of public domain material from ,google ,book ,search7 ,,anthero ,,de ,,quental ,,anthero ,,de ,,quental ,,leituras ,,populares ,,barcellos ,typographia da ,aurora do ,cavado ,editor--,r4 ,v4 #ahif ,tiragem apenas de #ajj exemplares3 #bj em papel de linho4 #hj em papel d'algodo4 ,n4 ,um dos periodicos academicos em que ,anthero de ,quental mais collaborou durante o seu curso universitario foi o quinzenario ,preludios ,litterarios1 publicado em ,coimbra desde dezembro de #aheh a janeiro de #ahfa1 tendo por fundador1 director e redactor principal ,vicente da ,silveira4 ,para elles escreveram os mais talentosos d'entre os academicos d'ento1 contando-se n'este numero ,augusto ,filippe ,simes1 ,adolpho ,ferreira ,loureiro1 ,antonio da ,silva ,gayo1 ,eduardo ,jos ,coelho1 ,antonio ,lopes dos ,santos ,valente1 ,augusto ,luciano ,simes de ,carvalho1 ,bernardino ,pinheiro1 ,francisco ,beiro1 ,guimares ,fonseca1 ,joaquim ,simes ,ferreira1 o divino ,joo de ,deus1 e ainda outros4 ,de ,anthero de ,quental1 entre outros trabalhos que n'elles inseriu1 conta-se a serie de artigos que epigraphou ,leituras ,populares e que sahiu em seu volume ,,ii e nos4 #b1 pag4 #i e #aj3 n4 #c1 pag4 #ag a #ai2 n4 #d1 pag4 #be e #bf2 n4 #f1 pag4 #da e #db2 n4 #h1 pag4 #eg e #eh2 n4 #ae1 pag4 #aaf2 e n4 #bj1 pag4 #aec4 ,comprehendem-se n'esta serie a apreciao das ,bibliothecas ,ruraes1 por ,cormenin1 o eminente publicista francez1 que tanto illustrou seu nome como ainda o pseudonimo de ,timon1 com que firmou alguns de seus trabalhos2 a exposio e apreciao dos ,estudos sobre a reforma em ,portugal de ,j4 ,f4 ,henriques ,nogueira1 incontestavelmente o primeiro de nossos publicistas em este paiz1 cujos trabalhos esto reclamando instantemente uma edio completa e popular1 que os torne conhecidos de todos e evangelho da democracia1 que bem o merecem elles pela elevao e amplido admiraveis de suas vistas e alcance2 e a exposio e apreciao da ,felicidade pela agricultura1 a obra peregrina de ,antonio ,feliciano de ,castilho1 em que tudo ouro de lei1 desde sua linguagem1 a mais portugueza e formosa1 at seus ensinamentos os mais santos e justos e proveitosos4 ,coube agora a vez de virem esses inestimaveis estudos de ,anthero nossa modesta colleco de seus trabalhos dispersos1 e no ficaro elles sendo uma das menos brilhantes paginas d'ella4 ,rodrigo ,velloso ,,leituras ,,populares ,derramai a instruco sobre a cabea do povo1 que bem lhe deveis esse baptismo4 ,alm4 de ,frana ,i ,bibliothecas ruraes ,um dos grandes symptomas de regenerao e progresso moral do seculo1 em que vivemos1 1 sem duvida1 o desvelado carinho com que1 quasi por toda a parte1 cuidam grandes e pequenos1 com interesse ou desinteresseiramente no melhoramento e instruco do povo--esse grande1 inculto1 e interessante engeitado--como d'elle diz um grande poeta4 que a grande voz da democracia quando fala1 inspirada pela boca dos ,kossuths e dos ,mazzinis1 falas de amor e de esperana1 no sei de corao generoso aonde no tope um echo4 ,,ii ,bem que a ,europa jazia manietada mais ou menos pelos grilhes da tyrannia1 comtudo no se mostram os governos descuidosos em promover a illustrao pelo meio das massas3 por toda a parte1 nomeadamente na ,frana1 na ,italia1 na ,allemanha e at na inculta ,russia1 se veem a cada passo escholas para o pobre1 e no raro topar o trabalhador1 pela hora da ssta1 entretendo-se a folhear1 lr e entender livrinhos1 que1 apesar de mui comesinhos e de popular expresso1 nem por isso deixam de o iniciar no saber4 certo que os verdadeiros promotores d'este progresso intellectual no so os oppressores1 que mal tm elles tempo de se rodearem de lanas e bayonetas3 so os democratas1 os verdadeiros amigos do povo1 que por elle velam1 e cuja voz1 que a voz da verdade e da justia1 apezar de proscripta e desterrada1 brada to alto1 que a propria tyrannia1 em que lhe pese1 se v forada a se sujeitar mais ou menos aos mandatos d'esses representantes da opinio3 parece que a providencia capricha em haver os tyrannos por instrumento da propria ruina2 pois s a illustrao1 que d ao homem a consciencia de seus direitos1 pde derribar ruins governos e oppressores4 ,assim a instruco progride e gradualmente estende a sua rede1 anhelando abraar todas as camadas da sociedade1 ministrando terra virgem1 mas productivel semente de muita ideia1 que se h de resolver em ainda muito mais obras de bem e s para o bem4 ,,iii ,remissa e vagarosa1 porm1 vae a instruco por esta boa terra de ,portugal2 e ai de ns se no se attende a este grave mal com promptos remedios1 ai de ns1 por que um povo que possue a liberdade sem instruco1 que s o pde n'ella iniciar e nos sagrados direitos em que se resolve1 a custo poder conserval-a1 e o que mais1 conserval-a sem abusar4 ,saidos apenas d'um baptismo de sangue1 em que nos foi mister mergulhar para grangear uma alma nova1 para reconquistar a austera me dos povos1 a liberdade1 conservamos ainda vestigios cruentos1 reminiscencias odiosas d'essa lucta fratricida1 bem que em prol da patria2 e s a instruo que nos pde lavar da fronte as manchas do sangue de nossos irmos1 e conduzir-nos a bom fim4 ,qual pois a causa da ignorancia--indigna do seculo--em que vegeta todo o nosso