,,bom-,,s5so ,e ,,bom-,,go/o ,,c>ta ,,ao ,,excel5tissimo ,,s5hor ,,antonio ,,feliciano ,,de ,,ca/ilho ,,por ,an!ro d ,qu5tal ,,novembro ,,de #ahfe ,,bom-,,s5so ,e ,,bom-,,go/o ,,c>ta ,,ao ,,excel5tissimo ,,s5hor ,,antonio ,,feliciano ,,de ,,ca/ilho ,,por ,an!ro d ,qu5tal ,,coimbra ,,impr5sa ,,da ,,univ]sidade #ahfe ,ex4mo ,sr4 ,acabo de l] um escripto#a de v4 ex4 onde1 a proposito de faltas de bom-s5so e de bom-go/o1 se falla com asp]a c5sura da *amada es*ola litt]>ia de ,coimbra1 e entre dois nomes illu/res#b se cita o meu1 quasi desconhecido e sobre tudo desambicioso4 ,e/a m9ha obscuridade faz com que a p>te de c5sura que me cabe seja sobre maneira dim9uta3 em quanto que1 por outro lado1 a m9ha despreoccupao de fama litt]>ia1 os meus habitos de espirito e o meu modo de vida1 me tornam essa mesma pequ5a p>te que me re/a to indiff]5te1 que como que se a nada a r$uzissemos4 ,e/as circum/ancias p>ec]iam suffici5te p>a me imporem um sil5cio1 ou mode/o ou desd5hoso4 ,no o so1 todavia4 ,eu t5ho p>a fall> dois =tes motivos4 ,um a lib]dade absoluta que a m9ha posio indep5d5tissima de homem sem pret5es litt]>ias me d p>a julg> desassombradam5te1 com ju/ia1 com frieza1 com boa-f4 ,como no pret5do log> algum1 mesmo infimo1 na brilhante phalange das reputaes contemporaneas1 por isso que1 e/&o de fra1 posso como n+uem avali> a figura1 a de/reza e o g>bo a9da dos mais luzidos *efes d glorioso esquadro4 ,posso tambem fall> livrem5te4 ,e no e/a uma pequ5a sup]ioridade ne/e tempo de conv5i5cias1 de precaues1 de retic5cias--ou1 digamos a c\sa pelo seu nome1 de hypocrisia e falsidade4 ,livre das vaidades1 das ambies1 das mis]ias d'uma posio1 que no pret5do1 posso fall> nas mis]ias1 nas ambies1 nas vaidades d'esse mundo to extranho p>a mim1 atravess&o por meio d'ellas e sah9do puro1 limpo e innoc5te4 ,a e/e primeiro motivo1 que um direito1 uma faculdade s1 accresce um outro1 e mais grave e mais obrigatorio1 porque um dev]1 uma necessidade moral4 e/a =a desconhecida que nos leva muitas vezes1 a9da contra a vontade1 a9da contra o go/o1 a9da contra o int]esse1 a ergu] a voz pelo que julgamos a v]dade1 a ergu] a mo pelo que acr$itamos a ju/ia4 ella que me m&a fall>4 ,no que a ju/ia e a v]dade se (f5dessem com v4 ex4 ou com z suas apreciaes4 ,v]dade e ju/ia e/o to altas1 que no tm olhos com que vejam z pequ5as c\sas e os pequ5os hom5s das infimas que/iunculas litt]>ias d'um ignorado canto de t]ra1 a que a9da se *ama ,portugal4 ,no isso o que z (f5de4 ,mas z idz que e/o por de trs dos hom5s2 o mal pr(undo que z c\sas ap5as mis]aveis repres5tam2 uma gr&e do5a moral accusada por uma pequ5ez intellectual2 z desgraz1 tanto p>a reflexes lam5tosas1 d'e/a t]ra1 reveladas pelas mis]ias1 to m]ec$oras de despreso1 dos que cuidam dom9al-a2 isso que afflige excessivam5te a razo e o s5tim5to1 o que pr5de o olh> a9da o mais desd5hoso a e/as baz intrigas2 isso que levanta e/a que/o d raso das p]sonalidades p>a a elev> at altura d'uma que/o de pr9cipios1 e que d s ridiculas *ufas1 que entre si trocam uns tri/es litt]atos1 todo o valor d'uma discusso de philosophia e de hi/oria4 ,sim1 ex4mo sr4 ,eu no sei se v4 ex4 tem olhos p>a v] tudo i/o4 ,cuido que no3 porque a intellig5cia dos habeis1 dos prud5tes1 dos esp]tissimos muitas vezes cega em lhe falt&o uma c\sa bem