of public domain material from ,google ,book ,search7 ,,portugal ,,perante ,a ,,revolu,o ,,de ,,hespanha ,,considera,,es ,,sobre ,o ,,futuro ,,da ,,politica ,,portugueza ,,no ,,ponto ,,de ,,vista ,,da ,,democracia ,,iberica ,,por ,,anthero ,,de ,,quental ,alea jacta est ,,lisboa ,,typographia ,,portugueza #be1 ,travessa da ,queimada1 #ce #ahfh ,,portugal ,,perante ,a ,,revolu,o ,,de ,,hespanha ,,considera,,es ,,sobre ,o ,,futuro ,,da ,,politica ,,portugueza ,,no ,,ponto ,,de ,,vista ,,da ,,democracia ,,iberica ,,por ,,anthero ,,de ,,quental ,alea jacta est ,,lisboa ,,typographia ,,portugueza #be1 ,travessa da ,queimada1 #ce #ahfh ,i ,ha dois mezes que admiramos a revoluo de ,hespanha3 ser tempo talvez de tratarmos de a entender4 ,o enthusiasmo bom1 porque eleva o espirito2 mas a critica melhor ainda1 porque o esclarece4 ,as revolues1 sem por isso desdenharem a commoo e o applauso1 no pedem ao mundo seno uma coisa3 serem comprehendidas4 ,dramaticas1 picas1 phantasticas1 as revolues no so todavia nem dramas1 nem epopeias1 nem contos de ,hoffman3 sob as apparencias ardentes e brilhantes da paixo e da poesia so simplesmente1 friamente problemas4 ,o olhar impassivel d'essas esphinges no diz aos povos-edipos1 que as encontram no seu caminho secular1 ama-me ou odeia-me3 dizem apenas explica-me4 ,smente o abysmo que se abre ao lado1 l est commentando1 com a sua bocca tenebrosa1 aquella serena palavra444 ,reduzido aos seus termos mais simples1 o problema que a nao hespanhola acaba de escrever nas paginas da historia do seculo ,,xix1 pde formular-se d'este modo3 menos um throno em ,hespanha2 mais uma mulher em ,frana2 mais um povo livre no mundo4 ,a incognita do problema vem envolvida n'esta ultima proposio3 mais um povo livre4 ,traduzindo-a para a sua verdadeira frma1 que a interrogativa1 fica-nos isto3 o que vae a ,hespanha fazer da sua liberdade8444 ,o destino de #ah milhes d'homens depende da palavra que se escrever adiante d'aquella interrogao4 ,e depende irremediavelmente1 fatalmente4 ,irremediavelmente1 porque n'este caminho d'uma nao que abandona uma frma social condemnada1 como a familia de ,loth a condemnada ,sodoma1 no ha retroceder1 no ha mesmo volver atraz um olhar saudoso ou simplesmente curioso3 fatalmente1 porque todos os interesses1 todas as questes1 todas as paixes1 crescidas1 accumuladas1 em fermentao no seio da sociedade hespanhola desde #ahab1 acabam de ser por ella jogadas1 n'uma hora s e sobre uma s carta1 no jogo sangrento das revolues444 ,alea jacta est4 ,,ii ,entretanto essa resposta1 essa palavra1 o mysterio do destino4 manh pde radiar brilhante como a consciencia visivel d'uma grande raa4 ,hoje ainda obscura como uma inerte possibilidade4 ,o que a ,hespanha far da sua liberdade o seu segredo d'ella4 um problema que agitado no mundo dos factos1 s os factos tem de resolver4 ,mas1 para a philosophia politica1 que vive de idas1 no ponto de vista das idas que o problema tem de ser formulado4 ,no perguntaremos pois o que vae1 mas sim o que deve a ,hespanha fazer de sua nova liberdade444 ,isto s nos interessa4 ,os factos sociaes1 sem as idas que os virificam1 so inertes e incomprehensiveis1 so corpos sem alma4 ,ora a alma1 no mundo da politica1 chama-se logica4 ,a revoluo de ,hespanha1 consequente1 uma coisa viva1 cheia de luz1 de espirito1 de palavra fecundissima4 ,inconsequente1 uma massa desorganisada1 sombria1 informe1 tediosa para si mesmo1 e para o resto do mundo despresivel e v444 ,a philosophia politica1 hoje1 e j manh a philosophia da historia1 passaro por ella sem a verem1 ou1 se a virem por acaso1 um sorriso de desdem com estas palavras no fostes logica1 seno o epitaphio miserando das vidas1 do sangue1 das paixes1 que uma manh se ergueram ardentes ao bello sol da liberdade1 para cairem tarde extenuadas1 descrentes1 exsangues1 s por isto1 porque no foram logicas4 ,sim1 ,hespanhoes6 a magnanimidade da vossa revoluo1 a fraternidade1 o heroismo1 tantos rasgos admiraveis1 tantas veneraveis dedicaes1 tudo isso ser vo e esteril no momento em que no for consequente1 assim como o melhor gro1 cado no cho mais fecundo1 no germina1 apodrece1 morre1 se lhe falta o calor e a luz eterna do sol444 ,o sol da seara das revolues a coragem dos principios4 ,,iii ,mas o que a logica para um povo em revoluo8 ,facil resposta3 ser revolucionario4 ,ser revolucionario6 grande palavra1 e coisa maior ainda6 mas coisa to terrivel quanto grande6 momento solemne1 mas fatal1 e cheio d'uma responsabilidade tamanha1 que no raro encontrarem-se na historia dez seculos votados miseria e s luctas1 e vinte geraes condemnadas oppresso e dr1 s pelos erros ou pelas traies commettidas n'um d'estes momentos rapidos e sinistramente decisivos444 ,se apenas se tratasse1 com effeito1 de exalar no ar ardente das praas publicas a alma enthusiasta e fraternal que ainda os mais frios e os mais timidos sentem agitar-se-lhes dentro n'estes momentos de fermentao universal2 se apenas se tratasse de nobres sentimentos1 de inspiraes formosas1 de palavras de f--nenhuma misso to bella como a do revolucionario e nenhuma to facil444 ,se se tratasse ainda de concentrar todas as foras da revoluo1 as boas como as ms1 as violentas com preferencia s outras todas1 n'um momento de lucta supprema1 louca1 feroz2 se se tratasse de metter medo como ,mario em ,roma e ,danton em ,paris--a misso do revolucionario seria formidavel1 tremenda1 mas era1 ainda assim1 facil444 ,mas essa misso 1 pelo contrario1 de paz1 de reflexo1 quasi de sciencia4 ,n'isto est a sua superioridade1 mas n'isto tambem a sua difficuldade suprema4 ,no se trata de palavras1 mas de obras2 de proclamaes sonoras1 mas de estabelecimentos duraveis2 de sentimentos1 mas de instituies4 ,uma das muitas traduces livres da palavra revoluo esta3 revelao4 ,no momento da crise apaixonada1 as foras mais intimas1 os elementos mais profundos da sociedade revolvida nos seus abysmos1 agitando-se por chegar claridade1 sobem at superficie e mostram-se luz do dia com uma energia1 uma verdade irresistiveis4 uma revelao3 v-se o que ha1 e v-se com que tem de se contar1 em bem e em mal1 durante o longo periodo que se segue sempre quelles momentos de impulso decisivo4 ,por vinte1 por quarenta annos1 por um seculo s vezes1 a vida nacional no mais do que o desenvolvimento1 a combinao ou a lucta d'aquelles elementos revelados na hora prophetica da revoluo4 ,a ,frana do seculo ,,xix viu-se toda1 sem lhe faltar um trao1 como reflectida n'um espelho concentrador1 nos dez annos terriveis mas gigantescos de #hi a #ii4 ,e ,roma1 a ,roma imperial e plebeia1 que tinha de durar quinhentos annos1 revelou-se inteira no dia em que ,julio1 ,cesar apoiando-se no hombro rude dos seus legionarios1 atravessou o ,rubicon para inaugurar sobre as ruinas da legalidade aristocratica a egualdade despotica dos ,cesares4 ,n'estes momentos de crise1 parece que cada um dos elementos da nova sociedade1 cada uma das classes1 cada um dos interesses que se repartem o cho e o sol da patria1 levanta a mo diante da estatua velada do futuro1 com esta exclamao3 contae commigo6 ,tomar nota de cada um d'estes gritos supremos1 dar o seu logar1 na constituio futura1 a cada uma d'estas foras1 pr em harmonia1 como diz ,proudhon1 a politica com a economia1 