,libr>y ( ,portugal 7,biblioteca ,nacional de ,portugal747 99,nota de editor399 ,devido exi/ncia de erros tipogrficos ne/e texto1 =am tomadas vrias decises quanto v]so f9al4 ,em caso de dvida1 a grafia foi mantida de acordo com o orig9al4 ,no f9al de/e livro encontr> a li/a de erros corrigidos4 ,rita ,f>9ha 7,jul4 #bjji7 ,,biblio!ca ,,d ,,cura ,,de ,,aldeia ,d4 ,,m>ia ,,amalia ,,vaz ,,de ,,c>valho ,,mulh]es ,e ,,crean,,z 7,,notas ,,sobre ,,educa,o7 ,editores--,,joaquim ,,antunes ,,leit,o ,,irm,o ,rua d ,almada #bji--a4o &> ,,porto ,,mulh]es ,e ,,crean,,z ,a propri$ade d'e/a obra p]t5ce3 ,em ,portugal ,biblio!ca d ,cura de ,aldeia4 ,no ,brazil ao snr4 ,adriano de ,ca/ro1 resid5te no ,rio de ,janeiro4 ,,biblio!ca ,,d ,,cura ,,de ,,aldeia ,,m>ia ,,amalia ,,vaz ,,de ,,c>valho ,,mulh]es ,e ,,crean,,z 7,,notas ,,sobre ,,educa,o7 ,,porto ,editores--,,joaquim ,,antunes ,,leit,o ,,irm,o ,rua d ,almada #bji--a4o &> #ahhj ,,typ4 ,,de ,,alex&re ,,da ,,fonseca ,,vasconcellos #bi1 ,rua d ,mo9ho de ,v5to1 #bi ,m9ha qu]ida me ,companheira con/ante e fiel de toda a m9ha vida1 (f]eo-lhe e/e livro humilde1 que escrevi inspirada pelos seus conselhos e pelo seu santo e nunca desm5tido exemplo4 ,,capitulo ,i ,falla-se hoje muito a respeito da dissoluo dome/ica1 manife/ada e provada con/antem5te por casos de divorcio1 suicidios1 que/es mis]aveis entre p>5tes proximos1 rebellies filiaes1 etc41 etc4 ,surpreh5de a todos aquelles1 que sem apr(und>em radicalm5te z que/es sociaes1 se preoccupam todavia com ellas um p\co mais d que o vulgo1 que e/e mal que todos s5tem e que p\cos def9em1 que e/e e/ado inquieto e doloroso que depois de agit> a familia assu/a e p]turba a soci$ade1 se haja aggravado ju/am5te na poca em que o homem auxiliado por gr&es e immortaes p5sadores1 tem adquirido a mais elevada e ju/a noo d ,bem que a9da lhe foi dado alcanar no seu cam9ho de seculos4 ,a manife/a e cl>a contradico que hoje mais d que nunca exi/e entre z idz e os factos desnorteia e desanima a9da os espiritos mais p5etrantes4 ,como que o homem que tem domado a mat]ia a ponto de faz] d'ella a escrava submissa da intellig5cia2 que =ou a gr&e e muda ,natureza a tornal-o seu confid5te e seu s5hor2 que arranc\ ao a/ro e planta o segr$o immortal da vida que os anima2 que p5etr\--inve/igador implacavel--nas catacumbas das mortas religies1 e que ouviu de cada uma a palavra suprema que z explica e desv5da2 porque que o homem que tem hoje a p]cepo lucida e completa d seu de/9o1 no s\be a9da pro/r>1 v5c]1 amordaar o animal indomito que vive d5tro d'elle1 que o m>tyrisa1 que o rebaixa1 que o leva muitas vezes ao abysmo1 qu&o o no leva ao lodaal8 ,se o bom e o bello lhe revel>am a sua l>ga cl>idade b5efica1 porque se no revigora elle1 e se no robu/ece n'esse gr&e banho de luz8 porque no e/abelece uma h>monia p]feita e intima entre a ida que frma dos dev]es e a sua manife/ao pratica e vizivel8 ,depois de hav]mos conc$ido s paixes humanas o imp]io relativo que ellas no podem p]d]1 somos a9da =ados a confess> que na culpa d'e/a desgraa que todos lam5tam1 compete s mulh]es um gr&issimo qu9ho4 ,concorrem ellas em gr&e p>te p>a d> =a ao impulso que contr>ia a m>*a triumphante e apes> de tudo inv5civel1 que leva a civilisao no cam9ho da v]dadeira luz4 ,e concorrem por v>ias e complexas razes que devem analys>-se e depois combat]-se4 ,ignorantes impoem resi/5cia inconsci5te s trans=maes cont9uas d progresso4 ,retrogradas por educao e por natureza1 cada innovao se lhes affigura ou uma c\sa inutil1 ou uma c\sa p]igosa4 ,amesqu9hadas pela pr(unda escurido intellectual em que jazem imm]sas1 em vez de auxili>em o homem no cumprim5to difficil d dev] afa/am-no pelo desdem1 desanimam-no pela frivolidade1 cam-no com z exig5cias l\cas1 ga/am-lhe a =a1 o al5to1 z aspiraes arrojadas e gr&es na satisfao de desejos pu]is1 ou lhe de/roem a dignidade e lhe annullam a en]gia obrig&o-o a transigir com os desvairam5tos d'uma imag9ao do5tia4 ,mas se z mulh]es produzem e/e effeito fune/o confesse-se p>a bem da ju/ia que aos hom5s se deve o atrazo intellectual em que todas ns e/amos4 ,s5tem elles1 e a meu v] s5tem muito bem1 que p>a cons]v> e/e equilibrio necess>io manut5o da ordem na familia e na soci$ade1 cumpre que a mulh] se no revolte contra a inf]ioridade a que fatalm5te a condemnam z leis1 e contra a dep5d5cia a que a condemnam os co/umes4 ,p>a alcanarem porm e/a submisso volunt>ia ent5d]am desde muito1 que o melhor meio consi/ia em cond5s> z trevas da ignorancia e da sup]/io em torno d'aquella de quem so =ados a faz] a sua companheira na vida1 o seu consolo nas horas da provao1 a me de seus filhos1 a c>ne da sua c>ne4 ,t]rivel contradico1 sy/ema absurdo que tem como resultado a l5ta desorganisao da familia e que corromp5do a mulh] atravez d homem1 no pde deix> d'ir com o &> dos tempos corromp5do o homem atravez da mulh]4 ,d'um lado qu]em cons]v>-nos n'uma plana muito inf]ior sua1 como illu/rao1 conhecim5tos1 intellig5cia1 i/o p>a que nunca nos v5ha ida aspir> p]feita igualdade dos direitos e dos privilegios2 d'outro lado exigem de ns prodigios de virtude1 de abnegao1 de paci5cia1 de que s so capazes z almas bafejadas pelo sopro ideal da et]na ,p]feio4 ,a mulh] precisa de s] moralm5te mais =te d que o homem1 p>a conseguir lev> a cabo a t>efa relativam5te sup]ior que a natureza e a soci$ade lhe impoem4 ,no dia em que se ass5t> e/e ponto como v]dade inconte/avel1 o mundo t] dado um dos seus passos mais gigantescos no cam9ho da felicidade4 ,educ> a mulh] eis o gr&e problema que re/a a9da a resolv]4 ,educ> a mulh] arrancal-a na infancia ao seu b]o ffo e tepido de beijos1 e leval-a por cam9hos d'uma mage/ade au/]a que ella nunca trilh\4 prep>al-a p>a a gr&e lucta moral que a ,vida1 com os cuidados com que ,sp>ta1 a gu]reira cidade antiga1 prep>ava os seus filhos p>a z luctas d corpo1 p>a z victorias da de/reza physica4 associal-a pela compreh5so e pela sympa?ia a todos os trabalhos e inve/igaes d homem mod]no2 d>-lhe ao lado d'e/e um lug> honroso e def9ido1 no egual pois que so div]sas z attribuies de ambos1 mas equival5te em direitos e em dev]es4 faz]-lhe compreh5d] bem cl>o que z s$uces d corpo--seu orgulho supremo e seu con/ante desvanecim5to--qu&o no so reflexo da =mosura e da robu/ez da alma1 no passam d'um lao ignobil armado ao animal malefico e bravio que todo o homem enc]ra em si4 ,educ> a mulh] leval-a a comp5etr>-se d seu papel provid5cial na familia1 e a*al-o gr&e1 util1 elevado1 digno de saci> z mais levantadas ambies1 e tambem--o que d'uma importancia capital--de pez> como uma responsabilidade trem5da no animo mais altivo4 d>-lhe uma ida p]feita d dev] e da ju/ia1 um ,ideal a que t5dam incessantem5te z aspiraes d seu espirito1 uma religio que a hypocrisia e os calculos int]esseiros no maculem nem amesqu9hem1 que se resuma p>a ella no sacrificio e no amor1 mas sacrificio sem voluptuosidades dissolv5tes e amor sem extasis hy/]icos e sem raptos de paixo s5sual4 ,no ba/a porm exprimir tudo que se ousa esp]> da mulh] de manh1 preciso tambem lanar um olh> demorado e ju/o ao que a mulh] d'hoje4 ,s assim pod]o compreh5d]-se os erros que preciso des>reig>1 os preconceitos que indisp5savel de/ruir1 a di/ancia enorme que temos de transpr p>a *eg> ao mom5to da sua completa e salut> trans=mao4 ,,ii ,z divises sociaes que hoje em face dos hom5s educados nos mesmos collegios1 nas mesmas academias1 nas mesmas escolas sup]iores1 quasi que se no di/+uem1 ou se di/+uem ap5as por ligeiros cambiantes imp]ceptiveis s vi/as sup]ficiaes1 imp]am a9da na mulh] com extraord9>ia =a4 ,vamos pois procur> s div]sas classes z suas fem59as repres5tantes1 e p9cipiemos pela mulh] da classe m$ia1 classe que consid]ada no seu elem5to mascul9o repres5ta a intellig5cia1 a riqueza1 o comm]cio1 a indu/ria1 o progresso d'um paiz4 ,a mulh] d'essa classe especial divide-se em d\s g5]os acc5tuadam5te di/9ctos3 aquella que z vaidades sociaes a9da no corromp]am1 e aquella que pret5de (fusc> com os deslumbram5tos da sua opul5cia1 z f9as graz1 z ext]ioridades elegantes1 os requ9tes h]dados e tradicionaes que pompeiam nas regies mais elevadas da soci$ade4 ,a primeira evid5tem5te mais sympa?ica2 laboriosa e tem a rude s5satez plebeia da sua raa4 ,tem o amor dos filhos1 um amor animal1 um amor physico1 mais in/9cto d que religio4 ,no racioc9a mas s5te com uma en]gia pod]osa e creadora4 d'uma ignorancia absoluta1 +5ua1 pr(unda1 quasi sublime na sua cegueira4 ,imag9a-se porm inve/ida d'um dev] supremo a que todos se subord9am3--o de proporcion> por todos os meios ao seu alcance o bem e/> mat]ial d m>ido1 e da familia4 ,no tem conv]sao1 no tem espirito1 no tem aquella dura b5evola e intellig5te que p>a o corao dos hom5s o que o algodo em rama p>a o n9ho das aves4 ,qu&o aconselha irrita2 qu&o qu] gui> contr>ia1 quanto t5ta conv5c]1 desp]suade4 porm activa1 aceada1 robu/a1 fiel1 e nas horas de adv]sidade1 de do5a1 de desfallecim5to ou de mis]ia1 tem os c>9hos rudes1 tem a d$icao humilde1 tem a vigilancia p]sev]ante1 tem o exemplo en]gico e fecundo por isso mesmo4 ,o homem &a l fra1 na lucta1 no trabalho1 na inve/igao1 na sci5cia2 vae viv5do e v5do como n'uma asc5so rude1 desv5d>em-se todos os dias horisontes novos1 vae e/ud&o e s5t9do como n'uma iniciao progressiva dilat>-se-lhe o espirito1 cl>e>-se-lhe o ent5dim5to4 ,ella a esposa1 a sua companheira1 a sua melhor amiga1 ignora os seus combates1 z suas glorias1 z acres delicias d seu sacrificio1 os desanimos1 z horas de impot5cia1 z aspiraes1 os arrebatam5tos triumphantes da victoria4 ,p]cebe simplesm5te se o m>ido e/ do5te1 se &a magro1 se tem fa/io1 se tem r\pa branca4 ,inv5ta-lhe pequ5os pratos1 manipula-lhe rem$ios caseiros1 vigia p>a que lhe no faltem aquelles commodos que elle aprecia1 tem prodigios de inv5o espontanea p>a o envolv] no bem e/> to necess>io aos que se consomem n'uma actividade sem treguas4 ,de que ha de elle queix>-se8 ,de nada4 amado1 e/remecido1 ob$ecem-lhe cegam5te1 tem a c]teza de encontr> ao seu lado sempre que o precise um s9c]o e leal affecto4 ,mas qu&o um s5tim5to sup]ior o transporta1 qu&o uma gr&e ida o levanta e ennobrece1 qu&o um nobre desejo d bello e d bom lhe faz palpit> de en?usiasmo o corao1 debalde que elle busca junto de si o espirito que compreh5da o seu espirito1 que p>tilhe z suas impresses1 que lhe revele emfim intima1 absoluta1 inde/ructivel1 essa unio ideal sem a qual o casam5to espiritualm5te infecundo e incompleto4 ,i/o tem de esmorec] fatalm5te o impulso que levava esse trabalhador1 esse homem de p5sam5to ou de sci5cia conqui/a e posse da sua felicidade4 ,sem que elle talvez mesmo d por isso1 uma tri/eza indef9ivel1 vaga1 sem traduco1 lana como que um sopro e/]ilisador sobre z suas mais qu]idas concepes4 ,falta-lhe alguma c\sa que elle precisava e que no entretanto no conhece nem sabe def9ir4 ,falta-lhe o complem5to d seu sr6 ,subamos agora na escala social mais um degrau4 ,o trabalhador incansavel v5ceu4 ,o dono da fabrica fez-se capitali/a2 o *imico enriqueceu com a sua descob]ta2 o m$ico alcanou uma popul>idade subita2 o indu/rial ganh\ um milho4 ,elle simples e mode/o1 lembra-se dos dias em que trabalhava e combatia1 como dos seus dias melhores2 no qu] (fusc> n+uem1 ba/a-lhe hoje como hontem lhe ba/ava a consci5cia d seu valor individual4 ,ella porm a mulh]--e eis a segunda v>i$ade que acima citamos--ella que deix\ p5etr> na sua alma ignorante o v55o da vaidade1 ella a quem o trabalho =ado j no absorve1 e a quem z di/races elevadas e nobres d'um espirito culto so v$adas1 ella que no p5sa1 que no m$ita1 que no ent5deu bem na sua acepo levantada e digna a misso ex]cida pelo m>ido pois que se env]gonhava da pobreza hone/a em que viv]a l>go tempo1 eil-a que deseja esmag> z que a esmag>am n'outra poca com o pezo da sua sup]ioridade social1 eil-a que op]a a p\co e p\co1 quasi imp]ceptivelm5te1 uma influ5cia fune/a no homem1 que o corrompe1 e que o arra/a4 ,emquanto elle tiv]a z s]5as e robu/as consolaes d trabalho que a intellig5cia illum9a1 e a que a intellig5cia preside1 t9ha ella ap5as na sua pr(unda escurido m5tal1 z pequ5as humilhaes1 z raivas mal dissimuladas1 os despeitos mal contidos4 ,no pod5do t] a consci5cia d seu dev] o que a f>ia sublime1 s tiv]a a consci5cia da sua inf]ioridade1 que a torn>a mesqu9ha e r$icula4 ,*eg&o o mom5to da des=ra exigi-a completa4 ,leitora1 qu&o tu vires pass> triumphante1 grosseiram5te desd5hosa1 mal s5tada nos flaccidos cox9s d'um c\p de oito molas1 cob]ta de velludos e de r5das a altiva burgueza dos nossos dias1 lembra-te que o fructo p]nicioso da ignorancia comb9ada com a mais f]oz vaidade4 ,n+uem a exc$e no absurdo desprezo por tudo que e/ abaixo d'ella1 que mais pobre1 mais humilde1 m5os *eio de lantejoilas e de falsos brilhantes4 ,tem z ref9adas atrocidades d p>ia que se v+a4 ,como p>a ella s] pobre foi o maximo dos m>tyrios e a maxima das humilhaes envolve todos os pobres no mesmo olh> de cruel desdem4 ,z filhas d'e/a me so z desgraadas creanz que por ahi v5dem a sua mocidade e os seus c>9hos por um titulo av>iado ou pelos milhes d'um negreiro enriquecido4 ,no z accusemos1 accusemos antes a p]niciosa1 a fune/a educao que receb]am1 g]m5s que teem no passado z suas raizes damn9has e que vo e/5d] sobre o futuro a sua sombra delet]ia e e/]elisadora4 ,combat] e/es erros1 lanar por t]ra e/es preconceitos deve s] a mira de todo o s] que p5sa e cr6 ,,iii ,deixemos agora os m5ages mode/os onde re9a o trabalho ou os sales vulg>m5te luxuosos onde a riqueza o/5ta os seus vos orgulhos1 e p5etremos no b\doir elegante1 onde a mulh] d alto mundo proclama o que se lhe afigura a sua inconte/avel sup]ioridade4 ,ha um preconceito falsam5te democrata1 e digo falsam5te porque a democracia tem obrigao de s] ju/a1 imp>cial e intellig5te1 que attribue aos re/os desmantelados da nossa ari/ocracia1 todas z culpas e todas z inf]ioridades4 ,engano6 v]dade que a ari/ocracia portugueza avaliada no seu conjuncto1 se annull\ pela ignorancia1 como a ari/ocracia franceza se annull\ pelo desdem1 e a prova temol-a ns em ,+lat]ra onde e/a classe que no foi nunca ignorante nem desd5hosa1 pr$om9a com todo o pezo d'uma robu/a in/ituio de seculos nos de/9os politicos1 economicos e sociaes da nao4 ,hoje porm1 o que em ,portugal re/a de uma raa que teve todos os privilegios e todas z prepot5cias1 t5ta in/ruir-se de boa vontade1 aspira a levant>-se pelo valor individual1 e se r>as vezes o consegue1 que o passado ex]ce a9da a sua influ5cia nefa/a1 que a decad5cia e o aba/>dam5to das raz so uma v]dade sci5tifica contra a qual nada pde a vontade humana4 ,a fidalga tradicional e l5d>ia1 sob]ba1 sem conseguir s] mage/osa1 ignorante1 *eia de preconceitos1 de r$iculos e de toda a especie de idz e/apafurdias1 olh&o de muito alto com um pasmo idiota que aspira a s] desd5hoso1 p>a z m>avilhas d'uma civilisao que no compreh5de1 vae desapp>ec5do completam5te at dos velhos sol>es da prov9cia aca/ellados e altivos4 ,morre sem deix> saudades e sem t] quem a sub/itua4 ,hoje z repres5tantes fem59as das altas classes se no seguem um cam9ho mais v]dadeiro1 mais util1 mais fecundo em resultados praticos1 reve/em ao m5os a sua falsa p]cepo da ida mod]na1 d'um pre/igio que primeira vi/a agrada e s$uz4 ,a educao d'ellas1 uma educao toda ext]ioridades brilhantes1 se no aquella de que c>ecem z mes1 z p]ceptoras de futuro1 e/abelece comtudo e acc5tua inconte/avelm5te a sua sup]ioridade social sobre z g]aes que z prec$]am4 ,a influ5cia e/rangeira e sobretudo a franceza1 p5etr\ nas salas desbotadas dos nossos palacios e nas luxuosas resid5cias da nossa ari/ocracia mod]na4 ,se no temos a mulh] de familia1 a creadora de uma g]ao robu/a1 consci5ciosa1 cr5te e leal1 temos a mulh] de sala1 que uma nova face da trans=mao l5ta por que vo pass&o z idz e os acontecim5tos4 ,a mulh] de sala um producto exotico entre ns4 ,a ,frana recebeu-a da ,italia1 cultiv\-a1 trans=m\-a1 deu-lhe todos os requ9tes falsos1 todos os donaires artificiaes1 ergueu-lhe um ?rono no seio das suas crtes galantes1 e deix\ que ns1 v5do-a de longe a cubiassemos e t5tassemos transplantal-a p>a os nossos co/umes *os1 p>a a nossa pobreza env]gonhada e mode/a4 ,sahiu-nos uma c\sa hybrida e e/ranha1 que no e/ em relao com o seu meio1 deslocada1 inutil1 mas em todo o caso attrah5te p>a os olhos sup]ficiaes4 ,a mulh] de sala falla umas p\cas de l+uas1 com facilidade e flu5cia2 escreve bem1 com uma c]ta graa adquirida que no occulta a frivolidade1 mas que a envolve em vu r5dilhado2 conv]sa com vivesa e com *i/e1 sabe d> aos pequ5os nadas da sua vida uma elegancia que illude os incautos4 ,quem a v de longe1 no sc5>io pomposo da sua opul5cia1 s5te-se deslumbrado2 quem a obs]v> de p]to conhece que ella tem de facto cam9hado p>a se afa/> das suas pr$ecessoras1 mas que o cam9ho que vae trilh&o como o que ellas trilh>am1 um cam9ho falso1 um cam9ho sem sahida4 ,o primeiro ob/aculo que a sep>a da v]dadeira luz1 uma devoo inteiram5te errada1 em que a ida lum9osa e fecunda prgada pelo ,*ri/o se subv]te e se afoga n'uma onda de preconceitos e de m5tiras anti-*ri/s4 ,se a mulh] das classes inf]iores e/abelece entre si e o m>ido uma b>reira enorme--a sua ignorancia--a mulh] mais culta e mais educada das classes elevadas sep>a-se d m>ido1 como se sep>a mais t>de dos filhos isol&o-se na esph]a inaccessivel d seu intransig5te fanatismo4 ,qu&o digo fanatismo1 no qu]o ref]ir-me a uma cr5a exagg]ada e absoluta1 que imp]e em todos os actos da vida1 e que os subord9e s suas au/]as exig5cias4 um fanatismo elegante1 um fanatismo de alta vida1 ba/ante indulg5te p>a se p]mittir todos os gozos sociaes1 ba/ante sev]o p>a no admittir que haja virtudes1 m]ito1 nobreza1 sublimidade possivel fra d seu e/reito gremio4 ,aqui como alli sempre o divorcio na familia debaixo de qualqu] dos aspectos4 ,aqui porm mais completo a9da1 vi/o que a vida da soci$ade exige mais da mulh]1 vi/o que n'e/a exi/5cia de repres5tao ext]ior e pu]il1 nem ao m5os subsi/e entre a mulh] e o m>ido aquella intimidade mat]ial1 aquella proteco mutua que faz com que o homem seja o brao1 o amp>o1 o su/5taculo1 e a mulh] o desvelo1 a economia1 a vigilancia cont9ua1 a disp5sadora e reguladora de todos os con=tos mat]iaes da familia4 ,a mulh] de sala vive p>a todos1 m5os p>a os seus4 ,ve/e-se1 despe-se1 reza1 confessa-se1 recebe visitas1 tag>ella1 agrada1 encanta1 mas no meio d'e/e labyr9?o de pequ5as occupaes1 de pequ5os dev]es1 de pequ5as c>idades (ficiaes1 de pequ5as praticas devotas1 ignora completam5te e absolutam5te tudo que pde con/ituir a v]dadeira misso da mulh] no mundo e na familia4 ,se alguem tivesse a ousadia de diz]-lhe3 --,julgas-te sup]ior e moralm5te fall&o a mulh] d povo que ganha com o suor d ro/o ao lado d homem1 o po que os filhos ho de com] noite1 tem sobre ti sup]ioridade moral inconte/avel4 ,julgas-te in/ruida e no t5s no teu pequ5o c]ebro re*eiado de insignificancias bonit9has1 a noo mais elem5t> dos milhes de c\sas que precisas de sab] p>a e/>es em h>monia com o teu tempo1 p>a educ>es dignam5te aquelles em cujas mos e/o os de/9os de manh4 ,julgas-te virtuosa e no pratcas nem concebes sequ] n5huma d'aquellas virtudes ss que so a dignidade1 o imp]io e a =a da mulh]4 ,julgas-te religiosa e cada uma das tuas praticas acanhadas1 cada um dos teus preconceitos mesqu9hos te ap>ta da v]dadeira religio que allumia e escl>ece os =tes4 ,julgas-te boa esposa e boa me e vives ss9ha n'um mundo teu1 povoado de phantasias morbidas1 onde teu m>ido e teus filhos no p5etram2 no t5tas acompanhal-os1 consolal-os1 compreh5del-os2 nunca te veio ida que a me de familia precisa de viv] no corao dos seus1 id5tificada completam5te com elles1 p>a s] digna d'e/e sagrado nome6 ,se alguem lhe dissesse i/o ella julg>ia ouvir fall> uma l+ua e/ranha1 ou rir-se-ia com desd5hosa incr$ulidade4 ,pois necess>io que ella ent5da e/a lio1 que ella oua e/as palavras1 e que pelo seu es=o p]man5te e consci5cioso1 ella t5te sahir das trevas intellectuaes e moraes em que a sua fune/a e falsa educao a teem subm]gido4 ,,iv ,no meio d desal5to pr(undo1 da inconsolavel tri/eza1 que n'e/a poca p>ece obumbr> de espessas nuv5s a alma d homem1 e como que v5c]-lhe z aspiraes e z en]gias1 erguemos a voz desauctorisada e humilde p>a apont> algumas das causas que produzem effeitos to deploraveis4 ,temos vi/o a de%>monia que exi/e no l> dome/ico1 e encontramos como unico motor de tamanho desa/re a desigualdade intellectual que a educao e/abelece e nutre entre os d\s sexos4 ,mas no se trata sm5te de obs]v> z causas e os effeitos1 trata-se de p5s> n'um rem$io que seja efficaz p>a e/e e/ado de c\sas1 que a prolong>-se indef9idam5te produz a dissoluo social nos seus aspectos mais dolorosos e mais repell5tes4 ,se a soci$ade e a civilisao requ9tada e corrupta dos nossos tempos a9da no ens9>am mulh] o cam9ho v]dadeiro e util que tem a seguir1 antes d'elle a teem afa/ado mais e mais1 ella pde a9da ergu]-se d m>asmo intellectual em que se compraz1 e mo/r> ao homem que digna de coadjuval-o na sua obra de re$ificao1 digna de acompanhal-o na realisao pratica d que p>a elle1 desajudado e s1 no tem passado d'uma bella concepo !orica onde s vezes transluzem no sei que visos de *im]a4 ,todos os seculos teem mais ou m5os acceitado a h]ana dos seculos prec$5tes4 ,ao nosso cabe porm a gloria de t] r5egado muitos erros d passado1 de t] proclamado a sua indep5d5cia1 de t] produzido um reviram5to absoluto n'esse conjuncto de idz1 de conhecim5tos1 de aspiraes e de !orias que con/ituem o ideal humano4 ,o que hoje se exige da mulh] positivam5te o contr>io d que a soci$ade antiga affeioada por moldes div]sissimos exigia at agora4 ,e/e ponto d'uma importancia capital precisa de s] escl>ecido a fundo4 escravido absoluta a que o nosso sexo se curv\ sob o imp]io de religies ext9ctas1 bruteza dilac]ante em que elle viveu subm]so entre z sombras das idades b>b>as1 succ$eu--e succ$eu provid5cialm5te--a apo!ose da mulh] div9isada pelo *ri/ianismo1 aureolada por aquella poesia artificial1 exag]adam5te requ9tada e platonica dos trovadores da ,edade m$ia1 e aquella abnegao amorosa e ideali/a dos palad9os da cruz6 ,essa trans=mao radical no de/9o da mulh] fez s5tir a sua influ5cia at hoje1 em phases e gradaes successivas e div]sas4 ca/ell de rep5te acordada d seu le?>go m5tal1 pela tiorba namorada d pagem1 ou pela supplica ard5te d cavalleiro1 succ$eu a ra9ha das crtes de amor1 a que erigia em dogma ideal o adult]io1 a que proclamava em s5t5z preciosas a quebra de todos os laos da familia1 a que via no amor requ9tado1 falsam5te s]aphico1 um direito sup]ior a todos os direitos e dev]es dome/icos4 ,veio depois a g5til pag da ,r5asc5a1 a inspiradora dos arti/as1 a amante dos papas1 a musa dos l\cos poetas1 a pr9ceza dos fe/9s1 erudita1 apaixonada1 intellig5te1 *eia de phantasias sup]iores1 que se era virtuosa se *amava ,victoria ,colonna1 e se era dissoluta se *amava ,lucrecia ,borgia4 ,a e/a que correspondia ao seu meio social1 que cumpria uma misso civilisadora1 que t9ha o seu de/9o m>cado1 e a sua orbita descripta succ$eu a mulh] de sala d seculo ,,xvii e d seculo ,,xviii1 de que hoje s temos a desc5d5cia amesqu9hada1 decad5te1 ana*ronica1 e1 o que peor de tudo1 inutil qu&o no fune/a1 ridicula qu&o no tambem p]niciosa1 o que lhe succ$e quasi sempre4 ,o homem que muitos seculos consid]\ a mulh] um animal inf]ior e mal dome/icado1 fez d'ella movido por influ5cias que no podemos hi/ori> aqui1 o seu luxo1 a sua poezia1 o enlvo das suas horas de ocio1 depois novam5te a escrava dos seus vicios ou o in/rum5to dos seus praz]es1 e por fim um m]o ornam5to social1 um br9qu$o sem importancia1 uma creana indocil1 ante a qual se curvava1 no porque a respeitasse mas porque n'e/a falsa e m5tida submisso encontrava novos requ9tes de praz]4 ,no compreh5deu porm que era victima da sua propria inju/ia1 que a corrupo da mulh] se conv]tia p>a elle em gangr5a1 que o seu amesqu9ham5to se lhe communicava em villeza1 que a sua ignorancia o fazia tambem retrograd>1 que ha relaes reciprocas que no podem quebr>-se1 e influ5cias mutuas a que os d\s sexos ao mesmo tempo divorciados e unidos1 no podem por mais que queiram furt>-se4 99 99 99 99 99 ,hoje uma corr5te de ar puro1 a corr5te das idz democraticas1 purific\ a atmosph]a viciada onde uns p\cos de seculos haviam deixado os ve/igios das suas paixes insalubres4 ,tudo se transfigur\ sob e/a influ5cia b5efica4 ,fez-se uma gr&e cl>idade na alma dos povos e na dos individuos1 o p5sam5to reconqui/\ a sua indep5d5cia p]dida1 e uma voz firme e pod]osa brad\ bem alto3 t --,no se tracta de cont9u> no cam9ho que iamos trilh&o1 tracta-se de procur> uma nova direco que nos conduza v]dade4 ,ouvir e/a voz r5unci> aos erros d passado1 e cumpre que ns mulh]es r5unciemos a elles1 p>a no cam9h>mos por uma e/rada oppo/a quella por onde vo sub9do =tes1 illum9ados1 conv5cidos1 os nossos paes1 os nossos esposos1 os nossos irmos4 ,no a uma p5na to obscura como a m9ha que p]t5ce d> leis absolutas sobre um sy/ema de educao div]so d que hoje e/ g]alm5te adoptado4 ,limit>-me-hei rapidam5te e ap5as animada com a =a da consci5cia1 consult&o o bom s5so que apanagio dos mais humildes1 e a obs]vao que pde s] p>tilha dos mais pobres1 a indic> alguns dos ob/aculos que nos sep>am moralm5te d'aquelles de quem smos companheiras e de quem devemos s] auxilio e complem5to4 ,a vida da soci$ade uma vida toda de egoismo e de vaidade1 a vida de familia uma vida de r5unciam5to e de abnegao4 ,p>a viv] na soci$ade a mulh] s precisa de s] ext]iorm5te agradavel1 p>a viv] na familia a mulh] precisa de s] =te4 ,o mundo exige z graz1 z g>ridices1 z subtilezas d espirito1 z l\anias d tracto2 a familia sem prescrev] inteiram5te aquellas1 exige acima de tudo a consci5cia firme1 a ida cl>a e def9ida dos dev]es1 o espirito d sacrificio1 e aquella en]gia br&a que resi/e s t5taes dissolv5tes d peccado4 ,ent5demos pois que os es=os de todos os educadores1 de todos os que se preoccupam com o futuro da soci$ade devem conv]gir p>a annull> a mulh] dos sales1 e p>a cre> e =talec] a mulh] da familia4 ,no nos revoltamos contra z graciosas futilidades que hoje con/ituem a educao fem99a1 no z condemnamos a um completo o/racismo1 desejamos simplesm5te vel-z collocadas no lug> que por sua natureza lhes compete4 ,so simples ornatos decorativos1 como taes os applaudimos e os qu]emos1 no como fundo solido e base de todo o cultivo intellectual da mulh]4 ,tambem no p$imos p>a o nosso sexo a emancipao1 essa utopia de que hoje se falla tanto e com tantas banalidades imp5sadas4 ,o que ns desej>iamos era vr na mulh] uma p]sonalidade robu/a e consci5te1 inaccessivel s *im]as da s5tim5talidade1 solidam5te e despret5ciosam5te in/ruida1 t5do todas z noes praticas necess>ias p>a subord9>em o seu de/9o s leis d bom s5so1 ao alcance de todos os descobrim5tos e de todas z conqui/as d seu tempo1 compreh5d5do o bello debaixo de todos os seus aspectos2 prompta p>a p]do> o mal mas no p>a transigir com elle2 sab5do resi/ir-lhe mas sab5do explic> z circum/ancias que o att5uam s vezes4 ,t5do acima de todas z religies a religio d ,bem1 sacrific&o-se aos seus affectos1 mas sacrific&o-se pr9cipalm5te aos seus dev]es4 ,laboriosa como condio indisp5savel da propria dignidade4 ,o trabalho a r$empo4 ,no ha mulh] que no t5ha conhecido mais ou m5os fugitivas1 mais ou m5os traioeiras1 mais ou m5os p]igosas1 essas horas ms *amadas t5taes4 ,o trabalho a salvagu>da p>a essas horas4 ,os espiritos ociosos so os espiritos accessiveis4 99 99 99 99 99 ,no dia em que e/e novo ideal tiv] tomado uma frma tangivel at p>a os mais humildes e p>a os mais ignorantes a familia e/> salva1 porque t] por e/eio a moralidade4 ,at ento ha de hav] z inc]tezas1 z duvidas1 z vacillaes1 os desal5tos que tornam e/a hora da vida das naes1 uma hora contradictoria1 e/ranha1 pr(undam5te dolorosa1 que j no tem raizes no passado sem t] a9da um ficto no futuro4 ,trabalhem todas z mes n'e/a obra sublime1 e como a my?ica ,m9]va sahiu armada d c]ebro olympico de seu pae1 assim a mulh] sahir d n9ho em que se educ\1 j prompta p>a receb] a p firme o embate tempe/uoso das paixes1 que se a v5cem a inutilisam e a degradam4 99 99 99 99 99 ,,capitulo ,,ii ,o falso luxo ,i ,na nossa pequ5a soci$ade de ,lisboa1 em que os meios e/o em completo desequilibrio com os desejos1 *ega todos os annos um p]iodo1 o p]iodo que antec$e o c>naval1 em que nos julgamos mais ou m5os obrigados a sacrific> ao amor da sociabilidade4 ,ent5demos que uma soci$ade civilisada no pde viv] sem fe/as e sem s>aus1 portanto necess>io que sem hesitao faamos tudo que nos seja possivel1 e mesmo impossivel1 p>a d>mos e receb]mos s>aus e fe/as4 ,ouo eu por ahi diz] e affirm> que os tal5tos e os g5ios enxameiam como pap\las nas seras de abril4 ,no duvido1 no s5hor2 temos tal5to1 temos g5io1 temos sup]ioridade1 temos phantasia1 temos tudo qu&o quiz]em4 ,o que ns no temos uma c\sa pequ5a1 humilde1 desp]t5ciosa1 desd5hada4 ,no temos bom-s5so4 ,no qu]o aqui entr> na que/o muito complexa e muito complicada de sab] se z fe/as1 se os bailes1 se os jant>es de gala1 se todas z c]emonias pomposas da vida mundana podem t] no des5volvim5to da indu/ria1 no progresso da civilisao mod]na alguma influ5cia b5efica4 ,em outros paizes mais ricos1 em outras naes mais indu/riaes1 em outro regim5 mais favoravel ao luxo creio que sim4 ,ent5do eu1 porm1 que z leis g]aes no se podem applic> a casos especiaes1 e que ns no podemos cons]v> a vida falsam5te luxuosa que e cont9u> a s] por muito tempo o nosso ideal supremo6 ,em ,lisboa hav] cem familias que e/ejam no caso de ga/> em sup]fluidades um r5dim5to avantajado4 ,mas1 como o amor da repres5tao o nosso cunho nacional1 como o desprezo pelos pobres o timbre e o brazo da nossa soci$ade1 como o luxo o sonho e a aspirao con/ante de todos os c]ebros juv5is1 provm d'aqui que dia a dia1 se s5te na familia uma p]turbao e uma de%>monia mais graves que o cont5tam5to intimo e des9vejoso vae-se torn&o uma flr r>a1 que s aqui ou alli enfeita suavem5te a fronte ignorante de uma collegial de qu9ze annos6 ,depois1 como se no pde v5c] o impossivel1 mesmo z que empregam os maximos sacrificios p>a app>ec]em e brilh>em1 depois de alcanado o fim a que aspiravam1 ficam mais tri/es e mais despeitadas d que antes de o t] realisado4 ,no baile1 luz opal9a dos lu/res1 no aroma capitoso das violetas1 entre z magnific5cias avelludadas das camelias1 p]cebem--e com que am>go desesp]o6--que o seu ve/ido no e/ fresco1 que e/o ma*ucadas z suas flores1 que a n+uem illude o am>ellado artificial das suas r5das falsas1 e que o /rass no pde sub/ituir com muita vantagem os diamantes v]dadeiros4 ,oh6 quantas privaes1 quantos sacrificios1 quantas luctas conjugaes1 que sc5as intimas1 p>a alcanarem aquella toillete mesqu9ha1 desbotada1 humilhante1 que p>ece t] malicias diabolicas em cada uma das suas pregas1 a rir-se f]ozm5te no seu fru-fru esc>nec$or4 ,e a dona d'esse ve/u>io hybrido p5sa de si p>a si com uma furia conc5trada1 que pe man*as biliosas nas suas faces1 e *ispas sombrias nos seus olhos pisados4 --,no consigo humilh> n5huma das m9has inimigas1 no v5o n5huma das m9has rivaes6 ,z pobres adiv9h>o todas z p5as que e/a hora de o/5tao me tem cu/ado6 z ricas t]o d1 um d pr(undo da m9ha mis]ia mal disf>ada e mal occulta6 ,que ganhei eu com i/o8 ,ganh\1 m9ha s5hora1 ganh\ alguma c\sa1 pde cr]4 ,ganh\ a c]teza de que seu m>ido ou no a e/ima j1 se hone/o e digno e tem a alta compreh5so dos dev]es da familia1 ou cont9ua a s5tir o mesmo que at alli t9ha s5tido1 uma paixo insalubre ou uma indiff]5a be/ial1 e n'esse caso no passa de um homem tolo1 ou de um homem mu6 ,ganh\ o hav] def9ido1 de si p>a comsigo a sua propria situao2 ganh\ o reconhec] bem a que especie de m>ido entreg\ o de/9o de seus filhos e o seu4 ,e no se diga que ha n'e/as m9has palavras demasiada acrimonia1 ou inju/ia flagrante4 ,o nosso defeito consi/e positivam5te n'isso3 em d> p\ca att5o a todas z c\sas2 em v] os resultados sem obs]v> e sem julg> z causas2 em p]d]mos completam5te de vi/a1 que no ha effeito por mais mesqu9ho que no seja o coroll>io de uma lei importante4 ,no qu]o1 j se v1 condemn> sem appello z s5horas que frequ5tam a soci$ade e se habituam atmosph]a artificial dos sales4 ,qu]o prov> simplesm5te que entre cem s5horas que o fazem1 s dez que o podiam faz]1 e que o nosso modo de s] social se no coaduna com esses co/umes pomposos1 re/os e h]ana de um ext9cto regim54 99 99 99 99 99 ,p>a se sab] quanto o luxo corrompe e adoece um paiz ba/>-nos-hia apont> p>a a ,frana de ,luiz ,,xv e p>a a ,frana d segundo imp]io4 ,a hi/oria e z *ronicas d'esses dias de om9osa memoria revel>-nos-hiam de um modo bem cl>o e bem frisante quanto escorregadio o declive que d luxo exag]ado conduz immoralidade1 ao impudor da mulh] e s de%one/as transig5cias d homem4 ,no qu]emos1 porm1 n'e/e e/udo despret5cioso evoc> a hi/oria1 nem revolv] o lodo das passadas corrupes4 ,qu]emos simplesm5te fall> ao bom s5so das leitoras1 e qu]emos fall> *m5te1 simplesm5te1 sem declamaes1 nem idz preconcebidas4 ,todos sabem que o nivelam5to das classes1 a livre diviso dos b5s1 a democratisao das =tunas1 se teem conseguido debell> muitas e crueis inju/iz sociaes d passado1 teem sido tambem a de/ruio das colossaes =tunas de outro tempo4 ,hoje1 qu&o essas =tunas por acaso exi/em1 so creadas pelo trabalho em gr&e escala1 pelas importantes emprezas comm]ciaes1 pela actividade devoradora de hom5s privilegiados4 ,j se no fundam como antigam5te em direitos e/aveis e inde/ructiveis4 ,so ephem]as1 cont+5tes1 dep5dem de muitas causas com que se no pde absolutam5te cont>4 ,uma crise f9anceira1 uma gu]ra europa1 uma quebra importante1 um abalo qualqu] de cr$ito1 e eis por t]ra um edificio assombroso e complicado que p>ecia dev] resi/ir ao embate de todas z tempe/ades1 e que um spro logra alluir6 ,ora1 se i/o tem relao com z gr&es =tunas1 se nem ellas podem cont> com o dia de manh1 que f>o os que no possuem mais que o necess>io1 os que s vezes nem isso possuem8 ,antigam5te1 no modo por que e/ava con/ituida a hi]>*ia social1 uns t9ham todos os b5s1 e outros s(friam todos os males2 hoje como todos teem eguaes direitos1 todos qu]em t] eguaes regalias4 ,s]ia isso muito bom1 se a egualdade que exi/e entre z pr]ogativas podesse exi/ir tambem entre z riquezas1 se em vez de hav] pobres e ricos1 h\vesse sm5te ricos1 c\sa a que nem os mais exaltados sociali/as se lembr>am a9da de aspir>4 ,ora1 se e/ sobejam5te provado que1 pr9cipalm5te no nosso pequ5o paiz1 ha uma m9oria pequ5issima que rica1 ha uma maioria enorme que mis]avel1 e ha1 entre os d\s extremos1 uma classe1 a mais importante--no fim de contas1 vi/o que tem a sup]ioridade da educao e da intellig5cia1 que simplesm5te rem$iada1 porque que no havemos de sujeit> o nosso regim5 social s exig5cias e necessidades d'essa classe1 que a pr$om9ante1 s5o pelo num]o1 ao m5os pela influ5cia que ex]ce8 ,essa classe pde conhec] z di/races de uma agradavel intimidade1 mas no z pompas decorativas1 z c]emoniosas galas de uma vida de salo app>atosa e futil4 ,se os filhos d'essa classe olhassem p>a baixo e vissem z privaes1 z luctas1 z mis]ias dos que s conseguem com o suor d ro/o ganh> um p$ao de po duro e cobrir pobrem5te o corpo emmagrecido1 de c]to que se s5tiriam felizes1 triumphantes1 dignos de inveja1 na sua m$iocridade aurea1 na mode/a f>tura da sua vida dome/ica1 nas di/races intimas de um circulo affectuoso e limitado4 ,mas no6 ,olham p>a cima1 vem os ricos1 os pot5tados1 os dom9adores d seculo1 ouvem nas t5taes febris das suas noites o til9t> magnetico d ouro1 vem pass> no fundo dos seus ligeiros c\ps1 pallidas e desd5hosas mulh]es1 que m$ram como flres exoticas de fulva folhagem metallica na e/ufa das suas salas opul5tas1 s5tem em si o desejo insaciado de todos os praz]es que no teem1 e sem prud5cia1 sem pudor1 sem dignidade1 atiram-se s especulaes v]gonhosas1 transigem com a sua propria probidade1 v5dem1 desde os b5s que h]d>am de seus paes1 at consci5cia que lhes veio de ,deus1 e qu&o conhecem que n'e/a lucta +loria1 n'e/a lucta impossivel s podem s] v5cidos1 j no tempo p>a retroc$]em no fune/o cam9ho encetado6 ,e que no ha p>> n'e/a +reme descida4 ,teem-me dito por v>ias vezes que eu s\ f]oz p>a com o sexo a que p]t5o2 que accuso com muita inju/ia z mulh]es de todos os males que teem succ$ido1 que succ$em ou que e/o p>a succ$] no nosso mesqu9ho planeta4 ,ora eu1 pelo contr>io1 e/\ conv5cida de que o meu orgulho1 de que a m9ha vaidade fem9il me levam a d> s mulh]es uma importancia que mais n+uem lhes qu] reconhec]4 ,eu digo que d'ellas provem todos os males1 porque e/\ conv5cida--talvez sem razo--que d'ellas podiam provir todos os b5s4 ,a9da no ponto de que se tracta d'ellas toda a culpa1 no meu humilde ent5d]4 ,sim1 porque no fim de contas1 no so os pobres m>idos que mais desejam figur> nos bailes e nos s>aus1 e que de boa vontade sacrificam a commoda poltrona em que podiam dormir a se/a1 o bom e saboroso jant>9ho que podiam com]1 o livro util e proveitoso que compr>iam1 p>a ga/>em esse d9heiro n'uma toilette falsam5te luxuosa1 n'uma soire ridiculam5te burgueza1 n'um jant> de c]emonia cujos acepipes1 na op9io d conviva mais guloso1 s]iam s dignos de figur>em n'um banquete de !atro com pratos de444 papelo4 ,so z mulh]es que teem sempre a l\ca ambio de figur>em ao p> de outras mais ricas1 embora n'essa lucta desigual s consigam torn> bem visivel e bem grotesca a sua d]rota6 ,so z mulh]es que consid]am os praz]es mundanos como o indisp5savel elem5to p>a a sua completa felicidade4 ,so ellas que arrancam s primeiras necessidades d mnage1 c>ne que os filhos devem com]1 s r\pas brancas da familia1 aos abafos d inv]no1 l5ha d fogo das n\tes frias1 mobilia commoda e con=tavel das casas1 ao peculio das do5z1 ao asseio e ao con=to dome/ico1 o d9heiro com que adquirem esse luxo ridiculo1 esse luxo de pacotille que no illude1 nem excita a commis]ao de n+uem4 ,e qu&o ellas p]cebem no olh> e na bcca dos que assi/em a essa lucta