vo exercendo sobre os objectos1 para lanarem no espirito os germes de quantas sciencias e artes ha1 se aperfeioam insensivelmente1 adquirindo cada dia mais vigor e aptido4 pois indispensavel que os educadores procurem especialmente que as criancinhas empreguem os sentidos1 ora simultanea1 ora successivamente1 nas cousas que tenham de estudar1 que as vejam de perto1 que as tomem nas mos1 que as cheirem1 que as provem1 quando no houver inconveniente1 que as dividam e recomponham1 sem que se lembrem de que esto a estudar4 ,tudo servir para estes exercicios intuitivos1 se o educador tiver instruco variada e profunda4 ,tudo servir1 por que1 como disse ,jacotot3 ,tudo est em tudo4 ,um gro de areia1 um alfinete1 uma agulha1 um boto1 um palito1 uma moeda de prata ou cobre1 a folha de uma arvore1 um bago de uva1 sero compendios to importantes como um cavallo1 uma ave1 um peixe1 um relogio1 uma caixa de musica1 ou uma machina de cozer4 ,milhares de cousas baratissimas se podero apresentar aos estudantinhos para larguissimamente os instruir2 muitissimas haver em todas as casas1 taes como cadeiras1 mezas1 pennas1 papeis de differentes qualidades1 flres1 fructos1 relogios1 thesouras1 campainhas1 etc4 ,de um sem numero de objectos se podero obter modelos em ponto pequeno ou de madeira ou de papelo1 ou de qualquer outra substancia apropriada4 ,na falta absoluta de exemplares naturaes1 que so os melhores1 ou de copias em vulto1 que servem perfeitamente1 sendo bem feitas1 empregar-se-ho com muita vantagem estampas coloridas ou em negro4 ,o que deve ser banido das escolas infants o syllabario1 a taboada1 o cathecismo1 a grammatica1 o compendio de chorographia e o de civilidade4 ,da exposio1 exame e comparao das coisas ou das estampas1 segundo o processo que j vamos indicar1 que as crianas ho de ir colhendo as idas exactas e claras1 que depois sabero associar s mil maravilhas1 formando espontaneamente optimos juizos e raciocinios4 ,tratando das viagens de ,homero e do estudo pratico das pessoas e cousas1 que habilitou o immortal filho de ,climene a compr os protentos litterarios denominados ,iliada e ,odyssa1 diz ,bitaub o seguinte1 que a expresso da verdade3 ,os livros so uteis1 mas favorecem certa indolencia1 que obsta a que o leitor observe por si mesmo2 lendo1 vemos a maior parte das cousas pelos olhos dos outros1 e representmos ao nosso espirito imagens de outras imagens2 se observassemos directamente os objectos graval-os-hiamos mais profunda e claramente no espirito4 ,qual o resultado da falta de observao directa8 perdermos a perspicacia e sagacidade indispensaveis para observar com perfeio fora de no as exercitarmos e de no contemplarmos a natureza1 excellente mestra1 que jmais se deve despresar4 ,adquirem-se verdade1 mais idas1 mas imperfeitas e superficiaes1 de que resultam quadros frios e incompletos4 ,todos os pedagogistas1 que se teem occupado d'este systema de ensino1 encarecem o proveito que se tira da substituio dos livros de texto1 que os meninos decoram sem os entender1 pelas estampas1 que muito os deleitam e que examinam attentos1 colhendo das palavras do educador1 a proposito de cada uma1 infinitos conhecimentos1 que jmais esquecero4 mister1 porm1 que as estampas sejam mui perfeitas1 para que no viciem nas crianas o gosto do bello e da verdade1 e que sejam graduaes1 como tudo deve ser na educao4 ,a regra fundamental do ensino intuitivo1 a qual nunca deve esquecer 3 ,caminhar do conhecido para o desconhecido1 do facil para o difficil1 do commum e trivial para o menos commum ou mais raro4 ,para realisar este preceito maximo1 cujo despreso annularia o systema1 convir que os educadores no entretenham seus discipulos com objectos tomados ao acaso1 mas que sigam um processo gradual1 lento e invariavel1 nunca lhes chamando a atteno para cousas1 cujos componentes elles ainda no conheam1 nem lhes fazendo perguntas para responder s quaes no estejam habilitados4 ,dmos alguns exemplos4 ,se praticarmos com mocinhos a respeito de uma caixa de pinho1 que estejam vendo1 poderemos convenientemente perguntar-lhes o feitio que tem1 as partes de que se compe1 para que serve a tampa1 para que esto ali as argolas e a fechadura2 poderemos interrogal-os cerca dos usos da caixa1 fallar-lhes do perigo de entalar os dedos quando a fecharmos1 ou de nos ferimos se a tampa cair sobre as nossas mos ou cabea2 poderemos ainda indagar se sabem o nome que se d aos artistas1 que trabalham em madeira2 mas no lhe fallaremos do pinho1 sem que elles tenham visto um pinheiro natural ou pintado1 e a respeito d'esta arvore tenham adquirido os convenientes conhecimentos4 ,se conversarmos cerca de uma moeda de prata1 bom ser perguntar-lhes como se chama aquelle dinheiro1 de que feito1 que feitio tem1 por que no quadrado1 nem triangular 7aqui far o professor com o giz no quadro preto a figura do triangulo e do quadrado71 o que tem n'uma e outra face1 que representa a effigie e as armas1 para que serve o dinheiro1 etc41 etc42 mas abster-nos-hemos de lhes dizer que a prata da moeda uma liga de prata e cobre1 se por acaso ainda no souberem o que uma liga metallica1 nem conhecerem o cobre4 ,convm estar prevenido para um caso1 que muitas vezes se deve realisar na pratica d'este ensino4 ,a natural prespicacia de alguns meninos e os conhecimentos adquiridos na convivencia de seus paes e amigos ou na leitura1 se forem j ledores1 habilital-os-ho a fazerem perguntas1 a que o educador no poder ou no saber responder4 ,quando isto acontea1 nem se enfade ou envergonhe o educador1 nem illuda a curiosidade infantil1 que de tanto serve n'este systema4 ,se a pergunta versar sobre assumpto1 que o mestre ignore completamente ou conhea pouco1 isso mesmo declare ao estudante com toda a franqueza2 se fr attinente a cousas1 para conhecer as quaes o mocinho no esteja preparado1 ou que toquem em pontos1 que a decencia no permitta explanar1 diga-lhe sem desabrimento1 que no tempo ainda de saber o que pergunta4 ,e para que nem o credito scientifico do educador soffra detrimento1 nem os meninos se desgostem e abstenham de perguntar1 bom ser que o educador a miudo lhes mostre em phrase accommodada s suas intelligencias1 e por meio de exemplos1 quo numerosos so os conhecimentos humanos1 que impossivel que todos saibam tudo1 e que1 para adquirir sciencia de bons quilates1 indispensavel ir a pouco e pouco1 e no investigar certas cousas1 antes de ter adquirido noes exactas de outras4 ,para que o ensino intuitivo produsa todos os bons resultados que d'elle se podem esperar1 no basta progredir do conhecido para o desconhecido1 do simples para o composto2 indispensavel que os alumnos no conheam o plano adoptado pelo professor1 e que no percebam que o que elle lhes vae ensinando tende a um determinado fim e se ajusta para os iniciar nas sciencias1 cujas leis e applicaes mais importantes s mais tarde tero de estudar4 ,para a realisao d'este importante segredo do ensino intuitivo1 iremos ns offerecendo aos educadores em publicaes successivas1 se esta nossa tentativa merecer o favor publico1 as lies graduaes1 que devero constituir um curso completo4 ,recommendam os mestres d'esta especialidade1 no intuito de no enfadar os estudantes e de os conservar attentos1 que cada lio no exceda quinze ou vinte minutos4 ,diremos1 porm1 que a pratica nos tem mostrado poder s vezes a lio prolongar-se at duas horas e mais1 sem que os estudantes se enfastiem nem deixem de attender ao que se lhes mostra e explica4 ,consegue-se este resultado amenisando a pratica com historietas1 de que os meninos muito gostam1 com exemplos1 que elles bem comprehendam1 com a citao de proverbios1 anexins1 e anecdotas consoantes ao assumpto de que se trata1 e mais que tudo com o dialogo mui cortado entre elles e o professor4 ,haja sempre n'estas lies a maxima variedade apparente1 tanto no objecto do estudo como na frma1 no dizer1 nas concluses e at na collocao dos objectos e dos estudantes4 ,a monotonia1 a ordem1 alm de certos limites1 entristece a escola e cana os escolares4 ,a par do ensino das cousas andar sempre o ensino da moral1 da hygiene1 da economia domestica1 da religio1 da organisao social1 da historia1 da geographia1 das bellas artes1 de tudo2 com preferencia do mais util2 mas sem estudos de cr1 sem declamaes1 nem theorias transcendentes1 nem listas de nomes de pessoas1 nem datas escusadas2 tudo ao de leve1 saboroso1 convidativo1 e nem assim em grandes dozes1 nem todos os dias4 ,permitta-se-nos que ponhamos aqui dois exemplos de como se dever proceder n'estes pontos1 e no os tenham na conta de ridiculos1 que nada ridiculo1 quando se trata de espedregar a estrada1 que ha de precorrer a puericia4 ,estamos na escola1 estudando um objecto qualquer4 ,ouve-se ganir um co na rua4 ,logo o professor interrompe o estudo1 e pergunta a um dos escolares1 se algum vir distraido1 a esse se dirigir3 ,p4--,que aquillo1 alli1 na rua8 ,e4-- um co a ganir1 responder o estudante2 e o dialogo proseguir1 pouco mais ou menos1 do seguinte modo3 ,p4--,o co est ganindo ou ladrando8 ,e4--,est a ganir4 ,p4--,quantas qualidades de sons ou vozes produzem os ces com a bocca8 ,e4--,no percebo a pergunta4 ,p4--,eu me explico4 ,os ces no esto sempre calados444 ,e4--,j percebo o que o senhor professor pergunta4 ,os ces ladram4 ,p4--,e quando esto tristes1 ou quando ouvem certos sons1 que lhes no agradam1 ladram8 ,e4--,no1 senhor1 uivam4 ,p4--,e quando esto a roer um sso1 e outro co ou qualquer pessoa lh'o quer tirar1 o que fazem8 ,e4--,rosnam4 ,p4--,e se lhes batem1 ou os apedrejam8 ,e4--,pem-se a ganir4 ,p4--,mui bem2 os ces1 pois1 podem ladrar1 ou latir1 rosnar1 uivar1 e ganir4 ,aqui1 se os meninos tiverem j conhecimentos de grammatica1 dir o professor como de si para comsigo1 mas em voz alta3 aqui temos cinco verbos1 e repetir1 contando pelos dedos ou batendo com o lapis na mesa3 o verbo ladrar1 o verbo latir1 o verbo rosnar1 o verbo uivar e o verbo ganir4 ,e continuar1 como quem se est recordando do que aprendeu3 palavras que representam aces praticadas ou feitas pelo co4 ,e logo1 como quem se desviou do caminho direito e a elle volve1 dir ao alumno3 ,p4--,tenho ouvido dizer a algumas pessoas1 que o uivo dos ces de mau agouro1 isto 1 que um co a uivar annuncia desgraa4 ,ser verdade8 ,e4--,a minha av diz que sim1 que signal de estar alguem para morrer4 ,p4--,essa resposta esperava eu4 ,pois fiquem os meninos sabendo1 que no ha agouros1 e que uivar um co1 ou cantar um canario1 ou relinchar um cavallo1 ou piar um mocho1 ou cacarejar uma gallinha1 ou miar um gato no tem influencia nenhuma nos acontecimentos humanos4 ,e4-- minha casa vae uma velhinha1 que1 em ouvindo uivar um co1 descala o sapato e pe-n'o com a sola para cima1 at o animal se calar4 ,p4--,se os ces uivarem muito em roda d'ella no inverno1 andar sempre com os ps frios4 ,e4--,ento a minha av mente8 ,p4--,mente1 sem querer4 ,metteram-lhe uma peta na cabea1 e ella acredita uma cousa1 que no verdadeira4 ,e4--,ora diga-me1 senhor professor1 se uma pessoa estiver para morrer e um co se puzer a uivar na rua ou na escada8 ,p4--,o doente morrer1 se ,deus quizer que morra2 e viver1 se fr da vontade divina1 que continue a viver4 ,e4--,mas como se explica o que aconteceu o anno passado a um visinho de meu pap8 ,p4--,conte-me l essa historia tentim por tentim4 ,e4--,adoeceu um homem1 que morava no primeiro andar do predio1 em que eu habito2 veiu o medico1 esteve a examinal-o1 receitou1 disse que a doena no era de perigo1 e sau4 ,minutos depois metteu-se na escada um co e principiou a uivar4 ,a mulher do doente foi-se a elle1 bateu-lhe com o cabo da vassoura e pol-o na rua4 ,quando entrou em casa1 estava o marido morto em cima da cama4 ,p4--,sabe o menino o que isso foi8 ,e4--,eu no senhor4 ,p4--,pois tem pouco que saber4 ,foi o que se chama uma coincidencia4 ,se sada do medico1 entrasse pela casa dentro um passarinho1 dir-se-ia1 que a avesinha viera annunciar aquella desgraa2 se eu por acaso batesse porta do doente n'aquelle instante1 era eu o agoureiro4 ,e4--,mas o medico tinha dito1 que a doena no era de perigo4 ,p4--,e a morte repentina pressente-se horas1 ou minutos antes8 ,e no podem os proprios medicos morrer de repente1 sem que suspeitassem o que lhes ia acontecer8 ,e4--,mas o co uivou6 ,p4--,diga-me ca o menino uma cousa4 ,em casa d'esse homem1 que falleceu1 no tem estado mais ninguem doente8 ,e4--,estiveram doentes dois filhos4 ,p4--,e a me mandou chamar medico para os tratar8 ,e4--,mandou1 sim1 senhor4 ,p4--,e no mandou chamar um co8 ,e4--,ora essa6 ,os ces no sabem curar doenas4 ,p4--,mas o co1 que uivou1 quando o homem morreu1 era mais entendido que o medico1 porque annunciou a morte1 at sem vr o doente4 ,e4--,o senhor professor est brincando6 ,os ces so brutos1 no sabem d'aquellas cousas4 ,p4--,ento como isso8 ,no sabem d'aquellas cousas1 so brutos1 e prophetisam8 ,e4--,tem razo1 senhor professor4 ,agora vejo que a minha avsinha anda enganada4 ,p4--,e muito1 e faz mal em dizer taes patranhas4 ,o uivo dos ces desagradavel aos ouvidos1 aborrecivel por isso1 mas no tem a minima significao4 ,aqui poder o educador dar fim ao incidente1 ou continuar o dialogo1 fallando do mau costume de molestar os animaes1 das qualidades do co1 da raiva e dos meios de a prevenir e curar1 etc1 etc4 ,ao terminar a lio poder o educador convidar ou os meninos a imitarem o relincho do cavallo1 o carejo das gallinhas1 o miar dos gatos1 o latido dos ces1 etc4 ,este exercicio que a algum fatuo parecer ridiculo1 ou desnecessario1 ou ambas as cousas1 tem as seguintes vantagens3 alegra e distrae as creanas1 que jmais fugiro do estudo1 quando elle fr recreativo1 desenvolve-lhes1 e aperfeia-lhes a natural tendencia para imitarem1 exercita-lhes e robustece-lhes os orgos vocaes1 e por cima de tudo no faz mal nem alma nem ao corpo4 ,quem reparar bem no dialogo que deixmos architectado1 descobrir quanto ensinamento ha n'elle1 e perceber que se pretendeu principalmente combater uma crena erronea1 mas vulgarissima4 ,dmos o segundo exemplo4 ,est sobre a mesa ou em cima de outro movel um ramalhete de flores1 que alli se puzra mui calculadamente4 ,chegada a occasio opportuna1 o professor interrompe a lio e diz3 ,meus meninos1 descancemos um pouco4 ,aqui se faz uma pausa1 e todos os rapazinhos exultam e saltam dos seus logares4 ,p4--,j viram bem aquelle ramalhete8 ,e4--,ainda no1 senhor4 ,p4--,pois vo buscal-o1 para o examinarmos por mido4 ,e4--,eil-o aqui4 ,p4--,de que flores se compe8 ,e4--,de rosas1 cravos1 camelias1 junquilhos1 violetas e cedro4 ,se os meninos errarem o nome das flores1 ou os no souberem1 ir o professor emendando e dizendo lhes como se chamam4 ,p4--,menino ,f444 7ao que mais atrazado estiver em contar7 conte pelos dedos quantas qualidades de flres ha n'este ramalhete4 ,e4--,rosas1 uma2 cravos1 duas2 camelias1 tres2 junquilhos1 quatro2 violetas1 cinco2 cedro1 seis444 ,ha seis qualidades de flres4 ,p4--,parece-me que se enganou4 ,veja bem4 ,e4--,so seis1 no me enganei4 ,p4--,e se eu lhe disser que se enganou8 ,e enganou-se1 porque no attendeu bem4 ,diga-me1 o cedro flr8 ,e4--,tem razo2 so cinco4 ,o cedro no flr4 ,p4--,est-me parecendo1 que nenhum dos meninos me sabe dizer para que serve este cedro roda das flres4 ,e4--,eu no sei2 eu tambem no2 1 4444 ,p4--,eu lhes digo para que elle aqui est4 para realar a belleza das flres1 para fazer um contraste agradavel vista4 ,se duvidam desatem o junco1 tirem o cedro1 e vero que o ramalhete perde muito da sua formosura4 