( public doma9 mat]ial f ,google ,book ,se>*7 ,,ant]o ,,de ,,qu5tal ,,consid]a,,es ,,sobre ,a ,,philosophia ,,da ,,hi/oria ,,litt]>ia ,,portugueza 7,a ,,proposito ,d',,alguns ,,livros ,,rec5tes7 #b4 ,,edi,o ,,porto ,,livr>ia ,,*>dron ,,lello ,,irm,o1 ,,editores #aijd ,porto--,impr5sa ,mod]na ,,adv]t5cia ,foi publicado orig9>iam5te e/e pequ5o trabalho em folhet9s no jornal o ,primeiro de ,janeiro4 ,p>ec5do1 porm1 a algumas pessoas de go/o que havia nas m9has consid]aes v]dade e ju/ia suffici5tes1 e que val]ia a p5a1 por isso1 d> mais alguma circulao s idz emittidas1 resolvo-me1 p>a satisfaz] ao voto d'essas pessoas1 a imprimir p>te e/as pag9as1 accresc5t&o-lhes algumas obs]vaes1 sugg]idas pelo escripto d snr4 ,m4 ,p9heiro ,*agas1 ,des5volvim5to da ,litt]atura ,portugueza1 que s pude vr depois de publicados os folhet9s4 ,a4 de ,q4 ,philosophia da ,hi/oria ,litt]>ia ,portugueza ,os ,luziadas2 ensaio sobre ,cames e a sua obra1 em relao soci$ade portugueza e ao movim5to da ,r5asc5a1 por ,j4 ,p4 de ,oliveira ,m>t9s4 ,porto1 #ahgb4 ,!oria da ,hi/oria da litt]atura portugueza2 ^! p>a o concurso cadeira de ,litt]atura mod]na1 no ,curso sup]ior de letras1 por ,!ophilo ,braga4 ,porto1 #ahgb4 ,i ,a philosophia das litt]aturas uma criao d nosso seculo1 cujo g5io1 ao mesmo tempo subtil e pr(undo1 se revela sobretudo nos e/udos hi/oricos1 e a que um mixto p>ticul> de en?usiasmo e scepticismo1 de erudio e intuio1 d uma s+ul> facilidade p>a p5etr> o c>act] das v>ias raz1 o espirito das v>ias idades e civilisaes4 ,uma maneira mais intima e juntam5te mais l>ga de compreh5d] a humanidade e o individuo1 que c>act]isa o p5sam5to mod]no1 explica e/a especie de condo magico com que o nosso seculo tem ab]to os recessos obscuros1 em que a alma dos tempos antigos p>ecia hav]-se p>a sempre sepultado1 def5dida pelo sil5cio e pelo my/]io4 ,com effeito1 em quanto se no viu1 por um lado1 na humanidade um todo vivo1 cujos movim5tos so det]m9ados por leis naturaes e con/antes1 embora complexas e obscuras1 e1 por outro lado1 no individuo1 d5tro da humanidade1 uma =a1 no capri*osa1 mas coh]5te1 embora livre1 e cujas manife/aes so todas respeitaveis e legitimas1 t5do todas a sua razo de s] e o seu valor2 em quanto1 sobretudo1 se no compreh5deu que os mom5tos da hi/oria no so contradictorios entre si1 mas repres5tam v>ios t]mos d'uma s]ie por onde o espirito humano1 asc5d5do1 se affirma1 trans=m&o em p>te z condies d meio em que se move1 e em p>te subord9&o-se a ellas1 e que1 por isso1 esses mom5tos no devem tanto s] julgados como compreh5didos2 em quanto e/e ponto de vi/a1 ao mesmo tempo ideali/a e sci5tifico1 se no e/abeleceu--a hi/oria critica1 intima1 psy*ologica1 era impossivel1 e impossivel tambem a philosophia da hi/oria4 por e/a razo que a critica e hi/oria litt]>ias s(fr]am em o nosso tempo uma completa e pr(undissima r5ovao1 e que a hi/oria philosophica das litt]aturas s rec5tem5te se pde con/ituir4 ,consid]ava-se1 ha #ajj annos a9da1 a obra litt]>ia como uma criao m]am5te individual1 det]m9ada ap5as pelo s5tim5to pessoal1 o g5io1 z disposies d poeta3 no se via a relao e/reita que ha entre a inspirao d individuo e o p5sam5to da poca1 a raa1 o meio social1 e o mom5to hi/orico4 ,uma poetica1 to e/reita quanto inflexivel1 m$ia tudo1 z produces de povos e tempos os mais div]sos1 por uma unica bitola1 o go/o1 e1 dom9ada pela preoccupao fanatica d classico1 bania da hi/oria pocas e raz inteiras1 condemnadas como b>b>as1 incultas1 rudes4 ,o que ha de mais c>act]i/ico e muitas vezes de mais pr(undo na obra d'arte1 a revelao d s5tir intimo dos hom5s nas div]sas condies moraes e sociaes1 ficava d'e/e modo p]dido p>a a critica1 era despresado em nome d'um ideal de p]feio uni=me1 em gr&e p>te conv5cional1 e em todo o caso ab/racto e1 por isso1 irrealisavel4 ,sabemos hoje que a e/hetica1 sob p5a de se excluir sy/ematicam5te da realidade1 no pde s] absoluta s5o nas suas leis fundam5taes1 i/o 1 n'aquillo mesmo em que absoluto e immutavel o espirito humano3 em tudo mais 1 como elle1 v>iavel e progressiva4 ,tem uma /atica e uma dynamica3 e se a primeira1 que toda ab/racta1 explica e d a razo da segunda1 que toda concreta1 a segunda quem explica e d a razo das obras d'arte1 naturalm5te concretas e contidas nas condies d tempo e d meio4 ,ao me?odo exclusivam5te ab/racto sub/ituiu-se o me?odo hi/orico1 e p>a logo todas z litt]aturas1 z antigas e z mod]nas1 z b>b>as e z cultas1 alumiadas por uma luz nova1 app>ec]am com z suas feies c>act]i/icas1 os seus relevos naturaes1 os seus contornos1 e vi]am tom> cada qual o log> que lhe competia na s]ie dos des5volvim5tos d espirito humano4 ,p>a logo tambem se torn\ manife/a a alta significao das litt]aturas1 te/emunhas desprev5idas e c&idas1 v9do depr uma aps outra sobre o viv] intimo das respectivas soci$ades1 e d5unci&o +5uam5te a feio psy*ologica correspond5te a cada povo e a cada idade4 ,a philosophia da hi/oria encontr\ n'ellas o in/rum5to mais delicado e1 ao mesmo tempo1 o mais preciso1 p>a det]m9> o grau de valor moral de cada civilisao3 na sua mo um poema pde torn>-se1 muitas vezes1 o ramo d'ouro da sibylla1 com que descesse regio dos mortos1 a int]rogal-os2 v]sos cantados ha mil1 ha d\s e tres mil annos por poetas desconhecidos1 explic>am os movim5tos das raz1 z orig5s1 os espl5dores1 z revolues e z cata/rophes dos imp]ios4 ,a hi/oria litt]>ia deix\ de s] uma curiosidade3 app>eceu como uma realidade *eia de vida e de expresso4 ,correspond5do a uma ordem de ph5om5os di/9ctos e importantissimos1 torn\-se objecto d'uma sci5cia e1 como tal1 um ramo da philosophia4 ,hoje por toda a ,europa1 os e/udos de hi/oria litt]>ia1 trans=mados1 seguem com firmeza no cam9ho ab]to com juv5il impetuosidade pela escla allem d comeo d'e/e seculo3 refundem-se1 des5volvem-se ou corrigem-se z primeiras concluses1 naturalm5te incompletas umas e outras prematuras ou em extremo sy/ematicas1 e gr&e r5ovao sahida d'e/e movim5to se ligam muitos dos nomes mais illu/res e das obras mais fecundas d nosso tempo4 ,entre ns1 z duas g]aes litt]>ias1 que se succ$]am desde #ahcj at hoje1 mais apaixonadas e criadoras d que criticas1 mais poeticas e en?usia/as d que reflectidas1 e1 sobretudo1 dom9adas por aquella como que in/9ctiva repugnancia s ideas g]aes propria d'um povo educado pelo ca?olicismo no que elle tem de mais e/reito e e/]ilisador1 receb]am com desdem1 ou ap5as aceit>am1 o que havia de mais sup]ficial no movim5to r5ovador1 