f ! ,google ,pr9t project47 ,o ,,inf]no ,,augu/o ,,callet ,o ,,inf]no ,,trasladado ,,p>a ,,portuguez ,e ,,prec$ido ,,de ,,uma ,,adv]t5cia ,,por ,,camillo ,,ca/ello ,,branco ,,porto ,,typographia ,,da ,,livr>ia ,,nacional #b1 ,rua d ,l>anjal1 #bb #ahga ,,adv]t5cia ,,d ,,traductor ,n'e/e memoravel anno de #ahga1 o sac]docio militante da *ri/&ade lusitana subiu aos balu>tes mais desamp>ados1 aos pulpitos de gr&e p>te d re9o1 e desembe/\ c]teiras fr*adas ao ro/o da impi$ade4 ,no pulpito da egreja de ,s4 ,m>t9ho de ,c$(eita1 d'e/a cidade d ,porto1--que no a mais peccadora1 porque a m5os ociosa1--discorreu apo/olicam5te um padre italiano1 que eu no ouvi4 ,no fui ouvil-o1 porque j t5ho muitissimos annos e ba/ante leitura p>a conhec] que direitos tem ,deus e o proximo ao meu amor4 ,no o fui ouvir pela mesma razo que evito alguns livros prohibidos1 receoso de que elles e/remeam os alic]ces da m9ha f4 ,no fui ouvil-o1 emfim1 porque ha um s]mo que eu sei de cr1 e repito qu&o t5ho sde de f1 ancias de mis]icordia1 tibiezas de esp]ana3 o s]mo da montanha1 prgado aos pobres por nosso ,s5hor ,jesus ,*ri/o4 ,e/e s]mo a9da meus filhos o no sabem2 mas ho de apr5del-o qu&o z primeiras lagrimas lhes tiv]em delido z man*as escuras d int5dim5to4 preciso t] *orado p>a compreh5d] a bem-av5turana dos que *oram4 ,jesus ,*ri/o1 se h\vesse dito aquellas div9as palavras aos felizes1 no s]ia int5dido no apo/olado1 nem seguido na vida1 nem *orado na morte1 nem confessado no m>tyrio4 ,levantei1 pois1 o pequ59o e fragil oratorio das m9has preces humildes sobre a confiana d div9o ,pae2 e1 se em m9ha alma s9to o desejo de no t] nascido p>a dres deseguaes ao al5to de cada homem1 reconheo que o oratorio d peccador e/ tanto vi/a de ,deus que o anjo da paci5cia abre z suas luz5tissimas azas sobre os meus abysmos escuros4 ,ora eu sei de tri/e exp]i5cia que os discursos d mission>io em ,portugal me desataviam o espirito das ve/es graves com que co/umo entr> nos templos4 ,na m9ha mocidade e/udei grammatica1 fui exam9ado em logica1 decorei a inutilissima c\sa *amada rhetorica1 cursei muito pela rama algumas aulas de !ologia2 f9alm5te1 poli quanto pude a razo p>a que se espelhassem n'ella os preceitos e conceitos dos oradores sagrados4 ,pois acontecia que todos aquelles pr$icados1 desde a grammatica de ,lobato at !ologia d bispo de ,leo1 c no meu int]ior despiam a casaca e a dalmacia v5]&as1 p>a galh(>em d'uns c]tos padres que se imag9avam favorecidos da infuso sci5tifica1 uma s vez milagrosam5te conc$ida pelo ,espirito ,santo aos santissimos ignorantes d ,c5aculo4 ,arguiam-me de indiscreto os bons amigos que me ouviam deplor> a decad5cia da oratoria sacra1 ju/ific&o o proposito pelos resultados1 a unco d prgador pelo soluar d auditorio1 a f]tilidade da palavra pela em5da das culpas4 ,o soluar d auditorio era to acceitavel e pre/adio como z lagrimas no !atro1 que d5otam1 qu&o muito1 coraes s5siveis2 aquillo1 porm1 de em5da das culpas que v9ha desconceitu> a argum5tao dos meus amigos4 ,z culpas6 o desconc]to da vida1 a irrev]5cia a ,deus1 o desamor ao proximo1 z intranhas desc>oadas d rico1 a rebellio cubiosa d pobre1 a mo que se esquiva em levant> da lagem o orpho--e/as e outras ms fibras d corao humano pod] retemp]al-z a consci5cia illu/rada2 mas a consci5cia espavorida pelo m$o dos ca/igos et]nos1 essa no4 ,e os mission>ios1 que ludibriavam a m9ha devoo ou curiosidade1 demon/ravam a preciso de s]mos cont95tes1 sobrios1 humildes1 c>itativos1 *ri/os emfim1 p>a no s]mos et]nam5te ref]vidos no lago de sulphur c&5te4 ,eu nunca ouvi diz] na casa da orao que a provid5cial ju/ia tem o seu tribunal em meio dos vivos2 que o vicio de%onra1 infama1 e tolhe o goso dos b5s d'e/a vida2 que a repulso d del9qu5te um ca/igo2 que a soci$ade pune primeiro que a lei2 e que1 se a ju/ia dos codigos algumas vezes erra1 a ju/ia complexa da op9io publica mantm a discipl9a d supplicio1 invisivel mas exulc]ante na consci5cia d culpado4 ,nunca ouvi mission>io que me p>ecesse mais illu/rado que a maioria dos seus ouv9tes1 nem vi espectaculo onde reluzissem mais vivos e tri/es reflexos da edade-m$ia4 ,hi/orias horr5das e s vezes esqualidas de ca/igos inf]naes2 imm]ses em caldeiras rubidas das lav>$as2 corpos esp$aados por drages e logo recompo/os p>a nova e et]na dilac]ao2 imborcaes de peonha na bcca dos gulosos2 amplexos de s]p5tes escamosas de brazas n'aquelles que lubricam5te deleit>am os corpos n'e/e mundo3 era i/o1 no era o p5etrante pejo d vicio que *amava aos olhos d auditorio z lagrimas re/auradoras4 ,mas1 ao fe*> da misso1 o peito oppresso d peccador att]rado desafogava-se na esp]ana de illudir o diabo com uma confisso g]al e um pr(undo pes> na hora da morte1 vi/o que o mission>io promettia o co aos que1 nos ultimos in/antes1 se s5tissem vivam5te magoados de t]em sido p]v]sos4 ,o co6 ,e que promette o padre aos ju/os1 aos que desde a juv5tude at decrepidez ap5as prev>ic>am v5ialm5te8 o co4 ,e aos apo/olos que vo fogueira (f]ec5do ao div9o m>tyr o tributo de suas agonias8 o co4 ,o co p>a o fac9ora contricto no ultimo mom5to1 e o co p>a o santo de toda a vida6 ,o co p>a o m>tyr e o co p>a o algoz que h\ve remorso de o hav] matado6 f1 revrb]o de ,deus1 e/>ias apagada1 se no fosses div9a6 ,em comp5sao1 porm1 que pr(usa prodigalidade de inf]nos alm-tumulo6 ,inf]nos leg5d>ios1 imitaes d grego1 d egypcio1 d indo/anico1 todos os inf]nos1 excepto o v]dadeiro--o inf]no d'e/a vida1 a corr5te d remorso ao pel\r9ho da consci5cia1 e a desgraa implacavel a9da p>a os que no tm consci5cia nem remorso4 ,pois e/a doce e mis]icordiosa alliana de ,jesus com os attribulados1 com os frageis por compleio e por mal dirigidos na mocidade1 comporta em si a hypo!se de ,satanaz1 que nos espia o ensejo favoravel e nos faz cambap s suas vorag5s8 ,compreh5dem acaso que ,deus se no am]ceie de hom5s fraquissimos1 v5cidos por um gigante que no c\be no co8 ,no vm que ,lucif] se atreveu com o ,creador1 e1 depois de v5cido1 teve por hom5agem o re9ado de um mundo1 e o g5]alato de legies imm5sas1 todas a manobr>em na t]ra p>a v5c]em444 a quem8 um desc5d5te de ,ado1 d logrado d ,ed51 ,ado1 que t9ha em si a pl5itude da =a1 da sci5cia2 a =a d corpo a9da aquecido da mo de ,deus2 a =a da alma iriada dos reflexos d seu ,creador6 ,e o homem1 debilitado pelo attrito de seis mil annos1 que qu]em que elle seja8 ,porque lhe decretam a elle--ao fraco--o inf]no1 se ,deus ap5as condemn\ o =te a viv] d suor d seu ro/o8 ,e/as e outras m$itaes1 dignas de que ,deus m'z p]de1 se a palavra no friza bem com a lisa int5o1 me preoccupavam1 qu&o li e/e livro de ,callet1 com c]to m$o de viol> o meu salut> co/ume de no lr livros prohibidos1 tirante os uteis1 os des5fa/iados e pr9cipalm5te os in/ructivos4 ,o auctor1 comquanto excommungado1 us\ a *ri/ bem-qu]5a de prev5ir-me de que a sua obra e/ava condemnada4 ,decidi logo que o livro no s]ia de todo mau4 ,e1 depois que o li1 reflexionei que os c>deaes s]iam mais discretos esquiv&o-se a d> voga a escriptos que &>iam m5os procurados sem a *ancella da prohibio4 ,a mim me qu] p>ec] que o ,inf]no de ,callet sahiria com fros de or?odoxo da assembla dos primitivos *ri/os1 qu]o diz]1 dos seguidores de ,jesus ,*ri/o ant]iores quella pe/il5cial sci5cia *amada ,!ologia3 tal a pureza1 luz1 amor e *ri/ianissimo espirito que ungem z pag9as d'e/e consolativo livro4 ,augm5ta-lhe o valor o encontr>-se com os mission>ios portuguezes1 cada vez mais attidos rhetorica ard5te d inf]no1 como se elles e ouv9tes no h\vessem dado a9da um passo desde que dia1 desde que a razo fez pazes com a f illu/rada4 to v]dade que e/e sy/ema de moralis> nada aproveita1 quanto c]to que nas aldeias1 onde mais trovejam z ameaz d mission>io1 encontr>eis o demonio da corrupo faz5do tregeitos ao padre s portas das cabanas1 onde o vicio avulta mais esqualido com a h$iondez dos seus f>rapos4 ,no melhor>eis a soci$ade a prg>4 ,e todavia1 s]odios apo/olos1 na vossa s9c]idade1 creio eu1 por no t] gr&e confiana na vossa illu/rao1 e me s] muito cu/oso suspeit> que sois hypocritas4 ,ora lde e/e livro que se vos (f]ece em portuguez corr5tio1 e dizei1 se1 apagado o inf]no1 no s] possivel acc5d] ph>ol mais humano e mais div9o pelo qual se norteie a po/]idade da peccadora ,eva1 e/a imm5sa familia d'hoje1 e/ygmatisada seis mil annos antes6 ,julho de #ahga4 ,camillo ,ca/ello ,branco4 ,,prefacio ,,da ,,segunda ,,edi,o ,aos #bj de ,junho de #ahfb a sagrada congregao d ,index condemn\ em ,roma e/e livro c]ca d inf]no4 ,c>idosam5te advirto a leitoras e leitores que temos aqui fructo prohibido4 ,p]guntam-me o que vem a s] a congregao d ,index8 ,eis-aqui o p\co que sei d'isso3 o papa ,paulo ,,iii public\ em #aeci um catalogo de livros cuja leitura prohibiu aos fieis sob p5a de excommunho4 ,e/e catalogo1 *amado ,index1 foi approvado pelo concilio de ,tr5to1 enriquecido de num]osos artigos1 e por elle1 antes de dissolv]-se1 recomm5dado a ,pio ,,iv4 ,o papa ,sixto ,v1 que no t9ha vag> p>a lr1 cre\1 mais t>de1 uma commisso p]man5te de c>deaes enc>regada de exam9> e condemn> livros4 ,e/a commisso de c>deaes o que se *ama a sagrada congregao d ,index4 ,convm sab] que ,paulo ,,iii1 velho amigo de ,alex&re ,,vi1 e tanto1 como elle1 muito desacr$itado por seus vicios1 desmembr\ dos dom9ios de ,s4 ,p$ro z cidades e t]ritorios de ,p>ma e ,plac5a que elle deu com pl5a sob]ania1 e com titulo de ducado1 a ,p$ro ,luiz ,f>nezio1 um dos seus filhos naturaes4 ,e/e tal fund\ a inquisio1 in/ituiu a ordem dos capu*9hos1 ex]cit\ a a/rologia1 fom5t\ e applaudiu a c>nific9a dos v&ezes4 ,no discuto similhantes actos2 recordo-os porque elles se ligam mesma ida que cre\ o ,index4 ,pio ,,iv1 a rogo dos ,jesuitas1 acresc5t\ algumas contas ao roz>io1 augm5t&o-lhe z virtudes2 fez e/rangul> o c>deal ,c>affa1 sobr9ho d seu pr$ecessor ,paulo ,,iv2 fez decapit> o duque de ,palliano1 irmo d'aquelle c>deal1 e outros muitos p]sonag5s cujas cabez ensangu5tadas1 por sua ordem1 =am expo/as sobre a porta d ca/ello de ,s4 ,angelo2 abaf\ o processo in/aurado em ,espanha contra o cl]o accusado de lib]t9agem2 mas em comp5sao acc5deu por toda a p>te a gu]ra contra os h]ejes4 ,accuzam-no de hav] b5eficiado mais a sua familia que ao povo romano4 ,eu por mim no lhe conte/o z virtudes1 e m5os a9da a or?odoxia4 ,na famosa bulla de #bd de ,abril de #aefd decl>\ excommungados1 ipso facto1 quem qu] que no futuro imprimisse1 v5desse ou lesse algumas das obras inscriptas no ,index pelo concilio ou por elle mesmo2 e bem assim quem1 no z t5do lido1 z empre/asse ao vis9ho1 ou1 sem z l] ou communic> a alguem1 z fe*asse na sua biblio!ca ou n'algum escond]ijo da sua casa4 ,urgia1 pois1 queim> os livros prohibidos quem quizesse evadir-se excommunho1 e em seguida condemnao et]na4 ,como no podesse queim> os auctores1 ,pio ,,iv des=rava-se faz5do-lhes queim> z obras4 ,a vida de ,sixto ,v ba/antem5te conhecida1 no tem que vr com a de ,s4 ,p$ro2 mas sobejavam-lhe intellig5cia e indole suffici5tes ao ex]cicio d pod] absoluto4 ,era manhoso e cruel e/e gr&e papa1 cujo sy/ema de gov]n> comp5di\ em duas palavras3 po e po4 ,disp5sam-se pois os povos de p5s>1 como coisa p]igosa3 ba/ante que elles no morram de fome e que tremam sempre diante d algoz4 ,depois erijam-se obeliscos e edifiquem-se templos4 ,e/e papa m&ava decapit> os padec5tes debaixo das suas janellas1 antes de s5t>-se meza1 diz5do que i/o lhe abria o appetite4 ,z cabez dos suppliciados1 que elle expunha e deixava apodrec] aos olhos dos cam9hantes1 ameaavam de pe/e a cidade4 ,apez> dos juizes1 fez en=c> um mancebo de #af annos por hav] resi/ido aos quadrilheiros que o pr5d]am4 ,ord5\ que cortassem z mos e que traspassassem a l+ua d'um auctor epigrammatico4 ,excommung\ a ra9ha ,isabel1 desquit&o a nao d juram5to de fidelidade2 excommung\ o rei de ,nav>ra1 o pr9cipe de ,cond e o rei de ,frana1 exalt&o at ao delirio o fanatismo dos p>tid>ios da ,liga2 e depois d assass9io d desgraado ,h5rique ,,iii1 elogi\ em pl5o consi/orio ,jacques ,clem5t1 comp>&o-o a ,judi? e ,eleaz>1 debeis mas fieis in/rum5tos d ,deus dos combates4 ,e como signal s5sibilissimo de sua t]na solicitude pela salvao das almas1 re/abeleceu ao mesmo tempo o santo (ficio e cumul\ de indulg5cias a confr>ia d ,santo ,cordo4 ,era proprio d'e/e gr&e e devoto papa cont9u> a gu]ra decl>ada por seus pr$ecessores razo humana e lib]dade da consci5cia1 in/itu9do de p> com o santo (ficio a congregao d ,index4 ,no cuideis1 porm1 que os livros condemnados por e/a congregao fossem lidos pelo papa ou sequ] pelos c>deaes enc>regados d'isso4 ,por via de regra os c>deaes nada lem4 laia de ,sixto ,v1 enc>regavam outros d'esse (ficio4 volta da congregao d ,index =migavam monges e obscuros !ologos de toda a p>te1 *amados consultores1 a quem incumbia o enc>go quasi sempre fa/idioso de lr obras novas4 ,z =midaveis s5t5z d ,index1 m$iante z quaes uma familia inteira era excommungada e condemnada1 promanavam d relatorio d'e/es consultores3 tal era a sorte de quem recusasse queim> um c>tapacio jans5i/a1 h]ana de av pi$osa1 ou z ,maximas dos ,santos de ,fnelon1 ou os ,p5sam5tos de ,pascal1 ou z ,reflexes moraes de ,quesnel1 embora approvadas pelo c>deal de ,noailes1 arcebispo de ,p>iz1 ou a ,!ologia de padre ,lequeux--primeira edio--ou a ,philosophia de ,c\s94 ,pelo que me toca1 julguei que o inf]no uma concepo immoral1 pr(unda e =osam5te immoral pelas razes que adduzi4 ,tambem mo/rei1 a div]sas luzes1 o p]igo de similhante cr5a p>a o g5]o humano4 ,por isso fui condemnado em ,roma4 ,optimam5te6 ,agora exijo que me respondam4 ,graves e leaes so z m9has objees3 o decreto d ,index z deix\ subsi/ir em todo o seu vigor4 ,qu&o a sob]ania temporal d papa1 que no dogma1 deix> de absorv] os es=os todos dos def5sores da f1 esp]o que elles t5ham vag> de cuid> no inf]no1 que um dogma1 e dogma tanto em p]igo e to vacillante--fiquem-no sab5do--como o ?rono de ,paulo ,,iii1 de ,pio ,,iv1 e ,pio ,v4 ,,introduc,o ,,dogmas ,,hebraicos cr5a ant]ior prgao de ,*ri/o1 quanto ao texto1 mas div]sa d espirito d ,evangelho1 a et]nidade das p5as4 ,pr5de e/a cr5a com outros dogmas rabb9icos1 to obscuros quanto desc>idosos1 que a ,egreja nasc5te adopt\ e que a9da hoje =mam o ess5cial da !ologia *ri/4 ,podemos r$uzir aquelles dogmas a c9co1 consub/anciados todos no ,inf]no4 ,vem a s]3 a ,rebellio de ,satan1 o ,ca/igo de ,satan1 o ,p>aiso t]real1 a ,maldio dos hom5s1 o ,povo de ,deus4 ,no int5to esquadr9h> o s5tido philosophico de taes dogmas3 tal canceira1 sup]flua p>a leitores in/ruidos1 s]ia insipida e inutil p>a os ignorantes4 ,que ,satanaz1 inf]no1 peccado orig9al1 etc41 sejam ou no horr5dos symbolos d antigo pan!ismo asiatico1--expresso viva d'um sy/ema de me?aphysica mais t]rivel que especioso1 onde lib]dade e mal se confundem1 e o nada div9isado tem consci5cia de si1 e ,deus quasi deixa de s]--que/es so essas proprias de academias4 ,taes dogmas p>a mim so o que letra significam2 sei d'elles o que nos ens9am2 vejo-os como nos m&am vl-os1 como a multido os v1 coisas reaes1 pessoas v]dadeiras1 e no *im]as4 ,consid]o-os pois sob a frma com que elles1 ha muitos seculos1 influem no g5]o humano3 e no ha mais seguro modo de lhes apreci> o valor moral4 ,entremos na exposio1 cl>a quanta fr possivel1 d'e/es dogmas my/]iosos4 ,i ,rebellio de ,satanaz ,a hi/oria de ,satanaz no se encontra na ,biblia nem no ,evangelho4 ,pass\ tradicionalm5te da synagoga ,egreja4 ,no ,?almud e nos ,padres que vem escripta4 ,satanaz era um anjo--como quem diz um espirito incorporeo1 um spro de ,deus4 ,pureza1 =a e b5o eram o pr9cipio e con/ituio de sua ess5cia4 ,e/ava elle no ceo resgu>dado de exemplos e conselhos maus4 ,creado p>a o bem alli vivia em condies em que no possivel conjectur>-lhe int5es ms1 contempl&o ,deus ro/o a ro/o1 actu&o e recl9&o-se em seu seio1 te/emunha intellig5te d'aquella sup]lativa sab$oria1 bondade e omnipot5cia que transpe espao e tempo4 ,infelizm5te ,satanaz era livre e pecc\4 obra sua o mal que antes d'elle no exi/ia4 ,concebeu-o elle1 e--caso e/ranho6--produziu-o alli mesmo no ceo1 em meio dos respl5dores increados1 e et]nas bem-av5turanz1 e depois quiz-lhe como a seu1 e propag\-o por entre os anjos4 ,e/e peccado1 alis inqualificavel1 vi/o que lhe no conhecemos a especie1 1 como v\ demon/r>1 o v]dadeiro peccado orig9al4 a primitiva e inexhaurivel fonte de dores d g5]o humano1 po/o que a9da no h\vesse g5]o humano na desconhecida poca em que elle p]turb\ o co4 ,todos os tran/ornos d univ]so1 mal physico e mal moral1 aquelle peccado que os explica4 ,saibamos como ,satanaz foi ca/igado4 ,,ii ,o ,inf]no ,deus no quiz anniquil> ,satanaz nem p]do>-lhe4 ,cre\ o inf]no1 e precipit\-o l com os seus cumplices4 ,fogo1 frio1 esvahim5tos de fome1 t$ios da saci$ade1 golpes de f]ro1 trances de agonia1 inveja1 remorsos1 tudo isso no ba/a a d>-nos muito em sombra ida dos torm5tos d'aquelle abysmo4 ,cora-lhe o horror no s] ahi conhecida a morte4 ,se a morte l podesse entr>1 a esp]ana iria com ella1 deix&o entrev] o nada como acabam5to de to enormes p5as4 ,se1 porm1 foi recusada a ,satanaz e/a mis]avel consolao1 goza-se de outra em des=ra4 ,deus1 que o r$uziu desesp]ao1 deix\-lhe a faculdade de o mole/>1 atravess&o-se-lhe nos int5tos1 contr>i&o-lhe z leis1 multiplic&o e p]petu&o o mal por toda a p>te1 salvante o ceo4 o inf]no o s5horio de ,satanaz2 mas no cabe l4 -lhe toda a creao campo franco p>a a sua malfeitora actividade4 ,v]dade que leva comsigo1 onde qu] que v1 a sua immortal tri/eza1 e1 pelo tanto1 toda a p>te lhe inf]no4 ,no ob/ante1 incompreh5sivel que elle de l sahisse1 se lhe no fosse algum h$iondo regalo n'isso de faz] tudo quanto qu]1 excepto o bem--pod] s+ul> que ,deus lhe conc$eu1 e elle ex]cita incansavelm5te1 seu praz] unico1 necessidade propria da sua desgraa1 e que hade dur> tanto como elle4 ,tal o ca/igo de ,satanaz4 ,crime e ca/igo so por egual espantosos e in9telligiveis4 ,agora1 vejamos o que d'ahi resulta4 ,,iii ,p>aiso t]real ,no segundo e t]ceiro capitulos d ,g5esis1 ref]e ,moyss a creao e qu$a d homem4 ,e/a breve passagem foi diffusam5te glossada por hebreus e padres da ,egreja1 e r>o hav] quem a no haja ouvido explic> d pulpito1 como eu brevissimam5te a v\ explic>1 acresc5t&o-lhe reflexes m9has4 ,ado e sua companheira t9ham recebido no ,ed5 uma lei moral simplissima e muito cl>a3 era-lhes licito sabore> todos os fructos d'aquella manso de delicias1 tirante o fructo d'uma s arvore3 feito i/o1 a sua felicidade s]ia p]feita4 ,conta-se que elles e/avam alli mais innoc5tes que os recemnascidos e ao mesmo tempo mais in/ruidos que os ancios d'hoje em dia4 ,ob$ecia-lhes a natureza e elles compreh5diam-lhe a voz4 ,cuidados n5huns1 n5humas lagrimas1 primav]a et]na1 e a mocidade immorr$oira em todo o seu s]4 ,deus folgava desc]-se d ceo p>a n'elles contempl> a sua viva imagem2 e ento lhes mo/rava seu ro/o e lhes fallava4 ,entretanto ,satanaz foi esp]al-os debaixo da arvore da ,sci5cia1 cujo fructo lhes fez com]4 ,no se corromp]am p] si mesmos como ,satanaz2 mas eram livres e o t5tador e/ava alli4 ,quem t9ha s$uzido os anjos como deix>ia de s$uzil-os a elles8 ,que consid]aes o ret]iam8 ,no receia ,deus por que ,deus lhe no pde aggrav> o supplicio1 pois que esse supplicio et]no1 e o inexprimivel horror de tal ca/igo consi/e na et]nidade d'elle4 ,pelo que respeita pi$ade1 s5tim5to que ,satanaz no conhece1 pois que ,deus lh'a no mo/r\ a elle1 o primeiro de todos os s]es que a necessitra4 semelhana das outras creaturas1 tem sm5te aquillo que recebe2 e o que brilha em si no o amor div9o1 a div9a col]a que o cons]va devor&o-o4 ,quaes =am z consequ5cias da qu$a8 ,,iv ,a maldio ,no aceit\ ,deus z desculpas de ,ado e ,eva4 ,de tal modo o irrit\ a desob$i5cia1 que1 no auge da sua ira1 amaldio\-os e com elles a t]ra que os cont9ha3 dupla maldio que abrange alma e corpo1 espirito e mat]ia1 et]nidade e tempo--o homem todo na intimidade de seu s] immortal e nas condies ext]iores da sua exi/5cia transitoria4 ,de feito1 foi ,ado condemnado morte4 ,o corpo rev]teu ao p e a alma cahiu no inf]no4 ,esp]&o1 porm1 e/e ultimo ca/igo1 foi-lhe =ado s(fr] outro n'e/e mundo4 ,cahiu sob o pod] de ,satan4 ,os miraculosos conhecim5tos1 que elle t9ha1 p]deu-os p>a sempre4 ,repulso d ,ed51 nada sabia d que t9ha sabido n'aquelle lug>2 e1 como a t]ra tambem se havia trans=mado1 cam9hava elle inexp]i5te atravez dos e/orvos d'uma vida nova4 ,precises1 lavor +rato1 enf]midades1 padecim5tos de toda a natureza1 desconfianz1 m$os1 saudades inuteis1 desejos inquietos acompanhavam o vagabundo p>4 ,satanaz seguia-os1 julg&o-os a9da ba/ante felizes sobre a t]ra maldita1 onde1 se elle no fosse1 o s(frim5to s]ia expiao1 e a morte resgate4 ,p5etremos mais d5tro n'e/e my/]io1 e consid]emos com os !ologos quaes =am e a9da so hoje z deploraveis consequ5cias d'aquelles successos4 ,v ,consequ5cias da maldio ,os filhos de ,ado que a9da no eram nascidos no mom5to da culpa1 e os filhos de seus filhos at d]radeira g]ao =am condemnados com elle1 como se tivessem peccado4 ,compreh5de-se que elles no fossem melhores que seus pais3 peiores que elles se torn>am4 ,o mais velho d'esses reprobos mat\ seu irmo1 e a impi$ade humana foi cresc5do at ao diluvio p>a recomear1 ao sahir da arca1 durante o somno de ,no4 ,uma tal punio no podia g]> outros effeitos4 ,consid]ai que nascemos aviltados1 p]v]tidos1 embriagados d v9ho que outros beb]am1 escravos d'um pod] occulto e maligno1 odiados de ,deus1 odi&o a ,deus1 s ba/antem5te livres p>a pratic> maldades e m]ec] por isso novos ca/igos2 incapazes todavia de pratic> o bem4 ,e/ ,satanaz no manancial onde bebemos a vida2 e/ nas fontes que a nutrem1 no seio de nossa me e no seu leito2 a si nos attre1 encorpor&o-se na luz1 na agua1 nos alim5tos1 no ar que respiramos1 na voz que nos encanta o ouvido1 na fragrancia que z auras nos trazem1 no amigo que nos abre os braos4 ,comnosco se id5tifica e nos en*e de seus cavilosos e insaciaveis appetites4 ,de fra *ama-nos com uma doce voz1 e com um int]no aguilho nos espora p>a onde nos *ama4 ,ento nos c]ca1 invade-nos1 possue-nos1 e i/o no a9da s5o p>te d nosso ca/igo4 ,o inv]no que nos engorgita os membros1 a fome que nos pro/ra1 a trovoada que arrebata z sem5teiras1 a febre paludosa que nos mata os filhos1 z =z que se vo qu&o a exp]i5cia *ega1 e/es flagellos todos da natureza contra ns des5freados1 e/as necessidades inexoraveis1 am>gas privaes1 e exulc]antes des5ganos so tambem p>te d nosso ca/igo4 ,mas a9da no tudo3 a nossa insanavel ignorancia1 orgulho1 fraqueza1 toda a corrupo d nosso s] p>te integrante d mesmo ca/igo1 no d peccado orig9al1 cumpre not>1 mas d ca/igo1 pois que a transmisso d peccado orig9al j de si um ca/igo4 ,e no pra aqui a maldio2 pelo contr>io1 qu&o ella se nos mo/ra mais t]rivel n'e/e e/ado a que nos r$uziu1 manietados pelas cadeias que nos =j\1 porque z culpas que resultam d'e/a corrupo natura e involunt>ia que um ca/igo1 d'e/a possesso diabolica que um ca/igo1 e de tantas dores accumuladas que so ca/igo--taes culpas *amam sobre ns outros ca/igos4 ,qualqu] lapso repreh5sivel2 o m5or deslize espiado e m>cado2 o m9imo murmurio uma (f5sa4 ,taes so1 consoante a !ologia dos hebreus1 adoptada e assignada pelos padres1 z relaes d homem com ,deus e de ,deus com o homem4 ,dete/am-se4 ,desde a sahida d ,ed5 que se digladiam em duello sem fim1 po/o que desigual4 ,um primeiro crime g]\ a col]a div9a2 mas d primeiro acto da col]a div9a surtiram outros crimes1 os quaes g]>am novas col]as1 e cont9uam5te1 em face um d outro1 a col]a e o crime se fecundam e reproduzem sem descanso4 ,os hom5s n'e/a lucta so incansaveis como ,deus1 e1 po/o que trespassados e sangu9ol5tos e esmagados1 ameaam e conspiram a9da4 ,de semelhante espectaculo no ha nome condigno6 ,e/ o odio por toda a p>te1 na t]ra1 no inf]no1 no ceo1 nas creaturas e no ,creador4 ,accresc5temos que o que melhor se compreh5de ne/e sy/ema a rebellio d homem1 porquanto a nossa sorte mais mis]avel que a sorte de ,ado1 e cem vezes mais mis]avel que a de ,satanaz4 ,mas faz-se mi/] escl>ec] e/e ponto1 antes de pass> alm4 ,,vi ,comp>ao da nossa sorte com a de ,ado e de ,satanaz ,em v]dade n5huma similhana temos com os habitantes d p>aiso t]real2 no lhes h]damos o sab] adquirido sem trabalho1 nem a pureza1 nem a lib]dade1 que se agitava a bel-praz] em um to va/o circulo1 t5do um s limite p]feitam5te di/9cto2 nem to p\co lhes h]damos a tranquilla felicidade4 ,p>a ns tudo trevas1 s]vido1 limite1 trabalho e dr4 ,apez> d peccado1 outra vantagem nos levavam4 ,puniu-os ,deus d'uma maneira que nos espanta2 mas puniu-os pelo mal que propriam5te fiz]am4 ,comnosco no assim4 ,primeiram5te1 aquelles actos1 que ,deus to sev]am5te ca/ig\ n'elles1 cont9uam-se em ns1 que no temos conhecim5to d'elles s5o por e/e proseguim5to v+ativo2 depois1 sem att5d] nossa inf]midade nativa1 nos faz elle expi> nossas proprias faltas com tamanho rigor como se z ns tivessemos commettido na lib]dade1 na sci5cia1 e nos jubilos d ,ed54 ,se podeis1 comp>ae agora a sorte d homem n'e/e mundo maldito de ,satanaz no ceo2 e os peccados d'aquella creatura debil1 ignorante1 decahida1 envolta em c>ne e sangue1 c]cada de precipicios e trevas1 crim9osa porque nasceu1 e em p]igo porque vive2--comp>ae i/o1 se podeis1 ao inexplicavel peccado d anjo4 ,similhana no ha ahi n5huma4 ,entre ns e aquelle espirito bemav5turado vae a diff]5a de noite a dia1 e entre a sua culpa e a nossa a di/ancia da t]ra ao ceo4 ,sem emb>go disso1 z p5as so iguaes4 ,esp]a-nos o mesmo inf]no4 ,a unica desegualdade que se nota n'e/e log> de s(frim5to que o homem ahi s] a et]na victima1 e ,satanaz o et]no algoz4 evid5tissimo que a mesma a p5a applicada a s]es que prev>ic>am em to oppo/as condies de actividade4 ,e/a p5a inf9ita s tem relao com o pod] inf9ito d juiz (f5dido2 no tem alguma com z faculdades div]sam5te limitadas dos culpados1 e augm5ta de gravidade m$ida que desce sobre peccadores d'uma natureza mais fragil1 de ,satanaz sobre ,ado1 de ,ado sobre a sua po/]idade4 ,qu&o procuramos n'i/o a ju/ia1 dizem-nos que ella ahi e/1 mas escondida4 ,oh6 sim1 meu ,deus6 ,bem escondida1 e a razo tambem1 e a pi$ade tambem6 ,,vii ,o povo de ,deus ,entretanto p>ece que a pi$ade se manife/a na =mao d povo de ,deus1 e em v]dade ahi se d5ota1 mas como excepo1 privilegio e favor4 ,havia no ,egypto uma raa de escravos2 toma-os ,deus pela mo1 e atravez de mil ob/aculos os leva ao paiz de ,*anaan2 d-lhes leis1 m9i/ros e prophetas2 illu/ra-os1 def5de-os1 ca/iga-os1 re/aura-os1 disput&o a ,satanaz1 com successivos milagres1 essa nesga de t]ra onde qu] s] adorado4 ,no ob/ante1 e/as revelaens e sobr5atural assi/5cia no imp$em que os judeus idolatrem1 que se pro/ituam1 que usurem e se precipitem num]osissimos em todas z vorag5s d mal4 ,por aqui se avalie a desgraa dos povos que occupavam o re/o da t]ra e a quem faltavam taes soccorros4 ,pezava n'elles sem contrapezo o peccado orig9al4 ,os que a maior grau de p]feio t9ham levado artes e sci5cias e/avam to remotos da v]dade como o selvagem mais embrutecido4 ,no porque uns ou outros fossem a!us--pelo contr>io1 em seus s(frim5tos1 levantavam olhos ao ceo2 mas como procuravam a div9dade nas e/rellas1 nas altas montanhas1 no concavo dos bosques1 e nas mil imag5s compo/as de mat]ia impura1 debalde rogavam1 e inutilm5te sacrificavam4 ,salvante a de ,moyss1 todas z religies eram engodo de ,satanaz e conductoras d'almas ao inf]no1 similhantes s lumieiras que z hordas assalteadoras acc5dem beira das re/+as1 durante z noites tempe/uosos1 afim de que os navegantes se p]cam4 ,e ,deus ab&onava os g5tios sua ignorancia2 dete/ava-os em tanto extremo que prohibia o seu povo de os trat>1 sobretudo de mi/ur> ao d'elles o seu sangue1 excepto nas batalhas4 ,occasionado o ensejo1 era obra pi$osa ext]m9al-os2 mas attrahil-os ao seu corao1 era1 em todos os lances1 um acto abom9avel1 por maneira que o leproso de ,j]usalem rece>ia man*>-se1 se recebesse na sua enx]ga infecta a mais pura donzella de ,sidon4 ,tal sub/ancialm5te o ultimo dogma que nos convm e/ud>4 c]to que elle nos revela a bondade de ,deus2 mas similhana de pallida re/ea de luz em espessa treva4 ,o que nos ella escl>ece um ponto imp]ceptivel d espao4 ,e/ meio velada no ponto onde brilha1 e tanto ahi1 como no re/ante d mundo1 razo e ju/ia de ,deus jazem de todo em todo escurecidas4 ,sobre a t]ra foi ,jacob o unico ju/o8 ,se h\ve mais1 porque no fez ,deus alliana com elles e seus desc5d5tes8 ,por que adopt\ sm5te os judeus1 por que lib]alis\ a e/es luzes que neg\ aos outros8 ,se lhe aprazia d> humanidade cabida e obcecada pelo peccado meios de salvao1 porque ab5o\ o sangue e a c>ne de um s homem1 amaldio&o o sangue e a c>ne dos mais hom5s8 ,se i/o v]dade1 =a nos exclam> com os !ologos3--,razo imp5etravel6 ,imp5etravel ju/ia6--,s5do que tudo i/o ess5cialm5te div]ge das idz que podemos =m> da pura razo e da v]dadeira ju/ia4 ,a lei d g5]o humano1 em toda e/a hi/oria1 a lei ditada pela col]a1 e1 a9da qu&o a bondade ahi reluz1 d ares de um capri*o4 ,os primeiros *ri/os1 judeus de origem1 no adopt>am m5os e/as idz por mais avessas que fundam5talm5te sejam1 no s revelao int]ior1 s luzes da consci5cia1 mas tambem a tudo que mais lum9oso d ens9o de seu div9o me/re nos transmittiram4 ,a ,egreja1 dilat&o-se fra de ,j]usalem1 cons]v\ o s9ete da sua educao rabb9ica#a1 p]manec5do meio judaica4 ,no mud\ um til aos dogmas sombrios e crueis da synagoga1 mas trans=m\ o dogma d povo de ,deus2 ampli\-o espiritualis&o-o1 sem tir> a9da assim clem5cia div9a1 como logo v]emos1 aquella my/ica e excepcional indole que t9ha entre os judeus4 ,admittiu os g5tios ao b5eficio das graz de que ,moyss os excluira1 e torn\ judeus1 m$iante o baptismo1 os que de sangue o no eram4 ,ao mesmo tempo1 repuls\ d seu gremio os que s por sangue eram judeus1 e o no eram por baptismo1 =m&o1 com tal excluso1 outro povo de ,deus1 e fic&o o antigo a repres5t> a figura c>nal d novo4 ,em summa1 a ,egreja moldur\ quanto em si c\be1 o espirito *ri/o nas frmas antigas1 que ella sempre v5]ava e consid]ava expressam5te feitas p>a o receb]4 ,consoante a p>abola1 envasilh\ o v9ho novo no tonel velho1 onde f]ve at e/al> z aduelas2 cuidado1 porm1 que a velha vasilha pde f5d]-se2 o v9ho con!udo o sangue de ,*ri/o2 e o g5]o humano1 em prol de quem tal sangue ha manado1 no deix> que uma gotta se p]ca4 ,ha p\co disse eu que a egreja1 adopt&o z cr5z da ,juda1 no havia modificado a indole e/ranha e excepcional que taes cr5z argem bondade de ,deus4 ,por egual razo deix\ ella cond5s>em-se z mesmas trevas sobre a sua ju/ia4 facil demon/ral-o4 #a ,no concilio feito pelos apo/olos em ,j]usalem1 que/ion\-se sobre se se devia circumcid> os judeus4 ,muitos p5s>am que e/a op]ao fosse indisp5savel salvao1 por isso que ,moyss a ord5ra2 ,paulo e ,b]nab no =am d'e/a op9io2 a duvida1 porm1 era tamanha que sahiram deputados p>a ,j]usalem1 afim de comb9>em com os apo/olos e os padres4 ,o concilio discutiu longo tempo4 ,p$ro fall\ de h>monia com ,paulo2 mas z duvidas subsi/iram4 ,?iago fall\ por sua vez1 no invoc&o a palavra de ,*ri/o1 mas repet9do algumas palavras dos antigos prophetas2 o que fe*\ a p5d5cia4 ,decidiram que a circumciso era desnecess>ia salvao4 ,todavia1 logo adiante1 ,paulo1 que contribuira p>a e/e accordo1 circumcid\ ,timo!o1 em razo de e/>em judeus n'aquelle log>1 e sab]em que seu pae era g5tio4 ,vid4 ,actos dos ,ap41 cap4 ,,xv e ,,xvi4 ,,viii ,a egreja e o novo povo de ,deus ,hoje em dia faz-se mi/] nasc] em paiz ca?olico p>a a9da se crr na possibilidade de no ir infallivelm5te ao inf]no4 ,contra o espirito d mal inda l se encontra aquella miraculosa assi/5cia que outr'ora protegia ap5as o di/ricto no gr&e d ,ori5te4 ,al>g\-se o t]ritorio da clem5cia1 mas a9da assim no m$e a qu>ta p>te d globo4 ,alm d'isso entre os novos1 d mesmo modo como entre os antigos judeus1 p]dem-se muitos1 porque ,satanaz e/ sempre comnosco1 na c>ne de ,ado1 e a maldio sobranceia-nos sempre4 ,se o baptismo de/re e/a maldio1 no o faz completam5te1 salvo qu&o o baptisado morre ao sahir d bapti/]io2 s5o1 nem nos disp5sa das p5as et]nas1 nem nos arranca das prezas da necessidade das affeies1 das t5taes1 dos enganos innum]os que so os effeitos temporaes da maldio4 ,cresce1 pobre creana1 e se podes1 c]ra os ouvidos s alegres cantil5as da tua ama2 foge s c>icias de tua me e a todas z s$uces que j te rodeiam4 ,no toques no bello fructo que a tua fome anceia4 ,na tua edade1 sem que o saibas1 j ,satanaz te falla2 na bebida e na comida e/o v55os d'elle2 com o mal te famili>isas1 e p]dida e/ a innoc5cia baptismal4 ,feito o primeiro peccado1 desluziu-se a graa2 a maldio meia delida revive inteira2 a ,egreja vem a9da com outros my/]iosos meios em nosso auxilio2 porm1 como n'e/e mundo no ha de/ruir attraco e incl9ao e a lib]dade d mal1 muitos dos seus filhos se p]dem1 apes> d'ella1 e p>a1 melhor o diz]1 em seus braos4 ,att5d5do aos p]igos a que e/o sujeitos a9da os filhos da luz n'esses paizes favorecidos1 consid]e-se em que e/ado de desesp]ao vivem os filhos das trevas1 i/o a maxima p>te d g5]o humano4 ,em mil milhes de hom5s1 p\co mais ou m5os1 que actualm5te s(frem na t]ra1 o mais que pde hav] duz5tos milhes de ca?olicos4 ,o remanesc5te vive sem confisso1 e o maior num]o sem baptismo1 na ignorancia ou no odio da ,egreja1 e d'aqui vo como vi]am sob o pod] de ,satanaz4 ,tem elles culpa8 ,nasc]am no abysmo e longe de soccorros4 ,familia1 tribu1 cidade1 patria1 protectores naturaes1 primeiros guias1 ultimos amigos1 lies1 exemplos1 leis e co/umes1 tudo os engana4 ,quem que pde escolh] o seu b]o8 ,pois a nossa salvao pde dep5d] de circum/ancias e successos que no dep5dem de ns8 ,a nossa raso corrompida absolve-os2 o velho ,ado encontra sempre alguma desculpa ao peccado2 mas a f essa no4 ,a f decreta a reprovao f9al dos g5tios1 dos infieis1 dos h]eticos e at a reprovao f9al e et]na d'um gr&issimo num]o de ca?olicos2 cr n'i/o como no peccado orig9al1 como na h]$it>i$ade d crime e d ca/igo1 bem como na graa da salvao--coisas correlativas e de todo o ponto insep>aveis4 ,adora em sil5cio todas e/as app>5tes iniquidades1 convicta de que ellas so sm5te app>5tes1 e que um dia vir em que os proprios g5tios ho de confess> que ,deus fez bem amaldio&o-os3 to pr(undam5te ju/o1 equitativo e rasoavel na ess5cia aquillo que ext]iorm5te to p\co 4 ,no ha pois duvid> que milhes de milhes de creaturas humanas e/o no inf]no4 ,z almas desp5ham-se ahi de todos os lados1 d5sas e rapidas como a *uva1 *uva que dura ha mais de seis mil annos1 e no acab> nunca4 ,todos ns temos no inf]no uma imm5sa familia3 todos os nossos antepassados pagos1 durante quatro mil annos1 e ,deus sabe quantos avs *ri/os6 ,os p>5tes e amigos de quem nos ap>tamos a *or>1 o que fazem ir adiante de ns2 os netos d'elles e os nossos1 pela maior p>te1 l vo t] comnosco1 e p>a to horrivel fim que ns nos reproduzimos4 ,,ix ,como se prova a v]dade dos dogmas hebraicos1 e com especialidade a et]nidade das p5as ,todos e/es dogmas e/o ligados2 porm1 qu&o surge uma duvida1 no ba/a um p>a demon/r> o outro4 ,prvem-nos que ,satanaz foi expulso d co1 e o homem d ,ed52 e1 qu&o o tiv]em provado1 nem por isso lhes cabe o direito de concluir que ,deus nunca p]do> a ,satanaz nem aos hom5s4 ,um ca/igo que tira aos paci5tes a esp]ana1 e ao div9o juiz a pi$ade1 mais incompreh5sivel a9da que a