,,junta ,,patriotica ,,d ,,norte ,,leon>do ,,coimbra ,,cam,,es ,e ,a fisionomia espiritual da ,ptria ,,sep>ata ,,de ,,cam,,es 7,,discurso ,,pronunciado ,,no ,,teatro ,,guia ,,de ,,ouro ,,no ,,dia #aj ,,de ,,junho ,,de #aibj7 ,,porto ,,mcmxx ,,por ,,bem ,,m59as1 ,,m9has ,,s5horas ,e ,,meus ,,s5hores3 ,imag9ai que1 subt]rneo e di/ante1 vos corre sob os ps um regato1 e donde em onde a t]ra se abre em bocas de v]dura1 fal&o o refrescante murmurio das guas pr(undas4 ,assim so os ,poetas4 ,a nossa alma como velho arco de ponte1 sob o qual flui o rio d tempo1 lev&o no seu curso z v]duras da t]ra e z luzes d firmam5to1 cabelos corr$ios de algas e filam5tos lum9osos de mundos1 flres das m>g5s e cometas d ,inf9ito4 ,de qu&o em qu&o1 da nossa prpria alma tombam flres mortas que o tempo leva e vai sum9do na im5sidade da ,di/ncia4 ,volt>o a pass> sob a mesma ponte os brancos corpos de ,(lias1 que se afa/>am1 flu9do na algidez d lu>8 ,qual o rio que1 atravess&o os mundos1 os traga c9turados e reflectidos a repass>em z mesmas viag5s1 a repetirem o milagre d encontro8 ,a ,memria4 sse o gr&e rio d tempo regress&o origem1 como p]egr9o que fsse a v] o mundo e ao l> dom/ico voltasse1 cabelos e alma empoados das flres dos cam9hos1 rebrilhantes das p$r>ias da t]ra e das csmicas poeiras das alturas4 ,mas a ,memria onda dum m> transc5d5te1 que s conhecemos pelo seu aromtico des5ho na praia que ns somos e onde ela vm a morr] em corpo de mi/]ioso e e/onteante p]fume4 ,longe de ns1 =a d nosso ,espao1 nas dim5ses que nos so v$adas1 nasce sse ,m>2 o fluxo e refluxo das suas guas des5ha em nossos crebros l9has de memria1 que se apagam e de/roiem1 mal seguras d in/ante em que fulguram4 ,a vaga brilh\ in/antnea e logo outra vaga de memria fez o esquecim5to da primeira4 ,a conscincia flui adormecida e s escuras1 mal entrev5do os espordicos cl>es dessa ,memria1 que semelhana da fos=escncia dos nossos ,oceanos s de longe a longe ilum9am o negrume da vaga4 ,e toda a ,vida uma luta1 um drama1 um combate1 um p]man5te es=o p>a segur> a in/antnea luz da ,memria1 vaga dum m> de ,outra-,vida1 aflor&o subtil a praia que ns somos444 ,a realidade sse combate1 levado a planos dif]5tes1 e sm5te vitorioso pela audcia dos ,argonautas que se av5turam no gr&e ,oceano da ,memria que1 espontaneam5te1 em catadupas jorra d inf9ito corao div9o4 ,os ,argonautas d ,mi/rio so os sbios1 os poetas e os santos4 ,debrucemo-nos com les no arco da velha ponte e vejamos o mundo que passa4 ,o ,univ]so passa1 o tempo corre e nas suas guas precipitam-se z flres m>g9ais1 correm reflectidos os mundos e os sis4 ,o ,poeta ouve o murmurio que transita1 fixa o in/ante fugitivo1 e como em *apa de ao c&5te z guas que recebe no peito so asas de nvoa1 asc5o e fulgor1 ca9do no ,m> transc5d5te da ,memria em p]feito e lum9oso corpo de et]nidade4 ,e assim o ,poeta et]niza o in/ante444 e assim o ,poeta ergue ,conscincia os mais inco]civeis movim5tos da alma1 e assim o ,poeta filtra no episodio a sua p>te de et]nidade1 eleva sbre os individuos