,,da ,,importancia ,,da ,,historia ,,universal ,,philosophica ,,na ,,esphera ,,dos ,,conhecimentos ,,humanos ,,disserta,o ,,para ,o ,,concurso ,,da ,,primeira ,,cadeira 7,,historia ,,universal ,e ,,patria7 ,,do ,,curso ,,superior ,,de ,,letras ,,apresentada ,,pelo ,,candidato ,,alberto ,,pimentel ,,livraria ,,internacional ,,de ,,ernesto ,,chardron ,,eugenio ,,chardron ,porto ,braga #ahgh 99 99 99 99 99 ,,da ,,importancia ,,da ,,historia ,,universal ,,philosophica ,,na ,,esphera ,,dos ,,conhecimentos ,,humanos 99 99 99 99 99 ,,da ,,importancia ,,da ,,historia ,,universal ,,philosophica ,,na ,,esphera ,,dos ,,conhecimentos ,,humanos ,,disserta,o ,,para ,o ,,concurso ,,da ,,primeira ,,cadeira 7,,historia ,,universal ,e ,,patria7 ,,do ,,curso ,,superior ,,de ,,letras ,,apresentada ,,pelo ,,candidato ,,alberto ,,pimentel ,,livraria ,,internacional ,,de ,,ernesto ,,chardron ,,eugenio ,,chardron ,porto ,braga #ahgh 99 99 99 99 99 ,porto3 #ahgh--,typ4 de ,a4 ,j4 da ,silva ,teixeira1 ,cancella ,velha1 #fb 99 99 99 99 99 ,,da ,,importancia ,,da ,,historia ,,universal ,,philosophica ,,na ,,esphera ,,dos ,,conhecimentos ,,humanos ,joo ,baptista ,vico1 remontando-se infancia poetica das sociedades humanas1 vai encontrar a origem da curiosidade1 filha da ignorancia e mi da sciencia1 n'um phenomeno natural que effectivamente devia de impressionar profundamente os sentidos e a imaginao dos homens primitivos4 ,acceitando da tradio biblica o facto do diluvio1 e dando terra o tempo sufficiente para enxugar da inundao universal e para exhalar os vapores seccos proprios a formarem o raio1 descreve a impresso que no espirito dos gigantes vigorosos e robustos1 que ento povoavam a terra1 causra o coriscar d'aquelle metero atravs do ether1 e o interesse com que ficaram olhando para o co que desde logo consideraram como um immenso corpo animado1 o qual alguma cousa queria decerto exprimir por meio d'essa estranha linguagem de fogo4 ,personificando toda a immensidade do co no grande deus chamado ,jove1 que tinha por sceptro o raio1 e que por toda a parte os seguia1 por isso que toda a terra era coberta pelo co1 o que1 segundo ,vico1 explica a phrase ,jovis omnia plena1 que ,plato julgou dever traduzir por ether1 os gigantes da terra renderam o primeiro culto curiosidade1 d'onde1 como de uma semente abenoada1 devia brotar o fructo precioso de todos os conhecimentos humanos4 ,quer acceitemos a tradio religiosa do diluvio universal1 determinado por ,deus para refundir toda a humanidade com a familia salva na arca de ,no1 quer consideremos essa inundao geral como uma simples phase geologica1 caracterisada por phenomenos glaciarios1 o facto poeticamente narrado pelo philosopho napolitano subsiste em essencia1 e1 a nosso vr1 de todo o ponto provavel1 e quasi certo1 que fosse um phenomeno meteorologico o primeiro estimulo da curiosidade humana4 ,vico lembra1 afim de fazer acceitar a sua assero1 que ainda hoje os phenomenos naturaes lanam uma profunda impresso no animo de muitas pessoas1 e cita especialmente1 entre todos esses phenomenos1 o da appario de um cometa4 ,despertada a imaginao do homem pelo sentimento da curiosidade1 entrou elle no periodo mais laborioso e ao mesmo passo poetico da infancia da humanidade4 ,era at ahi como um pobre cego lanado na vastido de um mundo desconhecido e mysterioso4 ,mas a chamma electrica do raio veio1 para assim dizer1 rarear as trevas da sua immensa cegueira2 essa luz estranha converteu-se para elle1 como se no fosse movel e fugitiva mas fixa e duradoura1 n'uma como estrella de guia1 que o obrigou a altear o pensamento para alm das brenhas da terra em que como selvagem vivia4 ,assim como a criana tem deante de si1 sem o presentir1 sem o suspeitar1 uma tarefa enorme a cumprir1 o peso d'uma responsabilidade immensa1 porque chegar um dia em que ella devera crear1 permitta-se-nos a expresso1 o mundo da sua existencia1 construindo um ninho como as aves1 organisando uma familia1 norteando-a1 como piloto1 atravs dos mares aparcellados da vida2 assim a humanidade era1 n'esse periodo da sua infancia1 chamada a cumprir a grandiosa misso de adaptar o mundo inteiro1 como um ninho enorme1 s necessidades da sua existencia1 de desbravar os caminhos por onde devia fazer a jornada dos seculos2 de aproveitar todas as foras da natureza e as suas proprias1 de as harmonisar1 de as educar convenientemente para um fim commum2 de pegar dos elementos creados e fundir com elles a gigantesca estatua da humanidade1 com toda a perfeio relativa de contornos e relevos que hoje tem1 porque a humanidade no era mais na sua infancia que um esboo que importava accentuar1 um molde que cumpria encher1 uma fora que tinha de desenvolver-se a si propria4 ,mas assim como a criana lentamente e quasi inconscientemente enceta a obra do seu futuro1 carreando uma pedra dia a dia1 dando hoje um passo1 outro manh1 refundindo o seu espirito com o auxilio da primeira instruco2 assim tambem a humanidade se foi transformando por successivos esforos e progressos1 fazendo hoje uma conquista1 manh uma creao1 enchendo a pouco e pouco o molde vazio em que1 estatua1 tinha de fundir-se e completar-se4 ,pelo desenvolvimento da humanidade no momento actual -nos facil avaliar a grandeza do seu trabalho atravs dos seculos1 desde a origem do mundo at hoje4 ,religio1 linguagem1 agricultura1 governo1 industrias1 commercio1 artes1 sciencias1 tudo isso ella foi creando por um trabalho lento1 que principiou por elementos simples1 como se pde por exemplo ver na linguagem1 onde o monosyllabo veio finalmente a converter-se nas linguas de flexo2 na religio1 onde a primeira elevao da alma para as foras da natureza1 que foram encarnadas em symbolos grosseiros1 veio a transformar-se na concepo grandiosa da divindade immaterial e absolutamente perfeita2 no estabelecimento dos estados1 onde o poder theocratico veio a parar nas modernas frmas de governo que se pdem variar segundo o interesse geral2 na agricultura1 onde a rude cultura da terra1 a que o instincto impellia1 se desdobrou na agronomia moderna1 sciencia complexa1 a que as invenes dos ,dombasle1 ,fowler e ,howard servem de diadema auriluzente2 nas industrias1 onde a vida pastoril exercida pelas tribus nmadas1 e a da pesca1 exercida pelas povoaes costeiras1 vieram a multiplicar-se na immensa diversidade de profisses e officios a que se dedicam as classes contemporaneas2 no commercio1 onde a simples troca de productos1 n'uma rea muito limitada1 veio a metamorphosear-se nas grandes operaes commerciaes que se alargam por todo o mundo1 graas inveno da moeda1 aos progressos da navegao1 aos rapidos meios de transporte2 nas artes1 onde os instrumentos de silex se transmudaram nos mais completos processos mechanicos1 e os megalithos1 que tanto se teem estudado hoje#a1 vieram a converter-se nos grandiosos monumentos de nossos dias2 nas sciencias1 onde1 por exemplo1 a astronomia caminhou desde os pastores da ,chalda1 que contemplavam os astros1 sentados nas eminencias penhascosas1 pelo silencio da noite1 at que essa sciencia celeste terminou com ,newton1 como diz ,larousse1 a sua evoluo historica4 ,durante esta obra de seculos1 emquanto as bellas instituies da humanidade se fixavam na terra to nova como ella1 ao mesmo tempo que as plantas enraizavam no solo e bebiam os succos nutritivos n'uma exuberancia caudal1 os homens1 como a criana1 s poderam olhar para deante1 para o futuro4 ,o seu bero ficava ainda to perto que no havia tempo de ter brotado d'elle esse doce sentimento que as lagrimas purificam1 e que no poucas vezes conduz reconstruco do passado pela memoria1--a saudade2 ou antes1 como diz ,cantu#b1 os antigos tinham ainda muito poucas ruinas deante de si1 phrase que ,edgar ,quinet repetiu #c1--;e sendo o passado o campo aberto s investigaes da historia1 onde quasi no havia passado no podia haver historia4 ,sim4 ,dai um monto de ruinas ao homem1 e conseguireis fazer d'elle um historiador4 ,uma vertebra1 que no fim de contas uma ruina do vasto edificio zoologico1 bastou a ,cuvier para a reconstruco do passado4 pelo esqueleto das geraes que nos antecederam que os sabios de nossos dias teem realisado as mais assombrosas conquistas da sciencia moderna4 ,mas havia transcorrido o tempo e as nacionalidades tinham sahido recentemente do bero1 porque a humanidade gastra longo periodo da sua infancia na vida errante e rude primeiro que podesse constituir-se em tribu1 e que da tribu nascesse a nao4 ,como acontece com as grandes obras d'arte1 as instituies humanas foram modeladas por um esboo1 e aperfeioadas depois4 ,o esboo da nao foi a tribu4 ,parece-nos1 porm1 questionavel a fixao do periodo de desenvolvimento humano em que se constituiram as primeiras sociedades4 ,na verdade1 diz ,cantu1 como podiam os laos do matrimonio e da paternidade tomar-se deveres antes do homem comprehender o bem que d'isto deriva e os meios de o alcanar8 ,como conceberia as vantagens da sociedade o que nunca as tivesse experimentado8 ,para que os homens se unam entre si1 e faam um pacto social1 foroso que possuam uma linguagem commum para se entenderem uns aos outros1 e frmas de conveno1 de assemblas1 e de representao2 isto 1 que estejam reunidos j em sociedade4 ,no concordamos1 a este respeito1 com a opinio de ,cantu1 pelas razes seguintes4 ,as relaes naturaes a que o auctor da ,historia universal allude na primeira interrogao1 e que1 segundo elle1 importam a comprehenso dos deveres que d'ellas derivam1 annullam1 assim encaradas1 a ida de instincto1 facto comprovado em todas as especies animaes1 e at nas vegetaes4 ,para as aves1 por exemplo1 os laos d'essas relaes naturaes convertem-se em deveres1 e todavia ns no podemos suppr nas aves a noo moral de dever4 ,emquanto1 entre algumas familias aladas1 a mi acalenta o ovo1 o pai divaga procurando alimento para a femea1 e muitos naturalistas citam o facto de certas aves educarem seus filhos no que chamaremos arte do vo1 antes de os abandonarem a si mesmos4 ,quanto segunda interrogao1 convem distinguir entre o facto de constituir sociedade e o conhecimento das vantagens que d'ella resultam4 ,tambem poderemos suppr nas aves1 que se agremiam em grandes bandos1 o conhecimento das vantagens que d'essa aggremiao resultam8 ,as formigas1 que vivem e trabalham em commum1 obedecero simplesmente ao instincto de conservao1 ou sero impellidas pela elevada ida da utilidade de associao8 ,quanto terceira interrogao1 isto 1 necessidade de uma linguagem commum para que os homens possam reunir-se por um pacto social1 desejamos accentuar mais largamente a nossa maneira de pensar4 ,no somos da opinio dos que affirmam que haja tribus completamente privadas de linguagem1 mas entendemos com sir ,john ,lubbock#d que essas tribus possuem todas uma linguagem1 comquanto muito imperfeita e complicada de signaes4 ,bastar citar em abono d'esta assero o facto de entre os indios kiawa-kaskaia as tribus communicarem diariamente entre si1 segundo o testimunho de ,james#e1 ignorando completamente a linguagem umas das outras4 ,pelo que no raro1 diz ,james1 vr dous individuos1 pertencentes a tribus differentes1 sentados no slo1 conversando facilmente por signaes4 ,so muito habeis em exprimir por este modo as suas idas1 e apenas interrompem o jogo das mos1 a longos intervallos1 por um sorriso ou por uma palavra pronunciada no idioma dos indios crow1 o mais espalhado ainda entre elles4 ,por onde nos licito vr que sobre a mais imperfeita e rudimentar linguagem1 a dos signaes1 estabelecem os indios kiawa-kaskaia as mais cordeaes relaes de sociabilidade com as tribus visinhas4 ,finalmente1 a theoria de ,vico1 dos povos mudos1 exprimindo-se por meio de corpos ou de imagens1 que tinham alguma relao natural com as idas que queriam exprimir1 por exemplo1 tres espigas para significarem a ida abstracta de tres annos#f1 manifestamente muito mais acceitavel do que a de ,cantu1 porque se funda na propria natureza humana1 e destroe a opinio de que sem uma linguagem1 no estado de perfeio em que ,cesar ,cantu parece suppol-a1 a associao humana inadmissivel4 ,o