fragilidade dos anjos3 por consequ5cia1 um tal ca/igo c>ece de s] ju/ificado por pessoas eguaes1 s5o melhores4 ,e/es antigos my/]ios no d]ivam um d outro naturalm5te2 e1 seja qual = o ca/igo que ,deus res]ve em sua ju/ia s prev>icaes das creaturas livres1 c]to que ns o s(fr]iamos1 a9da que ,satanaz e ,ado no tivessem peccado4 ,a pr9cipal que/o sab] se e/e ca/igo s] et]no1 e a tal respeito a corrupo orig9al1 a rev]sibilidade das culpas1 o pod] d t5tador augm5tam nossas duvidas em vez de dim9uil-z4 ,o que ahi ha p>a ns no so provas1 so objeces4 ,o inf]no pod] a9da sem isso no satisfaz] nossa razo2 mas no a (f5d] tanto4 urg5te1 pois1 prov> que elle exi/e4 ,prova-se pela revelao1 i/o 1 pelas escripturas santas e pela auctoridade da ,egreja1 int]prete infallivel d'ellas4 ,porm revelao biblica e infalibilidade de ,egreja so j de si outros dogmas a favor dos quaes se escrevem todos os dias grossos volumes2 e s]ia desvi>-me gr&em5te d meu assumpto suscit&o aqui similhante discusso4 ,o p\co que a tal respeito hei de diz] vem no app5dice que e/ no fim d'e/a obra1 s5do tanto p>a o leitor como p>a mim gr&e a pressa que temos de sahir d'e/e labyr9?o de my/]ios4 ,inve/igo provas d'outra ordem1 mais especiaes1 mais directas1 mais apontadas ao bom s5so1 ao corao1 intellig5cia1 e que se pre/am facilm5te a s] ent5didas e livrem5te discutidas4 ,se taes provas no exi/issem1 no empreh5d]ia eu similhante trabalho2 mas su/5ta-se que exi/em1 e em todas z apologias so invocadas como auxili>es das provas sobr5aturaes1 e d ens9am5to da ,egreja1 argum5tos puram5te philosophicos1 dos quaes p>ece que a f mesmam5te e/ c>ecida4 ,dir-se-hia de vontade a respeito d inf]no1 o que ,voltaire disse de ,deus3 que se elle no exi/isse1 mi/] s]ia inv5tal-o4 ,pois que podemos em v]dade prov> a exi/5cia de ,deus pela necessidade moral d'e/a cr5a1 pelo mesmo !or se int5ta prov> a exi/5cia d inf]no p]petuo3 int5ta-se faz] d'i/o uma necessidade moral to cl>a e evid5te1 quanto evid5te e cl>a a necessidade moral da cr5a em ,deus1 e usual fundam5t> tal racioc9io sobre o te/emunho de todos os povos1 que tanto importa a tradio *amada univ]sal4 ,a mim me ba/a a primeira prova2 d'ella p5de a meu vr a que/o capital4 ,se o inf]no1 ou sm5te a ida d inf]no moralm5te util1 exi/e o inf]no1 necess>io1 e div9o4 ,porm1 como qu] que a evid5cia d'e/a utilidade no seja dogma1 assi/e-nos o direito de exam9> com pl5a lib]dade4 ,tal a t>efa que me impuz4 ,a tradio univ]sal de que trat>ei depois1 ap5as a primeira face d problema4 ,o ,,inf]no ,,p>te ,,primeira ,o ,,inf]no ,,consid]ado ,,qu,m ,,da ,,campa1 ,,ou ,o ,,homem ,e ,a ,,soci$ade ,,em ,,pres5,a ,,d ,,inf]no ,,capitulo ,,primeiro ,,tradi,,es ,i ,a tradio univ]sal a prova d inf]no8 ,qu&o nos qu]em faz] compreh5d] a necessidade da revelao *ri/1 es=am-se em requ9t> phrases aviltantes1 p>a bem c>act]is> o e/ado d mundo sob os re9ados de ,augu/o e ,tib]io4 ,no peo que se suavisem z p9turas4 ,todavia1 se se tracta de nos incutir algum antigo dogma hebraico t5ebrosissimo1 repell5tissimo1 tal como o peccado orig9al1 a malicia dos diabos1 o et]nal inf]no1 ento vr como esse g5]o humano to vilescido se transfigura subitam5te em oraculo4 ,cl>o que a moral se lhe v>rra de todo2 mas a !ologia fic\4 ,eil-os a cav> no lodaal das sup]/ies ori5taes1 z mais putridas de quantas ahi h\ve1 e qu]em entrev] n'ellas uns c]tos ve/igios de l se hav] conhecido ,ado e ,no4 ,se se trata simplesm5te d inf]no1 isso ento a*a-se em toda a p>te4 ,um p>ia vagabundo1 um pago abjecto1 um negro1 um hott5tote trem5te em face d'um feti*e1 eis z te/emunhas1 os consultados1 os d\tores4 mais que c]to que taes mis]aveis haviam p]dido z noes todas d bem2 dormiam com z s]vas e at com z irms2 v5diam na feira z filhas e s vezes z mes2 pr(anavam os hosp$es2 eram ladres1 eram antropophagos2 adoravam p$ras1 s]p5tes1 sapos1 e1 peor que tudo1 hom5s1 fac9oras ensangu5tados2 mas criam no inf]no4 ,cl>o de consci5cia no lampejava n'elles s um2 no e/remavam raia entre virtude e vicio2 e1 po/o que taes di/9ces lhes h\vessem sido reveladas1 t9ham-nas esquecido4 ,vde1 porm1 o prodigio3 quanto ahi havia incompreh5sivel p>a ns e a9da mais p>a elles2 tudo que transc5de a alada da exp]i5cia2 tudo quanto a simples razo no pde revel>--tudo1 em fim1 que1 pelo consegu9te1 mais facilm5te se desluz da memoria1 oh6 tudo isso lhes fic\ na lembrana6 ,que argum5to a pr d inf]no6 ,quem ousa impugn> v]dade to de fundam5to provada8 ,cafres1 ,papus1 ,saabs1 ,bu%mans cr]am no inf]no6 ,patages1 ,muskogis1 ,algonqu9os1 ,*ipp]rais1 ,si\x cr]am no inf]no6 ,hunos1 ,alanos1 ,o/rogodos1 ,gepidas1 ,v&alos cr]am no inf]no6 ,tambem cr]am n'isso ,cananeos1 ,phili/eos1 ,n9ivitas e ,babylonios6 ,sodoma e ,gomorra tambem6 ,s>danapalo1 ,bal?az>1 ,h]odiada1 ,cleopatra1 ,n]o1 ,attila1 ,g5giskho1 ,tam]lo cr]am tambem no inf]no6 ,qu]em prova mais conclud5te8 ,eu no sei se semelhante demon/rao d inf]no bem feita p>a edific> uma assembla de fieis2 receio muito que os incr$ulos se riam4 ,qu]-me p>ec] que1 se t5tassem ins9u>-nos rev]5cia a tal dogma1 dev]iam cont5t>-se com diz]-nos que aquellas raz deg5]adas1 aquellas naes e/upidas1 aquellas hordas facc9oras1 aquelles sac]dotes embaidores1 aquelles reis devassos1 em fim1 todos esses selvag5s e mon/ros1 nem criam na et]nidade das p5as1 nem d'isso t9ham vislumbres4 ,tal argum5to1 se fundado fosse1 figur>-se-hia melhor que n5hum4 ,presumir-se-hia que esses hom5s1 se tivessem mo e p]ante os olhos b>reira tal1 no se infam>iam tanto4 ,mas1 da laia que elles so1 d>em-no'l-os como cr5tes no inf]no1 m&>-nos descr]4 ,horrorisa-nos a immortalidade d'elles4 ,vo l traz] taes arbitros p>a uma que/o de altissimo int]esse moral6 ,dizeis que elles cr]am no inf]no8 ,oh ,deus meu6 por isso mesmo talvez que elles to mal compreh5diam a ju/ia1 e tal vida viv]am6 ,,ii ,explicao natural das tradies pags c]ca d inf]no ,que monta recorr] a revelaes miraculosas8 facilima coisa explic> naturalm5te z tradies pags c]ca d inf]no4 ,e/e social e/ado que conhecemos1 no qual o direito de cada um def9ido por lei1 e protegido por =a publica1 no o primitivo e/ado d g5]o humano4 ,no pr9cipio1 a unica soci$ade foi a familia1 e1 por ext5so1 a tribu4 ,cada homem se protegia a si1 e sahia em desaffronta propria2 p>5tes e s]vos b&eavam-se na p5d5cia1 e a m5or t5tativa contra o direito privado espadanava ondas de sangue4 ,n'esses remotos tempos1 v+ana e ju/ia eram uma s c\sa4 ,ora1 v]dade que a v+ana proc$e d s5tim5to de ju/ia1 mas ultrapassa a ju/ia sempre1 porque egoi/a1 cega1 orgulhosa1 col]ica1 no m$e1 no se compadece1 d mal por mal1 e usur>iam5te o d4 ,a mais antiga das leis judaicas1 a lei cruel de talio1 foi lei mis]icordiosa2 abalis\ z retaliaes2 cabea por cabea1 olho por olho1 d5te por d5te1 e mais nada4 ,a v+ana qu]ia mais3 arrancava os dois olhos1 e no se saciava4 ,na ,?racia1 em ,grecia e ,roma1 nas ,gallias1 na ,g]mania1 em toda a t]ra h\ve tempo em que os inimigos captivos eram sacrificados aos deoses1 e e/rangulados pelos sac]dotes d alt>4 ,os que o f]ro p\pava eram a9da mais dignos de compaixo3 condemnavam-os escravido com a sua po/]idade--ao trabalh> sem proveito1 e mis]ia inf9ita4 ,entre z familias1 tribus e raz ardiam odios h]$it>ios2 pagava o innoc5te pelo culpado1 porque era commum dev] o assass9al-o4 ,e tudo i/o se figurava ju/o1 e hoje a9da entre z naes *ri/s1 aqui e alli1 subsi/em ve/igios d'e/es antigos co/umes4 ,se insi/em em que os pagos conheciam o peccado orig9al1 a maldio d g5]o humano e z p5as et]nas1 =a confess> que elles1 segundo proc$iam1 procuravam incit> a ju/ia div9a4 ,que melhor modelo lhes sahiria a ponto8 ,p>a lhes condemn> o proc$im5to mi/] conc$] que elles de ,deus e da sua ju/ia ap5as t9ham falsa ida4 ,phantasiavam ,deus sua similhana1 v+ativo1 desc>oado4 ,d'ahi1 a ida das raz malditas1 dos crimes e ca/igos h]$it>ios4 ,d'ahi os pavorosos sonhos d inf]no sem fim1 dos mos abrazados e esp$aados vivos1 dos algozes enfurecidos sobre z suas prz immortaes1 o *or> incessante1 o suspir> sem e*o1 e os eng5hosos supplicios todos d ,n>aka1 indo/amio inf]no que a9da flammeja1 e d ,am5?i1 egypcio1 e d ,t>t>o grego1 antigos inf]nos j agora apagados e que ha tantos seculos no mettem m$o a n+uem4 ,,iii ,como o sac]docio p]petu\ e/as tradies ,a p> e passo que a humanidade se illu/ra1 vemos adoarem-se por toda a p>te z leis e os co/umes2 z religies1 porm1 essas no3 antes qu]em morr] que mud>2 cons]vam como deposito precioso e inviolavel d\tr9as antiquadas sem p>5tesco com z idz e z necessidades das soci$ades novas4 ,cont9uam a prg> aos povos policiados deoses f]ozes4 ,faz-se mi/] um dia arranc> ao cutello sagrado z victimas humanas4 ,na ,gallia foi =oso d]ruir z ras e immol> os sac]dotes p>a acab> com os sacrificios abom9aveis4 ,d ,moyss aos judeus a lei de talio1 mas res]va a ,jehovah a v+ana1 como os poetas gregos a res]vavam a ,jupit]4 ,qu]em hom5s bons e um ,deus cruel1 hom5s ju/os1 e um ,deus iniquo2 e1 s5do i/o repugnante1 fazem da ju/ia div9a um my/]io1 com a decl>ao de que o no podemos p]ceb]4 ,prga ,jesus exclusivam5te a c>idade1 e morre em um madeiro p]do&o a seus algozes4 ,tratam de concili> a sua d\tr9a com os rabb9os1 e logo nos figuram um ,deus de duas faces3 a doce face d ,*ri/o que contempla a t]ra1 e no inv]so d'e/a face augu/a e ungida de lagrimas1 a face irritada de ,jehovah1 o ,deus ext]m9ador1 o ,deus inexoravel que p]segue os filhos pelos crimes dos paes4 ,,iv ,exemplo de um povo que p]manece fiel a todas z suas antigas tradies a tradio a memoria d g5]o humano4 ,cumpre no m5osprezal-a conta das v]dades que ella propaga2 todavia no devemos escutal-a de joelhos1 feio de oraculo1 por causa dos erros que a deturpam atravez de todas z edades e naes4 ,que nos faz a ns que os antigos crssem nas p5as et]nas8 ,no s] isso que z torn> et]nas1 se ellas o no so4 ,mais antiga que todas z op9ies dos hom5s a bondade de ,deus2 e z v]dades moraes bem como z physicas disp5sam o nosso cons5tim5to p>a subsi/irem4 ,pois no girava a t]ra qu&o a julgavam immovel8 ,no era odiosa a escravido qu&o a julgavam ju/a8 ,ha na pr(undeza d ceo e/rellas que nossos paes no viram e ns vemos2 e ha outras cuja luz no alcanamos e nossos netos v]o brilh>4 ,cumpre v] o ceo com os nossos olhos1 e no com a vi/a dos que j so mortos4 ,no s]ia blasphemia crr n'um ,deus v+ador1 qu&o em seu proprio corao o homem no t9ha discrim9ado entre ju/ia e v+ana1 e por isso a ,deus se conc$iam s5tim5tos e aces que n'e/e mundo eram honrosos4 ,attribuir-lhe1 porm1 aces que pass>iam por inju/as1 se commettidas fossem1 s]ia arrog>-se o homem direitos de faz]-se melhor que ,deus2 e fra v]dadeira impi$ade imag9> um ,deus tal que env]gonh>ia quem o imitasse4 ,o passado l vai4 ,os antigos d]am suas contas2 ns temos de d> z nossas4 ,qu&o um cam9heiro ce na e/rada1 quem se levanta cxo elle e no seu pai4 ,qualqu] crime que p]petreis s]vos-ha imputado a vs4 ,desquit> os hom5s1 em nome das tradies1 da responsabilidade da sua f1 s]ia remil-os da responsabilidade das suas obras4 ,ha quatro mil annos que os h9do/anicos so escravos dos mesmos prejuizos1 acorr5tados nas mesmas ca/as1 v9culados s mesmas praticas1 roj&o e palp&o no mesmo circulo d'erro e mis]ias1 similhana dos seus condemnados1 no d$alo t5ebroso e sem sahida d seu inf]no4 ,n'aquellas regies morre o homem na condio em que nasceu3 repres5ta s]vilm5te seu j morto pai1 p5s&o e op]&o como elle4 1 quanto m5os pde s]1 pessoa di/9cta e nova2 -lhe quasi inutil a razo2 a memoria lhe ba/a2 nem a consci5cia vive em 'si2 e/ fra nas tradies oraes ou escriptas que rev]5ceia cegam5te1 porque antes de vir ao mundo j eram v5]adas4 ,se ha v]dade o que essas tradies dizem2 bem1 o que ellas ord5am2 mal1 o que ellas prohibem4 ,inve/ig> p>a que8 ,que mais qu] elle8 ,bello recl9atorio p>a a preguia6 ,excell5te desculpa p>a vicios6 ,val5te ob/aculo p>a virtudes6 ,uma das glorias de ,*ri/o1 um dos esp9hos da sua cora santa1 foi contrapr o direito da consci5cia individual tyrannia das op9ies1 tradies e escripturas judaicas4 ,ens9\-nos elle a sobrepr o juiz intimo sobranceiro a todos os juizes da t]ra1 e responsabilis\ p]ante ,deus o homem por seus actos1 ao mesmo passo que os responsabilis\ por seus p5sam5tos e sua f4 ,v ,effeito d'e/as tradies na edade m$ia ,z tradies judaicas e pags consub/anciavam-se pr(undam5te na edade m$ia1 ac]b&o-lhes z suas leis p5aes com supplicios e torturas4 ,z prises no t9ham ar nem luz2 o adorno das masmorras era palha podre1 po e agua4 ,havia prises subt]raneas1 tumulos onde o homem entrava vivo e no sahia mais4 ,at os mo/eiros z t9ham4 ,o furto era punido com a morte2 a morte punia a transgresso da lei sobre a caa4 ,em cada encruzilhada uma =ca4 ,p>a os h]eges fogueiras4 ,e frequ5tem5te uma familia inteira era ca/igada pelo crime d *efe1 b5s confiscados1 casa arrazada1 o nome proscripto4 ,nada digo sobre a s]vido1 degradao h]$it>ia1 especie de man*a orig9al e quasi univ]sal em cada paiz1 horr5da reliquia da escravido antiga1 e das sup]/ies d ,ori5te4 ,havia cr5a na efficacia d'aquelles horr5dos ca/igos4 ,e s]iam por isso m5os r>os os crimes8 ,o t]ror gov]nava o mundo4 ,e s]ia o mundo melhor gov]nado8 ,ia n'isso a antiguidade das tradies4 ,dava-vos p5a que ellas se abolissem8 ,quem ha ahi saudoso das torturas1 masmorras1 confiscaes1 fogueiras1 escravido8 ,e quem ous>ia p$ir1 por int]esse da ju/ia e da moralidade1 o re/abelecim5to das in/ituies da edade m$ia8 ,,vi ,como a soci$ade *ri/ se desvia progressivam5te d'aquellas antigas tradies ,no ha muito que ns a9da t9hamos o nosso inf]no3 eram z gals onde z condies peioravam4 ,de/ruiram-nas1 e cre>am z colonias p5it5ci>ias4 ,antes de ns1 se d]am bem com isso os +lezes4 ,d'aquelle antigo inf]no t]real1 p>aizo em comp>ao d outro1 re/a-nos como t]rivel ve/igio a p]petuidade d ca/igo p>a c]tos culpados4 ,quiz o homem copi> o antigo ,deus das v+anz1 e infligir aos seus similhantes p5as inf9itas1 t5do elle ap5as um dia de seu4 ,taes p5as se a*am nos nossos codigos4 ,a sab$oria humana to limitada como o seu pod]4 ,mas1 apez> de limitadissima1 admiravel6 ,com que arte a soci$ade concilia os mais oppo/os dev]es--a proteco aos ju/os1 e at a proteco aos culpados que ella extrema dos ju/os6 ,no os esquece nas suas prises1 no r5unci\ ao direito de p]do2 no des5tranh\ de si o s5tim5to da pi$ade4 ,sobre essa p>agem de mis]ias e/ sempre fixo um olh> de d1 e att5to um ouvido que escuta os gritos d arrep5dim5to4 ,e acaso se enfraquece por amor d'isso a lei p5al8 ,e se o p]do salva um d'esses prezos que a ju/ia f]ira com p]petua p5a1 cuidaes que esse acto robu/ea o mal1 e d nas prizes ou fra d'ellas um exemplo fune/o8 ,a9da mais3 a soci$ade amni/ia algumas vezes propriam5te o crime1 d]roga a s5t5a d juiz e re/itue o crim9oso em todos os direitos d innoc5te4 ,os crimes que ella amni/ia quaes so8 ,os mais ultrajadores de sua au?oridade1 das suas leis1 d seu rep\so e exi/5cia3 amni/ia os crimes de lesa-mage/ade1 e cont5ta-se com p]do> os outros4 ,e/e o espirito das legislaes novas em toda a *ri/&ade1 nas quaes a mis]icordia se abraa com a ju/ia4 ,inf]no que nunca muda s o !ologico4 sempre o inf]no da edade m$ia1 inf]no de judeus e pagos1 os mesmos supplicios1 os mesmos gritos1 a mesma impi$ade cresc5te1 os mesmos horrores4 ,no qu]em que ,deus t5ha o direito de p]do> no outro mundo4 ,c em baixo pde fazel-o1 se lhe apraz1 como qualqu] rei da t]ra4 ,mas l no seu re9o no ha p]do nem amni/ia6 ,col]a inf9ita6 ,v+ana p]petua6 ,inexoravel furor6 ,tal 1 consoante o p9tam1 o ,rei dos ceos4 ,ditosos os povos cujos pr9cipes se no modelam por elle6 ,quem quiz] encontr> hoje imitadores d ,deus t]rivel dos antigos1 ha de ir procural-os no novo mundo e entre z tribus negras da ,africa1 e nas hordas b>b>escas da ,asia4 ,a soci$ade *ri/1 com m>avilhoso in/9cto1 seque/r\-se d'essas idz de outra edade2 e1 com os olhos po/os na cruz1 prosegue e anhela realis> em suas in/ituies e leis um ideal m5os imp]feito da sob]ana ju/ia4 ,,capitulo ,,segundo ,a ,f ,,nova ,i ,pat] no/] ,*amamos a ,deus nosso pae e nos consid]amos seus filhos4 ,um pae condemn>ia seus filhos a supplicios et]nos8 ,que a que/o seja de +ratos e desob$i5tes1 de rebeldes e de mos1 embora3 ,deus ,deus1 e ns somos hom5s4 ,o mais sabio ancio n'e/e mundo p]ante o ,pae cele/ial o que diante d'esse velho mortal1 curvado ao pezo dos annos1 uma crianc9ha no b]o4 ,p]ante o ,pae d ceo somos todos crianz balbuciantes que ap5as cam9hamos com &adeiras4 ,e a comp>ao a9da muitissimo ambiciosa6 ,ha mais proporo entre o m59o que balbucia e os maximos d\tores !ologos1 d que entre os maximos d\tores em !ologia e o et]no ,pai4 ,cob]tos de seus circumspectos b>retes1 aquelles d\tores t>tamudam1 gaguejam1 balbuciam fr5eticam5te1 no se ent5dem a si proprios1 descambam a cada passo1 e movem compaixo1 se os comp>>mos a ,deus4 ,dado que elles a9da durassem e crescessem em sab]1 ao mesmo passo que envelhecessem1 nem por isso deix>iam de e/> como em p]petua infancia confrontados com ,aquelle que tudo sabe1 porque inf9ito em sab$oria1 em pod] e bondade4 ,mas1 d'outra frma1 a crianc9ha hontem nascida podeis j affoitam5te comp>al-a quelles graves d\tores2 um d\tor que se aleita e entra em d5tio3 alguns dias mais1 e vl-a-heis def5d] ^! e supplant> os pr(essores4 ,compreh5deis1 pois1 que1 se o velho d\tor em !ologia fosse pae1 mettesse o filho em um c>c]e *eio de s]p5tes e ahi o deixasse p>a sempre8 ,qualqu] que h\vesse sido a culpa d m59o1 julg>eis ju/o e discreto similhante ca/igo8 ,no vos p>ec]ia o me/re mais l\co d que o discipulo1 e o pae peior que o filho8 ,o vosso primeiro emp5ho no s]ia pr o algoz no log> da victima8 ,no se levant>ia toda a soci$ade contra esse sabio sem corao8 ,nossas leis1 nossos tribunaes cons5til-o-hiam8 ,ah6 ca/igos1 sim1 mas ca/igos que corrijam1 e o p]do a f9al3 eis o que ju/ia de pae4 ,no ent5demos outra4 ,ao *efe de familia no se cons5te pod] arbitr>io sobre os seus3 a esposa tem direitos2 tem-os o filho1 o s]vo1 protegidos pela soci$ade1 que p>a esse fim especialm5te se con/ituiu4 ,se i/o repugna s antigas tradies1 nem por isso m5os racional1 equitativo e moral4 ,a9da assim1 por mais que fizesse e/e d\tor atroz1 s]ia m5os cruel que o ,deus prgado por elle4 ,se a morte no viesse rapidam5te arranc>-lhe a victima1 o (ficio de algoz cal-o-hia4 difficil de support>1 a9da mesmo a um mau pai1 o aspecto das torturas que elle ex]cita na pobre creatura que g]\4 ,no corao humano tudo mudavel1 tanto o amor1 como1 por feliz comp5sao1 o odio4 ,um pr9cipe morov+iano1 *amado ,*>mne1 revolt\-se contra ,clot>io2 ,clot>io fez queim> vivos seu filho1 a nora e os netos2 mas diz a hi/oria que elle se arrep5dra4 ,se tal supplicio durasse uma semana sm5te1 de c]to elle os t]ia salvado4 ,que bom pai6 ,que excell5te rei6 ,que amavel e/e ,clot>io de p> com o ,deus que nos p9tam6 ,e/e ,deus qu] que p5semos no inf]no1 mas no que se morra ahi2 imitao d algoz das prizes feudaes1 deixa viv] os paci5tes tortur&o-os e disvela-se em lhes protrahir a agonia6 ,m&a-os s(fr]1 ouve-os gem] durante a et]nidade1 e proc$e sua v+ana1 sem fe*> olhos1 sem tap> ouvidos1 e por isso mesmo que n'elle reconhecemos no um homem v>iavel1 mas o que elle 1 um ,deus4 ,deus dos antigos1 ,bel1 ,teutates1 ,pluto1 ,eol91 seja qual fr teu nome1 ,deus das batalhas1 ,deus d gladio1 ,deus dos =tes1 gu]reiro f]oz1 s5hor irascivel1 juiz sem entranhas1 ,deus dos et]nos rancores1 tu no s o meu ,deus6 ,o ,deus que adoro1 o unico e v]dadeiro ,deus1 o melhor dos ,paes2 apez> das m9has culpas1 no me trata como inimigo nem como escravo2 conhece melhor a m9ha fraqueza d que eu a sua =a2 e1 at qu&o me ca/iga1 no esquece que foi elle quem me cre\ e que eu s\ seu filho4 ,,ii ,o purgatorio o purgatorio o log> incognito em que os mortos esp]am1 s(fr5do1 o p]do das culpas commettidas na t]ra4 ,ha ahi o *or> e o padec]2 mas no se amaldia ,deus3 bemdiz-se4 ,os s(frim5tos ahi supportados so salut>es porque se compreh5de a ju/ia d'elles2 e corrigem porque a esp]ana no anniquillada4 ,se tal log> exi/e1 de que s]ve o inf]no8 ,deix> diz] que a et]nidade que apavora e refra o peccador4 ,o peccador no sabe o que seja a et]nidade2 porque impossivel absolutam5te =m>-se uma cl>a ida d que seja isso4 ,se recuamos p]ante ns um p\co que seja z balisas d tempo1 a nossa imag9ao e razo se p]dem2 e cahimos nas prezas das mesmas angu/ias que s5tiriamos1 se vissemos a v]dadeira et]nidade4 ,p>a que o homem se at]re lhe ba/a imag9> o s(frim5to de que capaz a sua natural s5sibilidade1 e qual o podem compreh5d] z faculdades d seu ent5dim5to4 ,p>a que iremos mais longe8 ,no ba/ante ameaar os maus com ca/igos proporcionados s suas faltas1 durante um espao de tempo desconhecido ou incalculavel n'e/e mundo8 ,o que fr mais d que i/o in9telligivel4 ,p>a l d'e/es limites1 a ameaa nada importa2 a alma e/ ref>ta de ju/ia1 oppressa de t]ror1 ext5uada de padec]1 dobra-se1 ce1 aniquilla-se1 adora1 supplica p]do1 no pde compreh5d] s5o a pi$ade1 e/ surda e ins5sivel a tudo o mais4 ,o remate da ju/ia p>a ns o p]do2 e1 se n'essas extremas alturas onde a imag9ao pde *eg>1 e onde o peccado roja gem5te1 se em vez de p]do1 nos mo/raes o odio a9da flamejante1 l vai tudo3 o t]ror toc\ o apogeu2 turva-se a razo1 ida de ju/ia e de bondade tudo se desfaz2 a alma1 que cahira cr5te1 levanta-se a!i/a4 ,se o tal inf]no exi/e1 no outro mundo coisa compreh5sivel ha uma s2 o blasfem> dos condemnados4 ,mas se tal inf]no exi/e1 de que s]ve o purgatorio8 ,pois os prote/antes no o aboliram discretam5te8 ,p>a os que podem crr em tal inf]no1 que cem mil annos de purgatorio8 ,e/e acaba e o inf]no no2 seculos e milhes de seculos de p5it5cia no se contam1 esquecem-se4 ,em vi/a d'e/e s9i/ro inf]no em que a mis]icordia desconhecida1 inutil o s(frim5to1 e a ju/ia um enigma1 o purgatorio um p>aizo4 ,quem nos d]a a c]teza de l ir6 que os ca/igos ahi s(fridos1 por mais demorados e rigorosos que sejam1 no ha temel-os3 desejam-se4 ,por maneira que o mais t]rivel ca/igo que imag9> se pde1 o mais equitativo e rasoavel1 deixa de impression> z almas p]v]tidas pelo espectaculo d'uma punio sem siso nem ju/ia app>5tes4 ,z pobres almas at]radas1 aturdidas1 e/upefactas so impellidas involunt>iam5te a (f5d] a ,deus de dois modos2 primeiro tem5do-lhe a v+ana1 segundo no lhe tem5do a ju/ia4 ,a ida dos ca/igos inefficazes e dres infructif]as1 por muito mon/ruosa1 odiosa e falsa que seja1 se humanam5te a consid]amos1 torna inutil a ida dos ca/igos pod]osos e dres salut>es1 por muito bella1 cl>a1 natural e div9a que ella seja4 ,,iii ,necessidade d purgatorio ,quem qu] que sejaes1 s5hor ou s]vo1 rico ou pobre1 esposo ou pai1 viuva ou noiva1 no negueis z expiaes da vida futura4 ,no conheceis maus em prosp]idade1 c]cados de respeitos1 inaccessiveis lei1 e que se deitam e levantam sem remorsos8 ,no conheceis innoc5tes opprimidos1 ancios ab&onados1 orphos desbalisados1 pessoas honradas cuja vida toda padec] e que n5huma lei feita ou por faz] def5d]ia de hom5s +ratos e p]v]sos8 ,se sois feliz hoje1 sl-o-heis amanh8 ,conv5cei-vos de que neg> a vida futura1 s]ia o mesmo que neg> a immortalidade da alma1 e logo sua lib]dade e responsabilidade2 e1 por consequ5cia1 o mesmo s]ia neg> virtude1 direito1 ,provid5cia1 e con/ituir e/e baixo mundo um v]dadeiro inf]no1 um sonho1 um pesadlo1 onde tudo s]ia horror e abom9ao1 excepto o nada1 tudo inju/o1 excepto o crime victorioso1 tudo absurdo1 excepto a inveja1 o egoismo1 a viol5cia1 e a a/ucia que se roja4 ,ah6 crde na vida futura1 com suas expiaes e recomp5sas4 ,e1 se ha quem exclua d ceo a pi$ade1 no vades vs1 por uma irracional des=ra1 excluir tambem d ceo a ju/ia4 ,,iv ,my/]ios ,no nos accusem os !ologos de neg>mos ac9tem5te os my/]ios4 ,os !ologos ref]em o que vae no inf]no como se tivessem por l viajado4 ,pelo que elles dizem paiz dos mais conhecidos3 sabe-se o cam9ho1 quaes so os seus productos1 e qual o modo de viv] dos seus moradores1 bem como a origem1 nomes e a g]>*ia dos pr9cipes que l re9am4 ,em outro capitulo e/ud>emos z edificantes descripes que fazem d'elle j physica1 j moralm5te4 c]ca d purgatorio tem havido mais prud5cia quasi nada se sabe d que la se passa3 portanto mais my/]ioso que o inf]no4 ,todavia1 sem imp$im5to de s] my/]ioso1 que diff]5a6 ,quanto mais pr(undamos a et]nidade p5al1 m5os se acr$ita2 ao invez1 quanto mais p5samos no purgatorio1 mais nos s5timos compellidos a crl-o4 o inf]no my/]ioso como o diabo1 como a noite1 como a contradico1 a confuso e o *aos4 o purgatorio my/]ioso como ,deus1 como a alma1 como a consci5cia1 como a vida1 como a luz que nos alumia1 como a mat]ia imp5etravel1 como toda a natureza1 como a v]dade1 como tudo o que exi/e e de que ns ap5as conhecemos em sombra a exi/5cia e ap5as p]cebemos atravez de um veo1 mas o ba/ante p>a no pod] duvid>4 elle to c]to como tudo o mais d mundo2 ass5ta no intimo de nossa alma sobre z mesmas bases da moral1 d direito1 d dev]1 d respeito a outrem1 pi$ade1 lib]dade1 amor1 e s5tim5to d inf9ito4 por tanto o purgatorio1 quanto razo1 o v]dadeiro my/]io da ju/ia div9a1 assim como a ,inc>nao e a ,paixo1 quanto f1 so o my/]io d ,amor div9o2--my/]io de ju/ia que1 de mais a mais1 se concilia m>avilhosam5te com aquelles my/]ios d'amor1 dos quaes o inf]no p]petuo s]ia a negao4 ,muitissimo nos espanta que os prote/antes o no vissem4 ,qu&o t9ham que escolh] entre d\s dogmas inconciliaveis1 um velho e outro novo1 sacrific>am1 tanto em nome d ,evangelho como da razo1 um dos dois que mais se h>monisava com z leis da razo e a moral d ,evangelho4 ,v ,o p>aiso ,os prote/antes no conhecem t]mo m$io entre p>aiso e inf]no2 os ca?olicos1 porm1 acr$itam-no1 e segundo elles o purgatorio ceo nubloso e tri/e1 inf]no onde se ora e esp]a1 e que deve acab>4 ,infelizm5te os ca?olicos no enviam todos os mortos ao purgatorio1 cr5do que se pde transpor aquelle meio entre ceo e inf]no1 sem a9da l pr o p4 similhana dos prote/antes1 ens9am que muitas almas1 ap5as despidas d seu involucro mortal1 so desp5hadas p>a sempre no et]no abysmo1 ao passo que outras almas1 logo que desp$em da t]ra1 alam-se direitas ao p>aiso4 ,ens9am tambem1 uns e outros1 que o mais abom9avel patife1 conv]tido ultima hora1 pde morr] cont5te3 eil-o vai absolvido como o bom ladro2 no tem mais que fe*> os olhos e acord> entre os anj9hos4 i/o possivel8 i/o v]dadeiro8 ,que pois o p>aiso1 e que ida fazemos d'elle8 ,pois que6 v]ei eu d seio da bemav5turana1 e na inalt]avel tranquillidade dos ju/os1 v]ei sem remorso e sem afflico1 encade>em-se a meus ps1 j na t]ra1 j no inf]no1 z tri/es consequ5cias das m9has iniquidades8 ,nas m9has noites de lib]t9agem1 matei2 durante o somno de hom5s que valiam mais d que eu1 assass9ei um avro p>a o r\b>1 um amigo da m9ha infancia p>a entr> no seu leito1 uma mulh] que eu havia s$uzido e que morreu beij&o-me z mos1 p5s&o em mim1 a l\ca1 mais d que em ,deus6 ,d'entre elles os peores que eu f]i eram innoc5tes comp>ados comigo1 e eil-os mortos intempe/ivam5te1 sem t]em tempo de se arrep5d]em2 eil-os engolphados na geh5na1 com o corao roido pelo v]me que no morre1 gem5tes1 *orosos1 amaldio&o-me2 e eu1 seu assass9o2 eu1 peccador envelhecido na impi$ade e agraciado por um milagre1 l\v>ei ,deus et]nam5te1 por me hav] feito in/rum5to da condemnao d'aquellas pobres almas6 ,com z m9has delapidaes1 r$uzi mis]ia e a todas z t5taes da mis]ia1 e a todos os desvios da desesp]ao aquella familia que l vejo em baixo3 o irmo v5de a irm1 a irm v5de a sobr9ha1 o pae v5de os seus juram5tos1 os seus amigos1 o seu paiz2 a me arranca-se os cabellos2 todos *oram1 todos s(frem1 todos me accusam1 e os seus gemidos *egam at mim2 e eu hei de vr imp]turbavel1 sem remorsos1 sem dr1 aquelles fructos de meus crimes1 aquellas ulc]as1 aquelles prantos1 aquelles opprobrios1 aquellas p]fidias1 aquelles esc&alos em que eu t5ho p>te2 e1 pois que ,deus se api$\ de mim1 eu no t]ei pi$ade dos outros1 e o que na t]ra me affligia1 qu&o eu agonisava1 no me ha de affligir depois da m9ha morte4 ,e/e deploravel espectaculo1 bem visivel a meus olhos1 no imp$ir que eu me saboreie na felicidade dos escolhidos2 conv5c]-me-hei que vae n'isso o influxo dos designios d ,altissimo1 e que o homem1 faa o que fiz]1 no tem que vr com o resultado das suas obras2 e em vez de bat] no peito a cada sobresalto dos meus proprios crimes1 a cada rep]cusso das m9has proprias blasphemias1 a cada reflorec] das v55osas sem5tes--ve/igio unico que eu deixei da m9ha passagem na t]ra--ve/irei a alva tunica1 e beb]ei na taa dos anjos1 das virg5s1 dos h]oes1 e dos m>tyres1 como se eu fosse um d'elles4 ,na v]dade uma egregia d\tr9a e/a da ju/ificao d peccador1 pelo reconhecim5to e pez> de suas culpas2 levada porm quelle grau1 similhante d\tr9a to incompreh5sivel como a d inf]no4 ,de uma demasia nasceu outra3 n'uma p>te enc>ec]am a ju/ia2 na outra exagg]>am a pi$ade4 ,comtudo1 entre o ca/igo inf9ito por um s peccado1 e o imm$iato p]do apez> de mil peccados1 havia o que qu] que fosse que p>ece desconhec]-se3 a ju/ia sem col]a1 a mis]icordia sem pusillanimidade4 ,salvam-nos como nos condemnam1 com p\co cu/o ord9>iam5te1 pois que se com facilidade nos abrem z portas d inf]no1 com a mesma nos abrem z d p>aiso4 ,consid]em entretanto o purgatorio1 no como meio entre o p>aiso e o inf]no1 mas entre a t]ra e o ceo1 ponto que c]tas almas atravessam rapidam5te e quasi sem s(fr]1 e onde outros so condemnados a padecim5tos mais ou m5os ext5sos e v>iadissimos1 consoante a natureza de suas culpas1 e disposio no ultimo mom5to4 ,e/e purgatorio com z suas p5as indef9idas1 proporcionaes1 rigorosas1 purificantes1 e1 c$o ou t>de1 coroadas pelo p]do1 no s]ia um freio moral mais rijo que o m$o das p5as et]nas1 temp]ado pela esp]ana da mis]icordia na ultima hora1 e pela re=ma de vida na ultima edade8 ,conv5ho que no hav]ia m$o de s] condemnado sem remisso2 assim 2 mas tambem n+uem presumiria de fugir ao ca/igo com um mom5to de contrico1 depois d'uma longa cadeia de crimes4 ,d'e/a arte1 ,deus mo/r>ia melhor o que 1 ju/o1 mas no cruel2 bom1 em vez de tol]ante4 ,que mal lhe viria d'ahi8 ,commisravos o la/imavel ancio cob]to d sangue das extorses e o tyranno abjecto que sopes\ e corrompeu milh>es de hom5s2 t5des d'elles pi$ade1 qu&o morrem *or&o8 t5des razo2 mas api$ae-vos tambem de suas victimas a9da palpitantes1 d'essas creanz que elles def9h>am e ceif>am em flor1 e que vs condemnaes4 ,pi$ade e ju/ia p>a todos4 ,no desesp]eis os que vag>osam5te cam9ham sobre os abrolhos da p5it5cia1 mas no lhes encurteis a escada p>a os subir ao ceo4 ,sabei que na outra vida se *ora am>gam5te o mal feito ao proximo que n'e/e mundo nos sobrevive1 z desord5s que se motiv>am1 z exi/5cias que se tran/orn>am1 z qu$as moraes que se occasion>am1 e que o arrep5dim5to na hora extrema1 po/o que gr&em5te salut>1 ap5as o pr9cipio1 e no o fim1 das expiaes d'uma vida culpada4 de cr] que na ,biblia e nos padres da ,igreja i/o se no encontre escripto2 mas e/ escripto nas consci5cias4 ,limpem os oculos e leiam4 ,,capitulo ,,t]ceiro ,,os ,,fructos ,,d ,,inf]no ,i ,o bem 7,,bem ,,negativo1 ,,monges1 ,,ana*oretas1 ,,etc47 ,se a morte vos sobresalta antes da p5it5cia1 diz-se que sois condemnado por erro de espirito1 por fraqueza dos s5tidos1 por um lance d'olhos1 por um desejo culposo1 e condemnado1 sem esp]ana1 tanto como se h\vesseis sido um ladro calejado1 um p>ricida1 um a!u4 ,l vos e/ esp]&o o ,s5hor da vida2 e ahi ides enr$ado em vosso peccado como ave cahida no lao4 ,e tudo se acab\2 tudo1 sem que os vossos longos s]vios ao g5]o humano contrabalancem o peccado f9al6 ,se1 no entanto1 comp>aes tudo que se ha mi/] faz] p>a ganh> o ceo ao p\co que ba/a p>a cahir no inf]no1 s]eis =ado a reconhec] que z probabilidades so dissimilhantes1 e que o mais c]to1 faa-se o que se fiz]1 a condemnao4 ,d'onde proc$e nas imag9aes vivas a dom9ante preoccupao de evit> o inf]no2 e d'ahi1 pelo consegu9te1 e desde os primeiros seculos1 uma especie de s+ul>es virtudes1 mais espantosas que bellas1 mais extravagantes que ins9uativas3 virtudes falsas1 sem utilidade d proximo1 bem que os !ologos no'l-z inculquem por ideal da p]feio *ri/4 ,tal o retiro ao des]to1 a r5unciao propria1 o morr] antecipado1 o fugir combates da vida1 o desquite de dev]es da familia e da cidade1 a ociosidade contemplativa e p5it5te1 a mac]ao1 o jejum1 o p]petuo sil5cio1 a insulao1 o odio ao mundo1 a orao entre quatro p>$es4 1 tambem1 a santificao d celibato1 como se a fecundidade dos sexos h\vesse sido amaldioada1 como se fosse culpa cont9u> a filiao de ,ado1 e virtude e/]ilis> em si os embries da vida humana4 ,e c]to que1 admittido o inf]no1 e a qu$a orig9al1 e o ens9am5to que lhe &a annexo1 que outra concluso se colhe8 ,multiplic> os hom5s1 p>a que8 p>a multiplic> os peccados8 ,se to duvidosa a salvao6 ,se a condemnao to facil6 ,p>a que nos enlaaremos orla d'um abysmo onde o esposo pde desp5h>-se com a esposa e o pae com os filhos8 ,ba/antissimos m5tecaptos se casam1 e povoam t]ra e inf]no de desgraados4 ,no s]ia melhor deix> acab> o mundo8 ,bemav5turados os celibat>ios6 ,os sabios so os reclusos1 os ana*oretas1 os eremitas4 ,so como os viajantes que1 em navio a pique1 desamp>am os companheiros1 e salvam-se a nado4 ,cuidam s d seu salvam5to2 cada qual por si2 soccorr] o irmo tem o risco de naufragio4 ,fazei como elles1 navegantes2 deixae no navio em sossbro m]cadorias1 !s\ros1 e vossas mulh]es1 e mes1 e vossos filhos1 e fazei-vos ao l>go3 recresce a borrasca2 rasga-se a vela2 quem pod] salve-se4 ,bemditos sejam pois esses =agidos d mundo1 mortos ao mundo e seus modelos1 ,simeo sobre a columna1 ,joo no mulad>1 esses desv>iados todos macill5tos1 sujos1 comidos de insectos4 ,gr&e vantagem levam3 no tem que vr com a t]ra1 e j e/o meios mettidos no ceo3 o diabo j mal os pde aprez>4 ,no 1 todavia1 a p]feio dos ascetas aquella que o ,filho d homem nos exemplific\4 ,tr9ta e tres annos habit\ ,elle a t]ra1 e qu>5ta dias sm5te erm\ no des]to1 no p>a nos l attrahir2 mas1 a meu vr1 p>a nos di/ance>1 pois que foi no des]to1 e ahi tam sm5te1 que o espirito das trevas o t5t\4 ,ant]iorm5te havia ,elle vivido tr9ta annos com a sua familia2 e viveu o re/ante entre peccadores4 p>a not> que nas suas mode/as occupaes1 sob o colmado d c>p9teiro1 e mais t>de nos campos1 nas cidades1 nas tav]nas1 em meio d povo que ens9\1 cur\ e nutriu1 no ous\ o diabo t5tal-o6 ,mal imita ,*ri/o quem foge o mundo que ,elle procurava4 ,o sepult>-se um homem nos antros1 a jeju> e a rez> por longo tempo1 o seque/ro da soci$ade1 o sil5cio1 corpos mac]ados mal enr\pados em pelles1 exorcismos furiosos1 luctas no vacuo1 intrepidez baldada1 e tantissimos outros pi$osos desat9os no recordam exemplos d ,salvador1 mas sim z ab]raes dos sect>ios d ori5te4 ,no pde s] i/o a p]feio que ,jesus veio ens9> aos hom5s2 que tal *amada p]feio muitissimos seculos antes d',elle j era conhecida dos pagos idolatras1 que t9ham seus corybantes e ve/aes1 e bem assim dos judeus1 morm5te dos ,ess5ios que a t9ham apr5dido dos magos da ,*alda4 ,tal p]feio praticavam-a na ,india fanaticos sem num]o1 cuja raa a9da subsi/e4 ,importamo'l-a dos mesmos paizes que nos m&>am a d\tr9a dos anjos rebeldes e a da reprovao dos hom5s--d\tr9as cujo natural fructo tal ca/a p]feio4 ,se o ideal da p]feio humana fosse i/o1 inutil s]ia o *ri/ianismo2 pois que j os brahmanes a t9ham ens9ado d\s mil