public domain material from ,google ,book ,search7 ,o ,,oraculo ,,do ,,passado1 ,,do ,,presente ,e ,,do ,,futuro ,,ou ,o ,verdadeiro modo de aprender no passado a prevenir o presente1 e a adivinhar o futuro ,,por ,,bento ,,serrano ,,astrologo ,,da ,,serra ,,da ,,estrella1 ,onde reside ha perto de trinta annos1 sendo a sua habitao uma estreita gruta que lhe serve de gabinete dos seus assiduos estudos astronomicos ,,obra ,,dividida ,,em ,,sete ,,partes1 ,,contendo ,,cada ,,uma ,o ,,seguinte3 ,parte primeira--,o ,,oraculo ,,da ,,noite ,parte ,segunda--,o ,,oraculo ,,das ,,salas ,parte ,terceira--,o ,,oraculo ,,dos ,,segredos ,parte ,quarta--,o ,,oraculo ,,das ,,flores ,parte ,quinta--,o ,,oraculo ,,das ,,sinas ,parte ,sexta--,o ,,oraculo ,,da ,,magica ,parte ,setima--,o ,,oraculo ,,dos ,,astros ,,porto ,,livraria ,,portugueza--,,editora #ee1 ,largo dos ,loyos1 #ef #ahhc ,,parte ,,setima ,o ,,oraculo ,,dos ,,astros ,,ou ,a verdadeira arte de conhecer os segredos dos ,astros pela regular rotao1 e pelos signaes que se observam de noite e dia durante as quatro estaes do anno ,,porto ,,livraria ,,portugueza--,,editora #ee1 ,largo dos ,loyos1 #ef #ahhc ,porto3 #ahhc--;,imprensa ,commercial--,lavadouros1 #af4 ,o ,,oraculo ,,dos ,,astros ,,astronomia ,,popular ,a astronomia na antiguidade4-- antiquissima esta sciencia e parece que aos pastores do ,himalaya se devem as primeiras observaes astronomicas1 unicamente fundadas nos movimentos apparentes dos corpos celestes1 e nos phenomenos que mais impressionavam a imaginao do homem1 taes como a passagem dos planetas atravez das constellaes1 as estrellas cadentes1 os cometas1 os eclipses1 etc4 ,como no podia deixar de ser1 todas as theorias de ento1 fundadas em apparencias falsas1 eram falsas tambem1 tendo sido modificadas e corrigidas gradualmente1 segundo o exigia o caminhar progressivo das outras sciencias4 ,a primeira hypothese consistia em imaginar a ,terra rodeada de agua por todos os lados1 hypothese que ainda existia no tempo de ,homero1 pois que ento acreditava-se que o ,sol se apagava ao mergulhar no ,oceano1 reaccendendo-se no dia seguinte depois de demorado banho4 ,os astronomos gregos1 ha dois mil annos1 julgavam que as estrellas eram chammas alimentadas pelas exhalaes da ,terra6 ,todavia1 quando se observou que o ,sol1 a ,lua1 as estrellas e os planetas1 se escondiam todos os dias no horizonte1 surgindo no immediato do lado opposto1 fora foi admittir que passavam sob a ,terra1--e d'aqui uma revoluo immensa1 completa1 na maneira de considerar o nosso planeta1 que at ento o homem tinha como solidamente assente debaixo dos ps1 prolongando-se at ao infinito4 ,para explicar aquella passagem1 inventaram-se hypotheses sobre hypotheses1 qual d'ellas mais extraordinaria1 qual d'ellas mais absurda4 ,um deu ,terra a forma de meza circular sustentada por doze columnas1 outro a de uma cupula descanando em cima de quatro gigantescos elephantes de bronze1 etc41 etc42 mas nada d'isto satisfazia o espirito4 ,columnas e elephantes1 a seu turno1 sobre que que descanavam8 ,sendo impossivel responder satisfactoriamente a tal pergunta1 aquellas theorias foram completamente abandonadas1 admittindo-se por fim que a ,terra se mantinha livre no espao4 ,era um passo para o descobrimento da verdade1 mas o erro subsistia ainda4 ,segundo a nova doutrina1 o nosso planeta conservar-se-ia quieto no espao1 occupando o centro de todos os corpos celestes1 que giravam em torno d'elle4 ,isto1 que s tinha de bom explicar a rotao das estrellas chamadas fixas1 deixava sem explicao os movimentos dos planetas por entre as constellaes1 e foi alterado1 ou antes substituido1 pelo systema de ,ptolomeu1 o qual consistia em imaginar o universo composto de globos uns dentro dos outros4 ,o exterior era o ,empyreo1 isto 1 o logar para onde iam as almas dos bemaventurados4 ,ao immediato estavam presas as estrellas fixas1 e a cada um dos sete seguintes1 os sete planetas ento conhecidos1 no numero dos quaes entravam 7erradamente1 como veremos mais adeante7 o ,sol e a ,lua4 ,no centro d'esta machina complicadissima1 a ,terra6 ,to prodigioso edificio era construido do mais fino crystal1 para que o brilho dos corpos celestes podesse chegar at c4 ,o espirito humano1 uma vez no caminho do absurdo e do maravilhoso1 no pra facilmente4 ,assim1 houve quem asseverasse com a maior seriedade que os aerolithos eram pedaos de algumas das espheras1 que1 de velhas1 cahiam sobre a ,terra2 que o movimento dos planetas era mais vagaroso quando se achavam mais distantes do ,sol1 porque no viam to bem o caminho6 etc4 etc4 medida1 porm1 que as observaes astronomicas se tornaram mais frequentes1 e que as outras sciencias se foram aperfeioando1 fornecendo novos meios de comparao1 o systema de ,ptolomeu era a cada passo alterado1 para dar a explicao de um novo phenomeno descoberto2 e por fim tornou-se de tal frma complicado1 que j nem os proprios astronomos se entendiam com elle1 o que no o impediu de encontrar defensores exaltados e de ser conservado muito tempo nas escolas superiores4 ,systema de ,copernico4--,foi nos seculos ,,xv e ,,xvi que se estabeleceram as verdadeiras bases da astronomia4 ,o espirito humano comeou ento a libertar-se das falsas theorias a que um fanatismo barbaro o trazia acorrentado1 succedendo-se uns aps outros os mais bellos emprehendimentos e as empresas mais arrojadas4 ,copernico lana ento corajosamente por terra as falsas doutrinas de ,ptolomeu e apresenta aos olhos maravilhados do homem1 tal qual 1 o principio fundamental da astronomia2 quasi ao mesmo tempo o nosso compatriota ,ferno de ,magalhes1 effectuando a primeira viagem de circum-navegao1 prova praticamente1 aos que ainda duvidavam1 a espheroicidade do planeta que habitamos4 ,uma vez conhecida a verdadeira posio da ,terra em relao aos outros planetas e ao ,sol1 as descobertas succederam-se umas aps outras4 ,a ,copernico demonstrando que todos os planetas se moviam em torno do ,sol1 seguiu-se ,kpler descobrindo as tres leis que regem os movimentos dos corpos celestes1--,galileu inventando o telescopio1--,halley calculando a volta de um cometa e ,newton descobrindo a fora que mantem em equilibrio todos os astros4 ,actualmente a sciencia pde vangloriar-se de conhecer no s a posio de cada um dos corpos que constitue o systema solar1 mas de saber qual a distancia de uns aos outros1 quaes os seus volumes1 e at o peso de cada um4 ,a relao das distancias de uns aos outros planetas est feita na razo de #a millimetro para #aj milhes de leguas4 ,no ha1 porm1 proporo alguma no que respeita s suas dimenses2 se quizessemos conservar ,terra o tamanho1 alis pequenissimo1 que alli