,,alb]to ,,pim5tel ,,entre ,o ,,caff ,e ,o ,,cognac ,,porto ,,impr5sa ,,portugueza ,rua d ,bomj>dim1 #aea #ahgc 99 99 99 99 99 ,,entre ,o ,,caff ,e ,o ,,cognac 99 99 99 99 99 ,,alb]to ,,pim5tel ,,entre ,o ,,caff ,e ,o ,,cognac ,,porto ,,impr5sa ,,portugueza ,rua d ,bomj>dim1 #aea #ahgc 99 99 99 99 99 ,ao seu presado amigo ,manuel ,lopes ,m>t9s ,(f]ece ,o au?or4 99 99 99 99 99 ,obrigado a d> folhetim orig9al aos dom+os no ,primeiro de ,janeiro1 era s sextas feiras1 entre o caff e o cognac1 que eu1 recl9ado no espald> da poltrona1 procurava assumpto4 ,e/e livro1 em que se grupa a maior p>te dos folhet9s de sete mezes1 foi pois m$itado entre o caff e o cognac4 ,fica explicado o titulo4 99 99 99 99 99 ,o ,,gab9ete ,,de ,,camillo ,eu j citei algures e/as palavras de ,alex&re ,dumas pae3 ,ha sempre nos moveis que vos c]cam alguma c\sa de vs mesmos4#a ,to pr(unda v]dade1 se c>ecesse de demon/rao1 encontral-a-ia no gab9ete de ,camillo ,ca/ello ,branco4 aquelle um templo consagrado unicam5te ,arte4 ,alli tem alt> a p9tura1 a ar*eologia1 a hi/oria natural1 e a litt]atura4 ,pres5te-se que se e/ no gab9ete d'um gr&e romanci/a porque se adiv9ha a hi/oria de cada quadro1 a novella de cada movel1 a epopa d t9teiro de metal am>ello d'onde ha p\co mais de v9te annos tem nascido p>a gloria das letras portuguezas c]ca de cem livros4 ,tudo alli falla4 ,ha idillios de saudade suavissima a murmur> ao de cima dos sil5ciosos companheiros da mocidade2 ha m>cos milli>ios que rememoram successivas phases da vida d escriptor4 ,os v]dadeiros amigos de ,camillo so aquelles4 ,s elles gu>dam o segr$o de intimas commoes1 que p>ecem vibr> a9da em novellas escriptas ha doze annos1 e que primeiro lhe arranc>am lagrimas a elle d que a ns4 ,o tal5to de ,camillo nosso3 e/amos ha longo tempo famili>isados com elle2 tanto o e/imamos1 que o vamos procur> mal que se annuncia um livro novo4 ,ns lemos o livro j enr\pado em galas de e/remada l+uagem2 mas o seu gab9ete l o esboo da novella tal como lhe sahiu d corao4 ,ns vemos a e/atua2 o seu gab9ete v ,pigmalio4 ,qu&o z lagrimas nos *egam a ns j z s5timos dulcificadas pela am5idade da phrase4 ,no z vemos2 conhecemos-lhes ap5as os ve/igios4 ,mas o seu gab9ete viu-z4 ,o mesmo pelo que respeita a p]sonag5s4 ,ns conhecemos o retrato2 o gab9ete conheceu o modelo4 ,camillo tem feito a hi/oria de muito homem2 s o seu gab9ete pod]ia faz] a hi/oria de ,camillo4 ,ns temos o romanci/a2 o gab9ete tem o homem4 ,a9da mais4 ,se os moveis quizessem fall>1 revel>iam o romance de muito escriptor portuguez1 que elles tm conhecido e ouvido em intimas praticas1 ora cont&o os seus desal5tos1 z suas maguas1 os seus queixumes1 ora arr\b&o-se em enganosos sonhos1 em esp]anz quasi sempre m5tidas1 em aspiraes p\cas vezes realisadas444 ,todavia o leitor d5uncia-se impaci5te de entr> ao gab9ete de ,camillo4 ,entremos pois4 ,corrido um repo/eiro1 e/amos n'uma alegre e cl>a sala -rez-de-*ausse4 ,logo nos fasc9a o pittoresco d ensemble4 ,no o gab9ete de ,lucullo2 o escriptorio d',horacio4 ,no ha iriados reflexos de cry/aes e m>mores4 ,encontramos ap5as o ateli] d arti/a4 ,dizem p>a a rua duas l>gas janellas2 transp>5tes am>ellos modificam a cl>idade ext]ior4 ,no desvo da janella da direita casa-se com o angulo da p>$e uma pequ5a mesa triangul> cob]ta de panno am>ello2 o desvo da janella da esqu]da occupado por uma gaiola1 priso d'um viuva1 ave cujo nome proc$e de se ve/ir de negro duas vezes ao anno4 a viuva o primeiro cuidado de ,camillo qu&o entra ao seu escriptorio2 vae vel-a1 fall>-lhe1 exam9> se lhe faltam z regalias indisp5saveis p>a torn> suave a c>c]agem4 p>$e int]po/a s duas janellas fica enco/ado o fogo sempre *ammejante de int5so brasido2 sobranceiras ao fogo p5dem uma gravura repres5t&o ,lacordaire1 e um quadro com o retrato de ,vieira de ,ca/ro4 ,vis9ha d fogo e/ a priguiceira de palha1 onde o romanci/a1 ora com os ps no f5d]1 ora resgu>dados no c\vre-pi$ de feltro1 procura rep\s>-se p>a o trabalho1 int]cortado de pequ5as pausas1 l5do os jornaes d dia e ati&o o fogo4 ,entre a janella da direita e a porta1 encimada por um quadro a oleo que repres5ta z armas da casa de ,cadaval1 ha uma banca com t9teiro de prata e uma ce/a de palha cogullada de c>tes de visita1 que a meu vr so o v]dadeiro bosquejo hi/orico da litt]atura portugueza4 ,o erudicto padre ,c>doso1 se tivesse conhecim5to d'e/a ce/a1 pod]ia augm5t> consid]avelm5te a sua synopse com os nomes de notabilissimos escriptores portuguezes desde ,g>rett a e/a p>te4 ,e/e lano de p>$e e/ adornado com os retratos da familia de ,camillo e com um quadro a oleo reputado de ,murillo por pessoas sobremodo compet5tes em assumptos de p9tura4 ,na cont9uao d'e/a p>$e encontramos uma etagre de pau preto com romances francezes e +lezes2 sobrepo/os etagre os retratos da familia ,ouguella1 uma paisagem +leza a oleo1 o coll> da academia real das sci5cias que p]t5c]a a ,vieira de ,ca/ro1 e uma valiosa placa de prata que apres5ta em relevo a imagem de ,santo ,antonio4 ,segue-se uma mesa su/5t&o uma e/antes9ha entre cujos livros not>emos z obras de ,fil9to ,elysio2 sobre a e/antes9ha ha um relogio2 sup]ior um quadro anonymo a oleo1 figur&o o ,ed52 aos lados duas gravuras francezas1 uma assignada por ,desj>d9s--,l'aprs d9e--1 outra assignada por ,paul ,gir>d9--,la ,b5$iction pat]nelle1 e a photographia de ,jos ,b>bosa e ,silva1 deputado que foi da nao1 e auctor d romance ,viv] p>a s(fr]4 ,avultam no angulo duas etagres com livros e bu/os4 ,cobrem a p>$e d fundo duas e/antes envidraadas1 sobranceadas por quadros a oleo1 bu/os de escriptores e/rangeiros1 rumas de livros1 e pela caixa que gu>da o *apo d uni=me de socio da academia p]t5c5te a ,vieira de ,ca/ro4 ,enco/ada p>$e fronteira porta d'entrada ha uma e/ante1 e p5d5tes v>ias gravuras1 retratos1 e p9turas4 ,uma das gravuras assignada por ,granville repres5ta o lance d ,m$ec9 malgr lui em que ,sgan>elle diz a ,gronte3 ,voil ju/em5t ce qui fait que votre fille e/ muette2 ha a9da duas gravuras1 copias de ,horacio ,v]net1 d5om9adas ,le d]ni] morceau de pa9 e ,le d]ni] ami1 que o romanci/a possue desde os v9te annos4 ,resaltam tambem d'e/e panno dois quadros a oleo1 um relogio de p>$e1 uma copia da ,virgem da ,cadeira1 o espadim de ,vieira de ,ca/ro1 e os retratos de ,?omaz ,ribeiro1 ,vieira de ,ca/ro1 ,jos ,julio d',oliveira ,p9to1 ,francisco ,m>t9s1 e morgado de ,p]eira1 actualm5te em ,africa1 s5hor da honra e sol> de ,esm]iz1 antigo sol> dos ,p]eira ,=jazes1 de ,riba d',ave4 ,por e/es s9c]os amigos d'outros tempos1 ,vieira de ,ca/ro1 ,jos ,b>bosa e ,silva1 ,jos ,julio d',oliveira ,p9to1 hoje cadav]es1 s5te a9da o corao de ,camillo pung5tissima saudade4 ,no ha ahi encontr> memoria mais t5az em record> desgraz alheias1 e alma mais devotada a c>pir z angu/ias d'esses notaveis hom5s que p]ec]am deix&o immor$\ro nome hi/oria portugueza mais deslembrada d que elles valiam d que o amigo que os prantea a9da no remano m$itativo d seu gab9ete4 ,em seguida e/ante dep>amos uma j>d9eira com c&eeiro1 albuns1 e uma urna de prata (f]ecida pelos portuguezes de ,hongkong1 como con/a da inscripo gravada na mesma urna3 ,,ao ,,ill4mo ,e ,,ex4mo ,,snr4 ,,camillo ,,ca/ello ,,branco ,o4 ,,os ,,socios ,,da ,,biblio!ca ,,portugueza ,,de ,,hongkong #ahfi4 ,imm$iatam5te j>d9eira ficam o soph e z poltronas d'e/(o v]melho com ramag5s c9z5tas4 ,z demais cadeiras so de pau preto com molduras d\radas4 ,entre o soph e a janella da esqu]da e/ collocado um contador sobre o qual ass5tam rumas de livros e outro c&eeiro4 ,re/a-nos fall> d'uma e/ante de musica1 que s]ve de banca a ,camillo1 qu&o por incommodo de saude no pde lr s5tado1 p>a *eg>mos mesa onde habitualm5te escreve1 po/a esqu]da da porta d'entrada4 ,so unicos adornos da sua banca um t9teiro circul> de metal am>ello1 um c9zeiro de loia1 uma cabea de metal onde ar*iva z c>tas rec5tem5te recebidas1 livros depositados a um e outro lado1 e tiras de papel que ,camillo ,ca/ello ,branco infatigavelm5te en*e todos os dias4 ,da banca p>a o fogo facilm5te se deslisa ao longo d tapete que cobre todo o pavim5to4 ,sigamos e/e breve trajecto p>a nos repotre>mos na priguiceira de palha em que provavelm5te se recl9\ o imp]ador d ,brasil1 que ,camillo ,ca/ello ,branco pres5te\ com um quadro dos reis de ,portugal at ,d4 ,joo ,,iv4 ,relanceemos a9da um olh> a e/e mudo conjuncto de coisas inanimadas que o romanci/a e/ima como p>tes integrantes de sua familia4 ,p>ece-nos porm ouvir passos no corr$or4 dec]to ,camillo que vem retom> o seu po/o de todos os dias4 ,so\ a hora de trabalh>4 ,antes de s5t>-se1 fe/ej> a ave da gaiola1 aquec] ao fogo z mos enregeladas1 e abanc> depois p>a escrev] um dos ultimos capitulos d romance ,h]ana de ,londres ou p>a traduzir primorosam5te algumas pag9as d ,diccion>io de educao1 de ,campagne4 ,antes que o arti/a entre ao seu ateli] e retome a p5na que descana sobre o t9teiro desde o alvorec] da manh1 saiamos ns1 os que no temos direito a surpreh5d] o escriptor na doce quietao da sua vida intima4 ,entre o romanci/a que e/ escrev5do a novella cujo entre*o s] amanh conhecido das classes m5os aba/adas da soci$ade portugueza e das mais remotas prov9cias1 int]pe-se hoje o repo/eiro que sep>a o escriptor d homem4 99 99 99 99 99 ,o ,,primeiro ,,de ,,janeiro ,o ,primeiro de ,janeiro como os viajantes que teem de p>tir ao romp] da manh3 passa a noite a faz] a mala4 ,quem vae de jornada prep>a-se p>a todas z ev5tualidades3 mette ao sacco seis l5os supranum]>ios p>a uma con/ipao2 a casaca p>a uma soire inesp]ada2 um frasco d'agua s$ativa p>a uma nevralgia2 dois livros p>a uma hora d'aborrecim5to2 os sapatos de borra*a p>a um dia de *uva4 ,a9da como o t\ri/e1 o ,primeiro de ,janeiro dispe-se a pod] satisfaz] todas z reclamaes que o assaltem no cam9ho3 p>a os impaci5tes leva na mala os telegrammas1 p>a os negociantes z cotaes1 p>a os politicos o artigo1 p>a os ociosos o folhetim1 p>a os alviareiros z noticias1 p>a os int]essados os annuncios1 e p>a z s5horas z modas4 ,os passageiros vo s5tados no vehiculo2 elle vae a corr] pelo cam9ho4 ,qu&o o comboyo p>te1 app>ece-lhes nas ,devesas2 qu&o *ega a ,aveiro1 encontram-no na e/ao2 qu&o passa em ,coimbra1 o ,primeiro de ,janeiro salta aos vages e diz aos viajantes engalf9h&o-se na port9hola3 ,aqui e/\6 ,que prodigio de ubiquidade e/e8 ,como que o jornal *ega primeiro que o homem6 ,ah6 porque o homem o b>ro1 e pesa1 e o jornal o p5sam5to1 e va4 ,nasceu da faisca electrica e d vapor2 irmo gemeo da locomotiva4 ,o comboyo leva o homem2 o jornal o p5sam5to4 ,o motor d'um a ma*9a2 o d outro o espirito humano4 ,so os pass>os da civilisao1 z aguias d progresso4 ,por isso ,ars5io ,h\ssaye disse3 ,o jornal a ave errante que atravessa o mundo3 pr5dei-lhe a vossa ideia asa1 e a vossa ideia florir nos mais remotos des]tos4 ,nada ha m5os complicado que o jornal e mais complexo que elle3 a soci$ade1 a raa1 a civilisao e o seculo4 o !rmometro que mo/ra o grau da vitalidade popul>1 a l5te que reproduz a lucta das g]aes1 o melhor hi/oriador e a melhor hi/oria4 ,pod]emos *am> ao ,g5esis o jornal da creao d mundo1 o que nos leva a crr que e/a manife/ao d p5sam5to publico no data unicam5te dos tempos de ,guttemb]g1 mas vae pelas idades a d5tro procur> origem no fiat creador que deu frma e movim5to ao nada4 m$ida que a intellig5cia d homem ia pr(und&o a sonda n'e/e m> de bellezas inf9itas que o v]bo creador esprai\ entre z balisas d univ]so1 e se =am ar&o os m>es1 e desbrav&o z flore/as1 e povo&o cidades e consolid&o imp]ios1 a vida das naes tom\ um increm5to que se no pod]ia regi/> em longas *ronicas1 como os commettim5tos da antiguidade1 s5o que dia a dia1 hora a hora1 mom5to a mom5to4 ,a p]sonalidade moral d homem dilat\-se e1 na impossibilidade mat]ial de e/> em toda a p>te1 diffundiu o seu p5sam5to em p>ticulas que vo>am aos gr&es c5tros attrahidas pela gravitao que regula a h>monia das soci$ades4 ,ento o jornal r5asceu de si mesmo1 multiplic\-se1 e comeou a collaborao univ]sal dos povos beira da pr5sa d'onde todos os dias p>te o m5sageiro alado a sacudir da plumagem z ideias que o homem lhe pr5deu4 o correio d mundo1 o po/ilho dos seculos2 &a sempre e no ca4 ,cada g]ao tem o seu temp]am5to collectivo1 z suas paixes1 z suas luctas1 os seus revezes e os seus triumphos4 ,o jornal1 que tudo isso1 ir resuscit&o amanh d tumulo que se fe*\ hontem1 e acompanh> o movim5to febril das g]aes que se succ$em4 ,o que viaj> mais depressa1 s] sempre o mais qu]ido4 ,esp]a-o a (fic9a e o alb]gue com a impaci5cia de quem sabe a hora a que deve *eg> um m5sageiro4 ,a velocidade indisp5savel1 mas a9da no tudo4 preciso que o jornal no seja egoi/a1 no r\be ao op]>io o po d corpo p>a lhe d> o po d espirito1 que no esbulhe z creanz d patrimonio que o sal>io d pae vae dilat&o cada dia4 ,urge pois que o jornal t5ha azas p>a *eg> depressa1 e que reuna velocidade a modicidade p>a su/5t> equilibrio entre a receita intellectual1 que o jornal repres5ta1 e a receita economica1 que o trabalho produz4 ,o ,primeiro de ,janeiro reune e/as duas condies maximas1 que se completam pela sanidade da d\tr9a1 e mais d'uma vez tem nas primeiras horas d dia entrado ao alb]gue e fabrica firmado pelos primeiros escriptores d paiz4 ,realisa o desid]atum que em #ahdh int5sam5te preoccupava o espirito de ,alphonse ,k>r3 ,eu publicava ento em ,p>is--diz o au?or das ,tres5tas pag9as--um jornal a #aj reis1 no qual collaboravam os nomes mais celebres e mais fe/ejados4 ,qu]iamos vr se z classes popul>es pref]iam--como p5sam alguns--o v9ho t9to das b>reiras ao ,*teau-,laffitte e ao ,rh5o2--qu]iamos faz] a exp]i5cia e d>-lhes o ,*teau-,laffitte e o v9ho d ,rh5o pelo preo d v9ho d',arg5teuil4 ,por dez reis--o preo das mais grotescas e das mais odiosas especulaes--faz] v5d] um jornal bem impresso1 em bom papel1 com artigos dos me/res da litt]atura4 ,o ,primeiro de ,janeiro entr\ abroquellado no c]tam54 ,quiz vr se o povo pref]ia o v9ho da ,bairrada ao v9ho d ,porto1 e conheceu que era essa uma calumnia de pessimi/as ari/ocratas4 ,o povo lia a ,=mosa ,mangalona e o ,vic5te m>ujo porque lhe no facultavam um jornal que simultaneam5te lhe ens9asse z evolues d mundo physico e d mundo moral1 no porque o jornal tivesse a pret5o de resumir em si a sci5cia univ]sal1 mas porque da natureza mesma dos assumptos d dia d]ivavam os conhecim5tos que o jornal espalhava4 ,trabalh\ p>a lhe d> o v9ho d ,porto pelo v9ho da ,bairrada1 e prov\ que a inanidade das classes baixas prov9ha d abuso da zorrapa com que dess$5tavam o espirito diante da litt]atura de cordel e cego &ante4 ,luct\1 batalh\1 e conseguiu d> ao povo1 por dez reis1 um almoo de politica e litt]atura1--o romance das naes e o romance dos hom5s4 ,alphonse ,k>r1 qu&o e/ava emp5hado em to santa crusada1 devot\-se inteiram5te a ella2 no visitava o seu j>dim de ,sa9te ,adresse2 esqueceu z flores e o m>4 ,o ,primeiro de ,janeiro vive igualm5te p>a o povo4 ,emquanto o povo dorme1 vae o prelo imprim9do a ideia que pela manh ha de salt> na rua4 ,enxameiam porta os gavro*es como soldadesca impaci5te de d> batalha4 ,esp]am o almejado mom5to de transpr o limi>4 ,e no phr5esi d desesp]o s>acoteam e gritam3 --,abram6 --,so horas6 --,j t>de6 ,s5tem rang] os gonzos4 ,ap9ha-se a multido em vaga encapellada1 e entra de tropel4 ,os empregados da ma*9a dobram os jornaes4 ,o di/ribuidor e/ de p4 ,c'o a mo no junco1 irado e no facundo1 ,amea&o a t]ra1 o m> e o mundo4 --,que leva hoje8 --,a novidade8 --,diga1 diga6 o cro dos gavro*es que p$em anciosam5te o prego4 ,o di/ribuidor tem lido previam5te o jornal4 ,faz signal de sil5cio e vota falla3 --,foi o raio que mat\ um homem4 ,calam-se1 conticu]e omnes1 a fix> na memoria o prego4 ,o receio de se esquec]em faz com que realm5te se esqueam4 ,l p]gunta um3 -- o homem que mat\ o raio8 --,toleiro6 ,foi o raio que mat\ o homem4 ,so-lhes di/ribuidos os jornaes2 os gavro*es rugem de impaci5cia4 ,p>a que no haja rivalidades1 saem todos ao mesmo tempo4 um furaco que passa4 ,que sejam mancos ou no1 p\co importa4 ,n'aquelle mom5to todos teem azas444 nos ps1 como ,m]curio4 ,e/ala a multido na rua similhante a bomb>da4 a noticia1 o telegramma1 o romance1 a politica que sapatea no solo4 ,comea a vida no ext]ior4 ,sau o sol4 ,e o op]>io antes de trabalh> p>a o patro trabalha p>a si1--vae lr4 ,o que feito d ,moi5es1 d ,morte-scaloia1 d ,p9tasilgo1 d ,pau-preto1 d ,cac>ac8 ,desapp>ec]am4 ,demoram-se ap5as um segundo p>a entreg> o jornal e receb] o d9heiro4 ,re/a unicam5te o ,jos ,cu/odio1 o melhor typo da colleco1 s5tado no passeio1 rep\s&o a p]na manca1 a lr o jornal atravez da sua famosa luneta4 um gr&e egoi/a o ,jos ,cu/odio4 ,antes de d> aos outros1 qu] p>a si4 ,e depois fia-se no seu tal5to comico1 e sabe1 d&o ouvidos ao orgulho1 que os outros no vo mais depressa por ir primeiro4 ,ba/a-lhe aprego> p>a v5d]4 ,e/o agrupados os p$reiros a almoar4 ,o ,jos ,cu/odio vae manc&o e grit&o3 --,lic5a que veio d gov]no p>a os cdeas us> bigode6 ,o sapateiro1 qu&o elle passa grit&o1 b]ra de d5tro4 ,o ,jos ,cu/odio esb(a-se a aprego>3 -- a morte d'um sapateiro que morreu entalado com um p9o6 ,o ,jos ,cu/odio o epigramma1 a satyra1 a mordacidade vibrante4 ,por onde elle passa1 inc5deia o ra/ilho da curiosidade4 ,at c]to ponto1 encontr\ um rival no ,j]onymo1 que t9ha d'eng5hoso quanto o ,jos ,cu/odio tem de mordaz4 ,eram os pimpes d ran*o2 re9adios como n5hum6 ,o ,j]onymo affeio\-se a um co1 ou o co se lhe affeio\ a elle4 ,compr\ um c>ro de pau1 que o fiel mollosso tirava1 e onde levava o jornal2 a ideia d vehiculo suscit\-lhe a t5tao de negoci> em l>ga escala4 ,comeou a v5d] por sua conta folhetos e rep]torios4 ,era um &> que luzia6 ,um dia aborreceu-se de s] feliz e des]t\3 o co des]t\ com elle4 ,mas que imag9oso homem o ,j]onymo6 ,no tempo da gu]ra franco-allem arranj\ tres canas com encaixes de folha4 ,a ultima t9ha no topo uma campa9ha1 um gan*o e um saquitel que se moviam por correia4 ,sahia de noite o supplem5to4 ,batia com a cana na vidraa1 a campa9ha tocava1 no gan*o ia o supplem5to1 o freguez abria a janella1 e o ,j]onymo descia o saquitel que trazia d5tro dez reis4 ,vejam que tal5to e/e6 prodigio6 ,um cego muito conhecido1 que a9da no encontr\ co fiel e precisa de ganh> a vida1 assal>i\ um rapas9ho que o conduz4 ,o cego apregoa1 e o rapas9ho recebe o d9heiro p>a vr se falso4 ,e assim que o jornal1 que espalha a ideia1 amp>a a cegueira d'uns1 a vida d'outros1 e a pobresa de todos4 ,ol6 ,so elles1 os gavro*es1 que p$em o jornal d'hoje4 ,esp]a-se unicam5te pelo folhetim4 ,pois bem1 o folhetim ahi vae4 99 99 99 99 99 ,a ,,aguia ,d',,ouro ,o ,,que ,,foi ,e ,o ,,que ,o dia #ab d'outubro de #ahcc era de fe/a p>a todo o ,porto1 cidade que vae sempre na vangu>da das iniciativas patrioticas4 ,celebrava-se o anniv]s>io natalicio de sua mage/ade imp]ial o s5hor ,d4 ,p$ro de ,alcant>a1 duque de ,bragana1 e reg5te d re9o4 ,ao amanhec]1 ao meio dia e noite salv>am z bat]ias das l9has de defeza ao norte e ao sul d ,d\ro4 ,o g5]al ,/ubbs1 comm&ante d ex]cito d norte1 pass\ revi/a s tropas e/acionadas em seus acantonam5tos nas l9has4 ,e/iv]am emb&eiradas algumas ruas da cidade e e/oir\ durante o dia muito fogo d ar4 ,tanto que foi noite1 h\ve illum9ao g]al1 e abriram-se de p> em p> z portas d !atro de ,s4 ,joo onde a soci$ade dos actores nacionaes1 em commemorao de to fau/oso dia1 repres5t>a um elogio dramatico d5om9ado ,gloria de ,lisia1 t]m9ado o qual elogio o gov]nador das ,armas da ,prov9cia levant\ vivas familia real4 ,a ,*ronica con/itucional d ,porto1 unico jornal que a esse tempo era lido de portu5ses1 escrev5do d espectaculo diz que div]sas obras ,poeticas1 e ,hymnos en*]am os int]vallos d ,drama que foi sc5a4 ,o snr4 ,joo ,nogueira ,g&ra1 propriet>io da typographia onde se imprimia a ,*ronica1 public\ ao depois em opusculo todos os sonetos que se recit>am n'essa noite e na segu9te1 em que o espectaculo se repetiu4 ,n'aquelles tempos com tal impetuosidade repuxava o patriotismo poetico d imo peito1 que no ba/avam z breves horas d'uma noite a d>-lhe vaso4 ,os vates inc5didos em amor da patria ficavam com o metro res]vado p>a a noite segu9te1 como hoje os nossos p>lam5t>es ficam com a palavra res]vada p>a a sesso imm$iata4 ,deixemos porm z bellesas de #ahcc e/ade&o seus dotes naturaes nos cam>otes d !atro de ,s4 ,joo1 envies&o olh>es mais amorosos que patrioticos aos cysnes que punham fra da balau/rada o pescoo1 cujos musculos se avolumavam apopleticam5te qu&o a onda d e/ro ref]via nos gorgomilos enf>tados4 ,onde iremos ns lev> a nossa mysan?ropia1 fug9do o congresso d que mais selecto havia em ambos os sexos na soci$ade portu5se8 ,mais selecto no podemos diz]1 porque faltavam muitas pessoas da melhor roda contemporanea1 entre z quaes b>dos que hoje se diriam satanicos1 e que antepunham o contacto das g>rafas contemplao de mulh]es =mosas4 ,esses taes l]am na vesp]a o segu9te annuncio ins]to na ,*ronica con/itucional d ,porto3 ,amanh sabbado #ab d corr5te1 se abre o novo ,caff d ,comm]cio na rua nova dos ,+lezes aonde se encontr>o div]sidades de ,v9hos e ,licores eng>rafados1 ,nacionaes e ,e/rangeiros4 ,a novidade d acontecim5to e a p]spectiva de lauto beb]ete devia de attrahir num]osa concorr5cia ao ,caff d ,comm]cio1 que pela primeira vez se abria n'essa noite na casa onde actualm5te e/ o escriptorio da companhia de seguros ,g>antia4 ,em con=midade com a opul5cia botiqu9eira d'esse tempo1 o novo ,caff d ,comm]cio t9ha cort9as de *ita e mo/rava sobre o balco uma longa fila de copos1 voltado p>a cima o fundo1 que s]via de base a um limo4 ,como a9da ento no e/ivessem arru9ados pela dyspepsia os e/omagos nacionaes1 e h\vesse portuguezes que bebiam um qu>tilho de g]opiga com o simples condim5to d'uma azeitona1 eram m+uadas z doc]ias nos botiqu9s e ord9>iam5te limitavam-se a mel9dres e bi*9has4 ,qu&o porm os negociantes da baixa se s5tiam enfraquecidos hora d lun* ou da m]5da1 no se repletavam com assuc>ices de n5huma sub/ancia4 ,o petisco mais em voga eram o/ras que v9ham de ,lisboa j cos9hadas no unico vapor de c>reira que ento havia1 e que se comiam no novo ,caff d ,comm]cio1 a #fj rs4 cada uma4 ,calcule-se d consumo dos liquidos n'aquelle e/abelecim5to to prosp]am5te ab]to1 depois de sab]-se que os mais appetecidos e procurados come/iveis eram o/ras1 mollusco sobremodo irritante p>a o sy/ema n]voso1 e talvez causa prim>ia da depreciao da g]ao actual4 ,mas voltemos ab]tura d novo ,caff solemnisada na rua dos ,+lezes com vi/osa illum9ao que sobrelevava z demais4 ,apollo presidiu em espirito bac*ica tunantada4 ,os vates empunh>am z lyras e1 por muito co/umados d$ilhao1 at das bambas cordas tir>am muito correctos sonetos1 mais lisongeiros ao duque de ,bragana que agradecidos ao propriet>io d botiquim1 no ob/ante s5tirem en]vado o brao pela aco cada vez mais int5sa dos liquidos4 ,p>ece que depo/a a oitava-rima1 por inopia de pojantes ,cames1 a frma de metro mais patriotica n'aquelles tempos era o soneto1 que1 por muito famili> que fosse a fe/a1 havia =osam5te de s] allusivo aos acontecim5tos politicos da epo*a4 ,um dos cysnes levant\ o pescoo e modul\ e/e soneto1 que logo foi di/ribuido pelos circum/antes3 ,se brama pelos ,ceos da ,lib]dade ,o espantoso trovo da ,tyrannia2 ,se cobrem trvas a ,lusa ,mon>quia1 ,fulge o cl>o da antiga ,h]oicidade4 ,quanto cresce a despotica maldade1 ,assim dos povos o valor porfia1 ,com o ,*efe de ,bragana por seu guia ,en*em d'assombro a v9d\ra idade4 ,dias felizes1 dias v5turosos1 ,augura-nos o ,ceo1 em dons fecundo6 ,m>ia e ,p$ro nos f>o ditosos4 ,d>emos nobre exemplo ,europa1 ao ,mundo3 ,que os ,povos de s] livres sequiosos1 ,calcam d despotismo o ro/o immundo4 ,o segundo soneto af9a pelo mesmo tom emphatico2 ,?ronos ha tido o ,mundo1 que producto ,=am to s de ,leis1 e sangue h]dado1 ,quaes desde longo tempo celebrado ,os gosa ,portugal indissoluto4 ,outros no =am mais que excelso fructo ,da ,ju/ia1 e d ,m]ito elevado2 ,qual ,viriato1 e qual ,s]torio honrado1 ,reis ou ,*efes por solido atributo4 ,taes h\ve1 e a9da os ha1 a quem ,cobia1 ,ou ,acazo erigio1 contra seu ,dono ,f]v5do a ,execrao que a ,raiva atia6 ,a ,segunda ,,m>ia em seu abono1 ,em mais bases que z ,leis e que a ,ju/ia ,tem sobre coraes firmado o ,?rono4 ,o t]ceiro soneto troa assim3 ,se em nossa idade1 ,jupit]1 quize/e ,com t]rivel aspecto olh> a t]ra1 ,se os males todos da sangu9ea ,gu]ra ,surgir d negro ,b>a?ro fize/e3 ,a ,,p$ro tu doa/e um dom cele/e1 ,que ao f]o ,usurpador confunde e at]ra3 ,mon/ro dos mon/ros1 que no peito enc]ra ,t>t>eas s]pes que vomitam pe/e6 ,,p$ro1 d'altas virtudes coroado1 ,olha nos ,luzos inconcusso abono ,de elev> sua ,filha ao ,solio h]dado4 ,nunca ,lisia hade t] intruzo ,dono2 ,seu ,rei como os ,numes adorado1 ,e tem nos coraes firmado o ?rono4 ,falta o qu>to soneto2 ,nos fau/os ,ceos de ,lisia triunfante1 ,a ,lib]dade o grito levant&o1 ,f]ros ao ,despotismo vai lan&o ,de tmp]a mais dura que o diamante4 ,d ,?rono o espl5dor salva con/ante ,d'um pr9cipe brioso ao nobre m&o3 ,o ,solio1 quasi em t]ra1 su/5t&o1 ,esmaga a ,hydra de aspecto vacilante4 ,oh ,pr9cipe ditoso1 exulta1 e vive1 ,p>a que e/a ,nao por ,jove eleita ,dos teus ,decretos os seus b5s d]ive4 ,da ,patria1 como ,pai a olh>-te affeita1 ,de ,lisia1 que na gloria hoje revive4 ,d salvo ,povo1 os coraes acceita4 ,no ob/ante o fall>-se de coraes nas composies prec$5tes1 p>ece que a visc]a mais att5dida na bambo*ata era o e/omago1 e a illum9ao por igual abundante d5tro e fra4 ,o dono da casa no t9ha sobejos motivos p>a fic> lisonjeado da amabilidade dos convivas que no fall>am d'elle nem d botiquim4 ,o c]to que n'aquella epo*a em que no havia editores1 os vates lucr>am duplam5te com o brodio1 porque ao depois se imprimiram os sonetos na typographia ,g&ra1 s5do cada soneto prec$ido d'e/es diz]es2 ,,publicado ,e ,,di/ribuido ,a #ab ,,de ,,outubro ,,de #ahcc3 ,,por ,,occasi,o ,,da ,,illum9a,o1 ,,que ,,na ,,rua ,,nova ,,dos ,,+leses ,,da ,,cidade ,,d ,,porto ,,se ,,pat5te\ ,n',,esse ,,dia ,,de ,,ab]tura ,,da ,,casa ,,de ,,caff ,,d ,,comm]cio ,cu/ava o folheto1 de quatro pag9as1 um v9tem4 ,se bem que os v]sos em #ahcc e/ivessem mais b>atos d que z o/ras1 os poetas1 att5to o pequ5o disp5dio da impresso1 deviam enf>del> no mesmo sacco1 a despeito d anexim1 honra e proveito4 ,ora e/e ,caff d ,comm]cio1 que recebeu ao nasc] o baptismo da politica1 veio depois a mud>-se p>a a ,praa da ,batalha com o nome de ,aguia d',ouro1 sem todavia desm5tir1 apes> da mudana1 z tradies que lhe embal>am o b]o4 ,v5us d botiquim1 sahiu da onda da revoluo e mantem-se revolucion>io1 po/o que decorado ao go/o mod]no1 com espelhos1 mesas de m>more1 e apa9elado o tecto com man*as multi=mes de humidade e immundicie4 ,no ob/ante o desgracioso d tecto1 alli se travam a9da os gr&es acontecim5tos portu5ses1 z pateadas1 os meet+s1 z eleies1 e alli se discutem z magnas que/es d e/ado4 ,v]dade que ha outro botiquim onde se conv]sa de politica1--o ,suisso4 ,todavia e/e caff usa entret]-se na tranquilla politica municipal1 ao passo que os mais animados debates da ,aguia v]sam sobre politica gov]nam5tal4 ,da ,aguia tem sahido acontecim5tos p>a a hi/oria2 d ,suisso1 que nos con/e1 ap5as uma ou outra occasio sae uma embriaguez p>a a ph>macia4 ,sem emb>go muitas discusses da ,aguia acabam por diluir-se em amoniaco4 ,j disse pois o que foi a ,aguia d',ouro e o que 4 ,quanto a mim1 a ,aguia d',ouro 444 o que foi4 99 99 99 99 99 ,,physiologia ,,d ,,!atro ,,de ,s4 ,,jo,o 7,,no ,,dom+o ,,gordo ,,de #ahgc7 ,elle gr&e e tri/e4 ,no ob/ante hade e/a noite en*]-se de soci$ade s$5ta de recre>-se4 ,z s5horas e/o nos cam>otes como livros de m>roquim em e/antes de mogno4 ,lem-se z etiquetas e passa-se adeante4 ,os bailes de masc>as p]mittem em toda a p>te que se atire uma flr1 um rebuado1 uns v]sos4 ,alli no4 ,o mais que se atira um444 olh>4 ,o mais que se faz um cumprim5to4 ,bonitos livros mas em sanskrito4 ,tudo luxuoso e frio4 que elle1 o !atro de ,s4 ,joo1 gr&e e tri/e4 ,no ,palacio de ,cry/al um baile de masc>as uma batalha2 os galopes so c>gas de bayoneta4 ,no !atro de ,s4 ,joo valsa-se p>a passei> roda com outra masc>a4 ,no palacio bebe-se ,x]ez ou ,porto2 em ,s4 ,joo p>ece que todas z pessoas e/o co/umadas a tom> v9ho em444 pilulas4 ,go/am de com] delicadam5te um ca*o d'uvas1 e s5tem-se horrorisadas deante d'uma g>rafa4 ,p>a ir a ,s4 ,joo ba/a hav] ceiado2 p>a ir ao ,palacio preciso t] comido uma ceia4 ,s4 ,joo uma sala2 o ,palacio uma av5ida4 ,em ,s4 ,joo uma visita2 no ,palacio uma esc>amua2 a ,s4 ,joo vae o masc>a2 ao ,palacio vo z masc>as4 ,depois que d meia noite p>ece e/remec] a gr&e nave d ,palacio na v]tigem d galope4 um assalto qu>esma que e/ p]to1 uma lucta1 um combate2 preciso v5cel-a e danar a9da em qu>ta feira de c9za4 uma invaso das ho/es d c>naval pelos re9os das endo5z4 ,ah6 tu e/s ahi1 roxa p5it5cia1 a dois passos de di/ancia1 palida dos teus jejuns1 angu/iada pelos teus cilicios1 arrep5dida dos teus erros6 ,pois bem4 ,ns somos o v5daval da alegria1 que saccode z tranz loiras da ,magdal5a peccadora4 ,tu qu]es impor-nos o arrep5dim5to1 e ns qu]emos v5c]-te p>a que nos deixes vals> algumas horas mais4 ,e rompem de esfusiada pelo salo fra os p>es1 p>ec5do corr] todos a aggr$ir um ponto invisivel1 um inimigo my/]ioso4 ,no !atro de ,s4 ,joo o baile de masc>as no uma refrega mas um acampam5to4 ,p>ece descanar-se em vez de combat]-se4 ,z armas e/o ens>ilhadas1 porque a noite em que mais se disp5sa o b9oculo4 ,esp]a-se que sejam duas horas da manh p>a retir>4 ,qu&o comea o sopro d ,euro1 o vil quebranto a agit> z arvores da ,batalha1 pr9cipiam a rod> z c>ruag5s4 que tambem z palidas bellezas p>ecem sopitadas pelo vil quebranto4 ,e/a phrase d'um gr&e poeta contemporaneo1 o snr4 ,raymundo ,felgueiras1 no f9al d'uma =mosa quadra que eu li algures3 ,cahi/e1 como a rosa desfolhada1 ,que no via mur*o o purpur9o encanto1 ,no aos beijos da brisa p]fumada1 ,mas ao sopro d ,euro1 ao vil quebranto4 s duas horas mur*a o purpur9o encanto4 ,os c&elabros bruxoleam4 ,os porteiros--aquelles hom5s my/]iosos que n+uem a9da pde vr de dia na rua--dormem pelos corr$ores d5tro dos seus amplos casaces4 ,sae-se pois s duas horas1 fug9do ao tempo1 