transitrios a fisionomia espiritual das ,ptrias1 da ,humanidade e ,deus4 ,o ,poeta g]a o ,sbio e o ,santo4 ,o ,santo o homem d plano sup]ior volunt>iam5te dado em sacrifcio p>a que a luz div9a1 que o consome1 guie e exalte os hom5s transc5dncia de uma vida sup]ior4 ,o fogo purifica z podrides1 a dor faz d s(rim5to quotidiano uma coluna de fogo apont&o os novos de/9os e rumos4 ,o ,santo vive1 na lab>$a d mom5to1 o inc5dio da et]nidade4 ,d o seu corpo ao sacrificio p>a que1 no vazio que se frma1 z ondas da ,memria se ins9uem e aum5tem o seu contacto com a t]ra1 p>a que os abraos dessas ondas se al>guem e c9jam todas z almas suplices4 ,o ,santo o ,poeta praticante1 z suas ,ces p5etram-lhe e modelam os lbios1 so s]es vivos cam9h&o1 humildes e amorosos1 a cuid> z *agas que1 em ns1 fiz]am z mord$uras da ,morte4 ,o ,sbio o ,poeta vag>oso3 debruado sobre a ponte1 no vai em companhia das vidas que fogem a c]c-las das guas da ,memria p>a que vivam e se no p]cam1 esp]a que regressem e na repetio d que pass\ v a gr&e unidade conviv5te de tudo o que exi/e4 ,procura a id5tidade que une os s]es1 esp]a na repetio o reap>ecim5to d que transita4 ,a sua luta pela ,conscincia a mais humilde e s]5a4 ,a conscincia sci5tifica *eia de abdicao d que prpriam5te humano1 comovida de respeito pela ,unidade social d ,univ]so4 ,o ascetismo d sbio1 feito da possivel abdicao dos planos sup]iores1 leva-o mais completa companhia com z realidades d seu plano4 ,o seu es=o p>a a conscincia o mais vigoroso esfro p>a fix> o des5ho das vagas da ,memria1 sem a av5tura argonutica de deix> a praia em dem&a d gr&e ,oceano que a beija4 ,mas aquelas p>tes da scincia1 que so z fontes que a alim5tam1 os ncleos de inv5o1 so a9da o m]gulho duma alma nas mais altas m>s d gr&e ,oceano da ,memria4 ,o sbio criador a9da e sempre o ,poeta4 ,newton e ,dante so igualm5te inf9itos4 ,o seu p5sam5to tem sempre oculto1 qu]e diz] que n5huma leitura os exgota1 porque1 pela p>te em que m]gulham no inf9ito ,oceano da ,memria1 so incom5surveis com qualqu] modo de cont>1 i/o 1 inexgotveis1 et]nos e inf9itos4 ,h1 com efeito1 uma di/9o1 e a unica que int]essa1 entre tdas z obras4 ,aquelas cuja riqueza exgotvel por um num]o f9ito de leituras 7e quantas nem uma s leitura comp5sam67 e aquelas cuja riqueza criacioni/a e exc$5te1 pois aum5ta com z prprias t5tativas de exau/o4 ,imag9ai um ,arquim$es procur&o exaurir um volume t]m9ado por l9has curvas e m$ida que ia descont&o p>alelipp$os o fosse encontr&o novo e acrescido4 ,assim so os livros dos v]dadeiros ,poetas3 sua prpria alma1 inf9ita ddiva d seu p]feito ,amor4 ,os outros444 os outros podem a9da s] humildes soldados da ,gr&e ,gu]ra contra a ,morte1 su/5t&o com firmeza os tr(u das vitrias j alcanadas4 ,mas ai d livro que depois de lido uma vez no foi mais desejado a9da que antes da primeira leitura6 le leva d5tro de si mais esquecim5to e morte que vitria e conscincia4 sses livros que crescem1 e sem fim1 so os fios subtis que pr5dem o homem aos planos espirituais sup]iores1 so z