7,acto continuo1 o educador faz o que aconselhou e mostra o ramo desguarnecido de verdura74 ,p4-- ou no verdade1 o que lhes affirmei8 ,e4-- verdade4 ,p4--,ha entre estas flres1 umas que cheiram1 e outras que no cheiram4 ,e4--,as rosas1 cheiram2 os junquilhos1 cheiram2 as violetas1 tambem2 as camelias que no tem cheiro4 ,p4--,no me lembro se j lhes disse como se denominam as substancias1 que tem cheiro8 ,e4--,denominam-se odoriferas4 ,p4--,e as que no teem cheiro8 ,e4--,inodoras4 ,p4--,e todas as substancias1 que tem cheiro1 cheiram bem8 ,e4--,no1 senhor4 ,p4--,e todas as flres cheirosas1 possuem cheiro agradavel8 ,e4--,nem todas4 ,p4--,digam-me agora outra cousa4 ,o cheiro das flres bom ou mau1 para a saude8 ,e4--,no sabemos4 ,p4--,pois vo saber uma verdade1 que jmais devem esquecer4 ,attendam4 ,ha pessoas a quem o arma das flres incommoda e faz adoecer2 causa-lhes dres de cabea1 enjos de estomago1 tonturas1 e outros padecimentos4 ,muitas flres1 e s vezes poucas1 mas de cheiro forte1 n'uma casa mal ventilada1 podem envenenar quem alli estiver4 ,dormir com flres na alcva muito perigoso1 e sabe ,deus quantas molestias este mau costume ter originado4 ,por agora basta que saibam isto1 para se acautelarem2 em outra occasio lhes explicarei como que as plantas e flres alteram a pureza do ar e o tornam doentio4 por este theor que nos animos infantis se podem inocular conhecimentos praticos de quantas sciencias ha1 de modo que as crianas1 ao sairem das escolas1 levem copia immensa de noes utilissimas para todas as circumstancias da vida4 99 99 99 99 99 ,de grande proveito nos parece que os meninos mais desembaraados na escripta tenham um caderno onde todos os dias vo escrevendo mui laconicamente o assumpto da lio1 e o que da mesma lhes parea mais digno de se conservar na memoria4 ,evite-se1 porm1 que n'estes summarios1 ou indices menemonicos1 se empreguem palavras escusadas e se commettam erros de grammatica4 ,de principio convir que o educador1 ao findar a lio1 ensine aos meninos como o registro deve ser feito2 depois ordenar-lhes-ha que o redijam em suas casas1 e que lh'o apresentem no dia seguinte1 para ser emendado4 ,e como a extrema conciso seja a melhor qualidade de taes escriptos1 aqui pmos um paradigma1 para governo de educadores e educandos4 ,referimo-nos ao primeiro dialogo1 que atraz fica exarado4 99,registro99 ,assumpto4--,um co a ganir4 ,sons1 que os ces produzem com a bocca3 ,latido1 uivo1 rosnadura1 ganido4 ,so substantivos4 ,ladrar1 ou latir1 uivar1 rosnar1 ganir4--,so verbos4 ,agouros4--,no os ha4 ,vozes de differentes animaes4--,co1 ladra2 canario1 canta2 cavallo1 relincha2 mocho1 pia2 gallinha1 cacareja2 gato1 mia4 ,o uivo dos ces no indica1 nem pde indicar a morte de ninguem1 nem desgraa nenhuma4 ,se um co uiva1 pouco antes de morrer alguem1 este facto apenas uma concidencia1 um accaso4 99 99 99 99 99 ,o professor exigir que os meninos1 nas respostas que lhe derem1 empreguem sempre phrases completas1 conformes s leis grammaticaes1 simples e curtas quanto fr possivel4 99 99 99 99 99 ,reputa-se de grande utilidade n'este ensino a repetio individual e simultanea4 um processo excellente1 para conseguir que mais fundas se gravem certas especies no espirito dos alumnos1 e para corrigir defeitos de expresso e pronuncia4 ,no repetir em cro se deleitam as crianas muito1 mormente se o tom das vozes no tristonho1 mas alegre1 musical1 variadissimo4 99 99 99 99 99 ,ao minimo erro de regencia1 de concordancia1 ou de pronuncia1 acudir logo o professor com a indispensavel advertencia1 e tanto mais clara e fervorosa1 quanto mais grave fr o erro4 ,suppunhmos que um menino diga somentes em vez de somente1 faz-le por faz-lhe1 traz por traze1 ,madanela por ,magdalena1 ou qualquer outra das infinitas corruptelas1 que deslustram a nossa lingua1 e que a cada momento se nos deparam at na conversao e escriptos dos doutos1 e em documentos officiaes4 ,acto continuo advertil-o-ha o professor de que tal palavra no foi bem pronunciada1 e o convidar a que a repita correctamente4 ,se o estudante no atinar a emendal-a1 repita-lh'a o professor cuidadosamente partida em syllabas1 acompanhando cada uma d'estas com uma pancada sobre a mesa com o ponteiro ou com a mo4 ,ouvida que seja a palavra assim pronunciada1 repetil-a-ha o estudante tantas vezes1 quantas seja necessario1 para que a no altere1 e aps este exercicio dil-a-ha to rapidamente como de uso dizer-se4 ,se ao professor parecer conveniente1 ordenar que outros estudantes faam o mesmo exercicio individualmente1 e por fim mandar que a palavra ou phrase seja cantada pela classe inteira1 attendendo muito a que o erro1 que se pretendeu emendar1 se no repita4 ,o que fica dito crca das palavras em especial applica-se em cheio s phrases compostas de muitas palavras4 99 99 99 99 99 ,a falta de ordem e clareza no dizer defeito grave1 mas communissimo1 que tem raizes na escola primaria1 e que por isso mesmo ou nunca se perde ou s com muito trabalho se consegue extirpar4 ,a fim de prevenil-o e de combatel-o comece o educador dando exemplo de imperturbavel ordem na exposio1 de esmerada escolha dos termos1 de grande sobriedade nos incidentes1 e de irreprehensivel rigor nas concluses2 tudo isto sem apparato1 nem maneiras artificiosas1 que revelem os intentos2 e esmere-se em inspirar aos que o ouvirem o gosto de bem fallar1 cortando todas as imperfeies mal apontem nos labios infants4 ,cabe n'este logar uma recommendao1 nunca asss repetida4 ,nas ruas1 nas aulas1 nos theatros1 nas conversaes familiares1 e1 quando ,deus servido1 at no parlamento1 e na imprensa proferem-se a miudo palavras e phrases1 que1 com quanto no sejam deshonestas1 so to grosseiras e plebeas1 que nenhuma pessoa delicada as deveria empregar4 ,quasi sempre se ignora a origem d'aquelles termos1 muitos d'elles1 diga-se a verdade1 sobremodo expressivos e por vezes engraados1 mas que nem por isso deixam de ser baixos e vis4 ,em evital-os seja fervorosissimo todo o educador1 sem comtudo levar o zelo at ao ponto de banir da conversao escolar as locues pittorescas e folgazs1 que alegram a linguagem1 sem mareal-a4 99 99 99 99 99 ,assim como as leituras e recitaes soturnas1 pesadas1 substanciosas1 e extensas1 aborrecem s crianas e no lhes prendem a atteno1 assim a poesia ligeira1 as historias singelas1 as fabulas e apologos1 as anecdotas e proloquios lhes aprazem sobremodo e de tal arte se lhes apegam memoria1 que no mais as esquecem4 ,verdade que ,voltaire arguu os fabulistas de quererem ensinar as verdades moraes por um processo essencialmente mentiroso1 pondo a fallar animaes e plantas2 e condemnou a leitura e recitao de taes composies nas primeiras edades4 ,tem porem mostrado a experiencia que ,esopo1 ,phedro1 ,la ,fontaine e ,lessing1 com os seus artificios poeticos moralisam mais1 e muito mais que a ,introduco vida devota1 que o ,flos ,sanctorum1 e que o ,thesouro de meninos1 e quantos outros escriptos1 ainda que sejam verdadeiros na essencia e correctos na frma1 se ho publicado para edificao das almas1 mormente em quanto n'estas se no ha robustecido a faculdade de raciocinar4 ,aproveitem-se pois d'este meio os educadores1 lendo de vez em quando escola uma fabula1 que tenha relao com os objectos1 que se estudam1 e fazendo-a decorar2 contando a proposito uma anecdota1 ou repetindo algum dos muitos e verdadeirissimos rifes1 de que to rica a lingua portugueza4 ,dos bons poetas nacionaes1 tanto modernos como antigos1 poder o educador escolher infinita copia de versos em todos os generos1 com os quaes ir perfumando as lies e desenvolvendo na puericia o gosto da poesia1 que alarga a imaginao1 modifica e reprime as ruins paixes1 consola o espirito1 e o dulcifica e embalsama4 ,fuja1 porem1 como de peste1 de versos mos ou mediocres1 no esquecendo jamais que a poesia 1 no dizer de um dos mais elegantes e profundos escriptores de ,portugal1 o sr4 ,latino ,coelho1 a grandeza e o nada2 o mundo e o atomo2 a gloria e a humiliao2 o triumpho e o martyrio2 o genio e a loucura4 ,no ensino intuitivo1 a faculdade que mais cuidadosamente se deve dirigir1 desenvolver1 e approximar da perfeio a faculdade de comparar1 cujos defeitos inutilisam os esforos das faculdades1 que a antecedem1 e obstam a que as superiores se exeram como mister4 ,so innumeraveis e quasi sempre facillimos os processos de comparao de que o educador poder fazer uso1 desde a confrontao de dois feijes1 ou de dois alfinetes1 etc41 at ao estudo comparativo de duas poesias1 de duas obras de arte1 do caracter de dois homens notaveis1 de duas epocas historicas4 ,no ha palavras para encarecer os resultados1 que os estudos d'esta ordem produzem e a influencia que exercem no desenvolvimento intellectual e moral das crianas4 99 99 99 99 99 ,a par com o estudo das cousas1 podem e devem marchar os exercicios attinentes ao aperfeioamento dos sentidos externos1 e os preceitos consoantes sua hygiene4 ,todos tero observado que o exercicio de certos orgos concorre por muito para que os mesmos se apurem e tornem cada vez mais delicados4 ,os homens do mar1 acostumados a olhar muito ao longe1 e a buscarem a grandes distancias um objecto perceptivel1 excedem sempre em perspicacia os que teem vivido encerrados em horisontes menos extensos4 ,um musico1 habituado a reger orchestras1 percebe1 ainda mesmo nos cheios1 se qualquer dos executantes deu uma nota errada1 ou commetteo outro erro4 ,cegos tem havido1 que pelo apalpar distinguem nos corpos qualidades1 que pertencem ao dominio da viso1 e executam trabalhos manuaes difficeis e delicados1 como aquelle cego de nascena1 de que falla o sr4 dr4 ,centazzi na sua ,medicina e ,hygiene ,popular1 que existia na cidade de ,faro1 no ,algarve1 e que fazia pees1 cubos1 e outras obras to perfeitas1 como as dos mais habeis mestres4 ,dos provadores de vinho se sabe quo facilmente reconhecem pelo paladar o merito1 idade1 pureza1 e proveniencia do precioso liquor4 ,no se deve esperar que a gymnastica dos sentidos1 por mais bem dirigida que seja na casa paterna e nas escolas infants e primarias1 venha a produzir to miraculosos resultados2 mas indubitavel1 que lhes corrigir muitos defeitos1 e que de dia para dia os hade ir tornando mais apropriados aos importantissimos fins1 para que a natureza os destinou4 ,os paes em suas casas1 e os professores nas escolas podero comear a gymnastica dos sentidos pelo exame e comparao das cres4 ,mostraro primeiro aos educandos o vermelho1 amarello1 verde1 azul1 preto1 branco2 depois differentes gradaes de cada uma d'estas cres2 em seguida as cres de transio2 apoz estas1 todas as mais1 que fr possivel apresentar-lhes4 ,a pouco e pouco lh'as iro nomeando1 e fazendo notar tudo quanto convier que elles saibam a tal respeito4 ,ao conhecimento das cres poder-se-ho seguir exercicios tendentes a apurar a vista1 taes como a inspeco de objectos collocados a distancia cada vez maior2 a leitura ao longe1 e a pesquiza de algumas estrellas1 planetas e constellaes1 cuja posio no espao previamente se lhes tenha mostrado no mappa4 ,por meio de processos analogos se podem educar os outros sentidos1 ensinando-se ao mesmo tempo milhares de cousas4 99 99 99 99 99 ,tambem os mestres do ensino intuitivo1 recommendam1 que se acostumem os meninos a lerem e a exporem elegante1 exacta1 e correctamente4 ,em algumas escolas temos notado quo pouco os professores attendem a esta parte do ensino1 consentindo que os estudantes exponham as lies e respondam s perguntas1 que se lhes fazem1 com extrema negligencia2 negligencia na pronunciao das palavras1 cujos sons elementares falseam2 negligencia na declamao1 que por muito precipitada1 ou por extremamente preguiosa1 se torna monotona e insuportavel2 negligencia na coordenao das idas componentes dos raciocinios1 e negligencia na disposio d'estes4 ,acudir com remedio a tantos defeitos empreza ardua e enfadonha1 mas de que no ha de levantar mo o bom educador1 sendo o seu primeiro e persistente cuidado desarreigar os vicios da pronunciao1 que principalmente na crte1 trazem adulteradissimo o mais elegante e donairoso de quantos idiomas se fallam no mundo1 se exceptuarmos o italiano1 ao qual1 no obstante a sua nativa belleza e abundancia1 no somenos4 ,daria um livro a s enumerao das transgresses das regras orthoepicas1 que a cada momento se ouvem at em boccas de ouro2 to irresistivel a fora dos maus exemplos6 ,de entre as mais vulgares citaremos1 para amostra1 o accrescentamento1 ou paragoge de um e mudo ao infinito dos verbos1 dizendo-se3 amare1 fazere1 comere1 partire1 pore1 etc41 em vez de amar1 fazer1 comer1 partir1 pr4 ,o mesmo accrescentamento ao final das palavras1 que terminam em consoante1 proferindo-se3 sole1 flore1 mulhere1 metale1 em logar de sol1 flor1 mulher1 metal2 o emprego do a grave1 onde deveria soar e fechado1 pronunciando-se esplho1 panha1 tanha1 etc41 por espelho1 penha1 tenha4 ,a substituio grosseirissima de le a lhe1 dizendo se dei-le1 mostrei-le1 quizera-le1 em vez de dei-lhe1 mostrei-lhe1 quizera-lhe2 bem como o emprego de lhe1 quando este pronome se refere a mais de uma pessoa ou cousa1 e de lhes1 quando a referencia a uma s cousa ou pessoa4 ,o emprego de i em logar de e em muitas palavras taes como dedal1 dedeira1 deante1 empenho1 emprestar1 que a mr parte da gente pronuncia3 didal1 dideira1 diante1 ou diente1 impenho1 ou impanho1 imprestar4 ,de tanto e to damninho joio ir o educador arrancando diariamente muitas mos cheias1 desafogando a linguagem de todos quantos senes n'ella fr descobrindo1 afim de que mais tarde1 quando os meninos entrarem a estudar os segredos da elocuo1 nem elles1 nem os professores tenham de perder muito tempo e muita paciencia em os debellar4 ,e no smente aos erros da pronunciao se ha de ir applicando prompto e efficaz remedio1 mas tambem aos gallicismos e plebeismos de que est inada a nossa lingua1 mrmente aos que respeitarem composio das phrases1 havendo o maximo cuidado em no atordoar as cabeas dos estudantinhos com preceitos de grammatica e consideraes philologicas4 ,se um menino disser3 ,vi hoje na montra de um livreiro uma linda estampa2 accudir logo o educador3 ,no se diz montra2 diz-se mostrador2 e far que o mocinho repita a phrase1 substituindo o termo peregrino e escusado pela palavra portugueza4 ,diz outro3 ,houveram hontem muitas festas de egreja2 emendar sem demora o educador3 ,houve hontem muitas festas de egreja2 e convidal-o-ha a que emende o erro4 ,se algum menino lhe perguntar a razo por que tal palavra ou phrase se no deve dizer1 a resposta ser regulada pela idade1 intelligencia e adiantamento do interrogante1 de modo que1 se elle fr pequenino e muito novio em materias grammaticaes1 s lhe dir3 ,essa palavra no se deve empregar porque estranha nossa lingua e desnecessaria2 essa phrase no admissivel1 porque no conforme s leis da grammatica1 que a sciencia de bem fallar4 ,e ahi fica o educando insensivelmente sabedor de que a phrase1 que empregou1 no boa2 de qual ou quaes a devem substituir2 de que o discurso est subjeito a leis2 e de que a sciencia de fallar correctamente se chama grammatica4 ,quanto mais no valer a advertencia despretenciosa1 que valeria um discurso mui chorudo de citaes e palavras latinas e gregas6 ,se o pequenito1 que os ha amigos de discutir e aferrados propria opinio1 no largar voluntario a palavra1 que ouvira ou lra1 bom ser convencel-o1 no com argumentos scientificos1 salvo se a sua intelligencia os poder comprehender sem custo1 mas por meio de um simile4 ,poder-se-lhe-ha ponderar