of public domain material from ,google ,book ,search7 ,,antero ,,de ,,quental ,,considera,,es ,,sobre ,a ,,philosophia ,,da ,,historia ,,litteraria ,,portugueza 7,a ,,proposito ,d',,alguns ,,livros ,,recentes7 #b4 ,,edi,o ,,porto ,,livraria ,,chardron ,,lello ,,irm,o1 ,,editores #aijd ,porto--,imprensa ,moderna ,,advertencia ,foi publicado originariamente este pequeno trabalho em folhetins no jornal o ,primeiro de ,janeiro4 ,parecendo1 porm1 a algumas pessoas de gosto que havia nas minhas consideraes verdade e justia sufficientes1 e que valeria a pena1 por isso1 dar mais alguma circulao s idas emittidas1 resolvo-me1 para satisfazer ao voto d'essas pessoas1 a imprimir parte estas paginas1 accrescentando-lhes algumas observaes1 suggeridas pelo escripto do snr4 ,m4 ,pinheiro ,chagas1 ,desenvolvimento da ,litteratura ,portugueza1 que s pude vr depois de publicados os folhetins4 ,a4 de ,q4 ,philosophia da ,historia ,litteraria ,portugueza ,os ,luziadas2 ensaio sobre ,cames e a sua obra1 em relao sociedade portugueza e ao movimento da ,renascena1 por ,j4 ,p4 de ,oliveira ,martins4 ,porto1 #ahgb4 ,theoria da ,historia da litteratura portugueza2 these para o concurso cadeira de ,litteratura moderna1 no ,curso superior de letras1 por ,theophilo ,braga4 ,porto1 #ahgb4 ,i ,a philosophia das litteraturas uma criao do nosso seculo1 cujo genio1 ao mesmo tempo subtil e profundo1 se revela sobretudo nos estudos historicos1 e a que um mixto particular de enthusiasmo e scepticismo1 de erudio e intuio1 d uma singular facilidade para penetrar o caracter das varias raas1 o espirito das varias idades e civilisaes4 ,uma maneira mais intima e juntamente mais larga de comprehender a humanidade e o individuo1 que caracterisa o pensamento moderno1 explica esta especie de condo magico com que o nosso seculo tem aberto os recessos obscuros1 em que a alma dos tempos antigos parecia haver-se para sempre sepultado1 defendida pelo silencio e pelo mysterio4 ,com effeito1 em quanto se no viu1 por um lado1 na humanidade um todo vivo1 cujos movimentos so determinados por leis naturaes e constantes1 embora complexas e obscuras1 e1 por outro lado1 no individuo1 dentro da humanidade1 uma fora1 no caprichosa1 mas coherente1 embora livre1 e cujas manifestaes so todas respeitaveis e legitimas1 tendo todas a sua razo de ser e o seu valor2 em quanto1 sobretudo1 se no comprehendeu que os momentos da historia no so contradictorios entre si1 mas representam varios termos d'uma serie por onde o espirito humano1 ascendendo1 se affirma1 transformando em parte as condies do meio em que se move1 e em parte subordinando-se a ellas1 e que1 por isso1 esses momentos no devem tanto ser julgados como comprehendidos2 em quanto este ponto de vista1 ao mesmo tempo idealista e scientifico1 se no estabeleceu--a historia critica1 intima1 psychologica1 era impossivel1 e impossivel tambem a philosophia da historia4 por esta razo que a critica e historia litterarias soffreram em o nosso tempo uma completa e profundissima renovao1 e que a historia philosophica das litteraturas s recentemente se pde constituir4 ,considerava-se1 ha #ajj annos ainda1 a obra litteraria como uma criao meramente individual1 determinada apenas pelo sentimento pessoal1 o genio1 as disposies do poeta3 no se via a relao estreita que ha entre a inspirao do individuo e o pensamento da poca1 a raa1 o meio social1 e o momento historico4 ,uma poetica1 to estreita quanto inflexivel1 media tudo1 as produces de povos e tempos os mais diversos1 por uma unica bitola1 o gosto1 e1 dominada pela preoccupao fanatica do classico1 bania da historia pocas e raas inteiras1 condemnadas como barbaras1 incultas1 rudes4 ,o que ha de mais caracteristico e muitas vezes de mais profundo na obra d'arte1 a revelao do sentir intimo dos homens nas diversas condies moraes e sociaes1 ficava d'este modo perdido para a critica1 era despresado em nome d'um ideal de perfeio uniforme1 em grande parte convencional1 e em todo o caso abstracto e1 por isso1 irrealisavel4 ,sabemos hoje que a esthetica1 sob pena de se excluir systematicamente da realidade1 no pde ser absoluta seno nas suas leis fundamentaes1 isto 1 n'aquillo mesmo em que absoluto e immutavel o espirito humano3 em tudo mais 1 como elle1 variavel e progressiva4 ,tem uma statica e uma dynamica3 e se a primeira1 que toda abstracta1 explica e d a razo da segunda1 que toda concreta1 a segunda quem explica e d a razo das obras d'arte1 naturalmente concretas e contidas nas condies do tempo e do meio4 ,ao methodo exclusivamente abstracto substituiu-se o methodo historico1 e para logo todas as litteraturas1 as antigas e as modernas1 as barbaras e as cultas1 alumiadas por uma luz nova1 appareceram com as suas feies caracteristicas1 os seus relevos naturaes1 os seus contornos1 e vieram tomar cada qual o logar que lhe competia na serie dos desenvolvimentos do espirito humano4 ,para logo tambem se tornou manifesta a alta significao das litteraturas1 testemunhas desprevenidas e candidas1 vindo depr uma aps outra sobre o viver intimo das respectivas sociedades1 e denunciando ingenuamente a feio psychologica correspondente a cada povo e a cada idade4 ,a philosophia da historia encontrou n'ellas o instrumento mais delicado e1 ao mesmo tempo1 o mais preciso1 para determinar o grau de valor moral de cada civilisao3 na sua mo um poema pde tornar-se1 muitas vezes1 o ramo d'ouro da sibylla1 com que descesse regio dos mortos1 a interrogal-os2 versos cantados ha mil1 ha dous e tres mil annos por poetas desconhecidos1 explicaram os movimentos das raas1 as origens1 os esplendores1 as revolues e as catastrophes dos imperios4 ,a historia litteraria deixou de ser uma curiosidade3 appareceu como uma realidade cheia de vida e de expresso4 ,correspondendo a uma ordem de phenomenos distinctos e importantissimos1 tornou-se objecto d'uma sciencia e1 como tal1 um ramo da philosophia4 ,hoje por toda a ,europa1 os estudos de historia litteraria1 transformados1 seguem com firmeza no caminho aberto com juvenil impetuosidade pela escla allem do comeo d'este seculo3 refundem-se1 desenvolvem-se ou corrigem-se as primeiras concluses1 naturalmente incompletas umas e outras prematuras ou em extremo systematicas1 e grande renovao sahida d'este movimento se ligam muitos dos nomes mais illustres e das obras mais fecundas do nosso tempo4 ,entre ns1 as duas geraes litterarias1 que se succederam desde #ahcj at hoje1 mais apaixonadas e criadoras do que criticas1 mais poeticas e enthusiastas do que reflectidas1 e1 sobretudo1 dominadas por aquella como que instinctiva repugnancia s ideas geraes propria d'um povo educado pelo catholicismo no que elle tem de mais estreito e esterilisador1 receberam com desdem1 ou apenas aceitaram1 o que havia de mais superficial no movimento