of public domain material from ,google ,book ,search7 ,,anthero ,,de ,,quental ,,anthero ,,de ,,quental ,a ,,biblia ,,da ,,humanidade ,,barcellos ,typographia da ,aurora do ,cavado ,editor--,r4 ,v4 #ahie ,tiragem apenas de #ajj exemplares3 #bj em papel de linho4 #hj em papel d'algodo4 ,n4 ,collaborou ,anthero do ,quental1 assiduamente1 em verso e prosa1 com ,joo de ,deus e outros vultos litterarios da gerao de #ahfd1 no ,seculo ,,xix1 periodico que n'esse anno se publicou em ,penafiel1 sob o influxo e direco de ,germano ,vieira ,meirelles1 seu condiscipulo na ,universidade1 como elle formado em ,direito no anno de #ahfc1 um dos mais pujantes e promettedores talentos d'essa gerao1 com cedo roubado ao renome que por certo conquistaria1 se a vida lhe fra mais longa1 no mundo das lettras e da politica4 ,entre outros escriptos de ,anthero ahi sahidos1 lugar mui saliente occupa ,a ,biblia da ,humanidade1 trabalho philosophico de ancha envergadura e largos horisontes1 que pena ter ficado incompleto4 ,no obstante isto entendi que deveria elle entrar1 por seu incontestado valor1 na colleco1 em que to piedosamente ponho empenho1 de todas as suas obras esparsas1 e para o presente opusculo o traslado4 ,constite elle j o duodecimo da mesma colleco1 e no intento proseguirei eu de a esta trazer tudo o que de ,anthero se no ache publicado em volume sobre si4 ,nenhum interesse material me aula n'este meu proposito1 que nem um s dos exemplares de qualquer dos opusculos1 que vou fazendo sahir a lume1 exposto venda1 mas apenas e s n'elle me anima o vehemente desejo de reunir e facilitar materiaes para uma edio completa da obra de ,anthero do ,quental1 edio em que no ficario1 creio eu1 na sombra e nem sequer na penumbra1 alguns dos seus trabalhos ainda no reunidos em volume1 e alguns at incompletos1 to radiosa a luz que d'elles resalta4 ,,rodrigo ,,velloso ,a ,,biblia ,,da ,,humanidade ,i ,dentro do homem existe um ,deus desconhecido1 no sei qual1 mas existe--dizia ,socrates soletrando com os olhos da razo1 luz serena do ceu da ,grecia1 o problema do destino humano4 ,e ,christo com os olhos de f lia no horisonte annuveado das vises do propheta esta outra palavra de consolao--dentro do homem est o reino dos ceus4 ,profundo1 altissimo1 accordo de dois genios to distantes pela patria1 pela raa1 pela tradico1 por todos os abysmos que uma fatalidade mysteriosa cavou entre os irmos infelizes1 violentamente separados1 d'uma mesma familia6 ,dos dois polos extremos da historia antiga atravez dos mares insondaveis1 atravez dos tempos tenebrosos1 o genio luminoso e humano das raas indicas e o genio sombrio1 mas profundo1 dos povos semiticos1 se enviam como primeiro mas firme penhor da futura unidade1 esta saudao fraternal1 palavra de vida que o mundo esperava na angustia do seu cahos--o homem um ,deus que se ignora4 ,grande e soberana consolao a de ver essa luz de concordia raiar do ponto do horisonte aonde menos se esperava1 de ver uma vez unidos1 conciliados esses dois extremos inimigos1 esses dois espiritos rivaes cuja luta entristecia o mundo1 echoava como um tremendo dobre funeral do corao retalhado da humanidade antiga6 ,os combatentes no maior ardor da peleja1 fitam-se1 encaram-se com pasmo1 e sentem as mos abrirem-se para deixar cair o ferro fratricida4 ,estendem os braos444 somos irmos6 ,primeiro encontro1 santo e purissimo dos promettidos da historia6 ,manh suave dos primeiros sorrisos1 dos olhares timidos mas leaes d'esses noivos