of public domain material from ,google ,book ,search7 ,,anthero ,,de ,,quental ,,oliveira ,,martins ,o critico litterario--,o economista--,o historiador--,o publicista--,o politico ,,lisboa ,,typographia ,,da ,,companhia ,,nacional ,,editora #ej1 ,largo do ,conde ,baro1 #ej #ahid ,,oliveira ,,martins ,,anthero ,,de ,,quental ,,oliveira ,,martins ,o critico litterario--,o economista--,o historiador--,o publicista--,o politico ,,lisboa ,,typographia ,,da ,,companhia ,,nacional ,,editora #ej1 ,largo do ,conde ,baro1 #ej #ahid ,os ,luziadas1 ensaio sobre ,cames a sua obra1 em relao sociedade portugueza e ao movimento da ,renascena1 por ,j4 ,p4 de ,oliveira ,martins4 ,porto1 #ahgb4 ,se a escla ethnologica est representada1 entre os escriptores novos1 pelo sr4 ,theophilo ,braga1 a escla social e historica--a unica1 talvez1 a que propriamente se devra dar o nome de philosophica--acaba de achar igualmente entre ns um digno representante num escriptor moo e do maior futuro1 o sr4 ,oliveira ,martins1 que num livro recente estudou1 a proposito de ,cames 7e para nos explicar ,cames71 a litteratura portugueza do seculo ,,xvi1 no ponto de vista largo e comprehensivo1 ao mesmo tempo politico e psychologico1 que caracterisa esta ultima escla4 ,neste ponto de vista1 a litteratura de um povo1 considerada como um todo symetrico1 uma obra gigantesca e collectiva1 apresenta-se como a expresso do seu espirito nacional1 determinado no por tal ou tal elemento primitivo e1 por assim dizer1 physiologico1 mas pelos elementos complexos1 uns fataes outros livres1 uns criados outros herdados1 cuja synthese constitue a ida da sua nacionalidade--raa1 instituies1 religio1 tradio historica e vocao politica e economica no meio dos outros povos4 ,a ida nacional1 na sua evoluo1 determina gradualmente o que se pde chamar o temperamento da nao2 e1 se esta surda fermentao se manifesta em tudo1 nos seus actos e nos seus pensamentos1 revela-se sobretudo na sua imaginao1 isto 1 no seu ideal1 cuja expresso mais livre a arte e a litteratura4 ,nesta invisivel circulao da seiva interior ha periodos1 periodos de revoluo1 de progresso1 de retrocesso1 de incubao ou de plenitude de foras3 a estes correspondem invariavelmente os periodos artisticos e litterarios1 com suas variaes de intensidade1 lenta formao de esclas1 morbidos estacionamentos1 subitas e inflammadas florescencias4 ,e1 como nesta vegetao collectiva1 cada ramo1 cada folha1 cada fructo1 se alimenta com a seiva commum e tem uma vitalidade proporcional fora que trabalha o grande tronco1 o espirito individual acompanha o espirito nacional nas suas evolues1 gradua pela delle a sua intensidade3 a sua liberdade interior tem por limites1 realisando-se1 as condies do meio em que se desenvolve1 e o genio do artista1 do poeta1 ainda quando protesta e se revolta1 sempre adequado ao genio do seu povo e da sua poca4 por aqui que a historia litteraria se liga philosophia da historia1 ou antes1 que faz parte della4 ,as grandes pocas litterarias coincidem com as pocas de plenitude do sentimento nacional1 aquellas em que esse sentimento1 tomando consciencia de si1 se revela em obras harmonicas e complexas1 que so como que o fructo definitivo da lenta elaborao das instituies1 dos costumes1 dos pensamentos4 ,reaes e juntamente ideaes1 essas obras supremas dizem-nos ao mesmo tempo o que um povo foi e o que quiz ser1 descobrem-nos a sua aspirao intima e marcam os limites dentro dos quaes lhe foi dado realisal-a4 ,so o commentario moral das revolues politicas e sociaes1 e como que os annaes da consciencia nacional3 e1 para a philosophia1 na consciencia que a historia encontra a sua explicao definitiva e a sua final justificao4 ,o que diz ,cames a quem1 depois de o ter lido com olhos de homem de gosto1 o rel com olhos de philosopho8 ,cames1 responde o snr4 ,oliveira ,martins1 diz-nos o segredo da nacionalidade portugueza4 ,houve1 com effeito1 uma nacionalidade portugueza--por mais estranha que esta affirmao nos parea1 a ns portuguezes do seculo ,,xix1 que no atinamos a encontrar no presente uma causa vivendi3 houve uma razo de ser tanto para as instituies como para os individuos1 e uma ida nacional1 espalhada como a alma collectiva por todo este corpo1 ento vivo e agil4 ,e no s houve uma nacionalidade portugueza1 mas essa nacionalidade1 superior aos impulsos cegos da raa e fatalidade da geographia1 produziu-se como uma obra do esforo e da vontade1 no resultado de obscuros instinctos primitivos1 como um facto politico e moral1 no como um facto ethnologico4 ,quando em ,hespanha no havia ainda seno catales1 castelhanos1 leonezes e navarros2 em ,frana provenaes1 gasces1 borguinhes1 bretes2 em ,allemanha suabos1 austriacos1 saxes1 hanoverianos2 em ,italia tantos pequenos estados rivaes quantas cidades1 e no se fazia bem ida do que fosse ser hespanhol1 francez1 allemo1 italiano1 porque estas palavras ,frana1 ,hespanha1 ,allemanha1 ,italia designavam apenas vagas agrupaes naturaes e no grupos organisados--em ,portugal havia s portuguezes1 e ser portuguez tinha uma significao definida e precisa4 ,este o grande facto1 diz o sr4 ,oliveira ,martins1 que faz delle o seu ponto de partida3 daqui1 a coheso politica da nao2 daqui a sua physionomia moral4 ,essa coheso a unidade2 essa physionomia o patriotismo4 ,o patriotismo1 pondera acertadamente o sr4 ,oliveira ,martins1 cousa muito distincta do amor da terra3 e o patriotismo1 como os portuguezes dos seculos ,,xv e ,,xvi o conceberam1 foi um phenomeno moral quasi unico na ,europa de ento1 e que os tornou muito mais parecidos com os romanos antigos do que com os povos seus contemporaneos4 ,o patriotismo uma ida abstracta1 que excede a capacidade toda sentimental da raa2 o instincto naturalista da raa d o amor da terra2 no vai mais alm3 s a ida nacional pde dar o patriotismo1 comprehendido romana e portugueza4 ,o ,cid batalha mais de uma vez contra os castelhanos1 ao lado dos arabes2 o condestavel de ,bourbon vira a sua espada aventureira contra a ,frana que o viu nascer2 nem por isso deixa o ,cid de ser um typo de bravura idealisado pelos hespanhoes1 e o condestavel de ,bourbon um leal cavalleiro para todos os cavalleiros de ,frana2 mas os ,pereiras1 combatendo ao lado dos castelhanos em ,aljubarrota1 so malditos1 arrenegados2 e1 mais tarde o ,magalhes ser portuguez no feito1 porm no na lealdade3 apostataram da ida nacional4 ,eis a grande differena4 ,esta noo do patriotismo cria uma ordem de sentimentos particulares dos individuos para com a nao1 um modo de ser moral peculiar4 o dever patriotico1 como o comprehenderam1 em ,roma1 ,fabricio1 ,regulo1 ,cato1 em ,portugal ,castro1 ,albuquerque--o dever patriotico1 cuja expresso suprema o heroismo4 ,leia-se a historia da ,europa at ao seculo ,,xvi3 abundam os bravos1 mas difficilmente se encontraro os heroes1 segundo o typo magnanimo que a antiguidade realisou1 e que de novo e no seu ponto de vista realisou ,portugal durante os seculos ,,xv e ,,xvi4 ,no peito illustre lusitano havia ento alguma cousa de grande e transcendente1 que impellia a nao para um destino extraordinario e suscitava no meio della os heroes1 que deviam servir a ida nacional com a abnegao tenaz e superior com que se serve uma ida religiosa4 que o patriotismo uma especie de religio civil4 ,foi por essa religio que1 durante tres seculos1 nos erguemos no mundo1 para realisar um sonho gigantesco e quasi sobre-humano3 foi por ella tambem que cahimos exangues e desilludidos1 porque a realidade faltou ao sonho1 porque todo o sonho1 com o seu idealismo1 se exalta primeiro1 perturba depois1 transvia1 endoudece aquelles que envolve nas suas nevoas phantasticamente luminosas1 mas sempre enganadoras4 ,a poca nacional portugueza1 por excellencia1 o seculo ,,xvi4 ,tudo concorre ento para dar ao espirito dos portuguezes aquelle summo grau de tenso1 que produz os grandes movimentos nacionaes4 ,a nacionalidade rompe com impulso irresistivel os seus limites tradicionaes1 transborda fremente como um rio caudaloso1 e affirma-se na sua plenitude pelas descobertas e pelas conquistas4 ,dentro1 a sua fora o resultado da sua concentrao3 pela reforma dos foraes1 pela monarchia absoluta1 pela expulso dos judeus1 attinge o maximo de unidade politica1 social1 religiosa1 isto 1 o maximo de poder sobre si mesma4 ,esta energica coheso depura o sentimento nacional1 d-lhe uma segura consciencia de si1 e leva-o quelle grau de tenso em que o patriotismo1 exaltando-se1 se transforma numa especie de heroismo universal4 ,a nao faz-se heroe3 o heroismo a sua atmosphera ordinaria1 e todos participam mais ou menos desse contagio sublimador4 ,daqui1 uma concepo particular da vida social1 do direito1 do dever1 tanto para a nao como para os individuos4 ,ser portuguez alguma cousa de especial1 um typo sui generis de virilidade e nobreza1 que todos procuram realisar1 e que a litteratura