emquanto nos outros !atros se corre a9da atraz d tempo p>a detel-o4 ,o ,cames d tecto tem j fe*ado o unico olho que lhe re/a4 ,joo ,bapti/a ,gomes resona4 ,almeida ,g>rett e/ aborrecido por no vr damas a quem e/eja galante&o4 ,gil ,vic5te1 o falso ,gil ,vic5te d !atro de ,s4 ,joo1 p5sa em escrev] um novo romance satyrico modelado pelo seu ,g>gantua et ,pantagruel4 ,que mi/i=io e/e6 ,gil ,vic5te a escrev] romances satyricos444 em francez6 ,p]do1 que o ,gil ,vic5te d !atro de ,s4 ,joo no ,gil ,vic5te mas ,rabelais4 ,eu lhes conto4 ,qu&o se tract\ de p9t> o tecto d !atro1 os adm9i/radores da casa a esse tempo p]gunt>am ao meu erudicto amigo o snr4 ,jos ,gomes ,monteiro se conhecia os retratos de ,joo ,bapti/a ,gomes e ,gil ,vic5te4 ,sua ex4 indic\ o p>adeiro d retrato de ,joo ,bapti/a1 e pelo que tocava ao de ,gil ,vic5te c]tific\ os adm9i/radores d !atro de que no havia deixado retrato4 ,e/a circum/ancia p>eceu contr>ial-os vivam5te4 --,mas1 volveu o consultissimo bibliophilo1 podem facilm5te fazel-o sub/ituir por outro escriptor4 --,isso prejudica um p\co o nosso plano4 --,sim2 ns optamos pelo ,gil ,vic5te1 acresc5t\ outro adm9i/rador1 e444 qu]emos o ,gil ,vic5te4 --,mas se no deix\ retrato6 --,emfim1 se a g5te adv9hasse como era ,gil ,vic5te6 --,ah6 isso pde muito bem s]4 --,pode s]8 --,muito bem444 --,como8 --,faz5do sub/ituir ,gil ,vic5te por outro escriptor da epo*a4 --ptima lembrana6444 --,qual ha de s]8 --,vejamos444 --,vamos a vr se lembra4 --,lembro-me d'um6 apo/roph\ o snr4 ,jos ,gomes ,monteiro4 --,qual8 --,um escriptor da mesma epo*a e cuja individualidade litt]>ia no deixa de t] seus pontos de contacto com ,gil ,vic5te444 --,*ama-se8 --,rabelais4 --,muito bem6 ,procur\-se o retrato de ,rabelais1 e p9t\-se ,gil ,vic5te1 aquelle ,gil ,vic5te que o leitor pde vr e/a noite n'um dos quatro m$alhes d tecto d !atro de ,s4 ,joo1 e que a mim mesmo1 que sei e/a anecdota1 me fez algumas vezes desconfi> de que no seja ,rabelais1 porque o meu b9oculo me p]mitte vr em gr&es c>act]es o nome de ,gil ,vic5te sotopo/o ao m$alho444 ,o caso que ,rabelais1 hora que os cam>otes se despovoam1 p>ece prep>> na m5te1 a julg> pela contraco s>ca/ica das faces1 um novo romance satyrico em que moteje da compo/a au/]idade da soci$ade portu5se n'um !atro onde1 ha c9co5ta annos1 se queim\ fogo artificial no palco1 executado por ,joo ,semelhes1 e um palhao div]tiu os espectadores com a graciosa ,macaqu9ha1 e se danou o ,f&ango1 e se fez a exhibio da ,corda ,bamba4 ,p>a os leitores que duvid>em da fidelidade d'e/as ass]es v\ copi> alguns p]iodos de dois annuncios d'espectaculo n'aquelle !atro1 no tempo em que alli trabalh\ uma companhia de funambulos1 o que devia d'acontec] ahi por #ahbd4 ,os avisos trazem ap5as indicado o dia2 no me foi possivel precis> a epo*a4 ,no primeiro aviso1 correspond5te a #bd de julho1 lem-se e/es p]iodos3 ,o ,palhao div]tir os ,s5hores ,espectadores com novas1 e div]sas habilidades1 entre z quaes execut> a ,sc5a d ,bebado1 d&o fim a e/a primeira p>te a graciosa ,macaqu9ha4 ,mais abaixo3 ,madama ,joannita1 e o ,diabrete danaro os ,bol]os1 d&o fim o div]tim5to com duas pez de ,fogo ,artificial de composio ,italiana1 executadas por ,joo ,semelhes1 cujas con/o de hum brilhante sol com v>i$ades de cres1 entre z quaes app>ec] o r>o fogo azul1 e outra que figura uma ,rosa ,italiana transp>5te1 donde app>ec] por tres vezes um di/ico aluzivo a ,sua ,mage/ade fidelissima 7,d4 ,joo ,,vi7 =m&o-se no fim em uma brilhantissima ,gloria1 rodeada de l9dissimas e/rellas4 ,d segundo aviso1 correspond5te a #c de fev]eiro1 ba/a cit> e/as l9has3 444 danar depois ,madama ,joann9a o ,slo ,+lez1 a que ho-de seguir-se os vi/osos equilibrios d ,m59o1 depois dos quaes se danar o ,f&ango1 t]m9&o-se todo o dev]tim5to com a ,corda ,bamba1 onde o insigne ,diabrete f> admiraveis difficuldades4 ,a soci$ade d'aquelle tempo riu e applaudiu com s9c]o en?usiasmo todas z facecias e evolues da companhia de funambulos4 ,agora1 por maior que seja a fe/a e o arti/a1 p>ece que n+uem traz gratas s5saes d !atro de ,s4 ,joo mrm5te d'um baile de masc>as4 ,faz-se um sil5cio sepul*ral nos int]vallos4 s vezes ap5as se escuta um levissimo rumor3 uma fita que se agit\ ou uma petala que se despeg\ d'um t\cado4 ,em epo*as mais turbul5tas atiram-se e/alos plateia4 ,os arti/as italianos1 qu&o l fra lhes p]guntam pelo clima de ,portugal1 j vo respond5do3 -- bom2 o peior que tem o e/alo4 ,o e/alo no ,porto como a febre am>ella na ,am]ica e a c>neirada na ,africa4 ,tirante o accid5te d e/alo1 o clima d !atro de ,s4 ,joo no prejudica n+uem4 ,sae a g5te como entr\3 qu5te se entr\ qu5te1 fria se entr\ fria4 ,antigam5te1 qu&o se ceiava nos cam>otes da qu>ta ordem1 podia a g5te sahir de l com uma indige/o1 ou1 qu&o se exhibia a graciosa ,macaqu9ha1 reb5t> um susp5sorio1 ou f9alm5te *amusc> o casaco qu&o o ,semelhes queimava fogo artificial no palco4 ,qualqu] d'e/as contr>i$ades podia s] p]igosa1 mas s5do a vida uma s]ie de p]igos1 viv] era aquillo4 ,agora1 ,catalani1 ,milanez1 madama ,joannita1 phosphorec5te ,semelhes1 eu lembro-me tri/em5te de vs1 e desejo-vos2 pr9cipalm5te se ha e/alo1 invejo-te1 ,semelhes6 99 99 99 99 99 ,,physiologia ,,d ,,!atro ,,baquet ,ha !atros que procuram a g5te1 em vez de s] a g5te que os procura a elles4 ,p>a ir ao ,palacio de ,cry/al1 por exemplo1 preciso ir l procural-o s ribas outr'ora solit>ias que se aprumam sobre o ,d\ro4 ,qu&o vamos ao !atro de ,s4 ,joo1 sahimos de casa no proposito de ir ao espectaculo1 como qu&o vamos almoar ,foz ou jant> ,ponte da ,p$ra4 uma cam9hada que se faz simplesm5te por di/raco4 ,todavia com o !atro ,baquet no acontece o mesmo2-- o !atro que nos procura1 elle que nos d na vi/a1 que nos *ama1 que nos t5ta4 ,sahimos de casa p>a compr> um p> de luvas1 um *apo1 um casaco1 umas botas1 uma bad9e1 um relogio1 um frasco com cons]va1 uma caixa de *>utos1 um obo1 p>a tom> um banho1 p>a m&> t+ir um collete1 p>a reconhec] um atte/ado1 e at p>a compr> tortas1 por div]tim5to1 porque eu j conheci um comilo de tortas s direitas1 que z trazia no bolso1 e que de in/ante a in/ante se mettia n'um portal1 como quem acc5de um *>uto1 p>a com] uma torta4 ,no !atro gu>dava uma proviso de tortas na copa d *apo1 e ia-z com5do de int]vallo a int]vallo1 faz5do no botiquim unicam5te a despeza de um copo de agua4 ,mas volt&o ao ,baquet1--sahimos de casa p>a compr> qualqu] coisa1 e damos comnosco na rua de ,santo ,antonio4 ,fazemos a transaco1 p>amos porta d !atro a lr o c>taz1 e vemos a passei> no atrio o snr4 ,antonio ,m\t9ho de ,s\sa1 flore&o a sua bad9e na posse da mais tranquilla felicidade1 de modo a d> g5te t5taes de s] empregado no !atro p>a vr se tambem engorda4 ,entra-se ao portal4 ,depois de entr>1 v]gonhoso retroc$]4 ,n'e/e mom5to *ega um actor cant>ol&o1 e emquanto o bilheteiro faz o troco entra uma paviola com um soph de velludilho enc>nado e quatro cadeiras d'espald>es doirados4 ,por ,deus6 como aquelle actor ha-de cant> bem noite1 se at pela rua se &a ensai&o6 como z cadeiras ho-de relampej> reflexos deslumbrantes luz da rampa6 ,sae a g5te e passa pelos c>tazes com o res]vado orgulho de quem sabe mais d que lhe dizem4 ,o c>taz annuncia simplesm5te o espectaculo1 mas o comprador d bilhete sabe o que no diz o c>taz1--que entram no drama cadeiras com espald>es doirados4 noite enxameia porta d !atro o b&o dos agiotas4 --,qu] g]al8 --,qu] cadeira8 ,e a g5te rompe por entre elles com a sobranceira indiff]5a de quem tem desde pela manh1 no bolso d collete1 o div]tim5to que elles nos (f]ecem1 esb(&o-se4 ,no !atro ,baquet ha sussurro nos corr$ores4 ,no !atro lyrico entram z s5horas1 cob]tas d'arm9hos1 friam5te sil5ciosas1 e assomam aos cam>otes com a e/udada compo/ura de quem vae s] retratado4 ,muda o caso no ,baquet2 z s5horas *>lam pelos corr$ores1 e os hom5s descem rapidam5te z escadas1 cumprim5t&o e salt&o4 ,bem6 um !atro popul>1 onde os espectadores fallam alt]nadam5te com os actores1 e onde a g5te pde espirr> vontade sem que lhe digam d lado--sciu6 ,os frequ5tadores habituaes d !atro ,baquet--os das platz1 ent5da-se--dividem-se1 a meu vr1 em trez classes di/9ctas3 espectadores fluctuantes1 espectadores fixos1 e espectadores mod]ados4 ,os espectadores fluctuantes so os que occupam z primeiras filas da sup]ior1 e os log>es das coxias na g]al4 ,alguns1--especialm5te os da sup]ior1--trazem camelia ao peito e luva cr de can>io4 ,mal desce o panno1 saiem p>a o botiquim1 p>a os cam>9s1 e p>a os corr$ores4 ,que teem elles que faz] em todos os int]vallos8 ,que vo diz]8 ,nada4 ,saiem porque so fluctuantes4 ,entram plateia qu&o comea a symphonia4 ,enco/am-se v>&a da or*e/ra1 com requebrada neglig5cia1 olh&o uns p>a os cam>otes atravez d b9oculo e outros cant>ol&o se e/o em sc5a os ,apo/olos d ,mal3 ,z moz da nossa aldeia ,d'aldeia de ,s4 ,luiz1 ,fallam sempre de m>idos ,e n'um enlace feliz2 ou se se repres5tam z ,mulh]es de m>more3 ,amas tu4 ,m>co g5til1 ,os sales *eios de flores1 ,com uma alegria infantil ,z danz1 risos1 amores8 ,espectadores fixos so uns sujeitos pesados1 que no se mexem na cadeira1 e que conv]sam nos int]vallos com os vis9hos da direita e com os vis9hos da esqu]da1 incommod&o-se com os espectadores fluctuantes que os obrigam a levant>em-se ao sahir e ao entr>4 ,espectadores mod]ados so1 a meu vr1 os que saiem em dois int]vallos1 qu&o a pea tem c9co actos1 e os que s incommodam o porteiro no fim d drama se depois d drama vae com$ia4 ,so me?odicos4 ,da ultima vez que saiem no por v>i$ade mas unicam5te por me?odo4 ,vo busc> o gu>da-*uva ou a b5gala p>a evit>em os ap]tos da confuso no fim d espectaculo4 ,passemos s gal]ias4 ,a gal]ia um mundo d5tro d'um !atro4 ,de hemisph]io a hemisph]io m$eia o oceano-plata4 ,z ondulaes1 z corr5tes1 e z tempe/ades e/o na plata1 mas nas gal]ias ha a v>i$ade d atlas3--alli que e/o z ca/as1 os sy/emas1 z luctas1 a v]dadeira lib]dade d homem e a v]dadeira emancipao da mulh]4 ,p\ca g5te leva uma creana p>a um cam>ote1 mas o povo leva os seus filhos p>a a gal]ia4 que reside alli a sob]ania popul>4 ,os mil episodios1 que por via de regra accid5tam a vida das naes1 reproduzem-se nas gal]ias4 ,ha em todos os espectaculos d ,baquet--digam se no v]dade--uma creana que *ora3 um vis9ho da esqu]da que se oppe expanso vocal da creana1 e um vis9ho da direita que proclama alto e bom som a lib]dade da l>ynge4 ,e/as luctas so et]no apanagio d povo4 ,ha sempre um velho1 ou bona*eiro1 rosado1 inxundioso1 que diz graolas1 e o div]tim5to dos vis9hos durante os int]vallos1 ou um velho z>olho1 de cabello em ss e *apo qu9h5ti/a1 sil5cioso1 que se no levanta toda a noite1 e que faz a critica d drama e da plata pela unica janella que a ,provid5cia lhe deix\ ab]ta p>a vr a humanidade4 ,o velho gordo1 se v que uma lorette pe a cabea fra da gal]ia1 p>a s] vi/a1 acode logo a diz]3 --,e/5da a cabea1 e/5da1 que lhe caiem os p+os das vlas6 ,o velho sco olha com o seu luzio p>a a toilette1 e volta logo a c>a p>a o outro lado1 porque de si p>a si fez au/]am5te a segu9te reflexo3 --,bem te ent5do6 ,ha sempre nas gal]ias um cic]one4 ord9>iam5te um co*eiro1 de jaqueta e *apo r$ondo2 explica todas z situaes da pea a9da que seja nova4 --,ella agora vae peg> n'aquella flr6 s vezes1 mrm5te se o drama novo1 o co*eiro engana-se1 e a actriz em vez de peg> na flr bebe um copo d'agua4 ,o cic]one no se acob>da4 ,cont9ua a explic>2--explica tudo4 ,i/o facilm5te se compreh5de4 ,o co*eiro precisa de presumir-se sabio4 ,p]gunta-se-lhe3 --,sabes onde mora ,f48 --,sei1 meu amo4 ,no sabe4 ,vai &&o esp]a que lhe batam na janella da c>ruagem4 --,pra2 aqui4 -- aqui2 eu bem sabia4 ,o co*eiro precisa realm5te de diz] que sabe4 ,vamos agora ao botiquim4 ,o botiquim d ,baquet (f]ece curioso e/udo4 preciso s]-se philosopho p>a se ex]c] o log> de botiqu9eiro alli4 ,de contr>io1 ao cabo d primeiro int]vallo1 o botiqu9eiro e/>ia doido com toda a c]teza4 ,o snr4 ,magalhes1 botiqu9eiro1 pois um philosopho4 --,uma sangria6 --,gelat9a6 --,uma limonada6 --,uma or*ata4 --,um grog6 ,n'uma palavra1 nem mais nem m5os que todos os espectadores fluctuantes a diz]em ao snr4 ,magalhes3 --,retalhe n'um mom5to o seu botiquim e d a cada um de ns um fragm5to4 ,qualqu] homem m5os philosopho respond]ia3 -- s5hores6 no os posso s]vir a todos ao mesmo tempo6 ,sem e/e s5hor beb] a limonada1 no d\ ao s5hor o grog4 ,i/o era o mesmo que p]d] a freguezia4 ,o snr4 ,magalhes descubriu um optimo sy/ema p>a viv] com todos4 ,como seja gr&e a concorr5cia1 alguns espectadores1 em raso da sua mesma natureza fluctuante1 j e/o no corr$or no mom5to em que deviam pag>4 ,o snr4 ,magalhes bem p]cebe que logrado1 mas no se afflige4 ,tem a paci5cia de esp]> p>a o dia segu9te4 ,d'e/a maneira tudo vae bem4 ,conta-se de ,maz>9o diz]3 ,cantam6 ,deixal-os cant>2 elles o pag>o4 ,toda a philosophia d snr4 ,magalhes tem por eixo e/a anecdota de ,maz>9o3 ,escapam-se6 ,elles o pag>o4 ,saiamos d botiquim p>a fall>mos a9da d'uma classe supplem5t> de frequ5tadores1 que j iam esquec5do4 ,so os espectadores-meteoros4 ,no compram bilhete pela simples raso de no t]em tempo de o compr>4 ,entram plata e dizem ao porteiro3 --,eu saio j4 ,e/ o panno em cima4 7,elles entram sempre qu&o o panno e/ em cima74 ,enco/am-se v>&a da or*e/ra4 ,passam em revi/a os cam>otes1 m$em a plateia com um s olh>1 e saem4 ,vae a g5te a procural-os1 e j no os v4 ,so meteoros2 desapp>ec]am4 ,qu&o a g5te os procura1 j e/o em outro !atro4 ,tambem por sua vez so philosophos2 toda a philosophia d'elles e/ no adv]bio j4 --,eu saio j4 ,e vem tudo4 ,ora eu1 se fosse actor e fizesse b5eficio1 havia de p]gunt> ao porteiro3 --,voc quantos js conhece8 ,a esses que eu pass>ia bilhetes p>a vr o que respondiam4 ,agora me lembro6 ,salvavam-se a9da com o mesmo adv]bio3 --,j t5ho4 ,depois de conhecida a nau e a tripulao1 ju/o fall> d piloto1 que vai tranquillam5te enco/ado cana d leme1 s]5o em meio da azafama g]al1 sabore&o-se nos mil accid5tes de bordo1 como homem que morr]ia no/algico se porfiasse a sorte em arrancal-o ao m>4 ,o ,pal9uro d ,baquet o snr4 ,antonio ,m\t9ho de ,s\sa1 actual empres>io4 ,nasceu p>a o !atro como o piloto nasceu p>a z vagas4 alli que elle vive feliz4 ,d]iv>am os primeiros annos de sua vida na es*ola e na ourives>ia de seu pae1 mas *egado a idade em que no espirito comeam a desabro*> z t5d5cias1 boas ou ms1 ao sabor das quaes havemos de faz] a p]egr9ao t]r5a1 o snr4 ,m\t9ho1 contados #bd annos1 emb>c\ p>a o ,rio de ,janeiro1 e foi escriptur>-se no !atro d ,gymnasio4 ,os jornaes brasileiros de #aheh fe/ivam5te commemoram a brilhante app>io d snr4 ,m\t9ho no ,gymnasio4 ,ha um p]iodo notavel d ,correio ,m]cantil que diz assim3 ,o primeiro passo da sua vida arti/ica como os dos antigos gu]reiros da sua patria nas areas d',africa a d]rub>em nos campos da lucta os ob/aculos que lhes imp$iam a victoria1 foi gr&ioso e decisivo6 ,p]correu em um s dia o escabroso e longo e/adio que conduz o tal5to ao p]y/ilio d sanctu>io das artes4 ,o s] actor revel\-lhe que tambem podia s] litt]ato1--dramatis\1 folhet9is\ e v]sej\ agradavelm5te1 mas todos os lances solemnes da sua vida ao !atro os deveu4 ,cas\ em primeiras nupcias com a actriz ,d4 ,ludov9a ,devec*y1 e em segundas com a actriz ,d4 ,amelia ,simes4 ,p>ece que todo o seu fito foi escolh] esposa que compreh5desse z tradies gloriosas d !atro e h\vesse sacrificado no alt> d bello4 ,se o snr4 ,m\t9ho tivesse casado com c]ta dama que uma vez diss]a t] ouvido uma pea em c9co dramas1 o snr4 ,m\t9ho requ]]ia imm$iatam5te divorcio4 ,como empres>io tem o seu cam>im4 ,podia t] simplesm5te um escriptorio1 mas o snr4 ,m\t9ho qu] t] cam>im p>a se engan> a si proprio4 ,passa z noites d'espectaculo a tom> caf4 um velho habito !atral4 ,qu] excit> os n]vos p>a z luctas da sc5a1 como se h\vesse de repres5t>4 ,encontram-se n'elle todos os requisitos d'um empres>io1 e at1 se att5d]mos unicam5te ao homem1 conhec]emos que o snr4 ,m\t9ho e/ entre a gordura d empres>io ,palha e a gordura d empres>io ,price4 ,todavia affigura-se-nos que o snr4 ,m\t9ho pod] faz] um d'aquelles admiraveis prodigios que s se conseguem no !atro1 e vem a s]--repres5t> um papel de galan t5do propores de empres>io4 preciso acab>1 e sahirmos d ,baquet4 ,toda a g5te sabe como se sae d ,baquet3 hombro com hombro1 brao com brao4 ,tanto se aproximam os espectadores sahida1 que talvez essa a raso de se conhec]em todos uns aos outros4 ,um sujeito conhecemos ns que ao sahir uma noite d ,baquet metteu a mo no bolo d b\rn\s p>a tir> a *>uteira1 e encontr\ com gr&e surpresa uma caixa de prata4 ,s ento reconheceu hav] introdusido a mo no bolso d espectador que v9ha a p>4 ,pass\ angu/ias p>a se salv> com dignidade d equivoco444 ,ora so ju/am5te e/as p]ipecias1 todas z circum/ancias que ahi ficam amontoadas1 que do ao !atro ,baquet uma individualidade c>act]i/ica4 99 99 99 99 99 ,,telhudos ,,hi/oricos ,a telha muito antiga4 ,nos tempos h]oicos vae o escalpello d hi/oriador encontr> conspicuos telhudos como ,ore/es1 ,a?amas1 e ,alcmeon1 po/o se dissesse simplesm5te que viviam atorm5tados pelas ,eum5ides4 ,nos tempos hi/oricos tornam-se notaveis pela telha ,py?agoras1 ,socrates1 ,mahomet e ,lu!ro4 ,em tempos m5os remotos app>ecem na hi/oria uns celebrados telhudos que se *amam ,sw$5borg1 ,pascal e ,voltaire4 uma consolao444 ,enco/a-se a g5te com a sua telha a e/as cabez-firmam5tos da hi/oria1 que ora t9ham relampagos de g5io1 ora negruras de s&ice1 e vae viv5do4 ,no se falla por ahi na hi/oria a cada passo8 ,p>a se diz] que um sujeito velho no se lhe *ama ,ma?usalem8 ,n]o p>a diz] que mau8 ,job p>a diz] que paci5te8 ,pois muito bem4 ,desculpemo-nos da nossa telha com a hi/oria na mo1 e vamos viv5do com o nosso mal1 porque p>a mim ponto de f que1 s5do telhudos os maiores g5ios1 cuja memoria assombra o mundo1 no ha por ahi sujeito que no t5ha a sua telha4 ,os que so mais robu/am5te organisados sabem que a teem e procuram modifical-a1 como se combate uma enf]midade2 os que nasc]am peior acabados vo viv5do sem se lembr> um unico dia de que nasc]am com telha e com lombrigas4 ,a uns e outros desculpa a hi/oria4 ,p\co importa conhec] ou no conhec] a telha1--o caso tel-a4 ,hyppocrates veio a diz] na sua que a telha e/ava na cabea2 ,lacaze e ,bordeu que e/ava no diaphragma1 e ,bi*at no corao4 ,e/eja ella onde e/iv]2 o c]to que e/ d5tro de ns e da hi/oria4 ,i/o mesmo de qu]] diz] onde a telha e/1 j telha4 ,o que e/\ v5do que os sabios da velha antiguidade eram muito mais p]spicazes que os sabios dos tempos mod]nos4 ,nos tempos h]oicos1 se um sujeito t9ha a telha de r9*> de cavallo1 dizia-se logo que entr>a n'elle o espirito de ,neptuno2 se a telha lhe dava p>a comear a cant> de pass>o1 era por alta vontade de ,apollo4 ,agora a sci5cia trata de enxot> a ideia d espirito ruim o apregoa que se o sujeito tem telha porque nasceu tolo4 ,i/o assim no vae bem4 ,em remotissimos tempos pagos desculpava-se a telha de py?onissas e sibyllas com influio div9a2 agora vem a sci5cia e diz que a telha proc$e de imp]feio d sy/ema n]voso1 *am&o-lhe monomania4 ,s] monomaniaco no pod] um homem &> e proc$] por sua conta e risco4 ,tanto vale como matal-o4 preciso pois que faamos crusada e nos def5damos com a hi/oria4 ,os hom5s d passado con/ituem a hi/oria que hoje lmos1 assim como ns con/ituiremos a hi/oria de amanh4 ,pois folheemos a *ronica d passado e ponhamos a nossa telha ao abrigo de c5suras1 escond5do-nos aga*ados contra o p$e/al de precl>os hom5s que o mundo fe/eja1 e deixemos assim ab]ta uma valvula de segurana p>a respir> a telha de nossos netos4 ,comecemos4 ,o m>quez ,ar\et de ,voltaire444 ,m>montel conta que fra um dia1 acompanhado pelo seu amigo ,gaul>d1 visit> ,voltaire4 ,encontr\-o na cama1 reco/ado em travesseiras1 de b>rete de l na cabea4 --,encontram-me a morr]1 disse com voz debil o philosopho4 ,v5ham receb] o meu ultimo suspiro4 ,mr4 ,gaul>d commoveu-se1 mas ,m>montel1 que j conhecia a telha1 tregeit\ a ,gaul>d p>a calmal-o4 ,voltaire entr\ de conv]s> e de anim>-se progressivam5te4 --,meu c>o ,m>montel1 disse elle1 folgo de vl-o em occasio em que lhe posso apres5t> um e/imavel arti/a1 mr4 ,ecluse6 ,como elle canta a co de ,rem\leur4 ,e ,voltaire comeou a imit> ,ecluse cant>ol&o2 ,je ne sais o la mettre ,ma jeune fillette1 ,je ne sais o la mettre ,c> on me la *e444 ,os hosp$es riam e/repitosam5te4 --,imito-o mal1 bem sei1 object\ ,voltaire1 preciso ouvil-o a elle1 ao proprio ,ecluse4 ,oh6 que voz aquella6 ,telhudo6 ,la ,fonta9e1 o meigo educador das creanz1 p]t5ce ao rol4 ,cas\ com ,m>ia ,h]ic>d1 uma =mosa e intellig5te mulh]4 ,passados tempos1 abal\ p>a ,p>is esquecido de hav] casado4 ,aconselh>am-n'o porm alguns amigos a reconcili>-se com sua esposa4 ,p>tiu com esse intuito e1 procur&o madame ,la ,fonta9e em ,*auteau-,?i]ry1 diss]am-lhe que e/ava na igreja4 ,recolheu-se a casa de um amigo1 onde comeu e dormiu durante dois dias1--ao cabo dos quaes regress\ a ,p>is4 --,ento1 reconcilias-te com tua mulh]8 --,no a pude vr3 e/ava na igreja4 ,c]to milit> convid\ ,la ,fonta9e p>a banquete opip>o com o simples int5to de o ouvir discrete> mesa4 ,la ,fonta9e comeu1 bebeu e ap5as disse levant&o-se3 --,t5ho d'ir ,academia4 -- a9da muito c$o444 --,no importa4 ,irei por onde fr mais longe4 ,telhudo6 ,d',alemb]t444 ,elle1 o gr&e geometra1 o *efe da seita encyclop$ica1 *eg\ a s] um escravo amoroso de mademoiselle ,esp9asse4 ,sahia todas z manhs p>a lhe faz] s]vios1 a compr> alf9etes ou gan*os1 e1 qu&o o seu rival ,mora p>tiu de ,frana1 ia a9da como de noite esp]> o correio e/rada p>a lev> z c>tas a mademoiselle ,esp9asse4 ,telhudo6 ,sa9t-,foix1 au?or d ,essais sur ,p>is1 e v>ias obras444 ,e/ava uma vez no caff ,procopio1 a lr o ,m]curio4 ,era noite4 ,entr\ um sujeito e p$iu capil4 ,sa9t-,foix disse da sua mesa3 --,o capil uma tri/e ceia6 ,o sujeito olh\ e fic\-se4 ,torna ,sa9t-,foix3 --,o capil uma tri/e ceia6 ,o sujeito c>reg\ o sobr'olho4 ,torna ,sa9t-,foix3 --,o capil uma tri/e ceia6 --,isso commigo1 s5hor8 --,pois com quem8 ,o capil uma tri/e ceia6 ,foi imm$iatam5te reptado1 bateu-se no ,luxemburgo1 e recebeu uma cutilada4 ,j em t]ra1 banhado em sangue1 apo/roph\3 --,i/o no prova nada4 ,o capil uma tri/e ceia4 ,telhudo6 ,pugnani1 compositor de musica e celebre viol9i/a piamontez444 ,e/&o uma noite toc&o viol9o em meio de num]osa soci$ade1 p>\ subitam5te e disse3 --,s5horas e s5hores1 rezem c9co ,padre-,nossos pelo pobre ,pugnani4 ,e ajoelh&o comeou elle proprio a rez> o ,padre ,nosso4 ,telhudo6 ,sua exc4 o b>o de ,dangu444 ,t9ha a telha de qu]] s] almirante1 e1 como h\vesse passado no m> os primeiros annos de sua vida1 sabia um avultado num]o de t]mos nauticos de que di>iam5te usava4 ,o palacio em que morava t9ha a configurao int]ior d'um imm5so navio4 ,os criados ve/iam de m>9heiro e tractavam-n'o por almirante4 ,o b>o fazia qu>to no t]rao que *amava convez4 ,pela manh dizia-lhe um dos criados3 --,o m> foi muito e/a noite6 ,qu&o elle qu]ia sahir1 outro criado b]rava pelo porta-voz3 --,a *alupa d almirante ao m>6 ,i/o qu]ia diz] que pozessem z cavallos c>ruagem4 ,mom5tos depois1 o b>o subia ao convez1 d'onde com o auxilio de cordas1 descia c>ruagem1 que se abria pelo tecto4 ,telhudo6 ,mr4 ,b]lugu]1 au?or de tres enormes volumes--,les f>fadets4 ,ora os f>fadets eram demonios que elle dizia vr p5durados das arvores d j>dim1 d espald> d catre e s cabriolas sobre a mesa d jant>4 ,p5sava que a melhor maneira de se vr livre dos f>fadets era mettel-os em g>rafas ou atravess>-lhes o corpo com alf9etes4 ,tirante e/a notabilissima pancada1 era um homem alegre e amavel1 que sabia conv]s> com s5horas4 ,ba/a porm lr os f>fadets p>a conhec] que era444 ,telhudo6 ,o hi/oriador ,mez]ai1 membro da ,academia ,franceza444 ,escrevia luz da c&eia1 a9da que fosse meio dia1 e pl5o e/io4 ,qu&o alguem o visitava1 acompanhava-o ao corr$or1 de c&eia na mo1 e algumas vezes *egava porta da rua3 --,olhe l1 no caia1 dizia elle4 ,telhudo6 ,sua mage/ade ca?olica1 ,filippe ,v1 rei d',hespanha444 ,e/e sob]ano passava na cama seis mezes inteiros1 sem cort> o cabello e z unhas1 sem mud> de camisa4 ,umas vezes qu]ia que o capello d pao fosse cam>a real diz] missa s c9co horas da manh1 outras ao meio dia e outras s oito horas da noite4 ,no inv]no m&ava abrir de p> em p> z janellas2 durante os ardores canicul>es dormia com tres cob]tores de papa4 ,muitas vezes1 emquanto dormia1 arranhava-se e1 qu&o acordava1 comeava a grit> que o haviam mordido os v]mes4 ,julgava-se ento morto1 mordia em si1 em seus filhos e na ra9ha4 ,p]guntavam-lhe o que t9ha4 ,respondia3 --,no t5ho nada6 ,e desatava a cant>4 ,telhudo6 ,sua ex4 o m>quez de ,brunoy444 ,qu&o morreu o m>quez pae1 m&\ despej> em todos os tanques d palacio almudes de t9ta d'escrev] p>a que z aguas tomassem lucto2 e cobriu de crepes todas z arvores d p>que4 ,era o sa*ri/o da igreja de ,brunoy4 ,d'uma occasio1 em ,conflans1 peg\ no cadav]s9ho d'uma criana debaixo d brao1 e foi elle proprio sepultal-o4 ,ahi por #agge projectava ir de s&alias e esclav9a ,t]ra ,santa1 faz5do-se acompanh> por sess5ta romeiros4 ,a familia pde e/orv>-lhe o plano e sua ex4 o m>quez desi/iu de s] p]egr9o p>a cont9u> a s]444 ,telhudo6 ,e/a a gr&e lio da hi/oria4 ,qu&o alguem nos atac>1 leitores1 facilm5te nos pod]emos def5d] apont&o p>a o enorme epitaphio da hi/oria1 que diz3 ,aqui jaz a telha de muitas g]aes4 ,jaz e ha de jaz]4 ,culpa dos m9i/ros portuguezes que fazem re=mas na in/ruco e no supprimem o e/udo da hi/oria4 ,m&am-nos e/ud> hi/oria2 e/udemos4 ,admiremos os telhudos e sejamos tambem telhudos por nossa vez4 ,l diz o conhecido v]so3 ,un sot tr\ve t\j\rs um plus sot qui l'admire4 fado4 ,iremos cam9h&o de telha em telha4 ,o num]o dos tolos inf9ito1 diz o livro santo1 e assim4 ,a*o prud5te o conselho de no sei quem que disse3 quem os no quiz] conhec]1 no saia de casa e quebre o espelho444 99 99 99 99 99 ,,os ,,dom+os ,no ,p>o*o1 romance religioso de ,roselly de ,lorgues1 ha um p]iodo que diz3 ,newton1 extasiado p]ante z m>avilhas da creao1 obs]v\ que de todos os dias d anno o dom+o aquelle em que os vapores da atmosph]a nos encobrem m5os o a/ro brilhante4 ,assim devia s]4 ,o dom+o o dia d rep\so1 da tranquillidade1 d l>4 ,ha sueto g]al--diz a9da ,roselly de ,lorgue2--e/ susp5sa a lei d trabalho4 portanto e/e o dia em que se l1 em que o povo procura o jornal1 em vez d jornal ir procur> o povo1 como acontece durante a semana4 ,o jant> d arti/a tem ao dom+o mais um prato e mais um copo4 ,urge pois que o homem de trabalho procure torn>-se digno da mode/a opul5cia da sua mesa4 ,d'aqui proc$e a ancia de se nobilit>1 de se illu/r>2 de lr ao dom+o4 ,viveu na fabrica toda a semana2 vive ao dom+o no l>4 ,ora a leitura um lao que pr5de familia1 um praz] s]5o que requ] sil5cio4 ,o op]>io s5ta-se a uma re/ea de sol1 com o seu jornal debaixo d brao1 com o seu cig>ro na mo4 ,o tabaco--embora o neguem pessimi/as--torna a p]cepo mais cl>a4 ,fuma e l4 ,qu] encontr> o seu jornal v>iado1 alegre1 leve e cry/all9o4 ,ent5de4 ,um c]ebro inculto como um e/omago fraco4 ,dem&a alim5to ao mesmo passo sub/ancial e de facil dige/o4 ,pelo jornal se id5tifica o arti/a com a soci$ade4 ,sabe o que se passa nas altas regies de que elle vive esquecido toda a semana4 ento que trava conhecim5to com os actos d gov]no4 s vezes depreh5de da leitura que tem de pag> mais4 ,fica tri/e4 ,tem filhos1 e recebe pequ5o sal>io4 ,mas desce com a vi/a ao folhetim1 e o folhetim s]5a-o por isso mesmo que lhe no falla de impo/os4 ,l com curiosidade1 s vezes sorri1 e levanta-se p>a ir com] o seu guisado e beb] o seu copito1 supplem5tos dom+ueiros d jant>1 mais lembrado d folhetim que d impo/o4 ,s5ta-se meza1 e como =a que o folhetim d'um jornal popul> seja c&ido na ideia e s+elo na frma1 o arti/a facilm5te reproduz o folhetim mulh] que no sabe lr4 ,no adquiriu sci5cia1 nem elle e/ava intellectualm5te prep>ado p>a recebel-a2 o que adquiriu1 e j no p\co1 foi amor leitura1-- leitura1 e/e elem5to de moralidade1 qu&o prud5tem5te adoptado1 porque pres]v]a da orgia e affa/a da ru9a4 ,e/as =am z rases que me lev>am a escolh] o dom+o p>a o folhetim semanal1--conv]sao facil1 que eu procur>ei gui> sempre por cam9ho desatravancado d'esp9haes1 sejam quaes =em os cataclismos da soci$ade1 e por mais brutalm5te que esc\ceiem os onagros nas selvas vis9has4 ju/o d> ao povo o que nasceu d povo1--o folhetim4 ,preciso porm diz]-lhes que eu fao di/9co entre o antigo folhetim e o mod]no folhetim4 ,um ari/ocrata2 o outro democrata4 ,o primeiro saiu dos palacios d',a!nas2 o segundo dos !atros1 dos botiqu9s de ,p>is4 ,o primeiro roj\-se aos ps de ,aspasia e ,lais qu&o os gregos z m&avam entr> ao dess]t na sala d banquete1 ju/am5te ao contr>io dos +lezes1 que ao dess]t que expulsam z mulh]es4 ,o segundo saiu da caixa de rap d abbade ,ge(froy1 uma noite1 na ,op]a1 qu&o elle a abria p>a (f]ec] uma pitada a mr4 ,b]t91 que o t9ha acompanhado4 ,o primeiro recebeu ao nasc] o baptismo dos v9hos de ,cor9?o1 de ,samos1 e de ,*ios4 ,o segundo m]gulh\ na onda nac>ada d ,bordeus ou d ,*ampagne4 ,no seu ,gr&e diccion>io de cos9ha1 rec5tem5te publicado1 escreveu ,dumas pae3 ,foi n'e/es elegantes jant>es 7de ,a!nas7 que se =m\ a conv]sao grega1 conv]sao ao depois copiada por todos os povos1 e da qual a nossa era1 asseguro-o1 antes da introduco d cig>ro1 uma das mais vividas e mais rapidas copias4 ,d'aqui a expresso sal attico4 ,assim foi que nasceu o folhetim ari/ocrata1 pass&o de bocca em bocca1 borbolete&o entre os convidados1 que eram ord9>iam5te sete1 em honra de ,pallas1 rematado provavelm5te com um beijo de ,phryn ou com um sorriso d',aspasia4 ,depois pass\ da ,grecia p>a ,roma4 ,os banquetes d',augu/o1 conv]sados por ,virgilio1 ,horacio e ,pollion1 deviam de s] folhet9s delicadam5te c9zelados como os cya?os imp]iaes4 ,todavia o gr&e espirito de ,augu/o amava a publicidade1 e p]mittia que circulassem em ,roma z anecdotas dos seus opip>os folhet9s4 ,conta-se1 por exemplo1 que c]to dia1 em que jantava com ,virgilio e ,horacio1 se desculp>a d'umas sombras de tri/eza diz5do que e/ava entre os suspiros e z lagrimas1 porque um d'e/es escriptores s(fria dos pulmes e o outro t9ha uma fi/ula lacrimal4 ,no tempo d',augu/o