99,nota de editor399 ,devido quantidade de erros tipogrficos exi/5tes ne/e texto1 =am tomadas vrias decises quanto v]so f9al4 ,em caso de dvida1 a grafia foi mantida de acordo com o orig9al4 ,no f9al de/e livro encontr> a li/a de erros corrigidos4 ,rita ,f>9ha 7,jan4 #bjaj7 ,,notas d',,arte ,figura3 ,,notas ,d',,arte ,,porto ,,typographia ,,univ]sal 7a vapor7 ,travessa de ,c$(eita1 #ed #aijf ,ao ,,in/ituto de ,,e/udos e ,,conf]5cias ,,soci$ade de ,,bellas ,,artes pelo que podem faz] em bem da ,arte4 ,figura3 7,esboo p>a um retrato7 ,,vasco ,,f]reira ,,no ,,limi> ,o philosopho ,ta9e1 dizia1 ha bons v9te annos1 no seu ,curso ,e/hetico p>a a ,escola de ,bellas-,artes3--,a ,arte o reflexo dos co/umes4 ,e1 de facto1 assim 4 ,a ,arte vae evolucion&o sempre na ordem directa d ap]feioam5to e da illu/rao dos povos4 ,assim1 quanto mais illu/rado fr o publico1 tanto mais p]spicaz1 mais e/udioso e mais obs]vador deve s] o arti/a1 p>a que t5ha o applauso g]al e s9c]o a obra que execut\ e apres5ta4 ,e1 mesmo por isso que entre ns1 os arti/as1 p9tores e esculptores1 dia a dia fazem1 na incessante lucta pela vida1 os es=os mais lidimos e mais honrados p>a resolv]em esse enorme e sublime desid]atum3--s] gr&e6 ,figura3 7#aijd7 ,c>icatura d dr4 ,m4 ,mont]roso ,infelizm5te nem todos o podem conseguir4 ,e1 no o conseguem1 porque p>a isso no so precisas s a boa vontade e a p]si/5cia no e/udo4 ,alguma coisa mais lhes necess>ia1 e essa1 primacial3--t] tal5to6 ,felizes os que teem esse delicioso e bello pr$icado2 porque esses1 vo gloriosam5te p>a diante e so v]dadeiram5te gr&es4 99 99 99 99 99 ,ha alguns annos1 p\cos a9da1 a p9tura entre ns era uma especie de ,arte my/ica1 que ap5as r>os t5tavam1 n'um arr\bam5to de eleitos4 ,esses mesmos1 faziam a p9tura a seu modo1 d5tro de re/rictas e acanhadas normas1 sem p5s>em sequ] que o fluido e!r que nos c]ca e en*e triumphantem5te toda a natureza1 em pulv]isaes vibrantissimas de luz e de cr1 precisa de s] e/udado e qui p9tado4 ,mas1 se elles limitavam os ambitos d seu modo de execut>1 era que o publico tambem no exigia mais1 e a critica no se preoccupava absolutam5te nada com isso4 ,tanto elle como ella eram feitos por individuos1 que ao visit> os museus e z exposies de p9tura no t9ham a intuio nitida e v]dadeira da ,natureza em todo o seu expl5dor1 como manife/ao psycologica da vi/a4 ,habitualm5te todos elles amavam a ,natureza pelo simples consolo que lhes dava1 qu&o ao dom+o1 deixada a cidade1 iam p>a o campo1 no p>a fruir o delicado encanto de admir> um bello panorama1 mas444 p>a gos> o pantagruelico praz] de devor> um gordo c>neiro assado1 com o seu alguid> de loiro e assafroado arroz de =no1 ou a saborosa pescada frita1 com negras azeitonas e fresca e appetitosa salada de alface1 acepipes e/es que copiosam5te regavam com t9to de ,ba/o ou espumoso v]de de ,am>ante4 ,e1 se um ou outro t9ha uma tal ou qual intuio arti/ica1 porque1 l fra1 nos gr&es museus d e/rangeiro1 t9ha vi/o qualqu] c\sa que lhe fiz]a not> tal1 esse1 ficava-se n'uma banal indiff]5a1 sem se manife/> aggressivam5te contra os sy/emas adoptados pelos p9tores d seu tempo1 que apres5tavam nos seus quadros composies de conv5o e feitas no ar morno dos ateli]es1 sem a inspeco con/ante e imm$iata dos motivos a p9t>444 99 99 99 99 99 ,uma ,era nova e refulg5te1 desponta por fim1 e os arti/as que comeavam pondo de p>te os velhos preceitos ar*aicam5te usados1 saltam por sobre z b>reiras das conv5es e correm pelos ,campos da ,arte1 fra1 em procura de elem5tos v]dadeiram5te v]dadeiros1 com que possam satisfaz] z exig5cias d publico mais illu/rado e da critica mais indep5d5te que auctorit>iam5te se impe1 *eia de razo1 p>a que nos seus trabalhos haja mais naturalidade e m5os fico4 ,e1 sob e/e refulgir de um novo sol1 que ori5tado l fra1 com z mais mod]nas noes d',arte1 e/ud&o nas melhores e nas mais celebres escolas de p9tura d ,mundo1 que nos app>ece1 entre outros1 como ,columbano1 ,malhoa1 ,salgado4 ,s\sa ,p9to1 ,m>ques de ,oliveira1 etc41 etc41 o gr&e1 o sublime ,silva ,porto6 ,aquelle que p>a mim o maior dos paysagi/as portuguezes dos ultimos tempos4 ,e que1 com o seu modo de s] e de v]1 m>ca d'uma maneira deslumbrante o inicio d'essa nova ,era p>a a p9tura portugueza4 ,assombra-nos esse arti/a com os seus primorosos quadros feitos n'uma l>guissima e franca s5tim5talidade d'alma de homem de tal5to1 exub]antes de v]dade1 g5iaes de execuo4 ,era um gr&e6 ,era um sublime arti/a6444 ,mas1 a ,morte rapidam5te o ceifa1 av>a de que elle t5ha conseguido to s9c]a1 to v]dadeira e to lealm5te r\b> ,natureza v]dadeiros e flagrantes p$aos d seu gr&ioso ,s]1 p>a to m>avilhosam5te os transplant> tela4 ,ao morr] porm ,silva ,porto t9ha ha/eado1 bem alto e bem firmem5te1 a b&eira gloriosa sob que se devia agrup> a nova pleiade dos p9tores portuguezes4 ,e1 de facto1 sob a egide d'essa b&eira que a ,arte em ,portugal brilha hoje mais fulgurante1 pod5do pr-se sem v]gonha ao lado da ,arte dos paizes onde ,ella tem um culto mais l>go e mais ac]rimo4 ,se no em quantidade1 pelo m5os em qualidade1 os arti/as portuguezes de nome1 *egam onde podem *eg> os arti/as notaveis e/rangeiros1 sem tem]em confrontos4 ,e i/o porque ,portugal d'hoje1 embora os pessimi/as no queiram1 vae avan&o intellectualm5te um p\co na civilisao mod]na4 ,e em taes circun/ancias1 como dizia ,ta9e1 ha bons v9te annos3--,a ,arte o reflexo dos co/umes4 ,antonio de ,lemos 7,alv>o74 ,figura3 ,cabea de negra 7,bronze7 ,,duqueza de ,,palmella ,,notas d',,arte #a ,impresses d'uma ,exposio ,ha muito tempo j1 dev]ia t] v9do diz] da bella impresso que me caus\ a #a4;a ,exposio organisada pelo ,in/ituto de ,e/udos e ,conf]5cias1 mas os meus affaz]es obrig>am-me1 p>a gaudio dos meus leitores 7pois critica incompet5te como a m9ha quanto mais t>de melhor71 a s hoje cumprir e/e dev]4 ,fui vr a exposio sete vezes1 e de cada vez que l ia1 novos encantos encontrava nos trabalhos expo/os1 pois a t5tativa d ,in/ituto teve o resultado mais brilhante que podia desej>-se4 ,concorr]am a e/e c]tam5 desde os nossos melhores arti/as at aos mais mode/os amadores1 e na g5]alidade todos se apres5t>am dignam5te1 no ob/ante um critico d'arte t] dito1 em um seman>io d'e/a cidade1 que aquelles trabalhos eram m]as *romoly?ographias4 ,uma duvida me assalta o espirito relativam5te aos conhecim5tos arti/icos e crit]io de tal critico4 ,sab] elle o que so *romoly?ographias8 ,mas1 deixemos a cada um o seu modo p>ticul> de vr444 e de apreci>1 e vamos ao que importa444 ,demais1 a lua e/ to alta8444 ,figura3 ,jos ,malhoa ,vi1 como disse1 v>ias vezes os c5to e dezesete quadros expo/os1 os d\s bu/os e o m$alho em m>more4 ,dos trabalhos de esculptura direi ap5as que os d\s primeiros so obra de ,f]n&es de ,s1 p5sioni/a d ,e/ado1 que em ,p>is completa a educao arti/ica d seu muito tal5to4 ,a cabecita de creana1 em m>more1 um encanto1 aquella boquita admiravel de bb p$ia milh>es de beijos444 ,figura3 ,jos de ,brito ,o m$alho de ,joaquim ,gonalves uma bella copia de um primoroso trabalho d gr&e me/re ,so>es dos ,reis4 ,agora1 emquanto a quadros1 ponho em primeiro log>1 da a quem do]1 os d\s trabalhos de ,malhoa1 esse admiravel arti/a da ,luz e da ,cr4 ,eram um assombro os seus quadros4 ,o ,goz&o os r5dim5tos1 e/udado com cuidado e traado l>gam5te1 empolg\-me por completo e fez-me gos>1 conjunctam5te com o p]sonagem e/udado1 toda aquella commodidade natural de bom burguez que procura um amplo j>dim publico p>a faz] socegadam5te o seu *ylo4 ,e/a impresso =te que tive1 confesso-o1 foi devida talvez ao meu burguesismo4 ,figura3 ,que gr&e calamidade--,,jos''' ,,malhoa ,no ,que gr&e calamidade1 z figuras trabalhadas com um rigor de v]dadeiro me/re1 so flagrantes na sua dor1 ao v]em o seu qu]ido porco1 morto na pocilga4 ,talvez que1 se entre z cabez das figuras e o rebordo d caixilho h\vesse um p\co mais de tela1 mais impon5tes ellas fic>iam4 ,e depois d'i/o1 de t] dito o meu modo de p5s> sobre to primorosos trabalhos1 v\1 salte&o o catalogo1 d> a nota dos quadros que mais me pr5d]am a att5o4 ,m>ques de ,oliveira1 como sempre1 di/9ctam5te4 ''' inegavelm5te um gr&e des5hi/a4 ,z suas ,impresses de ,esp9ho1 so bellas e tanto1 que uma foi adquirida pelo ,in/ituto por indicao d jury compet5te4 ,a ,az5ha1 um encanto1 ,cabea de e/udo1 um primor4 ,figura3 ,*rysantemos--,,antonio ,,co/a ,gr5o1 a fulgurantissima arti/a1 bem1 admiravelm5te4 ,ento os ,p5sam5tos8 ,esse1 era uma delicia4 ,antonio ,co/a1 p>a mim o unico p9tor portuguez de flores1 no desm]eceu a sua gr&e fama e1 os ,*rysantemos e ,na v9dima1 d]am-me a prova evid5te da sua muita aptido p>a e/e g5]o de p9tura4 ,figura3 ,c&ido da ,cunha ,c&ido da ,cunha1 um novo de muito tal5to1 com o seu ,ultimos raios de sol1 que j conheciamos e que foi adquirido tambem pelo ,in/ituto1 com os seus--,m> calmo1 ,m>tyr e ,b>cos de pesca1 m]ecem hoje1 como sempre1 os nossos elogios4 ,julio ,ramos1 outro novo1 paisagi/a apaixonado e di/9cto1 d&o s suas paisag5s um tom de v]dade admiravel4 ,o ,macieiras em flor1 em especial e z outras dezeseis telas1 l9das a val]4 ,jos de ,brito1 um me/re1 talvez abus&o um p\co das cores f9as2 todos os seus quadros so bons1 mas p>a mim sup]ior a todos o ,mulh] d novello1 e/udo admiravelm5te feito de uma velha repel5ta1 flagrantissima de v]dade na expresso d ro/o4 ,na ,infancia de ,diana1 bello e/udo d n1 alguma coisa me desagrad\ vi/a1 especialm5te um co que se via nos ultimos planos444 ,joo ,augu/o ,ribeiro1 bem nos seus pequ59os quadros ,retalhos1 ,l>4 ,figura3 ,joo ,augu/o ,ribeiro ,d4 ,lucilia ,aranha1 uma v]dadeira arti/a1 *eia de tal5to e de =a de vontade1 mais uma vez affirm\1 com os treze quadros expo/os1 z suas aptides arti/icas4 ,torquato ,p9heiro veio m>c> n'e/a exposio o seu log> def9ido e ass5te ao lado dos bons arti/as4 ,um cam9ho en*>cado1 ,manh d',abril1 ,m>g5s d ,lea1 e todos os demais so feitos com alma de v]dadeiro arti/a4 ,mas1 a de/ac>1 como primor de execuo1 o ,retrato de m9ha ,me1 que um trabalho notavel4 ,figura3 ,retrato de m9ha me--,,torquato ,,p9heiro ,d'entre os amadores1 extrem>ei ,d4 ,leopold9a ,p9to1 com z suas flores1 especialm5te o ,pel>gonios1 que s5ti no tivesse preo p>a s] adquirido4 ,mais arti/as e amadores concorr]am a e/e delicado c]tam51 mas1 no me demor>ei na enum]ao dos seus trabalhos1 porque isso iria a9da muito longe e os meus leitores1 dec]to1 se at aqui *eg>am1 j ba/ante se tem aborrecido da semsaboria d'e/a m9ha despret5ciosa prosa1 que d modo algum aspira ao nome de critica4 ,,ii ,,p9tores ,,portu5ses ,,julio ,,co/a ,convidado a del9e> um artigo sobre o p9tor portu5se ,julio ,co/a1 p5sei primeiro esquiv>-me a tal empreza porque me julgo insignificantem5te pequ5o p>a fall> d'e/e arti/a4 ,mas1 antepondo a esse primeiro impulso a amizade que lhe d$ico1 resolvi acceit> o enc>go1 e1 tal como posso1 desemp5h> e/a misso4 ,figura3 ,julio ,co/a ,s] um artigo despret5cioso1 sem preoccupao d e/ylo ou requ9te de =ma1 um artigo mode/o como eu e como o temp]am5to d p9tor illu/re de quem me v\ occup>4 ,no conheo escolas1 no discuto arti/as1 no cito nomes e/rangeiros1 nem rebusco p>ticul>idades de meti]4 ,qu&o me occupo da p9tura e de p9tores nacionaes digo simplesm5te1 indiscretam5te1 a impresso que os quadros me deixam4 ,nada mais4 ,e hoje1 ao traar e/as l9has a respeito de ,julio ,co/a1 no v5ho1 acr$item1 faz] a apreciao1 pret5ciosa ou sabia1 da obra d'esse p9tor2 v5ho simplesm5te deix>-lhe1 sob o seu nome j aureolado pela critica consci5te1 o laurel amigo da m9ha admirao4 ,e po/o e/e preambulo1 ahi vae o que me p>ece dev] diz] d ,julio ,co/a4 99 99 99 99 99 ,portuguez de nascim5to e condio1 alma que se esp&e na mais suave de todas z alegrias--a familia--,julio ,co/a vem1 de ha tempos p>a c1 viv5do quasi exclusivam5te p>a os seus p>5tes1 p>a os seus discipulos e p>a os seus trabalhos4 ''' um d'e/es hom5s com quem1 mesmo sem fall>1 se sympa?isa logo primeira vi/a4 ''' lhano de trato1 affavel1 de maneiras delicadas1 cavaqueador em]ito1 t5do sempre um dito alegre p>a retorquir a um remoque que se lhe atire4 ,nunca deixa de *alace>1 a no s] qu&o tem algum dos seus do5te4 ,ento1 sim1 ento abate-se todo na dr d'aquelle que s(fre e deixa-se lev> n'essa corr5te de magua que o subjuga brutalm5te4 ''' uma lum9osa alma dada ao bem e a tudo quanto bom1 e d'ahi a unco deliciosa e meiga com que elle concebe os seus quadros de g5]o4 ,figura3 ,conselheiro ,joo ,franco--,,julio ,,co/a ,hoje1 po/o em foco1 pelo brilhantismo dos seus ultimos trabalhos1 deve orgulh>-se de s] um dos p9tores pref]idos nas commemoraes aos hom5s notaveis d nosso paiz4 ,o retrato inegavelm5te o g5]o que ,julio ,co/a mais acc5tuadam5te trata e que mais em evid5cia o tem collocado4 ,o retrato de ,el-,rei p9tado p>a o salo d ,tribunal da ,relao1 os retratos de ,oliveira ,m>t9s1 ,dr4 ,ric>do ,jorge1 ,joo ,ramos1 ,dr4 ,edu>do ,pim5ta1 ,conselheiro ,campos ,h5ques1 ,conselheiro ,joo ,franco1 e muitos outros1 so affirmaes publicas d que digo4 ,o primeiro1 l>go de ideia1 mage/atico de pose1 tocado de iriadas cres1 pois assim o p$ia o gr&e d p]sonagem4 ,collocado no amplo salo d ,tribunal toma um aspecto sob]bo1 que nos infunde respeito4 ,o segundo1 em que a figura de ,oliveira ,m>t9s1 essa imagem de santo e de philosopho1 se nos apres5ta s5tada em l>ga cadeira de espald>1 em posio natural de quem entretem uma conv]sa1 ao contemplal-o1 como que se escuta a sua voz de me/re1 que discreteia sabiam5te sobre os intr9cados problemas economicos d nosso paiz1 ou sobre os notaveis factos da nossa hi/oria4 ,figura3 ,oliveira ,m>t9s--,,julio ,,co/a ,e todos os outros1 todos1 so v]dadeiras obras primas4 ,no esquec]ei fall> d seu ultimo trabalho1 d retrato d ,conselheiro ,joo ,franco1 o homem =te e duro que empreh5deu1 n'um arranco de v]dadeiro portuguez1 remodel>1 n'um molde novo e n'uma nova ori5tao1 a m>*a dos negocios publicos4 ,d'esse retrato j eu disse1 qu&o tive occasio de o v] pela primeira vez1 o segu9te3 ''' gr&e1 na mage/ade da sua tela ricam5te emmoldurada1 o retrato d snr4 ,conselheiro ,joo ,franco4 ,absorve por completo a nossa att5o4 ,e/ executado n'um correctissimo des5ho1 tocado d'uma di/9cta tonalidade de cres1 n'um flagrante de pose e de semelhana4 ,ao retrato d ,conselheiro ,joo ,franco s lhe falta fall> p>a s] o proprio4 ,quanto mais o contemplamos1 mais correcto e mais p]feito a*amos e/e trabalho4 ,a figura p>ece que se de/aca da tela1 tal a p]spectiva que ,julio ,co/a lhe deu2 s vezes como que a vemos mex]-se4 ,depois1 ha um no sei que de vida1 que nos faz imag9> que os olhos se movem1 que os labios se vo desc]r> p>a fall>4 ,e z r\pas1 que delicada feitura1 que nuances de v]dade6 ,na fa*a que ella o/5ta1 v]melha1 ha reflexos de moir4 ,o retrato em que/o no simplesm5te um retrato2 mais d que isso3-- um quadro4 99 99 99 99 99 ,todos e/es seus trabalhos nos encantam e deslumbram1 porque ,julio ,co/a sabe apanh> tudo quanto v em volta de si4 ,sabe v]1 que o ess5cial4 ,d'ahi o colh] a expresso da ,impresso4 ,mas a ,impresso escolhida1 no da natureza selvagem1 mas sim da natureza civilizada e culta4 ,julio ,co/a um civilizado6 ''' um delicado6 ''' um raff9 7desculpem o francez74 ,e esse effeito de raff9]ie e essa pr$ileco pela impresso escolhida que elle transporta aos seus retratos4 ,elle conhece bem o indef9ivel e delicado int]esse que se despr5de das l9has d'um ro/o4 ,elle sabe que nada to impressionante1 p>a ns que contemplamos os quadros1 como essas figuras immoveis e mortas444 mas que e/o vivas6444 ,e os seus retratados vivem nos seus retratos4 ,em uma palavra1 ,julio ,co/a no p9ta um retrato d seu modelo444 p9ta o retrato4 ,cada uma das nossas s5saes1 das nossas emoes1 dos nossos s5tim5tos1 cada um dos nossos desejos1 das nossas esp]anz1 dos nossos p5sam5tos secretos alt]a con/antem5te a nossa physionomia4 ,a cada m9uto1 a cada segundo1 qualqu] de ns se trans=ma1 e deixamos de s] ento semelhantes a ns mesmos4 ,mas1 ,julio ,co/a sabe disc]nir n'essas fugitivas trans=maes aquelle mom5to1 que sempre da nossa figura1 sabe fix> na mobilidade imp]ceptivel das l9has d'uma physionomia o seu aspecto c>act]i/ico4 ,sabe reunir n'um ge/o a multiplicidade das nossas attitudes4 ,e por isso que ,julio ,co/a1 ao p9t> o retrato1 tem uma gr&e prepond]ancia sobre outros arti/as4 ,demais a mais elle possue o que falta a muitos outros1 uma bella correco no des5ho4 ,que o des5ho no s como muita g5te p5sa o esqueleto da p9tura4 ,no1 o des5ho uma p>te integral d'ella1 o des5ho a propria p9tura4 ,j um celebre p9tor francez1 cujo nome no recordo agora1 dizia dos seus des5hos--,a cr dos meus des5hos444 como se o des5ho no =a unicam5te uma apres5tao d cl>o escuro4 ,mas que a p9tura sem um bom des5ho1 onde se def9am os tons e meios tons1 onde se del9eem z di/ancias e z p]spectivas1 s]ia uma coisa *ata1 sem vida1 sem relevo4 ,o ,sol] ar*itecto1 esse bello rapaz *eio de tal5to que a ,morte avidam5te nos lev\ ha um bom p> d'annos1 dizia-me uma t>de em que me fazia uma preleco sobre z vantag5s d des5ho3--,olhe1 se voc quiz] um bom quadro des5he-o primeiro em todas z suas m9ud5cias1 com todos os seus effeitos de p]spectiva1 com todos os seus cl>o-escuros e1 depois1 a esmo1 cubra isso com z t9tas d'uma paleta e t] um bom quadro4 ,olhe que n'i/o de p9tura o des5ho tudo4 ,e de facto assim 3 p>a se pod] p9t> bem o que preciso primeiro sab] des5h>4 ,e ,julio ,co/a sabe des5h>4 ,d'ahi o elle d> aos seus trabalhos uma coreco di/9cta4 ,mas1 ,julio ,co/a no s notavel no retrato4 ,julio ,co/a -o tambem em outros g5]os de p9tura4 ,no assumpto religioso deu e/e arti/a provas indiscutiveis das suas aptides4 ,o ,calv>io1 que elle p9t\ p>a a egreja d ,bomfim1 o melhor atte/ado d seu savoir faire4 ,d'essa obra prima1 que veiu abrir uma polemica entre um critico da ,palavra e o conego ,alves ,m5des1 dizia e/e ultimo no seu opusculo--,a crucificao de ,jesus3--,outros quadros de egual natureza adoecem de monotonia e languidez4 ,e/e no4 ''' tal a firmeza d des5ho1 tal a riqueza das t9tas1 tal e tanta a g5ial inspirao arti/ica1 que a g5te admira irresi/ivelm5te e applaude en?usia/icam5te e/a magi/ral p9tura de ,julio ,co/a4 ,figura3 ,o ,calv>io--,,julio ,,co/a ,que melhor e mais auctorisada op9io que a d'e/e p9tor da orao1 e/e arti/a g5ial da palavra1 que des5ha com o seu v]bo inexgotavel os mais fulgurantes e mais flagrantes quadros8 ,como consagrao a um arti/a no z t5ho vi/o melhores nem mais p]feitas4 ,qu&o ,julio ,co/a se entretem a faz] o quadro de g5]o1 tambem1 n'esses mom5tos1 no deixa o seu nome em m posio4 ,ahi1 como nos outros trabalhos1 elle sabe d> aos seus typos e aos seus assumptos o qu] que seja de sugge/ivo1 de impressionante4 ,no c\sa simples enum]> a sua obra1 porque ella no uma insignificancia4 ,no entretanto1 como d meu desejo lev> o mais longe possivel a res5ha dos seus trabalhos1 ahi vae o titulo d'alguns d'elles1 que mais se notabilis>am nas exposies onde teem app>ecido4 ,figura3 ,a ,ti ,anna--,,julio ,,co/a ,em primeiro log> colloco eu o ,no ,vago1 uma pa/oral de cr1 como lhe *am\ ,oliveira ,alv>5ga4 ,era uma l>ga tela que resumia um delicado poema d'amor4 ,em pl5a primav]a1 sob a luz d l9do sol1 uma mooila trigueira e =te1 de seios proem95tes1 enco/ada a um p$ao de t]r5o alto e florido1 sonha n'um vago pres5tim5to tri/e4 ,ia p>a os trabalhos d campo1 levava a sua foice1 o seu ce/o v9dimeiro1 o seu *apeu de palha2 m>cra ao namorado uma entrevi/a1 na esp]ana d'um doce idyllio1 mas o tempo passa1 o namorado no vem1 e ella1 na sobrexcitao d seu amor e d seu ciume1 vae desfolh&o malmequ]es que ora lhe dizem sim1 ora lhe dizem no1 e1 por ultimo1 como que adormece n'uma febre d'amor1 olhos semi-c]rados1 com o p5sam5to esvoa&o no vago444 ,eis o quadro1 que figura l =a1 em ,b]lim1 p>a onde foi v5dido4 ,no esquec]ei a ,romeira1 uma fresca rap>iga que1 em descantes alegres1 p>te p>a a rom>ia4 ,e uma ,cabea de e/udo1 que app>eceu na exposio de ,arte de #ahid1 uma l9da cabea de rap>iga de olhos vivos1 labios de coral e com o seu l5o de xadrez multicor1 que um encanto6 ,o retrato d ,qu9s9ho ,s\to ,mayor1 um e/udo de creana f9am5te trabalhado com o seu ve/id9ho de velludo1 onde ass5ta uma romeira de r5da1 to bellam5te p9tada1 que dava a p]feita illuso de que eram r5das que alli e/avam collocadas sobre a tela4 ,o ,v5cido1 que um bom trabalho tambem1 consi/e em um rapazito que1 aps uma refrega com outros1 sae com um brao deslocado2 que suavidade de cr1 que tri/eza nos olhos humidos6 ,o retrato da ,ti ,anna1 essa velhita enc>quilhada que1 no fundo d seu casebre1 junto da l>eira1 vai fi&o a loira e/riga a p5s> no tempo l9do que pass\1 qu&o era rap>iga e cantava ao desafio nas esfolhadas e nas espadeladas1 sob]bo4 ,hoje1 a pobre velha canta z tri/es ces com que embala os netos1 e fia o l9ho com que ve/e os filhos1 que outras1 que so novas1 vo espadel&o a rir e a cant>4 ,e tudo i/o se traduz n'aquelle quadro1 e todo e/e romance se v alli repres5tado n'uma s5tida impresso e n'uma ideal concepo4 ,o ,co/ume dos arr$ores d ,porto1 tambem um l9do quadro--uma cabecita de rap>iga d campo *eia de vida e de frescura4 ,e a ,mimalha e a ,v>&a dos ,mang]icos e mil outros trabalhos d'elle8444 ,ah6 mas vae muito longo e/e artigo e o leitor no tem obrigao n5huma de e/> inf9itam5te a l]-me2 por isso1 ponto4 ,julio ,co/a p>a mim um p9tor que sabe muito da sua arte1 digam l o que diss]em1 e se1 d5tro da sua mode/ia1 no go/> d que eu agora digo d'elle que me p]doe porque eu s sei diz] o que p5so1 e isso muito rudem5te a9da4 ,,iii ,,p9tores ,,portu5ses ,,antonio ,,c>neiro ,,junior ,conhec5do ,c>neiro ,junior ha muito1 por t] tido j occasio de apreci> os seus trabalhos em outras exposies1 corri1 apressadam5te1 incumbido por a r$aco da ,vida ,mod]na1 a vr a nova exposio dos seus ultimos trabalhos1 com o gr&e int]esse de conhec] o progresso e o des5volvim5to arti/ico d'e/e bello cultor da arte da p9tura4 ,figura3 ,antonio ,c>neiro ,junior ,e1 francam5te o confesso1 z m9has espectativas confirm>am-se4 ,c>neiro ,junior1 que era um dos novos que mais promettia1 obteve1 com o seu e/udo no e/rangeiro1 a v]dadeira compreh5so da arte de p9t>1 affirm&o-o desde j com os magnificos trabalhos expo/os no atrio da ,mis]icordia4 ,p9t&o em todos os g5]os1 como elle mais se avigora1 e mais demon/ra o seu tal5to 1 a meu vr1 como p9tor de figuras4 ,a paisagem e a m>9ha no so o g5]o que mais o t5tam1 o que no qu] diz] que no t5ha paisag5s adoraveis e m>9has deliciosas4 ''' preciso porm not>-se que1 quem escreve e/as l9has1 um m]o amador que vem simples e unicam5te d> a res5ha dos quadros expo/os e a sua impresso pessoal1 diz5do simplesm5te go/o ou no go/o1 sem me pr5d] nunca em consid]aes sabias sobre o modo de p9t> de cada um4 ,no cit>ei escolas holl&ezas1 flam5gas1 etc41 etc4 com ares sabios de critico em]ito4 ,e no o f>ei1 porque ent5do que p>a se escrev]em artigos sub/anciosos e *orudos sobre tal assumpto necess>io1 antes de mais nada1 t] vi/o alguma coisa d'essas escolas e d'essa p9tura1 acompanhado isso da leitura de livros da especialidade4 ,e1 vulg>m5te1 no succ$e assim4 ,muitos dos nossos criticos conhecem esses quadros e essas escolas porque algum amigo1 v9do l de fra1 lhes tr\xe1 como recordao1 catalogos dos muzeus que viu por l1 e por ahi que elles fazem1 a maior p>te das vezes1 critica4 ,ora eu1 como nunca vi muzeus1 nem t5ho lido livros sobre p9tura1 no fao critica1 fao a m9ha reportagem1 deixem-me assim diz]4 ,e po/o i/o1 l vae a impresso pessoal que me fic\ d'alguns dos trabalhos de ,c>neiro ,junior4 ,e elle que me p]de se no go/>4 ,em primeiro log>1 se bem que no sejam e/es os pr9cipaes trabalhos1 ponho eu os des5hos a sangu9ea---que figuram no catalogo com os n4os #bg e #bh1 ,figuras p>a a fonte d ,bem2 #aj1 ,e/udo p>a o quadro d ,amor2 #f1 ,e/udo p>a a figura ,esp]ana2 #be1 ,e/udo de creana p>a a fonte d ,bem4 ,figura3 ,retrato--,,antonio ,,c>neiro ,os retratos d ,m>cos ,gu$es1 n4o #dc2 d dr4 ,alfr$o de ,magalhes1 #cd2 d ,antonio ,patricio 7filho71 #cb2 de ,j4 ,teixeira ,lopes1 #cf2 d ,claudio1 #dj2 e os d\s retratos de ,r4 ,c41 #cg e #ch1 so magnificos4 ,em todos elles ha um tom de vida e muito de alma1 especialm5te nos dois ultimos1 em que o arti/a pe todo o seu s5tim5to de amor4 ,o quadro ,t>de no m>1 n4o #ef1 delicioso2 como que se s5te1 ao olhal-o1 aquella cad5cia ou melopeia que o gr&e m> sabe cant> qu&o suavem5te beija a areia f9a da praia4 ,campo de trigo1 n4o #gg2 em ,auvay1 impresso de fr5te1 #hi2 impresso1 7,bretanha71 #ga2 em ,lea1 impresso1 #fh2 o ,tamega1 7,am>ante71 #fg2 o ,s5a em ,auteil1 #fb2 ,p9heiros ao cahir da t>de1 #eg2 444so1 p>a mim1 s5tidissimas paisag5s onde a nossa vi/a se p]de e o nosso espirito se embr5ha como em pag9as brilhantes da ,viagem da m9ha t]ra1 de ,g>rett4 ,ha alli tambem um quadro1 ,leitura1 de que muito go/ei4 ,n'um int]ior de casa escura1 luz de um c&ieiro1 tres mulh]es1 uma das quaes l4 ''' admiravel no s de execuo1 como de composio4 ,o esboo d quadro ,fonte d ,bem apreciavel e bem desej>iamos vr o quadro def9itivo4 ,e1 antes de t]m9>1 deixe-me ,c>neiro ,junior diz]-lhe que o seu triptyco1 1 p>a o meu fraco ent5d]1 um d'e/es g5iaes poemas que s os gr&es arti/as sabem conceb]4 ,emquanto sua execuo a*o-a primorosa4 ,a ,esp]ana1 deliciosa virgem e/udada e del9eada com toda a pujana d'um bello espirito2--,o ,amor--assombroso de execuo2 ha n'aquelle cavalleiro todo em ao ve/ido1 a virilidade d'um cavalleiro &ante2 ,a ,*im]a1 fundam5te ab/racta1 na sua cr do5tia e na sua expresso de v]dadeira ,fatalidade olha o qu] que seja de horrivel1 gui&o o fogosissimo cavallo em que monta o cavalleiro2--,saudade--na base d'uma sph+e sonha uma mulh]1 toda de negro ve/ida4 ,quanta dura n'aquella expresso de tri/eza6 ,como o p9tor s\be d> quella delicada mulh] a nota melancolica d que na realidade a saudade6 ,e/e quadro s]ia ba/ante1 p>a def9ir o gr&e tal5to d arti/a e o seu temp]am5to subtil de poeta4 ,que o arti/a me p]doe se no disse tanto quanto m]ecia a sua obra e acceite o p>abem s9c]o de quem s diz o que s5te4 ,m>o #aija4 ,,iv ,?adeu ,m>ia d',almeida ,furtado ,,palavras ,,ditas ,,beira ,,da ,,campa ,,d ,,fallecido ,,pr(essor ,no 1 o que v\ diz]1 uma biographia1 nem um necrologio2 repres5tam simplesm5te e/as despret5ciosas palavras como que um punhado de saudades esp]sas sobre a campa1 a9da mal fe*ada1 d illu/re morto4 ,conhec5do-o desde ha muito1 tive sempre por elle uma d'essas v5]aes respeitosas de consid]ao e amisade1 que se tem por aquelles que vivem sempre de cabea levantada e aos quaes no podem att+ir nunca z settas env55adas da m vontade e da calumnia4 ,e por isso que hoje no posso deix> de vir diz] aqui algumas palavras a respeito de quem1 sempre se fez qu]ido de todos quantos1 uma vez s que fosse1 d'elle se aproxim>am4 ,figura3 ,?adeu ,m>ia d',almeida ,furtado ,?adeu ,furtado foi um dos mais antigos pr(essores de des5ho d ,porto e dos de mais nomeada2 cumpridor dos seus dev]es1 como p\cos1 recto nas suas apreciaes1 como n+uem1 quantas vezes fez elle reb5t> essas bolhas de bal(a vaidade1 com que muitos m$iocres se julgavam notabilidades1 e a quem o publico inculto tecia os mais rasgados elogios2 mas1 s9c]o como era1 nunca se pejava de diz] z v]dades por mais duras que ellas fossem4 ,trabalhador incanavel1 at ao ultimo dia1 em que um desa/roso acontecim5to o impossibilit\1 foi regul>m5te occup> o seu log> na ,academia1 onde hoje era secret>io e onde em outros tempos fra pr(essor sapi5te4 ,e inegavelm5te a e/e trabalhador indefeso1 a e/e morto illu/re1 que se devem os melhoram5tos ultimam5te feitos n'aquella casa de ens9o arti/ico4 ,quantas e quantas vezes1 reclamados esses melhoram5tos ao gov]no1 =am elles lanados no rol dos esquecim5tos1 rol l5d>io1 onde so ar*ivadas todas z c\sas uteis d nosso qu]ido ,portugal4 ,mas1 ,?adeu ,furtado1 com a sua vontade de f]ro1 ao sab] no ,porto o conselheiro ,elv9o de ,brito1 ento ,m9i/ro das ,obras ,publicas e antigo discipulo da ,academia das ,bellas ,artes d ,porto1 a elle foi e depois de lhe mo/r>1 prov&o de visu a necessidade urg5te d'aquelles melhoram5tos1 conseguiu o que at ali n+uem t9ha conseguido4 ,e portanto a e/e qu]ido morto que se deve o s] hoje a ,academia de ,bellas ,artes1 s5o um modelo de escolas p>a o seu g5]o1 pelo m5os um e/abelecim5to que no nos env]gonh> qu&o mo/rado a e/rangeiros pr(issionaes4 ,e1 doa a quem do] e/a m9ha affirmao1 mas ,?adeu ,furtado vae faz] muita falta nossa ,academia4 ,como pr(essor foi sempre correctissimo1 muito sabido no seu mti]1 e a prova d'isso e/1 em que1 todos os nossos gr&es p9tores de ha sess5ta annos p>a c1 =am todos seus discipulos e todos teem manife/ado e/a mesma op9io4 ,no fui seu discipulo1 mas fui seu amigo e unicam5te como tal que v5ho aqui depr tambem a m9ha et]na saudade1 que to gr&e1 como foi a m9ha consid]ao e a m9ha amisade4 ,e1 p>a t]m9> e/a m9ha s9c]a e tri/e desp$ida1 cons5ti1 meus s5hores1 que vos manife/e tambem aqui um gr&e desejo3--,como todos bem o deveis compreh5d]1 uma divida tem a ,academia a pag> ao seu respeitavel pr(essor e ao seu incanavel secret>io2 e essa divida s pod] s] paga p]petu&o-lhe a memoria com um monum5to digno d'elle4 ,grato me s]ia1 portanto1 sab] que os alumnos da ,academia de ,bellas ,artes1 reunidos aos pr(essores1 lanaram mo da ideia de que seja collocado o bu/o de ,?adeu ,furtado nos clau/ros da mesma ,academia4 ,e1 p>a realis> tal ideia1 no t]o mais d que faz] fundir em bronze um bu/o1 que a familia d fallecido possue1 feito1 salvo erro1 pelo brilhante e/atu>io ,teixeira ,lopes4 ,e assim1 como preito de hom5agem ao pr(essor morto1 fic> ligado ao seu nome o nome d'um pr(essor vivo que inegavelm5te a primeira gloria da esculptura portugueza4--,disse4 #ab ,m>o #aija4 ,figura3 ,l5o em r5das--,d4 ,,m>ia ,,augu/a ,,bordallo ,,p9heiro ,v ,,p9tores ,,portu5ses ,,ar?ur ,,l\reiro ,ar?ur ,l\reiro1 esse gr&e arti/a que durante tantos annos viveu longe de ns1 n'esse bello paiz1 a ,au/ralia1 e que uma vez c1 filho d ,porto1 am&o o seu n9ho com um amor especial de arti/a1 apoz a sua primeira exposio onde nos mo/r\ que era um delicado p9tor de figura1 com os seus retratos1 e os seus typos admiravelm5te executados1 vae p>a bem p]to d ,porto1 p>a ,villa d ,conde e *eio de vontade e repleto de savoir faire1 lana tela l9dos quadros que so como filigranas da arte p9tural4 ,figura3 ,ar?ur ,l\reiro no seu ateli] ,antes porm de atac> o assumpto que nos obriga a tom> da p5na e rabisc> e/as l9has p]mittam-se-nos algumas phrases ligeiras de introito4 ,ao entr>mos no ateli] de ,ar?ur ,l\reiro1 decorado com uma di/9cta simplicidade1 tem-se a suave impresso que o arti/a que ali trabalha um bom e um delicado4 ,con=tavel e amigo1 aquelle ateli] sem pret5o a luxo1 todo elle resuma elegancia e bom go/o4 ,sem e/(os cu/osos1 m]os cobrejes de f>rapos1 em tons escuros1 biombos simples de c\ro lizo1 moveis de l9has correctas des5hados por o proprio arti/a e executados sob a sua direco1 d'um effeito sob]bo6 ,o indiff]5te1 que ao acaso ali v1 tem com c]teza a impresso de que entr\ na casa d'um amigo4 ,figura3 ,b>ra1 ,foz-,d\ro--,,ar?ur ,,l\reiro ,d'entre os moveis1 que gu>necem o ateli]1 de/aca-se um l>go divan-e/ante com z co/as p9tadas a sepia1 que nos d a impresso