absurda1 um sorriso malicioso1 uma faisca de ironico desdem1 so ellas que irritadas1 desvairadas1 fra de si1 arra/am o m>ido extravagancia1 dissipao1 prodigalidade1 ao crime1 e arra/am os filhos mis]ia e desolao6 ,nada mais funebre1 mais tri/e1 mais sombrio d que o int]ior de uma d'essas casas1 em que o necess>io sacrificado ao sup]fluo1 em que o real sacrificado s app>5cias1 em que o con=to intimo sacrificado ao app>ato ext]ior4 ,z criadas sujas1 desp5teadas1 petulantes2 z creanz pallidas1 anemicas1 sem educao e sem solas2 com os d5tes podres e nodoas no ve/ido2 os moveis indiscretos na mal disf>ada mis]ia1 uma unica casa elegante--a sala--falsa taboleta de uma vida de impo/uras2 a r\pa branca d m>ido enc>dida e grosseira1 a toilette da mulh] vi/osa e mirabolante4 ,z cres tapageuses1 sub/itu9do a qualidade f9a e solida2 a multiplicidade dos arrebiques1 sub/itu9do a simplicidade opul5ta d trajo4 ,quem depois de conhec] d\s annos e/as gals conjugaes1 se resigna a viv] n'ellas8 ,os pequ5os pref]em o collegio sordido e brutal2 o homem foge p>a o botequim ou p>a outros sitios peiores2 a mulh] vive na rua1 na modi/a1 no !atro1 nas salas d seu conhecim5to1 no passeio1 na ociosidade e depois ,deus sabe em que6 ,eis a vida creada pelo immod]ado amor d luxo4 99 99 99 99 99 ,afa/emos porm os olhos d'e/es quadros sombrios e que no entanto1 leitora qu]ida1 tu bem sabes que no so c>regados4 ,imag9e-se que trans=mada a sua educao1 a mulh] se =mava unicam5te p>a o int]ior da sua casa4 ,d'essa casa no fugiriam de c]to os amigos fieis e d$icados1 no se excluiam z pequ5as reunies intimas1 a musica1 z conv]saes arti/icas1 z leituras agradaveis1 os alegres e joviaes s]es4 ,o que se excluia sem appellao eram os inuteis app>atos4 ,como a mulh] t9ha em mira s] s agradavel aos seus1 deixava logo de armaz5> todas z suas armas--o espirito1 a graa1 o sorriso1 a amabilidade--p>a di/rahir os e/ranhos1 p>a agrad> aos indiff]5tes4 ,como desejava fugir ao t$io1 melancolia1 s en]vantes tri/ezas da solido1 apr5dia a disp5s> z companhias banaes1 faz5do seus companheiros1 os melhores1 os que nunca atraioam1 os livros1 a musica boa1 z flres1 o trabalho4 ,logo que1 em vez de se enfa/i> em casa1 ella se1 div]tisse e se a*asse bem junto dos seus1 elles comeariam mesmo involunt>iam5te a s5tir-se aquecidos por essa boa e salut> influ5cia4 ,n+uem pde e/> aborrecido ao p de uma pessoa que se div]te francam5te4 ,o m>ido por mais que os negocios de fra o preoccupem e enfadem1 por mais que z luctas da arte1 d comm]cio1 da politica1 da indu/ria1 o cansem e mortifiquem1 ha de s5tir =osam5te um raio de bom e salut> cont5tam5to ao p da esposa que volit> em torno d'elle viva e *alreadora como um p>dal1 fresca como uma flr1 animada1 activa1 *eia de inv5es felizes1 e de s9c]a e desaffectada alegria6 ,e depois1 elim9ado o luxo exag]ado da exi/5cia de qualqu] familia1 elim9am-se ao mesmo tempo os cuidados mais lanc9antes1 z preoccupaes mais absorv5tes1 z luctas mais dolorosas1 os despeitos mais corruptores4 ,temos vi/o v>ias vezes o segu9te3 ,o homem trabalha p>a d> o bem-e/> mulh]1 e r\ba p>a lhe d> o luxo6 que--note-se isso bem--o luxo qu&o no a atmosph]a natural em que se nasceu e se tem sempre vivido1 uma c\sa que =a de e/> id5tificada comnosco1 ns j nem se qu] p]cebemos--o luxo qu&o o fim a que aspira a nossa des5freada ambio1 torna-se um elem5to pr(undam5te desmoralisador4 ,en]va o corpo1 excita fatalm5te a imag9ao1 aggrava a insaciabilidade natural aos desejos da mulh]1 d-lhe a ida de requ9tes romanescos1 de av5turas1 de amores v$ados1 attrahe um cortejo de voluptuosas t5taes4 ,a vida das salas a consequ5cia inevitavel d amor d luxo que devora a mulh] de hoje4 ,no a mulh] de uma c]ta e det]m9ada classe1 a mulh] de todas z classes sociaes4 ,a esposa d alto f9anceiro1 d colosso da indu/ria1 deseja ve/ir-se de um modo que logo de uma vez crte pela raiz na alma a9da mais ambiciosa o desejo de a v5c]4 ,ora1 como e/e desejo se nutre de difficuldades1 todas z que e/o no mesmo caso d'ella travam a lucta e empregam os mais l\cos es=os p>a logr>em a palma4 ,z r>as flres da nossa velha ari/ocracia1 no qu]5do s] de/hronadas pelos pot5tados mod]nos1 entram1 j se v1 no combate com grave tran/orno das bolsas de seus respectivos m>idos4 ,a n5huma d'ellas cabe completa victoria2 se z r5das de ,bruxellas que gu>necem o ve/ido d'e/a so mais preciosas1 os diamantes que enfeitam o collo e os braos d'aquella so mais r>os2 se a tra9e de velludo d'e/'outra mais di/9cta1 a tunica de setim e ouro da outra mais s+ul>4 ,e o combate recomea mais f]oz1 mais acceso1 mais desapi$ado4 ,c em baixo a lucta toma z mesmas frmas4 a lucta da falsa riqueza1 a lucta das p$ras que f+em brilhantes1 das imitaes que f+em r5das1 dos ve/idos conc]tados que f+em ve/idos novos4 ,so mais pr(undos a9da os despeitos1 mais desesp]ada a9da a en]gia que se ga/a6 ,quem vive e/a vida ard5te1 inflammada de ambies insalubres1 exaltada de mesqu9has invejas1 corroida de mis]aveis tricas1 no pde1 no sabe1 no tem =z p>a s] boa esposa1 boa me1 boa dona de casa6 ,p9tmos em traos rapidos a vida das nossas mundanas2 procur>emos des5h>1 se tanto nos fr possivel1 a vida que ambicionamos e desejamos p>a a mulh] de familia4 ,no dia em que ella a quiz] adopt>1 reconqui/>-se-ha a s]5a dignidade1 a tranquilla dura d l> dome/ico1 que p\co a p\co se vae torn&o desflorido1 melancolico e des]to4 ,,ii ,nas pag9as antec$5tes condemnava eu a vida de app>ato1 a vida da soci$ade1 a vida de sala1 pela influ5cia corruptora que ella ex]ce nos co/umes e nos s5tim5tos1 e pela absoluta de%>monia em que ella e/ com a mod]na concepo da familia e da soci$ade4 ,no entanto no ba/a s lavr> a condemnao de um modo de s] social1 necess>io apont> o rem$io1 ou pelo m5os apres5t> um alvitre que nossa consci5cia p>ea pr(icuo e salut>4 ,z mulh]es go/am da vida frivola e inutil dos sales1 pelos segu9tes motivos3 --,porque z salas so o !atro dos seus triumphos e conqui/as4 --,porque ahi que ellas so lisongeadas1 l\vadas1 inc5sadas e qu]idas4 --,porque os hom5s s pre/am hom5agem s mais bonitas1 s mais vaidosas1 e s mais ricas1 na realidade ou na app>5cia4 ,alm d'e/as causas que z levam a go/> da repres5tao e da pompa mundana1 ha outras dep5d5tes d'e/as ou relacionadas com ellas1 que z levam a aborrec]-se no int]ior das suas casas4 ,primeiram5te1 e acima de tudo1 a falta de uma educao solida e positiva1 que z faa enc>> a vida debaixo d seu v]dadeiro aspecto4 ,um aspecto de s]i$ade e de ju/ia1 ass5t&o na compreh5so de todos os dev]es4 ,segundo1 a inhabilidade e a ignorancia1 que z torna incapazes de qualqu] trabalho seguido4 ,a falta de go/o natural ou de go/o adquirido1 p>a se entret]em1 p>a se di/rahirem1 p>a reve/irem de uma frma sympa?ica e attrah5te z suas obrigaes de donzellas1 de esposas1 de mes1 de donas de casa4 ,t]ceiro1 a invet]ada frivolidade que h]d>am1 e que os exemplos recebidos1 e a falsa educao mais aggrav\ e des5volveu1 torn&o-a um p]igo1 o maior de todos os p]igos que ameaam a familia4 ,eu t5ho repetido i/o tantas e tantas vezes1 que receio por fim enfa/i> z m9has leitoras4 necessrio antes de tudo trans=m> radicalm5te a educao das mulh]es4 ,muitas das c\sas que hoje se ens9am mi/] que deixem de se ens9>4 ,muitas outras que se enc>am debaixo de um c]to e det]m9ado ponto de vi/a1 cumpre que se vejam sob outro aspecto inteiram5te diff]5te4 ,outras ha a9da a que n+uem att5de e que se no ens9am1 e positivam5te a essas que se deve d> a maxima e a mais desvelada att5o4 ,tratemos de apres5t> exemplos das tres ass]es que acabamos de apres5t>4 ,das c\sas inuteis que hoje se consid]am a9da p>tes integrantes de uma educao p]feita4 ,ha a dana3 um tal5to absolutam5te disp5savel1 que nas m59as s s]ve p>a des5volv] a coquett]ie1 o desejo de brilh> e de agrad>4 ,a tapearia3 um pretexto futil p>a e/rag> o tempo4 ,em quanto a mo vae preguiosam5te bord&o a talag>a1 a phantasia irrequieta da mulh]1 da creana1 corre e va por montes e valles1 procura de um v$ado ou de um impossivel ideal4 ,*ama-se a e/e g5]o especial de trabalho fem99o1 a hypocrisia da preguia4 ,como e/as duas c\sas1 ha muitas mais que no temos tempo de enum]>1 mas que se no so nocivas como a primeira1 so pelo m5os inuteis como a segunda4 ,procuremos agora muitas das mat]ias que se ens9am1 e devem cont9u> a ens9>-se1 mas s quaes a educao tal como e/ rot9eiram5te e/abelecida1 no sabe d> a importancia e o valor devido4 ,so a musica1 a hi/oria1 z l+uas1 a geographia1 a ari?metica1 etc41 etc4 ,o primeiro cuidado de toda a me vaidosa ou illu/rada1 intellig5te ou m$iocre1 que z suas filhas apr5dam a toc> piano4 ,muito bem4 preciso1 porm1 adv]tir-se que a monomania d piano1 tal como ahi &a inoculada e propagada1 um flagello1 um temivel flagello e nada mais4 ,a musica de todas z artes aquella que mais falla aos s5tidos e alma d homem4 ,mod]a1 dulcifica1 adorm5ta1 consola1 e/imula1 apaixona1 ent]nece e muitas vezes1 qu&o pr(anada e desvirtuada por sac]dotes sacrilegos1 en]va1 abr&a a en]gia e a vitalidade d espirito1 e v5ce todas z resi/5cias viris d c>act]4 uma amiga1 pde s] uma cumplice4 ,em todos os casos um gr&e1 um milagroso1 um div9o1 um t]rivel pod]4 ,mas mesmo pelo papel importante que occupa1 mesmo pela influ5cia pr(unda que ex]ce1 no dado a todos int]pretal-a e compreh5del-a4 ,muitos ha que se submettem ao seu irresi/ivel dom9io1 sem sab] sequ] adiv9hal-o ou pres5til-o4 ,quantas vezes no temos vi/o uma pobre mulh] boal1 uma mode/a e ignorante creatura1 *or> de commoo ouv9do z notas tri/es de uma flauta ou de uma guit>ra6 ,no tem a consci5cia da commoo que a p]turba1 mas vibram-lhe os n]vos1 latejam-lhe z fontes1 toda ella palpita e e/remece como que agitada por uma pot5cia ignota4 ,como todas z artes1 a musica s pde s] int]pretada por quem a compreh5da com o seu espirito1 e por quem a s9ta com o seu corao4 ,de outro modo uma pr(anao e um esc>neo4 ,a*amos1 portanto a musica1 um elem5to pod]osissimo de educao1 mas exigimos que haja intellig5cia e vocao nas pessoas que a apr5dem4 ,no faz] d piano um attributo indisp5savel de todo o ens9am5to elegante1 e obrig> sem disc]nim5to e sem escolha todas z m59as a e/udal-o e a atorm5t> com elle o ouvido d proximo4 ,logo que se compreh5da bem o gr&e alcance da musica1 a sua influ5cia moralisadora1 a sua misso arti/ica1 z mes escolh]o de entre z suas filhas1 aquella ou aquellas que mo/r>em pr$isposio p>a e/e g5]o de e/udo e auxili>o por todos os modos o des5volvim5to d'essa vocao4 ,o piano deix> de s] o flagello e a pe/e das soires sem c]emonia1 o torm5to dos vis9hos proximos1 o pezadello dos m>idos1 o m>tyrio das proprias executantes4 ,no re9> exclusivam5te como at aqui esse despotico e t]rivel in/rum5to4 ,no se dir das m59as bem educadas3 toca admiravelm5te1 sub5t5d5do j o malfadado piano4 ,dir-se-ha mais ac]tadam5te3 sabe musica1 toca muito bem violoncello1 ou h>pa1 ou rebeca1 ou piano mesmo1 porque ns no qu]emos condemn> n5hum in/rum5to ao o/racismo1 pelo contr>io qu]emos livr> os outros d o/racismo a que e/o inju/am5te condemnados4 ,com e/a escolha s5sata das pessoas que p>ticul>m5te devessem cultiv> a sua vocao musical1 muitos b5s proviriam educao da mulh]4 ,a musica executada s por quem a ent5desse1 ouvida s por quem a apreciasse1 torn>-se-hia1 em vez de um ornato de vaidade1 uma elevada di/raco arti/ica4 ,educ>ia e apur>ia o go/o1 ex]c]ia a sua pura e civilisadora influ5cia1 s]ia o rep\so depois d trabalho ou a consolao no meio d'elle4 ,os velhos me/res allemes com z suas l>gas e simples h>monias1 ouvidas n\te no s]o mode/o da familia1 ao p de um ou d\s amigos intellig5tes e s9c]os1 p5etr>iam o corao da mulh] de uma s]5idade affectuosa e dce1 de um ca/o ent]necim5to salut>6 99 99 99 99 99 ,o que dizemos da musica in/rum5tal tem applicao a todas z outras artes4 ,o canto1 o des5ho1 a p9tura1 a escultura mesmo4 ,todas m]ecem o nosso respeito1 no como adornos pu]is1 mas como elem5tos de util e fecunda moralisao4 ,sempre que a me ou que a educadora descubra em sua filha1 ou na sua discipula1 t5d5cia pronunciada p>a um ramo qualqu] de actividade intellectual1 deve por todos os modos facilit> e des5volv] essa vocao espontanea4 ,mas que a educao de todas no seja pautada por um molde uni=me6 ,mas1 por ,deus6 que no se faa d'e/a gr&e e sublime misso de cultiv> um espirito infantil1 uma que/o de moda1 uma que/o de vaidade1 uma que/o de mutua inveja mesqu9ha4 ,z l+uas so hoje ens9adas com muito esm]o4 ,mas que applicao se d a essa sci5cia adquirida em muitos annos de e/udo e de pratica8 ,uma applicao dev]as ridicula6 ,entre v9te das m59as que sabem hoje francez1 +lez1 allemo ou italiano1 no ha quatro que t5ham lido ,hugo ou ,bossuet1 ,rac9e ou ,montaigne1 ,%akspe>e ou ,milton1 ,goe! ou o ,dante1 no ha quatro sobretudo que e/ejam aptas p>a compreh5d]em e/es me/res d p5sam5to e da palavra4 ,e no entanto p>a que s]vem z l+uas e/rangeiras8 ,no passam de m]os in/rum5tos com os quaes adquirimos noes1 factos1 idz1 conhecim5tos1 que nos s]iam e/ranhos sem ellas4 ,na l+ua de um povo e/ consub/anciado muito d que elle moral1 physica e intellectualm5te4 ,p5etra-se no c>act] de uma nao conhec5do a fundo z locues de que ella se s]ve4 ,e quem que hoje enc>a z l+uas d'e/e modo a no s] algum philosopho retirado na sua torre ideal1 ou algum philologo embebecido nos seus e/udos8 preciso que e/e conhecim5to se vulg>ise e se propague1 p>a que z l+uas e/rangeiras tomem na educao o lug> que lhes compete4 ,a hi/oria1 que um apontoado de datas e de nomes proprios1 de dyna/ias e de batalhas1 logo que passasse a s] na educao das mulh]es o que ella j no espirito dos criticos1 s]ia um e/udo attrah5te1 mais dramatico d que todos os romances1 de uma realidade mais pod]osa e dom9adora4 ,a geographia1 que no mais d que uma arida e enfadonha nom5clatura1 animada pelo espirito da me intellig5te1 lev>ia a imag9ao infantil1 no j pelos paizes *im]icos1 d sonho e d impossivel1 mas por essas regies pittorescas1 onde tanto ha que vr e que apr5d]4 ,mais t>de z sci5cias naturaes1 a botanica1 a m9]alogia1 a biologia1 abririam ao espirito j prep>ado1 horisontes l>guissimos1 onde pudesse esprai>-se livrem5te4 99 99 99 99 99 ,assim educada1 qu] diz]1 sab5do tudo que sabe hoje1 mas classificado por outra ordem1 e enc>ado debaixo de outro aspecto1 e muitissimas c\sas que hoje no sabe1 mas s quaes a conduziria naturalm5te1 o novo me?odo dos seus e/udos1 a mulh] transfigurada1 levantada1 =talecida1 podia aspir> a uma vida inteiram5te div]sa da que hoje tem4 ,t]ia gr&es vantag5s e/a modificao pr(unda no seu modo de v]1 de p5s> e de s5tir4 ,vulg>isada p>a todos a educao cujas bases apontamos1 desapp>ecia da soci$ade essa entidade s+ul> *amada mulh] p$ante4 extraord9>io mas v]dade1 a ignorancia das outras que con/itue o p$antismo d'e/a4 ,s5do uma excepo no seu meio1 tem z qualidades e os defeitos das excepes4 ,compreh5de que alvo da curiosidade1 d pasmo1 da obs]vao dos que a rodeiam1 e a p\co e p\co vae cah9do n'uma pose artificial que a torna ridicula4 ,p\cas so z que tem a coragem de--t5do um lado sup]ior--se cons]v>em simples1 des>tificiosas1 naturaes4 ,lram1 e/ud>am1 comp>>am2 no meio da e/upidez g]al1 produzem um vago assombro que l5tam5te vae di/+u9do n'ellas6 ,oh6 mas no dia em que a mulh] in/ruida deixasse de s] uma excepo admiravel1 como ellas1 z pobres mulh]es p$antes se s5tiriam humilhadas e deslocadas6 ,a vida de sala iria p\co a p\co s5do o apanagio das frivolas e das tlas1 e acab>ia por desapp>ec] completam5te4 ,a mulh] d5tro de sua casa s5tir-se-hia bem1 porque t]ia em si recursos suffici5tes no s p>a entret] os seus1 como tambem--e i/o o pr9cipal--p>a se entret] a si4 essa a gr&e que/o6 preciso que z mes prep>em o espirito de suas filhas de modo que ellas no precisem dos outros p>a viv] cont5tes4 ,e como se ha de conseguir e/e fim8 ,educ&o-z p>a que ellas ba/em a si proprias4 ,d&o-lhes ao espirito todos os recursos1 ao corpo todo o vigor1 ao c>act] toda a au/]a dignidade2 cultiv&o e des5volv5do todas z faculdades sup]iores que ellas revelem1 encade&o h>monicam5te z suas acquisies intellectuaes1 p>a que d'essa h>monia int]ior resulte p>a ellas uma exacta e elevada compreh5so da vida6 ,e no muito o que ns exigimos4 ,somos a primeira a confess> que hoje ha muito mais esm]o e apuro d que havia antigam5te na in/ruco que z classes aba/adas do s suas filhas4 ,p\co mais precisam de apr5d]2 o que lhes falta a ligao logica entre z v>ias c\sas que apr5dem1 uma concepo mais l>ga das mesmas sci5cias que adquirem1 o conhecim5to das proprias armas que possuem1 contra esse inimigo pod]oso da mulh]1 *amado ,t$io4 ,em nosso humilde ent5d] classific>iamos d'e/e modo os conhecim5tos indisp5saveis a toda a mulh]1 p>a e/a s] julgada apta a ex]c] o sac]docio de esposa1 de me1 e de dona de casa4 ,z l+uas e/rangeiras1 consid]adas como meios de adquirir noes praticas1 idz ju/as1 factos positivos2 como meios de comp>>1 de julg>1 de aquilat>1 de ex]c] emfim o seu s5so critico1 de modo que o des5volvesse1 elevasse e af9asse2 como meios de conhec] z diff]5tes manife/aes d bello e de z pod] relacion> entre si4 ,a ,hi/oria1 com o fim de conhec] atravs d'ella a humanidade de todos os tempos1 de seguir a sua l5ta e cont9ua evoluo1 e de p5etr> lucidam5te no s5tido da palavra--progresso4 ,o conhecim5to pr(undo e philosophico da hi/oria moralisa1 pacifica1 e revigora z cr5z4 ,d ao espirito1 alm de notavel p]spicacia1 gr&e ju/eza de pontos de vi/a4 ,viriam depois1 como j dissemos1 a geographia natural1 a ari?metica1 a geometria1 z sci5cias da natureza1 e i/o h>monicam5te1 progressivam5te1 de d$uco em d$uco1 sem es=o1 lig&o um conhecim5to a outro conhecim5to1 n'uma cadeia logica e inquebrantavel4 ,juntam5te com e/as acquisies uteis1 e como que am5is&o os es=os que ellas por v5tura cu/assem1 a me intellig5te lev>ia sua filha a cultiv> especialm5te a arte p>a a qual s5tisse mais acc5tuada vocao4 ,prep>ada por e/a iniciao em que o espirito fosse exig9do dia a dia alim5to mais sub/ancioso e mais =te1 proporo que mais rico de vigor e de vitalidade elle se s5tisse1 escusado diz]1 que n5huma mulh] deix>ia de compreh5d] e de sabore> com intimas delicias o encanto novo e sup]ior com que a arte illum9asse a sua vida4 ,s]ia uma asc5so gloriosa e l5ta1 s alturas onde se respira um ar mais puro e mais subtil4 ,d'alli1 d'aquella montanha ideal1 a que ella h\vesse subido1 levada pela sci5cia e pela arte1 pelo e/udo e pelo s5tim5to1 s]-lhe-hia facil descobrir o cam9ho que devesse seguir na vida4 ,a ida d dev]1 e/a ida que o remate e a cora da educao p]feita1 apres5t>-se-lhe-hia como um resultado natural de todo o trabalho int]ior que no seu espirito se h\vesse feito4 ,*eg>iamos emfim ao ponto que qu]emos att+ir4 ,a educao deix>ia de s] um fim e torn>-se-hia o meio elevado e trans=mado de alcanar a p]feio moral4 ,re/a1 porm1 faz] uma p]gunta que e/ no animo de todos4 ,sujeit>-se-ha a mulh]1 assim arrancada de *(re banalidade da esph]a limitada em que tem vivido at agora1 a cumprir z mesmas humildes obrigaes1 que teem sido e cont9u>o a s] a sua t>efa quotidiana1 e o seu qu9ho na vida8 ,de c]to que sim1 e segu9do o mesmo me?odo que seguimos p>a o seu cultivo intellectual no nos s] difficil prov> que esses mesmos dev]es1 logo que sejam compreh5didos dignam5te1 em vez de humilh>em1 so um triumpho p>a aquella que os sabe ex]c]4 ,,capitulo ,,iii ,a velhice das mulh]es ,nas nossas cont9uadas pr$icas c]ca da trans=mao que necess>io op]>-se em tudo que respeita educao fem99a1 levamos em mira pr9cipal1 duas c\sas muito dignas de att5d]-se4 ,primeiro3 que a mulh] torne quanto possa1 indep5d5te de circum/ancias ext]iores1 a m>*a d seu de/9o1 qu] diz]1 que ella no seja =ada fatalm5te a seguir um cam9ho p>a o qual haja no seu espirito in/9ctiva repugnancia1 que ella disp5se na sua vida influ5cias e/ranhas e muitas vezes incompativeis com a sua indole4 ,segundo3 que ella se v l5tam5te prep>&o na infancia e na sua to curta e ephem]a mocidade1 p>a a quadra mais longa1 mais difficil e podemos hoje diz]1 mais dolorosa da sua exi/5cia3 a velhice4 ,exemplifiquemos1 p>a que melhor seja compreh5dido o nosso racioc9io4 ,no que toca ao primeiro ponto1 lancemos em roda os olhos e vejamos4 ,por toda a p>te encontr>emos argum5tos victoriosos4 ,no e/ado pres5te da educao a mulh] e/ sujeita a uma fune/a dep5d5cia1 a qual mesmo sem t5d5cia p>a exag]aes declamatorias1 se pde *am> escravido4 ,assim como descuram d> ao seu corpo por meio da gymna/ica a =a1 a ela/icidade1 a ligeireza1 o vigor1 assim descuram d> sua alma a en]gia1 que a torne sup]ior aos preconceitos1 e ao seu espirito a =te e l>ga educao1 que a habilite p>a ganh> hone/am5te a sua mode/a subsi/5cia4 ,s5te-se fraca1 e pusillanime diante d trabalho1 diante das luctas1 diante da desgraa4 ,confessa a cada in/ante o m$o pu]il que a avassalla2 m$o de no resi/ir s t5taes que a cov>dia dos hom5s arma ins5satez da mulh]2 m$o d riso alv> com que os tolos lhe ca/ig>iam a viril en]gia2 m$o de se sujeit> ao trabalho incansavel e t5az que ha de d>-lhe a indep5d5cia1 a dignidade1 a livre posse d seu de/9o4 ,alm d m$o a impossibilidade absoluta4 ,se nada sabe1 o que ha de ella faz]8 ,podia dirigir a contabilidade de uma casa de comm]cio importante4 ,z mulh]es com o seu in/9cto de ordem1 mais des5volvido d que os hom5s1 so proprias p>a e/e g5]o de trabalho4 ,podia1 s5do m$ianam5te illu/rada1 s] caixeira de um e/abelecim5to de modas1 de uma loja de papel1 de um m]cador de faz5das1 etc41 etc4 ,tudo i/o e/ em h>monia com a delicadeza dos seus orgos4 ,podia ens9> l+uas1 ens9> musica1 ens9> e explic> z sci5cias que h\vesse apr5dido1 a hi/oria1 a ari?metica1 a litt]atura1 a geographia4 ,podia1 t5do alguns fundos que h\vesse h]dado de seus paes1 e/abelec] qualqu] pequ5a indu/ria1 emfim1 t] uma aco propria1 indep5d5te e no subord9ada aos capri*os alheios1 ou s circum/ancias ev5tuaes4 ,mas como no sabe faz] nada d'i/o1 como a sua educao a pz e a cons]va n'um e/ado de absoluta e desoladora humildade1 no tem s5o tres cam9hos a seguir4 ,ou cas> mesmo que no t5ha pelo seu noivo n5hum s5tim5to de respeito2 mesmo que o a*e ridiculo ou e/upido ou mu2 mesmo que elle lhe seja impo/o unicam5te pelas conv5i5cias egoi/icas d seu futuro2 mesmo que n5hum lao de sympa?ia a elle a pr5da1 e d'e/a fune/a causa escusado s] diz] quantos males t]riveis no resultam p>a a soci$ade e p>a a familia6 ,ou fic> a c>go dos p>5tes mais ricos1 que por commis]ao a acolham1 a alim5tem1 a vi/am1 a protejam1 e n'e/e caso s(fre e decahe a sua dignidade propria1 a alma curva-se-lhe n'uma po/ura humilhante1 deixa de t] responsabilidade1 de t] op9io1 de t] individualidade emfim2 con/itue-se um s] mutilado cujo aspecto enf]mio faz tri/eza e d1 qu&o se no torna um temp]am5to az$o1 atrabili>io1 p]v]so1 folg&o no espectaculo de todas z desgraz alheias4 ,a t]ceira hypo!se j todos a adiv9h>am infelizm5te4 ,a mulh] repellida da familia1 porque a no quiz]am inutil e pobre1 no a*&o em si nem a coragem1 nem a sci5cia d trabalho1 lucta contra o mal que lhe revela z suas traidoras mirag5s1 mas se mo e/ranha a no soccorre e a no pr5de1 succumbe1 precipita-se e p]de-se4 ,d'e/as tres hypo!ses exceptuamos1 j se ent5de1 todas z mulh]es que tiv]em a suprema felicidade de encontr> no homem a quem entreg>am absolutam5te o seu de/9o1 alm d noivo escolhido e pref]ido entre todos1 o protector mais util e mais d$icado4 ,exceptuamos tambem z ricas1 porque essas que no t9ham em si proprias a indep5d5cia1 adquiriram-na indirectam5te por meio da sua =tuna4 ,mas a diviso inf9ita dos b5s vae dim9u9do mais e mais o num]o das ultimas1 e a felicidade negativa que ha na maior p>te dos mnages torn&o z m59as de p\ca edade impaci5tes de sahirem da casa pat]na1 imprud5tes e precipitadas na escolha1 vae dim9u9do em no m5or proporo o num]o das primeiras4 ,como qu] que seja1 ab&onemos essas duas ca!gorias de excepes e a*amo-nos em fr5te de uma num]osissima maioria4 99 99 99 99 99 ,os resultados que encontramos so1 portanto1 os segu9tes3 ,a incapacidade absoluta da mulh] dom9> o seu de/9o1 incapacidade cujas causas j apontmos1 produz e/es tres g5]os de victimas4 ,a mulh] que cas\1 porque no podia deix> de o faz]1 que cas\ p>a t] po1 p>a t] casa1 p>a t] luxo1 p>a t] protector1 um editor responsavel da sua vida1 e que t5do sm5te e/e objectivo1 se no occup\ nem um in/ante em e/ud> e conhec] o homem a quem ia p>a sempre entreg>-se4 ,a creatura humilhada1 dep5d5te1 p>asita1 viv5do das migalhas d luxo que a rodeia4 ,a desgraada que a sua fraqueza inteiram5te desprotegida p]deu e abysm\4 ,n5huma d'e/as mulh]es condemnadas ao descont5tam5to intimo1 dolorosa inquietao da consci5cia1 em resultado de uma causa id5tica1 pde e/> satisfeita comsigo mesma4 ,o que fazem1 pois1 p>a fugirem de si8 ,procuram quanto sabem e como podem1 os outros4 ,z fe/as de uma folia burlesca1 ou z fe/as de uma pompa deslumbrante1 o mundo1 emfim1 a conviv5cia1 o b>ulho1 tudo que aturde1 tudo que faz esquec]4 ,a9da aqui os nossos calculos nos no illudiram4 ,a mulh] procura o mundo1 porque z alegrias que pde encontr> em si mesma1 no s lhe no ba/am p>a illum9> com ellas o l> onde vive com os seus1 como lhe no *egam p>a si propria se di/rahir e se cont5t>4 99 99 99 99 99 ,entremos agora no segundo ponto que ha p\co tocmos4 ,a mocidade da mulh] =osam5te curta4 ,aquella que se comp5etr> s5satam5te d'e/a ida1 o que deve faz] p>a att5u> a am>gura8 ,prep>>-se com dignidade1 com resignao1 diremos mesmo com alegria p>a esse longo supplicio da mundana1 que se *ama velhice4 ,o homem1 des5volv5do em muito mais l>ga escala e de um modo muito mais v>iado a sua actividade complexa1 pde gos> at mais avanada edade dos praz]es que por assim diz] mais apreci\4 ,a ambio1 z luctas da politica1 z lucubraes da sci5cia1 z argucias da diplomacia1 z inve/igaes da hi/oria e da critica1 e mesmo os gosos ard5tes da arte4 ,vejam-se ,goe!1 ,miguel ,angelo1 ,hugo1 ,bee?ov51 ,talleyr&1 ,?i]s e tantos e tantos mais4 ,a mulh] de hoje1 a mulh] educada por e/e acanhado ideal que a dom9a1 funda o seu fragil pod] nas graz fugitivas da sua =mosura1 no encanto juv5il da sua vivacidade1 na sua elegancia1 no seu riso frivolo e pu]il1 no espl5dor radiante d seu luxo1 na sua conviv5cia inutil e p]fumada como a das flres6 ,um dia alveja-lhe na massa fulva1 c5drada1 ou negra dos seus cabellos1 um fio de prata1 o primeiro1 invisivel p>a todos os olhos1 mas que o espelho revel\ aos seus4 ,esse fio traz preso a si a desv5tura6 ,oh6 ella re9\1 dom9\1 teve subjugadas aos seus ps todas z =z e todas z vontades6 ,a casa1 mesmo s5do a casa um n9ho ffo e p]fumado1 p>ecia-lhe bem pequ5a e bem mesqu9ha p>a !atro dos seus triumphos4 ,era das salas que ella go/ava6 ,d murmurio surdo1 abafado1 voluptuoso de admirao1 que ella excitava ao entr> nos sales pelo brao d seu pobre m>ido1 muito enfa/iado e sob]anam5te ridiculo6 ,como todos gabavam o sabio decote d seu corpete1 revel&o com uma indiscrio que acc5dia invejas e desejos em torno d'ella--invejas e desejos que a enroscavam como s]p5tes de fogo--a brancura d seu collo e dos seus hombros1 aquella brancura set9osa de camelia1 que o orvalho da madrugada hum$eceu4 ,como era mage/osa a cauda d seu ve/ido6 como z flres e z p]olas se enna/ravam bem nas suas tranz opul5tas6 como os braceletes de brilhantes mordiam de raios iriados a c>nao expl5dida dos seus braos6 ,como a adoravam1 como a dete/avam f]ozm5te aquelles hom5s e aquellas mulh]es6 ,cada olh> t9ha a agudeza de uma lam9a de ao6 ,traspassavam-n'a1 f]iam-n'a1 beijavam-n'a aquellas mudas c>icias insol5tes1 e aquelles odios viol5tos e fel9os6 ,e a consci5cia da sua =mosura1 da sua sob]ania omnipot5te1 d seu pre/igio inv5civel1 fazia-a vibr> toda como ao contacto de uma pilha4 ,s5tia-se ra9ha4 ,t9ha ditos graciosos1 t9ha rep5tes felizes1 t9ha epigrammas implacaveis1 coquettismos crueis2 era espirituosa1 era bella1 era triumphante6 ,a casa1 os filhos pequ59os1 o m>ido1 os livros1 que so to bons companheiros da hone/idade e da mode/ia1 onde fic>a tudo isso8 ,nas brumas indecisas de um passado que ella no qu]ia v]4 ,oh6 que int5sidade de vida n'e/as horas6 ,era s p5s&o n'ellas que viv]a4 ,p>a que havia de lr1 p>a que havia de in/ruir-se1 p>a que havia de ir p]gunt> natureza muda1 o segr$o de todas z suas riquezas1 p>a ella inuteis e desd5hadas8 ,era feliz porque era admirada4 99 99 99 99 99 ,como desce o panno sobre o tablado *eio dos deslumbram5tos de uma magica1 assim p>a ella desc]a agora o panno1 sobre os pre/igiosos espl5dores da sua vida de g>ridice e de vaidade1 de luxo e de l\cura4 ,aquelle cabello branco avis\-a s9i/ram5te de que tudo acab>a4 ,se cont9a a luct> com a velhice que nunca se deixa v5c]1 a*> s esc>neos onde antigam5te a*ra cultos1 s baldes onde a t9ham acclamado em triumpho4 ,se vae procur> z alegrias e z di/races proprias d'essa nova phase da sua vida1 o que que encontra em torno de si8 ,no ficra n+uem no l>1 que primeiro d que os outros1 ella havia des]tado4 ,o m>ido &ava l fra no trabalho absorv5te1 ou na dissipao crim9osa4 ,como ella nada lhe d]a nos dias flor5tes da mocidade1 elle tambem nada lhe qu]ia d> agora nas t>des glaciaes da velhice4 ,crera outros int]esses ou outras affeies1 seguira outro rumo1 outra ordem de idz4 ,j agora no era possivel torn>em-se a encontr> na t]ra4 ,os filhos esquecidos1 indiff]5tes1 quasi e/ranhos1 e/avam no collegio ou nas escolas1 se o pae t9ha tido pi$ade2 e/avam na v]gonhosa ociosidade1 na vadiagem ignobil1 se o pae t9ha tido indiff]5a4 ,em todos os casos1 nada de commum podia hav] entre essa me frivola e vaidosa1 e esses filhos desprezados4 ,os livros8 ,sim1 os livros444 ,os que ella conhec]a4 ,eram romances4 ,fallavam de paixes indomitas1 de amores mais =tes d que a morte1 de av5turas romanescas ao lu>1 com escadas de s$a e capas c\leur de muraille2 de juram5tos feitos em voz soluante na sombra voluptuosa das alam$as2 de duettos de t]nura cantados pelas ,ros9as e pelos ,almavivas de torna-viagem4 ,que lhe importava a ella tudo isso1 que era agora o enlevo d'outras1 embebecidas na mesma m5tira que a transvira1 mas que aos seus cabellos brancos p>ecia uma ironia cruel6 ,mas a natureza sempre me1 a natureza acolhe at os mesmos p>ias4 ,ella tem a sombra das suas arvores1 a musica dos seus pass>os1 o aroma das suas *>necas em flr1 z s]5as l9has das suas montanhas azues6 ,ella tem a cl>idade pallida das suas e/rellas1 a doce melopa das suas fontes1 o soturno e angu/ioso bramido dos seus m>es1 a influ5cia calmante das suas noites tepidas6 ,acolh] a natureza aquella que tantos e tantos annos a desconheceu8 ,no4 ,e no que ella seja implacavel ou sev]a1 no que ella saiba sequ] das mesqu9has mis]ias que se agitam no seu seio4 porque no na velhice que a alma pde inici>-se n'um culto novo4 que p>a tudo indisp5savel uma apr5dizagem gradual1 que a va/a creao s tem consolos tranquillisadores1 c>icias adormec$oras1 p>a os velhos1 qu&o teve p>a os moos sonhos1 sorrisos1 radiosas esp]anz4 que a alma1 que ao desabro*> no s\be s] s5sivel ent]nec$ora poesia das c\sas1 nunca sab] ent5d] na hora tri/e d decl9>1 a sua ineffavel e div9a l+uagem6 que os longos horisontes de purpura e de ouro sabem ve/ir de bemditas cl>idades a alma dos velhos1 qu&o os velhos se recordam1 e vem docem5te desc] a n\te *eia de e/rellas e de h>monias my/]iosas sobre uma vida que teve por companheiros o trabalho1 o amor puro1 o sacrificio1 a abnegao6 ,re/a ap5as como pa/o e alim5to a e/as almas que &>am em busca da felicidade por toda a p>te1 m5os no lug> to proximo e to accessivel1 onde ella e/ava1 re/a-lhe ap5as a falsa devoo4 l que ellas vo busc> refugio4 ,vivem nas egrejas1 procuram um confessor que t5ha a jesuitica paci5cia de revolv] com ellas o monto de flres mur*as d passado1 a v] se a9da de l vem o ve/igio da ext9cta fragrancia1 praticam f]vorosam5te toda a ca/a de sup]/ies r$iculas2 entram em associaes pseudo-c>idosas1 ga/am o re/o da vida de outra frma no m5os r$icula e no m5os bal(a d que ga/>am os dias da juv5tude4 ,e de vez em qu&o1 p>a maior espanto nosso1 morre uma em *eiro de santidade entre a pi$osa confr>ia4 99 99 99 99 99 ,o que pois necess>io e indisp5savel p>a todas ns8 que possamos viv] sem o auxilio dos outros1 e tir&o unicam5te dos intimos mananciaes d nosso espirito e da nossa alma1 elem5tos p>a con/ruir com elles a nossa propria felicidade4 ,qu&o a mulh] depois de t] recebido uma educao robu/a1 depois de t] des5volvido z suas faculdades no s5tido mais amplo e mais favoravel1 depois de e/> apta a viv] de p\co1 a disp5s> tudo que seja luxo ou vaidade1 de t] dado uma applicao util s suas aptides especiaes1 depois de t] adquirido uma l>ga somma de idz g]aes1 de noes e de p5sam5tos ju/os1 qu&o a mulh] emfim1 t5do a consci5cia de que mesmo ss9ha na vida1 sab] grange> dignam5te o seu po1 olh> em torno de si1--=te1 intellig5te e in/ruida--e entre os hom5s que a rode>em1 e que a pref]irem1 fix> a sua escolha n'um homem1 esse pde s5tir-se ju/am5te ufano4 ,no hav] n'e/e consorcio n5huma especulao e n5hum calculo4 ,ella e/ apta a julgal-o1 a e/udal-o1 a ent5del-o1 por isso foi racioc9ada a sua escolha4 ,elle a*\ uma companheira fiel d seu de/9o1 um guia incorruptivel1 um precioso auxili>4 ,trabalh>o ambos4 ,comm]ciante ou sabio1 poeta ou diplomata1 arti/a ou especulador1 negociante ou politico1 sempre a coadjuvao de uma intellig5cia cultivada e flexivel1 p5etrante e f9a1 s] de incalculavel utilidade ao homem4 ,no viv]o de c]to nos arrobam5tos e transportes dos romanescos e rapidos amores2 t]o um fim commum1 o bem proprio e o bem de seus filhos4 ,t]o meios id5ticos1 o trabalho1 a mais escrupulosa dignidade de vida1 o e/udo p]sev]ante1 a economia e a paz4 ,como o casam5to foi um acto em que no entr\ a paixo irreflectida1 a precipitao e/upida1 ou o calculo inevitavel1 ha muito mais g>antia de que essa unio seja durad\ra e feliz4 ,como a phantasia da mulh] irrequieta e audaz1 logo que ella faa o seu fito de alguma c\sa de maior e de mais elevado1 deix>o de s] p]igosos os seus capri*os4 ,o homem1 prep>&o-se p>a cas>1 tambem no dir comsigo3 ,v\ busc> um enc>go4 ,dir com muito mais propri$ade3 ,v\ busc> um auxilio4 ,eis inteiram5te deslocado o velho ponto de vi/a4 ,provir d'e/a nova int]pretao d casam5to o hav] muito m5os mulh]es solteiras4 ,z que h\v]1 porm1 t]o o seu lug>1 o seu de/9o1 a sua t>efa4 ,trabalh>o4 ,no ha n+uem que qu]5do e sab5do1 se no possa torn> util1 e produzir em bem1 tudo que consome em su/5to4 ,descresc]o de c]to z indu/rias que vivem d luxo e da dissipao1 mas cre>-se-ho outras novas1 mais necess>ias1 e p>a z quaes a mulh] pod] lev> z suas faculdades felizes1 s quaes s falta educao condigna4 ,e qu&o p>a todas *eg> a velhice s] como a cora e o remate de um monum5to sublime4 99 99 99 99 99 ,ha muito quem alcunhe de pret5so e/a m9ha teima de attribuir todos os males da familia falsa educao das mulh]es4 ,como se ellas fossem tudo6 ,como se d'ellas dep5desse tudo6 que realm5te1 directa ou indirectam5te1 pela sua influ5cia imm$iata ou pela sua long9qua influ5cia1 o caso que muitos males1 que muitas desgraz1 que muitas immoralidades se lhes devem6 ,*]*ez la femme1 direi eu sempre1 por mais que a*em vaidosa pret5so fem99a e/a m9ha ida4 ,,capitulo ,,iv ,a dissoluo dos co/umes e o casam5to ,os philosophos1 os morali/as1 os obs]vadores clamam cont9uam5te contra a dissoluo dos co/umes mod]nos1 ou descrevem-na com o pung5te realismo da sua solta e desbragada ironia4 ,uns accusam1 outros fulm9am1 outros cont5tam-se com *ascos e satyras de ,juv5aes au petit pi$4 ,p\cos so os que ao passo que apontam o mal1 indiquem o rem$io1 ou pelo m5os o cam9ho que deve seguir-se p>a *eg> a alcanal-o4 ,z !orias so optimas1 a pratica deploravel4 ,n+uem j to ignorante e to desallumiado da sc5telha sagrada1 que confunda o bem com o mal1 mas o crim9oso desleixo de todos1 mais fune/o soci$ade e familia1 d que a ida confusa que em pocas m5os adiantadas se =mava dos dev]es de cada um4 ,sim1 a familia p>ece corroida por um occulto v]me1 que p\co a p\co vae d&o a essa arvore frondosa1 *eia de fructos e de flores1 um aspecto morbido e do5tio que entri/ece e causa pr(undo assombro aos que de p]to lhe obs]vam o progressivo def9h>4 ,mas no ba/a mo/r> ao mundo e/e indicio da sua decad5cia moral1 cumpre inve/ig> z causas p>a oppr um dique aos effeitos desa/rosos que todos os dias se vo mais cl>am5te revel&o4 ,e/e dev] de todos2 dos gr&es e dos humildes4 ,no ha n+uem que no e/eja int]essado igualm5te na de/ruio de to t]rivel flagello4 ,tragam uns os espl5dores d tal5to que v de cima1 e que das alturas onde paira1 d]rama luz cl>a sobre os que labutam na sombra2 tragam outros o bom s5so1 a exp]i5cia1 a f e a boa vontade4 ,p>ece que metade d cam9ho e/ v5cido1 porque se muitos1--se a maioria--&a transviada1 todos pelo m5os sabem def9ir o ideal a que aspiram1 o fim que desejam att+ir e d qual involunt>iam5te se afa/am4 ,o gr&e mal da nossa poca --quem tal o diria8-- a preguia intellectual4 ,todos trabalham mais ou m5os1 porm ha p\cos que m$item e que p5sem4 ,o seculo desoito foi o seculo d p5sam5to2 o seculo des5ove o seculo da indu/ria4 ,pr$om9a a mat]ia1 aspira-se ao bem-e/> d corpo1 aos gozos da riqueza1 ao syb>itismo ref9ado e arti/ico e p\co se att5de voz prophetica d'essa ,cass&ra1 *amada philosophia1 que debalde clama aos hom5s que elles vo por um cam9ho errado1 que trilham uma e/rada que no a v]dadeira1 vi/o que a no illum9a e lhe no mo/ra os precipicios1 a v]dadeira e et]na luz4 ,os males que affligem a soci$ade1 que affr\xam os laos da familia1 que contam9am e dissolvem l5tam5te os co/umes1 provm de uma causa1 compo/a de muitas causas complexas1 e p>a combat] a qual devem junt>-se os es=os de todos os que amam o bem4 ,n+uem consid]a o casam5to como elle precisa de s] consid]ado1 no j sob um ponto de vi/a my/ico e s5tim5tal1 porm no seu v]dadeiro aspecto1 nas suas relaes inilludiveis com a soci$ade e com a v]dadeira moral4 ,como sempre1 mulh] que aqui me dirijo1 com a mulh] que eu fallo4 ,o homem tem-se em muita conta p>a d> att5o m9ha debil e desautorisada voz4 ,a mulh] att5d]-me-ha porque em vi/a da sua felicidade1 da felicidade de seus filhos1 da solidez e d acon*ego de seu n9ho1 que eu lhe e/\ aqui fall&o4 ,o casam5to no um contracto puram5te social1 no uma unio s filha da religio e d s5tim5to1 no uma sanco legal de affectos egoi/as e de paixes indomadas1 de tudo isso tem alguma c\sa1 mas muito mais srio1 mais sagrado e mais santo d que isso tudo4 ,se e/a quadra transitoria e convulsa que atravessa a g]ao de que fazemos p>te1 tri/e como n5huma outra1 essa tri/eza provm pr9cipalm5te das imp]feies que maculam o casam5to1 das duvidas que assaltam todos os espiritos ao vr to longe da sua resoluo def9itiva o problema importante da familia4 ,por toda a p>te o desconsolo1 o desal5to1 a duvida1 a melancolia insanavel dos que1 depois de hav]em sonhado um espl5dido e e/rellado sonho1 desp]tam p>a z agras tri/ezas da realidade e nada encontram que corresponda s radiosas esp]anz com que se haviam embalado4 que realm5te depois da escurido calig9osa1 da n\te lugubre e s9i/ra que durante seculos envolveu a humanidade1 fiz]am-lhe esp]> tanto1 evoc>am diante d seu deslumbrado olh> tantas app>ies lum9osas1 apont>am-lhe p>a um ideal to levantado1 fiz]am-lhe crr em to div9as utopias1 que todos os desal5tos se desculpam ao vr quo p\co a realidade dos factos correspondeu a todos esses sonhos por ora infecundos4 ,mas no p]camos a f2 sem ella o mundo cam9h> sem t] outro norte que no seja o p]igoso conselho das suas paixes desord5adas4 ,se a9da p\co e/ feito1 appellemos p>a o futuro e vamos prep>&o essa evoluo pacifica e lum9osa de que j talvez n5hum de ns aproveite os resultados b5eficos4 ,esqueamos e/e egoismo f]oz e improductivo que nos faz desanim> em todas z emprezas de que no possamos com mo s(frega e impaci5te colh] os fructos embora prematuros e mal sasonados4 99 99 99 99 99 ,no ha nada mais tri/e d que ouvir o modo desd5hoso1 quasi sacrilego1 com que os moos de hoje1 os moos de ambos os sexos1 fallam d casam5to e da familia4 ,elles duvidam1 r9do com ironia ignobil de tudo que n'outro tempo amavam devotam5te4 ,=am-se os b>dos s5tim5taes e um tanto r$iculos1 diga-se a v]dade6 que amavam sem esp]ana1 mas com t]nura apaixonada1 z qu]idas p]fidas1 que desprezavam o seu des9t]essado affecto4 ,a litt]atura1 que o espelho das soci$ades1 tem por feio a ironia mord5te1 a analyse fria1 a dissecao anatomica mais positiva e mais crua4 ,o desdem pela mulh] manife/a-se sob todas z frmas1 e debaixo de todos os aspectos4 ,se acab>am z declamaes de ,b5$icto e de ,antony contra a tyrannia esmagadora da in/ituio conjugal1 app>ecem em log> d'e/as os quadros mais abjectos da dissoluo e da decad5cia a que *eg\ o casam5to e com elle a mulh]4 ,no limi> da adolesc5cia os que no al>deiam um cynismo falso e to ridiculo como os transportes romanticos d passado1 calculam ari?meticam5te o que pde provir-lhes em b5eficios liquidos d'aquillo a que *amam um bom casam5to4 ,no att5dem s qualidades moraes1 que no podem apreci> nem conhec]2 qu&o muito1 lanam no oram5to como uma v]ba de c]ta importancia z vantag5s physicas da noiva escolhida4 ,n5hum gr&e p5sam5to os exalta1 n5huma ida def9ida e cl>a da misso que aceitam os eleva a seus proprios olhos4 ,pelo seu lado a noiva1 a creana radiosa que enfeitam todas z galas e todas z flres dos v9te annos1 gaba-se em confid5cia s amigas intimas1 de que j no tem illuses e que conhece a vida1 a vida de que ella no leu a9da sequ] a primeira pag9a6 ,casa porque a familia qu]1 casa porque encontr\ aquelle rapaz em d\s bailes1 porque o a*\ int]essante1 sympa?ico1 muito amavel1 porque emfim um bom p>tido1 segundo diz o pap6 ,outras vezes casa porque go/a d'elle1 mas go/a d'elle in/9ctivam5te1 animalm5te1 sem o conhec]1 sem sab] se essa mo que ap]ta nas suas mos virg9aes1 s] sempre em todas z crises1 em todas z occasies da vida1 a mo de um homem honrado4 ,no dia em que se a*am ligados indissoluvelm5te o seu primeiro s5tim5to um s5tim5to de surpreza1 quasi de su/o4 ,dizem ento os frivolos e os sup]ficiaes3 o melhor tempo o da lua de mel4 ,engano6 ,esses dias so os dias da v]tigem1 mas no so os dias da felicidade4 ,cada defeito que os d\s mutuam5te se descobrem1 como uma sem5te env55ada que ha de g]m9> mais t>de4 ,no se lembram d futuro1 saboreiam com a volupia da paixo s5sual os praz]es ephem]os d'essa hora que passa4 ,no fundo1 bem no fundo d p5sam5to1 n'um escan9ho escuro em que ambos fogem de entr>1 porque sabem que l os esp]a a desilluso1 teem gu>dadas muitas das tri/es descob]tas que fiz]am n'aquellas horas de ab&ono1 de l\cura1 de extasi1 em que z suas almas se embeb]am voluptuosam5te4 ,elle sabe j que a mulh] frivola1 ignorante1 vaidosa1 que v no casam5to z alegrias da vaidade1 antes de v] os dev]es e os sacrificios2 ella tem a c]teza de que todas aquellas promessas radiosas no passam de uma *im]a que o tempo desf>1 que o m>ido no tem z delicadezas que satisf>iam a alma da mulh] a9da a m5os exig5te1 e a m5os ambiciosa4 ,na ebri$ade d'aquelles primeiros tempos p]doam-se mutuam5te os defeitos1 que p>ecem at graciosos1 l9dos e feiticeiros4 ,o que os entri/ec] mais t>de1 o que av9c> de rugas de mau pr5uncio o ro/o d m>ido1 e f> en*] de insondavel tri/eza o corao da mulh]1 no mais que a resultante das pequ5as e todavia fataes concesses e desculpas que reciprocam5te fiz]am os noivos aos defeitos que viram app>ec] nas primeiras horas da conviv5cia1 nos risonhos dias d noivado4 ,ella sahiu d acon*ego tepido da familia1 das duras d l> pat]no1 dos braos amoraveis da me2 vem aco/umada a qu]]em-lhe muito1 a s] muito e/imada e amada4 ,em casa conheciam-lhe os go/os1 z incl9aes1 os habitos e os defeitos1 porque a p> das boas qualidades ha sempre no corao humano um recanto onde se abrigam z defici5cias de c>act] e de g5io4 ,aquillo que os paes1 z mes e z pessoas que de mais p]to conviviam com ella lhe p]doavam1 desculpado tacitam5te por elle no extasi e na delicia ineffavel d noivado2 porm1 mais t>de tudo isso s]vir de base a accusaes asp]as1 e a c5suras am>gas4 ,ella1 pelo seu lado1 retrahir-se-ha1 (f5dida e tri/e ante z imp]feies que outr'ora desculpava1 e p>a z quaes hoje intol]ante e sev]a4 ,por isso1 a me1 qu&o d o ultimo abrao filha que p>te p>a os braos d noivo exp$e dilac]antes soluos de afflico1 e lam5ta-se desesp]adam5te4 -- um e/ranho1 p5sa a me1 p\co viveu com ella2 mal a conhece1 viu-a ap5as nos s>u1 luz viva d gaz1 c]cada de adoraes1 risonha1 feliz1 espirituosa e delicada4 ,eu tambem fui assim444 ,mas como me cu/\ a apr5dizagem da vida6 ,e como e/a devras to outra e diff]5te d que suppunha6 ,pobre creana6 ,i/o p5sam z mes1 com aquelle sagrado affecto que nunca se desm5te1 e que no trepida ante n5hum sacrificio1 por mais arduo e assombroso que seja4 ,mas1 de quem a culpa1 bom ,deus8 ,sobre quem deve recahir a culpa das nuv5s que se aca/ell>am no futuro da vida dos noivos1 a culpa das horas longas e plumbeas que os esp]am1 das recrim9aes az$as1 que f>o exploso mais t>de1 e que lev>o quelle dce l> tranquillo o desassocego1 a duvida1 a desilluso1 e a algida tri/eza desconsoladora de v]mos z rid5tes *im]as que se desfazem lugubrem5te1 e que nunca mais resurgiro8 ,a culpa deve cab] tanto a um como a outro1 tanto mulh] como ao m>ido4 ,o noivado uma iniciao augu/a1 uma escla onde devemos apr5d] a s] ju/os e tol]antes4 ,o que hoje transp>ece vagam5te1 o defeito que aponta subtil e timido em meio das alegrias d noivado1 s] p\co tempo depois inju/am5te consid]ado uma c\sa horrivel e mon/ruosa4 ,e mi/] que o m>ido e a mulh] se no julguem a suprema e alta p]feio1 e que sejam complac5tes p>a z maculas e defeitos a que n+uem escapa4 ,o homem1 com a sua vida ruidosa e trabalhadora de milit>1 de negociante1 de arti/a e de propriet>io t] impaci5cias1 phr5esis e aga/am5tos4 ,qu&o a sua natureza se exp&ir livrem5te e sem peias1 no s] o mesmo que e/ava mezes ou annos atraz aos ps da noiva1 submisso1 trmulo e feliz1 no m$9do o mundo s5o pelo ambito aquecido pelo bafo da sua g5til amada2 p]d] todo esse ar de humildade e de escravido1 e1 sem o qu]]1 ha de f]ir a pobre creatura1 ma*uc>-lhe os mimosos capri*os e (f5d]-lhe a +5ua e nativa delicadeza4 ,a mulh] com o seu p\co ou n5hum conhecim5to das difficuldades da adm9i/rao de uma casa1 ante o enorme peso das responsabilidades que prev1 t] hesitaes1 duvidas e receios1 que lhe f>o reb5t> muitas e repetidas vezes z lagrimas1 no pr9cipio da sua difficil e to ambicionada posio de s5hora e dona de casa4 ,qu&o o m>ido recolh] da rua1 da praa1 das (fic9as1 das academias1 desgo/oso1 com o corao mordido pelo in=tunio1 magoado pela +ratido de um amigo1 pela falsidade de um outro em que cgam5te confi>a1 pelas mil contr>i$ades emfim da vida1 e precis> de uma boa e qu]ida palavra de affecto1 de um conselho leal e s9c]o1 de uma consolao b5igna1 a mulh] deve esquec]-se de si1 vel> resolutam5te z f]idas que sangram1 p>a s p5s> no m>ido de que solid>ia companheira1 e de cuja consci5cia viril deve s] amoravel directora4 ,nas mos da mulh] e/ a tranquillidade1 o socego1 a v5tura e a hone/idade d l>1 porque ella deve s] a p]sev]ana inalt]avel1 a bondade suprema e inexgotavel1 a intellig5cia allumiada pela doce luz que dimana d corao4 ,que a mulh] saiba p]do>1 que a mulh] desculpe o egoismo1 a dureza1 z col]as bruscas d m>ido1 e v] como e/e sab] f+ir que ignora que tambem n'ella exi/em maculas1 que tambem n'ella avultam defeitos4 ,se deseja s] p]doada1 que p]de ella primeiro1 que d o exemplo1 e os resultados d'essa condesc5d5cia s]o de m>avilhoso alcance4 ,ah6 preciso repetil-o mil vezes1 dmos um c>act] de au/]a s]i$ade ao casam5to1 respeitemol-o1 c]quemol-o de g>antias durad\ras1 se no quiz]mos que a familia se desman*e1 e que a immoralidade triumphe4 ,que z noivas antes de p5s>em na inveja que o seu ve/ido branco e a gr9alda de flr de l>anjeira caus>o s suas mais intimas amigas1 entrem no seu novo l>1 resolvidas a cre>em a felicidade d ente1 que apes> de viril e =te ha de t] durante a vida muitas horas de abatim5to e tri/eza1 que s os beijos de uma esposa hone/a espancam4 ,que se comp5etrem z noivas1 que dos primeiros dias d noivado dep5de a paz dos dias futuros1 a saude1 a educao e o porvir dos filhos4 ,passados os primeiros dias1 volvidos os primeiros mezes1 s5do o m>ido intellig5te e a mulh] bondosa1 t5do ambos uma completa noo d ju/o e da v]dade1 pod]o facilm5te escolh] o cam9ho que os leve mais direitos felicidade1 de que tantos casados &am di/antes porque se no s\b]am corrigir a tempo1 e porque deix>am que se exp&issem em espraiada e opul5ta rama os defeitos que ambos conhec]am e viram com olhos b5evolam5te complac5tes1 e s ento complac5tes6 de noivos4 ,no campo no r>o ouvir-se s aldes a quem se p]gunta se se do bem com a vida de casadas1 o segu9te diz] quasi inv>iavel na bocca d'essas mulh]es3 --,ao pr9cipio tivemos z nossas turras1 mas a g5te1 como o outro que diz1 foi-se habitu&o um ao outro1 e agora no ha que se lhe diga2 o que elle qu]1 qu]o eu tambem4 ,ao pr9cipio t9hamos z nossas turras444 ouviram8 que no campo ao primeiro beijo segue-se bem c$o a primeira recrim9ao2 que no campo o noivado dura m5os1 mas em comp5sao descobrem-se brutalm5te z diff]5z de g5io e z desigualdades que a p\co e p\co vo desapp>ec5do4 ,a mulh]1 porm1 que sempre mulh]1 qu] &e ve/ida de s$as1 qu] &e envolvida em s>agoa1 pde com a sua b5efica e pacificadora influ5cia1 tanto no campo como na cidade1 desculp&o o m>ido1 conseguir que e/e lhe desculpe e lhe att5ue z imp]feies e defeitos que e/o fatalm5te inh]5tes1 ai de ns6 mesqu9ha natureza humana4 ,,capitulo ,v ,z mes e z filhas ,v5ho a9da hoje fall> s mes a respeito das suas filhas4 ,creio que um meio de s] ouvida com att5o4 ,se z mes so pela maior p>te das vezes a causa inconsci5te dos males que affligem a educao de seus filhos1 no d'ellas a culpa1 que s levam em mira o bem e a felicidade dos qu]idos fructos das suas entranhas4 ,mas o amor das mes cego como um in/9cto1 e como tal precisa de s] guiado e dirigido4 ,entregues a si1 transviadas pelas noes incompletas que j lhes eiv>am de erros fune/os a educao que receb]am na infancia1 ouv9do mais a voz da propria vaidade1 que a voz au/]a da razo1 z mes cont9uam a suppr que na educao de uma m59a se deve att5d] antes de tudo s ext]ioridades brilhantes1 que f>o d'ella a favorita dos sales mundanos1 a elegante e afamada cultora de todas z delicadas frivolidades sociaes4 ,desde a burgueza1 que1 ap5as sahe dos desfiladeiros sombrios da mis]ia1 j cuida to sm5te em hombre> com z duquezas que inveja de longe1 at mais ari/ocratica desc5d5te das antigas palad9as1 todas teem z mesmas noes falsissimas c]ca da educao que suas filhas devem receb]4 ,no e/udam os div]sos espiritos que se propoem a adorn> com z mesmas galas s$iz2 p>a ellas uma educao de s5hora no v>ia4 ,segue sempre a mesma norma absurdam5te ana*ronica4 ,os filhos so reclamados pela escola1 pelo lyceu1 pelo in/ituto1 e teem de sujeit>-se s regras acanhadas e incompletas da educao (ficial2 z filhas1 debaixo da direco m$iata ou imm$iata das mes1 comeam no l> dome/ico a sua apr5dizagem1 que como que a opposio sy/ematica a todos os in/9ctos pod]osos de que a natureza z dot\4 ,turbul5tas1 como natural que sejam z creanz1 apr5dem a suffoc> a espontanea e salut> actividade dos seus pequ5os membros4 ,a primeira obrigao que reconhecem a de no faz]em bulha4 ,tornam-se taciturnas e sonsas4 ,o habito de contr>i>em incessantem5te os impulsos to naturaes da sua idade1 como que lhes abre o cam9ho p>a a hypocrisia1 o peior e o mais vulg> dos vicios fem99os4 ,s5t9do cont9uam5te pes>-lhe sobre a cabea uma presso despotica1 de que no podem reconhec] a ju/ia1 aspiram in/9ctivam5te ao livram5to1 teem surdas revoltas intimas1 de que n5hum olh> sonda os segr$os4 ,no se des5volvem na pl5a lib]dade da natureza1 ha nos seus corpos miud9hos um aspecto de enfezam5to e de fraqueza que faz p5a4 ,a vaidade mat]nal cuida ento de z enfeit>2 o ve/u>io das suas pequ5as joias torna-se p>a z mes--p>a z mulh]es--um negocio de alta e gravissima importancia4 ,no ha nada que z satisfaa2 os bordados f9os1 z r5das1 z s$as1 z plumas1 os velludos1 tudo se comb9a p>a adorn> o gracioso e qu]ido anjo4 ,d\s resultados inevitaveis3 ,a immobilidade a que e/e luxo condemna z suas victimas pequ59as1 e a f]oz vaidade de que elle lhes lana n'alma a primeira sem5te1 que mais t>de ha de desat>-se em v55osos fructos4 ,a pequ5a assim ve/ida julga-se =osam5te de uma ess5cia sup]ior s que no podem competir com ella em opul5cia2 de um lado levanta-se o orgulho1 de outro lado ra/eja a inveja4 ,o go/o de s] contemplada1 admirada1 de excit> emulaes raivosas1 de s] apontada como um modelo de elegancia infantil1 acc5de no espirito da creana a fune/a luz que mais t>de ha de allumi> os erros da mulh]4 ,qu&o sa emfim a hora em que o espirito exige a sua indisp5savel cultura1 o mesmo sy/ema que at alli dom9\ na educao da pequ59a cont9a a faz] s5tir a sua corruptora influ5cia4 --,qu]o que a m9ha filha se no possa env]gonh> de app>ec] ao p das mais ricas6--diz a me enfatuada na sua fune/a vaidade4 99 99 99 99 99 ,*amam-se os pr(essores de dana1 de musica1 de l+uas1 de des5ho1 ou conduz-se a m59a ao collegio mais afamado em pr5das d'e/e g5]o4 ,algumas mes exigem tambem que z filhas apr5dam a bord> a l1 a bord> a ouro1 a bord> sobre escomilha1 a faz] cro*et1 flres1 pequ5os trabalhos de agulha1 proprios p>a ornam5tao de um qu>to de p5sioni/a +5ua4 ,outras1 mais dadas sci5cia1 qu]em uns elem5tos de geographia1 alguma hi/oria sagrada e pr(ana1 uma leve t9tura de ari?metica4 ,por cima de tudo i/o um p d\rado de devoo elegante1 m9i/rada pelo director das consci5cias d high-life4 ,no se admitte de modo n5hum que um velho sac]dote obscuro e despret5cioso1 cujos s]mes no t5ham fama1 cujas pr$icas no sejam ouvidas1 entre suspiros e lagrimas1 pelas devotas da ari/ocracia1 inicie a pequ5a neophyta nos my/]ios subtis da d\tr9a ca?olica4 indisp5savel um padre galante1 p]fumado1 e/rangeiro1 que torne o ens9o da religio alguma c\sa de arti/ico e de adocicado como elle4 ,sab] bem d\tr9a con/itue um dos dev]es de uma educao primorosa1 e no entanto a filha que apr5deu1 a me que a m&\ ens9>1 ignoram todos os dev]es a que e/a sci5cia1 a s] bem compreh5dida1 z obrig>ia4 ,sabem d\tr9a como sabem grammatica2 qu] diz] repetem de cr umas c]tas e det]m9adas regras de que no p]cebem a applicao pratica4 ,aos qu9ze annos a m59a prep>ada por e/es elem5tos tem a sua educao completa4 ,qu] seja filha de um duque1 qu] seja filha de um fabricante1 qu] o seu de/9o a res]ve p>a receb] n'uma sala fau/uosa os altos p]sonag5s da politica e da diplomacia1 p>a faz] p>te da crte1 p>a conviv] n'um p de intimidade com todos os gr&es1 e com todos os opul5tos2 qu] ella t5ha de p>tilh> z luctas obscuras de um mode/o empregado1 de um indu/rial de p\cos hav]es1 de um arti/a desprotegido1 a mesma a sua educao moral1 physica e intellectual4 ,e/ d mesmo modo prep>ada p>a z luctas e p>a os combates da vida2 tem a mesma =a nos musculos1 tem z mesmas faculdades no espirito1 tem z mesmas noes na consci5cia4 ,a burgueza ou a fidalga1 com tanto que t5ham d9heiro1 teem os mesmos direitos1 z mesmas aspiraes1 ambicionam p>a suas filhas o mesmo lug> na soci$ade4 ,mas o que deve confess>-se uma vez por todas que e/a educao1 toda vaidade1 toda orgulho frivolo1 toda inutil o/5tao1 convem to p\co filha da ari/ocracia e da opul5cia1 como filha da burguezia e da m$iocridade4 ,uma1 collocada nos altos p9c>os sociaes1 precisa de t] o juizo recto e seguro p>a conhec] os hom5s1 a graa ondeante e f9a p>a os attrahir1 o conhecim5to pr(undo dos seus int]esses e paixes1 p>a os concili> entre si2 precisa de fall> a cada um a l+uagem mais propria p>a o conv5c] e dom9>2 precisa de s]1 junto de seu m>ido um auxili> pr(icuo com que elle conte1 uma intima e fiel alliada1 que o ajude a cons]v> dignam5te a posio que h]d\ dos seus avs ou que conqui/\ com o brao e com o p5sam5to4 ,a outra1 n'uma esph]a que inf]ior da primeira1 segundo o ponto de vi/a social1 mas que de feito lhe sup]ior1 porque inclue mais altos e mais complexos dev]es--a outra precisa de desc] com seu m>ido ar5a onde combatem os mod]nos trabalhadores1 precisa de lhe s] em tudo e por tudo ajuda1 guia e conselho1 precisa de acceit> p>a si t]riveis responsabilidades1 p>a z quaes n5huma lio a prep>\6 ,dir-me-ho que o nivelam5to democratico das mod]nas soci$ades d a todos os mesmos direitos1 porque d a todos os mesmos dev]es2 que a me opul5ta e nobre que cria suas filhas nos ffos ocios da riqueza no sabe se em breve t] de vel-z curvadas ao peso da maxima mis]ia1 assim como a mulh] de um humilde empregado no sabe se v] sua filha asc5d] a uma prosp]a e brilhante posio1 elevada por um d'esses casam5tos que so vulg>es1 como d'antes eram r>os4 ,d'accordo1 meus s5hores2 mas essa hypo!se em c\sa alguma de/re a m9ha ass]o1 pois o que eu disse e repito que a educao fem99a1 tal como hoje a ent5dem1 p>a n5huma classe da soci$ade1 p>a n5huma posio brilhante ou prec>ia util ou conv5i5te4 99 99 99 99 99 ,que des5volvim5to moral1 physico ou intellectual1 pde adquirir-se p>t9do de to errados pr9cipios8 ,a que fim se aspira1 que fim se att+e1 alcan&o uma educao que tem por unica base a vaidade8 ,pois a mulh]1 que lev\ annos e annos da sua vida a adquirir conhecim5tos inuteis1 e/ porv5tura armada p>a resi/ir s t5taes1 s adv]sidades1 s mis]ias1 aos combates da vida8 ,imag9e-se1 em contraposio a e/a falsa cultura1 que con/itue o que os burguezes embebecidos em comico en?usiasmo *amam uma educao muito f9a1 imag9e-se que z mes1 junt&o-se n'uma pi$osa cruzada1 conseguiam cre> uma in/ituio mod]na1 onde suas filhas recebessem a educao que hoje lhes pod]ia s]vir1 p>a se torn>em uteis na soci$ade e na familia4 ,quantas vezes no t5ho eu ac>iciado em sonhos a ida d'essa escola-modelo1 onde a creana apr5desse a s] mulh]1 onde a mulh] apr5desse a s] me6 onde uma direco h>monica e intellig5te presidisse ao des5volvim5to d espirito e ao des5volvim5to no m5os sagrado d corpo2 onde a moral cam9hasse a p> da sci5cia1 onde a primeira noo que o ent5dim5to fem99o recebesse fosse e/a3 ,todo o trabalho nobilita e exalta a quem o executa com a consci5cia de cumprir um dev]6 ,eu no quiz]a por c]to proscrev] da educao da mulh] z graz1 que so p>a ella o que o p]fume p>a a flr4 ,no qu]ia vr o mundo conv]tido n'um viveiro de p$antes1 enfronhadas em sci5cia e torn&o antipa?ica a virtude1 =a de lhe d>em ares dogmaticos4 ,se a leitora suppe de mim tal abom9ao1 que eu bem p\co t5ho conseguido revel>-me aos seus olhos4 ,o meu int5to outro2 p]mitta-me que lhe torne aqui bem palpavel4 ,v4 exc4a1 m9ha s5hora1 tem uma filha1 um pequ59o anjo1 l\ro e risonho1 que n'e/e mundo o seu enlevo1 como que um bocad9ho d cu azul1 que lhe cahiu no seio n'um dia ab5oado4 ,tome o meu conselho3 no siga na educao d seu pequ5o amor o sy/ema que sua me seguiu comsigo1 que z suas amigas seguem com z filhas que teem4 ,crte de uma vez e/e fatal n gordio da tradico1 d co/ume1 da rot9a1 que faz morr] em flr tantas innovaes b5eficas4 ,t5ha a coragem das suas op9ies2 inutilise esse =moso e rico enxoval que umas modi/as banaes inv5t>am por ordem sua2 deite fra essas s$as1 essas r5das1 esses in/rum5tos de p]dio p>a a alma pequ59a que ,deus lhe confi\4 ,vi/a sua filha simplesm5te1 com um aceio gracioso e poetico1 que revele os seus desvelos de me1 mas que no d5uncie z suas vaidades de rica4 ,bem v que1 livre de todo aquelle fau/o que a incommodava1 como um lao de fita incommoda uma ave1 a sua doce pequ59a se s5te mais livre e mais cont5te4 ,eu bem sei que a9da ha p\co uma amiga sua1 pass&o por ella1 a m$iu dos ps cabea1 muito espantada e um p\co desd5hosa1 p]gunt&o a si mesma se v4 exc4a j no era to rica como ella julg\2 mas em comp5sao d'e/a pequ5a f]ida de seu amor proprio1 h\ve uma creana pobre1 que ao p>> junto da sua filh9ha1 ous\ e/5d] a bocca de rosas1 e beijal-a com um dce e frat]no beijo1 como os anjos se do entre si1 e p>a os quaes ,deus d alto da sua gloria teve sempre um sorriso bom6 ,que importam os desd5s dos p>vos e dos m$iocres aos que no teem z invejas dos mis]aveis a pez>em-lhe na cabea como uma et]na maldio6 ,qu&o a sua filha passa com o seu ve/id9ho branco1 muito simples e muito aceiado1 z mes pobres sorriem-se com amor por d\s motivos1 ambos santos3 porque ella no humilha n+uem1 e deixa uma esmola de po e um ra/o de luz no seu cam9ho de anjo inconsci5te4 ,oh6 como so doces ao corao das mes z b5os que se desfiam como um ros>io de p]olas sobre a cabea l\ra de seus filhos4 99 99 99 99 99 ,qu&o a intellig5cia j viva e lum9osa da sua filha lhe p$ir cultivo1 como z flores p$em agua1 no a =ce a um trabalho pesado e t5az1 nem to p\co lhe d da vida uma ida to frivola1 que ella s apr5da o que sup]fluo p>a no diz] inutil4 ,abra-lhe com a sua mo mat]nal to delicada e to subtil o va/o livro da natureza1 e deixe que ella1 enlevada e curiosa1 o folheie *eia de amor e de f4 ,toda a sci5cia se enc]ra n'i/o1 m9ha s5hora4 ,faa-a p5etr> na alma de todas z c\sas p>a que a vida se no cons]ve aos seus olhos inanimada e e/]il4 ,em vez de lhe ens9> a d\tr9a morta que vem nos livros1 leve-a br&am5te por um declive suave a compreh5d] o espirito d'essa lei1 que feita de tanto amor6 ,conte-lhe z mis]ias occultas que ha n'e/e mundo1 ens9e-a1 ou antes1 deixe que ella adiv9he como essas mis]ias se consolam pela esmola d po e pela esmola d c>9ho1 e1 qu&o ella volt> d alb]gue da desgraa1 ao seu lado1 calada1 p5sativa1 com os olhos cravados nas nuv5s al>anjadas d po5te1 p]gunte-lhe ento baix9ho1 com a sua voz de me1 a unica que nunca p]turba nem afug5ta os sonhos de uma virgem3--,compreh5des agora z palavras d ,*ri/o3 ,ama a ,deus sobre todas z c\sas e ao proximo como a ti mesmo8 ,s e/e comm5t>io das lies d ,ju/o pde faz] com que ellas dem ab5oados fructos6 ,em vez de lhe occult> os mil subt]fugios com que a maldade humana t5ta avassall> e corromp] a innoc5cia1 innocule-lhe l5tam5te com a sua palavra s]5a e firme a =a necess>ia p>a v5c] e dom9> z a/ucias crim9osas e traioeiras4 ,faa-lhe s5tir com a lio e com o exemplo que a mulh] tem quasi sempre em si o seu peior inimigo1 e que e/e inimigo1 que toma todas z frmas imag9aveis1 sempre no fundo o mesmo6 o orgulho4 ,que ella compreh5da bem que o dom9io que a mulh] ex]ce pela sua bondade nobilita aquelle que se lhe submette1 emquanto que o despotismo1 que tem como origem a belleza e a graa artificial das s$uces1 rebaixa o homem que o acceita1 e a mulh] que o pe em aco4 ,nas c\sas triviaes da vida pratica prep>e-a p>a todas z ev5tualidades4 ,que se no a*e deslocada n'um ?rono1 nem atraz d'um balco4 ,eis o ideal4 ,ha uma dignidade que e/ comnosco1 que p>ticipa da nossa propria ass5cia1 que provm da noo elevada que ns temos dos nossos direitos e dos nossos dev]es1 e que portanto indep5d5te de qualqu] circum/ancia ext]ior4 d'e/a dignidade que uma educao ju/a e =te deve d> mulh]1 e que em todas z p]ipecias da vida1 por mais desusadas e e/ranhas1 a deve acompanh>4 ,t] ba/ante humildade p>a ex]c] sem repugnancia os trabalhos m5os delicados1 e ba/ante sup]ioridade p>a compreh5d] a ida d dev] que os exalta e sobr$oira2 v] na vida1 primeiram5te z obrigaes1 depois z di/races1 eis aquillo que todas z mes devem ens9> s suas filhas4 ,no dia em que todas o s\b]em1 t]emos ento1 em vez das creanz fracas e inuteis1 que o homem ora protege1 ora escravisa1 segundo o impulso das suas ephem]as paixes1 uns s]es p5santes1 conscios da sua =a1 sem ambies desregradas de um pod] que lhes no deve p]t5c]1 sem a hypocrita humildade1 que faz de cada mulh] uma victima p\co sympa?ica4 ,z salas t]o m5os e/atuetas de biscuit amaneiradas e ridiculas1 mas a familia t] mais elem5tos na vida e durao2 os pianos deix>o de suspir> em n\tes de lu> z suas s5tim5taes confid5cias2 mas a v]dadeira compreh5so da arte1 da religio1 e da poesia p5etr> como por encanto nos ent5dim5tos fem9is4 ,t]emos emfim ao lado d batalhador das mod]nas lides uma companheira1 no s digna d'elle1 porm capaz de o levant> a um nivel que elle a9da1 desacompanhado e desprotegido1 no pde desgraadam5te att+ir4 ,,capitulo ,,vi ,leitura p>a nossas filhas ,m9ha qu]ida amiga3 ,disse-me hontem que sua filha t9ha esgotado a pequ5a biblio!ca infantil1 que a muito cu/o colligio p>a ella1 e que esse c&ido e lum9oso espirito1 de qu9ze annos exige en]gicam5te mais alim5to que a nutra e que a deleite4 ,p]gunta-me a respeito da leitura que ha de p]mittir a sua filha1 a m9ha op9io1 o meu conselho4 um caso difficil e/e que me prope4 ,lili uma graciosa e excepcional creatura2 tem a logica inflexivel das creanz intellig5tes1 tira rapidam5te a concluso das premissas que submettam ao seu crit]io4 ,a leitura pde faz]-lhe muito mal ou muito bem2 no pde de modo algum s]-lhe indiff]5te4 ,a m9ha amiga segu9do z tradices que j encontr\ ass5tes1 p]gunta-me se pde deix> l] a sua filha ,paulo e ,virg9ia1 esse idyllio que tem cem annos e que ameaa s] et]no1 ou ,jocelyn1 o poema mais p]igosam5te my/ico que eu conheo4 ,falla-me no ,g5io d ,*ri/ianismo1 de ,*ateaubri&1 e nas trag$ias sacras de ,rac9e4 ,no se lembra p>a sua filha de n5hum outro escripto e lembr\-se ju/am5te d'aquelles que s lhe podiam faz] mal4 ,antes de mais nada1 responda-me francam5te3 qu] faz] de sua filha uma mulh] solidam5te in/ruida ou ento uma mulh] ignorante8 ,qu] que ella saiba resi/ir s t5taes que =osam5te ha de encontr> na vida1 ou qu] que ella se cons]ve na mais completa e absoluta inexp]i5cia at edade em que ha de entregal-a ao homem que tem de s] seu m>ido8 ,da respo/a a e/as duas p]guntas que tudo dep5de1 porque segundo a ida que a m9ha amiga frma da educao de uma mulh]1 segundo o sy/ema que t5ciona pr em pratica com relao educao de sua filha1 o futuro d'e/a ha de lev> um outro cam9ho4 ,eu no posso diz]-lhe positivam5te3 faa i/o1 faa aquillo4 ,posso ap5as cont>-lhe o que fiz4 ,m9ha filha tem hoje v9te seis annos1 casada1 me1 e tem sabido cumprir a dupla e difficil misso que a sorte lhe confi\4 ,no sei se deva attribuir os m]itos que todos lhe reconhecem educao que procurei d>-lhe2 p>ece-me1 porm1 que sem falsa mode/ia pod]ei confess>1 que os meus cuidados no =am de todo inefficazes1 e que o muito que p5sei e m$itei sobre o c>act] da m9ha qu]ida filha1 me ajud\ a guial-o no cam9ho d seu ap]feioam5to4 ,ha g5te que diz que z mulh]es no devem l]4 ,no sei se alguma vez tem ouvido essas op9ies e/upidas ou p]fidas2 no lhes d cr$ito m9ha boa amiga4 ,eu no a*o m]ito algum mulh] ignorante1 que se resigna ao cumprim5to dos seus obscuros dev]es de todos os dias4 ,segue rot9eiram5te um cam9ho de que no conhece z difficuldades1 e se no se afa/a d'elle porque no sabe de n5hum outro4 ,a mulh] deve l]1 mas se mais t>de no pl5o uso das suas faculdades m5taes1 e da sua =a moral1 ella pde l] tudo sem p]igo1 indisp5savel que uma educao ant]ior a t5ha prep>ado e =talecido1 indisp5savel que haja o maior cuidado na cultura intellectual que ella deve receb] na infancia e na adolesc5cia4 ,diz-me a m9ha amiga1 que a maior p>te dos romances so immoraes1 que os que no so immoraes nos intuitos so p]igosam5te exaltados ou revellam ao espirito da mocidade quadros que ella no deve conhec]3 diz-me que a hi/oria de todos os povos no mais que um amontoado confuso de crimes e de vicios1 que a sci5cia e/ em contradico absoluta com z v]dades de religio1 e no meio das duvidas que se desnorteiam e assaltam quasi que pref]e condemn> sua filha a uma ignorancia que ao m5os a cons]ve simples de corao e tranquilla de espirito4 ,t5ho duas objeces a faz]-lhe m9ha amiga1 e p>ece-me que ambas ho de impression> o seu escl>ecido ent5dim5to4 ,em primeiro log>1 se consult> bem a sua consci5cia1 v] que transige por fraqueza e por preguia com a ignorancia de sua filha4 ,pref]e que ella no t5ha quasi nada1 a t] de se entreg> a trabalho difficilimo de escolh] com o mais delicado dos escrupulos o que ella deve sab]4 ,em segundo log>1 essa ignorancia1 que p>a a mulh] lhe p>ece o porto socegado e tranquillo onde ella rep\s> aff\tam5te1 p>ece-me a mim um banco de p]fidas areias onde facilm5te ella pde naufrag>4 ,j e/\ d'aqui prev5do a sua objeco4 ,mas eu no qu]o tal que m9ha filha seja ignorante4 ,pelo contr>io1 dei-lhe uma excell5te educao4 ,aqui no se tracta s5o das leituras que depois de educada eu lhe devo p]mittir ou recus>4 ,m9ha amiga1 creia i/o que lhe v\ diz]4 ,se sua filha no s\b] s5o o que tem apr5dido at agora1 de p\cos recursos fica munida p>a combat] na gr&e batalha em que vae entr>4 ,ens9\-lhe o ca!cismo1 bem sei2 ,lili fez j a sua primeira communho1 e respondeu ao exame de d\tr9a com admiravel facilidade1 e com uma memoria impecavel4 ,e depois8 ,em que que essas noes a auxiliam p>a que ella *egue a conceb] o bem absoluto1 a et]na ju/ia1 o ,espirito ,supremo que anima a gr&e natureza8 preciso que ella =me de ,deus uma l>ga e fecunda ida1 e z manife/aes da sua gr&eza no e/o no ca!cismo1 e/o espalhadas n'essa creao univ]sal que ella no sabe v] e que ella no conhece4 ,conhece a hi/oria pelos pequ5os opusculos *eios de todas z maculas e impurezas1 que deix>am *eg> s suas mos infants4 ,no s] uma irriso diz] que ella conhece a hi/oria8 ,sabe os nomes dos reis1 z datas dos seus nascim5tos e mortes1 coroaes e consorcios1 e os filhos que tiv]am e z cidades e villas que conqui/>am2 mas que ida tem ella d'essa hi/oria sublime1 que p>ticipa d drama e da epopa1 que tem pag9as doloridas e pag9as brilhantes1 que tem cantos triumphaes1 e gemidos de lutuosa angu/ia1 d'essa hi/oria em que e/o regi/radas tantas luctas h]oicas1 tantas conqui/as immortaes1 e que se *ama a hi/oria da humanidade8 ,no lhe p>ece que deve s] um e/udo elevado1 =tificante1 robu/ec$or1 que faz conhec] melhor1 os es=os titanicos que o homem tem empregado p>a alcanar a quasi omnipot5cia que hoje possue8 ,d homem rude1 primitivo1 inhabil1 rodeiado de p]igos p>a o corpo e de *im]as p>a o espirito1 esmagado pela =a brutal da natureza1 sem compreh5so d de/9o que o esp]ava e da misso a que v9ha1 at ao homem dos nossos dias1 ao rei1 ao victorioso1 ao v5c$or1 ao que tem dom9ado todas z tyrannias que o dom9avam1 que diff]5a enorme vae1 m9ha qu]ida amiga6 ,entre o pria errante das selvas pre-hi/oricas e esse triumphador que se *ama ,newton ou ,goe!1 ,claude ,b]n>d ou ,victor ,hugo1 ha a di/ancia de uns p\cos de milh>es de seculos1 que preciso conhec] ao m5os pelos m>cos milli>ios que teem assignalado a passagem dos mais illu/res cam9hantes n'essa e/rada lum9osa que se *ama civilisao4 isso que eu *amo conhec] a hi/oria4 ,d'essa sci5cia o espirito de sua filha1 curioso1 vido1 ab]to p>a todas z gr&es c\sas1 s pde colh] proveito1 um enorme proveito cujo alcance mal lhe posso explic>6 ,dir-me-ha que n'essa hi/oria ha crimes ignobeis1 ha quadros revoltantes1 ha hom5s condemnados cujo contacto pde f]ir o delicado e orig9al espirito de uma creana4 ,oh6 mas tambem ha m>tyrios1 sacrificios1 abnegaes1 arrojos sublimes6 ,se ha crim9osos1 tambem ha h]oes2 se ha algozes1 tambem ha m>tyres2 se ha mon/ros1 tambem ha santos4 ,deixe que no c]ebro da creana se faa a my/]iosa elaborao de que ha de sahir o culto pelo que fr bello e bom1 o odio racioc9ado e viol5to a tudo que fr abjecto e vil1 a compaixo virtuosa e div9a p>a tudo que fr fragil e ignorante6 ,ponha nas mos de sua filha todos os cantos d'essa epopa enorme4 ,faa-lhe lr com att5o essa hi/oria1 e qu&o ella tiv] *egado ultima pag9a1 s] mulh]4 ,uma mulh] in/ruida1 uma mulh] =te1 capaz de s] esposa digna1 e me desvellada1 t5do apr5dido a conhec]1 comp>>1 julg> e a p5s>4 ,no sei se compreh5deu bem a ida que procurei expr-lhe4 ,apontei a traos l>gos a direco una que deve d> s leituras de sua filha4 ,i/o a que *amei conhec] a hi/oria1 no 1 como viu1 l] simplesm5te os hi/oriadores4 lr1 dom9ada por uma ida de elevada critica1 que z conv]saes d'uma me intellig5te podem d>1 todas z que t5ham trazido a e/e !s\ro =mado pelos seculos1 algum conhecim5to precioso e util4 ,os bons hi/oriadores como ,macaulay e como ,h]culano1 os poetas que vivificam e animam o passado1 que entram no espirito de todos os seculos1 como ,mi*elet3 os viajantes intrepidos1 os exploradores1 os navegantes1 os hom5s de sci5cia1 conqui/adores tambem e dos mais gloriosos2 os morali/as1 os criticos1 todos aquelles que buscam lealm5te a v]dade e que aspiram ao ap]feioam5to d homem4 ,fallei-lhe de ,mi*elet e deixe-me diz]-lhe o que p5so d'elle4 o corao mais apaixonado de ju/ia que eu conheo1 o que o no priva de s] inju/o muitas vezes2 mas tem uma alma to gr&e1 tem uma compreh5so to viva d bello1 tem faculdades arti/icas to pod]osas1 que p>a mim no ha companheiro melhor p>a um espirito moo4 ,deixe que sua filha leia muito ,mi*elet4 um gr&e me/re4 ,atravez d'elle ella sab] s5tir melhor1 am> com um amor mais intellig5te a natureza4 ,mi*elet tem a dura mis]icordiosa que r$ime e levanta os humildes e anima os fracos1 tem a paci5cia que p5etra no intimo dos sres mais inf]iores1 e que o illum9a de uma luz sympa?ica4 ,sabe faz] v] tudo1 sabe explic> todos os my/]ios4 um g5io que tem alguma c\sa de propheta4 ,como bom1 div9am5te bom1 o contacto d'aquelle espirito1 d bondade e =a4 ,p>a elle no ha na natureza1 nada que t5ha vida1 e no t5ha alma6 ,da planta ao mollusco1 e d mollusco ao homem tudo que vive ama1 e tudo que ama tem direito ao nosso amor4 ,doce philosophia que nos ens9a o segr$o de todas z mis]icordias6 ,m9ha qu]ida1 a9da que p>a mim ,mi*elet seja o melhor dos poetas1 no ent5do que das leituras de uma m59a se deva proscrev] implacavelm5te a outra poesia4 ,qu&o digo i/o refiro-me poesia rimada1 que canta no ouvido1 com uma musica que muitas vezes traioeira4 ,procure no entanto que seja o mais t>de possivel1 que essas vozes de s]eia p5etrem no ouvido de sua filha4 ,oh6 que preciso muita =a p>a resi/ir influ5cia dissolv5te que ellas teem em ns4 ,nunca p]ca de vi/a que a vida um combate1 um rude e t]rivel combate1 e elles os que cantam e os que *oram em vez de inocul>em no espirito a =a de que e/e precisa1 tornam-n'o debil1 amollecem-n'o1 em voluptuosidades en]vantes4 ,n+uem tem m$o de ,lam>t9e4 ,z mes do-n'o a l] s suas filhas1 os noivos do-n'o de pres5te s suas noivas4 ,p>a todos elles o mais puro dos poetas1 um cysne que nunca macul\ z suas p5nas brancas no lodaal das paixes insalubres6 ,no se illuda com e/e juizo que univ]salm5te se =m\ a respeito de ,lam>t9e e dos melancolicos da sua escola4 ,que maior p]igo p>a uma alma juv5il d que a aspirao a um ideal impossivel8 d que a s$e de v5turas irrealisaveis e d que o sonho de amores que no exi/em8 ,e depois os poetas inconsolados e inconsolaveis no ens9am a luct> contra z magoas da vida4 ,ens9am a curv> a cabea aos golpes da fatalidade1 ens9am a *or> cov>dem5te1 a delici>-se nas agonias1 a sabore> a dura debilisadora das lagrimas6 ,saudemos os que combatem virilm5te1 os que v5cem a desgraa1 os que furtam a sua alma s languidas tri/ezas da desesp]ana1 saudemos os que so =tes1 alegres e bons4 d'essas intellig5cias eleitas1 que sua filha deve sm5te alim5t>-se4 ,ella ha de qu]] l] romances4 natural4 ,os romances so a fantasia1 e na vida das mulh]es a fantasia tem um gr&e log>4 na escolha d'esses que precisa t] o maior cuidado4 ,proscreva sem d1 da biblio!ca de sua filha1 z obras primas dos romanci/as francezes4 ,balzac um anatomi/a implacavel4 ,os seus romances matam a flr da f na alma dos innoc5tes4 ,georg ,s& um bello anjo revoltado4 ,tem o orgulho de ,satanaz na imag9ao de uma mulh] apaixonada4 ,octave ,feuillet to f9o1 to delicado1 s deve s] lido depois dos tr9ta annos4 ,daudet um delicioso romanci/a1 comeou a escrev] n'uma poca do5tia2 ha n'elle um no sei que de morbido que entri/ece e que faz mal4 ,escusa de procur> m9ha amiga4 ,ns z mulh]es p>a quem a vida j no tem segr$os1 adoramos esses escriptores1 porque elles contam-nos o que j t9hamos adiv9hado1 relembr&o-nos o que t9hamos s5tido2 descrevem-nos o que t9hamos a curiosidade de conhec]1 mas z creanz