dr4 ,luiz ,bchner#g confirma a opinio de ,vico4 ,cr1 segundo ,westropp1 que o homem primitivo foi necessariamente um sr mudo1 e a linguagem articulada uma acquisio lenta e gradual2 que ella teve por origem os gritos espontaneos de prazer e dr1 a que succederam os sons imitativos 7onomatopas71 razo por que na grande variedade de todas as linguas 7cerca de tres mil7 ha um numero consideravel de sons equivalentes1 e at mais ou menos analogos4 ,cita uma observao de ,william ,bell1 a respeito do monosyllabo loh1 empregado em muitas linguas para designar a luz1 a chamma1 e que procede da simples exclamao oh6 precedida de um l ou de uma vibrao da lingua4 ,cr que a pouco e pouco se foram formando os polysyllabos1 pela repetio de um som simples1 como nas palavras mam1 pap ou pela agglutinao das syllabas4 ,depois1 observa finalmente1 o simples grito1 correspondente a um sentimento1 foi imitado pelos companheiros d'aquelle que o soltou1 e acabou por tornar-se um signal representativo fixo servindo a designar o proprio sentimento4 ,aqui temos ns a linguagem1 no como base de sociedade1 mas1 ao contrario1 tomando a sociedade como base da sua perfeio4 ,estabelecida a procreao pelo instincto1 fora irresistivel da natureza humana1 que principiou a manifestar-se no homem desde os seus primeiros passos na terra1 achando-se ainda embryonarias todas as foras moraes e intellectuaes1 que por um lento progresso permittiram depois as mais elevadas concepes1 e as mais assombrosas conquistas1 foi ainda o instincto que levou a humanidade a lanar mo das primeiras industrias1 da vida pastoril1 da caa1 da pesca1 do commercio1 segundo as condies naturaes dos paizes4 ,assim as diversas industrias1 diz ,cantu1 nasceram e cresceram na razo dos lugares2 porm a agricultura foi a que introduziu maiores mudanas na constituio moral4 ,o homem1 querendo1 quando cultivou um campo1 seguir com a vista as esperanas que lhe dava1 construiu junto d'elle uma habitao2 ento aquelle sentimento to imperioso1 que chamamos amor da patria1 apparece1 e a estabilidade do lar domestico d origem associao civil4 ,mas o lar domestico a que se refere ,cantu est longe de ser a moralidade pela familia1 pela familia que a monogamia santificou4 ,o agricultor vivia rodeado dos seus escravos1 e dos filhos2 de procedencias diversas1 escravos tambem4 ,o pai era o senhor2 governava pela fora4 ,a mulher era simplesmente uma cousa1 um instrumento de reproduco2 e as mais das vezes era arrebatada sua tribu por violencia4 ,portanto1 as primeiras familias foram uma reunio de escravos dominados por um chefe1 s muito tarde1 como mostra ,lubbock#h1 baseando-se nos trabalhos de ,bachofen1 ,m4 ,lennan e ,morgan1 que se reconheceu que os filhos eram parentes de seu pai e de sua mi4 ,mesmo em ,roma1 a palavra familia significava--escravos4--,a mulher e os filhos s por serem escravos eram considerados familia4 ,vico mostra1 por uma observao philologica1 a verdade d'estas affirmaes4 ,sustentando1 como na formao da linguagem1 os verbos vieram depois dos nomes1 e como os primeiros verbos foram certamente aquelles que so como que os generos ou os radicaes de todos os outros1 exemplo1 sum1 que contm todas as cousas metaphysicas1--sto1 que exprime a immobilidade1 e eo1 que significa o movimento1 observa por ultimo que estes verbos apenas tiveram a principio o modo imperativo1 porque no estado de familia1 e na excessiva pobreza de linguagem que ento havia1 s os paes davam ordens a seus filhos ou a seus criados1 ao passo que estes1 submettidos ao terrivel imperio do chefe de familia1 obedeciam sem murmurios s suas ordens#i4 ,ainda hoje1 entre os kalmuckos do ,volga1 o azorrague o sceptro e o symbolo do poder domestico#aj4 ,foi certamente com esta mesma fora de auctoridade que nasceu o chefe de tribu4 ,se a reunio de algumas pessoas carecia de uma que a regesse1 a reunio de algumas familias1 por maioria de razo1 carecia de um magistrado que a governasse4 ,os chefes de familia ou senhores reuniam-se para se entregarem1 em condies de segurana1 ao exercicio da caa4 ,escolhiam certamente d'entre elles1 para os dirigir1 o que mais se assignalava pela destreza e certeza de caador4 ,reconhecida a sua superioridade natural1 ficava sendo o dominador da tribu4 ,e esta authoridade devia ser tanto mais respeitada e temida1 quanto era certo que se baseava n'um facto indestructivel e inevitavel1 revestido de caracter divino1 porque a fora era um attributo que no dependia da vontade do homem4 ,da agglomerao das tribus nasceu a nao1 como da agglomerao das familias havia nascido a tribu4 ,sendo1 porm1 maior o numero de governados na nao do que na tribu1 era preciso que o chefe escolhido para governal-os dispozesse de qualidades physicas ainda muito mais consideraveis4 ,a mais importante de todas essas qualidades era a fora1 que1 n'uma raa de valentes1 no podia deixar de considerar-se um direito hereditario para governar4 ,cesar ,cantu observa que o vocabulo dynastia 7de dynamis1 fora7 indica a origem de um tal poderio4 ,temos1 finalmente1 fixada a nao1 a nacionalidade1 sob o imperio da fora1 origem dos grandes como dos pequenos estados1 em todos os paizes e tempos4 ,citemos dous exemplos1 ao acaso4 ,romulo e os seus successores1 diz ,montesquieu#aa1 estiveram quasi sempre em guerra com os povos visinhos para ter cidados1 mulheres ou terras2 voltavam a cidade com os despojos dos vencidos2 eram feixes de trigo e rebanhos3 o que causava uma grande alegria4 ,eis-aqui a origem dos triumphos que foram no futuro a principal causa das grandezas a que esta cidade chegou4 ,a origem da moderna e pequena monarchia portugueza encarna-se1 para assim dizer1 na athletica figura de ,affonso ,henriques1 o terrivel perseguidor dos mouros1 o guerreiro de estatura agigantada4 ,a propria origem das primeiras nacionalidades as impelliu guerra1 que1 segundo ,victor ,cousin#ab1 o instrumento terrivel mas necessario da civilisao4 ,a hypothese de um estado de paz perpetua na especie humana--diz elle-- a hypothese da immobilidade4 ,comquanto no nos exalte em favor da guerra esta opinio de ,victor ,cousin1 somos todavia levados a acreditar que a vida das primeiras nacionalidades se fortaleceu pela guerra1 como o corpo de uma criana se fortalece pela gymnastica4 ,alm do que1 a victoria1 lisonjeando o orgulho dos povos1 nobilitava1 para assim dizer1 as suas aspiraes de grandeza1 e arrastava-os a assignalarem a si mesmos uma origem divina1 aspirao que a primeira fonte das tradies poeticas d'esses mesmos povos#ac4 ,acordada1 portanto1 a imaginao popular1 cerca-se o bero das naes das brumas do maravilhoso4 ,os quatro livros sagrados de ,confucio1 reconstruidos de memoria1 depois de haverem sido queimados1 e acrescentados com tradies1 fazem remontar a historia da ,china1 especialmente o ultimo livro1 a um passado fabuloso4 ,na mais antiga parte dos ,vedas1 o ,rigveda1 os indios agradecem a interveno do poder celeste nos seus combates4 ,indra protege a carnificina1 como ns1 quando procurmos uma origem maravilhosa1 fizemos intervir ,christo na batalha de ,ourique4 ,por um lado as tradies poeticas1 as narrativas fabulosas geraram a ,historia4 ,por outro lado os factos reaes1 especialmente os combates1 misturados com as legendas phantasticas1 desenvolveram-na4 ,como para haver ,historia preciso que haja ruinas1 a guerra foi o maior elemento da ,historia1 porque produz cadaveres1 e os cadaveres so as ruinas da humanidade4 ,os seculos no passavam impunemente1 sem fazer destroos4 ,na ,china1 a monarchia dos ,hia1 que durou quatrocentos annos1 acabou acompanhada de graves perturbaes4 ,eis-aqui como foram augmentando os materiaes da ,historia3 ruinas e destroos4 ,foi assim que1 semelhante ao sol que nasce velado pelos vapores coloridos da manh1 surgiu1 na successo dos tempos1 a historia de cada nao1 envolta nas tradies maravilhosas da sua origem poetica4 ,que interessado enthusiasmo no devia de ser1 porm1 o dos primeiros homens que puderam quebrar imaginariamente o sello sagrado da sepultura das geraes que os precederam no perimetro da sua nao1 e soprar-lhes vida nova1 imitando a fabula de ,pygmalio1 o estatuario divino1 e dar-lhes pensamento e voz1 e ouvil-as1 e collocal-as volta de si mesmos1 vendo-as passar em turbilhes phantasticos como na formosa ballada da dana dos mortos6 ,o historiador1 por uma arrojada abstraco1 collocava-se fra do seu paiz1 e com uma poderosa alavanca1 muito semelhante que o sabio ,archimedes pedira ao rei ,hieron1 levantava a terra que lhe fra bero com o peso enorme das geraes que a povoaram1 mostrando-a suspensa aos olhos do mundo4 ,era realmente assombrosa esta nova conquista do pensamento humano1 tanto mais que podia o homem transmittil-a aos seus successores por meio da tradio escripta4 ,sentiu-se decerto orgulhoso de si mesmo o homem que pde legar aos seus descendentes essa preciosa cada de ouro que o prendia ao passado1 vida de seus avs1 gloria da antiguidade2 fez1 para assim dizer1 um presente de seculos aos seus descendentes1 que1 por sua vez1 arremessaram para a immensidade do futuro a outra extremidade da corrente de ouro1 a que as geraes subsequentes haviam de encadear novos anneis4 ,chegado grande conquista do que chamaremos faculdade historica1 isto 1 ao desenvolvimento intellectual que permittiu transpor os limites da vida individual para se internar no estudo da vida nacional1 apossou-se o homem de um poder verdadeiramente superior1 que lhe permittia reconstruir o passado4 ,se attribuido a ,christo o poder de ter resuscitado um s homem pelo milagre1 o homem logrou resuscitar a nao pela ,historia4 ,mas os primeiros historiadores deveram forosamente de assemelhar-se a estas arvores que1 exuberantes de seiva na primavera1 se cobrem totalmente de flres1 como a amendoeira4 ,a imaginao1 excitada pela tradio poetica#ad1 estava n'elles em pleno vigor1 pompeava as suas galas luxuriantes1 maneira das florestas virgens que se enredam em labyrinthos de phantasiosas ramarias4 ,sendo certo que o ardor da imaginao arrasta excessiva credulidade1 os primeiros historiadores foram profundamente credulos1 e bordaram as suas narraes com todas as tradies1 legendas e fabulas1 que a imaginao acceitra com prazer ou at com enthusiasmo4 ,herodoto um historiador poeta1 que divinisa a ,grecia2 ,tito-,livio d largas imaginao para descrever e declamar2 ,suetonio contenta-se com colleccionar anecdotas1 que1 por via de regra1 tanto costumam lisonjear os espiritos frivolos1 porque so um brinco para a imaginao4 ,na successo dos tempos o christianismo1 com o seu cortejo de legendas piedosas1 com as exageraes proprias da exaltao da f1 contribuiu por sua vez1 e no pouco largamente1 para prolongar o predominio da imaginao na ,historia1 e retardar o advento do criterio philosophico e independente4 ,toda a gente sabe como a imaginao dos povos occidentaes se exaltava com a posse das reliquias de um santo1 n'uma poca ainda relativamente proxima de ns4 ,sicard1 duque de ,benevento1 declarava guerra a ,amalfi s para obter os restos mortaes de ,santa ,triphomena4 ,theodoro1 bispo de ,metz1 preava em ,roma1 na presena do papa1 a cada de ,s4 ,pedro1 e jurava que no a largaria sem que primeiro lhe cortassem as mos1 porque a desejava possuir#ae4 ,jerusalem1 a cidade celeste1 apparecia s imaginaes christs como um sagrado jardim rociado pelas lagrimas de ,maria e pelo sangue de ,jesus1 e povoado das rosas de ,engaddi1 dos cedros do ,libano1 das oliveiras de ,gethsemani1 para nos servirmos de uma expresso alheia4 ,a cavallaria1 em que o elemento christo se accentuou de modo a gerar as ordens militares religiosas1 veio ainda inar a ,historia com as aventuras dos paladinos1 com os matizes d'essa vida de imaginao1 to futil mas to pittoresca4 ,a febre da cavallaria chegou a ser tamanha1 que bastar citar um s facto para comproval-a4 ,quando ,carlos ,v foi coroado em ,bolonha1 tocou com a espada na cabea dos que desejavam ser cavalleiros1 dizendo a cada um3 ,esto miles4 ,mas como todos gritassem em volta do rei3 ,sire1 sire1 ad me1 ad me1 ,carlos ,v1 estendendo a espada