of public domain material from ,bib,ria7 ,,magalh,,es ,,lima ,o #a4 de ,maio ,marchez1 l'humanit ne vit pas d'une ide1 ,elle en allume une autre l'eternel flambeau ,,casa ,,bertrand--,,jos ,,bastos ,,chiado ,,lisboa ,o ,,primeiro ,,de ,,maio ,o ,,primeiro ,,de ,,maio ,,por ,s4 ,,de ,,magalh,,es ,,lima ,marchez1 l'humanit ne vit pas d'une ide1 ,elle en allume une autre l'eternel flambeau ,,lisboa ,,typ4 ,,da ,,companhia ,,nacional ,,editora #ahid ,,memoria ,,do ,,meu ,,querido ,,mestre ,e ,,saudosissimo ,,amigo ,,benoit ,,malon ,lisboa1 #b de dezembro de #ahic4 ,magalhes ,lima4 ,,solemnia ,,verba444 ,recordo-me perfeitamente4 ,era uma manh de agosto4 ,na vespera1 ,cipriani havia me dito3 amanh1 s #aa horas1 na gare de ,s4 ,lazare6 ,fomos ambos pontuaes4 ,tommos os nossos bilhetes1 e seguimos no trem de ,asnires4 ,era ali1 na rua de ,colombes1 que vivia1 ou que agonisava1 para melhor dizer1 ,benoit ,malon4 ,subimos a longa escadaria que conduzia a um terceiro andar4 ,o mestre dormia tranquillamente4 ,mas1 presentindo-nos1 afastou docemente o leno branco que lhe encobria o rosto1 e estendeu-nos a mo com carinho e alvoroo1 abraando-nos e beijando-nos1 ao mesmo tempo4 ,a sua physionomia1 abatida e amarellecida pelo uso da morphina1 tinha o aspecto doentio1 morbido1 de quem1 havia muito1 no dormira ou se achara dominado por terriveis convulses4 ,o quarto era pequeno1 illuminado por uma janella que deitava para a rua4 ,sobre o leito em desalinho1 alguns jornaes1 dobrados uns1 abertos outros--,le ,rappel1 ,la ,petite ,republique ,franaise1 ,la ,justice444 ,a atmosphera estava impregnada d'aquelle cheiro caracteristico das longas enfermidades dolorosas4 ,a um lado do leito uma mesa1 completamente coalhada de garrafas e frascos1 uma pequena pharmacia1 para assim o dizer2 e a outro lado a figura luminosa1 transparente e doce de ,mademoiselle ,estelle ,husson1 a enfermeira querida e dedicada1 que teve a rara coragem e a excepcional perseverana de atravessar os seis longos mezes da doena1 passando as noites em vigilia1 ao lado do enfermo1 sem se deitar444 -- uma heroina6--disse-me ,amilcare ,cipriani4 ,e era-o1 com effeito4 ,conservo ainda hoje a sua imagem1 intensamente gravada no meu espirito saudosissimo4 ,uma bata branca envolvia o seu corpo flexivel e franzino1 e uma pallidez marmorea se desenhava na sua figura delicada de madona1 de olhos azues e de longas tranas louras4 ,dir-se-hia uma irm do doente1 pelo soffrimento e pela dr que a caracterisavam4 ,benoit ,malon no podia fallar4 ,escrevia n'uma lousa que tinha sempre ao seu lado1 e que elle mesmo limpava1 de quando em quando1 com uma pequena esponja4 ,fez-me muitas perguntas4 ,felicitou-me pela publicao do meu livro--,la ,fdration ,ibrique1 que havia dado a ,geisler1 para que a elle se referisse na ,revue ,socialiste4--,porque no publica ,v41 em volume1 as suas impresses1 sobre o congresso operario de ,zurich8--disse-me por fim4 ,prometti-lhe solemnemente que o faria4 ,venho hoje cumprir a minha promessa2 e1 tua memoria sacratissima1 consagro o fructo do meu labor1 morto querido6 ,o ,,primeiro ,,de ,,maio ,o congresso confirma a resoluo do congresso de ,bruxellas1 assim concebida3 ,o congresso1 afim de conservar ao #a4 de ,maio o seu verdadeiro caracter de reivindicao do dia normal de #h horas de trabalho e de affirmao de lucta de classes1 resolve3 ,que deve fazer-se uma manifestao unica em que tomem parte os trabalhadores de todos os paizes2 ,que esta manifestao se realise no dia #a4 de maio1 e se suspenda o trabalho1 n'esse dia1 em toda a parte onde seja possivel fazel-o4 ,adopta tambem a emenda seguinte3 ,a democracia socialista de cada paiz tem o dever de empregar todos os seus esforos para conseguir a suspenso do trabalho no dia #a de maio1 encorajando todas as tentativas feitas1 n'este sentido1 pelas differentes organisaes locaes4 ,o congresso resolve mais3 ,a manifestao do #a4 de maio1 pelo dia normal de #h horas de trabalho1 deve1 ao mesmo tempo1 ser1 nos diversos povos1 a affirmao da energica vontade que anima o proletariado moderno de pr um termo1 por meio da revoluo social1 s desegualdades de classes1 devendo tambem manifestar o pensamento commum ao proletariado de alcanar1 pelas reformas sociaes1 a paz universal1 como uma consequencia da paz obtida dentro de cada nao4 7,congresso de ,zurich4--,resoluo tomada na sesso de #aa de agosto de #ahic74 ,a celebrao do primeiro de maio1 significa e representa1 ao mesmo tempo1 uma affirmao e um protesto3 affirmao de direito e de justia contra os privilegios e os preconceitos do mundo1 e protesto da humanidade trabalhadora contra o despotismo e a servido social4 ,affirmar esse direito e relembrar essa justia o dever dos que trabalham2 protestar contra a iniquidade de que so victimas1 a obrigao dos que soffrem4 ,encontramos-nos em face de um velho mundo que desaba4 ,os reis e os dictadores esgotam os thesouros dos seus respectivos paizes em munies e armamentos1 e preparam-se para o supremo combate4 ,por toda a parte a duvida e a incerteza4 ,alguma cousa de sombrio e de lugubre caracterisa este terrivel periodo1 chamado de transio4 ,de duas uma3 ou a guerra irrompe1 n'uma poca mais ou menos proxima2 ou a revoluo rebentar1 como a consequencia logica1 inevitavel1 da crise economica a que esta nova barbarie1 denominada pomposamente exercito permanente1 arrastou as sociedades modernas4 ,o capitalismo explora1 e a guerra mata e aniquila4 ,o operario encontra-se em frente d'estes dois inimigos2 e elle1 que representa o trabalho e a produco1 combate os exploradores2 e elle1 que significa paz1 amor e concordia1 detesta e odeia a guerra4 ,reivindicar para a collectividade os beneficios do trabalho e da paz--eis a aspirao do proletariado moderno4 ,a essas aspiraes1 chamamos ns socialismo2 e1 por seu turno1 a gloriosa commemorao do primeiro de maio1 no outra cousa seno a affirmao solemne e collectiva das reivindicaes operarias4 ,i ,o ,,desenvolvimento ,,das ,,ideias ,,socialistas ,,benoit ,,malon1 ,,luiz ,,ruchonnet1 ,,ram,n ,,ch,,es1 ,,victor ,,schoelcher ,e ,,victor ,,consid,,rant4--,,theodoro ,,hertzka ,e ,o ,,seu ,,freiland4--,,no ,,congresso ,,de ,,zurich3--,a ,,allemanha1 ,a ,,belgica1 ,a ,,fran,a ,e ,a ,,inglaterra4--,a ,,italta1 ,a ,,suissa1 ,a ,,hespanha ,e ,,portugal4--,,notas ,e ,,commentarios4 ,no proximo anno preterito que acaba de desapparecer1 arrastando na sua cauda varredora todo um mundo de lagrimas e de fices1 a humanidade perdeu cinco dos seus melhores amigos e a revoluo cinco dos seus apostolos mais queridos e predilectos4 ,o primeiro de maio1 que1 antes de tudo1 significa paz e solidariedade1 presta homenagem aos mortos illustres4 ,faamos reviver os ,mestres4 ,o seu exemplo o nosso ensinamento1 e a sua memoria luminosa a origem dos nossos esforos e dos nossos sacrificios4 ,por elles vivemos1 e pela sua lio sacratissima nos abalanamos aos supremos heroismos e aos supremos martyrios4 ,bem hajam elles1 os bons1 os santos1 os immortaes1 os calumniados de todos os tempos e de todos os paizes2 bem hajam os simples1 os eternamente ingenuos3 foram elles que nos ensinaram2 so elles ainda os que1 atravez dos escolhos que as paixes semeiam na sociedade1 nos guiam e conduzem ao ideal abenoado1 terra promettida da liberdade e da fraternidade humana6 99 99 99 99 99 ,,benoit ,,malon ,o odio destre e espalha a guerra4 ,s o amor pde construir e trazer a paz4 ,benoit ,malon era a personificao do altruismo e da bondade humana4 ,era um santo e um virtuoso4 ,ninguem o excedeu em virtude4 ,ninguem o egualou em abnegao e desinteresse4 ,por isso a sua morte pz o lucto nos coraes e encheu de afflio todas as boas almas1 candidas e generosas4 ,elle no foi s o mestre do socialismo3 foi o exemplo vivo de quanto pde a vontade1 quando levada e dirigida pelo amor e pela curiosidade do saber4 ,elle foi a encarnao da alma moderna1 em lucta com o presente e crente no futuro1 pondo o ideal acima dos mesquinhos interesses do mundo e as ideias e os principios acima da ganancia srdida dos homens e das sociedades4 ,gravura3 ,benoit ,malon ,ah6 sim6--dizia-me1 pouco tempo depois da sua morte1 ,aurelien ,scholl1 o scintillante chronista parisiense--elle foi um dos raros e um dos privilegiados d'este fim de seculo6 ,o meu pobre amigo vinha almoar commigo de quando em quando4 ,um dia a minha creada perguntou-me1 se poderia aproveitar a hora do almoo1 para coser o sobretudo do sr4 ,malon1 e se elle repararia444 ,respondi-lhe que cosesse o sobretudo1 porque o sr4 ,malon nem sequer daria por tal444 que elle era to bom1 to bom--rematou ,scholl--que at as creadas de servir o amavam6 ,eis aqui uma narrativa que vale bem por uma biographia6 ,e tudo quanto podessemos accrescentar a estas palavras1 ao mesmo tempo to simples e to pittorescas1 seria superfluo e inutil4 ,nem mais ambicionaria1 por certo1 o chorado e saudosissimo author do ,socialismo integral6 99 99 99 99 99 ,,luiz ,,ruchonnet ,luiz ,ruchonnet foi1 por duas vezes1 presidente do conselho federal da florescente e grandiosa republica suissa4 ,era um sincero amigo da paz1 e1 como todos esses visionarios e sonhadores1 que em ,inglaterra se chamam ,cobden1 ,hodgson ,pratt1 ,henry ,richard1 ,cremer1 ,darby1 em ,frana1 ,charles ,lemmonier1 ,frederico ,passy1 ,emile ,arnaud1 ,ren ,goblet1 ,edmond ,thiaudire1 ,a4 ,millerand1 ,camillo ,pelletan1 ,augusto ,vacquerie2 na ,italia1 ,bonghi1 ,siccardi1 ,mazzoleni1 ,theodoro ,moneta2 na ,dinamarca1 ,frederico ,bajer2 na ,belgica1 ,laveleye1 ,janson1 ,cesar de ,paepe1 ,la ,fontaine2 na ,allemanha1 ,franz ,wirth1 ,baumbach1 ,adolfo e ,eugenio ,richter2 na ,austria1 a baroneza de ,suttner e o dr4 ,adler2 na ,suissa1 ,angelo ,umilt1 ,carlos ,menn1 ,m4me ,goegg2 na ,america1 ,alfredo ,love1 dr4 ,trueblood1 ,m4me ,belva ,lockwood--elle pertenceu a essa gloriosa raa de philantropos e humanitarios1 que atravessam o mundo1 deixando atraz de si um rasto de luz1 e cujos nomes se perpetuam1 atravez os tempos e as geraes1 consagrados pela historia1 pela sciencia e pelo trabalho4 99 99 99 99 99 ,,ram,n ,,ch,,es ,na historia do livre pensamento1 ,ramn ,ches occupava um dos primeiros logares e era uma das personalidades mais em vista4 ,era um revolucionario por temperamento e por convico4 ,no queria a republica simplesmente pela republica4 ,queria a republica sim6 para elevar e engrandecer a sua patria aos olhos de nacionaes e estrangeiros4 ,para elle a republica era uma phase transitoria2 a phase organica e positiva estava no socialismo4 ,por isso foi1 ao mesmo tempo1 um socialista e um federalista4 ,tribuno1 ninguem o excedeu em eloquencia1 na defeza do luminoso principio da fraternidade e da solidariedade humana2 publicista e jornalista de pulso1 foi um apostolo constante1 ardente1 impetuoso e dedicado da federao iberica4 ,gravura3 ,ramn ,chies 99 99 99 99 99 ,,victor ,,schoelcher ,victor ,schoelcher pertenceu a essa mocidade alegre e enthusiasta que forneceu ao author dos ,miseraveis o seu typo d',enjolras1 o estudante de todas as sociedades secretas e de todas as conspiraes4 ,franco-mao e conspirador1 filiou-se na loja franceza dos ,amis de la verit e na ,sociedade ,aide-toi1 le ciel t'aidera4 ,estas eram1 com algumas outras1 as associaes dos malfeitores d'aquelles tempos1 no dizer picante e ironico de um distincto jornalista parisiense4 ,gravura3 ,victor ,schoelcher ,a grande e gloriosa figura de ,schoelcher destaca-se na sua brilhantissima campanha contra a escravido4 ,quiz vr de perto e observar pelos seus proprios olhos a triste situao dos negros4 ,e1 para poder denunciar ao mundo a ignominia e a barbarie dos homens1 partiu para a ,america1 d'onde regressou1 com o corao angustiado pela dr e o espirito horrorisado por tudo o que havia presenceado e visto4 ,sendo sub-secretario d',estado1 no ministerio da marinha1 por occasio da revoluo de #ahdh1 o seu primeiro cuidado foi apresentar um decreto para a libertao immediata dos negros4 ,schoelcher encontrava-se ao lado de ,baudin1 na celebre e j hoje historica barricada da ,bastilha4 ,a tropa marchava sobre a barricada1 sem dar um tiro4 --,amigos6 gritou ,schoelcher1 voltando-se para o povo1 nem um tiro at que a tropa abra o fogo4 ,avancemos2 se ella atirar1 a primeira descarga ser nossa2 se nos matar1 vs nos vingareis4 ,e dirigindo-se depois aos soldados3 --,ns somos os representantes do povo1 exclamou4 ,em nome da constituio1 reclamamos o vosso concurso1 para fazer respeitar as leis do paiz4 ,vinde a ns2 ser vossa a gloria4 ,e avanou para os soldados1 commandados por um official4 ,seis dos seus collegas seguiram-n'o4 ,a tropa parou indecisa4 --,cumpro as ordens1 respondeu o official4 ,retire-se1 se no quer que d a voz de fogo4 --,mate-nos1 se quizer1 replicou ,schoelcher4 ,e1 dando o exemplo que foi seguido pelos companheiros1 gritou3 ,viva a ,republica6 ,o official mandou carregar4--,avanar6--ordenou4 ,ouviu-se o ruido scco das baterias4 ,alguns representantes descobriram-se e quedaram-se com o chapu na mo1 esperando serenamente a morte4 ,n'esse instante1 um soldado atacou ,schoelcher baioneta4 ,os defensores da barricada1 suppondo que se attentava contra a sua vida1 desfecharam e mataram o soldado4 ,a tropa respondeu por uma descarga geral4 ,foi ento que ,baudin subiu barricada para exhortar os soldados4 ,uma bala feriu-o na fronte1 cahindo logo fulminado4 ,schoelcher1 n'esse dia memoravel da sua vida1 esteve altura dos grandes heroes2 e1 semelhana dos antigos paladinos1 s abandonou o campo1 quando nada mais restava a fazer4 ,a barricada da ,bastilha fra improvisada de um momento para o outro2 construida no ar1 para assim o dizer1 sem elementos de resistencia1 desfez-se e cahiu como um castello de cartas4 ,mas o patriotismo opera milagres4 ,e s patriotas sinceros e devotados seriam capazes de semelhante audacia e de semelhante arrojo6 ,chamaram-lhe idealista--um puro e nobre idealista6--a elle1 que todos os seis mezes1 na camara franceza1 apresentava um projecto de lei para a abolio da pena de morte4 ,para o mundo1 egoista e utilitario1 so idealistas e so sentimentalistas1 todos os que lhe no acceitam as falsas convenes e o trpe e vilissimo mercantilismo4 ,e precisamente de idealistas e de sentimentalistas que carecem e precisam as sociedades modernas6 ,as grandes commoes da historia foram um producto do ideal e do sentimento humano4 ,assim como preciso pensar para obrar1 na phrase de ,augusto ,comte1 tambem preciso sentir para querer4 ,nem d'outro modo se comprehende o patriotismo1 nem d'outro modo se poderiam comprehender as revolues e os grandes dramas sociaes4 ,perdida a causa em que pozra todo o seu heroismo e todos os seus esforos1 ,schoelcher emigrou para ,inglaterra1 onde permaneceu durante o imperio1 regressando a ,paris em #ahgj4 ,estava no ,hotel-de-,ville1 a #d de setembro1 e tomou parte na defeza de ,paris1 na sua qualidade de chefe d',estado-maior da guarda nacional4 99 99 99 99 99 ,,victor ,,consid,,rant ,um dia ,victor ,consideram dirigia-se ,escola ,polytechnica1 e atravessava os caes de ,paris1 bouquinant1 como dizem os francezes1 isto 1 entretendo-se a vr as curiosas livrarias1 de livros raros e antigos1 que guarnecem as varandas dos caes1 na margem esquerda do ,sena1 e que constituem uma das primeiras curiosidades da grande capital da ,frana1 quando1 subito1 se lhe deparou uma obra que lhe despertou a atteno e a curiosidade4 ,era o ,nouveau monde commercial de ,fourier4 ,abriu-o1 leu-o e estudou o minuciosamente4 ,gravura3 ,victor ,considerant ,no fim do livro1 ,fourier dizia1 pouco mais ou menos1 o seguinte3 ,precisa-se um capitalista1 para realisar um novo mundo4 ,carta para minha casa4 ,e designava a sua morada4 ,considrant apresentou-se em sua casa4--,no sou o seu homem1 disse4 ,no tenho dinheiro1 mas comprehendi-o4 ,fourier havia encontrado o seu primeiro discipulo1 que lhe levava a mais que os capitaes pedidos--o genio para vulgarisar as suas theorias4 ,fourier nutrira1 desde creana1 um horror invencivel pelo commercio4 ,filho de commerciante1 e tendo apenas sete annos de edade1 ouviu um dia o pae gabar-se me de haver enganado um cliente4 ,vexado por este proceder que qualificou de villo1 procurou o freguez1 afim de participar-lhe o occorrido4 ,valeu-lhe a indiscrio um bom par de bofetadas2 mas1 desde esse momento1 votou ao commercio esse odio que transparece nos seus primeiros livros4 ,possuo o segredo da felicidade1 para todos os homens--dizia4--,intimaram-n'o a provar praticamente a sua assero4--,escrevel-o-hei--respondeu4 ,o genero sahe das mos do productor1 custando #c1 por exemplo1 e chega s mos do consumidor valendo #i4 ,o intermediario1 isto o commerciante1 ganhou1 portanto1 #f1 na sua commisso1 o que no succederia evidentemente1 supprimindo-se o intermediario1 e estabelecendo-se1 pura e simplesmente1 a troca entre productores e consumidores4 ,o seu systema baseava-se sobre o principio da felicidade humana1 e o ideal do mosteiro de ,thlme no foi estranho s suas concepes4 ,a felicidade consiste em cada um fazer o que quizer4 ,mas1 fazendo cada um aquillo que quer1 corre tambem o risco de fazer o que os outros no querem4 ,a esta objeco respondia elle que na natureza tudo se equilibra--o mal e o bem4 ,fourier era um poeta1 mas tinha-se por homem pratico4 ,uma occasio1 terminando uma conferencia sobre o futuro da humanidade3 ,e agora1 concluiu1 preparemos o cosido4 ,ninguem contesta o grande alcance philosophico1 da theoria phalansteriana2 mas a sua parte organica e sociologica1 observou muito bem ,anthero de ,quental1 quasi a negao do verdadeiro socialismo1 positivo1 liberal e moral4 ,victor ,considrant pretendeu primeiro fundar um phalansterio em ,conde-sur-,vgre que no passou de uma tentativa infructuosa4 ,a ideia1 porm1 fructificou mais tarde1 embora de modo differente1 por occasio da fundao de uma colonia de velhos1 n'aquelle mesmo paiz1 que se denominou--o phalansterio4 ,em ,texas estabeleceu ,considrant1 no um phalansterio1 mas uma colonia agricola4 ,uma sedio1 organisada por ,cantagrel1 desapossou-o do territorio e obrigou-o a retirar-se com sua esposa4 ,a colonia prosperou a principio2 depois desaggregou-se4 ,era mal vista pelos naturaes por causa da sua falta de religio--diziam4 ,um pintor de ,paris1 ,capy1 ensinava a musica4 ,todos os domingos1 respondia elle a um inspector americano1 fazemos musica4 ,ah6 n'esse caso1 differente1 exclamaram os bons ,yankees1 sempre ali ha um pouco de religio1 uma vez que se canta4 ,e a verdade que as censuras cessaram4 ,os membros da colonia1 tambem1 por seu turno1 deixaram de ser phalansterianos4 mister ir a ,iowa1 para encontrar uma colonia communista--a ,icaria4 ,tudo ali commum1 sem mesmo exceptuar as mulheres4 ,podem-se estabelecer unies temporarias1 mas de curta durao2 se as unies se prolongam1 a authoridade intervm1 porque1 nesse caso1 affirmam os estatutos1 a cousa torna-se immoral4 ,vejamos1 porm1 como ,victor ,considrant considerava a organisao da nova ordem social4 ,o primeiro feudalismo que sahiu da conquista militar1 havia feito concesso do slo aos chefes militares e aos nobres1 subordinando as populaes conquistadas pessoa dos conquistadores pela servido da gleba4 ,a guerra industrial e commercial1 succedendo guerra militar1 sob a frma de concorrencia1 em que o capital e a especulao ficam forosamente senhores do trabalho pobre1 tende a constituir1 pelas suas conquistas1 uma nova servido--no a servido pessoal e directa1 mas a servido indirecta e collectiva1 o dominio1 em massa1 da classe dos possuidores de capitaes1 das machinas e dos instrumentos de trabalho1 sobre a classe dos desherdados4 ,e1 com effeito1 os proletarios das cidades e dos campos1 considerados collectivamente1 esto sob a dependencia absoluta d'aquelles que monopolisam os instrumentos de trabalho4 ,este grande facto economico e politico pde traduzir-se1 pela seguinte formula1 na vida pratica3 ,para ter que comer todo o proletario obrigado a subjeitar-se a um patro4 ,a revoluo no se completou1 pela simples emancipao politica1 isto pelo dogma metaphysico da egualdade perante a lei1 ou da liberdade pura e simples4 ,a antiga sociedade havia sido organisada1 pela guerra e para a guerra4 ,a nova sociedade ter de ser organisada pelo trabalho e pela paz e para o trabalho e para a paz4 ,o problema dos nossos dias no pde pois1 visar seno libertao dos servos da industria1 dando a todo o homem que queira trabalhar o direito aos instrumentos do trabalho1 tornando-o assim proprietario dos fructos do seu labor1 e creando a ordem1 a cooperao e a convergencia no campo industrial4 ,a soluo d'este problema1 que no outra cousa seno a transformao do salariado1 a moderna frma de escravido1 constitue o complemento da revoluo1 e pde e deve intitular-se o problema social4 ,tal era1 em rapidos traos1 a doutrina d'essa altissima personalidade e d'esse bello caracter que se chamou ,victor ,considrant1 e que tantas vezes vimos atravessar o boulevard ,s4t ,michel1 no bairro latino1 consagrado pela mocidade das escolas e venerado por todos os que1 acima dos materialismos do mundo1 pem o supremo ideal da bondade e da felicidade humana4 99 99 99 99 99 ,,theodoro ,,hertzka ,e ,o ,,seu ,,freiland ,freiland6 7terra livre1 paiz livre7--tal o titulo do livro de ,theodoro ,hertzka1 um austriaco e um sociologo eminente4 ,gravura3 ,theodoro ,hertzka ,pelos meados de julho de #ah444--;assim principia a narrativa de ,hertzka--lia-se o seguinte nos principaes jornaes da ,europa e da ,america3 ,sociedade livre internacional ,acaba de constituir-se um grupo de individuos de todas as partes do mundo civilisado1 com o fim de emprehender e tentar a resoluo do problema social4 ,ao cabo de muitas e pacientes investigaes1 opinou-se pela creao de uma communidade1 estabelecida sobre as bases1 ao mesmo tempo1 da liberdade mais ampla e da justia economica1 a qual1 mantendo de uma maneira absoluta a independencia pessoal de cada trabalhador1 lhe assegure o gso completo e integral do producto do seu trabalho4 ,para fundar a mencionada communidade1 occupar-se-ha uma vasta regio1 n'um local que no tenha possuidor1 mas que seja fertil e proprio para a colonisao4 ,n'esta regio1 a sociedade livre no reconhecer nenhum direito de propriedade sobre o slo1 quer a favor de um individuo quer a favor da communidade4 ,para cultivar o slo1 como1 de resto1 para realisar toda a especie de produco1 constituir-se-ho associaes1 sendo cada uma administrada como melhor o entender1 e distribuindo1 entre os seus membros1 o resultado da produco1 consoante o trabalho de cada um4 facultativo a cada membro o filiar-se na associao que escolher e de a abandonar tambem a seu bel-prazer4 ,a communidade encarrega-se de fornecer gratuitamente os capitaes aos productores1 com a condio d'estes os restituirem4 ,os individuos incapazes de trabalhar1 assim como as mulheres1 teem direito aos meios de subsistencia1 custa da sociedade4 ,a receita indispensavel para a acquisio dos objectos1 acima mencionados1 assim como para as despezas de interesse geral1 ser assegurada por uma quota tirada do rendimento bruto de cada produco4 ,a sociedade livre internacional possue j o numero de membros e de capitaes sufficientes para a realisao do seu plano4 ,sendo1 porm1 de opinio1 por um lado1 que o resultado d'esta tentativa ha de ser tanto mais seguro e efficaz1 quanto maiores e mais importantes forem os meios de que disposer1 e desejando1 por outro lado1 offerecer a todos o ensejo de poderem participar da empreza1 a sociedade1 pelo presente aviso1 faz saber ao publico que os pedidos e offertas de qualquer natureza que sejam1 devem ser dirigidos para ,haya1 ,bochstraat1 #eg4 ,a sociedade livre internacional celebrar em ,haya1 no dia #bj do proximo mez de outubro1 uma assembla politica em que sero apreciadas as ultimas resolues1 afim de realisar praticamente a sua obra4 ,haya1444 de julho1 #ah44 ,pelo comit da sociedade livre internacional4 ,karl ,strahl ,este annuncio produziu uma profunda emoo na imprensa e no publico4 ,o nome do signatario1 que era conhecido no s pela sua posio social1 seno ainda por ser um dos primeiros escriptores da ,allemanha em sciencia economica1 afastava todo e qualquer pensamento de mystificao ou de equivoco4 ,realisou-se um congresso que foi aberto pelo seguinte discurso de ,strahl3 ,a convico de que a communidade1 fundao da qual vamos proceder1 destinada a extinguir a pobreza e a miseria pela base e a destruir com ella todos os desgostos e todos os crimes que devem ser considerados como uma consequencia forada da miseria e da pobreza1 essa convico1 apercebe-se no s nas palavras1 seno tambem na maneira de obrar da maioria dos nossos consocios e no profundo e desinteressado enthusiasmo1 segundo o qual cada um--na medida das suas foras--se tem applicado ao fim commum4 ,quando publicmos o nosso applo1 eramos apenas #hd2 os recursos de que podiamos dispr oravam por #aa4djj libras sterlinas2 presentemente a sociedade compe-se de #e4fej membros e o seu fundo monta a #bje4fbj libras sterlinas4 ,convm notar que esta somma1 no nos foi fornecida simplesmente pelas classes pobres que habitualmente se consideram como as unicas interessadas no problema social4 ,e isto torna-se ainda mais evidente percorrendo a lista dos socios4 ,irresistivelmente1 chega-se concluso de que a averso e o horror1 inspirados pelas actuaes condies sociaes1 attingiram tambem as classes que1 primeira vista1 parecem aproveitar com as privaes dos desherdados da fortuna4 ,a resoluo do problema social impe-se hoje1 por tal frma1 que at os ricos e os favorecidos da sorte no duvidam concorrer com alguns milhes de libras1 para a fundao da nova communidade1 auxiliando-nos e participando da nossa empreza4 ,n'este facto1 mais do que em qualquer outro1 repousa a convico de que a nossa obra no poder deixar de fructificar4 ,trata-se de escolher a regio onde poderemos realisar o nosso projecto4 ,toda e qualquer localidade europeia est naturalmente posta de parte1 por rases faceis de comprehender2 a ,asia1 egualmente2 e1 em particular1 devemos assignalar os pontos onde sem acclimatar-se os emigrantes de raa caucasica1 sendo facil que se estabelecessem conflictos com as organisaes juridicas e sociaes de outros tempos4 ,na ,america e na ,australia1 os governos conceder-nos-hiam1 com prazer1 um territorio espaoso1 bem como a liberdade dos nossos movimentos2 mas ainda ahi difficilmente poderia a nossa communidade encontrar garantia contra os ataques hostis e assegurar o repouso e a segurana1 indispensaveis a um successo rapido e certo4 ,resta-nos a ,africa1 o continente mais antigo1 e1 sem embargo1 aquelle cuja descoberta foi a mais recente4 ,a parte central interior encontra-se ainda sem possuidor4 ,podemos encontrar ali1 no s um espao sem limite e um repouso assegurado1 seno tambem as condies mais favoraveis1 quanto ao clima e fertilidade do slo1 desde que a escolha seja acertada4 ,ha paizes1 a uma grande altitude1 reunindo as vantagens dos tropicos e dos ,alpes1 que aguardam uma immigrao4 ,as communicaes com esses paizes montanhosos1 situados no corao do continente negro1 so certamente muito penosas1 mas precisamente isso de que havemos mister para principiar4 ,propmos pois1 que se procure a nova patria1 no interior da ,africa equatorial4 ,e pensamos1 principalmente1 no paiz das altas montanhas do ,kenia4 ,concorda a assembla com a escolha8 ,foi unanime o assentimento4 ,ouviram-se vozes que exclamavam3 ,para deante1 e antes hoje do que amanh6 ,era evidente que a maioria estava disposta a pr-se a caminho sem mais delongas4 ,de novo o presidente toma a palavra para declarar que as cousas nem sempre podem marchar to depressa1 como muitas vezes se deseja4 ,a nova patria ter primeiro de ser escolhida e conquistada1 o que representa uma empresa arriscada e difficil4 ,o caminho tem que fazer-se por entre desertos e florestas inhospitas4 ,no poderemos evitar os combates com as tribus selvagens e hostis1 e1 por isso1 s nos podero convir homens fortes e validos1 e no mulheres1 creanas ou velhos4 ,alm d'isso1 teremos que apurar os milhares de immigrantes que devero acompanhar-nos1 atravez d'aquellas regies1 e de os organisar devidamente2 #bjj emigrantes1 entre os quaes #d naturalistas1 #c medicos1 #h engenheiros e #d representantes de outros ramos technicos1 ricamente providos de armas1 de machinas1 de sementes1 de mercadorias e de utensilios de viagem1 formaro a vanguarda da expedio4 ,a narrao d'esta marcha at ao ,kenia1 constitue uma das partes mais interessantes do livro1 devendo accrescentar-se que a descripo das grandiosas montanhas africanas no obra de pura phantasia1 mas 1 ao contrario1 extrahida das narrativas dos exploradores africanos que visitaram aquellas regies4 ,a expedio faz a sua primeira paragem em um valle delicioso1 situado a #a3gjj metros de altitude1 ao sop de um formidavel massio do ,kenia e das suas magnificas geleiras1 e que se appellidar1 por causa da sua belleza e da sua fertilidade1 o valle do ,eden4 ,com as provises e os utensilios de que vo providos1 podem os valentes porta-bandeiras da gloriosa caravana fazer os preparativos necessarios1 para receber o principal grupo dos associados1 se bem que s alguns mezes mais tarde1 por occasio da chegada do comit director base do ,kenia1 que o paiz1 onde refulgir a liberdade1 ser baptisado com o nome de ,freiland1 pondo-se ento1 em pratica a nova organisao do trabalho1 consoante os principios freilandezes4 ,para todos os que se interessam pelo estudo das questes sociaes1 e ainda para todos os que pensam que as modernas sociedades1 desorganisadas como esto e lanadas em bases falsas1 devem ser reconstruidas1 segundo um principio de justia e de moralidade1 o livro do escriptor allemo de um interesse palpitante#a4 ,digamos tambem que o author do ,freiland teve a rara felicidade de despertar em muitos espiritos1 