99,nota de editor399 ,devido quantidade de erros tipogrficos existentes neste texto1 foram tomadas vrias decises quanto verso final4 ,em caso de dvida1 a grafia foi mantida de acordo com o original4 ,no final deste livro encontrar a lista de erros corrigidos4 ,rita ,farinha 7,jan4 #bjaj7 ,,notas d',,arte ,figura3 ,,notas ,d',,arte ,,porto ,,typographia ,,universal 7a vapor7 ,travessa de ,cedofeita1 #ed #aijf ,ao ,,instituto de ,,estudos e ,,conferencias ,,sociedade de ,,bellas ,,artes pelo que podem fazer em bem da ,arte4 ,figura3 7,esboo para um retrato7 ,,vasco ,,ferreira ,,no ,,limiar ,o philosopho ,taine1 dizia1 ha bons vinte annos1 no seu ,curso ,esthetico para a ,escola de ,bellas-,artes3--,a ,arte o reflexo dos costumes4 ,e1 de facto1 assim 4 ,a ,arte vae evolucionando sempre na ordem directa do aperfeioamento e da illustrao dos povos4 ,assim1 quanto mais illustrado fr o publico1 tanto mais perspicaz1 mais estudioso e mais observador deve ser o artista1 para que tenha o applauso geral e sincero a obra que executou e apresenta4 ,e1 mesmo por isso que entre ns1 os artistas1 pintores e esculptores1 dia a dia fazem1 na incessante lucta pela vida1 os esforos mais lidimos e mais honrados para resolverem esse enorme e sublime desideratum3--ser grande6 ,figura3 7#aijd7 ,caricatura do dr4 ,m4 ,monterroso ,infelizmente nem todos o podem conseguir4 ,e1 no o conseguem1 porque para isso no so precisas s a boa vontade e a persistencia no estudo4 ,alguma coisa mais lhes necessaria1 e essa1 primacial3--ter talento6 ,felizes os que teem esse delicioso e bello predicado2 porque esses1 vo gloriosamente para diante e so verdadeiramente grandes4 99 99 99 99 99 ,ha alguns annos1 poucos ainda1 a pintura entre ns era uma especie de ,arte mystica1 que apenas raros tentavam1 n'um arroubamento de eleitos4 ,esses mesmos1 faziam a pintura a seu modo1 dentro de restrictas e acanhadas normas1 sem pensarem sequer que o fluido ether que nos cerca e enche triumphantemente toda a natureza1 em pulverisaes vibrantissimas de luz e de cr1 precisa de ser estudado e qui pintado4 ,mas1 se elles limitavam os ambitos do seu modo de executar1 era que o publico tambem no exigia mais1 e a critica no se preoccupava absolutamente nada com isso4 ,tanto elle como ella eram feitos por individuos1 que ao visitar os museus e as exposies de pintura no tinham a intuio nitida e verdadeira da ,natureza em todo o seu explendor1 como manifestao psycologica da vista4 ,habitualmente todos elles amavam a ,natureza pelo simples consolo que lhes dava1 quando ao domingo1 deixada a cidade1 iam para o campo1 no para fruir o delicado encanto de admirar um bello panorama1 mas444 para gosar o pantagruelico prazer de devorar um gordo carneiro assado1 com o seu alguidar de loiro e assafroado arroz de forno1 ou a saborosa pescada frita1 com negras azeitonas e fresca e appetitosa salada de alface1 acepipes estes que copiosamente regavam com tinto de ,basto ou espumoso verde de ,amarante4 ,e1 se um ou outro tinha uma tal ou qual intuio artistica1 porque1 l fra1 nos grandes museus do estrangeiro1 tinha visto qualquer cousa que lhe fizera notar tal1 esse1 ficava-se n'uma banal indifferena1 sem se manifestar aggressivamente contra os systemas adoptados pelos pintores do seu tempo1 que apresentavam nos seus quadros composies de conveno e feitas no ar morno dos atelieres1 sem a inspeco constante e immediata dos motivos a pintar444 99 99 99 99 99 ,uma ,era nova e refulgente1 desponta por fim1 e os artistas que comeavam pondo de parte os velhos preceitos archaicamente usados1 saltam por sobre as barreiras das convenes e correm pelos ,campos da ,arte1 fra1 em procura de elementos verdadeiramente verdadeiros1 com que possam satisfazer as exigencias do publico mais illustrado e da critica mais independente que auctoritariamente se impe1 cheia de razo1 para que nos seus trabalhos haja mais naturalidade e menos fico4 ,e1 sob este refulgir de um novo sol1 que orientado l fra1 com as mais modernas noes d',arte1 estudando nas melhores e nas mais celebres escolas de pintura do ,mundo1 que nos apparece1 entre outros1 como ,columbano1 ,malhoa1 ,salgado4 ,sousa ,pinto1 ,marques de ,oliveira1 etc41 etc41 o grande1 o sublime ,silva ,porto6 ,aquelle que para mim o maior dos paysagistas portuguezes dos ultimos tempos4 ,e que1 com o seu modo de ser e de ver1 marca d'uma maneira deslumbrante o inicio d'essa nova ,era para a pintura portugueza4 ,assombra-nos esse artista com os seus primorosos quadros feitos n'uma larguissima e franca sentimentalidade d'alma de homem de talento1 exuberantes de verdade1 geniaes de execuo4 ,era um grande6 ,era um sublime artista6444 ,mas1 a ,morte rapidamente o ceifa1 avara de que elle tenha conseguido to sincera1 to verdadeira e to lealmente roubar ,natureza verdadeiros e flagrantes pedaos do seu grandioso ,ser1 para to maravilhosamente os transplantar tela4 ,ao morrer porm ,silva ,porto tinha hasteado1 bem alto e bem firmemente1 a bandeira gloriosa sob que se devia agrupar a nova pleiade dos pintores portuguezes4 ,e1 de facto1 sob a egide d'essa bandeira que a ,arte em ,portugal brilha hoje mais fulgurante1 podendo pr-se sem vergonha ao lado da ,arte dos paizes onde ,ella tem um culto mais largo e mais acerrimo4 ,se no em quantidade1 pelo menos em qualidade1 os artistas portuguezes de nome1 chegam onde podem chegar os artistas notaveis estrangeiros1 sem temerem confrontos4 ,e isto porque ,portugal d'hoje1 embora os pessimistas no queiram1 vae avanando intellectualmente um pouco na civilisao moderna4 ,e em taes circunstancias1 como dizia ,taine1 ha bons vinte annos3--,a ,arte o reflexo dos costumes4 ,antonio de ,lemos 7,alvaro74 ,figura3 ,cabea de negra 7,bronze7 ,,duqueza de ,,palmella ,,notas d',,arte #a ,impresses d'uma ,exposio ,ha muito tempo j1 deveria ter vindo dizer da bella impresso que me causou a #a4;a ,exposio organisada pelo ,instituto de ,estudos e ,conferencias1 mas os meus affazeres obrigaram-me1 para gaudio dos meus leitores 7pois critica incompetente como a minha quanto mais tarde melhor71 a s hoje cumprir este dever4 ,fui vr a exposio sete vezes1 e de cada vez que l ia1 novos encantos encontrava nos trabalhos expostos1 pois a tentativa do ,instituto teve o resultado mais brilhante que podia desejar-se4 ,concorreram a este certamen desde os nossos melhores artistas at aos mais modestos amadores1 e na generalidade todos se apresentaram dignamente1 no obstante um critico d'arte ter dito1 em um semanario d'esta cidade1 que aquelles trabalhos eram meras chromolythographias4 ,uma duvida me assalta o espirito relativamente aos conhecimentos artisticos e criterio de tal critico4 ,saber elle o que so chromolythographias8 ,mas1 deixemos a cada um o seu modo particular de vr444 e de apreciar1 e vamos ao que importa444 ,demais1 a lua est to alta8444 ,figura3 ,jos ,malhoa ,vi1 como disse1 varias vezes os cento e dezesete quadros expostos1 os dous bustos e o medalho em marmore4 ,dos trabalhos de esculptura direi apenas que os dous primeiros so obra de ,fernandes de ,s1 pensionista do ,estado1 que em ,paris completa a educao artistica do seu muito talento4 ,a cabecita de creana1 em marmore1 um encanto1 aquella boquita admiravel de bb pedia milhares de beijos444 ,figura3 ,jos de ,brito ,o medalho de ,joaquim ,gonalves uma bella copia de um primoroso trabalho do grande mestre ,soares dos ,reis4 ,agora1 emquanto a quadros1 ponho em primeiro logar1 da a quem doer1 os dous trabalhos de ,malhoa1 esse admiravel artista da ,luz e da ,cr4 ,eram um assombro os seus quadros4 ,o ,gozando os rendimentos1 estudado com cuidado e traado largamente1 empolgou-me por completo e fez-me gosar1 conjunctamente com o personagem estudado1 toda aquella commodidade natural de bom burguez que procura um amplo jardim publico para fazer socegadamente o seu chylo4 ,esta impresso forte que tive1 confesso-o1 foi devida talvez ao meu burguesismo4 ,figura3 ,que grande calamidade--,,jos''' ,,malhoa ,no ,que grande calamidade1 as figuras trabalhadas com um rigor de verdadeiro mestre1 so flagrantes na sua dor1 ao verem o seu querido porco1 morto na pocilga4 ,talvez que1 se entre as cabeas das figuras e o rebordo do caixilho houvesse um pouco mais de tela1 mais imponentes ellas ficariam4 ,e depois d'isto1 de ter dito o meu modo de pensar sobre to primorosos trabalhos1 vou1 salteando o catalogo1 dar a nota dos quadros que mais me prenderam a atteno4 ,marques de ,oliveira1 como sempre1 distinctamente4 ''' inegavelmente um grande desenhista4 ,as suas ,impresses de ,espinho1 so bellas e tanto1 que uma foi adquirida pelo ,instituto por indicao do jury competente4 ,a ,azenha1 um encanto1 ,cabea de estudo1 um primor4 ,figura3 ,chrysantemos--,,antonio ,,costa ,greno1 a fulgurantissima artista1 bem1 admiravelmente4 ,ento os ,pensamentos8 ,esse1 era uma delicia4 ,antonio ,costa1 para mim o unico pintor portuguez de flores1 no desmereceu a sua grande fama e1 os ,chrysantemos e ,na vindima1 deram-me a prova evidente da sua muita aptido para este genero de pintura4 ,figura3 ,candido da ,cunha ,candido da ,cunha1 um novo de muito talento1 com o seu ,ultimos raios de sol1 que j conheciamos e que foi adquirido tambem pelo ,instituto1 com os seus--,mar calmo1 ,martyr e ,barcos de pesca1 merecem hoje1 como sempre1 os nossos elogios4 ,julio ,ramos1 outro novo1 paisagista apaixonado e distincto1 dando s suas paisagens um tom de verdade admiravel4 ,o ,macieiras em flor1 em especial e as outras dezeseis telas1 lindas a valer4 ,jos de ,brito1 um mestre1 talvez abusando um pouco das cores finas2 todos os seus quadros so bons1 mas para mim superior a todos o ,mulher do novello1 estudo admiravelmente feito de uma velha repelenta1 flagrantissima de verdade na expresso do rosto4 ,na ,infancia de ,diana1 bello estudo do n1 alguma coisa me desagradou vista1 especialmente um co que se via nos ultimos planos444 ,joo ,augusto ,ribeiro1 bem nos seus pequeninos quadros ,retalhos1 ,lar4 ,figura3 ,joo ,augusto ,ribeiro ,d4 ,lucilia ,aranha1 uma verdadeira artista1 cheia de talento e de fora de vontade1 mais uma vez affirmou1 com os treze quadros expostos1 as suas aptides artisticas4 ,torquato ,pinheiro veio marcar n'esta exposio o seu logar definido e assente ao lado dos bons artistas4 ,um caminho encharcado1 ,manh d',abril1 ,margens do ,lea1 e todos os demais so feitos com alma de verdadeiro artista4 ,mas1 a destacar1 como primor de execuo1 o ,retrato de minha ,me1 que um trabalho notavel4 ,figura3 ,retrato de minha me--,,torquato ,,pinheiro ,d'entre os amadores1 extremarei ,d4 ,leopoldina ,pinto1 com as suas flores1 especialmente o ,pelargonios1 que senti no tivesse preo para ser adquirido4 ,mais artistas e amadores concorreram a este delicado certamen1 mas1 no me demorarei na enumerao dos seus trabalhos1 porque isso iria ainda muito longe e os meus leitores1 decerto1 se at aqui chegaram1 j bastante se tem aborrecido da semsaboria d'esta minha despretenciosa prosa1 que do modo algum aspira ao nome de critica4 ,,ii ,,pintores ,,portuenses ,,julio ,,costa ,convidado a delinear um artigo sobre o pintor portuense ,julio ,costa1 pensei primeiro esquivar-me a tal empreza porque me julgo insignificantemente pequeno para fallar d'este artista4 ,mas1 antepondo a esse primeiro impulso a amizade que lhe dedico1 resolvi acceitar o encargo1 e1 tal como posso1 desempenhar esta misso4 ,figura3 ,julio ,costa ,ser um artigo despretencioso1 sem preoccupao do estylo ou requinte de forma1 um artigo modesto como eu e como o temperamento do pintor illustre de quem me vou occupar4 ,no conheo escolas1 no discuto artistas1 no cito nomes estrangeiros1 nem rebusco particularidades de metier4 ,quando me occupo da pintura e de pintores nacionaes digo simplesmente1 indiscretamente1 a impresso que os quadros me deixam4 ,nada mais4 ,e hoje1 ao traar estas linhas a respeito de ,julio ,costa1 no venho1 acreditem1 fazer a apreciao1 pretenciosa ou sabia1 da obra d'esse pintor2 venho simplesmente deixar-lhe1 sob o seu nome j aureolado pela critica consciente1 o laurel amigo da minha admirao4 ,e posto este preambulo1 ahi vae o que me parece dever dizer do ,julio ,costa4 99 99 99 99 99 ,portuguez de nascimento e condio1 alma que se espande na mais suave de todas as alegrias--a familia--,julio ,costa vem1 de ha tempos para c1 vivendo quasi exclusivamente para os seus parentes1 para os seus discipulos e para os seus trabalhos4 ''' um d'estes homens com quem1 mesmo sem fallar1 se sympathisa logo primeira vista4 ''' lhano de trato1 affavel1 de maneiras delicadas1 cavaqueador emerito1 tendo sempre um dito alegre para retorquir a um remoque que se lhe atire4 ,nunca deixa de chalacear1 a no ser quando tem algum dos seus doente4 ,ento1 sim1 ento abate-se todo na dr d'aquelle que soffre e deixa-se levar n'essa corrente de magua que o subjuga brutalmente4 ''' uma luminosa alma dada ao bem e a tudo quanto bom1 e d'ahi a unco deliciosa e meiga com que elle concebe os seus quadros de genero4 ,figura3 ,conselheiro ,joo ,franco--,,julio ,,costa ,hoje1 posto em foco1 pelo brilhantismo dos seus ultimos trabalhos1 deve orgulhar-se de ser um dos pintores preferidos nas commemoraes aos homens notaveis do nosso paiz4 ,o retrato inegavelmente o genero que ,julio ,costa mais accentuadamente trata e que mais em evidencia o tem collocado4 ,o retrato de ,el-,rei pintado para o salo do ,tribunal da ,relao1 os retratos de ,oliveira ,martins1 ,dr4 ,ricardo ,jorge1 ,joo ,ramos1 ,dr4 ,eduardo ,pimenta1 ,conselheiro ,campos ,henques1 ,conselheiro ,joo ,franco1 e muitos outros1 so affirmaes publicas do que digo4 ,o primeiro1 largo de ideia1 magestatico de pose1 tocado de iriadas cres1 pois assim o pedia o grande do personagem4 ,collocado no amplo salo do ,tribunal toma um aspecto soberbo1 que nos infunde respeito4 ,o segundo1 em que a figura de ,oliveira ,martins1 essa imagem de santo e de philosopho1 se nos apresenta sentada em larga cadeira de espaldar1 em posio natural de quem entretem uma conversa1 ao contemplal-o1 como que se escuta a sua voz de mestre1 que discreteia sabiamente sobre os intrincados problemas economicos do nosso paiz1 ou sobre os notaveis factos da nossa historia4 ,figura3 ,oliveira ,martins--,,julio ,,costa ,e todos os outros1 todos1 so verdadeiras obras primas4 ,no esquecerei fallar do seu ultimo trabalho1 do retrato do ,conselheiro ,joo ,franco1 o homem forte e duro que emprehendeu1 n'um arranco de verdadeiro portuguez1 remodelar1 n'um molde novo e n'uma nova orientao1 a marcha dos negocios publicos4 ,d'esse retrato j eu disse1 quando tive occasio de o ver pela primeira vez1 o seguinte3 ''' grande1 na magestade da sua tela ricamente emmoldurada1 o retrato do snr4 ,conselheiro ,joo ,franco4 ,absorve por completo a nossa atteno4 ,est executado n'um correctissimo desenho1 tocado d'uma distincta tonalidade de cres1 n'um flagrante de pose e de semelhana4 ,ao retrato do ,conselheiro ,joo ,franco s lhe falta fallar para ser o proprio4 ,quanto mais o contemplamos1 mais correcto e mais perfeito achamos este trabalho4 ,a figura parece que se destaca da tela1 tal a perspectiva que ,julio ,costa lhe deu2 s vezes como que a vemos mexer-se4 ,depois1 ha um no sei que de vida1 que nos faz imaginar que os olhos se movem1 que os labios se vo descerrar para fallar4 ,e as roupas1 que delicada feitura1 que nuances de verdade6 ,na facha que ella ostenta1 vermelha1 ha reflexos de moir4 ,o retrato em questo no simplesmente um retrato2 mais do que isso3-- um quadro4 99 99 99 99 99 ,todos estes seus trabalhos nos encantam e deslumbram1 porque ,julio ,costa sabe apanhar tudo quanto v em volta de si4 ,sabe ver1 que o essencial4 ,d'ahi o colher a expresso da ,impresso4 ,mas a ,impresso escolhida1 no da natureza selvagem1 mas sim da natureza civilizada e culta4 ,julio ,costa um civilizado6 ''' um delicado6 ''' um raffin 7desculpem o francez74 ,e esse effeito de raffinerie e essa predileco pela impresso escolhida que elle transporta aos seus retratos4 ,elle conhece bem o indefinivel e delicado interesse que se desprende das linhas d'um rosto4 ,elle sabe que nada to impressionante1 para ns que contemplamos os quadros1 como essas figuras immoveis e mortas444 mas que esto vivas6444 ,e os seus retratados vivem nos seus retratos4 ,em uma palavra1 ,julio ,costa no pinta um retrato do seu modelo444 pinta o retrato4 ,cada uma das nossas sensaes1 das nossas emoes1 dos nossos sentimentos1 cada um dos nossos desejos1 das nossas esperanas1 dos nossos pensamentos secretos altera constantemente a nossa physionomia4 ,a cada minuto1 a cada segundo1 qualquer de ns se transforma1 e deixamos de ser ento semelhantes a ns mesmos4 ,mas1 ,julio ,costa sabe discernir n'essas fugitivas transformaes aquelle momento1 que sempre da nossa figura1 sabe fixar na mobilidade imperceptivel das linhas d'uma physionomia o seu aspecto caracteristico4 ,sabe reunir n'um gesto a multiplicidade das nossas attitudes4 ,e por isso que ,julio ,costa1 ao pintar o retrato1 tem uma grande preponderancia sobre outros artistas4 ,demais a mais elle possue o que falta a muitos outros1 uma bella correco no desenho4 ,que o desenho no s como muita gente pensa o esqueleto da pintura4 ,no1 o desenho uma parte integral d'ella1 o desenho a propria pintura4 ,j um celebre pintor francez1 cujo nome no recordo agora1 dizia dos seus desenhos--,a cr dos meus desenhos444 como se o desenho no fora unicamente uma apresentao do claro escuro4 ,mas que a pintura sem um bom desenho1 onde se definam os tons e meios tons1 onde se delineem as distancias e as perspectivas1 seria uma coisa chata1 sem vida1 sem relevo4 ,o ,soler architecto1 esse bello rapaz cheio de talento que a ,morte avidamente nos levou ha um bom par d'annos1 dizia-me uma tarde em que me fazia uma preleco sobre as vantagens do desenho3--,olhe1 se voc quizer um bom quadro desenhe-o primeiro em todas as suas minudencias1 com todos os seus effeitos de perspectiva1 com todos os seus claro-escuros e1 depois1 a esmo1 cubra isso com as tintas d'uma paleta e ter um bom quadro4 ,olhe que n'isto de pintura o desenho tudo4 ,e de facto assim 3 para se poder pintar bem o que preciso primeiro saber desenhar4 ,e ,julio ,costa sabe desenhar4 ,d'ahi o elle dar aos seus trabalhos uma coreco distincta4 ,mas1 ,julio ,costa no s notavel no retrato4 ,julio ,costa -o tambem em outros generos de pintura4 ,no assumpto religioso deu este artista provas indiscutiveis das suas aptides4 ,o ,calvario1 que elle pintou para a egreja do ,bomfim1 o melhor attestado do seu savoir faire4 ,d'essa obra prima1 que veiu abrir uma polemica entre um critico da ,palavra e o conego ,alves ,mendes1 dizia este ultimo no seu opusculo--,a crucificao de ,jesus3--,outros quadros de egual natureza adoecem de monotonia e languidez4 ,este no4 ''' tal a firmeza do desenho1 tal a riqueza das tintas1 tal e tanta a genial inspirao artistica1 que a gente admira irresistivelmente e applaude enthusiasticamente esta magistral pintura de ,julio ,costa4 ,figura3 ,o ,calvario--,,julio ,,costa ,que melhor e mais auctorisada opinio que a d'este pintor da orao1 este artista genial da palavra1 que desenha com o seu verbo inexgotavel os mais fulgurantes e mais flagrantes quadros8 ,como consagrao a um artista no as tenho visto melhores nem mais perfeitas4 ,quando ,julio ,costa se entretem a fazer o quadro de genero1 tambem1 n'esses momentos1 no deixa o seu nome em m posio4 ,ahi1 como nos outros trabalhos1 elle sabe dar aos seus typos e aos seus assumptos o quer que seja de suggestivo1 de impressionante4 ,no cousa simples enumerar a sua obra1 porque ella no uma insignificancia4 ,no entretanto1 como do meu desejo levar o mais longe possivel a resenha dos seus trabalhos1 ahi vae o titulo d'alguns d'elles1 que mais se notabilisaram nas exposies onde teem apparecido4 ,figura3 ,a ,ti ,anna--,,julio ,,costa ,em primeiro logar colloco eu o ,no ,vago1 uma pastoral de cr1 como lhe chamou ,oliveira ,alvarenga4 ,era uma larga tela que resumia um delicado poema d'amor4 ,em plena primavera1 sob a luz do lindo sol1 uma mooila trigueira e forte1 de seios proeminentes1 encostada a um pedao de terreno alto e florido1 sonha n'um vago presentimento triste4 ,ia para os trabalhos do campo1 levava a sua foice1 o seu cesto vindimeiro1 o seu chapeu de palha2 marcra ao namorado uma entrevista1 na esperana d'um doce idyllio1 mas o tempo passa1 o namorado no vem1 e ella1 na sobrexcitao do seu amor e do seu ciume1 vae desfolhando malmequeres que ora lhe dizem sim1 ora lhe dizem no1 e1 por ultimo1 como que adormece n'uma febre d'amor1 olhos semi-cerrados1 com o pensamento esvoaando no vago444 ,eis o quadro1 que figura l fora1 em ,berlim1 para onde foi vendido4 ,no esquecerei a ,romeira1 uma fresca rapariga que1 em descantes alegres1 parte para a romaria4 ,e uma ,cabea de estudo1 que appareceu na exposio de ,arte de #ahid1 uma linda cabea de rapariga de olhos vivos1 labios de coral e com o seu leno de xadrez multicor1 que um encanto6 ,o retrato do ,quinsinho ,souto ,mayor1 um estudo de creana finamente trabalhado com o seu vestidinho de velludo1 onde assenta uma romeira de renda1 to bellamente pintada1 que dava a perfeita illuso de que eram rendas que alli estavam collocadas sobre a tela4 ,o ,vencido1 que um bom trabalho tambem1 consiste em um rapazito que1 aps uma refrega com outros1 sae com um brao deslocado2 que suavidade de cr1 que tristeza nos olhos humidos6 ,o retrato da ,ti ,anna1 essa velhita encarquilhada que1 no fundo do seu casebre1 junto da lareira1 vai fiando a loira estriga a pensar no tempo lindo que passou1 quando era rapariga e cantava ao desafio nas esfolhadas e nas espadeladas1 soberbo4 ,hoje1 a pobre velha canta as tristes canes com que embala os netos1 e fia o linho com que veste os filhos1 que outras1 que so novas1 vo espadelando a rir e a cantar4 ,e tudo isto se traduz n'aquelle quadro1 e todo este romance se v alli representado n'uma sentida impresso e n'uma ideal concepo4 ,o ,costume dos arredores do ,porto1 tambem um lindo quadro--uma cabecita de rapariga do campo cheia de vida e de frescura4 ,e a ,mimalha e a ,varanda dos ,mangericos e mil outros trabalhos d'elle8444 ,ah6 mas vae muito longo este artigo e o leitor no tem obrigao nenhuma de estar infinitamente a ler-me2 por isso1 ponto4 ,julio ,costa para mim um pintor que sabe muito da sua arte1 digam l o que disserem1 e se1 dentro da sua modestia1 no gostar do que eu agora digo d'elle que me perdoe porque eu s sei dizer o que penso1 e isso muito rudemente ainda4 ,,iii ,,pintores ,,portuenses ,,antonio ,,carneiro ,,junior ,conhecendo ,carneiro ,junior ha muito1 por ter tido j occasio de apreciar os seus trabalhos em outras exposies1 corri1 apressadamente1 incumbido por a redaco da ,vida ,moderna1 a vr a nova exposio dos seus ultimos trabalhos1 com o grande interesse de conhecer o progresso e o desenvolvimento artistico d'este bello cultor da arte da pintura4 ,figura3 ,antonio ,carneiro ,junior ,e1 francamente o confesso1 as minhas espectativas confirmaram-se4 ,carneiro ,junior1 que era um dos novos que mais promettia1 obteve1 com o seu estudo no estrangeiro1 a verdadeira comprehenso da arte de pintar1 affirmando-o desde j com os magnificos trabalhos expostos no atrio da ,misericordia4 ,pintando em todos os generos1 como elle mais se avigora1 e mais demonstra o seu talento 1 a meu vr1 como pintor de figuras4 ,a paisagem e a marinha no so o genero que mais o tentam1 o que no quer dizer que no tenha paisagens adoraveis e marinhas deliciosas4 ''' preciso porm notar-se que1 quem escreve estas linhas1 um mero amador que vem simples e unicamente dar a resenha dos quadros expostos e a sua impresso pessoal1 dizendo simplesmente gosto ou no gosto1 sem me prender nunca em consideraes sabias sobre o modo de pintar de cada um4 ,no citarei escolas hollandezas1 flamengas1 etc41 etc4 com ares sabios de critico emerito4 ,e no o farei1 porque entendo que para se escreverem artigos substanciosos e chorudos sobre tal assumpto necessario1 antes de mais nada1 ter visto alguma coisa d'essas escolas e d'essa pintura1 acompanhado isso da leitura de livros da especialidade4 ,e1 vulgarmente1 no succede assim4 ,muitos dos nossos criticos conhecem esses quadros e essas escolas porque algum amigo1 vindo l de fra1 lhes trouxe1 como recordao1 catalogos dos muzeus que viu por l1 e por ahi que elles fazem1 a maior parte das vezes1 critica4 ,ora eu1 como nunca vi muzeus1 nem tenho lido livros sobre pintura1 no fao critica1 fao a minha reportagem1 deixem-me assim dizer4 ,e posto isto1 l vae a impresso pessoal que me ficou d'alguns dos trabalhos de ,carneiro ,junior4 ,e elle que me perde se no gostar4 ,em primeiro logar1 se bem que no sejam estes os principaes trabalhos1 ponho eu os desenhos a sanguinea---que figuram no catalogo com os n4os #bg e #bh1 ,figuras para a fonte do ,bem2 #aj1 ,estudo para o quadro do ,amor2 #f1 ,estudo para a figura ,esperana2 #be1 ,estudo de creana para a fonte do ,bem4 ,figura3 ,retrato--,,antonio ,,carneiro ,os retratos do ,marcos ,guedes1 n4o #dc2 do dr4 ,alfredo de ,magalhes1 #cd2 do ,antonio ,patricio 7filho71 #cb2 de ,j4 ,teixeira ,lopes1 #cf2 do ,claudio1 #dj2 e os dous retratos de ,r4 ,c41 #cg e #ch1 so magnificos4 ,em todos elles ha um tom de vida e muito de alma1 especialmente nos dois ultimos1 em que o artista pe todo o seu sentimento de amor4 ,o quadro ,tarde no mar1 n4o #ef1 delicioso2 como que se sente1 ao olhal-o1 aquella cadencia ou melopeia que o grande mar sabe cantar quando suavemente beija a areia fina da praia4 ,campo de trigo1 n4o #gg2 em ,auvay1 impresso de frente1 #hi2 impresso1 7,bretanha71 #ga2 em ,lea1 impresso1 #fh2 o ,tamega1 7,amarante71 #fg2 o ,sena em ,auteil1 #fb2 ,pinheiros ao cahir da tarde1 #eg2 444so1 para mim1 sentidissimas paisagens onde a nossa vista se perde e o nosso espirito se embrenha como em paginas brilhantes da ,viagem da minha terra1 de ,garrett4 ,ha alli tambem um quadro1 ,leitura1 de que muito gostei4 ,n'um interior de casa escura1 luz de um candieiro1 tres mulheres1 uma das quaes l4 ''' admiravel no s de execuo1 como de composio4 ,o esboo do quadro ,fonte do ,bem apreciavel e bem desejariamos vr o quadro definitivo4 ,e1 antes de terminar1 deixe-me ,carneiro ,junior dizer-lhe que o seu triptyco1 1 para o meu fraco entender1 um d'estes geniaes poemas que s os grandes artistas sabem conceber4 ,emquanto sua execuo acho-a primorosa4 ,a ,esperana1 deliciosa virgem estudada e delineada com toda a pujana d'um bello espirito2--,o ,amor--assombroso de execuo2 ha n'aquelle cavalleiro todo em ao vestido1 a virilidade d'um cavalleiro andante2 ,a ,chimera1 fundamente abstracta1 na sua cr doentia e na sua expresso de verdadeira ,fatalidade olha o quer que seja de horrivel1 guiando o fogosissimo cavallo em que monta o cavalleiro2--,saudade--na base d'uma sphinge sonha uma mulher1 toda de negro vestida4 ,quanta doura n'aquella expresso de tristeza6 ,como o pintor soube dar quella delicada mulher a nota melancolica do que na realidade a saudade6 ,este quadro seria bastante1 para definir o grande talento do artista e o seu temperamento subtil de poeta4 ,que o artista me perdoe se no disse tanto quanto merecia a sua obra e acceite o parabem sincero de quem s diz o que sente4 ,maro #aija4 ,,iv ,thadeu ,maria d',almeida ,furtado ,,palavras ,,ditas ,,beira ,,da ,,campa ,,do ,,fallecido ,,professor ,no 1 o que vou dizer1 uma biographia1 nem um necrologio2 representam simplesmente estas despretenciosas palavras como que um punhado de saudades espersas sobre a campa1 ainda mal fechada1 do illustre morto4 ,conhecendo-o desde ha muito1 tive sempre por elle uma d'essas veneraes respeitosas de considerao e amisade1 que se tem por aquelles que vivem sempre de cabea levantada e aos quaes no podem attingir nunca as settas envenenadas da m vontade e da calumnia4 ,e por isso que hoje no posso deixar de vir dizer aqui algumas palavras a respeito de quem1 sempre se fez querido de todos quantos1 uma vez s que fosse1 d'elle se aproximaram4 ,figura3 ,thadeu ,maria d',almeida ,furtado ,thadeu ,furtado foi um dos mais antigos professores de desenho do ,porto e dos de mais nomeada2 cumpridor dos seus deveres1 como poucos1 recto nas suas apreciaes1 como ninguem1 quantas vezes fez elle rebentar essas bolhas de balofa vaidade1 com que muitos mediocres se julgavam notabilidades1 e a quem o publico inculto tecia os mais rasgados elogios2 mas1 sincero como era1 nunca se pejava de dizer as verdades por mais duras que ellas fossem4 ,trabalhador incanavel1 at ao ultimo dia1 em que um desastroso acontecimento o impossibilitou1 foi regularmente occupar o seu logar na ,academia1 onde hoje era secretario e onde em outros tempos fra professor sapiente4 ,e inegavelmente a este trabalhador indefeso1 a este morto illustre1 que se devem os melhoramentos ultimamente feitos n'aquella casa de ensino artistico4 ,quantas e quantas vezes1 reclamados esses melhoramentos ao governo1 foram elles lanados no rol dos esquecimentos1 rol lendario1 onde so archivadas todas as cousas uteis do nosso querido ,portugal4 ,mas1 ,thadeu ,furtado1 com a sua vontade de ferro1 ao saber no ,porto o conselheiro ,elvino de ,brito1 ento ,ministro das ,obras ,publicas e antigo discipulo da ,academia das ,bellas ,artes do ,porto1 a elle foi e depois de lhe mostrar1 provando de visu a necessidade urgente d'aquelles melhoramentos1 conseguiu o que at ali ninguem tinha conseguido4 ,e portanto a este querido morto que se deve o ser hoje a ,academia de ,bellas ,artes1 seno um modelo de escolas para o seu genero1 pelo menos um estabelecimento que no nos envergonhar quando mostrado a estrangeiros profissionaes4 ,e1 doa a quem doer esta minha affirmao1 mas ,thadeu ,furtado vae fazer muita falta nossa ,academia4 ,como professor foi sempre correctissimo1 muito sabido no seu mtier1 e a prova d'isso est1 em que1 todos os nossos grandes pintores de ha sessenta annos para c1 foram todos seus discipulos e todos teem manifestado esta mesma opinio4 ,no fui seu discipulo1 mas fui seu amigo e unicamente como tal que venho aqui depr tambem a minha eterna saudade1 que to grande1 como foi a minha considerao e a minha amisade4 ,e1 para terminar esta minha sincera e triste despedida1 consenti1 meus senhores1 que vos manifeste tambem aqui um grande desejo3--,como todos bem o deveis comprehender1 uma divida tem a ,academia a pagar ao seu respeitavel professor e ao seu incanavel secretario2 e essa divida s poder ser paga perpetuando-lhe a memoria com um monumento digno d'elle4 ,grato me seria1 portanto1 saber que os alumnos da ,academia de ,bellas ,artes1 reunidos aos professores1 lanaram mo da ideia de que seja collocado o busto de ,thadeu ,furtado nos claustros da mesma ,academia4 ,e1 para realisar tal ideia1 no tero mais do que fazer fundir em bronze um busto1 que a familia do fallecido possue1 feito1 salvo erro1 pelo brilhante estatuario ,teixeira ,lopes4 ,e assim1 como preito de homenagem ao professor morto1 ficar ligado ao seu nome o nome d'um professor vivo que inegavelmente a primeira gloria da esculptura portugueza4--,disse4 #ab ,maro #aija4 ,figura3 ,leno em rendas--,d4 ,,maria ,,augusta ,,bordallo ,,pinheiro ,v ,,pintores ,,portuenses ,,arthur ,,loureiro ,arthur ,loureiro1 esse grande artista que durante tantos annos viveu longe de ns1 n'esse bello paiz1 a ,australia1 e que uma vez c1 filho do ,porto1 amando o seu ninho com um amor especial de artista1 apoz a sua primeira exposio onde nos mostrou que era um delicado pintor de figura1 com os seus retratos1 e os seus typos admiravelmente executados1 vae para bem perto do ,porto1 para ,villa do ,conde e cheio de vontade e repleto de savoir faire1 lana tela lindos quadros que so como filigranas da arte pintural4 ,figura3 ,arthur ,loureiro no seu atelier ,antes porm de atacar o assumpto que nos obriga a tomar da penna e rabiscar estas linhas permittam-se-nos algumas phrases ligeiras de introito4 ,ao entrarmos no atelier de ,arthur ,loureiro1 decorado com uma distincta simplicidade1 tem-se a suave impresso que o artista que ali trabalha um bom e um delicado4 ,confortavel e amigo1 aquelle atelier sem preteno a luxo1 todo elle resuma elegancia e bom gosto4 ,sem estofos custosos1 meros cobrejes de farrapos1 em tons escuros1 biombos simples de couro lizo1 moveis de linhas correctas desenhados por o proprio artista e executados sob a sua direco1 d'um effeito soberbo6 ,o indifferente1 que ao acaso ali v1 tem com certeza a impresso de que entrou na casa d'um amigo4 ,figura3 ,barra1 ,foz-,douro--,,arthur ,,loureiro ,d'entre os moveis1 que guarnecem o atelier1 destaca-se um largo divan-estante com as costas pintadas a sepia1 que nos d a impresso de uma pirogravura4 ,mas no vamos occupar-nos do atelier1 vamos unica e exclusivamente fazer uma resenha despretenciosa e sincera dos quadros expostos e