formosissimos1 que o tempo aproximava assim para o casamento mysterioso das raas6 ,no ha no mundo palacio do rei digno de lhes escutar as primeiras e sublimes confidencias6 s um templo1 alto como a cupola do ceu1 largo como o vo do desejo puro1 como a esperana do primeiro e innocente ideal humano4 ,esse templo tiveram-no4 ,naquella palavra de dois loucos se encerra tudo4 ,nenhuma montanha to alta1 aonde a olho n se aviste ,deus1 como o vo d'esta phrase1 a maior revelao que jamais ouvir o mundo--dentro do homem est ,deus4-- ,,ii ,este facto unico1 aos olhos dos que lem a historia nas lettras impalpaveis mas luminosas das ideias1 e no nos hieroglificos barbaros e confusos dos acontecimentos fataes1 basta a explicar o misterio que segue tudo o que depois vir4 ,a adopo do ideal hebraico pelo genio grego3 o christianismo1 misterioso hospede oriental recebido com amor sob o tecto cheio de luz do ,occidente2 ,jesus sentado entre os philosophos da ,alexandria escutado e applaudido no ,agora de ,athenas2 ,christo descendo da sua cruz da ,judea para1 subindo ao ,capitolio romano1 estender os braos e tomar posse do mundo--este drama da fortuna inexplicada d'um ,deus desconhecido1 esta ,odisseia das perigrinaes da religio d'um mundo1 acolhida1 amada entre os cultos d'outro mundo to distante--que ha em tudo isto d'incrivel8 ,no dia em que ,socrates exclamou ha um ,deus no homem o primeiro arco da ponte extraordinaria estava lanado3 ficou firme1 sustido no fundo do oceano4 ,christo completou este caminho maravilhoso1 lanou o segundo arco6 ,desde essa hora os filhos da ,sra oriental podem atravessar de novo o ,mar ,roxo a p enxuto3 e a terra promettida1 o occidente de doce e humana luz1 c est para os receber em seu seio vastissimo4 ,o milagre1 o milagre verdadeiro1 comeara ha seculos--o ideal commum--a unidade na aspirao4 ,a realisao devia para ambos ser igual4 ,a mesma prece deve subir ao mesmo co4 ,egual desejo devia tarde ou cedo affirmar-se na mesma realidade4 ,maria a irm das ,sybilas444 ,jesus por que no ser ento o irmo de ,socrates8 ,as differenas de genio1 de raa1 nada so aqui3 o ideal commum1 isso tudo4 ,e esse que assentou sobre a sua solida base a f eterna da humanidade1 a unidade dos coraes1 a verdadeira cidade de ,deus6 ,o christianismo creou a humanidade 7no grande e verdadeiro sentido da palavra7 mas foi a humanidade toda que o creou a elle1 no o genio estreito d'uma raa4 ,fundando a unidade divina1 construiu a unidade humana mas os elementos da obra todos que suscitarem o operario1 que o fizeram4 ,no dia em que ,jesus se chamava a si ,christo1 n'esse dia deixou de ser judeu para se naturalizar homem4 ,e o filho do homem--o filho da humanidade4 ,do desejo dos dois mundos brotou esse lyrio divino444 mas o perfume que lhe sae do calix no ha templo bastante para o conter6 ,todo o ceu essa cathedral3 o templo de ,jerusalem1 o ,parthenon e o ,capitolio so naves1 apenas1 d'essa egreja universal6 ,,iii ,eil-a fundada em fim1 idealmente1 ao menos essa unidade1 esse sonho milenario do mundo antigo6 ,e quem dir as dores1 as lutas1 as esperanas1 as angustias de mil geraes esquecidas1 cujas lagrimas regaram1 e de cujo p se alimenta ainda essa arvore d'immortal amor8 ,innumeras raas extinctas passaram curvadas sobre a terra2 crusaram no perigrinar de cem odisseias misteriosas1 todos os continentes1 para que seus passos apenas deixassem como derradeiro vestigio sobre a face do globo as letras fatidicas d'esse epitafio de