pela sua maravilhosa obra1 escripta em frma de romance1 o desejo ardente de fundar uma sociedade em tudo semelhante quella que to brilhantemente concebeu e descreveu4 ,para vulgarisar e fazer a propaganda da ideia1 creou e fundou a sociedade uma revista mensal1 orgo dos associados3--,freiland1 organ der ,freilandvereine4 ,temos vista uma carta de ,theodoro ,hertzka em que nos communica a partida de ,hamburgo da primeira expedio1 por todo o mez de janeiro do corrente anno1 dirigindo-se ao ,kenia1 que fica a #fjj milhas da costa de ,este1 exactamente sob o ,equador4 ,e eis aqui est o motivo por que1 depois de ter prestado homenagem memoria dos mortos queridos1 eu entendi que no devia continuar o meu trabalho1 sem d'aqui saudar enthusiasticamente o honrado e illustre apostolo de uma nova organisao social1 fazendo votos ardentes pelo completo triumpho dos seus ideaes4 99 99 99 99 99 ,,no ,,congresso ,,de ,,zurich ,,amilcare ,,cipriani ,ao chegarmos a ,zurich1 na tarde de #f de agosto de #ahic--;,amilcare ,cipriani e eu--um soberbo e imponentissimo espectaculo se nos offereceu logo vista1 como s a ,suissa seria capaz de offerecer e realisar4 ,as sociedades do ,grtli desfilavam pelas ruas da cidade1 com os seus estandartes e philarmonicas frente1 no meio do enthusiasmo e das acclamaes da multido4 ,estas associaes constituem uma das grandes e uma das primeiras foras da poderosa republica4 ,a sua origem lendaria1 e deriva do local1 onde se reuniram os amigos de ,guilherme ,tell1 quando decidiram conspirar contra ,gessler4 ,as sociedades do ,grtli constituiram-se e organisaram-se1 a principio1 com um caracter puramente patriotico2 mas teem-se transformado1 pouco a pouco1 e hoje so1 na sua maioria1 socialistas4 ,nada mais bello e magestoso do que o desfilar d'esses #i3jjj trabalhadores1 todos pittorescamente vestidos com os trajos das suas profisses e os distinctivos correlativos1 e precedidos por #aej bandeiras1 quatro das quaes eram vermelhas4 ,so estas as procisses da republica1 e ninguem que as presenceie pde deixar de se descobrir reverente e solemnemente4 ,o homem livre1 associado e independente substituia o soldado escravo1 tyrannisado e s ordens de um senhor2 ao principio da guerra contrapunha-se o principio da solidariedade humana2 ao militarismo1 o socialismo2 s armas e aos petrechos de guerra1 os instrumentos do trabalho e os symbolos da paz4 ,o cortejo havia sido organisado em honra dos congressistas4 ,na rua1 o povo formava alas passagem dos seus representantes4 ,calculava-se em mais de #dj3jjj o numero dos cidados que accorreram ao chamamento dos iniciadores do congresso4 ,nas janellas os espectadores applaudiam phreneticamente e lanavam flres passagem dos manifestantes4 ,a recepo era digna e estava em tudo e por tudo altura das ideias que se glorificavam4 ,celebrava-se a abertura do congresso operario socialista e no havia1 com effeito1 melhor meio para solemnisar a gloriosa data4 ,fallemos1 porm1 de ,amilcare ,cipriani4 ,tenho deante de mim o seu retrato4 ,na sua physionomia transparece a bondade do seu corao1 e nos seus olhos a candura e a gentileza da sua alma4 ,guardo d'elle a recordao saudosissima de um homem que pe a sua dignidade e o seu brio pessoal acima dos seus interesses e das suas conveniencias2 do apostolo que colloca as ideias e os principios acima das paixes humanas2 do revolucionario1 emfim1 que ao amor da humanidade sacrifica a vida1 a familia1 o bem estar e a tranquillidade4 ,d'elle poderia dizer que um exemplo a seguir e a imitar1 e d'elle afirmarei1 sem receio de contestao1 que unico e excepcional1 no meio de uma sociedade mercantil1 gananciosa e covarde4 ,gravura3 ,amilcare ,cipriani ,amilcare ,cipriani tem hoje #dg annos de edade1 dos quaes #bb foram passados no carcere4 ,honrado1 valente e desinteressado1 nunca hesitou1 sempre que a causa da liberdade careceu do seu brao para a defender4 ,bateu-se1 como um here1 no ,egypto2 bateu-se na ,grecia3 bateu-se pela ,italia1 a sua patria querida e bateu-se pela ,frana1 a sua patria de adopo4 ,na parte inferior do seu retrato1 e escriptas pelo seu proprio punho1 lem-se as seguintes phrases que synthetisam perfeitamente as suas aspiraes e o seu credo social3 ,il proletariato1 per essere libero ed emancipato1 deve assingersi a rovisciare1 colla forza1 tutto l'ordine sociale existente4 ,contre l'oppressione la ribellione un diritto4 ,est aqui o homem politico4 ,fallemos agora no homem particular1 no amigo e no companheiro queridissimo4 ,soffreu sempre1 com a maior resignao1 todas as crueldades e todas as privaes da existencia1 sem um queixume1 sem uma magoa1 sem uma palavra de odio ou de rancor4 ,muitas vezes o seu almoo um copo de agua e um pequeno po de #ae centimos4 ,tendo amigos sinceros e dedicados1 nunca pediu1 para si1 um real a nenhum d'elles4 ,se tem apenas #bj centimos no bolso1 come com esses #bj centimos3 se no tem dinheiro no come4 ,estando em ,londres exilado1 nem sequer tinha um quarto onde dormir4 ,por noites geladas e frias1 com as botas rotas1 sem abrigo1 sem dinheiro no bolso1 era obrigado a andar horas seguidas pelas ruas da enorme cidade1 para no ser preso por vagabundo4 ,quando falleceu o nosso querido e lealissimo amigo ,benoit ,malon1 foi elle quem se conservou ao lado d'elle1 durante quatro dias consecutivos2 foi elle quem o vestiu e quem velou o cadaver1 sem se deitar1 sem sentir a menor fadiga1 no pensando seno na amisade e no carinho que lhe consagrara durante a vida1 e que to bem retribuido foi pelo glorioso mestre4 ,mas no dia do enterro1 apossou-se d'elle o desalento1 no cemiterio do ,pre ,lachaise4 ,passavamos ao lado do tumulo do grande cidado ,anatole de la ,forge4 --,eis aqui um que foi candidato presidencia da republica1 que se bateu heroicamente pela sua amada ,frana1 e que teve de recorrer ao suicidio para no morrer de fome6--disse4--,eis a sorte que naturalmente me est tambem reservada--continuou4--,mas eu1 se um dia me suicidar1 hei de escolher o muro dos federaes para o fazer1 e1 quando1 junto d'elle1 encontrarem o meu cadaver--que o transportem para onde muito bem quizerem1 sem pompas nem discursos444 ,detesto as comedias e as representaes theatraes deante de um cadaver4 ,ah6 bom e querido amigo6 n'essa hora angustiosa1 tu pensaste na ingratido dos homens1 e1 em frente do camarada morto1 avaliaste a torpeza do mundo e a inanidade das suas palavras hypocritas e fementidas6 ,os longos soffrimentos produzem1 s vezes1 estes desanimos crueis4 ,so momentaneos1 certo1 mas so dolorosos4 ,sahimos do cemiterio e fomos almoar juntos4 ,duas horas depois1 ,amilcare ,cipriani havia recobrado animo1 e fallava-me em ir bater-se na ,sicilia1 ao lado dos seus compatriotas1 victimas da miseria e do despotismo4 ,que honradissimo caracter6 e que gloriosa e brilhante personalidade6 99 99 99 99 99 ,o ,,congresso ,as sesses do congresso realisaram-se n'um vasto salo de concertos1 um dos mais espaosos da cidade1 o ,tonhalle1 rodeado por uma enorme galeria1 onde podiam accommodar-se muitas centenas de pessoas4 ,ao fundo1 n'uma especie de palco1 coberto de verdura e ornado com os estandartes das associaes1 destacava-se um magnifico retrato em busto de ,karl ,marx4 ,em redor e collada galeria1 a inscripo do chefe1 impressa em grandes caracteres1 e traduzida em vinte e duas linguas3 ,proletarios de todo o mundo1 uni-vos6 ,grandes mesas1 collocadas parallelamente umas s outras1 enchiam o vastissimo salo1 sendo cada uma d'ellas occupada pelos representantes de uma dada nacionalidade4 ,a representao da ,allemanha no augmentara4 ,era quasi a mesma do congresso de ,bruxellas4 frente d'ella encontravam-se ,liebknecht1 ,bebel e ,singer4 ,a novidade foi a representao dos novos1 hostis ao velho grupo2 e d'entre esses1 chamados os independentes1 devemos destacar ,werner e ,krner4 ,da ,belgica1 estavam ,hector ,denis1 ,jean ,volders e ,emile de ,vanderwelde2 da ,hollanda1 ,domela ,nieuwenhuis2 da ,hespanha1 ,pablo ,iglesias2 da ,roumania1 ,mille2 da ,inglaterra1 ,max ,avelling3 da ,frana1 ,allemane1 ,argyriads1 ,jaclard1 ,veber1 ,degay1 ,borlioz2 da ,austria1 ,adler1 ,fankel4 ,augmentra consideravelmente a representao da ,italia4 ,alm de ,madame ,anna ,koulischoff e ,turati1 um sociologo eminente e director da ,critica social1 de ,milo1 assistiam ao congresso ,antonio ,labriola1 lente cathedratico da ,universidade de ,roma2 ,prampolini1 deputado1 etc4 ,entre as senhoras que tomaram assento na assembla1 notavam-se1 como acima deixamos dito1 ,anna ,koulischoff1 russa1 antiga nihilista1 que fez o seu curso na ,universidade de ,milo1 onde hoje exerce a clinica2 ,madame ,mendelssohn1 da ,varsovia1 casada com ,mendelssohn1 que fra expulso de ,paris1 por nihilista2 ,madame ,vera ,sassulich1 a notavel heroina que1 em #ahgh1 desfechou o seu rewolver sobre o general ,trepoff1 o miseravel chefe de policia de ,s4 ,petersburgo1 inimigo dos nihilistas e que tantas victimas arremessou para a ,siberia4 ,trepoff morreu e ,vera ,sassulich1 a grande libertadora1 emigrou1 sob um nome supposto1 escapando ao furor das auctoridades russas1 e vivendo ora na ,italia1 ora na ,suissa4 uma mulher de armas1 no bom sentido da palavra1 honesta1 intransigente e sincera e devotada amiga da liberdade e da humanidade4 ,gravura3 ,frederico ,engels ,o congresso foi encerrado com a grata e inesperada appario do velho companheiro e continuador de ,marx--,frederico ,engels4 ,quando o presidente annunciou que se achava na sala um dos illustres precursores do socialismo1 todos se pozeram de p1 e no palco surgiu1 ento1 a figura gloriosa de ,engels4 ,o enthusiasmo foi indescriptivel4 ,uma estrondosa salva de palmas coroou esta agradavel surpresa4 ,viva a ,communa6--gritou a delegao francesa4 ,viva ,engels6--exclamaram todos numa voz unisona1 formidavel e estridente4 99 99 99 99 99 ,a ,,allemanha1 ,a ,,belgica ,e ,a ,,inglaterra ,os paizes onde o socialismo est hoje1 incontestavelmente1 mais bem organisado e desenvolvido1 so a ,allemanha e a ,belgica4 ,na ,frana dividem-se e subdividem-se os grupos1 chocam-se as personalidades1 e os odios e as desintelligencias evidenceiam-se a cado passo4 ,na ,inglaterra1 apesar dos progressos realisados1 n'estes ultimos tempos1 principalmente pela adheso das ,trades--,unions1 ainda o socialismo no representa o que pde chamar-se um partido politico4 ,na ,allemanha1 os mesmos pruridos militaristas que se observam nas altas regies1 reflectem-se1 com maior ou menor intensidade1 no partido socialista4 ,nota-se1 principalmente1 este facto nos congressos1 onde1 a um simples aceno do deputado ,singer1 todos os delegados approvam ou reprovam1 consoante as instruces de ante-mo estabelecidas4 ,a mesma disciplina do exercito estende-se aos partidos e aos agrupamentos politicos4 ,e ai6 d'aquelle que se desviar destas normas3 corre o risco de ser expulso1 sem mais applo nem aggravo4 ,o partido socialista est pois1 organisado1 na ,allemanha1 como um verdadeiro partido politico1 um partido de governo1 poderiamos1 talvez1 dizer1 com uma caixa de resistencia1 os seus jornaes1 as suas associaes e os seus milhares de filiados1 em todas as cidades1 em todas as villas e em todas as aldeias do vasto imperio4 ,todos1 sem excepo1 so obrigados a concorrer para as despesas do partido1 e1 n'este facto1 reside a base do direito de cada um1 como partidario ou membro da associao4 ,no se concebe um partido1 sem os recursos indispensaveis1 para fazer face s eventualidades de momento e para combater o adversario1 com vantagem4 ,os allemes sabem isto1 e eis ahi est o motivo porque o numero dos partidarios do socialismo sobe de dia para dia na ,allemanha1 e por que os socialistas contam1 presentemente1 com quarenta e sete deputados no ,reichstag1 tendo augmentado1 a representao partidaria1 nas ultimas eleies4 ,gravura3 ,liebknecht ,liebknecht1 um dos chefes consagrados pela opinio1 e o director do ,vorwerths1 o orgo do partido na imprensa1 tem cerca da politica a mesma opinio que poderia ter1 em campanha1 um general cerca da guerra4 ,deante do inimigo1 o dever unir fileiras2 e1 todo aquelle que abandonar ou se arredar do seu posto1 tem de ser considerado como desertor4 ,e aqui est o motivo porque1 no partido operario socialista allemo1 nem se admittem os dissidentes nem os independentes4 ,todos por um e um por todos6--eis a maxima dos chefes4 ,e n'este simples facto1 muito digno alis de ser imitado1 por todos os partidos avanados1 est a origem da fora1 do desenvolvimento e dos progressos do socialismo na ,allemanha4 ,na ,belgica acabam os socialistas de alcanar um enorme triumpho1 pela conquista do suffragio universal que at aqui no possuiam4 ,o belga homem essencialmente pratico4 ,o partido socialista1 tendo reconhecido a necessidade de organisar as suas foras1 estabeleceu as grandes cooperativas de consumo1 principalmente de po e de carvo1 e logrou attrahir a si o elemento trabalhador1 disciplinando-o1 pelo interesse1 e pela conveniencia1 que da associao economica poderia advir sua futura existencia4 ,e as cooperativas belgas tornaram-se assim1 no s valiosos elementos de cooperao1 seno poderosas e temiveis armas de combate1 pois que1 dos lucros a destribuir1 ficam sempre em caixa uns tantos por cento1 para as despesas da propaganda4 ,no raro tem succedido fazerem as cooperativas face a uma grve1 distribuindo1 diariamente1 aos grevistas1 alguns milhares de pes4 ,no pde contestar-se o enorme progresso1 feito pelo socialismo em ,frana que acaba de eleger quarenta e nove deputados1 tendo1 principalmente1 alcanado1 em ,paris1 um assignalado triumpho4 ,mas para lastimar que no seja completa a unio entre os differentes grupos que representam as ideias socialistas4 ,a franca adheso de ,ren ,goblet1 ,a4 ,millerand1 ,j4 ,jaurs1 ,camille ,pelletan e outros notaveis politicos e publicistas1 deu ao partido um grande e decisivo impulso1 e creou-lhe1 na camara1 uma situao politica innegavel4 ,a ,petite ,republique ,franaise hoje1 na imprensa1 o orgo do novo grupo4 ,o seu redactor principal--,a4 ,millerand-- um escriptor de raa e um dos mais brilhantes e eloquentes oradores da camara franceza4 ,o programma por elle exposto na sesso de #af de fevereiro de #ahic1 foi adoptado por quasi todos os candidatos socialistas1 nas ultimas eleies3 ,reviso democratica da ,constituio de #ahge2 modificao radical e profunda1 no interesse dos trabalhadores dos campos e das cidades1 da nossa legislao economica e do nosso systema de imposto2 acquisio para o ,estado do ,banco de ,frana1 das minas e dos caminhos de ferro1 arrancando-os das mos da alta finana4 ,o primeiro acto politico de ,millerand1 foi a defesa dos mineiros de ,monceau les ,mines1 em #ahhb4 ,desde ento1 nunca mais houve grve em ,frana1 em que elle no tenha posto o seu talento e as suas grandes faculdades de orador ao servio das victimas dos patres gananciosos e usurarios4 ,e assim o vmos na brecha1 defendendo successivamente os mineiros de ,decazeville1 os grevistas de ,vierzon1 e os mineiros de ,carmaux que o haviam escolhido como arbitro4 ,foi elle o defensor de ,duc-,quercy e ,roche1 em ,villefranche1 de ,lafargue e ,culine1 perseguido por causa dos fusilamentos de ,fourmies1 de ,baudin1 em ,bourges1 e de muitos outros4 ,gravura3 ,millerand ,adversario implacavel da alta finana1 ,millerand pronunciou1 contra a renovao do privilegio do ,banco de ,frana1 um dos seus mais bellos discursos1 atacando essa realeza do ouro que trata de egual para egual com a ,republica1 e que1 merc da fraqueza e da cumplicidade dos regimens anteriores1 chegou situao em que actualmente se encontra4 ,e1 melhor que todas as periphrases1 uma citao poder dar-nos uma ideia da sua eloquencia4 ,a perorao do seu discurso1 relativo ao privilegio do ,banco de ,frana1 em que convida a burguezia a unir-se ao movimento de transformao universal que se opera no mundo economico1 notabilissima3 ,a massa dos trabalhadores1 libertada por tres revolues1 poz-se a caminho2 quer que o suffragio universal tenha por complemento necessario o bem estar universal4 ,pensa que ha contradico em que um povo seja1 ao mesmo tempo1 miseravel e soberano4 ,a nao quer entrar na posse e no gozo de instituies1 que at hoje teem sido exploradas1 apenas em proveito de um pequeno numero de favorecidos4 ,vs no retardareis1 nem a sua marcha1 nem as suas conquistas4 mister saber fazer a tempo os sacrificios necessarios4 ,responder-me-ho1 talvez1 os defensores do privilegio1 que o sacrificio1 que lhes pedimos poder sahir caro ao paiz4 ,assim o pensam1 estou convencido4 ,no ponho em duvida nem a sua sinceridade nem a sua boa f4 ,a illuso no nova4 velha como a humanidade444 ,assim como outr'ora succedeu com a nobreza1 a burguezia invoca os servios j prestados1 e os que1 por ventura1 ainda poder prestar4 ,no nego os seus servios4 1 sem duvida1 bella e grande a parte que1 ha cem annos1 tem tomado no desenvolvimento do commercio e da industria e no aperfeioamento das sciencias4 ,se pretende invocar os seus servios1 como outros tantos titulos ao reconhecimento publico1 est no seu papel e no seu direito4 ,mas se pensa poder abusar da sua antiga supremacia1 para manter1 na sombra e no esquecimento1 a multido dos desherdados que1 por sua vez1 pedem lhes seja reconhecido o direito que teem luz1 aco1 ao desenvolvimento integral da sua personalidade2 a participao1 n'uma palavra1 vida e felicidade2 n'esse caso1 est irremediavelmente perdida4 ,eu quereria apenas que a sua teimosia e a sua obstinada resistencia no custassem muito caro ao paiz4 ,o progresso cego1 ingrato e brutal3 os interesses particulares valem pouco deante d'elle4 ,n'esta grave questo do credito1 como em todas as outras1 o que devemos fazer aplanar-lhe o caminho1 facilitando a sua marcha1 e poupando assim ao paiz de que somos servidores algumas d'essas luctas violentas1 d'essas convulses dolorosas1 d'essas supremas crises de sangue e de lagrimas1 que at aqui teem assignalado cada uma das tapes1 cada um dos progressos da historia e da evoluo humana4 ,a ,petite ,rpublique1 collaborada por alguns dos principaes socialistas francezes1 entre os quaes convm assignalar ,ren ,goblet1 ,jules ,guesde1 ,marcel ,sembat1 ,j4 ,jaurs1 ,ed4 ,vaillant1 ,eugne ,fournire1 ,hovelacque1 ,e4 ,baudin1 ,gustave ,rouanet1 ,dumas1 ,pierre ,baudin1 ,ren ,viviani1 ,clovis ,hugues1 ,paul ,lafargue1 ,camelinat1 ,duc-,quercy1 ,grault-,richard1 ,madame ,paule ,mink1 etc41 1 por sem duvida1 o grande reducto do socialismo parisiense1 e em volta d'elle1 teem os adversarios e conservadores de todas as cres e matizes estabelecido um verdadeiro estado de sitio1 atacando-o1 formulando accusaes e inventando calumnias1 que no servem para outra cousa seno para exaltar ainda mais a ideia1 se possivel1 elevando e glorificando aquelles que a defendem4 ,tambem o socialismo agrario se tem desenvolvido1 em ,frana1 de uma maneira espantosa4 ,acaba de o provar o ultimo congresso dos socialistas agrarios1 realisado em ,auxerre1 em que tomaram parte quasi todos os deputados do partido operario socialista4 ,a maior parte dos congressistas estavam de blusa de trabalho e de tamancos1 com as mos calejadas da enxada4 ,gravura3 ,thivrier ,os socialistas agrarios francezes possuem hoje mais de #aej seces1 organisadas no ,este e no ,norte4 ,o deputado ,thivrier representa na camara o elemento socialista da populao rural do ,allier4 ,thivrier assiste de blusa azul s sesses parlamentares4 ,fra do parlamento tambem a no despe nunca4 ,conheci-o no ,coq d',or da rua ,montmartre4 ,apresentou-m'o ,cipriani4 ,o ,coq d',or o rendez-vous de todos os socialistas militantes4 ,pelas #f horas da tarde1 so certos1 n'aquella cervejaria1 ,eugene ,fournire1 ,gustave ,rouanet1 ,grault ,richard1 ,camlinat1 ,baudin1 ,degay e muitos outros4 ,thivrier dotado de caracter energico2 homem de poucas palavras1 mas firme e resoluto2 e isso explica a attitude por elle tomada na camara franceza1 por occasio da sua expulso4 ,o camponez 1 em geral1 refractario propaganda socialista4 ,os socialistas da cidade variam inteiramente de processo1 quando se trata da populao rural4 ,a propaganda1 em vez de ser humanitaria1 transforma-se em socialismo pessoal1 baseado no communismo liberatorio--a unio dos pequenos proprietarios e caseiros communaes1 em opposio aos syndicatos patronaes e aos grandes agricultores4 ,gravura3 ,john ,burns ,o congresso de ,auxerre elaborou j o programma das reivindicaes dos socialistas agrarios4 ,na ,gran-,bretanha e ,irlanda1 o movimento socialista tem feito grandes progressos4 ,pela primeira vez1 foram nomeados para assistir a um congresso1 em ,zurich1 os membros do parlamento1 como delegados de organisaes operarias4 ,coube a ,john ,burns1 o heroe de #ahhg1 e o eloquentissimo deputado de hoje1 essa suprema honra e essa suprema gloria4 ,os trabalhadores agricolas comeam tambem a despertar n'aquelle paiz1 e o partido operario acaba de se constituir1 como partido independente1 sem ligaes com os antigos partidos1 o que demonstra evidentemente que o movimento socialista tem ali augmentado em poder e extenso4 99 99 99 99 99 ,a ,,italia1 ,a ,,suissa1 ,a ,,hespanha ,e ,,portugal ,o partido socialista italiano divide-se em duas grandes escolas3 a escola evolucionista e a escola revolucionaria4 ,a primeira tem recrutado os seus numerosos adherentes na alta ,italia e na ,italia central1 ao passo que a segunda tem recrutado especialmente os seus adherentes na ,italia meridional4 ,mas1 parte a questo de methodo1 as duas escolas caminham conjunctamente1 tornando-se muitas vezes difficil delimitar os dois campos4 ,os evolucionistas consideram a revoluo como uma frma violenta da evoluo1 e pensam que1 sem haver necessidade de a provocar1 a revoluo ha de produzir-se violentamente no dia em que todos os trabalhadores tiverem adherido ao socialismo4 ,os revolucionarios1 admittindo as grandes vantagens que resultam de um paciente e demorado trabalho de preparao1 sustentam que o operario italiano j bastante socialista1 para que seja necessario ainda esperar4 ,segundo a opinio d'estes ultimos1 uma longa espera poderia levar os trabalhadores a duvidarem do triumpho da sua causa4 organisao dos fasci dei lavoratori se deve o enorme desenvolvimento que ultimamente tem adquirido o movimento socialista na ,italia4 ,os fasci 7fachos7 so associaes operarias1 tendo por base a cooperao e por fim o triumpho do collectivismo1 segundo as theorias de ,karl ,marx4 ,as mulheres tambem so admittidas4 ,o primeiro fascio foi fundado em ,catanea1 ao sop de ,etna1 no dia #a4 de maio de #ahij4 ,em menos de quatro annos1 fundaram-se na ,sicilia mais #afj fasci4 ,o numero de adherentes subia1 ainda ha poucos mezes1 a #cjj3jjj1 na sua maioria agricultores4 ,o sr4 ,giolliti1 ento presidente de conselho1 principiou a preoccupar-se seriamente com o movimento socialista dos fasci1 e1 num intuito de represso1 mandou ,sicilia o commandante ,sensales1 senador1 com o fim de dissolver aquellas associaes4 ,sensales estudou1 inquiriu1 investigou1 e nada encontrou que podesse servir de pretexto a uma dissoluo2 o que no impediu o ministro de encher a ,sicilia de soldados1 obrigando as auctoridades a uma represso rigorosa e at sangrenta1 se tanto fosse necessario4 ,o massacre de ,giardinello foi o resultado d'estas ordens4 ,mas as medidas de rigor1 empregadas pelos emissarios do governo1 no serviram seno para augmentar a popularidade dos fasci1 j ento muito grande1 chamando para elles as attenes de toda a ,italia4 ,os seus fundadores aproveitaram as circumstancias1 para crear novas seces e recrutar alguns milhares de novos adherentes1 de modo que o numero dos associados dos fasci1 pode hoje bem avaliar-se em #djj3jjj4 ,em pouco tempo ser de meio milho4 ,os fasci passaram da ,sicilia para o continente1 onde a sua organisao avana rapidamente1 e em especial na ,calabria1 nos ,abruzzos1 na ,ponille e na ,romagna4 ,em ,roma e ,napoles1 tambem foram fundadas muitas seces dos fasci4 ,a propaganda pelo facto repellida pelos socialistas italianos1 que nada esperam da dynamite4 ,o partido socialista italiano no terrorista1 mas pacificamente revolucionario1 na phrase consagrada4 ,semelhantemente ao que succede na ,irlanda1 o socialismo agrario1 tem tomado1 na ,italia1 um incremento espantoso1 n'estes ultimos tempos4 ,os governos so impotentes para o debellar4 ,no basta s mandar fusilar o povo faminto que se revolta nas ruas e nas praas publicas1 como succede na ,sicilia4 ,emquanto as causas do mal subsistirem1 os effeitos ho de continuar a dar-se1 fatal e irremediavelmente4 ,o que importa pois1 na ,italia1 conjurar a crise economica e financeira que a levaram ruina1 e d'isso no sero capazes os governos monarchicos4 ,por isso o partido socialista1 que j hoje constitue um partido forte e invencivel1 ha de ir augmentando de dia para dia1 at ao momento do seu triumpho4 ,as adheses a estas idas emancipadoras1 chegam a cada passo e de todos os pontos do paiz4 ,o grande escriptor ,edmundo de ,amicis converteu-se ao socialismo1 e hoje uma das suas figuras mais salientes4 ,collajani1 o celebre deputado que levantou no parlamento a questo dos bancos1 tambem socialista4 ,collajani o temivel adversario de ,lombroso4 ,combate o atavismo1 e sustenta1 com os positivistas modernos1 que o individuo no seno um producto do seu meio4 ,giuseppe ,felice1 o deputado siciliano1 que foi preso por occasio dos acontecimentos da ,sicilia1 uma das mais nobres e sympathicas personalidades do movimento agrario1 e muito considerado entre os seus concidados4 ,o mesmo com ,claudio ,treves1 um moo de raro e excepcional talento1 e tantos outros que seria longo enumerar aqui4 ,para mostrar quanto o socialismo agrario tem uma raso de ser na ,italia1 basta que faamos um pequeno estudo sobre os impostos n'aquelle paiz4 ,vejamos o que paga uma familia operaria na ,romagna4 ,o chefe da familia ganhou1 durante o anno1 #ehf liras e #gb centimos4 ,comprou #g hectolitros de trigo4 ,mas esse cereal paga o direito de #e francos por kilo4 ,segue-se pois1 que de imposto para o ,estado e para lucro dos que vivem sombra da proteco aduaneira1 o operario foi logo espoliado em perto de #bf francos4 ,comprou tambem #g hectolitros de milho1 e sobre essa compra teve de pagar #f francos de imposto4 ,pelo vinho nada pagou1 porque apenas bebeu agua4 ,compra1 por semana1 um litro de sal para sua casa4 ,com esse consumo lucrou o governo1 no fim do anno1 #ae francos e #fj centimos4 ,pela sua illuminao1 gasta1 cada semana1 em sua casa1 #bj centimos com petroleo4 ,no fim do anno somma esta despesa #aj francos e #dj centimos4 ,s sua parte1 embolsa o governo #g francos e #aj centimos4 ,vivendo mais que modestamente1 a familia1 em todo o anno1 gastou em fato #ae francos e #be centimos4 ,em impostos1 exigem-lhe crca de #c francos4 ,de modo que s n'estas verbas1 o contribuinte concorreu para o ,estado com #aj por cento do seu ganho4 ,junte-se a tudo isto os impostos directos1 os impostos supplementares de consumo e outros que ha em muitas communas da ,italia1 e ver-se-ha a raso que assiste ao desgraado que1 trabalhando mais do que pde1 deixa nas garras do fisco quasi todo o resultado do seu labor4 ,gravura3 ,de ,felice ,a miseria tanta e tamanha1 que1 nas pequenas communas da ,sicilia1 o povo apenas pde comer po ordinarissimo1 fabricado com farelos4 ,e1 nas ricas e uberrimas planicies da ,lombardia1 as classes trabalhadoras tambem no teem para se alimentar mais que a polenta1 uma especie de massa de farinha de milho1 havendo muitos que1 por extrema pobresa1 nem sequer podem temperar com sal essa miseravel comida4 ,ora foi precisamente contra este triste estado de cousas1 que o sympathico e honrado deputado siciliano de ,felice levantou o grito de revolta que logo se repercutiu em todo o paiz1 com a rapidez de um relampago4 ,de ,felice ,jiuffrida nasceu em ,catanea1 no anno de #ahfj4 ,socialista convicto1 havia-se assignalado na imprensa1 pelos seus rudes ataques contra a monarchia1 o que lhe valeu varias condemnaes4 ,em #ahhg1 durante a epidemia cholerica1 que dizimava o sul da ,italia1 deu provas de grande dedicao e de altissimo valor4 ,o governo quiz distinguil-o com a medalha de ouro2 mas elle recusou a distinco1 dizendo1 que da monarchia s acceitava a perseguio4 ,algum tempo depois1 tendo sido condemnado a dois annos de priso1 por abuso de liberdade de imprensa1 refugiou-se em ,malta1 d'onde regressou1 em #ahib1 eleito1 ao mesmo tempo1 por ,catanea e por ,palermo4 ,foi1 em virtude da parte activa e intelligentissima que tomou na organisao dos ,fasci1 especialmente na ,calabria e na ,romagna1 que o governo ordenou a sua priso4 ,foram dissolvidos os ,fasci1 sob protexto de attentarem contra as instituies2 mas no morreram as idas e os principios por elles representados4 ,ao contrario1 avigoraram-se na lucta4 ,de ,felice foi o glorioso interprete da opinio popular4 ,a consciencia publica estava com elle e applaudiu-o4 ,isto basta1 para que seja immorredoura a sua obra e seja glorificado o seu nome1 que o nome de um bravo e o nome de um here6 ,no congresso operario de ,bruxellas1 em #ahia1 nem a ,italia nem a ,suissa poderam apresentar relatorio3 to escassas eram as foras socialistas n'aquelles dois paizes4 ,em dois annos os progressos realisados por elles so superiores a toda a expectativa e de molde a surprehender todos os espiritos4 ,na ,suissa todas as organisaes profissionaes se constituiram em federao4 ,a federao dos syndicatos profissionaes tem progredido de dia para dia1 possuindo uma receita de #bh4jjj francos1 dos quaes #ae4hjj so reservados a soccorros1 em casos de grve4 de crca de #ae4jjj o numero de associados4 ,a federao operaria suissa conta #bjj4jjj adherentes4 ,a sociedade suissa do ,grtli comprehende #cej seces1 com #ae4jjj societarios1 possuindo um orgo central1 o ,grtli1 que se publica tres vezes por semana4 ,a estas