povo e grande parte da burguezia8 ,porque no s o proletario1 tambem a classe media em grande escala1 que no cura de seus direitos e liberdades1 considerando-os1 indifferente1 como uma inveno do seculo1 e desconhecendo que s elles so as garantias unicas e segurissimas da sua individualidade e progresso4 ,a causa no est na escassez de livros populares1 que alguns temos ns e de elevado merito2 nem mesmo na indifferena do povo portuguez1 que sabido tem elle mostrar o como zela seus direitos1 uma vez compenetrado por elles4 ,a resposta j de ha muito a deu um grande homem e um grande ,portuguez1 quando se lastimava de que possuindo ns ainda todos os elementos d'uma grande ventura1 s nos faltasse um a vontade dos que podem4 ,,iv ,a carencia d'uma boa organisao de escholas1 d'um bom regulamento litterario1 e um ministerio--proprio de instruco--o campo que se acanha a quem sabe1 e s se alarga a quem tem e pde2 eis as causas do menospreso e quasi averso1 que entre ns soffrem lettras e sciencias4 ,esta a causa1 e s causa de tantos males4 ,sei que dura e fere o ouvido1 e mais ainda o corao1 esta verdade1 comtudo uma e to amarga1 que custa a confessar1 parecendo melhor desculpa1 a mingoa de livros bons e baratos4 fado que entre todos os povos cultos1 sendo que as nossas bibliothecas gemem debaixo do peso de boas obras nacionaes1 somos porm um dos que menos livros possuimos maneiros e de facil comprehenso4 ,abundam as nossas livrarias em pesados volumes1 de ainda mais pesada erudio e elevado estylo3 mas ao alcance do obreiro1 do agricultor1 do proprio camponez1 volumes1 que por seu tamanho1 preo e clareza a elles se amoldem1 que lhes mitiguem1 por sua amenidade e instruco1 o rustico e affanoso lidar1 a custo se depara com um ou outro4 ,n'isso differimos da ,frana1 da ,italia1 da ,allemanha1 que os tem aos cardumes1 emquanto que os nossos escriptores parece falarem-se mais entre si do que com o povo4 ,v ,com tudo1 para quem tiver sde de instruco1 para quem bem os procurar1 ainda ha que se achem e que sirvam4 ,as grandes1 ideias1 se vieram encontrar ,portugal adormecido nos braos da ignorancia1 ainda houveram almas nobres e intelligencias elevadas aonde fisessem echo2 e a gerao nova tem continuado1 de testemunhar ,europa1 que os elevados pensamentos da fraternidade no deram com coraes esquivos em peitos portuguezes4 ,ainda ha quem trate com afan do que convem ao seu paiz e quem se no peje de dar testemunho1 com palavras ou com escriptos1 do seu pensar1 crr ou esperar4 ,nem temor deve haver de que esta1 que em to boa senda2 porque a era nova e a ideia virgem e longe o dia vem1 em que tem de ceder o passo a outra maior e mais elevada4 ,o dever de todos1 quantos smos1 que pugnamos pelas liberdades e bem do povo1 seguir sempre a grande ideia1 atravez de todos estorvos e revezes1 com o peito ao vento1 o rosto alto1 os olhos s fitos no futuro4 ,abrir bem o corao a voz que vem de cima1 e cerral-o das paixes da terra4 ,,vi ,dissera eu no serem elementos de felicidade que nos faltavam2 mas s o querer dos que podem tirar d'elles materia de muito bem4 ,temos a ideia e temos os meios2 tenhamos tambem a vontade1 e para todo o mal se deparar remedio4 ,um pequeno alvitre quero eu lembrar que1 com ser pequeno e de pouco custo1 talvez no deixe de gerar bom fructo4 ,ideia d'um grande francez e grande amigo do povo1 ,mr4 ,cormenin1 soube ella insinuar-se em o animo d'um governo illustrado1 que a soube aproveitar1 e d'ella j hoje em ,frana vo brotando fructos de muito bem4 ,se o exemplo d'um povo tem algum peso no obrar dos outros1 por que no applicaremos e experimentaremos entre ns a ideia do grande homem sendo que ella produz1 como tem produzido1 resultados to elevadamente civilisadores8 ,tal experiencia quizera eu se realisasse em nossa terra1 que certo estou de nos no deixar illudidos4 ,,vii ,a ideia refere-se maximamente aos habitadores dos campos1 esses1 mais que todos1 engeitados da civilisao moderna4 ,e comtudo sua illustrao que de mais vontade nos deveremos applicar4 ,a agricultura a melhor e mais verdadeira me dos povos1 e1 como diz ,castilho1--s um povo que lhe quer1 e a quer1 e a serve com desenganada preferencia1 s esse rico1 rico sem fausto1 mas sem receio de empobrecer--o trabalho da terra a fonte de todos os outros trabalhos1 e assim1 no justo que ns1 que em ocio desfructamos o trabalho do camponez1 lh'o suavisemos em troca--com algumas gottas do balsamo da instruco8 ,alm d'isso1 se trabalhamos em proveito da sua illustrao1 em proveito nosso que trabalhamos4 ,o cultivador1 que ler1 conhecer melhor o tempo1 as estaes1 a qualidade do torro1 da semente1 o que mais convm a este ou est'outro terreno1 e que especie de gro deve lanar terra4 ,com este progresso na agricultura o lavrador produzir melhor1 mais1 e mais barato4 ,no ser1 pois1 tambem em o nosso proveito8 ,ainda que no fossem elles homens1 e1 como taes1 com igual direito a se illustrarem1 bastaria a perspectiva do proprio lucro para nos fazer cuidar d'elles com affinco1 pois que1 curando d'elles1 de ns curamos em realidade4 ,,viii ,entendera ,cormenin que o rustico1 por ser rustico1 nem por isso devia ficar privado d'esse po do espirito1 que a leitura4 ,partindo