( public doma9 mat]ial f ,google ,book ,se>*7 ,,portugal ,,p]ante ,a ,,revolu,o ,,de ,,hespanha ,,consid]a,,es ,,sobre ,o ,,futuro ,,da ,,politica ,,portugueza ,,no ,,ponto ,,de ,,vi/a ,,da ,,democracia ,,ib]ica ,,por ,,an!ro ,,de ,,qu5tal ,alea jacta e/ ,,lisboa ,,typographia ,,portugueza #be1 ,travessa da ,queimada1 #ce #ahfh ,,portugal ,,p]ante ,a ,,revolu,o ,,de ,,hespanha ,,consid]a,,es ,,sobre ,o ,,futuro ,,da ,,politica ,,portugueza ,,no ,,ponto ,,de ,,vi/a ,,da ,,democracia ,,ib]ica ,,por ,,an!ro ,,de ,,qu5tal ,alea jacta e/ ,,lisboa ,,typographia ,,portugueza #be1 ,travessa da ,queimada1 #ce #ahfh ,i ,ha dois mezes que admiramos a revoluo de ,hespanha3 s] tempo talvez de trat>mos de a ent5d]4 ,o en?usiasmo bom1 porque eleva o espirito2 mas a critica melhor a9da1 porque o escl>ece4 ,z revolues1 sem por isso desd5h>em a commoo e o applauso1 no p$em ao mundo s5o uma coisa3 s]em compreh5didas4 ,dramaticas1 picas1 phanta/icas1 z revolues no so todavia nem dramas1 nem epopeias1 nem contos de ,h(fman3 sob z app>5cias ard5tes e brilhantes da paixo e da poesia so simplesm5te1 friam5te problemas4 ,o olh> impassivel d'essas esph+es no diz aos povos-edipos1 que z encontram no seu cam9ho secul>1 ama-me ou odeia-me3 dizem ap5as explica-me4 ,sm5te o abysmo que se abre ao lado1 l e/ comm5t&o1 com a sua bocca t5ebrosa1 aquella s]5a palavra444 ,r$uzido aos seus t]mos mais simples1 o problema que a nao hespanhola acaba de escrev] nas pag9as da hi/oria d seculo ,,xix1 pde =mul>-se d'e/e modo3 m5os um ?rono em ,hespanha2 mais uma mulh] em ,frana2 mais um povo livre no mundo4 ,a incognita d problema vem envolvida n'e/a ultima proposio3 mais um povo livre4 ,traduz9do-a p>a a sua v]dadeira frma1 que a int]rogativa1 fica-nos i/o3 o que vae a ,hespanha faz] da sua lib]dade8444 ,o de/9o de #ah milhes d'hom5s dep5de da palavra que se escrev] adiante d'aquella int]rogao4 ,e dep5de irrem$iavelm5te1 fatalm5te4 ,irrem$iavelm5te1 porque n'e/e cam9ho d'uma nao que ab&ona uma frma social condemnada1 como a familia de ,lo? a condemnada ,sodoma1 no ha retroc$]1 no ha mesmo volv] atraz um olh> saudoso ou simplesm5te curioso3 fatalm5te1 porque todos os int]esses1 todas z que/es1 todas z paixes1 crescidas1 accumuladas1 em f]m5tao no seio da soci$ade hespanhola desde #ahab1 acabam de s] por ella jogadas1 n'uma hora s e sobre uma s c>ta1 no jogo sangr5to das revolues444 ,alea jacta e/4 ,,ii ,entretanto essa respo/a1 essa palavra1 o my/]io d de/9o4 manh pde radi> brilhante como a consci5cia visivel d'uma gr&e raa4 ,hoje a9da obscura como uma in]te possibilidade4 ,o que a ,hespanha f> da sua lib]dade o seu segr$o d'ella4 um problema que agitado no mundo dos factos1 s os factos tem de resolv]4 ,mas1 p>a a philosophia politica1 que vive de idz1 no ponto de vi/a das idz que o problema tem de s] =mulado4 ,no p]gunt>emos pois o que vae1 mas sim o que deve a ,hespanha faz] de sua nova lib]dade444 ,i/o s nos int]essa4 ,os factos sociaes1 sem z idz que os virificam1 so in]tes e incompreh5siveis1 so corpos sem alma4 ,ora a alma1 no mundo da politica1 *ama-se logica4 ,a revoluo de ,hespanha1 consequ5te1 uma coisa viva1 *eia de luz1 de espirito1 de palavra fecundissima4 ,inconsequ5te1 uma massa desorganisada1 sombria1 in=me1 t$iosa p>a si mesmo1 e p>a o re/o d mundo despresivel e v444 ,a philosophia politica1 hoje1 e j manh a philosophia da hi/oria1 pass>o por ella sem a v]em1 ou1 se a virem por acaso1 um sorriso de desdem com e/as palavras no fo/es logica1 s5o o epitaphio mis]&o das vidas1 d sangue1 das paixes1 que uma manh se ergu]am ard5tes ao bello sol da lib]dade1 p>a cairem t>de ext5uadas1 descr5tes1 exsangues1 s por i/o1 porque no =am logicas4 ,sim1 ,hespanhoes6 a magnanimidade da vossa revoluo1 a frat]nidade1 o h]oismo1 tantos rasgos admiraveis1 tantas v5]aveis d$icaes1 tudo isso s] vo e e/]il no mom5to em que no = consequ5te1 assim como o melhor gro1 cad no *o mais fecundo1 no g]m9a1 apodrece1 morre1 se lhe falta o calor e a luz et]na d sol444 ,o sol da se>a das revolues a coragem dos pr9cipios4 ,,iii ,mas o que a logica p>a um povo em revoluo8 ,facil respo/a3 s] revolucion>io4 ,s] revolucion>io6 gr&e palavra1 e coisa maior a9da6 mas coisa to t]rivel quanto gr&e6 mom5to solemne1 mas fatal1 e *eio d'uma responsabilidade tamanha1 que no r>o encontr>em-se na hi/oria dez seculos votados mis]ia e s luctas1 e v9te g]aes condemnadas oppresso e dr1 s pelos erros ou pelas traies commettidas n'um d'e/es mom5tos rapidos e s9i/ram5te decisivos444 ,se ap5as se tratasse1 com effeito1 de exal> no ar ard5te das praz publicas a alma en?usia/a e frat]nal que a9da os mais frios e os mais timidos s5tem agit>-se-lhes d5tro n'e/es mom5tos de f]m5tao univ]sal2 se ap5as se tratasse de nobres s5tim5tos1 de inspiraes =mosas1 de palavras de f--n5huma misso to bella como a d revolucion>io e n5huma to facil444 ,se se tratasse a9da de conc5tr> todas z =z da revoluo1 z boas como z ms1 z viol5tas com pref]5cia s outras todas1 n'um mom5to de lucta supprema1 l\ca1 f]oz2 se se tratasse de mett] m$o como ,m>io em ,roma e ,danton em ,p>is--a misso d revolucion>io s]ia =midavel1 trem5da1 mas era1 a9da assim1 facil444 ,mas essa misso 1 pelo contr>io1 de paz1 de reflexo1 quasi de sci5cia4 ,n'i/o e/ a sua sup]ioridade1 mas n'i/o tambem a sua difficuldade suprema4 ,no se trata de palavras1 mas de obras2 de proclamaes sonoras1 mas de e/abelecim5tos duraveis2 de s5tim5tos1 mas de in/ituies4 ,uma das muitas traduces livres da palavra revoluo e/a3 revelao4 ,no mom5to da crise apaixonada1 z =z mais intimas1 os elem5tos mais pr(undos da soci$ade revolvida nos seus abysmos1 agit&o-se por *eg> cl>idade1 sobem at sup]ficie e mo/ram-se luz d dia com uma en]gia1 uma v]dade irresi/iveis4 uma revelao3 v-se o que ha1 e v-se com que tem de se cont>1 em bem e em mal1 durante o longo p]iodo que se segue sempre quelles mom5tos de impulso decisivo4 ,por v9te1 por qu>5ta annos1 por um seculo s vezes1 a vida nacional no mais d que o des5volvim5to1 a comb9ao ou a lucta d'aquelles elem5tos revelados na hora prophetica da revoluo4 ,a ,frana d seculo ,,xix viu-se toda1 sem lhe falt> um trao1 como reflectida n'um espelho conc5trador1 nos dez annos t]riveis mas gigantescos de #hi a #ii4 ,e ,roma1 a ,roma imp]ial e plebeia1 que t9ha de dur> qu9h5tos annos1 revel\-se inteira no dia em que ,julio1 ,ces> apoi&o-se no hombro rude dos seus legion>ios1 atravess\ o ,rubicon p>a inaugur> sobre z ru9as da legalidade ari/ocratica a egualdade despotica dos ,ces>es4 ,n'e/es mom5tos de crise1 p>ece que cada um dos elem5tos da nova soci$ade1 cada uma das classes1 cada um dos int]esses que se rep>tem o *o e o sol da patria1 levanta a mo diante da e/atua velada d futuro1 com e/a exclamao3 contae commigo6 ,tom> nota de cada um d'e/es gritos supremos1 d> o seu log>1 na con/ituio futura1 a cada uma d'e/as =z1 pr em h>monia1 como diz ,pr\dhon1 a politica com a economia1 