from the ,google ,print project47 ,,judas ,,do ,,mesmo ,,auctor ,theatro3 ,a ,flr dos ,trigaes1 comedia original em um acto1 em verso--,theatro de ,d4 ,maria ,,ii4 ,aspasia1 drama original em quatro actos--,idem4 ,samuel1 idem--,idem4 ,a ,tesoura1 monologo--,idem4 ,a ,charada1 sainete original--,theatro do ,gymnasio4 ,casados-,solteiros1 comedia original em tres actos--,idem4 ,o ,vicio1 pea original em cinco actos--,theatro do ,principe ,real4 ,em livro--,edies esgotadas3 ,religio do ,amor1 versos4 ,o ,padre1 romance intimo4 ,a ,pana1 contos4 ,a ,lei da ,exauctorao ,militar1 poemeto4 ,cyrilleida1 analyse de uma critica ,velhice do ,padre ,eterno4 ,juizo ,final--,evangelho da ,consciencia4 ,a entrar no prlo3 ,o ,rabbi da ,galila--7,vida de ,jesus7--,romance4 ,juizo ,final--,evangelho da ,consciencia--#b4 edio4 ,em preparao3 ,consciencia ,libertada--,evangelho do ,futuro4 ,lendas de ,israel4 ,augusto de ,lacerda ,,judas ,,romance ,,lirico ,,em ,,quatro ,,jornadas ,,lisboa ,antiga ,casa ,bertrand--,,jos ,,bastos #gc1 ,rua ,garrett1 #ge #aija ,exemplar n4 #dfa ,todos os direitos d'este livro so propriedade exclusiva e reservada do seu auctor4 ,ao ,dr4 ,manoel ,maria ,bordallo ,pinheiro ,il n'y a gure de dtails certains en histoire2 les dtails cependant ont toujours quelque signification4 ,le talent de l'historien consiste faire un ensemble vrai avec des traits qui ne sont vrais qu' demi4 ,ernest ,renan--,vie de ,jsus ,,primeira ,,jornada ,,em #h ,,de ,,nisan ,,primeira ,,jornada ,,em #h ,,de ,,nisan ,a aldeia de ,bethania fica a hora e meia de ,jerusalem4 ,sobre a collina em que ella assenta ergue-se1 modesta e affastada das outras habitaes1 a casa de ,simo1 o ,leproso4 ,tem esta a forma tipica de uma piramide rectangular truncada1 e na parte superior um terrao onde florescem nos canteiros roseiras de ,jerich4 ,em frente da porta1 ladeada de duas janellas a deseguaes alturas1 um pequeno largo coberto pela enorme abobada de verdura de grossas arvores seculares1 coevas talvez dos ultimos grandes profetas4 ,a agua de uma fonte visinha1 jorrando natural da fenda de um rochedo1 cae sobre uma pia ampla1 de architectura romana1 espalhando no ambiente notas cristallinas1 e fazendo-nos pensar na ,samaritana da lenda444 ,um tronco de arvore carcomido pelo tempo e tombado no solo convida ao descanso e meditao4 ,uma longa estrada1 aberta pelo rodar dos carries1 vae desde ali serpeando por entre o matto1 ora subindo1 ora descendo1 em curvas graciosas1 at que chega aos terrenos cultivados onde o trigo verdeja e as papoulas entreoccultam as suas manchas rubras4 ,ergue-se ento o ,monte das ,oliveiras1 de um verde acinzentado2 da sua macissa ramagem surgem1 majestosos1 dois altissimos cedros antigos como ,babylonia1 e em volta dos quaes esvoaa um bando de pombas brancas4 ,aquelle monte1 esquerda1 rude1 penhascoso1 de cr turva1 o ,monte do ,escandalo2 e chama-se ,cedron o riosinho que apparece na linha inferior da encosta1 e que1 muito calmo e prateado1 vae sumir-se alem no ,valle de ,josaphat1 onde dormem em seus sepulcros caidos as ossadas dos profetas e patriarchas4 ,l ao longe1 no fundo do quadro e sobre terreno irregular1 alonga-se a cidade de ,jerusalem com as suas casarias de configurao muito geometrica1 amontoadas como um forte punhado de dados4 ,mal se distinguem as ruas estreitas1 com apparencia suja nas velhas cantarias4 ,a cidade vae n'um plano ascendente1 que se quebra para l da encosta3-- ali a antiga ,sio do tempo do grande rei ,david4 ,mais clara1 vem descendo a cidade nova1 terminando junto do ,monte ,moriah onde1 segundo diz a lenda1 ,abraho esteve prestes a immolar seu filho ,isaac1 em sacrificio ao ,senhor4 ,por isso n'aquelle monte se alevanta1 mudo como um misterio1 o grande ,templo1 a casa do ,deus que foi1 e ha-de ser3 ,jehovat4 ,a ,torre ,antonia1 a um dos angulos do vastissimo quadrado1 que fecha o recinto vedado a profanos1 como uma sentinella de ,tiberio1 na sua attenta quietao4 ,para alem da cidade1 a perder de vista1 alonga-se o campo inculto1 onde o carrasco e a urze predominam1 e onde raras palmeiras deixam pender suas folhas esfarrapadas4 ,pequenos logarejos clareiam aqui e ali2 muito nos longes1 divisa-se a collina de ,mizpa e a cordilheira de ,gabao entestando no firmamento azul e alegre4 ,vae declinando o sol d'uma formosa tarde do comeo da primavera1 que entorna regaos de seiva1 de canticos e de cores por sobre todo o harmonioso quadro4 ,a brisa1 ainda morna1 traz-nos o aroma dos trigaes1 de mistura com o resinoso do matto1 que morenisa a pelle e pe nos labios um sabor acre4 ,os rebanhos tilintam vagamente2 vo cantando na estrada as cotovias4 ,,gamaliel1 que chegou da cidade1 arrimado ao seu bordo1 as barbas brancas doiradas pelo sol1 dirige-se casa de ,simo1 e1 clamando3 ,eleazar1 meu caro1 honrado ebionita1 ,recebe de um amigo a cordeal visita4 ,,eleazar assomou logo a uma das janellas4 um rapaz de vinte e tantos annos1 franzino e melanclico4 s tu1 ,gamaliel8 ,que ida bemfaseja ,teus passos dirigiu assim1 para que eu veja porta do modesto e humilde lavrador ,aquelle que possue o nome de doutor ,notavel e profundo8 ,,gamaliel pobre a moradia1 ,amigo8--,no encerra a vil hypocrisia1 ,ornamento dos maus e da nefanda casta1 ,que faz do sacerdocio uma arma4 ,isto me basta4 ,,eleazar que a virtude leva s almas refrigerio ,tal1 como flr o pranto envolto no misterio2 ,pranto suave1 meigo e virginal e ardente1 ,que uma estrella chorou silenciosamente444 ,,gamaliel que a bondade espalha a sua luz divina ,e pura1 como o ,sol que a todos illumina444 ,e baixinho1 encostando-se ao peitoril da janella onde ,eleazar se conservou3 ,o que tenho a dizer-te coisa de segredo4 ,escuta-me portanto aqui4 ,,eleazar ,porqu8 ,tens medo ,de que minhas irms4448 ,,gamaliel ,o assumpto muito grave1 ,e receio que a dr ainda mais se crave ,nas almas feminis do que na tua4 ,bem o comprehendeu ,eleazar4 ,eil-o que se retira da janella1 e sando de casa1 accode logo ao secreto chamamento4 ,amigo1 ,uma nova cruel3--o ,mestre444 ,,eleazar1 estremecendo ,algum perigo imminente8 ,,gamaliel ,aquella estupida gentalha ,ridicula1 mesquinha1 hipocrita e canalha ,prepara com misterio o plano vingador1 ,e est na posio terrivel do condr1 ,pairando ao ver a presa incauta4 ,a esta hora1 ,em casa de ,kaiapha444-- sabbado hoje8 ,embora6 --444 ,o ,conselho procura1 extravasando o fel1 ,garantir-se o poder no povo d',israel4 ,,eleazar ,prendendo o ,mestre8 ,,gamaliel ,sim6 ,razes tem para tudo ,o seu pensar feroz1 indmito e agdo6 ,amor divino8 ,qual6 ,apenas o receio ,de perder o logar no execravel meio3 ,d'um lado1 a ambio1 por mais que abuse e coma1 ,e d'outro o servilismo s leis que vem de ,roma6 ,n'um brusco movimento deixou transparecer todo o rancor que o domina e que se expande1 emfim1 n'uma invocao3 ,a ,virgem de ,sio suspira ha muito j6444 -- terra de ,jacob6 ,heroes de ,josaphat6 ,que feito do vigor da tua fala1 ,isaas8 ,e das lamentaes sinceras1 ,jeremas8 ,profeta ,ezequiel1 a tua voz potente ,jmais ribombar por todo o ,oriente1 ,fazendo estremecer o despota cezareo1 ,como o gldio de ,deus1 terrivel1 incendiario1 ,que na vasta amplido a olhar o mundo assma1 ,que sepultou ,gomorrha e destruiu ,sodma86 ,,eleazar1 com o olhar vago3 ,vergonha6 opprobrio6444 ,,gamaliel1 que enxugra manga da tunica uma santa lagrima de enthusiasmo civico3 ,ai6 desde que um idumeu ,conseguiu transviar o nobre povo1 o hebreu1 ,e nos hombros depoz o manto purpurino444 ,maldito6 que deixaste um rasto viperino1 ,um rasto de peonha6 ,infame6 ,rei protervo1 ,o teu nome recorda o luto e um acervo ,de horrores6--,certo dia1 ousaste no portal ,da casa do ,senhor dar poiso immortal ,aguia romana6444--,vil1 nascido de idumeus1 ,o ,cezar tambem morre3 a aguia eterna ,deus6 444 ,que tristeza1 ao pensar n'uma to negra historia6 --,do nome do tiranno o filho honra a memoria4 ,surge um brado1 a ,nao protesta1 grita1 lucta444 ,afinal1 para qu8 sem foras1 dissoluta8444 --,eu vi por toda a parte erguerem-se madeiros2 ,vi morrerem na cruz milhes de prisioneiros1 ,gritando ,jehovat6 nas ancias da agonia6 ,e ao passo que na morte o hebreu se contorcia1 ,e filhas e mulher's davam luz o pranto1 ,o incendio voraz lavrava o ,logar ,santo6 --,depois8444 ,depois mais nada4 ,o ,cezar nos esmaga1 ,revolvendo o punhal na apodrecida chaga6 ,seja procurador ,coponio1 ou seja ,marco1 ,ou ,rufo1 ou ,grato1 ou ,poncio1 a nao um charco ,onde vivem1 sens1 as rs do servilismo444 provincia romana2 e viva o cezarismo6 ,e ri amargamente n'uma cascalhada ironica de velho rabbino1 apertando1 convulso1 o cajado na mo ossuda onde as veias resaltam4 ,,eleazar1 suggestionado pelas palavras do velho3 ,no6 no6 ,resurgirs1 eleita do ,senhor1 ,d'esta funda apatha e d'este grande horror6 ,juda1 sers livre6 ,elias no morreu1 ,porque revive n'um que tem o verbo seu1 ,e elle ha de trazer a guerra e o exterminio6 ,se branco o seu vestido1 ai6 pode ser sanguineo6444 ,abaters o orgulho1 o despotismo1 a infamia6 ,o povo quer vingana atroz3 pois bem1 derrame-a ,sem minimo temor da colera dos ceus6 ,,gamaliel1 n'um claro de esperana3 ,j temos o preciso3 um ,homem6 ,,maria1 que tinha sado de casa e que ouviu as ultimas palavras3 ,no6--,um ,deus6 ,alta1 morena1 olhos negros1 de languidez oriental4 ,negras devem ser tambem as suas tranas occultas a olhares mundanaes4 ,as roupagens escuras1 que lhe descem at aos ps1 cem suavemente em prgas regulares e castas como as de ,suzanna4 ,o seu olhar sempre vago e tranquillo2 os seus gestos sempre em accordo com as serenas emoes da alma4 bello o teu falar1 mas como de cegueira ,pelo amor patrio ests vencido6 ,de maneira ,que apenas bastaria um pulso valoroso ,para despedaar o monstro ambicioso ,de fausto e de poder que se revolve alm1 ,n'aquella babylonia8 ,ento1 ,jerusalem1 ,movida por um brao1 embora resoluto1 ,poderia colher o ambicionado fructo ,da plena liberdade em meio da revolta8 --,vae longe1 muito longe1 o tempo444 que no volta6 ,a ,juda prefre a honra em mil pedaos1 ,cheia de timidez1 crusando inerme os braos1 ,inhabil para a lucta e com horror morte444 ,a tribu de ,levy1 aquella cujo porte1 ,sendo mais senhoril e nobre1 inspiraria ,coragem ao vencido e alguma simpathia ,ao vencedor1 que faz8 ,conspira contra o povo4 --,onde encontraste1 irmo1 o excitante novo1 ,que possa dar alento a quem succumbe exangue1 ,que os nervos fortalea e retempre o sangue8 ,,gamaliel ,ha sempre em casos taes444 ,,eleazar a fora d'um athleta6 ,,maria ,tem muito mais poder o verbo d'um profeta6 ,ha de ser elle1 sim6 prgando a perfeio ,das coisas divinaes a toda a multido1 ,que se contorce afflicta em negro paroxismo1 ,descrente de ,moyss1 propensa ao paganismo4 ,nem ferro1 nem madeiro3 apenas a palavra1 ,que ao entranhar-se em ns suavemente lavra1 ,pesada1 como o arado terra bemfasejo1 ,subtil1 como o poisar castissimo d'um beijo6 ,,gamaliel ,e quem te diz que no8 ,eu julgo indifferente ,que tenhamos no ,mestre aquelle descendente ,do nome de ,david ao mundo promettido ,pelo ,senhor4 ,amal-o todo o meu sentido4 ,porque bem vejo a fora enorme1 o podero ,que exerce na cidade4 mais que prestado ,patria um homem tal6 ,,eleazar ,a sua mo convulsa1 ,brandindo um azorrague1 os vendilhes expulsa ,para longe do sitio s preces consagrado444 ,,maria ,e o seu falar murmra s vezes to magoado6444 --,regenra a mulher atreita s bacchanaes ,e que mercadejava as graas corporaes2 ,ascende at o amor aos pobres1 s creanas1 ,aos tristes e aos ns1 e d mil esperanas ,n'um reino que elle sabe e que ninguem conhece444 ,,eleazar ,quando1 porem1 troveja irado1 mais parece ,que vibra no seu peito a propria voz de ,deus6 ,,maria ,oh6 sim6 que de temer o divinal prestigio6444 ,,eleazar ,que deixa em seu caminho um profundo vestigio444 ,,gamaliel1 ao ouvido de ,eleazar1 aproveitando o ensejo dado por ,maria1 que foi sentar-se junto da fonte3 ,mas o povo nem sempre acceita um bom aviso1 ,e ,deus pode morrer444 quando fr mais preciso4 ,,eleazar1 com o intuito de afastar o negro pensamento1 que a todos trez opprime no intimo3 ,o ,mestre no vir4 ,alegra-me a certeza ,de que foge ao ,conselho a ambicionada preza4 ,comea em breve a ,paschoa1 e entre os forasteiros ,ainda no chegou nem um dos companheiros ,do ,mestre4 ,,gamaliel ,vae o ,sol no termo da viagem3 ,torno para a cidade4 ,e novamente em segredo3 ,eleazar1 coragem6 ,no teu silencio tens a minha vida e a tua4 ,,eleazar1 abeirando-se muito a elle1 supplicante3 ,se te constar1 porem1 que o plano contina ,e mais se desenvolve444 ,,gamaliel ,hei de dizer-te1 amigo4 ,,eleazar1 sadando-o3 ,que no te fuja ,deus6 ,,gamaliel1 sadando-o3 ,fique o ,senhor comtigo6 ,sada tambem ,maria1 e1 retomando o caminho da cidade1 vae-se ao longo da estrada1 um pouco alquebrado1 cadenciando os passos pelo bater do bordo no solo poeirento4 ,,eleazar sentou-se no tronco d'arvore1 pensando2 e1 como respondendo aos proprios pensamentos3 ,ninguem pode roubal-o proxima agona4 ,morrer na cidade4 ,a horrivel profecia ,aponta-lhe1 cruel1 a inevitavel a sorte444 ,ha muito que de longe anda a espreital-o a morte6 ,martha e ,simo de ,bethania saram de casa4 ,ella uma rapariguita de desoito annos1 irrequieta1 buliosa1 muito infantil2 elle1 um velho cujo cabello e barba ha muito branquearam2 nas mos o trabalho da lavoura poz-lhe grossos callos e deformou-lhe os dedos2 e no rosto a lpra deixou-lhe vestigios indeleveis em manchas avermelhadas4 ,,martha ,no que pensa o meu irmo8 ,,eleazar ,em nada penso4 ,,martha ,duvido4 ,ha n'esse olhar definido ,vislumbre d'inquietao4 ,,sim,o ,se tu pensas na lavoura1 ,fazes mal1 que o dia de hoje1 ,emquanto o ,sol no nos foge1 ,prohibe que1 scismadora1 ,a mente se occupe assim ,de coisas que no respeitam ,a ,deus4 ,,maria1 em longa abstraco1 junto da fonte1 como se ninguem a ouvisse3 ,aquelles que engeitam ,o pensar1 mesmo o ruim1 ,so como as ondas brutaes1 ,que lanam rocha dura ,a espuma de cuja alvura ,ellas so as mes e os paes444 ,,sim,o1 chasqueando-a1 mas com meiguice3 ,sempre has de ser renitente ,em respeitar a doutrina ,de ,moyss6 ,,maria1 com amargo sorriso3 ,o que ella ensina por vezes incoherente4 ,de ouvil-a j estou canada1 ,e nem assim me convence4 ,,martha encostada ao hombro do irmo1 que se conserva sentado3 ,no falas8 ,,sim,o ,deixa-o6 ,que pense1 ,uma vez que isso lhe agrada6 ,,eleazar ,mas como sois curiosos ,do que se passa por fra ,de vossas almas6 ,,martha ,agora ,vem discursos lamentosos1 ,recriminaes1 aposto6 ,grande mau6 ,,eleazar sorrindo contrafeito3 ,grande creana6 ,,martha picada no seu amor proprio3 ,no te inspiro confiana8 ,,eleazar condescendente3 ,inspiras1 sim4 ,,martha ,pois no gosto ,de segredos--,que tristeza6444 ,no percebo6 ,porque1 em summa1 ,no vejo razo nenhuma ,para tal6 ,no ha riqueza8 ,a nossa vida1 porem1 feliz2 a privao ,nunca nos veio affligir1 ,nem ameaa o porvir1 ,no verdade8 ,simo1 ,este bom velho leal1 ,que tanto e tanto nos ama1 ,d-nos meza1 casa1 cama1 ,e conselho paternal2 ,tu retribues a amizade1 ,auxiliando-o na vida4 ,achmos uma guarida ,nas trevas da orfandade3 ,temos familia6 ,por isso ,para ns a vida clara ,assim como a luz4 ,a seara verdadeiro macisso ,de po2 agua na fonte2 ,lenha nas faldas do monte444 ,nada vejo1 d'importancia1 ,que no tenhamos4 ,ento1 ,quero saber o motivo ,por que ests to pensativo444 ,e rindo muito3 ,e com cara de choro6 ,,eleazar ,e tenho de que sorrir8 ,,maria em longa abstrao1 como se ninguem a ouvisse3 ,quem pensa como quem sonha444 ,e como a vida risonha1 ,quando se pode dormir6444 ,,eleazar perseguido pelo olhar inquiridor de ,martha3 ,a minha alma atribulada ,profundo misterio aninha444 ,s caridosa1 irmsinha1 ,no me perguntes mais nada6 ,,martha afastando-se logo com muito despeito3 ,ai6 no pergunto6 ,,sim,o que de parte estivera rindo dos dois3 ,uma ida1 ,que talvez seja bem dita3 ,vou fazer uma visita ,ao ,jos d',arimatha4 ,vem commigo4 ,pode ser ,que tenhas n'este passeio ,o prompto e seguro meio ,da tristeza espairecer4 ,,eleazar ,dizes bem4 ,,sim,o ,acceitas8 ,,eleazar ,sim4 ,,sim,o ,afinal sempre o velho ,quem d o melhor conselho6 ,,eleazar s irms3 ,adeus6 ,e beijando ,martha1 que o evita d'arremeo3 ,tu foges de mim8 ,no vens beijar-me1 teimosa6 ento uma vingana8 ,,martha1 deixando explodir o seu despeito3 ,so arrufos444 de creana6 ,,eleazar beijando-a viva fora3 ,so os espinhos da rosa6 ,vo-se ,eleazar e ,simo4 ,succede grande silencio4 ,,martha foi beira da estrada e segue-os com o olhar4 ,depois1 appreensiva1 com vago receio3 ,nunca o vi assim como hoje444 ,,maria em longa abstraco1 como se ninguem a ouvisse3 ,espairecer444 ,puro engano6 ,o pensamento no sae444 como a sombra que vae ,correndo atraz de quem foge444 ,,martha que lanou para longe a tristeza1 despertada pelo cantar mais proximo d'uma cotovia4 ,como o tempo est formoso ,e se prepara1 amoroso1 ,para a ,paschoa d'este anno6 ,n'uma corrida1 eil-a junto da irm que ficra sentada beira da fonte4 ,um beijo resa na face de ,maria e logo aos ps d'esta se senta ,martha4 ,achamos isto um encanto6 ,como elles acham1 porem1 ,que tudo feio4 ,,maria ,elles1 quem8 ,,martha com o cotovello apoiado no joelho de ,maria1 o olhar limpido erguido para o olhar da irm3 ,os ,dose1 que gostam