glorias1 essa palavra unica--unidade6 ,tudo o mais o segredo do tempo4 ,os seculos desconhecidos esconderam sob a dobra dos immoveis sudarios a memoria dos obreiros com o risco e os instrumentos do trabalho--e v-se a prodigiosa obra anonima erguer-se recortando o perfil extranho no horisonte desmaiado do passado1 como o vulto da esphinge incomprehensivel no ceu dos grandes desertos6 a melancolia da historia6 ,por entre o canto das ,epopeias antigas escuta-se a espao o gemido surdo d'esse desconhecido e infeliz mundo de escravos sobre cujos hombros doridos os heroes assentavam as suas cidades de luz444 ,e os palacios heroicos da humanidade1 que so as horas solemnes da sua inspirao1 encobrem-nos tambem os peitos escuros mas fortes sobre que se ergueram esmagando os talvez1 esses torrees de brilho6 ,mas que importam os sacrificios8 ,o carro de triumpho no se lembra da mina sombria d'onde sahiu o metal das rodas que o levam4 ,a obra do misterio1 a cupula esplendida da historia antiga ergue-se e ninguem1 sabe ahi por que mos se ergue4 ,mas solida a sua base1 que nenhuma convulso lanar por terra como o canto de granito nos alicerces do circo romano4 ,a estatua ideal da ,f humana achou emfim o pedestal de marmore immaculado1 onde se firmem seus ps divinos--a consciencia da nobresa do destino do homem1 a revelao da sua mesma divindade4 ,,iv ,mas1 esse ,deus misterioso1 que ceu o esconde nos paramos do ceu azul immensuravel8 ,que ,sinai enubla a sua gloria8 ,o seu altar em que monte o ergueram os profetas desconhecidos8 ,que rito o seu--e em que taboas de marmore escreveu o fogo de cima a legenda prodigiosa de sua lei8 ,no meio de ns por entre o tumultuar das geraes passa como o ,deus antigo1 por entre os combates da ,iliada1 e ao longe retumba o echo de suas passadas4 ,e1 emtanto1 ninguem o v4 ,s de longe a longe1 algum profeta desce das solides a mostrar ao mundo a palidez de suas faces emagrecidas1 seus olhos cavos e fixos1 da fixidez assustadora das vises1 como testemunho de ter entrevisto na sua noite um raio d'essa gloria que o deslumbrou e consumiu4 o absoluto que deixa nas mos do homem1 que o tentou prender na sua fuga eterna1 um fio apenas da sua tunica de brilho4 ,mas esse fio um raio de tal luz1 que basta a alumiar o trabalho de muitos seculos6 ,toma-o nas mos ,moiss1 mostra-o ao mundo1 e chama-se ,jehov4 ,ergue-o ,mahomet entre os povos e chama-se ,allh4 ,deixa-o ,christo cair do alto da sua cruz1 e chama-se amor4 ,de cima d'uma guilhotina o atira ,robespierre para o meio das multides e chamam-lhe ,direitos do homem e ,revoluo4 ,e ,hegel1 levantando a cabea de sob as ondas immoveis e tristes da abstrao1 lana nos ventos1 que a levam ao mundo1 esta palavra--,ideia6 ,o que revela cada profeta no o ,deus eterno1 o ,absoluto dominador1 entre cujos braos se contm o universo1 no confuso e multiforme nas mil apparencias do relativo1 mas na verdade ideal da sua essencia--o ser puro4--,esse poderia por ventura1 afirmal-o a creao toda1 os soes e os insectos1 o espirito e a materia2 o visivel e o invisivel1 o certo e o possivel1 se um dia1 esquecendo ao movimento lanar o metal ardente de suas creaes nos moldes da variedade1 se precipitasse todo sobre o seu centro ideal assumindo emfim a consciencia plena da sua universalidade4 ,mas o homem no afirma nada mais alm da sua mesma alma8 ,e esse vulto immenso a que ainda chamam ,deus1 apenas a sombra do ideal humano1 que acha o mundo estreito e se alarga pelo espao4 ,concebe o