disponibilizada pela bib,r,i,a4 ,,jaime ,,de ,,magalh,,es ,,lima ,a ,,guerra ,,depoimentos ,,de ,,herejes ,f4 ,,fran,a ,,amado1 ,,editor ,,coimbra4 #aiae4 ,a ,,guerra ,composto o impresso na ,tipografia ,frana ,amado1 ,rua ,ferreira ,borges ,coimbra4 ,,jaime ,,de ,,magalh,,es ,,lima ,a ,,guerra ,,depoimentos ,,de ,,herejes ,,coimbra ,f4 ,,fran,a ,,amado1 ,,editor #aiae4 ,prologo ,um direito o nosso tempo conquistou plenamente--o direito de heresia4 ,muitos outros tentou proclamar1 desde o meiado do sculo ,,xviii at hoje4 ,pela sua vitria se esforou e sacrificou4 ,mas1 se muitos quiz e por momentos imaginou possuir1 quasi outros tantos surgiram e se apagaram com a rapidez e mgoa com que invarivelmente se desfazem iluses e esperanas mal fundadas4 ,o direito de heresia1 o direito de discutir1 contestar e negar todas as ideias por qualquer modo dominantes1 todas as convenes estabelecidas1 todos os dogmas1 todos os principios e todos os preceitos da religio1 da filosofia1 da arte1 da sciencia1 da politica1 e de quanta afirmao o nosso pensamento sonhe ou imponha1 quer na vida concreta1 quer na vida puramente especulativa1 o direito que implica a faculdade de regeitar no govrno da nossa actividade espiritual e material toda a autoridade independente de restrico e de crtica--sse logrou1 porm1 prevalecer atravez de todas as vicissitudes a que o tiveram e teem sujeito multiplos e vigorosos despotismos1 sempre fceis em renascer das prprias cinzas4 ,abolidas as divindades1 as sagradas como as profanas1 as que se adoram nos templos como as que se lisongeiam nos palcios1 legtimo duvidar da crena religiosa como da crena poltica1 podemos sem ofensa dos homens e respeitando a nossa conscincia desconfiar de muito civismo e de muito patriotismo envelhecidos e envilecidos por diversa corrupo1 podemos duvidar da justia1 e at da dignidade1 de muito orgulho nacional1 pervertido por ntima ruindade4 isso to legitimo1 de uma to genuina fidelidade razo1 como o desdem das iras olimpicas de ,jupiter1 ou a revolta contra as fogueiras da ,inquisio1 ou a libertao da tirania de todos os cesares1 sejam les coroados por direito divino ou aclamados pela insensatez e pela ingenuidade da soberania popular4 ,libertamo-nos dos abusos do velho mundo2 carecemos de nos libertar das suas glrias1 disse ,mazzini4 ,e isso1 que algum dia poderia parecer blasfemia do revolucionrio1 encerra hoje apenas uma modesta e incontestada insinuao e autorizao de livre exame4 ,muito heroismo houve que o passado glorificou e o futuro converter em ignominia1 muito fraqueza vilipendiada o tempo nos tornar em merecimento e honra1 muita virtude foi crime1 muito crime foi santidade1 muita prudncia foi loucura1 muita loucura foi acerto4 ,o cataclismo de #aiad1 turvando em ansiedade todos os coraes1 onde coraes encontrou1 ainda os mais dbeis1 foi um ensejo tremendo dsse direito de heresia que uma lenta e progressiva insistncia anterior havia constitudo e estabelecido firmemente em o nosso espirito2 foi um ajuste de contas correspondente magnitude sem precedentes da guerra que le soltou4 ,verdadeiras religies politicas e sociais1 como a ordem1 a riqueza1 o nacionalismo1 o socialismo1 o resplendor militar1 as egrejas1 o imprio1 e at o prprio cristianismo1 foram chamadas a uma reviso sevra dos respectivos valores e a uma determinao dos seus caracteres e responsabilidades2 e dessa reviso sairam profundamente alteradas na sua nobreza1 na sua razo e pureza1 e na sua mais humilde utilidade4 ,palavras que eram um paldio transfigurram-se em espctros1 muito resplendor se apagou1 muita treva se iluminou1 muito poder se arruinou1 muito fetichismo se desfez4 ,de algumas dessas heresias1 que tenho por fundamentais e destinadas a uma influncia incalculvel no futuro das sociedades humanas1 colhi nestas folhas umas breves notas1 na esperana1 seno na certeza1 de que no pouco podero esclarecer1 e sobretudo fortalecer1 nestas horas de angustia1 os que as meditrem4 ,umas foram j impressas no ,dirio de ,noticias1 de ,lisboa2 outras1 o maior nmero1 vem agora a pblico pela primeira vez4 ,e de tal modo me alarguei ceifando em sera alheia1 que1 constituindo as notas que se referem ,arte de ,gastar uma verso qusi completa do magnfico opsculo do sr4 ,e4 ,j4 ,urwick1 julguei-me obrigado a solicitar do editor sr4 ,humphrey ,milford a autorizao necessria para a traduo1 que le bondosamente me concedeu1 com uma gentileza pela qual confesso aqui o meu reconhecimento4 ,no vo os tempos para profecias4 ,to profundo o