fle*as d>dejantes d mi/rio apontadas ao prprio corao humano4 ne/e s5tido que h livros revelados e s legiveis na ilum9ao da prpria luz espiritual que os embebe4 1 ne/e s5tido1 que exi/em bblias3 vivas lnguas de fogo acrisol&o o p5sam5to humano4 ,a ,div9a ,comdia1 ,d4 ,quixote1 os ,evangelhos3 outras tantas lnguas de fogo lig&o a t]ra com o firmam5to4 sses livros s]o humanos1 pagos e div9os4 ,tudo transita1 flui e morre4 ,ou nos salvamos todos1 ou impossivel a salvao4 ,o mais insignificante atrito duma areia pde inutiliz> a mais pod]osa e p]feita mqu9a4 ,um gro de esquecim5to p]mitido no ,univ]so introduzir a desproporo que inutiliza a memria1 s] uma p]da s+ul> que h de torn> impossivel em qualqu] outro s] a p]feita h>monia e cons]vao4 ,um g5]al no mom5to critico duma batalha pod] acudir a um ponto pr9cipal da sua l9ha1 s(r5do em retorno pequ5as d]rotas p>ciais em outros pontos4 ,essas d]rotas p>ciais so o fumo de toda a lab>$a que sbe1 os resduos duma evoluo que se fez e ir recomear1 aum5tada da vitria alcanada1 no corao da primeira d]rota4 ,o homem1 que se eleva1 s su/5ta a sua fisionomia anglica ajud&o a evoluo1 porque z =z de ,morte a9da o ho de p]seguir e1 se no cont9ua sub9do1 h de degrad>-se em c>icatura animal4 ,no rio d tempo vo fug9do z c\sas1 os s]es1 os mundos e o homem4 ,o ,poeta o seu r$5tor4 ,a unica r$5o o gr&e baptismo no div9o ,oceano da ,memria4 ,o ,poeta revel\ a conscincia aos hom5s1 porque neles fix\ e ac5deu aquela s]5a e firme e/rela1 que1 no seu ponto de int]f]ncia1 os raios d ,amor inf9ito g]>am em ,memria4 ,por essa ,memria o homem a praia onde m>ulham os oceanos de outras vidas1 o foco onde se reunem z vibraes etreas de todos os sis4 ,a ,tragdia grega1 ,d4 ,quixote1 os ,evangelhos1 a ,div9a ,comdia1 ,cames444 ,d4 ,quixote a ,bblia d ,ideal6 ,o ,ideal a ausncia duma p]cepo espiritual1 nessa ausncia que se ins9ua o ,mi/rio444 ,eis porque o ,ideal pres5a invisvel mas activa1 fecunda pres5a de realidades sup]iores que1 como o longnquo polo p>a a agulha1 pol>izam a vida d homem1 embora e/e z no p]ceba1 nem toque4 ,d4 ,quixote a prpria fome d ,ideal4 ,fome insatisfeita no plano de vida t]re/re1 porque nesse plano a pres5a de realidades espirituais exc$5tes4 ,eis porque o ,d4 ,quixote et]no2 morto o planeta1 le s] a9da em qualqu] vida a sua di/ncia a um plano sup]ior4 ,d4 ,quixote vive em todos os hom5s1 so z prprias asas d seu sonho1 a ausncia e o desejo de ,deus4 ,sob sse ponto de vi/a1 todo o es=o p>a a conscincia1 que a prpria l9ha de evoluo dos mundos1 da vida e d homem1 a scincia1 a arte e a moral1 uma s$uo quixotesca1 o influxo sup]ior que uniu a alma de ,c]vantes s realidades espirituais transc5d5tes4 ,d4 ,quixote o ,ideal2 o ,evangelho a prpria viso espiritual exaltada aos planos sup]iores da div9dade4 ,d4 ,quixote o cego impelido p>a a ,beleza por um press5tim5to int]ior2 ,cri/o a prpria ,luz abr9do olhos de p]cepo espiritual na msc>a pvida d homem4 ,d4 ,quixote a subida das guas no vazio que o turbilho =m>a2 ,cri/o a asc5o das almas