organisaes1 convm ajuntar o partido democratico socialista suisso que existe1 na sua frma actual1 desde #ahhh1 possuindo1 em commum1 com a federao dos syndicatos profissionaes um orgo especial--o ,arbeiterstimme 7a ,voz do operario74 ,no conselho nacional suisso1 no contam os socialistas seno um representante4 ,mas certo que o movimento se alastra por todo o paiz1 a passos de gigante4 ,particularmente1 so para registar os progressos realisados pelo partido na ,suissa allem4 ,em ,hespanha1 o partido socialista contava crca de #cj grupos1 por occasio do congresso internacional de ,bruxellas2 segundo o relatorio1 apresentado ao congresso de ,zurich1 o partido conta hoje #ej1 dos quaes #f pertencem aos trabalhadores agricolas4 ,nas ultimas eleies geraes para deputados1 obtiveram os socialistas #g3jjj votos--#b3jjj a mais do que os obtidos nas eleies de #ahij4 ,na ,hespanha1--e este o principal facto a notar--o movimento socialista1 que1 no ha muito ainda1 comprehendia quasi exclusivamente os trabalhadores manuaes1 tem ganho1 pouco a pouco1 o professorado1 os jornalistas e os homens de letras2 e hoje1 pode-se dizer afoitamente que o socialismo cathedratico est1 no visinho paiz1 altura d'aquelles que1 como a ,belgica e a ,frana1 mais se vangloriam com o progredimento das novas ideias nas escolas e nas universidades4 ,em ,portugal continuam os socialistas1 n'uma propaganda activa e utilissima1 prgando as vantagens e os beneficios do principio da associao de classe1 reclamando dos poderes publicos leis protectoras do trabalho1 reunindo congressos1 publicando jornaes e obras de propaganda1 e tornando-se em tudo dignos dos esforos dos seus irmos e camaradas no estrangeiro4 ,o modo firme1 serio e correcto por que os socialistas portuguezes celebraram o primeiro de ,maio1 no proximo preterito anno de #ahic1 bastaria para lhes attrahir as sympathias do publico1 se outros factos os no tivessem j recommendado ao suffragio popular4 ,,ii ,o ,,programma ,,socialista ,o ,,programma ,,do ,,partido ,,operario4--,,parte ,,politica ,e ,,parte ,,economica4--,,jules ,,guesde ,e ,,paulo ,,lafargue4--,o ,,programma ,,do ,,partido ,,socialista ,,em ,,portugal4 ,o programma do partido operario socialista francez1 que hoje considerado como o programma commum a todos os partidos operarios1 foi elaborado por ,jules ,guesde e ,paulo ,lafargue4 ,digamos pois1 algumas palavras1 cerca de cada um dos dois apostolos do socialismo4 ,,jules ,,guesde ,jules ,guesde pde e deve ser considerado1 em ,frana1 como o verdadeiro chefe do partido operario marxista4 ,e1 se tivessemos de avaliar os seus meritos pelo numero das condemnaes j soffridas por causa do socialismo1 o seu logar de honra seria na primeira fila e ao lado dos primeiros combatentes da ideia4 ,a sua primeira condemnao1 em ,montpellier1 a cinco annos de priso1 por causa de um artigo1 publicado no jornal ,os ,direitos do homem1 teve uma grande influencia na sua existencia politica e no desenvolvimento do seu espirito4 ,gravura3 ,jules ,guesde ,mes ,guesde refugiou-se em ,italia e depois na ,suissa1 onde encontrou muitos francezes exilados1 por causa dos acontecimentos da ,communa4 ,bakounine e ,marx estavam ento em lucta4 ,guesde no se pronunciou1 nem por um nem por outro1 contentando-se apenas em assimilar a doutrina de ,marx2 e por tal frma o conseguiu1 que hoje os dois nomes1 o do fundador do socialismo allemo e o do propagandista do collectivismo marxista1 em ,frana1 so inseparaveis4 ,voltando a ,paris1 em #ahgf1 ,guesde tentou baldadamente fazer a propaganda da doutrina allem4 ,a primeira proposta collectivista1 feita em #ahgh1 no congresso de ,lyon1 foi regeitada por grande maioria4 ,todavia1 em ,paris1 devia realisar-se1 n'esse mesmo anno1 um segundo congresso1 por occasio da exposio universal4 ,o governo quiz prohibil-o4 ,a minoria guesdista1 porm1 no fez caso da prohibio2 reuniu-se1 recebeu solemnemente os delegados estrangeiros e estabeleceu a base do collectivismo4 ,guesde proseguiu nos seus trabalhos1 com trinta e sete dos seus amigos1 pronunciou um notavel discurso1 considerado como um verdadeiro manifesto do socialismo revolucionario1 e tornou-se1 por esse facto1 o chefe incontestado do partido4 ,tornava-se mister um programma ao socialismo francez4 ,guesde fra encarregado1 pelo congresso de ,marselha1 de o elaborar4 ,partiu para ,londres1 e redigiu-o ali sob a direco de ,marx e com a collaborao de ,lafargue e de ,engels4 ,o congresso nacional do ,havre1 ao qual foi submettido1 approvou-o1 estabelecendo definitivamente a ruptura entre collectivistas e cooperativistas4 ,o partido operario adoptra o principio da lucta de classes1 da propriedade collectiva e da revoluo4 ,n'este programma havia1 todavia1 uma lacuna4 ,no se havia pensado seno no operario das cidades4 ,o trabalhador dos campos fra esquecido4 ,foi essa a misso do congresso de ,marselha de #ahib4 ,no seu ultimo manifesto eleitoral1 ,jules ,guesde repelle os meios violentos4 ,a revoluo1 escreveu1 antes um resultado1 um facto1 do que uma doutrina1 e desde que os socialistas resolveram recorrer e acceitar o suffragio universal1 porque renunciaram1 pelo menos provisoriamente1 aos outros meios4 ,no programma do partido operario1 j formulara1 de resto1 o principio de que a organisao socialista deveria ser levada a cabo por todos os meios de que o proletariado podesse dispr1 sem excluir o suffragio universal4 ,jules ,guesde deve contar quarenta annos de edade1 e foi quem1 no congresso de ,paris1 em #ahhi1 propoz a manifestao do #a4 de ,maio4 hoje deputado por ,roubaix4 ,na camara franceza est-lhe reservado o successo a que do direito o seu grande saber e a sua notavel eloquencia4 99 99 99 99 99 ,,paulo ,,lafargue ,esto ainda certamente na memoria de todos os fusilamentos de ,fourmies do #a4 de ,maio de #ahia1 e o julgamento e a condemnao de ,paulo ,lafargue1 por ter prgado o socialismo no departamento do ,norte1--no dizer dos seus juizes4 ,pois foi precisamente este facto que o levou camara dos deputados4 ,o mesmo departamento do ,norte1 entendeu que devia corrigir as demasias e a violencia do governo1 elegendo-o deputado4 ,havia um ou dois mezes que ,lafargue dra entrada no carcere1 sahindo d'ali1 victorioso e triumphante1 em direco ao palacio ,bourbon4 ,gravura3 ,paulo ,lafargue ,o dr4 ,lafargue uma das figuras mais originaes do partido socialista4 ,ao mesmo tempo1 theorico e homem de aco1 ha seguramente trinta annos que se mantem na lucta1 e sempre com a mesma altivez e com a mesma dedicao4 ,sendo estudante de medicina em #ahff1 foi elle um dos organisadores do congresso de ,lige1 onde a bandeira negra se arvorou1 como que para indicar que a ,frana estava de lucto4 ,no seu regresso1 o imperio vingou-se1 excluindo-o de todas as faculdades4 ,lafargue partiu ento para ,inglaterra4 ,fez em ,londres o conhecimento de ,karl ,marx1 que o iniciou no socialismo scientifico1 alistando-o na ,associao internacional dos trabalhadores4 ,genro de ,karl ,marx1 occupou-se activamente da organisao do partido socialista francez1 cujo programma1 elaborado no gabinete do celebre revolucionario1 em parte obra sua4 ,foi tambem em ,londres que elle se ligou com ,jules ,guesde4 ,permaneceram ambos fieis doutrina orthodoxa e so1 em ,frana1 os seus verdadeiros representantes4 -- na officina--dizia ,lafargue na sesso da camara dos deputados de #af de fevereiro de #ahic-- na officina que principia a explorao da classe operaria2 ali que ella roubada do producto do seu trabalho1 e por isso que1 na sociedade actual1 a classe operaria que tudo produz1 precisamente aquella que nada possue1 ao passo que a classe que no trabalha possuidora de toda a riqueza social1 e governa a nao economicamente e politicamente4 99 99 99 99 99 ,o ,,programma ,,do ,,partido ,,operario ,considerando que a emancipao da classe productora a de todos os seres humanos1 sem distinco de sexo nem de raa2 ,considerando que os productores no sero nunca livres1 emquanto no estiverem na posse dos meios de produco 7terras1 officinas1 navios1 bancos1 credito1 etc47 ,considerando que no ha seno duas frmas pelas quaes os meios de produco podero pertencer-lhes1 a saber3--a frma individual que nunca existiu1 como facto geral1 e que tende1 cada vez mais1 a ser eliminada pelo progresso industrial2--e a frma collectiva1 cujos elementos materiaes e intellectuaes so constituidos pelo proprio desenvolvimento da sociedade capitalista2 ,considerando que esta apropriao collectiva no pde sahir seno de uma aco revolucionaria da classe productora1 ou do proletariado1 organisado em partido politico distincto2 ,considerando que semelhante organisao deve ser levada a cabo por todos os meios de que o proletariado dispe1 incluindo o suffragio universal1 transformando-o de instrumento de corrupo1 como at hoje tem sido1 em instrumento de emancipao2 ,os trabalhadores socialistas1 tendo por alvo dos seus esforos a expropriao politica e economica da classe capitalista e o regresso collectividade de todos os meios de produco1 decidiram1 como meio de organisao e de lucta1 entrar em todas as eleies com as seguintes reivindicaes3 99,a499--,parte politica #a4--;,abolio de todas as leis sobre a imprensa1 as reunies e as associaes1 e1 em especial1 a ,associao ,internacional dos trabalhadores4--,suppresso do livrete1 ferrete ignominioso da classe operaria1 e de todos os artigos do codigo1 estabelecendo a inferioridade do operario em face do patro1 e a inferioridade da mulher em face do homem2 #b4--,suppresso do oramento dos cultos1 e o regresso nao dos bens chamados de mo morta1 moveis e immoveis1 que hoje pertencem s corporaes religiosas1 comprehendendo todos os annexos industriaes e commerciaes das referidas corporaes2 #c4--,suppresso da divida publica2 #d4--;,abolio dos exercitos permanentes e armamento geral do povo2 #e4--;,a ,communa na posse da sua administrao e da sua policia4 99,b499--,parte economica #a4--,repouso de um dia por semana1 ou prohibio legal de mais de seis dias de trabalho sobre sete4--,reduco legal do dia de trabalho a oito horas para os adultos4--,prohibio do trabalho1 nas officinas particulares1 dos menores com menos de quatorze annos2 e reduco do dia de trabalho a seis horas1 desde os quatorze at aos dezoito annos4 #b4--,vigilancia dos aprendizes pelas corporaes operarias2 #c4--,minimum legal dos salarios1 determinado e fixado annualmente1 segundo o preo local dos generos1 por uma commisso de estatistica operaria2 #d4--,prohibio legal aos patres de poderem empregar os operarios estrangeiros por um salario inferior ao dos operarios nacionaes2 #e4--;,egualdade de salario1 em egual trabalho1 para os trabalhadores dos dois sexos2 #f4--;,instruco scientifica e profissional de todas as creanas1 custa da sociedade1 representada pelo ,estado e pela communa2 #g4--,manuteno1 custa da sociedade1 dos velhos e invalidos do trabalho2 #h4--,suppresso de toda a ingerencia dos patres na administrao das caixas operarias de soccorros1 de previdencia1 etc41 restituindo-as gesto exclusiva dos operarios2 #i4--,responsabilidade dos patres em materia d'accidentes1 garantida por uma cauo em dinheiro1 lanado nas caixas operarias1 e proporcional ao numero dos operarios empregados e aos perigos que a industria apresenta2 #aj4--;,interveno dos operarios1 nos regulamentos especiaes das differentes officinas2 suppresso do direito usurpado pelos patres de poderem castigar os operarios por meio de multas ou de reduces nos salarios2 #aa4--;,annulao de todos os contractos1 que hajam alienado a propriedade publica 7bancos1 caminhos de ferro1 minas1 etc47 e a explorao de todas as officinas do ,estado1 confiadas aos operarios que n'ellas trabalharem2 #ab4--;,abolio de todos os impostos indirectos e transformao de todos os impostos directos n'um imposto progressivo sobre os rendimentos que vo alm de #c3jjj francos4--,suppresso da herana em linha collateral e de toda a herana em linha directa que exceda a somma de #bj3jjj francos4 99 99 99 99 99 ,,desenvolvimento ,e ,,explana,o ,,do ,,programma ,,socialista ,,parte ,,politica ,,artigo #a4 a7 ,abolio de todas as leis sobre a imprensa1 as reunies e as associaes1 e1 em especial1 da lei contra a ,associao ,internacional dos ,trabalhadores2 b7 ,suppresso do livrete1 ferrete ignominioso da classe operaria1 e de todos os artigos do codigo que estabelecem a inferioridade do operario perante o patro e a inferioridade da mulher perante o homem4 ,para que haja realmente liberdade1 em materia de imprensa1 no basta legislar1 impondo multas e priso aos que d'ella abusam1 attenuando e modificando as penas1 ou substituir o julgamento correccional pelo julgamento de jury4--,o que se torna indispensavel e urgente1 abolir todas as leis existentes contra e sobre a imprensa1 a comear pela lei que condemna1 por diffamao1 sem prova dos factos allegados1 e que permitte assim aos ricos e aos poderosos de abusarem da situao especial em que se encontram1 relativamente aos que nada possuem e aos que nada podem4 ,para que haja realmente liberdade1 em materia de reunio1 no basta substituir o regimen actual por um novo regimen1 mais ou menos hypocrita e mais ou menos sophismado1 permittindo os comicios em recinto fechado e prohibindo-os na rua e na praa publica4--,o que se torna indispensavel e urgente1 a abolio de todas as leis1 que subordinam s condies de local1 de tempo1 de numero e de pessoas1 o exercicio de um direito to rudimentar como o direito de reunio4 ,para que haja realmente liberdade1 em materia de associao1 no basta permittir o uso d'este direito aos que esto nas boas graas dos governos1 embaraando-o e difficultando-o aos contrarios1 pela exigencia de formalidades1 to ridiculas como absurdas4--,o que se torna indispensavel e urgente1 a abolio de todas as leis sobre as associaes1 qualquer que seja a sua natureza e o seu fim4 ,mas a revoluo no nos trouxe apenas a liberdade2 deu-nos tambem a egualdade civil4 ,e 1 em nome d'essa egualdade1 que temos o direito e o dever de reclamar a suppresso do livrete1 bem como todos os artigos do codigo que estabelecem a inferioridade da classe operaria perante a classe dos patres4 ,o livrete que assemelha o productor de todas as riquezas meretriz1 collocando-o no mesmo plano1 sobre ser uma ignominia1 tambem infamante e improprio dos nossos tempos4 ,se o ferrete foi abolido para os grandes criminosos condemnados s gals1 como que pode conservar-se para os trabalhadores do mundo moderno8 ,apenas a frma variou1 por isso que1 sendo o livrete obrigatorio para todos os que so forados a viver da venda do seu trabalho1 nenhum movimento da vida operaria poder escapar policia4 ,para mudar de localidade e at para mudar de officina1 so os trabalhadores forados a apresentar essa prova da sua identidade e do seu comportamento anterior4 ,de modo que aos patres fica a liberdade plena de os admittirem ou de os expulsarem das suas officinas1 conforme lhes aprouver4 uma inquisio de nova especie que se torna mister abolir no s dos codigos1 seno tambem dos usos particulares4 ,o operario ser admittido em todas as officinas e em todos os estabelecimentos1 quer do estado quer de particulares1 sem que os patres lhe possam exigir a minima formalidade4 ,condemnamos1 por egual1 o livrete e os attestados individuaes1 que collocam os trabalhadores na mesma situao de inferioridade moral perante os seus superiores4 ,ha1 felizmente1 paizes onde a licena para trabalhar no j exigida4 ,na explanao d'estes artigos1 no nos dirigimos1 porm1 a este ou quelle paiz1 a esta ou quella localidade3 fazemos a critica geral do systema e apreciamos os factos que se assignalam e observam nas modernas sociedades4 ,na mesma ordem de reformas1 entra a abolio dos artigos que estabelecem a inferioridade da mulher perante o homem4 ,que nos resta ento da egualdade perante a lei--o novo evangelho da nova civilisao--se1 na ordem civil assim como na ordem politica1 continuam a coexistir duas leis differentes1 uma para o homem e outra para a mulher8 ,diz-se1 geralmente1 que a mulher nasceu para os trabalhos caseiros4 ,mas essa limitao vae desapparecendo de dia para dia4 ,e1 hoje1 a mulher applica-se a muitos outros trabalhos que antigamente s pertenciam aos homens1 como correios e telegraphos1 empregos e servios dos grandes armazens e dos grandes restaurantes1 casas de modas1 lojas1 caminhos de ferro e tantos mais que seria longo e superfluo ennumerar aqui4 ,o socialismo moderno no reconhece distinces fundadas e baseadas sobre os sexos4 ,quer se trate de reunies quer se trate de congressos1 a mulher chamada e eleita1 com os mesmos titulos1 que o homem4 ,ao partido operario--que o partido de todos os explorados1 sem distinco de sexo nem de raa4--cabe pois1 o dever de se associar s suas reivindicaes4 ,art4 #b4--,suppresso do oramento dos cultos e regresso nao dos bens1 chamados de mo morta1 que pertenam s corporaes religiosas1 comprehendendo todos os annexos industriaes e commerciaes destas corporaes4 ,na grande republica dos ,estados ,unidos da ,america1 a ,egreja1 ou1 para melhor dizer1 as differentes egrejas nada teem com o ,estado4 ,os cultos constituem1 naquella nao1 uma industria particular1 como a industria das rolhas ou a industria da cortia4 ,paga quem consome4 este o principio1 adoptado por todos os publicistas e pensadores da escola avanada4 ,a separao da ,egreja e do ,estado1 faz hoje parte de todos os programmas radicaes e constitue uma das principaes reivindicaes da philosophia moderna4 ,o regresso nao da propriedade mobiliaria e immobiliaria das corporaes religiosas1 encontrou um precedente na revoluo operaria de #ah de ,maro4 ,tem1 alm d'isso1 a vantagem de educar as massas1 ensinando-as a rehaver aquillo que lhes foi extorquido pela violencia e pela fraude1 isto --na linguagem do programma socialista--ensinando-as a expropriar os seus expropriadores4 ,art4 #c4--,suppresso da divida publica4 ,a divida publica1 com effeito1 dil-o ,karl ,marx no seu ,capital1 d ao dinheiro improductivo o valor reproductivo1 sem que por isso haja de correr os riscos e os transtornos inseparaveis do seu emprego industrial ou da usura particular4 ,a suppresso da divida que o partido operario reclama1 aliviaria os habitantes de cada paiz de uma grande parte do imposto que1 actualmente1 so obrigados a pagar e constituiria1 portanto1 um novo rendimento annual para cada familia e para cada cidado4 ,art4 #d4--;,abolio dos exercitos permanentes e armamento geral do povo4 ,est hoje provado que os exercitos permanentes1 com os progressos das armas e dos instrumentos de guerra1 e ainda com a rapidez dos telegraphos e dos caminhos de ferro que obrigam a uma immediata mobilisao de massas enormes1 no so garantia sufficiente defenso efficaz de um paiz4 ,em geral1 os governos precisam e servem-se d'elles1 no para esmagar o inimigo que lhes ultraja a bandeira ou lhes viola as fronteiras1 mas para intimidar e reduzir ao silencio os adversarios1 que1 dentro da nao1 os perturbam e incommodam4 ,e eis ahi est o motivo porque os exercitos1 na actualidade1 longe de serem um elemento de defeza nacional1 so1 ao contrario1 um elemento de defesa1 para as classes dirigentes1 que teem n'elles o seu unico e principal apoio1 quando se trata de salvaguardar os seus interesses e os seus haveres1 ainda que para isso seja preciso fuzilar a canalha ou atirar sobre o povo inerme e faminto6 ,o partido operario socialista condemna a guerra1 e1 por isso1 repelle os exercitos permanentes4 ,o armamento geral do povo no s traria1 como consequencia1 uma economia para cada paiz1 seno ainda desarmaria1 por completo1 a burguezia4 ,a nao armada at ao seu ultimo homem1 tornar-se-ha mais forte e poderosa do que nunca1 e ser--digamol-o assim--inatacavel4 ,para isso bastar que a instruco militar complete a instruco scientifica e profissional1 assegurada socialmente a todos os menores sem distinco2 que a espingarda1 posta na escola nas mos de todos1 esteja1 ao sahir da escola1 nas mos de cada um1 e que1 depois de uma rapida passagem pelas bandeiras1 todos os annos se realisem as grandes manobras1 para manter a coheso indispensavel1 entre elementos individualmente superiores1 obrigando-os a contrahir o habito das operaes collectivas4 ,o poder militar da ,suissa1 no se apoia n'outras razes e corrobora praticamente esta nobre e generosa aspirao4 ,art4 #e4--;,a communa na posse da sua administrao e da sua policia4 ,a cummuna a escola primaria da sciencia politica4 ali que se adquirem as primeiras noes de disciplina e os primeiros rudimentos da vida publica4 ,o partido operario no espera certamente chegar soluo do problema social pela simples conquista do poder administrativo na communa4 ,a abolio do salariado--essa escravido do mundo moderno1 peior que a do mundo antigo--no uma questo communal1 mas sim uma questo nacional e internacional1 e s poder resolver-se pela posse do poder central ou do ,estado4 ,mas certo que a conquista das communas constitue outros tantos meios de recrutamento e de lucta1 para a classe proletaria4 ,no dia em que as communas estiverem na posse da sua administrao e da sua policia1 os conflictos com o poder central tornar-se-ho impossiveis1 se todos os municipios1 comprehendendo a sua misso1 se ligarem e federarem1 afim de constituirem uma liga municipal que poder e dever ter uma influencia decisiva nos destinos de cada paiz4 ,,parte ,,economica ,art4 #a4--;a7 ,repouso de um dia por semana1 ou prohibio legal de mais de seis dias de trabalho sobre sete4 b7 ,reduco legal do dia de trabalho a oito horas para os adultos4 e7 ,prohibio do trabalho1 nas officinas particulares1 dos menores com menos de quatorze annos1 e reduco do dia de trabalho a seis horas1 dos quatorze aos dezoito annos4 a7 ,a necessidade de um dia de repouso por semana1 hoje reconhecida por todos1 e impe-se como uma questo de moral e de hygiene4 ,mas no basta reconhecel-o4 mister que seja legal a prohibio1 estabelecendo-se uma penalidade aos patres que obrigam os seus operarios a trabalhar mais de seis dias sobre sete4 b7 ,o primeiro congresso da ,internacional1 o congresso de ,genebra de #ahff1 estabeleceu que o dia de trabalho devia ser de oito horas2 por isso que1 diziam os considerandos1 a primeira condio1 sem a qual seria baldada toda a tentativa de melhoria e de emancipao1 a limitao legal do dia de trabalho4 ,esta limitao impe-se1 afim de restaurar a saude e a energia physica dos operarios1 assegurando-lhes a possibilidade de um desenvolvimento intellectual1 de relaes sociaes e de uma aco politica4 ,os operarios dos ,estados ,unidos reclamaram1 durante muito tempo1 esta limitao1 e o ,congresso adoptou-a como um dos artigos dos programmas governamentaes4 ,o secretario d',estado do departamento da guerra1 no ,reino ,unido1 respondendo a ,john ,burns1 que1 na camara dos communs1 pedira informaes1 cerca da experiencia do dia normal de #h horas1 no arsenal de ,woolwich1 asseverou que o resultado fra excellente1 e que o governo resolvra estabelecer1 para todos os arsenaes inglezes1 o dia normal de #h horas4 ,e ninguem pense que a reduco do dia de trabalho traria1 como consequencia1 a reduco do salario4 ,o patro occupa1 presentemente1 dois operarios1 para obter #bd horas de trabalho1 ou dois dias de #ab horas4 ,se o dia legal fosse de #h horas1 seria forado a empregar tres4 ,os operarios sem trabalho voltariam officina1 e1 aquelles que trabalham1 no estando j sob a ameaa de serem substituidos1 poderiam1 sem duvida1 aproveitar a situao para exigir e obter um augmento de salario4 ,a reduco do dia de trabalho teria1 como consequencia necessaria1 um augmento de salario4 c7 ,nas modernas sociedades1 as creanas pertencem aos capitalistas1 que as arrancam ao lar domestico e ao conchego da familia1 para as converterem em instrumentos de sordida e desmesurada ganancia4 ,semelhante facto nunca se presenciara1 nas sociedades anteriores1 ainda mesmo nos peiores tempos da escravido4 ,o menor1 condemnado desde tenra edade1 s torturas de dez e doze horas de trabalho na officina e na fabrica1 e no offerecendo a minima resistencia1 era ainda mais explorado que o homem e a mulher4 ,e to deshumana se tornou a explorao que o ,estado se obrigou a protegel-o contra o patro e o pae de familia4 ,este1 invocando a authoridade paterna permittia-se a liberdade de vender os seus filhos1 segundo as necessidades da situao2 aquelle1 invocando a liberdade anarchica da sociedade capitalista1 arrogava-se o direito de impr ao menor mais horas de trabalho do que geralmente se impe a um forado nas gals4 ,art4 #b4--,vigilancia dos aprendizes pelas corporaes operarias4 ,a aprendizagem1 constitue1 para os patres1 um meio de ter trabalho sem necessidade de o pagar4 ,o aprendiz1 a quem nada se ensina1 transformado em creado1 e ordinariamente empregado nos trabalhos mais grosseiros que os operarios se recusam a fazer4 ,em geral s quando finda a aprendizagem que o trabalhador comea de aprender o seu officio4 ,para remediar estes males1 indispensavel que o aprendiz seja confiado proteco e vigilancia das corporaes operarias4 ,o aprendizado desapparecer no dia em que a educao manual se combinar com a educao intellectual4 ,com o desenvolvimento da mechanica e a diviso do trabalho1 a aprendizagem tende de dia para dia a ser substituida pela instruco geral1 ministrada s creanas nas escolas publicas4 ,art4 #c4--,minimum legal dos salarios1 determinado e fixado annualmente1 segundo o preo dos generos1 por uma commisso de estatistica operaria4 ,dizer minimum1 o mesmo que dizer salario que permitta1 pelo menos1 viver trabalhando4 ,com o aperfeioamento e a generalisao da machina1 os salarios diminuiram e tornaram-se insufficientes4 ,o excedente que todos os dias vae augmentando da offerta do trabalho sobre a procura1 fel-os descer ainda abaixo do strictamente indispensavel alimentao quotidiana de cada operario4 ,a fixao de um minimum foi1 por isso1 considerada como um grande progresso4 ,esta justa reivindicao1 formulou-a1 pela primeira vez1 ,charles ,fourier1 em #ahca4 ,viver trabalhando ou morrer combatendo6--tal era o lemma inscripto na bandeira negra dos primeiros revoltados do trabalho1 que no reclamavam outra cousa seno um minimum de existencia ou de salario1 e que1 por esse principio1 se deixaram matar heroicamente1 defendendo1 at ao ultimo sacrificio1 os interesses e o futuro da classe trabalhadora4 ,desde que1 em todos os ramos de trabalho1 possa ser determinado1 por uma estatistica operaria1 um minimum de salario1 e desde que se torne obrigatorio para os patres1 ficar o salariado senhor da mais poderosa das armas1 para levantar o preo da mo obra4 ,o minimum de salario no deve ser1 para os operarios1 seno um meio para chegar ao maximum4 ,art4 #d4--,prohibio legal aos patres de poderem empregar operarios estrangeiros por um salario inferior ao dos operarios nacionaes4 ,ao capitalista1 -lhe indifferente que o operario seja nacional ou estrangeiro2 o que lhe importa que o salario seja diminuto4 ,os operarios estrangeiros 7belgas1 allemes1 italianos1 hespanhoes71 obrigados a emigrar por causa da miseria1 muitas vezes dominados e explorados por engajadores1 ignorando a lingua1 os preos e os costumes do paiz1 so condemnados a aceitar as condies que os patres lhes impem e a trabalhar por salarios que os operarios da localidade regeitam4 ,e ainda1 em egualdade de circumstancias1 preferem os patres os estrangeiros1 para evitar resistencias e amotinaes4 ,a #e de maio de #ahhj1 a ,sociedade de ,economia politica discutiu as vantagens que poderiam advir da substituio dos operarios francezes por chinezes4 ,o consul geral dos ,estados ,unidos1 que estava presente sesso1 objectou que a introduco dos chinezes era corruptora por causa da sua immoralidade e perigosa por causa das miserias e das revoltas operarias que d'ahi derivavam4 --,nada importa6--responderam severamente os economistas francezes3 ,o chinez muito trabalhador1 vive de quasi nada1 contentando-se com um modico salario4 ,na ,california1 onde um branco exige #aj fr4 por dia1 o chinez contenta-se com #b fr4 #ej4 ,que venham os bons chinezes1 e tanto peior para os operarios francezes1 se isso os incommoda4 ,talvez a lio lhes aproveite6 ,o dr4 ,lunier 7inspector geral dos servios administrativos no ministerio do interior7 observava que a vinda dos chinezes no estava to longe como se suppunha3 provavel que1 em breve1 a emigrao chineza possa fazer-se por terra1 e que tenhamos ento de assistir a emigraes1 que traro nossa velha ,europa a sua sobriedade1 a sua paciencia no trabalho1 e1 como consequencia1 a mo d'obra barata4 ,a isso e s a isso1 aspiram os patres2 e a prohibio legal de poderem empregar operarios estrangeiros1 por um salario inferior aos dos operarios nacionaes1 deriva no s de um principio de moralidade1 para evitar a explorao at aqui seguida1 seno tambem da proteco que lei deve merecer o trabalho nacional4 ,art4 #e4--;,egualdade de salario1 em egual trabalho1 para os trabalhadores dos dois sexos4 ,o partido operario1 assim como no pede a expulso dos estrangeiros1 no reclama tambem a prohibio do trabalho para a mulher1 nas fabricas ou nas officinas4 ,o que pede e reclama para a mulher1 para a operaria1 a proteco a que ella tem direito tanto como o homem2 o que pede e reclama que a um trabalho egual corresponda egualdade de salario para todos os trabalhadores1 sem distinco de sexo4 ,o motor mechanico1 tornando a mulher to apta1 como o homem1 para a maior parte dos trabalhos1 permitte hoje1 nas fabricas e officinas1 o emprego do brao feminino1 em substituio da antiga fora muscular4 ,no foi a falta do brao masculino que provocou a industrialisao da mulher3 foi sim6 a desmedida ambio do patro de obter a mesma somma de trabalho por um salario muito inferior4 ,de modo que a operaria foi inventada1 por um lado1 para augmentar os proventos dos patres1 e1 por outro lado1 