,,junta ,,patriotica ,,do ,,norte ,,leonardo ,,coimbra ,,cam,,es ,e ,a fisionomia espiritual da ,ptria ,,separata ,,de ,,cam,,es 7,,discurso ,,pronunciado ,,no ,,teatro ,,guia ,,de ,,ouro ,,no ,,dia #aj ,,de ,,junho ,,de #aibj7 ,,porto ,,mcmxx ,,por ,,bem ,,meninas1 ,,minhas ,,senhoras ,e ,,meus ,,senhores3 ,imaginai que1 subterrneo e distante1 vos corre sob os ps um regato1 e donde em onde a terra se abre em bocas de verdura1 falando o refrescante murmurio das guas profundas4 ,assim so os ,poetas4 ,a nossa alma como velho arco de ponte1 sob o qual flui o rio do tempo1 levando no seu curso as verduras da terra e as luzes do firmamento1 cabelos corredios de algas e filamentos luminosos de mundos1 flres das margens e cometas do ,infinito4 ,de quando em quando1 da nossa prpria alma tombam flres mortas que o tempo leva e vai sumindo na imensidade da ,distncia4 ,voltaro a passar sob a mesma ponte os brancos corpos de ,oflias1 que se afastaram1 fluindo na algidez do luar8 ,qual o rio que1 atravessando os mundos1 os traga cinturados e reflectidos a repassarem as mesmas viagens1 a repetirem o milagre do encontro8 ,a ,memria4 sse o grande rio do tempo regressando origem1 como peregrino que fsse a ver o mundo e ao lar domstico voltasse1 cabelos e alma empoados das flres dos caminhos1 rebrilhantes das pedrarias da terra e das csmicas poeiras das alturas4 ,mas a ,memria onda dum mar transcendente1 que s conhecemos pelo seu aromtico desenho na praia que ns somos e onde ela vm a morrer em corpo de misterioso e estonteante perfume4 ,longe de ns1 fora do nosso ,espao1 nas dimenses que nos so vedadas1 nasce sse ,mar2 o fluxo e refluxo das suas guas desenha em nossos crebros linhas de memria1 que se apagam e destroiem1 mal seguras do instante em que fulguram4 ,a vaga brilhou instantnea e logo outra vaga de memria fez o esquecimento da primeira4 ,a conscincia flui adormecida e s escuras1 mal entrevendo os espordicos clares dessa ,memria1 que semelhana da fosforescncia dos nossos ,oceanos s de longe a longe iluminam o negrume da vaga4 ,e toda a ,vida uma luta1 um drama1 um combate1 um permanente esforo para segurar a instantnea luz da ,memria1 vaga dum mar de ,outra-,vida1 aflorando subtil a praia que ns somos444 ,a realidade sse combate1 levado a planos diferentes1 e smente vitorioso pela audcia dos ,argonautas que se aventuram no grande ,oceano da ,memria que1 espontaneamente1 em catadupas jorra do infinito corao divino4 ,os ,argonautas do ,mistrio so os sbios1 os poetas e os santos4 ,debrucemo-nos com les no arco da velha ponte e vejamos o mundo que passa4 ,o ,universo passa1 o tempo corre e nas suas guas precipitam-se as flres marginais1 correm reflectidos os mundos e os sis4 ,o ,poeta ouve o murmurio que transita1 fixa o instante fugitivo1 e como em chapa de ao candente as guas que recebe no peito so asas de nvoa1 asceno e fulgor1 caindo no ,mar transcendente da ,memria em perfeito e luminoso corpo de eternidade4 ,e assim o ,poeta eterniza o instante444 e assim o ,poeta ergue ,conscincia os mais incoerciveis movimentos da alma1 e assim o ,poeta filtra no episodio a sua parte de eternidade1 eleva sbre os individuos transitrios a fisionomia espiritual das ,ptrias1 da ,humanidade e ,deus4 ,o ,poeta gera o ,sbio e o ,santo4 ,o ,santo o homem do plano superior voluntariamente dado em sacrifcio para que a luz divina1 que o consome1 guie e exalte os homens transcendncia de uma vida superior4 ,o fogo purifica as podrides1 a dor faz do sofrimento quotidiano uma coluna de fogo apontando os novos destinos e rumos4 ,o ,santo vive1 na labareda do momento1 o incendio da eternidade4 ,d o seu corpo ao sacrificio para que1 no vazio que se frma1 as ondas da ,memria se