cre> uma frma imagem da sub/ancia social revelada1 um gov]no1 emfim1 que seja a expresso completa da vida intima da nao--eis a alta1 a v]dadeira misso d revolucion>io1 ou antes1 a misso das g]aes revolucion>ias4 ,uma gr&e epoca hi/orica1 ou um mis]avel aborto1 podem sair 7e irrem$iavelm5te7 das mos d'aquelles que recebem nos seus braos o recemnascido das revolues1 o futuro1 con=me--intellig5tes ou inhabeis1 g5]osos ou p]fidos--o envolvem em ve/e que1 acal5t&o-o1 o deixe mov]-se vontade1 cresc] e des5volv]-se1 ou o ap]tam em fai*as e/reitas e duras aonde se atrophia1 e/rebu*a e morre4 ,ai da nao1 que no dia segu9te ao d seu r5ascim5to revolucion>io1 s encontr\ nas fontes d baptismo politico1 traidores ou imbecis por padr9hos6 ,os maiores h]oismos tornam-se ento infecundos4 ,um sophisma gangr5a todos os c5tros da vida nacional4 ,os prote/os e z revoltas e/]eis1 z represses e z tyrannias absurdas succ$em-se1 r$obram-se1 to inuteis uns como os outros1 porque o mal intimo e inde/ructivel4 ,a politica no corresponde economia1 o gov]no uma coisa e outra coisa a soci$ade1 os int]esses so de uma naturesa e a direco dos int]esses ob$ece a pr9cipios de naturesa oppo/a1 povo e adm9i/rao1 gov]nados e gov]nantes1 como duas raz ho/is1 s5t9do e p5s&o de modos desvairados1 fall&o div]sas l+uas1 ador&o deuses div]sos1 no fazem em cada dia s5o cav> o abysmo aonde se affundem a lib]dade1 a honra1 a moral1 a riqueza1 a intellig5cia e1 a f9al1 o corpo todo da nao4 ,e/e o segr$o das gr&es decad5cias que tem affligido e esc&alisado a humanidade4 ,por aqui se tem arru9ado z mais floresc5tes civilisaes1 porque n5hum organismo1 por mais robu/o que seja1 resi/e a e/a dilac]ao intima de cada dia e de cada hora1 em cada membro e em cada p>te de cada membro444 n'e/e abysmo que no quiz]amos v] desp5h>-se a nobre1 a h]oica1 a inspirada ,hespanha4 ,p>a isso s temos a d>-lhe um conselho3 o da philos(ia politica d'e/e seculo3 o conselho que lhe d ,victor ,hugo1 ,gir>d91 ,cremieux2 que lhe d>iam ,tocqueville e ,pr\dhon1 ou antes1 que lhe do atravs d tumulo1 e mais alto e mais eloqu5te a9da1 porque o espirito d'e/es nobres apo/olos vive e cresce1 maneira que se des5volvem e frutificam z v]dades descob]tas por elles1 e por elles depositadas no seio da sci5cia1 entre todas humana e entre todas div9a1 a sci5cia da ,ju/ia social4 ,eis aqui o que ella diz1 a sci5cia1 e o que elles repetem1 os seus prophetas4 ,no atraioeis com frmas timidas e m5tirosas a orig9alidade e a franqueza da vossa revoluo4 ,hespanhoes1 no enc>c]eis nas ve/es e/reitas da ,hespanha velha e ra*itica1 a ,hespanha rejuv5ecida e engr&ecida4 ,o moo corao d'e/a1 que qu] bat] em lib]dade1 e/al>ia comprimido pelo duro esp>tilho de que aquella1 impot5te e s5il1 precisava p>a se su/] direita4 ,no comeceis por baptis> a nova soci$ade com um nome de contradico e de gu]ra4 ,olhai p>a ella na sublime nudez d'e/e mom5to unico1 e tal como a virdes1 o que virdes que ella 1 seja esse o seu nome de baptismo1 embora e/ranho e incompreh5sivel p>a uns1 inaudito e t]rivel p>a outros1 com tanto que seja o seu nome v]dadeiro4 ,o gov]no p>a a nao1 no a nao p>a o gov]no4 ,a nao o navio1 o gov]no a vella4 ,e d>eis vs nau alt]osa1 p>a a lev> pelos m>es ap>celados da hi/oria1 a vella esguia e e/reita d humilde b>co co/eiro8 ,e essas con/ruces simples1 geometricas1 rigorosas da arte nautica d seculo ,,xix1 sobrec>rega-las-heis vs com a armao pesada1 grosseira e complicada dos galees d seculo ,,xvi8 ,cada mom5to da hi/oria dos povos tem a sua frma1 o seu gov]no1 assim como a cada edade correspondem z suas aptides1 os seus s5tim5tos1 os seus modos p>ticul>es4 ,*ega/es virilidade8 fallai como hom5s6 &ai1 obrai como hom5s feitos6 ,no imiteis a ,europa illudida ou timorata3 espantae-a4 ,no lhe aceiteis os conselhos de prud5cia s5il3 no sejaes discipulos1 sde me/res4 ,admira-vos j na coragem1 na g5]osidade1 na =a s]5a3 pois bem6 que vos tome agora por exemplo n'uma coisa to bella como essas1 e maior a9da que qualqu] d'ellas3 na logica4 ,,iv ,mas essa soci$ade hespanhola1 de cuja intima ess5cia deve sar a frma d novo gov]no1 e de cujo p5sam5to elle deve s] ap5as a palavra 7sob p5a de uma dis=midade to mon/ruosa1 na ordem dos organismos politicos1 como na ordem dos organismos naturaes1 s]ia um animal com membros e entranhas de uma especie e cabea de uma especie div]sa71 essa soci$ade hespanhola o que ella ento1 e como acaba a ,revoluo de #ahfh de nol-a revel>8 ,la dmocratie e/ comme le soleil3 aveugle qui ne la voit pas4 ,o facto mais decisivo da hi/oria da p59sula1 to irresi/ivel como a cavall>ia d ,cid1 to c>act]i/ico como a ,inquisio1 to dom9ador como a unidade de ,filippe ,,ii1 o suffragio univ]sal1 acaba de colloc> a ,hespanha n'uma das situaes mais francas1 mais logicas1 mais decididas1 entre os actores d gr&e drama democratico da ,europa occid5tal4 ,facto sobre tudo inde/ructivel4 ,a sob]ania popul> tornada agora in/rum5to ou condico de tudo em ,hespanha1 todas z ev5tualidades so possiveis1 m5os a qu$a d'essa sob]ania1 fra da qual no se concebe j um movim5to1 uma vontade1 uma ideia sequ]4 ,a philosophia politica1 a9da mesmo que o consid]e extemporaneo1 tem de o aceit> como se aceita uma coisa sup]ior razo1 que a dom9a1 a9da qu&o ella a condemne1 com a omnipot5cia dos acontecim5tos1 contra que no ha revolta nem prote/o e com que no pde deix> de cont> nos seus calculos1 sob p5a de se torn> incompleta1 p>cial1 e/reita1 i/o 1 de no s] j a razo4 ,se fosse possivel ,hespanha feudal de ,f]n&o1 o santo e ,affonso1 o sabio1 ou ,hespanha absoluti/a e !ocratica de ,filippe ,,ii1 a*>-se1 de um p>a o outro dia1 nivelada e s5hora de si1 pela int]v5o milagrosa d suffragio univ]sal1 cad uma noite d cu1 como *uva de oiro1 desde o ca/ello d fronteiro e dos paos conv5tuaes d abbade1 at loja d burguez e *oa d pa/or1 se e/a coisa sobr5atural fosse possivel1 por mais viol5ta e mais absurda que tal revoluo nos p>ecesse1 t9hamos a9da assim de a aceit>1 de cont> com ella1 de a proclam> face d mundo1 porque era irrevogavel4 ,tecto por tecto1 homem por homem1 cada qual se t9ha magicam5te tornado1 na sua pessoa1 b5s1 ideias1 s5hor da sua inteira e absoluta p]sonalidade4 ,n'esse mom5to1 feudalismo1 absolutismo ou !ocracia1 sumia-se por encanto no abysmo my/]ioso e a ,hespanha ficava s5do1 e sem rem$io1 uma democracia4 ,mas no esse o caso da democracia inaugurada pela ,revoluo de #ahfh4 ,aqui1 a proclamao da sob]ania popul> no um ph5om5o phanta/ico e imprevi/o3 1 pelo contr>io1 o t]mo ultimo e naturalissimo de uma s]ie de movim5tos accid5tados mas progressivos1 que durante meio seculo con/ituem a hi/oria social da ,hespanha no seculo ,,xix4 ,com uma rigida discipl9a 7que s espanta a quem no conhec] z leis irresi/iveis que se encobrem sob a app>5cia dos factos inconsi/5tes71 hom5s e in/ituies1 revoltas e reaces1 int]esses e ideias1 tudo se encam9hava surdam5te p>a aquelle