of public domain material from ,google ,book ,search7 ,,anthero ,,de ,,quental ,,anthero ,,de ,,quental ,,soldados ,,da ,,revolu,o ,,barcellos ,typographia da ,aurora do ,cavado ,editor--,r4 ,v4 #ahif ,tiragem apenas de #ajj exemplares3 #bj em papel de linho4 #hj em papel d'algodo4 ,n4 ,em #ahhi publicou o sr4 ,fernando ,leal1 o eminente poeta dos ,reflexos e ,penumbras e dos ,relampagos1 dous primores da nossa litteratura1 ,os ,soldados da ,revoluo de ,michelet1 obra preciosa do grande escriptor francez1 precedendo-a d'um prologo superiormente bem pensado e bem escripto1 pagina brilhantissima que para ,fernando ,leal no desmerece coisa alguma dos poderosos e scintillantes versos por elle firmados4 ,sobre esse livro1 e agradecendo ao auctor o offerecimento de um exemplar1 escreveu-lhe ,anthero do ,quental a carta que para este opusculo trasladamos do n4 #gi1 #b4 anno1 do #a de dezembro de #ahhi1 da ,revista ,popular de ,conhecimentos ,uteis4 ,antecedeu-a ahi o illustrado redactor da ,revista com as seguintes palavras que gostosamente reproduzimos3 cerca do prefacio do traductor1 folgamos de poder1 em vez da nossa obscura apreciao1 offerecer aos leitores da ,revista um valioso documento inedito1 que representa uma levantada e auctorisadissima critica do alludido trabalho1 feita por um dos nossos maiores pensadores e escriptores4 uma carta escripta por ,anthero do ,quental a ,fernando ,leal4 ,os escriptos do grande poeta das ,odes modernas e do livro dos ,sonetos1 do eminente publicista das ,causas da decadencia dos povos peninsulares1 alm do seu alto valor intrinseco1 teem a realar-lhes a valia estimativa o facto de serem infelizmente cada vez mais raros4 ,e1 se a raridade um dos predicados que tornam precioso o mais precioso dos mineraes1 os escriptos de ,anthero no possuem menos os outros predicados que realam o diamante3 a rijeza e o explendor da frma em perfeita harmonia com a ida4 ,no indito que publicamos1 com quanto seja uma simples carta particular1 e por isso mesmo1 admiram-se mais uma vez aquellas altas qualidades de um espirito propenso critica superior dos factos e synthese philosophica que d'elles deriva4 ,e1 na verdade1 ,anthero do ,quental de todos os escriptores portuguezes1 seno o unico1 sem duvida aquelle a quem melhor cabe o nome augusto de philosopho2 embora n'um recente escripto lh'o tenha negado1 com audacia e a irreflexo naturaes em verdes annos1 um moo critico1 alis de grande talento1 o sr4 ,guilherme ,moniz ,barreto4 ,rodrigo ,velloso ,,soldados ,,da ,,revolu,o ,villa do ,conde1 #h de fevereiro4--,meu caro amigo4--,obrigado pelo prazer que me deu com o seu prologo aos ,soldados da ,revoluco4 excellente3 pensado1 sentido e escripto4 ,o ,fernando dos poucos que ainda sabem escrever em portugus4 ,e quem sabe escrever e tem que dizer no deve estar calado4 ,escreva pois1 que isso ha de fazer-lhe bem4 ,o ,fernando precisa distrahir-se3 mas1 para um homem do seu sentir1 as distraces que servem aos outros no lhe podem servir4 ,s o pode distrahir o trabalho1 esse grande narcotico1 esse dictame1 dom dos ,deuses1 sem o qual a vida dos homens que pensam intensamente seria intoleravel4 ,escreva1 pois como quizer1 sobre o que quizer1 prosa ou verso1 que j d'aqui lhe asseguro que nunca lhe ha de sahir cousa somenos4 ,a concluso do seu prologo a de um moralista1 e a unica que1 no meio do naufragio de tantas esperanas1 abrigar ainda as consciencias ss2 fais