annos antes d presepio1 e os b\ddhi/as a t9ham realisado mil annos antes dos monges da ,!baida4 c]tissimo que os b\ddhi/as no visam exactam5te ao mesmo scpo que os monges ca?olicos3 aquelles buscam em suas au/]idades a morte absoluta1 a de/ruio de sua p]sonalidade1 o s]em absorvidos no s] univ]sal1 ao mesmo tempo que os monges1 se r5unciam ao seu eu ne/e mundo1 p>a o retom>em n'outra vida4 1 comtudo1 egualm5te c]to que1 sem emb>go da div]sidade dos f9s1 vigora em ambas z seitas um pr9cipio commum1 s5do que por id5ticas vias e praticas procuram a et]na bemav5turana uns1 e outros o p]petuo dormir1 a et]na ins5sibilidade4 ,s de p] si o desejo d ceo no ba/>ia a inspir> a uns o mesmo proc$] que inspira aos outros o desejo da anniquilao3 pelo que1 no o desejo1 s5o o m$o que pova os des]tos4 ,os b\ddhi/as1 por egual com os *ri/os transviados1 temem os s(frim5tos inf9dos1 os males sempre a r5asc]1 se n'e/e mundo no att+irem a vida p]feita2 e tanto p>a elles como p>a os nossos monges1 vida p]feita o ab/]em-se da vida1 a virg9dade1 o jejum1 a p5it5cia1 a sol$ade1 o extasis1 o antecip> a morte1 um complexo de e/]eis virtudes1 no filhas d amor1 s5o d md4 ,tal 1 na sua mais elevada expresso1 o bem que a cr5a d inf]no produz n'e/a vida4 ,causa espanto que os prote/antes hajam cons]vado e/e dogma6 1 porm1 mais p>a espant> que elles1 ao mesmo tempo que o cons]vam1 de/ruam os mo/eiros e inpugnem o celibato4 ,no ha ahi imag9> maior inconsequ5cia6 ,a primitiva ,igreja1 que elles pret5dem resurgir1 cria sem duvida nas p5as et]nas1 i/o mais que muito v]dadeiro2 mas pelo m5os1 op]ava em con=midade com sua f4 ,n'aquelle tempo1 os esposos1 a9da em vigorosa mocidade1 gu>davam cont95cia1 sob p5a de pecc>em1 durante o adv5to e qu>esma1 e nas fe/as e dias de jejum1 p\co mais ou m5os tres qu>tas p>tes d anno4 ,d'elles alguns1 p>a maior p]feio1 no usavam nunca os direitos conjugaes1 e envelheciam sob o tecto nupcial1 em volunt>io celibato1 d5eg&o-se z frias c>icias que o irmo faz a sua irm4 ,os ricos empobreciam-se1 despoj&o-se espontaneam5te de seus hav]es1 e os pobres lidavam p>a viv]1 mas descuidosos de amonto>1 nem como previd5cias p>a a velhice e inf]midade1 nem p>a leg>em a filhos4 ,conta-se que desadoravam empregos publicos1 e evitavam1 como escolhos da alma1 z emprezas lucrativas nomeadam5te z comm]ciaes4 ,nunca espectaculos1 nem jogos1 nem dansas1 nem folias4 ,sobri$ade extrema1 ve/idos nem apontados nem de preo1 jejuns em b>da1 or> dia e noite1 lucta incessante e p]t9az contra a natureza4 ,o seu di/9ctivo de *ri/os era aquelle4 ,uma leve falta1 ac>eava-lhes a excommunho2 e1 antes de absoltos1 eram exp]im5tados em seu arrep5dim5to1 por espao de mezes e annos1 qu&o o no eram at morr]em4 ,em quanto durava a p5it5cia1 eram apontados1 no s nos templos1 durante os my/]ios1 s5o tambem no ext]ior e nas relaes da vida civil2 e1 por cima de n+uem os qu]] sua meza1 at z esmolas lhes regeitavam4 ,diz com raso ,fleury que a vida dos nossos monges regul>es corre p>lhas com a d commum dos fieis da ,igreja nasc5te1 cuja cont9uao #b4 ,e accresc5ta#c que j entre aquelles fieis havia ascetas d'ambos os sexos viv5do reclusos4 ,eram os mais p]feitos1 e exempl>es4 ,taes ascetas1 v]dadeiros asc5d5tes dos monges contemplativos1 trappi/as1 c>tu*os1 c>melitas1 cl>i/as1 etc41 es=avam-se por imit> a vida de ,joo ,bapti/a no des]to e a de ,elias no ,c>melo4 ,curavam elles pois1 como j dissemos1 uma p]feio div]sa da de ,jesus3 anhelavam a p]feio negativa1 qual os judeus e os ori5taes a preconisavam2 judaisavam sem d>em d'isso t5to1 e os *ri/os seus imitadores cont9uavam inadv]tidam5te a tradio1 no j de ,jesus1 mas de ,joo ,bapti/a e ,elias1 tradio congru5tissima com o inf]no4 ,j no tempo das p]seguies era povoada a ,!baida2 no t9ha ento a ,igreja um tecto debaixo d ceo2 e s depois que pr9cipi\ a ergu] templos que edific\ mo/eiros1 sua primeira obra depois que sahiu das catacumbas4 pois evid5tissimo1 em que peze aos prote/antes1 que o ca?olicismo no se ap>t\ d espirito dos tempos apo/olicos1 nem das praticas de ento1 e que a vida mona*al dete/ada por elles1 a9da hoje em dia o que outr'ora foi1 a mais bella flor1 e o mais mimoso fructo dos dogmas hebraicos1 que elles to pi$osam5te tem cons]vado4 #b ,co/umes dos israelitas e *ri/os1 tom4 ,,ii1 cap4 #ec4 #c ,co/umes dos israelitas e *ri/os1 cap4 #bf4--;,citei e/a excell5te obra por que ella manuseada por todos1 e facilima de consult>4 ,de mais a mais1 dep>a-nos a indicao das fontes onde o auctor bebeu1 disp5s&o-nos assim de z indic>mos n'e/e livro4 ,,ii ,a c>melita ou o ideal da p]feio !ologica4 ,comvosco admiro z religiosas que1 sob div]sos nomes e com div]sos habitos1 assi/em ao g5]o humano1 tanto com suas oraes1 com o seu trabalho quotidiano1 com toda a cel]idade de seus ps1 com toda a agilidade de suas mos1 como com todas z =z de seu s]4 ,cr$es que no possivel seguir mais d que ellas os div9os ve/igios d ,salvador4 ,ah6 quanto vos enganaes6 ,quanto so baixas e eivadas de h]esia z vossas idz6 ,a p]feio no consi/e na vida activa e b5efica das irms da c>idade2 onde ella e/1 segundo o ens9am5to dos !ologos1 na vida contemplativa4 ,se procuraes1 s5hora1 o modlo p>a vs e vossos filhos1 encontral-o-eis na c>melita1 com pref]5cia irm da c>idade4 ,aquella morreu p>a o mundo1 jaz no seu cubiculo como em um tumulo4 ,v quem quiz] agasalh> orphos1 ens9> ignorantes1 re/aur> peccadores1 cur> do5tes1 ens9> (ficios a s]vos1 d> voz a mudos4 ,affronte quem quiz] o contagio de nossos vicios6 ,quem quiz] que cure a nossa lepra6 ,esses cuidados vulg>es no os qu] a c>melita p>a si4 ,aos ps d alt>1 com os braos levantados ao ,s5hor1 o seu po/o4 ,no se bulir d'alli1 a9da que todo o paiz arda ensangu5tado4 ,no lhe digaes3 vosso irmo e/ a morr]2 vossos sobr9hos vos e/o *am&o4 ,no lhe digaes3 arde a pe/e na cidade2 vossa porta e/ a maca4 ,ha muito que ella concebeu t$io d mundo2 no lhes leveis novas d'elle1 que p]turb>ieis o seu socego4 ,quanto m5os ella se inquieta d'essas transitorias mis]ias1 mais os !ologos a admiram4 ,n'isso mesmo1--crl-o-eis8-- que e/1 segundo elles1 a sua sup]ioridade sobre a irm da c>idade1 cujo corao virg9al arfa como corao de me ao grito da crianc9ha#d4 ,a c>melita no p5sa1 nem tem que p5s> s5o em sua propria salvao1 e tal p5s> um manancial das commoes que unicam5te lhe so p]mittidas4 ,bem que ella viva dez1 v9te1 c9co5ta annos sob o veo1 f> todos os dias1 mesma hora e da mesma maneira1 a mesma coisa sem pod] por seu arbitrio alt]>-lhe o m9imo4 ,so-lhe pautados os movim5tos1 e contados os passos4 ,em todo o curso de sua vida no ha a m5or surpreza1 o m9imo abalo1 o imprevi/o1 a m5or lib]dade1 ou elevao espontanea das faculdades moraes4 ,e/o def9idas e immutaveis z suas relaes com todas z coisas animadas ou inanimadas que a c]cam3 no se afeioa1 no escolhe1 no se decide4 -lhe prohibido ganh> affecto a coisas e a pessoas4 ,a abelha mais livre d que ella em sua colmeia1 e m5os inflexivel que z regras mona/icas o in/9cto que a dirige4 ,uma communidade de freiras p>ece-se a um povo de automatos e no a um enxame de s]es viv5tes4 ,e essa que a condio pela qual a h>monia subsi/e4 ,n'e/as soci$ades contra natureza1 prud5te que a natureza seja algemada2 pois1 se lhe dessem folga1 ella se revolt>ia2 e por tanto =oso esmag> a lib]dade como cautela p>a que a lic5a no v+ue4 pois a c>melita em todos os seus actos m]a ma*9a4 ,tem alma p>a ob$ec] e trabalh> na sua int]ior p]feio1 de/ru9do em si1 cada vez mais1 vontades1 desejos1 e individualidade at s raizes4 ,onde e/ a lucta e/ a vida4 ,n'esse immutavel c5tro1 solit>io e sil5cioso1 onde se cam9ha sem mud> de piso1 passa a adolesc5cia sem curiosidade1 e a velhice sem exp]i5cia nem memoria4 ,ahi nada se r5ova2 o dia que *ega nada promette2 o dia que f9da nada deixa2 a vida um livro1 cujas pag9as em vo se folham3 sobre essas pag9as brancas ha uma s phrase1 d comeo ao fim1 sempre a mesma3 p5sa em ti1 p5sa na et]nidade4 ,ahi vem agora com que espanc> o t$io d mo/eiro4 m+oa de gr&es e =midaveis combates d l> dome/ico e da soci$ade1 i/o 1 da vida real qual ,deus a fez1 a ociosa c>melita pugna h]oicam5te contra sua razo1 contra seus s5tidos1 imag9ao1 e faculdades inactivas4 ,cr resi/ir ao diabo1 resi/9do necessidade de op]>1 de am>1 de sab]1 e s] util3 e/afa em pu]ilidades a sua virtude4 ,se durante o (ficio1 uma mosca lhe p\sa no n>iz1 um caso1 uma provao4 ,se e/ di/rahida1 assalteam-na remorsos2 se impaci5te1 vai confess>-se d'isso4 ,uma pulga outro inimigo t]rivel1 outra occasio de gr&e qu$a ou de gr&e victoria6 ,um alf9ete mal pregado1 um vo descompo/o1 uma lembrana1 um gemido1 um p5sam5to cl&e/9o1 o ra/ilho d'um rato atraz d arm>io1 um ,ave esquecido1 ca?a/rophe6 remorso6 ru9a de ,sio6 prantos de ,job6 brados de ,ra*el6 transportes de ,j]emias6 ,qualqu] bagatella a alvoroa como mat]ia de peccado mortal2 qualqu] futilidade lhe avulta com propores mon/ruosas2 pesa gros de areia1 e m$e os atomos4 ,pois se ella conseguiu esquec] sua familia1 seu paiz e o mundo1 no a cuideis completam5te impassivel como se vos figura3 o que ella fez foi conc5tr> em si e p>a si o amor e pi$ade que nega aos outros4 ,idolatra-se1 no ao modo dos syb>itas1 mas por um !or que1 po/o no seja s5sual1 no m5os egoi/a3 absorve-se em contemplao de sua alma2 no proprio corao pre5*e o vacuo de familia e de amigos1 e de quantas creaturas de l expuls\4 ,contempla-se ss9ha1 entre o inf]no e o co1 a trem] p]ante um tal espectaculo1 e sempre fluctu&o entre e/es abysmos1 ora nas alturas1 ora nas pr(undezas1 passa de um delirio a outro1 e das palpitaes d t]ror ao extase dos s]aph9s4 ,eu por mim no sei se ,deus sorri a taes futilidades1 a tal vida que no viv]1 e a tal morte que no morr]2 mas os !ologos affirmam que n'i/o que a p]feio consi/e4 ,e =oso concord> que elles tem razo1 se ha inf]no4 ,se ha inf]no1 a irm da c>idade imprud5te1 e ns1 os admiradores d'ella1 somos s&eus4 ,o seque/ro mais rigoroso a consequ5cia legitima1 natural1 necess>ia e fatal d'e/e dogma selvagem4 ,o alic]ce1 a porta e o tecto d mo/eiro aquelle dogma1 que desata z soci$ades naturaes e viv5tes av9culadas pelo amor2 elle o occulto liame d'aquellas soci$ades de automatos que no p]manec]iam um dia1 nem hora1 nem mom5to1 se tal dogma fosse proscripto4 ,sem inf]no1 a vida clau/ral no se p]cebe2 com inf]no1 no ha imag9al-a mais a ponto1 e obrigatorio confess> que1 de feito1 a p]feio e/ n'ella1 vi/o que a razo e/ com ella4 ,no ob/ante1 filhos d seculo1 no r5uncieis afogadilho de seculo1 que vol-o prohibem os !ologos4 ,ficai entre peccadores1 no foco das t5taes1 dos esc&alos1 dos erros1 e das ciladas que vos tramam4 ,razoavel coisa s]ia fugir p>a o porto seguro que vos (f]ecem2 mas no vades2 cont9uae a naveg> entre re/+as1 m]c dos tufes1 aos cl>es dos relampagos4 ,o conv5to no vos quadra2 porque no foi feito p>a muitos4 ,ent5do1 direis1 que o conv5to se abriu p>a os entes mais debeis1 p>a os incapazes no s de ajud> a outrem1 mas tambem da mesma m5te se salv>em1 sem se arrisc>em s tempe/ades4 ,faz-se mi/] s almas frageis e ju/am5te timidas o e/reito c5obio d clau/ro1 a proteco das grad>ias1 a escravido1 z regras1 o vo sobre os olhos1 a mordaa nos labios2 sem o que se p]d]iam4 ,em quanto os val5tes combatem1 vo ellas escond]-se longe d inimigo4 ,no seu cam9ho se arra/am gemebundos alguns fugitivos1 fallidos de animo1 cahidos por t]ra1 f]idos de suas proprias armas1 e quem sabe se alguns h]oes alanciados no corao6 ,ent5do1 direis1 que o clau/ro o refugio dos pusillanimes1 o porto dos naufragados1 o hospital dos inf]mos1 e aqui se mo/ra a app>5te razo porque nem toda a g5te l pde entr>4 ,e/ enganado o duro leitor1 que nada p]cebe dos my/]ios !ologicos4 ,saiba pois que o clau/ro o asylo dos =tes2 e que s l so recebidos os a?letas a primor1 mais puros e intrepidos1 a flr da juv5tude *ri/4 ,no s(fre a m5or duvida que mil vezes mais de p]igo a soci$ade onde os soccorros so muito m5os d que os retiros ab5oados4 ,que nos faz isso6 ,de log> abrigado e onde a graa sup]abunda que os p\cos so repulsos1 com quanto1 ao primeiro intuito1 nos p>ea creado p>a elles2 ao mesmo tempo que d balu>te das luctas angu/iosas se retiram os =tes1 com quanto p>ea tambem e/e o seu log> proprio4 ,os coxos1 os cegos e os in]mes so po/os na lia sangu9osa2 os mais agu]ridos soldados enclau/ram-se4 ,espantem-se e riam-se1 que a coisa assim2 e1 s5o1 p]guntem-no ,sorbonna4 ,e assim preciso que seja1 pois que a p]feita vida a clau/ral1 que1 no ent5d] dos !ologos1 vem a s] a mais avssa s incl9aes de nossa natureza viciosa1 e1 por consegu9te1 a de mais difficil obs]vancia2 mas1 porque impraticavel na soci$ade1 no se lhe disp5sa de s] exemplo soci$ade2 e1 sem presumpes de l *eg>1 devemos prop5d] p>a ella cont9uam5te1 vi/o que e/amos tanto mais beira d inf]no quanto longe d'aquella vida p]feita4 ,que se hade faz]1 pois8 ,eis o problema4 ,cada qual tem no mo/eiro um trilho feito1 e o futuro c]to1 portanto e/ q de cuidados que fra d'ahi seguem a pobreza1 o trabalho1 e at a riqueza1 alm das responsabilidades que a toda a hora p5dem dos actos de uma vontade livre1 n'um viv] sempre fluctuante4 ,no mo/eiro tudo exemplos edificantes2 e1 po/o que seja defezo ahi grange> um amigo1 em comp5sao no se adquirem inimigos4 ,nem impeos1 nem disputas1 nem conflictos1 males que a lib]dade produz1 s5do que a s]vido lhes esmaga os embries4 ,no ext]ior tudo recolhim5to1 paz1 ordem1 sil5cio1 e es=o2 p]turbaes1 se z ha l1 vem d intimo e d recondito d nosso s]4 ,o unico inimigo que ahi ha que rece> o diabo1 tal invisivel e impalpavel adv]s>io que todos trazem comsigo1 fracos e =tes1 mundanos e frades2 porm tal inimigo p]de no clau/ro boa p>te das suas pr]ogativas2 porque alli no e/ elle como em sua casa1 e no seu re9o3 so-lhe m5os os m9i/ros1 os vassallos1 e os recursos4 ,o recluso1 afra a pessoal en]gia de que dotado e lhe assignala a vocao1 topa ahi de todos os lados conselhos e amp>os2 e como qu] que t5ha em fr5te aquelle unico inimigo1 soccorre-se de mil auxilios1 que faltam ao homem d seculo1 e1 mo grado a sua fraqueza orig9al1 v5ce-os4 ,que fazemos pois n'e/e mis]o mundo em que a inf]midade nos algema8 ,ha aqui o rir1 o *or>1 o r5hir1 o disput>1 o abraar-mo-nos1 o odi>mo-nos1 p]seguirmo-nos1 e o aniquill>-se o homem contra homem3 uma reluctancia sem fim1 e sem regra1 um ret9ir de espadas1 um e/ronde> de m>tellos1 de c>ros1 de ma*9as1 de cant>es1 de gemidos1 um *os1 uma desordem1 da qual a clausura no pod]ia d>-nos sombra de ida4 ,aqui1 so mil os objectos em que a alma &a rep>tida2 z dim9utas =z que temos disp]sam-se4 ,acol o inimigo id5tificado comnosco1 traz escolta de auxili>es1 e a lucta int]na de que n+uem se izempta1 complica-se com z luctas ext]nas e inevitaveis4 ,cada homem tem de bat]-se com uma legio4 ,quantos cuidados6 ,quantos dev]es6 ,quantas inc]tezas e anci$ades6 ,quantas encruzilhadas sem nome1 sem ph>ol1 sem sahida6 ,que poeiras1 e que sombras6 ,consid]ae aquella me de familia a quem enc>eceis z virtudes da c>melita4 pobre1 todos os seus p>5tes so pobres1 os filh9hos rotos1 fam9tos1 quasi sempre do5tes1 o m>ido alquebrado d trabalho1 ou que1 desanim&o1 se envileceu e a espanca1 um patro1 um propriet>io1 cr$ores1 me/res1 amos1 amigos1 e que amigos6 conselheiros1 mas conselheiros de ,job6 ,se tal me rica1 tem uma casa que reg]1 creados a dirigir1 os quaes nem fiz]am voto de pobreza1 nem de ob$i5cia2 filhos a educ>1 sagrados int]esses que def5d]1 relaes que receb]1 um m>ido a cont5t>1 qu] seja honrado ou no1 qu] seja pi$oso ou impio4 ,com vontade ou sem ella e/ cont9uam5te a braos com z paixes alheias1 com capri*os1 int]esses1 vontades e affectos contr>ios2 de cont9uo em face de circum/ancias imprevi/as1 casos litigiosos e inc]tos1 onde lhe =oso resolv]-se qu&o qualqu] resoluo p]igosa1 no o s5do m5os os p]igos1 se se ab/eem4 preciso que ella1 se qu] salv>-se1 seja a um tempo economica e c>itativa2 communicativa1 mas discreta2 umas vezes br&a1 e outras inflexivel2 exp$ita1 mas reflexiva2 previd5te1 mas con=mada a todos os sobresaltos da =tuna2 que viva ao mesmo tempo em si1 e nos outros1 p>a si1 e p>a todos3 misso indef9ivel1 *eia de contra/es1 de atravancos1 de cruzes1 mais ardua e mais difficil que a misso da freira4 ,digam embora que e/a me de familia tem na sua mis]ia satisfaes1 tranquillidade e jubilos que no goza a c>melita3 dep5de isso de sab] se os jubilos de que fallam so comp>aveis s dres que a freira ignora4 ,de mais1 esqueceis que esses praz]es so um engodo e que se pr5dem n'elle sem o conhec]1 e se pr5dem tambem qu&o o conhecem4 ,a saci$ade1 o desgo/o1 e o cansao so z naturaes b>reiras da voluptuosidade4 ,*eg> at ahi a mulh] *ri/8 ,no o p]mitta ,deus4 ,at onde ir8 ponto ma!matico que sep>a o peccado d praz] licito2 e1 qu&o o limite se procura1 onde fica elle j8 ,r>as vezes e/amos a ss com a s]p5te como ,eva no ,ed51 e a freira na cella4 mesa e em toda a p>te ha quem vos di/raia1 s$uza e arra/e2 bebemos sem sde2 e/ a bocca repleta1 mas os olhos fam9tos2 o gozo que satisfaz a preciso aguilha o desejo4 ,quem h\v] de p>> a tempo na ladeira onde o av5tur>mo-nos p]mittido1 ha de t] mil vezes mais vigilancia1 cuidado e pod] sobre si1 d que lhe s]ia preciso p>a l no pr o p4 ,conc$] alguma coisa natureza contiar o fogo que quiz]amos ext+uir2 alim5t> o leo que desej>amos e/rangul>4 ,das delicias m5os c>naes1 t\cador1 conv]sao1 emprego de t]es e d tempo1 a9da mais desconhecido o limite1 maior a lib]dade1 e mais temivel a responsabilidade4 ,no me fallem de umas satisfaes m5tirosas que o t]ror empeonha qu&o se p5sa n'ellas1 e que o inf]no cora1 qu&o se no p5sa no inf]no4 ,por c]to que duro1 mas o mais prud5te regeital-z4 ,a ab/5o uma lei simples1 cl>a1 e breve3 ba/ante que haja coragem p>a a pratic> sobretudo nos votos conv5tuaes4 ,a freira1 com o &> d tempo1 afaz-se lucta2 curva-se ao jugo2 os s5tidos privados de excitaes amortecem1 at que1 por fim1 a coragem se torna to inutil quanto lhe foi em todo o tempo inutil o espirito de proc$]4 ,mas1 se a lucta intima se prolongasse1 a freira p>a evit> os desvios e z fugitivas rebeldias d corpo e da vontade1 c>ec]ia de t] at ao seu d]radeiro suspiro o inf]no diante dos olhos1 o cilicio na c9tura1 e o t]ror na alma4 ,assim 1 mas que importa8 ,comp>ado aos s(frim5tos de uma me1 o que o cilicio de uma virgem8 ,quem ous> comp>> essas duas exi/5cias8 ,comp>> receios pessoaes com receios g5]osos8 ,combates sem te/emunhas a combates exempl>es8 ,trabalhos infructif]os a fecundos suores8 ,e fall&o sisudam5te1 e na melhor f1 se uma d'essas duas pessoas devesse copi> a outra1 no de c]to a me que dev]ia s]vir de modelo8 ,a irm da c>idade no j de si me8 ,e a esposa de ,jos que tr\xe em seu seio1 e nutriu com seu leite o ,filho d ,homem1 e ao p da cruz lhe recebeu o ultimo al5to1 no foi ella1 em sua am>gura1 a me adoptiva de ,joo1 o amigo d',aquelle por quem *orava8 ,que jactancia essa ento d'um despr5dim5to de affectos e vontades8 ,p>a que qu]em ins9u> em nossos l>es taes inquietaes1 t]rores e escrupulos1 unicas occupaes d clau/ro8 ,e p>a que 1 em nome d ceo1 sobrec>reg> de jejuns e ab/95cias a jornaleira1 a camponeza1 a me1 que j vacillam sob o f>do d padec] e trabalh>8 ,v-se que !ologia e bom siso so coisas infelizm5te contradictorias4 ,v-se que s]ia preciso abolir o inf]no p>a que depois viesse a r5uncia das mac]aes1 t]rores e falso ideal que um cl>o ent5dim5to reprova4 ,mas porque no se apaga o inf]no8 ,ext9cto elle1 brilh>ia o purgatorio com luz mais viva e salut>4 ,o inf]no que faz odiosa a lib]dade1 rebaix&o-a e vilec5do-a2 o purgatorio volve-a e/imavel1 real&o-lhe bellezas1 dignidade e gr&eza1 sem lhe dissimul> os p]igos e z p5as4 ,quem cr no ca/igo et]no1 ent]ra o tal5to p>a que o ,s5hor lhe no toque4 ,quem melhor conhece o ,s5hor e sua ju/ia faz r5d] c9co tal5tos em casa d banqueiro1 arrisc&o-se a p]del-os4 ,o purgatorio actualm5te de que vos s]ve8 ,dizem que a pobre c>melita se abalana a l ard] milh>es de annos1 por causa de algum secreto e/remecim5to d seu corpo que ella tanto discipl9\2 por causa d captivo espirito que to enfreado trazia1 ou1 emfim1 conta d corao g5]oso1 cujas pulsaes tantas vezes abafra4 ,o purgatorio deve at]r> pr9cipalm5te a freira e os que vivem como ella2 ora os mundanos no tem razo de se affligirem1 antes devem consol>-se1 p5s&o n'aquelle log> de supplicio4 ,a ns1 filhos d seculo1 no nos racionalm5te p]mittido aspir> quella dolorosa felicidade1 que ca/igo dos sanctos e o seu primeiro gal>do ao mesmo tempo4 ,em vez1 porm1 de o desej>1 e desej> em vo1 como ns o tem]iamos1 se elle fosse a unica e/ancia em que se cumprisse a ju/ia de ,deus6 ,que mudana se f>ia em tudo d'e/e mundo6 ,a p]feio e a salvao no e/>ia na ociosidade em joelhos1 no t]ror em orao1 no fugir ao proximo1 no entreg>mo-nos a algumas privaes e dres corporaes1 arbitr>iam5te sub/ituidas s dres e sacrificios de uma vida proveitosa4 ,ento se ent5d]ia que ha d\s modos de abus> de nossas faculdades1 uma que e/ no desprezo d'ellas1 com receio de z us> inconv5i5tem5te2 outra que consi/e em nos s]virmos d'ellas indiscretam5te e ao avesso das int5es da ,provid5cia que nol-z deu4 ,a d\tr9a d ,evangelho no d\tr9a de ab/5o2 d\tr9a de aco3 causa porque o purgatorio lhe quadra melhor que o ,evangelho4 ,c>ecemos m5os de frades que de *ri/os4 ,se o inf]no refreia o mal1 tambem imp$e o bem4 ,a ameaa s]ia salut>2 mas ella faz mais que ameaar1 emp$ra como a cabea de ,m$uza quem a enc>a a fito4 ,t5de a supprir com uma especie de passibilidade e/upida a livre e intellig5te actividade da alma4 ,no d]ime o egoismo1 exalta-o a mais no pod]1 e tal exaltao devidam5te localisada no des]to1 n'uma gruta1 no clau/ro1 m$onha de vr-se no seio das familias4 #d ,elles comp>am z irms da c>idade quella mulh] de ,be?ania *amada ,m>?a1 a qual1 v5do entr> ,jesus em sua casa1 se deu pressa em lhe s]vir a ceia2 e comp>am a c>melita ,magdal5a que1 em vez de ajud> ,m>?a nas suas dilig5cias1 lavava e p]fumava os ps d div9o hosp$e1 enxug&o-os com os seus cabellos4 ,diz porm o ,evangelho que ,jesus e/ava meza qu&o ,magdal5a lhe abraou e ungiu de lagrimas os ps4 ,no ha palavra na relao dos apo/olos1 d'onde possamos colh] que melhor or> pelos fam9tos d que alim5tal-os4 ,o contr>io que l se diz2 e qu&o ,jesus nos faz assi/ir de antemo ao julgam5to d dia f9al1 exclama3 tive fome1 e vs me alim5ta/es2 tive frio1 e me ve/i/es4 ,a sc5a de ,be?ania1 e o l\vor dado a ,magdal5a1 no desluz o cl>o ens9o d ,evangelho4 ,e/e episodio prova sm5te que no ba/a alim5t> os pobres1 mas que tambem mi/] in/ruil-os como filhos de ,deus1 os melhores amigos de ,jesus1 e sua visivel imagem na t]ra3 o que rigorosam5te fazem z irms da c>idade1 e no fazem z contemplativas4 ,,iii ,discurso de uma mulh] de soci$ade que havia tocado a p]fectibilidade !ologica ,de que s]ve am>-se a g5te n'e/e mundo8 ,acaso nascemos uns p>a os outros8 ,somos ap5as companheiros de viagem que uma ev5tualidade ajunt\ por mom5tos1 mas que breve se ho de ap>t>1 e talvez p>a sempre4 ,pre/emo-nos de passagem alguns s]vios1 mas por amor de ,deus1 sem nos lig>mos reciprocam5te4 ,por que ha de a g5te am>-se8 ,vs que me ouvis1 sabeis quem s\8 ,e eu que vos fallo sei quem vs sois8 ,t5des um ar angelical1 meu irmo1 mas o int]ior de vossa alma no o vejo2 o semblante d homem enganador2 a sua l+ua atraioada1 z suas proprias virtudes so p]fidas4 ,n'e/e mundo tudo armadilha e m5tira4 ,que dem5cia o am>1 qu&o1 com c]teza1 n+uem pde fi>-se d'outrem6 ,que inju/ia qu]] um que o amem1 qu&o nem a si mesmo se conhece alguem1 e a cada hora se alt]a o g5io1 e n+uem pde fi> mais da durao de seus s5tim5tos que da durao de sua vida6 ,viajamos masc>ados1 s conhecidos de ,deus1 mas to occultos a ns mesmos quanto aos outros4 ,a que prop5demos8 ,mal o sabemos1 to fluctuante a nossa razo4 ,se melhor nos conhecessemos1 a maior p>te de ns se mutu>ia rancores2 em vez1 porm1 de se odi>em1 os hom5s se entre-buscam no seio das trevas1 attrahidos pelo my/]io que os innubla1 e que devra1 se elles fossem discretos1 afug5tal-os uns dos outros4 ,ah6 no nos amemos1 no nos amemos6 ,ai d'aquelle que d seus amores creatura6 ,ai dos que se amam sobre a t]ra6 sombra que abraa a sombra1 o nada que se une ao nada4 ,amavel s o bem3 o re/ante dete/avel4 ,meu pai1 honro-te e sirvo-te1 por que vai n'isso um dev] meu1 e porque podes s]1 sem que eu o saiba1 um santo2 am>-te1 porm1 no posso1 porque1 se n'e/e in/ante morresses1 n+uem me c]tific>ia de que ,deus te p]dora4 ,eu devo am> em ti1 sm5te o bem occulto que ahi pde e/>1 e o amo em ti como nas outras creaturas1 sem pr$ileco por alguma2 porque esse bem occulto no provm d'ellas2 e1 se em ti exi/e--o que eu no sei1 mas muito desejo--no proc$e de ti4 ,no te julgo1 meu pai4 ,se eu escutasse o sangue1 creio que te am>ia at culpado1 unicam5te porque s meu pai1 e eu me lembro de t] dormido em teus braos4 ,mas e/es mom5tos da natureza corrompida j eu v5ci4 ,nada me s4 ,tracto da m9ha salvao s]v9do-te e honorific&o-te2 mas am>-te s]ia p]d]-me1 por que am> o homem em si mesmo am> o peccado4 ,na outra vida no ha m>idos1 nem esposas1 nem paes1 nem filhos1 nem familia4 ,pais e filhos1 mes e filhas1 irmos e irms s]o sep>ados no dia d juizo1 desatados todos os v9culos4 ,no amemos n+uem1 n+uem6 ,j pde s] que o inf]no se e/eja escanc>&o p>a aquelle que am>mos1 e quem sabe se ns no cahiremos l tambem empurrados pelo nosso amor8 ,nada de s5tim5tos cegos2 nada de s5tim5tos corruptores4 ,a t]nura d homem um disf>ce de odio2 e mais val]a que elle nos odiasse francam5te4 ,no amemos n+uem6 n+uem6 ,pde s] que por ao p de ns &em condemnados1 cujos nomes ignoramos4 ,no amemos alguem1 que nos no v sahir algum reprobo4 ,s\ tua s]va1 meu esposo2 s]vir-te-hei1 ob$ec]-te-hei2 e p>a te agrad> o dev] me =ar a cumprir o que me p$ires d corao1 que no teu4 ,so do5tes os nossos filhos8 ,por que te assu/as8 ,so hosp$es que te =am confiados1 e que tu deves esp]> vr irem-se ao primeiro ac5o de quem t'os m&\4 ,eu que os tr\xe no seio e os criei1 vel-os-hei ir1 sem lagrimas4 ,quem sabe onde iro qu&o nos deix>em8 ,cumpria que lhes vissemos o fundo d'alma p>a os am>mos4 ,praza a ,deus que elles morram na sua div9a graa6 o meu mais ard5te voto2 e1 se mais alm eu fosse1 a m9ha t]nura s]ia fraqueza4 ,se elles vo ao co1 hei de eu *or>-lhe tamanha dita6 ,e se so condemnados4444 ,no amemos n+uem1 n+uem1 nem os nossos filhos sequ]6 ,familia temos s uma3 ,deus com os seus anjos1 e confessores e santos4 ,tudo mais no m]ece uma lagrima nem um sorriso4 ,roguemos1 por tanto1 uns pelos outros1 filhos d peccado1 mas nada de nos am>mos4 ,,iv ,discurso de um mundano1 aps ba/os e/udos c]ca da p]feio !ologica ,em cont9uo pavor d inf]no viv]am os santos3 oraes1 jejuns1 cilicios1 m$it> nas escripturas1 vigilias ao p da cruz1 b5os de pobres soccorridos por elles1 p]petua immolao1 indig5cia de cella1 n9hos de palha1 alim5to a po e agua1 nem com tudo i/o socegavam4 ,viviam como anjos1 e temiam4 ,tremiam gu]reiros1 padres1 d\tores1 pontifices--,mauricio fr5te da sua legio2 ,gregorio1 o ,gr&e1 sob a ti>a2 ,ago/9ho1 no pulpito2 ,j]onymo1 em suas e/udiosas viag5s2 ,antonio e ,pacomio no reconcavo das p5$ias4 ,noites alvoroadas de pavor passava ,!reza no clau/ro4 ,nem a innoc5cia da vida1 nem a adoravel ca/idade das almas1 nem a tunica immaculada1 nem z mos impollutas1 nem o ac]bo arrep5dim5to dos p5it5tes1 com o ro/o sulcado de lagrimas1 nada1 nada lhes aquietava o m$o da col]a div9a4 ,r$obravam cada dia au/]idades e sacrificios1 p]suadidos de que no m]eciam a mis]icordia que to precisa lhes era4 ,ah6 se a alma s assim se salva1 p]didos e/amos todos1 meus amigos6 ,bem ouo o !ologo que nos diz3 ,no assim2 a salvao ganha-se com m5ores trabalhos4 ,deus no exige que todos os seus filhos sejam egualm5te p]feitos4 ,mas ao !ologo respondo3 ,e/s p]dido como ns1 tu e tambem os teus me/res1 e os teus discipulos1 e/aes p]didos todos4 ,os exemplos que nos cumpre seguir so os dos santos1 no so os vossos4 ,mo/rae-nos na ,leg5da um s santo que subisse ao co pelo cam9ho commodo que descobri/es4 ,debalde hei buscado1 com fim de o imit>1 um homem meio santo e meio peccador1 s]v9do ,deus e o mundo1 tem5do1 como eu1 a mis]ia1 a dr1 z humilhaes1 condesc5d5te comsigo proprio1 almej&o viv] no corao de outra creatura1 *or&o sobre z illuses esmaecidas como ,p$ro sobre o seu peccado4 ,no encontrei tal homem4 ,o mais que vi foi milagres de /oicismo1 m>idos que deixavam z mulh]es1 mulh]es que deixavam os m>idos1 filhos que fugiam ao abrigo dos paes1 ricos que todos seus hav]es disp5diam1 bispos que fallavam v]dade aos reis da t]ra1 cu/a da vida at2 n+uem que se cont5tasse de cumprir no rigor da palavra os preceitos de ,deus e da ,egreja2 por toda a p>te almas ard5tes de zelo sup]-natural1 t5do ap5as de humanas os incanaveis escrupulos1 os inquietos t]rores2 ju/os sem socego1 p5it5tes sem rep\so1 virg5s lagrimosas e ana*oretas angu/iados4 ,vs1 porm1 que vos qu]eis salv> e salv>-nos com m5os cu/o2 vs1 que viveis regalados em quanto o ,*ri/o m5diga vossa porta2 vs que t5des riquezas ao sol e riquezas sombra1 qu&o na vossa p>o*ia tantas familias laboriosas c>ecem d mais urg5te2 vs1 que cubiaes a e/ola1 a mura ou mitra2 e a*aes nas ,escripturas l\vores p>a outrem1 alm de ,deus1 oh6 quanto diff]5tes sois d'aquelles h]oes *ri/os cujas imag5s campam nos nossos alt>es6 ,sois o que somos3 haveis mais pavor das praticas dos santos que d proprio inf]no2 espanta-vos e desesp]a-vos a p]feio d'elles2 a pes> vosso1 amaes o que elles aborreciam1 e aborreceis o que elles amavam2 z vossas virtudes so mesmam5te humanas1 taes quaes z nossas1 que no vem d alto1 que se enroscam nos nossos vicios e nos acorr5tam ao demonio4 ,ai6 que p]didos e/amos1 meus amigos6 ,que lucramos em fe*> os olhos8 ,e/amos todos condemnados6 ,que monta o desprezo proprio pregoado pelos labios1 se no intimo d corao t5des a propria e/ima sempre desvelada8 ,que aproveitam z mom5taneas conv]ses1 seguidas de qu$as mais desa/rosas8 ,que vos fazem c]tas privaes associadas a tanto regalos8 ,em v]dade vos digo que e/amos p]didos6 ,ora pois1 se assim 1 se o abysmo e/ ab]to e o cahir irrem$iavel1 c]remos os olhos e no cogitemos mais em tal4 ,entre o co inacessivel e o inf]no d'onde no ha mais sahir1 re/a-nos um mom5to s3 gozemol-o1 meus amigos4 ,que i/o de e/> a g5te a empeonh>1 com t]rores vos1 praz]es1 to r>os quo fugitivos8 ,no p5semos no que s]2 p5s> n'isso e desesp]> a mesma coisa3 desesp]> de entr> no co1 e desesp]> de sahir d inf]no4 ,saboreemos o pres5te4 ,vivamos t]r5am5te3 aqui ha creaturas rid5tes que nos alegram1 fragrancias que nos deliciam1 e licores que atrophiam a memoria4 ,quem ahi o s&eu que falla em inf]no8 ,no ha inf]no1 m9ha me6 ,conclue em paz os teus dias extremos4 ,no contri/es com vises pavorosas essas creanc9has que te escutam1 e que talvez falleam antes de ns4 ,ride1 meus filh9hos3 a vida vos s] breve e repleta de mis]ias1 qu&o cresc]des4 ,eu desejo1 s5hora1 que a m9ha casa seja manso de jubilos e no de t$ios3 qu]o s] amado pelo que s\ e no por c>idade2 qu]o s] ob$ecido amorosam5te e no com submisso de escrava2 alis1 busc>ei quem me ame1 e me corresponda4 ,engr9alda-te de rosas1 m9ha bella6 ,no ha inf]no1 e o p>aizo tem-l'o ahi mo4 ,en*e-me o copo1 e dorme placidam5te nos meus joelhos4 ,am>6 amemo'-nos1 at morte2 que da morte p>a alm comea o odio6 ,ah6 que biz>ra inv5o no foi e/a d inf]no6 ,um abysmo p>a onde naturalm5te nos incl9amos1 attrahidos1 impellidos por quanto ha1 cahidos em fim1 e depois1 o abysmo444 fe*ado p>a sempre6 ,oh6 primorosa p]spectiva p>a que faamos da t]ra uma e/ancia de delicias peccam9osas6 ,v ,o rebanho ,se no fosse preciso crr na et]nidade d inf]no1 e no pequ5o num]o dos escolhidos1 e na inevitavel condemnao da maior p>te dos hom5s1 eu odi>ia como vs os praz]es da vida2 o s]mo de ,jesus na montanha se me figur>ia mais bello e intelligivel2 eu ent5d]ia a felicidade das lagrimas1 z delicias da pobreza e a dura de todos os sacrificios4 ,qu&o1 porm1 se me diz que no ba/ante hav] *orado e s(frido muito n'e/e mundo p>a ganh> o p]do div9o2 qu&o se me diz que nada vale affront> a ira dos tyrannos1 def5d5do1 a v]dade que os f]e1 ou o direito que elles avexam2 qu&o me dizem que nada monta morr] no patibulo pela lib]dade da patria ou no campo da batalha pela sua indep5d5cia2 qu&o me dizem no importa nada envelhec] na mis]ia por hav] pref]ido a honra s honras1 o e/udo opul5cia1 o trabalho aos praz]es2 qu&o me dizem que tudo i/o fumo1 que e/as dores1 e/a coragem1 privaes1 h]oica vida1 h]oica morte1 no podem resgat> m9ha alma d'um peccado mortal1 e aos olhos de ,deus no valem o cilicio d'um frade1 ou a confisso de um salteador agonisante2 ah6 confesso que1 ao diz]em-me e/as c\sas em todos os pulpitos *ri/os1 no ent5do o s]mo da montanha1 e pelo contr>io comeo a compreh5d] os praz]es d'e/a vida4 ,vdes aquelles pescadores que em fragil b>qu9ha vo arro/> z ondas d oceano1 e vog>1 por dias1 semanas e mezes1 longe da praia1 m]c das tempe/ades p>a ganh>em1 cu/a de mil p]igos1 o po de seus filhos8 ,vdes aquelles telhadores na are/a d vigam5to8 aquelles m9eiros sepultados nas entranhas da t]ra1 longe dos raios b5eficos d sol8 ,vdes o lavrador curvado sobre o sulco8 o pallido tecelo diante das ma*9as devoradoras8 tanto op]>io sem nome av]gado ao pezo de um trabalho +rato e sem descano8 ,pois a maior p>te d'aquelles condemnada1 por modo que os seus s(frim5tos n'e/a vida so preludios dos que l os esp]am na outra4 ,aquella me que no pde ve/ir seus filhos1 e que relana olh>es invejosos ao palacio vis9ho1 onde os cavallos m$ram mais f>tos que os filh9hos d'ella2--aquelles m5digos que vagamundam nos campos2 os orphos que se recolhem aos hospitaes2 os soldados que m>*am p>a z fronteiras2 os proscriptos esquecidos no solo e/rangeiro1 condemnados1 quasi todos condemnados1 meu ,deus6 ,um repleto conego1 risonho e bo*e*udo1 sem familia nem cuidados1 repa/&o-se quatro vezes por dia1 mas sem esc&alis> n+uem1 baix&o a vi/a em pres5a das mulh]es1 pontual nos (ficios1 e/ mais vis9ho d co que todos aquelles desgraados2 e mais p]to a9da d co e/ um sancto ana*oreta4 ,*or>1 s(fr]1 trabalh> no nada4 ,se *oram1 no *oram z suas culpas1 a mis]ia dos filhos2 se trabalham no por p5it5cia1 mas sim p>a grange> commodidades4 ,lagrimas de ,babylonia1 diz ,s4 ,ago/9ho4 ,avidos suores1 vs angu/ias6 ,muitos seculos ha que d'e/'arte se lhes explica o s]mo da montanha1 e elles nem o compreh5dem nem jmais o ent5d]o4 bem de v] que no vivem maneira dos santos leg5d>ios1 nem dos conegos preb5dados4 ,os que sabem lr p\co lem1 falta de tempo4 ,muitos no vo egreja1 e os que l vo sahem como entr>am4 ,so pr(undam5te ignorantes4 ,a dura necessidade dobr\-lhes a cabea sobre o torro que regam com o seu suor2 e a natureza1 que lhes brada das entranhas da t]ra1 diz-lhes c\sas que elles p]cebem mais a preceito que os s]mes4 ,o e/ridor e o vapor das mat]ias da sua obragem cega-os e ensurdece-os4 ,no s5tem fome nem sde da palavra div9a1 qual lh'a ens9avam algum dia4 ,digam-lhes que um eremita vae melhor d que elles1 por que ab&on\ (ficio1 casa e p>5tes1 e todo se vag\ salvao da alma1 e que ha v9te ou tr9ta annos resa1 jejua e se discipl9a1 dizei-lhes i/o que elles vos desfe*>o uma g>galhada2 mas1 se ao mesmo tempo pass> um soldado de bigodes brancos1 ou algum recruta aleijado em ,africa ou ,italia1 ou algum repatriado d de/]ro1 em vesp]as de p>a l volt>1 se a occasio o exigir1 elles o saud>o respeitosam5te4 ,que app>ea um velho sem occupao1 uma viuva com filhos maltrapidos1 e elles se f9t>o p>a soccorrl-os4 ,contae-lhes casos de bemfaz] e lanos de gratido1 vl-os-heis commovidos4 ,z virtudes d'esses infelizes so1 p>a assim diz]1 selvaticas1 probidade orgulhosa1 amizades humanas1 mas apuradas at abnegao1 in/9ctos lucidos d que gr&e e =moso1 mas =moso e gr&e pela craveira das coisas d'e/e mundo4 ,de p> com i/o ha falhas1 e at crimes4 ,impaci5tam-se1 praguejam1 l>gam a r$ea aos desejos1 porque1 no seu modo de p5s>1 se no ganham1 tambem no p]dem4 ,vivem beira das *>ruas1 das crtes1 das =jas1 e nas abego>ias4 ,e/e viv] influe-lhes na l+uagem e nos co/umes4 ,no tm alma que se ale longo tempo e ao alto sem que z azas lhe falleam3 que pezam n'ella os cuidados t]re/res4 ,v5tilam problemas que no podem resolv]4 ,desconsolados d seu de/9o1 p]guntam porque ha ricos e pobres1 e porque1 no outro mundo1 s]o condemnados1 depois de tanto hav]em trabalhado e gemido n'e/e8 ,o inf]no no os apavora muito mais que a morte4 ,affiz]am-se desde a infancia vaga ida de que ho de s] condemnados1 segu9do a trilha commum da vida2 todavia1 apez> d proposito feito1 nem por isso um t]rivel pezo deixa de lhes aggrav> o f>do das dres quotidianas4 ,o s9o que dobra1 o sahim5to que passa1 o do5te que vae p>a o hospital1 o p$reiro que cae da p>$e1 o obreiro ap]tado entre o encaixe de uma roda e triturado nos d5tes d'ella1 os t]rapl5adores sott]rados nas saibreiras aluidas1 os m>9heiros comidos pelas vagas1 o typho que deva/a um bairro inteiro de op]>ios1 mulh]es sem m>idos1 paes sem filhos1 filhos sem mes1 tudo i/o por vezes lhes relembra o ,deus rancoroso que lhes prgam1 e z surprezas da morte1 e os p]igos de sua prec>ia exi/5cia1 e com z mis]ias que f9dam outras que pr9cipiam1 p>a nunca mais acab>em4 ,e/e povo assim como um rebanho que se leva ao matad\ro1 aguilhoado pelos pa/ores1 lac]ado pelos ces1 atorm5tado pelas moscas1 cado1 sangu5to1 sequioso1 abatido1 e/upido4 ,compadecei-vos1 pois1 d'esses que nunca vos d>o bons ermites4 ,no ha1 por v5tura1 um ideal mais aceitavel e ao mesmo tempo mais puro que lhe mo/reis8 ,no ha s5o esse a que aspira o ente sem familia1 sem ligaes e cuidados d'e/e mundo8 ,se1 ao m5os1 podesseis annunci>-lhes a ju/ia de ,deus sem os assombr>6 ,no so j de si que f>te my/]iosas e raladoras z dres d'e/a vida8 ,no s] de mais rematal-z com o t]ribilissimo my/]io d inf]no8 ,pois se t5des a c]teza que s]o condemnados no trem de vida que levam1 deixae-os respir>1 e beb]1 e rir e danar1 em quanto o animo e tempo lhes no faltam2 que a desesp]ao pod] leval-os a peores excessos4 pobre g5]o humano6 ,s] preciso que o ,*ri/o desa segunda vez d co p>a te in/ruir1 e que outra vez seja v9do e crucificado p>a salv>-te8 ,,capitulo ,,qu>to ,,outros ,,fructos ,,d ,,inf]no ,o mal que produz o inf]no4--,incr$ulidade1 desal5to1 desesp]ao ,esquadr9h&o o bem que proc$e d inf]no1 j divisamos o mal que produz4 ,bem negativo e limitadissimo2 mal positivo mas pr(undo1 ext5sissimo1 ap5as por em quanto entre-vimos4 ,faz-se mi/] exam9al-o mais pelo miudo4 ,no p]d]emos o tempo4 facto inconte/avel que a maior p>te dos hom5s se occupa m5os de co e inf]no que das precises1 int]esses1 praz]es e dres da t]ra4 ,a ,egreja o confessa admirada e lacrimosa4 ,por que se admira8 ,que rem$io s5o s] assim8 ,pois acaso pde toda a g5te retir>-se ao des]to8 ,pois todo o encanto da vida se apag\8 ,os direitos da natureza =am abolidos8 ,na soci$ade cuja moral se funda sobre o m$o das p5as et]nas1 todo movim5to p>alys>ia1 se in/9ctivam5te1 e por necessidade de viv]1 no viesse o esquecim5to d'esse trem5do futuro4 ,a esp]ana d ceo no ba/>ia a contrabalanar os effeitos de tal su/o1 morm5te qu&o nos affianam que a porta d ceo e/reita1 e que o inf]no tem milh>es de portas sempre ab]tas4 m$ida que e/a cr5a se incutir nas turbas1 assim ellas ho de lid> por esquecel-a1 abaf&o-a no seio1 sem qu]] sequ] m$it> n'isso4 ,quanto mais pura1 exig5te1 au/]a e angelica fr a vossa moral1 tanto mais impraticavel vol-a ho de consid]>2 e1 se a fundam5taes no inf]no1 fe*>-se-ho os ouvidos ao vosso apo/olado1 e n+uem qu]] sequ] aproxim>-se d'aquella p]feio immaculada1 que sm5te florece em e/ufas clau/raes1 que se desbota ao leve bafejo d homem1 e s e/ ao alcance de ociosos4 ,se no inf]no to sm5te fossem ca/igados c]tos crimes mon/ruosos e excepcionaes1 mas cl>am5te def9idos1 taes como o assass9io1 o ince/o1 o e/upro1 pod]-se-hia a9da exam9> a ju/ia de to exorbitante p5alidade3 ao m5os cada qual sabia qu&o lhe era applicada a p5a4 ,porm1 se vo s *ammas et]nas o avro1 o gloto1 o preguioso1 o prodigo1 o orgulhoso1 o invejoso1 o impaci5te1 o mal$ico1 o voluptuoso1 o incont95te1 o ambicioso1 o calumniador1 o usur>io1 o m5tiroso1 o hypocrita1 o lisongeiro1 o +rato1 o philosophante1 o rebelde1 etc41 etc41 etc41 congela-se o sangue nas veias2 n+uem ousa v5d]1 compr>1 empre/>1 trafic>1 fall>1 p5s>1 beb]1 com]1 respir>2 por quanto1 quem sabe onde comea a av>eza8 o orgulho8 e a lisonja1 rev]5dissimos s5hores1 onde comea a lisonja8 e a usura8 e os limites da temp]ana quem os abalis\8 ,occasies1 t5taes e p]igos em tudo6 ,a que/o no sab] se ahi ha crimes h$iondos e puniveis3 n+uem nega que os haja2--o que se tracta de sab] se racional e discreto1 e se os bons co/umes lucram1 que nos ameacem com et]nos ca/igos1 por peccados que mal podem def9ir-se4 ,quem ha ahi isempto de seu tanto ou qu de orgulho8 ,quem se presume ba/ante sobrio1 ba/ante com$ido nos praz]es licitos1 m5os egoi/a em suas legitimas affeies1 m5os des9t]essado em seus lavores e m]cantilismo1 ba/ante paci5te nos revezes e resignado nas desgraz8 ,quem se cr assaz ju/o1 c>itativo e p]feito8 ,ao p>ec] dos !ologos1 uma tal presumpo s]ia peccado capital1 at nos conv5tos1 at p>a os ana*oretas envelhecidos em ab/95cias e oraes4 ,n+uem sabe ao c]to o mom5to1 o ponto em que um acto licito descahe no illicito2 que dse de alim5to quadra sua saude1 e onde no rico pr9cipia o sup]fluo1 que o necess>io d pobre4 ,p>a que vem seis pratos meza8 ,se um ba/a1 p>a que so dois8 ,a regra onde e/8 ,cautela6 esse copo que *egaes aos beios risonhos1 em vez de vos apag> a sde1 vae abraz>-vos em sde et]na4 ,cautela6 ,!ologo n5hum pod] diz]-vos exactam5te o que vos cumpre d>1 o que vos cumpre no d>2 e o caso que1 se vos enganaes com tal inc]teza1 folga o diabo4 ,um padre da ,egreja1 um papa1 um santo1 ,gregorio o ,gr&e1 no disse que ,deus nos arguiria de peccados que antes de morr] no conhecemos8 ,e/as e outras mais t]riveis c\sas podeis lr no ,quotidiano d ,*ri/o1 livro approvado e recomm5dado por todos os bispos1 e que &a em mos de creanc9has4 ,portanto1 v]dadeiras ha s duas c\sas3 a condemnao1 se nos enganamos1 e a ab/5o p>a nos no engan>mos4 ,mas a ab/5o no viv]4 ,viv] a actividade inteira1 incessante1 e arriscada a pecc>4 lei d g5]o humano viv] e p]petu>-se4 ,no nega1 mas esquece os dogmas oppressores que lhe pesam na alma1 e a cada passo lhe apontam ab]to um alapo d inf]no4 ,vivem os hom5s n'uma especie de indiff]5a religiosa que os avilta1 movidos unicam5te por suas paixes1 e ap5as enfreados pela ju/ia temporal4 ,fra com isso d futuro6 fra com remorsos6 ,fe*emos olhos a todos os cl>es1 e os ouvidos a todos os rumores d outro mundo1 e conc5tremos n'e/e a nossa inteira vida1 todos os desejos e p5sam5tos4 effeito imprevi/o1 porm real1 d'e/a m$onha cr5a induzir ao mat]ialismo1 no !orico1 mas pratico1 a maior p>te dos que no leva ao ascetismo3 attasca na lama os que no transvia nas nuv5s2 faz que se rojem durante o dia breve da exi/5cia1 gr&es e pequ5os4 ,os philosophos accusados d'e/e mis]avel e/ado das almas1 e/o innoc5tissimos3 no ha em tudo isso faisca de philosophia2 racioc9io coisa que ahi no vislumbra4 ,o in/9cto que desde tempos esquecidos1 e no de ha p\co1 nos prop5deu quelle cego mat]ialismo3 a necessidade de arro/>mos com uma cr5a mortif]a2 a vida que resalta d'entre z mos desvairadas que int5tam comprimil-a1 e d'e/e desbord> de toda a frma surdem os excessos4 ,j no lhes aba/a esquec]em o inf]no4 ,quem o esquece so os fracos2 os =tes vo mais alm3 esc>necem-no4 ,&a j por ahi o diabo cantado1 e d mesmo feitio o inf]no1 e o co com os seus moradores4 ,e de taes ces v5dem-se tantos exempl>es como dos ,canticos de ,s4 ,sulpicio3 antiquissima impi$ade1 de que ha ve/igios1 no s na ,grecia pag1 mas tambem nas fabulas da edade mdia1 e at nas p>$es das vetu/as ca!draes onde os arti/as zombeteiros esculpiram1 ha mais de seisc5tos annos1 o ,inf]no de ,brang]4 ,a ironia masc>ava-se ento com tregeitos beatificos2 o impudor1 porm1 no se disf>ava nem se con/rangia4 ,os lamuriantes da edade mdia talvez digam que1 apez> das galh(as audazm5te esculpidas nos portaes e cros das egrejas1 esses antigos imag9>ios criam no inf]no1 e que1 no leito da morte1 no foliavam1 tremiam2 que os fabuli/as tambem tremiam1 e que os ca/ellos e ca/ells1 plebe e burguezia1 quantos se haviam regalado com z taes c>icaturas1 tremiam tambem4 ,sim1 meu ,deus1 v]dade4 ,mas circumvagae a vi/a1 e dizei-nos se1 a tal respeito1 a soci$ade mud\4 ,a mesma educao religiosa no produz cont9uam5te id5ticos ph5om5os8 ,acr$itam no inf]no os epicuri/as1 os trampol9eiros1 os usur>ios1 os prodigos e os ladres1 os fam9tos e os repletos1 os invejosos e os +ratos1 os indiff]5tes e os *asqueadores8 ,no intimo da alma gu>dam elles z sup]/ies das amas3 que f>te o d5otam na vida1 e pr9cipalm5te na morte4 ,em quanto so moos1 ageis1 febris de saude e esp]ana1 repulsam uma cr5a que lhes torn>ia maldita a mocidade1 a saude1 a =a1 a razo de todas z dadivas d co4 ,qu&o caducam1 inf]mam e agonisam1 espantam-se de hav] ardido em desejos que j no tem1 e hav] motejado praticas que se lhes agora figuram facilimas4 *egada ento a hora e situao conv5i5te p>a int5d] a moral d inf]no1 que a privao em tudo e por tudo1--a morte na vida4 ,s+ul> cr5a que no infra o maior num]o de hom5s1 qu&o o freio lhes mais preciso2 e qu&o o retl-os j inutil1 e mais necess>ia lhes s]ia a esp]ana1 ento1 entrada da sepultura1 lhes sahe espantadora6 ,levado por ella vae o ana*oreta ao suicidio1 e o mundano ao embrutecim5to4 ,e/]il em v]dadeiros dons1 f]til em v]dadeiros males1 a cr5a no inf]no be/ialisa1 desal5ta1 desesp]a1 endurece4 ,melhor esquecel-o maneira das turbas1 que p5s> demasiado n'ella1 que tanto monta s5tir v]tig5s1 s5tir e/ontecida a cabea roda d'esse abysmo que vos attrahe e sorve4 ,mais algum praz] ou m5os1 def5dido ou no1 que faz8 ,l no inf]no no e/>emos melhor nem peorm5te2 a et]nidade no t] hora m5os ou hora mais4 ,con/rang]mo-nos p>a qu8 ,no ha t]mo m$io entre o bem e o mal absolutos4 ,tudo que humano mau3 =oso s] anjo ou demonio3 seja-se diabo1 que mais comez9ho4 ,vde-me uns frades1 padres1 devotos1 freiras1 que a desanimao avassal\3 no ha peores peccadores2 rolam cada vez mais ao fundo1 e vo-se consol&o com z delicias que topam na sua qu$a4 ,um peccado de m5os1 que na conta que ho de d>8 ,*egados a tal extremidade1 qualqu] boa aco lhes s] v4 ,como no podessem ab/]-se de tudo1 os desgraados j agora no se ab/em de nada4 ,e/a desesp]ada cr5a precipita-os abaixo d homem4 ,d'ahi tem surdido mais lib]t9os que ermites1 mais blasphemos que santos1 mais l\cos que ajuizados2 e1 em v]dade1 mi/] que o *ri/ianismo entranhe vivacissimos embries1 espl5dorosissimas luzes1 e pod]osissimas v]dades p>a resi/ir1 como ha resi/ido1 influ5cia de taes d\tr9as4 ,tirae-nos1 por favor1 esse inf]no to fatal aos que o recordam como aos que o esquecem4 v]dade que t]emos m5os monges com o purgatorio2 mas t]emos mais *ri/os4 ,no purgatorio s] util p5s>1 compreh5d]-lhe a ju/ia1 e s5tir-se o homem melhor1 a9da a pes> seu2 se facil sacudir o jugo de uma revelao sobr5atural e in9telligivel1 por mais b5efic5te que s] possa1 no facil despr5d]mo-nos de idz excell5tes e razoaveis1 por mais importunas que nos sejam4 ,,capitulo ,,qu9to ,,os ,,c9co ,,grupos ,diviso da soci$ade em c9co grupos ,exam9emos z coisas mais beira4 ,a soci$ade no toda =mada de uma pea4 ,divide-se naturalm5te em diff]5tes grupos no discutir de seus int]esses em e/e e no outro mundo4 ,religiosa e moralm5te obs]vada1 podmos dividil-a em c9co grupos4 #a4 ,o grupo dos philosophos1 ou livres-p5santes como hoje se *amam--sugeitos que sy/ematicam5te regeitam a revelao1 e por consequ5cia o inf]no sem fim2 todavia1 des9t]esseiros1 e/udiosos1 graves e tractaveis com honra e confiana4 #b4 ,longe d'e/es a inf9ita di/ancia1 e sem sombra de liga com os philosophos1 e/ o grupo dos biltres pr(essos1 individuos relaxados1 b&idos convictos1 corruptos1 desesp]ados4 #c4 ,entre aquelle grupo de espiritos selectos e o das almas depravadas1 mas entre si equidi/antes1 e/ o grupo imm5so e indecomponivel dos indiff]5tes1 dos tibios1 dos duvidosos1 dos espiritos futeis1 dos espiritos in]tes1 dos espiritos acanhados1 dos fura-vidas1 dos pa*orr5tos--turba sem pi$ade nem philosophia1 sem prtica de ca/a alguma1 viv5do de seu trabalho1 das suas r5das ou (ficios1 mais ou m5os descanados--gu>das nacionaes1 jurados1 eleitores1 conselheiros de di/ricto1 e o mais4 ,e/es so uns *ri/os que s vo egreja qu&o ha ent]ro1 casam5to ou baptisado1 ou a9da em dias de ,te ,deum1 qu&o a posio (ficial os obriga4 #d4 ,ao lado e um tanto sup]ior a e/e1 e/ o grupo m5os num]oso dos devotos2 no dos hypocritas1 que se ha de classific> no dos patifes1 mas dos es=ados em pratic> e que praticam1 assim1 mas com des9t]esse1 os m&am5tos de ,deus e da egreja4 ,e/es vo missa nos dom+os1 confessam-se s vezes1 e do d seu gremio z irm&ades e z confr>ias4 #e4 ,f9alm5te1 o admiravel grupo dos ju/os1 dos p]feitos *ri/os1 dos santos1 dos cont9uadores e v]dadeiros imitadores da vida de ,jesus4 ,vejamos se o dogma das p5as et]nas aproveita s pessoas que =mam aquelles diff]5tes grupos4 ,i ,o grupo dos philosophos ,os philosophos crem em ,deus1 crem na lib]dade e immortalidade da alma1 na ju/ia1 em todas z noes moraes d]ivativas d'aquellas primaciaes v]dades4 ,em revelaes sobrehumanas que no acr$itam4 ,ora1 ameaz de inf]no conv]t]o tal g5te8 ,de quantos my/]ios regeitam1 o inf]no o mais incrivel2 e tanto que irrita a propria f1 que1 s abdic&o o uso da razo1 se submette4 ,dos philosophos no ha que esp]> similhante sacrificio4 ,se o dogma d purgatorio vos aproxima d'elles1 o inf]no1 b>reira que vos sep>a de tudo que racioc9a1 alonga-os de vs4 ,,ii ,o grupo dos corruptos ,que lucram z pessoas de bem que esses patifes creiam no inf]no8 ,e/ com isso a soci$ade mais segura8 ,e tal cr5a de que lhes s]ve a elles8 ,o que os incommoda no o diabo1 a policia2 inquieta-os mais o degr$o que o inf]no4 ,v l6--dizem elles--v5ha o inf]no que no nos ha de falt> boa cam>adagem6 ,quantas pessoas top>emos l d'umas que n'e/e mundo se empavonavam todas1 e no qu]iam ross>-se por ns6 ,havemos de vl-os l1 mais apoqu5tados e ca/igados d que ns1 esses patetas condemnados por p5sam5tos e palavras1 por coisa n5huma4 ,quanto pessoa d'elles1 tanto monta como a nossa1 pois que ho de s] to condemnados como ns4 ,no ha dois inf]nos1 p>ceiros2 ha um4 ,l nos esb>r>emos com capitali/as1 com fidalgos1 com duquezas1 com comicas4 ,&>emos ilh>ga dos juizes1 dos quadrilheiros1 dos escrives1 dos jurados e melhor a9da--viva a patuscada6--com deputados1 com cam>i/as reaes1 com bispos1 com abbadessas1 com pr9cipes e pr9cezas1 reis e ra9has4 ,v5ha o inf]no6 t5tador l ir com tal sucia4 ,tal o racioc9io dos desalmados e a influ5cia que tem sobre elles aquella extravagante ju/ia1 que n5huma proporo gradua entre delictos e crimes1 condemn&o p>a sempre quem pecc\ uma hora1 e o scel]ado de toda a vida4 ,,iii ,o grupo dos indiff]5tes1 etc4 ,e/as pessoas cuidam em s] felizes com o auxilio da hone/idade2 pelo qu1 se ab/em d mal que o codigo def9e4 ,pelo que respeita aos sete peccados mortaes1 no se preoccupam d'isso4 ,diz] que todos sejam invejosos1 av>5tos1 luxuriosos1 e o mais1 s]ia m5tir4 ,n'esse innum]avel grupo abundam negociantes honrados1 m59as ca/as1 esposas fieis1 pobres sem inveja1 ignorantes mode/os1 ricos bemfazejos1 e muitas abelhas p>a cada zango2 mas p]feito ahi no ha n+uem2 n+uem ahi vive em graa2 o melhor d ran*o aquelle a quem ,deus1 no dia d juizo1 s accus> de t] violado sem escrupulo todos os m&am5tos da ,egreja4 ,mas1 com esse s peccado na consci5cia1 o melhor d ran*o s] condemnado4 ,se o r\bo e o homicidio so r>os n'essa assembla1 no proc$e isso d m$o d inf]no4 ,ahi ba/ante motivo p>a condemnao uma folha de papel escripta1 um sim ap5as balbuciado e ouvido1 um lance d'olhos1 uma flor mur*a1 e essa1 onde entra amor--amor no peccado1 meu ,deus6-- de todas z condemnaes a que mais pi$ade desp]ta4 ,porm1 n'esse imm5so circulo1 onde tudo pecca1 cada qual se condemna sua vontade3 um por fa/io2 outro por vaidade1 e/e por curioso1 aquelle por pusillanime2 condemna-se um por um casal1 outro por uma v5]a1 por um acepipe1 por um prato de l5tilhas1 por um p5a*o1 por uma fit9ha1 por um trapo1 por tr9ta contos1 por tr9ta reis4 ,condemna-se e/e a trabalh>1 aquelle a passe>1 um a com]1 outro a jeju>1 a l]1 a dans>1 a pale/r>1 a m$it>1 a ve/ir1 a despir1 desde a aurora at ao escurec]1 desde a noite at ao dia1 todos se condemnam a bel-praz]4 ,di/+uem-se l os peccados que ,deus pune indi/9ctam5te4 ,p]mittem-se os que ,deus ca/iga at com et]nas p5as1 qu&o elle s quem pune2 recua-se1 porm1 dos que ,deus ca/iga e a soci$ade tambem4 ,no se diga pois que o inf]no atalha os crimes dos indiff]5tes4 ,tambem ahi manife/am5te e/]il similhante cr5a4 ,o que se teme o vigia1 a patrulha1 o commiss>io da policia1 essas p]sonificaes vulg>es1 mas t]riveis da op9io e da lei4 ,temem-se z algemas1 o c>c]eiro1 a masmorra1 e a9da mais mi/ura com os scel]ados4 ,por muito dura e inevitavel que se figure1 a p5a mat]ial no os cont] sempre qu&o a paixo os espora4 ,d mesmo modo que affrontam o inf]no1 affront>iam a cada e at a =ca1 se a =ca e/ivesse s escuras2 porm a v]gonha1 o e/rondo da qu$a1 p>a o maior num]o a p5a intol]avel4 ,s]iam capazes de desafi> c>rascos e diabos2 e no ous>iam enc>> o desprezo d amigo1 d vis9ho1 d e/ranho1 d transeunte1 d m5digo2 no lhes faz gr&e mossa a ignom9ia diante de sua me ou de seus filhos1 e tremem de se vr b>alhados com creaturas devassas que so mos sem repugnancia1 e m$ram no mal como em seu nativo elem5to4 ,ha d'elles1 porm1 que se =ram ao mal1 contidos por s5tim5to a9da mais nobre que o m$o da op9io4 ,esquivam-se1 no d peccado mortal1 mas d maleficio que a soci$ade civil pune ou reprova3 afa/a-os d'isso com asco um natural s5tim5to1 sem es=o4 ,educao e habitos =talec]am esses bons in/9ctos4 ,no so p]feitos1 mas so probos1 s9c]os1 g5]osos1 capazes de gr&es sacrificios occasionalm5te4 ,com c]tos dev]es nunca especulam4 ,d5otam que a si se respeitam1 que a propria e/ima se lhes faz precisa1 a9da mais que a da soci$ade1 facil de transvi>-se4 ,e bem que no sejam philosophos nem devotos1 s5tem vivam5te a dignidade de seu s]4 c]to que e/e s5tir lhes s]ia mais delicado e firme1 se abrangessem z p]spectivas da vida futura1 em vez de conc5tr>-se c2 mas =oso aceit> os indiff]5tes quaes so2 e tanto entre os peores como entre os melhores1 a vida futura no movel nem empo3 uma coisa esquecida4 ,,iv ,o grupo dos devotos ,s] m$o d inf]no que imp$e os devotos de mat>1 de r\b>1 de se retoiarem1 como jav>dos1 no lamaal dos s5tidos8 ,cr]-se-ha que elles de p] si sejam ins5siveis honra1 ao opprobio1 e aos mais freios moraes e nobres e/imulos que regulam a ordem e &am5to das soci$ades temporaes8 ,ririam elles das gals e at da =ca8 ,s]iam elles1 em v]dade1 infames da ultima ral1 se no receassem a condemnao8 ,se ha ahi tal raa de *ri/os1 confesso que eu no confi>ia d'elles nada1 nem a m9ha bolsa1 nem m9ha mulh]1 nem o meu segr$o1 nem eu mesmo adormec]ia socegado entre elles4 ,d'um scel]ado a um devoto d'e/a laia a di/ancia to curta que os meus pobres olhos no na enx]gam4 ,dizem que ha uns pessimos soldados que1 vi/a d inimigo1 olham p>a traz e s m>*am p>a a fr5te com a bayoneta nos r9s4 ,e1 se os no vigiaes1 eil-os que des]tam2 e1 at qu&o se batem1 alb]gam a p]fidia no corao4 ,pois bem3 aquelles devotos so peores que os soldados tr$os1 por que de/emem os hom5s e os juizos humanos1 e os supplicios que os hom5s inv5t>am4 ,o que elles sm5te receiam o fogo et]no1 uma p5a qual se foge m$iante a confisso4 ,ageitado o ensejo1 r\bam-vos1 atraioam-vos1 matam-vos1 com a c]teza de s]em absolvidos occultam5te1 por uma ma culp4 ,desgraadam5te c]to que a cr5a no inf]no ha g]ado mon/ros assim2 a europa b>b>a tem milh>es d'elles2 ha ba/antes p>a l dos montes1 e bem pde s] que mesmo c2 s5o vejam aquelle devoto padre1 cuja hi/oria z gazetas cont>am ha p\co3 era um padre que matava todos os seus filhos no b]o p>a se =r> ao incommodo de os cre>2 mas provavel que os baptisasse1 com o receio de que se p]dessem4 ,eu de mim no qu]o *am> *ri/os1 nem sequ] hom5s1 a taes f]as4 ,deus nos livre de encontr> similhantes *ri/os em uma s]ra por noite de lu>4 ,a hone/idade d'e/es meus devotos cu/a-lhes p\co2 so creatur9has que podem v] a felicidade dos outros sem s5tirem cocegas de lh'a empalm>2 no r\bam nem matam por que a =ca os emb>aa1 e a op9io dos hom5s a9da mais2 pessoas1 em fim1 que tem mais md ao crime que aos ca/igos correspond5tes4 ,taes so os meus devotos4 ,devotos d5om9o eu todos os leigos que no duvidam1 nem so indiff]5tes1 nem se esquecem de ir missa1 nem deixam de confess>-se ao m5os uma vez cada anno4 v]dade que eu no os incampo a n+uem como ang9hos j cos9hados p>a a canonisao4 ,se elles no &assem por igrejas com tanta regul>idade1 no sei bem como e/remal-os1 quanto ao seu proc$]1 d b&o dos indiff]5tes4 ,no so elles os d]radeiros a in=m>-se d'onde sopra o v5to1 onde aquece o sol1 e onde e/ o idolo d dia p>a o saud>em1 nem tambem so os ultimos a ap$rej> o idolo da vesp]a4 ,quantas villanias sobre-d\radas e quantas villanias bem nuas e pat5tes lhes no attrahem z b>retadas1 e os cumprim5teiros sorrisos6 ,como elles se curvam deante d que desprezam6 ,que impio acatam5to pre/am =a1 e at1 com m$o de se engan>em1 s app>5cias da =a6 ,que vulg>es mex]icos1 que vulg>es ambiez9has1 que exempl>issimas +ratides6 ,no os accuseis de hypocritas1 que elles so s9c]os1 no fazem momices1 vo s procisses com a melhor boa f1 assi/em s fe/as d ,mez de ,m>ia1 tem ros>io1 agnus-,dei1 e p5duram no pescoo m$alh9has de c9co reis c>regadas de indulg5cias4 ,e1 assim mesmo apez> da sua boa f em m$alhas1 bonito vl-os1 em sua casa1 evit> o esc&alo com melhor exito1 e mais vigilancia que o peccado4 ,e nem assim o evitam4 ,se sois curiosos1 apanhai-m'os no ultimo degro da escada1 ahi por p]to d alt>3 v]eis o conego s ms com o deo2 o s9eiro bate na mulh]2 o sacri/o tem m l+ua2 um juiz de irm&ade casa a filha viol5tada com um velho1 e d cabo d'ella2 outro1 sobre-meza1 faz-se truo de *alaz de ebrio2 e de natureza tal1 que a mulh] por c]tas razes no admitte em casa creadas que no t5ham edade e figura ba/ante canonicas1 capazes de edific>em um mo/eiro de b]n>dos2 l e/ um que rico1 mas economico1 e d'isso e/o os pobres tri/em5te conv5cidos4 ,ora1 a esses peccados habituaes ajuntem1 se quiz]em1 os peccados de occasio1 e digam-me como se di/+uem1 por suas obras1 o commum dos indiff]5tes d commum dos devotos4 ,qu]eis subir ao primeiro degro da escada8 ,luiz ,,xi era devoto2 ,diana de ,poiti]s era devota2 ,brantme devoto era2 tambem era devota aquella reg5te de ,frana que empregava z suas damas a s$uzir1 qu]o diz]1 a conv]t] os jov5s hugu5ots e os velhos tambem4 ,todo o seculo ,,xvii foi devoto1 inclu9do os cavalleiros f>olas1 os b&idos1 os abbades galans e os abbades demoniacos1 os avros e os glotes1 os orgulhosos e os abjectos1 z m>quezas adult]as e os duques m$ianeiros1 os magi/rados v5aes e z pr9cezas av5tureiras4 ,todos esses t9ham bancada na egreja1 iam aos s]mes e discutiam ard5tes sobre a mat]ia da graa4 ,os amantes arrufavam-se na qu>esma e faziam z pazes depois de ,pascoa4 ,madame de ,montespan1 na crte1 cuidava em salv>-se1 e n+uem quizesse obrigal-a a com]1 sexta feira1 uma aza de borra*o2 o que ella ento comia era salmo1 lago/9s1 esp]regado e pa/el9hos de leite4 ,madame de ,svign1 uma das mais hone/as e amaveis s5horas d'aquelle tempo1 tambem devota1 lia os ,contos de ,la ,fonta9e1 e ficava-se a rir com elles e mais a filha4 ,o inf]no era como se nada fosse n'essas coisas4 ,quem desgraadam5te p5sava muito n'elle1 ent]rava-se no clau/ro1 como ,mr4 de ,ranc e ,m4elle de ,la ,vallire2 mas1 pelo ord9>io1 havia p\co quem se debruasse a espreit> o tal abysmo2 e quem se desse a esses exames sahia imp]t95te1 misan?ropo e jans5i/a4 ,fallava-se d inf]no2 mas sem reflectir gr&e coisa2 enc>avam-no pela casca4 ,o gr&e caso era rir1 cortej> o rei1 agrad> a todos1 inclusiv a ,deus1 d&o-lhe a vr com inf9ita habilidade1 espectaculos de devoo1 de jogo1 de ambio e444 d mais4 ,o tempo e z revolues que tantas mudanz tem feito1 no mud>am o corao humano4 ,os devotos no so tantos como d'antes1 mas so da mesma e/fa1 e tanto montam e/es como os outros1 vi/os a vulto4 ,relaxao extrema em fidalgos e populaa2 sde ard5tissima de enriquec]2 sordidissimos orgulhos2 amores desat9ados2 paixes eriadas de remord5tes espiritos e bl&iciadas de praz]es6 ,deus me def5da de calumni> peccadores a *eir>em ao inc5so das igrejas6 ,b\rdal\e1 que os conhecia1 e os demais prgadores assim antigos que mod]nos1 diss]am d'elles mais mal d que eu4 ,o que sei que o m$o no faz bons aquelles que o bem1 s de p] si1 no convida4 ,o pejo d peccado pod] re/aur> os cahidos2 mas o m$o1 depois d peccado1 de todo o ponto inutil4 ,no esqueamos1 porm1 que ha devotos quasi irrepreh5siveis1 os quaes1 sem s]em h]oes nem se de/9>em a tanto1 cumprem1 sem desfallec]1 a mode/a misso que lhes quadra sobre a t]ra4 ,so bemfazejos em pequ5a escala2 re/r+em-se a p\co mais de sua casa2 quanto muito1 *egam at vis9hana2 e1 se por vezes1 a mo c>idosa ultrapassa e/es limites proveitosam5te1 de novo se retrahe ao seu limite1 onde e/ a maior =mosura e gr&eza de sua misso4 ,e/es devotos no se di/+uem dos outros por gr&e assuidade nos templos2 o que os diff]5ca o s]em esmol]es2 e mais visivelm5te se e/remam por se ab/]em d mal4 ,no so rixosos nem maldiz5tes3 tem a9da mais c>idade na l+ua d que nas mos1 por que ella os s]ve com inexhauriveis riquezas4 ,d'aquelles peccados mortaes que a soci$ade *ama fraquezas1 e em que di>iam5te z pessoas pi$osas resvalam sem morr]em d'isso1 fogem elles como d'um gr&e delicto4 ,amam a v]dade1 a ordem1 a cont95cia1 o pudor1 a sobri$ade1 como vs amais a ju/ia4 ,e1 comquanto no descream d et]no fogo1 a luz que os guia no espl5de d inf]no1 vem de cima2 no ceo que elles a buscam em seu p]egr9>2 e assim vo al5tados pela esp]ana e no pelo m$o4 ,v ,o grupo dos santos ,*egados somos aos bemfeitores dos hom5s1 v]dadeiros imitadores de ,jesus1 entes mortaes mais proximos da p]feio1 z irms da c>idade1 os padres virtuosos1 quantos se consagram a s]vir pobres1 inf]mos1 ignorantes2 quantos sacrificam1 no e/]ilm5te1 mas s nossas precises1 seus t]es1 belleza1 juv5tude1 affeies dome/icas1 vigor1 saude1 esp]anz e quantas v5turas t]r5as ahi ha4 ,bem sei que todos esses crem no inf]no2 mas no so regidos por tal cr5a2 nada tem que vr o seu proc$] com ella2 temem-se de (f5d] ,deus1 no por que ,deus v+ativo1 mas antes por que ,deus p]da2 e e/a cr5a v]dadeiram5te salut> uma das mais affectivas maneiras de am>4 ,se o temor leva ao des]to1 o amor conduz aos hom5s2 se o temor se fe*a *ave p>a d5tro de grades1 o amor qu] sempre ab]tas z portas4 ,quem envia ao m>tyrio os mission>ios o amor2 quem d me a orphos1 filhas aos ancios1 irms aos soldados f]idos1 me/res aos aldeos1 amigos aos p5it5tes1 tutores aos innoc5tes1 guias aos transviados1 o amor4 ,todo bem feito n'e/e mundo o amor que o faz2 e e/e amor1 que transborda da alma dos santos1 em si mesmo haure sua fecundidade e bemfazeja en]gia4 ,p]mittam-me uma hypo!se4 ,d-se que um ,concilio ecum5ico se ajunta manh1 e decl>a1 depois de hav] invocado o ,espirito ,santo1 que o inf]no no p]petuo1 e que a palavra et]nidade1 applicada ao ca/igo dos peccadores1 significa to sm5te p5a de inf9ita durao4 ,que ha de seguir-se a similhante proclamao8 ,imag9am que a irm da c>idade se retira logo d grabato d inf]mo1 e se engolpha nas suas delicias mundanaes8 ,p5sam que o b5$ict9o1 sacud9do o p dos livros1 se precipita na ,bolsa8 ,que o jov5 laz>i/a1 repatri&o-se de regies remotas1 v5d]ia o cajado e o brevi>io p>a ir ao !atro8 ,imag9am de boa f que z irms da c>idade se acab>iam p>a logo8 ,se p5sam i/o1 que ida =mam dessas bonissimas almas que os anjos e os hom5s admiram8 ,consoante ao vosso modo de z julg>1 a irm da c>idade diria3 ,ah6 ,deus no implacavel8 ,ento fui l\ca em amal-o4 ,deus no condemna irremissivelm5te os peccadores8 ,l\ca fui em s]vil-o4 ,pois que6 n'aquella bemav5turada et]nidade1 que eu tanto anhelava1 no hei de ouvir os gritos da raiva e o e/ridor dos d5tes dos condemnados8 ,que d'ento dos encantos d p>aiso8 ,m59os1 procurem quem os eduque2 ancios1 procurem quem os alim5te4 ,orphos9hos desamp>ados1 vs p5saveis que ns eramos vossas mes e irms2 cuidaveis que vos amavamos por causa de vosso in=tunio1 e por vos t]mos em conta de membros s(fr$ores de ,jesus ,*ri/o1 nosso modlo e nosso ,deus4 ,des5ganai-vos6 des5ganai-vos6 ,no era por amor que vos amp>avamos1 era por m$o que vos s]viamos como lividas escravas1 cov>dem5te flexiveis a todos os capri*os de um s5hor imp]ioso4 ,mas agora1 vi/o diz]em-nos que o inf]no acaba1 buscai quem vos ame e sirva4 ,cada qual por si4 ,acab\-se o m$o2 nada de mais sacrificios4 ,abaixo1 tunicas de burel2 abaixo1 veos que nos escondieis volupias da t]ra1 mas no z dres1 abaixo6 ,a pureza no enlevo que nos cont5ha2 gemidos de pobres no nos engodam2 qu]emos t] vez na taa d peccado2 bebamos1 que a vida curta e o inf]no ha de acab>4 ,no ha conjunctura em que eu ousasse attribuir similhante l+uagem s irms da c>idade4 ,nunca6 a9da qu&o1 em um nefa/o dia1 fosse abolido o dogma salut> da ju/ia div9a2 a9da qu&o pregoassem que tudo acaba no cemit]io1 e que a sanco da moral e/ nos gosos e dres de/e mundo1 z irms da c>idade no fall>iam assim4 ,se um concilio sahisse com aquellas decises1 regulal-o-hiam ellas4 ,como que o dogma d purgatorio1 com seus flagellos de durao ignorada1 sempre consoantes natureza e circum/ancias d peccado1 s luzes e co/umes d peccador1--como que e/e dogma to racional1 c]to1 my/]ioso e t]rivel1 pod]ia enfraquec] a virtude1 e a virtude pr9cipalm5te d'aquellas almas livres1 viris e mode/as1 nas quaes o amor tem mais dom9io que o m$o8 ,crde-me que isso um demasiado avilt> a lama humana1 que mo/raes no conhec]2 crde-me4 ,se a ,igreja manh proclamasse a temporalidade das p5as1 n5huma irm da c>idade deslis>ia da sua fileira1 nem um v]dadeiro sac]dote ab&on>ia a sua grei1 nem algum mission>io a*>ia o ,evangelho desataviado de excell5cias que ens9> aos selvag5s1 nem a cruz radi>ia m5os1 nem a palma dos m>tyres s]ia m5os de invej>4 ,vr-se-hia1 ao invez e in/antaneam5te1 en*]em-se todas z igrejas1 e ju/os e peccadores reunidos ao p d alt>1 em um mesmo cons5so de aco de graz1 cant>em d fundo da alma3 ,te-,deum1 laudamus1 9 te1 ,dom9e1 sp]avi2 non confundeb> 9 t]num4 ,,fim ,,da ,,primeira ,,p>te4 ,,segunda ,,p>te ,o ,,inf]no ,,consid]ado ,l,m-,,tumulo1 ,,os ,,condemnados ,,na ,,pres5,a ,,de ,,deus1 ,,na ,,pres5,a ,,dos ,,santos1 ,e ,,na ,,pres5,a ,,dos ,,hom5s4 ,,capitulo ,,primeiro ,o ,,inf]no ,,de ,,plat,o ,at agora consid]amos o inf]no sm5te em relao aos resultados moraes que a cr5a de sua exi/5cia tem produzido1 produz e produzir sempre n'e/e mundo4 ,j demon/ramos que e/a cr5a1 fatal a quantos se comp5etram d'ella1 in]te p>a os demais3 inutil aos v]dadeiros virtuosos1 por que no tem que v] com o bem que praticam1 e tambem ao mal que no fazem2 inutil aos devotos e indiff]5tes1 por que no os e/orva de commett] ba/a dse de peccados mortaes2 e pelo que toca aos peccados que no commettem1 tal ab/5o explica-se em l\vor d'elles1 por motivos totalm5te indep5d5tes das p5as inf]naes2 inutil p>a os philosophos1 vi/o que e/es a no acceitam2 1 emfim1 inutil aos scel]ados1 por que os no imp$e de s] scel]ados2 e1 de mais a mais concorre1 umas vezes1 a precipital-os no crime1 outras a emp$]nil-os na p]v]sidade4 ,falta agora consid]> o inf]no1 no em ref]5cia t]ra1 mas pelo que elle em si1 qual os padres1 d\tores e my/icos o p9t>am1 i/o 1 nas suas relaes com ,deus1 com os pr$e/9ados e com os reprobos4 ,mas1 antes d'isso1 cumpre-nos diz] alguma coisa das op9ies de ,plato c]ca da ju/ia div9a e d inf]no4 ,s] i/o1 a um tempo1 entr> no assumpto1 e respond] aos !ologos que1 m+ua de razes1 invocam de vontade1 n'e/a mat]ia1 a auctoridade de ,ovidio1 de ,horacio1 de ,lucrecio1 de ,virgilio1 de ,hesiodo1 de ,orpheo1 e d'outros escriptores de co/umes sobre modo extravagantes que1 a tal respeito1 repetiram z idz d antigo paganismo e nada mais4 ,a op9io de ,plato1 que elles mais ac9tem5te allegam1 d]iva da mesma fonte2 mas1 alumiada pela indole e pura vida d'aquelle philosopho1 o/5ta-se mais respeitavel e s$uctora4 mi/]1 no diz] de ,plato1 que um ca/igo seja razoavel p>a s] ju/o2 e p>a que seja razoavel1 uma de duas clausulas precisa3 ou que o ca/igo aproveite ao ca/igado1 ou s te/emunhas d'elle4 ,p>t9do d'e/e pr9cipio1 ,plato no prodigalisa1 feio dos nossos !ologos1 z p5as et]nas1 por quanto1 a seu p>ec]1 falta n'ellas a gr&e virtude das p5as tempor>ias4 ,so e/as1 em v]dade1 dobradam5te pre/adias1 pois que ao mesmo tempo corrigem o culpado e admoe/am os espectadores2 pelo contr>io1 z outras no corrigem o culpado e podem ap5as admoe/> os vivos que z conhecem3 logo so m5os pre/antes e univ]saes e completas2 falta-lhes aquella bemfazeja efficacia com que os deuses folgam de dulcific> z obras da sua ju/ia2 digamol-o em p\co3 so m5os div9as4 ,eis-ahi porque ,plato avro das p5as et]nas e p]doa ao maximo num]o de peccadores1 descont&o-lhes os gemidos1 lav&o-os e purific&o-os em suas proprias lagrimas1 excepo dos oppressores dos povos1 de seus cumplices e l\vam9heiros que expressam5te exclue da lei commum4 ,p>a e/es elle durissimo2 et]nisa-lhes z dores2 todavia1 os deuses no podem s] accusados por isso de inutilm5te rigorosos4 ,de feito1 se a tyrannia o maior dos crimes1 e o unico expiavel1 porque a lib]dade1 que ella anniquila1 o maior bem que os deuses nos do>am1 unico impossivel de sub/ituir2 porque1 na soci$ade escravisada1 cessam os praz]es hone/os1 a v]dadeira gloria1 sab$oria e virtudes4 ,tal o s5so intimo d ca/igo excepcional que ,plato applica aos tyrannos4 ,ba/antem5te e/ explicado a sup]ioridade d t]rivel ca/igo2 mas o que no se explica a razo da sua p]petuidade4 ,plato suppunha-o et]no porque no sabia1 como ns1 que a humanidade tem que p]corr] no tempo um circulo limitado1 e que e/e univ]so ha de acab>4 ,et]nisava elle1 por tanto1 o supplicio dos tyrannos1 por suppr que o seu exemplo devia s] et]nam5te util na t]ra4 ,no ha outra maneira de lhe ju/ific> o inf]no no seu sy/ema4 ,foi1 porm1 e/a ju/ificao d inf]no de/ruida por ,*ri/o1 o qual nos annunci\ que todo o g5]o humano 1 como cada homem1 um passageiro na t]ra1 e que um dia vir em que e/a esph]a que habitamos1 e e/es a/ros que nos alumiam1 se sumiro no espao como a poeira que o v5to