renovador1 quando no o ignoraram completamente4 ,a historia litteraria continuou erudita1 como d'antes1 na sua gravidade inexpressiva1 e a critica1 apesar de muitas proclamaes revolucionarias1 acatou todavia o altar consagrado e o velho idolo do gosto4 verdade que o gosto1 sacudido no seu somno secular por mos juvenis1 teve de abandonar as vestes antigas e compromettedoras do classico e de se fazer 7ou deixar que o fizessem7 romantico4 ,era j um grande passo1 confessemol-o3 simplesmente1 este primeiro passo1 timido ainda1 obrigava a dar um segundo e mais decisivo--e esse que no se deu4 ,nem se podia dar4 ,devemos muito quellas duas geraes1 justo confessal-o4 ,mas a sua misso foi outra1 e outro o seu trabalho4 ,n'este empenho de fazer penetrar o espirito philosophico na historia da litteratura patria1 e de levantar entre ns a critica altura em que mos vigorosas e illustres a tem collocado n'outros paizes1 a gerao nova achou-se sem predecessores nem mestres entre os escriptores nacionaes1 e teve forosamente de se virar para os estranhos4 ,d'aqui uma certa confuso1 a adopo quasi sur parole dos systemas estrangeiros1 e algum mau estylo444 ,entretanto1 a sua vocao essa1 evidentemente critica e philosophica4 ,menos criadora e espontanea1 e libertada j dos preconceitos da educao tradicional1 a nova gerao tem por rea natural dos seus trabalhos os estudos criticos e as idas geraes4 ,a historia philosophica1 a philologia1 as sciencias sociaes1 eis o vasto campo que1 entre ns1 a sua actividade tem de desbravar e fecundar4 ,na historia litteraria1 os primeiros passos n'este caminho foram dados corajosamente por um trabalhador dotado de energia e perseverana singulares1 o snr4 ,theophilo ,braga4 ,pdem disputar-lhe qualquer outra especie de gloria1 menos esta1 j no pequena1 de iniciador4 ,a considerao do que ha de viril e quasi heroico na attitude dos exploradores1 faz-nos vr na sua obra mais ainda o valor d'uma aco pessoal do que o das concluses scientificas1 e d-lhe um merecimento independente das muitas imperfeies e lacunas1 que seria pueril pretender dissimular4 ,com effeito1 a sua gloriosa iniciativa compensada1 como geralmente acontece aos iniciadores1 por defeitos graves3 dous1 que resumem e d'onde se originam todos os outros3 a impaciencia1 que leva a concluses prematuras1 e o espirito systematico1 que leva a concluses falsas4 ,por um lado1 uma verdura 7se assim se pde dizer7 de theorias e explicaes mais ou menos phantasiosas1 e por outro lado uma inflexibilidade canonica na applicao stricta de certas formulas aos problemas os mais complexos1 do muitas vezes aos seus livros aquella feio singular de inconsistencia e ao mesmo tempo de dogmatismo1 de aventuroso e juntamente de acanhado1 que caracterisa os trabalhos sem precedentes1 filhos da febre da innovao e do isolamento4 ,o grande merecimento d'estes livros pde dizer-se que consiste ainda mais em ter levantado as questes do que em tel-as definitivamente resolvido4 ,ha1 todavia1 lados verdadeiramente solidos nas obras do snr4 ,theophilo ,braga4 ,o seu talento muito mais analytico do que generalisador2 d'aqui1 a inferioridade relativa das suas apreciaes philosophicas1 comparadas com os seus trabalhos propriamente criticos4 ,n'estes1 que constituem a parte mais sria e fecunda da sua obra1 encontramos os processos da sciencia1 como os tem comprehendido os mestres d'este seculo1 applicados geralmente com discernimento1 com uma grave despreoccupao de tudo o que no a logica e a verdade1 e dando resultados positivos1 muitos dos quaes se devem considerar definitivos4 ,distinguem-se por estas qualidades1 entre os volumes da sua grande historia da litteratura portugueza1 j publicados1 os estudos sobre ,s de ,miranda e a sua escla1 sobre os poetas palacianos do seculo ,,xv1 e sobre o theatro portuguez nos seculos ,,xvii e ,,xviii4 ,ha novidade e ao mesmo tempo segurana em muitas partes d'aquelles estudos3 entrevem-se as revolues litterarias1 no que ellas tem de mais intimo1 isto 1 nas suas relaes com os costumes e as opinies que se transformam2 assiste-se ao nascimento e decadencia das esclas2 vem-se as razes do progresso de certos generos1 do estacionamento ou esterilidade de certos outros4 ,ha alli verdadeiras descobertas biographicas e chronologicas1 e mais d'uma aproximao feliz que lana uma luz nova sobre os assumptos4 ,apesar da fraqueza e s vezes puerilidade de certas induces1 do abuso da intuio como processo scientifico1 da nimia importancia dada a particularidades insignificantes1 da repetio e distribuio pouco logica das materias1 deve esta parte da obra do snr4 ,theophilo ,braga 7a analytica e critica7 ser considerada no s como o que ha de mais solido no edificio levantado por suas mos laboriosas1 mas ainda como um trabalho em si1 de indisputavel valor4 ,o lado inferior e fragil1 a meu vr1 so as theorias geraes1 a parte philosophica4 ,sente-se que no essa a vocao do talento do snr4 ,theophilo ,braga4 ,ao mesmo tempo chimerico e systematico1 d s suas doutrinas geraes uma feio dogmatica1 que lhes tira aquelle poder de ductilidade e comprehenso1 sem o qual uma theoria1 para accommodar os factos ao seu rigor inflexivel1 tem de os forar umas vezes e outras vezes de os pr de lado--isto 1 no passa d'uma pura abstraco4 isto o que torna abstrusas certas obras1 como a ,poesia do ,direito1 por exemplo4 isto mesmo o que encontramos na maneira por que o snr4 ,theophilo ,braga comprehende e explica a philosophia da historia litteraria portuguesa4 ,seguindo ,schlegel e a escla romantica allem do comeo d'este seculo1 tomou uma theoria incompleta e d'uma applicao muito particular por um principio universal1 applicavel a todas as litteraturas1 e fez della o molde em que a litteratura portugueza devia entrar1 coute qui coute4 ,sabe-se que aquella escla considerava a litteratura1 juntamente com todas as outras frmas da civilisao1 direito1 arte1 etc41 como a expresso genuina do genio da raa1 subordinando a nacionalidade1 em todas as suas manifestaes1 a um ponto de vista puramente ethnologico4 ,s a raa1 na sua espontaneidade nativa1 era verdadeiramente criadora1 s ella original3 a tradio1 como intrusa1 devia considerar-se o elemento esterilisador1 e as obras por ella inspiradas falsas1 anti-nacionaes4 ,applicando estes principios s sociedades que se formaram na ,europa sobre as ruinas do imperio romano1 a escla romantica oppoz cultura tradicional o genio popular1 ao romanismo as nacionalidades4 ,viu por toda a parte o dualismo2 d'um lado1 o espirito monarchico e ecclesiastico1 formalistico e estreito1 conservador das tradies latinas3 do outro lado1 o povo1 todo espontaneo1 traduzindo a originalidade do seu genio em criaes livres e verdadeiramente inspiradas3 por toda a parte uma raa original luctava contra tradies esterilisadoras1 