para reduzir o operario fome4 mister acabar com semelhante abuso1 tornando a operaria egual ao operario1 e no a sua concorrente4 ,para que a mulher seja senhora de si mesmo1 para que recobre a liberdade do seu corpo1 fra da qual no ha seno prostituio1 qualquer que seja a legalidade das relaes que possa ter com o outro sexo1 mister que ella encontre em si os meios de subsistencia1 independentemente do homem4 ,art4 #f4--;,instruco scientifica e profissional de todas as creanas1 custa da sociedade1 representada pelo ,estado e pela communa4 ,do direito existencia1 deriva logicamente o direito ao trabalho1 e d'este a obrigao1 para o ,estado e para a communa1 de ministrar gratuitamente a todas as creanas1 sem distinco de sexo1 a instruco scientifica e profissional4 ,para trabalhar1 preciso saber e poder trabalhar1 e d'ahi se conclue1 por um lado1 a necessidade da instruco1 e1 por outro lado1 a necessidade no menos instante para o operario1 de chegar posse dos instrumentos de produco4 ,lepelletier ,saint-,fargeau comprehendra perfeitamente estes principios1 quando1 a #ae de julho de #agic1 submetteu ,conveno um projecto de lei1 assim concebido3 ,art4 #a4--,todas as creanas sero educadas custa da ,republica1--as do sexo masculino da edade dos cinco aos doze annos e as do sexo feminino dos cinco aos onze4 ,art4 #b4--;,a educao nacional ser egual para todos2 recebendo todos a mesma alimentao1 o mesmo vestuario1 a mesma instruco e os mesmos cuidados4 ,o trabalho do homem tanto mais productivo quanto a sua intelligencia fr mais cultivada#b4 ,o trabalho de um homem ignorante no vale mais do que o trabalho de um animal de egual fora4 ,a monomania do emprego publico um resultado da falta de ensino profissional4 ,em ,portugal1 a burocracia absorve a maior parte das receitas publicas1 precisamente porque so poucos aquelles que se acham habilitados a trabalhar4 ,no basta s que as escolas ensinem a lr3 mister tambem que ensinem a trabalhar1 isto que1 a par do po do espirito1 se ministre egualmente a todos o po do corpo4 99 99 99 99 99 ,art4 #g4--,manuteno pela sociedade dos velhos e invalidos do trabalho4 ,o trabalhador produz mais do que consome4 ,encarregando-se dos velhos e invalidos do trabalho1 a sociedade no faz seno retribuir aos operarios aquillo que lhes devido4 justo que um homem que passou a sua vida a vestir1 a calar e a alimentar os seus semelhantes e a construir as suas habitaes1 tenha tambem o vestuario1 a casa e o alimento assegurados1 quando1 em consequencia da edade ou de qualquer enfermidade1 no se encontre j apto para trabalhar4 ,o ultimo codigo feudal da ,russia1 de #agie1 estatuia o seguinte3 ,o senhor deve fazer ministrar a educao a todos os camponezes pobres1 procurando tambem os meios de existencia quelles dos seus vassalos que no possuem terras e soccorrendo os que cahirem na indigencia4 ,o servo transformou-se em salariado1 e a liberdade burgueza deixou o operario1 sem garantias1 entregue s exigencias do seu estomago e merc dos caprichos da fortuna4 ,o militar e o funccionario do ,estado teem direito a reformas e aposentaes4 ,o empregado do commercio succede muitas vezes ao patro4 ,s ao operario1 s quelle que passou a sua vida a enriquecer os seus semelhantes1 recusado o direito que se concede aos demais membros da sociedade1 isto o direito de viver4 ,no lhe basta a incerteza de encontrar trabalho3 ainda para mais lhe negam o que os senhores feudaes no negavam aos seus servos--a proteco na velhice e na doena4 ,e eis ahi est porque o partido operario1 no s por dever de humanidade1 seno ainda por dever de solidariedade1 inscreveu este artigo no seu programma4 99 99 99 99 99 ,art4 #h4--,suppresso de toda a ingerencia dos patres na administrao das caixas operarias de soccorros1 de previdencia1 etc41 restituindo-as gesto exclusiva dos operarios4 ,na grande industria que multiplicou os riscos do trabalho1 os patres obrigam geralmente os operarios a tirarem1 no fim de cada semana1 uma certa quantia dos seus magros salarios1 para fazerem face solidariamente aos accidentes1 doena e velhice4 ,as grandes companhias de caminhos de ferro e minas chegaram mesmo a instituir um fundo1 destinado a uma caixa1 com essa applicao4 ,comprehende-se a tactica4 ,quanto mais os salariados estiverem no caso de se soccorrerem mutuamente1 tanto menos tero os patres de dispender com elles4 ,as caixas so1 na sua quasi totalidade1 sustentadas com o dinheiro dos operarios4 ,mas os proprietarios e capitalistas1 no intuito de fiscalisarem esses fundos da previdencia e da solidariedade operaria1 chamam a si a gerencia e a administrao das referidas caixas1 concorrendo tambem com uma parte1 para o mesmo fim4 ,o que os patres desejam evitar1 por esta frma1 que os trabalhadores possam servir-se d'esse dinheiro1 empregando-o n'uma grve ou em qualquer cousa que possa contrariar os seus interesses ou os da sua industria4 indispensavel que o proletariado se emancipe de semelhante tutella1 transformando o fundo das caixas operarias num poderoso instrumento de emancipao social4 ,art4 #i4--,responsabilidade dos patres em materia d'accidentes1 garantida por uma cauo em dinheiro1 e proporcional ao numero dos operarios empregados e aos perigos que a industria apresente4 ,este artigo traduz um principio de justia1 e representa uma compensao para todos os que1 no trabalho1 expem a vida e arriscam a saude4 ,quem1 nas grandes empresas1 aufere os grandes lucros e os enormes proventos1 o capitalista e o proprietario4 justo pois1 que1 em caso d'accidente1 sejam elles os responsaveis1 indemnisando e garantindo1 por meio de uma cauo1 os que affrontaram o perigo1 para os enriquecer e locupletar4 ,em caso de desastre1 occorrido nas fabricas e nas officinas1 o invalido1 a viuva e o orpho teem direito a serem amparados e protegidos2 e esse amparo e essa proteco no pode exigir-se seno quelles que foram a origem1 embora indirecta1 do seu infortunio1 e que1 muitas vezes1 pelo seu desleixo e pela sua desmesurada ganancia1 contribuiram poderosamente para esses tristes e dolorosos acontecimentos4 ,a indemnisaao a pagar seria1 n'este caso1 lanada na caixa operaria1 e avaliada por um jury escolhido na corporao4 ,s os proprios operarios seriam capazes de avaliar o que custa e o que vale1 para o trabalhador1 a perda de um brao1 a perda de uma perna ou a perda de uma vida4 ,quem nunca visitou uma mina1 no sabe o que o risco no trabalho4 ,superior rhetorica dos economistas est a realidade das cousas4 ,que todos os que nos lem se dignem1 um dia1 descer a uma mina1 e que nos digam depois1 se no assiste ao operario o direito sagrado de reclamar uma indemnisaao1 em caso d'accidente1 quelle por quem se sacrificou1 e que locupletou1 sem outra compensao1 alm de um salario diario representando o stritamente indispensavel para no morrer de fome86 99 99 99 99 99 ,art4 #aj4--;,a interveno dos operarios nos regulamentos especiaes das differentes officinas2 suppresso do direito usurpado pelos patres de poderem castigar os operarios1 por meio de multas ou de reduces nos salarios4 ,a interveno dos operarios nos regulamentos especiaes das differentes officinas uma salvaguarda dignidade e saude da classe trabalhadora4 ,muitas vexaes inuteis sero supprimidas por este meio2 muitas medidas hygienicas1 hoje despresadas ou recusadas pelo fabricante1 sero postas em pratica1 no interesse da collectividade4 ,sob a frma de multas1 que se traduziam na reteno de uma parte do salario1 o patro abusava1 muitas vezes1 do operario1 trazendo-o debaixo de um jugo de ferro1 feroz e insupportavel4 ,o patro no pode arvorar-se em juiz1 adoptando o codigo penal que muito bem lhe aprouver para multar o operario ou condemnal-o1 segundo os caprichos da sua vontade4 ,a justia fundada sobre uma delegao social4 ,o direito moderno no admitte outra2 porque o contrario seria o despotismo1 o abuso1 a fraude e a violencia4 ,e por isso que se justifica e se torna indispensavel a interveno dos operarios nos regulamentos especiaes das differentes officinas--precisamente para que o patro fique reduzido sua esphera de aco1 e impossibilitado de vexar os trabalhadores1 por meio de penalidades1 que1 alm de uma tyrannia e de uma brutalidade sem nome1 representam para o capitalista1 um interesse e um beneficio4 99 99 99 99 99 ,art4 #aa4--;,annulao de todos os contractos que hajam alienado a propriedade publica 7bancos1 caminhos de ferro1 minas1 etc471 e a explorao de todas as officinas do ,estado1 confiadas aos operarios que n'ellas trabalharem4 ,o partido operario pede a annulao1 pura e simples1 dos contractos que teem permittido a um bando de capitalistas de se locupletarem1 custa da nao4 ,o partido operario pede essa annulao1 no para que o ,estado1 entrando na posse das minas1 dos caminhos de ferro e dos bancos1 e tornando-se1 por sua vez1 productor1 os explore1 em seu proveito1 como tem succedido com os correios e telegraphos1 com a moeda1 com os tabacos e outros servios publicos1 de que faz monopolio1 mas sim1 para confiar a sua explorao aos operarios1 encarregados d'esses trabalhos4 ,o programma socialista pede que a explorao das officinas do ,estado seja confiada aos operarios1 que n'ellas trabalharem1 com o duplo fim de melhorar a sua triste situao e de provar experimentalmente1 que1 pela sua propria iniciativa e responsabilidade1 esto aptos para emprehender a referida explorao4 ,sobre este assumpto divergem as escolas4 ,so uns de opinio que todos os servios publicos devem ficar a cargo do ,estado e da communa2 outros porm1 sustentam que a absorpo gradual das industrias particulares pelo ,estado augmentaria sensivelmente o numero dos salariados que o mesmo ,estado explora4 ,teremos occasio de voltar ao assumpto no ultimo capitulo d'esta obra4 99 99 99 99 99 ,art4 #ab4--;a7 ,abolio de todos os impostos indirectos e transformao dos impostos directos n'um imposto progressivo sobre os rendimentos que forem alm de #c3jjj francos4 b7 ,suppresso da herana em linha collateral e de toda a herana em linha directa que exceda a somma de #bj4jjj francos4 ,nas sociedades burguezas1 o imposto um encargo a que tem de sujeitar-se todo o cidado1 afim de garantir a sua pessoa e a sua propriedade4 ,ha duas especies de imposto--o imposto pessoal1 ou imposto de sangue que todo o cidado tem de satisfazer pelo servio militar1 e o imposto impessoal que satisfaz pelo abandono e entrega de uma parte dos seus rendimentos4 ,para ser equitativa a distribuio do imposto1 todo o cidado deveria ser soldado e abandonar ao ,estado uma parte do seu rendimento1 progressivamente1 e proporcional sua quantidade4 ,se o que possue #ajj fr4 paga #aj fr41 o que possue #ajjj dever pagar #bjj fr41 e o que possue um milho1 #djj4jjj fr4 ,os impostos indirectos que recahem sobre os generos de consumo 7po1 vinho1 vestuario1 etc47 obstam a que seja equitativa a sua distribuio4 ,por exemplo3 o operario que come por dia #a kilo de po paga duas vezes mais imposto do que o capitalista que come apenas meio kilo4 ,o imposto indirecto um meio jesuitico1 inquisitorial1 de depennar e de reduzir miseria o operario1 sem que elle d'isso se aperceba4 ,os ricos repellem o imposto progressivo que os obrigaria a pagar na proporo dos seus rendimentos2 o imposto indirecto favorece-os de um modo escandaloso1 e eis ahi est o motivo porque o defendem e applaudem4 ,a abolio dos impostos indirectos e a creao de um imposto progressivo sobre o rendimento1 reduziria seguramente o preo dos generos4 ,a remodelao e transformao do imposto1 seria para o operario a melhoria das suas condies de existencia4 ,o augmento1 nos impostos indirectos1 tem-se traduzido praticamente por um augmento na mortalidade4 ,a creao do imposto progressivo poder-se-hia traduzir por um augmento na alimentao e na vida das classes trabalhadoras4 ,a ,conveno havia estabelecido um imposto gradual e progressivo sobre o luxo e sobre todas as riquezas4 ,mas no teve tempo para o applicar4 ,montesquieu1 e todos os economistas orthodoxos1 como ,ado ,smith1 ,j4 ,b4 ,say e ,rossi1 pronunciaram-se pelo imposto progressivo4 ,j4 ,b4 ,say e ,rossi1 affirmaram-n'o claramente nas seguintes palavras3 ,no deixaria de ser razoavel que os ricos contribuissem para as despezas do estado1 na proporo do seu rendimento1 e ainda com mais alguma cousa alm d'essa proporo4 ,na ,suissa est o imposto progressivo em vigor na maioria dos cantes4 ,mas nem s a republica o perfilha e o applica4 ,tambem a real ,inglaterra e a imperial ,allemanha acceitaram e introduziram o imposto progressivo1 no seu systema de impostos directos4 b7 ,a herana estabelece1 na sociedade1 um privilegio e uma desegualdade revoltante4 ,a sua suppresso impe-se1 e1 se no completamente1 pelo menos parcialmente4 ,em virtude da herana1 a instruco1 a educao1 o gzo1 o bem estar contituem o privilegio dos favorecidos da fortuna4 ,o pobre1 o infeliz que no herdou1 tem de subjeitar-se aos caprichos do acaso e lei do seu destino4 ,o partido socialista quer a suppresso da herana em linha collateral1 restringindo-a e limitando-a a #bj4jjj francos na linha directa4 ,n'outra parte diremos a que seria applicado o excedente das heranas1 desde que ultrapassassem esta somma4 99 99 99 99 99 ,o ,,programma ,,do ,,partido ,,socialista ,,em ,,portugal ,a titulo de curiosidade1 publicamos1 em seguida1 o primeiro programma dos socialistas portuguezes1 desde que se contituiram em partido4 um documento1 por muitos titulos1 importante1 e que merece ser lido e apreciado pelo publico4 ,a sua approvao data do #a4 congresso socialista1 realisado em ,lisboa1 nos principios de #ahgg1 tendo sido elaborado1 aps o celebre congresso de ,haya1 onde ,portugal esteve representado por ,lafargue4 ,vigorou at #ahhb1 anno em que se celebrou n'esta capital uma conferencia dos delegados de ,lisboa e ,porto1 sendo ento substituido pelo actual programma que1 ordinariamente se publica na quarta pagina do ,protesto ,operario4 99 99 99 99 99 ,programma transitorio do partido socialista em ,portugal ,o trabalho a condio de existencia de todos os individuos4 ,todos teem o dever de trabalhar imposto pela natureza4 ,com os productos do trabalho de todos deve subsistir a sociedade1 e com os productos do trabalho da sociedade1 effeituado por todos1 deve subsistir cada individuo4 ,a massa do trabalho da sociedade1 que deve constituir a sua riqueza1 deve constituir a propriedade social1 commum ou publica4 ,a parte do trabalho de cada individuo constitue a sua riqueza1 e a riqueza do individuo deve constituir a propiedade individual4 ,sendo a propriedade social por natureza commum1 ou publica1 a propriedade individual deve ser privada ou pessoal4 ,tambem devem ser communs1 ou publicas1 as riquezas naturaes1 no creadas pela sociedade1 nem pelos individuos4 ,taes so as condies de existencia da sociedade justa1 isto 1 em que todos os individuos subsistem pelo seu proprio trabalho1 e em que a sociedade subsiste pelo trabalho de todos2 em que o producto do trabalho de cada individuo propriedade sua1 e em que o producto do trabalho de todos1 ou da natureza1 no propriedade de alguem1 mas sim da sociedade toda4 99 99 99 99 99 ,a constituio da sociedade injusta differente4 ,na sociedade injusta os individuos no subsistem todos pelo seu proprio trabalho1 e a sociedade no subsiste pelo trabalho de todos4 ,uma parte da sociedade trabalha para si e para a outra parte que no trabalha1 produzindo os meios de subsistencia de todos os individuos4 ,um individuo trabalha como dois e mais1 ou o duplo1 ou pela metade do preo e por menos1 para produzir os meios de subsistencia dos individuos que os no produzem4 ,os meios de subsistencia1 em que consiste toda a especie de propriedade1 so produzidos por uma parte dos individuos1 e apropriados pela outra1 que os no produz4 ,a riqueza1 ou a propriedade1 o producto do trabalho de todos os individuos accumulado na mo de alguns4 ,os productores1 ou creadores1 da propriedade individual e publica no possuem mesmo a parte com que subsistem4 ,esta parte -lhes vendida1 ou arrendada1 pelos proprietarios1 que accumulam mais productos do trabalho alheio por meio das transaces mercantes1 isto 1 das transaces da propriedade transformada em mercadorias4 ,d'este modo se constitue a sociedade com proprietarios e no proprietarios1 com os possuidores da propriedade de todos os individuos e com os no possuidores1 que a produzem4 ,a sociedade consta assim de duas classes3 a dos ricos e a dos pobres ou proletarios1 a superior e a inferior1 a dominadora e a dependente ou salariada4 ,os proprietarios industriosos occupam-se em fazer trabalhar os proletarios na agricultura1 na fabricao e na manufactura dos meios de subsistencia1 isto 1 da propriedade transformada em mercadorias como objecto de commercio1 de viao e de jogo4 ,a classe dos proletarios1 ou miseraveis1 conta tambem milhares de individuos que no produzem3 taes so os mendigos e os defensores salariados da propriedade1 escolhidos pelo estado de entre os mais vigorosos1 para que no a tomem aquelles que a produzem4 ,estes subjugam-se a si e a seus eguaes4 ,a sociedade injusta subsiste s pela violencia1 isto 1 uma parte da sociedade arranca violentamente outra a sua propriedade4 ,a violencia existe sem manifestar-se1 por ter sido no principio das sociedades policiadas estabelecida pela fora1 depois attestada pelas leis1 depois acceita e transmittida por costume1 pelas mesmas leis e pela mesma fora4 99 99 99 99 99 ,na epoca actual os proletarios1 obrigados pela necessidade1 constituem a sua classe de salariados1 determinados a fazerem da associao um poder1 que modifique as violencias dos proprietarios industriosos1 pela proposio e estabelecimento de condies1 taes como3 #a4 ,estabelecimento do dia normal de trabalho1 egual quanto possivel em todos os officios e em todas as estaes2 #b4 ,diminuio do tempo de trabalho2 #c4 ,elevao dos salarios2 #d4 ,salubridade e segurana dos logares onde se executa o trabalho2 #e4 ,melhoramentos particulares1 tanto dos salarios como do tempo de trabalho1 para os que exercem officios de sua natureza penosos e insalubres2 #f4 ,extinco do trabalho de jornal nos officios em que fr applicavel o estabelecimento de tabellas de preos dos trabalhos2 #g4 ,extinco das categorias nos officios1 taes como3 ajudantes e serventes1 devendo considerar-se as divises do trabalho no como categorias1 mas como ramos e especies do mesmo trabalho2 #h4 ,abolio dos regulamentos das fabricas e manufacturas1 como especie que de contrato unilateral1 em que so partes os proprietarios e os miseraveis1 tendo os proprietarios1 como teem1 liberdade de aco para despedir os trabalhadores e appellar para as leis nos casos de attentados2 #i4 ,egualdade do tempo de trabalho e dos salarios das mulheres e dos homens2 #aj4 ,excluso das creanas das fabricas e manufacturas1 e relao do tempo de trabalho dos menores com a sua idade2 #aa4 ,abolio do tempo determinado de aprendizagem1 e prohibio de outros misteres estranhos a cada officio2 #ab4 ,estabelecimento e eleio de commisses de exame e vigilancia compostas de officiaes1 que julguem da aptido dos aprendizes em periodos determinados e curtos2 #ac4 ,egualdade de tratamento para os aprendizes1 como individuos racionaes1 evitando-se assim a educao aviltante que lhes incutem os costumes da obediencia passiva2 #ad4 ,extinco dos signaes exteriores de obediencia e submisso1 como improprios da natureza humana2 #ae4 ,excluso dos proprietarios e seus representantes das sociedades de trabalhadores1 taes como3 monte-pios1 cooperativas1 de recreio1 instruco e outras1 com o fim de evitar a dominao e o servilismo4 99 99 99 99 99 ,ao mesmo tempo os proletarios1 tendo conhecimento da situao politica da sociedade1 constituem-se em partido politico1 determinados a crearem um poder1 que modifique as violencias politicas da classe dominante1 fazendo tambem representar nos poderes do estado os seus interesses de classe1 excluidos das instituies politicas e civis4 ,o movimento politico da classe dos proletarios transitorio4 ,existir em quanto existirem classes1 subordinando-se s circumstancias e necessidades occorrentes4 ,presentemente1 o modo de effeituar o movimento politico dos proletarios consiste em modificar o poder legislativo1 pela substituio dos individuos que o compem1 e que representam smente a classe e os interesses da classe proprietaria4 ,o pensamento1 a aspirao1 o fim1 do movimento dos proletarios constituidos em classe e em partido1 a implantao e a constituio da sociedade justa4 ,a este movimento tudo subordinado1 inferior e transitorio4 ,os proletarios de todas as naes civilisadas1 constituindo a associao internacional dos trabalhadores1 da qual nos declaramos um ramo1 effeituam o mesmo movimento1 e em cada uma organisam-se e procedem conformes s instituies politicas4 ,em ,portugal1 onde os poderes politicos so constituidos publicamente1 os proletarios procedem dentro das instituies para realisarem o seguinte3 #a4 ,instituio dos municipios4 a7 ,constituio dos municipios com todos os contribuintes da sua circumscripo4 ,diviso dos municipios em circulos administrativos1 e constituio d'estes com todos os contribuintes da sua circumscripo4 ,serem contribuintes todos os individuos maiores que exeram alguma profisso4 b7 ,celebrao de sesses periodicas1 tanto nos municipios como nos circulos1 onde os contribuintes1 constituidos em assemblas1 proponham1 discutam e resolvam os respectivos interesses publicos4 c7 ,creao de corpos gerentes1 tanto dos municipios como dos circulos1 por eleio dos contribuintes nas assemblas respectivas4 ,responsabilidade individual dos membros dos corpos gerentes municipaes e dos circulos perante as assemblas respectivas1 e sua sujeio justia commum4 d7 ,elaborao dos recenseamentos dos contribuintes1 tanto dos circulos como dos municipios1 pelos corpos gerentes respectivos4 ,validao dos recenseamentos municipaes para todos os effeitos civis e politicos1 publicos e privados4 e7 ,administrao dos rendimentos dos municipios feita pelos municipios1 e a dos circulos feita pelos circulos1 sem dependencia de poderes centraes1 nem de regulamentos1 nem de corpos e auctoridades superiores4 f7 ,integrao dos municipios na administrao das suas escolas1 dos hospitaes1 cadeias1 vias publicas1 correios e telegraphos1 da sua circumscripo4 g7 ,repartio e cobrana das contribuies publicas feitas pelos municipios1 e as d'estes pelos circulos ou pelos gremios de profisses4 ,concurso e ordenados fixos para todos os officiaes de fazenda1 effeituados por cada municipio4 ,installao das reparties de fazenda nos edificios municipaes4 ,responsabilidade dos officiaes de fazenda perante as assemblas respectivas1 e sua sujeio justia commum4 h7 ,proviso dos officios de juizes e seus escrives1 tanto do civel como do crime1 por concurso aberto pelos municipios respectivos4 ,eleio dos jurados4 ,nomeao dos officiaes de justia subalternos pelos juizes e jurados4 ,fixao dos vencimentos de todos os officiaes de justia1 tanto superiores como subalternos1 pagos por cada municipio4 ,installao dos tribunaes de justia em edificios municipaes4 ,responsabilidade dos officiaes de justia perante as assemblas1 e sua sujeio justia commum4 i7 ,instituio da policia municipal1 regida e paga por cada municipio4 j7 ,estabelecimento de escolas de ensino technico de artes e officios1 tanto ruraes como fabris1 nos municipios1 geridas e sustentadas por elles4 m7 ,alimentao1 vestuario e objectos de ensino dados pelos municipios aos menores miseraveis que frequentem as escolas4 --,consequencias3 ,abrogao do codigo administrativo1 e sua substituio por disposies geraes no codigo fundamental1 isto 1 substituio de leis por instituies1 que estabeleam e garantam as liberdades politicas1 publicas e individuaes1 pela extinco das camaras municipaes1 das juntas geraes1 dos conselhos de districto1 dos governos civis1 das administraes dos concelhos1 das regedorias e das juntas de parochia4 #b4 ,conformao dos codigos civil1 commercial1 judicial e penal com as disposies de egualdade civil e politica estatuidas no codigo fundamental1 abrogando-se no civel a parte que regula as condies da servido e todos os contratos unilateraes4 ,reviso periodica dos codigos4 ,abolio do juramento1 tanto no fro politico1 como no civil1 judicial e militar4 #c4 ,constituio do poder legislativo com os delegados representantes de cada municipio1 eleitos nas assemblas dos circulos pelos seus contribuintes4 #d4 ,abolio do recrutamento e das matriculas maritimas4 ,servio militar voluntario4 ,sujeio dos militares s leis e aos tribunaes communs nos casos de offensas de direitos civis e politicos4 #e4 ,reduco de todas as contribuies1 tanto para o estado como para os municipios1 a uma unica1 directa4 ,extinco immediata das barreiras1 estabelecendo a livre circulao dos generos alimenticios4 ,creao de bilhetes de contribuio divisiveis e vendaveis como os sellos1 para que todos possam opportunamente compral-os durante o anno e pagarem assim a sua contribuio4 #f4 ,extinco dos privilegios a companhias e associaes4 ,resciso de seus contratos com o estado1 e sua sujeio e de seus membros justia commum4 #g4 ,extinco dos privilegios1 subsidios ou mercs1 subveno ou interveno do estado e dos municipios a individuos1 a empresas1 a estabelecimentos e a instituies industriaes1 scientificas1 litterarias e religiosas4 #h4 ,taxao de todos os servios publicos ao estrictamente necessario para o custeamento das suas despezas correntes4 ,,iii ,a ,,coopera,o ,,dos ,,trabalhadores ,,coopera,o ,e ,,solidariedade4--,,instruc,o ,e ,,associa,o4--,o ,,internacionalismo4--,,as ,,coopera,,es ,,operarias ,e ,,alguns ,,dos ,,seus ,,mais ,,dedicados ,e ,,fervorosos ,,apostolos4---,,cesar ,,de ,,paepe1 ,,anseele1 ,,jean ,,volders1 ,,louis ,,bertrand4 ,a solidariedade operaria no seno um resultado da cooperao4 ,disse-o ,cesar de ,paepe1 num discurso eloquentissimo1 pronunciado no congresso internacional cooperativo de ,paris4 ,no ha1 na ,belgica1 um ,lassalle e um ,schultze inimigos1 exclamava o illustre chefe do socialismo belga2 ha sim6 um partido operario que 1 ao mesmo tempo1 cooperativista1 republicano e socialista4 ,e accrescentou3 ,os cooperadores belgas associaram-se sempre s manifestaes em favor do suffragio universal4 ,as nossas sociedades cooperativas no tem por fim realisar interesses para alguns individuos1 seno1 ao contrario1 desenvolver os sentimentos de solidariedade entre os seus membros4 ,a cooperao dos trabalhadores pde e deve tomar-se em dois sentidos differentes3 um sentido restricto e um sentido amplo e generico4 ,no primeiro caso1 a cooperao limita-se a explorar as cooperativas sociaes1 quer sejam as de produco1 quer sejam as de consumo1 quer sejam as de credito4 ,no segundo caso1 a cooperao estende-se alm das fronteiras e affirma-se pelo principio da solidariedade de classe1 no combate quotidiano contra o capitalismo e o industrialismo1 em favor das reivindicaes operarias4 ,gravura3 ,cesar de ,paepe ,do mesmo modo que para todo o cidado ha duas patrias--a patria onde cada um exerce a sua actividade e essa outra grande patria1 a que estamos vinculados pelos nossos ideaes e pelas nossas aspiraes1 que se chama humanidade2 assim tambem a cooperao dos trabalhadores tem de ser1 ao mesmo tempo1 nacional e internacional3 nacional pela affirmao da solidariedade operaria1 em cada paiz1 e internacional pela affirmao da solidariedade com os companheiros de todos os paizes1 de todas as raas1 de todas as religies e de todas as linguas4 ,da legislao internacional do trabalho1 fizeram os socialistas o artigo #a4 do seu programma4 ,o internacionalismo manifesta-se1 a cada passo1 nas relaes entre os povos4 ,a facilidade de communicaes tem concorrido extraordinariamente para isso4 ,mas ao facto material da rapidez nas viagens1 devemos juntar o facto moral da transformao1 realisada nos velhos processos politicos e da corrente1 cada vez mais intensa e cada vez mais poderosa1 das idas modernas4 ,proletarios de todo o mundo1 uni-vos6 ,era esta a divisa de ,karl ,marx1 e esta a divisa do socialismo revolucionario4 ,mas a verdadeira unio s poder conseguir-se pelas associaes de classe4 ,no dia em que o proletariado tiver realisado este grande e supremo desideratum1 n'esse dia ter soado a hora da sua emancipao4 ,e deante do formidavel exercito1 no haver nem canhes ,krupp nem espingardas ,kropateschaek que valham ou prevaleam4 ,isto matar aquillo4 ,o proletariado organisado matar a realeza armada4 ,o trabalhador vencer o soldado4 ,o homem livre e consciente transformar o velho mundo1 enthronisando a paz e a justia1 no logar onde campeava a iniquidade e a desegualdade social4 ,a beneficencia publica e particular1 a caridade official e outros palliativos de egual natureza1 so impotentes para resolver o problema1 porque humilham aquelle que se pretende beneficiar1 rebaixam os caracteres1 engendram a preguia e entreteem a mendicidade4 ,no se trata apenas1 de soccorrer os pobres3 o que se trata de supprimir a pobreza4 ,e para isso mister que a sociedade1 em vez de uma madrasta odienta1 se converta em me protectora e disvelada2 mister que a todos1 sem excepo1 seja garantido o direito instruco e o direito ao trabalho1 que so uma consequencia do direito existencia2 mister que a educao e os meios de produzir no constituam o privilegio de uma minoria rica e favorecida da sorte2 mister1 no s que todos sejam eguaes perante a lei1 seno tambem que todos sejam eguaes perante a sociedade1 pelo desenvolvimento physico e moral1 pela posse dos instrumentos de produco e pelo gozo do credito2 mister1 emfim1 que o altruismo e a bondade se sobreponham ao egoismo e crueldade das modernas sociedades4 99 99 99 99 99 ,,as ,,cooperativas ,,operarias ,ha quem pense que as cooperativas operarias podem concorrer poderosamente para a extinco da miseria4 ,no somos d'esse numero4 ,as