crear uma frma imagem da substancia social revelada1 um governo1 emfim1 que seja a expresso completa da vida intima da nao--eis a alta1 a verdadeira misso do revolucionario1 ou antes1 a misso das geraes revolucionarias4 ,uma grande epoca historica1 ou um miseravel aborto1 podem sair 7e irremediavelmente7 das mos d'aquelles que recebem nos seus braos o recemnascido das revolues1 o futuro1 conforme--intelligentes ou inhabeis1 generosos ou perfidos--o envolvem em veste que1 acalentando-o1 o deixe mover-se vontade1 crescer e desenvolver-se1 ou o apertam em faichas estreitas e duras aonde se atrophia1 estrebucha e morre4 ,ai da nao1 que no dia seguinte ao do seu renascimento revolucionario1 s encontrou nas fontes do baptismo politico1 traidores ou imbecis por padrinhos6 ,os maiores heroismos tornam-se ento infecundos4 ,um sophisma gangrena todos os centros da vida nacional4 ,os protestos e as revoltas estereis1 as represses e as tyrannias absurdas succedem-se1 redobram-se1 to inuteis uns como os outros1 porque o mal intimo e indestructivel4 ,a politica no corresponde economia1 o governo uma coisa e outra coisa a sociedade1 os interesses so de uma naturesa e a direco dos interesses obedece a principios de naturesa opposta1 povo e administrao1 governados e governantes1 como duas raas hostis1 sentindo e pensando de modos desvairados1 fallando diversas linguas1 adorando deuses diversos1 no fazem em cada dia seno cavar o abysmo aonde se affundem a liberdade1 a honra1 a moral1 a riqueza1 a intelligencia e1 a final1 o corpo todo da nao4 ,este o segredo das grandes decadencias que tem affligido e escandalisado a humanidade4 ,por aqui se tem arruinado as mais florescentes civilisaes1 porque nenhum organismo1 por mais robusto que seja1 resiste a esta dilacerao intima de cada dia e de cada hora1 em cada membro e em cada parte de cada membro444 n'este abysmo que no quizeramos ver despenhar-se a nobre1 a heroica1 a inspirada ,hespanha4 ,para isso s temos a dar-lhe um conselho3 o da philosofia politica d'este seculo3 o conselho que lhe d ,victor ,hugo1 ,girardin1 ,cremieux2 que lhe dariam ,tocqueville e ,proudhon1 ou antes1 que lhe do atravs do tumulo1 e mais alto e mais eloquente ainda1 porque o espirito d'estes nobres apostolos vive e cresce1 maneira que se desenvolvem e frutificam as verdades descobertas por elles1 e por elles depositadas no seio da sciencia1 entre todas humana e entre todas divina1 a sciencia da ,justia social4 ,eis aqui o que ella diz1 a sciencia1 e o que elles repetem1 os seus prophetas4 ,no atraioeis com frmas timidas e mentirosas a originalidade e a franqueza da vossa revoluo4 ,hespanhoes1 no encarcereis nas vestes estreitas da ,hespanha velha e rachitica1 a ,hespanha rejuvenecida e engrandecida4 ,o moo corao d'esta1 que quer bater em liberdade1 estalaria comprimido pelo duro espartilho de que aquella1 impotente e senil1 precisava para se suster direita4 ,no comeceis por baptisar a nova sociedade com um nome de contradico e de guerra4 ,olhai para ella na sublime nudez d'este momento unico1 e tal como a virdes1 o que virdes que ella 1 seja esse o seu nome de baptismo1 embora estranho e incomprehensivel para uns1 inaudito e terrivel para outros1 com tanto que seja o seu nome verdadeiro4 ,o governo para a nao1 no a nao para o governo4 ,a nao o navio1 o governo a vella4 ,e dareis vs nau alterosa1 para a levar pelos mares aparcelados da historia1 a vella esguia e estreita do humilde barco costeiro8 ,e essas construces simples1 geometricas1 rigorosas da arte nautica do seculo ,,xix1 sobrecarrega-las-heis vs com a armao pesada1 grosseira e complicada dos galees do seculo ,,xvi8 ,cada momento da historia dos povos tem a sua frma1 o seu governo1 assim como a cada edade correspondem as suas aptides1 os seus sentimentos1 os seus modos particulares4 ,chegastes virilidade8 fallai como homens6 andai1 obrai como homens feitos6 ,no imiteis a ,europa illudida ou timorata3 espantae-a4 ,no lhe aceiteis os conselhos de prudencia senil3 no sejaes discipulos1 sde mestres4 ,admira-vos j na coragem1 na generosidade1 na fora serena3 pois bem6 que vos tome agora por exemplo n'uma coisa to bella como essas1 e maior ainda que qualquer d'ellas3 na logica4 ,,iv ,mas essa sociedade hespanhola1 de cuja intima essencia deve sar a frma do novo governo1 e de cujo pensamento elle deve ser apenas a palavra 7sob pena de uma disformidade to monstruosa1 na ordem dos organismos politicos1 como na ordem dos organismos naturaes1 seria um animal com membros e entranhas de uma especie e cabea de uma especie diversa71 essa sociedade hespanhola o que ella ento1 e como acaba a ,revoluo de #ahfh de nol-a revelar8 ,la dmocratie est comme le soleil3 aveugle qui ne la voit pas4 ,o facto mais decisivo da historia da peninsula1 to irresistivel como a cavallaria do ,cid1 to caracteristico como a ,inquisio1 to dominador como a unidade de ,filippe ,,ii1 o suffragio universal1 acaba de collocar a ,hespanha n'uma das situaes mais francas1 mais logicas1 mais decididas1 entre os actores do grande drama democratico da ,europa occidental4 ,facto sobre tudo indestructivel4 ,a soberania popular tornada agora instrumento ou condico de tudo em ,hespanha1 todas as eventualidades so possiveis1 menos a queda d'essa soberania1 fra da qual no se concebe j um movimento1 uma vontade1 uma ideia sequer4 ,a philosophia politica1 ainda mesmo que o considere extemporaneo1 tem de o aceitar como se aceita uma coisa superior razo1 que a domina1 ainda quando ella a condemne1 com a omnipotencia dos acontecimentos1 contra que no ha revolta nem protesto e com que no pde deixar de contar nos seus calculos1 sob pena de se tornar incompleta1 parcial1 estreita1 isto 1 de no ser j a razo4 ,se fosse possivel ,hespanha feudal de ,fernando1 o santo e ,affonso1 o sabio1 ou ,hespanha absolutista e theocratica de ,filippe ,,ii1 achar-se1 de um para o outro dia1 nivelada e senhora de si1 pela interveno milagrosa do suffragio universal1 cado uma noite do cu1 como chuva de oiro1 desde o castello do fronteiro e dos paos conventuaes do abbade1 at loja do burguez e choa do pastor1 se esta coisa sobrenatural fosse possivel1 por mais violenta e mais absurda que tal revoluo nos parecesse1 tinhamos ainda assim de a aceitar1 de contar com ella1 de a proclamar face do mundo1 porque era irrevogavel4 ,tecto por tecto1 homem por homem1 cada qual se tinha magicamente tornado1 na sua pessoa1 bens1 ideias1 senhor da sua inteira e absoluta personalidade4 ,n'esse momento1 feudalismo1 absolutismo ou theocracia1 sumia-se por encanto no abysmo mysterioso e a ,hespanha ficava sendo1 e sem remedio1 uma democracia4 ,mas no esse o caso da democracia inaugurada pela ,revoluo de #ahfh4 ,aqui1 a proclamao da soberania popular no um phenomeno phantastico e imprevisto3 1 pelo contrario1 o termo ultimo e naturalissimo de uma serie de movimentos accidentados mas progressivos1 que durante meio seculo constituem a historia social da ,hespanha no seculo ,,xix4 ,com uma rigida disciplina 7que s espanta a quem no conhecer as leis irresistiveis que se encobrem sob a apparencia dos factos inconsistentes71 homens e instituies1 revoltas e reaces1 interesses e ideias1 tudo se encaminhava surdamente para aquelle grande desfecho4 ,o