que tentavam suffocal-a4 ,a idade mdia fra o theatro d'esse combate3 a ,renascena e os seculos ,,xvii e ,,xviii pareceram1 com a influencia universal do classico1 dar o triumpho definitivo ao espirito tradicional2 porm o seculo ,,xix1 a grande era das reinvindicaes1 erguendo a bandeira do romantismo e das nacionalidades1 ia evocar de novo o genio das raas1 adormecido no seio do povo1 retemperando as naes no baptismo sagrado das origens4 ,quem no v o que ha de falso n'esta these1 apresentada assim d'uma maneira absoluta8 mas quem no v tambem quanto ha de verdadeiro e profundo no ponto de vista ethnologico1 desde o momento em que1 deixando de ser o fundamento do systema1 se considere apenas como um dos elementos componentes d'elle1 embora um dos mais consideraveis8 ,quem no v1 sobretudo1 a fecunda influencia d'esse ponto de vista sobre os estudos litterarios1 o conhecimento das origens1 a comprehenso das criaes populares1 a renovao da critica8 ,pde dizer-se que o que ha de mais falso n'este systema ser um systema2 porque1 contendo muita verdade1 no a verdade toda4 muito mais incompleto do que erroneo2 porque1 se o genio de cada raa fornece com effeito os elementos e como que a materia prima das civilisaes1 a cultura e a tradio representam o trabalho de aperfeioamento do espirito humano1 accumulado1 que desenvolve aquelles elementos e1 fazendo por assim dizer fermentar aquella materia primitiva1 lhes d uma frma nova e superior4 ,para os povos sem precedentes nem tradies d'um mundo anterior1 que comeam isolados o trabalho da civilisao desde os seus inicios1 e cujas criaes representam apenas o fundo originario fornecido pelo caracter da raa1 como fram os indios desde o ,rig ,veda at ,kalidassa1 os gregos at ,alexandre1 e os scandinavos at converso ao christianismo1 para esses aquella theoria rigorosamente verdadeira4 ,mas como applical-a ,europa da idade mdia1 a esse mundo to complexo1 e que1 com ser fundado sobre a ruina do imperio romano1 todavia uma continuao e em grande parte um desenvolvimento da civilisao romana8 ,na vida dos povos modernos entraram desde o bero energicos elementos latinos que1 absorvidos com maior ou menor sympathia1 em maior ou menor quantidade1 e combinados com os elementos primitivos1 constituiram o temperamento particular de cada uma d'essas naes1 o seu genio nacional4 ,esse genio pois complexo1 e complexo o caracter das suas criaes3 reduzil-as a um principio unico querer de proposito acanhar a historia1 proscrevendo arbitrariamente pocas inteiras4 ,a originalidade de cada uma das modernas litteraturas da ,europa est1 no em representar os caracteres primitivos de tal ou tal raa1 mas sim os momentos de desenvolvimento d'esses caracteres1 na sua combinao gradual com aquelles elementos estranhos1 que1 sob frma de tradio1 constituem ha mais de dous mil annos o fundo commum da civilisao europa4 ,n'estes termos1 a theoria romantica tem o seu valor e a sua applicao4 ,applica-se tanto mais quanto menos romanisado 7isto 1 civilisado7 foi o povo cuja litteratura se estuda2 mais ,allemanha do que ,frana2 muito ,inglaterra1 muito pouco ,italia2 muito mais ,hespanha do que a ,portugal2 em absoluto1 a nenhum se pde applicar4 ,a mesma litteratura allem 7sahida da raa que menos elementos latinos absorveu7 ser por ventura exclusivamente germanica8 ,seria um paradoxo affirmal-o4 ,do seculo ,,ix em diante a pureza do elemento germanico altera-se1 e cada vez mais turvo segue de seculo para seculo4 ,o grande fundador da litteratura allem1 ,luthero1 que comea com a ,reforma a reaco do germanismo contra o romanismo1 representar acaso na sua obra1 nas suas idas1 nos seus escriptos1 o elemento germanico puro1 estreme1 exclusivo8 ,pelo contrario1 se o caracter de ,luthero essencialmente allemo1 a doutrina de ,luthero essa quasi completamente extra-allem1 filha da ,biblia hebraica e do platonismo grego4 ,e ,leibnitz8 e ,lessing8 e ,goethe1 o velho pago8444 ,se os romanticos allemes quizessem ser completamente logicos1 tinham de fazer terminar o periodo nacional da litteratura allem no seculo ,x1 com os ,niebelungen1 ou quando muito no seculo ,,xvi1 com os ,meistersaenger3 d'ahi por diante em parte alguma se encontra o germanismo puro4 ,e todavia1 no seculo ,,xvi que verdadeiramente comea a grande poca do pensamento allemo6 ,eis as insoluveis difficuldades que levanta o systema ethnologico applicado s litteraturas modernas1 ainda mesmo quellas em que mais visiveis so as influencias de raa4 ,que ser ento1 se o quizermos applicar a uma nao sem base ethnographicamente definida1 como a portugueza1 criao da politica e no da natureza1 das instituies e no da raa1 e que mais que nenhuma outra1 talvez1 absorveu e fez seu o genio da civilisao romana8 ,evidentemente1 a theoria romantica no pde ter aqui seno uma applicao muito limitada e muito secundaria3 e por ter desconhecido esses limites que o snr4 ,theophilo ,braga1 collocando-se exclusivamente no ponto de vista ethnologico1 no conseguiu1 apesar da sua competencia scientifica e provada capacidade1 dar seno uma soluo incompleta e muitas vezes forada ao problema da systematisao e explicao geral da litteratura portugueza4 ,dominado pela necessidade de dar por fundamento ao genio nacional o genio d'uma raa primitiva e sui generis1 teve1 por assim dizer1 de inventar para ,portugal essa raa primitiva4 ,estendeu um facto particular de certas provincias1 a existencia das populaes mosarabicas1 a todo o paiz2 e1 transformando esse phenomeno puramente social em phenomeno ethnologico1 fez dos mosarabes uma raa distincta1 cuja profunda espontaneidade1 apesar de prematuramente suffocada1 se revelou em criaes sentimentaes1 que o snr4 ,theophilo ,braga laboriosamente trata de descobrir1 e que1 segundo elle1 teriam dado litteratura portugueza uma feio original1 se a tradio classica no tivesse obstado ao desenvolvimento livre d'esse cyclo verdadeiramente nacional4 ,esta esterilisadora tradio classica v-a o snr4 ,theophilo ,braga representada na aristocracia asturoleoneza romanisada1 authoritaria e imitadora4 ,a aristocracia1 pela instituio monarchica1 pelo catholicismo1 pelo provenalismo1 depois pela reforma dos foraes1 o direito romano e o poder absoluto1 suffoca o livre genio mosarabico e faz da litteratura portugueza1 que nas mos poeticas do mosarabe promettia ser um jardim oriental1 um triste deserto de imitaes estereis e infesadas1 onde s por milagre a seiva primitiva faz de longe em longe rebentar alguma flr doentia1 fadada a morrer sem se propagar4 ,d'aqui conclue o snr4 ,theophilo ,braga que litteratura verdadeiramente nacional nunca chegou a haver entre ns4 ,expr esta doutrina1 nas suas concluses extremas1 quasi refutal-a4 ,nem as populaes mosarabicas constituiram uma raa1 nem a rea por ellas occupada se estendeu