j o povo romano conhecia a publicidade4 ,julio ,ces> foi o v]dadeiro creador d jornal4 ,nos primeiros tempos de ,roma os pontifices escreviam dia a dia os acontecim5tos d co e da t]ra4 ,julio ,ces> arranc\ o privilegio aos pontifices faz5do r$igir e public> os actos quotidianos d s5ado e d povo4 ,o que1 segundo uma bonita phrase de ,julio ,jan91 foi pass> duas vezes o ,rubicon1 desvel&o d'uma vez p>a sempre os t5ebrosos my/]ios d s5ado romano4 ,to invet]ado e/ava porm entre os patricios o habito d folhetim mesa1 tanto o banquete era mais uma recreao p>a o espirito que um praz] p>a o e/omago1 que ,heliogabalo reunia mesa anes1 z>olhos e corcundas p>a os vr da gal]ia e os ouvir conv]s> durante o jant>4 ,era um folhetim burlesco1 como s vezes por ahi app>ecem alguns1 o que ,heliogabalo qu]ia4 ,fallemos agora d folhetim democrata1 nado e creado em ,p>iz1 teudo e manteudo pelo abbade ,ge(froy4 ,nom9alm5te o folhetim data de #aghi1 d nascim5to d jornal politico em ,frana4 ,*amava-se assim o espao em que o jornali/a escrevia1 na p>te inf]ior da pag9a1 a res5ha dos trabalhos que a ,assembla deixra indicados p>a o dia segu9te4 ,mas o folhetim s comeou a exi/ir de facto no fim d seculo ,,xviii4 ,um homem de letras havia a esse tempo1 ao mesmo passo escriptor e cl]igo1 o abbade ,ge(froy1 que1 ent$iado das noitadas d caff ,procope1 volunt>iam5te se de/]r\ de ,p>iz4 ,um c]to dia1 porm1 mr4 ,b]t91 que compr>a aos irmos ,baudonim a propri$ade d ,j\rnal des ,debats1 lembr\-se de ir procur> o espirituoso abbade ao seu remoto escondrijo4 ,foi e arra/\-o4 --,que qu] de mim1 ,b]t98 p]gunt\-lhe o abbade4 --,que v5ha jant> commigo a ,p>iz1 que v noite commigo ,op]a1 e que manh me escreva um artigo p>a o primeiro num]o d ,j\rnal des ,debats4 ,o abbade lembr\-se dos seus tempos1 e foi4 ,z palmas1 os bravos1 z acclamaes espirit>am-n'o4 ,ao outro dia fez a critica da op]a na p>te int]ior de duas columnas1 e a t]ceira en*eu-a ,b]t9 com anunncios de !atro4 ,o artigo1 occup&o o log> d folhetim1 *am\-se folhetim4 ,o povo leu e go/\4 ,correu a compr> o jornal1 *eg\ a disputal-o1 o successo foi ruidoso1 e ,ge(froy no s fez a sua celebridade s5o que tambem torn\ celebre o ,j\rnal des ,debats4 ,ge(froy d'alli em deante applaudia1 acclamava1 pateava e assobiava no folhetim4 ,o povo seguia-o1 acompanhava-o1 o povo p5sava com ,ge(froy e ,ge(froy p5sava pelo povo4 ,foi o povo que lhe deu nome1 a elle e ao folhetim1 e era p>a o povo que ,ge(froy escrevia4 ,no havia trova popul>1 c>icatura1 retrato e lant]na magica--at lant]na magica6--que no reproduzisse o abbade folhet9i/a4 ,qu&o elle morreu1 annunci\-se nos collegios a sua morte depois d ,b5$icite4 ,ge(froy fe/ejado6 ,ge(froy applaudido6 ,ge(froy444 cantado6 ,o successor de ,ge(froy no folhetim foi ,*>les ,nodi]4 ,no o exc$eu mas no o de%onr\4 ,depois de ,nodi] vi]am ,eti5ne ,bquet1 ,duvicquet1 e outros1 sempre acclamados e sempre att5didos pelo povo1 at que *egmos revoluo litt]>ia de #ahcj4 ,ento app>ec]am ,sa9te-,beuve1 ,dumas1 ,jan9 e ,gauti]4 ,o dia que o movim5to litt]>io d romantismo design\ ao folhetim foi a segunda feira4 ,d'ahi o *am>-se ao folhetim caus]ie du lundi1 e aos folhet9i/as les rois du lundi4 ,os reis da segunda-feira6 ,reis1 porque8 ,porque empunhavam elles o sceptro da op9io8 ,porque eram os sob]anos absolutos da critica8 ,nada d'i/o4 ,porque cada folhet9i/a da segunda-feira t9ha sua crte d'admiradores1 seus salamaleques1 e seus subditos4 ,alex&re ,dumas *ama a ,sa9te-,beuve um poeta2 a ,jan9 um phantasi/a1 e a ,gauti] um esmaltador4 ,sa9te-,beuve1--cont9ua a escrev] ,dumas pae1--no se qu] indispor com n+uem4 ,jan9 um escravo d seu e/ylo4 ,gauti] o ,b5v5uto ,cell9i d p]iodo4 ,era-lhes o folhetim vitr9e onde e/adeavam z pompas da sua l+uagem f9am5te r5dilhada4 ,os aulicos da sua crte eram z mulh]es da ,op]a1 os academicos e os virtuoses4 ,jan9 p]t5ce actualm5te ao num]o dos qu>5ta da academia franceza4 ,como havia o povo de ent5d] um escriptor que traduzia ,horacio e dispunha de recursos p>a *eg> a s] academico8 ,o folhetim1 ari/ocratisado1 era p>a os erudictos1 p>a z salas1 e p>a os gab9etes4 ,ve/ia casaca1 l5o branco1 e trazia flr na b\tonnire4 ,o povo1 que compreh5dia ,ge(froy1 no ent5dia ,jan94 ,mas como o jornal dep5de ess5cialm5te d povo1 comeou o jornalismo a folhet9is> o notici>io1 a faz] espirito1 a cont> anecdotas1 de sorte que o povo comprava o jornal1 no por causa d folhetim1 como no tempo de ,ge(froy1 mas por causa d notici>io4 ,i/o foi1 e i/o a9da em ,frana4 ,ora eu que no posso s] academico1 que no c9zelo a phrase1 que no disponho de recursos p>a s] ,jan9 e ,gauti]1 escrev]ei n'um jornal d povo unicam5te p>a o povo4 ,o folhetim veiu d povo2 preciso portanto que elle v p>a o povo1 qu&o o povo o pde receb]1--ao dom+o4 ,que v1 que lhe falle de assumptos que elle conhece1 que no seja nubloso na phrase1 impuro na ideia1 que no t5ha subtilezas1 mas que se faa lr1 que se faa applaudir se pod]1 e que uma vez por outra nobilite a caixa de rap d abbade ,ge(froy4 99 99 99 99 99 ,,z ,,italianas ,a e/a hora fogem z que e/iv]am entre ns4 ,deixem-me porm faz] uma obs]vao4 ,z italianas de que v\ fall> no so z mulh]es de ,italia1--so z mulh]es da ,op]a4 ,no nasc]am p>a viv]1--nasc]am p>a cant>4 ,por isso &am cant&o de paiz em paiz1 e *egam no inv]no1 qu&o a natureza emudece1 p>t9do na primav]a1 qu&o z &or9has regressam444 ,so ricas1 opul5tas1 e todavia o mais que gu>dam na sua mala so os seus anneis de cabello1 z suas fitas e z suas r5das1 coisas to leves que o v5to pde agital-z4 ,o !s\ro d'ellas e/ na g>ganta2 l que gu>dam z notas1 que trocam em qualqu] paiz1 sem desconto1 antes com o premio das palmas e dos applausos4 ,cant&o atravessam o mundo1 z tempe/ades sociaes1 os cataclismos da humanidade4 ,cabe-lhes p]feitam5te a anecdota que se conta d guit>ri/a ,phillis1 pae da celebre cantora d mesmo nome4 ,uma vez1 durante o ,t]ror1 um magi/rado *am\-o e p]gunt\-lhe3 --,como se *ama8 --,phillis4 --,que faz8 --,toco guit>ra4 --,que fazia no tempo d tyranno8 --,tocava guit>ra4 --,que vae faz] pela republica8 --,toc> guit>ra4 ,ellas tambem atravessam todos os regim5s1 a republica1 a mon>*ia1 a propria tyrannia1 cant&o1 sempre cant&o1 sem que o imp]ador ,guilh]me recuse ouvil-z por hav]em cantado na pres5a de ,grant ou de ,?i]s4 ,con/ituem ellas mesmas a unica realeza p]duravel1 porque l e/ a ,sass em ,madrid s5do ra9ha1 victoriada1 fe/ejada1 acclamada1 e todavia a ,hespanha acaba de em]gir a fronte d baptismo republicano4 ,o c]to que a nobreza lhes in/9ctiva1 que se habituam a re9>1 a viv] baloiadas nos seus briskas1 deslis&o sobre tapetes1 roag&o s$as1 colh5do flores e joias1 rev5do-se em espelhos1 e admir&o-se tanto de receb] o b\quet d'um burguez como um bracelete que lhes envia um mon>*a4 ,uma ra9ha p>ece hav] ali5ado a delicada s5sibilidade dos seus n]vos qu&o atravessa z multides que se precipitam sobre o co*e saud&o-a doidam5te2 a cantora dom9a com um sorriso a tempe/ade dos applausos1 sem *or> de commoo1 sem trem] d'alegria1 sem se desvair> d'orgulho4 ,raso de sobra t9ha madame de ,pompad\r qu&o disse depois de ouvir cant> ,sophia ,arnauld3 --,d'aqui havia com que faz]-se uma pr9ceza4 ,p>ece que de todas ellas a leg5da das pa/oras que ao depois =am cz>9as4 ,nasc]a da obscuridade1 o de/9o atira-z aos braos da gloria1-- por via de regra um empres>io que z ouve cant> uma tonadilha e z aggremia logo sua tr\pe--*egam a s] muito ricas1 como se h\vessem encontrado !s\ros encantados1 e j fiam tanto da sorte1 que esp]am encontr> coll>es e braceletes por toda a p>te sem se d>em o incommodo de procural-os4 ,a9da outro dia1 na ,russia1 na noite em que a ,nilson se desp$ia cant&o o ,fau/o1 lhe fiz]am a surpreza de en*] de preciosos br9des o c(re que devia abrir ao cant> a aria das joias1 e ella1 sem se admir>1 sem se agit> de commoo1 foi exam9&o-z e cant&o1 cant&o sempre1 at *eg> a repetir toda a aria1 porque uma cantora de v]dadeiro tal5to bem sabe que a sua voz a v>a de condo que faz surgir os !s\ros4 ,no qu>to acto1 depois da sc5a da igreja1 d]am-lhe um annel todo liso1 d qual p5dia uma grossa lagrima1 =mada d'um s diamante4 ,felizes mulh]es1 p>a z quaes a saudade d publico se des5tranha em lagrimas de444 diamantes6 ,qu&o acab\ o espectaculo1 tir>am-n'a nos braos p>a a c>ruagem1 que rod\ vag>osam5te1 escoltada por g5tis cavalleiros1 luz de fa*os1 cujos reflexos vivissimos p]mittiam vr a diva4 s vezes1 como z pa/oras da leg5da1 *egam a s] esposadas por titul>es1 como a ,patti1 hoje m>queza1 e a9da algumas vezes *egam a enamor> os pr9cipes4 ,fr$]ico ,,ii quiz a todo o cu/o ret] na ,prussia a ,m>a1 e1 qu&o ella t5t\ fugir das algemas da admirao real1 exp$iu emiss>ios p>a lhe tom>em o passo e reconduzil-a capital4 ,a poesia desde muito tempo que reconhece a realeza das italianas4 ,depois que no ,porto se introduziu o co/ume de espalh> v]sos no !atro lyrico1 em todos elles encontro eu1 revolv5do z colleces1 alguma coisa que d5uncia vassallagem4 ,ha qu>5ta e oito annos dizia um poeta anonymo ,v>esi3 ,h>monia1 ,deidade encantadora1 ,da naturesa magico !s\ro1 ,legisla aos coraes teu sceptro d'ouro1 ,inc5so univ]sal teu ?rono escora4 ,ha v9te e nove annos outro poeta anonymo cantava ,rossi ,caccia3 ,ra9ha das ces6 nobre filha ,d port5toso ,lacio1 onde inda ovante1 ,em mil padres de fabrica pujante1 ,a gloria dos ,h]oes avulta e brilha4 ,c5to e onze annos vo decorridos desde que o gov]nador g5]al ,joo d',almada e ,mello inaugur\ o !atro lyrico d ,corpo da ,gu>da faz5do ouvir aos seus gov]nados a primeira italiana1 a ,giunt9i1 na op]a ,trascurato4 ,desde ento p>a c quasi todas ellas tm atravessado o !atro d ,porto calc&o tapetes de flores1 romp5do flore/as de applausos1 colh5do nos l\reiraes da sc5a z corz que p>a ellas p5dem1 e s5t9do esvoaar sobre a fronte o b&o alado dos v]sos1 muitas vezes com azas de setim1 como aconteceu ,laura ,geordano e ,luisa ,ponti4 ,depois1 porque ellas so como z aves migrantes--deixam aps si o ra/ro brilhante d seu tal5to1 e vo lev> a ,italia aos gelos da ,russia1 aos nevoeiros da ,+lat]ra ou aos lagos da ,suissa4 ,vo1 algumas vezes desprotegidas1 ss com a sua ,italia1 com a recordao dos expl5didos horisontes da patria1 das gondolas d seu ,adriatico1 da sua l+ua pittoresca e h>moniosa1 que no podem fall> em todo o longo cam9ho4 ,vo pass&o de fe/a em fe/a1 de !atro em !atro1 e s vezes1 depois d espectaculo1 algumas d'ellas se s5tiro tri/es na sua pavorosa solido1 a9da ao p das flores que lhes atir>am1 e das joias que lhes (f]ec]am4 por isso talvez que muitas casam com arti/as1 p>a t]em um corao que z def5da e um brao que z proteja4 ,procuram talvez mais um corao que z def5da d que um brao que z proteja4 ,a ,s*moehl+ cas\ com o violoncelli/a ,m>a1 cujas faces eram h$iondas de v>iola1 p]deu o appellido de seu pae p>a acceit> o appellido d'e/e homem1 ella1 a =mosa captiva de ,fr$]ico ,,ii1 s porque o ,m>a era musico e podia ent5d]-lhe z tri/ezas sem causa1 os descon=tos d triumpho444 ,uma noite1 ao entr> no cam>im p>a pois> os seus b\quets e z suas corz1 recebe uma d'ellas um telegramma de ,napoles1 porque os tal5tos mais doces so talvez os de ,napoles4 ,at j um escriptor not\ que em ,italia p>ece hav] um dialecto p>a cada classe de g5te4 ,o de ,v5eza convm s5sualidade das cortezs1 o de ,flor5a elegante nobreza dos gr&es s5hores1 o da ,sicilia s graz simples e ru/icas dos pa/ores de ,teocrito1 o de ,roma bonhomia maliciosa dos burguezes1 mas o dialecto de ,napoles o dos arti/as1 d povo-poeta1 da populao que nasce a cant> e que vive a cant> sem sab] lr nem escrev]4 ,o que era o pae da italiana8 ,por v5tura um pescador ou ento um canta-/orie1 um canta-hi/orias1 a quem os lazz>oni faziam circulo1 sempre que elle app>ecia na praa4 ,a diva tem a9da de cant> o f9al da op]a1 mas deseja mais p>tir p>a ,napoles1 porque o telegramma lhe diz que o pae e/ moribundo1 d que subir ao prosc5io4 ,no ha transigir com o dev]4 ,vae cant>1 a sua voz tem lagrimas1 admiravel1 sublime1 e s o empres>io sabe talvez que ella e/ cant&o e s5t9do dilac]>-se o corao fibra a fibra4 ,e que se e/ lembr&o de que na vsp]a da fe/a da ,pi$igrotta1 reunidos na gruta de ,pausilippe1 o pae cant>a p>a o povo a ,f9e/ra bassa1 no seu pittoresco dialecto3 ,f9e/ra bassa e padrona crudele1 ,quanti sospiri m'hai falto gett>e1 e de que ella mesma cantra com a sua voz infantil e vibrante aquella =mosa aria napolitana ,te voglio b5'assage1 e de que os guaglioni a applaudiram1 os guaglioni que em ,p>is1 com o nome de gam9s1 lhe v5d]am algumas vezes jornaes sahida d !atro4 ,quem lhe d]a a ella encontr> a9da vivo o pae1 vel-o com a sua jaqueta azul e o seu collete v]melho1 como na noite da ,pi$igrota1 mas o publico *ama-a1 e acclama-a1 e ella s5te deslis>-lhe nas faces a *uva das petalas1 algumas das quaes rolam hum$ecidas com uma lagrima6 ,f9alm5te a ovao ext+uiu-se1 livre1 e sae d !atro sos9ha1 cant&o e suspir&o ao mesmo tempo3 ,f9e/ra bassa e444 ,qu] *eg> a tempo de receb] a b5o pat]na1 e vae *or&o1 *or&o1 porque se lembra de que se o pae a *am\ p>a lhe assi/ir ao passam5to1 ella no t] por quem *am> no leito da morte444 ,pois a gloria8 ,oh6 a gloria s p>a a vida1 a illuso1 a embriaguez1 o delirio1 e a morte a realidade1 a p$ra d sepul*ro1 o sil5cio d cemit]io1 e o my/]io da et]nidade444 ,a gloria deix\-a ella com z flores que fic>am no cam>im1 sobre z corz de l\ros que d5tro em p\co e/>o ressequidas444 ,e todavia1 hora em que ella vae *or&o sos9ha pelo cam9ho1 correm o mundo z italianas1 e toda a g5te diz--,*eg>am6--,viu-z8--,eil-z6 e ella vae j muito p]to de ,napoles1 e s com vr o co da sua t]ra teve coragem p>a enxug> z lagrimas e soluar3 ,f9e/ra bassa e padrona444 99 99 99 99 99 ,,emilio ,,ca/el> ,sabeis o que ir corr5do mundo1 com os olhos fitos n'uma esp]ana1 v5c5do todos os ob/aculos1 dorm9do sombra d'uma arvore esp]a da aurora1 que o ph>ol dos que navegam no m> da vida1 deix&o-se bat] dos temporaes que passam mug9do e ala/r&o a e/rada de folhas e flores8 ,os vi&antes ap5as relanceiam um olh> de surpreza ou desdem ao p]egr9o que vae absorto no seu p5s>1 e logo desviam a vi/a a procur> horisonte1 sem se import>em mais com a sombra que se afa/\1 d'olhos baixos1 porque o horisonte que procura a9da e/ longe1 porque o co cob]to de nuv5s s9i/ras no ca a9da os fulgores iriados d sol444 ,a sombra que p]pass\ por vs1 cam9heiros da vida1 levava uma ideia comsigo1 um proposito1 um desejo1 uma esp]ana4 ,vs ides com a vossa ideia2 elle vae com a sua4 ,vs procuraes um horisonte2 elle procura outro4 ,vs qu]eis aproveit> o dia2 elle qu] esp]> a alvorada4 ,ris-vos6 ,pois se o sol des5cadea das alturas torr5tes de luz1 dizeis vs1 se tudo azul e oiro no co1 elaborao e abundancia na t]ra1 como que o p]egr9o vae a procur> a aurora que se illum9a ap5as de palidos diluculos1 e no aquece o mundo1 e no fecunda a gleba1 e no doira z aguas8 ,toda a g5te vos d> raso1 porque a humanidade co/uma legisl> p>a z circum/ancias normaes da vida1 p>a z temp]as vulg>es que seguem a rot9a d vicio ou da virtude1 p>a z abelhas que volitam em inalt]avel rotao em d]r$or da gr&e colmea d mundo1 e no vos obrigam a suppr o caso extraord9>io de des]t> uma d enxame e ir procur> em j>d9s remotos os sucos com que ha-de en*] de mel o seu favo4 ,ah6 no riaes4 que o espirito d'elle no foi vasado nos moldes communs d vosso2 que a sua alma no se pde m$ir pela bitola que pe limites ao vulg> dos hom5s2 que o p]egr9o que pass\ tem o seu ideial n'umas alturas que s a aguia com a sua vi/a audaz e p5etrante logr> devass>4 ,ride pois4 ,*amae-lhe devaneador1 utopi/a1 poeta1 vision>io444 ,notae porm que nobreza a sua6 ,vs no vos cont5taes com o vosso riso banal1 e *egaes ao insulto2 elle vae com a sua ideia e com o seu sil5cio1 procura d seu sol4 ,vs transigis com todos os accid5tes da jornada p>a vos d>des rep\so e con=to2 elle no entra s p\sadas1 porque l d5tro ha rumor de vozes1 e cada um dos convivas ha de t] uma op9io que pde no s] a sua4 ,s5ta-se pois sombra de uma arvore1 por entre cujas frondes descem z fitas d lu> ou z ondulaes d sol1 porque a arvore pde d> sombra a todos1 e porque sobranceiro arvore fica o co que o abrigo univ]sal444 ,alli tem z suas vises1 z suas luctas1 alli se retemp]am z suas esp]anz1 e a9da o horisonte to va/o e to limpido1 sem um contorno que d5uncie a ar*itectura dos ca/ellos sonhados na phantasia6 ,no importa4 ,ba/> uma hora de descano physico p>a reanimal-o4 ,depois1 l ir pela e/rada des]ta1 romp5do z trevas1 expondo a fronte ao aoite dos v5davaes1 procura da sua luz4 o p]egr9> cont9uo d sonhador que no encontra1 dizeis vs1 a realidade1 porque o seu ideal no t] realidade4 ,ah6 vs sabeis lr no futuro1 escrut> os segr$os d amanh1 sond> o de/9o que intangivel8 ,e elle1 o p]egr9o1 tambem se podia rir de vs1 porque elle bem sabe que muitas vezes na nuvem rosada d occaso ref]ve lat5te a tempe/ade da noite4 ,no se ri1 no vos insulta3 cam9ha4 ,mas sabei1 porm1 que o sonhador que vs *asqueaes o audaz ,colombo que vae procura d'um mundo novo2 o velho ,no que &a recolh5do madeiras p>a con/ruir a arca em que se ha de salv> no diluvio sonhado2 o inquebrantavel ,demo/h5es que erra de montanha em montanha p>a af9> pela or*e/ra das tempe/ades a revolta eloqu5cia com que ha de oppr uma enorme b>reira s ho/es conqui/adoras de ,philippe4 ,todos tres p>eciam devaneadores1 e todavia a viso de ,colombo abrange um hemisph]io1 e a arca de ,no depe nas faldas d ,ar> a familia que ha de s] humanidade1 e ,demo/h5es com um s decreto lucta contra os ex]citos de ,philippe4 ,se o visseis1 tambem vos ririeis d l\co que &ava acord&o os e*os dos frago$os p>a dom> z rebeldias da palavra1 que devia de s] a primeira espada hell5ica4 ,e todavia o devaneador solit>io das montanhas m]eceu aos a!ni5ses seus irmos e/e epitaphio3 ,demo/h5es1 se a tua =a fosse igual tua eloqu5cia1 jmais o ,m>te da ,mac$onia hav]ia submettido a ,grecia6 ,demo/h5es dos tempos mod]nos1 ,emilio ,ca/el>1 o sonhador da republica hespanhola1 errava desde os primeiros annos na indefessa p]egr9ao d seu ideial4 ,qu&o mais brilhavam de cl>es fe/ivos os paos de ,ca/ella1 e o ?rono de ,s4 ,f]n&o se recamava de cu/osos brocados1 ia elle mundo alem1 de capital em capital1 ouv9do os hom5s e e/ud&o os acontecim5tos p>a tir> horoscopos com a cr$ulidade d sonhador que s vive d seu phantasi>4 ,quem no cam9ho o encontrava1 ficava-se diz5do aos companheiros3 ,vision>io6 ,e os companheiros repetiam3 ,vision>io6 ,e elle cam9hava1 cam9hava1 m$9do-se com a voz da tempe/ade1 como ,demo/h5es1 e expondo a ampla fronte ao turbilho que arra/ava na passagem o sceptro de ,napoleo ,,iii1 a cora d',izabel1 o manto de ,maximiliano1 folhas soltas da arvore da realeza444 ,corria o mundo1 visitava ,p>is1 e/udava ,roma1 e a p]egr9ao no t9ha a9da acabado1 e havia tantos annos que p>tira6 ,d'onde p>tira elle1 o vision>io8 ,da praia d seu p5sam5to1 das regies da lib]dade1 da sancta sanctorum onde gu>dava e/e evangelho da sua religio politica3 ,a lib]dade1 a igualdade1 prgadas no ,golgo?a1 selladas com o sangue de ,*ri/o1 v]dades religiosas no ,evangelho1 vi]am a s] na au/]a ,suissa1 n'esses ,e/ados ,unidos que se sacrificam pelo escravo1 gr&es v]dades sociaes4 ,o mundo mod]no1 a civilisao mod]na1 no f>o mais que e/5d] essas v]dades e applical-z vida4 ,so como a lei def9itiva da hi/oria4 ,pass>o s g]aes arra/adas pela corr5te dos seculos1 e no d>o de si ideal sup]ior ao ideal da lib]dade4#b ,p>a onde ia elle1 o sonhador das ,hespanhas8 ,ia p>a o futuro que devia *eg> fatalm5te1 p>a a realisao d seu ideal1 p>a z p>ag5s sonhadas que o seu espirito procurava4 ,acabava de vibr> o seu grito de lib]dade no ,a!neu de ,madrid e ia p>a a ,republica de ,hespanha4 ,e1 nem por affrontado d cam9ho1 levava o corao *eio d'odio contra os reis4 ,amava os pr9cipes1 qu&o fossem magnanimos2 o que elle no qu]ia era a cora1 o ?rono e o sceptro1 porque a cora av]ga a fronte1 porque o ?rono eleva o homem e o homem uno1 e porque o sceptro fatiga o brao que o su/5ta4 ,qu]ia lib]dade1 e at p>a os pr9cipes a qu]ia4 ,por isso1 qu&o a g5]osa alma d filho de ,victor ,manoel1 espavorida dos horrores da gr&eza1 quiz sacudir de si os arm9hos da mage/ade1 e aspir\ lib]dade d seu pr9cipado1 d seu l>1 da sua patria1 ,emilio ,ca/el>1 r$ig9do a respo/a m5sagem d'el-rei ,amadeu1 g5]osa como a r5uncia d mon>*a1 fez votos porque a lib]dade1 que o pr9cipe deixra nos seus j>d9s de ,italia1 voltasse a sorrir-lhe de novo1 depo/a a cora que comprime a fronte444 ,qu&o elle viu desc] d ?rono o ultimo rei d',hespanha1 no p>\ p>a diz]--,emfim6--mas antes o fic\ ab5o&o1 porque compreh5deu a alma d pr9cipe1 que no tiv]a uma palavra d'az$ume p>a os que o eleg]am e o desamp>>am1 e porque o julgava to feliz como elle proprio1 porque p>a ambos havia t]m9ado a trabalhosa p]egr9ao1 a de um pelas regies d pod]1 a d outro pelos dom9ios da phantasia4 ,e a viso conv]t]a-se em realidade1 e a ,hespanha1 o paiz das tradies mon>*icas1 patria de reis que *eg>iam p>a occup> muitos solios1 a ,hespanha1 dizia eu1 deixava vazio o unico ?rono que t9ha1 e sem d> tempo a que resfolegasse a ambio dos pret5d5tes realeza1 arvorava a b&eira da republica sem havr d]ramado uma gota de sangue nos despojos da mage/ade444 ,e os que t9ham gritado3 ,vision>io6 fic>am olh&o e/upefactos p>a o horisonte que no co da p59sula app>ecia refulg5te dos cl>es mat9aes da ideia nova4 ,e o p]egr9o despia a esclav9a d cam9ho e lanava ao povo hespanhol1 da tribuna d pod]1 con/ruida pelo povo1 z primeiras palavras d crd republicano1 porque1 como disse ,f5elon d'um p]iodo analogo da hi/oria grega1 tudo dep5dia d povo e o povo dep5dia da palavra4 ,se a eloqu5cia *amada a repres5t> um papel activo nos de/9os d'um paiz1 se ella tem necessidade de s] uma in/ituio d e/ado e um meio de gov]no1 de c]to qu&o se des5cadeam todas z =z vivas d'uma raa que readquire a consci5cia da sua individualidade e d seu pod]4 ,ento torr5te infr5e da vontade popul>1 da seiva que reb5ta em ca*es d corao d povo1 preciso oppr a torr5te da eloqu5cia reflectida1 a luz d'um gr&e espirito1 que desemp5he a misso d sol1 e aquea a seiva1 p>a que possa fructific> e revigor> todas z s9uosidades d organismo nacional4 ,a ,grecia1 no p]iodo fecundo que seguiu o gr&e movim5to das gu]ras mdicas1 qu&o a alma popul> respirava desopprimida d jugo de ,pisi/rato1 teve ,p]icles que app>eceu ao mundo como a mais completa enc>nao da =a nova1 dirig9do com a palavra1 durante v9te annos1 os de/9os d paiz4 ,p]icles1 fall&o1 diz um hi/oriador francez1 t9ha a =a e a s]5idade d ,jupit] hom]ico1 tal como o c9zel de ,phidias acabava de creal-o4 ,o que dom9ava no orador era um s5tim5to pr(undo da gloria de ,a!nas e d papel que ella lhe havia confiado4 ,a ,hespanha d'e/e que pde s] p]iodo fecundo1 similhana da ,grecia1 tem tambem o seu ,p]icles1 digno como elle d cognome de ,olympiano1 cuja palavra alt]nadam5te pod] s]vir de b>reira e de leme1 de sol e de tufo1 de correco e de guia4 ,o mundo antigo co/umava v5c] com a espada2 o mundo mod]no deve conv5c] com a palavra4 ,conv5c] v5c] duas vezes3 v5c]-se a si e v5c] aos outros4 ,e/a dupla misso p]t5ce ao nosso seculo2 seja pois a palavra que d]rube1 a palavra que con/rua1 a palavra que p]suada1 que arra/e1 que conqui/e4 ,e a ,hespanha1 no por emquanto breve p]iodo da sua frma republicana1 j por mais d'uma vez tem c>ecido da =a e da s]5idade d ,jupit] hom]ico1 j comprim9do a impaci5cia popul> n'e/e dilemma pung5te3 ,ou rei ou dictador1 j s]5&o z facciosas tempe/ades p>lam5t>es1 como na sesso d dia #ad de m>o1 com o seu v]bo incisivo1 p5sado e ard5te4 ,elle tem1 como ,p]icles1 o s5tim5to pr(undo da gloria d',hespanha1 e sobre z aguas da democracia que pret5de e/5d] a sua v>a de ,moyss apont&o a lib]dade nasc5te4 ,trabalh>1 fall>1 p]suadir4 ,o que elle p$e a lib]dade collectiva1 a felicidade da sua patria1 mas se o de/9o lhe fr adv]so1 cont5t>-se-ha com a lib]dade individual1 volv] mode/a posio de escriptor1 aos seus jornaes am]icanos1 sua velha propag&a at que resurja de novo a aurora1 porque ,emilio ,ca/el> morr] republicano1 sorr9do lib]dade4 99 99 99 99 99 ,,animaes ,e ,,vegetaes ,outro dia ia eu passe&o ao longo d'aquella ext5sa av5ida d ,prado d ,rep\so1 quasi ao anoitec]1 hora em que os visitantes saem e o coveiro entra4 ,fui &&o1 &&o1 com os vagos p5sam5tos que d o e/> entre tumulos1 e mais d'uma vez me p>eceu ouvir murmur> z gr&es arvores que ladeiam a av5ida p5didas aos s>cophagos4 ,e ins5sivelm5te me occorr]am os v]sos de ,lam>t9e3 ,t\t p>le4 ,et ma9t5ant1 homme1 sais tu p\rquoi ,t\t p>le8 ,ec\te bi54 ,c'e/ que v5ts1 ondes1 flammes1 ,arbres1 roseaux1 ro*]s1 t\t vit6 ,t\t e/ ple9 d'ames4 ,e entrei de contempl> p5sativam5te z arvores a vr se lhes encontrava coisa que fosse ve/igio d'alma4 ,murmur>1 murmuravam ellas2 ora se a g5te falla porque p5sa1 cl>o e/ que os vegetaes teem s5sibilidade e intellig5cia4 ,depois fui-me lembr&o de que ,lam>t9e havia descob]to outrosim que tudo n'e/e mundo t9ha1 alem de voz e alma1 modo de vida3 444 l'abime e/ un prtre et l'ombre e/ un pote e completei os meus p5sam5tos pela ideia de que1--assim como os vegetaes possuiam alguma coisa de g5te humana1 bem podia a g5te humana t] alguma coisa de vegetal4 ,e =tifiquei-me na philosophia de ,lam>t9e t5t&o av]igu> que ca/a de planta ou arvore s]iam algumas pessoas1 das que a phantasia me ia configur&o alli mesmo4 ,ah6 bem sei1 disse-me eu1 tu1 uma rap>igu9ha corada1 muito aceiad9ha1 com dois signaes pretos nas duas faces1 tu1 que podes s] me/ra de m59as ou femme de comptoir nos baz>es d ,palacio1 que nasce/e mais p>a &> em cima d'um prato d que em cima dos taces1 tu1 hav]ias nascido morango1 sim1 morango1 d'aquelles de que se comem duas duzias1 pela manh1 antes d'almoo4 ,e tu1 rap>iga que v5des os morangos1 que nasce/e na ,magdal5a1 que t5s a robu/ez das organisaes retemp]adas pelo m> e pelo acre salut> dos p9heiros1 tu1 que t5s p]na de v>9a1 que v5s cidade por baixo d'um sol abrasador1 de modo que *egas ,ribeira *eir&o a saude e a sol1 tu s]ias fatalm5te1 irremessivelm5te1--ma camoeza4 ,e tu1 mor5a de faces to/adas e p5nug5tas1 de boas cores c>regadas1 *eia1 refeita1 tu1 que no nasce/e beira d m>1 mas nasce/e beira da s]ra1 tu nasc]ias1 se teus paes fossem vegetaes1 tu nasc]ias pcego4 ,e tu1 camponeza qu>5tona1 com z tuas enormes argolas a cahirem nos refegos d pescoo1 tu1 que v5s cidade em dias de rom>ia com os teus pesados grilhes d'ouro e z tuas gr&es soletas de v]niz e setim1 tu1 que s talvez me de dez ou doze rap>igas-pcegos1 tu s]ias uma rotunda bol9a1 no das que os lavradores v5dem1 mas das que do de pres5te ao adm9i/rador ou ao juiz de direito4 ,e tu-- contra/e6--tu1 m59a esv]deada1 que t5s escrophulas ou s(fres d figado1 tu que p>eces sahir d'um banho de v]dete e que t5s uma mam com o mau go/o de te d> ve/ido v]de1 e br9cos de esm]alda1 tu1 p5dida d teu cam>ote1 p>a melhor ouvires o ,santos ou a ,emilia ,adelaide1 tu1 n'essa mesma incl9ao em que te vejo1 tu hav]ias nascido1 desv5turosa m59a--como i/o tri/e6--tu hav]ias nascido--vagem4 ,e tu1 borra*o enc>tado1 que t5s o unico modo de vida de pass> os dias nos armaz5s1 que trazes a c>a colorida dum v]melho-roxo que d o abuso d v9ho1 tu1 que s to inutil p>a o mundo como o a amora p>a o lavrador1 tu app>ec]ias n'e/e mundo1 se teu pae se *amasse ,silva1--feito amora4 ,e tu1 que nasce/e fadado p>a s]es caixeiro de teu pae1 que pod]ias *eg> a ap]feio> o artefacto com que elle se enriqueceu se no desses a escrev] v]sos e a lr poetas allemes1 a p9t> olheiras1 a faz]-te tri/e1 a &> com a cabea p5dida1 a escrev] o teu artigos9ho p>a o jornal1 tu1 que &as curvado a procur> pelas ruas os p5sam5tos que os outros deix>am1 tu1 se no fosses o que s1 meio litt]ato e meio negociante1 tu s]ias o que devias s]--*oro4 ,e tu1 que s alto1 magro1 escuro1 que trazes b5galo e no bates em n+uem1 que s]ves qu&o muito p>a faz] inflamm> a g5te1 tu nasc]ias p9heiro1 e d>ias p9has1 que so boas p>a ate> o fogo4 ,e tu1 calumniador insupportavel1 que app>eces entre os hom5s p>a aborrecel-os e p>a incommodal-os1 tu1 de quem todos fogem e que s s]ves p>a incommod> e aborrec]1 tu1 se nascesses n'um j>dim1 s]ias com toda a c]teza--arruda4 ,e tu1 feia de boas qualidades1 mal feita de corpo e bem feita da alma1 tu1 que no t5s graa propria e soccorres a desgraa alheia1 tu nasc]ias m>mello1 fructo p\co sympa?ico1 de que se faz a m>mellada1 que realm5te muito peitoral p>a os que s(frem4 ,e tu1 p>asita1 que &as sempre enco/ado aos outros1 que te vaes mett5do viva =a por entre os que teem um v9tem de seu1 que nos vaes p]segu9do m$ida que te vamos enxot&o1 tu bem sabes o que s]ias1 p>iet>ia social1 tu s]ias--h]a4 ,e tu1 que s anguloso1 que trazes sempre o casaco a danar nas protub]ancias osseas e os joanetes a luct> com z botas1 tu1 que s uma pessima figura e talvez uma boa alma1--tu nasc]ias pra de sete cotovellos4 ,e tu1 languido ,romeu1 que e/s sempre do5te1 que no p5sas em ganh> a vida porque teu pae tem bom emprego1 que precisas de muito resgu>do1 segundo diz a mam1 e que passas quasi todo o anno mettido no m>1 a conselho d m$ico1 tu s p>a a soci$ade o que a alface p>a a mesa1--uma coisa molle e transp>5te1 que no =talece o e/omago e que se come por luxo--portanto tu s]ias--alface4 ,e tu1 aborrecido grosseiro1 que nos deixas sempre indige/os da tua pres5a1 que s s supportavel qu&o e/s ao p de tua irm1 que so uns bons tr9ta annos1 e de tua filha1 que so uns bons v9te contos1 tu s]ias pep9o1 sim1 tu s]ias pep9o1 fructo que s se pde tol]>1 em salada1 com azeite e v9agre mi/ura4 ,e tu1 pequ59a graciosa1 que p>eces cont> et]nam5te v9te annos1 que ds g5te vontade de te passe> ao collo em vez de te passe> pelo brao1 que t5s no ob/ante a elegancia da tua pequ5ez1 tu s]ias =osam5te1 pequ59a e g5til como s1--tu s]ias--avell4 ,e tu1 conductor de mala-po/a1 queimado e musculoso como um a?leta1 tu1 que atravessas s]ras e s]ras ao p9o d meio dia1 e e/s sempre apto p>a o s]vio1 tu s a uva da humanidade1 porque a uva tambem vive entre fragas1 e recebe cr d sol que apanha1 e tem o pre/imo que tu lhe co/umas utilis> muitas vezes ao dia1--e por isso1 conductor de mala-po/a1 tu1 a s]es vegetal1 s]ias--uva6 ,e tu1 