do effeito que nos deu a visita exposio aberta agora ao publico4 ,arthur ,loureiro no somente um pintor4 ''' mais do que isso1 um esculptor consummado4 ,o caixilho para espelho1 o do quadro ,convalescente1 e um outro onde se ostenta o seu retrato aguarellado por ,columbano1 so bellos4 ,mas1 o que me encanta1 o que me fascina1 o frontal para uma arca1 onde se guardar o enxoval d'um filho querido4 ,este frontal1 desenhado e executado por ,arthur ,loureiro1 como que uma symphonia d'amor1 sob o thema sublime do martyrio da maternidade4 ,figura3 ,frontal d'uma arca 7esculptura7--,,arthur ,,loureiro ,sem minudencias de descripo1 sempre diremos que a bordadura que cerca a figura da me tendo no regao o filhito querido1 feita com flores de martyrios em todas as suas evolues1 desde o pequenino boto at flor completamente aberta e em todo o seu frescor4 ,flores1 folhagem e figuras soberbamente executadas4 ,e agora1 posto isto1 entremos pela pintura dentro4 ,no somos do mtier1 nem aspiramos a critico de arte2 mero amador1 vendo talvez um pouco bem1 sentindo a dentro da alma qualquer coisa de meigo1 por uma paisagem triste1 e qualquer coisa de vibrante em frente d'um retalho da natureza1 que o sol banha luxuriantemente4 ,amando os quadros pela poesia que infundem1 subjugado pela impresso1 que nos deixa qualquer cousa que nos agrada4 ,eis o modo como vemos as obras d'arte1 quer ellas sejam d'um novo1 quer ellas sejam d'um mestre4 ,e por isso a despreoccupao do meu modo de escrever4 ,pondo em evidencia s vezes quadros d'um valor mediocre e deixando no escuro verdadeiras obras de arte4 ,que nos perdoem os artistas essas faltas e vamos exposio de ,arthur ,loureiro que foi o que aqui nos trouxe4 ,fallarei d'esses quadros pintados em ,villa do ,conde1 antes porm deve ter especial meno o largo quadro da nossa barra1 pintado n'um pr de sol irisado1 cheio de poesia1 com tons d'ouro que se reflectem na agua superiormente4 ''' um quadro este1 de si bastante notavel para definir o artista4 ,e agora1 que puz em evidencia o quadro que para mim se affigura mais notavel1 vou dizer da minha impresso dos outros quadros expostos4 ,um grande ramo de lilaz1 que parece espalhar no ambiente o seu perfume doce e meigo1 est feito com tanta frescura e tal graa1 que nos tenta a cortar um pequenino ramo para a nossa botoeira4 ,as bellas rosas escuras1 d'um avelludado meigo e fino1 como que tentam na sua confeco a uma offerta gentil para a nossa namorada4 ,figura3 ,o ,passado--,,arthur ,,loureiro ,so pedaos vivos de natureza1 lanados tela1 com proficiencia e carinho4 ,um cosito mops com o seu focinho birrento e negro e o seu pello amarellado d-nos1 a mim pelo menos 7que eu sou doido por ces71 vontade de o ameigar1 de o chamar carinhosamente e roubal-o ao artista4 ,collocado entrada1 talvez por acaso1 como que um fiel guarda d'aquelle encanto de atelier4 ,este quadro est feito com cuidado1 o que me d a entender1 que o artista segue a theoria d'um escriptor celebre que dizia3 --,quanto mais conheo os homens1 mais amigo sou dos ces4 ,andam os nossos pintores delineando paisagens1 por esse paiz em fra e nenhum1 que me lembre1 tinha ido pintar para ,villa do ,conde4 ,talvez porque julgassem no haver alli nada que pintar e ,arthur ,loureiro1 que ha vinte annos estava fra do seu paiz1 chegou e para socegar dos seus trabalhos escolares foi para essa linda praia descanar e que descano o seu1 voltou trazendo na sua bagagem deliciosas telas1 formosissimas4 ,querer citar as melhores seria cital-as todas1 eu porm notarei como primordial--,a ,senhora da ,guia--depois1 as ,azenhas e d'estas no sei se o que resplende de sol1 se o outro1 feito por uma manh triste de chuva4 ,figura3 ,no voltar mais--,,arthur ,,loureiro ,a ,igreja matriz1 tambem o noto pelo bello do effeito4 ,como uma mancha retumbante1 n'aquella suavidade de cr1 os reposteiros da igreja fazem resaltar o quadro 7ora aqui est onde eu decerto dou raia1 em ter recebido uma bella impresso pelo vermelho que destaca do quadro1 mas sou assim e no ha nada que me atrapalhe74 ,a ,paisagem geral de ,villa do ,conde1 com o seu convento e a sua cazaria branca formosa4 ,o ,passado1 quadro cheio de poesia e de candura4 ,como um poema1 de amor1 de dr e de miseria aquella velha sentada porta da igreja1 onde talvez ella se baptisara1 casra e seria enterrado o seu companheiro de muitos annos1 talvez um pescador1 que ella hoje chora1 pedindo esmola1 na sua miseravel e angustiosa viuvez4 ,mas vamos fechar este artigo que vae j longo de mais4 ,antes porm notaremos dous quadros1 um que se intitula--,no voltar mais1 e que outro poema de dr4 ,junto d'uma bella arvore em flor1 um redondendro1 uma viuva e uma creana olham o mar4 ,esse mar gigantesco e barbaro que foi1 decerto1 quem subjugou para sempre o ente querido d'essas duas figuras insinuantemente bellas nas suas silhouetes4 ,o ,convalescente um retrato primoroso do nosso amigo dr4 ,francisco ,loureiro1 irmo do distincto artista4 ''' um trabalho feito com muito amor e muito saber4 ,flagrante de verdade e correctissimo de desenho4 ''' um bello retrato4 ,que me perdoe o artista esta prosa desenchabida e vulgar1 mas1 mais no pde dar a minha pena4 ,no entanto ha-de ver o publico que eu no quiz fazer o rclame do pintor nem a apologia do homem1 fiz unica e exclusivamente a resenha rapida e sincera do trabalho correcto d'um poeta lyrico da pintura que entre ns vem1 se no1 fazer uma revoluo na arte1 dar no entanto a nota brilhante1 do que deve ser o paisagista portuguez2 pintar a nossa paisagem1 sem tons exoticos de cr trazidos dos paizes estrangeiros4 ,porque ,portugal com o seu ceu e os seus verdes no pde ser pintado com as cores das paisagens brets4 ,e mais nada4 ,outubro #aijb4 ,figura3 ,na ,eira--,,lucilia ,,aranha ,,vi ,,esculptores ,,portuenses ,,fernandes ,,de ,s ,uma das manifestaes mais vivas da arte a esculptura4 ,esculpir em marmore ou em bronze a figura de um individuo1 1 como que1 deixal-o por toda a vastido dos seculos admirao1 ao respeito ou saudade dos seus concidados ou dos seus amigos4 ''' a nota constantemente vibrante de uma individualidade4 ,mais duradoura do que a pintura1 ella que1 arrostando nos logares publicos com a intemperie dos tempos1 mostra aos que passam um capitulo da historia dos povos1 um acto de alta philantropia1 ou a saudosa recordao d'um ente querido que a morte nos roubou4 ,e no s isso2 empolgando o nosso espirito1 d a concepo perfeita d'uma ideia genial que o artista quiz vivificar1 dando dura e informe pedra ou ao frio bronze a pulsatibilidade da natureza viva4 ,figura3 ,fernandes de ,s ,a esculptura1 na sua larga e educativa esphera1 desde o poema grandioso da patria1 nos heroes que faz reviver1 at aos santos1 que a religio faz venerar nos altares1 com a larga escala de mil variadas manifestaes1 uma das mais difficeis1 se no a mais difficil de todas as manifestaes artisticas4 ,e d'ahi o insignificante quociente de esculptores1 em relao aos pintores4 ,e1 todo este preambulo para vos dizer1 que visitei hontem a exposio de esculptura1 que o notavel estatuario ,fernandes de ,s abriu no seu gracioso atelier da rua de ,alvares ,cabral1 d'esta cidade4 ,este moo esculptor1 cujo nome no j uma esperana1 mas sim uma affirmao segura1 d-nos1 com a exposio dos seus trabalhos feitos aqui e em ,paris1 a demonstrao mais definida e assente1 de que um d'aquelles artistas que mais futuro teem1 dentro da sua especialidade4 ,figura3 ,desafio--,,fernandes de ,s ,no o queremos collocar a par do grande1 do genial ,soares dos ,reis1 mas pomol-o aproximadamente no mesmo plano de ,teixeira ,lopes2 depois1 elle novo e tem uma vontade de ferro2 ora estes dois bellos elementos1 a mocidade e a energia1 juntos ao seu grande talento e ao seu muito saber1 do-nos a garantia de que elle ha de fulgurar1 como um astro de primeira grandeza1 na sublime arte de ,milo4 ,fernandes de ,s1 a continuar assim1 no ha-de ser notavel s entre ns1 ha-de sel-o tambem l fra1 no estrangeiro4 ,e bom ser que assim succeda1 para que no mundo civilisado se faa a verdadeira justia aos nossos artistas e se no pense que isto aqui uma terra de selvagens4 ,mas1 deixemos estas divagaes e entremos no assumpto que me proponho expr3 ,notar as obras que ,fernandes de ,s expe1 e isto ao de leve1 como quem quer e no pde1 por falta de elementos1 embrenhar-se em philosophicos problemas d'arte4 ,dezoito so os trabalhos expostos1 qual d'elles o mais empolgante1 qual o mais bem executado4 ,figura3 ,cames 7estatua em marmore de ,carrara7--,,fernandes de ,s ,desde o largo trabalho--,cames--at pequenina cabecita da galante--,bb--todos elles so soberbos e dignos de especial meno4 ,cames1 estatua em marmore de ,carrara1 destinada ao ,museu de ,artilheria de ,lisboa4 ,aps o naufragio1 o grande epico portuguez salva1 n'um heroico esforo1 a sua espada e o seu poema--eis o assumpto representado por esta bella estatua4 ,n'uma attitude de desesperada ancia1 o corpo fidalgo de ,cames1 sobre uma rocha1 a mo direita crispada agarrando-se a uma saliencia da penedia1 na esquerda a espada e o poema sobre o corao1 parece escorregar1 resvalando na voragem da onda1 que n'um desespero revoltoso se quebra de encontro quella molle de marmore4 ,sublime de concepo4 ,na figura elegante e adelgaada de ,cames ha linhas d'uma senhoril fidalguia4 ,tratado aquelle marmore com o encanto e o amor d'um verdadeiro portuguez1 o esculptor no perdeu uma minudencia1 por mais pequena que fosse4 ,tudo estudado com perfeita segurana1 com verdadeira mestria1 desde a musculatura reteza e vigorosa d'um desesperado em lucta com o mar1 at ao desalinho da roupagem1 tudo elle viu1 tudo elle estudou conscienciosamente4 ,e1 fugindo da vulgaridade das concepes sobre este thema1 ,fernandes de ,s realisou--segundo o nosso modo de vr--uma obra genial4 ,rapto de ,ganimedes1 um grupo em gesso1 que vs j conheceis de quando esteve ahi exposto na ,exposio da ,sociedade de ,bellas-,artes1 onde mereceu a segunda medalha1 tendo j adquirido a terceira medalha na exposio de ,paris de #aijj4 ,beijo ,materno1 7grupo em gesso74 ,verdadeiro poema de amor maternal4 ,uma linda mulher1 deliciosamente esculpida1 sustendo no collo um formoso bb1 que ella beija n'uma subtil ancia de ternura4 ,foi este o seu trabalho final para o concurso de esculptura em ,paris1 como pensionista do ,estado4 ''' um encanto4 ,vaga4 ,este gesso d'uma bella idealisao4 ,uma formosa mulher1 completamente nua1 de linhas primorosas1 pousa sobrenadando nas ondas revoltas d'um profundo mar e reclina-se docemente1 como adormecida ao marulhar da agua4 ,ao contemplal-a deu-nos o corao um baque e confrontando na mente a mnemonica de quadros vistos1 lembrmo-nos d'um1 que nos pareceu a reproduco em pintura d'aquelle soberbo trabalho1 e no nosso espirito ficou como que um espinho a esse respeito4 ,alguem1 mal intencionado1 poderia dizer que ,jos de ,brito tinha ido alli beber a sua inspirao e o modelo para o seu quadro ,a ,vaga4 ,ns no nos abalanamos a tanto1 nem isso queremos pensar sequer1 porque ,jos de ,brito um grande pintor444 ,figura3 ,beijo materno 7grupo em gesso7--,,fernandes de ,s ,dois bustos1 em marmore que so a reproduco exacta das pessoas que representam4 ,o retrato do dr4 ,correia de ,barros1 um trabalho bem feito1 cheio de verdade e de vida4 ,ha tambem uma ,cabea de velha1 que primorosa4 ,no ,pobre 7bronze dourado7 e no ,desafio 7bronze7 ha flagrancias de expresso1 detalhes minuciosos de execuo1 que revelam o cinzel subtil1 consciencioso e correcto de quem os executou4 ,ah6 ,mas1 onde se revela o corao delicado e a alma poetica do moo esculptor1 no grupo ,irms4 ,que soberba obra6 ,com que carinho1 com que amisade no foi executado aquelle gesso6 ,v-se que o artista poz alli toda a sua alma de moo e de moo apaixonado4 ,aquellas duas raparigas1 d'um olhar meigo e terno1 que o estatuario delineava1 com certeza emquanto elle trabalhava cobriam-no com os seus doces olhares n'uma caricia amiga de irms4 ,alli poz elle toda a sua alma lyrica1 como no ,cames1 poz toda a alma patriotica4 ,ha tambem uma ,cabea de velha 7bronze dourado71 muito bem feita4 ,notavel tambem um ,estudo em barro1 coberto com patine verde que lhe d um tom de novidade4 ,o assumpto uma cabea de mulher do povo1 com o seu leno4 ,nas linhas de aquelle rosto ha muita verdade1 e um tal ar de languidez1 que logo se nota que dentro da alma do modelo havia um certo qu de pena ou de saudade4 ,e tudo isto lindo e tudo isto bello1 no esquecendo fallar nas cabecitas de creanas que l vimos4 ,deixei para o fim isto1 porque tendo eu uma predileco especial por creanas1 comprazia-me todo em ser n'ellas que fallasse por ultimo4 ,so quatro estes trabalhos3 ,cabea de creana1 ,bb1 ,beija-flor1 ,estudo de creana4 ,que encantadores6 ,com que amor elle no esculpiu no frio marmore aquellas quatro perolas1 aquellas deliciosas creanas1 que so mesmo um primor6 ,uma vez1 n'uma exposio que ,teixeira ,lopes fez no pateo da ,bolsa1 havia l um bb1 o retrato d'um sobrinho d'elle1 e eu1 estando alli s1 no me furtei ao desejo de o beijar e beijei-o1 tal era o seu encanto4 ,pois quando visitei a exposio de ,fernandes de ,s1 se l me visse s1 posso affirmal-o1 beijava todas essas creanas n'uma infinita alegria1 porque as julgava vivas4 ,so realmente uns delicados e subtis bustos1 que me deslumbraram4 ,e eis em meia duzia de linhas a noticia da visita que fiz1 por uma linda manh1 ao atelier de ,fernandes de ,s1 onde a luz forte do sol1 coada atravez dos brancos transparentes1 n'uma doura meiga1 fazia resaltar os marmores esculpidos1 como n'uma luminosa penumbra de sonho4 ,e permitta o moo esculptor1 que to gentilmente nos recebeu1 e com tanta modestia nos apresentou os seus gloriosos trabalhos1 que lhe digamos que o seu talento lhe d direito a mais um pouco de orgulho1 e no a querer deixar-se ficar na modestissima sombra dos que pouco valem4 ,o seu nome e a sua obra1 repito1 no so uma esperana1 no2 so uma affirmao segura de que elle um dos primeiros estatuarios portuguezes4 ,outubro #aijb4 ,figura3 ,busto 7,antonio ,cano7--,,fernandes de ,s ,,vii ,exposio da ,sociedade de ,bellas-,artes de ,lisboa ,,carta ,a ,,um ,,redactor ,,do ,,correio ,,da ,,noite ,no me conhece1 nem isso necessario1 para o que eu lhe quero confiar4 ,no um segredo e1 portanto1 se achar interessante o que lhe vou dizer1 conte-o ao publico1 a esse publico despreoccupado1 que l as gazetas1 no para se instruir1 mas para ver se o seu nome figura no ,carnet ,mondain1 ou se alguma cousa m succedeu aos seus conhecidos para ter o pretexto de os consolar nas suas amarguras e nas suas desditas4 ,conte-lhe o que lhe vou dizer e estou convencido1 que isso lhe ser agradavel1 porque eu1 com o meu genio desinteressado e independente1 dou abertamente1 picadelas em quem as merece1 levantando ao ar em apotheoses de gloria1 tambem1 aquelles que a ella teem direito1 segundo o meu modo de ver4 ,figura3 ,el-rei ,sou sincero1 apenas2 nunca me embrenhei nos escaninhos da politica e1 por isso1 no conheo a intriga2 nunca calquei os tapetes dos palacios dos nobres e da aristocracia e1 por isso1 no conheo a bajulao2 no me tenho accorrentado ao jornalismo militante e1 por isso1 no conheo as conveniencias de redaco4 ,sou1 ainda1 mais independente do que o chefe do partido novo1 que no quer para seus soldados seno os que esto isentos do peccado politico4 ,sou1 emfim1 como os homens do norte2 duro como um sobreiro1 ingenuo como uma creana444 de bigode1 sincero como um convicto e delicado como uma dama4 ,figura3 ,paisagem 7pastel7--,,el-,,rei ,e feita a minha apresentao1 ahi vae o que eu lhe queria dizer4 ,fui1 levado por intensa curiosidade1 visitar a exposio da sociedade ,nacional de ,bellas-,artes e dei o meu tempo por muito bem empregado4 ,e dei por bem empregadas as tres horas que l passei1 porque morro por coisas d'arte4 ,a ,arte1 a grande ,arte1 cuja definio perfeita1 para mim1 um mytho1 atrae-me como uma feiticeira deslumbrante e maravilhosa4 ,mas a ,arte pinctural e esculptural1 essa1 extasia-me e no para extranhar o vr-me parado em frente d'um bom quadro ou d'uma bella esculptura1 tal qual como em frente d'uma mulher formosa4 ,mas1 deixemos estas divagaes e entremos no assumpto da minha carta4 ,demais1 que lhe importa a si que eu goste ou desgoste1 se o meu caro nem sequer me conhece de nome4 ,antes1 porm1 de continuar1 ou por outra1 de comear1 desculpe esta franqueza3 as aguas de ,lisboa so ms e pozeram-me o figado n'um pessimo estado1 o que deu em resultado eu ter tido um ligeiro extravasamento de bilis1 que pode ser se manifeste1 ainda que ao de leve1 no decorrer desta minha despretenciosa carta4 ,figura3 ,cabea de estudo--,,ernesto ,,condeixa ,uf6444 que comeo a massar1 no acha8 ,mas que quer1 eu sou assim1 o mal dar-me corda1 ho-de aturar-me depois4 ,e posto isto1 l vae4 ,fui vr a exposio e fui sem a preoccupao de critico d'arte1 unica e exclusivamente como amador1 como dilletanti1 e como tal que escrevo4 ,que me perdem os artistas1 se nada fr1 a minha apreciao aos seus trabalhos1 que me tolerem os criticos de arte se a minha incompetente opinio brigar com as regras do metier1 e que se ria o publico se no gostar da minha prosa e o meu caro redactor se entender que a pimenta forte1 ou o guizado est mal condimentado1 j sabe o que tem a fazer1 1 cesto dos papeis inuteis com elle4 ,figura3 ,barbeiro d',aldeia--,,jos''' ,,malhoa ,comearei tal qual como indica o catalogo1 apreciando1 sob a impresso perfeitamente pessoal d'um provinciano1 os trabalhos expostos1 pela sua ordem numerica4 ,primeiro esto os de ,s4 ,m4 ,este artista-amador est l to alto que nada poderei dizer dos seus trabalhos4 ,unicamente o que me agradou mais foi o ,no ,sado--processo ,raffaelli1 se bem que j tive occasio de vr trabalhos de muito maior valor executados pelo mesmo monarcha1 que inegavelmente um artista de temperamento definido4 ,e agora sem respeito nem considerao pelos artistas e qui amadores1 que eu no conheo1 ahi vae a minha opinio sincera4 ,,quadros ,a ,,oleo ,d4 ,bertha ,alcantara1 n4os #a a #d--,natureza morta e flores--,natureza morta e to morta que d vontade de444 decorar uma cosinha com ella4--,amores perfeitos1 imperfeitos4--,um agrupamento de lyrios e mimosas1 os lyrios bastante densos1 n'um demasiado ajuntamento1 que parece esmagarem-se uns aos outros4 ,d4 ,luisa ,almedina1 n4o #e--,uns cravos sem cheiro1 desconsolados444 ,almeida e ,silva1 n4os #f a #ae4 ,pinturas varias1 assaz recortadas e lambidas1 com ar pretencioso de oleographias caras2 este artista parece andar para traz1 quem pintou ,o ,viatico na aldeia1 ,um critico d'arte1 ,cabea de cabrito1 7que eu possuo7 tinha obrigao de se apresentar melhor4 ,tem n'esta exposio um quadro--,o abat-jour japonez1 que verdadeiramente uma japonesice de caixa de ch4 ,no entanto recommenda-se o seu quadro--,tarde calma de junho1 que est1 a meu vr1 bem1 e o unico que se salva de todo aquelle monto de arte de recorte444 ,figura3 ,paisagem--,,marques d',,oliveira ,condessa d',alto ,mearim1 n4os #ag a #ai4 ,tem merecimento1 e muito1 esta amadora--,a ,nossa ,senhora do ,refugio1 bem lanada de linhas1 largas pinceladas dadas sem feminismo1 talvez um pouco coquete1 na expresso1 para ,nossa ,senhora1 no entanto um bello quadro4 ,o n4o #ag parece-me estar trocado1 pois no crivel que s4 ex4a pintasse um retrato de ,f4 ,v4 n'um velho em traje de fantasia2 mas se o pintou1 diremos que o trabalho bom1 a figura est bem estudada1 boa carnao1 boas roupagens1 mos bem trabalhadas1 um bom quadro1 emfim4 ,d4 ,maria ,luiza ,alto ,mearim1 n4os #ai e #bj1 o ,five clock tea um bom quadro traado amplamente1 com boa luz e muita expresso da figura1 talvez um pouco de branco a mais na cara da dama1 que deve ser da primeira sociedade e que naturalmente usa muito p de veloutine1 e d'ahi o tal branco6444 ,viscondessa de ,ameiro1 n4o #aa4 ,arvoredo--eu chamar-lhe-ia--,alvoredo4 ,est l muito no alto1 to alto1 que se perde de vista4 ,lembra uma travessa de hortalia picada para gallinhas4 ,figura3 ,mendiga--,,carlos ,,reis ,d4 ,virginia ,avellar1 n4o #bb4 ,supplica4--,uma deliciosa irm da ,caridade1 estudada com carinho e amor1 tal quanto merecia aquelle lindo rosto1 que um bello sol banhava n'uma suavissima emoo de castidade e444 affecto4 ,merecia1 a meu ver1 uma meno honrosa1 mas444 foi para outros444 ,d4 ,laura ,bandeira1 n4o #bc4 ,d4 ,ignez de ,castro1 esguia e airosa1 um pouco theatral1 regularmente pintada4 ,o galgo que a acompanha1 parece feito de grafite1 e se a ,d4 ,ignez continua1 por muito tempo1 com a mo esquerda n'aquella posio1 acaba por cegar o pobre cachorro1 pois a metter-lhe um dedo pelo olho dentro1 aquillo d pelo menos uma conjunctivite444 ,leopoldo ,battistini1 n4os #bd a #bg--;dois estudos de velhos1 um d'elles passavel--o #be4 ,avarento1 horrido de luz e de expresso1 parece um paranoco fugido ao tratamento do dr4 ,bombarda4 ,o #bg--;,barqueiros do ,mondego4 ,extraordinario4 ,parece incrivel que se podesse metter uma barcaa d'aquellas dentro d'um quadro de #a1bf por #a1hg4 ,effeitos de luz1 detestaveis4 ,a mulher ou tem o peito em fogo ou quer dar a comer candeias de cebo ardendo1 pobre creana que parece ter ao collo4 ,d4 ,emilia ,a4 ,s4 ,braga1 n4os #bh a #ca--;,a ,maria de ,s4 ,joo 7#bh7 uma velhota com cara de boa pessoa1 regularmente pintada2 acho-lhe as mos1 o rosto e o cabello bem estudados e com boa cr4 ,a orao 7#bi7 ,estudo 7#cj7 so dois bons quadros1 traados com superior criterio1 pincelados largamente1 com soberbas expresses1 luz boa1 cr magnifica2 no n4o #cj notamos ainda o bem executado do collo d'uma linda mulher4 ,jos de ,brito1 n4o #cb--;,a ,vaga4--''' j meu conhecido este quadro1 d'um pintor portuense1 que tem o seu nome ligado a obras de muito merecimento4 ,a ,vaga1 na sua ida symbolica no me agrada1 mas na sua execuo1 como estudo do n superior e irreprehensivelmente feito2 no bem trabalhado do desenho e no bem dado da cr1 sente-se a curva avelludada e macia d'uma mulher nova e de carnes duras4 ''' um bom quadro4 ,arthur ,a4 ,cardoso1 n4os #cc e #cd--;,dois retratos4--,o n4o #cc bem feito2 que para mim1 desde que so retratos1 o que eu quero que elles se paream1 quanto ao mais no me importa4 ,figura3 ,marinha--,,jo,o ,,vaz ,joo ,luiz ,cardoso1 n4os #ce a #db--;,especialidades em ,arredores4 ,arredores de ,aveiro e de ,thomar4 ,notarei como dignos de meno o n4o #ci1 um bello poente1 e os n4os #dj1 #da1 e #db1 onde a luz bella1 distribuida com methodo e muita uniformidade4 ,antonio ,carneiro ,junior1 n4os #dc a #de4--;,este artista um melancolico1 um triste1 e se nos quadros expostos o no mostra que se limitou a expr retratos4 ,o que dizer d'esses retratos1 quando o jury j disse tudo1 dando ao seu quadro--n4o #dc1 ,retrato de ,teixeira ,lopes--uma medalha4 ''' innegavelmente um trabalho magnifico4 ,o retrato n4o #de1 de uma senhora1 tambem muito bom4 ,bernardino ,trindade ,chagas1 n4os #df e #dg4--,uma paisagem e um retrato4--,ataca dois generos differentes com a mesma galhardia e o mesmo savoir-faire4 ,o retrato teve uma meno honrosa4--,a paisagem boa3 ,uma mulher sobre um burrico1 vae1 n'um chouto doce1 atravez um caminho de aldeia1 para a capellinha1 em ,tavira4 ,boa luz1 boa cor1 destacando no tom amarello saibroso da estrada as figuritas1 que o artista estudou com cuidado4 ,jorge ,collao1 n4os #dh a #ej4--;,este artista o collaborador artistico do ,seculo ,illustrado1 julgo eu1 e por isso preciso ter cuidado com elle para no ter o desgosto de succeder minha despretenciosa critica o que succedeu ao monumento de ,sousa ,martins1 feito pelo ,queiroz ,ribeiro4 ,por isso444 fico calado444 ,mas no fico444 ahi vae o que eu penso4 ,na ,partida interrompida1 que teve a #b4;a medalha1 acho-lhe o p esquerdo1 que est no plano anterior1 um tanto mais delgado do que o p direito1 que est n'um #b4o plano1 um pouco mais atraz e bastante cheio4 ,o ,nos campos de ,arzilla1 um largo quadro feito com todo o interesse e correco de quem sabe tratar com pinceis4 ,uma bella tela cheia de cor e de um largo poder decorativo4 ,guarda negra4 ,talvez no fosse peor ter adelgaado um pouco as mos ao cavallo1 que avulta no #a4o plano do quadro4 ,os cavallos arabes so1 por via de regra1 d'uma gracilidade especial de mos1 que caracterisa bem o seu genio nervoso e a ligeireza do seu galopar4 ,ernesto ,condeixa1 n4os #ea a #ef4--;,este tambem um artista cuja reputao est feita4 ,pinta com muita consciencia1 muita pratica e bastante saber4 ,notarei1 para mim como melhor1 o #eb1 em que ha um bello effeito de sol sobre a agua do mar4 ,o #ec1 delicioso ,cantinho da praia de ,pao d',arcos1 e o #ef1 um soberbo poente nostalgico e poetico na ,ribeira de ,algs4 ,candido da ,cunha1 n4os #eg a #fa4--,poeta sentimental da pintura1 lana nos seus quadros as suas impresses com um sentimento desusado2 no o pintor do grande sol e da cr que retine como toques de clarim1 no2 repassa-os de uma unco suavemente triste1 que encanta4 ''' inegavelmente um quadro de mestre o seu ,hora nostalgica1 #eg4 ,os outros so pequenas manchas1 feitas com muita correco4 ,figura3 ,vaga--,,jos''' de ,,brito ,mademoiselle ,helene ,eisembard1 n4os #fb e #fc4--,portrait huile1 #fb1 regular1 sem espantar4 ,fleurs1 #fc4 ,chrisantemos1 uma chinesice a oleo1 que se supporta444 como chinesice4 ,lizzie ,escolme1 n4os #fd a #gj4--;,alguns quadros de flores e paisagens4 ,sem interesse para mim1 a no ser o n4o #fe1 ,primeroses e violettes1 e o n4o #ff1 ,lils1 que so regulares1 com alguma frescura4 ,o resto444 no vale nada4 ,duarte ,faria e ,maia1 n4o #ga4--,uma miniatura lambidita444 como retrato444 ,c4 ,gomes ,fernandes1 n4os #gb a #gh4--,tem-se desenvolvido este amador1 desde que se lembrou de querer ser artista2 progride innegavelmente1 demais para quem viu1 como eu1 os seus ultimos trabalhos no ,porto2 pasma do modo como est pintado o seu quadro n4o #gb1 ,margem do ,tejo4 ,bem tocado de luz1 regularmente pincelado1 com uma certa largueza e um doce tom1 que nos encanta4 ''' tambem interessante o seu ,caminho 7,granja71 n4o #gh4 ,os outros so quadros de amador com pretenses444 ,jos ,s4 ,moura ,giro1 n4os #gi a #hg4--,s podemos admittir com a rubrica d'este bom artista os quadros n4os #hd a #hg1 onde ha gallos e gallinhas soberbamente pintados1 porque1 ainda at hoje no encontrmos ninguem1 que tenha na sua palleta cores to brilhantes e to accentuadamente definidas1 para pintar a plumagem retumbante dos gallos4 ,so estes trabalhos de molde a fazer impor admirao do publico um artista como ,giro4 ,mas444 pena foi que elle se no limitasse a isso e tentasse pintar animaes de pello444 ,os seus gatos 7n4os #ha a #hd71 so horrorosos2 parecem1 bem como os coelhos 7n4o #gi71 biblots de algodo em rama1 para creanas2 d'estes que se vendem no ,benarde1 no ,cardoso da rua ,nova do ,carmo444 ,fique-se com esta snr4 ,giro1 que eu1 infelizmente1 no conheo4 ,nunca pinte seno aves1 se no quer perder o grande nome que tem1 como primoroso artista que 4 ,d4 ,isabel ,laver1 n4os #hh a #ic4--,o quadro n4o #hh1 ,cabea de velho1 fez-nos parar algum tempo na sua frente e1 ao fixal-a1 saltou-nos1 instinctivamente1 da mente1 aquelle pedao de poesia de ,caldeira1 ,a ,mosca3 44444444444444444444444444444o maldito do velho1 ,da cor d'um rabanete1 ou ainda mais vermelho444 ,porque de facto o tal velhote parece esculpido n'um presunto de ,lamego444 ,o n4o #ij1 ,rosas1 duras e compactas como se fossem talhadas em porcelana da ,vista ,alegre1 pousadas n'uma jarra d'um detestavel effeito e cor4 ,o ch1 7#ia74 ,um bule de prata oxidado e sujo1 doce de dezoito vintens o arratel1 para velhotas coscovilheiras1 que vieram at ns dos tempos dos francezes4 ,jos ,leite1 n4o #id4--,um bello retrato de mulher nova1 feito com mestria1 e dando a conhecer que o auctor tem disposio e sabe do metier4 ,foi-lhe conferida uma meno honrosa1 uma das mais bem applicadas do certamen4 ,adriano ,lopes1 n4o #ie4--,um retrato do general ,castel-,branco--muito bem cuidado1-- o seu auctor um discipulo que d honra aos seus professores4 ,jos ,malha4 ,eis-me chegado emfim ao ,artista que mais me deslumbra1 e mais me fascina4 ,chegado aqui1 o meu desejo pousar a penna1 curvar-me reverentemente deante da sua obra genial1 e limitar-me a gritar enthusiasmadamente3 ,salv1 pintor da grande luz1 do bello sol1 da soberba cr que retine nos teus quadros1 como pedaos de crystal finissimo que se parte4 ,era este o meu desejo1 mas1 alguem1 os mal intencionados1 esses1 ficariam na sombra a rir-se de mim1 e diriam3 ,porque no falla este critico do ,malha86444 ,eu responderia1 porque elle enche com os seus trabalhos to por completo o meu espirito1 que me julgo muito pequeno para fallar d'elles4 ,mas1 como quero levar de seguida a minha carta1 ahi vae a impresso que tive com os quadros de ,jos ,malha1 n4os #if a #ajh4 ,figura3 ,velloso ,salgado ,destaco como primordial o seu quadro1 ,barbeiro da aldeia1 #ih1 assombroso de execuo1 sublime de expresso nas figuras1 mesmo nas que se perdem nos ultimos planos4 ,luz soberba1 e444 desenho rigorosamente estudado4 ,a seguir ,a ,descamisada1 #ig--magnifico--e o #ih1 ,o ,antigo phosphoro1 em que se v perfeitamente1 muito definido1 a impresso asphyxiante do enxofre que arde morosamente1 obrigando a pr a distancia o phosphoro4 ,que bello trabalho1 que primor de expresso na figura1 que distender de brao to naturalmente lanado6 e o #ii1 ,cabea de estudo1 optimo de luz1 e o #ajb1 ,ao cair da tarde1 quanta melancholia doce no nos imprime1 aquelle quadro1 e o #ajh1 esse largo quadro decorativo para a sala de musica do snr4 ,lambertini8 ,com que gracilidade no esto lanadas todas aquellas figuras1 n'umas posies naturaes e flacidas que parecem cheias de mocidade e de vida4 ,e1 deixei para o fim o n4o #ajf1 que1 embora eu esteja em erro1 para mim um dos trabalhos mais fulgurantes do grande artista4 ,aquelle retrato de mulher1 com uma elegancia finissima de palmeira1 desenhada com uma distincta correco de linhas e colorida com um mimo especial de carnao1 que palpita1 fez-me sentir o grande desejo de me curvar n'uma postura palaciana e beijar respeitosamente as pontas d'aquelles dedos1 que to despreoccupadamente pousam no teclado do piano4 ,este quadro para mim d'um encanto inexcedivel4 ,e que me perde o artista se eu no soube dizer d'elle o que elle merecia4 ,raul ,maria1 n4os #aji a #aab4--,quatro retratos1 sendo regularmente bem feito o #aji1 de ,carlos ,malheiro ,dias1 o #aaa1 retrato de ,eduardo ,brazo1 foi feito decerto em occasio1 em que o grande actor estava soffrendo de vertueja1 uma especie de erisypela4 ,o retrato n4o #aab1 s se admitte como caricatura4 ,d4 ,branca ,marques1 n4o #aac4--,uma velha alde1 que nos faz lembrar uma batata ingleza4 ,adolpho ,manon1 n4o #aad4--;,a ,costa4 ,perfeito quadro para as ,messageries ,maritimes2 eu chamar-lhe-ia o vapor ,city of ,lisbon4 ,thomaz de ,mello ,junior1 n4os #aae a #aba4--''' um paisagista interessante e de merecimento4 ,destacaremos os seus quadros3 #aae1 ,salgueiral d',azambuja1 paisagem cheia de luz1 com uma fita d'agua muito bem estudada2 ,o ,gerez1 estudado com cuidado1 na cr e na luz4 ,o ,gerez aquillo1 conhece-o bem4 ,o #aba1 ,torre de ,s4 ,julio1 que muito interessante1 e1 ento1 o #aah1 ,praia de ,nazareth6 uma soberba marinha1 feita com muito criterio e muito saber4 ,as vagas1 que se levantam em caches espumantes1 esto1 na verdade1 feitas magnificamente1 e o barco1 que as tende galgar ao esforo dos remos1 est estudado com preciso e rigorosidade4 ,thomaz de ,moura1 n4os #abb a #abh4--''' um artista que vem l de fra1 com as suas impresses de ,paris e da ,bretanha2 os seus quadros so tocados de um certo gris1 que ns no temos1 uma cr acizentada que me fere mal a retina1 o que no quer dizer1 que elle no tenha merecimento1 que o tem4 ,especialmente o seu #abb1 ,carinhos de me1 est muito bem feito4 ,d4 ,fanny ,munr1 n4os #abi a #acc4--,muito gelo1 muito gelo e muito gelo1 no entanto no me desagradou o #acc1 ,na ,montanha4 ,isaias ,newton1 n4os #ace a #adi4--''' um professor e bem me custa dizer mal d'elle1 mas que querem1 a bilis c est s voltas commigo2 o seu #acd1 ,o ,lago1 parece feito de vidro fiado e os seus1 #acg1 ,entrada para a quinta do ,ex4mo ,snr4 ,novaes1 #aci1 ,campo do ,bomfim1 lembram oleographias1 o unico aproveitavel1 a meu vr1 o #ace1 ,um trecho de paisagem4 ,d4 ,mariana ,palma1 n4o #adj4--;,depois do jantar4 ,um melo phantastico com pevides que parecem dentes1 queijo cabea de preto com manchas de bolor4 ,um mau vinho1 dentro de uns crystaes e d'uns vidros da fabrica da ,amora ou da ,marinha ,grande4 ,torquato ,pinheiro1 n4os #ada a #ade4--,o retrato de seu filho1 #ada4--''' sem discusso o seu melhor quadro n'esta exposio4 ,torquato ,pinheiro um paisagista distincto1 mas no menos como retratista4 ,os seus quadros so tocados sempre de uma certa ingenuidade1 que nos encanta1 so para notar o #add1 ,lea de ,bailio1 profundamente melancholico1 e o #ade1 ,fim da ,tarde1 bem feito1 com muita suavidade de luz4 ,figura3 ,busto de ingleza--,,teixeira ,,lopes ,columbano ,bordallo ,pinheiro1 n4os #adf a #aed4--;,eis outro artista que se impe firmemente nossa admirao1 este no um artista do sol1 1 deixem-me dizer1 um artista psychologo4 ,faz talvez mais o retrato da alma do que o retrato do corpo1 mas1 o que elle sabe 1 dar umas pinceladas to originaes1 to suas1 que os seus quadros conhecem-se ao longe1 sem precisarmos de lhe vr a assignatura4 ,o quadro #adf--;,a ,pelia d'uma execuo to subtil1 que apetece passar-lhe ao de leve a mo sobre aquella pelle1 para se sentir o aveludado da lontra1 o #adg--,scena d'interior1 ha tal expresso na cara de mulher1 que se est a sentir e a vr1 o que ella est pensando l dentro do seu cerebro de velhota matreira4 ,mas1 superior a todos1 a meu vr1 o #aeb1 ,retrato do ,conde de ,arnoso4 ''' extraordinariamente superior4 ,manuel ,h4 ,pinto1 n4os #aee a #aef4--,nunca tinha visto nada d'este artista1 e fiquei gostando de vr os seus quadros2 so ambos bons1 mas o #aee1 ,dar de comer a quem tem fome6 muito bem estudado4 ,ha ali vida1 n'aquella mulher que cuida dos seus bacorinhos com boa menagre e os bacoritos1 esses1 na sua suinissima figura de resmunges1 esto tambem muito bem estudados4 ,e no fui s eu que gostei dos quadros1 foi tambem a commisso1 que lhe deu uma medalha4 ,joo ,porfirio1 n4os #aeg a #aeh4--,o quadro #aeh um especimen comprovativo das theorias de ,darwin4 ,carlos ,reis1 n4os #aei a #afd4--;,este sim4 ,os seus quadros confirmam bem o seu bom nome de mestre4 ,na figura e na paisagem1 em ambos superior4 ,o seu #aei--,retrato de ,max ,van ,ypersele de ,strihon1 magnifico1 a carnao flagrante de cr e a mo8 ah6 a mo6 um primor de correco4 ,os #afj--,velho castanheiro--#afa1 ,mendiga--#afb1 ,souto de ,castanheiro--#afc1 ,poente de abril1 so quatro lindas joias da arte pinctural que apetece roubar da exposio para revestir o boudoir gentil da mulher que se ama4 ,augusto ,ribeiro1 n4os #afe a #agj4--,verdadeiro pintor impressionista4 ,unicamente nos d impresses de paisagens do ,norte1 onde o azul mais forte e a vegetao mais luxuriante1 verdes d'um matisado mais doce1 mais animado4 ,as suas pochades so regularmente tocadas4 ,as que mais me agradaram foram as n4o #afg1 ,poente 7,ancora72 #afi1 ,poente 7,ponte do ,lima72 #agj1 ,poente 7,paredes do ,coura74 ,foi contemplado com uma meno honrosa1 bem merecida4 ,joo ,augusto ,ribeiro1 n4o #aga4--,um septuagenario1 interessante e bem feito4 ,joo ,nunes ,ribeiro ,junior1 n4os #agb a #aha4--,pintor de paisagem1 retrato e quadros de genero2 muita coisa para um artista s4 ,os retratos passaveis1 alguns mesmo bons4 ,paisagem com certo ar1 especialmente o #agg1 que est bem tocado de luz e assumpto bem escolhido2 o #agh1 ,campolide1 que interessante4 ,os fructos e flores1 #ahj1 esse achei-o medonho1 simplesmente medonho1 muito proprio como reclame para a casa ,daupias4 ,pareceu-me um quadro annunciador4 ,no que1 as flores e as fructas tem que se lhe diga1 preciso muita frescura1 para as fazer resaltar com vida1 dos quadros444 ,figura3 ,tomando o ch--,,columbano ,adolpho de ,sousa ,rodrigues1 n4os #ahb a #aie4--,o seu maior trabalho o #ahb1 ,no trabalho do campo4 ,no desgostei d'elle1 apenas me fez m impresso aquelle verde das lombardas ou tronchudas4 ,parece-me que as figuras se recortam demais n'aquelle fundo verde4 ,o #ahd1 ,sabotier breton1 achei-o com boa luz de officina e as figuras bem estudadas4 ,a cr444 aquella cr bret1 que eu no conheo1 que me fez esmorecer um pouco4 ,eu gosto mais da nossa luz4 ,o retrato #aie1 esse acho-o muito bom1 bem executado1 bem desenhado4 ,fernando ,a4 ,m4 de ,s1 n4o #aif4--;,arredores de ,setubal4 ,mau de execuo e de cr4 ,jos ,velloso ,salgado1 n4os #aig a #aii4--,o grande pintor de retratos e de tudo o mais1 que este artista1 quasi que me dispensava de dizer qualquer cousa d'elle4 ,os seus trabalhos veem de ha muito1 pondo uma verdadeira nota de arte no nosso pequeno meio4 ,a sua fama est feita1 o seu nome1 ao ser dito1 retumba como um echo de gloria na arte da pintura portugueza4 ,l para o norte temos coisas to lindas1 e to primorosamente feitas1 d'este artista1 no ,palacio da ,bolsa1 que eu acanho-me de fazer opinio sobre os seus trabalhos expostos1 que so muito bons4 ,sobresaindo para mim a todos estes1 o #aii1 retrato de ,adolpho ,msson4 ,d4 ,luiza ,stephania da ,silva1 n4os #bjj a #bjb4--,unicamente me fez sensao o #bja1 em que ha uma certa frescura1 nos lyrios pintados4 ,candido da ,silva ,junior1 n4os #bjc a #bab4--;,dois quadros1 em que ha retratos1 paisagem e flores4 ,deram-me no goto os n4os #bje a #bji--o primeiro uma especie de jardim de velha rabugenta2 muita flor1 muita flor1 e nenhuma disposio4 ,no s as flores d'este quadro1 mas as de todos os outros so duras1 sem frescura1 sem cambiantes de tom1 quasi homogeneos na cr4 ,a magnolia1 #bji1 at parece um limo444 ,acceitavel o #baj1 ,alfeite1 que uma manchasita que se suporta bem1 para amador4 ,joo ,ribeiro ,christino da ,silva1 n4os #bac a #bah4--;,ai pai6 que coisas aquellas6 ,o #bac1 a meu ver1 simplesmente horrivel1 os outros444 adeante444 a no ser o #bah que interessantinho na sua frma miniatural4 ,viscondessa de ,sistello1 n4os #bai a #bbd4--''' uma amadora de certo1 os seus quadros so cheios d'um quer que seja de pretencioso444 o n4o #bai1 ,retrato--achei-o sem vida1 muito chapado4--,fez-me saudades1 porque me pareceu uma imitao m1 do bello quadro de ,velloso ,salgado--,reflexos4 ,o #bbj passavel1 a no ser o ar estudioso e pensador de mais1 do menino1 e o #bbb a abarrotar de coisas--um pedao de queijo stilton1 que faz lembrar sabo rajado azul1 fructas duras1 vinhos maus1 agrupamento infeliz4 ,o #bba regularmente tocado1 como mancha4 ,figura3 ,retrato de ,el-,rei--,,carlos ,,reis ,joo ,vaz1 n4os #bbe a #bcg4--;,deliciosa toda a obra d'este cantor1 pelo pincel1 da agua4 ,inexcedivel artista em marinhas2 com que venerao eu o admiro1 e ao seu savoir faire4 ,ha tanta verdade em todos os seus quadros1 tanta e tanta luz nas suas telas1 que ao contemplal-as como que se sente o marulhar cadenciado das ondas4 ,a pesca da sardinha1 #bbe1 um quadro primoroso4 ,o barco algarvio1 #bbi1 navegando em pleno mar1 parece que se vae afastando pouco a pouco de ns e que ouvimos o bater1 compassado dos remos na agua4 ,o moinho do ,barredo1 #bcj1 airoso e lindo1 batido do sol--e ,o ,castello de ,montemr1 #bcd1 que parece sair arrogantemente do fundo d'um azul primoroso1 so obras que encantam4 ,alli1 ha o que se chama faisca artistica1 alli ha a nota caracteristica de quem muito bem conhece a arte de pintar4 ,emily ,wormsley1 n4o #bch4--,um largo quadro de flores1 loua da ,india e metaes4 ,boa composio1 bem estudado e bem tocado de cres4 ,foi-lhe conferida uma meno honrosa1 bem merecida4 ,francisco ,xara1 n4os #bci a #bdj4--;,as ,papoulas do #bci1 fizeram-me lembrar flores de papel de seda feitas por alguma menina da baixa1 em horas d'ocio1 entre o crochet e o ch com torradas1 para enfeitar um chapeu de campo ou algum oratorio de velhota amiga4 ,,esculptura ,jos ,simes d',almeida 7,sobrinho71 n4o #bda4--,modelo para uma medalha1 bem executado4 ,pedro ,cartoccio1 n4os #bdb e #bdc4--;,fez-me especial atteno o #bdb1 ,juiz de ,phyn4 ,um ar malicioso de juiz estecta1 definidamente traado1 nas suas bem marcadas linhas1 uma bella cabea lanada com energia e rigorosidade4 ,antonio ,teixeira ,lopes1 n4os #bdd a #beh4--''' sem discusso ,teixeira ,lopes1 ao momento1 o maior esculptor portuguez4 ''' talvez o unico que pde affirmar ao paiz e ao estrangeiro1 que s elle tem o poder de fazer resaltar do marmore ou do bronze1 as suas figuras1 to definidamente perfeitas1 que se nos afigura terem vida4 ,notar aqui os seus trabalhos seria fazer a resenha das suas #ae obras1 porque todas ellas se nos impem admirao1 do mesmo modo4 ,no entanto1 magestosamente solemne1 na serenidade do seu ar1 sublime na grandeza do seu pensamento est a figura1 da ,historia1 #beb1 para o tumulo de ,oliveira ,martins4 ,e o #bdd1 ,santo ,izidoro1 n'uma serenidade de justo1 esculpido com um carinho doce2 ao olhal-o sente-se como que1 uma uno sublime e casta que nos convida orao4 ''' um trabalho soberbo1 as mos1 o pescoo1 a face1 as roupagens1 tudo emfim1 feito com um rigoroso saber4 ,e os ,velhos1 #bde e a ,flora1 #bdf e o ,bb1 #bdg1 e todos os outros trabalhos8 ,simplesmente soberbos6444 ,teixeira ,lopes inegavelmente o primeiro esculptor portuguez4 ,antonio ,augusto ,costa ,motta 7,sobrinho71 n4o #bei4--,uma ,cabea de estudo1 bem feita4 ,jorge ,pereira1 n4o #bfj4--,um typo de marinheiro1 traado largamente1 sem detalhes de meticulosidade2 na verdade uma bella cabea1 bem estudada e melhor executada4 ,,architectura ,n'este genero nada entendo1 sou leigo1 perfeitamente leigo4 ,no entanto l vae4 ,figura3 ,olaia em flor--,,carlos ,,reis ,antonio ,couto n4o #bfa4--;,casino1 preferia vel-o construido1 pois n'esse caso melhor o gosaria4 ,raul ,lino1 n4os #bfb e #bfc4--;,gostei do #bfb1 ,esboo para a casa em ,azeito4 ,talvez1 pela ida do conforto que se deve sentir n'aquella casa portugueza1 com bibelots caros e mobiliario de talha e bilros4 ,tertuliano ,marques1 n4os #bfd e #bfe4--,projecto do mausoleu a ,almeida ,garrett4 ,no desgostei1 acho-o bem estudado4 ,jos ,alexandre ,soares1 n4os #bff e #bfg4--;,achei airosa e bem lanada a fachada para o ,club militar4 ,deveria depois de feito ficar uma obra digna do ser admirada aquella ,praa ,publica4 ,,aguarellas ''' uma das mais interessantes manifestaes da arte pinctural1 este genero de pintura1 difficil na execuo1 s se admitte quando o desenho muito correcto e a tinta dada em pinceladas certas1 frescas e vivas444 por isso1 o terem-me agradado pouco os trabalhos expostos4 ,a ver3 ,francisco ,a4 ,moreira de ,almeida1 nos #bfh a #bga4--;,francamente1 francamente1 teem um ar ingenuo de chromo-lithographia4 ,bartholomeu ,sesinando ,ribeiro ,arthur1 n4os #bgb a #bgh4--''' a especialidade d'este artista a pintura de costumes militares e com franqueza1 tem-nos1 primorosos de execuo1 o que no quer dizer que tambem os no tenha fracos4 ,n'este certamen agradaram-me o #bgc1 ,official do regimento do ,maranho1 feito com muito ar e muito boa luz1 destacando soberbamente no seu arrogante aplomb1 e o #bgd1 ,official de estado maior1 tambem bem trabalhado4 ,mademoiselle ,helena ,eisembart1 n4o #bgi4--;,fructas4 ,uns cachos de uvas com a sua folhagem1 boa aguarella1 muito fresca1 muito leve1 transparente4 ,jos ,souza ,moura ,giro1 n4os #bhj a #bhe4--;,c temos outra vez o grande artista das aves4 ,n'esta seco brilha elle deliciosamente4 ,as suas aguarellas correspondem precisamente s condies exigidas para a boa aguarella1 cres vivas1 transparencia1 e frescura2 e tudo isso tem as suas4 ,notaveis todas as dos n4os #bhj1 #bha1 #bhb1 #bhd1 #bhe mas sobretudo o ,fausto e ,margarida1 #bhj1 ,entrando1 #bhb1 e ,cantando1 #bhe1 que a meu ver so magistralmente feitas4 ,jorge ,ianz1 n4os #bhf a #bie4--,outro aguarelista1 que nos enche1 com a sua cr fulgurante4 ,so bem manchadas as suas aguarellas1 fazendo-me lembrar1 no sei porqu1 as do fallecido ,manuel ,san-,romo1 o artista mais mimoso1 que eu tenho conhecido1 como manchista1 ,ianz e inegavelmente um artista de merecimento4 ,so muito bons para mim1 os seus #bhf1 em ,toscana1 #bhh1 ,impresses de viagem1 #bib1 #bic1 #bid1 tres bellas marinhas1 muito bem tratadas1 o #bie1 ,descarga no ,tejo1 admiravel de execuo2 a arcada que se v ao fundo do quadro poderia1 com honra1 ser admittida n'um concurso de architectura4 ,alfredo de ,moraes1 n4os #bif e #big4--;,costumes da ,judea4 ,no quero dizer que estejam maus1 mas fizeram-me lembrar1 ,deus me perde1 7,deus e o artista7 os homens das tamaras4 ,figura3 ,entre o almoo e o jantar--,,marques d',,oliveira ,roque ,gameiro1 n4o #bih4--,retrato d',el-rei4 ,aguarella de difficil execuo1 mas superiormente tratada1 boa luz1 bella cr1 roupagem magnifica1 tom de rosto bom4 ,as luvas so uma perfeita illuso4 ''' um bom trabalho4 ,,desenho ,d4 ,beatriz ,alto ,mearim1 n4o #bii4--,um estudo1 regularmente traado4 ,jorge ,porphirio1 n4o #cjj4--;,jardim botanico4 ,achei-o palmeirento de mais4 ,regular4 ,candido da ,silva ,junior1 n4o #cja4--,um quadrito com cinco cabeas4 ,s me agradaram as duas feitas a crayon azul4 ,,pastel ,no imagine o leitor que eu vou discorrer sobre o effeito do pastel de fructa1 ou de crme1 do ,baltresqui1 no1 vou fallar do systema de pintar a pastel--ou por outra1 a crayon de cres1 e que por signal no l das coisas mais faceis1 para ser bem feito4 ,para se trabalhar bem n'este genero uma das coisas mais necessarias saber desenho4 ,que afinal para se pintar bem o que preciso desenhar muito e bem4 ,d4 ,luiza ,almedina1 n4o #cjb4--,retrato de sua irm ,ilda4 ,n'este trabalho ha varios defeitos1 saltando porm vista a differena da cr entre o rosto1 e o pescoo e collo1 que muito prejudica o effeito do quadro4 ,d4 ,beatriz ,alto ,mearim1 n4o #cjc4--;,estudo4 ,uma velhinha4 ,regularmente empastado4 ,condessa ,alto ,mearim1 n4o #cjd4--;,estudo4 ,este quadro a meu vr1 devia estar no catalogo na seco dos desenhos4 ''' bem feito1 v-se que esta senhora no descura a base principal de pintura4 ,d4 ,maria ,luiza ,alto ,mearim1 n4o #cje4--,um estudo4 ,as mesmas consideraes expandidas para o n4o #cjd4 ,leopoldo ,batistini1 n4o #cjf4--;,cabea de estudo4 ,magnifica de empastamento doce e finura de trao1 penna que encha to por completo o quadro4 ,um pouco mais de margem e seria para mim muito mais agradavel vista4 ,d4 ,emilia ,adelaide ,santos ,braga1 n4o #cjg4--,retrato de ,cupertino ,ribeiro4 ,trabalho bem feito4 ,jos de ,brito1 n4os #cjh e #cji4--,superiormente executado o n4o #cji4--,o frade4 ,frederico ,cezar ,camara ,leme1 n4os #caj a #cab4--,recortado de mais o #cab1 ,ovelhas4 ,d-me a impresso d'estas ovelhas de carto e algodo em rama1 tendo ao fundo um vulco de theatro1 irrompendo bravamente e pondo uma luz forte em todo o ambiente4 ,figura3 ,a chegada da diligencia aos ,valles em ,ferreira do ,zezere--,,alfredo ,,keil ,bemvindo ,ceia1 n4o #cac4--,um velho operario1 regularmente tocado1 comme ci1 comme a4 ,joo ,g4 ,mattoso da ,fonseca1 n4os #cad a #cbj4--;,destacarei d'este artista o #cad4 ,retrato de ,d4 ,m4 ,e4 ,f41 que tem o cabello e a pellia magnificamente tratado4 ,ninete1 #cae regularmente feito--especialmente o cabello1 e pluma do chapeu4 ,no gostei do #caf1 ,a ,f1 porque achei a figura com muito pouca f1 e o #dah1 ,ao espelho1 em que noto um determinado abuzo de branco1 na cara4 ,adriano de ,sousa n4o #cba4--;,ave ,maria4 ,a carnao d'esta figura muito bem tratada1 aveludada e macia4 ,jos ,malha1 n4o #cbb4--,retrato de mademoiselle ,c4 ,r4 ''' simplesmente delicioso este quadro4 ,como desenho1 como technica de execuo1 como posio de modelo1 como tudo emfim1 sem discutir esse o primeiro trabalho a pastel da exposio4 ,tenho visto muitos trabalhos n'este genero1 mas1 nenhum me deslumbrou como este4 ,d4 ,antonio ,lobo da ,silveira1 n4o #cbh4--,um estudo1 mau4 ,viscondessa de ,sistelo1 n4os #cbd a #cbe4--,no tive o gosto de vislumbrar estes trabalhos na exposio ou no estavam l1 ou passaram-me despercebidos1 por isso nada direi d'elles4 ,,gravura ,jos ,simes d',almeida 7,sobrinho71 n4o #bcf4--,medalha4--,gostei d'ella4 ,,caricatura ,aqui que tremer e tremer como varas verdes1 porque1 se estes dois pandegos me descobrem1 ainda tenho a sorte dos caricaturados expostos4 ,eu1 se tivesse pretenses popularidade1 bem sei o que fazia3 desatava a dizer mal dos dois e elles1 para se vingarem de mim1 desenhavam-me ahi em qualquer jornal burlesco e eu passava gloria entre as gargalhadas estridulas do publico e a arrelia das pessoas que me querem bem4 ,porque eu1 aqui para ns1 dava uma boa caricatura444 ,mas no direi mal dos homens1 nem bem444 direi s o que sinto444 que o primeiro filho de peixe e sabe nadar e o segundo tambem nada menos mal4 ,perfilar1 que vae passar a patrulha da troa e do chiste4 ,manuel ,gustavo ,bordallo ,pinheiro1 n4o #chg4--,soberbas caricaturas1 que pena 1 no virem mais para o publico1 n'esse ,album de ,glorias1 que to estimado pelos leitores4 ,aquelle ,chaby est fulgurantissimo de graa4 ,francisco ,valenas1 n4o #cbh4--,typos1 todos elles bons1 mas superior o ,ricardo ,jorge1 fazendo-me saltar o riso1 naturalmente1 expontaneo4 ,,arte ,,applicada ,aqui torce a porca o rabo1 ou ainda3 o rabo o peor de esfolar1 como muito bem diz o nosso bom povo nos seus annexins4 ,e de facto assim 444 eis um assumpto em que eu me vejo assaz embaraado--arte applicada6444 eis uma coisa onde vejo um largo campo para entretenimento de damas1 a pintura dedicada de bibelots adoraveis para boudoirs de luxo4 ,n'esta seco primam com a sua bagagem artistica todas as senhoras que expem4 ,umas mais brilhantemente que outras4 ,no vos massarei pois com citaes de numeros nem de nomes4 ,figura3 ,o rapto de ,ganimedes--,,fernandes de ,s ,fallarei no emtanto1 do n4o #ccf1 ,goblin1 do ,jorge ,ianz1 que na verdade uma das imitaes mais perfeitas que temos visto4 ,bem estudado nas cres1 que do a impresso nitida de estarmos em frente de um verdadeiro tecido2 s achamos um poucochinho puxado o preo444 ,um conto de ris dinheiro6 ,a ,moldura-,luiz ,,xiv1 n4o #ccg1 de ,jos ,emygdio ,maior1 bem esculpida1 correcta no estylo e no desenho4 ,tambem gostamos do n4o #cch1 ,modelo para uma floreira1 muito elegante de frma e est feita com certo mimo4 ,como arte nova acceitavel4 ,ah6 mas o que eu achei subtil1 e vaporoso1 foi o leque exposto por ,d4 ,maria ,bordallo ,pinheiro4 ,que delicia1 que encanto4 ,aquella senhora vem de ha muito afirmando o seu grande gosto artistico e o seu forte temperamento creador4 ,que isso no nos admira1 mal fora que assim no succedesse1 pois ella uma grande artista4 ,todos os seus1 so verdadeiros artistas1 cada qual no seu genero4 ,bordallo1 o incomparavel e inimitavel caricaturista2 ,columbano1 o soberbo pintor2 ,manuel ,gustavo1 correcto seguidor dos passos de seu pae1 vae largamente pondo-se a par d'elle1 na firmeza e na correco de caricatura4 ,mas no d'elles que eu fallo1 da rendilheira sublime que consegue que as operarias de ,peniche1 faam rendas to finas e to delicadas1 que abertamente se podem pr ao p d'essas custosas rendas de ,bruxellas e de ,allenon4 ,por isso1 aqui lhe significa1 este provinciano1 que felizmente j conhecia os seus bellos trabalhos1 recordando ainda hoje ao escrever isto1 um leno formosissimo executado por ,d4 ,maria ,augusta1 com peixes e mariscos1 a sua muita admirao pelo seu grande talento4 ,notaveis tambem as ,fivellas n4os #cdb e #cdc1 de ,joo da ,silva1 que achei bem executadas1 no devendo envergonhar-se ao p1 das saidas de cinzeladores1 como ,jerdelet4 ,ia-me passando falar d'uma japonesice em trez actos1 que 1 como quem diz1 em trez folhas1 d'um paravent1 pintado por ,pigasson ,ricot1 que1 na verdade1 no est feio4 ,esto bem copiadas as figuras e os effeitos tirados1 no so maus4 ,acho-lhes o mesmo defeito do ,goblin de ,ianz3 muito caro444 para amadores4 ,sobre o concurso para a capa do catalogo1 nada tenho que dizer1 pois isso era unica e exclusivamente da competencia da commisso da exposio1 que deu o primeiro premio ao trabalho de ,francisco dos ,santos e o segundo a ,tertuliano ,marques4 ,e at que em fim1 acabou a massada para o benevolo leitor4 ,desculpe-me1 portanto1 meu caro redactor1 o eu ter estendido tanto a massa1 como se costuma dizer1 mas desagravel me seria1 ter promettido falar de todos e deixar passar em claro algum d'elles4 ''' provavel que o publico e1 muito especialmente1 os artistas1 no tenham gostada minha prosa1 por eu ter dito muitas barbaridades1 mas eu sou assim2 o que tenho c dentro para se dizer1 bem ou mal1 segundo posso e sei4 ,mas1 se esta minha despretenciosa prosa lhe agradou1 de vez em quando1 c apparecerei com noticias d'arte1 l do norte1 do ,porto1 d'essa aldeia trabalhadora e honesta1 para onde vou partir1 pois j tenho saudades d'ella444 ,maro #aijc4 ,p4 ,s4--,as gravuras d'este e d'outros artigos1 nem todas so copias dos quadros notados nos mesmos1 mas1 na impossibilidade de adquirir photographias d'elles1 usei de provas de quadros dos mesmos artistas1 dando assim a conhecer ao leitor trabalhos de artistas de merecimento e valor4 ,figura3 ,guarda arabe--,pastel de ,s4 ,m4 ,,el-,,rei ,,viii ,,pintores ,,portuenses ,,manuel ,,san ,,rom,o ''' com um grande prazer1 cheio de saudade1 que rapidamente me vou occupar d'um bello e real talento de aguarellista1 infelizmente morto4 ,quando elle se finou1 sob a dolorosa impresso que me deixou a sua morte1 no me atrevi a vir a publico1 depor na sua campa o meu ramilhete de flores1 fazendo a apologia do seu saber e das suas largas aptides para a pintura4 ,esperei esse grande acto de justia dos outros1 dos que ento eram os criticos d'arte da nossa terra4 ,figura3 ,manuel ,san ,romo ,mas1 nenhum1 nem um s1 compriu com esse dever e ,manuel ,san ,romo desceu mudez profunda do tumulo sem que alguem viesse dizer que a ,arte tinha perdido um dos seus filhos mais estremecidos e o mais apaixonado dos seus amantes4 ,no me admirou que a critica artistica da nossa terra se esquecesse de ,san ,romo1 por isso que1 o querido morto1 no era d'aquelles que se expunham admirao de ninguem2 vivia para os seus trabalhos apenas1 dispensando o reclamo pomposo das gazetas e a vida turbulenta dos clubs1 exempto de coteries4 ,era talvez um misantropo4 ,talvez4 ,mas1 o que inquestionavelmente elle sempre foi1 era um grande sabedor de cousas d'arte4 ,conheci-o bem na sua boa intimidade4 ,era um perfeito cavalheiro1 um verdadeiro gentleman2 cavaqueador brilhante e fluente fallando d',arte com uma tal elevao e enthusiasmo1 com uma tal proficiencia e um to grande saber que1 n'essas occasies1 fazia-nos lembrar um douto professor preleccionando eloquentemente sobre assumptos da sua especial e authorisada competencia4 ,ao ouvi-lo discorrer como mestre sobre esses mil problemas intrincados e complexos da ,arte na sua mais ampla acepo1 convenciamo-nos de que quem fallava no era um dilettanti da pintura1 mas um critico justo e sabedor1 um verdadeiro homem do metier4 ,figura3 ,na ,espectativa--,aguarella de ,m4 ,,san ,,rom,o ,com elle tive longas1 longuissimas conversas no seu confortavel atelier do largo do ,viriato1 e foi d'alli1 talvez1 que me veio este prurido de fallar em artistas e coisas d'arte444 ,que saudades tenho d'esse tempo1 das magnificas tardes que passei1 em aquelle atelier pequenino e confortavel como gabinete d'uma delicada dama1 replecto d'uma suavidade de luz e n'uma to artistica disposio e to cheio de flores1 que fazia lembrar uma capellinha em festa444 ,e capellinha era em verdade1 onde a ,deusa ,aguarella era venerada1 com um respeitoso enlevo1 pelo seu sacerdote querido1 por isso que ,manuel ,san ,romo era um aguarelista hors ligne4 ,para mim1 o querido extincto foi um dos primeiros aguarellistas portuguezes2 a sua maneira especial de manchar ainda no foi suplantada por mais ninguem4 ,nem mesmo o grande pintor ,casanova1 que foi professor de ,san ,romo1 e que inegavelmente um mestre na aguarella1 nunca conseguiu dar aos seus trabalhos aquelle tom especial de mancha que era uma das grandes superioridades de ,manuel ,san ,romo4 ,e isto fazia-o elle naturalmente1 instintivamente444 ,aquelle modo era o seu1 d'ahi talvez a impossibilidade de ser igualado4 ,depois1 ,san ,romo dava aos seus trabalhos uma tal frescura1 uma tal transparencia e uma tal suavidade de cores1 que as suas aguarellas eram como uma pintura ideal que sempre nos fascinava4 ,e como elle desenhava6444 ,attestavam bem o seu estudo do desenho as pastas carregadas de trabalhos feitos por elle444 ,muitos d'esses desenhos tenho-os eu em meu poder1 deliciosos pedaos dum grande poema d',arte444 ,figura3 ,paisagem--,aguarella de ,m4 ,,san ,,rom,o ,pelas gravuras que acompanham o nosso artigo1 perfeitamente o leitor pde verificar que as affirmaes que fazemos so1 por todos os motivos muito justas e muito verdadeiras4 ,o fidalgo antigo uma soberba aguarella d'um vigor de execuo e d'uma correco inexcedivel de desenho1 e o quadro ,no directorio1 e a ,paisagem de ,santa ,maria de ,boure1 e esses pequenos trabalhos1 essas lindas figuras de mulher1 essas deliciosas paginas de livros e todos esses desenhos no sero manifestaes seguras do seu talento e do seu valor86444 ,so6 ninguem o pode duvidar444 ,mas1 ,manuel ,san ,romo no era to conhecido do publico como devera ser1 por isso que elle no vendia os seus quadros1 dava-os4 ,foi ao menos feliz em no necessitar de negociar com o seu trabalho444 ,vivendo na abastana no fazia da ,arte um negocio1 fazia d'ella unicamente um culto intenso e sincero4 ,d'ahi os seus quadros1 esses primores de aguarella estarem apenas espalhados por um meio restrito de amigos4 ,figura3 ,paisagem--,aguarella de ,m4 ,,san ,,rom,o ,manuel ,san ,romo no era exclusivamente um aguarellista1 mas tambem um terrivel bric--braquista4 ,collecionava tudo quanto fosse arte1 gravuras1 quadros1 mobiliario1 faianas e1 em especial1 livros artisticos4 ,era uma delicia visitar a sua moradia444 ,que encantadoras cousas1 formosos contadores1 armarios soberbos de talha antiga1 arcas abarrotadas de gravuras notaveis e1 pelas paredes1 quadros assignados pelos mais distintos mestres de pintura4 ,no seu atelier1 alli1 que elle reunia o que mais fundamente lhe fallava sua alma de artista1 as faianas mais delicadas1 os moveis mais requintadamente artisticos1 as revistas illustradas e os livros mais preciosos4 ,e n'uma pele mele deliciosa tudo se agrupava para dar ao atelier a forma gentil e suave do gabinete d'uma fina duqueza e o ar sereno d'uma capelinha em festa4 ,que a memoria saudosa d'este morto querido1 que foi um dos mais deslumbrantes aguarellistas portuguezes1 me releve o vir eu hoje1 o mais insignificante dos seus admiradores1 tiral-a da modesta indifferena publica para a expr venerao e respeito de todos aquelles que vem nos artistas alguma cousa de elevado e de verdadeiramente sublime4 #aijd4 ,figura3 ,uma sevilhana--,aguarella de ,m4 ,,san ,,rom,o ,,ix ,a ,,mulher ,,artista ,ha dias1 n'uma roda onde estavam senhoras1 n'uma conversa larga e em que se debateram varios assumptos1 um houve1 que especialmente me prendeu a atteno4 ,discutia-se ,arte em geral1 e um dos homens1 cavaqueador enrag emerito e apologista da no emancipao da mulher1 desfechou abruptamente esta phrase3 ,no posso admittir que a mulher seja uma esculptora ou uma pintora4 ,figura3 ,s4 ,m4 a ,rainha ,escusado ser dizer-vos que esta phrase fez no grupo o effeito de um duche frio e forte4 ,aps1 porem o choque1 houve1 como era de esperar1 a reaco1 e1 como poderam1 os paladinos da sala1 debateram e rebateram a estranha declarao1 com factos1 n'uma larga demonstrao de erudio e talento4 ,eu fiquei-me callado1 esperando melhor occasio para poder dizer serenamente1 sem precipitao1 as consideraes que tinha a fazer sobre tal assumpto4 ,e hoje1 perfeitamente vontade1 sem presses de especie alguma nem necessidades de galantear1 vou dizer o que penso da mulher artista1 e como eu teria desarmado o gracioso se logo me tivesse permittido dizer-lhe alguma coisa em resposta ao seu repto4 ,a mulher um dos mais perfeitos trabalhos da natureza1 quer vista sob o lado plastico e physico1 quer sob o moral e espiritual4 ''' como nenhum outro ente dotada d'um espirito1 que1 quando bem educado1 se inclina sempre para o ,bello1 para o ,ideal4 ,ella1 muito mais do que o homem1 deixa-se assenhorar das impresses1 e o seu corao1 muito mais passionavel que o nosso1 mais facilmente se commove e se infiltra d'uma doce alegria ou d'uma saudosa tristeza4 ,como nenhum outro individuo ella descobre e comprehende pequeninos nadas psychologicos1 que passam despercebidos aos nossos olhos4 ,figura3 ,d4 ,aurelia de ,sousa ,por isso1 quando educada e industriada no grande problema da ,arte1 deve facilmente adquirir elementos magnificos para execues de vulto1 e de obras que venham tocadas d'uma suave poesia4 ,depois1 se a mulher tem o direito de danar e de cantar1 e se lhe admiram as qualidades raras de eximia bordadora1 porque negar-lhe o direito de1 tomando os pinceis e o escopro1 pintar1 esculpir e indo mais longe mesmo1 escrever livros1 cujo encanto ser deliciosamente bom8 ,ora ella canta e dana desde a origem do mundo e borda desde as eras mais remotas da antiguidade2 portanto1 que direito nos assiste a ns1 que caminhamos para o maximo da perfeio1 de evitar que ella nos d as manifestaes mais brilhantes do seu ser artistico1 do seu temperamento singular8 ,impossivel4 ,figura3 ,estudo de creana--,aguarella de ,s4 ,m4 a ,,rainha ,isto seria verdadeiramente barbaro6444 ,para que ella cante ou dance1 s se lhe exige que tenha talento vocal ou choreographico1 tal qual o que se exige ao homem para os mesmos fins4 ,e1 se tal succede e a logica existe1 qual a razo porque durante tanto tempo se puzeram entraves ao franco estudo da pintura1 da esculptura e da litteratura1 s mulheres8 ,bem sei que o canto1 a dana e a musica1 eram considerados por todos1 como dotes necessarios e sem os quaes uma senhora no podia briosamente frequentar a sociedade4 ,menina que no danasse1 em noite de baile1 era como flr sem aroma1 que se ficava estiolando em canteiro1 d'onde tinham sido colhidas todas as olorosas rozas e violetas4 ,havia pois a necessidade de se aprender a danar1 e todas tentavam ser eximias no minuete1 na gavota1 na pavana1 na valsa1 na polka1 e no pas-de-quatre4 ,figura3 ,tia ,bertha--,d4 ,,branca ,,assis ,depois comeou a desenvolver-se o gosto pela musica2 as audies de operas nos theatros de ,s4 ,carlos e ,s4 ,joo1 a organisao de escolas particulares de canto1 os concertos onde era chic apparecer1 foram creando os amadores distinctos que no ,porto e ,lisboa teem affirmado exuberantemente que n'este nosso torro1 no ha s bom sol1 ha tambem boas gargantas e bastante talento1 7porque para se cantar bem no basta s ter uma boa voz preciso tambem talento e arte74 ,e assim appareceram em ,lisboa e ,porto as ,ex4mas ,snr4as ,d4 ,maria ,albergaria1 ,d4 ,laura ,gasparinho1 ,d4 ,maria ,viterbo ,ferreira1 ,d4 ,carminda ,guerra ,andrade1 ,d4 ,laura ,leite1 ,d4 ,alice ,freire ,silva ,braga1 ,m4elle ,lidia ,oliveira1 ,m4me ,sarah ,mattos1 ,m4me ,ilda ,blanc1 ,d4 ,stela ,pinheiro1 ,m4elle ,castello ,branco1 ,condessa d',almeida ,araujo1 ,condessa de ,proena-a-,velha1 ,d4 ,maria ,thereza ,valdez ,pinto da ,cunha1 ,d4 ,carolina ,palhares1 ,d4 ,leopoldina ,kopke de ,carvalho1 ,d4 ,beatriz ,arroyo1 ,d4 ,izabel ,vallado1 ,d4 ,elisa ,lear1 ,d4 ,albertina ,arnaud1 ,d4 ,julia ,villares1 ,d4 ,thereza ,wandscheneider1 ,d4 ,edwiges de ,castro1 ,d4 ,judith ,marques1 ,d4 ,bertha ,leaham ,camello1 ,d4 ,camilla ,katzeintein1 ,d4 ,margarida ,motta1 ,d4 ,maria ,luiza ,mouro1 ,d4 ,idalina ,castro1 ,d4 ,laura ,leite1 ,d4 ,anna ,fins1 ,d4 ,conceio ,castello ,branco ,albuquerque1 ,d4 ,margarida ,fernandes ,braga1 ,d4 ,bertha ,arroyo1 ,d4 ,julia ,pinto ,moreira1 ,d4 ,olinda ,rocha ,leo4 ,figura3 ,quem espera desespera--,,ze0 ,,wauthelet ,,batalha ,,reis ,mas1 tambem l estava a necessidade de apparecer1 de ser notado4 ,era preciso cantar para no ficar atraz das outras que apareciam1 e assim se desenvolveu por completo o gosto pelo canto1 essa arte sublime que1 como dizia um philosopho1 faz um ente transportar-se ao sol sem se lembrar de si4 ,com a musica de pianno e rebeca1 etc41 o mesmo se dava1 era como o canto1 um genero de sport artistico4 ,toda a gente tocava1 mas1 era preciso ir mais longe1 era preciso tocar bem para ser notado4 ,em qualquer parte onde se estivesse1 n'uma sala1 havia sempre muitos que podessem exhibir os seus dotes musicaes1 mas1 no meio deste mar de tocadores-amadores s se foram distinguindo os que tinham verdadeiro talento1 e assim se notabilisaram ao pianno3 ,d4 ,maria ,josephina ,pacifico1 ,d4 ,elisa ,baptista ,souza ,pacheco1 ,d4 ,ernestina ,freixo1 ,d4 ,maria de ,magalhes1 ,d4 ,leonor ,atalaya1 ,d4 ,maria ,ferraz ,bravo1 ,d4 ,esther ,coelho de ,campos1 ,d4 ,carolina ,suggia1 ,d4 ,leonilda ,moreira de ,s1 ,d4 ,julieta ,vieira ,barbosa1 ,d4 ,elvira ,mattos1 ,d4 ,maria ,julia ,brando1 ,d4 ,maria ,helena ,carvalho1 ,d4 ,elisa ,allegro1 ,d4 ,bertha ,marques ,pinto1 ,d4 ,aurelia ,paiva1 ,d4 ,maria ,augusta ,mattos1 ,d4 ,luiza ,margaride1 ,d4 ,constana ,pinto ,moreira1 ,d4 ,anna ,oliveira ,ramos1 ,d4 ,virginia ,suggia4 ,em rebeca3 ,d4 ,judith de ,mello1 ,d4 ,amelia ,marques ,pinto1 ,d4 ,laura ,barbosa1 ,d4 ,irene ,fontoura ,madureira1 ,d4 ,rosalia ,maia1 ,d4 ,ophelia d',oliveira1 ,d4 ,luiza ,coelho de ,campos4 ,em violoncello3 ,d4 ,guilhermina ,suggia4 ,em harpa3 ,d4 ,virginia ,viterbo e ,d4 ,anna ,jane ,menezes de ,mattos4 ,e isto como o canto foi impulsionado1 porque era preciso apparecer com vantagens sobre