tem1 haveriamos de representar o ,sol por uma esphera do tamanho approximado de uma pequena laranja e de distanciar proporcionalmente os planetas uns dos outros4 ,o caminho percorrido por cada astro1 isto 1 a sua orbita1 acha-se indicado por traos e os planetas e satellites por pequenos pontos4 ,partindo do ,sol1 vemos que o primeiro planeta que lhe gira em torno ,mercurio1 em seguida ,venus e depois a ,terra4 ,em volta do nosso planeta1 acompanhando-o fielmente1 gira um outro globo ou satellite1 a ,lua4 ,segue-se depois ,marte com dois satellites4 ,estes quatro primeiros planetas1 ,mercurio1 ,venus1 ,terra e ,marte1 so chamados por alguns astronomos planetas medios em razo do seu tamanho4 ,segue-se depois uma infinidade de planetas de pequenas dimenses1 cuja orbita media se acha tambem alli indicada4 ,so os pequenos planetas que1 segundo a hypothese mais geralmente acceita1 constituem os despojos de um grande planeta que uma causa desconhecida haja despedaado4 ,contam-se actualmente cerca de #bbj d'estes astros1 mas provavel que o seu numero seja muito maior4 ,aos pequenos planetas seguem-se os grandes3--primeiramente ,jupiter tendo em torno quatro satellites2 depois ,saturno com oito satellites2 ,urano com quatro1 e finalmente ,neptuno com um s4 ,alm dos planetas1 que giram quasi circularmente em torno do ,sol1 no mesmo sentido e em planos no muito differente uns dos outros1 e dos salellites que acompanham os planetas1--outros corpos1 cuja quantidade impossivel calcular1 caminham tambem em volta do ,sol seguindo orbitas muito alongadas e movendo-se em todos os sentidos e em planos variadissimos3 so os cometas4 ,independentemente dos planetas1 satelliles e cometas1 o systema solar povoado ainda por myriades de outros corpos muito mais pequenos e que viajam em diversas regies do cu1 umas vezes isolados1 outras aos enxames1 voltando periodicamente ao mesmo ponto1 e dos quaes s temos conhecimento quando por acaso atravessam a atmosphera terrestre1 ao contacto da qual se tornam incandescentes1 ou quando mesmo so attrahidos pelo nosso planeta1 onde caem4 ,so as estrellas cadentes1 os aerolithos1 etc4 ,finalmente um immenso annel luminoso1 composto provavelmente de milhes de milhes d'estes pequenos corpos illuminados pelo ,sol1 rodeia este astro1 extendendo-se muito alm da orbita da ,terra4 ,v-se n'algumas epochas do anno elevar-se acima do horisonte1 ao pr ou ao nascer do ,sol4 a luz zodiacal4 ,reunindo1 temos o systema solar composto de3--#a4 um corpo central1 muito maior que todos os outros1 e relativamente immovel1 o ,sol2--#b4 diversos corpos girando todos no mesmo sentido1 e quasi circularmente em torno d'aquelle astro 7so os planetas72--#c4 varios corpos mais pequenos caminhando em volta de alguns planetas 7os satellites72--#d4 os cometas1 que teem orbita muito alongada1 e caminham em todas as direces2--#e4 as estrellas cadentes1 aerolithos1 etc41 myriades de pequenas aggregaes percorrendo todos os pontos do espao2--#f4 a luz zodiacal 7reunio em volta do ,sol de pequenos corpos1 illuminados por elle74 ,i ,do ,creador ,ns no vemos o ,creador2 mas sentimos1 e reconhecemos o seu poder at ao menor insecto perdido no p4 ,tudo nos mostra um ,deus ,creador1 o co1 a terra1 as aguas1 o homem1 os animaes1 as plantas1 e os mineraes2 em fim toda a ,natureza4 ,foi elle quem formou todas as maravilhas1 que se offerecem nossa vista4 ,meus caros meninos1 escutai com atteno o seguinte3 ,se vs achasseis em uma planicie1 uma casa bonita1 de uma architectura regular com quartos dispostos commodamente1 e decorados com magnificencia1 dirieis logo3 ,esta casa foi construida pelos homens2 foram elles quem a mobilou e decorou4 ,foi um relojoeiro que fez este relogio1 impossivel que elle se fizesse a si mesmo1 dirieis vs se da mesma maneira visseis um relogio indicando regularmente os minutos1 e as horas4 ,pois assim1 meus meninos1 olhando para o co1 as estrellas1 o sol1 que brilha com tanto resplendor1 e a terra que est coberta de prodigios1 dizei vs da mesma maneira3 ,estas cousas no poderam produzir-se a si mesmas1 o homem no pde fazel-as4 ,ha pois1 um ente todo ,poderoso que as creou3 este ente ,deus1 author de tudo quanto existe1 ,deus um ,pae terno e vigilante o qual nos no abandona1 nem um s momento4 ,envia-nos todos os dias a luz que nos alumia1 e o po que nos sustenta4 ,e que nos pede elle por tantos beneficios8 ,quer que o amemos4 ,ah6 meus caros meninos1 quanto seriamos ingratos1 e culpados1 se no obedecessemos aos seus desejos1 se lhe fechassemos o nosso corao6 d'elle que nos vem tudo o que temos2 e a elle1 a quem devemos todos os nossos sentimentos1 e todo o nosso amor4 ,,ii ,o ,mundo ,declara-se pelo nome de ,mundo ou ,universo1 tudo quanto existe desde o espao dos ,cos ,terra4 ,isto 1 o sol1 as estrellas1 a terra1 tudo o que a nossa vista apercebe nas profundidades do ar1 da terra e das aguas1 e o que est alem do que podemos alcanar com a vista4 ,ainda que a vossa vista muito fraca e ainda sois mui pequenos1 meus meninos1 podeis admirar uma parte d'este immenso espectaculo4 ,o sol1 ao meio d'esses numerosos globos que brilham em todas as abobadas dos cos1 de todas as obras de ,deus aquella1 que se apresenta com mais brilhantismo1 e magestade3 um facho1 como1 eternamente1 posto no centro do mundo para derramar ondas de luz para todos os lados1 e a uma distancia que nos no permittido determinar3 dir-se-hia que o rei dos astros4 ,comecemos pois por elle no artigo seguinte4 ,,iii ,o ,sol ,o calor1 e a luz que elle derrama no universo1 nos fazem vr que a sua materia est continuamente inflammada1 e que elle o proprio fogo4 ,o sol1 o qual nos parece tam pequeno por causa da sua extrema distancia1 7segundo os astronomos7 um milho e quatro centas vezes maior que a terra4 ,a sua forma a de um globo4 ,todas as manhs o vdes apparecer no oriente1 elevar-se no co at o meio dia1 e depois descer1 e desapparecer abaixo do horisonte ao occidente4 ,talvez vos persuadais que elle faz verdadeiramente esse movimento e que nasce d'um lado para ir pr-se ao outro2 mas seria um erro4 ,no o sol que se volve roda da terra1 mas a terra que se volve sobre si mesma4 ,o sol no muda de logar1 est sempre no centro do mundo para alumiar tudo quanto o rodeia4 ,observaram-se por meio das lunetas manchas sobre este corpo tam brilhante1 e por meio d'estas manchas1 descobriu-se que elle se volvia sobre si mesmo1 como se volveria uma bolla atravessada por um prego4 ,estas manchas veem-se em primeiro lugar n'uma extremidade d'este astro2 avanam1 vem-se depois na outra extremidade2 e emfim desapparecem para traz1 para tornarem a apparecer1 passado algum tempo4 ,observou-se