( public doma9 mat]ial f ,google ,book ,se>*7 ,,hi/oria ,,alegre ,,de ,,portugal ,,hi/oria ,,alegre ,,de ,,portugal ,,leitura ,,p>a ,o ,,povo ,e ,,p>a ,,z ,,escolas ,,por ,m4 ,,p9heiro ,,*agas ,,david ,,corazzi--,,editor ,,empreza ,,horas ,,romanticas ,lisboa--,rua da ,atalaya--#dj a #eb #ahhj ,ao ,ill4mo e ,ex4mo ,sr4 ,,conselheiro ,,miguel ,,m>t9s ,,dantas ,m9i/ro de ,portugal em ,londres ,ill4mo e ,ex4mo ,am4o e ,sr4 ,ha dois ou tres annos1 desej&o eu obt] de ,+lat]ra um livro que fra citado no p>lam5to por um deputado da opposio ao m9i/]io ,beaconsfield1 dirigi-me a v4 ex41 meu collega na ,academia1 p]gunt&o-lhe se s]ia possivel alcanal-o4 ,a respo/a de v4 ex4 no se fez esp]>4 ,envi\-me o livro p$ido1 que obtiv]a com summa difficuldade1 e juntam5te com elle quantos docum5tos (ficiaes se ref]iam que/o da escravatura1 que/o de que esse livro se occupava1 e que ento me captivava mais p>ticul>m5te a att5o4 ,foi mais longe a9da a amabilidade de v4 ex42 envi\-me um livr9ho francez1 de que eu no t9ha conhecim5to1 intitulado ,entreti5s populaires sur l'hi/oire de ,france1 p]gunt&o-me se no s]ia possivel faz]1 com relao hi/oria portugueza1 um livro n'esse g5]o4 ,li o livro e a*ei-o encantador4 ,tempos depois1 encontrei-me com v4 ex4 em ,lisboa1 e disse-lhe que a t5t> o empreh5dim5to a que v4 ex4 me incitra1 e p$i-lhe lic5a p>a lhe d$ic> o livro1 que fosse o fructo d'essa t5tativa4 o que fao agora4 ,como v4 ex4 v]1 o plano da ,hi/oria alegre de ,portugal div]sissimo d dos ,entreti5s populaires sur l'hi/oire de ,france1 mas a ,hi/oria alegre vae escripta tambem no tom faceto1 folgazo1 s+elo e popul> que a*ei orig9al1 picante e util no livro francez que v4 ex4 me recomm5dava4 ,folgo de t] ensejo de mo/r> publicam5te a m9ha gratido a v4 ex4 pelas provas de e/ima e de consid]ao que me disp5s\ n'e/a e n'outras occasies1 e o alto apreo em que t5ho o tal5to e o sab] d escriptor di/9ctissimo1 que r5ov\ completam5te1 com os seus ,faux ,don ,sba/i51 o e/udo de uma poca int]essante da hi/oria portugueza1 que nos deu emfim n'esse primoroso livro um e/udo pr(undam5te mod]no1 um e/udo1 como ,ga*>d os sabe faz]1 de um dos episodios mais curiosos e mais romanescos da nossa vida nacional4 ,de v4 ex4 ,cruz ,quebrada1 #be de outubro de #ahhj4 ,att4o v4or e ob4o ,p9heiro ,*agas4 ,,introduc,o ,o sr4 ,joo ,m>t9s1 mais conhecido pelo nome de ,joo da ,agualva1 porque morava na pequ5a aldeia d'e/e nome1 que fica entre ,bellas e o ,cacem n'um sitio rido e feio1 fra me/re de in/ruco prim>ia numa das freguezias d concelho de ,c9tra4 ,conseguira a sua apos5tao1 e vi]a p>a a sua aldeia natal amanh> umas t]ras que ali possuia1 e cujo r5dim5to o imp$ira j de morr] de fome nos tempos1 em que o ,e/ado lhe pagava munific5tem5te os nov5ta mil ris annuaes1 com que remun]ava n'essa poca os primeiros guias d homem nos sp]os cam9hos da in/ruco4 ,mas o ,joo da ,agualva era homem de uma illu/rao excepcional4 ,conviv]a muito tempo com o prior de ,monte-lav>1 padre in/ruido que empre/ra ao bom d pr(essor os livros da sua limitada biblio!ca2 em ,bellas tambem se relacionra com um eng5heiro francez1 empregado nas obras de agua de ,valle de ,lobos1 de ,broco e de ,valle de ,figueira1 o qual tomra go/o em des5volv] o espirito intellig5te e vido de sab] d velho pr(essor4 ,apez> d'i/o vivia mode/am5te na sua pobre casa1 lid&o com os saloios que o tratavam com v]dadeiro respeito1 e t9ham por elle um affecto em que entrava um p\co de v5]ao4 ,era no inv]no1 e o ,joo da ,agualva e/ava pass&o a noite em casa de uma boa velha1 a tia ,m>g>ida1 viuva de um caseiro d m>quez de ,bellas1 e me d ,francisco ,artilheiro1 que1 depois de t] s]vido c9co annos em artilh]ia1 como indicava o seu sobre-nome1 vi]a p>a ,bellas ajud> a me a cuid> de umas leiras de t]ra1 que a velh9ha h]dra d m>ido4 ,um grupo de saloios de ,bellas e das aldeias proximas1 sab5do que o ,joo da ,agualva vi]a p>a ali s]o>1 t9ham v9do tambem1 desejosos de ouvir algumas das hi/orias que o velho s vezes contava e que entret9ham agradavelm5te a noite4 ,n'essa occasio1 porm1 o pr(essor e/ava macambusio1 e1 qu&o o velho ,b>?olomeu1 irmo da tia ,m>g>ida1 que era dos que mais go/avam de o ouvir1 lhe p$iu que contasse alguma das suas hi/orias1 o bom d ,joo da ,agualva aban\ negativam5te a cabea4 --,no e/\ hoje com disposio p>a hi/orias da c>o*9ha1 disse elle1 e sabem vocs8 ,t5ho &ado a matut> n'uma c\sa4 ,no uma v]gonha que vocs saibam de cr z alteiadas hi/orias de c\sas que nunca succ$]am1 nem podiam succ$]1 e no saibam ao mesmo tempo nem o que =am seus paes nem os seus avs1 nem o que fiz]am1 nem como elles viv]am1 nem o que succ$eu n'e/a boa t]ra de ,portugal1 que ns todos regamos com o nosso suor1 que hoje nada vale1 mas que deu brado no mundo pelas faanhas que os nossos pratic>am8 --,tomra eu sab] tudo isso1 sr4 ,joo da ,agualva1 disse o ,manuel da ,idanha1 rapazote de c>a esp]ta1 moo de lav\ra d sr4 ,g>ignan1 o antigo dono de collegio1 que hoje reside na aldeia da ,idanha1 a c\sa de qu9h5tos metros de ,bellas1 tomra eu sab] tudo isso1 mas como ha de s]68 v]dade que1 graz a ,deus1 sei l] e escrev]1 e l o patro empre/\-me uma vez uns livros de hi/oria que eu lhe p$i1 mas1 mal os comecei a l]1 deu-me o somno4 ,diziam g5te os nomes dos reis e os filhos que t9ham tido1 e z batalhas que t9ham ganho1 e mais umas l5ga-l5gas de que no p]cebi patav9a4 ,ora1 sr4 ,joo da ,agualva1 eu1 p>a dormir1 graz a ,deus1 a9da no preciso de l] hi/oria4 --,mas que diriam vocs1 torn\ o velho pr(essor1 se eu1 n'e/es nossos s]es1 lhes contasse1 em vez de contos de fadas1 e de hi/orias de ,c>los ,magno1 a hi/oria d que succ$eu em ,portugal8 ,talvez vocs me ent5dessem1 qu]-me p>ec] que se no aborrec]iam muito1 e1 em todo o caso1 se se enfa/iassem1 diziam-m'o francam5te1 e eu no cont9uava1 porque l p>a massador que no sirvo4 --,ah6 sr4 ,joo1 exclam\ o ,manuel da ,idanha1 isso que era um regalo6 ,os outros no diss]am palavra1 e o ,joo1 que os p]cebeu1 riu-se p>a d5tro1 e f+iu-se des5t5dido4 --,pois ento1 v feito1 eu hoje e/\ cado1 porque j fui a p ao ,sabugo trat> da compra de um boi1 mas amanh dom+o4 ,v5ham vocs noite aqui p>a casa da tia ,m>g>ida1 e eu comearei a m9ha hi/oria4 ,no dom+o noite n+uem falt\2 mas1 se vi]am1 foi pelo respeito que t9ham ao ,joo da ,agualva1 no porque esp]assem div]tir-se muito4 ,o ,b>?olomeu j abria a bca a9da antes d ,joo da ,agualva pr9cipi>4 ,mas o ,joo *eg\-se mais p>a o lume1 porque a noite e/ava fria a val]1 sorriu-se1 e pr9cipi\ como o leitor v] no capitulo imm$iato4 ,,primeiro ,,s],o ,o que era ,portugal4--,os seus primeiros habitantes4--,z colonias e/rangeiras4--,os ph5icios4--,os gregos4--,os c>?ag9ezes4--,os romanos4--,viriato4--,s]torio4 --,meus amigos1 comeou o ,joo da ,agualva1 de sab] que e/a t]ra em que ns vivemos nem sempre foi ,portugal1 e1 se alguem se lembrasse de fall>1 aqui ha c\sa de uns tres ou quatro mil annos ou mesmo s de mil annos1 em ,portugal e em portuguezes1 havia de v] como todos ficavam embasbacados sem p]ceb] patav9a4 ,i/o l p>a os antigos era tudo ,hespanha1 desde os cocurutos dos ,pyr9u1 que so uns montes que sep>am a ,hespanha da ,frana1 at essas aguas d m> que c]cam por todos os lados a nossa t]ra1 mais a dos hespanhoes1 e at por e/> e/e p$ao de t]ra c]cado de agua por toda a p>te1 m5os pela b&a dos ,pyr9u1 que se *ama a i/o p59sula1 que qu] diz] uma c\sa que quasi uma ilha1 mas que o no vem a s] de todo4 --,bem sei1 bem sei6 p59sula onde h\ve uma gu]ra em que entr\ meu av6 exclam\ o fallador d ,manuel da ,idanha4 --,mette a viola no sacco1 ,manuel1 quem muito falla p\co ac]ta4 ,l *eg>emos gu]ra da p59sula4 ,roma e ,pavia no se fez n'um dia4 --,pois ento1 v l vocemec cont&o a sua hi/oria4 --,como eu a diz5do1 e/a p59sula1 a que se *ama ,hespanha e ,portugal1 era ento s ,hespanha4 ,hespanhoes ramos ns todos444 --,m5os eu6 acudiu o ,b>?olomeu1 levant&o-se todo furioso1 hespanhol que nunca fui1 nem s\1 nem s]ei4 ,vae aqui tudo raso1 se444 --,esp]a1 homem de ,deus6 ,que tem que tudo i/o fosse hespanhol se nunca mais o ha de s]8 ,tambem a ,hespanha1 e a ,frana1 e a ,+lat]ra1 e a ,italia1 e a ,grecia1 e o ,egypto foi tudo imp]io romano1 e vae l diz] agora a essas naes todas que se sujeitem ao mesmo gov]no6 ,tambem a ,frana d'antes se *amava ,gallia e e/5dia-se pela ,belgica fra1 e mais pela ,suissa1 e1 se o ,gambetta1 ou quem que gov]na l na ,frana1 quizesse por isso empolg> a ,suissa e a ,belgica1 a ahi em toda a ,europa uma b]r>ia de seisc5tos demonios4 --,pois sim1 resmung\ o ,b>?olomeu s5t&o-se de mau humor1 mas no me digam a mim que eu fui hespanhol4 --,ora1 meus amigos1 quem =am os que primeiro mor>am c n'e/e canto de t]ra que n+uem sabe4 ,s]iam uns ib]os1 que fallavam uma l+ua arrevesada1 assim a modo similhante que fallam hoje os hespanhoes das ,vascongadas que nem o demo ent5de8 ,isso que lhes no posso diz]4 ,o que sei que1 qu&o a ,hespanha comeou a s] conhecida1 havia aqui uma sucia de povos que era uma c\sa por demais1 turdetanos p>a um lado1 celtib]os p>a outro1 il]getas p>a aqui1 ba/etanos p>a acol4 ,e/ava at manh a diz]-lhes nomes e/ramboticos1 se no pref]isse fall>-lhes s nos nossos avs1 c nos que mor>am na nossa t]ra4 --,isso que 6 brad>am todos em cro4 --,pois muito bem6 ,saibam vocs que no era um povo s4 ,no ,alg>ve e n'um p$ao d ,alemtejo havia os cune5ses1 no re/o d ,alemtejo1 na ,e/remadura e na ,beira moravam os lusitanos1 e l p>a cima p>a o ,d\ro1 p>a o ,m9ho e mais p>a ,traz-os-,montes moravam os gallegos4 --,os gallegos6 exclam\ o irritavel ,b>?olomeu1 veja l como falla1 sr4 ,joo da ,agualva1 olhe que o pae de m9ha mulh] veiu de ,traz-os-,montes1 e meus sogro no era n5hum gallego1 ouviu8 --,valha-te ,deus1 ,b>?olomeu1 ento tu cuidas que os gallegos &am todos com o b>ril s co/as1 e so todos uns grosseires como os aguadeiros dos *af>izes de ,lisboa8 ,pois digo-te1 e depois t'o mo/r>ei1 que de todos os povos l das ,hespanhas =am os gallegos os que mais depressa se poliram4 ,mas1 cala-te bca1 no v o c>ro adiante dos bois1 e1 como tu no qu]es s] g5ro de um gallego1 sempre te direi que os que moravam p>a c d ,m9ho no eram da mesma ca/a que os de l4 ,os nossos *amavam-se ,bra*>os e os gallegos da ,galliza *amavam-se ,luc5ses4 --,a9da bem6 murmur\ o ,b>?olomeu1 isso de ,bra*>os at p>ece que d ida de ,braga4 --,e v]dade que d1 sr4 ,b>?olomeu1 lavre l dois t5tos4 ,todos se riram1 e o ,joo da ,agualva cont9u\3 --,mas no imag9em que os nossos antepassados eram assim como ns1 que viviam em cidades1 villas e aldeias1 que &avam ve/idos dos ps at cabea1 que t9ham esp+>das p>a a caa e p>a a gu]ra4 ,qual c>apua6 ,eram uns selvag5s1 uns lapuzes4 ,z armas eram lanz de cobre1 e o amante p$regulho1 mais uns d>dos e uma especie de escudo p>a se def5d]em2 fato p\co havia1 cabello comprido como o das mulh]es1 que atavam com uma fita qu&o t9ham de ir p>a a gu]ra4 ,z mulh]es que t9ham os seus enfeites e os seus bordados1 os seus ve/idos compridos1 etc4 --,pois j se v que l z m59as nunca podem pass> sem arrebiques6 disse o ,z ,caneira1 relance&o um olh> malicioso p>a a boa tia ,m>g>ida que fiava na sua roca ao p da l>eira4 --,melhor p>a ellas1 ouviu6 r$>guiu a velha4 ,que p5a que no vivesses n'esse tempo p>a at>es os cabellos com uma fita1 qu&o fosses p>a a gu]ra6 ,como o ,z ,caneira era calvo1 uma g>galhada g]al acolheu a obs]vao da tia ,m>g>ida4 --,em comidas no eram muito requ9tados1 de c>ne de cabra que elles pr9cipalm5te se alim5tavam1 e o seu po era c\sa de p\ca sub/ancia4 ,bebiam agua1 dormiam no *o1 os seus b>cos eram de c\ro1 matavam g5te em sacrificio aos seus deuses1 qu&o t9ham algum do5te punham-n'o beira da e/rada1 quem fazia algum r\bo ou outro crime grave era ap$rejado4 ,no passavam de s] uns selvag5s4 ,ento que qu]em8 nem os hom5s nem os povos nascem ens9ados4 ,todos comeam assim4 ,val5tes eram elles1 isso sim1 val5tes como t\ros4 ,tiv]am occasio de a mo/r>1 porque e/a nossa t]ra foi na antiguidade uma espcie de ,cali=nia4 ,por muito tempo n+uem s\be d'ella1 e os navios da g5te civilisada que vivia l p>a o ,ori5te nunca passavam p>a c d e/reito de ,gibralt>1 at que um dia pass>am os ph5icios1 g5te atrevida1 que qu]iam mett] o n>iz em toda a p>te1 e que sobretudo procuravam t]ras novas p>a comm]ci>4 ,a*>am que lhes conv9ham a ,&aluzia e o ,alg>ve1 e aqui fund>am algumas colonias1 s5do ,cadiz a pr9cipal4 ,como t9hamos por c muitas m9as de ouro1 e os hom5s d]am sempre o cavaqu9ho por e/e metal1 e/avam os ph5icios nas suas sete qu9tas4 ,ao mesmo tempo outro povo civilisado d ,ori5te1 os gregos1 vi]am na piugada dos ph5icios1 mas esses e/abelec]am-se pr9cipalm5te na ,hespanha d lado de l1 onde hoje a ,catalunha1 e o ,arago e ,val5cia1 etc4 ,os indig5as de c no se d]am mal com os ph5icios1 emquanto elles se limit>am a troc> z suas faz5das pelo nosso ouro e outras produces1 mas1 qu&o viram que os taes e/rangeiros comeavam a faz] casa1 acab>am com o negocio1 =am aos gaditanos e d]am-lhes uma t>eia real4 --,foi bem feito6 obs]v\ ,b>?olomeu4 --,mas os ph5icios1 que e/avam muito longe da sua t]ra1 *am>am em seu soccorro os c>?ag9ezes1 que eram tambem uns ph5icios1 qu] diz] t9ham assim com os ph5icios o mesmo p>5tesco que os brazileiros tem comnosco4 ,ora os c>tag9eses viviam aqui mais proximo1 ali na ,africa1 ao p de ,tunis1 no muito longe de ,argel4 --,argel6 exclam\ o ,francisco ,artilheiro1 j l e/ive4 --,j l e/ive/e8 --,j1 sim s5hor4 ,qu&o eu &ava ao s]vio1 e que fui p>a a ,india1 o vapor que me lev\ arrib\ a ,argel4 uma bonita t]ra4 --,j vs que no fica muito longe4 ,c>?ago era mais p>a o lado de l4 ,vi]am pois os c>?ag9ezes em soccorro dos ph5icios1 mas go/>am da t]ra1 poz]am fra os que v9ham soccorr]1 e =a de bordoada1 porque bons gu]reiros eram elles1 sujeit>am ao seu pod] tudo4 --,mas ento1 torn\ o ,francisco ,artilheiro1 vocemec diz que os nossos eram to val5tes8444 --,ora1 que outro me fizesse essa p]gunta1 v1 mas tu que fo/e milit>6 ,quem v5ce quem tem discipl9a4 ,por mais val5tes que os hom5s sejam1 em combat5do sem ordem1 um por aqui1 outro por ali1 um regim5to bem =mado d logo cabo d'elles4 --,isso v]dade4 --,e/avam os c>?ag9ezes s5hores da ,hespanha1 e1 como t9ham po/o fra os ph5icios1 qu]iam tambem pr fra os gregos1 qu&o e/es se lembr>am de p$ir o soccorro dos romanos1 que &avam ha muito tempo de rixa velha com os c>?ag9ezes1 e que eram dos povos mais pimpes d'aquelle tempo4 --,vi]am ento os romanos8 p]gunt\ o ,francisco ,artilheiro que e/ava segu9do com int]esse a n>rativa4 --,no tiv]am tempo de vir1 porque um tal ,annibal1 rapasote dos seus v9te e c9co annos1 e que dizem at que era filho de uma lusitana1 succ$5do no comm&o dos c>?ag9ezes a seu pae ,amilc>1 no esp]\ que elles viessem1 correu a ,sagunto1 uma das taes colonias gregas1 tom\-a e queim\-a1 e depois sae da ,hespanha1 atravessa os montes ,pyr9u e mais os montes ,alpes1 que p>ecia que t9ha mesmo o diabo no corpo1 bate os romanos aqui1 d]rota-os acol1 escangalha-os mais alem1 e s duas por tres1 se cont9ua assim de v5to em popa1 era uma vez ,roma4 ,porm1 os romanos1 que eram tambem levad9hos da breca1 nunca desanim>am1 e1 apes> de e/>em de corda na g>ganta1 tiv]am artes de m&> p>a c um ex]cito1 de frma que1 emquanto ,annibal saa por uma porta1 entravam os romanos por outra4 ,o atrevim5to a-lhes sando c>o1 isso v]dade1 mas a =tuna vir\1 e o que c]to que d'ahi a p\co tempo no havia nem um c>?ag9ez na p59sula1 e e/avam os romanos s5hores de tudo i/o4 --,ento os povos de c e/avam a olh> ao signal8 p]gunt\ ,b>?olomeu4 --,ora ahi que bate o ponto4 ,effectivam5te1 os povos c das ,hespanhas a*>am assim exquisito que os c>?ag9ezes e os romanos &assem a dispor d'elles1 sem ao m5os lhes p]gunt> a sua op9io1 de frma que1 qu&o os romanos1 julg&o-se s5hores da ,hespanha1 comearam a espreguiar-se1 os diff]5tes povos da p59sula diss]am-lhes d'e/a maneira3 ,ora esp]em l1 s5hores romanos1 que ns somos duros p>a col*es6 --,ah6 boa rapasiada6 obs]v\1 esfreg&o z mos1 o ,francisco ,artilheiro4 --,comeou a pancad>ia1 e o povo que &\ sempre na fr5te =am c os nossos lusitanos1 pr9cipalm5te os s]ranos d ,h]m9io 7que era assim que se *amava d'antes a s]ra da ,e/rella74 ,no eram os romanos capazes de mett] d5te c p>a e/e lado1 at que uma vez um dos seus g5]aes1 *amado ,s]gio ,galba1 apanh\ os lusitanos traio1 e fez n'elles uma mort&ade de que p\cos escap>am4 --,ah6 gr&e patife6 exclam\ o ,manoel da ,idanha4 --,isso era1 mas alem de patife era tolo1 porque i/o de excit> muito d maus resultados4 ,os lusitanos1 que escap>am1 fic>am como uma bi*a4 ,ora um d'elles era um pa/or *amado ,viriato1 homem decidido e esp]to1 que disse p>a os seus patricios3 ,faam vocs o que eu m&>1 e deixem os romanos comigo4 ,assim foi1 junt>am-se roda de ,viriato1 e1 qu&o app>eceu um ex]cito romano comm&ado pelo consul ,vetilio1 o nosso homem1 que era das b&as de ,vizeu1 esconde n'uma emboscada uma p>te da sua g5te1 e com o re/o pe-se a faz] fosqu9has aos romanos1 p>ec5do a modo m$roso4 ,o consul p]cebe que elle e/ assim com seu su/o1 e diz l de si p>a si3 ,vaes apanh> uma surra me/ra4 ,corre sobre elle1 ,viriato faz tres meia volta1 e1 p]nas p>a que te qu]o1 elle ahi vae4 ,o consul ,vetilio desata a corr] atraz de ,viriato1 e vae-se mesmo mett] na boca d lobo4 ,era uma vez um ex]cito romano4 ,depois de ,vetilio vem outro e outro1 e elle sempre zs1 psada de cre> bi*o4 ,em ,roma havia t]ror1 diziam que o luzitano lhes dava mais que faz] que o proprio ,annibal4 ,em ,hespanha ento era um en?usiasmo por ahi alem4 ,se ,viriato j nem se cont5tava em e/> nas montanhas1 entrava pelos povoados romanos1 levantava contribuies1 revolucionava os povos1 era um vivo demonio1 e cada novo ex]cito1 que por c app>ecia1 no lhes digo nada1 sumia-se n'um abrir e fe*> de olhos1 at que emfim o consul ,scipio apanha l dois patifes que ,viriato m&ra p>a trat> de um negocio1 e tantas endrom9as lhes metteu na cabea1 e tantas promessas lhes fez que elles1 qu&o volt>am p>a onde e/ava o seu *efe1 apanh>am-n'o a dormir e mat>am-n'o4 --,oh6 que gr&es malvados6 exclam\ ,b>?olomeu4 --,e assim acab\ esse homem que foi o que se pde *am> um homemz>ro6 s5hores1 eu s\ um pateta1 que no p]cebo nada d'e/as c\sas1 mas1 qu&o me ponho a p5s> n'e/e ,viriato1 qu&o me lembro que era ap5as um pobre pa/or de cabras1 um selvagem que no ent5dia nada de gu]ras1 nem de manobras1 nem de legies p>a aqui1 nem de c5turies p>a ahi1 e que1 apez> disso1 em defeza da sua t]ra1 fez &> os romanos em papos de aranha1 e at>ant\ aquella pod]osa ,roma que mettia m$o a todos1 qu&o me lembro que elle era filho d'e/a boa t]ra2 que hoje se *ama ,portugal1 ah6 c'o a breca1 s9to assim uns arripios pela esp9ha1 e p>ece que at uma v]gonha p>a o paiz no se lhe t] levantado uma e/atua de um tamanho por ahi alem1 no alto da s]ra da ,e/rella1 que aquillo que se podia *am> a s5t9ella da nossa indep5d5cia4 ,e o bom d ,joo da ,agualva1 no impeto d seu en?usiasmo1 c]rava os punhos2 faiscavam-lhe os olhos1 e dava mo/ras de qu]] elle mesmo ir pr nos fragu$os da s]ra da ,e/rella a e/atua d seu h]oe4 --,tem raso1 tem1 obs]v\ o ,b>?olomeu1 l que o tal ,viriato foi um homem de truz1 isso foi4 --,a morte de ,viriato1 como podem imag9>1 cont9u\ o ,joo da ,agualva1 deix\ fic> os lusitanos um p\co atrapalhados1 mas cont9u>am a def5d]-se1 e os romanos viram uma bruxa com elles4 ,pde-se diz] que s ,roma foi s5hora da ,lusitania1 qu&o no fic>am nas nossas montanhas s5o z mulh]es e z creanz4 ,mas z creanz fiz]am-se hom5s1 e os hom5s e/avam mortos por jog> z cri/as com os romanos4 ,no t>d\ a app>ec]-lhes uma boa occasio4 --,vamos l a v] isso6 exclam\ o ,b>?olomeu1 com um orgulho patriotico4 -- de sab] que em ,roma havia umas gu]ras civis1 tal qual como ns tivemos c por muito tempo em ,portugal1 assim umas c\sas moda da ,m>ia da ,fonte ou da gu]ra dos dois irmos4 ,um fulano ,sylla e um sicrano ,m>io &>am pancad>ia um com o outro1 at que v5ceu um d'elles que foi ,sylla4 ,era homem de cabell9ho na v5ta e/e ,sylla1 e1 ap5as se viu no poleiro1 comeou a *ac9> nos que eram d p>tido contr>io1 de frma que p>ecia que no qu]ia deix> vivo nem um s4 ,os amigos de ,m>io trat>am de se escapulir1 e um d'elles1 homem desemb>aado1 *amado ,s]torio1 saf\-se c p>a ,hespanha1 p>a os lados d ,ori5te4 ,ahi1 n'um in/ante1 revolucion\ tudo1 arranj\ um ex]cito1 mas os g5]aes de ,sylla espatif>am-lh'o1 e o amigo ,s]torio t+\-se p>a a ,africa4 ,s\b]am os lusitanos d caso1 e diss]am comsigo3 ,e/e magano que nos faz conta4 ,mettem-se uns p\cos n'um b>co1 vo ali a ,m>rocos1 por onde o ,s]torio &ava aos paus2 (f]ecem-lhe o vir comm&al-os4 ,s]torio salt\ logo p>a d5tro d b>co1 e d'ahi a p\co e/avam os lusitanos em campo com ,s]torio fr5te4 ,e/e1 porm1 no era1 como ,viriato1 um pa/or de cabras1 era homem civilisado1 sab5do tudo o que se sabia no seu tempo1 e que trat\ de arranj> c nas nossas t]ras uma especie de ,roma4 ,p>eceu-lhe que ,evora s]via p>a o caso1 e/abeleceu-se ali1 e1 como o t9ham acompanhado muitos romanos1 conseguiu p]feitam5te o seu fim4 ,que o ,s]torio era uma gr&e cabea1 isso que no tem duvida6 ,no s poz o sal na moleir9ha dos seus patricios que se quiz]am mett] com elle1 mas co/um\ os lusitanos a s] g5te civilisada1 e a imit> os romanos em tudo1 de frma que ,viriato1 se resuscitasse1 no os reconhecia4 ,e a f9al de contas1 vejam como z c\sas so6 ,e/e ,s]torio deu lambada nos romanos por um s>ilho6 pois n+uem fez mais s]vios a ,roma d que elle6 ,introduziu aqui z artes1 os usos e os co/umes de ,roma6 de frma que1 depois1 os nossos comearam a t] m5os repugnancia aos e/rangeiros1 a confundir-se com elles4 ,i/o de fall> a mesma l+ua1 de t] os mesmos habitos1 sempre uma gr&e c\sa6 ,s]torio foi assass9ado1 assass9ado tambem por um traidor1 um patricio d'elle1 um tal ,p]p5na6 ,pois s5hores1 qu&o morreu1 j i/o por c era to romano como a propria ,roma2 de frma que nunca mais h\ve revoltas1 e os lusitanos como o re/o dos habitantes de ,hespanha1 excepo dos vasconsos que sempre =am mettidos comsigo1 e nunca se d]am com os vis9hos1 os lusitanos fic>am faz5do p>te d gr&e imp]io que v9ha d ,m> ,negro ao ,oceano ,atlantico1 e da bca d ,rh5o at foz d ,guadalquivir1 e a9da mais p>a baixo1 d outro lado d e/reito4 ,e com i/o os no enfado mais1 meus amigos1 a ,m>g>ida j acab\ a sua e/riga1 a luz d c&ieiro e/ assim a modo aos upas como quem se qu] ir embora1 e ento dom+o noite cont9u>emos com e/a conv]sa1 vi/o que vocs p>ece que vo go/&o4 --,ora se go/amos1 sr4 ,joo de ,agualva6 brad>am todos em cro4 ,v5ha depressa o dom+o p>a ouvirmos o re/o4 ,e desp$9do-se de ,m>g>ida1 e de ,joo1 retir>am-se p>a z suas casas4 ,,segundo ,,s],o ,ces> e os montanhezes d ,h]m9io4--,o imp]io romano4--,o *ri/ianismo4--,os b>b>os4--,suevos1 alanos e visigodos4--,os m\ros4--,o re9o das ,a/urias4--,o re9o de ,leo4--,portucale4--,os condados de ,portugal e de ,coimbra4 --,meus amigos1 comeou o ,joo da ,agualva1 ap5as todos fiz]am roda no dom+o imm$iato1 e que a boa da tia ,m>g>ida1 depois de c>reg> a sua roca1 pr9cipi\ a faz] gir> o fuso nos seus d$os ageis1 deixmos no outro dia os bons dos nossos lusitanos1 depois da morte de ,s]torio1 co/umados j civilisao romana1 e fall&o o latim como se tivesse sido sempre a sua l+ua1 go/&o de d> z suas passeatas at ,roma1 e provavelm5te *am&o b>b>os aos que se lembravam com saudades dos tempos de ,viriato4 ,nas s]ras cont9uavam a refil> o d5te aos s5hores d mundo1 e o proprio ,ces>1 que veio a s] depois um gr&e homem1 e/rei\-se nas gu]ras1 t5do c na ,lusitania os seus d>es e tom>es com os montanhezes d ,h]m9io1 que vi]am diante d'elle em rota batida at aqui s proximidades de ,p5i*e1 p\co mais ou m5os1 e que1 qu&o d]am de c>a com o m>1 no e/iv]am l com meias m$idas1 mett]am-se n'umas jangadas1 e =am m]5d> s ,b]l5gas1 deit&o a l+ua de fra ao sr4 ,ces>1 que se foi embora de queixo cad4 ,mas isso eram b>ulhos l de qu&o em qu&o4 ,a v]dade que a ,lusitania e/ava s5do devras romana1 e ento1 qu&o l em ,roma republica succ$]am os imp]adores1 nem mais se p5s\ em indep5d5cias1 nem meias indep5d5cias4 ,z cidades com os nomes romanos f]viam por ahi1 z e/radas milit>es cortavam o paiz1 e uma pessoa podia ir de ,lisboa at ,roma sem p]gunt> a n+uem4 ,hoje diz-se3 quem tem bca vae a ,roma4 ,pois n'aquelle tempo1 e com z e/radas milit>es1 ba/ava t] ps e olhos1 a-se l direito como um fuso4 --,havia cam9ho de f]ro8 p]gunt\ o ,z ,caneira embasbacado4 --,qual cam9ho de f]ro1 bruto6 ,teu av a9da nem sabia que v9ha isso a s]1 e j tu qu]ias que o teu trigesimo ou quadragesimo av &asse de wagon6 ,no s5hor1 eram e/radas ord9>ias1 mas feitas com todo o cuidado e limpeza1 e que1 p>t9do de ,roma1 am t] aos pontos mais di/antes d imp]io6 ,l que os taes romanos eram um gr&e povo1 isso eram6 --,pois sim6 mas regal>am-se de lev> tapona c na nossa t]ra1 int]rompeu o ,b>?olomeu4 --,quem vae gu]ra d e leva1 respondeu o ,joo da ,agualva1 e a f9al quem v5ce quem mais sabe4 ,se os romanos v5c]am1 no foi nem porque t9ham mais =a1 nem porque eram mais val5tes1 foi porque sabiam mais4 ,tu v]s ao depois4 ,olha que i/o c no mundo no se leva a pod] de bordoada4 ,qu]es um exemplo8 ,ora ahi t5s tu o mundo todo romano4 ,o imp]ador e/ em ,roma1 e tudo gov]na4 ,n'i/o sem da ,juda uns hom5s de bordo na mo1 e de ps descalos1 que comeam a prg> por esse mundo1 a diz] que ,deus veiu t]ra1 que foi crucificado1 que disse que todos os hom5s eram iguaes1 s5hores e escravos e gr&es e pequ5os1 que a g5te deve am> no s os seus amigos1 