insinuem e aumentem o seu contacto com a terra1 para que os abraos dessas ondas se alarguem e cinjam todas as almas suplices4 ,o ,santo o ,poeta praticante1 as suas ,canes penetram-lhe e modelam os lbios1 so seres vivos caminhando1 humildes e amorosos1 a cuidar as chagas que1 em ns1 fizeram as mordeduras da ,morte4 ,o ,sbio o ,poeta vagaroso3 debruado sobre a ponte1 no vai em companhia das vidas que fogem a cerc-las das guas da ,memria para que vivam e se no percam1 espera que regressem e na repetio do que passou v a grande unidade convivente de tudo o que existe4 ,procura a identidade que une os seres1 espera na repetio o reaparecimento do que transita4 ,a sua luta pela ,conscincia a mais humilde e serena4 ,a conscincia scientifica cheia de abdicao do que prpriamente humano1 comovida de respeito pela ,unidade social do ,universo4 ,o ascetismo do sbio1 feito da possivel abdicao dos planos superiores1 leva-o mais completa companhia com as realidades do seu plano4 ,o seu esforo para a conscincia o mais vigoroso esfro para fixar o desenho das vagas da ,memria1 sem a aventura argonutica de deixar a praia em demanda do grande ,oceano que a beija4 ,mas aquelas partes da scincia1 que so as fontes que a alimentam1 os ncleos de inveno1 so ainda o mergulho duma alma nas mais altas mars do grande ,oceano da ,memria4 ,o sbio criador ainda e sempre o ,poeta4 ,newton e ,dante so igualmente infinitos4 ,o seu pensamento tem sempre oculto1 quere dizer que nenhuma leitura os exgota1 porque1 pela parte em que mergulham no infinito ,oceano da ,memria1 so incomensurveis com qualquer modo de contar1 isto 1 inexgotveis1 eternos e infinitos4 ,h1 com efeito1 uma distino1 e a unica que interessa1 entre tdas as obras4 ,aquelas cuja riqueza exgotvel por um numero finito de leituras 7e quantas nem uma s leitura compensam67 e aquelas cuja riqueza criacionista e excedente1 pois aumenta com as prprias tentativas de exausto4 ,imaginai um ,arquimedes procurando exaurir um volume terminado por linhas curvas e medida que ia descontando paralelippedos o fosse encontrando novo e acrescido4 ,assim so os livros dos verdadeiros ,poetas3 sua prpria alma1 infinita ddiva do seu perfeito ,amor4 ,os outros444 os outros podem ainda ser humildes soldados da ,grande ,guerra contra a ,morte1 sustentando com firmeza os trofus das vitrias j alcanadas4 ,mas ai do livro que depois de lido uma vez no foi mais desejado ainda que antes da primeira leitura6 le leva dentro de si mais esquecimento e morte que vitria e conscincia4 sses livros que crescem1 e sem fim1 so os fios subtis que prendem o homem aos planos espirituais superiores1 so as flechas dardejantes do mistrio apontadas ao prprio corao humano4 neste sentido que h livros revelados e s legiveis na iluminao da prpria luz espiritual que os embebe4 1 neste sentido1 que existem bblias3 vivas lnguas de fogo acrisolando o pensamento humano4 ,a ,divina ,comdia1 ,d4 ,quixote1 os ,evangelhos3 outras tantas lnguas de fogo ligando a terra com o firmamento4 sses livros sero humanos1 pagos e divinos4 ,tudo transita1 flui e morre4 ,ou nos salvamos todos1 ou impossivel a salvao4 ,o mais insignificante atrito duma areia pde inutilizar a mais poderosa e perfeita mquina4 ,um gro de esquecimento permitido no ,universo introduzir a desproporo que inutiliza a memria1 ser uma perda singular que h de tornar impossivel em qualquer outro ser a perfeita harmonia e conservao4 ,um general no momento critico duma batalha poder acudir a um ponto principal da sua linha1 sofrendo em retorno pequenas derrotas parciais em outros pontos4 ,essas derrotas parciais so o fumo de toda a labareda que sbe1 os resduos duma evoluo que se fez e ir recomear1 aumentada da vitria