que para voltar ao ponto1 donde tinha partido1 eram-lhe necessarios vinte e sete dias2 e que por consequencia era necessario esse espao para que o sol fizesse uma volta sobre o seu eixo4 ,julga-se que o sol dista de ns trinta e quatro milhes trezentas e cincoenta e sete mil quatro centas1 e oitenta leguas4 ,,iv ,as ,estrellas ,distinguem-se estes astros tam numerosos em estrellas fixas1 porque se no vem mudar de lugar1 e em planetas1 ou estrellas errantes porque estas se volvem em mais ou menos tempo roda do sol4 ,ha por ventura cousa magnifica1 e que d uma ida maior de ,deus do que esta multido de estrellas que brilham no firmamento durante as trevas da noite8 ,vel-as-hiamos em igual numero durante o dia se o resplendor da luz as no fizesse desapparecer4 ,presume-se que as estrellas fixas so globos luminosos similhantes ao sol1 os quaes allumiam outros mundos demasiadamente distantes para que a nossa vista possa percebl-os4 ,se nos parecem mais pequenas do que o astro que nos alumia porque esto infinitamente mais distantes de ns4 ,julgae da sua grandeza1 e da sua immensa distancia pela que est mais proxima da terra1 a que chamam ,sirio4 ,cr-se que esta estrella fixa est quatro centas vezes mais distante de ns do que o sol1 e que o seu diametro1 ou a sua largura1 de trinta e tres milhes de leguas4 ,isso porm1 meus meninos1 superior concepo da vossa idade2 porm com as explicaes que vossos paes ou mestres tiverem a complacencia de vos dar1 heis de comprehender alguma cousa4 ,v ,os ,planetas ,so 7fra os modernos que mais se tem descoberto ha poucos annos7 ,mercurio1 ,venus1 ,terra1 ,marte1 ,jupiter1 ,herschell 7ao todo #g74 ,este ultimo s se conhece desde #aghe2 e foi descoberto por um sabio astronomo inglez do mesmo nome o qual tambem conservou4 ,as estrellas fixas differem dos planetas1 por quanto estes 7e no aquellas7 se volvem roda do sol1 e no tem luz por si mesmos2 pois aquella1 com que elles brilham lhes vem do mesmo sol4 ,presume-se que estes immensos globos so1 como a terra1 mundos habitados4 ,o planeta mais pequeno ,mercurio1 e o mais visinho do sol4 ,cr-se que quinze vezes mais pequeno que a terra4 ,venus2 qual tambem chamam ora estrella da manh 7ou da alva71 ora vespera 7estrella da tarde17 vem depois1 e tem uma nona parte menos que a terra4 ,volve-se sobre si mesma em vinte e tres horas1 e vinte minutos4 ,a terra a qual nos parece tam grande1 por que ns somos pequenos1 no 7como j vos disse7 mais que um planeta1 ou uma estrella errante4 ,se vs habitasseis ,venus ou ,mercurio1 ve-la-hieis ao meio do co1 como as outras estrellas e no vos pareceria maior que a ponta de um dedo4 ,com algum detalhe1 n'ella logo fallaremos4 ,marte1 muito menos que a terra2 elle no tem mais que tres quintos do seu diametro4 ,jupiter1 muito maior4 ,os astronomos asseguram que tem treze vezes a grossura da terra4 ,volve-se sobre si mesmo em nove horas1 e cincoenta e seis minutos4 ,tem em torno de si quatro luas4 ,saturno1 quasi mil vezes maior que a terra4 ,tem tambem cinco luas ou satellites4 ,est1 alem d'isso1 rodeado por um grande annel de luz que se descobre por meio das lunetas4 ,dista do sol trezentos e vinte e sete milhes1 e setecentas mil leguas4 ,herschell est ainda mais distante4 ,parece affastado para a extremidade do mundo4 ,so-lhe necessarios noventa annos1 para se volver roda do sol4 ,,vi ,a ,terra ,a terra redonda como uma bolla4 ,os seus vales1 e montanhas1 os quaes nos parecem tam consideraveis no so nada relativamente sua grossura2 podem-se apenas comparar com as desigualdades1 que se observa sobre a casca de uma laranja1 as quaes no impedem que este fructo tenha uma forma redonda4 ,a terra tem nove mil leguas de circumferencia ou circuito4 ,j se disse que ella se volve sobre si mesma1 como uma bolla que est atravessada por um prego de ferro4 ,este movimento1 a que chamam rotao1 occasiona-lhe alternativamente o dia1 e a noite1 isto 1 a parte que est virada para o sol gosa da luz1 em quanto a parte opposta se acha na escurido4 ,ora como a terra faz este movimento sobre si mesma em vinte e quatro horas1 resulta d'ahi que n'esse mesmo espao tem o dia e a noite4 ,quereis vs ter uma ideia bem clara do que vos digo8 ,pegai n'uma bolla e volvei-a entre vossos dedos diante d'uma luz3 a bolla ser a terra1 e a luz o sol4 ,alm d'este movimento quotidiano1 a terra tem outro que se executa no espao d'um anno3 ella faz um circulo immenso volta do sol4 este ultimo movimento o que produz as differentes estaes do anno4 ,porm isto demasiadamente superior concepo da vossa idade2 para agora vos dar a sua explicao1 devo todavia fazer-vos uma facil observao sobre um effeito notavel produzido pelo movimento da terra4 ,como no nenhuma das duas extremidades1 sobre que ella se volve que se apresenta ao sol1 mas sim o meio1 segue-se que esse meio recebendo em toda a circumferencia os raios do sol1 perpendicularmente1 sente una calor consideravel1 em quanto as duas extremidades1 as quaes recebem os raios obliquamente 7de lado7 ficam em um inverno continuo e esto sempre cobertas de gello4 ,porm como a terra inclina um pouco para o sol durante seis mezes uma das suas extremidades1 e durante os outros seis mezes a extremidade opposta1 v-se que cada uma d'ellas gosa alternativamente de um vero rapido1 o qual no tem tempo para derreter aquelles enormes montes de gello4 ,estas duas differentes e successivas inclinaes1 produzem outro effeito muito extraordinario3 darem a estas tristes regies dias e noites de seis mezes4 ,chama-se ,equador a facha do meio1 a qual se acha debaixo do sol2 e plos as extremidades sobre as quaes se volve a terra4 ,ha um polo do meio dia1 e outro do ,norte4 ,n4 ,b4--,advirta-se que em taes objectos difficultoso fallar intelligencia dos meninos2 por isso dirigi-vos aos seus olhos2 pegai n'uma bolla1 e n'uma luz2 e em um quarto d'hora1 hade ficar sabendo mais com essa pequena demonstrao1 do que com tudo quanto poderieis dizer n'um mez4 ,por isso ainda quando a explicao que acabamos de dar1 fosse mil vezes mais clara1 e mais extensa1 nem por isso deixaria de ser muito obscura1 e muito incompleta para um menino4 ,,vii ,a ,lua ,ao reparar no sol de dia1 no podereis de noite deixar de attender sua rival a lua1 que onde vdes esse magnifico astro que de noite nos d uma luz tam doce1 e que tam propicio1 crdes sem duvida1 que um rival do sol1 e um globo mil vezes maior que as estrellas8 ,desenganai-vos mais esta vez4 ,a lua parece-nos maior que as estrellas somente por que est mais perto de ns4 ,ella no dista da terra mais que oitenta e seis mil trezentas e vinte e quatro leguas2 e o seu volume quasi cinco mezes menor que o da terra4 