sobre a multido1 viu-se obrigado a dizer3 ,no puedo mas4 ,estote milites1 estote milites1 todos1 todos#af4 ,na poca a que nos vimos referindo1 os historiadores engrinaldavam as suas lucubraes com as flres colhidas pela mo do amor e com as rosas cortadas nos hortos de ,jerusalem1 pois que tanto valiam umas como outras1 como claramente demonstra o annel nupcial com que ,s4 ,luiz brindou ,margarida de ,provena1 o qual era formado de margaritas e de lizes alternados1 tendo no meio um cruciflxo circuitado por esta inscripo3 ,hors cet anel pourrions-nous trouver amor#ag8 ,na historia portugueza andaram por muito tempo dous episodios1 que tiveram por origem o maravilhoso da tradio religiosa e o maravilhoso da tradio cavalheiresca4 ,referimo-nos ao milagre de ,ourique1 refutado por ,herculano1 e instituio da ordem de ,s4 ,miguel da ,ala1 refutada por fr4 ,francisco de ,s4 ,luiz4 ,quando havia de soar1 porm1 a hora em que o maravilhoso1 o predominio da imaginao1 devia ser banido da ,historia8 em que essa especie de peccado original devia desapparecer batido pelo criterio philosophico8 ,coube aos tempos modernos a gloria de refundir a ,historia1 de lhe dar um novo rumo1 de alargar as suas vistas espraiando-as por sobre toda a humanidade4 ,a primeira ida da ,historia universal nasceu no seculo ,,xvii1 poca relativamente muito recente1 mas esta nova e grandissima conquista do pensamento humano s tarde podia chegar4 ,era preciso deixar accumular ruinas sobre ruinas1 destroos sobre destroos1 dar tempo a que os imperios desabassem1 a que as religies desapparecessem1 a que os cadaveres dos homens e das instituies se amontoassem1 para que de cima de todos esses enormes escombros se levantasse sereno e altivo o pensamento humano1 semelhante a uma grande aguia1 e alasse o vo at pairar n'uma esphera superior e poder medir1 com segura agudeza de vista1 a profundeza dos destinos da humanidade na successo dos seculos4 ,victoria immensa foi essa1 triumpho assombroso o que permittiu que o homem alargasse por todo o mundo o dominio do seu espirito1 que reconstruisse a humanidade como os primeiros historiadores haviam reconstruido a nao2 que zombasse da morte animando as cinzas dos cadaveres e povoando com elles1 por um poder maravilhoso do espirito1 os imperios que tinham apparecido e desapparecido face da terra1 como plantas marinhas que ora surgem fluctuando no dorso da onda1 ora se escondem nos sulcos profundos do oceano6 ,desde o momento em que o homem pde realisar esta synthese estupenda1 o maravilhoso1 as tradies fabulosas fugiram espavoridos do dominio da ,historia4 ,outr'ora1 como observa ,edgar ,quinet1 cada nao se fazia o centro e o fim do universo1 e se impunha adorao do genero humano#ah2 agora era o genero humano que se impunha admirao de cada nao4 ,perante o enorme conjuncto dos povos1 j no podia pensar-se em assignalar a origem de cada um singularmente2 desapparecia o orgulho nacional1 o excessivo sentimento de amor patrio que procurava revestir essa origem de ouropeis poeticos2 agora era preciso procurar a filiao da humanidade1 estudar a sua appario na terra1 as suas divises e evolues1 e tomando a peito a resoluo de tamanhos problemas no havia tempo para estar a inventar fabulas1 que ficavam esmagadas1 como flres inuteis1 sob o carro da nova ida1 ou antes da nova sciencia vencedora4 ,como flres inuteis1 dissemos ns1 e todavia devemos reflectir1 avisados por ,victor ,cousin#ai1 que os primeiros erros so inevitaveis e ao mesmo passo uteis1 porque fornecem a base de todo o progresso4 ,de feito1 no se pde entender a ida de progresso seno vista de primordios que se tornam defeituosos quando comparados com trabalhos posteriores4 ,sem as attrahentes chimeras da astrologia1 sem as energicas decepes da alchimia1 por exemplo1 onde teriamos ns haurido1 pergunta ,augusto ,comte1 a constancia e o ardor necessarios para recolher as longas series de observaes e de experiencias que1 mais tarde1 teem servido de fundamento s primeiras theorias positivas de uma e outra classe de phenomenos#bj8 ,at agora tinhamos diante de ns a ,grecia1 ,carthago ou ,roma1 e feita a historia separada de cada uma d'essas naes1 julgavamos que tudo estava feito4 ,pelo contrario1 tudo principiar agora a fazer-se1 tomando por elementos de trabalho as ruinas d'esses emporios4 ,desde o momento em que nos collocamos n'um plano superior a todas as naes1 creamos a ,historia universal1 e1 conhecendo pela ,historia universal os factos da vida dos povos1 salteou-nos o desejo de averiguar as relaes que poderiam existir entre os factos e as idas1 de conhecer se todos esses factos seriam obra do acaso1 ou se cada povo teria sido impellido por um mobil secreto para o cumprimento de determinada lei e encarregado de desempenhar uma misso no grande conjuncto da civilisao geral4 ,de tal desejo nasceu1 no seculo ,,xviii1 a ,philosophia da historia4 ,assim como a medicina seria uma sciencia imperfeitissima1 destinada a caminhar s cegas1 se a physiologia no houvesse podido penetrar na vida interior do corpo humano1 assim a ,historia universal ficaria condemnada a contemplar to smente o enorme vulto do gigante que se chama humanidade1 se a philosophia1 desempenhando misso semelhante a da physiologia no campo das sciencias medicas1 no perscrutasse o que ha de intimo e de secreto no seio d'esse colosso1 se1 por outras palavras1 no habilitasse a escrever a verdadeira historia da humanidade#ba4 ,uma nao constitue-se1 florece e cahe4 ,no fim de contas1 pergunta um philosopho#bb1 o que uma nao de mais ou de menos na humanidade8 ,e tem razo4 ,a ,historia no passa alm do tempo marcado existencia d'essa nao1 quer dizer1 acompanha-a at ao seu ultimo dia1 mas a ,philosophia da historia procura estudar a influencia que essa nao extincta imprimiu na sorte da humanidade1 qual o papel que representou no grande concerto dos destinos da civilisao4 ,os povos so individualidades conscientes4 ,ora todos os factos praticados por individualidades conscientes1 embora hajam sido determinados por causas variadas1 representam uma ida4 ,a ,historia estuda os factos2 a ,philosophia estuda a ida que cada um d'esses factos envolve4 ,portanto a ,philosophia completa a ,historia4 ,bossuet1 o sabio prelado de ,meaux1 foi quem primeiro executou a ida de uma ,historia universal4 ,dedicando o seu vasto trabalho ao ,delphim1--vasto1 sobretudo1 em relao a poca--procura lanar a vista sobre a successo dos seculos1 afim de que no espirito do principe permaneam gravados os traos geraes da vida da humanidade se por ventura se lhe desluzirem da memoria os episodios das historias particulares4 ,esta maneira de historia universal--diz elle#bc--1 a respeito da historia de cada paiz e de cada povo1 o que uma carta geral para as cartas particulares4 ,nas cartas particulares estudaes miudamente um reino ou uma provincia em si mesmos2 nas cartas universaes aprendeis a situar todas as regies do mundo conjunctamente2 vdes o que ,paris ou a ilha de ,frana para o reino1 o que o reino para a ,europa1 e o que a ,europa para o universo4 ,realmente1 este espectaculo offerecido por ,bossuet ao ,delphim era assombroso1 mas no se pde considerar como propriamente uma inveno do prelado de ,meaux4 ,por isso dissemos anteriormente que foi elle quem primeiro executou a ida de uma ,historia universal4 ,bossuet1 traando o plano da sua obra1 antepe a tudo o mais a historia do povo de ,deus1 que foi o fundamento da religio4 ,escreve1 portanto1 sob o ponto de vista religioso1 ou antes faz-se um echo da ,igreja4 ,a sua obra 1 para assim dizer1 um desdobramento da ,biblia1 e toda a originalidade que revela est1 como observa ,cousin1 na execuo4 ,vendo caminhar o povo de ,deus face da terra1 sempre guiado pelo milagre1 que faz1 por exemplo1 com que a vara de ,moyss aparte as aguas do mar ,vermelho1 ,bossuet v em todos os passos d'esse povo a mo de ,deus1 o espirito do ,senhor4 ,o plano descoberto por ,bossuet na mobilidade dos acontecimentos humanos traado pela ,providencia4 ,mas lembrai-vos1 meu senhor--conclue o prelado de ,meaux#bd--que esta longa cada das causas particulares que fazem e desfazem os imperios1 depende das ordens secretas da divina ,providencia4 ,embora arrastado pelas convices profundamente religiosas do seu tempo e do seu espirito1 e at pelo dever da sua posio social1 ,bossuet tem um ponto de vista exclusivo1 unico1 intransigente2 mas em todo o caso imprime ,historia um caracter philosophico1 porque determina um mobil e um fim a todos os acontecimentos humanos4 ,o exclusivismo de ,bossuet seguramente1 pelo menos luz da sciencia moderna1 o maior defeito da sua obra4 ,havendo elle comparado a ,historia universal a um mappa-mundi1 onde se pde vr o que ,paris para a ,frana1 a ,frana para a ,europa1 e a ,europa para o universo1 esquece-se comtudo1 perante o espectaculo da ,providencia1 embevecido em extasis religiosos1 de estudar as relaes dos povos entre si para se elevar at humanidade4 ,elle preoccupa-se com o povo de ,moyss como se esse povo constituisse por si s a humanidade4 ,na historia dos imperios1 a que consagra a terceira parte da sua obra1 procura systematicamente a ligao1 que reputa necessaria1 com a historia do povo de ,deus4 ,no s o ,oriente falta no grande livro de ,bossuet1--pondera ,cousin#be--;assim como a historia das artes1 da industria e da philosophia2 mas tambem as religies e as instituies politicas dos differentes povos so algumas vezes tratadas de modo um pouco superficial1 se bem que de longe a longe1 e por exemplo na historia romana1 haja relampagos de uma sagacidade superior e paginas que lembram ,machiavel e antecipam ,montesquieu4 ,lanada a primeira pedra no vasto edificio da ,historia da humanidade1 uma de duas cousas havia fatalmente de acontecer3 ou a obra de ,bossuet ficaria esquecida e1 portanto1 perdida1 ou novos obreiros viriam continuar a fabrica gigantesca4 ,felizmente1 um homem verdadeiramente superior1 um d'estes genios descobridores que alcanam as verdades na sua maior generalisao#bf1 appareceu em ,italia1 illuminando com os relampagos do seu genio a grande obra da historia das idas humanas1 porque1 j o dissemos1 a historia dos povos no outra cousa1 ou antes creando elle proprio uma sciencia nova1 scienza nuova1 a rainha das sciencias1 porque as sciencias devem comear onde a materia e o objecto de que tratam principiam1 e esta comear de feito com os primeiros pensamentos dos primeiros homens1 e no com as primeiras reflexes dos philosophos sobre as idas humanas#bg4 claro que nos referimos a ,joo ,baptista ,vico4 ,o immortal philosopho napolitano1 cujas obras despertam a mais sympathica admirao e o mais profundo interesse1 extrahe da noite profunda e tenebrosa que envolve a antiguidade1 uma affirmao completamente nova e surprehendente3 ,o mundo civil foi certamente feito pelos homens ou1 n'uma phrase mais synthetica ainda1 a humanidade obra de si mesma4 ,remontando-se origem do mundo das naes1 ou mundo civil1 ,joo ,baptista ,vico acceita a tradio biblica de que a terra fra repovoada pelos descendentes de ,no1 os quaes1 rompendo os laos de familia por ligaes passageiras e arbitrarias1 se espalharam na grande floresta da terra4 ,a infancia da humanidade semelhante1 segundo ,vico1 infancia do homem4 ,os homens so mudos na sua origem4 ,vivem apenas porque o instincto os leva a conservarem-se4 ,mas o primeiro trovo e o primeiro raio lanaram no seio da humanidade nascente uma luz nova1 a primeira noo da divindade1 como j mostramos no principio d'este trabalho4 ,a commoo que o primeiro phenomeno meteorologico produziu no homem1 desprende-lhe a lingua3 pde1 finalmente1 pronunciar o primeiro monosyllabo4 ,o desenvolvimento da palavra faz-se lentamente na humanidade como no homem4 ,a insufficiencia da linguagem supprida por signaes1 por gestos ou pela grosseira representao dos objectos na casca das arvores1 origem dos hieroglyphos4 ,para facilitar a articulao das primeiras palavras1 os homens fallam cadenciadamente3 a origem dos cantos1 dos versos1 da pantomima e da dana4 ,desenvolvidos os orgos da voz1 as