tanto ,de dizer mal de ,jud4 ,a ,galila6 ,no ha ,para elles outro mundo6 ,tem sincera affeio1 ,tributam amor profundo ,ao paiz de ,salomo6 ,,maria desculpando-os3 ,a sua terra natal444 --,todos dizem que em verdade um paiz ideal ,a ,galila4 ,,martha ,quem ha de ,duvidar1 se elle inspirou ,os galanteios doirados ,d'aquelles apaixonados444 --,como elles1 ninguem amou6 ,depois de alguma hesitao reconstituiu na memoria o cantico1 e recita-o1 com um sorriso humido nos labios1 em tom plangente1 repassado de languidez4 ,maria quedou o olhar no fio d'agua1 e vae brincando com elle1 deixando-o deslisar por entre os dedos finos e alongados4 formoso o meu amante1 ,formoso como nenhum1 ,e como o cdro elegante444 formoso o meu amante1 ,formoso como nenhum444 ,so de perfumes e odores ,suas faces purpurinas1 ,dois ramalhetes de flores444 ,e suas mos dois primores ,das pedrarias mais finas4 ,o seu corpo deslumbrante ,do marfim o brilho tem444 --,eu aqui444 ,elle distante444 ,onde est o meu amante1 ,filhas de ,jerusalem8 ,olhando de fito para a irm3 ,esta ida mesmo linda6 ,,maria com frieza1 como a da corrente d'agua que entre os seus dedos vae deslisando3 ,amres444 ,,martha ,muito falados6 ,olha que outros bem-amados ,como estes no houve ainda6 ,e quando elle se transporta1 ,descrevendo a sua amante8 ,no pode ser mais galante6 ,queres ouvir8 ,,maria ,que m'importa6444 ,,martha s formosa entre as formosas6 ,como tu no ha nenhuma6 ,tens no rosto duas rosas444 s formosa entre as formosas6 ,como tu no ha nenhuma6 ,duas pombas tens no olhar ,onde transluz a bondade4 ,os teus cabellos sem par ,fazem-me sempre lembrar ,as cabrinhas de ,galaad444 ,tua bocca to fagueira6 ,quando sorrs com ternura1 ,julgo vr n'uma ribeira1 ,unidinhas em fileira1 ,ovelhas de casta alvura6 ,oh6 que suaves martirios ,em tuas caricias francas6 ,so teus seios--que delirios6 --,como duas coras brancas ,a pastarem entre os lirios6 ,indiscretos ouviram ,martha desde o meio da recitao4 ,claudia e o seu sequito passavam pela estrada1 e a curiosidade fez que a mulher de ,poncio ,pilado detivesse os lecticarios com um gesto4 ,apeou-se da liteira2 sem ser presentida1 avanou1 cautelosa1 e com ella a sua escrava e confidente ,geda4 ,os soldados que escoltam a liteira ficaram immoveis2 e o sol poente1 avermelhando-lhes as couraas e os capacetes1 parece tel-os transformado em estatuas de sangue4 ,na mo de um d'elles1 que frente caminhava1 brilha o pilo de oiro1 emblema heraldico da casa de ,poncio4 ,claudia uma mulher alta e formosa1 cujo rosto a idade ainda no enrugou1 mas do qual fugiram as rosadas cres da mocidade1 que a pintura e o artificio em vo tentam simular4 ,typo de matrona donairosa1 fanatica do deus ,phallus1 tomando por modelo no amor a divina ,julia1 consorte de ,tiberio1 illustre messallina--lassata1 sed non satiata4 ,a tunica azul celeste apertada pelo largo cinto de oiro contorna-lhe a base do tronco esculptural4 ,um diadema1 egual aos braceletes1 que se lhe enroscam na carne1 refulge no ebano de seus cabellos1 e d-lhe a majestade olympica do perfil das medalhas de ,agrippina4 ,,claudia em tom faceto de cortez affeita ao jogo de gracejos nos triclinios de m nota da velha ,roma3 ,muito bem6 ,ergueu-se ,maria em sobresalto1 e1 reconhecendo a mulher de ,poncio1 dirige-se apressada para casa1 levando comsigo a irm2 mas porta detem-se4 ,que formosa poesia ,cheia de amor e de melancolia6 ,ha quem diga no ,lcio ,que impossivel encontrar primores ,que no sejam de ,ovidio nos ,amores ,nos ,epodos de ,horacio444 -- que ninguem conhece quanto val' ,a doce poesia oriental6 --,isso de ,salomo8 ,,martha muito a mdo3 ,senhora444 ,,claudia ,pois eu sou to lisongeira1 ,para ouvir-te apeei-me da liteira444 ,e foges8--,a razo8 ,e como no colhesse resposta1 prosegue sardonicamente3 ,tambem me odeias1 tu1 gentil creana8 --,quando ha de fazer-se uma alliana ,entre ,roma e ,juda8 ,ganhariamos todos1 com certeza3 ,ns1 simpathia2 vs1 delicadeza4 ,darei a ,poncio a ida4 ,olhando de fito para ,maria1 que permaneceu immovel com labios contrados e os punhos cerrados3 ,conheces-me tambem8 ,,maria por entre dentes3 ,perfeitamente4 ,,claudia ,se no me engano1 a tua alma sente ,por mim o mesmo affecto444 ,mas que mal vos fiz eu8 ,por ser casada ,com ,poncio1 devo estar acorrentada ,a um odio to directo8 ,,maria fitando-a resoluta1 mas serena3 que tu desconheces o rancor ,que tem toda a ,juda ao vencedor6 ,fossem mil as naes ,cadas sobre ns6 ,odio profundo ,teriamos ento a todo o mundo ,e s suas geraes6 --,ninguem pediu que ouvisses o falar ,da minha irm4 ,de mais1 vindo escutar ,fizeste muito mal444 s ,claudia2 quer dizer3 alguma coisa ,que nos merece tdio1 e que repoisa ,sobre um vil pedestal ,todo feito de lama e impudicicia6 ,justamente porque s uma patricia ,deves ter o criterio ,de no brincar co'as cinzas ainda quentes1 ,porque ns detestamos intendentes ,e amantes de ,tiberio6 ,dois soldados olham rapidos para ,claudia e logo n'um movimento impulsivo de mercenarios servis apoderam-se de ,maria1 que no resiste4 ,martha soltou um grito2 succedeu-lhe longo silencio interrompido apenas pelo murmurio da agua e pelo chro suffocado de ,martha1 que no desamparou a irm4 ,,claudia deixando cair as palavras uma a uma1 como gtas de chumbo derretido3 ,terrivel quando odeio1 e meiga quando estimo4 ,a todo o sentimento o da maldade encimo1 ,se acaso minha face o insulto e o desdem ,me forem arrojados por alguem6 ,uma frase1 um olhar--tanto me basta2 ,pois como sou nervosa1 em mim logo se engasta1 ,qual sanguineo brilhante1 a fbre da matana1 ,dos deuses o prazer dulcissimo3 a ,vingana6 ,mas em rapido movimento1 como obedecendo a pensamento occulto1 faz signal aos soldados1 que logo abandonam ,maria4 ,depois1 com acerado sorriso de maldade3 ,agradece1 mulher1 a mim e ao teu ,deus ,esta disposio d'espirito1 e os meus ,bons nervos hoje2 e grava1 em summa1 na memoria ,que o insulto nem sempre uma gloria6 ,,maria muito vexada pela insultante benevolencia de ,claudia3 ,eu no pedi perdo444 ,,claudia victoriosa pelo effeito que o perdo causou no animo independente da patriotica filha d',israel3 ,e quem diz tal1 juda8 ,fui eu que perdoei444--,offendes-te8 ,,martha supplicante ao ouvido da irm1 que ia responder3 ,maria444 ,,claudia rindo1 satisfeita1 feliz3 ,maria444 ,nome formoso1 ,que tem um rythmo oleo6 ,merece logar honroso1 ,por ,jove1 no ,capitolio6 ,e volta para a liteira4 ,a ,,escrava ,,geda ajudando-a a accomodar-se nas almofadas da liteira3 ,nunca te vi assim444 ,,claudia ,diverte me a bondade1 s vezes444 ,o ,,centuri,o ,,amp,o ao sequito3 ,a caminho6 ,os lecticarios pem a liteira aos hombros4 ,,claudia porta da cidade ,haveremos de estar antes da noite4 ,anceio ,por que termine em brve este infeliz passeio1 ,sem novo encontro mau4-- palida juda1 ,pode ser que eu te veja ainda444 ,at um dia ,tem sade at l1 que o ferro vingador ,detesta a gente magra1 e tem maior furor ,ao trespassar um clo arredondado e terno444 ,,maria ,descansa3 no hei de ir incommodar-te ao inferno6 ,claudia solta uma gargalhada1 correspondida n'um murmurio pela soldadesca2 e ,maria1 affagando ,martha1 que no cessou de chorar1 leva-a comsigo para casa4 ,apparecem ento os fariseus ,benjamim e ,josu1 cautelosos1 o olhar obliquo circumdando o terreno1 como bons espies3 concretisao grotesca da hipocrisia sacerdotal da poca4 ,mantos negros1 andar pausado1 mitras de feitio semelhante dos outros judeus1 mas de maior dimenso4 ,debaixo dos braos1 os rlos de ,escriptura4 ,compostura beatifica4 ,benjamim1 um pouco alquebrado1 por calculo1 parece no querer levantar do cho o olhar para as coisas superiores ao p da terra2 ,josu1 pelo contrario1 conserva-os erguidos ao ceu como para no os baixar s coisas mundanaes4 ,claro que de quando em quando a compostura perde-se1 e os velhacos manifestam-se4 ,,benjamim ,no ha que duvidar3 chegaram todos4 ,,josu ,viste bem1 ,benjamim8 seria engano444 ,,benjamim ,engano o que8 ,se affirmo1 se at juro ,ter visto o ,mestre e os dose companheiros4 ,tomaram pela horta do ,simo1 ,e em brve ho de estar n'aquella casa4 ,e approxima-se da casa do ,leproso4 ,detem-se2 prestando atteno1 ouve a distancia o murmurio festivo do povo que1 sada com ,hossannas6 a chegada do ,rabbi da ,galila4 ,eu no te digo8444 ,o povo j comea ,a correr ao encontro4 ,dentro em pouco1 ,vae por esta ,bethania uma celeuma1 ,que nem no ,templo em dia de festejo6 ,eis portanto o momento ambicionado ,de cumprirmos as ordens recebidas444 ,,josu1 timido1 covarde1 circumvagando o olhar3 ,mas ,benjamim444 ,,benjamim ,o que 8 ,,josu ,sinceramente1 ,vou achando pesada esta incumbencia4 que ns somos dois3 elles so tantos6444 ,,benjamim ,em verdade te digo2 principo ,a estar arrependido de indicar-te ,para meu ajudante n'esta empreza6 ,hanan mandou que fossemos prudentes3 ,devemos ter prudencia4 ,hanan mandou ,que tomassemos nota do que vissemos3 ,tudo o que virmos lhe ser contado4 ,hanan mandou que fosse descoberto ,o melhor paradeiro onde1 em segredo1 ,se podesse prender o ,nazareno1 ,muito em segredo1 sim1 para evitar ,protestos e tumultos3 pois1 meu caro1 ,havemos de encontral-o6 ,,josu ,ests bem certo8444 ,,benjamim velhacamente1 animando-o3 ,e no vejo que mal nos ameace4 ,o ex-,grande ,sacerdote simplesmente ,quem se entrega aos revezes d'este jogo4 ,se perde ou ganha1 o caso l com elle2 ,e ns de qualquer forma ganharemos ,no s a consciencia de homens probos1 ,leaes respeitadores de ,moyss444 ,,josu unctuosamente3 ,o que minha alma traz doce conforto444 ,,benjamim 444 ,mas tambem o dinheiro promettido1 ,que no menos conforta as nossas bolsas4 ,,josu com desinteresse hypocrita3 ,tens um sistema de encarar a vida6444 ,,benjamim foroso que ns nos convenamos ,de que1 se os bons principios se defendem1 ,tambem se deve garantir ao corpo ,a delicia das bas digestes444 custa do dinheiro do ,conselho6 --,ouve portanto o que mister cumprir3 ,tu vaes para a cidade2 a brve trecho ,procurars o ex-,sacerdote444 ,e ento ,dir-lhe-s que o profeta e os companheiros ,chegaram a ,bethania era sol-posto2 ,que decerto aqui ficam toda a noite1 ,e que eu no deixarei de estar lerta4 ,,josu ,perfeitamente4 ,,benjamim ,espra6 ,de manh1 ,logo que vejas os clares do dia1 ,has de esperar por mim444 ,,josu ,que sitio indicas8 ,,benjamim ,no distante da entrada principal ,do ,templo4 ,dado o caso que eu no chegue1 ,commigo has de encontrar-te444 ,,josu ,e onde8 ,,benjamim ,aqui4 ,,josu ,muito bem6 ,,benjamim ,percebeste8 ,,josu ,que pergunta6 ,como quem desenrola o ,pentateuco ,e passa a vista pelo que elle diz4 --,a proposito3 guarda-me estes rlos4 ,,benjamim acceitando-os e juntando-os aos seus3 ,tens razo4 ,as ,sagradas ,escripturas ,iriam pezar muito no caminho4 ,mas deves ir com um1 pois preciso ,para te dar o aspecto d'homem srio4 ,,josu ,ao romper da manh444 ,,benjamim ,vae-te6 ,vem gente6 ,e tomam para lados oppostos1 revestidos de sua compostura habitual4 ,quatro homens assomaram porta do ,leproso2 so ,eleazar acompanhado de ,joo1 ,simo ,pedra e ,matheus4 ,joo um bello tipo da raa judaica do norte4 ,alto1 robusto1 espadado e ainda imberbe4 ,os louros cabellos de genuino galileu caem-lhe sobre os hombros em fartos anneis4 ,olhar azul1 meigo2 gesto largo e suave1 na quietao d'alma2 mas desordenado e brusco1 se a colera o determina4 ,voz intensa1 possante1 cadenciada1 de homem habituado a falar ao ar livre1 na grande extenso da superficie das aguas4 ,mais velho do que elle1 ,simo ,pedra deixa transparecer em toda a sua figura suavidade extranha em creatura humana4 ,de ,capharnaum1 galileu tambem e tambem robusto homem do mar1 o seu rosto circumdado pelos annelados cabellos e pela barba comprida1 bipartida1 e to loura1 que mais parece branca4 ,olhar penetrante1 mas bondoso e ligeiramente accentuado por um vinco entre os supercilios1 o que torna a sua fisionomia um pouco severa4 ,gesto sempre sereno2 voz protectora1 paternal4 ,matheus mais velho do que ,joo e mais novo do que ,simo ,pedra4 ,baixo1 de forte musculatura1 barba ruiva bipartida2 olhos medos e muito vivos de antigo publicano4 ,todavia o conjuncto da fisionomia attrahente por uma expresso de rude franqueza que n'elle predomina4 ,voz quasi homofona1 de homem metdico1 que raras vezes se enthusiasma ou sensibilisa1 e que tem da vida uma noo segura4 ,os trez trazem na cabea turbante moda egypcia1 com as pontas cadas ao longo das costas4 ,os mantos e as tunicas empoeirados mostram que foi grande o percurso que fizeram os romeiros4 ,,jo,o resfolegando3 ,amigos1 n'este sitio ha fresco e liberdade6 ,,matheus ,e ficam bem vista os muros da cidade444 ,no sei o que adivinho6444 ,,jo,o ,ao largo esse receio6 ,muito mais me entristece a nuvem m que veio ,escurecer ao ,mestre o doce olhar444 ,,sim,o ,,pedra1 com o brao direito sobre o hombro de ,eleazar1 n'uma intimidade muito amiga3 ,meu caro1 ,que justissimo orgulho eu tenho1 se comparo ,o tempo que passou a este em que hoje estamos3 ,o verbo illuminando a treva e os recamos ,do manto a que se abriga uma ambio enorme2 ,as contorses finaes do animal disforme ,que viu a luz no ,horeb ao sopro de ,moyss1 ,rojando-se afinal vencido a nossos ps6 ,,eleazar descrente1 mas muito timido1 querendo occultar o que lhe vae n'alma3 ,e julgas que no tarda em despontar o dia ,to desejado8 ,,sim,o ,,pedra ,eu86 ,pois quem duvidara8 --,a doutrina do ,mestre como o gro de trigo1 ,que o lavrador dispe no seu terreno amigo4 ,que mais cuidados tem o bom do lavrador8 ,no tem nem um cuidado4 ,a terra1 em seu labor1 ,se encarrega de dar ao germe1 ao simples gro1 ,a fora e o poder da multiplicao4 ,se o lavrador depois no campo seu repra ,e v brilhar ao sol a refulgente sera1 ,exclama1 commovido3 ,abenoada terra1 ,que assim tanta bondade e tanto amor encerra6 ,,eleazar1 quasi a medo3 ,mas se acaso acontece o lavrador morrer4448 ,,sim,o ,,pedra ,quem passa pela estrada e attenta no crescer ,do risonho trigal1 diz logo1 reverente3 ,bemdito quem dispoz na terra esta semente6 ,,eleazar1 depois de grande hesitao3 ,escuta1 ,simo ,pedra3 s furias do ,conselho ,no curvareis1 talvez1 humildes1 o joelho8444 ,,sim,o ,,pedra ,nunca6 ,,eleazar ,nem fugireis8 ,,jo,o que se erguera1 rapido e violento3 ,nenhum de ns6 ,judas sae de casa de ,simo e vae sentar-se1 pensativo1 junto da fonte4 ,bem o viu ,joo3 mas1 dissimulando1 contina ainda mais violento1 e1 dando s palavras uma inteno reservada3 ,nenhum444 ,dos que tem do ,mestre a patria por commum6 ,posso dizer bem alto1 amigo3 os seus patricios ,nunca ho de vacilar perante os sacrificios4 ,se acaso o ,mestre fr levado de vencida1 ,qualquer de ns dar por elle a propria vida6 ,quem ha de recusar-se a tal8 ,filippe1 ,andr1 ,thaddeu1 ,nathaniel1 ,simo1 ,matheus1 ,thom1 ,iago1 o publicano1 ou ,simo ,pedra8--,no6 ,julga-me alguem covarde1 a mim1 ou a meu irmo8 --,vs pois1 ,eleazar1 qual seja o nosso intento4 ,,judas ,no falaste de mim444 ,,jo,o muito secco e terminante3 ,por mro esquecimento4 ,e vae para junto de ,matheus1 como para evitar maior explicao4 ,,eleazar ao ouvido de ,simo ,pedra3 ,pareceu-me o contrario444 ,,sim,o ,,pedra triste e confidencial3 sempre assim co'o ,judas444 ,judas tem quando muito trinta e dois annos4 um homem em toda a fora da vida1 conformao mscula1 de virilidade quasi selvagem4 ,estatura regular4 ,elle proprio vae dizer-nos d'onde 1 e qual a cr dos seus cabellos naturalmente revoltos1 curtos e encaracolados4 ,barba cerrada2 plle morena4 ,olhar profundo e d'infinita melancolia1 que de frma notavel contrasta da rudeza do resto da figura4 ,os dentes alvos brilham entre os labios vermelhos2 e quando irado1 o labio inferior que grosso1 sensual1 estremece-lhe como o d'um touro em circo romano4 uma d'essas creaturas que no sabemos se devam inspirar-nos simpathia1 se conservar no nosso espirito a ida de repulso que a principio nos dispertaram4 ,gestos angulosos e rigidos2 mos1 braos e peito cabelludos2 andar pesado4 ,voz de tonalidades irregulares2 extremamente meiga e cariciosa na dr1 extremamente vibrante1 herculea na clera4 ,,judas amarga1 mas serenamente1 depois de ter meditado por algum tempo3 ,que mal te fiz1 ,joo8 ,chego a pensar que estudas ,as tuas aggresses quelle que te prsa6 ,eu tenho uma alma branca1 e a consciencia illsa4 ,de injurias contra mim tu sempre ests faminto6 ,que mal te fiz1 ,joo8 ,tu pensas que no sinto444 7,e cr que muita vez isto me vem ida7 444 ,ter nascido em ,jud e no na ,galila8 ,sou culpado de qu8 ,de ter a plle escura8 ,de ter cabello negro8 ,isto para censura8 ,,matheus conciliadr3 ,mas se elle j te disse444 ,,judas ,e eu digo que1 em verdade1 ,prefiro lealmente o odio a esta amizade6 ,e volta aos seus pensamentos dominantes4 ,,martha1 assomando a uma das janellas1 n'uma risadinha infantil3 ,vinde ceiar1 que so horas4 ,no quereis8 ,,sim,o ,,pedra1 aproveitando a inconsciente interveno de ,martha ,nem se duvda6 ,,martha ,pois deixae-vos de demoras1 ,alis vae-se a comida6 --,uma ceia improvisada ,mas nem por isso mesquinha1 ,podeis crr4 ,,sim,o ,,pedra ,a caminhada ,que fizemos foi damninha444 ,por aguar o appetite4 ,,martha intimativamente1 retirando-se da janella3 ,dize que venham depressa1 ,porque1 faltando ao convite1 ,sem vs a ceia comea6 ,,jo,o a ,matheus e