de uma pirogravura4 ,mas no vamos occup>-nos d ateli]1 vamos unica e exclusivam5te faz] uma res5ha despret5ciosa e s9c]a dos quadros expo/os e d effeito que nos deu a visita exposio ab]ta agora ao publico4 ,ar?ur ,l\reiro no som5te um p9tor4 ''' mais d que isso1 um esculptor consummado4 ,o caixilho p>a espelho1 o d quadro ,convalesc5te1 e um outro onde se o/5ta o seu retrato agu>ellado por ,columbano1 so bellos4 ,mas1 o que me encanta1 o que me fasc9a1 o frontal p>a uma arca1 onde se gu>d> o enxoval d'um filho qu]ido4 ,e/e frontal1 des5hado e executado por ,ar?ur ,l\reiro1 como que uma symphonia d'amor1 sob o !ma sublime d m>tyrio da mat]nidade4 ,figura3 ,frontal d'uma arca 7esculptura7--,,ar?ur ,,l\reiro ,sem m9ud5cias de descripo1 sempre diremos que a bordadura que c]ca a figura da me t5do no regao o filhito qu]ido1 feita com flores de m>tyrios em todas z suas evolues1 desde o pequ59o boto at flor completam5te ab]ta e em todo o seu frescor4 ,flores1 folhagem e figuras sob]bam5te executadas4 ,e agora1 po/o i/o1 entremos pela p9tura d5tro4 ,no somos d mti]1 nem aspiramos a critico de arte2 m]o amador1 v5do talvez um p\co bem1 s5t9do a d5tro da alma qualqu] coisa de meigo1 por uma paisagem tri/e1 e qualqu] coisa de vibrante em fr5te d'um retalho da natureza1 que o sol banha luxuriantem5te4 ,am&o os quadros pela poesia que infundem1 subjugado pela impresso1 que nos deixa qualqu] c\sa que nos agrada4 ,eis o modo como vemos z obras d'arte1 qu] ellas sejam d'um novo1 qu] ellas sejam d'um me/re4 ,e por isso a despreoccupao d meu modo de escrev]4 ,pondo em evid5cia s vezes quadros d'um valor m$iocre e deix&o no escuro v]dadeiras obras de arte4 ,que nos p]doem os arti/as essas faltas e vamos exposio de ,ar?ur ,l\reiro que foi o que aqui nos tr\xe4 ,fall>ei d'esses quadros p9tados em ,villa d ,conde1 antes porm deve t] especial m5o o l>go quadro da nossa b>ra1 p9tado n'um pr de sol irisado1 *eio de poesia1 com tons d'ouro que se reflectem na agua sup]iorm5te4 ''' um quadro e/e1 de si ba/ante notavel p>a def9ir o arti/a4 ,e agora1 que puz em evid5cia o quadro que p>a mim se affigura mais notavel1 v\ diz] da m9ha impresso dos outros quadros expo/os4 ,um gr&e ramo de lilaz1 que p>ece espalh> no ambi5te o seu p]fume doce e meigo1 e/ feito com tanta frescura e tal graa1 que nos t5ta a cort> um pequ59o ramo p>a a nossa botoeira4 ,z bellas rosas escuras1 d'um avelludado meigo e f9o1 como que t5tam na sua confeco a uma (f]ta g5til p>a a nossa namorada4 ,figura3 ,o ,passado--,,ar?ur ,,l\reiro ,so p$aos vivos de natureza1 lanados tela1 com pr(ici5cia e c>9ho4 ,um cosito mops com o seu foc9ho birr5to e negro e o seu pello am>ellado d-nos1 a mim pelo m5os 7que eu s\ doido por ces71 vontade de o ameig>1 de o *am> c>9hosam5te e r\bal-o ao arti/a4 ,collocado entrada1 talvez por acaso1 como que um fiel gu>da d'aquelle encanto de ateli]4 ,e/e quadro e/ feito com cuidado1 o que me d a ent5d]1 que o arti/a segue a !oria d'um escriptor celebre que dizia3 --,quanto mais conheo os hom5s1 mais amigo s\ dos ces4 ,&am os nossos p9tores del9e&o paisag5s1 por esse paiz em fra e n5hum1 que me lembre1 t9ha ido p9t> p>a ,villa d ,conde4 ,talvez porque julgassem no hav] alli nada que p9t> e ,ar?ur ,l\reiro1 que ha v9te annos e/ava fra d seu paiz1 *eg\ e p>a soceg> dos seus trabalhos escol>es foi p>a essa l9da praia descanar e que descano o seu1 volt\ traz5do na sua bagagem deliciosas telas1 =mosissimas4 ,qu]] cit> z melhores s]ia cital-z todas1 eu porm not>ei como primordial--,a ,s5hora da ,guia--depois1 z ,az5has e d'e/as no sei se o que respl5de de sol1 se o outro1 feito por uma manh tri/e de *uva4 ,figura3 ,no volt> mais--,,ar?ur ,,l\reiro ,a ,igreja matriz1 tambem o noto pelo bello d effeito4 ,como uma man*a retumbante1 n'aquella suavidade de cr1 os repo/eiros da igreja fazem resalt> o quadro 7ora aqui e/ onde eu dec]to d\ raia1 em t] recebido uma bella impresso pelo v]melho que de/aca d quadro1 mas s\ assim e no ha nada que me atrapalhe74 ,a ,paisagem g]al de ,villa d ,conde1 com o seu conv5to e a sua caz>ia branca =mosa4 ,o ,passado1 quadro *eio de poesia e de c&ura4 ,como um poema1 de amor1 de dr e de mis]ia aquella velha s5tada porta da igreja1 onde talvez ella se baptis>a1 casra e s]ia ent]rado o seu companheiro de muitos annos1 talvez um pescador1 que ella hoje *ora1 p$9do esmola1 na sua mis]avel e angu/iosa viuvez4 ,mas vamos fe*> e/e artigo que vae j longo de mais4 ,antes porm not>emos d\s quadros1 um que se intitula--,no volt> mais1 e que outro poema de dr4 ,junto d'uma bella arvore em flor1 um r$ond5dro1 uma viuva e uma creana olham o m>4 ,esse m> gigantesco e b>b>o que foi1 dec]to1 quem subjug\ p>a sempre o ente qu]ido d'essas duas figuras ins9uantem5te bellas nas suas silh\etes4 ,o ,convalesc5te um retrato primoroso d nosso amigo dr4 ,francisco ,l\reiro1 irmo d di/9cto arti/a4 ''' um trabalho feito com muito amor e muito sab]4 ,flagrante de v]dade e correctissimo de des5ho4 ''' um bello retrato4 ,que me p]doe o arti/a e/a prosa des5*abida e vulg>1 mas1 mais no pde d> a m9ha p5a4 ,no entanto ha-de v] o publico que eu no quiz faz] o rclame d p9tor nem a apologia d homem1 fiz unica e exclusivam5te a res5ha rapida e s9c]a d trabalho correcto d'um poeta lyrico da p9tura que entre ns vem1 se no1 faz] uma revoluo na arte1 d> no entanto a nota brilhante1 d que deve s] o paisagi/a portuguez2 p9t> a nossa paisagem1 sem tons exoticos de cr trazidos dos paizes e/rangeiros4 ,porque ,portugal com o seu ceu e os seus v]des no pde s] p9tado com z cores das paisag5s brets4 ,e mais nada4 ,outubro #aijb4 ,figura3 ,na ,eira--,,lucilia ,,aranha ,,vi ,,esculptores ,,portu5ses ,,f]n&es ,,de ,s ,uma das manife/aes mais vivas da arte a esculptura4 ,esculpir em m>more ou em bronze a figura de um individuo1 1 como que1 deixal-o por toda a va/ido dos seculos admirao1 ao respeito ou saudade dos seus concidados ou dos seus amigos4 ''' a nota con/antem5te vibrante de uma individualidade4 ,mais durad\ra d que a p9tura1 ella que1 arro/&o nos log>es publicos com a intemp]ie dos tempos1 mo/ra aos que passam um capitulo da hi/oria dos povos1 um acto de alta philantropia1 ou a saudosa recordao d'um ente qu]ido que a morte nos r\b\4 ,e no s isso2 empolg&o o nosso espirito1 d a concepo p]feita d'uma ideia g5ial que o arti/a quiz vivific>1 d&o dura e in=me p$ra ou ao frio bronze a pulsatibilidade da natureza viva4 ,figura3 ,f]n&es de ,s ,a esculptura1 na sua l>ga e educativa esph]a1 desde o poema gr&ioso da patria1 nos h]oes que faz reviv]1 at aos santos1 que a religio faz v5]> nos alt>es1 com a l>ga escala de mil v>iadas manife/aes1 uma das mais difficeis1 se no a mais difficil de todas z manife/aes arti/icas4 ,e d'ahi o insignificante quoci5te de esculptores1 em relao aos p9tores4 ,e1 todo e/e preambulo p>a vos diz]1 que visitei hontem a exposio de esculptura1 que o notavel e/atu>io ,f]n&es de ,s abriu no seu gracioso ateli] da rua de ,alv>es ,cabral1 d'e/a cidade4 ,e/e moo esculptor1 cujo nome no j uma esp]ana1 mas sim uma affirmao segura1 d-nos1 com a exposio dos seus trabalhos feitos aqui e em ,p>is1 a demon/rao mais def9ida e ass5te1 de que um d'aquelles arti/as que mais futuro teem1 d5tro da sua especialidade4 ,figura3 ,desafio--,,f]n&es de ,s ,no o qu]emos colloc> a p> d gr&e1 d g5ial ,so>es dos ,reis1 mas pomol-o aproximadam5te no mesmo plano de ,teixeira ,lopes2 depois1 elle novo e tem uma vontade de f]ro2 ora e/es dois bellos elem5tos1 a mocidade e a en]gia1 juntos ao seu gr&e tal5to e ao seu muito sab]1 do-nos a g>antia de que elle ha de fulgur>1 como um a/ro de primeira gr&eza1 na sublime arte de ,milo4 ,f]n&es de ,s1 a cont9u> assim1 no ha-de s] notavel s entre ns1 ha-de sel-o tambem l fra1 no e/rangeiro4 ,e bom s] que assim succ$a1 p>a que no mundo civilisado se faa a v]dadeira ju/ia aos nossos arti/as e se no p5se que i/o aqui uma t]ra de selvag5s4 ,mas1 deixemos e/as divagaes e entremos no assumpto que me proponho expr3 ,not> z obras que ,f]n&es de ,s expe1 e i/o ao de leve1 como quem qu] e no pde1 por falta de elem5tos1 embr5h>-se em philosophicos problemas d'arte4 ,dezoito so os trabalhos expo/os1 qual d'elles o mais empolgante1 qual o mais bem executado4 ,figura3 ,cames 7e/atua em m>more de ,c>r>a7--,,f]n&es de ,s ,desde o l>go trabalho--,cames--at pequ59a cabecita da galante--,bb--todos elles so sob]bos e dignos de especial m5o4 ,cames1 e/atua em m>more de ,c>r>a1 de/9ada ao ,museu de ,artilh]ia de ,lisboa4 ,aps o naufragio1 o gr&e epico portuguez salva1 n'um h]oico es=o1 a sua espada e o seu poema--eis o assumpto repres5tado por e/a bella e/atua4 ,n'uma attitude de desesp]ada ancia1 o corpo fidalgo de ,cames1 sobre uma ro*a1 a mo direita crispada ag>r&o-se a uma sali5cia da p5$ia1 na esqu]da a espada e o poema sobre o corao1 p>ece escorreg>1 resval&o na voragem da onda1 que n'um desesp]o revoltoso se quebra de encontro quella molle de m>more4 ,sublime de concepo4 ,na figura elegante e adelgaada de ,cames ha l9has d'uma s5horil fidalguia4 ,tratado aquelle m>more com o encanto e o amor d'um v]dadeiro portuguez1 o esculptor no p]deu uma m9ud5cia1 por mais pequ5a que fosse4 ,tudo e/udado com p]feita segurana1 com v]dadeira me/ria1 desde a musculatura reteza e vigorosa d'um desesp]ado em lucta com o m>1 at ao desal9ho da r\pagem1 tudo elle viu1 tudo elle e/ud\ consci5ciosam5te4 ,e1 fug9do da vulg>idade das concepes sobre e/e !ma1 ,f]n&es de ,s realis\--segundo o nosso modo de vr--uma obra g5ial4 ,rapto de ,ganim$es1 um grupo em gesso1 que vs j conheceis de qu&o e/eve ahi expo/o na ,exposio da ,soci$ade de ,bellas-,artes1 onde m]eceu a segunda m$alha1 t5do j adquirido a t]ceira m$alha na exposio de ,p>is de #aijj4 ,beijo ,mat]no1 7grupo em gesso74 ,v]dadeiro poema de amor mat]nal4 ,uma l9da mulh]1 deliciosam5te esculpida1 su/5do no collo um =moso bb1 que ella beija n'uma subtil ancia de t]nura4 ,foi e/e o seu trabalho f9al p>a o concurso de esculptura em ,p>is1 como p5sioni/a d ,e/ado4 ''' um encanto4 ,vaga4 ,e/e gesso d'uma bella idealisao4 ,uma =mosa mulh]1 completam5te nua1 de l9has primorosas1 p\sa sobr5ad&o nas ondas revoltas d'um pr(undo m> e recl9a-se docem5te1 como adormecida ao m>ulh> da agua4 ,ao contemplal-a deu-nos o corao um baque e confront&o na m5te a mnemonica de quadros vi/os1 lembrmo-nos d'um1 que nos p>eceu a reproduco em p9tura d'aquelle sob]bo trabalho1 e no nosso espirito fic\ como que um esp9ho a esse respeito4 ,alguem1 mal int5cionado1 pod]ia diz] que ,jos de ,brito t9ha ido alli beb] a sua inspirao e o modelo p>a o seu quadro ,a ,vaga4 ,ns no nos abalanamos a tanto1 nem isso qu]emos p5s> sequ]1 porque ,jos de ,brito um gr&e p9tor444 ,figura3 ,beijo mat]no 7grupo em gesso7--,,f]n&es de ,s ,dois bu/os1 em m>more que so a reproduco exacta das pessoas que repres5tam4 ,o retrato d dr4 ,correia de ,b>ros1 um trabalho bem feito1 *eio de v]dade e de vida4 ,ha tambem uma ,cabea de velha1 que primorosa4 ,no ,pobre 7bronze d\rado7 e no ,desafio 7bronze7 ha flagrancias de expresso1 detalhes m9uciosos de execuo1 que revelam o c9zel subtil1 consci5cioso e correcto de quem os execut\4 ,ah6 ,mas1 onde se revela o corao delicado e a alma poetica d moo esculptor1 no grupo ,irms4 ,que sob]ba obra6 ,com que c>9ho1 com que amisade no foi executado aquelle gesso6 ,v-se que o arti/a poz alli toda a sua alma de moo e de moo apaixonado4 ,aquellas duas rap>igas1 d'um olh> meigo e t]no1 que o e/atu>io del9eava1 com c]teza emquanto elle trabalhava cobriam-no com os seus doces olh>es n'uma c>icia amiga de irms4 ,alli poz elle toda a sua alma lyrica1 como no ,cames1 poz toda a alma patriotica4 ,ha tambem uma ,cabea de velha 7bronze d\rado71 muito bem feita4 ,notavel tambem um ,e/udo em b>ro1 cob]to com pat9e v]de que lhe d um tom de novidade4 ,o assumpto uma cabea de mulh] d povo1 com o seu l5o4 ,nas l9has de aquelle ro/o ha muita v]dade1 e um tal ar de languidez1 que logo se nota que d5tro da alma d modelo havia um c]to qu de p5a ou de saudade4 ,e tudo i/o l9do e tudo i/o bello1 no esquec5do fall> nas cabecitas de creanz que l vimos4 ,deixei p>a o fim i/o1 porque t5do eu uma pr$ileco especial por creanz1 comprazia-me todo em s] n'ellas que fallasse por ultimo4 ,so quatro e/es trabalhos3 ,cabea de creana1 ,bb1 ,beija-flor1 ,e/udo de creana4 ,que encantadores6 ,com que amor elle no esculpiu no frio m>more aquellas quatro p]olas1 aquellas deliciosas creanz1 que so mesmo um primor6 ,uma vez1 n'uma exposio que ,teixeira ,lopes fez no pateo da ,bolsa1 havia l um bb1 o retrato d'um sobr9ho d'elle1 e eu1 e/&o alli s1 no me furtei ao desejo de o beij> e beijei-o1 tal era o seu encanto4 ,pois qu&o visitei a exposio de ,f]n&es de ,s1 se l me visse s1 posso affirmal-o1 beijava todas essas creanz n'uma inf9ita alegria1 porque z julgava vivas4 ,so realm5te uns delicados e subtis bu/os1 que me deslumbr>am4 ,e eis em meia duzia de l9has a noticia da visita que fiz1 por uma l9da manh1 ao ateli] de ,f]n&es de ,s1 onde a luz =te d sol1 coada atravez dos brancos transp>5tes1 n'uma dura meiga1 fazia resalt> os m>mores esculpidos1 como n'uma lum9osa p5umbra de sonho4 ,e p]mitta o moo esculptor1 que to g5tilm5te nos recebeu1 e com tanta mode/ia nos apres5t\ os seus gloriosos trabalhos1 que lhe digamos que o seu tal5to lhe d direito a mais um p\co de orgulho1 e no a qu]] deix>-se fic> na mode/issima sombra dos que p\co valem4 ,o seu nome e a sua obra1 repito1 no so uma esp]ana1 no2 so uma affirmao segura de que elle um dos primeiros e/atu>ios portuguezes4 ,outubro #aijb4 ,figura3 ,bu/o 7,antonio ,cano7--,,f]n&es de ,s ,,vii ,exposio da ,soci$ade de ,bellas-,artes de ,lisboa ,,c>ta ,a ,,um ,,r$actor ,,d ,,correio ,,da ,,noite ,no me conhece1 nem isso necess>io1 p>a o que eu lhe qu]o confi>4 ,no um segr$o e1 portanto1 se a*> int]essante o que lhe v\ diz]1 conte-o ao publico1 a esse publico despreoccupado1 que l z gazetas1 no p>a se in/ruir1 mas p>a v] se o seu nome figura no ,c>net ,monda91 ou se alguma c\sa m succ$eu aos seus conhecidos p>a t] o pretexto de os consol> nas suas am>guras e nas suas desditas4 ,conte-lhe o que lhe v\ diz] e e/\ conv5cido1 que isso lhe s] agradavel1 porque eu1 com o meu g5io des9t]essado e indep5d5te1 d\ ab]tam5te1 picadelas em quem z m]ece1 levant&o ao ar em apo!oses de gloria1 tambem1 aquelles que a ella teem direito1 segundo o meu modo de v]4 ,figura3 ,el-rei ,s\ s9c]o1 ap5as2 nunca me embr5hei nos escan9hos da politica e1 por isso1 no conheo a intriga2 nunca calquei os tapetes dos palacios dos nobres e da ari/ocracia e1 por isso1 no conheo a bajulao2 no me t5ho accorr5tado ao jornalismo militante e1 por isso1 no conheo z conv5i5cias de r$aco4 ,s\1 a9da1 mais indep5d5te d que o *efe d p>tido novo1 que no qu] p>a seus soldados s5o os que e/o is5tos d peccado politico4 ,s\1 emfim1 como os hom5s d norte2 duro como um sobreiro1 +5uo como uma creana444 de bigode1 s9c]o como um convicto e delicado como uma dama4 ,figura3 ,paisagem 7pa/el7--,,el-,,rei ,e feita a m9ha apres5tao1 ahi vae o que eu lhe qu]ia diz]4 ,fui1 levado por int5sa curiosidade1 visit> a exposio da soci$ade ,nacional de ,bellas-,artes e dei o meu tempo por muito bem empregado4 ,e dei por bem empregadas z tres horas que l passei1 porque morro por coisas d'arte4 ,a ,arte1 a gr&e ,arte1 cuja def9io p]feita1 p>a mim1 um my?o1 atrae-me como uma feiticeira deslumbrante e m>avilhosa4 ,mas a ,arte p9ctural e esculptural1 essa1 extasia-me e no p>a extranh> o vr-me p>ado em fr5te d'um bom quadro ou d'uma bella esculptura1 tal qual como em fr5te d'uma mulh] =mosa4 ,mas1 deixemos e/as divagaes e entremos no assumpto da m9ha c>ta4 ,demais1 que lhe importa a si que eu go/e ou desgo/e1 se o meu c>o nem sequ] me conhece de nome4 ,antes1 porm1 de cont9u>1 ou por outra1 de comear1 desculpe e/a franqueza3 z aguas de ,lisboa so ms e poz]am-me o figado n'um pessimo e/ado1 o que deu em resultado eu t] tido um ligeiro extravasam5to de bilis1 que pode s] se manife/e1 a9da que ao de leve1 no decorr] de/a m9ha despret5ciosa c>ta4 ,figura3 ,cabea de e/udo--,,erne/o ,,condeixa ,uf6444 que comeo a mass>1 no a*a8 ,mas que qu]1 eu s\ assim1 o mal d>-me corda1 ho-de atur>-me depois4 ,e po/o i/o1 l vae4 ,fui vr a exposio e fui sem a preoccupao de critico d'arte1 unica e exclusivam5te como amador1 como dilletanti1 e como tal que escrevo4 ,que me p]dem os arti/as1 se nada fr1 a m9ha apreciao aos seus trabalhos1 que me tol]em os criticos de arte se a m9ha incompet5te op9io brig> com z regras d meti]1 e que se ria o publico se no go/> da m9ha prosa e o meu c>o r$actor se ent5d] que a pim5ta =te1 ou o guizado e/ mal condim5tado1 j sabe o que tem a faz]1 1 ce/o dos papeis inuteis com elle4 ,figura3 ,b>beiro d',aldeia--,,jos''' ,,malhoa ,comearei tal qual como indica o catalogo1 apreci&o1 sob a impresso p]feitam5te pessoal d'um prov9ciano1 os trabalhos expo/os1 pela sua ordem num]ica4 ,primeiro e/o os de ,s4 ,m4 ,e/e arti/a-amador e/ l to alto que nada pod]ei diz] dos seus trabalhos4 ,unicam5te o que me agrad\ mais foi o ,no ,sado--processo ,raffaelli1 se bem que j tive occasio de vr trabalhos de muito maior valor executados pelo mesmo mon>*a1 que inegavelm5te um arti/a de temp]am5to def9ido4 ,e agora sem respeito nem consid]ao pelos arti/as e qui amadores1 que eu no conheo1 ahi vae a m9ha op9io s9c]a4 ,,quadros ,a ,,oleo ,d4 ,b]?a ,alcant>a1 n4os #a a #d--,natureza morta e flores--,natureza morta e to morta que d vontade de444 decor> uma cos9ha com ella4--,amores p]feitos1 imp]feitos4--,um agrupam5to de lyrios e mimosas1 os lyrios ba/ante d5sos1 n'um demasiado ajuntam5to1 que p>ece esmag>em-se uns aos outros4 ,d4 ,luisa ,alm$9a1 n4o #e--,uns cravos sem *eiro1 desconsolados444 ,almeida e ,silva1 n4os #f a #ae4 ,p9turas v>ias1 assaz recortadas e lambidas1 com ar pret5cioso de oleographias c>as2 e/e arti/a p>ece &> p>a traz1 quem p9t\ ,o ,viatico na aldeia1 ,um critico d'arte1 ,cabea de cabrito1 7que eu possuo7 t9ha obrigao de se apres5t> melhor4 ,tem n'e/a exposio um quadro--,o abat-j\r japonez1 que v]dadeiram5te uma japonesice de caixa de *4 ,no entanto recomm5da-se o seu quadro--,t>de calma de junho1 que e/1 a meu vr1 bem1 e o unico que se salva de todo aquelle monto de arte de recorte444 ,figura3 ,paisagem--,,m>ques d',,oliveira ,condessa d',alto ,me>im1 n4os #ag a #ai4 ,tem m]ecim5to1 e muito1 e/a amadora--,a ,nossa ,s5hora d ,refugio1 bem lanada de l9has1 l>gas p9celadas dadas sem fem9ismo1 talvez um p\co coquete1 na expresso1 p>a ,nossa ,s5hora1 no entanto um bello quadro4 ,o n4o #ag p>ece-me e/> trocado1 pois no crivel que s4 ex4a p9tasse um retrato de ,f4 ,v4 n'um velho em traje de fantasia2 mas se o p9t\1 diremos que o trabalho bom1 a figura e/ bem e/udada1 boa c>nao1 boas r\pag5s1 mos bem trabalhadas1 um bom quadro1 emfim4 ,d4 ,m>ia ,luiza ,alto ,me>im1 n4os #ai e #bj1 o ,five clock tea um bom quadro traado amplam5te1 com boa luz e muita expresso da figura1 talvez um p\co de branco a mais na c>a da dama1 que deve s] da primeira soci$ade e que naturalm5te usa muito p de vel\t9e1 e d'ahi o tal branco6444 ,viscondessa de ,ameiro1 n4o #aa4 ,arvor$o--eu *am>-lhe-ia--,alvor$o4 ,e/ l muito no alto1 to alto1 que se p]de de vi/a4 ,lembra uma travessa de hortalia picada p>a gall9has4 ,figura3 ,m5diga--,,c>los ,,reis ,d4 ,virg9ia ,avell>1 n4o #bb4 ,supplica4--,uma deliciosa irm da ,c>idade1 e/udada com c>9ho e amor1 tal quanto m]ecia aquelle l9do ro/o1 que um bello sol banhava n'uma suavissima emoo de ca/idade e444 affecto4 ,m]ecia1 a meu v]1 uma m5o honrosa1 mas444 foi p>a outros444 ,d4 ,laura ,b&eira1 n4o #bc4 ,d4 ,ignez de ,ca/ro1 esguia e airosa1 um p\co !atral1 regul>m5te p9tada4 ,o galgo que a acompanha1 p>ece feito de grafite1 e se a ,d4 ,ignez cont9ua1 por muito tempo1 com a mo esqu]da n'aquella posio1 acaba por ceg> o pobre ca*orro1 pois a mett]-lhe um d$o pelo olho d5tro1 aquillo d pelo m5os uma conjunctivite444 ,leopoldo ,batti/9i1 n4os #bd a #bg--;dois e/udos de velhos1 um d'elles passavel--o #be4 ,av>5to1 horrido de luz e de expresso1 p>ece um p>anoco fugido ao tratam5to d dr4 ,bomb>da4 ,o #bg--;,b>queiros d ,mondego4 ,extraord9>io4 ,p>ece incrivel que se podesse mett] uma b>caa d'aquellas d5tro d'um quadro de #a1bf por #a1hg4 ,effeitos de luz1 dete/aveis4 ,a mulh] ou tem o peito em fogo ou qu] d> a com] c&eias de cebo ard5do1 pobre creana que p>ece t] ao collo4 ,d4 ,emilia ,a4 ,s4 ,braga1 n4os #bh a #ca--;,a ,m>ia de ,s4 ,joo 7#bh7 uma velhota com c>a de boa pessoa1 regul>m5te p9tada2 a*o-lhe z mos1 o ro/o e o cabello bem e/udados e com boa cr4 ,a orao 7#bi7 ,e/udo 7#cj7 so dois bons quadros1 traados com sup]ior crit]io1 p9celados l>gam5te1 com sob]bas expresses1 luz boa1 cr magnifica2 no n4o #cj notamos a9da o bem executado d collo d'uma l9da mulh]4 ,jos de ,brito1 n4o #cb--;,a ,vaga4--''' j meu conhecido e/e quadro1 d'um p9tor portu5se1 que tem o seu nome ligado a obras de muito m]ecim5to4 ,a ,vaga1 na sua ida symbolica no me agrada1 mas na sua execuo1 como e/udo d n sup]ior e irrepreh5sivelm5te feito2 no bem trabalhado d des5ho e no bem dado da cr1 s5te-se a curva avelludada e macia d'uma mulh] nova e de c>nes duras4 ''' um bom quadro4 ,ar?ur ,a4 ,c>doso1 n4os #cc e #cd--;,dois retratos4--,o n4o #cc bem feito2 que p>a mim1 desde que so retratos1 o que eu qu]o que elles se p>eam1 quanto ao mais no me importa4 ,figura3 ,m>9ha--,,jo,o ,,vaz ,joo ,luiz ,c>doso1 n4os #ce a #db--;,especialidades em ,arr$ores4 ,arr$ores de ,aveiro e de ,?om>4 ,not>ei como dignos de m5o o n4o #ci1 um bello po5te1 e os n4os #dj1 #da1 e #db1 onde a luz bella1 di/ribuida com me?odo e muita uni=midade4 ,antonio ,c>neiro ,junior1 n4os #dc a #de4--;,e/e arti/a um melancolico1 um tri/e1 e se nos quadros expo/os o no mo/ra que se limit\ a expr retratos4 ,o que diz] d'esses retratos1 qu&o o jury j disse tudo1 d&o ao seu quadro--n4o #dc1 ,retrato de ,teixeira ,lopes--uma m$alha4 ''' innegavelm5te um trabalho magnifico4 ,o retrato n4o #de1 de uma s5hora1 tambem muito bom4 ,b]n>d9o ,tr9dade ,*agas1 n4os #df e #dg4--,uma paisagem e um retrato4--,ataca dois g5]os diff]5tes com a mesma galh>dia e o mesmo savoir-faire4 ,o retrato teve uma m5o honrosa4--,a paisagem boa3 ,uma mulh] sobre um burrico1 vae1 n'um *\to doce1 atravez um cam9ho de aldeia1 p>a a capell9ha1 em ,tavira4 ,boa luz1 boa cor1 de/ac&o no tom am>ello saibroso da e/rada z figuritas1 que o arti/a e/ud\ com cuidado4 ,jorge ,collao1 n4os #dh a #ej4--;,e/e arti/a o collaborador arti/ico d ,seculo ,illu/rado1 julgo eu1 e por isso preciso t] cuidado com elle p>a no t] o desgo/o de succ$] m9ha despret5ciosa critica o que succ$eu ao monum5to de ,s\sa ,m>t9s1 feito pelo ,queiroz ,ribeiro4 ,por isso444 fico calado444 ,mas no fico444 ahi vae o que eu p5so4 ,na ,p>tida int]rompida1 que teve a #b4;a m$alha1 a*o-lhe o p esqu]do1 que e/ no plano ant]ior1 um tanto mais delgado d que o p direito1 que e/ n'um #b4o plano1 um p\co mais atraz e ba/ante *eio4 ,o ,nos campos de ,arzilla1 um l>go quadro feito com todo o int]esse e correco de quem sabe trat> com p9ceis4 ,uma bella tela *eia de cor e de um l>go pod] decorativo4 ,gu>da negra4 ,talvez no fosse peor t] adelgaado um p\co z mos ao cavallo1 que avulta no #a4o plano d quadro4 ,os cavallos arabes so1 por via de regra1 d'uma gracilidade especial de mos1 que c>act]isa bem o seu g5io n]voso e a ligeireza d seu galop>4 ,erne/o ,condeixa1 n4os #ea a #ef4--;,e/e tambem um arti/a cuja reputao e/ feita4 ,p9ta com muita consci5cia1 muita pratica e ba/ante sab]4 ,not>ei1 p>a mim como melhor1 o #eb1 em que ha um bello effeito de sol sobre a agua d m>4 ,o #ec1 delicioso ,cant9ho da praia de ,pao d',arcos1 e o #ef1 um sob]bo po5te no/algico e poetico na ,ribeira de ,algs4 ,c&ido da ,cunha1 n4os #eg a #fa4--,poeta s5tim5tal da p9tura1 lana nos seus quadros z suas impresses com um s5tim5to desusado2 no o p9tor d gr&e sol e da cr que ret9e como toques de cl>im1 no2 repassa-os de uma unco suavem5te tri/e1 que encanta4 ''' inegavelm5te um quadro de me/re o seu ,hora no/algica1 #eg4 ,os outros so pequ5as man*as1 feitas com muita correco4 ,figura3 ,vaga--,,jos''' de ,,brito ,mademoiselle ,hel5e ,eisemb>d1 n4os #fb e #fc4--,portrait huile1 #fb1 regul>1 sem espant>4 ,fleurs1 #fc4 ,*risantemos1 uma *9esice a oleo1 que se supporta444 como *9esice4 ,lizzie ,escolme1 n4os #fd a #gj4--;,alguns quadros de flores e paisag5s4 ,sem int]esse p>a mim1 a no s] o n4o #fe1 ,prim]oses e violettes1 e o n4o #ff1 ,lils1 que so regul>es1 com alguma frescura4 ,o re/o444 no vale nada4 ,du>te ,f>ia e ,maia1 n4o #ga4--,uma m9iatura lambidita444 como retrato444 ,c4 ,gomes ,f]n&es1 n4os #gb a #gh4--,tem-se des5volvido e/e amador1 desde que se lembr\ de qu]] s] arti/a2 progride innegavelm5te1 demais p>a quem viu1 como eu1 os seus ultimos trabalhos no ,porto2 pasma d modo como e/ p9tado o seu quadro n4o #gb1 ,m>gem d ,tejo4 ,bem tocado de luz1 regul>m5te p9celado1 com uma c]ta l>gueza e um doce tom1 que nos encanta4 ''' tambem int]essante o seu ,cam9ho 7,granja71 n4o #gh4 ,os outros so quadros de amador com pret5ses444 ,jos ,s4 ,m\ra ,giro1 n4os #gi a #hg4--,s podemos admittir com a rubrica d'e/e bom arti/a os quadros n4os #hd a #hg1 onde ha gallos e gall9has sob]bam5te p9tados1 porque1 a9da at hoje no encontrmos n+uem1 que t5ha na sua palleta cores to brilhantes e to acc5tuadam5te def9idas1 p>a p9t> a plumagem retumbante dos gallos4 ,so e/es trabalhos de molde a faz] impor admirao d publico um arti/a como ,giro4 ,mas444 p5a foi que elle se no limitasse a isso e t5tasse p9t> animaes de pello444 ,os seus gatos 7n4os #ha a #hd71 so horrorosos2 p>ecem1 bem como os coelhos 7n4o #gi71 biblots de algodo em rama1 p>a creanz2 d'e/es que se v5dem no ,b5>de1 no ,c>doso da rua ,nova d ,c>mo444 ,fique-se com e/a snr4 ,giro1 que eu1 infelizm5te1 no conheo4 ,nunca p9te s5o aves1 se no qu] p]d] o gr&e nome que tem1 como primoroso arti/a que 4 ,d4 ,isabel ,lav]1 n4os #hh a #ic4--,o quadro n4o #hh1 ,cabea de velho1 fez-nos p>> algum tempo na sua fr5te e1 ao fixal-a1 salt\-nos1 in/9ctivam5te1 da m5te1 aquelle p$ao de poesia de ,caldeira1 ,a ,mosca3 44444444444444444444444444444o maldito d velho1 ,da cor d'um rabanete1 ou a9da mais v]melho444 ,porque de facto o tal velhote p>ece esculpido n'um presunto de ,lamego444 ,o n4o #ij1 ,rosas1 duras e compactas como se fossem talhadas em porcelana da ,vi/a ,alegre1 p\sadas n'uma j>ra d'um dete/avel effeito e cor4 ,o *1 7#ia74 ,um bule de prata oxidado e sujo1 doce de dezoito v9t5s o arratel1 p>a velhotas coscovilheiras1 que vi]am at ns dos tempos dos francezes4 ,jos ,leite1 n4o #id4--,um bello retrato de mulh] nova1 feito com me/ria1 e d&o a conhec] que o auctor tem disposio e sabe d meti]4 ,foi-lhe conf]ida uma m5o honrosa1 uma das mais bem applicadas d c]tam54 ,adriano ,lopes1 n4o #ie4--,um retrato d g5]al ,ca/el-,branco--muito bem cuidado1-- o seu auctor um discipulo que d honra aos seus pr(essores4 ,jos ,malha4 ,eis-me *egado emfim ao ,arti/a que mais me deslumbra1 e mais me fasc9a4 ,*egado aqui1 o meu desejo p\s> a p5na1 curv>-me rev]5tem5te deante da sua obra g5ial1 e limit>-me a grit> en?usiasmadam5te3 ,salv1 p9tor da gr&e luz1 d bello sol1 da sob]ba cr que ret9e nos teus quadros1 como p$aos de cry/al f9issimo que se p>te4 ,era e/e o meu desejo1 mas1 alguem1 os mal int5cionados1 esses1 fic>iam na sombra a rir-se de mim1 e diriam3 ,porque no falla e/e critico d ,malha86444 ,eu respond]ia1 porque elle en*e com os seus trabalhos to por completo o meu espirito1 que me julgo muito pequ5o p>a fall> d'elles4 ,mas1 como qu]o lev> de seguida a m9ha c>ta1 ahi vae a impresso que tive com os quadros de ,jos ,malha1 n4os #if a #ajh4 ,figura3 ,velloso ,salgado ,de/aco como primordial o seu quadro1 ,b>beiro da aldeia1 #ih1 assombroso de execuo1 sublime de expresso nas figuras1 mesmo nas que se p]dem nos ultimos planos4 ,luz sob]ba1 e444 des5ho rigorosam5te e/udado4 ,a seguir ,a ,descamisada1 #ig--magnifico--e o #ih1 ,o ,antigo phosphoro1 em que se v p]feitam5te1 muito def9ido1 a impresso asphyxiante d enx(re que arde morosam5te1 obrig&o a pr a di/ancia o phosphoro4 ,que bello trabalho1 que primor de expresso na figura1 que di/5d] de brao to naturalm5te lanado6 e o #ii1 ,cabea de e/udo1 optimo de luz1 e o #ajb1 ,ao cair da t>de1 quanta melan*olia doce no nos imprime1 aquelle quadro1 e o #ajh1 esse l>go quadro decorativo p>a a sala de musica d snr4 ,lamb]t9i8 ,com que gracilidade no e/o lanadas todas aquellas figuras1 n'umas posies naturaes e flacidas que p>ecem *eias de mocidade e de vida4 ,e1 deixei p>a o fim o n4o #ajf1 que1 embora eu e/eja em erro1 p>a mim um dos trabalhos mais fulgurantes d gr&e arti/a4 ,aquelle retrato de mulh]1 com uma elegancia f9issima de palmeira1 des5hada com uma di/9cta correco de l9has e colorida com um mimo especial de c>nao1 que palpita1 fez-me s5tir o gr&e desejo de me curv> n'uma po/ura palaciana e beij> respeitosam5te z pontas d'aquelles d$os1 que to despreoccupadam5te p\sam no teclado d piano4 ,e/e quadro p>a mim d'um encanto inexc$ivel4 ,e que me p]de o arti/a se eu no s\be diz] d'elle o que elle m]ecia4 ,raul ,m>ia1 n4os #aji a #aab4--,quatro retratos1 s5do regul>m5te bem feito o #aji1 de ,c>los ,malheiro ,dias1 o #aaa1 retrato de ,edu>do ,brazo1 foi feito dec]to em occasio1 em que o gr&e actor e/ava s(fr5do de v]tueja1 uma especie de erisypela4 ,o retrato n4o #aab1 s se admitte como c>icatura4 ,d4 ,branca ,m>ques1 n4o #aac4--,uma velha alde1 que nos faz lembr> uma batata +leza4 ,adolpho ,manon1 n4o #aad4--;,a ,co/a4 ,p]feito quadro p>a z ,messag]ies ,m>itimes2 eu *am>-lhe-ia o vapor ,city ( ,lisbon4 ,?omaz de ,mello ,junior1 n4os #aae a #aba4--''' um paisagi/a int]essante e de m]ecim5to4 ,de/ac>emos os seus quadros3 #aae1 ,salgueiral d',azambuja1 paisagem *eia de luz1 com uma fita d'agua muito bem e/udada2 ,o ,g]ez1 e/udado com cuidado1 na cr e na luz4 ,o ,g]ez aquillo1 conhece-o bem4 ,o #aba1 ,torre de ,s4 ,julio1 que muito int]essante1 e1 ento1 o #aah1 ,praia de ,naz>e?6 uma sob]ba m>9ha1 feita com muito crit]io e muito sab]4 ,z vagas1 que se levantam em ca*es espumantes1 e/o1 na v]dade1 feitas magnificam5te1 e o b>co1 que z t5de galg> ao es=o dos remos1 e/ e/udado com preciso e rigorosidade4 ,?omaz de ,m\ra1 n4os #abb a #abh4--''' um arti/a que vem l de fra1 com z suas impresses de ,p>is e da ,bretanha2 os seus quadros so tocados de um c]to gris1 que ns no temos1 uma cr aciz5tada que me f]e mal a ret9a1 o que no qu] diz]1 que elle no t5ha m]ecim5to1 que o tem4 ,especialm5te o seu #abb1 ,c>9hos de me1 e/ muito bem feito4 ,d4 ,fanny ,munr1 n4os #abi a #acc4--,muito gelo1 muito gelo e muito gelo1 no entanto no me desagrad\ o #acc1 ,na ,montanha4 ,isaias ,newton1 n4os #ace a #adi4--''' um pr(essor e bem me cu/a diz] mal d'elle1 mas que qu]em1 a bilis c e/ s voltas commigo2 o seu #acd1 ,o ,lago1 p>ece feito de vidro fiado e os seus1 #acg1 ,entrada p>a a qu9ta d ,ex4mo ,snr4 ,novaes1 #aci1 ,campo d ,bomfim1 lembram oleographias1 o unico aproveitavel1 a meu vr1 o #ace1 ,um tre*o de paisagem4 ,d4 ,m>iana ,palma1 n4o #adj4--;,depois d jant>4 ,um melo phanta/ico com pevides que p>ecem d5tes1 queijo cabea de preto com man*as de bolor4 ,um mau v9ho1 d5tro de uns cry/aes e d'uns vidros da fabrica da ,amora ou da ,m>9ha ,gr&e4 ,torquato ,p9heiro1 n4os #ada a #ade4--,o retrato de seu filho1 #ada4--''' sem discusso o seu melhor quadro n'e/a exposio4 ,torquato ,p9heiro um paisagi/a di/9cto1 mas no m5os como retrati/a4 ,os seus quadros so tocados sempre de uma c]ta +5uidade1 que nos encanta1 so p>a not> o #add1 ,lea de ,bailio1 pr(undam5te melan*olico1 e o #ade1 ,fim da ,t>de1 bem feito1 com muita suavidade de luz4 ,figura3 ,bu/o de +leza--,,teixeira ,,lopes ,columbano ,bordallo ,p9heiro1 n4os #adf a #aed4--;,eis outro arti/a que se impe firmem5te nossa admirao1 e/e no um arti/a d sol1 1 deixem-me diz]1 um arti/a psy*ologo4 ,faz talvez mais o retrato da alma d que o retrato d corpo1 mas1 o que elle sabe 1 d> umas p9celadas to orig9aes1 to suas1 que os seus quadros conhecem-se ao longe1 sem precis>mos de lhe vr a assignatura4 ,o quadro #adf--;,a ,pelia d'uma execuo to subtil1 que apetece pass>-lhe ao de leve a mo sobre aquella pelle1 p>a se s5tir o aveludado da lontra1 o #adg--,sc5a d'int]ior1 ha tal expresso na c>a de mulh]1 que se e/ a s5tir e a vr1 o que ella e/ p5s&o l d5tro d seu c]ebro de velhota matreira4 ,mas1 sup]ior a todos1 a meu vr1 o #aeb1 ,retrato d ,conde de ,arnoso4 ''' extraord9>iam5te sup]ior4 ,manuel ,h4 ,p9to1 n4os #aee a #aef4--,nunca t9ha vi/o nada d'e/e arti/a1 e fiquei go/&o de vr os seus quadros2 so ambos bons1 mas o #aee1 ,d> de com] a quem tem fome6 muito bem e/udado4 ,ha ali vida1 n'aquella mulh] que cuida dos seus bacor9hos com boa m5agre e os bacoritos1 esses1 na sua su9issima figura de resmunges1 e/o tambem muito bem e/udados4 ,e no fui s eu que go/ei dos quadros1 foi tambem a commisso1 que lhe deu uma m$alha4 ,joo ,porfirio1 n4os #aeg a #aeh4--,o quadro #aeh um especim5 comprovativo das !orias de ,d>w94 ,c>los ,reis1 n4os #aei a #afd4--;,e/e sim4 ,os seus quadros confirmam bem o seu bom nome de me/re4 ,na figura e na paisagem1 em ambos sup]ior4 ,o seu #aei--,retrato de ,max ,van ,yp]sele de ,/rihon1 magnifico1 a c>nao flagrante de cr e a mo8 ah6 a mo6 um primor de correco4 ,os #afj--,velho ca/anheiro--#afa1 ,m5diga--#afb1 ,s\to de ,ca/anheiro--#afc1 ,po5te de abril1 so quatro l9das joias da arte p9ctural que apetece r\b> da exposio p>a reve/ir o b\doir g5til da mulh] que se ama4 ,augu/o ,ribeiro1 n4os #afe a #agj4--,v]dadeiro p9tor impressioni/a4 ,unicam5te nos d impresses de paisag5s d ,norte1 onde o azul mais =te e a vegetao mais luxuriante1 v]des d'um matisado mais doce1 mais animado4 ,z suas po*ades so regul>m5te tocadas4 ,z que mais me agrad>am =am z n4o #afg1 ,po5te 7,ancora72 #afi1 ,po5te 7,ponte d ,lima72 #agj1 ,po5te 7,p>$es d ,c\ra74 ,foi contemplado com uma m5o honrosa1 bem m]ecida4 ,joo ,augu/o ,ribeiro1 n4o #aga4--,um septuag5>io1 int]essante e bem feito4 ,joo ,nunes ,ribeiro ,junior1 n4os #agb a #aha4--,p9tor de paisagem1 retrato e quadros de g5]o2 muita coisa p>a um arti/a s4 ,os retratos passaveis1 alguns mesmo bons4 ,paisagem com c]to ar1 especialm5te o #agg1 que e/ bem tocado de luz e assumpto bem escolhido2 o #agh1 ,campolide1 que int]essante4 ,os fructos e flores1 #ahj1 esse a*ei-o m$onho1 simplesm5te m$onho1 muito proprio como reclame p>a a casa ,daupias4 ,p>eceu-me um quadro annunciador4 ,no que1 z flores e z fructas tem que se lhe diga1 preciso muita frescura1 p>a z faz] resalt> com vida1 dos quadros444 ,figura3 ,tom&o o *--,,columbano ,adolpho de ,s\sa ,rodrigues1 n4os #ahb a #aie4--,o seu maior trabalho o #ahb1 ,no trabalho d campo4 ,no desgo/ei d'elle1 ap5as me fez m impresso aquelle v]de das lomb>das ou tron*udas4 ,p>ece-me que z figuras se recortam demais n'aquelle fundo v]de4 ,o #ahd1 ,saboti] breton1 a*ei-o com boa luz de (fic9a e z figuras bem e/udadas4 ,a cr444 aquella cr bret1 que eu no conheo1 que me fez esmorec] um p\co4 ,eu go/o mais da nossa luz4 ,o retrato #aie1 esse a*o-o muito bom1 bem executado1 bem des5hado4 ,f]n&o ,a4 ,m4 de ,s1 n4o #aif4--;,arr$ores de ,setubal4 ,mau de execuo e de cr4 ,jos ,velloso ,salgado1 n4os #aig a #aii4--,o gr&e p9tor de retratos e de tudo o mais1 que e/e arti/a1 quasi que me disp5sava de diz] qualqu] c\sa d'elle4 ,os seus trabalhos veem de ha muito1 pondo uma v]dadeira nota de arte no nosso pequ5o meio4 ,a sua fama e/ feita1 o seu nome1 ao s] dito1 retumba como um e*o de gloria na arte da p9tura portugueza4 ,l p>a o norte temos coisas to l9das1 e to primorosam5te feitas1 d'e/e arti/a1 no ,palacio da ,bolsa1 que eu acanho-me de faz] op9io sobre os seus trabalhos expo/os1 que so muito bons4 ,sobresa9do p>a mim a todos e/es1 o #aii1 retrato de ,adolpho ,msson4 ,d4 ,luiza ,/ephania da ,silva1 n4os #bjj a #bjb4--,unicam5te me fez s5sao o #bja1 em que ha uma c]ta frescura1 nos lyrios p9tados4 ,c&ido da ,silva ,junior1 n4os #bjc a #bab4--;,dois quadros1 em que ha retratos1 paisagem e flores4 ,d]am-me no goto os n4os #bje a #bji--o primeiro uma especie de j>dim de velha rabug5ta2 muita flor1 muita flor1 e n5huma disposio4 ,no s z flores d'e/e quadro1 mas z de todos os outros so duras1 sem frescura1 sem cambiantes de tom1 quasi homog5eos na cr4 ,a magnolia1 #bji1 at p>ece um limo444 ,acceitavel o #baj1 ,alfeite1 que uma man*asita que se suporta bem1 p>a amador4 ,joo ,ribeiro ,*ri/9o da ,silva1 n4os #bac a #bah4--;,ai pai6 que coisas aquellas6 ,o #bac1 a meu v]1 simplesm5te horrivel1 os outros444 adeante444 a no s] o #bah que int]essant9ho na sua frma m9iatural4 ,viscondessa de ,si/ello1 n4os #bai a #bbd4--''' uma amadora de c]to1 os seus quadros so *eios d'um qu] que seja de pret5cioso444 o n4o #bai1 ,retrato--a*ei-o sem vida1 muito *apado4--,fez-me saudades1 porque me p>eceu uma imitao m1 d bello quadro de ,velloso ,salgado--,reflexos4 ,o #bbj passavel1 a no s] o ar e/udioso e p5sador de mais1 d m59o1 e o #bbb a ab>rot> de coisas--um p$ao de queijo /ilton1 que faz lembr> sabo rajado azul1 fructas duras1 v9hos maus1 agrupam5to infeliz4 ,o #bba regul>m5te tocado1 como man*a4 ,figura3 ,retrato de ,el-,rei--,,c>los ,,reis ,joo ,vaz1 n4os #bbe a #bcg4--;,deliciosa toda a obra d'e/e cantor1 pelo p9cel1 da agua4 ,inexc$ivel arti/a em m>9has2 com que v5]ao eu o admiro1 e ao seu savoir faire4 ,ha tanta v]dade em todos os seus quadros1 tanta e tanta luz nas suas telas1 que ao contemplal-z como que se s5te o m>ulh> cad5ciado das ondas4 ,a pesca da s>d9ha1 #bbe1 um quadro primoroso4 ,o b>co alg>vio1 #bbi1 naveg&o em pl5o m>1 p>ece que se vae afa/&o p\co a p\co de ns e que ouvimos o bat]1 compassado dos remos na agua4 ,o mo9ho d ,b>r$o1 #bcj1 airoso e l9do1 batido d sol--e ,o ,ca/ello de ,montemr1 #bcd1 que p>ece sair arrogantem5te d fundo d'um azul primoroso1 so obras que encantam4 ,alli1 ha o que se *ama faisca arti/ica1 alli ha a nota c>act]i/ica de quem muito bem conhece a arte de p9t>4 ,emily ,wormsley1 n4o #bch4--,um l>go quadro de flores1 l\a da ,india e metaes4 ,boa composio1 bem e/udado e bem tocado de cres4 ,foi-lhe conf]ida uma m5o honrosa1 bem m]ecida4 ,francisco ,x>a1 n4os #bci a #bdj4--;,z ,pap\las d #bci1 fiz]am-me lembr> flores de papel de s$a feitas por alguma m59a da baixa1 em horas d'ocio1 entre o cro*et e o * com torradas1 p>a enfeit> um *apeu de campo ou algum oratorio de velhota amiga4 ,,esculptura ,jos ,simes d',almeida 7,sobr9ho71 n4o #bda4--,modelo p>a uma m$alha1 bem executado4 ,p$ro ,c>toccio1 n4os #bdb e #bdc4--;,fez-me especial att5o o #bdb1 ,juiz de ,phyn4 ,um ar malicioso de juiz e/ecta1 def9idam5te traado1 nas suas bem m>cadas l9has1 uma bella cabea lanada com en]gia e rigorosidade4 ,antonio ,teixeira ,lopes1 n4os #bdd a #beh4--''' sem discusso ,teixeira ,lopes1 ao mom5to1 o maior esculptor portuguez4 ''' talvez o unico que pde affirm> ao paiz e ao e/rangeiro1 que s elle tem o pod] de faz] resalt> d m>more ou d bronze1 z suas figuras1 to def9idam5te p]feitas1 que se nos afigura t]em vida4 ,not> aqui os seus trabalhos s]ia faz] a res5ha das suas #ae obras1 porque todas ellas se nos impem admirao1 d mesmo modo4 ,no entanto1 mage/osam5te solemne1 na s]5idade d seu ar1 sublime na gr&eza d seu p5sam5to e/ a figura1 da ,hi/oria1 #beb1 p>a o tumulo de ,oliveira ,m>t9s4 ,e o #bdd1 ,santo ,izidoro1 n'uma s]5idade de ju/o1 esculpido com um c>9ho doce2 ao olhal-o s5te-se como que1 uma uno sublime e ca/a que nos convida orao4 ''' um trabalho sob]bo1 z mos1 o pescoo1 a face1 z r\pag5s1 tudo emfim1 feito com um rigoroso sab]4 ,e os ,velhos1 #bde e a ,flora1 #bdf e o ,bb1 #bdg1 e todos os outros trabalhos8 ,simplesm5te sob]bos6444 ,teixeira ,lopes inegavelm5te o primeiro esculptor portuguez4 ,antonio ,augu/o ,co/a ,motta 7,sobr9ho71 n4o #bei4--,uma ,cabea de e/udo1 bem feita4 ,jorge ,p]eira1 n4o #bfj4--,um typo de m>9heiro1 traado l>gam5te1 sem detalhes de meticulosidade2 na v]dade uma bella cabea1 bem e/udada e melhor executada4 ,,ar*itectura ,n'e/e g5]o nada ent5do1 s\ leigo1 p]feitam5te leigo4 ,no entanto l vae4 ,figura3 ,olaia em flor--,,c>los ,,reis ,antonio ,c\to n4o #bfa4--;,cas9o1 pref]ia vel-o con/ruido1 pois n'esse caso melhor o gos>ia4 ,raul ,l9o1 n4os #bfb e #bfc4--;,go/ei d #bfb1 ,esboo p>a a casa em ,azeito4 ,talvez1 pela ida d con=to que se deve s5tir n'aquella casa portugueza1 com bibelots c>os e mobili>io de talha e bilros4 ,t]tuliano ,m>ques1 n4os #bfd e #bfe4--,projecto d mausoleu a ,almeida ,g>rett4 ,no desgo/ei1 a*o-o bem e/udado4 ,jos ,alex&re ,so>es1 n4os #bff e #bfg4--;,a*ei airosa e bem lanada a fa*ada p>a o ,club milit>4 ,dev]ia depois de feito fic> uma obra digna d s] admirada aquella ,praa ,publica4 ,,agu>ellas ''' uma das mais int]essantes manife/aes da arte p9ctural1 e/e g5]o de p9tura1 difficil na execuo1 s se admitte qu&o o des5ho muito correcto e a t9ta dada em p9celadas c]tas1 frescas e vivas444 por isso1 o t]em-me agradado p\co os trabalhos expo/os4 ,a v]3 ,francisco ,a4 ,moreira de ,almeida1 nos #bfh a #bga4--;,francam5te1 francam5te1 teem um ar +5uo de *romo-li?ographia4 ,b>?olomeu ,ses9&o ,ribeiro ,ar?ur1 n4os #bgb a #bgh4--''' a especialidade d'e/e arti/a a p9tura de co/umes milit>es e com franqueza1 tem-nos1 primorosos de execuo1 o que no qu] diz] que tambem os no t5ha fracos4 ,n'e/e c]tam5 agrad>am-me o #bgc1 ,(ficial d regim5to d ,m>anho1 feito com muito ar e muito boa luz1 de/ac&o sob]bam5te no seu arrogante aplomb1 e o #bgd1 ,(ficial de e/ado maior1 tambem bem trabalhado4 ,mademoiselle ,hel5a ,eisemb>t1 n4o #bgi4--;,fructas4 ,uns ca*os de uvas com a sua folhagem1 boa agu>ella1 muito fresca1 muito leve1 transp>5te4 ,jos ,s\za ,m\ra ,giro1 n4os #bhj a #bhe4--;,c temos outra vez o gr&e arti/a das aves4 ,n'e/a seco brilha elle deliciosam5te4 ,z suas agu>ellas correspondem precisam5te s condies exigidas p>a a boa agu>ella1 cres vivas1 transp>5cia1 e frescura2 e tudo isso tem z suas4 ,notaveis todas z dos n4os #bhj1 #bha1 #bhb1 #bhd1 #bhe mas sobretudo o ,fau/o e ,m>g>ida1 #bhj1 ,entr&o1 #bhb1 e ,cant&o1 #bhe1 que a meu v] so magi/ralm5te feitas4 ,jorge ,ianz1 n4os #bhf a #bie4--,outro agu>eli/a1 que nos en*e1 com a sua cr fulgurante4 ,so bem man*adas z suas agu>ellas1 faz5do-me lembr>1 no sei porqu1 z d fallecido ,manuel ,san-,romo1 o arti/a mais mimoso1 que eu t5ho conhecido1 como man*i/a1 ,ianz e inegavelm5te um arti/a de m]ecim5to4 ,so muito bons p>a mim1 os seus #bhf1 em ,toscana1 #bhh1 ,impresses de viagem1 #bib1 #bic1 #bid1 tres bellas m>9has1 muito bem tratadas1 o #bie1 ,desc>ga no ,tejo1 admiravel de execuo2 a arcada que se v ao fundo d quadro pod]ia1 com honra1 s] admittida n'um concurso de ar*itectura4 ,alfr$o de ,moraes1 n4os #bif e #big4--;,co/umes da ,judea4 ,no qu]o diz] que e/ejam maus1 mas fiz]am-me lembr>1 ,deus me p]de1 7,deus e o arti/a7 os hom5s das tam>as4 ,figura3 ,entre o almoo e o jant>--,,m>ques d',,oliveira ,roque ,gameiro1 n4o #bih4--,retrato d',el-rei4 ,agu>ella de difficil execuo1 mas sup]iorm5te tratada1 boa luz1 bella cr1 r\pagem magnifica1 tom de ro/o bom4 ,z luvas so uma p]feita illuso4 ''' um bom trabalho4 ,,des5ho ,d4 ,beatriz ,alto ,me>im1 n4o #bii4--,um e/udo1 regul>m5te traado4 ,jorge ,porphirio1 n4o #cjj4--;,j>dim botanico4 ,a*ei-o palmeir5to de mais4 ,regul>4 ,c&ido da ,silva ,junior1 n4o #cja4--,um quadrito com c9co cabez4 ,s me agrad>am z duas feitas a crayon azul4 ,,pa/el ,no imag9e o leitor que eu v\ discorr] sobre o effeito d pa/el de fructa1 ou de crme1 d ,baltresqui1 no1 v\ fall> d sy/ema de p9t> a pa/el--ou por outra1 a crayon de cres1 e que por signal no l das coisas mais faceis1 p>a s] bem feito4 ,p>a se trabalh> bem n'e/e g5]o uma das coisas mais necess>ias sab] des5ho4 ,que af9al p>a se p9t> bem o que preciso des5h> muito e bem4 ,d4 ,luiza ,alm$9a1 n4o #cjb4--,retrato de sua irm ,ilda4 ,n'e/e trabalho ha v>ios defeitos1 salt&o porm vi/a a diff]5a da cr entre o ro/o1 e o pescoo e collo1 que muito prejudica o effeito d quadro4 ,d4 ,beatriz ,alto ,me>im1 n4o #cjc4--;,e/udo4 ,uma velh9ha4 ,regul>m5te empa/ado4 ,condessa ,alto ,me>im1 n4o #cjd4--;,e/udo4 ,e/e quadro a meu vr1 devia e/> no catalogo na seco dos des5hos4 ''' bem feito1 v-se que e/a s5hora no descura a base pr9cipal de p9tura4 ,d4 ,m>ia ,luiza ,alto ,me>im1 n4o #cje4--,um e/udo4 ,z mesmas consid]aes exp&idas p>a o n4o #cjd4 ,leopoldo ,bati/9i1 n4o #cjf4--;,cabea de e/udo4 ,magnifica de empa/am5to doce e f9ura de trao1 p5na que en*a to por completo o quadro4 ,um p\co mais de m>gem e s]ia p>a mim muito mais agradavel vi/a4 ,d4 ,emilia ,adelaide ,santos ,braga1 n4o #cjg4--,retrato de ,cup]t9o ,ribeiro4 ,trabalho bem feito4 ,jos de ,brito1 n4os #cjh e #cji4--,sup]iorm5te executado o n4o #cji4--,o frade4 ,fr$]ico ,cez> ,cam>a ,leme1 n4os #caj a #cab4--,recortado de mais o #cab1 ,ovelhas4 ,d-me a impresso d'e/as ovelhas de c>to e algodo em rama1 t5do ao fundo um vulco de !atro1 irromp5do bravam5te e pondo uma luz =te em todo o ambi5te4 ,figura3 ,a *egada da dilig5cia aos ,valles em ,f]reira d ,zez]e--,,alfr$o ,,keil ,bemv9do ,ceia1 n4o #cac4--,um velho op]>io1 regul>m5te tocado1 comme ci1 comme a4 ,joo ,g4 ,mattoso da ,fonseca1 n4os #cad a #cbj4--;,de/ac>ei d'e/e arti/a o #cad4 ,retrato de ,d4 ,m4 ,e4 ,f41 que tem o cabello e a pellia magnificam5te tratado4 ,n9ete1 #cae regul>m5te feito--especialm5te o cabello1 e pluma d *apeu4 ,no go/ei d #caf1 ,a ,f1 porque a*ei a figura com muito p\ca f1 e o #dah1 ,ao espelho1 em que noto um det]m9ado abuzo de branco1 na c>a4 ,adriano de ,s\sa n4o #cba4--;,ave ,m>ia4 ,a c>nao d'e/a figura muito bem tratada1 aveludada e macia4 ,jos ,malha1 n4o #cbb4--,retrato de mademoiselle ,c4 ,r4 ''' simplesm5te delicioso e/e quadro4 ,como des5ho1 como te*nica de execuo1 como posio de modelo1 como tudo emfim1 sem discutir esse o primeiro trabalho a pa/el da exposio4 ,t5ho vi/o muitos trabalhos n'e/e g5]o1 mas1 n5hum me deslumbr\ como e/e4 ,d4 ,antonio ,lobo da ,silveira1 n4o #cbh4--,um e/udo1 mau4 ,viscondessa de ,si/elo1 n4os #cbd a #cbe4--,no tive o go/o de vislumbr> e/es trabalhos na exposio ou no e/avam l1 ou pass>am-me desp]cebidos1 por isso nada direi d'elles4 ,,gravura ,jos ,simes d',almeida 7,sobr9ho71 n4o #bcf4--,m$alha4--,go/ei d'ella4 ,,c>icatura ,aqui que trem] e trem] como v>as v]des1 porque1 se e/es dois p&egos me descobrem1 a9da t5ho a sorte dos c>icaturados expo/os4 ,eu1 se tivesse pret5ses popul>idade1 bem sei o que fazia3 desatava a diz] mal dos dois e elles1 p>a se v+>em de mim1 des5havam-me ahi em qualqu] jornal burlesco e eu passava gloria entre z g>galhadas e/ridulas d publico e a arrelia das pessoas que me qu]em bem4 ,porque eu1 aqui p>a ns1 dava uma boa c>icatura444 ,mas no direi mal dos hom5s1 nem bem444 direi s o que s9to444 que o primeiro filho de peixe e sabe nad> e o segundo tambem nada m5os mal4 ,p]fil>1 que vae pass> a patrulha da troa e d *i/e4 ,manuel ,gu/avo ,bordallo ,p9heiro1 n4o #chg4--,sob]bas c>icaturas1 que p5a 1 no virem mais p>a o publico1 n'esse ,album de ,glorias1 que to e/imado pelos leitores4 ,aquelle ,*aby e/ fulgurantissimo de graa4 ,francisco ,val5z1 n4o #cbh4--,typos1 todos elles bons1 mas sup]ior o ,ric>do ,jorge1 faz5do-me salt> o riso1 naturalm5te1 expontaneo4 ,,arte ,,applicada ,aqui torce a porca o rabo1 ou a9da3 o rabo o peor de esfol>1 como muito bem diz o nosso bom povo nos seus annex9s4 ,e de facto assim 444 eis um assumpto em que eu me vejo assaz emb>aado--arte applicada6444 eis uma coisa onde vejo um l>go campo p>a entret5im5to de damas1 a p9tura d$icada de bibelots adoraveis p>a b\doirs de luxo4 ,n'e/a seco primam com a sua bagagem arti/ica todas z s5horas que expem4 ,umas mais brilhantem5te que outras4 ,no vos mass>ei pois com citaes de num]os nem de nomes4 ,figura3 ,o rapto de ,ganim$es--,,f]n&es de ,s ,fall>ei no emtanto1 d n4o #ccf1 ,gobl91 d ,jorge ,ianz1 que na v]dade uma das imitaes mais p]feitas que temos vi/o4 ,bem e/udado nas cres1 que do a impresso nitida de e/>mos em fr5te de um v]dadeiro tecido2 s a*amos um p\co*9ho puxado o preo444 ,um conto de ris d9heiro6 ,a ,moldura-,luiz ,,xiv1 n4o #ccg1 de ,jos ,emygdio ,maior1 bem esculpida1 correcta no e/ylo e no des5ho4 ,tambem go/amos d n4o #cch1 ,modelo p>a uma floreira1 muito elegante de frma e e/ feita com c]to mimo4 ,como arte nova acceitavel4 ,ah6 mas o que eu a*ei subtil1 e vaporoso1 foi o leque expo/o por ,d4 ,m>ia ,bordallo ,p9heiro4 ,que delicia1 que encanto4 ,aquella s5hora vem de ha muito afirm&o o seu gr&e go/o arti/ico e o seu =te temp]am5to creador4 ,que isso no nos admira1 mal =a que assim no succ$esse1 pois ella uma gr&e arti/a4 ,todos os seus1 so v]dadeiros arti/as1 cada qual no seu g5]o4 ,bordallo1 o incomp>avel e inimitavel c>icaturi/a2 ,columbano1 o sob]bo p9tor2 ,manuel ,gu/avo1 correcto seguidor dos passos de seu pae1 vae l>gam5te pondo-se a p> d'elle1 na firmeza e na correco de c>icatura4 ,mas no d'elles que eu fallo1 da r5dilheira sublime que consegue que z op]>ias de ,p5i*e1 faam r5das to f9as e to delicadas1 que ab]tam5te se podem pr ao p d'essas cu/osas r5das de ,bruxellas e de ,all5on4 ,por isso1 aqui lhe significa1 e/e prov9ciano1 que felizm5te j conhecia os seus bellos trabalhos1 record&o a9da hoje ao escrev] i/o1 um l5o =mosissimo executado por ,d4 ,m>ia ,augu/a1 com peixes e m>iscos1 a sua muita admirao pelo seu gr&e tal5to4 ,notaveis tambem z ,fivellas n4os #cdb e #cdc1 de ,joo da ,silva1 que a*ei bem executadas1 no dev5do env]gonh>-se ao p1 das saidas de c9zeladores1 como ,j]delet4 ,ia-me pass&o fal> d'uma japonesice em trez actos1 que 1 como quem diz1 em trez folhas1 d'um p>av5t1 p9tado por ,pigasson ,ricot1 que1 na v]dade1 no e/ feio4 ,e/o bem copiadas z figuras e os effeitos tirados1 no so maus4 ,a*o-lhes o mesmo defeito d ,gobl9 de ,ianz3 muito c>o444 p>a amadores4 ,sobre o concurso p>a a capa d catalogo1 nada t5ho que diz]1 pois isso era unica e exclusivam5te da compet5cia da commisso da exposio1 que deu o primeiro premio ao trabalho de ,francisco dos ,santos e o segundo a ,t]tuliano ,m>ques4 ,e at que em fim1 acab\ a massada p>a o b5evolo leitor4 ,desculpe-me1 portanto1 meu c>o r$actor1 o eu t] e/5dido tanto a massa1 como se co/uma diz]1 mas desagravel me s]ia1 t] promettido fal> de todos e deix> pass> em cl>o algum d'elles4 ''' provavel que o publico e1 muito especialm5te1 os arti/as1 no t5ham go/ada m9ha prosa1 por eu t] dito muitas b>b>idades1 mas eu s\ assim2 o que t5ho c d5tro p>a se diz]1 bem ou mal1 segundo posso e sei4 ,mas1 se e/a m9ha despret5ciosa prosa lhe agrad\1 de vez em qu&o1 c app>ec]ei com noticias d'arte1 l d norte1 d ,porto1 d'essa aldeia trabalhadora e hone/a1 p>a onde v\ p>tir1 pois j t5ho saudades d'ella444 ,m>o #aijc4 ,p4 ,s4--,z gravuras d'e/e e d'outros artigos1 nem todas so copias dos quadros notados nos mesmos1 mas1 na impossibilidade de adquirir photographias d'elles1 usei de provas de quadros dos mesmos arti/as1 d&o assim a conhec] ao leitor trabalhos de arti/as de m]ecim5to e valor4 ,figura3 ,gu>da arabe--,pa/el de ,s4 ,m4 ,,el-,,rei ,,viii ,,p9tores ,,portu5ses ,,manuel ,,san ,,rom,o ''' com um gr&e praz]1 *eio de saudade1 que rapidam5te me v\ occup> d'um bello e real tal5to de agu>elli/a1 infelizm5te morto4 ,qu&o elle se f9\1 sob a dolorosa impresso que me deix\ a sua morte1 no me atrevi a vir a publico1 depor na sua campa o meu ramilhete de flores1 faz5do a apologia d seu sab] e das suas l>gas aptides p>a a p9tura4 ,esp]ei esse gr&e acto de ju/ia dos outros1 dos que ento eram os criticos d'arte da nossa t]ra4 ,figura3 ,manuel ,san ,romo ,mas1 n5hum1 nem um s1 compriu com esse dev] e ,manuel ,san ,romo desceu mudez pr(unda d tumulo sem que alguem viesse diz] que a ,arte t9ha p]dido um dos seus filhos mais e/remecidos e o mais apaixonado dos seus amantes4 ,no me admir\ que a critica arti/ica da nossa t]ra se esquecesse de ,san ,romo1 por isso que1 o qu]ido morto1 no era d'aquelles que se expunham admirao de n+uem2 vivia p>a os seus trabalhos ap5as1 disp5s&o o reclamo pomposo das gazetas e a vida turbul5ta dos clubs1 exempto de cot]ies4 ,era talvez um misantropo4 ,talvez4 ,mas1 o que inque/ionavelm5te elle sempre foi1 era um gr&e sab$or de c\sas d'arte4 ,conheci-o bem na sua boa intimidade4 ,era um p]feito cavalheiro1 um v]dadeiro g5tleman2 cavaqueador brilhante e flu5te fall&o d',arte com uma tal elevao e en?usiasmo1 com uma tal pr(ici5cia e um to gr&e sab] que1 n'essas occasies1 fazia-nos lembr> um d\to pr(essor preleccion&o eloqu5tem5te sobre assumptos da sua especial e au?orisada compet5cia4 ,ao ouvi-lo discorr] como me/re sobre esses mil problemas intr9cados e complexos da ,arte na sua mais ampla acepo1 conv5ciamo-nos de que quem fallava no era um dilettanti da p9tura1 mas um critico ju/o e sab$or1 um v]dadeiro homem d meti]4 ,figura3 ,na ,espectativa--,agu>ella de ,m4 ,,san ,,rom,o ,com elle tive longas1 longuissimas conv]sas no seu con=tavel ateli] d l>go d ,viriato1 e foi d'alli1 talvez1 que me veio e/e prurido de fall> em arti/as e coisas d'arte444 ,que saudades t5ho d'esse tempo1 das magnificas t>des que passei1 em aquelle ateli] pequ59o e con=tavel como gab9ete d'uma delicada dama1 replecto d'uma suavidade de luz e n'uma to arti/ica disposio e to *eio de flores1 que fazia lembr> uma capell9ha em fe/a444 ,e capell9ha era em v]dade1 onde a ,deusa ,agu>ella era v5]ada1 com um respeitoso enlevo1 pelo seu sac]dote qu]ido1 por isso que ,manuel ,san ,romo era um agu>eli/a hors ligne4 ,p>a mim1 o qu]ido ext9cto foi um dos primeiros agu>elli/as portuguezes2 a sua maneira especial de man*> a9da no foi suplantada por mais n+uem4 ,nem mesmo o gr&e p9tor ,casanova1 que foi pr(essor de ,san ,romo1 e que inegavelm5te um me/re na agu>ella1 nunca conseguiu d> aos seus trabalhos aquelle tom especial de man*a que era uma das gr&es sup]ioridades de ,manuel ,san ,romo4 ,e i/o fazia-o elle naturalm5te1 in/9tivam5te444 ,aquelle modo era o seu1 d'ahi talvez a impossibilidade de s] igualado4 ,depois1 ,san ,romo dava aos seus trabalhos uma tal frescura1 uma tal transp>5cia e uma tal suavidade de cores1 que z suas agu>ellas eram como uma p9tura ideal que sempre nos fasc9ava4 ,e como elle des5hava6444 ,atte/avam bem o seu e/udo d des5ho z pa/as c>regadas de trabalhos feitos por elle444 ,muitos d'esses des5hos t5ho-os eu em meu pod]1 deliciosos p$aos dum gr&e poema d',arte444 ,figura3 ,paisagem--,agu>ella de ,m4 ,,san ,,rom,o ,pelas gravuras que acompanham o nosso artigo1 p]feitam5te o leitor pde v]ific> que z affirmaes que fazemos so1 por todos os motivos muito ju/as e muito v]dadeiras4 ,o fidalgo antigo uma sob]ba agu>ella d'um vigor de execuo e d'uma correco inexc$ivel de des5ho1 e o quadro ,no directorio1 e a ,paisagem de ,santa ,m>ia de ,b\re1 e esses pequ5os trabalhos1 essas l9das figuras de mulh]1 essas deliciosas pag9as de livros e todos esses des5hos no s]o manife/aes seguras d seu tal5to e d seu valor86444 ,so6 n+uem o pode duvid>444 ,mas1 ,manuel ,san ,romo no era to conhecido d publico como dev]a s]1 por isso que elle no v5dia os seus quadros1 dava-os4 ,foi ao m5os feliz em no necessit> de negoci> com o seu trabalho444 ,viv5do na aba/ana no fazia da ,arte um negocio1 fazia d'ella unicam5te um culto int5so e s9c]o4 ,d'ahi os seus quadros1 esses primores de agu>ella e/>em ap5as espalhados por um meio re/rito de amigos4 ,figura3 ,paisagem--,agu>ella de ,m4 ,,san ,,rom,o ,manuel ,san ,romo no era exclusivam5te um agu>elli/a1 mas tambem um t]rivel bric--braqui/a4 ,collecionava tudo quanto fosse arte1 gravuras1 quadros1 mobili>io1 faianz e1 em especial1 livros arti/icos4 ,era uma delicia visit> a sua moradia444 ,que encantadoras c\sas1 =mosos contadores1 arm>ios sob]bos de talha antiga1 arcas ab>rotadas de gravuras notaveis e1 pelas p>$es1 quadros assignados pelos mais di/9tos me/res de p9tura4 ,no seu ateli]1 alli1 que elle reunia o que mais fundam5te lhe fallava sua alma de arti/a1 z faianz mais delicadas1 os moveis mais requ9tadam5te arti/icos1 z revi/as illu/radas e os livros mais preciosos4 ,e n'uma pele mele deliciosa tudo se agrupava p>a d> ao ateli] a =ma g5til e suave d gab9ete d'uma f9a duqueza e o ar s]5o d'uma capel9ha em fe/a4 ,que a memoria saudosa d'e/e morto qu]ido1 que foi um dos mais deslumbrantes agu>elli/as portuguezes1 me releve o vir eu hoje1 o mais insignificante dos seus admiradores1 tiral-a da mode/a indiff]5a publica p>a a expr v5]ao e respeito de todos aquelles que vem nos arti/as alguma c\sa de elevado e de v]dadeiram5te sublime4 #aijd4 ,figura3 ,uma sevilhana--,agu>ella de ,m4 ,,san ,,rom,o ,,ix ,a ,,mulh] ,,arti/a ,ha dias1 n'uma roda onde e/avam s5horas1 n'uma conv]sa l>ga e em que se debat]am v>ios assumptos1 um h\ve1 que especialm5te me pr5deu a att5o4 ,discutia-se ,arte em g]al1 e um dos hom5s1 cavaqueador enrag em]ito e apologi/a da no emancipao da mulh]1 desfe*\ abruptam5te e/a phrase3 ,no posso admittir que a mulh] seja uma esculptora ou uma p9tora4 ,figura3 ,s4 ,m4 a ,ra9ha ,escusado s] diz]-vos que e/a phrase fez no grupo o effeito de um du*e frio e =te4 ,aps1 porem o *oque1 h\ve1 como era de esp]>1 a reaco1 e1 como pod]am1 os palad9os da sala1 debat]am e rebat]am a e/ranha decl>ao1 com factos1 n'uma l>ga demon/rao de erudio e tal5to4 ,eu fiquei-me callado1 esp]&o melhor occasio p>a pod] diz] s]5am5te1 sem precipitao1 z consid]aes que t9ha a faz] sobre tal assumpto4 ,e hoje1 p]feitam5te vontade1 sem presses de especie alguma nem necessidades de galante>1 v\ diz] o que p5so da mulh] arti/a1 e como eu t]ia des>mado o gracioso se logo me tivesse p]mittido diz]-lhe alguma coisa em respo/a ao seu repto4 ,a mulh] um dos mais p]feitos trabalhos da natureza1 qu] vi/a sob o lado pla/ico e physico1 qu] sob o moral e espiritual4 ''' como n5hum outro ente dotada d'um espirito1 que1 qu&o bem educado1 se incl9a sempre p>a o ,bello1 p>a o ,ideal4 ,ella1 muito mais d que o homem1 deixa-se ass5hor> das impresses1 e o seu corao1 muito mais passionavel que o nosso1 mais facilm5te se commove e se infiltra d'uma doce alegria ou d'uma saudosa tri/eza4 ,como n5hum outro individuo ella descobre e compreh5de pequ59os nadas psy*ologicos1 que passam desp]cebidos aos nossos olhos4 ,figura3 ,d4 ,aurelia de ,s\sa ,por isso1 qu&o educada e indu/riada no gr&e problema da ,arte1 deve facilm5te adquirir elem5tos magnificos p>a execues de vulto1 e de obras que v5ham tocadas d'uma suave poesia4 ,depois1 se a mulh] tem o direito de danar e de cant>1 e se lhe admiram z qualidades r>as de eximia bordadora1 porque neg>-lhe o direito de1 tom&o os p9ceis e o escopro1 p9t>1 esculpir e indo mais longe mesmo1 escrev] livros1 cujo encanto s] deliciosam5te bom8 ,ora ella canta e dana desde a origem d mundo e borda desde z eras mais remotas da antiguidade2 portanto1 que direito nos assi/e a ns1 que cam9hamos p>a o maximo da p]feio1 de evit> que ella nos d z manife/aes mais brilhantes d seu s] arti/ico1 d seu temp]am5to s+ul>8 ,impossivel4 ,figura3 ,e/udo de creana--,agu>ella de ,s4 ,m4 a ,,ra9ha ,i/o s]ia v]dadeiram5te b>b>o6444 ,p>a que ella cante ou dance1 s se lhe exige que t5ha tal5to vocal ou *oreographico1 tal qual o que se exige ao homem p>a os mesmos f9s4 ,e1 se tal succ$e e a logica exi/e1 qual a razo porque durante tanto tempo se puz]am entraves ao franco e/udo da p9tura1 da esculptura e da litt]atura1 s mulh]es8 ,bem sei que o canto1 a dana e a musica1 eram consid]ados por todos1 como dotes necess>ios e sem os quaes uma s5hora no podia briosam5te frequ5t> a soci$ade4 ,m59a que no danasse1 em noite de baile1 era como flr sem aroma1 que se ficava e/iol&o em canteiro1 d'onde t9ham sido colhidas todas z olorosas rozas e violetas4 ,havia pois a necessidade de se apr5d] a danar1 e todas t5tavam s] eximias no m9uete1 na gavota1 na pavana1 na valsa1 na polka1 e no pas-de-quatre4 ,figura3 ,tia ,b]?a--,d4 ,,branca ,,assis ,depois comeou a des5volv]-se o go/o pela musica2 z audies de op]as nos !atros de ,s4 ,c>los e ,s4 ,joo1 a organisao de escolas p>ticul>es de canto1 os conc]tos onde era *ic app>ec]1 =am cre&o os amadores di/9ctos que no ,porto e ,lisboa teem affirmado exub]antem5te que n'e/e nosso torro1 no ha s bom sol1 ha tambem boas g>gantas e ba/ante tal5to1 7porque p>a se cant> bem no ba/a s t] uma boa voz preciso tambem tal5to e arte74 ,e assim app>ec]am em ,lisboa e ,porto z ,ex4mas ,snr4z ,d4 ,m>ia ,alb]g>ia1 ,d4 ,laura ,gasp>9ho1 ,d4 ,m>ia ,vit]bo ,f]reira1 ,d4 ,c>m9da ,gu]ra ,&rade1 ,d4 ,laura ,leite1 ,d4 ,alice ,freire ,silva ,braga1 ,m4elle ,lidia ,oliveira1 ,m4me ,s>ah ,mattos1 ,m4me ,ilda ,blanc1 ,d4 ,/ela ,p9heiro1 ,m4elle ,ca/ello ,branco1 ,condessa d',almeida ,araujo1 ,condessa de ,pro5a-a-,velha1 ,d4 ,m>ia ,!reza ,valdez ,p9to da ,cunha1 ,d4 ,c>ol9a ,palh>es1 ,d4 ,leopold9a ,kopke de ,c>valho1 ,d4 ,beatriz ,arroyo1 ,d4 ,izabel ,vallado1 ,d4 ,elisa ,le>1 ,d4 ,alb]t9a ,arnaud1 ,d4 ,julia ,vill>es1 ,d4 ,!reza ,w&s*5eid]1 ,d4 ,edwiges de ,ca/ro1 ,d4 ,judi? ,m>ques1 ,d4 ,b]?a ,leaham ,camello1 ,d4 ,camilla ,katze9te91 ,d4 ,m>g>ida ,motta1 ,d4 ,m>ia ,luiza ,m\ro1 ,d4 ,idal9a ,ca/ro1 ,d4 ,laura ,leite1 ,d4 ,anna ,f9s1 ,d4 ,conceio ,ca/ello ,branco ,albuqu]que1 ,d4 ,m>g>ida ,f]n&es ,braga1 ,d4 ,b]?a ,arroyo1 ,d4 ,julia ,p9to ,moreira1 ,d4 ,ol9da ,ro*a ,leo4 ,figura3 ,quem esp]a desesp]a--,,ze0 ,,wau!let ,,batalha ,,reis ,mas1 tambem l e/ava a necessidade de app>ec]1 de s] notado4 ,era preciso cant> p>a no fic> atraz das outras que ap>eciam1 e assim se des5volveu por completo o go/o pelo canto1 essa arte sublime que1 como dizia um philosopho1 faz um ente transport>-se ao sol sem se lembr> de si4 ,com a musica de pianno e rebeca1 etc41 o mesmo se dava1 era como o canto1 um g5]o de sport arti/ico4 ,toda a g5te tocava1 mas1 era preciso ir mais longe1 era preciso toc> bem p>a s] notado4 ,em qualqu] p>te onde se e/ivesse1 n'uma sala1 havia sempre muitos que podessem exhibir os seus dotes musicaes1 mas1 no meio de/e m> de tocadores-amadores s se =am di/+u9do os que t9ham v]dadeiro tal5to1 e assim se notabilis>am ao pianno3 ,d4 ,m>ia ,joseph9a ,pacifico1 ,d4 ,elisa ,bapti/a ,s\za ,pa*eco1 ,d4 ,erne/9a ,freixo1 ,d4 ,m>ia de ,magalhes1 ,d4 ,leonor ,atalaya1 ,d4 ,m>ia ,f]raz ,bravo1 ,d4 ,e/h] ,coelho de ,campos1 ,d4 ,c>ol9a ,suggia1 ,d4 ,leonilda ,moreira de ,s1 ,d4 ,julieta ,vieira ,b>bosa1 ,d4 ,elvira ,mattos1 ,d4 ,m>ia ,julia ,br&o1 ,d4 ,m>ia ,hel5a ,c>valho1 ,d4 ,elisa ,allegro1 ,d4 ,b]?a ,m>ques ,p9to1 ,d4 ,aurelia ,paiva1 ,d4 ,m>ia ,augu/a ,mattos1 ,d4 ,luiza ,m>g>ide1 ,d4 ,con/ana ,p9to ,moreira1 ,d4 ,anna ,oliveira ,ramos1 ,d4 ,virg9ia ,suggia4 ,em rebeca3 ,d4 ,judi? de ,mello1 ,d4 ,amelia ,m>ques ,p9to1 ,d4 ,laura ,b>bosa1 ,d4 ,ir5e ,font\ra ,madureira1 ,d4 ,rosalia ,maia1 ,d4 ,ophelia d',oliveira1 ,d4 ,luiza ,coelho de ,campos4 ,em violoncello3 ,d4 ,guilh]m9a ,suggia4 ,em h>pa3 ,d4 ,virg9ia ,vit]bo e ,d4 ,anna ,jane ,m5ezes de ,mattos4 ,e i/o como o canto foi impulsionado1 porque era preciso app>ec] com vantag5s sobre outros4 ,com a p9tura e esculptura porem no se dava isso4 ,os amadores de p9tura s t9ham occasio de mo/r> os seus trabalhos1 qu&o algum d'e/es cabrions que teem o nome de possuidores de albuns1 v9ha p$ir a esmola d'uma collaboraos9ha1 p>a esses repositorios exoticos de coisas v>ias e qui exdruxulas1 onde se afund>am muitos poetas e se lapid>am muitos des5hadores4 ,e os amadores de esculptura8 ,esses1 nem os havia4 ,e se algum se d$icava a esse g5]o da div9a ,arte1 era to escondidam5te que n+uem dava por elle4 ,figura3 ,condessa d',alto ,me>im ,mas1 sob o impulso gr&ioso d desv5turado ,silva ,porto iniciava-se uma nova era d',arte4 ,comearam de faz]-se exposies na cidade de ,lisboa e na d ,porto1 exposies crit]iosas que =am o inicio d r5ascim5to da vida arti/ica portugueza e o m>co milli>io d bom go/o e d aproveitam5to de muitos tal5tos ignorados e de muitas notabilidades nacionaes4 ,promovidas na capital pelo grupo de ,leo1 esse brilhante gremio de que fiz]am p>te ,columbano1 ,ramalho1 ,malha1 ,gyro1 etc42 e aqui1 por um grupo de arti/as e amadores de ,bellas-,artes1 sem designao especial de nome1 mas entre os quaes figuravam ,m>ques de ,oliveira1 ,julio ,co/a1 ,m>ques ,guim>es1 ,antonio ,co/a1 o saudoso ,xavi] ,p9heiro1 ,adriano ,ramos ,p9to1--z exposies d'arte teem sido actualm5te realisadas pelo ,in/ituto de ,e/udos e ,conf]5cias4 ,d'ahi1 d agrupam5to desses arti/as1 e t5tados pela gloria de se v] aplaudidos pela op9io publica e in/igados pela critica amiga dos jornaes1 fez-se uma como que revolta no meio da soci$ade1 que vive um p\co d espiritualismo ,arti/ico d ,bello1 e como que resalt\ uma nova pleiade de amadores1 que t5ta a p9tura e a esculptura4 ,no meio d'essa pleiade resaltam como c>act]es arti/icos def9idos e ass5tes1 individualidades cujos nomes temos que not> e descrev]4 ,figura3 ,d4 ,alice ,grilo ,lima ,app>ece no alto1 como v]dadeira fulgurao na arte de esculpir1 a ,duqueza de ,palmella1 a maior alma de arti/a que pode t] uma amadora4 ,os seus trabalhos p]feitam5te executados so confirmaes indiscutiveis d log> proem95te que ella deve occup> entre os que so sac]dotes na sublime arte de ,milo4 ,no ,porto1 como sac]dotisa em]ita d'essa arte1 temos a ,ex4ma ,sr4a ,d4 ,joanna ,&ress5 ,silva1 de que mais adeante fall>emos em artigo especial4 ,na p9tura1 confirma-se o que a pr9cipio digo1 s se exige que z amadoras t5ham tal5to1 p>a se lhe pod] g>antir o log> ao lado dos hom5s na transplantao p>a a tela da natureza1 em todas z suas v>iadas manife/aes4 ,e assim1 tanto no ,porto como em ,lisboa1 todos os dias se fazem novas revelaes de s5horas que so v]dadeiros sportwom5 arti/icas4 ,e assim not>emos1 ,d4 ,francisca ,furtado1 ,d4 ,sophia de ,s\za1 ,d4 ,amelia de ,s\za1 ,d4 ,julia ,mol>9ho1 ,d4 ,lucilia ,aranha ,grave1 ,d4 ,olympia ,f>ia de ,abreu1 ,d4 ,m>ia ,afflalo1 ,d4 ,alice ,grillo ,lima1 ,condessa d',alto ,me>im1 ,d4 ,m>ia ,luiza ,alto ,me>im1 ,d4 ,branca de ,araujo ,assis1 ,d4 ,con/ancia ,avides1 ,d4 ,m>ia ,idal9a ,c>neiro1 ,d4 ,m>g>ida ,co/a ,romo1 ,d4 ,josepha ,g>cia ,gr5o1 7fallecida71 ,d4 ,h]m9ia ,victoria ,lagoa1 ,d4 ,amelia ,lamas1 ,d4 ,izabel ,areias de ,lima ,law]1 ,d4 ,leopold9a ,maia ,p9to1 ,d4 ,m>ia ,teixeira de ,m\ra1 ,d4 ,laura ,nobre1 ,d4 ,clotilde ,ro*a ,peixoto1 ,viscondessa de ,cri/ello1 ,ze ,wau!let ,batalha ,reis1 ,d4 ,m>g>ida ,ramalho1 ,d4 ,alb]t9a ,falk]4 ,e1 tudo i/o1 pela simples razo de hav] exposies1 onde se pode mo/r> que se tem aptides p>a a p9tura ou p>a a esculptura1 que se tem tal5to arti/ico emfim4 ,portanto1 desde que se t5ha esse bello dom natural1 que faz de ns um p\co*9ho mais d que a vulg>idade1 no a*o razo n5huma p>a que se queira tir> mulh] o direito de publicam5te mo/r> que um p\co sup]iora s outras4 ,eu1 s\ d'aquelles que digo3 que o sab] no occupa log>1 e1 que1 antes qu]o v] uma mulh] p9t> bem um quadro1 d que p9t> os olhos e os labios4 ,no primeiro caso s pode mo/r> que a preoccupa o espirito com alguma coisa donde lhe pode vir honra o l\vor1 no segundo caso444 que no o preoccupa com nada444 ,setembro #aijd4 ,figura3 ,or*ideas--,d4 ,,alice ,,grilo ,x ,,novas ,,exposi',,es ,d',,arte ,ao mesmo tempo duas exposies de p9tura1 uma organisada pelo ,in/ituto de ,e/udos e ,conf]5cias1 outra organisada pelo snr4 ,laga4 ,e/amos em m> d',arte1 no ha que vr4 ,ora eu1 que s\ um bisbilhoteiro de mil diabos1 l fui1 n'um d'e/es ultimos dias de bom sol1 visit> z duas exposies4 ,boas e ms impresses tr\xe d'e/es c]tam5s e o que muito despret5siosam5te direi p>a diante1 con=me o meu modo de vr4 ,tem1 j se sabe o primeiro log>1 a exposio d ,in/ituto1 e tem-no por muitos e v>iados motivos2 entre esses porque =mada por trabalhos de arti/as1 se bem que por l &em ani*ados puros amadores444 ,mas1 isso fica p>a depois1 p>a mais l>ga conv]sa qu&o no h\v] j que diz] a respeito dos arti/as4 ,ao ,in/ituto de ,e/udos e ,conf]5cias1 se deve1 em p>te1 a ameudao de exposies d'e/a natureza2 p5a que nem todos os nossos arti/as compreh5dam o quanto i/o util p>a elles4 ,s5te-se por isso alli a falta dos nossos melhores p9tores1 e p5a4 ,no sei1 nem t5t>ei desv5d> a razo porque os bons arti/as no qu]em concorr]1 mas s9to pr(undam5te que ,salgado1 ,malha1 ,columbano1 ,c>los ,reis1 ,giro1 e outros1 se fiquem1 l de longe1 sem nos d> o go/o de lhes applaudir e admir> o tal5to nas suas v>ias telas1 que so quasi sempre admiraveis4 ,talvez porque no encontrem no nosso meio quem os saiba compreh5d] ou quem os saiba pag>1 talvez6444 ,a exposio1 no seu g]al1 fraca1 sem int]esse 7que b>b>o eu s\74 ,a no s] uma meia duzia de telas1 o re/o insignificante1 sem de/aque1 morr5do pelo444 nem sei mesmo porque444 mas faz5do-nos s5tir a saudade das exposies realisadas no ,a!neu ,comm]cial1 ha tantos annos j1 e organisadas por um nucleo de p9tores conhecidos4 ,isso sim1 isso que =am exposies onde todos concorriam *eios d'aquella boa vontade e d'aquelle en?usiasmo que peculi> s almas novas2 que i/o no diz] que z almas d'hoje sejam almas velhas1 no1 so almas novas1 mas =madas pelo sy/ema arte-nova1 to *eia de curvas e s9uosidades1 que tresl\ca4 ,como de co/ume1 l fui encontr> no catalogo nomes dos que nunca faltam *amada1 honra lhes seja1 ,m>ques d',oliveira1 ,torquato ,p9heiro1 ,c&ido da ,cunha1 ,jos de ,brito e ,antonio ,co/a1 e a p> d'e/es1 muitos outros e alguns que comeam agora a app>ec]4 ,figura3 ,d4 ,sophia de ,s\sa ,d'entre os arti/as1 que expem1 a meu vr1 de/acam-se ,m>ques de ,oliveira e ,c&ido da ,cunha1 que so inegavelm5te os que do a nota pelo seu modo e pelos seus assumptos4 ,jos de ,brito1 sob]bo no seu pa/el ,um frade1 no re/o sempre um tom +5te de nevoa que faz os seus quadros baos4 ,torquato ,p9heiro1 muito bem no ,retrato de meu filho1 assim como1 go/amos d'elle1 nos seus--,f9s da t>de de outomno e ,rua de ,villa ,real4 ,edu>do ,m\ra1 esse p9tor1 *eio de poesia int5sa dos encantos cazeiros1 veio exposio com dois quadros que j lhe conheciamos1 mas que por isso no deix>ei de os m5cion>1 especialis&o p>a meu go/o o--,s]vio feito1 que a*o primoroso4 ,prat1 com os seus e/udos no foi completam5te feliz2 de/acam no entanto a ,cabecita de burro1 que me no desagrad\4 ,victor9o ,ribeiro1 com o seu--,esp]&o um amigo1 e/ bem apres5tado4 ,d4 ,sophia de ,s\za1 regul>m5te1 se bem que se nos t5ha mo/rado em outras exposies muito melhor4 ,d4 ,aurelia de ,s\za1 com o seu e/udo--,um africano1 muito bem4 ,emquanto ao re/o dos seus trabalhos a*ei-os inf]iores ao seu muito tal5to arti/ico4 ,antonio ,jos ,co/a1 como sempre1 o primoroso p9tor de flores1 d-nos umas ,camelias bem tocadas e muito frescas4 ,de ,julio ,ramos1 p\co ou nada mais temos a diz] d que o j temos dito3 tem tal5to e sabe d meti]4 ,a sua ,m>9ha p>a mim o seu melhor trabalho n'e/a exposio4 ,almeida e ,silva1 esse1 p>ece que des&\2 z suas telas so demasiadam5te recortadas e esmiuadas4 ,lembrei-me com saudade de outros quadros seus1 expo/os em tempos idos1 como por exemplo1 um ,viatico na aldeia e um ,cabea de cabrito4 ,augu/o ,ribeiro1 um trabalhador incansavel1 produz de mais4 ,des5ha bem e p9ta com c]to go/o1 mas p9ta muito4 ,tem na exposio alguns quadros de valor e a ,m>9ha da ,foz1 ,o atalho ao sol1 so bons4 ,como notas typicas d nosso meio so int]essantes z man*asitas d ,bolho1 ,anjo e dos ,f]ros ,velhos4 ,figura3 ,m>ques de ,oliveira ,francisco ,gil1 um p9tor da ,figueira da ,foz que tivemos o praz] de vr pela primeira vez2 os seus trabalhos so 7p]doem-me o francez7 comme ci comme a4 ,lago ,p9to1 um novo que promette muito e que se apres5ta com vontade de faz] alguma c\sa4 ,so muito recomm5daveis os seus quadros ,fim da t>de e ,lavadeiras1 em que a agua e/ bem e/udada4 ,teixeira ,ba/os1 um p9tor de ,lisboa que veio ao ,porto mo/r>-nos que tem tal5to arti/ico1 d&o-nos a impresso de que v muito bem4 ,o que especialm5te o torna notado o magnifico tom de luz que d aos quadros4 ,os ca/anheiros1 foi p>a mim o que mais me agrad\2 so dignos de m5o a ,cabea da rap>iga e ,canto d ,rato4 ,d4 ,leopold9a ,p9to uma amadora di/9cta4 ,c>los ,gomes ,f]n&es1 tambem um amador que comea4 ''' provavel1 que de futuro nos d quadros1 que se tornem notaveis1 por emquanto 1 a nosso vr1 um amador que tem vontade de faz] alguma coisa4 ,fallei de todos mas deixei p>a o fim ,m>ques de ,oliveira e ,c&ido da ,cunha1 porque a meu vr so os d\s p9tores que atte/am pr(undam5te o seu temp]am5to arti/ico4 ,figura3 ,flores--,d4 ,leopold9a ,maia ,p9to ,m>ques de ,oliveira inegavelm5te um me/re e no era preciso que eu o dissesse1 eu que s\ um z]o no nosso meio critico4 ,os seus quadros ,c]canias d',agu$a1 ,o ,combro e z ,lavadeiras so obras primas de des5ho1 de cr e de luz4 ,c&ido da ,cunha1 poeta tri/e da p9tura1 am&o a luz iriada dos po5tes1 d-nos quadros m>avilhosos1 de/ac&o como floro da sua cora de arti/a a ,hora no/algica4 ,no devemos porm esquec] a sua ,casa ru/ica e os seus ,mo9hos em ,lea4 ,ha tambem na exposio um trabalho d'e/e arti/a que me extasi\4 ''' o retrato da esposa d p9tor1 feito a c>vo 7cl>o escuro74 ,trabalho que por si s ba/>ia p>a n'outro meio1 que no o nosso1 d> o nome a um arti/a4 ,correcto de des5ho1 sup]iorm5te primoroso4 ,falta fall> d'um amador1 to di/9cto que no pude fugir ao desejo de lhe res]v> um log> mais p>a o fundo1 p>a que fizesse alguma impresso d'elle1 ao leitor amigo1 que tivesse a pa*orra de me lr at ao fim4 ,refiro-me a ,alb]to ,ayres de ,g\veia1 discipulo de ,m>ques d',oliveira e que honra o me/re4 ,sabiamos de ha muito que e/e cavalheiro se d$icava p9tura1 mas francam5te1 julgavamos que elle fosse um dellitanti como muitos outros1 que t5do tempo livre1 se entret9ha a faz] pequ5as c\sas sem valor1 mas1 ao comtempl>mos a sua obra1 ficamos confuzo4 ,era uma revelao444 ,trabalho agigantado o seu1 top&o um assumpto sublime1 tal como a ,vida de ,jesus4 ,p9tor my/ico com tal pujana nunca o imag9>amos4 ,vemos que elle se sae brilhantem5te da empreza em que se metteu4 ,os seus quadros a ,palavra d ,me/re e o ,*ri/o morto so v]dadeiras obras d'arte4 ,figuras e/udadas com cuidado1 p\sadas naturalm5te sem poses academicas1 t5do vida e v]dade1 luz e cr escolhidas com sci5cia2 p9celadas l>gas e ju/as eis o que se encontra n'aquelles dois quadros4 ,figura3 ,a ,c>idade--,,teixeira ,,lopes ,no seu ,lettre de ,colomb9e1 ha um effeito de luz admiravelm5te e/udado4 ,mas1 ,ayres de ,g\veia no s correcto nos seus quadros biblicos e de phantasia1 -o tambem qu&o faz o retrato1 assim podemos diz] que bom o seu oleo e retrato de mademoisselle ,m4 ,f4 ,a4 ,e des5h&o a pa/el ou a cl>o-escuro1 tambem se nos revela um v]dadeiro arti/a2 so p>a not> o seu ,apollo e ,retrato de mademoiselle ,all51 7ambos a pa/el7 e cabea de e/udo1 7a crayon74 ,mas1 no digamos mais nada d'esse amador1 que podem julg> p>a ahi que eu s\ amigo d'elle e vim aqui s p>a o elogi>1 e eu no qu]o isso4 ,passemos agora rapidam5te esculptura1 deix&o em branco z agu>ellas1 porque francam5te no go/amos de n5huma4 ,em esculptura de/aca-se em primeiro log> ,f]n&es de ,s com a sua ,cabea de ,velho e o retrato d m$ico ,correia de ,b>ros1 e/e ultimo um trabalho flagrante de v]dade4 ,d4 ,joanna ,&ress5 revela-se-nos uma amadora di/9cta1 pois em p\co tempo fez progressos gr&iosos4 ,d4 ,alb]t9a ,falk]3 no go/ei d seu ,bb4 ,no sei que lhe a*ei de mau1 talvez a posio d'aquella cabecita444 ,no sei444 ,com respeito a arte applicada1 s direi1 que t5ho vi/o muito melhor d que aquillo4 ,e acab\-se a res5ha das m9has impresses4 ,antes1 porm1 de fe*> e/e despret5cioso artigo uma1 como que nota f9al4 ,eil-a3 ,uma coisa urge faz] de futuro em exposies congn]es4 ,de/ac> em grupos def9idos os arti/as e os amadores2 a cada um o seu log>4 ,pod]o mais facilm5te s] apreciados os seus trabalhos1 e no t]emos ao primeiro relance uma impresso to m4 ,aproveitam todos mais1 os arti/as1 porque juntos1 v]-se-ho obrigados a applic> todas z suas aptides p>a se de/ac>em uns dos outros3 os amadores1 no seu modo de faz] um p\co gau*e1 no t]o o confronto dos quadros dos me/res que1 quasi sempre1 os esmagam4 ,assim1 ao entr> n'um ,salon tanto o critico d'arte1 como o amador ou o indiff]5te1 sab]1 logo o desconto que tem a d> aos trabalhos1 dos que comeam1 ou fazem arte p>a entret] e no f> inju/as apreciaes4 ,e/e1 o meu modo de vr e p5so bem que os proprios arti/as me acompanh>o n'elle4 ,qu&o porm um amador se impoz] pelos seus trabalhos1 como os de ,alb]to ,ayres de ,g\veia1 ento que entre desassombradam5te no gremio dos arti/as e que se sujeite critica rigorosa dos que sabem d assumpto4 ,emquanto assim no acontec]1 e/as exposies no t]o um c>act] def9ido1 no t]o o ar correcto d'um v]dadeiro ,salon4 ,d>-nos-ho simplesm5te a impresso da sala d'um burguez end9heirado1 que f+e t] go/o pela ,arte4 ,ahi fica a impresso que me deix\ a visita feita ,exposio de ,p9tura d ,pateo da ,mis]icordia4 ,dezembro de #aijb4 ,figura3 ,panneaux decorativo na ,sala da ,bolsa d ,porto--,,velloso ,,salgado ,,p9tores ,,portu5ses ,figura3 ,edu>do ,m\ra ,figura3 ,jos ,teixeira ,lopes ,figura3 ,julio ,ramos ,figura3 ,c&ido da ,cunha ,,xi ,uma ,exposio de ,agu>ellas ,,organisada por ,,amadores ,n'um dos sales d ,palacio de ,cry/al1 acaba de s] ab]ta uma ,exposio de ,p9tura1 onde o pr(essor portu5se de des5ho ,joaquim ,m>9ho e suas discipulas1 sujeitam apreciao d publico os seus trabalhos4 ,fui1 como meu co/ume1 vr a ,exposio1 sem a preoccupao de critico d',arte1 como um bom vivant1 um m]o collecionador1 affeito um p\co a vr com os olhos d espirito1 alm dos olhos da c>a4 ,no t]ei portanto aqui1 n'e/e mode/o compte-r5du1 phrases empulgantes1 nem s5t5z judiciosas sobre os trabalhos expo/os4 ,mode/o s] o meu artigo como mode/os so os expositores4 ,deixo aos outros1 aos que sabem de tudo1 aos que *amam a quadros a oleo cromolytographias1 essa extraord9>ia t>efa de diz] muito e retumbante1 sem diz] nada4 ,figura3 ,joaquim ,m>9ho ,fui1 como disse acima1 vr a ,exposio e go/ei2 entre os quadros expo/os ha alguns que de/acam1 como manife/aes de e/udo e tal5to4 ,no f>ei a res5ha detalhada d'elles1 nada d'isso1 sm5te indic>ei os que mais fundam5te me impression>am4 ,e/o n'e/e caso1 como decorativos1 os apreciaveis trabalhos a pa/el de ,joaquim ,m>9ho1 ,a ,camponeza1 e os de ,d4 ,zulmira ,almeida e ,d4 ,izol9a ,b4 ,s1 ,imitaes de azulejos4 ,so de completa novidade1 d&o uma nota fulgurante de boa concepo e execuo4 ,e/as duas s5horas1 entre v>ios outros trabalhos1 teem mais1 a primeira1 duas paisag5s em pa/el1 magnificas2 a segunda1 uma m>9ha muito acceitavel4 ,ha mais uma ,cabea de creana 7pa/el7 de ,d4 ,m>ia ,leonor1 que me impression\ deliciosam5te4 ,e/a s5hora expoz tambem d\s outros quadros1 7pasag5s71 tambem a pa/el1 muito int]essantes4 ,d4 ,guilh]m9a ,m>9ho1 com os seus e/udos a agu>ella1 revela-se-nos uma amadora di/9cta e consci5ciosa2 de/ac>ei d'entre elles os ,recu]do del ,paiz ,vic9o1 7int]essante sc5a de bailado em ,&aluzia7 e ,rapaz de ,aveiro4 ,primorosos4 ,figura3 ,paisagem--,agu>ella de ,j4 ,,teixeira ,,lopes ,d4 ,m>ia ,joaqu9a1 d-nos duas pequ59as impresses de ,vizella1 muito int]essantes4 ,deixei p>a o fim propositadam5te o fall> d pr(essor4 ,e/e1 expe1 entre outros1 um quadro que eu admiro pelo modo como e/ feito4 ''' um trabalho a c>vo de gr&es dim5ses e *ama-se a ,batalha de ,malmaison4 ,todo aquelle cu e/ bem trabalhado e cuidadosam5te des5hado4 ''' magnifico4 ,tem tambem tres trabalhos a c>vo1 em madeira1 que so int]essantes e apres5tam muita novidade4 ,um d'elles especialm5te ,um boi1 e/ magnificam5te bem feito4 ,no me al>go mais n'e/e meu mode/o artigo1 mas ao t]m9> no posso deix> de manife/> aqui o meu applauso ao iniciador d'e/e c]tam5 d',arte1 anim&o-o a que cont9ue a mimose>-nos com exposies como e/a1 que di/rahem a vi/a e consolam a nossa alma1 f>ta das ignom9iosas sc5as1 que vo por e/a t]ra4 ,aquillo como um banho santo ao nosso espirito en]vado e do5tio4 ,p>ab5s1 pois1 pela sua exposio4 ,novembro de #aijj ,figura3 ,cabea de e/udo--,pa/el de ,,jos''' de ,,brito ,,xii ,,p9tores ,,portu5ses ,,?omaz ,,de ,,m\ra ,eu s\ d'e/es sujeitos que go/o muito de vr e de apreci> tudo quanto de ,arte app>ece no nosso re/ricto meio1 e por isso fui ha d\s dias at ,photographia ,gu$es1 visit> a exposio de quadros de ,?omaz de ,m\ra4 ,conhecia j e/e arti/a d'uma exposio1 que em ,lisboa se realis>a1 nas salas da ,soci$ade ,nacional de ,bellas ,artes e onde elle concorr]a com sete quadros4 ,n'essa occasio e em um jornal da capital tive occasio de manife/> a impresso que ento receb]a dos seus trabalhos4 ,hoje1 porm1 que elle no ,porto se nos apres5ta1 no muito1 que1 mais uma vez1 me occupe dos seus trabalhos1 n'uma rapida noticia1 sem philosophia d'arte nem detalhes de apreciao1 mas unicam5te n'uma res5ha breve e simples d que vi4 ,figura3 ,?omaz de ,m\ra ,na sala d nosso amigo ,gu$es de ,oliveira1 esse bello rapaz1 amigo d$icado dos arti/as e to arti/a como elles1 reune ,?omaz de ,m\ra #ci trabalhos1 que do a nota v]dadeiram5te acc5tuada d seu temp]am5to arti/ico4 ,talvez1 porque a sua alma seja d'um contemplativo1 ou d'um tri/e1 ha nos seus quadros um qu] que seja de no/algico e de suge/ivo4 ,no d'aquelles p9tores que di/ribuem1 s p9celadas1 nos seus quadros1 z t9tas =tes e vibrantes2 os v]melhos c>m9s e ocres am>ellos4 ,no1 en*e z suas telas d'umas t9tas doces e melan*olicas4 ,depois ha ali muita paisagem dos paizes brumosos1 trabalhos que elle execut\ l por fra nas suas viag5s de e/udo4 ,e a paisagem da ,frana e da ,bretanha1 essa paisagem1 muito diff]5te da nossa4 ,l1 no se encontra um cu como o nosso1 cl>o e limpido1 onde z aves passam n'um vo *ilreante de alegria1 o sol de l1 como que app>ece envolvido em gaze1 no retumbante e cl>o como o nosso e z tonalidades da vegetao tem aqui um =te de/aque de frescura que falta n'esses paizes4 ,e1 talvez d'isso que se s5te o nosso arti/a4 ,mas1 qu&o elle retrat> a nossa paisagem1 esse ,m9ho encantador1 ento1 vel-o-hemos acc5tu> p]feitam5te z nossas cres e nosso tom4 ,algumas das telas apres5tadas j so da nossa paisagem1 mas1 vi/as um p\co a9da com a vi/a habituada ao c9z5to das paisag5s brets1 d'ahi o no t]em a nitidez acc5tuada da paisagem portugueza4 ,d'entre todas essas telas de/ac>ei p>a mim como a mais subtilm5te inspirativa--,*ri/o lam5t&o ,j]usalem1 de l9has def9idas embora1 em esquicio1 de uma concepo bella1 d'um effeito s5tim5tal e de uma suave expresso4 ,os cuidados de me1 que eu j conhecia1 so um e/udo de int]ior que revela muito sab] e muita obs]vao4 ,o fim da t>de1 delicioso po5te1 onde o cu t+9do-se de v]melho1 d ao quadro uma inspirao suave d qu] que seja de poesia lyrica4 ,no limi> da porta1 bella cabea de rap>iga1 d'um olh> aveludado e tri/e1 de quem esp]a por alguem2 talvez pelo seu namorado4 ,no ,cabea de rap>iga bret1 ha a mesma s]5idade que no ,limi>4 ,um cam9ho1 um bello retalho de aldeia1 um cam9hosito tortuoso cob]to por uma frondosa ram>ia4 ,appetece descanar um p\co1 ali1 aps um l>go passeio4 ,os casebres de ,alf5a1 ,o lavad\ro 7,guisec71 ,audes 7,vizella71 ,ribeira de ,pont d',abb1 e mais outros a9da1 so man*as tocadas com primor e com muita pr(ici5cia4 ,os pequ5os m>9heiros1 um quadro onde se revela d'uma maneira acc5tuadam5te def9ida a disposio que ,?omaz de ,m\ra tem p>a a figura4 ,os d\s rapazes e/o p]feitam5te des5hados e sahem da tela acc5tuadam5te4 ,ha um quadrosito tambem notavel1 o ,nos campos1 um pequ5o s5tado sobre a relva p>ece desfolh> malmequ]es emquanto ao fundo1 sob um trao de luz1 pa/am d\s mansos bois1 inegavelm5te um dos mais apreciaveis trabalhos expo/os4 ,mais l>go pod]ia e dev]ia s] e/e compte-r5du da exposio1 mas eu prometti ap5as uma ligeira noticia1 e z m9has aptides criticas no do p>a mais4 ,e ao acab> p]mitta-me ,?omaz de ,m\ra1 que lhe signifique n'e/as rapidas l9has a magnifica impresso que me deix\ a visita que fiz sua exposio4 #aijd4 ,figura3 ,panneaux decorativo na ,sala da ,bolsa no ,porto--,,velloso ,,salgado ,,xiii ,,amadores ,,portu5ses ,d4 ,,joanna ,,&ress5 ,,silva ,s9c]am5te e no mais grato dos respeitos v\ deix> em breves l9has z m9has impresses sobre o m]ito arti/ico d'e/a illu/re s5hora1 amadora di/9cta d'esculptura1 illu/re pelo tal5to e pela fidalguia d c>act]1 um c>act] d'oiro1 prop5so ao bem1 *eio de f e de bondade4 ,figura3 ,d4 ,joanna ,&ress5 ,silva ,eu sei que biograph> um amador trabalho de c]to folego1 muito especialm5te qu&o o amador di/9cto1 como e/a illu/re s5hora2 mas eu no v5ho com mais l>gas ideias que faz] uma simples res5ha dos seus trabalhos1 res5ha e/a que s]vir ao mesmo tempo de ligeira nota de c>teira da visita que fiz ha dias ao seu ateli]4 ,a isso1 s a isso1 me abalano1 conv5cido de que cumpr9do um dev] de cortezia pre/o ao publico1 ao que aprecia z manife/aes d',arte1 um int]essante e util favor4 ,no me al>g>ei em detalhes m9uciosos d gr&e problema--a ,arte4 ,rapidam5te1 aqui e alli1 toc>ei aquellas notas1 que veja de mais necessidade f]ir1 p>a completo compreh5dim5to d assumpto4 ,n'e/a altura1 cabia p]feitam5te1 como preambulo a e/es pseudo-p]fis1 uma l>ga tirada sobre ,escolas d',arte1 ,evolues da ,arte1 ,v>i$ade de go/os arti/icos1 ,papel moral da ,arte1 etc4 ,no env]$>ei por esse cam9ho1 deixo esse e/udo aos outros1 aos que com mais direito e mais conhecim5tos possam fall> d assumpto4 ,s\ ap5as uma especie de report] arti/ico1 que vem sempre que d'isso tem occasio1 traz] a noticia d'um amador que se torna notado1 d'um arti/a que e/ em fco1 d'um ateli] que se recomm5da pela sua disposio e pelo re*eio1 e d'um salon que se abre em exposio de trabalhos isolados ou collectivos4 ,figura3 ,salo d palacete de ,d4 ,joanna ,&ress5 ,silva ,feitas z precisas explicaes1 v\ d> pr9cipio m9ha s+ela n>rao1 sem bal(as adjectivaes e sem assumir o ar solemne e grave de ,pat] ,magi/]4 ,s]ei simples e breve como convem aos que escrevem p>a todos3 p>a os que se embr5ham nos pr(undos e intr9cados problemas sociaes e arti/icos e p>a aquelles que s sabem l]4 ,f>ei portanto todo o possivel p>a que facilm5te me faa compre5d] e alguma coisa de util1 traga1 ao fim1 em bem da ,arte4 ,foi n'uma manh =mosissima1 de sol =te e cl>o que fiz a m9ha primeira visita ao ateli] da ,ex4ma ,snr4a ,d4 ,joanna ,leheman ,&ress5 ,silva4 ,ao fundo da ,rua ,antonio ,c>doso1 rua que p>t9do da =mosa ,av5ida da ,boa-,vi/a1 vae f9d> no ,campo ,alegre1 fica o sumptuoso palacete onde reside e/a tal5tosa amadora4 ,a viv5da s em si um encanto4 ,a bella casa1 circumdada de =mosos p>ques e j>d9s1 tem um aspecto gr&ioso e rico que se impe4 ,os j>d9s e o p>que que a rodeiam so deliciosos tre*os onde z musas pr$ilectas bafejam e inspiram os m5os lyricos a compor deliciosas bucolicas e onde os m5os arti/as encontram retalhos de paisagem encantadora e sugge/iva p>a transplant> tela4 ,eu no posso fall> d'essa paisagem adoravel que me no s9ta enlevado pelos seus encantos naturaes4 ,como bello tudo quanto d'alli se avi/a6 ,como sob]bo todo esse quadro imm5so1 *eio de vida e de luz1 deix&o-nos apreci> por mom5tos o bulicio da cidade1 a s]5idade das aguas d ,d\ro1 que s]peia l em baixo1 a agitao cont9ua d m>1 cujas ondas se vem ao longe n'um revolute> cont9uo1 e a tranquilidade da vida alde1 que se adiv9ha com z primeiras cas9has que se descobrem d outro lado1 no ,monte das ,*s6444 ,figura3 ,canto d ,ateli] ,transpo/os o j>dim e o p>que entra-se n'uma ampla gal]ia1 onde1 bibelots c>os e arti/icos se juntam n'uma delicada confuso que contra/a com o f9o d mobili>io e a riqueza das tapearias4 ,ap5as alli introduzido1 logo me app>eceu a di/9cta amadora1 *eia de att5es e cuidados que encantam1 convid&o-me a visit> o seu ateli]4 ,ac$i da melhor vontade e cam9hei vag>osam5te encantado pela conv]sa flu5te e int]essante da illu/re s5hora que tem a alma d'uma f9a arti/a e a virtude d'uma delicada e cuidadosa dona de casa4 ,n'essa passagem atravez de todo o int]ior =moso e con=tavel da habitao1 passagem que fiz com a religiosa unco de quem visita um museu intimo1 tive a grata v5tura de p\s> a vi/a em admiraveis trabalhos de ,antonio ,teixeira ,lopes1 ,m>ques d',oliveira1 ,julio ,co/a1 ,julio ,ramos1 ,c&ido da ,cunha e muitos outros1 e entre e/es alguns dos mais consagrados arti/as e/rangeiros4 ,figura3 ,bu/o de mademoiselle ,eliza ,&ress5 ,e tudo i/o1 todo e/e batalho de ,arte se espalha pela casa1 g5tilm5te1 nos seus log>es proprios1 n'uma bem e/udada escolha de luz4 ,entramos na sala de jant> depois de t]mos atravessado o salo de baile4 ,m>avilh\-me a magnific5cia das pratas1 das l\z e dos cry/aes1 mas acima de tudo a confeco e o e/ylo d mobili>io4 ,avancei uma p]gunta3---,quem fra o auctor d'aquella m>avilha8 ,quem a des5h>a8 ,e a di/9cta amadora1 sorr9do1 cont\-me a hi/oria d'aquella mobilia1 diz5do n'uma adoravel simplicidade que p>a a sua execuo fiz]a d\s des5hos2 um era aquelle1 o outro1 mais decorativo1 mais *eio de flores1 fra po/o de p>te porque seu primeiro m>ido no go/>a d'elle4--,e eu tambem1 concluiu a illu/re amadora4 ,assim devia s]1 porque1 por mais =moso que o outro fsse1 aquelle des5ho que alli e/ava1 com c]teza o havia de supplant>1 porque uma v]dadeira m>avilha de ,arte1 qu] em concepo1 qu] em execuo4 ,em seguida atravessamos o j>dim1 onde br9cavam os filh9hos de ,d4 ,joanna1 e passamos ao ateli]4 ''' e/e con/ruido sob a sombra protectora e amiga d'algumas bellas arvores2 banha-o de luz int5sissima uma l>ga janella que l d alto se abre p>a a e/rada4 ,uma vez alli d5tro1 analisei detidam5te tudo o que l se a*ava1 desde o mais insignificante des5ho at mais bem lanada esculptura1 desde a mais pequ5a revi/a at ao mais precioso livro de ,arte4 ,e apoz i/o1 entrei n'um l>go inqu]ito4 ,s5tados n'uns arti/icos escabelos1 conv]samos um p\co sobre arte1 discutimos escolas e processos1 analisamos rapidam5te trabalhos que conheciamos de memoria e por ultimo fallamos da educao arti/ica da nossa g5te4 ,n'e/a altura av]iguei que ,d4 ,joanna desde creana revel>a uma gr&e disposio p>a a esculptura4 ,seu pae1 um bom e honrado negociante allemo1 que vi]a p>a o ,porto e/abelec]-se1 pratico como era1 co/umava br9d> seus filhos com livros de des5ho1 que m&ava vir d',allemanha4 ,d4 ,joanna toda se en?usiasmava com esses br9des1 que collecionava cuidadosam5te e d'onde fazia copias p>a e/udos1 revel&o desde essa epo*a uma vocao especial p>a o des5ho4 ,figura3 ,bu/o de mademoiselle ,ramos ,p9to ,qu&o m59a teve como pr(essora ,madame ,biz>ro1 que bem conhecida foi no ,porto pelos seus trabalhos em m9iatura e bordados4 ,foi1 portanto1 sob a direco d'e/a des5hi/a correcta e sab$ora que ella comeou a seguir v]dadeiram5te o cam9ho da ,arte4 ,depois1 foi por algum tempo p>a a ,allemanha1 e ahi1 viv5do na intimidade da familia ,katz5/e91 teve occasio de acompanh> muito de p]to e receb] mesmo indicaes utilissimas d conhecido p9tor ,katz5/e91 irmo d ,consul d',allemanha n'e/a cidade4 ,durante essa epo*a ,d4 ,joanna amavelm5te p\s\ p>a modelo de algumas das figuras dos quadros d'esse excell5te arti/a1 j por vezes devidam5te apreciado no ,porto1 por quadros de c]to m]ecim5to arti/ico1 que tem expo/o em v>ios c]tam5s a que tem concorrido4 ,com e/es dois impulsionadores1 ,madame ,biz>ro e ,katz5/e91 ,d4 ,joanna volta a ,portugal1 *eia d'uma gr&e boa vontade de s] alguma coisa mais d que a vulg>idade no nosso meio arti/ico4 ,e p>a isso *ama p>a lhe complet> a educao d'arte d\s dos mais notaveis arti/as e mais insignes pr(essores3 ,m>ques d',oliveira1 o paisagi/a sab$or e poetico e ,teixeira ,lopes o g5ial e/atu>io1 cujo nome uma v]dadeira gloria da ,arte ,nacional4 ,e1 receb5do lies d'um e d'outro com um aproveitam5to p\co vulg>1 ,d4 ,joanna revela-se no uma amadora di/9cta1 mas uma di/9ctissima arti/a4 ,affirmam-no exub]antem5te os seus trabalhos1 int]nec$ores pelo encanto com que so concebidos e executados4 ,figura3 ,bu/o de ,mademoiselle ,m>ia ,joanna ,&ress5 ,d'alguns d'esses magnificos trabalhos vo aqui photogravuras1 pelas quaes facilm5te se v que aquillo que affirmo no s5o a s5tida expresso da v]dade4 ,na photogravura ,recanto de ateli]1 ha uma figurita sobre a meza1 maquette de um trabalho em tamanho natural1 e que se intitula ,rapaz jog&o a malha1 que um assombro de bem executado4 ,entre os gessos que ornam o ateli] ha um que m]ece especial m5so4 ''' um ,*ri/o na ,cruz orig9al d gr&e e saudoso ,so>es dos ,reis4 ,nos trabalhos de ,d4 ,joanna sali5tam-se duas ,cabez de rapazes1 bu/os de dois filhos seus1 mas dos quaes por motivos especiaes no pude obt] photographia4 ,p>ec] ao leitor que quem executa to bellos trabalhos no necessita mais de pr(essor2 no o ent5de assim ,d4 ,joanna e1 n'essas condies1 como qu] s] tambem alem de esculptura uma p9tora di/9cta1 ouve e recebe ori5taes e lies d velho ,co/a1 o meu qu]ido amigo ,antonio ,jos da ,co/a1 o arti/a que mais l9da e sabiam5te p9ta flores em ,portugal4 ''' desnecess>io proseguir4 ,j fica dito o ba/ante sobre z impresses recebidas na primeira visita que fiz ao ateli] de ,d4 ,joanna ,leheman ,&ress5 ,silva1 n'essa manh deliciosa1 de que cons]vo z mais gratas recordaes1 no s pelo praz] de avali> de p]to os sup]iores trabalhos d'essa illu/re amadora1 mas muito especialm5te pelas precl>as virtudes d seu c>act] delicado e requ9tadam5te att5cioso4 ,fic>ei por aqui1 conv5cido de que a critica s9c]a e desapaixonada1 dos ,me/res d'e/a boa t]ra portugueza1 hade diz] mais e melhor1 sobre os m]itos arti/icos da illu/re s5hora a quem acabo de ref]ir-me1 qu&o um dia tiv] de apreci> devidam5te os seus trabalhos4 ,figura3 ,gu>da fiel--,,antonio ,,jos''' da ,,co/a ,,xiv ,,p9tores ,,portu5ses ,,antonio ,,jos''' ,,da ,,co/a ,ha nomes que1 em qualqu] p>te que se pronunciem1 se impem consid]ao de todos ns4 ,o que encima e/e artigo um d'elles4 ,como homem e como p9tor ,antonio ,jos da ,co/a deve s] respeitado e admirado4 ,como homem porque um cavalheiro em toda a acepo da palavra2 como p9tor porque um me/re4 ,figura3 ,antonio ,jos da ,co/a ''' muito gr&e a m9ha ousadia1 em t5t> des5h>1 n'um pequ5o artigo1 uma figura culm9ante da p9tura em ,portugal2 e no vos admireis1 leitores amigos1 que eu diga i/o1 nem julgueis que1 ao afirmal-o1 queira empan> a gloria de muitos dos nossos p9tores4 ,no4 ,se consid]o ,antonio ,jos da ,co/a um gr&e arti/a1 no qu] i/o diz] que o julgue maior que alguns outros1 mas simplesm5te acc5tu> que elle um dos gr&es arti/as da p9tura em ,portugal4 ,p>a mais ao deante res]v>emos o fall> d'esses arti/as1 gr&es como e/e ou talvez a9da mais1 mas1 cada um no seu g5]o4 ,no qu]o1 nem procuro sab] qu&o e como que ,antonio ,co/a se fez p9tor3 o que t5to prov> que elle hoje 1 em ,portugal1 um sob]bo paisagi/a e o primeiro p9tor de flores4 ,e se conseguir i/o p>ece-me que t]ei dado o meu tempo por bem empregado4 ,que o mais facil e o mais demon/rativo s]ia diz]3 vde esses quadros de que vos d\ a gravura2 vizitae z muitas casas de amadores onde elles e/o espalhados3 vizitae z exposies onde elles app>ecem2 ide ao ateli] d arti/a e fic>eis conv5cidos d'e/a v]dade indiscutivel4 ,figura3 ,rosas e ,peonias--,,antonio ,,jos''' da ,,co/a ,mas isso infelizm5te impossivel2 os amadores que possuem quadros1 com r>as excepes1 fazem monopolio dos trabalhos que compram1 p>ec5do t] m$o que os outros1 s de lh'os v]em1 lh'os damnifiquem4 ,e o arti/a mora l p>a ,bellos ,ares1 to longe d c5tro da cidade1 que1 *egados ao seu ateli]1 o cao s]ia tanto que no vos deix>ia vr com a devida att5o1 z l9das coisas que elle vos mo/r>ia4 ,descanai pois que eu1--d&o-vos1 a traos l>gos1 um relato da obra d arti/a--v\ priv>-vos da fadiga d'essa romagem4 99 99 99 99 99 ,p>a a p9tura como p>a todas z demais manife/aes da ,arte necess>io1 em log> primordial1 a disposio natural d individuo4 ,no ba/a s a boa vontade4 ,mas qu&o e/a se alia quella ento tem-se realisado o supremo ideal1 e1 embora diga o ditado que qu]] pod] n'e/e caso esse ditado falha porque muitos arti/as conheo eu de muito boa vontade e que qu]em *eg> a onde vo os me/res e nunca l *egam4 ,e porque8 ,porque lhe falta a bossa arti/ica1 a disposio natural4 ,figura3 ,outros tempos4 7,esboo7--,,antonio ,,jos''' da ,,co/a ,ora com ,antonio ,co/a d-se o caso de elle t]1 alem da sua gr&e boa vontade1 a intuio1 a disposio natural p>a a p9tura4 ''' um paisagi/a1 com uma vi/a p]spicaz de obs]vador1 que1 ao tracej> um e/udo1 faz resalt> logo a nota c>act]i/ica e det]m9ante d assumpto4 ,e ao olh> esse e/udo1 no conjuncto de cores e de tons1 ns temos a impresso completa e p]feita d que elle qu]ia diz] nos seus quadros4 ,d\s esboos acompanham e/e trabalho1 e ambos demon/ram sobejam5te o movim5tado assumpto1 que nos s]ia revelado pelos quadros1 se elles tivessem tido completa execuo4 ,no primeiro1 que *am>ei ,outros tempos e que tem o duplo int]esse de s] um repositorio de figuras conhecidas e muito popul>es no ,porto1 taes como o ,dr4 ,pim5tel1 pae d escriptor ,alb]to ,pim5tel1 o ,amorim ,vianna1 o pr(essor ,joo ,correia1 o p9tor ,rez5de1 o ,br[n1 etc41 que1 na janella e na rua1 assi/em ao desfil> d regim5to onde e/amos a vr p]feitam5te o ar agu]rido e os jogos malab>es d'esse grupo de porta-ma*ados e seu tambor-mr que1 desc5do pela rua da ,sovla abaixo viram p>a o seu lado direito1 p>a a travessa de ,c$(eita1 n'uma cad5cia de m>*e-m>*e4 ,e na massa quasi in=me que os segue ha a intuio c>act]i/ica d grosso d regim5to4 ,figura3 ,no ,p9hal4 7,esboo7--,,antonio ,,jos''' da ,,co/a ,no outro1 n'um p9heiral esguio1 onde bate o sol1 veem-se duas figuras por det]m9>1 e/&o uma com seu gu>da-sol ab]to2 o t]r5o empa/ado e ha no horisonte um qu] que seja que nos diz que ali o m>4 ,mas nada d'i/o e/ def9ido1 nada di/o e/ executado e1 no entanto1 ns vemos p]feitam5te n'aquellas man*as que o quadro s]ia assim4 ,ora e/a p>ticul>idade1 e/e modo de faz] os e/udos que s peculi> a quem nasceu p>a s] arti/a1 e ,antonio ,co/a -o e em alto grau4 ,depois1 como des5ha admiravelm5te e possue essa gr&e propri$ade de sab] vr os motivos a p9t>1 d'um pequ5o retalho de paisagem1 d'uma cancella1 d'um casebre tosco1 d'um porto de ,qu9ta1 d'um nada1 faz um quadro que sempre um encanto4 ,muitos e muitos so os seus trabalhos n'e/e g5]o4 ,e mesmo n'aquelles1 que a critica no a*a completam5te bons1 ha sempre alguma c\sa1 muito at1 que excel5te4 ,por acaso t5ho aqui na m9ha fr5te um jornal de #ahic onde um dos nossos criticos d'arte de mais cotao no ,porto1 diz o segu9te a respeito d'um quadro de ,antonio ,co/a1 ,portaes d ,m>o3 ''' um p$ao de p9tura feito com uma s9c]idade emovidissima de s5sao e uma franca aco de p9cel2 em toda a obra d p9tor portu5se eu sep>o e/a como a que melhor d5unca o seu tal5to por vezes desigual1 com capri*os de int]mit5cia1 mas tal5to legitimo te/emunhado nos int]valos de sup]ioridade com um expl5dido entono glorioso444 ,ora e/e atte/ado passado ha onze annos ao meu p]filado a confirmao d que v5ho diz5do1 e como na arte no vulg> &>-se p>a traz1 mas sim cada vez mais ap]feio>-se1 cada vez mais e/\ na m9ha1 que1 se elle n'esse tempo era um bom arti/a1 hoje um gr&e arti/a4 ,figura3 ,camelias--,,antonio ,,jos''' da ,,co/a ,mas1 ,antonio ,jos da ,co/a que1 alem de p9tor1 tem o qu] que seja de floricultor1 um dia1 ao cuid> das suas camelias1 dos seus *risan!mos e das suas rosas1 resolveu1 tal como z via1 transplantal-z tela1 em p9tura2 e1 com o seu muito sab] e o seu arreigado go/o arti/ico1 comeou de nos d> quadros to admiravelm5te l9dos e frescos como z flores que cultivava1 e assim se fez o deslumbrante p9tor de flores que agora 4 ,ha no espirito de muita g5te que p9ta1 a cr5a de que z flores so de facil execuo e d'ahi esse enxame de amadores1 que nos surge de todos os lados desat&o a copi> flores dos modelos que a ,frana e a ,allemanha nos exporta cont9uam5te4 ,e p9tam flores444 mas que flores1 ,santo ,deus6666 ,p>a p9t> flores necess>io t] na paleta alem das t9tas =tes e vivas444 um c]to qu de orvalho1 um p\co de sol e uma poro de e!r1 esse f9o fluido que nos c]ca4 ,ora i/o que s elle tem1 s elle possue4 ,figura3 ,junquilhos e ,camelias--,,antonio ,,jos''' da ,,co/a ,z suas camellias so to frescas e to c>nosas que temos a impresso de que1 se z tocassemos1 ellas am>eleciam tal qual z naturaes4 ,os seus *risan!mos1 na v>iadissima e arrevesada =ma das suas petalas1 p>ecem sair da tela em contorneaes exoticas1 envolvidos no tal e!r em que fallei mais acima4 ,e z suas rosas1 d'uma frescura e d'uma suavidade unica1 ora aveludadas como seios de mulh]es l9das1 ora transp>5tes como gottas de orvalho1 so admiraveis2 p>ece at exal>em1 em delicias1 o aroma que lhes to c>act]i/ico4 ,em todas z suas flores emfim1 exi/e o supra-summo da v]dade e da p]feio444 ,ao olhal-z no nos julgamos em fr5te d'um quadro1 julgamo-nos n'um j>dim444 ,mas no so s flores que elle p9ta deliciosam5te4 ,z fructas1 tambem so tratadas por e/e arti/a com o mais desvelado e c>9hoso amor4 ,conheo alguns quadros n'e/e g5]o que so um v]dadeiro assombro4 ,melhor d que eu porm fallam z gravuras publicadas no ,portugal ,arti/ico1 reproduco de alguns quadros de ,antonio ,jos da ,co/a4 ,e julgo t] assim cumprido o meu dev] de hom5agem a um arti/a respeitado e qu]ido4 #aijd4 ,figura3 ,junto ao ,cruzeiro--,,antonio ,,jos''' da ,,co/a ,,xv ,,em ,,fr5te ,d',,um ,,c>taz6444 ,,*ronica ,,d ,,monitor ,antes de entr> no assumpto da m9ha ,*ronica1 duas palavras de desculpa4 ,no app>eci na ultima semana porque e/ive com z maleitas1 um diabo d'umas febres que apanhei qu&o era rapaz e ia br9c> p>a os campos d ,cyrne1 alli p>a os lados d ,reymo4 ,pois essas maleitas1 vi]am atac>-me traioeiram5te1 como co/umam1 e qu&o eu me dispunha a escrev] a ,*ronica tive de me enfi> em vale de l5oes a tremel-z444 ,um m>tyrio1 que nem o leitor imag9a4 ,unica razo porque ,vossas ,excell5cias se viram livres da m9ha proza a semana passada4 ,hoje1 porm1 no escapam4 ,e/\ agora f9o como um pro e muito bravo4 ,portanto1 se virem que arranco da espada com val5tia1 no vos afflijaes1 porque ella de cortia1 como era a da ,ju/ia1 p>a mat> a ,c>ria444 ,ora pois1 como a espada de cortia1 no corta1 o mais que pode faz] arrolh>4 ,adiante4 ,no alto d'e/e arrazoado escrevi eu3--,em fr5te d'um c>taz6444--,e sabeis a que c>taz me refiro8 ,no sabeis8 ,pois ides sabel-o4 ,ao c>taz executado por ,julio ,ma*ado p>a reclame aos fe/ejos c>navalescos no ,porto4 --,porque vai elle d$ic> uma ,*ronica a e/e c>taz1 p]gunt>o l de si p>a comsigo os leitores8 --,por um simples motivo1 meus s5hores1 porque ent5do1 que aquillo e/ muito longe de s] o que se desejava4 ,julio ,ma*ado 1 inegavelm5te1 um bom arti/a1 mas1 d'e/a vez1 no trabalho apres5tado deix\ muito a desej>4 ,no qu] i/o diz] que elle e/eja mal feito1 mal des5hado1 mal colorido2 no1 o que qu] diz] que no era aquillo que se qu]ia4 ,que se qu]ia1 no digo bem2 que eu qu]ia e a maior p>te d publico4 ,aquillo1 um l9do des5ho1 p>a figur> em ponto pequ5o1 em uma pag9a de revi/a1 na capa d'um livro1 ou a9da dum reclame-programma1 p>a di/ribuir nos !atros1 ou na rua4 ,f9ura de trao1 cuidado de des5ho1 dura de cores444 tudo alli ha2 mas1 faltam-lhe os requisitos ess5ciaes p>a o v]dadeiro c>taz3 l>gueza de trao1 cres =tes e retumbantes1 cres1 que collocadas pelas p>$es1 til9tassem como cry/aes que se p>tem1 retumbassem como troves1 vibrassem como cl>9s1 ou refulgissem como o sol4 ,figura3 ,c>taz--,,juli,o ,,ma*ado ,acima de tudo isso1 era preciso que tivesse o c>act] g5u9am5te portuguez1 que infelizm5te no tem4 ,z figuras passam n'elle como se fossem a reproduo d'uma fe/a em pl5o ,p>is---o ,boi gordo1 por exemplo4 ,unicam5te1 como nota portugueza1 no primeiro plano um bu/o de lavradeira1 e l entre essa multido ap5as um capote e l5o1 como que qu]5do fugir p>a fra d trao delimitador d caixilho1 talvez embaado de se vr seguido por tanta g5te1 que elle nem sabe quem 4 ,os nossos masc>as c>act]i/icos1 os *e*s1 os lavradores1 os bebs1 os gallegos1 etc41 etc41 que davam a nota def9ida d nosso c>naval1 esses1 fugiram n'um desesp]o de se v]em am>fanhados n'aquella pele-mele de mulh]es em maillot1 e masc>as que ns no conhecemos4 ,mas a culpa no foi d arti/a4 ,elle viu assim o c>naval2 viu n'aquella cocote f9a e delicada1 que o pi]rot leva sobre o gr&e bombo1 a ,folia portugueza1 e engan\-se6444 ,a ,folia portugueza no assim to f9a e quasi +5ua1 muito mais expressiva1 mais val5te1 de ge/o l>go e de fundas g>galhadas1 atir&o um gr&e punhado de bombons ou um b\quet de violetas1 com ar de quem no e/ a e/ud> posies ao espelho1 despreoccupadam5te444 ,no meu ent5d]1 ,julio ,ma*ado no realis\ o v]dadeiro programma4 ,depois1 ha alli qualqu] coisa a mais1 e que infelizm5te me entri/ece3 vr susp5sas da mo da ,folia1 como se fossem duas gr&es bexigas1 z masc>as da ,russia e d ,japo4 ,no a*o de gr&e intuio arti/ica aquellas duas figuras n'aquelle log>4 ,qu&o duas gr&es naes se degladiam n'uma sangr5tissima gu]ra1 exquisito que se aproveite esse caso p>a que1 como n'um ridiculo de troa1 a ,folia atira sobre a multido que se div]te com essas duas gr&es figuras4 ,mas444 adeante2 isso nem se discute4 ,o c>taz ahi e/6 ''' o que o publico pde vr6 ,agora1 o que o publico no pode vr1 o c>taz que apres5t\ ,manoel ,mont]roso1 e p5a1 porque se o visse havia de conv5c]-se de que e/e1 como n+uem1 compreh5deu qual o v]dadeiro c>act] que devia t] o c>taz4 ,no c>taz d'e/e di/9cto amador1 havia de tudo1 bello des5ho1 cres retumbantes1 e v]dadeiro c>act] portuguez4 ,depois1 a concepo era g5ial1 d'um bello arti/a4 ,no seu trabalho1 uma v]dadeira c>icatura c>navalesca1 revelava-se mais uma vez o seu espirito f9o e obs]vador e o seu trao c>act]i/ico e def9ido4 ,z figuras que elle apres5tava1 eram recrutadas no nosso meio1 de g5u9a orig9alidade portugueza4 ,oh6 mas esse no app>ece4 ,figura3 ,c>taz--,,manuel ,,mont]roso ''' que a commisso ent5deu que devia premi> os dois e m&> execut> s um4 ,e porque s]ia i/o8 ,que ent5d$ores fram os que det]m9>am resoluo to exotica8 ,porque no se f> a exposio d outro c>taz8 ,cumpre ao ,club1 antes de app>ec] em publico com o seu cortejo1 faz] afix> o c>taz de ,manoel ,mont]roso2 sem isso t] dado uma prova de favoritismo1 de pref]5cia a um arti/a1 com o fim1 talvez de amesqu9h> outro4 ,e isso no de pessoas que dirigem um ,club cuja divisa --,pelo ,porto6 ,que app>ea o c>taz de ,mont]roso1 p>a que o publico o aprecie tal como elle m]ece1 e p>a que se no fique julg&o que o ,c>naval s] palido e des5*abido como o c>taz de ,julio ,ma*ado4 ,e que o arti/a me desculpe1 que eu no lhe qu]o mal4 ,v5ho unicam5te1 como um dos mais s9c]os amigos d ,club ,f5ianos ,portu5ses1 pugn> pelo bom nome d mesmo e pelo int]esse d meu qu]ido ,porto1 que se prep>a briosam5te p>a receb] os milh>es de =a/eiros que ahi viro assi/ir ao c>naval1 que deve s] m>avilhoso4 ,janeiro de #aije4 ,nota--,e o ,club1 depois d meu repto1 deix\-se fic> muito callad9ho com o c>taz de ,mont]roso e no o afix\4 ,o ,janeiro1 porm1 na ,t]a feira de ,entrudo1 em illu/raes d dia1 deu-o em trao ligeiro4 ,apes> d'isso1 eu1 mais meticuloso e mais pratico1 aproveito e/a occasio p>a faz] ins]ir n'e/e log> os d\s c>tazes4 ,assim1 o leitor v] a ju/ia de meus diz]es e a s9c]idade com que eu tracei e/as ligeirissimas l9has4 ,elles ahi ficam expo/os e o publico que os julgue como ent5d]4 ,,xvi ,,na ,,cruz ,quadro de ,,julio ,,co/a ,eis ahi duas s+elas palavras que envolvem um gr&ioso poema de dr1 porque exprimem o f9al d'esse drama de s(frim5to que pass\ ,*ri/o4 ,e o p9tor portu5se ,julio ,co/a1 com o seu muito tal5to arti/ico1 conseguiu transport> tela todo esse s5tim5to1 realis&o um quadro que por si s ba/>ia p>a faz] um nome1 se elle de ha muito no e/ivesse feito4 ,esse quadro1 e/udado com um c>9ho adoravel de p9tor de raa1 com seus laivos de poeta lyrico1 admiravel de execuo e repres5ta ,*ri/o no mom5to em que1 ergu5do ao ceu o olh>1 dizia3--,p]doai-lhes1 ,s5hor1 que elles no sabem o que fazem4 ,n'uma bem lanada cruz1 que se de/aca1 em todo aquelle fundo t5ebroso da n\te tragica d ,calv>io1 p5de1 deliciosam5te des5hado1 e admiravelm5te tratado1 um ,*ri/o que nos *ama o olh>1 n'uma contemplao muda de admirao e respeito4 ,que de c\sas s5t5ciosas se pod]iam diz] da sua execuo8 ,mas p>a que fazel-o1 se o publico conhece bem o m]ito arti/ico d nosso amigo8 ,e a ,cam>a ,municipal d ,porto1 que p>ece qu]] agora faz] qualqu] c\sa de bom a bem da arte portugueza1 acaba de adquirir e/e bello trabalho1 p>a o museu municipal4 ,qu&o os nossos leitores pod]em admir> mais e/e sob]bo quadro de ,julio ,co/a1 ho de reconhec] que a apreciao que d'elle fao nada tem de exag]ada4 ,figura3 ,na ,cruz--,quadro de ,,julio ,,co/a #aijb4 ,,xvii ,,amadores ,,portu5ses ,d4 ,,m>g>ida ,,ramalho ,discipula de ,,julio ,,co/a ,t5do que traar algumas ligeiras palavras1 p>a z ,notas d',arte1 a respeito d'uma s5hora1 que1 como amadora1 se torna notavel na p9tura1 devo p$ir v5ia1 e =m&o um bello arco com lyrios e rozas enfeit> e/a pag9a4 ,depois1 respeitosam5te1 com um c]to ar ,antiga1 pondo um p atraz1 faz] uma rev]5cia o mais g5tilm5te que possa1 e e/5d5do a m9ha =te e grossa mo de trabalhador hone/o1 peg> levem5te nos d$os f9os da delicada mo d'essa s5hora1 e lev&o-a fidalgam5te aos labios1 beij>-lh'a1 p$9do-lhe lic5a p>a lhe d$ic> duas phrases desataviadas1 n'um pequ59o artigo sobre o seu valor como amadora de p9tura4 ,ella1 sorr9do1 naturalm5te dir que sim1 e ento eu comearei a escrev]1 *eio d'aquelle doce encanto que nos vem d'esses olhos vivos e d'um ro/o l9do4 ,figura3 ,d4 ,m>g>ida ,ramalho ,e que i/o v sem ar de madrigal1 porque e/\ velho de mais j p>a isso1 e muito especialm5te porque eu j no s\ s444 ,adeante6444 ,comecemos pois1 nada de p]d] tempo em rebuscam5tos de e/ylo4 ,d5tre a multido enorme de amadores de p9tura1 multido cujo calculo impossivel faz]1 ha alguns1 no muitos que m]ecem especial m5o1 e que devem pass> n'e/as simples ,notas d',arte ao lado dos v]dadeiros arti/as1 como affirmao de que o tal5to1 acaba por no di/+uir uns dos outros4 ,no p5se o leitor que eu v\ transplant> p>a aqui1 todos os amadores de tal5to que ha na cidade da ,virgem4 ,isso s]ia impossivel4 ,v\ ap5as apres5t>-vos uns d\s ou tres1 com incitam5tos p>a os outros4 ,e a aprez5tao d'e/es amadores1 visa a d\s f9s3--anim> os alumnos1 na esp]ana de se v]em glorificados um dia publicam5te1 em lettra r$onda e excit> os pr(essores p>a que desde que encontrem nos seus discipulos aptides p>a o des5ho e p>a a p9tura1 ou esculptura1 os obriguem a de/ac>-se no nosso meio arti/ico4 ,no devem portanto1 os que no app>ecem n'e/e livro1 vr da m9ha p>te1 n'e/a falta1 o desejo de os no not>4 ,no1 no assim2 que nos limites d'e/e volume no cabem todos1 e por isso s aqui ap>ecem aquelles com quem mais em contacto e/\ e de quem mais de p]to conheo z obras4 ,se algum dia porm eu volt> a public> outro volume como e/e1 ento d$ic>-lhes-hei uma gr&e p>te d'elle e alli app>ec]o todos os amadores1 que o m]eam1 e/ bem de v]4 ,e1 no me deixava eu al>g> por ahi abaixo em salamalekes p>a os amadores da p9tura1 sem me lembr>1 quasi1 que t9ha que d$ic> e/as pag9as a uma s5hora8 ,queira ,v4 ,ex4a desculp>1 m9ha s5hora1 e entremos no nosso assumpto4 --,como foi que eu conheci pessoalm5te e/a s5hora1 que de ha muito conhecia de nome8 ,v\ explical-o4 s n\tes reuno-me muitas vezes com o velho amigo ,julio ,co/a e discutimos muitos e v>iados casos4 ,entre essas conv]sas muitas vezes nos entretemos a fall> de ,arte4 ,n'uma d'essas occasies1 discut9do aptides de alumnos1 ,julio ,co/a fall\-me l>gam5te d'e/a sua discipula1 que mo/rava uma disposio especial def9ida p>a a p9tura4 ,era1 no uma d'e/as s5horas1 que se pr5deu em simples bibelotagem d',arte1 mas1 que1 uma vez dada a e/ud>1 qu]ia ir p>a deante4 ,julio ,co/a afeio\-se a e/a discipula e d$ica-lhe uma especial e/ima4 ,uma n\te1 depois d'uma d'essas conv]sas muito vulg>es entre ns1 disse-me ,julio ,co/a3--,voc sabe1 ,lemos1 fallei em si e na conv]sa d'hontem m9ha discipula de ,mattos9hos e manife/ei-lhe o desejo que voc t9ha de visit> o seu pequ59o ateli]4 --,e ella que disse8 --,que pod]ia ir qu&o quizesse1 que ba/ava eu t]-lhe dito que t9ha vontade que voc visse os seus trabalhos1 p>a imm$iatam5te cons5tir2 que eu1 como pr(essor1 no lhe t]ia fallado n'ella1 se no visse que ella t9ha qualqu] pequ5a coisa que m]ece ap5as s vr-se4 ,e1 confessava-me o ,julio ,co/a3 dizia i/o to *eia de mode/ia to encantadoram5te1 que voc deve l ir e muito breve4 --,pois v\ l no dom+o4 ,e fui4 ,era meio dia1 qu&o me apeei d electrico1 na alam$a de ,mattos9hos1 mesmo porta da caza onde mora ,d4 ,m>g>ida ,ramalho4 ,a caza1 com um doce aspecto de frescura1 fica alc&orada um p\co acima d nivel da e/rada1 circundada por um j>dimsito bem tractado e onde se o/5tam bellas flores4 ,das janellas desfructa-se o rio ,lea1 que indol5tem5te se espreguia1 n'um dulce f> ni5te1 at desagu> l ao longe no m>1 em ,leixes4 ,e1 quasi em fr5te das janellas1 na alam$a1 entre a frondosa ram>ia das arvores1 a figura de ,passos ,manuel impassivel e s]5a1 n'uma atitude de resignado ante a aluvio de zangos1 que por e/e tempo de v]o se enc>regam de zumbir de volta d'elle1 como os ,passos d'hoje zumbem em volta da sua ,memoria4 ,p]doe-me a g5til s5hora1 mas ao ape>-me d electrico e ao olh> p>a aquella figura1 fiz e/as mesmas consid]aes4 ,pois bem1 logo que *eguei subi ao j>dim e bati docem5te porta4 ,veio abrir-m'a uma creadita l\ra1 d'um l\ro aca/anhado4 ,p]guntei se ,d4 ,m>g>ida e/ava e entreguei o meu c>to de visita4 ,volt\ d5tro em p\co diz5do que sim1 que podia pass> sala4 ,entrei4 ,d4 ,m>g>ida no se fez esp]>4 ''' uma s5hora nova1 baix9ha1 magr9ha e muito loira1 int]essante como um l9do biscuit4 ,recebeu-me o mais amavelm5te possivel4 ,peo-lhe desculpa d meu atrevim5to mas o ,julio ,co/a t9ha me fallado d'ella com tanto int]esse1 que t9ha imm$iatam5te feito nasc] no meu espirito de admirador d bello1 procur> ensejo de ir v] os seus deliciosos quadros4 ,eram favores1 d seu pr(essor1 dizia ella4 ,mas j que t9ha v9do ento sempre ia mo/r>-me os seus trabalhos4 ,entrei no ateli]1 um recantos9ho alegre onde ella e/uda os seus assumptos e onde os pe em execuo1 depois de t] em pl5o ar livre1 feito os esquissos e os precizos e/udos4 ,figura3 ,ca/anheira--,d4 ,,m>g>ida ,,ramalho ''' no ateli] que ella tem os seus melhores trabalhos1 p\sados arti/icam5te pelas p>$es1 todos elles com magnificas qualidades de cr4 ,aqui1 um quadro repres5t&o uma rap>iga porta d'uma tav]na1 com uma assadeira de ca/anhas1 n'um taboleiro1 ca/anhas j assadas1 e n'um ce/o ao lado mas4 ,no fog>eiro da assadeira a9da re/os de lume4 ,a rap>iga1 d'uns doze annos1 olhos azues1 cabello l\ro1 pod]iamos diz] d\rado4 ,uma expresso dol5te1 um ar p5sativo e tri/e1 talvez1 quem sabe8 com receio de que no app>eam freguezes e ella t5ha que lev> tudo aquillo p>a casa1 sem t] apurado v9tem4 ,por detraz d'ella1 v-se uma gr&e pipa j vazia1 no fundo escuro4 ''' um quadro bem tratado1 *eio de um intimo s5tim5to4 ,alli1 uma ,cabea de velho1 de b>ba branca am>ellada e *apeu l>go1 v]dadeiram5te int]essante1 feito com pr(ici5cia1 de/aca deliciosam5te da tela1 e s5te-se1 que se a aragem passasse um p\co =te1 aquella b>ba ondul>ia flu5te e suave4 ,mais alem1 n'uma boa e s frescura1 de moa sadia1 uma ,rap>iga de ,vill> d',&or9ho1 com o seu typico *apeu de maanetas pretas1 irradia vida e cr4 ,outros mais a9da1 mas como nota f9al d'e/e rec9to1 um delicioso quadro que intitul>ei ,volta da fonte4 ,uma rap>iga muito esguia e muito f9a desce uma rampa traz5do ao hombro um cant>o *eio de agua e i/o por um s5tim5tal fim de t>de4 ,em todos e/es trabalhos se d5ota uma p]feita ori5tao1 um s]io e/udo4 ,v-se que ,d4 ,m>g>ida ,ramalho no uma amadora vulg>1 que se atira inconsci5tem5te a execut> a p9tura1 sem primeiro a t] e/udado consci5ciosam5te4 ,alli ha valores1 tonalidades1 tons e meios tons1 p]spectiva1 des5ho1 arte emfim4 ,figura3 ,cabea de velho--,d4 ,,m>g>ida ,,ramalho ,sa d l9do ateli] depois de demorada vizita1 e de agradavel conv]sa por onde pude concluir que havia j #g annos que e/udava4 ,sub9do a escada1 no patam> encontram-se os seus primeiros e/udos em dez5ho1 dos quaes de/ac>ei como mais notaveis um ,p]fil de ,mulh] e uma ,cabea de expresso1 de gu]reiro4 ,a todos esses trabalhos liga e/a amadora uma especial pr$ileo4 ,a convite da illu/re amadora entrei depois no seu b\doir1 *eio d mais pr(undo respeito4 ,e/e qu>to1 mobilado com simplicidade1 mas f9o go/o1 m]eceu a m9ha att5o porque z suas p>$es so decoradas delicadam5te pela sua habitante4 ,n'um enlevado s5tim5to de amor pela ,arte1 ,d4 ,m>g>ida ,ramalho1 ent5deu e muito bem1 que no seu qu>to de dormir ella devia reunir e pat5te> aos seus olhos alguma coiza que sa9do d seu es=o arti/ico con/antem5te lhe desse um doce effluvio emotivo e agradavel1 e ento traou em l>gos panneaux1 com os seus f9os p9ceis1 deliciosas artemizias e frescas e orvalhadas rozas4 ,um v]dadeiro encanto4 ,ao tecto deu o collorido azul duma suave atmosph]a1 como um vago sonh> d ceu4 ,e sobre a cabeceira d seu leito p9t\ uma l9da composio d'aquellas bellas flores--bons dias e boas noites1 d5tre z quaes p5de um =mozo ,*ri/o de m>fim4 ,qu&o o qu>to e/ava completam5te p9tado1 ,d4 ,m>g>ida p$iu ao seu pr(essor que lhe p9tasse alli qual c\za que podesse1 dizia ella1 d> um ar de gr&eza quellas pobres flores4 ,e ,julio ,co/a1 qu]5do s] agradavel sua discipula porque v n'ella uma v]dadeira fanatica da ,arte1 e muito e muito a e/ima1 p9t\ ento n'um vo escuro da janella1 um ,fim de t>de4 ,numa l>ga planicie arida e muito ext5sa1 l ao fundo1 o sol cae1 e ao escond]-se deixa um tom al>anjado1 donde saem =tes e espalhados raios dum v]melho int5so4 ,e ,d4 ,m>g>ida conta-nos tudo i/o timidam5te4 ,porque ella uma timida4 ,tem um gr&e respeito pela ,arte e esse respeito cria-lhe uma indiscriptivel duvida sobre o seu pod] executante d'obras de l>go folego4 ,fallei-lhe de trabalhos que conhecia de v>ios p9tores e ella1 como que se alt]ava1 qu&o eu lhe dizia1 que a a*ava com =z de t5t> obras assim1 e s me respondia3 ,e/ enganado1 eu sei l faz] tanto6444 ,e apes> disso os seus trabalhos demon/ram bem o contr>io4 ''' vulg>1 segundo me diz o ,julio ,co/a1 ao apres5t>-lhe um assumpto p>a tract>1 ella diz]-lhe3 ,eu no fao isso1 porque muito difficil1 muito difficil4 ,depois1 pr9cipia a des5h> *eia dum gr&e escrupulo1 sempre com m$o de err>1 *eg&o ao fim e t5do executado o des5ho e depois a p9tura em equilibrio muito e/imavel e mesmo muito notavel4 ,e ella faz i/o tudo1 porque admira intimam5te a ,arte e uma doce adoradora d ,bello4 ,no se atreve ao mais difficil1 sem consid]ao1 sem respeito1 treme ante o mais mode/o e o mais s+elo trabalho1 e por isso consegue s] notavel entre os amadores de p9tura4 ,t9ha feito a m9ha agradavel vizita e ia desp$ir-me1 qu&o ao pass> pela sala de visitas notei um bello piano4 ,atrevi mais uma p]gunta3--,era ella tambem a amadora8444 ,era1 e execut&o com tal5to4 ,rogada ento p>a se faz] ouvir1 desc]r\ o piano1 pass\ suavem5te os d$os pelo teclado e solt\ l de d5tro um primoroso ,nocturno de ,*op91 que me deix\ no espirito a nota viva d seu gr&e amor ,musica4 ,d4 ,m>g>ida uma virtuose d\bl de piani/a e p9tora4 ,disse-lhe adeus1 e ao sar p>a tom> o electrico que me tr\xesse ao ,porto1 ab5oava o ,julio ,co/a1 que t9ha conseguido que eu passasse duas horas deliciosam5te4 ,figura3 ,impresso de ,p>is--,,c&ido da ,,cunha ,,xviii ,novos quadros de ,,artur ,,l\reiro ,i ,,no ,,seu ,,ateli] d ,,palacio de ,,cry/al ,os quadros que n'e/e mom5to se a*am expo/os no ateli] d delicado arti/a ,ar?ur ,l\reiro1 devem s] vi/os com att5o1 porque esses trabalhos fazem resalt> rapidam5te todo o segr$o emotivo4 ,no so como c]tos quadros que precisam p>a s]em compreh5didos uma intuio especial e def9ida4 ,no1 nas telas de ,l\reiro logo nos resalta cl>a e rid5te a v]dade1 t5do o gr&ioso m]ito de se incutirem no nosso espirito pelo espectaculo de l9has e de cres h>moniosas1 de leves s5saes1 lembranz e sonhos que se mi/uram p\co a p\co com o praz] da impresso visual4 ,figura3 ,,ar?ur ,,l\reiro ,ar?ur ,l\reiro1 inegavelm5te1 um gr&e arti/a1 e embora alguem no go/e d'isso1 d'aquelles que af]rado ao seu trabalho lucta lealm5te1 s9c]am5te1 na ideia firme e correcta de mo/r> que sabe e que tem fundos recursos p>a gr&es e lum9osos empreh5dim5tos4 ,l\reiro1 embora o julguem um tri/e1 um melan*olico1 no d'aquelles que pref]em o aroma res9oso dos bosques e o p]fume das flores1 na dura d'um crepusculo1 na hora em que a nossa alma sobe tri/em5te s regies d ideal1 e que os objectos se descoram e a paisagem toma uma attitude recolhida e quieta6444 ,no1 elle v]dadeiro filho d norte1 onde z rap>igas1 v]melhas como roms e os rapazes1 val5tes como h]oes1 cantam poemas sublimes de amor e de luz1 n'uma musica altisonante e h>moniosam5te alegre1 elle1 ama mais o gr&e sol de luz int5sa e =te e o sussuro que nos d a nitida impresso da vida e d trabalho4 ,e tudo isso se v nos seus quadros1 n'esses c9co5ta trabalhos expo/os1 que so1 como j o disse um meu collega da impr5sa1 como que provas def9idas p>a um concurso de ,arte4 ,com aquelles docum5tos1 ,l\reiro affirma que em todos os g5]os de p9tura um me/re4 ,no retrato1 na paisagem1 na m>9ha1 no e/udo d'animaes1 no g5]o decorativo1 em todos elles o nosso arti/a se nos apres5ta v]dadeiram5te gr&e4 ,e s5o1 vol d'oiseau1 rapidam5te1 vejamos3 ,os tigres que anatomia e que correco2 como se des5ha to nitida e to visivelm5te o trao de todo aquelle animal n'uma po/ura molle de traio e de =a4 ,como vemos atravs d'aquelle olh> fel9o e d aveludado da sua g>ra1 a indole p]v]sa que d'elle se acolhe4 ,e com que v]dade e/o tractados aquelles olhos brilhantes e magoadores1 d'um outro1 que por traz d que e/ no primeiro plano1 p>ecem fit> o espectador1 na esp]ana de filal-o1 n'um salto rapido e traioeiro4 ''' inegavelm5te um d'e/es trabalhos que s por si fazem o nome laureado a um arti/a4 ,e/udo decorativo4 ,simplesm5te sob]bo e encantador4 ,entre flores1 envolv5do-se n'um veu de gaze transp>5te e lucido1 sae como uma deslumbrante rosa1 toda vio e frescura1 uma l9da creana1 encantadora e meiga como um anjo1 t5do na mo uma ha/e de flores-saudades4 ,n'um fundo rutilante de luz1 como na aureola rid5te d'uma fresca manh de ,ago/o1 de/aca essa l9da figura4 ,e como foi des5hada e como foi executada4 ,alma de poeta1 d'esses poetas que cantam z manhs cl>as d sol e os ro/os l9dos das rap>igas1 foi a que concebeu aquelle quadro e que o execut\4 ,nada mais444 ,o retrato d ,*ico ,an!ro4--,p]do1 d\tor1 tratal-o assim1 mas1 francam5te1 qu&o olhei p>a o seu retrato no pude respeital-o e p$i-lhe que contasse uma d'aquellas suas hi/orietas4 ,no cont\1 mas tal a semelhana1 tal a expresso1 to seu aquelle modo e to psy*ologicam5te e/udado aquelle quadro que me p>eceu mesmo ouvil-o a l>a*e> e a rir4 ''' um primor de execuo1 um assombro de correco4 ,figura3 ,retrato de ,s d',alb]g>ia--,p9tado por ,,ar?ur ,,l\reiro ,retrato d dr4 ,julio de ,mattos4--,bello trabalho feito na l>gueza subtil d'um quadro d'arte1 no com a preoccupao d'um retrato p>a gal]ia de def9idores da ordem t]ceira1 mas um retrato intimo1 que temos no nosso gab9ete de trabalho1 ou no nosso qu>to1 retrato p>a ns1 p>a consolo da nossa alma e dos nossos4 ,tal o retrato d dr4 ,julio de ,mattos1 que incompleto como e/1 j mo/ra que ha-de s] um quadro to bello1 to bem feito como o d ,*ico ,an!ro4 ,o retrato d dr4 ,magalhes de ,lemos tambem um bello trabalho4 ,ha mais dois retratos de s5hora1 dois e/udos1 como ,l\reiro lhe *am\1 mas que so d\s primores4 ,l\reiro adopt\ p>a os seus retratos uma frma e um tamanho especial o que lhe d uma gracilidade g5til e meiga1 deixem-me assim diz]4 ,em quanto ,paisagem muito t]ia que diz] se podesse al>g> e/e artigo1 mas como me no possivel n'e/e mom5to1 limito-me a fall> dos segu9tes quadros3 ,rua d ,meio4--,da vulg>idade d'uma rua1 com casas de um lado e d'outro1 e uma egreja no primeiro plano1 teve ,l\reiro a habilidade de faz] um dos seus p>a mim mais int]essantes quadros4--,e porque8 p]gunt> o leitor4 ,outro qualqu] o f>ia444--,mas no fazia4 ,p>a isso preciso sab]-se vr e vr muito bem1 conhec] mil pequ5as c\sas e transplantal-z p>a a tela com uma especial p]icia e arte444 d'onde se conclue que aquella rua no como no uma coisa *ata1 sem relevo4 ,aquella rua um quadro e dos mais int]essantes4 ,montanhas da ,galliza1 ,corgo1 ,monte de ,santa ,tecla1 ,alto de ,santo ,antonio1 ,b>ra de ,cam9ha4 ,tudo i/o so retalhos sublimes da natureza1 que ,l\reiro transplant\ tela com uma v]dade flagrante e uma te*nica segura4 ,fe*o por aqui e/e meu despret5cioso artigo faz5do ap5as uma leve consid]ao4 ,ha no nosso ,muzeu quadros de quasi todos os p9tores portu5ses1 mas no vimos a9da l n5hum de ,ar?ur ,l\reiro4 ,agora1 como nunca ha occasio p>a que a ,cam>a d ,porto1 que p>ece se int]essa um p\co pelas c\sas d',arte da nossa t]ra1 compre um quadro a ,l\reiro p>a o ,muzeu ,municipal4 ,e porque no ha-de fazel-o68444 ,tem e/e arti/a dois quadros que e/o a p$ir transplantao p>a log>1 onde todos os possam apreci> condignam5te e so3 os ,tigres ou ,por montes e vales4 ,cumpre cam>a d ,porto e/e dev] de gratido p>a com o arti/a di/9cto1 que aps #bj annos de aus5cia1 volta a ,portugal *eio