da noite espalha4 ,quem utilis>ia com o supplicio dos condemnados1 qu&o z te/emunhas1 em vez de fracos mortaes1 fossem santos impeccaveis8 ,o inf]no dos !ologos no 1 pois1 id5tico ao inf]no de ,plato3 o de ,plato devia s] util sempre2 o dos !ologos1 por fructific> um dia1 fic>ia e/]il p>a sempre4 ,essa e/]ilidade j lh'a ns pres5timos4 ,indagamos a razo d'uns padecim5tos impr(icuos victima1 ao juiz1 a todos4 ,o corao prote/a contra tal crueldade sem int5to e sem effeito4 ,cra a g5te s de o crr4 ,como que o homem se s5te melhor d que essa div9dade absurda1 s$5ta sempre de torturas1 ebria sempre de ira1 ins5sivel sempre1 peior que o abutre d ,prome!o1 que s vezes1 ao m5os1 adormece sobre a preza4 ,s p5s> n'i/o g]a o a!ismo na alma4 ,erradam5te1 pois1 se invoca1 em pr de similhantes ca/igos1 o te/emunho de ,plato1 que se horroris>ia d'elles4 ,plato no condemnava o pobre pegureiro por algum r\bo desconhecido ou t5tativa malograda2 mas bem pde s] que elle condemnasse inflexivelm5te ,s4 ,clot>io1 ,s4 ,con/ant9o e ,s4 ,c>los ,magno4 ,alm de que1 elle t9ha1 p>a admittir um inf]no sem fim1 razes que no temos2 e ns1 p>a o rejeit>mos1 temos razes que elle ignorava4 ,,capitulo ,,segundo ,op9io dos pagos sobre a situao e vi/a int]ior d inf]no ,os antigos situavam o inf]no no c5tro da t]ra que habitamos1 e pret5diam t] a e/e respeito porm5ores muito satisfatorios4 ,os gregos e os romanos possuiam um mappa m9ucioso d'e/as regies subt]raneas1 a ponto de lhes conhec]em os rios1 taes como o lodoso ,cocyto1 o ard5te ,phlegeton1 e o invadiavel ,a*]onte2 sabiam at que havia l fetidas lagz1 em uma das quaes e/ava ,tantalo atascado at aos queixos sem pod] apag> a sde2 sabiam d'uns bosques m$onhos em que c]tas almas se lamuriavam1 debalde anci&o o alvor d dia2 conheciam montanhas1 que outros condemnados1 p]seguidos pelas furias1 em vo se esfalfavam por galg>4 ,contavam a hi/oria de alguns desgraados assim1 e z p>ticul>idades d seu supplicio4 ,comtudo1 apez> da indole inteiram5te physica d'aquelles div]sos ca/igos1 diziam que os paci5tes no t9ham corpo1 que os mortos eram ap5as sombras intangiveis1 bem que animadas1 e que o seu maximo torm5to era no pod]em jmais viv] vida c>nal luz d nosso sol4 ,i/o contavam-no elles com toda a c]teza1 fiados em pessoas que t9ham descido ao ,t>t>o1 e de l t9ham voltado4 ,era conhecida a e/rada por onde essas pessoas t9ham viajado2 havia cav]nas que os pa/ores conheciam1 poos d'onde sahiam vapores le?if]os e por onde se descia ao inf]no4 ,no eram m5os in/ruidos os egypcios4 ,em assumpto de horrores visiveis1 o ,am5?i havia empre/ado ao ,t>t>o pavorosos quadros4 ,n'e/e ,am5?i1 que1 segundo con/a1 qu] diz] paiz da noite1 e/o o co de sete cabez e outros deuses de feitios mon/ruosos4 ,ahi se encontra o ,a*]onte e o seu batel1 os m>neis e z aridas gnd>as1 e todas z figuraes d mundo deva/ado4 ,tem set5ta e c9co circulos1 e entrada de cada circulo um g5io armado4 ,giram z almas d'um circulo n'outro1 algumas em frma humana1 outras com frmas immundas1 com cabez de aves de rap9a1 pellagem de f]a1 e g>ras de reptil4 ,o pavim5to sangue4 ,e/rondeiam os gemidos4 ,p5dem os condemnados dos gan*os maneira de c>neiros no aougue1 ao passo que outros1 a9da palpitantes1 so m]gulhados em caldeires f]v5tes4 ,uns vo fug9do1 com os braos e/5didos1 e a cabea quasi sep>ada d tronco1 outros levam nas proprias mos o corao que lhes arranc>am d peito que mo/ram lanhado4 ,con=me nos vamos aproxim&o das primitivas civilisaes1 e1 por consequ5cia1 d primitivo b>b>ismo1 mais o g5]o humano p>ece delici>-se no repa/o espectaculoso de seus proprios s(frim5tos1 e o mundo invisivel p>a elle um espelho de augm5to das mis]ias e torturas d mundo visivel4 ,cada povo se espelha na imagem que nos deix\ de seu inf]no1 com z suas idz moraes1 leis1 necessidades1 com seus co/umes1 temp]am5to e clima4 ,nas s]ranias d ,?ibet1 onde rapidam5te se passa d mais rigoroso frio ao mais suffocante calor1 ens9am os lamas que o inf]no1 situado em det]m9ado log> da ,asia umas tantas legoas da sup]ficie da t]ra1 =mado de dezeseis circulos3 oito onde se arde1 oito onde se gela4 ,nas esplanadas da ,india1 onde no ha inv]no1 e onde z populaes1 languidas de calor1 corruptas pelas lib]alidades da t]ra1 ap5as tem phantasia p>a inv5t> praz]es e supplicios1 dizem os brahmanes que c]tos sitios d ,n>aka e/o *eios de mosquitos1 de s]p5tes v55osas1 de escorpies horriveis1 de tigres1 de abutres e de todos os flagellos proprios d'aquellas regies ard5tes2 e que os outros circulos so o !atro das mais requ9tadas torturas que a9da pde conceb] a malicia d'um rajah arrojado4 ,ahi os glotes so condemnados a com] calhos asp]rimos de puas agudas2 os luxuriosos so ap]tados nos braos de e/atuas de f]ro em braza4 ,contam pelo miudo todas z circum/ancias d'e/es inf9itos m>tyrios1 e taes n>rativas f>iam impallidec] ,ixion sobre a sua roda1 ,sizipho debaixo d seu p5$o4 ,sabem os h9do/anicos pelos livros e pela tradio em que ponto da sua t]ra e/ situado o ,n>aka e a que pr(undeza se encontra4 ,mas no podem os mortos enc]rados ahi a*> os limites e z portas d'aquelle inf]no4 ,no inf]no dos sc&9avos1 *amado ,nifleim1 no ha fogo4 ,essas antigas naes d norte go/am tanto de calor1 que no pod]am consid]al-o um supplicio2 pelo que o seu inf]no de neve1 onde ha o tirit>1 a fome1 a febre1 a velhice trem5te1 z torr5tes glaciaes1 z tempe/ades1 o uiv> dos lobos1 o pavor que e/aleja os d5tes1 e os cob>des1 unicos condemnados que ahi vo4 ,concluamos e/a hi/oria1 que d>ia assumpto p>a um livro4 ,z reflexes moraes que ella suscita vo breve s] applicadas na descripo d nosso proprio inf]no1 que na ess5cia no se di/+ue dos inf]nos pagos4 ,porm1 s5do elle proc$5te d inf]no judaico1 p>emos diante d'e/e4 ,,capitulo ,,t]ceiro ,op9io dos judeus c]ca da vi/a int]ior d inf]no4 ,sabido que o ,antigo ,te/am5to muito sobrio de revelaes d inf]no4 ,com muito cu/o se rebusc>am n'elle alguns v]siculos t5d5tes a e/abelec] aquella cr5a entre os hebreus1 antes da de/ruio d primeiro templo4 ,os saduceos1 que juravam sm5te pela ,biblia1 negavam absolutam5te a vida futura4 ,ora1 ba/antes sabios t9ham os saduceos em conta de melhores int]pretes da ,biblia4 ,dizem elles que os judeus1 durante z tri/ezas d captiveiro1 s\b]am da bcca dos magos a immortalidade da alma e a sci5cia demonologica4 ,todavia1 ,abraho era *aldeo2 os filhos de ,jacob haviam longo tempo e/anciado no ,egypto2--i/o d a cr] que os seus desc5d5tes deviam possuir1 antes de exilados em ,babylonia1 p>te dos conhecim5tos que os escripturi/as regi/avam4 ,no ex]ciam os prophetas um ens9o my/ico1 e no cons]vava o povo tantas tradies grosseiras contemporaneas de ,moyss e talvez ant]iores8 ,z passag5s respigadas na escriptura e nomeadam5te em ,isaias1 relativas ao inf]no1 s]iam inexplicaveis1 se no se lhe ref]issem2 mas s]iam egualm5te inexplicaveis se o povo no tivesse1 p>a int5del-z1 mais luz da que lhe do essas passag5s4 ,e/es tre*os no enc]ram d\tr9a secreta dos prophetas1 respeito vida futura2 contm mais ref]5cias que revelaes cr5a vulg> e =malissima d inf]no4 ,o nome ,gh5na que l do p>agem das expiaes futuras1 no era e/rangeiro2 era o nome de um vale ao po5te de ,j]usalem1 onde1 desde a origem de sua hi/oria1 iam os hebreus ador> ,molock1 e sacrific>-lhe no fogo victimas humanas1 e1 s vezes1 seus proprios filhos4 ,n'e/e sitio1 tambem d5om9ado ,trophet1 ou log> horr5do1 eram lanados os cadav]es dos ju/iados e os despojos dos animaes4 ,e/e valle maldito1 sagrado pela sup]/io aos deuses sangu9>ios1 juncado de c>nes putridas e ossadas alvejantes1 assombrado de l>vas s9i/ras1 resonante de gemidos e rugidos1 conv]teu-se p>a os moradores da cidade santa1 no j em v]dadeiro inf]no1 mas no symbolo ext]ior e synonymo de inf]no4 ,no inf]no v]dadeiro1 ardiam ,molo* e os seus idolatras na mesma fogueira2 os mos eram roidos pelos v]mes2 e e/es v]mes eram immorr$\ros como z suas prz3--idz positivam5te exprimidas por ,isaias1 cap4 ,,lxvi1 ultimo v]so4 egualm5te c]to que os rabb9os e tambem o povo1 to p\co iniciados at ento &avam na my/ica philosophia1 que1 se alguma vez discutiam1 davam azo a que os prophetas se rissem ou indignassem2 porm1 depois que os rabb9os e o povo se recolh]am d captiveiro1 z suas noes eram mais amplas1 e talvez z mesmas que se escondiam nas esclas d ,c>melo e de ,galgala4 ,vamos vr quaes so z noes no contidas no ,antigo ,te/am5to1 mas traadas manife/am5te no ,novo1 z quaes1 qu&o ,s4 ,paulo1 ,s4 ,ma?ias1 ,s4 ,joo e outros apo/olos escreviam1 j se haviam d]ramado na ,judea1 qu9h5tos ou mais annos antes4 ,era dividido o ,s*eol1 ou mundo futuro1 em duas regies1 que compreh5diam o p>aiso e a gh5na4 ,a gh5na1 objecto d'e/e e/udo1 era contada no num]o das sete creaes ant]iores ao nosso univ]so4 similhana d ,am5?i egypcio e d ,n>aka indiatico1 era =mada de div]sos circulos1 mas s t9ha sete1 correspond5do aos sete dias d ,g5esis1 e aos sete ceos ou sete circulos d p>aiso4 ,havia gh5na sup]ior e gh5na inf]ior4 ,a sup]ior abrangia os seis primeiros circulos3 era uma especie de purgatorio onde baixavam1 depois da morte1 os peccadores dignos de p]do3 uns ficavam no sexto1 outros no qu9to1 outros no qu>to circulo1 outros no primeiro1 con=me a gravidade ou leveza dos seus peccados4 ,trez5tos e sess5ta e c9co degros1 correspond5tes aos trez5tos e sess5ta e c9co peccados assignalados pelos d\tores1 =mavam escaleiras d'um circulo a outro1 e em cada circulo era mi/] pass> trez5tos e sess5ta e c9co dias4 ,porm1 os gr&es crim9osos1 abatidos sob o gravame de suas culpas1 atravessavam1 sem pod] p>> e com a rapidez de p$ra arrojada por funda1 os seis primeiros circulos da spiral1 e cahiam no setimo1 no fundo abysmo1 na gh5na inf]ior1 d'onde no ha mais sahir4 fr5te de suas legies ahi os recebia ,samael1 e ento lhes comeava o p]petuo supplicio1 o insulto dos diabos1 a saudade da vida1 o fogo int]no e ext]no1 o torm5to da sde1 e a miragem cruelissima que sc9tilla aos olhos dos p]egr9os agonisantes no des]to#e4 ,taes eram1 em resumo1 z op9ies da synagoga c]ca d inf]no4 ,entretanto os ess5ios1 seita mona/ica celibat>ia que vivia em commum p>a espiritualm5te se reproduzir1 pr(essavam outra4 ,o inf]no d'elles1 coisa notavel1 similhava ao dos monges ?ibetanos2 os s(frim5tos ahi eram calor e frio1 e todas z intemp]ies das e/aes em climas deseguaes4 ,agora vejamos o inf]no dos nossos !ologos4 #e ,o inf]no mahometano copia d judaico1 mas copia s+ul>m5te alt]ada4 ,o anjo ,trakek quem l gov]na4 ,ha l *uva de peonha4 ,*ama-se ,gh5na e divide-se em sete circulos4 ,porm1 exceptuado o primeiro circulo1 res]vado exclusivam5te p>a os musulmanos1 e o ultimo1 de/9ado aos hypocritas1 cada qual dos outros p]t5c5te a cada uma das religies div]sas que prec$]am o islamismo4 ,e/es h]eticos e/o portanto em &>es sobrepo/os1 quasi por ordem de sua antiguidade3 os *ri/os no segundo1 os judeus no t]ceiro1 os sabeos no qu>to1 os guebros no qu9to1 os idolatras no sexto4 ,d'e/es seis ultimos n+uem sahe3 ahi o v]dadeiro inf]no2 mas o primeiro1 o circulo de honra dos cr5tes1 purgatorio1 no diz] dos d\tores4 ,,capitulo ,,qu>to ,o ,,inf]no ,,dos ,,!ologos ,,por ,,duas ,,faces ,,vamos ,,v] ,o ,,nosso ,,inf]no2 ,,primeira ,a ,,mat]ial1 ,,depois ,a ,,moral ,i ,o inf]no mat]ial ,so puros espiritos os demonios1 e tambem puros espiritos devem consid]>-se os condemnados no inf]no1 por quanto s a alma d'elles l desceu1 e os ossos re/ituidos t]ra se trans=mam cont9uam5te em h]vaaes1 plantas1 fructos1 m9]aes1 liquidos1 desfigur&o-se nas cont9uadas me?amorphoses da mat]ia4 ,tanto1 porm1 os condemnados como os santos ho-de resuscit> no dia f9al e reassumir p>a nunca mais o deix> um corpo c>nal1 o mesmo corpo com o qual pass>am entre os vivos4 ,a di/9co d'uns a outros que os eleitos ho de resurgir em corpos purificados e radiosos1 e os condemnados em corpos poluidos e afeiados pela culpa4 ,e de ento ao diante no hav] sm5te puros espiritos no inf]no2 mas sim hom5s como ns4 por consequ5cia o inf]no uma localidade physica1 geographica e mat]ial1 vi/o que ho de povoal-o creaturas t]re/res1 dotadas de ps1 mos1 bcca1 l+ua1 d5tes1 orelhas1 olhos como os nossos1 veias com sangue1 e n]vos s5siveis dor4 ,onde e/ situado e/e inf]no8 ,alguns d\tores situam-no nas entranhas da t]ra2 outros em c]to planeta que eu no sei2 mas a que/o n5hum concilio a9da a resolveu4 ,a e/e respeito tudo conjecturas2 o mais que se affirma que o inf]no1 seja onde fr1 um mundo compo/o de elem5tos mat]iaes1 mas no tem sol1 nem lua1 nem e/rellas1 e mais tri/e e inhospito1 e mais ermo de todo o g]m5 e app>5cia de bem1 d que todos os pontos inhabitaveis d mundo em que peccamos4 ,no se arriscam os discretos !ologos a p9t>1 similhana dos egypicos1 indo/anicos1 e gregos1 o imm5so horror d'essa manso2 limitam-se a d>-nos como amo/ra o p\co que a escriptura d5uncia1 o lago de fogo1 e o enx(re d ,apocalypse1 e mais os v]mes de ,isaias1 aquelles v]mes et]nam5te enxame&o sobre z c>caz de ,?ophet1 e os demonios atorm5t&o os hom5s que p]v]t]am1 e os hom5s *or&o e r+9do os d5tes1 segundo a expresso dos evangeli/as4 ,santo ,ago/9ho no conc$e que aquellas p5as physicas sejam simples imag5s das p5as moraes2 contempla em um v]dadeiro lago de enx(re v]mes e s]p5tes v]dadeiras enc>niadas sobre todas z p>tes dos condemnados1 exac]b&o com z suas mord$uras z ulc]aes d fogo4 ,qu]1 con=me um v]so de ,s4 ,m>cos1 que e/e e/ranho fogo1 po/o que mat]ial como o nosso1 e actu&o sobre corpos mat]iaes1 os cons]v> como o sal cons]va a c>ne das victimas sempre sacrificadas e sempre viv5tes1 s5tiro a dr d'aquelle fogo que queima sem de/ruir1 e lhes filtra aos musculos1 satur&o-lhes os membros1 desde a m$ulla dos ossos e z pupillas dos olhos at z mais occultas e s5siveis fibras d seu s]4 ,se elles podessem subm]gir-se na crat]a d'um vulco1 s5tir-se-hiam ahi refrig]ados e consolados4 ,d'e/a arte fallam com toda a segurana os mais timidos1 os mais discretos e res]vados !ologos2 no negam1 porm1 que no inf]no haja outros supplicios corporaes2 sm5te dizem que no tem d'elles um suffici5te conhecim5to1 ou pelo m5os to positivo como aquelle que receb]am c]ca d horrivel supplicio d fogo1 e d afflictivo supplicio dos v]mes4 ,ha no entanto !ologos mais audazes e illu/rados que nos do descripes mais miudas1 v>iadas1 e completas d inf]no2 e1 bem que no saibam em que local d espao tal inf]no e/eja1 con/a-lhes que alguns santos o viram4 ,de c]to que e/es santos l no =am com a lyra em punho1 como ,orpheo1 ou com a espada na mo1 similhana de ,ulysses3 baix>am l arrebatados em espirito4 ,d'e/e num]o ,santa ,!reza4 ,quem l a relao d'e/a santa cuid> que no inf]no ha cidades4 ,pelo m5os l viu ella uma especie de viella longa e e/reita como ha tantas nas cidades antigas2 entr\ cam9h&o horrorisada sobre um t]r5o lamac5to e fetido onde ra/ejavam reptis mon/ruosos2 mas foi retida em seu transito por uma p>$e que atravancava a viella2 e n'e/a p>$e havia um ni*o onde ,santa ,!reza se metteu sem sab] como4 ,disse ella que e/e log> lhe e/ava de/9ado1 se abusasse emquanto viva das graz que ,deus difundia sobre a sua cella d',avila4 ,e1 bem que ella se ani*asse com m>avilhosa facilidade n'aquella gu>ita de p$ra1 no podia nem ass5t>-se1 nem deit>-se1 nem e/> de p1 nem saf>-se2 que e/as horriveis p>$es1 ap]t&o-a1 envolviam-na1 angu/iavam-na1 como se fossem animadas4 ,p>ecia-lhe que a abafavam1 que a e/rangulavam1 e ao mesmo tempo a e/ripavam e a faziam p$aos4 ,e s5tia-se ard]1 e no havia g5]o de afflio que no exp]im5tasse4 ,esp]ana de soccorro1 n5huma4 volta d'ella tudo escuro2 mas a9da assim1 atravez d'essas trevas1 entrevia1 com gr&e espanto1 a h$ionda rua por onde t9ha passado com toda a sua immunda vis9hana3 espectaculo que lhe era to intol]avel como z intalladelas da priso4 ,ora i/o de c]to era ap5as um cant9ho d inf]no4 ,outros viajantes espirituaes =am mais obsequiados4 ,h\ve tal que viu no inf]no gr&es cidades a ard]1 ,babylonia e ,n9ive1 e at ,roma1 com os seus palacios e templos abrazados1 e os habitantes acorr5tados1 m]cadej&o no balco1 padres mi/urados com m]etrizes nas salas dos fe/9s1 hurr&o nas suas poltronas d'onde no podiam arranc>-se1 e lev&o aos beios1 p>a apag> a s$e1 copos que golphavam lav>$as2 validos em joelhos sobre almadraques ard5tes1 com z mos po/as1 e pr9cipes v]t5do sobre elles devorante lava d'ouro fundido4 ,outros viram no inf]no descampados sem limites1 cavados e semeados por lavradores famelicos4 ,e d'essas plantas fumegantes de suor1 como n5hum fructo v+asse1 os lavradores devoravam-se uns aos outros2 e1 depois1 tantos quantos t9ham sido1 magros e fam9tos d mesmo modo1 disp]savam-se em b&os pelos horisontes fra em cata de t]ras mais ditosas1 e eram logo sub/ituidos por outras colonias errantes de condemnados4 ,h\ve quem visse no inf]no s]ranias cavadas de abysmos1 de flore/as gem5tes1 poos sem agua1 fontes de lagrimas1 regatos de sangue1 turbilhes de neve em des]tos de gelo1 b>cos desesp]ados vog&o em m> sem praia4 ,em fim l viram quanto os pagos t9ham vi/o1 o reflexo lugubre da t]ra1 uma sombra incomm5suravelm5te augm5tada de suas mis]ias1 os seus naturaes s(frim5tos et]nisados1 entr&o n'i/o masmorras1 =cas1 e os in/rum5tos de tortura que z nossas proprias mos =j>am4 ,ha com effeito l n'essas pr(undezas demonios que se fazem corporeos1 p>a mais a preceito atorm5t>em os hom5s em suas c>nes4 ,uns tem azas de morcego1 pontas1 coiraz escamosas1 griphos e agudissimos d5tes4 ,temol-os vi/o p9tados1 armados de espadas1 de =cados1 de t5azes ard5tes1 de s]ras1 de grelhas1 de folles1 de clavas1 empreg&o tudo i/o durante a et]nidade n'uma especie de aougue e cos9ha da c>ne humana4 ,ha outros trans=mados em lees1 e viboras enormes1 arra/&o z prz em solit>ias cav]nas4 ,alguns desfiguram-se em corvos p>a arranc> os olhos a c]tos padec5tes1 em quanto outros se trans=mam em drages volateis1 e vo c>regados d'almas sangu5tas e la/imosas atravez de t5ebrosos espaos1 e z precipitam no lago de enx(re4 ,alm se v nuv5s de gafanhotos1 e de agigantados escorpies1 cuja vi/a arripia1 cujo *eiro enoja1 cujo m5or contacto convulsiona4 ,acol e/o os mon/ros polycephalos abr9do vorazes fauces1 sacud9do z cr9as =madas de aspides1 tritur&o os condemnados entre os seus queixos sangr5tos1 e vomit&o-os logo ma/igados1 mas a9da vivos1 porque so immortaes4 ,e/es demonios de frma s5sivel1 record&o to ao vivo os deoses d ,am5?i e d ,t>t>o e os idolos que os ph5icios1 os moabitas e outros g5tios vis9hos da ,judea adoravam1 e/es demonios no funccionam toa2 cada qual tem seu (ficio e sua t>efa3 o mal que fazem no inf]no corresponde ao mal que elles inspir>am e fiz]am commett] n'e/e mundo4 ,so os condemnados punidos em todos os s5tidos e orgos porque (f5d]am ,deus por todos os orgos e s5tidos4 ,os comiles so punidos de c]ta maneira pelos demonios da intemp]ana1 e d'outra maneira os calaceiros pelos demonios da preguia1 e a9da d'outra maneira os lascivos pelos demonios da s5sualidade2 em fim1 so tantas z maneiras quantas z v>i$ades de pecc>4 ,dizem que elles at na fogueira t]o frio1 e no gelo se s5tiro ard]2 e/>o vidos de descanso e irrequietos2 sempre com fome1 sempre com s$e1 e mil vezes mais cansados que o escravo no fim d dia1 mais do5tes que os moribundos1 mais lac]ados1 mais escalavrados1 mais laz>os que os m>tyres1 e assim p>a todo o sempre4 ,n5hum demonio se desgo/a nem desgo/> jmais d seu t]rivel (ficio2 n'e/a p>te so elles discipl9ados a ponto1 e fidelissimos na execuo das ord5s v+ativas que receb]am4 ,se no fosse isso1 que s]ia d inf]no8 ,se os demonios tivessem rixas entre si ou se fatigassem1 os paci5tes descans>iam4 ,mas nem uns descansam1 nem os outros se desavm2 e po/o que sejam mos e muitissimos1 os demonios h>monisam-se d'um cabo a outro d abysmo1 por tanta maneira que nunca na t]ra se viram naes mais submissas a seus pr9cipes1 ex]citos mais doceis a seus g5]aes1 communidades fradescas mais ob$i5tes a seus prelados4 ,nada se sabe da ral dos demonios1 d'essa canalha de espiritos villos que =mam legies de vampiros1 de sapos1 de escorpies1 de corvos1 de hydras1 de salam&ras e outra bi*>ia sem nome que con/ituem a zoologia das regies inf]naes2 mas so conhecidos de nome muitos pr9cipes que comm&am aquellas legies1 entre outros ,belphegor1 o demonio da luxuria1 ,abbaddon ou ,apollyon1 o demonio da c>nific9a1 ,beelzebu?1 o demonio dos desejos impuros1 ou o pr9cipe das moscas g]adoras da podrido1 e ,mamm\1 o demonio da av>eza1 e ,molo*1 e ,belial1 e ,baalgad1 e ,a/>o?1 e outros mais1 e sobre todos o *efe univ]sal1 o sombrio ar*anjo que no co se *amava ,lucif]1 e no inf]no se *ama ,satan4 ,eis aqui1 em summa1 a ida que se nos d d inf]no1 obs]vado em sua natureza physica1 e nas p5as corporaes que l se padecem4 ,lde os escriptos dos padres e antigos d\tores1 int]rogae z pi$osas leg5das1 exam9ae z esculpturas e pa9eis das nossas egrejas1 att5tae o ouvido no que se diz em nossos pulpitos e sab]eis muitas outras coisas4 ,,ii ,reflexes sobre z p5as mat]iaes dos condemnados ,de qualqu] modo que z figuremos1 e qu&o mesmo por pi$ade ou qualqu] outra razo se r$uzissem s aco d fogo1 e/as p5as mat]iaes no pod]iam s] et]nas1 porque1 se a alma immortal e pde s(fr] sempre1 no succ$e o mesmo ao seu involtorio t]re/re3 corpos de c>ne1 feio dos nossos1 so de seu natural incapazes de resi/ir a similhantes ag5tes de de/ruio4 um milagre a resurreio dos corpos2 mas faz-se mi/] um segundo milagre p>a d> a e/es corpos mortaes1 j usados pelos transitorios attritos da vida1 e de mais a mais aniquillados1 a virtude de subsi/ir1 sem se dissolv]em1 na =nalha onde metaes se evaporassem4 ,diga-se embora que a alma algoz de si mesma1 que ,deus a no p]segue1 mas que a desamp>a pelo e/ado desgraado que ella escolheu3 isso a9da pde rigorosam5te compreh5d]-se1 po/o que o desamp>o et]no d'um s] desvairado e padec5te p>ea p\co con=me bondade d ,creador2 porm o que se diz da alma e das p5as espirituaes no pde por modo algum s] dito a respeito dos corpos e das p5as corporaes2 que p>a et]nis> z p5as corporaes no ba/a que ,deus retire a sua mo2 pelo contr>io1 =oso que elle a mo/re1 que int]v5ha1 que op]e1 sem o que o corpo succumbiria4 ,conjectur>am1 pois1 os !ologos que ,deus effectivam5te op]a1 em seguida resurreio1 o segundo milagre de que fallamos4 ,primeiro1 exhuma d sepul*ro os corpos de argila que l se haviam desfeito2 tira-os taes quaes l t9ham entrado com z suas nativas inf]midades e z degradaes successivas da idade1 da do5a e d vicio1 decrepitos1 infesados1 gotosos1 *eios de precises1 s5siveis f]roada d'uma abelha1 cob]tos das mac]aes que lhes fiz]am o ross> da vida e da morte3 eis o primeiro milagre4 ,depois1 a e/es corpos alquebrados1 pre/es a rev]t] ao p d'onde surgiram1 inflige uma propri$ade que no t9ham3 a immortalidade1 o mesmo dom que n'um lance de col]a1 ou1 se o qu]eis1 n'um lance de mis]icordia1 elle t9ha subtrahido a ,ado qu&o o expuls\ d ,ed53 eis o segundo milagre4 ,qu&o ,ado era immortal1 era invuln]avel2 e1 qu&o cess\ de s] invuln]avel1 torn\-se mortal4 dr seguiu-se o morr]4 ,a resurreio1 portanto1 nem nos repe nas condies physicas d homem innoc5te1 nem nas condies physicas d homem culpado2 uma resurreio das nossas mis]ias sm5te2 mas com sobrec>ga de novas mis]ias1 inf9itam5te mais horriveis2 1 at c]to ponto1 uma v]dadeira creao1 e mais maliciosa que imag9ao alguma a9da concebeu4 ,dir-se-ha que ,deus reconsid]a e v>ia1 qu&o accresc5ta aos torm5tos espirituaes dos peccadores torm5tos corporaes de durao inf9da1 e muda de rep5te z leis e z propri$ades por elle prescriptas s composies da mat]ia desde a origem d'ella4 ,resuscita c>nes do5tes e corruptas1 e1 at&o com indesatavel n elem5tos que t5dem a sep>>-se1 mantm e p]peta1 contra a ordem natural1 aquella podrido viv5te1 que po/a no fogo1 no p>a se depur>1 mas p>a s] cons]vada qual 1 s5sivel1 padec5te1 ard5te e immortal4 ,por amor d'e/e milagre ,deus arvorado em um dos algozes d inf]no2 por que1 se os condemnados s a si podem imput> seus males espirituaes1 tambem no tem a quem imput> os outros s5o a ,deus4 ,j no era p\co ab&onal-os1 depois de mortos1 tri/eza1 ao remorso e a quantas agonias s5te a alma que p]deu o bem supremo2 mas ha ahi peor3 ir ,deus1 no diz] dos !ologos1 procural-os nas trevas d seu abysmo2 *amal-os-ha por in/antes luz1 no p>a allivial-os1 mas sim p>a ve/il-os d'um corpo horrido1 *ammejante1 immorr$\ro1 e n'e/e acto os ab&on> def9itivam5te4 ,mas no s] isso a9da ab&ono1 pois que co1 t]ra e inf]no no subsi/em s5o por um acto p]man5te da div9a vontade sempre activa4 =a1 ento1 que ,deus os t5ha sempre de sua mo1 p>a ob/> que o fogo se apague e os corpos se consumam1 a fim de que esses desgraados immortaes contribuam1 com a p]5nidade de seu supplicio1 edificao dos pr$e/9ados4 ,vem a ponto um episodio da hi/oria da ,egreja1 que1 mo grado nosso1 nos veio lembrana4 ,seja-me p]mittido record>vo-lo4 ,,iii ,os m>tyres de ,n]o ,foi ,n]o um pod]oso imp]ador4 ,gal>doava espl5didam5te os escravos que o s]viam2 e1 ao mesmo tempo1 incutia-lhes m$o salut> com o seu sy/ema de trat> inimigos4 ,queim&o ,roma a fim de a re$ific> mais =mosa1 assac\ o crime aos *ri/os1 g5te indocil que o no bajulava1 e cria em ju/ia mais amavel que a d'elle1 e por e/a e outras razes desagradava plebe idlatra4 ,o processo foi summ>io2 a s5t5a de morte1 e a execuo espantosas1 como vai vr-se4 ,embre>am-os de res9a1 am>r>am-os a po/es de f]ro1 cravados di/antes entre si nos bellos j>d9s de ,sallu/io1 onde eram celebrados ento os jogos nocturnos4 ,era j noite1 qu&o z portas =am ab]tas multido4 ,eis que sa o clangor das trombetas1 e logo os v]dugos infileirados *eg>am lume s tunicas dos *ri/os4 ,callam-se z trombetas2 re/rugem de todos os lados gritos e/rid5tes4 ,a subitas1 arvores1 flres1 e/atuas1 escadozes m>moreos1 tanques1 repuxos1 tudo respl&eceu4 ,*ega ,cez> na sua c>roa1 escoltado de vi/osa crte1 d]ram&o1 por sobre z turbas at]radas e jubilosas d seu sorriso1 ouro e p]olas4 ,s]vem-se banquetes4 ,danam z filhas d ori5te1 em quanto os tocadores de alaude e cantores confundem a dce melodia de seus conc]tos com os applausos d povo fiel e os d]radeiros arrancos dos *ri/os que vasquejavam em suas tunicas ard5tes4 ,p\co dur\ aquelle in/ructivo espectaculo4 ,n'e/e mundo1 z fe/as mais bis>ras so curtas4 ,felizm5te p>a os m>tyres1 ,n]o no era ,deus4 ,diz-se1 porm3 eil-os1 os confessores de ,*ri/o apremiados1 volta de um ,deus que d ares de ,n]o1 e como contempl&o1 maneira d ,cez>1 em fe/a sem fim1 milh>es de creaturas humanas1 e/orc5do-se e clam&o nas lav>$as1 to*as ullulantes1 fa*os inext+uiveis1 te/emunho asss consolativo da sup]ioridade d rei d co sobre os regulos da t]ra4 ,haja paci5cia1 que a9da falta o mais ess5cial4 ,aquellas p5as corporaes so quasi nada4 ,repugnantissimas que ellas se nos figurem1 so essas1 a9da assim1 a m5os repugnante c\sa que o inf]no enc]ra4 ,,iv ,o inf]no espiritual ,em que m$itam esses pobres entes atorm5tados8 ,que s5tim5tos os dom9am8 ,que fazem elles1 durante z suas inexpremiveis torturas1 n'esse tempo illimitado em que os segundos so seculos1 e os seculos m5os que segundos8 ,os !ologos tem inve/igado e/as c\sas2 e1 presuppo/o p]petuo o inf]no1 no ha d\s modos de resolv] aquellas p]guntas4 ,uma breve reflexo vos d> a respo/a que os !ologos tem dado p]feitam5te con=me a todas z tradies4 ,imag9ai um lupan> de embriagados1 um hospital de l\cos1 um covil de assass9os1 uma cav]na de ladres1 um bordel immundo2 soltai ao mesmo tempo todos os moradores d'esses abom9aveis log>es1 e t]eis uma optima p9tura d inf]no espiritual1 i/o 1 o e/ado m5tal dos condemnados4 ,novos e velhos1 hom5s e mulh]es1 emb>alhados todos1 apo/roph&o1 jur&o1 blasphem&o1 et]nam5te ebrios1 et]nam5te vorazes1 et]nam5te lascivos1 et]nam5te invejosos e crueis1 et]nam5te impios1 et]nam5te s&eus4 ,como z sombras d ,t>t>o1 *oram o nosso sol1 z sombras1 z frescas ribeiras1 os pampanos dos nossos v9h$os1 e todos os praz]es s5suaes de que vidam5te e/o sequiosos e privados4 ,os demonios1 que os ca/igam por seus passados praz]es1 alim5tam n'elles inuteis saudades1 e ins5satos desejos1 dos quaes nada pde di/rahil-os1 nem sequ] z dres corporaes1 e agudissimas de que so atorm5tados todos os seus membros4 ,n'i/o1 de mais a mais1 os demonios o que fazem execut> z s5t5z d sob]ano juiz--s5t5a promulgada no co1 pela qual so os reprobos intellectualm5te torturados2 pois diz ,santo ,ago/9ho no seu ,comm5t>io aos psalmos3 faz-se mi/] que tudo quanto delici\ os hom5s1 qu&o pecc>am1 se conv]ta em in/rum5to d ,s5hor qu&o ca/iga4 ,o desejo saciado 1 pois1 punido com o desejo insaciavel4 ,no imag9em que no inf]no haja uma s alma que deplore a sua innoc5cia baptismal1 e o co promettido que ella p]deu1 e a companhia dos anjos1 e a bemav5turana dos eleitos4 ,os precitos fogem de ,deus1 no o procuram2 viram-no no dia d juizo1 tem-no pres5te sempre nos torm5tos que s(frem4 ,de c]to os angu/ia e/> to longe d'elle2 mas angu/ia de raiva que no tem nada que vr com z saudades e anceios d amor4 ,no p5sem que entre z alegrias cuja p]da l nos dilac]a o corao1 e/ejam os ca/os praz]es d l>1 a pratica dos ancios1 z meiguices das creanz1 a t]nura dos irmos1 a dce confiana dos amigos1 z consolaes d trabalho e z recomp5sas d e/udo4 ,v]dadeiras alegrias eram aquellas de c]to p>a os peccadores2 mas os condemnados nem z desejam1 nem d'ellas se lembram2 aba/a-lhes a sci5cia que tem2 e1 pelo que toca s affeies t]re/res1 mortas so todas3 re/a-lhes o odio sm5te4 ,a me que e/ no inf]no1 se tem um filho no p>aizo1 abom9a-o1 e elle a ella2 se o tem no inf]no1 abom9a-o tambem e correspondida por igual1 e1 se o tem vivo no mundo a *oral-a1 da mesma sorte o abom9a4 ,filhos1 pae1 m>ido1 irmos e irms1 amigos1 tudo lhe igualm5te odioso4 ,o que os condemnados mais ard5tem5te desejam coisa que se beba e se coma1 e alm d'isso z delicias s5suaes e a bruteza d coito c>nal4 ,so de tal sorte z suas disposies em meio de tantos s(frim5tos que1 se um s d'esses condemnados podesse por um mom5to volt> vida1 esc&alis>ia um alc\ce4 ,entretanto1 confessam a ju/ia da condemnao que os f]e2 mas p>a amaldioal-a2 e1 bem que no sejam a!us1 por que tal no podem s] em similhante lug>1 so mais scel]ados1 ignobeis1 impud5tes e p]v]sos d que pod]ia sl-o uma nao de a!us4 ,uma nao de a!us1 no s5do compo/a de immortaes1 tem]-se-hia d nada como d'um objecto de m$o ou esp]ana1 e tir>ia d'ahi c]tas regras de proc$] que ba/>iam a tornal-a m5os mis]avel e brutal2 mas no inf]no no ha que tem] nem que esp]>4 ,ha ahi um ret\ar-se na dr1 em horr5dos sonhos1 que exulc]am os appetites sem os satisfaz]4 ,ahi tudo obsc5idade1 egoismo1 opprobrio1 h$iondez1 a humanidade dis=me1 depravadissima1 impud5tissima1 sem pi$ade1 sem consci5cia4 ,a blasphemia a unica di/9co que sep>a os condemnados das f]as assanhadas1 e que os levanta algum tanto acima dos porcos1 dos lobos1 dos macacos1 dos toiros1 dos bodes e dos reptis4 logo a blasphemia o unico symptoma de razo que se lhes deixa1 a sua unica e ultima gr&eza6 ,os irracionaes nem qu&o s(frem blasphemam3 a blasphemia um acto intellectual que n'e/e mundo degrada1 e no inf]no exalta4 ,um condemnado que l\vasse a ,deus s]ia um santo1 cujo supplicio c$o ou t>de acab>ia2 mas1 s5do int]m9avel o supplicio d'elle e impossiveis os santos n'e/e abysmo1 o condemnado que no blasphemasse s]ia um bruto infecto4 portanto de ju/ia que os faam blasphem>2 d'isso inf]imos que elles tem alma2 e d'esse modo a mo/ram na unica maneira que podem2 e1 se no podem satisfaz] a vil concupisc5cia que os devora1 des=ram-se sabore&o a pl5o peito o agro praz] de insult> o ,deus que os pune por to s+ul> maneira4 ,v ,cont9uao d inf]no espiritual ,hav5do s o inf]no1 j se v que n'e/a infame companhia os !ologos mi/uram1 como iguaes1 qualqu] homem honrado que morra na incr$ulidade dos my/]ios4 ,i/o lhe ba/a p>a s] condemnado4 ,e com esse vae tambem a viuva pobre1 que1 em vez de ir egreja no dom+o1 rem5da os fat9hos das suas creanz3 tambem no preciso mais p>a s] condemnada4 ,tambem l vo1 conta de no jeju>em1 nossas mes e irms1 mulh]es e filhos3 pois no ba/ante razo p>a ir ao inf]no quem come um bocado de po com c]to praz]8 ,e/e inf]no1 povoado de patifes incorrigiveis1 uma escla3 n+uem ahi se corrige1 mas apr5de cada qual a conhec]-se1 e j no p\co4 ,quem qu] que ahi desce1 logo que ahi e/1 igual aos devassos1 aos p>ricidas e aos traidores4 ,quem ahi se v to div]so d que se imag9ava n'e/e mundo1 at]ra-se de si proprio4 ,o bom que cada qual t9ha em si qu&o vivia1 com a vida se desvaneceu2 e o mal que era ap5as uma imp]ceptivel man*a1 lavr\ como a gangr5a1 de tal arte que alma e corpo tudo uma *aga4 ,que o homem se p]desse por um pomo ou por um imp]io1 por um beijo ou por um homicidio1 o resultado o mesmo3 n+uem condemnado com att5uantes4 ,no procureis no inf]no um companheiro m5os corrompido d que os outros1 que se respeite ou que seja respeitavel por qualqu] motivo2 coisa que l no ha2 n+uem cons]va ahi vislumbre das qualidades que na t]ra se respeitam4 ,ou vades p>a a direita ou p>a a esqu]da1 p>a cima ou p>a baixo1 girai em todas z direces d'esse abysmo1 que no a*>eis g]m51 relampago1 sombra de virtude4 ,aquelles sabios cujas vigilias opul5t>am os hom5s1 e no deix>am d9heiro com que os ent]rassem2 aquelles philosophos e/oicos1 legisladores1 magi/rados1 gu]reiros illu/res1 e soldados obscuros mortos nas fronteiras2 aquelles rigidos prote/antes que psalmodeavam nas lav>$as1 aquellas esposas extremosas1 e z noivas cuja sepultura juncada de rosas brancas--todos esses que no morr]am em graa--de qualqu] modo que p5sassem e proc$essem n'e/e mundo1 os seus co/umes e p5sam5tos so =osam5te os d outro4 ,os que lhe sabem a hi/oria1 e os am>am e lam5tam1 no ho de reconhecel-os4 ,eil-os preza de todos os vicios1 paixes1 e desejos dos condemnados4 ,gr&es hom5s1 sabios h]oes1 m>tyres1 mes v5]adas1 donzellas ca/as1 arti/as sobrios e mode/os1 eil-os em cro de impios1 fall&o como ebrios1 cynicos e assass9os4 ,ab&on\-os ,deus todos a um tempo1 a um tempo os pune todos2 o mesmo f]ro lhes abrasa os corpos e a mesma febre lhes alanceia z almas4 ,ahi e/ o inf]no espiritual4 ,,vi ,da immortalidade das p5as espirituais d inf]no4 pois o inf]no um mo log>1 trescal&o ao vicio e ao crime4 ,os demonios1 gu>das d'e/e mo log>1 e pr(essos na corrupo1 usam d imp]io que sobre os hosp$es lhes p]mittido1 corromp5do-os incessantem5te e sem lucta nem ob/aculo4 propri$ade d'elles a alma dos condemnados4 ,deus1 entreg&o-lh'a p>a que elles faam d'ella o que pod]em1 no lh'a disputa e ba/antem5te sabe o que elles f>o4 ,se z adies espirituaes dos condemnados fossem sm5te crueis1 s]ia isso ba/ante p>a nos auctoris> a duvid> da et]nidade d'ellas2 mas1 alm de crueis1 impuras1 um direito1 at um dev] negal-z4 c]to que a natureza algumas vezes inflige ao homem esses impuros s(frim5tos2 mas so transitorios3 uns morrem1 alguns curam-se1 e outros endoidecem3 outro g5]o de morte4 ,mas no inf]no os furores s5suaes1 os appetites phr5eticos no matam nem rem$eiam1 no so v55os nem balsamos1 so p5as sem fructo e sem fim4 ,que condemnao1 diz ,s4 ,b]n>do1 a da vontade am>rada preciso de crr o mal e no crr o bem2 por tal modo que de qualqu] maneira que se mova1 sempre crim9osa e mis]avelm5te6 ,no ha de goz> jmais os praz]es culpaveis que deseja2 e z privaes que ella no qu] z que ella ha de t] por toda a et]nidade4 ,crr o mal e