d'esta verdade1 imaginou elle uma bibliotheca de #bjj ou #cjj volumes de materia comezinha e de facil digesto para o povo3 cada concelho possue uma d'estas bibliothecas dividida em tantas menores1 quantas as aldeias e logares que em si conta1 e em relao a ellas numeradas4 ,cada uma d'estas livrariasinhas enviada pelo administrador do concelho ao parocho de cada aldeia1 a fim d'elle distribuir gratuitamente os volumes a quem d'elles precisar e os pedir1 assentando o nome de cada leitor n'um rol1 e riscando-o maneira1 que se vier fazendo entrega dos volumes4 ,depois de seis mezes passados1 todas as obras que compem a livrariasinha se devem achar em casa do parocho1 que a remette aldeia que tem a ,bibliotheca de numero immediato1 recebendo em troca a que l estava para o mesmo fim4 ,passado tempo1 quando cada aldeia tenha tido por espao de seis mezes cada uma das bibliothecas parciaes1 isto 1 todos os livros do concelho por partes e por varias vezes1 far-se-h troca da bibliotheca toda com a do concelho seguinte1 continuando sempre assim com o mesmo systema de leitura1 de sorte que em poucos annos poucos livros tero1 passando por milhares de mos e atravs de milhares de intelligencias1 feito o gyro do paiz1 e levado a instruco aos mais necessitados1 sem que para isso se exijam grandes despezas4 ,a este alvitre1 to simples como economico e proficuo1 chamou ,cormenin4--,systema das ,bibliothecas ,ruraes ,ambulantes4 ,,ix ,a bondade de tal alvitre por si e claramente se deixa vr4 ,realisar o desideratum da civilisao moderna--a instruco do povo--em to grande escala1 to bem1 e por tal preo1 cuido que outro algum o poder fazer melhor4 ,nos primeiros annos poucos resultados bons se tiraro1 porque ainda os habitadores dos nossos campos desconhecem as vantagens da leitura1 mas1 acostumados pelo uso1 por assim dizer1 aclimatados com o systema1 e maximamente1 vendo os fructos que ho-de colher os que leram1 dentro em breve toda a populao dos campos correr em busca de livros e ser com injustia1 que o soberbo habitante da cidade lhes poder chamar--boaes4 ,x ,na escolha dos livros que se deve requerer toda a cautella1 para que a instruco no degenere em leituras prejudiciaes ou sem proveito4 ,dever constar cada bibliothecasinha de pequenos volumes sobre sciencias naturaes1 medecina domestica1 livros de religio1 de agricultura1 de politica geral1 de administrao1 historia1 geographia e viagens2 tudo isto escolhido por pessoa versada e idonea4 ,na nossa terra1 nomeadamente1 deve-se curar principalmente de os procurar ou traduzir em ch linguagem das estrangeiras1 escolhendo entre todos os melhores e os mais uteis4 ,comtudo no acobardar1 que ainda se adiam livros bons e uteis1 e os que no houverem podem bem supprir-se com verses dos melhores dos outros paizes mais adiantados que ns1 n'este genero de litteratura popular4 ,,xi ,alguns livros ha1 assentei eu1 que esto no caso de percorrerem a estrada de tal misso3 originaes portuguezes uns2 outros vertidos na nossa lingua das estrangeiras4 ,e que muito importa essa differena8 j disse alguem que o genio no tinha patria3 um bom livro1 que apparea hoje1 j amanh falar todas as linguas1 e ser lido com ardor por todos1 quantos elles so1 os povos cultos do globo4 ,d'alguns livros sei eu1 que satisfazem as exigencias3 poucos em verdade so elles1 mas bons1 mas bonissimos3 quasi todos conhecidos e animados do publico2 alguns no tanto2 a todos o nome do auctor lhes cauo4 ,folgo de ter falado n'elles um pouco de longo1 porque to bons so1 que lhes desejra ainda mais carinhos1 mais diffuso por entre o povo4 ,com elles quizera eu se comeasse a obra civilisadora das--,bibliothecas ,ruraes4 ,,xii ,aquelle1 que primeiro convm que o povo leia e releia1 e por elle seja mui manuseado1 mui meditado1 tem em si a propria recommendao3 vem assignado por nome portuguez e dos maiores4 ,d'elle disse ,castilho--aquelle que em alguns paragraphos pretender julgar uma obra to cheia1 to variada1 to germinal toda ella1 como este livro1 provaria1 ou que no a lera1 ou que no era digno de a ler4 ,ns a lemos1 a relemos1 temol-a ainda aberta1 e aberta a deixaremos sobre a meza para nossas meditaes4 ,seu titulo 3 ,estudos sobre a reforma em ,portugal ,,por ,j4 ,f4 ,henriques ,nogueira ,no um livro2 uma obra4 ,g4 ,planche4 ,i ,o livro cujo valor apregoamos1 e ao qual outorgamos um primeiro e eminente logar na nossa ora ideal--mas to realisavel bibliothecasinha popular1-- digno de tal occupar1 sendo que entre todos elle o mais util e accommodado intelligencia do nosso povo--ainda mal--to inculto1 to por mondar de cardos e ruins ervas1 e1 o que peor 1 com to pouca esperana de proximo e util cultivo4 ,o auctor do livro1 como bom philosopho1 cura menos do que 1 ou pde ser1 do que indaga o que em s razo devera existir3 e ao tempo que1 em succinto mas substancial quadro1 alevanta o rude trabalhador ao nivel de seus direitos1 no se mostra remisso no estudo dos deveres que se lhe oppem2 accrescendo ainda um catechismo acabado dos meios de realisao d'uns e de satisfao dos outros4 ,ajuntai ainda uma expresso clara1 por correcta2 uma viveza toda meridional de imagens2 um finissimo tacto ou1 por assim dizer1 um como faro