que assim como ninguem rasoavelmente vae pedir emprestadas aos visinhos cousas de que tenha abundancia de portas a dentro1 nem vae ao mercado comprar fructa ruim1 tendo-a famosa no quintal1 a bater-lhe nas vidraas1 assim os portuguezes de bom juizo e sufficiente instruco1 no devem andar tomando palavras e maneiras de dizer a estranhos1 quando at para repartir com elles lhes sobram muitas4 ,para conseguir que as crianas leiam e fallem com elegancia1 e n'isto vae o segredo da perfeitissima declamao1 a primeira cousa1 que o educador tem a fazer1 acostumal-as ao rhythmo1 to bem aproveitado pelo sr4 ,visconde de ,castilho no seu ,methodo de leitura repentina4 ,por pouco que se pense na organisao de todo o apparelho vocal 7pulmes1 larynge1 bocca e narinas7 nas relaes d'aquelles orgos e no mechanismo da voz1 facilmente se perceber1 que a palavra1 no que tem de physico1 verdadeira musica1 com seus sons naturaes e accidentaes1 com sua oitava1 com escalas ora mais1 ora menos extensas1 com os seus tempos1 j breves1 j longos1 e at com a expresso e timbre variadissimo1 que s vibraes sonoras e musicaes1 imprimem os instrumentos4 ,ora1 como no ha musica1 que tal se possa chamar1 sem rhythmo e expresso1 claro est que a voz humana1 para satisfazer s condies da arte1 e bem servir a intelligencia1 de que a melhor reveladora1 e at parte integrante1 no dizer de ,condillac1 deve ser rhytmica e expressiva4 ,para que estas duas essenciaes qualidades lhe no faltem indispensavel em primeiro logar1 que o educador habitue os meninos a obdecerem escrupulosamente ao compasso1 na pronunciao dos sons elementares 7vozes e consonancias7 na dos compostos 7diphthongos e syllabas7 e na recitao das palavras1 que s poder ser perfeita1 quando tiverem sido previamente divididas em tantos tempos1 quantos forem seus elementos syllabicos4 ,depois de bem amestrados por meio d'estes exercicios na leitura auricular das palavras1 que o educador para tal fim lhes ditar em voz bem intelligivel1 palmeando as primeiro mui vagarosamente1 depois um poucochinho mais depressa e por ultimo com o natural andamento1 passaro os meninos a ler por cima1 como uso dizer-se nas escolas4 ,chegado a este ponto ter o educador de desvelar-se muito em supprir a extrema penuria da orthographia1 no tanto no tocante representao dos sons constituitivos das palavras1 no que muito falta1 como no que se refere diviso logica das oraes1 s variadissimas pausas1 que ha de fazer o bom ledor e recitador perfeito2 s infinitas intonaes de que carecem as palavras1 as proposies1 os periodos e at um mesmo vocabulo conforme a ida que revela#a4 ,ler ou fallar sem intonaes1 sem pausas1 sem as devidas quantidades1 sem dar ao que se l ou falla o natural colorido1 e o relevo indispensavel1 vale tanto como querer executar em um piano miseravelmente desafinado os primores de ,rossini1 ,donizetti1 ,bellini1 ,meyerbeer ou ,marcos ,portugal4 ,e no obstante serem intuitivas todas estas verdades1 muitissimas pessoas ha1 que as desconhecem1 e muitas que1 no as desconhecendo1 como que se aprazem de ler e fallar por modo tal1 que provocam tedio e somno4 ,daria optimo resultado1 como tivemos opportunidade de mostrar praticamente a um educador1 sempre avido de se aperfeioar1 e em extremo benevolente para comnosco1 a introduco nas escolas infants e primarias1 para o ensino e aperfeioamento da leitura e recitao de um processo analogo ao adoptado pelos regentes de orchestras e bandas marciaes no estudo das peas concertantes4 ,consiste elle em se collocarem os meninos em p ou assentados1 mas conservando direitos os troncos e naturalmente levantadas as cabeas#b em frente de estantes ou mesas1 onde estejam abertos os livros4 ,em logar elevado1 de modo que todos os escolares o vejam1 est o educador em p1 batuta na mo1 olhos no livro e olhos na turba4 ,primeiro l elle pausadamente em voz alta1 com todo o esmero1 um periodo1 marcando o compasso com a batuta1 repetindo duas ou mais vezes as palavras1 que lhe parecerem mais difficeis de pronunciar1 e corrigindo sem o minimo acanhamento os proprios descuidos4 ,feito este ensaio1 manda ler o mesmo trecho ao estudante mais adiantado1 depois a outro e outro1 reservando para o fim os menos habeis1 para que tenham tido tempo de se amestrar4 ,findo que seja este segundo exercicio1 e tomado algum descano1 dar o signal de atteno e mandar ler em cro1 indicando sempre com a batuta1 como se estivesse regendo uma orchestra1 todas as modificaes da voz1 que a leitura exigir4 ,a estes estudos1 que bem se podem chamar de leitura coral1 podem-se accrescentar outros1 excellentes para exercitar os meninos na declamao1 e mui bem acceitos do bando infantil1 que consistem primeiramente na leitura1 e depois na recitao de cr1 de pequenos dialogos1 fabulas1 e entremezes1 em que haja um cro e dois1 tres1 ou mais interlocutores4 ,composies d'este genero facilmente se obtem1 e quando se no achem1 sem muito custo as pde architectar o professor4 ,a par dos exercicios de leitura e recitao se pde ir cultivando a intelligencia dos meninos1 e acostumando-os a pensarem e a exprimirem-se com certo rigor logico4 ,nada ha mais facil4 ,umas vezes elles mesmos subministraro ao educador assumpto de molde para os seus conselhos e advertencias1 outras vezes far-lhes-ha e educador uma pergunta ou lhes propor um problema1 e nas respostas ir notando as transgresses das leis da logica1 que porventura commetterem1 nunca saindo do campo da pratica para o das theorias1 nem usando da terminologia scientifica1 que nas idades tenras assusta1 desgosta e no instrue4 99 99 99 99 99 ,cerraremos estas consideraes lembrando aos educadores a vantagem de excitar nos estudantes o amor do estudo pelo emprego de premios e distinces4 ,se no dizer de ,christo ,todo o que trabalha digno de recompensa ,dignus est enim operarius mercede sua1 qual ser a razo por que se no hade galardoar o bom comportamento1 a assiduidade no estudo1 o aceio1 e o progresso dos meninos8 ,se nas escolas superiores ha premios annuaes para os alumnos distinctos1 se as academias os offerecem aos sabios1 que cabalmente satisfazem aos seus programmas2 se aos que triumpham nos certames das artes e da industria se concede a meno honrosa1 o accessit1 a medalha de prata ou a de ouro2 se ha palmas e coras1 e ramalhetes1 e brindes para o actor eximio1 e at para o que na praa lucta com o touro embravecido1 de melhormente se devem premiar as criancinhas1 para as quaes o estudo1 por mais que lh'o procuremos amenisar1 hade ser sempre tarefa improba e tediosa4 ,hade porm haver na concesso das distinces e premios escolares a maxima parcimonia e inteira justia1 para que nem a prodigalidade lhes diminua o valor1 nem a parcialidade os torne1 em vez de incentivo do bem1 facho de discordias1 e origem de malquerenas4 ,e assim como a advertencia e a reprehenso se no devem fazer esperar1 commettida a falta1 assim tambem se no deve demorar1 nem regatear o galardo aos que o merecerem4 ,finda a semana1 a cada um se dar com certa solemnidade ou o diploma1 ou a medalha1 ou a estampa1 ou o livro1 ou o brinquedo1 mas nunca gulodices ou cousas1 que os possam prejudicar4 ,alm d'estes estimulos1 bom ser que annualmente haja1 como em muitos collegios se usa1 uma sesso publica consagrada glorificao dos que mais se houverem distinguido4 ,ponhamos aqui ponto1 no porque hajamos dito quanto se poderia recommendar aos educadores relativamente difficilima empresa de iniciar as criancinhas nas sciencias e na virtude1 mas porque exposto fica o que mais lhes convem saber para o bom emprego do ensino intuitivo1 que nos proposemos vulgarisar1 convencidos da sua muita utilidade4 ,os exemplos que seguem1 no entram no plano de ensino intuitivo gradual1 que1 se ,deus fr servido1 daremos estampa2 so to smente uma amostra1 pela qual se possa fazer ida do systema4 ,preferimos para estes exemplos os assumptos e objectos1 que nas suas primeiras lies trataram ,braun e ,mayo1 insignes pedagogistas1 que em materia de educao tem prestado relevantes servios humanidade1 adquirindo incontestavel direito a esta humilde1 porm sincera homenagem#c4 ,e j que fallmos de pedagogistas de tamanha nomeada1 honremos aqui tambem outro escriptor e pedagogo notavel1 o sr4 ,j4 ,rambosson1 cuja ultima obra1 publicada em fins do anno de #ahgb3 ,a educao maternal conforme as leis da natureza1 no inferior to justamente applaudida3 ,educao das mes de familia1 de ,aim ,martin1 hade forosamente contribuir muito para a reforma do actual viciosissimo systema de educar a infancia1 do qual o sr4 ,rambosson diz estas to tristes1 quo verdadeiras palavras3 ,il n'existe rien sous ce rapport1 ni chez nous ni ailleurs2 on ne peut appeler ducation ce que se pratique pour cet ge4 ,,primeira ,,li,o ,ao entrarem a primeira vez na escola a maior parte dos meninos receiam2 mutos d'elles temem4 ,que receiam e que temem8 ,receiam e temem a ausencia e desamparo temporario de suas mes e paes2 o affastamento de seus irmos e criados2 o professor1 que desconhecem2 os condiscipulos1 que nunca viram2 a casa da aula1 que lhes estranha2 a sciencia que ignoram4 ,quanto mais pequeninos1 mais desconfiados se apartam do ninho seu paterno1 mais desbotadas levam as faces1 mais tremem e se angustiam ao aproximarem-se do templosinho modesto e sereno1 que se lhes afigura medonho ergastulo4 ,na repugnancia1 que os meninos tem escola1 so quasi sempre culpados os paes e as mes1 porque1 em vez de amoravelmente lhes fallarem d'ella1 de lhes mostrarem que est alli o alvorecer de todas as artes e sciencias1 de lhes dizerem que aquella a unica porta por onde se entra vida publica1 na qual tero1 quando homens1 de tomar parte1 de lhes explicarem a misso do professor e de lhes expenderem que n'elle accrescem aos deveres de mestre os de amigo e patrono2 nada d'isto fazem1 e s invocam o santo nome da escola1 quando irritados pelas travessuras das crianas1 que no querem ou no sabem remediar com brandura1 bons conselhos1 bons exemplos e moderadas correces1 pretendem aterrorisal-os1 apontando-lhes para aquella444 penitenciaria4 ,como ha de amar a escola e appetecel-a1 e correr para ella voluntario e risonho o menino1 a quem se no fartaram de dizer3 ,no te aquietas8 ,irs para a escola1 onde te faro estar quedo1 quer queiras1 quer no queiras4 ,no aprendas agora1 que o professor depois1 com a palmatoria te metter no bom caminho4 ,por mais que te ralhe1 no te emendas1 tudo rasgas1 tudo quebras2 deixa-te ir para a escola2444 farei queixa ao professor1 elle te por as uvas em pisa#d4 ,a fim de remediar estes deploraveis vicios da educao domestica1 de tranquillisar o estudantinho1 de familiarisal-o com o professor e com os alumnos e de infiltrar-lhe n'alma o amor da escola e do estudo1 adopte-se o seguinte modelo de recepo1 ou outro melhor1 mas pouco mais ou menos do mesmo padro4 ,professor4#e--,venha c1 meu menino2 como se chama8 ,estudante4--,viriato4 ,p4--,viriato o seu primeiro nome2 desejo tambem saber o seu sobrenome e appellido4 ,e4--,chamo-me ,viriato ,henrique de ,oliveira4 ,p4--,bonito nome4 ,para corresponder a elle ter o menino de ser valente1 destemido1 muito amante da sua patria e muito bom4 ,sabe porque8 ,e4--,no1 senhor4 ,p4--,eu lh'o explico4 ,viriato foi um pastor da ,serra da ,estrella1 to amigo da patria e dos patricios1 que para impedir que os romanos os escravisassem1 largou o cajado1 abandonou os rebanhos1 que apascentava1 tomou armas1 aggregou a si outros valentes1 e por muitos annos desbaratou os exercitos estrangeiros1 envergonhando generaes aguerridos1 e grangeando fama eterna4 ,d4 ,henrique foi outro militar de grandes dotes1 e que tanto se distinguiu na guerra contra os mouros1 que enchiam a ,hespanha e a nossa terra1 que1 em premio de seu valor veiu a casar com ,d4 ,theresa1 filha de um rei mui poderoso1 da qual nasceu ,d4 ,affonso ,henriques1 primeiro monarcha portuguez4 ,e para que todo o nome do menino seja de bom agouro1 at lhe pozeram o appellido de ,oliveira1 que uma arvore muito util e agradavel1 symbolo da paz1 de cujos fructos1 as azeitonas1 se tira o azeite1 que o melhor e mais precioso oleo1 que se conhece4 ,mas deixemos o azeite e a oliveira1 que ainda lhe quero fazer mais perguntas4 ,como se chama o seu pap8 ,e4--,antonio ,joaquim de ,oliveira4 ,p4--,que emprego tem elle8 ,e4-- militar4 ,p4--,e o menino quer tambem ser militar8 ,e4--,no1 senhor2 quero ser medico4 ,p4--,bom que no sigam todos a mesma carreira2 haja militares1 para defenderem a patria dos inimigos estranhos1 e para manterem o socego e a ordem1 que so a primeira necessidade dos povos2 e haja medicos para curarem os doentes1 e para nos ensinarem o que devemos fazer para no enfermar4 ,que edade tem o menino8 ,e4--,nove annos4 ,p4--,o seu pap tem mais filhos8 ,e4--,tem mais tres4 ,p4--,os filhos do seu pap e da sua mam o que so ao menino8 ,e4--,so meus irmos4 ,p4--,como se chamam os seus manos8 ,e4--,thomaz1 ,clemente e ,valeriano4 ,p4--,dos quatro qual o mais velho8 ,e4-- o ,thomaz4 ,p4--,porque elle mais velho8 ,e4--,porque nasceu primeiro que os outros4 ,p4--,se ,thomaz o mais velho1 porque nasceu primeiro que os outros1 como designar o ultimo nascido8 ,e4--,direi que o mais pequeno4 ,p4--,melhor dizer que o mais novo4 ,onde mora o menino8 ,e4--,na rua da ,alegria4 ,p4--,caspite6 ,quem mora na rua da ,alegria no deve ser triste4 ,aps esta pratica com os recem-entrados poder o professor ou professora convidar os que souberem contar a contarem os estudantes1 que estiverem na escola1 e a designar pelos nomes os que forem seus conhecidos4 ,p4--,menino ,viriato#f quantos condiscipulos tem aqui8 ,e4--,no sei4 ,p4--,no sabe1 porque ainda os no contou2 conte-os em voz alta4 ,e4--,um1 dois1 tres1 etc4 ,p4--,agora1 que sabemos quantos traquinas aqui esto1 diga-me os nomes dos seus conhecidos4 ,e4--,aquelle ,francisco2 aquelle ,antonio2 aquelle1 que est ao p da janella1 tambem se chama ,francisco1 etc4 ,p4--,ha n'esta aula tres ,franciscos1 como que os havemos de distinguir de modo que1 ao chamar um d'elles1 no acudam todos tres8 ,e4--,no sei4 ,p4--,nada mais facil2 bastar accrescentar ao primeiro nome de cada um o appellido da familia2 teremos3 ,francisco de ,mello2 ,francisco de ,aguiar e ,francisco ,loureiro4 ,quando differentes pessoas ou cousas tem o mesmo nome1 indispensavel juntar ao nome que lhes commum1 outro1 para que as possmos designar sem confuso4 ,os meninos tem nas suas casas cpos de differentes tamanhos1 para differentes usos2 a uns chamam cpos d'agua1 a outros cpos de vinho1 a outros cpos de liquor4 ,o mesmo fazemos com a fructa4 ,ha muitas qualidades de pras2 para distinguil-as denominamol-as pra parda1 pra virgulosa1 pra bojarda1 pra flamenga1 etc4 99 99 99 99 99 ,finda que seja a segunda phase d'este colloquio1 tenue1 mas conveniente para desassombrar o espirito dos estudantinhos1 passar o professor a fazer-lhes outra ordem de perguntas4 ,p4--,como se chama1 meus meninos1 esta casa1 onde estamos8 ,e4--,chama-se escola4 ,r4--,para que vem os meninos escola8 ,e4--,para aprender4 ,r4--,que vem os meninos aprender8 ,e4--,a ler1 escrever e contar4 ,p4--,assim 2 mas na escola alm de ler1 escrever e contar1 ensinam-se muitas outras cousas agradaveis e uteis1 as quaes todas concorrem para tornar os meninos instruidos e virtuosos4 ,querel-as-heis aprender tambem8 ,e4--,queremos1 sim1 senhor2 queremos4 ,p4--,ha um adagio1 que diz3--,o que se ha de fazer1 faa-se2 sigamos o adagio e comecemos desde j o nosso estudo1 examinando os objectos1 que esto