idealisa1 de que ella se inspira na phase nova em que ento entra4 ,com effeito1 a esta evoluo moral corresponde uma evoluo litteraria4 escla provenal-castelhana1 lyrica1 aventureira e romanesca1 succede a grave escla italiana1 com a feio nova que o espirito portuguez lhe deu1 adoptando-a1 isto 1 moral e pica4 ,ao trovador ,bernardim ,ribeiro1 ao popular ,gil ,vicente succedem ,s de ,miranda e ,ferreira1 dous romanos4 ,o velho typo cavalheiresco1 phantasioso e sentimental1 empallidece diante desse outro que surge1 nobre e digno1 quasi severo1 o homem do dever1 no da sensibilidade1 que ,joo de ,barros1 ,ferreira e ,miranda vo levantando1 e que ,cames vir collocar sobre o sublime pedestal pico4 ,este typo1 o verdadeiro typo portuguez do seculo ,,xvi1 como se revela nos ,lusiadas1 no com effeito uma mera inveno do genio de ,cames3 uma genuina criao nacional1 um ideal do sentimento collectivo1 que se foi gradualmente formando e depurando1 at encontrar no grande poeta quem lhe dsse uma expresso definitiva4 por isso mesmo que elle domina1 de toda a sua altura1 o pensamento e a obra de ,cames4 ,o que o poeta canta o heroismo portuguez3 o peito illustre lusitano3 e todo o seu poema se resume nisto1 como nesse poema se resume toda a vida moral portugueza durante um seculo4 ,a razo intima dos acontecimentos1 dos costumes1 das opinies encontra-se alli3 explicam-se por elle1 e s elles tambem o explicam completamente4 ,o poema e a sociedade so1 por seu turno1 texto e glosa que mutuamente se commentam4 ,neste ponto de vista1 historico e psycologico1 no no ponto de vista meramente litterario de uma esteril poetica de conveno1 que os ,lusiadas devem ser estudados e comprehendidos--e cabe ao sr4 ,oliveira ,martins a gloria de ter sido o primeiro a fazel-o1 a gloria de ter commentado philosophicamente os ,lusiadas4 ,a esta luz tudo se explica na concepo do poema e na substancia moral delle3 percebe-se a razo deste estranho phenomeno1 estranho e unico1 do apparecimento de um verdadeiro poema epico nacional em plena idade moderna4 ,isto em quanto concepo4 ,em quanto1 porm1 a certa ordem de sentimentos1 que1 no ponto de vista pico1 so secundarios1 mas que occupam um grande logar no poema1 para os comprehender faz-nos o sr4 ,oliveira ,martins considerar outro lado da physionomia to complexa de ,cames e da sua poca4 ,com effeito1 se ,cames um portuguez do seculo ,,xvi1 ao mesmo tempo um artista da ,renascena2 daqui todo um lado dos ,lusiadas1 que excede a ida nacional1 e por onde este profundo poema se liga1 no j vida necessariamente estreita de um simples povo1 mas ao vasto movimento do espirito humano nos tempos modernos4 ,sem este lado1 a significao dos ,lusiadas seria meramente nacional e local1 no europa e universal3 teriam s um valor historico e no philosophico tambem4 ,mas ,cames1 portuguez pelo caracter e pelo corao1 era pela intelligencia mais do que portuguez smente4 ,respirava a atmosphera subtil e vivificante da ,renascena3 no seu vasto espirito1 como no dos grandes artistas desse tempo1 havia um lado mysterioso e profundo que se virava1 no para o passado ou para o presente1 mas para o illimitado futuro1 presentindo j a revoluo moral dos seculos ,,xviii e ,,xix4 ,se ,cames1 como portuguez patriota e heroico1 como homem da ,renascena pantheista2 pantheista platonico e idealista1 j se v1 como ,miguel ,angelo1 ,leonardo de ,vinci1 ,shakespeare4 ,portuguez1 exalta os feitos por onde o seu povo conquista entre as naes um logar proeminente3 homem da ,renascena1 sente e interpreta a natureza com um naturalismo impregnado de idealidade1 que mais ainda o presentimento de um mundo moral novo1 do que uma imitao da antiguidade pagan4 ,o sentimento pantheista da natureza1 sentimento todo moderno1 e que devia mais tarde chegar plenitude em ,rousseau1 ,goethe1 ,hugo1 appareceu pela primeira vez em ,cames4 ,daqui1 o caracter do seu espanto em face dos grandes phenomenos maritimos2 daqui1 a concepo do ,adamastor2 daqui1 o sensualismo da primeira parte do canto ,,xi e o idealismo da ultima4 por este lado que ,cames toma logar entre os grandes espiritos1 os ,lusiadas entre as grandes obras dos tempos modernos4 ,a imaginao prophetica do poeta anticipa tres seculos na historia psycologica da humanidade4 ,com todos estes elementos1 uns portuguezes1 outros europeus1 uns locaes1 outros universaes1 recompe o sr4 ,oliveira ,martins a physionomia complexa de ,cames e dos ,lusiadas1 com uma lucidez e segurana de critica verdadeiramente surprehendentes para quem considerar a completa novidade do seu trabalho4 ,a sua luminosa synthese abraa o poeta1 a obra e a poca3 e pela pocha1 pelo poeta e pela obra faz-nos sentir a intima realidade da nao e a sua razo de ser historica4 ,e nessa mesma synthese comprehende-se tambem a sua decadencia2 triplice decadencia1 politica1 moral1 litteraria4 ,como8 pela decadencia da ida nacional4 ,com effeito1 o patriotismo heroico do ,portugal do seculo ,,xvi continha em si mesmo os germens da propria dissoluo4 ,era grande1 mas no era justo3 ora nada dura no mundo seno pela justia4 ,tinha fatalmente de se corromper essa orgulhosa ida nacional1 fundada na violencia da conquista1 na intolerancia religiosa e no despotismo politico4 ,os vicios interiores do organismo nacional appareceram bem depressa3 appareciam j no tempo de ,cames3 nos ,lusiadas encontram-se de vez em quando1 estrophes sombrias1 que so como um lugubre cras enim moriemur lanado no meio das alegrias daquelle festim heroico4 ,era o futuro velado e lutuoso que o poeta entrevia num deslumbramento prophetico4 ,a nao estava1 com effeito1 condemnada4 ,o heroismo que tem de durar1 lana as suas raizes na regio mais inalteravel1 mais incorruptivel da consciencia humana1 e as do nosso no chegaram l3 foi uma especie de sezo nacional2 no foi um acto reflectido1 filho da liberdade moral1 um esforo supremo pela justia2 foi apenas um egoismo sublime4 ,por isso1 martyres da propria obra1 a nossa quda foi cheia de tristeza e confuso1 nem nos ficou no rosto a serenidade luminosa dos verdadeiros martyres4 ,as paginas austeras em que o sr4 ,oliveira ,martins estabelece esta distinco entre o heroismo da consciencia e o da fatalidade1 e mostra ,portugal condemnado por aquillo mesmo que fizera a sua virtude e a sua grandeza1 so das mais gravemente pensadas que se teem escripto na nossa lingua4 a verdadeira philosophia da historia aquella sua1 que reduz e subordina toda a actividade humana consciencia e justia4 ,a injustia da ida nacional1 como os portuguezes ento a conceberam1 corrompeu gradualmente as instituies1 infiltrou-se nos espiritos e perverteu os costumes3 a sociedade1 minada interiormente1 vacillou1 em despeito do esplendor mentiroso que exteriormente a vestia1 e comeou a desabar4 ,o sr4 ,oliveira ,martins desenhou com mo segura e vivissimo colorido o quadro das implacaveis realidades1 que1 produzidas pelo heroico idealismo portuguez1 se viraram contra elle1 o viciaram e acabaram por destruil-o4 ,a nao1 atacada deste modo nos seus orgos mais vitaes e na mesma alma1 que podia produzir no mundo do espirito1 da arte1 da litteratura8 ,a decadencia social e moral tinha necessariamente de corresponder a decadencia litteraria4 ,um desregramento doentio das imaginaes privadas de ideal1 depois um estreito classicismo e uma poetica de academias1 succederam livre e fecunda expanso do genio portuguez no mundo do sentimento e da phantasia4 ,a ida nacional levou comsigo para a cova o segredo das criaes poeticas4 ,do seculo ,,xvi at hoje no produziu ,portugal uma unica obra artistica ou litteraria verdadeiramente nacional4 ,de vez em quando1 nalguns momentos excepcionaes1 o genio dalguns homens tem-se levantado como um protesto1 e tem-se visto ainda uma ou outra obra viva4 ,mas essa inspirao toda individual1 no nacional3 um producto natural que pde demonstrar que a raa no morreu com a nacionalidade1 no filha de um sentimento commum e como que organico da sociedade portugueza4 ,a decadencia nacional o grande facto inexoravel da nossa historia1 vai em tres seculos3 a decadencia litteraria uma frma della1 nada mais4 ,decadencia irremediavel8 pergunta o sr4 ,oliveira ,martins1 nas ultimas paginas do seu livro4 ,no6 responde-lhe a philosophia revolucionaria4 ,a nossa renovao moral e litteraria ser possivel no dia em que1 pela reforma das instituies sociaes1 por uma nova e melhor comprehenso da justia1 comece outra vez o espirito a circular neste grande corpo1 mais inerte ainda do que acabado1 volte a animal-o uma alma1 um ideal collectivo4 ,ento ,portugal ter de novo uma razo de ser1 e a ida nacional1 mais brilhante e mais quente depois do seu eclipse secular1 far rebentar outra vez fructos e flores deste cho endurecido sim1 mas debaixo do qual ha ainda 7embora a grande profundidade7 fontes vivas em abundancia4 ,as grandes aces sero outra vez possiveis1 e um