qu&o no o ignor>am completam5te4 ,a hi/oria litt]>ia cont9u\ erudita1 como d'antes1 na sua gravidade inexpressiva1 e a critica1 apes> de muitas proclamaes revolucion>ias1 acat\ todavia o alt> consagrado e o velho idolo d go/o4 v]dade que o go/o1 sacudido no seu somno secul> por mos juv5is1 teve de ab&on> z ve/es antigas e compromett$oras d classico e de se faz] 7ou deix> que o fizessem7 romantico4 ,era j um gr&e passo1 confessemol-o3 simplesm5te1 e/e primeiro passo1 timido a9da1 obrigava a d> um segundo e mais decisivo--e esse que no se deu4 ,nem se podia d>4 ,devemos muito quellas duas g]aes1 ju/o confessal-o4 ,mas a sua misso foi outra1 e outro o seu trabalho4 ,n'e/e emp5ho de faz] p5etr> o espirito philosophico na hi/oria da litt]atura patria1 e de levant> entre ns a critica altura em que mos vigorosas e illu/res a tem collocado n'outros paizes1 a g]ao nova a*\-se sem pr$ecessores nem me/res entre os escriptores nacionaes1 e teve =osam5te de se vir> p>a os e/ranhos4 ,d'aqui uma c]ta confuso1 a adopo quasi sur p>ole dos sy/emas e/rangeiros1 e algum mau e/ylo444 ,entretanto1 a sua vocao essa1 evid5tem5te critica e philosophica4 ,m5os criadora e espontanea1 e lib]tada j dos preconceitos da educao tradicional1 a nova g]ao tem por rea natural dos seus trabalhos os e/udos criticos e z idz g]aes4 ,a hi/oria philosophica1 a philologia1 z sci5cias sociaes1 eis o va/o campo que1 entre ns1 a sua actividade tem de desbrav> e fecund>4 ,na hi/oria litt]>ia1 os primeiros passos n'e/e cam9ho =am dados corajosam5te por um trabalhador dotado de en]gia e p]sev]ana s+ul>es1 o snr4 ,!ophilo ,braga4 ,pdem disput>-lhe qualqu] outra especie de gloria1 m5os e/a1 j no pequ5a1 de iniciador4 ,a consid]ao d que ha de viril e quasi h]oico na attitude dos exploradores1 faz-nos vr na sua obra mais a9da o valor d'uma aco pessoal d que o das concluses sci5tificas1 e d-lhe um m]ecim5to indep5d5te das muitas imp]feies e lacunas1 que s]ia pu]il pret5d] dissimul>4 ,com effeito1 a sua gloriosa iniciativa comp5sada1 como g]alm5te acontece aos iniciadores1 por defeitos graves3 d\s1 que resumem e d'onde se orig9am todos os outros3 a impaci5cia1 que leva a concluses prematuras1 e o espirito sy/ematico1 que leva a concluses falsas4 ,por um lado1 uma v]dura 7se assim se pde diz]7 de !orias e explicaes mais ou m5os phantasiosas1 e por outro lado uma inflexibilidade canonica na applicao /ricta de c]tas =mulas aos problemas os mais complexos1 do muitas vezes aos seus livros aquella feio s+ul> de inconsi/5cia e ao mesmo tempo de dogmatismo1 de av5turoso e juntam5te de acanhado1 que c>act]isa os trabalhos sem prec$5tes1 filhos da febre da innovao e d isolam5to4 ,o gr&e m]ecim5to d'e/es livros pde diz]-se que consi/e a9da mais em t] levantado z que/es d que em tel-z def9itivam5te resolvido4 ,ha1 todavia1 lados v]dadeiram5te solidos nas obras d snr4 ,!ophilo ,braga4 ,o seu tal5to muito mais analytico d que g5]alisador2 d'aqui1 a inf]ioridade relativa das suas apreciaes philosophicas1 comp>adas com os seus trabalhos propriam5te criticos4 ,n'e/es1 que con/ituem a p>te mais sria e fecunda da sua obra1 encontramos os processos da sci5cia1 como os tem compreh5dido os me/res d'e/e seculo1 applicados g]alm5te com disc]nim5to1 com uma grave despreoccupao de tudo o que no a logica e a v]dade1 e d&o resultados positivos1 muitos dos quaes se devem consid]> def9itivos4 ,di/+uem-se por e/as qualidades1 entre os volumes da sua gr&e hi/oria da litt]atura portugueza1 j publicados1 os e/udos sobre ,s de ,mir&a e a sua escla1 sobre os poetas palacianos d seculo ,,xv1 e sobre o !atro portuguez nos seculos ,,xvii e ,,xviii4 ,ha novidade e ao mesmo tempo segurana em muitas p>tes d'aquelles e/udos3 entrevem-se z revolues litt]>ias1 no que ellas tem de mais intimo1 i/o 1 nas suas relaes com os co/umes e z op9ies que se trans=mam2 assi/e-se ao nascim5to e decad5cia das esclas2 vem-se z razes d progresso de c]tos g5]os1 d e/acionam5to ou e/]ilidade de c]tos outros4 ,ha alli v]dadeiras descob]tas biographicas e *ronologicas1 e mais d'uma aproximao feliz que lana uma luz nova sobre os assumptos4 ,apes> da fraqueza e s vezes pu]ilidade de c]tas induces1 d abuso da intuio como processo sci5tifico1 da nimia importancia dada a p>ticul>idades insignificantes1 da repetio e di/ribuio p\co logica das mat]ias1 deve e/a p>te da obra d snr4 ,!ophilo ,braga 7a analytica e critica7 s] consid]ada no s como o que ha de mais solido no edificio levantado por suas mos laboriosas1 mas a9da como um trabalho em si1 de indisputavel valor4 ,o lado inf]ior e fragil1 a meu vr1 so z !orias g]aes1 a p>te philosophica4 ,s5te-se que no essa a vocao d tal5to d snr4 ,!ophilo ,braga4 ,ao mesmo tempo *im]ico e sy/ematico1 d s suas d\tr9as g]aes uma feio dogmatica1 que lhes tira aquelle pod] de ductilidade e compreh5so1 sem o qual uma !oria1 p>a accommod> os factos ao seu rigor inflexivel1 tem de os =ar umas vezes e outras vezes de os pr de lado--i/o 1 no passa d'uma pura ab/raco4 i/o o que torna ab/rusas c]tas obras1 como a ,poesia d ,direito1 por exemplo4 i/o mesmo o que encontramos na maneira por que o snr4 ,!ophilo ,braga compreh5de e explica a philosophia da hi/oria litt]>ia portuguesa4 ,segu9do ,s*legel e a escla romantica allem d comeo d'e/e seculo1 tom\ uma !oria incompleta e d'uma applicao muito p>ticul> por um pr9cipio univ]sal1 applicavel a todas z litt]aturas1 e fez della o molde em que a litt]atura portugueza devia entr>1 c\te qui c\te4 ,sabe-se que aquella escla consid]ava a litt]atura1 juntam5te com todas z outras frmas da civilisao1 direito1 arte1 etc41 como a expresso g5u9a d g5io da raa1 subord9&o a nacionalidade1 em todas z suas manife/aes1 a um ponto de vi/a puram5te e?nologico4 ,s a raa1 na sua espontaneidade nativa1 era v]dadeiram5te criadora1 s ella orig9al3 a tradio1 como intrusa1 devia consid]>-se o elem5to e/]ilisador1 e z obras por ella inspiradas falsas1 anti-nacionaes4 ,applic&o e/es pr9cipios s soci$ades que se =m>am na ,europa sobre z ru9as d imp]io romano1 a escla romantica oppoz cultura tradicional o g5io popul>1 ao romanismo z nacionalidades4 ,viu por toda a p>te o dualismo2 d'um lado1 o espirito mon>*ico e ecclesia/ico1 =mali/ico e e/reito1 cons]vador das tradies lat9as3 d outro lado1 o povo1 todo espontaneo1 traduz9do a orig9alidade d seu g5io em criaes livres e v]dadeiram5te inspiradas3 por toda a p>te uma raa orig9al luctava contra tradies e/]ilisadoras1 que