gr&e desfe*o4 ,o que hoje se v pde diz]-se afoitam5te que foi o sonho1 vago e inconsci5te1 mas con/ante1 da soci$ade espanhola durante meio seculo4 #ahab o ponto de p>tida4 ,quem dissesse ento aos bispos1 g5]aes1 altos dignat>ios1 e gr&es possuidores d solo1 reunidos na ilha de ,leon1 que o edificio cons]vador da sua con/ituio no era mais d que o alic]ce de uma futura con/ruco democratica e radical1 quem tal dissesse f>ia por c]to surrir com grave desdem os solemnes e prud5tissimos revolucion>ios de #ahab4 ,mas tal a lei da hi/oria4 ,a lib]dade dos hom5s s]ve-lhe ap5as de in/rum5to p>a z suas comb9aes inexoraveis4 ,a con/ituio de ,cadiz era o primeiro passo na s5da escorregadia da revoluo democratica4 ,que se dizia ali1 com effeito8 ,sob]ania da nao3 lib]dade de impr5sa3 abolio dos privilegios em mat]ia de impo/o4 ,e o que i/o s5o um programma democratico--sm5te um programma democratico r$igido por um cons]vador8 ,da sob]ania da nao sob]ania popul> que di/ancia vai8 ,em ideias1 n5huma3 que/o de tempo1 ap5as4 ,e da lib]dade de impr5sa lib]dade de cultos1 da abolio dos privilegios fiscaes abolio de todos os privilegios civis1 que outra di/ancia ha mais d que a que m$eia entre z premissas e a concluso8 ,=am precisos c9co5ta annos p>a que a concluso app>ecesse4 ,cem ou mil que se ga/assem1 p\co importa3 tudo e/ em que havia de app>ec]1 por que l se cont9ha1 nos pr9cipios4 ,e esses pr9cipios faz go/o v] como a ,hespanha1 no meio da sua app>5te an>*ia1 ao som da fuzilada das b>ricadas e por entre a voz]ia dos p>tidos delirantes1 os des5volve dia a dia com uma t5acidade to extraord9>ia que bem se deixa v] que no a ephem]a lib]dade dos individuos1 mas a fatalidade lucida das leis sociaes1 quem des5rola uns aps outros os t]mos d'aquella d$uco sob]ana4 ,de #ahab a #ahbj1 p>a quem consid]> ap5as a sup]ficie da politica1 tudo p>ece retrocesso e reaco4 ,mas o trabalho da r5ovao social proseguiu-se surdam5te1 sup]ior ao despotismo1 ajud&o-se d'elle at muitas vezes1 e a con/ituio de #ahbj1 pela expulso dos ,jesuitas1 pela ext9co d ,santo ,(ficio1 cujos b5s so secul>isados1 tornados propri$ade da nao e v5didos1 d um passo adiante dos con/itu9tes da ilha de ,leon e prova ao mundo que a revoluo democratica1 na sua corr5te pr(unda1 sup]ior aos diques artificiaes de uma politica de int]esses relativos e de influ5cias pessoaes4 ,mas a con/ituio de #ahbj ce por t]ra com o mesmo golpe que decepa a cabea inspirada de ,riego4 ,a ,hespanha p>ece des&> viol5tam5te3 tudo so trevas e oppresso--4 ,entretanto em #ahcd app>ece o ,e/atuto ,real1 dado 7note-se71 conc$ido pela realeza4 ,que diz elle8 ,seguram5te1 depois de qu9ze annos de reaco1 proclama os pr9cipios da mon>*ia dos ,filippes e a politica !ologica d c>deal ,xim5es8 ,admirae a =a irresi/ivel das leis economicas6 ,o e/atuto real fixa def9itivam5te em ,hespanha o pr9cipio e a pratica da repres5tao nacional1 e/abelece d'um modo quasi inabalavel z classes m$ias no gov]no1 e abaix&o consid]avelm5te o c5so eleitoral1 d entrada na vida politica pequ5a propri$ade e pequ5a burguezia4 ,o e/atuto real1 apes> de doctr9>io e mod]ado1 m>ca uma notavel accel]ao na c>reira da revoluo democratica4 ,de #ahcd em diante o *o p>ece fugir debaixo dos ps a tudo quanto em ,hespanha t5ta recu> ou ap5as p>> um mom5to4 ,a v]tigem apod]a-se da velha soci$ade1 que levada em dana phanta/ica1 vae seme&o ao acaso os p$aos d'aquellas insignias que m>cavam outr'ora a sua dignidade1 os seus privilegios ou os seus abusos4 ,em #ahcg ext9co dos conv5tos2 em #ahch1 con/ituio nova1 mais niveladora2 ext9co dos dizimos ecclesia/icos2 os b5s d cl]o consid]ados b5s nacionaes3 em #ahee1 f9alm5te1 os b5s d cl]o def9itivam5te secul>isados2 abolio dos morgados2 a tol]ancia religiosa proclamada444 ,que quadro e/e6 e como todas e/as cores se comb9am1 se dispem de frma a exigirem aquelle toque f9al e decisivo1 que1 assim prep>ado1 tem por seu lado tambem de d> ao todo a sua expresso1 en*5do a tella de luz e vida--o suffragio univ]sal6 ,assim pois1 pelo facto e pela ideia1 pela revoluo e tradio1 a ,hespanha 7e no pde j s] outra coisa7 uma democracia1 uma va/a democracia de #ah milhes de hom5s4 ,so #ah milhes de hom5s1 livres e em face uns dos outros armados de direitos iguaes4 ,todas z velhas ca!gorias1 degraus1 grupos p>ticul>es1 tudo isso desapp>eceu1 fundiu-se na uni=midade d'um va/o pan!ismo social4 ,gr&e situao1 por c]to1 mas *eia de p]igo2 porque1 p>a e/e mundo novo1 necess>ia uma nova frma2 porque p>a fe*> e/a abobada de to div]sa con/ruco1 no podem j s]vir z p$ras talhadas pelos moldes antigos2 porque f9alm5te no se encontram nos livros canonicos da velha politica z =mulas d exorcismo com que se faa curv> ob$i5cia aquelles #ah milhes de cabez erguidas444 que so1 com effeito1 #ah milhes de cabez livres4 ,agora s a lib]dade pod] arrog>-se o direito de z gui>4 ,por outras palavras3 trata-se de d> democracia hespanhola um gov]no democratico4 ,v ,n'e/e ponto ha uma palavra que sae de todas z boccas3 a ,republica4 ,no c5tro dos encruzilhados cam9hos d mundo politico1 levanta-se e/a gr&e figura1 como a e/atua colossal d deus ,t]mo1 conciliao p>a tantas discordias1 luz p>a tantas trevas1 erecta na sua base inabalavel e visivel dos quatro pontos d horisonte4 ,ella tambem como o sol aveugle qui ne la voit pas4 ,quem diz democracia diz naturalm5te republica4 ,se a democracia uma ideia1 a republica a sua palavra2 se uma vontade1 a republica a sua aco2 se um s5tim5to1 a republica o seu poema4 ,dos long9quos cam9hos d de/]ro p>a ella que se levantam os olhos de todos quantos na t]ra padecem fome e sde de ju/ia4 ,sem a conhec]em1 prophetis>am-na h]ois1 philos(os e poetas4 ,e se rectido d seu codigo1 copiado d direito absoluto1 ajunt>mos a f dos seus cr5tes e a santidade dos seus m>tyres1 a republica deixa de s] um gov]no p>a se torn> uma religio4 ,mas como se organisa a republica8 ,aqui1 cl>idade de um s5tim5to div9o1 succ$e-se o nevoeiro dos sy/emas humanos4 ,e o sy/ema1 o espirito sy/ematico mat\ a republica4 ,r\sseau1 e atraz d'elle ,robespi]re1 o ba/>do de ,r\sseau1 como disse ,mi*elet1 os ,jacob9os1 ,danton e a ,conv5o1 na en]gia d seu plebeismo1 conceb]am a republica como uma dictadura p]man5te1 executada em nome da multido pelos *efes da sua escolha4 ,foi assim que1 julg&o consolid> a egualdade1 fundavam ap5as o peior dos despotismos1 o despotismo da plebe4 ,a razo sci5tifica facil de colh]-se4 ,pela delegao aglom]avam todos os pod]es1 todas z =z collectivas no c5tro pod]oso da republica una e indivisivel4 ,esse c5tro1 e s elle1 legislava1 adm9i/rava1 julgava1 absorv5do no seu imm5so pulmo o ar e a vida que dev]a anim> o corpo inteiro da soci$ade4 ,mas no se julga1 legisla1 adm9i/ra sem =a2 e =a tanto maior quanto mais conc5trado e/ o pod]1 quanto mais tem que gov]n>1 que impor1 por consegu9te1 a vontade omnipot5te com que o arm\ a nao4 ,mas impor a quem8 mesma nao6 ,contradico e/ranha6 a delegao torn\-se tyrannia3 o suffragio univ]sal conv]teu-se n'uma arma de dois gumes com que o povo1 br&9do-a1 se f]e1 e tanto mais se f]e quanto mais val5te o brao com que a br&e4 ,o divorcio entre o gov]no e a nao succ$e-se rapido4 ,elle1 armado com o seu direito1 a delegao1 qu] s] ob$ecido e faz-se em todo o caso temido3 ella1 armada com a sua lib]dade1 accusa o gov]no de traio e tyrannia1 revolta-se e a republica cae e/rebu*&o n'um lago de sangue4 ,qual dos dois tem raso8 n5hum d'elles ou ambos4 ,mas quem1 com c]teza1 no tem raso o sy/ema1 o rude e e/reito sy/ema da unidade e da conc5trao4 ,tem razo ,robespi]re e tem-na tambem os !rmidorianos que o guilhot9am3 quem no a tem1 em todo o caso1 ,r\sseau d&o no ,contracto social z =mulas da ,republica una e indivisivel4 ,ah6 gr&e mas desvairado philosopho6 a tua lib]dade a selvag]ia e a tua igualdade o despotismo6 d teu doce mas l\co corao que saiu a peonha1 que env55\ z fontes vivas seb5tadas1 em hora de b5os1 da nobre1 da h]oica1 da et]na ,revoluo ,franceza6444 ,o mundo1 entretanto1 seguiu ,r\sseau4 ,n+uem viu que a unidade matava a lib]dade1 a delegao a iniciativa1 a organisao republicana a republica democratica4 ,n+uem viu que era e/a contradico1 e s ella1 que explicava o ph5om5o extraord9>io da decad5cia rapida das in/ituies republicanas1 criadas p>a s]em et]nas pelo en?usiasmo das multides1 e ab&onadas em p\cos annos pelas mesmas multides1 scepticas e desmoralisadas4 ,tudo s]viu de explicao1 z paixes dos hom5s1 a cegueira das massas1 a ambio dos *efes1 tudo1 m5os a unica explicao simples--que no era aquillo republica1 mas uma tyrannia plebeia1 e nada mais4 ,arm& ,c>rel e a g]ao revolucion>ia da primeira metade d'e/e seculo seguiram cegam5te o mesmo ideal3 p>a elles a republica sempre a ,conv5o1 dispondo da pessoa e dos b5s d povo em nome d povo1 salus populi suprema lex3 p>a elles o *efe republicano sempre ,robespi]re1 conc5tr&o n'uma mo todos os pod]es politicos e e/5d5do j a outra p>a a auctoridade religiosa4 ,esse ideal viu-se um mom5to realisado em #ahdh4 ,cruel1 cruelissimo des5gano6 ,a bella1 a poetica1 a inspirada ,republica de fev]eiro afunde-se no meio de um rio de sangue1 condemnada pela sombra de ,r\sseau1 que a9da de longe a cobria1 porque no h\ve um s dos *efes d povo que em #ahea pref]isse a lib]dade unidade1 porque no h\ve um s que no temesse mais a desc5tralisao absoluta1 o prov9cialismo e o desmembram5to da ,frana1 d que o espectro s9i/ro d cez>ismo que se approximava6 ,salv\-se a9da uma vez a c5tralisao6 a lib]dade1 essa fic\ s5do o mi?o1 a viso ap5as da politica franceza4444 ,cruel1 am>ga exp]i5cia foi aquella1 mas salut>4 ,e como aproveit\ com ella a robu/a g]ao revolucion>ia sada d'essa t]rivel provao de quatro annos de sangue e desesp]o6 ,pr\dhon1 ,va*]ot1 ,simon1 ,fr$]ico ,mor91 ,tocqueville1 ,r5an1 no so j1 como os poetas d gov]no provisorio1 os amantes platonicos de uma republica ideal1 ajuntam5to hybrido de bellos s5tim5tos e de pessimas in/ituies1 aonde a selvagem razo d'e/ado se masc>ava com z flores c&idas da cora da frat]nidade444 ,e/es vem os ph5om5os sociaes na sua dura realidade3 conhecem que o mal no e/ tanto em s] e/e ou aquelle quem nos gov]ne1 como no facto de s]mos gov]nados4 ,que importa que o pod] saia d seio da nao1 se sempre pod]8 e a tyrannia1 porque somos ns que a criamos1 deixa de pes> m5os por isso1 de f]ir1 de rebaix> a nossa dignidade de hom5s livres8 ,no pois na sub/ituio da dictadura de ,sylla de ,m>io1 da de ,napoleo de ,robespi]re1 da de ,esp>t]o de ,isabel ,,ii1 que e/ o segr$o das revolues1 mas na ext9co total da dictadura1 fosse ella a de um santo1 da tyrannia1 fosse ella a de um deus4 ,ora tyrannia e dictadura a unidade politica1 a c5tralisao dos pod]es2 tyrannia e dictadura da peior especie1 porque so sy/ematicas1 legaes1 organisadas1 de/ru9do a ordem natural com o pretexto da ordem politica1 esmag&o toda a iniciativa1 toda a individualidade1 toda a nobreza1 e r$uz9do uma nao ao e/ado de um rebanho paci5te e uni=me a que1 por unica consolao1 se deixasse o direito de eleg] o pa/or que o guia1 e o co que s d5tadas o faz entr> na frma4 ,s] i/o um ideal humano8 ,na uni=midade1 na homog5eidade de composio das soci$ades democraticas que e/ o p]igo todo4 ,como j no ha grupos1 classes1 v>i$ade de int]esses e de individualidades1 que equilibrem o pod] c5tral e lhe opponham resi/5cia1 a presso d gov]no no encontra ob/aculos1 communica-se1 e/5de-se1 com rapidez e =a incalculaveis1 n'aquella massa homog5ea4 ,uma ari/ocracia1 um cl]o livre e organisado1 uma burguezia com seus privilegios1 cidades com seus fros1 tudo i/o eram b>reiras =midaveis que a auctoridade c5tral1 durante a idade m$ia1 encontr\ erguidas contra si cada vez que t5t\ al>g>-se e absorv] a actividade da nao4 ,mas aquellas b>reiras1 salut>es no ponto de vi/a da lib]dade1 eram1 no ponto de vi/a da igualdade1 abusos e vexames1 porque eram outros tantos privilegios4 ,a que/o hoje1 p>a a philosophia politica1 r$uz-se a i/o3 cri> na soci$ade esses div]sos grupos1 por onde se rep>ta a auctoridade e se equilibre a =a expansiva d c5tro1 sem que por isso se alt]e a simplicidade intima d meio social1 a igualdade absoluta de direitos1 filha da revoluo democratica d seculo ,,xix4 ,n'outros t]mos3 trata-se de concili> a igualdade e a lib]dade1 cujo divorcio tem causado a ru9a das mais h]oicas republicas1 o abatim5to das mais floresc5tes democracias4 ,p>a isso o que preciso8 cri> tantos c5tros de auctoridade local quantos =em os c5tros naturaes da vida nacional4 ,som5te esses grupos devem e/> uns p>a com os outros na mesma razo juridica1 possuir os mesmos direitos1 s] semelhantes a9da que indep5d5tes1 e =m&o outras tantas individualidades1 devem essas individualidades s] uni=mes e iguaes4 ,por outras palavras3 trata-se de cri> a div]sidade 7g>antia unica da lib]dade7 na massa da nao1 fund&o-a d'e/a vez1 no sobre o privilegio odioso e alem d'isso in/avel1 mas sobre a base mais solida e mais natural1 a igualdade4 ,dito i/o1 o nome da coisa se de todas z boccas3 *ama-se f$]ao4 ,conciliao p>a todos os int]esses1 g>antia p>a todas z lib]dades1 campo ab]to p>a todas z actividades1 equilibrio p>a todas z =z1 templo p>a todos os cultos1 a f$]ao a unica frma de gov]no digna de hom5s v]dadeiram5te iguaes1 porque a unica frma de gov]no v]dadeiram5te livre4 ,ella ext+ue os velhos odios1 supprime os velhos p>tidos1 no de/ru9do-os viol5tam5te1 mas1 ao contr>io1 faz5do-os viv] em commum1 concili&o-os1 mo/r&o que podem coexi/ir no seu va/o seio1 no seu espirito compreh5sivo e amplissimo4 ,e/as palavras f$]ao democratica resumem hoje o cr$o revolucion>io1 como ha oit5ta annos z de republica indivisivel resumiam z aspiraes da g]ao h]oica1 mas p\co exp]i5te1 que cri\ na hi/oria a gr&e data de #agic4 ,quem hoje p]corr] com a vi/a z legies d gr&e ex]cito revolucion>io europeu1 r>o top> com uma