melhor e mais alto heroismo2 por elle sero no s possiveis1 mas quasi inevitaveis os grandes pensamentos poeticos4 ,a renovao litteraria de ,portugal correlativa com a sua renovao social e est dependente della3 a concluso do livro do sr4 ,oliveira ,martins1 concluso que todos devemos aceitar1 no como uma vaga esperana1 mas como uma verdade philosophica cuja realisao no depende seno do nosso esforo1 da energia do nosso sentimento moral4 ,somos os operarios do nosso proprio destino1 e desde j as nossas mos o vo aperfeioando3 ter a frma que lhe dermos4 ,neste trabalho solemne da renovao nacional1 grande a tarefa que est talhada para a gerao nova1 e immensa a sua responsabilidade6 ,estar ella1 pela intelligencia e pelo corao1 pela sciencia e pela virtude1 altura desta obra austera e formidavel8 ,muitos o duvidam1 vendo-lhe no rosto uma pallidez de mau agouro444 ,no me cabe a mim decidil-o3 direi smente que 7quaesquer que tenham de ser os nossos destinos7 para darem testemunho das intenes srias de uma parte consideravel da nossa gerao1 do seu espirito renovador1 da sua aspirao a uma melhor sciencia1 bastaro em todo o tempo obras como a ,historia da litteratura portugueza1 do sr4 ,theophilo ,braga1 e o ,ensaio sobre ,cames1 do sr4 ,oliveira ,martins4 #i de maio de #ahgb4 ,theoria do socialismo1 evoluo politica e economica das sociedades da ,europa3 por ,j4 ,p4 de ,oliveira ,martins4 ,lisboa1 #ahgb4 ,i ,pelo assumpto do livro1 pela maneira porque nelle se resolvem as questes que o assumpto envolve1 e pela muita amizade1 alm da affinidade de crena philosophica e politica1 que me liga ao autor1 estava eu obrigado a fallar publicamente desta recente e por tantos lados notavel obra do sr4 ,oliveira ,martins4 ,se o no tenho ainda feito1 contando o livro perto j de tres mezes depois de publicado1 porque preoccupaes de outra natureza1 envolvendo dispendio de tempo e de atteno para coisas bastante differentes1 me teem totalmente impedido4 ,agora mesmo1 s lhe poderei consagrar uma rapida noticia1 expondo apenas a impresso geral1 que uma primeira leitura1 por varias occasies interrompida1 me deixou1 tanto dos defeitos como das srias qualidades1 que avultam na ,theoria do ,socialismo4 ,comecemos pelos defeitos1 e pelos pontos em que discordo 7sem pretender por modo algum incluir estas divergencias no numero dos defeitos7 da maneira de vr do autor4 ,depois1 mais desassombrados1 apreciaremos o pensamento essencial da obra4 ,os defeitos so1 me parece1 exclusivamente de frma e composio4 ,ha uma ida fundamental no livro1 que determina uma linha logica1 desenvolvendo-se sem solues de continuidade da primeira at ultima pagina2 ha1 nos pontos que essa linha percorre1 uma successo natural correspondente ao encadeamento normal dos principios e dos factos na sciencia e na historia4 ,o que falta1 porm1 uma definio cathegorica da ida geradora1 e uma exposio precisa e desenvolvida dos principios1 de tal sorte que estes no se entrevejam smente1 mas appaream de facto como a razo sufficiente dos phenomenos historicos e a elles adequados4 a esta falta que se deve attribuir a difficuldade e obscuridade que encontram as intelligencias no preparadas por uma conveniente educao philosophica 7e so muitas1 desgraadamente7 em certas partes desta obra1 alis methodica e bem deduzida4 ,quero com isto dizer que no da ida que provm a obscuridade1 mas da composio e do estilo4 ,bastava que o autor tivesse dado s theses1 que precedem cada um dos seus capitulos1 um desenvolvimento proporcional1 em vez de as encerrar em formulas1 s vezes um tanto algebricas1 e que nas suas exposies de principios arejasse um pouco o estilo1 tornando-o mais ductil e menos technico1 para que as abstraes philosophicas se tornassem accessiveis ao simples senso-commum1 a que se reduz o criterio de #ij por cento dos leitores portuguezes4 ,fao estes reparos1 no s para que as pessoas que no comprehenderam bem certas paginas do livro do sr4 ,martins se convenam de que essa obscuridade nada depe contra a verdade e lucidez da ida fundamental delle1 como tambem por entender que o estilo nas obras no litterarias1 e at nas de sciencia pura1 no deve ser considerado como coisa accessoria e secundaria4 ,certamente que no aconselho aos homens de sciencia que faam estilo2 mas que tal conselho no o daria tambem aos literatos e aos poetas4 ,para mim1 entre ter bom estilo e fazer estilo ha uma differena essencial3 ter bom estilo significa ter o estilo proprio e conveniente das idas que se expem2 fazer estilo significa encobrir a falta de idas com phrases redundantes e apparatosas1 com aquelles persicos apparatus que j ,horacio queria banidos dos festins e1 com maior razo ainda1 do discurso4 ,pde haver1 e ha effectivamente1 bom estilo at nas sciencias mais rigorosas1 naquellas a que os espiritos vasios1 que querem campar de poeticos1 chamam aridas3 ha bom estilo em mathematica1 por exemplo1 e em chimica3 ,lagrange passa por ter escripto algebra com uma elegancia e belleza verdadeiramente classicas2 em chimica1 gosa hoje de igual reputao o illustre ,wurtz4 ,mas deixemos isto1 porque no sobre esthetica que me propuz escrever4 ,direi smente que o sr4 ,o4 ,martins nunca faz estilo1 exactamente porque tem muitas idas2 mas que1 por no dispr s vezes convenientemente as suas idas1 consoante os respectivos valores1 cum pondere1 numero et mensura1 deixa passar certas paginas1 que1 sem injustia1 podemos acoimar por no terem bom estilo4 ,tomarei tambem nota de alguns pontos em que no concordo com o modo de vr do autor da ,theoria4 ,no que essas divergencias de opinio sejam muito profundas1 quero dizer1 que versem sobre pontos essenciaes da doutrina do livro3 so1 pelo contrario1 exotericas1 e versam exclusivamente sobre certas apreciaes historicas1 indifferentes em grande parte concluso geral que o autor tira da evoluo das sociedades na ,europa desde a poca romana4 ,essa concluso a minha tambem1 como o leitor ver3 e se tomo nota destas divergencias1 porque no me apraz estar completamente de accordo com quem quer que seja1 maximamente com aquelles cuja intelligencia prso e respeito--e desejo deixal-o registado4 ,custar-me-hia tanto no concordar em ponto algum com o sr4 ,o4 ,martins1 como concordar em todos absolutamente4 ,espero que o leitor comprehender1 sem mais explicaes1 o que quero dizer4 ,discordo pois1 da maneira porque o sr4 ,martins encara1 na sua generalidade1 a ,idade-media1 considerando-a como um periodo de retrocesso em relao civilisao greco-romana1 durante o qual os elementos evolutivos dessa civilisao estacionassem 7experimentando alguma coisa analoga quillo a que em physiologia se chama interrupo de desenvolvimento71 em virtude das sabidas causas ethnologicas1 sociaes e moraes que determinaram a dissoluo do mundo antigo1 de tal sorte que todo o movimento europeu1 durante aquelles nove a dez seculos1 se reduzisse1 de um lado1 tradico greco-romana1 no que ella tinha de j definitivo e no evolutivo1 isto 1 o ,cristianismo e o ,imperio1 e do outro lado1 ao reapparecimento de elementos primitivos1 os ,barbaros1 que apenas repetem extemporaneamente phases sociaes1 que a civilisao antiga1 havia j seculos1 tinha atravessado4 ,daqui parece o autor concluir que a evoluo normal da civilisao foi perturbada1 durante um certo periodo1 pela introduco violenta de elementos estranhos1 constituindo uma como massa indigesta1 cuja laboriosa digesto produzindo uma lethargia secular1 explica sufficientemente a interrupo de desenvolvimento que descobre na idade-media4 ,esses elementos anormaes1 que a civilisao teve de digerir durante mil annos1 para poder reatar os termos logicos da sua evoluo 7seculo #e41 seculo #af471 foram1 de um lado1 o ,cristianismo com o seu ,santo ,imperio1 do outro lado os ,barbaros com o seu sistema feudal4 ,ora1 de mais de uma pagina da ,theoria concluo eu que1 no pensar do sr4 ,martins1 nenhum destes dois phenomenos inherente evoluo1 pois que v nas invases barbaras s um phenomeno ethnologico e como que uma fatalidade natural1 e no ,christianismo uma mera reaco religiosa1 um recrudescimento anomalo de transcendentalismo1 quando j pelo ,estoicismo1 de um lado1 e do outro pelo ,epicurismo1 entrava o espirito humano na larga estrada da philosophia natural1 e entrevia no horisonte a luz salvadora da ,immanencia4 ,a concluso a tirar que1 sem estes elementos perturbadores1 no teria havido interrupo de desenvolvimento1 seriam poupadas ,humanidade as agonias da sua paixo 7como ,michelet chama ,idade-media71 o seculo #af4 teria cado no seculo #f41 e ns hoje estariamos j aonde s estaremos no seculo #cj4 ,se estas concluses que no esto explicitas no livro do sr4 ,martins se contem realmente nos seus principios1 tenho a objectar-lhe1 antes de tudo1 que implicam at certo ponto contradico com a sua ida fundamental1 isto 1 a ,evoluo como lei primeira da ,civilisao4 ,que uma circumstancia