que hoje se v pde dizer-se afoitamente que foi o sonho1 vago e inconsciente1 mas constante1 da sociedade espanhola durante meio seculo4 #ahab o ponto de partida4 ,quem dissesse ento aos bispos1 generaes1 altos dignatarios1 e grandes possuidores do solo1 reunidos na ilha de ,leon1 que o edificio conservador da sua constituio no era mais do que o alicerce de uma futura construco democratica e radical1 quem tal dissesse faria por certo surrir com grave desdem os solemnes e prudentissimos revolucionarios de #ahab4 ,mas tal a lei da historia4 ,a liberdade dos homens serve-lhe apenas de instrumento para as suas combinaes inexoraveis4 ,a constituio de ,cadiz era o primeiro passo na senda escorregadia da revoluo democratica4 ,que se dizia ali1 com effeito8 ,soberania da nao3 liberdade de imprensa3 abolio dos privilegios em materia de imposto4 ,e o que isto seno um programma democratico--smente um programma democratico redigido por um conservador8 ,da soberania da nao soberania popular que distancia vai8 ,em ideias1 nenhuma3 questo de tempo1 apenas4 ,e da liberdade de imprensa liberdade de cultos1 da abolio dos privilegios fiscaes abolio de todos os privilegios civis1 que outra distancia ha mais do que a que medeia entre as premissas e a concluso8 ,foram precisos cincoenta annos para que a concluso apparecesse4 ,cem ou mil que se gastassem1 pouco importa3 tudo est em que havia de apparecer1 por que l se continha1 nos principios4 ,e esses principios faz gosto ver como a ,hespanha1 no meio da sua apparente anarchia1 ao som da fuzilada das barricadas e por entre a vozeria dos partidos delirantes1 os desenvolve dia a dia com uma tenacidade to extraordinaria que bem se deixa ver que no a ephemera liberdade dos individuos1 mas a fatalidade lucida das leis sociaes1 quem desenrola uns aps outros os termos d'aquella deduco soberana4 ,de #ahab a #ahbj1 para quem considerar apenas a superficie da politica1 tudo parece retrocesso e reaco4 ,mas o trabalho da renovao social proseguiu-se surdamente1 superior ao despotismo1 ajudando-se d'elle at muitas vezes1 e a constituio de #ahbj1 pela expulso dos ,jesuitas1 pela extinco do ,santo ,officio1 cujos bens so secularisados1 tornados propriedade da nao e vendidos1 d um passo adiante dos constituintes da ilha de ,leon e prova ao mundo que a revoluo democratica1 na sua corrente profunda1 superior aos diques artificiaes de uma politica de interesses relativos e de influencias pessoaes4 ,mas a constituio de #ahbj ce por terra com o mesmo golpe que decepa a cabea inspirada de ,riego4 ,a ,hespanha parece desandar violentamente3 tudo so trevas e oppresso--4 ,entretanto em #ahcd apparece o ,estatuto ,real1 dado 7note-se71 concedido pela realeza4 ,que diz elle8 ,seguramente1 depois de quinze annos de reaco1 proclama os principios da monarchia dos ,filippes e a politica theologica do cardeal ,ximenes8 ,admirae a fora irresistivel das leis economicas6 ,o estatuto real fixa definitivamente em ,hespanha o principio e a pratica da representao nacional1 estabelece d'um modo quasi inabalavel as classes medias no governo1 e abaixando consideravelmente o censo eleitoral1 d entrada na vida politica pequena propriedade e pequena burguezia4 ,o estatuto real1 apesar de doctrinario e moderado1 marca uma notavel accelerao na carreira da revoluo democratica4 ,de #ahcd em diante o cho parece fugir debaixo dos ps a tudo quanto em ,hespanha tenta recuar ou apenas parar um momento4 ,a vertigem apodera-se da velha sociedade1 que levada em dana phantastica1 vae semeando ao acaso os pedaos d'aquellas insignias que marcavam outr'ora a sua dignidade1 os seus privilegios ou os seus abusos4 ,em #ahcg extinco dos conventos2 em #ahch1 constituio nova1 mais niveladora2 extinco dos dizimos ecclesiasticos2 os bens do clero considerados bens nacionaes3 em #ahee1 finalmente1 os bens do clero definitivamente secularisados2 abolio dos morgados2 a tolerancia religiosa proclamada444 ,que quadro este6 e como todas estas cores se combinam1 se dispem de frma a exigirem aquelle toque final e decisivo1 que1 assim preparado1 tem por seu lado tambem de dar ao todo a sua expresso1 enchendo a tella de luz e vida--o suffragio universal6 ,assim pois1 pelo facto e pela ideia1 pela revoluo e tradio1 a ,hespanha 7e no pde j ser outra coisa7 uma democracia1 uma vasta democracia de #ah milhes de homens4 ,so #ah milhes de homens1 livres e em face uns dos outros armados de direitos iguaes4 ,todas as velhas cathegorias1 degraus1 grupos particulares1 tudo isso desappareceu1 fundiu-se na uniformidade d'um vasto pantheismo social4 ,grande situao1 por certo1 mas cheia de perigo2 porque1 para este mundo novo1 necessaria uma nova frma2 porque para fechar esta abobada de to diversa construco1 no podem j servir as pedras talhadas pelos moldes antigos2 porque finalmente no se encontram nos livros canonicos da velha politica as formulas do exorcismo com que se faa curvar obediencia aquelles #ah milhes de cabeas erguidas444 que so1 com effeito1 #ah milhes de cabeas livres4 ,agora s a liberdade poder arrogar-se o direito de as guiar4 ,por outras palavras3 trata-se de dar democracia hespanhola um governo democratico4 ,v ,n'este ponto ha uma palavra que sae de todas as boccas3 a ,republica4 ,no centro dos encruzilhados caminhos do mundo politico1 levanta-se esta grande figura1 como a estatua colossal do deus ,termo1 conciliao para tantas discordias1 luz para tantas trevas1 erecta na sua base inabalavel e visivel dos quatro pontos do horisonte4 ,ella tambem como o sol aveugle qui ne la voit pas4 ,quem diz democracia diz naturalmente republica4 ,se a democracia uma ideia1 a republica a sua palavra2 se uma vontade1 a republica a sua aco2 se um sentimento1 a republica o seu poema4 ,dos longinquos caminhos do desterro para ella que se levantam os olhos de todos quantos na terra padecem fome e sde de justia4 ,sem a conhecerem1 prophetisaram-na herois1 philosofos e poetas4 ,e se rectido do seu codigo1 copiado do direito absoluto1 ajuntarmos a f dos seus crentes e a santidade dos seus martyres1 a republica deixa de ser um governo para se tornar uma religio4 ,mas como se organisa a republica8 ,aqui1 claridade de um sentimento divino1 succede-se o nevoeiro dos systemas humanos4 ,e o systema1 o espirito systematico matou a republica4 ,rousseau1 e atraz d'elle ,robespierre1 o bastardo de ,rousseau1 como disse ,michelet1 os ,jacobinos1 ,danton e a ,conveno1 na energia do seu plebeismo1 conceberam a republica como uma dictadura permanente1 executada em nome da multido pelos chefes da sua escolha4 ,foi assim que1 julgando consolidar a egualdade1 fundavam apenas o peior dos despotismos1 o despotismo da plebe4 ,a razo scientifica facil de colher-se4 ,pela delegao aglomeravam todos os poderes1 todas as foras collectivas no centro poderoso da republica una e indivisivel4 ,esse centro1 e s elle1 legislava1 administrava1 julgava1 absorvendo no seu immenso pulmo o ar e a vida que devera animar o corpo inteiro da sociedade4 ,mas no se julga1 legisla1 administra sem fora2 e fora tanto maior quanto mais concentrado est o poder1 quanto mais tem que governar1 que impor1 por conseguinte1 a vontade omnipotente com que o armou a nao4 ,mas impor a quem8 mesma nao6 ,contradico estranha6 a