primeiras palavras so a copia dos sons da natureza4 ,depois as palavras perdem a significao natural e tomam uma significao convencional2 o mesmo acontece na escriptura1 a partir dos hieroglyphos4 ,o homem1 assustado pelo trovo e pelo raio1 escondeu-se nas cavernas da terra1 receando d'um poder superior a elle2 e ahi occultou tambem a sua companheira4 ,d'esta junco nasceu a familia1 a que o homem teve de procurar alimentos1 tendo de sahir1 para encontral-os1 dos recessos das cavernas4 ,do accordo dos deveres e das necessidades1 a que esta primeira sociedade deu origem1 nasceu o direito natural4 ,segundo a formosa theoria de ,vico1 vmos1 pois1 como o homem um producto de si mesmo1 e o mundo civil feito pelo homem4 ,na existencia de cada povo1 ,vico encontra a idade dos deuses1 ou a poca em que a imaginao e o medo divinisam as foras da natureza2 a idade dos heroes1 ou a poca em que os homens1 imaginando que tudo obra dos deuses1 attribuem a si mesmos uma origem divina2 finalmente1 a idade historica1 em que o heroe se humanisa1 e em que a natureza humana se torna intelligente1 modesta1 dce e razoavel1 obedecendo por consequencia lei da consciencia1 da razo e do dever1 como diz o proprio ,vico#bh4 ,dentro do circulo fatal d'estas tres idades ou naturezas1 que a vida dos povos se desenvolve e completa4 ,chegado ao grau de perfeio que fica assignalado1 cada povo extingue-se como uma flr que attingiu o seu maximo desenvolvimento4 ,outro povo1 como outra flr1 o ha-de vir substituir dentro do mesmo circulo fatal4 ,toda a theoria de ,vico se pde representar graphicamente por uma serie de linhas parallelas1 que a nosso vr exprimem perfeitamente o seu corsi e ricorsi1 o progresso e retrocesso dos povos4 ,segundo esta theoria1 os governos comeam pela unidade nas monarchias de familia2 pelo menor numero1 nas aristocracias heroicas2 pelo maior numero1 nas republicas populares1 e acabam pela unidade1 como principiaram1 nas monarchias civis4 ,a successo d'estes periodos abrange a vida de cada povo4 ,assim1 ,vico1 traando1 nos tempos da primeira barbarie1 a longa linha de corsi1 encontra os paes de familia exercendo um governo1 cuja authoridade pretende derivar dos deuses4 ,esse o periodo do mutismo2 a expresso do pensamento gesticulada1 hieroglyphica 7,monarchias de familia74 ,os homens errantes refugiam-se junto dos paes de familia1 que lhes no querem reconhecer direito algum4 ,os adventicios revoltam-se4 ,so vencidos pelos paes de familia4 ,revoltam-se de novo4 ,os paes de familia procuram fortificar-se formando uma classe e regulando os direitos das gentes minores1 dos adventicios 7,aristocracias heroicas74 ,segue-se o periodo em que a continuao das revoltas por parte das gentes minores obtem concesses que produzem finalmente o governo humano1 isto 1 do maior numero 7,republicas populares74 ,a estas pocas de agitao succede naturalmente um periodo de repouso1 a monarchia4 ,mas cumpre notar que por isso que as monarchias e as republicas populares so ambas uma expresso do governo humano1 podem succeder-se alternadamente4 ,tracemos agora1 segundo ,vico1 parallela linha de corsi1 a linha de ricorsi no periodo da segunda barbarie4 ,voltam os tempos divinos4 ,os reis so os defensores da religio1 magestades sagradas4 ,revestem a dalmatica dos diaconos4 ,a cora encimada pela cruz4 ,fundao das ordens religiosas armadas4 ,os signaes dos brazes correspondem linguagem hieroglyphica4--,regressam os tempos heroicos pelo feudalismo4 ,os bares so os heroes2 os servos so as gentes minores4--,finalmente1 os esforos dos vassallos para conquistarem a liberdade1 em virtude da lei de que a potencia livre de um estado deve passar ao acto1 vencem os esforos dos senhores e do origem ao governo do maior numero1 isto 1 aos governos democraticos modernos4 ,vico1 encontrando o parallelismo dos corsi e ricorsi na linha d'extenso1 no o pde comtudo achar na durao e intensidade dos periodos1 porque o da segunda barbarie foi muito menos longo e profundo que o da primeira4 ,a theoria de ,vico tem sido mais ou menos impugnada1 sem que da impugnao se possa deduzir menospreo pela elevada concepo do philosopho napolitano1 que evidentemente se baseia na diviso dos tempos1 feita pelos egypcios e pelos chinezes4 ,cantu acha que a theoria da ,scienza nuova tem o inconveniente de sobrepr a razo liberdade2 de inutilisar todos os esforos tendentes a realisar um progresso continuo2 finalmente1 que ella desmentida pela constituio da sociedade americana1 que se organisou sem deuses1 sem heroes e sem feudatarios1 custa da industria e da concorrencia#bi4 ,cousin encontra na theoria de ,vico o vicio da preponderancia do elemento politico1 da omisso quasi completa da arte e da philosophia1 e sobretudo do estudo da civilisao oriental1 dominada pela religio2 finalmente1 da omisso relativa aos destinos da humanidade em geral na sua marcha de refluxo em refluxo#cj4 ,o snr4 dr4 ,theophilo ,braga acha que se ha erro n'aquella diviso dos tempos consiste em fazer o computo de tal modo1 que os periodos subsequentes sejam excluidos dos primeiros#ca4 ,mas ,cantu1 como ,cousin1 faz justia ao talento brilhantissimo de ,vico1 cuja arrojada intuio1 em pleno seculo ,,xviii1 espanta realmente4 ,comquanto ,vico fique hoje muito atrazado em vista do estado actual da sciencia1 sobretudo pelo que toca aos modernos debates sobre a origem das especies1 distribuio geographica das raas humanas1 pluralidade dos mundos1 suspeitada j por ,giordano ,bruno1 e questo da influencia dos meios1 no pde deixar de reconhecer-se que no s previu muitos dos mais transcendentes problemas da sciencia moderna1 taes como o da origem da linguagem1 cuja resoluo antecipou1 mas tambem que deixou na sua obra os germens de muitas sciencias novas#cb1 e que foi o fecundador da maior parte das theorias modernas1 entre as quaes a ,philosophia da ,historia4 ,a obra de ,vico foi continuada por ,montesquieu n'um plano igualmente superior4 ,como ,vico1 ,montesquieu occupa-se da relao do direito com os costumes1 mas introduz na sciencia da ,historia um elemento novo1 que todavia j ,hippocrates1 ,plato1 ,aristoteles e outros sabios da antiguidade haviam suspeitado3 a influencia dos climas no caracter e vida dos povos4 ,bossuet havia introduzido na ,historia universal o elemento religioso3 ,vico1 o elemento racional2 ,montesquieu introduziu o elemento climatologico4 ,o auctor do ,espirito das ,leis1 fanatico pela sua doutrina1 exagera os effeitos do clima1 comquanto devesse attender a totalidade dos meios cosmologicos como ,herder1 mas o que certo1 e a sciencia moderna o tem demonstrado1 que o homem1 e mais adeante nos demoraremos n'este ponto1 quando tratarmos de ,herder1 nasce e vive sob a influencia da natureza que o rodeia4 ,o clima produz as sensaes habituaes1 que1 no decurso dos tempos1 constituem a sensibilidade definitiva#cc4 ,nas obras d'arte1 e de litteratura1 que so as que mais profundamente caracterisam a civilisao de um povo1 como mais de espao veremos1 importa considerar1 segundo ,taine#cd1 tres foras primordiaes1 a raa1 o meio1 e o momento4 ,estabelecida a verdade da influencia climatologica no homo duplex1 ,emilio ,deschanel#ce procura no estylo de cada escriptor a caracteristica do temperamento1 do clima1 dos habitos1 etc4 ,pelletan1 considerando o slo como um collaborador forado do destino d'uma raa1 reconhece a necessidade de se escrever a geographia do progresso#cf4 ,no se pde levar to longe1 porm1 a fatalidade exclusiva do clima1 sob o ponto de vista da temperatura1 que haja de se fechar os olhos a contradices flagrantes1 a que os proprios factos historicos do relevo1 embora ,montesquieu veja ainda no fundo d'essas contradices a influencia climaterica4 ,assente que os climas frios so os que do o vigor1 a energia1 e os climas quentes a molleza e a indolencia1 o proprio ,montesquieu#cg foi obrigado a notar contradices nos caracteres de certos povos do ,meio-dia4 ,os indios so naturalmente faltos de coragem1 diz elle2 os proprios filhos dos europeus1 nascidos nas ,indias1 perdem a do seu clima4 ,esta ultima affirmao acha-se plenamente confirmada no precioso livro de um viajante hollandez#ch1 o qual1 tratando da maneira de viver dos portuguezes na ,india1 faz notar a ociosidade a que se entregavam1 a ponto de explorarem a honra de suas proprias mulheres#ci4 ,pois no obstante a indolencia peculiar ao clima da ,india1 onde a luz e o calor parece conservarem-se n'uma primavera ininterrompida1 os costumes indianos so violentos e barbaros3 os homens submettem-se a males incriveis1 as mulheres lanam-se ao fogo4 ,montesquieu explica ainda este facto pela preguia do espirito dos indios1 a qual devida indolencia do corpo1 produzida pelo clima4 ,a preguia do espirito traz1 realmente1 a immobilidade nas leis e nos costumes2 sem embargo1 como observa ,voltaire1 a influencia dos climas algumas vezes desmentida pelos factos historicos3 em resposta assero de que os povos dos paizes quentes so timidos como os velhos1 lembra ,voltaire que os arabes conquistaram em oitenta annos maior territorio do que aquelle que o imperio romano possuia4 ,um philosopho allemo1 que ,edgar ,quinet vulgarisou na ,europa1 levanta sobre a theoria de ,montesquieu um edificio to brilhante como arrojado2 segundo ,montesquieu1 o homem influenciado pelo clima2 segundo ,herder1 a natureza o molde d'onde a humanidade sahe conformada4 ,herder1 cuja largueza de vistas abrange todos os elementos da humanidade1 estudados desde a origem dos tempos1 no seu desenvolvimento harmonico e progressivo1 o que lhe d uma incontestavel vantagem sobre os philosophos que o precederam1 parte da geographia physica para chegar a uma synthese assombrosa4 com um admiravel instincto--diz ,quinet--que ,herder segue o contorno dos rochedos e dos rios1 que se perde nos desertos1 que penetra com um olhar o interior de um paiz1 para encontrar na natureza externa o primeiro mobil das tendencias e determinaes dos povos#dj4 ,a theoria de ,herder muito mais complexa do que a de ,montesquieu1 e claro que1 lanando mo de todos os elementos offerecidos pela natureza1 abrange maior numero de verdades4 ,herder1 como observa ,quinet1 estuda at os contornos dos rochedos e dos rios1 as linhas da natureza2 os perfis das montanhas e as sinuosidades do alveo do-lhe a ida das tendencias dos povos que vivem n'essas paragens4 ,com effeito1 o scenario de um theatro fornece a primeira concepo das paixes que se iro desenvolver no drama4 ,no grande palco do mundo acontece o mesmo4 ,o aspecto da natureza torna o germano dotado de uma tempera robusta#da4 ,em ,portugal1 os povos nascidos nas duas montanhosas provincias da ,beira sahem aptos para as maiores rudezas do trabalho2 so principalmente elles os que executam a tarefa das ceifas no ,alemtejo1 onde vo todos os annos1 arrostando um sol canicular1 abrazador1 chegando a morrer n'um s estio e n'uma s comarca1 a de ,elvas1 quatrocentos ceifeiros1 de fouce em punho1 como verdadeiros heroes do trabalho#db4 ,os povos do ,algarve nascem marinheiros pela fatalidade da situao geographica1 arrojam-se s maiores ousadias da navegao1 como a que no principio d'este seculo realisaram1 indo dous homens n'um cahique ao ,rio de ,janeiro4 ,herder tinha razo4 ,um s rio1 o sinuoso e extenso ,douro1 basta a caracterisar a vida da maior parte dos habitantes d'uma provincia4 ,o conhecimento pratico1 a observao de algumas povoaes portuguezas leva-nos a estabelecer o principio de que a frma geometrica dos rios determina os costumes dos povos circumpostos4 ,as correntes em linha recta so as que produzem menor pureza de vida2 pelo contrario1 os rios meandrosos1 difficeis1 occasionando um trabalho continuo e perigoso santificam1 para assim dizer1 os costumes4 ,estudemos esta theoria no rio ,douro4 ,os barqueiros d'este rio entregam-se a um trabalho por tal modo intenso e ininterrompido1 que chega a ser uma religio4 ,pendurados das fragas afim de tirarem os barcos sirga1 empenhados em vencerem os perigos dos pontos1 verdadeiras cataratas1 havendo previamente1 de barrete na mo1 confiado as