a todo o paiz1 nem na sociedade portugueza existiu nunca o supposto dualismo1 a opposio do mosarabe plebeu e do aristocrata godo3 nada d'isto se pde provar scientificamente1 nem mesmo racionalmente conjecturar4 ,os mosarabes1 isto 1 os christos1 que1 tendo acceitado o dominio dos arabes1 viviam no meio d'elles1 adoptando-lhes os costumes1 mas conservando a antiga religio1 no formaram um grupo ethnographicamente classificavel3 eram1 como ainda hoje toda a populao da ,peninsula1 exceptuados os ,bascos1 um mixto formado pelo sangue ibero1 romano1 godo e arabe1 em propores extremamente variaveis de regio para regio4 ,que tem isto que vr com uma raa particularmente portuguesa8--,depois1 essas populaes mosarabicas pouco se estenderam ao norte do ,mondego3 ora1 exactamente do ,mondego para o norte que residiu durante os primeiros seculos a fora da nacionalidade portugueza1 d'ahi que partiu o grande impulso emancipador4 ,no fram pois os mosarabes os fundadores d'essa nacionalidade1 nem os criadores do seu caracter particular4 ,temos vivido e vivemos ainda hoje d'esse espirito de intrepida personalidade1 que fez ento erguerem-se os homens energicos do norte de ,portugal1 no do genio mosarabe1 que 7ainda que tivesse existido7 seria sempre secundario4 ,finalmente1 a opposio do mosarabe e do aristocrata godo reduz-se simplesmente opposio da plebe e da aristocracia1 facto social e no ethnologico1 geral em toda a ,europa1 e que nada tem que vr com a originalidade das litteraturas4 ,a aristocracia1 durante seculos1 no esmagou ou suffocou o espirito das populaes inferiores1 nem entre ns nem em parte alguma3 civilisou4 ,depositarias das tradies romanas e1 ao mesmo tempo1 representantes do genio de cada nacionalidade1 no que elle tinha de mais energico1 as aristocracias exerceram uma legitima influencia iniciadora1 e1 durante #fjj ou #gjj annos de formidavel tumulto heroico1 dispozeram os elementos com que as monarchias da ,renascena constituiram definitivamente as naes modernas4 ,dar aristocracia um papel todo negativo querer reduzir ao absurdo1 com uma pennada1 sete seculos da historia da ,europa e contradizer um dos resultados mais seguros da moderna sciencia historica1 a classificao dos elementos sociaes e a importancia de cada qual na obra commum4 ,o erro dos principios v-se sobretudo nas concluses4 ,com effeito1 uma vez estabelecido o dualismo e considerado o povo portuguez como mosarabe1 e o mosarabe como s inspirado e criador1 toda a litteratura culta tinha forosamente de ser condemnada pelo snr4 ,theophilo ,braga1 como anti-nacional1 recebendo fros de nacionalidade smente a poesia popular3 tudo mais no passa de imitao1 copia servil1 e1 como tal1 esteril e sem importancia aos olhos da philosophia4 ,esta larga parte da imitao na nossa litteratura descobre-a o snr4 ,theophilo ,braga com exemplar erudio e excellente critica1 mostrando claramente as influencias provenal1 franceza1 hespanhola e italiana a que obedeceu a litteratura portugueza4 ,mas no no facto das imitaes que est a questo4 ,esse facto no se d s comnosco2 d-se em todas as litteraturas das naes da ,europa ento cultas4 ,a influencia provenal fez-se sentir na ,frana1 na ,italia1 na ,hespanha e at na ,allemanha2 os poemas francezes foram1 por seu turno1 traduzidos e imitados por toda a parte na idade mdia1 e as litteraturas hespanhola e italiana tiveram tambem o seu momento de se tornarem europas4 ,que prova isto8 ,prova simplesmente que j na idade mdia a ,europa formava uma especie de confederao moral1 e que a troca dos pensamentos1 das descobertas1 das criaes artisticas era j ento uma lei natural para naes todas christs1 herdeiras todas da civilisao romana4 ,mas essa troca no implica a abdicao das originalidades nacionaes4 ,na adopo das idas estrangeiras cada povo recebe o que convm ao seu temperamento particular1 d-lhe uma feio propria1 e pde mostrar a originalidade do seu genio dentro das frmas recebidas dos outros4 ,poucas1 pouquissimas obras originaes1 no sentido exclusivo e absoluto em que o snr4 ,theophilo ,braga toma esta palavra1 nos apresentam as litteraturas dos povos ainda os mais criadores3 n'esse sentido no original ,virgilio1 nem ,dante1 nem ,cames1 nem ,lope de ,vega1 nem ,shakespeare1 nem ,corneille1 nem ,goethe4 ,mas as litteraturas apresentam-nos muitas obras primas1 formadas d'uma maneira nova e original com elementos estranhos ou j conhecidos4 ,por essas1 to bem como pelas outras1 se pde avaliar o caracter1 as tendencias1 o genio emfim do povo que as produziu1 e quanto basta para se poder affirmar que esse povo teve ou tem litteratura e que essa litteratura original4 ,o genio1 em geral1 e em particular o genio nacional1 consiste muito mais na maneira propria de dispr os materiaes herdados ou emprestados1 do que na criao1 como que inteiria e d'um jacto1 de elementos completamente novos e sem precedentes--proles sine matre creata4 ,ora a humanidade vive sobretudo de tradies1 e ha para os povos como para os individuos um verdadeiro ensino mutuo1 pelo qual cada um1 sem deixar de ser o que 1 aproveita da experiencia e do trabalho dos outros4 ,o snr4 ,theophilo ,braga1 que poeta e bom poeta1 e alm d'isso homem de gosto e consciencioso1 por si apreciaria o valor d'estas verdades1 se o espirito systematico no obscurecesse o seu bom juizo em se tratando da litteratura portugueza4 ,quer isto dizer que as suas idas1 por incompletas1 sejam inteiramente estereis para a historia da nossa litteratura8 ,por frma alguma4 ,ninguem1 melhor do que o snr4 ,theophilo ,braga1 comprehendeu a alta significao da nossa poesia popular1 que estudou com verdadeiro amor e respeito religioso3 e este sentimento do primitivo e do espontaneo deve-o ao seu ponto de vista ethnologico4 ,por este sentimento pde com muito tacto discriminar a parte da imitao e de convencional nas obras da poesia culta1 embora1 a meu vr1 concluisse mal do facto d'essa imitao4 ,por elle pde caracterisar certas physionomias originaes1 at aqui mal comprehendidas1 ,gil ,vicente1 por exemplo4 ,em tudo isto a sua critica excellente4 ,e por isso mesmo que os apreciadores do talento e das obras do snr4 ,theophilo ,braga devem1 me parece1 fazer votos para que a sua sensivel imaginao o no seduza1 com vagas miragens1 para fra do campo dos trabalhos de analyse e critica1 que so a sua vocao1 arrastando-o para as regies perigosas da synthese e da philosophia1 onde a imaginao e o sentimento1 essas fadas encantadoras1 se transformam muitas vezes em perfidas ondinas e sereias1 para mal de quem as segue com muito candida confiana4 ,,ii ,se a escla ethnologica est representada1 entre os escriptores novos1 pelo snr4 ,theophilo ,braga1 a escla social e historica--a unica1 talvez1 a que propriamente se devra dar o nome de philosophica--acaba de achar igualmente