ou uma serie de circumstancias exteriores e fataes possam produzir numa civilisao no smente uma interrupo do desenvolvimento1 mas ainda uma atrophia permanente1 comprehende-se e em nada contradiz a ida da ,evoluo4 ,mas o que a contradiz e o que no se comprehende que essa atrophia temporria ou permanente possa ser expontanea1 e saia como um termo necessario da mesma evoluo1 cuja essencia o desenvolvimento4 ,ora1 ainda concedendo que os ,barbaros estejam no primeiro caso 7e no me parece que estejam absolutamente1 porque que se as invases barbaras so um phenomeno natural e fatal1 e um agente exterior1 a fraqueza interna de uma civilisao1 que succumbe barbaria1 tem por fora de ter uma causa tambem interna1 que preciso determinar71 o ,cristianismo que necessariamente estaria no segundo1 e teriamos assim1 neste ponto1 a evoluo embaraando-se e contradizendo-se a si mesma4 ,logo1 uma de duas3 ou a evoluo1 em determinados casos1 pde suspender-se expontaneamente1 e no s suspender-se1 mas at retroceder e annullar-se a si mesma1 o que contradictorio com a sua ida essencial2 ou no houve realmente na ,idade-media um retrocesso geral e atrophia dos elementos evolutivos1 e necessario procurar no estudo comparativo dos elementos immediatamente anteriores e posteriores a essa idade a existencia de um quid intimum1 cujo desenvolvimento1 assegurando o resultado total da evoluo1 como sendo-lhe essencial1 pde ao mesmo tempo1 pela sua particular natureza1 suspendel-a parcialmente1 durante um certo tempo e em determinados pontos4 ,regeitando a primeira hypothese1 como envolvendo um absurdo1 fica-nos a segunda1 que no s tem a plasticidade sufficiente para se accommodar explicao dos phenomenos divergentes e apparentemente contradictorios de um periodo to complexo e revolto como a ,idade-media1 mas encerra alm disso um real valor philosophico1 fazendo entrar na historia uma das idas fundamentaes das sciencias da organisao1 a ida de crise1 e estabelecendo assim entre o mundo da vida e o do espirito uma concordancia de bastante alcance4 ,nestes termos1 diremos que no se deu na ,idade-media uma interrupo do desenvolvimento1 mas sim uma de aquellas crises organicas que so proprias e expontaneas na evoluo dentro do mundo dos organismos--fazendo entrar neste a historia1 como uma frma organica superior e transcendente4 ,crises taes so um resultado do mesmo desenvolvimento dessa ordem de foras complexas 7que no so independentes e apenas paralelas1 mas convergentes e solidarias7 que actuam segundo leis analogas1 tanto nos organismos como nas sociedades e no espirito4 ,v-se claramente como desta solidariedade e convergencia1 combinadas com a aco desigual das circumstancias exteriores sobre cada uma dessas foras1 resultem para muitas dellas desencontros e periodos de estacionamento1 em quanto umas esperam para se desenvolverem que outras tenham attingido um dado grau de desenvolvimento1 sem se realisar o qual ellas mesmas no podem continuar a sua evoluo4 assim que o sabio paleontologista ,g4 de ,saporta 7,origens da vida sobre o globo71 comparando a evoluo solidaria dos reinos animal e vegetal nas idades primitivas1 nos mostra o primeiro1 depois de ter percorrido successivamente uma serie ascendente de typos1 estacionar durante muitos milhares de annos1 espera que o secundo1 cujo desenvolvimento1 por causas em parte desconhecidas1 fra mais demorado1 attingisse aquelle termo de ascenso1 sem se realisar o qual no podia o reino animal continuar o seu progresso especifico4 ,se considerarmos 7com depois dos trabalhos de ,darwin e ,haekel no podemos deixar de considerar7 que os chamados reinos animal e vegetal no so smente paralelos mas solidarios1 e constituem realmente um s mundo organico1 teremos um facto consideravel1 que a paleontologia nos aponta1 o exemplo de uma immensa e prolongadissima crise1 que esse mundo atravessou1 a maior porventura que elle tem atravessado4 ,ora exactamente uma crise analoga que eu sustento ter soffrido a sociedade europea durante o periodo da ,idade-media3 o reino social e politico1 depois de rapido e ininterrupto progresso realisado desde ,homero at aos ,antoninos1 teve de estacionar1 esperando que o reino moral1 atravez das varias especies do cristianismo e da philosophia escolastica1 chegasse a um grau de desenvolvimento paralelo ao seu1 que lhe tornasse possivel continuar a progredir4 ,a solidariedade entre o progresso social e moral da humanidade1 de um lado e do outro o desigual desenvolvimento destes dois elementos1 bem patente no facto singular 7que alis se explica7 de ter o mundo antigo produzido o direito romano sem sair do polytheismo1 do cabalmente1 me parece1 a razo sufficiente deste desencontro de foras1 cujo resultado foi a grande crise da ,idade-media4 por tudo isto que1 a meu ver1 a ,idade-media no pde ser reduzida1 como parece fazel-o o sr4 ,martins1 a uma simples tradico e a um periodo de atrophia dos elementos verdadeiramente evolutivos do mundo greco-romano4 ,para mim1 so verdadeiramente evolutivos todos os elementos da idade-media1 e a idade-media contm todos os elementos evolutivos da civilisao antiga3 smente o grande desenvolvimento e as posies respectivas que so differentes4 ,considero o cristianismo como essencial evoluo2 mais1 como o termo necessario de todo o movimento moral da antiguidade3 para mim1 no s no foi elle um incidente perturbador1 mas no foi de modo algum um incidente4 ,a transcendencia1 preparada e organisada por todas as escolas philosophicas desde ,socrates at aos ,alexandrinos1 incluindo os ,estoicos e at os ,espicuristas 7cuja metaphisica era to idealista e a moral to mystica como as das outras escolas1 e que no foram1 como a alguns tem parecido1 os precursores incompris dos racionalistas e naturalistas modernos71 a transcendencia1 phase necessaria do pensamento humano1 tinha forosamente de produzir uma religio analoga na essencia ao ,cristianismo2 ainda quando lhe faltassem os elementos1 quanto a mim puramente morphologicos1 da lenda oriental4 ,uma prova bem clara desta ultima assero1 encontro-a na reaco de ,juliano1 chamado o ,apostata1 cuja religio-philosophica no era menos transcendentalistica e mystica do que a cristan1 e que1 a ter vingado1 haveria produzido uma theologia e uma igreja exactamente como o ,cristianismo4 ,quero dizer que1 dado o estado moral da humanidade na ultima poca do periodo greco-romano1 se o cristianismo no era inevitavel1 o que era inevitavel era uma religio na essencia cristan1 isto 1 mystica4 ,a exaltao mystica1 que ento se apossou do espirito humano1 se foi um mal 7e no creio que o fosse absolutamente71 foi um mal necessario4 ,era um termo logico da ,evoluo2 e a ,idade-media1 que foi o desenvolvimento desse termo1 no pde por esse lado ser considerada como uma simples tradico4 ,em quanto aos ,barbaros1 bastar-me-ha dizer que no creio que fossem elles os destruidores da unidade romana1 por si no s prestes a desfazer-se1 mas j meia desfeita nos seculos #e4 e #d42 que sem elles o imperio ter-se-hia igualmente desmembrado2 que elles no impediram a extinco da escravido antiga nem a formao da burguezia2 que independentemente da influencia germanica1 j o feudalismo tendia a formar-se espontaneamente no imperio em dissoluo1 desde o seculo #d42 que finalmente1 muito antes das invases j as sciencias e as lettras tinham decaido1 e comera um entenebrecimento intellectual1 de que os barbaros no devem ser responsaveis2 bastar-me-ha dizer isto para que o sr4 ,martins aprecie as razes por que1 ainda por este lado1 nada encontro de anormal e de perturbador no curso da evoluo geral da civilisao durante a ,idade-media1 nem vejo que houvesse interrupo de desenvolvimento produzida por causas estranhas e fortuitas4 este o ponto principal da minha divergencia com o autor da ,theoria e por isso o expuz mais detidamente4 ,os outros1 que so ainda mais indifferentes ida geral do livro1 sacrifico-os1 para entrar quanto antes na apreciao dessa ida4 ,,ii ,feitas estas reservas1 passo a dizer alguma coisa sobre a ida fundamental da obra4 ,obra1 ponho eu aqui intencionalmente1 porque verdadeiramente uma obra1 e no apenas um livro1 a ,theoria do ,socialismo ,no uma simples exposio de factos historicos1 mais ou menos curiosos1 acompanhada de juizos e consideraes1 mais ou menos rasoaveis ou eloquentes3 um todo ordenado e systematico1 em que os factos e as idas se encadeam logicamente1 convergindo para um centro commum1 que o ponto de vista superior que os abrange e explica a todos4 um trabalho conjunctamente philosophico e scientifico1 em que as generalizaes formuladas pela sciencia historica recebem a sua sanco final dos principios racionaes em que assenta a philosophia da historia--tentativa semelhante na essencia e no methodo1 embora diversa nas concluses e inferior na execuo1 que realizou ,guizot na sua ,historia da ,civilisao na ,europa e ,michelet naquella admiravel ,introduco historia universal4 ,o sr4 ,martins no um erudito1 nem um philosopho de profisso3 mostrou porm ter sciencia bastante e sufficiente elevao de pensamento para nunca ser inferior ao que um tal plano requeria4 ,ora1 tentar isto1 e realisal-o1 apesar de muitos defeitos parciaes1 com exito feliz na generalidade1 raro merecimento e que sobejamente justifica1 me parece1 esta particular designao de obra que dei ao livro4 ,escriptos desta natureza e alcance em nenhuma litteratura so frequentes3 o do sr4 ,o4 ,martins affigura-se-me que por ora unico entre ns4 ,ainda assim1 no bem por isso que me congratulo1 mas por ver na ,theoria do ,socialismo um symptoma animador de franca e sria adopo da ida nova pelo espirito portuguez3 isto o que me faz saudar fraternalmente a obra e o autor4 ,socialismo para muitas pessoas uma palavra aterradora1 exactamente porque no para essas pessoas mais do que uma palavra4 para outras um symbolo magico e omnipotente abracadabra1 a quem tudo se pde pedir1 de quem tudo se deve esperar1 dotado sobrenaturalmente de uma virtude palingenesica para operar nas coisas humanas uma renovao total e universal1 uma regenerao instantanea e absoluta3 estes so os enthusiastas1 que encarnam na palavra socialismo os seus sonhos individuaes de felicidade1 em vez de simplesmente a considerarem como a expresso de uma ordem de phenomenos objectivos1 independente das imaginaes sentimentaes de cada qual1 e s adequada natureza das sociedades no seu desenvolvimento necessario4 ,apesar do que ha de respeitavel nos sentimentos desses crentes1 esto elles to longe como os outros de saberem o que realmente se deve entender por socialismo4 ,a uns e outros recommendo o livro do sr4 ,martins1 como muito proprio para lhes fazer perder tanto as esperanas como os terrores apocalypticos4 ,o socialismo no nem a subverso violenta das instituies e dos costumes1 nem a palingenesia messianica milagrosamente revelada1 para acabar para sempre com os males humanos1 por este ou aquelle inspirado propheta de tal ou qual cenaculo de crentes3 e no uma coisa1 exactamente porque no a outra4 ,no ha nisto paradoxo4 ,quero dizer que o socialismo no ameaa as instituies e os costumes1 que constituem o organismo e a tradio da humanidade1 precisamente porque no uma inveno do pensamento individual um systema sem raizes historicas1 exterior realidade social1 mas se1 pelo contrario1 da tradico e da historia1 a propria historia e tradico num periodo das suas transformaes continuas1 um parto da razo collectiva e um fructo natural do mesmo desenvolvimento da sociedade4 por isso que a no ameaa1 porque a sociedade no se destroe a si mesma3 desenvolve-se e transforma-se2 o socialismo no mais do que a palavra que quadra ao grau de transformao e desenvolvimento do momento actual4 ,o que foi no primeiro quartel deste seculo o liberalismo1 o que tres ou quatro seculos antes havia sido a monarchia1 e antes cinco ou seis as communas e o feudalismo1 o que ser manhan 7e j hoje comea a ser7 o socialismo3 um novo periodo e uma nova frma no organismo das sociedades europeas4 ,to inevitavel como aquelles1 ser como elles to benefico e to pouco subversivo1 sendo1 como elles foram1 no um resultado fortuito de opinies e interesses de individuos1 mas um facto necessario da ,providencia immanente na historia4 ,em que consista esse facto o que o sr4 ,martins1 fazendo-se interprete dos phenomenos sociaes1 se propz explicar1 e o que ns1 em companhia delle1 vamos examinar4 ,logo na primeira pagina do livro1 formula o autor a sua ida deste modo3 a theoria do socialismo a evoluo4--,desculpe-me o meu amigo se lhe fao ainda questo duma palavra1 mas o rigor nos termos no indifferente4 ,duma maneira geral1 a theoria do socialismo certamente a evoluo1 mas a evoluo dentro da historia e das coisas sociaes tem um nome mais particular e consagrado3 o ,progresso1 que a evoluo na srie da humanidade4 ,a evoluo abrange todas as sries do desenvolvimento no universo1 cosmologico1 geologico1 organico1 etc41 e por isso inclue a humanidade2 mas dentro desta particularmente o ,progresso4 ,diriamos1 pois1 com mais rigor3 a theoria do socialismo o ,progresso4 ,quizera tambem que o autor1 nessa sua primeira these1 tivesse definido com mais clareza e explicado com mais extenso esta ida4 ,mas no importa3 o que no se define totalmente nas primeiras paginas1 torna-se bem patente pelo livro adiante1 e isso o essencial4 ,o que o autor no diz mostra-o no encadeamento dos factos sociaes e na successo das doutrinas atravs da historia1 de sorte que o seu livro representa-nos em relevo essa grande lei do progresso nas suas phases verdadeiramente significativas4 ,ora1 qual o termo actual do ,progresso8 o socialismo1 responde o sr4 ,martins1 com a historia na mo4 ,mas que socialismo8 o de ,babeuf1 o de ,fourier1 de ,saint-,simon1 desta escola1 daquella seita1 no3 simplesmente o da humanidade4 nesta resposta que est a originalidade e a segura verdade do livro4 ,o socialismo no se de uma escola ou de uma seita3 se do mais fundo da consciencia humana1 affeioada por tres mil annos de progresso4 ,no uma experiencia2 um resultado4 ,resultado de que8 ,do triplo movimento moral1 politico e economico das sociedades4 ,abraa o homem todo1 e corresponde a uma nova concepo systhematica 7uma affirmao synthetica1 como dizem os positivistas7 do ,universo1 da vida humana e das relaes sociaes4 ,neste momento1 a evoluo das doutrinas philosophicas1 moraes e juridicas1 da sciencia economica1 dos phenomenos politicos e dos phenomenos economicos1 converge para um ponto central4 ,a esse ponto chamamos ns ,socialismo1 no porque coincida 7note-se bem isto7 com este ou aquelle systema dos que inventaram a palavra1 mas simplesmente porque vem satisfazer a aspirao commum a todos elles1 que os produziu e de que eram meros symptomas3 de tal sorte que at com alguns desses systemas pde estar em completa opposio o ,socialismo positivo1 como est1 por exemplo1 com o ,communismo4 ,desta tripla evoluo moral1 politica e economica resultam tres grandes concluses4 ,da evoluo no mundo moral resulta a autonomia absoluta da consciencia humana1 independente das pretendidas revelaes sobrenaturaes para descobrir a verdade e determinar a justia2 independente de qualquer auctoridade1 alm da sua propria1 para conhecer e praticar a lei moral4 ,da evoluo no mundo politico resulta a concepo da liberdade como o unico agente organisador e director da sociedade1 com excluso de qualquer principio anterior ou exterior ao direito individual1 de qualquer auctoridade que no seja a da propria liberdade sobre si mesma4 ,da evoluo no mundo economico resulta a affirmao do trabalho como a base unica justa do valor1 tendo por consequencias1 de um lado a egualdade dos trabalhadores perante o capital1 mero instrumento do trabalho e a elle sobordinado e garantido pelo credito e a mutualidade1 do outro lado a egualdade dos trabalhadores entre si1 pela diviso do trabalho1 que os torna solidarios e substitue anarchia da concorrencia individual a organisao das foras collectivas da produco--e tendo como resultados1 com a annullao dos privilegios capitalista e proprietario1 a consagrao da propriedade e do capital individuaes1 e a extinco da lucta das duas classes actuaes1 pela converso de ambas numa unica de trabalhadores eguaes e livres4 ,so estas as tres grandes concluses1 que desentranhando-se de um lento progresso secular1 comeam a patentear-se no estado actual das doutrinas e dos phenomenos moraes1 politicos e economicos das sociedades contemporaneas4 ,as phases desse progresso1 isto 1 o caminho seguido pela intelligencia humana e pelos factos sociaes para chegarem a estas concluses1 o que o sr4 ,martins histora com muita lucidez e sciencia no seu livro1 boa metade do qual consagrado a este trabalho de alta critica historica4 ,eu que1 nos limites estreitos deste esboo nem poderei sequer indicar1 com alguns nomes1 culminantes1 os principaes marcos miliarios no caminho deste jornadear da humanidade em busca dos seus proprios destinos4 ,mas que magestosa via crucis6 ,desde a doutrina da ,graa1 com ,s4 ,paulo e ,s4 ,agostinho1 atravez dos meandros da ,escolastica1 depois da inspirada philosophia da renascena e da philosophia mais scientifica do seculo ,,xvii1 chega o espirito humano a entrever com ,vico e os encyclopedistas a doutrina emancipadora da immanencia1 que no seculo ,,xix formulou de um modo cada vez mais positivo as escolas de ,hegel1 ,feuerbach1 ,comte1 ,proudhon4 ,evoluo paralela seguem as doutrinas politicas3 desde o omnis potestas a ,deo e a ,civitas ,dei1 atravez da politica theocratica de ,s4 ,thomaz e da politica ,cesarista de ,dante1 atravez do absolutismo da monarchia civil de ,savedra e ,bodin e do despotismo naturalista de ,machiavello e ,hobbes1 vae o principio tradicional da auctoridade recuando cada vez