de ,arte a glorific>-nos com os seus trabalhos4 ,,ii ,,ar?ur ,,l\reiro e os seus discipulos ,nada ha que mais me en?usiasme e me anime1 d que sab] que a9da ha1 quem1 d5tro da esph]a da ,arte1 t5ha iniciativas e empreh5dim5tos de coisas uteis e aproveitaveis1 sem mira a vanglorias ou a fabulosos lucros1 unica e exclusivam5te pela ,arte4 ,ha annos1 todo eu me en?usiasmei1 qu&o meia duzia de arti/as1 hom5s de lettras e amadores1 t5t>am cre> no ,porto uma soci$ade de ,arte1 que infelizm5te1 como todas z coisas uteis1 cahiu ao t5t> elev>-se2 digo mais1 morreu de morte affrontosa ao nasc]4 ,depois1 p]ante a iniciativa d ,in/ituto de ,e/udos e ,conf]5cias1 que p>ecia vir d> a nota correcta de que z exposies d',arte s]iam v]dadeiros concursos de trabalhos def9idos de arti/as1 tambem me en?usiasmei1 porque imag9ei que1 com os elem5tos de que elle dispunha pod]ia faz] muito melhor d que o que tem feito1 se bem que t5ha feito alguma coisa4 ,app>ece depois um sr4 ,magalhes1 que no conheo1 em communicados nas gazetas1 a diz] v]dades am>gas a respeito d ,palacio de ,cry/al e a reclam> p>a aquellas duas alas lat]aes1 que =am em tempo baz>es1 esclas de p9tura1 de lavores fem99os1 etc41 emfim1 reclam&o o aproveitam5to d'aqnelles dois espl5didos ateli]es em alguma coisa de util p>a a ,arte444 ,mas1 infelizm5te z v]dades que o sr4 ,magalhes dizia1 fic>am p]didas como p]olas em *iqueiro de porcos1 porque a g]5cia d ,palacio de ,cry/al a*\ mais util tel-os assim vasios1 d que aproveitados em qualqu] coisa444 ,assim1 podia em noites de sple51 passe> n'ellas1 como a sombra d ,hamlet1 sem tropear em qualqu] coisa que tornasse o ,palacio int]essante ao publico1 mais d que os macacos e o sr4 ,vieira da ,cruz6444 ,e essa ida1 como era boa1 morreu1 n'um significativo desprezo por p>te dos int]essados no rejuv5escim5to d ,palacio de ,cry/al4 ,veio por fim ,ar?ur ,l\reiro1 esse laureado arti/a que todos ns conhecemos1 pelo seu tal5to1 e lana a ida de uma escla d',arte1 tal como ellas so no e/rangeiro4 ,lucta com mil difficuldades ao pr9cipio p>a pod] realis> o seu plano1 e eu ao sab] d seu empreh5dim5to todo me en?usiasmo um mom5to1 p>a p5s> logo em seguida que a sua idia ha-de morr]1 como morr]am todas z outras4 ,mas1 tal no succ$e2 ,ar?ur ,l\reiro se no fundo um bom portuguez e um g5u9o portu5se1 vem saturado d'essa conviv5cia de v9te annos com os +lezes1 g5te que tem tanto de av5tureiros como de previd5tes4 ,debaixo d'essa espl5dida ori5tao ,l\reiro cria a sua escola de p9tura p>a s5horas e no desanima1 confiado em que qu]] pod]4 ,e hoje elle o unico arti/a que1 no nosso meio1 realisa e/e gr&e melhoram5to1 em prol da ,arte3 t] uma escola onde vo os seus discipulos1 n'uma confrat]nisao arti/ica1 tom> z sbias lies que elle lhes d com a sua pr(ici5cia e sab]4 ,e1 com que arte1 e com que cuidado1 elle s\be trans=m> uma sala fria e descon=tavel n'um ateli]1 que se no um especim51 no entanto um delicado rec9to onde o go/o decorativo d arti/a se casa p]feitam5te com a sev]idade das p>$es1 onde p\sam como sc9tilantes fulguraes de g5io1 trabalhos1 e/udos e composies d pr(essor1 de mi/ura com gessos de e/udo4 ,figura3 ,retrato d dr4 ,francisco ,an!ro--,,ar?ur ,,l\reiro ,fui ha dias ao ateli]-escola1 precisam5te no mom5to em que t]m9avam z lies e z alumnas1 fulgurantes de mocidade e alegria1 saiam n'um *ilre> que encantava4 ,os cavalletes1 espalhados pelo ateli]1 eram como s5t9ellas que ficavam gu>d&o os log>es das discipulas4 ,passei-os em revi/a1 *eio de curiosidade e de int]esse em not> n'aquelles esboos z disposies de quem os t9ha executado4 ,aqui1 des5ho dos pr9cipiantes1 de div]sos objectos1 taes como g>rafas1 j>ros1 puc>os1 etc41 e onde elles1 emquanto des5ham1 vo t5do noes d que a p]spectiva pratica4 ,mais alm1 e/udos de fructas e flores1 e entre esses os d'uma discipula que compe e applica aos tecidos z flores e os fructos que des5ha e que p9ta d natural4 ,outros1 des5hos de gessos das diff]5tes escolas1 grega1 romana e r5asc5a444 ,mais alm1 cpias flagrantes a oleo1 dos modelos vivos e dos co/umes popul>es portuguezes4 ,uma v]dadeira escola1 me?odica e def9ida1 onde os alumnos no copiam os seus trabalhos de modelos que veem de ,frana ou da ,allemanha s grosas1 mas sim d natural2 e/ud&o desde z mais rudim5t>es noes de traos e l9has1 at aos intr9cados problemas da p]spectiva1 ss por si1 ap5as com z indicaes d pr(essor4 ,so tambem p>a not> z pa/as c>regadas de e/udos que os discipulos executam em casa1 aps z lies1 e que so docum5tos irrefutaveis d bom aproveitam5to d'e/e sy/ema de ens9> o des5ho e a p9tura4 ,entre os discipulos de ,l\reiro1 ha um que se torna notavel1 porque com #dh lies ap5as1 uma cada semana1 tem feito m>avilhosos progressos4 ,d'e/e discipulo1 j eu tive occasio de fall>1 qu&o em tempo d$iquei duas l9has a uma exposio que ,l\reiro fez e em que app>ec]am alguns e/udos d'elle4 ,ha tempos1 porm1 qu&o visitei o ateli]-escola1 tive uma boa occasio de vr de novo trabalhos seus feitos alli3 uma bella copia a oleo d gesso1 correcta de execuo e de des5ho e mais uns trabalhos que elle fiz]a fra da escola1 em passeio d',arte pelo campo e pela praia4 ,havia uma m>9ha bem tocada1 e uma paisagem delicadam5te p9tada e sup]iorm5te e/udada e des5hada1 no fall&o n'um int]essante quadro de camelias1 que me encant\4 ,talvez porque eu go/o muito de flores1 e aquellas e/avam to frescas1 que me fiz]am uma magnifica impresso4 ''' elle o sr4 ,manuel ,lucio um dos amadores que1 se cont9u> assim1 mais brilhantem5te pod] affirm> o que se tem dito de ,l\reiro3 que se gr&e como arti/a1 no o m5os como pr(essor4 ,mas1 voltemos escola4 ,tem ella sobre todos os outros ateli]es a gr&e vantagem de e/> in/allada nos j>d9s d ,palacio4 ,qu&o a primav]a1 rid5te1 en*e aquelle rec9to de flores e de sol1 c p>a fra1 p>a o ar livre1 vem os discipulos1 e1 ou recolhem nas suas telas z flores l9das e frescas e os pontos de vi/a deliciosos que d'alli se disfrutam1 ou e/udam e p9tam pequ59os recantos d j>dim v>iados e bellos4 ,e tudo i/o realisa ,ar?ur ,l\reiro1 no sem l>gas e complicadas difficuldades1 que felizm5te elle v cob]tas de bom resultado1 se bem que com p\co int]esse4 ,ao vir-me embora depois de t] dado os meus p>ab5s s9c]os ao pr(essor pela sua iniciativa1 p5sava em como aquelle bello rec9to d ,palacio de ,cry/al pod]ia s] aproveitado p>a tanta1 tanta coisa util1 em vez de jaz] ignom9iosam5te alli1 mudo e s9i/ro como um crime4 ,e que tudo isso se pod]ia faz] se quem o dirige1 visse mais alguma coisa d que umas reles exposies de flores e aves e d que umas fe/>olas de arraial com musica d ,z da ,gaita e fogo d'artificio d ,devezas6444 ,figura3 ,tigres--,,ar?ur ,,l\reiro ,,iii ,,ar?ur ,,l\reiro e a ,academia de ,bellas-,artes ,ha tempos n'uns bem elaborados artigos da ,voz ,publica1 alguem1 que eu no sei quem 1 veio apres5t> a ideia de que ,ar?ur ,l\reiro dev]ia s] pr(essor da nossa ,academia de ,bellas-,artes4 ,a*ei to acceitavel e to util p>a a ,academia essa ideia1 que n'e/e mom5to em que me t5ho de occup> da sua exposio de quadros1 ent5di dev] acompanh> na sua propag&a quem to des9t]essadam5te a apres5t\4 ,no que eu v5ha a campo combat] af9cadam5te em favor d'e/e arti/a1 no1 v5ho s como m]o espectador d gr&e palco da vida applaudir quem s\be apres5t> a ideia4 ,ar?ur ,l\reiro foi um dos mais di/9ctos discipulos das nossas academias de ,bellas ,artes e tem a sua folha de bom pr(issional1 respl&ec5do de brilho e *eio de gloria immor$oira4 ,no foi no seu paiz natal que elle se complet\ em arte1 foi no e/rangeiro1 nas gr&es t]ras onde s]-se p9tor no uma m]a galant]ia de g5te f9a2 foi nas t]ras onde se faz da ,p9tura alguma coisa mais pratica e mais def9ida d que entre ns4 ,volt\ t>de patria1 v9te annos passados sobre o seu curso4 ,qu] i/o diz]1 que elle vem mais s5hor d meti] d que aquelles que m]am5te se demoram l por fra uns tres ou quatro annos4 ''' c]to que muitos que e/ud>am no e/rangeiro nem sempre ao volt> veem mais vigorosos e mais trabalhadores d que qu&o p>tiram4 ,mas elle no4 ,ar?ur ,l\reiro1 foi unicam5te p>a trabalh> e affirmam-no exub]antem5te os c>gos que por l occup\ di/9ctam5te1 taes como3--exam9ador das classes de ,arte da ,national ,gall]y ( ,victoria1 e director e pr(essor de #a4;a classe dos cursos de ,dez5ho e ,p9tura d ,presbit]iam ,ladi] ,college em ,melb\rne1 na ,au/ralia4 ,figura3 ,s no mundo--,quadro de ,,ar?ur ,,l\reiro ,ora e/es c>gos dados a um e/rangeiro1 a um portuguez1 o que affirmam o que o seu nome era ali conhecido e que e/ava altura de occup> esses log>es com toda a hombridade e todo o sab]4 ,mas ha mais1 qu&o t]m9\ o seu curso em ,portugal foi classificado p>a p5soni/a em ,p>is1 onde fez uma l>ga e pr(unda apr5dizagem d'arte4 ,concorreu a muitas e v>iadas exposies1 onde os seus quadros =am sempre apreciados como m]eciam4 ,entre esses dev]emos not> como primordiaes a ,exposio ,religiosa da ,belgica onde o seu quadro1 ,a ,viso de ,santo ,/anislau de ,ka/ka1 foi acolhido com en?usiasmo por toda a critica1 e muito especial ref]5cia m]eceu ao celebre critico religioso1 l',alb ,moell]4 ,e a9da em ,londres1 onde concorreu1 a convite1 ,great] ,britian ,exibition1 em #ahii e foi recomp5sado com diploma d'honra e m$alha de ouro4 ,ha p\co foi elle eleito ,academico de ,m]ito da ,academia da ,victoria1 em ,melb\rne4 ,v-se bem cl>o1 por tudo i/o1 que ,ar?ur ,l\reiro era consid]ado e muito1 l fra1 como um v]dadeiro arti/a que 4 ,e/\ d'aqui a vr a balburdia que vae no nosso meio arti/ico por e/as m9has despret5ciosas notas1 mas no so ellas mais d que o desejo de prov> que o homem e/ altura de occup> um log> de pr(essor na nossa ,academia4 ,porque e/\ bem c]to de que elle1 *amado a d> provas publicas d seu sab] arti/ico1 ellas s]o conv9c5tes4 ,se elle um gr&e arti/a1 no m5os um gr&e trabalhador1 incansavel2 trabalh&o1 qu] em quadros p>a expr e v5d]1 qu] d&o lies quelles que desejam bem conhec] a arte de p9t>1 no seu ateli]1 no ,palacio de ,cry/al ,portu5se4 ,n'esse mesmo ateli] j por v>ias vezes tive o praz] de visit> exposies organisadas por elle4 ,ali me mo/r\ elle que embora longe de ns por tanto tempo1 no se de%abitu>a das cres e da luz da nossa boa t]ra4 ,no veiu inebriado com o nebulozo da ,escocia1 com o c9z5to da ,frana1 nem com o v]melho violaceo da ,italia4 ,veiu is5to de escolas1 preoccup&o-se s com o que via na natureza tal qual ella se apres5tava1 vibrante de luz se o sol espadanava rutilantem5te no espao1 nebuloso e tri/e1 se a nevoa cobria a atmosph]a e a paisagem que p9tava4 ,era como que o executor da v]dade tal como ella deve s]4 ,era1 emfim1 um paisagi/a p]feito e def9idam5te portuguez4 ,pois bem1 todos ahi viram z suas rec5tes exposies1 e que eu saiba1 a9da n+uem amesqu9h\ o seu muito m]ecim5to2 pelo contr>io todos =am uma a diz] que elle t9ha valor4 ,a critica1 que deve s] s9c]a e ju/a1 no teve por onde o atac>1 nem veiu diz] d'elle s5o que era bom1 por isso a sua entrada como pr(essor de paisagem na ,academia de ,bellas ,artes1 d ,porto1 dev]ia s] acolhida por todos os pr(essores e alumnos com en?usiasmo1 se bem que a nossa ,academia no seja p>a l>gas manife/aes4 ,mas deixemos agora o arti/a p>a fall>mos da sua ultima exposio4 ,no ateli] de ,ar?ur ,l\reiro1 ha um no sei que de con=to que nos pr5de4 ,sob a sua direco tem-se trans=mado aquella fria sala n'um bellissimo gab9ete1 onde se podem pass> horas e horas admiravelm5te bem4 ,decorado com simplicidade1 mas com um especial ca*et de galant]ia os seus quadros de/acam alli m>avilhosam5te4 ,v\ fall> delles1 como sei1 ou como ent5do4 ,como nota primordial de/ac>ei o gr&e quadro1 cujo titulo ,de aldeia em aldeia e que inspir\ ao bello poeta ,m4 ,ricca1 e/a quadra3 ,sob a cruz pesada e feia ,da mis]ia que a consomme ,corre d'aldeia em aldeia1 ,na ,via-sacra da fome4 ,figura3 ,de aldeia em aldeia--,,ar?ur ,,l\reiro ''' um sob]bo trabalho1 des5hado com cuidado e p9tado com amor4 ,uma velhita &rajosa atravessa um tre*o de paisagem1 por um cam9ho en*>cado4 ,que correco e que luz1 v]dadeira obra prima que um gr&e me/re no se env]gonh> de assign>4 ,no p9hal4 ''' um delicioso e/udo de p9heiros1 graceis e altos com a sua coma dum v]de fonc1 que p>ece sussurr> com a aragem que passa4 ,m> agitado4 ,agua deliciosam5te tratada e transp>ec5do atravez d'ella a p5$ia que ella cobre4 ,luz deliciosa de gr&e ar4 ,vaga quebrada4 ''' um pequ5o quadro em que uma vaga se espadana como *ampanhe de encontro a um ro*$o4 ,com que vigor e/ p9tada essa molle de agua1 que n'um desdobr> v]tig9oso e bravo encontra um ob/aculo e se desfaz p>a o ar1 como n'um grito de desesp]o6 ,retrato de ,g4 ,nogueira4 ,e/e retrato um primor de p>ec5a e de trabalho4 ,l\reiro poz n'elle um cuidado especial e amigo2 uma obra prima4 ,nevogilde4 ,um tre*o de paisagem portu5se1 muito s5tida1 muito nossa4 ,padeira de ,av9tes4 ''' um delicioso e/udo dos nossos co/umes popul>es4 ,modelo gracil e airoso como so todas z nossas lavradeiras1 correctam5te des5hado1 primorosam5te p9tado4 ,b>cos4 ,um quadrito int]essante1 onde ha dois b>cos que p>ece boi>em docem5te nas aguas mansas d rio1 sob um ceu suave d'um azul transp>5te e bom4 ,mais outros quadros a9da1 todos elles confeccionados com me/ria2 alguns e/udos de des5ho1 cabez rigorosam5te e/udadas nos seus cl>os-escuros4 ,e e/a exposio no e/ a ab>rot> de exempl>es1 mas toda ella comporta coisas l9das e boas4 ,ao sahir d'ali1 vem-se sob a impresso s9c]a de que tudo aquillo nosso1 e muito nosso4 ,vem-se to bem dispo/o1 que se fica com o desejo de l volt> muitas mais vezes4 ,figura3 ,paisagem--,,ar?ur ,,l\reiro ,figura3 ,flora--,quadro de ,,ar?ur ,,l\reiro ,,iv ,mais uma visita ao ,ateli] de ,,ar?ur ,,l\reiro ,eu j disse algures que ,ar?ur ,l\reiro era um poeta na p9tura e hoje o repito aqui1 no despr5dim5to s9c]o de quem o admira pelo seu tal5to4 ,os seus quadros so bucolicas de cr e de luz4 ,ha-os que so como deliciosos sonetos camoneanos4 ,ha-os que so v]dadeiros poemas4 ,z pequ5as telas v]idicam5te portuguezas1 com a sua cr e a sua luz d'aldeia1 so como cantigas de namorados entre os rumorejos d trabalho campe/re4 ,ar?ur ,l\reiro1 talvez1 porque viveu muito tempo longe da sua patria1 ao volt>1 como que t5t\1 n'um l>go s5tim5to de amor patrio1 des=r>-se d'aqui no t] vivido sempre4 ,e n'uma subtileza ideal des5h\ e p9t\ a gr&e alma portugueza1 desde a ,torre dos ,cl]igos1 at ao mais escondido recanto d ,m9ho4 ,a sua obra como que o grito s5tido d filho prodigo que volta ao fim de muito tempo casa pat]na4 ,e que foi elle s5o um filho prodigo da ,arte1 que &\ por t]ras e/ranhas a exp&ir o seu tal5to em gr&es manife/aes1 e que ao volt>1 um p\co abatido da gr&e lucta1 nos mo/r\ que1 se alguem o julgava j um e/rangeiro1 a sua alma pulsava no mais sublime en?usiasmo por tudo o que nosso1 por tudo o que era portuguez1 desde z suas paisag5s at aos seus hom5s4 ,e agora mais uma vez fallemos dos seus quadros1 e dos d seu discipulo4 ,antes porm de entr> na enum]ao dos seus trabalhos ahi vae uma op9io4 ,na occasio em que eu visitava a exposio entravam ali um gr&e p9tor portuguez 7,s\za ,p9to71 um gr&e actor portuguez 7,augu/o ,rosa71 e um gr&e actor francez 7,coquel9 ,a974 ,pois e/es tres cavalheiros insuspeitos p>a todos1 depois de l>ga apreciao aos trabalhos expo/os1 qu$>am-se em fr5te d'um quadro que ha muito e/ no ateli] ,a ,primav]a1 e ,s\za ,p9to1 esse arti/a cujo nome resa no e/rangeiro como um cl>im de gloria nacional na arte de p9tura1 disse que se admirava que aquelle quadro a9da no tivesse sido adquirido p>a o muzeu nacional como um especim5 de boa p9tura e de sob]bo des5ho4 ,tambem eu t]ia soltado o meu brado de admirao1 se no s\besse que o ,e/ado e z ,cam>as no teem d9heiro p>a essas c\sas1 e s o teem p>a fe/ejos bal(os1 p>a comesa9as opip>as e p>a bolos r5dosos aos afilhados2 p>a mais nada4 ,a gal]ia nacional de p9tura no ,porto talvez mais p>ca d que a d mais pequ5o amador4 ''' uma v]gonha66444 ,figura3 ,p9heiros--,,ar?ur ,,l\reiro ,adeante1 que vamos ga/&o muito tempo com consid]aes philosophicas4 ,pois os quadros expo/os de ,l\reiro1 so #ag novos e uns #h j vi/os4 ,dos antigos nada direi s5o que so sob]bos1 dos mod]nos1 d'esses alguma coisa mais escrev]ei4 ,entre todos ha um que me encanta pr(undam5te4 ''' ,o ,p9hal6444 ,um dia ouvi diz] a alguem que o p9heiral era um motivo que no dava nada na p9tura1 pela sua frma1 pela sua cr e pela sua uni=midade4 ,n'essa occasio1 no me quiz manife/>1 eu no s\ p9tor e no qu]ia cahir em erro deante de quem t9ha obrigao de conhec] o assumpto melhor d que eu1 mas1 c p>a mim mant9ha a m9ha op9io =mada2 o p9heiro pre/a-se p9tura1 a que/o sabel-o des5h> e p9t>4 ,e ,l\reiro com o seu quadro ,p9hal veiu completam5te pre5*] a m9ha mode/a op9io4 ,alli1 n'aquella tela esguia1 sob a correco impeccavel de des5ho1 erguem-se uns p9heiros1 que p>ecem balanar sob a presso d v5to que passa assobi&o na sua ram>ia4 ,a ,feira ,nova--''' uma delicada po*ade v]dadeiram5te c>act]i/ica d que so z nossas feiras no ,m9ho1 sob b>racas de lona branca1 que se pr5dem aos troncos das arvores1 com o borbor9ho de c5tos de lavradores e lavradeiras1 acotovel&o-se na furia de s]em os primeiros a vr o que ha alli p>a v5d]4 ,a ,c>valheira--,uma l>ga arvore de folhas am>ellecidas que comeam a cahir sob o v5t9ho frio d inv]no2 deliciosam5te e/udada4 ,e a ,desfolhada1 e a ,e/rada d ,g]ez 7sob a *uva71 z ,alm9has e o ,cam9ho de ,be/eiros--e todos elles1 emfim1 como so to v]dadeiram5te nossos1 to s5tidam5te portuguezes1 v]dadeiram5te m9hotos1 nos seus v]des inconfundiveis1 na sua luz inimitavel4 ,entre z tres cabez de e/udo1 ha duas de uma velha1 que so um encanto4 ,traadas na meticulosidade de porm5ores1 so feitas l>gam5te com pulso de quem um v]dadeiro arti/a4 ,alm dos trabalhos d me/re1 que so como sempre magnificos1 tom&o uma das p>$es d ateli]1 e/o os trabalhos d discipulo1 d snr4 ,manoel ,m>ia ,lucio ,junior1 que ha unicam5te um anno1 e/uda com ,l\reiro1 des5ho e p9tura4 ,aos meus collegas da impr5sa1 como que tem passado desp]cebido o trabalho d'e/e amador1 que entra agora no nosso meio arti/ico4 ,ora eu1 que inegavelm5te s\ o mais incompet5te dos apreciadores dos quadros1 sempre lhe qu]o disp5s> duas l9has4 ,manuel ,lucio um rapaz da nossa f9a soci$ade1 que todos ns conhecemos como s5do um dos elegantes da nossa t]ra4 ,durante muito tempo julguei-o um bon vivant1 d$ic&o unicam5te o seu espirito ao talho d'um ve/on ou ao feitio de uma gravata4 ,um dia1 porm1 entr&o a visit> ,l\reiro no seu ateli]-escla encontrei l e/e cavalheiro d&o lio de des5ho4 ,acabada a aula1 ,l\reiro mo/r\-me trabalhos de v>ios discipulos e abr9do uma arca arti/ica que elle ali tem1 tir\ de d5tro v>ios des5hos e disse-me3--so feitos pelo ,lucio1 um rapaz de habilidade4--,e de facto os des5hos que elle apres5t\1 revelavam uma c]ta disposio p>a a ,arte4 ,pass>am-se tempos1 o me/re foi p>a fra e ao volt> encontr\-se em fr5te d'um discipulo que lhe d honra1 porque ,manuel ,lucio1 dotado d'uma vontade de f]ro em conhec] o me?odo de des5ho e de p9tura tem trabalhado d5odadam5te e tem conseguido com isso e com z bellas indicaes d pr(essor o que muitos com idas ao e/rangeiro no tem conseguido4 ,quatorze so os trabalhos expo/os por e/e intellig5te discipulo de ,l\reiro4 ,c9co trabalhos a oleo1 c9co pa/eis e quatro des5hos a lapis4 ,figura3 ,d4 ,adelia ,ramos 3 ,discipula de ,ar?ur ,l\reiro ,entre os des5hos not>ei ,o ,contador1 que uma prova irrefutavel d modo como elle int]pret\ z noes de p]spectiva indicadas2 na p9tura a oleo not>ei os ,cravos e um retalho de paisagem1 onde z cres e os tons e/o bem a*ados1 resalt&o os planos da *ateza vulg>1 propria dos e/udos de amadores4 ,aonde porm eu admiro a disposio arti/ica de ,manuel ,lucio nos pa/eis1 especialis&o uns ,effeitos d'agua1 um ,po5te e um ,ceus nublados4 ,innegavelm5te o discipulo d honra ao me/re e o me/re deve e/> orgulhoso por t] a*ado1 quem to bem t5ha sabido compreh5del-o e to sabiam5te aproveite z suas indicaes4 ,e recebam os d\s1 me/re e discipulo a s9c]a expresso d meu applauso4 #aijc a #aijd4 ,,xix ,,amadores ,,portu5ses ,,manuel ,,m>ia ,,lucio ,,junior ,discipulo de ,,ar?ur ,,l\reiro ,o ,ar?ur ,l\reiro um velho rapaz1 p9tor d'alma e corao1 trabalhador infatigavel1 cavaqueador am5o e int]essante1 amigo d$icado1 e1 acima de tudo i/o1 pr(essor consci5cioso e sab$or4 ,figura3 ,,manuel ,,lucio no ,ateli] de ,,ar?ur ,,l\reiro ,ora eu1 que go/o de pass> bem o meu tempo1 v\ muitas vezes1 e especialm5te aos dom+os1 ao ,palacio de ,cry/al1 d> d\s d$os de cavaco ao ,ar?ur ,l\reiro1 no seu delicado e int]essante ateli]4 ,app>eo alli por volta da hora e meia4 ''' qu&o elle acaba de d> lio ao ,manuel ,lucio1 que1 quasi sempre1 qu&o eu entro a9da l e/ d5tro1 com a sua bl\se ve/ida1 paleta em punho1 d&o z ultimas p9celadas no modelo que copia4 ,outro dia1 copiava elle uma velha2 qu&o entrei1 e/ava j limp&o os seus p9ceis e a paleta p>a se ir embora4 ,nas faces de ,ar?ur ,l\reiro pairava um alegre sorriso de satisfao4 ,que se t]ia passado de extraord9>io p>a que elle e/ivesse to sorrid5te86444 ,alguma boa nova da familia aus5te1 ou gr&e bem e/> na sua delicada saude86444 ,talvez z duas coisas juntas68 ,quem sabe8444 --,esp]emos os acontecim5tos1 disse eu commigo1 avido1 no entretanto de conhec] o motivo d'aquella intima alegria4 ,o que fr so>1 p5sei1 porque o ,l\reiro com a sua peculi> franqueza1 no occulta por muito tempo o motivo que o faz e/> assim satisfeito e alegre4 ,e assim foi444 ,mal o ,lucio saiu1 vir\-se p>a mim e sem mais1 disse-me1 indic&o a porta por onde saira3--''' um discipulo que me ha-de d> honra1 podes cr]444 ,tem ba/ante disposio e muito applicado444 ,ha-de d> muito se cont9u> assim1 e se se conv5c] que i/o de p9tura no se apr5de em d\s dias4 ,qu]es vr8 ,e sem esp]> respo/a levant\ o tampo d seu divan-arca1 sacc\ de l de d5tro uma pa/a com des5hos e algumas p9turas a oleo1 diz5do3 so d'elle4 ,eram de facto e/udos que o ,manuel ,lucio t9ha executado em casa1 longe das vi/as d pr(essor1 mas sob a ori5tao e z lies que o ,l\reiro lhe dava1 pr(icua e sabiam5te aproveitadas4 ,era especialm5te por isso1 porque t9ha encontrado1 n'aquelles e/udos que n'esse dia o discipulo tr\x]a sua apreciao1 a boa vontade1 a applicao e a disposio natural de que elle era dotado1 que ,l\reiro alegrem5te se sorria4 ,e elle t9ha razo4 ,manuel ,lucio1 que eu t9ha por um ext]ior1 um bal(o1 qu&o o via pass> o/5tosam5te1 z suas sobrecasacas talhadas pelos ultimos figur9os1 z suas gravatas espav5tosas e ricas1 onde p\savam joias c>as e os seus *apeus altos sempre muito polidos e muito lu/rados1 no era o que eu p5sava4 ,olhava-nos1 p>ecia t] um ar sobranceiro de enfant-gat1 ou1 como eu co/umo diz] portuguesissimam5te1 m59o bonito1 e s5tia-se por elle um qu] que fosse1 que obrigava a pl-o1 com uma c]ta res]va1 na devida di/ancia a que se pem sempre os infatuados1 que no valem nada e que julgam s] v]dadeiras notabilidades4 ,era um juizo errado aquelle que eu fazia2 reconheo agora que no o conhecia1 e nunca lhe t9ha encontrado nem podia encontr> pr$icados por que o admirasse4 ,e/ava de sobre-aviso a seu respeito4 ,hoje1 porm1 ponho de p>te essa op9io errada que d'elle fazia e isso porque t5do acompanhado com gr&e int]esse os e/udos d'esse discipulo1 e o seu aproveitam5to n'aquella risonha escola d',arte1 que o bom ,l\reiro tem no seu int]essante ateli] dos j>d9s d ,palacio de ,cry/al1 e como o reconheo digno de s] notado entre os amadores que n'e/e mom5to ha pelo ,porto1 v\ d$ic>-lhe algumas palavras de incitam5to1 p>a que no esmorea na empreza da ,arte em que o seu bom go/o e z suas disposies arti/icas o mett]am4 ,no p5se1 porm1 ,manuel ,lucio que eu v\ inc5sal-o l\vam9heiram5te2 no1 v\ rapidam5te em duas leves p5nadas d$ic>-lhe algumas palavras de elogio m]ecido e s9c]o4 ,figura3 ,m>9ha--,,manuel ,,lucio ,p>a isso1 soccorro-me de alguns in=mes que ,l\reiro me deu e fall>emos os d\s conjunctam5te1 eu pelo que t5ho vi/o nas m9has visitas ao ateli]-escola1 e especialm5te na ultima exposio de trabalhos de discipulos1 elle pelo que tem apurado d e/udo que o discipulo tem feito e de como tem recebido salut>m5te z suas sabias lies4 ,comecemos pois4 ,um dia1 ,ar?ur ,l\reiro que t9ha ab]to ao publico a sua escola de p9tura p>a s5horas1 confiado no bom go/o que ultimam5te se e/ava des5volv5do entre z madames p>a e/a manife/ao de ,arte1 viu entr>-lhe pela porta d5tro e/e rapaz *ic1 que p]guntava se elle qu]]ia d>-lhe algumas lies de p9tura4 ,l\reiro imm$iatam5te se promptific\ a isso1 mas sob condio que elle dev]ia comear por onde todos devem comear1 pelos rudim5tos de des5ho4 ,s n'essas condies o pod]ia acceit> como discipulo4 ,acc$eu o nosso amador imm$iatam5te1 pois f>to e/ava elle de sab] que o p\co que t9ha e/udado com um soi disant de nada lhe valia e logo comb9>am d> breve inicio aos seus trabalhos4 ,ao pr9cipi> e/as lies1 ,manuel ,lucio1 v9ha *eio de uma inegualavel boa vontade1 um honroso desejo de vir a s] na p9tura1 alguma coisa mais1 d que z habituaes vulg>idades1 e por isso1 pondo completam5te de p>te z noes que receb]a de um insignificante pr(essor1 que d'isso s t9ha o nome1 pois emquanto ao re/o era d'uma nullidade completa1 todo elle se d$ic\ a e/ud> e a cumprir z in/ruces que ,ar?ur ,l\reiro lhe ia d&o4 ,e assim1 foi des5h>1 desde os primeiros rudim5tos at p]spectiva1 e i/o por longas lies1 sem nunca d> mo/ras de cao ou aborrecim5to1 pelo contr>io sempre *eio d'um gr&e praz] em traar firme e rapidam5te o contorno e o cl>o-escuro dos objectos que copiava4 ,e a9da hoje cont9ua e aff9cadam5te1 des5h&o todos os dias1 mesmo a fra dos esboos que fez p>a os seus quadros4 ,depois de t] des5hado muito a lapis e a c>vo1 copi&o gessos e modelos1 entr\ ento no des5ho a cres1 7pa/el7 e fez a paisagem e a figura1 i/o tudo d natural1 e fel-o com uma tal g>ridice e um tal des5volvim5to que os seus trabalhos m]ec]am os applausos1 no s d seu pr(essor1 mas da critica consci5ciosa e hone/a de alguns ent5didos4 ,aps i/o pass\ a p9t> a oleo1 no ateli]1 e sob a vi/a e a conceituosa in=mao de ,l\reiro1 lanou tela flores que e/ud\ em todas z suas m9ud5cias1 sem comtudo faz] dos seus trabalhos1 r5dilhados e lambidos quadros4 ,no1 ,manuel ,lucio1 e/ud\ z flores des5h&o-z e color9do-z depois nos tons e nos valores que ellas deviam t]4 ,e emquanto no ateli]-escola p9tava flores sob a vi/a d pr(essor1 l por =a1 ss9ho1 ap5as com z sabias noes recebidas t5tava a paisagem a oleo4 ,eram e/as algumas das que ,l\reiro me mo/rava1 e de que eu vos d\ umas gravuras4 ,vi]am em seguida os e/udos a oleo de gessos1 feitos com muita consci5cia e extraord9>ia pr(ici5cia1 e hoje e/uda val5tem5te1 como um v]dadeiro amador de tal5to1 o modelo vivo1 e a9da ha p\co n'uma exposio de alumnos que ,l\reiro promoveu no seu ateli]1 elle l e/ava com #ai trabalhos a oleo entre os quaes alguns havia que eram v]dadeiram5te m>avilhosos de cr1 de luz e de v]dade1 e #i des5hos1 provas irrefutaveis de quanto elle trabalha e d bem como trabalha4 ,mas ,manuel ,lucio no s um amador de p9tura consci5cioso1 tambem um burilador de litt]atura hors ligne e um ent5d$or de coisas d',arte4 ,deve-se sua pessoa o prefacio d ,catalogo da #a4;a ,exposio de ,alumnos no ,ateli]-,escola4 ,n'esse prologo o nosso p]filado discorre sabiam5te sobre z vantag5s de des5h> p]feitam5te p>a bem p9t>4 ,so uma s]ie de consid]aes bem feitas e pr(undam5te e/udadas1 que do a v]dadeira ori5tao d seu modo de p5s> e proc$] n'e/e g5]o de sport arti/ico em que se metteu4 ,depois1 como tem muita leitura d',arte1 elle reune a um bello amador1 um cavaqueador agradavel e um conhec$or *eio de sab]4 ,ahi fica em rapidas l9has o que eu posso diz] d discipulo de ,ar?ur ,l\reiro1 o bello discipulo que faz honra ao pr(essor4 #aijd4 ,figura3 ,b>ra1 ,foz d ,d\ro--,,manuel ,,lucio ,,xx ,,uma ,,exposi,o ,,de ,,quadros d ,in/ituto de ,e/udos e ,conf]5cias ,no l\vavel int5to de des5volv] a ,arte de p9tura entre ns1 o ,in/ituto de ,e/udos e ,conf]5cias1 realis\ no pateo da ,mis]icordia mais uma outra exposio4 ''' pois d'e/e c]tam5 arti/ico que me v\ occup> n'e/e rapido artigo4 ,fui l1 qu&o a exposio era v$ada ao publico4 ,unicam5te ali t9ham entrada os socios d ,in/ituto e os delegados da impr5sa1 e por isso muito vontade me demorei por l umas duas horas a analys>4 ,s o quadro de ,s\sa ,p9to me reteve boa p>te d tempo4 ,que aquillo 1 p>a mim1 o que se *ama o requ9te da p]feio4 ,figura3 ,s\sa ,p9to ,no abalanarei op9io sobre tal trabalho1 porque me julgo inf9itam5te pequ5o p>a discutir obra to magi/ral4 ,s\sa ,p9to1 tem o seu nome feito1 nome glorioso que se impe l fra1 nos gr&es c5tros arti/icos1 como o ,salon1 onde os seus quadros so recebidos com toda a consid]ao e premiados com z melhores recomp5sas4 ,e a critica sabia e correcta dos gr&es analy/as da ,arte1 essa critica que indomavel como a ju/ia1 tem dito que elle um gr&e1 um sup]ior p9tor4 ,gloriosa coisa por isso1 p>a ns1 pod]mos admir> hoje na nossa despret5ciosa exposio um trabalho de to requ9tada p]feio como o ,f]reiro de ,s\sa ,p9to4 ,portanto1 antes de entr> na enum]ao dos trabalhos expo/os1 cons9ta a direco d ,in/ituto de ,e/udos e ,conf]5cias que a felicite por t]1 como vulg>m5te se diz1 mettido e/a lana em ,africa2 porque ,s\sa ,p9to no qu] sujeit>-se critica portugueza1 e n'e/as condies foge de app>ec] nas nossas exposies4 ,mas no nos demoremos mais1 sigamos p>a diante1 que eu vim p>a lhe fall> d conjuncto da ,exposio1 e no s de um arti/a4 ,figura3 ,,jos''' de ,,brito no seu ateli] ,ab]to pois o catalogo a*a-se inscripto como n4o #a o snr4 ,almeida e ,silva1 que de/a vez me conv5ce de que um arti/a4 ,eu e/ava mal impressionado com elle1 os seus trabalhos1 talvez por muita meticulosidade de acabam5to e pelo recortado das figuras e dos assumptos1 t9ham o qu] que fosse de oleographico4 ,mas1 n'e/a exposio1 elle vem mais pujante de execuo1 mais arti/a4 ,e em qualqu] dos g5]os em que se apres5ta mo/ra aptides def9idas4 ,entre esses trabalhos de/ac>ei3 ,o ,rio ,pavia no ,outomno1 ,manh d',outubro1 ,vet]ano de ,ormuz1 ,tranquillidade1 ,retrato d snr4 ,d4 ,diogo d',almeida 7,r]iz74 ,ha mais alguns quadros1 mas esses so inf]iores4 ,figura3 ,crepusculo ,matut9o--,,c&ido da ,,cunha ,segue-o ,jos de ,brito1 com d\s retratos a oleo de que no go/o nada4 ,no entanto noto o ,retrato de ,antonio ,ramos ,p9to1 a pa/el1 que muito bem feito1 e z aqu>ellas1 que apres5ta so todas bem tocadas1 especialm5te umas tres que so um primor de execuo4 ,z ,m>g5s d ,lea1 7#b quadros71 ,cam9ho de ,nevogilde e ,vill>9ha1 especialm5te4 ,abel ,c>doso1 com quatro quadros1 dos quaes de/ac>ei o ,tapada4 ,ha uma port9ha v]melha a de/ac> na l9ha d muro da qu9ta1 que d uma nota int]essante4 ,o retrato d milit> esse1 meu ,deus1 phanta/ico4 ,c&ido da ,cunha4 ,sempre o s5tim5tal arti/a que desde sempre conheci4 ,tem tres quadros1 qual d'elles o mais bem feito1 sempre com um ar no/algico d pr d sol1 que elle to di/9ctam5te p9ta4 ,o ,crepusculo ,matut9o um delicioso encanto4 ,d4 ,alice ,grillo1 tem tres quadros1 um de ,flores1 outro de ,rosas e fructos1 e um ,e/udo de velha4 ,p>a mim os d\s primeiros so sup]iores4 ,z l>anjas so bem p9tadas1 de bella cr e z rosas e os amores p]feitos1 so l9dam5te tocados1 d'uma