no crr o bem1 logo o resultado d'aquella condemnao4 ,por s5t5a d juiz1 e de que juiz6 que l et]nam5te se anceiam impudicos praz]es1 ao mesmo passo que o espirito s(fre a privao dos s5tidos4 ,montesquieu1 que1 a fall> v]dade1 no era padre da ,igreja nem monge1 =mava outra ida da natureza moral das p5as de/9adas a s]vir de sanco aos accordos da ju/ia da t]ra propriam5te4 ,lde no ,espirito das leis c]to capitulo intitulado3 ,da violao d pudr1 no ca/igo dos crimes4 ,assim comea o capitulo3 ,ha regras de pudr obs]vadas em quasi todas z naes d mundo3 absurdo s]ia violal-z no ca/igo dos crimes1 o qual deve sempre t] em vi/a o re/abelecim5to da ordem4 ,a9da que ,montesquieu m'o no dissesse1 a c\sa evid5te por si4 ,satrapas em delirio1 ,cez>es devassos1 tyrannos corruptissimos1 pde s] que alguma vez enviassem uma rap>iga desob$i5te mas hone/a a um bordel1 e que1 ajunt&o calculadam5te a indec5cia ao ca/igo1 conv]tessem a excitao dos s5tidos em supplicio legal1 de%onr&o a lei p>a de%onr> o inimigo4 ,em todos os paizes civilisados ca/iga-se p>a re/abelec] a ordem mat]ial e a moral quanto pde s]4 ,cuida-se em esquiv> o culpado s s$uces que o p]d]am2 imp$em-no de s] nocivo a si e aos outros2 privam-no de satisfaz] z paixes1 no com o int5to de lh'z irrit>1 mas de enfraquecel-z2 seque/ram-no da companhia das pessoas de bem1 no p>a que z odeie1 mas p>a que z *ore2 deseja-se que a sua maior afllico consi/a em havel-z (f5dido1 e que o arrep5dim5to o rehabilite p>a torn> ao seio d'ellas2 protegem-no contra a injuria2 enviam-lhe a visita de c>idade que o in/rue1 consola e s vezes re/aura4 ,e/as conv]ses so r>as c]tam5te2 quasi todas z nossas prises so infectas2 ahi a sol$ade corrompe2 e a promiscuidade contagiosa4 ,sabem-no os legisladores1 e os juizes tambem4 ,no se diz1 porm1 que assim o qu]em juizes e legisladores8 ,e1 na v]dade1 qu]em-no assim68 ,que se nos dep>a ahi s5o o /ygma da imp]feio das nossas obras1 e a pequ5ez de recursos em comp>ao dos desejos8 ,mas nem por isso nos s5timos descr] dos intimos anhelos que nos incitam a busc> nas p5as meio de re/aur> a ordem p]turbada1 onde qu] que seja1 e at na alma d crim9oso4 ,o que a mesma imp]feio nos aconselha que prosigam sem descanso no int5to1 que s] completam5te realisado no mundo em que a ju/ia p]feita1 e o pod] d pr9cipe igual sua ju/ia4 ,no nos mo/rem1 pois1 no inf]no1 uma gal imm5sa1 repleta de impud5tes scel]ados1 porque vos s] p]guntado se ,deus no pde1 mais que os hom5s1 v5c] coraes rebeldes1 ou se mais lhe praz ex]cit> sua omnipot5cia a p]petu> um feio espectaculo que ns1 philosophos e *ri/os1 bem quiz]amos que fosse banido4 ,e/a concepo d inf]no1 to ignobil quanto atroz1 data visivelm5te de tempos b>b>os1 em que a vida physica afogava a moral1 e a ju/ia no transp>ecia aos olhos propriam5te d sabio s5o atravez da nuvem sangu9osa da v+ana4 ,punir et]nam5te o vicio com o vicio1 a immoralidade com a immoralidade6 que projecto6 e1 na execuo d'elle1 que prodigio6 ,pois no ba/a ju/iar o homem no corpo8 ,s] preciso que o avro1 durante a tortura1 arda de saudades dos !s\ros que tantos cuidados lhe cu/>am e tantas dres grange>am8 ,ha de o comilo1 deitado sobre grelhas em brasa e/> a p5s> sempre na cos9ha e na g>rafeira8 ,o voluptuoso1 comido de *ammas e de bi*os1 ha de e/> sempre a lagrim> pelas p>ceiras8 ,a*am i/o possivel8 ,s5do assim1 no inf]no sabe-se melhor d que na t]ra o que valem riquezas1 praz]es1 divisas1 v5]as1 m$alhas1 sceptro e arm9hos4 ,ahi1 s]-se-ha1 de facto1 blasphemo1 e int5cionalm5te devasso1 adult]o1 usur>io1 despota1 valido1 mas tudo i/o sobre brasas8 ,havemos de confess> que o local no dos melhores p>a taes desejos1 e que s por milagre1 em tal sitio e por muito tempo1 possa hav] similhantes delirios4 ,ora ahi v$es que se attribue a ,deus o milagre de fix> a alma dos condemnados sobre impuras imag5s1 immobilis&o-z em appetites que o (f5dem4 o peccado et]nisado1 e et]nisado por ,deus4 ,no cabe a responsabilidade d'isso aos condemnados4 ,no os accuseis2 lam5tai-os2 que esses infelizes no so viciosos de vontade propria3 a lei que os obriga4 ,,vii ,ultimas consid]aes c]ca d inf]no !ologico ,affirmam os !ologos que a lib]dade um m]o accid5te da nossa vida mortal1 e que1 alm da campa1 se p]de1 tom&o-nol-a ,deus que nol-a d]a1 e quebr&o entre nossas mos1 no mom5to da morte1 aquelle in/rum5to de nossas provaes4 ,os ju/os so esbulhados d'ella p>a p]manec]em ju/os1 e os mos tambem p>a fic>em mos4 ,diz-se que ,satan prev>ic\ por que era livre2 e1 depois da qu$a de ,satan1 no co no h\ve mais creaturas livres1 nem to p\co no inf]no1 onde o proprio ar*anjo e/ acorr5tado ao peccado4 ,no so1 por isso1 livres os condemnados4 ,p5sam1 amam1 desejam2 mas no lhes conc$ido m$it>1 am> e qu]] s5o maldades4 ,s(frem e sabem o porqu2 mas no podem aproveit>-se d que sabem e d que s(frem4 ,conhecem os seus crimes2 porm1 no se arrep5dem1 porque o arrep5dim5to um bem1 e o bem no podem elles s5til-o4 ,se peccam sempre1 que a tanto so obrigados por s5t5a4 ,cons]vam razo e s5tidos2 mas consci5cia no a tem1 no disc]nem entre ju/o e inju/o2 no so s5hores de seus actos2 s(frem avassalados pelos s5tidos1 apez> da razo4 ,e/a escravido absoluta1 irrem$iavel e et]na1 explica sup]abundantem5te a immoralidade e o odioso de suas p5as4 ,pois se de todo em todo lhes impossivel a conv]so1 inutil e de%umano o ca/igo corporal que os tortura4 ,se no fosse a p]petuidade d'e/a escravido1 s]iam intelligiveis a fome1 a s$e1 o lago de sulphur1 a cama d'esp9hos1 o cavalete1 a roda1 os tractos a fogo e f]ro4 ,v d'exemplo3 eis aqui um crim9oso imp5it5te1 que ha folgado com os s(frim5tos alheios e calcado todas z leis da t]ra4 ,morre4 ,acab\-se tudo p>a elle8 ,no4 ,que v1 n'outro mundo1 sab] sua cu/a o que dr1 e que pi$ade m]ecem os que s(frem4 ,deus ba/ante pod]oso p>a o ca/ig> a ponto de o faz] brad> por mis]icordia2 ju/o que o no p\pe2 exige-o a humanidade1 com a condio de que esse peccador ca/igado seja a9da homem1 i/o 1 um s] no s intellig5te e s5sivel1 mas livre1 e1 por consequ5cia1 susceptivel de em5da4 ,mas1 se antes de o f]ir1 lhe tira o recurso d arrep5dim5to2 se1 em vez d homem1 o que temos vi/a um m]o bruto sobr5atural1 mon/ruoso1 ignobil1 a quem a dr nada ens9a1 e a razo nada pre/a1 mo por necessidade1 torturado1 sangr5to1 nojoso1 gem5te444 ah6 quem falla ahi de ju/ia8 desfaam por pi$ade esse mon/ro2 ba/a de padec]2 logo que lhe tira/es a lib]dade1 re/ituida lhe foi a innoc5cia4 ,qu&o uma creana br9ca beira de um poo1 e cahe apez> dos avisos da me1 a pobre me no respira em quanto a no salva2 corre logo sem att5d] desob$i5cia1 porque a v mais c>ecida d soccorro quanto maior o p]igo2 p>a ca/igo lhe ba/a a quda4 ,que diriam os !ologos1 se aquella me1 em vez de tir> d poo o filho1 lhe fosse quebr> braos e p]nas1 e cobril-o de p$ras8 ,o que elles !ologos imag9am que ,deus faz1 aquillo mesmo4 ,aviltam-no quanto podem4 ,,capitulo ,,qu9to ,,sursum ,,corda ,i ,fujamos d'e/e lamaal4 ,lavemos ps1 mos1 cabea e ve/idos4 ,caut]isemos os beios com um c>vo acceso4 ,demonios1 *ammas impuras1 espiritos malfeitores1 odios1 v+anz1 c>nific9as1 f]ozes alegrias1 e/upidos t]rores1 sonhos d homem primitivo adormecido em antro ourela de lagz turbidas1 com o e/omago regorgitado de c>nes sangu5tas1 com a mo sobre a clava1 e a alma a9da frem5te das paixes d dia2 my/agogia antiga2 sapi5cia idolatra2 delirios r5ovados dos b>b>os ori5taes e occid5taes2 confuso ac]vo de subtilezas me?aphysicas e torpes fabulas e aspiraes1 sublimes e baixos erros1 inf]no velho e inf]no novo1 palacios oscillantes edificados com ru9as1 ,n>aka1 ,am5?i1 ,t>t>o e ,gh5na1 sumi-vos6 ,o tempo avana2 j dia2 a calh&ra j cant\1 vamos s]ra vr o repont> d sol4 ,acima1 a9da mais p>a o alto1 subamos s espigas da montanha1 onde o ar mais sadio e o horisonte mais amplo4 ,azas1 azas6 vamos admir> o sol que reg5]a a vida e a fecundidade da t]ra1 e a todo o s] a sua v]a frma1 e aos hom5s1 que desp]ta d somno fundo1 a consci5cia de si mesmos e o s5tim5to das realidades que o rodeam4 ,mais ao alto6 ,mais a9da6 azas1 azas1 m9ha alma6 ,voemos at origem da luz1 de que e/e pallido sol ap5as sombra6 ,,ii ,deus uno1 com inf9ita v>i$ade de attributos1 cuja manife/ao lhe no lesa a unidade4 ,conhecemol-o n'e/e mundo por f unicam5te1 porque o no vemos qual 1 e no temos d'elle1 em nossos coraes1 s5o uma imagem imp]feita1 e1 p>a assim diz]1 mutilada4 ,por tanto1 aquelle sagrado nome exprime o que sabemos realm5te1 mas tambem o que no sabemos1 e o que sab]emos de ,deus1 no dia d]radeiro4 ,enc]ra ,deus todas z p]feies1 cujo complexo1 de que ap5as concebemos p>te m9ima1 o my/]io que adoramos atravez d'um vo1 que a morte levant>1 assim p>a santos como p>a pecadores4 ,sem duvida que os mais obdurados peccadores ho de vr ,deus2 e ho de vr no sm5te alguns attributos seus1 mas todos2 no ho de vr sm5te a sua et]nidade1 por quanto a et]nidade e/ em ,deus1 mas a et]nidade no ,deus2 no ho de vr sm5te a sua ju/ia e inf9ita omnipot5cia1 por quanto a ju/ia inf9ita e omnipot5cia so em ,deus1 mas no con/ituem toda a sua ess5cia2 no ho de vr sm5te a sua ju/ia1 por quanto a ju/ia e/ em ,deus2 mas s ou unida ao pod] et]no a ju/ia no ,deus3 s5o s]iam tantos os deuses quantos so os attributos e virtudes di/9ctas na unidade div9a4 ,qu&o os peccadores virem ,deus1 ento ho de vr quanto ha em ,deus1 sua bondade1 mis]icordia e ju/ia2 vel-o-ho a toda a luz1 d'um s lance de olhos1 por que tudo o que a nossa l+ua sep>a insep>avel em ,deus2 e1 se elle retrahisse dos peccadores um s respl5dor de sua face1 fic>ia s5do o ,deus abscondito que a nossa f adora1 e no o ,deus visivel p]ante o qual toda a incr$ulidade se dissipa4 ,pelo que1 ao mesmo tempo que sua ju/ia en*] de m$o z almas1 a sua bondade z consol> m$iante a confiana e arrep5dim5to4 ,,iii ,gr&es e pequ5os1 d\tos e ignorantes1 todos os peccadores s]o ca/igados1 cada qual m$ida de suas culpas4 ,n5huma s] esquecida2 mas1 por isso mesmo1 todas z virtudes s]o lembradas4 ,ao pessimo peccador que em sua vida teve um bom s5tim5to1 um bom desejo sequ]1 i/o lhe s] como torcida a9da fumegante a qual o sopro de ,deus acc5d] em flamma4 ,o p\qu9ho bem que pratic\ lhe s] contado1 at ao ceitil1 at ao puc>o de agua dado ao cam9heiro1 at ao gro de pa9o dado avez9ha1 at ao movim5to d d$o m5d9ho em que a creana vacillante se amp>\1 at ao olh> compadecido p/o na face d attribulado4 ,e/as so z unicas aces que elle qu]]ia recomear e multiplic> n'e/a vida1 se lhe fosse dado aqui volt>1 por que esse o sagrado lao que o une a9da1 po/o que de longe1 assembla dos ju/os2 e o mal que fez1 esse a9da subsi/e1 mas s na dr que s5te de havl-o feito1 e no arrep5dim5to com que o recorda4 ,praz]es torpes1 revezados de inquietaes am>gas no os cubia4 ,deplora o ceo1 e no a t]ra4 ,sm5te saudades d ceo pdem ent]nec] a lagrimas entes racionaes1 desempeados das trevas d'e/e mundo4 ,,iv ,os mortos que ,deus pune viram a ,deus1 e1 a um tempo1 se s5tiram attrahidos p>a elle1 e repulsos e como repuxados p>a longe pelo iman de seus peccados4 ,abriu-se o abysmo e cahiram1 mas com a vi/a sempre fita n'aquella ineffavel luz que lhe foge1 e os braos e/5didos p>a o ,deus mis]icordioso que os exila tempor>iam5te por causa de suas (f5sas4 ,cahem lev&o comsigo a indelevel memoria d'aquella =mosura e sab$oria inf9itas que s in/antaneam5te viram1 e ao baque>em-se1 exclamam3 ,havei pi$ade de mim6 ,os mortos que ,deus ca/iga viram ,deus2 e p>a logo o am>am1 que impossivel vl-o sem o am>4 ,viram-o e esquec]am a t]ra2 viram-o1 e ard]am em s$e inext+uivel de torn> a vl-o e possuil-o4 ,v]dadeiro ca/igo6 ,expiao dolorosa1 mas efficaz6 ,ard5tes lagrimas1 mas salut>es1 que o amor d]rama1 e o amor enxug>4 ,v ,blasphem> que 8 neg> ,deus ou algum dos seus div9os attributos ou alguma das et]nas e inf9itas propri$ades d seu s]4 ,neg>-lhe a exi/5cia blasphemia2 neg>-lhe o pod] blasphemia2 neg>-lhe a imm5sidade1 a et]nidade ou a sab$oria blasphemia4 ,a blasphemia som5te praticavel n'e/as regies de duvida e my/]io em que ,deus escassam5te se deixa entrev] atravez d'um veo4 ,mas o veo cahiu na pres5a dos mortos4 ,os cegos viram2 os p>alyticos &>am2 os mudos fall>am4 ,confessam todos que ,deus exi/e1 que et]no e pod]oso e ju/o4 ,neg>-lhe a ju/ia como pod]iam elles1 se s5tem at ao amago de seu s] a cl>idade ard5te e purificante8 ,e1 se no podem negal-a1 como ous>iam affrontal-a8 ,mas1 se qu]em que elles blasphemem1 digam-nos qual das p]feies div9as elles neg>o8 ,ai6 aos !ologos apr\ve que os condemnados negassem a que mais valiosa lhes s]ia4 ,os condemnados neg>o a bondade de ,deus2 injuri&o-o de mo1 de cruel1 de implacavel1 de esc>nec$or de suas agonias1 de v+ativo1 de c>rasco1 e no juiz4 ,i/o1 com effeito1 que blasphem>4 ,mas e/es impios discursos no os vocif]am os mortos ca/igados por ,deus2 sois vs1 scribas e d\tores1 que lh'os inv5ta/es2 e o que a isso vos lev\ foi o imag9>des um inf]no p]petuo1 e1 pelo tanto1 o effeito que o ca/igo e/]il devia produzir sobre s(fr$ores immortaes4 ,entrai m5talm5te n'essa catacumba infecta1 tomai por in/antes o log> das victimas1 e ousai fall> em bondade de ,deus4 ,no acr$it>eis em tal4 ,mo grado vosso1 a blasphemia vos fugir da bcca4 ,os primeiros blasphemadores so1 logo1 os inv5tores d'aquelle imag9>io supplicio4 maneira dos idolatras1 fraccion>am ,deus1 extrem&o entre ju/ia e bondade--attributos indi/9tos4 ,de modo que essas presumidas blasphemias d inf]no so sm5te um ecco das que esbravej>am nas almas d'elles1 ao contempl>em a sua obra4 ,,vi ,deus ju/ia e mis]icordia conjuncta e indivisivelm5te4 ,nos actos da sua ju/ia ha sempre um fundam5to de mis]icordia2 e1 nos actos em que sm5te a sua mis]icordia reala1 ha um fundam5to de ju/ia4 (f5del-o diz] que mis]icordioso sem ju/ia p>a uns1 e ju/iceiro sem mis]icordia p>a outros4 ,i/o falso quanto ao tempo e quanto et]nidade4 ju/o ,deus com os ju/os coro&o-os1 por que se a salvao d'e/es fosse gratuita e m]a complac5cia p>ticul>1 favor e no recomp5sa1 o ca/igo dos peccadores s]ia iniquo4 ,na gloria1 pois1 dos bemav5turados re9a tanta ju/ia quanta mis]icordia4 ,mas1 se ,deus1 no outro mundo1 ju/o p>a os eleitos1 por que no ha de s] mis]icordioso com os peccadores8 ,mo/rais-me a sua mis]icordia no ceo2 e eu tambem l vejo a sua ju/ia4 ,mo/rais-me a sua ju/ia no inf]no1 e eu tambem l procuro a sua mis]icordia4 ,,vii ,a condemnao d vosso inf]no e/ na necessidade logica e invisivel que l obriga a (f5d] e amaldio> ,deus4 isso possivel8 ,deus qu] s] injuriado et]nam5te8 ,no qu]] antes s] adorado e ab5oado por todas z creaturas8 ,adoram-no os santos em jubilo1 e os mortos1 que pune1 adoram-no em p5as1 por que sabem que ellas ho de t] fim4 ,seja-me te/emunha o ,evangelho4 ,,capitulo ,,sexto ,a p>abola d rico av>5to ,lux 9 t5ebris4 ,lde no ,evangelho de ,s4 ,lucas1 capitulo ,,xvi1 a p>abola d rico av>5to4 ,d fundo d inf]no1 o rico av>5to levanta a voz p>a seu pae ,abraho3 ,compadece-te de mim1 e m&a c a ,laz>o1 p>a que molhe em agua a ponta d seu d$o1 a fim de me refresc> a l+ua4 ,laz>o no se bole1 em quanto o patri>*a lembra ao padec5te a p5a de talio2 cabe agora ao opul5to m5dig>1 e ao pobre f>t>-se4 ,o rico av>5to baix\ os olhos1 e no p$iu mais agua3 resign\-se1 no murmur\1 no blasphem\1 r5unci\ a gott9ha d'agua como r5uncira z ve/es purpureas e z regalias da meza4 ,todavia1 a9da outra vez se dirigiu ao pae ,abraho3 ,eu te rogo que o m&es a casa de meu pae1 pois que t5ho c9co irmos1 p>a que lhes d te/emunho1 no succ$a virem tambem elles p>> a e/e log> de torm5to4 ,e ,abraho lhe disse3 ,elles l tem ,moyss e os prophetas3 ouam-os4 ,a9da assim1 o padec5te insi/e3 ,mas1 se algum morto l fr1 elles f>o p5it5cia4 ,ahi e/ mudada no s a =tuna d rico av>5to1 mas o corao tambem4 ,eil-o humilde1 supplicante1 submisso4 ,recebe z recusas sem ir>-se2 e1 em meio de suas dres1 lembra-se ent]necido de c9co irmos que deix\ na t]ra4 ,no lhes inveja os hav]es2 pelo contr>io1 qu] incutir-lhes c>idade1 e s por amor d'elles importuna o seu asc5d5te ,abraho4 ,porm1 ,laz>o e ,abraho sahem-lhe to rijos como elle t9ha sido p>a com z dres alheias4 ,o tal ,laz>o1 cujas *agas os ces lambiam1 torn\-se m5os pi$oso com o proximo d que haviam sido com elle os ces4 ,refocila-se nas delicias d ceo1 como o rico av>5to se refocilra nas da t]ra1 e esqueceu o que era p5>1 e o que se deve a quem p$e4 ,no tocante ao patri>*a1 esse1 em vez de consol> o neto supplicante1 desesp]a-o2 e1 a segunda vez que o desgraado ousa p$ir-lhe um milagre de bondade1 no p>a si1 mas p>a os irmos1 que lhe responde o outro8 ,responde seccam5te que os irmos l tem z escripturas to dignas de cr$ito como os mortos1 pelo m5os4 ,admiravel1 mas1 p>a !ologos1 incompreh5sivel p>abola6 ,eis aqui o inf]no conv]so1 reps1 ent]necido1 o rico avro deplorativo e c>idoso1 e por cima1 um ceo de bronze1 uns santos desc>oados4 ,e/e no o inf]no judaico1 *ri/o2 mas o p>aiso esse que judaico1 e no *ri/o4 ,,capitulo ,,setimo ,t]ra1 inf]no1 ceo4 ,,desvirtu> ,o ,,inf]no ,,desvirtu> ,a ,,t]ra ,e ,o ,,ceo4 ,n,o ,,outro ,o ,,s5tido ,,lat5te ,,da ,,p>abola ,,de ,,laz>o ,i ,,t]ra ,z affeies d'e/a vida cont9uam na outra4 ,mesmam5te no ceo1 a ,virgem ,me de ,*ri/o4 ,todos esp]am reconhec]1 alm-tumulo1 z pessoas que na t]ra e/remec]am4 ,reconhec]-se-ho os esposos1 pois que ho de reconhec] os filhos4 ,e/a esp]ana a maior consolao d'e/a vida1 e uma das =z que nos attrahem p>a o ceo4 ,mas o p]petuo inf]no nos escurece aquella esp]ana e nos esfria os mais santos affectos4 ,eis um pae de familia que morre subitam5te ou de viol5ta morte1 ou na sua cama1 sem padre1 sem sacram5tos1 ao cabo de uma vida devota4 ,imag9em a inc]teza da viuva e dos orphos quanto salvao d'esse ente que os am\1 educ\1 nutriu1 in/ruiu e consol\4 ,se ha coisa v]dadeira no ens9o dos !ologos1 podemos apo/> mil contra um que e/e homem cahiu no inf]no p>a sempre4 ,que afflico p>a acresc5t> s angu/ias d'aquella familia6 ,se elles tivessem a c]teza de am> um peccador p5it5te1 a quem rogos e boas obras podessem lev> refrig]io1 que supplicas1 que pi$osas obras no f>iam6 ,mas am> um condemnado6 suffrag> um condemnado6 am>r>em-se memoria de um condemnado6 gu>d>-lhe z reliquias1 z c>tas1 o retrato6 ,*oral-o1 suspir> por ir vl-o6 ,de rep5te1 morr] p>a odial-o6 ,sab]1 e p5s> e/as coisas6 ,seja embora uma duvida2 duvida que gela a orao no peito2 quebra o animo p>a o bem-proc$]2 espanca a pi$ade d l>2 e aconselha o e/ontec]-se e esquec]-se um homem--coisa to natural ao mundano egoismo--2 ou ento1 o outro egoismo f]oz e sombrio d frade que immola sua propria salvao todos os affectos humanos4 ,,ii ,ceo ,hav] no ceo familias que se encontrem2 mas tambem no ceo hav] orphos et]nos1 e viuvas et]nas1 e mes et]nam5te sem filhos4 ,se i/o motivo p>a am>guras1 ahi e/ o agro das duras d ceo2 mas1 se motivo p>a alegrias1 que horriveis alegrias6 ,o rico av>5to d ,evangelho s]ia em v]dade melhor d que os eleitos4 ,sem duvida1 mais c>idade hav]ia no inf]no que no ceo4 ,,capitulo ,,oitavo ,,hi/oria ,,de ,,um ,,sonho ,i ,ganh\ um m$ico1 cabeceira de um pobre1 do5a mortal4 ,*eg\ to depressa a morte que no lhe deu tempo de *am> o padre4 ,*eg\ o padre1 qu&o elle era j morto4 ,circumvag\ os olhos pelos assi/5tes1 disse que o *am>am t>de1 e sahiu d&o aos hombros4 ,z p\cas palavras e o ge/o impression>am vivam5te a viuva1 que se qu$\ a p5s> n'aquillo todo dia4 ,,ii ,e eu velava sombra d funebre leito4 ,a viuva e/ava ali or&o1 solu&o1 e sempre preoccupada1 a pez> seu1 com z palavras d padre4 ,a int]vallos1 olhava ella p>a mim *or&o1 invocava-me como te/emunha da virtude de seu m>ido1 e dizia-me com anci$ade3 ,no se salv> elle8--,no duvide1 s5hora--dizia-lhe eu2 porm tri/em5te eu via que z m9has respo/as a no socegavam4 ,ao cahir da t>de1 como ella desde a vesp]a no comesse nem dormisse1 fiz que seu filh9ho lhe (f]ecesse algum alim5to4 ,debalde se es=ou por engulir4 ,ento p$iu um livro de oraes4 ,abriu ao acaso um que lhe d]am1 esp]&o a*> ali algum alivio1 que no a*\2 pelo contr>io1 com a leitura cresceu-lhe a inquietao4 ,vi-lhe ento no ro/o uns tregeitos involunt>ios1 e um crisp> de mos1 e por fim um grito e logo cahiu desmaiada nos braos de quem a lev\ d'ali4 ,,iii ,apanhei o livro cahido de suas mos4 ,d5om9ava-se ,quotidiano d *ri/o1 e facilm5te conheci nas pag9as av9cadas z passag5s que ella t9ha lido3 eram os ,p5sam5tos *ri/os p>a todos os dias d mez1 pelo padre ,b\h\rs1 da companhia de ,jesus4 ,t9ha ella desmaiado qu&o lia no qu9to dia uma m$itao c]ca d ,juizo f9al4 ,acontece sempre que o f]ido ao cahir bate sempre na *aga4 ,alguns tre*os d capitulo1 cujas m>g5s e/avam lac]adas1 diziam assim3 ,quo t]rivel o dia da ira d ,s5hor6 ,os ju/os escassam5te s]o havidos como taes3 que s] dos peccadores8 ,que s5t5a pde esp]> o peccador imp5it5te de um ,deus inexoravel8 ,oh6 que t]ribilissima s5t5a6 ,ide1 malditos1 ard] em fogo et]no6 ,ai6 onde iro1 ,s5hor1 esses desgraados que amaldioaes8 ,p>a que ponto d mundo qu]eis que se afa/em1 di/anci&o-se de vs8 ,onde que e/ p>agem to fune/a8 ,,sexto ,,dia ,o ,,inf]no ,i4 ,que horror ganh>iamos ao inf]no1 se podessemos ouvir os lam5taveis gritos dos condemnados6 ,suspiram1 gemem1 urram como be/as-f]as em meio de lav>$as4 ,accusam-se de seus peccados1 *or&o-se1 dete/&o-os2 mas ,,t>de4 ,o *or> no lhes faz s5o augm5t> o ardor d fogo que os queima sem consumil-os4 ,p5it5cia dos condemnados6 quanto s rigorosa1 e inutil6 ,,ii4 ,no vr ,deus nunca1 ard] em fogo de que o nosso ap5as sombra2 s(fr] ao mesmo tempo quantos males ha ahi1 sem allivio1 sem rep\so2 sempre com os olhos po/os nos demonios1 sempre com o corao raivoso e desesp]ado1 que vida6 ,,iii4 ,esses desgraados enfuriam-se por t]em desprezado tantas occasies de salv>em-se4 ,o record>em os praz]es passados -lhes um de seus mais p5osos torm5tos2 mas o torm5to sup]ior a todos a lembrana de t]em1 por sua culpa1 p]dido ,deus4#f ,pobre mulh]6--disse eu entre mim l5do aquelle capitulo--vr seu m>ido1 to bom homem1 alcunhado de be/a-f]a6 ,e top> em livro de pi$ade1 onde procurava consol>-se1 e/a cruel s5t5a que de manh ouvira da bcca d'um sac]dote3 ,,muito ,,t>de6444 ,quiz fe*> o livro2 mas o titulo d ,dia segu9te1 impresso em v]saletes1 su/eve-me4 ,,setimo ,,dia ,,da ,,et]nidade ,,das ,,p5as ,,d ,,inf]no ,i4 ,pod] ir mais adiante a cl]a de ,deus que ca/iga praz]es que to p\co duram com supplicios sem fim8 ,que desgraa no i/o6 ,no ba/> que os males d'um condemnado sejam extremos8 =oso que sejam et]nos8 ,uma picada de alf9ete mal bem leve2 todavia1 se e/e mal durasse sempre1 torn>-se-hia insupportavel4 ,ora1 os torm5tos d inf]no que s]o8 ,,ii4 et]nidade6 ,qu&o um condemnado podesse d]ram> lagrimas ba/antes p>a faz]em quantos m>es e rios tem o mundo1 a9da que v]tesse uma s lagrima em cada seculo1 elle no e/>ia mais adiantado1 depois de tantos milhes d'annos1 como qu&o comeou a p5>4 ,s]-lhe-ha =oso recomear como se no tivesse nada padecido2 e1 qu&o tiv] recomeado tantas vezes quantos so os gros de areia nas praias1 os atomos no ar e z folhas nos bosques1 nada d'isso lhe s] contado4 ,,iii4 ,no s por toda a et]nidade os condemnados s(fr]o2 mas1 a cada in/ante1 s(frem a et]nidade inteira4 ,e/-lhes sempre vi/a a et]nidade2 em todas z dres se lhes ca a et]nidade4 ,z p5as inf9itas cont9uam5te lhes e/o no espirito4 ,cruel ida6 deploravel situao6 ,ard] por uma et]nidade6 *or> et]nam5te6 ,raiv> sem fim6 ,e/a m$itao corresponde ao ,setimo dia1 que aquelle em que o ,s5hor entr\ em descanso p>a admir> suas obras4 #f ,o padre ,b\h\rs foi um sol]te eng5ho1 ba/ante mundanal1 que di/illava a frio no seu gab9ete aquella rhetorica m$onha1 cuja leitura1 se lhe dessem valor s]io1 s]ia capaz de faz] abort> uma mulh] gravida4 ,ac9tem5te aba/>da elle n'e/e livro a v]dadeira d\tr9a c]ca d inf]no1 d\tr9a em que se apr5de que os condemnados amam o peccado1 pois que am> o peccado odi> ,deus2 conhec5do1 porm1 a desmoralisao de tal p5a1 o padre ,b\h\rs presume que os condemnados abom9am o peccado1 mas que os seus olhos se abriram j t>de1 por maneira que sub/itue p5a immoral1 mas app>5tem5te ju/a1 uma p5a de app>5cia moral1 mas p>a isso mesmo horrivelm5te iniqua1 por que dete/> o peccado am> o que ha mais avsso ao peccado1 i/o 1 a virtude1 ou1 mais ao cl>o1 ,deus4 ,segue-se que ,deus deix>ia inf]nados os que o amam e se arrep5dem de o hav] (f5dido4 ,n'outro capitulo da mesma obra o mesmo padre de p>ec] que os condemnados no podem am> ,deus4 ,mas1 se elles no amam o bem nem o mal1 nada amam2 e ento que vem a s] z p5as espirituaes8 ,que s(frem8 por que s(frem8 por que se afflijem d p]dim5to d'um bem que no amam8 e por que os afflige a p]da dos praz]es que abom9am8 ,tudo isso dispra n'um apontoado de s&ices4 ,,iv ,acabava eu de lr1 agitado1 aquella pag9a1 qu&o a viuva recup]\ os s5tidos2 mas quasi m5tecapta4 ,exclamava ella que t9ha a c]teza de seu m>ido t] sido condemnado1 por que no acr$itava em tudo que a egreja ens9ava1 e morrra sem confisso2 accresc5tava que o m>ido era bom p>a ella e p>a todos2 que1 a9da mesmo que a h\vesse (f5dido1 lhe p]doava pelo muito que elle e/ava padec5do1 e que desejava ir junt>-se-lhe e consolal-o no inf]no4 ,fallava em mat>-se p>a mais depressa o vr2 e1 diz5do i/o1 acon*egava o filho d seio1 sorria-lhe1 beijava-o convulsivam5te1 em duvida se devia matal-o2 por quanto1 dizia ella1 o m59o iria ao p>aizo1 se morresse ento2 e no se v]iam mais1 desej&o ella leval-o ao pae4 ,assim que ouvi os gritos1 sahi d qu>to mortu>io p>a soccorr]1 se fosse preciso1 aquella afflicta g5te1 sobrec>regada com outra desgraa4 ,c]camos a jov5 viuva1 vigi&o angu/iosam5te os seus m5ores movim5tos1 por m$o de que ella no praticasse algum acto de desesp]ao1 de que d]a mo/ras4 ,quizemos tir>-lhe o filho2 mas ella dava ares de qu]] afogal-o antes que lh'o tirassem4 ,p>ecia j mais tranquilla que todos ns4 ,desfigur\-se-lhe cadav]icam5te o semblante2 os olhos porm brilhavam1 e o sorrir t9ha um ar cele/ial4 ,fallava sem cess> d m>ido1 e d praz] que ella t]ia em acompanhal-o no s(frim5to4 ,a me ajoelh\-se diante d'ella1 que a levant\ amorosam5te1 rog&o-lhe que no p$isse a ,deus pela sua alma4 ,conseguimos em fim sep>al-a d filho1 e levamol-os um apoz outro1 elle j adormecido1 e ella luct&o comnosco1 desgr5hada e rota4 ,seguiram-na os p>5tes1 e eu fiquei ss9ho beira d cadav]4 ,v ,bem desejava eu tambem sar3 c>ecia de di/rahir-me4 ,pi$ade1 cl]a1 f1 duvida1 t]ror1 mil contr>ios s5tim5tos me agitavam1 dos quaes eu no podia def5d]-me ao p d esquife1 e depois de similhante espectaculo6 ,enco/ei-me banca onde e/ava deitado sobre uma alva cob]ta um crucifixo de m>fim1 e1 contempl&o aquella div9a imagem1 recolhi-me no mais intimo retrahim5to d'alma4 ,p]guntava eu a mim mesmo1 com o corao ap]tado1 o que devia cr]-se da vida e morte de ,*ri/o1 e se era c]to que elle descesse d co1 como se dizia1 p>a assombr> os ju/os1 desesp]> os peccadores1 e conturb> a razo dos fracos4 ,e a mim me quiz p>ec] que ,jesus e/ava ali1 e p5sei vl-o *or>1 e que uma de suas lagrimas resval\ sobre o ,quotidiano d *ri/o1 e tudo que eu havia lido n'aquelle livro subitam5te se desfez4 ,e/ava a9da comtudo a m9ha alma p]turbada4 ,int]roguei o ,*ri/o4 ,no me respondeu4 ,ento entrei em duvida se eu e/ava adormecido ou desp]to4 ,vi--s]ia sonho8--um oceano de trevas alcantil>-se volta de mim1 e no seio d'essa escurido imm5sa lampejava um fr\xo raio de luz4 ,e e/a luz saia das f5das de um sepul*ro1 e ,jesus e/ava deitado vivo n'esse sepul*ro4 ,eu quiz levant> a p$ra que o cobria1 mas uns v]dugos envoltos em trevas me decep>am z mos2 eu quiz balbuci>1 e arranc>am-me a l+ua2 e assim mutilado1 cego e mudo s5ti-me arrebatado e precipitado s entranhas de um abysmo1 e compreh5di que e/ava no inf]no4 ,o meu unico s(frim5to ahi era a cegueira1 e a espectativa anciadissima dos supplicios que me esp]avam4 ,e1 como s tivesse ouvidos p>a ent5d]1 escutei1 e compreh5di o segu9te4 ,,vi ,ao pr9cipio ouvi um rumorej> e/ranho1 que rolava prolong&o-se ao travez dos espaos inf9itos1 e depois decrescia at ao cici> da folhagem que a brisa da t>de ac>icia1 e por fim augm5tava em e/ridor at exc$] o ronc> das vagas cavadas pela borrasca4 ,e/as comp>aes tiradas da t]ra no do ida da tri/eza1 d pung5te e solemne d'aquelle imm5so rugir de s]es sem nome que eu no podia vr e ouvir gem]4 ,de toda a p>te1 suspiros1 brados1 soluos1 gritos exhorativos1 mas tudo di/9cto1 conglob&o-se sem confundir-se1 e =m&o um brado unisono4 ,debaixo d sol no ha ahi espectaculo to v>iado como o prante> d'aquellas almas1 resso&o em *oro univ]sal quasi cl>o a9da1 e mais afflictivo4 ,ao ouvir e/es e/rondos figurava-se-me que o sangue me escorria dos pulsos cortados1 e o suor da fronte1 e z lagrimas dos olhos1 e tanto eu como tudo em r$or s(friamos e supplicavamos4 ,,vii ,e uma voz exclamava3 ,oh6 quanto eu s(fro1 ,deus meu6 ,i/o no t] fim8 ,vs1 ,s5hor1 que me atira/es ignorante a um mundo escuro1 no me julgaes1 apoz tantos seculos1 ba/ante ca/igado dos meus desvios d'um dia8 ,e outra voz exclamava3 ,qu&o os meus peccados aqui me abysm>am1 vossa mo1 ,deus1 me amp>ava1 e me amp>a a9da2 e1 assim mesmo1 em log> de dim9uir1 o meu supplicio augm5ta4 ,s(fro com quantos de longe mole/ei3 t5ho fome com os que eu pod]ia f>t>2 t5ho frio com os que eu pod]ia ve/ir2 peza sobre mim a cada hora e cada vez mais esmagadora a c>ga de males que fiz pez> sobre outros4 ,multiplic>am-se z m9has (f5sas como a h]va sobre a m9ha campa esquecida1 e z m9has f]idas sangram sempre1 e z m9has *agas lavram sem cess>4 ,i/o ju/o1 meu ,deus6 ,pod]ia eu s] feliz no co1 se visse o effeito de m9has obras8 ,em quanto fructifica a arvore fatal que plantei na t]ra1 puni-me1 ,s5hor6 ,mas no me tireis a esp]ana6 ,o p\qu9ho bem que fiz na vida no g]m9> nem cobrir1 se o p]mittirdes1 os ve/igios das m9has iniquidades8 ,oh6 qu&o n5hum ente vivo1 n'algum log> d mundo1 j no podr imput>-me seus s(frim5tos1 t5de ento pi$ade de mim1 meu ,deus6 ,e todas z almas peccadoras1 un9do-se em um brado de mis]icordia1 repetiram juntas1 l das reconditas pr(undezas3 ,t5de pi$ade de mim6 ,t5de pi$ade de mim6 ,e/a supplica em commum era a um tempo to suave e dilac]ante que eu imag9ei que o ceo se abriria4 ,mas a noite que me envolvia espess\-se mais glacial2 e o abysmo emmudeceu2 e1 apoz um in/ante de esp]ana1 cont9u\ a lam5t>-se1 corr5do como o oceano nas frag>ias da co/a4 ,ai6 ai6--conclamavam os gritos que se ext+uiam solu&o-- surdo o co6 surdo o co6 ,nunca6 nunca6--diziam outras vozes--,nunca6 nunca6 ,meu ,deus1 que respo/a dr6 ,nunca6 nunca6 ,descanai1 filhos6--brad\ um condemnado1 que se me figur\1 no tom de voz1 s] um dos patri>*as d abysmo--,no pr(irais essa palavra horrida4 ,ahi sa em vossos pobres seios um ecco das maldies da t]ra1 e no palavra descida d co4 ,ha mais de mil annos que padeo1 e oro1 e escuto o co1 e no ouo a respo/a4 ,oremos1 oremos sempre6 ,e o ancio ento\ um cantico2 e1 ao primeiro v]siculo1 p>\ e debulh\-se em lagrimas4 ,ai6--ressoavam ao longe milhes de almas gem5tes--,ai6 o co surdo6 o co surdo6 ,n'e/e lance1 uma voz sobrelev\ a todas1 diz5do3--,ens9ai-nos1 ao m5os1 ,s5hor1 a utilidade dos padecim5tos4 ,se nos p]doasseis1 acaso a vossa gloria padec]ia com isso8 ,a felicidade dos ju/os s(fr]ia dim9uio8 ,revolt>-se-hiam elles contra vs8 ,logo que z creaturas entr>am vossa pres5a1 no se lhes acrisol>am os s5tim5tos de pi$ade8 ,o padre que me e/5dia a mo qu&o era mortal e sujeito ao peccado1 a esposa que eu amava1 a me que me g]\1 os amigos que me trahiram e aos quaes p]doei1 os pobres que soccorri1 e uma filha +rata e amada a quem eu d>ia a com] o meu corao em ancias de fome1 nem essa1 n+uem vos int]c$e por mim8 ,hontem oravam elles qu&o eu me rejubilava nas culpas2 pranteavam-me vivo e oravam por mim2 e hoje esquecem-me1 p5dem p>a o crime1 fogem da dr2 o amor a quem s(fre e geme s5tim5to ephem]o1 que vai mal p>a entes bemav5turados4 ,e a voz que fallava assim ergueu-se a9da p>a amaldio>1 mas falleceu-lhe a =a1 e maneira d vagalho que rossa a nuvem rug9do1 subita recaiu e expir\ em prolongado gemido4 ,mas logo um brado novo retumba mais e/rid5te a9da1 e1 eu1 ouv9do-o1 no di/+uia se era orao1 se blasphemia4 ,e bradava3--,creio na vossa ju/ia1 meu ,deus2 mas deixai-me crr na vossa mis]icordia4 ,no ella to inf9ita como a vossa ju/ia8 ,no et]na8 ,se me p]doaveis qu&o eu e/ava na t]ra1 porque no me p]doais aqui8 ,se eu s\ o mesmo peccador1 no sois vs o mesmo ,deus8 ,e1 se a morte me mud\1 pde a morte d'um ente como eu mud> a vossa immutavel natureza8 ,cans\-se acaso a vossa bondade8 ,exhauriu-se8 ,sois vs susceptivel de cansao8 ,e1 se alguma de vossas virtudes transitoria1 de circum/ancia e occasional1 =oso que seja a bondade1 aquella ineffavel bondade que ns ignorantem5te consid]avamos l em cima a mesma ess5cial e inalt]avel virtude vossa6 ,se assim --proseguiu a voz desesp]ada--anniquilai-me1 ,deus ,omnipot5te6 ,e/a exi/5cia inutil2 s\ de mais no univ]so4 ,que lucraes com z m9has dres8 ,t5des preciso d'ellas8 ,retomai e/a vida de que sem duvida abusei1 e e/a intellig5cia que p]v]ti2 apagai em mim e/a luz1 vi/o que pr9cipiam a rasg>-se os veos que a escur5tavam4 ,tirai-me a lembrana d co1 a ancia de s] feliz1 a necessidade d'am>1 a necessidade de sab]2 tirai-me1 sobre tudo1 por pi$ade1 o s5tim5to da ju/ia1 porque eu no s\ ,deus1 e a vossa ju/ia um my/]io1 e contra m9ha vontade1 a blasphem>ei4 ,deixai-me morr]1 ,deus6 ,deixai morr] quem s(fre6 ,matai o peccado incuravel e a dr e/]il1 a fim de que na creao no haja um s atomo que no palpite de reconhecim5to e alegria1 ao ouvir o vosso nome santissimo4 ,e um clamor horr5do abaf\ a voz que fallava2 e1 d'um angulo a outro d abysmo1 todas z almas em tortura escabujavam1 rog&o a ,deus que z deixasse morr]4 ,e p$iam a morte como os fam9tos m5digam po2 *amavam-na com os gritos da mulh] em angu/ias de p>to d seu primog5ito1 com a dr da victima na fogueira1 com o rugido da lea que p]deu os ca*orros1 com o balido d cordeir9ho que procura a me4 ,e eu tambem a *amava1 e me p>eceu vl-a aproxim>-se1 e beijei-lhe a mo glacial2 e1 qu&o me s5tia morr]1 desp]tei4 ,,capitulo ,,nono ,,judas ,,isc>iote ,i ,eu escolh]ia d'entre os condemnados o mais desprezivel1 se no inf]no exi/isse um mis]avel maior d que ,judas4 ,e/e vivia na amisade de ,jesus2 n+uem lhe conhecia mais de p]to a innoc5cia2 e1 como elle fosse o p>ticul> di/ribuidor das esmolas 7,joo1 c4 #ac1 v4 #bi71 n+uem lhe conhecia melhor a bondade4 ,no ob/ante1 v5deu-o2 e1 depois de o atraio>1 volt\1 ce\ com elle1 e1 ao escurec]1 gui\ os soldados que o pr5d]am2 e1 como os soldados o no conhecessem1 deu-lhes signal1 abra&o-o4 ,eis aqui o crime circum/anciado4 ,prem$itao1 cubia1 villeza1 tem de tudo4 ,judas v5de o me/re e o amigo1 o sabio e o ju/o4 ,v5de-o sem col]a1 sem paixo1 por bom d9heiro de contado1 como v5d]ia na feira um jum5to ou um boi4 ,sabe que desejam matal-o2 no importa6 v5de-o4 ,e que s] depois da ,me de ,jesus8 e dos do5tes que elle curava8 e dos ignorantes que ens9ava8 ,ah6 que tem ,judas com z lagrimas de me e com a ignorancia e la/imas d povo8 ,negoci\ com todas essas dores como m]cadej\ com a amisade1 com a sab$oria1 com a innoc5cia1 com tudo que ahi ha div9al n'e/e mundo4 ,embols\ o preo2 e1 a fall> v]dade1 nem os ph>iseus nem elle avali>am c>a a m]cancia3 tr9ta d9heiros6 dez vezes m5os que a libra dos p]fumes de ,magdal5a4 ,,ii ,um dos primeiros