entre ns um digno representante n'um escriptor moo e do maior futuro1 o snr4 ,oliveira ,martins1 que n'um livro recente estudou a proposito de ,cames 7e para nos explicar ,cames71 a litteratura portugueza do seculo ,,xvi1 no ponto de vista largo e comprehensivo1 ao mesmo tempo politico e psychologico1 que caracterisa esta ultima escla4 ,n'este ponto de vista1 a litteratura d'um povo1 considerada como um todo symetrico1 uma obra gigantesca e collectiva1 apresenta-se como a expresso do seu espirito nacional1 determinado no por tal ou tal elemento primitivo e1 por assim dizer1 physiologico1 mas pelos elementos complexos1 uns fataes outros livres1 uns criados outros herdados1 cuja synthese constitue a ida da sua nacionalidade--raa1 instituies1 religio1 tradio historica1 e vocao politica e economica no meio dos outros povos4 ,a ida nacional1 na sua evoluo1 determina gradualmente o que se pde chamar o temperamento da nao2 e1 se esta surda fermentao se manifesta em tudo1 nos seus actos e nos seus pensamentos1 revela-se sobretudo na sua imaginao1 isto 1 no seu ideal1 cuja expresso mais livre a arte e a litteratura4 ,n'esta invisivel circulao da seiva interior ha periodos1 periodos de revoluo1 de progresso1 de retrocesso1 de incubao ou de plenitude de foras3 a estes correspondem invariavelmente os periodos artisticos e litterarios1 com suas revolues1 suas variaes de intensidade1 lenta formao de esclas1 morbidos estacionamentos1 subitas e inflammadas florescencias4 ,e1 como n'esta vegetao collectiva1 cada ramo1 cada folha1 cada fructo1 se alimenta com a seiva commum e tem uma vitalidade proporcional fora que trabalha o grande tronco1 o espirito individual acompanha o espirito nacional nas suas evolues1 gradua pela d'elle a sua intensidade3 a sua liberdade interior tem por limites1 realisando-se1 as condies do meio em que se desenvolve1 e o genio do artista1 do poeta1 ainda quando protesta e se revolta1 sempre adequado ao genio do seu povo e da sua poca4 por aqui que a historia litteraria se liga philosophia da historia1 ou antes1 que faz parte d'ella4 ,as grandes pocas litterarias coincidem com as pocas de plenitude do sentimento nacional1 aquellas em que esse sentimento1 tomando consciencia de si1 se revela em obras harmonicas e complexas1 que so como que o fructo definitivo da lenta elaborao das instituies1 dos costumes1 dos pensamentos4 ,reaes e juntamente ideaes1 essas obras supremas dizem-nos ao mesmo tempo o que um povo foi e o que quiz ser1 descobrem-nos a sua aspirao intima e marcam os limites dentro dos quaes lhe foi dado realisal-a4 ,so o commentario moral das revolues politicas e sociaes1 e como que os annaes da consciencia nacional3 e1 para a philosophia1 na consciencia que a historia encontra a sua explicao definitiva e a sua final justificao4 ,o que diz ,cames a quem1 depois de o ter lido com olhos de homem de gosto1 o rel com olhos de philosopho8 ,cames1 responde o snr4 ,oliveira ,martins1 diz-nos o segredo da nacionalidade portugueza4 ,houve1 com effeito1 uma nacionalidade portugueza--por mais estranha que esta affirmao nos parea1 a ns1 portuguezes do seculo ,,xix1 que no atinamos a encontrar no presente uma causa vivendi3 houve uma razo de ser tanto para as instituies como para os individuos1 e uma ida nacional1 espalhada como a alma collectiva por todo este corpo1 ento vivo e agil4 ,e no s houve uma nacionalidade portugueza1 mas essa nacionalidade1 superior aos impulsos cegos da raa e fatalidade da geographia1 produziu-se como uma obra do esforo e da vontade1 no resultado de obscuros instinctos primitivos1 como um facto politico e moral1 no como um facto etimologico4 ,quando em ,hespanha no havia ainda seno catales1 castelhanos1 leonezes e navarros2 em ,frana provenaes1 gasces1 bourguinhes1 bretes2 em ,allemanha suabos1 austriacos1 saxes1 hanoverianos2 em ,italia tantos pequenos estados rivaes quantas cidades1 e no se fazia bem ida do que fosse ser hespanhol1 francez1 allemo1 italiano1 porque estas palavras ,frana1 ,hespanha1 ,allemanha1 ,italia designavam apenas vagas agrupaes naturaes e no grupos organisados--em ,portugal havia s portuguezes1 e ser portuguez tinha uma significao definida e precisa4 ,este o grande facto1 diz o snr4 ,oliveira ,martins1 que faz d'elle o seu ponto de partida3 daqui1 a coheso politica da nao2 d'aqui1 a sua physionomia moral4 ,essa coheso a unidade2 essa physionomia o patriotismo4 ,o patriotismo1 pondera acertadamente o snr4 ,oliveira ,martins1 cousa muito distincta do amor da terra3 e o patriotismo1 como os portuguezes dos seculos ,,xv e ,,xvi o conceberam1 foi um phenomeno moral quasi unico na ,europa de ento1 e que os tornou muito mais parecidos com os romanos antigos do que com os povos seus contemporaneos4 ,o patriotismo uma ida abstracta1 que excede a capacidade toda sentimental da raa2 o instincto naturalista da raa d o amor da terra2 no vai mais alm3 s a ida nacional pde dar o patriotismo1 comprehendido romana e portugueza4 ,o ,cid batalha mais d'uma vez contra os castelhanos1 ao lado dos arabes2 o condestavel de ,bourbon vira a sua espada aventureira contra a ,frana que o viu nascer2 nem por isso deixa o ,cid de ser um typo de bravura idealisado pelos hespanhoes1 e o condestavel de ,bourbon um leal cavalleiro para todos os cavalleiros de ,frana2 mas os ,pereiras1 combatendo ao lado dos castelhanos em ,aljubarrota1 so malditos1 arrenegados2 e1 mais tarde o ,magalhes ser portuguez no feito1 porm no na lealdade3 apostataram da ida nacional4 ,eis a grande differena4 ,esta noo do patriotismo cria uma ordem de sentimentos particulares dos individuos para com a nao1 um modo de ser moral peculiar4 o dever patriotico1 como o comprehenderam em ,roma ,fabricio1 ,regulo1 ,cato1 em ,portugal ,castro1 ,albuquerque--o dever patriotico1 cuja expresso suprema o heroismo4 ,leia-se a historia da ,europa at ao seculo ,,xvi3 abundam os bravos1 mas difficilmente se encontraro os heroes1 segundo o typo magnanimo que a antiguidade realisou1 e que de novo e no seu ponto de vista realisou ,portugal durante os seculos ,,xv e ,,xvi4 ,no peito illustre lusitano havia ento alguma cousa de grande e transcendente1 que impellia a nao para um destino extraordinario e suscitava no meio d'ella os heroes1 que deviam servir a ida nacional com a abnegao tenaz e superior com que se serve uma ida religiosa4 que o patriotismo uma especie de religio civil4 ,foi por essa religio que1 durante tres seculos1 nos erguemos no mundo1 para realisar um sonho gigantesco e quasi sobre-humano3 foi por ella tambem que cahimos exangues e desilludidos1 porque a realidade faltou ao sonho1 porque todo o sonho1 com o seu idealismo1 se exalta primeiro1 perturba depois1 transvia1 endoudece aquelles que envolve nas suas nevoas phantasticamente luminosas1 mas sempre