m59o que cursa/e sete annos o lyceu1 e incommoda/e os pr(essores com gr&es emp5hos e teus paes com gr&es despezas1 p>a ao cabo de sete annos de luctas e disp5dios alcanares unicam5te c]tido de exame de francez1 tu1 inutils9ho1 p$antes9ho1 que te ds a importancia da tua ignorancia1 sabes como se *am>ia teu pae1 se fosse arvore1 e como te *am>ias tu1 a s]es filho de teu pae8 ,pois bem1 eu t'o digo1 p>a que o fiques sab5do1 d'uma vez p>a sempre1 ent5de bem1--d'uma vez p>a sempre1--elle *am>-se-ia ,c>valho e tu s]ias--bugalho4 ,e tu1 et]no pret5d5te1 que vives aos ps dos m9i/ros1 que te ds bem na humidade das secret>ias1 que enc>as como modo de vida o s] pret5d5te1 que no s]ves s5o p>a s]es o que s1--que te p>ece que s]ias se a philosophia de ,lam>t9e no fosse ap5as um devaneio poetico8 ,tu s]ias tortulho4 ,e tu1 agiota1 fraca figura que t5s a =a d d9heiro1 que s preciso p>a tudo1 que t5s o que d luz ao homem e sabor vida1 que t5s na tua algibeira o azeite com que se tempra e allumia a exi/5cia1 tu nasc]ias--azeitona4 ,e tu1 irascivel1 atrevido1 petulante1 que p>eces ard] e fazes ard] a g5te1 que te ds a conhec] em toda a p>te pela rudeza agre/e de teus ge/os e palavras1 tu1 a no s]es o petulante1 o atrevido1 o irascivel que s1--tu s]ias malagueta4 ,e tu1 espirito lucido e malicioso1 que t5s graa1 que t5s alegria1 que ds colorido e relevo s mais relamborias semsaborias1 tu que s a animao e a vida1 que desembotas o palad> e abres o apetite1 tu nasc]ias--pim5to4 ,e tu1 alma angelica1 pallida enf]meira d filho moribundo1 nobre corao que en!s\ras todas z riquezas n'esse c(re em que se torna o corao da mulh] qu&o *ega a s] me1 santa1 me1 tu s]ias o que de mais delicado pde hav] entre z flores1--tu s]ias--lyrio4 ,e tu1 irm c>9hosa1 =mosa e boa1 t]na e g5til1 mixto de innoc5cia e =mosura1 pura amiga1 doce amp>o1 que te escondes d mundo se ns s(fremos1 e que lhe sorris se o sol da felicidade nos doira a vida1 tu s]ias1 porque o s1--s5sitiva4 insipida m59a1 que dizes no meu s5hor1 sim meu s5hor1 que no sabes sorrir1 que no sabes fall>1 que no sabes viv]--tu s]ias--lima4 ,mas teu primo1 aquelle az\gado rapaz1 que a alegria da tua casa1 que e/ sempre a mett]-te bulha1 e que p>ece t] sido dado luz por tua tia p>a comp5s> o disp>ate que tua me fez g]&o-te1 teu primo1 que deve t] um appellido similhante ao teu1 teu primo s]ia--limo4 ,e tu1 filha d burguez1 que no vaes ao !atro1 porque teu pae s go/ava da ,degolao dos innoc5tes1 e a*a e/es dramas mod]nos pat>atas1 tu1 que no s g5til1 mas que pezas c9co5ta contos de reis1 tu1 que t5s muito que com] em444 d9heiro1 tu1 invejavel burgueza6--tu s]ias melancia4 99 99 99 99 99 ,,academia ,,de ,,coimbra ,se no organismo das naes1 como no organismo d homem1 indisp5savel um corao que alim5te a vida publica1 deve o sangue portuguez jog> em sy/ole e dia/ole1 ahi1 onde vs e/aes1 nos paos da ,univ]sidade4 ,coimbra o corao de ,portugal4 ,p>a ahi confluem z veias cavas cujo sangue negro da mocidade inculta ahi vae s] purificado no pulmo da eloqu5cia1 e d'ahi que nasce a aorta que revigora os vasos capill>es d'e/e gr&e homem collectivo *amado ,portugal4 ,e digo gr&e1 porque sois vs que fazeis mov] z valvulas d corao portuguez1 vs1 a intellig5cia de quatroc5tos hom5s1 g>antia de exi/5cia futura1 vs o futuro mesmo4 ,ahi apr5deis a deletre> o passado da vossa patria nos traos ar*itectonicos d pao das ,alcaovas1 na contemplao dos retratos dos illu/res v>es que reve/em z p>$es da sala dos actos gr&es1 e d'alli apr5deis a am> o futuro embalados nas santas aspiraes que mutuaes no des5fadado conv]s> da via lat9a ou no suave bordej> d vosso ,mondego4 ,sois1 vs todos os que passaes por esse gr&e *rysol1 duas vezes portuguezes3 portuguezes pelo passado1 portuguezes pelo futuro4 ,e p>a s] nobre1 e g5]oso1 e digno1 ba/a hav] nascido portuguez4 ,mas vs qu]eis mais1 deixaes os vossos l>es1 a vossa familia e a vossa aldeia p>a vos irdes juram5t> no ex]cito d futuro1 cuja caz]na se levanta como r$ucto v5]&o a dom9> a vossa ,coimbra1 a praa d milit>ismo intellectual1 onde a intellig5cia faz s5t9ella1 e se apr5de a manej> armas nos combates incru5tos d espirito4 ,t9heis a s]5idade l>eira das vossas arvores1 e ides procur> a sombra m5os consoladora dos clau/ros d vosso annoso balu>te4 ,t9heis a aldeia e os seus remanos1 e qu]eis a lucta e os seus alvoroos4 ,t9heis a familia que o ocio1 e procuraes a patria que a gr&e batalha1 onde todos combatem4 ,vs sois os def5sores e a causa1 os soldados e a b&eira4 ,def5sores1 porque ahi e/aes retemp]&o z armas d combate2 a causa1 porque sois a g]ao nova1 e a g]ao nova o amanh1 e a patria dep5de d amanh4 ,soldados1 porque t5des a vossa b&eira2 b&eira1 porque combateis por vs mesmos4 ,hoje sois a academia2 amanh s]eis a soci$ade4 ,hoje ve/is a bat9a2 amanh c+ireis a toga d magi/rado1 os tal>es d sac]dote1 a opa d tribuno1 a b&a d milit>1 os arm9hos d m9i/ro4 ,hoje sois a nau d futuro2 amanh s]eis o leme4 ,hoje ides na tolda cant&o ao lu> os poemas das vossas navegaes amorosas2 amanh e/ud>eis luz da bitacola os contornos coloridos d atlas4 ,hoje sois a alm5>a d acampam5to2 amanh s]eis o ph>ol da soci$ade4 ,hoje ouve-vos o ,mondego2 amanh ouvir-vos-ha o mundo4 ,d'ahi sahireis apo/olos e soldados3 apo/olos da religio d bello e d bem2 soldados das tradies gloriosas da patria4 ,a vossa palavra fecund> o solo portuguez1 e vossos filhos recolh]o no celleiro nunca exhaurido das memorias gloriosas a colheita que vs lhes prep>>des em c9co annos de suado e in9t]rompido agricult> nos campos d p5sam5to4 ,a *>rua o in/rum5to da fecundao1 e vs conduzireis a *>rua1 que a me da abundancia univ]sal4 ,de vs1 que sois o futuro1 proviro os de/9os d futuro1 e assim vos p]petu>eis nas idades porv9doiras da patria4 ,vs sois a madrugada d vosso dia2 e se a aurora repont> rosada e loira1 o vosso dia s] am5o e tranquillo4 ,se agricult>des a t]ra1 a t]ra fructific>4 preciso portanto que d]rubeis os velhos preconceitos1 z antigas usanz da vossa vida academica1 nocivas a vs e patria4 ,o agricultor1 que1 ao alvorej> da manh1 sae d tugurio1 d'enxada ao hombro1 primeiro d]ruba z p>iet>ias que lhe comem o pom> d que desbrava os matagaes que lhe ensombram a sem5teira4 ,sde como o agricultor1 e primeiro extirpae z tradies ana*ronicas da academia d que z tradies ana*ronicas da soci$ade4 ,a troa um velho habito da vida es*ola/ica da ,univ]sidade4 ,vs1 que vos e/aes prep>&o p>a defront> os mais nublosos problemas d futuro1 retroc$eis ao passado pelas *acotas truanescas da troa4 ,troar ridicul>is>4 ,fundi a e/atua da humanidade1 no traceis a c>icatura d homem4 ,no caloiro ha o embryo que pde s] flr1 a *rysalida que se volv] borboleta4 uma recruta que vem procur> o vosso regim5to4 ,recebei-o1 no o am$ronteis4 ,aquella alma no e/ to vasia que no t5ha uma aspirao4 ,no to cega1 que no procure a vossa luz4 ,no to in]te1 que no queira lid> comvosco4 ,d5tro dos muros da vossa praa d'armas todos devem de s] soldados2 a divisa una1 e uno o ex]cito2 una a b&eira1 e uno o triumpho4 ,hoje sois irmos2 amanh s]eis hom5s4 ,hoje viveis na communidade da vossa aspirao2 amanh vos ap>t>eis p>a os vossos de/9os4 ,a vossa ,univ]sidade o tab]naculo onde desde o re9ado d'el-rei ,d9iz se ar*iva a taboa da lei4 ,ahi apr5deis vs a respeit> o direito1 a obs]v> o dev]4 ,a troa uma (f5sa ao direito primittivo2 por tanto1 vs1 almas g5]osas e nobilissimas1 ext+uireis a velha tradio academica4 ,conheceis1 melhor que eu1 o artigo #bchc d ,codigo4 ,breve s]eis *amados a p$ir nos tribunaes ju/a punio violao dos direitos adquiridos4 ,breve t]eis de sahir a propugn> pelos int]esses mat]iaes ext]nos dos vossos cli5tes4 ,comeae pois por def5d] os direitos primitivos de vs mesmos2 por impr respeito p]sonalidade physica e moral da vossa num]osa familia univ]sit>ia4 ,a troa abriu rec5tem5te1 no seio da academia1 a sepultura de ,antonio de ,b>ros ,coelho de ,campos4 ,no caveis sepulturas entre vs4 ,a morte a saudade1 e vs sois a esp]ana4 ,a morte o occaso e vs sois a aurora4 ,a morte o passado e vs sois o porvir4 ,a morte a quietao e o sil5cio2 vs sois o movim5to e a vida4 ,sobre o vosso arraial no deve pair> a morte1 porque z vossas lides so incru5tas4 ,a ampulheta1 que regula a vossa vida1 deve m$ir o tempo2 no deve descanar na et]nidade4 ,uma sepultura uma coisa inutil entre vs4 ,amaes os salgueiraes d ,mondego1 porque n'elles remurmura o ecco dos vossos cant>es4 ,amaes a onda limpida d vosso ,pactolo1 porque ella deslisa sobre a areia doirada d lveo4 ,a sepultura muda a todas z int]rogaes4 ,o unico movim5to que a sepultura p]mitte o ondul> das h]vag5s que a cobrem4 ,onde havia uma intellig5cia e um corao1 ha agora um comoro e uma cruz4 ,a morte no admitte ex=os3 o irrep>avel4 ,luct> com a morte esgrimir com o sil5cio e com o p4 ,a vossa raso lucidissima1 p>a que queiraes luct> com o impossivel2 o vosso animo valorosissimo p>a que t5teis bat]-vos com phantasmas4 ,vs deveis e/> n'um polo1 e a morte no outro4 ,que a c9za e/eja no cemit]io1 e o fogo na ,univ]sidade4 ,que o *oro abrigue a urna1 e o l\reiro ensombre o livro4 ,que descance o nada1 e que o g]m5 elabore4 ,tudo fe/a em d]r$or de vs1 e a saudade inimiga da fe/a4 ,o lucto tri/e3 res]vae-o p>a a velhice4 ,e todavia vs e/aes de lucto4 ,ha um cadav] e no h\ve assass9io4 ,ha victima e no h\ve algoz4 ,h\ve ap5as uma gr&e fatalidade4 ,correu sangue1 e no raiv\ odio4 ,eram tudo irmos1 e morreu ,abel sem hav] ,caim4 ,a logica dos acontecim5tos t]rivel4 ,foi ella1 e s ella1 que comprimiu a academia nos ro/ros d'e/e dilemma3 ,c>c]e e ,sepultura4 ,foi ella1 e s ella1 que abriu o c>c]e1 a sepultura da vida1 e lhe atir\ p>a d5tro um corpo vigoroso e uma alma innoc5te2 que desc]r\ a sepultura1 o c>c]e da et]nidade e deix\ cahir no fosso um corpo inanimado1 viuvo d'uma alma sonhadora4 ,d'um lado o cemit]io2 d outro a priso4 ,ambos frios1 calados1 t5ebrosos1 va/os1 m$onhos4 ,n'um o rep\so dos vivos1 n'outro o rep\so dos mortos3 em n5hum a lib]dade4 ,e1 sepultos na frialdade1 no sil5cio e nas trevas1--dois corpos4 ,sob a abobada um corpo que desej>a a morte2 sob a t]ra um corpo que t9ha direito vida4 ,quem os mat\ a ambos8 ,foi a troa4 ,a troa homicida4 ,disp5sae a int]v5o da policia academica4 ,onde ha intellig5cia1 a intellig5cia que gov]na4 ,p\co importa abolir de direito a troa2 vs a abolireis de facto4 ,fazei dos vossos peitos muralha p>a oppr logica t]rivel dos acontecim5tos4 ,a vossa pod]osa vontade esmigalh> p>a sempre o fatal dilemma2 no preciso int]vir a alab>da d ar*eiro4 ,eu quiz]a vr abolida a troa no pela ,univ]sidade mas pela ,academia4 ,e assim ha-de s]4 ,sab]eis v+> com a vossa provada gr&eza o irmo que e/ no c>c]e e o irmo que e/ na sepultura4 ,a abolio da troa fic> p>a sempre v9culada memoria por igual pung5te e sublime da cata/rophe de #c de maio4 ,tri/e1 porque foi uma dupla desgraa4 ,sublime1 porque se z lagrimas da academia inteira nobilit>am a memoria d morto1 o p]do d pae inconsolavel1 antecip&o-se deciso pi$osa da ju/ia1 nobilit\ a desgraa d vivo4 ,qu&o o corao de pae no a*\ culpa1 ,!mis no a*> peso na balana4 ,o corao de pae1 f]ido por to excruciante dr1 o v]dadeiro ideal da ju/ia4 ,e a ju/ia d pae p]do\4 ,a ju/ia d tribunal p]do> tambem1 esp]emol-o4 ,porque1 vs o sabeis melhor que eu1 a ju/ia p>a a soci$ade o que o pae p>a a familia3 o pod] supremo4 ,a v>a1 que repres5ta a auctoridade1 cajado e ltego3 o mesmo na familia que na soci$ade4 ,e s5do e/a dupla auctoridade uma p]sonalidade moral1 que pde symbolis>-se em ,jano1 o deus bifronte1 no esp]emos vr umas faces illum9adas pela luz evangelica d p]do e outras av9cadas pelas rugas s9i/ras da sev]idade4 ,e e/a gr&issima cata/rophe fic> p>a sempre ar*ivada na tradio de ,coimbra1 com ju/os applausos da hi/oria1 porque ella por a descob]to a gr&eza de muitas almas3 da victima que morreu sem odio2 d enc>c]ado que *ora o arrep5dim5to de culpa que no teve3 d pae que p]do\2 e de vs todos1 que no cons5tireis mais que d5tre vs saiam desgraados p>a o c>c]e e cadav]es p>a o cemit]io4 99 99 99 99 99 ,,os ,,annuncios ,o annuncio o seculo4 ,sab] annunci> sab] viv]4 ,quem melhor annuncia mais ganha4 ,dize-me se sabes annunci>1 dir-te-hei quem tu s4 ,ha por ahi algumas r>as pessoas a quem repugna a vaidade de se diz] no annuncio o que se no devia diz]1 e mais d que se devia diz]4 ,so os retrogrados1 os que fic>am p>ados no caes qu&o o progresso p>tiu a explor> mundos desconhecidos1 os pagos da antiguidade que s conheciam como meio de publicidade a trombeta da fama1 so f9alm5te os que vivem no seculo e no compreh5dem o seculo4 ,suspiram a9da pelas epi/olas d ,braz ,tizana1 ac5dem a vla com lumes de pau1 e pref]em o my/]io d logogripho ao prego d annuncio4 ,dete/am todas z mod]nas manife/aes d p5sam5to--o annuncio1 a reclame1 a abundancia de jornaes e a alluvio de lumes promptos de phosphoro4 ,de lumes promptos de phosphoro6 ,sim1 s5hores4 ,l disse ,moles*ott que sem phosphoro no ha p5sam5to2 ,c\]be que a aus5cia de phosphoro no encephalo1 r$uz o homem ao e/ado de bruto1 e ,paulo ,janet que o phosphoro se torn\ o gr&e ag5te da intellig5cia1 o e/imulante univ]sal1 a propria alma4 ,o annuncio progr$iu com o jornal1 como o lume-prompto progr$iu com o phosphoro4 ,jornal e phosphoro so irmos3 o jornal a ideia2 o phosphoro a luz4 ,z tribus selvag5s1 que no conhecem o phosphoro1 desconhecem o jornal4 descob]ta da impr5sa &am ligados dois nomes3 ,guttemb]g e ,fu/2 descob]ta d phosphoro outros dois3 ,br&t e ,kunckel4 ,e/es quatro hom5s1 irmos pelo g5io1 descobriram a luz que a todos nos alumia e aquece4 ,uma caixa de phosphoros um pequ5o jornal illu/rado3 z caixas d snr4 ,mel*ior ,sola fazem circul> os retratos de ,bism>k1 de ,ca/el> e ,d4 ,amadeu2 os phosphoros +lezes1 conhecidos pela designao de flamns1 espalham os retratos de ,glad/one1 d m>quez de ,lorne e d d\tor ,liv+/one4 ,os mesmos v5dilhes que pregoam de manh os jornaes popul>es v5dem de t>de caixas de phosphoros4 ,o annuncio des5volveu-se com o jornal1 e o lume-prompto complet\-se pelo phosphoro4 ,o annuncio comeou por s] laconico1 s]io1 conciso4 ,t9ha a pr9cipio uma pollegada de capacidade4 ,depois dilat\-se e des5volveu-se4 ,hoje o annuncio pde t] um palmo de l>gura e -lhe p]mittido al>g>-se at occup> uma pag9a inteira d jornal4 ,traz v9hetas1 m$alhas1 t>jas1 e muitas vezes--v]sos4 ,o antigo lume-prompto era uma esquirola de pau com z extremidades empapadas em enx(re d]retido4 ,p>a inflammal-o urgia pl-o em contacto com um corpo j em ignio4 ,o annuncio teve um p]iodo similhante1 qu&o precisava de que o espalhassem2 hoje espalha-se elle p] si mesmo4 ,vi]am depois os lumes-promptos *amados *imicos que app>ec]am em #ahji4 ,p>a ac5del-os era preciso m]gulhal-os em acido sulfurico4 ,havia tanta demora em annunci> como em faz] luz4 ,em #ahcb =am sub/ituidos os lumes oxyg5ados pelos lumes de frico4 ,s um anno mais t>de se complet\ o lume prompto junt&o-se-lhe o phosphoro4 ,comeou ento o p5sam5to a invadir o mundo2 o annuncio a espalh> z inv5es mod]nas2 o phosphoro a d]ram> a luz e a divulg> os retratos dos gr&es hom5s2 o jornal a cont> dia a dia os passos e z proezas dos hom5s cujo retrato nos havia cu/ado dez ris4 ,por toda a p>te nos p]segue o annuncio1 o phosphoro e o jornal4 ,em ,madrid1 no ,prado1 &am enxames de rapazes1 hora d passeio1 a espalh> tudo isso3 atiram os annuncios p>a d5tro das c>ruag5s1 mettem-os no bolso d paletot de quem vae &&o1 e em vez de grit>em como antigam5te--,la c&la1 seoritas1 esb(am-se a aprego>--,cirillos1 seoritas4 a febre da publicidade4 ,e/ a g5te no !atro a assi/ir a um espectaculo2 de rep5te s5te um papel nas mos3 j o annuncio d'outro espectaculo4 ,vae a g5te pela rua e p>ece cahir das nuv5s sobre o *apo o annuncio d'um p]fumi/a1 d'um luveiro ou de um domador de fras4 ,annuncios de todas z cres1 de todos os feitios1 de todas z frmas geometricas4 ,deixem neg> ,paulo ,janet que o p5sam5to seja um movim5to4 ,que elle p]gunte se j se viu um p5sam5to em spiral1 um p5sam5to circul> ou um p5sam5to rectil9eo4 ,a ns compete respond]mos que j temos vi/o p5sam5tos circul>es nas etiquetas das g>rafas1 e que a qu>ta pag9a d nosso jornal nos traz todos os dias p5sam5tos rectos1 p5sam5tos curvos1 e p5sam5tos quebrados4 ,o annuncio espalha a litt]atura1 a gravura e a geometria4 ,o annuncio uma philosophia1 e a syn!se d annuncio e/ no ,almana* da ,ag5cia ,primitiva4 ,d alto d'aquelle livro v-se o mundo todo4 ,o snr4 ,braun ,peixoto o ,atlante dos tempos mod]nos4 ,su/5ta sobre os hombros a ma*9a gigantesca dos hom5s e das coisas4 ,eu a*o to indisp5savel o snr4 ,braun ,peixoto como mr4 ,du ,b>ry2 to indisp5savel o annuncio como a ,revalescire4 ,ella re/itue a saude d corpo1 elle re/itue a saude d espirito4 ,ou illu/ra ou div]te4 ,uma pessoa e/ tri/e1 e no se pde alegr> com *ampagne1 porque tem mau e/omago4 ,procura no jornal um annuncio tolo1 e consegue rir-se4 ,ahi vo trez specim5s d'annuncios1 que fazem cocegas3 ,,rua ,,tal1 ,,num]o ,,tantos ,cont9ua a ir p5te> s5horas1 assim como p5tea c>acoes4 99 99 99 99 99 ,v5de-se um piano de manivella por p\co d9heiro4 ,o motivo da v5da o propriet>io no ent5d] da mat]ia4 ,,programma #a4 ,symphonia4 #b4 ,jogos ,ic>ios por mr4 ,b]gons9i e sua familia4 #c4 ,v>iados trabalhos por outros ces intellig5tes4 99 99 99 99 99 ,,v5de-,,se ,uma cabra e um violo1 e algumas missas n'e/a r$aco4 ,e/e annuncio m]eceu z honras de segunda edio1 e sahiu de novo com z segu9tes correces e em5das3 ,,att5,o ,diz-se n'e/a r$aco quem v5de uma cabra1 algumas missas1 e um violo4 ,ou f9alm5te e/e3 ,quem nas imm$iaes de ,lamego p]desse um alb>do pela romagem dos ,rem$ios de #ahfg1 etc41 etc4 ,annuncios ha1 porm1 que se impem pela ext5so1 pela gravidade1 pela elegancia1 e at pela pureza d diz]1 acresc5do a tudo i/o1 que j no p\co1 s]em v]dadeiros4 ,haja vi/a o annuncio da frasqueira dos snrs4 ,ca/ro ,leo1 publicado n'e/e jornal e em outros4 ,por traz d'aquelle annuncio enx]gam-se dois rapazes elegantes1 que pr9cipiam a negoci> em v9hos tambem elegantem5te1 e que p>a r$igirem o annuncio calaram luvas d ,s]tori4 ,escrevem p>a o publico como escrev]iam p>a um amigo1 por exemplo3 ,no se especialisam mais v9hos como branco d ,porto1 ,c>cavellos1 ,*ably1 ,mansanilha1 ,madeira e muitos outros p>a no torn> a li/a mais longa1 e por isso talvez fa/idiosa4 ,i/o delicado4 ,annunciantes ha que fatigam o publico1 porque ent5dem que o publico s afflue qu&o se v imp]t95tem5te rodeado d'annuncios e reclames4 ,tudo quanto se diz alli1 v]dade4 ,vae a g5te em bac*ica p]egr9ao frasqueira da rua d ,ros>io e encontra abundancia1 riqueza1 bom go/o e1 digamol-o1 bom tom4 ,plantas1 cry/aes1 c&elabros e porcelanas4 ,o ,b>on ,lat\r sorri amavelm5te2 o ,*ateau d',yquem cumprim5ta2 o ,sp>kl+ atira-nos um beijo d'espuma iriada e1 t5tao1 v5ha a taa1 ,evoh6 e em d]r$or o ,b\rgogne1 o ,ho*heim]1 o ,=e/i]1 o ,v5oge e o ,m$oc comeam a bail> nas prateleiras e a ento> ruidosam5te um dy?irambo4 ,quem nos lev\ l8 ,foi o annuncio4 ,o annuncio falla1 o annuncio *ama1 o annuncio fasc9a4 ,rases t9ha o meu qu]ido ,julio ,ma*ado p>a diz]3 ,annunciae1 annunciae6 ,sempre d'ahi se tira alguma coisa6 ,annunci> arm> o b>co p>a sahir pesc>ia4 ,convm que seja bonito o batel1 e que v alegre o pescador1 cant&o uma b>c>ola1 p>a que o fundo d m> o oia e de t]ra o vejam4 ,eu conheo annunciantes tri/es1 que fazem annuncios tri/es1 com diz]es tri/es1 e que muitas vezes v5dem objectos tri/es4 ,o resultado que z pessoas de temp]am5to n]voso1 e hoje o pr$om9ante1 no lem segunda vez o annuncio1 nem vo loja1 nem compram os objectos4 ,e o annunciante1 se annuncia tri/em5te1 tri/em5te vive e tri/em5te morre4 ,um homem pde v5d] sapatos de defunto com tanto que se saiba annunci>4 ,se elle diss]3 ,fulano tem gr&e sortim5to de sapatos de defunto p>a cadav]es de todas z idades diz mal1 e a g5te no lhe qu] pass> pela porta com receio de que lhe *eire a cemit]io4 ,mas caso annuncie3 ,quem esp]> que eu lhe d o que co/umo v5d]1 toda a vida &> descalo diz bem1 my/]ioso1 tem novidade1 e faz espirito com a coisa mais tri/e d'e/e mundo1 p]do1 com z duas coisas mais tri/es1 porque o annunciante no v5d] um sapato s4 ,qu&o se no pod] s] elegante no annuncio1 seja-se ao m5os my/]ioso4 ,e faz] como aquelle cavalheiro d'indu/ria que *eg\ a uma feira1 arm\ b>raca1 e preg\ porta e/e di/ico3 ,quem quiz] vr a ard9a1 ,deite dez reis e corra a cort9a4 ,ard9a um prov9cianismo2 tanto vale como ardil4 ,deitavam-se os dez reis caixa1 corria-se a cort9a1 e que se via8 ,um burro velho preso mang$\ra pela cauda4 ,era o ardil4 ,n+uem se queixava d annunciante porque elle t9ha prev5ido no annuncio4 ,e depois n+uem qu]ia diz] o que t9ha vi/o p>a no confess> que fra enganado4 ,ia toda a g5te vr a ard9a2 sahia a rir1 e no dizia nada4 ,qu&o acab\ a feira1 o cavalheiro d'indu/ria t9ha os seus v9t5s4 ,e a quem os deveu8 ,a elle proprio1 que s\be s] my/]ioso4 ,supponhamos que o snr4 ,co/a ,braga1 fundador da *apel>ia a vapor1 =nec$or da casa imp]ial d ,brazil e da casa real de ,portugal1 precisava de annunci> os seus excell5tes *apos4 ,se dissesse simplesm5te que v5dia *apos f9os1 lu/ruosos como setim1 n+uem record>ia que o snr4 ,co/a ,braga ga/>a cem contos de reis p>a mont> a sua fabrica4 ,se1 porm1 annunciasse3 ,delicadas e/ufas de feltro p>a os p5sam5tos1 r$omas de sda e c>to p>a p]sev]> das intemp]ies z mais mimosas ideias o snr4 ,co/a ,braga t]ia de fe*> z suas portas por no t] tempo de v5d] a todos os compradores *apos altos e *apos baixos1 arti/icam5te annunciados4 99 99 99 99 99 ,,indu/ria ,,das ,,ruas ,indu/ria das ruas a arqueta d belfur9heiro1 o urso que maneja um pau1 o macaco que toca pratos1 o g>rano que conta z horas1 a h>pa1 o realejo1 a gaita de foles1 o sabonete que tira z nodoas1 o cosmorama1 a lot]ia1 o arranca-d5tes1 o arlequim1 o compe-l\a1 o pick-pocket1 e mais a9da4 ,todos os hom5s so como os pass>os3 teem seu n9ho4 ,vo> voam s vezes1 e p>a longe1 mas no seu n9ho que descanam1 no seu n9ho que dormem4 ,os negociantes da rua1 que con/ituem p>a assim diz] uma humanidade p>te1 so como z borboletas2 vo>1 sempre vo>6 ,e assim como os naturali/as atravessam com um alf9ete o corpo das borboletas p>a z fix>em n'um c>to1 usam alguns escriptores faz] da p5na alf9ete p>a apres5t>em humanidade das salas1 em livros e jornaes1 a humanidade das ruas4 ,em ,frana os typos popul>es teem tido por photographos habilissimos tal5tos4 ,ba/> cit> dois ou tres livros1 porque so num]osos os que tractam d assumpto4 ,eu conheo o ,ce qu'on voit dans les rues de ,p>is e ,les espectacles populaires et les arti/es des rues por ,victor ,f\rnel2 ,enigmes des rues de ,p>is por ,edu>do ,f\rni] e ,clbrits de la rue de ,*>les ,yri>te4 ,em ,portugal ap5as um ou outro escriptor se tem occupado em artigos de jornal--lembro-me agora d snr4 ,alex&re ,h]culano e de ,julio ,ces> ,ma*ado--dos typos popul>es4 ,e todavia esse imm5so mundo das ruas tem1 como todos os mundos1 seus my/]ios1 suas lagrimas1 seus sorrisos1 seus romances1--o que lhe dava direito a t] tambem a sua litt]atura4 ,e/ude-o porm quem se julg> com =z p>a o faz]2 eu limit>-me-hei hoje a preg> n'e/e c>to volante duas ou tres borboletas1 das que se &am espanej&o nas ruas1 luz d sol de ,deus1 e que podem con/ituir1 qu&o muito1 outras tantas pag9as da epopa d povo4 ,o leitor p]feitam5te conhece os meus typos1 de os vr todos os dias1 de manh1 em fr5te da igreja dos ,congregados1--um com o seu cosmorama1 o outro com os seus can>ios4 ,o d cosmorama e/ava faz5do =tuna1 mrm5te em dias de feira1 mas vae s5o qu&o app>ece-lhe um rival temivel na feira de ,s4 ,laz>o1 com um cosmorama muito mais v>iado1 porque tem vi/as sacras e pr(anas1 e com o que mais1 com um voseiro capaz de suffoc> a voz de todos os expositores de cosmoramas4 ,occupemo-nos em primeiro log> d p>v5u da feira de ,s4 ,laz>o1 e d seu cosmorama mixto4 ,typo de cigano1 olh> e l9has de inv5civel velhac>ia2--jaqueta1 *apo de lavrador e calz d'almocreve4 ,a mulh]1 um p\co gibosa1 e zombeteira como todos os gibosos1 e/ s5tada1 emquanto o homem falla1 n'uma das travessas d ,x de pau1 que su/5ta o cosmorama1--sempre a rir um ris9ho444 ,eu no pude av]igu> se ella se ri da velhac>ia d homem1 se da cr$ulidade dos espectadores4 ,o c]to que ri sempre4 ,o homem ronca de p1 com a precipitao d'um jorro d'agua1 d&o ao pescoo o geito d'um cysne que levanta a cabea4 ,comea a funco1 e a mulh] a rir1 alapada entre o cosmorama e o *o1 como um satyro fem99o n'uma gruta444 ,comea o espectaculo e o discurso3 ,vamos1 s5hores1 *eguem-se p>a vr z gr&es gu]ras da ,frana e ,prussia4 ,i/o b>at9ho1 cu/a ap5as #aj reis1 a9da temos dois vidros4 7,p>a um espectador3 ,d c #aj reis47 ,passamos a vr a primeira vi/a4 ,ahi t5des1 s5hores1 a gr&e cidade d ,rio de ,janeiro1 aquella gr&iosissima cidade com a sua b>ra por onde entram e saem emb>caes e gr&es naus3 olhae1 s5hores1 p>a o vosso lado direito1 e v]eis o gr&e palacio d imp]ador de quatro &>es4 ,olhae ao c5tro e v]eis a gr&e ilha das ,cobras2 esqu]da l se avi/a a gr&e torre da ,c&el>ia onde o imp]ador vae missa4 7,o orador enxota com a v]ga/a um gatuno que t5ta espreit> por cima d hombro d'um espectador47 ,passamos agora1 s5hores1 a vr o gr&e ex]cito prussiano a bat] o ex]cito francez3 olhae ao c5tro que l v]eis j #ab3jjj francezes prisioneiros2 esqu]da l se vem sahir os prussianos debaixo d'umas arvores4 ,pela direita444 7,um espectador1 desori5tado1 volta subitam5te os olhos p>a a esqu]da1 e1 reconsid]&o1 vira logo o pescoo p>a a direita4 ,o orador37 ,pela direita l *egam os c>ros dos f]idos francezes2 mais adiante l se v ,napoleo ,,iii na batalha de ,s$an com o seu brao esqu]do no ca*ao d cavallo1 d&o o seu brao direito ,prussia4 ,l vem ,bism>k a toda a brida2 l reb5tam z metralhadoras1 l se v ao c5tro a gr&e exploso de polvora4 ,passamos a vr agora ,p>is4 ,olhae1 s5hores1 vossa esqu]da e l se v]o z balas ard5tes a sahir das boccas dos canhes2 mais ao c5tro l se v o balo a fugir p>a fra dos muros da cidade4 ,tri/e desgraa e/a1 s5hores6 ,agora vae app>ec] o inf]no4 ,l e/o z alm9has p5&o1 l e/ uma a levant> a cabea1 e o diabo a m]gulh>-lhe a cabea na lav>$a4 ,v]eis agora1 s5hores1 o purgatorio3 o lug> onde e/o z almas antes de subir p>a o co4 ,l e/ o padre santo e seus companheiros1 e todos os bispos e alcebispos4 ,passamos agora1 s5hores1 a vr a ultima vi/a1 que o inf]no1 onde os maus so ca/igados pelos crimes que fiz]am c n'e/e mundo4 ,a velhac>ia d'e/e homem attrae1 mais talvez que o seu voseiro4 ,faz d9heiro1 junta muita g5te1 mas a9da assim o seu rival dos ,congregados1 que tambem foi feira1 tem suas sympa?ias e sua cli5tella c]ta4 ,repres5ta os seus qu>5ta annos2 traz calz antigas1 casaco velho e bonnet decrepito2 *ama-se ,joaquim de ,almeida1 e natural de ,villa ,nova de ,gaya4 ,&a emp>ceirado com o homem dos can>ios1 que ve/e pelo mesmo !or1 e que pod]ia t] a mesma c>a1 se no fosse traz] a b>ba crescida4 ,*ama-se ,jos ,m>ia ,alves1 e natural de ,val5a4 ,o cosmorama e/ sempre collocado a p> da gaiola1 se bem que os espectaculos p\cas vezes sejam simultaneos1 porque o homem dos can>ios toma a peito faz] a policia d rec9to emquanto o cosmorama funcciona4 ,joaquim de ,almeida falla em cima de uma cadeira4 ,e/o z l5tes todas occupadas3 uma en*5te4 ,pr9cipia a explicao3 ,vamos a vr1 s5hores1 a paixo e morte de ,n4 ,s4 ,jesus ,*ri/o4 ,a primeira e/ao repres5ta ,jesus preso deante de ,pilatos p>a s] s5t5ciado morte4 ,pilatos1 no encontr&o crime nem delicto em ,jesus1 m&\ que s5t5ciasse ,caifaz1 e elle lavava z mos d bem e d mal4 ,como ,jesus cam9ha de casa de ,pilatos p>a casa de ,caifaz4 ,a s5t5a que le deu ,caifaz que ,jesus cam9hasse com toda a brevidade ao monte ,calv>io com a cruz s co/as p>a n'ella s] crucificado4 ,e a primeira cahida que deu ,jesus4 ,jesus cam9h&o p>a o monte ,calv>io eram tantos os golpes que le davam os judeus1 que ,jesus cahiu r5dido por t]ra com o peso da ,cruz4 ,agora vamos a vr o encontro que teve ,jesus com sua me ,m>ia ,santissima pelas ruas da am>gura4 ,sahiu ,sua ,me ,m>ia ,santissima ao encontro p>a se desp$ir de seu amado filho1 mais ,jesus no se pod5do desp$ir de ,sua ,div9a ,me le disse3 ,me1 no *oreis1 pois por m9ha morte vos glorific>ei4 ,ahi se v como fica a ,virgem tri/e *or&o atraz de seu amado filho4 ,jesus cam9ha arra/ado pelos algozes sem se pod] desp$ir de ,sua ,div9a ,me4 ,agora vamos a vr como ,jesus foi ajudado d ,cyr5eu4 ,jesus cam9h&o p>a o monte ,calv>io1 sem =z e sem al5tos1 p$iu a ,simo ,cyr5eu que le ajudasse a lev> a cruz ao monte ,calv>io4 ,tambem se v ao lado direito como e/ ,simo ,cyr5eu ajud&o a levant> a cruz ao ,s5hor1 e ao lado esqu]do se v como cam9ha o m59o ,isaac com a ce/a dos pregos e com a escada deante de ,jesus1 mo/r&o o cam9ho d monte ,calv>io aonde ,jesus ia a padec] e a s] crucificado4 ,agora o santo sud>io4 ,jesus cam9h&o p>a o monte ,calv>io em agonias e suor de morte sahiu ,santa ,v>onica ao encontro4 ,ao lado direito l se v como e/ a ,santa ,v>onica com o l5o branco e/5dido e o santo sud>io d ,s5hor escripto4 ,e/e discurso expectorado com v]dadeira rapidez de manivella1 ergu5do o orador o ro/o p>a os espaos1 e int]romp5do-se1 a cada vi/a nova1 o tempo preciso p>a acompanh> com os olhos o movim5to que a mo tem de execut> p>a a mutao de sc5a1 op]ao que se resume em pux> por um cordo4 ,agora a segunda cahida que deu ,jesus cam9h&o p>a o monte ,calv>io4 ,eram tantos os golpes que le davam os judeus1 que cahiu ,jesus segunda vez por t]ra com o peso da cruz diz5do3 ,os maus c>gam meus hombros e meu corpo cae r5dido de afflices4 ,jesus cam9h&o p>a o monte ,calv>io com o peso da cruz1 sahiram z filhas de ,j]usalem ao encontro com palmas e ramos p>a recebel-o1 mas ,jesus olh&o p>a ellas le disse3 ,filhas1 no *oreis sobre a m9ha morte2 *orae sobre vs mesmas e sobre vossos filhos4 ,agora a t]ceira e ultima cahida4 ,jesus cam9h&o p>a o monte ,calv>io1 eram tantos os golpes e a pressa que le davam os judeus1 que ,jesus cahiu desfallecido a t]ceira e ultima vez por t]ra4 ,caifaz v5do que ,jesus no t9ha =z nem al5tos1 se apres5ta a cavallo dirig9do gu>da que apromptam5te apressasse com ,jesus p>a vir a s] crucificado4 ,ns p>amos aqui2--o orador no