t5tavam suffocal-a4 ,a idade mdia fra o !atro d'esse combate3 a ,r5asc5a e os seculos ,,xvii e ,,xviii p>ec]am1 com a influ5cia univ]sal d classico1 d> o triumpho def9itivo ao espirito tradicional2 porm o seculo ,,xix1 a gr&e era das re9v9dicaes1 ergu5do a b&eira d romantismo e das nacionalidades1 ia evoc> de novo o g5io das raz1 adormecido no seio d povo1 retemp]&o z naes no baptismo sagrado das orig5s4 ,quem no v o que ha de falso n'e/a ^!1 apres5tada assim d'uma maneira absoluta8 mas quem no v tambem quanto ha de v]dadeiro e pr(undo no ponto de vi/a e?nologico1 desde o mom5to em que1 deix&o de s] o fundam5to d sy/ema1 se consid]e ap5as como um dos elem5tos compon5tes d'elle1 embora um dos mais consid]aveis8 ,quem no v1 sobretudo1 a fecunda influ5cia d'esse ponto de vi/a sobre os e/udos litt]>ios1 o conhecim5to das orig5s1 a compreh5so das criaes popul>es1 a r5ovao da critica8 ,pde diz]-se que o que ha de mais falso n'e/e sy/ema s] um sy/ema2 porque1 cont5do muita v]dade1 no a v]dade toda4 muito mais incompleto d que erroneo2 porque1 se o g5io de cada raa =nece com effeito os elem5tos e como que a mat]ia prima das civilisaes1 a cultura e a tradio repres5tam o trabalho de ap]feioam5to d espirito humano1 accumulado1 que des5volve aquelles elem5tos e1 faz5do por assim diz] f]m5t> aquella mat]ia primitiva1 lhes d uma frma nova e sup]ior4 ,p>a os povos sem prec$5tes nem tradies d'um mundo ant]ior1 que comeam isolados o trabalho da civilisao desde os seus inicios1 e cujas criaes repres5tam ap5as o fundo orig9>io =necido pelo c>act] da raa1 como fram os indios desde o ,rig ,v$a at ,kalidassa1 os gregos at ,alex&re1 e os sc&9avos at conv]so ao *ri/ianismo1 p>a esses aquella !oria rigorosam5te v]dadeira4 ,mas como applical-a ,europa da idade mdia1 a esse mundo to complexo1 e que1 com s] fundado sobre a ru9a d imp]io romano1 todavia uma cont9uao e em gr&e p>te um des5volvim5to da civilisao romana8 ,na vida dos povos mod]nos entr>am desde o b]o en]gicos elem5tos lat9os que1 absorvidos com maior ou m5or sympa?ia1 em maior ou m5or quantidade1 e comb9ados com os elem5tos primitivos1 con/ituiram o temp]am5to p>ticul> de cada uma d'essas naes1 o seu g5io nacional4 ,esse g5io pois complexo1 e complexo o c>act] das suas criaes3 r$uzil-z a um pr9cipio unico qu]] de proposito acanh> a hi/oria1 proscrev5do arbitr>iam5te pocas inteiras4 ,a orig9alidade de cada uma das mod]nas litt]aturas da ,europa e/1 no em repres5t> os c>act]es primitivos de tal ou tal raa1 mas sim os mom5tos de des5volvim5to d'esses c>act]es1 na sua comb9ao gradual com aquelles elem5tos e/ranhos1 que1 sob frma de tradio1 con/ituem ha mais de d\s mil annos o fundo commum da civilisao europa4 ,n'e/es t]mos1 a !oria romantica tem o seu valor e a sua applicao4 ,applica-se tanto mais quanto m5os romanisado 7i/o 1 civilisado7 foi o povo cuja litt]atura se e/uda2 mais ,allemanha d que ,frana2 muito ,+lat]ra1 muito p\co ,italia2 muito mais ,hespanha d que a ,portugal2 em absoluto1 a n5hum se pde applic>4 ,a mesma litt]atura allem 7sahida da raa que m5os elem5tos lat9os absorveu7 s] por v5tura exclusivam5te g]manica8 ,s]ia um p>adoxo affirmal-o4 ,d seculo ,,ix em diante a pureza d elem5to g]manico alt]a-se1 e cada vez mais turvo segue de seculo p>a seculo4 ,o gr&e fundador da litt]atura allem1 ,lu!ro1 que comea com a ,re=ma a reaco d g]manismo contra o romanismo1 repres5t> acaso na sua obra1 nas suas idz1 nos seus escriptos1 o elem5to g]manico puro1 e/reme1 exclusivo8 ,pelo contr>io1 se o c>act] de ,lu!ro ess5cialm5te allemo1 a d\tr9a de ,lu!ro essa quasi completam5te extra-allem1 filha da ,biblia hebraica e d platonismo grego4 ,e ,leibnitz8 e ,less+8 e ,goe!1 o velho pago8444 ,se os romanticos allemes quizessem s] completam5te logicos1 t9ham de faz] t]m9> o p]iodo nacional da litt]atura allem no seculo ,x1 com os ,niebelung51 ou qu&o muito no seculo ,,xvi1 com os ,mei/]sa5g]3 d'ahi por diante em p>te alguma se encontra o g]manismo puro4 ,e todavia1 no seculo ,,xvi que v]dadeiram5te comea a gr&e poca d p5sam5to allemo6 ,eis z insoluveis difficuldades que levanta o sy/ema e?nologico applicado s litt]aturas mod]nas1 a9da mesmo quellas em que mais visiveis so z influ5cias de raa4 ,que s] ento1 se o quiz]mos applic> a uma nao sem base e?nographicam5te def9ida1 como a portugueza1 criao da politica e no da natureza1 das in/ituies e no da raa1 e que mais que n5huma outra1 talvez1 absorveu e fez seu o g5io da civilisao romana8 ,evid5tem5te1 a !oria romantica no pde t] aqui s5o uma applicao muito limitada e muito secund>ia3 e por t] desconhecido esses limites que o snr4 ,!ophilo ,braga1 colloc&o-se exclusivam5te no ponto de vi/a e?nologico1 no conseguiu1 apes> da sua compet5cia sci5tifica e provada capacidade1 d> s5o uma soluo incompleta e muitas vezes =ada ao problema da sy/ematisao e explicao g]al da litt]atura portugueza4 ,dom9ado pela necessidade de d> por fundam5to ao g5io nacional o g5io d'uma raa primitiva e sui g5]is1 teve1 por assim diz]1 de inv5t> p>a ,portugal essa raa primitiva4 ,e/5deu um facto p>ticul> de c]tas prov9cias1 a exi/5cia das populaes mos>abicas1 a todo o paiz2 e1 trans=m&o esse ph5om5o puram5te social em ph5om5o e?nologico1 fez dos mos>abes uma raa di/9cta1 cuja pr(unda espontaneidade1 apes> de prematuram5te suffocada1 se revel\ em criaes s5tim5taes1 que o snr4 ,!ophilo ,braga laboriosam5te trata de descobrir1 e que1 segundo elle1 t]iam dado litt]atura portugueza uma feio orig9al1 se a tradio classica no tivesse ob/ado ao des5volvim5to livre d'esse cyclo v]dadeiram5te nacional4 ,e/a e/]ilisadora tradio classica v-a o snr4 ,!ophilo ,braga repres5tada na ari/ocracia a/uroleoneza romanisada1 au?orit>ia e imitadora4 ,a ari/ocracia1 pela in/ituio mon>*ica1 pelo ca?olicismo1 pelo prov5alismo1 depois pela re=ma dos =aes1 o direito romano e o pod] absoluto1 suffoca o livre g5io mos>abico e faz da litt]atura portugueza1 que nas mos poeticas d mos>abe promettia s] um j>dim ori5tal1 um tri/e des]to de imitaes e/]eis e infesadas1 onde s por milagre a seiva primitiva faz de longe em longe reb5t> alguma flr do5tia1 fadada a morr] sem se propag>4 ,d'aqui conclue o snr4 ,!ophilo ,braga que litt]atura v]dadeiram5te nacional nunca *eg\ a hav] entre ns4 ,expr e/a d\tr9a1 nas suas concluses extremas1 quasi refutal-a4 ,nem z populaes mos>abicas con/ituiram uma raa1 nem a rea por ellas occupada se e/5deu a todo o paiz1 nem na soci$ade portugueza exi/iu nunca o