enganadoras4 ,a poca nacional portugueza1 por excellencia1 o seculo ,,xvi4 ,tudo concorre ento para dar ao espirito dos portuguezes aquelle summo grau de tenso1 que produz os grandes movimentos nacionaes4 ,a nacionalidade rompe com impulso irresistivel os seus limites tradicionaes1 transborda fremente como um rio caudaloso1 e affirma-se na sua plenitude pelas descobertas e pelas conquistas4 ,dentro1 a sua fora o resultado da sua concentrao3 pela reforma dos foraes1 pela monarchia absoluta1 pela expulso dos judeus1 attinge o maximo de unidade politica1 social1 religiosa1 isto 1 o maximo de poder sobre si mesma4 ,esta energica coheso depura o sentimento nacional1 d-lhe uma segura consciencia de si1 e leva-o quelle grau de tenso em que o patriotismo1 exaltando-se1 se transforma n'uma especie de heroismo universal4 ,a nao faz-se heroe3 o heroismo a sua atmosphera ordinaria1 e todos participam mais ou menos d'esse contagio sublimador4 ,d'aqui1 uma concepo particular da vida social1 do direito1 do dever1 tanto para a nao como para os individuos4 ,ser portuguez alguma cousa de especial1 um typo sui generis de virilidade e nobreza1 que todos procuram realisar1 e que a litteratura idealisa1 de que ella se inspira na phase nova em que ento entra4 ,com effeito1 a esta evoluo moral corresponde uma evoluo litteraria4 escla provenal-castelhana1 lyrica1 aventureira e romanesca1 succede a grave escla italiana1 com a feio nova que o espirito portuguez lhe deu1 adoptando-a1 isto 1 moral e epica4 ,ao trovador ,bernandim ,ribeiro1 ao popular ,gil ,vicente succedem ,s de ,miranda e ,ferreira1 dous romanos4 ,o velho typo cavalheiresco1 phantasioso e sentimental1 empallidece diante d'esse outro que surge1 nobre e digno1 quasi severo1 o homem do dever1 no da sensibilidade1 que ,joo de ,barros1 ,ferreira e ,miranda vo levantando1 e que ,cames vir collocar sobre o sublime pedestal epico4 ,este typo1 o verdadeiro typo portuguez do seculo ,,xvi1 como se revela nos ,lusiadas1 no com effeito uma mera inveno do genio de ,cames3 uma genuina criao nacional1 um ideal do sentimento collectivo1 que se foi gradualmente formando e depurando1 at encontrar no grande poeta quem lhe dsse uma expresso definitiva4 por isso mesmo que elle domina1 de toda a sua altura1 o pensamento e a obra de ,cames4 ,o que o poeta canta o heroismo portuguez2 o peito illustre lusitano3 e todo o seu poema se resume n'isto1 como n'esse poema se resume toda a vida moral portugueza durante um seculo4 ,a razo intima dos acontecimentos1 dos costumes1 das opinies encontra-se alli3 explicam-se por elle1 e s elles tambem o explicam completamente4 ,o poema e a sociedade so por seu turno texto e glosa que mutuamente se commentam4 ,n'este ponto de vista1 historico e psychologico1 no no ponto de vista meramente litterario d'uma esteril poetica de conveno1 que os ,lusiadas devem ser estudados e comprehendidos--e cabe ao snr4 ,oliveira ,martins a gloria de ter sido o primeiro a fazel-o1 a gloria de ter commentado philosophicamente os ,lusiadas4 ,a esta luz tudo se explica na concepo do poema e na substancia moral d'elle3 percebe-se a razo d'este estranho phenomeno1 estranho e unico1 do apparecimento d'um verdadeiro poema epico nacional em plena idade moderna4 ,isto em quanto concepo4 ,em quanto1 porm1 a certa ordem de sentimentos1 que1 no ponto de vista epico1 so secundarios1 mas que occupam um grande logar no poema1 para os comprehender faz-nos o snr4 ,oliveira ,martins considerar outro lado da physionomia to complexa de ,cames e da sua poca4 ,com effeito1 se ,cames um portuguez do seculo ,,xvi1 ao mesmo tempo um artista da ,renascena2 d'aqui todo um lado dos ,lusiadas1 que excede a ida nacional1 e por onde este profundo poema se liga1 no j vida necessariamente estreita d'um simples povo1 mas ao vasto movimento do espirito humano nos tempos modernos4 ,sem este lado1 a significao dos ,lusiadas seria meramente nacional e local1 no europa e universal3 teriam s um valor historico e no philosophico tambem4 ,mas ,cames1 portuguez pelo caracter e pelo corao1 era pela intelligencia mais do que portuguez smente4 ,respirava a atmosphera subtil e vivificante da ,renascena3 no seu vasto espirito1 como no dos grandes artistas d'esse tempo1 havia um lado mysterioso e profundo que se virava1 no para o passado ou para o presente1 mas para o illimitado futuro1 presentindo j a revoluo moral dos seculos ,,xviii e ,,xix4 ,se ,cames1 como portuguez patriota e heroico1 como homem da ,renascena pantheista2 pantheista platonico e idealista1 j se v1 como ,miguel ,angelo1 ,leonardo de ,vinci1 ,shakespeare4 ,portuguez1 exalta os feitos por onde o seu povo conquista entre as naes um logar proeminente3 homem da ,renascena1 sente e interpreta a natureza com um naturalismo impregnado de idealidade1 que mais ainda o presentimento d'um mundo moral novo1 do que uma imitao da antiguidade pag4 ,o sentimento pantheista da natureza1 sentimento todo moderno1 e que devia mais tarde chegar plenitude em ,rousseau1 ,goethe1 ,hugo1 appareceu pela primeira vez em ,cames4 ,d'aqui1 o caracter do seu espanto em face dos grandes phenomenos maritimos2 d'aqui1 a concepo do ,adamastor2 d'aqui1 o sensualismo da primeira parte do canto ,,xi e o idealismo da ultima4 por este lado que ,cames toma logar entre os grandes espiritos1 os ,lusiadas entre as grandes obras dos tempos modernos4 ,a imaginao prophetica do poeta anticipa tres seculos na historia psychologica da humanidade4 ,com todos estes elementos1 uns portuguezes1 outros europeus1 uns locaes1 outros universaes1 recompe o snr4 ,oliveira ,martins a physionomia complexa de ,cames e dos ,lusiadas1 com uma lucidez e segurana de critica verdadeiramente surprehendentes para quem considerar a completa novidade do seu trabalho4 ,a sua luminosa synthese abraa o poeta1 a obra e a poca3 e pela poca1 pelo poeta e pela obra faz-nos sentir a intima realidade da nao e a sua razo de ser historica4 ,e n'essa mesma synthese comprehende-se tambem a sua decadencia2 triplice decadencia1 politica1 moral1 litteraria4 ,como8 pela decadencia da ida nacional4 ,com effeito1 o patriotismo heroico do ,portugal do seculo ,,xvi continha em si mesmo os germens da propria dissoluo4 ,era grande1 mas no era justo3 ora nada dura no mundo seno pela justia4 ,tinha fatalmente de se corromper essa orgulhosa ida nacional1 fundada na violencia da conquista1 na intolerancia religiosa e no despotismo politico4 ,os vicios interiores do organismo nacional appareceram bem depressa3 appareciam j no tempo de ,cames3 nos ,lusiadas encontram-se de vez em quando estrophes sombrias1 que so como um lugubre cras enim moriemur lanado no meio das alegrias d'aquelle festim heroico4 ,era o futuro velado e lutuoso que o poeta entrevia n'um deslumbramento prophetico4 ,a nao estava1 