delegao tornou-se tyrannia3 o suffragio universal converteu-se n'uma arma de dois gumes com que o povo1 brandindo-a1 se fere1 e tanto mais se fere quanto mais valente o brao com que a brande4 ,o divorcio entre o governo e a nao succede-se rapido4 ,elle1 armado com o seu direito1 a delegao1 quer ser obedecido e faz-se em todo o caso temido3 ella1 armada com a sua liberdade1 accusa o governo de traio e tyrannia1 revolta-se e a republica cae estrebuchando n'um lago de sangue4 ,qual dos dois tem raso8 nenhum d'elles ou ambos4 ,mas quem1 com certeza1 no tem raso o systema1 o rude e estreito systema da unidade e da concentrao4 ,tem razo ,robespierre e tem-na tambem os thermidorianos que o guilhotinam3 quem no a tem1 em todo o caso1 ,rousseau dando no ,contracto social as formulas da ,republica una e indivisivel4 ,ah6 grande mas desvairado philosopho6 a tua liberdade a selvageria e a tua igualdade o despotismo6 do teu doce mas louco corao que saiu a peonha1 que envenenou as fontes vivas sebentadas1 em hora de benos1 da nobre1 da heroica1 da eterna ,revoluo ,franceza6444 ,o mundo1 entretanto1 seguiu ,rousseau4 ,ninguem viu que a unidade matava a liberdade1 a delegao a iniciativa1 a organisao republicana a republica democratica4 ,ninguem viu que era esta contradico1 e s ella1 que explicava o phenomeno extraordinario da decadencia rapida das instituies republicanas1 criadas para serem eternas pelo enthusiasmo das multides1 e abandonadas em poucos annos pelas mesmas multides1 scepticas e desmoralisadas4 ,tudo serviu de explicao1 as paixes dos homens1 a cegueira das massas1 a ambio dos chefes1 tudo1 menos a unica explicao simples--que no era aquillo republica1 mas uma tyrannia plebeia1 e nada mais4 ,armand ,carrel e a gerao revolucionaria da primeira metade d'este seculo seguiram cegamente o mesmo ideal3 para elles a republica sempre a ,conveno1 dispondo da pessoa e dos bens do povo em nome do povo1 salus populi suprema lex3 para elles o chefe republicano sempre ,robespierre1 concentrando n'uma mo todos os poderes politicos e estendendo j a outra para a auctoridade religiosa4 ,esse ideal viu-se um momento realisado em #ahdh4 ,cruel1 cruelissimo desengano6 ,a bella1 a poetica1 a inspirada ,republica de fevereiro afunde-se no meio de um rio de sangue1 condemnada pela sombra de ,rousseau1 que ainda de longe a cobria1 porque no houve um s dos chefes do povo que em #ahea preferisse a liberdade unidade1 porque no houve um s que no temesse mais a descentralisao absoluta1 o provincialismo e o desmembramento da ,frana1 do que o espectro sinistro do cezarismo que se approximava6 ,salvou-se ainda uma vez a centralisao6 a liberdade1 essa ficou sendo o mitho1 a viso apenas da politica franceza4444 ,cruel1 amarga experiencia foi aquella1 mas salutar4 ,e como aproveitou com ella a robusta gerao revolucionaria sada d'essa terrivel provao de quatro annos de sangue e desespero6 ,proudhon1 ,vacherot1 ,simon1 ,frederico ,morin1 ,tocqueville1 ,renan1 no so j1 como os poetas do governo provisorio1 os amantes platonicos de uma republica ideal1 ajuntamento hybrido de bellos sentimentos e de pessimas instituies1 aonde a selvagem razo d'estado se mascarava com as flores candidas da cora da fraternidade444 ,estes vem os phenomenos sociaes na sua dura realidade3 conhecem que o mal no est tanto em ser este ou aquelle quem nos governe1 como no facto de sermos governados4 ,que importa que o poder saia do seio da nao1 se sempre poder8 e a tyrannia1 porque somos ns que a criamos1 deixa de pesar menos por isso1 de ferir1 de rebaixar a nossa dignidade de homens livres8 ,no pois na substituio da dictadura de ,sylla de ,mario1 da de ,napoleo de ,robespierre1 da de ,espartero de ,isabel ,,ii1 que est o segredo das revolues1 mas na extinco total da dictadura1 fosse ella a de um santo1 da tyrannia1 fosse ella a de um deus4 ,ora tyrannia e dictadura a unidade politica1 a centralisao dos poderes2 tyrannia e dictadura da peior especie1 porque so systematicas1 legaes1 organisadas1 destruindo a ordem natural com o pretexto da ordem politica1 esmagando toda a iniciativa1 toda a individualidade1 toda a nobreza1 e reduzindo uma nao ao estado de um rebanho paciente e uniforme a que1 por unica consolao1 se deixasse o direito de eleger o pastor que o guia1 e o co que s dentadas o faz entrar na frma4 ,ser isto um ideal humano8 ,na uniformidade1 na homogeneidade de composio das sociedades democraticas que est o perigo todo4 ,como j no ha grupos1 classes1 variedade de interesses e de individualidades1 que equilibrem o poder central e lhe opponham resistencia1 a presso do governo no encontra obstaculos1 communica-se1 estende-se1 com rapidez e fora incalculaveis1 n'aquella massa homogenea4 ,uma aristocracia1 um clero livre e organisado1 uma burguezia com seus privilegios1 cidades com seus fros1 tudo isto eram barreiras formidaveis que a auctoridade central1 durante a idade media1 encontrou erguidas contra si cada vez que tentou alargar-se e absorver a actividade da nao4 ,mas aquellas barreiras1 salutares no ponto de vista da liberdade1 eram1 no ponto de vista da igualdade1 abusos e vexames1 porque eram outros tantos privilegios4 ,a questo hoje1 para a philosophia politica1 reduz-se a isto3 criar na sociedade esses diversos grupos1 por onde se reparta a auctoridade e se equilibre a fora expansiva do centro1 sem que por isso se altere a simplicidade intima do meio social1 a igualdade absoluta de direitos1 filha da revoluo democratica do seculo ,,xix4 ,n'outros termos3 trata-se de conciliar a igualdade e a liberdade1 cujo divorcio tem causado a ruina das mais heroicas republicas1 o abatimento das mais florescentes democracias4 ,para isso o que preciso8 criar tantos centros de auctoridade local quantos forem os centros naturaes da vida nacional4 ,somente esses grupos devem estar uns para com os outros na mesma razo juridica1 possuir os mesmos direitos1 ser semelhantes ainda que independentes1 e formando outras tantas individualidades1 devem essas individualidades ser uniformes e iguaes4 ,por outras palavras3 trata-se de criar a diversidade 7garantia unica da liberdade7 na massa da nao1 fundando-a d'esta vez1 no sobre o privilegio odioso e alem d'isso instavel1 mas sobre a base mais solida e mais natural1 a igualdade4 ,dito isto1 o nome da coisa se de todas as boccas3 chama-se federao4 ,conciliao para todos os interesses1 garantia para todas as liberdades1 campo aberto para todas as actividades1 equilibrio para todas as foras1 templo para todos os cultos1 a federao a unica frma de governo digna de homens verdadeiramente iguaes1 porque a unica frma de governo verdadeiramente livre4 ,ella extingue os velhos odios1 supprime os velhos partidos1 no destruindo-os violentamente1 mas1 ao contrario1 fazendo-os viver em commum1 conciliando-os1 mostrando que podem coexistir no seu vasto seio1 no seu espirito comprehensivo e amplissimo4 ,estas palavras federao democratica resumem hoje o credo revolucionario1 como ha oitenta annos as de republica indivisivel resumiam as aspiraes da gerao heroica1 mas pouco experiente1 que criou na historia a grande data de #agic4 ,quem hoje percorrer com a vista as legies do grande exercito revolucionario europeu1 raro topar com uma bandeira em que se