cooperativas1 7e quando fallo em cooperativas1 refiro-me particularmente s cooperativas de consumo7 podem1 quando muito1 attenuar1 e attenuam1 com effeito1 as condies de existencia do proletariado4 ,mas d'ahi1 a resolver o problema da sua emancipao1 vae um abysmo4 ,quer isto dizer que tenham sido estereis todas as tentativas feitas para manter e sustentar as cooperativas8 ,de modo algum4 ,entre os que tudo pedem e esperam da iniciativa das corporaes operarias e os que tudo esperam do ,estado1 entre os dois exclusivismos1 ha um meio termo que ,malon synthetisava nas palavras de um velho proverbio3 ,aide-toi1 les pouvoirs publics t'aideront4 ,os esforos cooperativos e corporativos1 do mesmo modo que a procura de uma melhoria immediata1 devem ter por alvo a educao administrativa e a organisao dos trabalhadores1 para se chegar abolio do salariado1 com o concurso dos poderes publicos1 influenciados primeiro e conquistados depois4#c ,tal era o programma do pae da cooperao1 o illustre ,robert ,owen2 mas no foi esta a politica seguida pelos seus successores1 que mutilaram a ideia do mestre1 fazendo da cooperao um fim1 quando no nem deve ser seno um meio4 99 99 99 99 99 ,,os ,,apostolos ,,da ,,coopera,o ,durante muito tempo1 foi grande e profunda a inimisade entre cooperativistas e socialistas1 se bem que o principio da cooperao tenha uma origem caracterisadamente socialista1 tendo sido1 como j dissemos1 ,robert ,owen o seu primeiro apostolo4 ,a elle se devem as primeiras tentativas de cooperao2 foi elle quem inventou a palavra e quem propagou a theoria4 ,robert ,owen1 o inventor e o apostolo das sociedades cooperativas--escrevia d',assaily que para todos deve ser insuspeito1 pela sua tendencia conservadora e retrograda--pretendeu realisal-as n'um estabelecimento1 onde o trabalho collectivo abraasse1 ao mesmo tempo1 a agricultura e a industria2 onde o espirito tivesse1 como o corpo1 a sua parte de legitima satisfao2 onde o trabalho fosse voluntario2 onde no fosse punida a minima infraco2 onde no fossem obrigatorias quaesquer privaes1 e onde o respeito dos direitos fosse o resultado d'um mutuo interesse4 ,a ida de ,robert ,owen era demasiadamente idealista e synthetica para o proletariado da ,inglaterra4 ,mas1 pratico como 1 o operario inglez descobriu-lhe logo o lado util1 e assim nasceram as cooperativas de consumo1 que1 aps algumas tentativas1 chegaram a ter um resultado brilhante nos ,pionniers de ,rochdale4 ,s efficaz a cooperativa de consumo2 a de produco impotente para luctar com outras emprezas congeneres1 attenta a difficuldade em obter o capital que 1 por via de regra1 superior s foras operarias2 e a de credito1 por seu turno1 tropea praticamente com embaraos e obstaculos insuperaveis4 ,devemos1 porm1 repetir1 com ,malon1 que todas as frmas cooperativas servem1 em geral1 para preparar a educao administrativa do proletariado1 tornando-o mais apto para as reivindicaes de ordem politica e social4 ,os socialistas fazem mal1 rebaixando e combatendo as tentativas cooperativistas4 ,do mesmo modo que a iniciativa individual s por si seria impotente1 assim tambem a aco dos poderes publicos no poder ser nunca verdadeiramente benefica1 se no fr secundada pelos esforos collectivos de um proletariado j familiarisado com as difficuldades administrativas das organisaes politicas e economicas4 ,sob este ponto de vista1 a cooperao1 verdadeira escola de pratica industrial e commercial1 desembaraando-se pouco a pouco do primeiro exclusivismo1 uma excellente preparao para as reformas sociaes1 que o proletariado ter um dia de arrancar aos poderes publicos4 ,n'uma palavra1 cooperadores e socialistas so militantes na mesma obra de renovao e de justia4 ,os trabalhos de uns e as luctas dos outros completam-se mutuamente1 e a sua unio apressaria o dia1 por todos desejado1 da emancipao humana4 ,associamos-nos pois1 de todo o corao ao generoso applo dirigido aos socialistas por ,louis ,bertrand1 que 1 ao mesmo tempo1 um dos primeiros vulgarisadores do collectivismo e um cooperador pratico4 obra pois1 companheiros1 obra6 ,no esqueais nunca que qualquer nova sociedade cooperativa um passo a mais para a sociedade do futuro1 a sociedade que sonhamos1 feita de justia e de solidariedade1 e na qual todos encontraro o seu bem-estar em troca de um trabalho facil e remunerador4 ,mas no olvideis1 sobretudo1 que o fim a attingir no se limita a beneficiar ou a fazer beneficiar os operarios de alguns francos por semana ou por mez1 e que preciso ter sempre em vista o fim supremo3 a libertao completa da classe operaria pela suppresso do salariado e pela applicao das doutrinas socialistas4#d ,gravura3 ,louis ,bertrand ,na cooperao belga destacam-se cinco grandes realisaes1 porventura as primeiras e as mais solidas realisaes do principio cooperativista3 a sociedade do ,vooruit 7vante71 de ,gand2 o ,progrs1 de ,jolimont-,la-,louvrire2 a ,maison du ,peuple1 de ,bruxellas2 o ,werker1 d',anvers2 e a ,populaire1 de ,lige4 ,a mais importante1 o ,vooruit1 possue uma padaria1 officinas de calado1 de vestuario1 de quinquilheria1 armazens de carvo e um caf restaurante onde prohibida a venda de bebidas alcoolicas4 ,o ,vooruit possue tambem uma caixa de soccorros1 sendo os doentes curados gratuitamente4 ,o jornal que se intitula ,vooruit tira por dia #aj3jjj exemplares4 ,a sociedade ,vooruit tem #dj administradores e #aej empregados1 e fazem negocios #b4ejj4jjj francos por anno4 ,o centro de estudos1 as camaras syndicaes1 as sociedades de musica e de gymnastica1 constituem outras tantas seces da cooperativa que tem servido de modelo a todas as outras cooperativas belgas4 ,gravura3 ,anseele ,anseele o gerente do ,vooruit1 como ,jean ,volders o gerente da ,maison du ,peuple4 ,a elles se deve uma parte da propaganda socialista da ,belgica1 porque as cooperativas1 n'aquelle paiz1 apresentam uma feio eminentemente revolucionaria e constituem1 para o proletariado1 uma formidavel arma de combate4 ,quantas grves no teem sido sustentadas com o po e o carvo distribuido pelas cooperativas86 que os belgas fizeram das cooperativas de consumo1 ao mesmo tempo1 um elemento de interesse pessoal1 de resistencia politica e de propaganda socialista4 ,os dividendos a distribuir a cada associado constituem o fundo social do partido4 ,e d'este modo1 to digno de ser imitado1 organisaram os socialistas belgas o mais poderoso e valente exercito que temos visto e admirado1 o grande e honrado exercito da sciencia e do trabalho1 o invencivel exercito do povo1 o exercito do futuro6 ,gravura3 ,jean ,volders ,os cinco grupos1 acima referidos1 no comprehendem1 ainda assim1 todo o movimento cooperativo belga1 que1 em #ahhi1 havia attingido os algarismos seguintes3 ,cooperativas alimenticias #ec ,padarias #cf ,bancos populares #ai ,sociedades de produco #ah ,syndicatos agricolas #ae ,cooperativas de industriaes e commerciantes #aj ,pharmacias populares #f ,unies de credito #e ,diversas sociedades #ag ,total #agi ,e ,jean ,volders no descana um momento1 percorrendo a ,belgica em misso de propaganda1 uma e mais vezes por anno1 espalhando a ideia e attrahindo proselytos sua generosa causa6 ,uni-vos pois1 trabalhadores6 ,organisae-vos e defendei-vos1 creando escolas1 estabelecendo cooperativas1 fundando associaes de classe e preparando-vos por todos os meios1 para o supremo combate contra os vossos exploradores e os vossos inimigos4 ,sois hoje o numero e sereis manh a qualidade6 ,para isso uma unica cousa bastar3--que vos associeis1 nacional e internacionalmente4 ,na associao est a vossa fora4 ,usae d'ella6 ,reuni os vossos elementos4 ,instrui1 trabalhae1 educae-vos4 ,sereis os vencedores4 ,o mal no est n'este ou n'aquelle paiz3 est na sociedade em geral4 ,os governos recuam e os reis e imperadores pensam que a salvao est na morte ou no desapparecimento dos insubmissos e rebeldes4 ,puro engano6 ,os effeitos ho ser os mesmos1 emquanto subsistirem as mesmas causas4 ,eliminae o mal1 pela vossa perseverana na lucta e pela vossa constancia no combate4 ,formae1 adestrae os vossos batalhes4 ,sois regimento e sereis exercito4 ,tendes por vs a razo e a justia4 ,confiae no futuro4 ,que a voz de commando seja s uma e que a obediencia seja geral e completa6 ,o proletariado s um1 tem um s interesse e uma s aspirao4 ,no conhece raas1 nem linguas1 nem religies4 ,no dia em que elle quizer1 nenhuma outra vontade lhe ser superior4 ,a humanidade o supremo ideal1 e1 pensando n'ella1 abstrahimos de ns mesmos1 e das miserias e torpezas do mundo4 ,,iv ,,arbitragem ,,internacional ,,sociedades ,,da ,,paz4--,,emile ,,arnaud4--,o ,,militarismo4--,,domela ,,nieuwenhuis4--,,arbitragem ,,internacional4--,,michel ,,revon4--,a ,,federa,o ,e ,,os ,,seus ,,apostolos4--,,nacionalismo ,e ,,internacionalismo4--,,alfredo ,,naquet4--,,ren ,,goblet ,e ,,augusto ,,vacquerie4--,a ,,guerra ,,vencida ,,pela ,,arbitragem4--,o ,,desarmamento4--,,eduardo ,,vaillant4 ,o movimento em favor da paz1 vae-se accentuando de dia para dia4 consolador registar o facto e apreciar as suas consequencias4 ,sobe a mais de cincoenta o numero das sociedades da paz de que temos conhecimento e que realmente funccionam4 ,,allemanha ,sociedade da ,paz 7presidente o conde ,bodner7--,wiesbaden4 ,sociedade da ,paz em ,berlim 7presidente o dr4 ,mhling7--,berlim4 ,sociedade da ,paz em ,ulm 7presidente ,h4 ,eberle7--,neu-,ulm4 ,sociedade da ,paz em ,francfort 7presidente ,franz ,wirth7--,francfort4 ,sociedade da ,paz em ,constana 7presidente professor ,martens7--,constanz4 ,,inglaterra ,international ,arbitration and peace association 7presidente ,hodgson ,pratt7--,london4 ,peace ,society 7presidente ,joseph ,pease7--,london4 ,local ,peace ,association 7presidente ,m4elle ,peckover7--,wisbech4 ,peace ,society of ,liverpool 7presidente ,thomas ,suape7--,liverpool4 ,international ,arbitration ,league 7presidente ,cremer7--,london4 ,local ,peace ,association 7presidente ,rowntree7--,york4 ,woman's ,peace and ,arbitration ,society 7presidente ,thompson7--,birkenhead4 ,,austria ,oesterr4 ,friedensgesselschaft 7presidente a baroneza de ,suttner7--,vienna4 ,societ ,universitaire de la paix 7presidente dr4 ,steckel7--,vienna4 ,,belgica ,section belge de l'arbitrage et de la paix 7secretario ,lafontaine7--,bruxellas4 ,,dinamarca ,association pour la neutralisation de la ,danemark 7presidente ,frederico ,bajer7--,copenhague4 ,,fran,a ,ligue internationale de la paix et de la libert 7presidente ,emile ,arnaud7--,luzarches4 ,societ franaise de l'arbitrage entre nations 7presidente ,frederic ,passy7--,neuilly4 ,ligue du ,bien public 7presidente ,pierre ,potoni7--,fontenay4 ,societ de la paix du familistre de ,guise 7presidente ,bernardot7--,guise4 ,societ de la paix perptuelle par la justice internationale 7presidente ,philippe ,destrem7--,paris4 ,groupe des amis de la paix du ,puy-de-,dme 7presidente ,pardoux7--,clermont-,ferrani4 ,association des jeunes amis de la paix 7presidente ,dumas7--,paris4 ,societ universitaire internationale 7presidente ,dumas7--,paris4 ,societ de la paix d',abbeville et de ,ponthieux 7presidente ,jules ,tripier7--,eancourt4 ,union ,mditerranenne 7presidente ,gromier7--,paris4 ,comit de la ,sarthe 7presidente ,destrich7--,sarthe4 ,socit de la paix de ,felletin 7presidente ,abb ,pichot7--,felletin4 ,,hollanda ,pax ,humanitate 7presidente ,schook7--,amsterdam4 ,socit ,gnrale de la paix 7presidente ,moddermann7--,haya4 ,,italia ,union ,lombarda 7presidente ,theodoro ,moncta7--,milo4 ,comit ,romano da ,paz 7presidente ,boughi7--,roma4 ,sociedade da paz de ,turim 7presidente ,armandon7--,turim4 ,sociedade da paz de ,palermo 7presidente ,aguanno7--,palermo4 ,sociedade da paz e da arbitragem de ,perugia 7presidente ,leopoldo ,tiberi7--,perugia4 ,,suecia ,sociedade da ,paz 7presidente ,wawrinsky7--,stockholmo4 ,,suissa ,,liga ,,internacional ,,da ,,paz ,e ,,da ,,liberdade --,comit central 7secretario ,m4me ,goegg7--,genve4 --,seco de ,neuchatel 7presidente ,gustavo ,renaud7--,neuchatel4 --,seco de ,berne 7presidente ,w4 ,marcussen7--,berne4 --,seco de ,saint ,gall 7presidente ,schimd7--,saint ,gall4 --,seco de ,zurich 7presidente ,gustavo ,vogt7--,zurich4 --,seco de ,genebra 7presidente dr4 ,cords7--,genve4 ,,estados ,,unidos ,,da ,,america --,sociedade americana da paz 7presidente dr4 ,trueblood7--,boston4 ,sociedade christ para a arbitragem da paz 7presidente ,wood7--,philadelphia4 ,associao nacional da arbitragem 7presidente ,gardener7--,washington4 ,national ,association for the ,promotion of ,arbitration 7presidente ,lockwood7--,washington4 ,associao da arbitragem da ,california 7presidente ,berwick7--,monterey 7,california74 ,universal ,peace ,union 7presidente ,loye7--,philadelphia4 ,peace ,department of the ,n4 ,w4 ,c4 ,t4 ,u4 7presidente ,bailey7--,maine ,u4 ,s4 ,a4 ,peace ,association of friends in ,america 7,daniel ,whill secret47--,richmond1 ,ind4 ,u4 ,s4 ,a4 ,south ,carolina ,peace ,society--,columbia ,s4 ,c4 ,illinois ,peace ,society 7presidente ,allen7--,chicago ,,iii4 ,connecticut ,peace ,society 7,whipple1 secret47--,old ,mistic ,conn4 ,u4 ,s4 ,a4 ,rhode ,island ,peace ,society 7,robert1 secret47--,providence ,r4 ,i4 ,u4 ,s4 ,a4 ,friend's ,peace ,association of ,philadelphia 7presidente ,wickersham7--,philadelphia4 ,national ,peacy ,society 7presidente ,ellen ,lease7--,topeka 7,kausao7 ,u4 ,s4 ,a4 ,a paz constitue hoje o supremo desideratum da humanidade trabalhadora4 ,mas a paz tem um complemento indispensavel--a liberdade e a justia4 ,d'este modo o antigo adagio3 ,si vis pacem1 para bellum 7,se queres a paz prepara a guerra71 que havia sido substituido por est'outro1 no menos illusorio3 ,si vis pacem1 para pacem 7,se queres a paz prepara a paz71 foi transformado1 ao sopro da revoluo1 pelo seguinte principio3 ,si vis pacem1 para libertatem 7,se queres a paz prepara a liberdade74 ,com o progresso dos tempos1 reconheceu-se porm1 que a paz pela liberdade era ainda pouco1 e ,aurelio ,saffi1 traduzindo as aspiraes dos philosophos e pensadores da sua poca1 estabeleceu o lemma da paz pela liberdade e pela justia 7si vis pacem1 para libertatem et justitiam74 ,mais tarde1 ,carlos ,lemmonier reforou esta formula1 demonstrando que a paz1 assim como a liberdade1 no devia ser um fim1 mas apenas um meio4 ,e os philantropos1 aceitando a observao1 principiaram ento de apregoar a paz pela liberdade e por amor da justia4 ,gravura3 ,emile ,arnaud ,a formula de hoje--diz ajuizadamente ,emile ,arnaud--a unica que corresponde ao estado actual da ,europa e situao especial de cada paiz1 a seguinte3 ,si vis justitiam1 para pacem 7,se queres a justia1 prepara a paz74 ,e1 uma vez que fallamos em ,emile ,arnaud1 o glorioso continuador da doutrina de ,carlos ,lemmonier1 devemos dizer que dos apostolos e evangelistas da paz1 elle um dos mais ardentes1 um dos mais convictos e um dos mais activos4 ,a ,liga ,internacional da ,paz e da ,liberdade est organisada como nenhuma outra sociedade1 com ramificaes em toda a ,suissa e seces e comits em todos os outros paizes da ,europa4 99 99 99 99 99 ,o ,,militarismo4--,,domela ,,nieuwenhuis4 ,em caso de guerra1 qual dever ser a attitude do partido operario socialista8--perguntava-se no congresso de ,zurich4 ,domela ,nieuwenhuis1 o sympathico e benemerito chefe do socialismo na ,hollanda1 j havia respondido a esta pergunta no congresso de ,bruxellas1 em #ahia4 ,em caso de guerra1 aconselhava ,nieuwenhuis a proclamao de uma grve militar e de uma grve geral4 ,esta mesma ida havia j sido enunciada na mesma cidade de ,bruxellas1 em #ahfh1 por occasio do ,congresso da ,associao ,internacional dos ,trabalhadores4 ,por unanimidade havia sido approvada a resoluo seguinte3 ,o congresso recommenda1 sobretudo1 aos trabalhadores a suspenso de todo o trabalho1 no caso em que uma guerra viesse a explodir nos seus respectivos paizes4 ,o congresso conta sufficientemente com o espirito de solidariedade1 que anima os trabalhadores1 que no se negaro a prestar o seu apoio a esta guerra dos povos contra a guerra4 ,cesar de ,paepe propz dois meios3 #a4 ,a recusa em satisfazer o servio militar1 ou1 o que vale o mesmo1 a grve geral2 #b4 ,a resoluo definitiva da questo social1 ou1 por outros termos1 a revoluo social na ,europa4 ,o militarismo no pde ser combatido com simples protestos4 guerra mister oppr a guerra1 diz muito bem ,domela ,nieuwenhuis4 ,j era este tambem o grito de ,victor ,hugo4 ,guerra guerra6 ,morte morte6 ,gravura3 ,domela ,nieuwenhuis ,no basta s condemnar a guerra4 mister impedil-a1 por todos meios1 evital-a e deshonral-a1 ainda na phrase do ,mestre4 ,no manifesto1 feito por occasio da guerra civil em ,frana1 e redigido por ,karl ,marx1 o conselho geral da ,internacional declarou que1 no longo curso da historia1 uma unica guerra podia justificar-se--era a guerra dos escravos contra os senhores4 ,eis o motivo porque1 em caso de guerra1 ns devemos responder1 recusando-nos ao servio militar1 quer dizer1 proclamando a guerra civil4 ,o partido socialista quer acabar com as guerras nacionaes1 substituindo-as pela guerra internacional1 cujo ultimo resultado ser a emancipao do proletariado4 ,propmos a grve geral1 sobretudo nos officios e profisses1 que tenham qualquer relao com a guerra1 porque isso pde ser de grande utilidade4 ,com effeito1 se1 em caso de proclamao de hostilidades1 os operarios fizerem tudo quanto poderem1 para destruir as rdes telegraphicas1 os rails1 as machinas1 numa palavra para impedir o encontro dos exercitos1 claro que a guerra se tornar impossivel4 ,apesar de tudo--concluia ,domela ,nieuwenhuis#e--;continuaremos a nossa propaganda1 para fazer germinar a ida da recusa de servio em caso de guerra1 acompanhada de uma grve geral4 ,esta ida far o seu caminho4 ,o proletariado deve arriscar o seu sangue unicamente contra o seu unico e verdadeiro inimigo3 o capitalismo4 99 99 99 99 99 ,,arbitragem ,,internacional4--,,michel ,,revon ,para acabar com a guerra1 prope ,michel ,revon1 pelo seu lado1 e com elle outros notaveis pensadores1 frente dos quaes se encontra ,frederico ,passy1 a arbitragem internacional4 ,atravessamos um periodo de transio--escreve elle#f--que pde durar ainda dois ou tres annos1 mas que no poder prolongar-se4 ,em dez annos1 ou a guerra geral ter arruinado a ,europa1 ou o militarismo se haver tornado impotente4 ,a lucta entre o espirito da guerra e o espirito da paz1 est por ora indecisa4 ,o momento psychologico poder surgir em #ahid1 como em #ahie ou em #ahif4 ,em #aijj que no4 ,segundo o criterio desenvolvido por ,michel ,revon no seu bello livro1 a guerra teve outr'ora a sua raso de ser4 ,foi j um phenomeno divino1 mas hoje um anachronismo e uma brutalidade sem nome4 ,em tres seculos os armamentos actuaes pertencero aos museus archeologicos4 ,so precisos os exercitos permanentes1 para qu8--,para que os ricos durmam descanados1 como dizia ,balzac8 precisa a guerra para qu8 ,para devastar e exterminar a humanidade8 ,n'esse caso1 proclamem tambem as vantagens das epidemias que dizimam as populaes e das grandes catastrophes que enchem de victimas as localidades4 ,a guerra s se justificava entre povos barbaros1 em plena noite da historia4 ,vergniaud pinta-nos effectivamente os povos1 combatendo durante a noite1 como amigos ou irmos que se no conhecessem1 mas promptos a abraarem-se e a fraternisarem1 desde que a luz1 descobrindo-os1 os tornou conhecidos uns dos outros4 ,quem que no conhece o obra prima de ,proudhon3--a ,justia e a ,vingana perseguindo o crime8 ,a victima jaz por terra2 o assassino foje2 no ambiente azulado da noite1 entrevem-se1 porm1 as duas deusas agitando-se1 terriveis e fataes1 compasso seguro e tranquillo2 ellas sabem perfeitamente1 as immortaes1 que1 cedo ou tarde1 o criminoso lhes hade cahir nas mos1 porque nenhum ainda lhes escapou4 ,esta perseguio dramatisada do mal pelo direito1 esta vibrante condemnao d'esse hediondo crime que se chama a guerra1 esta passagem formidavel da vingana e da justia de ,deus1 no outra cousa1 no fundo1 seno a propria revoluo da civilisao humana4 1 n'uma palavra1 a verdade suprema da historia1 o seu principio de vida e o seu mais salutar ensinamento4 ,para todos aquelles que1 estudando a historia1 observaram as duas tendencias que nos offerecem as civilisaes da antiguidade--a tendencia para a paz e a tendencia para a guerra1 n'uma lucta pica1 semelhante lucta entre a morte e a vida2 para aquelles que1 analysando o christianismo1 as perturbaes da edade mdia1 e o esforo immenso do papado1 chegaram emfim1 aos tempos modernos1 e transformao dos ,estados europeus1 para esses no pde a arbitragem internacional apresentar a minima duvida1 por isso que ella no seno o resultado dos progressos alcanados pelo direito positivo moderno1 que nol-a apresenta em nossos dias1 na sua preparao social1 na sua elaborao juridica e nas suas applicaes4 ,a arbitragem 1 no dizer de ,revon1 uma reforma absolutamente necessaria1 muito possivel de realisar1 mas1 ao mesmo tempo1 de uma difficuldade extrema1 visto como a sua pratica depende no s de uma transformao moral1 economica1 juridica1 e sobretudo do meio em que ter de se desenvolver1 seno tambem do funccionamento de uma jurisdico internacional1 sob todas as suas frmas variadas1 insensiveis1 e necessariamente ligadas umas s outras1 desde a simples arbitragem facultativa at ao tribunal geral1 no triplice ponto de vista da sua organisao1 da sua competencia e do seu processo4 99 99 99 99 99 ,a ,,federa,o ,e ,,os ,,seus ,,apostolos ,a guerra um facto barbaro1 e os exercitos so instituies barbaras1 disse-o ,victor ,considrant4 ,o principal dogma da republica democratica--,liberdade1 ,egualdade1 ,fraternidade--constitue1 com a guerra e os exercitos1 uma triplice contradico4 ,o progresso nos povos deve contribuir para o desapparecimento da guerra1 transformando os exercitos destructores em exercitos productores4 ,herbert ,spencer1 no fim do terceiro volume dos seus ,principios de ,sociologia1 resume do seguinte modo o seu profundissimo estudo sobre as instituies politicas3 ,a possibilidade de um estado social superior1 tanto em politica1 como em geral1 depende de um facto fundamental3 a cessao da guerra4 ,tal a concluso mais importante a que chegam todas as partes do nosso trabalho4 ,depois de tudo o que dissmos1 inutil insistir ainda sobre os effeitos da persistencia do militarismo1 o qual1 conservando as instituies adaptadas s suas necessidades1 impede ou neutralisa a transformao d'essas instituies ou d'essas leis n'um sentido mais equitativo1 ao passo que a paz permanente ha de ser seguida necessariamente por melhoramentos sociaes de toda a especie4 ,a guerra deu tudo o que podia dar4 ,a occupao da terra pelas raas mais poderosas e intelligentes um beneficio1 j realisado em grande parte2 o que est por conquistar no reclama seno uma cousa3 a presso crescente que exerce uma civilisao industrial sobre uma barbarie que reca4 ,a integrao que fusiona grupos simples em grupos compostos1 como resultado de um estado de guerra1 e que conduz no fim de certo tempo formao das grandes nacionalidades1 uma operao que parece ter tocado o seu termo4 ,os imperios formados de povos estranhos uns aos outros1 desmembram-se ordinariamente1 quando desapparece a fora coerciva que os mantinha4 ,e1 ainda quando mesmo ficassem unidos1 no poderiam jmais constituir um todo harmonioso4 ,uma federao pacifica o unico processo de consolidao que se pde prevr4 ,tal a opinio do grande philosopho4 ,para elle a paz o fundamento da moral4 ,era esta tambem a opinio de ,kant que consagrou a moral como a base de toda a politica4 ,em sua opinio1 todo o direito civil1 politico ou internacional constitue uma ligao entre duas vontades1 e baseia-se no respeito reciproco das liberdades4 ,quer se trate de dois povos1 quer de duas pessoas1 o estado de guerra significa estado de natureza1 e um dever sahir d'elle4 ,sob o ponto de vista da raso1 no ha seno um meio de tirar os ,estados da situao violenta em que se encontram1 renunciando liberdade anarchica dos selvagens1 e submettendo-os ao imperio de leis mais liberaes1 afim de formar assim um ,estado de naes 7civitas gentium7 que possa augmentar insensivelmente1 at abraar1 pouco a pouco1 todos os povos da terra4 ,ser chimerico este ideal de paz8 ,no1 responde ,kant1 por isso que obrigatorio4 ,e que ter de realisar-se1 prova-o no s o inevitavel progresso do direito1 seno tambem o progresso dos interesses4 ,os interesses economicos devero tornar a guerra impossivel4 ,a natureza garante a paz1 pelo simples equilibrio das paixes humanas4 ,a federao dos povos no ser s o desarmamento dos reis e imperadores2 ser tambem o aniquilamento da guerra4 ,no dia em que todos os cidados souberem conciliar1 no seu corao1 a ida de patria e a ida de humanidade1 n'esse dia a paz pela federao haver triumphado definitivamente no mundo4 ,o que torna os povos inimigos uns dos outros1 o sentimento de nacionalidade1 levado at barbarie4 ,mas o homem moderno essencialmente cosmopolita4 ,o amor pela patria no exclue o amor da humanidade4 ,ao contrario1 estes dois sentimentos completam-se e identificam-se1 num mesmo ideal e n'uma mesma aspirao de progresso4 ,da comprehenso d'este principio deriva1 a nosso ver1 toda a moderna philosophia social4 ,dir-nos-ho1 talvez1 que no somos patriotas4 ,a esta accusao responde ,alfredo ,naquet1 o grande e glorioso pensador1 n'uma soberba carta que nos dirigiu1 a proposito da ,federao ,iberica3 ,gravura3 ,alfredo ,naquet ,no6 se o patriotismo feito de um espirito estreito e sectario1 e custa do odio dos outros povos e de aspiraes militares--eu no sou patriota4 ,mas se o patriotismo consiste em amar profundamente o paiz onde nascemos1 e onde exercemos a nossa actividade1 n'esse caso sou patriota4 ,amo apaixonadamente a ,frana4 ,amo-a porque foi no seu espirito que moldei o meu cerebro1 e porque as minhas aspiraes1 os meus sentimentos1 e os meus instinctos1 n'ella se desenvolveram2 amo-a porque ella constitue um factor indispensavel do grande trabalho humano2 e1 mesmo por cosmopolitismo1 teria ainda de ser patriota4 ,amo-a bastante para tudo sacrificar por ella e pela sua defesa no dia em que fosse necessario--a minha fortuna1 a minha liberdade e a minha vida4 ,mas estou convencido que a patria europeia ser to superior s patrias de hoje1 como a ,frana o ,borgonha1 a ,hespanha ,andaluzia1 e o ,reino-,unido ,inglaterra ou ,escocia4 ,e1 no dia em que fr possivel substituir a patria nova s antigas patrias1 sem prejuizo do amor e das homenagens que estas nos merecem1 n'esse dia1 entre o que foi grande e o que dever ser ainda maior1 a minha escolha far-se-ha sem hesitao4 ,no tenho a esperana de assistir a esse espectaculo radioso4 provavel1 quem sabe8 que eu morra francez1 pensando quasi exclusivamente1 alm das minhas meditaes philosophicas1 na defesa1 na grandeza e na prosperidade d'este bello e nobre paiz4 ,mas invejo aquelles que tiverem de assistir creao dos ,estados-,unidos da ,europa4 ,e pensam assim todos os grandes pensadores modernos4 ,no estabelecimento de uma ,federao occidental1 baseava ,littr toda a politica do futuro4 ,emile de ,laveleye conclue o seu bello livro ,la ,dmocratie1 pela apologia de uma federao fraternal4 ,federalista foi ,garibaldi1 que presidiu1 em #ahfg1 ao primeiro congresso da ,liga ,internacional da paz e da liberdade2 federalista foi ,mazzini2 federalista foi ,victor ,hugo4 ,so federalistas todas as sociedades de paz1 que1 presentemente1 existem e funccionam4 ,em ,italia1 como em ,hespanha e ,portugal1 o federalismo ganha terreno de dia para dia4 ,o proprio sr4 ,crispi1 actual presidente de conselho de ministros1 declarava1 n'um dos seus ultimos discursos que era para a federao que os povos caminhavam4 ,em ,frana1 so muitos os partidarios da federao4 ,citemos1 principalmente1 dois--um por ser o representante destas idas no parlamento1 e outro por ser1 na imprensa1 o seu glorioso interprete4 ,refiro-me a ,ren ,goblet e a ,augusto ,vacquerie4 99 99 99 99 99 ,,ren ,,goblet ,para bem se apreciar esta altissima personalidade1 seria necessario fazer a historia da politica franceza d'estes ultimos vinte annos4 ,eleito deputado ,assembla ,nacional em #ahga1 ,goblet nunca mais deixou de pertencer ao parlamento1 a no ser no periodo que decorreu desde as eleies geraes de #ahhi at sua eleio para o senado em #ahia4 ,gravura3 ,ren ,goblet ,goblet pensa1 e muito bem1 que a republica mais alguma cousa do que uma simples mudana de pessoal governamental1 e que deve1 sob pena de morte1 tirar todas as consequencias do seu principio1 correspondendo plenamente confiana que o povo n'ella deposita4 ,e eis ahi o motivo porque no duvidou aproximar-se dos socialistas4 ,mudar de instituies1 unicamente para beneficiar meia duzia de favorecidos de um dado partido ou de uma determinada politica1 cousa que no pde merecer o sacrificio do povo4 ,se1 com a mudana de instituies1 se no pde1 ao mesmo tempo1 reorganisar economicamente a sociedade ou remodelar o seu modo de ser social1 a transformao esteril e sem resultado4 ,assim pensa ,goblet1 e assim deveriam pensar todos os que sinceramente amam os principios republicanos4 ,duas especies de politica so possiveis--dizia elle n'um dos seus maravilhosos discursos3 a politica conservadora e a politica de progresso1 que consiste em realisar as reformas politicas1 sociaes1 economicas1 financeiras e administrativas1 que1 em todos os tempos1 foram consideradas1 como que o programma necessario da democracia republicana4 ,goblet republicano socialista1 e 1 na actual camara franceza1 um dos chefes mais authorisados do glorioso grupo a que pertencem ,millerand1 ,jaurs1 ,rouanet1 etc41 e que pretende a reviso immediata da ,constituio e a discusso e approvao de alguns dos primeiros artigos do programma socialista4 tambem federalista convicto1 e um d'aquelles que acreditam que no estado