pra1 vae repet9do o seu discurso at ultima sc5a4 ,annunciado o fim1 os espectadores deb&am1 ord9>iam5te calados1 romp5do a multido com a sobranc]ia de quem acaba de vr o que a muitas defeso4 ,o homem dos can>ios tem quatro1 que se *amam3 ,isabel1 ,dolores1 ,branca ,flor e ,g>ibaldi4 ,tres femeas e um ma*o1 o que equivale a diz] que tem m5os musica d que podia t] se fossem tres ma*os e uma femea4 ,como se sabe1 por excepo aos co/umes d sexo fem99o1 z femeas dos can>ios cantam m5os que o ma*o4 ,foi por isso que j um poeta francez extranh\ natureza o 444 priv] les m]es des s]9s ,du caquet si commum aux femmes des huma9s6 ,todavia elle no qu] que lhe dem musica1--qu] que lhe dem po4 ,ha c9co annos que os possue4 ,no lhes d> commodidades1 porque trabalham todo o dia1 no lhes d> mesmo limpeza1 porque1 ou velhice ou falta d'esm]o1 a plumagem no e/ set9osa1 mas com a sua rao d'agua e pa9o no lhes falta4 ,a9da assim1 apes> d seu fad>io1 so alegres1 teem nos olhos a vivacidade que os c>act]isa e a delicadeza e graa de frmas propria dos can>ios1 admiravelm5te intellig5tes4 ,*ega uma pessoa que qu] tir> sorte4 ,aproximada da gaiola a caixa dos bilhet9hos coloridos1 o homem dos can>ios abre a porta d'arame1 e *ama por um3 --,vem c1 ,isabel6 ,o can>io d duas voltas na gaiola antes de sahir4 --,tira uma sorte a e/e cavalheiro4 ,o can>io tira com o bico um papel9ho4 --,d-lhe quatro voltas4 ,o can>io ob$ece4 ,e/a op]ao p>a que o vatic9io leve toda a virtude4 s vezes1 como se o papel9ho1 p]mittam-me a expresso1 no e/ivesse a9da bem impregnado de futuro1 diz o homem3 --,izabel1 d-lhe mais duas voltas4 ,uma por e/e cavalheiro444 ,o can>io executa4 --,outra pela sua familia4 ,ob$ece a9da4 ,ento que o homem entrega o papel9ho1 e que a g5te vae sab] o seu de/9o por um vatic9io como e/e1 influ5ciado pelo signo de piscis1 que no papel app>ece mudado em pricis3 ,e/s tranquillo por o temor de no sahirem bem de tuas emprezas4 ,tranquillisa-te2 os teus desejos se cumpriro d5tro em p\co tempo1 t]s muito breve noticias que te d>o alegria4 ,a educao de teus filhos s] a tua mais doce occupao4 ,alguns annos depois d teu casam5to1 encontr>s um !s\ro e compr>s muitos t]r5os1 t5s de faz] favores e a paga a m recomp5sa2 a ideia de cumprires tem de priv>-te d'alguns praz]es2 t]s uma h]ana que te proporcion> um bem e/>4 ,depois affa/am-se z pessoas que tir>am a sorte1 algumas r9do d disp>ate1 outras p5s&o--z mais sonhadoras--que ho de a*> algum dia um !s\ro1 a9da que no seja s5o o ,!s\ro de444 m59os4 99 99 99 99 99 ,a ,,giganta 7,,c>ta ,a ,,julio ,,ces> ,,ma*ado7 ,,meu ,,julio3 ,d'e/a vez o assumpto 444 gr&e4 ,e1 quem como o ,julio sabe o que t] de d> um folhetim em det]m9ado dia1 compreh5de que muito mais r>o encontr> um assumpto gr&e d que uma mulh] gr&e4 ,d'e/a vez app>ecem simultaneam5te os dois ph5om5os1--uma mulh] que um assumpto1 e um assumpto que uma mulh]1 ambos gr&es4 ,ora e/e folhetim nada mais e nada m5os que a ,giganta2--ella a que ha-de en*] e/as seis columnas1 talvez com os bicos dos ps a9da de fra por no cab] p]feitam5te n'ellas4 ,e/a notavel mademoiselle ,rose tem passado de paiz em paiz1 e de folhetim em folhetim4 ,o ,julio escreveu d'ella o brilhante folhetim que n'e/e jornal reproduzi qu>ta-feira2 hoje escrevo eu1 no com pret5es a desbanc> o ,julio1 mas a desbanc> a ,giganta4 ,eu lhe explico4 ,s5do c]to que ns todos devemos pr(ess> o mais pr(undo respeito pela tradio biblica1 e ens9&o ella que o pequ5o ,david receb]a o collossal ,gollias com uma simples funda1 eu qu]o tambem1 segundo a santa lio1 receb] ao e/ylo apocalyptico e/a illu/re repres5tante da familia gigantea3 atir&o-lhe com um folhetim4 ,fui vel-a4 ,era noite1 hora dos namorados1 como o ,julio disse4 ,desde que entrei a porta s5ti *ilri> em francez1 e eu mesmo1 antes de procur> o d9heiro na algibeira1 procurei no meu espirito recordaes da grammatica d ,albano e d diccion>io d ,fonseca4 ,comecei por s] francez1 d&o um franco pela entrada4 ,a9da quiz vr se1 como g]alm5te succ$e no comm]cio1 me f>iam o franco a #ahj4 ,n'essa noite porm a sala e/ava *eia1 s5tia-se d5tro a alegria franceza mi/ura com umas ligeiras modulaes no piano1 e o cambio e/ava alto4 ,resignei-me a d> pela entrada o que at agora se dava por uma edio de ,mi*el ,levy4 ,em todo o caso sempre era um livro que eu ia lr4 ,antes de corr] a cort9a v]melha1 a tradicional cort9a v]melha que empana todas z celebridades1 disse p>a d5tro1 com voz que sobrelev\ o murmurio1 a madame que recebia z entradas3 --,il y a du monde4 ,e/a phrase1 que visivelm5te se ref]ia a mim1 fez-me e/remec] d'orgulho4 ,e/ a g5te1 n'e/as agre/es lides da impr5sa1 to co/umada a vr-se depreciada em jornaes e opusculos1 que j t]ia por gr&e elogio *am>em-lhe microcosmo4 ,vae a madame da porta e *ama-me mundo1 como quem diz3 ,entra o snr4 ,cosmos4 ,e/ava eu quasi a deix> cahir a cort9a1 p>a deit> uma falla madame enc>ec5do-lhe a gr&iosidade da sua l+ua patria1 qu&o me lembrei1 por int]v5o d ,jos da ,fonseca1 que ella simplesm5te quiz]a avis> p>a d5tro de que entrava g5te4 ,era t>de p>a retroc$]1--entrei4 ,ao fundo da sala1 erguidas sobre e/rado1 e ambas s5tadas1 deslumbr>am-me duas mulh]es4 ,ao nivel d e/rado ondulavam z cabez dos admiradores4 ,o fumo dos *>utos1 que capri*osam5te se d]ramava no ar1 fez-me lembr> a vaporao d'uma pyra4 ,ins5sivelm5te tirei o *apo4 ,das mulh]es1 a mais alta1 m&\-me cobrir em francez4 ,eu cobri-me em portuguez4 ,a mais gorda m&\-me s5t>1 e1 a esse tempo1 j eu e/ava to enleiado1 que no sei bem se me m&\ s5t> em francez1 se em portuguez4 ,eu s5tei-me univ]salm5te1--como todos4 ,sempre lhe qu]o diz]1 meu qu]ido ,julio1 a razo d meu enleio4 ,o ,julio fallava ap5as da ,giganta1 e eu fui encontr>1 na saleta da rua de ,santo ,antonio1 duas mulh]es3 a ,giganta e a outra4 ,foi uma agradavel surpreza o pod] lr dois livros pelo preo d'um s4 ,a*ei ento que o ,mi*el ,levy e/ava s5do c>o1 v5d5do o volume a duz5tos e c9co5ta4 ,e/a litt]atura viva1 muito mais agradavel vi/a1 p>eceu-me economica4 ,depois d'e/as pond]aes entrei de exam9> z mulh]es4 ,ergui o meu olh> altura de dois metros e qu9ze c5timetros1 e encontrei a cabea da ,giganta--mademoiselle ,rose4 ,depois desci com a vi/a at encontr> z quatorze arrobas da outra1--mademoiselle ,claire4 ,e/ive hesit&o entre z arrobas e os metros1 e decidi-me pelo sy/ema decimal4 ,eu s acr$ito que uma mulh] franceza1 s5do alegre4 ,ora mademoiselle ,rose e/ava cant>ol&o com coquett]ie o ,orpheu nos inf]nos2 e mademoiselle ,claire desfolhava tri/em5te uma flr4 ,e/a circum/ancia lev\-me a p]gunt>-lhe se era franceza4 ,respondeu-me mademoiselle ,rose que era sua irm1 e d mais que me disse depreh5di que eram ambas francezas1 que t9ham qu9ze irmos1 o mais novo dos quaes e/ava s5tado ao piano4 ,p$i logo p>a vr os outros quatorze4 ,mademoiselle ,rose sorriu d meu equivoco1 e respondeu-me que eu t]ia de naveg> o ,atlantico p>a os ir vr a ,frana4 ,consult&o o programma1 que me d]am entrada1 e o folhetim d ,julio1 vi que era v]dade s] mademoiselle ,rose uma mulh] d'espirito4 ,depois1 como mademoiselle ,claire se zangasse com um admirador que lhe e/ava bul9do no p1 vi que o programma era tambem v]dadeiro na p>te que lhe dizia respeito3 tem bellas maneiras e todas z qualidades proprias d bello sexo4 ,n'i/o erguem-se ambas ao mesmo tempo1 e annunciam explicao4 ,os espectadores da g]al arregal>am os olhos4 ,mademoiselle ,rose tom\ a mo p>a fall>1 e um espectador da sup]ior atalh\ d lado3 --,p>lez en franais4 ,ella sorriu1 e disse em francez3 ,mrs4 e ,m4mes1 n\s sommes franaises1 nes ,p>is2 ma soeur 7,claire7 e/ age de dixhuit ans et moi 7,rose7 de v+t ans4 ,s'il y a p>mi l'honorable societ une p]sone qui desire connaitre la diffr5ce de taille1 elle peut s'appro*]4 ,v\s p\vez voir que n\s avons la ma9 et le pi$ petits por tre ma soeur aussi grosse1 moi aussi gr&e1 et le molet proportionn4 7,reproduzo fielm5te o francez444 d'ellas47 ,mademoiselle ,claire limit\-se a mo/r> a mo1 o p e a p]na1 porque1 realm5te1 aquella l+uagem pla/ica era eloqu5te de sobra4 ,no ob/ante1 eu cont9uei a opt> pelo sy/ema decimal4 ,como porem o publico da g]al dsse mo/ras de no t] ent5dido nada1 torn>am a levant>-se e a faz] uma explicao em portuguez4 ,qu&o mademoiselle ,rose *eg\ ao ponto de diz]3 e a b>rica da p]na regul>1 eu tive t5taes de obs]v>3 --,c'e/ vrai3 b>rica4 ,calei-me1 porque ella e/ava fall&o4 ,n'e/e com5os um lavrador da g]al comeou a rir e a apont> p>a a ,giganta1 que lhe p]gunt\ o que elle qu]ia4 ,o lavrador1 com o mesmo sorriso alv>1 t>tamude\3 -- que eu qu]ia p]gunt> se o pais9ho da m59a era d mesmo tamanho4 --,muito gr&e6 muito gr&e6 respondeu a ,giganta abr9do z mos e sorr9do em francez p>a os que ent5diam aquella l+ua4 ,a mulh] d lavrador b5zeu-se1 e disse p>a o homem3 --,olha que a9da maior d que o ca/anheiro de ,qu9tes6 ,comeou ento a sahir o publico da g]al1 e a madame da porta1 que cunhada da ,giganta1 a diz] de cada vez3 --,il y a du monde4 ,d'uma vez olhei1 e vi entr> um ano4 ,que mundo to pequ5o6 ,reconheci que no me dev]a t] orgulhado da phrase1 e entrei de admir> a coragem d ano que1 volunt>iam5te1 se expunha a s] v5cido por uma mulh]4 ,e eu1 int]po/o quellas anti!ses1 lembrei-me de que a humanidade era a re?orica da creao1 e de que da v>i$ade das figuras proc$ia o que no poema da vida ha de recreativo4 ,em todo o caso a*ei muito melhor s] gigante1 porque sempre se vae viv5do cu/a dos444 pequ5os4 ,e depois1 aquelle e/rado em frma de solio dava a ideia de realeza4 ,realeza d'e/atura1 c]to2--com prs e contras1 como todas4 ,ella alli e/1 p5sei eu1 admirada1 fe/ejada1 galanteada1 receb5do flores e rebuados1 to feliz1 to feliz1 que tem sempre v9te annos6 ,mas tambem1 horror6 nasc] uma mulh] g5til1 elegante1 coquette1 e viv] s5tada1 entre os seus pannos v]melhos1 sem pod] espanej>-se ao sol no v]o1 sem pod] molh> os ps no inv]no6 ,molh> os ps1 digo eu1 porque isso mesmo1 que p>a ns um desa/re1 s]ia p>a mademoiselle ,rose uma deliciosa surpreza6 ,tem corrido a ,europa s5tada1 e dizem-me que t5ciona ir agora s5t>-se ,am]ica4 ,o mundo p>a ella uma cadeira4 ,se algum dia quiz] faz] ex]cicio1 a conselho dos m$icos1 e subir ao pico d ,himalaya1 p>a admir> o mundo1 ella1 que tem sido admirada pelo mundo1 e vir ao sop da montanha uma tribu d ,indo/o ou uns pa/orsitos de ,?ibet1 dir logo volt&o-se p>a o irmo3 --,la *aise1 mon frre1 il y a du monde4 ,z mulh]es vo ao !atro1 passeiam1 danam1 e ella1 t5do tal5to1 como realm5te tem1 vive s5tada1 a repetir sempre a mesma coisa1 victima da sua propria realeza6 ,como no pde passe> ella mesma1 vae passe&o em photographia1 e espalh&o o seu retrato4 ,um dia bem pde s] que se s9ta incommodada a ponto de t] inveja da sua photographia1 que t5ha um ataque n]voso por qu]] sahir1 e que o m$ico decl>e que precisa d'&> durante v9te e quatro horas4 ,n'esse dia e/> p]dida na t]ra onde e/iv]1 porque todos a v]o de graa1 que ju/am5te a maneira porque ella no qu] s] vi/a4 ,a sua cadeira p]d] todo o pre/igio1 e desde ento a cadeira da ,giganta fic> val5do to p\co como a ,giganta4 ,uma e outra p]d]o todo o my/]io4 ,my/]io1 digo eu1 porque seguram5te a ,giganta o tem4 ,qu&o que ella *eg\8 ,quem a viu desc] das ,devezas1 atravess> a ponte1 pass> na rua de ,s4 ,joo1 das ,flores1 subir f9alm5te a rua de ,santo ,antonio8 ,como que ella entr\ por aquella porta to pequ5a1--to pequ5a1 que muita g5te cuido eu que d> de vontade os dois to/es1 no tanto p>a vr a ,giganta1 como p>a av]igu> o modo porque ella entr>ia8 ,qu&o p>tir8 ,quem a v]8 ,no se sabe4 ,ella tambem p\co sabe d mundo1 a no s] que no mundo ha dois to/es1 e que o mundo go/a das photographias1 e dos orig9aes tambem4 ,recebe d9heiro e nunca viu um ,banco4 ,recebe flores1 e nunca viu os j>d9s4 ,no ob/ante1 a realeza de e/atura tem suas vantag5s p>a uma mulh]4 ,quanto o m>ido la/ima1 se casado1 t] de ve/il-a1 folga ella com a c]teza de no pod] queim> z suas tranz4 ,eu v\1 meu c>o ,julio1 faz]-me p]ceb] melhor4 ,sabe o ,julio1 sabe toda a g5te1 como z mulh]es e/imam z suas tranz1 pretas ou loiras1 avelludadas como a noite ou radiosas como o sol2 com que f no lhes pr5dem uma flr1 que sempre lhes fica bem1 porque emfim z flores tanto so d dia como da noite4 ,pois bem1 supponha o ,julio que uma mulh] e/ l5do o seu poeta favorito1 luz de /e>9a1 muito curvada1 to curvada sobre o livro1 que *ega a cre/> os cabellos6 ,s5do o cabello a =a1 a mulh] p]deu muito da sua individualidade4 um cataclismo4 ,mas a ,giganta1 com os seus dois metros e qu9ze c5timetros1 por mais febril que seja a leitura1 to sup]ior hade fic> sempre luz1 que pde viv] inteiram5te tranquilla c]ca da inviolabilidade das suas tranz4 ,qu&o muito1 pod] acontec]-lhe apag> a luz com a respirao1 e fic> s escuras4 ,todavia ba/> uma caixa de phosphoros p>a proseguir na sua recreao2 e1 p>a ella1 os phosphoros so to b>atos1 que qualqu] pessoas9ha1 por mais pequ5a que seja1 val5do dois to/es1 vale v9te caixas de phosphoros4 ,e ns1 meu c>o ,julio1--olhe que diff]5a6--valemos to p\co1 que sah9do de casa com a nossa caixa de phosphoros1 levamos ap5as comnosco a vigesima p>te d'uma ,giganta4 99 99 99 99 99 ,o ,,album ,,d ,,gymnasio 7,,por ,,occasi,o ,,da ,,e/ada ,,da ,,companhia ,,d ,,!atro ,,d ,,gymnasio1 ,,de ,,lisboa1 ,,no ,,porto7 ,oio diz] que vamos t] muita coisa3 z campanas dos nios que e/o actualm5te na ,corunha1 o violoncello d snr4 ,casella1 o reportorio d ,santos1 z trag$ias da ,ri/ori1 e z guit>ras dos fadi/as4 ,s]ia opportunidade de me disp5d] em pontos d'admirao1 n'e/e conjuncto de surprezas que m$eiam entre a campa9ha e a guit>ra1 entre o campanologo de p\cos annos e o fadi/a de muitos1 mas res]vo esse luxo ortographico p>a depois que vir e ouvir os arti/as cuja *egada se annuncia p>a breve4 ,e i/o por duas rases3 por que me s] mais facil copi> d c>taz1 e porque no qu]o s]vir gratuitam5te z empresas faz5do os c>tazes444 eu mesmo4 ,portanto1 na espectativa d que vir1 volto-me p>a o que provid5cialm5te j temos1 e digo provid5cialm5te1 porque no444 t9hamos4 ,qu]o fall>-lhes d ,gymnasio1 p]do1 qu]o fall>-lhes unicam5te d album d ,gymnasio1 que t5ho pres5te n'e/e mom5to1 e cujas photographias e/\ pass&o entre os d$os1 suppondo que a m9ha cadeira de braos um cam>ote1 e que a m9ha j>d9eira o palco4 ,e/\ v5do-os1 a elles e a ellas1 sem a int]posio d b9oculo1 que muitas vezes m5tiroso1 e que realm5te tem um t]rivel e p]igoso rival na photographia4 ,elle a illuso1 o cosmetico1 a cabelleira2 ella o n>iz defeituoso1 a bocca desgraciosa1 z rugas da velhice4 ,elle tem o pre/igio da m5tira2 ella a eloqu5cia da v]dade4 ,qu&o um admirador se apres5ta a uma actriz por e/e modo3 --,m9ha s5hora1 eu j tive hontem a felicidade de a conhec] por int]m$io d meu b9oculo1 ella1 que e/ p>a entr> em sc5a1 segr$a sua alma3 --,bem2 ento no me viu4 ,qu&o porm lhe diz3 --,m9ha s5hora1 eu j t9ha a felicidade de a conhec] em photographia1 a actriz fica desgo/osa e m5os coquette1 porque s]ia inutil simul>4 ,ora s5do a photographia a v]dade1 optemos por ella4 ,bem4 ,aqui temos o album3 folheemos e conv]semos4 ,na primeira pag9a444 ,taborda4 ,a g5te tem vontade de grit> logo1 como se encontrasse em ,p>is uma gravura repres5t&o a proeza da padeira d',aljub>rota3 --,bem sei3 uma l5da da m9ha patria1--a l5da d ,homem-,g>galhada4 ,d'uma val5tona que em vez de espanc> o homem pret5de espanc> a humanidade1 co/uma diz]-se3 ,que ,brites d',almeida6 ,d'um sujeito que a alegria em pessoa1 que faz rir todos os grupos1 no qu]o j n'uma visita de pesames1 que ju/am5te onde tudo d vontade de rir1 mas n'um casam5to1 que a coisa mais s]ia que eu conheo1 co/uma diz]-se3 ,que ,taborda6 ,e/e conhecido e e/ def9ido3 a leg5da d ,homem-,g>galhada4 ,na segunda pag9a444 ,izidoro4 ,p>ece um comm]ciante que vae praa com o seu b5galorio e com a sua gordura1--a gordura pass\ a s] to desejada que prud5te def5del-a com um b5galorio--e um actor di/9ctissimo1 que s negoceia noite com z palmas e com os bravos4 ,to conhecido 1 que j ,julio ,ces> ,ma*ado1 o primeiro photographo portuguez d folhetim1 o retrat\ na sua pequ5a gal]ia dos gr&es actores nacionaes4 ,portanto procur> a photographia na casa ,mor4 ,no tem que sab]3 ateli] de ,julio ,ces> ,ma*ado1 ,lisboa1 retrato d actor ,izidoro1 com biographia3 preo #bjj reis4 ,t]ceira pag9a444 ,m>ia das ,dores4 ,ah6 um g5til tal5to1 creado no !atro desde os quatro annos6 ,to pequ59a era qu&o app>eceu em ,d4 ,m>ia na ,condessa de ,s5necey1 que adormeceu em sc5a1 e foi preciso acordal-a p>a complet> o seu papel9ho4 ,depois1 e/rei\-se a val] no mesmo !atro1 no ,anjo da reconciliao1 no tempo em que a espl5dida aurora d tal5to de ,manuela ,rey deslumbrava o publico lisbon5se4 ,era sobremodo difficil faz]-se not> n'aquella epo*a1 pela simples raso de que a int5sidade da luz *ega a ceg>4 ,e ,manuela foi realm5te um meteoro que s app>eceu no co d !atro portuguez p>a se amortalh> nos seus proprios espl5dores1 e deix> saudades4 ,m>ia das ,dores e/ud\1 luct\1 fez magi/ralm5te o ,gaiato de ,lisboa1 sub/ituiu ,manoela ,rey no papel de ,b]?a da ,mulh] que deita c>tas1 o que podia consid]>-se uma inconte/avel victoria1 e hoje essa gr&e actriz que todos temos admirado1--a ,silvana da ,filha unica1 a ,val5t9a1 e a viscondessa d ,como se enganam mulh]es6 ,qu>ta pag9a444 ,rosa ,junior4 ,qu&o e/e rapaz nasceu 7#ahdd7 j o pae e/ava f>to de sab] p>a o que elle nascia4 ,p>a p9tor1 dizia na sua boa f o velho ,rosa4 ,n'esse proposito1 foi o rapaz inici>-se no curso de bellas-artes1 e qu&o t]m9ava o curso decl>ava ao pae que no qu]ia s] p9tor4 que realm5te a g5te nasce com a sua e/rella1 e1 muitas vezes os paes to cegos e/o da sua amorosa ufania de s]em pilotos da b>ca d nosso de/9o1 que *egam a imag9> possivel a navegao sem olh>em p>a o co onde e/o z e/rellas444 ,ha a9da alguns des5hos de ,rosa ,junior1 ha1 mas elle suppz--e suppz bem--por int]v5o da sua e/rella1 que o maior ateli] d mundo1 sem s] o mundo1 era o !atro1 e volt\-se p>a o des5ho dos c>act]es moraes1 a que s um v]dadeiro tal5to pde d> colorido4 ,e/rei\-se no ,porto1 em #ahfb1 nas ,joias de familia e app>eceu em ,lisboa1 um anno depois1 no !atro de ,s4 ,c>los1 no ,ric>do ,,iii4 ,n'esse mesmo anno foi escripturado por ,francisco ,palha p>a ,d4 ,m>ia ,,ii1 onde se e/rei\ na ,sophia ,mop91 v]so de ,rebello da ,silva4 ,foi cont&o os triumphos pelos papeis3 na ,nobreza1 nos ,fidalgos de ,bois ,dor1 nos ,nobres e plebeus1 na ,patria e na ,lucrecia ,borgia4 ,se o publico se no se enc>regasse de lhe diz] que a sua e/rella t9ha raso1 ba/>ia a corar a sua resoluo o sil5cio d pae que nunca se atreveu a diz]-lhe3 --,diabo6 porque no fo/e tu p9tor6 ,o seu maior elogio o sil5cio d pae4 ,qu9ta pag9a444 ,ces> ,polla4 ,eu no sei realm5te como elle *eg\ a s] actor6 ,foi empregado publico1 e1 o que mais e/]ilisador a9da1 metteu-se em politica4 ,a burocracia teve-o nas g>ras at #ahfd1 e deix\-o escap>6 ,*eg\ a sab] o processo de faz] e desfaz] deputados4 ,sond\ z pr(undezas revoltas da urna eleitoral4 ,e1 caso r>o6 pde salv>-se a si e sua intellig5cia1 fugir com$ia dos hom5s1 engan> o c]bro da politica p>a que o deixasse pass> e1 qu&o muito1 faz] deputados bocca da sc5a1 o que mais glorioso d que fazel-os bocca da urna4 ,e/rei\-se em #ahfe1 em ,d4 ,m>ia1 nos ,diffamadores1 na noite d b5eficio d ,tasso4 ,e/eve em ,d4 ,m>ia at #ahgj1 e durante esses c9co annos revel\-se o gr&e arti/a que hoje 1 mrm5te qu&o1 incumbido d papel de b>o de ,lambe*1 no ,anjo da meia noite1 ao tempo que ,jos ,c>los dos ,santos o e/ava faz5do na rua dos ,condes1 logr\ confirm> o en?usiasmo das primeiras saudaes4 ,o publico lisbon5se fe/ej\-o delirantem5te no ,pom]ol da ,f]n&a1 no ,bevalan da ,vida d'um rapaz pobre1 no ,mirabeau da ,m>ia ,antonietta1 no ,gil ,paes de ,lima da ,crte n'aldeia1 no m$ico d ,juiz444 ,v]dade que se p]deu um burocrata6 ,o oram5to no lucr\ com isso1 mas quem com c]teza lucr\ foi o !atro portuguez4 ,sexta pag9a444 ,emilia dos ,anjos4 uma discipula d ,cons]vatorio1 de faces mor5as e olh> vivo1 exp$ita e intellig5te1 j conhecida d publico portu5se1 que em mais d'uma poca a tem fe/ejado na com$ia4 ,repres5t\ no ,porto1 com ,p9to de ,campos1 a ,familia ,b5oiton1 e o nosso publico fic\ e/im&o-a4 ,voltemos folha3 ,p9to de ,campos4 ,filho d'uma familia de lavradores de ,villa ,franca1 comeou por s] typographo4 ,c]to dia lembr\-se porm de que no conhecia a9da todos os typos--os d drama e da com$ia--e fez-se actor4 ,e/rei\-se no ,gymnasio em #ahee e pass\ depois a ,d4 ,m>ia4 ,com e/as &adas esqueceu-se da typographia1 mas em comp5sao fic\ conhec5do optimam5te a topographia444 d !atro4 ,fez admiravelm5te o ,krig da ,cora1 o piloto dos ,hom5s d m> e1 no ,porto1 os galans com ,emilia das ,neves4 ,arti/a consci5cioso e boa alma4 ,ouro sobre azul4 ,temos na setima pag9a444 ,m>ia ,adelaide4 ,no !atro e na soci$ade uma coquette4 ,alguem1 v5do-a no ,afilhado de ,pompignac1 disse que ella t9ha nascido p>a amazona4 ,diz com graa1 e tem s vezes a travessura d'um rapaz4 ,ora1 pela coquett]ie1 bom pass> a g5te depressa4 ,folheemos z pag9as re/antes4 ,bay>d1 se no se pde consid]> um arti/a de primeira ordem1 todavia um actor apreciavel1 em que os outros podem t] confiana1 porque no desman*a1 como se diz em l+uagem de !atro4 ,luiza ,c&ida tem uma especialidade--os typos popul>es1--em que vae muito bem1 o que no qu] diz] por modo algum que no t5ha intellig5cia p>a outras creaes4 ,jesu9a uma s\brette engraada e di/9cta4 ,ora tambem no bom demor>-se a g5te onde ha graa e di/9co444 ,c>los d',almeida um actor comico1 que se adiv9ha pelo seu casaco azul de botes am>ellos1 pela sua bad9e1 e pelo seu *apo4 ,no ,afilhado de ,pompignac e/ con/rangido1 mas a9da outro dia1 n'aquella bagatella ,entre casados1 fez rir a bom rir4 ,na ultima pag9a d album e/ ,leopoldo1 discipulo d ,cons]vatorio1 e ensaiador da companhia4 ,app>ece p\co1 mas em comp5sao todas z noites apres5ta a sua obra4 tempo de fe*>mos o album d ,gymnasio1 e1 como n'e/a vida &a sempre a illuso a p> da realidade1 bom s] que o publico1 que viu a photographia1 veja noite pelo b9oculo444 a companhia4 99 99 99 99 99 ,,esbo,o ,,de ,,com$ia ,o pessoal d'e/a com$ias9ha inf]ior ao de todas z secret>ias1 mas1 ao contr>io d que acontece nas secret>ias1 todo o pessoal faz alguma coisa4 ,decl>o1 p>a evit> p$idos d'empres>ios1 que ha de s] po/a em sc5a por curiosos1 evit&o-se outrosim z tolices dos actores1 e que se nome> no c>taz3 ,,hi/oria ,d',,um ,,coll> ,,p]sonag5s 99,raymundo ,sav$ra99--leo4 99,dolores99--leoa4 99,b>oneza de ,faies99--ex-leoa4 ,pr9cipia s #i horas p>a hav] tempo de prep>> a jaula4 ,sc5a ,i ,b\doir de ,dolores4--,tapetes de ,susa1 espelhos de ,v5eza1 e uma bilha d',extremoz4 ,raymundo e ,dolores4 ,,raymundo--,amo-a6 ,,dolores 7despeitada7--,o s5hor ama todas z mulh]es6 ,r4--,no confunda os fogos-fatuos d'uma noite canicul>1 e/iva1 apopletica com a *amma d sol1 int5sa1 cont9ua1 deslumbrante1 espl5dida4 ,d4 7bocej&o7--,que e/ylo6 ,r4--,no fao e/ylo4 ,eu fallo assim4 ,d4--,oh6 ento o nosso amor impossivel1 atroz4 ,o s5hor1 se alguma coisa ama1 444 os adjectivos4 ,r4 7c>9hoso7--,p]do1 ,dolores1 a m9ha eloqu5cia filha d meu amor4 ,o r\x9ol da balseira s descanta qu&o a primav]a enflora os prados4 ,o c>neir9ho444 ,d4--,no sabe que embirro tanto com os c>neir9hos como com os ba*>eis6 ,que e/ o s5hor a ba*>el>6 ,r4--,p]do4 ,entre ba*>el> e s] ba*>el m$eia a di/ancia da reprovao4 ,eu no t5ho c>tas4 ,d4--,com que ento no joga6 ,virtuoso moo6 ,r4-- implacavel1 ,dolores6 ,d4--,n'esse caso pea treguas4 ,r4--,p$irei4 ,d4--,com a condio de me satisfaz] um capri*o1 uma velleidade4 ,preciso dum coll>4 ,e/\ doidam5te namorada d'um que vi e/a manh em casa d meu ourives4 ,v compr>-m'o4 ,r4 7peg&o no *apo7--,volt>ei em breve4 ,o coll> s] seu1 e a felicidade s] m9ha4 7,sae47 ,sc5a ,,ii ,,dolores 7cah9do no soph7--,puff6 ,que x>ope de morph9a o e/ylo d'e/e homem6 ,como elle me aborrece1 me adorm5ta6 ,me adorm5ta1 phrase d'elle6 ,e no se lembr> e/e doido de que casado1 de que tem filhos444 ,,um ,,criado1 que podia s] de papelo1 se alguem fallasse por elle entre sc5as3--,a snr4 b>oneza de ,faies4 ,sc5a ,,iii ,,b>oneza--,m9ha s5hora6 ,d4 7ergu5do-se7--,s5hora b>oneza6 ,b4 7s5t&o-se a convite de ,dolores7--,eu esp]o que a ju/ia da m9ha causa me absolv] da ousadia da visita4 ,d4 7p>a a frisa d lado direito7--,que qu]] ella8 ,no sei que me adiv9ha o corao6 ,b4--,ha realm5te assumptos to mel9drosos1 que eu no sei se deva444 ,d4--,m9ha s5hora6 ,b4--,peo toda a sua b5evol5cia p>a a ju/a def5sa dos direitos de m9ha cunhada444 ,d4--,mas444 ,b4--,sim1 eu sei que ama delirantem5te meu irmo1 que o v]dadeiro amor cego p>a todas z conv5i5cias sociaes1 mas ao corao do5te que eu v5ho traz] o caut]io da pi$ade4 ,lembre-se1 ,dolores1 de que meu irmo casado com uma s5hora nova e extremosa1 e pae de c9co filhos4 ,d4--,mas444 eu qu]ia diz] a v4 ex4 que no amo seu irmo4 ,b4 7admirada7--,como6 ,d4--,que o no amo4 ,b4--,pois s] possivel6 ,meu irmo suppe-n'o1 acr$ita-o1 jural-o-ia4 ,d4--,eu creio que o snr4 ,raymundo ,sav$ra facil em acr$it> tudo3 o espirito simples 1 por via de regra1 cr$ulo4 ,agora lhe p$i eu um coll> de preo fabuloso p>a vr se conseguia que o sacrificio lhe fosse lio4 ,b4 7p>te7--,pi$osa lio6 ,e/a mulh]6 7p>a ,dolores7--,muito bem6 ,e/1 pois1 concluida a m9ha misso4 ,saio d'aqui com a felicidade na alma1 e creia que jmais me esquec]ei da nobre franqueza que encontrei nas suas palavras 7comprim5t&o74 ,d4 7correspond5do7--,s5hora b>oneza6 ,sc5a ,,iv ,,raymundo 7entr&o aodado7--,que veio aqui faz] m9ha irm8 ,ouvi-a fall> n'e/a sala1 e escondi-me no corr$or4 ,que disse ella8 ,,dolores 7com indiff]5a7--,p]do6 ,e o meu coll>8 ,r4--,oh6 ,o seu ourives s sabe propr negocios leon9os6 ,p$e uma quantia fabulosa6 ,d4 7no mesmo tom7--,quanto8 ,r4--,um conto de reis6 ,d4--,ah6 ,a*a muito6 ,r4-- que realm5te eu t5ho disp5dido comsigo1 ,dolores1 l\cam5te1 e receio que um dia a pobreza v encontr> meus filhos amaldio&o o tumulo d seu pae4 ,d4 7toc&o a campa9ha7--,que entranhas pat]naes z suas6 7,ao criado7 ,diga a e/e s5hor que e/\ incommodada4 7,sae47 ,r4 7fulo de col]a7--,eu me v+>ei1 infame6 ,fic> sem coll>6 7,sae47 ,sc5a ,v ,,dolores 7entr&o pela mesma porta porque saira7--,no fic>ei sem coll>1 no4 ,eu s]ei infame1 mas tu s444 p>vo4 7,escrev5do7 ,duas l9has ao meu ourives3 ,snr43 ,queira aceit> a (f]ta1 qualqu] que seja1 feita pelo snr4 ,raymundo ,sav$ra4 ,eu complet>ei o preo da compra d coll>4 ,exijo absoluto segr$o4 7,toc&o a campa9ha2 ao criado7 ,leve e/a c>ta ao meu ourives4 7,ergu5do-se7 preciso que elle fique inteiram5te d]rotado4 uma fonte de receita que se vae elim9> d meu oram5to1 e convm no presc9dir da ultima v]ba4 ,tu receb]s a correco devida a todos os p>vos4 ,sc5a ,,vi ,raymundo entra timidam5te4 ,,dolores 7s5t9do-lhe os passos7--,que amor o d'aquelle homem1 que recua deante d'uma velleidade6 ,vo l fi>-se no amor6 7,,raymundo avan&o7--,no faa esse conceito de mim1 ,dolores1 bem sabe se a amo1 doidam5te1 p]didam5te1 mas que444 ,d4-- que talvez nem mesmo agora saiba s] cavalheiro4 ,o meu ourives acaba de avis>-me de que resolv]a acc$] (f]ta d s5hor4 ,r4--,n'esse caso444 ,d4--,quanto (f]eceu o s5hor8 ,r4--,qu9h5tos mil reis4 ,d4--7 p>te7 muito6 ,t5ho de d> outros qu9h5tos4 7,alto7 ,no lhe convm a9da8 ,a*a c>a a felicidade que lhe cu/a qu9h5tos mil reis6 ,que l>gueza d'animo a sua6 ,r4 7apaixonado7--,no1 v\ j1 ,dolores4 noite fulgir o coll> no seu seio1 e z e/rellas desmai>o no co4 ,no s] mais =mosa a huri qu&o z exhalaes calidas da noite444 ,d4 7com aborrecim5to7--,qu] que lhe faculte o adresse d meu ourives8 de suppr que a imag9ao lhe anniquille a memoria4 ,r4--,at j1 ,dolores4 ,v\ busc> z e/rellas p>a complet> o meu co de felicidade4 7,sae474 ,sc5a ,,vii ,,dolores 7olh&o p>a a porta7--,bonita figura444 a d homem6 ,o amor d azas4 ,vo>4 ,d5tro em p\co e/> aqui4 ,o coll> s] meu4 ,deital-o-hei ao pescoo4 ,mir>-me-hei ao espelho1 e intim>ei o snr4 ,raymundo ,sav$ra a que saia p>a nunca mais volt>4 ,e depois um coll> d'um conto de reis no c>o por metade d preo4 7,*eg&o janella7 ,j desapp>eceu4 ,no t>d>4 ,o caso que e/\ impaci5te pelo desfe*o d'e/a pequ5a com$ia4 7,toc&o a campa9ha2 ao criado7 ,j vie/e ha muito8 ,fic\ entregue8 7,o criado bole affirmativam5te a cabea7 ,e/ bem2 vae-te4 ,mal p]s9tas o snr4 ,raymundo ,sav$ra1 avisa-me4 ,no sei o que hei-de faz]6 ,ah6 o meu piano6 7,s5ta-se arpej&o e monolog&o7 ,e diz]em que a felicidade i/o6 ,quantas vezes m'o no teem dito6 ,se s\bessem como e/\ aborrecida agora6 ,e z m9has ces6 ,vamos1 ,m>c1 desafia-te a ti mesma2 v5ce o teu proprio fa/io4 ,pde s] que v5has a am> um dia2 enta o teu cantico d'esp]ana6 ,no1 no posso6 ,que demora6 ,sc5a ,,viii ,o ,,criado 7com uma c>ta7--,da snr4 b>oneza de ,faies4 ,,dolores 7impaci5te1 levant&o-se d piano7--,vejamos4 ,que t] a b>oneza a9da que diz]-me6 ,snr4 ,acabo de escrev] a meu irmo des5gan&o-o4 ,antecipei-me1 porque lhe s]ia m5os doloroso o golpe vibrado por mim4 7,o criado3 ,*ega o snr4 ,raymundo ,sav$ra7 ,,dolores3 ,ah6 7escond5do a c>ta74 ,sc5a ,,ix ,,raymundo 7entr&o de *apo na cabea1 com uma caixa na mo esqu]da e uma c>ta na mo direita4 ,ameaador1 tetrico7--,sei tudo4 ,m9ha irm teve a feliz ideia de me deix> e/a c>ta em casa d seu ourives1 m9ha s5hora4 ,e/eja tranquilla4 ,no s] preciso que o sacrificio me seja lio4 ,e/a c>ta desv5d\-me2 *am\-me realidade4 ,o sorriso da amante no vale o corao da esposa4 ,d4--,o que8 ,r4--,oh6 socegue6 ,z p$ras falsas inv5t\-z o homem p>a z falsas mulh]es4 ,mas e/as1 z que so realm5te preciosas1 cre\-z a natureza p>a z mulh]es hone/as4 ,adeus4 ,v\ (f]ec] e/e coll> a m9ha mulh]4 7,sae47 ,d4 7cah9do fulm9ada no soph7--,e os meus qu9h5tos mil reis6 ca/igo6 7,cae o panno47 99 99 99 99 99 ,,z ,,colheitas ,eia1 ceifeiros6 ,comeam a arroxe> os pampanos e a loirej> z messes444 ,v de limp> a eira1 e prep>> a adega2 de v>r] o lag> e v5til> o celeiro4 ,ri no campo a conta am>ella d milho1 na vide o bago roxo da uva4 ,foi ,deus que da primav]a ao outomno os prep>\ no my/]ioso laboratorio da t]ra4 ,a ambos deu cr1 e frma1 e pre/imo3 no int]ior d'uma pz o c]eal que ha-de s] po2 no int]ior d outro a gota que ha-de s] v9ho4 ,e d'e/as pequ5as coisas vae sair a f>tura1 a abundancia1 a alegria1 a fe/a1 a riqueza6 ,to cont+5te a felicidade d homem1 que um sopro de v5to pde pro/r> os milheiraes1 e um insecto1 to pequ5o como a uva1 inutilis> o ca*o444 ,mas se ,deus vos protegeu o campo e o v9h$o1 se loirejam n'um os cabellos de ,daphne1 e no outro v]gam os s>m5tos com os psos cr da ame?i/a1 v de azafam> p>a a colheita1 de af9> a viola d descante1 de phantasi> z alegrias da esfolhada1 de escolh] corpo g5til onde caia o abrao d milho-rei4 ,quem no conhece agora a aldeia1 qu&o ,abre a rom1 mo/r&o a rubicunda ,cr com que tu1 rubi1 teu preo p]des2 qu&o ,entre os braos d ulmeiro e/ a jucunda ,vide1 com uns ca*os roxos e outros v]des2 qu&o mais se amacia o velludo d 444pomo1 que da patria ,p]sa veio1 ,melhor tornado no t]r5o alheio e ,mil arvores e/o ao co sub9do ,com pomos odorif]os e bellos e 444 a tapearia bella e f9a ,com que se cobre o ru/ico t]r5o1 ,faz s] a de ,a*emnia m5os d9a1 ,mas o sombrio valle mais am5o6 agora que desce dos montes o prego de fe/a1 e que fogem da cidade p>a z sombras d bosque1 como aves a procur> abrigo1 z almas ent$iadas da vida ruidosa das cidades4 ,borboletas1 cuja vida ir queim>-se na *amma fatal1 qu]em povo> os campos1 cujos fulgores illum9am mas no matam1 porque descem d co1 e ou so d sol ou d lu>4 t>de1 des5calmado o ar1 vo os ran*os fe/ivos ribeira abaixo1 pela relvosa alea ladeada de arvores que v]gam ao pezo dos pomos4 ,vo *>l&o os moos1 r9dos os velhos1 doidej&o z crianz4 ,hav] por v5tura no enxame quem leve seu livro p>a m$itao8 ,qual s] elle8 ,livro puro e so1 como z aguas1 como o ar1 como tudo alli4 ,manon ,lescaut e ,m>g>ida ,gau?i] no entram ao santu>io d'aquellas sombras1 porque z flores silve/res dos vallados lhes diriam3 --,aqui no ha camelias1 peccadoras4 ,os vossos ramos banh>am-se no *ampagne das ceias1 e cre/>am-se2 ns florimos banhadas no orvalho da manh1 e p]petuamo-nos4 ,somos pequ5as e s+elas4 ,en*emos ap5as o nosso canteir9ho ru/ico2 vs en*eis o mundo com a cauda roagante dos vossos ricos ve/idos4 ,olhae bem e procurae camelias444 ,no z ha4 ,eu s\ a madre-silva1 aquella a violeta branca1 aquell'outra o malmequ]4 ,riquezas p>a a pa/ora1 que vive p>a colh] a l>anjeira6 a sua ultima flor4 ,no lh'a v5haes empe/> com z vossas camelias1 que trazem v55o como os vossos labios4 ,w]!r tambem l no entra1 porque lhe diz o camponez ancio1 s5tado porta da cabana com o neto nos joelhos3 --,el1 poltro6 ,os nossos l>es so tranquillos e sagrados1--no se invadem4 ,eu sei que e/a criana filha de meu filho1 e por isso a amo4 ,no conhecemos c o desesp]o d amor illicito que leva morte4 ,aqui vive cada um o tempo das arvores que plant\4 ,por isso eu t5ho e/es cabellos brancos1 e porque me no aborrece a vida1 que os vs1 a9da confundidos com os cabellos loiros d'e/a criana4 ,o santo reitor1 que s]viu porv5tura de modelo ao evangelico p]sonagem d primeiro livro de ,julio ,d9iz1 encontra no cam9ho a sombra de ,voltaire1 e entre s]5o e au/]o lhe falla3 --,no ha quem te compreh5da aqui2 vae-te1 sabio peior que o ru/ico4 ,so tudo camponezes4 ,nem a m9ha palavra rude e cl>a elles ent5dem1 porque no precisam ent5del-a4 ,deus conhecem-n'o de o vr n'e/es campos que ora fructificam1 e que na primav]a riem4 ,e/o e/as s]ranias to habituadas ao sil5cio1 que no encontr>ias pelas quebradas e*os p>a z tuas tempe/ades4 ,vae-te em paz1 e adeus4 preciso que os livros1 na aldeia1 t5ham alguma coisa d *ilri> dos pass>9hos3 que sejam c&idos e bons4 ,s]vem os ,contos d tio ,joaquim1 porque na alma de ,?omaz1 o philosopho amoroso da e/rella phanta/ica1 no modilhavam s os pass>9hos1 a que d corao qu]ia1--*ilreava uma primav]a p]petua4 ,s]vem os ,s]es da prov9cia1 que se diriam outras tantas flores p]fumadas pela alma de ,julio ,d9iz4 ,no teem mau feitio os novellos da tia ,philom5a1 nem os v]sos d d\tor ,jacob queimam como z e/rophes de ,byron444 ,esses livros cabem solido1 porque no despovoado que se rememora1 e ambos elles valem hoje duas saudades r$ivivas4 ,d ran*o urbano uns lem1 outros fallam1 e n5hum e/ tri/e4 ,vae desc5do o sol4 ,passam no cam9ho z ceifeiras1 cont5tes d lid> d'um dia inteiro4 ,na voz d'algumas canta-lhes a alma2 nas faces de todas alvoreja1 quella hora d ent>dec]1 a alegria d descanco4 ,metade da noite1 a s]oam3 outra metade1 dormem-n'a4 ,sol nado1 toca a enca/el> os ce/os da ceifa e da v9dima1 e p>tem cant&o4 ,no palacete de grad>ias de f]ro acorda ao mat9al conc]to uma das =mosas d ran*o que na vesp]a e/ava l5do ,a flr d'entre o gelo4 ,e1 lembrada de t] lido n'um poeta portu5se e/a quadra1 sorri ao primeiro raio de sol que lhe br9ca nas r5das d leito1 e ab5oa3 ,ide ceif>6 ,deus vos en*a ,os aafates d'espigas4 ,deus vos d boa colheita1 ,rapazes e rap>igas4 ,e o s]o6 ,z rumas de milho no meio da eira2 rap>igas d'um lado1 rapazes d outro2 a requ9ta a di/ancia4 ,ao longe1 pres5tidos j pela turba1 os masc>ados4 ,emquanto no *egam1 o desafio3 --,no p5ses em s] esquiva1 ,que se eu e/5d] os braos1 ,tu vaes fic> prisioneira ,n'uma cadeia d'abraos4 --,que se me d de cadeias6 ,sempre um lo m5os =te444 ,cadeias que se no quebram ,so z d amor e da morte4 ,*egam os masc>ados4 ,irrompe a voz]ia3 -- elle6 -- ella6 --,no elle nem ella3 outro6 ,sempre me ha de lembr> o caso da m59a d ,p$regal1 que t9ha amores contr>iados4 ,na noite da esfolhada obteve lic5a p>a ir danar na fe/a ve/ida de camponeza4 ,foi1 e disse false&o a voz3 --,o primeiro abrao meu6 ,respondeu um camponez3 --,p]t5ce-me6 ,era s5ha4 ,e depois8 ,depois a m59a d ,p$regal no volt\ a casa1 e o capito-mr1 apes> de vr a filha radiosa da felicidade d casam5to1 nunca mais deix\ &> masc>ados nas esfolhadas4 99 99 99 99 99 ,s4 ,,b>?olomeu ,p] signum crucis444 ,sempre bom acautel> n'e/e dia6 ,vamos l p>a a ,foz1 com toda a g5te1 depois de p]signados4 ,encontramo-nos uns com os outros pela rua de ,f]reira ,borges abaixo3 --,p>a a ,foz8 --,pois6 --,almoar8 --,e jant>6 --,mais um copito por m9ha conta6 --,mais d\s por m9ha6 --,a ,d4 ,rosalia no vem8 --,foi de vesp]a2 dormiu l6 --,que s(freguido6 --,a ,d4 ,rosalia no qu] p]d] uma fe/a6 --,ento como z esposas cium5tas444 --,magano6 ,no cam9ho de f]ro am]icano4 ,d\s gordos3 --,e/a rom>ia mette muita g5te6 --,o pod] d mundo6 --,voc passa o dia8 --,eu v\ almoar a casa d cunhado4 --,mas voc vae de palito na bocca8 --,i/o foi p>a exp]im5t> os d5tes4 ,duas magras1 que valem por seis tag>ellas3 --,de ponto em branco6 --,sim444 a polonaise nova444 --,catita d'uma vez6 --,o mesmo posso diz] de ti6 --,ah sim444 o *apo4 --,e/ muito fresqu9ho6 ,eu go/o dos *apos arranjados com p\ca coisa444 --,no disse isso a ,rav\x1 que me p$iu oito mil e qu9h5tos444 --,ellas p$em sempre muito4 --,tu l sabes quanto te p$iram pela polonaise444 ,um sujeito1 pondo a cabea fra da c>ruagem1 p>a outro que desce a rua de ,f]reira ,borges3 -- ,b]n>do6 ,b]n>do6 ,&a p'r'aqui6 ,o outro agit&o os braos3 --,ol6 ,ahi v\6 ,uma velha rabug5ta3 --,que gordura d'homem6 ,vamos aqui morr] de calor6 ,por isso que eu go/ava dos c>roes444 ,o gordo1 atravanc&o a port9hola1 e produz9do um breve eclypse no int]ior da c>ruagem3 --,vamos l a esse ,s4 ,b>?alameu6 ,o que o *amava3 --,ora o ,b]n>do6 ,o ,b]n>do6 ,um petit-crev p>a um crev-petit1 atravez d fumo d *>uto3 --,palpita-me que vamos t] b]n>dices4 ,uma creana esmagada pelo ,b]n>do1 que se s5t\3 --,ai6 ,o ,b]n>do1 cuja s5sibilidade e/ embotada pelo habito de trilh> pessoas3 --,no nada6444 ,ora coitad9ha6 ,i/o fez-me lembr> a anecdota da melancia e da avell444 ,abala o trem4 ,a velha1 e/remec5do3 --,nos c>roes no havia i/o6 ,l vae aquella fluctuante colonia de romeiros povo> a ,foz durante v9te e quatro horas4 ,vo rom>ia6 diss]am elles4 ,pois que vo4 ,*eg>o l1 p]corr]o todas z cango/as1 todas z ruas1 iro ao adro1 praia1 a ,c>reiros1 procur&o1 sempre procur&o1 e no encontr>o a444 rom>ia4 ,o que elles encontr>o s]3 ,na igreja--,duas cort9as v]melhas e seis velas acesas1 no alt> de ,s4 ,b>?olomeu4 ,um homem s5tado a uma mesa1 a v5d] regi/os e a receb] esmolas4 ,algumas mulh]es1 que se ajoelham deante da mesa p>a beij> a imagem e beijam o diabo1 que a imagem tem aos ps444 ,no adro--,quatro mesas com bonecada4 ,um grupo d'hom5s de gu>da-soes ab]tos4 ,na praia--,muita g5te s5tada e muita g5te de p4 ,em ,c>reiros--,algumas pessoas que vo procura dos lavradores1 os quaes lavradores no app>ecem4 ,pelas ruas--,muita g5te que vae e que vem4 ,n'uma encrusilhada--,um sujeito da prov9cia p]gunt&o a uma pequ5ita3 --,onde a romagem1 m59a8 ,a rap>iga com c>a de lorpa consci5ciosa3 --,c no ha essa rua4 ,nas casas p>ticul>es--,algumas m59as s5tadas na sala das visitas4 ,ao c5tro1 quatro velhos a jog> a bisca sueca4 ,tudo esp]a d444 jant>4 ,na cos9ha--,a dona da casa a apress> a cos9heira4 ,a cos9heira a diz] ao criado que se ap]t>em muito com ella deixa o jant> por faz] e vae-se embora4 ,nos hoteis--,a mesa r$onda *eia4 ,a mesa quadrada1 idem4 ,a mesa triangul>1 idem4 ,mais quatro familias a p]gunt> se no ha mais mesas4 porta d ca/ello--,dois vet]anos a com] melancia1 e outro a dormir com o l5o v]melho e/5dido sobre a c>a4 ,nos bilh>es--,dois caixeiros que jogam o bilh> toda a t>de1 porque elles =am ,foz1 no procur> a rom>ia1 mas div]tir-se4 ,no ph>ol da ,luz--,um pae a explic> ao filho a esph]oicidade da t]ra pela curva que vae descrev5do um vapor4 ,o m59o3 pap1 mas se o mundo fosse r$ondo1 aquelle vapor cahia agora6 ,o pae3 ,cala-te1 cala-te1 tu no sabes o que dizes6 ,e a rom>ia8 ,procur>am-n'a1 rebusc>am1 vascolej>am tudo1 e no pod]am encontral-a444 ,e os lavradores a tom> banho8 ,os lavradores tomam banhos todos os dias1 m5os hoje4 ,teimavam em f>peal-os2 elles teimam em no d> sorte4 ,diz-se que co/umavam tom> sete banhos na manh de ,s4 ,b>?olomeu4 ,eu a*o que tom>o sete1 em qualqu] dia1 se tiv]em muita pressa d'ir p>a a t]ra4 ,dois tomam elles todos os dias3 um de madrugada outro de t>de4 ,acontece por l a cada passo demor>-se um camponez qu9ze dias e retir>-se com tr9ta banhos4 ,j h\ve um1 meu conhecido1 de ,ca/ello de ,paiva1 que e/eve qu9ze dias na ,foz e tom\ tr9ta e quatro banhos4 ,p]gunt\-me se eu qu]ia alguma coisa p>a os seus sitios4 --,ento j vaes8 --,e/a noite4 --,quantos dias e/ive/e8 --,qu9ze4 --,quantos banhos toma/e8 --,tr9ta e quatro4 --,como fize/e isso8 -- que aos dom+os tomava quatro4 ,um anno por outro acontece que alguns d'elles tanta pressa teem de acab> com o rem$io1 que tomam um unico banho4 ,i/o 1 morrem depois d jant>1 no m>1 com uma apoplexia4 ,o pretexto d'ir vr os lavradores um mau pretexto1 porque1 a9da que elles se banhassem1 como dizem que se banhavam antigam5te1 n'e/e dia1--no pre/ava aquillo p>a nada1 de c]to4 ,eu v\ explic> como os lavradores tomam banho na ,foz4 ,vo p>a z praias da ,luz com a sua tr\xa sobraada1 aos ran*os1 por que um l5ol *ega p>a quatro4 ,elles ent5dem por um ac]tado in/9cto su9o1 que quanto mais salgados fic>em1 melhor4 ,mettem-se entre os frago$os4 ,hom5s e mulh]es vo de branco1 ligeiram5te ve/idos2 a cr da r\pa faz com que deixem no banho o ligeiram5te e saiam sem adv]bio e sem dec5cia4 ,esp]am a onda1 de bruos na areia1 com a cabea virada p>a a t]ra1 e a p>te oppo/a p>a o m>4 ,i/o pod]ia (f5d] os peixes1 se os peixes tivessem brios4 ,m]gulham sete vezes1 porque1 p>a elles1 de sete em sete ondas1 vem uma que traz gr&e virtude curativa4 ,depois vo a corr] p>a entre z fragas1 *eios d'areia e d'agua1 e limpam-se ao l5ol a que j se limp>am tres4 ,i/o inv>iavel4 ,e o diabo1 que &a s soltas n'e/e dia8 ,a respeito d'e/e bi*o eu s\ exactam5te da op9io d padre ,antonio ,vieira3 ,o diabo j no t5ta no povoado1 nem necess>io1 porque os hom5s lhe tom>am o (ficio1 e o fazem muito melhor que elle4 ,ora e/e mais um motivo1 vi/a a sub/ituio1 p>a eu acab> como pr9cipiei3 --,p] signum crucis444 99 99 99 99 99 ,o ,,natal ,os *efes de familia1 que logram cont> v9te annos de praa conjugal1 devem hoje *am> seus filhos sala d jant> e diz]-lhes1 indic&o a meza3 --,o ,natal foi alli4 ,que ss4 ss4z os moos p5nuj5tos oiam rev]5tem5te a voz de seus paes1 e desam olhos de commovido respeito s mudas tabuas onde o ,natal vapor\ z mais succol5tas igu>ias1 e calde\ a mais s]5a embriaguez d g5]o humano nas g>rafas sc9tillantes de v9ho e luz4 ,o ,natal foi alli4 ,tudo quanto de indige/am5te pesado pde hav] p>a o mais vigoroso e/omago1 aqueceu z loiz que se deix>am cahir de maguadas das mos dos criados1 qu&o s\b]am que c]to dia o m59o mais velho tiv]a uma ga/rite por hav] comido uma gemma d'ovo depois da meia noite4 ,e tiv]am raso4 ,a espada de ,d4 ,p$ro ,,iv pref]e a inactividade d ,museu de ,s4 ,laz>o a lampej> ao reflexo d sol em dia de solemne patuscada milit> no ,campo de ,santo ,ovidio4 ,viram o ?rono des]to dos cortezos d seu tempo e no quiz]am sobreviv] ru9a d e/omago portuguez4 ,os hom5s contemporaneos d'aquellas loiz comiam uma gall9ha em dia de natal1 e um p] em dia d'anno novo4 ,os filhos1 que simplesm5te h]d>am o nome pat]no1 s5tem-se affrontados com a dige/o d'um ovo1 e e/o adopt&o meza os legumes porque a teia de aranha onde caiem os alim5tos no cons5te mais que uma folha d'alface1 e uma vagem de cons]va4 ,por isso se suicid>am z amplas t]r9as de ha v9te annos1 e no re/a da primeira fe/a portugueza mais que e/e epitaphio na bocca dos velhos3 --,o ,natal foi alli4 ,era alli4 ,a mesa deslumbrava de c&elabros e g>rafas4 ,em d]r$or e/avam z l>gas cadeiras de c\ro tauxiado4 ,n'aquelles alt]osos espald>es podia reco/>-se uma cabea impassivel f]m5tao dos liquidos4 ,sabia-se que n5hum dos convivas cabece>ia a ponto de fractur> o craneo na preg>ia am>ella4 ,aproveitava-se o enco/o unicam5te p>a se e/> aprumado1 de modo a facilit> a descida dos alim5tos ao longo d esophago4 ,os criados entravam e sahiam p>a pr os pratos2 hoje o pr9cipal cuidado dos criados dispol-os4 ,n'aquelle tempo no havia symetria2 a symetria foi creada e obs]vada exclusivam5te por ns1 que somos a g]ao mais artificial que tem v9do ao mundo4 ,a abundancia era a condio unica a att5d]4 ,ha v9te annos dizia-se de uma mesa3 ,e/ava *eia2 hoje diz-se ap5as3 ,e/ava bonita4 ,disp5savam-se z flores4 ,p>a recre> os olhos ba/ava a v>i$ade dos pratos2 p>a delici> o olfato era suffici5te o p]fume dos cos9hados4 ,b>alhavam-se z t]r9as1 z travessas e z taz4 ,a luz passava d'umas s outras como o reflexo de lu> que atravessa z ondas4 ,era um m> agitado1 amplo e alegre4 ,de espao a espao1 como ilha deleitosa1 erguia-se a g>rafa2 j se sabia que se t9ha de p>> alli p>a faz] aguada4 ,a prud5cia d m>9heiro e/ em no se demor> nos portos onde toca1 de modo a atraz> a viagem4 ,assim obs]vavam nossos paes mesa4 ,faziam escala por todos os ar*ipelagos de cry/al1 por s] v]gonhoso a um m>itimo no conhec] a mais insignificante ilhota4 ,saudavam na passagem o promontorio da gall9ha1 a bahia d arroz1 a cordilheira dos paios1 o i/hmo d p]nil1 o cabo dos mexidos1 os escolhos das rabanadas1 e a frescura oleosa dos v]dejantes oasis de grlos que ensombravam os pequ5os des]tos das travessas4 ,iam conhec5do o mappa palmo a palmo1 v5do o mundo retalho a retalho1 n'aquella noite4 ,corria a ceia na doce intimidade de bordo4 ,ria-se s]5am5te2 fallavam todos e ouvia-se cada um4 cabeceira da mesa e/ava o pae com os seus cabellos nevados1 radeante d'alegria4 ,p>ecia o piloto cana d leme4 ,dilatava-se n'aquelle suavissimo con*ego a alma dos convivas como se dilata a alma dos passageiros na contemplao d inf9ito4 ,qu&o a tripulao saltava em t]ra1 qu] diz]1 qu&o p\co antes da meia noite se levantavam da mesa1 iam em ran*o missa d gallo1 com aquella religiosa solicitude de muitos m>9heiros que vo or> ,s5hora da ,boa ,viagem mal que descem a escada de portal4 ,era uma fe/a6 ,n'aquelle tempo o v9ho no embriagava nem z comidas affrontavam4 ,o e/omago dilatava-se tanto como o corao444 ,o somno fugia am$rontado da alegre voz d gallo4 ,e/ava-se bem toda a noite e n+uem p$ia amoniaco nem soda ,watt]4 ,o livro da felicissima ga/ronomia d'aquelle tempo era digno d prologo1 e levava qu9ze dias a lr-se4 ,s no dia de ,reis se virava a ultima folha4 ,e no dia #g de janeiro n+uem se queixava de dyspepsia6 ,hoje tudo diff]5te4 ,os convivas introduziram os v9hos francezes porque so espuma que desce ao e/omago1 e que d uma falsa alegria de mom5to4 ,todavia qu]em mo/r> que so val5tes1 e arremettem contra uma g>rafa de *ampagne1 que durante meia hora os descompe1 a ponto de se supporem a cei> com cocottes4 ,esquecem-se de que e/o mesa com suas irms e com sua me4 ,at p>a ellas precisam de p$ir empre/ada a alegria s bebidas6 meia noite n+uem os encontra em casa2 e/o no botiquim a tom> caff1 porque se s5tem incommodados d e/omago4 ceia o unico que e/ s9c]am5te risonho o pae1 porque se alegra das suas recordaes4 ,os filhos comeam a fall> depois que salta a primeira rolha de *ampagne4 ,no di/+uem aquella ceia das ceias ord9>ias3 no se lembram d irmo que e/ no ,brazil ou d irmo que e/ no cemit]io4 ,antigam5te1 se e/ava aus5te uma pessoa da familia1 punha-se-lhe o retrato na mesa4 ,era p>a que no faltasse n+uem ceia4 ,hoje no se colloca o quadro p>a no desman*> a symetria4 ,mettemos a arte em tudo2 at nos lembramos de a mett] entre os pratos6 ,p>a tudo ha preceitos1 tudo se faz por m$ida4 ,os criados &am colloc&o a loia com a ,arte de s]vir mesa1 d snr4 ,joo ,matta1 no bolo4 ,como se pe a mesa8 ,o snr4 ,matta dil-o3 ,a toalha convm que seja adamascada4 ,qu&o se e/5de1 deve fic> bem po/a1 rep>tida com egualdade p>a todos os lados e sem rugas4 ,a pea pr9cipal1 p>a ornato ou s]vio1 colloca-se ao c5tro4 ,em torno d'ella1 pem-se s]p5t9as com vellas2 vasos de flores2 grupos de figuras2 pratos de doce de copa3 pratos montados de porcelana1 cry/al1 ou prata1 com pa/ilhas1 am5doas torradas1 doces de ovos e de cco1 foguetes e algumas flores artificiaes p>a embelezam5to d'esses pratos4 ,se h\v] plateaus com gr&es vazos de bronze d\rado1 devem colloc>-se symetricam5te na mesa1 t5do cada vaso sua g>rafa de v9ho de ,*ampagne rodeada de gelo1 p>a cont5tam5to da vi/a e o/5tao da gr&eza d dono da casa4 ,antigam5te os criados no t9ham comp5dio4 ,o que se punha na mesa no era p>a se vr mas p>a se com]4 ,em dezembro o que se qu]ia na mesa p>a cont5tam5to da vi/a e o/5tao da gr&eza d dono da casa era o v9ho4 ,o glo1 por s] frio1 deixavam-n'o vontade no topo d ,m>o e da ,e/rella4 ,hoje1 p>a aquec] os convivas e os v9hos1 pe-se gelo na mesa4 ,se uns e outros no ho-de e/> frios6 ,ha v9te annos o que o/5tava a gr&eza d dono da casa era o diametro da vazilha4 ,o v9ho mais desejado era o qu5te2 hoje qu]em o *ampagne bem nevado1 frapp1 como dizem os francezes4 tudo como os francezes dizem4 ,o caso que se lhes ob$ece1 e que j se deixa pass> a noite de ,natal franceza4 ,no sei como se *ama em francez s rabanadas e aos mexidos1 que se fazem a9da em att5o velhice de nossos paes4 ,ho-de t] um nome exquisito1 p>a no p>ec]em portuguezes4 ,tudo nos tem levado a ,frana1--at o feijo branco6 7,j no feijo branco3 diz-se flageolets47 ,deu-nos a arte1 e podemos diz] que nos lev\ o ,natal4 ,pois apez> de e/> casquilha a mesa1 *eia de insignificancias bonitas1 de pa/ilhas1 de am5doas torradas e de rosetas de glo1 podeis diz] a vossos filhos1 indic&o a mesa1 celeb]rimos val5tes da gu>da velha3 --,o ,natal foi alli4 99 99 99 99 99 ,,os ,,bohemios ,o fallatorio e/e3 --,qu&o *egam8 --,quantos so8 --,devem vir muito moidos6 --,rijas p]nas6 ,z donas de casa3 --,no sei como podem disp5s> a loia6 ,os paes de familia3 --,presc9direm d soph p>a dormir a se/a6 ,z m59as umas s outras3 --,eu se fosse namoro d'algum no cons5tia6 --,nem eu6 --,porque8 --,porque no qu]ia um m>ido com habitos de recoveiro444 ,os leitores d ,primeiro de ,janeiro3 --,elles444 quem so8 --,de quem e/ fall&o8 --,a quem se ref]e8 ,n'uma palavra1--todas z explicaes4 ,e/amos fall&o dos c9co intrepidos cavalheiros lisbon5ses1 que se propoz]am faz] a p1 em v]dadeiras condies de bohemios1 uma insignificante jornada de ,lisboa a ,braga1--resoluo que importa o sacrificio de d> ap5as alguns passos como quem vae da ,praa ,nova ao ,palacio de ,cry/al p>a aproveit> a companhia de dois amigos que lembr>am um duello a c]veja4 ,mas1 s5do um p\co mais pr(undo1--porque o folhet9i/a tem obrigao de faz] a anatomia das int5es--vejamos se no hav] porv5tura n'e/e caso1 que d5ota primeira vi/a bons pulmes1 bom sangue e boas p]nas1 algum proposito recondito1 algum plano philosophico1 que revele1 em segunda leitura1 que os cavalheiros de ,lisboa so to intrepidos de espirito como de corpo4 ,l]iam ha p\co tempo o ,roman comique de ,sc>ron1 o ,diable ,p>is de ,edu>do ,ourliac1 ,l',anglet]re et la vie anglaise de ,affonso ,esquiros1 o ,gr& homme de prov9ce ,p>is1 de ,balzac1 e en?usiasm>-se-iam com z comicas av5turas dos actores ambulantes e dos musicos das ruas8 ,no de suppr que rapazes que se enco/am s vitr9es d ,*iado1 que frequ5tam o ,gremio1 que vo a ,s4 ,c>los1 que no faltam esp]a dos t\ros1 que co/umam pass> o v]o em ,c9tra1 que calam bota de polim5to1 que se frisam no ,b>on1 que se ve/em no ,keil1 se agu5tem1 por m]o capri*o1 n'uma cam9hada de sul a norte1 que os obriga a viv] entre montes1 durante dois mezes1 n'uma b>raqu9ha de campanha1 onde mal se pde lr a ,correspond5cia de ,portugal e onde s]ia impossivel desdobr> o ,times4 ,e tanto i/o no provavel1 que dois dos p]egr9os d ran*o desanim>am a meio da jornada com saudades d robe-de-*ambre e d ,m>t9ho4 ,se o int5to fosse um simples devaneio d'espiritos moos1 uma extravagancia dos v9te annos1 hav]iam retroc$ido todos1 e affog>iam o seu desal5to n'um copo de *ampagne1 que como os rapazes co/umam ent]r> ruidosam5te qualqu] ideia que lhes morre444 ,mas tres d'elles1 os snrs4 ,a4 ,c4 da ,silva ,ca/ro1 ,e/evo ,ribeiro da ,silva e ,p$ro de ,campos ,m5ezes1 avanaram sempre1 *eg>am s ,caldas da ,ra9ha1 demor>am-se em ,coimbra1 acamp&o no rocio de ,santa ,cl>a1 e devem t] j p>tido d ,bussaco4 ,segue-os uma c>roa1 puxada por um ma*o4 ,na c>roa vae o *alet ambulante1 dobrado em frma de biombo1 e s5tado em cima da lombada d *alet o cos9heiro1 que1 precis&o de trabalh> com os braos1 se disp5sa de trabalh> com z p]nas4 o ,san*o ,pana da av5tura1 que se presume a assi/ir quelle acto da ,cora em que vae pass&o em fr5te d espectador o panorama d ,mississipi1 porque vae v5do regaladam5te z m>g5s d cam9ho mettido d5tro da sua mitra d'algodo branco1 d seu av5tal de l9ho e dos seus oculos de metal am>ello4 ,elle o unico d ran*o que se s5te despreoccupado1 porque ap5as tem uma ideia3 a cos9ha4 ,os patres vem &&o e p5s&o1 porque e/a viajata repres5ta p>a elles uma lucta entre z velhas tradies e z ideias mod]nas1 entre z =z d homem e z =z da ma*9a1 entre os artelhos e os rails1 entre a vontade que m&a mov] e a locomotora que faz &>4 ,o emp5ho d'e/es cavalheiros naturalm5te mo/r> que o homem mais completo d que o suppem2 que o progresso uma simples mi/ificao de preguiosos que qu]em viv] na indol5cia1 e viaj> s5tados2 que os cam9hos de f]ro so uma pat>ata eng5drada p>a negocio d'uma companhia1 e f9alm5te1 que a raa lat9a tem a9da sangue rico1 alma arrojada1 altura de p5sam5tos1 colorido nas creaes1 val5tia nas empresas4 ,qu]em pois supplant> z inv5es mod]nas1 disp5s&o-z1 e tanto o conseguiram1 que de ,lisboa at ,coimbra entretiv]am-se a ens9> a &> o cam9ho de f]ro4 ,por um es=o p\co vulg> *eg>am a dom9> a propria curiosidade3 ha um mez que no recebem c>tas nem jornaes4 ,no sabem nada d que se passa no seu paiz1 porque a direco d correio to p\co intellig5te que os no m&a procur> onde e/o4 ,mais um triumpho p>a elles6 ,ento o correio foi feito p>a entreg> z c>tas a quem lh'z p$e ou p>a z ir entreg> a quem z deve receb]8 ,nada sabem d que ha tr9ta dias acontece em ,lisboa1 nem siqu] teem tido noticias da cotao dos fundos hespanhoes4 ,e fall>-se sempre da rapida transmisso d p5sam5to1 de telegraphos electricos1 de cabos subm>9os1 de paquetes a vapor6 ,ha um mez que inteiram5te ignoram o que se p5sa no ,*iado1 e1 vi/o que j os inc5dios comeavam qu&o p>tiram1 no sabem ao c]to se ,lisboa ardeu1 e se j se encomm5d\ algum m>quez de ,pombal p>a re$ifical-a4 ,diz-se que o progresso tem levado commodidades a toda a p>te1 desbrav&o flore/as1 povo&o des]tos4 ,no ,c>taxo desej>am sorvetes e no os obtiv]am2 em ,*o de ,mas p$iram toic9ho d co e alcanaram a c]teza de que o co em ,*o de ,mas era mahometano4 ,apregoa-se a diffuso da in/ruco publica1 a creao de cadeiras prim>ias1 e na ,pampilhosa1 qu]5do s5t>-se a tom> a fresca1 (f]ec]am-lhes uma cadeira em to mau e/ado1 que de n5hum modo se podia consid]> prim>ia4 ,em ,alf>ellos quiz]am pass> a noite a lr1 e e/&o ,alf>ellos a dois passos de ,coimbra1 e s5do ,coimbra1 segundo o p5sam5to de ,heitor ,p9to1 a cidade d'onde irradiam z virtudes e z lettras p>a todo o re9o1 como d c5tro da esph]a sahem z l9has p>a a circumf]5cia1 ap5as conseguiram hav] em ,alf>ellos um reportorio de #ahgb4 ,pois ento1 n'e/e seculo de extrema e assombrosa mobilidade1 ha no mappa de ,portugal uma t]ra que em ago/o de #ahgc se gov]nava pela *ronologia de #ahgb1 dorm9do um anno inteiro6 ,um dos nossos guapos viajantes s5tiu-se no cam9ho um p\co emb>aado com um calo no d$o m9imo d p direito4 ,ento a9da ha calos6 ,e os jornaes a assoalh>em que a pomada ,galopeau o v]dadeiro p$icuro descob]to at hoje6 ,um p\co cre/ados pelo sol1 desej>am refrig]> a pelle4 ,onde e/ava esse famoso ,*>les ,fay1 inv5tor d p de arroz prep>ado com bismu?o8 ,banh>am z faces n'uma fonte1 que s]pejava por entre ro*as1 e saud>am en?usia/icam5te mais uma vez o passado1 porque a agua to antiga1 que j o diluvio foi444 d'agua6 ,a frescura d liquido con/ip\-lhes os d5tes4 ,reclam>am a pres5a d snr4 de ,vitry1 *irurgi5 d5ti/e de leurs maje/s trs fideles1 e o snr4 de ,vitry no os ouviu *am> na sua casa da rua d ,ouro em ,lisboa6 ,pois se o p5sam5to se transmitte com a apregoada rapidez p>ecia que444 ,em ,s\zellas viram porta de uma t5da1 invadida por d\s meir9hos1 o pobre d logi/a que se lam5tava da desgraa a que o ia r$usir a p5hora4 ,p]gunt>am3 --,o que tem aquelle homem8 --,quebr\4 ,e os jornaes de ,lisboa a diz]em que o snr4 ,c>valho ,junior inv5t\ um efficaz empla/ro p>a sold> z pessoas quebradas6 suprema irriso6 v]dadeiro triumpho ganho pelo passado sobre o pres5te6 indubitavel victoria d homem sobre a ma*9a6 ,e vs1 illu/res bohemios d'uma crusada santa1 que ides dilat&o a f e o imp]io1 dizei-me1 s9c]am5te1 intimam5te1 se e/e no o v]dadeiro fim da vossa rude jornada6 ,podeis1 ao longo d cam9ho1 ir cant&o a velha co dos actores ambulantes3 ,veut-on savoir d'ou n\s v5ons1 ,la *ose e/ trs-facile2 ,mais1 p\r savoir o n\s irons1 ,il faudrait tre habile4 ,sans n\s inquit]1 enf91 ,usons1 ma foi1 jusqu' la f9 ,de la bont cle/e6 ,il e/ c]ta9 que n\s m\rrons2 ,mais il e/ sur que n\s vivons3 ,rions1 buvons6 ,et moquons--n\s du re/e6 e eu gu>d>ei ufano o diploma de--tre habile--porque descort9ei a vossa int5o recondita4 ,at vi/a1 e felicidade6 99 99 99 99 99 ,o ,,relogio444 o meu relogio que me d assumpto p>a e/e folhetim444 ,aqui e/ o meu pobre amigo1 to esquecido por mim em horas de felicidade1 e to esquecido por todos os hom5s4 ,no t5ho mais leal conselheiro1 companheiro mais d$icado4 uma especie de consci5cia que metti no bolo4 ,qu&o ella falla1 preciso att5del-a4 ,e todavia1 se uma nuvem de desgo/o me enoitece o horisonte da vida1 se um cuidado me preoccupa1 se um sobresalto me traz p]plexo1 esqueo-te1 pobre amigo1 no *ego a lembr>-me de que te trago con*egado a mim1 e de que1 obrig&o-te ao sil5cio p>a que tu no fo/e feito1 s\ cruel p>a ti1 porque te condemno a ouvir z palpitaes v]tig9osas d meu corao inquieto6 ,no te d\ movim5to1 porque inteiram5te te esqueo4 ,condemno-te ociosidade1 e1 priv&o-te de trabalho1 no rep>o que sobremodo doloroso e/> a g5te tri/e e calada6 ,que qu]es8 o egoismo dos hom5s2 somos todos assim6 ,temos de p>tir p>a uma viagem4 ,nossa me e/ do5te1 e *am\-nos pelo telegrapho1 porque no qu] morr] sem nos ab5o> e beij>4 ,e/amos ss1 n'um qu>to d'hosp$>ia4 ,os criados1 que no compreh5dem o que a ancia de receb] o ultimo beijo mat]no1 deit>am-se1 ext5uados de trabalho1 e nem siqu] e/o sonh&o que teem ordem p>a nos *am> ao alvorej> da manh4 ,ns e/amos deitados sobre a cob]ta1 j com o nosso fato de jornada1 fum&o1 fum&o1 inquietos1 rememor&o os dias saudosos da infancia1 em que nossa me1 quella mesma hora1 nos ens9ava a res> ao anjo da gu>da1 ou z noites em que acordavamos sobresaltados1 e acudia ella a limp>-nos o suor da fronte1 e a con*eg>-nos a r\pa aos hombros4 ,sobre a commoda arde tri/em5te a vela que ha j duas horas precisava de s] espevitada4 ,a um canto e/ a nossa mala1 com o *apo de *uva em cima4 ,re9a um sil5cio funebre no qu>to4 ,nem ao m5os se s5te o palpit> d relogio no bolo4 ,todavia trabalha1 mas p>ece que int5cionalm5te se reprime p>a nos no p]turb>4 ,n'aquella casa de g5te desconhecida1 o nosso unico amigo o relogio4 ,e/ vigi&o1 trabalh&o p>a ns4 ,consultamol-o4 ,a9da c$o444 ,p>ece diz]-nos que e/ejamos tranquillos porque elle no adormec]4 ,cont9uamos p5s&o4 ,agora nos lembra a pallidez orvalhada de lagrimas com que nossa me se desp$iu ao p>tirmos4 ,e ella1 e/amol-a v5do na h]oica resignao das mulh]es que sabem sacrific> o corao ao dev]2 ella1 que d topo das escadas de p$ra1 anciada1 faz5do um es=o supremo1 nos diz a9da3 --,p>te1 filho1 preciso6 ,depois recolheu-se de golpe1 porque j lhe falt\ a coragem de nos adv]tir de que eram horas1 muito horas444 ,no seu corao de me1 relogio que s a morte pde emmudec]1 havia soado a hora fatal da desp$ida4 ,e ns p>timos1 ss9hos1 guiados pelo ru/ico almocreve1 ss9hos--com o nosso relogio4 ,no havia sol4 ,no pod]iamos conhec] z horas pelas sombras das arvores4 ,o almocreve1 que se no podia ori5t> d curso d tempo1 porque o co e/ava escuro como o nosso corao1 ia-nos p]gunt&o de legua em legua que horas eram4 ,consultavamos ento o relogio4 meio dia3 ,pois olhe1 volvia o almocreve1 qu&o meio dia1 e o ar e/ cl>o1 bate o sol n'aquelle cabeo4 ,meio dia6 ,a hora em que nossa me se levantava da sua co/ura p>a res> comnosco emquanto se no ext+uia o e*o da ultima badalada no campan>io da aldeia6 ,quem nos disse i/o tudo8 ,foi a memoria8 ,no foi4 ,ns iamos entorpecidos pela dr1 no ouviamos horas que nos