mas tambem os seus inimigos1 que ha mais alegria no cu pela volta de um peccador1 que se arrep5de1 d que pela entrada de nov5ta e nove ju/os1 e outras c\sas assim que embasbacavam todos1 e vae os imp]adores romanos comearam a scism> que e/a g5te1 que lhes fazia mal1 que desorganisava tudo1 e botam a *ac9> n'esses sujeitos que se diziam *ri/os1 e a queimal-os1 e a deital-os s f]as1 e a m>tyrisal-os1 e quanto mais os desba/avam mais elles cresciam1 e tanto e tanto que lhes no digo nada4 s duas por tres o mundo romano t9ha sido conqui/ado1 sem pau nem p$ra1 por esses soldados de ,*ri/o4 ,ora aqui t5s tu como quem v5ce nem sempre a =a bruta4 --,essa agora mais f9a6 accudiu o ,manuel da ,idanha4 ,esses1 se v5c]am1 porque eram os santos apo/olos1 e porque prgavam a palavra de ,deus4 --,pois assim 1 ,manuel1 dizes tu muito bem1 mas que i/o que se *ama civilisao no tambem s5o a palavra de ,deus4 ,a civilisao o que concorre p>a nos faz] melhores1 mais dignos de s] hom5s4 ,umas vezes prgam-n'a os santos1 outras vezes so os sabios1 e s vezes tambem so os soldados1 porque ,deus de todos os meios se s]ve p>a *eg> aos seus f9s4 ,e assim que o in/rum5to d'i/o a que eu *amo civilisao umas vezes o livro1 outras vezes a cruz1 e outras vezes a espada4 ,os bons dos saloios ouviam boqui-ab]tos e/as c\sas todas1 que s o ,manuel da ,idanha p>ecia p]ceb] um bocad9ho1 por isso o ,joo da ,agualva1 que no qu]ia p]d] a att5o d auditorio1 apress\-se a cont9u>3 --,i/o qu] diz]1 meus amigos1 que foi por e/e tempo que pr9cipi\ a prg>-se no mundo a nossa santa religio1 e foi c a nossa t]ra uma das primeiras que se conv]t]am4 ,dizem at que veiu aqui o proprio apo/olo ,s4 ,?iago1 mas isso e/\ que so lrias2 o que c]to1 porm1 que a9da quasi no havia bispos por esse mundo de ,*ri/o1 e j ,braga era bispado1 tanto assim que se *ama ao arcebispo de ,braga arcebispo primaz das ,hespanhas1 porque foi o primeiro que na ,hespanha h\ve4 ,mas1 entretanto1 meus amigos1 gr&es c\sas se passavam pelo mundo4 ,fra dos limites d imp]io1 d lado de l d ,rh5o1 d lado de l d ,danubio1 havia povos que ,roma no conseguira conqui/>3 g5te selvagem como os luzitanos d tempo d ,viriato2 val5tes como elles1 e ao mesmo tempo g5te inquieta que no p>ava n'um sitio e que no podia viv] quasi s5o de caa e de rap9a4 ,t9ham os romanos um trabalho em os cont]1 mas1 qu&o o imp]io comeou a fraque>1 porque aquillo e/ava j s5do uma *oldra1 qu&o z legies1 que como quem hoje diria z divises e z brigadas1 comearam cada uma a aprego> um imp]ador pela sua b&a1 desabam todos aquelles meus amigos sobre o imp]io1 e foi como quem diz uma v]dadeira inundao4 ,ahi pelos annos quatroc5tos e tantos caram em cima de ,hespanha1 v9dos das b&as dos ,pyr5u1 nada m5os de tres povos1 os ,alanos1 os ,suevos e os ,v&alos4 ,ns1 s nossa p>te1 tivemos dois que tom>am conta de tudo i/o1 que =am os suevos e os alanos4 ,mas aquillo6 z flore/as de alem d ,danubio e d ,rh5o p>ece que se no f>tavam de despej> povos que se empurravam uns aos outros4 ,atraz d'e/es tres povos vi]am os visigodos que expuls>am os outros e fic>am s5hores da ,hespanha toda4 ,mas agora ahi tem vocs como nem sempre quem v5ce quem conqui/a4 ,julgam por acaso que se fall\ na ,hespanha o visigodo1 e que z leis visigo?icas que gov]n>am1 e que a religio dos visigodos que triumph\8 ,qual c>apua6 os v5cidos que conqui/>am os v5c$ores e d]am-lhes a sua l+ua1 z suas leis e a sua religio4 ,porque8 porque os mais civilisados eram os v5cidos1 e quem mais sabe quem triumpha4 --,mas ento1 a f9al de contas1 p]gunt\ o ,manuel da ,idanha1 sempre i/o fic\ s5do romano8 --,no1 rapaz1 no assim4 ,ora dize-me uma c\sa1 qu&o tu deitas sal e c>ne p>a d5tro de uma p\ca de agua1 o que que fica8 agua1 c>ne ou sal8 --,essa agora mais f9a1 no fica nem uma coisa nem outra1 o que fica caldo4 --,ora pois ahi t5s tu3 a agua eram os lusitanos1 os romanos =am o sal1 e os visigodos a c>ne1 e de tudo isso sau uma c\sa nova1 um povo novo1 e/e caldo que depois veio a *am>-se portuguez1 que no fundo lusitano1 como o caldo agua1 e a que ,roma deu o sal que foi a ida1 e os visigodos a c>ne que foi a =a4 ,a*>am graa comp>ao os bons dos saloios e o ,joo da ,agualva proseguiu d'e/a maneira3 --,mas z c\sas no fic>am por aqui1 porque no anno de #gef app>eceu de rep5te em ,hespanha g5te nova4 ,eram os m\ros4 ,esses1 em vez de vir d norte1 v9ham d sul4 ,seguiam uma religio nova1 a de ,mafoma4 ,no eram uns selvag5s1 como t9ham sido os visigodos4 ,traziam uma civilisao1 e das mais apuradas4 ,por isso a lucta que se trav\ foi m$onha3 civilisao contra civilisao1 ,jesus contra ,mafoma4 ,primeiro v5c]am os m\ros4 ,na batalha d ,guadalete =am os visigodos v5cidos1 e morto o seu rei ,rodrigo4 ,em p\co tempo t9ham os m\ros tomado toda a ,hespanha4 ,a nossa t]ra l foi tambem p>a elles4 ,s nos montes das ,a/urias1 que so levados de quantos diabos ha1 um punhado de visigodos cont9u\ a resi/ir1 comm&ados por um tal ,pelayo1 que foi o primeiro rei das ,a/urias4 ,mett]am-se os m\ros com elle1 lev>am p>a o seu tabaco4 ,deix>am-n'o l e/> no seu re9o1 que era como quem diz um n9ho de aguia1 enc>apitado no cucuruto das montanhas1 e c'o a breca1 p>ece-me que uma aguia c'o z azas e/5didas fazia-lhe sombra a elle todo4 ,a p\co e p\co foi augm5t&o4 ,agora tomava-se uma cidade1 logo outra2 a gro e gro1 diz o prov]bio1 en*e a gall9ha o papo4 ,d'ahi a duz5tos annos j os visigodos t9ham tirado aos m\ros t]ras ba/antes p>a =m> no s um re9o1 mas uns p\cos4 ,a moda que havia de se dividir o re9o pelos filhos de um rei que a p>a o outro mundo1 dava e/e resultado4 ,deixemos1 porm1 isso1 e vamos a sab] o que era feito de ns4 --,isso que 1 acudiu o ,b>?olomeu1 os hespanhoes que tratem de si4 --,pois ns faziamos p>te d re9o que se *am\ re9o de ,leo2 qu&o digo ns1 qu]o diz] de ,coimbra p>a cima1 porque1 entre ,coimbra e ,lisboa1 umas vezes era-se m\ro e outras vezes *ri/o1 mas de ,lisboa p>a baixo no havia duvida n5huma1 era tudo moirama4 --,mas ento1 vamos a sab]1 i/o era j ,portugal ou no era ,portugal8 p]gunt\ o ,z ,caneira4 --,ora com que tu v5s6 ,sabes o que era ,portugal8 ,era1 p>a assim diz]1 o ,m9ho4 ,havia ,portugal e havia o condado de ,coimbra4 ,portugal *amava-se assim porque na foz d ,d\ro havia uma t]ra que se *amava ,cale1 que depois se mud\ em ,gaya1 e vae defronte mesmo beira d rio1 comeou a levant>-se outra t]ra que se *am\ ,portus ,cale ou ,porto de ,cale4 ,e/a t]ra o que se *ama hoje simplesm5te ,porto1 e o nome de ,porto de ,cale1 que se foi mud&o em ,portugal1 dava-se a tudo o que ficava p>a o norte d ,d\ro4 ,e aqui e/1 meus amigos1 como ,portugal deve o seu nome ao ,porto1 exactam5te como depois lhe veio a dev] a lib]dade4 --,e ento ,coimbra j no era ,portugal8 --,no1 rapaz4 ,coimbra era outro condado1 tambem *ri/o1 mas que t9ha exi/5cia sobre si4 ,ora o que lhes digo1 meus amigos1 que a corneta d de/acam5to que *eg\ hoje e/ j a toc> a recolh]1 que so horas de se ir *eg&o cada um p>a suas casas1 e que no proximo dom+o cont9u>emos a nossa hi/oria4 ,,t]ceiro ,,s],o ,d4 ,affonso ,,vi de ,leo4--,o conde ,d4 ,h5rique4--,d4 ,!reza4--,o conde de ,trava4--,batalha de ,s4 ,mam$e4--,egas ,moniz4--,fundao da mon>*ia4--,d4 ,affonso ,h5riques4--,os cruzados4--,d4 ,san*o ,i4--,d4 ,affonso ,,ii4--,d4 ,san*o ,,ii4--,d4 ,affonso ,,iii4 --,viram vocs1 meus amigos1 torn\ o ,joo de ,agualva1 no dom+o imm$iato1 que o ,portugal de agora1 ahi pelo anno mil1 p\co mais ou m5os e/ava1 d ,mondego p>a baixo1 quasi todo em pod] dos m\ros1 e d ,mondego p>a cima di/ribuido em dois condados1 um que se *amava de ,portugal1 que era como quem diz d ,porto1 e o outro que se *amava de ,coimbra1 e ambos e/es condados faziam p>te d re9o de ,leo1 onde gov]nava um rei de cabell9ho na v5ta1 *amado o sr4 ,d4 ,affonso ,,vi4 ,ora1 como ,d4 ,affonso ,,vi t9ha sempre gu]ra com os m\ros1 e como n'esse tempo o gr&e prat9ho p>a um pr9cipe ou p>a um fidalgo1 era jog> z cri/as com elles1 tanto que os am busc> a casa de seisc5tos diabos1 s p>a lhes d> tapona1 aconteceu que dois francezes1 *amados um ,h5rique e outro ,raymundo1 ambos primos1 e ambos da casa de ,borgonha1 em vez de ir ,pale/9a1 vi]am aqui a ,hespanha1 que lhes ficava mais ao p da porta1 p$ir p>a d> tambem z suas g>fadas nos de ,mafoma4 ,no havia duvida1 a mesa e/ava sempre po/a e podiam s]vir-se vontade4 ,d]am bordoada de cre> bi*o1 e o ,d4 ,affonso ,,vi1 que viu que eram uns val5tes1 e que lhe podiam pre/> p>a muito1 cas\-os com duas filhas que t9ha1 uma legitima filha d matrimonio1 e outra c\sas e tal etc4 ,a primeira *amava-se ,urraca e foi p>a o ,raymundo1 a segunda *amava-se ,t>eja ou ,!reza1 e dizem at que era uma rap>iga de truz1 p>a o ,h5rique4 ,ora ao primeiro1 como era casado com a legitima1 deu elle o gov]no de toda a p>te d re9o1 que ficava borda d m>1 desde os altos da ,galliza at s proximidades d ,tejo1 e a ,d4 ,h5rique deu especialm5te os condados de ,portugal e de ,coimbra1 fic&o sempre sujeito ao primo4 ,ha quem diga que ,portugal veiu como dote de ,d4 ,t>eja6 ,t c>o*o6 ,n'esse tempo nem os paes davam dotes s filhas1 os que qu]iam cas> com ellas que a9da davam alguma c\sa4 --,e a*o isso muito bem ent5dido6 exclam\ vivam5te o ,z ,caneira1 que t9ha uma filha casadoira4 --,pois sim6 r$>guiu sorr9do o ,joo da ,agualva4 ,o que c]to que a moda no peg\4 ,d4 ,h5rique1 porm1 fic\ s5do vassallo de ,affonso ,,vi1 e emp5h\-se em al>g> os seus dom9ios1 d&o pancad>ia nos m\ros4 ,muito c$o deix\ de s] sujeito a seu primo1 e teve a sua capital em ,guim>es1 que por isso se *ama o b]o da mon>*ia4 ,mas e/e ,d4 ,h5rique p>ece que t9ha bi*o c>p9teiro1 foi ,pale/9a1 como se no tivesse por c m\ros com f>tura1 e1 qu&o o sogro morreu deix&o o ?rono cunhada ,d4 ,urraca1 que j ento era viuva1 o bom d conde metteu-se em todos os b>ulhos que l am por ,hespanha1 p>a v] se apanhava mais alguma c\sa p>a si4 ,qual c>apua6 no apanh\ nada1 e a p]d5do muito1 porque os m\ros1 que se viram l>ga1 comearam a faz]-se f9os1 e j subiam por ahi acima1 como quem e/ava com desejo de se espreguiar o seu p$ao nos montes v]des de ,coimbra4 ,no meio d'e/a azafama toda1 morreu em #aaad o honrado conde deix&o uma viuva muito frescalhota a9da1 e um filho pequ5o que t]ia os seus tres annos1 e se *amava ,affonso ,h5riques1 que o mesmo que se dissesse ,affonso filho de ,h5rique1 assim como ,san*es qu]ia diz] filho de ,san*o1 ,f]n&es filho de ,f]n&o1 e ,m>t9s filho de ,m>tim4 --,ora essa6 exclam\ um que at ahi e/iv]a sil5cioso1 aqui e/\ eu que me *amo ,antonio ,m>t9s1 e mais meu pae *amava-se ,jos4 --,pois i/o que eu digo1 torn\ ,joo1 era n'aquelle tempo1 depois os nomes fic>am1 mas j sem se lhes sab] a significao1 como acontece a muitas outras c\sas4 ,a me de ,d4 ,affonso ,h5riques1 que era uma mulh] bonita e desemb>aada1 cont9u\ a &> por c]cos e batalhas1 sempre a v] se i/o c em ,portugal ficava indep5d5te1 e1 emquanto ella assim proc$eu1 correu tudo bem2 mas i/o de mulh]es sempre so mulh]es--no se zangue1 tia ,m>g>ida--e ,d4 ,!reza l teve o seu fatacaz por um conde gallego1 ,f]no ,p]es de ,trava1 que d'ahi a p\co era quem punha e dispunha em ,portugal4 ,no agradava isso muito aos nossos fidalgos1 e m5os ao rapazelho1 que era levad9ho da brca1 esp]to como um alho1 val5te como seu pae1 e que fra de mais a mais educado por um fidalgo s direitas1 um tal ,egas ,moniz1 portuguez dos quatro co/ados4 ,j se v que o aio no lhe ens9\ a revolt>-se contra sua me1 e at devo diz] que so v]dadeiras patranhas muitas das c\sas que a esse respeito se contam4 ,por exemplo1 diz-se que o rapazote &ava s bulhas com a me1 e que o rei de ,leo1 ,d4 ,affonso ,,vii1 vi]a em soccorro da tia contra o primo4 ,peta6 ,d4 ,affonso ,,vii veiu a ,portugal1 v]dade1 mas foi p>a obrig> a infanta-ra9ha 7assim lhe *amavam7 e o filho e os fidalgos e todo o povo a reconhec] a sua suz]ania4 ,apanh\ o rapaz em ,guim>es1 c]c\-o1 e pl-o dev]as em talas4 ,egas ,moniz foi t] com elle1 e disse-lhe que se fosse embora e que lhe emp5hava a sua palavra que a sua suz]ania s]ia reconhecida4 ,affonso ,,vii assim o fez1 e p>tiu d'ali contra ,d4 ,!reza1 que essa reconheceu-o imm$iatam5te por seu s5hor e suz]ano4 ,mas ,d4 ,affonso ,h5riques1 livre d primo1 p$iu me que fizesse favor de lhe d> o gov]no a elle1 que sempre era mais portuguez que o conde de ,trava4 ,e/e disse ra9ha que no tivesse cuidado1 que elle iria d> uma duzia de palmatoadas no pequ5o4 ,=am boas z palmatoadas6 ,em ,s4 ,mam$e1 ao p de ,guim>es1 e no anno de #aabh1 o conde gallego lev\ uma esfrega1 e teve de se pr a &>1 lev&o comsigo ,d4 ,!reza4 ,de frma que nem ,d4 ,affonso ,h5riques pr5deu a me1 nem fez c\sa que se p>ecesse com isso4 ,quiz ap5as gov]n>1 porque t9ha o direito de o faz]1 e porque os b>es portuguezes e/avam f>tos de atur> o gallego4 ,e a vassallagem que promett]a a ,d4 ,affonso ,,vii8 ,boa vae ella6 ,mesmo agora ,d4 ,affonso ,h5riques poz]a fra o gallego p>a se sujeit> ao de ,leo6 ,nem se p5s\ em tal4 ,mas ,egas ,moniz t9ha dado a sua palavra1 e no qu]ia que um patife de um e/rangeiro dissesse que havia portuguezes desleaes4 ,no cont\ nada ao seu qu]ido discipulo1 e foi at dos primeiros a aconselh> que se mantivesse a indep5d5cia1 mas ag>r\ em si1 na mulh] e nos filhos1 e =am todos de corda ao pescoo t] com o rei de ,leo1 e diz]-lhe3 ,p>a resgat> a m9ha palavra1 s t5ho a m9ha cabea e a dos meus6 ,ellas aqui e/o6 ,o rei fic\ assombrado d'e/e acto de lealdade e m&\-os embora com palavras de muito l\vor4 --,homem6 isso agora p>ece-me asneira6 acudiu o ,z4 ,que diabo de culpa t9ha elle que esse ,d4 ,affonso ,h5riques no fizesse o que promett]a8 --,n5huma1 bem sei6 mas elle que ficra por fiador4 ,outro s]ia que dissesse3 ,eu quiz1 mas no pude4 ,elle foi mais franco e disse3 ,no pude e no quiz4 ,o int]esse da nao oppunha-se a isso1 mas a m9ha vida ha de resgat> a m9ha palavra1 e no se fund> n'uma deslealdade a nova mon>*ia4 --,aquillo que eram hom5s6 murmur\ o ,manuel da ,idanha4 --,esp]a que tu vaes v] o que era um homem4 ,e/e ,affonso ,h5riques digo-te que foi mesmo fadado p>a fundador de re9o4 ,no p>ava um in/ante4 ,no pr9cipio d gov]no1 &\ sempre bulha com o primo1 e com os gallegos1 e tudo era v] se passava o ,m9ho2 mas um bello dia olh\ p>a o sul1 e p]cebeu que p>a ali que havia muito que faz]4 ,os m\ros comeavam a d> signal de si1 e a romp] de novo por ali acima4 ,em #aaci1 ,affonso ,h5riques vae s n'uma galopada at ao ,alemtejo1 d]rota os m\ros em ,ourique1 e volta p>a casa4 ,a respeito de ,ourique tem havido mosquitos por cordas4 ,diz-se que app>eceu ,nosso ,s5hor a ,d4 ,affonso1 que e/e foi ali acclamado rei pelos soldados1 que aquillo foi uma batalha =midavel1 etc4 ,eu c no me metto n'essas c\sas4 ,que ,nosso ,s5hor ,jesus ,*ri/o app>ecesse crucificado a ,d4 ,affonso ,h5riques1 muito possivel1 ,deus pde faz] e/es milagres1 sempre que lhe apr\v]1 e milagre de ,deus foi a nossa hi/oria toda4 ,sem a ajuda de ,nosso ,s5hor mal podia e/e pequ5o povo faz] o que fez4 ,que a batalha fosse muito importante1 no me p>ece1 pelo m5os no teve consequ5cias2 fic\ tudo como d'antes1 e o que se no pde diz] que o qu>tel g5]al fosse em ,abrantes1 porque a ,abrantes a9da ns no t9hamos *egado2 que os soldados se lembrassem de acclam> ,d4 ,affonso ,h5riques rei n'essa occasio tambem me p>ece hi/oria4 ,s\ capaz de apo/> que rei j lhe *amavam ha muito tempo1 como *amavam ra9ha me2 de mais a mais1 esse titulo de rei1 que affirmava mais a nossa indep5d5cia1 onde se dev]ia d> era n'uma batalha contra os leonezes1 mas n'uma batalha contra os m\ros1 que tanto se importavam que ,portugal fosse indep5d5te1 como que fosse vassallo de ,leo1 a quem tanto conv9ha que ,affonso ,h5riques fosse rei como que fosse conde1 no se p]cebe4 ,diz-se tambem que foi nas crtes de ,lamego que o titulo se confirm\4 ,ora adeus6 ,crtes com cl]o1 nobreza e povo a9da c se no faziam4 ,e de mais1 quem diz isso p>ece que imag9a que n'aquelle tempo se passavam z c\sas como agora1 e que i/o de faz] rei um conde sob]ano era negocio que se no podia pratic> sem gr&es c]emonias e ajuntam5tos4 ,boas noites1 meus amigos4 ,oiam vocs o que succ$ia6 ,morria o rei de ,leo1 por exemplo1 e dividia os e/ados pelos filhos1 e aqui ficava s5do um rei da ,galliza1 o outro rei de ,leo e o outro de ,ca/ella4 ,e depois juntavam-se os e/ados1 e j no havia re9os nem em ,galliza1 nem em ,ca/ella1 depois tornavam-se a sep>>1 e assim &avam1 sem maior massada4 ,d4 ,affonso ,h5riques fiz]a-se indep5d5te1 era o ess5cial1 depois comearam a *amal-o rei1 e rei se fic\ *am&o4 ,o que elle fez1 como era esp]talho1 p>a g>antir a cons]vao d re9o1 foi decl>>-se vassallo d papa1 e m&>-lhe pag> um pequ5o tributo1 p>a que o pontifice lhe valesse4 ,a manha no era m2 n'aquelle tempo quem t9ha por si a crte de ,roma t9ha tudo4 ,mas o caso no era *am>-se uma pessoa rei1 era t] um re9o que m]ecesse o nome1 e esse ,portugalsito1 que v9ha ap5as d ,m9ho at ao ,mondego1 p>a fall> a v]dade1 no p>ecia l um gr&e re9o4 ,e vae ,d4 ,affonso ,h5riques disse ento com os seus botes3 ,toca a al>gal-o6 ,ora o que faz um de vocs qu&o se v com uma t]rola p>a seu grangeio8 ,cospe nas mos1 ag>ra na en*ada1 comea a foss> o *o1 e ali e/ desde pela manh at noite4 ,d4 ,affonso ,h5riques fez o mesmo1 cuspio nas manoplas1 arranc\ d montante1 e elle ahi vae p>a a fa9a em que &\ desde pela manh at noite1 qu] diz]1 desde que lhe apont\ o buo at que a morte preg\ com elle na sepultura4 ,o montante era a sua en*ada1 rapazes1 e1 a cada en*adada1 saa d *o s>rac5o agora ,sant>em1 depois ,lisboa4 ,ah6 meus amigos1 que vida6 ,aquillo era um lid> cont9uado6 ,elle cas\ com uma pr9ceza de ,saboya1 a sr4 ,d4 ,mafalda1 mas e/\ em diz] que no =am muitas z noites em que dormio muito bem acon*egado com ella nos seus paos de ,coimbra4 ,alta noite l a elle tom> ,sant>em1 de surpreza1 e outra vez con/ava-lhe que a uma g5te d norte faz] gu]ra aos m\ros na ,pale/9a1 p>a def5d] contra elles o sepul*ro de ,*ri/o1 e vae ,d4 ,affonso ,h5riques a logo beira-m> t] com os hom5s1 e p$ir-lhes que descanassem aqui um p$ao1 e que o ajudassem ao mesmo tempo na sua t>efa de todos os dias4 ,elles no se fiz]am rog>1 desemb>c>am1 e d'ahi a p\co e/ava ,lisboa no pod] dos nossos4 ,muitos d'elles por c fic>am1 porque ,d4 ,affonso ,h5riques deu-lhes t]ras1 e at ha por ahi povoaes que a9da se *amam com os nomes d'elles1 por exemplo ,villa ,franca1 que como quem diz villa dos ,francos1 etc4 --,ento os de ,villa ,franca so e/rangeiros8 p]gunt\ o ,manuel da ,idanha4 --,qual c>apua1 homem6 ,tu no te lembras da m9ha comp>ao d caldo8 ,no sal1 nem agua1 nem c>ne2 mas tem c>ne1 agua e sal4 ,a c>ne eram os godos1 a agua os luzitanos e os romanos o sal2 pois tambem no caldo se deita s vezes o seu ram9ho de hortel ou de segurelha1 que sempre lhe d assim um sabor mais c\sas1 tal1 etc41 pois esses ram9hos de segurelha e de hortel =am os e/rangeiros1 que aqui vi]am a ,portugal e por c se deix>am fic>4 ,vi]am tambem contribuir p>a faz] o nosso bom caldo portuguez4 -- bem a*ado1 sim s5hor1 obs]v\ a tia ,m>g>ida4 --,pois assim mesmo que 4 ,ora j vocs vem que o pobre d ,d4 ,affonso no podia e/> muito tempo socegado4 ,hoje tomava ,c9tra1 amanh ,mafra1 no outro dia ,palmella1 no outro ,abrantes6 ,era um vivodemonio4 ,os m\ros com elle &avam n'um s>ilho4 ,por isso tambem t9ham-lhe tomado um m$o6 ,fall>em-lhes no ,ibn-,errik1 assim lhe *amavam elles na sua l+ua1 como quem diz filho de ,h5rique1 fall>em-lhes em ,ibn-,errik1 era o mesmo que fall>em-lhes no diabo4 ,e que g5te que elle t9ha6 hom5s como um ,gonalo ,m5des da ,maia1 o ,lidador1 que morreu combat5do1 e mais &ava j pelos nov5ta annos1 e um que tom\ ,evora1 ,giraldo sem ,pavor1 e outro que tom\ ,beja1 cada qual por sua conta e risco4 ,g5te levad9ha da brca1 isso que fall> a v]dade4 ,mas1 emfim1 meus amigos1 a9da que se diz p$ra mov$ia no cria bolor1 sempre d o c>un*o n'uma pessoa1 por mais que ella se mexa e trabalhe4 ,d4 ,affonso envelheceu1 mas antes d'isso j deitra um filho que era o seu retrato1 val5te como elle1 e homem de gr&e tal5to1 ,d4 ,san*o1 que foi depois rei4 ,podia morr] descanado ,d4 ,affonso ,h5riques1 deixava a sua espada em boas mos e a sua cora em boa cabea4 ,e com essa consolao morreu em #aahe el-rei ,d4 ,affonso ,h5riques1 depois de t] no s tornado o re9o indep5d5te1 mas de o t] al>gado at ao meio d ,alemtejo1 e pr9cipalm5te de t] tomado ,lisboa que era1 como diz o outro1 a m59a dos olhos dos arabes1 a cidade sem a qual no se podia faz] c p>a e/as b&as c\sa que geito tivesse4 ,ah6 meus amigos1 se algum de vocs fr alguma vez a ,coimbra1 e entr> na igreja de ,santa ,cruz1 suba at capella mr1 e olhe p>a os dois tumulos que ali se vem1 p]gunte qual o de ,d4 ,affonso ,h5riques1 e depois ajoelhe diante d'elles1 porque1 com seisc5tos diabos1 se ns hoje no somos p>a ahi uns gallegos e uns &aluzes1 se dmos que fall> no mundo1 e praticmos c\sas que fazem com que uma pessoa t5ha orgulho de se *am> portuguez1 oh6 com a brca1 a elle que o devemos1 porque1 como l diz o outro1 de pequ59o se torce o pep9o1 e e/e re9o de ,portugal era bem pequ]ru*o a9da1 qu&o esse homem de f]ro lev\ a sua vida inteira a co/umal-o a faz] c\sas gr&es4 ,e o bom d ,joo da ,agualva limp\ o suor1 que lhe escorria pela te/a com o en?usiasmo que o inflammava4 ,os seus companheiros escutavam-n'o sil5ciosos1 e j no faziam int]rupes nem obs]vaes4 ,e/avam dev]as int]essados com a n>rativa4 --,meus amigos1 cont9u\ o ,joo da ,agualva1 no gov]no como na lav\ra ha tempo p>a tudo1 agora cava-se e depois semea-se4 ,primeiro compra-se a t]ra e depois que se amanha4 ,pois assim foi em ,portugal2 ,d4 ,affonso ,h5riques ou ,d4 ,affonso ,i conqui/ra1 ,d4 ,san*o trat\ de povo>4 ,por isso a hi/oria *am\ conqui/ador ao primeiro e povoador ao segundo2 e olhem que isso no qu] diz] que ,d4 ,san*o no fosse tambem um gu]reiro de truz4 ,t c>o*o6 ,j na vida d pae elle d]a que fall>4 ,ap5as o pae morreu1 comeou elle a namor> uma t]ra d ,alg>ve1 que hoje e/ bem decada1 mas que n'esse tempo era1 por assim diz]1 a ,lisboa l d sul--,silves4 ,no se lhe mettia d5te1 porm1 com facilidade4 ,p>a ir l por t]ra1 era cu/oso como o demonio1 p>a ir por m>1 de sab]1 meus rapazes1 que o sr4 ,d4 ,san*o ,i a9da no se lembrra de compr> nem a fragata ,d4 ,f]n&o1 nem esse navio com que &am por ahi sempre os jornaes aos tombos1 e a que uns *amam o ,pimpo e os outros o ,vasco da ,gama4 ,uma g>galhada g]al mo/r\ que os bons dos ouv9tes t9ham apanhado facilm5te o *i/e d jovial ana*ronismo d n>rador4 --,mas1 meus amigos1 i/o de ,portugal fic> no cam9ho da ,pale/9a p>a os *ri/os que v9ham l das t]ras d norte1 foi uma v]dadeira pe*9*a4 ,descanavam aqui e sempre havia por c algum biqu9ho de obra4 ,foi o que succ$eu tambem d'e/a vez4 ,d4 ,san*o apanh\ uma frota de cruzados444 --,novos8 p]gunt\ o ,z4 --,novos eram elles1 que no co/umavam vir p>a a gu]ra os c>ecas como tu2 mas de sab] que se *amavam cruzados aos *ri/os que t9ham ido tir> o sepul*ro de ,*ri/o das mos dos infieis1 e que depois o def5diam4 ,d4 ,san*o apanh\ pois uma frota de cruzados1 e disse-lhes d'e/a maneira3 --,vocemecs que me podiam faz] um favor4 --,se e/iv] na nossa mo6444 --,l isso e/4 simplesm5te acompanh>-me ali a baixo a ,silves1 e ajud>-me a intim> m&ado de despejo aos m\ros que l e/o d5tro4 ,eu fico com a cidade1 e os s5hores levam z riquezas que se apanh>em4 --,v de feio4 ,e foi4 ,tom\-se ,silves1 tanto mais que lhes ficava na e/rada1 e no t9ham de torc] cam9ho4 ,mas ,d4 ,san*o no p\de cont9u> com essas funanatas1 porque os m\ros c da p59sula1 que comeavam a e/> assim esmorecidos1 receb]am de rep5te uns re=os da ,moirama1 e444 no lhes digo nada1 vi]am outra vez por ahi acima que p>ecia que tornava a hav] invaso4 ,foi uma torr5te que lev\ tudo adiante de si4 ,o ,tejo torn\ a s] a fronteira de ,portugal1 e ap5as no ,alemtejo uma t]ra ou outra surgia a9da1 como uma ilha1 com a b&eira portugueza1 d'entre z ondas da m\risma4 ,ento ,d4 ,san*o p5s\ que primeiro que tudo era necess>io trat> d que era seu1 e comeou n'uma lida ab5oada3 elle m&\ vir g5te d norte da ,europa p>a povo> os nossos campos des]tos1 elle edific\1 elle fez ca/ellos1 elle cuid\ emfim de tudo1 e no se esqueceu tambem de mo/r> aos bispos que t9ha muita contemplao por elles1 emquanto se limitavam s suas rezas1 mas que lhes no p]mittia mett] o n>iz assim de muito p]to nos negocios d e/ado4 ,a f9al1 e/e bom rei morreu1 m5os velho que o pae1 em #abab4 ,t9ha sido casado com uma pr9ceza *amada ,d4 ,dulce1 filha d conde de ,b>celona4 ,de frma que aqui temos pois j duas ra9has de ,portugal1 ,d4 ,mafalda e ,d4 ,dulce4 ,o filho mais velho de ,d4 ,san*o1 que veiu a s] rei depois d'elle1 no se p>ecia muito1 valha a v]dade1 nem com o pae1 nem com o av1 mas olhem que nem por isso foi m5os util c ao nosso paiz4 o que eu digo4 ,cada qual tem a sua t>efa4 ,uns cavam1 outros semeam1 outros pem fra os p>daes e arrancam o joio1 que podem d> cabo da ce>a4 ,foi e/a a t>efa de ,d4 ,affonso ,,ii4 ,ora vem p]feitam5te que1 se e/e ,portugal to pequ5o se comeasse a dividir1 p$ao p>a aqui1 p$ao p>a acol1 a-se tudo quanto ,m>?a fi\4 ,d4 ,san*o1 que tiv]a uma sucia de filhos1 p5sra mais em os deix> bem arranjados d que em assegur> a cons]vao d re9o4 ,por isso no te/am5to era umas mos rotas4 ,e/a e aquella villa p>a o s5hor infante fulano1 e/a e aquella cidade p>a sicrano1 e t]ras p>a e/e1 e t]ras p>a aquelle4 ,d4 ,affonso ,,ii arrebit\ a v5ta1 e disse d'e/e modo3 ,ento vamos a sab]1 e eu com