suas vidas a ,deus1 so completamente absorvidos pela preoccupao do trabalho4 ,extenuados1 quando recolhem ao lar domestico1 dedicam-se vida de familia1 ao descano patriarchal da lareira2 regulando ainda assim o tempo por modo que muitos d'elles cultivam a sua vinha1 a sua pequena horta1 no intervallo das viagens4 ,mas nos rios placidos1 rectilineos1 a navegao no um trabalho1 1 pelo contrario1 um pretexto de ociosidade4 ,a propria corrente leva o barco1 os barqueiros no bebem para fortalecer-se2 bebem para embriagar-se1 por deboche4 ,quando chega a noite1 procuram as casas devassas1 as rameiras do caes4 ,herder1 desenvolvendo a theoria de ,vico1 abrangeu todos os meios cosmologicos2 no se preoccupou s1 como ,montesquieu1 com os agentes astronomicos1 e deu a devida importancia aco geral da natureza4 ,no estado actual da sciencia preciso tambem ter em vista os modificadores sociologicos1 posto que muitas vezes nos paream sujeitos aos cosmologicos4 ,as profisses industriaes1 por exemplo1 no raro dependem de uma influencia puramente local4 ,jacques de ,boisjoslin confirma esta opinio1 avisando de que as aptides profissionaes podem enganar sobre as verdadeiras disposies das raas1 por isso que frequentemente derivam do clima1 da presso da natureza#dc4 ,edgar ,quinet lana-se com vivo enthusiasmo na theoria de ,herder3 ,a figura dos continentes1 dos rios1 dos mares1 das montanhas1--escreve elle com o seu bello colorido poetico--1 quasi por toda a parte ha determinado a das sociedades2 de modo que cada continente um molde onde a ,providencia vasa as raas humanas para que ahi tomem a frma eterna dos seus designios2 e o primeiro propheta escreveu o seu livro nas linhas mudas dos continentes ainda deshabitados#dd4 ,cousin1 depois de haver prescripto ao movimento geral da ,historia tres pocas1 ligadas no s por uma relao de successo mas tambem de gerao1 tres pocas baseadas sobre as tres unicas idas que o pensamento humano pde conceber1 o infinito1 o finito1 a relao do finito com o infinito1 sendo que estes tres elementos podem coexistir n'uma mesma poca posto que seja o predominio de um o que a caracterisa2 ,cousin liga tambem uma alta importancia situao geographica e chega concluso de que para tres pocas differentes1 tres theatros differentes4 ,a theoria de ,herder tem sido1 porm1 accusada por alguns philosophos de imprimir ao homem um caracter de passividade1 que o reduz condio de escravo da natureza que o rodeia1 e elle proprio1 como lhe censurado1 no pde explicar pela geographia physica todos os desenvolvimentos da civilisao4 ,para elle1 a linguagem humana uma instituio divina1 posto que at certo ponto nos parea que1 reproduzindo os primeiros homens as vozes da natureza pela onomatopea1 segundo ,vico1 podia ,herder explicar por esse mesmo facto a origem da linguagem1 e pela situao geographica a euphonia ou a aspereza de certos dialectos4 ,uma outra accusao consiste em no se haver ,herder remontado origem ethnica das raas1 encarando-as apenas no estado em que as encontrou1 quando estudou o caracter de cada uma como elemento da ,philosophia da historia2 pelo que calumniou toda a raa aryana1 e portanto os germanos1 a que pertencia1 quando representou como rebeldes a toda a cultura os celtas e os slavos1 que foram a guarda-avanada da colonisao europa#de4 ,como quer que seja1 ,herder accendeu a esplendida aurora que devia illuminar1 principalmente em nossos dias1 o estudo de todos os grandes problemas da sciencia e da humanidade1 a que1 depois d'elle1 se tem dedicado grande numero de espiritos luminosos e fortes1 cujas theorias no podemos mencionar n'um trabalho que1 como este1 tem de ser realisado n'um periodo fatal e curto4 ,o ponto de vista religioso de ,bossuet e o ponto de vista politico de ,vico ficaram desde ,herder offuscados pelo conjuncto synthetico de todos os elementos da civilisao humana3 as raas1 as linguas1 as religies1 as artes1 as litteraturas1 os systemas de governo e de philosophia1 etc4 ,duchinski achou vinte e oito elementos de critica historica3 #a4 ,hydrographia2 #b4 ,plasticidade do slo2 #c4 ,physionomia dos habitantes2 #d4 ,hygiene1 doenas2 #e4 ,climatologia2 #f4 ,mythos2 #g4 ,tradies peculiares a cada raa2 #h4 ,faculdades musicaes e poeticas2 #i4 ,tendencia dos povos vida sedentaria agricola ou a vida nmada mercantil2 #aj4 ,lugar da mulher na sociedade2 #aa4 ,faculdades religiosas1 desenvolvimento das seitas2 #ab4 ,vestuario2 #ac4 ,alimentos1 e bebidas2 #ad4 ,desenvolvimento da vida provincial e das idas federativas2 #ae4 ,maior ou menor predisposio para a adorao do principio do mal2 #af4 ,a geologia e sobretudo a geologia agricola2 #ag4 ,a botanica2 #ah4 ,a zoologia2 #ai4 ,as linguas sob o ponto de vista lexicographico2 #bj4 ,as linguas sob o ponto de vista euphonico2 #ba4 ,as linguas sob o ponto de vista dos caracteres da civilisao2 #bb4 ,as linguas sob o ponto de vista das tradies historicas que apresentam2 #bc4 ,pureza e impureza relativa dos costumes2 #bd4 ,grau do poder creador do espirito2 #be4 ,grau de parentesco entre os povos sob o ponto de vista das relaes historico-politicas2 #bf4 ,estatistica2 #bg4 ,encadeamento dos factos historicos4 #bh4 ,grau de parentesco com relao s origens4 ,e certamente no se poderia ,duchinski gabar de ter enumerado todos os materiaes que sabe aproveitar a ,philosophia da ,historia1 em cujo campo o menor elemento fornece uma caracteristica1 o que no deve admirar depois que se conheceu que uma alga microscopica1 a ,trichodesmium erythrum1 produz certa colorao particular do mar ,vermelho4 ,afim de estudar todos estes elementos1 para chegar synthese da humanidade1 era preciso desenvolver1 refundir e at crear um grande numero de sciencias correlativas a elles4 o que se tem feito at hoje4 ,cada sciencia especial acode a offerecer ao investigador uma poderosa alavanca que ha-de ajudar a levantar a humanidade altura precisa para receber de frente toda a luz da ,philosophia4 ,a ,historia1 que fra outr'ora simplesmente a narrao de factos1 tornou-se1 portanto1 a mais complexa de todas as sciencias4 ,foi uma transformao assombrosa4 ,atearam-se os grandes debates da sciencia moderna1 os sabios lanaram-se descoberta da verdade1 tomando a ,philosophia por instrumento4 ,o nosso seculo tem assistido as mais brilhantes investigaes4 ,a ,philosophia positiva metteu hombros ao colosso do passado1 e iniciou um dos cyclos mais admiraveis da humanidade1 se no o mais assombroso de todos elles4 ,parece-nos conveniente insistir n'este ponto1 por isso que lavra ainda em alguns espiritos uma certa desconfiana sobre o estado de perfeio dos modernos trabalhos scientificos4 ,o conhecimento d'esta desconfiana foi que nos determinou a escolhermos para dissertao de concurso o vasto assumpto de que vimos tratando1 seguramente muito superior s nossas foras4 ,odysse-,barot um d'esses espiritos desconfiados4 ,vemos apparecer cada anno1 diz elle#df numerosas e interessantes monographias1 obras especiaes de um incontestavel valor2 mas no passam de uteis materiaes1 que seria tempo de pr em obra4 ,a ,historia est no ponto em que se achavam3 a astronomia antes de ,keppler1 ,copernico e ,newton2 a chimica antes de ,lavoisier e ,berzelius2 a physica antes de ,archimedes2 a zoologia antes de ,geoffroy ,saint-,hilaire2 a geologia antes de ,cuvier2 a physiologia antes de ,harvey4 ,a lei da attraco universal ser mais difficil de formular do que a lei da attraco celeste8 ,sabemos como se movem os astros1 e ignoramos como se movem os povos6 ,podemos determinar a curva que descrevem os mundos1 e no sabemos absolutamente nada da orbita que percorrem as naes6 ,porque no descobriro a lei da aggregao dos homens1 como souberam achar a lei da aggregao das moleculas de um corpo8 ,no haver uma chimica social do mesmo modo que ha uma chimica organica ou uma chimica mineral8 ,ser que as foras chamadas coheso e affinidade no possam actuar seno sobre os gazes1 os liquidos ou os solidos8 ,acaso a humanidade ignora o que uma combinao1 uma liga8 ,no tem seus reagentes1 suas decomposies1 seus precipitados8 ,descobriu-se a lei da circulao do sangue no homem3 a historia espera o seu ,harvey1 para encontrar a lei da circulao do sangue nas sociedades4 ,a historia espera o seu ,archimedes1 que nos d a formula da dynamica e da statica politicas1 etc4 ,realmente1 isto querer desconhecer at onde teem chegado os progressos da actividade humana dentro do campo da possibilidade1 e exigir da humanidade o impossivel4 ,com a sabia orientao da ,philosophia positiva1 o espirito humano caminha energicamente para as acquisies scientificas que as mais pacientes observaes preparam todos os dias4 ,foi trabalhosa e demorada a jornada at esta conquista1 porque o espirito humano teve de atravessar successivamente o estado theologico1 base e estimulo de todo o progresso1 porque preciso um ponto de apoio qualquer para firmar os primeiros passos1 e o estado metaphysico1 transio do estado theologico para o estado positivo4 ,mas1 chegados a esta nova conquista1 o que podemos exigir da ,philosophia positiva1 sciencia que elevou a ,historia sua mais alta concepo8 ,que nos permitta encarar todos os phenomenos como sujeitos a leis naturaes invariaveis1 e reduzil-as ao menor numero possivel1 afim de simplificarmos a universalidade dos conhecimentos humanos2 que nos permitta sujeitar a um systema claro e positivo todas as sciencias fundamentaes estudadas nas suas relaes communs como elementos constitutivos de um todo harmonico1 e portanto tambem nas suas relaes com esse mesmo systema1 com esse todo4 ,esta grande1 esta immensa obra de simplificao deve-se ,philosophia positiva4 ,mas para que a ,philosophia positiva podesse constituir-se com o caracter de universalidade que lhe proprio1 era preciso abraar todas as ordens de phenomenos4 ,por isso a ,philosophia positiva teve de inventar uma nova sciencia1 que se propozesse estudar uma especie de phenomenos1 que no podia incluir-se na dos astronomicos1 na dos physicos1 na dos chimicos1 nem finalmente na dos physiologicos1 e creou a physica social1 que se trata de estudar com o vagar que a sua dependencia de todas as outras sciencias de observao exige1 e que vir completar a constituio da ,philosophia positiva4 ,mas todos estes grandes1 estes grandissimos progressos do espirito humano1 toda esta colossal obra de simplificao e generalisao poder produzir o conhecimento exacto1 certo das causas das leis estudadas ou da explicao universal de todos os phenomenos por uma lei unica8 ,responde o proprio ,comte1 o grande apostolo do positivismo3 ,na minha profunda convico pessoal1 considero estas empresas d'explicao universal de todos os phenomenos por uma lei unica como eminentemente chimericas1 ainda quando so tentadas pelas mais competentes intelligencias4 ,creio que os meios do espirito humano so muito fracos1 e o universo muito complicado para que uma tal perfeio scientifica possa estar ao nosso alcance1 e at penso que se faz geralmente uma ida muito exagerada das vantagens que de tal conquista resultariam necessariamente1 se ella fosse possivel#dg4 o proprio ,augusto ,comte que nos vem dizer que considera defezos razo humana todos os mysterios que a philosophia theologica procurava explicar facilmente2 que o espirito humano deve reconhecer1 no estado positivo em que se acha1 a impossibilidade de obter noes absolutas1 de conhecer as causas intimas dos phenomenos1 a origem e o destino do universo#dh4 ,estamos1 pois1 lanados na ampla estrada de uma sciencia toda humana1 e havemos de chegar at onde os recursos humanos nos possam levar4 preciso tempo e trabalho para que a folha da amoreira se converta em sda4 ,a astronomia esperou o seu ,keppler1 como a historia espera o seu ,archimedes4 ,odysse-,barot pede a formula da dynamica e da statica politicas3 portanto1 o que pede so duas theorias scientificas1 que se devem considerar como factos logicos4 ,ora s por uma profunda observao d'esses factos se pde chegar ao conhecimento das leis logicas#di4 ,a ,philosophia positiva1 auxiliada pelas sciencias de observao j perfeitamente