evocassem recordaes1 a solido era imm5sa1 ao longe s]ras1 a9da mais ao longe s]ras444 ,foi o relogio1 o pequ59o corao que ia s5t9do por ns4 ,se at o almocreve1 que vive sempre s1 no m$onho des]to das e/radas1 faz d cabeo das montanhas relogio1 p>a que o cam9ho lhe v fall&o e diz5do3 ,ante-hontem passa/e aqui mais c$o6 ,d'uma vez1 mesma hora1 encontra/e aqui aquella pegureira1 espavorida com m$o dos lobos6 ,at elle1 aquella alma rude1 precisa da companhia d relogio6 ,por isso o vae p5dur&o de s]ra em s]ra1 faz5do d granito mo/rador1 e dos raios d sol ponteiros444 ,mas emfim nossa me e/ agora do5te1 moribunda talvez4 ,que funda melancolia nos e/ d&o a saudade6 ,facto inexplicavel6 ,a ancia de p>tir foi v5cida pela ancia de record>4 ,iamo-nos esquec5do pelo muito que nos e/avamos lembr&o444 ,dormem todos no pr$io2 melhor diriamos dorme tudo1 porque os mesmos moveis p>ece conhec]em a noite444 ,engano6 ,no dorme tudo4 ,vela o relogio4 ,abrimol-o4 ,so horas de p>tir6 clama elle4 ,acr$itamol-o como ao melhor amigo4 ,saltamos d leito4 ,gritamos pelos criados4 ,os criados dormiam4 ,s o relogio velava1 pois c]to1 porque ns mesmos e/vamos atordoados pela somnol5cia da saudade444 ,mais um mom5to1 e no *eg>iamos a tempo d'alcanar a dilig5cia4 ,e manh s]ia j t>de1 talvez4 ,nossa me hav]ia morrido1 qu] diz]1 a nossa falta havel-a-hia assass9ado1 mais cruel que444 a do5a4 ,qu&o todos dormiam1 foi o relogio que nos avis\444 portanto elle que nos recorda os nossos dev]es1 que nos diz qu&o havemos de entr> p>a o nosso escriptorio1 que su/5ta em gr&e p>te a nossa h>monia dome/ica1 adv]t9do o criado de que *egado o mom5to de t] lu/rosas z botas1 e a criada de que j vo s5do horas de jant>444 ,s elle nos falla v]dade n'e/a epoca ess5cialm5te insidiosa4 ,insidiosa1 o t]mo4 ,pois no e/ receb5do o pr9cipe de ,bism>k1 todos os dias1 c>tas p]fumadas de almisc> e outras ess5cias irritantes p>a o sy/ema n]voso8 ,pois em ,pal]mo1 onde canta actualm5te uma prima-dona =mosissima1 no lhe arremess\ outro dia aos ps c]to admirador despeitado um b\quet que1 ao *(r> no palco1 reb5t\ como metralhadora8 ,qu]em maior insidia8 ,*eg>am a env55> z duas coisas mais graciosas da creao1 z flores e os aromas2 no exijam portanto lealdade na mulh]4 ,n'e/e cataclismo a9da se no afund\ o relogio3 a unica tabua que re/a aos naufragos da soci$ade4 ,o relogio1 a despeito da corrupo g]al1 repres5ta e repres5t> o dev]4 por isso que no ,memorial de familia1 de ,emilio ,s\ve/re1 o av lega ao neto o seu relogio1 escrev5do no te/am5to e/a clausula3 ,deixo a ,leo o meu relogio d'ouro que nunca se desconc]t\ durante v9te annos4 ,qu&o elle att5t> nos ponteiros1 que1 sempre ob$i5tes ao impulso da ma*9a1 m>cam fielm5te z horas1 record> que a submisso e a obs]vancia so a primeira condio d dev]4 ,o relogio filho d egoismo d homem1 e victima d mesmo egoismo que lhe deu vida4 ,nos tempos primitivos ba/ava o quadrante sol> p>a m$ir o tempo4 ,paulo e ,virg9ia nem d gnomon se s]viam4 ,so horas de jant>1 dizia ella1 porque z sombras das bananeiras j lhes do pelo p ou ento noite2 os tam>9dos fe*am z folhas4 ,z ampulhetas ou relogios d'areia remontam-se mais nubelosa antiguidade egypcia4 ,na ,grecia usavam-se os clepsydros1 relogios d'agua4 ,vs disputaes a m9ha agua dizia ,demo/h5es1 phrase que d a ent5d] que a durao dos seus discursos era m>cada por um clepsydro4 ,meado o t]ceiro seculo antes de ,*ri/o1 ,e/sibius1 d',alex&ria1 con/ruiu um clepsydro notavel por s] mais complicado que os primitivos1 que se limitavam a um vaso com um orificio na p>te inf]ior1 por onde se coava a agua gotta a gotta4 ,depois o homem entr\ de pr(und> os segr$os da natureza1 e de se qu]] apropri> de quanto n'ella havia de gr&ioso4 ,a ideia d relogio era innata creao4 ,l9neu compreh5deu-o organis&o o relogio botanico pelas horas em que c]tas flores abriam e fe*avam4 ,mas tanto i/o v]dade1 que os primeiros relogios eram con/ruidos com os primitivos elem5tos da t]ra3 com o sol1 os gnomons2 com a agua1 os clepsydros2 com a areia1 z ampulhetas4 ,onde qu] que faltassem recursos arti/icos1 ahi se podia m$ir o tempo3 no mais alto da s]ra1 com um raio de sol2 nas solides d des]to1 com um punhado d'areia1 e no des]to d m> com uma gotta d'agua4 ,o espirito humano progr$ia4 ,*eg\ a vez d homem diz] t]ra3 ,at agora crea/e tu2 agora qu]o eu cre>2 ,e trabalh\1 e emp5h\-se em disp5s> o sol1 a agua1 e a areia2 inv5t\ o p5dulo1 consegu9do que a =a motora fosse con/ante4 ,galileu ou ,huygh5s1 a hi/oria designa-os a ambos1 deu e/e gr&e passo4 ,mas a9da no e/ava completam5te resolvido o problema4 ,era preciso inv5t> mais4 ,em viagem1 quem1 por obra d homem1 havia de indic> ao homem o curso d dia ou da noite8 ,o sol ou z e/rellas4 ,todavia nem o sol nem z e/rellas z fez elle4 ,p5s\1 luct\ de novo1 e descobriu a molla em spiral1 que sub/itue o peso motor pela ela/icidade que tem4 ,fic>am portanto descob]tos os relogios d'algibeira4 ,podes p>tir1 p]egr9o2 j conseguirs sab] nas solides d teu cam9ho se a noite vae adiantada6 ,e s tu que o dizes a ti proprio444 ,realisa/e1 f9alm5te1 o teu sonho4 ,consegui/e r\b> ao relogio a individualidade que a natureza lhe deu1 e reflectir n'elle a tua propria individualidade4 ,no v]dade que a e/ructura d corao uma1 e que no ha s5tim5tos1 por mais similhantes que se affigurem1 que sejam completam5te irmos8 ,tambem o relogio tem o seu corao1 o seu ma*9ismo1 igual em todos1 e abri quatro relogios ao mesmo tempo1 que difficilm5te comb9>o na indicao dos m9utos4 ,cada um tem a sua maneira de trabalh>2 como cada homem tem a sua maneira d'escrev]4 ,e o e/ylo2 a diff]5te maneira de s]4 ,ahi temos a individualidade homem e a individualidade relogio fundidas n'uma s4 o relogio-homem1 e o homem-relogio4 ,o relogio m$e z horas2 o homem os annos4 ,eu t5ho doze annos1 diz a creana2 meia noite1 diz o relogio4 ,um nasceu d'um p$ao de b>ro2 outro d'uma gotta d'agua4 ,a alma o p5dulo d homem-relogio2 o p5dulo a alma d relogio-homem4 ,o relogio o corao que s5te o tempo2 o corao por sua vez o relogio que m>ca z horas solemnes da vida1 como diz a trova3 ,a uma hora nasci1 s duas fui baptisado2 s tres &ava d'amores1 s quatro e/ava casado4 ,pois apes> de tudo i/o--d homem a tal ponto hav] conseguido id5tific>-se com o relogio1 s5do preciso m]gulh> na onda escura da antiguidade p>a lhe ir busc> a origem1 porque elle nada cons]va da sua frma primitiva1 apes> d'e/a cam>adagem leal1 que o relogio mantm como d$icado amigo1 e/amos habituados a tractal-o como escravo1 exig9do-lhe a maxima fidelidade qu&o c>ecemos d seu auxilio1 e despres&o-o1 obrig&o-o ao sil5cio e quietao1 esquec5do-nos de lhe d> corda como nos esquecemos de calar z luvas4 ,por isso que elle s vezes1 despeitado1 adoece1 s5do preciso m&al-o ao relojoeiro1 porque emfim1 como tambem diz a trova3 444 am> sem s] amado ,faz p]d] a paci5cia4 99 99 99 99 99 ,s ,,sete ,,horas ,,da ,,manh ,um d'e/es dias aconteceu-me como ra9ha ,*ri/9a da ,joanna d ,arco3 tive saudades da ,aurora4 ,levantei-me alvoroado e resolvi ir procural-a1 no aos reportorios1 em que eu j v\ p]d5do muito a f1 mas nas ruas1 onde uma pessoa j no pde p]d] a f1 porque1 qu&o sae1 a deixa em casa4 ,e sahi a procur> a aurora1 s sete horas da manh4 ,infelizm5te no a encontrei s5o nos c>tazes que annunciavam a ,joanna d ,arco e diziam3 ,aurora1 filha d rei ,faz-,tudo e da ra9ha ,*ri/9a ,am9a--snr4 ,amelia ,m5ezes4 ,ora z auroras dos c>tazes so como tudo o que d !atro3 s se vem noite4 ,e1 como d'ahi at pod] vr amanhec] no palco d !atro ,baquet m$eavam muitas horas1 decidi aproveit> o meu tempo o melhor possivel1 v5do tudo quanto app>ecia1 ouv9do o que se dizia4 ,vi e ouvi4 ,na loja da primeira esqu9a poisava um gallego o seu copo d'agu>d5te sobre o balco1 com attitude de quem se desp$ia4 ,mas1 ao contr>io dos olhos de quem se desp$e1 que e/o quasi sempre humidos1 o copo e/ava enxuto4 ,tambem pod]a6 que a agu>d5te um combu/ivel p>a o c>rejo4 ,qu] arm>-se pela manh1 porque o seu combate comea quasi logo com o dia4 ,aquella a sua polvora2--com ella f> fogo4 ,depois de aba/ecido o paiol1 no recei> succumbir2 e se s vezes1 durante o dia1 h\v] suada refrega1 ir beb] tantos cop9hos quantos c>tuxos requisit>ia um soldado em lance id5tico4 ,o que reconheci que todos pela manh1 qu&o saiem rua1 o mais que procuram --a =a4 ,ora hoje a =a j no e/1 como nos tempos pagos1 nos cabellos de ,sanso4 ,hoje a =a a agu>d5te1 a revalescire1 o oleo de figados de bacalhau1 o bife1 e1 apes> de se *am> frango a uma pessoa fraca1 a =a tambem e/ no frango4 ,eu digo i/o porque encontrei uma velh9ha1 to curvada1 que p>ecia ir procur&o j a sepultura1 a embrulh> no seu capote um frango que provavelm5te fra compr> ao m]cado4 ,elle1 o franguito1 ia muito quieto1 como se conhecesse que era cob>dia luct> com a velhice4 ,p>a que podia s]vir-lhe1 sem mais nada1 porque ella no levava realm5te mais compra alguma8 ,p>a deit> panella1 com uma p\ca d'agua e sobre uma p\ca de l5ha1 e p>a depois o com]1 ella1 que precisa de =a p>a esp]> pela morte1 ou p>a o d> a um neto1 que e/ provavelm5te com v>iola1 e precisa de =a p>a resi/ir morte4 ,em todo o caso eu desconfio que fosse p>a o neto1 pela pressa que a velh9ha se dava4 ,no olhava p>a n+uem1 e ia enco/ada s casas como se quizesse evit> encontros e demoras4 ,provavelm5te levava na algibeira a *ave da casa1 e a criana havia ficado fe*ada1 em quanto ella fra compr> ao m]cado o franguito com uns re/os de d9heiro ab5oado que lhe esmolra o anonymo ,y4 ,e ia com seu receio de que o neto precisasse d'alguma coisa1 e desse pela sua falta1 sem se lembr> de que1 qu&o acab> de velhice1 n+uem c]tam5te d> pela falta d'ella4 ,isso no lhe importa4 ,morr]1 morre ella se lhe falt> o neto4 um peso1 1 mas a vida1 que tambem um relogio1 precisa d'um peso p>a regul>1 como os relogios4 ,o peso de mais uma bocca p>a ella uma consolao4 ,naturalm5te o rapas9ho j ganhava o seu v9tem a v5d] jornaes4 ,no era tanto pelo d9heiro1 que a av go/ava d modo de vida1 como pelas novidades1 que o neto contava noite444 ,tudo isso e/ava provavelm5te em risco d'acab>1--z novidades1 a vida d neto e a alegria da av4 ,por isso ella ia to afadigada--coitad9ha6--com a sua velhice e com a sua compra444 ,agora comeo eu a encontr> o ran*o dos criados1 com z amplas ce/as enfiadas no brao4 ,de todas z ce/as1 a que mais me deu na vi/a foi uma que ia completam5te *eia de alfaces4 --,familia de grilos6 p5sei eu4 ,e depois ratifiquei1 porque o criado1 ref]9do-se dec]to a algum dos patres1 ia diz5do p>a o companheiro3 --,e elle e/-me sempre a cant>6 ,uma criada dialogava com outra3 --,hoje prego-lh'a444 --,bem me fio eu n'isso6 --,ora tu v]s4 --,ento que fazes8 --,no me ha-de torn> a deix> fe*ada3 hoje p]co a *ave da porta da rua4 ,eu disse p>a os meus botes3 --,trabalho escusado1 o de te fe*> a porta6 ,z criadas1 como aves de rap9a que so1 em p\cas gaiolas cabem1 de modo que tem sempre a cabea de fra444 porta d ,anjo cantavam dois cegos o ,noivado d sepul*ro2 o povo fazia circulo3 ,vai alta a lumha na manso di a morte1 ,j meia noite com bag> zo\4 ,no fui philosoph&o sobre a deturpao dos =mosos v]sos d poeta portu5se4 ,p5sei mais nos cegos que no poeta1 ,deus me p]de6 ,como so cegos1 no podem vr di/9ctam5te a prosodia e a ortographia2 isso j se sabe4 ,no que eu p5sei foi n'e/e cont9uo &> div]t9do os outros1 sem siqu] t]em tempo de se lembr> de que so cegos4 ,l vo *or&o na viola z suas maguas1 mas to disf>adam5te1 que g5te p>ece-lhe que e/o cant&o1 e elles e/o talvez *or&o4 ,passam no mundo sem vr o mundo1 e isso p\co lhes importa2 o que lhes cu/a mais dec]to no v]em o d9heiro444 ,n'uma b>raca d m]cado1 um soldado da gu>da municipal (f]ecia morangos a uma criada de s]vir4 ,que delicado amor aquelle1 que elles iam mett5do na massa d sangue6 ,o morango a fructa mais innoc5te1 mais saborosa1 talvez a mais agradavel1 e e/e facto1 que eu pres5ciei1 depe realm5te muito a favor da educao d nosso ex]cito4 ,podiam am>-se com peixe frito1 e am>-se-iam assim ha v9te annos2 agora o ex]cito ama com5do morango1 fructa que p>ece hav] nascido p>a se com] de luvas1 to pequ59a e rosada 6 ,qu&o recolhia1 v9ham adeante de mim dois pequ5itos1 com os seus livros sobraados4 ,pelo que diziam1 depreh5di que entravam n'aquelle dia o exame d'in/ruco prim>ia4 --,levas m$o8 p]guntava um4 --,eu no4 ,e tu8 --,eu6 n5hum6 ,e1 coitad9hos1 iam tremulos como pass>9hos qu&o a g5te pga n'elles4 --,infelizes6 p5sei eu1 l vos esp]a o visco4 ,sabeis a origem da palavra di/ricto8 ,sabeis qual a frma geometrica d re9o de ,portugal8 ,no sabeis8 ,pobres9hos de vs1 que l fic>eis a esvoaar infructif]a e desa/radam5te no visco da reprovao6 ,pois ento ides faz] exame d'in/ruco prim>ia1 pequ5os scel]ados1 e no sabeis tudo6 ,e/ive capaz de diz] que retroc$essem4 ,todavia deixei-os ir1 entregues ao seu de/9o1 e s oraes das mes1 que em sua extrema bondade p5sam que ho de v5c] todas z difficuldades com padre-nossos4 ,santas creaturas--z mes6 ,coitaditos6 os pequ5os l =am &&o444 ,subo f9alm5te1 com a cruz da m9ha ociosidade1 a ladeira da rua de ,santo ,antonio4 ,ociosidade digo1 se bem que o meu animo no &e nunca to despreoccupado1 que no *egue a lembr>-se de que o dom+o o dia d folhetim4 ,por consegu9te1 eu1 jornaleiro d jornalismo1 descano d labor quotidiano procur&o444 assumpto4 ,e sab5do eu que ha pessoas to felizes que s vezes encontram d9heiro pelas ruas1 reputo-me to infeliz que1 sem a*> d9heiro1 p\cas vezes encontro assumpto4 ,todavia d'e/a vez at na rua de ,santo ,antonio o encontrei6 ,j agora qu]o s] v]dadeiro at ao fim1 e fall>-lhes d'um quadro que e/ava em exposio na loja dos snrs4 ,m>t9s ,p]es1 e que havia sido comprado por um cavalheiro de ,villa ,nova de ,gaya4 ,imag9em o mais =moso idyllio d'e/e mundo1 o v]dadeiro consorcio da poesia com a p9tura1 e t]o o quadro que se intitulava a ,morte d'um pass>9ho1 copia de ,eug5e ,lejeune4 n'aldeia1 e suppe-se provavelm5te que n'um l>gosito1 onde s crianz co/umam br9c>4 ,qualqu] d'ellas havia engaiolado1 no tempo1 um n9ho de melros1 de que s escap>a um4 ,vivia pr9cipesca o melro1 tractado pelos pequ5os1 que muitas vezes se esqueciam d velho co1 p>a en*]em os com$\ros ave4 ,mas1 pois que at os pr9cipes morrem1 o melro morreu4 ,era preciso faz] um ent]ro condigno1 e tract\-se d'isso4 ,emquanto uma criana abre a cova e outra su/5ta uma cruz de pau1 =mam z re/antes o funebre cortejo d pass>9ho4 ,o f]etro vae depo/o n'um c>rosito de pau1 o melhor que se pde arranj>4 ,umas pequ5itas tiram pelo c>ro1 em direco cova1 que se e/ abr9do4 ,apoz o f]etro vae um rapas9ho lacrimoso1 susp5d5do a gaiola vasia1 e a p> d rapas9ho o co1 to tri/e como qualqu] das crianz4 ,o quadro i/o1--e o mais que se no pde diz] e con/itue a alma da p9tura4--,a9da no vi assumpto to ligeiro mais habilm5te tractado1 d'onde se inf]e que1 se ,eug5e ,lejeune tivesse vi/o os meus dois rapas9hos1 que iam faz] exame1 com os seus livros1 o seu m$o e a sua esp]ana tambem1 hav]ia des5hado um quadro digno de figur> a p> da ,morte d'um pass>9ho4 99 99 99 99 99 ,,meza ,,d ,,* 7,,por ,,occasi,o ,,da ,,visita ,,d ,,%ah ,,da ,,p]sia ,,europa7 --,e/\ summam5te aborrecida1 primo6 --,confesse1 o que no nada lisonjeiro p>a mim6 --,o primo no me julga div9dade p>a me faz] o sacrificio das suas palavras444 d'oiro6 --,p]do1 que eu e/ava prov&o o *4 --,cuidado4 ,ento no escalde a eloqu5cia4 ,a9da se no pde tom>4 --,n'esse caso444 --,n'esse caso8 --,esp]emos que o * arrefea4 --,agora impossivel6 --,impossivel8 --,sim1 porque o %ah j no e/ na ,russia4 --,bravo6 ,a prima faz espirito6 ,repta-me2 atira-me a sua delicada luva gris-p]le4 ,e/ aceite4 ,conv]semos4 --,pois conv]semos4 --,dizia eu444 --,o que dizia o primo8 --,nada4 ,eu ia diz] que e/a *av5a d tamanho da ,europa4 --,que disp>ate1 primo6 --,p]do1 que tem d5tro o %ah444 99 ,z mes dos primos1 export&o mal$ic5cia e import&o fatias pela bocca3 --,l e/avam hontem no !atro6 --,e/avam4 ,elle e ,ella4 g5te da primeira soci$ade444 --,ora o que tu quiz]es1 ,g]trudes6 ,fidalguia que sahiu da qu9quilh]ia e d fundo d'um *apo4 ,elle tolo3 ella filha de criada6 --,mas fazem figura444 ,o filho mais novo1 que e/uda geometria no lyceu3 --,figura de444 cyl9dro4 ,z mes3 --,cala-te1 ,luiz9ho6 --,deixa fall> o rapaz4 ,eu no ent5di o que elle disse1 mas pde s] que tivesse graa444 --,pois eu e/\ pelo meu dito4 ,p>ecem da primeira soci$ade4 --,p>ecem1 come&o pelo fim4 99 ,um dos pequ5os3 -- mam1 ento sempre vamos p>a a ,foz8 --,o pap vae amanh alug> casa4 ,o pequ5o sah9do da sala a corr]3 -- ,juc6 o pap vae amanh alug> casa6 ,z mes3 --,no ha rem$io1 ,leocadia1 eu t5ho uma filha4 preciso vr se tractamos de casal-a4 --,que pressa6 --,t5ho c uma raso2 no digo bem1 temos c uma raso4 --,aquillo em ,hespanha e/ mau444 --,que tem a ,hespanha com tua filha8 -- que meu m>ido &a com a mania de compr> fundos hespanhoes1 e1 se a ,hespanha fiz] banc>ota444 --,p]cebo4 ,o m>ido que se agu5te1 e fique com a mulh] sem dote444 --,tal e qual4 ,ns c444 p5samos assim4 99 ,o pae da m59a l5do o ,jornal d ,comm]cio1 e int]romp5do-se p>a *am> o sobr9ho2 -- ,ar?ur8 --,meu tio6 --,tu j le/e e/a biographia d %ah da ,p]sia8 --,eu no1 meu tio4 --,pois olha que tem sua graa6 ,l5do pausadam5te3 ,mal subiu ao ?rono re=m\ o %ah os co/umes d palacio1 r$us9do z despesas d s]ralho a limites mais equitativos4 ,seu tio1 a quem succ$eu1 como j indicamos1 t9ha nada m5os de qu9h5tas mulh]es1 das quaes h\ve c5to e um filhos e c5to e sess5ta filhas1 o que con/itue regul> prole4 ,o mon>*a actual tem unicam5te qu9ze esposas e pae s d'uma duzia de filhos4 ,na sua viagem lev\ algumas d'aquellas at ,s4 ,pet]sburgo2 faziam p>te da criadagem e co/umavam aloj>-se com os cavallos e os palafr5eiros2 na capital da ,russia1 o %ah m&\-z embora1 obrig&o-z a volt> p>a ,thran4 ,z mes poisam z *av5as e do att5o4 ,o pae pois&o o jornal3 --,pois1 s5hores1 sempre um %ah muito =te6 ,z mes3 --,ah6 ah6 ,a m59a3 -- primo1 vamos faz] paci5cias depois d *8 --,como a prima quiz]4 ,o pae3 --,deixem a paci5cia p>a o %ah3 com qu9ze mulh]es6 99 ,o primo1 levant&o-se da mesa1 abre a c>teira e comea a escrev] p>a evit> que a prima o =ce a ir faz] paci5cias4 ,a me d primo3 --,l e/ o rapaz a tombos com os v]sos6 --,aquillo no lhe faz mal n5hum6 --,sim1 mas que j tem impresso tres volumes m9ha cu/a e e/o p>a l z aguas-furtadas *eias de livros4 ,a prima levant&o-se surrateiram5te3 --,so p>a mim4 ,no d o brao a torc]1 mas ama-me com toda a c]teza4 ,o primo fe*&o a c>teira e ergu5do-se3 --,com toda a metrificao4 --,que dizia1 primo8 --,que fiz um milagre4 ,ha um mez que no fao v]sos1 e escrevi tres quadras com toda a metrificao recomm5dada nas poeticas6 --,pde sab]-se qual foi a inspirao8 --,oh6 uma l\cura1 prima1 uma extravagancia m9ha4 ,a m59a1 p>te3 --,so a mim4 ,no se atreve a diz]-m'o6 ,em voz alta3 --,diga sempre444 --,olhe que no valem nada444 --,mas porque no l8 ,so444 --,a mr4 ,du ,b>ry4 --,a quem8 ,o primo e/-me engan&o6 --,acr$ite4 ,so a mr4 ,du ,b>ry1 au?or da ,revalescire4 ,a prima a9da desconfiada de s] a inspirao2 --,ora leia6 --,ahi vo3 ,meu ,deus6 eu vi su> os bons p$reiros ,a enca/el> z p$ras calc9adas ,com que arm>am alfim uns p>dieiros1 ,p5durados de ro*as emp9adas4 ,c]to dia nef&o a tempe/ade ,rugiu1 rol\1 desceu em turbilhes1 ,lasc&o a ro*a1 arreme&o a h]dade ,d v5daval aos rbidos baldes4 ,ento1 ,du ,b>ry1 obreiro +5te1 ,que recon/rues z raz com f>9ha1 ,p5sei em ti1 que vs morto o do5te ,qu&o a ,r'valescir' salvado o t9ha6 ,a prima3 --,ora6 ,o primo3 --,du ,b>ry um gr&e homem6 ,a prima aga/ada3 --,e o primo um gr&e +rato6 99 ,a me d primo2 -- mano1 que diz a folha d que vae por ,hespanha8 --,a folha diz que os int]nacionali/as descubriram agora uma nova especie de banhos4 --,uma nova especie de banhos86 --,j havia os d m>1 que e/o desacr$itados desde que muitas m59as vem de l solteiras4 ,havia os de *uva1 que j no faziam effeito a n+uem4 ,havia os russos1 e ha-os agora de petroleo444 --,de petroleo6 --,mana e s5hora--de petroleo1 diz a folha4 ,a me d primo3 --,aquelle meu rapaz metteu por =a a cabea em algum banho de petroleo6 99 ,a prima3 --,ento vamos faz] paci5cias8 ,elle3 -- prima1 eu e/ava com vontade de faz] mais v]sos4 ,a9da t9ha t5o de cant> e/a noite o dr4 ,pat]son1 au?or das pa/ilhas am]icanas1 e o ,mel*ior ,sola1 fabricante de lumes promptos4 ,dois gr&es hom5s1 prima6 ,um d a saude2 o outro a luz4 ,a pa/ilha o colorido das suas faces2 o phosphoro a alma d meu *>uto4 ,a prima come uma pa/ilha e s5te-se =te2 eu ac5do um *>uto e s9to-me poeta4 ,procur&o o *apo3 -- ,pat]son6 ,sola6 pa/ilha6 phosphoro6444 ,a prima3 --,ento vae-se embora8 ,o primo1 j d patam>3 --,v\ ao !atro a9da4 ,a me d primo3 -- o que eu digo1 3 o rapaz toma banhos de petroleo6 99 99 99 99 99 ,s4 ,,jo,o 7,,no ,,dia #ba ,,de ,,junho ,,de #ahgc7 ,s4 ,joo o ,anacreonte d *ri/ianismo4 ,et]na mocidade1 inext+uivel alegria1 olh> brilhante1 faces rosadas1 cabellos revoltos1 sorriso nos labios444 o das ces1 dos bail>icos1 dos amores1 dos my/]ios4 ,na sua noite de tal modo sabe di/ribuir pelas alam$as os cl>os-escuros d lu>1 que p>ece hav] uma sombra p>a cada segr$o1 um reflexo p>a cada alegria4 ,a fe/a da mocidade4 ,suspira a guit>ra debaixo d arvor$o e a musica d'aquella noite to docem5te e/onteia z rap>igas1 que *egam a p]d] o seu annel de noivado entre z folhas d s]po444 ,&am no ar d]ramados uns effluvios que p>ece d>em g5te uma indol5cia voluptuosa4 s5t>-se na relva1 ouvir a guit>ra1 cant>1 rir1 e a noite l se vae esquiv&o por entre os troncos das alam$as444 ,z trovas tambem contam que elle1 o precursor1 vivia no desleixo da felicidade4 ,de subito o colhia o somno1 qu&o a aurora v9ha desc5do t]ra1 p>a reanim> z flores p5didas durante a noite444 ,s4 ,joo adormeceu ,nas escadas d collegio4 ,depois1 qu&o acordava1 corria a procur> a sua felicidade a9da absorto nas vises d sonho444 ,o ,s4 ,joo1 d'onde v9des ,pela calma1 sem *apo8 ,outras vezes1 porque o somno era mais breve ou o sonho era maior1 desp]tava p\co depois de t] adormecido1 e z moz1 que ao entreluzir da manh abriam z janellas d casal1 iam-lhe p]gunt&o de casa a casa3 ,o ,s4 ,joo1 d'onde v9des1 ,que tanto e/aes orvalhado8 ,viveu rodeado de mocidade1 das alegrias da primav]a e das maguas dos v9te annos1--maguas que so fecundantes como os *uveiros d'abril4 ,ora z moz lhe *ilriavam em torno z alegrias dos seus desejos3 ,s4 ,joo1 z moz hoje ,vos p$em que z caseis2 ora o procuravam p>a que lhes dsse aquellas flores my/]iosas que trazem allivio a p5as d'amor3 ,no alt> de ,s4 ,joo ,ha um vaso d'auc5as1 ,aonde vo os namorados ,d> allivio s suas p5as4 ,p]seguido pelas feias1 que noite e dia lhe p$iam noivo3 ,s4 ,joo1 todas z feias ,vos p$em um casam5to1 corria a escond]-se nos rosaes3 ,o ,bapti/a no des]to ,entre z flores escondido1 c]to de que ellas no ous>iam1 ellas1--z feias6--defront>-se com z flores p>a encontral-o4 ,p\cas vezes1 sim1 mas l v9ha uma tri/eza ao corao1 qu&o alguma voz ia cant&o na e/rada3 ,por causa de pret5es ,mulh]es que no f>o8 e ento-- horror6--receioso da col]a das desilludidas1 e d res5tim5to das feias1 procurava encantal-z a todas1 e fazia brot> a agua da sua fonte de prata1 p>a que umas e outras viessem n>cis>-se ao espelho444 ,s4 ,joo por vr z moz ,fez uma fonte de prata4 ,todavia umas e outras1 a/utas por s]em bonitas1 a/utas por s]em feias1 fugiam ao logro1 e no levavam a sua bilha fonte1 p>a que todo se matasse de aborrecim5to o santo444 ,z moz no vo a ella1 ,s4 ,joo todo se mata4 ,e/ava porm escripto no livro dos de/9os que lhe viesse a queim> a vida o fogo com que elle br9cava444 ,uma noite havia fe/a nos paos sumptuosos d',h]odes-,antipas4 ,em d]r$or da aurea mesa e/ava recl9ada ,h]odiades1 a lib]t9a que se r5d]a ao amor d irmo de seu m>ido1 e ,salom1 sua filha1 e os cortezos que libavam v9hos deliciosos em taz reluz5tes de p$r>ia4 ,no longe1 no c>c]e1 e/ava ,joo ,bapti/a1 sepulto na sil5ciosa solido das cadeias1 porque elle havia levantado a sua voz contra a ince/uosa unio d tetr>*a e da b>reg illu/re1 sua cunhada4 ,depois d fe/im1 ,salom tom\ a h>pa e cant\ e bail\ na pres5a de seu tio4 ,quiz elle gal>doal-a e p]gunt\-lhe o que lhe aprazia4 ,ento ,h]odiades incl9\-se ao ouvido da filha e a moa respondeu3 --,a cabea d preso4 ,e cont9u\ a tang] na h>pa dos seus cant>es4 ,mom5tos corridos p5diam d'um taboleiro de prata1 na sala d fe/im1 os negros cabellos da inanimada cabea4 ,e ,salom bailava1 e ,h]odiades sorria1 e os cortezos applaudiam4 ,no pao tudo era alegria2 na rua iam cant&o melancolicam5te z rap>igas3 ,por causa de pret5es ,mulh]es que no f>o8 ,fiz]am cahir ,s4 ,p$ro1 ,degol>am ,s4 ,joo4 ,mas1 prodigio6 os olhos1 apes> de mortos1 t9ham brilho1 e nas faces in]tes havia um raio de sol6 ,era o brilho da et]na mocidade1 o reflexo da alegria et]na444 ,e nunca n+uem mais *or>a o precursor1 porque o cutello d algoz no lhe r\b\ a gr&e alma que en*e de luz e felicidade a noite d'hontem e o dia de hoje4 99 99 99 99 99 ,,judas ,,no ,,plural 7,,pas*oa ,,de #ahgc7 ,=am-se alguns mas a9da fic>am muitos4 ,ha-os de todas z idades1 de todos os feitios e de todos os sexos4 ,a vida s]ia um p]petuo sabbado d'alleluia se cada homem e cada mulh] tivesse a consci5cia d que 4 ,mas o gr&e erro d nosso b>ro o qu]]mos engan>-nos a ns mesmos4 ,d'e/e erro nascem todos ou quasi todos os maus s5tim5tos1--a vaidade1 o orgulho1 a p]fidia444 ,na p]fidia que bate o ponto1--da p]fidia que hoje se tracta4 ,queim\-se hontem pelas ruas a figura d apo/olo traidor1 e a maioria das pessoas que eu encontrei t9ha z faces radiosas d'alegria e no d5otava ard] na fogueira int]ior em que muitas vezes nos queimamos1--o remorso4 ,tudo por no nos qu]]mos conhec]1 tudo por no desc]mos s pr(undezas de ns mesmos a tacte> aquella co/ella de ,judas que h]damos de nossa me ,eva1 qu&o no p>aiso t]real s$uzia o esposo com bl&icias conjugaes p>a t5tal-o a com] d fructo prohibido4 ,no pomo da t5tao foi toda a p]fida maldade da f+ida esposa4 ,ado comeu-o1 dig]iu-o1 entr\-lhe muito da sub/ancia na massa d sangue4 ,depois o sangue d primeiro homem correu p>a os gr&es vasos da humanidade e lev\ comsigo alguma coisa da fatal ma1 alguma coisa de ,judas4 ,succ$eu porm que no corpo d discipulo traidor entr\ maior dose d v55o2 i/o significa simplesm5te que elle era mais traidor d que ns e no que1 por elle o s]1 no o sejamos tambem4 ,somos6 ,se somos6 ,o que ns temos a nosso favor a civilisao d nosso tempo e a suavidade dos nossos co/umes4 ,judas fez uma aco m por maneira peior d que a aco4 ,ns fazemos o que elle fez1--mas sabemos fazel-o4 ,elle1 com toda a rudeza dos seus babitos de pescador1 env55\ com a sua traio a mais doce =mula de exprimir a amisade1--o beijo4 ,o beijo fic\ env55ado1 e tanto assim 1 que desconfiamos sempre d beijo1 excepto qu&o elle desabro*a em labios de me4 que o corao mat]no1 pr(undo como o m>1 inviolavel como elle3 rejeita qualqu] corpo extranho pureza dos seus s5tim5tos4 ,feita e/a excepo1 a primeira e unica1--o beijo cont9ua a e/> env55ado4 ,o beijo tem sempre um fim1 o beijo simplesm5te um in/rum5to4 ,p>ece impossivel que uma coisa que dura to p\co possa faz] tanto mal1 mas faz4 ,ah6 de noite1 n'um qu9tals9ho de roseiras8 ,l ao longe ha montes1 recortados por p9heiraes1 e p9heiraes illum9ados pela lua *eia8 ,julieta e/ entre z suas roseiras1 com os cabellos revoltos1 o seio (fegante8 ,um fremito6 ,foi uma folha que cahiu8 ,ah6 no foi1--foi um beijo que pois\4 ,e/s bem s]vido1 desgraado6 ,romeu piegas6 esse beijo co\-te ao sangue a febre d casam5to4 desgraado6444 uma noite d'inv]no4 ,a *uva torr5cial4 ,a v5tania abala z janellas4 ,tu e/s s5tado ao fogo1 com o teu robe-de-*ambre e o teu capote1 com os ps no f5d] e a cabea mettida d5tro d b>rete de velludo preto4 ,le/e o teu jornal1 e fica/e somnol5to1 ou fosse que o jornal te adormecesse ou que o calor te en]vasse4 ,*ega/e a um d'esses e/ados de espirito em que j se no p5sa em nada2 e se se p5sasse em alguma coisa1 era dec]to em dormir4 ,n'i/o ouves entr> na sala tua mulh]4 ,abri/e os olhos1 conhece/e-lhe o &> e deixa/e cahir z palpebras4 ,ella vem1 p-ante-p1 debruar-se d espald>1 bat]-te uma palmada no hombro1 e diz]-te maviosam5te3 --,j so horas de me ve/ir1 filho8 ,e/remeces1 como se te reb5tasse aos ps uma bomba ,ors9i4 --,ve/ir8 --,so nove horas4 ,eu m&ei vir a c>ruagem s onze4 -- filha1 mas eu e/\ con/ipado1 no posso comigo1 tem paci5cia1 filha1 mas com e/a noite1 no vamos1 no podemos ir6444 ,at*i1 at*i444 olha como eu e/\ con/ipado6 --,ahi e/s tu com z tuas phantasias1 com a tua negregada imag9ao6 ,dir-me-has manh se peiora/e com o baile4 ,imag9a que desces z escadas muito embrulhado no teu capote1 que te mettes na c>ruagem1 que te deixas ent]r> nas alm(adas1 que *egamos f9alm5te1 que entras nas salas onde z luzes cons]vam uma temp]atura con=tavel1 que o conselheiro e o d\tor esp]am por ti1 que fazem a sua p>tida de volt>ete1 que ds seis codilhos e um g]al1 que vaes tres vezes casca444 --,tudo isso v]dade1 filha1 mas hoje no pde s]4 ,e/\ indispo/o1 e/\ bruto1 deixa-me diz] assim1 e/\ bruto4 ,hoje1 se jogasse o volt>ete1 no ia casca1 dava casca com toda a c]teza4 ,ella1 que n'e/a esgrima conjugal tem gu>dado p>a o fim o bote decisivo1 cont9ua um p\co my/]iosam5te1 cada vez mais debruada na cadeira3 --,pois sim1 tu no qu]es ir444 no vamos444 por mim p\co me importa4 ,mas lembra-te que no janta/e a9da ha duas horas1 que n'e/a sala faz um calor excessivo1 que o m$ico444 ,o m>ido1 aprum&o-se e esgaze&o o olh>3 --,que o m$ico8 ,ella p]plexa3 --,deixemos isso4 ,vamos ao baile1 filho1 &a ve/ir-te444 ,elle3 -- ,n9i1 mas que disse o m$ico8 ,no me enganes444 ,e/e fogo444 e/e maldito fogo444 eu bem s9to que i/o calor de mais4 --,mais uma raso p>a o evit>es4 -- filha1 ,n9i1 mas pass> agora p>a o frio6 --,no passes j3 arrefece primeiro4 ,em todo o caso livra-te d fogo1 homem1 livra-te d'e/e fogo1 que hade d> cabo de ti444 ,bem o disse444 --,o m$ico8 --,sim1 o m$ico4 --,que disse elle1 ,n9i8 --,que fizesse por arranc>-te ao fogo1 porque e/e calor1 depois de jant>1 bem sabes que o teu temp]am5to444 --,ah6 ,j sei6 ,a apoplexia6 ,e n'i/o cae dos labios da esposa face sangu9ea d m>ido um beijo muito mais v55oso d que um frasco