que fico8 ,e ahi comea bulha com z irms e com os fidalgos4 ,&ava tudo em polvorosa com elle4 ,os fidalgos1 por exemplo1 t9ham recebido de ,d4 ,affonso e de ,d4 ,san*o e/a ou aquella t]ra1 mas am-se faz5do f9os1 e por sua conta e risco am apanh&o mais alguma1 os frades ento nunca *eg>am cabeceira de um moribundo que no apanhassem algumas t]ras de bom r5dim5to4 ,i/o assim no pde s]1 b]rava ,d4 ,affonso ,,ii1 s duas por tres fico a olh> ao signal4 ,e elle ahi vae por essas prov9cias fra1 a obrig> os fidalgos a pr p>a ali os titulos das suas propri$ades1 decl>&o que no valiam s5o os que elle confirmasse1 e foi a isso que se *am\ confirmao4 ,ao mesmo tempo prohibia s corporaes religiosas que tivessem mais t]ras d que z que t9ham4 ,emquanto ao te/am5to de ,d4 ,san*o ,i1 cumpriu s o que lhe p>ecia bom1 e1 como z irms refilassem1 h\ve pancad>ia a m5os de real4 --,ento1 por esse &>1 os m\ros deviam t] vida folgada com elle8 obs]v\ o ,francisco ,artilheiro4 --,l isso v]dade1 e tanto assim que1 qu&o se tom\ ,alcac] d ,sal1 os cruzados1 que nos ajud>am1 e que nunca poz]am a vi/a em cima d sob]ano1 imag9>am que era uma ra9ha que gov]nava em ,portugal2 mas1 meus amigos1 olhem que o nosso paiz no lhe deve m5os por isso4 ,se z infantas comeam a pux> p>a um lado1 os fidalgos a pux> p>a o outro1 e a9da os frades a arranc> tambem z t]ras1 n'um abrir e fe*> d'olhos t9hamos p>a ahi v9te re9os1 e adeus ,portugal4 ,mas o gordan*udo d ,affonso ,,ii1 apes> de se no import> p>a nada com os m\ros1 t9ha cabell9ho na v5ta2 e por isso os frades =am prohibidos de t] mais t]ras1 z infantas tiv]am de pr p>a ali z cidades que o pae lhes t9ha deixado1 porque ,d4 ,affonso ,,ii disse-lhes que a respeito de cora em ,portugal no havia s5o uma1 e f9alm5te os fidalgos tiv]am de receb] d'elle z t]ras mas por favor e m]c real4 ,de frma que1 a #be de m>o de #abbc1 qu&o morreu ap5as com tr9ta e seis annos de idade1 ,portugal era pequ5o1 mas e/ava todo na mo d rei1 o que j era gr&e faanha4 --,e o filho foi pelo mesmo cam9ho1 sr4 ,joo8 p]gunt\ o ,manuel da ,idanha4 --,ora1 meu amigo1 eu te v\ diz] o que succ$eu ao filho1 e por aqui tu v]s se o que eu acabo de diz] no v]dade1 e se no ha na hi/oria exemplos p>a tudo4 ,o filho era creana1 qu&o subiu ao ?rono1 por consegu9te foi necess>io hav] reg5cia4 ,*amava-se ,san*o o pequ5ote1 ,san*o ,,ii1 por alcunha o ,capello1 porque em creana &>a com um capuz de frade1 l por promessa da me1 ou c\sa assim4 ,quem fic\ com o gov]no =am os m9i/ros d pae1 e1 a9da que eram hom5s de truz1 sempre lhes faltava a auctoridade que t9ha um rei4 ,de frma que toda aquella nobreza e frad>ia1 qu&o se viu assim solta1 livre da mo de f]ro de ,d4 ,affonso ,,ii1 comeou a alvorot>-se1 e os m9i/ros1 p>a os t]em quietos1 am d&o o que elles p$iam4 ,z infantas apanh>am z cidades1 os frades =am junt&o t]ras s que j t9ham1 e p>ece que o rei &ava umas vezes nas mos de uns1 outras vezes nas mos de outros4 ,p\co se sabe d'aquelle tempo4 ,ia pelo re9o todo uma confuso de seisc5tos demonios4 ,o que c]to que1 qu&o ,d4 ,san*o ,,ii *eg\ maioridade1 e/ava j to co/umado a no s] rei que no s\be pux> pelos seus direitos4 ,e no era que elle fosse fraco4 ,pois no6 pelo contr>io6 ,era da raa d av1 no e/ava bem s5o a cavallo e com os m\ros de volta4 ,tom\ uma boa p>te d ,alemtejo e d ,alg>ve1 mas fidalgos e frades esses faziam o que qu]iam e sobrava-lhes tempo4 ,vem vocs8 ,p>a uma pessoa gov]n> no ba/a s] um val5to4 s vezes um porta-ma*ado1 com umas b>baz por ahi alem1 &a em bol&as nas mos de um creanola1 outras vezes uma fraca figura faz &> um regim5to ali direit9ho que nem um fuso4 ,d4 ,affonso no qu]ia nada com os m\ros1 o que o no imp$ia de gov]n> como um homem2 p>a ,d4 ,san*o z batalhas eram o po nosso de cada dia1 e em ,portugal todos gov]navam m5os elle4 ,c\sas da vida6 ,como os fidalgos faziam o que lhes dava na cabea1 e os frades tambem1 e os bispos a mesma c\sa1 p>ecia que deviam e/> todos muito satisfeitos4 ,mas no succ$ia assim4 ,os bispos queixavam-se dos fidalgos1 e/es queixavam-se dos frades1 e todos d rei1 os frades porque no reprimia os bispos1 os bispos porque no t9ha mo nos fidalgos1 os fidalgos porque no puxava z orelhas ao cl]o4 ,qu&o elle saltava nos m\ros1 a9da z c\sas no corriam mal4 ,a fidalguia go/ava d'aquillo1 am todos atrs d rei1 e no se p5sava em mais nada4 ,mas1 qu&o uma hespanholita1 *amada ,d4 ,mecia ,lopes de ,h>o1 caiu em graa ao rei1 que cas\ com ella1 e que pass\ os dias a namor> os olhos pretos da ra9ha1 l se foi tudo quanto ,m>?a fi\4 ,a desordem exc$eu todos os limites1 e os bispos =am t] com o papa a fim de lhe p$irem que tirasse a cora a ,d4 ,san*o ,,ii4 ,o papa1 que era ,innoc5cio ,,iv1 pul\ de cont5te com o p$ido4 ,era o mesmo que virem-lhe diz] que era elle quem dava e tirava z corz n'e/e mundo1 e que v9ha a s] portanto o rei dos reis4 ,e/ava em ,frana n'esse tempo um irmo de ,d4 ,san*o ,,ii1 *amado ,d4 ,affonso1 que sara de ,portugal p>a ir corr] t]ras1 encontrra em ,frana uma condessa de ,bolonha1 viuva1 e j durazia1 ao que p>ece1 que go/\ d'elle e com elle cas\1 lev&o-lhe o condado em dote4 ,ora o tal condado era uma especie de re9o1 sujeito ao rei de ,frana1 que n'esse tempo era o rei santo que elles tiv]am1 a sab] ,s4 ,luiz4 --,s4 ,luiz rei de ,frana1 int]rompeu a ,m>g>ida1 uma igreja que fica ali p>a z b&as d ,rocio4 --,pois uma igreja e foi um rei1 tia ,m>g>ida1 respondeu o ,joo de ,agualva1 como ,santa ,izabel uma igreja que fica ali p>a z b&as da ,e/rella1 o que a no imp$iu de s] tambem uma ra9ha e ra9ha de ,portugal4 --,isso v]dade6 confirm\ a tia ,m>g>ida4 --,pois ento1 como lhes a diz5do1 re9ava ,s4 ,luiz em ,frana1 e ,d4 ,affonso1 seu vassallo1 por s] conde de ,bolonha1 fra com elle gu]ra1 e dra provas de s] homem desemb>aado4 ,lembr>am-se d'elle p>a rei1 e ,d4 ,affonso1 que era ambicioso1 acceit\4 ,os bispos e os fidalgos diss]am comsigo que um rei feito por elles havia de s] um creado que tivessem ali no ?rono1 e o papa ent5deu tambem que aquillo era s5hor m&>1 preto ob$ec]4 ,comb9\-se tudo4 ,d4 ,affonso prometteu quanto quiz]am e ahi vae elle cam9ho de ,portugal1 f+9do que a p>a a ,t]ra ,santa4 ,desemb>ca e pr9cipia a gu]ra civil4 ,tambem se no sabe muito d modo como z c\sas se pass>am4 ,p>ece que foi uma gu]ra levada d diabo como so sempre z gu]ras civis1 queim>am-se villas e cidades1 arras>am-se muitas ce>as1 fic\ muita g5te na mis]ia1 e o pobre ,d4 ,san*o viu-se ab&onado por todos1 dizem at que pela mulh]1 que fra1 a f9al de contas1 o motivo de todas aquellas c\sas4 ,h\ve s um ou outro que se lhe mo/r\ fiel4 ,d4 ,san*o teve de sar d nosso paiz1 e foi p>a ,hespanha1 onde morreu em ,tol$o ap5as com tr9ta e sete annos4 --,pobre d homem6 acudiu compassiva a tia ,m>g>ida4 ,ento que mal t9ha elle feito quella g5te toda8 --,era um rei fraco1 e1 como se co/uma diz]1 no era nem p>a si nem p>a os outros4 ,at a mulh] no fez caso d'elle1 porque z mulh]es so assim3 em e/&o uma pessoa embasbacada a olh> p>a ellas1 no fazem caso n5hum1 e s vezes de quem go/am de quem lhes *ega um calor ao corpo1 como o outro que diz4 --,vae-te excommungado1 brad\ indignada a tia ,m>g>ida4 ,se um homem me batesse1 eu at p>ece que era capaz de lhe arranc> os olhos4 --,pois sim1 tia ,m>g>ida6 no digo m5os d'isso4 ,mas a ra9ha ,d4 ,mecia no era d mesmo p>ec]1 e pag\ bem z pieguices de ,d4 ,san*o6444 ,s de dois fidalgos se conta que se mo/r>am fieis ao desgraado rei4 ,um foi o alcaide de ,celorico1 que at dizem que fez uma p>tida com graa4 ,e/ava-o c]c&o ,d4 ,affonso1 e elle j no t9ha nem uma migalha de po1 n'i/o passa uma aguia por cima da praa com uma truta no bico1 e deixa-a cair d5tro da villa4 ,o alcaide1 em vez de a com]1 m&a-a cos9h> muito bem1 e envia-a de pres5te aos c]cadores4 ,d4 ,affonso1 v5do que na praa havia petiscos d'aquelles1 ent5deu de si1 p>a si que e/ava p]d5do o tempo e o feitio1 e foi-se embora4 ,pde s] que i/o seja patranha1 mas o que v]dadeiro1 sem tir> nem pr1 o caso de ,m>tim de ,freitas4 ,esse era alcaide de ,coimbra1 foi c]cado tambem1 no se r5deu4 ,diss]am-lhe que j ,d4 ,san*o morr]a1 e que por consegu9te era ,d4 ,affonso o seu natural successor4 ,no acr$it\4 ,affirm>am-lhe que morr]a em ,tol$o4 ,p$iu p>a ir v]4 ,d]am-lhe um salvo conducto1 e ,m>tim de ,freitas1 mett5do na algibeira z *aves de ,coimbra1 foi de passeio at ,tol$o4 ,mo/r>am-lhe o tumulo d rei1 m&\-o abrir2 mo/r>am-lhe o caixo1 quiz v] o corpo2 e ao v] emfim o pobre cadav] d seu rei1 que assim morr]a aos tr9ta e sete annos1 longe da sua t]ra e longe dos seus1 ajoelh\ e poz z *aves da cidade nas mos d rei que lh'z entregra2 depois1 tir\-z d'essas mos j frias que z no podiam segur>1 e p>tiu p>a ,coimbra1 entreg&o-z ao novo rei1 que l\v\ muito a aco4 --,e t9ha raso p>a isso1 torn\ a tia ,m>g>ida1 que e/ava s5do agora a int]ruptora1 mas com o tal rei novo que eu no engrao nada4 ,olhem que irmo6 ,sempre t9ha uns figados6 --,no era muito boa rez1 no1 tia ,m>g>ida1 mas ento n'e/e mundo no so s z boas pessoas que s]vem4 ,que ,d4 ,affonso se importava tanto com a familia como eu me importo com a familia d imp]ador da ,*9a1 o que no tem que/o1 mas que foi um gr&e rei1 isso tambem v]dade4 --,era fresco o tal rei1 que assim fazia gu]ra ao irmo sem mais nem m5os6 --,ha mais exemplos d'isso1 tia ,m>g>ida1 e no vo elles to longe que uma pessoa se no possa lembr>4 ,mas olhe que no p>am ahi z maldades de ,d4 ,affonso4 ,tambem no fez caso da mulh]1 a tal condessa de ,bolonha1 que nunca foi capaz de pr p em ,portugal1 e cas\1 em vida d'ella1 com uma filha d rei de ,hespanha4 --,e a9da voc o gaba1 sr4 ,joo8 p]gunt\ a tia ,m>g>ida4 ,sabe o que eu lhe digo8 ,p>ece-me que voc to bom como elle6 --,olhe1 tia ,m>g>ida1 no me rogue voc nunca outra praga1 que l com essa no me hei de eu d> mal4 ,o que lhe disse que o sr4 ,d4 ,affonso ,,iii foi um dos reis que fiz]am mais bem ao pobre povo1 e sabe vocemec porque8 ,porque era homem de cabea1 e o que succ$]a com elle no t9ha cad em ce/o roto4 ,elle disse comsigo2 ,e/es patifes d'e/es fidalgos e d'e/es bispos so capazes de me faz] a mim o mesmo que fiz]am a meu irmo4 ,ora1 eu ss9ho no posso com elles4 ,a quem me hei de enco/>8 ,olh\ em torno de si e vio o povo1 o povo em quem n+uem fallava1 e que era a f9al de contas quem pagava z cu/as dos b>ulhos entre os gr&es1 o povo que pagava tributos a toda a g5te1 e que mesmo qu&o vivia em seus concelhos gov]n&o-se pelos seus =aes1 que eram p>a assim diz] z suas leis1 mesmo ento era ralado pela fidalguia4 ,e ,affonso ,,iii disse comsigo3 ,ora ahi e/ quem me s]ve4 ,e desata a faz] concelhos1 e1 qu&o reuniu crtes que at ahi eram s de fidalgos e padres1 *am\ tambem procuradores d povo1 e favoreceu o mais que p\de o seu negocio1 e deu-lhes socego e c\sas e tal1 de frma que depois p\de d> p>a baixo nos prelados1 que b]ravam pelos contractos que t9ha diabo1 mas ,d4 ,affonso ,,iii1 que era f9orio1 aban\-lhes z orelhas4 ,e que os papas t9ham depo/o no s o rei ,d4 ,san*o ,,ii1 mas tambem um imp]ador da ,allemanha1 de modo que aos *efes dos e/ados j a *eir&o a *amusco1 e pr9cipi>am a faz] p>$e contra o papa4 ,assim os bispos1 que levavam tapona de ,d4 ,affonso ,,iii1 am a ,roma faz] queixas ao papa1 e o papa naturalm5te respondia-lhes cont&o-lhes uma fabula que lhes v\ cont> a vocs tambem4 --,conte l sr4 ,joo da ,agualva1 exclam\ o ,manel da ,idanha1 a9da que eu1 a diz] a v]dade1 no sei l muito bem o que v5ha a s] isso de fava ou fabula ou o que 4 --,fabula assim uma hi/oria em que os animaes fallam como se fossem g5te1 e pelo que elles dizem tira a g5te444 sim444 como diz o outro pelos dom+os se tiram os dias santos444 ,eu l1 a e/as explicaes1 no se pde diz] que seja um b>ra1 mas em fim1 em eu cont&o o caso1 logo vos ap]cebem4 -- isso mesmo1 tio ,joo1 conte l1 disse o ,b>?olomeu4 --,uma vez z rs =am t] com ,deus ,nosso ,s5hor e p$iram-lhe um rei1 e ,deus ,nosso ,s5hor1 que e/ava de m>1 no quiz abus> das pobres9has1 e atir\-lhes p>a o *>co um cepo2 mas o cepo no fazia nada1 &ava tona da agua1 p>a aqui e p>a acol1 z rs no lhe t9ham respeito n5hum1 e saltavam n'elle1 qual debaixo qual de cima1 e o cepo sempre um paz d'alma1 que tanto valia t]em rei como no o t]em4 ,vae ento z rs volt>am a ,deus ,nosso ,s5hor1 e diss]am-lhe d'e/a maneira3 ,d-nos ,vossa ,div9dade um rei que se veja1 um rei que nos gov]ne4--,pois ento ahi vae um rei como vocs qu]em1 respondeu ,nosso ,s5hor1 e atir\-lhes p>a o *>co uma s]p5te1 e a s]p5te1 a primeira c\sa que fez1 foi engulir z primeiras vassallas que lhe p>ec]am mais gordas1 e depois outras e outras1 de frma que z pobres rs j se no atreviam nem sequ] a coax> p>a que sua mage/ade no desse com ellas4 ,p]cebem vocs agora porque que o papa podia cont> e/a hi/oria aos bispos que am t] com elle8 --,p]cebo eu1 acudiu logo o ,manel da ,idanha4 que elles no descanaram emquanto no poz]am fra um rei que era um paz d'alma1 um cepo1 o ,d4 ,san*o ,,ii1 e =am busc> outro rei que era uma s]p5te e que deu cabo d'elles que foi um regalo4 --,ora1 tal qual1 s ,manel4 ,com g5te assim que eu me ent5do4 ,d4 ,affonso ,,iii bem se pde diz] que era uma s]p5te1 porque z s]p5tes so manhosas1 e elle t9ha manha a val]4 ,mo/r\-o em tudo1 at no modo como se ass5hore\ d ,alg>ve1 que era s o que faltava p>a ,portugal *eg> ao m> pelo lado d sul4 ,tom\-o aos m\ros1 e isso foi obra de p\co tempo2 mas o rei de ,ca/ella comeou a b]r> que o ,alg>ve lhe devia p]t5c] a elle4 ,d4 ,affonso ,,iii nunca lhe disse o contr>io1 mas foi arra/&o a entrega1 e depois aproveit&o tudo1 de frma que s duas por tres e/ava s5hor d ,alg>ve1 e1 qu&o ,d4 ,affonso ,,iii morreu1 que foi a #af de fev]eiro de #abgi1 e/ava ,portugal completo e seguro1 e1 vi/o que *egmos ao fim d'e/a primeira p>te1 p>ece-me que o melhor irmos dormir1 que p>a o outro dom+o cont9u>emos4 --,mas s ,joo1 disse o ,manel da ,idanha1 j agora1 faa favor1 no deixe ir a g5te embora1 sem nos explic> uma c\sa4 ,vocemec diz que o rei1 p>a esmurr> z v5tas aos bispos mais aos fidalgos1 comeou a faz] concelhos por d c aquella palha1 e l isso que eu no p]cebo muito bem4 ,ento que diabo t9ham os fidalgos com o hav] ou o no hav] concelhos8 --,pois tem raso1 s ,manel da ,idanha1 e bom que essas c\sas fiquem explicadas1 porque a mim p>ece-me c no meu modo de v] que o que nos importa a ns1 que somos d povo1 no tanto sab] z batalhas que se d]am1 e mais os reis que h\ve2 o que nos importa sab] como que viviam os nossos paes1 e como se gov]navam e c\sas e tal4 ,ora pois1 saibam vocs que muitos dos nossos paes eram a bem diz] escravos1 no como os d tempo dos romanos que podiam s] v5didos como uns negros1 mas faziam p>te das t]ras que cultivavam1 e com ellas passavam de dono p>a dono4 ,i/o foi melhor&o1 e os s]vos pass>am a s] g5te livre1 mas sem t] t]ras suas2 pagavam =os e =os pesados1 os s5hores das t]ras eram os reis1 os nobres1 os bispos e os mo/eiros4 ,z t]ras dos reis *amavam-se t]ras da cora1 z dos fidalgos e z da igreja c\tos1 honras e behetrias4 ,ora os fidalgos1 que s t9ham obrigao de s]vir o rei na gu]ra e no pagavam mais nada1 ou por h]ana de seus paes1 ou por doaes dos reis em recomp5sa dos seus s]vios1 am mett5do em si o paiz todo1 j se v de embrulhada com os padres2 e os reis p\co t9ham de seu1 porque1 demais a mais1 fidalgos1 bispos e conv5tos apanhavam tudo quanto podiam1 o que se lhes dava e o que se lhes no dava4 ,por isso ,d4 ,affonso fez z taes inquiries1 qu] diz]1 obrig\ todos a porem p>a ali os seus titulos1 p>a se sab] se t9ham z t]ras com direito ou sem elle1 e/abeleceu mais z famosas confirmaes que punham a fidalguia sempre na dep5d5cia da cora1 porque cada novo rei confirmava ou no confirmava z doaes dos outros1 e f9alm5te prohibiu aos conv5tos que arranjassem mais t]ras4 ,e vae o povo o que fazia8 ,sempre que se podia livr> dos fidalgos e dos padres por qualqu] modo e feitio1 =mava-se um concelho4 ,ento cont9uavam a pag> tributo1 e s]viam nas gu]ras1 mas no e/avam sujeitos a n+uem1 gov]navam-se elles por si1 e t9ham z t]ras muito suas4 ,ora1 como os reis que os podiam ajud> a v]-se livres da fidalguia1 *egavam-se p>a elles1 e os reis1 que t9ham nos concelhos g5te que tambem a gu]ra e que lhes pagava tributos1 enco/avam-se p>a esse lado1 p>a t]em quem lhes valesse qu&o os b>es ou os bispos se faziam f9os4 ,aqui t5s tu explicado pela rama como cada concelho1 que se =mava1 era ao mesmo tempo um asylo de lib]dade p>a o povo e um auxili> p>a o rei contra z ameaz dos fidalgos4 --,muito obrigado1 s ,joo da ,agualva1 torn\ o ,manel2 mas sempre lhe digo que quem no sabe como quem no v4 ,ora quem me hav]a de diz] que e/a hi/oria de t] uma t]ra1 um pel\r9ho no meio da praa1 era de tanta vantagem c p>a o povo6 ,pois at dom+o1 e tomra eu que passasse depressa a semana porque div]tim5tos como e/e que ha muito tempo a g5te no apanha4 ,,qu>to ,,s],o ,d4 ,d9iz4--,a univ]sidade de ,coimbra4--,os ,templ>ios4--,santa ,isabel4--,d4 ,afonso ,,iv4--,a batalha d ,salado4--,morte de ,ignez de ,ca/ro4--,d4 ,p$ro ,i4--,d4 ,f]n&o ,i4--,leonor ,telles4--,e/ado de ,portugal no fim d re9ado de ,d4 ,f]n&o4 --,meus amigos1 pr9cipi\ o ,joo da ,agualva1 corriam os annos1 e l por esse mundo de ,*ri/o am todos abr9do os olhos4 ,os romanos1 como lhes disse1 eram um povo que sabia o nome aos bois4 ,elles faziam e/radas1 elles faziam edificios que a9da hoje1 arru9ados1 deixam fic> uma pessoa embasbacada1 elles t9ham escolas1 o diabo6 ,mas1 depois1 vi]am os b>b>os dos bosques da ,allemanha e da ,russia1 e zas1 tras1 catatras1 l se foi tudo pela agua abaixo4 ,por muito tempo no se p5s\ s5o em pancad>ia4 ,tudo era g5te rude1 os reis no sabiam l] nem escrev]1 os povos fallavam uma l+ua ass>alhopada que nem era lat9a1 nem deixava de o s]4 ,mas a p\co e p\co =am-se acl>&o z c\sas1 foi hav5do e/udos1 e ,d4 ,d9iz1 que subiu ao ?rono1 depois da morte de ,d4 ,affonso ,,iii1 era j um sabi*o4 ,elle fazia os seus v]sos de p quebrado1 que a g5te hoje quasi que no ent5de1 mas que eram j escriptos n'uma l+ua com t]mos1 elle emfim vio que havia escolas por esse mundo onde se ens9ava tudo o que ento se sabia1 e quiz tambem t] uma que foi a univ]sidade de ,coimbra4 ,depois trat\ de faz] d re9o alguma c\sa com geito4 ,j no t9ha que p5s> em m\ros1 e ento p5s\ na lav\ra1 p5s\ na m>9ha1 p5s\ em tudo o diabo d homem6 ,m&\ vir capites de navios1 de ,italia1 p>a ens9>em os nossos1 e ajud\ os navegantes d ,porto1 que sempre =am g5te desemb>aada1 a cre> uma especie de companhia de seguros1 e no se descuid\ tambem de d> p>a baixo na nobreza e nos padres p>a elles se no faz]em f9os1 e dava-lhes de modo que elles no t9ham raso de queixa1 porque era sempre com ju/ia4 ,ora1 por exemplo1 d'antes havia uma especie de frades que se *amavam freires milit>es1 que eram1 como quem diz1 frades e soldados ao mesmo tempo4 ,em vez de faz]em voto de rez> e de jeju>1 faziam voto mas era de d> bordoada nos m\ros4 ,havia umas p\cas de ord5s n'esse go/o1 a ordem dos ,templ>ios1 a de ,s4 ,?iago1 a de ,aviz e outras4 ,ora1 como de v]1 esses templ>ios1 por exemplo1 que se f>tavam de tom> t]ras aos m\ros1 com algumas haviam de fic> p>a si4 ,e depois t9ham doaes1 emfim eram ricos a val]4 ,o que acontecia por c1 tambem acontecia l por fra4 ,succ$eu1 pois1 que um rei de ,frana e um papa a*>am excell5te apanh> p>a si essas riquezas todas1 e acab>am com a ordem dos ,templ>ios em toda a p>te2 mas ,d4 ,d9iz1 que era um homem s]io1 no e/eve pelos aju/es1 e ent5deu que s]ia um r\bo tir> aos hom5s o que elles t9ham ganho cu/a d seu sangue1 e ento1 como no havia de desob$ec] ao papa1 abolio a ordem dos ,templ>ios1 mas pass\ todos os b5s p>a outra que p$iu ao papa que creasse e a que *am\ ordem de ,*ri/o4 -- sr4 ,joo1 p]gunt\ o ,francisco ,artilheiro1 esse ,d4 ,d9iz no era m>ido da ra9ha ,santa ,isabel8 --,era sim1 rapaz1 e j v\ fall> n'essa ra9ha1 que foi tambem uma das b5os de ,portugal n'esse tempo4 ,era filha d rei de ,arago1 e bem se pde diz] que aquella que foi uma v]dadeira santa4 ,pobre s5hora6 ,no lhe falt>am desgo/os1 no4 ,primeiro h\ve gr&e bulha entre o m>ido e um cunhado1 ,d4 ,affonso ,san*es1 que embirr\ em que lhe p]t5cia a cora1 apes> de s] mais novo2 depois1 e isso foi o peor1 o filho1 que veio a s] ,d4 ,affonso ,,iv1 revolt\-se contra o pae1 e porque8 ,porque el-rei ,d4 ,d9iz1 que era fre*eiro1 e que se f>t\ de t] filhos ba/>dos1 p>ecia que olhava mais por elles d que pelos proprios filhos d matrimonio4 ,imag9em o desgo/o da ra9ha6 ,primeiro porque emfim no havia de go/> muito de v] o m>ido sempre ao l> com e/a e com aquella a arranj> filhos por fra de casa1 e depois por v] assim a gu]ra accesa entre seu m>ido e seu filho4 ,e a9da por cima o rei desconfi\ que ella a de accordo com o filho1 e *eg\ at a tratal-a mal1 e a m&al-a sar da crte4 ,pobre s5hora6 aquillo era o que ali e/ava4 ,ella tudo support\ com resignao--z infidelidades e z inju/iz d m>ido1 s o que qu]ia era v] tudo em paz4 ,e sempre o conseguio4 ,tanto p$iu1 tanto *or\1 que o filho e o pae vi]am s boas4 ,mas d'ahi a p\co torna a hav] intrigas1 e o ,d4 ,affonso1 que era um vivo demonio1 torna pancad>ia com o pae4 ,pois s5hores1 a batalha e/ava p>a s] aqui ao p de ,lisboa1 no ,campo ,gr&e2 mas qu&o j comeavam lambada1 app>ece no meio d'elles a boa ra9ha1 que foi mesmo o anjo da paz1 e depois que ella app>eceu n+uem mais se atreveu a levant> uma lana4 ,oh6 rapazes6 digo-lhes que at me p>ece que no era necess>io que o papa a fizesse santa p>a que o povo a adorasse6 ,pois ento se aquella no fosse santa quem que o havia de s]8 ,dizem que mudava o ouro em rosas1 e rosas em ouro4 ,isso creio eu1 que aquellas b5tas mos haviam de mud> em flores tudo em que tocassem1 porque eram1 como o outro que diz1 mos puras e boas1 como a aragem de maio6 ,mas milagres maiores fazia ella a9da1 porque z lagrimas que *orava em segr$o caam depois sobre a cabea d pai e d filho como orvalho de paz e como *uva de amor6 ,sim6 ,sim6 cont9u\ o bom d ,joo da ,agualva1 com voz tremula1 e meio a *or>1 digam l vocs que ella no mudava tudo em que tocava em rosas1 qu&o agora mesmo1 que diabo6 s de fall> n'ella1 p>ece que at z palavras na m9ha bca se e/o mud&o em flores6 --,ai6 a m9ha rica ,santa ,isabel6 exclam\ a tia ,m>g>ida1 pondo z mos1 n'um enlevo4 ,coitad9ha da m9ha rica santa que foi logo casada com um homem to mau6 --,no era mau1 no s5hora1 torn\ o ,joo da ,agualva1 foi at um dos melhores reis que ns tivemos1 mas como elle s vezes l escorregava o seu p$ao1 e nem sempre trat\ a santa como ella m]ecia s] tratada1 ba/\ isso p>a que o povo comeasse a inv5t> c\sas1 que elle que era um sov9a1 um desconfiado1 um unhas de fome1 e at os p9tores1 qu&o fazem o quadro d milagre das rosas1 pem-n'o com uma c>antonha de mett] m$o1 que n+uem dir que e/ ali o rei poeta1 o rei a quem *amavam o pae d povo1 o rei que no quiz r\b> os templ>ios1 o rei que fund\ a univ]sidade de ,coimbra1 o rei que tanto se desvel\ pelo bem d paiz6 ,e que z inju/iz1 por mais pequ5as que sejam1 sempre vem a pag>-se1 e ,d4 ,d9iz1 esses peccados que teve1 pag\-os bem c>o1 primeiro com a revolta de seu filho1 depois com a inju/ia d futuro1 e agora vo vocs v] como o filho tambem pag\ o que fiz]a ao pae1 porque em #acbe morreu el-rei ,d4 ,d9iz e subiu ao ?rono seu filho ,d4 ,affonso ,,iv1 a quem *am>am o ,bravo4 --,ora vamos l a v] o que fez esse s5hor1 disse uma voz4 --,d4 ,affonso ,,iv1 meus amigos1 t9ha muito boas qualidades4 ,era1 por exemplo1 um homem de muito bons co/umes1 e foi isso at que o lev\ a pratic> uma aco444 emfim1 depois fall>emos4 ,era homem s]io1 mas arrebatado e v+ativo4 ,a primeira c\sa que fez1 assim que subiu ao ?rono1 foi v+>-se dos irmos1 por cuja causa tiv]a z bulhas com o pai4 ,d'ahi gu]ra4 ,quem acudiu8 ,a ra9ha ,santa ,isabel4 ,cas\ uma filha com o rei de ,ca/ella1 ,affonso ,,xi4 ,e/e1 que era d feitio de ,d4 ,d9iz1 comeou a l>g> a mulh] e a mett]-se com uma tal ,d4 ,leonor de ,gusman4 ,d4 ,affonso ,,iv1 que ficra embirr&o dev]as com esses arranjos depois das turras com o pai1 comeou a cri> m vontade ao g5ro1 e zas1 toma que te d\ eu1 ao primeiro pretexto que teve1 ahi comeam z bulhas4 ,foi uma gu]ra de c c ra c1 que no pre/\ p>a nada1 mas que sempre fazia mal ao povo4 ,no mais seguiu risca o exemplo d pae4 ,trat\ d povo1 teve os fidalgos muito na mo1 mais os padres tambem4 ,e ento com esses no foi l s por causa das t]ras a que deitavam a unha1 foi tambem por causa dos maus co/umes1 porque elles go/avam de pass> vida airada e outras c\sas que ,d4 ,affonso ,,iv lhes no lev\ a bem4 ,por isso apanh>am uma vez uma rabecada1 n'uma c>ta que ,d4 ,affonso escreveu ao papa1 que foi de fic>em de c>a a uma b&a4 --,bem feito6 acudiu a tia ,m>g>ida4 ,esse rei sim6 esse que me quadra4 ,bem se v que era filho da ra9ha ,santa ,isabel6 --,esp]e l1 tia ,m>g>ida1 no falle antes de tempo que1 como diz o outro1 at ao lav> dos ce/os v9dima4 ,h\ve no re9ado de ,d4 ,affonso ,,iv duas c\sas famosas3 primeiro a batalha d ,salado1 depois a morte de ,d4 ,ignez de ,ca/ro4 --,foi com os hespanhoes a batalha d ,salado8 --,no homem1 foi dada at p>a os ajud>4 ,j lhes disse1 meus amigos1 que ns desde o re9ado de ,d4 ,affonso ,,iii t9hamos po/o os m\ros na rua4 ,mas os hespanhoes a9da no t9ham conseguido o mesmo1 os m\ros e/avam r$uzidos ap5as ao re9o de ,granada1 mas sempre isso era alguma c\sa4 ,ora agora ali em ,m>rocos e/ava1 como sabem1 a moirama toda4 ,imag9em que um bello dia o tal miramolim de ,m>rocos1 ou como diabo se *amava elle1 