mui mimoso no descobrimento dos males sob que geme a sociedade1 e a mo segura em alvitrar meios de prompto remedio2 e em limitadas phrases havereis o livro4 ,,ii ,diz modestissimamente o auctor1 que o livro no mais do que a seleco de pequeninos estudos cerca d'esta ou d'est'outra reforma4 ,sobremodo maior o seu merecimento1 e em conta de maior obra o tenho eu4 um systema de organisao social completo e cheio2 resumo1 conciso sim1 mas germinal das reformas1 que ha mister um povo e uma sociedade j gastos4 ,dai-me populao e territorio1 que meios de organisar um governo no livro os acho eu todos2 mas governo racional1 philosophico sem que seja irreligioso 7e este o dizer verdadeiro da palavra72 governo1 finalmente como o deve ser um no seculo dezenove4 ,se desejaes um testemunho do seu bem querer1 lde com que tocante singeleza resume elle1 em poucas palavras1 o seu credo politico e social1 onde1 a par do grande reformador1 deparareis com o poeta e com o cidado honesto1 e amante da sua patria4 ,,iii ,eis os termos em que se expressa3 --,quizera que1 n'um paiz como o nosso emancipado por cruentos esforos da tutela humiliante1 egoista e sanguinaria da monarchia absoluta1 cansado do regimen espoliador1 traioeiro e faccioso da monarchia constitucional1 necessitado de restaurar as foras perdidas em luctas estereis e de cicatrizar feridas1 que ainda gotejam1 vido1 emfim1 de gozar as douras da liberdade1 por que tanto ha soffrido2 quizera que o governo do estado fosse feito pelo povo e para o povo1 sob a forma nobre1 philosophica e prestigiosa de--,republica4 --,quizera que o poder supremo1 emanado do voto universal1 residisse na assembleia dos representantes do povo e que o poder executivo fosse confiado a um ministerio de tres membros1 nomeados pela assembleia4 --,quizera que a administrao da justia corresse imparcial1 rapida e gratuita2 que os servios feitos ao paiz tivessem uma recompensa condigna2 que os crimes achassem correco em vez de vingana1 e que a pena de morte1 vestigio maximo da barbaridade1 fosse abolida4 --,quizera que a guarda nacional1 milicia gratuita1 que no obriga o cidado a abandonar as suas ocupaes1 constituisse o grosso da fora armada2 e que o exercito subsidiario se reduzisse unicamente aos corpos scientificos4 --,quizera que a despeza publica fosse inferior receita2 que se proscrevesse o ruinoso systema das dividas2 e que a applicao dos rendimentos do ,estado fosse inteiramente productiva1 illustrada e philantropica4 --,quizera que a rede tributaria1 que ameaa de estancar o paiz1 ficasse reduzida a um s imposto progressivo sobre a renda1 cobrado sem despeza e realisado sem agio4 --,quizera que os capitaes1 pela barateza do juro1 auxiliassem a produco1 em logar de absorverem a maior e melhor parte de seus lucros4 --,quizera que o direito subsistencia pelo trabalho tivesse nas officinas1 colonias e obras publicas1 uma util garantia2 que o trabalho das mulheres ganhasse uma area mais vasta1 e que fosse melhor retribuido4 --,quizera que a ,agricultura1 a ,industria fabril e o ,commercio recebessem do estado uma desvelada proteco1 como fontes principaes da riqueza4 --,quizera que as estradas1 os canaes1 as barras1 e em geral1 todos os meios de viao merecessem a preferencia no extenso capitulo das nossas necessidades4 --,quizera que a communicao do pensamento no achasse obstaculos2 e que o correio fosse inteiramente gratuito1 tanto para as cartas como para os escriptos periodicos4 --,quizera que os orphos1 os doentes e os invalidos1 que dependem da caridade publica1 encontrassem nas casas de mesericordia lenitivo para os seus males2 e que se franqueassem a todos os operarios as instituies economicas e preventivas da miseria4 --,quizera que os cuidados exercidos sobre a saude publica conseguissem minorar e extinguir1 se tanto fosse possivel1 as causas de infeco1 que vo minando gradualmente a robustez das geraes4 --,quizera que o derramamento da instruco chegasse s ultimas camadas sociaes2 que a imprensa publica se tornasse um instrumento de progresso2 e que o estado protegesse o talento abandonado1 que a falta de cultura no deixa medrar4 --,quizera que a religio de nossos paes no servisse de escudo a interesses egoistas e mundanos1 mas que acompanhasse o progresso da humanidade2 que os bispos fossem1 como n'outros tempos1 eleitos pelo povo2 e que os parochos se elevassem altura de mestres e de moralisadores4 --,quizera que os interesses da localidade fossem attendidos primeiro do que tudo2 que o territorio se dividisse para todos os effeitos em grandes e bem regidos municipios2 e que as aldeias tivessem os melhoramentos indispensaveis ao bem commum dos moradores4 --,quizera que a associao1 origem de maravilhas1 se estendesse a todas as classes da sociedade e principalmente quellas que vivem do seu salario4 --,quizera que a familia1 instituio primitiva e santa1 no apresentasse o quadro odioso dos direitos de primogenitura1 que do a uns filhos a regalia de senhores1 em quanto conservam outros na humiliao de servos4 --,quizera que a propriedade1 direito natural e civilisador1 se estendesse ao maior numero de individuos2 e que para completar a liberdade da terra se permitisse a remisso de