d'acido prussico4 ,e que a esposa v5de a tranquillidade d m>ido pelos tr9ta d9heiros d baile4 ,e z creanz1 qu&o so inquietas como borboletas1 e tem cabellos loiros como o sol1 e olhos azues como o co1 que graciosos ,judas que ellas so6 ,prohibe-lhes a g5te que bulam no b\quet que poisamos em cima da mesa4 ,e ellas a e/5d]em sorrateiram5te a mo444 --,m59a6 --,m59o6 --,no bula ahi4 --,deixe e/> isso4 ,e d'ahi a segundos l torna a creana a mex] com a mosita1 como um beija-flr que e/ivesse abr9do uma aza p>a ir oscul> uma rosa4 --,tu apanhas6 --,esp]a ahi6 ,e a creana1 em vez de salt> ao b\quet1 salta ao nosso collo1 e afaga-nos1 e p$e-nos meigam5te que lhe deixemos vr o b\quet1 que ella s o qu] vr1 que s o qu] *eir>4 ,beija-nos6 ,o almasita de ,judas em corpo de *]ubim6 ,tu no sabes que o beijo foi a arma de ,judas1 mas o que tu j adv9ha/e que o beijo um v55o com que a g5te facilm5te mata uma opposio qualqu]4 ,os gov]nos a9da se no lembr>am d'e/e gr&e exp$i5te1 mas e/\ c]to de que mais t>de ou mais c$o s] incluido na longa li/a das tricas p>lam5t>es4 ,supponhamos que um m9i/]io no t9ha maioria4 ,um dos m9i/ros entrava na cam>a1 e e/ava fall&o vehem5tem5te um dos maiores oradores d p>lam5to4 ,z accusaes eram en]gicas1 o m9i/ro s5tia-se abalado no p$e/al d gov]no1 via cav>-se-lhe aos ps o abysmo d nunca mais4 ,era preciso uma ideia salvadora1 um p5sam5to lum9oso4 ,pois bem4 ,s4 ex4 o m9i/ro levantava-se doidam5te apaixonado1 e corria a beij> fr5eticam5te o orador da opposio4 ,e s4 ex4 o deputado1 affrontado d'aquella ancia de beij>1 cahia na cadeira amavelm5te asphyxiado1 e afa/ava com um ge/o c>9hoso s4 ex4 o m9i/ro4 ,j se t5t\ rehabilit> o beijo1 mud&o-lhe o nome4 ,comeou-se a diz] osculo1 no por s] mais elegante a dico1 mas por s] m5os conhecida4 ,logo porm que se veio a sab] o que era o osculo1 entr\-se a desconfi> tanto d osculo como d beijo4 ,diziam os namorados3 --,acr$itas o juram5to8 --,no acr$ito4 --,e se o sell> com um osculo8 --,oh6 no acr$ito4 ,no pde hav] amor exdruxulo4 ,ns no rompemos por entre a multido1 asp]am5te1 ap>t&o os grupos1 p>a ir v5d] com um beijo2 v5demos e compramos com um beijo1 negoci&o com elle s]5am5te4 ,a gr&e culpa de ,judas foi falsific> a mo$a e lanal-a falsificada na circulao4 ,ns no falsificamos1 v]dade1 mas negociamos com d9heiro falso4 ,por isso hontem1 qu&o a alleluia passava fe/ivam5te de torre em torre1 e e/ralejava nas ruas1 e os ,judas de palha iam ard] e/oir&o com gr&e applauso d rapazio1 eu ouvi so> a meus ouvidos a gr&e voz da ,raso1 d'e/a ,raso que se escreve com letra maiuscula por s] da escola d ,inf9ito1 e diz]3 --,se s os que no fossem ,judas devessem ac5d] o ra/ilho1 e/es monos de palha1 que tu ahi vs1 no ard]iam jmais4 99 99 99 99 99 ,,hi/oria ,,velha ,s\ muito novo p>a no t] esp]anz e muito velho p>a deix> de s5tir o suave do] da saudade4 ,esp]o no futuro1 na baixa das inscripes1 nas banc>otas1 nas dictaduras1 esp]o em tudo o que ns podemos t] de bom em ,portugal1 e no posso deix> de lembr>-me saudoso d passado1 das suas cr5z1 das suas obras1 uma das quaes somos ns1 das suas tolices tambem4 ,se ponho olhos no futuro1 refujo de m$roso p>a o passado e apraz-me ento conv]s> com os hom5s que =am1 os quaes me contam coisas m>avilhosas e graves4 ,ora succ$e tambem que muitas vezes me fico pasmado diante d e/5dal das relamborias semsaborias das soci$ades ext9ctas1 mas nem por isso deixo a9da de qu]] ao passado1 que no nos deu os b>es1 nem os p5i*eiros1 nem z companhias de cam9hos de f]ro1 innovaes mil vezes mais cau/icantes que z supraditas semsaborias4 ,revivam pois z s9c]as cr5z e z +5uas tradies de nossos avs1 e conv]semos d'elles e d'ellas emquanto a soci$ade mod]na applaude o espectaculo de si mesma4 ,o primeiro v>o respeitavel que temos a conv]s> *ama-se ,antonio ,c]queira ,p9to1 cidado da cidade d ,porto e academico supranum]>io da academia real da hi/oria portugueza1 o qual escreveu e e/amp\ a ,hi/oria da prodigiosa imagem de ,*ri/o crucificado que com o titulo de ,bom ,jesus de ,b\z se v5]a no lug> de ,ma?oz9hos1 na ,lusitania4 ,po/o i/o como apres5tao indisp5savel1 vamos direito ao assumpto e oiamos o ,c]queira n'uma das pag9as d seu livro3 ,consi/e pois o pr9cipal d'e/e admiravel successo1 em que volt&o ,s4 ,?iago de ,hespanha a ,j]usalem1 com os sete discipulos1 que na prov9cia int]amn5se da ,lusitania conv]t]a1 e hav5do triunfado em m>tyrio n'aquella mesma cidade1 em que ,*ri/o remira o mundo1 empreh5d]am os mesmos discipulos1 tanto por ant]ior recomm5dao d santo1 como por div9o impulso1 reconduzir o seu sagrado cadav] a e/a p>te1 p>a t] o jazigo1 na em que fra mission>io apo/olico4 ,emb>cados com elle em ,jope1 porto m>itimo da ,pale/9a1 e navegado em breves dias p>a o ,occid5te1 o ,m$it]raneo1 co/e&o pelo oceano a ,lusitania1 com rumo direito a ,galiza1 p>\ como em calm>ia a emb>cao1 vi/a d v5turoso log> de ,ma?os9hos1 no por falt>-lhe o v5to1 pois v9ha cele/ialm5te equipada1 e tanto de div9as auras favorecida1 que lhe lev\ brevissimos dias a d]rota s5do d'ext5so bem dilatada2 mas por p]mittir o co1 que n'e/a escala tivesse ,s4 ,?iago por refresco uma salva real1 como teve na conv]so d copioso g5tilismo1 que n'aquella praia se a*ava ento celebr&o os regios desposorios ref]idos 7uns que se celebravam n'esse dia em ,ma?os9hos7 em ju/as1 torneios1 lanz1 e outros applausos ao antiquado uso1 que n'e/as p>tes haviam introduzido os primeiros adv5ticios dom9antes gregos4 ,e s5do n'e/e fe/ejo um dos jogos celebrados1 o a que *ama o ,flos sanctorum antigo de ,alcobaa1 &> ba=d&o#c porque os cavalleiros na praia em conc]tados m5eios entravam pelas c&idas espumas1 que ao m> co/umam s]vir de crespo bordado ao c]uleo adorno1 com que gallea2 succ$eu por alto my/]io1 que d noivo o cavallo desp]&o d domante freio os regulados preceitos1 se arroj\ s ondas1 intrepido1 com tanto fogo1 que julgavam magoados os circum/antes ao cavalleiro desgraadam5te p]dido2 porm elle prodigiosam5te v5turoso *eg\ sem p]igo a abord> nau1 em que com os seus discipulos e/ava o corpo de ,s4 ,?iago1 e lhe s]viu de segura tabua a salv>-se1 e a todo o log> d naufragio g5tilico1 por ir ,deus assim dispondo aquelle especioso t]r5o p>a sob]ano deposito da v5]avel imagem de ,*ri/o ,crucificado4 ,junto da nau1 entre os confusos assombros de vr-se na fluida incon/ancia das anfuas1 como em t]ra firme1 seguro1 not\ e adv]tiu o cavalleiro1 que no s *egava de m>itimas con*as matisado3 mas que no mesmo p]igo a*ava quem o livrasse d su/o na milagrosa exposio d ,my/]io e in/ruido nos da ,f1 recebido o sagrado baptismo por um dos santos discipulos adm9i/rado1 impresso bem tudo no seu conceito com praz] inexplicavel conv]tido1 e por aquelle sacram5to illu/rado2 adv]tido f9alm5te d my/]ioso f9al1 que z con*as haviam de fic> repres5t&o feito mission>io apo/olico1 triumphante da culpa1 e dos m>es p>a elle j todos de graa1 volt\ em airosa c>reira pela liquida torr5te ao mesmo sitio1 d'onde t9ha sahido naufragante4 ,no cuidemos de sab] como ,sam ,?iago se refrescava com uma salva real1 nem comm5temos os pasmos d cavalleiro ao vr-se matisado de m>itimas con*as4 ,esmiuncemos que regios desposorios eram esses que se celebravam na praia da villa de ,ma?os9hos4 ,p>ece que a palavra regios se no qu] ref]ir unicam5te ao fau/o das bodas1 que =am sobremodo lusidas como inculca o citado ,flos sanctorum antigo de ,alcobaa1 cujo texto vem citado no ,catalogo dos bispos d ,porto#d 1 de ,d4 ,rodrigo da ,cunha1 a pag4 #bj1 "p4 #a4 444 e a ,caval>ia1 e z ,donas1 e a g5te moita1 e cada um fazia o que sabia1 que p]t5cia boda3 e os huns lanabo ao tavoado1 e os outros ba=dabom1 mas entre e/es que ba=dabom1 ba=dava hi o noivo4 ,hoje no se o/5tam nas bodas proezas de cavall>ia3 os convidados esgrimem contra os taboleiros1 e os noivos esp]am que os convidados deva/em os pod9s p>a se v]em livres dos importunos p>asitas de luva branca4 ,mas1 torn&o ao conto1 escreve a9da ,d4 ,rodrigo da ,cunha3 ,no s o ,flos sanctorum de ,alcobaa o que faz m5o d'e/e milagre1 que deu occasio a se conv]t]em tantas almas n'e/e nosso ,bispado1 e em lug>es to vis9hos ao ,porto4 ,no ,brevi>io antigo da ,s de ,ovi$o1 se a*a um hymno1 que se co/umava a res> na fe/a de ,sanct',iago aos #be de julho1 em que cl>am5te se faz alluso a elle4 ,dizem os v]sos d hymno3 ,cunctis m> c]n5tibus3 ,s$ pr(undo ducitur2 ,natus ,regis subm]gitur2 ,totus pl5as con*ilibus4 ,*ama ao cavalleiro1 que se recebia filho d',el-,rei1 porque sem duvida o s]ia d'algum regulo1 a quem os ,romanos s(friam e/es nomes de dignidades1 em quanto lhe no imp$ia a subjeio a seu imp]io4 ,como d'aqui se depreh5de1 conjectura-se nas passag5s citadas a fidalguia d noivo1 natus regis1 e por isso adjectiv>am de regias z bodas4 ,no ob/ante div]gem z op9ies sobre a qualidade e nome dos nub5tes4 ,no os nomeia o ,flos sanctorum d mo/eiro de ,alcobaa1 copiado por ,d4 ,rodrigo da ,cunha e outros d\tos v>es1 com quanto circum/anciadam5te conte d milagre4 ,d'e/a lacuna proc$e todo o emb>ao1 porque o padre frei ,luiz dos ,anjos os nomeia ,cayo ,c>po1 natural da ,maya1 e ,claudia ,loba1 d ,porto2 e ,d4 ,p$ro ,segu9o1 bispo d',or5se1 escreveu que o cavalleiro se *amava ,rivano e a dama ,val]ia4 ,ao noivo uns o do como lib]to de ,augu/o ,ces>1 e outros como filho d'algum pod]oso regulo das ,hespanhas4 ,ora a nobreza da mulh]1 suppe ,c]queira ,p9to1--que p]si/e em *am> a elle ,cayo ,c>po e a ella ,claudia ,loba1--que era das primeiras e melhores3 no conselho da ,maya1 que he1 e foy sempre contiguo mesma ,cidade1 7d ,porto7 e onde e/ situado o lug> de ,matos9hos1 havia cavalheiro capaz de cas> com mulh] daquella nobre familia444 ,pelo que se v1 a villa de ,ma?os9hos era alfobre de precl>a nobreza em que floreciam v>ias fidalguissimas ,claudias4 ,hoje1 se ,claudias ha em ,ma?os9hos1 trazem saia pelo joelho e seguram vigorosam5te contra a ressaca z esgr\viadas banhi/as que vo molh> no m> os n]vos do5tes4 decad5cia das ,claudias1 e outras6 ,no vae o nosso amor pela antiguidade at av]igu>mos cabalm5te o v]dadeiro *amadoiro e nascim5to dos noivos de ,ma?os9hos1 e at1 p>a concili>mos os consultissimos hi/oriadores1 no temos duvida em matrimoni> ,val]ia com ,cayo ,c>po e ,rivano com ,claudia ,loba4 ,d'e/a maneira1 fic>iam por igual comprazidos os *roni/as que div]gem sobre o nome d cavalleiro que sahiu ao m>1 e da noiva que fic\ em t]ra4 ,d prodigio result\ a total conv]so d log> de ,ma?os9hos f ca?olica1 e1 segundo diz ,c]queira ,p9to1 de toda a nobreza d ,porto e da ,maya1 que e/ava pres5te4 ,tambem lembra o hi/oriador que o nome de ,lea1 dado ao rio1 pod]ia d]iv> da alegria devida aproximao da nau que conduzia ,s4 ,?iago ou pl5>ia conv]so d'aquellas g5tes4 pois c]to que o log> de ,ma?os9hos1 onde o leitor descuidosam5te passeia o seu aborrecim5to em mezes de banhos1 por mais d'um respeito celebre1 porquanto no #a4 de abril d anno de #dd se op]\ o prodigio que vimos hi/ori&o1 e d'ahi a oit5ta annos aport\ quella praia a imagem cuja hi/oria ,c]queira ,p9to p>ticul>m5te escreveu no livro de que havemos extrahido e/es apontam5tos4 ,a p> da tradio religiosa1 que d]iva das bodas de ,cayo ,c>po com ,claudia ,loba1 corre a tradio nobili>ia1 como se os hom5s1 cium5tos das glorias da ,igreja1 quizessem seque/r>-lh'z em gr&e p>te p>a satisfaz] sua vaidade4 ,conhecel-o-ha o leitor1 se me quiz] acompanh> a ,b5av5te1 di/ricto de ,evora1 onde encontr>emos n'uma das torres da matriz z armas dos condes d'aquelle titulo1 z quaes armas repres5tam c9co con*as em escudo liso4 ,e/e o ponto em que a tradio religiosa pr5de com a tradio nobili>ia4 ,d cavalleiro de ,ma?os9hos1 pr$e/9ado p>a tamanhos prodigios1 qual foi o de galop> por sobre z ondas muito melhor d que ns pelas nossas e/radas1 proc$e a familia dos ,pim5teis1 de ,traz-os-,montes1 aos quaes ,pim5teis appellida de nobres um *roni/a4 ,no sei se todos os ramos de ,pim5teis teem iguaes fros de nobreza e motivos de prosapia4 ,os ,pim5teis de que eu desc5do =am hom5s honrados e obscuros1 que nem com titulos litt]>ios se podem abon>1 o que prova que os meus antepassados tiv]am mais juizo que eu4 ,d fidalgo matisado de m>itimas con*as proc$eu ,joo ,affonso ,pim5tel1 s5hor de ,bragana e primeiro conde de ,b5av5te1 o qual z tom\ por braso assim como pud]a adopt> o corcel miraculosam5te subjeito s rebeldias d oceano4 ,con/a tambem que z mesmas armas e/o gravadas na torre d ca/ello de ,bragana1 mas se o leitor no z vir l1 nem na torre da p>o*ia de ,b5av5te1 fique sab5do que eu fui muito m5os feliz n'e/es vagalhes de grossa erudico d que o cavalleiro da *ronica nos m>es ap>cellados da praia de ,lessa4 99 99 99 99 99 ,,?i]s ,mac-,mahon veio sub/ituir ,?i]s na presid5cia da republica franceza4 ,alguem disse3 ,acab\ a dictadura da palavra2 comea a dictadura da espada4 ,e porque8 ,porque ,mac-,mahon um g5]al francez1 e ,?i]s um e/adi/a e um hi/oriador4 ,porque um deu os primeiros passos da vida na ,escola milit> de ,sa9t-,cyr1 e o outro na ,academia d',aix4 ,porque um saiu da escola p>a o campo de batalha1 e o outro saiu da ,academia p>a a lucta politica4 ,porque um comeou a milit> no c]co d',anv]s s ord5s d g5]al ,a*>d1 e o outro e/ud\ o plano das primeiras campanhas no gab9ete d velho ,talleyr&4 ,dictadura da palavra e dictadura da espada6 ,vejamos4 ,o e/adi/a e o hi/oriador foi *amado a gov]n> a nova republica franceza depois da sangr5ta gu]ra franco-allem4 sempre difficil dirigir uma creana1 mrm5te uma creana1 cujo b]o fluctua sobre sangue nas ru9as d'um paiz inteiro4 ,o sangue era francez3 z ru9as eram z da ,frana4 ,o v5c$or era a ,allemanha4 ,pela et]na rivalidade que re9a entre z duas naes1 a ,frana julgava-se duas vezes v5cida por succumbir s mos da ,allemanha4 ,?i]s foi o m$ico *amado cabeceira da ,frana no mom5to em que z f]idas d corpo nacional sangravam dolorosam5te sobre z ultimas purpuras encontradas nas ,tulh]ias4 ,compreh5de-se o que s]ia gov]n> assim4 ,vde bem que ex=o titanico no requ] subir ao ,vesuvio1 qu&o elle muge em convulses precursoras d'erupo1 debruar-se crat]a1 despreoccupado da escurido s9i/ra que fe*a a montanha1 escut> o surdo ruido das entranhas de p$ra agitadas pelo fogo1 s5tir affluir ao enorme local d'aquella pyra enorme o turbilho v]tig9oso das lavas1 e su/] com um d$o a massa c&5te que irrompe de d5tro1 e reprimir com uma palavra a torr5te impetuosa d'um niagra de *ammas4 ,assim e/ava a ,frana3 i/o fez ,?i]s4 ,foi elle1 o dictador da palavra1 que prov\ ao mundo que p>a os cadav]es das naes como p>a os cadav]es dos hom5s t9ha a physica descob]to o galvanismo4 ,foi elle que e/5deu o seu brao ob/&o a que a plebe des5freada sepultasse no gr&e tumulo das naes que =am o cadav] da ,frana1 amortalhado nos fragam5tos das suas esphaceladas b&eiras4 ,apagados os fogos s9i/ros da batalha1 ergu]am-se vorazes os fogos da ,communa4 ,depois da d]rota1--o inc5dio2 depois da gu]ra extrangeira1 a gu]ra civil4 ,era preciso combat] a ,frana p>a salv> a ,frana1 porque o peior inimigo da ,frana era a ,frana4 ,a d]rota t9ha ala/rado de cadav]es o *o4 ,eram z c9zas dos h]oes1 que se bat]am com o et]no d5odo francez4 ,cumpria v5]al-z no mais sagrado culto devido aos que p]ecem pela patria4 ,mas o fa*o da ,communa t5tava queim> em ,p>is os corpos dos h]oes nas fogueiras que no ,indu/o espalham no ar z c9zas das viuvas brahm9es4 ,era uma pr(anao imm5sa4 ,cumpria respeit> a desgraa da patria1 salv> ao m5os a quilha da nau des>vorada1 que desde tempos immemoriaes e/ava co/umada a despej> z suas ho/es conqui/adoras nas praias da ,europa inteira4 ,pois bem1 ,?i]s e/ava ao leme1 e qu]ia morr] abraado ossada d seu navio1 qu&o desesp]asse de salval-o4 ,n'e/es mom5tos de suprema agonia todos os olhos e todas z esp]anz e/o conc5trados no capito4 ,se elle desanima1 desanima a equipagem4 ,e cada vez mais ref]viam em d]r$or z ondas popul>es d'aquelle imm5so m> de fogo que dava s aguas d ,s5a uma ard5tia s9i/ra4 ,?i]s salv\ a ,frana1 suffoc&o a ,communa1 e faz5do cahir o brao fratricida armado p>a a gu]ra civil4 ,i/o a9da o no conseguiu a ,hespanha1 que m&a z legies de ,madrid combat] z gu]rilhas da ,nav>ra4 ,a ,communa era o inc5dio1 o saque1 o fusilam5to1 e1 p>a v5c] todas e/as calamidades1 cl>o e/ que era preciso oppor-lhes pelo m5os outra3 a morte4 ,era preciso faz] ju/ia3 correu sangue4#e ,dado porm que na presid5cia da republica franceza e/ivesse a essa hora no o dictador da palavra1 mas o dictador da espada1 um intrepido milit> co/umado a oppr a =a =a1 lembrado de hav] pelejado em ,africa no assalto de ,con/ant9a1 de hav] tomado em ,seba/opol z =tificaes de ,malak(f1 e de ganh> na ,italia a victoria de ,mag5ta1 esse milit>1 dizemos1 impellido pela sua de/emida coragem1 hav]ia atulhado de francezes os c>c]es e os cemit]ios p>a salv> a patria que a sua espada to gloriosam5te por mais d'uma vez nobilit>a4 ,dictadura da palavra6 ,dictadura da palavra foi o gov]no de ,?i]s4 ,luctas1 se z h\ve1 =am p>lam5t>es unicam5te1 e a assembla de ,v]salhes o campo de batalha4 ,assim requ]ia s] tratado um enf]mo illu/re1 que t9ha a9da nos labios um timido sorriso de esp]ana4 ,e esse enf]mo era a ,frana1 o paiz das tradies gloriosas1 e a m$ic9a foi a palavra1 a discusso1 o p>lam5to4 impossivel rehabilit>-se um paiz com maior dignidade4 ru9a da gu]ra com o extrangeiro succ$e um gov]no republicano d'ordem1 que1 logo aos primeiros passos1 tem de supplant> a ,communa armada em ambas z mos com o f]ro de ,caim e o fa*o d',om>4 ,o inimigo da familia depois d inimigo da ,frana6 ,ameaado o l> depois de retalhada a patria6 ,era preciso salv> o b]o em que fluctuavam os ,moyss d futuro1 e o cemit]io onde dormia toda a imm5sa familia de ,clovis4 ,i/o conseguiu ,?i]s1 e mais a9da4 ,reorganis\ o ex]cito4 ,satisfez a imp]iosa avidez d er>io allemo deix&o-o cogulado d muito oiro da contribuio de gu]ra que pesa a9da m5os d que o sangue das victimas de ,metz1 ,borny1 ,m>s-la-,t\r1 ,gravelotte e ,s$an4 ,levant\ dois empre/imos que provam que o cr$ito da ,frana ba/>ia a en*] todos os !soiros da ,allemanha4 ,e re]gueu os edificios d]rubados pelo inimigo ou pela ,communa e1 o que mais1 re]gueu a patria1 su/5t&o um difficilimo equilibrio politico nas frequ5tes e p]igosas oscillaes d'um gov]no provisorio4 ,i/o fez ,?i]s3 i/o fez a dictadura da palavra4 ,vejamos agora como se pag\ ao velho ,no que depz1 s e salva1 nas faldas d ,ar>at1 a nau desconjunctada pelo imp]io francez4 ,a eleio de ,buffet p>a presid5te da assembla franceza1 por uma maioria de #gj votos1 contra ,m>tel1 c&idato d gov]no1 recompo/o nas fileiras d c5tro esqu]do1 era um mau pr5uncio de imm95te tempe/ade p>lam5t>4 ,e1 de feito1 a tempe/ade reb5t\4 ,na sesso d dia #ai de maio deu-se o signal de rebate1 que no pde t] outro nome a apres5tao da int]pellao firmada por quasi todos os membros d c5tro direito e da direita4 ,v5ha o docum5to4 ,precisamos de vr cl>am5te como ,?i]s1 o dictador da palavra1 succumbiu dignam5te s unicas armas cujo combate aceitava1--a palavra4 ,os abaixo assignados1 conv5cidos de que a gravidade da situao exige fr5te dos negocios um gab9ete cuja firmeza tranquilise os espiritos em todo o paiz1 p$em p>a int]pell> o m9i/]io a respeito das ultimas modificaes que acabam de faz]-se n'elle1 c]ca da necessidade de que prevalea no gov]no uma politica resolutam5te cons]vadora1 e propem que se de/9e a proxima sexta feira p>a se realis> a int]pellao4 ,o gov]no1 pela bocca d m9i/ro ,dufaure1 p$iu um praso de v9te e quatro horas p>a se ent5d] com o presid5te da republica4 ,era esse o dia em que deviam s] apres5tados os projectos da lei con/itutiva dos pod]es publicos4 ,a esqu]da da assembla p$iu que fossem lidos4 ,a direita oppz-se viol5tam5te4 ,era a primeira refrega1 depois d signal de combate4 ,e/ava pat5te a impossibilidade d'acordo entre o presid5te da republica e a direita1 unida ao c5tro direito da assembla4 ,a politica de p>tido levantava-se p>a combat] a politica nacional2 comeava a ref]v] a escumalha da paixo nas aguas que dev]am anil>-se na dura d'uma discusso s]5a4 ,a direita foi intransig5te1 viol5ta1 aggressiva4 ,?i]s1 o dictador da palavra1 cujos actos e discursos procur>am sempre alli> todas z vontades por meio d'um espirito lib]al e cons]vador1 prud5tem5te su/5tado em todas z luctas1 quiz a9da respond] direita com o seu v]bo flu5te1 s]5o e limpido3 ,no solicitei o pod]1 (f]ec]am-m'o e ex]ci-o no meio de muitos desgo/os e difficuldades3 z vossas c5suras no z dirijaes aos leaes m9i/ros aqui pres5tes3 dirigi-z a mim1 que p>a mim z tom>ei4 ,o mom5to solemne2 imp]iosas z circum/ancias3 vs ides decidir os de/9os d paiz4 ,mas era preciso diz] a v]dade toda3 ,entre os republicanos ha alguns que qu]em ir mais longe e que in/igam os outros a seguil-os3 so os que qu]em a republica p>a os republicanos4 ,n'e/a situao1 precisa-se de um gov]no inexoravel p>a com a desordem1 e que1 depois de assegur> a tranquilidade1 inicie uma politica de pacificao2 tal a nossa politica4 ,todavia a direita1 como dizia a int]pellao1 qu]ia uma politica resolutam5te cons]vadora1 e ,?i]s desceu da cadeira da presid5cia1 c]tam5te deslembrado das o/5taes d pod]1 se bem que naturalm5te desal5tado como todos os gr&es obreiros que so *amados a receb] a fria da +ratido444 ,f9alm5te1 ,mac-,mahon sub/ituiu ,?i]s4 ,a hi/oria regi/r\ o passado1 e a espectativa europea nada alcana pelas trevas d futuro a d5tro4 ,ir inaugur>-se uma dictadura v]dadeiram5te milit>8 ,so tudo p]guntas4 ,gov]n> a direita8 ,re/aur>-se-ha a mon>*ia8 ,cont9u> a situao provisoria8 ,no se sabe4 ,todavia1 j vol-o disse1 alguem pr(undam5te sabido em coisas dos hom5s e da politica1 s5t5ci\3 ,acab\ a dictadura da palavra2 comea a dictadura da espada4 ,tambem sabeis que ,?i]s o au?or da ,hi/oria d consulado e d imp]io1 e da ,hi/oria da revoluo franceza1 e ,mac-,mahon o v5c$or de ,con/ant9a1 de ,malak(f e de ,mag5ta4 ,em todo o caso a ,frana gov]nada por uma espada4 ,ora uma espada1 depois d'uma gu]ra fatal1 e qu&o se sonha em outra gu]ra div]sam5te fatal1 a revan*e1 lembra o sangue que correu e o sangue que pde corr]444 ,a espada v5ce1 e a palavra conv5ce4 ,e a ,frana precisava conv5c]-se de que deve1 primeiro que tudo1 coro> a trabalhosa obra da sua rehabilitao4 99 99 99 99 99 ,,hespanha 7,,ago/o ,,de #ahgc7 ,tu eras o m5e/rel da p59sula1 o trovador de capa traada1 que d$ilhavas o b&olim dos teus cant>es sob a janella illum9ada pelo =moso lu> das s]5atas4 ,tu eras a madril5a1 de mantilha de r5das1 olhos de fogo1 que passeava t>de no ,prado1 agit&o a v5t>ola1 os olhos e o mundo444 ,tu eras o tor]o1 de jaqueta azul con/ellada d'e/rellas d'ouro e prata1 que te erguias no meio da ar5a1 de p como os triumphadores1 victoriado pela multido4 ,tu eras o amor ard5te que descanta ao lu>1 o sal]o que ju/ifica a s]5ata1 a =a que v5ce os ob/aculos4 ,eras um paiz que mant9has o espl5dor da tua individualidade sem fe*>es a porta invaso dos progressos moraes e mat]iaes d seculo4 ,t9has o teu idioma1 z tuas danz1 os teus cant>es1 os teus espectaculos4 ,t9has reis como ,s4 ,f]n&o1 poetas como ,campoamor1 p9tores como ,murillo1 campeadores como o ,cid1 oradores como ,ca/el>444 ,um dia1 porm1 uma d'e/as gr&es fatalidades1 que pesam sobre todas z naes1 av]g\ a tua nobre c]viz1 e um rei e/rangeiro1 no pod5do cont] a impaci5cia das ambies1 desceu d ?rono a que fra *amado1 depondo nas tuas mos a cora que de ti havia recebido4 ,e como so sempre os cl>es nasc5tes da aurora que succ$em aos cl>es moribundos d occaso1 como sempre a flr que succ$e ao cahir das folhas mortas1 tu quize/e levant> sobre z ru9as da mon>*ia a b&eira v]melha da ideia nova4 ,havia n'essa tua aspirao1 ,hespanha1 um tributo nobilissimo memoria d teu ultimo rei4 ,elle desc]a d ?rono com a magnanimidade com que ,codro se expoz]a morte1 e a ,hespanha1 como ,a!nas1 qu]ia deix> p>a sempre devoluto o solio por no hav] rei mais nobre que viesse occupal-o um dia4 ,no rola/e pelas ruas da capital1 cusp9do-lhe z injurias da canalha1 a cora da mon>*ia4 ,no1 ar*iva/e-a na sancta-sanctorum das tuas gloriosas tradies1 porque essa cora a c+ira ,d4 ,amadeu1 e ,d4 ,amadeu fra o omega da realeza hespanhola4 ,no a consid]avas esc>neo2 v5]aval-a como reliquia4 ,ento1 ,hespanha1 os teus poetas1 os teus p9tores1 os teus dramaturgos1 os teus campeadores1 os teus h]oes fic>am supplantados por um hom]ico vulto cuja eloqu5cia jorrava em catadupas sc9tillantes pela bocca d'oiro d teu ,joo ,*riso/omo4 ,a voz d teu gr&e orador apo/olisava o evangelho d'uma nova religio politica4 ,no era o inimigo dos reis que se levantava a insult>-lhes z c9zas depositadas nos tumulos sob]bos d ,escurial4 ,elle qu]ia v5c] sem sangue1 combat] sem f]ir1 seme> sem revolv] a t]ra6 ,impossivel6 ,santa aspirao que no pde traduzir-se em facto1 sonho de frat]nidade angelica sem realidade entre os hom5s1 onda cry/al9a que no *ega a banh> todos os coraes porque encontra no cam9ho ob/aculos e b>reiras4 ,z auroras da t]ra no espl5dem ap5as como z d co4 ,so *amma4 ,cospem c5telhas1 e muitas vezes a c5telha o poll5 lum9oso que g]a o inc5dio4 ,a luz torn\-se lab>$a4 ,acord>am1 sacud9do z tranz enleiadas de viboras1 z ,m$uzas da ambio1 z ,furias d socialismo1 os ,om>es dos fa*os inc5di>ios4 ,mobilis>am-se tropas1 rod>am c>retas1 so>am cl>9s4 ,caim arm\-se p>a d]rub> ,abel4 ,jacob ve/iu no brao a pelle d anho p>a engan> a cegueira de ,izaac4 ,a insurreio v5deu o ,messias da nova ideia pelos tr9ta d9heiros de ,judas4 ,o lu> da ,hespanha1 o doce confid5te das s]5atas1 volveu-se sangu9eo1 como o reflexo d'uma =ja4 ,o templo1 onde porv5tura exi/ia uma ,virgem de ,murillo1 fic\ devoluto1 ab]tas z portas1 e z aves de rap9a entr>am p>a os saque> depois que o pa/or espiritual saiu p>a combat]4 ,o b&olim d m5e/rel emmudeceu sob a v5tana2 os e*os d ,prado no repetiram mais o *alr> das mor5as da mantilha4 ,a b&eira hespanhola nunca mais foi rev]5ciada na solido das aguas com o culto que se deve s cres nacionaes d'um paiz livre4 ,que importa que fosse aquella b&eira a mesma que acompanh\ ,*ri/ovo ,colombo s regies ignoradas d mundo novo8 ,os descobridores morr]am2 fic>am ap5as os piratas4 ,o descobridor era saudado pela artilh]ia2 o pirata aprisionado por ella4 ,ru9as d'uma nacionalidade1 petalas d'uma gr9alda desfolhada1 recordaes horriveis d'um sonho vago444 ,e a9da de p o vulto gigantesco1 que sobrevive sua propria ideia1 o sonhador que subsi/e sua aspirao1 o j>d9eiro que no e/remece ao p]pass> d tufo que lhe arrebata o j>dim d seu ideal6444 ,a sua voz sobranceia os rumores da tempe/ade2 a9da o v]bo da paz no meio da lucta1 ouve-se na ,europa inteira a palavra d ,laz>o immortal que desp]ta nas pr(undezas d tumulo3 ,ns1 os republicanos1 temos muito de prophetas1 p\co de politicos4 ,sabemos muito d ideal1 p\co da exp]i5cia2 abrangemos todo o co d p5sam5to1 e caimos no primeiro fosso que ha no nosso cam9ho4 ,assim succ$e e tem succ$ido sempre na hi/oria1 que os inimigos dos p>tidos progressivos fundam z ideias progressivas1 como o judeu ,s4 ,paulo fund\ o *ri/ianismo3 como o mon>*ico ,wa%+ton fund\ a republica d ,norte da ,am]ica2 como ,rivadavia1 outro mon>*ico1 fund\ a conf$]ao das republicas d sul da ,am]ica2 que nem o ,bapti/a na egreja1 nem ,rosseau na revoluo1 nem n5hum dos prophetas consolid\ a propria re=ma por elles annunciada e trazida2 d mesmo modo que ,moyss gui\ p>a a t]ra promettida1 e no *eg\ a entr> na t]ra promettida2 d mesmo modo que ,colombo descobriu a ,am]ica sem sab] que a tivesse descob]to p>a que uns gu]reiros &aluzes e extrem5hos a conqui/assem e uns obscuros pilotos italianos a baptizassem2 porque os que concebem e pres5tem z gr&es ideias1 no z realisam nem consolidam em n5huma poca da hi/oria4#f ,e no ob/ante ref]v] a9da o cahos hora em que o ,moyss da ,hespanha se prep>ava p>a escrev] o g5esis da nova creao1 e atiarem-se z lab>$as d inc5dio g]al1 e despirem-se os alt>es2 no ob/ante fugir a ,hespanha da ,hespanha espavorida de sua propria crueza1 e dem&> o tecto hospitaleiro dos ,euryalos e/rangeiros1 e a b&eira da patria desp]t> contra si a aggresso dos paizes extranhos1--elle1 o gigante f]ido no corao pela funda de ,david1 qu] morr] ou r5asc] abraado aos escombros d seu b]o3 ,eu qu]o s] hespanhol e s hespanhol2 qu]o fall> o idioma de ,c]vantes1 qu]o recit> os v]sos de ,cald]on2 qu]o colorir a m9ha phantasia com os matizes que tiravam das suas palhetas ,murillo e ,velasquez2 consid]> como p]gam9hos meus de nobreza nacional a hi/oria de ,viriato e de ,cid2 qu]o t] no escudo de m9ha patria z naves dos catales que conqui/>am o ori5te e z naves dos &aluzes que descobriram o occid5te2 qu]o s] de toda e/a t]ra1 que a9da me p>ece e/reita1 sim1 de toda e/a t]ra que se e/5de dos ,pyr5eos s ondas d gaditano m>2 de toda e/a t]ra ungida e santificada pelas lagrimas que cu/>a a m9ha me a m9ha exi/5cia2 de toda e/a t]ra r$imida1 resgatada d e/rangeiro pelo h]oismo e pelo m>tyrio de nossos immortaes avs4 que s elle maior que a ,hespanha toda4 ,,fim4 #a ,d portal cl>aboia4 #b ,no prologo da ,civilizacion en los c9co prim]os siglos del ,cri/ianismo1 por ,emilio ,ca/el>4 #c ,ba=d> era1 no jogo d'armas1 br9c> com ellas1 f+ir combate milit>4 #d ,annotado pelo mesmo ,antonio ,c]queira ,p9to4 #e ,em outro livro 7,n]vosos1 lympha?icos e sangu9eos7 lam5tamos que corresse o sangue de ,rossel1 por exemplo1 o que no qu] diz] que c5surassemos a represso da ,communa4 ,conv9ha s vezes que a ju/ia no fosse cega p>a e/rem> os hom5s e os delictos4 #f ,fragm5tos d discurso de ,emilio ,ca/el> recitado na assembla con/itu9te hespanhola em #cj de julho4 ,,indice ,pag4 ,adv]t5cia ,,vii ,o ,gab9ete de ,camillo #i ,o ,primeiro de ,janeiro #ag ,a ,aguia d',ouro #be ,physiologia d ,!atro de ,s4 ,joo #cc ,physiologia d ,!atro ,baquet #da ,telhudos hi/oricos #ec ,os ,dom+os #fc ,z ,italianas #ga ,emilio ,ca/el> #gi ,animaes e vegetaes #hi ,academia de ,coimbra #ig ,os annuncios #ajg ,a indu/ria das ruas #aag ,a ,giganta 7c>ta a ,julio ,ces> ,ma*ado7 #abg ,o ,album d ,gymnasio #acg ,esboo de com$ia #ade ,z colheitas #aec ,s4 ,b>?olomeu #aei ,o ,natal #afg ,os ,bohemios #agc ,o ,relogio444 #aha s sete horas da manh #aia mesa d * #aii ,s4 ,joo #bjg ,judas no plural #bac ,hi/oria velha #bba ,?i]s #bbi ,a ,hespanha #bci