na e/rada de luz que a sua passagem inc5di\4 ,a tragdia grega a luta d homem com a ,fatalidade1 i/o 1 das =z de vida contra todos os residuos da evoluo amalgamados e cond5sados num unico bloco de ,fatalidade4 ,por baixo d mais fcil e gracioso politesmo corre e flutua um p&emonismo in=me1 receb5do todas z precipitaes residuais d alto4 ,hesiodo e ,es*ylo passeiam entre z sombras2 ,scrates e ,plato entre z frescas cl>idades duma manh de ,abril4 ,mas ,plato sabe que essas cl>idades podem s] z sombras duma outra luz e a alegoria da cav]na vive a *am> a at5o d homem444 ,a ,div9a ,comdia o sonho de ,jacob em pl5a vigilia1 a onda iniciada num e/remecim5to da alma d ,poeta e al>g&o e sub9do1 p5etr&o em todos os planos da vida espiritual444 ,argonautas d ,mi/rio que elevam a conscincia a et]nas vises da realidade4 ,mas o mais insignificante ,poeta a9da capaz de fix> qualqu] fugitivo e/remecim5to e *am-lo p>a a vida no prprio in/ante em que sil5ciosam5te se ia f5ec5do4 99 99 99 99 99 ,a ,arte um =midvel f5m5o de osmose3 a alma d arti/a ressoa de tdos os e/remecim5tos da natureza e a natureza p9tada com z t9tas da sua alma4 ,o ,univ]so1 convvio1 por isso o arti/a retribui1 e em excesso1 tdas z ddivas que recebeu4 ,o ,m>1 o m> dos portugueses1 entr\ pelas rbitas d ,poeta e saiu cant&o z oitavas dos ,lusadas4 ,e to ntimo foi o abrao1 to p]feita a transfuso que o m>ulho longnquo d ,oceano e/a prpria fala3 ,bram9do o negro m> de longe brada ,como se desse em vo nalgum ro*$o ,portugal encapela-se em ondas1 a sua vida comunica-se e de praia a praia um abrao c+9do o planeta4 ,a vida d planeta convivncia no ,inf9ito1 a alma de ,cames lig\1 pelos fios invisiveis da memria1 o ,m> e a ,ptria vida espiritual d ,univ]so4 ,z oitavas dos ,lusadas1 ondas d m> salgado1 so et]nos e/remecim5tos de ,memria esculp9do no ,inf9ito a fisionomia espiritual da ,ptria4 ,o homem p]t5ce a vrios planos de vida espiritual3 cidado da sua ptria1 membro da sua religio1 p>cela consci5te no ,univ]so4 ,e cada plano atravessado pelo esfro d homem-conscincia p>a a cons]vao e p>a a ,memria4 por isso que em cada plano h nvoa e sonho e o homem e/remece duma no/algia inquietante4 ,o homem o de/]rado de ,so>es dos ,reis444 ,se o ,univ]so desde o sbio ao ,poeta 7e sem que prejulgue o problema ,mal7 convvio1 a conscincia d homem h de procur> z relaes csmicas na companhia das conscincias mais prximas4 ,eis porque o homem1 conscincia no ,inf9ito1 cidado na sua ,ptria e une a sua voz voz de seus irmos p>a ergu] em cro a prpria voz da ,ptria4 ,e1 como z almas s crescem pelo sacrificio dos desejos de sep>atividade que z frz da ,morte nelas ins9u>am1 o amor da ,ptria a primeira e a mais concreta exp]incia religiosa das almas4 ,mal vai1 no entanto1 s ,ptrias que1 vtimas dum orgulhoso isolam5to demoniaco1 no prolongam o sacrifcio das almas no al>gam os seus e/remecim5tos de amor at vida csmica e inf9ita4 ,se ,deus a prpria conscincia social1 p>a que e/a no pese e adormea z almas necess>io que cresa e se ilimite em conscincia