suppo/o dualismo1 a opposio d mos>abe plebeu e d ari/ocrata godo3 nada d'i/o se pde prov> sci5tificam5te1 nem mesmo racionalm5te conjectur>4 ,os mos>abes1 i/o 1 os *ri/os1 que1 t5do acceitado o dom9io dos arabes1 viviam no meio d'elles1 adopt&o-lhes os co/umes1 mas cons]v&o a antiga religio1 no =m>am um grupo e?nographicam5te classificavel3 eram1 como a9da hoje toda a populao da ,p59sula1 exceptuados os ,bascos1 um mixto =mado pelo sangue ib]o1 romano1 godo e arabe1 em propores extremam5te v>iaveis de regio p>a regio4 ,que tem i/o que vr com uma raa p>ticul>m5te portuguesa8--,depois1 essas populaes mos>abicas p\co se e/5d]am ao norte d ,mondego3 ora1 exactam5te d ,mondego p>a o norte que residiu durante os primeiros seculos a =a da nacionalidade portugueza1 d'ahi que p>tiu o gr&e impulso emancipador4 ,no fram pois os mos>abes os fundadores d'essa nacionalidade1 nem os criadores d seu c>act] p>ticul>4 ,temos vivido e vivemos a9da hoje d'esse espirito de intrepida p]sonalidade1 que fez ento ergu]em-se os hom5s en]gicos d norte de ,portugal1 no d g5io mos>abe1 que 7a9da que tivesse exi/ido7 s]ia sempre secund>io4 ,f9alm5te1 a opposio d mos>abe e d ari/ocrata godo r$uz-se simplesm5te opposio da plebe e da ari/ocracia1 facto social e no e?nologico1 g]al em toda a ,europa1 e que nada tem que vr com a orig9alidade das litt]aturas4 ,a ari/ocracia1 durante seculos1 no esmag\ ou suffoc\ o espirito das populaes inf]iores1 nem entre ns nem em p>te alguma3 civilis\4 ,deposit>ias das tradies romanas e1 ao mesmo tempo1 repres5tantes d g5io de cada nacionalidade1 no que elle t9ha de mais en]gico1 z ari/ocracias ex]c]am uma legitima influ5cia iniciadora1 e1 durante #fjj ou #gjj annos de =midavel tumulto h]oico1 dispoz]am os elem5tos com que z mon>*ias da ,r5asc5a con/ituiram def9itivam5te z naes mod]nas4 ,d> ari/ocracia um papel todo negativo qu]] r$uzir ao absurdo1 com uma p5nada1 sete seculos da hi/oria da ,europa e contradiz] um dos resultados mais seguros da mod]na sci5cia hi/orica1 a classificao dos elem5tos sociaes e a importancia de cada qual na obra commum4 ,o erro dos pr9cipios v-se sobretudo nas concluses4 ,com effeito1 uma vez e/abelecido o dualismo e consid]ado o povo portuguez como mos>abe1 e o mos>abe como s inspirado e criador1 toda a litt]atura culta t9ha =osam5te de s] condemnada pelo snr4 ,!ophilo ,braga1 como anti-nacional1 receb5do fros de nacionalidade sm5te a poesia popul>3 tudo mais no passa de imitao1 copia s]vil1 e1 como tal1 e/]il e sem importancia aos olhos da philosophia4 ,e/a l>ga p>te da imitao na nossa litt]atura descobre-a o snr4 ,!ophilo ,braga com exempl> erudio e excell5te critica1 mo/r&o cl>am5te z influ5cias prov5al1 franceza1 hespanhola e italiana a que ob$eceu a litt]atura portugueza4 ,mas no no facto das imitaes que e/ a que/o4 ,esse facto no se d s comnosco2 d-se em todas z litt]aturas das naes da ,europa ento cultas4 ,a influ5cia prov5al fez-se s5tir na ,frana1 na ,italia1 na ,hespanha e at na ,allemanha2 os poemas francezes =am1 por seu turno1 traduzidos e imitados por toda a p>te na idade mdia1 e z litt]aturas hespanhola e italiana tiv]am tambem o seu mom5to de se torn>em europz4 ,que prova i/o8 ,prova simplesm5te que j na idade mdia a ,europa =mava uma especie de conf$]ao moral1 e que a troca dos p5sam5tos1 das descob]tas1 das criaes arti/icas era j ento uma lei natural p>a naes todas *ri/s1 h]deiras todas da civilisao romana4 ,mas essa troca no implica a abdicao das orig9alidades nacionaes4 ,na adopo das idz e/rangeiras cada povo recebe o que convm ao seu temp]am5to p>ticul>1 d-lhe uma feio propria1 e pde mo/r> a orig9alidade d seu g5io d5tro das frmas recebidas dos outros4 ,p\cas1 p\quissimas obras orig9aes1 no s5tido exclusivo e absoluto em que o snr4 ,!ophilo ,braga toma e/a palavra1 nos apres5tam z litt]aturas dos povos a9da os mais criadores3 n'esse s5tido no orig9al ,virgilio1 nem ,dante1 nem ,cames1 nem ,lope de ,vega1 nem ,%akespe>e1 nem ,corneille1 nem ,goe!4 ,mas z litt]aturas apres5tam-nos muitas obras primas1 =madas d'uma maneira nova e orig9al com elem5tos e/ranhos ou j conhecidos4 ,por essas1 to bem como pelas outras1 se pde avali> o c>act]1 z t5d5cias1 o g5io emfim d povo que z produziu1 e quanto ba/a p>a se pod] affirm> que esse povo teve ou tem litt]atura e que essa litt]atura orig9al4 ,o g5io1 em g]al1 e em p>ticul> o g5io nacional1 consi/e muito mais na maneira propria de dispr os mat]iaes h]dados ou empre/ados1 d que na criao1 como que inteiria e d'um jacto1 de elem5tos completam5te novos e sem prec$5tes--proles s9e matre creata4 ,ora a humanidade vive sobretudo de tradies1 e ha p>a os povos como p>a os individuos um v]dadeiro ens9o mutuo1 pelo qual cada um1 sem deix> de s] o que 1 aproveita da exp]i5cia e d trabalho dos outros4 ,o snr4 ,!ophilo ,braga1 que poeta e bom poeta1 e alm d'isso homem de go/o e consci5cioso1 por si apreci>ia o valor d'e/as v]dades1 se o espirito sy/ematico no obscurecesse o seu bom juizo em se trat&o da litt]atura portugueza4 ,qu] i/o diz] que z suas idz1 por incompletas1 sejam inteiram5te e/]eis p>a a hi/oria da nossa litt]atura8 ,por frma alguma4 ,n+uem1 melhor d que o snr4 ,!ophilo ,braga1 compreh5deu a alta significao da nossa poesia popul>1 que e/ud\ com v]dadeiro amor e respeito religioso3 e e/e s5tim5to d primitivo e d espontaneo deve-o ao seu ponto de vi/a e?nologico4 ,por e/e s5tim5to pde com muito tacto discrim9> a p>te da imitao e de conv5cional nas obras da poesia culta1 embora1 a meu vr1 concluisse mal d facto d'essa imitao4 ,por elle pde c>act]is> c]tas physionomias orig9aes1 at aqui mal compreh5didas1 ,gil ,vic5te1 por exemplo4 ,em tudo i/o a sua critica excell5te4 ,e por isso mesmo que os apreciadores d tal5to e das obras d snr4 ,!ophilo ,braga devem1 me p>ece1 faz] votos p>a que a sua s5sivel imag9ao o no s$uza1 com vagas mirag5s1 p>a fra d campo dos trabalhos de analyse e critica1 que so a sua vocao1 arra/&o-o p>a z regies p]igosas da syn!se e da philosophia1 onde a imag9ao e o s5tim5to1 essas fadas encantadoras1 se trans=mam muitas vezes em p]fidas ond9as e s]eias1 p>a mal de quem z segue com muito c&ida confiana4 ,,ii ,se a escla e?nologica e/ repres5tada1 entre os escriptores novos1 pelo snr4 ,!ophilo ,braga1 a escla social e hi/orica--a unica1 talvez1 a que propriam5te se devra d> o nome de philosophica--acaba de a*> igualm5te entre ns um digno repres5tante n'um escriptor moo e d maior futuro1 o