b&eira em que se no leia a magica leg5da republica democratica f$]ativa4 ,e/es p5des so ha/eados por mos que tem feito1 j no mundo dos factos1 j no mundo das ideias1 um trabalho =midavel4 ,so hom5s que se *amam ,pr\dhon1 ,%ultz-,delitz1 ,glad/one1 ,va*]ot1 ,mor91 ,simon1 ,littr1 ,bright1 ,langlois1 e que so p>a o drama f9al a que se encam9ha o seculo ,,xix o mesmo que ,r\sseau1 ,sieys1 ,condorcet1 ,volney1 =am p>a a trag$ia dos ultimos annos d seculo ,,xviii4 ,o sonho unit>io dissip\-se4 ,uma am>ga exp]i5cia lhes mo/r\ que a exi/5cia d'essa entidade puram5te geographica de uma gr&e nacionalidade compacta no comp5sa a falta d'aquella outra entidade realissima1 necess>ia1 vital1 o cidado livre4 ,o homem1 o homem no goso pl5o das suas lib]dades1 das suas =z v>iadissimas1 indu/riaes1 sci5tificas1 politicas1 religiosas1 esse homem no o criam z unidades artificiaes e viol5tas organisadas segundo o pr9cipio das gr&es naes c5tralisadas4 ,era escusada1 p>a *eg>mos a i/o1 a exp]i5cia cu/osa da ,frana de ,napoleo ,,iii4 ,ba/ava a hi/oria1 que no nos (f]ece o exemplo de uma unica republica democratica c5tralisada que *egue a dur> a vida de uma g]ao4 ,fluctuam entre a an>*ia e a tyrannia1 at acab>em pela morte da nacionalidade1 ou pela abdicao nas mos de um *efe absoluto1 pelo cez>ismo4 ,no dia em que a republica ari/ocratica de ,roma se trans=ma em democracia unit>ia1 a soci$ade romana1 p]dido o equilibrio1 passa viol5tam5te de tyrannia p>a tyrannia1 at que os ,cez>es a acolhem sombra mortal d seu despotismo nivelador4 ,flor5a abdica nas mos dos ,m$ecis3 e a ,frana1 em m5os de cem annos1 abdica tres vezes nas mos dos seus *efes popul>es e republicanos2 em #agic1 ,robespi]re2 em #ahjd1 ,buonap>te2 em #ahea1 ,luiz ,napoleo4 ,eis como vivem e quanto duram z republicas unit>ias6 ,z unicas republicas democraticas1 cuja vida s]5a absorve j a vida de muitas g]aes1 so duas republicas f$]ativas3 a ,conf$]ao ,suissa1 na ,europa2 na ,am]ica1 os ,e/ados-,unidos4 ,ricas1 pacificas1 intellig5tes1 no a9da assim a riqueza1 nem a sci5cia1 nem a paz quem z mantem3 a lib]dade2 a lib]dade que sabem cons]v> na igualdade4 ,typos a9da incompletos em relao ao ideal que ab/ractam5te =mamos das soci$ades humanas1 so todavia1 p>a z in=mes agglom]aes de hom5s1 a que no re/o d mundo se *ama naes1 v]dadeiros ideaes1 modelos admiraveis e quasi columnas de fogo no des]to das mis]ias politicas4 p>a ali1 ,hespanhoes1 que deveis vir> os olhos6 ,e essa f$]ao que p>a o re/o d mundo uma aspirao1 um sonho ap5as1 p>a vs uma realidade secul>1 uma tradio d vosso solo1 um cam9ho por muito tempo ab]to e trilhado na vossa hi/oria1 desde o ,cid at ,padilha1 at aos h]oicos commun]os1 at gr&e revolta dos ,catales1 at ,palafox1 at revoluo actual1 que p>t9do das extremidades e arra/&o o c5tro no seu movim5to1 tem um c>act] em95tem5te s5o exclusivam5te f$]al444 ,assim pois1 a philosophia e a tradico secul> comb9am-se no conselho que vos do4 o espirito novo abra&o-se com a antiga virtude4 o seculo ,,xix que1 p>a vs1 pde sem es=o s] quasi uma d$uco dos seculos ,,xi e ,,xvi4 ,duas edades em tudo mais ho/is1 o passado feudal e o pres5te democratico1 n'e/a s coisa pod]am concord>1 apont&o-vos como o cam9ho da ju/ia1 da paz1 da =a1 da lib]dade1 d progresso1 um unico cam9ho3 a ,f$]ao4 ,,vi ,mas ,portugal1 membro amputado desnecess>iam5te1 a9da que sem viol5cia1 d gr&e corpo da p59sula ib]ica1 viv5do desde ento uma vida p>ticul>1 e/reita talvez mas sua e orig9al1 e to ap>tado d movim5to dos outros povos hespanhoes como se fosse a fronteira1 que d'elles1 o sep>a um insondavel oceano1 que tem que v] ,portugal com a revoluo que acaba de traz] sup]ficie da soci$ade hespanhola1 como em tumultuosa f]m5tao1 os maiores problemas da politica mod]na1 e com z resolues que a philos(ia e a necessidade1 os pr9cipios e os acontecim5tos1 impem aos *efes em cujas mos vo car z r$eas agitadas d'essa revoluo8 sobre tudo p>a e/e ponto que eu invoco a att5o de todos os hom5s que1 v5do na hi/oria leis fixas e no acontecim5tos =tuitos1 sabem compreh5d] que a politica uma que/o de ideias e no de paixes1 de necessidade e no de s5tim5to4 ,por uma co9cid5cia1 a que *am>iamos provid5cial se h\vesse p>a z naes outra provid5cia alem da =a inexoravel das coisas1 co9cid5cia unica em toda a hi/oria de ,portugal e da ,hespanha1 z duas soci$ades1 a9da que po/as em face de problemas diff]5tes1 a*am-se hoje obrigadas a uma mesma soluo1 exactam5te como dois do5tes que1 padec5do males div]sos1 encontrassem a salvao n'um mesmo e unico rem$io4 ,o ideal da ,hespanha em revoluo confunde-se com o ideal de ,portugal que precisa s] revolucionado4 ,a politica1 morta entre ns ha tantos annos p>a os pr9cipios e p>a a ju/ia1 r5asce1 tem outra vez alma e palavra1 e essa palavra affirma o mesmo que alem da fronteira se dos coraes que melhor s5tem1 das intellig5cias que melhor compreh5dem os v]dadeiros de/9os da p59sula4 ,p>a portuguezes como p>a hespanhoes no ha hoje s5o um ideal politico3 democracia e f$]alismo4 ,a diff]5a e/ s em que p>a a ,hespanha metade d programma j um facto inabalavel e a outra uma necessidade fatalm5te imp]iosa2 em quanto que p>a ns1 portuguezes1 o programma todo1 a9da que igualm5te imp]ioso e fatal1 no passa por ora de uma indicao da pura logica1 simplesm5te uma aspiraao4 ,portugal uma nao enf]ma1 e d peior g5]o de enf]midade1 o languor1 o enfraquecim5to gradual que1 sem febre1 sem delirio1 consome tanto mais seguram5te quanto se no v orgo especialm5te atacado1 nem se at9a com o nome da my/]iosa do5a4 ,a do5a exi/e1 todavia4 ,o mundo portuguez agonisa1 affectado de atonia1 tanto na con/ituio intima da soci$ade1 como no movim5to1 na circulao da vida politica4 ,na soci$ade1 a e/agnao de todas z classes1 incapazes d m5or des5volvim5to1 pelo pr$om9io de uma classe ga/a e impot5te1 mas que tem monopolisado1 desde #ahcd1 a direco dos negocios1 a burguezia1 d-nos essa paz e lib]dade app>5tes que no so no fundo outra coisa mais d que a immobilidade e a indiff]5a1 symptomas de morte proxima1 no h>monias de uma exi/5cia *eia e ord5ada4 ,no mundo politico a atonia manife/a-se pelo abatim5to de todos os c5tros locaes1 pelo desapp>ecim5to de qualqu] iniciativa1 indep5d5te da direco (ficial1 pela sub/ituio de um mecanismo artificial e mesqu9ho bella e rica manife/ao espontanea das =z livres e orig9aes1 pelo arrefecim5to1 pelo empobrecim5to da vida nacional em proveito de uma coisa falsa1 artificiosa e e/]il1 a c5tralizao4 ,a c5tralisao como meio1 os int]esses burguezes como fim1 eis o mis]avel resumo da nossa actividade social ha p]to de qu>5ta annos4 ,hoje a burguezia e/ rica2 a c5tralisao1 con/ituida2 mas o paiz1 esse1 e/ pobre1 fraco1 indiff]5te1 vulg>1 e mais mis]avel e tri/e1 na sua paz e lib]dade conv5cionaes1 d que muitos outros no meio das luctas e das tempe/ades da gu]ra civil e da tyrannia4 n'e/a hora de abatim5to pr(undo que uma revoluo1 p>a