com effeito1 condemnada4 ,o heroismo que tem de durar lana as suas raizes na regio mais inalteravel1 mais incorruptivel da consciencia humana1 e as do nosso no chegaram l3 foi uma especie de sezo nacional2 no foi um acto reflectido1 filho da liberdade moral1 um esforo supremo pela justia2 foi apenas um egoismo sublime4 ,por isso1 martyres da propria obra1 a nossa queda foi cheia de tristeza e confuso1 nem nos ficou no rosto a serenidade luminosa dos verdadeiros martyres4 ,as paginas austeras em que o snr4 ,oliveira ,martins estabelece esta distinco entre o heroismo da consciencia e o da fatalidade1 e mostra ,portugal condemnado por aquillo mesmo que fizera a sua virtude e a sua grandeza1 so das mais gravemente pensadas que se tem escripto na nossa lingua4 a verdadeira philosophia da historia aquella sua1 que reduz e subordina toda a actividade humana consciencia e justia4 ,a injustia da ida nacional1 como os portuguezes ento a conceberam1 corrompeu gradualmente as instituies1 infiltrou-se nos espiritos e perverteu os costumes3 a sociedade1 minada interiormente1 vacillou1 em despeito do esplendor mentiroso que exteriormente a vestia1 e comeou a desabar4 ,o snr4 ,oliveira ,martins desenhou com mo segura e vivissimo colorido o quadro das implacaveis realidades1 que1 produzidas pelo heroico idealismo portuguez1 se viraram contra elle1 o viciaram e acabaram por destruil-o4 ,a nao1 atacada d'este modo nos seus orgos mais vitaes e na mesma alma1 que podia produzir no mundo do espirito1 da arte1 da litteratura8 decadencia social e moral tinha necessariamente de corresponder a decadencia litteraria4 ,um desregramento doentio das imaginaes privadas de ideal1 depois um estreito classicismo e uma poetica de academias1 succederam livre e fecunda expanso do genio portuguez no mundo do sentimento e da phantasia4 ,a idea nacional levou comsigo para a cova o segredo das criaes poeticas4 ,do seculo ,,xvi at hoje no produziu ,portugal uma unica obra artistica ou litteraria verdadeiramente nacional4 ,de vez em quando1 n'alguns momentos excepcionaes1 o genio d'alguns homens tem-se levantado como um protesto1 e tem-se visto ainda uma ou outra obra viva4 ,mas essa inspirao toda individual1 no nacional3 um producto natural1 que pde demonstrar que a raa no morreu com a nacionalidade1 no filha d'um sentimento commum e como que organico da sociedade portugueza4 ,a decadencia nacional o grande facto inexoravel da nossa historia1 vai em tres seculos3 a decadencia litteraria uma frma d'ella1 nada mais4 ,decadencia irremediavel8 pergunta o snr4 ,oliveira ,martins1 nas ultimas paginas do seu livro4 ,no6 responde-lhe a philosophia revolucionaria4 ,a nossa renovao moral e litteraria ser possivel no dia em que1 pela reforma das instituies sociaes1 por uma nova e melhor comprehenso da justia1 comece outra vez o espirito a circular n'este grande corpo1 mais inerte ainda do que acabado1 volte a animal-o uma alma1 um ideal collectivo4 ,ento ,portugal ter de novo uma razo de ser1 e a ida nacional1 mais brilhante e mais quente depois do seu eclipse secular1 far rebentar outra vez fructos e flres d'este cho endurecido sim1 mas debaixo do qual ha ainda 7embora a grande profundidade7 fontes vivas em abundancia4 ,as grandes aces sero outra vez possiveis1 e um melhor e mais alto heroismo3 por elle sero no s possiveis1 mas quasi inevitaveis os grandes pensamentos poeticos4 ,a renovao litteraria de ,portugal correlativa com a sua renovao social e est dependente d'ella3 a concluso do livro do snr4 ,oliveira ,martins1 concluso que todos devemos aceitar1 no como uma vaga esperana1 mas como uma verdade philosophica cuja realisao no depende seno do nosso esforo1 da energia do nosso sentimento moral4 ,somos os operarios do nosso proprio destino1 e desde j as nossas mos o vo aperfeioando3 ter a frma que lhe dermos4 ,n'este trabalho solemne da renovao nacional1 grande a tarefa que est talhada para a gerao nova1 e immensa a sua responsabilidade6 ,estar ella1 pela intelligencia e pelo corao1 pela sciencia e pela virtude1 altura d'esta obra austera e formidavel8 ,muitos o duvidam1 vendo-lhe no rosto uma pallidez de mau agouro444 ,no me cabe a mim decidil-o3 direi smente que 7quaesquer que tenham de ser os nossos destinos7 para darem testemunho das intenes srias d'uma parte consideravel da nossa gerao1 do seu espirito renovador1 da sua aspirao a uma melhor sciencia1 bastaro em todo o tempo obras como a ,historia da litteratura portugueza1 do snr4 ,theophilo ,braga1 e o ,ensaio sobre ,cames1 do snr4 ,oliveira ,martins4 #i de maio de #ahgb4 ,estavam j escriptas e publicadas estas paginas1 quando appareceu1 com o titulo de ,desenvolvimento da litteratura portugueza1 a ,these do snr4 ,pinheiro ,chagas1 para o concurso da #c4 cadeira no ,curso superior de letras4 ,n'esta resenha das opinies1 emittidas pelos escriptores da nova gerao1 sobre o systema geral da nossa litteratura1 fra injustia no consagrar algumas linhas ao trabalho do snr4 ,pinheiro ,chagas1 j pelo valor do trabalho em si1 j pela posio que seu author occupa entre os escriptores moos4 ,as concluses da ,these do snr4 ,pinheiro ,chagas so as seguintes3 #a4--,que o povo portuguez no constituido por uma raa especial1 a que se d o nome de mosarabe1 comprimida sempre e atrophiada nas suas criaes pela nobreza1 constituida por outra raa1 a que se d o nome de asturiana4 #b4--,que nem as induces philologicas1 nem os factos historicos1 permittem que se d ao povo portuguez uma origem germanica1 e aristocracia uma origem latina2 que1 pelo contrario1 se algum dos elementos constitutivos da raa peninsular prodomina no povo1 deve ser o elemento hispano-romano1 e na aristocracia o elemento gothico4 #c4--,que teve o povo portuguez1 durante a idade mdia1 uma vigorosa existencia1 manifestada politicamente pela robusta vida municipal1 litterariamente pela sua collaborao nos vastos romanceiros peninsulares1 e pelas chronicas de ,ferno ,lopes4 #d4--,que a litteratura aristocratica aceitou a influencia provenal1 a influencia da ,frana do norte1 e a influencia italiana1 como succedeu nos outros reinos da ,peninsula4 #e4--,que no seculo ,,xvi a reao latinista imperou aqui1 da mesma frma que em toda a ,europa1 mas que a originalidade do nosso povo se manifestou com o vigor admiravel na epopa de ,cames1 no theatro de ,gil ,vicente1 e nas chronicas dos descobrimentos4 #f4--,que a decadencia da nossa litteratura foi devida a tres causas deprimentes3 o despotismo monarchico e centralisador1 que imperou em todas as raas neo-latinas1 o despotismo religioso que actuou com a mesma energia na ,italia e principalmente na ,hespanha1 e a perda da nossa nacionalidade1 que foi uma causa especial1 devida a fataes circumstancias historicas4 ,estas concluses1 como o leitor v1 entram1 salvo