n'esta aula4 7,aqui mostrar o professor aos estudantes o quadro preto#g a que muitos impropriamente chamam pedra74 ,qual dos meninos tem um objecto como este em sua casa8 ,e4--,eu no2 eu tambem no4 ,p4--,sabem como se chama8 ,e4--,chama-se pedra4 ,p4--,assim o denominam alguns1 mas impropriamente4 ,isto no de pedra1 de pau1 de madeira4 ,ha n'esta casa alguma cousa de pedra8 ,e4--,as hombreiras da porta e das janellas4 ,p4--,e nada mais8 ,e4--,as ardosias1 que trouxemos para fazer contas4 ,p4--,o menino ,f4 respondeu muito bem2 essas laminas pretas1 a que chammos ardosias ou lousas1 e as pennas com que escrevemos n'ellas1 so pedaos de pedra4 ,querem ver a differena1 que vae da pedra madeira8 ,batam com os dedos nas ardosias2 agora venham aqui1 e batam n'isto1 a que deram o nome de pedra4 ,todos percebem a differena do som4 ,e4-- verdade4 ,p4--,como chamaremos1 pois1 a este objecto8 ,eu lh'o digo4 ,chamar-lhe-hemos o quadro1 ou a taboa2 e como esta madeira est pintada1 poderemos acrescentar ao nome quadro outro nome1 indicativo da cr1 que tem4 ,e4--,poderemos dizer3 ,quadro preto4 ,p4--,mui bem4 ,agora dir-me-ho para que serve o quadro preto4 ,e4--,serve para n'elle se escrever4 ,p4--7,mostrando um pedao de giz74 ,sabeis o que isto8 ,e4-- um bocado de giz4 ,p4--,para que o tenho eu aqui8 ,e4--,para escrever no quadro preto4 ,p4--,de que cr o giz8 ,e4-- branco4 ,p4--7,mostrando a esponja74 ,como se chama est'outro objecto8 ,e4--,chama-se--esponja4 ,p4--,para que temos aqui esta esponja8 ,e4--,para apagar as lettras e as figuras1 que se fizeram no quadro preto4 ,p4--,no poderiamos apagar a escripta com o leno de assoar8 ,e4--,poderiamos1 sim1 senhor2 mas ficaria sujo1 e sujar-nos-hia o fato4 ,p4--,respondeu muito bem4 ,e porque razo no apagmos as lettras com as mos8 ,e4--,porque ficariam sujas1 e sujar-nos-hiam tambem o fato4 ,p4--,quando por qualquer motivo tivermos sujado as mos1 que deveremos fazer8 ,e4--,limpal-as4 ,p4--,de quantas maneiras se limpam as mos8 ,e4--,esfregando-as n'um panno1 ou lavando-as4 ,p4--,como ficam ellas mais desenxovalhadas1 esfregando as n'um panno1 ou lavando-as8 ,e4--,lavando-as4 ,p4--,como se chamam as peas de roupa1 de que nos servimos para enxugar as mos depois de as termos lavado8 ,e4--,chamam-se--toalhas de mos4 ,p4--,trazer as mos limpas garridice1 ou necessidade e dever8 ,e4-- necessidade e dever4 ,p4--,para que necessario trazer as mos aceiadas8 ,e4--,para no mancharmos aquillo em que mechermos1 e para no enojar as pessoas1 que nos virem ou a quem prestarmos algum servio4 ,p4--,a sugidade das mos prejudica a saude8 ,e4--,no sei4 ,p4--,prejudica1 e muito2 em primeiro logar porque obsta transpirao1 isto 1 sada da agua e suor1 que continuamente esto atravessando a pelle2 em segundo logar porque1 indo com as mo sujas aos olhos1 poderemos inflamal-os e originar doenas1 que ou nos enfraqueam a vista ou nos acarretem a cegueira4 ,quantas vezes ao dia deveremos lavar as mos8 ,e4--,quantas fr necessario4 ,p4--,acertadamente responderam2 mas no ser escusado dizer-lhes que invariavelmente as devem lavar pela manh1 ao erguerem-se da cama2 antes e depois do almoo1 jantar e ceia1 ou de qualquer outra refeio2 ao sair e entrar em casa2 afra as outras vezes1 que o aceio o exigir4 ,passemos a outro assumpto4 7,apontando para o cavallete47 ,qual dos meninos me saber dizer o nome d'aquelle objecto8 ,silencio4 ,p4--,menino ,carlos1 no sabe como se chama aquillo8 ,e4--,no1 senhor4 ,p4--,pedrinho1 tambem no sabe como se chama aquella geringona8#h ,e4--,chama-se cavallete4 ,p4--,acertou4 ,agora digam todos commigo3 ,ca-va-lle-te#i4 ,e4--,ca-va-lle-te4 ,p4--,agora ho de dizer esse nome1 sem separarem as syllabas4 ,e4--,cavallete4 ,p4--,para que serve aquelle cavallete8 ,e4--,serve para sustentar o quadro preto4 ,resumo ,a casa1 onde estamos1 chama-se escola4 ,na escola aprende-se a ler1 escrever1 contar1 a doutrina christ1 desenho1 canto1 e mil outras cousas uteis e agradaveis1 que o professor nos vae ensinando pouco e pouco1 as quaes todas concorrem para que sejamos bons e instruidos1 qualidades estas indispensaveis a qualquer homem4 ,ha na escola diversos objectos1 e entre elles o quadro preto1 a esponja1 o giz e o cavallete4 ,no quadro preto escreve-se com giz4 ,serve a esponja para se apagar o que se escreveu no quadro1 e o cavallete para sustentar o mesmo quadro4 ,reflexes ,meus meninos1 attendei bem ao que vou dizer-vos1 e no o esqueaes4 ,pode a casa da escola ser convidativa1 a mobilia e utensilios bons1 os compendios famosos1 o professor sabio1 zeloso e habil1 e o methodo de ensino excellente1 e no obstante todas estas invejaveis condies1 os estudantes no utilisarem nada1 com detrimento proprio e de seus paes1 por falta de assidua frequencia e de estudo4 ,so incalculaveis os prejuizos1 que resultam das repetidas faltas escola4 ,os meninos1 que faltam1 no s no se adiantam1 mas perdem o que aprenderam1 desgostam e entibiam o professor1 introduzem a desordem na aula1 e incitam os collegas com o exemplo1 a que procedam do mesmo modo4 ,evitae1 pois1 todos estes males1 no faltando escola sem causa justificavel1 e estudando aqui e em vossas casas1 isto 1 attendendo ao que o professor vos disser1 meditando nas suas palavras1 e lendo ou decorando o que vos mandarem que leiaes ou decoreis4 ,no se pode ser instruido1 sem estudar4 ,os meninos estudiosos grangeiam a estima das pessoas de bem1 e tornam-se dignos da proteco divina4 ,,segunda ,,li,o ,a ,,escola ,p4--,meus meninos1 fallmos outro dia do quadro preto1 das ardozias1 do giz1 da esponja1 da toalha de mos1 e do cavallete2 desejo que me nomeeis agora mais alguns utensilios da escola444 ,como se chama isto8 7,indicando a mesa74 ,e4--,chama-se mesa4 ,p4--,de que feita esta mesa8 ,e4--,de madeira4 ,p4--,todas as mesas so de madeira8 ,e4--,no1 senhor2 algumas so de pedra4 ,p4--,e no as ha feitas de outras materias8 ,e4--,no sei4 ,p4--,nunca viram mesas de metal8 ,e4--,lembro-me agora de tel-as visto de ferro4 ,p4--,e no s de madeira1 de pedra e de ferro se podem fazer2 todas as materias solidas e duras se prestam construco d'este movel4 ,como se chama esta parte da mesa8 7,indicando a parte superior74 ,e4--,taboa da mesa4 ,p4--,como se chama est'outra8 7,indicando a parte sobre que assenta a taboa74 ,e4--,chama-se aro4 ,p4--,vinde aqui e dizei-me1 que nome tem estas especies de caixas 7,mostrando as gavetas7 que esto sobre a taboa da mesa1 e que eu puxo para fra e torno a esconder 7abrindo e fechando as gavetas74 ,e4--,essas especies de caixas chamam-se gavetas4 ,p4--,para que servem as gavetas8 ,e4--,para guardar diversos objectos8 ,p4--,estas peas de metal1 que as gavetas aqui tem embebidas na madeira1 como se denominam8 ,e4--,fechaduras4 ,p4--,para que servem estas fechaduras8 ,e4--,para fechar as gavetas8 ,p4--,porque razo fecho eu as gavetas d'esta mesa1 quando saio da aula8 ,e4--,no sei4 ,p4--,porque ha meninos1 que commettem a indiscripo de as abrir e de mecher no que n'ellas est1 praticando uma aco feia 444 ,e4-- mu abrir uma gaveta8 ,p4--,se a gaveta de nosso uso1 ou se nos permittido abril-a e tocar no que l est1 no commettemos falta nenhuma em a abrir2 mas se de outrem1 ou se nos prohibiram abril-a1 aco muito feia e m o descerral-a1 sem licena1 excepto em caso de necessidade4 ,e j que estamos a fallar de gavetas1 dizei-me1 que deve fazer um menino bem educado1 quando na sua presena se abre uma gaveta8 ,e4--,no sei4 ,p4--,deve abster-se de olhar para l e de estar a observar o que ella contem4 ,dizei-me1 com que se abrem as fechaduras8 ,e4--,com as chaves4 ,p4--,olhae para aqui444 ,metto a chave n'esta fechadura dou-lhe volta e vejo sair uma pea de ferro1 chata e larga4 ,e4-- verdade4 ,p4--,como se chama essa pea8 ,e4--,lingueta4 ,p4--,sabeis porque lhe pozeram o nome de lingueta8 ,e4--,no sabemos4 ,p4--,soletrae a palavra lingueta1 e talvez deis no vinte4 ,e4--,lin-gue-ta4 ,p4--,as duas primeiras syllabas d'essa palavra no vos trazem memoria outra palavra muito conhecida8 ,e4--,trazem1 sim1 senhor2 a palavra lingua4 ,p4--,reparae agora se ha alguma similhana entre a lingua do homem e dos outros animaes e a parte da fechadura1 que estamos observando4 ,e4--,ha1 sim1 senhor4 ,p4--,em que8 ,e4--,a lingua chata e a lingueta tambem2 a lingua comprida1 como a lingueta2 a lingua est preza na bocca d'onde sae s vezes1 e a lingueta est egualmente presa no interior de uma caixa da qual a chave a faz sair4 ,p4--,difficilmente se poderia responder melhor minha pergunta4 ,tomem d'aqui exemplo os outros meninos4 ,a explicao que o menino ,f4 me deu prova-me que elle observa as cousas com atteno e compra umas com as outras1 o que muito concorre para que se nos desenvolva a intelligencia2 ou que1 se alguem lhe tinha ensinado isto1 se no esqueceu do que lhe haviam dito1 o que tambem muito para louvar#aj4 ,e4--,a mim ninguem me tinha ensinado a resposta4 ,p4--,tanto melhor1 porque deu prova de que medita no que v2 que vr as cousas superficialmente quasi o mesmo que no as vr3 ,continuemos a estudar a mesa4 ,reparem n'estas quatro columnas 7mostrando os ps da meza7 sobre as quaes assenta a taboa1 o aro e as gavetas4 ,e4--,so os ps da meza4 ,p4--,porque se lhes chama ps8 ,e4--,porque sustentam o resto da mesa1 maneira dos ps do homem e dos animaes1 que sustentam o resto do corpo4 ,p4--,todas as mesas tem quatro ps8 ,e4--,nem todas2 umas tem um s p1 outras quatro1 outras seis1 e podem ter mais4 ,p4--,quaes so as mais firmes1 isto 1 menos subjeitas a cairem1 as de um1 ou as de quatro ps8 ,e4--,as de quatro ps4 ,p4--,para que servem os bancos8 ,e4--,para nos assentarmos4 ,p4--,de que so feitos esses bancos8 ,e4--,de madeira4 ,p4--,no poderiam ser feitos de outra materia8 ,e4--,poderiam ser de ferro1 ou de pedra4 ,p4--,porque no poriam aqui bancos de pedra8 ,e4--,porque so mais caros1 que os de pau4 ,p4--,e s por isso que os no pozeram aqui8 ,e4-- porque so muito pezados2 no poderiamos mudal-os de um logar para outro4 ,p4--,no haver outro motivo para preferir os bancos de pau aos de pedra8 ,e4--,no sei4 ,p4--,menino ,f444 queira responder minha pergunta8 ,e4--,no sei4 ,p4--,aquelle estudantinho1 que alm est a gesticular1 que nos vae satisfazer a curiosidade2 vamos1 menino ,g444 deite a barra adiante aos seus collegas1 revelando-nos o motivo porque os bancos de pedra1 parte o serem pesados e caros1 no so adoptados nas nossas casas e nas aulas8 ,e4--,parece-me que por serem muito frios4 ,p4--,por causa da frialdade da pedra so os bancos d'aquella materia no s incommodos1 seno muito prejudiciaes saude4 ,passemos a outro assumpto4 ,j vos ponderei que muito mau faltar aula1 no estar attento ao que diz o professor1 e no estudar4 ,desejo que me digaes agora o que acontece aos estudantes1 que no vem ao principio da aula1 e que entram aqui uma hora1 ou hora e meia1 depois de terem comeado os nossos trabalhos8 ,e4--,no podem seguir bem as lies4 ,p4--,que dever1 pois1 fazer1 relativamente a este ponto1 um estudante applicado1 e que deseje adiantar-se8 ,e4--,dever entrar na aula hora marcada para o comeo do estudo4 ,p4--,diga-me menino ,l444 que cousas deve o estudante trazer sempre para a escola8 ,e4--,uma ardozia1 uma penna de pedra1 um lapiz1 uma penna de ao1 e os livros4 ,p4--,e que lhe acontecer1 se lhe esquecer alguma ou algumas d'estas cousas8 ,e4--,no poder tirar da lio o fructo1 que deve tirar4 ,p4--,qual ser a razo porque alguns meninos chegam muitas vezes aula sem os objectos1 que lhes so indispensaveis8 ,e4--,a razo d'essa falta ou por que se esquecem de os tomar ao sair de casa1 ou por que1 saindo com pressa1 os no acham1 e lhes falta o tempo para procural-os4 ,p4--,ha meio de evitar aquelle esquecimento1 e de fazer com que os objectos1 que devem trazer para a aula1 se lhes deparem facilmente8 ,e4--,ha1 sim1 senhor4 ,bastar que os meninos ponham a ardozia1 o lapis1 e os livros em um logar certo4 ,p4--,que nome daremos a um menino1 que pe uma cousa aqui1 outra alli1 outra acol1 e que depois se no lembra dos logares onde as poz8 ,e4--,desarranjado4 ,p4--,e ao que suja e rasga os livros1 e deita borres na escripta1 e por cima das mesas1 e se apresenta com a cara e os dedos enxovalhados8 ,e4--,porco ou enxovalhado4 ,p4--,deve o professor consentir que os meninos rasguem os livros1 que salpiquem de tinta as paredes e as mesas1 que tragam sujas as mos e cara1 e o fato cheios de nodoas8 ,e4--,no1 senhor4 ,p4--,porque8 ,e4--,porque estragar os livros1 ou as paredes1 ou qualquer cousa1 sem necessidade1 aco muito feia1 assim como no andar limpo4 ,p4--,e ser apenas aco muito feia8 ,no ser uma especie de roubo feito aos paes e aos mestres1 aos quaes muitas vezes em extremo penoso custear as despezas1 a que os filhos e discipulos os obrigam8 ,e4-- de certo4 ,p4--,que devem1 pois1 fazer os meninos a quem se recommenda1 que sejam arranjados e aceiados8 ,e4--,devem obedecer4 ,p4--,e que merecem os que no fazem caso das advertencias de seus paes e mestres8 ,e4--,merecem castigo4 ,p4--,e de que so dignos os que estudam bem1 e obedecem aos seus superiores1 procurando em tudo conformar-se com os seus conselhos e preceitos8 ,e4--,so dignos de estima e de premio4 ,p4--,respondeu com muito acerto4 ,por hoje basta de conversao4 ,antes1 porm de nos separarmos quero repetir-lhes um conselho muito prudente de um grande mestre4 ,decorem-n'o e sigam-n'o1 se querem ser methodicos e arranjados4 ,eil-o3 ,logar certo para cada cousa1 e cada cousa no seu logar4 ,,terceira ,,li,o ,,os ,,condiscipulos ,p4--,recommendei-lhes outro dia1 meus meninos1 que no faltassem aula1 que viessem hora marcada no regulamento1 que se no esquecessem de trazer os livros1 e mais objectos necessarios para as suas lies1 que se acostumassem a ser arranjados1 methodicos1 e desenxovalhados1 e que tivessem o maior cuidado em no estragar os objectos de seu uso4 ,no so to poucos os deveres dos meninos2 e como para bem os cumprirem indispensavel conhecel-os1 vamos hoje conversar em outro assumpto1 que muito lhes interessa4 ,comearei perguntando-lhes como se denominam1 em geral1 os meninos1 que frequentam ao mesmo tempo uma aula8 ,e4--,denominam-se condiscipulos4 ,p4--,o encontrarem-se quasi todos os dias1 estarem muito tempo juntos1 lerem pelos mesmos livros1 aprenderem com o mesmo professor1 terem com pequenas differenas1 a mesma idade1 e trabalharem para conseguir o mesmo resultado1 concorrer para que os condiscipulos formem uma especie de familia ou irmandade1 cujo pae espiritual o professor8 ,e4--,certamente4 ,p4--,se os condiscipulos1 como affirmaes1 so quasi irmos1 parece-me que devem tratar-se de maneira differente do que se tratam os meninos1 que nem so parentes1 nem condiscipulos4 ,e4--,sem duvida4 ,p4--,j que to expeditamente confirmaes a minha opinio1 fazei merc de me dizer como se devem tratar os condiscipulos4 ,e4--,devem tratar-se com delicadeza1 bondade e amisade4 ,p4--,optimamente1 sr4 estudantinho2 mas como eu no quero deixar por mentiroso o rifo1 que diz3 ,as palavras so como as cerejas1 peo-lhe me indique quaes actos de delicadeza ho de praticar os condiscipulos2 de certo no quereis que elles deem excellencia uns aos outros1 ou se sadem com salamaleks1 maneira dos turcos4 ,e4--,ho de cumprimentar-se quando se encontrarem em qualquer parte1 e entrada e sada da aula2 no ho de bater uns nos outros1 nem rasgar ou sujar os vestidos2 no ho de usar nas suas conversas de palavras feias2 se a qualquer tiver esquecido o livro1 a lousa1 a penna1 ou qualquer outro