a ,eleazar1 continuando a conversa interrompida e n'um tom de voz inaudivel para ,judas3 ,dizeis que elle honesto e probo e crente1 em summa ,que para ser dos bons no falta a coisa alguma444 ,talvez que seja assim como dizeis4 ,no entanto1 ,se para o seu olhar o meu olhar levanto444 -- tectrico e sombrio aquelle olhar revsso6 ,pensando sempre6 ,em qu8--,amigos1 bem conheo ,que pode ser fatal este misterio vivo6 ,qualquer de ns meigo1 alegre e expansivo444 --,quizeram confiar-lhe a bolsa do dinheiro3 ,no procederam bem4 ,,sim,o ,,pedra que se reunira aos tres1 carregando o semblante3 ,porqu8 ,,jo,o em tom leviano3 ,o embusteiro ,apenas retribue a prova de amizade ,gastando em seu proveito o que da sociedade4 ,,sim,o ,,pedra1 que no poude reprimir um sobresalto1 tornando-se ainda mais severo3 ,j no te quero ouvir nem mais uma palavra6 ,no teu peito leal um sentimento lavra ,improprio de quem s6 ,l dentro direi tudo4 ,depois do que te ouvi1 no posso ficar mudo6 ,,eleazar conciliador3 ,ento6 ,,matheus detendo ,simo ,pedra1 que ia para entrar em casa do ,leproso3 ,menos calor6 ,,jo,o repso1 meigo1 supplicante3 ,oh6 cala-te1 por ,deus6 ,no vs exacerbar ao nosso ,mestre os seus ,desgostos2 porque1 emfim1 sou muito leviano444 ,proveio o que me ouviste apenas de um engano444 ,simo ,pedra1 desculpa6 supplica de ,joo succede algum silencio3 todos tem o olhar em ,simo ,pedra1 aguardando o desenlace4 ,,sim,o ,,pedra sorrindo1 afinal1 benevolo3 ,eu sei que s razoavel4 ,j tinha como certa a confisso louvavel1 ,que logo surgiria simples ameaa444 ,,jo,o abraando-o effusivamente3 ,devemos collocar ao longe o que a desgraa ,procura intrometter no nosso corao6 ,,matheus ,o ,mestre que diz bem3 nasceste d'um trovo1 ,mas tens dentro do peito os risos da bonana6 ,,sim,o ,,pedra ,no voltes a magoal-o4 ,,jo,o ,hei de mudar1 descansa4 ,encaminha-se para casa1 mas ,,sim,o ,,pedra detendo-o e apontando para ,judas1 que nada ouviu do que se passra3 ,e fala-lhe1 ,joo3 no vs como ficou8 ,,jo,o com bonhoma3 ,judas1 deixa-te d'isso6 ,anda d'ahi6 ,,judas olhando lealmente para elle e com um sorriso de reconciliado3 ,eu vou4 ,mas fica1 e s os quatro entram para casa4 ,judas est agora ssinho1 sempre sentado junto da fonte1 novamente immerso nas suas meditaes4 ,anoiteceu4 ,o luar vem rompendo1 illuminando toda a pasagem e coando-se pelas folhas do arvoredo4 ,uma paz enorme reina em todo o quadro4 ,calaram-se as cotovias1 calaram-se os rebanhos2 apenas os ralos se fazem ouvir1 estridulos4 ,muito distante1 porm1 distinguem-se os sons mal definidos de uma melodia3 so os ultimos romeiros1 que veem para a festa da ,paschoa tangendo psalterio1 frauta e pandeiro4 um himno melanclico1 dolente1 ao pausado compasso da andadura4 ,pouco a pouco os sons definem-se1 approximam-se4 ,a aragem fresca e perfumada baloua docemente o arvoredo4 ,,judas solta um suspiro1 e erguendo o olhar1 expandindo a sua alma3 ,porque motivo1 ,deus1 esta injustia8 ,desegualdade sem razo1 medonha6 ,uma alma pura1 virginal1 submissa2 ,outra1 vertendo em lagrimas peonha6 --,ah6 fatal e profundo sentimento1 ,que tens do abismo a attraco e o horror6 s para mim dulcissimo tormento1 ,e sendo um grande amor444 no s amor6 ,um desejo voraz1 ardente1 furia1 ,que a fora da vontade no arranca6 ,tem sonhos de volupia1 de luxuria1 ,com as palpitaes da carne branca6 ,transforma o ideal em verdadeiro ,e a minha alma timida conduz ,a seductor e vago paradeiro1 ,onde eu estreito um clo e uns braos ns6 ,no morrers8 no has de ter um fim1 tenebrosa e infernal tortura1 ,que pareces viver dentro de mim ,a construir a minha sepultura8 --,quem te ordena que leves a maldade ,a fazer-me avanar para o impossivel8 ,porque segrdas tu que a castidade ,nem sempre pode ser irresistivel s seduces frenticas do amor8 ,e porque vens mostrar-me1 sensual1 ,certa nudez1 e em todo o seu fulgor ,um monte de oiro junto d'um punhal8 --,como s infame6 ,sim6 ,com violencia ,levas minh'alma fraca aos empurres4 ,e1 como a ,daniel1 a ,consciencia ,queres deitar cova dos lees6 --,oh6 nunca6 ,podes crr que te resisto6 ,hei de salvar minh'alma moribunda1 ,arrancar-te de mim1 e1 depois d'isto1 ,escarrar-te no corpo1 besta immunda6 ,e ergue-se de subito2 mas o seu olhar detem-se1 vendo no limiar da porta o vulto de ,maria destacando-se no fundo de luz amarelada que vem do interior da casa4 ,maria1 ao reconhecer ,judas1 parou hesitante4 ,sobre o quadril esquerdo traz apoiada uma amphora de grs4 ,tem uns momentos d'indeciso4 ,alguma coisa extraordinaria occulta-se n'aquellas duas almas444 ,depois1 ,maria1 como animada de forte resoluo1 encaminha-se para a fonte1 passando pela frente de ,judas1 natural e serena4 ,elle seguiu-a com o olhar e quedou-se a contemplal-a4 ,maria pe a amphora sob a corrente d'agua1 e espera que encha4 ,os romeiros aproximam-se com o seu tanger plangente4 ,dir-se-a que uma lagrima resvalou no rosto de ,judas1 cujo olhar est agora fito no cho4 ,mas1 por fim1 com expresso de resignado1 eil-o que se dirige para casa1 onde entra a passos lentos4 ,a amphora transborda4 ,maria pe-na sobre o quadril e d alguns passos4 ,parou3 negro pensamento lhe atravessa o espirito2 olha para as bandas da cidade com expresso de temor1 como se d'ali podesse vir desgraa para algum ente querido444 ,entra depois em casa1 serenamente1 fechando a porta4 ,os romeiros1 cinco apenas1 passam na estrada1 tangendo os seus instrumentos1 e vo-se afastando1 afastando gradualmente1 os sons sumindo-se pouco a pouco na distancia4 ,a lua sobe com lentido2 paira em todo o quadro a quietao muda da ,natureza adormecida444 ,mas um vulto suspeito e cauteloso deslisa na sombra1 e dir-se-a que esse vulto ,benjamim4 ,,segunda ,,jornada ,,em #i ,,de ,,nisan ,,segunda ,,jornada ,,em #i ,,de ,,nisan ,estamos em casa de ,simo de ,bethania4 ,a casa de entrada ampla4 ,n'uma das paredes abrem-se as duas janellas tendo ao centro a porta2 por ellas vemos o aprazivel sitio j nosso conhecido e a fonte d'onde a agua dimana4 ,na parede1 que nos fica direita1 outra janella olha para ,jerusalem e para a estrada que cidade conduz2 na da esquerda1 pequena porta com trez degraus d communicao para o interior4 ,em volta da casa1 a todo o comprimento das paredes1 largo e baixo poial1 onde existem em descuidosa promiscuidade varios utensilios da vida domestica1 pratos1 amphoras1 onde o estilo ainda egypcio se revela2 pequenos copos de barro pintalgados1 almofadas de velho tecido da ,syria1 pedaos d'esteira de junco do ,jordo4 ,no distante da janella fronteira cidade1 pequena meza redonda cercada de camilhas denunca tambem a influencia do triclinio nos costumes da ,juda4 ,a lampada de cobre1 que do tecto pende1 tem ainda nos seus quatro bicos os morres que a apagada luz na vespera deixara4 dia claro1 festivamente bello2 o sol dardeja e as cigarras vibram4 ,no triclinio trez homens esto deitados3 ,simo ,pedra1 ,matheus e o ,leproso4 ,comem vagarosamente restos de legumes e peixe secco temperados com oleo de oliveira doce1 de que estivera cheio e amplo graal collocado no centro da meza4 ,duas infusas junto de ,simo2 pedaos de po levedo em frente de cada commensal4 ,no distante da porta1 ,judas est sentado no poial1 as pernas cruzadas sob a tunica1 e tendo nos joelhos um grande rlo aberto onde l attento as ,sagradas ,escripturas4 ,joo1 no limiar da porta1 sem manto1 a tunica cintura aconchegada por uma velha corda de linho que foi branco1 braos cruzados1--medita e lana de quando em quando olhares furtivos e penetrantes1 que prescrutam ,judas4 ,,matheus ,de ha muito que no como1 e sem lisonja o digo1 ,um po com tal sabor4 ,que saboroso trigo6 ,no achas8 ,,sim,o ,,pedra ,fabricado em casa do ,simo444 ,,sim,o ,obrigado4 ,outro copo8 ,,sim,o ,,pedra ,o vinho de ,ascalo4 ,conhece-se a distancia apenas pelo aroma4 ,,sim,o ,continuam a dar-lhe enorme apreo em ,roma ,para onde vo toneis sobre toneis6 ,,matheus que n'um movimento de cabea concordra e que bebera depois d'aspirar o bom perfume3 ,pudera6 ,o amor entre os pagos embriaguez prospra4 ,,sim,o apresentando outra infusa3 ,temos agora aqui magnifica cerveja4 ,,sim,o ,,pedra ,de cevada8 ,,sim,o ,no 4 ,,matheus ,de peros8 ,,sim,o ,de cereja ,cultivada em ,ram4 ,com sorriso amigo1 ,simo ,pedra e ,matheus estendem os copos para ,simo que n'elles verte o nectar rubro e espumante4 ,cheio o seu1 bebem os trez em silencio e com recolhimento4 ,,sim,o ,,pedra pousando o copo onde o olhar pensativo est fixando3 ,olhae como profundo ,este segredo6 ,,matheus ,qual8 ,,sim,o ,,pedra ,por um processo immundo1 ,pela fermentao1 consegue-se tirar ,da materia um licor to grato ao paladar4 ,,jo,o que parecia estranho a tudo1 fala emfim1 com o olhar cravado em ,judas1 que contina lendo3 ,no acontece o mesmo a tudo que fermenta4 ,ha certas podrides que geram peonhenta ,bebida a que nem ,deus o rude effeito acalma4 ,entrando pela vista1 digirida na alma6 ,e sinto que n'esta hora a dr que me aniquila ,provem d'esse veneno horrivel que distila ,muito perto de mim com lugubre misterio4 ,inutil procurar um doce refrigerio1 ,por que elle semelhante nodoa1 que onde cae ,arredonda-se1 alastra1 afunda-se e no sae6 ,judas ergue para elle o olhar inquiridor2 mas ,joo j se retirou para alem da porta e passeia em frente d'ella como para espairecer os negros pensamentos4 ,judas voltou leitura sempre silencioso4 ,,sim,o quasi em segredo aos seus dois commensaes3 ,nunca ouvi tal falar da bca do ,joo4 ,,sim,o ,,pedra tristemente3 ,e o caso que tambem comeo a achar razo ,a tudo que elle diz4 ,abandonam o triclinio reunindo-se junto da proxima janella1 onde conversam em voz baixa sem que ,judas possa ouvil-os4 ,,matheus ,o ,judas1 francamente1 ,no que hontem se passou1 deu prova de demente1 ,ou de infiel ao ,mestre e cinico impostor6 ,,sim,o ,hontem8 ,,matheus noite4 ,,sim,o ,o qu8 ,dizei-me1 por favor4 ,no sei do que falaes4 ,,matheus ,passou-se tudo aqui4 ,durante a ceia4 ,no ouviste8 ,,sim,o ,no2 sahi1 ,mas foi por pouco tempo4 ,,sim,o ,,pedra muito confidencial3 ,ento eis o motivo444 --,durante toda a noite esteve pensativo ,e por mais d'uma vez fugiu-nos conversa ,com palavras banaes e frias4 ,to submersa ,tinha em meditaes a alma1 que ninguem ,deixou de perceber444 ,,sim,o ,percebi eu tambem ,que1 muito mais que outr'ora1 havia no seu rosto ,a fiel expresso d'um intimo desgosto4 ,,sim,o ,,pedra ,maria1 aquella honesta e ba rapariga1 ,desejando seguir a usana muito antiga ,no povo do ,senhor1 a de render um preito ,de sincera amizade e natural respeito ,ao viajante illustre a quem se d guarida1 ,abeirou-se da mesa1 e1 muito commovida1 ,derramou sobre o ,mestre um perfumado unguento ,de nardo puro4 ,ento1 infame sentimento ,de ,judas se apodra4 ,em vez de prazenteiro ,e alegre como ns1 aquelle companheiro ,reputado fiel1 s tem uma censura ,para galardoar a prova de ternura3 --,melhor fra1 elle diz1 que esse custoso nardo ,se tivesse vendido4 ,eu1 que o dinheiro guardo1 ,saberia guardar tambem zelosamente ,a importancia da venda a todos pertencente1 ,entregando-a depois em meu e vosso nome quelles que teem frio e quelles que teem fome4 ,,sim,o como assombrado3 ,mas isso foi um insulto6 ,e o mestre8 ,,sim,o ,,pedra ,respondeu ,brandamente1 como velho costume seu4 ,,sim,o ,nem siquer suspeitaes a causa8 ,,matheus ,tarde ou cedo1 ,alguem desvendar por certo este segredo4 ,e vo-se os trez para alem da porta1 onde ficam ainda conversando1 encaminhando-se por fim para mais distante4 ,,jo,o tinha voltado1 e encostra-se a uma das camilhas1 observando sempre ,judas4 ,como no possa conter o que sente em si1 aproveita o ensejo de estar a ss com elle para expandir-se4 ,comea1 porem1 em tom sereno1 como procurando dominar-se3 ,o que ests lendo8 ,o assumpto grave1 ao que supponho4 ,reparo em que lhe ds toda a atteno4 ,,judas ,medonho6 --,a infamia de ,cam4 ,,jo,o proveitoso1 e muito6 ,feliz coincidencia6 ,e eu que tinha o intuito1 ,no que inda ha pouco ouviste em frase rude e ch1 ,de falar d'esse crime o qual desde manh ,tanto me preoccupa4 ,muito ironico3 tua consciencia ,no pode causar damno esta coincidencia444 s to sincero1 s to leal e virtuoso6444 --,mas devo confessar-te444 ,,judas sereno e sempre sentado3 ,o qu8 ,,jo,o ,que estou ancioso ,de ha muito por que tu expliques o motivo1 ,que te obrigou a ser cruel e offensivo ,para quem te consagra uma affeio fraterna4 ,exaltando-se pouco a pouco1 mau grado seu3 ,o que possues em ti1 ,judas1 que assim governa ,o teu entendimento8 sempre em vo que eu scismo ,no misterio que abriu na tua frente um abismo ,cercado de fataes e ns despenhadeiros1 ,affastando-te assim dos nossos companheiros1 ,sem que nenhum pezar l dentro te remorda4 ,e indicando a corda com que prende a tunica cintura3 ,somos na unio eguaes a esta corda1 ,que as estrigas de linho unidas fortemente ,fizeram to subtil1 mas que to resistente4 ,na slida affeio1 unificados1 somos ,assim como n'um fructo os solidarios gommos4 --,desfia-se1 porem1 a corda1 ao que parece2 ,e julgo ver no fructo um gommo que apodrece444 ,,judas com affectada bonhoma3 ,chimras1 illuses444 ,,jo,o ,talvez4--,mas quando penso ,que o teu profundo mal pode tornar immenso ,o crime1 e que ser depois intempestivo ,o arrependimento444 ,em summa1 no me esquivo ,a dizer-te o que tenho a corroer-me a entranha3 ,nunca simpathisei comtigo2 no se amanha ,com a tua frieza a ardencia do meu peito4 por isto que eu sou dos ,dse o mais affeito ,a observar-te4 ,,judas ,a mim86 ,,jo,o ,e sabes o que vejo8 ,que tens uma alma rude e instincto malfasejo6 ,,judas erguendo-se1 vagaroso1 com o rlo nas mos1 fingindo indifferena3 ,chimras1 illuses444 ,,jo,o ,talvez4--,mas quem nasceu1 ,tendo as ondas por bero1 e a cupula do ceu ,por vasto cortinado2 aquelle que na infancia ,aprendeu a olhar com summa repugnancia ,para tudo o que seja immundo1 vil1 terrestre1 ,muito melhor que tu ha de entender o ,mestre4 ,no podem comprehendel-o os rudes coraes ,selvagens como o teu6 ,,judas ,chimras1 illuses444 ,,jo,o ,no podes comprehendel-o1 e apezar d'isto queres ,viver junto de ns6444 s bolsas esmoleres ,supplcas com aspecto humilde uma parcella ,p'ra o ,mestre6--,na verdade1 preciosa e bella ,tanta dedicao6 ,provoca o elogo6 --,ah6 julgas que no sinto s vezes1 quando espo ,o teu olhar matreiro1 o brilho da avareza ,a dar-lhe um tom sinistro8--,odeias a pobreza6 ,ambicioso e fraco1 andas comnosco apenas ,como atraz do rebanho os lobos e as hienas6 ,,judas avanando para elle1 irrompe finalmente com um rugido abafado1 o olhar ameaador3 ,joo6 ,,jo,o cruza os braos e sereno3 ,podes bater1 amigo6 ,por que esperas8 ,judas1 arrependido do seu primeiro movimento1 affastou-se rapido4 ,e ,joo1 agora ainda mais excitado3 ,e chamas illuses6 e vens chamar chimras ,ao que verdade na e positiva86--,agora ,que a todos cumpre ter mais fora do que outr'ora2 ,no actual momento em que at eu vaclo1 ,presentindo que no poder ser tranquillo ,o futuro do ,mestre e de ns todos1 mudas ,em odio declarado essa frieza1 ,judas86 ,que mal te fez1 que affronta1 elle1 que to bondoso8 ,confessa que proveito1 ou que terrivel goso ,encontras n'essa infamia abjecta6 ,desesperado pela indifferena apparente de ,judas3 ,que supplicio6 ,no poder arrancar-te ao menos um indicio6 ,no poder descobrir a causa que assim lva ,o teu cerebro audaz a trabalhar na trva6 ,ah6 no poder1 depois do que disseste aqui1 ,rachar-te o craneo ao meio1 e entrar dentro de ti6 ,e senta-se1 febril1 n'uma das camilhas4 ,,judas1 que em silencio estivera contorcendo as mos nervosamente1 diz-lhe emfim com muita irona3 ,est bem6 muito bem6 ,ao menos1 esperava ,que soubesses deter a incandescente lava1 ,que todo me queimou1 transformando em carvo ,a minha consciencia444 embora de ladro4 ,resoluto1 firme1 altivo3 ,vou deixar-vos6 ,no sei qual seja o meu destino2 ,mas isso que te importa8 ,um ser to viperino1 ,como eu1 s tem logar no meio da ral1 ,e quando estorva o passo1 affasta-se co'o p6 ,,jo,o repso1 olha para elle bondosamente e com um sorriso amigo3 ,acalma a excitao1 ,judas4 ,o principal ,resume-se1 ao presente1 em confessares qual ,a origem do teu odio4 isto o que eu te peo1 isto o que eu desejo4 ,,judas n'um brusco impulso de independencia3 ,isso que no6 ,confesso minha consciencia o que me vae no peito6 ,arrancar-me um segredo8 ,e julgas ter direito ,de desvendar em mim reconditos misterios8 ,acalmo a excitao1 mas guarda os vituperios6 --,pediste por acaso ao mar em que nasceste ,que descobrisse o leito8 ,alguma vez desceste ,a espreitar-lhe a vida1 a revolver-lhe o fundo8 ,pois o meu corao como elle to profundo1 ,que se alguem pretendesse abrir uma passagem1 ,teria de morrer submerso na voragem6 ,joo avanou para elle com expresso conciliadora2 ,judas1 porem1 detem-no com um gesto4 ,depois1 parecendo sincero1 mas occultando as suas verdadeiras intenes3 ,no me perguntes mais4 ,ao peso da injustia ,conseguirei vergar esta alma to submissa4 ,chimras1 illuses condemnam-me implacaveis444 ,judas1 vae reunir-te quelles miseraveis1 ,que vagueiam1 sem rumo1 e que andam foragidos1 ,erguendo para os ceus o olhar e os gemidos444 ,depois quando vier o derradeiro instante1 ,desamparado1 n1 febril1 agonisante1 ,revolvendo no p as tuas mos afflictas1 ,em vez de maldies1 