conhecidas1 procura preencher a lacuna que respeita aos phenomenos sociaes para attingir o seu caracter de universalidade4 ,segundo esta nova marcha do espirito humano1 toda positiva e observadora1 a ,historia teve de estudar profundamente a natureza para chegar1 finalmente1 exacta concepo do lugar que n'ella occupa o homem4 ,a geologia tem1 portanto1 attingido um notavel estado de florecimento4 ,a historia da terra desdobrou-se em capitulos com uma nitidez admiravel1 desde a nebulose1 que pelo resfriamento se converteu na esphera terrestre1 at nossos dias4 ,excavando nas entranhas da terra1 para extrahir1 como um minerio precioso1 a sua historia1 a sciencia encontrou os destroos animaes e vegetaes que geraram a paleontologia4 ,nas camadas terciarias do globo appareceram os instrumentos de pedra1 a que o vulgo chama ainda hoje pedras de raio#ej1 e que effectivamente foram considerados como productos da natureza antes que ,mercati os considerasse como armas defensivas do homem no estado da sua rudeza primitiva4 ,o achado de alguns fosseis1 que pareceram humanos1 a par com os esqueletos de alimarias ante-diluvianas1 veio depois1 ao cabo de longos debates1 e de novos achados1 desfazer o erro anthropocentrico1 confirmar a existencia prehistorica do homem e por conseguinte o emprego dos instrumentos de silex4 ,foi assim que do consorcio da geologia com a paleontologia nasceu a archeologia4 ,ento1 luz do grande facho da archeologia1 pde a ,historia reconstruir as idades primitivas do homem4 ,chamou primeira1 de pedra1 e subdividiu-a em paleolithica ou dos instrumentos de pedra lascada2 mesolithica ou dos instrumentos de pedra lascada e de osso2 neolithica ou dos instrumentos de pedra polida2 e segunda1 idade dos metaes1 subdividindo-a em idade de bronze#ea e idade de ferro4 ,a descoberta de fosseis humanos1 e dos instrumentos prehistoricos1 veio dar desenvolvimento a um grupo de sciencias que teem necessaria relao entre si4 ,no primeiro plano d'este grupo1 apparece a anthropologia1 ramo da historia natural que trata do homem e das raas humanas1 sciencia que se pde considerar originada pelo positivismo moderno1 comquanto os gregos j designassem pelo vocabulo anthropologos aquelles que discutiam sobre o homem4 ,o problema da origem do homem impoz-se meditao dos sabios1 como uma das mais importantes questes a resolver4 ,apartaram-se as opinies1 os campos4 ,a primeira base de toda a discusso foi o ,genesis4 ,a opinio polygenista tirava argumento de serem os filhos de ,deus representados como raas provenientes de ,ado1 e os filhos dos homens como raas no adamicas#eb e de que a ,biblia apenas se referia aos povos semitas1 particularmente aos judeus#ec4 ,a opinio monogenista contrapunha que todas as raas descendiam primitivamente de ,ado e ,eva1 e consecutivamente dos tres filhos de ,no salvos do diluvio2 que a influencia dos meios cosmicos produzira a variedade das raas4 ,esta discusso veio a generalisar-se1 a emancipar-se da sua origem biblica1 a diffundir-se pelo campo da sciencia1 e at da politica#ed4 ,o transformismo uma phase nova d'esta grande questo1 que envolve uma ida antiga#ee4 ,lamarck sustenta que as especies se transformam passando de uma para outra1 tanto no reino animal como no vegetal3 o homem uma transformao lenta do macaco4 ,procurando a origem dos sres1 ,lamarck encontra os germens primordiaes ou mnadas1 provenientes de gerao espontanea4 ,n'este systema1 os meios de transformao explicam-se pela adaptao dos orgos s condies da existencia4 ,cuvier1 ,geoffroy ,saint-,hilaire e outros1 sahiram em defeza das idas orthodoxas1 que parecia haverem triumphado quando appareceu ,carlos ,darwin1 cuja theoria se pde definir3 ,a seleco natural por a lucta pela existencia1 applicada ao transformismo de ,lamarck#ef4 ,segundo ,darwin1 todos os seres organisados se transformam incessantemente sob o imperio de uma lei de seleco natural 7natural selection71 e todas estas transformaes tem por causa a lucta pela vida 7struggle for life71 isto 1 o combate eterno dos sres vivos entre si pelos meios de existencia4 ,todas as especies vivas descendem1 segundo ,darwin1 de um pequeno numero de prototypos ou mesmo de um s4 ,em virtude da seleco natural todas as variaes uteis so conservadas1 e todos os desvios nocivos eliminados#eg4 ,comquanto ,carlos ,darwin se abstivesse de applicar a sua theoria especie humana particularmente1 os que a defendem fazem essa applicao como consequencia logica das asseres apresentadas por elle4 ,a doutrina darwiniana foi o ponto de partida de um longo debate que ainda dura4 ,entre os allemes que se filiaram na escla do transformismo1 avulta ,hckel1 que para explicar a origem do homem parte das primeiras cellulas conhecidas1 moneras1 formadas por gerao espontanea4 ,estas cellulas foram-se dispondo em orgos e1 depois de uma serie de transformaes1 que se podem classificar em vinte e dous graus1 apparece o homem4 ,graas ao espirito de positivismo do nosso seculo1 as sciencias biologicas chegaram a este grau de desenvolvimento1 e como que sopraram vida nova intelligencia humana cada vez mais vida de saber4 ,desdobram-se na tela da discusso os mais graves problemas1 como por exemplo o das geraes espontaneas1 que tanto preoccupou a ,academia das ,sciencias de ,paris1 depois que em #aheh o professor ,pouchet lanou o pomo da discordia ao seio dos quarenta immortaes#eh4 ,certo que muitos d'esses grandes problemas no esto ainda resolvidos1 como por exemplo o do transformismo1 mas no menos certo que as modernas investigaes vo cada vez produzindo novas acquisies1 e que1 pelo que toca ao transformismo1 a doutrina da mutabilidade e da evoluo morphologica dos seres organisados vai cada dia ganhando maior terreno4 ,n'um curso regular de anthropologia1 como aquelle que se professa no ,instituto anthropologico de ,paris1 sob a direco de ,paulo ,broca1 a ethnologia1 sciencia que se occupa da classificao1 descripo1 repartio1 filiao e evoluo das raas humanas1 tem um logar importantissimo1 e tanto se identifica esta nova sciencia com a ,historia philosophica1 que s pelo estudo das raas constituiram alguns historiadores uma ,philosophia da ,historia4 ,as analogias encontradas entre as linguas da ,europa e o sanscrito determinaram as affirmaes a que se chegou sobre a unidade da raa indo-europa ou aryana4 ,os resultados fornecidos pela investigao levaram ,francisco ,boop a reconhecer o parentesco das linguas celticas1 que at ahi faziam grupo parte1 com o sanscrito1 e com as demais de origem aryana4 ,por onde nos dado vr como a ethnologia prosperou pela applicao do methodo philologico4 ,aqui temos pois irmanadas duas novas sciencias1 por igual importantes1 a ethnologia e a philologia4 ,e no diremos que a philologia a base da ethnologia1 porque muitas vezes a linguagem de um povo est falseada por agentes historicos e sociaes1 taes como a conquista1 o commercio1 e a irradiao de focos intellectuaes mais ardentes#ei4 ,mas1 como quer que seja1 acompanhar a evoluo das raas desde a sua filiao o mesmo importa que fazer simultaneamente a historia das linguas respectivas e o estudo critico das litteraturas sob o ponto de vista da archeologia1 da arte e da mythologia#fj4 ,os grandes problemas philologicos apenas comearam a inspirar geral interesse no principio d'este seculo4 ,o ponto de partida dos modernos trabalhos sobre a sciencia da linguagem foi a ,grammatica comparada das linguas indo-europas por ,francisco ,boop4 ,a antiguidade classica1 circumscripta ao estudo da civilisao italiana ou grega1 no podia elevar-se s theorias geraes#fa4 ,alm do que1 era preciso que a ,historia fosse estudando a genealogia dos povos1 reconhecendo-os1 para sobre o conhecimento pratico das linguas fundamentar a moderna sciencia da linguagem#fb4 ,no seculo actual a philologia comeou a estudar as ramificaes das linguas1 a comparal-as1 a classifical-as1 a criticar os seus productos1 como a ,historia comeou simultaneamente a estudar as ramificaes dos povos1 a comparal-os1 a classifical-os1 a criticar as suas manifestaes4 ,a linguistica1 estudando a phonetica e a estructura das linguas1 veio prestar uma valiosa collaborao philologia1 porque se o philologo no sabe nada da lingua em si mesma1 diz ,hovelacque1 se ignora a sua estructura e os elementos que a compoem1 como poder fazer um juizo completo sobre os productos1 os fructos d'esse agente1 d'essa lingua#fc8 ,a ,philosophia positiva1 pela applicao dos seus processos de simplificao e de generalisao1 tratou de procurar as leis que presidiram formao das linguas1 e assim que a sciencia da linguagem tem chegado descoberta de factos importantissimos4 ,averiguou-se1 por exemplo1 que a lingua chineza1 a qual comprehende quarenta mil palavras1 apenas possue um peculio de quatrocentas e cincoenta raizes4 ,lubbock#fd occupa-se em mostrar a identidade de raizes na linguagem de muitas raas1 e toma para exemplo as articulaes pa e ma1 que para a maioria dos povos significam pai e me1 por isso mesmo que so as primeiras syllabas pronunciadas pela criana1 as mais faceis1 as mais involuntarias1 como observa ,lefvre#fe4 ,mas1 aqui se levanta uma importante questo4 ,como foram escolhidas estas raizes8 ,como que certas cousas foram indicadas por certos sons8 ,max ,mller chama a esses primitivos elementos das differentes famillias de linguas typos phoneticos produzidos por um poder inherente natureza humana4 ,e acrescenta3 ,existem1 como diria ,plato1 por natureza2 ainda que devemos tambem declarar com ,plato que quando dizemos por natureza1 queremos dizer pela mo de ,deus4 ,ha1 porm1 algumas palavras que1 como zas1 provm da imitao de um som4 ,segundo ,mller1 as palavras d'esta especie parecem-se com as flres artificiaes3 no tem raizes4 ,lubbock no fica satisfeito com a resposta dada por ,mller a esta pergunta ,como que os sons podem exprimir o pensamento8 posto adjective de eloquente a resposta4 ,lefvre qualifica-a de excesso de mysticismo anglicano por parte de ,mller1 e observa que o grito vago1 fixado1 precisado pelo habito1 por conveno1 por analogia com certas impresses traduzidas em onomatopas nos basta para comprehender como a tal ordem de sensaes ou de movimentos cerebraes se pde ligar tal ou tal som4 ,d'este modo no haveria na linguagem as flres artificiaes de que falla ,mller1 e1 como pensamos1 todas essas syllabas-mes mergulhariam raizes na interjeio ou na onomatopa1 acabando de fixal-as o habito4 ,a moderna applicao da ,historia a todos os ramos dos conhecimentos humanos produziu1 na sciencia da linguagem1 um estudo encantador--a biographia de cada palavra1 muitas vezes em opposio com as regras phoneticas que determinam as mudanas possiveis das letras4 ,o verdadeiro caracter de universalidade da ,historia provm certamente no do facto de abranger a generalidade dos povos1 mas sim a generalidade dos assumptos1 e por isso que ella envolve1 na sua immensa esphera1 todas as sciencias4 ,tudo tem uma historia1 e o historiador universal tem de abranger a historia de tudo4 ,max ,mller#ff faz1 a traos poeticos1 a biographia da palavra palacio4 ,sobre as margens do ,tibre1 uma das sete collinas era chamada collis ,palatinus4 ,palatinus derivava-se de ,palas1 divindade pastoral1 cuja festa se celebrava a #ba de abril4 ,nero mandou demolir todas as casas particulares d'esta collina para ahi edificar o seu aureo palacio1 domus aurea1 a que se principiou a dar o nome de ,palatium1 conservando-se como typo dos palacios reaes da ,europa4 ,de palatium nasceu o adjectivo palatino1 a que se juntou a palavra abobada para significar o ponto mais elevado da bocca1 porque abobada era realmente1 como observa ,mller1 uma palavra muito propria para designar o palacio da bocca4 ,o illustre professor d',oxford1 lembrando a phrase de ,ennius--palatum coeli--1 para exprimir a abobada dos cos1 faz sentir a evidente analogia que ha entre a concepo do palacio da bocca e a de uma abobada1 e entre a concepo de uma abobada e a sumptuosa habitao dos imperadores4 ,tomando por instrumento de investigao a philologia1 a ,historia no abriu os vocabularios das