no leia a magica legenda republica democratica federativa4 ,estes pendes so hasteados por mos que tem feito1 j no mundo dos factos1 j no mundo das ideias1 um trabalho formidavel4 ,so homens que se chamam ,proudhon1 ,shultz-,delitz1 ,gladstone1 ,vacherot1 ,morin1 ,simon1 ,littr1 ,bright1 ,langlois1 e que so para o drama final a que se encaminha o seculo ,,xix o mesmo que ,rousseau1 ,sieys1 ,condorcet1 ,volney1 foram para a tragedia dos ultimos annos do seculo ,,xviii4 ,o sonho unitario dissipou-se4 ,uma amarga experiencia lhes mostrou que a existencia d'essa entidade puramente geographica de uma grande nacionalidade compacta no compensa a falta d'aquella outra entidade realissima1 necessaria1 vital1 o cidado livre4 ,o homem1 o homem no goso pleno das suas liberdades1 das suas foras variadissimas1 industriaes1 scientificas1 politicas1 religiosas1 esse homem no o criam as unidades artificiaes e violentas organisadas segundo o principio das grandes naes centralisadas4 ,era escusada1 para chegarmos a isto1 a experiencia custosa da ,frana de ,napoleo ,,iii4 ,bastava a historia1 que no nos offerece o exemplo de uma unica republica democratica centralisada que chegue a durar a vida de uma gerao4 ,fluctuam entre a anarchia e a tyrannia1 at acabarem pela morte da nacionalidade1 ou pela abdicao nas mos de um chefe absoluto1 pelo cezarismo4 ,no dia em que a republica aristocratica de ,roma se transforma em democracia unitaria1 a sociedade romana1 perdido o equilibrio1 passa violentamente de tyrannia para tyrannia1 at que os ,cezares a acolhem sombra mortal do seu despotismo nivelador4 ,florena abdica nas mos dos ,medecis3 e a ,frana1 em menos de cem annos1 abdica tres vezes nas mos dos seus chefes populares e republicanos2 em #agic1 ,robespierre2 em #ahjd1 ,buonaparte2 em #ahea1 ,luiz ,napoleo4 ,eis como vivem e quanto duram as republicas unitarias6 ,as unicas republicas democraticas1 cuja vida serena absorve j a vida de muitas geraes1 so duas republicas federativas3 a ,confederao ,suissa1 na ,europa2 na ,america1 os ,estados-,unidos4 ,ricas1 pacificas1 intelligentes1 no ainda assim a riqueza1 nem a sciencia1 nem a paz quem as mantem3 a liberdade2 a liberdade que sabem conservar na igualdade4 ,typos ainda incompletos em relao ao ideal que abstractamente formamos das sociedades humanas1 so todavia1 para as informes agglomeraes de homens1 a que no resto do mundo se chama naes1 verdadeiros ideaes1 modelos admiraveis e quasi columnas de fogo no deserto das miserias politicas4 para ali1 ,hespanhoes1 que deveis virar os olhos6 ,e essa federao que para o resto do mundo uma aspirao1 um sonho apenas1 para vs uma realidade secular1 uma tradio do vosso solo1 um caminho por muito tempo aberto e trilhado na vossa historia1 desde o ,cid at ,padilha1 at aos heroicos communeros1 at grande revolta dos ,catales1 at ,palafox1 at revoluo actual1 que partindo das extremidades e arrastando o centro no seu movimento1 tem um caracter eminentemente seno exclusivamente federal444 ,assim pois1 a philosophia e a tradico secular combinam-se no conselho que vos do4 o espirito novo abraando-se com a antiga virtude4 o seculo ,,xix que1 para vs1 pde sem esforo ser quasi uma deduco dos seculos ,,xi e ,,xvi4 ,duas edades em tudo mais hostis1 o passado feudal e o presente democratico1 n'esta s coisa poderam concordar1 apontando-vos como o caminho da justia1 da paz1 da fora1 da liberdade1 do progresso1 um unico caminho3 a ,federao4 ,,vi ,mas ,portugal1 membro amputado desnecessariamente1 ainda que sem violencia1 do grande corpo da peninsula iberica1 vivendo desde ento uma vida particular1 estreita talvez mas sua e original1 e to apartado do movimento dos outros povos hespanhoes como se fosse a fronteira1 que d'elles1 o separa um insondavel oceano1 que tem que ver ,portugal com a revoluo que acaba de trazer superficie da sociedade hespanhola1 como em tumultuosa fermentao1 os maiores problemas da politica moderna1 e com as resolues que a philosofia e a necessidade1 os principios e os acontecimentos1 impem aos chefes em cujas mos vo car as redeas agitadas d'essa revoluo8 sobre tudo para este ponto que eu invoco a atteno de todos os homens que1 vendo na historia leis fixas e no acontecimentos fortuitos1 sabem comprehender que a politica uma questo de ideias e no de paixes1 de necessidade e no de sentimento4 ,por uma coincidencia1 a que chamariamos providencial se houvesse para as naes outra providencia alem da fora inexoravel das coisas1 coincidencia unica em toda a historia de ,portugal e da ,hespanha1 as duas sociedades1 ainda que postas em face de problemas differentes1 acham-se hoje obrigadas a uma mesma soluo1 exactamente como dois doentes que1 padecendo males diversos1 encontrassem a salvao n'um mesmo e unico remedio4 ,o ideal da ,hespanha em revoluo confunde-se com o ideal de ,portugal que precisa ser revolucionado4 ,a politica1 morta entre ns ha tantos annos para os principios e para a justia1 renasce1 tem outra vez alma e palavra1 e essa palavra affirma o mesmo que alem da fronteira se dos coraes que melhor sentem1 das intelligencias que melhor comprehendem os verdadeiros destinos da peninsula4 ,para portuguezes como para hespanhoes no ha hoje seno um ideal politico3 democracia e federalismo4 ,a differena est s em que para a ,hespanha metade do programma j um facto inabalavel e a outra uma necessidade fatalmente imperiosa2 em quanto que para ns1 portuguezes1 o programma todo1 ainda que igualmente imperioso e fatal1 no passa por ora de uma indicao da pura logica1 simplesmente uma aspiraao4 ,portugal uma nao enferma1 e do peior genero de enfermidade1 o languor1 o enfraquecimento gradual que1 sem febre1 sem delirio1 consome tanto mais seguramente quanto se no v orgo especialmente atacado1 nem se atina com o nome da mysteriosa doena4 ,a doena existe1 todavia4 ,o mundo portuguez agonisa1 affectado de atonia1 tanto na constituio intima da sociedade1 como no movimento1 na circulao da vida politica4 ,na sociedade1 a estagnao de todas as classes1 incapazes do menor desenvolvimento1 pelo predominio de uma classe gasta e impotente1 mas que tem monopolisado1 desde #ahcd1 a direco dos negocios1 a burguezia1 d-nos essa paz e liberdade apparentes que no so no fundo outra coisa mais do que a immobilidade e a indifferena1 symptomas de morte proxima1 no harmonias de uma existencia cheia e ordenada4 ,no mundo politico a atonia manifesta-se pelo abatimento de todos os centros locaes1 pelo desapparecimento de qualquer iniciativa1 independente da direco official1 pela substituio de um mecanismo artificial e mesquinho bella e rica manifestao espontanea das foras livres e originaes1 pelo arrefecimento1 pelo empobrecimento da vida nacional em proveito de uma coisa falsa1 artificiosa e esteril1 a centralizao4 ,a centralisao como meio1 os interesses burguezes como fim1 eis o miseravel resumo da nossa actividade social ha perto de quarenta annos4 ,hoje a burguezia est rica2 a centralisao1 constituida2 mas o paiz1 esse1 est pobre1 fraco1 indifferente1 vulgar1 e mais miseravel e triste1 na sua paz e liberdade convencionaes1 do que muitos outros no meio das luctas e das tempestades da guerra civil e da tyrannia4 n'esta hora de abatimento profundo que uma revoluo1 para ns quasi