tem palavras bemditas1 ,para quem desprezou teu pobre corao1 ,deixando-o succumbir como se fosse um co6 --,adeus e para sempre4 ,com ironia muito concentrada1 j no limiar da porta3 ,acceita em pensamento ,o que d'aqui te envio3 em to cruel momento1 ,abraar-te e beijar-te todo o meu desejo ,sincero4 ,para qu8 pois de que serve um beijo ,dado por mim8 ,demais1 meu hlito enxovalha6 --,adeus1 amigo4 ,adeus444 ,adeus1 ,joo4 ,e por entre dentes1 inaudivel e rancoroso1 sando a porta3 ,canalha6 ,,jo,o ficou meditando1 e depois generosamente1 como falando sua propria consciencia3 ,oh6 fui desapiedado6 ,a sua voz tornou-se ,to lacrimosa e humilde6 mui de crr que eu fosse ,pedir ao exagero o auxilio necessario ,para augmentar de vulto o crime involuntario1 ,ou a leviandade alheia malvadez4 ,pobre ,judas6 ,e vae fugir de ns6 ,talvez ,arrastar pelo mundo uma existencia nua ,de affectos1 desgraada444 ,e no por culpa sua444 porta de casa appareceram ,eleazar1 ,simo ,pedra1 ,matheus e ,simo de ,bethania4 ,,eleazar indicando ,joo aos companheiros3 ,eil-o aqui est6 ,e ns tua espera6 ,,sim,o ,,pedra ,so horas de partir para a cidade4 ,,jo,o cercado pelos amigos e j esquecido do que se passou1 todo o seu pensamento entregue ao ,mestre3 ,no deve ser pequena a caravana6 ,,matheus ,junto do ,mestre1 o povo delibera ,acompanhal-o4 ,,sim,o ,,pedra ,o que grande imprudencia6 ,,jo,o ,grande imprudencia86 ,,sim,o ,,pedra ,os nossos companheiros ,em vo procuram com docilidade ,suster o passo gente leviana444 ,,jo,o ,e porqu8 ,no so elles verdadeiros ,defensores do ,mestre8 ,,sim,o ,,pedra ,mas reflecte444 ,,jo,o ,o povo quer seguir-nos8 ,pois que venha6 ,,sim,o ,,pedra ,mas pode provocar algum tumulto4 preciso que a dentro da muralha ,evitemos qualquer indisciplina4 ,,jo,o ,tu que dizes8 ,que pensamento occulto ,encerram taes palavras8 ,ser crivel ,que te arreceies da imbecil gentalha1 ,que anda a rosnar as suas ameaas ,contra a fora que temos1 invencivel1 ,justiceira e tremenda86 ,,sim,o ,,pedra ,e porque no8 ,onde possues algemas e mordaas ,para conter as furias imminentes8 ,pode acaso fugir-se a uma traio8 ,reflecte bem3 devemos ser prudentes1 ,evitando que ,hanan tenha pretexto ,para exercer emfim uma vingana1 ,roubando ao ,mestre a preciosa vida4 ,,jo,o1 animando-se1 cheio de puro enthusiasmo messianico3 ,no tens portanto uma unica esperana ,em ver surgir a aurora promettida8 --,enganas-te6 ,abrigae-vos sob o manto ,do ,profeta1 que vamos afinal ,assistir ao enorme vendaval1 ,que ha de causar a todo o mundo espanto6 ,da ,lei no ficar nem uma linha1 ,e as pedras do ,templo ho de cahir6 ,eu antevejo1 amigos1 o porvir1 ,que de instante a instante se avisinha6 ,como ces a ulular1 de toda a parte ,ho de sar as abominaes6 ,entre espadas de fogo e maldies1 ,vae tremular um slido estandarte6 ,ho de as nuvens rasgar-se6 ,a voz de ,deus ,ribombar como um trovo gigante1 ,e o vento ha de levar para distante1 ,onde no haja terra1 mar1 ou ceus1 ,as ultimas parcellas do monturo ,a que chamamos hoje humanidade6 lerta6 vae rugir a tempestade6 --,confia em ,deus6 ,espera no futuro6 ,voltando-se e vendo ,gamaliel1 no pode reprimir a sua surpreza3 ,gamaliel86 ,,gamaliel que pouco antes chegra da cidade1 ouviu todo o falar de ,joo4 ,traz o rosto abatido1 o olhar cavo2 dir-se-a portador de uma nova terrivel4 ,eu proprio4 ,e vejo que cheguei ,a tempo de lembrar que existe de uma ,lei ,a rispida crueza1 a inquebrantavel fora1 ,e que por mais que a tua exaltao retora ,o positivo1 elle ha de emfim prevalecer6 ,vs tendes a palavra4 ,hanan tem o poder4 --,o perigo enorme4 ,todos rodearam ,gamaliel1 attentos1 em grande anciedade3 ,ouvide3 ,nicodemo1 ,um homem de honradez e que respeita em estremo ,o vosso ,mestre1 no me occulta o que se passa ,a dentro do ,conselho4 ,evite-se a desgraa1 ,fazendo-se abortar o plano vingador6 ,,todos em sobresalto3 ,um plano86 ,,jo,o ,como86 ,,sim,o ,,pedra ,dize6 ,,matheus de grande valor ,o que dissres4 ,,jo,o ,sim6 deves dizer-nos tudo6 ,e acercam-se d'elle ainda mais3 ,,gamaliel pausada e custosamente3 ,hanan possue no genro o seu melhor escudo4 ,se transformou ,kaapha em ,grande ,sacerdote1 ,foi para ter alguem que cegamente vote ,na sua opinio4 ,mais do que o genro1 alcana ,dos homens do ,conselho estima e confiana4 ,e custando-lhe a despegar dos labios as palavras3 ,eis por que hontem noite1 e em sesso secreta1 ,por elles foi votada a morte do ,profeta6 ,,sim,o ,,pedra1 erguendo as mos aos ceus3 ,o meu presentimento6 ,,matheus1 convulsamente3 ,infamia6 ,,jo,o1 n'um grito3 ,cobardia6 ,,eleazar agarrando ,gamaliel por um pulso3 tempo de calcar aos ps a tiranna6 ,todos1 excepto ,gamaliel1 esto nervosos1 irrequietos1 consultam-se1 animam-se1 invectivam ,jerusalem4 ,joo foi janella1 e com os dentes cerrados1 o brao erguido1 ameaa-a de esterminio4 ,,gamaliel ,tende serenidade6 ,,jo,o ,oh6 no1 ,gamaliel6 ,,eleazar ,liberte-se de vez o reino d',israel6 ,,gamaliel ,que poder tornar-se em grande mar vermelho1 ,se ,poncio perfilhar o voto do ,conselho6 ,,jo,o ,as espadas de ,roma1 as furias de ,tiberio1 ,inda ho de succumbir a todo o nosso imperio6 ,o povo ha de gritar1 raivoso1 leonino1 ,rasgando a face impura ao despota assassino6 ,,gamaliel1 procurando serenar os animos2 as lagrimas borbulhando nos olhos e cahindo-lhe pelas barbas brancas3 ,ouvide-me1 por ,deus6 ,eu tenho lido tanto ,no livro da experiencia1 amigos1 que de pranto ,a minha pobre offerta causa alevantada6 ,vs no podeis brandir a rutilante espada2 ,nem elle1 todo amor1 consentiria nunca ,na transfigurao do verbo em garra adunca4 ,parti1 pois que preciso apparecer ao povo1 ,mas fugide a que venha um incidente novo ,aguar ao tiranno o sanguinario intento4 ,entrae com desassombro a porta do aposento ,onde finge dormir1 silencioso1 o crime2 ,acalmae-vos1 porem1 ou elle no reprime ,o seu rancor feroz6 ,,sim,o ,,pedra tambem resoluto3 ,seja o que ,deus quizer6 ,,jo,o ,nem lamina d'espada1 ou pranto de mulher1 ,pode esfriar em mim a indignao6 ,,gamaliel ,piedade6 ,,eleazar ,vamos6 ,,matheus ,jerusalem6 ,,sim,o ,coragem6 ,,jo,o ,na cidade ,havemos de formar com os nossos companheiros ,possante legio d'impvidos guerreiros6 ,e vo-se todos tumultuariamente1 levando comsigo de roldo o velho ,gamaliel4 ,decorridos alguns momentos em que a moradia de ,simo ficou abandonada1 ,maria e ,martha veem de fra4 ,martha sempre alegre2 a irm sempre absorta em grande melancola4 ,ao entrar em casa1 ,maria vae logo postar-se janella1 seguindo com o olhar cheio d'angustia os que vo a caminho de ,jerusalem4 ,,martha ,e uma vez que partiram ,para a cidade1 afinal1 ,entreguemo-nos agora ,ao que julgo essencial3 ,tratemos da nossa casa4 ,,maria1 indolente3 ,espera4 ,no tenhas pressa444 ,,martha que est tudo em desordem1 ,e o nosso irmo comea ,dentro em breve a murmurar ,que ninguem aqui trabalha6444 ,,maria ,martha1 vae tu repoisar1 ,que eu tratarei do preciso4 ,,martha ,no teimes1 que me aproveito ,do teu conselho4 ,,maria ,careces ,de alguns momentos no leito2 ,deves estar fatigada4 ,,martha ,e no te enganas4 ,ergui-me ,ao romper da madrugada444 ,,maria ,e foste uma das primeiras ,que se juntaram co'os ,dse ,no ,monte das ,oliveiras1 ,onde passaram a noite1 ,como costume4 ,,martha1 abeirando-se da irm1 muito meiga3 ,e no ficas ,de mal comigo8 ,,maria ,porqu8 ,se em nada me prejudicas444 ,e anciosamente1 vendo ,judas que acabou d'entrar3 ,o que ha de novo1 ,judas8 ,,judas ,nada sei444 ,,martha muito admirada3 ,no quizeste partir para a cidade8 ,,judas indolente1 recostando-se n'uma das camilhas do triclinio3 ,como vs1 no parti444 pois que fiquei4 ,,maria ,e porqu8 ,,judas ,porque o somno que me invade ,exige para o corpo algum repouso4 ,vae alto o ,sol2 de ha muito manifesta ,que brilha no seu ponto mais radioso1 ,e que so horas de dormir a sesta4 ,,maria1 sem o fitar1 serena3 ,e vaes dormir8 ,,judas cerrando as palpebras3 ,o ,livro dos ,proverbios ,alguma coisa diz444 ,quem se julgar ,com pequenos desgostos1 exacerbe-os ,a dormir1 a dormir444 e a sonhar444 --,se durmo1 para onde que foge a vida8 ,para fra de mim quem a conduz8 ,encontrar descanso na guarida ,para onde1 ao apagar-se1 vae a luz8 ,ao despertar depois1 quem reacende ,no cerebro o fulgor que relampeja8 ,quem que nos d vida ou que a suspende ,a seu prazer8 ,,martha com muita convico3 ,deus444 ,,judas abriu os olhos1 fitou-a1 e depois1 fechando-os de novo3 ,talvez que seja4 ,,martha surpreza3 ,talvez86 ,muito baixinho ao ouvido da irm3 ,extranho o ,judas6 ,,judas ,sim1 talvez2 ,porque no julgo prova de criterio1 ,antes se me affigura insensatez1 ,explicar um segredo co'um misterio4 ,,martha abeirando-se d'elle1 e pondo-lhe a mo no hombro1 diz com unco1 melodiosamente3 ,anda a tua alma fugida ,ao bom caminho da crena444 ,quem foi que d'elle a affastou ,e que dentro em ti deixou ,uma escurido immensa8 ,hontem noite444 7,desculpa ,se acaso te contraro ,ao falar agora d'isto7 ,por todos ns foi mal visto1 ,judas1 o teu desvaro4 ,de to modesta homenagem ,no era merecedor ,aquelle ,mestre sublime ,em cujo rosto se exprime ,a bondade e o amor8 --,anda a tua alma fugida ,ao bom caminho da crena4 ,que ,deus de novo a conduza ,e o brilho reproduza ,na tua alma1 treva immensa6 ,judas fica immovel e silencioso4 ,martha1 satisfeita1 julgando havel-o convencido1 diz ento baixinho irm3 ,no responde4 ,pode ser ,que facilmente consigas ,descobrir toda a verdade4 ,,maria1 querendo esquivar-se3 ,eu8 ,,martha ,com palavras amigas ,interroga-o1 porque1 em summa1 ,custa ver n'um corao1 ,que deveria ser meigo1 ,semelhante ingratido4 ,e vae-se para o interior da casa a reclinar-se no seu leito perfumado4 ,judas e ,maria ficam a ss2 ,judas1 com as palpebras semi-cerradas1 observa-a4 ,,maria conserva-se indecisa por algum tempo2 mas depois1 como respondendo a si propria3 mais prudente444 ,e dirige-se para a porta por onde a irm sau3 ,,judas erguendo o corpo sobre o cotovello3 ,maria1 ,pareces que vaes fugindo444 ,,maria baixando o olhar3 ,para no te incommodar1 ,quando estiveres dormindo4 ,e retira-se tambem1 fechando a porta castamente3 ,,judas ergue-se de chofre e avana como para seguil-a2 mas detem-se1 perplexo4 ,depois1 desalentado1 senta-se n'um dos degraus da porta por onde ,maria sau1 a cabea entre as mos1 os cotovellos fincados nos joelhos4 ,ao cabo de longo meditar1 solta brandamente a sua voz3 isto mesmo1 isto3 o effeito vem da causa444 ,pois quando ao seu trabalho alguem ordena pausa1 ,logo termina o effeito4 isto mesmo1 sim4 ,provem este rancor1 que ella sente por mim1 ,da paixo que lhe inspira o rosto1 o olhar1 a fala1 ,do ente extraordinario a que nenhum se eguala1 ,conjuncto singular de tudo o que ha perfeito4 ,portanto elle a causa1 e o rancr o effeito6 --,oh6 que hei de supprimil-o1 esmagando-o de todo1 ,ainda que me sinta a resvalar no lodo6 ,e erguendo-se1 impetuoso3 ,e tu1 ,consciencia1 no me opponhas embaraos6 ,quando o trovo ribomba altivo nos espaos1 ,acoita-se a tremer a aguia no seu ninho6 ,vae-te6 vae para longe6 ,eu quero estar ssinho6 --444 ,mas quem me diz no ser este sinistro plano ,improficuo1 ou ento summamente leviano6 ,se elle fugir morte1 ao estertor final1 ,por um processo occulto e sobrenatural1 ,contra mim lanar todo o furor do ceu1 ,elle ha de ser juiz e eu hei de ser o ru6 ,com a alma a contorcer-se n'um supplicio3 ,se eu visse esta mulher entregue ao frio atroz1 ,o craneo sem ter luz1 a bca sem ter voz1 ,deus1 entoaria1 agradecido a ti1 ,uma cano igual aos psalmos de ,david1 ,transformando o meu peito em grande tabernaculo6 --,mas vive3 ha de ser minha6 ,hei de vencer o obstaculo6 ,pensa longamente1 em grande abstraco de tudo o que o cerca1 com um sorriso malevolo1 animando-se3 ,e se1 como se diz1 elle no fr divino8 ,se obedecer1 como eu1 fora do destino8444 --,sim6 sim6 ,tudo consiste apenas no convulso ,e possante vigor d'um corajoso pulso6 ,alguem o est ouvindo sem ser visto3 ,benjamim e ,josu4 ,cautelosamente1 ,benjamim entrou em casa pela porta aberta e vae approximando-se de ,judas1 relanceando o olhar desconfiado2 ,josu empurrou o batente d'uma das janellas1 e pela parte de fra observa4 ,judas1 porem1 contina1 agora acobardado3 ,assassinal-o6444 ,no6 ,vago terror me opprime4 ,e como poderei matar1 sem ver o crime8 ,armando um brao vil8 comprando uma consciencia8 pouco1 muito pouco444 e tudo6--,que demencia6 ,quem poder saber onde reside a fra1 ,que tenha peito humano e garras de pantra8 ,desvairado2 os braos agitando-se1 convulsos2 os cantos da bca espumando3 --,vomta1 grande ,terra1 essa entidade estranha1 ,que vive silenciosa em tua negra entranha1 ,que pura como o fogo1 immunda qual farrapo1 ,enorme como ,deus1 mesquinha como um sapo6 ,genio amante do crime e virtude adverso1 ,que mora num covil444 e zomba do ,universo6 ,eu quero conhecer o amigo dos devassos3 ,expele-o do teu ventre e arroja-o nos meu braos6 ,com grande desanimo3 ,nem elle me protege6 ,e eu preciso1 emfim1 ,d'um ser bastante infame6 ,,benjamim com muita humildade3 ,aqui me tens1 a mim444 ,,judas voltando-se1 rapido1 e agarrando-o brutalmente pela nuca3 ,quem s tu8 ,,benjamim avergado1 mas sempre humilde3 ,sou alguem que te escutava4 ,o tempo1 como vs1 no desperdio444 ,no perguntes quem sou4 ,aqui me tens1 ,amigo1 ao teu servio4 ,,judas sem o largar3 ,ignoro quem tu sejas1 mas se acaso ,divulgar o meu odio tencionas1 ,juro que em curto praso ,no fio de uma lamina abandonas ,co'o meu segredo a vida6 ,,benjamim amigavelmente1 em censura carinhosa3 ,cala a bca6 ,no blasfemes de coisas respeitaveis4 ,venho fazer propostas acceitaveis1 ,dizer tudo o que sinto1 ,e s respondes co'uma furia louca6 ,se me has de receber com effuso1 ,achando em mim o teu melhor amigo1 ,alevantas a mo1 ,ameaador como um guerreiro antigo6 ser ingrato6 ,,judas largando-lhe a nuca1 mas agarrando-lhe logo um brao3 ,dize-me o que sabes6 ,,benjamim sinceramente3 ,ora6 sei que a tua alma se abalana1 ,depois do que houve aqui hontem noite1 ,a seguir o caminho da vingana4 ,naturalmente1 sentes-te offendido ,co'a resposta que teve o teu reparo ,to justo e merecido444 ,,judas como comsigo1 satisfeito3 ,portanto1 ignora444 ,,benjamim isto amigo8 ,,judas1 rapido3 isso6 ,,benjamim explicando3 ,eu hontem ouvi tudo junto porta444 --,manda1 que eu te obedeo4 ,aqui me tens1 ,humilde1 ao teu servio4 ,,judas ficou hesitante1 tendo largado ,benjamim1 que foi trocar signaes com ,josu4 ,mas se eu no sei444 ,,benjamim agora senhor de si3 ,no sabes8 ,pois sei eu4 ,o ,mestre ser morto1 em poucos dias2 ,depende s de ti1 fica sabendo6 ,,judas nervosamente3 ,que dizes1 fariseu8 ,,benjamim imperioso1 rapido1 monotono1 quasi ao ouvido de ,judas1 que parece devorar-lhe as palavras3 ,ouve3 tremendo ,o odio que lhe tem todo o ,conselho1 ,o qual procura o instante mais propicio ,de pr em exercicio ,o plano da priso1 do julgamento444 ,,judas ,e da morte8 ,,benjamim ,e da morte6 ,o que1 porem1 ,no actual momento ,ao sacerdote ,hanan muito convem prendel-o em segredo1 noite1 em sitio obscuro4 ,hanan tem medo ,de que o povo alevante alguns protestos444 prudencia conforme1 ,assim proceder4 ,,judas animado1 satisfeito3 ,dize-me ento444 ,,benjamim urgente saber onde elle dorme4 ,tu sabes com certeza6 ,,judas hesitando1 vagamente acobardado3 ,mas444 ,,benjamim ,o qu8 ,no queres a vingana1 ,judas8 ,,judas ,quero444 ,,benjamim ,n'esse caso1 aproveita o bello ensejo1 ,que outro no tens melhor4 ,sendo sincero ,e grande1 como julgo1 o teu desejo1 ,no deves recusar o que proponho4 --,ouviste8 ,muito bem6 ,reflecte agora1 ,este sitio no muito seguro444 ,aguardo te l fra6 ,vae-se2 ,josu segue-o1 e os dois desapparecem4 ,,judas ficou perplexo ainda1 como medindo a gravidade da proposta4 ,mas depois3 ,de que serve hesitar1 se me apresentam ,como satisfazer o meu anceio8 ,basta que eu seja um cumplice d',hanan1 ,um traidor simplesmente444 ,nada mais444 ,com rude franqueza3 --,na mo direita a ,infamia1 ,a ,consciencia na esquerda4 ,eu de permeio6 ,com funda ironia3 ,a sentena fixei3 ,no saiba a esquerda o que pratca a irm4 --,no saber1 que eu nada lhe direi6 ,vae sair1 mas a porta que d communicao para o interior da casa abre-se1 e ,maria apparece no cimo dos degraus4 ,judas quedou-se4 ,,maria que no limiar da porta ficra tambem indecisa3 ,julguei ouvir falar444 ,,judas ,aqui8 ,foi puro engano4 ,e notando um movimento esquivo de ,maria3 ,retiras-te de novo8 ,eu fao qualquer damno ,com a minha presena8 ,,maria condescendente3 ,oh6 no444 ,,judas caricioso3 ,deixa-te pois ,ficar junto de mim1 que facilmente os dois ,teremos na conversa um passatempo4 ,fica4 ,e mentalmente3 ,vejamos se o que diz me excita ou pacifca4 ,ha um grande silencio4 ,maria desceu mansamente e ficou de p junto do primeiro degrau1 o olhar sempre absorto1 os braos inertes ao longo do corpo4 ,judas voltou para o triclinio1 e de braos cruzados observa-a1 apparentando a maxima serenidade4 ,l fra1 o ,sol illumina fortemente a paisagem2 o calor primaveril irrada por toda a parte2 ouve-se nitidamente o murmurio da agua2 as vibraes das cigarras so cada vez mais intensas e estridulas2 ha segredos d'amor nos ninhos proximos444 ,,judas ,em que pensas1 ,maria8 ,o teu formoso olhar1 ,que era d'antes to meigo e calmo como