que os l]em devem exp]im5t> bem dolorosas surprezas4 a litt]atura +leza a mais rica1 a mais fecunda no g5]o que procura4 ,walt] ,scott um v]dadeiro poeta1 reviv] p>a sua filha z sc5as mais pittorescas de um passado av5turoso4 ,puros amores1 en?usia/icos gu]reiros1 h]oismos nacionaes1 s5tim5tos c>act]i/icos de uma raa en]gica e arrojada1 incid5tes romanescos1 mas de um romanesco so1 tudo que tem o pod] de enlev> e attrahir a imag9ao colorida e ard5te de uma mulh] de p\cos annos4 ,no ha creaes fem99as mais diliciosam5te virg9aes d que z d romanci/a escossez4 ,z suas mulh]es1 como z mulh]es de ,sakspe>e1 como z mulh]es de ,dick5s1 so feitas de um raio de lu>1 de uma petala de rosa1 de um canto de r\x9ol4 ,o crime nem de leve se approxim\ d'ellas2 o vicio1 de env]gonhado1 cra na sua pres5a2 no conhecem z ms t5taes1 z vigilias ard5tes1 os sonhos que p]turbam e agitam a alma das outras mulh]es4 ,que doces e qu]idos exemplos6 que bellas e radiosas companheiras4 ,z escriptoras +lezas seguiram a t5d5cia moralisadora da sua nao4 ,os livros de algumas d'ellas teem a graa d'um n>r> discreto e nuanc4 ,no se queixe de que no pde d> sua filha romances que a di/raiam1 sem a inquiet>em4 ,dick5s o mais en]gico e conv5cido dos morali/as1 ,mrs4 ,graswell1 ,br\te1 ,georges ,elliot e muitos mais que no t5ho tempo de enum]>1 ahi e/o p>a desm5tirem4 ,que sua filha entremeie a leitura de escriptores mais in/ructivos com e/a outra leitura am5a e agradavel1 e v] como ella apr5de a goz> da companhia dos bons livros1 e a disp5s> z futeis di/races mundanas que e/]elisam o espirito1 e o tornam mesqu9ho e baixo4 ,assim1 absorvida pelo e/udo bem dirigido1 pelas elevadas di/races intellectuaes1 assim educada1 =talecida1 illucidada1 v] como ella *ega edade propria de escolh] o seu de/9o1 possu9do um so crit]io1 uma p5etrao delicada1 uma firmeza de pr9cipios que a ponha ao abrigo de qualqu] t5tao m5os digna4 ,conhec5do o bem e o mal1 e compreh5d5do o que um e outro significam e valem1 sab] o que no sabem os ignorantes1 sab] escolh] o cam9ho que tm de seguir se lhe confi>em a escolha4 ,p>ece-me que p>a *eg> a e/e fim a leitura1 o cuidadoso cultivo da intellig5cia devem s] auxili>es preciosos1 no a*a8 ,encontramos e/a c>ta nos papeis velhos de uma excell5te amiga nossa1 e sem a corrigir vimos (f]ecel-a s nossas leitoras4 ,,capitulo ,,vii ,z dactas d'uma vida ,a ida p>a o collegio --,ento a*a/e o que procuravas8 --,a*ei4 ,eu t9ha consultado a e/e respeito a b>oneza de ,s41 que tem1 como sabes1 imm5so juizo4 ,indic\-me o collegio de ,m4me ,maubry4 ,uma franceza elegantissima4 ,p>ece-me que fiquei muito bem s]vida4 --,tu que fo/e ao collegio fall> com a directora8 --,pois a quem havia eu de confi> similhante enc>go8 ,fui1 vi1 julguei por meus proprios olhos1 e fiquei satisfeita4 --,o collegio e/ bem situado8 --,sim4 ,e/ n'um sitio muito c5tral1 muito concorrido1 tudo muito mo4 ,um con/ante vai-vem de c>ruag5s1 que nas horas de recreao ha de di/rahir imm5so z creanz4 --,e a respeito de j>dim p>a ellas corr]em8 --,tem um j>dim pequ5o1 mas muito bonito1 muito bem tratado1 +leza4 ,conhece-se primeira vi/a a ob$i5cia e a docilidade das discipulas1 olh&o p>a o j>dim4 ,nem um ve/igio de travessuras infants4 ,uma limpeza ideal nas pequ5as ruas aradas4 ,fui l na hora d recreio da t>de2 &avam z m59as passei&o e conv]s&o com uma gravidade6 uma compo/ura644 p>eciam s5horas em m9iatura644 ,a*ei engraadissima aquella p>odia de uma das nossas salas4 --,a9da bem que me contas isso tudo1 ,ma?ilde4 ,&o com vontade de mett] z m9has pequ5as em um collegio1 porque e/o de uma maldade644 ,no pra nada com ellas6 ,importunam-me extraord9>iam5te4 ,tu sabes4 ,nem eu nem o pae go/amos de b>ulho1 e d\s diabretes em uma casa pequ5a1 de se morr]4 ,decido-me pelo teu collegio4 ,p]gunta/e o que l ens9am4 --,oh6 a esse respeito podes e/> descansadissima4 ,uma p]feita educao de s5hora4 ,m4me ,maubry o typo da p>isi5se delicada e graciosa4 ,tem um cuidado inexc$ivel com z maneiras das discipulas1 com o seu modo de se apres5t>em1 com a sua toilette4 ,disse-me ella que t9ha por sy/ema1 d>-lhes desde muito c$o o go/o de agrad>em na soci$ade1 de excit>em em torno de si uma s5sao agradavel444 impregnal-z d'aquella graa especial que con/itue a mulh] d mundo644 ,approvo imm5so aquella maneira sup]ior de ent5d] a vida social4 --,mas no me falla/e a9da da in/ruco que recebem z discipulas444 --,oh6 j se v1 correspond5te ao re/o4 ,l+uas444 nas l+uas ,m4me ,maury tem um apuro especial4 ,piano1 canto1 um p\co de hi/oria1 de geographia1 dana1 des5ho1 v>ios bordados1 etc41 etc4 ,creio que o suffici5te p>a brilh> entre z primeiras4 ,m4me ,maubry segue o sy/ema mod]no no que elle tem de muito aproveitavel4 ,m9i/ra a in/ruco br9c&o por assim diz]4 ,ha conc]tos semanaes em que figuram z melhores discipulas2 ha cursos de conv]sao2 ha n\tes em que se l alto1 se recita ou se repres5ta4 ,n'uma palavra1 o fim d'ella torn> deleitoso o e/udo1 e des5volv] a emulao entre z discipulas4 ,como v]dadeira franceza1 p]cebeu que a vaidade o motor pr9cipal da mulh] e444 --,m9ha qu]ida1 int]rompeu n'e/e mom5to o m>ido da oradora2 faze o que quiz]es1 vi/o que tive a imprud5cia de te jur> que educ>ias tua filha con=me te apr\vesse e sem que eu nunca entrasse n'isso2 mas o que desde j te affirmo que a tua ,m4me ,maubry uma corruptora inconsci5te da mocidade1 e que a tua filha nunca pass> de uma boneca6 99 99 99 99 99 ,durante z f]ias --,mam1 eu antes qu]o o lao cr de rosa444 --,pois faz a ,lili muito mal4 ,o azul fica-lhe muito melhor4 ,olha que no baile infantil ho de e/> muitas companheiras tuas d collegio4 ,que alegria p>a ellas se te virem feia6 --,alegria1 mam8 ,alegria porque8 ,z m59as d meu collegio so todas m9has amigas1 ho de go/> muito de me v] bonita e bem ve/ida4 --,assim s]1 m9ha filha1 mas z mams d'ellas que com c]teza ho de t] inveja de mim se tu =es a mais l9da1 a mais bem ve/ida1 a que danar melhor6 ,*ega-te aqui ,lili6 ,deixa-me annell> os teus cabellos4 ,assim que ficas bonita1 ouvi/e8 ,levanta os teus olhos p>a mim1 so to bonitos os teus olhos644 --,a mam qu] que eu levante os olhos8 ,m4me ,maubry ralha commigo por eu os levant> de mais4 ,diz ella que uma m59a deve &> sempre de olhos baixos1 deve cr> de vez em qu&o444 nunca se deve rir com vontade4 --,m4me ,maubry diz-te isso844 --,diz1 mam1 e que assim que z s5horas agradam e se tornam amaveis4 99 99 99 99 99 --,ento1 m9ha ,lili1 tu e a mam div]tiram-se muito no tal baile infantil8 --,ah6 pap1 no imag9a6 ,dancei muito1 e todos me diss]am que eu era a m59a mais bonita que l e/ava4 -- v]dade6 a ,lili e/ava encantadora4 ,no imag9as como a elogi>am6 ,todas me p]gunt>am onde ella apr5deu a danar4 --,e a mim tambem1 mam4 ,z outras m59as p]gunt>am-me onde era o meu collegio4 --,vs6 dizias tu1 meu m>id9ho ralhador1 que ,m4me ,maubry era uma pr(essora m4 ,v o triumpho que teve a nossa filha no primeiro dia em que app>eceu em publico6 ,lili1 corada de alegria1 foi d> uma pirueta defronte d espelho4 ,a primeira communho ,acab\ agora mesmo de ve/ir-se4 ,branca1 branca que p>ece uma pomba4 ,o vu de gaze cahe em prgas soltas e ondeantes por sobre aquelle corpo esbelto e franz9o1 de #ad annos2 a cora de rozas emmoldura-lhe deliciosam5te a fronte eburnea e levem5te sombreada por uns toques de infantil melancolia4 ,a*a-se l9da1 e s5te que todos que a virem ho de a*al-a assim6 ,d5tro da sua alma resa como que um cantico de orgulho6 ,vae s] noiva d ,s5hor1 vae receb] pela primeira vez no puro tab]naculo d seu corao a visita my/]iosa d ,esposo6 ,o seu director espiritual1 um moo sac]dote francez1 f9o1 l\ro1 delicado1 com uma voz br&a e p]suasiva1 com umas mos brancas1 de c>deal1 com uns ge/os l5tos e graves de irrepreh5sivel bom go/o1 acab\ hontem de a conduzir at aos umbraes d'essa nova vida1 em que ella vae p5etr> j consci5te d que e d que vale4 ,que dura my/ica t9ham z palavras d'aquelle padre6 ,eram t]nas1 unctuosas1 de uma graa desconhecida6 ,at alli p>a ella a religio fra um no sei qu de vago1 tri/e e indef9ivel1 mais p>a assombro e t]ror d que p>a delicioso extasi444 ,o ,*ri/o macil5to e ensangu5tado1 com a fronte coroada de esp9hos1 e o corpo cravejado de prgos1 d]a-lhe a ida de uma angu/ia desoladora e desesp]ada1 que s vezes en*]a de lagrimas a sua pequ59a alma de dez annos4 ,porque s]ia que1 voz d moo confessor1 o ,m>tyr d ,calv>io como que se t9ha transfigurado aos olhos d'ella8 ,o padre p9t>a-o bello1 radiante de mocidade1 prodigo de ineffaveis esp]anz1 *am&o a si z almas virg9aes1 e promett5do-lhe a et]nidade no amor1 a radiosa alegria das nupcias cele/iaes4 ,era uma nova musica1 a que elle fiz]a vibr> aos ouvidos da g5til neophyta1 que s5tia1 sem sab] como1 inundal-a uma alegria anciosa1 um pungitivo arrebatam5to1 inteiram5te desconhecido ao seu passado6 ,e olhava p>a o espelho1 e s5tia-se bella1 moa1 radiosa de vida e de esp]anz1 com um pr(ano desejo de alegrias novas1 de triumphos ignorados a alvoroar-lhe o seio juv5il4 ,e agit&o em torno de si z prgas fluctuantes d vo de noiva d ,*ri/o1 baix\ os olhos languidos sobre o livro das oraes e leu em voz baixa e palpitante z palavras sagradas1 na l+ua melodiosa em que se habitu>a1 por um requ9te de ari/ocracia1 a fall> com ,deus3 ,oh6 v5ez le bi5-aim de mon coeur6 v5ez1 ,agneau de ,dieu1 *air adorable1 v5ez s]vir de n\rriture mon me6 ,que je te voie1 le ,dieu de mon coeur1 ma joie1 mes dlices1 mon am\r1 mon t\t6 ,qui me donn]a des ailes p\r vol] v]s toi6 ,mon me loigne de toi1 impati5te d'tre remplie de toi1 languit1 te s\haite avec ardeur et s\pire aprs toi1 mon ,dieu1 mon unique bi51 ma consolation6 ,embrase moi1 mon ,dieu1 brule1 consume mon coeur de ton am\r444 ,mon bi5-aim e/ moi ,o que1 traduzido na nossa l+ua1 decididam5te reputada impropria p>a fall> com a ,div9dade1 significa p\co mais ou m5os a segu9te edificante decl>ao de amor3 ,vem1 amado da m9h'alma6 cordeiro de ,deus6 c>ne que eu adoro6 vem s]vir-me de alim5to ao corao6 ,qu]o v]-te1 oh ,deus amado1 m9ha alegria1 m9ha delicia1 meu amor1 meu tudo6 ,quem me d]a azas com que voasse p>a ti6 ,m9h'alma afa/ada da tua pres5a almeja por se impregn> de ti1 enlanguece1 deseja-te com ardor1 e suspira por ti1 oh meu ,deus1 oh meu unico bem1 m9ha consolao6 ,abraza-me oh ,deus6 queima1 consome o meu corao com z *ammas d teu amor644 s meu1 oh bem amado1 p]t5ces-me6 ,na volta d baile ,lili vem extraord9>iam5te pallida e p5sativa6 ,z brancuras opalisadas d alvorec] p5etram atravez dos vidros da c>ruagem1 e como que c+em de uma graa ideal os contornos delicados d seu ro/o1 que o capuz de baile emmoldura em alvas r5das4 ,danou at s seis da manh2 vem cansada1 abatida1 toda ennovellada nos ffos cox9s d seu c\p1 mas vem p5s&o muito4 que o viu no baile1 e lhe diss]am que elle s]ia o seu m>ido4 ,o pae antes d'ella p>tir de casa--ve/ida de tulle e r5das1 coroada de myosotis1 e com um coll> de p]olas lacteas e iriadas1 a affag> voluptuosam5te a transp>5cia rosea d seu collo--o pae1 antes d'ella p>tir1 diss]a-lhe gravem5te1 mas com uma gravidade em que havia muito affecto3 --,elle moo1 nobre1 h]deiro de uma casa riquissima4 ,a familia deseja e/e enlace4 ,no te qu]o =ar1 ,lili2 mas1 se go/>es d'elle1 approv>ei com en?usiasmo essa affeio6 -- moo e nobre1 p5sra ,lili comsigo4 ,hei de amal-o por =a4 ,t] maneiras di/9ctas1 um porte correcto1 um sorriso levem5te desd5hoso4 ,e dir amo-te1 com uma graa f9a e sup]ior6 ,depois1 proporo que o baile se ia approxim&o1 com o espl5dor pre/igioso dos seus lu/res1 com o capitoso aroma das suas montanhas de flores1 com z prismaticas sc9tillaes dos seus diamantes1 com o ruge-ruge que fazem ouvir z s]p5tes e z s$as1 ,lili p5sava que era positivam5te uma c\sa agradabilissima s] rica6 --,irei muitas vezes ao baile1 ouvirei em torno de mim o murmurio discreto de admirao que enl\quece z mulh]es1 t]ei ve/idos de velludo negro1 com diademas de brilhantes a mord]em o ouro fulvo dos meus cabellos6 ,invej>-me-ho1 e qu&o eu sahir acclamada e triumphante das salas em que fr ra9ha1 deix>ei no meu cam9ho um ra/o de admiraes apaixonadas6 ,vira-o no baile1 fall>a com elle1 t9ham danado juntos4 ,p]ceb]a que o noivo que lhe de/9avam era um pobre rapaz1 ignorante e enfatuado1 muito feliz de s] nobre1 de s] rico1 e de hav] mulh]es que em torno d'elle cubiassem o seu titulo futuro e a sua riqueza pres5te4 ,apes> d'isso1 ,lili e/ava cont5te4 ,era ella que elle pref]ira1 e vi/o que elle era rico1 t]ia c>ruag5s1 d>ia bailes e fe/as1 t]ia um modo orig9al1 sev]o e elegante de ve/ir-se1 z suas amigas imit>iam a mobilia das suas salas1 e o feitio dos seus *apu1 s]ia uma das r>as mulh]es que sabem goz>1 em toda a sua pl5itude1 a vida social no que ella tem de fa/oso e brilhante4 ,que importa que elle no saiba diz] amo-te com a voz que ,lili t9ha sonhado6 ,a troco d seu ouro1 ouviria dos labios d'ella sem hesitao e sem lagrimas z palavras my/]iosas que a mulh] pura s deve diz] ao eleito d seu corao1 z palavras magicas3 ,s\ p>a sempre tua6 ,dez annos depois ,j lhe no *amam ,lili4 condessa4 ,tem um palacio mage/oso e sev]o1 povoado com obras primas de todas z artes e de todas z civilisaes4 ,z fe/as que ella d so citadas pela sua pompa sev]a e arti/ica1 pela sua graa pr9cipesca1 pelos requ9tes de bom go/o que z s+ul>isam entre todas4 ,tem um povo de criados correctam5te respeitosos1 que ob$ecem a cada um dos seus acc5os4 ,z suas c>ruag5s qu&o passam ao trote l>go dos f9os cavallos +lezes excitam a admirao dos ent5didos e a inveja dos pr(anos4 ,a condessa nunca e/ s4 ,hoje uma recepo a que no pde falt>1 manh um baile1 no outro dia um jant> diplomatico1 e z mil praticas da sua devoo ari/ocratica1 e z pequ5as soires intimas que d1 e z fe/as a que preside em sua casa1 e que o seu go/o escrupuloso e cultivado dirige desde os m9imos accessorios4 ,tudo i/o lhe pr5de o tempo1 a absorve e a di/rae4 ,tem duas filhas444 que uma gov]nante +leza educa e acompanha4 ,tem um filho444 que e/ no collegio4 ,tem m>ido444 que &a sempre por fra6 ,s] feliz8 ,quem ha que o possa diz]8 ,na sua pallida fronte m>morea no se reflecte s5o uma sombra4 a mulh] d mundo na sua accepo mais g5u9a4 ,viveu e vive da mon/ruosa vaidade que desde a infancia lhe d]am por exclusivo alim5to4 ,sabe que bella1 invejada1 cubiada1 admirada1 odiada at6 ,i/o ba/a-lhe1 isso a sacia e satisfaz6 ,na velhice ,e/ s5tada ao fogo na va/a sala opul5ta povoada como outr'ora por tudo que ha mais bello e mais luxuoso4 ,um gr&e c&ieiro espalha1 atravez d seu globo fosco1 uma luz discreta e tranquilla sobre a mesa oval *eia de bagatellas preciosas4 ,a condessa e/ s1 e os seus olhos baos e amortecidos seguem z *ammaz9has iriadas d fogo com uma insi/5cia p5sativa4 ,com a =mosura p]deu a =a dom9adora que a tornava pod]osa e qu]ida4 ,os amigos da hora dos triumphos povoam agora z salas illum9adas e fe/ivas onde suas filhas j casadas segundo z conv5i5cias da alta posio que occupavam1 cont9uam a vida de que sua me lhes dra o exemplo t5tador4 ,o seu confessor comea a s5tir-se cansado d escrupulo esmiuador com que a condessa aproveita os longos ocios da solido p>a esgravat> pi$osam5te nos mais escuros escan9hos da consci5cia4 --,m9ha s5hora1 diz-lhe o bom d abbade1 que j no era o moo almisc>ado dos dias da mocidade1 e que ganhra em abdom5 o que p]d]a em my/ica elegancia2 m9ha s5hora1 no nos p]camos em fune/os exag]os4 ,deus no qu] a morte d peccador1 snr4a condessa4 ,nem essa di/raco ultima lhe ficra4 ,z praticas adocicadas d confession>io1 aquelles extasis a um tempo deliciosos e pungitivos1 z confid5cias segr$adas a meia voz1 a analyse f9a e delicada dos peccados mais subtis1 tudo isso lhe falta p>a suprema di/raco4 ,no fim de contas a sua vida no fra mais d que um sonho fru/rado1 a c>reira impetuosa e desvairada atrs de uma sombra que fugia sempre6 ,no tiv]a z livres e salut>es expanses da alegria infantil1 no tiv]a os sonhos c>iciosos e ideaes da adolesc5cia1 no fra filha1 nem amante1 nem esposa1 nem me6 ,agora j no sab]ia ao m5os s] av6 ,e pelos recantos sombrios d apos5to enorme1 a condessa julg\ v] deslis> uma pequ59a figura de cabea annellada e l\ra1 uma figur9ha que dava pelo nome de ,lili6 ,era o phantasma saudoso de sua infancia que pass>a6 --,m9has filhas--murmur\ baix9ho a altiva s5hora1--p]doae-me pelo amor de ,deus1 assim como n'e/e mom5to eu p]do m9ha me6 ,,capitulo ,,viii ,casam5tos pobres e casam5tos ricos ,uma das accusaes mais frequ5tes que hoje se dirigem aos hom5s que elles so egoi/as1 int]esseiros1 que introduzem o calculo e z f9anz no que devia s] um impulso espontaneo d corao1 que confundem um p\co nos seus sonhos d futuro o m]cantilismo e o amor4 ,eu1 que no go/o de julg> sem t] conhecido ao m5os z causas que produzem um c]to e det]m9ado effeito1 lembrei-me de obs]v> de p]to1 nos co/umes e praticas de todos os dias1 se eram realm5te bem cabidas z c5suras frisantes que por ahi ouo cont9uam5te poro mais feia da humanidade4 ,uma cabana e o teu corao6 eis o que antigam5te soluavam aos ps das suas deusas de biscuit os trovadores de algodo em rama4 ,um rez de *ausse muito commodo e quatro contos de ris de r5dim5to6 eis o m9imo a que hoje aspiram nas suas suspirosas alegrias os pret5d5tes mais positivi/as da nossa quadra utilit>ia e m]cantil4 ,mud\ a tal ponto o corao humano1 que j os s9c]os e impetuosos s5tim5tos no possam acclimat>-se n'elle8 ,i/o cam9ha n'uma tal e to rapida decad5cia1 que tudo que era bom1 hone/o1 s9c]o no amor1 t5ha fugido assu/ado p>a outras regies a9da inexploradas8 ,s9c]am5te no o acr$itamos4 ,em primeiro log>1 em todas z pocas e em todos os paizes1 o des9t]esse absoluto1 o completo despr5dim5to dos b5s da t]ra1 foi c\sa muito r>a1 e muito p>a not>-se com espanto4 ,que o digam os clau/ros sem conto1 povoados de pallidas monjas juv5is1 que o mundo expulsava d seu seio1 por no tr que lhes d> n5huma das alegrias naturaes que so o apanagio mais c>o da mulh]6 ,se alguma diff]5a temos que apont> so z conqui/as alcanadas pela familia1 nos t]r5os que at aqui usurp>a o egoismo e a ambio d homem4 ,mas1 admitt9do mesmo que se acc5tue na nossa poca1 com uma c]ta =a o int]esse pessoal1 que um dos elem5tos mais e/]ilisadores que pde exi/ir na soci$ade1 no demos s ao homem a culpa de essa t5d5cia nefa/a4 inconte/avel que proporo que z civilisaes se des5volvem1 crescem z necessidades1 cresce o amor d luxo1 sem que p>a todos cresam proporcionalm5te os meios de satisfaz] essas aspiraes fataes4 ,no portanto espantoso1 que o homem1 a9da o mais d$icado e cr5te1 antes de tom> aos hombros o pesadissimo enc>go da familia1 mea z suas =z1 calcule com preciso ma!matica os meios de que dispe p>a cumprir z obrigaes que acceita1 e muitas vezes diante da gr&e desproporo que encontra entre aquelles e e/as1 suffoque a voz d s5tim5to e siga os au/]os e aridos conselhos da razo6 que a familia1 tal como e/ con/ituida na sua g5]alidade1 e/abelece um gr&issimo desequilibrio entre os dev]es d homem e os dev]es da mulh]4 ,se a e/a1 em face da consci5cia e da razo1 cabe a t>efa mais esp9hosa1 a misso mais elevada e mais complexa1 nem por isso1 logo que ella fe*a os ouvidos a e/a voz sup]ior que to p\cas escutam e que to p\cas ent5dem1 se a*a realm5te =ada a outra c\sa que no seja consumir sem produzir1 receb] sem d>1 acceit> proteco1 amp>o1 ajuda1 sem pag> e/es b5eficios com b5eficios equival5tes4 ,queixam-se d homem porque elle conta com o dote da noiva1 e e/e entra com ba/ante peso na balana dos seus affectos4 ,que dizem ento da mulh] que casa p>a s] livre1 p>a s] indep5d5te1 p>a t] diamantes e r5das preciosas1 p>a frequ5t> os bailes1 os !atros1 os passeios1 p>a s] uma taboleta ambulante d luxo real ou d luxo hypo!tico d mnage8 ,imag9e-se1 por in/antes um rapaz moo1 intellig5te1 *eio de aspiraes ss1 de boa vontade e de en]gia1 dotado de ricas faculdades intellectuaes1 capaz de conqui/> =a de p]sev]ana1 de trabalho e de privaes1 um lug> di/9cto na sci5cia ou na indu/ria1 na politica ou no magi/]io4 ,no tem d9heiro1 ou tem ap5as uma pequ5a =tuna que o pae lhe leg\1 juntam5te com um nome honrado4 ,s5te a natural aspirao de complet> a sua exi/5cia1 un9do-se mulh] que mais ou m5os lhe povo\ os sonhos de adolesc5te4 ,no tem tempo p>a escolh]2 absorve-o o trabalho a que =osam5te tem de consagr> quasi todas z suas horas4 ,no tem um conhecim5to pr(undo da natureza fem99a4 ,os nossos co/umes com z suas res]vas hypocritas1 com z suas precaues re/rictas1 que do ida p\co lisongeira d pudor e da ca/idade das mulh]es portuguezas1 oppoem-se a que o homem t5ha d'ellas um conhecim5to que no seja frivolo1 ridiculo1 sup]ficial--o conhecim5to que se adquire em uma sala entre duas quadrilhas s5saboronas1 ou n'um cam>ote durantre um entre-acto *eio de t$io4 ,no pde pr-se pelo mundo busca de uma excepo3 o molde das nossas m59as da soci$ade v>ia muito p\co4 ,todas sabem bord> a matiz1 toc> a ,somnambula e o ,trovador ao piano1 faz] h\sses de cro*et1 papague> em duas ou tres l+uas pu]ilidades comicas1 danar os ,lanceiros e critic> z amigas intimas4 ,n'e/as circum/ancias o que pde faz] o pobre moo8 ,ou resi/ir s solicitaes impetuosas da mocidade1 necessidade in/9ctiva que s5te d con*g de familia1 d'aquelle sweet home que tanto imp]io tem no corao de todo o homem de p5sam5to e de trabalho2 ou tem de cont5t>-se com a escolha feita pressa de uma d'essas ra*iticas flres de salo4 des9t]essado no s5tido mais amplo da palavra1 tem aquellas santas utopias que so a suprema riqueza dos v9te annos2 na sua escolha imp]a tudo m5os o calculo e a ari?metica4 ,pref]e1 pois1 uma noiva pobre4 ,applaudem-lhe a g5]osa imprevid5cia2 gabam-lhe os s5tim5tos hone/os e cavalleirosos2 envolve-o um c]to pre/igio durante uns p\cos de mezes4 ,os mezes da lua de mel4 --,port\-se admiravelm5te6--exclamam z mams1 contempl&o com ar pi$oso z filhas sem dote1 e envolv5do na sua furia rancorosa os d&ys que &am pesca de noivas ricas1 pelas aguas turvas da nossa soci$ade4 ,resultado pratico de tudo i/o3 seis mezes depois de casado1 o nosso pobre h]oe v-se a braos com todos os enc>gos de um mnage a que falta o con*g e a alegria4 ,como no teve tempo de faz]-se amado1 como o amor no fim de contas um g5]o c>issimo que o corao das m59as de hoje prodigalisa muito p\co1 encontra em casa ao volt> das luctas quotidianas1 a que se arroj\ com novos al5tos e nova f1 um acolhim5to frio1 um ro/o desconsolado1 uma mulh] que f+e resignao e que s tem despeito1 porque o casam5to lhe no deu n5humas das frivolas vantag5s que lhe promett]a4 ,t9ha sonhado com toilettes elegantes1 uma robe de *ambre bordada1 uma t\ca de manh como z que des5ha a phantasia pittoresca dos caixeiros da ,mode ,illu/re1 qu]ia uma casa de jant> elegante com mobilia en vieux *ne1 ap>adores c>regados de f9as porcellanas1 um criado de casaca preta e modos de embaixador1 pass&o discretam5te1 sem faz] b>ulho1 por cima d p>quet suisso1 cuidadosam5te enc]rado4 ,go/ava de t] um b\doir todo de s$a cr de p]ola onde ella podesse l]1 preguiosam5te deitada no no seu pequ5o fauteuil muito flascido1 diante de um guridon *eio de violetas e de g>d5ias1 os ultimos romances1 z revi/as e/rangeiras1 z criticas musicaes dos me/res mais famosos4 ,sempre tiv]a a esp]ana de fugir pelo casam5to presso sordida da mis]ia pat]na4 ,dete/ava a vida que t9ha levado em solteira1 faz5do ella propria os ve/idos p>a ir ao baile1 c]z9do r$es nas bot9as de setim branco1 com os d$os picados1 um r\po de *ita am>rotado1 e o corao *eio de rancor e inveja s que t9ham o luxo e o con=to que ella no t9ha4 ,aquelle homem app>ec]a-lhe4 ,era pobre1 v]dade1 mas diss]am-lhe que t9ha tal5to1 que t9ha ou que ia t] uma posio2 acceit>a-o por cansao1 por desal5to1 porque se impaci5tava j de esp]> mais tempo4 ,lev>a comsigo os mesmos sonhos que a t9ham p]seguido1 imag9ava casas imprevi/as1 edificava hypo!ses extravagantes2 =a de ambicion> a riqueza1 acabava por se conv5c] que havia de s] rica4 ,e agora6 ,tudo que a c]cava era to m$iocre6 ,se tivesse pa*orra1 se tivesse boa vontade1 podia enfeit> com plantas o seu pequ59o qu>to de trabalho1 pr ao m5os umas cort9as de cassa branca na janella4 ,no t5do a riqueza1 podia t] o aceio2 no t5do o luxo1 podia t] a graa4 ,os livros bem dispo/os sobre a mesa1 cujo tapete ella propria h\vesse feito ao s]o1 uma j>ra de l\a com um ramo de madresilva ou de rosas de maio1 z cadeiras agrupadas com um c]to ar de intimidade e de alegria1 um aspecto de pobreza satisfeita que faz to bem alma6 ,ve/iria um simples r\po de faz5da cl>a1 sem enfeites1 mas de um feitio elegante e gracioso1 os cabellos bem p5teados1 uma flr presa nas tranz4 ,iria ella mesma cos9ha arranj> uns prat9hos de que elle go/asse1 o pobre trabalhador que n\te volt>ia cansado1 mas *eio de f robu/a e de pr(undas cr5z1 porque o amor o amp>ava e lhe sorria6 ,d5tro de uma gaiola1 na janella da casa de jant>1 hav]ia um can>io muito alegre1 no tanto a9da assim como ella1 a pequ59a mnag]e muito at>efada1 muito cont5te1 espalh&o na sua casa mode/a e pobre um p]fume de virtude1 de ca/idade1 de t]nura animadora e s6 ,mas quem que a t9ha educado p>a cumprir e/e programma to simples e to difficil8 ,quem lhe t9ha communicado com o leite a noo d'e/es graves e hone/os dev]es8 ,a me que a passe>a de baile em baile1 cata de um m>ido8 ,os livros que ella lra e que fallavam de duetos apaixonados entre um b>do pel9tra e uma m59a romantica com olheiras e muito p de arroz8 ,o m>ido ao pr9cipio qu] luct>2 procura educal-a elle1 j que a familia a no educ\2 vem de fra muitas vezes preoccupado com os seus e/udos1 com um problema sci5tifico que deseja resolv]1 com uma especulao indu/rial que talvez lhe d a paz e a aurea m$iocridade a que tanto aspira1 por amor da sua qu]ida mulh]s9ha444 no importa6 ,sacode como um peso importuno todos os p5sam5tos que o absorviam1 s5ta-se ao p d'ella1 porque a v tri/e1 enfa/iada1 com um c]to desleixo no aspecto que lhe ap]ta o corao1 procura no rep>>1 p>a a casa sem arranjo a que falta aquella poesia d l> que tanto o captiv\ nas suas scismas de rapaz2 conv]sa1 afaga-a1 des5rola diante d olh> d'ella vago e di/rahido um horisonte de futuras alegrias4 ,um dia1 porm1 descobre com magoa que n+uem jmais pod] sond> nem compreh5d]1 que tudo que elle esp]\ um dia ass5ta n'uma base *im]ica2 que essa mulh]1 a quem associ\ a sua vida1 em vez de s]-lhe amp>o1 guia1 consolao1 conselho1 em vez de luct> ao lado d'elle p>a conqui/>em ambos a v5tura dos filhos1 o dce e tranquillo socego da velhice1 vive toda absorta n'um sonho de imag9>ias riquezas2 que empallidece de raiva de vr z outras ricas emquanto ella pobre2 que amaldia todos os dias o alim5to que elle lhe ganha laboriosam5te1 porque lhe no s]vido em pratos d ,japo2 que olha com desdem p>a os mode/os pres5tes que elle cu/a de longas economias consegue compr>-lhe2 que dete/a emfim tudo que elle ama2 que tem o t$io inv5civel de tudo que elle julg\1 por muito tempo1 o resumo de todas z suas alegrias6 ,n'essa hora dolorosa e que tem de so> fatalm5te na vida de quasi todos e/es obscuros luctadores1 alguns1 os mais fracos1 amaldioam tambem a sua au/]a e honrada pobreza1 e tractam de fugir-lhe atir&o-se a todos os turvos m>es da especulao e d m]cantilismo6 ,outros--os =tes--afa/am-se com desdem de aquella que1 sem talvez sab] o que fazia1 t5tava arra/al-os por um declive fune/o1 e isolam-se n'um mundo onde no qu]em a companhia de n+uem4 ,ha tambem os que1 desp]t&o d sonho em que &>am embebidos1 descrem de tudo em que um dia acr$it>am e c$em convico fatal de que no mundo no ha c\sa alguma que seja digna1 des9t]essada e sem liga de calculos vis4 ,a v]dade que mais ou m5os todos se arrep5dem e todos o deixam v]6 ,e/e exemplo que vae a p\co e p\co de/ru9do no corao dos moos a ida de que a familia1 em vez de r\b> o al5to e a =a ao homem1 os robu/ece e lhes d mais solidos alic]ces4 ,no dia em que z mulh]es tiv]em coragem p>a support>em com alegria e com intrepidez a pobreza que tanto z assu/a1 v]o como a base d casam5to deixa de s] o calculo que hoje o macula4 ,se o homem1 que por natureza egoi/a1 compreh5d] que un9do a sua vida vida d'uma mulh] d$icada1 adquire novas =z p>a a lucta em que &a emp5hado1 inconte/avel que deix> de consid]> como unico elem5to de prosp]idade futura o dote da noiva que h\v] escolhido4 ,no ba/a t] coragem e t] intrepidez p>a support> z privaes da pobreza2 preciso antes de tudo comp5etr>-se bem da ida de que a pobreza tem gr&es alegrias defezas aos ricos2 que a mode/ia dos meios no ob/a a que possamos enflor> a vida dos que amamos1 com aquelle dce e poetico con*ego1 que p>a a alma um n9ho mais tepido e mais macio1 d que z pompas mage/osas que envolvem !atralm5te a vida dos million>ios4 ,,capitulo ,,ix ,a uma noiva ,m9ha qu]ida ,m>ia3 ,a tua c>ta conta-me z tuas primeiras e adoraveis alegrias de noiva4 ,e/s radiante6 ,subi/e ao setimo co da v5tura humana e crs que no possivel cahir de l4 ,fallas-me d teu vo branco1 da tua cora1 das palavras ent]necidas que elle te disse1 das opul5cias d teu enxoval1 d teu qu>to de cama ,pompad\r1 d amor que t5s ao teu m>id9ho1 d futuro que sonhas radioso1 eu sei2 fallas-me de tudo1 filha1 e eu li esse poema g5til da tua mocidade com um v]dadeiro ent]necim5to bem s9c]o4 ,fallas-me de tudo1 digo eu2 engano-me4 ,no me falla/e de uma c\sa importantissima1 filha4 ,no me falla/e da panella4 ,s\ eu1 pois1 que v\ fall>-te1 com a mais pr(ana das irrev]5cias1 d'e/e assumpto que um dos mais graves n'um mnage que pr9cipia4 ,cr$o6 exclamas tu com aquella m\e engraadissima1 que eu te conheo d collegio1 e que sempre teve a habilidade de me faz] rir imm5so4 --,pois eu sei l sequ] se ha em m9ha casa uma panella6 ,pois eu hei de mi/ur> z confid5cias extaticas da m9ha my/]iosa e ideal felicidade com a relao das m9has cass>olas6 ,que tem e/e amor que me enleva e me arrebata1 com a comida que se manipula na cos9ha6 ,deixa que eu te descreva z r5das e os set9s com que me enfeito p>a lhe agrad> a elle2 mas1 por ,deus1 pelo amor da arte1 da poesia1 da delicadeza fem9il1 no queiras que eu ajunte a essas descripes uma nova receita de refugado4 ,ouve-me1 filha2 n+uem att5de por ahi e/as v]dades1 que so elem5t>es1 tudo quanto ha de mais elem5t>4 ,sabes onde se fabrca e se consolda a felicidade de um mnage8 ,na cos9ha4 ,sabes de onde sahe muitas vezes a ru9a de uma casa8 ,da cos9ha4 ,sabes qual a origem de tantas do5z que por ahi nos desconsolam com os seus aspectos repulsivos8 ,a cos9ha4 ,e tu entr&o na vida conjugal1 acceit&o o enc>go d'almas1 porque a dona da casa acceita-o1 receb5do nas tuas pequ5as mos delicadas a responsabilidade complexa de me de familia1 tu pobre qu]ida ignorante1 ousas diz] desd5hosam5te que nem sabes sequ] se em tua casa ha cos9ha4 ,pois sabe4 ,e/s habituada a evoc> com a a]ea ligeireza dos teus longos d$os brancos z notas immortaes em que ,bee?ov51 ,ross9i1 ,may]be] nos leg>am z my/]iosas riquezas da sua alma8 ,go/as dos delicados lavores inv5tados1 pela paci5cia fem9al1 dos bordados cu/osos1 das matizadas s$as1 de todo esse conjunto de graciosas futilidades em que ns disp5demos horas e horas da nossa vida8 ,pois1 m9ha qu]ida1 logo que a mulh] p5etra no limi> da sua casa de esposa tem de antepr tudo que util a tudo que agradavel1 tem de adopt> como suprema divisa da sua vida a palavra--sacrificio6 ,e no creias que i/o seja uma dolorosa e inutil mutilao d teu s]4 ,quanto mais te sacrific>es1 cr que maior e que melhor te has de s5tir4 ,s] como um progressivo asc5d] a uma esph]a sup]ior4 ,c em baixo ficam z pequ5as vaidades1 z frioleiras inuteis1 z pu]ilidades infantis1 os despeitos raivosos1 toda a expresso mesqu9ha e imp]feita d teu organismo2 l em cima e/ a l>ga tranquillidade que ha de envolv]-te como um delicioso banho tepido1 a consci5cia pl5a de hav]es att+ido o fim p>a que fo/e creada1 a c]teza div9a da felicidade que communicas em torno de ti1 a satisfao d dev] pre5*ido1 tudo emfim que nos eleva1 que nos depura1 que nos faz compreh5d] o motivo p>a que viemos a e/e mundo--aqui p>a ns--em95tem5te e/upido6 ,no te deslumbrem1 pois1 z primeiras alegrias da tua lua de mel4 ,entre p>5!sis1 e/a uma phrase que eu abom9o1 pela simples razo de a a*> falsa1 e causadora de falsas e fune/as int]pretaes da vida conjugal4 ,a lua de mel uma m5tira2 no exi/e1 ou1 se exi/e1 no deve de modo n5hum exi/ir1 o que vem a d> na mesma4 ,esse p]iodo (ficialm5te consagrado1 que se funda em toda a especie de impo/ura1 deve s] abolido sem appellao por todos os p>es hone/os que se e/imem e prezem4 ,imag9e-se por um in/ante que os novos conjuges assumiram a lib]dade de =mul>em em palavras tudo que tivessem no p5sam5to1 o que diziam um p>a o outro3 ,j conheo todos os teus defeitos1 j sei que hei de vir a d>-me muito mal comtigo3 a*ei-te a9da agora pr(undam5te ridiculo n'aquella phrase que me disse/e2 mas como e/amos na lua de mel1 deixa-me que te beije com transporte1 que te recite ao piano o idyllio apaixonado da m9ha v5tura1 que olhe p>a ti com a s5tim5talidade pigas com que os caixeiros romanticos olham p>a z namoradas1 que m9ta emfim consci5ciosam5te1 como compete a quem se a*a de posse de uma posio (ficial e a quem no pde r5unci> sem desd\ro6 ,no s]ia pr(undam5te ridiculo e/e dialogo8 ,pois sabe1 m9ha qu]ida1 que em cada cem casaes1 oit5ta podiam em boa consci5cia traval-o entre si4 ,muitas vezes a lua de mel no passa de uma dolorosa iniciao4 ,mais t>de z circum/ancias modificam-se1 o que nos p>ecia pr5uncio de desgraz trans=ma-se em tranquilla felicidade2 os c>act]es1 que no fundo se repelliam1 embora na app>5cia se afagassem1 adaptam-se e id5tificam-se em resultado da ultima conviv5cia2 a paz dome/ica conqui/a-se1 com es=os m]itorios de p>te a p>te2 o que ha p\co era m5tira1 torna-se uma v]dade lum9osa e pura4 ,e o que prova tudo i/o1 m9ha amiga8 que o tempo mais difficil da nossa vida de casadas aquelle que os tolos e os impo/ores *amam1 segu9do a e/upida rot9a de seculos1 o mais delicioso6 ,s\ adoravelm5te feliz1 porque a9da no conheo bem meu m>ido1 nem meu m>ido me conhece a mim444 ,palavra1 que a*o i/o uma espl5dida int]pretao da vida dome/ica644 ,comm5tem bem e/a phrase implicitam5te incluida em todos os l\vores que se tecem celebre lua de mel1 e ahi tem os divorcios1 os adult]ios1 os intimos dramas conjugaes1 z luctas atrozes em que d\s entes se dilac]am at que n'elles morra a alma e o corpo6 ,mas1 m9ha ,m>ia1 que longe me arra/\ e/a digresso apaixonada4 ,p]doa-me4 ,se bem me lembro1 e/avamos ambas muito mais t]ra a t]ra4 ,eu t9ha conseguido faz]-te l>g> o teu piano de ,er>d1 z tuas aqu>ellas e os teus bordados1 e t9ha-te arra/ado at cos9ha de tua casa1 cuja exi/5cia tu teimavas em ignor>4 ,talvez tu p5ses1 m9ha pobre amiga1 que esse s5hor1 discreto1 am5o1 gracioso1 condesc5te1 que a*a graa a tudo que tu dizes1 que concorda com todas z tuas op9ies1 que s vezes se ajoelha submissam5te aos teus ps1 e te diz baix9ho--adoro-te6--com uma expresso de t5or em disponibilidade1 que se delicia com z tuas toilettes1 que d muita att5o v>i$ade arti/ica d teu p5teado1 que 1 emfim1 todo teu no s5tido falso d'e/a palavra1 p5sa tudo quanto diz1 e se cons]v> por muito tempo n'esse adoravel e massador diapaso844 ,enganas-te4 ,elle enfa/ia-se sob]anam5te d seu papel1 e/uda-te com ar sorrateiro1 e p$e a ,deus que acabe o p]iodo em que tem de r5unci> sua individualidade1 p>a se con=m> com os usos e co/umes da soci$ade elegante1 de que faz ou qu] faz] p>te4 ,acabado que seja esse p]iodo que tem limites det]m9ados1 dize-me tu qual o meio de que t5cionas us> p>a o pr5d]es junto de ti1 p>a que elle comece ento a s] s9c]a e dignam5te o teu m>ido1 i/o 1 o teu melhor e mais fiel amigo1 p>a que a vossa vida commum ass5te em bases solidas e p]duraveis4 ,julgas que ba/a p>a isso ve/ires o teu mais bonito ve/ido1 p5te>es o teu bello cabello l\ro d modo mais exc5trico e orig9al1 diz]es com a tua voz sonora e grave os p>adoxos mais sc9tillantes1 mo/r>es-lhe z riquezas com que uma esm]ada educao povo\ o teu espirito8 ,innoc5te creatura6 no conheces o que o homem1 o animal mais prosaico e positivo da creao6 ,o que elle qu] depois das suas luctas com os outros hom5s1 das f>z que obrigado a repres5t> p>a o publico1 dos combates em que alt]nativam5te v5cido e v5c$or1 o que elle qu] descanso1 con*ego1 esquecim5to de todos os artificios que vo l por fra1 e sobretudo 7no te horrorises1 m9ha sonhadora67 e sobretudo commodidades physicas4 ,d-lhe a melhor das poltronas1 o mais con=tavel dos gab9etes1 o mais suave e c>icioso dos sorrisos1 e1 pr9cipalm5te1 d-lhe um bom jant>4 ,*eguei emfim1 ao ponto a que t5dia desde o pr9cipio d'e/a c>ta4 ,confesso que me cu/\6 ,i/o de mulh]es644 ,tu provavelm5te imag9as que um bom jant> c\sa que p]t5ce exclusivam5te aos dom9ios d bom cos9heiro4 ,como te enganas6 ,em primeiro log>1 no ha nada peior que um bom cos9heiro4 ,um bom cos9heiro a ru9a de uma casa1 um env55ador de b>rete branco1 um assass9o de abdom5 tranquillisador e hypocrita4 ,um bom cos9heiro comea por nos d> cabo da bolsa1 o que t]rivel2 acaba por nos d> cabo d e/omago1 o que simplesm5te irrem$iavel4 ,todos os re/aurants luxuosos possuem a pr5da de um bom cos9heiro4 ,pe um pobre homem a jant> durante d\s annos a fio n'um d'esses re/aurants elegantes1 e depois conta-me por miudos em que e/ado mis]avel vaes d> com elle4 ,de/ruida e/a primeira ida1 deixa-me a9da diz]-te uma c\sa que tu no sabes4 ,a mesa no tem tal a importancia insignificante que tu embirras em qu]] d>-lhe4 ,s5do o e/omago um dos orgos pr9cipaes da humanidade1 absurdo desd5h> d'esse modo o que tem com to elle e/reitas relaes4 ,se eu fosse p$ante era capaz at de te prov> que o livro que descrevesse o que o homem tem comido nas pocas primitivas e nas quadras de civilisao ref9ada e p]feita1 nos p]iodos de b>b>ia e nos tempos de des5volvim5to e de progresso1 s]ia o livro mais completo da hi/oria univ]sal da humanidade4 ,o alim5to faz o homem4 ,os antigos sc&9avos1 os reis d m>1 os impetuosos e bravios caadores de uro*1 brancos1 a?leticos1 sangu9>ios1 de olhos azues metallicos