objecto deve-se-lhe emprestar aquillo de que carecer4 ,p4--,muito bem4 ,e ser delicado o menino que despresar o collega1 por elle ser feio1 ou aleijado1 ou tartamudo1 ou vesgo1 ou coixo8 ,e4--,no1 senhor4 ,p4--,ser delicado o menino1 que pozer alcunhas a seus condiscipulos1 ou que lhes lanar em rosto o serem filhos de pessoas pobres1 ou no trajarem moda1 com elegancia1 e esmero8 ,e4--,no1 senhor4 ,p4--,se ao mesmo tempo chegarem ao pote1 para beber1 dois meninos grosseiros1 que acontecer8 ,e4--,por-se-ho a ralhar1 querendo cada qual ser o primeiro que beba4 ,p4--,se um dos meninos fr delicado e o outro grosseiro8 ,e4--,o delicado ou se affastar1 para que o outro mate a sede em primeiro logar1 ou encher o copo e lh'o offerecer4 ,p4--,e se ambos forem delicados8 ,e4--,no sei o que devam fazer4 ,p4--,menino ,f41 responda minha pergunta4 ,e4--,se ambos forem bem criados1 dever o mais pequeno encher o copo e offerecel-o ao mais velho4 ,p4--,mas pode acontecer que ambos tenham a mesma idade1 ou que um no saiba a do outro4 ,e4--,nesse caso o mais delicado antecipar-se-ha a obsequiar o outro4 ,p4--,respondeu com muito juizo4 ,que dever fazer um menino delicado1 se ao lanche1 um condiscipulo lhe pedir um damasco1 uma pra1 ou qualquer outra cousa1 que lhe no faa falta8 ,e4--,deve dar-lh'a4 ,p4--,e pedir-lhe outra cousa em paga8 ,e4--,no1 senhor4 ,p4--,do que temos estado a dizer conclue-se1 que a delicadeza consiste no s em evitar tudo quanto possa desgostar os outros1 mas tambem na pratica de quanto honestamente lhes possa ser agradavel4--,desejo1 porm1 que me digaes se delicadeza e bondade so o mesmo4 ,e4--,no1 senhor4 ,p4--,como assim8 ,e4--,pode uma pessoa ser delicada e no ser boa2 pode tratar os outros muito bem1 mas no proceder assim por virtude1 e to somente por genio1 elegancia1 ou astucia4 ,p4--,para que possmos ter um menino em conta de bom o que necessario8 ,e4-- necessario que elle no faa nenhuma aco m4 ,p4--,quando que as nossas aces so ms8 ,e4--,quando offendem a ,deus1 ou ao proximo4 ,p4--,dizeis muito bem2 mas para que este ponto se aclare bastante1 fazei favor de me indicar algumas aces que reputeis ms4 ,e4--,so ms aces no crer em ,deus1 no o amar1 e no o temer2 no cumprir as ordens dos nossos superiores2 mentir1 levantar falsos testemunhos2 desprezar os pobres1 e no os soccorrer2 indagar das vidas alheias2 furtar2 comer e beber mais do que preciso4 ,p4--,e ser mandrio1 no estudar bem as lies aco ba1 ou m8 ,e4-- m4 ,p4--,porque8 ,e4--,porque1 no estudando1 desobedecemos a nossos paes e mestres4 ,p4--,como se chama a aco torpissima de tirar a alguem uma cousa s escondidas4 ,e4--,chama-se furto4 ,p4--,e como se denomina o desgraado1 que furta8 ,e4--,denomina-se ladro4 ,p4--,que merecem os ladres1 estima ou desprezo8 ,e4--,desprezo e castigo4 ,p4--,e no ser quasi ladro um menino1 que1 mandriando1 obriga seus paes a fazerem despeza excessiva para o educarem1 e que prejudica a familia1 em beneficio da qual deveriam reverter as quantias1 que os paes consomem inutilmente com o preguioso8 ,e4--1 sim1 senhor4 ,p4--,por consequencia merece desprezo e castigo o mu estudante4 ,e4--,certamente4 ,p4--,se na escola houver estudantes pobresinhos e estudantes abastados1 que devem estes fazer relativamente quelles8 ,e4--,tratal-os muito bem4 ,p4--,o bom tratamento de que fallaes consistir somente em os admittirem sua companhia na aula e na rua1 e em praticarem com elles delicadamente1 ainda que no andem bem trajados2 ou consistir tambem em auxilial-os1 obtida licena dos paes e mestres1 para que lhes no faltem cousas indispensaveis1 taes como o lapis1 papel1 compendios1 etc41 para comprar as quaes lhes no chegar o dinheiro4 ,e4--,parece-me que dever dos estudantes endinheirados proteger em tudo os que o no so1 e at repartir com elles o lunch1 e a merenda1 por isso que os collegas se devem amar como irmos4 ,p4--,muito bem4 ,e o amor fraternal dos collegas permittir que andem a fazer queixas uns dos outros8 ,e4--,no1 senhor4 ,p4--,que dever fazer um bom collega quando outro commetter uma pequena falta4 ,e4--,deve advertil-o de que no fez bem1 e aconselhal-o a que se emende4 ,p4--,e se um estudante quizer commetter um crime1 ou praticar uma aco m1 ou se tiver delinquido1 e se mostrar obstinado em no se emendar1 o que dever fazer o collega8 ,e4--,se no poder evitar o mal1 nem conseguir que o menino1 que o praticou1 trate de se corrigir1 cumpre-lhe avisar o professor4 ,p4--,em voz alta1 diante de todos1 com acrimonia1 e maneiras hostis1 ou em particular1 e por modo1 que no aggrave o delinquente8 ,e4--,em particular e sem azedume4 ,p4--,se o professor perguntar a um estudante quem commetteu certa falta ou maldade1 e o estudante interrogado souber quem foi1 que dever fazer8 ,e4--,dizer a verdade4 ,p4--,quando tal acontea1 ficar mal ao estudante implorar a clemencia do professor para o collega8 ,e4--,no1 senhor2 antes lhe ficar muito bem4 ,p4--,disse ainda agora um dos meninos que deviam os collegas ser amigos4 ,a amisade um sentimento mui delicado e nobre1 e por isso mesmo mui raro4 ,umas vezes nasce do parentesco e convivencia intima1 tal a que aos filhos consagram os paes1 e a estes os filhos1 tal a dos avs e netos1 e a dos tios e sobrinhos2 outras vezes provm da sympathia1 augmenta com a camaradagem1 principalmente entre pessoas de indoles similhantes1 e fortifica-se pela troca reciproca de servios desinteressados e honestos4 ,mas1 assim como nem tudo o que luz ouro1 assim nem toda a convivencia1 posto que deleitavel1 extremosa1 e at util1 se pde considerar amizade verdadeira4 ,e4--,em que consiste1 pois1 a verdadeira amizade8 ,p4--,em duas ou mais pessoas se estimarem reciproca e honestamente1 como cada uma a si propria se estima4 ,e4--,em vista do que dizeis1 devem ser mui poucos os verdadeiros amigos2 porque eu1 no obstante ser ainda muito creana1 tenho notado que quasi todas as pessoas gostam mais de si1 que dos outros4 ,p4--,rarissimos so1 verdade1 e por isso mesmo quem teve a felicidade de encontrar um1 deve cuidar muito de o no perder4 ,e4--,e o que nos acontecer1 se nunca tivermos um amigo verdadeiro8 ,p4--,seremos menos felizes do que seriamos1 se o tivessemos4 ,e4--,vs1 sr4 professor1 sois muito feliz4 ,p4--,por que me consideraes muito feliz8 ,e4--,porque tendes muitos amigos4 ,p4--,quem vos disse que tenho muitos amigos8 ,e4--,ninguem2 mas tenho visto que pelas ruas uns vos cortejam1 tirando-vos o chapu1 outros vos dizem adeus com a mo1 outros vos tratam por tu1 muitos vos abraam e param a fallar comvosco4 ,p4--,como estaes enganado6 ,esses todos1 com pouquissimas excepes1 sabeis o nome que merecem8 ,eu vol-o digo--conhecidos4--,se eu casse de cama1 quantos viriam acompanhar-me8 se eu estivesse preso1 quantos iriam suavisar-me a solido do carcere8 se eu tivesse fome1 quantos repartiriam commigo as suas spas8 se eu tivesse a desgraa de commetter um crime1 quantos no dia seguinte se desbarretariam ao passar por mim8444 ,conhecidos1 indifferentes1 amigos do theatro1 do baile1 do passeio1 que desapparecem1 quando o verdadeiro amigo mais se approxima de ns1 nos dias sombrios e luctuosos da desgraa1 e das tribulaes4 ,e4--,como ento que fallaes e mostraes to bonito modo a homens1 que de nada vos prestam8 ,no seria melhor desprezal-os8 ,p4--,no se deve desprezar ninguem4 ,quem no pde beber por uma taa de ouro1 ou de crystal1 ha de quebrar o copo de vidro ou o pucaro humilde de barro8 ,para os conhecidos1 caridade e delicadeza2 para os amigos1 os affectos todos do corao4 ,e4--,se vos no enfado1 far-vos-hei ainda uma pergunta4 ,p4--,quantas quizerdes4 ,e4--,de que traa nos havemos de servir para grangear amigos verdadeiros8 ,p4--,um sabio1 a quem fizeram igual pergunta1 respondeu3 ,se quizeres ser amado1 ama4 ,a semente da amisade a sympathia1 ou reciproca inclinao1 gerada1 ou da analogia das indoles e estados1 ou de certas qualidades1 que mal se pde dizer quaes sejam1 mas que parecem attrair umas para as outras as pessoas1 que as tem4 ,e4--,de maneira que1 se eu entrar n'uma casa e me agradar de uma pessoa1 que no conhea1 ainda que no seja da minha idade1 nem bonita1 e sentir para ella inclinao1 poderei dizer que sympathizei com ella4 ,p4--,de certo4 ,e4--,mas s vezes tambem succede o contrario2 olha a gente para um homem ou para uma senhora1 e posto que nem sejam feios1 nem desastrados1 experimenta certa repugnancia em tratal-os4 ,p4--,a essa repugnancia se d o nome de antipathia4 ,e4--,quando pois1 sympathisarmos com alguem1 poderemos contar com um verdadeiro amigo8 ,p4--,nem sempre4 vossa pergunta respondeu ha muito tempo um escriptor portuguez dos mais eruditos1 chamado ,antonio de ,sousa de ,macedo1 cujas obras vos recommendo desde j para quando fordes maiorzinhos4 ,ouvi o que elle a tal respeito escreveu4 ,d'entre os mesmos em que se acham sympathias1 se deve fazer distinco1 antes de trabalhar pelos fazer amigos1 por que nem todos sero convenientes4 ,suetonio diz de ,augusto1 que os escolhia com vagar1 e os conservava constantemente4 ,devem-se preferir os de melhor juizo1 bons costumes1 valor1 sinceridade1 e ba fama4 ,nem com o nescio1 diz o ecclesiastico1 nem com o mau1 diz santo ,agostinho1 nem com o pouco verdadeiro1 diz ,aristoteles1 pde haver amizade4 ,e4--,so essas as qualidades que devem ter os amigos1 e muito folgo de que to claramente nol-as expozesse esse auctor portuguez1 cujo nome citastes2 mas quando se nos depare alguem com todos esses requisitos1 que deveremos fazer para lhe captivarmos a amizade8 ,p4--,seja tambem ,macedo quem vos responda4 ,diz elle3 ,feita a eleio1 a communicao e conversao faz os amigos1 concordando nos ditos1 e nas aces 7suppondo que tudo ha de ser honesto e judicioso7 e para a facil1 sincera1 e agradavel concordia1 contribue especialmente a sympathia1 a qual1 accrescentou um sabio1 se deve ajudar com algum beneficio1 feito graciosamente1 sem ser rogado1 nem depois publicado4 ,e4--,algum beneficio8 ,p4--,no fiqueis ahi pensando que os beneficios1 que penhoram a amizade1 sejam to smente mimos e presentes de cousas1 que se merquem nas lojas1 ou de fructas e manjares2 boas so essas provas de amizade1 mas no so as unicas1 nem as mais apreciaveis4 ,por beneficios deveis entender tambem1 os conselhos prudentes1 os exemplos dignos de imitao1 a companhia na doena1 e nas tribulaes1 o ensino fraternal e at a reprehenso suave das faltas e defeitos4 ,resumo ,os condiscipulos so quasi irmos1 filhos espirituaes do professor4 ,devem ser delicados1 bons1 e amigos4 ,devem cumprimentar-se entrada e sada da aula e sempre que se encontrarem4 ,devem prestar uns aos outros todos os servios1 que puderem4 ,os estudantes pobres1 defeituosos1 mal vestidos merecem1 sendo bons1 tanta estima e considerao1 como os abastados1 sos1 e tafues4 ,nem sombra de alcunhas1 principalmente allusivas a quaesquer deformidades1 ou imperfeies do corpo ou do espirito4 ,se nos pedirem cousa1 que possamos emprestar ou ceder1 emprestemol-a1 ou cedamol-a1 sem exigir paga1 nem agradecimento4 ,delicadeza no bondade4 ,toda a aco contraria lei de ,deus1 ou s leis humanas1 quando estas no offendem aquella1 m4 ,o mandrio merece castigo e desprezo4 ,desde a aula deve o rico ajudar o pobre4--,se algum estudante fizer maldades advirtam-n'o os que as presenciarem2 mas no as divulguem4 ,quando um estudante praticar aces indignas1 e admoestado pelos condiscipulos1 se no emendar1 recorra-se ao professor1 dizendo-lhe em particular1 e sem aggravar o mal1 quanto baste para que elle proceda como fr de justia4 prova de delicadeza e bondade de corao implorar misericordia para os que estiverem em risco de ser castigados4 ,nunca se deve mentir2 a mentira a torpeza das torpezas4 ,so amigas duas pessoas que reciproca e honestamente se estimam como cada uma d'ellas se estima a si propria4 ,ha amizade verdadeira1 e falsa4--,nem todos os que parecem amigos1 o so2 no se deve confundir o amigo com o conhecido4 ,amar o meio de grangear amigos4 ,a amizade nasce da sympathia2 mas nem todos com quem sympathismos podem ser nossos amigos4 ,as qualidades que dever ter um amigo1 so3 bom juizo1 bons costumes1 valor1 sinceridade1 ba fama4 ,no deve ser nescio1 nem mau1 nem mentiroso4 ,para o grangear bastar a communicao e conversao1 auxiliadas por obsequios desinteressados4 ,reflexes finda a nossa palestra de hoje4 ,temos dito muitas cousas1 mas no basta fallar2 indispensavel fugir do mal e praticar o bem4 ,muito falla o papagaio1 mas que faz tamanho palrador8 ,come o que lhe deitam no comedouro1 e nas horas vagas vae roendo a gaiola4 ,ninguem dir com verdade1 que seja muito para se imitar a tal ave palreira4 ,palavras1 leva-as o vento1 dil-o o rifo1 e no mente4 ,para vos no parecerdes com aquelle animalzinho inutil1 amae-vos muito uns aos outros2 auxiliae-vos fraternalmente1 cumpr risca todas as vossas obrigaes1 e lembrae-vos a cada momento de que os homens do futuro1 os paes de familia1 os mestres1 os escriptores1 os ministros1 os deputados1 os juizes1 os sacerdotes1 os militares1 os medicos1 os pharmaceuticos1 os advogados1 os artistas1 os negociantes1 os industriaes1 os lavradores haveis de ser vs1 e de que para profisses to variadas1 to nobres1 to difficeis e de tantissima responsabilidade1 vos deveis desde j preparar1 estudando e praticando todas as virtudes1 para que1 chegada que seja a hora de entrardes na vida activa e de servirdes a civilisao1 que exige obreiros intelligentes e honrados1 possaes cabalmente desempenhar os vossos deveres4 ,,quarta ,,li,o ,,vidro#aa ,escolheu o professor ,mayo o vidro para assumpto da primeira lio do ensino intuitivo1 ou de objectos1 por lhe parecerem as qualidades d'este corpo mais perceptiveis aos nossos sentidos1 que as de qualquer outro4 ,aconselha o mesmo professor que fiquem os meninos defronte do quadro preto1 onde se ho de ir escrevendo os resultados de suas observaes2 e que o pedao de vidro v passando de mo para mo1 para que cada um dos estudantes individualmente o examine4 ,o tomar cada menino o fragmento de vidro em suas mos e o il-o observando com atteno 1 como atraz observmos1 ponto de grande importancia para o bom resultado do ensino4 ,diz a este proposito o excellente pedagogista ,mayo o seguinte3 ,d'este modo cada individuo1 dos que compem a aula1 se v obrigado a exercitar as suas faculdades sobre o objecto1 que se lhe apresenta2 servindo as perguntas1 que depois lhes faz o professor1 para que elles revelem suas idas1 e para a emenda d'estas1 se forem erroneas4 ,p4 7,mostrando um bocado de vidro7--,que isto1 que eu tenho na mo8 ,e4-- um bocado de vidro4 ,p4--,vamos soletrar a palavra vidro4 7,feita esta advertencia1 escreve o professor no quadro preto a palavra vidro1 dividida em duas syllabas2 pronunca alto e bom som1 em primeiro logar as lettras v-i-d-r-o1 acompanhando a pronunciao de cada uma d'ellas de uma pancada com o ponteiro no quadro1 ou de uma palmada2 e pronunca depois as duas syllabas mui distinctamente4 ,em seguida repetem os estudantes primeiro individualmente1 e depois em cro1 aquella soletrao1 at que a saibam correctamente fazer47 ,p4--,todos vs examinastes este vidro2 e que notastes n'elle8 ,que podeis dizer que 8 7,pe-se esta pergunta em logar de3 ,quaes so as suas propriedade8 porque muito provavel que a principio no entendam os meninos o sentido da palavra propriedade2 mas applicando-a repetidas vezes o professor s respostas que os estudantes derem1 em pouco tempo se acostumaro a ella e lhe percebero o sentido74 ,e4-- brilhante4 ,p4 