mui pequena comparativamente a ,saturno e a ,jupiter1 os quaes todavia no vos parecem maiores que a luz d'uma vella4 ,a lua no faz como os outros planetas a sua revoluo roda do sol1 mas sim1 roda da terra4 a esta que se referem os seus movimentos2 acompanha-a na sua revoluo annual roda do sol2 e n'esse espao volve-se treze vezes em torno da terra4 ,em cada um d'estes circulos gasta vinte e sete dias sete horas e quarenta e tres minutos4 ,ella no tem luz alguma por si mesma1 posto que com tudo vos parea mui resplandecente de noite4 ,ella recebe o seu brilhantismo do sol2 e por isso nunca vemos mais que a sua parte alumiada segundo estas differentes posies1 parece-nos uma vez meia lua1 um quarto etc4 ,a parte que no podemos vr se acha na escurido4 ,como ella esclarece a terra com a luz que recebe1 da mesma sorte a terra lhe envia a luz que lhe vem do sol1 porm em muito maior quantidade vista sua grandeza4 ,ora1 nas luas novas1 o lado da terra alumiado est inteiramente virado para a lua1 e por consequencia alumia a sua parte obscura3 os habitantes da lua 7se ella os tem7 gosam ento da terra cheia1 como ns em uma posio similhante a esta gosamos da lua cheia4 ,no preciso que eu vos diga que a lua redonda2 j vol-o disseram os vossos olhos4 ,notae porm que no redonda plana1 mas redonda espherica1 ou como uma bolla4 ,,viii ,eclipses da ,lua e do ,sol ,eclipse quer dizer privao da lua por meio d'um corpo intermedio4 ,ha circunstancias em que a terra priva a lua da luz do sol 7a que chamamos eclipse da lua17 e em que a lua priva a terra da mesma luz solar1 7a que chamamos eclipse do sol74 ,o eclipse da lua 7em que ella se eclipsa e desapparece aos nossos olhos7 causado pois pela passagem do corpo da terra directamente entre o sol e a lua4 ,a terra intercepta ento os raios do sol1 e a lua fica algum tempo na sombra da terra privada da luz4 ,o eclipse do sol 7em que elle se eclipsa e desapparece aos nossos olhos7 da mesma sorte causado pela passagem do corpo da lua directamente entre o sol e a terra4 ,a lua tira-nos ento os raios do sol1 e a terra fica algum tempo na sombra da lua1 privada da luz4 ,quando a lua est eclipsada1 est-o geralmente para todos os povos1 que a podem ver1 por que no tem luz por si mesma2 porm no acontece o mesmo a respeito do sol2 a lua s o pode occultar a certos povos1 onde chega a sua sombra1 e durante este tempo os outros gozam da sua luz1 sem perceberem mudana alguma4 ,,iv ,os ,elementos ,damos a antiga diviso dos elementos1 como se fez at s ultimas descobertas de chimica1 pois o unico meio de fazer comprehendel-os infancia4 ,elemento1 quer dizer constitutivo 7ou reunio de foras1 qualidades1 ou objectos7 que formam qualquer cousa ou parte de um todo 7animado1 inanimado1 ou intellectual7 os elementos1 ou simplices1 ou compostos1 em geral reduzem-se a quatro principaes elementos todas as cousas1 de tudo quanto existe com corpo2 estes elementos so--o fogo1 o ar1 a terra1 e a agua4 ,o primeiro d'estes unicamente simplicissimo3 os outros tres restantes so compostos d'outros simplicissimos elementos2 razo porque os chimicos reduzindo todo o numero dos elementos1 sua simplicidade1 admittem muito maior numero d'elementos 7ou elementos simplices47 ,x ,o ,fogo ,meus caros meninos1 vs no conheceis outro fogo1 que aquelle que resplandece no fogo1 ou na lareira2 porm o fogo1 ainda que invisivel1 est derramado por toda a natureza4 ,feri dois seixos e do seu choque resultar uma faisca2 esfregai com fora dois bocados de po1 aquentar-se-ho1 e acabaro por allumiar-se2 pondo ao sol uma lente1 esta reunindo1 e apertando os raios1 dar-vos-ha fogo2 a mesma luz fogo 7posto que tenuissimo47 ,o fogo necessario vida de tudo quanto existe corporeo2 e o seu primeiro manancial parece vir do sol4 ,como o calor sempre fraco no inverno tudo languece1 tudo parece morto1 e as aguas no podem correr3 ellas tornam-se gelo2 felizmente a primavera torna a animar tudo com um novo calor4 ,se pois o fogo no se fizesse mais sentir tudo pereceria1 gelar-se-hia tudo4 ,,xi ,o ,ar ,o ar tam necessario nossa existencia que se nos achassemos privados d'elle1 morreriamos immediatamente4 ,o ar este fluido invisivel que respiramos1 continuamente1 e que sentimos roda de ns4 ,quando impellido com fora1 constitue o vento4 ,est derramado em torno do globo da terra1 at uma certa altura1 e forma o que chamamos atmosphera1 isto 1 este espao onde andam as nuvens4 ,,xii ,a ,agua ,todos os paizes1 onde no se acha a agua1 so estereis1 desertos1 e no apresentam mais que tristes planicies de areia4 ,levada pelo seu proprio pezo desce sempre1 at ser retida nos abismos do mar4 ,de ordinario nos montes que se acham as nascentes dos rios4 ,a agua cobre uma parte da terra1 e circula por todos os lados4 ,vemol-a sahir debaixo da terra1 formar ribeiras1 e rios1 e encher o immenso lago dos mares4 ,ella humecta as terras1 alimenta os vegetaes1 anima as paisagens e exaltera os homens1 e os animaes4 ,,xiii ,as ,nuvens ,uma nuvem absolutamente similhante aos nevoeiros1 que se formam noite sobre as margens das ribeiras1 e nos sitios pantanosos2 o que a distingue ter-se formado no ar1 e ser impellida pelos ventos at ao momento em que torna a cahir em chuva sobre a ,terra4 ,a agua no corre smente sobre a ,terra2 tambem se alevanta aos ares1 e se sustem alli debaixo da forma das nuvens4 ,o calor do sol faz subir a agua para o co em vapores invisiveis4 ,os rios1 os lagos1 e os mares fornecem continuamente 7e mais no vero do que no inverno7 esses vapores1 os quaes vo reunir-se nos ares em forma de nuvens4 ,pondo ao sol um panno molhado1 a humidade desapparecer1 e o panno seccar1 collocae uma bacia cheia de agua ao ar1 a agua desapparecer insensivelmente1 e no ficar nem uma s gotta4 ,que foi feito d'essa agua8 ,reduziu-se pelo calor em vapores1 e estes elevaram-se at s nuvens1 que vdes passar sobre vossas cabeas4 ,quereis ver uma prova mais clara8 ,examinae a agua1 que ferve sobre o fogo2 sahe d'ella um fumo espesso1 e o vaso diminue cada vez mais4 ,porque raso diminue esse vaso8 porque a agua se vai em fumo1 ou 7para melhor dizer7 em vapores4 ,ponde por um instante a vossa mo sobre esse fumo1 e tiral-a-heis toda molhada4 ,as nuvens no andam muito alto3 os cumes de differentes montanhas so-lhes sobranceiros4 ,quando se est sobre essas montanhas1 v-se por baixo as nuvens esclarecidas pelo sol1 o qual as faz parecer brancas1 como um monto confuso de algodo4 ,quando se passa pelo meio d'ellas1 cr-se que se atravessa um nevoeiro1 mais ou menos espesso4 ,,xiv ,a ,chuva ,j sabeis como se formam as nuvens2 sabeis que se compem de pequenas partes d'agua1 to leves1 que se tomariam como um pouco