alcanada1 no corao da primeira derrota4 ,o homem1 que se eleva1 s sustenta a sua fisionomia anglica ajudando a evoluo1 porque as foras de ,morte ainda o ho de perseguir e1 se no continua subindo1 h de degradar-se em caricatura animal4 ,no rio do tempo vo fugindo as cousas1 os seres1 os mundos e o homem4 ,o ,poeta o seu redentor4 ,a unica redeno o grande baptismo no divino ,oceano da ,memria4 ,o ,poeta revelou a conscincia aos homens1 porque neles fixou e acendeu aquela serena e firme estrela1 que1 no seu ponto de interferncia1 os raios do ,amor infinito geraram em ,memria4 ,por essa ,memria o homem a praia onde marulham os oceanos de outras vidas1 o foco onde se reunem as vibraes etreas de todos os sis4 ,a ,tragdia grega1 ,d4 ,quixote1 os ,evangelhos1 a ,divina ,comdia1 ,cames444 ,d4 ,quixote a ,bblia do ,ideal6 ,o ,ideal a ausncia duma percepo espiritual1 nessa ausncia que se insinua o ,mistrio444 ,eis porque o ,ideal presena invisvel mas activa1 fecunda presena de realidades superiores que1 como o longnquo polo para a agulha1 polarizam a vida do homem1 embora este as no perceba1 nem toque4 ,d4 ,quixote a prpria fome do ,ideal4 ,fome insatisfeita no plano de vida terrestre1 porque nesse plano a presena de realidades espirituais excedentes4 ,eis porque o ,d4 ,quixote eterno2 morto o planeta1 le ser ainda em qualquer vida a sua distncia a um plano superior4 ,d4 ,quixote vive em todos os homens1 so as prprias asas do seu sonho1 a ausncia e o desejo de ,deus4 ,sob sse ponto de vista1 todo o esforo para a conscincia1 que a prpria linha de evoluo dos mundos1 da vida e do homem1 a scincia1 a arte e a moral1 uma seduo quixotesca1 o influxo superior que uniu a alma de ,cervantes s realidades espirituais transcendentes4 ,d4 ,quixote o ,ideal2 o ,evangelho a prpria viso espiritual exaltada aos planos superiores da divindade4 ,d4 ,quixote o cego impelido para a ,beleza por um pressentimento interior2 ,cristo a prpria ,luz abrindo olhos de percepo espiritual na mscara pvida do homem4 ,d4 ,quixote a subida das guas no vazio que o turbilho formara2 ,cristo a asceno das almas na estrada de luz que a sua passagem incendiou4 ,a tragdia grega a luta do homem com a ,fatalidade1 isto 1 das foras de vida contra todos os residuos da evoluo amalgamados e condensados num unico bloco de ,fatalidade4 ,por baixo do mais fcil e gracioso politesmo corre e flutua um pandemonismo informe1 recebendo todas as precipitaes residuais do alto4 ,hesiodo e ,eschylo passeiam entre as sombras2 ,scrates e ,plato entre as frescas claridades duma manh de ,abril4 ,mas ,plato sabe que essas claridades podem ser as sombras duma outra luz e a alegoria da caverna vive a chamar a ateno do homem444 ,a ,divina ,comdia o sonho de ,jacob em plena vigilia1 a onda iniciada num estremecimento da alma do ,poeta e alargando e subindo1 penetrando em todos os planos da vida espiritual444 ,argonautas do ,mistrio que elevam a conscincia a eternas vises da realidade4 ,mas o mais insignificante ,poeta ainda capaz de fixar qualquer fugitivo estremecimento e cham-lo para a vida no prprio instante em que silenciosamente se ia fenecendo4 99 99 99 99 99 ,a ,arte um formidvel fenmeno de osmose3 a alma do artista ressoa de tdos os estremecimentos da natureza e a natureza pintada com as tintas da sua alma4 ,o ,universo1 convvio1 por isso o artista retribui1 e em excesso1 tdas as ddivas que recebeu4 ,o ,mar1 o mar dos portugueses1 entrou pelas rbitas do ,poeta e saiu cantando as oitavas dos ,lusadas4 ,e to ntimo foi o abrao1 to perfeita a transfuso que o marulho longnquo do ,oceano esta prpria fala3 ,bramindo o negro mar de longe brada ,como se desse em vo nalgum rochedo ,portugal encapela-se em ondas1 a sua vida