outros4 ,com a pintura e esculptura porem no se dava isso4 ,os amadores de pintura s tinham occasio de mostrar os seus trabalhos1 quando algum d'estes cabrions que teem o nome de possuidores de albuns1 vinha pedir a esmola d'uma collaboraosinha1 para esses repositorios exoticos de coisas varias e qui exdruxulas1 onde se afundaram muitos poetas e se lapidaram muitos desenhadores4 ,e os amadores de esculptura8 ,esses1 nem os havia4 ,e se algum se dedicava a esse genero da divina ,arte1 era to escondidamente que ninguem dava por elle4 ,figura3 ,condessa d',alto ,mearim ,mas1 sob o impulso grandioso do desventurado ,silva ,porto iniciava-se uma nova era d',arte4 ,comearam de fazer-se exposies na cidade de ,lisboa e na do ,porto1 exposies criteriosas que foram o inicio do renascimento da vida artistica portugueza e o marco milliario do bom gosto e do aproveitamento de muitos talentos ignorados e de muitas notabilidades nacionaes4 ,promovidas na capital pelo grupo de ,leo1 esse brilhante gremio de que fizeram parte ,columbano1 ,ramalho1 ,malha1 ,gyro1 etc42 e aqui1 por um grupo de artistas e amadores de ,bellas-,artes1 sem designao especial de nome1 mas entre os quaes figuravam ,marques de ,oliveira1 ,julio ,costa1 ,marques ,guimares1 ,antonio ,costa1 o saudoso ,xavier ,pinheiro1 ,adriano ,ramos ,pinto1--as exposies d'arte teem sido actualmente realisadas pelo ,instituto de ,estudos e ,conferencias4 ,d'ahi1 do agrupamento desses artistas1 e tentados pela gloria de se ver aplaudidos pela opinio publica e instigados pela critica amiga dos jornaes1 fez-se uma como que revolta no meio da sociedade1 que vive um pouco do espiritualismo ,artistico do ,bello1 e como que resaltou uma nova pleiade de amadores1 que tenta a pintura e a esculptura4 ,no meio d'essa pleiade resaltam como caracteres artisticos definidos e assentes1 individualidades cujos nomes temos que notar e descrever4 ,figura3 ,d4 ,alice ,grilo ,lima ,apparece no alto1 como verdadeira fulgurao na arte de esculpir1 a ,duqueza de ,palmella1 a maior alma de artista que pode ter uma amadora4 ,os seus trabalhos perfeitamente executados so confirmaes indiscutiveis do logar proeminente que ella deve occupar entre os que so sacerdotes na sublime arte de ,milo4 ,no ,porto1 como sacerdotisa emerita d'essa arte1 temos a ,ex4ma ,sr4a ,d4 ,joanna ,andressen ,silva1 de que mais adeante fallaremos em artigo especial4 ,na pintura1 confirma-se o que a principio digo1 s se exige que as amadoras tenham talento1 para se lhe poder garantir o logar ao lado dos homens na transplantao para a tela da natureza1 em todas as suas variadas manifestaes4 ,e assim1 tanto no ,porto como em ,lisboa1 todos os dias se fazem novas revelaes de senhoras que so verdadeiros sportwomen artisticas4 ,e assim notaremos1 ,d4 ,francisca ,furtado1 ,d4 ,sophia de ,souza1 ,d4 ,amelia de ,souza1 ,d4 ,julia ,molarinho1 ,d4 ,lucilia ,aranha ,grave1 ,d4 ,olympia ,faria de ,abreu1 ,d4 ,maria ,afflalo1 ,d4 ,alice ,grillo ,lima1 ,condessa d',alto ,mearim1 ,d4 ,maria ,luiza ,alto ,mearim1 ,d4 ,branca de ,araujo ,assis1 ,d4 ,constancia ,avides1 ,d4 ,maria ,idalina ,carneiro1 ,d4 ,margarida ,costa ,romo1 ,d4 ,josepha ,garcia ,greno1 7fallecida71 ,d4 ,herminia ,victoria ,lagoa1 ,d4 ,amelia ,lamas1 ,d4 ,izabel ,areias de ,lima ,lawer1 ,d4 ,leopoldina ,maia ,pinto1 ,d4 ,maria ,teixeira de ,moura1 ,d4 ,laura ,nobre1 ,d4 ,clotilde ,rocha ,peixoto1 ,viscondessa de ,cristello1 ,ze ,wauthelet ,batalha ,reis1 ,d4 ,margarida ,ramalho1 ,d4 ,albertina ,falker4 ,e1 tudo isto1 pela simples razo de haver exposies1 onde se pode mostrar que se tem aptides para a pintura ou para a esculptura1 que se tem talento artistico emfim4 ,portanto1 desde que se tenha esse bello dom natural1 que faz de ns um poucochinho mais do que a vulgaridade1 no acho razo nenhuma para que se queira tirar mulher o direito de publicamente mostrar que um pouco superiora s outras4 ,eu1 sou d'aquelles que digo3 que o saber no occupa logar1 e1 que1 antes quero ver uma mulher pintar bem um quadro1 do que pintar os olhos e os labios4 ,no primeiro caso s pode mostrar que a preoccupa o espirito com alguma coisa donde lhe pode vir honra o louvor1 no segundo caso444 que no o preoccupa com nada444 ,setembro #aijd4 ,figura3 ,orchideas--,d4 ,,alice ,,grilo ,x ,,novas ,,exposi',,es ,d',,arte ,ao mesmo tempo duas exposies de pintura1 uma organisada pelo ,instituto de ,estudos e ,conferencias1 outra organisada pelo snr4 ,laga4 ,estamos em mar d',arte1 no ha que vr4 ,ora eu1 que sou um bisbilhoteiro de mil diabos1 l fui1 n'um d'estes ultimos dias de bom sol1 visitar as duas exposies4 ,boas e ms impresses trouxe d'estes certamens e o que muito despretensiosamente direi para diante1 conforme o meu modo de vr4 ,tem1 j se sabe o primeiro logar1 a exposio do ,instituto1 e tem-no por muitos e variados motivos2 entre esses porque formada por trabalhos de artistas1 se bem que por l andem anichados puros amadores444 ,mas1 isso fica para depois1 para mais larga conversa quando no houver j que dizer a respeito dos artistas4 ,ao ,instituto de ,estudos e ,conferencias1 se deve1 em parte1 a ameudao de exposies d'esta natureza2 pena que nem todos os nossos artistas comprehendam o quanto isto util para elles4 ,sente-se por isso alli a falta dos nossos melhores pintores1 e pena4 ,no sei1 nem tentarei desvendar a razo porque os bons artistas no querem concorrer1 mas sinto profundamente que ,salgado1 ,malha1 ,columbano1 ,carlos ,reis1 ,giro1 e outros1 se fiquem1 l de longe1 sem nos dar o gosto de lhes applaudir e admirar o talento nas suas varias telas1 que so quasi sempre admiraveis4 ,talvez porque no encontrem no nosso meio quem os saiba comprehender ou quem os saiba pagar1 talvez6444 ,a exposio1 no seu geral1 fraca1 sem interesse 7que barbaro eu sou74 ,a no ser uma meia duzia de telas1 o resto insignificante1 sem destaque1 morrendo pelo444 nem sei mesmo porque444 mas fazendo-nos sentir a saudade das exposies realisadas no ,atheneu ,commercial1 ha tantos annos j1 e organisadas por um nucleo de pintores conhecidos4 ,isso sim1 isso que foram exposies onde todos concorriam cheios d'aquella boa vontade e d'aquelle enthusiasmo que peculiar s almas novas2 que isto no dizer que as almas d'hoje sejam almas velhas1 no1 so almas novas1 mas formadas pelo systema arte-nova1 to cheia de curvas e sinuosidades1 que treslouca4 ,como de costume1 l fui encontrar no catalogo nomes dos que nunca faltam chamada1 honra lhes seja1 ,marques d',oliveira1 ,torquato ,pinheiro1 ,candido da ,cunha1 ,jos de ,brito e ,antonio ,costa1 e a par d'estes1 muitos outros e alguns que comeam agora a apparecer4 ,figura3 ,d4 ,sophia de ,sousa ,d'entre os artistas1 que expem1 a meu vr1 destacam-se ,marques de ,oliveira e ,candido da ,cunha1 que so inegavelmente os que do a nota pelo seu modo e pelos seus assumptos4 ,jos de ,brito1 soberbo no seu pastel ,um frade1 no resto sempre um tom ingente de nevoa que faz os seus quadros baos4 ,torquato ,pinheiro1 muito bem no ,retrato de meu filho1 assim como1 gostamos d'elle1 nos seus--,fins da tarde de outomno e ,rua de ,villa ,real4 ,eduardo ,moura1 esse pintor1 cheio de poesia intensa dos encantos cazeiros1 veio exposio com dois quadros que j lhe conheciamos1 mas que por isso no deixarei de os mencionar1 especialisando para meu gosto o--,servio feito1 que acho primoroso4 ,prat1 com os seus estudos no foi completamente feliz2 destacam no entanto a ,cabecita de burro1 que me no desagradou4 ,victorino ,ribeiro1 com o seu--,esperando um amigo1 est bem apresentado4 ,d4 ,sophia de ,souza1 regularmente1 se bem que se nos tenha mostrado em outras exposies muito melhor4 ,d4 ,aurelia de ,souza1 com o seu estudo--,um africano1 muito bem4 ,emquanto ao resto dos seus trabalhos achei-os inferiores ao seu muito talento artistico4 ,antonio ,jos ,costa1 como sempre1 o primoroso pintor de flores1 d-nos umas ,camelias bem tocadas e muito frescas4 ,de ,julio ,ramos1 pouco ou nada mais temos a dizer do que o j temos dito3 tem talento e sabe do metier4 ,a sua ,marinha para mim o seu melhor trabalho n'esta exposio4 ,almeida e ,silva1 esse1 parece que desandou2 as suas telas so demasiadamente recortadas e esmiuadas4 ,lembrei-me com saudade de outros quadros seus1 expostos em tempos idos1 como por exemplo1 um ,viatico na aldeia e um ,cabea de cabrito4 ,augusto ,ribeiro1 um trabalhador incansavel1 produz de mais4 ,desenha bem e pinta com certo gosto1 mas pinta muito4 ,tem na exposio alguns quadros de valor e a ,marinha da ,foz1 ,o atalho ao sol1 so bons4 ,como notas typicas do nosso meio so interessantes as manchasitas do ,bolho1 ,anjo e dos ,ferros ,velhos4 ,figura3 ,marques de ,oliveira ,francisco ,gil1 um pintor da ,figueira da ,foz que tivemos o prazer de vr pela primeira vez2 os seus trabalhos so 7perdoem-me o francez7 comme ci comme a4 ,lago ,pinto1 um novo que promette muito e que se apresenta com vontade de fazer alguma cousa4 ,so muito recommendaveis os seus quadros ,fim da tarde e ,lavadeiras1 em que a agua est bem estudada4 ,teixeira ,bastos1 um pintor de ,lisboa que veio ao ,porto mostrar-nos que tem talento artistico1 dando-nos a impresso de que v muito bem4 ,o que especialmente o torna notado o magnifico tom de luz que d aos quadros4 ,os castanheiros1 foi para mim o que mais me agradou2 so dignos de meno a ,cabea da rapariga e ,canto do ,rato4 ,d4 ,leopoldina ,pinto uma amadora distincta4 ,carlos ,gomes ,fernandes1 tambem um amador que comea4 ''' provavel1 que de futuro nos d quadros1 que se tornem notaveis1 por emquanto 1 a nosso vr1 um amador que tem vontade de fazer alguma coisa4 ,fallei de todos mas deixei para o fim ,marques de ,oliveira e ,candido da ,cunha1 porque a meu vr so os dous pintores que attestam profundamente o seu temperamento artistico4 ,figura3 ,flores--,d4 ,leopoldina ,maia ,pinto ,marques de ,oliveira inegavelmente um mestre e no era preciso que eu o dissesse1 eu que sou um zero no nosso meio critico4 ,os seus quadros ,cercanias d',agueda1 ,o ,combro e as ,lavadeiras so obras primas de desenho1 de cr e de luz4 ,candido da ,cunha1 poeta triste da pintura1 amando a luz iriada dos poentes1 d-nos quadros maravilhosos1 destacando como floro da sua cora de artista a ,hora nostalgica4 ,no devemos porm esquecer a sua ,casa rustica e os seus ,moinhos em ,lea4 ,ha tambem na exposio um trabalho d'este artista que me extasiou4 ''' o retrato da esposa do pintor1 feito a carvo 7claro escuro74 ,trabalho que por si s bastaria para n'outro meio1 que no o nosso1 dar o nome a um artista4 ,correcto de desenho1 superiormente primoroso4 ,falta fallar d'um amador1 to distincto que no pude fugir ao desejo de lhe reservar um logar mais para o fundo1 para que fizesse alguma impresso d'elle1 ao leitor amigo1 que tivesse a pachorra de me lr at ao fim4 ,refiro-me a ,alberto ,ayres de ,gouveia1 discipulo de ,marques d',oliveira e que honra o mestre4 ,sabiamos de ha muito que este cavalheiro se dedicava pintura1 mas francamente1 julgavamos que elle fosse um dellitanti como muitos outros1 que tendo tempo livre1 se entretinha a fazer pequenas cousas sem valor1 mas1 ao comtemplarmos a sua obra1 ficamos confuzo4 ,era uma revelao444 ,trabalho agigantado o seu1 topando um assumpto sublime1 tal como a ,vida de ,jesus4 ,pintor mystico com tal pujana nunca o imaginaramos4 ,vemos que elle se sae brilhantemente da empreza em que se metteu4 ,os seus quadros a ,palavra do ,mestre e o ,christo morto so verdadeiras obras d'arte4 ,figuras estudadas com cuidado1 pousadas naturalmente sem poses academicas1 tendo vida e verdade1 luz e cr escolhidas com sciencia2 pinceladas largas e justas eis o que se encontra n'aquelles dois quadros4 ,figura3 ,a ,caridade--,,teixeira ,,lopes ,no seu ,lettre de ,colombine1 ha um effeito de luz admiravelmente estudado4 ,mas1 ,ayres de ,gouveia no s correcto nos seus quadros biblicos e de phantasia1 -o tambem quando faz o retrato1 assim podemos dizer que bom o seu oleo e retrato de mademoisselle ,m4 ,f4 ,a4 ,e desenhando a pastel ou a claro-escuro1 tambem se nos revela um verdadeiro artista2 so para notar o seu ,apollo e ,retrato de mademoiselle ,allen1 7ambos a pastel7 e cabea de estudo1 7a crayon74 ,mas1 no digamos mais nada d'esse amador1 que podem julgar para ahi que eu sou amigo d'elle e vim aqui s para o elogiar1 e eu no quero isso4 ,passemos agora rapidamente esculptura1 deixando em branco as aguarellas1 porque francamente no gostamos de nenhuma4 ,em esculptura destaca-se em primeiro logar ,fernandes de ,s com a sua ,cabea de ,velho e o retrato do medico ,correia de ,barros1 este ultimo um trabalho flagrante de verdade4 ,d4 ,joanna ,andressen revela-se-nos uma amadora distincta1 pois em pouco tempo fez progressos grandiosos4 ,d4 ,albertina ,falker3 no gostei do seu ,bb4 ,no sei que lhe achei de mau1 talvez a posio d'aquella cabecita444 ,no sei444 ,com respeito a arte applicada1 s direi1 que tenho visto muito melhor do que aquillo4 ,e acabou-se a resenha das minhas impresses4 ,antes1 porm1 de fechar este despretencioso artigo uma1 como que nota final4 ,eil-a3 ,uma coisa urge fazer de futuro em exposies congneres4 ,destacar em grupos definidos os artistas e os amadores2 a cada um o seu logar4 ,podero mais facilmente ser apreciados os seus trabalhos1 e no teremos ao primeiro relance uma impresso to m4 ,aproveitam todos mais1 os artistas1 porque juntos1 ver-se-ho obrigados a applicar todas as suas aptides para se destacarem uns dos outros3 os amadores1 no seu modo de fazer um pouco gauche1 no tero o confronto dos quadros dos mestres que1 quasi sempre1 os esmagam4 ,assim1 ao entrar n'um ,salon tanto o critico d'arte1 como o amador ou o indifferente1 saber1 logo o desconto que tem a dar aos trabalhos1 dos que comeam1 ou fazem arte para entreter e no far injustas apreciaes4 ,este1 o meu modo de vr e penso bem que os proprios artistas me acompanharo n'elle4 ,quando porm um amador se impozer pelos seus trabalhos1 como os de ,alberto ,ayres de ,gouveia1 ento que entre desassombradamente no gremio dos artistas e que se sujeite critica rigorosa dos que sabem do assumpto4 ,emquanto assim no acontecer1 estas exposies no tero um caracter definido1 no tero o ar correcto d'um verdadeiro ,salon4 ,dar-nos-ho simplesmente a impresso da sala d'um burguez endinheirado1 que finge ter gosto pela ,arte4 ,ahi fica a impresso que me deixou a visita feita ,exposio de ,pintura do ,pateo da ,misericordia4 ,dezembro de #aijb4 ,figura3 ,panneaux decorativo na ,sala da ,bolsa do ,porto--,,velloso ,,salgado ,,pintores ,,portuenses ,figura3 ,eduardo ,moura ,figura3 ,jos ,teixeira ,lopes ,figura3 ,julio ,ramos ,figura3 ,candido da ,cunha ,,xi ,uma ,exposio de ,aguarellas ,,organisada por ,,amadores ,n'um dos sales do ,palacio de ,crystal1 acaba de ser aberta uma ,exposio de ,pintura1 onde o professor portuense de desenho ,joaquim ,marinho e suas discipulas1 sujeitam apreciao do publico os seus trabalhos4 ,fui1 como meu costume1 vr a ,exposio1 sem a preoccupao de critico d',arte1 como um bom vivant1 um mero collecionador1 affeito um pouco a vr com os olhos do espirito1 alm dos olhos da cara4 ,no terei portanto aqui1 n'este modesto compte-rendu1 phrases empulgantes1 nem sentenas judiciosas sobre os trabalhos expostos4 ,modesto ser o meu artigo como modestos so os expositores4 ,deixo aos outros1 aos que sabem de tudo1 aos que chamam a quadros a oleo cromolytographias1 essa extraordinaria tarefa de dizer muito e retumbante1 sem dizer nada4 ,figura3 ,joaquim ,marinho ,fui1 como disse acima1 vr a ,exposio e gostei2 entre os quadros expostos ha alguns que destacam1 como manifestaes de estudo e talento4 ,no farei a resenha detalhada d'elles1 nada d'isso1 smente indicarei os que mais fundamente me impressionaram4 ,esto n'este caso1 como decorativos1 os apreciaveis trabalhos a pastel de ,joaquim ,marinho1 ,a ,camponeza1 e os de ,d4 ,zulmira ,almeida e ,d4 ,izolina ,b4 ,s1 ,imitaes de azulejos4 ,so de completa novidade1 dando uma nota fulgurante de boa concepo e execuo4 ,estas duas senhoras1 entre varios outros trabalhos1 teem mais1 a primeira1 duas paisagens em pastel1 magnificas2 a segunda1 uma marinha muito acceitavel4 ,ha mais uma ,cabea de creana 7pastel7 de ,d4 ,maria ,leonor1 que me impressionou deliciosamente4 ,esta senhora expoz tambem dous outros quadros1 7pasagens71 tambem a pastel1 muito interessantes4 ,d4 ,guilhermina ,marinho1 com os seus estudos a aguarella1 revela-se-nos uma amadora distincta e conscienciosa2 destacarei d'entre elles os ,recuerdo del ,paiz ,vicino1 7interessante scena de bailado em ,andaluzia7 e ,rapaz de ,aveiro4 ,primorosos4 ,figura3 ,paisagem--,aguarella de ,j4 ,,teixeira ,,lopes ,d4 ,maria ,joaquina1 d-nos duas pequeninas impresses de ,vizella1 muito interessantes4 ,deixei para o fim propositadamente o fallar do professor4 ,este1 expe1 entre outros1 um quadro que eu admiro pelo modo como est feito4 ''' um trabalho a carvo de grandes dimenses e chama-se a ,batalha de ,malmaison4 ,todo aquelle cu est bem trabalhado e cuidadosamente desenhado4 ''' magnifico4 ,tem tambem tres trabalhos a carvo1 em madeira1 que so interessantes e apresentam muita novidade4 ,um d'elles especialmente ,um boi1 est magnificamente bem feito4 ,no me alargo mais n'este meu modesto artigo1 mas ao terminar no posso deixar de manifestar aqui o meu applauso ao iniciador d'este certamen d',arte1 animando-o a que continue a mimosear-nos com exposies como esta1 que distrahem a vista e consolam a nossa alma1 farta das ignominiosas scenas1 que vo por esta terra4 ,aquillo como um banho santo ao nosso espirito enervado e doentio4 ,parabens1 pois1 pela sua exposio4 ,novembro de #aijj ,figura3 ,cabea de estudo--,pastel de ,,jos''' de ,,brito ,,xii ,,pintores ,,portuenses ,,thomaz ,,de ,,moura ,eu sou d'estes sujeitos que gosto muito de vr e de apreciar tudo quanto de ,arte apparece no nosso restricto meio1 e por isso fui ha dous dias at ,photographia ,guedes1 visitar a exposio de quadros de ,thomaz de ,moura4 ,conhecia j este artista d'uma exposio1 que em ,lisboa se realisara1 nas salas da ,sociedade ,nacional de ,bellas ,artes e onde elle concorrera com sete quadros4 ,n'essa occasio e em um jornal da capital tive occasio de manifestar a impresso que ento recebera dos seus trabalhos4 ,hoje1 porm1 que elle no ,porto se nos apresenta1 no muito1 que1 mais uma vez1 me occupe dos seus trabalhos1 n'uma rapida noticia1 sem philosophia d'arte nem detalhes de apreciao1 mas unicamente n'uma resenha breve e simples do que vi4 ,figura3 ,thomaz de ,moura ,na sala do nosso amigo ,guedes de ,oliveira1 esse bello rapaz1 amigo dedicado dos artistas e to artista como elles1 reune ,thomaz de ,moura #ci trabalhos1 que do a nota verdadeiramente accentuada do seu temperamento artistico4 ,talvez1 porque a sua alma seja d'um contemplativo1 ou d'um triste1 ha nos seus quadros um quer que seja de nostalgico e de sugestivo4 ,no d'aquelles pintores que distribuem1 s pinceladas1 nos seus quadros1 as tintas fortes e vibrantes2 os vermelhos carmins e ocres amarellos4 ,no1 enche as suas telas d'umas tintas doces e melancholicas4 ,depois ha ali muita paisagem dos paizes brumosos1 trabalhos que elle executou l por fra nas suas viagens de estudo4 ,e a paisagem da ,frana e da ,bretanha1 essa paisagem1 muito differente da nossa4 ,l1 no se encontra um cu como o nosso1 claro e limpido1 onde as aves passam n'um vo chilreante de alegria1 o sol de l1 como que apparece envolvido em gaze1 no retumbante e claro como o nosso e as tonalidades da vegetao tem aqui um forte destaque de frescura que falta n'esses paizes4 ,e1 talvez d'isso que se sente o nosso artista4 ,mas1 quando elle retratar a nossa paisagem1 esse ,minho encantador1 ento1 vel-o-hemos accentuar perfeitamente as nossas cres e nosso tom4 ,algumas das telas apresentadas j so da nossa paisagem1 mas1 vistas um pouco ainda com a vista habituada ao cinzento das paisagens brets1 d'ahi o no terem a nitidez accentuada da paisagem portugueza4 ,d'entre todas essas telas destacarei para mim como a mais subtilmente inspirativa--,christo lamentando ,jerusalem1 de linhas definidas embora1 em esquicio1 de uma concepo bella1 d'um effeito sentimental e de uma suave expresso4 ,os cuidados de me1 que eu j conhecia1 so um estudo de interior que revela muito saber e muita observao4 ,o fim da tarde1 delicioso poente1 onde o cu tingindo-se de vermelho1 d ao quadro uma inspirao suave do quer que seja de poesia lyrica4 ,no limiar da porta1 bella cabea de rapariga1 d'um olhar aveludado e triste1 de quem espera por alguem2 talvez pelo seu namorado4 ,no ,cabea de rapariga bret1 ha a mesma serenidade que no ,limiar4 ,um caminho1 um bello retalho de aldeia1 um caminhosito tortuoso coberto por uma frondosa ramaria4 ,appetece descanar um pouco1 ali1 aps um largo passeio4 ,os casebres de ,alfena1 ,o lavadouro 7,guisec71 ,audes 7,vizella71 ,ribeira de ,pont d',abb1 e mais outros ainda1 so manchas tocadas com primor e com muita proficiencia4 ,os pequenos marinheiros1 um quadro onde se revela d'uma maneira accentuadamente definida a disposio que ,thomaz de ,moura tem para a figura4 ,os dous rapazes esto perfeitamente desenhados e sahem da tela accentuadamente4 ,ha um quadrosito tambem notavel1 o ,nos campos1 um pequeno sentado sobre a relva parece desfolhar malmequeres emquanto ao fundo1 sob um trao de luz1 pastam dous mansos bois1 inegavelmente um dos mais apreciaveis trabalhos expostos4 ,mais largo poderia e deveria ser este compte-rendu da exposio1 mas eu prometti apenas uma ligeira noticia1 e as minhas aptides criticas no do para mais4 ,e ao acabar permitta-me ,thomaz de ,moura1 que lhe signifique n'estas rapidas linhas a magnifica impresso que me deixou a visita que fiz sua exposio4 #aijd4 ,figura3 ,panneaux decorativo na ,sala da ,bolsa no ,porto--,,velloso ,,salgado ,,xiii ,,amadores ,,portuenses ,d4 ,,joanna ,,andressen ,,silva ,sinceramente e no mais grato dos respeitos vou deixar em breves linhas as minhas impresses sobre o merito artistico d'esta illustre senhora1 amadora distincta d'esculptura1 illustre pelo talento e pela fidalguia do caracter1 um caracter d'oiro1 propenso ao bem1 cheio de f e de bondade4 ,figura3 ,d4 ,joanna ,andressen ,silva ,eu sei que biographar um amador trabalho de certo folego1 muito especialmente quando o amador distincto1 como esta illustre senhora2 mas eu no venho com mais largas ideias que fazer uma simples resenha dos seus trabalhos1 resenha esta que servir ao mesmo tempo de ligeira nota de carteira da visita que fiz ha dias ao seu atelier4 ,a isso1 s a isso1 me abalano1 convencido de que cumprindo um dever de cortezia presto ao publico1 ao que aprecia as manifestaes d',arte1 um interessante e util favor4 ,no me alargarei em detalhes minuciosos do grande problema--a ,arte4 ,rapidamente1 aqui e alli1 tocarei aquellas notas1 que veja de mais necessidade ferir1 para completo comprehendimento do assumpto4 ,n'esta altura1 cabia perfeitamente1 como preambulo a estes pseudo-perfis1 uma larga tirada sobre ,escolas d',arte1 ,evolues da ,arte1 ,variedade de gostos artisticos1 ,papel moral da ,arte1 etc4 ,no enveredarei por esse caminho1 deixo esse estudo aos outros1 aos que com mais direito e mais conhecimentos possam fallar do assumpto4 ,sou apenas uma especie de reporter artistico1 que vem sempre que d'isso tem occasio1 trazer a noticia d'um amador que se torna notado1 d'um artista que est em fco1 d'um atelier que se recommenda pela sua disposio e pelo recheio1 e d'um salon que se abre em exposio de trabalhos isolados ou collectivos4 ,figura3 ,salo do palacete de ,d4 ,joanna ,andressen ,silva ,feitas as precisas explicaes1 vou dar principio minha singela narrao1 sem balofas adjectivaes e sem assumir o ar solemne e grave de ,pater ,magister4 ,serei simples e breve como convem aos que escrevem para todos3 para os que se embrenham nos profundos e intrincados problemas sociaes e artisticos e para aquelles que s sabem ler4 ,farei portanto todo o possivel para que facilmente me faa compreender e alguma coisa de util1 traga1 ao fim1 em bem da ,arte4 ,foi n'uma manh formosissima1 de sol forte e claro que fiz a minha primeira visita ao atelier da ,ex4ma ,snr4a ,d4 ,joanna ,leheman ,andressen ,silva4 ,ao fundo da ,rua ,antonio ,cardoso1 rua que partindo da formosa ,avenida da ,boa-,vista1 vae findar no ,campo ,alegre1 fica o sumptuoso palacete onde reside esta talentosa amadora4 ,a vivenda s em si um encanto4 ,a bella casa1 circumdada de formosos parques e jardins1 tem um aspecto grandioso e rico que se impe4 ,os jardins e o parque que a rodeiam so deliciosos trechos onde as musas predilectas bafejam e inspiram os menos lyricos a compor deliciosas bucolicas e onde os menos artistas encontram retalhos de paisagem encantadora e suggestiva para transplantar tela4 ,eu no posso fallar d'essa paisagem adoravel que me no sinta enlevado pelos seus encantos naturaes4 ,como bello tudo quanto d'alli se avista6 ,como soberbo todo esse quadro immenso1 cheio de vida e de luz1 deixando-nos apreciar por momentos o bulicio da cidade1 a serenidade das aguas do ,douro1 que serpeia l em baixo1 a agitao continua do mar1 cujas ondas se vem ao longe n'um revolutear continuo1 e a tranquilidade da vida alde1 que se adivinha com as primeiras casinhas que se descobrem do outro lado1 no ,monte das ,chs6444 ,figura3 ,canto do ,atelier ,transpostos o jardim e o parque entra-se n'uma ampla galeria1 onde1 bibelots caros e artisticos se juntam n'uma delicada confuso que contrasta com o fino do mobiliario e a riqueza das tapearias4 ,apenas alli introduzido1 logo me appareceu a distincta amadora1 cheia de attenes e cuidados que encantam1 convidando-me a visitar o seu atelier4 ,acedi da melhor vontade e caminhei vagarosamente encantado pela conversa fluente e interessante da illustre senhora que tem a alma d'uma fina artista e a virtude d'uma delicada e cuidadosa dona de casa4 ,n'essa passagem atravez de todo o interior formoso e confortavel da habitao1 passagem que fiz com a religiosa unco de quem visita um museu intimo1 tive a grata ventura de pousar a vista em admiraveis trabalhos de ,antonio ,teixeira ,lopes1 ,marques d',oliveira1 ,julio ,costa1 ,julio ,ramos1 ,candido da ,cunha e muitos outros1 e entre estes alguns dos mais consagrados artistas estrangeiros4 ,figura3 ,busto de mademoiselle ,eliza ,andressen ,e tudo isto1 todo este batalho de ,arte se espalha pela casa1 gentilmente1 nos seus logares proprios1 n'uma bem estudada escolha de luz4 ,entramos na sala de jantar depois de termos atravessado o salo de baile4 ,maravilhou-me a magnificencia das pratas1 das louas e dos crystaes1 mas acima de tudo a confeco e o estylo do mobiliario4 ,avancei uma pergunta3---,quem fra o auctor d'aquella maravilha8 ,quem a desenhara8 ,e a distincta amadora1 sorrindo1 contou-me a historia d'aquella mobilia1 dizendo n'uma adoravel simplicidade que para a sua execuo fizera dous desenhos2 um era aquelle1 o outro1 mais decorativo1 mais cheio de flores1 fra posto de parte porque seu primeiro marido no gostara d'elle4--,e eu tambem1 concluiu a illustre amadora4 ,assim devia ser1 porque1 por mais formoso que o outro fsse1 aquelle desenho que alli estava1 com certeza o havia de supplantar1 porque uma verdadeira maravilha de ,arte1 quer em concepo1 quer em execuo4 ,em seguida atravessamos o jardim1 onde brincavam os filhinhos de ,d4 ,joanna1 e passamos ao atelier4 ''' este construido sob a sombra protectora e amiga d'algumas bellas arvores2 banha-o de luz intensissima uma larga janella que l do alto se abre para a estrada4 ,uma vez alli dentro1 analisei detidamente tudo o que l se achava1 desde o mais insignificante desenho at mais bem lanada esculptura1 desde a mais pequena revista at ao mais precioso livro de ,arte4 ,e apoz isto1 entrei n'um largo inquerito4 ,sentados n'uns artisticos escabelos1 conversamos um pouco sobre arte1 discutimos escolas e processos1 analisamos rapidamente trabalhos que conheciamos de memoria e por ultimo fallamos da educao artistica da nossa gente4 ,n'esta altura averiguei que ,d4 ,joanna desde creana revelara uma grande disposio para a esculptura4 ,seu pae1 um bom e honrado negociante allemo1 que viera para o ,porto estabelecer-se1 pratico como era1 costumava brindar seus filhos com livros de desenho1 que mandava vir d',allemanha4 ,d4 ,joanna toda se enthusiasmava com esses brindes1 que collecionava cuidadosamente e d'onde fazia copias para estudos1 revelando desde essa epocha uma vocao especial para o desenho4 ,figura3 ,busto de mademoiselle ,ramos ,pinto ,quando menina teve como professora ,madame ,bizarro1 que bem conhecida foi no ,porto pelos seus trabalhos em miniatura e bordados4 ,foi1 portanto1 sob a direco d'esta desenhista correcta e sabedora que ella comeou a seguir verdadeiramente o caminho da ,arte4 ,depois1 foi por algum tempo para a ,allemanha1 e ahi1 vivendo na intimidade da familia ,katzenstein1 teve occasio de acompanhar muito de perto e receber mesmo indicaes utilissimas do conhecido pintor ,katzenstein1 irmo do ,consul d',allemanha n'esta cidade4 ,durante essa epocha ,d4 ,joanna amavelmente pousou para modelo de algumas das figuras dos quadros d'esse excellente artista1 j por vezes devidamente apreciado no ,porto1 por quadros de certo merecimento artistico1 que tem exposto em varios certamens a que tem concorrido4 ,com estes dois impulsionadores1 ,madame ,bizarro e ,katzenstein1 ,d4 ,joanna volta a ,portugal1 cheia d'uma grande boa vontade de ser alguma coisa mais do que a vulgaridade no nosso meio artistico4 ,e para isso chama para lhe completar a educao d'arte dous dos mais notaveis artistas e mais insignes professores3 ,marques d',oliveira1 o paisagista sabedor e poetico e ,teixeira ,lopes o genial estatuario1 cujo nome uma verdadeira gloria da ,arte ,nacional4 ,e1 recebendo lies d'um e d'outro com um aproveitamento pouco vulgar1 ,d4 ,joanna revela-se no uma amadora distincta1 mas uma distinctissima artista4 ,affirmam-no exuberantemente os seus trabalhos1 internecedores pelo encanto com que so concebidos e executados4 ,figura3 ,busto de ,mademoiselle ,maria ,joanna ,andressen ,d'alguns d'esses magnificos trabalhos vo aqui photogravuras1 pelas quaes facilmente se v que aquillo que affirmo no seno a sentida expresso da verdade4 ,na photogravura ,recanto de atelier1 ha uma figurita sobre a meza1 maquette de um trabalho em tamanho natural1 e que se intitula ,rapaz jogando a malha1 que um assombro de bem executado4 ,entre os gessos que ornam o atelier ha um que merece especial menso4 ''' um ,christo na ,cruz original do grande e saudoso ,soares dos ,reis4 ,nos trabalhos de ,d4 ,joanna salientam-se duas ,cabeas de rapazes1 bustos de dois filhos seus1 mas dos quaes por motivos especiaes no pude obter photographia4 ,parecer ao leitor que quem executa to bellos trabalhos no necessita mais de professor2 no o entende assim ,d4 ,joanna e1 n'essas condies1 como quer ser tambem alem de esculptura uma pintora distincta1 ouve e recebe orientaes e lies do velho ,costa1 o meu querido amigo ,antonio ,jos da ,costa1 o artista que mais linda e sabiamente pinta flores em ,portugal4 ''' desnecessario proseguir4 ,j fica dito o bastante sobre as impresses recebidas na primeira visita que fiz ao atelier de ,d4 ,joanna ,leheman ,andressen ,silva1 n'essa manh deliciosa1 de que conservo as mais gratas recordaes1 no s pelo prazer de avaliar de perto os superiores trabalhos d'essa illustre amadora1 mas muito especialmente pelas preclaras virtudes do seu caracter delicado e requintadamente attencioso4 ,ficarei por aqui1 convencido de que a critica sincera e desapaixonada1 dos ,mestres d'esta boa terra portugueza1 hade dizer mais e melhor1 sobre os meritos artisticos da illustre senhora a quem acabo de referir-me1 quando um dia tiver de apreciar devidamente os seus trabalhos4 ,figura3 ,guarda fiel--,,antonio ,,jos''' da ,,costa ,,xiv ,,pintores ,,portuenses ,,antonio ,,jos''' ,,da ,,costa ,ha nomes que1 em qualquer parte que se pronunciem1 se impem considerao de todos ns4 ,o que encima este artigo um d'elles4 ,como homem e como pintor ,antonio ,jos da ,costa deve ser respeitado e admirado4 ,como homem porque um cavalheiro em toda a acepo da palavra2 como pintor porque um mestre4 ,figura3 ,antonio ,jos da ,costa ''' muito grande a minha ousadia1 em tentar desenhar1 n'um pequeno artigo1 uma figura culminante da pintura em ,portugal2 e no vos admireis1 leitores amigos1 que eu diga isto1 nem julgueis que1 ao afirmal-o1 queira empanar a gloria de muitos dos nossos pintores4 ,no4 ,se considero ,antonio ,jos da ,costa um grande artista1 no quer isto dizer que o julgue maior que alguns outros1 mas simplesmente accentuar que elle um dos grandes artistas da pintura em ,portugal4 ,para mais ao deante reservaremos o fallar d'esses artistas1 grandes como este ou talvez ainda mais1 mas1 cada um no seu genero4 ,no