pequ5a1 que se encontra nos simples e nos humildes--a boa-f4 luz d'ella1 porem1 eu hei de sempre v] uma pessima aco1 digna de toda a importancia d'um ca/igo1 nas imp5sadas e infelizes palavras de v4 ex41 dignas qu&o muito d'um sorriso de desdem e d esquecim5to4 ,e se eu nem sequ] me d>ia ao incommodo de ergu] a cabea de cima d meu trabalho p>a escut> essas palavras1 ent5do que no p]co o meu tempo1 que sirvo a moral e a v]dade1 c5sur&o1 v]b]&o a de%one/a aco de v4 ex4 ,porque uma aco de%one/a4 ,o que se ataca na es*ola de ,coimbra 7talvez mesmo v4 ex4 o ignore1 porque ha malevolos innoc5tes e inconsci5tes71 o que se ataca no uma op9io litt]>ia m5os provada1 uma concepo poetica mais atrevida1 um e/ylo ou uma ida4 ,isso o pretexto1 ap5as4 ,mas a gu]ra faz-se indep5d5cia irrev]5te de escriptores1 que ent5dem faz] por si o seu cam9ho1 sem p$irem lic5a aos me/res1 mas consult&o s o seu trabalho e a sua consci5cia4 ,a gu]ra faz-se ao esc&alo inaudito d'uma litt]atura desa=ada1 que cuid\ pod] corr] mundo sem o sello e o vi/o da *ancelh>ia dos gros-me/res (ficiaes4 ,a gu]ra faz-se impi$ade d'e/es h]eges das lettras1 que se revoltam contra a auctoridade dos papas e pontifices1 porque1 ao que p>ece1 a9da a luz de cima lhes no escreveu nas frontes o signal da infallibilidade4 ,faz-se contra quem ent5de p5s> por si e s] s responsavel por seus actos e palavras444 ,agora quem move e/es ridiculos combates de phrases a vaidade f]ida dos me/res e dos pontifices2 o espirito de rot9a viol5tam5te incommodado por mos rudes e inconv5i5tes2 a banalidade que qu] dormir socegada no seu leito de n9h>ias2 a vulg>idade que cuida que a =am--ns s lhe qu]emos pu*> z orelhas6 ,i/o1 resumido em p\cas palavras1 qu] diz]3 combatem-se os h]eges da es*ola de ,coimbra por causa d negro crime de sua dignidade1 d atrevim5to de sua rectido moral1 d att5tado de sua probidade litt]>ia1 da impud5cia e mis]ia de s]em indep5d5tes e p5s>em por suas cabez4 ,e combatem-se por falt>em s virtudes de respeito humilde s vaidades omnipot5tes1 de submisso e/upida1 de baixeza e pequ5ez moral e intellectual4 ,v4 ex41 com a imp>cialidade que todos lhe conhecemos1 deve confess> que uma gu]ra assim feita no s mal feita1 mas tambem pequ5a e mis]avelm5te feita4 ,mas que a es*ola de ,coimbra commetteu effectivam5te alguma c\sa peior de que um crime--commetteu uma gr&e falta3 quiz innov>4 ,ora1 p>a z litt]aturas (ficiaes1 p>a z reputaes e/abelecidas1 mais crim9oso d que man*> a v]dade com a baba dos sophismas1 d que env55> com o erro z fontes d espirito publico1 d que p5s> mal1 d que escrev] pessimam5te1 peior d que i/o essa falta de qu]] cam9h> por si1 de diz] e no repetir1 de inv5t> e no de copi>4 ,por que8 ,porque todos os outros crimes eram contra z idz3 hav]ia sempre um p]do p>a elles4 ,mas e/a falta era contra z pessoas3 e essas taes so imp]doaveis4 ,innov> diz] aos prophetas1 aos reveladores enc>tados3 ha alguma c\sa que vs ignoraes2 alguma c\sa que nunca p5sa/es nem disse/es2 ha mundo alm d circulo que se v com os vossos oculos de !atro2 ha mundo maior d que os vossos sy/emas1 mais pr(undo d que os vossos folhet9s2 ha univ]so um p\co mais ext5so e mais agradavel sobre tudo d que os vossos livros e os vossos discursos4 ,i/o1 sim1 que intol]avel6 ,i/o1 sim1 que infame e revoltante