comunica-se e de praia a praia um abrao cingindo o planeta4 ,a vida do planeta convivncia no ,infinito1 a alma de ,cames ligou1 pelos fios invisiveis da memria1 o ,mar e a ,ptria vida espiritual do ,universo4 ,as oitavas dos ,lusadas1 ondas do mar salgado1 so eternos estremecimentos de ,memria esculpindo no ,infinito a fisionomia espiritual da ,ptria4 ,o homem pertence a vrios planos de vida espiritual3 cidado da sua ptria1 membro da sua religio1 parcela consciente no ,universo4 ,e cada plano atravessado pelo esfro do homem-conscincia para a conservao e para a ,memria4 por isso que em cada plano h nvoa e sonho e o homem estremece duma nostalgia inquietante4 ,o homem o desterrado de ,soares dos ,reis444 ,se o ,universo desde o sbio ao ,poeta 7e sem que prejulgue o problema ,mal7 convvio1 a conscincia do homem h de procurar as relaes csmicas na companhia das conscincias mais prximas4 ,eis porque o homem1 conscincia no ,infinito1 cidado na sua ,ptria e une a sua voz voz de seus irmos para erguer em cro a prpria voz da ,ptria4 ,e1 como as almas s crescem pelo sacrificio dos desejos de separatividade que as fras da ,morte nelas insinuaram1 o amor da ,ptria a primeira e a mais concreta experincia religiosa das almas4 ,mal vai1 no entanto1 s ,ptrias que1 vtimas dum orgulhoso isolamento demoniaco1 no prolongam o sacrifcio das almas no alargam os seus estremecimentos de amor at vida csmica e infinita4 ,se ,deus a prpria conscincia social1 para que esta no pese e adormea as almas necessario que cresa e se ilimite em conscincia social do ,universo4 ,o amor da ,ptria ser o amor dos homens e das coisas1 encerrando-se em eterno e renovado amor de ,deus4 ,a voz dos portugueses1 espessada1 avolumando em ampliativos e excedentes abraos1 ser a epopeia da ,ptria levando no seu canto o mar e a paisagem1 os homens1 a terra e o cu4 ,as oitavas dos ,lusadas so as ondas do mar levando em espuma as bandeiras das batalhas1 trapejando ao vendaval dos heroismos1 os sonhos da raa1 o amor1 ,coimbra e o ,mondego1 os montes1 campos e boninas444 ,a crtica mais ou menos boticria entreviu nos ,lusadas uma mistura do maravilhoso pago e do maravilhoso cristo4 tempo de acabar com tanta incompreenso1 de dizer bem alto que uma obra de arte um ser vivo1 uma viva conscincia salvando para a ,memria o fluxo que transita4 ,jamais ser a mistura de mortes e quimeras4 ,h nos ,lusadas1 como em toda a labareda1 uma parte incombustivel que a chama no incendeia e tomba em inerte poeira de cinzas4 ,incombustvel1 quando o corao do ,poeta no arde em to alto fogo devorador que tudo queima4 a erudio do ,poeta1 que fornece o alimento chama1 e1 se o fogo do pensamento gnio1 tudo arde em vivo lume de beleza e eternidade4 ,por vezes1 sim1 por vezes o calor do pensamento no basta a requeimar essa erudio1 e ento na fluidez das oitavas boiam esttuas mutiladas de deuses mortos e ausentes4 ,mas sse o fumo que faz toda a labareda humana o sinal de origem que1 marcando a imperfeio do homem1 sublinha a divindade do ,poeta4 ,o pensamento vulgar1 no subindo acima das mais prximas realidades1 ignora a natureza e o valor do simbolismo1 chegando a supor que os smbolos poticos so artifcios decorativos com que o ,poeta procura deleitar-nos a sensibilidade4 ,da a ideia dum maravilhoso que1 como as decoraes dos arraiais minhotos1 passa de poeta em poeta4 ,se conhecer relacionar1 sempre uma atenuada ou viva analogia a alma do prprio conhecimento1 que da scincia arte sempre1 embora diferentemente1 um simbolismo4 ,o simbolismo pago a grande concepo esttica da ,natureza e da ,vida4 ,as contradies entre o homem e a natureza resumem-se ainda s relaes de silencio e convivio1 que o homem encontra e harmoniza na qusi