quero1 nem procuro saber quando e como que ,antonio ,costa se fez pintor3 o que tento provar que elle hoje 1 em ,portugal1 um soberbo paisagista e o primeiro pintor de flores4 ,e se conseguir isto parece-me que terei dado o meu tempo por bem empregado4 ,que o mais facil e o mais demonstrativo seria dizer3 vde esses quadros de que vos dou a gravura2 vizitae as muitas casas de amadores onde elles esto espalhados3 vizitae as exposies onde elles apparecem2 ide ao atelier do artista e ficareis convencidos d'esta verdade indiscutivel4 ,figura3 ,rosas e ,peonias--,,antonio ,,jos''' da ,,costa ,mas isso infelizmente impossivel2 os amadores que possuem quadros1 com raras excepes1 fazem monopolio dos trabalhos que compram1 parecendo ter medo que os outros1 s de lh'os verem1 lh'os damnifiquem4 ,e o artista mora l para ,bellos ,ares1 to longe do centro da cidade1 que1 chegados ao seu atelier1 o canao seria tanto que no vos deixaria vr com a devida atteno1 as lindas coisas que elle vos mostraria4 ,descanai pois que eu1--dando-vos1 a traos largos1 um relato da obra do artista--vou privar-vos da fadiga d'essa romagem4 99 99 99 99 99 ,para a pintura como para todas as demais manifestaes da ,arte necessario1 em logar primordial1 a disposio natural do individuo4 ,no basta s a boa vontade4 ,mas quando esta se alia quella ento tem-se realisado o supremo ideal1 e1 embora diga o ditado que querer poder n'este caso esse ditado falha porque muitos artistas conheo eu de muito boa vontade e que querem chegar a onde vo os mestres e nunca l chegam4 ,e porque8 ,porque lhe falta a bossa artistica1 a disposio natural4 ,figura3 ,outros tempos4 7,esboo7--,,antonio ,,jos''' da ,,costa ,ora com ,antonio ,costa d-se o caso de elle ter1 alem da sua grande boa vontade1 a intuio1 a disposio natural para a pintura4 ''' um paisagista1 com uma vista perspicaz de observador1 que1 ao tracejar um estudo1 faz resaltar logo a nota caracteristica e determinante do assumpto4 ,e ao olhar esse estudo1 no conjuncto de cores e de tons1 ns temos a impresso completa e perfeita do que elle queria dizer nos seus quadros4 ,dous esboos acompanham este trabalho1 e ambos demonstram sobejamente o movimentado assumpto1 que nos seria revelado pelos quadros1 se elles tivessem tido completa execuo4 ,no primeiro1 que chamarei ,outros tempos e que tem o duplo interesse de ser um repositorio de figuras conhecidas e muito populares no ,porto1 taes como o ,dr4 ,pimentel1 pae do escriptor ,alberto ,pimentel1 o ,amorim ,vianna1 o professor ,joo ,correia1 o pintor ,rezende1 o ,brown1 etc41 que1 na janella e na rua1 assistem ao desfilar do regimento onde estamos a vr perfeitamente o ar aguerrido e os jogos malabares d'esse grupo de porta-machados e seu tambor-mr que1 descendo pela rua da ,sovla abaixo viram para o seu lado direito1 para a travessa de ,cedofeita1 n'uma cadencia de marche-marche4 ,e na massa quasi informe que os segue ha a intuio caracteristica do grosso do regimento4 ,figura3 ,no ,pinhal4 7,esboo7--,,antonio ,,jos''' da ,,costa ,no outro1 n'um pinheiral esguio1 onde bate o sol1 veem-se duas figuras por determinar1 estando uma com seu guarda-sol aberto2 o terreno empastado e ha no horisonte um quer que seja que nos diz que ali o mar4 ,mas nada d'isto est definido1 nada disto est executado e1 no entanto1 ns vemos perfeitamente n'aquellas manchas que o quadro seria assim4 ,ora esta particularidade1 este modo de fazer os estudos que s peculiar a quem nasceu para ser artista1 e ,antonio ,costa -o e em alto grau4 ,depois1 como desenha admiravelmente e possue essa grande propriedade de saber vr os motivos a pintar1 d'um pequeno retalho de paisagem1 d'uma cancella1 d'um casebre tosco1 d'um porto de ,quinta1 d'um nada1 faz um quadro que sempre um encanto4 ,muitos e muitos so os seus trabalhos n'este genero4 ,e mesmo n'aquelles1 que a critica no acha completamente bons1 ha sempre alguma cousa1 muito at1 que excelente4 ,por acaso tenho aqui na minha frente um jornal de #ahic onde um dos nossos criticos d'arte de mais cotao no ,porto1 diz o seguinte a respeito d'um quadro de ,antonio ,costa1 ,portaes do ,maro3 ''' um pedao de pintura feito com uma sinceridade emovidissima de sensao e uma franca aco de pincel2 em toda a obra do pintor portuense eu separo esta como a que melhor denunca o seu talento por vezes desigual1 com caprichos de intermitencia1 mas talento legitimo testemunhado nos intervalos de superioridade com um explendido entono glorioso444 ,ora este attestado passado ha onze annos ao meu perfilado a confirmao do que venho dizendo1 e como na arte no vulgar andar-se para traz1 mas sim cada vez mais aperfeioar-se1 cada vez mais estou na minha1 que1 se elle n'esse tempo era um bom artista1 hoje um grande artista4 ,figura3 ,camelias--,,antonio ,,jos''' da ,,costa ,mas1 ,antonio ,jos da ,costa que1 alem de pintor1 tem o quer que seja de floricultor1 um dia1 ao cuidar das suas camelias1 dos seus chrisanthemos e das suas rosas1 resolveu1 tal como as via1 transplantal-as tela1 em pintura2 e1 com o seu muito saber e o seu arreigado gosto artistico1 comeou de nos dar quadros to admiravelmente lindos e frescos como as flores que cultivava1 e assim se fez o deslumbrante pintor de flores que agora 4 ,ha no espirito de muita gente que pinta1 a crena de que as flores so de facil execuo e d'ahi esse enxame de amadores1 que nos surge de todos os lados desatando a copiar flores dos modelos que a ,frana e a ,allemanha nos exporta continuamente4 ,e pintam flores444 mas que flores1 ,santo ,deus6666 ,para pintar flores necessario ter na paleta alem das tintas fortes e vivas444 um certo qu de orvalho1 um pouco de sol e uma poro de ether1 esse fino fluido que nos cerca4 ,ora isto que s elle tem1 s elle possue4 ,figura3 ,junquilhos e ,camelias--,,antonio ,,jos''' da ,,costa ,as suas camellias so to frescas e to carnosas que temos a impresso de que1 se as tocassemos1 ellas amareleciam tal qual as naturaes4 ,os seus chrisanthemos1 na variadissima e arrevesada forma das suas petalas1 parecem sair da tela em contorneaes exoticas1 envolvidos no tal ether em que fallei mais acima4 ,e as suas rosas1 d'uma frescura e d'uma suavidade unica1 ora aveludadas como seios de mulheres lindas1 ora transparentes como gottas de orvalho1 so admiraveis2 parece at exalarem1 em delicias1 o aroma que lhes to caracteristico4 ,em todas as suas flores emfim1 existe o supra-summo da verdade e da perfeio444 ,ao olhal-as no nos julgamos em frente d'um quadro1 julgamo-nos n'um jardim444 ,mas no so s flores que elle pinta deliciosamente4 ,as fructas1 tambem so tratadas por este artista com o mais desvelado e carinhoso amor4 ,conheo alguns quadros n'este genero que so um verdadeiro assombro4 ,melhor do que eu porm fallam as gravuras publicadas no ,portugal ,artistico1 reproduco de alguns quadros de ,antonio ,jos da ,costa4 ,e julgo ter assim cumprido o meu dever de homenagem a um artista respeitado e querido4 #aijd4 ,figura3 ,junto ao ,cruzeiro--,,antonio ,,jos''' da ,,costa ,,xv ,,em ,,frente ,d',,um ,,cartaz6444 ,,chronica ,,do ,,monitor ,antes de entrar no assumpto da minha ,chronica1 duas palavras de desculpa4 ,no appareci na ultima semana porque estive com as maleitas1 um diabo d'umas febres que apanhei quando era rapaz e ia brincar para os campos do ,cyrne1 alli para os lados do ,reymo4 ,pois essas maleitas1 vieram atacar-me traioeiramente1 como costumam1 e quando eu me dispunha a escrever a ,chronica tive de me enfiar em vale de lenoes a tremel-as444 ,um martyrio1 que nem o leitor imagina4 ,unica razo porque ,vossas ,excellencias se viram livres da minha proza a semana passada4 ,hoje1 porm1 no escapam4 ,estou agora fino como um pro e muito bravo4 ,portanto1 se virem que arranco da espada com valentia1 no vos afflijaes1 porque ella de cortia1 como era a da ,justia1 para matar a ,carria444 ,ora pois1 como a espada de cortia1 no corta1 o mais que pode fazer arrolhar4 ,adiante4 ,no alto d'este arrazoado escrevi eu3--,em frente d'um cartaz6444--,e sabeis a que cartaz me refiro8 ,no sabeis8 ,pois ides sabel-o4 ,ao cartaz executado por ,julio ,machado para reclame aos festejos carnavalescos no ,porto4 --,porque vai elle dedicar uma ,chronica a este cartaz1 perguntaro l de si para comsigo os leitores8 --,por um simples motivo1 meus senhores1 porque entendo1 que aquillo est muito longe de ser o que se desejava4 ,julio ,machado 1 inegavelmente1 um bom artista1 mas1 d'esta vez1 no trabalho apresentado deixou muito a desejar4 ,no quer isto dizer que elle esteja mal feito1 mal desenhado1 mal colorido2 no1 o que quer dizer que no era aquillo que se queria4 ,que se queria1 no digo bem2 que eu queria e a maior parte do publico4 ,aquillo1 um lindo desenho1 para figurar em ponto pequeno1 em uma pagina de revista1 na capa d'um livro1 ou ainda dum reclame-programma1 para distribuir nos theatros1 ou na rua4 ,finura de trao1 cuidado de desenho1 doura de cores444 tudo alli ha2 mas1 faltam-lhe os requisitos essenciaes para o verdadeiro cartaz3 largueza de trao1 cres fortes e retumbantes1 cres1 que collocadas pelas paredes1 tilintassem como crystaes que se partem1 retumbassem como troves1 vibrassem como clarins1 ou refulgissem como o sol4 ,figura3 ,cartaz--,,juli,o ,,machado ,acima de tudo isso1 era preciso que tivesse o caracter genuinamente portuguez1 que infelizmente no tem4 ,as figuras passam n'elle como se fossem a reproduo d'uma festa em pleno ,paris---o ,boi gordo1 por exemplo4 ,unicamente1 como nota portugueza1 no primeiro plano um busto de lavradeira1 e l entre essa multido apenas um capote e leno1 como que querendo fugir para fra do trao delimitador do caixilho1 talvez embaado de se vr seguido por tanta gente1 que elle nem sabe quem 4 ,os nossos mascaras caracteristicos1 os chechs1 os lavradores1 os bebs1 os gallegos1 etc41 etc41 que davam a nota definida do nosso carnaval1 esses1 fugiram n'um desespero de se verem amarfanhados n'aquella pele-mele de mulheres em maillot1 e mascaras que ns no conhecemos4 ,mas a culpa no foi do artista4 ,elle viu assim o carnaval2 viu n'aquella cocote fina e delicada1 que o pierrot leva sobre o grande bombo1 a ,folia portugueza1 e enganou-se6444 ,a ,folia portugueza no assim to fina e quasi ingenua1 muito mais expressiva1 mais valente1 de gesto largo e de fundas gargalhadas1 atirando um grande punhado de bombons ou um bouquet de violetas1 com ar de quem no est a estudar posies ao espelho1 despreoccupadamente444 ,no meu entender1 ,julio ,machado no realisou o verdadeiro programma4 ,depois1 ha alli qualquer coisa a mais1 e que infelizmente me entristece3 vr suspensas da mo da ,folia1 como se fossem duas grandes bexigas1 as mascaras da ,russia e do ,japo4 ,no acho de grande intuio artistica aquellas duas figuras n'aquelle logar4 ,quando duas grandes naes se degladiam n'uma sangrentissima guerra1 exquisito que se aproveite esse caso para que1 como n'um ridiculo de troa1 a ,folia atira sobre a multido que se diverte com essas duas grandes figuras4 ,mas444 adeante2 isso nem se discute4 ,o cartaz ahi est6 ''' o que o publico pde vr6 ,agora1 o que o publico no pode vr1 o cartaz que apresentou ,manoel ,monterroso1 e pena1 porque se o visse havia de convencer-se de que este1 como ninguem1 comprehendeu qual o verdadeiro caracter que devia ter o cartaz4 ,no cartaz d'este distincto amador1 havia de tudo1 bello desenho1 cres retumbantes1 e verdadeiro caracter portuguez4 ,depois1 a concepo era genial1 d'um bello artista4 ,no seu trabalho1 uma verdadeira caricatura carnavalesca1 revelava-se mais uma vez o seu espirito fino e observador e o seu trao caracteristico e definido4 ,as figuras que elle apresentava1 eram recrutadas no nosso meio1 de genuina originalidade portugueza4 ,oh6 mas esse no apparece4 ,figura3 ,cartaz--,,manuel ,,monterroso ''' que a commisso entendeu que devia premiar os dois e mandar executar s um4 ,e porque seria isto8 ,que entendedores fram os que determinaram resoluo to exotica8 ,porque no se far a exposio do outro cartaz8 ,cumpre ao ,club1 antes de apparecer em publico com o seu cortejo1 fazer afixar o cartaz de ,manoel ,monterroso2 sem isso ter dado uma prova de favoritismo1 de preferencia a um artista1 com o fim1 talvez de amesquinhar outro4 ,e isso no de pessoas que dirigem um ,club cuja divisa --,pelo ,porto6 ,que apparea o cartaz de ,monterroso1 para que o publico o aprecie tal como elle merece1 e para que se no fique julgando que o ,carnaval ser palido e desenchabido como o cartaz de ,julio ,machado4 ,e que o artista me desculpe1 que eu no lhe quero mal4 ,venho unicamente1 como um dos mais sinceros amigos do ,club ,fenianos ,portuenses1 pugnar pelo bom nome do mesmo e pelo interesse do meu querido ,porto1 que se prepara briosamente para receber os milhares de forasteiros que ahi viro assistir ao carnaval1 que deve ser maravilhoso4 ,janeiro de #aije4 ,nota--,e o ,club1 depois do meu repto1 deixou-se ficar muito calladinho com o cartaz de ,monterroso e no o afixou4 ,o ,janeiro1 porm1 na ,tera feira de ,entrudo1 em illustraes do dia1 deu-o em trao ligeiro4 ,apesar d'isso1 eu1 mais meticuloso e mais pratico1 aproveito esta occasio para fazer inserir n'este logar os dous cartazes4 ,assim1 o leitor ver a justia de meus dizeres e a sinceridade com que eu tracei estas ligeirissimas linhas4 ,elles ahi ficam expostos e o publico que os julgue como entender4 ,,xvi ,,na ,,cruz ,quadro de ,,julio ,,costa ,eis ahi duas singelas palavras que envolvem um grandioso poema de dr1 porque exprimem o final d'esse drama de soffrimento que passou ,christo4 ,e o pintor portuense ,julio ,costa1 com o seu muito talento artistico1 conseguiu transportar tela todo esse sentimento1 realisando um quadro que por si s bastaria para fazer um nome1 se elle de ha muito no estivesse feito4 ,esse quadro1 estudado com um carinho adoravel de pintor de raa1 com seus laivos de poeta lyrico1 admiravel de execuo e representa ,christo no momento em que1 erguendo ao ceu o olhar1 dizia3--,perdoai-lhes1 ,senhor1 que elles no sabem o que fazem4 ,n'uma bem lanada cruz1 que se destaca1 em todo aquelle fundo tenebroso da noute tragica do ,calvario1 pende1 deliciosamente desenhado1 e admiravelmente tratado1 um ,christo que nos chama o olhar1 n'uma contemplao muda de admirao e respeito4 ,que de cousas sentenciosas se poderiam dizer da sua execuo8 ,mas para que fazel-o1 se o publico conhece bem o merito artistico do nosso amigo8 ,e a ,camara ,municipal do ,porto1 que parece querer agora fazer qualquer cousa de bom a bem da arte portugueza1 acaba de adquirir este bello trabalho1 para o museu municipal4 ,quando os nossos leitores poderem admirar mais este soberbo quadro de ,julio ,costa1 ho de reconhecer que a apreciao que d'elle fao nada tem de exagerada4 ,figura3 ,na ,cruz--,quadro de ,,julio ,,costa #aijb4 ,,xvii ,,amadores ,,portuenses ,d4 ,,margarida ,,ramalho ,discipula de ,,julio ,,costa ,tendo que traar algumas ligeiras palavras1 para as ,notas d',arte1 a respeito d'uma senhora1 que1 como amadora1 se torna notavel na pintura1 devo pedir venia1 e formando um bello arco com lyrios e rozas enfeitar esta pagina4 ,depois1 respeitosamente1 com um certo ar ,antiga1 pondo um p atraz1 fazer uma reverencia o mais gentilmente que possa1 e estendendo a minha forte e grossa mo de trabalhador honesto1 pegar levemente nos dedos finos da delicada mo d'essa senhora1 e levando-a fidalgamente aos labios1 beijar-lh'a1 pedindo-lhe licena para lhe dedicar duas phrases desataviadas1 n'um pequenino artigo sobre o seu valor como amadora de pintura4 ,ella1 sorrindo1 naturalmente dir que sim1 e ento eu comearei a escrever1 cheio d'aquelle doce encanto que nos vem d'esses olhos vivos e d'um rosto lindo4 ,figura3 ,d4 ,margarida ,ramalho ,e que isto v sem ar de madrigal1 porque estou velho de mais j para isso1 e muito especialmente porque eu j no sou s444 ,adeante6444 ,comecemos pois1 nada de perder tempo em rebuscamentos de estylo4 ,dentre a multido enorme de amadores de pintura1 multido cujo calculo impossivel fazer1 ha alguns1 no muitos que merecem especial meno1 e que devem passar n'estas simples ,notas d',arte ao lado dos verdadeiros artistas1 como affirmao de que o talento1 acaba por no distinguir uns dos outros4 ,no pense o leitor que eu vou transplantar para aqui1 todos os amadores de talento que ha na cidade da ,virgem4 ,isso seria impossivel4 ,vou apenas apresentar-vos uns dous ou tres1 com incitamentos para os outros4 ,e a aprezentao d'estes amadores1 visa a dous fins3--animar os alumnos1 na esperana de se verem glorificados um dia publicamente1 em lettra redonda e excitar os professores para que desde que encontrem nos seus discipulos aptides para o desenho e para a pintura1 ou esculptura1 os obriguem a destacar-se no nosso meio artistico4 ,no devem portanto1 os que no apparecem n'este livro1 vr da minha parte1 n'esta falta1 o desejo de os no notar4 ,no1 no assim2 que nos limites d'este volume no cabem todos1 e por isso s aqui aparecem aquelles com quem mais em contacto estou e de quem mais de perto conheo as obras4 ,se algum dia porm eu voltar a publicar outro volume como este1 ento dedicar-lhes-hei uma grande parte d'elle e alli apparecero todos os amadores1 que o meream1 est bem de ver4 ,e1 no me deixava eu alargar por ahi abaixo em salamalekes para os amadores da pintura1 sem me lembrar1 quasi1 que tinha que dedicar estas paginas a uma senhora8 ,queira ,v4 ,ex4a desculpar1 minha senhora1 e entremos no nosso assumpto4 --,como foi que eu conheci pessoalmente esta senhora1 que de ha muito conhecia de nome8 ,vou explical-o4 s noutes reuno-me muitas vezes com o velho amigo ,julio ,costa e discutimos muitos e variados casos4 ,entre essas conversas muitas vezes nos entretemos a fallar de ,arte4 ,n'uma d'essas occasies1 discutindo aptides de alumnos1 ,julio ,costa fallou-me largamente d'esta sua discipula1 que mostrava uma disposio especial definida para a pintura4 ,era1 no uma d'estas senhoras1 que se prendeu em simples bibelotagem d',arte1 mas1 que1 uma vez dada a estudar1 queria ir para deante4 ,julio ,costa afeioou-se a esta discipula e dedica-lhe uma especial estima4 ,uma noute1 depois d'uma d'essas conversas muito vulgares entre ns1 disse-me ,julio ,costa3--,voc sabe1 ,lemos1 fallei em si e na conversa d'hontem minha discipula de ,mattosinhos e manifestei-lhe o desejo que voc tinha de visitar o seu pequenino atelier4 --,e ella que disse8 --,que poderia ir quando quizesse1 que bastava eu ter-lhe dito que tinha vontade que voc visse os seus trabalhos1 para immediatamente consentir2 que eu1 como professor1 no lhe teria fallado n'ella1 se no visse que ella tinha qualquer pequena coisa que merece apenas s vr-se4 ,e1 confessava-me o ,julio ,costa3 dizia isto to cheia de modestia to encantadoramente1 que voc deve l ir e muito breve4 --,pois vou l no domingo4 ,e fui4 ,era meio dia1 quando me apeei do electrico1 na alameda de ,mattosinhos1 mesmo porta da caza onde mora ,d4 ,margarida ,ramalho4 ,a caza1 com um doce aspecto de frescura1 fica alcandorada um pouco acima do nivel da estrada1 circundada por um jardimsito bem tractado e onde se ostentam bellas flores4 ,das janellas desfructa-se o rio ,lea1 que indolentemente se espreguia1 n'um dulce far niente1 at desaguar l ao longe no mar1 em ,leixes4 ,e1 quasi em frente das janellas1 na alameda1 entre a frondosa ramaria das arvores1 a figura de ,passos ,manuel impassivel e serena1 n'uma atitude de resignado ante a aluvio de zangos1 que por este tempo de vero se encarregam de zumbir de volta d'elle1 como os ,passos d'hoje zumbem em volta da sua ,memoria4 ,perdoe-me a gentil senhora1 mas ao apear-me do electrico e ao olhar para aquella figura1 fiz estas mesmas consideraes4 ,pois bem1 logo que cheguei subi ao jardim e bati docemente porta4 ,veio abrir-m'a uma creadita loura1 d'um louro acastanhado4 ,perguntei se ,d4 ,margarida estava e entreguei o meu carto de visita4 ,voltou dentro em pouco dizendo que sim1 que podia passar sala4 ,entrei4 ,d4 ,margarida no se fez esperar4 ''' uma senhora nova1 baixinha1 magrinha e muito loira1 interessante como um lindo biscuit4 ,recebeu-me o mais amavelmente possivel4 ,peo-lhe desculpa do meu atrevimento mas o ,julio ,costa tinha me fallado d'ella com tanto interesse1 que tinha immediatamente feito nascer no meu espirito de admirador do bello1 procurar ensejo de ir ver os seus deliciosos quadros4 ,eram favores1 do seu professor1 dizia ella4 ,mas j que tinha vindo ento sempre ia mostrar-me os seus trabalhos4 ,entrei no atelier1 um recantosinho alegre onde ella estuda os seus assumptos e onde os pe em execuo1 depois de ter em pleno ar livre1 feito os esquissos e os precizos estudos4 ,figura3 ,castanheira--,d4 ,,margarida ,,ramalho ''' no atelier que ella tem os seus melhores trabalhos1 pousados artisticamente pelas paredes1 todos elles com magnificas qualidades de cr4 ,aqui1 um quadro representando uma rapariga porta d'uma taverna1 com uma assadeira de castanhas1 n'um taboleiro1 castanhas j assadas1 e n'um cesto ao lado mas4 ,no fogareiro da assadeira ainda restos de lume4 ,a rapariga1 d'uns doze annos1 olhos azues1 cabello louro1 poderiamos dizer dourado4 ,uma expresso dolente1 um ar pensativo e triste1 talvez1 quem sabe8 com receio de que no appaream freguezes e ella tenha que levar tudo aquillo para casa1 sem ter apurado vintem4 ,por detraz d'ella1 v-se uma grande pipa j vazia1 no fundo escuro4 ''' um quadro bem tratado1 cheio de um intimo sentimento4 ,alli1 uma ,cabea de velho1 de barba branca amarellada e chapeu largo1 verdadeiramente interessante1 feito com proficiencia1 destaca deliciosamente da tela1 e sente-se1 que se a aragem passasse um pouco forte1 aquella barba ondularia fluente e suave4 ,mais alem1 n'uma boa e s frescura1 de moa sadia1 uma ,rapariga de ,villar d',andorinho1 com o seu typico chapeu de maanetas pretas1 irradia vida e cr4 ,outros mais ainda1 mas como nota final d'este recinto1 um delicioso quadro que intitularei ,volta da fonte4 ,uma rapariga muito esguia e muito fina desce uma rampa trazendo ao hombro um cantaro cheio de agua e isto por um sentimental fim de tarde4 ,em todos estes trabalhos se denota uma perfeita orientao1 um serio estudo4 ,v-se que ,d4 ,margarida ,ramalho no uma amadora vulgar1 que se atira inconscientemente a executar a pintura1 sem primeiro a ter estudado conscienciosamente4 ,alli ha valores1 tonalidades1 tons e meios tons1 perspectiva1 desenho1 arte emfim4 ,figura3 ,cabea de velho--,d4 ,,margarida ,,ramalho ,sa do lindo atelier depois de demorada vizita1 e de agradavel conversa por onde pude concluir que havia j #g annos que estudava4 ,subindo a escada1 no patamar encontram-se os seus primeiros estudos em dezenho1 dos quaes destacarei como mais notaveis um ,perfil de ,mulher e uma ,cabea de expresso1 de guerreiro4 ,a todos esses trabalhos liga esta amadora uma especial predileo4 ,a convite da illustre amadora entrei depois no seu boudoir1 cheio do mais profundo respeito4 ,este quarto1 mobilado com simplicidade1 mas fino gosto1 mereceu a minha atteno porque as suas paredes so decoradas delicadamente pela sua habitante4 ,n'um enlevado sentimento de amor pela ,arte1 ,d4 ,margarida ,ramalho1 entendeu e muito bem1 que no seu quarto de dormir ella devia reunir e patentear aos seus olhos alguma coiza que saindo do seu esforo artistico constantemente lhe desse um doce effluvio emotivo e agradavel1 e ento traou em largos panneaux1 com os seus finos pinceis1 deliciosas artemizias e frescas e orvalhadas rozas4 ,um verdadeiro encanto4 ,ao tecto deu o collorido azul duma suave atmosphera1 como um vago sonhar do ceu4 ,e sobre a cabeceira do seu leito pintou uma linda composio d'aquellas bellas flores--bons dias e boas noites1 dentre as quaes pende um formozo ,christo de marfim4 ,quando o quarto estava completamente pintado1 ,d4 ,margarida pediu ao seu professor que lhe pintasse alli qual couza que podesse1 dizia ella1 dar um ar de grandeza quellas pobres flores4 ,e ,julio ,costa1 querendo ser agradavel sua discipula porque v n'ella uma verdadeira fanatica da ,arte1 e muito e muito a estima1 pintou ento n'um vo escuro da janella1 um ,fim de tarde4 ,numa larga planicie arida e muito extensa1 l ao fundo1 o sol cae1 e ao esconder-se deixa um tom alaranjado1 donde saem fortes e espalhados raios dum vermelho intenso4 ,e ,d4 ,margarida conta-nos tudo isto timidamente4 ,porque ella uma timida4 ,tem um grande respeito pela ,arte e esse respeito cria-lhe uma indiscriptivel duvida sobre o seu poder executante d'obras de largo folego4 ,fallei-lhe de trabalhos que conhecia de varios pintores e ella1 como que se alterava1 quando eu lhe dizia1 que a achava com foras de tentar obras assim1 e s me respondia3 ,est enganado1 eu sei l fazer tanto6444 ,e apesar disso os seus trabalhos demonstram bem o contrario4 ''' vulgar1 segundo me diz o ,julio ,costa1 ao apresentar-lhe um assumpto para tractar1 ella dizer-lhe3 ,eu no fao isso1 porque muito difficil1 muito difficil4 ,depois1 principia a desenhar cheia dum grande escrupulo1 sempre com medo de errar1 chegando ao fim e tendo executado o desenho e depois a pintura em equilibrio muito estimavel e mesmo muito notavel4 ,e ella faz isto tudo1 porque admira intimamente a ,arte e uma doce adoradora do ,bello4 ,no se atreve ao mais difficil1 sem considerao1 sem respeito1 treme ante o mais modesto e o mais singelo trabalho1 e por isso consegue ser notavel entre os amadores de pintura4 ,tinha feito a minha agradavel vizita e ia despedir-me1 quando ao passar pela sala de visitas notei um bello piano4 ,atrevi mais uma pergunta3--,era ella tambem a amadora8444 ,era1 e executando com talento4 ,rogada ento para se fazer ouvir1 descerrou o piano1 passou suavemente os dedos pelo teclado e soltou l de dentro um primoroso ,nocturno de ,chopin1 que me deixou no espirito a nota viva do seu grande amor ,musica4 ,d4 ,margarida uma virtuose doubl de pianista e pintora4 ,disse-lhe adeus1 e ao sar para tomar o electrico que me trouxesse ao ,porto1 abenoava o ,julio ,costa1 que tinha conseguido que eu passasse duas horas deliciosamente4 ,figura3 ,impresso de ,paris--,,candido da ,,cunha ,,xviii ,novos quadros de ,,artur ,,loureiro ,i ,,no ,,seu ,,atelier do ,,palacio de ,,crystal ,os quadros que n'este momento se acham expostos no atelier do delicado artista ,arthur ,loureiro1 devem ser vistos com atteno1 porque esses trabalhos fazem resaltar rapidamente todo o segredo emotivo4 ,no so como certos quadros que precisam para serem comprehendidos uma intuio especial e definida4 ,no1 nas telas de ,loureiro logo nos resalta clara e ridente a verdade1 tendo o grandioso merito de se incutirem no nosso espirito pelo espectaculo de linhas e de cres harmoniosas1 de leves sensaes1 lembranas e sonhos que se misturam pouco a pouco com o prazer da impresso visual4 ,figura3 ,,arthur ,,loureiro ,arthur ,loureiro1 inegavelmente1 um grande artista1 e embora alguem no goste d'isso1 d'aquelles que aferrado ao seu trabalho lucta lealmente1 sinceramente1 na ideia firme e correcta de mostrar que sabe e que tem fundos recursos para grandes e luminosos emprehendimentos4 ,loureiro1 embora o julguem um triste1 um melancholico1 no d'aquelles que preferem o aroma resinoso dos bosques e o perfume das flores1 na doura d'um crepusculo1 na hora em que a nossa alma sobe tristemente s regies do ideal1 e que os objectos se descoram e a paisagem toma uma attitude recolhida e quieta6444 ,no1 elle verdadeiro filho do norte1 onde as raparigas1 vermelhas como roms e os rapazes1 valentes como heroes1 cantam poemas sublimes de amor e de luz1 n'uma musica altisonante e harmoniosamente alegre1 elle1 ama mais o grande sol de luz intensa e forte e o sussuro que nos d a nitida impresso da vida e do trabalho4 ,e tudo isso se v nos seus quadros1 n'esses cincoenta trabalhos expostos1 que so1 como j o disse um meu collega da imprensa1 como que provas definidas para um concurso de ,arte4 ,com aquelles documentos1 ,loureiro affirma que em todos os generos de pintura um mestre4 ,no retrato1 na paisagem1 na marinha1 no estudo d'animaes1 no genero decorativo1 em todos elles o nosso artista se nos apresenta verdadeiramente grande4 ,e seno1 vol d'oiseau1 rapidamente1 vejamos3 ,os tigres que anatomia e que correco2 como se desenha to nitida e to visivelmente o trao de todo aquelle animal n'uma postura molle de traio e de fora4 ,como vemos atravs d'aquelle olhar felino e do aveludado da sua garra1 a indole perversa que d'elle se acolhe4 ,e com que verdade esto tractados aquelles olhos brilhantes e magoadores1 d'um outro1 que por traz do que est no primeiro plano1 parecem fitar o espectador1 na esperana de filal-o1 n'um salto rapido e traioeiro4 ''' inegavelmente um d'estes trabalhos que s por si fazem o nome laureado a um artista4 ,estudo decorativo4 ,simplesmente soberbo e encantador4 ,entre flores1 envolvendo-se n'um veu de gaze transparente e lucido1 sae como uma deslumbrante rosa1 toda vio e frescura1 uma linda creana1 encantadora e meiga como um anjo1 tendo na mo uma haste de flores-saudades4 ,n'um fundo rutilante de luz1 como na aureola ridente d'uma fresca manh de ,agosto1 destaca essa linda figura4 ,e como foi desenhada e como foi executada4 ,alma de poeta1 d'esses poetas que cantam as manhs claras do sol e os rostos lindos das raparigas1 foi a que concebeu aquelle quadro e que o executou4 ,nada mais444 ,o retrato do ,chico ,anthero4--,perdo1 doutor1 tratal-o assim1 mas1 francamente1 quando olhei para o seu retrato no pude respeital-o e pedi-lhe que contasse uma d'aquellas suas historietas4 ,no contou1 mas tal a semelhana1 tal a expresso1 to seu aquelle modo e to psychologicamente estudado aquelle quadro que me pareceu mesmo ouvil-o a larachear e a rir4 ''' um primor de execuo1 um assombro de correco4 ,figura3 ,retrato de ,s d',albergaria--,pintado por ,,arthur ,,loureiro ,retrato do dr4 ,julio de ,mattos4--,bello trabalho feito na largueza subtil d'um quadro d'arte1 no com a preoccupao d'um retrato para galeria de definidores da ordem terceira1 mas um retrato intimo1 que temos no nosso gabinete de trabalho1 ou no nosso quarto1 retrato para ns1 para consolo da nossa alma e dos nossos4 ,tal o retrato do dr4 ,julio de ,mattos1 que incompleto como est1 j mostra que ha-de ser um quadro to bello1 to bem feito como o do ,chico ,anthero4 ,o retrato do dr4 ,magalhes de ,lemos tambem um bello trabalho4 ,ha mais dois retratos de senhora1 dois estudos1 como ,loureiro lhe chamou1 mas que so dous primores4 ,loureiro adoptou para os seus retratos uma frma e um tamanho especial o que lhe d uma gracilidade gentil e meiga1 deixem-me assim dizer4 ,em quanto ,paisagem muito teria que dizer se podesse alargar este artigo1 mas como me no possivel n'este momento1 limito-me a fallar dos seguintes quadros3 ,rua do ,meio4--,da vulgaridade d'uma rua1 com casas de um lado e d'outro1 e uma egreja no primeiro plano1 teve ,loureiro a habilidade de fazer um dos seus para mim mais interessantes quadros4--,e porque8 perguntar o leitor4 ,outro qualquer o faria444--,mas no fazia4 ,para isso preciso saber-se vr e vr muito bem1 conhecer mil pequenas cousas e transplantal-as para a tela com uma especial pericia e arte444 d'onde se conclue que aquella rua no como no uma coisa chata1 sem relevo4 ,aquella rua um quadro e dos mais interessantes4 ,montanhas da ,galliza1 ,corgo1 ,monte de ,santa ,tecla1 ,alto de ,santo ,antonio1 ,barra de ,caminha4 ,tudo isto so retalhos sublimes da natureza1 que ,loureiro transplantou tela com uma verdade flagrante e uma technica segura4 ,fecho por aqui este meu despretencioso artigo fazendo apenas uma leve considerao4 ,ha no nosso ,muzeu quadros de quasi todos os pintores portuenses1 mas no vimos ainda l nenhum de ,arthur ,loureiro4 ,agora1 como nunca ha occasio para que a ,camara do ,porto1 que parece se interessa um pouco pelas cousas d',arte da nossa terra1 compre um quadro a ,loureiro para o ,muzeu ,municipal4 ,e porque no ha-de fazel-o68444 ,tem este artista dois quadros que esto a pedir transplantao para logar1 onde todos os possam apreciar condignamente e so3 os ,tigres ou ,por montes e vales4 ,cumpre camara do ,porto este dever de gratido para com o artista distincto1 que aps #bj annos de ausencia1 volta a ,portugal cheio de ,arte a glorificar-nos com os seus trabalhos4 ,,ii ,,arthur ,,loureiro e os seus discipulos ,nada ha que mais me enthusiasme e me anime1 do que saber que ainda ha1 quem1 dentro da esphera da ,arte1 tenha iniciativas e emprehendimentos de coisas uteis e aproveitaveis1 sem mira a vanglorias ou a fabulosos lucros1 unica e exclusivamente pela ,arte4 ,ha annos1 todo eu me enthusiasmei1 quando meia duzia de artistas1 homens de lettras e amadores1 tentaram crear no ,porto uma sociedade de ,arte1 que infelizmente1 como todas as coisas uteis1 cahiu ao tentar elevar-se2 digo mais1 morreu de morte affrontosa ao