o luar1 ,ha tempos que derrama um brilho vago1 incerto1 ,e em nuvens de tristeza agora anda encoberto4 ,,maria com simplicidade1 avanando um pouco3 ,por vezes1 sem querer1 entregue dr immensa ,que me aniquilla1 tenho a tudo indifferena4 ,ao passo que me opprime este cruel receio ,de vr barafustar o nosso ,mestre em meio ,dos inimigos seus1 mais frio do que a neve ,se torna o meu olhar4 ,,judas trvamente3 ,deve ser isso1 deve444 ,e depois de algum silencio1 ironico3 ,costumado a subir nos estos d'esse amor ,aos mundos do ,ideal1 o candido fulgor ,transforma-se em desdem1 e apenas se descerra ,perante a mesquinhez que roja pela terra6 ,o olhar bem fito n'ella1 animando-se3 ,assim como um punhal de rija temp'ra e agudo1 ,esse olhar desdenhoso1 austero1 vago1 mudo1 ,brilha sinistramente e vem car direito ,n'este pequeno espao1 o espao do meu peito6 ,n'um arranco d'alma3 ,em verdade te digo1 mulher altaneira1 ,quizesse ,deus mandar-te aos olhos a cegueira1 ,j que d'alma s to cga aos prantos de quem te ama1 ,que olhas para esse alguem1 como se fosse lama6 ,crescendo em furia3 ,desde hontem que eu desejo estar comtigo a ss ,para que emfim termine este supplicio atroz6 ,do meu peito o rugir no sabe em que se esconda1 ,e vae sar de mim1 como em torpel a onda1 ,tudo o que hei suffocado1 e tudo o que hei soffrido6 --,escuta-me1 mulher1 apura o teu sentido1 ,e deixa de cuidar n'essa paixo agora1 ,que maior a paixo que todo me devora6 ,maria vae responder2 elle porm1 detendo-a com um gesto3 ,eu sei6 ,conheo a frase2 escusas de falar3 puro o teu amor1 no amor vulgar444 ,mas v que1 se elle abriu em ti essa ferida1 ,no centro da minha alma em sangue e dolorda ,existe uma paixo tambem que me envenena1 ,podendo ser mortal1 assim como a gangrena444 ,em frente d'ella1 com a mo sobre o peito1 contorcendo frenetico a roupagem3 ,ah6 no supremo arranco um peito esfacelado ,como este1 no receia o que haja mais sagrado1 ,e julga-se capaz1 co'o seu valor enorme1 ,de luctar e vencer o ente mais disforme1 ,terrivel como ,deus1 gigante como ,ado1 ,possuindo na voz as frases do trovo6 ,e porque sinto aqui as contorses finaes1 ,espando francamente as mculas brutaes1 ,que viveram sem luz n'um mundo subterraneo3 ,os monstros do meu peito e os vermes do meu craneo6 ,grande e soberbo1 de braos abertos1 espra4 ,,maria que no se moveu1 serenamente3 ,sou fraca1 sou mulher1 e sei no que te escudas2 ,confesso-te1 porm3 causas-me tdio1 ,judas4 ,,judas n'um rugido3 ,maria6 ,,maria sempre immovel3 ,com franqueza1 eu disse-te por vezes3 ,em castidade egual s innocentes rezes ,no ,templo do ,senhor dadas em sacrificio1 ,tenho por goso infindo1 ao amor viver propicio1 ,dedicar quelle ente em que a virtude brilha ,acrisolado amor1 amor444 como de filha4 ,na terra nada mais preciso que uma coisa3 ,a ,crena4 ,enlevada1 com o olhar erguido1 as mos sobre o peito virginal3 ,o meu amor longe d'aqui repoisa1 ,estrella que no teme as nuvens tempestuosas4 ,brando como o dormir das aguas silenciosas1 ,vago como o misterio enorme do futuro1 ,meigo como um sorriso1 e como o orvalho puro1 ,nos espaos do azul vive risonho e inerme4 ,a estrella sempre estrella444 ,descendo o olhar para ,judas3 e o verme sempre verme4 ,,judas com as mos encrespadas1 os labios trementes3 vil mulher1 que tens desprezo pelo amor1 ,fugindo grande lei do grande ,creador1 ,que elle n'esse teu corpo as maldies concentre ,para tornar assim fecundo o estril ventre6 ,,maria sem se perturbar3 ,enlouqueceste6 ,,judas cando em si1 fica por momentos silencioso4 ,depois1 com o rosto dolorido1 n'um queixume3 ,mas se eu nunca fui amado6 ,assim como o terreno a que no chega o arado1 ,semelhante em mudez s pedras do caminho1 ,era o meu corao4 ,via-me to ssinho1 ,que1 por vezes1 cravando o meu olhar nos ceus1 ,interrogava o ,espao1 interrogava ,deus1 ,procurava arrancar s trevas o motivo ,de haver dentro de mim um morto1 estando eu vivo4 ,com a voz muito quente1 repassada de amor1 sensual1 o olhar hmido1 como revestindo ,maria com um manto de beijos1 as mos gesticulando em curvas graciosas1 languidas3 ,mas desde que no teu o meu olhar depuz1 ,enxerguei o brilhar d'uma divina luz ,na immensa escurido d'este viver amargo ,e senti-me surgir do fundo do lethargo4 ,fosse para onde fosse1 eu via a tua imagem1 ,adorada ,maria1 envolta na roupagem ,to alva como o arminho1 immaculada e honesta3 ,no prado sorridente1 em meio da floresta1 ,sobre os rochedos ns s vagas sobranceiros1 ,no horisonte sem fim1 no dorso dos oiteiros444 ,por toda a parte1 em summa6--,adoro-te1 ,maria6 ,no caminho da vida o teu olhar me guia444 ,vem dar uma esperana ao pobre corao ,que vive para ti1 que te pertence444 ,,maria com ligeiro movimento de cabea3 ,no4 ,,judas promptamente transformado1 n'um arranco furioso3 ,oh6 que negra palavra1 amarga como fel6 ,,maria com a voz tranquilla3 doutrina do ,mestre444 ,,judas interrompendo-a com uma risada feroz3 ,o ,mestre6444 ,,maria 444 s infiel4 ,abrigas1 por teu mal1 um sentimento ignaro ,do que seja o dever1 e que se torna avaro1 ,cubioso1 traidor1 miserrimo1 egoista6 ,no podes resistir-lhe8 bem que eu te resista6 ,se no queres viver do amor pela virtude1 ,se pureza rebelde essa tua alma rude1 ,ento que ao sacrificio eu seja quem te exhorte3 ,foge para distante1 ou foge para a ,morte4 ,,judas allucinado1 avanando para ella3 ,escuso de ouvir mais4 ,no quero ouvir-te6 ,cala6 ,fica sabendo pois que isto que me avassala1 ,o que por fim se espande e que ha de ser funesto1 ,nunca foi do amor um sentimento honesto6 ,,maria levando instinctivamente as mos aos seios3 ,maldito sejas tu1 se acaso me tocares6 ,,judas com os olhos chammejantes1 as mos trmulas1 os passos rigidos1 agarrando-a3 ,que importam maldies inuteis e vulgares8 ,os castigos de ,deus1 ,deus sobre mim desabe-os1 ,mas que eu sinta1 mulher1 o aroma dos teus labios6 ,e tenta beijal-a1 soffrego3 ,,maria evitando-lhe os beijos3 ,oh6 deixa-me1 brutal demonio da luxuria6 ,,judas arrastando-a para o triclinio3 ,chamaste muito bem minha ardente furia1 ,como o fogo voraz1 cruel e deshumana1 ,que a ,eva perverteu1 e maculou ,suzanna4 ,,maria com a voz estrangulada1 luctando3 ,soccorro6 ,eleazar6 ,,judas pondo-lhe a mo na bca3 ,oh6 cala-te6 ,,maria j sem foras3 ,meu ,deus6 ,,judas achegando-a ao peito1 lbrico1 antegosando a posse3 ,ah6 como so gentis assim os olhos teus6 ,como rosada e fina a tua debil mo6 ,vaes ser minha1 afinal6 ,aperta-a mais contra si2 mas de subito1 notando-lhe a immobilidade1 abandona-a2 e vendo o corpo de ,maria car inerte sobre uma das camilhas1 diz n'um murmurio de desespero3 ,desfallecida86444 ,um pensamento hediondo atravessa o cerebro de ,judas2 os olhos inquirem em volta4 ,esto bem a ss1 no ha duvida444 ,sob irresistivel attraco1 com o olhar lascivo desnuda-a2 ergue-lhe em peso o corpo1 aperta-o contra si444 ,mas de subito1 como accordando1 como se a voz da ,natureza lhe dsse um grito na alma3 ,no66 ,e tomado de horror por si proprio1 foge1 correndo como doido atravez dos campos1 deixando o corpo de ,maria inanimado1 mas casto e puro como um lirio d',issachar444 ,,terceira ,,jornada ,,em #ac ,,de ,,nisan ,,terceira ,,jornada ,,em #ac ,,de ,,nisan ,na quadra principal da ,torre ,antonia1 moradia do procurador ,poncio ,pilado1 tudo silencioso1 embora a noite s agora acabe de tombar4 ,assenta o elevado tecto em dez columnas no distantes das paredes2 de mosaico branco e preto o cho marmoreo4 ,duas portas fronteiras communicam1 uma para os aposentos de ,claudia e ,poncio1 outra para as diversas dependencias da ,torre4 ,n'uma das paredes abre-se amplamente1 achegado um pouco para o angulo1 um arco de elegante curvatura1 que d para um terrao resguardado de formosa balaustrada4 ,comprida escadaria d'ali conduz ao andar inferior e ao vestibulo4 ,no centro geometrico da quadra1 ergue-se um busto de guerreiro3 de marmore branco o pedestal2 de roseo o busto1 em cuja base lmos1 em caracteres romanos esculpida1 a legenda3 ,tiberius ,claudius ,nero1 ,imp4 ,das portas ha pendentes reposteiros de azul e oiro4 da mesma fazenda o reposteiro que est ornando o arco e repuxado junto ao angulo4 ,fitando ns o busto de ,tiberio1 temos sobre a direita larga meza de citrus1 onde ardem n'um bronzeo candalabro trez vellas de cra e pez2 e perto d'ella vemos uma cadeira d'estofado1 de braos longos1 costas amplas e recurvas2 nossa esquerda1 perto das columnas1 coxim de bronze com embutidos de tartaruga e trez almofadas de lavor riquissimo2 no distante1 no cho1 est estendida grande pelle de leo do ,atlas4 ,um armario de bano macisso alonga-se na parede junto ao arco e sobre elle se ostenta graciosa clepsydra de bronze1 onde um ros aponta com a flcha a escala das horas que decorrem4 ,entre as columnas1 pendem das paredes1 panoplias de couraas1 capacetes1 escudos e adagas4 ,encostado ao pedestal do busto de ,tiberio1 o pilo de oiro cinzelado4 ,ha um misto de indecisa luz em toda a quadra3 amarellada a que as vellas espargem frouxamente1 cr de prata a que o cho do terrao reenvia e que a ,lua derrama das alturas4 ,a cidade dormita l em baixo2 e o luar1 banhando as casaras1 dir-se-a illuminar uma necropole4 ,no coxim do terrao est ,claudia reclinada4 ,a tunica de l2 escura e longa a estla4 ,tem os braos cobertos pelas mangas da segunda tunica1 e branca a facha que os cabellos lhe prende em los brandos4 ,perto de ,claudia a sua escrava ,geda4 ,ambas percorrem com o olhar canado o por demais conhecido panorama4 ,,claudia solta emfim um suspiro4 ,dorme tudo na cidade4 ,que silencio e que tristeza6444 ,,geda ,tens ento grande sadade ,de ,roma8 ,,claudia ,sim4 ,dizes bem3 sadade esta amargura1 ,pois outro nome no tem ,o que sinto na ,juda ,onde ,poncio me exilou4 --,que horas podem ser8 ,v l4 ,,geda vae ligeira ao candalabro2 d'elle tira uma vella e dirige-se clpsydra4 ,repe depois no seu logar a vella1 e voltando para junto de ,claudia3 ,salvo engano1 gottejou ,a segunda hora de prima444 ,,claudia ,por ,saturno1 muito cedo1 ,pois no 8 ,,geda ,tambem eu cria ,ser mais tarde4 ,,claudia boceja largamente4 ,agora1 em ,roma1 ,ouve-se ainda a folia ,da multido buliosa1 ,que de toda a parte assoma1 ,soltando ao vento a harmona ,da sua voz descuidosa444 ,vem ,poncio1 taciturno1 e para a meza se encaminha1 trazendo na mo direita um escripto em papyro4 homem d'estatura mais do que regular1 e de idade viril4 ,rosto livre de pellos2 o nariz aquilino2 bca breve1 olhos negros e vivos2 curto cabello em curvas de frisados1 testa larga onde as rugas bem se ageitam4 ,alva a tunica e alvo o manto farto2 sandalhas amarellas2 mos carnudas4 ,sentou-se junto da meza1 e o papyro consulta4 ,,claudia indolente1 para ,geda3 ,ali tens quem me trouxe para o exilio6 ,se no dormem ,pluto nem ,proserpina1 ,ho de cedo chamal-o ao domicilio ,onde cem as victimas da ,morte6 ,muito ironica3 ,que inspirao divina ,eu tive ao escolher este consorte6 ,com um gesto ordena a ,geda que se retire4 ,ergue-se do coxim1 e adiantando-se para ,poncio1 que no a viu3 ,que novas trazes1 ,poncio8 ,,poncio sem se voltar1 continuando a lr3 de ,tiberio ,foi-me enviado este papyro honroso4 ,,claudia em sobresalto infantil3 ,o qu86 ,novas de ,roma8 ,,poncio ,o grande imperio ,contina radiante e venturoso4 ,foi porm necessario reprimir1 ,no principio do anno1 ,certa conspirao que fra urdida ,pelos amigos do traidor ,sejano4 ,a mensagem termina ,aconselhando a que use da violencia4 ,e l pausadamente1 accentuando muito as palavras3 ,aprende em mim como o poder se eleva ,e como se elimina ,todo aquelle que tenha a impudencia ,de attentar contra a posse d'este manto4 ,faze como eu tambem3 ,reprime a todo o custo a rebeldia4 ,talvez no ,templo se conspire4 ,emquanto ,mostres sabedoria1 ,espirito sensato1 forte e agudo1 ,podes contar comigo4 ,recommenda a ,claudia1 ,poncio amigo4 ,por ,jove1 te sado4 ,pe de parte o papyro e reclina a fronte na mo4 ,,claudia que em silencio ficra appreensiva3 ,o que vaes responder8 ,,poncio sem se mover3 ,j respondi4 ,,claudia apoiando-se nas costas da cadeira por detraz d'elle3 ,permaneces8 ,,poncio ,decerto1 pois me cumpre4 ,na perna esquerda sobrepe a direita1 fazendo-a oscillar por longo tempo4 ,,claudia no podendo conter a intima revolta3 ,bella esperana6 ,hei de viver aqui1 ,segundo me parece1 eternamente6 --,casou ,venus com ,marte e foi o ,amor ,o que nasceu da conhecida unio2 ,casei comtigo1 audaz procurador1 ,a principio amoroso1 bom1 cortez444 ,o que nasceu1 por fim1 d'este consorcio8 ,nasceu a ,insipidez6 ,,poncio enrugando a testa e sem olhar para ,claudia3 ,pela divina ,isis que ests louca1 ,ou requintas de vras em maldade6 ,,claudia ,talvez seja melhor ,no despertar do ,nilo a divindade6 --,n'estes ultimos annos tenho sido ,verdadeiro modelo de matrona444 ,sabes que ambiciona ,a minha alma fugir a tal desterro1 ,e no queres pedir a demisso6 ,imaginas talvez ser este o meio ,de garantir a minha honestidade8 ,pois olha1 ests em erro6 ,no me curvo a presses to aviltantes4 ,se no fr satisfeito o meu desejo1 ,perderei todo o pejo444 --,inda possuo algum1 valha a verdade6-- ,e para me vingar bem cruelmente ,serei mais leviana do que d'antes6 ,,poncio que se voltra1 encarando n'ella1 e em tom suasorio3 ,tu no vs que deixarmos a ,juda ,no seria prudente8 ,tiberio para ns inexcedivel ,em attenes1 e d-me como prmio ,a confiana4 ,bastaria a ida ,da minha demisso1 para de vez ,nos expulsar do resumido grmio ,dos seus affeioados1 e talvez ,depois se transformasse em vingador444 --,pede outra coisa1 ,claudia2 nunca peas ,o que julgo insensato4 ,somos grandes aqui2 nenhum valor ,teriamos na crte4 ,no te esqueas ,da sorte de ,coponio1 ,rufo e ,grato1 ,ao voltarem a ,roma4 ,pede outra coisa1 ,claudia1 que por certo ,has de ser attendida4 ,no me digas1 porm1 que v trocar ,aquillo que seguro pelo incerto4 ,,claudia n'uma espanso de franqueza em que o desdem transparece3 ,mas que m'importa1 a mim1 o teu logar1 ,se eu desejo viver onde se viva8 ,em ,roma1 na cidade portentosa1 ,onde qualquer escrava mais altiva ,que uma nobre juda virtuosa6 ,onde ,gelanio1 o deus das gargalhadas1 ,desinfecta as emmanaes palustres ,da tristeza6 onde as pedras das caladas ,falam at de tradies illustres6 ,quero fugir d'este mortal supplicio ,para onde o meu ser se espanda e vibre2 ,participar no seductor bulicio1 ,e ver tarde o ,sol beijar o ,tibre6 ,assistir como outr'ora aos festivaes ,no grande circo onde o valor impra2 ,vr athletas sanguineos1 triunfaes ,e ouvir os rugidos d'uma fra6 ,beber o doce vinho de ,falerno1 ,ser cortez1 de novo rir e amar444 ,dem-me vida longe d'este ,averno1 ,e que m'importa1 a mim1 o teu logar6 ,,poncio resoluto1 imperioso1 deixando car na meza a mo espalmada3 ,o que uma vez escrevo1 escripto fica6 ,depois1 mais brando3 ,no fugirei s ordens de ,tiberio4 ,de mais1 coisa nenhuma justifica ,em solidas razes o que me pdes4 ,e volta primitiva posio4 ,,claudia decorridos alguns instantes1 refreando a clera3 ,disseste8 ,,poncio indifferente3 ,disse4 ,,claudia caso firme e assente ,permanecer8 ,,poncio ,que dvida6 ,,claudia ,no cdes ,nem aos meus rogos8 ,,poncio ,no4 ,,claudia muito a srio3 s imprudente444 --,sabes que fui amante de ,tiberio8 ,,poncio bamboleando a perna e sem mudar de expresso3 ,tenho ouvido dizer4 ,,claudia ,no desconheces ,que se meigo1 tambem vingativo ,o meu caracter4 ,pois talvez um dia ,desapparea o teu falar altivo4 ,tiberio1 com certeza1 ,muito embora j tenha algumas cans1 ,ha de ainda lembrar-se da belleza ,das suas cortezs444 ,,poncio franzindo lvemente o sobr'olho3 ,no comprehendo bem4 ,com isso tudo ,o que vens a dizer8 ,,claudia sorrindo1 palaciana e misteriosa3 ,que te sado444 ,e recolhe em silencio aos seus aposentos1 deixando tombar atraz de si as prgas do reposteiro4 ,poncio ficou ssinho1 meditando4 ,logo apparece no terrao o ,ostiario que veio do andar terreo pela escada exterior4 ,o ,,ostiario ,poncio1 recebes agora8 ,,poncio erguendo-se3 ,e quem que me procura8 ,o ,,ostiario ,o sacerdote judeu ,hanan4 ,,poncio surprezo1 como comsigo3 ,hanan procurar-me ,na ,torre ,antonia1 a esta hora8 --,ostiario1 succedeu ,alguma coisa8444 ,o ,,ostiario ,no sei4 ,o povo est socegado4 ,,poncio depois de reflectir3 ,manda entrar o sacerdote ,para aqui mesmo4 ,retira-se para o terrao o ,ostiario4 ,poncio1 que ficra preoccupado1 diz como comsigo3 ,cuidado6444 ,vae buscar uma adaga panoplia mais proxima e mette-a no cinturo2 pe em cima da meza o pilo de ouro que estava encostado ao busto de ,tiberio4 ,senta-se novamente na cadeira4 ,a um gesto do ,ostiario1 dois vultos subiram a escada1 e a breve trecho appareceram no terrao2 so dois homens1 cujos semblantes o luar illumina4 ,um ,judas2 o outro um velho de setenta annos1 mas vlido e robusto--o ex-,grande ,sacerdote ,hanan1 sogro do ,grande ,sacerdote ,kaapha4 ,meo d'estatura1 barba cerrada e no comprida onde abundam as brancas1 assim como no bigode hirsuto e no longo cabello descuidado2 nariz adunco1 olhos azues e penetrantes4 ,e seu trajar egual ao do mais humilde filho d',israel3 tunica e manto1 mitra redonda no alto da cabea2 chinellos muito usados4 ,dir-se-a que tal modestia d'aspecto foi um calculo1 um disfarce444 ,ha porem na sua fisionomia e na voz resoluta e aspera a