snr4 ,oliveira ,m>t9s1 que n'um livro rec5te e/ud\ a proposito de ,cames 7e p>a nos explic> ,cames71 a litt]atura portugueza d seculo ,,xvi1 no ponto de vi/a l>go e compreh5sivo1 ao mesmo tempo politico e psy*ologico1 que c>act]isa e/a ultima escla4 ,n'e/e ponto de vi/a1 a litt]atura d'um povo1 consid]ada como um todo symetrico1 uma obra gigantesca e collectiva1 apres5ta-se como a expresso d seu espirito nacional1 det]m9ado no por tal ou tal elem5to primitivo e1 por assim diz]1 physiologico1 mas pelos elem5tos complexos1 uns fataes outros livres1 uns criados outros h]dados1 cuja syn!se con/itue a ida da sua nacionalidade--raa1 in/ituies1 religio1 tradio hi/orica1 e vocao politica e economica no meio dos outros povos4 ,a ida nacional1 na sua evoluo1 det]m9a gradualm5te o que se pde *am> o temp]am5to da nao2 e1 se e/a surda f]m5tao se manife/a em tudo1 nos seus actos e nos seus p5sam5tos1 revela-se sobretudo na sua imag9ao1 i/o 1 no seu ideal1 cuja expresso mais livre a arte e a litt]atura4 ,n'e/a invisivel circulao da seiva int]ior ha p]iodos1 p]iodos de revoluo1 de progresso1 de retrocesso1 de incubao ou de pl5itude de =z3 a e/es correspondem inv>iavelm5te os p]iodos arti/icos e litt]>ios1 com suas revolues1 suas v>iaes de int5sidade1 l5ta =mao de esclas1 morbidos e/acionam5tos1 subitas e inflammadas floresc5cias4 ,e1 como n'e/a vegetao collectiva1 cada ramo1 cada folha1 cada fructo1 se alim5ta com a seiva commum e tem uma vitalidade proporcional =a que trabalha o gr&e tronco1 o espirito individual acompanha o espirito nacional nas suas evolues1 gradua pela d'elle a sua int5sidade3 a sua lib]dade int]ior tem por limites1 realis&o-se1 z condies d meio em que se des5volve1 e o g5io d arti/a1 d poeta1 a9da qu&o prote/a e se revolta1 sempre adequado ao g5io d seu povo e da sua poca4 por aqui que a hi/oria litt]>ia se liga philosophia da hi/oria1 ou antes1 que faz p>te d'ella4 ,z gr&es pocas litt]>ias co9cidem com z pocas de pl5itude d s5tim5to nacional1 aquellas em que esse s5tim5to1 tom&o consci5cia de si1 se revela em obras h>monicas e complexas1 que so como que o fructo def9itivo da l5ta elaborao das in/ituies1 dos co/umes1 dos p5sam5tos4 ,reaes e juntam5te ideaes1 essas obras supremas dizem-nos ao mesmo tempo o que um povo foi e o que quiz s]1 descobrem-nos a sua aspirao intima e m>cam os limites d5tro dos quaes lhe foi dado realisal-a4 ,so o comm5t>io moral das revolues politicas e sociaes1 e como que os annaes da consci5cia nacional3 e1 p>a a philosophia1 na consci5cia que a hi/oria encontra a sua explicao def9itiva e a sua f9al ju/ificao4 ,o que diz ,cames a quem1 depois de o t] lido com olhos de homem de go/o1 o rel com olhos de philosopho8 ,cames1 responde o snr4 ,oliveira ,m>t9s1 diz-nos o segr$o da nacionalidade portugueza4 ,h\ve1 com effeito1 uma nacionalidade portugueza--por mais e/ranha que e/a affirmao nos p>ea1 a ns1 portuguezes d seculo ,,xix1 que no at9amos a encontr> no pres5te uma causa viv5di3 h\ve uma razo de s] tanto p>a z in/ituies como p>a os individuos1 e uma ida nacional1 espalhada como a alma collectiva por todo e/e corpo1 ento vivo e agil4 ,e no s h\ve uma nacionalidade portugueza1 mas essa nacionalidade1 sup]ior aos impulsos cegos da raa e fatalidade da geographia1 produziu-se como uma obra d es=o e da vontade1 no resultado de obscuros in/9ctos primitivos1 como um facto politico e moral1 no como um facto etimologico4 ,qu&o em ,hespanha no havia a9da s5o catales1 ca/elhanos1 leonezes e nav>ros2 em ,frana prov5aes1 gasces1 b\rgu9hes1 bretes2 em ,allemanha suabos1 au/riacos1 saxes1 hanov]ianos2 em ,italia tantos pequ5os e/ados rivaes quantas cidades1 e no se fazia bem ida d que fosse s] hespanhol1 francez1 allemo1 italiano1 porque e/as palavras ,frana1 ,hespanha1 ,allemanha1 ,italia designavam ap5as vagas agrupaes naturaes e no grupos organisados--em ,portugal havia s portuguezes1 e s] portuguez t9ha uma significao def9ida e precisa4 ,e/e o gr&e facto1 diz o snr4 ,oliveira ,m>t9s1 que faz d'elle o seu ponto de p>tida3 daqui1 a coheso politica da nao2 d'aqui1 a sua physionomia moral4 ,essa coheso a unidade2 essa physionomia o patriotismo4 ,o patriotismo1 pond]a ac]tadam5te o snr4 ,oliveira ,m>t9s1 c\sa muito di/9cta d amor da t]ra3 e o patriotismo1 como os portuguezes dos seculos ,,xv e ,,xvi o conceb]am1 foi um ph5om5o moral quasi unico na ,europa de ento1 e que os torn\ muito mais p>ecidos com os romanos antigos d que com os povos seus contemporaneos4 ,o patriotismo uma ida ab/racta1 que exc$e a capacidade toda s5tim5tal da raa2 o in/9cto naturali/a da raa d o amor da t]ra2 no vai mais alm3 s a ida nacional pde d> o patriotismo1 compreh5dido romana e portugueza4 ,o ,cid batalha mais d'uma vez contra os ca/elhanos1 ao lado dos arabes2 o conde/avel de ,b\rbon vira a sua espada av5tureira contra a ,frana que o viu nasc]2 nem por isso deixa o ,cid de s] um typo de bravura idealisado pelos hespanhoes1 e o conde/avel de ,b\rbon um leal cavalleiro p>a todos os cavalleiros de ,frana2 mas os ,p]eiras1 combat5do ao lado dos ca/elhanos em ,aljub>rota1 so malditos1 arr5egados2 e1 mais t>de o ,magalhes s] portuguez no feito1 porm no na lealdade3 apo/at>am da ida nacional4 ,eis a gr&e diff]5a4 ,e/a noo d patriotismo cria uma ordem de s5tim5tos p>ticul>es dos individuos p>a com a nao1 um modo de s] moral peculi>4 o dev] patriotico1 como o compreh5d]am em ,roma ,fabricio1 ,regulo1 ,cato1 em ,portugal ,ca/ro1 ,albuqu]que--o dev] patriotico1 cuja expresso suprema o h]oismo4 ,leia-se a hi/oria da ,europa at ao seculo ,,xvi3 abundam os bravos1 mas difficilm5te se encontr>o os h]oes1 segundo o typo magnanimo que a antiguidade realis\1 e que de novo e no seu ponto de vi/a realis\ ,portugal durante os seculos ,,xv e ,,xvi4 ,no peito illu/re lusitano havia ento alguma c\sa de gr&e e transc5d5te1 que impellia a nao p>a um de/9o extraord9>io e suscitava no meio d'ella os h]oes1 que deviam s]vir a ida nacional com a abnegao t5az e sup]ior com que se s]ve uma ida religiosa4 que o patriotismo uma especie de religio civil4 ,foi por essa religio que1 durante tres seculos1 nos erguemos no mundo1 p>a realis> um sonho gigantesco e quasi sobre-humano3 foi por ella tambem que cahimos exangues e desilludidos1 porque a realidade falt\ ao sonho1 porque todo o sonho1 com o seu idealismo1 se exalta primeiro1 p]turba depois1 transvia1 end\dece aquelles que envolve nas suas nevoas phanta/icam5te lum9osas1 mas sempre