nascer4 ,depois1 perante a iniciativa do ,instituto de ,estudos e ,conferencias1 que parecia vir dar a nota correcta de que as exposies d',arte seriam verdadeiros concursos de trabalhos definidos de artistas1 tambem me enthusiasmei1 porque imaginei que1 com os elementos de que elle dispunha poderia fazer muito melhor do que o que tem feito1 se bem que tenha feito alguma coisa4 ,apparece depois um sr4 ,magalhes1 que no conheo1 em communicados nas gazetas1 a dizer verdades amargas a respeito do ,palacio de ,crystal e a reclamar para aquellas duas alas lateraes1 que foram em tempo bazares1 esclas de pintura1 de lavores femininos1 etc41 emfim1 reclamando o aproveitamento d'aqnelles dois esplendidos atelieres em alguma coisa de util para a ,arte444 ,mas1 infelizmente as verdades que o sr4 ,magalhes dizia1 ficaram perdidas como perolas em chiqueiro de porcos1 porque a gerencia do ,palacio de ,crystal achou mais util tel-os assim vasios1 do que aproveitados em qualquer coisa444 ,assim1 podia em noites de spleen1 passear n'ellas1 como a sombra do ,hamlet1 sem tropear em qualquer coisa que tornasse o ,palacio interessante ao publico1 mais do que os macacos e o sr4 ,vieira da ,cruz6444 ,e essa ida1 como era boa1 morreu1 n'um significativo desprezo por parte dos interessados no rejuvenescimento do ,palacio de ,crystal4 ,veio por fim ,arthur ,loureiro1 esse laureado artista que todos ns conhecemos1 pelo seu talento1 e lana a ida de uma escla d',arte1 tal como ellas so no estrangeiro4 ,lucta com mil difficuldades ao principio para poder realisar o seu plano1 e eu ao saber do seu emprehendimento todo me enthusiasmo um momento1 para pensar logo em seguida que a sua idia ha-de morrer1 como morreram todas as outras4 ,mas1 tal no succede2 ,arthur ,loureiro se no fundo um bom portuguez e um genuino portuense1 vem saturado d'essa convivencia de vinte annos com os inglezes1 gente que tem tanto de aventureiros como de previdentes4 ,debaixo d'essa esplendida orientao ,loureiro cria a sua escola de pintura para senhoras e no desanima1 confiado em que querer poder4 ,e hoje elle o unico artista que1 no nosso meio1 realisa este grande melhoramento1 em prol da ,arte3 ter uma escola onde vo os seus discipulos1 n'uma confraternisao artistica1 tomar as sbias lies que elle lhes d com a sua proficiencia e saber4 ,e1 com que arte1 e com que cuidado1 elle soube transformar uma sala fria e desconfortavel n'um atelier1 que se no um especimen1 no entanto um delicado recinto onde o gosto decorativo do artista se casa perfeitamente com a severidade das paredes1 onde pousam como scintilantes fulguraes de genio1 trabalhos1 estudos e composies do professor1 de mistura com gessos de estudo4 ,figura3 ,retrato do dr4 ,francisco ,anthero--,,arthur ,,loureiro ,fui ha dias ao atelier-escola1 precisamente no momento em que terminavam as lies e as alumnas1 fulgurantes de mocidade e alegria1 saiam n'um chilrear que encantava4 ,os cavalletes1 espalhados pelo atelier1 eram como sentinellas que ficavam guardando os logares das discipulas4 ,passei-os em revista1 cheio de curiosidade e de interesse em notar n'aquelles esboos as disposies de quem os tinha executado4 ,aqui1 desenho dos principiantes1 de diversos objectos1 taes como garrafas1 jarros1 pucaros1 etc41 e onde elles1 emquanto desenham1 vo tendo noes do que a perspectiva pratica4 ,mais alm1 estudos de fructas e flores1 e entre esses os d'uma discipula que compe e applica aos tecidos as flores e os fructos que desenha e que pinta do natural4 ,outros1 desenhos de gessos das differentes escolas1 grega1 romana e renascena444 ,mais alm1 cpias flagrantes a oleo1 dos modelos vivos e dos costumes populares portuguezes4 ,uma verdadeira escola1 methodica e definida1 onde os alumnos no copiam os seus trabalhos de modelos que veem de ,frana ou da ,allemanha s grosas1 mas sim do natural2 estudando desde as mais rudimentares noes de traos e linhas1 at aos intrincados problemas da perspectiva1 ss por si1 apenas com as indicaes do professor4 ,so tambem para notar as pastas carregadas de estudos que os discipulos executam em casa1 aps as lies1 e que so documentos irrefutaveis do bom aproveitamento d'este systema de ensinar o desenho e a pintura4 ,entre os discipulos de ,loureiro1 ha um que se torna notavel1 porque com #dh lies apenas1 uma cada semana1 tem feito maravilhosos progressos4 ,d'este discipulo1 j eu tive occasio de fallar1 quando em tempo dediquei duas linhas a uma exposio que ,loureiro fez e em que appareceram alguns estudos d'elle4 ,ha tempos1 porm1 quando visitei o atelier-escola1 tive uma boa occasio de vr de novo trabalhos seus feitos alli3 uma bella copia a oleo do gesso1 correcta de execuo e de desenho e mais uns trabalhos que elle fizera fra da escola1 em passeio d',arte pelo campo e pela praia4 ,havia uma marinha bem tocada1 e uma paisagem delicadamente pintada e superiormente estudada e desenhada1 no fallando n'um interessante quadro de camelias1 que me encantou4 ,talvez porque eu gosto muito de flores1 e aquellas estavam to frescas1 que me fizeram uma magnifica impresso4 ''' elle o sr4 ,manuel ,lucio um dos amadores que1 se continuar assim1 mais brilhantemente poder affirmar o que se tem dito de ,loureiro3 que se grande como artista1 no o menos como professor4 ,mas1 voltemos escola4 ,tem ella sobre todos os outros atelieres a grande vantagem de estar installada nos jardins do ,palacio4 ,quando a primavera1 ridente1 enche aquelle recinto de flores e de sol1 c para fra1 para o ar livre1 vem os discipulos1 e1 ou recolhem nas suas telas as flores lindas e frescas e os pontos de vista deliciosos que d'alli se disfrutam1 ou estudam e pintam pequeninos recantos do jardim variados e bellos4 ,e tudo isto realisa ,arthur ,loureiro1 no sem largas e complicadas difficuldades1 que felizmente elle v cobertas de bom resultado1 se bem que com pouco interesse4 ,ao vir-me embora depois de ter dado os meus parabens sinceros ao professor pela sua iniciativa1 pensava em como aquelle bello recinto do ,palacio de ,crystal poderia ser aproveitado para tanta1 tanta coisa util1 em vez de jazer ignominiosamente alli1 mudo e sinistro como um crime4 ,e que tudo isso se poderia fazer se quem o dirige1 visse mais alguma coisa do que umas reles exposies de flores e aves e do que umas festarolas de arraial com musica do ,z da ,gaita e fogo d'artificio do ,devezas6444 ,figura3 ,tigres--,,arthur ,,loureiro ,,iii ,,arthur ,,loureiro e a ,academia de ,bellas-,artes ,ha tempos n'uns bem elaborados artigos da ,voz ,publica1 alguem1 que eu no sei quem 1 veio apresentar a ideia de que ,arthur ,loureiro deveria ser professor da nossa ,academia de ,bellas-,artes4 ,achei to acceitavel e to util para a ,academia essa ideia1 que n'este momento em que me tenho de occupar da sua exposio de quadros1 entendi dever acompanhar na sua propaganda quem to desinteressadamente a apresentou4 ,no que eu venha a campo combater afincadamente em favor d'este artista1 no1 venho s como mero espectador do grande palco da vida applaudir quem soube apresentar a ideia4 ,arthur ,loureiro foi um dos mais distinctos discipulos das nossas academias de ,bellas ,artes e tem a sua folha de bom profissional1 resplandecendo de brilho e cheio de gloria immoredoira4 ,no foi no seu paiz natal que elle se completou em arte1 foi no estrangeiro1 nas grandes terras onde ser-se pintor no uma mera galanteria de gente fina2 foi nas terras onde se faz da ,pintura alguma coisa mais pratica e mais definida do que entre ns4 ,voltou tarde patria1 vinte annos passados sobre o seu curso4 ,quer isto dizer1 que elle vem mais senhor do metier do que aquelles que meramente se demoram l por fra uns tres ou quatro annos4 ''' certo que muitos que estudaram no estrangeiro nem sempre ao voltar veem mais vigorosos e mais trabalhadores do que quando partiram4 ,mas elle no4 ,arthur ,loureiro1 foi unicamente para trabalhar e affirmam-no exuberantemente os cargos que por l occupou distinctamente1 taes como3--examinador das classes de ,arte da ,national ,gallery of ,victoria1 e director e professor de #a4;a classe dos cursos de ,dezenho e ,pintura do ,presbiteriam ,ladier ,college em ,melbourne1 na ,australia4 ,figura3 ,s no mundo--,quadro de ,,arthur ,,loureiro ,ora estes cargos dados a um estrangeiro1 a um portuguez1 o que affirmam o que o seu nome era ali conhecido e que estava altura de occupar esses logares com toda a hombridade e todo o saber4 ,mas ha mais1 quando terminou o seu curso em ,portugal foi classificado para pensonista em ,paris1 onde fez uma larga e profunda aprendizagem d'arte4 ,concorreu a muitas e variadas exposies1 onde os seus quadros foram sempre apreciados como mereciam4 ,entre esses deveremos notar como primordiaes a ,exposio ,religiosa da ,belgica onde o seu quadro1 ,a ,viso de ,santo ,stanislau de ,kastka1 foi acolhido com enthusiasmo por toda a critica1 e muito especial referencia mereceu ao celebre critico religioso1 l',alb ,moeller4 ,e ainda em ,londres1 onde concorreu1 a convite1 ,greater ,britian ,exibition1 em #ahii e foi recompensado com diploma d'honra e medalha de ouro4 ,ha pouco foi elle eleito ,academico de ,merito da ,academia da ,victoria1 em ,melbourne4 ,v-se bem claro1 por tudo isto1 que ,arthur ,loureiro era considerado e muito1 l fra1 como um verdadeiro artista que 4 ,estou d'aqui a vr a balburdia que vae no nosso meio artistico por estas minhas despretenciosas notas1 mas no so ellas mais do que o desejo de provar que o homem est altura de occupar um logar de professor na nossa ,academia4 ,porque estou bem certo de que elle1 chamado a dar provas publicas do seu saber artistico1 ellas sero convincentes4 ,se elle um grande artista1 no menos um grande trabalhador1 incansavel2 trabalhando1 quer em quadros para expr e vender1 quer dando lies quelles que desejam bem conhecer a arte de pintar1 no seu atelier1 no ,palacio de ,crystal ,portuense4 ,n'esse mesmo atelier j por varias vezes tive o prazer de visitar exposies organisadas por elle4 ,ali me mostrou elle que embora longe de ns por tanto tempo1 no se deshabituara das cres e da luz da nossa boa terra4 ,no veiu inebriado com o nebulozo da ,escocia1 com o cinzento da ,frana1 nem com o vermelho violaceo da ,italia4 ,veiu isento de escolas1 preoccupando-se s com o que via na natureza tal qual ella se apresentava1 vibrante de luz se o sol espadanava rutilantemente no espao1 nebuloso e triste1 se a nevoa cobria a atmosphera e a paisagem que pintava4 ,era como que o executor da verdade tal como ella deve ser4 ,era1 emfim1 um paisagista perfeito e definidamente portuguez4 ,pois bem1 todos ahi viram as suas recentes exposies1 e que eu saiba1 ainda ninguem amesquinhou o seu muito merecimento2 pelo contrario todos foram uma a dizer que elle tinha valor4 ,a critica1 que deve ser sincera e justa1 no teve por onde o atacar1 nem veiu dizer d'elle seno que era bom1 por isso a sua entrada como professor de paisagem na ,academia de ,bellas ,artes1 do ,porto1 deveria ser acolhida por todos os professores e alumnos com enthusiasmo1 se bem que a nossa ,academia no seja para largas manifestaes4 ,mas deixemos agora o artista para fallarmos da sua ultima exposio4 ,no atelier de ,arthur ,loureiro1 ha um no sei que de conforto que nos prende4 ,sob a sua direco tem-se transformado aquella fria sala n'um bellissimo gabinete1 onde se podem passar horas e horas admiravelmente bem4 ,decorado com simplicidade1 mas com um especial cachet de galanteria os seus quadros destacam alli maravilhosamente4 ,vou fallar delles1 como sei1 ou como entendo4 ,como nota primordial destacarei o grande quadro1 cujo titulo ,de aldeia em aldeia e que inspirou ao bello poeta ,m4 ,ricca1 esta quadra3 ,sob a cruz pesada e feia ,da miseria que a consomme ,corre d'aldeia em aldeia1 ,na ,via-sacra da fome4 ,figura3 ,de aldeia em aldeia--,,arthur ,,loureiro ''' um soberbo trabalho1 desenhado com cuidado e pintado com amor4 ,uma velhita andrajosa atravessa um trecho de paisagem1 por um caminho encharcado4 ,que correco e que luz1 verdadeira obra prima que um grande mestre no se envergonhar de assignar4 ,no pinhal4 ''' um delicioso estudo de pinheiros1 graceis e altos com a sua coma dum verde fonc1 que parece sussurrar com a aragem que passa4 ,mar agitado4 ,agua deliciosamente tratada e transparecendo atravez d'ella a penedia que ella cobre4 ,luz deliciosa de grande ar4 ,vaga quebrada4 ''' um pequeno quadro em que uma vaga se espadana como champanhe de encontro a um rochedo4 ,com que vigor est pintada essa molle de agua1 que n'um desdobrar vertiginoso e bravo encontra um obstaculo e se desfaz para o ar1 como n'um grito de desespero6 ,retrato de ,g4 ,nogueira4 ,este retrato um primor de parecena e de trabalho4 ,loureiro poz n'elle um cuidado especial e amigo2 uma obra prima4 ,nevogilde4 ,um trecho de paisagem portuense1 muito sentida1 muito nossa4 ,padeira de ,avintes4 ''' um delicioso estudo dos nossos costumes populares4 ,modelo gracil e airoso como so todas as nossas lavradeiras1 correctamente desenhado1 primorosamente pintado4 ,barcos4 ,um quadrito interessante1 onde ha dois barcos que parece boiarem docemente nas aguas mansas do rio1 sob um ceu suave d'um azul transparente e bom4 ,mais outros quadros ainda1 todos elles confeccionados com mestria2 alguns estudos de desenho1 cabeas rigorosamente estudadas nos seus claros-escuros4 ,e esta exposio no est a abarrotar de exemplares1 mas toda ella comporta coisas lindas e boas4 ,ao sahir d'ali1 vem-se sob a impresso sincera de que tudo aquillo nosso1 e muito nosso4 ,vem-se to bem disposto1 que se fica com o desejo de l voltar muitas mais vezes4 ,figura3 ,paisagem--,,arthur ,,loureiro ,figura3 ,flora--,quadro de ,,arthur ,,loureiro ,,iv ,mais uma visita ao ,atelier de ,,arthur ,,loureiro ,eu j disse algures que ,arthur ,loureiro era um poeta na pintura e hoje o repito aqui1 no desprendimento sincero de quem o admira pelo seu talento4 ,os seus quadros so bucolicas de cr e de luz4 ,ha-os que so como deliciosos sonetos camoneanos4 ,ha-os que so verdadeiros poemas4 ,as pequenas telas veridicamente portuguezas1 com a sua cr e a sua luz d'aldeia1 so como cantigas de namorados entre os rumorejos do trabalho campestre4 ,arthur ,loureiro1 talvez1 porque viveu muito tempo longe da sua patria1 ao voltar1 como que tentou1 n'um largo sentimento de amor patrio1 desforrar-se d'aqui no ter vivido sempre4 ,e n'uma subtileza ideal desenhou e pintou a grande alma portugueza1 desde a ,torre dos ,clerigos1 at ao mais escondido recanto do ,minho4 ,a sua obra como que o grito sentido do filho prodigo que volta ao fim de muito tempo casa paterna4 ,e que foi elle seno um filho prodigo da ,arte1 que andou por terras estranhas a expandir o seu talento em grandes manifestaes1 e que ao voltar1 um pouco abatido da grande lucta1 nos mostrou que1 se alguem o julgava j um estrangeiro1 a sua alma pulsava no mais sublime enthusiasmo por tudo o que nosso1 por tudo o que era portuguez1 desde as suas paisagens at aos seus homens4 ,e agora mais uma vez fallemos dos seus quadros1 e dos do seu discipulo4 ,antes porm de entrar na enumerao dos seus trabalhos ahi vae uma opinio4 ,na occasio em que eu visitava a exposio entravam ali um grande pintor portuguez 7,souza ,pinto71 um grande actor portuguez 7,augusto ,rosa71 e um grande actor francez 7,coquelin ,ain74 ,pois estes tres cavalheiros insuspeitos para todos1 depois de larga apreciao aos trabalhos expostos1 quedaram-se em frente d'um quadro que ha muito est no atelier ,a ,primavera1 e ,souza ,pinto1 esse artista cujo nome resa no estrangeiro como um clarim de gloria nacional na arte de pintura1 disse que se admirava que aquelle quadro ainda no tivesse sido adquirido para o muzeu nacional como um especimen de boa pintura e de soberbo desenho4 ,tambem eu teria soltado o meu brado de admirao1 se no soubesse que o ,estado e as ,camaras no teem dinheiro para essas cousas1 e s o teem para festejos balofos1 para comesainas opiparas e para bolos rendosos aos afilhados2 para mais nada4 ,a galeria nacional de pintura no ,porto talvez mais parca do que a do mais pequeno amador4 ''' uma vergonha66444 ,figura3 ,pinheiros--,,arthur ,,loureiro ,adeante1 que vamos gastando muito tempo com consideraes philosophicas4 ,pois os quadros expostos de ,loureiro1 so #ag novos e uns #h j vistos4 ,dos antigos nada direi seno que so soberbos1 dos modernos1 d'esses alguma coisa mais escreverei4 ,entre todos ha um que me encanta profundamente4 ''' ,o ,pinhal6444 ,um dia ouvi dizer a alguem que o pinheiral era um motivo que no dava nada na pintura1 pela sua frma1 pela sua cr e pela sua uniformidade4 ,n'essa occasio1 no me quiz manifestar1 eu no sou pintor e no queria cahir em erro deante de quem tinha obrigao de conhecer o assumpto melhor do que eu1 mas1 c para mim mantinha a minha opinio formada2 o pinheiro presta-se pintura1 a questo sabel-o desenhar e pintar4 ,e ,loureiro com o seu quadro ,pinhal veiu completamente preencher a minha modesta opinio4 ,alli1 n'aquella tela esguia1 sob a correco impeccavel de desenho1 erguem-se uns pinheiros1 que parecem balanar sob a presso do vento que passa assobiando na sua ramaria4 ,a ,feira ,nova--''' uma delicada pochade verdadeiramente caracteristica do que so as nossas feiras no ,minho1 sob barracas de lona branca1 que se prendem aos troncos das arvores1 com o borborinho de centos de lavradores e lavradeiras1 acotovelando-se na furia de serem os primeiros a vr o que ha alli para vender4 ,a ,carvalheira--,uma larga arvore de folhas amarellecidas que comeam a cahir sob o ventinho frio do inverno2 deliciosamente estudada4 ,e a ,desfolhada1 e a ,estrada do ,gerez 7sob a chuva71 as ,alminhas e o ,caminho de ,besteiros--e todos elles1 emfim1 como so to verdadeiramente nossos1 to sentidamente portuguezes1 verdadeiramente minhotos1 nos seus verdes inconfundiveis1 na sua luz inimitavel4 ,entre as tres cabeas de estudo1 ha duas de uma velha1 que so um encanto4 ,traadas na meticulosidade de pormenores1 so feitas largamente com pulso de quem um verdadeiro artista4 ,alm dos trabalhos do mestre1 que so como sempre magnificos1 tomando uma das paredes do atelier1 esto os trabalhos do discipulo1 do snr4 ,manoel ,maria ,lucio ,junior1 que ha unicamente um anno1 estuda com ,loureiro1 desenho e pintura4 ,aos meus collegas da imprensa1 como que tem passado despercebido o trabalho d'este amador1 que entra agora no nosso meio artistico4 ,ora eu1 que inegavelmente sou o mais incompetente dos apreciadores dos quadros1 sempre lhe quero dispensar duas linhas4 ,manuel ,lucio um rapaz da nossa fina sociedade1 que todos ns conhecemos como sendo um dos elegantes da nossa terra4 ,durante muito tempo julguei-o um bon vivant1 dedicando unicamente o seu espirito ao talho d'um veston ou ao feitio de uma gravata4 ,um dia1 porm1 entrando a visitar ,loureiro no seu atelier-escla encontrei l este cavalheiro dando lio de desenho4 ,acabada a aula1 ,loureiro mostrou-me trabalhos de varios discipulos e abrindo uma arca artistica que elle ali tem1 tirou de dentro varios desenhos e disse-me3--so feitos pelo ,lucio1 um rapaz de habilidade4--,e de facto os desenhos que elle apresentou1 revelavam uma certa disposio para a ,arte4 ,passaram-se tempos1 o mestre foi para fra e ao voltar encontrou-se em frente d'um discipulo que lhe d honra1 porque ,manuel ,lucio1 dotado d'uma vontade de ferro em conhecer o methodo de desenho e de pintura tem trabalhado denodadamente e tem conseguido com isso e com as bellas indicaes do professor o que muitos com idas ao estrangeiro no tem conseguido4 ,quatorze so os trabalhos expostos por este intelligente discipulo de ,loureiro4 ,cinco trabalhos a oleo1 cinco pasteis e quatro desenhos a lapis4 ,figura3 ,d4 ,adelia ,ramos 3 ,discipula de ,arthur ,loureiro ,entre os desenhos notarei ,o ,contador1 que uma prova irrefutavel do modo como elle interpretou as noes de perspectiva indicadas2 na pintura a oleo notarei os ,cravos e um retalho de paisagem1 onde as cres e os tons esto bem achados1 resaltando os planos da chateza vulgar1 propria dos estudos de amadores4 ,aonde porm eu admiro a disposio artistica de ,manuel ,lucio nos pasteis1 especialisando uns ,effeitos d'agua1 um ,poente e um ,ceus nublados4 ,innegavelmente o discipulo d honra ao mestre e o mestre deve estar orgulhoso por ter achado1 quem to bem tenha sabido comprehendel-o e to sabiamente aproveite as suas indicaes4 ,e recebam os dous1 mestre e discipulo a sincera expresso do meu applauso4 #aijc a #aijd4 ,,xix ,,amadores ,,portuenses ,,manuel ,,maria ,,lucio ,,junior ,discipulo de ,,arthur ,,loureiro ,o ,arthur ,loureiro um velho rapaz1 pintor d'alma e corao1 trabalhador infatigavel1 cavaqueador ameno e interessante1 amigo dedicado1 e1 acima de tudo isto1 professor consciencioso e sabedor4 ,figura3 ,,manuel ,,lucio no ,atelier de ,,arthur ,,loureiro ,ora eu1 que gosto de passar bem o meu tempo1 vou muitas vezes1 e especialmente aos domingos1 ao ,palacio de ,crystal1 dar dous dedos de cavaco ao ,arthur ,loureiro1 no seu delicado e interessante atelier4 ,appareo alli por volta da hora e meia4 ''' quando elle acaba de dar lio ao ,manuel ,lucio1 que1 quasi sempre1 quando eu entro ainda l est dentro1 com a sua blouse vestida1 paleta em punho1 dando as ultimas pinceladas no modelo que copia4 ,outro dia1 copiava elle uma velha2 quando entrei1 estava j limpando os seus pinceis e a paleta para se ir embora4 ,nas faces de ,arthur ,loureiro pairava um alegre sorriso de satisfao4 ,que se teria passado de extraordinario para que elle estivesse to sorridente86444 ,alguma boa nova da familia ausente1 ou grande bem estar na sua delicada saude86444 ,talvez as duas coisas juntas68 ,quem sabe8444 --,esperemos os acontecimentos1 disse eu commigo1 avido1 no entretanto de conhecer o motivo d'aquella intima alegria4 ,o que fr soar1 pensei1 porque o ,loureiro com a sua peculiar franqueza1 no occulta por muito tempo o motivo que o faz estar assim satisfeito e alegre4 ,e assim foi444 ,mal o ,lucio saiu1 virou-se para mim e sem mais1 disse-me1 indicando a porta por onde saira3--''' um discipulo que me ha-de dar honra1 podes crer444 ,tem bastante disposio e muito applicado444 ,ha-de dar muito se continuar assim1 e se se convencer que isto de pintura no se aprende em dous dias4 ,queres vr8 ,e sem esperar resposta levantou o tampo do seu divan-arca1 saccou de l de dentro uma pasta com desenhos e algumas pinturas a oleo1 dizendo3 so d'elle4 ,eram de facto estudos que o ,manuel ,lucio tinha executado em casa1 longe das vistas do professor1 mas sob a orientao e as lies que o ,loureiro lhe dava1 proficua e sabiamente aproveitadas4 ,era especialmente por isso1 porque tinha encontrado1 n'aquelles estudos que n'esse dia o discipulo trouxera sua apreciao1 a boa vontade1 a applicao e a disposio natural de que elle era dotado1 que ,loureiro alegremente se sorria4 ,e elle tinha razo4 ,manuel ,lucio1 que eu tinha por um exterior1 um balofo1 quando o via passar ostentosamente1 as suas sobrecasacas talhadas pelos ultimos figurinos1 as suas gravatas espaventosas e ricas1 onde pousavam joias caras e os seus chapeus altos sempre muito polidos e muito lustrados1 no era o que eu pensava4 ,olhava-nos1 parecia ter um ar sobranceiro de enfant-gat1 ou1 como eu costumo dizer portuguesissimamente1 menino bonito1 e sentia-se por elle um quer que fosse1 que obrigava a pl-o1 com uma certa reserva1 na devida distancia a que se pem sempre os infatuados1 que no valem nada e que julgam ser verdadeiras notabilidades4 ,era um juizo errado aquelle que eu fazia2 reconheo agora que no o conhecia1 e nunca lhe tinha encontrado nem podia encontrar predicados por que o admirasse4 ,estava de sobre-aviso a seu respeito4 ,hoje1 porm1 ponho de parte essa opinio errada que d'elle fazia e isso porque tendo acompanhado com grande interesse os estudos d'esse discipulo1 e o seu aproveitamento n'aquella risonha escola d',arte1 que o bom ,loureiro tem no seu interessante atelier dos jardins do ,palacio de ,crystal1 e como o reconheo digno de ser notado entre os amadores que n'este momento ha pelo ,porto1 vou dedicar-lhe algumas palavras de incitamento1 para que no esmorea na empreza da ,arte em que o seu bom gosto e as suas disposies artisticas o metteram4 ,no pense1 porm1 ,manuel ,lucio que eu vou incensal-o louvaminheiramente2 no1 vou rapidamente em duas leves pennadas dedicar-lhe algumas palavras de elogio merecido e sincero4 ,figura3 ,marinha--,,manuel ,,lucio ,para isso1 soccorro-me de alguns informes que ,loureiro me deu e fallaremos os dous conjunctamente1 eu pelo que tenho visto nas minhas visitas ao atelier-escola1 e especialmente na ultima exposio de trabalhos de discipulos1 elle pelo que tem apurado do estudo que o discipulo tem feito e de como tem recebido salutarmente as suas sabias lies4 ,comecemos pois4 ,um dia1 ,arthur ,loureiro que tinha aberto ao publico a sua escola de pintura para senhoras1 confiado no bom gosto que ultimamente se estava desenvolvendo entre as madames para esta manifestao de ,arte1 viu entrar-lhe pela porta dentro este rapaz chic1 que perguntava se elle quereria dar-lhe algumas lies de pintura4 ,loureiro immediatamente se promptificou a isso1 mas sob condio que elle deveria comear por onde todos devem comear1 pelos rudimentos de desenho4 ,s n'essas condies o poderia acceitar como discipulo4 ,accedeu o nosso amador immediatamente1 pois farto estava elle de saber que o pouco que tinha estudado com um soi disant de nada lhe valia e logo combinaram dar breve inicio aos seus trabalhos4 ,ao principiar estas lies1 ,manuel ,lucio1 vinha cheio de uma inegualavel boa vontade1 um honroso desejo de vir a ser na pintura1 alguma coisa mais1 do que as habituaes vulgaridades1 e por isso1 pondo completamente de parte as noes que recebera de um insignificante professor1 que d'isso s tinha o nome1 pois emquanto ao resto era d'uma nullidade completa1 todo elle se dedicou a estudar e a cumprir as instruces que ,arthur ,loureiro lhe ia dando4 ,e assim1 foi desenhar1 desde os primeiros rudimentos at perspectiva1 e isto por longas lies1 sem nunca dar mostras de canao ou aborrecimento1 pelo contrario sempre cheio d'um grande prazer em traar firme e rapidamente o contorno e o claro-escuro dos objectos que copiava4 ,e ainda hoje continua e affincadamente1 desenhando todos os dias1 mesmo a fra dos esboos que fez para os seus quadros4 ,depois de ter desenhado muito a lapis e a carvo1 copiando gessos e modelos1 entrou ento no desenho a cres1 7pastel7 e fez a paisagem e a figura1 isto tudo do natural1 e fel-o com uma tal garridice e um tal desenvolvimento que os seus trabalhos mereceram os applausos1 no s do seu professor1 mas da critica conscienciosa e honesta de alguns entendidos4 ,aps isto passou a pintar a oleo1 no atelier1 e sob a vista e a conceituosa informao de ,loureiro1 lanou tela flores que estudou em todas as suas minudencias1 sem comtudo fazer dos seus trabalhos1 rendilhados e lambidos quadros4 ,no1 ,manuel ,lucio1 estudou as flores desenhando-as e colorindo-as depois nos tons e nos valores que ellas deviam ter4 ,e emquanto no atelier-escola pintava flores sob a vista do professor1 l por fora1 ssinho1 apenas com as sabias noes recebidas tentava a paisagem a oleo4 ,eram estas algumas das que ,loureiro me mostrava1 e de que eu vos dou umas gravuras4 ,vieram em seguida os estudos a oleo de gessos1 feitos com muita consciencia e extraordinaria proficiencia1 e hoje estuda valentemente1 como um verdadeiro amador de talento1 o modelo vivo1 e ainda ha pouco n'uma exposio de alumnos que ,loureiro promoveu no seu atelier1 elle l estava com #ai trabalhos a oleo entre os quaes alguns havia que eram verdadeiramente maravilhosos de cr1 de luz e de verdade1 e #i desenhos1 provas irrefutaveis de quanto elle trabalha e do bem como trabalha4 ,mas ,manuel ,lucio no s um amador de pintura consciencioso1 tambem um burilador de litteratura hors ligne e um entendedor de coisas d',arte4 ,deve-se sua pessoa o prefacio do ,catalogo da #a4;a ,exposio de ,alumnos no ,atelier-,escola4 ,n'esse prologo o nosso perfilado discorre sabiamente sobre as vantagens de desenhar perfeitamente para bem pintar4 ,so uma serie de consideraes bem feitas e profundamente estudadas1 que do a verdadeira orientao do seu modo de pensar e proceder n'este genero de sport artistico em que se metteu4 ,depois1 como tem muita leitura d',arte1 elle reune a um bello amador1 um cavaqueador agradavel e um conhecedor cheio de saber4 ,ahi fica em rapidas linhas o que eu posso dizer do discipulo de ,arthur ,loureiro1 o bello discipulo que faz honra ao professor4 #aijd4 ,figura3 ,barra1 ,foz do ,douro--,,manuel ,,lucio ,,xx ,,uma ,,exposi,o ,,de ,,quadros do ,instituto de ,estudos e ,conferencias ,no louvavel intento de desenvolver a ,arte de pintura entre ns1 o ,instituto de ,estudos e ,conferencias1 realisou no pateo da ,misericordia mais uma outra exposio4 ''' pois d'este certamen artistico que me vou occupar n'este rapido artigo4 ,fui l1 quando a exposio era vedada ao publico4 ,unicamente ali tinham entrada os socios do ,instituto e os delegados da imprensa1 e por isso muito vontade me demorei por l umas duas horas a analysar4 ,s o quadro de ,sousa ,pinto me reteve boa parte do tempo4 ,que aquillo 1 para mim1 o que se chama o requinte da perfeio4 ,figura3 ,sousa ,pinto ,no abalanarei opinio sobre tal trabalho1 porque me julgo infinitamente pequeno para discutir obra to magistral4 ,sousa ,pinto1 tem o seu nome feito1 nome glorioso que se impe l fra1 nos grandes centros artisticos1 como o ,salon1 onde os seus quadros so recebidos com toda a considerao e premiados com as melhores recompensas4 ,e a critica sabia e correcta dos grandes analystas da ,arte1 essa critica que indomavel como a justia1 tem dito que elle um grande1 um superior pintor4 ,gloriosa coisa por isso1 para ns1 podermos admirar hoje na nossa despretenciosa exposio um trabalho de to requintada perfeio como o ,ferreiro de ,sousa ,pinto4 ,portanto1 antes de entrar na enumerao dos trabalhos expostos1 consinta a direco do ,instituto de ,estudos e ,conferencias que a felicite por ter1 como vulgarmente se diz1 mettido esta lana em ,africa2 porque ,sousa ,pinto no quer sujeitar-se critica portugueza1 e n'estas condies foge de apparecer nas nossas exposies4 ,mas no nos demoremos mais1 sigamos para diante1 que eu vim para lhe fallar do conjuncto da ,exposio1 e no s de um artista4 ,figura3 ,,jos''' de ,,brito no seu atelier ,aberto pois o catalogo acha-se inscripto como n4o #a o snr4 ,almeida e ,silva1 que desta vez me convence de que um artista4 ,eu estava mal impressionado com elle1 os seus trabalhos1 talvez por muita meticulosidade de acabamento e pelo recortado das figuras e dos assumptos1 tinham o quer que fosse de oleographico4 ,mas1 n'esta exposio1 elle vem mais pujante de execuo1 mais artista4 ,e em qualquer dos generos em que se apresenta mostra aptides definidas4 ,entre esses trabalhos destacarei3 ,o ,rio ,pavia no ,outomno1 ,manh d',outubro1 ,veterano de ,ormuz1 ,tranquillidade1 ,retrato do snr4 ,d4 ,diogo d',almeida 7,reriz74 ,ha mais alguns quadros1 mas esses so inferiores4 ,figura3 ,crepusculo ,matutino--,,candido da ,,cunha ,segue-o ,jos de ,brito1 com dous retratos a oleo de que no gosto nada4 ,no entanto noto o ,retrato de ,antonio ,ramos ,pinto1 a pastel1 que muito bem feito1 e as aquarellas1 que apresenta so todas bem tocadas1 especialmente umas tres que so um primor de execuo4 ,as ,margens do ,lea1 7#b quadros71 ,caminho de ,nevogilde e ,villarinha1 especialmente4 ,abel ,cardoso1 com quatro quadros1 dos quaes destacarei o ,tapada4 ,ha uma portinha vermelha a destacar na linha do muro da quinta1 que d uma nota interessante4 ,o retrato do militar esse1 meu ,deus1 phantastico4 ,candido da ,cunha4 ,sempre o sentimental artista que desde sempre conheci4 ,tem tres quadros1 qual d'elles o mais bem feito1 sempre com um ar nostalgico do pr do sol1 que elle to distinctamente pinta4 ,o ,crepusculo ,matutino um delicioso encanto4 ,d4 ,alice ,grillo1 tem tres quadros1 um de ,flores1 outro de ,rosas e fructos1 e um ,estudo de velha4 ,para mim os dous primeiros so superiores4 ,as laranjas so bem pintadas1 de bella cr e as rosas e os amores perfeitos1 so lindamente tocados1 d'uma grande frescura4 ,figura3 ,paisagem--,,marques d',,oliveira ,marques d',oliveira4 ,eis um nome que se impe e que sempre que se apresenta nos deixa convencidos de que um talentosissimo artista4 ,nos seus quadros1 ha um certo qu que demonstra a technica superior d'este mestre de pintura4 ,e embora alguns criticos queiram abocanhar o nome feito d'este artista1 elle supplanta toda essa inveja1 que outra cousa no era o que eu ouvi dizer d'elle4 ,dos quadros expostos1 pincelados de uma frma correcta e distincta1 destacarei o ,rua de ,agueda1 ,effeito da tarde 7,agueda71 ,ces da ,ribeira1 ,espinho1 ,effeito da tarde 7,espinho71 o que quer dizer que so todos4 ,figura3 ,guardando vaccas--,,eduardo ,,moura ,d4 ,julia ,molarinho4 ''' pintora da nova ala que vae dando a nota do seu merecimento4 ,os seus quadros ,cabea de preto1 ,cabea de rapaz1 ,poente e ,pochade1 so bem feitos1 especialmente os dous primeiros4 ,tem mais quadros1 que no me prenderam a atteno4 ,eduardo ,moura4 ,apresenta-se com um s quadro1 se bem que pelas suas aptides deveria ter exposto mais4 ''' um trabalho bem feito1 digno de ser admirado4 ,thomaz de ,moura4 ,com uma ,cabecita de rapariga regularmente executada4 ,ha tambem muito de monotono no fundo1 um azul indefinido4 ,d4 ,leopoldina ,pinto4 ,tres quadros de ,flores e fructos4 ,tem um quadro de ,geranios que est bem tocado1 d'uma certa frescura4 ,esta senhora especialista n'esta qualidade de flores4 ,j n'outra exposio apresentou um quadro de geranios que era um assombro de perfeio4 ,os crysanthemos esses no so bons4 ,no quadro ,fructos1 ha umas uvas bem tratadas1 com bastante transparencia4 ,arthur ,prat4 ''' um pintor de cres retumbantes4 ,os seus quadros so como fanfarras de luz4 ,gosto d'elles porque me do muito bem a nota estridula e alegre dos campos do sul4 ,apresenta dez quadros1 alguns d'elles regularmente feitos e regularmente estudados4 ,julio ,ramos4 ,esse paisagista que tanto nos tem encantado com os seus quadros1 apresenta-se tambem d'esta vez com muita distinco1 se bem que me no prenda a atteno1 como d'outras vezes que tem exposto4 ,carlos ,reis4 ,ora aqui est um pintor que para mim um genial artista4 ,seguidor dos moldes de ,silva ,porto1 apresenta-se n'esta exposio com cinco quadros que so uma maravilha4 ,o ,idilio1 uma pintura deslumbrante4 ,o retrato de minha me1 tambem um superior trabalho1 feito com toda a correco1 d'um verdadeiro mestre4 ,figura3 ,,julio ,,ramos no seu atelier ,augusto ,ribeiro1 nos seus quadrinhos mignons apresenta-se admiravelmente--at nem parece o artista de outros tempos4 ,agora mais socegado1 mais accentuado1 fez-nos a pintura do nosso ,minho em paginas d'album1 mas muito bem feitas4 ,joo ,augusto ,ribeiro4 ,com um quadro s1 um ,estudo de velho1 primoroso de desenho e de cr1 flagrante de verdade4 ,d4 ,aurelia de ,sousa4 ,dous trabalhos a oleo de que no gosto e um pastel--,n'um jardim antigo1 que est muito bem executado4 ,d4 ,sophia de ,sousa4 ,apresenta quatro quadros1 dos quaes destacarei como mais digno de meno a ,paisagem4 ''' uma verdadeira artista4 ,julio ,teixeira ,bastos4 ,seis telas expostas4 ,destaco ,o ,melro1 como sendo a que mais impresso me fez4 ,figura3 ,torquato ,pinheiro ,torquato ,pinheiro4 ''' com toda a correco que se nos apresenta1 n'este certamen1 este conceituado artista4 ,dos seis quadros expostos notarei como melhores os seguintes3--,tarde no ,corgo1 correctissimo1 ,rua da ,pedreira e ,crepusculo4 ,joo ,vaz4 ,o superior pintor de marinhas1 vem exposio com tres quadros que so um encanto1 especialisando a ,barra de ,lisboa onde a agua tratada d'um modo irreprehensivel4--,barracas de ,pescadores1 tambem muito bem feito4 ,o outro--,margens do ,sado1 tem para mim uma nota que o torna desagradavel3 uma serie de piteiras que do ao quadro um qu de bordado a missanga4 ,eurico ,ricardo ,jorge4 ,apparece pela primeira vez em publico e apresenta-se muito bem com o seu estudo a pastel--,cabea de velho4 ,jos ,david4 ,tem algumas aguarellas que esto bem manchadas4 ,e nada mais porque j vae muito longe este artigo4 ,figura3 ,retrato de ,bernardino ,reaes--,,torquato ,,pinheiro ,,xxi ,uma ,exposio de ,carneiro ,junior ,no ,pateo da ,misericordia ,a ,exposio ,carneiro ,junior mais uma confirmao do talento de quem a organisa4 ,esse bello rapaz1 desde a primeira vez que com elle fallei logo conquistou em extremo a minha simpathia4 ,alma de poeta epico1 idealisando sempre1 n'um desejo fremente de ser grande1 quadros que prendam e enthusiasmem quem os v4 ,d'esta vez1 no seu grande quadro1 mais humano e mais terreno1 deve ter sido melhor comprehendido pelo publico que tem visitado a exposio4 ,assumpto de molde a prender bem a alma de todos os que ainda tem um pouco d'amor sua patria1 o seu quadro uma pagina flagrante de verdade e de movimento1 arrancada ,historia de ,portugal4 ,figuras talhadas em moldes verdadeiramente portuguezes1 agrupadas flagrantemente em posturas naturaes1 o seu quadro 1 innegavelmente1 uma bella obra4 ,a figura altiva1 mas sem arrogancia1 do hespanhol vencido que recebe uma cora de flores para collocar no punho da espada1 como para dizer que no a elle mas sim a ella se deve qualquer gloria obtida1 bem estudada2 e o portuguez1 que respeitosamente offerece como galharda dadiva de simpathia a mesma cora1 de soberba concepo4 ,era primeira inteno do artista dar outra orientao a estas duas figuras1 mas fez bem em ter resolvido assim o problema4 ,a fidalguia da guerreira ,hespanha no podia tomar posio humilde deante d'um portuguez illustre e valoroso que tinha a gentileza de offerecer-lhe uma capella de flores1 que mos delicadas de mulher tinham composto4 ,figura3 ,entrega de ,evora--,quadro de ,,antonio ,,carneiro ,,junior ,ha no quadro figuras flagrantes de verdade4 ,os frades do-nos a impresso serafica d'homens que1 entre o latim e o repasto1 no quizeram tambem fugir manifestao imponente que o povo fazia ao guerreiro vencedor4 ,os cavallos esto bem estudados especialmente o que tem a garupa virada ao espectador1 cujo tom de cr d o verdadeiro avelulado sedozo de um alazo fogoso e bem tratado4 ,a neblina que se percebe por entre a porta em arco da cidade1 no seu tom cinzento violaceo tem perfeitamente o tom do amanhecer dos dias lindos do ,alemtejo4 ,este quadro1 destina-se a ornamentar a escadaria do sumptuoso palacio do snr4 ,barahona1 d',evora1 um dos homens que mais tem acompanhado e protegido a ,arte nacional4 ,destacam-se para mim depois1 n'esta exposio1 os retratos4 ,ha-os flagrantissimos de verdade taes como o do ,dr4 ,joo ,novaes1 e do ,antonio ,cruz1 esse velho rapaz que conheci tal qual desde os tempos idos do ,jornal da ,manh4 ,o retrato do auctor n'uma postura scismadora e triste1 verdadeiro estudo psycologico da sua individualidade2 soberbo4 ,a figura distincta e airosa da esposa do seu amigo ,alberto d',oliveira1 executada noute sob a luz viva d'um largo candieiro de petroleo1 adoravel de cr e de execuo4 ,no ,retrato da ,ex4ma ,snr4a ,d4 ,emilia de ,carvalho1 executado com primor e cuidado1 ha um ar de ingenuidade deliciosa e amiga que nos prende4 ,a cabecita da pequenina ,rachel1 com os seus olhitos vivos e o seu ar risonho1 d-nos a tentao de um beijo todo amor1 todo candura4 ,notei na faco de todos os retratos um qu do genio de ,columbano1 mas um qu bom1 sem aquella psychologia profunda e doentia que o mestre d s suas composies4 ,carneiro ,junior a meu vr mais humano1 mais positivo4 ,da paisagem destacarei para aqui1 como tendo-me dado mais viva impresso as seguintes3 ,rio ,tamega 7,amarante71 ,crepusculo na montanha1 ,lea 7estudo71 ,no bosque 7impresso71 ,o mar1 ,um poente e ,rua do ,bomfim 7tarde de chuva71 os quaes so flagrantes de luz e de tom4 ,o mar1 com o seu fundo em iris avermelhado bello e a ,rua do ,bomfim1 em tarde de chuva1 na sua meia nevoa1 deliciosa4 ,os desenhos para o estudo do grande quadro so magnificos de correco e de justeza4 ,cabeas estudadas do natural1 nas suas linhas definidas1 so primores de quem sabe e muito da1 para mim difficilima1 arte de desenhar4 ,figura3 ,baixo relevo 7,bronze7--,,antonio ,,teixeira ,,lopes ,ha na exposio uma coisa que me encanta sobre todas as outras3 so as cabecitas dos filhos do pintor1 desenhadas a sanguinea4 ,no sei se por ser essa a minha cr predilecta1 se pelo bem executado d'ellas4 ,naturalmente por ambas as circumstancias4 ,so retalhos da alma d'esse poeta pintor que elle copia com um carinho desusado4 ,j na sua outra exposio um dos quadros que mais me enthusiasmou pelo amor e cuidado com que estava feito foi o retrato da esposa do artista1 aquelle que tinha uma grande abada de flores4 ,isto confirma o que eu penso do homem1 um menager todo conforto e carinho4 ,ponto1 porm1 que eu no estou aqui a fazer o retrato psychologico do artista1 mas smente a resenha dos seus quadros2 mais nada4 ,figura3 ,a ,procisso--,,candido da ,,cunha ,fechando1 vou fallar do esquisso final para o seu quadro grande4 ,elle chama-lhe um esquisso definitivo1 eu chamo-lhe um quadro completo4 ,gosto d'elle tanto ou mais do que do grande4 ,se me permitte1 chamar-lhe-hei a miniatura do trabalho que o clou da exposio4 ,que ,carneiro ,junior desculpe este deslizar de cousas a respeito do seu talento artistico e da sua exposio4 ,e1 a proposito d'esta e outras exposies1 no ser mau repetir que o meu fim no outro seno vr se se obriga o publico a interessar-se um pouco mais por o nosso meio artistico4 ,conheci alguns homens cheios de dinheiro e com pretenes a ter bom gosto1 que nunca na sua vida gastaram dez tostes1 que fosse1 em uma pintura1 a no ser na pintura obrigatoria das portas e das janellas da sua casa4 ,tm1 quando muito oleographias ricamente encaixilhadas nas suas salas de receber4 ,pois preciso que esses homens que podem1 venham s exposies1 puchem pelos cordes bolsa1 comprem quadros aos artistas que levam uma vida de trabalho e de estudo para nos darem com palpitaes flagrantes os retratos que executam1 e com vibraes de luz e de cr as paisagens que retalham da grande ,me ,natureza para telas1 que poderemos ter no nosso quarto de trabalho1 recordando-nos pedaos da nossa querida terra1 to bella de paisagens1 to deslumbrante de sol4 ,,xxii ,notas ligeiras d'uma ,exposio ,maio o mez das flores1 dos poetas e dos artistas4 ,e a comprovar o meu dizer l se abriu n'este mez das graas e das benos1 a #e4;a ,exposio de ,bellas-,artes1 que a prestante aggremiao ,instituto de ,estudos e ,conferencias1 com o seu grande empenho de vulgarisar entre ns o gosto pela ,arte1 promoveu4 ,como simples informador d'um limitado publico l fui n'essa romagem artistica no primeiro dia1 mas1 porque me vi rodeado por todos os pintores portuenses1 no me atirei a tomar notas1 nem a esmiuar detalhadamente tudo aquillo4 ,figura3 ,d4 ,lucilia ,aranha ,grave ,dois dedos de conversa a este1 mais dous quelle1 ouvindo opinies que passavam no ar1 n'um quasi sussurro de confidencias1 no podia o meu espirito socegadamente fazer a apreciao sentidamente minha1 que eu queria fazer4 ,depois1 eu tenho a veleidade de ter opinio1 de pensar s444 e no fazer como muitos que se deixam ir na correnteza do que lhe dizem os espiritos santos de orelha4 ,eu vou sempre umas tres ou quatro vezes s exposies d'arte1 e fico burguezmente1 como um bom mercieiro1 estatico deante de todos os quadros444 em alguns como n'uma adorao pelo bem executado1 n'outros como n'um pasmo1 do arrojo da concepo e n'outros ento1 assombrado1 fulminado1 ante a imbecilidade com que elles so feitos4 ,e depois1 serenamente1 sem pretenes1 nem vaidades1 com a franqueza com que fallaria a um conhecido de ha muito1 venho dizer ao publico a impresso que tive4 ,no levo a minha franqueza ao ponto de ser descortez com os artistas que conheo1 nem a incensar bajuladoramente aquelles de quem sou amigo3 no444 sou um critico moderado444 sem coterie1 e honestamente independente4 ,figura3 ,paisagem--,,aurelia de ,,sousa ,o vernisage 7eu estou muito visto em termos francezes1 no acham87 esteve este anno1 como em poucos1 animado de artistas444 ,o salon tinha um quer que era de superior4 ,os artistas tinham-se dado ali rendez-vous444 ,uma coisa faltava para dar a nota chic1 e fina444 eram os rostosinhos galantes d'algumas das nossas damas4 ,se ellas tem apparecido1 poderia dizer n'este artigo com aquelle meu gesto ,augusto ,rosa1 que o outro me encontrou1 que a abertura da ,exposio tinha estado muito curiosa1 muito becarre4 ,figura3 ,aos grillos--,,julio ,,ramos ,faltaram porm essas notas estridulas de garridice das senhoras1 mas1 em compensao appareceram por l magnificos tipos caricaturaes e grotescos6444 ,se at eu estive l666444 ,agradou-me primeira vista o conjuncto do certamen1 se bem que de visita mais demorada1 como a que em outra vez fiz1 no trouxe de l a mesma impresso4 ,ahi est1 se eu tivesse feito de afogadilho este artigo teria dito que a exposio era geralmente boa1 e agora no1 no seria to pessimista4 ,recortarei pois do catalogo alguns nomes como os de mais destaque4 ,em primeiro logar1 e affirmando cada vez mais a caracteristica de um primoroso paisagista1 ,marques de ,oliveira1 com as suas trese telas de paisagem e marinha1 e ainda como affirmativa de que elle toca com o mesmo saber a nota da figura1 uma primorosa ,cabea de velha1 to finamente tratada1 to cuidadosamente desenhada e collorida que me maravilhou4 ,a seguir vem ,candido da ,cunha1 esse delicioso poeta nostalgico de pintura1 que me suggestiona com os seus quadros1 poentes deliciosos1 onde parece que1 atravez d'uma doce tonalidade de aldeia1 se ouve o religioso toque das ,av-,marias4 ''' ,candido da ,cunha um d'estes pintores que ao serem vistos uma vez nos seus trabalhos1 deixam ficar na nossa retentiva o seu modo especial de pintar1 para nunca mais se esquecer1 tal o seu sentimento4 ,torquato ,pinheiro tambem se nos apresenta bem1 com uns nove quadros1 que a no ser aquelle seu tom gris-violete1 to seu1 to peculiar1 me fariam uma mais larga impresso4 ,destacarei porm as ,lavadeiras na levada1 vista do ,maro1 ,sol de tarde e ,fim de tarde 7,real1 ,porto74 ,figura3 ,paisagem--,,candido da ,,cunha ,julio ,ramos1 tambem nos d quadros que demonstram o seu saber1 especialmente o ,fim da tarde1 que 1 a meu vr1 um explendido trabalho4 ,jos de ,brito vem exposio com dous retratos a oleo1 um pastel e algumas aguarellas4 ,dos retratos a oleo notei como bem executado especialmente o de ,d4 ,margarida ,g4 ,oliveira4 ,o seu pastel--,retrato do conselheiro ,avides1 um bello trabalho4 ,este artista para mim um dos melhores desenhistas a pastel4 ,as suas aguarellas so bem feitas1 muito bem feitas4 ,figura3 ,lavadeiras na levada--,,torquato ,,pinheiro ,joo ,augusto ,ribeiro4--,esse bello artista que conheci como um dos bons1 vem exposio com seis quadros4 ,destacarei ,o ,estudo 7de troncos71 ,depois da chuva1 ,a ,madrugada1 que me parecem affirmar d'uma maneira categorica que ,ribeiro um bello artista4 ,figura3 ,d4 ,margarida ,costa ,romo ,ha ainda ,eduardo de ,moura com um quadrinho muito interessante ,um interior de um aido1 onde o assumpto estudado com cuidado1 e pintado com saber1 dando a confirmao de que este artista no uma vulgaridade4 ,mais alguns artistas ha na exposio1 mas1 para no desviar o espirito do leitor1 nem lhe massar a paciencia1 no me occuparei d'elles1 nem dos seus trabalhos4 ,no porque alguns no meream a minha atteno especial1 mas1 tenho que dedicar duas palavras a algumas senhoras artistas1 e aos amadores1 e se fosse a gastar muito tempo e espao1 pouco poderia dizer d'estes ultimos4 ,quando entrei pela primeira vez na exposio1 logo me saltou vista um quadro de ,camelias1 que eu julguei ser do velho ,costa o grande pintor de flores4 ,aproximei-me e com surpreza vi que no era d'elle1 mas1 sim de ,d4 ,margarida ,costa ,romo1 uma nova que ao apparecer nos diz logo quanto vale4 ,mas1 no admira1 l diz o dictado3--filho de peixe sabe nadar--e ,d4 ,margarida ,costa filha de um bello pintor1 o ,julio ,costa4 ,pois esta senhora com os seus tres quadros d-nos a impresso sincera de que se continuar1 como principia1 ha-de ser uma grande artista4 ,d4 ,alice ,grillo ,lima4 ,j muito nossa conhecida como uma verdadeira artista1 tambem d'esta vez se nos apresenta com muita correco e saber4 ,so bons os seus dous quadros de camelias4 ,d4 ,sophia de ,sousa1 n'esta exposio vem desfazer uma desagradavel impresso que me tinha ficado d'uma exposio anterior4 ,agora1 com pujana artistica1 apresenta-me seis quadros1 entre os quaes1 com uma garridice soberba digna de nota1 o seu ,ao sol1 que um trabalho largo1 definido1 cheio de luz1 de cr1 de transparencia4 ,uma paisagem e o ,margens do ,ave1 so trabalhos dignos de meno4 ,apparecem n'esta exposio alguns amadores entre elles1 um com muitos quadros1 o sr4 ,hugemin1 que j em tempos fez uma exposio s sua1 onde deu provas evidentes de que um amador-artista de valor4 ,figura3 ,ao ,sol--,,sophia de ,,sousa ,entre as amadoras est a snr4a ,d4 ,maria ,afflalo1 que pela primeira vez expe os seus trabalhos e que fazendo-o prova que tem muitas aptides artisticas e uma discipula que honra sobremaneira o seu professor ,jos de ,brito4 ,d4 ,leopoldina ,pinto1 com o seu quadro ,flores e fructos1 apresenta mais uma prova do seu saber pinturar4 ,d4 ,clotilde ,rocha ,peixoto1 uma discipula da ,academia de ,bellas ,artes que se apresenta com um largo quadro inspirado na deliciosa poesia de ,campoamor3 ,quin supiera escribir6 ''' um amplo trabalho executado visivelmente com muita e muita proficiencia4 ,ha uma das figuras 7o padre7 que est traado com correco e muita propridade4 ,poderei affirmar que esta amadora uma das novas que mais firmemente demonstra que ha-de ser uma bella artista4 ,figura3 ,d4 ,maria ,afflalo ,ainda figuram na exposio mais algumas senhoras1 taes como3 ,viscondessa de ,sistello1 ,condessa de ,alto ,mearim1 ,d4 ,maria ,alto ,mearim1 ,d4 ,beatriz ,alto ,mearim4 ,a condessa de ,alto ,mearim confirma de um modo justificado o seu talento hors ligne na confeco do bello quadro ,poveretta4 ,d4 ,beatriz ,alto ,mearim1 apparece com o seu estudo a pastel2 tambem lhe no fica a dever nada4 ''' este seu trabalho uma prova incontestavel do seu muito merito artistico4 ,d4 ,maria ,luiza ,alto ,mearim apresenta duas cabecinhas interessantes e regularmente bem feitas4 ,viscondessa de ,sistello1 com tres paisagens feitas com conhecimento de ,arte1 especialmente uma1 que bellamente feita4 ,figura3 ,jos ,romo ,junior ,ha na exposio dois trabalhos de esculptura1 um de ,fernandes de ,s1 ,rapto de ,ganymedes1 outro de ,jos ,romo ,junior1 ,cabea de estudo4 ,a respeito do primeiro artista j eu disse atraz n'um desenvolvido artigo1 o que pensava d'elle4 ,successor indiscutivel de ,teixeira ,lopes1 um bellissimo talento4 ,do segundo1 ,romo ,junior1 a primeira vez que vejo trabalhos seus1 e confesso que a ,cabea de velho que apresenta1 me d uma magnifica impresso4 ,a figura lanada com largueza tem magnificos requisitos4 ''' uma demonstrao evidente de que ,romo ,junior maneja o cinzel e o escopro com proficiencia4 ,um novo de talento que1 de futuro1 ha-de continuar a affirmar que a raa dos esculptores portuenses das de primeira ordem4 ,na seco aguarella s figuram os nomes de dois concorrentes ,jos de ,brito1 de quem atraz j fallei e ,d4 ,isabel ,lauer4 ,esta ultima com dois quadrinhos de figuras4 ,para mim no me desagrada o operario1 se bem que nenhum d'elles por completo me prenda muito a atteno4 ,bastante amaneirados e muito exquisitos4 ,figura3 ,poveretta--,condessa de ,,alto ,,mearim ,com desenho a pastel apparecem tambem s dois concorrentes3 ,jos de ,brito1 artista consumado n'este genero1 e ,d4 ,beatriz ,alto ,mearim4 ,falta fallar de duas seces1 ainda3 desenho a claro-escuro e arte applicada4 ,na primeira das seces ha um trabalho delicioso de ,torquato ,pinheiro1 um fino desenho do ,convento de ,santa ,clara de ,villa do ,conde1 trabalho impeccavel de correco e firmeza4 ,luiz ,bastos1 traz-nos retalhos d'essa linda ,coimbra a cidade dos ,bachareis1 apanhados em estudos varios do ,choupal1 do ,rio ,mondego1 de ,santo ,antonio dos ,olivaes1 etc4 ,alguns feitos com mestria4 ,na arte applicada1 ,jorge ,collao1 o distincto caricaturista do ,supplemento de ,o ,seculo4 ,os seus azulejos so interessantes e dignos de nota1 especialisando o grande quadro ,reviravolta1 estudado com interesse e executado com cuidado4 ,e eis1 meu amigo publico1 a impresso sincera de quem viu a exposio com a independencia caracteristica do seu pensar e com a antecipada disposio de no regatear merecimentos a quem os tivesse1 nem adular aquelles que1 sendo mediocres1 aspiram enfatuada bazofia de serem notaveis4 ,sinceridade e nada mais4 ''' provavel que os verdadeiros entendedores no pensem como eu1 mas l diz o dictado3--que seria1 do amarello se no houvesse mau gosto4 ,deveria fechar j aqui a minha informao mas vejo l expostos uns azulejos1 panneaux1 etc41 que se desculpam por serem o reclame de uma fabrica de ,ceramica1 porque1 se tem sido apresentados como trabalhos artisticos1 ento deveriam ser exautorados rigorosamente4 ,e adeus1 que no tenho tempo para mais1 nem sei mesmo se alguem ter coragem de ler isto at ao fim4 ,figura3 ,barcos de pesca--,,julio ,,ramos ,,xxiii ,,amadores ,,portuenses ,,alberto ,,ayres ,,de ,,gouveia ,discipulo de ,,marques ,,de ,,oliveira ,este meu biographado no precisamente um amador2 poderia1 sem receio ele ser contraditado1 e sem medo de errar1 incluil-o francamente no numero dos nossos mais distinctos pintores1 e isso porque os seus trabalhos artisticos so de molde a dar-lhe esse fro4 ,alegro-me ao escrever este artigo1 e alegro-me porque sempre com consolo que me refiro quelles que1 possuidores de algum valor1 se no deixam adormecer sombra ele alguns louros colhidos na paz doce da mandria1 antes tentam a mais e mais fixar as suas aptides1 n'um trabalho serio e proveitoso4 ,e1 ,alberto ,ayres tem feito isto4 ,desde que se emprehendeu a pintar tem trabalhado com afinco e muitissimo proveito4 ,figura3 ,alberto ,ayres de ,gouveia ,conhecia de ha muito este rapaz1 que1 pela sua avultada fortuna1 pelas relaes de familia1 e por viver na alta roda1 onde se dava o prazer de ser um dos eleitos1 eu tinha na conta de um excellente cavalheiro1 um fino homem de sala1 cavaqueador com espirito e mais nada6 ,mas1 enganei-me redondamente1 o que no para admirar1 porque acontece a muito boa gente4 ,o meu biographado era tudo aquillo e ainda mais alguma coisa3--um amador enrag da pintura4 ,como soube eu isto e como tive emfim a confirmao do seu merecimento artistico8 ,vou tentar dizel-o em poucas palavras4 ,nas noites frias de inverno temos por costume reunirmo-nos alguns amigos em cavaqueira alegre e discutimos n'essas occasies muitissimas coisas1 problemas d',arte1 mundanismo1 casos alegres do dia1 philosophando de vez em quando sobre politica1 litteratura1 celebridades1 theatros1 etc41 etc4 ,no um cenaculo1 nem uma academia1 um cercle algo espiritual1 onde a alegria tem especialmente o seu logar4 ,pois n'uma d'essas cavaqueiras abordou-se o assumpto pintores e amadores1 e entre outros nomes veiu tela da discusso o nome de ,alberto ,ayres de ,gouveia1 que um dos circunstantes conhecia perfeitamente4 ,elogiou-o1 fez a historia da sua aprendizagem d',arte e eu fiquei como se costuma dizer com a pedra no sapato e1 como observador que sou1 tratei immediatamente de me informar do merecimento verdadeiro ou falso d'este amador4 ,de divagao em divagao e de informe a informe1 vim a concluir que o meu amigo tinha muita razo e que ,alberto ,ayres era de facto um rapaz de incontestavel merecimento artistico4 ,mas1 no s como pintor elle deveria ser apreciado1 como auctor e amador dramatico tambem4 ,eu me explico4 ,um anno1 estando a banhos como de costume1 na formosa e aristocratica praia da ,granja1 alli deu as suas provas de amador1 desempenhando1 n'uma festa de caridade1 alguns papeis de umas deliciosas comedias1 que elle proprio tinha escripto1 e que1 segundo entendedores do genero1 eram verdadeiras joias litterarias finamente buriladas4 ,e1 com esta minha eterna mania de conversar1 uma tarde1 no atelier do meu muito amigo e infeliz ,manuel ,san ,romo1 fallando-lhe dos divertimentos da ,granja e a respeito do baile ,luiz ,,xv que alli se dera1 das finas recitas que a gentil colonia alli a banhos1 costuma realisar1 o nome de ,ayres de ,gouveia foi citado e eu disse como me tinham inspirado sobre o seu merito litterario e artistico4 ,manuel ,san ,romo1 com aquelle seu modo correcto e fino e aquelle seu espirito ousado e emprehendedor1 n'um gesto todo de enthusiasmo fallou-me d'elle dizendo1 que no que elle era notavel era na pintura e citava um formoso retrato do ,snr4 ,d4 ,antonio ,ayres de ,gouveia1 ento ,bispo de ,bethesaida1 hoje ,arcebispo da ,calcedonia e tecendo-lhe os mais rasgados elogios1 affirmou-me que elle era um amador que havia de futuro marcar epocha entre os artistas 7mestres7 portuguezes4 ,figura3 ,a palavra do ,mestre--,,alberto ,,ayres de ,,gouveia ,a opinio de ,manuel ,san ,romo1 era para mim como uma pagina do ,evangelho2 elle que lhe via merecimento era porque na verdade o tinha4 ,o retrato se no era uma maravilha1 dizia ,san ,romo1 era no entanto uma obra acceitavel e cheia de bellos predicados1 um verdadeiro quadro tocado com proficiencia1 desenhado com saber1 d'um colorido doce e d'uma mais que regular semelhana4 ,ao ouvir isto1 logo se me arreigou no espirito a ideia de que elle tinha talento e me nasceu o desejo de ter de vizu a confirmao d'isso1 o que s poderia conseguir visitando o seu atelier e a sua galeria1 pois que elle1 nem expunha1 nem vendia os seus trabalhos4 ,como conseguir porm isto8 ,quasi impossivel1 porque o amador fugia visita que eu tentava fazer-lhe1 querendo assim deixar-se ficar no encoberto mysterio d'uma modestia1 que no tinha razo de existir4 ,passara-se tempo1 muito tempo1 sem que eu tivesse o prazer de1 encontrando-o1 lhe manifestar o desejo que tinha de n'uma visita ao seu atelier1 vr o que elle tinha realisado em ,arte4 ,em #aijb1 abre uma das exposies que o ,instituto de ,estudos e ,conferencias to proveitosamente tem organisado e realisado no ,pateo da ,misericordia4 ,era um magnifico dia de vernisage1 e eu ao entrar sou immediatamente attrahido d'um modo particular e suggestivo1 por umas poucas de telas que me saltam vista impressionantemente4 ,tomo do catalogo e folheando inquiri quem o seu auctor4 ,o nome de ,alberto ,ayres de ,gouveia era o que se lia por cima dos numeros que eu procurava4 ,eram1 de facto1 de molde a impressionar os trabalhos expostos4 mente me saltou1 como uma doce recordao1 a conversa que tivera com ,manuel ,san ,romo e immediatamente me convenci de que quem pintava aquelles quadros no podia ser apellidado de simples amador4 ,era indiscutivelmente muito mais do que isso1 era um verdadeiro artista e com trabalhos taes1 que alguns pintores1 com nome feito1 no desdenhariam assignar4 ,em artigo que n'outro logar publco a elles me referi e alli disse alguma coisa do que pensava a tal respeito4 ,agora porm que dedico ao seu auctor duas paginas do meu livro1 em especial1 no ser demais tornar a fallar d'elles4 ,eram para mim esses trabalhos primorosos1 mas1 se alguns defeitos tinham eram elles por si to insignificantes que apenas mereciam o reparo ligeiro e unicamente indicativo1 sem que viesse aggravado com a investida descortez e brutal de certa critica imperduravel e muitas vezes inconsciente4 ,porque os trabalhos expostos eram indicados no catalogo simplesmente como d'amador1 mas d'amador distincto e correcto em verdade4 ,e bastava s isto1 que elles fossem de amador1 mas feitos firmemente com largueza de trao1 preciso de cr1 correco de desenho e de perspectiva1 definidos emfim como de verdadeiro artista1 para espantar a critica de campanario e os entendedores bon march4 ,e tudo isto porque8 ,porque habitualmente os amadores quando apparecem em publico com trabalhos seus1 so estes to banaes e to simples que passam perfeitamente desapercebidos entre os trabalhos dos artistas1 sem lhe fazerem mossa1 ou sem lhe provocarem confrontos4 ,com ,alberto ,ayres1 porm1 no se dava isso1 apparecia pela primeira vez1 mas to desassombradamente e com trabalhos de tal folego1 que at houve quem no quizesse acreditar que eram d'elle4 ,mas eram e to bons que poderiam entrar com gloria em qualquer concurso1 pois tenho a certeza que ao seu auctor seria dada uma primeira classificao4 ,figura3 ,christo morto--,,alberto ,,ayres de ,,gouveia ,ento que mais e mais se me encasquetou na cabea a ideia de observar toda a sua obra1 conhecel-o no seu intimo1 na sua maneira de vr e de pintar1 e depois de um assedio em forma consegui que elle me desse a honra de permittir-me uma visita d',arte4 ,e visitei ento a sua formosissima casa1 onde se espalham artisticos bibelots e bellos trabalhos de muito valor artistico4 ,fiz esta visita cheio d'uma suave unco que se deve aos templos onde se sacrifica a um ,deus4 ,n'aquella casa sacrificava-se a ,deusa ,arte e por isso reverente alli me conservei4 ,conversando durante algum tempo contou-me a sua iniciao na arte de pintar1 e como1 sob a competente e abalisada inspeco do grande ,marques d',oliveira1 pde conseguir o que fazia4 ,desenhou muito1 e quando lanava os seus vos para mais alto1 sob indicaes do professor1 foi em viagem artistica pela ,europa1 aos paizes onde mais afincadamente se rende culto ,arte e alli estudou nos museus e nas escolas de pintura alguma coisa que lhe dsse conhecimentos uteis4 ,e assim1 analysando e estudando os quadros geniaes dos mestres e acompanhando os adeantamentos e os progressos das novas escolas1 percorreu os muzeus de ,madrid1 ,paris1 ,londres e ,italia1 no com a despreoccupao de um touriste1 mas com a observao religiosa d'um crente1 sob a indicao e a companhia de ,marques de ,oliveira1 seu professor e que entre os que pontificam na ,pintura1 um dos que mais sabiamente sabem vr1 porque dotado d'um espirito critico especial e finissimo4 ,da visita que fiz ao atelier d'este distincto amador1 ficou a mais grata e a melhor das impresses4 ,d'entre as telas que vi1 as que mais fundamente me impressionaram foram a ,leitura das prophecias1 ,retrato do ,ex4mo e ,rev4mo ,snr4 ,arcebispo de ,calcedonia1 ,a palavra do ,mestre1 ,retrato do proprio auctor1 ,retrato de ,a4 ,burnay1 ,estudo1 ,baixo imperio1 ,appolo e ,cabea d'estudo 7carvo71 que so admiraveis4 ,figura3 ,s4 ,joo lendo as prophecias--,,alberto ,,ayres de ,,gouveia ,d'alguns d'estes trabalhos1 apresento as gravuras1 que pude conseguir1 quebrando quasi fora a modestia do meu biographado4 ,el-,rei ,d4 ,carlos1 n'uma visita que fez ,exposio de ,bellas-,artes em ,lisboa1 fez meno especial dos seus quadros1 chamando-lhe pintor notavel e de pulso4 ,e de facto ,el-,rei no se enganou porque ,alberto ,ayres de ,gouveia est na galeria dos artistas de pintura portuguezes mais distinctos4 ,figura3 ,paisagem--,,candido da ,,cunha ,figura3 ,estudo--,,jo,o ,,augusto ,,ribeiro ,,xxiv ,uma ,exposio de ,estatuetas ,,francisco ,,gouveia ,j era tempo de dedicar algumas palavras de justia1 ao distincto artista ,francisco ,gouveia1 cerca da visita que fiz sua magnifica exposio de esculptura1 aberta aqui no ,porto1 no ,salo da ,photographia ,guedes1 e cumprir o dever gratissimo de corresponder galanteria e ao modo penhorante como elle me acolheu4 ,e fao-o1 porque nunca antepuz manifestao de admirao pelos trabalhos de qualquer artista de valor1 outra qualquer manifestao4 ,figura3 ,francisco ,gouveia ,a ,arte1 para mim a mais sublime das cousas1 a mais insinuante das manifestaes1 tem um logar to alto1 to deslumbrante1 to culminante que em frente d'ella eu julgo-me insignificantemente pequeno1 e curvando-me reverente1 fico depois extatico1 cheio d'unco na mais santa e na melhor das adoraes4 ,por isso1 ao abalanar-me ao cumprimento d'um dever sagrado1 eu commetteria um crime de lesa-religio artistica se no dedicasse algumas paginas deliciosa exposio1 que ha tempos tive o prazer de visitar4 ,j o tenho dito varias vezes e hoje o repito3 eu sempre que tenho ensejo de admirar uma obra de arte1 pintura1 esculptura1 musica1 ou seja o que fr1 nunca falto2 sou dos que vou primeiro1 e1 quasi sempre1 dos que sahem no fim4 ''' facil ficar perfeitamente embasbacado em frente d'um quadro1 ou d'uma esculptura1 durante horas1 alheio a tudo quanto se passa em volta de mim1 tal me tem succedido ante as obras de ,malha1 ,salgado1 ,carlos ,reis1 ,marques de ,olivieira1 etc41 e como em nenhumas outras1 ante as extraordinarias creaes do sublime ,teixeira ,lopes4 ,por isso1 como um fanatico pela ,arte eu accorri ao ,salo da ,photographia ,guedes a vr os trabalhos1 j para mim conhecidos de nome1 do nosso querido concidado ,francisco ,gouveia4 ,que este artista1 como todos os bons esculptores portuguezes1 tambem filho do ,porto4 ,francisco ,gouveia1 era um nome que se impunha j de ha muito considerao e admirao de todos ns1 porque l fra1 no estrangeiro1 affirmava exhuberantemente1 com os seus trabalhos1 que ns os portuguezes tambem somos capazes de dar provas evidentes e definidas de intellectualidade e aptido artisticas4 ,figura3 ,teixeira ,lopes--,f4 ,,gouveia ,entre muitos dos seus bellos trabalhos destacarei1 para fazer notar aqui1 o seu ,beatriz de ,portugal1 que marcou d'uma frma confirmativa e energica o seu saber e o seu modo de esculpir4 ,este trabalho ao apparecer em ,paris1 de tal nomeada foi cercado1 que mereceu a honra de ser