expresso da velhacaria e do mando4 ,o ,ostiario retirou-se pela escada4 ,judas foi postar-se junto do busto de ,tiberio1 com ar matreiro1 e d'ali segue attento as fases do dialogo a que vamos assistir4 ,,hanan que se adiantou at presena de ,poncio1 curvando-se perante elle3 ,tenho intima alegria1 ao ver que no teu rosto ,amavel transparece um juvenil composto ,de puro entendimento e de vigor e sade4 ,no falar respeitoso1 humilde na attitude1 ,o sacerdote ,hanan ao grande ,poncio envia ,protestos de leal e eterna simpathia4 ,,poncio que nem para elle olhou1 desdenhoso3 ,o alamo gigante1 ao estender os braos ,como para cingir ,apollo1 que os espaos ,domna1 mostra quanto grande na affeio1 ,mas fructos no produz3 como a adulao4 --,hanan1 ouvir-te-ei attentamente4 ,,hanan fingindo no ter percebido3 ,vim ,para que tu me ds auxilio4 ,,poncio ironico3 ,como assim8 ,de noite8 acompanhado8 ,,hanan ,este homem ouve1 e cala ,tudo o que ouvir4 ,demais1 -nos preciso4 ,,poncio voltou-se um pouco1 lanou um rapido olhar a ,judas1 e depois1 encostando o brao meza e com a cabea reclinada na mo3 ,fala4 ,,hanan muito submisso de comeo3 ,embora nos vencesse a furia dos romanos ,em tempos que l vo2 embora muitos damnos ,haja soffrido o povo heroico d',israel1 s suas tradies conserva-se fiel1 ,na crena do seu ,deus respeito manifesta4 ,religio smente hoje o que lhe resta1 ,porque tudo entregou s mos do vencedor2 ,por isso ha de manter1 altivo e com fervor1 ,o que elle considera um virginal trofeu6 --,dize-me ento se justo ou no justo que eu ,procure lealmente ao povo garantir ,a crena de ,moyss1 agora e no porvir4 ,,poncio1 serenamente1 mas deixando accentuado o seu desdem1 aquelle desdem dos romanos pelos povos vencidos3 ,no sei do que se trata1 ,hanan2 mas sempre digo ,uma coisa que eu penso ha muito a ss comigo3 ,do leito has de sar com mais celeridade ,para zelar melhor a tua propriedade1 ,e com menos se alguem te fr dizer1 de rastros1 ,que descobriu no ceu ladres roubando os astros4 ,,hanan offendido1 elevando a voz3 ,duvdas de que seja o meu falar sincero8 ,julgas que estou mentindo1 e em nada considero ,a minha crena8 ,,poncio olhando para elle de fito1 severamente3 ,ol6444 ,,hanan matreiro3 ,desculpa-me4 ,prometto ,no me exaltar de novo1 ,poncio4 ,,poncio sem desviar d'elle o olhar3 ,o mel do ,hymetto ,agrada a toda a gente444 e fica bem na fala4 ,,hanan muito submisso3 ,dou-te razo2 mas v que dr nenhuma eguala ,a dr que sinto4 ,e no terei motivo8 ,escuta3 ,aquella s doutrina1 a doutrina impoluta ,que nos deixou ,moyss1 o grande fundador ,da nao1 que livrou das garras do oppressor ,o povo escravisado1 e que ditosa grei ,legou1 depois da ,fuga1 um ,deus e ,patria e ,lei6 ,a doutrina sublime1 erario de virtudes1 ,que tem ficado illesa ainda nas mais rudes ,provaes444 ,,poncio cortando a harenga1 novamente em tom sarcastico3 ,vaes falar d'alguem profeta novo1 ,que anda por'hi talvez a amotinar o povo ,contra os amigos teus8--,pois hei de protegel-o4 ,apraz-me no tocar nem siquer n'um cabello ,d'esse homem4 ,,hanan refreando a clera3 ,mas porqu8 ,ters razes secretas8 ,,poncio ,quem as tem no sou eu3 so elles1 os profetas1 ,ao falarem de ti4 ,,hanan com ironia e falsa humildade3 ,ento6 s razoavel ,e mostra coherencia1 tiranno implacavel6 ,um cadaver de mais1 um cadaver de menos1 coisa que no leva aos teus dias serenos ,nenhuma inquietao1 nenhum remorso4 ,animando-se pouco a pouco3 ,e quando ,um sacerdote probo e honesto e venerando ,em nome da ,juda a morte solicta ,para um vil criminoso1 o teu rancor hesta86 ,esplodindo1 francamente3 ,de cumprir o dever percebo o que te afasta3 ,quem te fala sou eu1 que tu odeias6 ,,poncio fitando-o enfurecido1 d um murro na meza2 e erguendo-se3 ,basta6 ,sabes que essas razes no oio1 nem tolro1 ,e que digo uma vez que no1 quando no quero6 --,como o poder de ,roma aos homens do ,conselho ,tirou todo o poder de tingir de vermelho ,n'um banho sanguinario os corpos fraternaes1 ,privados de lavrar sentenas capitaes ,sem que eu lhes d meu voto1 imaginaste1 ,hanan1 ,que eu poderia1 qual infame barreg1 ,despejar a vergonha rua1 como o lixo1 ,para satisfazer depois o teu capricho8 ,porque uma voz protesta e clama contra o vil ,conselho que assoberba o povo e que1 febril1 ,anda a espiar na sombra1 a procurar o instante ,em que ha de ser traidor ao ,cezar triunfante2 ,porque um homem possue a civica ousadia ,de guerrear talvez a tua hipocrisia1 ,venerando ancio1 tiveste uma lembrana3 ,transformar o meu voto em arma de vingana ,cobarde6 ,sim6 ,bem vejo a ida que te inflamma6 ,agarrando no pilo3 ,pois digo-te que nunca has de car na lama ,co'o pilo de oiro6 ,no6 ,d',oriente a ,occidente1 ,a aguia de ,roma grande1 e nunca foi serpente6 ,e poisando o pilo na meza1 com ruido1 senta-se4 ,,hanan depois de algum silencio1 tentando convencel-o ba paz3 ,eu no falo por mim2 eu falo por ,moyss1 ,cuja doutrina tem sido calcada aos ps ,d'um homem1 que apresenta uma doutrina estranha ,ao direito e lei2 que os pobres arrebanha ,s para dizer mal dos grandes e dos ricos2 ,que dirige a palavra aos seres impudcos1 s mulheres venaes1 aos infimos ladres2 ,que anda em nome de ,deus a conceder perdes ,a toda a gente2 emfim1 que o povo1 em desatino1 ,se atreve a inculcar como um ente divino6 ,,poncio tranquillo1 sorrindo3 ,quem sabe8444 ,pode ser444 ,,hanan recuando1 como se ouvisse uma heresia3 ,o qu86 ,,poncio com bonhomia1 exagerando muito o valor das palavras3 ,se te refres ,ao ,nazareno em vo me falas4 ,nunca espres ,que eu ponha ao teu servio a minha autoridade ,para o matar4 ,no mato uma celebridade4 ,conheo-o muito bem4 ,inda ha trez dias teve ,uma grande ovao4 ,de resto1 no se atreve ,a suscitar no povo o odio contra o ,imprio3 ,deseja que se entregue a ,deus e a ,tibrio ,o que pertence a ,deus e o que pertence a ,roma4 ,agrada-me o desejo4 o melhor diploma ,que lhe ha de garantir a minha proteco4 ,,hanan ao ouvido de ,judas3 ,ficou tudo perdido1 ,judas4 ,,judas reservadamente3 ,ainda no4 ,pde para eu falar4 ,,hanan ,duvdo444 ,,judas ,experimenta4 ,,hanan muito supplicante a ,poncio3 ,senhor1 ouve as razes que este homem apresenta3 ,conhece o ,nazareno1 e sabe tudo444 ,,poncio olhou novamente para ,judas1 e com enfadada condescendencia3 ,v4 ,pode falar1 mas brve4 ,,judas avana at presena de ,poncio4 ,sadou-o1 e muito senhor de si1 firme1 resoluto1 assim comea3 ,eu nasci em ,jud4 ,odeio a ,galila1 e1 sempre respeitoso1 ,me curvei de ,tibrio ao vulto majestoso4 --,engana-te1 senhor1 aquelle que disser ,que o profeta de quem falou ,hanan requer1 ,como acabei de ouvir1 as attenes do povo ,para o imprio de ,roma4 ,,poncio estremeceu1 carregou o semblante3 ,o qu8 ,,judas com sinceridade hypocrita3 ,no me demvo ,de dizer a verdade1 inda que soffra o peso ,do remorso1 indicando um amigo indefeso justia de ,roma e do ,conselho6 ,brado ,em voz altisonante3 ,poncio1 s enganado6 ,o ,profeta conspira1 em intimo rancor1 ,contra a lei de ,moyss e contra o vencedor6 --,de tal conspirao confio-te o segredo444 ,approximou-se mais de ,poncio1 que contina assentado1 e fala-lhe agora1 insinuante1 incisivo1 um pouco por detraz d'elle1 encostando-se at curva da cadeira4 ,poncio escuta-o em silencio1 com o olhar brilhante e fixo em um ponto1 todo o seu sentido concentrado nas palavras que sem dos labios de ,judas como subtil veneno4 ,porque abate no mar1 s vezes1 um rochedo ,austero1 alcantilado1 enorme8--,toda a gente ,julgava-o rijo1 forte1 invencivel1 potente1 ,que do seu dormitar ninguem o accordaria1 ,que o ,tempo1 esse feroz destruidor1 seria ,incapaz de roer-lhe o corpo giganteu444 ,mas certa noite o monstro herculeo estremeceu1 ,barafustou no espao1 e com fragor medonho ,afundou-se no abismo1 ao despertar d'um sonho6 --,que foras colossaes1 que foras imprevistas ,o venceram8 ,o sol ia doirar-lhe as cristas ,majestosas1 assim que despontava ao largo2 ,a ,lua namorada1 em languido lethargo1 ,cobria-lhe de prata o dorso negro e frio1 ,que as lagrimas do ceu tornavam to maco ,como um peito de cisne ou face de mulher444 ,o proprio ,creador do ,mundo nem siquer ,lhe causava receio4 ,em doidas convulses1 ,um raio desabou das vastas amplides ,sobre elle1 e a sua voz1 longe de ser magoada1 ,soltou-se em desdenhosa e grande gargalhada6 --,que foras colossaes1 que foras imprevistas1 ,lhe fizeram baixar as invenciveis cristas8 ,que foras8--,perguntae-o quella massa informe1 ,que por vezes murmra e que por outras dorme ,em profundo silencio2 interrogae o ,mar1 ,que outr'ora vinha1 meigo e humilde1 a caminhar ,do horisonte sem fim1 da solido distante1 ,para oscular os ps do impvido gigante6 ,interrogae o vil hipocrita1 que ao passo ,que era meigo e humilde1 em fraternal abrao1 ,tratava de roer1 silenciosamente1 ,as bases do colosso athletico e indiff'rente1 ,que afinal1 certa noite1 ao despertar d'um sonho1 ,no abismo tombou com fragor to medonho1 ,que as ,estrellas1 ouvindo aquelle enorme grito1 ,sentiram-se tremer d'horror no ,infinito6 ,,poncio ergue-se de chofre1 com o olhar incendido1 trmulo1 os braos alevantados4 ,e o seu vulto branco1 destacando-se no fundo escuro da vasta quadra1 dir-se-a o d'um espectro de destruio4 ,ha colossos que teem gigantes nas entranhas1 ,fros como lees1 grandes como as montanhas6 ,possuem dos clarins as frases inspiradas1 ,e fusilam do olhar relampagos d'espadas6 mares da perfidia1 andaes a carcomer ,as bases do colosso herculeo do poder8 ,tende cuidado1 anes1 co'os rjidos ciclpes6 ,ondas que assim correis1 que vindes em galopes1 ,apressadas1 servs1 infames444 ,para traz6 ,que para reprimir a vossa furia audaz1 ,para que o vosso dente ao monstro no carcoma1 ,basta um simples olhar dos hercules de ,roma6 ,e passeiando agitado1 raciocinando e resolvendo de prompto3 ,prefiro debelar de prompto a crise4 ,ignoro ,se falaste verdade1 ou se acaso labro ,em uma vil intriga6 ,a dvida me envolve444 ,mas n'esta situao o meu poder resolve ,o que julga efficaz4 ,esse traidor profta ,ha de attingir ainda hoje a tenebrosa mta ,da existencia4 ,vou dar a ordem da priso ,do ,zfiro subtil com furias d',aquilo6 ,,hanan detendo-o1 supplicante1 receioso3 ,s prudente1 senhor4 ,o sangue d'innocentes ,no dever correr4 ,escuta os meus prudentes ,conselhos1 bom amigo4 ,ai6 poupa-me a ,juda6444 ,escuta-me1 por ,deus6 e a indignao refreia6 ,tenho medo do povo444 elle to leviano6444 ,ser muito melhor seguir o nosso plano4 ,,poncio sem querer ouvil-o3 ,que poder falhar6 ,,hanan n'um protesto3 ,que firme6 ,,judas ,que seguro6 ,,hanan matreiramente3 ,uma escolta romana ao meu dispr1 e juro ,por ,moyss que manh de noite ser preso ,o ,nazareno4 ,e em tom de muita confiana1 como velha autoridade que bem conhece os seus governados3 ,o povo ha de ficar surpreso1 ,ao saber no outro dia a grande nova4 ,embora6 ,no deve protestar1 porque elle no ignora ,que depois d'manh o dia consagrado ,ao festejo da ,paschoa4 ,assim1 manietado ,e mudo1 ha de assistir ao julgamento e morte ,do ,profta4--,senhor1 bem vs que d'esta sorte ,moyss perde um rival1 ,tibrio um inimigo4 --,este homem prometteu que ha de ensinar o abrigo ,onde fica de noite o ,nazareno occulto ,e os discipulos444 ,,judas ,que ho de fugir ao tumulto444 ,,poncio que os ouviu taciturno1 balbucia1 como falando a si proprio3 ,um cadaver de mais1 um cadaver de menos coisa que no traz aos meus dias serenos ,nenhuma inquietao1 nenhum remorso444--,hanan1 ,ds-me a tua palavra4448 ,,hanan ,o ,profta1 manh ,por esta hora1 se ,deus no se mostrar contrrio1 ,ha de estar preso4 ,,poncio ,bem6 ,pois n'esse caso444 ,dirige-se ao terrao e batendo as palmas1 chamando3 ,ostiario6 ,,hanan radiante de alegria1 ao ouvido de ,judas3 ,ganhmos1 afinal6 ,sers recompensado ,pelo teu grande zelo1 ,judas4 ,,judas soturno3 ,obrigado444 ,,hanan ,um prmio te darei4 ,trinta moedas2 queres8 ,de prata6 ,,judas indifferente3 ,sim1 ,hanan444 ,acceito o que me deres4 ,o ,,ostiario que appareceu no terrao3 ,chamaste-me8 ,,poncio de crr que no ,pretorio esteja ,algum centurio4 ,poncio quem deseja ,que se d cumprimento a tudo que estes dois ,homens disserem4 ,o ,,ostiario ,bem4 ,,poncio ,fique entendido pois4 ,ao ,pretorio tu mesmo agora os encaminha4 ,e passando pela frente de ,judas e de ,hanan1 sem para elles olhar1 retira-se para os seus aposentos4 ,,hanan que se curvra muito passagem de ,poncio1 murmra3 ,moyss ha de vencer6444 ,,judas tambem n'um murmurio1 quasi inaudivel3 ,maria ha de ser minha6444 ,vo-se com o ,ostiario pela outra porta4 ,apparece ento a escrava ,geda1 que se encaminha para o terrao4 ,,geda affasta o coxim1 trazendo-o para o interior da quadra e faz correr parte do reposteiro que pende do arco4 ,vae repoisar a minha ama444 ,como a noite calma e linda6 ,mas ninguem ha que prescinda ,das indolencias da cama6 ,muito ingrata a ,humanidade1 ,que acha as trvas de ,morpheu ,preferiveis a este ceu ,de risonha castidade6 ,talvez seja por vingana ,que a mostrar-nos a outra face ,a ,lua no se abalana6 ,seja l pelo que fr1 ,que sem protesto no passe1 ,diana1 o teu desamor6 ,acaba de fazer correr brandamente o reposteiro4 ,depois vae buscar o candalabro e dispe-se a leval-o comsigo4 ,mas o reposteiro agita-se1 corrido pela parte exterior por mo nervosa e resoluta1 e uma mulher d',israel apparece offegante1 com o rosto occulto por espesso veu de l negra4 ,a ,,mulher adiantando-se como procurando alguem3 ,claudia8 ,,geda admirada e insolente3 ,quem te deu a livre entrada8 ,que vens fazer aqui1 juda8 ,a ,,mulher ,venho ,para falar a ,claudia1 unicamente este o meu empenho4 ,,geda ,e que importa o motivo1 se costume ,no entrar sem licena do ,ostiario8 ,a ,,mulher ,em pouco a minha falta se resume3 ,vi tudo solitario444 ,,geda ,esperasses4 ,a ,,mulher ,desculpa-me444 ,,geda ,duvdo ,de que a minha ama te receba4 tarde4 ,a menos que a tivesses prevenido ,de vir1 e que te aguarde4 ,a ,,mulher assumindo attitude imperiosa3 ,urge que eu fale a ,claudia4 muito srio ,o que me traz6 ,,geda dominada pelo tom de voz da desconhecida1 colloca o candalabro na meza4 ,eu vou444--,temos misterio6 ,e entra nos aposentos de ,claudia4 ,a mulher1 vendo-se ssinha1 ergue ento o vo4 ,maria de ,bethania4 fadiga reune-se no seu rosto transtornado profundo abatimento moral4 ,,maria com os olhos erguidos ao ceu1 os labios balbuciantes1 como n'uma prce3 essencia do ,bem6 divinal encanto1 ,que fazes do ,amor a tua crena unica6 ,presinto que a ,desgraa estende o negro manto ,e deixa a descoberto a sanguinaria tunica1 ,pairando sobre ti mais proxima que outr'ora ,presinto que o teu rosto1 onde sorri ventura1 ,em breve deixar de ser como a aurora1 ,tornando-se1 meu ,deus6 em grande noite escura6 ,mostra-te para mim bondoso e esmoler3 ,escuta-me1 ,senhor6 ,e que seja bastante1 ,para fazer da noite aurora triunfante1 ,uma lagrima ardente e pura de mulher4 ,e fica absorta1 com a cabea encostada ao pedestal do busto de ,tiberio4 ,,claudia apparece muito descuidosa1 e1 ao vel-a1 no reprime o seu assombro4 ,maria de ,bethania86 ,o qu8 ,pois tu ,ousaste vir aqui8 ,pois desafas ,com a tua presena o meu rancor8 ,tens a loucura1 a falta de criterio1 ,de brincar com as cinzas inda quentes8 ,,maria baixou a fronte2 e a meia voz3 ,perda-me1 ,senhora444 ,,claudia ,o que fizeste ,da altivez soberana e do teu odio8 ,,maria ,perda-me1 senhora4 ,quem se humilha1 porque tudo esquece1 e quem supplca ,o perdo d'uma offensa1 tem direito ,a ser ouvida444 ,,claudia encostando-se meza1 e esmagando ,maria com a imponencia da sua figura3 ,apraz-me isso que dizes4 ,tu propria te encarregas de vingar-me4 ,optimamente6--,o que que tu me queres8 ,,maria com meiguice3 ,nunca viste1 depois da tempestade1 ,quando vem a bonana1 ,resplandecer de luz na immensidade ,o ,arco da ,alliana8 ,pois que venha1 senhora1 em tal momento1 ,um meigo olhar bondoso ,alegrar do teu rosto o firmamento ,como o divino trao luminoso4 ,,claudia com uma risada3 ,no faas poesia1 que ,virgilio ,mandou lanar a sua ,eneida ao fogo6 ,comeas muito mal4 ,por um idilio6444 ,do teu poema a sorte pes em jogo444 ,,maria docemente3 ,na ironia cruel quanta amargura6 ,esta hora suprema4 ,vou falar-te d'um ser todo candura444 ,,claudia zombeteira1 petulante3 ,o heroe do teu poema8 ,,maria animando-se pouco a pouco3 ,heroe1 disseste bem1 mas que regeita ,o gladio vingador1 ,e que tem na palavra uma arma affeita bondade1 ao amor444 ,ouvindo-lhe o falar to meigo e doce ,que de manso deslisa1 ,perfumado1 subtil1 como se fosse ,o perpassar da brisa1 ,as almas estremecem1 de sentidas1 ,e ficam-se amorosas1 ,desabrochando trmulas1 flordas1 ,como botes de rosas6 ,ha j trez dias1 ,claudia1 que o terror para mim veneno6 ,querem matal-o6 ,ai6 salva o meu amor6 ,ai6 salva o ,nazareno6 ,no deixes que lhe roubem a existencia1 ,e termina o martirio ,d'esta paixo que tem do ,sol a ardencia1 ,e a pureza d'um lirio6 ,ordena que o no matem1 ,claudia6 acalma ,os monstros malfasejos1 ,que eu a teus ps arrojarei minh'alma ,n'um effluvio de beijos6 ,e ce de joelhos em frente d'ella1 com a fronte erguida1 o olhar febril1 os braos estendidos1 supplicante4 ,,claudia depois de nova risada3 ,isto completamente um caso novo1 ,e agrada-me de vras ,que sejas tu1 mulher1 em vez do povo1 ,quem venha interceder pelo ,profeta ,com lagrimas sinceras6 bello6 ,,maria ,tem piedade6 ,,claudia revolvendo na ferida o punhal da ironia3 ,honra o teu sexo ,o platonico amor que te inquieta2 ,e n'elle vejo mais do que um reflexo ,do feminil civismo d'outras eras4 ,tu excedes ,cornelia1 ,e de ,coriolano a me ,veturia6 --,tenho notado haver n'esta ,juda ,mais valor nas mulheres que nos homens1 ,o que toma o aspecto d'uma injuria s patricias de ,rha6 ,judith a ,holofernes rouba a vida1 ,para salvar o povo seu amante1 ,ao vr que elle agonisa2 ,esther1 em patrio amor toda incendida1 ,de ,assuro affronta a crueldade e insnia2 ,debra1 a profetisa1 ,entra na lucta e sae-se triunfante444 ,agora vem ,maria de ,bethania6 --,palavra1 que a ,juda divertida6 ,rindo sempre1 passou pela frente de ,maria e sentou-se no coxim1 depois de ageitar-lhe as almofadas4 ,,maria erguendo-se1 n'um movimento de indignao3 ,mas pe fim ao desdem1 que chega a ser um crime6 ,quando uma alma se dobra e tanto se deprime1 ,quando um peito solua1 a compaixo ordena ,que a ironia que esmaga e o riso que envena444 ,a um olhar severo de ,claudia1 humildemente3 ,oh6 peo-te perdo6 ,esqueo-me de tudo ,que no seja o tormento indmito e agudo1 ,que me offusca a razo e o peito me lacra6 ,perda4 ,tem piedade4 ,apenas eu quizera ,que soubesses tambem como risonha a vida1 ,que toda se consagra a uma entidade querida3 ,sorrir quando sorri1 chorar quando ella chora2 ,respirar o subtil perfume que evapora2 ,enchermo-nos da luz que o seu olhar derrama2 ,silenciosamente1 amar tudo o que ella ama2 ,ouvir-lhe da palavra a doce meloda ,to limpida1 to casta e pura1 que enebra1 ,vibrando dentro em ns alguma coisa ideal1 ,semelhante1 no brilho1 ao riso divinal ,da estrella que1 tremente1 em candidez scintilla1 ,quando ao longe a manh vem a romper tranquilla4 ,claudia tem-se reclinado no coxim e1 cerrando as palpebras1 conserva-se impassivel4 ,maria cae de joelhos junto d'ella4 ,claudia1 s bondosa e presta-me sentido3 ,tu poders talvez1 pedindo a teu marido444 ,tu s ba1 afinal2 e eu fui leviana ,quando te respondi com altivez soberana4 ,esqueces tudo1 sim8 ,j no me tens rancor ,e vaes poupar minh'alma1 ,claudia1 enorme dr444 --,mas fala1 mas responde a isto que eu te peo6 ,ai6 que ella no me escuta6 ,deus1 eu enlouqueo6 ,e chora convulsamente1 com a cabea entre as mos1 os cotovellos fincados no coxim4 ,claudia1 sempre immovel1 impassivel1 parece dormitar4 ,ao cabo de copioso pranto1 ,maria afasta do rosto as mos1 e continuando de joelhos1 com o olhar vago1 como em extasi1 as mos com os dedos enclavinhados sobre o regao1 diz em voz muito dolente3 ,no me resta uma esperana1 ,pois no me escuta ninguem6 ,dorme a eterna ,divindade ,no azul da ,immensidade1 ,nos horisontes d'alm1 ,onde no chega um suspiro1 ,onde o silencio profundo4 ,ha de ser bom tal dormir1 ,descuidoso do porvir1 ,descuidoso d'este mundo1 ,n'aquelle reino divino ,tecido por andorinhas1 ,feito s para os honrados1 ,para os bons e desprezados1 ,para as meigas creancinhas444 ,to sereno como o lago ,da ,galila florda1 ,que se formou por encanto ,do arrependido pranto ,da me ,eva arrependida444 --,parece mesmo que o vejo ,no seu manto azul4 ,dir-se-ia ,que o firmamento amoroso ,teve a alegre fantasa ,de enviar terra um beijo ,puro1 suave1 bondoso444 ,parece mesmo que o vejo4 -- seu olhar calmo e doce2 ,a tudo o mais fica estranho1 ,quando distingue o fulgor ,dos astros1 como se fosse ,o cuidadoso pastor ,do scintillante rebanho444 ,,claudia adormecida1 vagamente3 seu olhar calmo e doce444 ,,maria continuando alheiada a tudo3 ,tem o brilho das seras ,o cabello perfumado1 ,que nos hombros lhe descansa ,e lhe cerca as faces claras4 to formoso e doirado ,como um sorrir de creana444 ,,claudia adormecida1 vagamente3 ,tem o brilho das searas ,seu cabello perfumado444 ,,maria ergue-se vagarosamente2 e1 resignada3 ,mais uma vez perdo te peo4 ,eu vou sahir ,e no perturbarei1 ,claudia1 o teu dormir4 ,reconheo por fim que era a esperana ftua4 inutil chorar em frente d'uma esttua444 --,retiro-me vencida1 assim como o pago1 ,que dedicou ,sphinge1 ardentemente e em vo1 ,os gritos da sua alma e os canticos do amor4 ,podes dormir risonha3 eu levo a minha dr6 ,e com a cabea descada sobre o peito1 dirige-se para o terrao em passos vagarosos1 como se fra a caminho da morte1 com o negro vo pendente ao longo das costas4 ,sem ter olhado para traz1 desce a comprida escadaria4 ,o somno de ,claudia agora profundo4 ,tudo ficou silencioso4 ,estinguem-se uma a uma1 com lentido1 as vllas no candalabro2 e o luar1 a que o arco sem peias d passagem1 faz projectar o busto de ,tiberio na parede fronteira1 como um enorme phantasma negro444 ,,quarta ,,jornada ,,em #ae ,,de ,,nisan ,,quarta ,,jornada ,,em #ae ,,de ,,nisan ,estamos n'um dos sitios mais tristes e isolados junto da muralha de ,jerusalem4 ,a denegrida alvenaria sobreposta como gigantea molle1 indecisa luz da madrugada4 ,ceu torvo1 onde as nuvens carregadas desfilam mansamente4 ,das juncturas das pedras da muralha pendem aqui e alem longas hervas parasitas balouadas pela aragem fria1 e que parecem1 frouxa luz1 corpos sem vida de suppliciados4 ,abre-se na muralha pequena porta1 qual se chega por tortuoso e natural caminho1 que1 no distante d'ella1 passa por sobre um pequenino outeiro4 ,parallelamente muralha1 alonga-se uma continuidade de penhascos onde os cardos vegetam1 e algumas figueiras bravas se contorcem rachiticas4 ,junto ao slo1 uma caverna abre a sua negra fauce misteriosa4 ,para alem do pequeno outeiro comprehendido entre a muralha e os penhascos1 mal distinguimos ainda o horisonte vasto1 rido1 scco1 argiloso e triste4 ,choveu4 ,pairam no ambiente exhalaes humidas4 ,relampagos fuzilam de quando em quando2 os distantes troves ribombam roucamente4 ,a custo o dia vem rompendo2 os galos cantam ao longe1 ao desafio4 ,o ultimo relampago deixou nos vr junto da porta um soldado romano que ,ampo1 fazendo sentinella4 ,sob a arcada dois vultos esto deitados3 so ,lauso e ,fbio1 tambem soldados de ,tiberio1 porque as sentinellas foram reforadas na vespera por ordem de ,poncio4 ,,amp,o1 tocando com o p no corpo de um dos que dormem3 ,erguei-vos1 camaradas1 pois no deve ,o negro deus do somno tal imperio ,exercer sobre vs1 quando do ,olympo ,cem com furia as cleras de ,jove4 ,,lauso accordando3 ,novamente comea a tempestade8 ,f,,bio1 erguendo-se logo2 voz de homem dado ao alcool e praguento3 ,foi aquelle patife do ,vulcano1 ,que lhe enviou fornecimento novo4 ,,lauso erguendo-se3 ,pois ainda troveja8 ,,amp,o ,muito ao longe4 ,f,,bio ,o peior que ,phbo1 com certeza1 ,no vem to cedo4 ,,amp,o ,os galos j cantaram ,das bandas do ,levante1 amigo ,fbio4 ,,lauso ,olha6 alguem se dirige para aqui4 ,f,,bio rindo3 ,talvez seja ,noctifer1 deus das trevas4 ,e os trez esperam1 encostados s lanas4 ,so seis miseros mercadores avergados ao peso de seus fardos4 ,quando chegaram em frente dos soldados4 ,,um ,,mercador em tom submisso3 permittida a entrada aos mercadores8 ,,amp,o ,a dvida1 meu velho1 est smente ,em pagarem tributo ao publicano4 ,o ,,mercador ,decerto que pagamos1 como de uso2 ,mas quando vi trez guardas junto porta4 ,fiquei suppondo alguma novidade444 ,,amp,o ,pois qu6 no morreu hontem o profeta8 ,nada mais facil do que haver rebeldes444 ,conhecemos a vossa grande astucia ,e o vosso rancor1 judeus malditos6 ,o ,,mercador por entre dentes3 ,maldita ,roma6444 ,f,,bio com uma risada alvar3 ,eh6 l6 ,v como falas1 ,que o teu rei j no vive6 ,o ,,mercador muito seccamente3 ,da ,juda ,ha muito que fugiu a realeza6 ,e os mercadores entram na cidade1 seguidos pelos trez soldados que d'elles chasqueiam4 ,a tempestade vae acalmando2 as ultimas nuvens passam mais serenas4 ,um vulto d'homem arrasta-se1 vagaroso1 para fra da caverna1 como se fra um animal silvestre4 ,a custo sau e a custo distendeu1 para se erguer1 os membros entorpecidos4 ,judas4 ,traz sobre si a tunica smente1 esfarrapada e suja2 cabea a descoberto1 o corpo enlameado1 os ps descalsos4 ,,judas1 que permaneceu por longo tempo com o olhar erguido para o ceu1 a voz muito enfraquecida3 ,vem o dia a nascer das regies eternas4 ,depois de ter lanado as iras justiceiras1 ,o grande firmamento agora mudo e quedo4 ,na penumbra1 os chacaes regressam s cavernas1 ,e vo pedir a noite s fendas do rochedo ,as aves agoureiras4 ,e olhando para a caverna d'onde sau3 ,nunca tornes a ouvir o minimo sussurro1 treva de amargura e negras maldies6 antro1 que animei co'o halito do crime1 ,cae de novo em mudez6 ,as aguas do enxurro ,ho de lavar-te ainda1 meu algoz sublime1 ,das tectricas vises6 ,com a cabea apoiada n'uma das mos e o cotovello na outra1 move-se com passos incertos1 indecisos4 ,senta-se n'um monticulo de pedras2 e depois1 como reconstruindo mentalmente o que se passou na ante-vespera3 ,estavam a dormir ao p das oliveiras1 ,e a ,lua derramava em cheio nas clareiras ,o argentino olhar1 o seu formoso pranto4 ,fui na frente da escolta1 e ao avistar-lhe o manto1 ,caminhei para elle4 ,ergueu-se1 olhou1 sorriu444 ,mas ficou-se indeciso apenas descobriu ,dos archotes a luz na solido campestre4 --,adiantei-me4 ,deus seja comtigo1 ,mestre4 ,fitou-me silencioso4 ,aproveitando o ensejo1 ,dei-lhe a mo desleal1 e um repellente beijo ,depuz n'aquella face imperturbavel444 ,ai6 ,co'um latido feroz toda a matilha sae ,da sombra do arvoredo e cerca-o n'um momento6 ,aos amigos leaes occorre o pensamento ,heroico de empregar a fora4 ,a gritaria ,desperta o olival da funda lethargia4 ,cresce o tumulto4 ,um ferro ergue-se ameaador444 ,contra mim8 ,no sei bem1 porque me invade o horror4 ,por entre a ramalhada1 aos pios1 uma c'ruja ,espavorida vae dizendo-me que fuja4 ,e erguendo-se de chofre1 animando-se3 ,percorro velozmente os grandes olivaes2 ,quando abandono a sombra1 entro nos matagaes2 ,o manto esfarrapado o rasto meu indica1 ,depois a propria carne6 ,a alma1 porem1 no fica1 ,pois se olho para traz1 sobre a verdura espessa ,persegue-me1 a rolar em sangue1 uma cabea4 ,termina de repente o estenso matagal1 ,foge-me a terra1 e vou car n'um tremedal ,onde tenho uma lucta encarniada e louca3 ,a lama em borbotes entra-me pela bocca1 ,os limos que eu encontro agitam-se irrequietos1 ,voam por sobre mim1 zumbindo1 mil insectos1 ,fogem nuvens de rs para logares occultos1 ,e o seu coaxar parece arremetter insultos6 ,mas saio vencedor e a terra firme alcano2 ,ento quero parar444 mas corro sem descanso4 ,as foras vo fugindo1 e julgo que do peito ,o corao rebenta exanime e desfeito6 ,no se demora o rio3 tempo emfim6 ,d'um alto ,vejo a ,lua a brilhar no espelho da agua2 salto1 ,alheio dr do corpo1 e emquanto vou nadando ,sinistramente ao longe um lobo fica uivando4 ,chego margem2 depois entro por um atalho ,escuro e pedregoso onde cau o orvalho444 ,afinal1 afinal1 grande ,deus1 consigo ,descobrir de repente o mais seguro abrigo6 ,abeirando-se da caverna3 ,sem saber onde estou1 a estremecer d'horror1 ,esfarrapado1 ardendo em febre1 sem vigor1 ,ouvindo sempre ao longe uns gritos de tortura1 ,venho enterrar-me aqui1 na treva da amargura1 ,onde encontro por fim1 nas e desgrenhadas1 ,a ,consciencia a chorar1 a ,infamia s gargalhadas6 ,ri convulso1 com a cabea entre as mos4 ,e o cho da caverna responde-lhe longamente444 ,depois de grande silencio1 solta um suspiro d'alvio1 e1 com os braos pendentes1 a cabea descada sobre o peito3 ,eliminei a causa1 e agora nem procura ,a minh'alma saber se existe ou j no dura ,o effeito4 ,um assassino o que vejo em ti1 ,judas6 ,apertando na mo um pequeno sacco de coiro que em si guardava4 ,o corao refugiou-se aqui ,transformado em dinheiro4 prata reluzente1 ,mas se queres vr sangue1 enterra n'elle o dente6 ,e falas de ambio1 tu que possues a marca ,das filhas sem pudor do velho patriarcha6444 ,relembras o incesto horrendo de ,thamar1 ,e o crime de ,ruben1 que ousou enxovalhar ,a honra de seu pae no leito da madrasta6444 ,e falas de ambio1 tu1 cuja voz arrasta ,em de redor de mim o grande amontoado ,das velhas podrides da carne e do peccado6 ,ferido por um rapido pensamento3 --,vou arrojar ao ,templo este dinheiro infame1 ,e talvez que o ,senhor o seu perdo derrame444 ,mas detendo-se1 hesitante3 ,tenho medo444 no sei444 ,e supersticioso3 ,era de madrugada ,e eu ia caminhando em terras d',ephram ,quando um sapo surgiu d'entre risonha msse ,para vir espreitar meus passos junto estrada4 ,esmaguei o6--,se alguem agora me fizesse ,a mesma cousa1 a mim8 ,compadecdo3 ,meus olhos1 vde a luz que o firmamento inunda1 ,que a luz tambem se fez para os olhos da serpente6 ,rasteja para longe1 animal mesquinho1 ,deixando atraz de ti a escurido profunda444 ,rasteja para longe444 e sgue o teu caminho ,silenciosamente444 ,a passos lentos1 vae-se1 costeando a muralha at dobrar o angulo que ella frma4 ,duas mulheres1 com os rostos occultos por densos vos1 sem da cidade4 ,alguns passos dados1 pram como avergadas pelo cansao ou pela dr4 ,so ,maria de ,bethania e sua irm ,martha4 ,,maria com o brao pela cintura de ,martha1 e a voz muito suave e muito resignada3 ,fica perto da cidade ,o sepulcro3 no jardim ,do ,jos d',arimatha4 ,ao aroma do jasmim ,casa-me o aroma da rosa444 tudo meigo e silente ,n'aquelle triste remanso ,onde elle dorme4 ,a corrente1 ,que vae regar os pomares1 ,tem uns murmurios to doces ,e to cheios de misterio444 ,,martha ,maria1 irm1 se tu fosses ,contaminar o teu corpo8 prohibido na ,lei ,ir a um sepulcro444 ,,maria ,decerto444 ,,martha um crime4 ,,maria ,sim2 bem sei4 ,mas devo eu conjecturar ,que os negros vermes da terra ,contaminem moradia ,que tanto perfume encerra8 ,as borboletas smente1 ,aereos beijos de amor1 ,ho de poisar junto d'elle ,como poisam n'uma flr1 ,indo contar em seguida ,aos espinhos do balseiro ,quanta fragancia divina ,exhala aquelle canteiro4 444 ,ao passo que eu viverei ,na grande dr do meu pranto1 ,como a aranha silenciosa ,que fez a teia n'um canto4 --,no ceu da minha existencia ,pairavam tranquillamente ,dois flcos de nuvem1 que era ,como o fumo transparente444 ,andavam pairando assim ,despreoccupados os dois1 ,para ao sopro d'uma aragem ,se desfazerem depois444 ,fumo illusorio que sobe ,mansamente pelo ar ,e que se esvae n'um instante ,p'ra nunca mais se juntar444 ,,martha minha irm6444 ,e abraadas1 com as frontes reclinadas no hombro uma da outra1 soluam longamente4 ,vem ento da cidade outra mulher1 que pelo trajar romano logo se reconhece ser ,claudia4 ,,claudia chegando junto de ,maria e ,martha1 cujos rostos se conservam occultos1 pra2 e depois1 poisando a mo no hombro de ,maria1 diz com voz muito meiga3 ,porque choras8 ,,maria que se voltou1 reconhecendo-a e baixinho irm3 ,ella86 ,,martha receiosa3 ,claudia6444 ,,claudia ,que motivo ,gerou no teu seio a ,dr1 ,a negra me do gemido8 ,conta-me tudo1 mulher4 --,morreu-te um filho1 o esposo1 ,ou um irmo444 ,,martha ao ouvido de ,maria3 ,oh6 meu ,deus6 ,como o seu falar outro6 ,,claudia ,tambem eu soffro ha trez dias ,d'um enorme soffrimento1 ,e quero que na cidade ,fiquem todos conhecendo ,quanto ,claudia bondosa1 ,claudia1 que o povo despreza1 ,e quanto chora tambem ,pela morte do ,profeta4 ,,maria absrta3 ,o que oio6 ,,claudia ,d'uma mulher ,taes lamentos recebi1 ,que um novo ser despertou ,de chofre dentro de mim4 ,sonhei depois1 e que sonho6 ,nem mesmo o posso contar444 ,to cheio de quietao1 ,de suavidade e de paz1 ,que fiquei por muito tempo ,absorta1 de madrugada1 ,ao construir na memoria ,todo o sonho que sonhara4 --,eu fugira para longe1 ,para um paiz to distante1 ,que este mundo em que vivemos ,no me ficava ao alcance2 ,e alguem cercado de luz ,e de meigas creancinhas ,veio alegre ao meu encontro ,nas paragens infinitas444 ,,maria ,o que te disse8 ,,claudia ,no sei444 ,apenas sei que1 accordando1 ,no conheci a minh'alma ,transformada por encanto2 ,e por que um plano de morte ,estava urdido em segredo ,contra o bondoso ,profeta1 ,logo intentei desfazel-o1 ,supplicando a meu marido ,que em seu favor empregasse ,todo o auxilio4 ,impossivel6 ,a suprema divindade ,cara em somno profundo ,no seu grande leito azul1 ,deixando que o ,nazareno ,expirasse n'uma cruz6444 ,,maria baixinho irm3 ,e eu que ainda a accusava6444 ,,claudia ,a minha dr reparti ,comtigo2 deves portanto ,confiar tudo de mim444 ,,maria espansiva3 ,para qu1 se tudo sabes8 ,,claudia ,tudo sei8444 ,,maria ,pois que em ,jud ,nenhum rosto de mulher ,por mais ninguem chorar ,n'este momento4 ,,claudia ,por ,elle8 ,,maria animando-se3 ,sim1 por ,elle1 ,homem-,misterio1 ,que voou1 como o aroma ,da pobre rosa pendida ,sobre a haste1 dolorida ,pela mgua da sadade444 --,vinde comigo1 mulheres1 ,orvalhar co'o vosso pranto ,a boceta em que dormita ,aquelle celeste encanto4 ,ide colher campina ,braados de malmequeres1 ,d'alfazema e rosmaninho1 ,e vinde1 vinde comigo ,dispol-os naquelle ninho444 ,e vs1 mes1 que trazeis ,no ventre o fructo do amor1 ,purificae-o aspirando ,o perfume e o calor1 ,que se evolam brandamente ,do sepulcro sorridente1 ,como as nuvens que perpassam444 444 ,fumo illusorio1 que sobe ,com lentido pelo ar1 ,e que se esvae n'um instante1 ,p'ra nunca mais se juntar444 ,e cala-se1 a voz estrangulada pelas lagrimas4 ,,claudia suspeitosa3 ,estas palavras8444 ,juda1 ,impossivel existirem ,dois