e faiscantes2 alim5tavam-se nos seus fe/9s cyclopicos da c>ne quasi crua dos animaes que matavam4 ,n]o go/ava de sabore> z contorses de agonia das murz que creava nos seus viveiros1 e que alim5tava muitas vezes com o corpo palpitante dos escravos1 e nas fe/as voluptuosas e crueis que dava na sua ,casa de ouro1 emquanto danavam z bail>9as gaditanas e egypcias1 os convivas1 coroados de rosas1 esp]avam que o peixe tivesse soltado o ultimo arranco de vida p>a se s]virem d saboroso acepipe4 ,no vs atravez d'e/es d\s exemplos uma raa de in/9ctos b>b>os1 e uma civilisao pavorosa e apodrecida8 ,o homem mod]no enfraquecido pela deg5]ao progressiva de umas p\cas de g]aes1 t5do de disp5d] uma enorme poro de en]gia e de =a nas luctas incessantes a que o obrigam z inf]naes exig5cias da nossa poca1 precisa1 por assim diz]1 de s] recon/ituido dia a dia4 n'i/o que z mulh]es no p5sam ba/ante4 ,depois em um mnage1 sobretudo de m$ianos hav]es1 a mesa relaciona-se com tres que/es de uma alta importancia4 ,primeiro1 a que/o da saude1 que sobreleva a todas4 ,segundo1 a que/o da economia de que dep5de a paz1 a alegria1 o socego1 a elegancia mode/a da vida intima2 o bom humor d m>ido1 a toilette fresca e g>rida da esposa1 a alvura da toalha pezada de l9ho adamascado1 tudo que emfim con/itue o con=to e a alegria dome/ica4 ,t]ceiro1 a fidelidade d m>ido s mode/as mas saborosas igu>ias da sua mesa de familia4 ,o jant> tem de s] bem feito1 economico e salubre4 ,eis o gr&e problema4 ,p>a o resolv]es no te fies n'uma cos9heira muito e/upida1 muito suja e muito rot9eira1 nem n'um altivo sujeito *eio de !orias e/apafurdias e de nomes francezes e/ropiados4 ,fia-te em ti4 o mais seguro1 o mais razoavel1 aquillo que teu m>ido te ha de agradec] mais4 ,no e/ragues z tuas f9as mos de duqueza1 no desz humilhante posio de cordon bleu da tua propria casa1 mas dirige tu esse ramo to importante de adm9i/rao dome/ica4 ,e/uda essa sci5cia to util e to descurada que se *ama *imica cul9>ia1 e v]s como a saude dos que t5s debaixo da tua gu>da ha de progr$ir com isso4 ,no te injuries1 nem te afflijas ento qu&o conhec]es que o sorriso que teu m>ido neg\ s sabias ar*itecturas d teu p5teado1 lhe desabro*a nos labios franco e alegre em fr5te de um caldo feito sob a tua direco1 de um roa/beef temp]ado pelas tuas mos9has de fada1 de um novo acepipe que inv5ta/es e que lhe desp]t\ o esmorecido appetite4 ,a arte de s] esposa e de s] me funda-se n'um segr$o muito simples4 ,no se trata de s]mos felizes cu/a dos que so nossos2 trata-se de faz]mos felizes os nossos1 nossa propria cu/a4 ,comeamos pelo sacrificio1 e acabamos pela apo!ose6 ,mas que de c\sas eu fui busc> p>a te d> uma lio de azeites e v9agres4 ,ai6 filha1 que t5ho apr5dido m9ha cu/a que na t]ra no ha nada pequ5o1 e que todas z c\sas que de p]to se nos afiguram mesqu9has1 e/o de tal maneira ligadas e relacionadas entre si1 que =mam unidas e/e gr&e conjuncto que se *ama a vida4 ,,capitulo ,x ,o dev] de s] bonita ,dizia uma das mais espirituosas escriptoras da ,frana1 aquella p>a quem ,!ophile ,gau?i] inv5t\ o gracioso epi!to de bas lilas1 livr&o-a d'e/e modo da t]rivel1 grotesca e imm]ecida alcunha de bas bleu1 que o primeiro e mais sagrado dev] da mulh] s] bonita4 ,abaixo o p>adoxo6 brad\ logo em torno a turba-multa das feias1 furiosas contra a s5t5a que z punha por assim diz] fra da lei4 ,foi necess>io entr> em explicaes1 e todas ns vemos ento a compreh5d] o que ,madame de ,gir>d9 ent5dia pela belleza fem99a4 ,s] bonita no fim de contas no t] frmas esculpturaes--isso j pass\ de moda1 no t] feies p]feitas--no ha nada mais pr(undam5te monotono e massador2 no t] collo de alaba/ro1 cabellos de ebano1 labios de rubis1 d5tes de p]olas1 olhos de diamante preto1 te/a de m>fim1 etc41 etc41 etc4 --,deixemos isso aos artifices mais ou m5os eng5hosos1 que trabalham com z sobr$itas mat]ias1 e aos trovadores mais ou m5os *oramigas1 que manejam z sobr$itas rimas2 no sab] olh> com expresso ard5te ou languida consoante o g5]o da phisionomia2 sab] sorrir com malicia ou com t]nura1 sab] incl9>-se meiga e scismadora ao influxo d um s5tim5to occulto1 ou ergu] a cabea altiva e triumphante com a pl5a consci5cia da propria =mosura6 ,s] bonita1 s] bella1 na accepo elevada e completa d'e/a palavra1 possuir a graa my/]iosa que pr5de os que p>am junto de ns1 que attrahe os que vo pass&o ao nosso lado4 ,re/a agora analys> os fios t5uissimos de que se tece e/e div9o encanto da mulh]6 ,a graa de que eu fallo feita pr9cipalm5te de intellig5cia e de bondade4 ,o primeiro dom conc$e-o ,deus1 e ap]feioa-o e depura-o a vontade humana2 o segundo adquire-se cu/a de sacrificios cccultos1 de abnegaes intimas1 de aspiraes cont9uas e incessantes p>a a suprema p]feio6 ,todos podem s] bons6 preciso que os espiritos se comp5etrem pr(undam5te d'e/a v]dade1 que o primeiro passo p>a a conqui/a d bem1 que todos ambicionam e que tantos julgam v$ado4 ,no ha t]r5o1 por mais duro1 inhospito e +rato1 a que um cultivo cuidadoso e vigilante no possa arranc> flres4 ,no homem--e qu&o digo homem1 refiro-me g]alm5te humanidade--1 no homem ha preso1 algemado1 v5cido1 um robu/o animal de t5d5cias bravias1 que lucta cont9uam5te p>a reconqui/> a p]dida lib]dade4 ,foi a aco civilisadora de seculos sem conta que dom\ essa fra de fune/os in/9ctos2 a presso cont9uada e con/ante de uma vontade en]gica1 de uma razo escl>ecida1 de uma p]cepo pr(unda de todos os dev]es1 que cons]va e su/em intimidado e submisso o t]rivel selvagem4 ,uns precisam de des5volv] n'e/a porfia assidua1 mais t5acidade e mais =a1 outros de indole nativam5te br&a e pacifica1 podem deix> adormec] de vez em qu&o a accesa vigilancia4 ,so no fim de contas os primeiros que teem maior m]ecim5to4 ,s] bom quasi sempre um es=o1 mas p>a s] m]itorio cumpre que e/e es=o seja to invisivel p>a todos os olhos1 que a analyse a9da a mais p]spicaz no *egue a d> por elle4 ,a bondade o supremo attractivo da mulh]1 aquelle que mais aco ex]ce em torno de si4 ,a bondade pois a v]dadeira belleza fem99a4 ,imag9ae que a ella se reune a intellig5cia1 e t5des o ideal da p]feita =mosura1 da unica que s se apaga e ext+ue com a vida1 da que excita os gr&es1 os et]nos1 os sos e robu/os amores4 ,o culto pago da belleza pla/ica um dos erros que mais ha de cu/> a de/ruir1 e que no entanto se a*a to deslocado no ideal mod]no1 como se a*ava no seu v]dadeiro lug>1 no velho mundo que a revoluo deit\ por t]ra alluido e decompo/o6 ,a mulh] transviada por e/a falsa compreh5so d seu de/9o1 s aspira a s] bonita no s5tido futil e ext]ior da palavra1 s inveja z que possuem os ephem]os encantos de que foi de%]dada1 e no p]cebe que a belleza int]ior aquella cuja gloriosa conqui/a1 accessivel p>a todos1 lhe podia d> a realeza e o pr$om9io4 ,a quantas m59as s5tim5taes de olheiras roxas e phrases sonoras no temos ns ouvido lam5t> a p\ca durao dos affectos t]re/res1 a incon/ancia d homem1 a +ratido cruel que faz def9h> z suas victimas em desolador ab&ono6 ,apes> d aspecto ridiculo de que e/as romanticas e elegiacas creaturas se reve/em1 que n+uem se ria d'elles6 ,victimas se *amam1 e victimas so de c]to1 mas no de imag9>ias p]fidias ou de tragicas av5turas4 ,so victimas da sua educao falsa1 da sua s5tim5talidade pigas1 da ida inteiram5te errada que =mam da vida pratica4 ,imag9>am que haviam de s] et]nam5te amadas1 amadas com extasis poeticos1 com gr&es discursos inflammados1 com acompanham5to de viola franceza e de epi/olas em v]so1 que tivessem de mais em amor1 o que tivessem de m5os em grammatica2 sonh>am s] z pallidas ,julietas apaixonadas1 receb5do luz branca da lua1 z confid5cias convulsas dos seus ,romeos de obra grossa2 e p>a att+irem e/e ideal dos seus desejos suppoz]am que lhes ba/avam a alvura da tez1 o brilho d olh>1 a frescura dos labios1 a abundancia dos cabellos1 e por cima de tudo i/o a g>ridice1 a pret5so1 a ignorancia e a toilette6 ,em muito m5os tempo d que preciso p>a mur*> uma rosa1 os proprios hom5s se enfa/i>am4 ,e eil-z inconsolaveis e inconsoladas1 maldiz5do a traio mascul9a1 que lhes no deu mais que o ca/igo m]ecido6 ,h\ve tempo em que a mulh] feia t9ha como unico refugio o conv5to4 ,felizm5te1 porm1 esse tempo vae longe4 ,o homem j no exige da companheira d seu de/9o1 como condio unica de felicidade1 encantos que mur*am com os annos4 ,ass5ta em mais solidas bases a v5tura conjugal4 ,mulh]es1 sde boas1 cultivae o espirito1 e allumiae a consci5cia2 na vida d homem ha horas escuras2 que a luz que sabeis diffundir z illum9e4 ,a soci$ade tem desfiladeiros sombrios1 tem selvas ignotas1 como o inf]no d ,flor5t9o1 apr5dei a gui> com a vossa pequ5a mo branca e macia os robu/os luctadores1 que s vezes p>am no limi> d'esses cam9hos1 com a vi/a inc]ta e o passo hesitante4 ,e isso que hoje se exige de vs4 ,eu v\ mais longe que madame de ,gir>d91 na sua arrojada proposio que to p\cos compreh5d]am4 ,qu&o vejo um homem s\ capaz de adiv9h> a que g5]o p]t5ce a mulh] que elle tem por esposa2 qu&o entro n'uma casa ba/a-me vr a disposio dos moveis1 a escolha dos livros1 o aspecto das creanz1 a expresso das c\sas mudas1 p>a pod] afianar se a dona d'essa casa1 a div9dade mode/a e tutel> d'esse pequ5o templo1 digna d seu titulo sagrado de esposa e me4 que tudo falla1 p>a quem sabe ouvir1 e a mulh] sobretudo--natureza expansiva e vibratil--pe uma indiscrio involunt>ia em cada objecto de que se rodeia4 ,mais de uma vez t5ho ouvido vozes fem99as levant>em-se em favor da emancipao politica e social d seu sexo4 ,pobres sres hybridos e incompletos so de c]to os que teem to acanhada ida d de/9o da mulh]4 ,no dia em que e/a fr emancipada1 cahir p>a sempre d ?rono que tem seculos por degraus4 que a emancipao politica s]ia a abdicao dome/ica1 qu] diz]1 a mais dolorosa cata/rophe que tem affligido z soci$ades4 ,imag9o que n5huma v]dadeira mulh] a acceit>ia6 ,a familia tal como a ent5dem todos que sabem s5tir e p5s>1 o refugio onde se vae busc> paz e esquecim5to2 o templo onde encontram direito de asylo os p>ias que &am c fra aos baldes da ira popul>2 o lug> qu]ido1 inaccessivel onde os a?letas d p5sam5to a*am mom5tos de alegria descuidada1 onde os m9eiros cansados da sci5cia1 os que &am pelos antros obscuros arranc&o segr$os aos seios da natureza1 procuram a cl>a e fe/iva luz dos affectos simples1 onde os politicos esquecem a maldade e a mesqu9hez humana1 onde os diplomatas fallam v]dade1 onde os arg5t>ios fe*am os ouvidos ao t9ir metallico d ouro1 onde os que cam9ham lev&o no corao z t]riveis hydras d odio e da inveja se ass5tam por in/antes embevecidos na musica mat9al de umas vozes infantis que *ilram1 de uma voz cry/all9a que adv]te1 aconselha e consola4 ,os que r\b>em a familia ao incansavel trabalhador d'e/as eras de febre e de combate1 r\bam-lhe a =a1 a en]gia1 a consci5cia1 a dignidade1 o amor1 r\bam-lhe tudo emfim6 ,emancip> a mulh] atac> na sua base a familia1 traz] p>a d5tro d l> z paixes tumultuosas da praa publica1 de/ruir o mais doce dos pod]es a que o homem se curva1 o temivel pod] da fraqueza fem99a6 ,e no se diga que eu combato a mulh] qu&o combato a sua lib]tao absoluta p]ante a soci$ade e p]ante a lei4 ,os que pret5dem furtal-a tutella salut>1 que a contm na esph]a que lhe propria1 que so os seus peiores inimigos4 ,d5tro1 porm1 d'essa esph]a quantos s]vios ella deve faz] e no faz6 ,exemplifiquemos3 ,a mulh] na g5]alidade ambiciosa4 ,qualidade que no e/ de todo em todo desligada de peccado1 mas qualidade util na maior p>te dos seus resultados4 ,e/a ambio pela influ5cia lat5te que ex]ce no animo mascul9o leva-o1 no p\cas vezes a arrojados commettim5tos e a gr&es e nobres c\sas4 ,at um c]to e det]m9ado limite1 portanto b5efica a ambio da mulh]4 ,transviada1 porm1 d seu v]dadeiro fito1 quantas vezes e/a ambio mal dirigida por uma educao eivada de mesqu9hos preconceitos no arra/a o homem at infamia1 de%onra1 quebra de todos os pudores1 ao suicidio6 ,a g>ridice1 o amor da toilette1 das pequ5as futilidades elegantes1 o go/o d luxo1 das graciosas inv5es da moda1 ahi e/ uma das graz1 um dos elem5tos d dom9io da mulh]4 ,mas a9da n'e/e ponto cumpre que uma razo cl>a1 que uma p]cepo def9ida d dev]1 a guie1 a dirija1 a con/ranja nas suas t5d5cias muitas vezes exag]adas4 ,no ha nada mais agradavel n'um mnage d que uma mulh] moa1 fresca1 elegante1 da graciosa e simples elegancia que provm d go/o apurado e di/9cto2 os requ9tes de luxo ext]ior so1 por assim diz]1 na vida d homem1 uma sup]fluidade necess>ia1 so um con*ego p>a o corpo1 uma c>icia p>a a alma1 mas que nunca o luxo conduza a familia mais leve transig5cia indelicada1 que nunca a mulh] lhe sacrifique um s dos seus dev]es6 ,todos so igualm5te respeitaveis2 todos e/o unidos entre si por uma cadeia de los inquebrantaveis4 ,na mulh] a9da mais d que no homem1 o abuso das qualidades uteis leva s mais fune/as consequ5cias4 ,p>a a mulh] a9da mais delgada a l9ha d dev]4 ,o cam9ho e/reito1 difficil1 s9uoso3 p>a quem d'elle ou p>a alm d'elle e/ o erro4 ,por isso quantas s5horas s vezes dizem3 ,queixam-se de ns porque somos g>ridas1 e se nos vem mode/as1 sem pr5d]mos a m9ima att5o s futilidades p]igosas d luxo1 condemnam-nos ou fogem d nosso lado4 ,queixam-se de ns porque somos ignorantes1 mas se o nosso espirito se acc5de em curiosidades sci5tificas1 se lmos1 se e/udamos1 se t5tamos ir um p\co alm dos limites impo/os ao nosso sexo1 somos alcunhadas de p$antes1 e de preciosas ridiculas6 ,queixam-se de ns porque somos devotas1 sup]/iciosas1 porque levamos ao exag]o z praticas d ca?olicismo1 porque nos deixamos gui> my/]iosam5te pela mo occulta d padre1 mas se procuramos livr>-nos d'e/e jugo1 se qu]emos a indep5d5cia absoluta d espirito e da consci5cia1 *amam-nos livres p5sadoras1 e os hom5s s5tem m$o in/9ctivo de entreg> a sua honra nas nossas mos4 ,e por aqui adiante uma longa j]emiada n'e/e teor4 ,eu1 porm1 mesmo conc$5do que ha um fundo de inconte/avel v]dade no que dizeis1 respondo-vos1 m9has s5horas1 que positivam5te porque a vossa misso difficil que ella tem tamanha importancia e pde adquirir de dia p>a dia uma importancia a9da maior4 ,no dia em que compreh5d]des cl>am5te o vosso de/9o1 sab]eis ento o que t] a graa1 a elegancia1 o encanto ext]ior1 sem que vos contam9em z crim9osas vaidades2 o que s] intellig5te1 in/ruida1 reflexiva sem conhec] o p$antismo1 e a ridicula pret5so2 o que t] o ideal religioso1 sem o man*> com sup]/ies1 preconceitos1 intol]ancias fune/as2 o que aproveit> cada uma das vossas riquissimas faculdades equival5tes1 mas no iguaes1 das d homem1 sem que a vossa in]cia z e/]ilise1 sem que a vivacidade n]vosa d vosso temp]am5to z leve a extremos e demazias altam5te fune/as familia e soci$ade da qual aquella o mais p]feito reflexo4 ,,capitulo ,,xi ,o trabalho das mulh]es ,o preconceito mais fune/o1 que a9da nasceu e m$r\ n'e/e mundo1 o que consid]a o trabalho uma escravido de%onrosa4 ,comea hoje a irradi> os seus primeiros cl>es rubros a aurora d dia que ha de vr o trabalho santificado1 que ha de assi/ir div9a apo!ose d'esse bemfeitor supremo da humanidade1 d'esse amigo de todas z horas1 que con=ta os animos desconsolados1 que levanta os animos abatidos1 que di/re de todos os tdios1 que lucta contra todas z in]cias4 ,por emquanto1 sobretudo entre ns1 r>a a mulh] ba/ante sup]ior p>a confess> que trabalha1 e o que peior de tudo1 r>a a mulh] que trabalha sem absoluta e inconte/avel preciso4 ,mais d'uma vez temos vi/o s5horas1 que pela sua educao mais apurada e mais completa deviam e/> a cima de to pr(unda ignorancia dos seus dev]es1 confess>em que no go/am de faz] nada1 que so preguiosas1 que no tem com que se di/rahir1 que os dias lhes p>ecem seculos1 etc41 etc4 ,e no entanto qual s] a creatura ba/ante desfavorecida de ,deus1 p>a no pod] aproveit> pr(icuam5te z horas d dia1 sempre curtas p>a quem z sabe empreg> bem8 ,fallemos primeiram5te das m59as solteiras de p\ca edade2 p>a essas1 logo que queiram torn>-se dignas d alto de/9o que z esp]a1 p\co s] sempre o tempo p>a se in/ruirem1 p>a adquirirem os v>ios e complexos conhecim5tos de que c>ecem antes de ex]c]em a sua misso complexa4 ,no so sm5te os futeis ornam5tos sup]ficiaes em que ellas devem pr a mira2 a p> d'esses1 que tambem so indisp5saveis1 ha todo um mundo1 que a mulh] ignora1 e cuja explorao lhe enriquec]ia o espirito de !s\ros incomp>aveis4 ,e depois1 mesmo os frivolos adornos1 que con/ituem uma alta educao mundana1 podem t] uma significao elevada1 um s5tido occulto1 uma alma emfim1 logo que se no consid]em um todo1 mas uma p>te insignificante d mais alto e p]feito conjuncto2 logo que occupem o lug> que lhes compete1 na classificao h>moniosa e bem graduada das v>ias riquezas que =mam um espirito4 ,sab] cant>1 sab] toc> piano1 sab] fall> z l+uas1 sab] des5ho e p9tura1 que vale tudo isso qu&o se no t5ha uma ida elevada e syn!tica1 que ligue entre si e/as div]sas acquisies intellectuaes1 e que por assim diz] z vivifique8 ,o que preciso antes de tudo1 compreh5d] a musica e a sua influ5cia pod]osa nas almas e nos organismos2 sab] us> com aproveitam5to esses in/rum5tos que se *amam l+uas1 z quaes por si1 s1 tomadas ab/ractam5te1 nada significam e p>a nada s]vem2 e/ud> a natureza sob os seus multiplos aspectos e transplantal-a p>a a tela ou p>a o papel2 t] emfim um ideal1 que sobr$oire todas e/as pr5das1 que sup]ficialm5te ent5didas e sup]ficialm5te executadas1 no teem valor nem tem utilidade alguma na vida pratica4 ,ba/a a qualqu] espirito fem99o entr> n'e/e cam9ho1 que imp]feitam5te acabamos de apont>1 e1 sem que elle mesmo t5ha a consci5cia d'isso1 z suas idz ho de dilat>-se e encadei>-se por uma successo logica1 e d> vida um novo e imprevi/o aspecto4 ,z m59as bem educadas das nossas altas classes sociaes1 teem todas uma gr&e facilidade em fall> v>ias l+uas2 aproveitam porm essa facilidade444 conv]s&o com os diplomatas4 ,no lem ,s*ill]1 nem ,goe!1 nem ,%akespe>e1 nem ,macaulay1 nem ,pascal1 nem ,montaigne2 no entram no g5io das diff]5tes nacionalidades e das diff]5tes litt]aturas2 no comp>am entre si z civilisaes1 *eg&o por e/a comp>ao a conhec]em de um modo mais ou m5os p]feito a humanidade1 no s5hor6 ,conv]sam com os gommeux da diplomacia e/rangeira e cont5tam-se com isso6 ,na musica que1 mais d que n5huma arte1 lhes revel>ia o corao d homem no corao de tantos hom5s de g5io1 o que ellas vem sm5te o modo de execut>em mais difficuldades e de desesp]>em de inveja mais rivaes644 ,na p9tura1 copia da natureza que z podia faz] p5etr> no seio c>9hoso e fecundo da gr&e me1 so to frivolas1 to sup]ficiaes1 como em todas z outras c\sas4 ,z mais das vezes no teem animo de colh]em uma flr d j>dim e de a copi>em com o p9cel ou com o lapis6 ,copiam copias1 amesqu9h&o a natureza1 e atrophi&o a propria imag9ao6 ,so e/es defeitos1 que todas ns z que p5samos um p\co1 devemos combat] com todas z nossas =z6 ,longe de mim o aconselh> mulh] que se emancipe dos seus graves e obscuros dev]es1 que t5te luct> com o homem1 e arranc>-lhe a palma das gr&es descob]tas e das gr&es conqui/as6 ,o que eu pret5do prov>-lhe que div9a entre todas1 a misso a que o futuro a convida4 ,a mulh] de sala tem por =a de morr]2 surja pois a mulh] da familia1 s] complexo1 gr&e e nobre sr1 que z g]aes v9d\ras ho de admir> f]vorosam5te4 ,a mulh] da familia no de c]to a matrona desgeitosa1 deselegante1 s occupada em d> a vida1 o leite e o alim5to aos filhos de um affecto1 despido de todas z flores e de todas z poesias4 ,no1 ella deve s] in/ruida1 pr(undam5te in/ruida1 t5do ao mesmo tempo a consci5cia de que essa in/ruco a no ap>ta d cumprim5to religioso dos mais humildes dev]es d amanho da casa e da mat]nidade4 ,o homem deve a*> n'ella no s a enf]meira desvelada das suas do5z2 no s a di/ribuidora s5sata e economica d seu alim5to2 no s a dona de casa aceiada1 vigilante1 infatigavel2 no s a me c>9hosa1 d$icada1 capaz dos maximos e dos mais p]sev]antes sacrificios1 s5o tambem a companheira d seu espirito2 a socia das suas aspiraes2 a intellig5cia que compreh5da e p>tilhe z suas legitimas ambies e z suas *im]icas phantasias2 o animo viril que saiba amp>al-o nas horas de desal5to2 a mo firme e br&a1 que saiba guial-o nos mom5tos escuros de lucta e de t5tao3 o seio t]no que lhe acolha a cabea cansada na hora s9i/ra das d]rotas2 o bello e en?usia/ico espirito que applauda a suprema embriaguez das suas victorias2 n'uma palavra1 a mulh] digna de s] me e de educ> uma g]ao de =tes4 preciso1 que se comp5etrem bem d'e/a ida fundam5tal3 o trabalho1 seja de que especie fr no desdoira uma mulh] nem deixa de s] compativel com z mais delicadas di/races de um espirito culto4 ,trabalh> no faz] cro*et1 no coz] durante seis mezes na mesma camisa1 que ha de s] (f]ecida a um pobre romantico1 a um pobre de op]a-comica2 no bord> umas et]nas bab\*es1 que se comeam no dia segu9te ao d casam5to1 e que se acabam dez annos depois4 ,trabalh> s] util1 occup> o espirito1 adquirir conhecim5tos ou espalhal-os em torno de si1 concorr] p>a o bem-e/> dos outros e p>a o seu ap]feioam5to proprio4 ,a mulh] que trabalha levanta-se c$o1 no conhece z scismas voluptuosas1 os languores morbidos1 z fln]ies sem motivo e sem fim4 activa1 por isso no tem aquellas horas de tdio pr(undo1 que descobrem diante de um olh> os horisontes s9i/ros e esbraseados d suicidio2 tem saude porque o tempo bem applicado e bem dividido no lhe deixa int]vallos p>a se escut>1 se sond>1 p>a analys> z suas pequ5as dres1 os seus pequ5os incommodos1 e os aggrav> tom&o rem$ios nocivos1 e entreg&o-se molleza que a p\co e p\co de/roe a robu/ez d corpo2 gosa de tudo com alegria1 com vitalidade1 com expanso1 no desd5ha n5hum dev]1 n5huma occupao1 n5hum trabalho porque o amor e a intellig5cia pr5dem-se a tudo que ella faz4 ,porque sabe conv]s> na sala com facilidade e *i/e1 nem por isso deixa de sab] e/> na cos9ha1 obs]v> um por um todos os ut5silios1 vr se e/o limpos1 inv5t> um m5u que reuna z condies da economia e da v>i$ade1 ens9> a sua cos9heira1 faz] mesmo por suas mos um prato pr$ilecto1 que mesa o m>ido e os filhos ho de saud> com alegria e sabore> com appetite4 ,desejo que ella saiba bord>1 mas exijo que saiba s]zir panno1 d> rdes com p]feio1 coz] a r\pa da casa e a r\pa dos filhos1 cort> e faz] os seus ve/idos1 d&o assim mais que um exemplo de economia1 um exemplo de moralidade6 prote/&o at onde *egam os seus limites1 contra a torr5te impetuosa e fune/a1 que arra/a z familias desde o luxo at infamia1 desde a impo/ura at quebra de todas z dignidades e de todos os pudores4 ,qu]o mais1 que ella se no env]gonhe de confess> que trabalha1 e que no diga que o seu fato feito por uma qualqu] modi/a e/rangeira1 qu&o ao seu laborioso s]o que ella deve a elegancia que d'e/e modo duplam5te preciosa e sympa?ica4 ,no imag9e a mulh]1 que entre os dev]es que acceit\ ha uns que a deslu/ram1 e outros que lhe ficam bem4 ,debaixo d ponto de vi/a da razo todos os dev]es so eguaes e e/o prezos entre si por uma cadeia invisivel4 ,da alegria da mesa dep5de a alegria d l>2 da economia de todos os in/antes1 dep5de o bom humor das fe/as de familia2 da elegancia e primoroso aceio da mulh] dep5de a t]nura inexgotavel d m>ido2 d modo porque ella rege e dom9a o seu pequ5o imp]io dome/ico1 dep5de a educao dos filhos1 a moralidade d int]ior1 a h>monia intima da vida1 e at a graa1 o espirito1 a lib]dade com que ella conv]sa e ri na sala4 ,todas z mulh]es se queixam dos m>idos1 e n5huma a9da p]cebeu o segu9te3 so ellas que prep>am e det]m9am o seu de/9o2 a ellas que a familia em g]al deve a sua desordem1 a sua dissoluo1 ou a sua felicidade4 ,no ba/a t] todas z graz1 preciso s] util1 e no f>do que se acceita em commum tom> a p>te que mais cu/a a support>4 ,no ba/a s] util1 pre/adia1 arranjada1 economica2 preciso t] a intellig5cia que idealisa um p\co os tri/es e aridos enc>gos da vida4 ,toda ou quasi toda a mulh] se s5te amesqu9hada pelo seu de/9o1 e prote/a contra z leis1 contra os usos1 contra z in/ituies1 que a exil>am dos altos c>gos da republica1 que lhe tolh]am o passo p>a todas z em95cias sociaes1 e que a condemnam obscuridade e lhaneza d viv] dome/ico4 ,oh6 ab5oados sejam os co/umes1 z leis1 z in/ituies1 que d]am ao homem tudo que ruido1 pompa1 o/5tao1 orgulho e vaidade1 e que nos d]am a ns a dce misso de encam9h>mos o futuro1 de gui>mos a humanidade no cam9ho d bello e d bom6 ,se at agora temos trahido essa misso a que fomos de/9adas1 a culpa nossa e no de quem con/ituio sob uma frma to racional e to ju/a a soci$ade4 ,o tempo que passamos no b>ulho vazio das fe/as mundanas1 colh5do decepes e rancores1 excit&o invejas1 provoc&o s5suaes applausos1 porque o no ga/amos a lr1 a e/ud>1 a p5etr> no mundo da natureza e no mundo da sci5cia em todos os seus aspectos to v>ios1 em todas z suas manife/aes to sympa?icas2 porque no dirigimos a pod] de trabalho e de es=o a primeira educao de nossos filhos1 e deixamos que mos m]c5>ias lhe arranquem aquella dce p5ugem da alma que a ignorancia dos pequ59os8 ,porque no fazemos da nossa casa1 um n9ho alegre e ffo1 que o nosso m>ido prefira ao botequim1 ao ,gremio1 ao ,club1 ao re/aurante1 casa dos seus amigos1 e onde elle e/eja c]to de encontr> o alim5to mais saboroso e mais hygi5ico1 o ar mais puro e lavado1 a poltrona mais commoda1 a conv]sao mais animada1 mais sub/ancial1 mais *i/osa e m5os p$ante8 ,p\co a p\co reg5]ao da mulh]1 seguir-se-hia a reg5]ao d homem1 deix>iamos de s] a ru9a1 p>a nos torn>mos o con=to2 deix>iamos de s] o tdio p>a nos torn>mos a alegria4 ,talvez no h\vesse tantos bailes e s>aus1 talvez ,(f5ba*1 ,dumas filho1 ,s>d\ tivessem m5os espectadores1 talvez z salas de bilh> p]dessem um p\co da sua popul>idade2 talvez os ourives e z modi/as fe*assem algumas das suas lojas1 mas em comp5sao quebravam m5os negociantes1 p]diam-se m5os mulh]es1 a calumnia r5unciava a uma gr&e poro d seu alim5to di>io1 o falso luxo que mata de fome os filhos e que arra/a s$as pelas ruas enlameiadas da cidade1 ou se recl9a voluptuosam5te nos cox9s flascidos d'um c\p de oito mollas1 o falso luxo deix>ia de o/5t> com to desc>ada altivez z suas l5tej\las compradas com mo$a vil1 e e/a nossa soci$ade1 que p>oda to ridicula e to desgraadam5te a soci$ade cosmopolita1 opul5ta e artificial da ,frana1 tomava div]so rumo1 assumia a dignidade que lhe falta1 e descobriria no futuro o ideal1 que no tem e que procura nas trevas4 ,o primeiro passo p>a que e/e deploravel e/ado de c\sas melhore um p\co1 que z mulh]es comecem a trabalh>4 ,z ricas in/ruam-se2 z pobres ajudem seu m>ido sem se env]gonh>em da sua hone/a pobreza1 e todas sem exceptu> qualqu] posio social1 occupem o tempo p>a no d>em log> s t5taes da vaidade1 aos sonhos morbidos que enfraquecem o corpo e o espirito1 s negras horas dissolv5tes d tdio1 em que tudo se concebe e se admitte como possivel1 at o esquecim5to de todos os dev]es1 at o proprio crime com o seu romantico cortejo de s5saes e de t]rores4 ,,capitulo ,,xii ,a toilette ,z mulh]es teem1 na g5]alidade1 um co/ume deploravel6 ,s se ve/em e se enfeitam e qu]em s] amaveis p>a o publico4 ,o m>ido1 a9da o mais feliz e mais extremoso1 tem sempre um rival t]rivel1 um rival exig5te1 um rival que lhe r\ba p>te das pr]ogativas e lhe c]ceia p>te dos direitos4 ,esse rival o publico1 esse dete/avel tyranno *amado t\t le monde1 a quem tudo se sacrifica1 e d qual em recomp5sa s se recebem criticas e desd5s6 ,p>a elle nos ve/imos1 p>a elle levamos horas e horas a comb9> o effeito da nossa toilette1 p>a elle e/amos defronte d espelho pr5d5do flores no cabello1 inv5t&o z difficeis ar*itecturas d p5teado1 p>a elle sabemos toc> piano e sabemos cant>1 p>a elle desejamos s] =mosas6 p>a que elle nos applauda--m5tiroso e humilhante applauso6--exhaurimos todos os recursos da nossa imag9ao4 ,p>a agrad>mos a elle1 que o extranho1 nos esquecemos dos que so nossos6 ,em casa z mulh]es1 pelo m5os z mulh]es portuguezas1 z que eu de mais p]to conheo1 pref]em a tudo1 aquillo a que to impropriam5te *amam e/> vontade4 ,usam uma robe-de-*ambre desbotada1 qu&o no trazem um ve/ido velho que j no s]ve p>a a rua2 trazem o cabello em papelotes ou frisado em gan*os1 e como qu]em descans> um p\co das talas que impuz]am aos ps1 consolam-nos1 mett5do-os em umas l>gas bab\*es desgeitosas4 ,pela manh1 hora d almoo do vontade de *or>6 ,o m>ido olha p>a ellas e444 de duas uma3--ou s5te fa/io ou come como um lobo4 ,de qualqu] dos modos manife/a a sua melancolia4 ,que/o de temp]am5to que no vem ao caso analys> aqui4 ,ao meio dia1 eis porm1 que se lembram das visitas que no t>dam1 das inimigas intimas que veem colhr invejas e seme> despeitos1 de todas z f]ozes exig5cias sociaes1 de que so submissas escravas6 ,desfranzem a te/a1 ageitam um sorriso malicioso ou s5tim5tal1 consoante o g5]o da physionomia1 m]gulham o corpo nas tepidas e p]fumadas c>icias d banho1 ve/em-se1 burnem-se1 p5teiam-se1 p9tam-se444 e app>ecem trans=madas4 ,durante umas p\cas de horas e/o no palco4 ,o auditorio escrupulosissimo4 ,ao m5or indicio que lhe de/e1 manife/a sem pi$ade o seu desagrado4 ,ellas1 no entanto1 suam s\s le h>nais1 mas so intrepidas at h]oicidade4 ,teem c>icias fel9as1 sorrisos que adormecem a tri/eza nos coraes mais desconsolados1 sabem s] eng5hosas1 *eias de inv5es felizes1 conseguem pl5am5te o seu fim1 e ao deix>em a sc5a fica no ar uma impresso boa1 quasi ent]necida4 ,*eg\ a occasio de volt> aos ba/idores4 ,n'e/e caso os ba/idores so a companhia d m>ido4 ,oh6 ,como ellas veem cansadas1 aborrecidas1 *eias de t$io1 e de desal5to6 ,despem1 com a voluptuosidade com que se despe um cilicio1 todas essas elegancias que z torturavam2 o sorriso ficticio apaga-se-lhes dos labios1 a luz ficticia esmorece-lhes no olh>4 ,a pelle precisa de cold-cream1 de vel\t9e1 de todos os +r$i5tes nauseabundos3 o cabello cahe-lhes aos ps1 solto dos gan*os que o pr5diam1 e em quanto a aia1 com um sorriso lad9o1 os recolhe cuidadosam5te na caixa de c>to1 o m>ido contempla ass>apantado1 *eio de +5uo e comico assombro1 aquella cabea que a9da ha p\co1 no orgulho com que se erguia1 na mage/ade altiva com que o/5tava o delicado edificio das tranz e dos riados1 lembrava uma das cabez g5tis que o seculo ,,xviii beij\ com enlevos e que a guilhot9a beij\ com volupia selvagem4 ,o p e/reito e cambr1 que a9da ha p\co nos circulos v]tig9osos da valsa1 fazia p5s> n'aquellas &or9has =a/eiras1 que roam a t]ra com o vo inquieto e leve1 sacode z prises que o ligavam dolorosam5te1 e dilata-se vontade1 com uma furia de indep5d5cia v]dadeiram5te demagogica e revolucion>ia1 na primeira *9ela que app>ece4 ,todo o aspecto physico se transfigura e--consequ5cia fatal d'e/a mesma causa--o aspecto moral transfigura-se tambem4 ,como a dissimulao et]na impossivel a9da aos mais hypocritas1 os defeitos que to cuidadosam5te se escond]am ao publico1 revelam-se ao m>ido4 ,riamos sem vontade a9da agora6 ,com a =tuna6 ,desabafemos o nosso mau humor1 vi/o que e/amos em casa6 ,t9hamos paci5cia p>a atur> com expresso int]essada e b5evola z s5saborias muito e/afadas de um s5hor engravatado1 de luvas cr de can>io e bigode retorcido e insol5te8444 ,sejamos agora desapi$adas p>a z hi/orias j um p\co velhas1 mas em summa ba/ante apres5taveis que o nosso m>ido nos qu] cont>6 ,f+ir6 sempre f+ir6444 ,impossivel6 ,sejamos v]dadeiras1 ao m5os n'e/a occasio1 j que s desagradamos quelle que tem obrigao re/ricta de nos atur>1 qu] queira1 qu] no6 ,i/o1 que primeira vi/a p>ece insignificante1 quasi frivolo1 tem um alcance enorme no de/9o de vv4 ex4z1 m9has s5horas6 ,o m>ido1 ao p]ceb] que de todas z mulh]es a mais desagradavel a sua1 tem um mom5to de pr(unda tri/eza1 ao qual succ$em uns p\cos de annos de revolta6 assim que se de/roe a familia1 assim que se torna desflorido e des]to o l>4 ,em comp5sao en*em-se os sales1 os clubs1 os !atros1 os botequ9s4 ,re/a sab] se uma das c\sas pde n'uma soci$ade hone/a e bem con/ituida supprir a outra4 ,sejam mais g>ridas em casa1 e sejam-no m5os fra2 aspirem elegancia desprez&o os m5tirosos artificios2 procurem1 antes de tudo1 agrad> familia e conseguiro a p\co e p\co1 sem es=o prem$itado1 agrad> aos e/ranhos4 ,uma familia boa1 unida e feliz como um fco de calor que attrahe e que irradia luz b5efica4 ,ha casas onde se entra e onde nos s5timos como n'um meio sympa?ico e captivante4 ,so sempre z casas em que a mulh] possue a intellig5cia d corao1 essa c\sa r>a e preciosa1 que suppre a =mosura1 o tal5to e todos os attractivos d espirito4 ,ve/ir-se com uma graa despret5ciosa e simples1 rode>-se de c\sas bellas1 s5tir e communic> em torno de si o praz] das di/races delicadas1 s] em casa um p]fume vivo1 uma h>monia suave que no cansa1 uma luz s]5a que allumia e que no deslumbra1 eis o que s] mulh] na accepo completa da palavra4 ,toda a mulh] tem de s] coquette p>a o m>ido emquanto p>a o m>ido a et]na t5tao = o pmo v$ado4 ,em g]al s se conhecem os d\s extremos4 ,ou a matrona envolvida na sua virtude como n'uma c\raa1 temivel1 assanhadia1 =midavel1 imag9&o m]ec] todas z hom5ag5s d esposo1 porque afug5ta com m$onho aspecto z hom5ag5s de todos os outros2 ou ento a mulh] dos sales1 a flr exotica das nossas e/ufas mundanas1 ,salam&ra que vive no fogo1 ,n9on de biscuit que se compraz nas adoraes que provoca e que inspira1 infativel actriz que s luz da ribalta sabe des5volv] e manife/> todos os seus recursos4 ,entre os d\s contra/es que fica a v]dade4 ,mulh]es1 des5volvei no seio da familia z graz que desp]diaes pelas vorag5s d'e/e mundo4 ,t5de todas z flexibilidades e todas z resi/5t5cias1 todas z graz e todas z en]gias2 sde o encanto1 sem deix>des de s] a virtude2 e sobretudo p]dei de vi/a o publico1 esse brutal amante que vos absorve1 que vos p]de e que nunca vos corresponde4 ,,capitulo ,,xiii ,victoria ,woodhall ,uma oradora am]icana ,os ,e/ados-,unidos1 que so decididam5te a patria das exc5tricidades colossaes1 o paiz em que o excesso d positivismo1 como que p>a ju/ific> o axioma de que os extremos se tocam1 tem conduzido a intellig5cia a uma especie de p]man5te halluc9ao1 os ,e/ados-,unidos e/iv]am p>a d> segundo affirm\ a impr5sa +leza1 mais uma prova evid5te d seu amor pelas orig9alidades ruidosas4 ,dizia-se que a presid5cia d'e/a republica to pod]osa e floresc5te ia s] (f]ecida a uma mulh]1 e citava-se o nome d'essa mulh]1 que uma das mais f]vorosas e apaixonadas propag&i/as da re=ma politica e social1 uma das advogadas mais eloqu5tes da emancipao completa d seu sexo4 ,j muitas vezes o temos dito1 antipa?isamos =malm5te com e/a d\tr9a revolucion>ia1 da qual no esp]amos s5o fune/os resultados1 por isso n5hum lao de sympa?ia pde pr5d]-nos famosa ,victoria ,woodhall1 de que se occupam com v]dadeiro en?usiasmo alguns dos jornaes importantes da ,+lat]ra e da ,am]ica d ,norte4 ,no deix>emos1 porm1 de e/ud> com att5o os p\cos dados que conhecemos d seu c>act] e da sua intellig5cia1 porque1 embora como mulh]--no concordemos com z suas !orias1--como arti/a--no podemos deix> de reconhec] que ella um producto p]feito d seu meio4 ,victoria ,woodhall moa1 tem uma =mosa pres5a1 sabe ve/ir-se1 o que j dev]as p>a not>-se n'uma advogada convicta dos direitos politicos da mulh]1 e se aprecia os triumphos que a sua palavra um p\co emphatica co/uma arranc> aos num]osos ouv9tes que a escutam1 nem por isso desd5ha os cuidados m9uciosos da elegancia mundana4 ,teem-na vi/o prg> sobre um texto biblico1 que ella mod]nisa segundo z conv5i5cias da sua ^!1 traj&o elegantem5te um ve/ido de velludo preto1 e com uma rosa purpurea an9hada nas lu/rosas tranz escuras d seu cabello g>ridam5te p5teado4 casada1 vi/o que lhe *amam ,mi/res ,woodhall1 mas nos sales onde tem preleccionado app>ece sempre s sobre uma elevada platafrma1 de onde prga s turbas4 ,o m>ido1 se exi/e1 um simples comp>sa1 n+uem o nota e n+uem se occupa em fall> d'elle4 ,entre p>5!sis3 no ha posio mais deploravel que a d m>ido de uma mulh] celebre1 qu] diz] de uma mulh] que falla em publico1 que app>ece1 que declama1 que tem os ruidosos triumphos da actriz1 da cantora1 da agitadora politica1 e agora os mais mod]nos da preleccioni/a social4 ,nunca pudemos deix> de s5tir muito d d ,b>o ,/ael1 de monsieur ,roll&1 d m>ido de ,h5riqueta ,bee*] ,/[e1 e de tantos outros =ados e obscuros satelites d'esse a/ro brilhante e ph5om5al que a mulh] acclamada pelo indiscreto applauso das multides4 ,agora o m>ido de ,mr4 ,victoria ,woodhall1 se acaso vive1 o que no podemos de modo algum affirm>1 no t5do nunca ouvido cit> o seu nome1 p>ece-nos uma victima igualm5te lam5tavel d mesmo negro fado4 ,victoria tem dado conf]5cias1 extraord9>iam5te concorridas1 em ,nova-,york1 em ,londres1 em ,liv]pool e em outros c5tros indu/riaes da ,+lat]ra e da ,am]ica4 ,tem a voz ins9uante e h>moniosa1 a ge/iculao arrebatada e arti/ica1 a palavra facil1 flu5te1 emphatica1 mas to qu5te e apaixonada que ex]ce sempre uma impresso pr(unda nos que a escutam4 ,como j dissemos no tem os t]riveis oculos azues1 nem o ro/o anguloso e sev]o de ,mrs4 ,bee*] ,/[e1 uma mulh] que fez no seu paiz uma revoluo humanit>ia1 e que de/ruiu aos nossos olhos todo o effeito sympa?ico da sua cruzada contra a escravatura com aquellas conf]5cias p$antes pelas quaes concluiu a sua c>reira litt]>ia4 ,a mulh] oradora precisa de s] =mosa1 sob p5a de s] ultra-ridicula4 ,p>ece-nos1 porm1 que d ridiculo simples1 sem circum/ancias aggravantes1 no a salva nem mesmo a =mosura4 ,victoria ,woodhall no seu paiz prga em favor da santidade d matrimonio1 da re=ma da educao1 de todos os graves e mom5tosos assumptos de que hoje dep5de a reg5]ao politica e moral das soci$ades4 ,fra d seu paiz1 porm1 no vo to longe a9da z suas aspiraes4 ,o que ella por emquanto reclama a igualdade e nivelam5to absoluto de dev]es e direitos entre a mulh] e o homem4 ,adoptamos com todo o corao no os meios1 mas o fim d'essa propag&a to necess>ia2 mas no podemos concord> de modo algum com o complem5to que a fem9il oradora proclama indisp5savel4 ,a*amol-o contraproduc5te1 illogico1 fune/o s in/ituies abaladas1 que se pret5dem salvagu>d>4 ,qu]emos o casam5to grave1 au/]o e santo1 qu]]mos