reproduzido em diversas illustraes estrangeiras1 onde se fizeram referencias honrosamente dignas ao nome do nosso artista4 ,mas1 como diz ,xavier de ,carvalho n'um pequeno esboo critico a respeito de ,francisco ,gouveia3 quiz ser o artista naturalista no minucioso detalhe1 comeando por nos dar um ,ea de ,queiroz apanhado n'uma pose verdadeiramente natural e sincera4 ,depois temos a serie das suas esplendidas estatuetas1 to cheias de vida plastica1 d'um correctissimo desenho1 mesmo quando o esculptor passa da maneira emocional do seu mestre querido ,injabert larga bauche de ,rodin que mesmo chegou a attingir na silhueta do grande artista rebelde4 ,e de facto assim 4 ,francisco ,gouveia realisou este desideratum e ao abrir ao publico indifferente e critica honrada e honesta d'uns1 venenosa e malsinada d'outros1 a sua exposio1 fel-o1 sem aspirar as louvaminhiches dos primeiros nem temer boas ou ms apreciaes dos segundos4 ,fel-o como affirmao publica do seu talento artistico e da sua persistencia do trabalho1 fel-o como era justo que o fizesse4 ,para isso traz-nos #gh trabalhos qual d'elles o mais fino1 qual d'elles o mais correcto1 qual o mais bem estudado1 e mais bem executado4 ,desde a estatueta sria estatueta caricatural1 desde os medalhes graves s mascarasitas patinados1 nada ha alli que no seja correcto e que no seja perfeito4 ,estudos regularmente anatomisados1 dando o individuo em todo o seu ser1 em todo o seu aspecto1 com todo o ar natural1 parecendo mover-se regular e compassadamente1 vivificados1 com movimentaes naturaes1 expresso definida no rosto4 ,e tudo isto em estatuetas que variam entre #dj e #fj centimetros d'alto4 ,mas1 ha para mim1 entre todos os trabalhos expostos1 um1 que dos mais extraordinarios--a caricatura psychologica do grande morto ,ea de ,queiroz6--,fulgurantissima de genio4 ,vemos n'ella1 n'aquelle bronze1 atravez da esgrouviada figura do romancista que nos assesta o monoculo n'uma persistente meticulosidade de observador a sua alma analysta1 com um qu de sarcastico1 como sorrindo-se interiormente de toda esta nossa sociedade1 que elle olha atravez da sua impertinente lente4 ''' simplesmente assombroso4 ,figura3 ,ea de ,queiroz--,f4 ,,gouveia ,a minha vontade era fazer notar uma a uma as estatuetas1 as composies1 as caricaturas1 as medalhas1 mas isso impossivel e portanto1 em mais duas palhetadas vou fechar este artigo4 ,entre os trabalhos estatueta-retratos1 muitos d'elles de pessoas nossas conhecidas1 ha alguns com quem appetece conversar um pouco4 ,a do ,marcos ,guedes1 a do ,pae ,ramos1 7ambos estes collegas do ,janeiro71 a do ,snr4 ,caetano ,pinho da ,silva1 a do nosso querido ,teixeira ,lopes1 a de ,guedes d',oliveira so magnificas4 ,ha tambem um retrato do grande poeta ,guerra ,junqueiro 7phantasia71 que muito interessante4 ,guerra ,junqueiro apresentado com uma tunica que lhe cae sumptuosamente como a um propheta1 tendo o brao direito levantado em meno de quem prga o ,evangelho1 e no brao esquerdo as taboas da lei4 ''' delicioso de concepo e de execuo4 ,na estatueta-composio destacarei3 ,a viajante1 ,a primeira esculptura1 ,a parisiense1 ,a tristeza1 ,meditaes1 ,grupo de leitoras1 ,saudades e ,ama parisiense 7do jardim de ,luxemburgo74 ,figura3 ,marcos ,guedes--,guedes d',oliveira--,guerra ,junqueiro--,pae ,ramos--,,francisco ,,gouveia ,mas que estou eu aqui a destacar1 se todas ellas so boas1 se todas ellas me encantaram86444 ,as outras1 terras-cotas1 bronzes1 etc41 so1 como estas1 deliciosas obras1 que merecem ser vistas e apreciadas devida e detalhadamente4 ,no esta exposio de molde a ser visitada como uma exposio de quadros1 onde as cres nos venham de longe em varias tonalidades1 vista4 ,no1 aqui precisamos de parar1 analysar feies1 expresses1 linhas1 tudo1 emfim4 ''' preciso deixar a vista pousar durante um pouco1 para examinar toda aquella perfeio1 toda aquella correco1 que no se pde vr vol d'oiseau4 ''' preciso fazer como eu fiz1 estar l horas e voltar l mais vezes1 que de cada vez que se l volta novas cousas se descobrem nos trabalhos expostos4 ,quem v s uma vez1 quasi sempre no v nada4 ,vou acabar por aqui1 antes1 porm1 devo dizer que ,francisco ,gouveia um d'estes rapazes insinuantes1 com quem se sympathisa logo que se falle com elle uma vez4 ,modesto em extremo1 um trabalhador de verdadeiro merito1 e um espirito lucidissimo4 ,e eu1 ao fechar o meu artigo para as ,notas d',arte1 aqui lhe deixo significadas1 ainda que muito pallidamente1 a minha admirao ao seu grande talento artistico e a convico de que o seu nome tem o direito indiscutivel de figurar a par do dos nossos primeiros artistas1 pois exuberantemente conquistou um dos primeiros logares1 como sacerdote magno1 no templo da sublime ,arte ,portugueza4 ,figura3 ,paisagem--,,lucilia ,,aranha ,,grave ,figura3 ,teixeira ,lopes ,figura3 ,caim--,,teixeira ,,lopes ,,xxv ,,manuel ,,monterroso ,tenho para mim este modo de pensar1 talvez exotico1 mas convicto1 de que a caricatura um maravilhoso remedio para muitas doenas sociaes4 ,bem sei que nem sempre a cura se faz e a caricatura applicada sem resultados praticos4 ,mas1 muitas vezes1 a maior parte d'ellas1 a applicao adquada1 d'uma caricatura1 no momento psychologico1 produz tal revoluo no meio onde lanada1 que a doena social desapparece como por encanto4 ,figura3 ,manuel ,monterroso ,com todos os remedios acontece a mesma coisa4 ,quantas vezes um illustre clinico applica um caustico1 cheio de confiana1 convencido que dentro de duas horas a pelle do doente estar levantada e suppurante1 e apesar do medicamento estar em pleno effeito1 o caustico falha1 ou porque o doente j no d reaco para que o resultado seja satisfatorio1 e n'esse caso est morto1 ou ento por que a pelle de tal frma grossa e callejada que no ha nada que a possa atravessar e remover6 ,as doenas da sociedade so tal qual as doenas dos homens4 ,e ella propria tambem tem anomalias como qualquer doente4 ,uma sociedade morta1 ou quasi a dar o ultimo suspiro1 pde ser causticada com caricaturas1 que no resurgir4 ,e o mesmo succeder se ella pela desfaratez dos seus caracteres fr uma sociedade estanhada1 endurecida e callejada4 ,mas se entre essa sociedade alguma coisa houver ainda que vitalmente sinta as picadas ardentes da caricatura1 ento ella resaltar e viver pondonorosamente espurgada do mal que a amortecia e definhava4 ,figura3 ,dr ,leopoldo ,mouro--,caricatura de ,,manuel ,,monterroso--,publicada na ,voz ,publica ,a mesma revoluo se faz na vida social dos homens isoladamente4 ,caricaturados por um lapis mordaz1 mas fino1 que os apresente irriso publica1 sob qualquer dos seus aspectos ridiculos1 elles remorder-se-ho na sua vaidade intima e1 procuraro1 embora disfaradamente1 curar-se dos seus defeitos1 se que o mal da desfaratez os no contaminou to intimamente1 que os tenha posto por completo fra da aco benefica1 embora torturante do medicamento4 ,muitos1 muitissimos factos poderiam ser apontados como provas indiscutiveis e irrefutaveis1 se quizessemos d'um modo affirmativo e terminante impr a nossa opinio4 ,mas1 no1 no temos nem esse desejo1 nem essa vaidade4 ,ao delinear estas linhas1 simplesmente o fazemos como o avant-propos apresentao que tentamos fazer d'um dos mais distinctos medicos portuenses1 e no momento presente o primeiro caricaturista portuguez4 ,hoje que infelizmente perdemos o maior de todos os nossos caricaturistas--o grande1 o incomparavel mestre--,bordalo ,pinheiro1 posso dizer abertamente que ,manuel ,monterroso entre ns o unico capaz de seguir to gloriosamente como o ,mestre1 as suas deslumbrantes pisadas e seu genio fulgurante e radioso4 ,figura3 ,uma pagina da ,parodia--,,manuel ,,monterroso ,e1 no quero que ,monterroso me agradea estas verdades sinceras que me saltam da penna1 ditadas pelo pensamento1 espontaneamente1 lealmente1 taes como as sinto4 ,no1 nem o meu fim esse4 ,se lhe dedico algumas palavras porque na minha pequenez de insignificante amador de ,arte1 tenho por elle1 pelo seu lapis fino e caustico e pelo seu muito talento artistico1 uma profunda admirao4 ,extasiava-me diante das caricaturas de ,bordalo com a venerao adoravel de verdadeiro admirador1 do engraado1 do mordaz1 do bello e do correcto4 ,hoje ante o trao fino1 seguro1 preciso e mordaz de ,monterroso tambem me permitto ficar extasiado4 ,e tudo isto porque o considero um optimo caricaturista1 um perfeito desenhista4 ,incapaz1 como sou1 de faltar verdade1 no escrevia que o achava grande1 nem o diria to afoitamente1 se no estivesse1 como estou1 convencido de tal4 ,no digo isto1 bom que se saiba1 para me dar ares2 digo-o porque rebuscando e procurando na pequena galeria dos caricaturistas portuguezes1 no encontro nenhum que possa passar-lhe adiante4 ,nem mesmo o ,manuel ,gustavo1 que ainda assim1 para1 mim1 um dos melhores4 ,figura3 ,joo ,oliveira ,ramos--,caricatura de ,,manuel ,,monterroso--,publicada na ,voz ,publica ,pois1 nem mesmo esse1 que to intimamente conviveu com o ,mestre1 que to de perto recebeu as suas lies1 pde dizer ousadamente a ,manuel ,monterroso3--eu valho mais do que tu444 o primeiro logar pertence-me444 ,por que de facto no vale4 ,manuel ,monterroso tendo a intuio natural de fazer bonecos1 7como elle diz71 conhecendo anatomicamente o homem 7ou elle no tivesse sido um dos bons discipulos do terrivel ,lebre#a1 possuidor d'uma retentiva verdadeiramente photographica1 elle1 vendo uma vez um individuo1 apanha-lhe immediatamente1 no s as linhas geraes1 mas os mais pequenos detalhes caricaturaes3 e1 n'estas condies1 com estes predicados e alem de tudo isto uma boa dse de talento1 realisa desenhando verdadeiras obras primas4 ,figura3 ,raphael ,bordallo ,pinheiro--,caricatura em barro de ,,manuel ,,monterroso ,fulgurantissimas de graa so as varias paginas1 que muitas vezes1 de collaborao com os litteratos ,campos ,monteiro e ,guedes d',oliveira1 viram a luz na ,parodia4 ,notavel como trabalho de verve fina e delicadissima a caricatura que foi offerecida ao ,dr4 ,joo ,pereira ,dias ,lebre1 professor de anatomia da ,escola ,medica do ,porto1 no anno em que elle se jubilou4 ,notaveis os seus trabalhos1 que tem distribuidos por amigos1 em amistosas dadivas4 ,caricaturas avulsas de typos conhecidos feitas em intimas camaradagens e que o grande publico nunca teve o prazer de vr1 mas que eu conheo perfeitamente bem4 ,no fallando nas caricaturas que a largos traos de carvo elle lana rapidamente sobre o papel branco que friamente apparece ao publico1 quando em algum concerto de caridade elle vem tambem coadjuvar o luzimento d'essa festa1 com a irradiao do seu genio repentista e correcto4 ,n'essas occasies que elle tem mostrado mais publicamente a facilidade com que retem e executa o desenho caricatural dos typos apresentados4 ,a todos quantos tenho visto fazer este genero de trabalho1 tenho notado uma coisa3 elles ao apresentarem-se em publico trazem j no seu cerebro estudados e desenhados os typos a executar1 e assim invariavelmente nos atiram com o ,jos ,luciano1 o ,hintze ,ribeiro1 o ,burnay1 o ,z ,povinho1 o ,rei de ,inglaterra1 o ,rei de ,portugal e outros personagens1 cujo perfil est de ha muito conhecido e estudado1 perfis que1 a maior parte das vezes1 eu mesmo1 leigo em desenho e em caricatura1 ia desenhar depois de uma leve recordao4 ,manuel ,monterroso1 no faz assim4 ,uma vez no palco ou estrado1 lana a vista por sobre a plateia1 e com aquelles olhinhos vivos e penetrantes fca um individuo4 ,olha-o duas vezes e em seguida1 costas voltadas ao publico elle ahi vae1 carvo em punho1 traando1 rapida e precisamente o typo que escolheu4 ''' assim que elle faz2 nunca trouxe de casa1 no seu caderno de apontamento1 as notas typicas dos individuos a desenhar4 ,mas1 no s como desenhista e caricaturista a lapis ou a aguarella1 elle notavel4 ,ha alguma coisa mais a notar no meu artista4 ,como ceramista tambem para ser notado e muito4 --,ora8 dir o leitor6 ,como ceramista8 ,pois no lhe conhecia essa prenda86 --,nem eu6 ,mas ha tempos em conversa1 a rirmos sobre mil coisas diversas e muito especialmente sobre bonecos1 ,manuel ,monterroso disse-me queima roupa3 ,sabe1 vou fazer bonecos em barro1 caricaturas de outra especie4 --,voc est a brincar1 disse-lhe eu4 --,no estou1 no1 ver4 ,e a primeira ha-de ser a do ,bordalo 7ainda elle era vivo74 ,dito isto1 despediu-se de mim1 e1 bem contra minha vontade1 no o tornei a vr durante uns poucos de dias4 ,nem mais me tinha lembrado d'isso1 quando uma bella manh vejo entrar o ,monterroso pela porta dentro com um embrulhosito na mo1 dizendo3--,c est a obra4 ,figura3 ,o ,rei da ,pea--,caricatura de ,,manuel ,,monterroso--,publicada no ,primeiro de ,janeiro ,figura3 ,os ,donos da ,casa--,caricatura de ,,manuel ,,monterroso--,publicada no ,primeiro de ,janeiro ,corri apressado ao seu encontro1 obrigo-o a mostrar-me o embrulhito e444 ante a appario que se fazia deante dos meus olhos eu ficava estasiado4 ,uma delicada1 uma fina maquete da figura em corpo inteiro do grande mestre da ,caricatura1 apparecia diante de mim1 admiravelmente lanada1 sabiamente estudada e medida1 bellamente executada4 ,no parecia o primeiro trabalho de um amador1 no4 ,era o trabalho de quem sabe e muito1 como o barro se espalma e se contorna1 como se modela e como se vivifica4 ,no penseis que fao o elogio balofo d'uma insignificancia4 ,fao simplesmente a resenha verdadeiramente sincera de uma das mais notaveis manifestaes do talento do meu querido caricaturista4 ,figura3 ,jos ,ribeiro--,caricatura em barro de ,,manuel ,,monterroso ,no resisti1 abracei-o1 felicitando-o e pedi-lhe que continuasse n'aquelle novo systema de caricaturar os homens notaveis do nosso tempo1 e do nosso conhecimento4 ,prometteu-me continuar mas1 a sua medicina e os seus muitos afazeres1 no tem consentido que os meus olhos possam vr mais d'aquellas deliciosas obras4 ,a reproduco em bronze da maquete1 em que fallei foi elle1 como manifestao da sua muita admirao e amizade pelo grande mestre1 levar-lh'a a ,lisboa1 onde ,bordalo1 como eu1 se extasiou ante a disposio artistica de ,monterroso e a execuo d'aquelle trabalho4 ,e1 posto isto1 posso fechar o artigo porque j provei bem evidencia que ,manuel ,monterroso innegavelmente um rapaz de indiscutivel talento4 ,mas1 perguntar o leitor3 a que veiu aquelle prologo em que se fez jogar a medicina e a caricatura como meios curativos da sociedade e das gentes86 ,eu explico4 ''' que se no tivesse gasto tanto tempo ainda vos havia de dizer como que o ,manuel ,monterroso pde ser ao mesmo tempo um grande caricaturista e um bello medico4 ,isso porm fica para segundas leituras4 ,,xxvi ,a ,,baixella ,,barahona ,venho cheio d'um sincero enthusiasmo fallar-vos agora exclusivamente d'um dos maiores acontecimentos para a arte de ourivezaria portugueza1 e no s para ella como para a ,arte1 na verdadeira accepo da palavra2 da ,baixella ,barahona6 ''' esta j bem conhecida em todo o ,portugal1 pelo que d'ella tem dito os jornaes de ,lisboa1 mas um brado mais1 d'um sincero amador1 nunca faz mal para engrossar o cro de hossanas1 que em volta de to magnificente obra1 se tem levantado por todos quantos a tem visto4 ,a casa ,leito ,irmo1 innegavelmente os primeiros joelheiros e ourives portuguezes1 levaram a cabo a execuo da obra mais monumental e mais artistica no seu genero1 que se tem feito em ,portugal ha cem annos para c4 ,e estou bem certo que ser preciso passar um incalculavel numero de annos para que se faa uma outra obra assim4 ,figura3 ,columbano ,bordallo ,pinheiro ,dous so os motivos1 que me levam a acreditar n'esta profecia3 ,a falta de homens de gosto e de dinheiro1 como o dr4 ,francisco ,barahona2 e a falta de comprehenso da maior parte da gente1 de que a ,arte a manifestao mais bella e mais brilhante do desenvolvimento espiritual e intellectual d'uma nao4 ,mas1 como no me julgo com competencia para divagaes philosophicas sobre ,arte1 ,dinheiro e ,gosto1 vou entrar no meu assumpto--,a ,baixella ,barahona--da qual esto em exposio o ,centro de meza1 e as ,duas serpentinas4 ,so estes tres monumentos1 deixem-me assim chamar-lhe1 uma coisa phantastica4 ,delineados sobre motivos esculpturaes do tempo de ,d4 ,joo ,v1 harmonisou-se n'uma contextura brilhante1 encantadora1 fazendo-nos passar1 como que em revista as decoraes architectonicas dos monumentos da epocha1 os escudos d'armas da casa real de ,d4 ,joo ,v1 as talhas douradas dos conventos1 as conchas nacaradas dos mares1 que ns portuguezes dominamos nos nossos tempos de navegadores1 e as aguas espraindo-se nas nossas formosissimas praias onde o mar bate altisonante1 cantando ainda restos das nossas passadas glorias4 ,figura3 ,serpentina da ,baixella ,barahona ''' como que a orquestrao muda d'uma epopeia de deslumbramento e de luxo4 ,mereciam um poema1 tal o seu primor e a sua riqueza4 ,por ambas as vezes1 que fui vr estas deslumbrantes obras de arte1 fiquei estasiado algumas horas1 na contemplao d'ellas1 e cada vez que as olhava novos encantos lhe achava2 aqui eram os festes de flores que pareciam baloiar ao sopro da aragem1 pendentes das mos torneadamente papudas dos deliciosos amores2 mais em baixo1 os golphinhos com as suas fauces escancaradas d'onde jorram torrentes d'agua que se espraiam pelo enconchado da base2 de todos os lados1 as nacaradas conchas encurvadas caprichosamente n'um anichamento sublime de preciosidades do fundo do mar1 e contornando tudo isto n'uma justeza de frma1 n'um carocolar de serpente1 d'um brunido admiravel1 como que uma fita de seda que mos delicadas de fadas se entretivessem a dispr alli1 como cercando aquella serie de deliciosas coisas4 ,alguem que tenha visto a ,baixella1 dir3 e as figuras que alli existem onde as deixar ficar o chronista8 ,as figuras essas so deslumbrantes de contextura1 e se me deixei ficar para o fim a fallar n'ellas1 1 que to fundo me feriram no espirito que lhe reservo um logar mais ao fim do artigo para que quem me ler nunca se esquea d'ellas4 ,o centro1 como muito bem diz o nosso amigo ,m4 ,oliveira ,ramos1 na memoria escripta expressamente para ser distribuida pela casa ,leito aos seus convidados1 compe-se d'uma taa oblonga de amplo bojo1 enfunada para a base e recordando talvez na sua frma1 o casco dos nossos galees do periodo aureo4 ,figura3 ,centro de meza da ,baixella ,barahona ,de cada lado d'esta taa e como sentados no rebordo1 ha duas figuras2 um ,fauno e uma ,bachante4 ,o ,fauno1 tendo n'uma das mos uma frauta de ,pan1 ri brejeiramente para um amor que parece ter-se deitado na base a analysar aquelle typo to caracteristico e to bem delineado4 ,e a ,bachante com um exhuberante cacho d'uvas1 tenta o outro amor que1 deitado tambem1 nos d a impresso suave d'um delicioso bb a quem uma nympha estivesse fazendo negaas com em brinquedo4 ,mas1 tal o deslumbrante das frmas e o rigor da anatomia d'estas figuras1 to primorosamente modeladas e to assombrosamente executadas que parece que aquella fria prata1 de que so feitas1 se anima e palpita4 ,todo o conjuncto bello1 mas as figuras extasiaram-me4 ,columbano ,bordallo ,pinheiro1 ao modelar aquelles primores de arte1 7talvez isto seja uma heresia71 fez1 a meu vr1 um dos seus trabalhos mais geniaes1 a manifestao mais ampla do seu muito talento4 ,porque preciso ter-se muito talento para se realisarem obras d'aquellas4 ,ficarei por aqui1 se bem que no era esse o meu desejo1 mas a falta d'espao e de tempo1 a isso me obrigam4 ,antes porm de fechar cumpre-me fazer1 por este meio1 o que j fiz pessoalmente1 dar um aperto de mo1 a quem se abalanou a uma empreza como esta e saudar enthusiasticamente com o meu fraco appoiado os grandes collaboradores d'esta manifestao de arte portugueza1--o dr4 ,francisco ,barahona1 o verdadeiro patriota que sabe como ninguem comprehender para que serve o dinheiro1--,columbano ,bordallo ,pinheiro1 que para essa obra deu parte do seu eu artistico--,augusto ,luiz de ,sousa e ,francisco ,ignacio ,cardoso os dois artistas ourives sob a direco dos quaes se executou tal obra4 ,figura3 ,magdalena--,columbano ,bordallo ,pinheiro ,aos snr4 ,leito ,irmo um bravo6 ,um bravo enthusiastico d'um humilde admirador4 ,e para fechar1 folgarei immenso ouvindo dizer que esses tres monumentos vo mostrar ao mundo inteiro1 na ,exposio de ,paris1 que em ,portugal ha verdadeiros artistas e homens de arte4 ,lisboa1 #ca-d-ijj4 ,,xxvii ,,conclus,o ,fechando este volumesito despretencioso e vago1 que fiz publicar1 no com a vaidade de escriptor ou critico d',arte1 mas simplesmente para reunir n'um mlho1 pequenos e insignificantes artigos1 que escrevi em dias socegados e alegres1 e que appareceram em revistas e jornaes diarios aps visitas feitas a ,ateliers1 ,escolas e ,exposies d',arte1 onde tive o superior prazer de passar algumas horas boas e distrahidas1 julgo ter prestado um pequenissimo servio ao meu paiz e sua ,arte4 ,so estas paginas simples notas de um amador4 ,nem ellas desejaram nunca ser mais do que isso4 ,escrevi-as sincera e desapaixonadamente sem interesses ligados aos artistas1 nem o desejo de ser amavel para com elles4 ,figura3 ,o ,desterrado--,,soares dos ,,reis ,fil-o como conversador inveterado que sou1 e que1 no desejo constante de conversa1 escolhi o grande publico para lhe expr as minhas impresses pessoaes e quem sabe1 faltas de sciencia e talvez de criterio4 ,tenho dito mil vezes1 n'essas paginas atraz o digo1 e no ficar mal ao ir-me embora1 repetil-o mais uma vez3--eu no sou um critico d',arte1 nem tenho pretenes a isso4 ,e1 n'essas condies1 sob uma tal ordem de ideias1 interessando-me pelas exposies d',arte1 pelo desenvolvimento pintural dos discipulos e pelo engrandecimento dos professores1 excitando os que comeam para que breve se ponham ao lado dos que j vo na vanguarda1 animando o publico e creando-lhe aos poucos o gosto pela ,arte1 dando noticias resumidas d'algumas exposies1 destacando alguns artistas e amadores dos que mais em fco tenho encontrado1 embora sem aquelle tino especial de critica hors ligne1 como convinha para tal emprehendimento1 julgo no entanto1 que contribuo dentro das minhas foras1 para o desenvolvimento do gosto pela pintura e pela esculptura entre os meus compatriotas1 com estes artigos4 ,n'um paiz como o nosso to cheio de poesia1 to cheio de sol1 to cheio de cr1 com costumes to typicos e figuras to accentuadamente caracteristicas1 com pedaos de natureza 7paisagem e marinha7 to cheia d'um extraordinario encanto1 d'um collorido to nosso1 to genuinamente bello1 necessario se torna que elle seja sabiamente estudado e proficientemente transplantado tela e v mundo em fra1 fazer esta grande affirmao3 que no nosso paiz1 caracteristicamente pittoresco1 que como poucos dotado de bellezas naturaes dignas de serem admiradas por todo quanto em tourismo d a volta ao mundo1 ha uma pleiade de artistas1 verdadeiramente grandes1 e que valem tanto como os que ha bons l pelo estrangeiro4 ,se eu1 debaixo d'este ponto de vista1 apontando1 notando1 frizando1 destacando e elevando1 entre os que trabalham n'esta bella obra1 aquelles que a meu vr mais dignos so de meno1 conseguir excitar os outros para que trabalhando honradamente1 gloriosamente se possam collocar ao lado d'elles1 darei por bem empregado o meu tempo4 ,e como no quero que se diga que esqueci os que mais gloriosamente teem batalhado n'esse combate da ,arte1 aquelles1 que emquanto vivos produziram genialissimas obras1 e seriam assombrosamente grandes em qualquer parte do mundo1 aqui deixo ficar1 nas ultimas paginas do meu livro1 tres copias de tres trabalhos sublimes dos sublimes mestres1 d'esse trio sagrado de sacerdotes magnos do templo da ,arte--,soares dos ,reis1 ,silva ,porto e ,raphael ,bordallo ,pinheiro4 ,e nada vos direi de taes genios artisticos porque para isso seria preciso escrever tres volumes1 e acho que quem to pequeno como eu no se deve abalanar a empreza to ardua e to difficil1 pois que para fazer o elogio d'estes sublimes mestres1 exige-se pelo menos ser to grande como elles na litteratura e na critica4 ,figura3 ,conduzindo o rebanho--,,silva ,,porto ,por isso simplesmente1 como significao de respeito e muita admirao ao seu grande talento1 aqui lhe deixo significado o sentimento da minha muito grande venerao4 ,havereis de ter notado n'este meu livro faltas extraordinariamente grandes1 bem sei4 ,mas1 que quereis1 quem d o que tem no obrigado a mais4 ,desejaria ainda fazer um catalogo1 biographico e artistico dos nossos melhores artistas e das suas obras com sabias notas descriptivas1 mas isso era trabalho largo de mais para quem to fracamente maneja a penna e to leves conhecimentos tem em tal assumpto4 ,se um dia1 porem1 l para o futuro1 me achar com coragem de emprehender empreza de tal bojo e tanta responsabilidade prometto-vos que o farei o mais larga e o mais desenvolvidamente possivel4 ,e os artistas que me perdoem ento tal arrojo e tal atrevimento4 ,por hoje apenas estas leves notas reportivas d'um insignificante amador de ,arte4 ,figura3 ,vinte annos depois--,,raphael ,,bordallo ,,pinheiro 99 99 99 99 99 ,como estou em mar de desabafos1 no ser de todo mau que antes de terminar o mandato que a mim proprio impuz no deixe de dizer alguma coisa a respeito d'alguns erros que apparecem nas ,notas d',arte4 ,por isso1 com a maior franqueza declaro que1 no querendo seguir as pisadas d'uma grande parte dos nossos litteratos1 imputando aos pobres typographos erros que s cabem aos auctores como maus revisores d'aquillo que escrevem1 dou o seu ao seu dono affirmando que todos os erros que surgem pelo volume fra s podem ser attribuidos ligeireza com que tracei todas essas rapidas ,notas d',arte que1 a meu vr1 apesar dos seus defeitos tem a grande vantagem de mostrar o grande amor que tenho arte sublime do ,bello e o desejo ardente de vr galardoados os meritos dos artistas e dos amadores portuenses4 ,a illustrao e a benevolencia do leitor1 pesando bem a senceridade das minhas palavras1 supprir todos os erros remediando assim o velho costume de finalisar com emendas4 ''' certo que ninguem vae ao co sem emenda1 mas uma vez que se faz uma confisso expontanea o penitente fica perdoado dos seus peccados4 #cj de ,novembro de #aijf4 ,,indice ,,dos ,,artigos ,pag4 ,no ,limiar #a ,impresses d'uma ,exposio #e ,pintores ,portuenses4--,julio ,costa #i ,pintores ,portuenses4--,antonio ,carneiro ,junior #ag ,thadeu ,maria d',almeida ,furtado #ba ,pintores ,portuenses4--,arthur ,loureiro #be ,esculptores ,portuenses4--,fernandes de ,s #ca ,exposio da ,sociedade de ,bellas-,artes de ,lisboa #ci ,pintores ,portuenses4--,manuel ,san ,romo #fg ,a ,mulher ,artista #gc ,novas ,exposies d',arte #ha ,uma ,exposio de ,aguarellas organisada por ,amadores #hi ,pintores ,portuenses4--,thomaz de ,moura #ic ,amadores ,portuenses4--,d4 ,joanna ,andressen ,silva #ig ,pintores ,portuenses4--,antonio ,jos da ,costa #aje ,em frente d'um ,cartaz6444 #aac ,na ,cruz #aag ,amadores ,portuenses4--,d4 ,margarida ,ramalho #aai ,novos quadros de ,arthur ,loureiro3 ,i--,no ,atelier do ,palacio de ,crystal #abg ,,ii--,arthur ,loureiro e os seus discipulos #aca ,,iii--,arthur ,loureiro e a ,academia de ,bellas ,artes #ace ,,iv--,mais uma visita ao ,atelier de ,arthur ,loureiro #ada ,amadores ,portuenses4--,manuel ,maria ,lucio ,junior #ade ,uma ,exposio de quadros do ,instituto de ,estudos e ,conferencias #aea ,uma ,exposio de ,carneiro ,junior #aei ,notas ligeiras d'uma ,exposio #afc ,amadores ,portuenses4--,alberto ,ayres de ,gouveia #aga ,uma ,exposio de ,estatuetas4--,francisco ,gouveia #agi ,amadores ,portuenses4--,manuel ,monterroso #ahe ,a ,baixella ,barahona #aic ,concluso #aig ,,indice ,retratos ,pag4 ,quadros ,pag4 ,s4 ,m4 a ,rainha #gc--;,estudo de creana 7aguarella7 #ge ,el-,rei #ci--,paisagem 7pastel7 #dj ,guarda arabe 7pastel7 #ff ,alberto ,ayres de ,gouveia1 #aga--;,a ,palavra do ,mestre #agc ,christo ,morto #age ,s4 ,joo lendo as ,profecias #agf ,adelia ,ramos 7,d47 #add-- ,alfredo ,keill --,a chegada da deligencia aos ,valles em ,ferreira do ,zezere #fa ,alice ,grillo ,lima 7,d47 #gi--,orchideas #hj ,antonio ,jos da ,costa #aje--;,chrysanthemos #g ,guarda ,fiel #ajc ,rosas e ,pionias #ajf ,outros tempos #ajg ,no ,pinhal #ajh ,camelias #aji ,junquilhos e ,camelias #aaj ,junto do ,cruzeiro #aaa ,arthur ,loureiro #be-abg--;,barra--,foz do ,douro #bf ,frontal d'uma arca #bg ,o ,passado #bh ,no voltar mais #bi ,retrato de ,s de ,albergaria #abi ,retrato do ,dr4 ,francisco ,anthero #acb ,tigres #acd ,s no ,mundo #acf ,de aldeia em aldeia #ach ,paisagem #aci ,flora #adj ,pinheiros #adb ,aurelia de ,sousa 7,d47 #gd--,paisagem #afd ,branca ,assis 7,d47 --,tia ,bertha #gf ,candido da ,cunha #g-hh--;,impresso de ,paris #abe ,crepusculo ,matutino #aec ,a ,procisso #afb ,paisagem #afe ,paisagem #agg ,carlos ,reis --,mendiga #dd ,retrato de ,el-,rei #ee ,olaia em flor #eg ,carneiro ,junior #ag--,retrato #ah ,entrega de ,evora #afj ,columbano ,bordallo ,pinheiro #aic--,tomando ch #ec ,candelabro #aid ,centro de meza #aie ,magdalena #aif ,condeixa --,cabea d'estudo #da ,condessa d',alto ,mearim #gh--,poveretta #afi ,duqueza de ,palmella --,cabea de negra #d ,eduardo ,moura #hh--;,guardando vaccas #aee ,fernandes de ,s #ca--;,desafio #cb ,cames #cc ,beijo ,materno #ce ,busto de ,antonio ,cano #cg ,rapto de ,ganymedes #fc ,francisco ,gouveia #agi--,teixeira ,lopes #ahj ,ea de ,queiroz #aha ,marcos ,guedes1 ,guedes d',oliveira1 ,guerra ,junqueiro1 ,pae ,ramos #ahb ,joanna ,andressen ,silva 7,d47 #ig--,salo do ,palacete de ,d4 ,joanna #ih ,canto do ,atelier #ii ,busto de ,mademoiselle ,elisa ,andressen #ajj ,busto de ,mademoiselle ,ramos ,pinto #aja ,busto de ,mademoiselle ,joanna ,andressen #ajb ,joo ,augusto ,ribeiro #h--;,estudo #agh ,joo ,vaz --,marinha #de ,joaquim ,marinho #hi-- ,jos de ,brito #f-aeb--,vaga #dg ,cabea de estudo 7pastel7 #ia ,jos ,malha #e--,que grande calamidade #f ,barbeiro d'aldeia #db ,jos ,romo ,junior #afh-- ,jos ,teixeira ,lopes #hh--,paisagem 7aguarella7 #ij ,julio ,machado --,cartaz #aad ,julio ,costa #i--,retrato do ,conselheiro ,joo ,franco #aj ,retrato de ,oliveira ,martins #aa ,o ,calvario #ad ,a ,ti ,anna #ae ,na ,cruz #aah ,julio ,ramos #hh-aef--;,aos ,grillos #afd ,barcos de ,pesca #agj ,leopoldina ,pinto 7,d47 --,flores #hd ,lucilia ,aranha ,grave 7,d47 #afc--,na ,eira #cj ,paisagem #ahc ,manuel ,maria ,lucio ,junior #ade--,marinha #adg ,barra--,foz do ,douro #adi ,manuel ,monterroso #ahe--;,caricatura do auctor das ,notas d',arte #a ,cartaz #aae ,dr4 ,leopoldo ,mouro #ahf ,uma pagina da ,parodia #ahg ,joo ,oliveira ,ramos #ahh ,estatueta de ,raphael ,bordallo ,pinheiro #ahi ,o ,rei da ,pea #aij ,os donos da ,casa #aia ,estatueta de ,jos ,ribeiro #aib ,manuel ,san ,romo #fg--,na espectativa #fh ,paisagem #fi ,paisagem #gj ,uma sevilhana #ga ,margarida ,costa ,romo 7,d47 #aff-- ,margarida ,ramalho 7,d47 #aai--;,castanheira #abb ,cabea de velho #abc ,maria ,afflalo 7,d47 #afh-- ,maria ,augusta ,bordallo ,pinheiro 7,d47 --,um leno de rendas #bc ,marques d',oliveira #hc--,paisagem #dc ,entre o almoo e o jantar #ei ,paisagem #aed ,raphael ,bordallo ,pinheiro --,vinte annos depois #bjj ,silva ,porto --,conduzindo o rebanho #aii ,soares dos ,reis --,o ,desterrado #aig ,sophia de ,sousa 7,d47 #hb--;,ao ,sol #aig ,sousa ,pinto #aea-- ,teixeira ,lopes #ahd--;,busto de inglesa #ea ,santo ,isidoro #fe ,a ,caridade #he ,baixo relevo 7,saudade7 #afa ,caim #ahd ,thadeu ,maria de ,almeida ,furtado #ba-- ,thomaz de ,moura #ic-- ,torquato ,pinheiro #aef--,retrato de minha ,me #h ,retrato de ,bernardino ,reaes #aeg ,lavadeiras na levada #aff ,velloso ,salgado #di--,panneaux para o ,palacio da ,bolsa #hg ,panneaux para o ,palacio da ,bolsa #ie ,zo ,wanthelet ,batalha ,reis --,quem espera desespera #gg ,notas3 #a ,um dos mais distinctos professores da ,escola ,medico-,cirurgica do ,porto1 j fallecido4 ,lista de erros corrigidos ,aqui encontram-se listados todos os erros encontrados e corrigidos3 ---------------------------------------- ------------- ,original ,correco ---------------------------------------- ------------- pg4 #f o educao a educao pg4 #cg fificar ficar pg4 #de destestaveis detestaveis pg4 #dg #eb #fb pg4 #ed #cab #bab pg4 #hb fezendo-nos fazendo-nos pg4 #ij medesto modesto pg4 #ajf devido devida pg4 #aaa tratados tratadas pg4 #acc delicamente delicadamente pg4 #acd professsor professor pg4 #ada granda lucta grande lucta pg4 #adg interressante interessante pg4 #afd centamen certamen pg4 #ahh ,eatasiava-me ,extasiava-me pg4 #aij carderno caderno pg4 #aib modela o como modela e como pg4 #aib elogie elogio pg4 #aid ddivagaes divagaes pg4 #bjb ,adelina ,barros ,adelia ,ramos99 pg4 #bjb ,zerere ,zezere pg4 #bjc ,tomanho ,tomando ---------------------------------------- ------------- 99 ndice alterado de acordo com legendas das imagens da obra4 ,as variaes de nomes prprios foram mantidas de acordo com o original4