providencial1 faz rebentar a democracia do solo ardente da ,hespanha1 e encaminha fatalmente essa democracia para a sua unica frma1 a federao4 ,maravilhoso acaso1 que a ponto nos deixa car no regao o remedio que exigem os nossos males1 e une finalmente os dois povos da peninsula1 por uma mesma necessidade1 n'uma mesma aspirao1 n'um mesmo ideal4 ,a democracia e a federao vo resolver em ,portugal a crise que chocavamos ha quarenta annos1 porque a democracia a queda do reinado burguez1 e a federao1 o renascimento da vida local e a ruina da unidade centralisadora4 ,,vii ,a burguezia europea tinha uma bella misso no seculo ,,xix4 ,o edificio feudal fra derrocado1 mas o povo continuava no miseravel estado de indifferena e incapacidade politica a que o tinham reduzido1 em aco combinada1 a monarchia absoluta e a explorao aristocratica4 ,tornada assim a igualdade um direito popular e ao mesmo tempo um perigo para a civilisao1 incumbia burguezia1 assumindo uma especie de dictadura philosophica1 aproveitar-se d'este interregno para guiar a multido ao encontro do seu direito1 para estabelecer sem grande abalo a passagem da antiga incapacidade para a nova soberania1 encaminhando1 illustrando1 moralisando1 fazendo-se1 emfim1 no classe dominadora1 mas simplesmente classe iniciadora4 ,mas esta casta avida e egoista1 incapaz de comprehender uma to alta misso1 preferiu exercer a dictadura1 que o acaso lhe offerecia1 em proveito exclusivo dos seus interesses e das suas paixes1 considerando como uma conquista eterna o que era apenas uma concesso momentanea da fora das coisas4 ,achou mais simples1 em vez de iniciar e illustrar1 explorar e desmoralisar4 ,estabelecido assim o divorcio entre os interesses burguezes e os populares1 a ruptura das vontades era facil de prever4 ,assim succedeu4 ,a revoluo franceza de #ahdh deu o signal2 e desde ento para c a burguezia1 cada em ,frana1 no resto da ,europa vacilla desequilibrada1 sustendo-se apenas pela inercia ou pela incapacidade popular4 ,a burguezia portugueza tem sido talvez uma das mais ineptas1 o seu dominio certamente um dos mais estereis4 ,pelo lado economico1 fugindo systematicamente a todo o trabalho oneroso1 a toda a explorao que pea intelligencia e actividade1 estabeleceu-se commodamente no funccionalismo1 a que tem dado um desenvolvimento fatal1 e na divida publica1 que absorve d'este modo os capitaes destinados a fecundar a industria e a produco nacionaes4 assim que se creou no paiz uma massa formidavel de consumidores absolutamente estereis1 e se estabeleceu esse desequilibrio entre a produco e o consumo1 causa principal da nossa pobreza1 origem da divida que nos corroe1 e da estagnao assustadora do movimento industrial4 ,no ha capitaes para tantas exploraes necessarias1 por que um ,estado famelico premeia os seus credores com juros fabulosos1 cuja concorrencia nenhuma empreza particular pde sustentar4 ,no ha homens para essas exploraes1 por que um ,estado governado em familia1 considerado padrinho universal dos filhos d'uma classe sedentaria e inactiva1 abre na meza do oramento um logar commodo para quem1 sobre tudo1 evita pensar1 calcular e agitar-se4 ,este o lado economico3 quanto ao lado moral1 a decadencia mais profunda ainda4 ,quem dir jmais a pobreza e o abaixamento a que o proprietario avaro e o empregado oppressor tem reduzido o povo dos campos8 ,e o povo das cidades1 quantas miserias no deve elle dura avidez do capitalista1 quantas indignidades ao orgulho do funccionario1 quantas corrupes ao exemplo dos vicios d'um e do outro8 ,assim que elles educam e iniciam4 ,a instruco esta3 por que a burguezia portugueza pde1 por ostentao1 levantar uma estatua a ,luiz de ,cames2 mas o povo portuguez1 esse1 no sabe soletrar o titulo do poema que o poeta consagrou s suas glorias444 ,resumindo3 o privilegio1 sem se atrever a negar em face o direito1 estabelecendo-se de facto e enchertando-se surdamente na grande arvore da igualdade social3 o luxo e riqueza improvisada d'um pequeno numero mascarando a pobreza universal3 os capitaes1 desviados do seu verdadeiro curso1 deixando que se esterilisem1 em vez de as fecundarem1 as industrias nacionaes3 todas as grandes emprezas1 navegao1 explorao de minas1 nas mos de companhias estrangeiras1 verdadeira abdicao economica do povo portuguez3 o desequilibrio crescente entre o consumo e a produco1 pelo desenvolvimento extremo de duas classes1 os empregados e os credores do ,estado1 que1 sem entrarem com um s elemento para a riqueza publica1 absorvem inexoravelmente a melhor parte d'ella3 a agiotagem substituida ao commercio e a intriga ao trabalho3 o abatimento economico prestando o paiz1 no meio da agitao febril de meia duzia de especuladores3 o abatimento moral1 pela indifferena1 pela inercia1 gastando os caracteres1 amolecendo as vontades1 tornando impossivel toda a iniciativa e toda a originalidade3 o povo sceptico e desmoralisado3 a ociosidade tornada o ideal d'aquelles mesmos que trabalham3 a ignorancia real mascarada pela illustrao ficticia dos programmas officiaes3 muito sophisma3 muita illuso3 muita miseria3 eis aonde nos achamos depois de #dj annos de tutela burgueza1 eis o saldo de contas da gerencia d'estes nossos curadores officiosos444 ,para esta obra de decadencia houve um instrumento digno d'ella1 por que um instrumento de compresso1 a centralisao4 ,a dictadura das classes soi-disant superiores torna-se impossivel sem essa apertada rede administrativa1 que por todos os lados envolve o corpo da nao1 e no centro da qual uma minoria compacta e audaciosa1 uma vez estabelecida1 pde vontade dirigir1 governar e explorar4 ,n'este ponto de vista1 a historia do periodo constitucional entre ns pde definir-se uma administrao centralisada1 explorando o paiz no sentido dos interesses d'um pequeno numero de monopolistas politicos4 ,a primeira consequencia d'este estado de coisas a exteno progressiva1 incalculavel1 verdadeiramente phenomenal do funccionalismo4 ,ha uns annos que a consciencia e o interesse populares reagem contra esta monstruosidade1 este aleijo da nossa sociedade4 ,depois do movimento de janeiro1 sobre tudo1 o clamor tornou-se universal4 ,mas pedem-se reduces1 e n'isto que est o engano4 ,o funccionalismo no uma anomalia1 um facto exclusivamente portuguez4 um dos elementos essenciaes dos governos centralisados4 ,foi elle quem devorou o mundo romano1 nos ultimos dois seculos do imperio4 elle que abate a ,frana debaixo d'um monto de parasitas officiaes1 que lhe no deixam completar a sua reorganisao economica4 elle1 emfim1 que nos tem assim exsangues e pallidos beira do nosso sepulchro entreaberto4 ,mas quem acceitar a unidade e a centralisao no pde logicamente recusar o que o elemento essencial da sua aco1 o instrumento das suas concepes1 o organismo com que vive1 respira e se move4 ,com effeito1 desde que se admitte governo1 um centro que se encarrega de todas as funces sociaes1 as innumeras foras1 que a liberdade individual1 abdicando1 concentra n'aquella individualidade absoluta1 tendem a encarnar-se em symbolos visiveis1 que lhes deem aco e vida1 e a ajuntarem outros tantos membros ao ser prodigioso aonde se resume a existencia de muitos milhes de homens4 ,a cada um dos elementos da actividade individual vem a