gr&e frescura4 ,figura3 ,paisagem--,,m>ques d',,oliveira ,m>ques d',oliveira4 ,eis um nome que se impe e que sempre que se apres5ta nos deixa conv5cidos de que um tal5tosissimo arti/a4 ,nos seus quadros1 ha um c]to qu que demon/ra a te*nica sup]ior d'e/e me/re de p9tura4 ,e embora alguns criticos queiram abocanh> o nome feito d'e/e arti/a1 elle supplanta toda essa inveja1 que outra c\sa no era o que eu ouvi diz] d'elle4 ,dos quadros expo/os1 p9celados de uma frma correcta e di/9cta1 de/ac>ei o ,rua de ,agu$a1 ,effeito da t>de 7,agu$a71 ,ces da ,ribeira1 ,esp9ho1 ,effeito da t>de 7,esp9ho71 o que qu] diz] que so todos4 ,figura3 ,gu>d&o vaccas--,,edu>do ,,m\ra ,d4 ,julia ,mol>9ho4 ''' p9tora da nova ala que vae d&o a nota d seu m]ecim5to4 ,os seus quadros ,cabea de preto1 ,cabea de rapaz1 ,po5te e ,po*ade1 so bem feitos1 especialm5te os d\s primeiros4 ,tem mais quadros1 que no me pr5d]am a att5o4 ,edu>do ,m\ra4 ,apres5ta-se com um s quadro1 se bem que pelas suas aptides dev]ia t] expo/o mais4 ''' um trabalho bem feito1 digno de s] admirado4 ,?omaz de ,m\ra4 ,com uma ,cabecita de rap>iga regul>m5te executada4 ,ha tambem muito de monotono no fundo1 um azul indef9ido4 ,d4 ,leopold9a ,p9to4 ,tres quadros de ,flores e fructos4 ,tem um quadro de ,g]anios que e/ bem tocado1 d'uma c]ta frescura4 ,e/a s5hora especiali/a n'e/a qualidade de flores4 ,j n'outra exposio apres5t\ um quadro de g]anios que era um assombro de p]feio4 ,os crysan!mos esses no so bons4 ,no quadro ,fructos1 ha umas uvas bem tratadas1 com ba/ante transp>5cia4 ,ar?ur ,prat4 ''' um p9tor de cres retumbantes4 ,os seus quadros so como fanf>ras de luz4 ,go/o d'elles porque me do muito bem a nota e/ridula e alegre dos campos d sul4 ,apres5ta dez quadros1 alguns d'elles regul>m5te feitos e regul>m5te e/udados4 ,julio ,ramos4 ,esse paisagi/a que tanto nos tem encantado com os seus quadros1 apres5ta-se tambem d'e/a vez com muita di/9co1 se bem que me no pr5da a att5o1 como d'outras vezes que tem expo/o4 ,c>los ,reis4 ,ora aqui e/ um p9tor que p>a mim um g5ial arti/a4 ,seguidor dos moldes de ,silva ,porto1 apres5ta-se n'e/a exposio com c9co quadros que so uma m>avilha4 ,o ,idilio1 uma p9tura deslumbrante4 ,o retrato de m9ha me1 tambem um sup]ior trabalho1 feito com toda a correco1 d'um v]dadeiro me/re4 ,figura3 ,,julio ,,ramos no seu ateli] ,augu/o ,ribeiro1 nos seus quadr9hos mignons apres5ta-se admiravelm5te--at nem p>ece o arti/a de outros tempos4 ,agora mais socegado1 mais acc5tuado1 fez-nos a p9tura d nosso ,m9ho em pag9as d'album1 mas muito bem feitas4 ,joo ,augu/o ,ribeiro4 ,com um quadro s1 um ,e/udo de velho1 primoroso de des5ho e de cr1 flagrante de v]dade4 ,d4 ,aurelia de ,s\sa4 ,d\s trabalhos a oleo de que no go/o e um pa/el--,n'um j>dim antigo1 que e/ muito bem executado4 ,d4 ,sophia de ,s\sa4 ,apres5ta quatro quadros1 dos quaes de/ac>ei como mais digno de m5o a ,paisagem4 ''' uma v]dadeira arti/a4 ,julio ,teixeira ,ba/os4 ,seis telas expo/as4 ,de/aco ,o ,melro1 como s5do a que mais impresso me fez4 ,figura3 ,torquato ,p9heiro ,torquato ,p9heiro4 ''' com toda a correco que se nos apres5ta1 n'e/e c]tam51 e/e conceituado arti/a4 ,dos seis quadros expo/os not>ei como melhores os segu9tes3--,t>de no ,corgo1 correctissimo1 ,rua da ,p$reira e ,crepusculo4 ,joo ,vaz4 ,o sup]ior p9tor de m>9has1 vem exposio com tres quadros que so um encanto1 especialis&o a ,b>ra de ,lisboa onde a agua tratada d'um modo irrepreh5sivel4--,b>racas de ,pescadores1 tambem muito bem feito4 ,o outro--,m>g5s d ,sado1 tem p>a mim uma nota que o torna desagradavel3 uma s]ie de piteiras que do ao quadro um qu de bordado a missanga4 ,eurico ,ric>do ,jorge4 ,app>ece pela primeira vez em publico e apres5ta-se muito bem com o seu e/udo a pa/el--,cabea de velho4 ,jos ,david4 ,tem algumas agu>ellas que e/o bem man*adas4 ,e nada mais porque j vae muito longe e/e artigo4 ,figura3 ,retrato de ,b]n>d9o ,reaes--,,torquato ,,p9heiro ,,xxi ,uma ,exposio de ,c>neiro ,junior ,no ,pateo da ,mis]icordia ,a ,exposio ,c>neiro ,junior mais uma confirmao d tal5to de quem a organisa4 ,esse bello rapaz1 desde a primeira vez que com elle fallei logo conqui/\ em extremo a m9ha simpa?ia4 ,alma de poeta epico1 idealis&o sempre1 n'um desejo frem5te de s] gr&e1 quadros que pr5dam e en?usiasmem quem os v4 ,d'e/a vez1 no seu gr&e quadro1 mais humano e mais t]r5o1 deve t] sido melhor compreh5dido pelo publico que tem visitado a exposio4 ,assumpto de molde a pr5d] bem a alma de todos os que a9da tem um p\co d'amor sua patria1 o seu quadro uma pag9a flagrante de v]dade e de movim5to1 arrancada ,hi/oria de ,portugal4 ,figuras talhadas em moldes v]dadeiram5te portuguezes1 agrupadas flagrantem5te em po/uras naturaes1 o seu quadro 1 innegavelm5te1 uma bella obra4 ,a figura altiva1 mas sem arrogancia1 d hespanhol v5cido que recebe uma cora de flores p>a colloc> no punho da espada1 como p>a diz] que no a elle mas sim a ella se deve qualqu] gloria obtida1 bem e/udada2 e o portuguez1 que respeitosam5te (f]ece como galh>da dadiva de simpa?ia a mesma cora1 de sob]ba concepo4 ,era primeira int5o d arti/a d> outra ori5tao a e/as duas figuras1 mas fez bem em t] resolvido assim o problema4 ,a fidalguia da gu]reira ,hespanha no podia tom> posio humilde deante d'um portuguez illu/re e valoroso que t9ha a g5tileza de (f]ec]-lhe uma capella de flores1 que mos delicadas de mulh] t9ham compo/o4 ,figura3 ,entrega de ,evora--,quadro de ,,antonio ,,c>neiro ,,junior ,ha no quadro figuras flagrantes de v]dade4 ,os frades do-nos a impresso s]afica d'hom5s que1 entre o latim e o repa/o1 no quiz]am tambem fugir manife/ao impon5te que o povo fazia ao gu]reiro v5c$or4 ,os cavallos e/o bem e/udados especialm5te o que tem a g>upa virada ao espectador1 cujo tom de cr d o v]dadeiro avelulado s$ozo de um alazo fogoso e bem tratado4 ,a nebl9a que se p]cebe por entre a porta em arco da cidade1 no seu tom c9z5to violaceo tem p]feitam5te o tom d amanhec] dos dias l9dos d ,alemtejo4 ,e/e quadro1 de/9a-se a ornam5t> a escad>ia d sumptuoso palacio d snr4 ,b>ahona1 d',evora1 um dos hom5s que mais tem acompanhado e protegido a ,arte nacional4 ,de/acam-se p>a mim depois1 n'e/a exposio1 os retratos4 ,ha-os flagrantissimos de v]dade taes como o d ,dr4 ,joo ,novaes1 e d ,antonio ,cruz1 esse velho rapaz que conheci tal qual desde os tempos idos d ,jornal da ,manh4 ,o retrato d auctor n'uma po/ura scismadora e tri/e1 v]dadeiro e/udo psycologico da sua individualidade2 sob]bo4 ,a figura di/9cta e airosa da esposa d seu amigo ,alb]to d',oliveira1 executada n\te sob a luz viva d'um l>go c&ieiro de petroleo1 adoravel de cr e de execuo4 ,no ,retrato da ,ex4ma ,snr4a ,d4 ,emilia de ,c>valho1 executado com primor e cuidado1 ha um ar de +5uidade deliciosa e amiga que nos pr5de4 ,a cabecita da pequ59a ,ra*el1 com os seus olhitos vivos e o seu ar risonho1 d-nos a t5tao de um beijo todo amor1 todo c&ura4 ,notei na faco de todos os retratos um qu d g5io de ,columbano1 mas um qu bom1 sem aquella psy*ologia pr(unda e do5tia que o me/re d s suas composies4 ,c>neiro ,junior a meu vr mais humano1 mais positivo4 ,da paisagem de/ac>ei p>a aqui1 como t5do-me dado mais viva impresso z segu9tes3 ,rio ,tamega 7,am>ante71 ,crepusculo na montanha1 ,lea 7e/udo71 ,no bosque 7impresso71 ,o m>1 ,um po5te e ,rua d ,bomfim 7t>de de *uva71 os quaes so flagrantes de luz e de tom4 ,o m>1 com o seu fundo em iris av]melhado bello e a ,rua d ,bomfim1 em t>de de *uva1 na sua meia nevoa1 deliciosa4 ,os des5hos p>a o e/udo d gr&e quadro so magnificos de correco e de ju/eza4 ,cabez e/udadas d natural1 nas suas l9has def9idas1 so primores de quem sabe e muito da1 p>a mim difficilima1 arte de des5h>4 ,figura3 ,baixo relevo 7,bronze7--,,antonio ,,teixeira ,,lopes ,ha na exposio uma coisa que me encanta sobre todas z outras3 so z cabecitas dos filhos d p9tor1 des5hadas a sangu9ea4 ,no sei se por s] essa a m9ha cr pr$ilecta1 se pelo bem executado d'ellas4 ,naturalm5te por ambas z circum/ancias4 ,so retalhos da alma d'esse poeta p9tor que elle copia com um c>9ho desusado4 ,j na sua outra exposio um dos quadros que mais me en?usiasm\ pelo amor e cuidado com que e/ava feito foi o retrato da esposa d arti/a1 aquelle que t9ha uma gr&e abada de flores4 ,i/o confirma o que eu p5so d homem1 um m5ag] todo con=to e c>9ho4 ,ponto1 porm1 que eu no e/\ aqui a faz] o retrato psy*ologico d arti/a1 mas sm5te a res5ha dos seus quadros2 mais nada4 ,figura3 ,a ,procisso--,,c&ido da ,,cunha ,fe*&o1 v\ fall> d esquisso f9al p>a o seu quadro gr&e4 ,elle *ama-lhe um esquisso def9itivo1 eu *amo-lhe um quadro completo4 ,go/o d'elle tanto ou mais d que d gr&e4 ,se me p]mitte1 *am>-lhe-hei a m9iatura d trabalho que o cl\ da exposio4 ,que ,c>neiro ,junior desculpe e/e desliz> de c\sas a respeito d seu tal5to arti/ico e da sua exposio4 ,e1 a proposito d'e/a e outras exposies1 no s] mau repetir que o meu fim no outro s5o vr se se obriga o publico a int]ess>-se um p\co mais por o nosso meio arti/ico4 ,conheci alguns hom5s *eios de d9heiro e com pret5es a t] bom go/o1 que nunca na sua vida ga/>am dez to/es1 que fosse1 em uma p9tura1 a no s] na p9tura obrigatoria das portas e das janellas da sua casa4 ,tm1 qu&o muito oleographias ricam5te encaixilhadas nas suas salas de receb]4 ,pois preciso que esses hom5s que podem1 v5ham s exposies1 pu*em pelos cordes bolsa1 comprem quadros aos arti/as que levam uma vida de trabalho e de e/udo p>a nos d>em com palpitaes flagrantes os retratos que executam1 e com vibraes de luz e de cr z paisag5s que retalham da gr&e ,me ,natureza p>a telas1 que pod]emos t] no nosso qu>to de trabalho1 record&o-nos p$aos da nossa qu]ida t]ra1 to bella de paisag5s1 to deslumbrante de sol4 ,,xxii ,notas ligeiras d'uma ,exposio ,maio o mez das flores1 dos poetas e dos arti/as4 ,e a comprov> o meu diz] l se abriu n'e/e mez das graz e das b5os1 a #e4;a ,exposio de ,bellas-,artes1 que a pre/ante aggremiao ,in/ituto de ,e/udos e ,conf]5cias1 com o seu gr&e emp5ho de vulg>is> entre ns o go/o pela ,arte1 promoveu4 ,como simples in=mador d'um limitado publico l fui n'essa romagem arti/ica no primeiro dia1 mas1 porque me vi rodeado por todos os p9tores portu5ses1 no me atirei a tom> notas1 nem a esmiuar detalhadam5te tudo aquillo4 ,figura3 ,d4 ,lucilia ,aranha ,grave ,dois d$os de conv]sa a e/e1 mais d\s quelle1 ouv9do op9ies que passavam no ar1 n'um quasi sussurro de confid5cias1 no podia o meu espirito socegadam5te faz] a apreciao s5tidam5te m9ha1 que eu qu]ia faz]4 ,depois1 eu t5ho a veleidade de t] op9io1 de p5s> s444 e no faz] como muitos que se deixam ir na corr5teza d que lhe dizem os espiritos santos de orelha4 ,eu v\ sempre umas tres ou quatro vezes s exposies d'arte1 e fico burguezm5te1 como um bom m]cieiro1 e/atico deante de todos os quadros444 em alguns como n'uma adorao pelo bem executado1 n'outros como n'um pasmo1 d arrojo da concepo e n'outros ento1 assombrado1 fulm9ado1 ante a imbecilidade com que elles so feitos4 ,e depois1 s]5am5te1 sem pret5es1 nem vaidades1 com a franqueza com que fall>ia a um conhecido de ha muito1 v5ho diz] ao publico a impresso que tive4 ,no levo a m9ha franqueza ao ponto de s] descortez com os arti/as que conheo1 nem a inc5s> bajuladoram5te aquelles de quem s\ amigo3 no444 s\ um critico mod]ado444 sem cot]ie1 e hone/am5te indep5d5te4 ,figura3 ,paisagem--,,aurelia de ,,s\sa ,o v]nisage 7eu e/\ muito vi/o em t]mos francezes1 no a*am87 e/eve e/e anno1 como em p\cos1 animado de arti/as444 ,o salon t9ha um qu] que era de sup]ior4 ,os arti/as t9ham-se dado ali r5dez-v\s444 ,uma coisa faltava p>a d> a nota *ic1 e f9a444 eram os ro/os9hos galantes d'algumas das nossas damas4 ,se ellas tem app>ecido1 pod]ia diz] n'e/e artigo com aquelle meu ge/o ,augu/o ,rosa1 que o outro me encontr\1 que a ab]tura da ,exposio t9ha e/ado muito curiosa1 muito bec>re4 ,figura3 ,aos grillos--,,julio ,,ramos ,falt>am porm essas notas e/ridulas de g>ridice das s5horas1 mas1 em comp5sao app>ec]am por l magnificos tipos c>icaturaes e grotescos6444 ,se at eu e/ive l666444 ,agrad\-me primeira vi/a o conjuncto d c]tam51 se bem que de visita mais demorada1 como a que em outra vez fiz1 no tr\xe de l a mesma impresso4 ,ahi e/1 se eu tivesse feito de afogadilho e/e artigo t]ia dito que a exposio era g]alm5te boa1 e agora no1 no s]ia to pessimi/a4 ,recort>ei pois d catalogo alguns nomes como os de mais de/aque4 ,em primeiro log>1 e affirm&o cada vez mais a c>act]i/ica de um primoroso paisagi/a1 ,m>ques de ,oliveira1 com z suas trese telas de paisagem e m>9ha1 e a9da como affirmativa de que elle toca com o mesmo sab] a nota da figura1 uma primorosa ,cabea de velha1 to f9am5te tratada1 to cuidadosam5te des5hada e collorida que me m>avilh\4 ,a seguir vem ,c&ido da ,cunha1 esse delicioso poeta no/algico de p9tura1 que me sugge/iona com os seus quadros1 po5tes deliciosos1 onde p>ece que1 atravez d'uma doce tonalidade de aldeia1 se ouve o religioso toque das ,av-,m>ias4 ''' ,c&ido da ,cunha um d'e/es p9tores que ao s]em vi/os uma vez nos seus trabalhos1 deixam fic> na nossa ret5tiva o seu modo especial de p9t>1 p>a nunca mais se esquec]1 tal o seu s5tim5to4 ,torquato ,p9heiro tambem se nos apres5ta bem1 com uns nove quadros1 que a no s] aquelle seu tom gris-violete1 to seu1 to peculi>1 me f>iam uma mais l>ga impresso4 ,de/ac>ei porm z ,lavadeiras na levada1 vi/a d ,m>o1 ,sol de t>de e ,fim de t>de 7,real1 ,porto74 ,figura3 ,paisagem--,,c&ido da ,,cunha ,julio ,ramos1 tambem nos d quadros que demon/ram o seu sab]1 especialm5te o ,fim da t>de1 que 1 a meu vr1 um expl5dido trabalho4 ,jos de ,brito vem exposio com d\s retratos a oleo1 um pa/el e algumas agu>ellas4 ,dos retratos a oleo notei como bem executado especialm5te o de ,d4 ,m>g>ida ,g4 ,oliveira4 ,o seu pa/el--,retrato d conselheiro ,avides1 um bello trabalho4 ,e/e arti/a p>a mim um dos melhores des5hi/as a pa/el4 ,z suas agu>ellas so bem feitas1 muito bem feitas4 ,figura3 ,lavadeiras na levada--,,torquato ,,p9heiro ,joo ,augu/o ,ribeiro4--,esse bello arti/a que conheci como um dos bons1 vem exposio com seis quadros4 ,de/ac>ei ,o ,e/udo 7de troncos71 ,depois da *uva1 ,a ,madrugada1 que me p>ecem affirm> d'uma maneira categorica que ,ribeiro um bello arti/a4 ,figura3 ,d4 ,m>g>ida ,co/a ,romo ,ha a9da ,edu>do de ,m\ra com um quadr9ho muito int]essante ,um int]ior de um aido1 onde o assumpto e/udado com cuidado1 e p9tado com sab]1 d&o a confirmao de que e/e arti/a no uma vulg>idade4 ,mais alguns arti/as ha na exposio1 mas1 p>a no desvi> o espirito d leitor1 nem lhe mass> a paci5cia1 no me occup>ei d'elles1 nem dos seus trabalhos4 ,no porque alguns no m]eam a m9ha att5o especial1 mas1 t5ho que d$ic> duas palavras a algumas s5horas arti/as1 e aos amadores1 e se fosse a ga/> muito tempo e espao1 p\co pod]ia diz] d'e/es ultimos4 ,qu&o entrei pela primeira vez na exposio1 logo me salt\ vi/a um quadro de ,camelias1 que eu julguei s] d velho ,co/a o gr&e p9tor de flores4 ,aproximei-me e com surpreza vi que no era d'elle1 mas1 sim de ,d4 ,m>g>ida ,co/a ,romo1 uma nova que ao app>ec] nos diz logo quanto vale4 ,mas1 no admira1 l diz o dictado3--filho de peixe sabe nad>--e ,d4 ,m>g>ida ,co/a filha de um bello p9tor1 o ,julio ,co/a4 ,pois e/a s5hora com os seus tres quadros d-nos a impresso s9c]a de que se cont9u>1 como pr9cipia1 ha-de s] uma gr&e arti/a4 ,d4 ,alice ,grillo ,lima4 ,j muito nossa conhecida como uma v]dadeira arti/a1 tambem d'e/a vez se nos apres5ta com muita correco e sab]4 ,so bons os seus d\s quadros de camelias4 ,d4 ,sophia de ,s\sa1 n'e/a exposio vem desfaz] uma desagradavel impresso que me t9ha ficado d'uma exposio ant]ior4 ,agora1 com pujana arti/ica1 apres5ta-me seis quadros1 entre os quaes1 com uma g>ridice sob]ba digna de nota1 o seu ,ao sol1 que um trabalho l>go1 def9ido1 *eio de luz1 de cr1 de transp>5cia4 ,uma paisagem e o ,m>g5s d ,ave1 so trabalhos dignos de m5o4 ,app>ecem n'e/a exposio alguns amadores entre elles1 um com muitos quadros1 o sr4 ,hugem91 que j em tempos fez uma exposio s sua1 onde deu provas evid5tes de que um amador-arti/a de valor4 ,figura3 ,ao ,sol--,,sophia de ,,s\sa ,entre z amadoras e/ a snr4a ,d4 ,m>ia ,afflalo1 que pela primeira vez expe os seus trabalhos e que faz5do-o prova que tem muitas aptides arti/icas e uma discipula que honra sobremaneira o seu pr(essor ,jos de ,brito4 ,d4 ,leopold9a ,p9to1 com o seu quadro ,flores e fructos1 apres5ta mais uma prova d seu sab] p9tur>4 ,d4 ,clotilde ,ro*a ,peixoto1 uma discipula da ,academia de ,bellas ,artes que se apres5ta com um l>go quadro inspirado na deliciosa poesia de ,campoamor3 ,quin supi]a escribir6 ''' um amplo trabalho executado visivelm5te com muita e muita pr(ici5cia4 ,ha uma das figuras 7o padre7 que e/ traado com correco e muita propridade4 ,pod]ei affirm> que e/a amadora uma das novas que mais firmem5te demon/ra que ha-de s] uma bella arti/a4 ,figura3 ,d4 ,m>ia ,afflalo ,a9da figuram na exposio mais algumas s5horas1 taes como3 ,viscondessa de ,si/ello1 ,condessa de ,alto ,me>im1 ,d4 ,m>ia ,alto ,me>im1 ,d4 ,beatriz ,alto ,me>im4 ,a condessa de ,alto ,me>im confirma de um modo ju/ificado o seu tal5to hors ligne na confeco d bello quadro ,pov]etta4 ,d4 ,beatriz ,alto ,me>im1 app>ece com o seu e/udo a pa/el2 tambem lhe no fica a dev] nada4 ''' e/e seu trabalho uma prova inconte/avel d seu muito m]ito arti/ico4 ,d4 ,m>ia ,luiza ,alto ,me>im apres5ta duas cabec9has int]essantes e regul>m5te bem feitas4 ,viscondessa de ,si/ello1 com tres paisag5s feitas com conhecim5to de ,arte1 especialm5te uma1 que bellam5te feita4 ,figura3 ,jos ,romo ,junior ,ha na exposio dois trabalhos de esculptura1 um de ,f]n&es de ,s1 ,rapto de ,ganym$es1 outro de ,jos ,romo ,junior1 ,cabea de e/udo4 ,a respeito d primeiro arti/a j eu disse atraz n'um des5volvido artigo1 o que p5sava d'elle4 ,successor indiscutivel de ,teixeira ,lopes1 um bellissimo tal5to4 ,d segundo1 ,romo ,junior1 a primeira vez que vejo trabalhos seus1 e confesso que a ,cabea de velho que apres5ta1 me d uma magnifica impresso4 ,a figura lanada com l>gueza tem magnificos requisitos4 ''' uma demon/rao evid5te de que ,romo ,junior maneja o c9zel e o escopro com pr(ici5cia4 ,um novo de tal5to que1 de futuro1 ha-de cont9u> a affirm> que a raa dos esculptores portu5ses das de primeira ordem4 ,na seco agu>ella s figuram os nomes de dois concorr5tes ,jos de ,brito1 de quem atraz j fallei e ,d4 ,isabel ,lau]4 ,e/a ultima com dois quadr9hos de figuras4 ,p>a mim no me desagrada o op]>io1 se bem que n5hum d'elles por completo me pr5da muito a att5o4 ,ba/ante amaneirados e muito exquisitos4 ,figura3 ,pov]etta--,condessa de ,,alto ,,me>im ,com des5ho a pa/el app>ecem tambem s dois concorr5tes3 ,jos de ,brito1 arti/a consumado n'e/e g5]o1 e ,d4 ,beatriz ,alto ,me>im4 ,falta fall> de duas seces1 a9da3 des5ho a cl>o-escuro e arte applicada4 ,na primeira das seces ha um trabalho delicioso de ,torquato ,p9heiro1 um f9o des5ho d ,conv5to de ,santa ,cl>a de ,villa d ,conde1 trabalho impeccavel de correco e firmeza4 ,luiz ,ba/os1 traz-nos retalhos d'essa l9da ,coimbra a cidade dos ,ba*>eis1 apanhados em e/udos v>ios d ,*\pal1 d ,rio ,mondego1 de ,santo ,antonio dos ,olivaes1 etc4 ,alguns feitos com me/ria4 ,na arte applicada1 ,jorge ,collao1 o di/9cto c>icaturi/a d ,supplem5to de ,o ,seculo4 ,os seus azulejos so int]essantes e dignos de nota1 especialis&o o gr&e quadro ,reviravolta1 e/udado com int]esse e executado com cuidado4 ,e eis1 meu amigo publico1 a impresso s9c]a de quem viu a exposio com a indep5d5cia c>act]i/ica d seu p5s> e com a antecipada disposio de no regate> m]ecim5tos a quem os tivesse1 nem adul> aquelles que1 s5do m$iocres1 aspiram enfatuada baz(ia de s]em notaveis4 ,s9c]idade e nada mais4 ''' provavel que os v]dadeiros ent5d$ores no p5sem como eu1 mas l diz o dictado3--que s]ia1 d am>ello se no h\vesse mau go/o4 ,dev]ia fe*> j aqui a m9ha in=mao mas vejo l expo/os uns azulejos1 panneaux1 etc41 que se desculpam por s]em o reclame de uma fabrica de ,c]amica1 porque1 se tem sido apres5tados como trabalhos arti/icos1 ento dev]iam s] exautorados rigorosam5te4 ,e adeus1 que no t5ho tempo p>a mais1 nem sei mesmo se alguem t] coragem de l] i/o at ao fim4 ,figura3 ,b>cos de pesca--,,julio ,,ramos ,,xxiii ,,amadores ,,portu5ses ,,alb]to ,,ayres ,,de ,,g\veia ,discipulo de ,,m>ques ,,de ,,oliveira ,e/e meu biographado no precisam5te um amador2 pod]ia1 sem receio ele s] contraditado1 e sem m$o de err>1 incluil-o francam5te no num]o dos nossos mais di/9ctos p9tores1 e isso porque os seus trabalhos arti/icos so de molde a d>-lhe esse fro4 ,alegro-me ao escrev] e/e artigo1 e alegro-me porque sempre com consolo que me refiro quelles que1 possuidores de algum valor1 se no deixam adormec] sombra ele alguns l\ros colhidos na paz doce da m&ria1 antes t5tam a mais e mais fix> z suas aptides1 n'um trabalho s]io e proveitoso4 ,e1 ,alb]to ,ayres tem feito i/o4 ,desde que se empreh5deu a p9t> tem trabalhado com af9co e muitissimo proveito4 ,figura3 ,alb]to ,ayres de ,g\veia ,conhecia de ha muito e/e rapaz1 que1 pela sua avultada =tuna1 pelas relaes de familia1 e por viv] na alta roda1 onde se dava o praz] de s] um dos eleitos1 eu t9ha na conta de um excell5te cavalheiro1 um f9o homem de sala1 cavaqueador com espirito e mais nada6 ,mas1 enganei-me r$ondam5te1 o que no p>a admir>1 porque acontece a muito boa g5te4 ,o meu biographado era tudo aquillo e a9da mais alguma coisa3--um amador enrag da p9tura4 ,como s\be eu i/o e como tive emfim a confirmao d seu m]ecim5to arti/ico8 ,v\ t5t> dizel-o em p\cas palavras4 ,nas noites frias de inv]no temos por co/ume reunirmo-nos alguns amigos em cavaqueira alegre e discutimos n'essas occasies muitissimas coisas1 problemas d',arte1 mundanismo1 casos alegres d dia1 philosoph&o de vez em qu&o sobre politica1 litt]atura1 celebridades1 !atros1 etc41 etc4 ,no um c5aculo1 nem uma academia1 um c]cle algo espiritual1 onde a alegria tem especialm5te o seu log>4 ,pois n'uma d'essas cavaqueiras abord\-se o assumpto p9tores e amadores1 e entre outros nomes veiu tela da discusso o nome de ,alb]to ,ayres de ,g\veia1 que um dos circun/antes conhecia p]feitam5te4 ,elogi\-o1 fez a hi/oria da sua apr5dizagem d',arte e eu fiquei como se co/uma diz] com a p$ra no sapato e1 como obs]vador que s\1 tratei imm$iatam5te de me in=m> d m]ecim5to v]dadeiro ou falso d'e/e amador4 ,de divagao em divagao e de in=me a in=me1 vim a concluir que o meu amigo t9ha muita razo e que ,alb]to ,ayres era de facto um rapaz de inconte/avel m]ecim5to arti/ico4 ,mas1 no s como p9tor elle dev]ia s] apreciado1 como auctor e amador dramatico tambem4 ,eu me explico4 ,um anno1 e/&o a banhos como de co/ume1 na =mosa e ari/ocratica praia da ,granja1 alli deu z suas provas de amador1 desemp5h&o1 n'uma fe/a de c>idade1 alguns papeis de umas deliciosas com$ias1 que elle proprio t9ha escripto1 e que1 segundo ent5d$ores d g5]o1 eram v]dadeiras joias litt]>ias f9am5te buriladas4 ,e1 com e/a m9ha et]na mania de conv]s>1 uma t>de1 no ateli] d meu muito amigo e infeliz ,manuel ,san ,romo1 fall&o-lhe dos div]tim5tos da ,granja e a respeito d baile ,luiz ,,xv que alli se d]a1 das f9as recitas que a g5til colonia alli a banhos1 co/uma realis>1 o nome de ,ayres de ,g\veia foi citado e eu disse como me t9ham inspirado sobre o seu m]ito litt]>io e arti/ico4 ,manuel ,san ,romo1 com aquelle seu modo correcto e f9o e aquelle seu espirito ousado e empreh5d$or1 n'um ge/o todo de en?usiasmo fall\-me d'elle diz5do1 que no que elle era notavel era na p9tura e citava um =moso retrato d ,snr4 ,d4 ,antonio ,ayres de ,g\veia1 ento ,bispo de ,be!saida1 hoje ,arcebispo da ,calc$onia e tec5do-lhe os mais rasgados elogios1 affirm\-me que elle era um amador que havia de futuro m>c> epo*a entre os arti/as 7me/res7 portuguezes4 ,figura3 ,a palavra d ,me/re--,,alb]to ,,ayres de ,,g\veia ,a op9io de ,manuel ,san ,romo1 era p>a mim como uma pag9a d ,evangelho2 elle que lhe via m]ecim5to era porque na v]dade o t9ha4 ,o retrato se no era uma m>avilha1 dizia ,san ,romo1 era no entanto uma obra acceitavel e *eia de bellos pr$icados1 um v]dadeiro quadro tocado com pr(ici5cia1 des5hado com sab]1 d'um colorido doce e d'uma mais que regul> semelhana4 ,ao ouvir i/o1 logo se me arreig\ no espirito a ideia de que elle t9ha tal5to e me nasceu o desejo de t] de vizu a confirmao d'isso1 o que s pod]ia conseguir visit&o o seu ateli] e a sua gal]ia1 pois que elle1 nem expunha1 nem v5dia os seus trabalhos4 ,como conseguir porm i/o8 ,quasi impossivel1 porque o amador fugia visita que eu t5tava faz]-lhe1 qu]5do assim deix>-se fic> no encob]to my/]io d'uma mode/ia1 que no t9ha razo de exi/ir4 ,pass>a-se tempo1 muito tempo1 sem que eu tivesse o praz] de1 encontr&o-o1 lhe manife/> o desejo que t9ha de n'uma visita ao seu ateli]1 vr o que elle t9ha realisado em ,arte4 ,em #aijb1 abre uma das exposies que o ,in/ituto de ,e/udos e ,conf]5cias to proveitosam5te tem organisado e realisado no ,pateo da ,mis]icordia4 ,era um magnifico dia de v]nisage1 e eu ao entr> s\ imm$iatam5te attrahido d'um modo p>ticul> e sugge/ivo1 por umas p\cas de telas que me saltam vi/a impressionantem5te4 ,tomo d catalogo e folhe&o inquiri quem o seu auctor4 ,o nome de ,alb]to ,ayres de ,g\veia era o que se lia por cima dos num]os que eu procurava4 ,eram1 de facto1 de molde a impression> os trabalhos expo/os4 m5te me salt\1 como uma doce recordao1 a conv]sa que tiv]a com ,manuel ,san ,romo e imm$iatam5te me conv5ci de que quem p9tava aquelles quadros no podia s] apellidado de simples amador4 ,era indiscutivelm5te muito mais d que isso1 era um v]dadeiro arti/a e com trabalhos taes1 que alguns p9tores1 com nome feito1 no desd5h>iam assign>4 ,em artigo que n'outro log> publco a elles me ref]i e alli disse alguma coisa d que p5sava a tal respeito4 ,agora porm que d$ico ao seu auctor duas pag9as d meu livro1 em especial1 no s] demais torn> a fall> d'elles4 ,eram p>a mim esses trabalhos primorosos1 mas1 se alguns defeitos t9ham eram elles por si to insignificantes que ap5as m]eciam o rep>o ligeiro e unicam5te indicativo1 sem que viesse aggravado com a inve/ida descortez e brutal de c]ta critica imp]duravel e muitas vezes inconsci5te4 ,porque os trabalhos expo/os eram indicados no catalogo simplesm5te como d'amador1 mas d'amador di/9cto e correcto em v]dade4 ,e ba/ava s i/o1 que elles fossem de amador1 mas feitos firmem5te com l>gueza de trao1 preciso de cr1 correco de des5ho e de p]spectiva1 def9idos emfim como de v]dadeiro arti/a1 p>a espant> a critica de campan>io e os ent5d$ores bon m>*4 ,e tudo i/o porque8 ,porque habitualm5te os amadores qu&o app>ecem em publico com trabalhos seus1 so e/es to banaes e to simples que passam p]feitam5te desap]cebidos entre os trabalhos dos arti/as1 sem lhe faz]em mossa1 ou sem lhe provoc>em confrontos4 ,com ,alb]to ,ayres1 porm1 no se dava isso1 app>ecia pela primeira vez1 mas to desassombradam5te e com trabalhos de tal folego1 que at h\ve quem no quizesse acr$it> que eram d'elle4 ,mas eram e to bons que pod]iam entr> com gloria em qualqu] concurso1 pois t5ho a c]teza que ao seu auctor s]ia dada uma primeira classificao4 ,figura3 ,*ri/o morto--,,alb]to ,,ayres de ,,g\veia ,ento que mais e mais se me encasquet\ na cabea a ideia de obs]v> toda a sua obra1 conhecel-o no seu intimo1 na sua maneira de vr e de p9t>1 e depois de um ass$io em =ma consegui que elle me desse a honra de p]mittir-me uma visita d',arte4 ,e visitei ento a sua =mosissima casa1 onde se espalham arti/icos bibelots e bellos trabalhos de muito valor arti/ico4 ,fiz e/a visita *eio d'uma suave unco que se deve aos templos onde se sacrifica a um ,deus4 ,n'aquella casa sacrificava-se a ,deusa ,arte e por isso rev]5te alli me cons]vei4 ,conv]s&o durante algum tempo cont\-me a sua iniciao na arte de p9t>1 e como1 sob a compet5te e abalisada inspeco d gr&e ,m>ques d',oliveira1 pde conseguir o que fazia4 ,des5h\ muito1 e qu&o lanava os seus vos p>a mais alto1 sob indicaes d pr(essor1 foi em viagem arti/ica pela ,europa1 aos paizes onde mais af9cadam5te se r5de culto ,arte e alli e/ud\ nos museus e nas escolas de p9tura alguma coisa que lhe dsse conhecim5tos uteis4 ,e assim1 analys&o e e/ud&o os quadros g5iaes dos me/res e acompanh&o os adeantam5tos e os progressos das novas escolas1 p]correu os muzeus de ,madrid1 ,p>is1 ,londres e ,italia1 no com a despreoccupao de um t\ri/e1 mas com a obs]vao religiosa d'um cr5te1 sob a indicao e a companhia de ,m>ques de ,oliveira1 seu pr(essor e que entre os que pontificam na ,p9tura1 um dos que mais sabiam5te sabem vr1 porque dotado d'um espirito critico especial e f9issimo4 ,da visita que fiz ao ateli] d'e/e di/9cto amador1 fic\ a mais grata e a melhor das impresses4 ,d'entre z telas que vi1 z que mais fundam5te me impression>am =am a ,leitura das prophecias1 ,retrato d ,ex4mo e ,rev4mo ,snr4 ,arcebispo de ,calc$onia1 ,a palavra d ,me/re1 ,retrato d proprio auctor1 ,retrato de ,a4 ,burnay1 ,e/udo1 ,baixo imp]io1 ,appolo e ,cabea d'e/udo 7c>vo71 que so admiraveis4 ,figura3 ,s4 ,joo l5do z prophecias--,,alb]to ,,ayres de ,,g\veia ,d'alguns d'e/es trabalhos1 apres5to z gravuras1 que pude conseguir1 quebr&o quasi =a a mode/ia d meu biographado4 ,el-,rei ,d4 ,c>los1 n'uma visita que fez ,exposio de ,bellas-,artes em ,lisboa1 fez m5o especial dos seus quadros1 *am&o-lhe p9tor notavel e de pulso4 ,e de facto ,el-,rei no se engan\ porque ,alb]to ,ayres de ,g\veia e/ na gal]ia dos arti/as de p9tura portuguezes mais di/9ctos4 ,figura3 ,paisagem--,,c&ido da ,,cunha ,figura3 ,e/udo--,,jo,o ,,augu/o ,,ribeiro ,,xxiv ,uma ,exposio de ,e/atuetas ,,francisco ,,g\veia ,j era tempo de d$ic> algumas palavras de ju/ia1 ao di/9cto arti/a ,francisco ,g\veia1 c]ca da visita que fiz sua magnifica exposio de esculptura1 ab]ta aqui no ,porto1 no ,salo da ,photographia ,gu$es1 e cumprir o dev] gratissimo de correspond] galant]ia e ao modo p5horante como elle me acolheu4 ,e fao-o1 porque nunca antepuz manife/ao de admirao pelos trabalhos de qualqu] arti/a de valor1 outra qualqu] manife/ao4 ,figura3 ,francisco ,g\veia ,a ,arte1 p>a mim a mais sublime das c\sas1 a mais ins9uante das manife/aes1 tem um log> to alto1 to deslumbrante1 to culm9ante que em fr5te d'ella eu julgo-me insignificantem5te pequ5o1 e curv&o-me rev]5te1 fico depois extatico1 *eio d'unco na mais santa e na melhor das adoraes4 ,por isso1 ao abalanar-me ao cumprim5to d'um dev] sagrado1 eu commett]ia um crime de lesa-religio arti/ica se no d$icasse algumas pag9as deliciosa exposio1 que ha tempos tive o praz] de visit>4 ,j o t5ho dito v>ias vezes e hoje o repito3 eu sempre que t5ho ensejo de admir> uma obra de arte1 p9tura1 esculptura1 musica1 ou seja o que fr1 nunca falto2 s\ dos que v\ primeiro1 e1 quasi sempre1 dos que sahem no fim4 ''' facil fic> p]feitam5te embasbacado em fr5te d'um quadro1 ou d'uma esculptura1 durante horas1 alheio a tudo quanto se passa em volta de mim1 tal me tem succ$ido ante z obras de ,malha1 ,salgado1 ,c>los ,reis1 ,m>ques de ,olivieira1 etc41 e como em n5humas outras1 ante z extraord9>ias creaes d sublime ,teixeira ,lopes4 ,por isso1 como um fanatico pela ,arte eu accorri ao ,salo da ,photographia ,gu$es a vr os trabalhos1 j p>a