leves differenas1 no ponto de vista das consideraes que apresentei1 tanto combatendo o systema do snr4 ,theophilo ,braga1 como expondo e commentando o do snr4 ,oliveira ,martins4 ,por isso no posso1 sem me repetir escusadamente1 insistir n'estes pontos4 ,concordo com o modo de vr to lucido e to realmente portuguez1 sem deixar nunca por isso de ser scientifico1 do snr4 ,pinheiro ,chagas2 e folgo de me encontrar 7pelo menos n'este sereno campo da historia litteraria1 onde se descana1 entre flres ideaes1 de tantas luctas que separam os homens de hoje7 em communho de vistas com um espirito to gentil e cultivado4 ,desejo1 porm1 dar relevo a um ponto1 por onde a ,these do snr4 ,pinheiro ,chagas particularmente me impressionou4 o caracter eminentemente nacional e 7v a palavra1 apesar de to conspurcada pelos vendilhes de portuguezismo7 patriotico da sua critica4 ,a sciencia1 essa grande potencia imparcial1 essa patria commum de todos os espiritos bem nascidos1 est certamente muito acima do patriotismo1 que tantas illuses offuscam1 que tantas miserias at encobre s vezes debaixo da sua apparatosa toga pretexta4 ,mas essa preferencia e esse sacrificio do patriotismo sciencia d-se s onde o patriotismo estreito ou refalsado tenta oppr-se luminosa sciencia1 franca e comprehensiva4 ,ento1 caia por terra1 seja derrocado sem piedade o edificio ruinoso do orgulho d'um povo6 ,passe a luz da intelligencia atravs das ruinas1 e purifique-as6--,mas no isso o que se d com a historia litteraria portugueza4 ,c no existe essencialmente tal opposio4 ,um largo patriotismo perfeitamente compativel com a imparcialidade da critica1 no estudo dos nossos poetas1 dos nossos escriptores1 durante #fjj annos1 que no foram sem gloria nem originalidade4 ,vou mais longe4 ,direi que esse largo e justo sentimento patriotico at indispensavel para bem comprehender o que houve n'este povo1 na sua vida agitada1 dramatica1 heroica1 a sua alma1 a sua realidade moral4 ,sim1 existimos6 e existimos como homens1 pensando1 sentindo1 querendo1 obrando4 ,crimos1 descobrimos1 combatemos2 e podemos dizer ao mundo3 ,aqui est o que ns ammos6 aqui est o que ns odimos6--,e o que isto seno sentir-se portuguez e ser patriota8 ,e como1 sem isto1 se poder comprehender o que pensaram e escreveram portuguezes1 e pensaram e escreveram como portuguezes8 ,a sciencia no contradiz isto4 ,parte1 pelo contrario1 d'este ponto de partida4 ,e em nome d'ella que o snr4 ,pinheiro ,chagas diz com tanta verdade como energia3 os portuguezes no so os prias litterarios da ,europa6 ,esta affirmao do passado -nos necessaria para podermos1 atravs do presente to cheio de melancolia1 crr e confiar n'um futuro melhor--e preparal-o virilmente4 ,que significa pois essa pseudo-escla1 que1 em nome de no sei que sonhada decadencia das raas latinas1 deprime systematicamente quanto teve ou tem o nome de portuguez1 e nos aponta o ideal d'um messianico germanismo 7que nem talvez saiba definir71 de uma absurda supremacia das raas germanicas1 como a unica salvao possivel8 ,estranha salvao1 com effeito1 para a qual necessario comearmos por deixar de ser quem somos6 ,aconselham-nos que imitemos pacientemente1 sem critica e sem protesto1 os exemplos dos nossos mestres e senhores1 os allemes1 unicos pensadores e sabios1 ao que parece1 sem verem que imitao importa abdicao1 e que um povo que abdica do seu pensamento um povo que se suicida6 ,como se no bastassem j as nossas miserias actuaes1 juntam-lhes mais esta1 e capital3 a descrena da nossa propria capacidade e da nossa vida moral4 este exactamente aquelle maximo peccado1 que a ,igreja considerou sem remisso3 desesperao de se salvar4 ,no assim1 pelo desespero e abdicao1 que nos salvaremos4 ,no assim que quem est prostrado se levanta2 esperando que alguem lhe d a mo4 ,esse tal jazer eternamente4 ,sejamos ns mesmos4 ,tenhamos esse valor1 e tudo se tornar possivel4 ,antes de tudo1 convm crermos em ns mesmos1 no passado como no presente4 ,crr em si no adorar-se4 ,podemos ter essa crena1 sem santificarmos por isso os nossos vicios1 sem nos illudirmos sobre as nossas miserias antigas e modernas1 sem nos endurecermos na nossa ignorancia e confuso4 ,podemos crr em ns1 e confessarmos os nossos erros3 quem se suicidou s por que uma vez se reconheceu peccador8 ,se errmos e peccmos 7e peccmos e errmos bastante71 reformemo-nos corajosamente1 mas seguindo sempre uma inspirao propria1 consultando a nossa alma1 no a dos outros1 a voz da nossa consciencia1 no a da consciencia alheia4 ,foi isto o que fez essa ,allemanha1 que nos impem como modlo os que talvez menos a conhecem1 essa ,allemanha1 que eu admiro1 a quem devo muito1 mas a quem quero seguir livremente1 com um plenissimo direito de critica1 e consultando sempre os meus intimos instinctos de latino1 que sou e no me envergonho de ser4 ,a ,allemanha1 perdida1 ensanguentada1 esquartejada em #ahjh1 que fez para no morrer de todo8 que fez para voltar vida1 mais robusta e sada do que nunca8 ,imitou a ,frana vencedora8 renegou do genio germanico8 no3 concentrou-se em si mesma2 appellou para o seu genio historico1 e elle respondeu-lhe com inspiraes salvadoras4 ,foi1 mais que nunca1 allem4 ,sejamos1 pois1 ns todos1 francezes1 hespanhoes1 italianos1 portuguezes1 mais que nunca latinos4 ,ha um genio latino1 como ha um genio germanico4 ,a historia o revela3 e1 quando a historia fosse muda1 a nossa consciencia bradaria sempre1 dando-lhe o seu nome4 a ,revoluo4 este o pensamento secular das raas latinas3 a revoluo moral1 politica e social4 ,concentremo-nos n'elle4 ,s a elle peamos inspiraes4 ,com essa f abalaremos montanhas4 ,o momento actual turvo1 certamente2 mas a revoluo tem luz e calor bastante em si1 no s para dissipar um nevoeiro momentaneo1 mas para dar vida a um cahos4 ,os germanicos1 cuidando-se originaes1 fazem imperios3 ns1 latinos1 desfaamol-os4 ,reformam velhas religies3 prescindamos ns d'ellas4 ,reconstituem1 com os milhes do espolio1 uma nova aristocracia3 dmos ns aos povos a igualdade social4 4444444444444444444444444444444444444444 444444444444444444444444444444444 ,peo perdo ao snr4 ,pinheiro ,chagas4 ,j no estamos tanto de accordo como ha pouco4 ,certamente que no querer admittir todas as concluses que eu tiro da sua ,these4 ,mas esto l3 esto no seu ponto de vista nacional e latino1 que o meu tambem4 ,o snr4 ,pinheiro ,chagas tem muito espirito para no ser revolucionario1 no grande e verdadeiro sentido da palavra4 ,se eu lhe disser que a sciencia a ,revoluo1 e que a ,revoluo no mais do que a sciencia1 toda a sciencia1 applicada a todas as espheras da actividade humana1 e feita vida--o snr4 ,pinheiro ,chagas de certo me responde que1 assim1 tambem quer ser revolucionario4 ,ora a ,revoluo no outra cousa4 ,estudemos1 pois1 todos4 #bj de junho de #ahgb4 ,,fim