tangibilidade dos deuses mal escondidos ainda no seio duma natureza amiga4 ,o murmrio da floresta qusi o spro1 repousado e possante1 duma respirao imensa2 a tremulina de luz1 que percorre o ribeiro quando um rudo se ergue do estremecimento do canavial1 o prprio corpo da ,frescura a caminhar2 o bulcio das selvas multiplicando e fecundando a vida a prpria ,vida espalhada e vagabunda juntando-se para crescer2 o silncio pontiluzente1 meditativo e severo1 da ,noite estrelada a prpria serenidade da distncia a olhar3 stiros1 ninfas1 hamadradas1 nereidas1 faunos e deuses passeiam por entre os homens444 ,o mundo a convivncia ingnua1 mas j os drages e as serpentes de novo assustam e repelem a sensibilidade do homem4 le ter de reencontrar a companhia a dentro de si mesmo444 ,se o corpo de ,vnus feito da espuma do ,mar1 a ,virgem ,maria a mais alta e translucida espuma da ,alma4 ,um paganismo simples e gracioso apreendeu na vida universal as mesmas fras1 tendncias e elementares vontades1 que trabalham silenciosamente nas profundezas do ser humano2 mas j as lutas titnicas revelam na ,natureza vontades inimigas1 que nos assediam e oprimem4 ,um titanismo vitorioso1 coberto de glria e feridas1 pode voltar a ressentir a beleza ingnua1 a inocncia e o bem1 na frma da aragem que embala as florinhas1 na frescura humilde do arroio1 na sombra acolhedora da rvore1 no sonho que trespassa a grande voz dos elementos4 ,eis porque no h maravilhoso nem misturas de maravilhoso1 h sim uma voz humana que contemporaneamente estremecimento da alma e do ar1 que fulgura1 no ter interior e no ter envolvente1 a mesma luminosa geometria4 ,nos ,lusadas h alegria campesina1 boninas1 prados e jardins1 uma natureza inocente e sem mcula2 mas h tambm guas que so j lgrimas de amor saudoso1 h montes e ervinhas que andam a aprender no peito de ,ins4 ,e a paisagem de ,coimbra ainda hoje vive a repetir essas lies2 na ,quinta das ,lgrimas ainda hoje1 da fonte correm sem descano1 ressoando em co1 os versos desta oitava3 ,as filhas do ,mondgo a morte escura ,longo tempo chorando memoraram2 ,e por memria eterna1 em fonte pura ,as lgrimas choradas transformaram3 ,o nome lhe puseram1 que inda dura1 ,dos amres de ,ins1 que ali passaram ,vde que fresca fonte rega as flres1 ,que lgrimas so a gua e o nome amores4 ,a ,natureza no existe fora da convivncia do homem4 ,ora simples1 silenciosa e profunda1 duma inocente religiosidade elementar1 ora destroada e perdida se a no socorre a memria4 ,fonte que o simples murmrio da gratido das sdes1 leito de frescura da ninfa adormecida1 translucida neblina das rendas que a vestem2 fonte que discorre em lgrimas as saudades dum amor distante444 esta ,natureza que o ,poeta tem de conquistar para a alma1 esta natureza que a ,ptria tem de desvendar para o mundo4 ,viajar compreender3 por ignotos rumos procurar e levar companhia aos seres e s cousas da distncia1 alargar1 dilatar a alma para alm dos horizontes1 ampliando o convvio1 contactando por maior superficie a grande zona do ,mistrio4 ,ao partir para a viagem1 acorrem tdas as vozes da tranquilidade domstica1 demovendo e comovendo1 tentando prender o homem firmeza das ligaes criadas1 temendo a deslialdade e o esquecimento4 ,h vozes de egosmo e de preguia1 mas h tambem vozes profticas que acusam a nossa vontade pecaminosa de no ir em busca de novas amizades1 mas de ambies e maiores egosmos4 ,uma noite1 era eu ainda colegial1 senti1 olhando da sala de estudo o cncavo firmamento estrelado1 a atraco dum astro distante1 e a minha alma infantil partiu sbitamente ao chamamento da distncia2 de repente um frio de isolamento1 de abandono1 me fez regressar instantaneamente ao calor e ao abrigo dos homens1 que1 embora pouco