federativo que reside o futuro para as naes da ,europa4 ,o problema da guerra s no principio federalista poder encontrar a sua soluo logica e natural4 esta a sua opinio que muito o honra e a que eu no posso deixar de prestar a minha respeitosa e profunda homenagem4 99 99 99 99 99 ,,augusto ,,vacquerie ,augusto ,vacquerie 1 em ,frana1 o continuador da obra de ,victor ,hugo4 ,jornalista primoroso1 poeta e escriptor dramatico applaudidissimo1 a sua vida podia e devia servir de modelo a todos os que s letras e politica se consagram4 um puro1 na verdadeira accepo da palavra1 e nunca jmais a ambio maculou os seus principios ou a vaidade toldou as suas aspiraes4 ,propugnador das doutrinas do ,mestre1 tem sempre defendido1 com enthusiasmo e ardr1 o bello e supremo ideal da creao dos ,estados ,unidos da ,europa1 como meio de pr um termo aos conflictos internacionaes e de levar os povos fraternisao universal1 pela pratica e realisao dos principios federaes4 ,gravura3 ,augusto ,vacquerie ,augusto ,vacquerie hoje1 na ,europa1 um dos principaes e um dos mais brilhantes apostolos da federao latina1 e1 como premissa1 da federao iberica4 d'aquelles que acreditam como ns1 que s pelo federalismo poderemos chegar suppresso dos exercitos permanentes1 e1 consequentemente1 suppresso da guerra4 99 99 99 99 99 ,a ,,guerra ,,vencida ,,pela ,,arbitragem ,a federao dos povos tornar a guerra impossivel4 ,mas1 emquanto a federao se no realisa1 urge estabelecer a arbitragem internacional1 como meio pacificador4 ,est ainda na memoria de todos a deciso que o tribunal de arbitragem1 constituido pelo tratado de ,washington1 deu cerca das reclamaes do ,alabama4 ,o conflicto levantado entre os ,estados ,unidos e a ,inglaterra foi assim regulado de uma maneira pacifica4 ,o governo inglez acatou a sentena1 sendo obrigado a pagar ao governo americano uma indemnisao de #ge milhes de francos4 ,ora1 se a questo do ,alabama poude assim ser resolvida1 sem derramamento de sangue1 porque no ho de resolver-se1 pelo mesmo processo1 todas as questes internacionaes8 ,sob o ponto de vista juridico e sob o ponto de vista politico1 pois1 evidente a necessidade da arbitragem3 sob o ponto de vista juridico1 porque1 sem um systema de arbitragem1 o direito das gentes um edificio incompleto2 sob o ponto de vista politico1 porque a situao actual exige manifestamente uma soluo4 ,mas os systemas que variam2 havendo uns que advogam a jurisdico internacional facultativa1 outros que defendem a creao de tribunaes internacionaes especiaes1 outros ainda que so por um tribunal internacional geral desprovido de sanco1 e os ultimos que acceitam o tribunal internacional geral1 mas com sanco4 ,gravura3 ,emile de ,laveleye ,poder1 porm1 realisar-se a arbitragem internacional1 independentemente da ideia de federao8 ,opinam uns pela affirmativa1 sendo outros de opinio que s1 pela constituio dos ,estados ,unidos da ,europa1 poderemos chegar realisao effectiva e immediata da arbitragem4 ,o sabio professor1 ,emile de ,laveleye publicou1 em #ahgc1 um interessante estudo1 sobre as causas actuaes da guerra na ,europa1 concluindo pelo estabelecimento de um tribunal internacional4 ,dois eram os meios aconselhados pelo eminente publicista1 para acabar com o flagello da guerra3 em primeiro logar1 mostrando aos povos e convencendo-os1 que1 em nenhum caso1 teriam a ganhar com a guerra1 e1 em seguida1 realisando duas grandes reformas juridicas3 a elaborao de um codigo internacional e a creao de um tribunal para o applicar4 ,este tribunal seria permanente1 reunindo-se todas as vezes que se levantasse um conflicto internacional1 tendo a sua sde na capital de um paiz neutro--a ,suissa ou a ,belgica--e sendo composto dos representantes diplomaticos das potencias1 coadjuvados por juristas versados na sciencia do direito das gentes4 ,laveleye era um apostolo da ideia federativa1 e propunha este alvitre1 por o considerar de mais facil acceitao por parte dos governos actuaes4 ,para aquelles que admittem o principio federalista1 o tribunal internacional no deve ser seno um dos orgos do futuro estado juridico4 ,quatro so as instituies1 essenciaes a este systema3 uma conveno federativa1 que garantisse s naes associadas a soberania e a autonomia de cada uma2 uma lei1 livremente votada por todas essas naes1 e pela qual seriam julgados todos os conflictos1 litigios e difficuldades que se levantassem entre ellas2 um tribunal1 com membros eleitos por estas mesmas naes1 que pronunciasse a sentena em ultimo recurso sobre as questes que lhe fossem submettidas2 e um poder executivo1 tambem livremente eleito por todas as naes1 encarregado de assegurar a execuo da lei e as determinaes do tribunal4 ,os partidarios d'esta doutrina no visam smente1 por este systema1 a aperfeioar o direito internacional ou a estabelecer uma jurisdico internacional obrigatoria2 vo mais alm e chegam a um resultado final pela creao dos ,estados ,unidos da ,europa4 ,a guerra um crime1 condemnado pela moral1 pelo direito e pela philosophia social4 ,a sciencia e o trabalho exigem o seu desapparecimento immediato4 ,como8 ,pela arbitragem internacional e pela federao4 ,entre estados confederados1 a soluo impor-se-hia sem difficuldade4 ,na espectativa porm1 e1 em caso de guerra1 dever appellar para a arbitragem1 sempre que o permittam as circumstancias especiaes dos paizes1 cujos interesses se degladiam4 ,ou o desarmamento ou a ruina6 -- este o dilemma que se levanta1 sinistro e ameaador1 ante as potencias da ,europa1 cada dia mais sobrecarregadas com a contribuio de guerra4 ,se tal estado continua por mais dez annos1 os receios de guerra havero desapparecido1 dizia ,liebknecht e muito bem2 o resultado ser1 ento1 a ruina geral1 e1 como consequencia ainda1 a revoluo social triumphante e generalisada a todos os paizes4 ,bem sabemos ns que a arbitragem internacional ha de triumphar e ha de estabalecer-se no mundo1 como uma consequencia logica da federao4 ,mas1 emquanto o actual estado de cousas subsistir1 no seria demais que as naes submettessem as suas contendas a um tribunal arbitral1 imitando1 d'este modo1 a ,inglaterra e os ,estados ,unidos da ,america1 na questo ,alabama4 ,isto seria possivel1 e isto seria1 principalmente1 humanitario4 ,o espirito moderno detesta a guerra4 ,s o trabalho liberta4 ,s a paz emancipa4 ,convertamos os exercitos da destruio em exercitos da produco e da abundancia4 99 99 99 99 99 ,o ,,desarmamento4--,,eduardo ,,vaillant ,depois da morte do general ,eudes1 e1 ainda mais1 depois da sciso que se deu no partido blanquista1 por causa do boulangismo1 ficou sendo ,eduardo ,vaillant o chefe incontestado do partido communista revolucionario1 que preconisa o emprego da aco1 da fora1 da propaganda pelo facto1 para conquistar o poder e fazer cessar as iniquidades sociaes4 ,sob a sua iniciativa1 porm1 a concepo do velho ,blanqui parece haver passado por uma especie de transformao4 ,o movimento insurrecional de #ahga1 deixra no espirito de ,vaillant uma impresso profunda e inextinguivel4 ,vaillant no limita o seu communismo s foras productoras e a repartio dos productos1 segundo as necessidades de cada um1 vae at organisao da communa de ,paris1 como primeiro passo para o estabelecimento da nova ordem social4 ,na sua profisso de f1 encontra-se esta ideia1 profundamente accentuada3 mister dar ao paiz1 emancipado da tyrannia administrativa1 policial e judiciaria1 como elemento do seu organismo politico1 a organisao communal e cantonal1 dando a ,paris a liberdade communal1 e fazendo-a entrar no direito commum1 pelo restabelecimento da ,communa de ,paris4 ,mais adeante pede1 que a communa seja senhora da sua administrao1 das suas finanas1 e da sua policia4 ,gravura3 ,eduardo ,vaillant ,a vida politica de ,vaillant1 comeou no anno terrivel4 ,regressando da ,allemanha1 por occasio da declarao de guerra1 fez parte da communa1 refugiando-se depois em ,inglaterra4 ,a amnistia trouxe-o novamente a ,frana1 em #ahhj4 ,ao lado de ,blanqui que os eleitores de ,lyon e ,bordeaux haviam arrancado priso1 ,vaillant prosegue na sua obra revolucionaria1 organisando o comit central revolucionario e sendo um dos fundadores do jornal--,ni ,dieu ni ,maitre1 que pouco tempo poude resistir s foras combinadas da policia e da reaco4 ,foi eleito conselheiro municipal em #ahhg1 #ahij e #ahic1 e hoje um dos deputados socialistas de ,paris4 ,foi elle o auctor de um importantissimo projecto de lei apresentado ultimamente1 em nome do partido socialista1 camara dos deputados sobre a suppresso do exercito permanente e a sua transformao progressiva em milicias nacionaes4 ,artigo primeiro4-- supprimido o exercito permanente4 ,esta suppresso far-se-ha pela transformao immediata e rapida do exercito permanente em milicias nacionaes1 de modo que o poder defensivo da nao1 longe de diminuir1 pelo contrario se eleve e augmente1 at ao ponto de poder pr em aco integralmente todas as suas foras4 ,a defeza do paiz e da ,republica1 da sua independencia e das suas liberdades1 tornar-se-hia1 assim1 invencivel4 a renovao do projecto de ,blanqui e de ,gambon4 ,a ,republica franceza1 pela transformao democratica das suas instituies militares1 deve pr-se ao abrigo de todos os perigos de guerra ou de invaso1 e de toda a ameaa de interveno ou influencia de qualquer inimigo estrangeiro4 ,para esse fim1 devem ser educadas1 exercidas e organisadas todas as suas foras1 e aproveitados todos os cidados validos4 ,o desarmamento s poder realisar-se1 em virtude de um accrdo1 feito e acceite pelas differentes potencias4 ,no se concebe que uma nao desarme1 ficando merc de naes inimigas e armadas4 ,seria um contrasenso e uma leviandade sem nome4 ,o notavel criminalista italiano1 ,n4 ,colajanni1 termina o capitulo da guerra e do militarismo1 da sua ,sociologia criminale1 pelas seguintes1 conceituosas palavras3 ,em resumo3 a guerra e o militarismo engendram o desgosto de todo o trabalho util2 favorecem a tendencia para a preguia2 despertam no soldado novas necessidades1 sem os meios necessarios para as satisfazer2 excitam os primitivos instinctos1 ferozes e egoistas1 transformam o respeito do direito em respeito exaltado pela fora bruta2 conduzem ao servilismo e prepotencia2 e1 por vias directas e indirectas1 levam miseria1 ao suicidio1 alienao mental e ao crime4--,taes so os tristes resultados d'estas instituies sinistras1 deduzidos das provas historicas e estatisticas4 ,n'uma palavra--conclue o illustre e honrado socialista--o militarismo constitue a verdadeira escola do crime4 ,o eminente escriptor e philosopho russo1 ,lon ,tolstoi1 de opinio que a principal origem da guerra deriva da actual ordem social1 baseada sobre a violencia4 ,a organisao militar dos estados modernos est toda concentrada nas mos dos governos1 que no desejam perder o monopolio1 servindo-se para isso de meios poderosos1 taes como o terrorismo1 o egoismo1 a disciplina militar1 etc4 ,a guerra1 apesar de iniqua1 no poder nunca ser destruida1 seno pela educao1 generalisada a todos os paizes4 ,quando a maioria dos povos reconhecer que a guerra injusta1 n'esse dia cessar a guerra4 ,esta revolta do direito e da justia contra a fora e a violencia1 est certamente destinada a fazer algumas victimas2 mas1 como todas as idas nobres e generosas1 penetrar1 pouco a pouco1 nas consciencias e acabar por triumphar4 ,em ,paris1 publicou-se recentemente um livro interessantissimo de ,a4 ,hamon1 o sabio socialista1 sobre a psychologia do militar de profisso1 que no podemos deixar de mencionar n'este logar1 por ser de uma actualidade palpitante4 ,o dr4 ,hamon parte do principio de que a criminalidade legal infima1 quasi inapercebivel1 relativamente criminalidade occulta4 ,o fim da profisso militar a guerra1 e toda a guerra implica necessariamente a violencia1 manifestando-se por assassinatos1 violaes1 pilhagens e incendios4 ,os individuos que escolhem esta profisso1 fazem-n'o levados pelo seu interesse pessoal4 ,taes individuos sentem-se predispostos para a violencia pela sua organisao psychica1 resultante do seu organismo physiologico1 pelo meio em que vivem e pela sua educao profissional4 ,o livro de ,a4 ,hamon a justificao da ,delenda ,caserna do capito ,siccardi4 ,estabelece a superioridade moral dos exercitos nacionaes sobre os exercitos profissionaes4 ,nos primeiros encontra-se maior respeito pela dignidade humana1 e isto basta para que se no registem os actos de grosseria1 de brutalidade e de violencia1 que se registam ordinariamente nos segundos4 ,o militarismo a escola do crime6--tal a concluso a que chega ,hamon no seu bello estudo de psychologia social4 ,quando 1 porm1 que os povos podero celebrar1 no mundo1 o supremo beneficio da paz1 do amor e da concordia86 ,quando que o homem se libertar1 por completo1 dos velhos prejuizos selvagens e das antigas e barbaras tradies8 ,quando soar a hora da completa maioridade e da completa emancipao8 ,a humanidade caminha1--lentamente1 certo6--mas caminha444 ,confiemos no futuro6 ,v ,a ,,mulher ,,resolu,o ,,do ,,congresso ,,de ,,zurich4--,a ,,situa,o ,,da ,,mulher--,,seus ,,direitos ,,civis ,e ,,politicos4--,a ,,mulher ,,em ,,rela,o ,,industria4--,a ,,mulher ,,no ,,estado ,,socialista4--,a ,,primeira ,,victoria4--,,madame ,,faule ,,mink4--,,augusto ,,bebel4--,p4 ,,argyriad,s4 ,relativamente ao trabalho das mulheres nas fabricas1 o congresso de ,zurich adoptou as seguintes resolues1 promettendo envidar1 n'esse sentido1 todos os esforos dos seus delegados3 --,dia de trabalho maximo de dez horas para as mulheres1 e de seis horas para as jovens de menos de dezoito annos2 --,descano semanal de trinta e seis horas consecutivas2 --,prohibio do trabalho nocturno2 --,prohibio do trabalho das mulheres em todas as industrias insalubres2 --,prohibio do trabalho das mulheres nos quatro mezes seguintes ao parto e nos dois ultimos mezes de gravidez2 --,creao dos logares de inspectoras de fabricas1 em numero sufficiente efficaz vigilancia de todas as officinas1 onde se empreguem mulheres2 --,applicao d'estas disposies a todas as mulheres empregadas nas fabricas1 officinas1 armazens e na industria domestica e agricola4 ,de futuro reclamar-se-ha formalmente a equiparao dos salarios das mulheres1 conforme o seu trabalho4 ,a situao da mulher1 na sociedade1 constitue evidentemente uma das questes mais importantes do nosso seculo1 e reclama por isso um estudo especial4 ,a populao da ,europa1 formada1 na sua maioria1 por mulheres4 ,d'ahi a sua importancia1 e o grande numero de opinies1 formuladas1 cerca da sua condio4 ,pensam uns que a vocao natural da mulher que determina a esposa1 a me e a dona de casa4 ,mas esquecem que1 apenas1 uma parte minima da populao feminina est no caso de preencher os seus deveres4 ,contam-se por milhes1 as mulheres que nunca poderam ser nem esposas1 nem mes1 nem donas de casa1 e muitas outras que nem sequer poderam satisfazer a esta vocao natural1 sendo1 como 1 o casamento1 para ellas1 uma escravido1 graas s condies da industria moderna4 ,outros reclamam o accesso da mulher a todos os ramos do trabalho1 manual e intellectual1 e outros vo ainda mais longe pedindo que lhes sejam tambem conferidos direitos politicos4 ,na opinio de ,bebel1 este assumpto est intimamente ligado questo social4 ,a sua soluo1 assim como a da questo operaria1 impossivel1 emquanto no forem radicalmente transformadas as condies do actual estado social4#g 99 99 99 99 99 ,a ,,situa,o ,,da ,,mulher ,os defensores da ordem actual dizem e sustentam que o casamento a base da familia1 esta a base do ,estado1 e que1 por conseguinte1 atacar o casamento o mesmo que atacar a sociedade e o ,estado4 ,perguntaremos1 em primeiro logar1 qual dos casamentos o mais moral8 ,ser o casamento forado1 o casamento venal da sociedade actual1 ou o casamento livre1 fundado sobre o amor e a estima reciproca1 e que1 de resto1 no poder realisar-se seno n'uma sociedade socialista8 ,o casamento dos nossos dias1 que um resultado de consideraes puramente materiaes1 est intimamente ligado sociedade actual e destinado a cahir com ella4 ,a lucta pela existencia1 tornando-se1 de dia para dia1 mais acerba1 transformou o casamento n'um acto de perfeita especulao mercantil4 ,a prostituio 1 pois1 uma instituio necessaria sociedade burgueza1 e to necessaria como a policia1 o exercito permanente1 a egreja1 etc4 ,na ,grecia1 em ,roma e na ,edade-,mdia1 a prostituio era organisada pelo ,estado1 e ,santo ,agostinho chegou mesmo a affirmar a sua necessidade4 ,a sociedade burgueza1 no s a julgou indispensavel1 seno tambem a regulamentou4 ,hgel1 na sua historia sobre a ,estatistica e regulamentao da prostituio em ,vienna1 exprime-se do seguinte modo3 ,com os progressos da civilisao1 a prostituio transformar-se-ha1 adoptando uma frma mais doce e mais conveniente1 mas existir emquanto existir o mundo4 ,quaes so as consequencias d'este estado de cousas8 ,as doenas syphiliticas e a degenerao da humanidade que d'ellas resulta4 ,o abaixamento progressivo da moral4 ,a humilhao da mulher e a sua escravido4 ,o infanticidio e o suicidio das mulheres so devidos1 em grande parte1 prostituio1 devendo ainda accrescentar-se que so os orphos e os filhos bastardos que constituem1 tambem1 em grande parte1 os criminosos da nossa sociedade burgueza4 ,a sociedade inteira encontra-se em estado de enervamento e de excitao1 sendo a mulher a victima4 ,mulheres ha que sentem e vem claramente a situao1 e procuram remedial-a4 ,reclamam primeiro a sua independencia economica4 ,pretendem ser admittidas em todos os trabalhos e em todos os empregos que a sua fora physica e a sua capacidade moral lhes permittem2 pedindo1 sobretudo1 o accesso s chamadas profisses liberaes4 ,sero justas e realisaveis semelhantes tendencias8 isso o que procuraremos demonstrar4 99 99 99 99 99 ,o casamento1 na antiguidade1 era fundado sobre o despreso e a escravido da mulher2 o casamento christo tinha1 por principio1 a inferioridade e a servido da mulher2 o casamento burguez actual baseia-se sobre a unica conveniencia dos interesses mercantis e ainda na subordinao da mulher4 ,pela primeira d'estas frmas matrimoniaes1 o filho era para o pae uma simples cousa2 pela segunda1 o seu servo2 e pela terceira quasi se pde dizer que continua sem direito4 indispensavel libertar a mulher e conceder direitos aos filhos4 ,o casamento futuro ter1 por condio1 a escolha revogavel dos interessados1 escolha livre e baseada unicamente sobre as affinidades intellectuaes1 moraes e physicas4 ,assim ficaro assegurados a felicidade e o aperfeioamento dos conjuges2 assim poder effectuar-se a perpetuao da especie nas melhores condies moraes e physicas#h ,todos os socialistas dos partidos operarios so partidarios da emancipao da mulher1 e da manuteno e educao dos filhos pela ,communa ou pelo ,estado4 ,a unica divergencia est em saber se1 de futuro1 as unies devero ou no ser consagradas pela lei1 admittindo todos que devem ser fundadas sobre a livre escolha dos affectos4 ,o inconveniente da familia actual no 1 como querem alguns1 a monogamia que deve considerar-se a frma mais digna da unio dos sexos e que subsistir1 atravez de todas as reformas e innovaes4 antes1 a sua quasi indissolubilidade1 a subordinao legal da mulher1 e o rebaixamento do sentimento1 pela preoccupao de um mercantilismo vil que preside aos actos conjugaes4 ,o congresso internacional de ,bruxellas de #ahia affirmou1 no seu programma1 a egualdade completa dos dois sexos1 e reclamou para a mulher os mesmos direitos civis e politicos1 concedidos aos homens4 ,como esposa1 como me de familia1 como trabalhadora1 a mulher to interessada como o homem1 na confeco das leis4 ,a humanidade compe-se1 por egual1 de homens e mulheres1 inseparaveis em direitos e eguaes perante a justia4 99 99 99 99 99 ,a ,,mulher ,,em ,,rela,o ,,industria ,a burguezia1 diz ,bebel1 concedeu mulher a independencia individual e o direito ao trabalho3 resultou d'aqui a sua admisso em quasi todos os ramos da industria4 ,a burguezia reconheceu que era esse o seu interesse1 por isso que o trabalho da mulher menos retribuido que o do homem4 ,e isto porqu8 ,porque a mulher foi sempre considerada como um ser subordinado1 inferior ao homem1 por causa das suas particularidades sexuaes4 ,sendo muitas vezes forada a suspender o seu trabalho1 os capitalistas exploraram habilmente essa circumstancia1 como pretexto para o abaixamento do salario4 ,alm d'isso1 a mulher mais docil1 mais paciente que o homem1 deixando-se tambem explorar mais facilmente do que elle4 ,d'este modo1 a mulher substitue o homem1 e1 1 por seu turno1 substituida pela creana4--,tal a ordem moral na industria moderna4 ,em vista de semelhantes abusos1 tem-se j pedido a prohibio completa do trabalho da mulher4 ,no esqueamos que o machinismo representou um papel importante na transformao industrial e que foram justamente os progressos do machinismo1 que1 supprimindo os trabalhos mais rudes1 tornaram possivel o emprego da mulher em certos ramos da industria4 ,s um limitado numero de pessoas1 porm1 graas ao auxilio dos seus capitaes1 podem aproveitar os resultados que as descobertas scientificas trouxeram sociedade2 e revoltante que milhares de operarios sejam lanados margem1 em virtude dos progressos do machinismo que substituiu o trabalho manual4 ,resulta de tudo isto1 que se torna indispensavel mudar as actuaes bases sociaes1 procurando-se a frma de uma distribuio mais equitativa dos bens e dos instrumentos de trabalho4 ,na sociedade nova1 os instrumentos de trabalho sero propriedade de todos1 sem distinco de classes nem de sexos4 ,cada um ser obrigado a trabalhar1 e os melhoramentos e as descobertas technicas a todos aproveitaro4 ,a mulher tornar-se-ha egual ao homem1 podendo exercer e desenvolver as suas qualidades physicas e intellectuaes e gosar de todos os seus direitos4 ,sustentam alguns que a mulher inferior ao homem1 sob o ponto de vista intellectual1 e que no susceptivel de uma elevada cultura1 sendo1 como 1 o peso do seu cerebro inferior ao do homem4 ,se a mulher hoje menos intelligente que o homem1 provm isso de haver sido descurada a sua educao4 ,quanto ao cerebro1 no o peso que lhe necessario1 mas a boa organisao e o exercicio4 ,averiguou-se1 alm d'isso1 que1 em muitos homens notaveis1 o peso do cerebro era quasi egual mdia dos cerebros femininos4 ,no dia em que a mulher fr to instruida1 to educada e to desenvolvida1 como o homem1 n'esse dia ter proclamado a sua emancipao1 pela conquista dos seus direitos civis e politicos1 e pela equiparao do seu salario ao do homem1 em todos os ramos da industria4 ,para esse estado caminhamos4 ,na vida da familia1 tem-se operado1 n'estes ultimos cincoenta annos1 uma verdadeira revoluo4 ,a mulher tornou-se mais livre1 e est menos adstricta s funces de dona de casa4 ,com o andar dos tempos chegar a emancipar-se completamente4 99 99 99 99 99 ,a ,,mulher ,,no ,,estado ,,socialista ,na sociedade nova1 a mulher1 gosando de inteira independencia1 no estar mais exposta a qualquer dominio ou explorao1 e tornar-se-ha a egual do homem4 ,receber a mesma educao que o homem1 excepto nas especialidades em que a differena de sexo exige uma cultura especial4 ,como o homem1 ella poder pois1 desenvolver livremente as suas foras1 as suas capacidades physicas e intellectuaes1 e escolher1 para a esphera da sua actividade1 o que fr conforme aos seus gostos e s suas aptides4 ,pelo que respeita ao amor1 a mulher gosar de tanta liberdade como o homem4 ,poder1 pelos mesmos titulos1 manifestar os sentimentos que elle lhe inspirar4 ,na sua unio1 no ser guiada seno pelo amor1 como nos tempos primitivos4 ,tal unio depender de uma simples combinao particular1 sem o concurso de nenhum funccionario1 com a differena de que a mulher deixar de ser a escrava do homem e no lhe ser dada como um presente ou uma mercadoria4 ,devemos pois1 trabalhar para esse futuro proximo que ha de inaugurar o regimem das unies monogamicas1 livremente contractadas1 e1 em ultimo caso1 tambem livremente dissolvidas1 por simples consentimento mutuo1 semelhana do que se faz j hoje com os divorcios1 nos diversos paizes europeus1 em ,genebra1 na ,belgica1 na ,roumania1 etc41 e com a separao na ,italia4 ,o discernimento1 a instruco e a independencia facilitaro as unies4 ,no caso em que a antipathia1 o desgosto1 e a incompatibilidade de genio succedessem ao amor1 entre o homem e a mulher1 a moral impr-lhes-hia o dever de romperem uma unio1 que1 no sendo j baseada sobre o affecto1 se havia tornado anormal4 ,n'uma palavra1 sendo supprimida a herana1 os casamentos de mero interesse deixaro de ter uma razo de ser4 99 99 99 99 99 ,a ,,primeira ,,victoria ,as mulheres francesas acabam de alcanar a sua primeira victoria1 no campo politico3 o senado adoptou1 em primeira leitura1 um projecto de lei que concede mulher o direito de participar1 como eleitora1 na formao dos tribunaes de commercio4 ,se a camara partilhar esta opinio1 de hoje em deante as mulheres commerciantes podero nomear os seus juizes4 ,a #c de dezembro de #ahhc1 a camara dos deputados tinha de examinar a nova lei que lhe era proposta1 sobre a eleio dos juizes consulares4 ,a commisso das peties1 havia recebido de ,madame ,maria ,deraismes uma petio1 pedindo para que fosse extendido s mulheres este direito de suffragio4 ,o relator introduziu effectivamente1 na lei1 uma emenda1 assim concebida3 ,os membros dos tribunaes de commercio sero eleitos pelos commerciantes e pelas commerciantes444 ,a commisso1 porm1 por rases de simples opportunidade1 no adoptou esta emenda4 ,na sesso de #aa de ,maro de #ahhd1 o deputado ,hubbard apresentou um novo projecto1 em que se propunha que as mulheres commerciantes tinham pela lei obrigaes e encargos especiaes inherentes qualidade da sua profisso4 ,a commerciante paga1 como o commerciante1 um imposto especial1 a patente2 est submettida s disposies rigorosas da lei commercial2 pde ser declarada fallida e pde ser perseguida por quebra fraudulenta4 impossivel citar uma unica das obrigaes impostas aos homens que lhe no incumbam4 ,estando submettida aos mesmos deveres especiaes1 justo que aproveite dos direitos especiaes que a lei confere ao commerciante4 ,e desde que ao commerciante dado eleger os magistrados que teem de julgar as suas causas1 commerciante1 sob pena de inferioridade1 no pde deixar de ser concedido o mesmo direito4 ,o relator terminava1 affirmando que as mulheres que teem a direco e a responsabilidade de um estabelecimento commercial1 assignalam-se1 em geral1 mais que os homens1 por qualidades de ordem1 de economia e de probidade4 ,a #ag de fevereiro1 a camara dos deputados tomava em considerao um relatorio do sr4 ,colfavru favoravel aos direitos civis da mulher4 ,finalmente1 em junho de #ahhi1 ,ernesto ,lefvre1 vice-presidente da camara1 com mais #ec dos seus collegas1 renovou a iniciativa da proposta1 que tinha por fim conferir s mulheres o eleitorado nos tribunaes de commercio4 ,a camara tomou-a na devida considerao1 elegendo-se uma commisso de #i membros1 todos favoraveis ao projecto1 e1 sendo votada a lei1 depois de approvado o relatorio do sr4 ,colfavru4 ,aps quatro annos e meio de demora1 acaba tambem o senado de dar o seu assentimento ao projecto4 ,o tempo pouco faz ao caso4 ,o importante a registrar1 foi o triumpho obtido pelas mulheres1 triumpho que no ser certamente o ultimo1 e que 1 porventura1 o primeiro de uma longa serie de outros a contar e a celebrar4 99 99 99 99 99 ,,madame ,,paule ,,mink ,entre as mulheres que1 em ,frana1 mais se teem distinguido na gloriosa campanha1 em favor da emancipao da mulher1 seria ingratido esquecer ,madame ,paule ,mink1 que1 ainda nas ultimas eleies1 foi apresentada como candidata deputao por ,paris4 ,gravura3 ,m4me ,paule ,mink ,conheci-a1 em ,madrid1 por occasio do centenario de ,colombo4 ,era delegada ao congresso dos livres pensadores e fra-me recommendada por ,benoit ,malon e ,p4 ,argyriads4 ,modesta1 despretenciosa e dedicada1 ,madame ,paule ,mink tem sido para muitos uma incomprehendida1 mas seguramente para todos um bello e luminoso talento1 engastado n'um corao de oiro4 ,quem a visita1 na sua casa de ,paris1 encontra-a sempre rodeada das suas gentis filhas que estremece e adora1 e absorvida pela leitura dos seus authores predilectos4 uma me disvelada e terna e uma companheira leal e affectuosa4 ,madame ,paule ,mink fez parte da ,communa de ,paris1 e ainda ultimamente1 por occasio da greve de ,pas de ,calais1 foi presa1 no momento em que se preparava para fazer uma conferencia1 e depois julgada e condemnada4 ,as perseguies teem-lhe avigorado ainda mais1 se possivel1 as convices purissimas4 ,nada a contraria e nada a desalenta4 ,faz consistir toda a sua felicidade1 no amor de seus filhos e na dedicao pela causa a que se entregou de corpo e alma4 uma altruista1 no bom e verdadeiro sentido da palavra4 ,no conhece obstaculos e no conhece sacrificios4 ,nem as privaes1 nem as difficuldades da vida1 lograram jmais perturbar-lhe o animo ou aniquilar-lhe a vontade indomavel4 ,no s uma mulher forte2 tambem um grande e superior caracter1 e1 n'este duplo aspecto1 reside o segredo do seu poder1 como evangelista e como propagandista da causa social4 99 99 99 99 99 ,p4 ,,argyriad,s ,no encerraremos j agora este capitulo1 sem prestar uma homenagem devida a ,p4 ,argyriads1 pelo servio que prestou democracia socialista1 com a traduco analytica da bella e gloriosissima obra de ,augusto ,bebel--,a mulher e o ,socialismo4 ,alto1 forte1 robusto1 dotado de um temperamento excepcional e de qualidades verdadeiramente superiores1 ,panagiotis ,argyriads nasceu em ,castoria1 na ,macedonia1 a #ae de agosto de #aheb4 ,em #ahgb1 installou-se em ,paris1 fazendo-se inscrever na faculdade de direito4 ,em #ahgh1 assistiu1 como representante da ,grecia1 ao congresso dos orientalistas que se realisou n'aquella cidade1 e1 no anno seguinte1 