desaba em ,hespanha com o pod] d mundo e junta-se ao rei de ,granada p>a d>em cabo d rei de ,ca/ella4 ,era e/e ,d4 ,affonso ,,xi1 g5ro d nosso ,d4 ,affonso ,,iv4 ,at]rado com o p]igo1 p$iu soccorro ao sogro1 apes> de e/> mal com elle2 mas o nosso rei1 homem ajuizado1 vio que a occasio no era p>a dize tu direi eu1 que no era s ,ca/ella que e/ava em p]igo1 e/ava em p]igo a ,hespanha toda2 se ,affonso ,,xi levasse uma t>eia e p]desse algumas prov9cias ficavam aqui os m\ros de raiz1 e t9ha de se comear outra vez a pl-os fra4 ,por isso no esp]\ por mais nada1 ajunt\ quanta g5te p\de1 e foi em soccorro d g5ro4 ,o nosso rei era homem de pulso1 os nossos soldados tambem eram pimpes4 ,o soccorro no foi nada mau4 ,na batalha d ,salado os m\ros lev>am uma sova de primeira ordem1 e nunca mais os de ,m>rocos vi]am c mett] o n>iz d'e/e lado d m>4 ,d4 ,affonso ,,iv volt\ p>a a sua t]ra sem t] qu]ido acceit> c\sa n5huma da gr&e preza que fiz]am4 --,e isso de ,d4 ,ignez de ,ca/ro o que foi1 sr4 ,joo da ,agualva8 p]gunt\ a tia ,m>g>ida4 ,no foi essa ,ignez de ,ca/ro que e/eve aqui em ,bellas1 que at ali na qu9ta d m>quez ha uma arvore a que *amam de ,ignez de ,ca/ro8 --,ora adeus1 tia ,m>g>ida6 e/eve agora em ,bellas6 qu] diz]1 eu1 como no &ei com ella por toda a p>te1 no sei se por c pass>ia alguma vez1 mas onde viveu pr9cipalm5te foi em ,coimbra4 ,era uma hespanhola e/a ,ignez de ,ca/ro1 l9da como os amores1 l\ra como o sol1 e com um pescoo to bonito1 que lhe *amavam o collo de g>a4 ,veio p>a ,portugal como dama da infanta ,d4 ,con/ana que foi mulh] d pr9cipe ,d4 ,p$ro1 filho de ,d4 ,affonso ,,iv1 mas o pr9cipe p>ece que go/\ mais da dama que da mulh]4 ,tri/es amores =am aquelles1 rapazes6 ,ella t9ha pelo seu ,p$ro um fatacaz l de d5tro1 que e/\ em diz] que mais go/>ia ella de que elle fosse um pa/or de cabras d que filho de um rei4 ,a pr9ceza ,d4 ,con/ana morreu1 e p>a isso no deix>ia de concorr] a paixo d m>ido1 que1 por mais que elle a quizesse escond]1 reb5tava por todos os lados4 ,coitada da pr9ceza6 tudo fez p>a arr$> o m>ido d'aquelles mal-av5turados amores4 ,mas ento6 vo l fugir ao seu de/9o6 ,p$iu a ,ignez de ,ca/ro que fosse madr9ha de um filho que ella teve1 porque n'esse tempo hav] amores entre compadre e comadre quasi que era maior peccado que havel-os entre irmos4 ,nada6 aquillo era como um fogo val5te que tanto mais se acc5de quanto mais agua lhe deitam4 ,em fim1 morreu a pr9ceza1 e ,d4 ,p$ro e ,d4 ,ignez fic>am vontade1 porque at ahi t9ham gu>dado respeito pobre s5hora4 ,cas>iam8 ,d4 ,p$ro assim o jur\ depois1 mas eu e/\ em diz] que no1 porque p>a cas>em era necess>ia disp5sa grada1 que o papa no d>ia assim sem mais nem m5os e com tanto segr$o como o pr9cipe qu]]ia4 ,mas1 ou casassem ou no1 c]to que tiv]am tres filhos1 e que o pr9cipe ,d4 ,p$ro no qu]ia sab] de mais nada s5o da sua l\ra ,ignez4 ,d4 ,affonso ,,iv no viu isso com bons olhos4 ,sabem como elle era4 ,vivia s p>a a sua mulh]1 qu]ia tudo em boa ordem1 e no go/ava d'essas fraquezas4 ,os fidalgos tambem no go/avam1 mas esses por outras rases4 ,t9ha ,d4 ,ignez muita p>5tella1 e diziam comsigo que1 ap5as ,d4 ,affonso ,,iv fe*asse os olhos1 eram os ,ca/ros que davam z c>tas em ,portugal4 ,comearam a f]v] z intrigas1 e *eg>am a aconselh> o rei que1 vi/o que no havia =z humanas que arrancassem ,d4 ,p$ro sua ,ignez1 o melhor era d>em cabo d'ella4 ,d4 ,affonso ,,iv torceu o n>iz1 mas l por d5tro e/ava em braza4 ,ora1 imag9em vocs6 ,d4 ,affonso1 no pr9cipio da sua vida1 tiv]a os maiores desgo/os por causa dos ba/>dos de seu pae4 ,tambem o t9ham feito de fel e v9agre os amores de seu g5ro com ,d4 ,leonor de ,gusman4 ,morria pelo neto1 um rapaz9ho bonito como a aurora1 que t9ha de s] depois ,d4 ,f]n&o o ,=moso4 ,lembr\-se das am>guras que viriam a caus> ao rapazito os filhos da amante qu]ida1 que talvez at lhe r\bassem a cora4 ,subiu-lhe a mo/>da ao n>iz com a teima d filho1 e deu ordem aos seus tres conselheiros1 ,alv>o ,gonalves1 ,diogo ,lopes ,pa*eco e ,p$ro ,coelho p>a que o livrassem de ,d4 ,ignez4 ,ahi vo todos at ,coimbra1 onde e/ava muito socegada a tri/e da rap>iga4 ,ella1 ap5as suspeit\ d caso1 veiu com os filhos lanar-se aos ps d rei4 ,o pobre ,d4 ,affonso ent]neceu-se1 mas os conselheiros que viram o caso mal p>ado4 ,se elle p]da1 diss]am comsigo1 ns que pagamos z favas4 ,no esp]>am que ,d4 ,affonso resolvesse z c\sas de outro modo4 ,=am-se pequ5a1 e1 emquanto o diabo esfrega um olho1 f]r>am com ella no outro mundo6 --,ai que malvados6 brad>am todos4 --,isso eram1 torn\ o ,joo da ,agualva4 ,sim6 que eu no desculpo ,d4 ,p$ro1 nem a desculpo a ella4 ,se uma mulh]1 s porque go/a de um homem1 no e/ l com mais c]emonias e passa a viv] com elle1 sem a b5o d padre1 aonde ir i/o p>>8 mas tambem matal-a sem mais nem m5os1 matal-a no meio dos seus filhos1 mat> uma pobre m59a1 que no fazia s5o *or>1 ah6 s uns malvados eram capazes de faz] similhante c\sa4 ,por isso tambem1 vem vocs8 ,d4 ,affonso foi um bom rei1 um homem de bons co/umes1 um val5te1 tudo quanto quiz]em1 mas a f9al de contas p]guntem ahi a um pequ5o3--,quem era ,d1 ,affonso ,,iv8 ,cuidam que elle que lhes responde3 ,era um bom rei1 i/o1 aquillo e aquell'outro4 ,no1 s5hores1 diz logo3 ,foi o rei que mat\ ,ignez de ,ca/ro4 ,e como assass9o que a g5te o conhece1 e no seu manto real no se v o sangue das batalhas1 v-se mas o sangue de ,ignez6 ,e e/a8 ,se a no matassem1 o que dizia a hi/oria8 ,foi a amante de um rei4 ,olhem que gloria6 ,e assim8 ,todos *oram por ella1 como a tia ,m>g>ida1 que e/ ali a limp> os olhos com a ponta d seu av5tal4 --,e o que fez ,d4 ,p$ro8 p]gunt\ o ,manuel da ,idanha4 --,o que fez ,d4 ,p$ro8 ,ah6 com os diabos6 ,imag9em6 ,elle a9da t9ha peior g5io que o pae4 ,ap5as s\be d que succ$]a1 aquillo p>ecia um leo f]ido4 ,salt\ logo p>a o campo em som de gu]ra1 e ,d4 ,affonso pag\ o que fiz]a ao pae1 porque teve tambem o filho revoltado contra si4 ,correu muito sangue por esse re9o1 at que emfim se fez a paz1 mas ,d4 ,affonso ,,iv p\co tempo sobreviveu1 morr5do em #acei1 dois annos depois da morte de ,ignez4 --,subio ao ?rono ,d4 ,p$ro1 no v]dade8 p]gunt\ com muito int]esse o ,manuel da ,idanha4 -- v]dade que sim1 e1 meus amigos1 ento que se viu o amor l de d5tro que elle t9ha sua ,ignez4 ,ap5as subio ao ?rono1 os assass9os da ,ca/ro saf>am-se p>a ,hespanha1 mas ,d4 ,p$ro l fez o seu negocio com o rei de ,ca/ella1 de frma que apanh\ os crim9osos1 m5os um1 ,diogo ,lopes1 que conseguiu fugir4 ,assim que os teve em seu pod]1 fez-lhes torturas4 ,a um m&\ arranc> o corao pelo peito e a outro pelas co/as4 --,cr$o6 exclam\ a tia ,m>g>ida4 --,por isso lhe *amavam ,d4 ,p$ro o ,cruel1 assim como tambem lhe d]am o nome de ,d4 ,p$ro o ,ju/iceiro4 ,ju/ia fez elle1 porque bradava aos cu a morte de ,d4 ,jgnez1 mas uma crueldade assim de se porem a uma pessoa os cabellos em p6 ,que mais qu]em8 ,d4 ,p$ro p>ece que no p5sava n'outra c\sa s5o na sua ,ignez1 elle traslad\-a1 com um e/ado nunca vi/o1 de ,coimbra p>a ,alcobaa1 onde lhe m&>a faz] um tumulo que era mesmo uma l9deza4 ,elle decl>\ que t9ha casado com ella1 e at se diz que a s5t\1 depois de morta1 no ?rono1 e m&\ que todos lhe beijassem a mo4 ,mas isso p>ece-me patranha1 a9da que ,d4 ,p$ro era capaz d'essas extravagancias e de muitas mais4 ,porque effectivam5te1 meus amigos1 p>ece que elle t9ha endoidecido com a morte de ,d4 ,ignez4 ,t9ha assim de rep5te umas furias que era livr> quem e/ivesse diante4 ,era ju/iceiro1 v]dade1 mas fazia ju/ia doida e bruta4 ,outras vezes entrava por essa ,lisboa d5tro a danar1 muito cont5te da sua vida4 ,gov]nava bem1 no ha duvida1 punia pelo povo1 abaixava a pra aos bispos1 cons]vava o re9o em paz1 e juntava bom d9heiro nos c(res p>a uma occasio de apuros1 mas era ao mesmo tempo umas mos rotas com os fidalgos1 que torn>am a faz]-se f9os1 como se viu depois4 ,foi em #acfg que ,d4 ,p$ro morreu1 e logo subiu ao ?rono ,d4 ,f]n&o1 a quem *amavam o ,=moso1 de bonito que era4 ,l que elle t9ha telha1 isso que no padece duvida1 porque nunca se viu uma v5to9ha assim4 ,aquillo era mesmo um gallo de torre de igreja4 ,primeiro deu-lhe na tonta o qu]] s] rei de ,ca/ella1 de mais a mais no t5do geito n5hum p>a a gu]ra1 e no go/&o de batalhas4 ,d'ahi1 o que result\8 ,ga/\ o que t9ha1 lev\ pasada de cre> bi*o1 e teve de faz] z pazes4 ,mas vejam vocs que cabec9ha6 ,qu&o fez gu]ra a ,ca/ella1 alli\-se com o ,arago1 m&\-lhe p>a l bom d9heiro1 e prometteu cas> com a filha d rei1 que se *amava ,d4 ,leonor4 ,faz z pazes com o de ,ca/ella1 e1 sem se lembr> j d primeiro casam5to1 promette cas> com a filha d rei ca/elhano1 que tambem se *amava ,leonor4 ,o de ,arago no fez caso1 metteu o d9heiro portuguez1 que l t9ha1 nas algibeiras1 e nunca mais deu contas4 ,mas o peor no isso1 o peor que ,d4 ,f]n&o tambem no cas\ com ,d4 ,leonor de ,ca/ella1 porque n'e/e meio tempo namor\-se de uma dama d pao1 *amada ,d4 ,leonor ,telles1 e despos\-a6 ,ao m5os n'uma c\sa era elle con/ante1 que no saa das ,leonores4 ,e/a ,leonor ,telles foi o que se *ama uma mulh] de truz1 bonita como z que o so1 manhosa como a s]p5te1 e d&o1 como a nossa me ,eva1 o cavaqu9ho pelo fructo prohibido4 ,qu&o cas\ com ,d4 ,f]n&o j era casada com um ,d4 ,joo ,l\r5o da ,cunha1 mas lembr\-se ultima hora de que a9da eram p>5tes1 e o rei arranj\ d papa que desfizesse o casam5to4 ,joo ,l\r5o da ,cunha deu graz ao cu por se v] livre da mulh] que e/ava p>a lh'a preg> mesmo na m59a d olho1 e ,d4 ,f]n&o lev\ ,d4 ,leonor ,telles p>a casa4 ,mas o povo que no e/eve pelos autos e grit\ e b]r\ e fez tumulto1 tanto que el-rei saf\-se de ,lisboa4 ,h\ve mosquitos por cordas por esse re9o todo1 e a f9al acab\ tudo em paz4 ,d4 ,leonor fic\ s5do ra9ha1 os de ,lisboa apanh>am p>a o seu tabaco e ,d4 ,f]n&o no t>d\ a lev> a paga4 ,o rei de ,ca/ella a*\ que ,d4 ,f]n&o o trat>a com tal ou qual sem-c]emonia1 e quiz-lhe d> uma lio de bem viv]4 ,veio a ,portugal1 *eg\ a ,lisboa1 entr\ por ahi d5tro1 fez um e/rago de seisc5tos demonios1 e dava cabo da capital se ,d4 ,f]n&o lhe no vem p$ir pazes1 que1 j se v1 cu/>am c>as4 ,aqui ficmos f9alm5te em socego1 e ento ,d4 ,f]n&o p>ecia outro homem4 ,sabia gov]n> aquelle rapazote1 qu&o z mulh]es lhe no faziam &> a cabea roda1 ou qu&o se no lembrava de t] outros re9os4 ,era economico e arranjado4 ,sabia pr z c\sas no seu log>4 ,foi elle que c]c\ ,lisboa de =tificaes1 que depois no s]viram de p\co ao seu successor4 ,mas1 coitado1 ac]tra mal1 em todos os s5tidos1 com a tal ,d4 ,leonor ,telles1 que era mesmo o demonio em pessoa2 qu&o se enfa/i\ d'elle1 tom\ amores com um gallego que vivia em ,portugal1 *amado conde ,&eiro4 ,el-rei1 entretanto1 metteu-se outra vez em gu]ras com ,ca/ella1 e p$iu auxilio aos +lezes4 ,oh6 rapazes1 que tri/es tempos =am aquelles6 ,a vida d pao era um desa=o4 ,e/ava ali aquella mulh]1 aquella444 no sei que diga1 a pr na cabea a cora da ra9ha ,santa ,isabel1 a cora que no podra pr nos seus cabellos l\ros a pobre ,ignez de ,ca/ro1 que1 apes> de todos os pez>es1 era mil vezes mais capaz d que essa ra9ha de contrab&o1 que &\ de um p>a outro1 sem v]gonha de qualidade n5huma6 ,e a9da por cima era malvada6 v+ativa6 e p>a ella a vida de um homem valia tanto444 como444 a honra d m>ido1 que o mais que se pde diz]6 ,o povo desgraado1 porque tudo se juntava4 ,z gu]ras com ,ca/ella sempre infelizes6 os +lezes1 como sempre1 apes> de amigos1 muito peores d que se fossem inimigos4 ,os fidalgos de ,ca/ella1 que t9ham tomado o p>tido de ,d4 ,f]n&o1 tratados aqui gr&e6 e a9da por cima ,d4 ,f]n&o sem t] filhos1 e com a filha unica j casada com ,d4 ,joo ,i de ,ca/ella4 ,d4 ,f]n&o1 apes> da sua cegueira1 j a p]ceb5do z c\sas1 e t9ha l por d5tro um desgo/o que o ralava4 ,tambem em #achc1 t5do ap5as tr9ta e oito annos de idade1 e/ic\ a canella1 depois de um re9ado que podia t] sido muito proveitoso1 e que assim foi uma desgraa p>a todos4 ,e eu tambem me v\ *eg&o p>a a cama1 no sem lhes diz] que h\v]a mudana completa no modo de viv] da nossa g5te n'e/es ultimos re9ados4 ,os fidalgos t9ham levado p>a baixo1 e e/avam j em gr&e p>te1 por assim diz]1 s sopas dos reis4 ,os concelhos d povo t9ham-se feito =tes1 e batiam o p fidalguia1 e ao cl]o1 pr9cipalm5te1 nas crtes1 em que entravam4 ,o resultado de tudo isso o que vocs ho de v] de hoje a oito dias4 ,,qu9to ,,s],o ,int]regno4--,reg5cia de ,leonor ,telles4--,morte d conde ,&eiro4--,o c]co de ,lisboa4--,nuno ,alv>es ,p]eira e ,joo das ,regras4--,z crtes de ,coimbra4--,d4 ,joo ,i4--,a batalha de ,aljub>rota4--,os filhos de ,d4 ,joo ,i4--,tomada de ,ceuta4--,os descobrim5tos4--,d4 ,du>te4--,exp$io de ,tang]4--,m5oridade de ,d4 ,affonso ,v4--,o infante ,d4 ,p$ro4--,batalha de ,alf>robeira4--,tomada das praz africanas4--,gu]ras com ,hespanha4--,batalha de ,toro4--,ida de ,d4 ,affonso ,v a ,frana4--,cont9uao dos descobrim5tos4 --,meus amigos1 disse o ,joo da ,agualva no outro dom+o1 o que eu agora v\ cont> ha de p>ec] assim a vocs gr&e patranha1 e a todos p>ec]ia se no h\vesse tantas provas da v]dade4 caso de uma pessoa fic> pasmada v] o que fez e/e paiz s1 ao canto d mundo1 pequ5o como 4 ,oiam1 pois1 rapazes1 com att5o4 ,ap5as morreu el-rei ,d4 ,f]n&o1 trat\ logo ,d4 ,leonor ,telles de faz] proclam> ra9ha de ,portugal a sua filha ,d4 ,beatriz1 que era uma pequ5ota casada com o rei de ,ca/ella ,d4 ,joo ,i1 e ao mesmo tempo fez-se reg5te4 ,o povo1 que no qu]ia s] ca/elhano1 ou hespanhol como hoje diriamos1 nem que o matassem1 comeou a levant>-se por toda a p>te4 ,mas o que faltava era um *efe4 ,os filhos de ,d4 ,ignez de ,ca/ro &avam fugidos por fra de ,portugal1 um por i/o1 outro por aquillo1 mas quem e/ava em ,lisboa era um rapaz muito sympa?ico1 filho ba/>do de el-rei ,d4 ,p$ro1 que e/e fiz]a me/re de ,aviz1 e a quem ,d4 ,leonor ,telles sempre tiv]a muito odio4 ,a elle se dirigiram4 ,o me/re vio que no havia rem$io s5o faz] o que o povo qu]ia4 ,toma logo a sua resoluo1 vae ao pao e mata elle mesmo o conde ,&eiro1 pe-se fr5te d povo de ,lisboa1 pe no meio da rua ,d4 ,leonor ,telles1 e proclama-se def5sor d re9o4 ,o povo toma todo1 sem excepo1 o seu p>tido1 e por todas z prov9cias2 mas uma gr&e p>te dos fidalgos =am p>a o rei de ,ca/ella4 ,entre os que fic>am figurava um rapaz sympa?ico tambem1 val5te como z armas1 leal como a sua espada1 amigo intimo e d$icado d me/re de ,aviz1 ,nuno ,alv>es ,p]eira4 ,sab$or d que se passava1 desce a ,portugal o rei de ,ca/ella com um ex]cito pod]oso2 mas pra deante de ,lisboa j =tificada4 ,os lisboetas1 comm&ados pelo me/re de ,aviz1 def5d]am-se como hom5s1 e o rei de ,ca/ella teve de se pr na pireza2 entretanto ,nuno ,alv>es ,p]eira1 que e/ava no ,alemtejo1 ganhava a batalha dos ,atoleiros1 e comeava a e/abelec] um sy/ema de gu]ra que havia de d> muito de si4 ,como os concelhos e/avam todos com o me/re de ,aviz1 a =a d ex]cito era pr9cipalm5te infant]ia4 ,pois ,nuno ,alv>es ,p]eira aproveit\ isso p>a ens9> os nossos a combat]em a p4 ,=mava uma especie de quadrado1 ou como que se *ama1 com os seus soldados1 quadrado onde a cavall>ia fidalga v9ha sempre desp$aar-se4 --,ah6 se elles calavam bayoneta1 obs]v\ o ,francisco ,artilheiro1 no entrava l p>a d5tro nem um cavall>ia s que fosse4 --,no calavam bayoneta1 respondeu o ,joo da ,agualva1 porque era c\sa que ento no havia1 mas f9cavam z lanz no *o1 e fossem l entr> com elles4 ,acabado o c]co de ,lisboa1 reuniram-se os dois amigos1 e =am conqui/> todas z t]ras de ,portugal em que os fidalgos t9ham levantado a b&eira de ,ca/ella4 ,ao mesmo tempo reuniram-se crtes em ,coimbra1 p>a se escolh] um rei4 ,ahi teve ,d4 ,joo ,i outro amigo1 advogado de mo *eia1 f9o como um coral1 *amado ,joo das ,regras1 que foi quem lhe fez ganh> a eleio4 ,assim1 o me/re de ,aviz t9ha a felicidade de t] dois amigos p>ticul>es que o s]viam excell5tem5te1 e cada um segundo o seu (ficio4 ,p>a c\sas de p5na e p>l5da ,joo das ,regras1 p>a batalhas e mais bordoada correspond5te ,nuno ,alv>es ,p]eira4 --,mas ento z crtes que escolh]am quem havia de s] rei8 p]gunt\ o ,manuel da ,idanha4 --,tal e qual4 --,e eram crtes como z de agora8 acresc5t\ o ,b>?olomeu4 --,no1 s5hor1 havia os tres braos1 como ento se dizia1 cl]o1 nobreza e povo4 ,os bispos e os conv5tos m&avam os seus escolhidos1 os fidalgos m&avam os seus e o povo tambem1 qu] diz] cada concelho m&ava o seu procurador4 ,antes de ,d4 ,affonso ,,iii1 am s os padres e os fidalgos1 depois que o povo tambem comeou a figur> n'essas fe/as2 mas n'e/as crtes1 que se reuniram em ,coimbra1 como muitos fidalgos e/avam mettidos com o rei de ,ca/ella1 pde-se diz] que foi o povo quem escolheu1 e que o me/re de ,aviz1 i/o 1 ,d4 ,joo ,i1 foi v]dadeiram5te o eleito d povo4 --,e ahi lhe valeu o ,joo das ,regras8 acudiu o ,manoel da ,idanha4 --,isso mesmo1 porque l p>a fall> no havia outro como elle4 ,mas d'ahi a p\co torn\-se necess>io fall> outra l+ua1 a l+ua das espadas1 e n'essa1 quem lia de cadeira era ,nuno ,alv>es1 que o novo rei fez logo conde/avel4 ,os ca/elhanos1 que t9ham ido de c>a b&a1 volt>am c>ga1 e d'essa vez com um ex]cito imm5so1 porque o ,d4 ,joo ,i de l t9ha resolvido acab> de todo com o ,d4 ,joo ,i de c4 ,antes de vir o rei com toda a sua fidalguia1 j um corpo hespanhol t9ha entrado pela ,beira d5tro1 mas em ,trancoso lev\ uma t>eia de primeira ordem4 ,no se em5d>am e diss]am comsigo3 ,agora que vo s] ellas4 ,a fall> a v]dade t9ham raso4 ,d4 ,joo ,i de ,portugal t]ia1 qu&o muito1 uns oito ou nove mil hom5s1 ,d4 ,joo ,i de ,ca/ella no t9ha m5os de tr9ta mil1 e alem d'isso trazia comsigo pez de artilh]ia que era a primeira vez que se viam em ,portugal4 ,encontr>am-se os dois ex]citos em ,aljub>rota1 que fica entre ,alcobaa e ,leiria1 a #ad de ago/o de #ache1 gr&e dia1 rapazes6 ,eu no sei que diabo t9ham os nossos1 mas p>ece que os animava um es=o sobr5atural4 ,e elles no eram n5huns fracalhes1 os ca/elhanos1 era tudo g5te val5te e de/emida1 mas os nossos e/avam todos resolvidos a morr] ali mesmo4 ,depois t9ham cabos de gu]ra que sabiam da poda1 emquanto os de l eram val5tes1 e mais nada4 ,de l1 eram tudo fidalgos muito bem montados1 com z suas espadas a luzir ao sol2 de c1 g5te d povo1 soldados de p1 mas que todos qu]iam s] portuguezes com o seu rei que elles t9ham feito1 e que tambem com elles qu]ia v5c] ou morr]4 ,e por isso ,nuno ,alv>es dizia3 ,rapaziada1 p t]ra6 e zs6 lanz no *o1 e v5ha p>a c a fidalguia ca/elhana1 mais os traidores portuguezes que se uniram ao e/rangeiro4 ,e no diz] que no h\vesse fidalgos tambem de c4 ,oh6 se os havia1 e dos bons e dos melhores1 porque eram todos os que t9ham pref]ido morr] com um rei portuguez a receb] d e/rangeiro honras e ca/ellos1 g5te briosa e val5te1 e av5turosa1 que combatia pelo seu rei1 e pela sua dama1 e pela sua honra e pela sua patria4 ,tambem1 no lhes digo nada1 nunca lev>am os hespanhoes to =midavel refrega4 ,por muito tempo lhes fic\ lembrada1 e o rei1 que fugio a toda a brida p>a ,sant>em e de ,sant>em p>a a sua t]ra1 no se podia consol> de similhante desa/re4 ,d4 ,joo ,i m&\ faz]1 no sitio da batalha1 uma igreja e um conv5to m>avilhoso1 a igreja e o conv5to da ,batalha1 p>a agradec] a ,deus a sua victoria1--e raso t9ha p>a isso1 porque foi ,deus dec]to quem deu aos portuguezes o es=o e a galh>dia que ento mo/r>am1 que1 eu1 meus amigos1 no s\ dos que acr$itam que ,deus se mette n'e/es b>ulhos dos hom5s1 mas qu&o um povo combate pela sua t]ra1 que como quem diz qu&o um filho combate pela sua me1 ento1 meus amigos1 ha uma c\sa c d5tro em ns1 que vem a s] a consci5cia a brad>-nos que ,deus1 que a ju/ia e a bondade1 ha de qu]] a victoria d que ju/o e d que bom4 --,e a padeira de ,aljub>rota1 sr4 ,joo da ,agualva8 p]gunt\ o ,francisco ,artilheiro4 --,deixemo-nos l de padeiras4 ,eu no s\ muito amigo de mulh]es que se mettem n'e/as danz4 ,a padeira era melhor que amassasse po4 ,se v]dade o que se diz1 qu&o os ca/elhanos j am de rota batida1 a padeira foi-lhes no encalo e deu cabo de sete com a p d =no4 ,olhem que gr&e faanha3 mat> quem vae fug9do6 ,aquillo era mulh] de faca e calhau1 e eu toro sempre o n>iz a essa g5t9ha4 ,vamos adiante4 ,a batalha de ,aljub>rota decidio a sorte de ,portugal4 ,a9da dur\ a gu]ra muito tempo1 a9da o conde/avel deu nova t>eia nos hespanhoes em ,valv]de1 mas a v]dade que e/ava tudo acabado4 ,d4 ,joo ,i gov]n\ ento com socego1 cas\ com uma s5hora +leza muito virtuosa e muito boa1 ,d4 ,philippa de ,l5ca/re1 teve muitos filhos que educ\ muito bem1 e que =am todos hom5s de sab] e alguns d'elles gr&es hom5s1 *am\ muitas vezes z crtes p>a ouvir o que ellas t9ham que lhe diz] c]ca dos negocios d ,e/ado1 e gov]n\ to bem1 que se lhe *ama1 com toda a ju/ia1 o rei da ,boa ,memoria4 ,j em idade adiantada1 tr9ta annos depois da batalha de ,aljub>rota1 s5tiu ,d4 ,joo ,i um appetite de t5t> alguma empreza gr&e4 ,quem o metteu n'isso =am os filhos1 tudo rapazes decididos que &avam mortos por se mett] n'alguma c\sa que lhes dsse gloria4 ,o que haviam de faz]8 ,=am-se aos m\ros4 ,pass>am o e/reito1 e tom>am ,ceuta que fica ali mesmo defronte de ,gibralt>4 ,vem vocs8 ,aquillo era uma raa que no podia e/> quieta4 ,emquanto jogavam z cri/as com os vis9hos1 a tudo bem1 mas depois8 ,os aragonezes viravam-se p>a ,italia1 os ca/elhanos l t9ham os m\ros granads1 ns o que t9hamos8 ,os m\ros de ,m>rocos e z ondas d ,oceano4 ,pois =am z ondas e os m\ros que pag>am z favas4 ,d4 ,joo ,i tom\ ,ceuta1 e ,d4 ,h5rique1 seu filho1 delib]\ tom> o desconhecido4 -- sr4 ,joo1 exclam\ o ,francisco ,artilheiro1 devo confess> que l isso que eu no p]cebo muito bem4 --,pois eu te explico1 rapaz4 ,julgava-se d'antes que d outro lado d m> no havia c\sa n5huma1 ou antes que z ondas l p>a longe eram um v]dadeiro inf]no ou um p>aizo tambem1 porque uns diziam que tudo p>a alem eram ilhas de santos e j>d9s d cu1 e outros que eram ilhas d diabo e t]ras de maldio2 que havia umas e/atuas encantadas que no deixavam pass> n+uem1 e um m> de pez que engolia os navios4 ,ora vocs ho de sab] que pde uma pessoa s] muito val5te1 e t] m$o de almas d outro mundo1 e de feitios e d diabo4 ,ali e/ o ,francisco ,artilheiro1 que1 qu&o foi na exp$io ,africa1 se atir\ ao ,bonga como gato a b(es1 que capaz de v>r] uma feira1 e que1 se lhe diss]em que v de noite ao palacio d m>quez1 l ao corr$or onde dizem que falla a voz d ,roque444 --,t>r5ego6 exclam\ o ,francisco ,artilheiro1 um homem p>a um homem1 mas l uma alma d outro mundo6444 --,ora ahi e/6 era o que acontecia aos soldados de ,d4 ,joo ,i4 ,com m\ros e ca/elhanos tudo o que quizessem1 mas com z av5tesmas d m>444 arr$a6 ,pois imag9em vocs se ,d4 ,h5rique no fez um milagre consegu9do que os m>9heiros d ,alg>ve1 porque elle1 desde que poz o fito em qu]] sab] o que o m> escondia1 foi-se e/abelec] em ,sagres1 mesmo na ponta d cabo de ,s4 ,vic5te1 consegu9do que os m>9heiros d ,alg>ve se mettessem s ondas1 sem m$o de phantasmas1 nem de avejes4 ,e =am aquelles val5tes1 que fiz]am to gr&e no mundo e/e paiz to pequ5o1 e p>tiram por esses m>es fra1 sem sab] o que por l havia1 e sempre a trem] da p]dio da vida e da p]dio da alma1 e =am1 e encontr>am a ,madeira e encontr>am os ,aores1 e ,gil ,eanes dobr\ o cabo ,bojador1 que era onde diziam que e/avam z taes e/atuas encantadas1 e1 como no encontr\ e/atuas n5humas1 l foi tudo atraz d'elle1 e1 de rep5te1 ,portugal p\de des5rol> diante d mundo um outro mundo ignorado1 a co/a da ,africa toda1 com os seus gr&es rios1 os seus bosques v]des1 o seu povo de pretos1 como eu vi1 n'um !atro de ,lisboa1 des5rol>-se diante da plata pasmada um panno p9tado com cidades e qu9tas e ilhas e rios1 que era de uma pessoa fic> de boca ab]ta4 ,ah6 meus amigos1 podem agora no faz] caso de ns1 e podemos ns tambem diz] mal de ns mesmos1 mas um povo que assim se atreve a arc> com o que mette m$o aos mais val5tes1 e abre aos outros z portas de um mundo m>avilhoso1 um gr&e povo1 digam l o que diss]em4 --,e ,d4 ,joo ,i que fez tudo isso8 p]gunt\ o ,manuel da ,idanha4 --,no foi elle1 mas foi o filho1 ,d4 ,h5rique1 que era um sabio1 e que a seu pae deveu a educao que receb]a2 e o gr&e rei1 que salvra ,portugal d e/rangeiro1 teve a gloria1 antes de morr] em #adcc1 de v] comeada essa obra que havia de torn> p>a sempre gr&e no mundo o seu nome e o nome de ,portugal4 ,succ$eu-lhe seu filho1 ,d4 ,du>te1 a quem *am>am o ,eloqu5te1 pelo bem que fallava e que escrevia1 porque tambem fazia livros como o rei ,d4 ,d9iz1 e livros muito bem feitos4 ,coitado6 no m]ecia a sorte que teve4 ,os irmos1 ,d4 ,h5rique e ,d4 ,f]n&o1 quiz]am cont9u> a obra d pae1 e =am tom> ,tang]4 ,no o conseguiram1 p]d]am muita g5te1 e p>a se salv> o ex]cito das g>ras dos m\ros1 teve de fic> preso na ,moirama o infante ,d4 ,f]n&o4 ,p>a o livr> era necess>io entreg> ,ceuta1 mas o infante ,d4 ,f]n&o1 que bem m]eceu o nome de ,santo que lhe poz]am1 no quiz nunca ouvir fall> em similhante c\sa1 e pref]iu morr] atorm5tado nas masmorras de ,fez a cons5tir que dessem por elle aos m\ros uma t]ra1 que tanto sangue nos cu/ra4 ,tudo i/o =am desgo/os gr&es p>a o pobre ,d4 ,du>te1 que morreu1 depois de c9co annos de re9ado1 em #adch1 da pe/e que ento assol\ o re9o1 porque no h\ve desgraa que n'esse tempo no acontecesse4 ,succ$eu-lhe um filho pequ5o que t9ha1 e que foi ,d4 ,affonso ,v1 e1 como ,d4 ,du>te era muito amigo da mulh]1 foi a ella que nome\ reg5te4 ,ora1 na v]dade1 t5do o pequ5o uns p\cos de tios que s]iam todos gr&es reis1 como ,d4 ,p$ro1 ,d4 ,h5rique e mesmo ,d4 ,joo1 d> a reg5cia a