differentes raas para estudar smente a biographia das palavras1 mas quiz tambem deletrear n'elles a condio social1 a civilisao d'essas raas4 ,a critica philologica descobriu que os ,hos da ,india central no conhecem os termos affectuosos2 que os ,algonquinos1 povo da ,america septentrional1 no possuem o verbo amar2 que os ,bosmejans no teem nomes proprios para distinguir os individuos2 que as tribus brazilicas desconhecem as noes de cr1 genero1 espirito1 etc41 por isso que no apparecem nos seus vocabularios palavras correspondentes a estas noes#fg4 ,se os vocabularios foram considerados testimunhos importantes para a historia da civilisao dos povos1 as litteraturas1 os monumentos litterarios principiaram a reputar-se1 perante a critica moderna1 a photographia do estado do espirito d'esses povos1 e dos seus costumes4 por isso que ,henri ,taine#fh disse3 ,a historia transformou-se ha cem annos na ,allemanha e ha sessenta em ,frana1 pelo estudo das litteraturas4 ,a litteratura copia o povo1 como o livro copia o homem4 ,os monumentos litterarios so a concretisao da alma das naes3 tudo o que ella sentia no momento em que produziu1 influenciada pela fora do meio physico1 clima1 e pelas disposies hereditarias1 raa1 est alli condensado4 ,uma epopa um composto determinado pela aco simultanea d'estas tres foras primordiaes reconhecidas por ,taine4 ,interrogado o ,mahabharata1 reproduz a nossos olhos o cyclo tempestuoso das conquistas dos aryas1 quando1 avanando para o sul1 se propozeram assenhorear as regies do ,ganges4 ,o ,ramayana tambem um symbolo sob a frma de uma epopa4 ,a serenidade e abundancia que succedem aos trabalhos de ,rama1 para rehaver o throno e a esposa1 representam a conquista pacifica do ,meio-dia da ,india depois da conquista guerreira4 o poema da posse1 como o ,mahabharata o poema da lucta4 ,ambos elles respondem eloquentemente s interrogaes da ,historia1 ambos elles caracterisam a alma da raa arya ao tempo em que rolava do alto do ,thibet para1 como uma onda enorme1 alagar talvez o mundo#fi4 ,eis-aqui porque j haviamos dito que as obras de arte e de litteratura so as que mais profundamente caracterisam a civilisao de um povo4 ,nos tempos modernos1 a ,historia1 depois do rumo que lhe imprimiu ,vico1 pde extrahir grandes recursos do estudo dos symbolos2 quando ella chegou a lr esses alphabetos mudos1 permitta-se-nos a expresso1 dos povos primitivos1 descobriu segredos importantissimos4 ,na poesia do ,ramayana conseguiu reconhecer em ,rama e em ,sita uma dupla personificao da agricultura1 da fora que move o arado e do sulco que esse movimento produz na terra#gj1 o que plenamente confirma a exegese em que o ,ramayana o poema da conquista do sul da peninsula indostanica pelo trabalho sereno1 pela paz4 ,o symbolismo juridico1 interrogado pela ,historia1 produziu a poesia do direito1 concepo encantadora que em ,portugal s tem originado1 at hoje1 um unico livro#ga4 ,assim que a symbolica vai encontrar na stipulaco a palha 7stipula71 que intervinha nos contractos#gb e que at algumas vezes se cosia aos documentos#gc2 na prova pelo fogo o symbolo da pureza1 porque1 segundo os antigos1 o fogo1 sendo o grande purificador1 no podia conjurar contra o innocente#gd4 ,em ,portugal1 as mulheres accusadas de adulterio purgavam-se a ferro caldo4 ,o ferro1 aquecido pelo fogo1 accusava o crime ou a innocencia3 o fogo1 diz o ,ramayana1 v tudo o que ha de manifesto e tudo o que ha de occulto4 ,bastaria s este facto para demonstrar que o symbolismo tanto abrangia a religio como o direito4 ,por um lado o fogo tinha um caracter divino1 encarnava-se em ,vesta1 a que os gregos chamavam ,estia1 fogo domestico#ge2 por outro lado revestia um caracter juridico1 porque pela prova do fogo ficava a mulher legalmente rehabilitada4 ,de modo que no ferro caldo no s se pde distinguir o elemento religioso e o elemento juridico1 mas tambem a relao existente entre os dous elementos3 sendo o adulterio um crime que principalmente affecta a vida de familia1 a superstio continuou a fazel-o julgar pelo fogo1 que na mythologia grega tinha um caracter divino de domesticidade4 ,antigamente1 o historiador fugia dos symbolos pela mesma razo que os caminhantes fugiam da ,sphynge3 por no poder adivinhar o que elles diziam4 ,mas depois de ,vico1 o primeiro philosopho da ,historia1 as allegorias tornaram-se claras1 luminosas4 ,desde esse momento tanto se dilatou a esphera da ,historia1 que um s individuo passou a representar uma generalisao3 ,achilles o valor commum a todos os homens fortes1 ,ulysses a prudencia commum a todos os sabios#gf4 ,esta generalisao illustrou ao mesmo passo o passado e o futuro3 o passado1 porque interpretou a antiguidade2 o futuro1 porque produziu a etymologia das linguagens poeticas4 ,pelo auxilio que a archeologia e o estudo das litteraturas vieram prestar ,historia1 chegou-se concepo da ethnographia1 sciencia que d o conhecimento dos usos1 costumes1 aptides e religies dos povos1 e cuja denominao foi fixada em #ahbf por ,balbi#gg4 ,esta nova sciencia veio1 pois1 completar o estudo do grupo humano sob o ponto de vista zoologico 7anthropologia7 e sob o ponto de vista historico e geographico 7ethnologia74 ,como se fossem tres grandes linhas1 as tres sciencias cruzaram-se em triangulo3 dentro d'elle ficou o homem4 ,o homo sapiens de ,linneu mais propriamente se poderia denominar desde ento homo triplex4 ,toda a importancia da ethnographia no est1 como por muito tempo se julgou1 no interesse maior ou menor que pde despertar imaginao o conhecimento da estranha maneira de viver dos povos4 ,a sciencia moderna deu s narrativas dos touristes um valor at agora desconhecido1 e foi d'este modo que a ethnographia revestiu um caracter altamente scientifico4 ,sob este ponto de vista1 presta um grande auxilio a interpretao dos phenomenos sociaes1 sciencia da sociedade ou sociologia1 como lhe chamou ,augusto ,comte4 ,herbert ,spencer encontrou grandes subsidios na historia das supersties1 quando reconheceu que ellas pertenciam ao numero de certas particularidades de que parcialmente depende a maneira por que a unidade social se comporta no meio das condies ambientes1 inorganicas1 organicas e superorganicas#gh4 ,as civilisaes antigas teem-se reconstruido em grande parte pelas investigaes archeologicas1 que so para a ethnographia um poderoso instrumento de averiguao4 ,a sciencia moderna tem conseguido fazer a historia geral da civilisao da humanidade desde a idade de pedra at nossos dias1 como se o homem actual podesse realmente retroceder ao passado e voltar ao presente com as provas materiaes do modo como a sua existencia se desenvolveu1 de cyclo em cyclo1 sobre a face da terra4 ,na grande resurreio da humanidade pela sciencia1 o mais insignificante fragmento de barro serviu para a reconstruco historica de uma civilisao4 ,do conjuncto das sciencias que estudam o passado1 e que so dominadas pela ,historia1 porque se apoiam sobre factos historicos1 trazem origem algumas sciencias novas1 entre as quaes mencionaremos a sciencia das religies4 ,com quanto recentissima1 so realmente admiraveis as conquistas1 as descobertas j realisadas por esta sciencia4 ,uma d'ellas 1 seguramente1 a affirmao da unidade historica das religies4 ,a crena de que cada religio possuia sua autochthonia1 ou pelo menos certa originalidade1 cahiu perante o resultado das investigaes modernas1 as quaes poderam levar o espirito humano concluso de que as religies teem uma origem asiatica commum1 que se encontra nos ,vedas4 ,a demonstrao d'esta verdade admiravelmente desenvolvida por ,emilio ,durnouf#gi4 ,achou-se que as religies derivam de um elemento primitivo1 o fogo1 considerado sob o ponto de vista de tres funces distinctas3 uma physica1 outra psychologica1 a ultima metaphysica4 ,a estas tres funces correspondem tres phenomenos1 que impressionaram o espirito dos aryas1 quando ainda estanciavam nos valles do ,oxus3 o movimento1 a vida1 o pensamento4 ,estes tres phenomenos abrangem a totalidade dos phenomenos naturaes4 ,espraiando a vista por todas as cousas inanimadas que os rodeavam1 os aryas chegaram convico de que todas essas cousas se moviam por effeito do calor1 proveniente do sol4 ,reconheceram o calor na chamma1 no raio1 nas nuvens formadas pela evaporao das aguas1 no vento produzido pelos movimentos vibratorios do ar devidos presena do calor1 que o rarefaz1 ou sua ausencia1 que o condensa2 em tudo1 finalmente4 ,depois1 fixando a sua atteno nos corpos organicos1 encontraram a mesma causa de vida3 viram os vegetaes enfolhar e florir animados pelo sculo tpido da primavera1 e pender feridos de morte no inverno2 viram os animaes mover-se cheios de actividade e de vida quando o calor lhes retemperava os membros1 e enfermar e morrer quando o frio os enregelava4 ,portanto foram levados a concluir que residia no calor a causa de todo o movimento nos corpos inorganicos1 e de todos as phenomenos vitaes nos corpos organisados4 ,mas a presena ou a ausencia de calor1 estudada no corpo humano1 produziu a noo de tres funces differentes4 ,,func,o ,,physica4--,o corpo do homem ganhava pelo calor a actividade1 a vida1 que perdia pelo resfriamento4 ,,func,o ,,psychologiga4--,desde o momento em que o corpo do homem se tornava cadaver por um resfriamento geral1 a faculdade de pensar desapparecia4 ,,func,o ,,metaphysica4--,se pela ausencia da luz o mundo ficasse sepultado em trevas1 a intelligencia humana1 dado que podesse funccionar1 ficaria inteiramente desajudada do auxilio da vista1 que o sentido pelo qual ns adquirimos a percepo de quasi todas as idas1 especialmente a ida da harmonia das cousas1 e conseguintemente do principio de que emanam#hj4 ,assentes estes principios1 vejamos como se pde affirmar a unidade historica das religies pela sua filiao commum no elemento vedico do calor4 ,tomemos na religio que seguimos um exemplo1 o dogma da trindade4 ,temos no christianismo o ,padre1 o ,filho e o ,espirito1 e na trindade aryana a concepo de tres deuses que resumiam o nucleo da theogonia3 ,savitri1 ,agni e ,vyu4 ,savitri1 o productor1 o pai celeste1 o sol4 ,agni1 o fogo1 habita na terra4 ,o seu nascimento mystico3 se por um lado tem um pai terrestre1 ,twastri1 que quer dizer carpinteiro1 por outro lado descende do co1 e foi concebido pela vontade de ,vyu no ventre de ,my4 ,vyu1 no sentido material o vento1 o ar em movimento1 que alimenta a luz e o fogo2 no sentido metaphysico o espirito de vida1 a immortalidade em si mesma4 ,todos estes tres deuses esto1 pois1 substancialmente identificados na trindade aryana como na trindade christ4 ,so uma concepo metaphysica baseada sobre uma concepo muito vaga da natureza4 ,mas a unidade historica das religies pde ainda acompanhar-se na vida de ,agni1 o deus que se humanisa1 porque desce terra4 ,twastri1 seu pai1 o carpinteiro1 que fricciona os dous bocados de madeira1 de que ha-de sahir o filho divino4 ,my a personificao da potencia productora sob a frma de mulher4 ,agni nasce homem e transforma-se em deus quando um sacerdote1 collocando-o sobre o altar1 derramou sobre a sua cabea o licr sagrado1 sma1 e o ungiu com a manteiga do sacrificio4 ,entre os aryas da ,asia central a vacca era o typo por excellencia dos animaes1 produz o leite1 o qual produz a manteiga4 ,a manteiga clarificada a materia animal que melhor serve para alimentar o fogo4 ,o sma um licr alcoolico1 produzido pelo succo da asclepias acida1 que1 fermentado1 e lanado ao fogo1 cria chammas esplendidas4 ,o sma das religies do ,oriente transforma-se nas religies do ,occidente em vinho1 o licr sagrado4 ,assim como ,agni reside no sma1 ,christo reside no vinho1 tambem sob uma frma mystica4 ,ainda vamos encontrar no vinho o elemento vedico do fogo3 a uva amadurece pelo calor1 concentra-o1 e transmitte-o a quem bebe o seu succo4 ,o bolo que na religio indiana feito de farinha e manteiga1 materias eminentemente combustiveis e nutritivas1 transforma-se na religio christa na hostia feita de farinha e agua1 convindo lembrar que a combinao do hydrogenio com o oxygenio1 de que resulta a agua1 