todos os encargos que a oneram4 --,quizera1 por ultimo1 que ,portugal1 como povo pequeno e opprimido1 mas conscio e zeloso da sua dignidade1 procurasse na--,federao--com os outros povos peninsulares a fora1 a importancia1 e a verdadeira independencia que lhe faltam na sua to escarnecida nacionalidade444 4444444444444444444444444444444444444444 444444444444444444444444444444444 ,no h querer mais nobre1 aspiraes mais santas2 a par do grande philosopho1 haver ahi quem desconhea o poeta e o humanitario8 ,,iv ,economista profundo1 um poeta e pensador2 o illustre democrata1 maneira que nos apresenta uma das suas muitas1 mas bonissimas reformas1 no pde1 precipitando o tempo pela imaginao1 deixar de nos entoar um de seus hymnos to enthusiastas1 to intimamente consoladores de esperana no futuro para o pobre1 o desvalido proletario4 ,a inspirao tanta1 a crena to forte1 a f to viva1 que bastas vezes o tomarieis por um d'esses prophetas que nos pinta a antiguidade1 a anathematisar os maus1 de sobre esboroadas minas1 a aviventar no corao dos bons a emmurchecida esperana em melhores tempos e mais christos4 ,ao ver tantas promessas de ventura1 muitos1 de incredulos1 se negaro a dar-lhes f2 muitos lhe chamaro sonhos febris d'um sentido scismar de poeta2 mas nenhum se atrever a apodal-os de veneno ou de maldade4 ,muitos diro com o poeta3 ,vos desejos1 talvez3 mas bons de certo4 ,mas nenhum ter fora de lhes lanar o anathema terrivel1 com que1 verdade 1 o seculo se pagar as ideias boas e nobres4 ,qui cedo 1 para diffundir a vontade de reformas3 seja2 que o no 3 quem acampa nos arraiaes longinquos e desertos do futuro1 e o aguarda sereno e firme na sua f1 tem uma nobre misso3--a de abrir e esclarecer1 sentinella do porvir1 a estrada da nova era2 que outros1 vagarosos1 de prudentes1 s mais tarde pisaro4 ,no tarde2 que o mundo foge no infinito do espao e caminha direito s regies encobertas do futuro2 e1 quando o seculo aperta o passo1 no ha face de verdadeiro democrata1 que deva pejar-se de o acompanhar n'este caminhar providencial4 ,se sonho1 a sonhar por sonhar mais val1 como diz ,pelletan1 o sonho que diz a tudo quanto soffre c na terra3 --,levanta-te1 e espera6 do que o que lhe repete3--,soffre1 que para o teu mal no ha salvao nem lenitivo6 ,,felicidade ,,pela ,,agricultura ,,por ,antonio ,feliciano de ,castillo ,da terra samos2 terra volvemos3 ,a terra nos veste1 nos traz1 nos mantem4 ,quem mais do que a terra merece os extremos1 ,que obtem dos bons filhos a prvida me8 ,a4 ,f4 de ,castilho ,i ,eis agora aqui um livro1 que1 em meio da geral fermentao de tumultuosas paixes e ambies immoderadas que agitam as nossas modernas sociedades2 em meio d'este lamentavel estado de geral descontentamento e desgosto de que todos mais ou menos somos victimas2 quando1 segundo judiciosamente observa ,aim ,martin1 o artista descr da arte1 o padre de ,deus1 o mancebo do futuro1 e at a mulher do amor1 e nem um s tem o menor vislumbre de esperana na felicidade com que ainda pde topar no estado que lhe deparou a providencia2 eis agora--digo eu--um livro que1 em meio de tudo isto1 nos promette essa almejada felicidade1 que nos aponta o como a poderemos alcanar1 que o prova--e o que mais --no fala em referencia aos grandes1 aos poderosos1 aos que por si tem todos os dons da fortuna1 mas ao pobre1 ao desvalido1 ao que chora e soffre em meio das trevas da ignorancia1 da miseria1 quasi1 direi1 da servido4 mister ser-se um grande poeta--poeta de muito crr e muito esperar1--para poder lanar um olhar seguro por sobre todas essas populaes miseraveis dos nossos campos--orphs da moderna civilisao--palpar-lhes todas as feridas1 ouvir-lhes todos os queixumes1 conhecer todo o fundo de seus males1 e vir depois ainda crente1 mais crente talvez do que nunca1 entoar um hymno de esperana e felicidade para esses que por cruel ironia s lhes respondem com lagrimas e gemidos4 ,,ii que o poeta recebeu de ,deus o condo mago de ler na noite de arredado futuro2 de vr luz e muita luz aonde outros s vem trevas2 flores de amor e de vida1 aonde para muitos s brotam os goivos do sepulchro4 ,esse l bem1 que assim l em lettras de ouro paginas de esperana e felicidade no grande livro dos destinos da humanidade4 ,cr e espera--mas no lhe vem s do corao--de seu condo de poeta--essa crena e essa esperana4--,estudou1 pensou1 viu muito pelos olhos de sua intelligencia1 e n'este estudo firmou elle em grande parte essa crena1 que lhe d a fora de prometter ainda felicidade e muita felicidade para os campos1 para os habitadores dos campos e para todos por via d'elles4 ,aconselhar a agricultura ao povo1 diz o auctor1 aconselhar-lhe a propria felicidade4 ,veremos se o alvitre to bom como se apregoa1 se no cegou o poeta a propria inspirao4 ,,iii ,retemperados pelas aguas lustraes d'um novo ,jordo1 por esse baptismo de fogo e sangue1 pelo qual ,providencia aprouve fazer-nos passar1 como iniciao nos umbraes do templo da liberdade1 que a custo iamos conquistando1 de tal arte nos cegou a novidade da conquista1 to afanosos nos mostramos no empenho de a bem guardar1 que de todo nos esquecemos de que no ella o fim unico 7como se j suppoz7 dos humanos destinos1 mas antes um como meio de