carinhoso1 me falava1 era meu1 era convvio1 conhecimento1 mtuo amparo4 ,jamais se apagou da minha memria essa sensao nica1 que hoje suponho o primeiro e mais perfeito contacto do meu ser com o ,mistrio4 ,tambem1 ao partir1 o ,velho do ,restelo vir444 ,e despedida1 h de dizer egosmos1 mas h de tambem prevenir os egosmos1 as ambies e as cubias para que no aumentem com o tamanho dos mundos que lhes vo ser dados4 ,e o ,velho sabe que a ,viagem1 a ,epopeia1 uma obra prometaica1 de fogo de altos desejos que a movera4 ,o homem ,prometeu o homem dando o infinito aos seus desejos1 partindo para alm dos deuses familiares1 correndo o risco de ficar s e s escuras no ,espao sem fim1 onde s um novo ,deus de infinito amor poder ser companhia4 sse homem ,prometeu1 perdido e vagabundo1 encontrou a mo de ,jesus reconduzindo-o a ,deus2 mas quantos ainda hoje passeiam num ,infinito mudo a desolada esttua de sua solido e tristeza8 ,a ,epopeia vai fazer-se3 os portugueses partem ligando os mundos1 e1 ao dobrar da frica1 o velho do ,restelo o ,prometeu portugus1 o ,adamastor petrificado1 prevenindo de novo as almas das duras consequncias da audcia1 das dres companheiras de toda a criao4 ,o ,velho desejara que o fogo dos altos desejos prometaicos no tivera ardido1 e profetizara com uma voz to sbia e prevenida que bem parece ser a prpria voz dum doloroso saber de experincias4 ,o ,velho acompanha a frota e de novo4 ,maior1 ,imenso e ,tormentoso1 quere vedar o ,mistrio1 conter as foras de bem e de mal que os navegadores esto prestes a libertar4 ,profetiza e ameaa1 mas1 quando interrogado em palavras lusadas1 conta aos portugueses1 ao mar e s nuvens1 a tragdia esquiliana da sua aventura4 ,o irmo ,prometeu roubara o fogo aos deuses1 le quisera furtar-lhes o amor4 ,a ,luz prometaica iluminara os mundos1 mas o ,espao regelado no fra comovido por essa fria luz da inteligncia3 a candeia crist vai purificar e aquecer essa luz e ser o ,amor a ,grande ,presena ,universal1 dadivosa e inexgotvel4 ,eis porque o ,prometeu portugus tem um ,cucaso-- o trminus do mundo conhecido1 aprisionado em contacto com as primeiras ondas do mundo misterioso6 ,eis porque ,adamastor tem um abutre--os prprios braos do amor1 regao ondulado de ,thetis1 fazendo estremecer infinitamente a bruteza penhascosa do seu corpo4 ,converte-se-me a carne em terra dura1 ,em penedos os ossos se fizeram2 ,estes membros que vs1 e esta figura ,por estas longas agoas se estenderam3 ,emfim1 minha grandissima estatura ,neste remoto cabo converteram ,os deoses2 e por mais dobradas magoas1 ,me anda ,thetis cercando destas agoas4 ,o seu corpo beijado pelas mil bcas do amor que o devora1 e1 abraado nvoa do corpo amado1 sobe liberto o seu desejo1 penetrando em lgrimas as funduras ocenicas em que se abisma4 ,e chora1 chove1 desfaz-se a nuvem negra e de novo o ,sol reaquece mais desejos444 ,alma sedenta da ,ptria1 inextinguivel fome de imortalidade1 com o amor cravado no mais intimo do seu querer6 ,a fisionomia espiritual da ,ptria traada a fogo no prprio corao do ,infinito6 ,e l vai ,vasco da ,gama num ,mar1 que no do ,planeta1 levando a raa numa ,viagem sem termo a ouvir e libertar ,adamastores1 correndo num pacifico ,oceano de ,memria a sua eterna aventura religiosa4 ,e1 cantando com o ,poeta1 tdos ns somos j espectros duma outra vida1 formas duma luz transcendente penetrando o planeta dos estremecimentos do ,infinito4 a ,grande ,viagem3 ,o ,gama ao leme1 o ,poeta fazendo do seu canto o prprio ,oceano em que vogamos1 e ns1 reconciliados com le1 em xtase1 cantando a beleza profunda e eterna das almas444 ,faa cada portugus as suas pazes com ,cames e1 de novo1 no ,infinito1 radiosa e feliz1 a ,ptria h de sorrir444 7,disse74