corresponder no estado1 que os absorve1 outras tantas funces4 ,o que o cidado deixa de fazer por si1 fal-o o estado por meio d'um organismo novo1 por que a sua fora e complexidade esto na razo inversa da fora e do desenvolvimento da esphera de aco de cada cidado4 ,ora a fora do estado no pde existir seno organisada2 isto 1 no existe sem reparties e sem empregados1 reparties tanto mais complicadas quanto mais perfeita a organisao1 empregados tanto mais remunerados quanto so mais importantes os negocios de que se occupam4 ,o funccionalismo pois o triumpho da centralisao1 a sua expresso mais completa1 e pde sem ironia dizer-se que uma nao centralisada no chega sua plenitude1 no 1 por conseguinte1 perfeita1 em quanto uma metade dos cidados no estiver constantemente occupada em vigiar1 governar e corrigir a outra metade444 ,mas toda essa gente vive3 vive1 absorve444 e no produz4 ,a ruina das naes centralisadas comea por aqui4 ,no ha relao entre o que se do trabalho e o que exige o consumo4 ,para accudir s necessidades do dia necessario hypothecar o futuro4 ,mas o futuro ha uma hora em que chega a ser presente1 e n'essa hora apparece por tal frma enfraquecido e sobrecarregado1 que j para viver precisa pedir a um outro futuro mais longinquo o dobro e o triplo do que lhe tinham pedido a elle4 ,eis a progresso terrivel da divida publica6 ,progressivamente1 no proporcionalmente1 crescem as exigencias do estado3 e progressivamente1 no proporcionalmente1 diminuem os recursos do paiz1 onerado1 compromettido n'uma razo mathematicamente assustadora4 n'este momento que o fisco1 at ali simples organismo como os outros1 se desmascara e deixa ver o monstro cruel1 tyrannico e disforme que realmente4 ,n'esse momento de brutal franqueza1 toda a politica se resume n'uma unica palavra3 dinheiro6 todo o programma de governo se resume n'uma unica phrase3 necessario que o povo pague6 ,o estado transforma-se n'uma horrivel machina de triturar fortunas1 homens1 vontades1 com tanto que d'esses restos sangrentos possa extrair um pouco de ouro4 ,mas para isso necessario ser forte3 e o estado fatalmente se concentra1 toma a feio d'um exercito sempre em armas no meio d'um povo mal submettido1 at assumir a sua verdadeira frma1 a tyrannia uma tyrannia administrativa e fiscal1 como a de ,diocleciano em ,roma1 como a de ,luiz ,,xiv em ,frana1 como a que talvez vejamos dentro em poucos annos em ,portugal4 ,mas a tyrannia do governo d origem irremediavelmente sua antithese1 a anarchia na sociedade4 ,como o centro v tudo1 pde tudo1 tudo1 como a unica cabea1 o unico pulmo1 o unico brao1 todos os grupos de interesses1 todos os partidos1 privados de qualquer aco fra da esphera governamental1 empenham os maiores esforos em se apoderarem da formidavel machina1 e no tem outro fito seno serem um dia poder4 ,conspiram1 intrigam1 combatem1 at lanarem mo das chaves fataes com que se abrem todas as portas e todas as consciencias4 ,o governo1 sempre forte1 sempre concentrado1 passa assim rapidamente de tyrannia em tyrannia1 representando de hora para hora os interesses diversos de classes e de partidos1 que1 succedendo-se vertiginosamente1 apenas tem tempo para as represalias e para a oppresso444 ,ser isto um quadro de phantasia8 no3 leia-se a historia dos ultimos dois seculos do imperio romano3 leia-se1 sobre tudo1 a historia da decadencia byzantina1 e ver-se-ha que ainda encobrimos mais de metade das miserias1 das desordens1 das corrupes1 a que arrasta fatalmente as naes o funesto principio do estado centralisado4 ,e ,portugal1 quem ha ahi que no lhe veja j distinctamente nas faces a pallidez sinistra d'uma inexoravel decadencia8 ,quem no presente1 pelas sombras do horizonte1 que vamos entrando no passo temivel da tyrannia fiscal e da anarchia dos interesses hostis8 ,a centralisao d os seus fructos3 e1 sombra d'essa arvore de morte1 quantos no nos sentimos j enfraquecidos e cheios d'uma tristeza e d'um desalento mortaes8444 ,no com reformas1 com economias1 que se se d'uma tal situao4 ,a arvore peonhenta s cortada pela raiz deixar de cobrir a terra da patria com a sua sombra funesta4 ,o mal intimo e profundo4 ,s um revulsivo energico poder chamar vida o sangue que se gela nas veias d'este corpo1 mais intorpecido ainda do que envelhecido4 ,por outras palavras3 a philosophia politica no indica uma reforma1 mas uma revoluo1 para a situao desesperada em que nos achamos4 ,e como os dois elementos de morte1 que temos em ns1 so a burguezia e a centralisao1 appellando para dois principios de vida1 a democracia e a federao1 no faremos seno seguir as indicaes mais claras da sciencia1 e as leis mais evidentes do mundo economico e politico4 ,tanto pelos principios como pelos acontecimentos um caminho est traado para a politica portugueza1 de que no ha desviar-se4 ,quebrando1 por meio do suffragio universal1 os diques estreitos entre os quaes a vida publica tem at hoje corrido apertada2 profundando-lhe o leito1 e fazendo entrar na sua corrente1 com as multides triumphantes1 esses elementos de fora e de vida que ainda possa conter o mundo portuguez2 a democracia abate ao mesmo tempo a oligarchia burgueza1 e realisa entre ns o unico progresso que nos pde pr altura da ,hespanha rejuvenecida pela sua revoluo4 ,mas a democracia com a centralisao no mais do que a igualdade sob uma mesma tyrannia4 ,a descentralisao1 quebrando nas mos da razo de ,estado a temivel arma da unidade1 restituindo provincia e iniciativa local todas as funces de que tinha sido cavilosamente despojada1 ou de que cegamente abdicra1 appellando fortemente para a energia individual1 quem s pde acabar por uma vez com o parasitismo do funccionario1 chamar os capitaes e as vontades para o trabalho1 restabelecer o equilibrio economico alterado1 e revestindo ,portugal da luz serena e immaculada da republica democratica1 fazel-o brilhar1 gravitando1 entre os astros da constellao iberica4 ,a republica se assim naturalmente da democracia2 e1 da republica1 a federao4 ,,viii ,chegados a estas concluses1 vemos o ideal revolucionario de ,portugal tocar-se1 confundir-se com o ideal da revoluo hespanhola4 ,para toda a peninsula no ha hoje seno uma unica politica possivel3 a da federao-republicana-democratica4 ,e1 em face d'esta formidavel unidade de interesses1 de ideas1 de vontades1 e de aspiraes1 que podem as barreiras da nacionalidade significar mais do que uma tradio1 um symbolo poetico1 cujo sentido se perde de dia para dia1 at se tornar de todo incomprehensivel1 at desapparecer8 ,moralmente essas barreiras cairam j4 ,para as consciencias mais rectas1 para as intelligencias mais seguras dos dois povos1 unidas nos mesmos desejos e n'um pensamento commum1 a nacionalidade no passa d'um obstaculo desgraado1 resto das hostilidades fataes de seculos barbaros1 e que s por um lamentavel accordo dos interesses da minoria dominante e dos prejuizos da multido inintelligente se tem podido sustentar4 ,mas esse accordo desfez-se4 ,o irresistivel movimento democratico da nossa sociedade vai tornar inevitavel a queda da nacionalidade1 nas opinies1 a principio1 e mais tarde nos factos1 no grande dia do abrao fraternal das populaes da peninsula iberica4 ,a revoluo social identica para os dois povos3 identica1 para os dois povos1 