e impio e subv]sivo6 ,contra i/o1 sim1 s armas1 ergamo-nos na nossa =a1 mo/remos o que somos e o que podemos444 escrevamos tres folhet9s e um prologo6444 ,v4 ex4 fez-se *efe d'e/a cruzada to desgraada e to mesqu9ha4 ,no posso s5o d>-lhe os pezames por to tri/e papel4 ,mas se eu1 como homem1 desprzo e esqueo1 como escriptor que no posso cal>-me2 porque atac> a indep5d5cia d p5sam5to1 a lib]dade dos espiritos1 no s (f5d] o que ha de mais sancto nos individuos1 mas a9da levant> mo r\badora contra o patrimonio sagrado da humanidade--o futuro4-- secc> z nasc5tes da fonte aonde z g]aes futuras tm de beb]4 cort> a raiz da arvore a que os v9doiros t9ham de p$ir sombra e socego4 ,e atrophi> z idz e os s5tim5tos das cabez e dos coraes que tm de vir4 ,o contr>io d'i/o tudo que a bella1 a imm5sa misso d escriptor4 um sac]docio1 um (ficio publico e religioso de gu>da incorruptivel das idz1 dos s5tim5tos1 dos co/umes1 das obras e das palavras4 ,p>a isso toda a altura1 toda a nobreza int]ior so p\co a9da4 ,p>a isso toda a indep5d5cia de espirito1 toda a despreoccupao de vaidades1 toda a lib]dade de jugos impo/os1 de me/res1 de auctoridades1 nunca s] de mais4 ,o m9eiro qu] os braos soltos p>a cav> busc&o o ouro entre z areias grossas4 ,o piloto qu] os olhos desv5dados p>a l] nos a/ros o cam9ho da no por entre z ondas inc]tas4 ,o sac]dote qu] o corao limpo de paixes1 de int]esses1 p>a aconselh>1 gui>1 julg>1 imp>cial e ju/o4 ,o escriptor qu] o espirito livre de jugos1 o p5sam5to livre de preconceitos e respeitos inuteis1 o corao livre de vaidades1 incorruptivel e intem]ato4 ,s assim s]o gr&es e fecundas z suas obras3 s assim m]ec] o log> de c5sor entre os hom5s1 porque o t] alcanado1 no pelo favor das turbas incon/antes e inju/as1 ou pelo patronato degradante dos gr&es e illu/res1 mas elev&o-se naturalm5te sobre todos pela sci5cia1 pelo paci5te e/udo de si e dos outros1 pela limpeza int]ior d'uma alma que s v e busca o bem1 o bello1 o v]dadeiro4 ,e/e o escriptor1 o poeta1 o apo/olo4 ,se o obrigassem a respeitos conv5cionaes1 a t]rores sup]/iciosos diante de c]tos hom5s1 a espantos cegos diante de c]tas c\sas2 se o fizessem baix> a cabea e z co/as p>a entr> a porta d pan!on litt]>io2 elle1 o pobre1 fic>ia sempre curvo e submisso1 humilde e sem =a propria1 s]vo de alheias idz e apo/olo ap5as de palavras decoradas e vazias d'alma4 ,como se havia elle pois ergu]1 entre seus irmos1 to alto que seus olhos fossem uns como ph>oes p>a todos os outros olhos1 a sua fronte uma como montanha de luz2 to alto que z palavras de sua bocca cahissem sobre z cabez como uma *uva b5efica e fecundante8 ,s]ia1 depois das provas e das torturas1 das g5uflexes e das baixezas da iniciao no gremio dos s5hores1 s]ia um aleijo e no gigante1 um aborto em vez de h]oe e1 em vez de sobr'exc$] a todos com a fronte1 &>ia sumido entre elles1 visitado escassam5te pelo sol e pela luz4 ,elle1 que no s\b]a procur> p>a si o seu cam9ho1 como pod]ia elle allumi> o dos outros8 ,elle1 humilde1 como ens9>ia a altivez e a dignidade8 ,respeitador de conv5i5cias e/]eis1 como d>ia o exemplo das revoltas fecundas8 ,sem alma1 como a insufl>ia no peito dos tri/es e humilhados8 ,sem vontade1 como resi/iria s tyrannias da op9io omnipot5te1 ao capri*o dos gr&es1 s ambies1 s t5taes8 ,z gr&es1 z bellas1 