ao de ,londres1 tambem como delegado do seu paiz4 ,em #ahge1 publicou um interessante opusculo sobre a ,pena de morte1 considerada sob o ponto de vista philosophico1 moral1 legal e pratico1 que teve as honras de ser citado1 na tribuna do senado1 por ,victor ,schoelcher4 ,foi depois d'esta bella estreia que se entregou inteiramente ao socialismo4 ,naturalisou-se francez1 em #ahhj2 e d'esta poca em diante1 assignalou-se no fro1 pela defeza de muitas causas importantes que1 ao mesmo tempo1 lhe grangearam renome e gloria4 ,em #ahhc1 foi elle quem organisou a manifestao em honra de ,flourens2 mais tarde1 foi ainda1 pela sua iniciativa1 que se provocou o protesto publico contra a chegada a ,paris do rei ,affonso ,,xii que acabava de ser nomeado coronel de uhlanos4 ,em #ahhe1 fundou ,la ,question ,sociale1 a popularissima revista que todos conhecem e que to relevantes servios tem prestado aos principios socialistas4 ,gravura3 ,p4 ,argyriads ,o ,almanach de la ,question ,sociale que o melhor1 no seu genero1 que se publica na grande capital da ,frana1 vae j no seu quarto anno1 e foi fundado com eguaes intuitos e eguaes aspiraes4 um excellente repositorio do actual movimento socialista1 e recommenda-se a todos os que se interessam pelo estudo e pela soluo dos problemas sociaes4 ,tambem lhe devido o numero commemorativo da ,manifestao do #a4 de ,maio que1 nos dois ultimos annos1 se publicou em ,paris4 ,p4 ,argyriads reside em ,autenil1 numa deliciosa e aprasivel vivenda1 a vinte minutos dos ,campos ,elyseos4 ,a sua casa o ponto de reunio de todos os escriptores e pensadores socialistas4 ,foi ali que eu1 pela primeira vez1 travei conhecimento com ,allemane1 um glorioso trabalhador e um chefe incontestado2 foi ali1 em almoos intimos1 e numa dce e pura confraternidade1 que tive o inolvidavel prazer de estreitar relaes com alguns dos principaes vultos do socialismo moderno--com ,pierre ,lavroff1 o honrado revolucionario russo1 um convicto e um fanatico2 com ,adolphe ,tabarant1 o auctor do ,pequeno cathecismo socialista1 um poeta adoravel1 e um espirito vivo e scintillante2 com ,paul ,cassard1 o intrepido e valente redactor do ,peuple1 de ,lyon2 com ,aurelien ,scholl1 o mais delicioso e original conversador que temos encontrado1 a prosa transformada em arte1 a palavra feita esculptura2 com ,sanial1 um americano1 trazendo ao socialismo as lies da sua experiencia e as observaes da sua longa pratica na vida2 com ,duc-,quercy1 to attrahente pela sua physionomia energica e communicativa1 como pelo seu caracter firme e decidido2 e com tantos outros cujos nomes constituem a immensa e gloriosa pleiade de publicistas1 de revolucionarios e de combatentes que bem poderiamos denominar a ala dos namorados do ,bem1 da ,verdade e da ,justia4 ,a estas pequenas festas de familia preside de ordinario uma senhora que occulta1 sob o pseudonymo de ,marianne1 um bello e juvenil talento de escriptora1 e que1 alm de me disvelada e de esposa extremosa1 tambem a companheira gentilissima do nosso querido e honrado amigo3 ,m4me ,argyriads4 ,juntos os dois esposos formam como que um nucleo de propaganda socialista1 de uma influencia decisiva e de um largo e elevado alcance4 ,o socialismo internacional e cosmopolita no tem1 seguramente1 em ,frana1 melhor vulgarisador nem mais dedicado e intelligente apostolo6 ,,vi ,a ,,sociedade ,,nova ,a ,,transforma,o ,,social ,,imp,e-,,se4--,o ,,que ,o ,,collectivismo4--,o ,,estado ,,socialista1 ,,segundo ,,augusto ,,bebel1 ,e ,,benoit ,,malon4--,a ,,legisla,o ,,directa ,,pelo ,,povo4--,a ,,socialisa,o ,,dos ,,monopolios4--,,hector ,,denis1 ,,guillaume ,,de ,,greef ,e ,,emile ,,de ,,vanderwelde4--,a ,,nova ,,gera,o ,,portugueza4--,,jos ,,fontana ,e ,,sousa ,,brand,o4 ,j n'outro logar o dissmos3 o socialismo desenvolve-se1 por toda a parte1 de uma maneira espantosa4 ,nas eleies geraes para deputados1 de #ahhi1 obteve o partido socialista1 em ,frana1 #ij3jjj votos nas ultimas eleies de #ahic1 elevou-se essa votao a #ejj3jjj votos1 cabendo a ,paris #bbf3jjj4 ,na ,inglaterra1 o paiz do individualismo1 conseguiram os socialistas levar ao parlamento onze deputados1 na eleio de #ahib4 ,a limitao das horas de trabalho e a garantia obrigatoria nos accidentes1 so uma prova provada da importancia e da influencia d'esse grupo1 na camara dos communs4 ,na ,austria1 e especialmente na ,bohemia e na ,silesia1 o partido operario dispe de uma forte organisao4 ,na ,suissa1 frente do seu programma1 inscrevem os socialistas o direito ao trabalho2 na ,dinamarca1 pela eleio de #ahic1 foram sete socialistas eleitos para o conselho municipal de ,copenhague2 em ,frana1 por duas vezes1 no mez de ,janeiro corrente1 esteve o governo da republica ameaado de dar a sua demisso3 a primeira vez pela proposta de ,paschal ,grousset1 o antigo communista e um pamphletario destemido1 sobre a amnistia1 e a segunda vez pela emenda de ,jaurs1 um pensador e um parlamentar distinctissimo1 cerca da converso dos titulos da divida publica4 ,emfim1 no ha j hoje governo ou individuo1 qualquer que seja a sua posio ou fortuna1 que no acompanhe ou se no interesse pela soluo dos problemas sociaes4 ,o exercito do futuro cada vez mais numeroso4 ,sobre o fundo vermelho da sua bandeira1 desfraldada aos ventos1 destaca-se esta divisa1 escripta em letras de fogo3 ,emancipao de todos os opprimidos e de todos os explorados4 ,renovao total1 pela bondade1 pelo amor1 pela sciencia1 pela justia e pela solidariedade4 ,a todos se afigura no s possivel1 seno tambem inevitavel uma revoluo social4 ,luiz ,blanc dizia-o ha cincoenta annos1 dirigindo-se burguesia franceza4 ,deve tentar-se uma revoluo social3 #a4--,porque a actual ordem social est cheia1 em demasia1 de iniquidades1 de miserias e de servides1 para que possa durar muito tempo2 #b4--,porque no ha ninguem que deixe de ter interesse n'uma nova ordem social2 #c4--,porque1 emfim1 esta revoluo1 to necessaria1 possivel e at facil de se proclamar pacificamente4 ,assim fallava o eloquente author de ,l'histoire de dix ans1 ha meio seculo4 ,de ento para c1 os factos teem-lhe dado raso4 ,a transformao social impe-se a todos os espiritos1 a todos os paizes e a todos os governos1 e isto explica1 at certo ponto1 o motivo porque o socialismo est tanto em voga e porque o perfilham e adoptam os povos modernos1 no s por intermedio dos seus pensadores mais notaveis1 seno tambem pelos seus representantes de classe e pelos interpretes da opinio popular4 99 99 99 99 99 ,o ,,que ,o ,,collectivismo ,toda a theoria1 como toda a civilisao1 diz ,benoit ,malon1 tem a sua dominante1 pela qual se julga e afere4 ,a dominante da sociedade contemporanea encontra-se na pratica do individualismo universal1 pelo odioso cada um para si e pela guerra de todos contra todos4 ,de todas as questes que o socialismo pretende resolver1 1 sem duvida1 a questo da propriedade a mais importante4 ,da sua soluo depende o juizo a fazer sobre o pensamento social contemporaneo4 ,o collectivismo derivou do modo de conceber a apropriao das cousas4 ,ha mais de quarenta annos que os socialistas procuram explicar a significao d'esta palavra1 e1 sem embargo1 o vulgo ainda muitas vezes confunde o collectivismo com o communismo1 no obstante haver uma differena radical entre um e outro4 ,no communismo1 as foras productoras e os productos1 postos em commum1 ficam sob a gesto directa do ,estado2 o collectivismo no seno a inalienabilidade das foras productoras1 collocadas sob a tutella do ,estado1 que1 por seu turno1 as confia1 temporariamente e mediante indemnisao1 aos grupos profissionaes4 ,n'estes grupos a repartio faz-se pelo prorata do trabalho4 ,o consumo inteiramente livre4 ,cada um gasta1 conforme lhe apraz1 o equivalente que lhe cabe1 do producto do seu trabalho1 depois de satisfeitos os encargos sociaes4 ,o collectivismo pois1 uma concepo socialista que comporta3 #a4--;,a apropriao em commum1 mais ou menos gradual1 da terra1 dos instrumentos de produco e da troca2 #b4--;,a organisaao corporativa1 communal ou geral1 da produco e da troca2 #c4--;,a faculdade para cada trabalhador de dispr1 a seu bel prazer1 do equivalente de maior valor por elle creado2 #d4--,o direito ao desenvolvimento integral para as creanas2 o direito existencia para os invalidos do trabalho2 e a garantia1 para todos os validos1 de um trabalho remunerador na associao da sua livre escolha4 ,querer isto--affirma muito bem ,malon--no perfilhar os erros do communismo utopico3 combinar simplesmente a necessidade do concurso para a produco com a justia economica e as justas exigencias da liberdade humana4 99 99 99 99 99 ,o ,,estado ,,socialista1 ,,segundo ,,augusto ,,bebel ,no se destre radicalmente seno aquillo que se substitue--dizia ,danton1 na sua phrase grandemente revolucionaria4 ,o ,estado socialista oppe3 #a4--;ao estado de guerra1 a paz internacional e a federao dos povos2 #b4--;aos antagonismos economicos1 a organisao solidaria da produco e da distribuio das riquezas2 #c4-- ignorancia1 a universalisao do saber e a cultura moral4 ,todos os pensadores progressistas so pois1 accordes em reconhecer que os ,estados socialistas1 de um futuro mais ou menos proximo1 ho de ser formados por republicas federadas1 que1 em si mesmo1 no sero outra cousa1 seno uma estreita federao de communas1 engrandecidas e transformadas1 politica e socialmente4 ,para essa concepo de frmas sociaes superiores se dirigem presentemente todas as vistas e todas as escholas4 ,s os processos variam1 segundo o individuo que os emprega ou segundo o meio em que teem de actuar4 ,vejamos1 primeiro1 como ,augusto ,bebel1 um socialista republicano1 segundo a sua propria confisso1 concebe as relaes sociaes que ho de vigorar n'um regimen socialista1 isto 1 n'uma sociedade futura4 ,gravura3 ,augusto ,bebel ,a4--,a expropriao capitalista inherente ao novo regimen1 ser feita em proveito de todos e no interesse de toda a sociedade4 ,realisada esta expropriao1 a sociedade assentar em novas bases e a existencia humana mudar por completo4 ,a organisao actual tornar-se-ha inutil1 e o proprio ,estado se tornar desnecessario1 tendendo a desapparecer1 como desappareceram as religies1 desde que deixou de existir a crena no sobrenatural4 ,b4--,a lei fundamental da sociedade socialista o trabalho para cada um dos seus membros sem distinco de sexo4 ,esta lei justa e necessaria4 ,em primeiro logar1 ninguem pde satisfazer as suas necessidades sem trabalhar4 ,sendo valido1 ninguem tem o direito1 por outro lado1 de viver do trabalho do seu semelhante4 ,a organisao da sociedade1 fundada sobre a liberdade e a legalidade1 na qual cada um responde por todos assim como todos respondem por cada um1 suscitar um sentimento de solidariedade1 uma emulao e um desejo de trabalho at hoje desconhecidos4 ,d'esta frma o trabalho tornar-se-ha mais productivo e o producto aperfeioar-se-ha4 ,a falta de trabalho1 to frequente nos nossos dias1 no poder existir na sociedade futura1 que apenas produzir para consumir1 em harmonia com os principios de justia e tendo sempre em vista o bem geral4 ,c4--,na sociedade futura1 a produco1 mudando de frma1 far desapparecer o commercio1 apanagio da sociedade actual4 ,em vez dos milhares d'intermediarios que hoje existem1 teremos os grandes estabelecimentos1 e o transporte dos productos far-se-ha por uma frma completamente nova4 ,d4--,na nova organisao as terras sero propriedade commum1 assim como o foram j no comeo da civilisao1 mas com frmas sociaes superiores4 ,o bem estar de uma populao depende do grau de cultura que o slo attingir4 ,emquanto a terra se conservar como propriedade privada1 nunca a cultura se aperfeioar4 ,os pequenos proprietarios no dispem para isso dos meios necessarios1 e os grandes proprietarios1 com as suas florestas e os seus parques1 deixam por cultivar uma grande parte das suas terras4 ,pela frma indicada desapparecer o contraste secular entre a populao das cidades e a populao dos campos4 ,e4--,com a expropriao do slo e dos instrumentos de trabalho1 desapparecer um grande numero de abusos e de males que nos affligem na organizao actual4 ,o que determina hoje a posio dos homens1 na sociedade1 a quantidade maior ou menor de dinheiro que possuem4 ,no futuro estado socialista1 a sociedade far tudo por si mesmo4 ,nem as pessoas nem as classes podero prejudicar-se entre si4 ,o estado1 tornando-se inutil1 desapparecer4 ,no haver pois1 nada a governar nem a supprimir ou a opprimir4 ,com o ,estado desapparecer naturalmente tudo o que o representa3 ministros1 parlamentos1 policia1 prises1 exercito permanente1 procuradores1 advogados1 n'uma palavra1 todo o apparelho da dominao politica4 ,a sociedade ficar na plena posse de si mesmo4 ,f4--,na organisao actual reclama-se1 para todos1 o mesmo nivel d'instruco e de educao4 ,ora esta egualdade impossivel no regimen burguez1 conforme o demonstra ,augusto ,bebel4 ,para receber uma instruco mediana preciso ter dinheiro e vagar4 ,no ,estado socialista as condies do desenvolvimento physico1 moral e intellectual sero as mesmas para todos4 ,cada um poder pois1 instruir-se e viver1 conforme as suas aptides e os seus gostos4 ,g4--,sob o regimen futuro a vida social tornar-se-ha publica4 ,so os factos que o provam4 ,a vida tem-se modificado sensivelmente n'estes ultimos dez annos4 ,a existencia torna-se cada vez menos familiar1 e1 em pouco1 ser passada inteiramente nas officinas1 nos campos1 e nos locaes publicos1 destinados ao estudo e instruco4 ,h4--,bebel diz que1 sendo melhoradas e augmentadas as vias de communicao na sociedade futura1 as viagens de instruco tornar-se-ho mais faceis do que succede no actual regimen4 ,o trabalho ser regulado1 de modo a permittir a viagem1 ao mesmo tempo1 de prazer e de estudo4 ,quanto aos velhos1 aos invalidos1 e aos doentes1 quando j no possam trabalhar1 a sociedade fornecer-lhes-ha os meios indispensaveis existencia4 ,as doenas tomar-se-ho mais raras1 por isso mesmo que a vida ser mais regular4 ,a alimentao ser preparada scientificamente nos estabelecimentos publicos4 ,a vida de familia ser transformada por completo4 ,bebel diz ainda que o socialismo no pde ser realisado por um povo1 isoladamente4 primeira vista parece que o principio das nacionalidades domina o mundo4 ,mas um erro4 ,o internacionalismo cosmopolita comea realmente a penetrar nas populaes4 ,todos os povos se encontram nas mesmas condies sociaes4 ,por toda a parte se observam as mesmas luctas de classes que sero decisivas antes do fim do seculo ,,xix4 ,no novo estado social1 fundado sobre bases internacionaes1 as naes civilisadas formaro uma federao d'onde ser banida a guerra4 ,a paz universal no um sonho nem uma aspirao de visionarios4 ,um progresso dar logar a outros progressos1 e a humanidade avanar sem cessar para um ideal de perfeio illimitada4 99 99 99 99 99 ,o ,,estado ,,socialista1 ,,segundo ,,benoit ,,malon ,a noo de patria encerrou-se primeiro na tribu2 depois na cidade2 mais tarde na provincia1 e por ultimo na nao4 ,porque pois1 que a patria no ha de ser continental ou intercontinental 7europeio-americana7 e finalmente planetaria8 ,a philosophia antiga dizia3 ,dignidade1 ,moderao1 ,virtude2 o ,christianismo3 ,f1 ,esperana1 ,caridade2 o boudhismo3 ,vontade1 ,justia1 ,affinidade2 o ,,xviii seculo3 ,investigao1 tolerancia1 sensibilidade2 a revoluo franceza3 ,liberdade1 egualdade1 fraternidade2 o socialismo utopico3 ,dedicao1 solidariedade1 harmonia2 o socialismo integral ter por divisa3 ,justia1 fraternidade1 solidariedade4 ,taes sero os principios do ,estado social do futuro1 no conceito de ,benoit ,malon4 ,no nos accuseis de utopista1 diz elle4 ,possuimos o saber e a actividade2 o que nos falta a doutrina e a boa vontade4 ,nas federaes europeia1 americana e planetaria do futuro1 estas quatro foras estaro unidas1 e1 pelo seu poder1 constituiro a origem da felicidade e tendero a suavisar1 no interesse de todos os seres1 a crueldade da situao actual4 ,como politica1 o socialismo aconselha3 o emprego de todos os meios de lucta3 a resistencia economica 7grve72 voto2 e1 sendo necessario1 a fora1 a geradora das sociedades novas1 no dizer de ,marx4 ,to longe no ia decerto ,malon4 ,elle no renegou nunca o espirito revolucionario que reputava indispensavel existencia e disciplina dos partidos operarios4 ,mas estava persuadido que o convencimento e a persuaso valiam mais que a fora1 como elementos de propaganda e de transformao social4 ,vejamos qual era a sua concepo1 sobre o ,estado socialista1 pela socialisao dos monopolios4 ,mas antes d'isso fallemos rapidamente n'um outro artigo1 tambem do seu programma4 99 99 99 99 99 ,a ,,legisla,o ,,directa ,,pelo ,,povo ,charles ,burkli apresentou1 sobre este assumpto1 ao congresso de ,zurich1 uma proposta muito notavel e muito bem deduzida3 ,o congresso1 considerando que a lei o interesse escripto do legislador2 que na legislao a determinante deve ser o interesse do povo2 que os corpos representativos1 segundo a experiencia1 representam mais os capitalistas do que os operarios2 e que as leis1 por conseguinte1 se fazem a favor do capital1 em detrimento da classe operaria2 que o parlamentarismo1 em toda a parte onde domina sem limites1 conduz corrupo e ao ludibrio do povo2 e que s pela interveno directa na legislao que o povo adquirir a consciencia da sua fora1 condio indispensavel liberdade da classe operaria3 ,declara que uma condio preliminar da suppresso de todo o dominio de classe1 que as classes operarias intervenham1 como o mais poderoso meio de combate politico1 a favor da legislao directa pelo povo1 segundo a qual o povo exercer o direito de proposio para as leis 7iniciativa7 e o direito da votao das leis 7referendum74 ,foi ,mauricio ,rittinghausen o instigador d'esta ideia e o seu propagandista mais authorisado4 ,convencido que s o collectivismo na legislao1 isto 1 a participao de todos na confeco das leis1 pde corresponder ao collectivismo da propriedade1 e que nunca chegaremos a este segundo meio1 a no ser por intermedio do primeiro3 convencido ainda que o systema representativo1 embora fira o privilegio1 no resolver nunca a questo social2 ,rittinghausen tentou construir sobre este principio um systema governamental que tornou applicavel s grandes naes modernas1 compostas de milhares de individuos1 e foi este o systema que elle intitulou a legislao directa pelo povo4 ,foi a #h de setembro de #ahej1 que appareceu1 na ,dmocratie ,pacifique1 o primeiro dos tres artigos intitulados--a legislao directa pelo povo ou a verdadeira democracia4 ,rittinghausen viu-se logo atacado por ,luiz ,blanc1 ,emile de ,girardin e ,proudhon4 ,mas teve por si o apoio das massas4 ,poucos mezes depois1 mais de trinta e seis jornaes defendiam a nova theoria4 ,proudhon publicava1 por esse tempo1 a sua grande obra3 ,ide gnrale de la ,rvolution1 e dizia3--,supponhamos que esta a questo3 ,o governo ser directo ou indirecto8--,a avaliar pelo successo que acabam de ter1 para a democracia1 as ideias de ,rittinghausen e ,considerant1 quasi se pde affirmar1 com uma quasi certeza1 que a resposta da grande maioria ser pelo governo directo444 ,aps longos annos de lucta1 ,rittinghausen logrou ver inscripta a legislao directa1 no programma da democracia socialista allem1 approvado pelo congresso d',eisnach1 em agosto de #ahfi4 ,s em #ahfh1 porm1 foi a legislao directa1 introduzida em ,zurich1 por ,charles ,burkli1 o mesmo que apresentou ao congresso de #ahfc a proposta a que acima nos referimos4 ,mauricio ,rittinghausen nasceu em ,huckeswagen 7,allemanha7 a #ab de ,novembro de #ahad e falleceu em ,ath 7,belgica7 a #bi de dezembro de #ahij4 ,o systema parlamentar deu j1 por toda a parte1 o que tinha a dar4 ,a legislao directa pelo povo o unico systema governamental que corresponde1 em politica1 s exigencias e s necessidades do socialismo moderno4 99 99 99 99 99 ,a ,,socialisa,o ,,dos ,,monopolios ,o direito existencia deve ser fundado sobre o direito ao trabalho4 ,por seu turno o direito ao trabalho engendra a organisao social do trabalho1 d'onde deriva a necessidade de um ministerio do trabalho4 ,as attribuies d'este ministerio seriam3 #a4--;,a applicao rigorosa das leis industriaes1 melhoradas e completadas2 #b4--;,a reorganisao do trabalho das prises1 de molde a proteger os interesses do trabalho livre1 e a tornar mais justas1 mais humanas e mais moralisadoras as relaes entre a administrao e os condemnados2 #c4--,o estabelecimento de um servio especial de estatistica1 que sirva de informao aos productores 7operarios e patres7 e aos commerciantes1 cerca das condies do mercado do trabalho e da troca2 #d4--,reorganisao do trabalho nas manufacturas e outros estabelecimentos do ,estado2 #e4--;,instituio de uma camara operaria consultiva do trabalho1 em bases rigorosamente corporativas1 e de uma camara do commercio e da industria1 destinada a apresentar os projectos que teriam de ser discutidos em publico2 #f4--;,instituio de um grande conselho arbitral1 eleito em parte pelos syndicatos operarios1 e em parte pelos syndicatos dos patres e pelas camaras de commercio1 e que se pronunciaria sobre todas as questes economicas a elle submettidas pelas partes interessadas2 #g4--;,a reorganisao do ensino agricola1 industrial e commercial2 #h4--;,a reorganisao dos trabalhos publicos1 comportando a constituio de exercitos industriaes1 de quadros permanentes mas de pessoal variavel1 e que poderiam ser quadruplicados em certas estaes e redobrados em pocas de crise2 #i4--;,a fundao de colonias agricolas e viticolas2 #aj4--,o exercicio racional da fora de ponderao1 afim de attenuar ou prevenir as crises1 de regularisar o mercado e de preparar a organisao social do trabalho4 ,a reorganisao do credito far-se-hia1 lanando um pesado imposto sobre a agiotagem1 abolindo as leis que permittem a emisso de titulos ao portador e a formao das sociedades anonymas1 e prohibindo a especulao4 ,por seu turno1 a reorganisao judiciaria realisar-se-hia por uma justia prompta1 simplificada e gratuita4 ,emfim1 todas as questes de finanas e de credito seriam resolvidas pela nacionalisao dos bancos4 ,mas estas reformas tornar-se-hiam irrealisaveis1 se a collectividade1 ,estado ou ,communa1 conforme os casos1 no procedesse transformao1 em servio publico productivo1 dos monopolios de facto que gera espontaneamente o systema capitalista1 e a que chamaremos a ,,socialisa,o ,,dos ,,monopolios4 ,a regra effectivamente1 estabelecida pela theoria do socialismo1 a seguinte3 desde que uma industria ou o principal elemento de uma industria1 passa1 pela sua natureza e pelo seu desenvolvimento1 ao estado de monopolio1 constituindo uma poderosa agglomerao de foras productoras1 incumbe collectividade exploral-a em rgie ou fazel-a explorar1 sob a sua direco1 mediante indemnisao4 ,d'este modo1 alm dos monopolios do ,estado j constituidos1 figuram1 na primeira linha1 os caminhos de ferro1 as minas1 os poos de petroleo1 as fontes de aguas mineraes1 os canaes1 as fabricas de armas1 os grandes fornos1 as companhias de vapores1 as grandes officinas de machinas1 que1 por seu turno1 devem ser collocados sob a direco do ,estado e transformados gradualmente em servios nacionaes productivos4 ,esta socialisao dos organismos dominantes da produco e da viao1 tem o seu complemento logico e inevitavel na communalisao dos monopolios urbanos1 que1 por sua vez1 seriam tambem transformados em servios communaes4 ,n'esta cathegoria entram3--a illuminao 7gaz e electricidade72 os transportes em commum 7omnibus1 tramways1 carruagens72 o servio das aguas 7fornecimento1 banhos e lavatorios communs71 os grandes armazens2 os servios de proviso 7padarias e talhos municipaes71 o servio pharmaceutico e a habitao4 ,a organisao dos servios communaes presuppe uma completa reconstituio communal1 baseada sobre uma populao de cinco mil habitantes1 pelo menos4 ,uma sociedade1 onde se tivessem operado semelhantes transformaes--conclue ,benoit ,malon--teria progressiva e pacificamente vencido a miseria e a ignorancia1 organisando socialmente o trabalho1 creando uma nova consciencia social1 fundada sobre as bases indestructiveis da liberdade politica1 da justia economica e da solidariedade humana4 ,muitos sero os chamados e poucos sero os eleitos--dizia a antiga formula christ4 ,todos sero chamados e todos sero eleitos--tal a divisa da moderna escola socialista4 99 99 99 99 99 ,,hector ,,denis1 ,,guillaume ,,de ,,greef ,e ,,emile ,,de ,,vanderwelde ,por socialismo integral deve entender-se o socialismo encarado sob todos os seus aspectos1 em todos os seus elementos de formao1 e com todas as suas possiveis manifestaes4 ,o sentimento no abdicar nunca1 e ser sempre o primeiro mobil dos actos humanos--disse-o ,claude ,bernard na sua ,philosophia experimental4 ,faz socialismo o sabio1 o pensador1 que1 ao cabo das suas longas investigaes sobre a natureza das cousas1 descobre o mysterio da evoluo universal4 ,faz socialismo o inventor1 quando applica as foras productoras do homem1 favorecendo a multiplicao dos productos e diminuindo1 ao mesmo tempo1 a durao e as agruras do trabalho4 ,faz socialismo o escriptor quando no livro1 no drama ou no jornal1 faz a apotheose dos sentimentos de justia para com os homens e de piedade para com os animaes4 ,faz socialismo todo aquelle que combate pela liberdade4 ,faz socialismo o altruista que passa a sua existencia1 fazendo o bem1 soccorrendo1 consolando e fortalecendo os que soffrem e os que so desventurados4 ,faz socialismo o poeta1 quando canta o heroismo1 a bravura1 o desinteresse e consagra as grandes e supremas virtudes civicas4 ,faz socialismo o professor1 quando orthodoxia das velhas formulas inuteis1 antepe o sagrado ideal de emancipao humana1 prgando-o e ensinando-o aos seus discipulos4 ,emfim1 o socialismo j no apenas uma doutrina abstracta4 ,o socialismo faz-se e pratica-se por toda a parte3 por sentimento uns1 por convico muitos1 por raciocinio outros e por necessidade todos4 ,e d'ahi a grande variedade de escolas e um sem numero de theorias e de programmas4 ,mas1 em nosso juizo1 o socialismo professoral ou cathedratico aquelle que mais tem concorrido para o desenvolvimento da ideia emancipadora1 no seio das sociedades modernas4 ,e entre os principaes apostolos da escola1 seria erro imperdoavel esquecer os professores belgas que to grande relevo teem sabido dar s doutrinas socialistas4 ,no fallando j no fallecido ,emile de ,laveleye1 o mais celebre dos economistas contemporaneos e auctor de um livro que se tornou classico--,da propriedade e das suas frmas primitivas1 cumpre-nos mencionar aqui ,hector ,denis1 ,guilherme de ,greef1 o sabio auctor da ,introduco sociologia1 e ,emile de ,vanderwelde que1 sendo advogado1 pertence1 todavia1 a esse glorioso grupo4 ,a ,universidade livre de ,bruxellas conta1 no seu seio1 dois socialistas--,hector ,denis e ,guilherme de ,greef1 e um anarchista--,elise ,reclus4 ,gravura3 ,emile de ,vanderwelde ,esto ainda na memoria de todos os recentes acontecimentos1 que se originaram pela suspenso official do curso de ,elise ,reclus4 ,os estudantes tomaram uma parte activa no assumpto4 ,hector ,denis1 o reitor da ,universidade1 demittiu-se1 e ,guilherme de ,greef interveiu a favor dos que protestavam contra a interveno dos poderes publicos4 ,o governo viu-se obrigado a reconsiderar1 e o socialismo sahiu mais uma vez triumphante da lucta4 ,na campanha figurou tambem ,emile de ,vanderwelde1 antigo alumno da ,universidade1 um nobre e generoso espirito e auctor de um bello estudo sobre os parasitas organicos e os parasitas sociaes4 ,emile de ,vanderwelde exerce1 sobretudo1 uma aco espiritual sobre o socialismo belga4 ,a sua influencia enorme1 e o seu prestigio cresce e augmenta de dia para dia4 99 99 99 99 99 ,entre os socialistas cathedraticos1 ha uma escola moderada que aspira implantao da theoria socialista por uma transformao gradual e lenta da sociedade actual4 ,assim1 so alguns de opinio que1 para se chegar completa abolio da propriedade1 se dever principiar pela abolio da grande propriedade que estabelece um desequilibrio economico no mundo1 concentrando e monopolisando nas mos de alguns os capitaes e os recursos que deveriam estar nas mos de todos4 ,outros fazem distinco entre a propriedade industrial e a propriedade agricola1 reclamando a suppresso da primeira e conservando a segunda1 visto mediar uma enorme distancia entre o industrialismo e a agricultura4 ,succede o mesmo com relao grande e pequena industria e com relao s heranas4 ,n'este ponto divergem tambem muitos socialistas1 querendo uns a extinco total das heranas1 alm de uma certa quantia e revertendo o excedente para o fundo da educao nacional1 contentando-se outros apenas1 com a sua extinco immediata em linha collateral4 ,como quer que seja1 ha um ponto fundamental em que todos esto de accrdo--a negao do existente4 indispensavel pois1 destruir o que est para o substituir4 ,e a reconstruco social ser tanto mais facil1 quanto maior fr o numero de ideias emittidas4 ,da variedade de theorias que hade resultar a unidade do conjuncto4 ,e a lucta travada entre o capitalismo e o proletariado ainda mais apressar e favorecer a soluo do problema4 99 99 99 99 99 ,a ,,nova ,,gera,o ,,portugueza ,a evoluo que1 n'estes ultimos annos1 se tem operado na parte s1 intellectual1 deixem-me dizer assim1 da nova gerao portugueza1 muito digna de registar-se4 frente d'esses moos estudiosos e enthusiastas1 encontra-se ,fernando ,martins de ,carvalho1 um grande e solido talento1 disciplinado pelo estudo da philosophia moderna e educado na convivencia dos grandes mestres da sciencia social4 ,a tendencia federalista e socialista accentua-se na nova gerao portugueza1 como um resultado da corrente internacionalista que1 por toda a parte1 se impe e affirma1 e como uma consequencia logica e necessaria das ideias do nosso tempo4 ,prova este facto