a creana educada com solicitude extremosa1 qu]emos a mulh] respeitada e qu]ida1 consci5cia de bronze e corao de cra1 qu]emos na arte um ideal sev]o e levantado1 qu]emos na soci$ade a incorruptivel e s]5a ju/ia1 qu]emos o homem reg5]ado e =te1 e porque desejamos tudo isso1 que p$imos a ,deus afa/e p>a bem longe de ns o t]rivel flagello da mulh] dom9&o o seu proprio de/9o e o de/9o da soci$ade4 ,n'um discurso de ,victoria ,woodhall1 pronunciado em ,nova-,york e applaudido en?usia/icam5te por um auditorio de #dj3jjj pessoas leem-se os tre*os segu9tes3 ,fall&o d casam5to1 escusado diz] que falamos n'esse casam5to ideal que toda a maldade dos hom5s no pde de/ruir2 n'esse casam5to1 de cujos membros pod] diz]-se com v]dade3 ,=am unidos por ,deus1 e o pod] d homem1 no logr> desunil-os2 n'esse casam5to1 de cujas alegrias jmais qu]]o ap>t>-se os que um dia z conhec]em2 n'esse casam5to que to sagrado1 to puro1 to santo1 que nem a sombra de uma discusso pde exi/ir entre1 os d\s factores que o det]m9am2 fallamos n'esse casam5to em que os d\s repres5tantes oppo/os da humanidade--o elem5to positivo e o negativo das raz--se tornam pela aco e pelo p5sam5to n'um unico s]1 e to p]feito1 que os mesmos motores o movam e o faam p5s> e obr>2 em resumo1 n'esse casam5to d qual nem a sombra d'um elem5to e/ranho possa alt]> a pureza1 a unidade1 a ideal p]feio4 ,o casam5to g]alm5te consid]ado como um assumpto por demais frivolo ou pu]il4 ,aceitam-no ou quebram-lhe os laos com a mesma pressa e a mesma ida das responsabilidades que elle impe1 como se o consid]assem uma in/ituio especialm5te designada p>a satisfaz] z egoi/icas paixes da humanidade4 ,sim1 concordamos pl5am5te com e/e levantado ideal d casam5to que a =mosa preleccioni/a apres5ta e proclama1 mas affirmamos que elle nunca pod] realis>-se se triumph>em univ]salm5te z d\tr9as que ella to ard5tem5te advoga4 ,a prova evid5te d'e/a nova ass]o ella quem se enc>rega de nol-a =nec]4 ,a mulh]1 como ns a sonhamos e a qu]emos1 no a =a/eira acclamada e illu/re que &a espalh&o por sobre a cabea das turbas indiff]5tes ou passageiram5te commovidas1 z suas convices e z suas !orias sociaes4 ,recolhida no seu mode/o e placido int]ior1 me de um b&o infantil1 mimoso e l\ro1 de que ella fosse a provid5cia1 o amp>o1 a suprema alegria1 esposa de um homem =te e hone/o1 de um trabalhador1 de um membro activo e laborioso da mod]na soci$ade1 a aco d'e/a mulh] s]ia muito mais re/ricta1 mas inconte/avelm5te mais util e mais salut>4 ,no d>ia uma hora de commoo dramatica ao auditorio que viesse ouvil-a1 curioso de exc5tricidades novas2 no julg>iam possivel a sua eleio como presid5te de uma republica pod]osa2 mas z pessoas que vivessem em mais ou m5os e/reito contacto com ella receb]iam a influ5cia hone/a d seu exemplo1 e os filhos que ella educasse s]iam outros tantos elem5tos fecundos da futura reg5]ao social4 ,no prg&o o respeito ao casam5to que se conv5cem os hom5s1 prov&o esse respeito nas m9imas aces e nas aces mais decisivas de uma exi/5cia4 ,mrs4 ,victoria ,woodhall tem arrebatam5tos sob]bos de eloqu5cia oratoria1 fulm9&o a decad5cia em que o s5tim5to da familia tem mod]nam5te cahido1 mas como qu] ella prov>-nos que compreh5de essa absoluta id5tificao de duas almas1 essa absorpo de um espirito em outro espirito seu irmo1 ella que affirma to rasgadam5te a sua individualidade1 ella que app>ece em pl5a luz deix&o na sombra aquelle de que no pde s] s5o a metade incompleta1 a poro imp]feita e mutilada4 ,&a n'uma gloriosa fa9a a conv]t] z suas irms que prev>icam ou descreem1 ou ignoram4 ,mas se o exemplo da gloriosa propag&i/a z t5t> e s$uzir8 ,onde fica o l> mode/o1 o aceio d n9ho1 o t]no amor dos filhos pequ59os1 z obscuras virtudes dome/icas1 toda a graa1 toda a poesia1 todo o con*ego1 todo o encanto my/]ioso e inde/ructivel d'essa ineffavel unio *amada o casam5to8 99 99 99 99 99 ,no nos surpr5de1 porm1 e/e producto extraord9>io de uma soci$ade agitadissima e a9da p>a si propria indef9ida e indef9ivel4 ,a ,am]ica tem-se feito a si mesmo1 no procura p>a z suas leis e p>a os seus co/umes uma solida base tradicional4 ,n'ella que to =te como nao1 to p]t9az nos int5tos1 to en]gica nas aces1 n'ella que uma prova t]m9ante de como em d\s seculos se frma uma raa1 unica e *eia de virg9al vigor1 ha c\sas que e/o a9da p]feitam5te vagas e fluctuantes4 ,o de/9o das mulh]es uma d'essas c\sas4 ,politicam5te possuem os mais amplos direitos1 podem s] tudo1 aspir> a tudo1 todas z c>reiras e/o ab]tas diante dos seus passos2 socialm5te quasi um dogma o respeito que inspiram4 ,n+uem ousa insultal-z nem com uma palavra1 nem com uma suspeita1 gosam de uma lib]dade absoluta1 &am ss1 viajam desprotegidas ou antes protegidas pela sua fraqueza omnipot5te1 nos cam9hos de f]ro1 nos omnibus1 nos paquetes2 s5tam-se ss9has meza r$onda de um hotel1 fazem emfim impunem5te1 apoiadas pela despotica sob]ania dos co/umes1 tudo que a ns1 europz de facto ou de tradio1 se affigura quasi mon/ruoso de inconv5i5cia4 ,e no entanto1 apes> d'e/e re9ado app>5te1 apes> d'e/e pr$om9io o/5sivo1 bem mais pr(unda a invisivel influ5cia que z mulh]es d velho mundo ex]cem em torno de si1 no sobre z leis1 o que s]ia p\co1 mas sobre os co/umes1 o que quasi tudo4 que somos z ra9has d l>2 de nosso bom ou mau juizo dep5de a paz ou a gu]ra1 a v5tura ou a desgraa1 a prosp]idade ou a ru9a1 a dce m$iania tranquilla ou a agitada e tempe/uosa exi/5cia mundana4 ,no p>ecemos nada e somos tudo6 ,os que mais nos desd5ham no escapam ao nosso pod]4 ,submettem-se-lhe inconsci5tem5te4 ,os que luctam contra ns teem de confess>-se v5cidos4 ,no somos m$icas1 no somos advogadas1 no somos pr(essoras1 no somos preleccioni/as (ficiosas de qualqu] !oria1 mais ou m5os arriscada2 mas somos a influ5cia cont9ua e p]man5te1 a voz surda que sempre se escuta1 a t5tao fune/a ou a guia provid5cial1 o gr&e pod] obscuro1 a que se no furta o filho1 o irmo1 o m>ido1 o proprio pae6 ,que importa que no possamos ex]c] a nossa aco d5tro da esph]a re/ricta e limitada das leis1 se os co/umes ahi e/o1 p>a que ns os crimos1 os modifiquemos1 os trans=memos1 p>a que ns lhes dmos o nosso collectivo impulso enorme6 ,na ,am]ica1 vi/o que a mulh] tem a faculdade de luct> com o homem no campo da actividade pratica1 -lhe re/r+ido fatalm5te o seu pod] na esph]a em que ella pde e deve s] ra9ha4 ,o casam5to na ,am]ica prote/ante1 dizem os viajantes que teem obs]vado os co/umes d'essa raa e/ranha e vigorosa1 um contracto tempor>io que se baseia no calculo1 e que o mais leve atricto pde de/ruir4 ,o divorcio alli um facto vulg>issimo1 ha mulh]es divorciadas de tres m>idos que contrahem muito s]5am5te um qu>to matrimonio to sagrado e to respeitavel como os tres primeiros4 ,os filhos res5tem-se inevitavelm5te d'e/e e/ado transitorio em que p]manece a familia4 ,no teem respeito nem discipl9a1 e mais d que provavel que no t5ham amor4 ,em pequ5os teem de sujeit>-se s regras e/abelecidas1 logo porm que sahem da infancia repres5tam por si proprios1 encetam a gr&e lucta da vida4 ,a indep5d5cia pessoal1 o individualismo britannico1 acc5tua-se alli d'uma frma muito mais sali5te4 ,cada um por si1 eis a lei que rege o v]dadeiro ,yankee1 lei que h]d\ de seus avs anglo-saxonios e que exag]\1 accommod&o-a s despoticas exig5cias d seu meio4 ,assim como a soci$ade politica1 ass5ta no pr9cipio da mais ampla e rasgada desc5tralisao1 assim a soci$ade moral dom9ada por um pr9cipio exag]ado de indep5d5cia1 que afr\xa necess>iam5te os laos da familia4 ,no se faz ida entre ns d que um int]ior nos ,e/ados-,unidos4 ,nas classes burguezas e m$ianam5te favorecidas dos b5s de =tuna1 vive-se por assim diz] em commum n'uma especie de hosp$>ia1 em que se reune uma duzia ou mais de familias4 s horas da refeio agglom]a-se em torno da meza aquella multido de indiff]5tes que mal se conhecem2 comem pressa absortos em preoccupaes de ord5s div]sas que a9da mais os sep>am e os di/anceiam4 ,a comida feita sem amor1 sem solicitude1 sem o cuidado que inspiram boa me e boa esposa z pr$ileces dos filhos e d m>ido1 a hygi5e da familia1 a economia d l>1 no tem p>a n5hum dos comm5saes nem alegria nem sabor4 ,comem como quem cumpre uma obrigao indisp5savel e enfadonha1 e d'alli p>tem p>a a fa9a1 p>a o trabalho sem treguas1 p>a a lucta ac]ba e p]t9az4 ,nem um mom5to de rep\so ou de tranquillo devaneio4 ,a vida o trabalho2 o tempo mais d que d9heiro1 sangue4 ,a exi/5cia dos am]icanos uma exi/5cia de op]>io1 tressuada1 esmagadora4 ,todos qu]em conqui/> a sua poro legitima de abundancia ou mais a9da1 de riqueza4 ,p>a que8 ,p>a t]em bem firme a consci5cia de que a m]ec]am4 ,ha uma pressa febril1 uma impaci5cia v]tig9osa1 uma ancia de todos os in/antes n'e/a raa de impetuosos luctadores4 ,z qualidades e os defeitos britannicos att+em alm d ,atlantico um relevo exag]ado4 ,n'e/a vida cortada de ob/aculos e difficuldades1 n'e/a vida em que a en]gia d homem1 o seu vigor physico e moral1 a dura t5acidade d seu qu]]1 se ex]citam e robu/ecem na mais des5volvida escala1 que lug> pde hav] p>a a poesia1 p>a a arte1 p>a z tranquillas duras da vida dome/ica1 p>a os praz]es de uma culta sociabilidade8 ,ha tempo ap5as p>a admir> z extravagancias imprevi/as1 z c\sas novas e exc5tricas que firam a att5o1 que se imponham rapida e subitam5te ao pasmo das turbas4 ,d]iva d modo inteiram5te c>act]i/ico porque os am]icanos ent5dem a vida1 o lug> que n'ella do mulh]4 ,isolada por um e/]il respeito1 despojada de todo o pr$om9io que entre ns lhe conc$em os co/umes1 e a tradio religiosa e social1 a mulh] p>a t5t> adquirir a consci5cia da sua =a1 tem fatalm5te de ir procural-a na ar5a em que luctam os hom5s4 ,i/o em vez de os conv]t]1 mais os lib]ta d'aquelle pod] occulto e lat5te1 d'aquella doce e invisivel influ5cia que p>t9do d'alto lhes suavis>ia a indole1 os co/umes e os go/os4 ,victoria ,woodhall o fructo g5u9o d'e/a soci$ade incompleta n'uns pontos e n'outros inteiram5te transviada d v]dadeiro cam9ho1 d cam9ho que conduz felicidade e ao equilibrio de todas z faculdades humanas4 ,s na ,am]ica d ,norte que e/a val5te prgadora das re=mas sociaes podia t] nascido1 s a ,am]ica que podia ent5del-a e applaudil-a com to s9c]o en?usiasmo6 ,se manh uma das nossas mulh]es comeasse a p]corr] z gr&es cidades da ,europa m]idional1 prg&o a trans=mao dos co/umes1 os direitos politicos d sexo fem99o1 a re=ma das in/ituies1 a sua prdica1 por mais eloqu5te que fosse1 s]ia abafada em uma tempe/ade hom]ica de risos6 ,aqui muito puridade1 eu no sei se somos ns1 que temos razo6 ,criados e ,amos ,,capitulo ,,xiv ,i ,fallemos dos nossos criados4 um assumpto e/e de importancia summa4 ,tem relaes e/reitas com a adm9i/rao da casa1 com o seu aceio1 arranjo1 con=to e bom gov]no2 com a moralidade que n'ella exi/e1 com a figura que ella repres5ta em relao s outras casas4 ,p>ece uma que/o ridicula e comes9ha2 tem sido e/ragada por todas z matronas de mau humor que desafogam n'ella a sup]abundancia da sua bilis2 o assumpto obrigado das conv]saes das mes burguezas1 em quanto nas pequ5as soires dos qu>tos &>es z m59as e/afam um desgraado piano a/hmatico1 os litt]atos da familia recitam v]sos a ,ella1 e tres comm5dadores gordos e v]melhos disputam acalorada e f]ozm5te a uma banca de volt>ete4 ,n+uem todavia a9da enc>\ e/a que/o debaixo d seu v]dadeiro aspecto4 ,declama-se contra a decad5cia e desmoralisao dos criados de hoje1 mas n+uem p5s\ que e/a decad5cia1 que e/a desmoralisao1 provm =osam5te de alguma causa que necess>io conhec] e de/ruir4 primeira vi/a1 obs]v&o na familia1 esse elem5to que se tem tornado to indisp5savel quanto p]igoso1 nota-se o segu9te3 --,que os criados de hoje no se podem comp>> aos criados antigos1 nem na fidelidade1 nem na lealdade1 nem no des9t]esse1 nem na moralidade4 ,j se v que e/a regra tem excepes num]osas1 de que no tract>emos1 mas que reconhecemos e admittimos4 --,que dia a dia se nota n'e/a classe um desapego mais pr(undo pelas familias a quem s]ve1 e em cujo seio p5etra4 --,que elles so sempre ou quasi sempre os auxili>es da traio1 d vicio1 da desob$i5cia1 e que portanto pr(undam5te corruptora a influ5cia que ex]cem na familia4 --,que o seu int]esse consi/e em especul>em com z fraquezas ou z maldades d'aquelles de quem dep5dem1 e que vivem e m$ram na immoralidade dos seus sup]iores4 --,que pelo seu comportam5to se revelam inimigos natos de todos que e/o acima d'elles1 e que pres5t9do a vantagem que lhes pde provir d rebaixam5to dos entes de quem receiam a sev]idade ou que so =ados1 muito contra sua vontade1 a respeit>1 o fim que elles teem1 e que procuram por todos os modos att+ir1 o segu9te3 p5etr> vag>osa e cautelosam5te na confiana dos amos1 extorquir-lhes os seus segr$os1 e divulgal-os por sde in/9ctiva de v+ana1 ou exploral-os1 por desejo immod]ado de ganho4 ,po/o i/o1 provado e/ que os criados so os nossos inimigos necess>ios1 e que preciso que p>a com elles a nossa attitude seja por em quanto inteiram5te def5siva4 ,e dizemos por em quanto1 por uma razo muito simples4 ,porque ent5demos que1 qu&o n'uma classe inteira se manife/am symptomas de corrupo e de gangr5a1 a culpa vem por =a de longe1 e de cima1 e que devemos applic>-nos com todas z nossas =z e todos os nossos desejos1 a modific> essa culpa1 e a r$imil-a por fim4 ,a que pde attribuir-se o contra/e notavel que se reconhece entre os criados antigos e os criados de hoje8 ,a muitas causas indep5d5tes da nossa vontade1 e sobretudo da vontade d'elles2 z causas que teem o seu qu de politicas1 e seu qu de economicas1 o seu qu de sociaes1 o seu qu de philosophicas4 ,vejam em quantas que/es nebulosas e importantes ente/a e/a humilde que/o de criados4 ,trans=mao completa d viv] social e d viv] dome/ico4 ,d'antes a familia era fundada n'um pr9cipio de muito m5os ju/ia1 mas n'uma base de muita mais solidez4 ,havia o *efe que acolhia sua va/a sombra1 os irmos1 os p>5tes pobres1 os filhos1 os s]vos que eram tambem uma tradio e tambem uma h]ana4 ,qu&o o *efe morria succ$ia o filho ou o irmo mais velho1 que h]dava os irmos1 os tios1 os p>5tes pobres1 os s]vos1 todos os hav]es1 e tambem todas os enc>gos da num]osa communidade4 ,os criados entravam ao collo de sua me que v9ha s] aia1 ou v>r$ora1 ou engommadeira1 ou outra c\sa qualqu] e sahiam de #fj ou #hj annos no caixo p>a o cemit]io1 deix&o na familia nova g]ao de s]vos que eram seus filhos4 ,d'e/e modo havia e/abilidade nos seus empregos4 ,s eram demittidos por erro de (ficio4 ,no receiavam o dia de manh1 no s5tiam a esmagadora indiff]5a dos sup]iores a revel>-lhes que na familia eram prias1 eram e/ranhos1 eram inimigos4 ,no precisavam de se aposs> de um segr$o1 de ameaar tacitam5te com uma d5uncia1 de lisonge> vilm5te um vicio ou mesmo uma mania1 p>a d>em solidez e g>antia de durao sua posio dep5d5te e prec>ia6 ,em quanto que na va/a sala de jant>1 de tectos apa9elados1 e cu/osos pannos de ,arras1 em torno da pesada meza de c>valho1 primorosam5te entalhada1 se reunia alegre a num]osa familia1 em que umas p\cas de g]aes se enlaavam1 na cos9ha d palacio1 ao lume crepitante das =nalhas enormes1 reunia-se tambem a familia a9da mais num]osa dos antigos s]vos4 ,eram paes1 mes1 filhos1 s vezes netos4 ,no e/avam privados de todas z condies humanas1 t9ham z suas fe/as intimas1 z suas alegrias1 os seus affectos4 ,o seu maior emp5ho consi/ia em que a familia de que dep5diam1 florescesse e prosp]asse2 a sorte d'elles e dos seus1 e/ava por assim diz]1 id5tificada com a sorte dos amos4 ,affeioavam-se quellas p>$es1 ou quelles moveis1 s5hora que era br&a e protectora p>a elles1 s creanz que t9ham ajudado a cre>1 e que um dia viriam a conc$]-lhes a mesma proteco que hoje recebiam dos paes4 ,eram maus1 int]esseiros1 crueis s vezes6 ,embora6 porque eram hom5s1 e no porque eram s]vos4 ,t9ham z qualidades boas ou ms da humanidade e no z de uma det]m9ada classe4 ,d'aqui a sua sup]ioridade sobre os criados de hoje4 99 99 99 99 99 ,no regim5 mod]no1 a familia tem outra con/ituio e outros co/umes4 ,z =tunas extremam5te divididas j no cons5tem esse modo de viv] opul5to e patri>*al4 ,os mesmos ricos1 que so no fim de contas os gr&es f9anceiros mod]nos1 esses que junt>am a =tuna de que gosam cu/a de privaes e de trabalho1 so egoi/as p>a todos1 e p>ticul>m5te duros p>a os inf]iores4 ,na sua op9io os criados so ma*9as4 ,umas ma*9as que ve/em casaca1 e usam gravata branca4 ,exigem d'elles um s]vio irrepreh5sivel1 uma ob$i5cia passiva1 uma discipl9a exempl>4 ,de re/o odeiam-nos porque lhes teem um c]to md4 ,compreh5dem p]feitam5te que so r$iculos1 elles que &>am tanto tempo de tamancos1 a v>r] os armaz5s1 a lev>em empurres e maus tractos dos caixeiros gr&es da casa1 a curv>em-se humildem5te diante dos patres1 d&o-se agora aquelles ares sup]iores e desd5hosos de pot5tados4 ,emquanto comem em pratos de ,sevres ou d ,japo1 uns manj>es exquisitos que o cos9heiro1 o seu cos9heiro de dez ou doze libras por mez1 lhes imp+e traioeiram5te1 s5tem-se acanhados diante d olh> frio1 d olh> metallico dos criados de meza1 e imag9am que elles no mudo esc>neo d'esse olh>1 lhes dizem que e/o p]ceb5do o seu desa/ram5to1 os seus ge/os grosseiros1 e at a saudade com que recordam a assorda e o bacalhau salgado dos bons dias da mocidade4 ,d'e/a ho/ilidade mutua nada bom pde result>4 ,os amos so orgulhosos1 *eios de desdem1 de indif]5a1 de duro egoismo2 os criados so hypocritam5te humildes1 so invejosos1 e malevolam5te esc>nec$ores4 ,s um lao pde lig> e/es sres2 a cumplicidade4 ,de cima no hav] br&ura em quanto de baixo no h\v] subs]vi5cia crim9osa4 ,ambos o compreh5dem de sobejo2 compreh5dem-no sobretudo os criados que &am mira d'um segr$o1 d'uma indiscrio1 d'uma descob]ta qualqu] que os faa levant> a cabea4 ,no dia em que a aia recebe a primeira confid5cia da s5hora1 no dia em que entrega o primeiro bilhete1 no dia em que lhe escutado o primeiro recado de que a enc>regam1 inv]tem-se os papeis1 e s cont9ua app>5tem5te aquella humildade que a suffocava de col]a e de despeito4 ,era escrava ob$i5te e muda1 hoje cumplice1 o que qu] diz] tyranna4 ,ao m>ido em caso id5tico succ$e o mesmo4 ,moralidade d'e/a situao3 o criado de hoje triumpha qu&o seus amos se rebaixam4 99 99 99 99 99 ,entremos nas casas burguezas1 que con/ituem hoje a maioria4 ,vive-se com p\co1 ha uma ou duas criadas1 a pobreza traz comsigo uma c]ta promiscuidade que abala o respeito4 ,j aqui os criados no so automatos que se movem ao impulso d'uma vontade sup]ior4 ,no so mudos1 no teem a fria app>5cia ari/ocratica que revela a opul5cia da casa em que s]vem4 ,pelo contr>io2 z criadas e/o iniciadas nos pequ5os segr$os da familia1 mas como a vida de hoje1 toda de exp$i5tes1 toda no ar1 desiquilibrada1 impo/ora1 no tem aquella dignidade da vida antiga1 z criadas com o seu malicioso in/9cto plebeu p5etram esse viv]1 julgam-no e esc>necem-o4 ,podia-se viv] dec5tem5te com o p\co que ha4 ,*ega mesmo p>a uma alim5tao sadia1 p>a a satisfao das necessidades indisp5saveis2 se a dona da casa des5volv] os seus recursos de economia1 conseguir-se-hia sem muito trabalho1 no fim d anno1 jo9dre les deux b\ts como expressivam5te dizem os francezes4 ,o pae um funccion>io bem collocado1 o r5dim5to se no gr&e pelo m5os suffici5te p>a uma vida m$iocre e laboriosa4 ,diante d'e/e quadro p>ece-nos que no ha bre*a por onde possa p5etr> a malicia int]esseira da criadagem4 ,pois ha1 m9has s5horas6 ,o dono da casa tem um emprego bom1 v]dade1 mas aspira a subir de po/o1 qu] de mais a mais a c>ta de conselho1 leva i/o em capri*o por causa das picu9has d seu collega da secret>ia1 o conselheiro ,fulano2 logo1 p>a att+ir e/e fim desejado preciso antes de tudo figur>4 ,tem de ir aos *s d seu amigo deputado1 s soires d b>o de tal que muito influ5te1 tem de d> de jant> de vez em qu&o ao seu amigo cicrano que p>5te d primo da mulh] d secret>io p>ticul> d m9i/ro1 tem de ga/> muito em app>ato ridiculo1 em luxo av>iado1 em pompa feita de rem5d9hos4 ,a mulh]1 j se ent5de1 no lhe fica atraz6 ,podra6 ,e ella ento que tem de se v+> d'uns *ascos que z snr4z ,silvas fiz]am ha tres annos a um ve/ido de s$a um tanto usado que ella trazia2 e que tem de faz] reb5t> de inveja a ,d4 ,leocadia que mulh] d'um comm5dador seu conhecido2 e de quebr> os olhos prima ,aus5da que &a a diz] pelas casas d seu conhecim5to que no sabe onde ella vae busc> p>a tanto luxo6 ,filhas d'e/es paes o que s]o z m59as8 ,qu]em ve/idos de s$a1 embora os comprem em segunda mo1 qu]em joias embora sejam falsas1 qu]em bot9as de taco alto1 porque z teem vi/o s pequ5as da viscondessa de ,m4 e da b>oneza de ,s4 e da m>queza de ,v42 qu]em app>ec] no !atro1 qu]em ir ao ,club1 qu]em tom> banhos qu&o no seja em praia elegante1 ao m5os na ,ericeira2 qu]em reunir n\te uma vez por semana1 umas visitas que nunca vo1 qu]em faz] emfim o que por ahi faz toda a g5te4 ,resultado d'i/o1 resultado inevitavel4 ,deve-se na t5da1 deve-se no c>voeiro1 deve-se na modi/a1 deve-se no sapateiro1 deve-se na loja de faz5das1 deve-se s criadas4 ,a falta de s]i$ade na vida1 ac>reta comsigo um milh> de pequ59as humilhaes insupportaveis4 ,z criadas vo porta receb] os cr$ores1 e trazem d5tro os recados com um sorriso magano que escapa a todas z repreh5ses e a todos os ca/igos4 ,se e/o de mau humor resmungam1 fazem causa commum com o inimigo1 que no fim de contas o confrade2 se e/o bem dispo/as do alvitres1 inv5tam e lembram desculpas1 lam5tam a s5hora1 etc41 etc4 ,de qualqu] dos modos amesqu9ham os amos1 e/abelece-se entre elles e ellas uma intimidade fune/a4 ,de/roe-se assim o respeito1 discipl9a1 a ob$i5cia1 aquella hi]>*ia que tem de exi/ir n'uma familia p>a que essa familia e/eja bem organisada4 ,um dia1 z m59as1 que teem recebido a educao mais p]niciosa e mais falsa1 f>tam-se d'aquella vida de privaes intimas1 de bal(as app>5cias e qu]em fugir d'ella4 ,teem s uma porta3 o casam5to4 ,nas familias pobres da burguezia1 o casam5to julgado a porta por onde se sahe da mis]ia6 ,quantas vezes no elle a porta por onde se entra na desgraa6 ,comeam ento a namor>4 ,a namor> seja quem fr4 ,o alf]es que passa1 o d&y pel9tra que encontram nos seus passeios1 o litt]ato pallido e fatal que olh\ p>a ellas da plateia4 ,quem a confid5te natural d'e/e namoro1 a auxili> =ada d'e/a intriga ridicula8 ,a criada6 ella quem espia a me1 e quem ajuda a enganal-a2 ella quem entrega e recebe z c>tas1 ella quem se f>ta de rir com a m59a1 ouv9do cont> o que ella lhe disse1 e o que elle lhe torn\6 ,quantos p]igos1 quantas humilhaes1 quantas v]gonhas n'e/e facto que hoje trivial e repetidissimo6 ,a criada s tem a ganh> na execuo d'e/es mi/]es4 ,ganha indulg5cia p>a z suas proprias faltas1 uma advogada que ou por m$o ou por sympa?ia def5de a sua causa1 e at se tanto fr preciso se revolta por amor d'ella contra a au?oridade mat]nal4 ,ganha quem a ajude no trabalho6 ,ganha a possibilidade de s] insol5te e atrevida1 de se v+> da sua posio inf]ior1 de desafog> o mau g5io1 e i/o sem p]igo de qualidade alguma4 99 99 99 99 99 ,qu&o se no do e/es casos que ahi deixamos apontados do-se outros id5ticos ou outros similhantes4 ,da p>te dos sup]iores indiff]5a pr(unda1 desejo de explor> de todos os modos e feitios os dep5d5tes1 rudeza1 orgulho1 egoismo1 desapego4 ,da p>te dos inf]iores1 a mesma indiff]5a creada a p\co e p\co pela inc]teza c]ca d dia de manh2 desaffeio pronunciada1 despeito1 inveja1 e desejo de trabalh> o m5os possivel1 em troca d maior sal>io que pod]em alcanar1 sep>ao de vida1 de int]esses1 de alegrias1 de affectos4 ,se entra em casa a do5a com todo o seu cortejo de lugubres tri/ezas1 de vigilias e de lagrimas1 nunca a criada sab] s] enf]meira4 ,f> o s]vio1 resmung&o1 furiosa1 desatt5ta1 faz5do esp]> um caldo p>a ir janella v] quem passa2 deix&o apag> o lume de noite porque adormec] inteiram5te esquecida dos que s(frem e velam4 ,e que lhe importa a ella no fim de contas que elles morram ou se salvem4 ,hoje e/ aqui1 manh e/> n'outra p>te6 ,se adoec] vem uma maca e leva-a p>a o hospital ab&onada1 ss9ha como um co6 ,no d porque no recebe4 ,entre os criados e os amos os int]esses so absolutam5te oppo/os4 ,a unica circum/ancia que pde alt]> e/a situao reciproca3 a cumplicidade4 ,que admira1 pois1 que todos os dias se obs]ve maior e mais pr(unda immoralidade nos criados das gr&es cidades8 que admira que z excepes se vo torn&o dia a dia mais r>as8 ,a culpa de uns e d'outros1 mas o mal tem a9da rem$io4 ,procuremos apontal-o4 ,no que respeita aos amos cumpre3 ,que sejamos b5evolos p>a que a humildade dos nossos inf]iores nunca seja p>a elles uma humilhao4 ,que t5hamos no int]ior das nossas casas a maxima dignidade e o maximo respeito de ns mesmos e dos outros1 p>a que o nosso exemplo levante a9da os que e/o mais baixo4 ,que vivamos de modo que nunca receiemos o esc>neo1 ou a c5sura de alguem1 p>a que sobre ns nunca possam ex]c]-se influ5cias fune/as4 ,que no exploremos a actividade dos pobres1 p>a que os pobres no t5ham int]esse em explor> z nossas fraquezas1 e j que indisp5savel cre>-se e educ>-se a classe dos criados1 juntemos todos os recursos da nossa exp]i5cia e d nosso bom s5so1 p>a d> prompto e efficaz rem$io a todos os males que so por assim diz] o privilegio especial d'essa classe4 ,,ii ,no capitulo ant]ior1 tract&o d'e/a que/o1 t5tmos apres5t> z causas que det]m9am e aggravam a decad5cia e desmoralisao dos criados mod]nos4 ,essas causas teem um resultado fatal que vem a s] o segu9te3 to prec>ia1 to falta de g>antias1 to expo/a a cont9uas alt]aes a sorte dos criados1 que p>a ella s descem os que n'outra esph]a no pod]iam a*> collocao que lhes d a subsi/5cia4 ,os bons1 que por acaso ou por circum/ancias =tuitas acceitam e/e modo de vida1 so a9da mais desgraados d que os maus1 porque so mais explorados4 ,portanto ou fogem d'elle1 ou se corrompem fatalm5te4 ,e/amos1 pois1 em face d'e/e dilemma4 ,ou havemos de no t] criados1 ou havemos de os t] maus4 v]dade que fomos ns que volunt>ia ou involunt>iam5te os corrompemos e e/ragmos4 ,conc$o4 ,agora1 porm1 no se tracta d'isso4 ,a*amos o resultado das nossas proprias culpas e procuramos os meios de o modific>4 ,primeira necessidade impresc9divel3 preciso educ>mos os nossos futuros criados4 ,mas como8 ,cre&o p>a isso in/ituies especiaes1 ou modific&o a indole das que j exi/em4 ,tractemos antes de tudo das mulh]es4 ,e/o por todo o re9o espalhadas1 e a9da bem que assim 1 z in/ituies de c>idade1 tanto de iniciativa dos p>ticul>es1 como de iniciativa d ,e/ado4 ,o que que n'esses asylos se apr5de1 salvo excepes possiveis1 mas que no *eg>am a9da ao nosso conhecim5to8 ,apr5de-se em primeiro lug> o que hoje indisp5savel p>a toda e qualqu] situao1 por mais humilde que seja2 apr5de-se a l]1 escrev]1 cont>1 cos] e m>c>4 ,apr5de-se em segundo lug> a bord> de branco1 a bord> de missanga1 a bord> com cabello1 a faz] cro*et1 a toc> orgo ou h>monium2 ha alguns onde se apr5de grammatica1 hi/oria1 geographia1 etc41 etc4 ,muito bem4 ,em cada cem rap>igas1 admittimos que haja dez1 cuja intellig5cia sup]ior possa mais t>de aproveit>-se d'e/e g5]o de e/udos4 ,s]o me/ras regias1 s]o talvez caixeiras de alguma pequ5a loja1 s]o mesmo pr(essoras p>ticul>es se h\v]em progr$ido no e/udo e adquirido uma in/ituio mais solida e mais pr(icua4 ,que fazemos das outras nov5ta8 ,imag9emos que c9co5ta cas>am muito moz4 ,a*am um arti/a1 um c>p9teiro1 um *apeleiro1 um entalhador1 um p$reiro1 um op]>io de fabrica1 que z r\ba desamp>ada solido que e/ava esp]a d'ellas e que z leva p>a o seu pobre alb]gue desgu>necido e mis]avel4 ,dos conhecim5tos que adquiriram na educao dada pelo asylo quaes aproveit>o1 quaes applic>o sua felicidade1 ao seu bem e/> dome/ico8 ,com que trabalho pod]o auxili> o trabalho d m>ido1 insuffici5te p>a acudir a todas z necessidades d mnage8 ,que (ficio apr5d]am a ex]c]8 ,do z voltas de casa1 v>rem1 limpam o p1 cos9ham1 mas fazem tudo i/o mal4 ,nunca n+uem z comp5etr\ bem da importancia altissima d'e/es mi/]es to humildes4 ,t] a r\pa d m>ido bem des5c>dida1 bem engommada1 com os seus rem5dos bem deitados1 t] a casa acciada e fresca1 t] uma comida pobre mas saborosa e bem temp]ada1 t] a alegria1 a abnegao1 a boa vontade1 e1 em muitas das horas que ficam vagas1 ex]c] qualqu] pequ5a indu/ria que ajude o m>ido1 banir de casa a tag>ellice das vis9has1 viv] s com o seu homem1 com os seus filhos1 no trabalho cont9uo1 no trabalho fecundo1 isso que de c]to o ideal1 quem que lh'o ens9\ a pratic>8 ,deixemos1 porm1 essas cujo de/9o agora no precisamos de apreci> e voltemos p>a z que ficam4 ,sahem d asylo1 vo umas s]vir1 outras vo s] co/ureiras1 v5d$eiras1 etc41 etc4 ,umas so z pobres creaturas r\cas e agu>d5tadas que ahi vemos atravess> z ruas1 aprego&o hortaliz1 ou fructa1 outras z pallidas e anemicas creanz1 de cuia po/ia1 *apeu de aba revirada1 polonaise ph5om5al1 bota de taco alto e cambada1 que encontramos n\t9ha ou de manh c$o1 indo p>a casa das modi/as1 ou volt&o de l4 ,z outras quem z no conhece1 ao m5os por t] ouvido fall> d'ellas8 ,so z criadas de hoje1 ou s]o z criadas de manh4 ,a educao que lhes d]am e/ em contraposio p]feita com a t>efa que teem de cumprir4 ,uma que foi apres5tada p>a cos9heira1 no tem z m9imas noes cul9>ias1 mas em comp5sao l correctam5te os jornaes que veem de manh4 ,outra1 cuja obrigao engomm>1 no tem geito s5o p>a bord> de matiz4 ,algumas1 m5os favorecidas da intellig5cia1 no sabem o que apr5d]am1 nem apr5d]am aquillo que fazem4 ,so z mais vulg>es6 99 99 99 99 99 ,porque pois que se no d s rap>igas d povo1 ao m5os s que so educadas nos asylos de b5efic5cia1 uma educao em h>monia com o seu futuro papel8 ,no reprovamos de c]to a leitura1 a ortographia1 uns elem5tos de ari?metica1 mas o que reprovamos que haja uma uni=midade absoluta na educao que se m9i/ra a tantas e tantas creanz de indoles div]sas1 de intellig5cias div]sissimas4 ,aquellas que tivessem disposies p>a um g5]o de trabalhos mais levantados1 deviam encontral-o n'uma casa especialm5te de/9ada p>a z filhas d povo que at aos #ab annos tivessem dado manife/aes inequivocas de cl>o e p]spicaz ent5dim5to4 ,ali =m>-se-hiam futuras pr(essoras1 ou futuras arti/as4 ,hav]ia n'esse e/abelecim5to me/ras ou me/res que a cada uma con=me a sua vocao ens9assem z l+uas1 a musica1 a p9tura em porcellana1 a grammatica1 a geographia1 a contabilidade1 etc41 etc4 ,a essa casa1 que devia s] subsidiada pelo gov]no e auxiliada pela bolsa p>ticul>1 iriam z mes de familia procur> pr(essoras portuguezas p>a z suas filhas1 pr(essoras cuja educao fosse completa1 e cuja moralidade podesse s] affianada4 ,mais t>de os *efes de casas de comm]cio1 mais capazes de compreh5d]em o gr&e alcance d'e/a innovao1 iriam tambem busc> a essa casa rap>igas hone/as1 que elles podessem s5t> mesa ao lado de suas filhas1 e a quem confiassem a contabilidade e os livros d seu e/abelecim5to4 ,os fabricantes de l\z e outros indu/riaes a*>iam na intellig5cia e na prompta compreh5so fem99a gr&e auxilio1 e auxilio mais economico4 ,abaixo logo d'essa ca!goria mais elevada de intellig5cia1 hav]ia1 n'outra casa1 z que tivessem especial t5d5cia p>a os trabalhos que requ]em no s eng5ho1 mas tambem habilidade manual4 ,co/ureiras de ve/idos1 modi/as de *apeus1 rap>igas que s\bessem faz] r5das1 faz] franjas1 etc41 etc41 e que o asylo logo que lhes h\vesse completado a apr5dizagem1 podia empreg> conv5i5tem5te4 ,s]iam e/as1 pref]idas de c]to a rap>igas avulsas que entram p>a qualqu] (ficio completam5te ignorantes d trabalho que teem a faz]4 ,a discipl9a escol>1 a in/ruco elem5t> recebida1 a apr5dizagem me?odica1 affirmava-lhes a sua sup]ioridade enorme sobre z outras4 99 99 99 99 99 ,collocadas assim z mais de/ras e z mais intellig5tes1 fic>iam aquellas cujo espirito m5os des5volvido se recusava a uma applicao difficil4 ,e/as s]iam educadas expressam5te p>a criadas de s]vir4 ,mas que educao precisa uma criada8 ,ora essa6 ,uma criada precisa uma educao to cuidadosa como uma duqueza4 ,a diff]5a consi/e unicam5te n'i/o3 ,uma tem de educ>-se p>a criada1 e outra tem de educ>-se p>a duqueza4 ,no asylo de/9ado a =m> criadas1 hav]ia o mesmo escrupulo na escolha das me/ras4 ,antes de tudo uma moralidade au/]a4 ,depois no que toca p>te te*nica da educao1 (fic9as di/9ctas onde cada uma das discipulas fosse alt]nativam5te apr5d] os s]vios que mais t>de tivesse a cumprir4 ,(fic9as onde se apr5desse a cos9h> segundo z regras da hygi5e4 ,(fic9as onde se apr5desse a engomm> segundo os processos mais adiantados4 ,outras onde se lavasse r\pa de l1 e r\pa de l9ho e algodo4 ,outras onde se talhasse r\pa branca1 fatos de creana1 e fatos de s5hora4 ,no se att5d]ia aqui como no ateli] das modi/as d asylo sup]ior1 aos capri*os da moda1 mas unicam5te commodidade1 ao bom go/o e hygi5e4 ,outras a9da onde se cozesse ma*9a4 ,hav]ia mulh]es especialm5te enc>regadas de ens9>em z discipulas a v>r]1 a limp> o p1 a esfreg> o sobrado1 ou a enc]al-o moda franceza1 a deit> bem rdes1 a faz] meias1 a c]zir panno1 etc41 etc4 ,hav]ia n'e/e e/abelecim5to um requ9te de aceio holl&ez4 ,z me/ras escolhidas primeiro nos paizes e/rangeiros1 e depois educadas pelo mesmo asylo1 ens9>iam com o maior cuidado s suas discipulas1 que z criadas de/9adas pelo seu trabalho a p5etr>em no seio de familias inteiram5te e/ranhas a viv]em em contacto com g5te de muita qualidade eram =adas a t]1 alm da hone/idade commum a todas z mulh]es hone/as1 uma hone/idade p>ticul> da sua classe1 uma hone/idade compo/a de elem5tos muito v>iados4 ,dir-lhes-hiam que uma criada boa tem de s] leal1 tem de s] digna1 de resi/ir s ms t5taes1 de s] fiel1 de s] boa companheira1 de s] laboriosa e de t] o escrupulo mais exag]ado no cumprim5to das suas obrigaes4 ,n'e/e asylo a9da hav]ia subdivises necess>ias4 ,z mais geitosas p>a um c]to e det]m9ado trabalho applic>-se-hiam a elle de pref]5cia1 no desprez&o porm os outros4 ,aquella que fosse de/ra p>a tudo1 aproveit>ia egualm5te todos os elem5tos que h\vessem de con/ituir a sua educao4 ,s] criada no --ent5da-se bem--nem uma v]gonha nem um pis all]2 s] criada um (ficio1 s vezes mais complicado que os outros1 porque compreh5de muitos4 ,a unica diff]5a que se pde s] uma boa criada no s5do excessivam5te intellig5te1 e que z qualidades aqui indisp5saveis so robu/ez1 de/reza de mos1 fidelidade1 amor de trabalho4 99 99 99 99 99 ,no se diga que i/o uma utopia impossivel4 ,no e/ado de adiantam5to a que *eg\ entre ns o pr9cipio de associao applicado b5efic5cia1 nada mais facil d que organis> por e/e modo os asylos d paiz1 ou pelo m5os de uma cidade d paiz4 ,no augm5t>ia de modo algum a despeza1 mas progr$iria necess>iam5te a educao popul>4 ,reunidas debaixo de uma direco g]al1 todas z casas de ,b5efic5cia de uma cidade1 pass>ia e/a no a cre> asylos novos1 mas a modific> a indole dos que exi/em4 ,e/abelec]-se-hia uma especie de gradao natural4 ,em baixo a casa que recebesse sem di/9cao todas z creanz de #d a #aj annos que e/ivessem no caso de s]em admittidas4 ,alli1 sob a direco de pr(essores intellig5tes1 e de directoras de espirito cultivado1 f>-se-hia aos #ab annos de edade a escolha4 ,umas s]iam enviadas p>a o asylo pr(issional de #a4;a classe1 outras p>a o asylo pr(issional de #b4;a classe1 a t]ceira p>a o asylo das criadas futuras4 ,aquellas que e/ivessem mais adiantadas trabalh>iam logo1 de modo que grangeassem um sal>io por mesqu9ho que fosse4 ,esse sal>io entr>ia como elem5to de receita na caixa c5tral4 ,e/e plano1 como se v1 no mais que um plano embryon>io1 o g]m5 d'uma ida que se nos affigura util e praticavel4 ,outros melhor d que ns o e/udem e des5volvam1 se ent5d]em que o m]ece4 99 99 99 99 99 ,quanto a ns1 acr$itamos piam5te que s ento comeariamos a t] criadas4 ,z que sahissem d asylo com #bj annos de edade fic>iam sujeitas a uma c]ta e det]m9ada vigilancia1 cujo sy/ema e cujas bases nos no compete agora explic>4 ,com e/as g>antias de moralidade1 e de bom s]vio1 s]iam pref]idas a todas que z no tivessem1 e pelo m5os f>iam uma util concorr5cia s criadas indiscipl9adas e ignorantes que hoje temos4 ,z casas dignas e hone/as t]iam criadas cujo comportam5to z no deslu/rasse4 ,z outras fic>iam com z que teem hoje4 ,no m]ecem mais4 99 99 99 99 99 ,nos asylos dos rapazes1 seguir-se-hia uma norma egual ou p>ecida4 ,esses como teem campo muito mais va/o p>a ex]c]em z suas actividades complexas1 d>iam de c]to1 bem educados e bem dirigidos1 um pequ5o cont+5te p>a a classe dos criados4 ,s]ia um bem4 ,uma criada repres5ta sempre uma necessidade1 um criado repres5ta sempre um luxo6 ,p>a que ha de hav] criados de meza ociosos e insol5tes1 cos9heiros env5adores e infieis8 ,e/es s]vios to faceis no podem s] feitos por mulh]es8 ,logo que e/e uso se propagasse entre os ricos1 deix>ia de s] indicio de pobreza1 ou de habitos plebeus4 ,no fim de contas tudo i/o no passa de conv5o6 99 99 99 99 99 ,j que o ,e/ado julga desc] occup&o-se d'e/as pequ59as que/es de moralidade dome/ica1 que a iniciativa individual o sub/itua4 ,n+uem mais d que ns tem applaudido o engr&ecim5to progressivo1 o rapido des5volvim5to das in/ituies de c>idade4 ,no o d9heiro que falta1 porque entre ns qu&o se falla na mis]ia1 a c>idade nunca falt\2 o que falta uma direco boa4 ,a rot9a n'i/o como em tudo fune/issima4 ,a nossa c>idade (ficial d po e ve/u>io s creanz1 mas que faz em favor das mulh]es8 ,d&o-lhes uma educao que no e/ em h>monia com os seus meios futuros1 condemna-z mis]ia1 desgraa1 quantas vezes ociosidade e ignom9ia8 ,a educao deve faz]-se pratica e positiva1 deve torn>-se um prev5tivo efficaz contra os maus conselhos da pobreza ou da preguia6 ,os que p5s>em n'i/o f>o um bem familia1 e soci$ade4 ,creanz ,,capitulo ,,xv ,i ,so ellas a alegria da familia1 como a familia a suprema v5tura dos felizes1 e o supremo consolo dos desgraados4 ,qu&o app>ecem trazem comsigo o sol2 tudo se illum9a4 ,sorriem os labios mais ironicos1 m>ejam-se de lagrimas doces os olhos mais aridos1 e/5dem-se prodigas de b5es z mos mais av>as4 ,ellas so a graa que se ignora1 a fraqueza que n5hum pod] assu/a1 a innoc5cia que int]roga1 a aurora