de p3 o ar sustem-as em quanto esto n'este estado4 ,mas quando estas partes se approximam1 e as unem1 tornam-se em gotas1 as quaes1 sendo mais pesadas que o ar1 que as sustem1 comeam a cahir1 e eis ahi a chuva4 ,esta chuva rega os campos1 penetra nas terras1 e alimenta as nascentes2 estas vo para os rios1 e estes para o mar2 o sol faz outra vez subir estas aguas ao ar1 donde so restituidas terra2 de sorte que esto continuamente em movimento1 e viajam em todas as partes do mundo1 umas vezes impellidas pelos ventos1 e outras vezes arrastadas pelo declive dos terrenos4 ,,xv ,a ,neve e a ,saraiva ,deve-se advertir que existe a neve1 e se forma quando os vapores humidos que cahem d'uma nuvem se trasformam na sua queda1 pelo gelo que os penetra1 em longos filamentos1 os quaes constituem flocos differentemente arranjados4 ,se estes vapores tiveram tempo para formar gotas1 que o frio condensa immediatamente1 cahe1 em logar de neve1 saraiva4 ,esta saraiva tem1 de ordinario1 a forma1 e a grossura das gotas da chuva2 comtudo algumas cahem como grossos pedaos de gelo2 mas pode-se observar1 que esses pedaos1 so1 n'este caso1 compostos de muitos gros1 que se reuniram na sua queda4 ,,xvi ,o ,mar ,chamamos com este nome de ,mar todas essas immensas qualidades de agua1 que cobrem uma grande parte da ,terra4 ,os homens chegaram a ultrapassar 7pela sua industria7 esses abismos que pareciam abertos para os reter1 construiram navios1 e viajaram sobre as ondas1 que podiam tragal-os1 com mais commodidade1 e mesmo com mais segurana do que sobre as terras4 ,no doce1 e boa para beber a agua do mar1 como a das nascentes1 e rios2 ao contrario acre1 amarga e to salgada1 que excita nauseas violentas4 d'esta agua que se tira o sal1 de que se usa na cosinha4 ,para isso faz-se entrar a agua do mar em grandes tanques1 que tem smente algumas polegadas de profundidade2 o sol faz evaporar a agua1 e o sal fica em secco no fundo do tanque4 ,,xvii ,o ,homem ,das creaturas mais perfeitas que ,deus creou1 o ,homem2 ainda que vive como todos os animaes1 e est sujeito s mesmas necessidades -lhes comtudo to superior1 que no se deve estabelecer comparao alguma entre elles e o homem4 ,elle o chefe de tudo quanto abaixo de ,deus1 recebeu a existencia1 e o dominador da ,terra4 ,e donde lhe vem a sua superioridade8 ,da alma2 d'esta intelligencia celeste que ,deus lhe deu4 ,os animaes pensam smente em satisfazerem as suas necessidades2 o homem o unico que reflecte1 e sabe elevar-se ao conhecimento da ,divindade4 ,por isso chama-se ,razo o sentimento1 que dirige as suas aces2 e d-se somente o nome de ,instincto ao que faz obrar os animaes2 posto que esse instincto em varias cousas se torna superior s nosas foras1 e razo1 com o proprio influxo e direco das sabias determinaes que ora coarctam ora dirigem as aces dos animaes4 ,porm se o homem recebeu uma prerogativa to bella1 para se conduzir livremente com mais sabedoria2 quando abusa dos seus meios1 quando obra mal1 sabe-o1 torna-se culpado para ,deus1 o qual lhe deu luzes geraes para o esclarecer no caminho da vida4 ,os deveres dos homens para com ,deus esto consignados na verdadeira ,religio ,natural ou ,universal1 a qual se tem dividido em tres idades ,religio ,ante-,moysaica1 ,religio ,moysaica 7ou escripta7 ,religio e ,christ 7ou ,revelada74 ,em todas estas tres idades a ,religio ,natural sempre a mesma3 representando na #a4 idade o verdadeiro culto ,divindade na esperana do ,salvador2 na #b4 a confirmao1 e mais magestosa ractificao d'esse culto2 e na #c4 o complemento final d'esse culto na pessoa do mesmo verdadeiro e esperado ,messias1 ,nosso ,senhor ,jesus ,christo4 ,os deveres da ,religio em todas as suas idades basea-se em tres principaes deveres para com ,deus1 directa ou indirectamente4 ,deveres directos 7para com ,deus71 e indirectos 7para comnosco1 ou nossos similhantes74 ,estes deveres so obrigatorios1 ou prohibitivos1 aos quaes se oppoem o crime de commisso para com os primeiros1 ou de omisso para com os segundos4 ,em estes deveres se contam a celebrao do ,sacerdocio1 e mais sacramentos da ,igreja1 e seus deveres2 os mandamentos do ,decalogo e da ,igreja4 ,a vida do homem divide-se em quatro epocas2 a saber3--,a ,infancia at os #ae annos2 ,a ,juventude at os #ce2 ,a ,virilidade 7ou idade viril7 at os #ee2 e ,a ,velhice d'ahi por diante at o muito #ajj annos4 ,,xviii ,homens de differentes cores ,os homens variam de cor conforme os climas1 ou regies1 e terras que diversamente habitam2 por isso no so os homens todos brancos1 como os vemos na ,europa4 ,nos paizes quentes so trigueiros1 e mesmo pretos4 principalmente em ,africa que se acham povos inteiros1 e numerosos1 cuja pelle tam preta como o carvo2 chamamo-lhes negros4 ,os ,hotentotes1 os quaes habitam tambem esta parte do mundo1 tem uma cor bronzeada4 ,as differentes cores americanas so as de cobre1 e laranja4 ,os homens de maior estatura so os ,patagoens1 os quaes habitam a extremidade da ,america ,meridional3 tem commumente seis ps1 a seis e meio4 ,os ,laponios so ao contrario os mais pequenos3 no tem ordinariamente mais de quatro ps e meio1 esta a sua estatura ordinaria3 porm so fortes e robustos4 ,habitam um paiz frio1 e coberto quasi sempre de neve na extremidade septentrional da ,europa4 ,,xix ,os ,mineraes ,d-se o nome de mineraes s substancias que se tiram das minas1 isto 1 das excavaces que se fazem no seio da ,terra4 ,entre estas substancias necessario observar os metaes1 que nos so de grandissima utilidade4 ,estes metaes so o ferro1 cobre1 estanho1 chumbo1 ouro1 e prata4 ,o homem no s tornou em vantagem sua tudo quanto a ,terra produz na superficie2 mas at o que ella tem occulto nas suas entranhas4 ,,xx ,o ,ferro ,o homem no tem necessidade seno de purificar o ouro1 e a prata2 e -lhe necessario1 para assim dizer1 crear o ferro4 ,este metal1 tal qual a natureza nol-o d1 mui differente d'aquelle de que as artes usam4 ,esta arte sobe mais remota antiguidade1 e pode-se crr que o ente creador de todas as cousas o qual o faz nascer com tanta profuso por toda a terra1 suggeriu elle mesmo ao homem os meios de o adoptar s suas necessidades1 e de o fazer gozar de todas as vantagens1 que elle occulta2 pois que este metal to util apresenta-se debaixo de mil formas diversas na natureza2 e o que vs nunca pensaveis1 acha-se quasi em toda a parte2 acham-se partes d'elle na combusto de muitos vegetaes1 e pertende-se mesmo que o sangue que circula nas nossas veias1 lhe deve este vermelho1 que o cora4 por meio do fogo que se separa o ferro da terra com que est misturado2 e igualmente por meio do fogo que se trabalha1 e que se fazem com elle vasos1 alavancas1 pregos1 