mais1 com ,grotius1 ,locke1 ,rousseau1 ,kant1 depois com ,fichte1 ,rittinghaussen1 ,proudon1 diante do principio racional e humano da liberdade1 at ser por elle absorvido1 at s ficar de p a consciencia juridica do homem1 tendo em si mesma a sua propria e absoluta sanco4 ,as doutrinas economicas1 que s no seculo ,,xviii se desembaraam das politicas1 galgam de um salto a distancia que vae da auctoridade 7proteccionismo7 liberdade1 e pela bocca de ,smith1 ,rossi1 ,bastiat1 ,stuart ,mill1 proclamam esta ultima1 completa1 universal4 ,ideas6 theorias6 sonhos6 diro alguns4 ,no6 realidades1 porque os factos vo seguindo1 par e passo o desenvolvimento das doutrinas4 ,a secularisao cada vez mais definida do estado e da sociedade2 a transformao das monarchias de direito divino em monarchias temperadas1 depois em democraticas1 depois em republicas populares2 os direitos individuaes inscriptos nas constituies2 a egualdade civil2 a liberdade da industria2 o nivelamento constante das classes2 a importancia crescente do povo trabalhador e das questes do trabalho2 o privilegio capitalista que por toda a parte reca1 batido j nos seus ultimos intrincheiramentos2 o capital que se faz povo1 que se faz multido1 e vae j passando para as mos do proletariado2 um novo mundo economico que emerge com fora do antigo cahos social3--so factos e no utopias1 e esses factos trazem comsigo a sua lio1 a sua doutrina4 ,no sois vs1 conservadores1 que tendes por vs a tradio da humanidade1 somos ns revolucionarios1 que temos1 com o futuro1 o passado por nosso lado1 o passado no que elle teve de melhor3 a aspirao da liberdade1 da igualdade1 da justia4 ,mas que immenso caminho andado6 ,eis-nos porta de um mundo novo6 novo e todavia feito todo com elementos1 que os tempos vieram lentamente accumulando4 ,organisar esse mundo a obra do socialismo4 ,no de destruio1 essa obra2 de edificao e de consolidao4 ,no ameaa um unico direito2 define-os a todos e d-lhes os seus justos logares4 ,numa palavra se encerra o socialismo3 organisao espontanea4 ,livre organisao da industria1 do trabalho1 do credito1 do capital1 do estado2 federao juridica e economica1 tudo pela liberdade e tudo para a egualdade2 ou como diz1 com expressiva conciso1 o sr4 ,oliveira ,martins uma unica lei1 o trabalho1 e uma unica norma1 a justia2 eis ahi como luz da philosophia da historia se deve comprehender o socialismo4 ,terei depois disto logrado fazer perceber ao leitor a essencial differena que existe entre a theoria historica e positiva do socialismo e o socialismo utupista das seitas8 ,ao mesmo tempo que sae da historia como uma natural evoluo1 perde elle para logo o caracter contradictorio1 problematico e1 para tudo dizer1 assustador1 com que a principio se apresentou no mundo4 ,alarga tambem o seu horisonte1 deixa de abraar smente uma ordem parcial de phenomenos sociaes1 para abranger todo o movimento renovador da humanidade contemporanea1 na philosophia1 na sociedade1 no estado e nas consciencias4 ,filho legitimo da historia1 deixa tambem de a contradizer no que ella tem de essencial1 a familia1 a propriedade1 a herana1 bases da sociedade1 duplamente consagradas pela razo e pela pratica e venerao das geraes4 ,no prope uma construco arbitraria e artificial da sociedade1 mas pretende smente ajudal-a no seu desenvolvimento organico1 segundo uma theoria estudada nella mesma1 nos seus antecedentes4 1 numa palavra1 verdadeiramente conservador o socialismo1 por isso mesmo que verdadeiramente progressista4 ,e se eu tivesse algum direito de em nome delle dar um conselho aos homens e aos partidos que1 por se julgarem conservadores1 entendem ter obrigao de combater uma philosophia social1 que no conhecem1 ou diria a esses illudidos3 ,fazei-vos socialistas1 se quereis realmente merecer o nome de conservadores1 que por ora no tendes sufficientemente justificado3 passae para este lado1 que onde esto os representantes da verdadeira tradio da humanidade1 tradio no de entenebrecimento e oppresso1 de odio e lucta systematica1 mas de luz e liberdade1 de paz e conciliao3 ou1 seno1 examinae pelo menos antes de condemnar1 informae-vos antes de amaldioar1 alis teremos de dizer que sois s conservadores da vossa propria ignorancia e obsecada paixo4 ,mas eu nao tenho direito de dar conselhos a quem no m'os pede nem me julga auctorisado a dal-os4 ,depois1 talvez este meu candido appello1 para a conciliao e a tolerancia1 seja ainda uma daquellas muitas utopias que s merecem um sorriso de desdenhosa compaixo dos homens praticos encanecidos no trato das coisas reaes do mundo444 ,talvez6 ,paciencia4 ,veremos o que o tempo praticamente responde a tudo isto4 ,fevereiro-,maro1 #ahgc4 ,le ,portugal contemporain--,oliveira ,martins ,en dehors de la littrature proprement dite1 le ,portugal ne possde aujourd'hui qu'un seul crivain rellement suprieur3 c'est ,m4 ,oliveira ,martins1 l'auteur de la ,bibliotheca das ,sciencias sociaes4 ,dfinir son genre et le classer d'un mot me semble chose presque impossible1 par la simple raison que ce mot n'existe pas encore3 socialiste a un sens en mme temps troit et vague2 sociologiste serait un barbarisme4 ,si1 depuis les ,grecs on a toujours crit l'histoire1 dissert sur la politique et plus ou moins observ l'conomie et les moeurs des nations1 ce n'est que depuis un demi-sicle peine qu'on a t amen tudier scientifiquement la ,socit1 en la considrant comme un tout naturel et rel1 dont les phnomnes sont susceptibles d'tre ramens des relations gnrales et fixes1 c'est--dire des lois4 ,de l la constitution d'un nouveau et dernier groupe de sciences1 qui est venu s'ajouter celles qui existaient dj3 le groupe des sciences morales4 ,m4 ,oliveira ,martins 7socialiste ou sociologiste1 comme on voudra7 s'occupe donc de sciences sociales1 et1 quoique jeune encore1 mrite1 par la profondeur de ses recherches1 l'originalit et l'ampleur de ses vues et la fermet de sa mthode1 d'tre rang parmi les mitres et promoteurs de ces tudes nouvelles4 ,en outre1 son estyle1 par ses qualits de vigueur1 de vie et d'lvation1 quoique trop souvent incorrect et dpar parfois par le mauvais got1 fait de l'auteur de la ,bibliotheca das ,sciencias un crivain de premier ordre4 ,les premiers ouvrages de ,m4 ,oliveira ,martins 7,theoria do ,socialismo et ,portugal e o socialismo71 parus ,lisbonne vers #ahgc et #ahgd1 appelrent sur les lvres du petit nombre de personnes en tat de les juger un ,tu ,marcellus cris6 prophtique4 ,touffus d'ides hardies1 mais encore mal dfinies1 et auxquelles manquait une base solide de connaissances positives1 obscurs et confus par le style1 ces deux livres dnonaient pourtant les matresses qualits qui font le penseur et l'crivain d'ordre suprieur4 ,en effet1 le germe des doctrines exposes plus tard dans la ,bibliotheca s'y trouvait dj formul ds la premire page dans ces mots3 ,la thorie du socialisme c'est l'volution41 ,depuis1 la pense laborieuse de notre auteur n'a fait qu'approfondir et dvelopper cette ide1 en l'tayant de solides tudes conomiques1 politiques et historiques4 ,laissant l la manire sche et troite des conomistes et leur mthode tout abstraite1 ,m4 ,oliveira ,martins conoit la socit comme un tout vivant1 un tre collectif qui1 comme l'homme lui-mme1 est la fois naturel et rationnel1 sujet dans son dveloppement la double action des lois de la nature1 auxquelles se rattache la sociabilit elle-mme dans ses formes primordiales1 et des principes juridiques et moraux qui sont le domaine propre et exclusif de l'humanit4 ,la lutte1 l'quilibre1 la pntration et l'opposition de ces deux lments constituent1 aux yeux de ntre auteur1 l'tre mme de la socit1 dont le dveloppement1 changeant et variable comme celui de toute chose vivante1 peut prsenter des aspects trs dissemblables et impropres3 rien n'y est absolu1 rien n'y est ncessaire1 hormis les lois gnrales de la nature et l'essence rationnelle et morale de l'homme4 ,la mthode des sciences sociales ne peut donc pas tre abstraite3 elle doit tre1 avant tout1 historique4 ,c'est ce point de vue1 et non pas seulement en naturaliste et conomiste1 mais encore en juriste et moraliste1 que ,m4 ,oliveira ,martins s'est plac pour tudier dans sa ,bibliotheca l'ensemble des phnomnes1--travail1 distribution1 proprit1 classes1 gouvernement1 juridiction1 culte1 etc41--qui constituent le vaste domaine1 encore imparfaitement jalonn1 des sciences sociales4 ,la ,bibliotheca comprend dj #ab volumes4 ,en outre1 ,m4 ,oliveira ,martins a publi un ,mmoire sur la ,circulation fiduciaire et diverses brochures se rattachant toutes aux questions sociales4 ,l'espace nous manque pour donner mme une courte analyse de chacun des volumes dj parus de la ,bibliotheca1 et il faut que je me borne l'exposition sommaire que je viens de faire des ides culminantes et de la mthode de l'auteur4 ,mais je dois au moins appeller l'attention des personnes comptentes