uma mulh]1 e de mais a mais hespanhola1 era tolice grada1 por isso o povo no go/\1 e z crtes convid>am ,d4 ,p$ro a tom> conta da reg5cia4 ,a ra9ha1 que era levada da brca1 e que nunca podra v] os cunhados1 deu pulo de cora com e/a resoluo1 a que foi obrigada a c$]1 e1 com o p>tido que t9ha1 agit\ o re9o de tal maneira1 que ,d4 ,p$ro no teve rem$io s5o tom> provid5cias1 e uma d'ellas foi tir> o filho ra9ha1 porque o pequ5o e/ava s5do nas mos d'ella um in/rum5to de revolta4 ,a f9al1 a ra9ha foi p>a ,hespanha1 mas eu e/\ conv5cido1 rapazes1 que o odio que ,d4 ,affonso ,v sempre teve ao tio veio d'ahi4 ,ora imag9em vocs6 ,d4 ,affonso era uma creana n'esse tempo1 ag>rado me como so todas z creanz2 no p]cebia c\sa n5huma de politica nem de meia politica1 viu-se arrancado dos braos da sua mams9ha1 que se ag>rava a elle a *or>1 e arrancado por quem8 ,por seu tio4 ,depois1 qu&o fosse maior1 podia reconhec] que o tio era o que se podia *am> um gr&e homem1 que lhe t9ha gov]nado o re9o como n+uem s]ia capaz de o gov]n>1 que era to p\co amigo de vaidades1 que nem quiz]a que lhe fizessem uma e/atua1 mas o rancor da creana nunca se foi embora4 ,pois o tio1 ap5as elle *eg\ maioridade1 logo lhe entreg\ o gov]no1 sem a mais pequ5a demora1 e foi viv] p>a ,coimbra com o maior socego4 ,apes> de tudo isso1 e apes> de s] muito amigo da mulh] que era filha de ,d4 ,p$ro1 o rei tal odio t9ha ao tio e ao sogro que deu ouvidos a todas z intrigas dos inimigos d'elle1 e pr9cipalm5te s d primeiro duque de ,bragana1 seu tio tambem1 filho ba/>do de ,d4 ,joo ,i2 *eg\ o duque a levant> tropas p>a ir contra o pobre ,d4 ,p$ro1 que1 espicaado e ralado por todas z frmas1 teve de trat> da sua defeza4 ,emquanto o duque de ,bragana levantava tropas por sua conta e risco1 a*ava o rei isso muito bem feito2 ap5as o infante ,d4 ,p$ro junt\ alguns soldados p>a no atravess> esse re9o ao desamp>o1 logo ,d4 ,affonso ,v ent5deu que era caso de rebeldia e traio1 e m>*\ contra elle4 ,na ,alf>robeira1 ali ao p de ,alv]ca1 se encontr>am z tropas de um e z tropas d outro4 ,no h\ve batalha1 mas trav>am-se de rases os soldados1 e1 qu&o mal se precatavam1 a*\-se tudo embrulhado na bulha1 e l morreu o pobre d infante ,d4 ,p$ro1 to sabio1 to bom1 to ju/iceiro4 ,quem ouvir i/o1 ha de diz] que ,d4 ,affonso ,v era um malvado1 pois no era2 cabea de v5to sim1 nunca h\ve outra igual6 ,sympa?ico e bondoso1 um mos-rotas1 pr9cipalm5te p>a os fidalgos que apanhavam d'elle quanto qu]iam1 en?usiasmava-se todo por c\sas que j no importavam a n+uem1 e quiz at faz] uma cruzada contra os turcos4 ,os outros pr9cipes *ri/os no e/iv]am pelos autos1 e vae elle ento volt\-se contra os m\ros da ,africa1 e c]to que junt\ a ,ceuta z praz de ,tang]1 ,arzilla e ,alcac] ,cegu]4 ,por isso lhe *am>am o ,africano4 ,emfim1 bom s]ia que nunca tivesse p5sado n'outra c\sa1 mas deu-lhe na v5eta qu]] tambem s] rei de ,hespanha1 e1 qu&o l h\ve gr&e bulha p>a se sab] quem havia de succ$] ao rei que morr]a1 se havia de s] ,d4 ,isabel que era irm1 se ,d4 ,joanna que era filha1 o nosso ,d4 ,affonso1 apez> de j no s] novo1 cas\ com e/a1 que v9ha a s] tambem sua sobr9ha1 ao passo que ,d4 ,f]n&o de ,arago casava com a outra4 ,d'ahi veio uma gu]ra levada dos demonios2 mas1 a f9al1 ,d4 ,affonso deu a batalha de ,toro1 que fic\ indecisa1 mas foi o mesmo que se a p]desse1 porque no p\de cont9u> a gu]ra4 ,de que se ha de lembr> ento o nosso ,d4 ,affonso ,v8 ,de ir em pessoa p$ir soccorro ao rei ,luiz ,,xi de ,frana1 que era o mais manhoso de todos os pr9cipes1 e que no fazia nada sem int]esse4 ,luiz ,,xi &\ a casso> com elle1 at que ,d4 ,affonso ,v m&\ diz] ao filho1 que ficra a gov]n> o re9o1 que subisse ao ?rono1 porque elle abdicava1 e a p>a a ,t]ra ,santa2 mas depois muda de t5es1 e1 qu&o j n+uem o esp]ava1 app>ece em ,portugal4 ,o filho que no quiz sab] de mais nada2 entreg\-lhe logo a cora1 que ,d4 ,affonso acceit\1 morr5do quatro annos depois1 em #adca4 -- sr4 ,joo1 int]rompeu o ,b>?olomeu1 e essa hi/oria de descobrir t]ras novas t9ha p>ado8 --,qual t9ha p>ado1 homem6 ,emquanto ,d4 ,h5rique viveu1 e s expir\ em #adfj1 qu&o j ,d4 ,affonso ,v era homem1 no p5s\ n'outra c\sa2 todos os annos se a descobr9do mais alguma poro da ,africa1 e j no havia quem acr$itasse em c>apetes de e/atuas4 ,os portuguezes1 o que faziam era sempre seguir p>a baixo1 at v] se topavam com a ,india1 ou ento se davam com um rei que diziam que era *ri/o1 e a quem *amavam o ,pre/es ,joo das ,indias4 --,e quem era esse rei8 p]gunt\ o ,manuel4 --,eu depois lhes digo1 rapazes1 agora no me fallem mo4 ,o que c]to que e/ava j descob]ta uma boa poro da ,africa1 e j por l se fazia muito bom negocio1 tanto que ,d4 ,affonso ,v1 que &ava embrulhado com outras c\sas1 e que no podia cuid> dos descobrim5tos como o tio1 arr5d\ o comm]cio da co/a da ,m9a a um tal ,f]no ,gomes1 com a condio d'elle cont9u> a descobrir t]ras4 ,felizm5te1 quem a subir ao ?rono era um rei de outra laia1 que t9ha lume no olho1 e que havia de lev> z c\sas pelo rumo que devia de s]1 p>a gloria d nosso paiz4 ,foi ,d4 ,joo ,,ii esse rei1 e com raso lhe *am>am o pr9cipe p]feito1 porque no h\ve n5hum que ent5desse to bem d seu (ficio2 mas1 antes de fall> n'elle1 meus amigos1 deixem-me vocs explic>-lhes o que que se t9ha passado no tempo d'esses tres primeiros reis da dyna/ia que se *am\ de ,aviz4 ,viram vocs como os reis se enco/>am ao povo p>a d> cabo da nobreza e d cl]o1 e como lhe d]am =a p>a que os fidalgos e padres se no fizessem f9os4 ,por isso tambem se pde diz] que foi o povo quem fez rei ,d4 ,joo ,i1 e e/e nunca se esqueceu d'isso4 ,comtudo1 padres e fidalgos1 cont9uavam a s] muito pod]osos1 e1 se ,d4 ,du>te1 com a lei *amada m5tal1 e o infante ,d4 ,p$ro lhes t9ham dado p>a baixo1 ,d4 ,affonso ,v quasi que desfiz]a tudo1 porque com elle no havia p>5te pobre1 dava aos fidalgos o que elles qu]iam1 e com raso dizia o filho que seu pae o deixra rei das e/radas de ,portugal1 o que1 valha a v]dade1 no devia s] um gr&e re9o4 ,ora agora acontecia tambem o segu9te3 que o povo1 nas crtes1 e/ava s5do mais um s]vo d rei d que outra c\sa4 ,j no podia diz] aos reis3 ,toma l1 d c4 ,j no era cada concelho que m&ava um procurador1 juntavam-se uns p\cos de procuradores p>a m&> um deputado a que *amavam def9idor1 e o rei sempre os podia t] mais na sua mo d que turbamulta dos antigos procuradores4 ,alem d'isso1 os d\tores1 o que apr5diam nas escolas eram z leis de ,roma1 o direito romano1 e ahi o que se dizia era que o rei podia faz] o que quizesse4 ,o que resultava8 ,resultava que o cl]o e a nobreza haviam de lev> p>a baixo1 mas que o povo depois444 esp]asse pela pancada4 o que vocs sab]o p>a o dom+o que vem1 porque a tia ,m>g>ida e/ a car com somno1 e eu no qu]o que digam de mim1 como de alguns prgadores1 que s\ bom p>a quem &a com falta de dormir4 ,,sexto ,,s],o ,d4 ,joo ,,ii4--,z crtes de vora4--,morte d duque de ,bragana4--,morte d duque de ,vizeu4--,cont9uao dos descobrim5tos4--,o cabo da ,boa ,esp]ana4--,*ri/ovo ,colombo4--,entrada dos judeus4--,morte d pr9cipe ,d4 ,affonso4--,d4 ,manuel4--,descobrim5to da ,india e d ,brazil4--,os conqui/adores da ,india4--,f]no de ,magalhes4--,d4 ,joo ,,iii4--,a inquisio e os jesuitas4--,decad5cia d nosso dom9io na ,india4--,d4 ,seba/io4--,a batalha de ,alcac]-,kibir4--,d4 ,h5rique1 o c>deal-rei4--,a successo d ?rono4--,d4 ,antonio1 prior d ,crato4--,batalha de ,alcant>a4--,p]da da indep5d5cia3--,causas da decad5cia de ,portugal4 --,e/\ morto por sab]1 porque que *am>am a ,d4 ,joo ,,ii o pr9cipe p]feito1 pr9cipi\ o ,manuel da ,idanha no dom+o imm$iato1 qu&o e/iv]am todos s5tados roda da l>eira1 porque1 emfim1 vocemec j nos fall\ n'uns p\cos de reis de quem se no pde diz] mal3 ,d4 ,d9iz1 por exemplo1 ,d4 ,joo ,i1 etc4 --,eu te digo1 rapaz1 porque no h\ve n5hum que p]cebesse to bem o seu tempo1 nem s\besse to bem como que se gov]na4 ,era homem de cabell9ho na v5ta1 mas s dava cabo de quem lhe fazia tran/orn> os seus planos1 era val5te como os que o so1 mas1 depois de s] rei1 nunca mais foi gu]ra4 ,calculava tudo1 comb9ava tudo1 e1 como quem joga bem a bisca1 sabia de cr os trunfos1 e o que qu]ia era m>c> bons pontos1 dsse l por onde dsse4 ,subiu ao ?rono1 na firme resoluo de acab> com os privilegios da nobreza e d cl]o4 ,p>a isso1 como de co/ume1 s]viu-se d povo4 ,*am\ crtes a ,evora1 ahi ent5deu-se com os procuradores d povo p>a elles se queix>em dos fidalgos4 ,ento o rei pe-se no seu log>1 e toca a deit> abaixo privilegios4 ,se vocs qu]em v] o que b]r>ia6 ,o primeiro que se levant\ foi o duque de ,bragana1 e esse ento metteu-se com os ca/elhanos4 ,d4 ,joo ,,ii no e/eve com c]emonias1 m&\-lhe cort> a cabea4 ,o duque de ,vizeu1 seu proprio primo e cunhado1 fez-se tambem *efe de conspirao4 ,o mesmo rei deu cabo d'elle com uma boa punhalada1 e depois foi tudo raso com o diabo d homem4 ,pr5dia uns1 de/]rava outros1 m&ava mat> e/e1 confiscava os b5s quelle444 um inf]no4 --,ento por isso que era pr9cipe p]feito8 p]gunt\ a tia ,m>g>ida indignada4 -- mulh]s9ha1 esp]e l4 ,diz o prov]bio3 cada t]ra com seu uso1 cada roca com seu fuso4 ,pois eu digo tambem3 cada tempo com os seus co/umes4 ,o tempo d'elle no era como o nosso4 ,hoje mat> um homem 1 com raso1 uma c\sa por ahi alem4 ,n'aquelle tempo p>ecia a todos p]feitam5te natural que se ca/igassem com a morte1 mesmo punhalada1 todas z conspiraes4 ,ora ,d4 ,joo ,,ii s escap\ por milagre a muitas que h\ve contra elle4 ,mas ,d4 ,joo ,,ii no era homem que se assu/asse4 ,e/rei>a-se em ,arzilla1 ao lado de seu pae1 e logo mo/rra um gr&e es=o2 na refrega de ,toro1 em ,hespanha1 foi elle quem ganh\ a batalha pelo seu lado1 emquanto o pae a p]dia pelo outro4 ,nas conspiraes1 que se faziam contra elle1 mo/r\ sempre uma coragem por ahi alem1 mas tambem no p]doava n5huma4 ,e tanto fez1 tanto fez1 que a f9al todas z cabez se abaix>am1 e quem fic\ gov]n&o a val] e devras foi elle4 ,eu no lhes digo1 rapazes1 que approvo todas aquellas crueldades1 e que a*o bonito que ,d4 ,joo ,,ii matasse sem d nem pi$ade at os p>5tes4 ,conheo que era preciso t] cabellos no corao p>a faz] o que elle fez1 mas que qu]em vocs8 s9a que nunca se fiz]am z gr&es mudanz politicas sem corr] muito sangue4 ,dizia aquelle eng5heiro francez1 que aqui e/eve em ,bellas na obra da agua1 qu&o s vezes se punha a conv]s> commigo3 ,joo1 no se faz omeleta sem se quebr> ovos4 ,e dizia bem4 ,aquillo entre ,d4 ,joo ,,ii e a nobreza era gu]ra de morte4 ,atiravam cabea2 eu bem sei que era mais bonito p]do>4 ,mas1 meus amigos1 p]do> aos seus inimigos s o fez ,nosso ,s5hor ,jesus ,*ri/o1 e isso ba/ava p>a que todos conhecessem que elle era ,deus e no homem4 ,em todo o caso1 rapazes1 sempre lhes qu]o confess> que1 p>a go/> dev]as de ,d4 ,joo ,,ii1 preciso de desvi> os olhos d'aquella sangueira toda1 e v] o que elle fez por outro lado4 ,ah6 que rei aquelle1 rapazes6 ,nos descobrim5tos foi um segundo infante ,d4 ,h5rique1 porque no foi s diz] aos pilotos3 ,vo vocs &&o por ahi abaixo1 e qu&o top>em a ,india m&em c um recado4 ,no1 s5hores6 ,ag>r\ em dois judeus que eram hom5s de sab5a1 e m&\-os por t]ra ao ,egypto1 p>a que fossem d ,egypto v] se topavam a ,india e se sabiam como que se podia l ir t] por m>4 ,=am e/es ,p$ro da ,covilh e ,affonso de ,paiva4 ,ao mesmo tempo no deixra de m&> navios pela ,africa abaixo4 ,um sujeito1 *amado ,b>?olomeu ,dias1 tanto &\1 tanto &\ sempre com a t]ra esqu]da1 at que um bello dia1 por mais que tocasse esqu]da1 no via s5o agua3 ,mau1 disse elle comsigo1 o diabo da co/a vir\ de rumo4 ,vira elle tambem e d com a t]ra que a p>a cima em vez de ir p>a baixo como at ahi4 ,eu *eguei ao fim da ,africa1 disse comsigo o ,b>?olomeu ,dias1 eu passei algum cabo sem d> por isso4 ,e1 j todo cont5te1 qu]ia ir segu9do p>a diante a v] onde iria d> comsigo4 ,mas a m>9hagem e/ava cada e quiz por =a volt> p>a traz4 ,no h\ve rem$io1 e volta effectivam5te d]am com o tal cabo que v9ha a s] a ponta da ,africa1 e apanh>am tantos temporaes que ,b>?olomeu ,dias *am\ a esse cabo1 cabo ,torm5torio2 mas1 qu&o *eg\ a ,lisboa e cont\ a ,d4 ,joo ,,ii o que succ$]a1 e/e1 que logo p]cebeu que e/ava dado o gr&e passo na descob]ta da ,india1 no quiz p>a tamanha descob]ta um nome de mau ag\ro1 e mud\ ao cabo ,torm5torio o nome em cabo da ,boa ,esp]ana1 como quem diz3 ,agora sim1 agora que me p>ece que vamos por e/rada direita4 ,ora ho de vocs sab]1 rapazes1 que por e/a occasio vivia em ,portugal um sujeito g5ovez *amado ,*ri/ovo ,colombo1 que era homem ent5dido em c\sas de m>1 e que se occupava tambem muito de descobrim5tos de t]ras e tal etc4 ,foi at por isso que elle veio p>a ,portugal1 porque i/o aqui era a =ja1 onde1 p>a assim diz]1 se fabricavam t]ras novas1 e todos os que se en?usiasmavam com essas c\sas v9ham p>a c assopr> aos folles4 ,*ri/ovo ,colombo e/iv]a na ,madeira1 ouvira fall> em signaes de t]ra p>a os lados d pr d sol1 e comera a embirr> que1 indo atraz d sol1 havia de esb>r> com a ,india4 ,fall\ n'isso a ,d4 ,joo ,,ii1 e/e consult\ os sabios1 e os sabios desat>am a rir4 ,colombo ento foi-se embora e comeou a (f]ec] os seus s]vios a quem lhe dsse uma casca de noz2 acceit\-os a ,hespanha1 depois de mass> muito o pobre d homem4 ,*ri/ovo ,colombo p>tiu segu9do sempre p>a o occid5te1 e a f9al deu com uma t]ra povoada de selvag5s1 que v9ha a s] nem mais nem m5os d que a ,am]ica1 emfim um mundo inteiro muito maior que a ,europa toda4 ,ora1 tudo isso podia t] v9do p>a ns1 e no nos fazia mal n5hum1 se ,d4 ,joo ,,ii no ce na asneira de no acr$it> no ,colombo1 que todos sabiam que era um homem esp]to1 e de lhe no qu]] d> dois ou tres navios p>a t5t> a sua descob]ta1 elle que t9ha navios a rodo por esses portos todos6 --,sim6 l isso6 acudiu o ,manuel da ,idanha co&o na cabea4 ,vocemec diz que o homem era to esp]talho1 mas essa p>ece-me de cabo de esquadra6 --,a*as1 meu pal]ma8 ,diz um prov]bio3 ,quem adiv9ha vae p>a a cas9ha4 ,e eu j te mo/ro que outro qualqu]1 no caso de ,d4 ,joo ,,ii1 fazia o mesmo4 ,tu imag9as que ,*ri/ovo ,colombo *eg\ ao p de ,d4 ,joo ,,ii e lhe disse3 ,saiba ,vossa ,alteza 7que ento a9da se no dava mage/ade aos reis7 saiba ,vossa ,alteza que ali defronte dos ,aores e/ um paiz muito rico1 onde ha muito ouro1 e muita prata e muitos diamantes1 e1 se ,vossa ,alteza quiz]1 eu *ego ali n'um in/ante e c lh'o trago8 ,e/s tu muito enganado4 ,o proprio ,colombo nem sabia que havia ali similhante paiz4 ,toda a sua mania era que1 s5do a t]ra r$onda1 e n'isso t9ha elle raso1 indo uma pessoa p>a o occid5te1 havia de d> volta e *eg> ao ori5te4 ,mas o que elle no sabia que a t]ra era to gr&e como lhe sau2 e1 se no lhe app>ece a ,am]ica1 o homem via-se grego1 e a9da t9ha de com] muito po antes de arrib>1 onde elle qu]ia ir1 tanto que provavelm5te no levava no poro f>9ha que lhe *egasse4 ,ora agora1 p5sem vocs tambem1 rapazes1 no segu9te3 ,havia um bom p> de annos que ,portugal &ava a teim> em seguir pela ,africa abaixo procura da ,india4 ,teim\1 teim\1 at que a f9al *eg\ ao fim da ,africa1 e p]cebeu que a t]ra seguia p>a cima1 e a com toda a c]teza p>> ,india4 ,e exactam5te qu&o se consegue o que se procurava havia tanto tempo1 qu&o se descobre o cabo da ,boa ,esp]ana1 qu&o se tem a c]teza de que se encontr\ o cam9ho da ,india1 que vem um sujeito t] com o rei de ,portugal1 que e/ todo alegre com a descob]ta1 e diz]-lhe3 ,faa favor de apag> tudo isso1 e de comear outra vez a procur> a ,india por outro lado4 ,o rei1 cl>o1 m&\-o p5te> macacos4 ,ora agora confesso tambem que se no pe assim no meio da rua um homem como ,*ri/ovo ,colombo4 ,procur> a ,india pelo occid5te no imp$ia que se cont9uasse a procur> pelo cam9ho que at ahi se seguira1 e ns j t9hamos topado tanta t]ra que no esp]avamos1 que no era c\sa d outro mundo que fossem mais duas c>avellas a ,deus e v5tura v] o que o m> dava de si4 ,emfim no se fez isso2 os hespanhoes fic>am com a ,am]ica1 e pr9cipi>am ao desafio comnosco n'isso de descobrim5tos1 tanto que foi necess>io que o papa dividisse entre elles os novos mundos ao meio1 diz5do3 ,p>a aqui descobrem os hespanhoes1 e p>a aqui descobrem os portuguezes1 o que fazia com que um rei de ,frana dissesse depois3 ,ora sempre eu qu]ia v] o artigo d te/am5to d pai ,ado que deix\ a t]ra aos hespanhoes e aos portuguezes6 ,todos se riram1 e o ,joo da ,agualva cont9u\3 --,muito mais provas de juizo deu el-rei ,d4 ,joo ,,ii1 e felizes s]iamos ns se os reis que se seguiram fossem como elle4 ,na ,africa1 trat\ de *am> a si os pretos1 de os m&> baptis>1 mas s boas1 e de faz] por ali =talezas p>a se ass5hore> d comm]cio4 ,na ,europa ento h\ve uma c\sa que mo/ra que elle sabia s] rei4 ,os sob]anos de ,hespanha1 todos devotos1 m&>am pr fra d seu paiz os judeus1 que eram1 como =am sempre1 uma raa trabalhadeira e esp]ta1 que se enriquecia e a enriquec5do a t]ra onde vivia4 ,mas a ra9ha de ,hespanha1 l por beat]ios tolos1 no os quiz cons5tir no seu re9o1 e intim\-lhes m&ado de despejo4 ,sempre qu]o que vocs me digam porque8 ,porque t9ham crucificado ,jesus ,*ri/o8 ,mas isso =am uns mal&r9s de ,j]usalem1 e nem os filhos t9ham culpa d que os paes fiz]am1 e at os paes de muitos d'elles talvez nem em ,j]usalem e/ivessem n'esse tempo4 ,porque no acr$itavam na religio *ri/8 ,o peor era p>a elles4 ,pois se no se pde salv> quem no = *ri/o1 no outro mundo torc]iam a orelha1 e no era necess>io j n'e/e mundo ir-lhes torc5do pescoo4 ,porque no comiam t\c9ho8 ,tanto melhor p>a os bons *ri/os1 que sempre ficava mais b>ata a c>ne de porco4 ,mas fossem l diz] e/as c\sas n'aquelle tempo aos reis ca?olicos6 ,corria uma pessoa risco de ir p>> a uma fogueira4 ,d4 ,joo ,,ii riu-se da devoo dos vis9hos1 recebeu os judeus na sua t]ra1 e tir\ proveito d caso1 obrig&o-os1 em troca d asylo que lhes dava1 a pag>-lhe um bom tributo4 ,elles e/avam com a corda na g>ganta1 pag>am com l+ua de palmo1 a9da que isso lhes havia de cu/>1 porque sempre =am sov9as4 ,mas1 como diz o outro1 p>a judeu1 judeu e meio4 --,olhe l1 sr4 ,joo de ,agualva1 e ento quem diz que a inquisio c em ,portugal queimava os judeus8 p]gunt\ o ,manuel da ,idanha4 --,l *eg>emos1 sr4 ,manuel da ,idanha1 l *eg>emos4 ,no ha s muitas ,m>ias na t]ra1 ha tambem muitos ,joes1 e ns ento tivemos seis1 cada um d seu feitio4 ,tudo se paga1 meus amigos1 e um homem pde s] pr9cipe p]feito2 qu&o ultraja a lei de ,deus1 d]ram&o o sangue de seus irmos1 ha de o pag> com lagrimas que tambem so sangue s vezes4 ,t9ha ,d4 ,joo ,,ii um filho *amado ,affonso1 a quem qu]ia como s m59as dos seus olhos4 ,casra com a filha dos reis de ,hespanha1 e z fe/as com que se celebr\ o casam5to t9ham sido das mais pomposas4 ,morreu1 e morreu de um desa/re4 ,quem pde imag9> a dr d'aquelle pae6 ,*or\ esse homem de f]ro1 que tantas lagrimas tambem fiz]a d]ram>1 *or\ lagrimas de sangue1 d sangue d seu corao1 e1 l nas horas mortas da noite1 qu&o e/ivesse ss9ho a p5s> no filho1 havia de v] muitas vezes os espectros d'aquelles que matra sem t] pi$ade da orph&ade de seus filhos1 como ,deus no tiv]a tambem compaixo da orph&ade da sua alma4 ,morreu quatro annos depois1 em #adie1 sem pod] deix> a cora a um filho seu1 porque debalde quiz]a legitim> um ba/>do que t9ha1 e assim1 altos juizos de ,deus6 quem lhe havia de succ$]1 e no s isso1 quem havia de colh] p>a si a gloria de realis> a conqui/a da ,india1 que ,d4 ,joo ,,ii to cuidadosam5te prep>ava8 ,um irmo d'aquelle duque de ,vizeu1 que elle assass9ra1 ,d4 ,manuel1 o ,a=tunado4 ,a=tunado ou ,v5turoso lhe *am\ a hi/oria1 e com raso1 porque no teve s5o bamburrice1 o que no qu] diz] que fosse um pal]ma1 e que no tivesse mesmo ba/ante t9o1 mas fazia tanta diff]5a de ,d4 ,joo ,,ii como uma l>angeira de um c>valho4 ,encontr\ a pap9ha feita4 ,e/avam prep>ados os navios p>a a descob]ta da ,india1 poz fr5te d'elles ,vasco da ,gama1 e em #adig *egava ,vasco da ,gama ,india1 que era o paiz mais rico d'esse tempo4 ,m&\ atraz d'elle ,p$ro ,alv>es ,cabral1 e/e *ega-se mais p>a o occid5te d que devia s]1 e esb>ra com o ,brazil em #aejj2 bom6 ,pe ambos de p>te1 que l +rato como aquelle no havia n5hum1 e m&a p>a a ,india uma esquadra1 onde a ,du>te ,pa*eco1 homem que p>ece mesmo um d'aquelles sujeitos da antiguidade1 que eram meios hom5s1 meios deuses1 e de quem se contam muitas patranhas1 que =am exc$idas pelas v]dades d'e/e nosso patricio4 ,qu]em vocs sab]8 ,na ,india havia muitos reis1 como a9da hoje ha1 apes> que e/o agora todos sujeitos aos +lezes4 ,vasco da ,gama t9ha *egado a uma t]ra *amada ,calicut1 onde residiam muitos m\ros1 que eram quem fazia n'esse tempo o negocio todo da ,india4 ,viram a bolsa em p]igo1 e no descanaram emquanto no poz]am ao rei de ,calicut de mal com os portuguezes4 ,palavra puxa palavra1 elle mat\-nos um homem1 apanh\ uma lio me/ra1 e de v+ana em v+ana ficmos inimigos p>a sempre4 ,mas havia outro rei1 o rei de ,co*im1 que era e foi sempre nosso amigo4 ,d'ahi1 b>ulho entre os dois4 ,como o rei de ,calicut era muito mais pod]oso1 esp]\ que no e/ivessem l navios nossos1 e1 sab5do que t9ha ficado ap5as ,du>te ,pa*eco e mais uns c9co5ta portuguezes1 disse comsigo3 ,agora que tu m'z pagas4 ,e arranj\ um ex]cito =te1 e m>*\ contra o pobre rei1 nosso amigo4 ,os soldados de ,co*im t9ham m$o que se pellavam1 e fugiam que era um l\v> a ,deus2 mas ,du>te ,pa*eco1 mais os seus c9co5ta hom5s1 com a sua habilidade e a sua val5tia1 conseguiu tom> o passo ao de ,calicut1 e d>-lhe t>eias monum5taes4 rapazes1 pois uma pessoa no se hade s vezes ufan> de s] portuguez8 ,qu&o que se viu uma c\sa assim8 ,meia duzia de gatos ba/>am p>a d> cabo de ex]citos imm5sos6 ,eu bem sei que era a discipl9a1 que eram z armas1 que era tambem a fraqueza d'aquelles bananas1 que o sol da ,india faz uns moll5gas1 mas era necess>io que fossem de ao e de f]ro1 em vez de s] de c>ne e osso1 esses val5tes que assim viam1 sem descor>1 m>*> contra elles um ex]cito =midavel6 ,era necess>io que se tivessem dispo/o a morr] p>a no deix>em que fosse pisada aos ps a b&eira de ,portugal6 ,e1 a f9al de contas1 por muito molles que os outros fossem1 sempre eram mil contra um1 e1 com c]teza1 n5hum dos nossos p5sava que saria com vida de similhante combate4 ,depois aces d'essas eram mais faceis1 no s porque os nossos j t9ham tomado confiana em si1 e s5tiam-se capazes de lev> aos pontaps quantos indios h\vesse na ,india1 mas tambem porque elles t9ham-nos tomado m$o2 mas isso tudo a quem o devemos s5o a ,du>te ,pa*eco8 ,pois1 meus amigos1 imag9am vocs que ,du>te ,pa*eco foi feito gov]nador da ,india1 ou teve algum titulo1 ou alguma recomp5sa gr&e8 ,qual c>apua6 ,d4 ,manuel nem mais p5s\ n'elle1 e era to feliz que logo encontr\ p>a s] primeiro vice-rei da ,india um homem como ,d4 ,francisco de ,almeida1 que em toda a p>te d mundo s]ia digno de ex]c] os primeiros log>es4 ,com effeito1 ,d4 ,manuel1 que primeiro quiz]a ap5as que os seus seus navios viessem c>regados de m]cadorias da ,india1 que depois c se v5diam na ,europa1 ent5deu que devia tom> raizes1 e enc>reg\ ,d4 ,francisco de ,almeida de gov]n> os portuguezes que por l e/ivessem1 fund&o ao mesmo tempo =talezas4 ,d4 ,francisco de ,almeida ent5dia1 porm1 e no deixava de t] raso1 que ,portugal era um paiz muito pequ5o p>a e/> assim a m&> soldados p>a a ,india1 e o que elle qu]ia era s] s5hor d m> p>a que n+uem mais ali podesse faz] negocio4 ,emquanto s teve os indios pela pra am z c\sas bem1 mas os turcos1 que viam dim9uir os seus r5dim5tos com o novo cam9ho das ,indias1 comearam a mett]-se na dana1 e os turcos no eram tropa f&anga1 eram g5te de quem tremia a ,europa4 ,tambem1 qu&o se encontr>am primeiro com os portuguezes1 lev>am a melhor e at mat>am um filho de ,d4 ,francisco de ,almeida1 que o vice-rei adorava4 ,foi a sua p]dio1 porque ,d4 ,francisco de ,almeida no descanou emquanto no v+\ a morte d seu e/remecido ,l\r5o4 ,os turcos lev>am uma sova de primeira qualidade1 e na ,india fic\-se sab5do de uma vez p>a sempre que ca/a de hom5s eram os portuguezes4 ,pois1 rapazes1 p>ecia que d'e/a vez ,d4 ,manuel se d>ia por muito feliz em t] no ,ori5te um homem como ,d4 ,francisco de ,almeida1 que t9ha po/o os indios a po e l>anja1 e dado uma esfrega tal nos turcos que se no atrev]am por muito tempo a torn> ,india4 ,enganam-se4 ,ap5as acab\ o seu tempo1 foi *amado a ,portugal1 e naturalm5te el-rei nem p5s>ia mais n'elle1 a9da que no tivesse morrido no cam9ho4 ,mas cont9uava a s] to feliz que encontr\1 p>a sub/ituir ,d4 ,francisco de ,almeida1 um homem que a9da valia mais d que elle1 porque era o gr&e ,affonso de ,albuqu]que4 ,ah6 meus amigos1 app>ecem de vez em qu&o no mundo uns hom5s1 que so capazes de revolv] a t]ra1 como os ,napolees e outros assim1 ,affonso de ,albuqu]que foi um d'esses4 ,a respeito das c\sas da ,india no p5sava como ,d4 ,francisco de ,almeida1 mas no era porque visse z c\sas de outro modo1 era porque a*ra maneira de z conc]t>4 ,sim1 elle bem sabia que ,portugal no podia e/> a en*] a ,india de soldados1 mas o que elle qu]ia era que os ,indios se mi/urassem com os portuguezes1 e1 p>a o conseguir1 ao passo que era cruel com os m\ros1 com os indios era to bom e to ju/o que1 depois da sua morte1 am elles res> ao seu tumulo1 como quem vae res> ao tumulo de um santo4 ,escolheu elle tres pontos1 em que e/abeleceu1 p>a assim diz]1 os seus qu>teis g5]aes1 e todos muito bem escolhidos3 ,ormuz1 ao p da ,p]sia2 ,goa1 no meio da ,india2 ,malaca1 p>a os lados da ,*9a e das ilhas a que se *amava das ,especi>ias ou das ,molucas4 ,primeiro tom\ ,goa1 depois ,malaca que t9ha d5te de coelho1 porque os malaios so levad9hos da brca1 depois ,ormuz1 e1 qu&o acab\ de faz] tudo i/o1 e/ava j demittido1 e sab5do que a s] nomeado p>a o seu log> o seu peor inimigo6 ,morreu com esse desgo/o4 ,tambem d'essa vez t9ha-se acabado o =necim5to de gr&es hom5s1 e os dois ultimos gov]nadores da ,india1 no tempo de ,d4 ,manuel1 no =am l gr&e c\sa1 mas tambem no e/rag>am nada4 ,aquillo ento a n'um s9o4 ,os portuguezes espalhavam-se por toda a p>te1 de um lado *egavam ,*9a1 d outro ,p]sia1 d outro s ,molucas1 d outro a ,cambaya4 ,t9ham =talezas por toda a p>te2 elles recebiam a boa canella de ,ceylo1 o bom cravo das ,molucas1 a boa pim5ta da ,india1 os bons cavallos da ,p]sia1 z s$as da ,*9a1 o inc5so da ,arabia1 os diamantes de ,golconda1 e traziam e/as riquezas todas p>a a ,europa e v9ham aqui a ,lisboa1 que e/ava sempre *eia de navios1 os holl&ezes e os +lezes compr> tudo i/o p>a o v5d] por esse mundo4 ,d ,brazil no se fazia caso porque nem valia a p5a2 na ,africa sempre se am tom&o praz1 que era p>a n'aquellas con/antes gu]ras com os m\ros se ex]cit> a fidalguia1 que depois fazia o diabo a quatro na ,india4 ,emfim1 qu&o ,d4 ,manuel m&\ ao papa uma embaixada com pres5tes v9dos de todas z suas conqui/as1 ,roma fic\ embasbacada1 e no se fallava em todo esse mundo s5o na gr&eza de ,portugal4 ,bons tempos1 meus amigos1 mas que dur>am p\co6 ,no re9o1 ,d4 ,manuel logo mo/r\ que1 se no era tolo1 tambem no t9ha o ent5dim5to de ,d4 ,joo ,,ii4 ,poz fra os judeus2 v]dade que depois1 qu&o em ,lisboa o povo fez uma matana nos que t9ham ficado a titulo de se t]em conv]tido1 mo/r\-se muito zangado e ca/ig\ a cidade4 ,gr&e no foi elle1 mas viu-se c]cado de g5te que o fez gr&e1 e teve a esp]teza de os sab] conhec]4 ,depois1 punha-os de p>te com a maior facilidade1 mas at9ava com elles2 s no p]cebeu o que podia esp]> de ,f]no de ,magalhes1 que1 zang&o-se com uma pic>dia que lhe fez1 pass\ p>a ,hespanha1 e assim nos deix\ fic> sem a gloria de t]mos sido ns os primeiros que d]am volta ao mundo1 como fiz]am os hespanhoes comm&ados pelo tal ,f]no de ,magalhes1 porque isso1 n'aquelle tempo1 no havia por esses m>es uma onda que no m>ulhasse em portuguez444 --,em portuguez porque8 p]gunt\ o ,francisco ,artilheiro4 ,eu nunca p]cebi o que ellas diziam4 --,ento que tem a cabea to dura como tu1 porque foi sempre o portuguez a primeira l+ua que ouviram1 e at l p>a a t]ra dos bacalhaus1 p>a o norte1 onde faz um frio de ra*>1 l mesmo foi ,gasp> ,cort]eal que primeiro descobriu a ,t]ra ,nova4 ,emfim1 meus amigos1 depois de t] casado tres vezes1 e sempre com pr9cezas hespanholas1 morreu em #aeba el-rei ,d4 ,manuel1 e1 v]dade v]dade1 com elle se pde diz] que morreu a gr&eza de ,portugal4 ,succ$eu-lhe o filho ,d4 ,joo ,,iii1 que era o beato mais beato que tem v9do a e/e mundo4 ,d4 ,manuel j l t9ha z suas manias1 mas1 como eu lhes contei1 qu&o os de ,lisboa desat>am a mat> os judeus1 ou antes os *ri/aos novos1 deu-lhes com o ba/a4 ,d4 ,joo ,,iii1 esse1 no descanou emquanto no metteu em ,portugal a inquisio4 ,o papa no qu]ia1 fazia-se rogado1 e ,d4 ,joo ,,iii que insi/iu com elle p>a apanh> essa pr5da4 ,*eg\ a ga/> rios de d9heiro p>a o conseguir66 ,ora1 realm5te1 mett] c um tribunal que1 ap5as um sujeito se esquecia de ir missa1 f]rava com elle na cadeia1 qu&o no era na fogueira1 s lembrava a ,d4 ,joo ,,iii4 ,at os e/rangeiros fugiam1 e ento o re/o dos judeus1 que a9da por c havia1 e que por amor nossa t]ra se t9ham feito *ri/os1 com m$o da inquisio1 se =am saf&o logo que pod]am4 ,e1 no cont5te com isso1 introduziu tambem a companhia de ,jesus1 que era uma ordem nova de frades mais discipl9ados que um regim5to1 e que t9ham jurado s] elles que haviam de gov]n> o mundo4 ,ora1 l p>a prg> aos h]ejes1 e aos g5tios da ,india1 e aos selvag5s d ,brazil1 eram muito bons1 porque no recuavam nem diante da morte1 e h\ve jesuitas1 como ,s4 ,francisco ,xavi]1 que no fic>am a dev] nada aos doze apo/olos2 mas em ,portugal mettiam-se em toda a p>te3 elles ens9avam1 elles confessavam1 e e/\ em diz] que no podia s] bom4 ,eu no s\ contra os padres1 nem contra a religio1 pelo contr>io1 mas tambem no se ho de mett] em tudo4 ,ora vejam vocs como havia de viv] um dos nossos avs d'esses tempos6 ,os jesuitas a ap]t>em-lhe o freio1 e ao mais pequ5o desm&o1 zs1 fogueira da inquisio com elle4 ,at se fiz]am macambuzios os pobres hom5s1 que eram at ahi g5te alegre4 ,no se podia escrev] c\sa n5huma1 que no viessem logo os jesuitas3 ,corte-se i/o porque p>ece contra a religio1 no se repres5te aquillo porque se faz troa a um frade1 e porque torna e porque deixa4 ,o que c]to1 meu amigos1 que1 emquanto l por fra se &ava p>a diante1 e se faziam inv5es1 e se e/udava1 ns no passavamos da cepa torta1 e o mal que isso fez vo vocs vl-o4 ,na ,india p>ecia que a tudo muito bem1 mas via-se que no podia dur> muito4 ,val5tes eram os nossos1 mas1 em vez de faz]em o que ,albuqu]que qu]ia1 em vez de accommod>em os ,indios1 e de se porem s boas com elles1 no s5hor1 faziam crueldades que era uma c\sa por demais1 e o que qu]iam era apanh> d9heiro4 ,passavam o tempo1 ora em gu]ra com o rei de ,calicut1 ora com o rei de ,cambaya1 ora com o rei de ,a*em1 ora com o rei de ,b9tam1 ora com o rei de ,k&y1 ora com todos ao mesmo tempo4 ,i/o no era vida4 ,obravam prodigios de valor1 isso v]dade1 como por exemplo nos dois c]cos de ,diu1 em que ,antonio da ,silveira e ,d4 ,joo de ,masc>5has se def5d]am de um modo m>avilhoso1 mas1 =a de d> cutiladas1 o brao a c&o1 e o paiz e/ava esfalfado4 ,no havia nem um in/ante de socego4 ,se app>ecia um gov]nador como ,d4 ,joo de ,ca/ro1 o da ,p5ha ,v]de de ,c9tra1 que era honradissimo e ju/iceiro1 os outros no p5savam s5o em r\b>4 ,j se pegavam uns com os outros1 como fez ,lopo ,vaz de ,sampaio com ,p$ro ,masc>5has1 e qu&o ,d4 ,joo ,,iii1 o ,pi$oso1 como lhe *am>am os frades1 morreu em #aeeg1 todos previam que i/o a p>a baixo4 ,o filho mais velho de ,d4 ,joo ,,iii morr]a a9da em vida d pae1 e quem lhe succ$eu foi um neto1 creana de c9co annos1 que t9ha o nome de ,d4 ,seba/io4 ,fic\ reg5te a av1 s5hora de ba/ante juizo1 que gov]n\ bem1 mas que em #aefb teve de c$] a reg5cia ao cunhado1 o c>deal ,d4 ,h5rique1 todo dom9ado pelos jesuitas1 e que c]c\ de padres o pr9cipe4 ,o que result\ d'ahi8 ,result\ que ,d4 ,seba/io1 que go/ava de gu]ras e batalhas1 fez-se ao mesmo tempo beato4 ,p>ecia um d'aquelles antigos frades milit>es1 que t9ham concorrido tanto p>a expuls> os m\ros de ,portugal4 ,no quiz cas>1 e at fugia das mulh]es4 ,no p5sava s5o em d> cabo dos m\ros4 ,ora1 se ns que j t9hamos tanto trabalho p>a nos su/5t>mos na ,india1 que framos obrigados a l>g> umas p\cas de praz na ,africa1 que t9hamos precisado de um gr&e es=o p>a salv> ,mazago1 c]cada pelos m\ros1 nos mettiamos em gr&es gu]ras com elles1 aonde iria i/o p>>6 ,pois foi o que succ$eu4 ,na ,india o trabalho era cada vez maior2 um gov]nador1 *amado ,d4 ,con/ant9o de ,bragana1 p>5te da casa real1 fiz]a por l gr&es c\sas1 mas p\co tempo depois juntavam-se quasi todos os reis da ,india e v9ham sobre ns4 ,o que nos valeu foi t]mos um novo ,affonso de ,albuqu]que1 um g5]al de mo *eia1 ,d4 ,luiz de ,a?ayde1 que a tudo acudiu e tudo salv\2 mas vocs bem vem que i/o no podia cont9u> assim4 ,qu&o z c\sas e/avam n'e/e bonito e/ado1 qu&o ns t9hamos s co/as a ,india1 o ,brazil p>a que ,d4 ,joo ,,iii pr9cipira a olh>1 onde precisvamos de nos def5d] contra os av5tureiros francezes que a*avam a t]ra a seu go/o1 de que se ha de lembr> el-rei ,d4 ,seba/io8 ,de ir conqui/> ,m>rocos6 ,eu j t5ho ouvido diz] que mais valia t]mos conqui/ado ,m>rocos1 que nos ficava porta1 d que irmos ,india que ficava to longe4 ,pois sim1 mas o que era necess>io era escolh]4 ,ou uma c\sa ou outra4 ,mas ,d4 ,seba/io1 com aquella embrulhada1 que elle t9ha na cabea1 de idz religiosas e de idz gu]reiras1 no att5dia a c\sa n5huma1 nem fazia calculos n5huns4 ,o que elle qu]ia era d> lambada nos m\ros1 e1 apes> dos conselhos de toda a g5te1 levanta um pequ5o ex]cito1 e p>a o levant> cu/\-lhe1 porque j no havia braos no paiz444 co'a breca1 que elles no *egavam p>a tudo6 e abala-se p>a a ,africa a pretexto de ir soccorr] um pr9cipe m\ro que t9ha sido expulso d ?rono por seu tio6 ,ah6 meus amigos1 aquillo era mesmo um doido que ali a4 ,a g5te go/a de v] um rapaz que tem o sangue na guelra1 e que se atira p>a diante1 embora faa asneira1 mas que ,d4 ,seba/io e/ava p]feitam5te maluco4 ,era maluquice a empreza1 foi maluquice o modo como a prep>\1 foi maluquice o modo como a dirigiu4 ,p>ecia que ,deus1 por umas p\cas de vezes1 o quiz]a salv>1 e elle sempre a atir> comsigo de cabea p>a baixo4 ,emfim1 no dia #d de ago/o de #aegh1 deu-se a batalha moda de seisc5tos diabos1 porque nem h\ve comm&o1 nem h\ve nada4 ,d4 ,seba/io atir\-se aos m\ros e no quiz sab] de ex]cito1 nem de c\sa n5huma4 ,emquanto p\de d> cutilada1 deu4 ,a flor da fidalguia portugueza ali morreu1 a que no morreu fic\ prisioneira4 ,os soldados fugiram1 uns por aqui outros por ali1 e1 qu&o a noticia *eg\ ao re9o1 imag9em que afflico6 ,no se p]d]a s um rei1 p]d]a-se a cora1 porque no havia h]deiros1 e quem subiu ao ?rono foi o velho c>deal ,d4 ,h5rique1 tio av d fallecido1 que nunca fra esp]to e que e/ava ento meio apatetado4 ,a9da h\ve quem dissesse que ,d4 ,seba/io no morr]a1 porque n+uem o vira car morto1 e o cadav] que app>eceu1 e que se disse que era d'elle1 e/ava to desfigurado que se no podia conhec]4 ,assim l fic\ ,d4 ,h5rique a gov]n>1 mas p>a que8 ,todos sabiam que a cora era h]ana que no t>dava4 ,quem a havia de apanh>8 ,quem t9ha direito v]dadeiro era a duqueza de ,bragana1 por s] filha de um irmo de ,d4 ,joo ,,iii1 ,d4 ,du>te2 quem era mais sympa?ico ao povo era ,d4 ,antonio1 filho ba/>do de outro irmo de ,d4 ,joo ,,iii1 ,d4 ,luiz2 quem t9ha mais =a era ,d4 ,filippe ,,ii1 rei de ,hespanha1 filho de uma irm de ,d4 ,joo ,,iii1 ,d4 ,isabel4 ,a9da havia outros que se diziam h]deiros1 mas entre aquelles tres que a lucta era sria4 ,f]viam z intrigas4 ,d4 ,filippe t9ha em ,portugal um embaixador1 e at por signal era portuguez1 ,d4 ,*ri/ovo de ,m\ra1 que comprava todos quantos se qu]iam v5d]1 e bem p>vos eram os que no am ao m]cado4 ,z crtes1 *amadas por ,d4 ,h5rique p>a decidir a que/o1 e/avam j to p\co co/umadas a mett] o seu b$elho n'essas que/es1 que diss]am ao rei que decidisse como quizesse1 apes> de b]r> muito contra isso um portuguez s direitas1 procurador de ,lisboa1 e que se *amava ,phebo ,moniz4 ,o rei no decidiu c\sa alguma4 ,morreu em #aehj1 e deix\ o qu>tel g5]al em ,abrantes1 tudo como d'antes4 ,nome\ gov]nadores d re9o uns sujeitos que se t9ham j v5dido aos hespanhoes1 e que de c]to am escolh] ,d4 ,filippe ,,ii4 ,mas1 como se demorassem1 e/e no e/eve p>a os atur>1 e m&\-nos c um ex]cito comm&ado pelo duque de ,alba4 ,v5do os hespanhoes1 o povo vir\-se p>a ,d4 ,antonio1 prior d ,crato e ba/>do d infante ,d4 ,luiz1 e acclam\-o rei4 ,val5te era elle1 mas no era mais nada4 ,quiz resi/ir aos hespanhoes com um punhado de g5te que nunca pegra em armas4 ,batido em ,alcant>a1 s portas de ,lisboa1 depois de algumas horas de combate1 fugiu p>a o ,m9ho1 por onde &\ escondido1 at que p\de saf>-se p>a o e/rangeiro4 ,filippe ,,ii entr\ socegadam5te em ,lisboa1 e era uma vez a indep5d5cia de ,portugal4 --,o que6 e/avamos hespanhoes8 p]gunt\ furioso o ,b>?olomeu4 --,e/avamos hespanhoes1 sim1 meu amigo1 e eu te v\ explic> como que t9hamos *egado a isso em to p\co tempo4 ,em primeiro log>1 creio que j sabem que ,d4 ,joo ,,ii abaixra a pra de todo nobreza1 e d'ahi por diante os fidalgos fic>am s5do simplesm5te criados d pao4 ,o povo ajudra o rei a faz] essa obra necess>ia1 mas o rei1 ap5as se viu s]vido1 deu-lhe p>a baixo1 e el-rei ,d4 ,manuel comeou a diz] que os =aes1 que eram z leis por que se gov]navam os concelhos1 no e/avam muito cl>os1 e p>a os acl>>1 re=m\-os1 qu] diz]1 deu cabo d'elles4 ,em crtes j se no fallava s5o de longe a longe4 ,d'antes1 pelo m5os1 p>a se lanarem tributos novos1 sempre se reuniam z crtes4 ,d4 ,manuel no quiz que ellas se incommodassem por to p\co1 e1 p>a lhes p\p> trabalho1 comeou elle a deit> os tributos por sua conta4 ,ora i/o muito bom1 emquanto z c\sas vo corr5do bem4 ,o rei tem ali o seu povo manso como um leo dome/icado1 com z unhas cortadas e os d5tes limados1 mas1 qu&o vem z occasies1 o povo mette o rab9ho nas p]nas e no tuge nem muge4 ,p>a mais ajuda1 a inquisio concorria p>a t]em todos p\ca vontade de se mex]4 ,os jesuitas1 que tanto podiam faz] pela influ5cia que possuiam1 no se import>am p>a nada com isso4 ,frades como elles eram1 muito ligados entre si1 e muito escravos d seu g]al que e/ava em ,roma1 no t9ham patria1 a sua patria era a ,companhia4 ,depois1 vocs bem vem que o re9o no podia deix> de e/> sem =z4 ,era um sar de g5te todos os annos p>a a ,africa1 p>a a ,india1 p>a o ,brazil1 que era uma c\sa por demais4 ,no meio de tantas riquezas o paiz a*ava-se pobre4 ,havia muita g5te rica e vadia1 mas no havia lav\ra1 no havia fabricas1 no havia nada1 o d9heiro entrava por um lado p>a sar pelo outro4 ,demais a mais tudo era p&iga rasgada4 ,os portuguezes v9ham d ,ori5te descanar das suas fadigas4 ,t9ham escravos p>a o s]vio1 passavam os dias na amante vadiagem4 ,no ha c\sa que mais deite a p]d] os hom5s4 ,por isso ,d4 ,filippe e o seu embaixador ,*ri/ovo de ,m\ra encontr>am tudo podre4 ,ho de vocs diz]3 ,pois ento1 s porque um rei morreu1 e s porque se p]deu um ex]cito1 que no era gr&e c\sa1 p]deu-se ,portugal8 assim mesmo4 ,falt\ o rei1 falt\ tudo1 porque o povo nem j sabia de si1 e z crtes1 qu&o no havia quem m&asse alguma c\sa1 nem sabiam o que haviam de faz]4 ,soldados portuguezes1 os bons1 e/avam na ,india1 e no ba/avam2 os que t9ham voltado no p5savam s5o na p&iga4 ,tudo e/ava alluido na nao portugueza1 veio o empurro de ,alcac]-,kibir1 foi tudo abaixo1 e eu1 meus amigos1 no v\ p>a baixo1 v\ p>a cima que so horas de me ir *eg&o ao p\so4 ,dom+o cont9u>emos1 porque j agora havemos de acab>1 que l diz] que eu t5ho muita vontade de lhes cont> a hi/oria d que se pass\ no tempo dos ,filippes1 isso no t5ho4 ,ento que ,portugal p]deu a esp]ana de se levant>4 ,,setimo ,,s],o ,portugal durante o dom9io hespanhol4--,filippe ,i4--,os falsos ,d4 ,seba/io4--,ultimos es=os d prior d ,crato4--,os +lezes e holl&ezes no ultram>4--,a inv5civel armada4--,d4 ,filippe ,,ii4--,p]da e re/aurao da ,bahia4--,filippe ,,iii4--,o conde-duque de ,oliv>es e os privilegios das prov9cias4--,p]da de ,p]nambuco4--,tumultos de ,evora4--,o duque de ,bragana4--,a conspirao dos fidalgos4--,revoluo de #a de dezembro de #afdj4 --,meus amigos1 disse o ,joo da ,agualva no dom+o imm$iato1 demorei-me e o resultado foi apanh> uma con/ipao1 que a9da mal me deixa fall>4 ,no quiz comtudo deix> de vir p>a se no p]d] e/e bom co/ume dos dom+os1 mas p\co tempo me demoro1 e no f>ei mais d que cont>-lhes a hi/oria d que pass\ ,portugal com o dom9io dos hespanhoes4 ,se ns ao m5os tivessemos passado p>a uma nao =te1 com vida e com sangue1 alguma c\sa lucr>iamos1 mas a ,hespanha e/ava peor d que ns4 ,p>ecia muito pod]osa por fra1 mas s havia podrido l d5tro4 ,depois &ava em gu]ra com a ,europa toda1 e n'essa gu]ra nos embrulh\ p>a nossa desgraa4 ,apes> dos pes>es1 no cuidem vocs que tudo =am rosas p>a o nosso rei ,filippe ,i1 que era em ,hespanha ,filippe ,,ii4 ,elle veio com ps9hos de l1 prometteu respeit> z lib]dades portuguezas1 nunca nos d> por gov]nadores s5o portuguezes ou pr9cipes da familia real1 jur\ quanto quiz]am1 mas o povo no &ava satisfeito1 e1 como no t9ha a quem se enco/>1 p5sava em ,d4 ,seba/io1 o ,desejado1 como lhe *amam4 ,assim que app>ecia um homem que t9ha alguma p>ec5a com o rei fallecido1 diziam logo que era elle1 de frma que os hespanhoes e/avam sempre em sobresalto4 ,por isso o rei de ,p5amacor e o rei da ,ericeira1 uns pobres hom5s que o povo embirr\ em qu]] que fosse cada um d'elles ,d4 ,seba/io1 e que tom>am o caso a s]io1 provoc>am os seus tumultos1 s5do os da ,ericeira um p\co*9ho graves4 ,passados tempos1 a9da app>ec]am l =a1 em ,hespanha e em ,italia1 dois hom5s que diziam s] ,d4 ,seba/io1 e que logr>am muita g5te1 mas esses eram v]dadeiros intrujes que nem mesmo p5savam s5o em com] b>ba-longa1 cu/a dos freguezes4 ,o tal amor ao ,d4 ,seba/io foi-se peg&o a ponto que comeou a =m>-se uma seita que a9da ha p\co tempo durava1 a seita dos seba/iani/as1 que acr$itavam que ,d4 ,seba/io havia de app>ec] n'um dia de nevoeiro p>a gov]n> em ,portugal4 ,eu a9da conheci um seba/iani/a4 --,e eu tambem1 acudiu o ,b>?olomeu4 --,j vem que no m9to4 ,mas d'esse ,d4 ,seba/io no ha de vir mal ao mundo1 nem bem que o peor4 ,d4 ,antonio tambem trabalhava pela sua b&a1 e1 como a ilha ,t]ceira o acclamra rei1 foi-se l mett] e arranj\ soccorro de ,frana1 mas os hespanhoes bat]am a esquadra franceza1 e tom>am a ilha4 ,depois arranj\ soccorros da ra9ha de ,+lat]ra1 que m&\ uma esquadra a ,lisboa1 mas os +lezes =am repellidos1 e ,d4 ,antonio1 descorooado de todo1 foi morr] a ,p>is em #aeie4 ,mas qu]em vocs v] o que ns ganhmos com o e/> juntos ,hespanha8 ,foi t]mos p]na os +lezes e os holl&ezes1 que pr9cipi>am a sacudir-nos da ,india1 e que ento aos nossos navios faziam gu]ra mortal4 ,ia tudo pela agua abaixo1 e1 p>a mais desv5tura1 ,filippe lembra-se de m&> contra a ,+lat]ra uma esquadra imm5sa1 a que *am\ a inv5civel armada1 e que sau d porto de ,lisboa4 ,a armada p]deu-se e l se =am os nossos melhores navios4 ,filippe morria em #aeih1 e succ$ia-lhe ,filippe ,,ii aqui e ,,iii em ,hespanha4 ,se z c\sas t9ham ido mal at ahi1 ento =am peor4 ,a ,hespanha a a ,deus e v5tura1 e ns atraz d'ella4 ,o gov]no hespanhol1 que mal cuidava de si1 no cuidava nada de ns4 ,os +lezes e os holl&ezes tomavam-nos quasi tudo o que t9hamos na ,india1 e e/es ultimos tambem se mettiam no ,brazil comnosco4 ,gr&es faanhas a9da se faziam1 v]dade1 e da ,bahia1 por exemplo1 =am os holl&ezes expulsos1 mas1 qu&o ,filippe ,,ii morreu em #afba1 j o nosso pod] no era nem a sombra d que t9ha sido4 ,succ$eu-lhe ,filippe ,,iii1 e esse t9ha um primeiro m9i/ro *amado conde-duque de ,oliv>es1 que imag9\ que havia de acab> com os privilegios das prov9cias1 pr9cipalm5te com os de ,portugal4 ,no p5sava n'outra c\sa1 de frma que deixava ir z colonias1 e no ,brazil j os holl&ezes t9ham tomado raizes1 e e/avam s5hores de ,p]nambuco4 ,mas os portuguezes comearam a a*> a br9cadeira pesada e a refil> ao ,oliv>es4 ,em #afcg reb5t\ uma revolta em ,evora1 foi logo apagada1 mas com muito sangue4 ,peor p>a o caso4 ,os fidalgos1 que &avam tambem damnados1 pr9cipiavam a conv]s> com o duque de ,bragana1 ,d4 ,joo1 e a apalpal-o p>a v] se elle qu]]ia a cora4 ,o duque no dizia nem que sim1 nem que no4 ,mas n'i/o a ,catalunha1 que tambem no p]doava ao ,oliv>es a sem-c]emonia com que elle lhe qu]ia tir> os seus antigos privilegios1 revolta-se4 ,boa occasio6 ,os fidalgos1 em ,lisboa1 s5tiam-se cada vez mais dispo/os a m&> os hespanhoes p>a o diabo4 ,o ,oliv>es no fazia s5o desesp]al-os e atial-os4 ,t9ha-lhes dado por gov]nador a duqueza de ,mantua1 e p>a secret>io d gov]no um portuguez1 ,miguel de ,vasconcellos1 que era mais damnado contra os seus patricios d que se fosse hespanhol4 ,emquanto deixava p]d] z colonias portuguezas1 ,oliv>es levava os nossos fidalgos e os nossos soldados p>a z gu]ras de ,fl&res e da ,catalunha4 ,lembra-se emfim de d> ordem ao duque de ,bragana p>a que v p>a ,madrid4 ,ento que j se no podia e/> com pannos qu5tes4 ,os fidalgos dizem ao duque de ,bragana3 ,ou acceita a cora1 ou ns pomo-nos em republica4 ,o duque1 a f9al1 disse que sim4 ,com a brca6 aquillo foi um mom5to4 ,era um punhado de hom5s1 os que &avam assim a conspir>2 elles no sabiam se podiam cont> com o povo1 nem se no podiam1 conspiravam s cl>as1 que p>ece que em ,lisboa todos sabiam da conspirao m5os os hespanhoes2 reuniam-se umas vezes em casa de ,joo ,p9to ,ribeiro1 outras vezes em casa de ,d4 ,anto de ,almada1 no j>dim4 ,no dia #a de dezembro de #afdj saem todos p>a o meio da rua4 ,eram qu>5ta1 p\co mais ou m5os4 ,*egam ao pao1 matam o ,miguel de ,vasconcellos1 ag>ram na duqueza de ,mantua e fe*am-n'a *ave1 des>mam a gu>da1 abrem z janellas1 e dizem a quem a pass&o3 ,viva o duque de ,bragana1 rei de ,portugal6 viva o sr4 ,d4 ,joo ,,iv6 ,o povo diz-lhes c de baixo3 ,viva6 e viva1 e viva6 e eram uma vez os hespanhoes1 e d'ahi a p$ao e/ava tudo to socegado como se no tivesse havido c\sa n5huma1 e os hespanhoes t9ham desapp>ecido2 e aqui tem vocs como se faz uma revoluo qu&o ella e/ na vontade de todos4 ,digo-lhes1 rapazes1 que e/e dia #a de dezembro consola uma pessoa4 ,p>ecia que o paiz no t9ha feito s5o acord> de um pesadello4 ,aquillo foi s salt> da cama abaixo1 e elle ahi e/ava de p1 todo pimpo como em outros tempos4 ,e sabem vocs porque i/o foi8 porque z naes so como z espadas1 onde enrijam na bigorna4 ,,oitavo ,,s],o ,unanimidade da revoluo4--,prep>ativos de resi/5cia4--,organisao milit> d paiz4--,z allianz4--,relaes de ,portugal com a ,holl&a4--,re/aurao de ,p]nambuco e de ,angola1 e p]da de ,ceylo4--,conspiraes contra ,d4 ,joo ,,iv4--,gu]ra da ,re/aurao4--,batalhas de ,montijo e de ,tel5a4--,d4 ,affonso ,,vi4--,a sua educao e a sua indole4--,reg5cia da ra9ha ,d4 ,luiza4--,antonio ,conti4--,o conde de ,ca/ello ,melhor4--,cont9uao da gu]ra4--,c]co de ,badajoz4--,batalha das ,l9has de ,elvas4--,paz entre a ,hespanha e a ,frana4--,campanhas de ,d4 ,joo de ,au/ria4--,s*omb]g4--,victorias d ,ameixial1 ,ca/ello ,rodrigo e ,montes ,cl>os4--,planos d conde de ,ca/ello ,melhor4--,intrigas d ,pao4--,casam5to1 de/hronam5to e divorcio v]gonhoso de ,d4 ,affonso ,,vi4--,reg5cia d infante ,d4 ,p$ro4--,casam5to com a cunhada4--,tratado de ,me?w54--,gu]ra da successo de ,hespanha4--,d4 ,joo ,v4--,z m9as d ,brazil4--,desp]dicios1 beat]io e immoralidades4 --,meus amigos1 pr9cipi\ no outro dom+o o ,joo da ,agualva1 e j n+uem o int]rompia1 tal era o int]esse com que todos seguiam a sua n>rativa2 o que succ$eu na capital1 succ$eu no re9o todo4 ,aquillo foi *eg> a noticia d que se passava em ,lisboa1 e de um mom5to p>a o outro desapp>eciam os hespanhoes1 e tornava tudo a s] ,portugal4 ,p\pmos-lhes muita despeza em correios1 porque logo s\b]am pelo primeiro que ,lisboa se t9ha revoltado1 que t9ha v5cido1 que re9ava em ,portugal ,d4 ,joo ,,iv1 e que a ,hespanha1 d ,m9ho p>a baixo e d ,caya p>a o occid5te1 j no possuia nem um palmo de t]ra4 ,qu]em vocs sab] como o conde-duque de ,oliv>es deu a noticia ao patro8 ,foi d'e/a maneira3--,d\ os p>ab5s a ,vossa ,mage/ade2 acabam de lhe entr> uns p\cos de milhes no bolso4--,como assim8 p]gunt\ o rei que e/ava a jog>1 e que no desgo/>ia de que lhe saisse d'essa maneira a sorte gr&e de ,hespanha4--,porque o duque de ,bragana1 torn\ o m9i/ro1 acaba de se revolt>1 e de se faz] rei de ,portugal1 e1 como temos de lhe tir> os b5s e de lhe cort> a cabea1 fica ,vossa ,mage/ade mais rico4 ,o rei no go/\ muito d'esse modo de enriquec]1 e a9da olh\ p>a os p>ceiros a v] se algum lhe dava quatro v9t5s pela h]ana4 ,n5hum cau n'essa4 ,isso era muito bom1 mas ,portugal que no vivia de cantigas4 ,a ,hespanha era ento a9da maior d que hoje 1 e1 se ella nos casse em cima1 e/avamos promptos4 ,de que precisavamos ns8 ,de d9heiro1 de soldados e de allianz4 ,trat\-se logo de tudo4 ,d9heiro vot>am z crtes quanto se quiz2 p>a arranj> soldados fez-se uma obra f9a que nunca n+uem at ahi t9ha feito1 e que foi pr toda a g5te em armas4 ,e como8 dividiu-se o re9o em tres l9has2 a primeira de soldados1 que se *amavam pagos1 a segunda de milicianos1 e a t]ceira1 que era a dos velhotes1 de ord5anz4 ,uns am gu]ra1 os outros ajudavam-nos em s5do preciso1 sando1 o m5os que podesse s]1 dos seus sitios1 e f9alm5te os ultimos def5diam z suas t]ras1 porque isso1 atraz de um muro1 todos fazem figura4 ,digo-lhes1 rapazes1 que aquillo que foi uma ida1 e olhem que no nos s]viu s ento1 tambem na gu]ra da p59sula foi o que nos valeu1 e1 aqui p>a ns1 no me p>ece que fizessem muito bem em deit> abaixo aquella hi/oria4 ,e/ava j tudo co/umado1 e qu&o v9ha uma gu]ra1 saltava toda a g5te p>a o meio da rua2 e olhem que i/o de e/> um homem d5tro de casa1 de esp+>da na mo1 d que faz] aos mais p9tados4 ,e logo se viu4 ,emquanto a allianz tambem no falt>am2 v]dade que no s]viram de muito1 porque cada um cuidava de si4 ,a ,frana1 prompta1 o que ella qu]ia era abaix> a pra ,hespanha1 mas1 como tambem l &ava em gu]ra com os hespanhoes1 o mais que fez foi cons5tir que arranjassemos (ficiaes francezes pelo nosso d9heiro2 a ,+lat]ra1 a mesma c\sa1 muita fe/a p>a a fe/a1 mas &ava embrulhada em gu]ras civs1 no m&\ p>a c nem um navio4 ,ento a ,holl&a a9da foi peor1 isso444 recebeu o nosso embaixador de braos ab]tos1 poz lum9>ias1 a*\ que t9hamos feito muito bem1 mas1 qu&o o embaixador lhe disse3 ,ento agora que e/amos amigos1 v5ham p>a c z nossas colonias1 que so nossas e no dos hespanhoes1 a ,holl&a exclam\3 ,z colonias6 ah6 sim6 ns somos to amigos d'ellas6 ,e/o j aco/umadas comnosco6 at t9hamos p5a de z deix>4 ,e acresc5tava o embaixador3 ,mas ento1 c'os diabos1 ao m5os no nos tomem mais n5huma4--,no tomamos1 dizia a ,holl&a1 isso nunca4 ,ora agora sabem vocs8 z colonias so como z c]ejas4 ,o caso apanh> uma4 ,ah6 elle isso6 diss]am os portuguezes comsigo1 pois ento vamos a ellas4 ,e1 zs1 reb5ta uma revolta em ,p]nambuco1 e os brazileiros a b]r>em3 ,viva ,d4 ,joo ,,iv6 ,a ,holl&a *am\ o nosso embaixador3 ,ento que diabo isso8 ns somos amigos e fazem-nos uma p>tida d'e/as6--,patifes6 dizia o embaixador4 ,aquillo d sol6 esqu5ta-lhes a cabea1 e do por paus e por p$ras4 ,mas1 aqui p>a ns1 se elles dizem3 ,viva ,d4 ,joo ,,iv1 no havemos de lhes ir diz]3 ,morra ,d4 ,joo ,,iv6 ,no nos ficava bem4--,pois sim1 mas digam-lhes que e/ejam quietos4--,pois isso dizemos ns4 ,e ,d4 ,joo ,,iv m&ava p>a l armas e (ficiaes1 e dizia-lhes3 ,ahi vae isso1 que p>a vocs e/>em quietos4 ,e em p\cos annos e/avamos s5hores de ,p]nambuco1 e os holl&ezes na rua4 ,d'ahi a tempos1 ,salvador ,correia de ,s a a ,angola e punha fra os holl&ezes que nos t9ham tomado esse re9o4--,ento i/o que vem a s]8 brad>am os holl&ezes1 ento os s5hores vo de proposito d ,brazil a ,angola p>a nos sacudir6--,quem que fez isso8 p]guntava o embaixador4--,salvador ,correia de ,s4--,sim6 pois e/ejam vocs descanados1 que lhe vamos j p]gunt> pelo correio1 que diabo de lembrana foi essa4 ,em v9do respo/a c lh'a m&amos4 ,e a proposito1 sr4 ,holl&a1 vocs tom>am-nos ,ceylo8--,tommos ,ceylo1 mas que defeza6 ,antonio de ,s\sa ,c\t9ho def5deu-se m>avilhosam5te4 ,os nossos g5]aes so todos accordes que nunca encontr>am resi/5cia to desesp]ada6 ,qu&o escrev]em p>a l1 m&em os nossos p>ab5s ao sr4 ,antonio de ,s\sa ,c\t9ho e recomm5daes aos amigos4 ,e era assim que ns e/vamos com a ,holl&a3 abraos na ,europa e lambada l por fra4 ,h\ve s duas crtes que no quiz]am nunca reconhec] a indep5d5cia de ,portugal2 uma foi a crte de ,roma que e/ava toda nas mos dos hespanhoes1 e a outra a da ,allemanha1 cujo imp]ador era da mesma familia que a d rei ,filippe4 ,e fiz]am-nos tran/orno3 a primeira porque e/vamos assim a modo excommungados1 a segunda por uma patif>ia que pratic\ o imp]ador1 m&&o pr5d] sem mais nem m5os o pr9cipe ,d4 ,du>te de ,bragana1 irmo de ,d4 ,joo ,,iv1 que &ava por l na gu]ra contra os turcos1 e que tanta conta nos f>ia em ,portugal4 ,morreu na cadeia o pobre rapaz por causa de ns e da traio d tal imp]ador4 ,em ,portugal1 ao pr9cipio1 t9ha ido tudo bem1 mas1 assim que pass\ aquelle primeiro fogo1 h\ve muitos que comearam a p5s> no caso e que diss]am comsigo3 ,i/o foi uma gr&e asneira4 ,vem ahi os hespanhoes e do cabo de todos ns4 ,o melhor pormos z co/as no seguro1 e1 antes que elles v5ham t] comnosco1 vamos ns ao encontro d'elles1 que sempre apanh>emos alguma c\sa4 ,e n'i/o desatam a conspir> contra ,d4 ,joo ,,iv4 ,=am ca/igados cruelm5te4 ,morr]am muitos com a cabea cortada1 e mais nem todos eram culpados4 ,mas que qu]em vocs8 ,a mania de ,d4 ,joo ,,iv era que o no tom>iam a srio como rei em ,madrid1 emquanto no m&asse cort> a cabea a alguem4 ,pois em primeiro log> visse bem a quem matava1 e em segundo log> eu sempre ouvi que os reis1 qu&o so mais reis1 qu&o p]dam4 ,e1 alem d'isso1 os hespanhoes qu&o tom>am a srio ,d4 ,joo ,,iv no foi qu&o elle m&\ cort> a cabea a fidalgos portuguezes1 mas qu&o os soldados portuguezes lhes comearam a esfreg> z co/as a elles4 ,l que os taes conspiradores t9ham raso em e/> com m$o1 isso t9ham1 porque p>ecia mesmo impossivel que ,portugal resi/isse4 ,tambem o que nos valeu foi a asneira dos hespanhoes1 que nos primeiros dois annos no fiz]am s5o d> um rebate falso a uma praa1 atac> outra1 esc>amuar aqui1 disp>> uns tiros alem4 ,p>ecia que e/avam incumbidos por ,d4 ,joo ,,iv de faz] &> os nossos soldados na recruta4 ,em #afdd que1 pela primeira vez1 fiz]am assim movim5to mais s]io1 mas j t9hamos ento soldados velhos1 comm&ados por um bom g5]al1 ,ma?ias de ,albuqu]que1 e os amigos hespanhoes lev>am a primeira sova mesmo l na sua t]ra1 em ,montijo2 em #afdf nova batalha em ,tel5a1 mas n'essa p]demos ns mais d que lucrmos1 a9da que os hespanhoes com isso nada ganh>am tambem1 porque volt>am co/umeira antiga4 ,emfim1 p>a encurt> rases1 qu&o ,d4 ,joo ,,iv morreu1 em #afef1 e/avamos havia dezeseis annos n'aquella br9cadeira1 hoje amos ns ,hespanha e apanhavamos gado1 manh v9ham elles c e levavam-nos o nosso4 ,mas quem lucrava com isso8 ramos ns1 porque os nossos milicianos1 e z nossas ord5anz am-se co/um&o gu]ra1 e cada vez e/e bocad9ho de ,portugal se a torn&o p>a a ,hespanha mais duro de ro]4 ,em #afef morreu pois ,d4 ,joo ,,iv1 como eu lhes disse1 e succ$eu-lhe seu filho ,d4 ,affonso ,,vi1 a quem *am>am o ,victorioso1 como *am>am a ,d4 ,joo ,,iv o ,re/aurador1 mas emfim a e/e com mais um bocad9ho de raso4 ,d4 ,affonso ,,vi no era o filho mais velho1 mas o mais velho1 um rapazito que dava esp]anz1 ,!odosio1 morr]a em #afec4 ,d4 ,affonso ,,vi fra desde creana muito do5te1 nunca podra apr5d] c\sa n5huma e tiv]a uma educao muito descuidada4 ,o seu go/o era br9c> com os g>otos que am p>a debaixo das janellas d pao1 e1 qu&o foi homem1 &ava em p&igas pela cidade1 com uma roda de fac9oras que faziam tudo o que qu]iam sombra d'elle1 a ponto que at havia mortes nas ruas de ,lisboa6 ,como a9da era pequ5o qu&o seu pae morreu1 fic\ reg5do o re9o sua me ,d4 ,luiza de ,gusmo1 uma hespanhola muito decidida1 que diziam at que fra quem mais concorr]a p>a o m>ido acceit> a cora4 ,a reg5te l foi gov]n&o com ac]to1 emquanto o rapazote &ava ao l> com um tal ,antonio ,conti1 que lhe s\b]a conqui/> a amisade4 ,a ra9ha um dia peg\ n'esse ,antonio ,conti1 e f]r\ com elle de/]rado no ,brazil4 diabo que tal fize/e6 o pequ5o zanga-se1 e1 qu&o o conde de ,ca/ello ,melhor lhe disse que era bom que comeasse a gov]n> por si1 porque t9ha j *egado maioridade1 ,d4 ,affonso1 p>a preg> pirraa me1 acceit\2 eu no l\vo o conde de ,ca/ello ,melhor por t] aconselhado e/a aco1 mas a v]dade que ,d4 ,affonso ,,vi j e/ava em idade de gov]n>1 e que1 se no podia dirigir os negocios1 sempre era melhor que por elle os dirigisse um homem como o conde de ,ca/ello ,melhor1 que t9ha uma excell5te ca*imonia1 d que a ra9ha1 que1 apez> de s] esp]ta1 sempre era s5hora1 e por isso m5os capaz de gov]n> o re9o em tempo de gu]ra4 ,bem conheo que ,d4 ,affonso ,,vi era um mau rei1 que no t9ha juizo1 que se entregava a div]tim5tos indec5tes e at crim9osos1 mas uma qualidade t9ha elle1 p]cebia p]feitam5te que no sabia cuid> d re9o1 e deixava o ,ca/ello ,melhor faz] tudo quanto qu]ia4 ,ora o ,ca/ello ,melhor era uma das melhores cabez que tem gov]nado o nosso paiz1 como vocs vo v]1 porque bom que saibam o que se passra na gu]ra4 ,logo depois da morte de ,d4 ,joo ,,iv1 um g5]al portuguez1 ,joo ,m5des de ,vasconcellos1 fiz]a gr&e asneira4 ,v5do que os hespanhoes &avam s a faz] fosqu9has1 disse comsigo3 ,no nos ho de conqui/>1 e havemos de s] ns que os conqui/>emos a elles4 ,junta um ex]cito magnifico1 e vae c]c> ,badajoz4 ,a9da ali ganhmos uma batalha1 que foi a d ,=te de ,s4 ,miguel1 mas a f9al tivemos de levant> o c]co1 depois de hav]mos p]dido inutilm5te a flor dos nossos soldados4 ,ora o que succ$eu8 ,foi que1 no anno segu9te1 qu] diz] em #afei1 os hespanhoes1 picados com o nosso atrevim5to1 saram da sua pa*orra1 junt>am um ex]cito =midavel comm&ado pelo proprio m9i/ro d rei1 ,d4 ,luiz de ,h>o1 vi]am sobre ,portugal e c]c>am ,elvas4 ,a c\sa e/eve phosphorica1 porque os nossos melhores soldados t9ham ficado e/5didos diante de ,badajoz1 e &ava i/o por c muito des>ranjado4 ,mas p>a alguma c\sa haviam de s]vir os dez5ove annos de gu]ra4 ,em primeiro log> ,elvas1 gov]nada por ,d4 ,san*o ,manuel que foi depois conde de ,villa ,flor1 def5deu-se admiravelm5te1 em segundo log> o conde de ,cantanh$e1 depois m>quez de ,m>ialva1 como no t9ha outra g5te1 reuniu um ex]cito quasi todo de milicianos e salt\ nos hespanhoes que c]cavam ,elvas4 ,foi no dia #ad de janeiro de #afei que se deu a batalha1 conhecida pelo nome de batalha das l9has de ,elvas1 e nunca os hespanhoes apanh>am tamanha pilota4 ,os prisioneiros =am aos milh>es1 artilh]ia1 bagag5s1 tudo nos cao nas mos1 e o proprio ,d4 ,luiz de ,h>o escap\-se por um fio4 ,tambem nunca mais nos p]do\ aquella sova1 e1 qu&o n'esse mesmo anno foi faz] a paz com a ,frana1 deu aos francezes tudo quanto elles quiz]am1 s com uma condio--a de se no fall> em ,portugal4 ,era patif>ia grada d m9i/ro francez1 um padre1 um tal c>deal ,maz>9o1 porque z t>eias que davamos nos hespanhoes t9ham feito muita conta aos francezes4 ,mas o ,maz>9o foi apanh&o o que p\de1 e p\co lhe import\ m&>-nos fava4 ,vem vocs a situao em que ficmos4 ,qu&o comemos a gu]ra com a ,hespanha1 e/ava ella em gu]ra tambem com quasi toda a ,europa1 o que no era mau p>a ns4 ,em #afdh fez a paz com muitas naes1 e isso no foi l muito bom1 porm1 como a ,frana cont9uava em gu]ra1 e essa s por si dava mais que faz] ,hespanha d que todas z outras juntas1 a9da a c\sa no a mal2 mas agora8 ,a ,frana fazia a paz1 quasi que se alliava com os hespanhoes1 porque o rei de ,frana1 ,luiz ,,xiv1 casava com uma pr9ceza hespanhola1 e ns que ficavamos em campo1 com a ,hespanha s co/as4 ,ella a9da e/eve dois annos a apalp>-nos1 mas em #affb rompeu o fogo com alma4 ,poz um dos seus melhores g5]aes1 ,d4 ,joo de ,au/ria1 filho ba/>do d rei1 fr5te dos seus ex]citos1 e cau em cima de ns com todo o seu peso4 ,ora foi exactam5te em #affb que entr\ no pod] o conde de ,ca/ello ,melhor1 e foi sobre elle que desab\ esse temporal desfeito4 ,nunca ,portugal se vira em to maus l5oes4 ,d4 ,joo de ,au/ria tomava praz sobre praz1 e na campanha d anno imm$iato1 #affc1 quasi que *egava s portas de ,lisboa4 ,mas o m9i/ro fiz]a o diabo1 p>ece que at das p$ras t9ha feito soldados4 ,depois1 como ,maz>9o era um f9orio1 que no desgo/ava de jog> com pau de dois bicos1 ao passo que cont5tava a ,hespanha1 m&ava-nos p>a c os (ficiaes que podia1 entre elles o conde de ,s*omb]g1 que era um g5]al de mo *eia4 ,no comm&\ nunca em *efe1 porque os nossos no go/avam1 e t9ham raso1 que elles j haviam dado provas de que no precisavam de tutores2 mas foi um excell5te conselheiro4 ,o que c]to1 meus amigos1 que1 em tres annos successivos1 em que os hespanhoes fiz]am todos os es=os p>a d> cabo de ns1 lev>am tres sovas me/ras2 a primeira deu-lh'a em #affc o conde de ,villa ,flor na batalha d ,ameixial1 a segunda em #affd ,p$ro ,jacques de ,magalhes na batalha de ,ca/ello ,rodrigo1 a t]ceira em #affe na batalha de ,montes ,cl>os o m>quez de ,m>ialva4 ,d'ahi por diante nunca os hespanhoes levant>am cabea1 e no p5s>am mais em tom> conta outra vez de ,portugal4 ,ora o conde de ,ca/ello ,melhor t9ha uma gr&e ida2 dizia elle comsigo3 os hespanhoes lev>am tanta pancad>ia1 que1 se fazemos a paz com elles1 fic&o ns simplesm5te com o que t9hamos ao pr9cipio1 pde-se diz] que fomos logrados4 ,demais a mais ,portugal pequ5o1 a ,hespanha gr&e2 em qualqu] bulha que tiv]mos e/amos de mau p>tido4 necess>io faz] ,portugal maior e a ,hespanha mais pequ5a4 ,e toda a sua t9eta era obrig> os hespanhoes a d>-nos a ,galliza4 ,e o que fazia elle ento8 ,enco/ava-se a ,luiz ,,xiv1 rei de ,frana1 que &ava namor&o umas prov9cias hespanholas l de ,fl&res4 ,casava ,d4 ,affonso ,,vi com uma pr9ceza franceza1 e dizia comsigo3 ,mais dia m5os dia1 ,luiz ,,xiv pega-se com a ,hespanha4 ,ns vamos com elle4 ,a ,hespanha leva p>a o seu tabaco a val]4 ,elle fica com z prov9cias que quiz]1 at com a ,fl&res toda1 se isso lhe fiz] conta1 e ns com a ,galliza1 e com mais alguma c\sa se podr s]4 --,e era bem p5sado1 sr4 ,joo da ,agualva1 obs]v\ o ,b>?olomeu1 porque que no havia de s] nossa a ,galliza8 --,t5s raso1 e j vs que1 se ns tivessemos a ,galliza tambem1 no e/avamos sempre com m$o de s] engulidos pelos vis9hos4 ,mas que qu]es tu8 ,entretanto am gr&es intrigas no pao4 ,a ra9ha1 que era uma pr9ceza toda lir e toda co/umada s janotices da crte de ,luiz ,,xiv1 a*&o-se casada com um homem que s se dava bem com moos de cavall>ia1 e que de mais a mais era to do5te que nem m>ido podia s]1 pr9cipi\ a desgo/>-se1 e ao mesmo tempo a agrad>-se d infante ,d4 ,p$ro1 rapaz desemp5nado1 que tambem no desgo/ava da francezita4 ,p5s>am em se junt> e gov]n> o paiz4 ,pr9cipi>am z intrigas4 ,tanto fiz]am que conseguiram pr fra o conde de ,ca/ello ,melhor4 ,desamp>ado1 o pobre ,d4 ,affonso ,,vi no t>d\ a s] expulso d ?rono1 e at o descas>am1 coitado6 ,foi necess>io p>a isso um processo que uma v]gonha1 e realm5te no posso p]ceb] como foi que uma ra9ha se deix\ assim &> nas bcas d mundo6444 ,emfim1 o que c]to que de/]r>am o pobre ,d4 ,affonso ,,vi1 m&&o-o p>a a ilha ,t]ceira2 pr5d]am-n'o depois em ,c9tra1 onde morreu1 e a ra9ha cas\ com o cunhado1 e e/e fic\ a gov]n> o re9o4 ,eu j lhes disse1 rapazes1 que bem conheo os defeitos de ,d4 ,affonso ,,vi2 mas o pobre homem1 que era mesmo uma creana1 que se no importava p>a nada com a politica1 que tiv]a a =tuna de ac]t> com um bom m9i/ro que gov]nava por elle e gov]nava bem1 no m]ecia que lhe fizessem similhante entrega6 ,mette d1 porque elle nem sabia def5d]-se1 &ava ali como o m59o nas mos das bruxas4 ,e o irmo1 que lhe tirra a cora1 e que lhe tirra a mulh]1 nem ao m5os lhe dava a sua lib]dade1 nem lhe cons5tia que espairecesse4 ,t9ha-o preso n'um qu>to em ,c9tra1 e ali o deix\ morr] de aborrecim5to e de desgo/o1 a elle que nunca fiz]a mal a n+uem s5o com z suas tolas rapaziadas6 ,emfim1 passemos adiante6 ,o que c]to que i/o succ$eu em #affg1 e logo no anno segu9te de #affh fazia-se a paz com a ,hespanha1 sem lucro n5hum p>a ns1 porque nem ao m5os apanhavamos a praa africana de ,ceuta1 que era to nossa1 por causa da qual morreu no captiveiro o infante santo1 e que em #afdj no conseguira livr>-se dos hespanhoes4 ,tanto se emp5hra em gov]n> o re9o o sr4 ,d4 ,p$ro ,,ii1 que desde #affg at #afhc1 anno em que morreu ,d4 ,affonso ,,vi1 s tom\ o titulo de reg5te1 e a f9al de contas no fez s5o tolices4 ,demais a mais algumas c\sas boas que deix\ faz]1 logo z desman*\4 ,um m9i/ro que elle teve1 o conde da ,ericeira1 quiz v] se fundava fabricas em ,portugal1 mas em #agjc um tratado com a ,+lat]ra1 conhecido pelo nome de tratado de ,me?w51 que e/e era o nome d embaixador que o assign\1 deu cabo da nossa indu/ria4 ,cons]v\-se em paz1 tanto que lhe d]am o nome de ,pacifico1 e vae no fim d seu re9ado mette-se sem mais nem m5os na gu]ra da successo de ,hespanha1 favorec5do ,d4 ,c>los da casa de ,au/ria contra ,d4 ,filippe da casa de ,b\rbon4 ,como t9hamos ento um excell5te g5]al1 que era o m>quez das ,m9as1 deu-nos e/e o go/9ho de entr> victorioso em ,madrid1 e de proclam> ali ,d4 ,c>los rei de ,hespanha2 mas esse go/9ho no t>dmos a am>gal-o1 porque1 morr5do ,d4 ,p$ro ,,ii no dia #a de dezembro de #agjf1 logo no dia #be de abril de #agjg era o m>quez das ,m9as batido na batalha de ,almanza com graves p]das p>a ns1 tanto que at ao fim da gu]ra pde-se diz] que nunca mais levantmos cabea4 ,subio ao ?rono ,d4 ,joo ,v1 e eu1 p>a lhes diz] a v]dade1 o que no posso p]ceb] como ha hi/oriadores que gabam aquelle rei4 ,c p>a mim foi um dos peores que ns tivemos4 ,possuia algumas qualidades que no eram de todo ms1 era porm o mesmo que se z no tivesse1 porque no p5sava s5o no beat]io1 e em obras gr&es e magnificas1 que a maior p>te das vezes p>a nada s]viam4 ,logo por desgraa foi n'esse re9ado que comearam a r5d] rios e rios de d9heiro z m9as d ,brazil1 e tudo era p\co p>a o rei que no cuidava s5o de si e nada d re9o4 ,por exemplo1 a*\-se embrulhado com a ,hespanha e com a ,frana n'uma gu]ra que no seu tempo no foi s5o desa/rosa4 ,uns cors>ios francezes d]am-nos cabo d ,rio de ,janeiro e lev>am-nos umas riquezas espantosas4 ,pois no encontr\ aquelle homem uns p\cos de navios p>a salt>em tambem nas colonias francezas1 ou p>a proteg]em z nossas6 ,emfim6 se os no t9hamos1 paci5cia6 ,mas d'ahi a p\co sau de ,lisboa uma excell5te esquadra em soccorro d papa1 comm&ada pelo conde d ,rio ,gr&e1 esquadra que foi bat] os turcos no cabo ,matapan6 ,ora vejam se ha um pat>ata assim6 ,annos depois1 por causa de uns insultos feitos em ,madrid ao nosso embaixador1 e/ p>a reb5t> a gu]ra com a ,hespanha4 ,fazem-se prep>ativos1 e v-se que no temos nem ex]cito1 nem m>9ha4 ,de que trat\ logo ,d4 ,joo ,v8 ,de compr> armam5to8 ,qual hi/oria6 ,de m&> faz] em ,p>is1 p>a si1 uma b>raca de campanha muito rica1 e to luxuosa que toda a g5te a a v]66 ,no t9hamos e/radas1 no t9hamos rios canalisados1 no t9hamos des5tulhados os portos1 no t9hamos nada d que nos era necess>io1 mas t9hamos aquella mon/ruosidade d conv5to de ,mafra que cu/\ #abj milhes de cruzados1 que no s]ve p>a c\sa n5huma1 e que nem ao m5os bonito4 ,dizem que go/ava muito de imit> ,luiz ,,xiv1 mas o que me dizia o eng5heiro francez que e/eve aqui em ,bellas1 que ,luiz ,,xiv m&ava ir sabios p>a ,frana1 dava p5ses aos sabios e/rangeiros1 e e/e o que dava era d9heiro p>a igrejas1 e o que m&ava vir era de ,roma bullas e capellas4 ,dizem que nunca deix\ s naes e/rangeiras pr p em ramo v]de comnosco4 ,quem lhe valeu p>a isso =am os diplomatas que teve1 que nunca em ,portugal os h\ve to bons1 e tambem o s] to orgulhoso que a aos ares s com a ida de que mangavam com elle4 ,mas no mais no me fallem em ,d4 ,joo ,v1 que at me sobe o sangue cabea4 ,pois vocs conhecem c\sa que mais indigne d que ir um homem ali p>a ,lisboa1 no campo da ,l1 v] os inquisidores queim>em g5te de bem1 ou porque no go/avam de t\c9ho1 ou porque nem sempre am missa1 e depois mont> a cavallo1 p>a se mett] em ,odivellas na cella de uma freira e pass> ali a noite8 ,eu digo que me *ega a p>ec] nem sei o que uma malvadez assim4 ,morreu em #agej esse rei que no fez nada bom em ,portugal1 a no s] z ,aguas-,livres4 ,p\co mais d9heiro ga/\ que se podesse diz] que fosse bem ga/o4 ,e digo-lhes que1 se vocs olh>em p>a o paiz1 at lhes ha de faz] p5a4 ,a nobreza j no se compunha s5o simplesm5te de criados d pao1 o cl]o imm5so e corrompido en*ia o re9o com os seus padres e os seus conv5tos1 e cons]vava o povo n'uma ignorancia completa1 o povo1 mis]avel1 vadio1 ou emigrava p>a o ,brazil1 ou p$ia esmola s port>ias dos conv5tos1 ou s5tava-se ao sol4 ,t9hamos *egado ao mais baixo a que podiamos *eg>4 ,felizm5te1 qu&o uma nao desce a tal ponto1 sempre app>ece alguem que a levante e esse1 eu1 p>a o outro dom+o1 lhes direi quem foi4 ,por hoje ba/a4 ,qu&o fallo no sr4 ,d4 ,joo ,v1 o ,magnifico1 e p5so no mal que elle fez ao paiz1 fico sempre macambusio1 e ento o melhor ir-me deit>4 ,,nono ,,s],o ,d4 ,jos ,i4--,z trans=maes sociaes4--,o m>quez de ,pombal e a revoluo4--,t]ramoto de #a de novembro de #agee4--;,z gr&es re=mas de ,seba/io de ,c>valho4--,expulso dos jesuitas4--,re=ma da univ]sidade4--,reorganisao d ex]cito4--,agricultura4--,indu/ria4--,in quisio4--,*ri/os novos e *ri/os velhos4--,politica e/rangeira4--,en]gia com ,roma e com ,+lat]ra4--,recon/ruco de ,lisboa4--,e/atua de ,d4 ,jos4--,att5tado contra o rei4--,supplicio dos ,tavoras4--,d4 ,m>ia ,i4--,reaco contra z m$idas d m>quez de ,pombal4--,processo d gr&e m9i/ro4--,p9a ,manique1 ,francisco de ,almada4--,m>t9ho de ,mello4--,l\cura da ra9ha4--,reg5cia d pr9cipe ,d4 ,joo4--,a republica franceza4--,campanha d ,r\ssillon4--,campanha de #ahja4--,napoleo e o tratado de ,fonta9ebleau4--,fuga da familia real p>a o ,brazil4--,gu]ra p59sul>4--,congresso de ,vi5na4--,d4 ,joo ,,vi4--,conspirao de #ahag4--,revolta de ,p]nambuco4--,revoluo de #ahbj4 ,ho de vocs not>1 rapazes1 obs]v\ o ,joo da ,agualva mal todos se s5t>am no dom+o segu9te em torno da l>eira1 que1 em e/&o p>a hav] uma gr&e mudana na sorte dos hom5s1 p>ece que todos1 sem o qu]] e sem o sab]1 trabalham p>a essa mudana1 desej&o faz] muitas vezes exactam5te o contr>io4 ,por exemplo1 lembram-se vocs que ali por #aejj que os reis se fiz]am s5hores absolutos1 porque acab>am com os privilegios da nobreza1 e com os =aes d povo4 ,quem que contribuiu p>a isso8 ,o povo1 que ajud\ o rei a d> cabo dos nobres4 ,agora encam9ha-se tudo p>a a lib]dade e p>a a igualdade1 e quem que no nosso paiz vae concorr] mais p>a similhante c\sa8 ,o m>quez de ,pombal4 ,dir-me-ho vocs3 ,ento o m>quez de ,pombal era algum lib]alo por ahi alem como os de v9te8 ,qual hi/oria6 ,era um tyranno e dos mais f]ozes que nunca h\ve1 mas1 sem o qu]] e sem o sab]1 n+uem mais d que elle trabalh\ pela lib]dade4 ,em primeiro log> ho de vocs sab] que o rei ,d4 ,jos1 que subiu ao ?rono por morte de seu pae ,d4 ,joo ,v1 quasi que nem conhecia o m>quez de ,pombal1 que j era homem dos seus c9co5ta annos1 e que t9ha &ado por fra como embaixador1 ora em ,londres1 ora em ,vi5na de ,au/ria1 onde casra com a filha de um figuro au/riaco4 ,quem metteu emp5hos p>a que elle fosse m9i/ro foi a me de ,d4 ,jos1 ,d4 ,m>ianna se *amava ella1 ar*iduqueza de ,au/ria1 e por isso amiga da mulh] d m>quez1 que ento se *amava simplesm5te ,seba/io ,jos de ,c>valho e ,mello4 ,era um m9i/ro como os outros1 e o rei no fazia mais caso d'elle d que fazia dos seus collegas1 qu&o de rep5te acontece uma gr&e desgraa em ,lisboa1 que veio a s] o t]ramoto d dia #a de novembro de #agee4 ,a cidade foi quasi toda a t]ra1 morr]am muitas mil pessoas1 outras fic>am a p$ir esmola1 e sobretudo re9ava um t]ror tamanho que n+uem sabia o que havia de faz] nem p>a onde se havia de vir>4 ,o ,seba/io de ,c>valho no p]deu a tramontana4 ,toma elle a direco de tudo1 arranja su/5to1 en=ca s portas da cidade quantos ladres apanha1 porque isso ento era uma praga1 trata d des5tulho1 e logo em seguida de recon/ruir a cidade1 i/o com uma actividade1 com um desemb>ao1 com um ac]to1 que ,d4 ,jos disse comsigo3 ,temos homem6 ,d'ahi por diante quem gov]n\ foi elle1 e de uma pessoa pasm> v] o que fez4 ,at ahi os gov]nos1 p>a fall> a v]dade1 em quem m5os p5savam era no povo e no paiz4 ,o d9heiro d e/ado no s]via s5o p>a elles faz]em o que lhes agradava1 e por felizes se podiam d> os povos qu&o lhes dava o capri*o p>a c\sas uteis4 ,seba/io ,jos de ,c>valho e ,mello trat\ d paiz e mais nada4 ,ora de que que o paiz precisava8 ,precisava1 primeiro que tudo1 de acab> com z despezas no go/o das que fazia el-rei ,d4 ,joo ,v1 que era umas mos rotas com fidalgos e com igrejas4 ,precisava de pod] p5s> e e/ud>1 sem s] sempre debaixo da palmatoria dos frades e dos jesuitas4 ,precisava de acab> com a inquisio1 porque era uma v]gonha que a9da se queimasse g5te em ,portugal s porque no a missa4 ,precisava de t] ex]cito e de t] m>9ha4 ,precisava de t] indu/ria4 ,precisava de t] lav\ra4 ,e nada d'i/o elle t9ha4 ,seba/io de ,c>valho via e/as c\sas e disse comsigo3 ,mos obra4 ,ora digam-me vocs3 ,qu&o *egam a uma qu9t>ola que compr>am e vem tudo e/ragado3 os p>daes a d>em cabo da fructa1 z ce>as a morr]em s$e1 a t]ra fraca por falta de e/rume1 z h]vas ru9s a afog>em o trigo1 o que que fazem8 ,arregaam z mangas e dizem3 ,vamos a i/o4 ,e sa*am z h]vas1 sem d nem pi$ade1 e saltam ao tiro nos p>daes at os prem fra1 e deitam e/rume na t]ra1 e levam a agua da rega p>a z ce>as1 e levantam os muros arrasados1 e enxotam os porcos que lhes v9ham foss> nas batatas1 e sacodem z gall9has que lhes dep9icavam tudo1 e at vocs se riam se os accusassem de crueldade porque matavam os p>daes1 ou porque arrancavam e deitavam fra z h]vas ru9s4 ,pois ,seba/io ,jos de ,c>valho e ,mello trat\ ,portugal exactam5te como vocs trat>iam a tal qu9t>ola4 ,olh\ p>a tudo e disse comsigo3 ,eh6 com os diabos1 como i/o e/4 ,no pao ha um b&o de p>daes que d cabo da melhor fructa dos pom>es da nao4 ,toca a enxot> os p>daes1 e1 como os p>daes refil>am1 salt\ ao tiro n'elles4 ,z ce>as da intellig5cia1 que tambem so trigo porque do o po d espirito1 no podiam m$r> porque os affogava por toda a p>te o joio d jesuitismo4 ,toca a sa*> os jesuitas4 ,os muros da qu9ta e/avam arrasados1 qu] diz]1 e/avam z fronteiras a descob]to1 e em vez de hav] =tes o que havia era igrejas1 e elle m&\ faz] o =te da ,graa em ,elvas1 e poz o ex]cito a direito1 m&&o vir p>a isso um milit> e/rangeiro1 o pr9cipe de ,lippe1 que era da escola de um rei da ,prussia que foi o primeiro milit> d seu tempo4 ,no havia lav\ra nem havia indu/ria1 porque n+uem lhe dava a proteco da rega e d adubo1 e ,pombal deu-lhe tudo isso moda d seu tempo1 que elle tambem no podia adiv9h> o que hoje se sabe4 ,elle re=m\ os e/udos e a univ]sidade1 elle fund\ companhias e fabricas1 elle p>tiu os d5tes inquisio1 elle poz fra os jesuitas1 elle tir\ a c5sura dos livros aos padres1 elle acab\ com di/9ces de *ri/os-novos e *ri/os-velhos1 e na ,india e no ,brazil acab\ tambem com todas z tolices das raz1 elle arreganh\ os d5tes a ,roma1 e s\be pr o papa no seu log>1 elle bateu o p ,hespanha1 elle fez-se respeit> da ,+lat]ra1 elle acab\ com os morgados pequ5os que s faziam mal lav\ra1 elle no deix\ que entrassem p>a padres e frades todos quantos o qu]iam s]1 porque1 se z c\sas cont9uassem assim1 s duas por tres no havia s5o cabez rapadas em ,portugal1 emfim1 meus amigos1 de uma pessoa pasm> v] que aquelle diabo de homem1 que ao mesmo tempo fazia de ,lisboa uma cidade nova e levantava uma e/atua ao seu rei no ,t]reiro d ,pao1 em tudo poz a mo1 tudo melhor\1 tudo re=m\1 tudo arranj\1 e pde-se diz] que vir\ a nao de d5tro p>a fra4 ,j se v que fez tudo i/o com o posso1 qu]o e m&o4 ,mas a quem que pre/\ v]dadeiros s]vios8 ,foi lib]dade1 porque tir\ o povo da mis]ia e da ignorancia em que vivia1 porque o livr\ de t] os jesuitas por tutores1 e assim o anim\ a cuid> dos seus direitos1 e o prep>\ p>a um bello dia reclam> a lib]dade4 ,foi cruel1 bem sei1 no digo m5os d'isso4 ,trat\ os hom5s como se fossem p>daes1 e pratic\ mesmo b>b>idades escusadas2 mas que diabo6 no sei que s9a e/a3 re=ma grada sem muito sangue p>ece que no ha modo de se faz]2 uma vez so os re=madores que d]ramam o seu proprio sangue1 e ento que a re=ma vem