z boas c\sas s se fazem qu&o se bom1 bello e gr&e4 ,mas a condio da gr&eza1 da belleza1 da bondade1 a primeira e indisp5savel condio1 no o tal5to1 nem a sci5cia1 nem a exp]i5cia3 a elevao moral1 a virtude da altivez int]ior1 a indep5d5cia da alma e a dignidade d p5sam5to e d c>act]4 ,nem aos me/res1 aos que a maioria boal aponta como illu/res1 nem op9io1 critica sem sci5cia nem consci5cia das turbas1 d maior num]o1 deve p$ir conselhos e approvao1 mas s ao seu ent5dim5to1 sua m$itao1 s suas cr5z4 ,ne/a es*ola d trabalho1 da dignidade1 das altas convices1 se =mam os hom5s em cujos peitos a humanidade encontra sempre um va/o lago onde f>te a sde de v]dade1 de consolaes1 de ens9os p>a a intellig5cia e con=tos p>a o corao4 ,no peito dos outros1 dos que &am de capella em capella na lida afanosa de inc5s> cada dia todos os idolos1 dos que fazem da gloria uma ba/ilha p>a av5tureiros lev>em de assalto1 e no pulpito aonde se suba com respeito e amor1 no peito d'esses no habita mais d que ambio1 vaidade1 endurecim5to e mis]ia4 ,esses lisongeiam os gr&es2 e os gr&es do-lhes a mo p>a que subam1 e desprezam-nos depois4 ,lisongeiam z maiorias2 e z maiorias incon/antes lanam-lhes no regao um p\co de ouro e algum applauso de mom5to1 e depois passam e esquecem4 ,afagam todas z vaidades2 e tm em cada vicio humano um capital1 cujo juro dissipam em quanto vivos1 porque essa mo$a corrompida p>a mais n+uem s]ve4 ,emfim1 nos qu9ze ou v9te annos em que do que fal> s gazetas1 aos botequ9s1 aos gremios1 a todos os vadios1 a todos os futeis1 folgam1 vivem alegres e esquecidos de tudo quanto no seja a satisfao d que ha no homem de mais pequ5o--a vaidade e o int]esse4 ,p>a os outros a obscuridade1 e a mis]ia muita vez--mas a e/ima dos melhores entre os hom5s pelo espirito1 e1 o que exc$e tudo1 a posse d'uma consci5cia sup]ior a quanto no seja a v]dade1 a ju/ia e a =mosura4 ,z idz s]5as brilham-lhes na escurido d isolam5to e alumiam-lhes com uma luz doce mas imm5sa toda a sua obscuridade4 ,do-se a desb>at> o mal dos outros hom5s1 como muitos se do a augm5t> o seu bem proprio4 ,vivem na regio das b5os1 escut&o z palavras da bcca invisivel1 e com os e*os d'essa voz cele/e compem os hymnos de esp]ana e de amor p>a a humanidade4 ,morrem2 mas morrem nobres e puros4 ,tudo i/o porque =am indep5d5tes4 ,no p]t5c]am a corrilhos2 no elogi>am n+uem p>a que os elogiassem a elles2 no inc5s>am os feti*es dos ridiculos pagodes litt]>ios4 ,=am honrados4 ,=am simples4 ,a e/es taes *amo eu poetas4 ,porque nos ens9am o bem4 ,porque so orig9aes e dizem sempre alguma c\sa nova nossa curiosidade de sab]4 ,porque do com a elevao das vidas confirmao sublimidade dos escriptos4 ,porque so to poeticos como os seus poemas4 ,porque vo adiante abr9do luz e ao amor novos horisontes4 ,porque no conhecem ambies nem orgulhos4 ,porque tm a cabea d g5io e o corao da innoc5cia4 por isso tudo que lhes *amo poetas4 ,os outros adoram a palavra1 que illude o vulgo1 e desprezam a ida1 que cu/a muito e nada luz4 ,so apo/olos d diccion>io1 e tm por evangelho um tractado de metrificao4 ,fazem da poesia o in/rum5to de suas vaidades4 ,pregam o bem por uso e conv5o litt]>ia1 porque se pre/a declamao poetica1 mas practicam o egoismo por indole e por vontade4 ,fazem-nos descr] da gr&eza humana1 porque