que marchamos para a conquista de um novo ideal e que a politica1 entre ns1 vae perdendo o seu antigo caracter sentimental e jacobino1 para se transformar n'uma soluo organica1 positiva1 liberal e moral4 ,procedendo assim1 a nova gerao portugueza affirma a sua solidariedade com o movimento social moderno e mostra-se em tudo digna e altura dos grandes problemas que agitam a sociedade4 ,parabens muito sinceros a todos esses bons e leaes companheiros1 e1 em especial1 a ,fernando ,martins de ,carvalho1 o chefe incontestado da gloriosa crusada6 ,os periodos que vo lr-se representam mais do que um simples estudo ou uma simples aspirao3 so1 para assim o dizer1 o programma ou o manifesto dos novos4 ,por isso julgmos que tinham aqui o seu logar1 e que seria de summa utilidade reproduzil-os1 embora n'elles se notem umas lisongeiras referencias minha pessoa que no posso nem devo attribuir seno muita bondade de ,martins de ,carvalho4 99 99 99 99 99 ,a aproximao do individualismo economico do individualismo politico o resultado de uma viciosa associao de ideias4 ,a sociologia moderna deve acceitar o individualismo1 como soluo politica1 e o communismo1 como soluo economica4 ,nem ha qualquer conflicto entre estas duas formulas1 restrictas aos campos proprios3--o neminem laede1 essa formula fundamental do individualismo1 tem evidentemente consequencias communistas2 no lesar a ninguem no tolher a ninguem a apropriao do necessario1 no apenas no perturbar ninguem na sua situao actual1 justa ou injusta4 ,spencer1 que generalisou a economia orthodoxa na sociologia1 decididamente individualista e affirma a tendencia evolutiva para a propriedade social4 ,do primitivo communismo genealogico1 de caracter familiar1 passou-se para o communismo local1 dos que habitam o mesmo territorio4 ,dos communismos das tribus passa-se para o communismo universal1 para a confederao de todas as communas4 ,a passagem de uma a outra frma do communismo deu logar ao individualismo economico1 a desintegrao1 successiva e gradual1 do communismo genealogico1 desde o condominio familiar at simples quota legitimaria dos parentes4 ,o individualismo no poder ser uma integrao social2 os elementos que elle dispersou precisam de se integrar n'uma nova frma communista4 ,a evoluo social realisa-se em virtude da lei do uso e do desuso1 de que deriva a diviso do trabalho1 e que o principio fundamental do transformismo1 em que se accentua hoje uma renascena lamarckista4 ,lamarck deveria ter applicado aquella lei1 que applicou s aos organismos individuaes1 tambem directamente aos organismos collectivos1 s especies4 ,a influencia do uso e do desuso actua sobre os orgos dos organismos individuaes1 mas actua tambem sobre os organismos individuaes1 como orgos dos organismos collectivos4 ,a doutrina da seleco natural no representa seno uma tentativa para applicar differenciao das especies a lei do uso e do desuso2 na seleco social1 uma frma da seleco natural1 desapparecem todos os inuteis1 embora as subsistencias cheguem para todos4 ,a evoluo realisa-se pela differenciao estructural das massas organicas primitivas1 constituindo os organismos individuaes2 pela differenciao dos organismos individuaes formando o protoplasma social primitivo1 em variedades1 especies1 reinos4 ,uma especie constitue-se organicamente pela successo de frmas cada vez mais perfeitas da diviso do trabalho1 pela formao de uma solidariedade social1 generalisando-se gradualmente dos pequenos grupos s raas1 e a toda a especie2 concorrencia vital dentro das especies succede-se a concorrencia vital com outras especies1 at que umas e outras entrem n'um hyper-organismo superior1 que ir at estabelecer a solidariedade de toda a existencia4 ,a sociedade1 que comeou a sahir da primitiva homogeneidade communista pela anthropophagia1 com manifestaes juridicas notaveis1 como por exemplo a condemnao do criminoso a servir de alimento tribu1--pelas frmas parasitarias e commensalistas1 vae pouco a pouco aproximando-se da frma superior da diviso do trabalho1--o communismo1 que a frma de repartio nos organismos perfeitos--a cada orgo segundo as suas necessidades4 medida que esta evoluo se realisa a concorrencia social torna-se cada vez menos intensa2 o parasitarismo interno da especie transforma-se em parasitarismo com relao s outras especies4 ,as profundas differenciaes anthropologicas1 produzidas pelas velhas frmas parasitarias da constituio social1 vo-se attenuando4 ,a analogia real da sociedade com o organismo1 que tem sido muito exaggerada e tem dado logar a mil hespanholadas scientificas1 a doutrinas muito estheticas que se tem destacado por gemmiparidade das theorias de ,comte e ,spencer1 no nos pde levar a idealisar a sociedade futura como a perfeita reproduco do organismo individual1 com a sua forte differenciao de estructura1 a sociedade um organismo superior1 que reproduz na sua phase embryonnaria a evoluo dos organismos individuaes 7como pela lei biogenetica o individuo reproduz na vida fetal toda a evoluo organica anterior71 mas que na sua phase post-embryonnaria a continua4 ,a economia da diviso do trabalho1 que se succede primitiva economia communista1 tem duas phases preparatorias3 uma militar1 violenta1--a escravido1 a servido1 o feudalismo--1 outra pacifica1--o capitalismo moderno4 ,a distribuio da riqueza pelo producto do trabalho1 dando logar interveno da concorrencia1 produz o capitalismo2 a theoria communista quer que se pague o trabalho-funco social e no o trabalho-producto1 como o capitalismo e mesmo o collectivismo1 uma doutrina transitoria evidentemente1 e que se v em difficuldades para provar que o capital no accumulao de trabalho1 coisa absolutamente indifferente no ponto de vista communista4 ,as castas no so diversas raas1 diversos povos1 que se sobrepem2 so differenciaes anthropologicas1 que se formam dentro de todas as sociedades pela aco de factores eminentemente sociaes1 as frmas primitivas da diviso do trabalho4 ,as castas correspondem s raas occipital--a exploradora pela violencia--e frontal1 a primitivamente explorada1 que se liberta pela intelligencia2--a theoria de ,gratiolet verdadeira1 admittindo-se factores sociaes da differenciao dentro das primitivas raas1 que pouco a pouco desapparecem perante as nacionalidades1 um parasitismo de que resultam differenciaes anthropologicas1 e perante as castas4 ,o militarismo exterior e internacional e o militarismo nacional ou aristocracia1 tem origens economicas1 e produzem differenciaes anthropologicas4 ,no regime communista primitivo o direito a coaco adaptao social pela intimidao1 ou o appressamento violento da inadaptao4 ,existia a promiscuidade4 ,havia perfeita egualdade economica e perfeita egualdade politica4 ,fez-se sentir a necessidade da diviso do trabalho3 ia-se constituir a primeira frma de parasitarismo4 ,ninguem ousava violar a tradio1 com profunda sanco religiosa1 da propria tribu4 ,comea a guerra permanente entre as tribus de bimanos4 ,o que se no aventurava a escravisar individuos1 a monopolisar femeas1 a apossar-se da propriedade da propria tribu1 cahia sobre a tribu visinha4 ,o individualismo comeou pela escravido dos extrangeiros1 pela exogamia1 pelo roubo da propriedade das outras tribus4 ,constituiu-se um direito internacional1 fundamentalmente differente do direito do clan2--conflicto anthropologico1 o direito tinha um caracter collectivo2--crime e pena eram conflictos ethnicos4 ,constituiram-se assim em casta os homens de guerra1 passando depois a exercer a violencia sobre a propria tribu4 ,o direito entre as castas passou a ser cpia do direito internacional2 o velho direito interno s persistiu em survivances nas relaes entre os membros das classes inferiores4 casta1 como a todos os grandes factores sociaes1 devia corresponder uma differenciao anthropologica4 ,a anthropologia criminal1 quando nega os factores economicos do crime1 no repara em que a seleco natural das raas tem segundo o darwinismo1 de que essa escola deriva1 uma origem economica--o facto registado pela lei de ,malthus4 primitiva seleco individual devia pouco a pouco substituir-se uma seleco entre os grupos anthropologicos1 que se iam formando1 seleco naturalmente preventiva1 d'ahi a formao da escravido1 que uma frma de caracter duradouro da seleco e que se substituiu pena de morte do criminoso e do prisioneiro de guerra2 d'ahi a formao na aristocracia da familia polygamica1 destinada a garantir a rapida multiplicao da casta superior1 e acompanhada de diversas medidas restrictivas da multiplicao da casta inferior4 ,pouco a pouco tem ido perdendo de intensidade a frma violenta do individualismo1 pelo apparecimento do capitalismo e pelo cruzamento das castas1 primitivamente prohibido1 que caracterisa as frmas sociaes superiores1 como o cruzamento das raas caracterisa a domesticao com respeito ao estado selvagem4 ,o caracter de conflicto anthropologico do direito na phase primitiva do militarismo tem pouco a pouco desapparecido de diversos dos seus ramos2 primitivamente aquelle direito que hoje s tem sanco civil1 tinha uma sanco penal4 ,hoje o direito penal tende a tornar-se to contractualista como o direito civil2 ,spencer baseia toda uma theoria penal sobre a organisao systematica da indemnisao de perdas e damnos4 medida que o militarismo vae declinando1 vae-se realisando no direito internacional uma endosmose do direito interno progressivo2 o contrario precisamente do que se deu nas origens do militarismo4 ,resultado de todos estes progressos sociaes o desapparecimento evolutivo das differenciaes anthropologicas1 a que as castas e as nacionalidades deram origem4 ,contra o que o collectivismo affirma1 somos de opinio que o capitalismo representa um progresso4 ,a evoluo realisa-se pela aco cada vez menor da hereditariedade1 permittindo a evoluo rapida da especie1 por adaptaes repetidas4 ,a organisao em castas1 a hereditariedade politica e economica1 correspondeu a phases inferiores da transformao da especie3 hoje sobre a hereditariedade predomina a adaptao1 na sua frma seleccional1 que tem como consequencia politicamente o regime representativo1 economicamente o regime capitalista4 ,as seleces1 no sendo fixas pela hereditariedade1 que1 tanto nas suas consequencias politicas1 como nas suas consequencias economicas1 tende a desapparecer1 uma transio necessaria para o regime da egualdade1 em que as progressivas adaptaes da especie no se realisaro seleccionalmente1 mas solidariamente4 um facto conhecido o da degenerao das aristocracias1 facto perfeitamente egual ao da degenerao das raas indigenas perante a civilisao branca1 e ao da degenerao das raas criminosas1--seleces militaristas e aristocracias abortadas1 raas d'origem teratologica1--perante o homem normal4 degenerao das aristocracias correspondeu necessariamente a formao das monarchias2 era facil no decorrer da degenerao da casta1 uma familia garantir-se o poder monarchico4 ,quando a degenerao se estende s dynastias1 a monarchia torna-se temperada ou constitucional4 possivel que na degenerao da burguezia perante o quarto estado1 pelo mesmo processo historico appaream novos cesarismos4 ,vejamos os factores intellectuaes da evoluo social4 ,o homem primitivo faz corresponder sensao o mundo exterior2 ideia1 que julga independente da sensao1 o espirito1 a substancia3 eis a origem do substancialismo1 do livre-arbitrismo1 da doutrina das ideias innatas1 da theoria da creao4 ,reconhecida a dependencia causal da ideia para a sensao1 substitue-se ao principio da substancialidade o principio de causalidade1 e funda-se a sciencia moderna1 positiva1 monista1 determinista e evolucionista4 ,por fazer do positivismo uma questo de methodo e no determinar precisamente a origem do causalismo e todas as suas consequencias1 ,comte acceitou a irreductibilidade dos phenomenos e a relatividade dos conhecimentos1 principio que occasionou esta recente recaida idealista4 ,a evoluo scientifica no deductiva1 como queria ,comte1 mas inductiva1 das ciencias do espirito para as sciencias mais geraes1 as do mundo inorganico2 assim que1 por exemplo1 a doutrina da evoluo appareceu successivamenie na sociologia1 na biologia e na physico-chimica4 ,note-se que na astronomia ainda se admitte a evoluo-circular1 da nebulosa nebulosa1 e a evoluo-circular foi precisamente a primeira phase do evolucionismo social2 e que nada ha ainda sobre a evoluo geral physico-chimica4 ,conhecem-se os factores psychologicos da marcha social2 conhecem-se os seus factores biologicos ainda2 e muito mal os factores inorganicos4 ,a doutrina do livre-arbitrio deu origem ao contractualismo na politica1 no direito economico1 na familia e no direito penal1 punindo o crime1 no o criminoso4 ,o determinismo1 que successivamente1 visivelmente na criminologia1 tem passado da sua frma statica1 para uma frma dynamica1 evolucionista1 do motivismo psychologico ao condicionalismo biologico e anorganico1 tem como consequencia necessaria uma constituio socialista4 ,o direito economico fundar-se-ha sobre o destino social dos actos1 no sobre o livre-arbitrio dos contrahentes2 reconhecido o governo de leis sociologicas1 e o progresso1 contradictorio com o livre-arbitrio1 isto 1 a eterna possibilidade do homem pensar e praticar indifferentemente1 desapparecer a necessidade do ,estado1 resultado theorico da necessidade de uma eterna interveno coactiva para levar o livre-arbitrio ao ,bem2 a pena ter um fim socialista1 a adaptao do criminoso sociedade4 ,esta adaptao ser facil1 contra o que julga a antropologia criminal1 que admitte a evoluo anthropologica e social e nega a evoluo anthropologica e social dos criminosos1 que1 sabendo que a symbolica juridica mostra bem que a origem da propriedade foi a conquista e que a origem da successo foi o culto dos mortos1 chama aos attentados contra a propriedade--delictos naturaes4 ,a probidade actual que seno o habito violentamente creado de respeitar a desegualdade economica1 hereditariamente transmittido8 ,differimos do collectivismo3--na nossa soluo final economica1 que communista2 na theoria politica1 que o anarchismo scientifico2 no processo theorico1 por isso que fazemos sociologia anthropologica e por no fazermos sociologia exclusivamente economica4 ,os primitivos socialistas como os primeiros economistas nem sequer suspeitaram a sociologia1 viveram no especialismo economico2 n'uma segunda phase economista e socialista levaram a explicao economica a todos os phenomenos sociaes1 fizeram sociologia economica2 n'uma terceira phase a economia orthodoxa generalisou-se com as outras sciencias sociaes na sociologia spenceriana4 ,tudo hoje tambem faz prever a constituio de uma sociologia socialista4 ,a biologia nunca ousou explicar a evoluo organica s por factores economicos--os que dizem respeito nutrio4 ,o collectivismo 1 em ,marx principalmente1 um argumento ad hominem com relao economia orthodoxa1 de cujas entidades metaphysicas tirou consequencias habeis1 mas scientificamente infundadas2 ,karl ,marx v-se obrigado a contradizer violentamente as suas theorias1 aproximando o seu socialismo da formula communista da distribuio4 ,differimos do anarchismo1 apesar de acreditarmos que o ,estado tende a desapparecer pelas rases que dmos e ainda pelas legitimas deduces sociologicas da doutrina lamarckiana da creao natural dos instinctos1 em virtude da qual o ,estado perder a sua raso de ser apenas tenha formado habitos1 que1 tornados hereditarios1 sejam a base moral da sociedade futura3--na theoria determinista e anthropologica1 e pelo sentimento profundo da evoluo historica4 preciso contar com a historia1 a hereditariedade psychologica2 o espirito social no evidentemente a taboa rasa da velha psychologia materialista4 ,a evoluo tem periodos revolucionarios2 a lucta pelo direito de ,jhering a theoria do progresso sanguinolento das sociedades4 ,mas no podemos como o anarchismo ou como o jacobinismo fazer do crime politico uma metaphysica revolucionaria4 ,dissmo-nos communistas3 devemos notar que a unica theoria socialista de que saiu uma sociologia1 foi uma doutrina communista1 a de ,saint-,simon1 cuja influencia na obra de ,comte conhecida4 nitida a nossa posio4 ,libertos completamente das velhas doutrinas1 hereditariedade morbida muitas vezes secular do espirito collectivo1 affirmamos a necessidade de uma reconstruco social completa4 ,as velhas theorias sociaes1 que so seno as velhas tendencias inconscientes1 a que se quer dar um pretexto de que se faz pedantemente uma sociologia1 como o hypnotisado d um pretexto pueril e julga da sua iniciativa os actos suggeridos e que inconscientemente praticou8 no partido republicano o logar dos novos1 no vencidos por essa surmnage mental da historia que caracterisa o momento1 para quem a sociologia no apenas um libretto da ,portugueza1 que fazem uma critica intellectual do que existe1 e que deixam a velha critica jacobina1 uma parte de policia carregada4 preciso que o partido republicano faa1 porm1 vigorosamente affirmaes socialistas e federalistas4 ,estas duas correntes poderosas teem sido vehementemente representadas na propaganda republicana por ,magalhes ,lima1 contra aquelles1 para quem a republica toda a sciencia social e um mnagesinho patriotico1 e que fazem a sociologia pacata do bom homem ,ricardo4 ,a questo politica no indifferente1 contra o que alguns deduzem do principio socialista de que as transformaes politicas teem apenas factores e destinos economicos4 ,os novos devem pois1 collocar-se ao lado dos republicanos1 porque a soluo politica immediata a mesma4 ,socialistas1 achamo-nos reunidos aos orthodoxos1 que piedosamente julgam o socialismo uma metaphysica do roubo4 ,aproxima-nos uma especie de isomorphismo1 porque as nossas e as suas doutrinas crystalisam nas mesmas formulas politicas4 ,socialismo rasgado1 no um socialismo que seja um dilettantismo da ,historia1 e que corresponda velha formula--panem et circenses1 politica internacional definida e sem hesitaes1 tem sido a propaganda vehemente feita por ,magalhes ,lima1 que assim abriu uma nova phase na historia do partido republicano portuguez4 ,os novos podem1 pois entrar sem hesitaes na vida nova do partido4 99 99 99 99 99 ,,jos ,,fontana ,e ,,sousa ,,brand,o ,e1 uma vez que fallmos nos novos1 seria ingratido esquecer aquelles que1 pela sua influencia1 pela sua dedicao1 pela sua actividade e pela sua propaganda1 tanto contribuiram para o derramamento d'estas ideias no povo portuguez4 ,refiro-me a ,jos ,fontana e ,sousa ,brando4 ,ser republicano ou ser socialista n'estes tempos que vo correndo1 cousa que no importa um grande acto de coragem ou de audacia4 ,mas para affirmar as opinies republicanas e socialistas1 na poca em que aquelles dois benemeritos o fizeram1 requeria-se ainda mais que coragem e audacia--requeria-se uma grande independencia de caracter e um grande e soberano despreso pelas conveniencias e interesses pessoaes4 ,os que modernamente vieram para a politica1 no sabem1 nem podem mesmo avaliar1 o que custava a propaganda n'aquelle tempo4 ,era uma lucta cruel e constante1 com a familia1 com os amigos1 e com tudo e com todos4 ,ser republicano o mesmo era que ser um doido mau4 ,socialismo era synonimo de pilhagem e de liquidao social4 ,gravura3 ,jos ,fontana ,os partidos por via de regra1 ingratos para com os seus servidores4 ,superior1 porm1 gratido dos partidos1 ha o applauso da propria consciencia4 ,e s pela satisfao do dever cumprido1 vale bem a pena supportar as chufas dos adversarios1 as calumnias dos maldosos e a perseguio dos inscientes e dos inconscientes4 ,jos ,fontana era muitas vezes calumniado por aquelles que o no comprehendiam4 ,de ,sousa ,brando sorriam-se os finorios e os homens praticos1 como se tivessem d d'elle4 ,fui d'essa poca1 e sei o que isso era e o que isso custava6 ,mas que importava8 ,os calumniadores calaram-se e os disfructadores desappareceram4 ,jos ,fontana e ,sousa ,brando so hoje venerados e consagrados1 em ,portugal1 como o so egualmente1 na ,allemanha1 ,karl ,marx e ,lassale4 ,e isto porqu8 ,precisamente porque elles representaram1 na sociedade portugueza1 mais alguma cousa do que as suas proprias pessoas4 ,elles foram os genuinos interpretes de uma ideia que honraram e glorificaram1 pela sua coherencia1 pela sua abnegao e pelo seu civismo4 ,foram dois puros e foram dois fortes4 ,era differente o processo de cada um4 ,mas o ideal1 o fim1 o objectivo era o mesmo em ambos4 ,jos ,fontana era o apostolo da ,internacional1 e ella ahi est hoje mais solida e mais viva do que nunca1 apesar da perseguio dos governos6 ,sousa ,brando foi o evangelista das sociedades cooperativas1 e ellas ahi esto hoje a impr-se por toda a parte e em todas as classes1 apesar dos embaraos e obstaculos que o capitalismo lhe levanta6 ,gravura3 ,sousa ,brando ,ha quem desanime na lucta e ha quem cance1 durante o caminho4 ,nem um nem outro souberam nunca o que era o desanimo ou o cansao4 ,trabalharam1 combateram1 perseveraram e seguiram sempre vante como os crentes das antigas religies4 ,edificaram sobre as ruinas e construiram sobre os escombros do velho mundo4 ,a obra ahi est--bella1 soberba1 imponente4 ,o exemplo d'aquelles que no morrem nunca e a lio das que aproveitam sempre4 ,inspiremo-nos no seu nobre e magnanimo exemplo e reavivemos nos nossos espiritos a grandeza e a sublimidade da sua lio4 ,a homenagem aos mortos deve constituir um culto para os vivos4 ,e1 quando os mortos se chamam ,jos ,fontana e ,sousa ,brando1 a homenagem reveste ento o duplo caracter de um preito ao amigo querido e de uma apotheose pelo bravo1 pelo apostolo e pelo here4 ,,concluindo ,bom ou mu1 ahi fica um rapido esboo do actual movimento4 ,foi simples a nossa misso4 ,desejando que todos vissem pelos proprios olhos e palpassem pelas proprias mos1 limitmos-nos a fazer a historia do que e do que se passa4 ,historimos2 no criticmos2 narrmos2 no commentmos4 ,savoir pour prvoir1 afin de pouvoir--tal era a maxima de ,augusto ,comte4 ,saber para prevr1 afim de poder--tal deve ser o principio de todos os que1 presentemente1 se dedicam e consagram aos estudos politicos e sociaes4 ,no confundamos o ideal com a utopia4 ,o ideal de hoje a realidade de manh4 ,o ideal1--disse muito bem ,elie ,rclus1 no seno o desenvolvimento da realidade4 ,a utopia no passa1 muitas vezes1 do espirito ou do cerebro que a gerou4 ,mas no succede o mesmo com o ideal que encontra sempre uma realisao pratica1 no mundo4 ,o socialismo o ideal do seculo ,,xix e ser a realidade do seculo ,,xx4 ,muitos governos monarchicos comeam j a aceitar-lhe as reivindicaes e as consequencias4 ,gladstone perfilhou1 para o seu programma liberal1 o dia normal das #h horas de trabalho e a responsabilidade nos accidentes4 socialista o imperador da ,allemanha e so socialistas todos os governos da ,europa4 ,comprehende-se4 ,fazendo concesses ao proletariado1 os reaccionarios e ultramontanos procuram defender-se da onda que os ameaa1 prolongando d'este modo a sua existencia1 embora custa de uma especulao e de uma hypocrisia4 ,no acontece porm1 o mesmo com os partidos avanados4 ,esses teem de acompanhar o movimento1 sob pena de se suicidarem1 no o fazendo4 ,ahi fica a advertencia4 ,quem tem olhos para vr1 veja2 quem tem ouvidos para ouvir1 oia4 ,n'este livro reproduzi1 a largos traos1 as minhas impresses sobre o congresso operario de ,zurich de #ahic1 desenvolvendo os assumptos ali tratados1 segundo o criterio das diversas escolas socialistas4 ,aos novos me dirijo1 porque s dos novos ha alguma cousa a esperar4 ,os velhos so impenetraveis s ideias modernas4 ,concorre1 para isso1 o egoismo e a intransigencia da edade4 ,seria absurdo esperar qualquer cousa de proficuo e de util de elementos gastos1 canados1 e1 em parte1 desacreditados4 ,j uma vez o disse e no cessarei de o repetir4 ,o bom senso publico no reconhece1 em geral1 seno dois partidos--o partido dos que avanam e o partido dos que recam4 ,deixemos recuar os que tudo sacrificam ao seu interesse pessoal e sua desmesurada ganancia2 deixemos recuar os timidos1 os covardes e os impotentes2 e avancemos ns1 unidos1 fortes e disciplinados--unidos na aco1 embora divergentes na doutrina2 fortes pelo sentimento do dever1 e disciplinados pela solidariedade das ideias e dos principios4 ,a festa do #a4 de de maio do corrente anno ser uma nova affirmao da fora e da importancia do proletariado internacional4 ,michelin1 o illustre deputado socialista1 apresentou ultimamente1 na camara franceza1 o seguinte projecto de lei3 ,o trabalho a origem unica e legitima da riqueza4 ,nenhum producto pde existir sem o trabalho1 que a condio essencial da liberdade e da prosperidade do homem1 e s1 por meio d'elle1 se pde assegurar o progresso e moralisar a sociedade4 ,os trabalhadores tomaram a iniciativa da celebrao de uma festa annual1 com o fim de honrar o trabalho4 ,peo por isso1 camara que decrete1 no sentido de considerar esta festa nacional4 ,os poderes publicos1 cuja misso consiste em dar satisfao s aspiraes do povo1 no podem seno associar-se a um sentimento to elevado1 demonstrando assim o desejo sincero em que esto de examinar1 para as attender1 as justas reivindicaes dos trabalhadores que constituem a immensa maioria do paiz4 ,por estas rases1 tenho a honra de submetter camara o seguinte projecto3 ,art4 unico--,o #a4 de ,maio declarado o dia da festa nacional e annual do trabalho4 ,michelin deseja1 por este modo1 consagrar o #a4 de ,maio1 assim como se tem consagrado o #ad de julho que o dia da festa da ,republica4 ,perderia a festa dos operarios1 n'este caso1 o seu caracter de resistencia1 e converter-se-hia n'uma celebrao pacifica do trabalho4 ,nada mais nobre e digno6 ,aos termos da proposta1 associou-se enthusiaticamente o grande poeta socialista1 ,clovis ,hugues1 embora outros divergissem por desejarem conservar ao #a4 de ,maio a sua feio1 radical e revolucionaria1 de combate e de opposio ao existente4 ,de um ou de outro modo1 a celebrao do #a4 de ,maio no deixar de fazer-se4 ,ha um problema a resolver4 a questo magna do seculo4 ,ou os governos o resolvem1 ou as sociedades tero de passar por um cataclismo terrivel4 este o dilemma4 ,e da soluo do assumpto depender1 no futuro1 a felicidade e o bem-estar dos povos6 ,,fim ,,indice ,,solemnia ,,verba #g ,o ,,primeiro ,,de ,,maio #aa ,o ,,desenvolvimento ,,das ,,ideias ,,socialistas4--,benoit ,malon1 ,luiz ,ruchonnet1 ,ramn ,chies1 ,victor ,schoelcher e ,victor ,considrant4--,theodoro ,hertzka e o seu ,freiland4--,no congresso de ,zurich4--,a ,allemanha1 a ,belgica1 a ,frana e a ,inglaterra4--,a ,italia1 a ,hespanha e ,portugal4--,notas e commentarios #ac ,o ,,programma ,,socialista4--,o programma do partido operario4--,parte politica e parte economica--,jules ,guesde e ,paulo ,lafargue4--,o programma do partido socialista em ,portugal #eg ,a ,,coopera,o ,,dos ,,trabalhadores4--,cooperao e solidariedade4--,instruco e associao4--,o internacionalismo4--,as cooperaes operarias e alguns dos seus mais dedicados e fervorosos apostolos4--,cesar de ,paepe1 ,anseele1 ,jean ,volders1 ,louis ,bertrand #ig ,,arbitragem ,,internacional4--,sociedades da paz4--,emile ,arnaud4--,o militarismo4--,domela ,nieuwenhuis4--,arbitragem internacional--,michel ,revon4--,a federao e os seus apostolos4--,nacionalismo e internacionalismo4--,alfredo ,naquet4--,ren ,goblet e ,augusto ,vacquerie4--,a guerra vencida pela arbitragem4--,o desarmamento4--,eduardo ,vaillant #aji ,a ,,mulher4--,resoluo do ,congresso de ,zurich4--,a situao da mulher4--,seus direitos civis e politicos4--,a mulher em relao industria4--,a mulher no estado socialista4--,a primeira victoria4--,madame ,paule ,mink4--,augusto ,bebel4--,p4 ,argyriads #acg ,a ,,sociedade ,,nova4--,a transformao social impe-se4--,o que o collectivismo4--,o ,estado socialista1 segundo ,augusto ,bebel e ,benoit ,malon4--,a legislao directa pelo povo4--,a ,socialisao dos monopolios4--,hector ,denis1 ,guillaume de ,greefe ,emile de ,vanderwelde4--,a nova gerao portugueza4--,jos ,fontana e ,souza ,brando #aee ,,concluindo4-- #aic ,,retratos #a4--;,benoit ,malon #ad #b4--,ramn ,chies #ag #c4--,victor ,schoelcher #ah #d4--,victor ,considerant #ba #e4--,theodoro ,hertzka #bf #f4--;,amilcare ,cipriani #ce #g4--;,frederico ,engels #ci #h4--,liebknecht #da #i4--,millerand #dd #aj4--,thivrier #dg #aa4--;,john ,burns #dh #ab4--;,de ,felice #ec #ac4--;,jules ,guesde #eh #ad4--,paulo ,lafargue #fj #ae4--;,cesar de ,paepe #ih #af4--,louis ,bertrand #ajd #ag4--;,anseele #aje #ah4--;,jean ,volders #ajf #ai4--;,emile ,arnaud #aac #bj4--;,domela ,nieuwenhuis #aae #ba4--;,alfredo ,naquet #abb #bb4--,ren ,goblet #abd #bc4--;,augusto ,vacquerie #abf #bd4--;,emile de ,laveleye #abh #be4--;,eduardo ,vaillant #acb #bf4--,m4me ,paule ,mink #adi #bg4--,p4 ,argyriads #aea #bh4--;,augusto ,bebel #afj #bi4--;,emile de ,vanderwelde #agc #cj4--;,jos ,fontana #ahi #ca4--,sousa ,brando #aij #a ,freiland4 ,ein soziales ,zukunftbild4 ,leipzig1 ,duncker und ,humblot1 #ahhi1 #aj mk2 ,dresden1 ,e4 ,pierson1 #ahia e #ahib1 #c mk4--,freeland1 traduco ingleza por ,arthur ,ranson4 ,londres1 ,chatto e ,windus1 #ahib1 #f sh4--,freiland und die ,freilandbewegung4 ,vienna1 #aj pf41 traduzido por ,h4 ,la ,fontaine1 advogado em ,bruxellas1 sob o titulo de ,freiland1 un roman collectiviste4 ,extraits et rsum4 ,bruxelles4 #ahib4 ,imprimerie ,veuvc ,mounom4 #b ,horace ,greeley4 #c ,b4 ,malon--,socialismo integral4 #d ,louis ,bertrand4--,la ,cooperation1 ses avantages et son avenir4 #e ,discurso proferido no congresso de ,zurich4 #f ,michel ,revon--,l'arbttrage international4 #g ,serviu-nos de guia1 n'este estudo1 a traduco analytica da obra de ,rebel--,la femme et le socialisme--publicada por ,p4 ,argyriads4 ,vulgarisando a excellente doutrina1 procurmos fazer obra de propaganda e nada mais4 #h ,b4 ,malon--,le ,socialisme ,integral4