enganadoras4 ,a poca nacional portugueza1 por excell5cia1 o seculo ,,xvi4 ,tudo concorre ento p>a d> ao espirito dos portuguezes aquelle summo grau de t5so1 que produz os gr&es movim5tos nacionaes4 ,a nacionalidade rompe com impulso irresi/ivel os seus limites tradicionaes1 transborda frem5te como um rio caudaloso1 e affirma-se na sua pl5itude pelas descob]tas e pelas conqui/as4 ,d5tro1 a sua =a o resultado da sua conc5trao3 pela re=ma dos =aes1 pela mon>*ia absoluta1 pela expulso dos judeus1 att+e o maximo de unidade politica1 social1 religiosa1 i/o 1 o maximo de pod] sobre si mesma4 ,e/a en]gica coheso depura o s5tim5to nacional1 d-lhe uma segura consci5cia de si1 e leva-o quelle grau de t5so em que o patriotismo1 exalt&o-se1 se trans=ma n'uma especie de h]oismo univ]sal4 ,a nao faz-se h]oe3 o h]oismo a sua atmosph]a ord9>ia1 e todos p>ticipam mais ou m5os d'esse contagio sublimador4 ,d'aqui1 uma concepo p>ticul> da vida social1 d direito1 d dev]1 tanto p>a a nao como p>a os individuos4 ,s] portuguez alguma c\sa de especial1 um typo sui g5]is de virilidade e nobreza1 que todos procuram realis>1 e que a litt]atura idealisa1 de que ella se inspira na phase nova em que ento entra4 ,com effeito1 a e/a evoluo moral corresponde uma evoluo litt]>ia4 escla prov5al-ca/elhana1 lyrica1 av5tureira e romanesca1 succ$e a grave escla italiana1 com a feio nova que o espirito portuguez lhe deu1 adopt&o-a1 i/o 1 moral e epica4 ,ao trovador ,b]n&im ,ribeiro1 ao popul> ,gil ,vic5te succ$em ,s de ,mir&a e ,f]reira1 d\s romanos4 ,o velho typo cavalheiresco1 phantasioso e s5tim5tal1 empallidece diante d'esse outro que surge1 nobre e digno1 quasi sev]o1 o homem d dev]1 no da s5sibilidade1 que ,joo de ,b>ros1 ,f]reira e ,mir&a vo levant&o1 e que ,cames vir colloc> sobre o sublime p$e/al epico4 ,e/e typo1 o v]dadeiro typo portuguez d seculo ,,xvi1 como se revela nos ,lusiadas1 no com effeito uma m]a inv5o d g5io de ,cames3 uma g5u9a criao nacional1 um ideal d s5tim5to collectivo1 que se foi gradualm5te =m&o e depur&o1 at encontr> no gr&e poeta quem lhe dsse uma expresso def9itiva4 por isso mesmo que elle dom9a1 de toda a sua altura1 o p5sam5to e a obra de ,cames4 ,o que o poeta canta o h]oismo portuguez2 o peito illu/re lusitano3 e todo o seu poema se resume n'i/o1 como n'esse poema se resume toda a vida moral portugueza durante um seculo4 ,a razo intima dos acontecim5tos1 dos co/umes1 das op9ies encontra-se alli3 explicam-se por elle1 e s elles tambem o explicam completam5te4 ,o poema e a soci$ade so por seu turno texto e glosa que mutuam5te se comm5tam4 ,n'e/e ponto de vi/a1 hi/orico e psy*ologico1 no no ponto de vi/a m]am5te litt]>io d'uma e/]il poetica de conv5o1 que os ,lusiadas devem s] e/udados e compreh5didos--e cabe ao snr4 ,oliveira ,m>t9s a gloria de t] sido o primeiro a fazel-o1 a gloria de t] comm5tado philosophicam5te os ,lusiadas4 ,a e/a luz tudo se explica na concepo d poema e na sub/ancia moral d'elle3 p]cebe-se a razo d'e/e e/ranho ph5om5o1 e/ranho e unico1 d app>ecim5to d'um v]dadeiro poema epico nacional em pl5a idade mod]na4 ,i/o em quanto concepo4 ,em quanto1 porm1 a c]ta ordem de s5tim5tos1 que1 no ponto de vi/a epico1 so secund>ios1 mas que occupam um gr&e log> no poema1 p>a os compreh5d] faz-nos o snr4 ,oliveira ,m>t9s consid]> outro lado da physionomia to complexa de ,cames e da sua poca4 ,com effeito1 se ,cames um portuguez d seculo ,,xvi1 ao mesmo tempo um arti/a da ,r5asc5a2 d'aqui todo um lado dos ,lusiadas1 que exc$e a ida nacional1 e por onde e/e pr(undo poema se liga1 no j vida necess>iam5te e/reita d'um simples povo1 mas ao va/o movim5to d espirito humano nos tempos mod]nos4 ,sem e/e lado1 a significao dos ,lusiadas s]ia m]am5te nacional e local1 no europa e univ]sal3 t]iam s um valor hi/orico e no philosophico tambem4 ,mas ,cames1 portuguez pelo c>act] e pelo corao1 era pela intellig5cia mais d que portuguez sm5te4 ,respirava a atmosph]a subtil e vivificante da ,r5asc5a3 no seu va/o espirito1 como no dos gr&es arti/as d'esse tempo1 havia um lado my/]ioso e pr(undo que se virava1 no p>a o passado ou p>a o pres5te1 mas p>a o illimitado futuro1 pres5t9do j a revoluo moral dos seculos ,,xviii e ,,xix4 ,se ,cames1 como portuguez patriota e h]oico1 como homem da ,r5asc5a pan!i/a2 pan!i/a platonico e ideali/a1 j se v1 como ,miguel ,angelo1 ,leon>do de ,v9ci1 ,%akespe>e4 ,portuguez1 exalta os feitos por onde o seu povo conqui/a entre z naes um log> proem95te3 homem da ,r5asc5a1 s5te e int]preta a natureza com um naturalismo impregnado de idealidade1 que mais a9da o pres5tim5to d'um mundo moral novo1 d que uma imitao da antiguidade pag4 ,o s5tim5to pan!i/a da natureza1 s5tim5to todo mod]no1 e que devia mais t>de *eg> pl5itude em ,r\sseau1 ,goe!1 ,hugo1 app>eceu pela primeira vez em ,cames4 ,d'aqui1 o c>act] d seu espanto em face dos gr&es ph5om5os m>itimos2 d'aqui1 a concepo d ,adama/or2 d'aqui1 o s5sualismo da primeira p>te d canto ,,xi e o idealismo da ultima4 por e/e lado que ,cames toma log> entre os gr&es espiritos1 os ,lusiadas entre z gr&es obras dos tempos mod]nos4 ,a imag9ao prophetica d poeta anticipa tres seculos na hi/oria psy*ologica da humanidade4 ,com todos e/es elem5tos1 uns portuguezes1 outros europeus1 uns locaes1 outros univ]saes1 recompe o snr4 ,oliveira ,m>t9s a physionomia complexa de ,cames e dos ,lusiadas1 com uma lucidez e segurana de critica v]dadeiram5te surpreh5d5tes p>a quem consid]> a completa novidade d seu trabalho4 ,a sua lum9osa syn!se abraa o poeta1 a obra e a poca3 e pela poca1 pelo poeta e pela obra faz-nos s5tir a intima realidade da nao e a sua razo de s] hi/orica4 ,e n'essa mesma syn!se compreh5de-se tambem a sua decad5cia2 triplice decad5cia1 politica1 moral1 litt]>ia4 ,como8 pela decad5cia da ida nacional4 ,com effeito1 o patriotismo h]oico d ,portugal d seculo ,,xvi cont9ha em si mesmo os g]m5s da propria dissoluo4 ,era gr&e1 mas no era ju/o3 ora nada dura no mundo s5o pela ju/ia4 ,t9ha fatalm5te de se corromp] essa orgulhosa ida nacional1 fundada na viol5cia da conqui/a1 na intol]ancia religiosa e no despotismo politico4 ,os vicios int]iores d organismo nacional app>ec]am bem depressa3 app>eciam j no tempo de ,cames3 nos ,lusiadas encontram-se de vez em qu&o e/rophes sombrias1 que so como um lugubre cras enim moriemur lanado no meio das alegrias d'aquelle fe/im h]oico4 ,era o futuro velado e lutuoso que o poeta entrevia n'um deslumbram5to prophetico4 ,a nao e/ava1 com effeito1 condemnada4 ,o h]oismo que tem de dur> lana z suas raizes na regio mais inalt]avel1 mais incorruptivel da consci5cia humana1 e z d nosso no *eg>am l3 foi uma especie de sezo nacional2 no foi um acto reflectido1 filho da lib]dade moral1 um es=o supremo pela ju/ia2 foi ap5as um egoismo sublime4 ,por isso1 m>tyres da propria obra1 a nossa qu$a foi *eia de tri/eza e confuso1 nem nos fic\ no ro/o a s]5idade lum9osa dos v]dadeiros m>tyres4 ,z pag9as au/]as em que o snr4 ,oliveira ,m>t9s e/abelece e/a di/9co entre o h]oismo da consci5cia e o da fatalidade1 e mo/ra ,portugal condemnado por aquillo mesmo que fiz]a a sua virtude e a sua gr&eza1 so das mais gravem5te p5sadas que se tem escripto na nossa l+ua4 a v]dadeira philosophia da hi/oria aquella sua1 que r$uz e subord9a toda a actividade humana consci5cia e ju/ia4 ,a inju/ia da ida nacional1 como os portuguezes ento a conceb]am1 corrompeu gradualm5te z in/ituies1 infiltr\-se nos espiritos e p]v]teu os co/umes3 a soci$ade1 m9ada int]iorm5te1 vacill\1 em despeito d espl5dor m5tiroso que ext]iorm5te a ve/ia1 e comeou a desab>4 ,o snr4 ,oliveira ,m>t9s des5h\ com mo segura e vivissimo colorido o quadro das implacaveis realidades1 que1 produzidas pelo h]oico idealismo portuguez1 se vir>am contra elle1 o vici>am e acab>am por de/ruil-o4 ,a nao1 atacada d'e/e modo nos seus orgos mais vitaes e na mesma alma1 que podia produzir no mundo d espirito1 da arte1 da litt]atura8 decad5cia social e moral t9ha necess>iam5te de correspond] a decad5cia litt]>ia4 ,um desregram5to do5tio das imag9aes privadas de ideal1 depois um e/reito classicismo e uma poetica de academias1 succ$]am livre e fecunda expanso d g5io portuguez no mundo d s5tim5to e da phantasia4 ,a idea nacional lev\ comsigo p>a a cova o segr$o das criaes poeticas4 ,d seculo ,,xvi at hoje no produziu ,portugal uma unica obra arti/ica ou litt]>ia v]dadeiram5te nacional4 ,de vez em qu&o1 n'alguns mom5tos excepcionaes1 o g5io d'alguns hom5s tem-se levantado como um prote/o1 e tem-se vi/o a9da uma ou outra obra viva4 ,mas essa inspirao toda individual1 no nacional3 um producto natural1 que pde demon/r> que a raa no morreu com a nacionalidade1 no filha d'um s5tim5to commum e como que organico da soci$ade portugueza4 ,a decad5cia nacional o gr&e facto inexoravel da nossa hi/oria1 vai em tres seculos3 a decad5cia litt]>ia uma frma d'ella1 nada mais4 ,decad5cia irrem$iavel8 p]gunta o snr4 ,oliveira ,m>t9s1 nas ultimas pag9as d seu livro4 ,no6 responde-lhe a philosophia revolucion>ia4 ,a nossa r5ovao moral e litt]>ia s] possivel no dia em que1 pela re=ma das in/ituies sociaes1 por uma nova e melhor compreh5so da ju/ia1 comece outra vez o espirito a circul> n'e/e gr&e corpo1 mais in]te a9da d que acabado1 volte a animal-o uma alma1 um ideal collectivo4 ,ento ,portugal t] de novo uma razo de s]1 e a ida nacional1 mais brilhante e mais qu5te depois d seu eclipse secul>1 f> reb5t> outra vez fructos e flres d'e/e *o endurecido sim1 mas debaixo d qual ha a9da 7embora a gr&e pr(undidade7 fontes vivas em abundancia4 ,z gr&es aces s]o outra vez possiveis1 e um melhor e mais alto h]oismo3 por elle s]o no s possiveis1 mas quasi inevitaveis os gr&es p5sam5tos poeticos4 ,a r5ovao litt]>ia de ,portugal correlativa com a sua r5ovao social e e/ dep5d5te d'ella3 a concluso d livro d snr4 ,oliveira ,m>t9s1 concluso que todos devemos aceit>1 no como uma vaga esp]ana1 mas como uma v]dade philosophica cuja realisao no dep5de s5o d nosso es=o1 da en]gia d nosso s5tim5to moral4 ,somos os op]>ios d nosso proprio de/9o1 e desde j z nossas mos o vo ap]feio&o3 t] a frma que lhe d]mos4 ,n'e/e trabalho solemne da r5ovao nacional1 gr&e a t>efa que e/ talhada p>a a g]ao nova1 e imm5sa a sua responsabilidade6 ,e/> ella1 pela intellig5cia e pelo corao1 pela sci5cia e pela virtude1 altura d'e/a obra au/]a e =midavel8 ,muitos o duvidam1 v5do-lhe no ro/o uma pallidez de mau ag\ro444 ,no me cabe a mim decidil-o3 direi sm5te que 7quaesqu] que t5ham de s] os nossos de/9os7 p>a d>em te/emunho das int5es srias d'uma p>te consid]avel da nossa g]ao1 d seu espirito r5ovador1 da sua aspirao a uma melhor sci5cia1 ba/>o em todo o tempo obras como a ,hi/oria da litt]atura portugueza1 d snr4 ,!ophilo ,braga1 e o ,ensaio sobre ,cames1 d snr4 ,oliveira ,m>t9s4 #i de maio de #ahgb4 ,e/avam j escriptas e publicadas e/as pag9as1 qu&o app>eceu1 com o titulo de ,des5volvim5to da litt]atura portugueza1 a ,^! d snr4 ,p9heiro ,*agas1 p>a o concurso da #c4 cadeira no ,curso sup]ior de letras4 ,n'e/a res5ha das op9ies1 emittidas pelos escriptores da nova g]ao1 sobre o sy/ema g]al da nossa litt]atura1 fra inju/ia no consagr> algumas l9has ao trabalho d snr4 ,p9heiro ,*agas1 j pelo valor d trabalho em si1 j pela posio que seu au?or occupa entre os escriptores moos4 ,z concluses da ,^! d snr4 ,p9heiro ,*agas so z segu9tes3 #a4--,que o povo portuguez no con/ituido por uma raa especial1 a que se d o nome de mos>abe1 comprimida sempre e atrophiada nas suas criaes pela nobreza1 con/ituida por outra raa1 a que se d o nome de a/uriana4 #b4--,que nem z induces philologicas1 nem os factos hi/oricos1 p]mittem que se d ao povo portuguez uma origem g]manica1 e ari/ocracia uma origem lat9a2 que1 pelo contr>io1 se algum dos elem5tos con/itutivos da raa p59sul> prodom9a no povo1 deve s] o elem5to hispano-romano1 e na ari/ocracia o elem5to go?ico4 #c4--,que teve o povo portuguez1 durante a idade mdia1 uma vigorosa exi/5cia1 manife/ada politicam5te pela robu/a vida municipal1 litt]>iam5te pela sua collaborao nos va/os romanceiros p59sul>es1 e pelas *ronicas de ,f]no ,lopes4 #d4--,que a litt]atura ari/ocratica aceit\ a influ5cia prov5al1 a influ5cia da ,frana d norte1 e a influ5cia italiana1 como succ$eu nos outros re9os da ,p59sula4 #e4--,que no seculo ,,xvi a reao lat9i/a imp]\ aqui1 da mesma frma que em toda a ,europa1 mas que a orig9alidade d nosso povo se manife/\ com o vigor admiravel na epopa de ,cames1 no !atro de ,gil ,vic5te1 e nas *ronicas dos descobrim5tos4 #f4--,que a decad5cia da nossa litt]atura foi devida a tres causas deprim5tes3 o despotismo mon>*ico e c5tralisador1 que imp]\ em todas z raz neo-lat9as1 o despotismo religioso que actu\ com a mesma en]gia na ,italia e pr9cipalm5te na ,hespanha1 e a p]da da nossa nacionalidade1 que foi uma causa especial1 devida a fataes circum/ancias hi/oricas4 ,e/as concluses1 como o leitor v1 entram1 salvo leves