7,depois de ter escripto no quadro a palavra propriedade1 escreve por baixo3 brilhante74--,pegae-lhe2 apalpae-o4 7,dever o professor dirigir aos estudantes perguntas conducentes a pr-lhes successivamente em aco os differentes sentidos74 ,e4-- frio4 7,escreve-se esta resposta no quadro por baixo da outra qualidade74 ,p4--,tornae a pegar no vidro1 e comparae-o com este fragmento de esponja1 com que limpmos o quadro1 e dizei-me o que notastes no vidro4 7,o intento do professor ao fazer esta pergunta1 deve ser conseguir que os estudantes observem a lisura1 contrapondo esta propriedade sua opposta1 a aspereza de outra substancia2 meio de demonstrao que muitas vezes se poder empregar74 ,e4-- lizo2 duro4 p4--,ha na aula outro objecto de vidro8 ,e4--,ha sim senhor2 os vidros das vidraas4 ,p4--,olhae pelas vidraas1 e dizei-me o que vdes4 ,e4--,vemos o jardim4 ,p4 7,fechando as portas da janella7--,olhae agora e dizei-me o que vdes4 ,e4--,agora no podemos vr nada4 ,p4--,porque que no vdes nada8 ,e4--,porque atravez das portas no se pde vr nada4 ,p4--,que differena notaes entre as portas e o vidro8 ,e4--,notmos que atravez das portas nada podemos vr1 e que atravez do vidro vmos o jardim4 ,p4--,podeis dizer-me alguma palavra1 que indique essa qualidade1 que tem o vidro8 ,e4--,no1 senhor4 ,p4--,eu vol-a digo4 ,tomae sentido1 para que vos no esquea4 transparente4 ,d'aqui por diante que ida fareis d'um corpo1 se vos disserem que transparente8 ,e4--,que se pode vr atravez d'elle4 ,p4--,respondestes muito bem4 ,lembraes-vos de alguma cousa que seja transparente8 ,e4--,a agua4 ,p4--,que aconteceria se eu deixasse cair no cho este pedao de vidro8 ,e4--,quebrar-se-ia4 ,p4--,e se da rua atirassem pedras janella8 ,e4--,quebrar-se-iam os vidros4 ,p4--,sabeis como se chamam os corpos1 que tem esta qualidade1 ou propriedade de se partirem1 quando caem n'um corpo duro1 ou quando se lhes bate8 ,e4--,no1 senhor4 ,p4--,chamam-se quebradios1 ou frageis1--,dizei-me1 se deixassemos cair a porta da janella ou se contra ella atirassemos uma pedra1 que succederia8 ,e4--,ficaria inteira4 ,p4--,e se eu lhe batesse muito de rijo com outro corpo durissimo8 ,e4--,quebrar-se-ia4 ,p4--,a madeira quebradia1 ou fragil8 ,e4--,no1 senhor4 ,p4--,deveremos chamar frageis a todas as substancias1 que podermos quebrar8 ,e4---,no1 senhor2 frageis diremos s aquellas1 que se quebrarem com facilidade4 ,p4--,para que serve o vidro8 que prestimo tem8 ,e4--,serve para as janellas4 ,p4--,que vantagem ha em pr vidraa nas janellas8 ,e4--,ter as casas abrigadas do vento1 da chuva1 da poeira1 e das moscas4 ,p4--,parece-me que1 fechando-se as portas das janellas1 no entrariam pelas casas dentro1 nem moscas1 nem poeira1 nem chuva1 nem vento4 ,e4--,mas cerradas as portas das janellas1 ficariam as casas s escuras1 e no poderiamos vr para fra4 ,p4--,muito bem4 ,dizei-me porque razo no tira o vidro a claridade s casas1 nem obsta a que se vejam os objectos que esto fra8 ,e4--,porque transparente4 ,p4--,no ha outros objectos de vidro8 ,e4--,ha cpos1 garrafas1 castiaes1 espelhos1 tinteiros1 etc4 provavel1 diz o professor ,mayo1 que na primeira lio no occorram aos meninos outras qualidades2 mas estas ss1 escriptas no quadro preto1 constituiro um bom exercicio de soletrao4 ,devem-se depois apagar2 e se os estudantes j souberem escrever1 podero exercitar a memoria e repetir a lio1 escrevendo-as de novo nas ardosias4 ,,quinta ,,li,o ,,caoutchouc--,,gomma ,,elastica--,,borracha#ab ,escolheu o professor ,mayo esta substancia para objecto da segunda lio1 para que os meninos observem as qualidades1 ou propriedades1 que os physicos denominam opacidade1 elasticidade1 e inflammabilidade4 ,p4#ac--,que isto8 7,mostrando um bocado de caoutchouc74 ,e4-- um bocado de borracha4 ,p4--,parece-se com o vidro8 ,e4--,em nada4 ,p4--,ponde esse pedacinho de borracha diante dos olhos e olhae para mim444 ,vdes-me8 ,e4--,no1 senhor4 ,p4--,se nas janellas1 em vez de vidros1 estivessem laminas de borracha1 que aconteceria8 ,e4--,ficariam as casas s escuras1 e no poderiamos vr para fra4 ,p4--,sabeis como se chama a qualidade1 que tem a borracha de no deixar vr atravez de si1 como o vidro8 ,e4--,no1 senhor4 ,p4--,chama-se o-pa-ci-da-de4 ,repet commigo esta palavra4 ,e4--,o-pa-ci-da-de4 ,p4--,vou escrevel-a2 olhae attentamente4 7,o professor escreve no quadro preto3 ,propriedades ou qualidades da borracha--,o-pa-ci-da-de74 ,menino ,f41 como chamareis aos corpos1 que tem opacidade8 ,e4--,opacos4 ,p4--,ponde diante dos olhos a lousa1 que ahi tendes1 e olhae para mim4 ,vdes-me8 ,e4--,no1 senhor4 ,p4--,porque me no vdes1 quando entre mim e vs est um bocado de lousa8 ,e4--,porque a lousa opaca4 ,p4--,menino ,g41 dizei-me se est alguem ali n'aquelle quarto4 ,e4--,eu vou vr4 7,levantando-se74 ,p4--,no vos levanteis2 olhae d'ahi1 do vosso logar4 ,e4--,d'aqui no posso vr4 ,p4--,porque no podeis vr d'ahi o que se passa n'aquelle quarto8 ,e4--,porque se mette de permeio a parede4 ,p4--,e se a parede fosse de vidro1 poderieis ver para dentro d'aquella casa8 ,e4--,veria de certo1 porque o vidro transparente2 mas a parede no 4 ,p4--,como diremos que a parede1 attendendo a que nos tira a vista das cousas1 que esto para alm d'ella8 ,e4--,diremos que opaca4 ,p4--,a borracha pde facilmente cortar-se com a thesoura4 ,vou cortar umas tiras1 para os meninos fazerem uma brincadeira4 ,eil-as3 ,tomem estas tirinhas de borracha1 segurem-n'as pelas extremidades e puxem-n'as1 como quem quizesse esticar uma linha444 ,basta1 basta2 agora larguem-n'as de um lado444 ,que vistes8 ,e4--,a borracha deu de si1 estendeu1 estendeu2 e1 logo que a largmos1 voltou ao primitivo comprimento4 ,p4--,tomem agora este bocado de vidro1 e puxem-n'o bem4 ,e4--,no d de si2 no estende4 ,p4--,temos1 pois1 que a borracha1 sendo puxada1 estende1 e logo que a soltam volta primeira2 e que o vidro1 por mais que o puxem1 no d de si4 ,porque ser isso8 ,e4--,provavelmente por que a borracha tem alguma qualidade1 que ns ignormos4 ,p4--,como que a ignoram1 se acabam de a observar86 ,o que os meninos ignoram o nome que essa propriedade tem4 ,e4--,podeis-nos dizer como se chama8 ,p4--,chama-se e-las-ti-ci-da-de4 ,repeti commigo este nome3 ,e4--,e-las-ti-ci-da-de4 ,p4--,reparae2 vou escrevel-o no quadro preto1 por baixo do nome da outra qualidade da borracha1 por baixo da palavra444 7,tapando com a mo a palavra no quadro74 ,e4--,opacidade4 ,p4--,muito bem2 no se esqueceram4 7,escreve7 ,aqui est3 ,elasticidade4 ,tomae outra vez as tirinhas de borracha2 e em vez de puxal-as1 torcei-as entre os dedos1 que se chamam pollegar 7,mostra o dedo pollegar7 e est'outro 7,mostra o indicador71 que se chama indicador444 ,agora largae-as4 ,que observaes8 ,e4--,destorcem-se por si4 ,p4--,menino ,a444 por que que se destorcem por si essas tirinhas de borracha8 ,e4--,provavelmente1 pela mesma qualidade1 pela qual ainda agora estenderam e encolheram1 ficando do comprimento1 que tinham1 antes de as estarmos a puxar4 ,p4--,assim 4 ,dizei-me agora o que isto8 7,mostrando uma pla7 ,e4--,isso uma pla de brincar4 ,p4--,porque ser que todos os meninos gostam de jogar a pla8 ,e4-- porque as plas saltam muito1 e ns temos de correr atraz d'ellas1 caio aqui1 acol me levanto4 ,p4--,sabeis de que so feitas as plas8 ,e4--,so feitas de borracha#ad4 ,p4--,porque no fazem as plas de barro1 ou de folha de ,flandres1 ou de pau1 ou de cortia8 ,e4--,porque se fossem feitas d'essas materias no saltariam4 ,p4--,que ha1 pois1 nas plas de borracha1 que as faz andar aos pulos8 ,e4--,no sabemos4 ,p4--,e se eu lhes disser1 que sabem8 ,pensem1 meditem4 ,atiro esta pla ao cho1 ella bate no sobrado1 achata-se1 immediatamente toma a primitiva frma1 a frma de bola1 ou de esphera1 como dizem os sabios1 e eil-a a pular4 ,e4--,j sabemos porque as plas de borracha saltam1 e as outras no4 por causa da elasticidade4 ,p4--,acertastes4 ,n'aquelle retomar a frma de esphera ou bola immediatamente depois de se ter achatado ao bater no cho1 que est a elasticidade4 ,outra pergunta cerca d'esta qualidade4 ,dizei-me1 se vos occorre1 o nome com que podemos designar os corpos1 que tem elasticidade4 ,e4--,podem chamar-se elasticos4 ,p4--,assim 4 ,reparae agora no que vou mostrar-vos4 7,o professor acende uma vla74 ,temos aqui um rolosinho de ferro 7,mostra-o71 um rolosinho de barro 7,mostra-o71 este pedao de pederneira 7,mostra-o71 e um fragmento de borracha4 ,pego no rolo de ferro pelo cabo de madeira1 para me no queimar1 chego-o luz1 como vedes1 mas elle fica no mesmo estado4 ,pego no rolo de barro1 que no tem cabo de madeira1 por que no aquece to depressa como o ferro1 chego-o luz e nada de novo2 com a pederneira acontece o mesmo4 ,ide agora ver o que succede ao approximar da luz um fragmento de borracha4 ,tomae sentido1 porque me haveis de dizer o que virdes4 ,por cautela1 em vez de tomar a borracha com os dedos1 pego-lhe com a thesoura4 ,atteno4 7,o professor chega a borracha luz1 e apenas ella se inflammar1 affasta-a da vla1 e a colloca por cima de um vaso1 que tenha agua1 evitando que lhe caia derretida nas mos74 ,que vistes8 ,e4--,vimos a borracha incendiar-se e arder com chamma mui intensa e clara4 ,p4--,s isso observastes8 ,e4--,e derreter-se4 ,p4--,nada mais8 ,e4--,mais nada4 ,p4--,no prestastes bastante atteno4 ,vou repetir a experiencia4 7,repete-a74 ,dizei-me se vistes mais alguma cousa8 ,e4--,a borracha derretida cair em pingos sobre a agua1 que est n'esse vaso4 ,p4--,exactamente4 ,esta qualidade da borracha mui differente das outras duas3 elasticidade e opacidade4 ,e4--,certamente4 ,p4--,sabeis como se chama8 ,e4--,no sabemos4 ,fazei merc de nol-o dizer4 ,p4--,chama-se in-flam-ma-bi-li-da-de1 ou propriedade de arder com chamma4 ,bom ser que repitaes commigo o nome d'esta qualidade1 ou propriedade da borracha1 para que vos no esquea4 ,e4--,in-flam-ma-bi-li-da-de4 ,p4--,vou escrever este nome1 que nada tem de pequeno1 sob o das outras qualidades4 ,qual de vs capaz de me dizer como chamaremos aos corpos1 que chegados a uma luz1 arderem com chamma8 ,e4--,sou eu4 ,p4--,dizei pois4 ,e4--,os corpos1 que ardem com chamma1 denominam-se inflammaveis4 ,p4--,o ferro1 o barro1 a pederneira1 so inflammaveis8 ,e4--,no1 senhor2 mas a borracha 1 e muito4 ,p4--,podeis dizer-me a cr da borracha8 ,e4--,negra4 ,p4--,vou escrever o nome d'essa qualidade no quadro preto 7,escreve74 ,dizei-me1 meus meninos1 se vos lembra alguma cousa1 bastante vulgar1 qual a borracha se assemelhe no s na cr1 mas principalmente na grossura1 na consistencia1 na impresso que nos faz1 quando a apertmos e revolvemos entre os dedos4 ,e4--,assemelha-se ao couro4 ,p4--,muito bem4 ,o que provavelmente no sabeis como se nomeiam as substancias analogas ao couro4 ,e4--,no sabemos4 ,p4--,dizem se co-ri-a-ce-as4 ,repet pausadamente esta palavra4 ,e4--,co-ri-a-ce-as4 ,p4--,menino ,b4442 vejo que estaes passando as cabeas dos dedos por cima d'esse bocado de borracha1 e esse acto to simples accordou-me o desejo de vos fazer uma pergunta4 ,quando passmos a mo1 ou smente as cabeas dos dedos por cima de diversos corpos1 sentimos a mesma impresso8 ,e4--,no1 senhor2 umas vezes agradavel a impresso1 que sentimos2 outras vezes1 desagradavel4 ,p4--,podereis dar-me exemplo de uma e outra8 ,e4--,correndo a mo por cima de um panno de l grosseiro1 ou por uma taboa1 que no esteja aplanada1 sinto impresso desagradavel2 correndo-a por sobre uma folha de papel de peso1 ou por um vidro bem polido1 tenho uma impresso agradavel4 ,p4--,sabeis que nome se d aos corpos1 quando a sua superficie como a do panno de l grosseiro1 e da taboa no aplanada8 ,e4--,diz-se que so asperos4 ,p4--,e quando a superficie dos corpos como a do papel fino1 ou de peso1 e a do vidro8 ,e4--,diz-se que so lisos1 ou macios4 ,p4--,a borracha aspera1 ou macia8 ,e4-- macia4 ,p4--,ficmos pois1 sabendo1 que a borracha opaca1 elastica1 inflammavel1 negra1 coriacea1 e macia4 ,mais uma pergunta1 e dmos por terminada a nossa palestra4 ,tem a borracha algum prestimo8 ,e4--,serve para apagar os traos1 que o lapis deixou no papel1 para fazer plas e outros objectos4 ,,sexta ,,li,o ,,couro ,nesta lio pretende o professor ,mayo dar aos meninos ida das seguintes propriedades1 ainda por elles no estudadas3 flexibilidade1 cheiro1 impermeabilidade agua2 e recordar-lhes algumas1 j estudadas a proposito da borracha4 ,p4--,tomae1 meus meninos1 este corpo 7,dando-lhes s mos um bocado de couro71 examinae-o1 e dizei-me se sabeis o que 8#ae ,e4-- um pedao de couro4 ,p4--,recordae-vos do que dissemos hontem a respeito da borracha1 e dizei-me se o couro tem com ella alguma parecena4 ,e4--,tem1 sim1 senhor2 e bastante4 ,p4--,muito prazer me darieis se fizesseis favor#af de me dizer porque se parecem esses dois corpos1 que em realidade so mui differentes4 ,e4--,dissemos que se parecem1 porque ambos so opacos1 coriaceos e macios4 ,p4--,e no vos enganastes2 mas o couro tem outras qualidades1 que podereis descobrir1 se o observardes com atteno4 ,e4--7,hesitam1 e ficam-se a olhar para o professor74 ,p4--,se os olhos me no illudem1 todos vs tendes nariz2 ora1 pois1 servi-vos d'elle1 consultae-o4 ,e4--7,cheirando o couro74 ,tem cheiro4 ,p4--,assim 4 ,menino ,c4441 dizei-me se todos os corpos tem cheiro8 ,e4--,no1 senhor2 o vidro1 e a loua1 no tem cheiro4 ,p4--,lembra-vos alguma substancia1 que tenha cheiro8 ,e4--,lembram-nos muitas3 o ch1 o caf1 a manteiga1 o vinagre4 ,p4--,quando uma substancia exhala cheiro proprio1 como diremos que 8 ,e4--,cheirosa4 ,p4--,cheirosas dizemos as que tem cheiro proprio ou alheio4 ,por exemplo3 se deitarmos no leno de assoar algum arma1 tal como agua de ,colonia1 ou almiscar1 ficar o leno cheiroso2 no obstante no ter cheiro seu1 proprio4 ,se porm uma substancia dotada de cheiro1 bom ou mau1 como o ch ou o petroleo1 melhor lhe chamaremos3 odorifera4 ,e4--,pelo que dizeis1 o couro odorifero4 ,p4--,de certo4 ,digam todos em cro esse nome4 ,e4--,o-do-ri-fe-ro4 ,p4--,continuemos a examinar o couro4 ,alm1 est o menino ,f444 a dobrar aquelle pedao1 provavelmente para vr se o pde partir em dois4 ,vejamos o que elle nos diz da sua experiencia4 ,e4--,dobra-se1 mas no se parte4 ,p4--,e acontece o mesmo a todos os corpos8 ,e4--,no1 senhor2 ha bem pouco tempo parti eu uma regoa de madeira1 por querer dobral-a4 ,p4--,qual ser a palavra com que possmos representar a qualidade1 que tem o couro1 de se dobrar sem se partir8 ,e4--7,silencio47 ,p4--,pensae no caso1 e lembrae-vos de que ha palavras parecidas umas com as outras1 ou parentas4 ,por exemplo3 bondade e bom2 maldade e mau2 aquentar e quente2 rasgar e rasgado4 ,e4--,j sabemos1 como deveremos chamar aos corpos1 que se dobram facilmente1 sem se quebrarem ou partirem4 ,p4--,que esperaes1 para nos dar esse alegro4 ,e4--,chamar-lhes-hemos dobradios4 ,p4---,deram no vinte2 mas eu sei outro nome1 que quer dizer o mesmo1 mas que mais afidalgado1 e por isso menos vulgar4 ,vou escrevel-o no quadro1 e soletral-o-ho os que sabem ler4 7,escreve no quadro preto1 na columna onde esto indicadas as outras qualidades74 ,e4--7,em alta voz7 ,fle-xi-vel4 ,p4--,qual dos meninos capaz de me dizer o nome da qualidade1 ou propriedade em virtude da qual so flexiveis alguns corpos8 ,e4--,deve chamar-se flexibilidade4 ,p4--,muito bem respondeu o menino ,g444 ,no se esqueam os outros do que lhe ouviram1 e fiquem sabendo que1 quando qualquer corpo se dobra1 como o couro1 e como elle se no quebra ou rasga1 porque tem flexibilidade4 ,se no temesse canal-os1 ainda lhes havia