social d ,univ]so4 ,o amor da ,ptria s] o amor dos hom5s e das coisas1 enc]r&o-se em et]no e r5ovado amor de ,deus4 ,a voz dos portugueses1 espessada1 avolum&o em ampliativos e exc$5tes abraos1 s] a epopeia da ,ptria lev&o no seu canto o m> e a paisagem1 os hom5s1 a t]ra e o cu4 ,z oitavas dos ,lusadas so z ondas d m> lev&o em espuma z b&eiras das batalhas1 trapej&o ao v5daval dos h]oismos1 os sonhos da raa1 o amor1 ,coimbra e o ,mondego1 os montes1 campos e bon9as444 ,a crtica mais ou m5os boticria entreviu nos ,lusadas uma mi/ura d m>avilhoso pago e d m>avilhoso cri/o4 tempo de acab> com tanta incompre5so1 de diz] bem alto que uma obra de arte um s] vivo1 uma viva conscincia salv&o p>a a ,memria o fluxo que transita4 ,jamais s] a mi/ura de mortes e quim]as4 ,h nos ,lusadas1 como em toda a lab>$a1 uma p>te incombu/ivel que a *ama no inc5deia e tomba em in]te poeira de c9zas4 ,incombu/vel1 qu&o o corao d ,poeta no arde em to alto fogo devorador que tudo queima4 a erudio d ,poeta1 que =nece o alim5to *ama1 e1 se o fogo d p5sam5to gnio1 tudo arde em vivo lume de beleza e et]nidade4 ,por vezes1 sim1 por vezes o calor d p5sam5to no ba/a a requeim> essa erudio1 e ento na fluidez das oitavas boiam e/tuas mutiladas de deuses mortos e aus5tes4 ,mas sse o fumo que faz toda a lab>$a humana o s9al de origem que1 m>c&o a imp]feio d homem1 subl9ha a div9dade d ,poeta4 ,o p5sam5to vulg>1 no sub9do acima das mais prximas realidades1 ignora a natureza e o valor d simbolismo1 *eg&o a supor que os smbolos poticos so artifcios decorativos com que o ,poeta procura deleit>-nos a s5sibilidade4 ,da a ideia dum m>avilhoso que1 como z decoraes dos arraiais m9hotos1 passa de poeta em poeta4 ,se conhec] relacion>1 sempre uma at5uada ou viva analogia a alma d prprio conhecim5to1 que da scincia arte sempre1 embora dif]5tem5te1 um simbolismo4 ,o simbolismo pago a gr&e concepo e/tica da ,natureza e da ,vida4 ,z contradies entre o homem e a natureza resumem-se a9da s relaes de sil5cio e convivio1 que o homem encontra e h>moniza na qusi tangibilidade dos deuses mal escondidos a9da no seio duma natureza amiga4 ,o murmrio da flore/a qusi o spro1 rep\sado e possante1 duma respirao im5sa2 a tremul9a de luz1 que p]corre o ribeiro qu&o um rud se ergue d e/remecim5to d canavial1 o prprio corpo da ,frescura a cam9h>2 o bulcio das selvas multiplic&o e fecund&o a vida a prpria ,vida espalhada e vagabunda junt&o-se p>a cresc]2 o silncio pontiluz5te1 m$itativo e sev]o1 da ,noite e/relada a prpria s]5idade da di/ncia a olh>3 stiros1 n9fas1 hamadradas1 n]eidas1 faunos e deuses passeiam por entre os hom5s444 ,o mundo a convivncia +nua1 mas j os drages e z s]p5tes de novo assu/am e repelem a s5sibilidade d homem4 le t] de re5contr> a companhia a d5tro de si mesmo444 ,se o corpo de ,vnus feito da espuma d ,m>1 a ,virgem ,m>ia a mais alta e translucida espuma da ,alma4 ,um paganismo simples e gracioso apre5deu na vida univ]sal z mesmas frz1 t5dncias e elem5t>es vontades1 que trabalham sil5ciosam5te nas pr(undezas