mim conhecidos de nome1 d nosso qu]ido concidado ,francisco ,g\veia4 ,que e/e arti/a1 como todos os bons esculptores portuguezes1 tambem filho d ,porto4 ,francisco ,g\veia1 era um nome que se impunha j de ha muito consid]ao e admirao de todos ns1 porque l fra1 no e/rangeiro1 affirmava exhub]antem5te1 com os seus trabalhos1 que ns os portuguezes tambem somos capazes de d> provas evid5tes e def9idas de intellectualidade e aptido arti/icas4 ,figura3 ,teixeira ,lopes--,f4 ,,g\veia ,entre muitos dos seus bellos trabalhos de/ac>ei1 p>a faz] not> aqui1 o seu ,beatriz de ,portugal1 que m>c\ d'uma frma confirmativa e en]gica o seu sab] e o seu modo de esculpir4 ,e/e trabalho ao app>ec] em ,p>is1 de tal nomeada foi c]cado1 que m]eceu a honra de s] reproduzido em div]sas illu/raes e/rangeiras1 onde se fiz]am ref]5cias honrosam5te dignas ao nome d nosso arti/a4 ,mas1 como diz ,xavi] de ,c>valho n'um pequ5o esboo critico a respeito de ,francisco ,g\veia3 quiz s] o arti/a naturali/a no m9ucioso detalhe1 come&o por nos d> um ,ea de ,queiroz apanhado n'uma pose v]dadeiram5te natural e s9c]a4 ,depois temos a s]ie das suas espl5didas e/atuetas1 to *eias de vida pla/ica1 d'um correctissimo des5ho1 mesmo qu&o o esculptor passa da maneira emocional d seu me/re qu]ido ,injab]t l>ga bau*e de ,rod9 que mesmo *eg\ a att+ir na silhueta d gr&e arti/a rebelde4 ,e de facto assim 4 ,francisco ,g\veia realis\ e/e desid]atum e ao abrir ao publico indiff]5te e critica honrada e hone/a d'uns1 v55osa e mals9ada d'outros1 a sua exposio1 fel-o1 sem aspir> z l\vam9hi*es dos primeiros nem tem] boas ou ms apreciaes dos segundos4 ,fel-o como affirmao publica d seu tal5to arti/ico e da sua p]si/5cia d trabalho1 fel-o como era ju/o que o fizesse4 ,p>a isso traz-nos #gh trabalhos qual d'elles o mais f9o1 qual d'elles o mais correcto1 qual o mais bem e/udado1 e mais bem executado4 ,desde a e/atueta sria e/atueta c>icatural1 desde os m$alhes graves s masc>asitas pat9ados1 nada ha alli que no seja correcto e que no seja p]feito4 ,e/udos regul>m5te anatomisados1 d&o o individuo em todo o seu s]1 em todo o seu aspecto1 com todo o ar natural1 p>ec5do mov]-se regul> e compassadam5te1 vivificados1 com movim5taes naturaes1 expresso def9ida no ro/o4 ,e tudo i/o em e/atuetas que v>iam entre #dj e #fj c5timetros d'alto4 ,mas1 ha p>a mim1 entre todos os trabalhos expo/os1 um1 que dos mais extraord9>ios--a c>icatura psy*ologica d gr&e morto ,ea de ,queiroz6--,fulgurantissima de g5io4 ,vemos n'ella1 n'aquelle bronze1 atravez da esgr\viada figura d romanci/a que nos asse/a o monoculo n'uma p]si/5te meticulosidade de obs]vador a sua alma analy/a1 com um qu de s>ca/ico1 como sorr9do-se int]iorm5te de toda e/a nossa soci$ade1 que elle olha atravez da sua imp]t95te l5te4 ''' simplesm5te assombroso4 ,figura3 ,ea de ,queiroz--,f4 ,,g\veia ,a m9ha vontade era faz] not> uma a uma z e/atuetas1 z composies1 z c>icaturas1 z m$alhas1 mas isso impossivel e portanto1 em mais duas palhetadas v\ fe*> e/e artigo4 ,entre os trabalhos e/atueta-retratos1 muitos d'elles de pessoas nossas conhecidas1 ha alguns com quem appetece conv]s> um p\co4 ,a d ,m>cos ,gu$es1 a d ,pae ,ramos1 7ambos e/es collegas d ,janeiro71 a d ,snr4 ,caetano ,p9ho da ,silva1 a d nosso qu]ido ,teixeira ,lopes1 a de ,gu$es d',oliveira so magnificas4 ,ha tambem um retrato d gr&e poeta ,gu]ra ,junqueiro 7phantasia71 que muito int]essante4 ,gu]ra ,junqueiro apres5tado com uma tunica que lhe cae sumptuosam5te como a um propheta1 t5do o brao direito levantado em m5o de quem prga o ,evangelho1 e no brao esqu]do z taboas da lei4 ''' delicioso de concepo e de execuo4 ,na e/atueta-composio de/ac>ei3 ,a viajante1 ,a primeira esculptura1 ,a p>isi5se1 ,a tri/eza1 ,m$itaes1 ,grupo de leitoras1 ,saudades e ,ama p>isi5se 7d j>dim de ,luxemburgo74 ,figura3 ,m>cos ,gu$es--,gu$es d',oliveira--,gu]ra ,junqueiro--,pae ,ramos--,,francisco ,,g\veia ,mas que e/\ eu aqui a de/ac>1 se todas ellas so boas1 se todas ellas me encant>am86444 ,z outras1 t]ras-cotas1 bronzes1 etc41 so1 como e/as1 deliciosas obras1 que m]ecem s] vi/as e apreciadas devida e detalhadam5te4 ,no e/a exposio de molde a s] visitada como uma exposio de quadros1 onde z cres nos v5ham de longe em v>ias tonalidades1 vi/a4 ,no1 aqui precisamos de p>>1 analys> feies1 expresses1 l9has1 tudo1 emfim4 ''' preciso deix> a vi/a p\s> durante um p\co1 p>a exam9> toda aquella p]feio1 toda aquella correco1 que no se pde vr vol d'oiseau4 ''' preciso faz] como eu fiz1 e/> l horas e volt> l mais vezes1 que de cada vez que se l volta novas c\sas se descobrem nos trabalhos expo/os4 ,quem v s uma vez1 quasi sempre no v nada4 ,v\ acab> por aqui1 antes1 porm1 devo diz] que ,francisco ,g\veia um d'e/es rapazes ins9uantes1 com quem se sympa?isa logo que se falle com elle uma vez4 ,mode/o em extremo1 um trabalhador de v]dadeiro m]ito1 e um espirito lucidissimo4 ,e eu1 ao fe*> o meu artigo p>a z ,notas d',arte1 aqui lhe deixo significadas1 a9da que muito pallidam5te1 a m9ha admirao ao seu gr&e tal5to arti/ico e a convico de que o seu nome tem o direito indiscutivel de figur> a p> d dos nossos primeiros arti/as1 pois exub]antem5te conqui/\ um dos primeiros log>es1 como sac]dote magno1 no templo da sublime ,arte ,portugueza4 ,figura3 ,paisagem--,,lucilia ,,aranha ,,grave ,figura3 ,teixeira ,lopes ,figura3 ,caim--,,teixeira ,,lopes ,,xxv ,,manuel ,,mont]roso ,t5ho p>a mim e/e modo de p5s>1 talvez exotico1 mas convicto1 de que a c>icatura um m>avilhoso rem$io p>a muitas do5z sociaes4 ,bem sei que nem sempre a cura se faz e a c>icatura applicada sem resultados praticos4 ,mas1 muitas vezes1 a maior p>te d'ellas1 a applicao adquada1 d'uma c>icatura1 no mom5to psy*ologico1 produz tal revoluo no meio onde lanada1 que a do5a social desapp>ece como por encanto4 ,figura3 ,manuel ,mont]roso ,com todos os rem$ios acontece a mesma coisa4 ,quantas vezes um illu/re cl9ico applica um cau/ico1 *eio de confiana1 conv5cido que d5tro de duas horas a pelle d do5te e/> levantada e suppurante1 e apes> d m$icam5to e/> em pl5o effeito1 o cau/ico falha1 ou porque o do5te j no d reaco p>a que o resultado seja satisfatorio1 e n'esse caso e/ morto1 ou ento por que a pelle de tal frma grossa e callejada que no ha nada que a possa atravess> e remov]6 ,z do5z da soci$ade so tal qual z do5z dos hom5s4 ,e ella propria tambem tem anomalias como qualqu] do5te4 ,uma soci$ade morta1 ou quasi a d> o ultimo suspiro1 pde s] cau/icada com c>icaturas1 que no resurgir4 ,e o mesmo succ$] se ella pela desf>atez dos seus c>act]es fr uma soci$ade e/anhada1 endurecida e callejada4 ,mas se entre essa soci$ade alguma coisa h\v] a9da que vitalm5te s9ta z picadas ard5tes da c>icatura1 ento ella resalt> e viv] pondonorosam5te espurgada d mal que a amortecia e def9hava4 ,figura3 ,dr ,leopoldo ,m\ro--,c>icatura de ,,manuel ,,mont]roso--,publicada na ,voz ,publica ,a mesma revoluo se faz na vida social dos hom5s isoladam5te4 ,c>icaturados por um lapis mordaz1 mas f9o1 que os apres5te irriso publica1 sob qualqu] dos seus aspectos ridiculos1 elles remord]-se-ho na sua vaidade intima e1 procur>o1 embora disf>adam5te1 cur>-se dos seus defeitos1 se que o mal da desf>atez os no contam9\ to intimam5te1 que os t5ha po/o por completo fra da aco b5efica1 embora torturante d m$icam5to4 ,muitos1 muitissimos factos pod]iam s] apontados como provas indiscutiveis e irrefutaveis1 se quizessemos d'um modo affirmativo e t]m9ante impr a nossa op9io4 ,mas1 no1 no temos nem esse desejo1 nem essa vaidade4 ,ao del9e> e/as l9has1 simplesm5te o fazemos como o avant-propos apres5tao que t5tamos faz] d'um dos mais di/9ctos m$icos portu5ses1 e no mom5to pres5te o primeiro c>icaturi/a portuguez4 ,hoje que infelizm5te p]demos o maior de todos os nossos c>icaturi/as--o gr&e1 o incomp>avel me/re--,bordalo ,p9heiro1 posso diz] ab]tam5te que ,manuel ,mont]roso entre ns o unico capaz de seguir to gloriosam5te como o ,me/re1 z suas deslumbrantes pisadas e seu g5io fulgurante e radioso4 ,figura3 ,uma pag9a da ,p>odia--,,manuel ,,mont]roso ,e1 no qu]o que ,mont]roso me agradea e/as v]dades s9c]as que me saltam da p5na1 ditadas pelo p5sam5to1 espontaneam5te1 lealm5te1 taes como z s9to4 ,no1 nem o meu fim esse4 ,se lhe d$ico algumas palavras porque na m9ha pequ5ez de insignificante amador de ,arte1 t5ho por elle1 pelo seu lapis f9o e cau/ico e pelo seu muito tal5to arti/ico1 uma pr(unda admirao4 ,extasiava-me diante das c>icaturas de ,bordalo com a v5]ao adoravel de v]dadeiro admirador1 d engraado1 d mordaz1 d bello e d correcto4 ,hoje ante o trao f9o1 seguro1 preciso e mordaz de ,mont]roso tambem me p]mitto fic> extasiado4 ,e tudo i/o porque o consid]o um optimo c>icaturi/a1 um p]feito des5hi/a4 ,incapaz1 como s\1 de falt> v]dade1 no escrevia que o a*ava gr&e1 nem o diria to afoitam5te1 se no e/ivesse1 como e/\1 conv5cido de tal4 ,no digo i/o1 bom que se saiba1 p>a me d> ares2 digo-o porque rebusc&o e procur&o na pequ5a gal]ia dos c>icaturi/as portuguezes1 no encontro n5hum que possa pass>-lhe adiante4 ,nem mesmo o ,manuel ,gu/avo1 que a9da assim1 p>a1 mim1 um dos melhores4 ,figura3 ,joo ,oliveira ,ramos--,c>icatura de ,,manuel ,,mont]roso--,publicada na ,voz ,publica ,pois1 nem mesmo esse1 que to intimam5te conviveu com o ,me/re1 que to de p]to recebeu z suas lies1 pde diz] ousadam5te a ,manuel ,mont]roso3--eu valho mais d que tu444 o primeiro log> p]t5ce-me444 ,por que de facto no vale4 ,manuel ,mont]roso t5do a intuio natural de faz] bonecos1 7como elle diz71 conhec5do anatomicam5te o homem 7ou elle no tivesse sido um dos bons discipulos d t]rivel ,lebre#a1 possuidor d'uma ret5tiva v]dadeiram5te photographica1 elle1 v5do uma vez um individuo1 apanha-lhe imm$iatam5te1 no s z l9has g]aes1 mas os mais pequ5os detalhes c>icaturaes3 e1 n'e/as condies1 com e/es pr$icados e alem de tudo i/o uma boa dse de tal5to1 realisa des5h&o v]dadeiras obras primas4 ,figura3 ,raphael ,bordallo ,p9heiro--,c>icatura em b>ro de ,,manuel ,,mont]roso ,fulgurantissimas de graa so z v>ias pag9as1 que muitas vezes1 de collaborao com os litt]atos ,campos ,monteiro e ,gu$es d',oliveira1 viram a luz na ,p>odia4 ,notavel como trabalho de v]ve f9a e delicadissima a c>icatura que foi (f]ecida ao ,dr4 ,joo ,p]eira ,dias ,lebre1 pr(essor de anatomia da ,escola ,m$ica d ,porto1 no anno em que elle se jubil\4 ,notaveis os seus trabalhos1 que tem di/ribuidos por amigos1 em ami/osas dadivas4 ,c>icaturas avulsas de typos conhecidos feitas em intimas cam>adag5s e que o gr&e publico nunca teve o praz] de vr1 mas que eu conheo p]feitam5te bem4 ,no fall&o nas c>icaturas que a l>gos traos de c>vo elle lana rapidam5te sobre o papel branco que friam5te app>ece ao publico1 qu&o em algum conc]to de c>idade elle vem tambem coadjuv> o luzim5to d'essa fe/a1 com a irradiao d seu g5io rep5ti/a e correcto4 ,n'essas occasies que elle tem mo/rado mais publicam5te a facilidade com que retem e executa o des5ho c>icatural dos typos apres5tados4 ,a todos quantos t5ho vi/o faz] e/e g5]o de trabalho1 t5ho notado uma coisa3 elles ao apres5t>em-se em publico trazem j no seu c]ebro e/udados e des5hados os typos a execut>1 e assim inv>iavelm5te nos atiram com o ,jos ,luciano1 o ,h9tze ,ribeiro1 o ,burnay1 o ,z ,pov9ho1 o ,rei de ,+lat]ra1 o ,rei de ,portugal e outros p]sonag5s1 cujo p]fil e/ de ha muito conhecido e e/udado1 p]fis que1 a maior p>te das vezes1 eu mesmo1 leigo em des5ho e em c>icatura1 ia des5h> depois de uma leve recordao4 ,manuel ,mont]roso1 no faz assim4 ,uma vez no palco ou e/rado1 lana a vi/a por sobre a plateia1 e com aquelles olh9hos vivos e p5etrantes fca um individuo4 ,olha-o duas vezes e em seguida1 co/as voltadas ao publico elle ahi vae1 c>vo em punho1 tra&o1 rapida e precisam5te o typo que escolheu4 ''' assim que elle faz2 nunca tr\xe de casa1 no seu cad]no de apontam5to1 z notas typicas dos individuos a des5h>4 ,mas1 no s como des5hi/a e c>icaturi/a a lapis ou a agu>ella1 elle notavel4 ,ha alguma coisa mais a not> no meu arti/a4 ,como c]ami/a tambem p>a s] notado e muito4 --,ora8 dir o leitor6 ,como c]ami/a8 ,pois no lhe conhecia essa pr5da86 --,nem eu6 ,mas ha tempos em conv]sa1 a rirmos sobre mil coisas div]sas e muito especialm5te sobre bonecos1 ,manuel ,mont]roso disse-me queima r\pa3 ,sabe1 v\ faz] bonecos em b>ro1 c>icaturas de outra especie4 --,voc e/ a br9c>1 disse-lhe eu4 --,no e/\1 no1 v]4 ,e a primeira ha-de s] a d ,bordalo 7a9da elle era vivo74 ,dito i/o1 desp$iu-se de mim1 e1 bem contra m9ha vontade1 no o tornei a vr durante uns p\cos de dias4 ,nem mais me t9ha lembrado d'isso1 qu&o uma bella manh vejo entr> o ,mont]roso pela porta d5tro com um embrulhosito na mo1 diz5do3--,c e/ a obra4 ,figura3 ,o ,rei da ,pea--,c>icatura de ,,manuel ,,mont]roso--,publicada no ,primeiro de ,janeiro ,figura3 ,os ,donos da ,casa--,c>icatura de ,,manuel ,,mont]roso--,publicada no ,primeiro de ,janeiro ,corri apressado ao seu encontro1 obrigo-o a mo/r>-me o embrulhito e444 ante a app>io que se fazia deante dos meus olhos eu ficava e/asiado4 ,uma delicada1 uma f9a maquete da figura em corpo inteiro d gr&e me/re da ,c>icatura1 app>ecia diante de mim1 admiravelm5te lanada1 sabiam5te e/udada e m$ida1 bellam5te executada4 ,no p>ecia o primeiro trabalho de um amador1 no4 ,era o trabalho de quem sabe e muito1 como o b>ro se espalma e se contorna1 como se modela e como se vivifica4 ,no p5seis que fao o elogio bal(o d'uma insignificancia4 ,fao simplesm5te a res5ha v]dadeiram5te s9c]a de uma das mais notaveis manife/aes d tal5to d meu qu]ido c>icaturi/a4 ,figura3 ,jos ,ribeiro--,c>icatura em b>ro de ,,manuel ,,mont]roso ,no resi/i1 abracei-o1 felicit&o-o e p$i-lhe que cont9uasse n'aquelle novo sy/ema de c>icatur> os hom5s notaveis d nosso tempo1 e d nosso conhecim5to4 ,prometteu-me cont9u> mas1 a sua m$ic9a e os seus muitos afaz]es1 no tem cons5tido que os meus olhos possam vr mais d'aquellas deliciosas obras4 ,a reproduco em bronze da maquete1 em que fallei foi elle1 como manife/ao da sua muita admirao e amizade pelo gr&e me/re1 lev>-lh'a a ,lisboa1 onde ,bordalo1 como eu1 se extasi\ ante a disposio arti/ica de ,mont]roso e a execuo d'aquelle trabalho4 ,e1 po/o i/o1 posso fe*> o artigo porque j provei bem evid5cia que ,manuel ,mont]roso innegavelm5te um rapaz de indiscutivel tal5to4 ,mas1 p]gunt> o leitor3 a que veiu aquelle prologo em que se fez jog> a m$ic9a e a c>icatura como meios curativos da soci$ade e das g5tes86 ,eu explico4 ''' que se no tivesse ga/o tanto tempo a9da vos havia de diz] como que o ,manuel ,mont]roso pde s] ao mesmo tempo um gr&e c>icaturi/a e um bello m$ico4 ,isso porm fica p>a segundas leituras4 ,,xxvi ,a ,,baixella ,,b>ahona ,v5ho *eio d'um s9c]o en?usiasmo fall>-vos agora exclusivam5te d'um dos maiores acontecim5tos p>a a arte de ourivez>ia portugueza1 e no s p>a ella como p>a a ,arte1 na v]dadeira accepo da palavra2 da ,baixella ,b>ahona6 ''' e/a j bem conhecida em todo o ,portugal1 pelo que d'ella tem dito os jornaes de ,lisboa1 mas um brado mais1 d'um s9c]o amador1 nunca faz mal p>a engross> o cro de hossanas1 que em volta de to magnific5te obra1 se tem levantado por todos quantos a tem vi/o4 ,a casa ,leito ,irmo1 innegavelm5te os primeiros joelheiros e ourives portuguezes1 lev>am a cabo a execuo da obra mais monum5tal e mais arti/ica no seu g5]o1 que se tem feito em ,portugal ha cem annos p>a c4 ,e e/\ bem c]to que s] preciso pass> um incalculavel num]o de annos p>a que se faa uma outra obra assim4 ,figura3 ,columbano ,bordallo ,p9heiro ,d\s so os motivos1 que me levam a acr$it> n'e/a pr(ecia3 ,a falta de hom5s de go/o e de d9heiro1 como o dr4 ,francisco ,b>ahona2 e a falta de compreh5so da maior p>te da g5te1 de que a ,arte a manife/ao mais bella e mais brilhante d des5volvim5to espiritual e intellectual d'uma nao4 ,mas1 como no me julgo com compet5cia p>a divagaes philosophicas sobre ,arte1 ,d9heiro e ,go/o1 v\ entr> no meu assumpto--,a ,baixella ,b>ahona--da qual e/o em exposio o ,c5tro de meza1 e z ,duas s]p5t9as4 ,so e/es tres monum5tos1 deixem-me assim *am>-lhe1 uma coisa phanta/ica4 ,del9eados sobre motivos esculpturaes d tempo de ,d4 ,joo ,v1 h>monis\-se n'uma contextura brilhante1 encantadora1 faz5do-nos pass>1 como que em revi/a z decoraes ar*itectonicas dos monum5tos da epo*a1 os escudos d'armas da casa real de ,d4 ,joo ,v1 z talhas d\radas dos conv5tos1 z con*as nac>adas dos m>es1 que ns portuguezes dom9amos nos nossos tempos de navegadores1 e z aguas espra9do-se nas nossas =mosissimas praias onde o m> bate altisonante1 cant&o a9da re/os das nossas passadas glorias4 ,figura3 ,s]p5t9a da ,baixella ,b>ahona ''' como que a orque/rao muda d'uma epopeia de deslumbram5to e de luxo4 ,m]eciam um poema1 tal o seu primor e a sua riqueza4 ,por ambas z vezes1 que fui vr e/as deslumbrantes obras de arte1 fiquei e/asiado algumas horas1 na contemplao d'ellas1 e cada vez que z olhava novos encantos lhe a*ava2 aqui eram os fe/es de flores que p>eciam baloiar ao sopro da aragem1 p5d5tes das mos torneadam5te papudas dos deliciosos amores2 mais em baixo1 os golph9hos com z suas fauces escanc>adas d'onde jorram torr5tes d'agua que se espraiam pelo encon*ado da base2 de todos os lados1 z nac>adas con*as encurvadas capri*osam5te n'um ani*am5to sublime de preciosidades d fundo d m>1 e contorn&o tudo i/o n'uma ju/eza de frma1 n'um c>ocol> de s]p5te1 d'um brunido admiravel1 como que uma fita de s$a que mos delicadas de fadas se entretivessem a dispr alli1 como c]c&o aquella s]ie de deliciosas coisas4 ,alguem que t5ha vi/o a ,baixella1 dir3 e z figuras que alli exi/em onde z deix> fic> o *roni/a8 ,z figuras essas so deslumbrantes de contextura1 e se me deixei fic> p>a o fim a fall> n'ellas1 1 que to fundo me f]iram no espirito que lhe res]vo um log> mais ao fim d artigo p>a que quem me l] nunca se esquea d'ellas4 ,o c5tro1 como muito bem diz o nosso amigo ,m4 ,oliveira ,ramos1 na memoria escripta expressam5te p>a s] di/ribuida pela casa ,leito aos seus convidados1 compe-se d'uma taa oblonga de amplo bojo1 enfunada p>a a base e record&o talvez na sua frma1 o casco dos nossos galees d p]iodo aureo4 ,figura3 ,c5tro de meza da ,baixella ,b>ahona ,de cada lado d'e/a taa e como s5tados no rebordo1 ha duas figuras2 um ,fauno e uma ,ba*ante4 ,o ,fauno1 t5do n'uma das mos uma frauta de ,pan1 ri brejeiram5te p>a um amor que p>ece t]-se deitado na base a analys> aquelle typo to c>act]i/ico e to bem del9eado4 ,e a ,ba*ante com um exhub]ante ca*o d'uvas1 t5ta o outro amor que1 deitado tambem1 nos d a impresso suave d'um delicioso bb a quem uma nympha e/ivesse faz5do negaz com em br9qu$o4 ,mas1 tal o deslumbrante das frmas e o rigor da anatomia d'e/as figuras1 to primorosam5te modeladas e to assombrosam5te executadas que p>ece que aquella fria prata1 de que so feitas1 se anima e palpita4 ,todo o conjuncto bello1 mas z figuras extasi>am-me4 ,columbano ,bordallo ,p9heiro1 ao model> aquelles primores de arte1 7talvez i/o seja uma h]esia71 fez1 a meu vr1 um dos seus trabalhos mais g5iaes1 a manife/ao mais ampla d seu muito tal5to4 ,porque preciso t]-se muito tal5to p>a se realis>em obras d'aquellas4 ,fic>ei por aqui1 se bem que no era esse o meu desejo1 mas a falta d'espao e de tempo1 a isso me obrigam4 ,antes porm de fe*> cumpre-me faz]1 por e/e meio1 o que j fiz pessoalm5te1 d> um ap]to de mo1 a quem se abalanou a uma empreza como e/a e saud> en?usia/icam5te com o meu fraco appoiado os gr&es collaboradores d'e/a manife/ao de arte portugueza1--o dr4 ,francisco ,b>ahona1 o v]dadeiro patriota que sabe como n+uem compreh5d] p>a que s]ve o d9heiro1--,columbano ,bordallo ,p9heiro1 que p>a essa obra deu p>te d seu eu arti/ico--,augu/o ,luiz de ,s\sa e ,francisco ,ignacio ,c>doso os dois arti/as ourives sob a direco dos quaes se execut\ tal obra4 ,figura3 ,magdal5a--,columbano ,bordallo ,p9heiro ,aos snr4 ,leito ,irmo um bravo6 ,um bravo en?usia/ico d'um humilde admirador4 ,e p>a fe*>1 folg>ei imm5so ouv9do diz] que esses tres monum5tos vo mo/r> ao mundo inteiro1 na ,exposio de ,p>is1 que em ,portugal ha v]dadeiros arti/as e hom5s de arte4 ,lisboa1 #ca-d-ijj4 ,,xxvii ,,conclus,o ,fe*&o e/e volumesito despret5cioso e vago1 que fiz public>1 no com a vaidade de escriptor ou critico d',arte1 mas simplesm5te p>a reunir n'um mlho1 pequ5os e insignificantes artigos1 que escrevi em dias socegados e alegres1 e que app>ec]am em revi/as e jornaes di>ios aps visitas feitas a ,ateli]s1 ,escolas e ,exposies d',arte1 onde tive o sup]ior praz] de pass> algumas horas boas e di/rahidas1 julgo t] pre/ado um pequ5issimo s]vio ao meu paiz e sua ,arte4 ,so e/as pag9as simples notas de um amador4 ,nem ellas desej>am nunca s] mais d que isso4 ,escrevi-z s9c]a e desapaixonadam5te sem int]esses ligados aos arti/as1 nem o desejo de s] amavel p>a com elles4 ,figura3 ,o ,de/]rado--,,so>es dos ,,reis ,fil-o como conv]sador invet]ado que s\1 e que1 no desejo con/ante de conv]sa1 escolhi o gr&e publico p>a lhe expr z m9has impresses pessoaes e quem sabe1 faltas de sci5cia e talvez de crit]io4 ,t5ho dito mil vezes1 n'essas pag9as atraz o digo1 e no fic> mal ao ir-me embora1 repetil-o mais uma vez3--eu no s\ um critico d',arte1 nem t5ho pret5es a isso4 ,e1 n'essas condies1 sob uma tal ordem de ideias1 int]ess&o-me pelas exposies d',arte1 pelo des5volvim5to p9tural dos discipulos e pelo engr&ecim5to dos pr(essores1 excit&o os que comeam p>a que breve se ponham ao lado dos que j vo na vangu>da1 anim&o o publico e cre&o-lhe aos p\cos o go/o pela ,arte1 d&o noticias resumidas d'algumas exposies1 de/ac&o alguns arti/as e amadores dos que mais em fco t5ho encontrado1 embora sem aquelle t9o especial de critica hors ligne1 como conv9ha p>a tal empreh5dim5to1 julgo no entanto1 que contribuo d5tro das m9has =z1 p>a o des5volvim5to d go/o pela p9tura e pela esculptura entre os meus compatriotas1 com e/es artigos4 ,n'um paiz como o nosso to *eio de poesia1 to *eio de sol1 to *eio de cr1 com co/umes to typicos e figuras to acc5tuadam5te c>act]i/icas1 com p$aos de natureza 7paisagem e m>9ha7 to *eia d'um extraord9>io encanto1 d'um collorido to nosso1 to g5u9am5te bello1 necess>io se torna que elle seja sabiam5te e/udado e pr(ici5tem5te transplantado tela e v mundo em fra1 faz] e/a gr&e affirmao3 que no nosso paiz1 c>act]i/icam5te pittoresco1 que como p\cos dotado de bellezas naturaes dignas de s]em admiradas por todo quanto em t\rismo d a volta ao mundo1 ha uma pleiade de arti/as1 v]dadeiram5te gr&es1 e que valem tanto como os que ha bons l pelo e/rangeiro4 ,se eu1 debaixo d'e/e ponto de vi/a1 apont&o1 not&o1 friz&o1 de/ac&o e elev&o1 entre os que trabalham n'e/a bella obra1 aquelles que a meu vr mais dignos so de m5o1 conseguir excit> os outros p>a que trabalh&o honradam5te1 gloriosam5te se possam colloc> ao lado d'elles1 d>ei por bem empregado o meu tempo4 ,e como no qu]o que se diga que esqueci os que mais gloriosam5te teem batalhado n'esse combate da ,arte1 aquelles1 que emquanto vivos produziram g5ialissimas obras1 e s]iam assombrosam5te gr&es em qualqu] p>te d mundo1 aqui deixo fic>1 nas ultimas pag9as d meu livro1 tres copias de tres trabalhos sublimes dos sublimes me/res1 d'esse trio sagrado de sac]dotes magnos d templo da ,arte--,so>es dos ,reis1 ,silva ,porto e ,raphael ,bordallo ,p9heiro4 ,e nada vos direi de taes g5ios arti/icos porque p>a isso s]ia preciso escrev] tres volumes1 e a*o que quem to pequ5o como eu no se deve abalanar a empreza to ardua e to difficil1 pois que p>a faz] o elogio d'e/es sublimes me/res1 exige-se pelo m5os s] to gr&e como elles na litt]atura e na critica4 ,figura3 ,conduz9do o rebanho--,,silva ,,porto ,por isso simplesm5te1 como significao de respeito e muita admirao ao seu gr&e tal5to1 aqui lhe deixo significado o s5tim5to da m9ha muito gr&e v5]ao4 ,hav]eis de t] notado n'e/e meu livro faltas extraord9>iam5te gr&es1 bem sei4 ,mas1 que qu]eis1 quem d o que tem no obrigado a mais4 ,desej>ia a9da faz] um catalogo1 biographico e arti/ico dos nossos melhores arti/as e das suas obras com sabias notas descriptivas1 mas isso era trabalho l>go de mais p>a quem to fracam5te maneja a p5na e to leves conhecim5tos tem em tal assumpto4 ,se um dia1 porem1 l p>a o futuro1 me a*> com coragem de empreh5d] empreza de tal bojo e tanta responsabilidade prometto-vos que o f>ei o mais l>ga e o mais des5volvidam5te possivel4 ,e os arti/as que me p]doem ento tal arrojo e tal atrevim5to4 ,por hoje ap5as e/as leves notas reportivas d'um insignificante amador de ,arte4 ,figura3 ,v9te annos depois--,,raphael ,,bordallo ,,p9heiro 99 99 99 99 99 ,como e/\ em m> de desabafos1 no s] de todo mau que antes de t]m9> o m&ato que a mim proprio impuz no deixe de diz] alguma coisa a respeito d'alguns erros que app>ecem nas ,notas d',arte4 ,por isso1 com a maior franqueza decl>o que1 no qu]5do seguir z pisadas d'uma gr&e p>te dos nossos litt]atos1 imput&o aos pobres typographos erros que s cabem aos auctores como maus revisores d'aquillo que escrevem1 d\ o seu ao seu dono affirm&o que todos os erros que surgem pelo volume fra s podem s] attribuidos ligeireza com que tracei todas essas rapidas ,notas d',arte que1 a meu vr1 apes> dos seus defeitos tem a gr&e vantagem de mo/r> o gr&e amor que t5ho arte sublime d ,bello e o desejo ard5te de vr gal>doados os m]itos dos arti/as e dos amadores portu5ses4 ,a illu/rao e a b5evol5cia d leitor1 pes&o bem a s5c]idade das m9has palavras1 supprir todos os erros rem$i&o assim o velho co/ume de f9alis> com em5das4 ''' c]to que n+uem vae ao co sem em5da1 mas uma vez que se faz uma confisso expontanea o p5it5te fica p]doado dos seus peccados4 #cj de ,novembro de #aijf4 ,,indice ,,dos ,,artigos ,pag4 ,no ,limi> #a ,impresses d'uma ,exposio #e ,p9tores ,portu5ses4--,julio ,co/a #i ,p9tores ,portu5ses4--,antonio ,c>neiro ,junior #ag ,?adeu ,m>ia d',almeida ,furtado #ba ,p9tores ,portu5ses4--,ar?ur ,l\reiro #be ,esculptores ,portu5ses4--,f]n&es de ,s #ca ,exposio da ,soci$ade de ,bellas-,artes de ,lisboa #ci ,p9tores ,portu5ses4--,manuel ,san ,romo #fg ,a ,mulh] ,arti/a #gc ,novas ,exposies d',arte #ha ,uma ,exposio de ,agu>ellas organisada por ,amadores #hi ,p9tores ,portu5ses4--,?omaz de ,m\ra #ic ,amadores ,portu5ses4--,d4 ,joanna ,&ress5 ,silva #ig ,p9tores ,portu5ses4--,antonio ,jos da ,co/a #aje ,em fr5te d'um ,c>taz6444 #aac ,na ,cruz #aag ,amadores ,portu5ses4--,d4 ,m>g>ida ,ramalho #aai ,novos quadros de ,ar?ur ,l\reiro3 ,i--,no ,ateli] d ,palacio de ,cry/al #abg ,,ii--,ar?ur ,l\reiro e os seus discipulos #aca ,,iii--,ar?ur ,l\reiro e a ,academia de ,bellas ,artes #ace ,,iv--,mais uma visita ao ,ateli] de ,ar?ur ,l\reiro #ada ,amadores ,portu5ses4--,manuel ,m>ia ,lucio ,junior #ade ,uma ,exposio de quadros d ,in/ituto de ,e/udos e ,conf]5cias #aea ,uma ,exposio de ,c>neiro ,junior #aei ,notas ligeiras d'uma ,exposio #afc ,amadores ,portu5ses4--,alb]to ,ayres de ,g\veia #aga ,uma ,exposio de ,e/atuetas4--,francisco ,g\veia #agi ,amadores ,portu5ses4--,manuel ,mont]roso #ahe ,a ,baixella ,b>ahona #aic ,concluso #aig ,,indice ,retratos ,pag4 ,quadros ,pag4 ,s4 ,m4 a ,ra9ha #gc--;,e/udo de creana 7agu>ella7 #ge ,el-,rei #ci--,paisagem 7pa/el7 #dj ,gu>da arabe 7pa/el7 #ff ,alb]to ,ayres de ,g\veia1 #aga--;,a ,palavra d ,me/re #agc ,*ri/o ,morto #age ,s4 ,joo l5do z ,pr(ecias #agf ,adelia ,ramos 7,d47 #add-- ,alfr$o ,keill --,a *egada da delig5cia aos ,valles em ,f]reira d ,zez]e #fa ,alice ,grillo ,lima 7,d47 #gi--,or*ideas #hj ,antonio ,jos da ,co/a #aje--;,*rysan!mos #g ,gu>da ,fiel #ajc ,rosas e ,pionias #ajf ,outros tempos #ajg ,no ,p9hal #ajh ,camelias #aji ,junquilhos e ,camelias #aaj ,junto d ,cruzeiro #aaa ,ar?ur ,l\reiro #be-abg--;,b>ra--,foz d ,d\ro #bf ,frontal d'uma arca #bg ,o ,passado #bh ,no volt> mais #bi ,retrato de ,s de ,alb]g>ia #abi ,retrato d ,dr4 ,francisco ,an!ro #acb ,tigres #acd ,s no ,mundo #acf ,de aldeia em aldeia #ach ,paisagem #aci ,flora #adj ,p9heiros #adb ,aurelia de ,s\sa 7,d47 #gd--,paisagem #afd ,branca ,assis 7,d47 --,tia ,b]?a #gf ,c&ido da ,cunha #g-hh--;,impresso de ,p>is #abe ,crepusculo ,matut9o #aec ,a ,procisso #afb ,paisagem #afe ,paisagem #agg ,c>los ,reis --,m5diga #dd ,retrato de ,el-,rei #ee ,olaia em flor #eg ,c>neiro ,junior #ag--,retrato #ah ,entrega de ,evora #afj ,columbano ,bordallo ,p9heiro #aic--,tom&o * #ec ,c&elabro #aid ,c5tro de meza #aie ,magdal5a #aif ,condeixa --,cabea d'e/udo #da ,condessa d',alto ,me>im #gh--,pov]etta #afi ,duqueza de ,palmella --,cabea de negra #d ,edu>do ,m\ra #hh--;,gu>d&o vaccas #aee ,f]n&es de ,s #ca--;,desafio #cb ,cames #cc ,beijo ,mat]no #ce ,bu/o de ,antonio ,cano #cg ,rapto de ,ganym$es #fc ,francisco ,g\veia #agi--,teixeira ,lopes #ahj ,ea de ,queiroz #aha ,m>cos ,gu$es1 ,gu$es d',oliveira1 ,gu]ra ,junqueiro1 ,pae ,ramos #ahb ,joanna ,&ress5 ,silva 7,d47 #ig--,salo d ,palacete de ,d4 ,joanna #ih ,canto d ,ateli] #ii ,bu/o de ,mademoiselle ,elisa ,&ress5 #ajj ,bu/o de ,mademoiselle ,ramos ,p9to #aja ,bu/o de ,mademoiselle ,joanna ,&ress5 #ajb ,joo ,augu/o ,ribeiro #h--;,e/udo #agh ,joo ,vaz --,m>9ha #de ,joaquim ,m>9ho #hi-- ,jos de ,brito #f-aeb--,vaga #dg ,cabea de e/udo 7pa/el7 #ia ,jos ,malha #e--,que gr&e calamidade #f ,b>beiro d'aldeia #db ,jos ,romo ,junior #afh-- ,jos ,teixeira ,lopes #hh--,paisagem 7agu>ella7 #ij ,julio ,ma*ado --,c>taz #aad ,julio ,co/a #i--,retrato d ,conselheiro ,joo ,franco #aj ,retrato de ,oliveira ,m>t9s #aa ,o ,calv>io #ad ,a ,ti ,anna #ae ,na ,cruz #aah ,julio ,ramos #hh-aef--;,aos ,grillos #afd ,b>cos de ,pesca #agj ,leopold9a ,p9to 7,d47 --,flores #hd ,lucilia ,aranha ,grave 7,d47 #afc--,na ,eira #cj ,paisagem #ahc ,manuel ,m>ia ,lucio ,junior #ade--,m>9ha #adg ,b>ra--,foz d ,d\ro #adi ,manuel ,mont]roso #ahe--;,c>icatura d auctor das ,notas d',arte #a ,c>taz #aae ,dr4 ,leopoldo ,m\ro #ahf ,uma pag9a da ,p>odia #ahg ,joo ,oliveira ,ramos #ahh ,e/atueta de ,raphael ,bordallo ,p9heiro #ahi ,o ,rei da ,pea #aij ,os donos da ,casa #aia ,e/atueta de ,jos ,ribeiro #aib ,manuel ,san ,romo #fg--,na espectativa #fh ,paisagem #fi ,paisagem #gj ,uma sevilhana #ga ,m>g>ida ,co/a ,romo 7,d47 #aff-- ,m>g>ida ,ramalho 7,d47 #aai--;,ca/anheira #abb ,cabea de velho #abc ,m>ia ,afflalo 7,d47 #afh-- ,m>ia ,augu/a ,bordallo ,p9heiro 7,d47 --,um l5o de r5das #bc ,m>ques d',oliveira #hc--,paisagem #dc ,entre o almoo e o jant> #ei ,paisagem #aed ,raphael ,bordallo ,p9heiro --,v9te annos depois #bjj ,silva ,porto --,conduz9do o rebanho #aii ,so>es dos ,reis --,o ,de/]rado #aig ,sophia de ,s\sa 7,d47 #hb--;,ao ,sol #aig ,s\sa ,p9to #aea-- ,teixeira ,lopes #ahd--;,bu/o de +lesa #ea ,santo ,isidoro #fe ,a ,c>idade #he ,baixo relevo 7,saudade7 #afa ,caim #ahd ,?adeu ,m>ia de ,almeida ,furtado #ba-- ,?omaz de ,m\ra #ic-- ,torquato ,p9heiro #aef--,retrato de m9ha ,me #h ,retrato de ,b]n>d9o ,reaes #aeg ,lavadeiras na levada #aff ,velloso ,salgado #di--,panneaux p>a o ,palacio da ,bolsa #hg ,panneaux p>a o ,palacio da ,bolsa #ie ,zo ,wan!let ,batalha ,reis --,quem esp]a desesp]a #gg ,notas3 #a ,um dos mais di/9ctos pr(essores da ,escola ,m$ico-,cirurgica d ,porto1 j fallecido4 ,li/a de erros corrigidos ,aqui encontram-se li/ados todos os erros encontrados e 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