diff]5z1 no ponto de vi/a das consid]aes que apres5tei1 tanto combat5do o sy/ema d snr4 ,!ophilo ,braga1 como expondo e comm5t&o o d snr4 ,oliveira ,m>t9s4 ,por isso no posso1 sem me repetir escusadam5te1 insi/ir n'e/es pontos4 ,concordo com o modo de vr to lucido e to realm5te portuguez1 sem deix> nunca por isso de s] sci5tifico1 d snr4 ,p9heiro ,*agas2 e folgo de me encontr> 7pelo m5os n'e/e s]5o campo da hi/oria litt]>ia1 onde se descana1 entre flres ideaes1 de tantas luctas que sep>am os hom5s de hoje7 em communho de vi/as com um espirito to g5til e cultivado4 ,desejo1 porm1 d> relevo a um ponto1 por onde a ,^! d snr4 ,p9heiro ,*agas p>ticul>m5te me impression\4 o c>act] em95tem5te nacional e 7v a palavra1 apes> de to conspurcada pelos v5dilhes de portuguezismo7 patriotico da sua critica4 ,a sci5cia1 essa gr&e pot5cia imp>cial1 essa patria commum de todos os espiritos bem nascidos1 e/ c]tam5te muito acima d patriotismo1 que tantas illuses (fuscam1 que tantas mis]ias at encobre s vezes debaixo da sua app>atosa toga pretexta4 ,mas essa pref]5cia e esse sacrificio d patriotismo sci5cia d-se s onde o patriotismo e/reito ou refalsado t5ta oppr-se lum9osa sci5cia1 franca e compreh5siva4 ,ento1 caia por t]ra1 seja d]rocado sem pi$ade o edificio ru9oso d orgulho d'um povo6 ,passe a luz da intellig5cia atravs das ru9as1 e purifique-z6--,mas no isso o que se d com a hi/oria litt]>ia portugueza4 ,c no exi/e ess5cialm5te tal opposio4 ,um l>go patriotismo p]feitam5te compativel com a imp>cialidade da critica1 no e/udo dos nossos poetas1 dos nossos escriptores1 durante #fjj annos1 que no =am sem gloria nem orig9alidade4 ,v\ mais longe4 ,direi que esse l>go e ju/o s5tim5to patriotico at indisp5savel p>a bem compreh5d] o que h\ve n'e/e povo1 na sua vida agitada1 dramatica1 h]oica1 a sua alma1 a sua realidade moral4 ,sim1 exi/imos6 e exi/imos como hom5s1 p5s&o1 s5t9do1 qu]5do1 obr&o4 ,crimos1 descobrimos1 combatemos2 e podemos diz] ao mundo3 ,aqui e/ o que ns ammos6 aqui e/ o que ns odimos6--,e o que i/o s5o s5tir-se portuguez e s] patriota8 ,e como1 sem i/o1 se pod] compreh5d] o que p5s>am e escrev]am portuguezes1 e p5s>am e escrev]am como portuguezes8 ,a sci5cia no contradiz i/o4 ,p>te1 pelo contr>io1 d'e/e ponto de p>tida4 ,e em nome d'ella que o snr4 ,p9heiro ,*agas diz com tanta v]dade como en]gia3 os portuguezes no so os prias litt]>ios da ,europa6 ,e/a affirmao d passado -nos necess>ia p>a pod]mos1 atravs d pres5te to *eio de melancolia1 crr e confi> n'um futuro melhor--e prep>al-o virilm5te4 ,que significa pois essa pseudo-escla1 que1 em nome de no sei que sonhada decad5cia das raz lat9as1 deprime sy/ematicam5te quanto teve ou tem o nome de portuguez1 e nos aponta o ideal d'um messianico g]manismo 7que nem talvez saiba def9ir71 de uma absurda supremacia das raz g]manicas1 como a unica salvao possivel8 ,e/ranha salvao1 com effeito1 p>a a qual necess>io comearmos por deix> de s] quem somos6 ,aconselham-nos que imitemos paci5tem5te1 sem critica e sem prote/o1 os exemplos dos nossos me/res e s5hores1 os allemes1 unicos p5sadores e sabios1 ao que p>ece1 sem v]em que imitao importa abdicao1 e que um povo que abdica d seu p5sam5to um povo que se suicida6 ,como se no ba/assem j z nossas mis]ias actuaes1 juntam-lhes mais e/a1 e capital3 a descr5a da nossa propria capacidade e da nossa vida moral4 e/e exactam5te aquelle maximo peccado1 que a ,igreja consid]\ sem remisso3 desesp]ao de se salv>4 ,no assim1 pelo desesp]o e abdicao1 que nos salv>emos4 ,no assim que quem e/ pro/rado se levanta2 esp]&o que alguem lhe d a mo4 ,esse tal jaz] et]nam5te4 ,sejamos ns mesmos4 ,t5hamos esse valor1 e tudo se torn> possivel4 ,antes de tudo1 convm cr]mos em ns mesmos1 no passado como no pres5te4 ,crr em si no ador>-se4 ,podemos t] essa cr5a1 sem santific>mos por isso os nossos vicios1 sem nos illudirmos sobre z nossas mis]ias antigas e mod]nas1 sem nos endurec]mos na nossa ignorancia e confuso4 ,podemos crr em ns1 e confess>mos os nossos erros3 quem se suicid\ s por que uma vez se reconheceu peccador8 ,se errmos e peccmos 7e peccmos e errmos ba/ante71 re=memo-nos corajosam5te1 mas segu9do sempre uma inspirao propria1 consult&o a nossa alma1 no a dos outros1 a voz da nossa consci5cia1 no a da consci5cia alheia4 ,foi i/o o que fez essa ,allemanha1 que nos impem como modlo os que talvez m5os a conhecem1 essa ,allemanha1 que eu admiro1 a quem devo muito1 mas a quem qu]o seguir livrem5te1 com um pl5issimo direito de critica1 e consult&o sempre os meus intimos in/9ctos de lat9o1 que s\ e no me env]gonho de s]4 ,a ,allemanha1 p]dida1 ensangu5tada1 esqu>tejada em #ahjh1 que fez p>a no morr] de todo8 que fez p>a volt> vida1 mais robu/a e sada d que nunca8 ,imit\ a ,frana v5c$ora8 r5eg\ d g5io g]manico8 no3 conc5tr\-se em si mesma2 appell\ p>a o seu g5io hi/orico1 e elle respondeu-lhe com inspiraes salvadoras4 ,foi1 mais que nunca1 allem4 ,sejamos1 pois1 ns todos1 francezes1 hespanhoes1 italianos1 portuguezes1 mais que nunca lat9os4 ,ha um g5io lat9o1 como ha um g5io g]manico4 ,a hi/oria o revela3 e1 qu&o a hi/oria fosse muda1 a nossa consci5cia brad>ia sempre1 d&o-lhe o seu nome4 a ,revoluo4 e/e o p5sam5to secul> das raz lat9as3 a revoluo moral1 politica e social4 ,conc5tremo-nos n'elle4 ,s a elle peamos inspiraes4 ,com essa f abal>emos montanhas4 ,o mom5to actual turvo1 c]tam5te2 mas a revoluo tem luz e calor ba/ante em si1 no s p>a dissip> um nevoeiro mom5taneo1 mas p>a d> vida a um cahos4 ,os g]manicos1 cuid&o-se orig9aes1 fazem imp]ios3 ns1 lat9os1 desfaamol-os4 ,re=mam velhas religies3 presc9damos ns d'ellas4 ,recon/ituem1 com os milhes d espolio1 uma nova ari/ocracia3 dmos ns aos povos a igualdade social4 4444444444444444444444444444444444444444 444444444444444444444444444444444 ,peo p]do ao snr4 ,p9heiro ,*agas4 ,j no e/amos tanto de accordo como ha p\co4 ,c]tam5te que no qu]] admittir todas z concluses que eu tiro da sua ,^!4 ,mas e/o l3 e/o no seu ponto de vi/a nacional e lat9o1 que o meu tambem4 ,o snr4 ,p9heiro ,*agas tem muito espirito p>a no s] revolucion>io1 no gr&e e v]dadeiro s5tido da palavra4 ,se eu lhe diss] que a sci5cia a ,revoluo1 e que a ,revoluo no mais d que a sci5cia1 toda a sci5cia1 applicada a todas z esph]as da actividade humana1 e feita vida--o snr4 ,p9heiro ,*agas de c]to me responde que1 assim1 tambem qu] s] revolucion>io4 ,ora a ,revoluo no outra c\sa4 ,e/udemos1 pois1 todos4 #bj de junho de #ahgb4 ,,fim