deve ser a revoluo politica4 ,e o successo ou insuccesso da actual revoluo hespanhola1 o seu desfecho feliz ou infeliz1 em nada altera este ponto de vista puramente ideal da politica iberica4 ,organisado o federalismo democratico em ,hespanha1 um facto1 um facto visivel e soberano1 que se torna o alvo das nossas aspiraes1 o nosso exemplo1 o programma do unico partido com vida e significao em ,portugal4 ,nem1 em tal caso1 s um partido1 mas a nao toda1 que levada por um impulso irresistivel gravita para o centro de attraco da constellao federal--,mas1 perturbado o desenvolvimento logico da revoluo pela ignorancia1 a pusilanimidade1 ou a intriga1 como nenhum governo estavel1 alem da federao1 se pde estabelecer em ,hespanha1 a violenta anarchia1 que se seguir1 ser ao mesmo tempo uma prova irrefutavel1 ainda que indirecta1 da verdade do programma que tramos revoluo1 e um signal para todos os homens intelligentes1 sinceros1 e corajosos se unirem1 sem distinco de nacionalidade1 em volta da bandeira da republica democratica e federal4 ,em qualquer dos dois casos1 a politica1 para ns portuguezes1 sempre a mesma3 o nosso caminho est traado1 invariavel e superior ainda s oscilaes e tremores do terreno por onde a fora inexoravel das coisas o obriga a passar4 ,em qualquer dos dois casos1 a nacionalidade1 esta estreita nacionalidade dentro da qual nos est comprimindo a monarchia burgueza1 tem de ser sacrificada1 quer no facto d'uma revoluo1 quer no programma d'um partido revolucionario1 a uma forma mais larga1 mais livre1 e mais fraternal4 ,em qualquer dos dois casos1 para todos os elementos moos1 intelligentes1 activos da sociedade portugueza1 no ha outra saida aberta seno esta3 a democracia iberica2 nem outra politica1 politica capaz de idas1 de futuro e de grandeza1 possivel em ,portugal1 seno esta3 a politica do iberismo4 ,,ix ,e agora1 por despedida1 duas palavras sinceras aos patriotas portuguezes4 ,o patriotismo pde symbolisar-se hoje n'uma ideia falsa e estreitissima3 mas nem por isso deixa de ser um sentimento respeitavel4 ,certamente que1 para os ,fuas ,roupinhos e os ,espadeiros do jornalismo a tanto por linha1 o patriotismo no passa de uma palavra sonora1 o enthusiasmo nacional de uma boa especulao4 ,assim tambem no com elles que fallo4 ,dirijo-me aos espiritos candidos e rectos1 mas cheios de illuses e pouco esclarecidos sobre a natureza dos movimentos sociaes1 s vontades energicas1 mas falsamente encaminhadas1 aos homens verdadeiramente bons e dedicados das nossas provincias1 que1 obedecendo a um dos mais bellos sentimentos humanos1 o amor da patria1 tomam a nacionalidade pelo symbolo unico1 pela frma mais perfeita d'esse sentimento4 ,sem faltar ao respeito devido a to honestas convices1 atrever-me-hei a ponderar-lhes que o amor da patria no coincide rigorosamente com o facto da nacionalidade3 so duas coisas distinctas1 ainda que ligadas estreitamente e servindo uma de manifestao outra1 como serve a palavra de manifestao ao pensamento4 ,mas so distinctas3 e assim como a palavra falta mais de uma vez ao pensamento1 e o atraia1 pde uma nacionalidade gasta ou acanhada faltar ao amor da patria com as condices do seu inteiro desenvolvimento1 atraioando as suas mais formosas aspiraes1 os seus mais intimos impulsos4 ,a patria1 com effeito1 no o cho1 o ar1 o sol1 os rios e os montes nataes3 patria assim tem-na igualmente as arvores d'esses campos e os musgos d'essas rochas3 o patriotismo1 n'esse caso1 deixava de ser um sentimento exclusivamente humano1 para se confundir com as simples leis do mundo organico4 no homem1 na sua natureza moral1 que se devem procurar as razes intimas d'este facto universal e at hoje indestructivel4 ,ao ceu dos campos e dos montes patrios1 sombra das suas igrejas e dos seus castellos1 lingua dos seus habitantes1 aos costumes1 s tradices1 no nos prende um instincto cego1 uma fatalidade de especie1 ou uma attraco poetica da phantasia4 ,tudo isso1 se bello para ns1 s por que nos representa1 em symbolo harmonioso1 o pensamento intimo do nosso ser1 e parece traduzir-nos o segredo mysterioso da nossa consciencia4 ,n'esse conjuncto de coisas1 ideias1 e sentimentos1 vemos as condices do desenvolvimento mais perfeito da nossa natureza moral1 o instrumento da exaltao da nossa personalidade1 na sua mais rica complexidade1 como homens perante os homens1 criaturas perante a criao1 espiritos perante o nosso proprio espirito4 ,por isso1 e s por isso1 amamos a patria4 ,ella no somente o bero das nossas affeies instinctivas3 mais3 o ninho aonde crescem e vigoram os filhos mais queridos da nossa alma1 as energias da nossa livre actividade4 ,a patria no um accidente da natureza material1 mas um facto da consciencia humana4 ,a nacionalidade1 essa1 apenas a frma passageira e artificial de tudo isto4 um facto do mundo politico e1 como elle1 transitorio e alteravel4 ,no momento em que muitos interesses se reconhecem semelhantes1 muitos patriotismos irmos1 tendo em commum o mesmo ideal e as mesmas condices de o realisar1 agrupam-se1 fundem-se1 levados pela attraco irresistivel entre naturezas homogeneas1 e pela necessidade de se deffenderem e affirmarem em face do mundo4 ,eis uma nacionalidade1 obra de momento1 sugeita dupla aco do tempo e do movimento humano1 e por isso instavel e transitoria como o correr dos annos e o transformar-se dos interesses e das ideias sociaes4 ,concebe-se facilmente que esses interesses deixem de ser homogeneos1 que essas ideias se possam contradizer3 concebe-se que a frma nacional1 em vez de realisar o ideal de pleno desenvolvimento material e moral symbolisado no amor patrio1 lhe suffoque os impulsos mais generosos1 e atraioe as suas mais legitimas aspiraes4 ,a nacionalidade deixa ento de ser o pavilho luminoso1 que sob os seus tectos doirados cobria muitas cabeas irmans1 para se transformar n'uma abobada escura e fria de ergastulo1 aonde gemem muitos miseraveis escravos444 ,ser este o caso de ,portugal8 ,atrevo-me a dizer que 4 ,as foras mais vivas1 as energias mais moas e intelligentes1 os elementos mais generosos da nossa sociedade1 esto comprimidos1 asphixiados por esta frma estreita da velha nacionalidade4 ,entre uma coisa e outra necessario escolher4 ,ora eu sustento que1 entre as realidades eternas da natureza humana1 de um lado1 e1 do outro1 a criao artificiosa e antiquada da politica1 no ha que hesitar4 ,se no possivel sermos justos1 fortes1 nobres1 intelligentes1 seno deixando car nos abysmos da historia essa coisa a que j se chamou nao portugueza1 cia a nao1 mas sejamos aquillo para que nos criou a natureza1 sejamos intelligentes1 nobres1 fortes1 justos1 sejamos homens1 muito embora deixemos de ser portuguezes4 ,uma nao moribunda uma coisa poetica3 infelizmente a melhor poesia1 em politica1 no passa de uma politica mediocre4 ,chorar1 recordar-se1 ou ameaar em sonoros versos1 pde ser extremamente sentimental3 mas no adianta uma polegada os nossos negocios444 ,eu1 por mim1 pondo de parte toda a poesia e toda a sentimentalidade1 contentar-me-hei de affirmar aos patriotas portuguezes esta verdade de simples bom senso3 que1 nas nossas actuaes circumstancias1 o unico acto possivel e logico de verdadeiro patriotismo consiste em renegar a nacionalidade4 ,,pre,o #bjj ,r,,is