so uns sophismas que nos mo/ram a pequ5ez e a m f aonde z app>5cias so todas de nobreza4 ,pref]em imit> a inv5t>2 e a imit> pref]em a9da traduzir4 ,repetem o que e/ dicto ha mil annos1 e fazem-nos duvid> se o espirito humano s] uma e/]il e con/ante banalidade4 ,so os enfeitadores das n9h>ias luzidias4 ,pem os nadas em p p>a p>ec]em alguma c\sa4 ,so os idolos litt]>ios da multido que mal sabe l]4 ,so os philosophos qu]idos da turba que nunca p5s\4 ,so1 emfim1 g5ios no ,brasil como v4 ex4 ,e/es taes escusam da nobreza e da dignidade3 tm a habilidade e a f9ura4 ,p>a a obra que fazem1 isso lhes ba/a4 ,mas a obra1 ex4mo sr41 que uma obra vulg>3 bem feita p>a agrad> ao ouvido1 mas e/]il p>a o espirito4 ,sa bem1 mas no ens9a nem eleva4 ,ora a humanidade precisa que a levantem e que a d\tr9em4 ,so1 pois1 necess>ias outras e melhores obras4 ,mas1 se j alguma hora da hi/oria impoz aos que fallam alto entre os povos obrigaes de s]i$ade1 de pr(unda abnegao1 de sacrificio d eu s tri/ezas e mis]ias da humanidade1 de trabalho e sil5cioso p5sam5to2 se alguma hora lhes m&\ s]em graves1 puros1 cr5tes1 c]tam5te e/a d dia de hoje1 da edade de trans=mao dolorosa1 de scepticismo1 de abaixam5to moral1 de descr5a1 que o nosso seculo4 ,refundem-se z cr5z antigas4 ,g]am-se com es=o novas idz4 ,desmoronam-se z velhas religies4 ,z in/ituies d passado abalam-se4 ,o futuro no app>ece a9da4 ,e1 entre e/as duvidas1 e/es abalos1 e/as inc]tezas1 z almas s5tem-se m5ores1 mais tri/es1 m5os ambiciosas de bem1 m5os dispo/as ao sacrifcio e s abnegaes da consci5cia4 ,ha toda uma humanidade em dissoluo1 de que preciso extrahir uma humanidade viva1 s1 cr5te e =mosa4 ,p>a e/e gr&e trabalho que se qu]em os gr&es hom5s4 ,sahiro esses h]oes das academias litt]>ias8 das arcadias8 das s9ecuras opul5tas8 dos corrilhos d elogio-mutuo8 ,sahiro z aguias das capoeiras8 ,salt>o z idz salvadoras d *oque das mal$ic5cias e dos doe/os8 ,nasc]o z d$icaes d casam5to das vaidades8 ,d>o a gr&e novidade os l$ores de ,horacio8 ,inv5t>o z novas =mulas os que decoram z phrases rabug5tas dos livros bolor5tos que *amam classicos8 ,e os ,socrates e os ,epictetos desc]o p>a z suas misses das cadeiras alm(adadas1 das r5dosas conezias litt]>ias1 das preb5das1 das exploraes8 ,fra d'essa atmosph]a corrupta1 e1 qu&o no corrupta1 pelo m5os e/]ilisadora1 mais provavel encontr>em-se z condies que precisam p>a viv] e cresc] os hom5s uteis e necess>ios s trans=maes d espirito humano4 ,no traduz9do os velhos poetas s5suali/as da ,grecia e de ,roma2#c requ5t&o fabulas insossas diluidas em milh>es de v]sos semsabores2#d no com idyllios grotescos sem expresso nem orig9alidade1 com alluses my?ologicas que j faziam bocej> nossos avs2#e com phrases e s5tim5tos po/ios de academico e rhetorico2#f com visualidades infantis e pu]ilidades vs2#g com prosas imitadas das alg>avias my/icas de frades e/onteados2#h com banalidades2#i com n9h>ias2#aj no 1 sobre tudo1 lisonge&o o mo go/o e z pessimas idz das maiorias1 indo atrs d'ellas1 tom&o por guia a ignorancia e a vulg>idade1 que se ho de produzir z ideias1 z sci5cias1 z cr5z1 os s5tim5tos de que a humanidade contemporanea precisa p>a se re=m> como uma fogueira a que a l5ha vai falt&o4 ,mas fra de tudo i/o1 d'e/as nec$ades tradicionaes1 o nevoeiro1 o me?aphysico1 o