e mil outros instrumentos1 que nos so de grande utilidade2 sem o ferro nunca existiria um numero infinito d'objectos que augmentam as commodidades da vida4 ,o ouro1 que ns procuramos com tanta avidez1 muito menos precioso1 que este metal1 que nos parece to grosseiro4 ,o ao um ferro refinado4 ,,xxi ,o ,cobre ,de todos os metaes imperfeitos o cobre o que mais se aproxima do ouro1 e da prata2 se o no tivessemos1 haveria um grande vacuo nas produces as mais interessantes das artes4 ,porm as suas vantagens so bem compensadas pelas suas qualidades malfazejas3 exposto ao ar1 ou humanidade1 e muitas vezes por si mesmo1 cobre-se d'esta ferrugem conhecida pelo nome de ,verdete1 a qual muitas vezes converte nos vasos da cosinha em um veneno extremamente perigoso os alimentos que contem4 ,a estanhadura palla o perigo1 porem no o annulla inteiramente4 ,o mais prudente no usar d'este metal sem muito resguardo1 e limpeza4 ,o cobre derretido e purificado1 chama-se ,cobre vermelho4 ,ligando-o com o zinco que outra substancia mineral1 obtem-se o ,cobre amarello1 ou o ,lato2 misturando-lhe uma certa qualidade d'estanho produz-se o ,bronze1 ou o ,arame4 ,,xxii ,o ,estanho ,emprega-se o estanho de mil maneiras3 fazem-se com elle pratos1 colheres1 e vasos1 usa-se d'elle misturando-o com o chumbo para a estanhadura2 applica-se por traz dos espelhos para lhes dar este brilhantismo1 que lhe faz reflectir as imagens de todos os objectos4 ,,xxiii ,o ,chumbo ,as minas de chumbo so como as de ferro as mais communs em a ,natureza4 ,elle o menos precioso dos metaes4 ,como molle e facil a derreter1 fazem-se com elle os canos para conduzir as aguas1 e outras obras semelhantes a esta2 fazem-se tambem com elle as ballas de espingarda4 ,,xxiv ,a ,prata ,as principaes minas da prata em ,frana so as de ,santa ,maria nos ,vosges2 as de ,baigry nos ,altos ,pyreneus2 e as de ,chalanches perto de ,allemont no ,delphinado4 ,as minas da ,noruega so as mais importantes2 porem as mais ricas do mundo so as que se acham no cume das cordilheiras2 a ,natureza derramou ahi este metal com uma verdadeira profuso2 quasi todos os paizes da terra possuem minas d'este precioso metal1 porem observa-se que quanto as minas de ouro abundam nos paizes quentes1 tanto a prata parece amar as regies frias4 ,,xxv ,o ,ouro ,no porque nos seja o mais util1 mas porque o fizemos1 como a prata1 representativa de tudo quanto se pode comparar1 eis aqui em fim o metal que ns estimamos mais4 ,com tudo o ouro o mais perfeito1 por si mesmo dos metaes1 o mais pezado1 o mais denso1 e o mais ductil4 ,podem-se-lhe dar todas as formas1 pode-se applicar1 e extender em folha sobre superficies1 cuja grandeza comparada pouca materia de que se usou1 admira a imaginao4 ,o fogo1 menos que no seja excessivamente violento1 no produz sobre elle impresso alguma4 ,as minas mais abundantes de ouro so as do ,mexico1 e ,peru1 ultimamente as da ,california na ,america2 bem como tambem na ,austria1 ,siberia2 e acha-se tambem na area de algum rio em forma de palhetas4 ,,xxvi ,das cinco partes do ,mundo ,a terra a qual j dissemos que era redonda divide-se em cinco partes1 a saber3 ,europa1 ,asia1 ,africa1 ,america1 e novamente descoberta a ,ocenia4 ,a parte do mundo que ns habitamos a ,europa2 a menos extensa mas a mais povoada1 aquella onde as sciencias e artes so mais cultivadas4 ,os seus povos so brancos4 ,a parte meridional temperada1 e a do norte fria4 ,a ,asia tres vezes maior que a ,europa2 mas no tem povoaes proporcionaes4 ,os seus paizes meridionaes sentem calores muito grandes1 os do norte esto cobertos pelo gelo do inverno nos tres quartos do anno4 ,esta parte do mundo a mais rica em produces naturaes1 pedras preciosas1 perolas1 especiarias1 aromas1 e animaes4 ,a ,africa cortada ao meio pelo ,equador1 isto 1 achando-se directamente debaixo dos raios do sol offerece os climas mais quentes1 e por consequencia mui desertos4 ,veem-se ahi espaos immensos sem arvores1 e sem verdura onde cobre a terra uma areia secca4 n'ella onde se acham os homens mais pretos1 e os animaes mais ferozes4 ,a ,america a parte maior do mundo4 ,a ,asia1 a ,africa1 e a ,europa no a conheceram durante muito tempo2 os povos antigos nem ao menos suspeitaram a sua existencia4 ,foi somente no curso do decimo quinto seculo1 isto ha pouco mais de trezentos annos1 que ,christovo ,colombo teve a gloria de fazer conhecer esta metade do mundo outra4 ,a ,america produz uma quantidade infinita de metaes1 e mineraes2 o oiro que os europeos tem tirado d'ella incalculavel4 ,ha alli alguns paizes mui povoados1 mas ha outros onde se acha mui pouca povoao4 n'esta parte do mundo que existem os maiores rios da terra2 o maior de todos o dos ,amazonas1 o qual tem mil leguas de curso4 ,,xxvii ,diviso do ,tempo ,os homens sentiram a necessidade de estabelecer as divises do tempo para regular os seus trabalhos1 recordar os acontecimentos1 e combinar1 e designar os dias futuros4 ,a propria natureza indica essas divises4 ,j vos disse que a terra se volve sobre si mesma no espao de vinte e quatro horas1 e que esse movimento quem nos d alternativamente o dia1 e a noite4 ,essas #bd horas fazem o que se chama um dia4 ,este achou-se naturalmente dividido em quatro partes3 a manh1 o meio dia1 a tarde e a meia noite4 ,inventaram-se outras divises1 para maior commodidade3 so as horas4 ,contam-se #bd n'um dia1 isto 1 durante o tempo da luz1 e das trevas2 porm estas #bd horas esto divididas em duas vezes doze3 eis de tl-o visto em todos os mostradores1 os quaes no tem mais que esse numero de horas4 ,a hora foi subdividida em #fj minutos1 e o minuto em #fj segundos1 etc4 ,as #d estaes so3 a ,primavera1 em que nascem a verdura e as flores2 o ,estio1 em que se amadurecem os fructos da terra2 o ,outono1 em que se fazem as colheitas2 e o ,inverno tempo em o qual a terra em repouso toma novas foras soffrendo a intemperie dos ares 7pelos ventos1 frios1 neves1 gelos1 e tempestades74 ,dividem-se estas estaes mais simplesmente em duas partes1 a saber3 ,vero e ,inverno1 cada uma com seis mezes2 contando o vero desde o meio da primavera1 todo o estio1 e primeira parte do ,outono 7isto 1 meio de ,maio1 a meio de ,novembro17 e contando o inverno desde o meio de ,novembro e todo e inverno propriamente dito1 at meio de ,maio4 ,alm d'esta diviso natural divide-se o anno em doze mezes4 ,o mez um espao de #cj a #ca dias 7pouco mais ou menos27 o que se ve n'estes versos3 ,trinta dias tem ,novembro2 ,abril1 ,junho e ,setembro2 ,vinte e oito1 ou nove1 um e os demais trinta e um4 ,elles so1 pois ,janeiro1 ,fevereiro1 ,maro1 ,abril1 ,maio1 ,junho1 ,julho1 ,agosto1 ,setembro1 ,outubro1 ,novembro1 