absoluto nos limites da sua relatividade4 ,por seus mesmos passos mede o caminho do infinito4 ,e1 nos ultimos limites aonde alcana o seu pensamento1 ergue elle as ballizas extremas do possivel4 ,as religies so os marcos successivos das mais longas corridas do seu desejo no caminho do infinito3 mas no so o termo d'essa estrada que se perde nas nevoas do inatingivel e cujos desvios ultimos p algum pde ainda pisar4 por isso que os ,deuses morrem1 se succedem e transformam4 ,v-se o fim d'essas eternidades--e o homem que as crera para perder c a incerteza do seu transitorio destino1 o homem1 o seu corao1 o seu ideal1 sobrevive-lhes1 elle quem parece eterno ao p d'esses absolutos passageiros6 ,mas que importa esse ,deus que nenhum olhar pde ainda descobrir no deserto dos ceus1 se d'um ceu interior1 to puro e to bello1 sae para cada ouvido attento uma voz divina1 e uma sybilla misteriosa deixa cair dos labios palavra a palavra1 o oraculo successivo do destino dos homens8 ,se a alma cria deuses e1 respirando1 espalha o infinito em volta de si-- que l dentro alguma cousa infinita se concentra e o divino se esconde para se manifestar dia a dia na revelao constante chamada ,vida4 que o mais humilde d'entre ns d em seu peito morada a um grande desconhecido que ali existe1 cuja voz grave se ouve a espaos e nos alumia a face com os relampagos da sua gloria4 ,existe com effeito4 ,que somos ns todos seno uma forma visivel da essencia infinita--um momento determinado da existencia sem termo--uma vibrao do movimento eterno--uma fase da ,lei do todo1 chamada aqui lei humana mas a mesma no ser1 com igual fim1 igual origem1 que nos determina e de que vivemos8 ,a lei6 ,protheu prodigioso de mil formas d'innumeros vultos inesperados em toda a parte diversos1 e em toda a parte o mesmo sempre todavia6 ,mil faces1 e uma s alma6 mil braos1 e uma vontade s6 por mil caminhos1 e um unico o termo da viagem6 ,uma d'essas do ,protheu o homem1 a lei humana4 ,a parte d'aco que exercemos no movimento eterno3 a hora que nos dado preencher na durao sem termo-- isso o que somos1 por isso que ns agitamos1 o nosso ser1 o nosso misterio4 o ,deus1 que o universo esconde revelando-se pela consciencia4 ,e o absoluto que fra nem podemos entrever1 eil-o vivo e palpitante em nosso corao e debaixo de nossas mos1 a ponto de o podermos palpar6--,a alma da humanidade em cada homem2 e1 na humanidade a alma inteira do mundo--4 ,no mais estreito1 no mais tremulo e humilde raio de luz1 coado a custo por entre duas nuvens1 se estuda e est o segredo do brilho immenso e inefavel que innunda as alturas1 se v patente o misterio da maior gloria dos esplendores celestes4 ,no gemer da onda indolente1 que se espreguia no areal1 e nem assusta o folgar descuidoso d'uma creana1 est a voz do oceano1 a sua ancia1 o porque de suas luctas1 o motivo de tantas tempestades1 tantos brados1 tamanhas convulses--4 ,no que agita o peito do mais humilde e desconhecido dos homens est o segredo de anciedade1 do desejo infinito1 que commove os universos1 o verbo do movimento que arrasta os imperios como os mendigos1 as folhas do outomno como os astros do espao--est a palavra do ser1 a origem e o fim1 ,deus6 ,sim4 ,esse ,deus buscado em vo na vastido dos ceus desertos1 que no revela a immensidade desoladora e fria1 eil-o em fim que o vemos concentrado no fundo da consciencia1 dormitando1 mas em movimento1 mudo1 ao parecer1 mas murmurando sempre1 como um canto de lendas misteriosas1 o oraculo