d s] humano2 mas j z lutas titnicas revelam na ,natureza vontades inimigas1 que nos ass$iam e oprimem4 ,um titanismo vitorioso1 cob]to de glria e f]idas1 pode volt> a ress5tir a beleza +nua1 a inocncia e o bem1 na frma da aragem que embala z flor9has1 na frescura humilde d arroio1 na sombra acolh$ora da rvore1 no sonho que trespassa a gr&e voz dos elem5tos4 ,eis porque no h m>avilhoso nem mi/uras de m>avilhoso1 h sim uma voz humana que contemporaneam5te e/remecim5to da alma e d ar1 que fulgura1 no t] int]ior e no t] envolv5te1 a mesma lum9osa geometria4 ,nos ,lusadas h alegria campes9a1 bon9as1 prados e j>d9s1 uma natureza inoc5te e sem mcula2 mas h tambm guas que so j lgrimas de amor saudoso1 h montes e erv9has que &am a apr5d] no peito de ,9s4 ,e a paisagem de ,coimbra a9da hoje vive a repetir essas lies2 na ,qu9ta das ,lgrimas a9da hoje1 da fonte correm sem descano1 resso&o em co1 os v]sos de/a oitava3 ,z filhas d ,mondg a morte escura ,longo tempo *or&o memor>am2 ,e por memria et]na1 em fonte pura ,z lgrimas *oradas trans=m>am3 ,o nome lhe pus]am1 que inda dura1 ,dos amres de ,9s1 que ali pass>am ,vde que fresca fonte rega z flres1 ,que lgrimas so a gua e o nome amores4 ,a ,natureza no exi/e =a da convivncia d homem4 ,ora simples1 sil5ciosa e pr(unda1 duma inoc5te religiosidade elem5t>1 ora de/roada e p]dida se a no socorre a memria4 ,fonte que o simples murmrio da gratido das sdes1 leito de frescura da n9fa adormecida1 translucida nebl9a das r5das que a ve/em2 fonte que discorre em lgrimas z saudades dum amor di/ante444 e/a ,natureza que o ,poeta tem de conqui/> p>a a alma1 e/a natureza que a ,ptria tem de desv5d> p>a o mundo4 ,viaj> compre5d]3 por ignotos rumos procur> e lev> companhia aos s]es e s c\sas da di/ncia1 al>g>1 dilat> a alma p>a alm dos horizontes1 ampli&o o convvio1 contact&o por maior sup]ficie a gr&e zona d ,mi/rio4 ,ao p>tir p>a a viagem1 acorrem tdas z vozes da tranquilidade dom/ica1 demov5do e comov5do1 t5t&o pr5d] o homem firmeza das ligaes criadas1 tem5do a deslialdade e o esquecim5to4 ,h vozes de egosmo e de preguia1 mas h tambem vozes pr(ticas que acusam a nossa vontade pecam9osa de no ir em busca de novas amizades1 mas de ambies e maiores egosmos4 ,uma noite1 era eu a9da colegial1 s5ti1 olh&o da sala de e/udo o cncavo firmam5to e/relado1 a atraco dum a/ro di/ante1 e a m9ha alma infantil p>tiu sbitam5te ao *amam5to da di/ncia2 de rep5te um frio de isolam5to1 de ab&ono1 me fez regress> in/antaneam5te ao calor e ao abrigo dos hom5s1 que1 embora p\co c>9hoso1 me falava1 era meu1 era convvio1 conhecim5to1 mtuo amp>o4 ,jamais se apag\ da m9ha memria essa s5sao nica1 que hoje suponho o primeiro e mais p]feito contacto d meu s] com o ,mi/rio4 ,tambem1 ao p>tir1 o ,velho d ,re/elo vir444 ,e desp$ida1 h de diz] egosmos1 mas h de tambem prev5ir os egosmos1 z ambies e z cubiz p>a que no aum5tem com o tamanho dos mundos que lhes vo s] dados4 ,e o ,velho sabe que a ,viagem1 a ,epopeia1 uma obra prometaica1 de fogo de altos desejos que a mov]a4 ,o homem ,prometeu o homem d&o o inf9ito aos seus desejos1 p>t9do p>a alm dos deuses famili>es1 corr5do o risco de fic> s e s escuras no ,espao sem fim1 onde s um novo ,deus de inf9ito amor pod] s] companhia4 sse homem ,prometeu1 p]dido e vagabundo1 encontr\ a mo de ,jesus reconduz9do-o a ,deus2 mas quantos a9da hoje passeiam num ,inf9ito mudo a desolada e/tua de sua solido e tri/eza8 ,a ,epopeia vai faz]-se3 os portugueses p>tem lig&o os mundos1 e1 ao dobr> da frica1 o velho d ,re/elo o ,prometeu portugus1 o ,adama/or petrificado1 prev59do de novo z almas das duras consequncias da audcia1 das dres companheiras de toda a criao4 ,o ,velho desej>a que o fogo dos altos desejos prometaicos no tiv]a ardido1 e pr(etiz>a com uma voz to sbia e prev5ida que bem p>ece s] a prpria voz dum doloroso sab] de exp]incias4 ,o ,velho acompanha a frota e de novo4 ,maior1 ,im5so e ,torm5toso1 qu]e v$> o ,mi/rio1 cont] z =z de bem e de mal que os navegadores e/o pre/es a lib]t>4 ,pr(etiza e ameaa1 mas1 qu&o int]rogado em palavras lusadas1 conta aos portugueses1 ao m> e s nuv5s1 a tragdia esquiliana da sua av5tura4 ,o irmo ,prometeu r\b>a o fogo aos deuses1 le quis]a furt>-lhes o amor4 ,a ,luz prometaica ilum9>a os mundos1 mas o ,espao regelado no fra comovido por essa fria luz da inteligncia3 a c&eia cri/ vai purific> e aquec] essa luz e s] o ,amor a ,gr&e ,pres5a ,univ]sal1 dadivosa e inexgotvel4 ,eis porque o ,prometeu portugus tem um ,cucaso-- o trm9us d mundo conhecido1 aprisionado em contacto com z primeiras ondas d mundo mi/]ioso6 ,eis porque ,adama/or tem um abutre--os prprios braos d amor1 regao ondulado de ,!tis1 faz5do e/remec] inf9itam5te a bruteza p5hascosa d seu corpo4 ,conv]te-se-me a c>ne em t]ra dura1 ,em p5$os os ossos se fiz]am2 ,e/es membros que vs1 e e/a figura ,por e/as longas agoas se e/5d]am3 ,emfim1 m9ha gr&issima e/atura ,ne/e remoto cabo conv]t]am ,os deoses2 e por mais dobradas magoas1 ,me &a ,!tis c]c&o de/as agoas4 ,o seu corpo beijado pelas mil bcas d amor que o devora1 e1 abraado nvoa d corpo amado1 sobe lib]to o seu desejo1 p5etr&o em lgrimas z funduras ocenicas em que se abisma4 ,e *ora1 *ove1 desfaz-se a nuvem negra e de novo o ,sol reaquece mais desejos444 ,alma s$5ta da ,ptria1 inext+uivel fome de imortalidade1 com o amor cravado no mais intimo d seu qu]]6 ,a fisionomia espiritual da ,ptria traada a fogo no prprio corao d ,inf9ito6 ,e l vai ,vasco da ,gama num ,m>1 que no d ,planeta1 lev&o a raa numa ,viagem sem t]mo a ouvir e lib]t> ,adama/ores1 corr5do num pacifico ,oceano de ,memria a sua et]na av5tura religiosa4 ,e1 cant&o com o ,poeta1 tdos ns somos j espectros duma outra vida1 =mas duma luz transc5d5te p5etr&o o planeta dos e/remecim5tos d ,inf9ito4 a ,gr&e ,viagem3 ,o ,gama ao leme1 o ,poeta faz5do d seu canto o prprio ,oceano em que vogamos1 e ns1 reconciliados com le1 em xtase1 cant&o a beleza pr(unda e et]na das almas444 ,faa cada portugus z suas pazes com ,cames e1 de novo1 no ,inf9ito1 radiosa e feliz1 a ,ptria h de sorrir444 7,disse74