ce que doit1 advienne que pourra4 ,mas no se entristea de mais com o que v4 ,a burguezia deu o que podia dar1 no se lhe pode exigir mais4 ,uma classe nunca pode ser um apostolo3 simplesmente um elemento1 uma fora1 cujo acto determinado pela energia inicial4 ,o que dar a democracia8 ,quem poder dizel-o6 o escopulo onde at hoje teem naufragado todas as sociedades4 ,ser que a sociedade1 em quanto dividida em classes1 que reagem umas sobre as outras e mutuamente se estimulam1 e em quanto essas classes teem1 como taes1 um fim a cumprir1 uma aspirao1 um ideal1 ser1 digo1 que a sociedade1 n'essas condies1 constitua um meio mais proprio para a produco do civismo e para a tempera dos caracteres8 e que1 realisadas aquellas ideias1 cessando aquelle estimulo1 o homem1 que aquella lucta levantra como que acima de si mesmo1 tenha fatalmente de cahir na condio primitiva1 na do animal de que descende1 s preoccupado com materialidades e visionices8 ,no sei3 mas o que certo que no ha sociedade1 por decadente e inferior1 onde a virtude no seja possivel3 e1 se a virtude o fim ultimo da vida1 por conseguinte da sociedade1 que no mais que uma condio para que ella possa dar-se1 direi que no ha sociedade completamente perdida1 completamente inutil1 visto que o fim supremo nunca deixa de se realisar4 ,a ns1 espiritualistas e estoicos1 deve bastar-nos isso4 ,sejamos ns os que perante o ,universo justificam a sociedade em que vivem1 por podre que ella seja4 ,cumpra-se por ns o fim da humanidade1 impulso primario de todas as sociedades1 e aquella em que vivemos no ter sido1 perante o ,ser1 inutil nem esteril4 ,e mos obra4 ,do bem1 ainda o mais invisivel1 no se perde uma particula1 nunca se poder perder1 atravez do infinito do tempo1 atravez do monstruoso rodopiar das frmas e dos acasos4 ,guarda-se e accumula-se1 no sabemos como1 na espiritualisao permanente do ,universo4 um momento na grande obra do ,ser infinito1 uma linha1 uma pedra1 uma areia1 na estructura do seu grande edificio1 e1 pequeno ou grande1 l ficar eternamente4 ,mos obra1 pois1 amigo1 e nada de desanimar4 ,faa o que puder1 que ,deus no lhe exige mais1 fazendo-o de boa vontade e de todo a corao4 ,elle ter-lhe-ha o pouco que fizer em tanta conta como o muito dos que podem mais4 ,comece por tractar seriamente da sua saude1 considerando isso um dever1 visto que condio para o cumprimento dos outros4 ,depois ver4 ,entretanto1 tome isso a serio e distraia-se escrevendo1 que1 por todos os lados1 no ser tempo perdido4 ,quanto associao editora dos literatos1 acho que um pensamento sympathico1 mas um dos mais irrealizaveis4 ,o que prope a final uma ,cooperativa de produco4 ,ora este genero de associao1 pela sua mesma superioridade1 exige condies nos trabalhadores associados que ainda hoje se no do em classe alguma4 ,todas as ,cooperativas de produco teem fracassado desastrosamente 7e por isso1 entre parenthesis1 que o capitalismo prospera1 porque no ha ainda quem o substitua71 ainda entre as classes trabalhadoras dotadas de mais senso pratico e moral e espirito de disciplina4 ,mas de todos os trabalhadores o litterario justamente aquelle a quem mais faltam aquelles diversos sensos4 ,os calafates1 ou ferreiros1 ou trapeiros valem1 n'este ponto de vista1 infinitamente mais que os melhores litteratos4 ,considerar isto considerar como chimerica qualquer tentativa no sentido do seu artigo4 ,e adeus4 ,do seu do corao ,anthero de ,quental ,,fim