intellectual que desponta e que diffunde em torno de si uma luz c>iciosa e limpida1 uma luz que se reflecte em jubilos no corao das mes4 ,tudo na vida p>a ellas my/]io1 my/]io que z *ama e z attrahe1 cujas trevas z no apavoram1 em cujos s9i/ros me&ros nem sequ] receiam p]d]-se4 ,em cada um d'aquelles pequ59os c]ebros enc]ra-se em g]m5 tudo que no homem pequ5ez ou gr&eza1 g5io ou m$iocridade1 =a ou impot5cia1 virtude1 abnegao1 esquecim5to de si ou egoismo1 vicio e crime4 ,onde ha maior my/]io d que a creana8 ,debalde a int]rogamos2 no sabe respond]1 s5o quelles que pelo pod] da sympa?ia logram id5tific>-se com ella4 ,recebel-a das mos de ,deus p>a a mulh]1 p>a a me a mais trem5da das responsabilidades1 e desgraadam5te aquella de que tem a consci5cia m5os def9ida e m5os cl>a6 99 99 99 99 99 ,s] me1 quem o no 8 ,a difficuldade e o segr$o sab] sel-o4 ,na soci$ade1 tal como ella e/ con/ituida e cont9u> a e/> por l>gos e dilatados annos1 d\s entes1 um homem e uma mulh]1 moos ambos1 encontram-se1 olham-se1 sorriem-se e p5sam de si p>a comsigo que e/o apaixonados4 ,durante alguns dias1 alguns mezes1 a que elles em falsa e s5tim5tal l+uagem *amam seculos1 repetem um ao outro1 n'um tom mais ou m5os desaf9ado os duettos de t]nura do5tia que os romanci/as1 os prosadores e os mae/ros inv5t>am p>a conv5i5cia sua444 dos seus emprez>ios e editores1 e p>a env55am5to d re/o da humanidade4 ,n'e/e meio tempo1 por detraz dos ba/idores1 os paes1 que f+em no v] nada1 calculam 9 petto quaes os prs e os contras pecuni>ios d matrimonio hypo!tico4 ,se os primeiros levam c]ta vantagem aos segundos1 celebra-se com a devida pompa o almejado consorcio1 e n'essa noite ha mais dois desconhecidos1 dois indiff]5tes1 dois e/ranhos acorr5tados um ao outro por um lao que devia s] sagrado1 e que muitas vezes consegue sm5te s]444 d\rado6 ,o m>ido no outro dia vae p>a z suas labutaes d co/ume1 p>a a vida ext]ior que o reclama e absorve1 a mulh] fica em casa prov&o os ve/idos d enxoval1 exp]im5t&o se lhe fica bem a t\ca1 di/9ctivo invejavel das noivas1 ensai&o os seus primeiros vos timidos de s5hora indep5d5te1 que pde sua vontade fe*> o piano1 atir> fra o lapis e z t9tas1 deix> p>a um canto a co/ura e o bordado1 e subv]t]-se sem receio das c5suras mat]nas no dolce f> ni5te1 que tanto a namorava em seus dias de educ&a submissa4 ,d'alli a um anno1 se boa1 docil1 se tem a intuio das c\sas delicadas1 se um pod]oso in/9cto de creatura amoravel lhe p$e que espalhe em volta de si a felicidade1 conc$amos-lhe que j tem tido tempo de conhec] e apreci> seu m>ido1 que pr9cipia a e/imal-o1 que se lembra um p\co*9ho env]gonhada dos falsos lyrismos de solteira1 das c>tas que lhe escrevia faz5do e/ylo e copi&o phrases dos gr&es apaixonados que a l5da e o romance immortalisam2 que tem1 emfim1 a9da incompleta1 mas j acc5tuada a noo da v]dade e da ju/ia que ha de gui>-lhe a vida4 ,p>am1 porm1 aqui os seus conhecim5tos1 e um dia1 surpreza1 encantada1 extactica1 *or&o de alegria1 umas lagrimas v]dadeiras1 d'e/as que se escoam entre risos de gratido1 p]cebe que tem nos braos um pequ59o s]1 a quem tem direito de *am> filho1 porque o g]\ no seio em longos mezes de agonia insondavel4 ,que ha de faz] d'elle8 ,como ha de des5volv]1 robu/ec]1 cultiv> a saude d'aquelle entez9ho1 fragil e indefezo1 que lhe solta no regao os seus primeiros vagidos1 busc&o com a boqu9ha fam9ta e o in/9cto animal1 que ,deus conc$e a todos os s]es creados1 a primeira gotta d leite mat]no1 que a sua vida8 ,entram z amigas e dizem-lhe em cro3 --,no o cries que p]des a =mosura1 o vio1 a mocidade1 tudo o que pr5de e captiva teu m>ido4 --,no o cries1 que t5s de te desp$ir dos bailes1 das noites triumphantes em que a valsa nos arrebata nos circulos v]tig9osos1 em que z flres e z f9as ess5cias nos embriagam com o p]fume en]vante1 em que a musica nos ca nos s5tidos z suas c>icias languidas1 em que a luz cra d gaz nos beija z espaduas opal9as1 em que a admirao dos hom5s nos envolve na audaz provocao dos seus olh>es1 em que a inveja das mulh]es nos enrosca em espiraes de cobra4 --,no o cries1 que t]s de p]d] z n\tes1 no entre alegrias e folg>es1 mas na alcova1 onde a m$o bruxoleia a luz mortia da lamp>9a1 junto de um pequ5o b]o1 ouv9do aquelle *oro da infancia1 to doloroso p>a os ouvidos mat]naes4 ,teu m>ido fugir de ti2 elle1 que &a cansado da fa9a di>ia1 qu] z n\tes tranquillas1 os somnos f>tos1 z placidas madrugadas2 repugnam-lhe os primeiros trabalhos que a creana tem que d> por =a me1 que fr me1 na accepo pl5a da palavra4 ,no creio que a maior p>te das mulh]es oua os fune/os e corrosivos conselhos das amigas falsas2 hoje comea a radic>-se em todos os espiritos a convico ju/a e s5sata de que s a me1 qu&o robu/a1 ou qu&o simplesm5te s1 deve amam5t> o filho4 ,entregal-o aos braos m]c5>ios de mulh] e/ranha aceit> a mais trem5da das responsabilidades4 ,a ama pde communic> no leite os seus vicios1 os seus in/9ctos maus1 z suas do5z ou defeitos de organisao h]$it>ia1 toda a h]ana fatal de um passado inteiram5te desconhecido p>a z pessoas que to levianam5te lhe confiam o que devia s] o mais precioso !s\ro da sua alma4 ,ab/raiamos1 pois1 a ama1 por no qu]]mos suppr que se trata aqui de uma me frivola at ao crime1 despi$osa at f]ocidade1 ou fraca a ponto de no pod] cumprir os dev]es da sua misso mat]nal4 ,fica-nos simplesm5te a me inexp]i5te e ignorante em face da recem-nascida creatura1 flr que precisa o mais desvelado cultivo1 a mais complexa das educaes4 ,no a accusemos ao vel-a aceit> o seu mimoso f>do com to leviana confiana1 com uma to pl5a inconsci5cia da gr&e misso que precisa de cumprir4 ,a culpa no d'ella2 n'e/e ponto ha um crim9oso ap5as-- o homem4 99 99 99 99 99 ,abrem-se univ]sidades1 lyceus1 escolas1 sem9>ios1 in/itutos sci5tificos1 p>a educ>em no seu seio os jurisconsultos1 os m$icos1 os sac]dotes1 os ma!maticos1 os comm]ciantes1 os sabios1 os cidados d futuro4 ,s falta uma escola1 a primeira1 a mais indisp5savel das escolas1 a que facilit>ia e torn>ia fructif]os os trabalhos das outras3 falta a escola das mes6 ,n+uem se lembr\ a9da de a cre>1 julgam-na desnecess>ia1 ou talvez que a julguem frivola4 --,como que se ha de ens9> a s] me8 s a natureza que in/rue a mulh]4 ,ha mes de qu9ze annos que sabem mais n'e/e assumpto d que velhos p5sadores de sess5ta4 ,deixae obr> a natureza1 ella a gr&e me/ra1 a suprema inspiradora6 ,de accordo1 meus s5hores2 quem que nunca se lembr\ de neg> me o seu div9o in/9cto de proteco e de t]nura8 ,quem ao vel-a segur> com to delicado c>9ho o t5ro corpo d filho1 acal5tal-o nos braos1 adiv9h>-lhe z necessidades e os desejos at p>a elle indi/9ctos1 neg> que entre esses d\s entes ha uma cadeia my/]iosa1 que a natureza nunca pod] mais desat>8 ,mas necess>io que o e/udo auxilie o m>avilhoso in/9cto1 que elle ens9e me a compreh5d] no seu triplice aspecto1 physico1 moral e intellectual1 a educao d s] complexo1 que hoje uma fraqueza que implora auxilio e ajuda1 que manh s] uma =a util ou fune/a1 con=me a direco que haja recebido desde os mais t5ros annos4 99 99 99 99 99 ,o e/udo que compreh5de todos os outros e/udos1 e que deve1 portanto1 con/ituir o ponto culm9ante da in/ruco1 a !oria e a pratica da educao da infancia4 ,e/as palavras de ,h]b]t ,sp5c]1 o philosopho mais notavel da mod]na ,+lat]ra1 um gr&e p5sador1 um *efe de escola1 provam de sobejo at que ponto1 aos olhos d homem que m$ita1 avulta hoje o gr&e problema da educao4 um erro imag9> que a creana nasce boa4 ,ha n'ella in/9ctos innatos de natureza selvagem1 in/9ctos primitivos1 que s uma habil cultura modifica1 trans=ma1 encam9ha ou des>reiga4 ,toda a creana curiosa3 mes aproveitae essa gr&e =a1 que conduz o homem conqui/a de todas z gr&es descob]tas da sci5cia e da arte1 e que pde qu&o entregue a si conduzir a creana ao mais deploravel e mesqu9ho dos vicios de c>act]1 curiosidade e/]il d ocioso1 da s5hora vis9ha4 ,a creana tem o in/9cto d r\bo4 ,apossa-se d que v1 d que attrahe pelo brilho1 d que lhe desafia a cubia1 a gulodice1 o amor da posse4 ,leitora1 qu&o o teu pequ59o de tres ou quatro annos tiv] artes de te r\b> uma joia muito qu]ida1 um manj> muito res]vado1 um bibelot qualqu]1 que seja p>a ti de gr&e e/imao1 no *ores desconsolada1 l5do n'esse primeiro symptoma s9i/ras prophecias4 ,esse pr5uncio de ambio desregrada pde1 dirigido com previd5te vigilancia1 trans=m>-se na legitima en]gia que leva o homem a desej> a posse das riquezas hone/am5te adquiridas1 a ex]c] no seu espirito uma influ5cia =tificante1 a tornal-o p]t9az no cam9h> p>a um ficto que de longe antevio4 ,dirigir toda e qualqu] t5d5cia p>a um fim elevado e util1 combat] a in]cia1 a preguia physica e intellectual da creana1 empreg&o activos reag5tes1 ir ajud&o l5ta e gradualm5te a evoluo natural d ent5dim5to infantil1 abrir-lhe o espirito a todas z curiosidades ss1 apont> p>a a natureza inteira como p>a um livro enorme1 my/]ioso1 *eio de apaixonado int]esse1 de p]ipecias dramaticas1 de imag5s vi/osas1 que elle ha de ir decor&o a p\co e p\co1 conduzil-o at ao limi> da adolesc5cia1 puro de corao1 immaculado no corpo1 prompto e apto p>a absorv] em si os conhecim5tos complexos que o esp]am1 robu/o1 so1 en]gico1 confiante1 *eio de cr5a nos outros1 e de cr5a maior em si1 eis a misso das mes4 ,que de c\sas no so indisp5saveis p>a a sab] cumprir6 99 99 99 99 99 ,uma das c\sas que a mulh] quasi g]alm5te ignora a hygi5e pratica1 que ella tanto precisava sab]1 t5do1 como tem1 a seu c>go a di/ribuio e direco d alim5to da familia4 ,d alim5to que se m9i/ra creana dep5de em gr&e p>te no s a sua futura saude1 mas1 o que p\cas mulh]es sabem1--o seu c>act] futuro6 ,dae a uma creana alim5tos irritantes1 inflammaveis1 apim5tados2 deixae-a us> sem disc]nim5to de bebidas em que o alcool pr$om9e1 e t]eis o temp]am5to adult]ado1 o c>act] az$o1 os habitos baixos1 os go/os p]v]sos1 todas z ab]raes de um organismo e/ragado4 ,dae-lhe s c>ne1 alim5tae-a brutalm5te de mat]ias =tem5te azotadas1 e f>eis d'ella1 da meiga e fragil creatura1 d pequ5o anjo de cabellos l\ros e olhos innoc5tes1 um temp]am5to sangu9>io1 selvagem1 amigo das luctas bravias1 das di/races viol5tas1 dos ex]cicios a?leticos1 que c>act]isam z rigorosas raz d norte4 ,exemplo3 os +lezes1 que s domam z revoltas brutaes d temp]am5to com a =te discipl9a de uma educao que o supremo milagre d espirito sobre a mat]ia4 ,a alim5tao fraca produz os organismos in]tes1 fleugmaticos1 sem impulso1 sem fibra1 sem en]gia duravel4 ,sab] pois1 conhec] os div]sos attributos que c>act]isam a alim5tao d homem1 sab] comb9al-os de modo que todos concorram p>a o seu bem-e/> physico1 e que n5hum produza z graves p]turbaes organicas de que podem s] origem1 a sci5cia das mes1 sci5cia p>a cujo e/udo devem t5d] todos os seus es=os4 99 99 99 99 99 ,a actividade quasi incessante da creana um dos meios que mais efficazm5te concorrem p>a o seu crescim5to physico e1 por consequ5cia1 p>a o seu des5volvim5to intellectual4 ,z mes1 julg&o faz] n'i/o um gr&e s]vio a seus filhos1 combatem por todos os modos e/a actividade1 obrig&o z creanz a uma quietao que se trans=ma em supplicio p>a os pequ59os corpos buliosos1 que um impulso involunt>io leva a um quasi cont9uo movim5to4 ,no s com z repreh5ses1 s vezes asp]as e sempre inju/as1 no s enc]r&o os pobres s]es pequ59os em espao muito e/reito p>a os seus desejos1 tambem ve/9do-os p>a ob$ec] ao despotismo da moda1 e s exig5cias da propria vaidade de um modo que e/ em pl5o contra/e com a ida que todo o espirito um p\co s5sato deve =m> das aspiraes e necessidades da infancia6 ,a creana1 que qu] e que precisa de corr] no espao amplo1 pelas ruas p$regosas1 pelos campos lavrados1 pela matta *eia de raizes1 traz quasi sempre uma bot9a alta1 ju/a1 de salto levantado e e/reito6 ,ella1 que aspira aos movim5tos livres1 que se compraz nos gr&es ge/os1 que trepa s arvores1 que se roja pelo *o1 que atira ao longe os improvisados projectis que encontra1 s5te-se cruelm5te c+ida por um fato rico1 elegante1 phantasioso1 c>o por =a1 e que tem o defeito duplo e contradictorio de a entri/ec] l5tam5te1 inconsci5tem5te pelas c5suras e ralhos de que lhe motivo incessante--vi/o que no ha nada mais av>5to d que a prodigalidade e nada mais economico d que a o/5tao--e de a torn> vaidosa pelo habito e pelo go/o de attrahir z vi/as dos frivolos1 e a inveja dos pobres1 dos pequ5os rotos1 dos mis]aveis de c9co annos1 que ignoram z alegrias bemditas da sua lib]dade indomada6 ,mes1 arrancae ao ve/u>io dos vossos filhos tudo que fr vaidade1 falso luxo1 o/5tao ridicula6 ,a graa das creanz consi/e na pl5a expanso da sua vitalidade2 o luxo d'ellas e/ no doce aroma de infancia que de si exhalam1 e que falla de aceio1 de pureza1 de c>9ho mat]no1 que revela--aos que sabem v]--z mat9aes e frescas alegrias d banho1 z risadas cry/all9as como p]olas que se desfiam1 os grit9hos infantis1 z fugidas subitas1 todo esse poema1 que n+uem traduz1 de um b&o de pequ59os corpos1 feitos de leite e rosas1 com cabelleiras l\ras por aureola1 que uns braos amorosos amp>am1 su/eem1 ac>iciam1 em quanto que um sorriso meigo e p5sativo illum9a em cl>es de limpidez ideal1 uma bocca que s sabe ab5o>1 uns olhos de me1 que nunca desamp>am nem desfitam o tepido n9ho das suas doces aves implumes4 ,,ii ,por muito tempo todas z att5es d homem se fix>am n'um ponto que se avi/ava p>a alm da vida t]re/re4 ,curava-se sm5te da alma consid]&o a t]ra morada transitoria1 *eia de males e de mis]ias1 e o corpo ephem]o involucro1 especie de lodoso c>c]e onde o espirito prisioneiro anciava por levant> o vo p>a z altas esph]as da et]na bemav5turana4 ,e/e p5sam5to1 que dom9ava todos os outros e ao qual todos os outros se subord9avam1 a causa suprema de onde d]iva toda a philosophia da edade mdia1 e que det]m9a o ideal a que t5d]am os sonhos de milh>es de g]aes1 nossas pr$ecessoras na vida4 ,foi elle que e/abeleceu o m$onho antagonismo entre o espirito e a mat]ia1 causa de tantos erros e de to falsas int]pretaes2 foi elle que lev\ o homem p]dido e transviado a consid]> a natureza como a sua mais cruel inimiga1 como a sua t5tao mais p]igosa e abom9avel4 ,d'e/a gu]ra anti-humana e anti-natural n5huma conqui/a v]dadeira pod]ia provir4 ,era falso o ponto de vi/a de que o homem p>tia1 falsissimas todas z d$uces que d'esse ponto de vi/a resultavam4 ,o corpo era um f>rapo mis]avel que s m]ecia desprezo e humilhao2 todo o praz]1 a9da o mais natural era um peccado que cumpria expi> cruelm5te2 a vida era um p]iodo curto de passagem e p5it5cia2 a creana nascida j v9ha contam9ada d peccado orig9al2 a alma1 s a alma precisava dos nossos cuidados1 das nossas m$itaes1 d nosso mais especial e esm]ado cultivo6 ,quantos erros de educao1 de moralidade e de hygi5e6 ,quantas revoltas m$onhas e/e despotismo espiritual no excitava6 ,mas foi por acaso esse tempo de pura espiritualidade8 ,pelo contr>io6 ,nunca os in/9ctos maus d homem imp]>am com mais viol5cia6 ,nunca se mat]ialis>am mais todos os cultos e todas z idz6 ,o ,deus que todos adoravam em extasis apaixonados1 era o ,*ri/o dolorido1 cadav]ico1 crivado de pregos1 escorr5do sangue de cada uma das suas *agas ab]tas4 ,a dr mat]nal era symbolisada por sete espadas atravess&o um corao dilac]ado4 ,os fanaticos mo/ravam admirao das turbas os e/ygmas sangr5tos das suas c>nes palpitantes4 ,os ascetas t9ham vises nas quaes o ,padre ,et]no1 o ,*ri/o1 a ,virgem1 os ,santos1 lhes app>eciam sob a frma humana1 com feies div]sas e c>act]i/icam5te acc5tuadas1 fall&o na l+uagem mais corr5tia e mais *4 ,a resurreio da c>ne era um dos pontos fundam5taes d dogma ca?olico4 ,o espiritualismo d'essas ras b>b>as era muito mais mat]ial d que a sci5cia de hoje4 --,p>a que ap]feio>mos e am5is>mos a vida1--diziam d alto dos seus pulpitos ou nas pag9as dos seus tractados z t]riveis au?oridades d'essas ras to ho/is p>a o homem4--,quanto maiores supplicios h\v]mos padecido n'e/e mom5to rapido1 maior qu9ho de gloria tem p>a ns a et]nidade4 ,s(framos todas z humilhaes mais abjectas1 curvemo-nos diante de todas z tyrannias1 deixemos que os v]mes devorem o nosso corpo ulc]ado1 sejamos gr&es em face d ,s5hor1 como ,job na sua gloriosa e/rumeira4 ,os que =em ultimos c em baixo1 s]o os primeiros no cu6 ,e a humanidade1 bria de um sonho de beatitude immortal1 p]dia a =a p>a combat]1 e esp]ava passivam5te a resurreio espl5dida que os illum9ados lhe promettiam6 ,oh6 quanto devemos robu/ez de espirito1 f fecunda e creadora que moveu alguns hom5s privilegiados a faz]em-nos sahir d'esse m>asmo e/agnador6 ,=am esses hom5s os v]dadeiros creadores da sci5cia1 que hoje illum9a at os mais ignorantes1 dos b5s que hoje desfructam at os mais desgraados4 99 99 99 99 99 ,um dos problemas resolvidos pelos mod]nos1 e que se no fossem esses b5em]itos de que acima fallamos fic>ia p>a sempre obscuro1 o problema da educao4 ,segundo o ponto de vi/a da edade mdia1 a me no devia att5d] s5o alma de seu filho4 ,era preciso faz] d'elle um santo1 e z mais das vezes s se fazia um b&ido4 ,e que o alvo a que se t5dia era e/upido e anti-natural e os meios de que se usava eram inteiram5te contraproduc5tes4 ,hoje a me j no tem desculpa nem da sua ignorancia propria1 nem da ignorancia da sua poca4 ,se no sabe porque no qu] sab]4 ,o homem mod]no tem applicado gr&e p>cella da sua prodigiosa actividade em descobrir os meios mais efficazes de faz] z g]aes que vo seguir-se-lhe melhores d que z g]aes que o prec$]am4 ,e/ pacificada a gu]ra que se havia travado entre a alma e o corpo4 ,mais a9da2 hoje compreh5de-se p]feitam5te que da saude d corpo que dep5de a saude da alma1 e que os maus so quasi sempre os enf]mos ou os defeituosos4 ,o cam9ho das boas mes e/ naturalm5te traado4 ,no p\p> es=os p>a ap]feio> e robu/ec] o corp9ho qu]ido1 d5tro d qual e/ cresc5do e desabro*&o a flr m>avilhosa1 a flr delicadissima1 que a alma infantil4 ,p\cas pessoas compreh5dem a fundo qual seja a responsabilidade de s] me4 ,no a pde hav] mais s]ia e mais trem5da4 ,desde que a creana nasce at ao segundo p]iodo da sua vida1 em que ella j comea a s] susceptivel de ens9o1 quantos cuidados multiplos1 eng5hosos1 delicados e con/antes6 ,um movim5to m5os suave1 um golpe de ar qu&o a creana e/ no banho1 um abafo excessivo ou uma imprud5te e rapida mudana de habitos1 qualqu] pequ5a c\sa que primeira vi/a p>ece insignificante1 pde t] um alcance enorme no futuro d qu]ido entez9ho4 ,sabemos de uma creana que fic\ cega1 porque e/abelec]am uma corr5te de ar no qu>to em que ella tomava um banho tepido4 ,conhecemos uma pobre mulh]1 que tem padecido toda a vida cruelm5te1 que nunca pde trabalh>1 nem s] util a n+uem1 porque a torn\ ra*itica uma quda que a fiz]am d> br9c&o com ella em pequ5a4 ,ha muita g5te que se div]te e/upidam5te atir&o z creanz ao ar1 faz5do-z d> voltas1 abal&o-lhes o pequ5o c]ebro4 ,quem pde diz] os resultados fataes p>a o seu organismo que d'ahi resultam6 ,a creana tudo que ha de mais fragil e de mais delicado4 ,p5sem bem todas z mes que um erro de hygi5e pde s vezes faz] de uma indole pacifica uma indole p]v]sa4 ,a alma e o corpo1 os d\s irreconciliaveis1 inimigos de outro tempo1 e/o hoje p>a todos os olhos to e/reitam5te unidos1 to pr(undam5te id5tificados1 que no ha abalo ou s5sao que um exp]im5te e de que o outro deixe de res5tir-se logo4 99 99 99 99 99 ,p5sam muitas mes que o melhor meio de em5d>em os erros de seus filhos1 so os ralhos repetidos e os ca/igos sev]os4 ,engano p]feito6 ,o unico meio de educao v]dadeiram5te pr(icuo o exemplo4 ,que enc>go de almas no assume a mulh] que quiz] s] boa me6 ,a mais doce e a mais tocante relao reciproca que exi/e entre a me e o filho1 aquella em virtude da qual a me educ&o-se educa1 e o filho s5do ens9ado ens9a4 ,emquanto ens9amos os nossos filhos1 a ns proprias nos e/amos illu/r&o4 ,p5s&o nas virtudes que elles devem adquirir e no meio de lh'z inocul>mos no corao1 como que se nos vo l5tam5te revel&o todas z bellezas incomp>aveis d'e/e mundo moral1 de cuja contemplao &avamos1 s5o alheiadas1 ao m5os di/rahidas4 ,oh6 de quantos rasgos bons no origem p>a a me1 o receio de vr traduzir-se um espanto accusador nos olhos limpidos de seu filho4 ,e depois necess>io que todas z educadoras p5sem muito n'e/a v]dade to simples e to lucida4 ,o exemplo1 que ens9a1 guia e robu/ece a alma e educa o espirito4 ,que importa que ella pregue e ens9e z boas palavras1 e a br&ura d c>act]1 se ella no prov> com o seu exemplo de todos os dias a div9a graa d'e/as qualidades e d'e/es usos8 ,a creana ob$ec] talvez1 mas sem conv5cim5to e sem alma6 ,p>a que todas z b5os de ,deus *ovam sobre a cabea das que sabem s] boas mes1 nem e/a b5o suprema lhes falt\4 ,ao contacto div9o da infancia1 na doce intimidade da innoc5cia1 p]dem defeitos e ganham virtudes4 ,a educao bem compreh5dida to util me como creana4 99 99 99 99 99 ,imag9e-se uma creatura fraca1 indol5te1 t5do sido de pequ5a crim9osam5te amimada1 mas ao mesmo tempo possuidora de cl>o e p]spicaz ent5dim5to4 ,tem habitos invet]ados de preguia1 tem horas desoladoras de t$io e de morbida melancolia4 ,o tempo p>a ella pesado e longo4 ,vive1 no gos&o z horas porm mat&o-z como pde4 ,no se occupa1 no reage contra o seu natural e fune/o pro/ram5to1 no tem um fim util e qu]ido p>a o qual viva4 ,um dia e/a creatura infeliz me6 ,compreh5de toda a responsabilidade que lhe cahiu sobre os hombros1 e como no fim de contas intellig5te e boa1 qu] cumprir dignam5te a sua sagrada misso4 ,como milagrosa e ab5oada a influ5cia que n'e/e caso a creana innoc5te ex]ce no c>act] de sua me4 ,acab>am-se z longas scismas dol5tes1 z do5tias tri/ezas1 os inuteis desal5tos6 preciso que ella ens9e a viv] fragil creatur9ha que ,deus confi\ aos seus braos4 ,quantas d'e/as r$empes se no devem infancia6 ,quantas vezes a mo inconsci5te de um pequ5o s] de d\s ou tres annos no tem r$imido os erros de seus paes6 99 99 99 99 99 ,lembra-nos1 a proposito d'i/o1 uma poesia deliciosa que lmos ha muitos annos1 e cuja ida e/a4 ,duas desgraadas creaturas1 d'e/as que a mis]ia pr5de s vezes mutuam5te por ephem]os laos1 arra/avam juntas uma vida angu/iada e degradante4 ,ella sem coragem1 sem aceio1 sem actividade1 sem aquella =a que ao mais negro alb]gue pde d> a my/]iosa graa dos n9hos2 elle1 ocioso1 cruel1 cov>de diante da desgraa e diante d trabalho1 brio s vezes1 d'aquella selvagem embriaguez da agu>d5te e d abs9?o4 ,porque se cons]v>am unidos8 ,nem elles proprios o sabiam4 ,pod] d habito1 abjecto m>asmo das supremas degradaes4 ,um dia1 n'aquelle antro mis]avel1 so\ o vagido de uma creana4 ,no se admirem4 ,tambem s vezes das podrides de uma sepultura desabro*a uma rosa de maio4 ,qu&o noite o homem volt\ de suas divagaes sem rumo1 a pobre mulh] pro/rada nas palhas apodrecidas da enx]ga1 p]gunt\-lhe espantada3 --,porque me no bates8 porque me no ralhas8 quem que susp5deu o insulto da tua bocca1 e os golpes dos teus braos8 ,e elle1 o homem p]dido e brutal1 respondeu baix9ho com um ent]necim5to desconhecido na voz r\ca3 --,t5ho m$o de acord> o pequ59o4 --,j'ai peur de rveill] l'enfant4 ,oh6 creanz1 creanz1 como i/o revela bem o pod] div9o que to vosso6 99 99 99 99 99 ,t5ho fallado muito s mes n'e/e assumpto4 ,nunca me cans>ei de lhes repetir que se entreguem bem d intimo d'alma educao dos seus filhos6 que no ha creanz ms1 como no ha hom5s p]v]sos4 ,ha creanz mal educadas e ha hom5s p]v]tidos4 ,na educao que z creanz recebem dom9am a9da p]igosos preconceitos1 e dizemos p]igosos1 por que n'e/e grave assumpto todo o erro um p]igo4 ,apontemos alguns4 ,toda a me ambiciona possuir um filho modelo4 ,qu] diz]1 um m59o muito direito1 muito aprumado1 que falla como um livro1 que sabe grammatica1 maximas moraes1 que repete v]sos classicos1 que nunca faz bulha1 que tem ge/os desd5hosos e repreh5sivos p>a a travessura dos outros1 que nunca se esquece das lies1 que emfim um prodigio que todas z mes invejam1 e apontam como ideal a seus filhos m5os privilegiados4 ,e/a classe de creanz pde diz]-se que a unica v]dadeiram5te antipa?ica4 ,evitemos quanto possivel que os nossos filhos sejam m59os modelos4 ,p>a evit> e/e resultado1 preciso no d> excessiva att5o s graz naturaes da creana1 no a l\v> de modo que ella oua1 no a =ar a e/udos precoces1 fazel-a br9c>1 corr] d>-lhe pl5a lib]dade de movim5tos e de impulsos4 ,se a creana tem demasiada prop5so p>a os e/udos mais proprios de outra edade1 cumpre di/rahil-a1 pl-a em contacto com a natureza1 ens9al-a a compreh5d] a alma das c\sas4 ,nada melhor p>a des5volv] o espirito e o corao das creanz d que a vida no campo4 ,plantas1 arvores1 animaes1 os alegres trabalhos da lav\ra1 tudo que desp]ta sans curiosidades no ent5dim5to infantil4 ,dae ao vosso filh9ho um alegrete d j>dim p>a elle trat>1 dae-lhe um animalz9ho manso e in(f5sivo a que elle se affeioe4 99 99 99 99 99 s vezes qu&o o nosso filh9ho bate com a cabec9ha no *o1 ou em qualqu] movel da casa1 vemos com indiff]5a a criada que o trata bat] tambem1 f+9do-se muito zangada1 no objecto que sem culpa nem consci5cia a causa da magoa que afflige o nosso pequ5o amor4 ,e/e velho co/ume das aias e das mes p\co atiladas1 um erro4 ,torna a creana absurdam5te v+ativa4 ,d'ahi a bat] ou a t] vontade de bat] em quem a contr>ia1 no vae nada4 ,de cada ida falsa se faz n'e/es c]ebros delicados e impressionaveis o g]m5 de um vicio ou de um defeito4 ,quantas mes eu no t5ho ouvido diz]3 ,meu filho to teimoso6 ,meu filho to guloso6 ,ou to tag>ella1 ou to curioso6--ou to col]ico6 ,mes1 procurae bem no passado e a*>eis a sem5te d'isso que hoje planta damn9ha e v55osa4 99 99 99 99 99 ,combat] a teima1 com a teima1 a gulodice natural com a ab/95cia =ada1 a cl]a in/9ctiva1 com os ca/igos implacaveis1 pessima tactica4 ,o meio de lev> uma creana a esquec]-se de que teimava1 di/rahir-lhe a att5o p>a assumpto muito div]so d'aquelle que a absorvia4 ,qu&o uma creana exag]adam5te gulosa1 o meio de a em5d> leval-a a env]gonh>-se d seu defeito1 a cr> d'elle diante de si propria4 ,nas cl]as a que todas z creanz so mais ou m5os sujeitas1 o rem$io mais efficaz uma br&ura magoada4 ,que a me deixe v] que os erros de seu filho a no enfurecem1 mas a fazem s(fr] muito4 ,a creana fic> des>mada e moralisada4 ,p>a ella a revelao subita de que foi causa de gr&e am>gura p>a aquella a quem mais e/remece1 corresponde ao desp]t> da consci5cia e ao pungir d seu primeiro esp9ho6 ,usemos na educao dos meios puram5te moraes1 e no das degradantes correces physicas4 ,acordemos por todos os modos imag9aveis o bom s5so da creana1 e a impressionabilidade d seu s] moral4 ,que ella conhea sempre o mal e o bem1 no pelos inconv5i5tes ou vantag5s que d'e/as duas c\sas possam provir1 mas pelo que ellas valem1 pelo que significam1 pelo rebaixam5to que uma inclue em si1 e pela ess5cia sup]ior de que a outra feita4 ,,iii ,n'e/e delicioso e qu]ido assumpto da educao infantil tudo e/ dito1 e tudo e/ a9da por diz]4 ,z regras g]aes teem =osam5te de s] modificadas na sua applicao a casos p>ticul>es2 n5huma creana exi/e no mundo que seja absolutam5te egual a outra creana2 ao espirito da me que p]t5ce o gravissimo e delicado enc>go de corrigir1 ampli>1 alt]>1 re/r+ir z regras e os preceitos enunciados pelos educadores e pelos morali/as4 ,o que 1 pois1 necess>io antes de tudo1 lev> z mes a p5s>em pr(undam5te n'e/as altas que/es1 e a e/ud>em com p]t9az paci5cia o c>act] das creanz cujos de/9os teem de dirigir4 ,conhecemos uma s5hora1 alis muito boa e muito d$icada1 que1 t5do c9co filhos1 os educa a todos pelo mesmo sy/ema4 ,resultado inevitavel e fatal3 ,z creanz so todas deploravelm5te educadas4 ,erne/o ,leg\v1 di/9cto escriptor francez1 que tem consagrado gr&e p>te da sua vida a notaveis e/udos sobre a sorte da mulh]1 e sobre a educao da creana1 public\ ha mezes um bello livro que d'aqui recomm5do a todas z m9has leitoras4 ,intitula-se--,nos filles et nos fils1 e contm uma s]ie de sc5as e e/udos de familia1 muito proprios p>a ampli> e escl>ec] o corao e o ent5dim5to das mes em c]tos mom5tos criticos da sua difficil misso4 ,um d'esses tre*os1 e talvez um dos mais importantes1 trata das creanz e dos criados1 da intimidade =ada e muitas vezes p]igosa que entre elles se e/abelece1 e dos resultados nocivos que d'essas relaes resultam p>a a educao4 ,leg\v leu e/e tre*o na ,academia ,franceza2 por aqui se reconhece a sua importancia1 a maneira sup]ior por que foi tratado4 ,muitas mes desatt5dem na educao dos seus filhos a que/o gravissima dos criados4 ,deixam que z creanz vivam n'um contacto muito intimo com g5te de tracto grosseiro1 de comportam5to equivoco1 de l+uagem eivada de erros1 de conv]sao baixa e degradante4 ,quantas mes eu no t5ho ouvido diz] s suas filh9has de quatro1 c9co e oito annos3--,vae l p>a d5tro2 deixa-me conv]s>86 ,imag9am ellas que p>a a creana n5huma consequ5cia m pde provir da sua intimidade com z criadas4 ,enganam-se4 ,antigam5te1 qu&o os dome/icos faziam1 por assim diz]1 p>te integrante da familia1 nasciam e morriam na casa1 no havia p]igo em que z creanz e/ivessem junto d'elles e com elles tag>ellassem e br9cassem4 ,o in/9cto d'essas boas creaturas1 af9ado na conviv5cia de pessoas de educao elevada1 fazia-lhes compreh5d] que z creanc9has eram uns s]es sagrados e qu]idos1 cuja intellig5cia se no devia macul> nem de leve1 cujos ouvidos t9ham de s] escrupulosam5te respeitados4 ,hoje1 infelizm5te1 como j o dissemos1 esse modo de compreh5d] a vida de familia1 modific\-se completam5te4 ,os nossos criados entram e sahem com uma rapidez e uma facilidade incrivel2 no criam raizes em p>te alguma1 e e/e viv] de prias no meio dos que teem l> e alegrias intimas e familia e tecto seu1 des5volve-lhes contra os amos uma e/ranha ho/ilidade4 ,dizem mal por go/o1 por necessidade1 por um co/ume de classe4 ,precisam de v+>-se1 e v+am-se dos maus e dos bons1 sem escrupulo e sem remorso4 ,de cada casa d'onde sahem trazem os segr$os1 z anecdotas mais intimas1 os incid5tes comicos1 os acontecim5tos grotescos2 e contam tudo i/o1 uns aos outros1 n'uma gr&e lib]dade de palavras1 de apreciaes e de comm5t>ios4 ,surpreh5d]am aqui um drama1 alli um ridiculo1 conhecem z mis]ias de muito int]ior1 os vicios que se fazem pobreza1 e a pobreza que se faz vicio4 ,com o amor d pittoresco e d m>avilhoso1 que ha sempre na alma d povo1 do um colorido phanta/ico aos seus contos1 que attrahe por =a a curiosidade da creana4 ,imag9em-se uns ouvidos de c9co1 de seis1 de oito ou nove annos a beb]em essa deploravel sci5cia6 ,e no se diga que a creana no ent5de6 ,a creana tem o in/9cto da curiosidade des5volvido n'um extraord9>io grau6 ,a creana ent5de quasi tudo1 e d'aquillo que no ent5de gu>da a memoria at edade em que o my/]io lhe seja naturalm5te explicado4 ,no lev> nunca p>a um cam9ho mau a curiosidade de uma creana1 deve s] um dos maiores cuidados da me4 ,mas dir-me-ho3 z pessoas crescidas conv]sam por =a em mil assumptos mel9drosos2 se realm5te z creanz p]cebem1 como evit> que ouam8 n'isso positivam5te que e/ o mal4 ,na sala de uma s5hora que tem filhos e que se comp5etra absolutam5te dos seus dev]es de me1 deve hav] o maximo escrupulo na escolha das div]sas conv]saes4 ,assim como ha limpeza nas habitaes1 porque no hav] limpeza nos espiritos8 ,no ha tantos assumptos attrah5tes de conv]sao8 ,s] absolutam5te preciso diz] mal1 murmur>1 revel> indiscretam5te my/]ios alheios8 ,no qu] i/o diz] que a humanidade se limite a um puritanismo de palavras1 que deg5]> por =a em hypocrisia2 mas entre esse excesso ridiculo e a lib]dade absoluta que se usa diante das creanz1 creio que ha um meio t]mo que s]ia facil de adopt>4 ,e depois1 seja dito com toda a coragem3 ou se me no s5tido completo e absoluto d'e/a palavra ou se mulh] d mundo4 ,ou nos havemos de consagr> companhia dos nossos filhos1 sua educao1 ao des5volvim5to gradual das suas delicadas faculdades1 vigilancia solicita das suas almas e dos seus corpos1 ou havemos de d> aos t5ros espiritos de quem somos guias1 o deploravel espectaculo das fraquezas e dos defeitos que tanto lhes desejamos faz] evit>4 99 99 99 99 99 ,na creanca d sexo fem99o a t5d5cia que mais c$o se des5volve a vaidade4 ,a pequ5ita de tres annos j comea a t] orgulho e presumpo no seu ve/id9ho bordado1 nas suas saias de folhos1 no seu *apu vi/oso e g>rido4 ,todos se riem da grac9ha4 --,meu anj9ho6 ,como presumida6 ,diz a me toda enlevada4 ,e gaba-a muito4--,e/s l9da6 a m9ha filha muito bonita4 ,fica-lhe to bem e/e ve/ido6 ,mais t>de1 d'ahi a qu9ze annos1 qu&o a creanc9ha d outro tempo um rap>iga delambida1 arrebicada1 *eia de appetites luxuosos1 de ambies extravagantes1 sonh&o com um noivo muito rico que lhe sacie todos os seus desejos de riqueza e de pomposa elegancia1 qu&o os hom5s s]ios e hone/os olham p>a ella com desdem1 e no seu intimo a desprezam como uma boneca inutil e frivola1 de quem a culpa1 digam-no s9c]am5te8 ,a culpa de quem favoreceu1 em vez de combat]1 esse p5dor fune/o1 to natural mulh]1 e que s cu/a de muita reflexo ella consegue v5c]4 ,a culpa da me1 que teve orgulho dos defeitos da sua filha1 em vez de lid> por trans=mal-os em virtudes4 ,a mulh] vaidosa8 ,pois bem6 se no podemos de/ruir esse vicio organico1 demos-lhe ao m5os um rumo div]so d que elle leva4 ,que1 em vez de t] vaidade dos seus trapos e dos seus mis]aveis arrebiques1 ella t5ha vaidade de s] boa1 laboriosa1 hone/a1 in/ruida e =te4 ,faamos compreh5d] bem ao nosso anj9ho de tres annos1 que bem mais difficil e glorioso s] docil d que t] um ve/ido novo2 que muito mais digno de l\vor sab] l] d que traz] um *apu de plumas4 ,i/o no mais d que indic> o cam9ho4 ,no ha me cujo in/9cto a no advirta de que e/amos fall&o v]dade4 99 99 99 99 99 ,at a escolha da boneca uma c\sa importante6 ,uma boneca espl5didam5te ve/ida1 de *apu com flores1 de luvas e cabellos d'ouro annellados1 inspira um c]to assombro1 e depois uma c]ta inveja4 ,uma boneca de trapos1 e/upida1 in]te e molle causa desdem e antipa?ia4 ,oh6 a primeira boneca6 que jubilo supremo que ella no deu a todas ns6 ,comp>avel alegria da primeira boneca1 s a alegria d primeiro filho6 a mesma hesitao em lhe toc>mos com m$o que ella se quebre6 o mesmo su/o6 a mesma curiosidade6 o mesmo enlevo6 o mesmo espanto namorado e feliz6 ,a me intellig5te compreh5de e sabe aproveit> i/o4 ,a boneca como a apr5dizagem da mat]nidade6 --,e/ nua1 coitad9ha1 e/ nua a tua boneca1 ,lili4 ,que frio que ella deve t]6 ,que descon=to6 ,que p5a de olh> p>a ti e de te vr to bem ve/ida e qu5te e con=tavel4 ,s5ta-te aqui ao p de mim1 ,lili1 vamos ns faz] o fat9ho da tua boneca6 ,e como o corao que sempre dom9a e guia a mulh]1 eis o corao faz5do um milagre n'aquella mulh]s9ha de oito annos1 que deixa de s] a traqu9as1 a turbul5ta1 a ociosa creatur9ha1 e que pr9cipia a conhec] z delicias d trabalho e os santos praz]es d sacrificio4 ,o sacrificio por uma boneca6 ,sim1 o sacrificio1 e porque no8 ,s quem no me e quem nunca foi creana que esc>nec] da expresso que empregamos4 ,pois no sabem que essa primeira boneca1 que se recolhe nua nos braos1 e que se ve/e1 que se cala1 que se con*ega1 que se adormece entre beijos e affagos1 o primeiro sonho de um corao de me8 99 99 99 99 99 ,z amigas das nossas filhas6 ,grave e mom5toso assumpto1 no r>o descurado e de cujo esquecim5to ou de cujo desleixo resultam s vezes damnos irrem$iaveis4 ,no collegio que se travam quasi sempre z primeiras amizades4 ,ora1 ns p>a z m59as desadoramos o collegio4 ,por muito bom que elle seja1 a*amol-o sempre pessimo4 ,quem que nos responde pela boa escolha de relaes que alli adquirem nossas filhas8 ,quem nos diz que essas creanz todas que alli se reunem1 e que entre si trocam z mais intimas e m9uciosas confid5cias1 s viram bons exemplos1 s conhecem quadros de santa e impeccavel moralidade8 ,pois n5huma d'ellas tr> comsigo aquella fune/a curiosidade1 que p]deu a nossa primeira me8 ,todas so innoc5tes1 todas ignoram da vida o que ella tem de baixo ou de corrosivo8 ,quem nos affirma que ellas sab]o s] boas e hone/as companheiras1 que no lanaro com uma palavra imprud5te um g]m5 v55oso1 que no corromp]o com precoce p]v]sidade o espirito da creana innoc5te1 que n'ellas se confi>8 ,z amigas das nossas filhas so aquellas de quem logo depois de ns dep5de a pureza1 a c&ura1 a innoc5cia d'ellas6 de uma grave imprud5cia acceit> p>a uma filha nossa1 sem escolha e sem crit]io1 a companhia de outra creana4 ,cumpre conhec] bem a me1 a educao que ella d aos seus filhos1 o modo porque vivem1 o c>act]1 a moralidade d'essa familia4 ,e que z mes1 n'e/e ponto1 se no pr5dam com preoccupaes de banal delicadeza4 ,primeiro que tudo e/ o futuro das suas filhas4 ,se a educao de um rapaz j difficilima1 que s] a educao de uma m59a8 ,quantos p]igos a evit>1 quantos ob/aculos a tem]1 quantas contr>i$ades em meio d cam9ho6 ,que a me procure s] a melhor amiga de sua filha1 e que e/a no receie confi>-lhe nem os seus pequ59os segr$os infantis1 nem z my/]iosas comoes da sua alma adolesc5te4 ,n'e/a deploravel educao que hoje se d e se recebe1 a primeira c\sa de que os filhos tratam de engan> os paes4 ,de que provm i/o8 ,da mal ent5dida sev]idade d'e/es4 ,a indulg5cia p>a z primeiras travessuras prep>a naturalm5te a creana p>a se confi> sem m$o ao corao que a sabe ent5d] e lhe sabe p]do>4 ,mas muito delicado e/e ponto da misso mat]nal4 ,se o excesso da sev]idade cria a desconfiana e a m5tira1 o excesso da indulg5cia cria o cynismo e a desv]gonha4 ,que difficil no p>a um espirito de me sab] ao mesmo tempo attrahir a confiana e impr o respeito6 ,lev> o filho que pecc\ a confess> a culpa1 no por t] a c]teza de que s] facilm5te p]doado1 mas por lhe exigir a consci5cia que no esconda o seu delicto aos olhos d'aquella que sabe com mo delicada e firme repr no cam9ho direito o ente fragil que se transvi\4 ,no dia em que a me tiv] alcanado d corao de sua filha ou de seu filho e/a s+ul> conqui/a de v5]ao e de amor1 pde s5tir-se tranquilla e satisfeita1 pde sem m$o respond] pelo futuro4 99 99 99 99 99 ,p>a concluirmos e/e capitulo que1 talvez por muito incorrectam5te des5volvido enfa/iasse z leitoras1 