alcanarmos outros progressos2 um primeiro passo1 d'entre os muitos que ainda temos a dar3 uma mera iniciao para aquelles que assentam o seu campo nos ainda mui desertos arraiaes do futuro4 ,argos vigilantes1 perdemo-nos enlevados na contemplao do thesouro1 que assim nos traz presa a vista e a alma1 sem nos lembrarmos1 que em volta a esse pomo d'ouro1 que com tanto amor guardamos1 outras e muito formosissimas flores se definham e morrem1 sem que produzam fructo1 mingua talvez d'uma gotta d'agua1 com que--a haver boa vontade--se lhes poderia dar vida s raizes sequiosas4 ,a agricultura1 com ser a mais esperanosa para bom fructo1 de todas essas flres1 que vo murchando no p ao minguar-lhes o alimento1 por ventura de todas ellas a que mais soffre1 e a quem mais se recusa esse alento e essa proteco1 de que por tantos titulos nos credora4 ,,iv ,mal de ns1 que j nos ficam bem atraz esses tempos em que os grandes homens da maior nao se no envergonhavam de serem encontrados1 em meio do rude trabalho das lides agricolas1 por um povo inteiro1 que tambem se no pejava de os ali vir procurar1 para os exaltar aos mais altos cargos da republica2 e em que esses heroes1 lavradores1 depondo a toga da dictadura1 depois da patria salva1 se sentiam orgulhosos e felizes em voltarem cobertos de louros para o trabalho de seus campos1 que em meio haviam deixado6 ,j vo longe esses tempos2 e todavia a terra1 a ,alma mater dos antigos no cessa de nos abrir o seu seio carinhoso1 de nos chamar1 de nos sorrir1 de nos convidar com todos os seus perfumes1 com todas as suas verduras1 com todos os seus matizes de mil flores4 ,me extremosa no conhece filhos ingratos e inconstantes2 a todos gerou e a todos h de involver4 ,se chora1 encobre-nos os prantos2 e1 em dias de tribulao1 l a temos sempre1 que nos estende os braos com affecto indizivel1 que nos consola1 nos acaricia e nos melhora1 at que por fim1 orgulhosos da propria grandeza1 renegamos a me que nos deu o ser1 e nos afastamos d'ella1 com desprezo1 como se no fosse a ella e s a ella1 que toda essa grandeza se deve attribuir6444 ,v ,com effeito1 s por ignorancia ou por desmedido ou mal fundado orgulho1 se pde conceber tal desprezo e tal ingratido4 ,a arte de domar a terra1 para d'ella extrairmos aquillo de que mais carecemos na vida1 no pode de certo ser apodada de rude1 nem menos de desprezivel4 ,to velha como o homem1 como as suas primeiras necessidades1 -lhe a sua antiguidade segura garantia de excellencia e de nobreza2 desprezivel ninguem de boa f lhe poderia chamar1 sendo que todas as sciencias a veneram e cortejam1 entre si disputando qual d'ellas lhe prestar maiores servios4 ,as cidades1 que assombram os campos com seus templos1 columnas1 praas1 grandeza e luxo2 os exercitos1 que os assolam1 impellidos pelo genio destruidor das batalhas2 essas cidades ambulantes1 que levam d'um mundo ao outro os productos de todos os climas3 todas essas maravilhas de grandeza e intelligencia humana1 tudo isto saiu dos campos1 tudo isto por l se creou2 tudo isto ha de muitas veses1 nas longas horas de atribulao e de angustia1 lembrar-se com saudade da humilde mas pacifica choa1 d'onde primeiro desabrochara luz do sol2 tudo isto ha de deixar de existir1 de mover-se1 de tumultuar1 ha de esquecer por fim1 que elles ho de continuar ainda1 por muito tempo1 depois do homem talvez1 a vecejar1 a florir1 a fructificar1 sempre bellos e sempre risonhos1 agora e depois1 como no primeiro dia da creao6 ,,vi ,a industria e o commercio1 os dois mais poderosos e mais incansaveis agentes e creadores da riqueza das naes1 l tem nos campos alicerce1 l foram buscar agricultura todas as foras com que operam1 todas as galas de que se revestem4 ,o ferro1 com que o homem fabricou novos orgos1 para ajudar os que a natureza lhe dra2 o carvo1 com o auxilio do qual centuplica as suas foras2 l lh'os tinha a terra guardados no seu seio1 como me carinhosa3 o linho1 de que fabrica os vestidos que o revestem1 tambem j lourejou pela encosta de suas collinas3 o madeiro1 que recurvado sulca as ondas em busca de novos mundos1 tambem orgulhoso e gigante se ergueu outr'ora no meio de suas florestas3 o gro1 que o nutre2 o fructo1 que o delicia2 o vinho1 que lhe d mais vida e alegria2 tudo isto tambem por l cresceu e medrou1 tudo isto de l saiu4 ,a sciencia1 a mais nobre de todas as sciencias de ,deus1 porque a sciencia do infinito--a astronomia--tambem l vae nos campos buscar a sua origem3 l nasceu entre humildes pastores1 l se desenvolveu1 at que o homem das cidades1 orgulhoso j de sua grandeza1 a veio usurpar aos que primeiro a descobriram1 para1 no remanso do gabinete1 ou no terrao do observatorio lhe dar ainda maior desenvolvimento4 ,a geometria--por ventura me da astronomia1 tambem nos campos tem seu bero4 ,todas as artes l vo buscar as materias com que operam1 muitas tambem as suas melhores inspiraes4 ,,vii ,como essas cidras maravilhosas da fabula1 que1 rudes na frma e ingratas ao paladar1 em si continham porm tanta formusura1 tanta materia de bem para o mortal feliz a quem dado fosse o abril-as1 como ellas tambem rude e aspera a agricultura na frma e pouco promettedora de prodigios4 ,mas para quem bem a essencia lhe fr