inatt+ivel--diz v4 ex4 ,todavia1 quem p5sa e sabe hoje na ,europa no ,portugal1 no ,lisboa1 cuido eu3 ,p>is1 ,londres1 ,b]lim4 ,no a nossa div]tida ,academia das ,sci5cias1 que revolve1 decompe1 classifica e explica o mundo dos factos e das idz4 o ,in/ituto de ,frana1 a ,academia ,sci5tifica de ,b]lim1 so z es*olas de philosophia1 de hi/oria1 de ma!matica1 de physica1 de biologia1 de todas z sci5cias e de todas z artes1 em ,frana1 em ,+lat]ra1 em ,allemanha4 ,pois bem3 a ,allemanha1 a ,+lat]ra1 a ,frana1 comprazem-se no nevoeiro1 so incompreh5siveis e ridiculas1 so me?aphysicas tambem4 ,z tres gr&es naes p5santes so risiveis deante da critica fradesca d sr4 ,ca/ilho4 ,os gr&es g5ios mod]nos so grotescos e despreziveis aos olhos baos d banal metrificador portuguez4 ,o gr&e espirito philosophico d nosso tempo1 a gr&e creao orig9al1 imm5sa da nossa edade1 no passa de confuso e embroglio desprezivel p>a o pr(essor de n9h>ias1 que cuida que se fu/iga ,hegel1 ,/u>t ,mill1 ,augu/o ,comte1 ,h]d]1 ,wolff1 ,vico1 ,mi*elet1 ,pr\dhon1 ,littr1 ,feu]ba*1 ,creuz]1 ,/rauss1 ,ta9e1 ,r5an1 ,bu*n]1 ,qu9et1 a philosophia allem1 a critica franceza1 o positivismo1 o naturalismo1 a hi/oria1 a me?aphysica1 z imm5sas creaes da alma mod]na1 o espirito mesmo da nossa civilisao4444 que se fu/iga tudo i/o e se ridicul>isa e se d]riba com a mesma sem-c]imonia com que elle d palmatoadas nos seus m59os de #cj1 #dj e #ej annos1 de ,lisboa1 d ,gremio1 da ,revi/a ,contemporanea6 ,quem seguir tudo i/o vai com o p5sam5to mod]no2 com z t5d5cias da sci5cia2 com os resultados de tr9ta annos de critica2 com a nova es*ola hi/orica2 com a r5ovao philosophica2 com os p5sadores2 com os sabios2 com os g5ios2 vai com a ,frana2 vai com a ,allemanha--mas que importa8 no vai com o sr4 ,ca/ilho6 no vai com o novo me?odo rep5ti/a6 no vai com o mod]no folhetim portuguez6 ,o metrificador das ,c>tas d',e*o diz ao p5sador da ,philosophia da natureza--tira-te d meu sol6--,o my?ologo d diccion>io da fabula diz ao pr(undo descubridor da ,symbolica--s um ignorante6--,a re?orica portugueza diz sci5cia1 ao espirito mod]no--cala-te d'ahi1 papelo6 que tudo i/o no passa de idz4 ,ora ha uma c\sa que o sr4 ,ca/ilho tom\ sua conta1 que no deixa em paz1 que nos prometteu de/ruir444 a me?aphysica444 o ideal444 ,o ideal6 palavra my/ica2 de go?ica configurao2 quasi impalpavel2 espirituali/a2 impopul>2 que o artigo de fundo repelle2 que desacr$it>ia o deputado d c5tro que a empregasse2 que ,victor ,hugo adora e de que se riem os locali/as2 que no *ega p>a um folhetim e que en*e o maior poema2 imm5sa aos olhos dos que a vem com os olhos fe*ados e que nunca viram os que os trazem sempre arregalados2 palavra pessima p>a uma rima de madrigal2 palavra que faz desmai> z beatas2 grotesca num botequim2 dis=me numa sala2 m$onha numa assembleia de litt]atos horacianos444 decididam5te v4 ex4 devia odi> e/a desgraada palavra6 ,o ideal qu] diz] i/o3 desprezo das vaidades2 amor des9t]essado da v]dade2 preoccupao exclusiva d gr&e e d bom2 desdem d futil1 d conv5cional2 boa fe2 des9t]esse2 gr&eza d'alma2 simplicidade2 nobreza2 sob]ano bom go/o e sob]anissimo bom s5so444 tudo i/o qu] diz] e/a palavra de c9co letras--ideal4 ,por todos e/es motivos ella sobremaneira odiavel2 ella desprezivel por todas e/as causas2 