sur deux de ces volumes 7,quadro das instituies primitivas et ,o ,regime das riquezas71 qui1 par leur grande originalit de vues et de forme1 mriteraient bien d'tre traduits en franais ou en allemand4 ,la fcondit de la mthode historique de l'auteur y devient vidente4 ,a l'encontre des conomistes orthodoxes1 qui desschent la ralit humaine dans leurs formules et prtendent rduire la vie de la socit une espce d'algbre inflexible1 ,m4 ,oliveira ,martins1 plongeant en pleine ralit1 nous montre l'origine variable et les formes multiples des institutions sociales assujeties dans leur dveloppement non des lois purement naturelles1 comme le prtendent les conomistes1 mais avant tout des raisons intimes et humaines4 ,jamais les fatalits naturelles n'y touffent compltement l'tre moral de l'humanit1 et1 mme dans ses formes premires et plus rudes1 la socit apparat comme le domaine de la libert4 ,la concurrence y joue un grand rle1 sans doute1 mais contrecarr ou endigu par des forces juridiques et morales4 ,la pure mcanique sociale1 telle que la rvent les conomistes1 n'y triomphe jamais non plus que cet individualisme abstrait qui serait plutt l'idal de la sauvagerie que celui de la civilisation4 ,celle-ci1 loin de marcher de plus en plus dans le sens des fameuses lois naturelles1 tend au contraire s'en affranchir1 et la socit1 dont l'idal est la justice et non la ncessit1 va graduellement se rapprochant de ce type de raison et de libert qui est l'tre mme de l'homme4 ,on voit1 par ce rapide aperu1 que ,m4 ,oliveira ,martins se rattache l'cole appel en ,allemagne des ,katheder-,socialisten3 il doit beaucoup aussi ce puissant penseur1 si mal compris encore aujourd'hui1 ,p4-,j4 ,proudhon4 ,mais1 socialiste doubl d'un historien1 il projette sur toutes ces questions une lumire qui les fait voir sous des aspects nouveaux en dehors du terrain forcment troit des coles et des discussions1 et dans les larges perspectives de la ralit4 ,l est1 mon avis1 sa principale originalit4 ,je voudrais tre bref2 mais je dois pourtant dire encore quelque chose des deux ouvrages 7,historia de ,portugal et ,portugal contemporaneo71 qui ,m4 ,oliveira ,martins a consacrs l'histoire de notre pays1 et qui se rattachent la ,bibliotheca1 plutt qu'ils n'en font partie4 ,a premire vue1 ces livres semblent ne devoir interesser que les seuls ,portugais2 on verra qu'ils ont une porte bien plus gnrale4 ,le ,portugal contemporain est une nigme que personne en ,europe ne comprend et dont1 mme chez nous1 bien peu de gens savent le mot4 ,on cite gnralement le ,portugal comme un modle des petits pays libres et sages3 pas de rvolutions ni de luttes de classes2 la paix1 le fonctionnement rgulier du rgime parlamentaire2 on l'oppose souvent l',espagne1 priodiquement convulsione4 ,et pourtant ce pays modle est--la ,turquie excepte--le plus mal administr qui soit en ,europe4 ,aprs #ej ans de paix1 sa dette publique est une des plus crasantes et elle s'accrot tous les jours1 car le budget portugais se solde rgulirement en dficit4 ,l'esprit publique est nul en dpit d'une multitude de journaux ordinairement phmres et tous plus insignifiants les uns que les autres1 et la politique est devenue l'apanage1 de haut en bas et de droite gauche1 d'une classe de gens peu prs ignares et tenus gnralement en estime mdiocre4 ,quant l'arme1 le moins qu'on en puisse dire est qu'elle est aussi fantastique que coteuse1 tandis que l'instruction populaire est lamentable et que l'enseignement suprieur 7a l'excepction de deux ou trois coles spciales7 est souverainemente pedantesque ou vide#a4 ,le seul sentiment national un peu perceptible est une espce de haine sourde et instinctive contre l',espagne1 qu'on ne connat pas1 et1 dans les classes cultives1 l'admiration bate de tout ce qui est franais1 qu'on suige tort et travers1 dans les lois1 les moeurs1 la litterature et la langue mme1 qui va s'adultrant de plus en plus4 ,voil1 on en conviendra1 pour une nation rpute le modle des petits pays sages et libres1 des aspects singulirement imprvus6 ,la raison de ce remarquable phnomne de pathologie sociale est que ,portugal est la seule nation en ,europe qui soit rellement vieille et caduque4 ,on peut lui appliquer les constitutions1 les lois1 les rglements et les phrases qu'on voudra2 rien n'y fait1 car il n'y a pas de stimulants pour la dcrepitude4 ,elle acceptera les liberts comme les coups1 les constitutions comme les pidemies1 avec le calme indiffrent de l'insensibilit et de l'inconscience4 ,de l sa paix profonde et son tonnante sagesse2 de l aussi un irrmdiable affaissement4 ,les contradictions sans nombre qui prsente notre tat social1 politique et intellectuel1 et qui droutent l'observateur 7pas un voyageur en ,portugal n'a compris ce pays71 n'ont pas d'autre raison4 ,les mots ne rpondent plus aux choses1 et les meilleurs lois ne sont que de petits chiffons de papier emports de ,france4 ,c'est un systme de mensonge naf et inconscient4 ,la ralit1 c'est cet affaissement irrmdiable d'un organisme national arriv l'extrme limite de ses forces vitales4 ,l'tiologie historique de ce cas remarquable a t faite1 pour la premire fois1 et suprieurement1 par ,m4 ,oliveira ,martins1 dans son ,historia de ,portugal1 tandis que son ,portugal ,contemporaneo fait toucher du doigt les contradictions incurables de la situation actuelle1 issue1 non de la raison consciente e d'un effort viril de toute la nation1 mais des illusions plus au moins gnreuses d'un petit nombre de rvolutionnaires et de l'atonie des masses1 sur lesquelles on faisait cette exprience doctrinaire3 in anima vili4 ,on y apprend connatre le quid spcial de la ,rvolution portugaise de #ahcd1 la fatalit qui y menait et qui changeant tout coup d'aspect1 allait prsider aux convulsions d'abord1 puis aux mcomptes1 aux dsillusions1 aux compromis lches1 et finalement au marasme actuel4 ,le ,portugal ,contemporaneo est l'histoire cruelle de cet avortement4 ,l'auteur y fait1 pices en main et pas a pas1 le procs de ce libralisme bourgeois1 en mme temps abstrait et utilitaire qui1 aprs #ej ans de domination inconteste1 aboutit une situation inextricable et de la dbcle imminente4 ,comme description dtaille d'un cas de pathologie sociale1 ce livre1 qui1 sous d'autres rapports1 n'interesse que les ,portugais1 peut offrir un intrt spcial toux ceux qui s'occupent1 en hommes de science et en philosophes1 des choses de la socit4 ,les causes premires de cette maladie profonde laquelle succombe actuellement la nation portugaise ont t mises en lumire par ,m4 ,oliveira ,martins1 dans son ,historia de ,portugal4 ,em #aehj1 aprs la catastrophe d',alcacer-,kibir1 le ,portugal tait rellement mort4 ,l'oeuvre fconde et glorieuse de sa vie historique tait accomplie2 mais l'ouvrier hroque gisait extnu4 ,l'application en grand1 pendant trois quarts de sicle1 d'un faux systme d'exploitation coloniale avait ruin le pays et troubl profondement sa constitution sociale3 le jsuitisme1 d'un autre ct1 avait paissi ou perverti son intelligence1 bris son ressort moral1 fauss son libre gnie1 et1 en touffant tous les germes de l'esprit moderne que la ,renaissance avait si abondamment sems1 paralys tout dveloppement ulterieur et tu l'avenir4 ,philippe ,,ii1 en runissant le ,portugal la couronne d',espagne1 n'a donc fait que cueillir un fruit mr4 ,l'histoire du ,portugal aurait d finir cette poque-l4 ,la restauration nationale de #afdj a t un fait en grande partie artificiel1 possible seulement par l'abbatement de l',espagne1 qui avait perdu sa force d'attraction4 ,le nouveau ,portugal1 qui commence cette date-l1 n'a rien de l'autre1 rien de sa force noble1 de son hardi gnie4 ,ce n'est qu'un triste btard1 un tre malingre et malvenu1 le produit artificiel de la diplomatie1 que son grand ami1 l',anglais hrtique1 protge1 rudoye1 amuse et exploite4 ,de sa seule force1 il ne tiendrait pas debout3 il est donc juste qu'il paye celui qui le soutient4 ,il le payera des restes de son noble hritage1 de ses colonies1 qui s'en iront l'une aprs l'autre grossir l'empire de la nouvelle reine des mers2 il le payera encore en traits de commerce1 qui le ruineront au profit de son loyal protecteur4 ,cela s'appella la glorieuse restauration portugaise de #afdj--oeuvre nfaste entre toutes1 qui dmembra l',espagne et compromit pour des sicles1 peut-tre pour toujours1 l'avenir de la peninsule ibrique4 ,mais1 ct de l',anglais hrtique1 le jsuite aussi avait travaill cette oeuvre glorieuse3 il reut sa paye4 ,on lui abandonna compltement l'ducation1 l'me de la nation4 ,le ,portugal a t1 pendant deux sicles1 plus encore que le ,paraguay1 le vritable paradis des jsuites4 ,leur produit spcial1 leur oeuvre de prdilection1 le cagot1 y arriva la plus merveilleuse perfection4 ,le cagotisme a t vritablement le trait1 le signe particulier du nouveau ,portugal3 c'est par l qu'il acquit une physionomie4 ,comme tat de psychologie collective1 il survcut la destruction des jsuites1 il a travers les rvolutions3 il s'est accommod du libralisme1 et1 chose surprenante1 de l'incrdulit elle-mme6 ,il dure toujours1 et la situation trouble1 maladive1 nigmatique d'aujourd'hui est avant tout son oeuvre4 ,voil1 aussi brivement que possible1 la vrit sur le ,portugal moderne4 ,cette vrit n'tait pas inconnue avant les livres de ,m4 ,oliveira ,martins3 on la pressentait plus au moins1 en ttonnant travers le brouillard d'illusions sculaires et officielles3 quelques-uns mme avaient os la formuler4 ,mais1 seuls1 les livres de ,m4 ,oliveira ,martins l'on dduite historiquement1 c'est--dire1 en prsentant nettement les faits et en les ramenant leurs causes4 ,dans ces livres si vivants1 si incisifs1 la forme est narrative et pittoresque1 le fond est philosophique4 ,c'est de la trs ferme tiologie historique4 ,en suivant l'histoire travers la varit anime des scnes et des personnages1 le lecteur s'aperoit tout--coup qu'on lui a fait une dmonstration en rgle4 ,ce n'est pas l une des moindres originalits de la manire de ,m4 ,oliveira ,martins4 ,du reste1 pour nous autres1 tout est original dans ces livres1 l'ide comme la forme1 le point de vue critique comme la manire raliste4 ,le ,portugal1 depuis sa ,rvolution1 n'avait encore eu qu'un seul homme suprieurement dou et fortement prpar pour le travail de l'histoire3 ,a4 ,herculano4 ,mais1 outre que ,herculano ne s'est jamais occup que de l'histoire anterieure #aehj 7qu'on peut considerer comme l'histoire d'une autre nation7 il tait trop dogmatique dans ses vues et trop raide et guind dans son estyle1 pour qu'on puisse trouver dans ses livres la vie et la philosophie1 c'est--dire l'me et la forme de l'histoire4 ,son oeuvre puissant d'effort et de savoir1 souvent loquente1 a suivi toutefois une direction trop particulire4 ,pour les autres qui se sont occups de l'histoire moderne du ,portugal1 ,rebello da ,silva1 en dpit de son admirable talent litteraire1 n'a t qu'un mdiocre rhteur3 ,pinheiro ,chagas n'est qu'un compilateur dnu de toute critique et mme de toute ide4 ,ceux qui ont os affronter les livres de ,m4 ,theophilo ,braga ont eu quelquefois la consolation d'y rencontrer l'ombre d'une ide neuve et juste et quelques aperus hardis ou ingnieux1 trop vite noys dans le fatras babylonien d'une rudition en dlire4 ,les ouvrages historiques de ,m4 ,oliveira ,martins restent donc originaux au premier chef et sans prcdents dans ntre litterature4 ,dans les litteratures trangres1 ils se rattachent surtout ,michelet et ,carlyle--avec moins d'imagination et d'intention potique1 mais avec plus de fermet et de largeur dans les vues4 ,vous allez croire maintenant que l'homme audacieux qui a os dire son pays les vrits les plus cruelles et les plus humiliantes pour sa vanit1 doit tre chez nous une espce de paria1 un lpreux tenu distance par le monde officiel1 quelque chose comme ,proudhon l'a t en ,france sa vie durant8 ,rassurez-vous4 ,m4 ,oliveira ,martins est membre de l',acadmie ,royale de ,lisbonne et de l',institut universitaire de ,coimbra4 ,il a vu un de ses livres1 et non pas des moins svres 7,a circulao fiduciaria71 couronn par cette mme ,acadmie ,royale4 ,le monde officiel le fte1 le choye1 l'aime de tout son coeur4 ,les ministres sont trs heureux quand il veut bien se charger de quelque travail qui demande beaucoup de savoir et beaucoup de dsinteressement4 ,je ne sache pas non plus que ces terribles livres aient eu de contradicteurs4 ,en un mot1 il ne tiendrait qu'a lui d'tre l'homme du jour dans le pays qu'il a si malmen4 ,etonnant1 n'est-ce pas8--,pour qui sait comprendre1 ce simple fait en dit plus long que de gros volumes6 #ahhd4 #a ,un seul fait suffira4 ,a l',ecole des hautes tudes litteraires 7curso superior de lettras7 de ,lisbonne1 la chaire de litterature ancienne est occup par un monsieur qui ne ne sait pas un mot de grec--et1 chose plus curieuse encore1 parmi les membres du jury de concours qui l'a reu 7compos de professeurs du dit ,curso superior et de membres dlgus de l',acadmie royale de ,lisbonne71 pas un seul non plus ne connaissait le grec6 ,oliveira ,martins e o partido progressista ,,carta ,a ,,sebasti,o ,d',,arruda ,,da ,,costa ,,botelho ,villa do ,conde1 #a de agosto de #ahhe ,meu ,sebastio 4444444444444444444444444444444444444444 4444444444444444444444444444444 ,mando-te esses numeros da ,provincia para veres o caracter imponente1 que teve a manifestao do ,porto e o tom a que o ,o4 ,martins tem sabido levantar o ,progressismo1 que to desafinado andava4 ,vers tambem que elle no renegou1 nem se desdiz4 ,a bandeira que desfralda a do ,socialismo1 como at aqui4 ,convencido como est1 e esto todos os que sabem observar os factos1 da incapacidade actual1 7e que o ser ainda por muito tempo71 do partido republicano para fundar seja o que fr e vendo ao mesmo tempo a imminencia de uma crise pavorosa1 o ,o4 ,martins fez acto verdadeiro de patriotismo1 procurando aquelles elementos1 que bem dirigidos e transformados1 podero por ventura fornecer ainda um ponto de apoio no meio do naufragio4 ,um homem como ,o4 ,martins1 no d um passo destes1 nem toma posio de tamanha responsabilidade1 sem ter visto bem as cousas e estudado o melhor caminho4 ,tem sido approvado por muita da melhor gente4 ,o ,o4 ,martins o unico homem politico superior que temos1 pois reune a um elevado caracter um saber vasto e no s theorico mas technico e um poder de trabalho incomparavel4 ,quando um tal homem d um passo1 como elle deu1 o dever da gente seria1 ainda quando o no approve1 no o estorvar na sua tentativa1 reconhecendo a pureza das suas intenes4 ,os republicanos1 porm1 cobriram-n'o de insultos e imputaes as mais baixas--e no dia seguinte o que fizeram8 foram alliar-se com os regeneradores1 para combater o movimento por elle iniciado1 movimento que pode falhar1 mas que sem duvida srio e exprime o sentir nacional1 pelo menos neste ponto de querer acabar com essa alliana da burocracia com a finana1 que a fatalidade do partido regenerador1 origem da corrupo politica e de um systematico desgoverno4 ,destruir essa oligarchia burocratico-financeira1 que nos domina e desmoralisa1 ha tantos annos1 e impedir por meio de leis convenientes que ella possa de futuro tornar a formar-se1 parece-me coisa muito mais importante do que uma simples alterao no caracter do poder executivo1 cousa que deve ficar para depois1 pois s as reformas economicas e financeiras tornaro aquella outra puramente politica1 no s possivel1 mas fecunda e duradoura4 ,isto tanto mais1 quanto est imminente a bancarrota e uma tremenda crise social2 a proclamao da ,republica1 no s no remediaria esses grandes males1 7pois que influencia pde ter uma reforma s politica nos elementos financeiros e economicos87 mas traria mais uma complicao e elemento de desordem1 como ainda em #ahgc se viu em ,hespanha4 ,convm1 pelo contrario1 addiar essa questo1 visto que no urgente1 e no complicar com ella a outra1 urgentissima4 de boa politica1 como de boa logica1 dividir as questes para as resolver1 e comear por aquellas1 que resolvidas1 podem facilitar a resoluo das outras4 ,impedir que tudo venha a baixo parece ser a cousa mais urgente4 ,depois reformar a constituio economica1 de modo a impedir que um tal estado de cousas possa vir a repetir-se4 ,e s depois organisar a constituio politica1 tanto no que toca ao legislativo1 como ao executivo1 de modo a dar estabilidade e durao aos progressos realisados4 ,pdes crr que estas so hoje1 como sempre foram1 as aspiraes do ,o4 ,martins1 que contina sendo to bom socialista e republicano como era dantes4 ,eu1 por mim1 approvo-o inteiramente na marcha que vae seguindo1 e desejava que toda a gente sria lhe dsse o apoio indispensavel1 ainda aos maiores politicos1 para fazerem qualquer cousa4 ,se todos comearem a hostilisal-o1 claro que nada poder fazer4 ,vir a terra1 e com elle a ultima esperana deste pobre ,portugal4 ,ento teremos o diluvio4 ,adeus1 meu ,sebastio4 ,do teu de c4 ,a4 de ,q4 ,,indice ,os ,lusiadas1 ensaio sobre ,cames e a sua obra1 em relao sociedade portugueza e ao movimento da ,renascena1 por ,j4 ,p4 de ,oliveira ,martins4 ,porto1 #ahgb 7,folhetim do ,primeiro de ,janeiro7 444 #e ,theoria do socialismo1 evoluo politica e economica das ,sociedades da ,europa1 por ,j4 ,p4 de ,oliveira ,martins4 ,lisboa1 #ahgb 7,artigos do ,diario ,popular7 444 #ah ,le ,portugal contemporain--,oliveira ,martins 7,estudo publicado na ,revue ,universelle et ,internationale74 ,paris1 #ahhd 444 #ci ,oliveira ,martins e o partido progressista1 carta a ,sebastio de ,arruda da ,costa ,botelho1 testamenteiro do grande poeta-philosopho 444 #ej ,,nota ,o presente opusculo constitue a mais respeitosa homenagem dos testamenteiros de ,anthero de ,quental memoria do glorioso escriptor ,oliveira ,martins4 ,,pre,o #cjj ris