especular1 para quem1 com entranhavel amor1 a cultivar1 para quem1 com mos prodigas1 lhe souber dar afagos e carinhos1 para esse1 similhante cidra fabulosa1 tem ella um seio rico de muito affecto1 de muita materia de felicidade e belleza1 para esse1 ser ella sempre a amante extremosa1 a me procreadora de prodigios sem conta4 ,qual h1 porem1 vara magica de fada1 que--trocando-a--a chame vida1 a faa abrir ao sorriso e ao amor1 lhe d que do seio amigo brotem todas essas flres de ventura1 que lhe sabemos e ella nos promette1 mas que sem estranho auxilio no podem desabrochar nem medrar8 ,eis ahi o problema3 mas eis tambem no livro a resoluo1 a vara de mago condo1 a panaca universal para os males1 sob que geme esta boa terra de ,portugal4 ,,viii a associao me de taes prodigios1 de tantos beneficios1 fonte perenne e inesgotavel1 que apregoar-lhe valor e necessidade1 alm de desnecessario1 fra loucura quasi rematada4 ,com effeito1 hoje1 luz do seculo ,,xix1 quando orgulho e timbre de toda a sciencia o prescrutar bem fundo a alma1 a intelligencia e o corpo humano1 procurando ahi todas as leis da sua natureza1 para n'ellas--e s n'ellas--se estribarem theorias e instituies1 hoje desatino seria buscar ainda provas para aquillo1 que d'ellas menos carece1 sendo que a sociabilidade 1 de todas as leis naturaes1 aquella que mais exuberantemente demonstram as theorias da sciencia1 e a mais que todas inexoravel e severa logica dos factos4 ,a muitas d'estas leis pde desobedecer o homem1 contra outras se pde totalmente revoltar1 mas contra esta1 por sem duvida o tenho1 seria tal attentado1 que assento jmais poder realisar-se4 ,subtrahi os homens--um s momento que seja--ao seu influxo benefico1 e para logo os vereis amesquinhar-se1 quando no desapparecer da face da terra4 ,condio primaria de sua existencia e progresso1 ha de com elle mais e mais desenvolver-se1 que no h ahi decreto de rei da terra--fra elle ,cesar ou ,napoleo--que ouse derogar o decreto do ,eterno6444 ,,ix pois a associao o cumprimento d'uma lei natural4 ,na progressiva evoluo d'essa lei e a par d'ella1 vejo eu caminhar a humanidade2 desinvolver-se1 se se ella cumpre2 estacar1 se pra2 definhar1 se esmorece2 seguindo-a sempre e resentindo-se de suas menores alteraes4 ,e de razo1 porque1 a ser o fim do homem na terra o desenvolvimento de suas faculdades1 que outra h mais nobre e importante2 que mais influa nos seus destinos que esta lei da sociabilidade8 ,por ella se pde aferir o grau de civilisao d'este ou d'est'outro povo porque ahi onde mais o homem se estreitar com o homem1 aonde mais de um irmo ajudar o outro irmo1 ahi tambem mais o espirito tender a elevar-se--e de feito se h-de elevar--elevao que toda se desata em muita sciencia1 muito bem e muita ventura4 ,reconhecidos estes principios1 reconhecidos--quasi direi--demasiadamente1 houve quem d'elles se possuisse a ponto de n'elles querer buscar todo um systema de organisaco social4 ,desvairou-os o amor d'um principio1 o conhecimento d'uma lei natural1 por ventura a ignorancia de muitas outras2 e1 encarando o homem por lado restricto1 quizeram o desenvolvimento d'uma faculdade custa das outras todas4 ,no quer isto porm a harmonia1 essa outra lei de ,deus1 que tem de presidir--como revelando-a--a toda a creao4 mister que a todas as faculdades seja dado um maximo desenvolvimento2 mas mister tambem que cada uma1 ao alargar a sua esphera1 no v calcar outras1 a quem egual direito assiste444 ,x ,por que lei da natureza humana a liberdade1 porque deve o homem responder por suas aces1 no quer a boa justia1 no quer a boa raso1 que fora--que no com a arma da persuao--se lhe imponha o cumprimento d'uma obrigao qualquer1 fra ella to santa1 to prescripta por ,deus1 to filha da natureza do mesmo homem como esta da sociabilidade4 ,assim1 com a liberdade e s pela liberdade1 que tem de effectuar-se este grande pensamento da associao1 este grande abrao que obedecendo s leis do proprio ser1 tem de--no futuro--dar homens e povos1 estreitando cada vez mais os laos que os unem1 e centuplicando foras1 sympathias e vida4 ,problema longo tempo agitado1 d-lhe hoje a sciencia cabal resoluo4 ,desde que esta1 despresando theorias incertas e imaginosas1 foi buscar como base de seu estudo1 para ahi fazer alicerce seguro1 aos principios que tinha de formular1 a natureza do ser1 a quem todos tinham de ser applicados2 desde essa occasio ganha estava a causa da liberdade4 ,podem offerecer-se-lhe mil estorvos1 levantar-se contra ella as maiores tormentas1 que ella1 atravez de tudo1 l ha-de ir sempre seguindo seu caminho1 ganhando o terreno palmo a palmo sobre os seus adversarios1 e libertando o homem cada vez mais do jugo da miseria1 da escravido e do embrutecimento4 ,,xi ,associao e ,liberdade3 so estas as duas ideias salvadoras--e s ellas--que1 uma pela outra completando-se1 podem levar a bom fim as nossas modernas sociedades4 ,associao livre--eis o que em nome da sciencia podemos affoutos responder a esses nobres1 mas desvairados1 sonhadores de utopias1 que na f de uma imaginosa organisao social1 toda artificio humano1 que no segundo as leis do natural organismo1 e em nome das santas esperanas e fraternaes aspiraes1 que em abundancia