tem por condio1 essencial o calor4 ,agni como ,christo residem n'esta offrenda solida3 so o sacrificador que se offerece a si mesmo como victima4 ,eis o dogma da eucharistia4 ,seguindo o luminoso rastro de ,burnouf1 poderiamos levar mais longe a demonstrao da unidade historica das religies1 mesmo sem sahirmos do christianismo2 poderiamos descer a minuciosidades1 mostrar como a estrella dos magos a savanagraha1 a estrella fatidica2 como a vacca do presepe de ,bethlem a vacca mystica dos aryas1 e como nem siquer falta o jumentinho que para alguns ryas traz sobre o dorso o fructo de que se extrahe o licr sagrado2 pelo que especialmente toca aos ritos1 seria curioso mostrar1 por exemplo1 acompanhando ,burnouf1 como a grande poca do anno christo consiste justamente nas ceremonias da renovao do fogo1 quer dizer1 na ,paschoa2 mas o nosso fim to smente fazer sentir que a unidade das religies uma verdade1 e que essa verdade foi conquistada por uma sciencia nova1 baseada sobre factos historicos1 e portanto filha da ,historia universal philosophica4 ,a grande obra de simplificao da ,philosophia positiva releva principalmente no mobil que impelliu o espirito humano a descobrir o principio de unidade das religies4 ,realmente assombroso acompanhar a marcha da ida religiosa1 semelhante a uma grande corrente aryana1 desde o seu bero asiatico1 e atravs das mythologias dos antigos povos gregos1 latinos e germanos1 at ao christianismo1 em que ,agnus1 o cordeiro immaculado1 parece no ser mais que uma leve alterao morphologica de ,agni4 ,a sciencia moderna est j dirigindo as suas vistas para a ,america1 no indefesso empenho de encontrar a unidade das origens da civilisao4 ,de ,chavencey1 estudando o mytho americano de ,votan1 encontrou n'elle uma contrafaco1 parte o elemento indigena j introduzido1 das legendas asiaticas de ,phra-,ruang e de ,py-,tsau-ti#ha4 ,tem-se notado1 observa ,maury#hb a analogia de muitas tradies religiosas dos antigos mexicanos e de algumas crenas christs ou buddicas1 a conformidade de certos monumentos e symbolos da ,america central com figuras e emblemas christos e japonezes4 ,as populaes boreaes encontravam um caminho j traado para o novo mundo pelo estreito de ,behring e ilhas ,aleutianas4 ,especialmente pelo que toca religio1 a philosophia applicada ,historia muitas vezes accusada de acintemente demolidora4 ,esta accusao1 na materia de que vimos tratando1 refere-se principalmente vida de ,christo4 ,ora preciso observar que deve haver n'este assumpto tres pontos distinctos1 correspondentes a tres elementos differentes3 a theoria de ,christo1 a legenda de ,christo e a vida de ,jesus#hc4 ,christo1 estudado na pureza sublime da sua vida1 merece o respeito de todos os philosophos4 ,de alguma crena que a critica racional nos despoje1 diz ,stuart ,mill#hd1 resta-nos ,christo2 figura unica1 que se eleva tanto acima dos seus precursores como dos seus successores1 e d'aquelles mesmos que tiveram o privilegio de receber directamente de sua bocca o seu ensinamento4 ,desde o momento em que o espirito moderno tratou de procurar nos factos sociaes a estabilidade de principios que rege os phenomenos naturaes1 querendo assim reduzir todas as nossas concepes fundamentaes a um estado de homogeneidade e1 portanto1 dar philosophia um caracter definitivo de positividade1 a ,historia1 fornecendo uma grande base para os estudos de observao1 veio occupar um ponto culminante na esphera dos conhecimentos humanos4 ,esta superioridade de posio1 que a ,historia conquistou na hierarchia das sciencias1 provm da necessaria relao que ha entre os factos e as idas4 ,de modo que se pde dizer que um grande numero de sciencias1 se que no so todas ellas1 concorrem de mos dadas para erigir o vasto monumento da ,historia4 ,as obras colossaes precisam de um immenso concurso de trabalho2 quando ,cheops e ,cephten pensaram em levantar as duas mais altas pyramides do ,egypto1 diz-se que crca de cem mil homens carreavam materiaes4 ,a ,historia tambem uma pyramide4 ,e assim como as do ,egypto dominavam com as suas quatro faces os quatro pontos cardeaes do mundo1 a ,historia abrange com a sua vista de aguia a esphera dos conhecimentos humanos4 77#ahgh77 #a ,referimo-nos principalmente s antas ou dolmens4 ,vide ,adolpho ,coelho1 ,algumas observaes cerca do diccionario bibliographico portuguez e seu auctor1 pag4 #aj1 e ,augusto ,filippe ,simes1 ,introduco archeologia da peninsula iberica1 pag4 #gf4 #b ,historia universal1 introduco1 cap4 ,,vii4 #c ,introduction a la philosophie de l'histoire de l'humanit4 #d ,les origines de la civilisation1 cap4 ,,ix1 traduco franceza de ,ed4 ,barbier4 #e ,expedition to the ,rocky mountains1 vol4 ,,iii1 pag4 #eb4 #f ,scienza nuova1 liv4 ,,ii1 ,da sabedoria poetica4 #g ,l'homme selon la science1 traduco franceza de ,ch4 ,letourneau1 pag4 #bce4 #h ,les origines de la civilisation1 cap4 ,,iii4 #i ,scienza nuova1 liv4 ,,ii4 #aj ,paulo ,janet4 ,a familia4 #aa ,considrations sur les causes de la grandeur des romains et de leur dcadence4 ,cap4 ,i4 #ab ,introduction a l'histoire de la philosophie1 neuvime leon4 #ac ,theophilo ,braga4 ,historia da poesia popular portugueza4 #ad ,les sciences et la philosophie1 por ,th4-,henri ,martin1 pag4 #cj4 #ae ,cantu4 ,hist4 univ4 ,liv4 ,,xi1 cap4 ,i4 #af ,ibidem1 cap4 ,,iv4 #ag ,cantu4 ,hist4 univ4 ,liv4 ,,xi1 cap4 ,,vi4 #ah ,introduction a la philosophie de l'histoire de l'humanit4 #ai ,introduction a l'histoire de la philosophie1 sixime dition1 pag4 #bbh4 #bj ,principes de philosophie positive1 por ,augusto ,comte1 pag4 #if4 #ba ,cousin4 ,premiers essais de philosophie1 pag4 #chj4 #bb ,ibidem1 pag4 #cgi4 #bc ,discours sur l'histoire universelle--,avant-propos4 #bd ,disc4 sur l'hist4 univ4 ,troisime partie1 chapitre ,,viii4 #be ,introduction a l'histoire de la philosophie1 onzime leon4 #bf ,theophilo ,braga4 ,poesia do direito1 pag4 #afh4 #bg ,vico4 ,scienza nuova1 liv4 ,i4 #bh ,scienza nuova4 ,liv4 ,,iv4 #bi ,historia universal4 ,introd4 #cj ,introduction a l'histoire de la philosophie1 sixime ,edition1 pag4 #bci e #bdj4 #ca ,poesia do ,direito1 pag4 #ac4 #cb ,o seu livro um ,apocalypse1 cada dia se descobre alli o germen d'uma sciencia nova1 a ,philosophia da ,historia1 a ,symbolica do ,direito1 a ,critica da ,arte4 ,theophilo ,braga4 ,a ,poesia do ,direito4 #cc ,h4 ,taine4 ,la ,fontaine et ses fables1 troisime dition1 pag4 #h4 #cd ,histoire de la litteratura anglaise1 tome premier1 pag4 #bb4 #ce ,physiologie des ecrivains et des artistes4 #cf ,le monde marche1 seconde dition1 pag4 #bad4 #cg ,de l'esprit des lois1 livre quatorzime1 chapitre ,,iii4 #ch ,histoire de la navigation de ,jean ,hugues de ,linschot1 hollandois1 aux ,indes ,orientales4 ,amsterdam1 #afai4 #ci ,capitulos ,,xxix e ,,xxx4 #dj ,introduction a la philosophie de l'histoire de l'humanit4 #da ,theophilo ,braga4 ,introduco ,historia da litteratura portugueza1 pag4 #f4 #db ,joaquim ,pedro ,fragoso de ,siqueira4 ,memorias economicas da ,academia1 tom4 ,v4 #dc ,les peuples de la ,france1 pag4 #af4 #dd ,le gnie des religions4 7,ed4 de #ahfi71 cap4 ,,ii1 pag4 #ae4 #de ,jacques de ,boisjoslin4 ,les peuples de la ,france1 pag4 #ab e #aee4 #df ,lettres sur la philosophie de l'histoire1 pag4 #aae4 #dg ,principes de philosophie positive1 pag4 #adj4 #dh ,obra citada1 pag4 #hh4 #di ,idem1 pag4 #aai4 #ej ,introduco archeologia da peninsula iberica pelo dr4 ,augusto ,filippe ,simes1 pag4 #b4 #ea ,quem souber porm que o bronze uma liga de cobre e estanho1 que o segundo d'estes metaes menos commum que o primeiro e de mais difficil extraco1 e finalmente que1 sem se conhecerem ambos1 no se inventaria a sua liga1 de certo perguntar porque se no faz preceder a poca do bronze pela poca do cobre8 ,a razo simples4 ,em quasi todas as naes da ,europa apparecem to numerosos os objectos de bronze e to raros os de cobre1 que se teem refusado os archeologos a admittir uma poca s caracterisada por este metal4 ,dr4 ,augusto ,filippe ,simes4 #eb ,capitulo ,,vi do ,genesis4 #ec ,com razo observa ,quatrefages que o polygenismo1 habitualmente olhado como um resultado do livre pensamento1 comeou por ser biblico e dogmatico4 ,l'espce humaine1 deuzime dition1 pag4 #bb4 #ed ,quatrefages4 ,a proposito da discusso americana entre esclavistas e negrophilos4 #ee ,dumont4 ,hckel et la thorie de l'volution en ,allemagne4 ,segundo ,dumont a theoria da evoluo apparece em germen nas velhas religies pantheistas da ,india e do ,egypto4 ,o philosopho ,parmenides concebia a gerao da vida como gradual e resultante d'ensaios successivos4 ,chapitre premier4 #ef ,topinard4 ,l',anthropologie1 pag4 #eej4 #eg ,este ponto considerado inatacavel por ,quatrefages4 ,se toda a terra1 diz elle1 no invadida dentro de alguns annos por certas especies1 se os rios e os oceanos no so igualmente invadidos1 a estas luctas se deve4 #eh ,as peripecias d'este debate vem largamente narradas no livro ,la gense des espces1 publicado em #ahgc por ,h4 de ,valroger1 padre do ,oratorio 7pag4 #ch e seg47 e no livro ,du darwinisme ou l'homme-singe pelo dr4 ,constantin ,james1 publicado em #ahgg4 ,este ultimo livro um manifesto plagiato do primeiro4 ,diz1 por exemplo1 o padre ,valroger3 ,m4 ,claude ,bernard1 ,a4 ,dumas1 ,m4 de ,quatrefages e ,m4 ,payen combattirent les theses de ,m4 ,pouchet1 en s'appuyant sur leurs propres expriences1 et signalrent des causes d'erreur dont ,m4 ,pouchet paraissait ne pas s'tre prserv4 ,l',academie proposa l'examen de la question en litige comme sujet d'un de ses prix4 ,diz o dr4 ,james1 copiando quasi textualmente1 sem citar o padre do ,oratorio3 ,,mm4 ,claude ,bernard1 ,dumas1 de ,quatrefages e ,payen1 combattirent la thse de ,m4 ,pouchet1 en s'appuyant sur leurs propres expriences1 et signalerent de plus les causes d'erreur dont il n'avait pas su se garantir4 ,c'est alors que l',academie proposa l'examen de la question en litige comme sujet d'un de ses prix6 7,pag4 #gi74 #ei ,de ,boisjoslin cita1 entre outros factos1 o dos judeus haverem deixado de fallar hebreu seiscentos annos antes de ,christo1 e o dos francos terem perdido a lingua teutonica trezentos annos antes de ,clovis4 #fj ,hovelacque4 ,la linguistique1 pag4 #c4 #fa tudes de linguistique et de philologie par ,andr ,lefvre1 pag4 #da4 #fb ,theodoro ,benfey4 ,citado pelo snr4 ,adolpho ,coelho no seu opusculo ,sobre a necessidade da introduco do ensino da glottica em ,portugal1 pag4 #d4 #fc ,la linguistique1 pag4 #ac4 #fd ,les origines de la civilisation1 pag4 #daf4 #fe tudes de linguistique et de philologie1 pag4 #id4 #ff ,nouvelles leons sur la science du langage1 traduco franceza de ,harris e ,perrot1 pag4 #cah4 #fg ,lubbock4 ,les origines de la civilisation1 pag4 #dbe e #dbf4 #fh ,histoire de la littrature anglaise1 tome premier4 #fi ,dr4 ,theophilo ,braga3 444 esta raa conhecida pelo nome de indo-europa1 a que pelas suas condies de ubiquidade1 que lhe d a sciencia e o poder1 subsistira como unica na terra4 ,hist4 ,univ41 fasc4 ,i1 pag4 #ee4 #gj ,minha filha ,sita1 nobre premio da fora1 no recebeu a vida no seio de uma mulher2 esta virgem de encantadoras frmas1 que se diria filha dos ,immortaes1 nasceu de um sulco aberto para o sacrificio4 ,eu a dou como esposa a ,rama2 elle heroicamente a mereceu por sua fora e vigor4 ,ramayana1 trad1 de ,hippolyte ,fauche4 #ga ,referimo-nos ,poesia do ,direito do snr4 dr4 ,theophilo ,braga4 #gb ,poesia do ,direito1 pag4 ,,xiv4 #gc ,idem1 pag4 #fb4 #gd ,idem1 pag4 #ff4 #ge ,o ,fogo1 por ,f4 da ,fonseca ,benevides4 #gf ,vico4 ,scienza nuova4 ,liv4 ,,ii4 ,da logica poetica4 #gg ,atlas ethnographique4 #gh ,principes de sociologie1 trad4 franceza de ,cazelles1 pag4 #acg4 #gi ,la science des religions4 #hj ,emilio ,burnouf4 ,la science des religions1 cap4 ,,viii1 pag4 #bjh e seguintes4 7,ed4 de #ahgb74 #ha ,le mythe de ,votan1 tude sur les origines asiatiques de la civilisation amricaine1 pag4 #hg4 #hb ,la terre et l'homme1 quatrime edition1 pag #dhe4 #hc ,burnouf4 ,la science des religions1 pag4 #bdb4 #hd ,essais sur la religion1 traduco franceza de ,cazelles1 pag4 #bcg4