e v4 ex4 tem toda a razo1 *acote&o1 bigode&o1 pulv]is&o esse mis]avel ideal4 ,elle1 com effeito1 nada d que elle ou d que vem d'elle1 s]ve ou pode s]vir jamais p>a alguma c\sa d que se procura na vida1 d que nella procuram os hom5s graves1 os hom5s s]ios1 os hom5s de s5so e go/o como v4 ex41 que nada qu]em com ideaes ou com idz1 mas s com realidades e com tactos2 p>a capt> a admirao das turbas2 o applauso das multides2 p>a =m> um gr&e nome compo/o de pequ59as lettras2 p>a m]ec] os encomios dos grammatices e o assombro dos burguezes2 p>a s] das academias2 das arcadias2 comm5dador2 citado pelos brasileiros retirados d comm]cio2 decorado pelos directores de collegio2 o ,tirteu dos m]cieiros e um ,hom]o con/itucional4 ,p>a i/o que no s]ve o ideal4 ,e por isso1 pela sua absurda inutilidade1 que v4 ex4 o apeia com tanta sem c]imonia d p$e/al aonde1 p>a o ador>em1 o tm po/o os l\cos que nunca =am nada ne/e mundo1 nem das academias nem d conselho de in/ruco publica1 um ,*ri/o1 um ,socrates1 um ,hom]o444 ,por isso que v4 ex4 faz muito bem em o de/ruir1 a esse pobre diabo d ideal2 de o pr fra de casa a b(etes2 de o bannir das suas obras1 que no hav] por l nem a mais leve sombra d'elle4 ,agradam a todos assim4 ,os v]sos de v4 ex4 no tm ideal--mas comeam por letra pequ5a4 ,z suas criticas no tm idz--mas tm palavras quantas ba/em p>a um diccion>io de synonimos4 ,os seus poemas lyricos no so me?aphysicos1 no precisam d'uma excessiva att5o1 de es=os de p5sam5to p>a se compreh5d]em--e tm a vantagem de no deix>em v] nem um s ideal4 ,nas suas obras todas ha uma falta to completa d'essas incompreh5sibilidades1 que deve pr muito sua vontade os leitores que v4 ex4 tm no ,brasil4 ,v4 ex4 diz tudo quanto se pode diz] sem idz--boa1 excell5te receita p>a no cahir nas nebulosidades d ideal4 ,os seus escriptos so optimos escriptos--m5os z idz3 e v4 ex4 um gr&e homem--m5os o ideal4 ,dante1 que era um b>b>o1 e ,%akspe>e1 que era um selvagem1 que re*e>am z suas obras de ideal4 ,victor ,hugo tambem ce muito nesse defeito4 ,v4 ex4 que o tem sempre evitado cautelosam5te1 e por isso no um b>b>o como ,dante1 nem selvagem como ,%akspe>e1 nem um mo poeta como ,victor ,hugo4 ,no ,dante1 nem ,%akspe>e1 nem ,hugo--mas amigo d sr4 ,viale1 que falla latim como ,mevio e ,bavio4 ,mas1 ex4mo sr41 s] possivel viv] sem idz8 ,e/a que a gr&e que/o4 ,em ,lisboa1 no curso de lettras1 na academia1 no conselho sup]ior1 no gremio1 nos s>aus de v4 ex41 dizem-me que sim1 e que mesmo uma condio p>a viv] bem4 ,fra de ,lisboa1 i/o 1 no re/o d mundo1 em ,p>is1 ,b]lim1 ,londres1 ,turim1 ,goett+ue1 ,new-,york1 ,bo/on1 paizes mais desfavorecidos da sorte1 na velha ,grecia tambem e mesmo na ,roma antiga1 que nunca pod]am pass> sem essas magnificas inutilidades4 ,ellas o muito que tm feito s]virem de entret5im5to aos vision>ios como ,*ri/o 7um metaphysico bem nebuloso71 como ,socrates1 como akia-,m\ni1 como ,mahomet1 como ,confucio e outros sujeitos de n5huma consid]ao social1 que se entret9ham faz5do sy/emas com ellas1 e com os sy/emas religies1 e com z religies povos1 e com os povos civilisaes1 e com z civilisaes codigos1 leis1 s5tim5tos1 amores1 paixes1 cr5z1 a alma emfim da humanidade1 c\sa que se no v nem r5de1 e tambem inutil e incompreh5sivel4 ,eis ahi o mais a que z idz tm *egado4 ,creio que p\co mais ou nada mais tm feito d que i/o4 ,em ,lisboa que nem i/o4 ,no sei se tem havido quem t5te introduzil-z nessa capital4 ,v4 ex4 que eu t5ho a c]teza de que no era capaz d'essa m aco4 ,por isso ,lisboa no cahe como cahiram ,a!nas e ,roma1 por causa das suas idz1 e ,j]usalem e outras cidades infelizes1 cujos poetas tiv]am um amor demasiado ao ideal444 ,uma s c\sa fic\ d'ellas3 uma memoria gr&e1 honrosa1 nobilissima4 ,cahiram1 mas d]am ao mundo um espectaculo r>o--o espirito e a consci5cia humana triumph&o da mat]ia e brilh&o no meio das ru9as como a *amma que se alim5ta da de/ruio da l5ha d'onde sahe e que a g]\4 ,eu no sei se v4 ex4 a*a i/o s5sato e de bom go/o4 ,cuido que no4 ,o que eu sei sm5te que i/o sublime4444444444444444444444 ,p>o aqui1 ex4mo sr4 ,muito t9ha eu a9da que diz]3 mas temo1 no ardor d discurso1 falt> ao respeito a v4 ex41 aos seus cabellos brancos4 ,cuido mesmo que j me escap\ uma ou outra phrase no to rev]5te e to lisongeira como eu desejra4 ,mas que realm5te no sei como hei de diz]1 sem p>ec] ens9>1 c]tas c\sas elem5t>es a um homem de sess5ta annos2 dizel-z eu com os meus v9te e c9co6 ,v4 ex4 atur\-me em tempo no seu collegio d ,portico1 t9ha eu a9da dez annos1 e confesso que devo sua muita paci5cia o p\co francez que a9da hoje sei4 ,lembra-se1 pois1 da m9ha docilidade e adiv9ha quanto eu desej>ia agora podel-o seguir humildem5te nos seus preceitos e nos seus exemplos1 em poesia e philosophia como outr'ora em grammatica franceza1 na compreh5so das v]dades et]nas como em outro tempo no ent5dim5to das fabulas de ,la ,fonta9e4 ,vejo1 porem1 com desgo/o que temos muitas vezes de r5eg> aos v9te e c9co annos d culto das auctoridades dos dez2 e que sab] explic> bem ,telemaco a crianz no precisam5te quanto ba/a p>a d> o direito de ens9> a hom5s o que sejam razo e go/o4 ,concluo d'aqui que a edade no a fazem os cabellos brancos1 mas a madureza das idz1 o t9o e a s]i$ade3 e1 ne/e ponto1 os meus v9te e c9co annos tm-me z v]duras de v4 ex4 conv5cido val]em pelo m5os os seus sess5ta4 ,posso pois fall> sem desacato4 ,levanto-me qu&o os cabellos brancos de v4 ex4 passam deante de mim4 ,mas o travesso c]ebro que e/ debaixo e z g>ridas e pequ59as c\sas1 que sahem d'elle1 confesso no me m]ec]em nem admirao nem respeito1 nem a9da e/ima4 ,a futilidade num velho desgo/a-me tanto como a gravidade numa criana4 ,v4 ex4 precisa m5os c9co5ta annos de edade1 ou ento mais c9co5ta de reflexo4 por e/es motivos todos que lam5to d fundo d'alma no me pod] confess>1 como desejava1 de v4 ex4 ,coimbra #b de ,novembro de #ahfe4 ,nem admirador nem respeitador ,an!ro d ,qu5tal4 #a ,no livro d sr4 ,p9heiro ,*agas--,poema da ,mocidade4 #b ,os srs4 ,!ophilo ,braga e ,vieira de ,ca/ro4 #c ,allude z traduces de ,ovidio e ,anacreonte4 #d ,allude z ,c>tas d',e*o e ,n>ciso4 #e ,allude ,primav]a4 #f ,allude ao ,tributo ,portuguez na morte de ,p$ro ,v4 #g ,allude aos tractados de ,metrificao e ,mnemonica4 #h ,allude a todas z obras em prosa4 #i ,allude a todas z obras em v]so4 #aj ,allude a todas z obras junctas1 prosa e v]so4 ,v5de-se nas pr9cipaes livr>ias444 preo #ajj rs4 ,,d ,,mesmo ,,auctor 99,odes ,mod]nas99 #a vol4 em #h4444 preo #djj rs4 ,em ,lisboa na loja de livros de ,lavado2 ,porto e ,coimbra1 na livr>ia da ,viuva ,mor4