lhes enchem as almas generosas1 nos promettem1 h meio seculo1 o progresso da perfeita felicidade--porventura mais do que ao homem dado esperar na terra4 ,,xii ,a sciencia toma o facto1 especula-lhe a essencia e natureza1 observa-lhe as relaes1 e de tudo deduz as leis que lhe presidem4 ,pde desempedidamente apresental-as luz do dia1 e para o futuro concluir affoutamente do passado2 pde e deve-o1 que outra no sua misso4 ,mas o que muita vez o frio calculo e analyse reflectida deixam por mesquinho ou vulgar1 sem d'ahi tirarem materia para consideraes1 toma-o para si o corao sensivel do poeta2 pela imaginao o nobilita e engrandece1 na mente lhe frma a robusta estatura2 at que apparece em fim gigante de crescidas foras1 esse que ainda h pouco1 de mesquinho e pigmeu1 nem sequer attrahia as vistas do investigador curioso4 assim que a imaginao e a analyse1 a sciencia e a inspirao1 uma pela outra se completam1 trabalhando cada qual na esphera que por natureza lhe compete1 e para fim commum--a ,verdade1 concorrendo uma e outra na medida de suas foras e aptides4 ,so 7ou antes deverem ser7 duas irms queridas e extremosas1 em obra commum1 empregando desvellos e cuidados2 nunca1 como at hoje1 rivaes1 que por um mesmo amor1 e em nome da mesma causa1 se detestam e guerreiam4 ,,xiii d'estes dous elementos--sciencia e inspirao--que brotam as nobres ideias e grandes verdades1 que por vezes tm mudado a face de uma civilisao1 quando1 em vez de uma outra se mostrarem hostis para fim commum se tm dado mos amigas4 ,nas porfiosas luctas politicas do seculo1 em que--mais ou menos--todos temos sido actores ou espectadores1 se encontra clara prova e exemplo manifesto da proposio que aventamos4 ,por longo tempo trabalharam em bandos oppostos e sombra de vario pendo os modernos representantes d'esses bons principios1 uns e outros promettendo-nos felicidade1 mas cada qual em nome de mui diferente divindade2 at que1 passados que foram os tempos de mais escandecida lucta e acalorada discusso1 a mesma fora da verdade os trouxe a si2 e a commum e amigavel unio lhes soube chamar os animos discordes4 ,ambos em parte transviados1 a ambos comtudo assistiam tambem em parte principios de verdade4 ,inimigos1 seriam sempre viajantes perdidos em densas trevas1 cada vez a se affastarem mais das veredas trilhadas2 reconciliados1 um ao outro se guiam e ajudam1 com as luzes e foras proprias1 em nome d'uma longa amizade no futuro1 postas em commum4 ,e de feito1 no hoje que1 no meio d'essa pleiade illustre de generosos espiritos1 que anhelando anciosos por um melhor futuro1 trabalham afanosos para alivio e engrandecimento dos que choram2 no hoje que entre elles se encontraro rivalidades d'eschola1 mas indignas d'homens1 ao bem dos homens votados4 ,so hoje irmos4 ,os erros de cada qual1 ao despirem-se dos velhos rancores1 sacrificaram-nos no altar da nova alliana2 e d'entre as cinzas impuras1 que o vento dispersa ao longe1 sahiu--nova ,phenix--a flr immarcessivel da verdade eterna4 ,,xiv ,associao e ,liberdade dissera eu serem essas duas ideias aonde se depara mais verdade e que1 ambas fundidas em factos1 podem dar fructo mais sasonado e proveitoso2 o leito por onde placida pde correr1 demandando seu termo1 a torrente--ora revolta e turbada por mil encontrados elementos que ahi se revolvem e guerreiam--da vida das modernas sociedades4 ,e como no seria assim1 se ramos frondosos de arvore1 que no corao do homem tem fundas as raizes--a propria natureza1 tm por fim1 entrelaando-se estreitamente e em mutuo amplexo apertando-se1 ampararem-se e defenderem-se uns a outos1 porque assim reciprocamente se protejam no crescer e no fructificar8 ,se so ara sacro-santa aonde os animos discordes em busca da verdade--mas que d'alma a buscam1 tem de vir pactuar a alliana1 queimando ahi1 em holocausto incruento1 o fel de paixes ruins e desamoraveis como podero ellas1 por estranho desapego e ingratido mentir ao que1 em nome de futuro melhor1 nos promettem1 e a que1 na f d'esse almejado futuro prestamos crena e esperana illimitadas8 ,no podem4 ,quanto intelligencia e corao do homem se revela uma verdade1 tam rica de evidencia1 tam promettedora de consolaes1 no pde ,aquelle que ao espirito a revelara deixal-a sem que pela revelao dos factos receba confirmao e com ella foros de inconfutavel4 ,uma ideia assim nunca mente4 ,,xv ,descendo das subidas regies da abstraco ao campo mais arido e abrolhoso--mas porventura mais util1 das realidades1 da theoria aos factos2 o livro1 cujo bom espirito por todos quiseramos diffundido1 como vaso de balsamo suave1 que a todos vae ungindo e perfumando1 apontando alvitres1 que d'estes bons principios descendem testemunhando no escasso cabedal de saber1--testifica tambem aquilatado amor pela sciencia e pelos homens2 que em muito conta o amor e o enthusiasmo para o descobrimento da verdade4 ,de tantos e to bons alvidramentos1 quantos o livro encerra1 um h que1 como base de systema1 os resume em si1 d'onde todos descendem1 ponto culminante1 centro em volta do qual1 satelites a lhe reflectirem o brilho1 volteiam todos os outros1 compartilhando com elle a verdade e prestimo com que dotado4 este o projecto das ,associaes ,agricolas4 ,fim