e ,dezembro4 ,o inverno comea a vinte e tantos de ,dezembro1 acabando a vinte e tantos de ,maro4 ,a primavera a vinte e tantos de ,maro a vinte tantos de ,junho4 ,o ,estio a vinte e tantos de ,junho a vinte e tantos de ,setembro4 ,o outono a vinte e tantos de ,setembro at vinte1 e tantos de ,dezembro4 ,os mezes tambem se dividem em #d semanas2 as quaes no o completam porque do somente #bh dias1 e os mezes tem #cj a #ca2 excepto fevereiro o qual tem #bh1 e nos annos bissextos1 isto 1 de #d em #d1 #bi4 ,a semana contm #g dias que so3 ,segunda1 ,tera1 ,quarta1 ,quinta1 ,sexta1 ,sabbado1 e ,domingo4 ,os ,christos comeam a sua semana pela segunda feira1 e o domingo o setimo dia de repouso4 ,os ,judeus tomam o ,sabbado por seu setimo dia de repouso1 contando o domingo como seu primeiro dia da semana4 ,os mahometanos tomam o seu primeiro dia no sabbado e o seu ultimo e setimo na sexta4 ,temos dois equinoxios1 e #b solsticios3 ,os primeiros em que as noites so iguaes aos dias em doze horas3 os segundos em que os dias e as noites entre si so ora maiores ora menores4 ,de #ba a #bb de ,maro o equinoxio da primavera4 ,de #bc a #bd de ,setembro o equinoxio do ,outono4 ,de #bc a #bd de ,junho o solsticio do estio1 em que os dias so maiores do anno 7isto 1 perto das #c at s #i da noite74 ,de #bj a #bc de ,dezembro o solsticio de inverno1 em que as noites so as maiores do anno 7isto 1 desde perto das #e da tarde at perto das #g da manh74 ,entende-se por um seculo o espao de cem annos4 ,por lustre o espao de #e4 ,por olympiada o espao de #d4 ,o nome1 a epocha d'este ultimo1 vem das festas que os gregos celebravam cada #d annos junto d',olympia na ,grecia4 ,,xxviii ,principaes povos e cidades da ,asia ,a ,asia tem mil e setecentas leguas de comprido1 e mil e quinhentas de largo4 ,seus principaes estados so3 ,turquia ,asiatica1 ,arabia1 ,persia1 ,india1 ,tartaria 7chineza1 independente1 e russiana1 na maior extenso e pouco povoada17 a ,china1 e o ,japo4 ,a ,turquia ,asiatica1 consideravel2 e tem a ,persia ao oriente2 o ,mediterraneo1 e o ,archipelago ao occidente2 ao meio dia a ,arabia1 e ao norte o ,mar-negro e ,persia4 ,tem magnificos fragmentos do seu antigo esplendor4 ,a ,arabia a maior peninsula do mundo1 de norte a sul com quinhentas leguas1 e de oriente a occidente quatrocentas1 ,meca e ,medina suas principaes cidades4 ,o grande imperio da ,persia1 cuja capital ,ispahan4 ,a ,india1 cujos principaes estados so o ,indosto1 ,visapor1 ,golonda1 ,bisnagar1 ,ava1 ,pegu1 ,araco1 ,sio1 ,camboje1 ,tunquim1 ,cochinchina4 ,o mais bello poderoso e antigo imperio da ,china1 com quinhentas leguas d'oriente a occidente2 e tresentas e cincoenta de norte a sul4 ,tem como immensa povoao as principaes cidades de ,pekin e ,nankin4 ,,prophecia ,de um ,lavrador velho e cego1 da freguezia da ,maia1 a qual foi achada debaixo do travesseiro1 depois do seu fallecimento4 ,cessem todos os estrondos ,para em bella harmonia ,ouam todos mais attentos ,esta real prophecia4 ,de um authentico ,soberano ,distincto e inspirado ,que alem de ser ,monarcha ,tambem tem prophetisado4 ,cujo ,soberano escreveu ,a qual me mandou lr ,do que no futuro anno ,n'este reino se ha de vr4 ,prophetisou que para o anno ,tudo o que fr vegetal1 ,causar terror e espanto ,no reino de ,portugal4 ,toda a terra portugueza ,dar fructo desmarcado ,como nunca se tem visto ,desde que o mundo foi creado4 ,as nabias daro grellos ,to altos e engrumados1 ,que d mastros de navios1 ,e serrando-os taboados4 ,cada nabo ser tal ,que se o escavar por dentro ,possa dar casa bastante ,para crte d'um jumento4 ,taes repolhos vereis creados ,em todos os repolhaes1 ,que o menor seja bastante ,p'ra pezar vinte quintaes4 ,pois s as folhas de fra ,d'aquelles mais bem creados ,podero servir de vellas ,para estender nos eirados4 ,as couveiras crearo ,to altos ps e grossos2 ,que d'elles se faro bombas ,para tirar agua dos poos4 ,vereis cebollas como pipas ,batatas como toneis ,tomates como gigas ,alhos como canistreis4 ,que s os dentes dos alhos ,to volumosos sero1 ,como que fossem quartos ,de aboboras ou de melo4 ,as pereiras daro peras ,to grandes e to bastas ,que uma s pera aos pedaos ,encha bem sete canastras4 ,taes limes vereis creados ,nos limoeiros azedos1 ,que um limo seja bastante ,p'ra carregar seis gallegos4 ,e que nozes to grandes ,se ho de ver pelas ,nogueiras1 ,que das cascas d'uma s ,se faro duas maceiras4 ,e do que tiver por dentro ,gostosos doces faro1 ,e muitas se ho de moer ,que no ho de dar mau po4 ,tambem promette abundancia ,de po trigo e centeio ,porque s cada espiga ,dar alqueire e meio4 ,as mulheres faro fogueiras ,queimaro fuzos e rocas ,por que ha de nascer linho ,prompto j em maarocas4 ,pois s cada melancia ,to grande ha de ser1 ,que precisem de dez homens ,com pancas para a mover4 ,da tona grossa e dura ,com talos to bem creados ,que s possam ser partidos ,com alvies ou machados4 ,cada videira do ,douro ,tantos cachos ha de dar ,que de vinho e bagao ,possa encher um lagar4 ,a cinco reis o almude ,quem quizer beber vinho ,do melhor do ,alto ,douro ,n'esta provincia do ,minho4 ,no tempo que o vinho fr ,a cinco reis o almude ,muito ha de haver quem diga3 ,c vae sua saude4 ,velhos e velhas vereis ,dar saltinhos de contentes ,porque at terceira vez ,lhe ho de nascer novos dentes4 ,at os brancos cabellos ,vereis tomar novas cres1 ,iguaes s d'aquelle tempo ,em que tinham seus amores4 ,os que forem corcovados ,a corcova ho de perder1 ,at cegos vereis com vista1 ,que j no esperavam vr4 ,tudo quanto tenho dito ,afiano e asseguro1 ,que se nada fr verdade ,ha de ser mentira tudo4 ,d'esta forma terminou ,esta real prophecia1 ,s a todos desejo ,vida1 paz e alegria4 ,,horas ,,planetarias ,nomes dos ,planetas ,saturno1 ,jupiter1 ,marte1 ,sol1 ,venus1 ,mercurio e ,lua4 ,domingo ,a #a4 hora quando nasce o ,sol1 e hora ,solar4 #b4--;de ,venus4 #c4--;de ,mercurio4 #d4--;de ,lua4 #e4--;de ,saturno4 #f4--;de ,jupiter4 #g4--;de ,marte4 #h4--;do ,sol4 #i4--;de ,venus4 #aj4--;de ,mercurio4 #aa4--;de ,lua4 #ab4--;de ,saturno4 ,e assim continuar1 segundo os nomes dos ,planetas2 isto 1 conforme o que se segue pelos nomes acima indicados4 ,segunda-feira #a4--;esta primeira hora como se tem dito1 da ,lua4 #b4--;de ,saturno4 #c4--;de ,jupiter4 #d4--;de ,marte4 #e4--;do ,sol4 #f4--;de ,venus4 #g4--;de ,mercurio4 #h4--;da ,lua4 ,e assim se vai proseguindo at pr-se o ,sol4 ,tera-feira #a4--;de ,marte4 #b4--;do ,sol4 #c4--;de ,venus4 #d4--;de ,mercurio4 #e4--;da ,lua4 #f4--;de ,saturno4 #g4--;de ,jupiter4 #h4--;de ,marte4 ,quarta-feira #a4--;de ,mercurio4 #b4--;da ,lua4 #c4--;de ,saturno4 #d4--;de ,jupiter4 #e4--;de ,marte4 #f4--;do ,sol4 #g4--;de ,venus4 #h4--;de ,mercurio4 ,quinta-feira #a4--;de ,jupiter4 #b4--;de ,marte4 #c4--;do ,sol4 #d4--;de ,venus4 #e4--;de ,mercurio4 #f4--;da ,lua4 #g4--;de ,saturno4 #h4--;de ,jupiter4 ,sexta-feira #a4--;de ,venus4 #b4--;de ,mercurio4 #c4--;da ,lua4 #d4--;de ,saturno4 #e4--;de ,jupiter4 #f4--;de ,marte4 #g4--;do ,sol4 #h4--;de ,venus4 ,sabbado #a4--;de ,saturno4 #b4--;de ,jupiter4 #c4--;de ,marte4 #d4--;do ,sol4 #e4--;de ,venus4 #f4--;de ,mercurio4 #g4--;da ,lua4 #h4--;de ,saturno4 ,e assim vae proseguindo1 dando hora do nascer do ,sol de cada dia o ,planeta d'aquelle dia1 assim como a oitava depois de ter nascido4 ,,conhecimentos ,,uteis ,no ,crescente da ,lua que se devem fazer as sementeiras e enxertias1 pr bacellos1 transplantar arvores1 e crestar colmeias1 tudo em dias de bom tempo1 antes que rebentem as arvores1 e o que mais se deve escolher a occasio da mar cheia4 ,as sementeiras no s devem ser feitas no ,crescente de ,lua1 mas bom que sejam feitas nos dias em que a ,lua anda ou faa conjuno nos signos de ,tauro1 ,cancer1 ,virgo1 ,libra ou ,capricornio e mar cheia4 ,no ,minguante da ,lua devem cortar-se as madeiras na fora do ,sol1 colher fructas para guardar1 cavar e podar as vinhas2 o melhor corte de madeiras quando est a mar cheia4 ,os melhores dias de caa so um dia antes e outro depois de qualquer aspecto de ,lua4 ,para caar aves1 lebres ou coelhos so bons os dias em que a ,lua ande ou faa conjuno nos signos d',aries1 ,tauro1 ,geminis1 ,leo1 ,virgo1 ,libra1 ,sagitario1 ,capricornio e ,aquario4 ,para pescar bom o quarto de ,lua em ,piscis1 ,cancer e ,escorpio4 ,nevoeiro4--,so nuvens terrestes que se levantam de lugares humidos1 e ficam espalhadas na atmosphera cuja transparencia toldam4 ,nuvens4--,so aggregados de vapores mais ou menos espessos e encamados na atmosphera aonde se condensam formando as nuvens e as chuvas4 ,chuva4--,as chuvas so nuvens grossas que se evaporam dos rios e do mar1 as quaes so elevadas pelos ventos a uma distancia immensa1 derramando sobre nossos campos a felicidade e a abundancia1 quando os regam e alimentam as fontes4 ,neve4--,a neve forma-se quando os vapores que cahem das nuvens se congelam pelo frio que os surprehendem1 e cahem ento em flocos mui alvos4 ,saraiva4--,se os vapores que cahem das nuvens teem tempo de formar pingas que o frio condensa1 cahem ento em granisos1 ou pedras d'agua com a mesma configurao e grossura1 que haviam de ter as pingas d'agua como chuva na sua queda4 ,orvalhos4-- um vapor subtil que se observa durante as noites e manhs da ,primavera1 ,vero e ,outomno1 e no mais do que um resfriamento que a terra experimenta quando cessa de estar exposta aos raios do ,sol4 ,relampagos4--,d-se este nome ao claro que precede o estampido dos troves1 e tem lugar todas as vezes que o fluido electrico passa d'um lugar para outro1 ou que duas nuvens carregadas d'electricidade chegam a encontrar-se4 ,trovo4-- o estrondo produzido pelo abalo que o ar recente no momento em que o fluido electrico se descarrega sobre uma nuvem ou sobre a terra4 ,pode ajuizar-se da distancia d'uma trovoada pelo espao que ha entre o relampago1 e o trovo ou por uma pulsao regular2 porque se o pulso bate quatro vezes entre o relampago e o som do trovo1 signal de que a trovoada est a quatro mil ps de distancia1 e se bate cinco vezes1 est a cinco mil ps etc4 ,raio4-- o fluido electrico espalhado na atmosphera1 que sahe com o estrondo da trovoada sobre a forma de fogo da parte da atmosphera em que estava accumulado1 e derruba1 mata e polvorisa aquillo em que toca ou acha com resistencia4 ,recommenda-se para seu defensivo a pelle do lobo marinho1 o loureiro1 e o agnus dei4 ,terra4--,a ,terra um globo achatado nos dous polos1 prova-se que redonda por que navegando-se de ,e4 para ,o4 volta-se ao mesmo ponto4 ,tem a ,terra #gbjj leguas de circumferencia1 e #a1ccj1jjj vezes mais pequena do que o ,sol1 e tem no obstante uma superficie de terras habitadas ou habitaveis1 e aguas1 que comprehende #bd milhes de leguas quadradas1 julga-se que as aguas cobrem mais das duas teras partes da superficie da terra4 ,divide-se o globo em cinco partes1 a saber3 ,europa1 ,asia1 ,africa1 ,america e ,oceania4 ,mr4 ,letrome1 segundo um calculo asss exacto1 pretende que em #gjj milhes d'homens1 pouco mais ou menos1 que povoam a terra1 ha perto de #bcj milhes de christos1 #aae milhes de mahometanos1 #e milhes de judeus1 e #cej milhes de politheistas1 povos que admittem mais d'um ,deus1 e grande numero d'absurdos4 ,atmosphera4--,d-se este nome massa d'ar que cerca a terra at altura de #bj leguas pouco mais ou menos1 e aonde se formam varios phenomenos e se reunem os gazes e exalaes seccas ou humidas1 e aonde se condensam e precipitam1 e finalmente aonde se formam as chuvas1 ventos1 saraivas1 troves etc4 ,anno ,solar4-- o tempo que decorre desde um ,equinocio at outro ,equinocio1 isto 1 #cfe dias1 #e horas e #di minutos4 ,anno ,civil4-- aquelle de que usam quasi todas as naes1 para contarem o tempo e as idades1 de #cfe dias1 e os bissextos de #cff dias4 ,mez ,lunar4-- o espao de tempo que decorre d'uma ,lua ,nova at outra ,lua ,nova1 e consta termo medio de #bi dias1 #ab horas1 #dd minutos e #b segundos4 ,cometas4--,o numero de ,cometas que se teem observado de algumas centenas e consistem em uma massa luminosa em frma de cabea1 acompanhada de um rasto luminoso1 chamado cauda2 o seu movimento irregular e tudo o que a respeito d'elles se tem calculado puramente hypothetico1 ha comtudo cometas cuja appario nossa vista se acha calculada4 ,os antigos consideravam os cometas como presagio de alguma grande desgraa1 hoje1 porm1 s algum ignorante poder de tal presuadir-se4 ,mars4--,ha dous fluxos e dous refluxos do mar no intervalo de cada #bd horas e #di minutos1 estes #di minutos o que as mars tardam em subir1 isto 1 #bd minutos cada mar1 juntando pois #bd minutos hora de cada mar teremos a hora da mar4 ,velocidade da luz do ,sol4--,gasta a luz do ,sol #h'1 para chegar terra1 isto 1 para percorrer os #cd milhes de leguas que nos separam d'aquelle astro4 ,norte4--,para se achar a estrella do ,norte1 prolonga-se em linha recta as duas estrellas a que chamam o leme e o prolongamento d'estas ir mostrar a estrella do ,norte4 ,methodo facil para observar os ,eclipses do ,sol4--,defuma-se em cima d'uma luz um pedao de vidro de vidraa1 at que se no veja nada por elle1 faa-se-lhe depois um pequeno buraco no meio1 descubrindo-lhe o fumo com a ponta do dedo pelo qual se pode observar o ,eclipse sem que faa mal vista4 ,sommar3-- ,signos1 gros e minutos #i #bd #ch #aa #cb #dg #i #bg #be ,,fim ,,da ,,setima ,e ,,ultima ,,parte