successivo dos ,destinos6 o ,deus da humanidade2 a parte do ser eterno1 que se move n'ella1 que a firma1 que ella mesma4 ,jehov1 ,brama1 ,sabaoth1 ,all1 ,christo1 por grandes1 por luminosos que paream1 no so mais que as sombras projectadas sobre a terra pelo vulto d'esse grande desconhecido--degraus da escada do desejo que essa alma sobe no caminho do seu ,fim4 a luz1 que nos sae de dentro1 e diante dos nossos olhos se agita1 convidando-nos a seguil-a em seu correr4 a columna de fogo do deserto--no aquella trazida de longe e sem se ver a mo que a trouxe1 mas saida do mesmo seio do povo1 como que a sua propria alma1 adiante d'elle caminhando4 ,movemo-nos porque a seguimos2 no pelo capricho de nossos passos4 ,o nosso trabalho o seu brilho nol'o indica1 no s o lavor escuro de nossas mos4 ,toda a esphera de nossas aces1 as maiores1 as melhores1 fecha-a o circulo d'aquella lei--que a nossa mesma4 ,nem d'outra lei precisamos4 ,cumprir a tarefa d'este momento cumpril-a na sua frma rigorosa1 correspondendo ao destino d'elle entre todos os movimentos de que se compe a durao eterna4--,o fim do ,homem ser homem4 ,e1 para o ser1 viver segundo a ns1 ao nosso fim1 que mais se precisa que seguir a lei humana8 a nossa affirmao4 ,a fora que a determina no lhe vem de fra1 d'alguma mo escondida entre as nuvens gloriosas d'algum ceu inatingivel4 ,de dentro vem1 como as folhas do lyrio1 que se abre1 vem todas do boto que as continha em suas dobras1 como todos os suspiros vem do corao que deseja1 e no do objecto que os accorda4 o seu trabalho quem cria os absolutos que depois a esmagam4 ,mas a fora primitiva reage2 e os espectros caem por terra estalados os braos com que tentavam suffocal-a4 ,as revolues1 os cultos1 os systemas1 as philosophias1 as revelaes no so principios exteriores que dominem a historia1 de cima1 da altura de suas verdades determinando os sentimentos1 os desejos1 as crenas1 a vida emfim4 ,pelo contrario4--,so apenas evolues d'um interior1 que os cria e destroe1 e faz o novo templo com as minas do templo antigo1 e se chama ,natureza4 ,o ,deus da ,humanidade o mesmo homem3 e o seu ,ideal1 a religio da ,vida4 ,v a negao do absoluto e1 como tal a affirmao do homem4 ,o ,deus sae da immobilidade do symbolo inalteravel3 faz-se vida1 move-se-- um ,deus progressivo4 ,o seu dogma 7semelhante fonte nascida da terra e de continuo acrescentada7 dia a dia o vai o tempo completando com tudo o que lhe sai do seio vasto e fecundissimo4 o culto de um misterio que descobrindo-se sempre1 jamais se poder ver todo4 ,e a ,biblia tem brancas as ultimas paginas1 para que lhe possa cada gerao nova escrever l o verso d'oiro de cada novo ,evangelho que se revelle4 ,religio doce e humana1 que no despreza uma palavra de creana1 o sonho d'um corao de mulher1 o presentimento da mais humilde consciencia6 como o olho do sabio que se esquece horas sem conto na contemplao do mais estreito calice d'uma flor sem nome d'esses campos6 ,no calix da flor1 diz o poeta1 se encerra a belleza toda do universo--e que profundos e desconhecidos thesouros de belleza e verdade no guarda o corao d'um simples86444 por isso que esta religio abraa no seu circulo maravilhoso a alma toda e toda a vida como o sol do meio dia v quanto rasteja na terra e quanto paira nas alturas--porque no despreza ninguem4 ,como ,jesus entre as crianas aprende tanto quanto ensina4 ,missiona1 e recebe todavia lies do mais humilde catechumeno4 ,o seu decalogo tem uma margem larga bastante para