sem logr> a v5tura de z conv5c]1 damos em seguida o fragm5to de uma c>ta1 que por circum/ancias que s]ia inutil ref]ir1 ha p\co tempo *eg\ s nossas mos4 ,como v]o1 p]t5ce esse tre*o a uma c>ta que na vesp]a d seu casam5to foi dirigida sua filha por uma extremosa me4 ,explica muito melhor d que ns o podemos faz] o triumpho de um bom corao mat]nal4 ,no tive animo de te diz] todas e/as c\sas fr5te a fr5te4 ,tive m$o de *or>1 e tu sabes1 meu anjo1 que det/o acima de tudo os ent]necim5tos intempe/ivos4 ,depois1 t]ia pejo1 eu1 tua me1 eu que julgo t] concorrido pelos cuidados de toda a vida p>a o excell5te exito da m9ha obra--qu] diz]1 da tua educao--t]ia pejo de te en*] de l\vores que embora ju/os1 recahiriam um p\co sobre mim4 ,sabes que eu nunca te deixei1 que por amor de ti r5unciei1 e de muito boa vontade1 companhia dos indiff]5tes e dos frivolos1 que s viriam de/ruir ou modific> o effeito de todos os meus es=os1 to santam5te ab5oados por ,deus6 ,com que saudades eu me lembro dos s]es de outro tempo1 em que tu j s]5a1 grave e mode/a como s hoje1 lias ao p de mim1 emquanto os nossos bons e velhos amigos conv]savam em c\sas ss1 em c\sas simples1 das que no podem f]ir os ouvidos de uma m59a6 ,no te aconselho que r5uncies ao mundo por amor dos anj9hos que viro de c]to ab5o> e consagr> o teu casam5to2 mas peo-te que sejas escrupulosa como eu sempre fui na escolha d'aquelles que admittires na sagrada intimidade d teu l>4 ,procurei sempre evit> em ti todos os excessos1 mesmo os excessos bons4 ,no te quiz beata1 nem espirito =te2 no desejei que fosses uma metaphysica1 nem um ent5dim5to demasiadam5te positivo1 nem mulh] s de sala1 nem mulh] exclusivam5te d mnage4 ,o ideal1 m9ha filha1 que de tudo se saiba s] um p\co4 ,go/>ei que recebas com graa s5horil na tua saleta de todos os dias1 arti/ica e con=tavel1 mas no desej>ei m5os que saibas ens9> a tua coz9heira1 faz] o rol da tua r\pa1 conc]t> o fato de teus filhos1 e economis> sem mesqu9hez e ga/> sem av>eza4 ,no quiz nunca que tivesses outra amiga1 e creio t] feito bem4 ,se foi egoismo1 ,deus no me ca/ig\ por elle1 porque devi a essa precauo1 por v5tura excessiva1 t] tido a deliciosa confid5cia das tuas primeiras alegrias e dos teus primeiros sonhos4 manh j no s]s m9ha1 qu]ido encanto2 nem j s]o os meus beijos os unicos que a tua pura te/a de v9te annos receb]6 ,mas n'e/a saudade dilac]ante que me punge1 quantas comp5saes supremas eu no encontro6 ,entrego-te ao teu noivo1 to c&ida1 to ignorante d mal como deviam s] todas z creanz da tua edade1 que tivessem me1 que s n'ellas p5sasse e s por ellas vivesse6 ,nunca ouvi/e pronunci> uma palavra grosseira1 nunca ouvi/e applaudir um acto inju/o1 nunca se abaix>am os teus olhos s]aphicos a um espectaculo ignobil4 ,eu fui sempre a tua fiel companheira2 e1 como z ve/aes velavam o fogo sagrado1 velei eu pela tua immaculada innoc5cia6 ,de que v5tura se privam z que pref]em o mundo aos seus filhos6 ,ignoram z alegrias pr(undas de s] me1 como eu fui1 como tu s]s1 m9ha joia6 ,no ha na tua alma um p5sam5to1 uma ida1 uma saudade1 que eu no conhea1 e se manh quiz] folhe> diante de teu m>ido o livro radioso da tua infancia e da tua adolesc5cia1 no hav]ia n'elle uma s pag9a que eu lhe no podesse repetir de cr4 ,respondo pelo passado e respondo pelo futuro4 ,ba/a-me essa gloria p>a me consol> de todas z m9has saudades6 bem pezada n'e/e mundo a cruz das boas mes1 mas no te esquez nunca1 m9ha filha1 que mesmo n'e/a hora de tantas lagrimas1 eu confesso bem alto1 no ha rosas mais frescas1 mais puras e mais orvalhadas d que z rosas que enfloram e entrelaam essa cruz6 ,s d'aqui a muitos annos compreh5d]s a angu/ia com que te digo--adeus6 ,ento1 sei que has de *or> por mim6 ,,capitulo ,,xvi ,c>tas de um m>ido ,meu c>o amigo4 ,onde que fui des5cantal-a8 p]guntas tu com ju/ificado espanto4 ,e t5s razo4 ,o facto que nunca a vi1 vals&o n'um baile luz qu5te e abafadia d gaz1 decotada1 *eia de p de arroz e de suor1 ab&on&o-se n'uma po/ura voluptuosa1 nos braos de um sujeito esgr\viado1 de casaca1 coll>9hos de papelo1 e olh> que t5ta s] magnetisador e irresi/ivel1 e que depois de tamanhos es=os no consegue s] s5o comico4 ,nunca a encontrei cant&o n'um conc]to duetos apaixonados em b5eficio dos m59os pobres1 v5d5do n'um baz> sorrisos de danar9a e bibelots de fanc>ia em b5eficio dos velh9hos aleijados1 repres5t&o n'um s>au dramatico1 com$iaz9has maliciosas em b5eficio dos adultos cegos4 ,frequ5t&o os !atros de segunda ordem1 onde os palhaos e z cocottes de ,(f5ba*1 e dos mod]nissimos mae/r9os da decad5cia se des5gonsam em sc5a1 faz5do ge/os desman*ados e subl9h&o com sorrisos torpes z suas cantil5as de caf-conc]to1 debalde a procurei pelas frisas1 e pelos cam>otes1 applaud9do z f>adas impuras1 e d&o g>galhadas que attrahissem a att5o e os maliciosos comm5t>ios da plata4 ,nas noites de v]o1 no ,passeio ,publico1 qu&o ha musica1 fogo de artificio1 muito calor e muito ap]to1 e z m59as burguezas que a9da no podem goz> da villeggiatura elegante1 passeiam com toilettes cl>as1 na pl5a expanso da flirtation lisbon5se1 confesso que muitas vezes atravessei a multido1 pisado1 empurrado1 (fegante1 sem respeito pelas caudas de s$a1 de f\l>d1 de l9ho transp>5te1 que p>a alli vo desfruct> o praz] de se en*]em de poeira e de rasges1 e que debalde procurava reconhecel-a em cada vulto fem99o1 esbelto1 gracioso1 que passava pis&o a areia das ruas1 com o taco alto das e/reitas bot9as de pellica4 ,at comecei a frequ5t> ,s4 ,luiz1 a igreja da devoo fidalga1 d arrep5dim5to p]fumado de p\dre d'iris1 d mais alto1 d mais di/9cto e d mais desd5hoso beat]io444 ,vi todas z nossas flores da alta vida1 traj&o com discrio f9am5te ari/ocratica1 revel&o a elegancia que z di/+ue1 no modo de se ajoelh>em1 de se p]sign>em devotam5te1 de ergu]em os olhos com extasi pi$oso1 p>a a imagem alaba/r9a da ,virgem1 que p>ece ergu]-se como um lyrio desabro*ado1 d'entre z v]duras e z brancas floresc5cias que a c]cam de todos os lados4 ,vi-z descalarem1 das suas e/reitas luvas de c9co botes1 z mos esguias1 avelludadas1 feitas da alvura dos m>f9s2 vi-z curv>em-se at ao *o1 humilhadas1 contritas1 mas sempre correctas2 l]em uma orao privilegiada1 em cada um dos quatro ou seis grossos volumes devotos que trazem comsigo1 beij>em com fel9a graa z mos re*on*udas e macias dos l\ros abbades francezes1 disput>em entre si com delicadeza1 no inteiram5te is5ta de col]a1 a sua vez de confission>io1 e de confid5cias adocicadas e asceticas2 mas n5huma d'essas encantadoras filhas de ,eva1 com os seus ge/os miudos1 os seus movim5tos ondeantes de s]p5te1 z multiplas s$uces da sua artificial =mosura1 me deu a ida boa1 s1 c>9hosa1 como um affago de me1 que eu tiv]a v5do-a1 a ella4 ,escuso de accresc5t> que ella no se encontrava entre essas todas4 ,um dia porm1--que bom dia aquelle6--tornei a vel-a em casa de uma amiga de m9ha me4 ,no me p>eceu bella1 p>eceu-me boa1 mas de uma bondade em que a belleza no deixava de entr>1 embora como elem5to secund>io4 ,e/ava com z suas amigas em volta de uma gr&e mesa de s]o4 ,l>gra um pequ5o trabalho da agulha1 e comeara a lr alto a p$ido de todas z companheiras4 ,lia um livro de ,mi*elet1 ,l'insecte4 ,t9ha a voz grave1 sonora1 musical1 como eu sempre imag9ei que havia de s]2 a luz coada pelo globo fosco d alto c&ieiro1 banhava de vagos tons d\rados o seu cabello simplesm5te p5teado1 torcido n'um grosso rolo lum9oso sobre a nuca torneada e =te4 ,no me lembro bem de como e/ava ve/ida1 signal de que era to despret5cioso o seu trajo que no pr5dia nem demorava a att5o4 ,havia de s] por =a ba/ante di/9cto p>a lhe no alt]> a graa2 ba/ante s+elo p>a no d> um aspecto de artificio sua natural e ca/a =mosura4 ,emquanto a ouvia l]1 p>ecia-me compreh5d] melhor aquella gr&e alma lum9osa d velho ,mi*elet4 ,e s5tia em mim a vivificante sympa?ia da natureza1 o amor dos pequ59os1 a t]nura compreh5siva p>a tudo que vive1 que s5te1 que palpita na enorme ,creao4 ,qu&o acab\ de l]1 fe*\ o livro1 e naturalm5te1 sem languidez1 sem cansao1 peg\ de novo no trabalho1 e recomeou a bord>4 ,aproveitei o ensejo e s5tei-me n'uma cadeira vaga ao seu lado4 ,conv]smos muito4 ,em muita c\sa1 em quasi tudo4 ,era um go/o v] de p]to a luz tranquilla e doce d'aquelle olh> azul escuro1 reflectido1 s]io1 innoc5te4 ,no baixava os olhos deix&o transp>ec] nas faces rubor intempe/ivo2 t9ha um modo seu de olh>1 franco1 s9c]o1 de uma limpidez de lago suisso em que se reflectisse o l>go cu da primav]a4 ,de vez em qu&o ria-se4 ,que musica cry/all9a a d seu riso6 ,uma das vezes lembra-me1 que segu9do o falso p5dor da nossa dete/avel educao de sala1 fui s5tim5tal1 sem d> por isso1 de uma s5tim5talidade piegas1 da que produz sempre um c]to effeito no espirito das m59as que valsam4 ,levant\ subitam5te a cabea1 como se ficasse um tanto surpreh5dida1 como se tivesse ag\rado melhor de mim1 primeira vi/a4 ,depois1 no sei o qu1 provavelm5te a expresso alambicada da m9ha c>a1 desafi\-lhe a vontade de rir1 uma vontade de rir irresi/ivel6 ,coitad9ha6 ,que bem educada que ella 6 ,suffoc\ aquella boa hil>idade to espontanea6 ,disf>ou p]feitam5te o effeito comico que eu lhe produzira1 i/o com uma graa1 to *eia de infantilidade6 ,ca/ig\-me melhor assim1 d que outra qualqu] f+9do um enleio !atral4 ,d'alli a nada1 a dona da casa1 uma s5hora de aspecto muito di/9cto e muito bondoso1 veio p$ir-lhe com gr&e emp5ho que fosse p>a o piano4 ,levant\-se docilm5te1 e toc\ e cant\ emquanto quiz]am ouvil-a6 ,era a simplicidade1 a graa1 a mais delicada intuio arti/ica1 i/o acompanh&o uma vocao musical dev]as notabilissima4 ,nem uma s d'aquellas languidas arias italianas1 de um s5tim5talismo to dissolv5te e que p>ecem banh> a alma que z escuta n'um tepido banho de c>icias molles6 ,musicas graves e de uma au/]a melancolia como z dos me/res allemes2 ou musicas graciosas1 ligeiras1 sc9tillantes1 inocul&o no espirito uma s5sao de frescura matut9a1 de robu/a alegria1 lev&o-nos atraz das suas notas de cry/al1 pelas prad>ias illum9adas da luz das alvoradas e/ivas1 onde os melros maliciosos assobiam1 salt&o de ramo em ramo6 ,qu&o sahi d'alli1 d'aquella casa hospitaleira1 em que o espirito p>ecia dilat>-se affectuosam5te1 p5sei de mim p>a mim que ella havia de s] m9ha mulh]6 4444444444444444444444444444444444444444 44444444444444444444444444444 444,sabes uma c\sa8 ,temos um filho6 ,e/as palavras a ti no te dizem nada1 a mim banham-me o corao n'uma alegria que em l+ua humana se no pde exprimir4 ,a deliciosa co da m9ha felicidade1 canto-a eu em beijos *ilreados1 no corp9ho rolio e avelludado1 no corp9ho de leite d meu primeiro pequ59o6 ,vivemos em um bairro p\co c5tral1 em uma rua muito socegada1 onde passam p\quissimos tr5s1 e onde se no ouve o prego> r\qu5ho dos v5dilhes ambulantes4 ,o nosso oram5to de uma exiguidade que faz rir1 mas no sei porque m9ha mulh] tem a habilidade de faz] r5d] da maneira mais milagrosa os nossos mode/issimos hav]es4 ,creio que se manh me visse rico1 no podia s] to feliz4 ,se eu fosse rico1 havia de t] criados1 no v]dade8 ,criados graves1 solemnes1 de olh> sonso1 que vivessem da m9ha vida1 que maculassem com a sua ironia baixa z santas expanses d meu affecto de m>ido e de pae1 que invejassem a m9ha felicidade1 que calumniassem z m9has int5es1 os meus actos1 a m9ha vida toda6 ,ao jant> um ou d\s d'aquelles figures altos1 espadaudos1 ociosos1 ve/idos de preto1 haviam de espreit> com olh> guloso cada bocado que eu mettesse na bca2 t]ia um coz9heiro gordo1 de b>rete branco1 que me fizesse molhos indige/os1 uma criad9ha de qu>to buliosa1 e petulante que se risse d burguezismo pacato dos meus habitos4 ,viv]ia escravo1 preso nas malhas de ouro1 d'e/a gr&e r$e que se *ama a riqueza4 ,receb]ia muitas visitas1 muita g5te indiff]5te ou ho/il1 que viesse p>a me bajul>1 e que se fosse embora p>a me mord] traioeiram5te pelas co/as4 ,uma gov]nante +leza empavezada1 grotesca1 um p\co p$ante1 cort>ia na sua flr1 na qu]ida alma transp>5te d meu pequ5o anjo1 os c>9hos1 z expanses innoc5tes1 os risos inext+uiveis e sem causa1 tudo que hoje a nossa alegria6 ,e depois1 habituado ao luxo no s5tiria o con*ego6 ,satisfeitos at saci$ade todos os desejos1 no t]ia nunca a boa1 a vivificante s5sao d ob/aculo v5cido6 ,e o socego depois d trabalho6 ,e z alegrias da posse1 qu&o o objecto longo tempo cubiado1 p>a alcanar o qual se fiz]am tantas economias1 se support>am tantas privaes9has1 nos app>ece emfim em todo o pre/igioso brilho d impossivel1 que de rep5te se deixa conqui/>6 ,ai6 z m9has alegrias de pobre1 que saudades que eu t]ei d'ellas mais t>de6 ,mas1 meu qu]ido ,a41 no comeces tu agora a lam5t>-me imag9&o-me novo monge entregue s au/]idades da p5it5cia volunt>iam5te acceita6 ,no te disse eu que uma boa mulh] que nos ame1 e que nos saiba am>1 um !s\ro ine/imavel1 que o homem desd5ha1 e que por isso1 se tem feito to r>o8 ,a m9ha casa no tem e/(os de s$a1 no tem cu/osos moveis de c>valho entalhado1 no tem frageis porcellanas de ,saxe1 de ,sevres ou d ,japo1 no tem tapetes turcos1 nem arti/icos ,gobel9os4 ,mas olha que nem sempre o luxo o con=to1 nem sempre a opul5cia a graa1 nem sempre z c\sas c>as so z c\sas elegantes6 ,a nossa pequ59a casa1 toda =rada de papel cl>o1 com z suas cadeiras de cretonne1 z suas cort9as muito brancas1 e vasos de plantas em pequ5as e/antes de madeira1 e j>ras de flres na mesa de jant>1 com a luz cl>a e fe/iva d sol1 a illum9al-a toda1 com o aceio escrupuloso que o luxo dos pobres1 com a tranquilidade doce e recolhida1 que a poesia dos que se amam e na qual pe a espaos a nota cl>a e fe/iva o riso d nosso filh9ho1 a nossa casa como que a deliciosa enc>d5ao d poema d nosso amor6 ,todas z s5horas que eu conheo sahem muito2 os m>idos voltam noite exangues das enfadonhas labutaes d dia1 com o espirito abatido1 com o corpo cansado e no entanto teem de seguil-z ao baile1 ao !atro1 a casa das amigas1 de figur>em de comp>sas na fa/idiosa com$ia social1 de se mo/r>em debaixo de um aspecto desfavoravel1 de realiz>em emfim risca o l5d>io typo que o romantismo am>r\ ao pel\r9ho d ridiculo1 o m>ido macambuzio1 o m>ido des5graado1 o m>ido sem espirito1 em quanto roda1 fresco1 malicioso1 *eio de ditos e anecdotas1 com uma rosa na abotoadura1 borboleteia o galan que pova de p]igosas s$uces a fantasia de todas z pobres mulh]es frageis6 ,m9ha mulh] noite sahe r>as vezes1 de modo que eu durante o dia1 na atmosph]a pesada e asphyxiante d escriptorio1 e/\ sem qu]] a scism> no con=to que me esp]a qu&o eu volt>4 ,o jant>9ho qu5te1 saboroso1 coz9hado pela nossa velha ,anna1 debaixo da direco da m9ha qu]ida ,m>ia1 a toalha muito branca1 um ramo de lilazes no c5tro1 z fructeiras de vidro com z suas pyramides de fructas1 sah9do d n9ho fresco e avelludado das folhas v]des1 os talh]es muito bem limpos1 um gr&e con*g na atmosph]a1 e em tudo visiveis o go/o d'ella1 os cuidados d'ella1 o affecto d'ella manife/&o-se no bem-e/> que me envolve e me ac>icia6 ,depois1 noite1 o gab9ete com a mesa r$onda no c5tro1 o c&ieiro de ,c>cel de luz cl>a e discreta1 a poltrona de m>roquim1 com os gr&es braos ab]tos que me convidam1 os jornaes d dia1 a ultima ,revi/a1 um romance novo1 e a m9ha qu]ida mulh]s9ha1 com um ve/ido que lhe fica muito bem e que &\ ella propria a faz] s m9has escondidas--a lad9a6--como se eu no tivesse olhos p]spicazes que vem de longe6 com os seus longos cabellos l\ros p5teados d'aquelle modo simples e puram5te arti/ico1 que faz da cabea de cada e/atua grega uma cabea encantadora1 e sobretudo com o seu sorriso bom1 o seu olh> affectuoso e hone/o1 a sua voz consoladora que uma musica1 a melhor das musicas p>a o meu corao6 ,p>a alm d repo/eiro entre-ab]to1 v-se a alcova1 o b]o de cort9ados brancos1 e luz br&a da lamp>9a1 sobre uma cadeira1 um ve/id9ho cl>o1 uns pequ5os sapatos1 umas meiaz9has de cr1 umas c\sas p>a que n+uem rep>a1 e que a mim me fazem s vezes *or>4 ,t5ho j p]guntado a mim mesmo1 que diff]5a exi/e entre mim e os outros hom5s1 porque que elles &am pelo gremio1 pelos cafs1 pelos !atros1 alguns pelas salas1 e porque e/\ eu tanto em casa1 f9da que seja a m9ha t>efa di>ia8 ,s]ei melhor d que os outros m>idos8 ,no2 ella que melhor d que z outras mulh]es4 ,a felicidade de que eu gozo devo-a sua compreh5so to santa dos dev]es1 e ao meu egoismo todo mascul9o4 ,v\ p>a onde me *ama maior somma de alegrias e de con=tos que posso conhec] n'e/e mundo4 ,no ha n'i/o m]ito nem d$icao dignos de l\vor4 ,se noite a nossa pequ5a sala se en*esse das amigas de m9ha mulh]1 palradeiras1 frivolas1 pu]is1 a discutirem banalidades1 provavel que eu fugisse p>a qualqu] outra p>te4 ,se qu&o *egasse a casa1 a visse prompta p>a sahir1 m9ha esp]a p>a me faz] env]g> uma t]rivel casaca muito ho/il1 que me ac5asse de longe com z suas azas de gafanhoto1 se ella me app>ecesse toda occupada de si1 da sua toilette1 dos triumphos que ia t]1 e esquec5do completam5te z exig5cias mais prosaicas1 d meu temp]am5to de homem1 da m9ha vida de trabalhador1 com c]teza que me *eg>ia a m9ha hora de revolta1 que o trabalho deix>ia de s] o meio de que eu me s]visse p>a alcanar o bem e/> dos meus1 e que se torn>ia simplesm5te uma t>efa ex]cida sem alma1 sem al5to int]ior1 s p>a que o mundo me no alcunhasse de ocioso e de zango da gr&e colma social4 ,dos defeitos d'ella proviriam todos os meus defeitos1 dos seus esquecim5tos1 todas z m9has faltas4 ,j vs quanto ganhei cas&o-me com e/a qu]ida e nobre creatura4 ,se me p]gunt>es o que ella sabe1 dir-te-hei que sabe tudo1 e que a sci5cia toda lhe provm de uma s fonte--o corao4 ,compreh5de ,%akespe>e e faz deliciosam5te uma omellete1 toca com o s5tim5to mais f9o e mais ideal1 uma phantasia de ,bee?ov51 e inv5t\ um sy/ema eng5hoso e abreviado de faz] o rol da lavadeira2 adora z flores1 os v]sos1 z creanz1 os livros1 tudo que bello1 tudo que bom na natureza1 e de manh1 com a sua t\qu9ha de cambraia branca1 o seu av5tal de m]9o1 um espanador de p5nas na mo1 pondo os moveis em h>monia1 toc&o em todas z c\sas1 imprim9do em tudo o cunho da symetria e da ordem1 at>efada1 sem di/raco1 sem enfado1 p>ece uma sp9/] +leza atacada da monomania d arranjo4 ,a br9c> com o filho1 na rua areada d nosso pequ5o j>dim1 dir-se-hia a sua irm mais velha2 na hora da atribulao1 na hora difficil em que de um bom conselho dep5de s vezes a dignidade de um homem1 lembra um espirito au/]o1 *eio de altivas aspiraes e/oicas4 ,o contacto d'ella faz bons os que so maus1 faz robu/os os que so fracos6 ,so e/as z mulh]es que salvam a honra e a felicidade dos m>idos4 ,qu]es um conselho8 ,procura no mundo outra ,m>ia como a m9ha e casa-te4 ,,capitulo ,,xvii ,confid5cias mat]naes ,m9ha qu]ida amiga4 ,ha quasi quatro mezes que te no escrevo1 e supponho que no e/>s por isso mal comigo4 ,no sei bem diz]-te como se passam os meus dias1 e qu&o s onze horas da noite adormeo1 um p\co*9ho fatigada e deix&o sempre p>a o dia segu9te p>te da t>efa d'aquelle dia1 metto a mo na consci5cia e s9to que no commetti o delicto de desp]diar um s in/ante4 ,e talvez que no fim de contas assim no seja4 ,ouve-me tu1 e julga4 ,fez hontem um anno o meu qu]ido baby4 l\ro1 rosado1 tem uma cabelleira revolta e crespa que lembra uma aureola de anjo1 ou uma juba de leo pequ59o1 tem um corpo rolio1 mimoso1 r$ond9ho que p>ece feito por uma fada muito habilidosa no seu torno de m>fim4 ,comea a &>1 e os passos d'elle1 desa/rados e timidos en*em-me a alma de um su/o1 de uma inquietao1 de uma delicia1 de um no sei qu pr(undam5te novo na m9ha vida e que eu no encontro palavras que exprimam bem6 ,at aqui p>ecia-me que elle era eu1 que fazia p>te de mim1 que ns ambos =mavamos um todo4 ,agora p]cebo e com uma surpreza que s vezes *ega a s] dolorosa6 que me engan>a1 e que cada um d'aquelles pass9hos hoje to miudos e to vacillantes1 manh apressados e firmes1 o ir afa/&o de mim na vida1 se eu o no s\b] seguir1 faz5do-me como elle pequ5a1 como elle infantil1 p5etr&o intimam5te na sua alma e ao mesmo tempo comp5etr&o-me bem de todas z doces cl>idades matut9as que ha d5tro d'aquelle espirito que vae desabro*>4 ,no compreh5des bem e/a iniciao l5ta1 que no mom5to em que o corpo da me e o corpo d filho deixam de s] um s1 faz uma s das duas almas de ambos8 ,vi/o que elle j no pde s] eu1 preciso que eu seja elle2 s assim lhe pod]ei ir inocul&o na alma e no ent5dim5to1 tudo que no meu ent5dim5to e na m9ha alma h\v] de bom2 s assim me pod]ei ir l5tam5te trans=m&o sob a influ5cia reg5]adora e purificante d'aquella immaculada innoc5cia6 ,oh6 div9a transmisso mutua de virtudes e de =z1 que con/itue o lao moral e inquebrantavel que une a me ao filho das suas doloridas entranhas6 ,por ora nada t5ho que ens9> ao meu l\ro bb4 ,t5ho s de escut> o que diz no sil5cio1 aquella pequ59a alma em embryo1 e de apr5d] a l] n'aquelle my/]ioso livro que indecifravel p>a todos e que to eloqu5te p>a mim4 ,bb tem uns gr&es olhos2 uns dizem que so azues1 outros dizem que no4 ,por ora no tem cr2 ou p>a melhor diz] ha na sua limpidez de cry/al todos os cambiantes e todos os reflexos4 ,os olhos de ,bb so como a alma d'elle1 teem a dura d leite que bebe1 teem a suavidade dos beijos com que o vi/o noite e dia4 ,scisma s vezes vagam5te444 longam5te444 ,em que8 ,no ha n+uem que o saiba diz]1 vi/o que um corao de me o no adiv9ha4 ,scisma no cu d'onde veio8 ,talvez4 ,ha my/]ios de luz na alma pr(unda das creanz4 ,go/a da cl>idade dos dias limpidos1 das arvores1 das cres vivas1 e tambem da opal9a tri/eza d lu>4 ,go/a dos sons1 dos risos1 das c>icias1 uma alma que vive em pl5o azul4 ,n5huma sombra n'aquella tela transp>5te onde a mo de sua me vae escrev] z primeiras palavras4 ,muita g5te imag9a que s] me cu/a ap5as z dres dilac]antes de algumas horas1 os incommodos mais ou m5os crueis d'um c]to p]iodo1 e depois os cuidados de doze ou treze mezes4 ,quem p5sa assim no sabe o que s] me6 ,pois tu no ouvi/e que elle esp]a1 e que a primeira palavra def9ida e cl>a que ha de vibr> na sua alma1 s\ eu que hei de dizel-a1 a m9ha mo tremula1 fraca e inexp]i5te que ha de torn>-se firme p>a a grav> indelevelm5te8 ,e se a voz esmorec]8 ,e se a mo vacill>8 ,quem me disse a mim que ac]t>ei8 quem me deu =z p>a encam9h> um sr que s de mim ha de receb] na t]ra o santo e a s5ha8 ,e depois qu&o o vejo to l9do1 qu]5do j esboar o primeiro capri*o1 qu]5do exp]im5t> a primeira vontade1 qu]5do v5c] o primeiro ob/aculo1 p]gunto a mim mesma se t]ei valor suffici5te p>a lhe faz] p]ceb] que a vida uma lucta1 p>a se tanto fr preciso1 s] eu propria que lucte com elle1 e que o ens9e a s] v5cido6 ,de quantas corag5s mais que viris precisa de compor-se a fraqueza mat]nal6 4444444444444444444444444444444444444444 44444444444444444444444444444 ,mas n5hum d'e/es vagos p5sam5tos que eu deixo aqui to mal expressos te diz quaes so z occupaes em que levo os meus dias6 ,meu ,deus6 e olha que acordo c$o6 ,a9da bem a cotovia no deixa ouvir a sua alegre voz mat9al1 a9da bem o gallo no atra os campos com o seu grito e/ridulo de combate1 que um convite impetuoso p>a o trabalho1 j a voz d meu filho me acorda tambem a mim4 ,que p5na pde cont> z delicias d'aquelle desp]t>6 ,os risos1 z negaz1 os beijos1 e o modo malicioso com que elle deitado nos meus braos e depois de f>t> z exig5cias d pequ59o e/omago1 l>ga o seio p>a me sorrir com os beic9hos t9tos de leite1 e torna de novo a peg>-lhe p>a sabore> voluptuosam5te1 l5tam5te o que j no tem vontade de engulir com a avidez deliciosam5te glutona da infancia4 ,vem depois o banho1 o banho que um poema6 ,e/ alli a gr&e bacia de agua tepida1 e emquanto o dispo1 elle salta e ri1 e deita-se p>a traz e namora a transp>5cia da agua1 at ao in/ante em que m]gulha emfim entre risadas de cry/al que me e*oam no corao4 ,tu sabes l os cuidados1 z manhas1 z idz eng5hosas que necess>io pr em pratica p>a illudir a impaci5cia d'e/es s]es adoraveis6 ,o banho dura meia hora1 e acabo d'alli en*>cada1 desp5teada1 cada1 triumphante4 uma victoria de todos os dias4 ,o re/o d dia p]t5ce-lhe a elle quasi exclusivam5te4 um tyranno o meu bb4 ,t5ho de o passe>1 de lhe d> de com]1 porque preciso que saibas que o d\tor v5do que elle j tem oito d5tes--c>nivora creatura6--me deu lic5a emfim p>a lhe d> tres vezes ao dia a sua compet5te pap9ha1 t5ho sobretudo de o entret] porque a imag9ao infantil que desp]ta tem exig5cias de que tu no podes faz] ida6 sple5etico como um velho "l o meu s]aphim de palmo e meio de altura4 ,d-se-lhe um br9qu$o agora1 recebe-o com uma app>5cia de en?usiasmo que illude os inexp]i5tes2 d'alli a um in/ante pe-n'o de p>te desd5hoso1 enfa/iado1 insaciavel444 ,qu] v] sempre c\sas novas1 qu] que o emballem1 e lhe cantem e o levantem ao ar e o faam rir4 ,por'ora trata-se simplesm5te de engan> aquella actividade graciosa e irrequieta1 mas qu&o *eg> o mom5to de a applic>8 ,sabes uma c\sa8 s\ felicissima e t5ho muito md444 4444444444444444444444444444444444444444 44444444444444444444444444444 4444444444444444444444444444444444444444 44444444444444444444444444444 ,quatro annos depois4 4444444444444444444444444444444444444444 44444444444444444444444444444 ,c9co annos6 ,sabes l6 ,um homem1 positivam5te um homem6 mau4 ,deixa l diz] que so boas z creanz4 ,olha que uma p]feita illuso1 m9ha qu]ida4 ,que bem se conhece n'elle j1 o bravio animal que todos ns somos6 ,bb um mon/ro6 ,no outro dia levei-o commigo a casa d'uma s5hora m9ha amiga4 ,pois imag9a que elle mat\ com a sua espada de pau1 a boneca de pellica e semeas de ,julia1 uma pequ5ita de #c annos1 a filha mais nova da dona da casa6 ,e como ella *orasse muito humilde1 muito m$rosa diante d'aquella sanha t]rivel1 *eg\ a ameaal-a--o desgraado6--com a mesma espada de pau que j fiz]a tamanhos maleficios4 ,*orei de p5a de o v] to mau1 to irascivel1 to col]ico1 e elle o leo pequ59o1 ajoelh\-se com z mos9has po/as aos meus ps1 e gago1 *eio de lagrimas1 com os gr&es olhos espavoridos1 disse-me--p]do mam6 ,magdal5a1 imag9a tu a =a de que eu precisei p>a o no devor> de beijos6 ,pois no o fiz6 ,mo/rei-lhe uma c>a s]ia1 magoada1 *eia de con/]nao e no o abracei em todo o dia4 ,ha de s] col]ico1 j vs4 ,quem me ens9> a mim a corrigil-o8 ,j sei o que me respondes4--,faze queixa ao pae4 ,o pae que lhe ralhe4 ,deus me def5da de tal4 ,em primeiro lug> o m$o no corrige1 humilha2 no modifica1 rebaixa4 ,depois eu no qu]o recorr] a n+uem p>a influ5ci> a alma de meu filho4 ,o pae ha de int]vir sim s5hor1 porm mais t>de4 ,por'ora elle meu1 s meu4 ,toda a creana tem defeitos1 e ai d'aquella que os no tem6 ,arr5ego das creanz-modlos4 ,trans=m> esses defeitos--que so indicios c>act]i/icos d temp]am5to da organisao1 de qualidades muitas vezes h]dadas--em =z activas e fecundas1 eis o gr&e problema da educao4 ,e talvez tu cuides1 m9ha pobre amiga1 que z grac9has de bb ficam por aqui8 ,pois a9da ha mais8 exclamas tu assu/ada4 ,sim1 ha muito mais4 ,ha c\sas que eu com a ajuda de ,deus t5ciono aproveit> e dirigir p>a o futuro bem d'elle4 ,bb r\b\6444 imag9a6 ,no outro dia desapp>ec]am-me de cima de uma etagre da saleta umas bugigangas de m>fim que me t9ham trazido de ,macau2 adiv9ha onde fui d> com ellas8 ,no seu qu>to dos bonitos4 ,no e/avam escondidas1 valha a v]dade6 e/avam impudicam5te espalhadas ao sol1 com uma o/5tao de cynismo dev]as at]radora4 ,no posso explic> bem o trabalho que tive p>a1 sem polluir aquella innoc5cia sagrada1 lhe explic> que n'e/e mundo ha meu e teu1 e que a propri$ade um direito inviolavel4 ,como no ha nada mais difficil--p>a no diz] impossivel--d que introduzir uma ida ab/racta na cabea d'uma creana1 no imag9as de quantos artificios e quantas manhas me val4 ,*eguei a r\b>-lhe tambem eu propria1 p>te dos seus bonitos4 ,ento que era vel-o1 sem se atrev] a condemn>-me1 e no entanto s5t9do revoltados1 l d5tro da sua alm9ha de c9co annos1 todos os in/9ctos de ju/ia que sempre mais t>de ou mais cd alli t9ham de manife/>-se4 --,tive/e muito p5a de te tir>em os teus bonitos8 --,tive muita sim1 mam1 respondeu todo sobresaltado e a9da mal re/abelecido d su/o4 --,ora a9da bem6 ,o bb agora nunca mais tira nada a n+uem1 ouviu8 --,ah6 sim1 e fic\-se in/antes como que segu9do um trabalho que sem elle mesmo qu]] se lhe ia faz5do l d5tro4 ,ah6 sim1 muito feio tir> s pessoas o que ellas teem4 ,bb nunca mais tira444 ,no outro dia a ,guilh]m9a1 a m9ha velha aia que tu conheces p]feitam5te1 dizia-me con/]nadissima3 --,n+uem faz ida de como o m59o m5tiroso4 ,inv5ta c\sas que de faz] trem] uma pessoa4 ,de feito1 no ha nada mais prodigioso d que a phantasia de bb4 ,conta os factos mais extraord9>ios que nunca se d]am1 como se tivesse assi/ido a elles4 ,da mais pequ59a c\sa d$uz uma longa hi/oria falsa4 ,umas vezes encontr\ na rua um homem muito feio que o quiz lev> comsigo2 outras vezes mordeu-lhe um bi*o1 que elle p>ece t] vi/o e que descreve com z cres mais vivas4 ,qu&o e/ um p$ao longe de mim vem n>r>-me assombrosos acontecim5tos que se d]am com elle1 d mesmo modo qu&o me deixa in/antes1 conta ,guilh]m9a uma inf9idade de porm5ores que s exi/iram na sua imag9ao4 ,como que eu hei de conseguir subord9> a um pr9cipio de exactido e de v]dade aquelle espirito iriado e phanta/ico1 p>a o qual todas z c\sas tomam uma frma diff]5te da realidade8 ,cre> uma alma6 que misso difficil1 que misso esmagadora4 ,no fim de contas z =z da natureza no so boas nem ms2 da applicao d'ellas que tudo dep5de4 ,d meu anj9ho1 impetuoso *eio de ambies1 de curiosidades1 de irrequieta alegria1 de cubiz intuitivas1 de en]gia vital1 pde uma direco boa faz] um c>act] nobre1 viril1 p]t9az1 capaz de todas z luctas1 prompto p>a todos os combates1 inve/igador1 inv5tivo1 *eio das b5eficas curiosidades d bem1 e das ambies g5]osas que levantam e enobrecem4 ,e p5s>1 meu ,deus1 que mal dirigidas1 todas e/as qualidades1 todas e/as =z1 todas e/as manife/aes de vida int5sa1 podem leval-o p]dio1 infamia1 ao crime644 ,oh6 meu ,deus1 dae-me vida e ent5dim5to p>a que s eu amolde e affeie a qu]ida alma de meu filho6 4444444444444444444444444444444444444444 44444444444444444444444444444 4444444444444444444444444444444444444444 44444444444444444444444444444 ,o ,luiz faz hoje o seu primeiro exame no ,lyceu2 j se no *ama bb1 j no tem aquelles annellados cabellos de ouro que eram o meu orgulho e z m9has unicas joias1 os seus bellos olhos escuros j no tem a dura p5sativa1 o pasmo encantador da alma que se busca e que se ignora2 usa jaquet9ha e calz1 e hontem dei a uma viz9ha pobre uma blusa que era d'elle1 a sua ultima blusa de ha d\s annos4 ,que tolice6 ,sabes que lh'a dei a *or>8 ,o meu ,luiz quasi um homem4 bom1 meigo1 d'uma deliciosa innoc5cia1 de uma expanso de vida que assombra6 ,no m$itativo1 nem poeta2 nada d'isso4 d'uma alegria impetuosa2 d'uma actividade sem limites4 ,go/a de e/ud> p>a me satisfaz] a mim1 mas t5ho a c]teza que go/a de br9c> p>a se satisfaz] a si4 ,no sabe muito2 ao p dos nossos sabi*es9hos em m9iatura1 creio mesmo que pass> por um ignorante2 mas a v]dade que e/ apto e prep>ado p>a apr5d] tudo4 ,suppe tu um lavrador que fizesse z suas sem5teiras antes de prep>> a t]ra com os conv5i5tes adubos1 e aqui t5s p>te dos educadores de hoje4 ,no meu filho--p]da-me e/e santo orgulho--n5huma qualidade foi atrophiada1 todas e/o no pl5o des5volvim5to que lhe proprio1 n'aquella floresc5cia opul5ta no fim da qual j se antev sazonado e saboroso o promettido fructo4 ,tem o corpo d'um pequ5o atleta4 ,capaz de resi/ir s longas viag5s1 aos e/udos complicados da sci5cia mod]na1 aos trabalhos complexos d luctador d'e/e seculo e/ranho e pod]oso4 ,at os seus recreios e di/races =am dirigidos com desvelo4 ,des5volvem-lhe o corpo dia a dia1 a natao1 a gymna/ica1 a equitao1 todos os ex]cicios physicos que t5dem a duplic> e des5volv] o vigor natural d homem1 a creal-o mesmo se elle orig9>iam5te no exi/e4 ,vivemos muito no campo1 durante a sua risonha infancia4 ,o amor e o conhecim5to intimo da natureza1 das plantas e dos bi*os1 das c\sas inanimadas e das c\sas mudas1 o espectaculo gr&ioso ou suave dos campos e das montanhas1 dos tempe/uosos m>es1 ou das placidas e f>tas lezirias1 entra como um elem5to =talec$or1 vivificante1 *eio de ens9am5tos praticos na educao das creanz4 ,nunca uma arvore ens9\ uma aco m2 nunca uma flr ou um n9ho de aves cre>am um p5sam5to abjecto4 ,no poz nunca o p n'um collegio4 ,no conhece nem z alegrias nem z la/imas d'essa intimidade que tem decididam5te mais resultados fune/os d que vantag5s conhecidas4 ,apr5di quanto me foi possivel1 no p>a lhe ens9>1 mas p>a e/ud> com elle1 e compreh5d] antes d'elle o que era preciso que elle compreh5desse4 ,diante dos seus bellos olhos limpidos e curiosos no cons5ti nunca que passassem os abjectos quadros que polluem tanta imag9ao infantil4 ,no me cancei inutilm5te a prg>-lhe s]mes de moralidade ab/racta2 pratiquei o bem p>a que elle o praticasse2 em m9ha casa s tem vi/o exemplos dignos4 ,mais t>de1 qu&o os maus1 r9do lugubrem5te1 lhe diss]em que o bem no exi/e1 elle no acr$it> n'essa blasphemia porque p5s> em mim6 ,no a9da um homem1 mas promette vir a sel-o6 ,e/ quasi cumprida a m9ha t>efa4 ,hoje qu&o elle volt> cont5te de hav] sido premiado--porque e/\ c]ta de que o s]--acceit>ei a9da os seus beijos como uma recomp5sa4 ,d'aqui vante a seu pae que p]t5ce a direco suprema d'aquelle espirito que desabro*a p>a todas z altas curiosidades da vida4 ,*oro porque z mes so fracas1 ,magdal5a1 mas p>a que *oro eu8 ,j nada1 nada na t]ra nem mesmo a m9ha morte nos pde sep>>4 ,todas z virtudes que elle tiv]1 s]o simplesm5te o fructo das flores que eu t5ho cuidado com tanto amor1 assim como essas flores veem dos g]m5s que eu semeei *eia de su/o1 de delicias1 de ambies1 de l\co anceio6 ,fui eu que o conduzi pela mo1 ao mesmo tempo tremula e confiante1 at ao limi> da sua pura adolesc5cia4 ,s9to orgulho v]dade1 mas tambem s9to saudades6 ,saudades d tempo em que o embalava nos meus braos1 em que elle s de mim vivia1 como eu vivia s p>a elle4 ,=am z m9has alegrias mais sup]iores e mais completas4 ,d'ora vante preciso que elle se emancipe um p\co da m9ha tutella extremosa1 que elle se v robu/ec5do ao contacto rude dos hom5s e das c\sas4 ,fui eu que o =mei4 ,s9to que p]t5c] ao num]o dos =tes1 e que no succumbir na lucta da vida444 4444444444444444444444444444444444444444 44444444444444444444444444444 4444444444444444444444444444444444444444 44444444444444444444444444444 4444444444444444444444444444444444444444 44444444444444444444444444444 ,como e/\ velha1 m9ha qu]ida amiga de outros dias6 ,lembrei-me tanto de ti1 hoje1 na igreja onde fui assi/ir ao casam5to d meu ,luiz6 ,tem #bd annos1 realis\ z doces promessas que eu sonh>a e sahiu hoje de casa de seus paes p>a outra casa que vae s] d'elle4 ,tu no sabes a nuvem de tri/eza que obumbra a m9ha alma1 no sabes como todos os egoismos humanos se revoltam em mim1 e ameaam faz]-me naufrag> na sua =midavel tempe/ade6 ,oh6 deixa-me desabaf> comtigo6 ,quem que a9da revel\ ao mundo o m>tyrio que crucifica z mes6 ,foi p>a outra que eu &ei =m&o aquelle div9o !s\ro com todas z riquezas que pude junt> d5tro da m9ha alma6 ,tantas noites que velei a p5s>1 a e/ud>1 a p$ir voz intima da consci5cia que escl>ecesse e =talecesse e guiasse o meu fragil corao de mulh]6 ,tantos annos de abnegao pr(unda1 de abnegao sem nome1 de todas z horas1 de todos os in/antes1 esquecida de tudo que no fosse aquella alma pequ59a que &ava a cre> e a robu/ec]4 ,n'esse emp5ho me fugiu a mocidade4 ,por elle1 pelo meu adorado +rato me esqueci de tudo que fra meu6 ,e hoje elle p>tiu2 p>tiu risonho1 triumphante1 orgulhoso como um rei1 sem se lembr> que onde vira at alli sua me1 deixava uma tri/e condemnada6444 ,e ha quem falle por ahi em ciumes romanescos1 em ciumes ephem]os1 em ciumes d'um in/ante6 ,qual ciume pod] comp>>-se a e/e que me e/ dilac]&o o peito8 ,oh6 ,luiz6 oh6 meu amor6 oh6 m9ha solido6444 4444444444444444444444444444444444444444 44444444444444444444444444444 4444444444444444444444444444444444444444 44444444444444444444444444444 ,na ultima vez que te escrevi e/ava l\ca1 m9ha velha amiga4 ,nunca e/ s quem ama1 e esp]a1 e cr em ,deus1 e seme\ o bem no seu cam9ho4 ,veio lembr>-me tudo isso n'essa hora de am>ga revolta que pass\1 o qu]ido companheiro de toda a m9ha vida1 o meu hone/o guia1 aquelle que p>tilh\ commigo todas a sublimes responsabilidades que ha no amor dos paes4 ,j s\ av m9ha amiga1 o meu ,luiz j pae4 ,nas alegrias d'elle vejo reflectidas z alegrias ext9ctas1 cujo aroma vago p]fuma a m9ha alma de uma saudade ineffavel4 ,no se esqueceu de mim1 o meu qu]ido filho2 tem pres5tes todas z m9has lices1 o lao my/]ioso que um dia nos uniu cons]va-se inquebrantavel1 e hoje no deixa a9da de vir consult>-me a cada in/ante como nos dias em que a sua alma e a m9ha trocavam incessantem5te confid5cias mutuas4 ,e/\ consolada6 ,vejo desc] a velhice sobre mim como uma noite calma1 tranquilla e *eia de e/rellas6 ,no nunca infructif]a a obra das mes4 ,o meu sacrificio1 se o foi1 s] cont9uado1 e desat>-se-ha em flores bemditas de g]ao em g]ao4 ,felizes todas z que pud]em adormec] como eu no seio de um filho a quem d]am tudo que t9ham de melhor1 de quem receb]am tudo que n'e/e mom5to levanta a m9ha alma p>a alm da vida t]re/re1 e me faz antev] o somno tranquillo e doce das consci5cias ju/as4 4444444444444444444444444444444444444444 44444444444444444444444444444 4444444444444444444444444444444444444444 44444444444444444444444444444 ,,fim4 99 99 99 99 99 ,,da ,,mesma ,,au?ora ,,no ,,pr,,lo ,,contos ,e ,,phantasias1 #a vol4 ,li/a de erros corrigidos ,aqui encontram-se li/ados todos os erros encontrados e corrigidos3 ---------------------------------------- ------------- ,orig9al ,correco ---------------------------------------- ------------- pg4 #ei acquisios acquisies pg4 #ig ,dir-me-ho quo ,dir-me-ho que pg4 #adg m> d9ho m>id9ho pg4 #afa ,gir>diu ,gir>d9 pg4 #ahi uma lcance um alcance pg4 #bej gr&e ge/os gr&es ge/os pg4 #bfc desonvolv] des5volv] pg4 #bfc affiige afflige pg4 #cjh exemplo dignos exemplos dignos ---------------------------------------- -------------