de fazer mais perguntas a respeito d'este corpo1 que pelos servios1 que nos presta1 bem merece1 que nos entretenhmos com elle4#ag ,e4--,podeis continuar1 senhor professor1 que no estmos canados4 ,p4--,j que assim o quereis1 famos uma experiencia4 ,tomem quatro meninos este leno pelas quatro pontas e estendam-n'o1 mas no muito4 ,outro menino deite-lhe em cima uma pouca d'agua4 7,os meninos executam o que o professor lhes manda74 ,que observaes8 ,e4--,o leno molha-se4 ,p4--,e que mais acontece8 ,e4--,a agua atravessa o leno e cae no sobrado4 ,p4--,ponde agora este bocado de papel mata-borro sobre o leno1 deitae-lhe por cima mais agua1 e vde o que succede4 ,e4--,molha-se tambem o papel e deixa passar a agua4 ,p4--,espremei o leno1 e dizei-me o que observaes4 ,e4 7,espremendo o leno7--,escorre a agua1 que o leno tinha em si1 e este fica menos molhado4 ,p4--,fazei com este bocado de couro o que fizestes com o leno2 isto 1 estendei-o horisontalmente1 e deitae-lhe agua por cima4 ,e4--,a agua no pode atravessar o couro2 no cae no cho4 ,p4--,entornae a agua1 e vde se o couro ficou ensopado4 ,e4--,no ficou1 no1 senhor4 ,p4--,sabeis porque assim acontece8 ,e4--,no sabemos4 ,p4--,no se ensopa na agua1 porque essa uma das suas qualidades1 ou propriedades4 ,de um corpo1 que a agua no atravessa1 diremos que impermeavel agua4 ,e4--,fazeis merc de repetir esse nome1 que no percebemos bem4 ,p4--,vou escrevel-o no quadro preto1 para que o leiam1 e repetil-o-hemos depois com muito vagar4 7,escreve74 ,e4---,im-per-me-a-vel4 ,p4--,relanceae os olhos pelos objectos1 que esto n'esta aula1 e dizei-me se haver entre elles algum1 que seja impermeavel agua4 ,e4--,o vidro4 ,p4--,porque dizeis que impermeavel agua o vidro8 ,e4--,porque a agua no o atravessa4 ,p4--,podereis convencer-me com algum exemplo de que a agua no atravessa o vidro8 ,e4--,bastar olhar para esse cpo1 que est cheio de agua1 e que no a deixa sair atravez das suas paredes4 ,p4--,gostei muito da vossa resposta1 que revela muito siso1 e me prova que vos ides acostumando a comparar4 ,e porque sois espertos e amigos de saber1 vos perguntarei mais1 se o barro de que feita aquella bilha1 que alem tenho1 para me arrefecer a agua1 tambem impermeavel8 ,e4--,no sabemos4 ,p4--,se a examinarem attentamente1 sabel-o-ho logo4 ,ora ide buscal-a para aqui4 ,e4--,esta bilha no 1 como o couro e vidro1 impermeavel4 ,p4--,dizei antes1 o barro d'esta bilha1 ou o barro1 de que esta bilha feita1 no impermeavel4 ,reparae1 que uma cousa o objecto1 o movel1 o corpo1 que vemos1 e outra cousa a materia1 de que o objecto1 o movel1 ou o corpo formado4 ,que isto8 7,o professor mostra uma bola de cra74 ,e4-- uma bola4 ,p4--,bola ou esphera2 mas de que8 ,e4--,de cra4 ,p4--7,transformando a bola de cra em um cilindro7--,e isto1 que 8 ,e4--,um rolo4 ,p4--,certamente2 um rolo ou cilindro2 mas de que8 ,p4--,de cra4 ,p4--7,dando cra a forma cubica7--,o rolo foi-se2 isto1 que 8 ,e4--,um dado de jogar4 ,p4--,vistes1 que com a mesma materia1 a cra1 formei tres corpos3 uma bola ou sphera2 um rolo ou cilindro2 e um dado de jogar ou cubo1 os quaes eu poderia ter feito de tres materias differentes1 por exemplo3 de cra1 de barro e de madeira4 ,acostumae-vos pois1 desde agora1 a distinguir nos corpos a materia de que so feitos1 da maneira porque ella est limitada1 ou1 o que vem a ser o mesmo1 da sua configurao4 ,mas1 tornando permeabilidade do barro d'esta bilha1 desejo que me esclareaes1 dizendo-me o fundamento1 que tendes1 para asseverar1 que permeavel4 ,e4--,dissemos que no era impermeavel1 porque1 estando vazia1 se conserva secca1 e pouco depois de se lhe deitar agua humedece por fra1 provavelmente1 porque a agua passa atravez de suas paredes4 ,p4--,assim 4 ,tende paciencia1 meus meninos1 de escutar mais uma pergunta com a qual porei termo nossa palestra4 ,quizera me dissesseis se o couro serve para alguma cousa4 ,e4--,serve para capas de livros2 para forrar bahus e malas2 para fazer botas1 sapatos1 corras1 luvas1 sellins1 e arreios para cavallos4 ,p4--,bravo6 ,quem respondeu com tanto acerto1 tem direito a ir brincar4 ,,setima ,,li,o ,,um ,,livro ,examinando miudamente um livro1 ficaro os estudantes conhecendo as differentes partes de que elle se compe1 seus nomes e usos2 e adquiriro as primeiras e elementarissimas noes cerca do papel1 da typographia1 e dos algarismos romanos e arabes4 99 99 99 99 99 ,p4--,meninos1 como se chama isto8 7,o professor mostra aos estudantes um livro encadernado47 ,e4--,chama-se livro4 ,p4--,todos vs tendes um livro8 ,e4--,temos1 sim1 senhor4 ,p4--,pegae1 pois1 nos vossos livros1 e preparae-vos para uma palestra1 que vos ha de ser muito agradavel4 ,e4--,vamos ler8 ,p4--,no1 senhores2 vamos conversar a respeito do livro1 como conversmos cerca do vidro1 da borracha e do couro4 ,e4--,quereis que escrevmos a palavra livro8 ,p4--,v escrevel-a no quadro preto o menino ,h4 ,e4--7,escreve71 ,li-vro4 ,p4--,talvez no tenhaes notado1 que assim como ha grupos de pessoas aparentadas1 que constituem familias1 e que mais ou menos se parecem umas com as outras2 assim ha grupos de palavras to similhantes1 que se no pde desconhecer1 que so muito chegadas entre si1 e como que parentas4 ,e4--,ainda no tinhamos reparado em tal4 ,p4--,prestae atteno ao que eu vou escrever no quadro preto 7,o professor escreve umas por baixo das outras as palavras do exemplo1 separando com o hyphen o radical de cada uma7 ,pomb-o1 pomb-a1 pomb-inho1 pomb-inha1 pomb-al1 pomb-alinho4 ,todas estas palavras formam uma familia#ah4 ,cas-a1 cas-inha1 cas-o1 cas-aro1 cas-eiro1 ca-sal1 cas-alinho1 cas-aleiro1 cas-ara1 cas-ebre 7,todos estes nomes sejam escriptos uns por baixo dos outros1 ao lado dos nomes do primeiro exemplo1 e mui claramente pronunciados proporo que se forem escrevendo74 ,aqui tendes outra familia4 ,carr-o1 carr-inho1 carr-ete1 carr-eta1 carr-etilha1 carr-ocim1 carr-uagem1 carr-oa1 carr-oada1 carr-eto1 carr-etada1 carr-eteiro1 carr-eto1 carr-iagem1 carr-icoche1 carr-oceiro1 carr-oar1 carr-il1 carr-omato4 ,outra familia e no pequena4 ,se bem attenderdes1 percebereis1 que as palavras do primeiro grupo comeam todas pelas lettras pomb2 as do segundo pelas lettras cas2 e as do terceiro pelas lettras carr4 ,as primeiras--pomb--representam a ida--pombo2 as segundas--cas--representam a ida--casa2 as terceiras--carr--a ida--carro4 ,agora que estaes iniciados n'este segredo1 podereis dizer-me se a palavra--livro--tem algumas parentas8 ,e4--,tem uma parenta4 ,p4--,fazei favor de me dizer qual 4 ,e4--,a palavra livrinho4 ,p4--,s essa8 ,e4--,tem outra parenta1 que livrete4 ,p4--,procurae bem1 que achareis mais4 ,e4--,livraria4 ,p4--,no sabeis o nome1 que se d1 por desprezo1 a um livro pequeno e mau8 ,e4--,chama-se-lhe livreco4 ,p4--,como denominaes os homens1 que negoceiam em livros8 ,e4--,livreiros4 ,p4--,fazei favor de me repetir os nomes de que se compe a familia1 cujo pae a palavra livro4 ,e4--,livro1 livrinho1 livrete1 livraria1 livreco1 livreiro4 ,p4--,muito bem4 ,agora se vos no custar muito1 dizei-me qual a parte1 que em todas essas seis palavras sa1 quando as pronuncimos1 e se v1 quando as escrevemos1 constante e inalteravel4 ,e4-- o principio4 livr4 ,p4--,menino ,b1 escrevei essas lettras no quadro preto4 ,e4--,livr4 ,p4--,olhando para aquellas lettras1 que vos lembra8 ,e4--,lembra-me um livro4 ,p4--,fique-vos pois de memoria1 que ha muitas palavras1 que se podem dividir em duas partes2 e que a primeira d'ellas1 que figura em todos os membros da familia1 lembra a ida da cousa1 claramente representada no termo1 de que a familia toda procede4 ,que figura tem este livro8 7,o professor mostra um livro47 ,e4-- quadrado4 ,p4--,quadrado no elle2 quadrilatero4 ,repeti1 partida em syllabas1 esta palavra4 ,e4--,qua-dri-la-te-ro4 ,p4--,agora de uma s vez4 ,e4--,quadrilatero4 ,p4--,sabeis o que quer dizer a palavra quadrilatero8 ,e4--,no1 senhor4 ,p---,quer dizer3 ,figura de quatro lados1 ou superficie fechada por quatro linhas4 ,reparae para a figura que vou desenhar no quadro preto4 7,o professor traa um parallelogrammo1 retangulo1 um quadrado e um losango7 ,todas estas figuras so quadrilateros2 mas apenas esta 7,aponta o quadrado7 se pde chamar quadrado#ai4 ,tenho aqui sobre a mesa uns poucos de pedaos de papel1 vinde c1 e escolhei um que seja quadrado4 ,e4--,eil-o4 ,p4--,muito bem4 ,agora desenhe o menino ,a4 no quadro preto um quadrado4 ,e4--7,desenhando74 ,aqui est desenhado4 ,p4--,como chamareis a esses riscos1 que formam o quadrado8 ,e4--,linhas4 ,p4--,sabeis que outro nome se d s linhas1 quando so direitas como essas1 que ahi desenhastes8 ,e4--,no1 senhor4 ,p4--,d-se-lhes o nome de linhas rectas4 ,todos esses quadrilateros so formados de linhas rectas4 ,olhae agora para os vossos livros1 e dizei-me como se chama a sua parte externa1 a parte de fra4 ,e4--,chama-se capa4 ,p4--,por que lhe dariam esse nome8 ,e4--,talvez pela analogia1 que tem com a capa ou capote1 que usam homens e mulheres4 ,p4--,mas a capa dos livros no tem gla1 nem cabeo1 nem roda1 como uso terem os nossos capotes4 ,e4--,certo que nada d'isso tem2 mas reveste o livro1 e o resguarda1 como o capote resguarda o fato2 que lhe fica por baixo4 ,p4--,respondestes optimamente4 ,dizei-me se as capas dos livros tem todas a mesma consistencia4 ,e4--,no1 senhor2 umas so duras e grossas2 outras1 delgadinhas e molles4 ,p4--,assim 4 ,de que materia fazem as capas dos livros1 quando duras e grossas8 ,e4--,de papelo4 ,p4-- verdade2 mas noto1 que sendo o papelo aspero e feio1 as capas dos livros so macias e bonitas4 ,sabereis explicar-me a razo d'isto8 ,e4-- porque revestem o papelo de papel de cres1 de panno1 ou de couro pintado4 ,p4--,bravo6 muito bem4 ,como se denominam os artistas1 que fazem as capas dos livros e lh'as pem8 ,e4--,encadernadores4 ,p4--,como se diz que est um livro1 a que o encadernador poz uma capa consistente1 como a d'estes1 que temos nas mos8 ,e4--,diz-se que est encadernado4 ,p--,e quando um livro est apenas coberto com uma capa de papel1 como este1 que vos mostro8 ,e4--,diz-se que est brochado4 ,p4--,se um artista se empregar exclusivamente em brochar livros1 como lhe chamaremos8 ,e4--,no sei4 ,p4--,chamar-lhe-hemos brochador4 ,e4--,os encadernadores no so tambem livreiros8 ,p4--,livreiro a pessoa1 que negoceia em livros1 que os compra e vende4 ,ha1 porm1 individuos1 que exercem ambas as industrias1 isto 1 que compram e vendem lvros1 e que os encadernam4 ,continuemos a examinar o nosso livro1 e em primeiro logar fazei obsequio de me indicar o nome d'esta parte 7,o professor indica a lombada74 ,e4--,no sei como se chama4 ,p4--,chama-se lombo1 ou lombada4 ,e4--,porque dariam a esta parte to estrambotica denominao8 ,p4--,provavelmente em consequencia de ter certa analogia de frma e posio com as costas ou lombo do homem4 ,e4--,tenho notado1 que a lombada a parte1 que os encadernadores mais esmeradamente aformoseam4 ,porque ser8 ,p4--,admira-me no vos occorrer a razo d'isso6 ,porque ser1 menino ,b48 ,e4--,eu no sei4 ,p4--,dizei antes3 ,no sei4 preciso no abusar do eu e do tu4 ,muito mais elegante1 conciso e energico dizer3 ,no sei1 no quero1 no posso1 do que3 ,eu no sei1 eu no quero1 eu no posso4 ,menino ,c1 porque motivo adornam os encadernadores as lombadas dos livros mais do que o resto da capa8 ,e4--,no sei4 ,p4--,respondei1 menino ,m4 ,e4--,enfeitam mais as lombadas1 se me no engano1 por ser a parte1 que mais se v1 quando os livros esto na estante4 ,p4--,assim 4 ,examinae o lombo do vosso livro e dizei-me o que notaes8 ,e4--,traos e adornos dourados4 ,p4--,mais nada8 ,e4--,lettras1 tambem douradas4 ,p4--,que dizem essas lettras8 ,e4--,motta--,quadros de historia4 ,p4--,aos dizeres1 que os livros tem na parte superior do lombo1 que nome se d8 ,e4--,titulo4 ,p4--,a palavra ,motta1 que est ahi a dizer8 ,e4--,o nome do auctor4 ,p4--,e as outras8 ,e4--,o assumpto4 ,p4--,vede a lombada d'est'outro livro4 ,tem to poucos dizeres1 como a d'esse1 por onde habitualmente ledes8 ,e4--,no1 senhor2 tem mais4 ,p4--,que mais tem8 ,e4--,uma lettra de conta4 ,p4--,de que palavra nos deveremos servir1 para designar o que chamaes lettra de conta8 ,e4--,no sei4 ,p4--,o menino1 que souber responder minha pergunta1 responda4 ,e4--,no se deve dizer lettras de conta1 mas algarismos4 ,p4--,muito bem4 ,se temos palavra apropriada para indicar os signaes representativos dos numeros1 evitemos um rodeio4 ,que algarismo tem esse livro na lombada8 ,e4--,o algarismo #b4 ,p4--,para que pozeram ahi o algarismo #b8 ,e4--,para indicar que este livro o segundo volume da obra4 ,p4--,exactamente4 ,e4--,todas as obras constam de dois volumes8#bj ,p4--,no se riam da pergunta do menino ,s42 ninguem nasce ensinado1 e quem no pergunta fica ignorando muitas cousas4 ,agora conversemos ns1 menino ,s4 ,ha obras completas em um volume1 e d'essas tendes exemplo nos ,quadros de historia portugueza2 tambem as ha em dois1 tres1 quatro e at em dez1 vinte e mais volumes4 ,quando uma obra principia e acaba no mesmo volume no necessario pr-lhe nem externa nem internamente nenhum algarismo2 se principia n'um volume e contina e acaba n'outro1 marca-se externamente o primeiro com o algarismo #a e o segundo com o algarismo #b2 se a obra se estende por tres ou quatro volumes1 pe-se na lombada do primeiro o algarismo #a1 na do segundo o algarismo #b1 na do terceiro #c1 na do quarto #d1 etc4 ,menino ,h41 para que serve o titulo do livro escripto na lombada8 ,e4--,para facilmente darmos com elle sem ser necessario abril-o4 ,p4--,como se nomeiam estas partes da capa dos livros8 7,pondo o dedo nos cantos47 ,e4--,cantos da capa4 ,p4--,abri os vossos livros e dizei-me como se chamam essas laminas de papel1 que a capa envolve e resguarda8 ,e4--,chamam-se folhas4 ,p4--,esse nome applica-se a muitas cousas3 folhas de arvores1 folhas de espadas1 folhas de papel1 folhas de serra1 folhas de madeira1 folhas das mangas do jaleco1 etc4 ,explicae-vos1 pois1 de modo1 que todos fiquem sabendo a quaes folhas alludis4 ,e4--,a nenhuma das que citastes4 ,as folhas1 que estamos vendo1 so folhas do livro4 ,p4--,cada uma folha de livro tem duas faces2 sabeis que nome se lhes costuma dar8 ,e4-- costume chamar-lhes paginas4 ,p4--,a primeira e ultima folha dos livros1 nas quaes nada ha escripto1 e que s vezes so de papel pintado1 como se chamam8 ,e4--,no sei4 ,p4--,qual de vs outros me pde responder8 7,silencio74 ,p4--,chamam-se guardas1 porque esto ali1 como que para defenderem as folhas impressas da aco da poeira1 dos insectos e das impurezas dos ledores menos aceiados4 ,ha tambem nos livros ante-rsto e rsto4 ,fazei merc de m'os indicar4 ,e4--,o ante-rosto deve de ser esta folha escripta s de um lado1 e que diz apenas3 ,quadros de historia portugueza o rosto deve de ser a folha1 que se segue immediatamente ao ante-rosto1 tambem s de um lado escripta4 ,p4--,que significam essas duas palavras3 ante-rsto8 ,e4--,parece-me que querem dizer3 folha1 que antecede a do rsto4 ,p4--,exactamente4 ,sabeis que outro nome se d folha do rsto8 ,e4--,frontispicio4 ,p4--,desejava saber por que ao frontispicio chamam tambem1 rsto4 ,se algum de vs me poder esclarecer1 far-me-ha muito obsequio1 satisfazendo o meu desejo4 ,e4--,eu no sei2 no sei2 eu tambem no4 ,p4--,parece-me que no ha de ser necessario irmos a ,coimbra1 para explicar similhante bagatella4 ,e4--,bagatella68 ,p4--,ides ver se o 1 ou no4 ,como se chama esta parte do nosso corpo8 7,apontando o rsto74 ,e4--,cara4 ,p4--,no tem outro nome8 ,e4--,semblante4 ,p4--,no tem outro nome8 ,e4--,face4 ,p4--,no tem ainda outro nome8 ,e4--,ah6 ,chama-se rosto4 ,p4--,que quiz dizer esse ah68 ,e4--,j sabemos porque ao frontispicio dos livros se chama tambem rsto4 ,p4--,se sabeis1 dizei-m'o4 ,e4--,chamam-lhe rsto1 por que em a gente olhando para aquella folha1 logo conhece o livro1 como conhece uma pessoa1 em lhe vendo a cara4 ,p4--,para conhecer um livro1 isto 1 para saber de que trata1 parece-me que no indispensavel examinar-lhe o rsto2 bastar ler o titulo1 ou ante-rsto4 ,e4--,no exactamente o mesmo1 para tomar conhecimento de um livro1 ler o titulo ou o ante-rsto1 ou o rsto1 porque este indica muitas mais cousas1 que aquelles4 ,p4--,dizei quaes so4 ,e4--,o titulo da obra por extenso1 o nome todo do auctor1 a typographia1 a terra onde foi impresso e at o anno4 ,p4--,bravo6 bravo6 sr4 estudante1 muito bem4 ,as vossas respostas animam-me4 ,dizei-me se o papel1 de que so feitos os livros1 uma substancia natural1 isto 1 que se encontre feita1 como se encontra a pedra1 a agua1 a madeira1 o barro1 a areia1 ou se um producto da arte1 quero dizer1 feito pelo homem4 ,e4-- producto da arte4 ,p4--,j alguem vos disse de que fabricado o papel4 ,e4--,no1 senhor4 ,p4--,quereis saber8 ,e4--,se queremos4444 ,p4--,fabrica-se de trapos de linho1 canamo1 e algodo4 ,e4--,de trapos86 ,p4--,sim1 de trapos4 ,e4--,eu pensava que os trapos no prestavam para nada6 ,p4--,qual a cousa1 que no tem algum prestimo8 ,os trapos1 que vs despresaveis1 e tinheis em conta de nada1 so uma riqueza1 e prestam grandissimo servio industria1 s artes1 s sciencias e moral4 ,so um instrumento indirecto do progresso da humanidade4 ,e4--,como se faz o papel8 ,p4--,no posso agora satisfazer a vossa louvavel curiosidade4 muito complexo o seu fabrco para que vol-o possa expor de modo1 que d'elle fiqueis fazendo perfeita ideia2 em vs tendo mais alguns conhecimentos eu vol-o indicarei por miudo4 ,e4--,o papel todo da mesma qualidade8 ,p4--,no 2 e aqui tendes a prova 7,o professor mostra escola papel de imprimir1 papel de escrever1 de filtrar1 de embrulho1 de seda1 pintado1 etc4 e vae indicando os nomes de cada um74 ,so de differentes tamanhos estas folhas4 ,a grandeza de cada uma indica-se pela palavra formato1 a qual tambem se emprega para representar a grandeza dos livros e jornaes4 ,e4--,para que tem este livro na parte inferior da pagina do rsto a palavra ,lisboa8 ,p4--,j se disse que para mostrar a terra em que foi impresso4 ,e4--,os livros so impressos8 ,p4--,no se riam os meninos1 que sabem uma cousa1 quando outro1 que a ignora1 se quer illustrar1 e pede que lh'a ensinem4 ,ha livros escriptos de mo1 como este 7,mostra um livro1 ou caderno manuscripto7 e muitos existem nas bibliothecas2 dizem-se manuscriptos4 ,actualmente1 porm1 a maioria1 a quasi totalidade dos livros so impressos isto 1 so feitos com estas lettras de metal1 a que chammos typos4 ,eil-os4 7,o professor toma um componedor1 poder ser dos que usam os compositores de bilhetes de visita e compe algumas palavras74 ,vou compor uma linha1 para que vejaes1 como se compoem os livros4 ,e4--,e isto 7,apontando o componedor7 como se chama8 ,p4--,com-po-ne-dor4 ,e4--,ha de ser necessario molhar essas lettrinhas em tinta2 quereis que vamos buscar o tinteiro8 ,p4--,a tinta1 de que se servem para imprimir1 no a de que usmos para escrever4 feita com outras materias muito differentes1 e chama-se tinta de impresso4 ,aqui tenho um bocadinho n'esta caixa4 ,com esta bala mlho os typos2 ides vr como as palavras ficam impressas no papel 7,o professor executa o que vae dizendo74 ,estou fazendo de typographo4 ,e4--,typographo8 ,o que quer isso dizer8 ,p4--,typographo o artista1 que se occupa em juntar os typos uns aos outros1 para formar as palavras1 e estas entre si1 para fazer as linhas1 e as linhas para completar as paginas1 e as paginas para concluir uma folha de impresso4 ,e4--,folha de impresso no o mesmo que a folha de um livro8 ,p4--,folha de impresso isto4 7,mostra uma folha de impresso74 ,e4--,os livros so impressos como vs agora imprimistes essa linha8 ,p4--,no1 meu menino2 nas typographias ha apparelhos para imprimir1 aos quaes chamamos prlos4 ,e4--,fallastes em typographias2 o que typographia8 ,p4-- a officina onde se compem e imprimem livros1 jornaes1 e outros papeis4 ,tambem se chama imprensa8 ,e4--,estou vendo sr4 professor1 que no s na lombada que os livros tem algarismos1 tambem os tem no alto das paginas4 ,p4--,resta saber para que elles ahi foram postos4 ,e4--,foram aqui postos para com facilidade se poder achar e indicar qualquer passagem do livro4 ,p4--,para concluirmos este intertenimento1 far-lhes-hei mais uma pergunta4 ,como todas as cousas tem nome provavel que tambem o tenham essas pores em branco1 que cercam1 em cada pagina1 a parte central impressa2 qual ser elle8 ,e4--,estas pores das paginas chamam-se margens4 ,p4--,optimamente4 99 99 99 99 99 ,dos poucos exemplos1 que ahi ficam expostos1 podero inferir a utilidade e attractivos do ensino intuitivo as pessoas1 que d'elle no tenham ainda conhecimento4 ,cerrando este livro1 que escrevemos com sincero desejo de servir a educao e instruco1 devemos declarar1 porque de justia que assim o famos1 que na ,escola normal do sexo masculino1 em ,marvilla1 de que foi director e professor o intelligente e laborioso sr4 ,luiz ,filippe ,leite1 com cuja amizade nos honrmos1 se ensinou muito e bem pelo methodo intuitivo1 que em mos to habeis como as do sr4 ,leite e seu irmo o sr4 ,pedro ,leite1 de certo produziu optimos resultados1 de que sentimos no poder dar aqui minuciosa noticia4 ,,indice ,pag4 ,carta do auctor ao ,ex4mo ,sr4 ,conselheiro ,jos ,silvestre ,ribeiro #e ,o ,ensino intuitivo #i ,primeira lio #fj ,segunda lio #gb ,terceira lio #gi ,quarta lio #ib ,quinta lio #ig ,sexta lio #ajf ,setima lio #aac ,obras venda na loja de livros de ,ferreira1 ,lisboa ,c4a1 #acb1 rua do ,ouro1 #acd1 ,lisboa ,o ,,pae ,,novo1 commentario ou interpretao das dez ,eclogas ou ,bucolicas de ,publio ,virgilio ,maro1 #a vol4 br4 #ajjj ,,natividade 7,j4 ,a4 ,c4 da7--,fundamento de analyse grammatical e de estylo1 e de composio de themas1 #a vol4 br4 #fej ,,synopses e apontamentos grammaticaes para facilitar a analyse das oraes aos alumnos de instruco primaria e aos do #a4o anno de portuguez1 #a vol4 cart4 #bjj ,,tavares 7,h47--,principios geraes de arithmetica1 e systema metrico1 #a vol4 br4 #fj ,,dias 7,j4 ,a47--,synopse das religies e seitas etc41 #a vol4 br4 #ejj --,nova ,grammatica franceza1 #b4;a edio br4 #cjj --,novissima ,grammatica ingleza1 #a vol4 br4 #dhj ,,balmes 7,d4 ,jayme7--,elementos de ,logica1 #a vol4 br4 #cjj ,,methodo ,,zaba para o estudo da ,historia ,universal1 com mappa chronologico1 chave e taboa de exercicio1 #a vol4 br4 #bjj ,,mar,,al ,a4 ,,de ,,carvalho--,problemas de ,algebra1 #a vol4 br4 #ejj ,,chagas 7,m4 ,p47--,portuguezes illustres1 #b4;a edio1 #a vol4 br4 #bjj ,,fradesso ,,da ,,silveira 7,j4 ,h47--,estudos1 #a vol4 br4 #ejj ,neste volume agrupou o auctor1 oito interessantes artigos em que se expem as questes mais momentosas da estadistica2 como instruco primaria e professional1 associaes de soccorros1 exposies1 fazenda1 etc4 etc4 ,m4 ,m4--,exercicios de cacographia portugueza1 br4 #ajj ,,macedo 7,j4 ,tavares de7--,elementos de ,orthographia portugueza1 br4 #hj ,,baptista 7,a4 ,m47--,algumas consideraes sobre as diversas frmas comparativas e superlativas da lingua portugueza1 br4 #hj ,,venda ,,na ,,mesma ,,livraria #acb--,,rua ,,aurea--#acd ,telles 7,j4 ,j4 de ,sousa7--,annuario portuguez scientifico1 litterario e artistico---#ahfc1 broch4 #ajjj ,simes 7,dr4 ,augusto ,filippe7--,erros e preconceitos da educao physica1 #a vol4 charp4 broch4 #djj ,noirlieu 7,abbade ,martinho7--,biblia da mocidade1 historia do antigo e novo testamento4 ,approvada pelo conselho geral de instruco publica1 para uso das escolas1 #a vol4 cart4 #bdj ,barata 7,antonio ,francisco7--,estudos da lingua portugueza1 #b4;a edio accrescentada e conforme ao programma official de portuguez1 br4 #cej ,fradesso da ,silveira--7,j4 ,h47 ,compendio do novo systema legal de pesos e medidas1 #d4;a edio1 broch4 #bdj ,guedes 7,j4 ,r47--,curso de physica elementar4 ,nova edio1 #c vol41 com gravuras1 broch4 #bdjj ,guedes 7,j4 ,r47--,curso de historia natural elementar1 #a vol41 com gravuras1 broch4 #aejj ,lopes 7,j4 ,j47--,taboada methodica dos rudimentos de arithmetica1 broch4 #bjj ,rodrigues 7,j4 ,julio7--,mineralogia1 #a4 vol4 broch4 #bjj ,vidal 7,a4 ,a4 de ,pina7--,curso de meteorologia1 #a vol4 broch4 #fjj ,viale 7,a4 ,j47--,novo epitome de historia de portugal1 adoptado pelo conselho geral de instruco publica1 #a vol4 broch4 #bjj ,lisboa--,typ4 ,universal--#ahgc ,notas3 #a cerca d'este assumpto1 bem como de muitos outros pontos da linguagem portugueza consulte-se a ,orthographia portugueza e misso dos livros elementares1 correspondencia official relativa ao ,iris ,classico pelo sr4 ,conselheiro ,jos ,feliciano de ,castilho ,barreto e ,noronha4 ,edio do ,rio de ,janeiro4 ,n'este livro1 que um verdadeiro thesouro de ba doutrina1 esplende a intelligencia e erudio de um dos escriptores nacionaes1 que mais honram as nossas lettras4 ,pena que poucos em ,portugal conheam obra de tanto merito4 #b ,temos visto muitas vezes nas escolas estarem as crianas a ler com os livros nos joelhos1 o tronco recurvado e a bocca quasi perpendicular ao horisonte4 ,aquella postura prejudica a saude1 difficulta a emisso da voz1 cana em pouco tempo o ledor1 e no o deixa vr os acenos do mestre1 tendentes a dirigil-o no andamento1 pausas1 intonaes1 etc4 #c ,braun ,exercices par intuition1 ou ,questionaire a l'usage des ecoles gardiennas1 etc4 ,bruxelles--#ahfe4 ,c4 ,mayo--,lecciones sobre objetos destinados para nios de cinco a ocho aos1 traducidas del orijinal ingls4 ,madrid--#ahdi4 ,foi nosso primeiro intento trasladar para este livro ipsis verbis as primeiras lies dos dois afamados professores2 por motivos1 porm1 que escusado expor1 resolvemos tomar d'ellas apenas os liniamentos1 redigindo-as a nosso modo4 #d ,expresso popular e grosseira1 que vale tanto como3 ,elle te castigar severamente4 #e ,n'estes primeiros exercicios vo as respostas1 que provavelmente os estudantinhos daro aos professores2 nos outros1 as respostas poder-se-ho deduzir das ,exposies1 que anteporemos a cada exercicio4 ,como estes livrinhos no so exclusivamente para os professores1 os quaes de certo possuem sufficiente cabedal de conhecimentos1 mas para mes1 paes1 e outros educadores menos preparados para o ensino1 pareceu-nos de muita conveniencia subministrar-lhes os indispensaveis subsidios nas ,exposies1 as quaes dispensaro1 at certo ponto o estudo nos livros dos assumptos dos exercicios4 #f ,o dialogo aqui traado para um1 dever ser ampliado e sustentado com todos os estudantes1 que tiverem entrado ao mesmo tempo1 havendo o maior disvelo em tornal-o quanto possivel deleitavel e variado4 #g ,parece primeira vista mui pequeno o prestimo do quadro preto n'uma aula1 e na realidade muito util4 ,convem que todas as aulas de meninos e meninas o tenham2 e que d'elle se sirvam amiudadas vezes professores e discipulos para os exercicios de soletrao1 orthographia1 analyse1 arithmetica1 desenho1 etc4 #h ,no se estranhe o emprego da palavra geringona4 ,as creancinhas so faceis de contentar2 alegram-se e riem com o simples emprego de palavras menos triviaes1 e proseguem mais contentes no estudo4 ,se ao explicar-lhes as regras elementares da syntaxe o professor lhes der o seguinte exemplo3 ,o sol brilhante1 escrevem-n'o e analysam-n'o sem enthusiasmo2 se o professor lhes disser3 ,o gato manhoso1 riem1 alegram-se e atiram-se analyse da orao de muito boa vontade4 ,ainda que estas e outras particularidades do ensino infantil paream aos sabios puras insignificancias1 no as desprese o mestre1 que tiver a peito o progresso dos pequeninos4 #i ,dividimos a palavra cavallete sem attender regra orthographica1 que manda repartir as consoantes dobradas pelas duas syllabas1 para no falsearmos a pronunciao2 se assim no fizessemos1 teriamos3 ,ca-val-le-te1 que se no diz1 nem poderia razoavelmente dizer-se4 #aj ,desculpe-se-nos que insistamos em aconselhar aos mestres1 que no sejam avaros de louvores1 quando os estudantes os merecerem4 um grande incitamento o applauso para o que o recebe e para os que o presenceiam4 #aa ,novamente declarmos que estas lies no so traduzidas1 mas quasi exclusivamente nossas4 #ab ,todos estes nomes se do substancia1 de que nas aulas se servem para apagar os traos1 que o lapis deixa no papel4 ,aos meninos ser conveniente indical-a pelo nome de borracha1 porque o mais commummente usado4 ,mais tarde se lhes dir que nem este1 nem o de gomma elastica se deveriam empregar4 ,como hoje se usa muito do caoutchouc vulcanisado1 tenham os professores a cautela de apresentarem para a lio1 o escuro1 isto 1 o que no est combinado com enxofre4 #ac ,esta lio vem apenas apontada no livro do professor ,mayo4 #ad ,quasi todos os objectos1 que eram feitos de caoutchouc simples1 so agora fabricados com a mesma substancia vulcanisada1 isto combinada com certa quantidade de enxofre1 e por tanto differente na cr1 no cheiro1 e em outras propriedades do caoutchouc extreme4 ,se algum menino reparar na differena e fizer pergunta a tal respeito1 dir-lhe-ha o professor o bastante para esclarecel-o1 attendendo ao que atraz recommendmos1 que no se trate a fundo de cousas para entender as quaes as crianas no estejam preparadas4 #ae ,esta lio vem apenas indicada no livro do professor ,mayo4 #af ,recommendam ,madame ,marie ,pape ,carpentier e outros pedagogistas1 que se tratem as criancinhas com toda a delicadeza1 que em vez de se lhes ordenar que faam uma cousa1 se lhes pea por favor que a executem1 e que1 se lhes agradea com urbanidade o terem satisfeito os nossos pedidos4 ,este modo de proceder com os pequeninos tem tres grandes vantagens3 desenvolve nos meninos o sentimento da propria dignidade1 captiva a sua benevolencia1 e acostuma-os a serem delicados4 #ag ,no para desprezar1 no ensino das crianas1 este innocente meio de lhes excitar a curiosidade1 tenteando ao mesmo tempo o prazer1 ou enfado1 de que estejam tomadas4 #ah ,o fim d'este exemplo no ensinar philologia s criancinhas1 mas il-as habituando a distinguir nas palavras as radicaes1 cujo valor mais tarde percebero4 ,o termo familia tome-se como synonimo de aggregado de palavras em que a ida representada pela radical a mesma4 #ai ,no se define o quadrado1 porque os estudantes no sabem ainda o que seja angulo1 e menos o que seja angulo recto4 #bj ,a lettra ,e1 inicial de estudante1 no est n'estas lies indicando um s e sempre o mesmo estudante2 mas o estudante1 a que o professor julga conveniente dirigir-se4 ,lista de erros corrigidos ,aqui encontram-se listados todos os erros encontrados e corrigidos3 ---------------------------------------- ------------------------ ,original ,correco ---------------------------------------- ------------------------ pg4 #bj ,jenuense ,genuense99 pg4 #bj dizia relembrava a regra de ,ovidio99 pg4 #ca cujos componente cujos componentes pg4 #de lahios labios pg4 #ea impanho imprestar impanho1 imprestar pg4 #eb o que emende a que emende pg4 #eh comportamente comportamento pg4 #he praticular particular pg4 #aab cubica cubica7 nota #ad ontras outras ---------------------------------------- ------------------------ 99 corrigido de acordo com notas_/erratas fornecidas no livro4