que o povo o commente1 quando no acrescente um artigo lei4 a religio do movimento--o ,colombo dos mundos encobertos do espirito erecto na proa do galeo1 sondando o horisonte com os olhos1 incitando1 animando todos para a conquista do desconhecido4 ,sentado na tripode santa da sua inspirao1 sente correr-lhe n'alma o espirito do ,deus vivo3 profetisa1 improvisa de continuo e1 como a chuva de perolas da bocca da fada legendaria1 lhe caem dos labios as palavras nunca interrompidas da sua revellao--a lei1 o ideal humano4 ,,vi ,a ,edade ,media no comprehendeu isto4 ,seu grande genio1 sublime como ,poesia1 achamol-o aqui estreito e acanhado como ,raso4 ,porque do cho sao um dia essa flor maravilhosa1 a mais bella entre todas no jardim do espirito1 chamada unidade1 pareceu-lhe ter morrido a fora geradora da terra e tornar-se impossivel outra florescencia1 outra primavera1 outro perfume4 ,deu por concluido o trabalho das criaes humanas1 e fechado o cyclo dos poemas divinos chamados religies4 ,declarou o corao incapaz de novos sonhos1 a alma inerte para mais desejos1 a intelligencia morta para outras concepes e outras frmas que no fossem as suas--porque no ardor de sua f1 uma nobre illuso lhe fez ver o vacuo e o nada alm do espao que abrangia a sua vista halucinada4 ,grande e solemne dentro do templo santo da sua crena por isso mesmo desprezou o resto da terra aonde j se no avistava esse prodigioso edificio1 e o resto da alma que o calor d'esse raio d'amor no aquecia4 ,as tristes flores d'esse deserto no eram para adornar o seu altar--no era digno do seu ,deus o perfume sado d'um coraao no alumiado pelo brilho de sua gloria444 ,fez o ,dogma e fechou-se n'elle como n'um sepulcro4 ,largo sepulcro1 em verdade1 como para um ,deus e todo marmores e oiro444 mas ainda no tumulo de ,christo1 o frio que se sente sempre o frio da morte6 ,a antiguidade pag dava s suas religies um cinto elastico1 para que a ,virgem podesse crescer e engrossar1 fazer-se mulher e me1 conceber e criar o filho que lhe havia de succeder4 ,como as no revellava nenhuma voz encoberta1 sando do meio das nuvens de fogo d'uma gloria sobrehumana--revellavam-se ellas por si1 em toda a parte1 em cada hora1 e no j no cimo deserto do ,sinai1 mas em baixo1 no valle1 onde se assentam as tendas do povo1 no ajuntamento dos homens4 ,por isso no havia palavra murmurada no meio da multido1 que se sumisse esquecida1 que um deus amigo no ouvisse e decorasse1 como ensino d'uma bocca humilde1 mas nem por isso despresivel4 ,a onda mais imperceptivel1 nascida nos ultimos confins da sociedade trazida com o sopro do vento1 achava sempre uma doce praia aonde depositar o seu pequeno tributo1 um canto1 uma espuma branca1 uma rara flor muitas vezes4 ,cada modesto veio d'agua l ia dar sempre ao lago d'essas religies to humanas1 que no se pejavam de os receber1 com elles crescer e alargar1 ser por elles formado--fazendo assim a divindade com o melhor e o mais puro da humanidade4 ,essas religies formavam-nas em collaborao as almas das geraes successivas1 cada uma como que tinha de mais intimo em si1 do mais elevado ao mais innocente4 ,o sabio dava o forte pensamento1 o simples a intuio profunda4 ,emprestava-lhes um facto o heroe1 e a virgem lanava-lhes no regao uma lagrima de piedade4 ,a praa publica lhes enviava um echo de seus rumores1 e a familia um reflexo amoravel do seu lar4 ,cada qual tirava do corao a perola que l tem todos escondida2 e com essas gemmas1 preciosas1 quentes