effeitos da p]fidia de ,judas foi a defeco dos apo/olos4 ,em vez de seguirem o ,me/re1 falsam5te accusado de sacrilego e s$uctor1 disp]s>am-se3 ,?iago1 ,simo1 ,?adeu1 que elle *amava seus irmos1 ,joo1 o seu amigo dilecto1 todos por egual cov>des1 no cuid>am s5o em salv>-se4 ,conheces e/e homem8 p]gunt>am a ,p$ro4--,no1--diz ,p$ro1 o *efe1 o mais corajoso de todos--no o conheo4--,r5eg\-o trez vezes2 trez vezes m5tiu2 trez vezes te/emunh\ de falso em face dos accusadores3 depois1 *or\ na escurido1 e cal\-se4 ,todos deix>am injuri>1 calumni>1 *ibat> e morr] ,jesus1 sem ergu]em brado em sua defeza e duvid&o que fosse ,deus1 duvid&o-lhe da misso1 das promessas2 bem que1 p>a gr&e opprobrio d'elles1 c]tos de sua amisade1 pureza de vida1 e excell5cia da moral4 ,p>a se reanim>em foi preciso o milagre que o pae ,abraho recus\ ao rico av>5to2 nada m5os que resuscit>em os mortos1 e que propriam5te ,jesus sasse d sepul*ro1 e que elles o vissem1 e conv]sassem e comessem em sua companhia1 e que ,?om lhe tocasse z *agas4 ,desde ento que prg>am com inabalavel f a div9dade de ,jesus4 ,,iii ,o peccado dos apo/olos1 n'e/a lam5tavel hi/oria da ,paixo1 1 na ess5cia1 egual ao de ,judas1 bem que no tanto odioso4 ,falt\-lhes a todos a f2 porm1 s5do a f um dom sobr5atural1 no devemos arguil-os desabridam5te porque no receb]am o dom4 ,o que d seu proc$] nos irrita deix>em ir at f9al1 sem publico prote/o1 a obra de ,judas2 que ab&onassem o innoc5te amigo que os outros t9ham v5dido2 que no dissessem a ,pilato ou ,h]odes3 ,no6 e/e homem no s$icioso2 qu] que se d a ,cez> o que de ,cez>1 e a ,deus o que de ,deus2 paz1 des9t]esse1 e c>idade so a sua d\tr9ao4 ,i/o bem o sabiam elles1 e no o diss]am1 e deviam tl-o dito1 sem m$o1 e no abaf>em1 como fiz]am1 o grito da consci5cia4 ,e/e que o crime dos apo/olos1 crime natural1 como o de ,judas4 ,bem se deixa vr que1 se ,judas v5deu o seu ,deus1 no p5sava elle que v5dia ,deus3 v5deu-o sem vl-o1 sem reconhecl-o div9o4 ,o que elle a sabidas v5deu e quiz v5d] era um homem1 pelo mesmo !or que os apo/olos desamp>>am e quiz]am desamp>> um homem1 mas o melhor e mais sabio homem1 e o mais c>9hoso amigo4 ,v5d] ,deus6 r5eg> ,deus6 isso crivel qu&o se cr em ,deus8 ,tal crime1 =a de disp>atado1 fic>ia impune1 como acto de s&ice6 ,judas foi +rato1 ladro1 egoi/a1 traidor doble1 fallacioso1 assass9o2 tudo isso foi e mais a9da2 mas o c]to que1 no intimo de seu corao1 ,judas no se julgava deicida4 ,,iv ,por mais infame que haja sido1 ,judas no o era tanto que no compreh5desse a torpeza d seu acto4 ,tanto a compreh5deu que no se pde afaz] sua villania2 e1 em quanto os apo/olos se escondiam1 foi elle--dolorosissimo acto6--confess> sua p]fidia no templo1 e re/ituir o d9heiro aos compradores1 diz5do3 ,v5di o sangue d innoc5te4 ,mas n+uem se desata d seu remorso1 como de um d9heiro que encrava esp9hos na consci5cia2 e1 na bcca de um traidor1 o te/imunho a favor da innoc5cia p]de muito de sua efficacia4 ,s5tiu-o vivissimam5te ,judas qu&o1 apoz confess>-se d crime1 os ph>iseus lhe respond]am3 ,que se nos d d'isso8 ,l te avm4 ,sau ento d templo1 convicto de que no e/ava em sua mo su/> z consequ5cias d seu crime1 corrido1 desesp]ado1 indo ao encontro da morte que m]ecra1 mas que n+uem lhe dava1 p>a que a sua p5it5cia fosse maior n'e/e mundo4 ,v ,vida de opprobrio e remorsos expiao4 ,judas dev]ia viv]4 ,porque se mat\8 ,se elle cresse na div9dade de ,jesus1 no se mat>ia1 pois que1 mat&o-se1 a entreg>-se nas mos d',aquelle que atraiora4 ,por que se mat\8 ,o suicidio nada rem$eia1 e tira da contemplao dos hom5s o salut> espectaculo d'um crim9oso contricto4 ,procurava elle anniquil>-se8 ,a anniquilao s]-lhe-hia doce refugio3 o nada no p5a4 ,ora c]to que n+uem disse que ,judas fosse a!u4 ,se elle descrsse de ,deus e da vida futura1 como explic>-lhe os remorsos8 ,que crime1 qu&o se cr que tudo acaba comnosco8 ,se no cresse em ,deus1 ,judas gu>d>ia os tr9ta d9heiros4 ,que temia elle8 ,como cumplices de seu crime t9ha todo ,israel1 os padres que o corromp]am1 os s5adores1 ,pilato1 ,caiphs1 e a crte de ,h]odes1 e os proprios apo/olos que neg>am a victima4 ,ento por que se mat\8 ,,vi ,no suicidio de ,judas ha t]rivel my/]io2 mas tambem1 n'e/e my/]io1 ha relance lum9oso1 e vem a s] que ,judas1 depois de confess> a p]fidia1 na face dos t5tadores1 calc&o o ouro recebido1 vag&o l\cam5te pelas ruas de ,j]usalem1 valia tanto pelo m5os como o s5ado judaico que cont9uava delib]&o friam5te a morte d ju/o1 como ,pilato que lavava z mos1 como ,h]odes e sua crte que riam de tudo1 e como os cov>des amigos cujo te/emunho1 n'aquella conjunctura1 s]ia muito mais importante que o d'elle4 ,tal mon/ro rev]tido a homem1 de si mesmo horrorisado1 saiu da cidade1 entr\ aos campos por onde tantas vezes e/ancra com o affavel ,me/re1 viu-se indigno de ap]t> a mo d'um amigo1 porque havia trahido o mais fiel de todos2 viu-se indigno de pi$ade por que a no tiv]a2 e1 por fim1 desej\ acab>4 ,nunca t9ha s5tido como ento1 nem qu&o ouvia ,*ri/o1 o nada das riquezas1 a vaidade d mundo1 o desgo/o dos praz]es1 o horror dos vicios que os seguem4 ,oh6 se elle podesse retroc$]1 delir de sua vida aquella nodoa de sangue1 sacudir o pezo que lhe abafava o corao1 quo div]so d que fra no s]ia6 ,como agora se lhe figurava =mosa a innoc5cia6 ,como z t5taes lhe p>eciam boas de subjug>6 ,ah6 se elle podesse quebr> z prises de ,jesus1 e banh>-lhe os ps com suas lagrimas6 ,se podesse (f]ec] a vida a trco da que o povo a sacrific>6 ,com que praz] se deit>ia na cruz1 e ahi morr]ia em paz1 se lhe fosse dado p]do de seu crime com tal condio6444 ,mas1 ao longe1 e/rugia a grita da multido enfuriada1 brad&o3 ,crucifica-o6 ,escutava o tropel dos cavallos1 o ret9ir das armas1 e a pancada d m>tello que cravava os pregos nas mos bemfazejas d amigo que elle v5dra4 ,iriaram-se-lhe os cabellos1 reum\-lhe suor glacial ao ro/o1 mal se t9ha nas p]nas como ebrio1 s5tia retrahir-se-lhe o *o debaixo dos ps4 ,oh6 como ,jesus padecia6 ,mas ,judas padecia mais1 porque s(fria como crim9oso1 e no como ju/o4 ,os s(frim5tos de ,judas exc$em todo o confronto4 ,no ha ahi agonia que lhes comp>eis4 ,em um dia1 n'uma hora s(freu mais d que cem annos de p5it5cia no des]to1 cem annos de v]gonhas e supplicios entre os hom5s4 ,a sua alma era uma =nalha em *ammas4 ,os cam9hos abrolhavam-lhe esp9hos dilac]antes debaixo dos ps4 ,com os proprios d5tes lac]ava os beios4 ,o sangue e/ura-lhe nas veias4 ,aquelle viv] j no era vida de homem4 ,nem fome nem s$e o esp]tavam d le?>go horr5do4 ,fulgurava-lhe um s s5tim5to3 o horror d seu crime4 ,o que elle levava pelos campos alm era um cadav] j ins5sivel dr2 e esse vil cadav] o que elle e/rangul\ p5d5te da arvore4 ,fez mal4 ,melhor lhe fra morr] ajoelh&o1 supplic&o mis]icordia4 ,ah6 acaso sabemos como elle morreu8 ,por v5tura1 a dr ref9ada at aquelle extremo no s] a mais eloqu5te supplica8 ,quem o sabe n'e/e mundo8 ,,vii ,seja1 porm6 ,prosiga elle na outra vida o m$onho supplicio que t5t\ abrevi>6 ,que esse incomportavel ca/igo r$obre de hora a hora1 de anno a anno1 de seculo a seculo4 ju/o4 ,am56 am56 ,conte-se e publique-se em todas z l+uas da t]ra que ha dezoito seculos ,judas trahiu o ,filho d homem1 seu bemfeitor1 seu amigo e me/re1 e que o seu ca/igo dura a9da4 ,maldito seja elle e todos os seus similhantes6 ,maldito seja de pobres e ricos1 dos filhos e das mes6 ,padres de ,jesus ,*ri/o1 levai e/a nova a todas z *oz e palacios2 dizei-a a gr&es e pequ5os1 aos que balanceam ?uribulos1 e aos que floream gladios1 aos que julgam a t]ra e aos que so julgados6 ,ai dos hypocritas6 ai dos +ratos6 ai dos hom5s de duas l+uas e duas c>as6 ai dos s]vos e dos irmos tr$os6 ai dos que antepem a amisade ju/ia1 e v5dem sua alma ao sanh$r91 e contam z suas mo$as em quanto o innoc5te atorm5tado4 ,dizei i/o a toda a t]ra1 padres de ,jesus ,*ri/o1 que no hav] ahi palavra que vos impugne4 ,sim6 ,no ha ahi crueza de morte1 e morm5te volunt>ia morte que expie tamanho crime4 ,judas s(fre ha dois mil annos1 e d'aqui a quatro mil s(fr] a9da1 e em quanto o g5]o humano no t]m9> a sua p]egr9ao t]re/re1 viv] em supplicio recresc5te de torm5tos inauditos4 ,,viii ,entretanto1 meu ,deus1 e/e mundo de provaes1 segundo disse/es e tudo o confirma1 ha de acab>4 ,e1 qu&o e/e mundo fr de/ruido e r5ovado1 qu&o j no h\v] sol1 nem b]os1 nem sepul*ros1 nem g]aes de peccadores1 no p]do>eis ento a ,judas8 ,qu&o elle app>ec] vossa pres5a no dia d juizo1 depois de tantos seculos de indescriptiveis dres1 no vos lembr>eis de que elle foi vosso amigo8 ,d>-se-ha caso que ,p$ro1 esquecido da sua culpa e d p]do que a disf>ou1 diga a9da outra vez3 ,no conheo e/e homem8 ,joo1 ,ma!us1 ,?om e ,?iago1 volt>o o ro/o indignado1 como se no h\vessem tambem peccado e duvidado8 ,no vos dir o cro inteiro dos apo/olos3 ,s5hor1 api$ai-vos d'elle4 ,sem a vossa graa1 o que no t]iamos feito ns8 ,api$ai-vos d'elle1 ,s5hor6--diro todos os bemav5turados--que elle1 sem o sab]1 foi o in/rum5to e a victima da salvao dos hom5s4 ,feliz culpa6 dizia ,santo ,ago/9ho d peccado de ,ado1 feliz culpa que grange\ p>a o g5]o humano situao melhor que a d ,ed54 ,feliz tambem1 meu ,deus1 a culpa de ,judas1 pois era mi/] que1 em cumprim5to de vossos decretos1 fosseis trahido por um dos vossos amigos4 ,horr5do1 mas inevitavel crime1 pr$icto muito antes pelos prophetas2 crime salut>1 introito my/]ioso da paixo2 crime que foi amaldioado e devia sl-o1 mas que hoje devemos p]do> e bemdiz]1 por quanto1 sem tal crime1 dce ,jesus1 nem vs t]ieis morrido1 nem o mundo e/>ia resgatado4 ,api$ai-vos1 pois1 de ,judas6 ,commis]em-vos seus remorsos1 torm5tos e lagrimas6 ,compadea-vos a cegueira d'elle6 bem de crr que fe*ais os olhos da alma aos culpados e e/a milagrosa cegueira com que os affligis j p] si um ca/igo4 ,mas tambem os ca/ig>eis por peccados e erros commettidos com vossa lic5a1 no seio d'aquellas v+adoras trevas que d]rama/es no seu cam9ho8 ,no1 no1 meu ,deus1 vs o disse/es4 ,lembrai-vos de vossas d]radeiras palavras na cruz r$emptora1 qu&o p$ieis a vosso ,pae p]do p>a os algozes1 p>a os sac]dotes que vos haviam comprado1 p>a o amigo desleal que vos t9ha v5dido1 p>a o soldado cruel que vos cuspiu na face1 p>a o povo desvairado que vos injuriava no supplicio3 ,p]doai-lhes1 pae1 que elles no sabem o que fazem6 ,e vosso ,pae1 que tudo vos conc$e1 p]do\-lhes o sacrilegio1 a blasphemia1 e tudo quanto em seu crime ent5dia com a vossa abscondita div9dade2 p]do\-lhes o que a ju/ia e c>idade qu]em que se p]doe aos ins5satos e aos cegos1 e a quantos no sabem o que fazem4 ,o que fic\ sobre elles pez&o o peccado contra a humanidade1 por que bem conheciam os peccadores a sua culpa no mom5to em que a commett]am4 ,meu ,deus1 p]doai-lhes6 ,p$evol-o o g5]o humano ens9ado por vossas lies e exemplos1 e resgatado por vosso sangue4 ,,capitulo ,,decimo ,concluso em frma de p>abola ,o pae de familia dizia aos seus s]vos3 ,ide aos meus celleiros2 tomai a flr d gro que eu mesmo escolhi e ensaquei p>te em saco novo1 e ide seme> o meu campo4 ,no lhe mi/ureis o gro d saco velho2 porque esse embriaga o homem e no o alim5ta1 e s p>a os cevados bom4 ,cumpriram os s]vos z ord5s d amo2 deix>am1 porm1 por descuido1 cahir no saco novo os gros malfazejos que o amo havia sep>ado1 e1 logo que se mi/ur>am1 no pod]am extremal-os1 e cegam5te os atir>am uma p>a os sulcos4 ,*egado o e/io1 um cam9heiro que passava admir\ a belleza das espigas que m$ravam na se>a1 mas reconheceu entre z espigas z plantas nocivas4 ,arrancava elle discretam5te z que haviam g]m9ado at beira da e/rada1 qu&o os s]vos1 armados de pos1 corr]am a prohibir-lhe que tocasse na se>a que era de seu amo4 ,p]gunt\-lhes o cam9heiro onde e/ava o amo1 e s\be d'elles que era fallecido1 mas lhes recomm5dra que vigiassem a messe prep>ada p>a seus filhos4 ,o cam9heiro1 ouvida tal respo/a1 contri/\-se1 e lhes fez vr a diff]5a que havia entre o joio e o trigo4 ,e disse-lhes3 ,acautelai-vos de os m&> juntos ao mo9ho1 e no faais po que no seja de puro f]m5to4 ,os s]vos1 no ob/ante1 p]suadidos da sab$oria d amo e d cumprim5to fiel s ord5s recebidas1 desconfi>am d cam9hante1 e de seus proprios olhos at1 qu&o lhes apontava a diff]5a das duas plantas4 ,se i/o joio1 diziam1 no fmos ns que o fizemos reb5t>4 ,c]to que no--disse o passageiro--no fo/es vs quem fez g]m9> o trigo nem o joio1 nem communica/es a cada um dos dois sua div]sa virtude1 nem to p\co lh'z pod]eis tir>2 mas1 se no sois quem os fez cresc]1 fo/es vs quem os seme\1 depois de mi/ur> os gros que o pae de familia havia cuidadosam5te sep>ado4 ,se amais os filhos de vosso amo1 fazei o que elle f>ia3 no lhes deis a com] po que empeonha1 porque d'elle adoec]o1 e outros ho de morr]4 ,turb>am-se gr&em5te os s]vos com tal discurso4 ,um disse entre si3 ,pde s] que o homem t5ha razo3 aqui ha plantas que no p>ecem eguaes2 e ac]tado no desprez> bons avisos1 v5ham d'onde vi]em1 porque1 um dia1 quem sabe se nos s]o p$idas contas8 ,outros1 no entanto1 diziam3 ,e/e homem pde s] um impo/or4 ,quem sabe d'onde vem ou p>a onde vai8 ,quem lhe deu direito de nos ens9>8 ,e porque no hemos de d> d'e/e po aos filhos de nosso amo8 ,ns com]emos tambem d'elle4 ,diz5do i/o1 abaix>am-se a apanh> p$ras1 e remess>am-z contra o cam9heiro que se affa/\4 ,,app5dice ,,capitulo ,,primeiro ,,provas ,,my/icas ,,d ,,inf]no ,i ,da auctoridade da ,biblia ,n+uem nega que a ,biblia contm brilhantes v]dades2 mas essas brilhantes v]dades no nos encantam por e/>em na ,biblia2 em qualqu] p>te onde z vissemos1 z am>iamos por seu natural respl5dor4 ,da natureza d'ellas1 z encontrais nos escriptos dos antigos sabios4 ,so taes v]dades como a noiva dos ,cant>es3 a sua belleza toda sua1 e no reflexa1 e todo seu imp]io lhes promana da =mosura4 ,porm1 a ,biblia tambem enc]ra p5sam5tos que1 pomposam5te ve/idos1 nos tocam o espirito por inv]so modo4 ,quanto mais os exam9amos tanto mais os regeitamos4 ,afra a vis9hana1 nada tem commum com z sympa?icas v]dades1 entre z quaes se nos dep>am4 -nos1 todavia1 prohibido de z di/+uir1 e confi> em uns com desconfiana d'outros2 dizem-nos que tudo v]dadeiro1 e v]dadeiro com o mesmissimo titulo1 no porque sejam umas c\sas mais ou m5os p]suasivas que outras1 mas porque se a*am escriptas n'aquelle livro4 ,disp5sam-nos de procur> na ,biblia o cunho int]ior que ,deus grav\ na v]dade p>a que a reconheamos4 ,c>act]es naturaes e di/9ctivos d erro podem gui>-nos em tudo2 mas na ,biblia no4 ,n'outros livros facultativo disc]nir o ju/o d inju/o2 p>a o qu temos regras c]tissimas1 e in/rum5tos agudissimos2 mas peccado qu]] julg> a ,biblia4 ,cumpre-nos1 l5do-a1 desconfi> d nosso corao1 d nosso espirito1 de tudo1 salvo d'ella4 ,assi/e-nos o direito de diz]1 como ,plato que ,hom]o ultraja a div9a mage/ade1 qu&o mi/ura o ,olympo com z paixes humanas2 porm1 qu&o a ,biblia glorifica a p]fidia de ,jahel1 e a cavillao de ,judi?1 e o r\bo e c>nific9a dos *ananeos1 e faz collabor> ,deus em tantas traies e mortic9ios1 no nos p]mittido o duvid>4 ,se ,isaias nos figura o ,salvador de ,israel calc&o o povo como o v9hateiro esmaga a uva no lag>1 foli&o sobre elle e sacud9do com selvagem alegria os seus ve/idos asp]gidos de sangue1 no seu1 mas dos hom5s1 devemos diz]3 ,am56 eis aqui o bom pa/or1 o cordeiro de ,deus1 a mansa victima d ,calv>io1 o ,*ri/o na sua gloria6 ,e qu&o o psalmi/a comp>> o ,s5hor a um homem embriagado d v9ho que lhe r$obra z =z e lhe faz exp$ir pavorosos gritos1 devemos sem escrupulo respond]3 ,assim seja6 ,cl>o que n5hum de ns qu]]ia similh>-se ao v9dimador sangu9ol5to nem ao gu]reiro ebrio2 n+uem ous>ia assim fall> de ,atila recolhido t5da1 com receio de s] ouvido2 mas similhantes confrontos que envilec]iam ,jupit] e (f5d]iam o rei dos hunos1 prodigalisal-os-hemos ao nosso ,deus1 em seu templo1 att5d5do a que os prophetas sabiam melhor d que ns quaes so os elogios que lhe prazem4 ,taes sujeitos nada diziam d seu *efe3 tudo que escreviam era o espirito santo que lh'o ditava1 desde os successos at s expresses significativas d'elles4 ,ora ahi e/ por que tudo sagrado quanto a ,biblia contm1 e por que tal p5sam5to1 que n'outro livro trescal>ia a impi$ade1 1 na ,biblia1 uma adoravel coisa4 ,ha n'isso my/]io no m5os pr(undo que o d inf]no1 se t5t>mos escl>ecel-o2 e tal my/]io1 com que se qu] demon/r> outro1 promove discusses que o ca?olicismo impugn\ sempre1 s]v9do-se d'isso como arma contra os prote/antes4 ,o ca?olicismo diz aos prote/antes3 ,como sabeis que a ,biblia div9a8 ,conhece/es ,moyss8 ,qu&o ,deus lhe fall\ d cimo da montanha1 e/aveis pres5te8 ,passa/es a p enxuto o m> v]melho1 ou bebe/es agua da ro*a de ,horeb8 ,quem vos affirm\ que aquelle homem era propheta8 ,que provas v$es na ,biblia de que no toda ella obra de hom5s8 ,milagres8 ,outros livros os contam1 e vos fazem rir4 ,v]dades8 ,outros livros z enc]ram sem que z imputeis ao ,espirito ,santo4 ,obscuridades8 ,coisa naturalissima1 s5do tantas em todos os auctores1 e nos vossos no m5os4 ,quem sois vs1 p>a que vos acr$itemos1 qu&o nos affirmaes inv]osimilhanz8 ,no vos conhecemos4 ,que cauo nos dais8 ,sois inspirados8 ,fazeis milagres8 ,vejamol-os4 ,no ba/a diz]3 a ,biblia div9a2 mi/] proval-o irrefutavelm5te4 ,o num]o dos vossos p>tid>ios no faz nada que/o4 ,o livro dos ,v$as1 que se gosa d =o de div9o na ,asia1 to antigo como a ,biblia1 e no tem m5os sequazes4 ,se a ,deus apr\vesse1 communic>-se aos hom5s por meios naturaes1 como dizeis1 fal-o-hia por lances de bondade1 com o fim de os unir1 como filhos d mesmo pae1 por que1 a p> e passo que melhor se conhece ,deus1 mais se conhecem a c>idade e ju/ia4 ,como pois que tantas naes1 presum9do possuirem taes oraculos1 em vez de viv]em unidas1 luctam discordes1 erig9do alt> contra alt>1 injuri&o-se1 p]segu9do-se1 e vot&o-se reciprocam5te s *ammas et]nas6 ,o que z divide z obscuridades da ,biblia2 no z v]dades naturaes que l se vos dep>am4 ,quem alumi> a escureza em que dizeis e/ ,deus involto1 e no seio da qual os hom5s se dilac]am1 desprez&o naturaes e lum9osissimas v]dades8 ,os judeus ent5dem z prophecias div]sam5te d vosso p>ec]2 e1 to de boa f z int]pretam1 que su/5tam a sua op9io em de/]ros1 c>c]es1 fogueiras1 durante seculos1 fug9do1 e deix&o ra/o de sangue por toda a p>te d mundo4 ,qual seita prote/ante no arranc\ da espada contra a sua irm8 ,todas tem tido m>tyres e v]dugos4 ,isso no nos p>ece prova da div9dade da ,biblia4 ,nem sequ] lhe pod]eis prov> a au!nticidade4 ,os orig9aes d'esse livro miraculoso onde p>am8 ,p]d]am-se1 comeu-os a traa1 como succ$e por tempo a tudo que obra de hom5s4 ,poro consid]avel d'esse antigo monum5to acab\ s mos dos hebreus1 deposit>ios d'elle4 ,o que nos re/a so reliquias4 ,se capitulos inteiros1 de que ap5as sabemos os titulos1 j no exi/em1 quem vos auctorisa a p5s> que os capitulos subsi/5tes no =am alt]ados8 ,e/>iam elles a melhor resgu>do8 ,por quem8 ,por que8 ,e como8 ,quem os copi\8 ,quem os traduziu8 ,quem abona a fidelidade de tantos copi/as1 e a intellig5cia e sci5cia dos traductores8 ,por que signaes se conhece qual a melhor entre z copias antigas1 e entre z diff]5tes copias antigas8 ,em qual traduco confi>emos entre tantas div]sas8 ,report>-nos-hemos ao livreiro1 ao impressor1 ou ao editor8 ,a quem8 ,a mortos desconhecidos1 a vivos ignorantes1 ou a sabios sem misso e cuja sci5cia nos a9da problematica8 ,pois que v5ha ahi quem quiz]1 e mo/r&o um papel rabiscado exclame3 eis-aqui a palavra de ,deus6 ,e sem mais nem m5os ponha-se a g5te de joelhos6 vi/a d'isso n+uem pde s] accusado de idolatria4 ,se no t5des mo outras provas da au!nticidade e div9dade da ,biblia1 todo o homem cordato regeit> a ,biblia1 sem salv> o ,novo ,te/am5to4 ,o *ri/ianismo foi prgado antes da r$aco dos evangelhos1 s multides que no sabiam l]4 ,qu&o essas prgaes comearam a corr] escriptas1 os evangelhos eram aos c>dumes2 app>ec]am logo c9co5ta attribuidos aos apo/olos e aos discipulos de ,jesus4 ,quem se ent5d]ia n'e/e *os8 ,quem pod]ia decidir que o evangelho de ,?iago no era de ,?iago1 e que o evangelho de ,joo era de ,joo8 ,quem pod]ia discrim9> entre o v]dadeiro e o falso8 ,entre o de ,deus e o dos hom5s8 ,quem pod]ia disc]nir e acr$it> a boa copia entre z copias falsificadas de ,joo8 ,a coisa no era de si to lum9osa que podessemos aceital-a hoje em dia4 ,no qu>to seculo1 bem p]to dos tempos apo/olicos1 e/a que/o enleava gravissimos d\tores1 um dos quaes1 te/emunha de taes inc]tezas1 ,santo ,ago/9ho1 dizia que elle sem o te/emunho da ,egreja no pre/>ia f ao v]dadeiro evangelho4 ,no a*ava elle portanto nos escriptos de ,joo1 de ,lucas1 de ,m>cos1 de ,ma!us e de ,paulo a prova intr9seca da sua div9dade2 com mais =te razo no a*>ia a mesma prova intr9seca nos escriptos de ,moyss1 de ,samuel1 de ,esdras e outros prophetas4 ,se eu no debilitei1 resum9do-z1 z razes com que os ca?olicos int5tam reconduzir ao seu gremio z seitas dissid5tes1 expuz tudo o que t9ha a expor sobre a primeira prova my/ica d inf]no1 extrahida das ,escripturas4 ,passemos segunda prova que o te/emunho da ,egreja4 ,,ii ,da auctoridade da ,egreja ,diz-nos a ,egreja ca?olica que preciso crr o que ella nos ens9a como se ,deus nos fallasse4 ,qu&o nos annuncia que todos ns peccamos antes de nasc]1 e que a ,virgem1 me de ,*ri/o1 nasceu sem peccado--o que se no a*a no evangelho--devemos acr$ital-o como se o evangelho o dissesse4 ,a ,egreja supre o sil5cio das escripturas1 int]preta os textos1 umas vezes pr5de-se letra1 outras descobre um ent5dim5to occulto que s ella v1 o unico v]dadeiro4 ,como possue1 com a ,biblia1 a tradio oral dos patri>*as1 dos prophetas e dos apo/olos1 a nova synagoga cont9a no tempo e no espao a immortal cada1 gu>d&o1 diz ella1 o dom de prophecia e o dom dos milagres4 ,a ,egreja ca?olica mais que a imagem de ,jesus ,*ri/o3 e/ consub/anciada n'elle como sua esposa4 ,te/emunha d passado1 luz d pres5te e d futuro1 legislador infallivel1 juiz sem appellao1 devemos consid]al-a sempre como viva inc>nao d ,v]bo et]no4 ,s]ia a ,biblia um livro duvidoso em seu texto1 se ella no assev]asse a aut5ticidade d'elle1 e duvidoso em seu espirito se no recebesse a misso de o explic> aos hom5s4 ,de modo que toda a auctoridade n'e/e mundo1 j a da razo1 j a dos livros sagrados1 sme-se absorvida na sob]ana auctoridade d'ella4 ,e/a segunda prova d inf]no de natureza analoga primeira3 my/]io4 ,exponho-o sem o discutir4 ,mas os prote/antes discutem-no2 negam-o1 reprovam-o em nome dos prophetas e dos apo/olos1 e milh>es e c5t5as de milh>es d'elles affront>iam a fome1 o frio1 a p5uria1 o exilio1 os c>c]es1 a tortura ord9>ia e extraord9>ia1 o pod] de ,cez> e toda a ca/a de supplicios1 com o d5odo dos primitivos m>tyres1 antes de v]g> o joelho ante a ,egreja--o que elles qualific>iam de idolatria4 ,no posso ab/]-me de relat> algumas de suas objeces1 z quaes1 bem que sejam =adas sobr5aturalm5te com v]siculos d ,apocalypse ou das ,vises de ,isaias1 nem por isso me p>ecem m5os debeis4 ,temos1 dizem1 um facil meio de nos c]tific>mos da infallibilidade da ,egreja4 ,p]guntai-lhe o que deve faz]-se em frequ5tes circum/ancias da vida1 qu&o os mais d\tos hom5s se b&eam em d\s ou tres arraiaes1 diz5do uns3 deve faz]-se i/o2 no1--dizem outros--isso pessimo--2 e os t]ceiros su/5tam que no se deve faz] nada1 a9da que a inaco p>ea aos outros crim9osa4 ,pelo facto de nos prohibirem actos manife/am5te culposos aos olhos da razo1 j prohibidos por lei natural1 pelo decalogo e pelos philosophos1 isso no conv5ce que possuam luzes milagrosas p>a reg]em almas4 ,o que qu]emos que nos guiem no lance em que os outros conductores nos ab&onam1 nos pontos em que elles se desavm1 em que se calam2 emfim1 na conjunctura em que os hom5s tem gr&e int]esse em conhec] a v]dade que se lhes occulta4 ,v5ha a ,egreja n'um d'e/es casos4 ,no affrontemos com os casui/as multido de problemas onde o nosso p>tido s]ia gr&e2 busquemos antes1 nas relaes da vida civil1 um s d'esses factos duvidosos1 sobre os quaes a sab$oria humana e/ indecisa4 ,v de exemplo o empre/> a juro1 e exponhamos primeiro a que/o muito pelo alto4 ,deve empre/> um homem ao seu vis9ho1 d9heiro ou qualqu] outro valor1 gratuitam5te8 1 pelo contr>io1 licito hav] p>te dos lucros da quantia cujo uso se p]mitte1 por tempo m>cado1 ao vis9ho8 ,como pr9cipio1 n+uem condemna o empre/imo gratuito1 o qual1 maneira da esmola1 um acto de lib]alidade muito p>a l\v>-se1 mas que s]ia nocivo1 s5do praticado sem disc]nim5to4 ,todavia1 alguns philosophos1 e mod]nam5te alguns caudilhos das seitas communi/as1 def5dem que o empre/imo gratuito o unico bem consoante equidade natural1 e que a m9ima usura r\bo4 ,e/es philosophos tem sido arregim5tados na peor especie de utopi/as4 ,toda a g5te sisuda recusa consid]> a gratuidade d empre/imo como obrigao moral4 ,tal preceito usurp>ia m$iania econmica os meios de val] ao indig5te laborioso2 o pae de familias no arrisc>ia z migalhas p5osam5te p\padas1 se o no acorooasse esp]ana d'um b5eficio adequado ao s]vio que pre/a e aos p]igos que corre4 ,os que nada tem cariam1 por consegu9te1 em mais ap]tada dep5d5cia dos que tem tudo pr(usam5te4 ,nas mod]nas soci$ades1 similhante preceito multiplic>ia os invejosos1 multiplic&o os av>5tos4 ,f]iria de e/]ilidade o campo da viuva1 e/agn>ia o movim5to da indu/ria e comm]cio1 e1 pelo tanto1 o des5volvim5to da riqueza e vantag5s moraes que ella proporciona4 ,o empre/imo a juro logo g]alm5te admittido como ju/o e f]til em toda a especie de prosp]os resultados4 ,mas surdem p>a logo novos ob/aculos4 ,deve-se limit> a taxa d juro que o dev$or p$e ao crdor8 ,como se ho de avali> os prejuizos d dev$or1 e os lucros conjecturaes d crdor8 ,ha nada mais hypo!tico e v>iavel6 ,que diff]5a entre a qualidade e os productos de duas t]ras convis9has1 entre tal e tal mi/]1 entre a capacidade d'e/e e a d'aquelle6 ,o juro legal1 s vezes pequ5issimo1 casos hav] em que seja pezado2 mas1 como legal1 pez> com todo seu pezo sobre os que m5os lh'o podem support>4 ,s] elle at motivo a enc>ec]em os g5]os1 e r$und> em incommodo e vexame4 ,tal 1 qu&o m5os1 a op9io de celeb]rimos philosophos4 ,mas deve-se1 como elles qu]em1 deix> livre pl5am5te a vontade dos contrah5tes8 ,cuid>-se-ha que tudo i/o m]a que/o de economia politica3 no v]dade4 ,aqui1 mais que tudo1 militam que/es moraes complicadas e de alto mel9dre1 de int]esse quotidiano e univ]sal1 que/es que enliam elevadissimos espiritos1 e sobre z quaes devemos1 por isso1 int]rog> a ,egreja4 ,se consultamos os canones dos concilios1 e nomeadam5te os de ,nicea1 d',arles1 de ,c>?ago e de ,elvira1 a*amos que a ,egreja condemna1 em !oria1 o empre/imo a juro4 ,na pratica1 porm1 tol]a-o4 ,no insi/amos na contradico4 ,se p]mittido o empre/imo a juro1 quaes so z condies8 ,tem alguem direito de fix> o b5eficio d dev$or8 ,quem 8 ,o ,e/ado8 ,se o ,e/ado que fixa a taxa d juro1 o ,e/ado quem def9itivam5te decide d que ,deus conc$e e d que ,deus prohibe1 d que e d que no peccado1 e por tanto a lei div9a v>ia com a phantasia da lei4 ,se no o ,e/ado1 o uso da t]ra8 ,ha nada mais inju/o e irregul>8 ,que pr9cipio cumpre adopt>8 ,onde e/ o direito8 ,onde o abuso8 ,que da regra8 ,no ha n5huma8 ,no ha4 ,a tal respeito tamanha a desordem entre os !ologos como entre os e/adi/as1 e philosophos1 e economi/as e jurisconsultos1 e entre os confessores e p5it5tes4 ,v>ia em cada diocese a jurisprud5cia3 no vamos to longe2 v>ia em cada p>o*ia4 ,mudai de confessor1 e v]eis que o mesmo facto1 c]cado das mesmas circum/ancias1 muda o nome3 peccado mortal1 inju/ia1 expoliao no confession>io direita1 acto licito no confession>io esqu]da1 debaixo d mesmo campan>io1 em nossas op9ies1 e o seu fa*o milagroso vasqueja ao p d mesmo alt>4 ,um p>o*o vos condemna e outro vos salva4 ,p>ece pois que a infallibilidade ecclesia/ica aleijada n'e/a que/o vital em que os ricos a invocam p>a tranquillis>em suas consci5cias1 e os pobres p>a satisfaz]em z necessidade d corpo e z da alma1 porque elles p$em de empre/imo p>a trabalh>1 p>a nutrir os filhos1 educal-os1 casal-os1 auxili> os seus p>5tes velhos1 e sepultal-os1 e p>a isso mi/] que a*em quem lhes empre/e4 ,quanto a mat]ia politica1 re9am z mesmas contradices e inc]tezas dos negocios civis4 ,ha factos crim9osos p]ante a razo1 e todavia so absolvidos e at glorificados por uma p>te d cl]o1 sem excepo dos bispos1 ao mesmo tempo que uma outra p>te da cl]esia os condemna a meia voz2 mas de modo que a ouam4 ,a c>nific9a *amada de ,sa9t ,b>?lemy foi approvada em ,roma e celebrada em quasi todos os pulpitos4 ,a revocao d edito de ,nantes foi approvada pelo ,papa e pela maioria dos bispos4 ,sobej>-nos-hiam exemplos1 se os quizessemos1 sem ir to longe4 ,por outro lado1 ha factos legitimos1 h]oicos1 l\vaveis1 p]ante a razo1 e esses so mals9ados e condemnados como crimes por p>te d cl]o1 sem excepo dos bispos1 ao mesmo passo que outra p>te d cl]o os approva1 e s vezes tem p>te n'elles4 ,e tambem d cl]o ha poro que se ab/em de julg> taes actos4 ,z ultimas insurreies da ,polonia e ,italia nos do exemplo rec5te e a9da sangu9ol5to4 ,aquillo que um ,papa c5sur\1 e outro ,papa /ygmatis\1 outros padres applaudiram1 al5t>am e ab5o>am6 ,e/as div]sidades de op9ies sobre successos to graves1 e culpaveis1 se o so1 to admiraveis pelo contr>io1 se no so culpaveis1 manife/am-se no secreto d tribunal da p5it5cia como nos escriptos e actos publicos4 ,o confessor de ,c>los ,,ix consid]\ d',or!r subdito rebelde porque recus\ s] assass9o4 ,o bispo de ,abran*es talvez negasse a absolvio ao confessor de ,c>los ,,ix4 ,tal italiano1 injuriado por um frade1 s]ia fe/ejado pelo seu cura4 ,de maneira que vi/a d'uma auctoridade moral infallivel1 ba/antes ca?olicos1 te/emunhas d'e/e espectaculo1 v5do p>a onde ,roma p5de1 p]guntam am>gam5te se em v]dade os povos tem direitos1 e meios de faz]em respeit> os seus direitos2 se a desob$i5cia ao rei s p]mittida em mat]ia de dogma2 se a lib]dade1 o trabalho d p5sam5to1 da escripta e da voz no m]ecem s] def5didos1 comtanto que vos deixem a lib]dade de rez>2 se ha outra patria alm da ,egreja2 se o s]vilismo1 j cg1 j illu/rado1 no a pr9cipal virtude civica2 se1 emfim1 n'e/e mundo o belpraz] dos pod]osos no a suprema ju/ia4 ,e/as e muitas outras p]guntas tem sido contradictoriam5te respondidas pela ,egreja1 que no sabe melhor que ns onde e/o bem e mal1 virtude e crime1 em conjecturas solemnes e frequ5tes1 nas quaes bem e mal1 virtude e crime avultam a propores enormes4 ,a ,egreja hesita comnosco1 duvida comnosco1 b&eia-se e apaga-se qu&o entra nas v]$as obscuras em que o g5]o humano =ado a entr>1 z quaes inevitavelm5te conduzem ao co ou ao inf]no4 ,a ,egreja sabe que a ,virgem foi concebida sem peccado2 conhece a g]>*ia dos anjos2 dogmatisa onde a inc]teza s]ia talvez prud5te1 e a ignorancia saudavel2 porm1 se procuramos regras de proc$]1 e/eio e guia nos tempos difficeis em que p>ece que a infallibilidade vai respl&ec]1 activ>-se e resolv] a que/o1 a ,egreja p]turba-se1 balbucia1 contradiz-se e desamp>a-nos discrio4 ,como ento que ella prova a sua infallibilidade8 ,prohibe-nos de esquadr9h> na ,biblia z regras da nossa f1 alleg&o que a ,biblia livro in9telligivel p>a ns4 ,e1 se lhe p$imos a razo d'i/o1 abre o livro que incessantem5te lemos1 esse mesmo livro cuja au!nticidade e s5tido s ella g>ante e explica4 ahi que ella pret5de mo/r>-nos a prova que lhe p$imos2 mas ns su/5tamos que ahi no ha tal prova4 ,alm d'isso1 se mi/] crr primeiro na ,egreja quem h\v] de crr nas ,escripturas e ent5del-z1 que argum5to esse8 ,pde qualqu]1 em um processo1 invoc> contra o seu adv]s>io um docum5to de que elle s se con/itue int]prete e juiz8 ,cont5te-se pois a ,egreja em affirm> que infallivel1 mas ab/5ha-se de o prov>4 ,eu por mim no creio4 ,a infallibilidade um attributo incommunicavel de ,deus como a et]nidade e a omnipot5cia4 ,se o ,papa e os bispos fossem infalliveis1 no ba/>ia respeital-os1 s]ia mi/] adoral-os4 ,disso nos def5da ,deus6 ,so hom5s como ns4 ,e1 qu&o o ,espirito ,santo nos illu/ra1 somos como similhantes aos c&elabros d templo1 e1 sem o qu]]1 confundimos a nossa sombra com a luz que d>dejamos em r$or4 ,assim fallam os prote/antes4 ,no digo que taes discursos sejam conclud5tes3 no me compete a mim julgal-os2 mas d'e/e capitulo e d ant]ior inf]imos uma concluso cuja ju/ia creio que n+uem conte/a4 ,,iii ,concluso d que fica dito ,a concluso que eu desej>ia tir> d que fica dito que a ,biblia e a ,egreja1 e/as duas auctoridades que se invocam em favor das p5as et]nas1 no tem o mesmo valor no conceito de toda a g5te4 ,um prote/ante r5eg>ia o inf]no1 apez> dos ana!mas dos ,concilios1 se a ,escriptura lh'o no annunciasse2 mas um ca?olico r5eg>ia o inf]no1 apez> da lucidez dos textos biblicos1 se apr\vesse ,egreja attribuir quelles textos1 segundo o p>ec] de ,orig5es1 um s5tido visivelm5te con=me ju/ia e bondade de ,deus4 ,tanto em ,g5ebra como em ,roma cr-se no inf]no2 mas por div]sas razes2 e o que p>ece argum5to decisivo p>a metade dos *ri/os1 no tm a mesma efficacia p>a a outra metade4 ,con=mam-se sobre a v]dade d'um prodigio1 recus&o de ambas z p>tes uma das duas te/emunhas que o affirmam2 os de ,g5ebra consid]&o a ,egreja um pr(essorado d erro2 os de ,roma su/5t&o que a ,biblia des5cam9ha aquelles que exclusivam5te se fiam n'ella4 ,,capitulo ,,segundo ,respo/a a uma objeco ,fallei da multido dos condemnados1 e tirei d'esse facto1 contra a et]nidade das p5as1 inf]5cia que me p>ece valiosa4 c]to que a maioria dos hom5s seja condemnada8 ,os fieis1 que e/ud>am e/e assumpto em livros mod]nam5te escriptos1 crem que no1 e vos dizem que os philosophos maliciosam5te assac>am aquella op9io aos seus adv]s>ios p>a os torn> odiosos4 ,no duvidam que ha inf]no2 no os inquieta a natureza d supplicio1 mas sim a quantidade dos suppliciados4 ,mil1 cem mil1 um milho d'almas a padec]em et]nam5te p>ece-lhes coisa muito de crr-se1 moralissima1 c]tissima4 ,no pde suppr-se que o inf]no e/eja vasio2 alis melhor s]ia supprimil-o4 ,um milho ou alguns milhes d'almas1 se ,deus z ab&ona1 tambem ellas ab&onam a ,deus2 ba/ante p>a exemplo1 ba/ante p>a ju/ia2 porm metade d g5]o humano e mais de metade1 excesso1 mon/ruoso3 no se cr4 ,no isso1 qu]-nos p>ec]1 a boa nova que celebr>am ha mil e oito c5tos annos os magos e os pa/ores nos cam9hos de ,be!lem4 ,mas os velhos dogmas de ,israel por tal arte &am b>alhados com z v]dades *ri/s1 e tanto a primitiva ,egreja com elles se id5tific\ =m&o um corpo d\tr9al1 que um homem in/ruido no pde hoje1 sem risco de h]esia1 t5t> sep>al-z4 ,sem emb>go1 op]a-se no seio d *ri/ianismo um s+ul> trabalho1 de que o cl]o no d t5to1 bem que a iniciativa de ha muito proc$a d'elle mesmo4 ,e/e trabalho de que z obras de ,san*ez1 de ,escob>1 d padre ,annat1 d padre ,lmo9e1 e d'outros casui/as1 to agram5te invectivados por ,pascal1 eram ap5as indicios1 t5de a neutralis> cada vez mais a aco n'outro tempo to vigorosa dos elem5tos hebraicos d *ri/ianimo4 ,s5tim5tos1 que debalde qu]]iamos suffoc>1 rompem luz2 o corao reclama1 bem que timidam5te1 seus direitos2 a consci5cia1 con/rangida debaixo d pezo de abafadoras tradies1 no repulsa1 mas a trem] levanta d peito o f>do1 como p>a respir>4 ,v]dade que a9da nos pregam os velhos my/]ios da synagoga2 mas1 ao mesmo tempo1 cuidam em dissimul>-lhes z consesequ5cias logicas relativas vida futura1 e--notabilissimo caso6--no insi/em nas