de ,deus1 como acontece com o *ri/ianismo2 outras vezes os re=madores d]ramam o sangue dos outros1 e ento que a re=ma vem dos hom5s1 como aconteceu com a revoluo franceza2 porque l isso de reg> z arvores d bem com o sangue das nossas proprias veias1 ,deus que o ens9a1 que os hom5s s por si no so capazes de *eg> a tanto4 -- sr4 ,joo1 exclam\ o ,b>?olomeu1 mas p>ece-me que t5ho ouvido diz] que os ,tavoras1 o duque de ,aveiro e os mais fidalgos s(fr]am torm5tos d diabo ali na praa de ,belem4 ,ora1 a9da que fosse necess>io d> cabo d'elles1 a*o que no era preciso atorm5tal-os1 e que o m>quez de ,pombal t9ha na v]dade cabellos no corao4 --,no digo m5os d'isso1 ,b>?olomeu1 mas ouve l uma c\sa3 tu sabes porque que os fidalgos =am executados1 no sabes8 ,foi por d>em uns tiros no rei4 ,elles qu]iam livr>-se d m9i/ro1 o rei no l>gava o m9i/ro1 cada vez se lhe ag>rava mais1 como depois mo/r\1 faz5do-o conde de ,oeiras e m>quez de ,pombal1 e ento lembr>am-se de d> cabo de ,d4 ,jos4 ,ora sabes tu como fra ca/igado em ,frana1 p\co tempo antes1 um homem que t9ha qu]ido mat> o rei ,luiz ,,xv8 ,foi po/o a torm5tos1 depois nas f]idas ab]tas deit>am-lhe *umbo a f]v]1 e a f9al at>am-n'o aos rabos de quatro cavallos1 e esqu>tej>am-n'o4 ,e comtudo n+uem diz que ,luiz ,,xv tivesse cabellos no corao4 ,z c\sas faziam-se assim no seu tempo1 no foi o m>quez de ,pombal que z inv5t\4 ,ho de vocs diz]3 ,e/e diabo gaba sempre z tyrannias por toda a p>te4 ,j def5deu ,d4 ,joo ,,ii1 agora def5de o m>quez de ,pombal4 ,eu no z l\vo1 rapazes4 ,se vivesse n'esses tempos e podesse1 havia de b]r> contra ellas2 mas c de longe1 v5do z c\sas com socego1 digo que n+uem p]feito1 e que todos os hom5s tem1 como dizia o tal eng5heiro francez que e/eve em ,bellas1 os defeitos das suas qualidades4 ,ali e/ o ,francisco ,artilheiro que foi soldado3 havia de t] s]vido com muitos coroneis4 ,encontr\ algum que fosse teso a val] e que ao mesmo tempo desatasse a *or>1 no tempo das v>adas1 qu&o t9ha de m&> *ibat> algum soldado8 ,no pde s]4 ,e/es pimpes que quebram todos os abusos1 que pem um joelho de f]ro em cima de todas z revoltas1 fazem aos hom5s o mesmo que fazem s c\sas1 e o dev] de quem depois conta a hi/oria p]ceb] isso tudo1 e no e/> a b]r> contra aquelles que fiz]am s]vios ao seu paiz1 s porque nem sempre p>avam onde s]ia melhor que tivessem p>ado4 ,mas vamos ns ao re/o da hi/oria que d'aqui a p\co j z noites so mais pequ5as1 e mal *ega o tempo p>a dormir a quem tem de se levant> com o sol4 ,d4 ,jos morreu em #aggg1 e1 ap5as elle fe*\ os olhos1 reb5t\ o odio que havia contra o gr&e m9i/ro2 n+uem quiz l p5s> no bem que elle t9ha feito1 e todos clam>am contra z suas crueldades4 ,demais a mais quem succ$ia a ,d4 ,jos era sua filha a ra9ha ,d4 ,m>ia ,i1 muito beata1 embirr&o muito com o m>quez1 porque desconfiava que elle quiz]a faz] pass> o ?rono p>a o filho d'ella1 um rapazito muito esp]to1 *amado ,d4 ,jos2 e ento o rei a morr] hoje e o m9i/ro a s] demittido manh4 ,no h\ve pic>dia que lhe no fizessem4 ,m&>am-n'o p>a a sua qu9ta d ,pombal1 e1 e/&o elle j do5te e am>gurado1 mo]am-n'o com p]guntas porque lhe arm>am um processo4 ,se podessem desfaz] tudo o que elle fiz]a1 desfaziam1 mas a f9al s solt>am os presos1 porque emquanto ao mais tiv]am m$o de d> bordoada no f9ado rei1 que a f9al de contas respondia pelos actos d m9i/ro1 porque elle que assignava z ord5s4 ,tir>am o retrato d m>quez da memoria d ,t]reiro d ,pao1 qu s em #ahcd se torn\ a pr como era ju/o2 em vez d retrato poz]am z armas de ,lisboa que so um navio vla1 e foi ento que o m>quez de ,pombal disse1 ao sab] d caso3 ,ai6 ,portugal que vaes a vla6 ,bem quiz]a ,d4 ,m>ia ,i admittir os jesuitas outra vez1 mas no podia s]1 porque o m>quez de ,pombal no s os expulsra de ,portugal1 mas fiz]a uma liga contra elles em toda a ,europa1 e conseguira que o papa ,clem5te ,,xiv acabasse com a ,ordem4 ,muito trabalh>am os p>5tes dos ,tavoras p>a conseguir que se dsse uma s5t5a a decl>> que era peta o que se diss]a a seu respeito1 e inju/a a s5t5a que os condemnava2 mas a f9al no conseguiram isso1 porque a ra9ha p]cebeu que1 condemn&o o m>quez de ,pombal1 a quem condemnava era ao pae4 ,no mais tudo &\ p>a traz1 a no s] na m>9ha1 que teve um bom m9i/ro1 ,m>t9ho de ,mello1 e n'i/o de escolas que sempre se =am des5volv5do4 ,h\ve alem d'isso dois hom5s que fiz]am muito bem a ,lisboa e ao ,porto1 a sab]1 o int5d5te da policia ,p9a ,manique e o correg$or d ,porto ,francisco de ,almada4 que j se no podia deix> de cuid> de melhoram5tos2 mas o que deu cabo de ns foi a birra que tivemos em nos mett] na bulha contra a republica franceza4 ,isso1 fall> em ,portugal nas idz novas1 era o mesmo que fall> no diabo1 e ,d4 ,m>ia ,i1 em vez de trat> da sua vida1 seguio o cam9ho de ,d4 ,joo ,v4 ,e/e a-se mett] com os turcos que lhe no faziam mal n5hum1 ,d4 ,m>ia ,i foi-se mett] com a republica franceza1 que e/ava l to longe e que nada t9ha com ,portugal4 ,o que result\ d'aqui que m&mos uma diviso ao ,russilho a ajud> os hespanhoes1 e uma esquadra a ,t\lon a ajud> os +lezes4 ,a diviso d ,russilho port\-se o que se *ama bem1 mas depois8 ,a ,hespanha fez a paz com a ,frana1 e ns ficmos a olh> ao signal1 a ,+lat]ra mettia-nos na dana1 e depois punha-se de palanque4 ,tivemos de &> a p$ir a paz republica franceza1 quasi de joelhos1 e o ,napoleo1 que j n'esse tempo comeava a gov]n> em ,frana1 e que nos t9ha jurado pela pelle1 teve a habilidade de aud> a ,hespanha contra ns1 result&o d'ahi a gu]ra de #ahja4 ,foi uma gu]ra v]gonhosa4 ,t9hamos o ex]cito escangalhado1 no fizemos s5o lev> bordoada1 e1 p>a alcanarmos paz1 tivemos de pag> bom d9heiro1 e de d> aos hespanhoes ,oliv5a que nunca mais apanhmos4 ,de nada nos val]am todas z humilhaes4 ,em #ahjg1 ,napoleo1 que j era imp]ador1 e que &ava n'uma lucta de morte com a ,+lat]ra1 quiz que fe*assemos os portos aos nossos antigos alliados4 ,&mos a hesit>1 at que ,napoleo1 que no go/ava de p]d] tempo1 decl>a que a casa de ,bragana deixra de re9>1 e mette-nos c d5tro um ex]cito comm&ado pelo ,junot4 ,a familia real no teve s5o tempo de faz] z malas e de p>tir p>a o ,brazil1 por conselho dos +lezes4 ,devo-lhes diz] uma c\sa3 a ra9ha ,d4 ,m>ia ,i endoidec]a havia muito tempo1 e quem gov]nava em seu nome como pr9cipe reg5te desde #agib1 era o pr9cipe ,d4 ,joo1 seu filho mais velho1 porque aquelle ,d4 ,jos1 de quem lhes fallei1 e que dava tantas esp]anz1 t9ha morrido em #aghh4 ,imag9em vocs como fic>ia o povo com e/a p>tida1 e agora que o caso de se lhe *am> p>tida4 ,ab&onado pela familia real1 viu o ,junot tom> conta d gov]no1 ag>r> no ex]cito portuguez1 que no t9ha ordem p>a resi/ir1 e m&al-o p>a ,frana s]vir no ex]cito de ,napoleo1 lanar contribuies pesadas como o diabo1 e emfim trat> i/o como t]ra conqui/ada4 ,e1 p>a maior v]gonha1 ,junot invadira o paiz1 no corao d inv]no1 com meia duzia de gatos1 e entrra em ,lisboa fr5te de quatro soldados e/ropiados e esf>rapados4 ,a v]gonha de todas e/as humilhaes comeou a faz] f]v] o sangue aos portuguezes1 e um bello dia reb5t\ a revolta no ,porto4 ,foi como quem diz um ra/ilho de polvora4 ,desde o ,m9ho at ao ,alg>ve1 no h\ve t]ra em que se no pegasse em armas contra os francezes4 ,o ,junot m&\ z suas tropas esmag> z revoltas1 e os francezes fiz]am ento c\sas d arco da velha1 mat>am1 r\b>am1 queim>am444 --,ah6 pae d cu6 exclam\ a tia ,m>g>ida1 eu era bem pequ59a ento1 havia de t] sete ou oito annos1 mas lembra-me d que m9ha me me contava4 ,havia um que ella *amava o ,maneta1 que isso p>ece que era o diabo em pessoa4 --,era o g5]al ,loison1 que no t9ha um brao4 ,em ,evora fez elle o demonio1 mas1 por mais que fizessem1 no conseguiam acab> com a revolta4 ,era pobre g5te d povo1 sem armas1 sem discipl9a1 sem *efe1 que assim se levantava contra os francezes1 e e/es davam-lhe p>a baixo facilm5te1 mas a g5te levava aqui em ,bellas1 levantava-se em ,c9tra1 am os francezes a ,c9tra1 levantavam-se os de ,bellas4 ,demais a mais1 cada qual faz a gu]ra como pde4 ,l em batalha no podiam os nossos m$ir-se com os soldados de ,napoleo4 ,o que faziam8 ,davam-lhes caa2 em os apanh&o sep>ados1 c>ga p>a cima d'elles4 ,era facada1 era paulada1 era tiro de bacam>te1 era o que podia s]1 com os diabos6 que um povo como uma pessoa1 qu&o o qu]em pis> aos ps1 def5de-se com unhas e d5tes4 ,mas n'i/o os +lezes1 que &avam tca de v] se podiam sar da sua ilha e desemb>c> n'algum sitio onde podessem incommod> ,napoleo1 assim que viram que ,portugal e/ava revoltado1 desemb>c>am aqui um ex]cito comm&ado por um sugeito *amado ,well+ton1 que1 se no era to bom g5]al como ,napoleo1 pelo m5os p>ece-me que a9da s]ia mais feliz d que elle4 ,o ,junot1 que no passava de s] um val5to1 foi batido pelos +lezes na ,rolia e ,vimeiro1 onde os nossos1 j se v1 tambem combat]am ao lado das f>das v]melhas1 que 1 como vocs sabem1 o uni=me +lez1 e1 p>a se saf> de ,portugal1 teve de capitul>4 v]dade que o patife apanh\ uma capitulao1 que a no podia t] melhor se fosse elle que h\vesse dado a tunda nos +lezes4 ,lev\-nos tudo o que nos t9ha r\bado1 e nem se fall\ nos nossos soldados que l &>am1 contra vontade sua1 a s]vir no ex]cito de ,napoleo4 -- sr4 ,joo1 acudiu o ,manuel da ,idanha1 vocemec ha de desculp> uma p]gunta1 mas p>ece-me que n+uem pde vir por t]ra de ,frana a ,portugal1 sem pass> pela ,hespanha1 no v]dade8 -- sim1 rapaz2 mas que qu]es tu diz] com isso8 --,qu]o diz] que no p]cebo como foi que o ,junot c veio4 ,ento os hespanhoes deix>am-n'o pass>8 --,fiz]am mais alguma c\sa1 vi]am com elle1 porque n'esse tempo e/avam a9da muito manos com os francezes1 tanto que rep>tiram entre si ,portugal como quem rep>te um melo1 uma talhada p>a e/e1 outra talhada p>a aquelle1 etc4 ,mas o ,napoleo surripi\ aos hespanhoes a sua familia real1 e fez rei de ,hespanha um seu irmo *amado ,jos1 de frma que1 qu&o ns nos revoltmos1 revolt>am-se elles tambem1 e comemos uns e outros lambada aos francezes4 ,entretanto c se arranjra um gov]no2 trat\ elle de organis> o ex]cito1 que a9da era moda de #afdj1 e que s precisava de um g5]al como o pr9cipe de ,lippe p>a fic> uma joia4 ,esse g5]al app>eceu1 foi um +lez *amado ,b]es=d1 que n'um abrir e fe*> de olhos poz tudo a direito4 ,o que c]to1 meus amigos1 que na gu]ra da ,p59sula1 que dur\ seis annos1 os nossos soldados1 combat5do ao lado dos soldados +lezes1 passavam por s] to bons como elles e talvez melhores4 ,j se v que t9ha sido necess>io virem muitos (ficiaes +lezes p>a os nossos regim5tos1 porque a (ficialidade portugueza e/ava toda disp]sa1 uns t9ham ido p>a ,frana1 outros p>a o ,brazil1 e outros1 diga-se a v]dade1 no pre/avam p>a nada4 -- sr4 ,joo1 d lic5a que lhe faa uma p]gunta8 int]rompeu de novo o ,manuel da ,idanha4 --,faze1 rapaz1 podra6 ,pois ento p>a que e/\ eu aqui8 --,porque que se *am\ a essa gu]ra a gu]ra da ,p59sula8 --,no te disse eu1 rapaz1 no pr9cipio d'e/a conv]sa1 que ,portugal e a ,hespanha juntos =mavam uma p59sula1 qu] diz] quasi uma ilha1 porque a crca o m> por toda a p>te m5os por um lado1 que onde pega com a ,frana pelos ,pyr5u8 --,disse1 sim s5hor4 --,e no te acabei de diz] que1 qu&o nos revoltmos contra ,napoleo1 revolt>am-se tambem os hespanhoes1 e que desatmos uns e outros pancada aos francezes8 --,tambem v]dade4 --,pois ento ahi t5s tu3 a gu]ra era de ,hespanha e de ,portugal1 por consegu9te era a gu]ra da ,p59sula4 --,ora tambem qu]o faz] uma p]gunta1 disse a tia ,m>g>ida4 --,pois ento1 tia ,m>g>ida6 ,era o que faltava era que z mulh]es no tivessem a palavra4 --,o que voc precisava era de um puxo de orelhas1 mas emfim l vae a p]gunta4 ,eu1 sempre que m9ha me fallava n'essas c\sas1 ouvia-lhe diz] que os francezes eram muito maus1 mas que os +lezes talvez a9da fossem peores4 ,ora voc diz que os +lezes vi]am ajud>-nos444 --,dizia muito bem a sua me1 tia ,m>g>ida1 mas eu tambem no digo mal4 ,soldados +lezes sempre =am abrutados1 pr9cipalm5te em e/&o com o v9ho4 ,nunca vi]am a ,portugal s5o ajud>-nos1 e nunca tambem c vi]am que no ficasse tudo a b]r> contra elles4 ,olhem no tempo de ,d4 ,f]n&o4 ,p>ece-me que lhes contei que1 v9do elles combat] ao nosso lado contra os hespanhoes1 fiz]am o que o demonio no fez4 ,e1 agora que j respondi s suas p]guntas1 v\ cont9u> a m9ha hi/oria4 ,o ,junot foi po/o fra em #ahjh1 os +lezes ento vir>am-se contra os francezes que e/avam na ,hespanha1 e mett]am-se pela ,galliza d5tro1 mas o ,s\lt1 apanh&o-os l1 deu-lhes uma t>eia =midavel1 e depois veio sobre ,portugal e entr\ no ,porto4 ,a g5te d ,porto1 a fugir dos francezes1 metteu-se na ponte de b>cas que ento havia sobre o ,d\ro1 p>a pass> p>a o outro lado2 a ponte abateu e morr]am milh>es de pessoas4 --,ah6 bem sei6 int]rompeu a tia ,m>g>ida1 diz que foi o dia de juizo4 --,ora se foi6 os francezes p>>am no ,porto1 mas ns e os +lezes fomo-nos a elles d'ahi a tempo e pozemol-os fra4 ,o ,napoleo1 embirr&o com o caso1 m&\ um ex]cito comm&ado pelo m>e*al ,massna1 um dos seus melhores g5]aes1 com ordem de atir> o ,well+ton ao m>2 mas o ,well+ton1 que era homem avisado1 e que no go/ava de tom> banhos de *oque1 aproveitra o tempo a arranj> z l9has de ,torres ,v$ras1 de traz das quaes se metteu4 ,o ,massna bateu com z v5tas nas l9has1 vio que no podia faz] nada1 foi-se embora1 e ns logo atraz d'elle4 ,p>a encurt> rases1 em quatro annos de campanha1 fomos a p\co e p\co empurr&o os francezes pela ,hespanha fra1 em #ahad entrmos em ,frana de embrulhada1 e1 como os russos1 os au/riacos e os prussianos tambem entr>am por outro lado1 lev&o o ,napoleo adiante de si1 cau aquella c>anguejola toda1 o ,napoleo teve de d> a sua demisso de imp]ador1 e ns ficmos livres dos francezes4 ,dois annos depois1 em #ahaf1 morreu a ra9ha ,d4 ,m>ia ,i no ,brazil1 sem que n+uem1 por assim diz]1 dsse por isso4 ,o pr9cipe reg5te tom\ o nome de ,d4 ,joo ,,vi e cont9u\ tudo como at ahi4 ,entretanto em ,portugal e/ava tudo descont5te4 ,o povo levantra-se contra os francezes por sua conta e risco1 e p>ecia-lhe hi/oria que o rei1 que fugira1 cont9uasse a no faz] caso n5hum d'elle4 ,em ,hespanha t9ham-se reunido crtes e arranjra-se uma con/ituio pela qual se acabava com o pod] absoluto dos reis4 ,em ,portugal1 se no se fiz]a o mesmo1 no fra por falta de vontade1 mas os +lezes no deixavam4 ,todos p]cebiam1 porm1 que se no podia volt> antiga1 como se no se tivesse passado c\sa n5huma no int]vallo4 ,por outro lado a teima d rei em fic> no ,brazil j nos a faz5do *eg> a mo/>da ao n>iz1 tanto mais que1 ao passo que havia por c muita mis]ia1 e/ava sempre a ir d9heiro p>a o ,brazil1 e no s d9heiro mas tropa tambem1 porque ,d4 ,joo ,,vi1 em #ahag1 lembrra-se de junt> ,montevideu ao ,brazil1 como se o ,brazil a9da fosse pequ5o1 aproveit&o p>a isso a revolta das colonias hespanholas4 ,emfim1 a cons]vao de ,b]es=d e dos coroneis +lezes no quadro d ex]cito portuguez incommodava os nossos (ficiaes1 e descont5tava a nao4 ,em #ahag1 descobre-se a9da por cima uma conspirao lib]al1 do como implicado n'ella1 com provas de c c r c1 um g5]al muito e/imado1 ,gomes ,freire de ,&rade1 de quem diziam que ,b]es=d t9ha ciumes1 e en=cam-n'o4 ,tudo i/o a faz5do f]v] o sangue aos portuguezes1 e1 qu&o em #ahbj comeou a hav] revolues lib]aes por toda a p>te1 reb5ta tambem uma revoluo lib]al no ,porto1 espalha-se logo por todo o re9o1 *ega a ,lisboa1 e pega-se ao ,brazil4 ,d4 ,joo ,,vi obrigado a acceital-a1 e a vir p>a ,portugal1 a m&> embora os (ficiaes +lezes1 e a assign> uma con/ituio que z crtes fiz]am2 mas os gov]nos l de fra1 e logo os mais pod]osos1 a*>am p]igoso que se tornasse a fall> em lib]dade e con/ituies1 e decidiram que viesse um ex]cito francez pr a mordaa na boca aos lib]aes da ,hespanha1 emquanto um ex]cito au/riaco a faz] o mesmo aos da ,italia4 ,ap5as c *eg\ a noticia1 os amigos d absolutismo1 que t9ham por *efe o infante ,d4 ,miguel1 segundo filho d rei1 levam e/e p>a ,villa ,franca1 e deitam abaixo a con/ituio4 ,mas o que a fez car no =am elles1 =am os passos dos soldados francezes que j a essas horas &avam por ,hespanha4 ,entretanto o ,brazil1 onde ficra gov]n&o o pr9cipe ,d4 ,p$ro1 que era o filho mais velho d rei1 fazia-se indep5d5te4 ,antes d'elle t9ham feito o mesmo z colonias vis9has que p]t5ciam ,hespanha1 e c9co5ta annos antes z que p]t5ciam ,+lat]ra4 ,no ,brazil j h\v]a duas t5tativas de revolta1 e ambas t9ham sido afogadas em sangue1 uma em #aghi1 outra em #ahag4 ,a f9al v5c]am4 ,accusam muito ,d4 ,p$ro de se t] feito imp]ador d ,brazil1 e de se hav] revoltado contra seu pae4 ,elle no se revolt\1 mas s podia faz] uma de duas c\sas1 ou ir com os brazileiros1 ou pr-se no &> da rua4 ,ento esses figures imag9avam que um paiz rico1 gr&e e =te1 e/ agora p>a receb] ord5s de outro mais pequ5o1 ou maior que elle seja1 e que fica de mais a mais d outro lado d m>8 ,ora1 hi/orias da vida6 e no se queixem d'isso4 ordem das c\sas4 ,z colonias so como os filhos4 ,a g5te educa-os1 trata-os1 deixa-os ir cresc5do4 ,qu&o so maiores emancipam-se4 ,e n+uem tem que e/ranh>4 ,foi o que aconteceu com o ,brazil4 ,e/ava maior1 emancip\-se4 ,p]demos o ,brazil em #ahbe1 em #ahbf morreu ,d4 ,joo ,,vi4 ,os seus ultimos dias =am am>gurados4 ,tiv]a gu]ra com o filho mais velho que se revoltra com o ,brazil2 e/iv]a p>a s] de/hronado pelo filho mais novo1 ,d4 ,miguel1 que o *egra a pr5d] na ,bempo/a1 e que elle depois tiv]a que m&> p>a fra d re9o2 a mulh]1 ,d4 ,c>lota ,joaqu9a1 que e/ava sempre s turras com elle1 nunca lhe dra s5o desgo/os4 ,falleceu ralado o pobre d rei1 que era uma excell5te pessoa1 amigo de tom> o seu rap com socego1 e que p>a sua desgraa gov]nra no tempo da revoluo franceza1 no tempo de ,napoleo1 e no tempo da revoluo de #ahbj4 ,e ha de a g5te acr$it> no rifo3 ,d ,deus o frio con=me a r\pa4 ,e1 como eu tambem e/\ com frio1 rapazes1 v\ at casa procura de r\pa1 e no proximo dom+o acab>emos com i/o4 ,,decimo ,,s],o ,hi/oria contemporanea4--,d4 ,p$ro ,,iv4--,a ,c>ta ,con/itucional4--,reg5cia da infanta ,d4 ,izabel ,m>ia4--,d4 ,miguel1 rei absoluto4--,sublevao d ,porto4--,emigrao4--,a ilha ,t]ceira4--,o conde de ,villa ,flor4--,p]seguio aos lib]aes4--,a esquadra franceza no ,tejo4--,d4 ,p$ro ,,iv pe-se fr5te dos lib]aes4--,desemb>que no ,m9dello4--,crco d ,porto4--,exp$io d ,alg>ve4--,batalha d ,cabo de ,s4 ,vic5te4--,entrada das tropas d duque da ,t]ceira em ,lisboa1 a #bd de julho4--,crco de ,lisboa4--,batalhas de ,asseiceira e ,almo/]4--,conv5o de ,evora ,monte4--,re9ado de ,d4 ,m>ia ,,ii4--,revoluo de ,setembro4--,con/ituio de #ahch4--,re/aurao da ,c>ta4--,a ,m>ia da ,fonte4--,a ,junta d ,porto4--,a int]v5o e/rangeira4--,a ,reg5]ao4--,re9ado de ,d4 ,p$ro ,v4--,a febre am>ella4--,re9ado de ,d4 ,luiz4--,concluso4 --,vocs p]cebem1 meus amigos1 pr9cipi\ o ,joo da ,agualva1 que1 t5do de lhes cont> agora acontecim5tos em que tom\ p>te muita g5te que a9da e/ viva e s1 e no qu]5do (f5d] n+uem1 no posso e/> com muitas reflexes4 ,quem succ$eu a ,d4 ,joo ,,vi foi ,d4 ,p$ro ,,iv1 j ento imp]ador d ,brazil4 ,e/e1 que era um pr9cipe que p]cebia z c\sas1 vio bem que o nosso tempo j no era tempo p>a absolutismos1 e antes quiz d> elle uma con/ituio d que ir o povo arranc>-lh'a4 ,m&\ portanto p>a ,portugal a ,c>ta1 diz5do ao mesmo tempo que abdicava em sua filha ,d4 ,m>ia1 a qual havia de cas> com seu tio o infante ,d4 ,miguel1 e1 emquanto ,d4 ,miguel no voltava p>a ,portugal1 nome\ reg5te a infanta ,d4 ,izabel ,m>ia1 que vocs haviam de conhec] muito bem4 --,ora se conhecemos6 morava ali em ,bemfica6 --,tal qual6 morreu ha c\sa de tres ou quatro annos4 ,a ,c>ta ,con/itucional fic\ s5do lei d re9o1 apez> de algumas revoltas1 mas o infante ,d4 ,miguel1 ap5as *eg\ a ,lisboa em #ahbh1 fe*a z crtes1 atira com a ,c>ta de p]nas ao ar e faz-se proclam> rei absoluto4 ,a gu>nio d ,porto no e/ pelos aju/es1 e revolta-se1 mas tem de fugir p>a ,hespanha4 ,tudo o que eram lib]aes1 e que pod]am saf>-se1 emigr>am uns p>a ,frana1 outros p>a ,+lat]ra4 ,mas o que c]to que o povo todo e/ava com ,d4 ,miguel4 ,porque8 ,como pde hav] um povo que no go/e de lib]dade8 ,vo l explical-o6 ,os padres e os frades e/avam quasi todos ao lado de ,d4 ,miguel1 e levavam comsigo muita g5te4 ,mas a ilha ,t]ceira no e/eve pelos autos1 e no acceit\ o absolutismo4 ,ap5as isso con/\1 corr]am os emigrados p>a essa ilha1 o conde de ,villa ,flor tom\ conta d gov]no1 e ali resi/io s esquadras de ,d4 ,miguel4 ,e/e1 entretanto1 com o devido respeito1 fazia tolices gradas1 e a maior era p]seguir os lib]aes a f]ro e fogo4 ,a =ca e/ava sempre armada1 z prises sempre atulhadas1 e os caceteiros no deixavam n+uem socegado4 ,i/o de faz] m>tyres o diabo4 ,p>a a arvore da lib]dade no ha rega como o sangue dos seus filhos4 ,ora1 alm d'isso1 emquanto o gov]no francez se mo/rava p\co amigo da lib]dade1 t9ha ,d4 ,miguel z sympa?ias da ,frana1 mas depois da revoluo de #ahcj aconteceu o contr>io4 ,o gov]no de ,d4 ,miguel cau na asneira de p]seguir uns francezes4 ,d'ahi result\ vir uma esquadra franceza ao ,tejo e lev> os navios que ahi e/avam4 ,ao mesmo tempo ,d4 ,p$ro1 que tiv]a os seus d>es e tom>es com os brazileiros1 abdic\ a cora imp]ial d ,brazil1 e veio tom> o comm&o dos def5sores de sua filha4 ,pe-se fr5te d'elles1 que no eram muitos1 eram #g3ejj1 desemb>ca no ,m9dello a #h de julho de #ahcb1 mette-se no ,porto1 e ahi resi/e mais de um anno aos soldados de ,d4 ,miguel1 que eram muito val5tes1 mas mal comm&ados4 ,envia ao ,alg>ve em #ahcc meia duzia de gatos1 debaixo das ord5s d conde de ,villa ,flor1 j ento duque da ,t]ceira1 n'uma pequ5a esquadra1 que primeiro fra comm&ada por um +lez *amado ,s]torius1 que a9da vive1 e que o e/ava s5do por outro +lez *amado ,napi]4 ,e/e desemb>ca o duque da ,t]ceira no ,alg>ve2 depois vae-se esquadra migueli/a e d]rota-a no cabo de ,s4 ,vic5te4 ,o duque da ,t]ceira m>*a sobre ,lisboa1 bate na cova da ,pi$ade os migueli/as1 comm&ados pelo ,telles ,jordo1 que t9ha sido um tyranno p>a os presos lib]aes1 e que ali morreu1 e entr\ em ,lisboa no dia #bd de julho de #ahcc4 ,d4 ,p$ro vem p>a ,lisboa que os migueli/as c]cam4 ,elle e os seus dois m>e*aes1 duques da ,t]ceira e de ,saldanha1 obrigam os migueli/as a retir> p>a ,sant>em4 ,depois o duque de ,saldanha por um lado bate os migueli/as em ,almo/]1 o duque da ,t]ceira por outro bate-os na ,asseiceira1 e ,d4 ,miguel assigna a #be de maio de #ahcd a conv5o de ,evora ,monte1 pela qual o seu ex]cito depunha z armas1 e elle ab&onava ,portugal4 ,como se esp]asse unicam5te o fim da sua empreza p>a t]m9> tambem a sua vida1 ,d4 ,p$ro ,,iv veiu aqui morr] a ,queluz no dia #bd de setembro de #ahcd4 ,podem p>a ahi p5s> d'elle o que quiz]em1 meus amigos1 mas o homem que1 t5do nascido no ?rono1 pass\ a sua vida a regeit> corz1 e a combat]1 como um soldado val5te1 pela lib]dade dos povos1 m]ece bem z tres e/atuas que no ,porto1 em ,lisboa e no ,rio de ,janeiro1 mo/ram que1 ao m5os depois da sua morte1 no =am +ratos com elle os portuguezes e os brazileiros4 ,succ$ia-lhe a s5hora ,d4 ,m>ia ,,ii1 que viveu bem p\co tempo1 e teve uma vida bem atorm5tada4 ,logo em #ahcf um p>tido1 que qu]ia mais lib]dades que z da ,c>ta fez a revoluo de setembro1 e em #ahch veiu uma nova con/ituio4 ,contra ella se fazem muitas revoltas1 at que em janeiro de #ahdb ,co/a ,cabral1 depois conde de ,?om>1 deita abaixo a con/ituio de #ahch1 e pe outra vez a ,c>ta de p4 ,gov]n\ elle muito tempo1 mas1 diga-se a v]dade1 um p\co*9ho bruta4 ,d'ahi vi]am mais revolues1 e a maior de todas que foi a da ,m>ia da ,fonte1 em #ahdf1 em que metade d re9o ob$ecia ,junta d ,porto1 e a outra metade ao gov]no nomeado pela ra9ha4 ,batidos em ,val-,passos1 em ,torres ,v$ras1 e no ,alto d ,viso1 os patulz1 como se *amava aos p>tid>ios da junta1 so obrigados a depor z armas pelos +lezes e pelos hespanhoes que m&>am uns uma esquadra1 os outros um ex]cito p>a re/abelec]em aqui o socego4 ,mas no fundo e/ava tudo em braza1 e qu&o em #ahea o duque de ,saldanha se levant\ contra o conde1 hoje m>quez de ,?om>1 foi tudo atraz d'elle4 ,reuniram-se crtes que introduziram umas mudanz na ,c>ta1 e d'ahi por diante nunca mais h\ve revoltas de consid]ao4 ,peg>am os gov]nos a faz] e/radas e cam9hos de f]ro1 e l de p>tidos que eu no ent5do4 ,em #ahec morria a s5hora ,d4 ,m>ia ,,ii1 consid]ada por todos como uma santa s5hora1 e uma santa me1 e succ$eu-lhe seu filho1 o s5hor ,d4 ,p$ro ,v1 s5do reg5te nos primeiros dois annos o s5hor ,d4 ,f]n&o que vocs todos conhecem4 ,o sr4 ,d4 ,p$ro ,v era uma joia1 como sabem4 ,qu&o em #aheg veio a febre am>ella a ,lisboa1 &\ elle pelos hospitaes1 a consol> os do5tes1 e a d> coragem e exemplo a todos4 ,tambem qu&o em #ahei morreu a boa ra9ha ,e/ephania1 sua mulh] no h\ve portuguez que a no *orasse com elle1 e qu&o em #ahfa morreu elle tambem quasi de rep5te1 com os seus dois irmos1 o s5hor ,d4 ,f]n&o e o s5hor ,d4 ,joo1 a dr d povo foi tamanha que *eg\ a hav] tumultos1 porque at se desconfiava que aquillo no fosse natural4 ,subio ao ?rono o s5hor ,d4 ,luiz que hoje re9a1 e aqui portanto acaba a hi/oria4 ,sempre direi1 com tudo1 que no so muitos os paizes por esse mundo onde os povos a9da hoje *orem pelos reis1 e que isso vem de s]em os nossos to amigos da lib]dade como so e tem sido1 graz a ,deus4 ,e aqui1 meus amigos1 acabo a m9ha t>efa2 o que eu desejo1 rapazes1 que vocs a*em que no os mass\ muito o pobre d ,joo da ,agualva1 e que ent5dam que empreg>am melhor o seu tempo a ouvir z m9has hi/orias1 d que a beb] decilitros na tav]na d ,funileiro4 ,,fim