ns quasi provid5cial1 faz reb5t> a democracia d solo ard5te da ,hespanha1 e encam9ha fatalm5te essa democracia p>a a sua unica frma1 a f$]ao4 ,m>avilhoso acaso1 que a ponto nos deixa car no regao o rem$io que exigem os nossos males1 e une f9alm5te os dois povos da p59sula1 por uma mesma necessidade1 n'uma mesma aspirao1 n'um mesmo ideal4 ,a democracia e a f$]ao vo resolv] em ,portugal a crise que *ocavamos ha qu>5ta annos1 porque a democracia a qu$a d re9ado burguez1 e a f$]ao1 o r5ascim5to da vida local e a ru9a da unidade c5tralisadora4 ,,vii ,a burguezia europea t9ha uma bella misso no seculo ,,xix4 ,o edificio feudal fra d]rocado1 mas o povo cont9uava no mis]avel e/ado de indiff]5a e incapacidade politica a que o t9ham r$uzido1 em aco comb9ada1 a mon>*ia absoluta e a explorao ari/ocratica4 ,tornada assim a igualdade um direito popul> e ao mesmo tempo um p]igo p>a a civilisao1 incumbia burguezia1 assum9do uma especie de dictadura philosophica1 aproveit>-se d'e/e int]regno p>a gui> a multido ao encontro d seu direito1 p>a e/abelec] sem gr&e abalo a passagem da antiga incapacidade p>a a nova sob]ania1 encam9h&o1 illu/r&o1 moralis&o1 faz5do-se1 emfim1 no classe dom9adora1 mas simplesm5te classe iniciadora4 ,mas e/a ca/a avida e egoi/a1 incapaz de compreh5d] uma to alta misso1 pref]iu ex]c] a dictadura1 que o acaso lhe (f]ecia1 em proveito exclusivo dos seus int]esses e das suas paixes1 consid]&o como uma conqui/a et]na o que era ap5as uma concesso mom5tanea da =a das coisas4 ,a*\ mais simples1 em vez de inici> e illu/r>1 explor> e desmoralis>4 ,e/abelecido assim o divorcio entre os int]esses burguezes e os popul>es1 a ruptura das vontades era facil de prev]4 ,assim succ$eu4 ,a revoluo franceza de #ahdh deu o signal2 e desde ento p>a c a burguezia1 cada em ,frana1 no re/o da ,europa vacilla desequilibrada1 su/5do-se ap5as pela in]cia ou pela incapacidade popul>4 ,a burguezia portugueza tem sido talvez uma das mais ineptas1 o seu dom9io c]tam5te um dos mais e/]eis4 ,pelo lado economico1 fug9do sy/ematicam5te a todo o trabalho on]oso1 a toda a explorao que pea intellig5cia e actividade1 e/abeleceu-se commodam5te no funccionalismo1 a que tem dado um des5volvim5to fatal1 e na divida publica1 que absorve d'e/e modo os capitaes de/9ados a fecund> a indu/ria e a produco nacionaes4 assim que se cre\ no paiz uma massa =midavel de consumidores absolutam5te e/]eis1 e se e/abeleceu esse desequilibrio entre a produco e o consumo1 causa pr9cipal da nossa pobreza1 origem da divida que nos corroe1 e da e/agnao assu/adora d movim5to indu/rial4 ,no ha capitaes p>a tantas exploraes necess>ias1 por que um ,e/ado famelico premeia os seus cr$ores com juros fabulosos1 cuja concorr5cia n5huma empreza p>ticul> pde su/5t>4 ,no ha hom5s p>a essas exploraes1 por que um ,e/ado gov]nado em familia1 consid]ado padr9ho univ]sal dos filhos d'uma classe s$5t>ia e inactiva1 abre na meza d oram5to um log> commodo p>a quem1 sobre tudo1 evita p5s>1 calcul> e agit>-se4 ,e/e o lado economico3 quanto ao lado moral1 a decad5cia mais pr(unda a9da4 ,quem dir jmais a pobreza e o abaixam5to a que o propriet>io av>o e o empregado oppressor tem r$uzido o povo dos campos8 ,e o povo das cidades1 quantas mis]ias no deve elle dura avidez d capitali/a1 quantas indignidades ao orgulho d funccion>io1 quantas corrupes ao exemplo dos vicios d'um e d outro8 ,assim que elles educam e iniciam4 ,a in/ruco e/a3 por que a burguezia portugueza pde1 por o/5tao1 levant> uma e/atua a ,luiz de ,cames2 mas o povo portuguez1 esse1 no sabe soletr> o titulo d poema que o poeta consagr\ s suas glorias444 ,resum9do3 o privilegio1 sem se atrev] a neg> em face o direito1 e/abelec5do-se de facto e en*]t&o-se surdam5te na gr&e arvore da igualdade social3 o luxo e riqueza improvisada d'um pequ5o num]o masc>&o a pobreza univ]sal3 os capitaes1 desviados d seu v]dadeiro curso1 deix&o que se e/]ilisem1 em vez de z fecund>em1 z indu/rias nacionaes3 todas z gr&es emprezas1 navegao1 explorao de m9as1 nas mos de companhias e/rangeiras1 v]dadeira abdicao economica d povo portuguez3 o desequilibrio cresc5te entre o consumo e a produco1 pelo des5volvim5to extremo de duas classes1 os empregados e os cr$ores d ,e/ado1 que1 sem entr>em com um s elem5to p>a a riqueza publica1 absorvem inexoravelm5te a melhor p>te d'ella3 a agiotagem sub/ituida ao comm]cio e a intriga ao trabalho3 o abatim5to economico pre/&o o paiz1 no meio da agitao febril de meia duzia de especuladores3 o abatim5to moral1 pela indiff]5a1 pela in]cia1 ga/&o os c>act]es1 amolec5do z vontades1 torn&o impossivel toda a iniciativa e toda a orig9alidade3 o povo sceptico e desmoralisado3 a ociosidade tornada o ideal d'aquelles mesmos que trabalham3 a ignorancia real masc>ada pela illu/rao ficticia dos programmas (ficiaes3 muito sophisma3 muita illuso3 muita mis]ia3 eis aonde nos a*amos depois de #dj annos de tutela burgueza1 eis o saldo de contas da g]5cia d'e/es nossos curadores (ficiosos444 ,p>a e/a obra de decad5cia h\ve um in/rum5to digno d'ella1 por que um in/rum5to de compresso1 a c5tralisao4 ,a dictadura das classes soi-disant sup]iores torna-se impossivel sem essa ap]tada r$e adm9i/rativa1 que por todos os lados envolve o corpo da nao1 e no c5tro da qual uma m9oria compacta e audaciosa1 uma vez e/abelecida1 pde vontade dirigir1 gov]n> e explor>4 ,n'e/e ponto de vi/a1 a hi/oria d p]iodo con/itucional entre ns pde def9ir-se uma adm9i/rao c5tralisada1 explor&o o paiz no s5tido dos int]esses d'um pequ5o num]o de monopoli/as politicos4 ,a primeira consequ5cia d'e/e e/ado de coisas a ext5o progressiva1 incalculavel1 v]dadeiram5te ph5om5al d funccionalismo4 ,ha uns annos que a consci5cia e o int]esse popul>es reagem contra e/a mon/ruosidade1 e/e aleijo da nossa soci$ade4 ,depois d movim5to de janeiro1 sobre tudo1 o clamor torn\-se univ]sal4 ,mas p$em-se r$uces1 e n'i/o que e/ o engano4 ,o funccionalismo no uma anomalia1 um facto exclusivam5te portuguez4 um dos elem5tos ess5ciaes dos gov]nos c5tralisados4 ,foi elle quem devor\ o mundo romano1 nos ultimos dois seculos d imp]io4 elle que abate a ,frana debaixo d'um monto de p>asitas (ficiaes1 que lhe no deixam complet> a sua reorganisao economica4 elle1 emfim1 que nos tem assim exsangues e pallidos beira d nosso sepul*ro entreab]to4 ,mas quem acceit> a unidade e a c5tralisao no pde logicam5te recus> o que o elem5to ess5cial da sua aco1 o in/rum5to das suas concepes1 o organismo com que vive1 respira e se move4 ,com effeito1 desde que se admitte gov]no1 um c5tro que se enc>rega de todas z funces sociaes1 z innum]as =z1 que a lib]dade individual1 abdic&o1 conc5tra n'aquella individualidade absoluta1 t5dem a enc>n>-se em symbolos visiveis1 que lhes deem aco e vida1 e a ajunt>em outros tantos membros ao s] prodigioso aonde se resume a exi/5cia de muitos milhes de hom5s4 ,a cada um dos elem5tos da actividade individual vem a