ainda e quasi vivas1 se adornava a divindade4 ,as paixes1 os amores1 os cuidados1 as lutas dos homens1 tudo isto idealisado e puro se via brilhar sobre o peito dos deuses1 como penhor da fraternidade entre terra e ceu1 e modelos de perfeio que buscava cada qual realisar4 ,ser bom e forte e grande para ser semelhante a um ,deus--porque este era a ultima expresso da humanidade4 ,era ella o que a criava4 ,ao lado da inspirao do augur caminhava a espontaniedade do ,povo4 ,ella transformava a legenda2 desenvolvia a moral2 compunha o rito3 adoptava cultos2 erguia outros deuses ao lado seno sobre o pedestal dos antigos2 vereficava a lei velha com o espirito novo3 tinha autoridade em fim1 autoridade1 voto e fora para obrigar um ,deus progressivo a medir seus passos pelos d'uma sociedade sempre em movimento4 ,por detraz do ,olympo havia muito ceu ainda e muito espao4 ,alem da morada das divindades via-se o infinito sem termos--e ,prometheu prophetisando a queda de ,jupiter no era um impio2 era um semi-deus4 ,as religies antigas no faziam da alma humana 7e1 com a alma as sociedades e o mundo7 prisioneira d'um dogma immutavel4 ,sentiam ser ella mesma o verdadeiro dogma4 ,abriam o seio a cada palavra inspirada e transformavam-na em sangue do corao444 ,religies humanas6 uma intuio profunda da mesma lei da vida--a diversidade1 o movimento1 a successo--dava-lhes a largura1 a flexibilidade e o vago necessarios para que correspondessem a todas s formas innumeras e inesperadas do espirito1 s infinitas transformaes das sociedades1 s mil apparencias da realidade4 ,dava-lhes a virtude d'esses cordeaes proprios para todas as idades e todas as compleies3 para os fortes calmante2 e para os fracos1 balsamo e conforto4 ,eram como o vestido natural do corpo do homem acompanhando todos os movimentos1 feito para todas as altitudes3 simples ao p do lar1 nobre na praa1 grave no repouso1 e na luta ou na corrida ligeiro e facil4 ,esta verdade humana que as fez to animadas1 por isso mesmo as impedio d'avistarem o outro termo correlativo1 o extra-humano1 o absoluto4 ,no corao d'essas raas como parte que da alma1 estava esse sentimento1 por certo4 ,mas no vinha fra em frma de luz1 no inundava d'ali o mundo1 no doirava a fronte dos deuses nem a cabea dos homens4 ,viram-na1 a essa luz1 passar como relampago nos olhos d'alguns inspirados2 mas o povo no a soube comprehender1 deixou-a morrer1 quando a no matou elle mesmo4 ,no meio da diversidade1 que o absorvia1 o politheismo no pde conceber a unidade existente com ella e n'ella mesma porventura4 ,ao sol da ,grecia e do ,oriente1 a rosa viva1 a flor intima da humanidade1 a alma1 abrira todas as suas petalas extranhas mas formosissimas6 uma s ficou fechada2 mas essa era a mais larga e a mais forte1 que devia conter todas as outras--o sentimento da unidade4 ,unidade de ,deus6 ,unidade do ,homem6 n'esta onda mystica mergulhou o ,christianismo a cabea--com este ,jordo baptisou o mundo6 ,esta contemplao do absoluto fez a sua fora3 foi ella tambem quem o matou4 ,em vista d'este principio resolveu corajosamente o destino humano2 mas vinculando-a a essa resoluo1 desconheceu a sua lei essencial--o movimento4--,no4 ,a contemplao inerte no pode ser o ar que o espirito do homem pede para respirar6 ,o ar da vida outro444 ,a vida6 no seu vo para o ceu1 na sua sublime ambio ideal1 foi isso que esqueceu ao ,christianismo--a terra1 a vida4-- 4444444444444444444444444444444444444444 444444444444444444444444444444444 ,,fim