coraes como o teu6 ,,maria ,j no o tenho3 morreu4 ,,claudia ,como te chamas8 ,e vendo o rosto de ,maria que se desvelra3 ,maria6 ,,maria cando de joelhos e beijando-lhe as mos3 ,sim6 que se roja a teus ps ,humildemente contricta1 ,para dizer-te3 mulher1 ,s bemdita1 s bemdita6 ,,claudia com a voz cheia de bondade1 obrigando ,maria a erguer-se e abraando-a3 ,ergue-te1 alma sublime1 ,que encheste de luz a treva ,e que tiveste o condo ,de abafar a voz do crime ,co'o soluo do perdo4 --,tambem eu ia levar-lhe ,o meu pranto dolorido ,como nunca tive igual4 s a mulher que fugiu ,para o reino do ,ideal444 ,a terra muito mesquinha1 ,e o vo da andorinha ,convida a voar tambem444 ,cingindo com os braos ,maria e ,martha3 ,partamos1 sim1 pela estrada ,que nos conduz ao misterio4 ,sorri ao longe a alvorada444 ,vamos tranquillas1 serenas1 ,bater a cada poisada1 ,e sejam nossas palavras3 ,levando-as comsigo docemente3 ,vinde comnosco1 mulheres1 ,orvalhar co'o vosso pranto ,a boceta em que dormita ,aquelle celeste encanto4 ,ide colher campina ,braados de malmequeres1 ,de alfazema e rosmaninho444 ,e vo-se as trez pela estrada a caminho do sepulcro4 ,o firmamento agora limpo4 ,raras estrellas brilham ainda4 ,a luz da madrugada define-se1 e a brisa traz os perfumes dos vergeis e trigaes de ,gethsemani4 ,por um pequeno atalho cinco homens avanam para a cidade3 ,joo1 ,gamaliel1 ,simo ,pedra1 ,eleazar e ,simo de ,bethania4 ,todos denunciam no andar e no rosto o abatimento moral em que se encontram1 a irresoluo1 o receio4 ,chegados em frente da muralha3 ,,sim,o ,,pedra que viera junto de ,joo3 ,no entres na cidade444 ,,eleazar s muito conhecido4 ,o ,conselho no tem desviado o sentido ,dos amigos do ,mestre4 ,,sim,o ,olha que talvez pense ,em prender-te1 e depois nada ha que recompense ,o inutil sacrificio4 ,,sim,o ,,pedra ,ao teu valor opponho ,todo o meu raciocinio4 ,,jo,o que ficra immovel olhando para a muralha da cidade3 ,ainda julgo um sonho6444 ,,gamaliel encostado ao bordo1 a meia voz1 rancoroso3 ,sobre a cruz aviltante1 assim como o homicida1 ,como o escravo traidor1 como o ladro6444 ,,jo,o irrompendo3 ,vida1 ,e continas tu dando vigor a quem1 ,depois de infamia tal1 dorme em ,jerusalem6 ,profetas de ,sio1 da campa alevantae-vos ,para escrever ali com sanguinarios laivos ,esta nefanda historia1 este inarravel crime6 ,dobrae ,jerusalem1 como se dobra um vime1 ,e que a mo do ,senhor1 terrivel1 iracundo1 ,em ltegos crueis com ella aoite o ,mundo6 ,,sim,o ,,pedra ,co'a doutrina do ,mestre o odio no se casa444 ,,gamaliel por entre dentes3 ,mas tambem cicatriza a f'rida o ferro em braza6 ,,jo,o desalentado3 ,e assim tudo acabou6444--,sadosa ,galilea1 ,onde sorris tranquilla1 minha pobre aldeia6444 ,quantas recordaes do teu ceu1 do teu ar1 ,dos dias que passei no teu sereno mar1 ,das noites que dormi na relva da campina1 ,to descuidoso6 ,me da excepcional doutrina1 ,que encheu d'enthusiasmo e risos seductores ,as almas infantis d'ingnuos pescadores1 ,fazendo-os caminhar atraz d'uma viso1 ,confiados1 como vae por entre a cerrao ,a barquinha velleira ao descobrir farol6 ,prados1 que sois jardins1 e onde o rouxinol ,canta serenamente em noites estivaes2 ,macieiras em flr2 regatos que passaes1 ,ondeando1 como ondeia brisa1 levemente1 ,da alde virginal a trana refulgente444 ,montanhas de ,nain2 e tu1 grande monte1 ,que te elevas no fundo azul do horisonte1 ,redondo como um seio a amamentar os astros444 ,meigo ,genezareth1 campos1 cabanas1 mastros1 ,rochedos1 alcants1 seras e pastagens1 ,que bordam a primor tuas alegres margens444 --,eis aqui finalmente a horrivel derrocada6 ,a solida affeio dos ,dse feita em nada2 ,a cegueira vencendo2 a ,luz amortecida2 ,a tripudiar em ns um ladro homicida2 ,e eu1 no meio de tudo1 extactico e absrto1 ,buscando o olhar de ,deus na pallidez d'um morto6444 --,e assim tudo acabou6 ,,gamaliel avanando para elle nervosamente3 ,quem fala de acabar8 ,o fogo ainda no se extinguiu no altar ,da nossa consciencia1 e os rubros holocaustos ,onde fomos depr as almas ainda exhaustos ,no deixaram de todo os nossos coraes6 ,,jo,o desanimado3 ,que havemos de fazer8444 ,,gamaliel animando-se e animando-o3 ,povos1 religies1 ,autoridades1 leis1 tudo movedio ,e dbil como ao spro um tmido aranhio6 ,,sim,o ,,pedra ,queres dizer ento444 ,,eleazar ,a lucta86 ,,gamaliel ,brao a brao1 ,no se deve luctar4 ,seria um erro crasso ,instituir o ,bem co'o ferro4 ,no6 ,deixae ,esse erroneo principio aos filhos de ,schammai6 ,,jo,o erguendo-se3 ,o que pensas8 ,,gamaliel ,que chega a ser um attentado memoria do ,mestre abandonar o arado ,com que elle andou lavrando a consciencia humana6 ,eu quero a lucta1 sim1 mas nunca a lucta insana1 ,que esfria os coraes e purpurisa as ruas6 ,no quero vr brilhar ao sol espadas nuas6 ,impiedades brutaes1 odeio-as e renego-as6 ,,sim,o ,,pedra ,mas falste de lucta4 ,,gamaliel ,humilde1 mas sem trgoas2 ,branda1 mas incisiva2 humana444 mas divina6 ,como arma1 aquelle dom secreto que extermina1 ,ferindo os coraes sem que haja soffrimento4 ,ruge1 como o trovo e gme como o vento1 ,murmra como a fonte e estla como o raio1 ,tem a ardencia do fogo e a alvura do desmaio2 ,dolente1 acarica2 em furias1 escalavra6 ,esta arma triunfante1 esta arma444 ,,jo,o com o olhar brilhante3 a palavra6 ,mas logo receioso3 ,falar s multides4448 ,,sim,o ,,pedra tambem receioso3 ,continuar4448 ,,gamaliel ,decerto6 ,entrando no porvir que ,elle deixou aberto4 ,pois que o ,mestre morreu1 a alguem cumpre seguir ,o caminho traado entrando no porvir1 ,e esse alguem s tu6 ,,jo,o n'um sobresalto3 ,eu8 ,,eleazar abraando-se n'elle1 espansivo3 ,sim1 ,joo6 ,,sim,o incitando-o3 ,ninguem ,melhor que tu6 ,,sim,o ,,pedra secundando j agora ,gamaliel3 ,qual de ns o que mais tem ,o verbo inspirador1 altivo e fulgorante8 ,,jo,o indeciso3 ,simo1 ,gamaliel1 amigos444 ,ai6 ,,gamaliel vante6 ,,eleazar ,para gloria do ,mestre6 ,,sim,o ,e gloria tua6 ,,sim,o ,,pedra ,e nossa6 ,,gamaliel bella a occasio444 ,,jo,o ,e quem vos diz que eu possa8444 ,,sim,o ,,pedra ,sers novo profeta1 aproveitando o exemplo444 ,,gamaliel agarrando ,joo por um brao3 ,vo comear agora os canticos no ,templo4 ,anda comnosco6 ,,eleazar ,vem6 ,,sim,o ,,pedra ,s forte6 ,,gamaliel querendo arrastal-o comsigo3 ,n'um instante1 ,de povo te vers cercado444 ,,jo,o n'uma grande espanso3 vante6 vante6 preciso arrancar ao morbido lethargo4 ,a doutrina do ,mestre6 ,,gamaliel em doida alegria3 ,emfim6 ,,jo,o cheio de ardente enthusiasmo messianico3 meu o encargo6 ,o caminho do ,bem eu vejo1 como outr'ora ,a escada de ,jacob luz da meiga aurora4 ,por ella vae subindo um cro triunfal ,proclamando no ,espao o amor universal ,e a guerra sem clemencia s abjeces e ao vicio4 vante6 ,no desabe o slido edificio ,de que o ,mestre assentou as bases6 ,o thesoiro ,da palavra1 cando em grande chuva de oiro1 ,enriquea de novo a consciencia humana6 ,inspira-me1 ,senhor6 a minha estrada aplana6 ,tu1 que fizeste a luz1 tu que fizeste o dia1 ,uma scentelha s do genio teu envia ,ao meu cerebro6 ,d-me a fora necessaria ,que torne a minha voz da tua a emissaria6 --,vamos1 ,gamaliel6 ,,gamaliel como n'um grito de rebelio1 avanando para a cidade3 ,gloria ao profeta novo6 ,,jo,o vibrantemente3 ,dou a minha alma a ,deus1 e a minha vida ao ,povo6 ,entram todos na cidade1 ouvindo-se logo a voz de ,,gamaliel bradando3 ,negra ,jerusalem1 escuta1 assassina1 ,d'aquelle que morreu a divinal doutrina6 ,e depois1 mais distante3 ,ouve1 ,jerusalem1 que matas os profetas1 ,as palavras que so do teu ,senhor diltas6 ,e os brados do velho doutor da ,lei proseguem por longo tempo cada vez menos distinctos1 medida que o grupo se interna pelas estreitas e tortuosas ruas da cidade4 ,no entretanto1 ,judas voltou do ,templo em cuja caixa fra lanar o dinheiro da traio1 e quedou-se encostado muralha junto ao angulo4 ,d'ali ouvira as ultimas palavras de ,joo e os brados de ,gamaliel4 ,,judas com desdem3 ,gloria ao profeta novo6--,insensatos6 ,joo1 ,vaes procurar a ,morte6 ,e eu444 a expiao6 ,toma pela estrada e n'ella caminha1 affastando-se da cidade1 mas1 vendo alguem que se approxima1 reca e estca4 ,maria86 ,,maria parando tambem3 ,judas6 ,,judas1 desvairado3 ,ah6 cobarde salteador ,d'estrada6 ,vens talvez trazer o teu amor8 ,o olhar1 que seduzia1 infunde repugnancia6 ,o hlito d'outr'ora1 a virginal frangancia1 ,que me embriagava1 enja6 ,hlito1 corpo1 olhar1 ,ao largo6 ,vae1 mulher6 ,no poderei amar ,a carne do meu crime6 ,odeio-te6 ,,maria1 reposta da primeira impresso1 serenamente3 ,no vim ,trazer o meu amor4 ,,judas ,que queres tu de mim8 ,trazes-me o teu perdo8 ,solta uma risada nervosa4 ,,maria ,o riso da demencia ,nunca ha de suffocar a tua consciencia1 ,que gme e se revolve em negro torvelinho4 ,podes rir444 mas eu vou seguindo o meu caminho4 ,,judas impedindo-lhe a passagem3 ,e a maldio ha de ir seguindo-te as pisadas6 ,,maria ,a tua maldio444 as tuas gargalhadas6444 --,como o teu odio bom6 ,,judas ,inda no bastante ,odiar-te6 ,se de ti fizesse minha amante1 ,como eu satisfaria este voraz desejo3 ,ferindo em cada olhar1 mordendo em cada beijo6 ,que ventura1 meu ,deus6 sermos no crime os dois1 ,fruir o teu amor1 e arrojar depois ,o teu corpo e a paixo de que hoje ainda te nutres ,aos ventres bestiaes dos vidos abutres6 --,mulher1 posso matar-te6 ,ao largo6 tenho medo6444 ,,maria muito calma3 ,p'ra sempre guardarei1 ,judas1 o teu segredo3 ,o mundo to cruel que aleives no reprime1 ,se junto da virtude elle descobre o crime4 ,mas entretanto444 foge6 ,,judas rindo febril3 ,acaso me suppes ,to cobarde que v fugir sem ter razes ,mais fortes que o teu odio e a tua hypocrisia8 ,,maria ,e se o ,mestre voltar8 ,,judas rindo3 ,que doida fantasa6 ,,maria ,se o visses novamente8 ,,judas de subito receioso3 ,eu8 vl-o8 ,,maria ,sim6 ,,judas ,no creio6 ,a morte vasto abismo444 ,,maria1 dogmatica3 ,abismo1 cujo seio ,no poder conter o que era illimitado6 ,,judas acobardado3 ,que dizes tu1 mulher86 ,,maria em tom profetico3 ,que dorme inanimado ,o insecto no caslo2 ao sepulcro sombrio ,elle proprio deu forma1 urdindo-o1 fio a fio1 ,vagaroso1 em silencio1 estranho ao mundo vrio1 ,como o trabalhador que no requer salrio ,e que s tem por fim realisar o plano ,de ha muito concebido4 ,em vo o olhar humano ,procura descobrir o que existe no centro ,do caslo3 o misterio silencioso dentro4 ,mas depois1 certo dia1 o homem v1 absrto1 ,que o sepulcro aberto e no encerra o morto6 ,,judas tomado de vago terror3 ,justos ceus6 ,,maria animando-se3 ,has de vr1 com a tua alma inquieta1 ,sar do seu caslo a enorme borboleta1 ,que n'esta hora talvez as palpebras descerra1 ,encher de luz o espao e de pavr a terra1 ,da grandeza de ,deus ser vivo testemunho444 ,,judas trmulo3 ,e car sobre mim co'o azorrague em punho6 ,,maria terrivelmente3 ,emquanto no voltar1 os olhos do covarde ,ho de vl-o assim como hontem o vi tarde3 ,co'o respirar opprsso1 o corpo no madeiro1 ,nas angustias da morte1 a olhar-te1 justiceiro6 ,,judas caminhando d'um para outro lado1 desvairado3 ,no pode ser1 no creio444 ,,maria perseguindo-o3 ,ha de falar-te1 ,judas1 tua consciencia abjecta6 ,,judas tentando occultar o rosto3 ,no me illudas1 ,que eu nada vejo6 ,,maria erguendo o brao3 ,vs pairando sobre ti ,o ,remorso1 o fantasma eterno6444 ,,judas que seguira com o olhar o movimento de ,maria1 fixa-o na muralha1 e apontando tambem1 trmulo1 allucinado3 ,ali6 ali6 ,co'aquelle olhar azul que a morte mais esfria6 ,ergue a fronte444 descerra os labios444 ,ah6 dir-se-ia ,que vae falar-me6--,oh6 cala-te6 ,fui eu ,que te entreguei1 ,mestre1 ao inimigo teu6 ,no me accuses1 que sinto em mim a accusao2 ,tem os dentes da cobra e as garras do leo6 ,anda aqui dentro--ouviste8--a esfarrapar-me todo6 ,fica-me pdre o craneo1 e o peito fica em ldo1 ,para ser to nojenta a apparencia que eu tome1 ,que nem os proprios ces matem comigo a fome6 ,e apontando de novo1 como um vidente3 ,o respirar opprsso444 o corpo no madeiro444 ,nas angustias da morte a olhar-me justiceiro444 ,exactamente6--,elva os olhos para os ceus2 ,a agonia final chegou3 fala com ,deus444 ,a cabea descae no peito3 vae morrer444 ,e n'um grito dilacerante1 fugindo para junto da caverna3 ,ai6 no6 deixa-me em paz6 ,no6 no6 ,no quero vr6 ,e resvalando o corpo ao longo dos penhascos1 ce de bruos no cho1 o rosto occulto nas mos1 gemendo1 offegante4 ,,maria mais compadecida agora1 mas com a voz repassada de austeridade3 ,insultste-me ha pouco ainda4 ,eu tudo esquo4 ,tenho a razo bem clara1 e tu s um posssso4 ,quanto ao ,mestre1 l tens em ti a accusao444 ,a tua alma est sendo1 torpe vendilho1 ,passiva e sem vigor n'este fatal momento ,assim como o enforcado a baloiar ao vento444 --,adeus4 ,e entra na cidade vagarosamente1 sem olhar para traz4 ,ha um grande silencio entrecortado apenas pelos gemidos mal suffocados de ,judas4 ,pouco a pouco1 vo-lhe voltando as foras1 e ento ,,judas erguendo a cabea e como acordado pela impresso que no seu espirito deixaram as ultimas palavras de ,maria3 ,o enforcado8444 ,e ergue-se com custo4 ,interrogando a sua consciencia3 ,emfim para que existo8 ,pensa4 ,tendo apoiado a mo direita na cintura1 o contacto da corda com que cinge a tunica desperta-lhe a atteno e aviva-lhe na memoria aquellas palavras de ,joo que elle repte machinalmente3 ,as estrigas de linho444 ,e prevendo o effeito3 ,um lao444 um n444 ,resoluto3 -- isto6 ,ento1 desatando a corda1 dobrando-a em duas1 formando um n corredio1 vae monologando1 febrl1 nervosa1 sccamente3 ,para que hei de fugir1 ouvindo a cada instante ,correr atraz de mim um grito retumbante ,e vingador8 ,fugir8444 ,sob o azul dos ceus ,quem pode combater a clera de ,deus8 ,inda que fuja sempre1 eu sempre retrocedo1 ,porque fugir do ,eterno o mesmo que estar quedo6 ,no fugirei6--,se fico1 atrocidades cruas444 ,hei de ser arrastado ahi por essas ruas1 ,padecerei do povo horrficos flagellos3 ,vir alguem arrancar-me os olhos1 os cabellos1 ,e transformar em lama o corpo do homicida6 --,no6 ,prefiro morrer444 por ter amor vida6 ,de sbito1 n'um grito de independencia1 muito egoista3 ,eu prefiro morrer6 ,que se escancre o espao ,da treva6 ,sim1 ,morte1 eu quero o teu abrao6 ,a maldio eterna o ,eterno em mim derrame-a6 ,que importa6 ,serei grande at na propria infamia6 ,allucinado novamente3 ,odeio-te1 ,virtude6 odeio-te1 ,verdade6 ,renego do respeito e amor ,divindade6 ,eu creio s na ,morte444 e basta-me esta corda6 ,e ri1 ri convulso4 ,batendo com a mo no peito3 lerta1 monstro6 ,ol6 monstro hediondo1 accorda1 ,para insultar a ,vida1 essa madrasta bruta1 ,que faz d'uma alma honesta uma alma dissoluta6 ,e tu1 ,mundo1 pae d'este animal disforme1 ,vem lanar-lhe no corpo o teu escarro enorme6 ,e desapparece por entre os penhascos1 correndo doidamente4 j manh clara3 o horisonte purpurisa-se e doira-se4 ,chilreiam passarinhos no distante4 ,no ,templo comeam os canticos matutinos1 e as vozes das mulheres e das creanas chegam at ns em plangente e languida meloda4 ,calam-se de sbito os gorgeios e paira em todo o ambiente grande serenidade1 como se toda a ,natureza estivesse escutando4 ,joo apparece porta da cidade seguido por ,gamaliel1 ,simo ,pedra1 ,eleazar1 ,simo de ,bethania e por mulheres1 homens e creanas4 ,caminham todos silenciosamente1 respeitosos1 para ouvirem o novo profeta4 ,vem ,joo apenas com a tunica1 descalso1 a cabea e o peito a descoberto1 os braos cruzados1 o olhar em extasi4 ,chegados parte superior do pequeno oiteiro1 ,joo parou4 ,os companheiros ficam junto d'elle4 ,as mulheres com os filhinhos s cavalleiras nos hombros1 ao uso oriental1 tomam para a direita1 e os homens para a esquerda do terreno inferior2 sentam-se no cho1 j secco pelo vento1 formando um semi-circulo em frente do profeta novo4 ,sentaram-se tambem os companheiros4 ,o vulto de ,joo1 destaca-se fortemente do horisonte rubro1 onde o sol vem rompendo1 triunfal4 ,e ento que ,,jo,o solta a sua voz inspirada de orador apocalyptico1 de gesto amplo e vigoroso1 emquanto muito ao longe os canticos proseguem3 ,quem tem ouvidos1 oia o que ,elle manifesta6 ,elle o ,omnipotente2 ,elle o principio e o fim2 ,elle quem libertou da escravido funesta ,o povo d',israel444 ,elle descansa em mim4 ,elle o ,omnipotente6 ,elle o principio e o fim6 ,seja bemdito quem ouvir e conservar ,as palavras que encerra a minha profecia6 ,quem tem ouvidos1 oia6 e purifique o olhar1 ,porque j no vem longe o tenebroso dia ,em que todos vereis a minha profecia6 --,despenham se na terra os astros refulgentes2 ,o ,sol veste de negro1 a ,lua cr de sangue2 ,varam de logar ilhas e continentes2 ,a ,grandeza estremece e vem car exangue444 ,o ,sol veste de negro1 a ,lua cr de sangue444 4444444444444444444444444444444444444444 444444 ,escripto em #ahhh-ahij ,acabado de imprimir aos #e dias do mez d',outubro de #aija na ,imprensa de ,libanio da ,silva ,rua do ,norte1 #hg a #ajc ,lisboa ,nota do transcritor3 ,foram corrigidos diversos erros tipogrficos4 ,na lista que segue esto as alteraes mais importantes4 ,pg4 ,original ,corrigido #bj abnadonam ,maria abandonam ,maria #ah ,pois eu sou tou ,pois eu sou to #be ,j,,ao ,,pedra1 com o brao direito ,,sim,o ,,pedra1 com o brao direito #cj a aragem fresca e permada a aragem fresca e perfumada