correspond] no e/ado1 que os absorve1 outras tantas funces4 ,o que o cidado deixa de faz] por si1 fal-o o e/ado por meio d'um organismo novo1 por que a sua =a e complexidade e/o na razo inv]sa da =a e d des5volvim5to da esph]a de aco de cada cidado4 ,ora a =a d e/ado no pde exi/ir s5o organisada2 i/o 1 no exi/e sem rep>ties e sem empregados1 rep>ties tanto mais complicadas quanto mais p]feita a organisao1 empregados tanto mais remun]ados quanto so mais importantes os negocios de que se occupam4 ,o funccionalismo pois o triumpho da c5tralisao1 a sua expresso mais completa1 e pde sem ironia diz]-se que uma nao c5tralisada no *ega sua pl5itude1 no 1 por consegu9te1 p]feita1 em quanto uma metade dos cidados no e/iv] con/antem5te occupada em vigi>1 gov]n> e corrigir a outra metade444 ,mas toda essa g5te vive3 vive1 absorve444 e no produz4 ,a ru9a das naes c5tralisadas comea por aqui4 ,no ha relao entre o que se d trabalho e o que exige o consumo4 ,p>a accudir s necessidades d dia necess>io hypo!c> o futuro4 ,mas o futuro ha uma hora em que *ega a s] pres5te1 e n'essa hora app>ece por tal frma enfraquecido e sobrec>regado1 que j p>a viv] precisa p$ir a um outro futuro mais long9quo o dobro e o triplo d que lhe t9ham p$ido a elle4 ,eis a progresso t]rivel da divida publica6 ,progressivam5te1 no proporcionalm5te1 crescem z exig5cias d e/ado3 e progressivam5te1 no proporcionalm5te1 dim9uem os recursos d paiz1 on]ado1 compromettido n'uma razo ma!maticam5te assu/adora4 n'e/e mom5to que o fisco1 at ali simples organismo como os outros1 se desmasc>a e deixa v] o mon/ro cruel1 tyrannico e dis=me que realm5te4 ,n'esse mom5to de brutal franqueza1 toda a politica se resume n'uma unica palavra3 d9heiro6 todo o programma de gov]no se resume n'uma unica phrase3 necess>io que o povo pague6 ,o e/ado trans=ma-se n'uma horrivel ma*9a de tritur> =tunas1 hom5s1 vontades1 com tanto que d'esses re/os sangr5tos possa extrair um p\co de ouro4 ,mas p>a isso necess>io s] =te3 e o e/ado fatalm5te se conc5tra1 toma a feio d'um ex]cito sempre em armas no meio d'um povo mal submettido1 at assumir a sua v]dadeira frma1 a tyrannia uma tyrannia adm9i/rativa e fiscal1 como a de ,diocleciano em ,roma1 como a de ,luiz ,,xiv em ,frana1 como a que talvez vejamos d5tro em p\cos annos em ,portugal4 ,mas a tyrannia d gov]no d origem irrem$iavelm5te sua anti!se1 a an>*ia na soci$ade4 ,como o c5tro v tudo1 pde tudo1 tudo1 como a unica cabea1 o unico pulmo1 o unico brao1 todos os grupos de int]esses1 todos os p>tidos1 privados de qualqu] aco fra da esph]a gov]nam5tal1 emp5ham os maiores es=os em se apod]>em da =midavel ma*9a1 e no tem outro fito s5o s]em um dia pod]4 ,conspiram1 intrigam1 combatem1 at lanarem mo das *aves fataes com que se abrem todas z portas e todas z consci5cias4 ,o gov]no1 sempre =te1 sempre conc5trado1 passa assim rapidam5te de tyrannia em tyrannia1 repres5t&o de hora p>a hora os int]esses div]sos de classes e de p>tidos1 que1 succ$5do-se v]tig9osam5te1 ap5as tem tempo p>a z represalias e p>a a oppresso444 ,s] i/o um quadro de phantasia8 no3 leia-se a hi/oria dos ultimos dois seculos d imp]io romano3 leia-se1 sobre tudo1 a hi/oria da decad5cia byzant9a1 e v]-se-ha que a9da encobrimos mais de metade das mis]ias1 das desord5s1 das corrupes1 a que arra/a fatalm5te z naes o fune/o pr9cipio d e/ado c5tralisado4 ,e ,portugal1 quem ha ahi que no lhe veja j di/9ctam5te nas faces a pallidez s9i/ra d'uma inexoravel decad5cia8 ,quem no pres5te1 pelas sombras d horizonte1 que vamos entr&o no passo temivel da tyrannia fiscal e da an>*ia dos int]esses ho/is8 ,a c5tralisao d os seus fructos3 e1 sombra d'essa arvore de morte1 quantos no nos s5timos j enfraquecidos e *eios d'uma tri/eza e d'um desal5to mortaes8444 ,no com re=mas1 com economias1 que se se d'uma tal situao4 ,a arvore peonh5ta s cortada pela raiz deix> de cobrir a t]ra da patria com a sua sombra fune/a4 ,o mal intimo e pr(undo4 ,s um revulsivo en]gico pod] *am> vida o sangue que se gela nas veias d'e/e corpo1 mais intorpecido a9da d que envelhecido4 ,por outras palavras3 a philosophia politica no indica uma re=ma1 mas uma revoluo1 p>a a situao desesp]ada em que nos a*amos4 ,e como os dois elem5tos de morte1 que temos em ns1 so a burguezia e a c5tralisao1 appell&o p>a dois pr9cipios de vida1 a democracia e a f$]ao1 no f>emos s5o seguir z indicaes mais cl>as da sci5cia1 e z leis mais evid5tes d mundo economico e politico4 ,tanto pelos pr9cipios como pelos acontecim5tos um cam9ho e/ traado p>a a politica portugueza1 de que no ha desvi>-se4 ,quebr&o1 por meio d suffragio univ]sal1 os diques e/reitos entre os quaes a vida publica tem at hoje corrido ap]tada2 pr(und&o-lhe o leito1 e faz5do entr> na sua corr5te1 com z multides triumphantes1 esses elem5tos de =a e de vida que a9da possa cont] o mundo portuguez2 a democracia abate ao mesmo tempo a olig>*ia burgueza1 e realisa entre ns o unico progresso que nos pde pr altura da ,hespanha rejuv5ecida pela sua revoluo4 ,mas a democracia com a c5tralisao no mais d que a igualdade sob uma mesma tyrannia4 ,a desc5tralisao1 quebr&o nas mos da razo de ,e/ado a temivel arma da unidade1 re/itu9do prov9cia e iniciativa local todas z funces de que t9ha sido cavilosam5te despojada1 ou de que cegam5te abdicra1 appell&o =tem5te p>a a en]gia individual1 quem s pde acab> por uma vez com o p>asitismo d funccion>io1 *am> os capitaes e z vontades p>a o trabalho1 re/abelec] o equilibrio economico alt]ado1 e reve/9do ,portugal da luz s]5a e immaculada da republica democratica1 fazel-o brilh>1 gravit&o1 entre os a/ros da con/ellao ib]ica4 ,a republica se assim naturalm5te da democracia2 e1 da republica1 a f$]ao4 ,,viii ,*egados a e/as concluses1 vemos o ideal revolucion>io de ,portugal toc>-se1 confundir-se com o ideal da revoluo hespanhola4 ,p>a toda a p59sula no ha hoje s5o uma unica politica possivel3 a da f$]ao-republicana-democratica4 ,e1 em face d'e/a =midavel unidade de int]esses1 de ideas1 de vontades1 e de aspiraes1 que podem z b>reiras da nacionalidade signific> mais d que uma tradio1 um symbolo poetico1 cujo s5tido se p]de de dia p>a dia1 at se torn> de todo incompreh5sivel1 at desapp>ec]8 ,moralm5te essas b>reiras cairam j4 ,p>a z consci5cias mais rectas1 p>a z intellig5cias mais seguras dos dois povos1 unidas nos mesmos desejos e n'um p5sam5to commum1 a nacionalidade no passa d'um ob/aculo desgraado1 re/o das ho/ilidades fataes de seculos b>b>os1 e que s por um lam5tavel accordo dos int]esses da m9oria dom9ante e dos prejuizos da multido in9tellig5te se tem podido su/5t>4 ,mas esse accordo desfez-se4 ,o irresi/ivel movim5to democratico da nossa soci$ade vai torn> inevitavel a qu$a da nacionalidade1 nas op9ies1 a pr9cipio1 e mais t>de nos factos1 no gr&e dia d abrao frat]nal das populaes da p59sula ib]ica4 ,a revoluo social id5tica p>a os dois povos3 id5tica1 p>a os dois povos1 deve s] a revoluo politica4 ,e o successo ou insuccesso da actual revoluo hespanhola1 o seu desfe*o feliz ou infeliz1 em nada alt]a e/e ponto de vi/a puram5te ideal da politica ib]ica4 ,organisado o f$]alismo democratico em ,hespanha1 um facto1 um facto visivel e sob]ano1 que se torna o alvo das nossas aspiraes1 o nosso exemplo1 o programma d unico p>tido com vida e significao em ,portugal4 ,nem1 em tal caso1 s um p>tido1 mas a nao toda1 que levada por um impulso irresi/ivel gravita p>a o c5tro de attraco da con/ellao f$]al--,mas1 p]turbado o des5volvim5to logico da revoluo pela ignorancia1 a pusilanimidade1 ou a intriga1 como n5hum gov]no e/avel1 alem da f$]ao1 se pde e/abelec] em ,hespanha1 a viol5ta an>*ia1 que se seguir1 s] ao mesmo tempo uma prova irrefutavel1 a9da que indirecta1 da v]dade d programma que tramos revoluo1 e um signal p>a todos os hom5s intellig5tes1 s9c]os1 e corajosos se unirem1 sem di/9co de nacionalidade1 em volta da b&eira da republica democratica e f$]al4 ,em qualqu] dos dois casos1 a politica1 p>a ns portuguezes1 sempre a mesma3 o nosso cam9ho e/ traado1 inv>iavel e sup]ior a9da s oscilaes e tremores d t]r5o por onde a =a inexoravel das coisas o obriga a pass>4 ,em qualqu] dos dois casos1 a nacionalidade1 e/a e/reita nacionalidade d5tro da qual nos e/ comprim9do a mon>*ia burgueza1 tem de s] sacrificada1 qu] no facto d'uma revoluo1 qu] no programma d'um p>tido revolucion>io1 a uma =ma mais l>ga1 mais livre1 e mais frat]nal4 ,em qualqu] dos dois casos1 p>a todos os elem5tos moos1 intellig5tes1 activos da soci$ade portugueza1 no ha outra saida ab]ta s5o e/a3 a democracia ib]ica2 nem outra politica1 politica capaz de idz1 de futuro e de gr&eza1 possivel em ,portugal1 s5o e/a3 a politica d ib]ismo4 ,,ix ,e agora1 por desp$ida1 duas palavras s9c]as aos patriotas portuguezes4 ,o patriotismo pde symbolis>-se hoje n'uma ideia falsa e e/reitissima3 mas nem por isso deixa de s] um s5tim5to respeitavel4 ,c]tam5te que1 p>a os ,fuas ,r\p9hos e os ,espadeiros d jornalismo a tanto por l9ha1 o patriotismo no passa de uma palavra sonora1 o en?usiasmo nacional de uma boa especulao4 ,assim tambem no com elles que fallo4 ,dirijo-me aos espiritos c&idos e rectos1 mas *eios de illuses e p\co escl>ecidos sobre a natureza dos movim5tos sociaes1 s vontades en]gicas1 mas falsam5te encam9hadas1 aos hom5s v]dadeiram5te bons e d$icados das nossas prov9cias1 que1 ob$ec5do a um dos mais bellos s5tim5tos humanos1 o amor da patria1 tomam a nacionalidade pelo symbolo unico1 pela frma mais p]feita d'esse s5tim5to4 ,sem falt> ao respeito devido a to hone/as convices1 atrev]-me-hei a pond]>-lhes que o amor da patria no co9cide rigorosam5te com o facto da nacionalidade3 so duas coisas di/9ctas1 a9da que ligadas e/reitam5te e s]v9do uma de manife/ao outra1 como s]ve a palavra de manife/ao ao p5sam5to4 ,mas so di/9ctas3 e assim como a palavra falta mais de uma vez ao p5sam5to1 e o atraia1 pde uma nacionalidade ga/a ou acanhada falt> ao amor da patria com z condices d seu inteiro des5volvim5to1 atraio&o z suas mais =mosas aspiraes1 os seus mais intimos impulsos4 ,a patria1 com effeito1 no o *o1 o ar1 o sol1 os rios e os montes nataes3 patria assim tem-na igualm5te z arvores d'esses campos e os musgos d'essas ro*as3 o patriotismo1 n'esse caso1 deixava de s] um s5tim5to exclusivam5te humano1 p>a se confundir com z simples leis d mundo organico4 no homem1 na sua natureza moral1 que se devem procur> z razes intimas d'e/e facto univ]sal e at hoje inde/ructivel4 ,ao ceu dos campos e dos montes patrios1 sombra das suas igrejas e dos seus ca/ellos1 l+ua dos seus habitantes1 aos co/umes1 s tradices1 no nos pr5de um in/9cto cego1 uma fatalidade de especie1 ou uma attraco poetica da phantasia4 ,tudo isso1 se bello p>a ns1 s por que nos repres5ta1 em symbolo h>monioso1 o p5sam5to intimo d nosso s]1 e p>ece traduzir-nos o segr$o my/]ioso da nossa consci5cia4 ,n'esse conjuncto de coisas1 ideias1 e s5tim5tos1 vemos z condices d des5volvim5to mais p]feito da nossa natureza moral1 o in/rum5to da exaltao da nossa p]sonalidade1 na sua mais rica complexidade1 como hom5s p]ante os hom5s1 criaturas p]ante a criao1 espiritos p]ante o nosso proprio espirito4 ,por isso1 e s por isso1 amamos a patria4 ,ella no som5te o b]o das nossas affeies in/9ctivas3 mais3 o n9ho aonde crescem e vigoram os filhos mais qu]idos da nossa alma1 z en]gias da nossa livre actividade4 ,a patria no um accid5te da natureza mat]ial1 mas um facto da consci5cia humana4 ,a nacionalidade1 essa1 ap5as a frma passageira e artificial de tudo i/o4 um facto d mundo politico e1 como elle1 transitorio e alt]avel4 ,no mom5to em que muitos int]esses se reconhecem semelhantes1 muitos patriotismos irmos1 t5do em commum o mesmo ideal e z mesmas condices de o realis>1 agrupam-se1 fundem-se1 levados pela attraco irresi/ivel entre naturezas homog5eas1 e pela necessidade de se deff5d]em e affirm>em em face d mundo4 ,eis uma nacionalidade1 obra de mom5to1 sugeita dupla aco d tempo e d movim5to humano1 e por isso in/avel e transitoria como o corr] dos annos e o trans=m>-se dos int]esses e das ideias sociaes4 ,concebe-se facilm5te que esses int]esses deixem de s] homog5eos1 que essas ideias se possam contradiz]3 concebe-se que a frma nacional1 em vez de realis> o ideal de pl5o des5volvim5to mat]ial e moral symbolisado no amor patrio1 lhe suffoque os impulsos mais g5]osos1 e atraioe z suas mais legitimas aspiraes4 ,a nacionalidade deixa ento de s] o pavilho lum9oso1 que sob os seus tectos doirados cobria muitas cabez irmans1 p>a se trans=m> n'uma abobada escura e fria de erga/ulo1 aonde gemem muitos mis]aveis escravos444 ,s] e/e o caso de ,portugal8 ,atrevo-me a diz] que 4 ,z =z mais vivas1 z en]gias mais moz e intellig5tes1 os elem5tos mais g5]osos da nossa soci$ade1 e/o comprimidos1 asphixiados por e/a frma e/reita da velha nacionalidade4 ,entre uma coisa e outra necess>io escolh]4 ,ora eu su/5to que1 entre z realidades et]nas da natureza humana1 de um lado1 e1 d outro1 a criao artificiosa e antiquada da politica1 no ha que hesit>4 ,se no possivel s]mos ju/os1 =tes1 nobres1 intellig5tes1 s5o deix&o car nos abysmos da hi/oria essa coisa a que j se *am\ nao portugueza1 cia a nao1 mas sejamos aquillo p>a que nos cri\ a natureza1 sejamos intellig5tes1 nobres1 =tes1 ju/os1 sejamos hom5s1 muito embora deixemos de s] portuguezes4 ,uma nao moribunda uma coisa poetica3 infelizm5te a melhor poesia1 em politica1 no passa de uma politica m$iocre4 ,*or>1 record>-se1 ou ameaar em sonoros v]sos1 pde s] extremam5te s5tim5tal3 mas no adianta uma polegada os nossos negocios444 ,eu1 por mim1 pondo de p>te toda a poesia e toda a s5tim5talidade1 cont5t>-me-hei de affirm> aos patriotas portuguezes e/a v]dade de simples bom s5so3 que1 nas nossas actuaes circum/ancias1 o unico acto possivel e logico de v]dadeiro patriotismo consi/e em r5eg> a nacionalidade4 ,,pre,o #bjj ,r,,is