consequ5cias praticas1 no tocante vida pres5te4 ,e/e ultimo facto1 muito significativo1 provm dos casui/as4 ,=am elles quem primeiro quiz a*an> aos hom5s a e/rada d co4 ,como no s\bessem concili> z necessidades da vida t]re/re com z da f1 e no ousassem emb>r> pelo inf]no1 com m$o de torrisc> os d$os1 d]ruiram audazm5te a moral4 ,graz lhes sejam dadas1 que i/o de peccados mortaes e/ por um fio6 ,o assass9o1 mal lav\ z mos1 e o p]juro mal lav\ a l+ua1 so admittidos ao sagrado banquete1 ,o pulpito cont9ua a fuzil> trovoadas m9acissimas2 a9da ,isaias e ,s4 ,paulo a brad>em2 mas1 no tribunal da p5it5cia1 os coriscos apagam-se2 quem confessa o tol]ante padre ,lmo9e1 que p]feitam5te p]cebe que uma duqueza1 uma capitali/a1 uma burgueza opul5ta no podem viv] de favas1 nem traj> de s]guilha1 nem dormir no taboado1 nem imit> sequ] de longe a p]feio negativa das santas reclusas1 cujas virtudes &am celebradas nos pulpitos4 ,descobrir1 porm1 no complexo dos actos dos hom5s1 o limite exacto d dev]1 isso desv>io3 ou prohibir1 ou p]mittir tudo qu&o se r5uncia e dirigir v]dadeiram5te z peccadoras mundanas p>a o antigo ideal da ab/95cia ascetica4 ,o !atro1 o baile1 os hombros ns1 a mal$ic5cia1 z prodigalidades d luxo1 a p>cimonia das esmolas1 a lisonja1 a ambio1 a cupidez1 a +ratido1 z desav5z1 tudo passa1 tudo v5ial1 nada imp$e da desobriga4 ,nem o juiz nem o p5it5te conhecem regra4 ,o mais virtuoso e au/]o padre pde s] integ]rimo no pulpito2 mas1 no confession>io1 treme1 receia afug5t> a alma que o procura2 lembra-lhe o ,bom ,pa/or1 o co promettido ao ladro que se accusa1 o p]do da adult]a1 e involunt>iam5te contribue a facilit> z qu$as1 e z re9cid5cias1 facilit&o a expiao4 ,pois os primitivos *ri/os no t9ham ouvido fall> d bom ladro1 e da mulh] adult]a1 e da p>abola d ,bom ,pa/or8 ,comp>em com a discipl9a de hoje a de ento que eu j ref]i4 ,se o padre ,lmo9e lesse nas catacumbas um capitulo da ,devoo commoda1 o congresso de fieis e m>tyres surgiria em pezo contra tal innovador1 e o bispo excommungal-o-hia4 ,t5ho m9has duvidas que o proprio ,s4 ,francisco de ,salles o tractasse bem4 que os primitivos *ri/os nunca p]diam d'olho ,satanaz1 peccado orig9al1 inf]no1 e con=mavam o seu proc$im5to1 no a tal artigo de f ageitada a d> al5tos esp]ana1 mas ao complexo trem5do da d\tr9a que apr5diam4 ,a h>monia que primordialm5te se deu entre a discipl9a da ,egreja e z cr5z da ,egreja1 e/ por tanto desde muito desacorde4 ,port-,royal t5t\ af9al-a4 ,foi esse o segr$o da sua lucta com os casui/as mas os casui/as v5c]am4 ,a cont5da acab\4 ,m$itemos agora nas consequ5cias logicas dos nossos dogmas1 relativos outra vida1 dos es=os que debalde se envidam p>a lhes amaci> z asp]ezas e edulcor>-lhes o travor1 com m$o de que lhes no atirem fra copo e rem$io4 ,em l\vor dos !ologos mod]nos1 decl>o que p\cos ha que possam enc>> impassiveis a multido de pagos e h]eges que regorgita d inf]no--multido que sem int]cad5cia augm5ta com muitos milh>es d'almas cada dia1 muitos milh>es cada anno4 ,elles1 pois1 escondem z v+anz div9as1 em vez de nol-z mo/r>em1 no seu trilho at]rador maneira dos antigos4 ,qu&o cuidam em nos anim>1 tambem elles se animam em seus proprios quebrantam5tos1 s5t9do que a pi$ade desborda e arra/a a f2 e no s a pi$ade1 mas tambem a ju/ia4 ,s4 ,?omaz de ,aqu9o1 incapaz de c$] unicam5te pi$ade1 e/ac\ diante d'esse problema de ju/ia1 e dilig5ci\1 a seu modo1 resolvl-o1 por feio que podesse1 sem (f5sa da f1 contemporis> com a sua razo4 ,imag9\ um ju/o fra da ,egreja1 ignor&o z v]dades salvadoras1 e pr$e/9ado ao inf]no por culpa de sua ignorancia4 ,ora um anjo cele/ial1 qu&o e/e ju/o agonisava1 desceu a revel>-lhe a v]dade1 d&o-lhe assim entrada na ,egreja por uma porta falsa1 e mant5do por e/e !or milagrosam5te a inteireza dos dogmas4 ,p\co importava a ,s4 ,?omaz1 to gr&e e inflexivel logico1 salv> z regras explicitam5te =muladas pelos concilios2 e1 se taes regras podiam f]ir a ju/ia1 l e/avam os anjos p>a concilial-z4 ,o que elle qu]ia era salv> os g5tios4 ,mas1 hoje em dia1 os !ologos avantajam-se a ,s4 ,?omaz4 ,j no ha recorr] a milagre4 ,dizem que1 se entre infieis1 e at entre os h]eticos1 ha pessoas hone/as1 ,deus bem z v3 essas p]t5cem ,egreja1 no corporal1 mas espiritualm5te2 creem implicitam5te z v]dades que ignoram1 e ba/a isso3 so ca?olicos l d seu feitio4 pois prohibido condemn> a esmo g5tios e h]eges1 cegos innoc5tes1 virtuosos transviados1 erros inv5civeis#g4 ,j se diz que n+uem condemnado1 tirante os mos1 qualqu] que seja a religio que pr(essem4 ,bella a l+uagem1 mas tambem evid5tem5te illusoria2 por onde vamos vr que tal pi$ade1 bem que s9c]a1 no pde aproveit> a alguem4 ,vs no condemnais todos os g5tios nem todos os h]eges2 v]dade4 ,os dogmas que nos ens9ais que os condemnam4 ,ora1 se1 acaso1 os c9co dogmas tirados d judaismo fossem falsos1 bem sabemos que no e/ava em vossa alada condemn>1 a9da que o quizesseis1 um s idolatra1 por peor que h\vesse sido2 mas1 ao invez1 se taes dogmas so v]dadeiros1 tambem sabemos que no cabe em vossa alada salv> um s g5tio nem um s h]ege1 a9da que o quizesseis4 ,mais3 em virtude de taes dogmas1 de f que o homem nasce mo1 e que o crime que lhe man*a o b]o1 explica1 mas no lhe ju/ifica os erros da vida4 ,irroga-se culpa a quem se liga religio de sua familia e patria1 qu&o tal religio no a g5u9a4 ,se assim no fosse1 vde bem que melhor s]ia t] nascido s>rac5o que ca?olico2 que um turco salv>-se-hia procur&o de boa f1 como os patri>*as1 praz]es que a ns nos p]dem p>a sempre2 e o maximo das b5os s]ia nasc] e morr] selvagem1 n'alguma ilha incognita1 longe dos =midaveis cl>es que nos privam de desculp> com a ignorancia os nossos peccados4 ,fossem embora salvas alguns milh>es de creaturas ap5as entre os billies d'ellas que morrem em peccado orig9al1 uma duzia s que fosse1 s]ia que f>te p>a argum5t> que ha salvao fra da ,egreja1 e sem algum dos soccorros extraord9>ios de que ella dispe4 ,e/es !ologos tol]antes no rep>am que inutilisam a revelao1 que despojam a ,egreja das *aves d co1 ou1 pelo m5os1 indiciam que ha *aves em duplicado p>a l entr>1 e que judeu1 musulmano1 lu!rano1 philosopho1 todo homem honrado tem uma *ave4 ,a op9io assim pelo cl>o no ous>iam elles exhibil-a1 e1 a bem diz]1 tudo aquillo no op9io sua2 1 melhor a9da1 expanso de alma que aspira v]dade e ju/ia2 prote/o da humanidade *ri/ contra o judaismo1 prote/o mais revelante por no s] volunt>io1 nem sab]-se a si mesmo compreh5d]4 ,o racioc9io no o ess5cial d prote/o1 como em ,s4 ,?omaz d',aqu9o2 quasi que no p>te em taes discursos1 pois que os discursadores no concluem como deviam1 se racioc9am2 e no podem fundam5t> a sua argum5tao sobre ens9o au!ntico da egreja#h4 mi/]1 por desgraa1 r5unci> or?odoxia ou condemn> despi$osam5te mais de tres qu>tos d g5]o humano4 ,o ju/o1 e/ranho ,egreja1 a quem nos prohibem de (f]ec] a mo1 no exi/e aos olhos da f3 um phantasma que avulta vossa pi$ade4 ,se ha ignorancia involunt>ia e inv5civel1 no a d idiota8 ,ora ahi e/6 o idiota1 o cret9o1 o aborto sem olhos nem ouvidos pecc>am no v5tre mat]no1 pecc>am mortalm5te1 e s pelo baptismo conseguiro ju/ific>-se4 ,como ento que ha de subtrahir-se s t5taes e s s9cadilhas de que tanto a cu/o se escapam os filhos da ,egreja1 um ente egualm5te viciado em sua natureza1 mas mais livre1 se envelheceu sem revelao e sacram5tos8 ,onde ganh> elle amor ao bem e vigor p>a pratical-o8 ,tal hypo!se h]esia por atacado2 s pod]emos aceital-a como excepo milagrosa2 e1 n'essa qualidade1 no v+>ia dulcific> o s5tir que esp]ta em nossa alma o p]petuo inf]no1 onde1 ha seis mil annos1 se vo acam&o z g]aes humanas4 #g ,veja entre outras obras os ,e/udos a respeito d ,*ri/ianismo por ,nicolas1 tom4 ,,iii1 c4 #ad4 ,e/e livro foi approvado1 l\vado e recomm5dado pela auctoridade ecclesia/ica1 e nomeadam5te por ,mons4 ,c>deal ,donnet1 ,arceb4 de ,bordeaux4 ,o padre ,lacordaire protegeu-o assignaladam5te1 consid]&o-o a mais completa e melhor apologia da f ca?olica4 #h ,e/e ens9o multiplic\-se com div]sos aspectos3 peccado orig9al2 necessidade d baptismo2 ha uma s f e um s baptismo2 fra da egreja no ha salvao2 necessidade dos sacram5tos da p5it5cia1 de confirmao1 etc41 como auxili>es de nossas enf]midades1 depois d baptismo1 necessidade e conjunctam5te insuffici5cia da prgao e da leitura2 inefficacia das boas obras sem os sacram5tos2 manhas e pod]io de ,satan2 impossibilidade de viv] e morr] em e/ado de graa fra da ,egreja que a disp5seira das graz1 etc41 etc4 ,en*]iam um volume os decretos1 promulgados quelle int5to1 e os ana!mas fulm9ados contra quem h\vesse dito ou viesse a diz] o contr>io d'esses decretos4 ,,capitulo ,,t]ceiro ,,da ,,descida ,,de ,,*ri/o ,,aos ,,inf]nos ,desc5dit ad ,inf]os2 t]ti die resurrexit mortuis2 asc5dit ad coelos1 s$et ad dext]am ,patris1 ind v5turus e/ judic>e vivos et mortuos4 ,cr$o 9 ,spiritum sanctum1 9 sanctam ,ecclesiam ca?olicam et apo/olicam1 9 communionem sanctorum1 9 remissionem peccatorum1 c>nis ressurrectionem et vitam t]nam4 ,am54 7,symb4 apo/olorum74 ,i ,o ,filho d homem1 exp$9do sobre a cruz sua vida mortal1 desceu aos inf]nos4 ,no o ,evangelho que o ref]e2 um docum5to no m5os v5]ado1 o qual1 com o ,pat] e ,ave1 p>te das oraes que a ,egreja ens9a aos seus filhos3 docum5to1 ao que p>ece1 ant]ior r$aco dos ,evangelhos e resumo da f apo/olica3 o ,cr$o4#i ,jesus morto vai annunci> aos mortos a boa nova3 ,satanaz v5cido1 os peccadores resgatados1 o co ab]to aos que oram1 aos que *oram1 aos que s(frem4 ,p>a e/es exclusivam5te que seu sangue asp]giu o *o d calv>io4 ,jesus no disp5sa da p5it5cia os que morr]am culpados2 mas d-lhes a esp]ana que z antigas cr5z deixavam luzir na t]ra sm5te1 e apagavam no tumulo4 ,sei de sobra que os !ologos qu]em que o inf]no1 visitado por ,*ri/o1 no seja o v]dadeiro inf]no2 mas sim o limbo1 o purgatorio1 os seis primeiros circulos da ,gh5na1 e no o ultimo4 ,e/a di/9co1 porm1 no e/ no ,cr$o4 ,o inf]no ahi diz-se com todas z letras1 e1 mais pelo cl>o1 os inf]nos1 como quem indi/9ctam5te diz todos os log>es de s(frim5to onde podem p5> os mortos4 ,desceu aos inf]nos1 diz o ,cr$o1 e ao t]ceiro dia resurgiu dos mortos4 ,quem eram esses mortos com quem ,jesus pass\ trez dias8 ,a int]pretao natural --todos os hom5s que1 desde o pr9cipio d mundo1 haviam desp>ecido de sobre a t]ra2 no s patri>*as e prophetas1 s5o todos os judeus2 no s todos os judeus1 mas todos os g5tios4 ,eis aqui1 ent5didas ao natural1 o que dizem z palavras3 ,desceu aos inf]nos1 e habit\ trez dias com os mortos4 ,qu]eis d> quellas palavras uma accepo espiritual8 ,temos a9da mais4 luz na que/o4 ,os mortos espirituaes so os condemnados1 os que eram consid]ados em p]petua privao dos respl5dores et]nos4 ,no so os prophetas1 os patri>*as1 os eleitos1 os santos1 nem a9da alguns d'esses que por peccados haviam m]ecido z p5as tempor>ias1 por que no e/avam espiritualm5te mas s c>nalm5te mortos1 cr5do1 esp]&o1 am&o1 viv5do4 ,seja qual = a int]pretao adoptada1 leva-nos a concluir o inv]so d que os !ologos affirmam4 ,d citado tre*o d ,cr$o colhe-se que ,jesus desceu1 no s ao limbo1 mas tambem ao inf]no1 no s aos patri>*as que esp]avam sua v9da1--explicao acanhada e viol5ta dos hebreus conv]sos e dos *ri/os judaisantes--mas aos mortos de todos os tempos e paizes1 aos peccadores que a lei antiga e antigas cr5z haviam f]ido de morte espiritual1 et]na1 incuravel1 da v]dadeira morte4 ,o ,r$emptor1 o ,crucificado1 o ,messias visit\-os1 mo/r\-se-lhes1 e elles rejubil>am ao v]em-no e *or>am lagrimas d'amor d'aquelles olhos aridos4 ,jesus no de/ruiu o inf]no2 conv]teu-o em purgatorio4 ,d inf]no judaico e g5tilico fez o inf]no *ri/o1 inf]no que corrige1 inf]no onde ha o *or> sem blasphem>1 onde ha o s(fr] sem desesp]ana nem rancores4 ,outras luzes pde d> o symbolo dos apo/olos s almas pi$osas4 ,mais abaixo1 diz3 ,creio na vida et]na mas no diz3 ,creio na morte et]na4 ,e/e horrivel dogma no se l no cr$o apo/olico4 ,se ahi se falla em inf]nos p>a nos ens9> que ,jesus ,*ri/o l foi1 e de l sahiu1 mas como devia sahir1 vivo1 glorioso1 triumphante e bemdito4 ,diz f9alm5te o ,cr$o que ,*ri/o subiu ao co1 onde e/ s5tado dextra d ,padre1 d'onde vir a julg> vivos e mortos4 ,quaes vivos8 os ju/os8 ,quaes mortos8 os peccadores1 os ultimos povoadores da t]ra e os antigos habitantes d'aquellas t5ebrosas manses onde a esp]ana radi\ com o ,*ri/o qu&o tudo foi consummado na ,cruz8 ,no possivel que uma s palavra t5ha dois s5tidos com to breve int]vallo4 ,qu]eis que os mortos d'entre os quaes resurgiu ao fim d t]ceiro dia sejam os antigos reprobos8 ,tambem eu qu]o4 ,qu]eis antes inf]ir de taes palavras que os nossos avs judeus e os pagos1 quantos ento eram mortos1 viv]iam1 n'outra p>te1 jubilosos ou suppliciados8 ,tambem eu qu]o4 ,adoptai um s5tido1 ou outro1 ou ambos juntam5te1 que a mim no se me d d'isso4 ,o que ha de sempre =osam5te reconhec]-se que a phrase repres5ta a mesma ida significada uma ou duas l9has abaixo4 ,s]1 consegu9tem5te1 preciso confess> que os mortos visitados por ,*ri/o so os mesmos que elle vir julg> qu&o julg> os vivos4 ,direi pois logo que na descida aos inf]nos1 ,jesus mor\ trez dias no entre os ju/os esp]anados1 mas entre os condemnados desesp]ao p>a os ungir de seu sangue1 consolal-os e salval-os4 ,e1 s5o1 p>a que os visit\8 ,faz-se mi/] presc9dir de ent5d] qualqu] palavra div9a ou humana1 se d ,cr$o se colhe o dogma das p5as et]nas4 ,no e/ l3 o contr>io que e/4 ,o v5]avel texto mil vezes mais lum9oso que todas z glosas dos d\tores4 #i ,conta-se que os apo/olos1 antes de se ap>t>em p>a lev> aos g5tios a boa nova1 trez annos p\co mais ou m5os depois da morte d div9o ,me/re1 se reuniram e compoz]am o ,cr$o1 el5co das v]dades cujo ens9o lhes fra confiado4 ,o ,evangelho a9da no corria escripto4 ,s depois da sep>ao1 que foi compo/o o de ,s4 ,ma!us1 que antec$e a todos4 ,o symbolo da f apo/olica tambem no &ava escripto2 mas ens9ava-se de cr aos fieis1 e por isso longo tempo se cons]v\ na ,egreja1 bem como a tradio egualm5te oral da sua origem4 ,,ii ,viveu ,orig5es quasi coevo dos tempos apo/olicos4 ,toda a g5te ouviu fall> da santidade de seu viv]1 pureza de co/umes1 al5to nas p]seguies1 va/a sab$oria e r>o eng5ho4 ,pois a9da assim1 aquelle insigne d\tor1 e illu/re confessor de ,*ri/o1 negava z p5as et]nas4 ,acaso receb]ia elle a v]dadeira tradio dos apo/olos1 ou1 =a de reflectir1 at9ra com a g5u9a accepo d ,evangelho8 ,no sei4 ,todavia confesso env]gonhadam5te que a9da no li z p\cas obras re/antes que to assignalado sujeito escreveu sobre tal mat]ia4 ,o que mais sei que foi condemnado1 muito tempo depois que morreu1 por um edito d imp]ador ,ju/9iano1 e ana!matisado1 com a poro da obra relativa s p5as et]nas1 por o concilio ecum5ico de ,con/ant9opla1 anno #eec4aj ,no se d]am os bispos canceira de prov> que elle era ruim logico2 decl>>am-o h]ege1 que era mais summ>io1 e por contagem de votos4 muito p>a not> que o primeiro concilio ecum5ico de ,nicea1 anno #cbe1 e o segundo de ,con/ant9opla1 anno #cha1 se ab/ivessem de decidir sobre a d\tr9a de ,orig5es1 a9da nova e florec5tissima1 e conta d'isso mais fune/a1 se por v5tura escondesse p]igo4 ,div]giam sobre o assumpto z op9ies dos padres d'aquelle tempo8 ,recus>iam no se concili>em8 ,a que/o confundil-os-hia8 ,incl9o-me a cr] que sim4 ,o mais notavel docum5to que os dois concilios nos deix>am1 d5ota indeciso de natureza a um tempo e/ranha e evid5tissima3 uma pr(isso de f muito p>ticul>isada1 a mesma que hoje se enta aos dom+os na missa cantada nas egrejas d ori5te e occid5te4 ,o concilio de ,nicea1 ao r$igir o symbolo da sua f1 des5volveu em c]tos pontos o symbolo dos apo/olos2 mas1 quanto ao mais1 abrevi\ aquelle antigo symbolo1 e o que mais espanta a suppresso completa d desc5dim5to aos inf]nos4 ,o concilio de ,con/ant9opla1 adopt&o o symbolo de ,nicea1 ap]feio\-o1 e addit\-lhe alguns artigos1 mas no lhe repoz a descida aos inf]nos4 ,que qu] diz] e/a elim9ao8 ,desceu ou no desceu ,*ri/o aos inf]nos8 ,se desceu1 por que o no dizem8 ,a*am que insignificante o caso8 ,no m]ec] a p5a relembral-o8 ,felizm5te o symbolo dos apo/olos subsi/e1 e os de ,nicea e ,con/ant9opla no v+>o desluzil-o4 #aj ,no anno #cba1 ,orig5es foi d5unciado ao ,concilio de ,alex&ria1 e int]dicto d sac]docio4 ,s4 ,j]onymo attribue e/a condemnao a ciumes e invejas que inspirava a eloqu5cia de ,orig5es aos ,padres reunidos n'aquelle ,concilio4 ,,capitulo ,,qu>to ,,adv]t5cia ,,f9al ,i ,z idz que empreguei no discurso d'e/a obra &am por tantos livros dissem9adas1 e prgadas de tantos pulpitos1 e to notorias e popul>es1 que me no temo de que m'z neguem4 ,dilig5ciei exprimir cl>am5te os dogmas1 preceitos1 maximas1 op9ies sempre admittidas nas faculdades de !ologia1 nos sem9>ios e conv5tos3 era acto de boa f e tambem de prud5cia2 que toda m9ha argum5tao claudic>ia1 se eu attribuisse aos propugnadores d inf]no l+uagem que no fosse a d'elles4 ,fui eu quem inv5t\ a qu$a de ,satan1 o pod] e maleficios da corte inf]nal1 o peccado d ,ed51 e a maldio dos hom5s8 ,fui eu quem enc]r\ no clau/ro o ideal da p]feio *ri/8 ,fui o auctor das s5t5z desesp]adoras fulm9adas contra o mundo e contra os affectos e luzes naturaes1 contra o bom siso e contra a vida8 ,inv5tei eu z devotas reflexes1 azadas p>a mirr> os coraes das mes e dos filhos1 e uns p5sam5tos afogueados que calc9am o c]ebro como o alcool1 embrutec5do uns1 e desvair&o outros em devaneios melancolicos8 culpa m9ha se o inf]no p>ece coisa atroz8 ,no suavisei eu em vez de enc>ec] z p9turas conhecidas8 ,se immoral1 e/ava a meu c>go mud>-lhe a condio8 ,attribui eu ao padre ,boh\rs palavras alheias1 ou a ,s4 ,b]n>do coisa que elle no dissesse8 v]dade que eu muitas vezes pod]ia auctoris>-me com textos1 e diz] em grego ou latim1 ou italiano ou allemo1 em nome d'outrem1 o que expuz a meu modo4 ,mas que t9ha eu a ganh> com esse sy/ema8 ,n5huma das idz que discuti p]t5ce nom9alm5te a e/e ou quelle !ologo2 junta ou sep>adam5te todas lhes p]t5cem3 dom9io commum4 ,s]ia ap\c> e abat] a que/o conf]ir a uma cr5a tradicional visos de op9io p>ticul>4 ,acato a virtude1 admiro o eng5ho1 onde qu] que os encontro1 at nos mesmos que me ameaam com z p5as et]nas2 no mal-qu]o por tanto a ,s4 ,gregorio1 nem a ,s4 ,j]onymo1 nem ao padre ,nicole1 nem a algum !ologo morto ou vivo4 ,no me e/ive a quebr> lanz com p]sonag5s mais ou m5os em95tes3 que so ap5as eccos de d\tr9as que vog>am muito antes d'elles4 ,se eu tivesse em cada pag9a citado um d\tor1 julg>-se-hia que os outros d\tores1 no m5cionados1 depunham contra mim4 ,no aconteceu isso a ,pascal8 ,nomeia elle z suas te/emunhas1 transcreve-lhes litt]alm5te z proposies1 e vos remette ao volume e pag9a d'onde z traslad\2 pois respond]am-lhe que se z proposies que elle combate e/o nos livros d'onde z copi\1 a culpa dos auctores1 e no da companhia que os in/ruiu4 ,cl>o e/ que eu t5ho por mim auctoridades muito mais emb>aosas que os padres ,petau1 ,p5t]au1 ,hurtado1 ,bille1 ,san*ez1 ,su>ez1 ,escob>d1 ,bauny1 ,mol9a1 ,reg9aldo1 ,tann]o1 ,filicitius e ,azor4 ,t5ho-z num]osissimas1 a ponto de a mim mesmo me emb>aarem4 ,qual hei de escolh] entre tantas8 ,que mais vale uma d que outra8 ,um capu*9ho canonizado vale ou no vale um papa no canonizado1 mas fall&o ex-ca!dr8 ,e de mais um s auctor1 por extremo que fosse o gro de sua respeitabilidade1 ba/>ia a tap> a bcca aos alt]cadores8 ,quantos textos s]ia preciso adduzir p>a au!ntic> c]tas phrases alcunhadas de p]igosas1 levianas1 absurdas e esc&alosas8 ,quantos padres1 papas1 bispos e d\tores t]ia eu de dispr em batalha a meu favor8 ,confesso que no sei4 ,fui1 pois1 sobrio em citaes1 no por m+ua d assumpto1 mas antes por excesso4 ,conv5am-se de que no ha l9ha n'e/e livro qual eu no podesse c]zir1 se me apr\vesse1 pag9as inteiras1 s5o volumes de annotaes ju/ificativas1 hauridas nas fontes mais puras1 mais frequ5tadas e v5]adas4 ,similhante lavor1 porm1 a9da que eu o comp5diasse ess5cia d debate1 cans>ia a paci5cia dos leitores1 que se disp5sam de to b>b>o app>ato p>a sab]em ao que devem att]-se d que lhe ens9>am desde o b]o4 ,mas z provas de memoria z sabem2 sobejam-lhes nas suas livr>ias2 no c>ecem de folhe> concilios1 obras de santos padres1 bull>ios1 con/ituies de bispados1 revelaes de ,santa ,ca?>9a1 ,santa ,!reza1 e outras bem-av5turadas2 no se lhes faz preciso consult> ,bossuet1 ,b\rdal\e1 ,massillon1 nem outros illu/rissimos oraculos que nem sempre nos e/o mo4 ,mais boas de encontr> so z m9has provas3 a*am-se nos labios e nos ouvidos das creanz que e/udam o ca!cismo2 a*am-se em mos de nossas irms1 esposas1 e mes1 na sua ,imitao1 no ,quotidiano *ri/o1 no ,combate espiritual1 na ,vida dos ,santos1 no ,livro d'ouro1 no ,p5sai-o-bem1 e em milh>es de livr9hos d'e/e jaez1 approvados pelos bispos e univ]salm5te manuseados4 ,os palad9os d inf]no1 se os h\vesse1 no ous>iam1 talvez1 atac> z passag5s d'e/e livro1 de antemo atalaiadas d'uma gu>nio =midavel de bat9as1 de *apeos v]melhos e de b>retes2 mas quem sabe se atac>iam como aba/>dados1 alt]ados1 e erroneos os tre*os que eu desprecavidam5te no def5desse8 ,em tal caso1 nada me val]ia amonto> notas4 ,se m'z p$irem1 eu lh'z d>ei em quantidade que lhes p>ea de mais4 ,conv5ho1 se quiz]em1 em incommod> com ellas os adv]s>ios2 mas to sm5te os adv]s>ios2 quanto ao publico1 a m9ha int5o no adormecl-o2 antes eu quiz]a acordal-o1 escl>ecl-o e agrad>-lhe4 ,mal &>ia eu se1 a proposito de taes polemicas1 sacudia aos olhos dos leitores a poeira dos meus livros traados6 ,,ii ,se no podem accus>-me de m f na exposio dos pr9cipios que t5tei impugn>1 no falt> quem me accuse de mo juiz em tudo o mais4 ,e/ejam c]tos que no fic> aqui4 ,o inf]no tem seus devotos que no sacrificam s ,graz1 mas s ,eum5ides4 ,bem os ouo grit>3 impio6 incr$ulo6 ignorante6 dete/avel p5sador6 mon/ro6 scel]ado6 por que o no pr5dem1 e m&am s gals6 ,ous> descr] das p5as et]nas6 ,que faz o m9i/]io publico8 ,onde e/ o c>rasco8 ,em ,frana j no h l5ha p>a uma fogueira8 ,votamos pelo inf]no1 qu]emos que os nossos paes e os nossos filhos sejam condemnados4 ,ao fogo com os selvag5s1 idolatras musulmanos1 judeus1 indianos1 h]ejes6 ,ao fogo com os peccadores recalcitrantes6 fogo et]no com os philosophos imp5it5tes6 ,no nos esbulhem d'e/a amavel cr5a4 ,que havia de s] da moral8 ,qu]emos inf]no e diabo1 a maldio e o mal4 ,se muita g5te se condemna1 peior isso1 mas a culpa d'ella4 ,que ardam p>a sempre6 vontade de ,deus4 ,o teu debil sopro1 ruim p5sador1 no apag> z *ammas salut>es que no corrigem os mortos1 que p\co em5dam os vivos1 mas fazem trem] z freiras nas suas cellas e alegr> os santos no p>aiso4 ,viva o inf]no6 ,se se elle apagasse1 haviamos de acc5dl-o com os teus livros4 ,qu]emos o inf]no e seus supplicios1 embora l vamos cahir com z nossas mes e com z creanc9has que riem no collo d'ellas4 ,sem inf]no no ha f1 nem ,egreja1 nem religio1 nem lei1 nem familia1 nem moralidade1 no ha nada4 ,cons]vemos o inf]no6 absurdo8 mais um motivo4 ,crd quia absurdum4 ,p>ece-te i/o inju/o1 incr$ulo1 impio1 p]v]so que no qu]es acr$it> que ,deus creasse tantos entes fracos p>a p]del-os sem misso6 ,imprud5te6 que ousas escut> a tua consci5cia1 qu&o a tradio falla6 ,malvado6 corao de p$ra que no ds d9heiro ao ,papa p>a lhe r$\r> a ?i>a e vais dal-o a pobres e proscriptos1 e e/s ahi a la/im> os billies de creaturas que povoam o abysmo4 s&eu6 mis]avel6 ,algum proveito colhes atac&o v]dades to uteis4 s como os malfeitores que quebram os lampees4 ,se assim vais1 arras>s os c>c]es4 bem de vr1 l t5s z tuas razes p>a qu]] de/ruir o inf]no2 se fosses de melhor ca/a havias de crr n'elle4 ,,iii ,advogados d inf]no1 que sabeis a tal respeito8 ,s]eis acaso mais innoc5tes d que eu8 v]dade que s\ peccador4 ,se todavia z m9has aces e z vossas fossem pezadas1 talvez eu podesse e/> a respeito d futuro to tranquillo como vs4 ,mas ,deus no me ha de comp>> comvosco p>a absolv]-me ou condemn>-me3 s] com o modlo de p]feio que eu t5ho no espirito1 e que eu devra t] copiado no decurso de m9ha vida4 ,no pratiquei--de mais o sei--todo o bem que podia2 condesc5di com fraquezas que vs1 por v5tura1 no conhece/es2 mas talvez que eu1 sem que o s\besseis1 me es=asse e v5cesse nos conflictos em que succumbi/es4 ,eu no vos julgo1 cr5tes no inf]no1 que enc>aes sem impallidec]2 eu1 porm1 que no creio no vosso inf]no1 no posso sem pavor m$it> no julgam5to div9o4 ,no desesp]o na bondade de ,deus1 mas creio em sua ju/ia1 e nutro viv5tissimo s5tim5to da p]feio evangelica1 e por isso mesmo s9to gr&issimo pez> de m9has culpas1 e no me consid]o is5to de expiao4 ,oxal que eu podesse d> de mim melhor te/emunho6 ,podesse eu *eg> mais confiadam5te ao tribunal d sob]ano juiz6 ,tivesse eu to socegado o espirito como inculcais o vosso1 ou to puro como vs imag9ais que o t5des6 ,quem me d]a s] santo1 no aos meus proprios olhos1 como dir-se-ha que sois aos vossos1 mas aos olhos das pessoas de bem e das multides4 ,ento impugn>ia eu a et]nidade das p5as1 no j com melhores razes1 nem com argum5tos de mais ju/ia1 mas com a auctoridade que uma vida santa e reconhecida como tal imprime na palavra humana4 ,ha ahi quem se no r5da ao vigor de um discurso1 e se docilise virtude ou ao r5ome de quem discorre4 ,no discutamos1 pois1 a m9ha vida1 que eu no t5ho que ent5d] com a vossa4 ,em meu soccorro valho-me unicam5te d racioc9io2 desadoro outro pre/igio1 e no me dobro a outro pod]4 ,refutai-me1 se podeis1 com razes to cl>as como z m9has2 mas deixemo-nos de ins9uaes calumniosas2 nada de injurias4 ,isso que prova8 ,qu&o fosse v]dade que todos sois pessoas virtuosas que vo direitas ao p>aizo1 e que eu s\ mo1 e o peor dos hom5s1 sde francos1 s]ia isso prova de que eu argum5to mal1 e vs argum5tais bem8 ,inf]irieis d'ahi o que qu] que seja contra a inf9ita mis]icordia de ,deus8 ,a i/o que preciso respond]1 s5hores4 ,eu por mim digo que a dr1 n'e/e e no outro mundo1 meio de expiao2 digo que a dr1 n'e/e e no outro mundo1 ac>a a pi$ade2 digo que o ca/igo mais ju/o deve t] fim1 e que o p]do o fim1 a cora1 a p]feio e expl5dor das obras da ju/ia2 que um ca/igo inf9do s]ia um ca/igo des>rasoado1 sem escopo1 sem moralidade1 inutil ao culpado1 s te/emunhas e ao juiz2--um acto de col]a1 de odio e furor--um feito sombrio e s9i/ro como transportes de dem5cia incuravel4 ,digo que tal cr5a mal cim5tada1 e assim fune/a em e/e mundo1 como odiosa no outro2 que nem o mal nem o ca/igo so et]nos2 que et]no s o bem1 a omnipot5cia1 a bondade1 a ju/ia e mis]icordia de ,deus1 e que e/as coisas1 que sep>ais1 so insep>aveis em ,deus4 ,digo1 con=me a ,s4 ,paulo1 que ceo e t]ra ho de pass>2 que a f ha de pass> tambem1 e tambem ha de pass> a ,esp]ana1 e que tudo ha de acab>1 salvante a ,c>idade4 ,que vos p>ece i/o8 que r$>gus8 ,s]-vos-ha mi/] mud> a propri$ade das palavras1 cre> l+uagem nova1 dirimir z leis da razo1 e cuid> em ext+uir tanto em vs como nos outros z vivas luzes da consci5cia1 se qu]eis impugn> e/as proposies4 ,,iv ,mas n+uem pde desluzir de seu espirito o reflexo que ahi lampeja a v]dadeira luz1 se uma vez a entre-viu4 ,qu&o h\v]des lido e/e livro1 s]-vos-ha aprasivel fe*> os olhos1 e injuri>-me2 no ob/ante1 s5tir-vos-heis alumiados1 cr5tes na v]dade a vosso pez>2 e1 embora o negueis1 a vs mesmos que m5tis4 ,negal-o-heis com a bcca2 mas no com a consci5cia4 ,v ,esp]o resignadam5te z insol5cias4 ,se m'z no diss]em alto1 dil-z-ho baix9ho4 ,e/e livro ir ao ,index1 e tal1 que o no tiv] lido1 se julg> abundantem5te auctorisado a prohibil-o aos outros1 como livro p]nicioso4 ,v$>-se-ha ao peccador invet]ado1 cont5tissimo de sua rec5te conv]so1 de busc> aqui motivos p>a s] mais humilde2 v$>-se-ha viuva lagrimosa de procur> consol>-se n'e/a leitura4 ,divulg>-se-ha que e/e livro tio d inf]no1 que queima os d$os que lhe tocam4 ,e ha de hav] muito quem o diga na melhor boa f4 ,a ,egreja no al5ta curiosidades de espirito4 ,porqu8 ,de que se teme8 ,pr(unde-se cada vez mais a moral de ,*ri/o2 que ella nos irradi> cada vez mais =mosa1 mais salut> e v]dadeira4 ,por si mesma se ju/ifica2 disp5sa preges2 nos labios d'um m59o inflora-se to bella como nos discursos d'um sabio4 ,z leis moraes no so arbitr>ias2 no so capri*os div9os nem t5ebrosos decretos cuja sab$oria se esconde nossa intellig5cia4 ,so p]feitam5te adequadas nossa natureza e necessidades4 ,no ha uma s1 cuja inobs]vancia no surta graves desord5s2 uma s que no proteja a dignidade humana1 a lib]dade1 o direito1 o debil contra o =te1 o innoc5te contra o cavilloso4 ,so freio de paixes1 luz e regras das aces publicas ou cl&e/9as1 p>ticul>es ou collectivas1 condio que influe no des5volvim5to de nossas faculdades1 cauo de nosso rep\so1 e complexam5te de todos os nossos actos4 ,a ,egreja1 n'e/e ponto1 desconhece a sua =a1 se a discusso a intimida2 mas1 por outro lado1 cumpre confess> que ella desconhec]ia sua fraqueza1 se tol]asse discusso de c]tos dogmas1 e em p>ticul> d dogma das p5as et]nas4 ,se qu] que haja cr5a no inf]no com f egual cr5a da r$empo2 se qu] a mesma f p>a a col]a sem fim e p>a o amor illimitado1 imponha sil5cio a respeito de tudo1 que prud5te4 ,mas d'essa imposio de sil5cio o resultado e/e3 ,,vi ,resulta que os fieis creiam cegam5te coisas pr(undam5te contradictorias--a v]dade radiosa e o erro in9telligivel1 ,deus e inf]no4 ,tambem resulta que z multides sempre a multiplic>em-se rejeitem cegam5te o inf]no1 e com o inf]no os mais idoneos dictames da moral1 indiscretam5te sumidos n'esse abysmo4 ,imag9am uns que a mesma voz que ens9a uma inju/ia no pde ens9> uma v]dade2 imag9am outros que a mesma voz que ens9a consoladoras v]dades1 no pde ens9> erros4 ,a m educao1 que1 no rod> de muitos seculos1 lhes d]am1 torna-os a todos egualm5te incapazes de disc]nir o que falso d que v]dadeiro1 na mesma ida3 enc>am-na a vulto1 qual lh'a (f]ecem1 e ou a gu>dam ou rejeitam ta1 v]dade e m5tira de mi/ura1 porque ambas z idz e/o id5tificadas em uma no espirito d'elles4 ,todavia todos os p>tidos so mos1 e n5hum pde1 relativam5te que/o pres5te1 soceg> a alma4 ,a9da no encontrei fiel que se me confessasse impassivel ao horror das p5as et]nas1 qu&o p5sava n'isso4 ,e tambem no encontr>eis incr$ulo que no haja confusam5te s5tido a preciso de sobreviv] a si proprio1 e no haja suspirado pela ju/ia d co1 v5do z iniquidades da t]ra4 ,a v]dade falla assim ao corao de todo homem1 alvoro&o-o at que elle a compreh5da4 ,o fiel diz de si p>a comsigo3 ,deus cruel2 mas1 report&o-se ,egreja1 cuida que z inspiraes de sua consci5cia so sugge/es diabolicas1 e vai at]rado rez> diante da cruz um acto de f em um ,deus sem mis]icordia4 ,pelo contr>io1 o incr$ulo diz entre si3 ,deus exi/e2 os mos s]o ca/igados2 e1 se em seguida se aturde e apaga no intimo aquelle pres5tim5to lucido da ju/ia div9a1 porque lhe e/o sempre figur&o o brazido inext+uivel e z atrocidades sem fim que ent]nec]iam tigres e f>iam *or> z p$ras sobre o de/9o dos condemnados4 ,,vii ,tal hoje em dia o e/ado das almas relativam5te a um dos mais importantes dogmas da religio4 ,f cega1 incr$ulidade cega1 f que acceita um ,deus v+ativo e exclue d co a pi$ade1 incr$ulidade que busca um ,deus compadecido1 e1 por que no a*a pi$ade no co1 exclue de l a ju/ia4 ,e entre e/es dois b&os de almas atorm5tadas1 e/ uma corporao doc5te1 que se inculca infallivel1 mas que1 no int5to de proteg] sua infalibilidade1 ana!matisa a razo humana e excommunga a consci5cia4 ,,viii ,eu t5ho tido p>te nas angu/ias da f que1 at de olhos fe*ados1 conhece que a transviam2 e1 se1 mais t>de1 abre os olhos afeitos escurido1 como os de ,saul deslumbrado1 nada v1 e cam9ha s apalpadellas4 ,so passados esses dias de turvao2 mas talvez n'e/e livro negrejem ve/igios d'elles4 ,no a*>eis n'e/a obra um tratado me?odico cujas p>tes se encadeiam e d$uzem logicam5te1 desde a primeira at ultima pag9a4 ,em que/o1 a um tempo1 to complexa e excitante1 s]-me-hia cu/oso sujeit>-me aos vag>es d me?odo4 ,a tal qual ordem que trava z pez d'e/e escripto1 vem como comp5diada no ass5tam5to das reflexes e m$itaes que a =mam4 ,n+uem melhor d que eu sabe quanta defici5cia desvalia o escripto4 ,no importa4 ,eu1 por mim1 rodeei o alcaar de ,satan2 e1 se lhe no puz c]co segundo z regras da arte1 no lhe deixei p>$e nem p$ra que no s(fresse algum abalo4 ,no se faz mi/] tempe/ade p>a lh'o baque>3 um leve spro o f> cahir4 ,,fim ,,indice ,pag4 ,adv]t5cia d traductor ,v ,prefacio da segunda edio ,,xiii ,,introduc,o ,dogmas hebraicos #a ,i--,rebellio de ,satanaz #b ,,ii--,o inf]no #c ,,iii--,p>aizo t]real #e ,,iv--,a maldio #f ,v--,consequ5cias da maldio #g ,,vi--,comp>ao da nossa sorte com a de ,ado e de ,satanaz #aj ,,vii--,o povo de ,deus #aa ,,viii--,a egreja e o novo povo de ,deus #ae ,,ix--,como se prova a v]dade dos dogmas hebraicos1 e com especialidade a et]nidade das p5as #ah ,,p>te ,,primeira ,tradies ,capit4 ,i--,a tradio univ]sal a prova d inf]no8 #ba ,,ii--,explicao natural das tradies pags c]ca d inf]no #bd ,,iii--,como o sac]docio p]petu\ e/as tradies #bf ,,iv--,exemplo de um povo que p]maneceu fiel a todas z suas antigas tradies #bg ,v--,effeito d'e/as tradies na edade m$ia #bi ,,vi--,como a soci$ade *ri/ se desvia progressivam5te d'aquellas antigas tradies #cj ,capit4 ,,ii--,a f nova #cc ,i--,pat] no/] #cc ,,ii--,o purgatorio #cf ,,iii--,necessidade d purgatorio #ch ,,iv--,my/]ios #ci ,v--,o p>aizo #da ,capit4 ,,iii--,os fructos d inf]no #df ,i--,o bem #df ,,ii--,a c>melita ou o ideal da p]feio !ologica #ec ,,iii--,discurso d'uma mulh] de soci$ade que havia tocado a p]fectibilidade !ologica #ff ,,iv--,discurso d'um mundano1 apoz ba/os e/udos c]ca da p]feio !ologica #fi ,v--,o rebanho #gc ,capit4 ,,iv--,outros fructos d inf]no #gi ,i--,o mal #gi ,capit4 ,v--,os c9co grupos #hg ,i--,o grupo dos philosophos #hi ,,ii--,o grupo dos corruptos #hi ,,iii--,o grupo dos indiff]5tes #ia ,,iv--,o grupo dos devotos #ic ,v--,o grupo dos santos #ii ,,segunda ,,p>te ,o inf]no consid]ado alm-tumulo1 os condemnados na pres5a de ,deus1 na pres5a dos santos1 e na pres5a dos hom5s ,capit4 ,i--,o inf]no de ,plato #ajc ,capit4 ,,ii--,op9io dos pagos sobre a situao e vi/a int]ior d inf]no #ajh ,capit4 ,,iii--,op9io dos judeus c]ca da vi/a int]ior d inf]no #aab ,capit4 ,,iv--,o inf]no dos !ologos #aag ,i--,o inf]no mat]ial #aag ,,ii--,reflexes sobre z p5as mat]iaes dos condemnados #abe ,,iii--,os m>tyres de ,n]o #abh ,,iv--,o inf]no espiritual #acj ,v--,cont9uao #acd ,,vi--,da immortalidade das p5as espirituaes d inf]no #acf ,,vii--,ultimas consid]aes c]ca d inf]no !ologico #adj ,capit4 ,v--,sursum corda #adc ,capit4 ,,vi--,a p>abola d rico av>5to #aea ,capit4 ,,vii--,t]ra1 inf]no1 co #aed ,i--,t]ra #aed ,,ii--,ceo #aee ,capit4 ,,viii--,hi/oria d'um sonho #aeg ,capit4 ,,ix--,judas ,isc>iote #agj ,capit4 ,x--,concluso em frma de p>abola #aha ,,app5dice ,capit4 ,i--,provas my/icas d inf]no #ahe ,i--,da auctoridade da ,biblia #ahe ,,ii--,da auctoridade da ,egreja #aia ,,iii--,concluso d que fica dito #aii ,capit4 ,,ii--,respo/a a uma objeco #bja ,capit4 ,,iii--,descida de ,*ri/o aos inf]nos #baj ,capit4 ,,iv--,adv]t5cia f9al #baf ,n4 #dbc--,porto3 ,typographia da livr>ia ,nacional1 ,l>anjal1 #b a #bb--ahga ,erros corrigidos ,pg4 no orig9al correco #ab div9didade div9dade #ab todas z religes eram todas z religies eram #aii ,espirto ,santo ,espirito ,santo #bae p>ticuralisada p>ticul>isada #bag pupul>es popul>es