tumulto em que o mundo se atropela desvairado1 que todas so perigosas e se arriscam a um desmentido rpido e radical4 ,foi a guerra iniciada em nome da liberdade dos pequenos povos e do respeito da justia entre os homens e as naes4 ,mas no teremos que nos surpreender se1 chegada a hora da paz e da vitria1 forem os primeiros despotas aqueles mesmos que clamaram pela libertao dos oprimidos e no seu clamor conduziram os exercitos s batalhas4 ,no teremos de que nos surpreender1 se esse for o eplogo desta inaudita desgraa4 ,em primeiro logar1 a guerra s por si uma escola de despotismo para vencedores e vencidos2 1 como agora aconteceu em todos os paises interessados no conflito1 sem excepo1 a suspenso absoluta de todas as liberdades e direitos individuais1 a absorpo de todas as foras e de todas as actividades sociais1 uma violncia sem limites1 involvendo vidas e bens em uma temerosa vertigem do estado4 ,de uma tal situao ficam resduos2 de semelhante incndio restaro1 pela fora das cousas1 runas fumegantes4 ,o que era temporrio tornar-se- facilmente permanente1 mu foi ter-se fundado2 o que se decretra para salvao da republica1 astuciosamente se continua para vantagem das dinastias e das oligarquias4 ,houve uma fermentao cuja vitalidade reanimou muitos elementos mortos e dormentes e cujos efeitos vo muito alm do periodo que a levantou1 compreendendo por simples contgio muita cousa que lhe era estranha4 ,depois1 convm no esquecer que a torrente dos impulsos econmicos pesar duramente na vida das naes empenhadas na guerra4 ,a ruina foi de uma vastido insondvel4 ,a riqueza que por diversos modos se aniquilou na guerra1 excedeu quanto os clculos podem atingir e quanto os nmeros podem somar4 ,no h arimtica possvel para volumes desta largueza e complexidade4 ,finda a guerra1 sses valores perdidos ho-de1 naturalmente1 procurar uma restaurao pura e simples1 uma reintegrao de posse1 por processos e em termos inteiramente conformes com o estado anterior ao desastre4 ,e sse estado econmico1 que foi uma das causas mais poderosas desta calamidade que nos aterra1 fundamentalmente desptico1 e nem por outro modo tem probabilidades de subsistir4 ,um publicista de grande autoridade na imprensa inglesa1 o professor ,l4 ,p4 ,jacks1 escrevendo no ,hibbert ,journal sbre a tirania das cousas que so meramente cousas1 mostrou como a mecnica e os maquinismos1 primitivamente destinados ao servio dos homens1 se tornaram a muitos respeitos o seu senhor4 ,o militarismo e o industrialismo1 como hoje existem na ,europa1 teem a sua origem em uma fonte comum4 ,ambos esclarecem a inclinao dada ao esprito humano pelo culto do maquinismo1 que to extensamente se tornou dominante na vida espiritual do mundo ocidental4 ,ganha terreno a suspeita de que o industrialismo deve afinal ser contado1 em si e por si1 entre as causas positivas da guerra4 ,acrescentando a riqueza1 a ostentao e o orgulho dos povos1 no servir para acentuar as suas rivalidades1 para cavar mais fundas as suas invejas1 e para inflamar as suas paixes predatrias8 ,ora no de crr que o industrialismo1 causa de guerra e dos seus despotismos1 abdique de boa mente do seu imprio e renuncie s armas com que o sustenta1 mrmente depois de ter sido o soldado mais forte da guerra1 que se fez mais nas fbricas e nas fundies monstruosas do que nos campos de batalha1 onde os soldados empregram os engenhos de morte que as oficinas e os laboratrios criavam e lhes mandavam4 ,se ao industrialismo1 de sua natureza desptico1 que com grande cpia de alegaes ha-de reclamar o antigo logar1 juntarmos as urgncias financeiras1 ansiosas por uma organizao econmica fcil e abundantemente colectvel1 se houverem de ser consideradas as necessidades fiscais dos estados esmagados com dvidas fabulosas que se contraram rapidamente1 mas que levam anos a saldar1 muitos anos e muito penosos1 no ser de estranhar que a guerra1 no seu seguimento imediato1 robustea aquela constituio do trabalho que1 seguramente1 por uma j longa e amargurada experiencia1 sabemos ser a mais perfeita negao da liberdade1 a mais fatal das opresses4 ,todavia1 embora quaisquer profecias se achem evidentemente sujeitas a formais desenganos1 ousarei dizer que alguma cousa certa desde j nos resultados da guerra4 ,podem as instituies polticas e os sistemas econmicos ser arquitetados e fundados como melhor convenha aos caprichos dos reis1 fortuna dos homens1 sapincia diplomtica e aos seus sortilgios cabalisticos4 ,pde ser que1 afinal1 a guerra parea1 nos seus efeitos concretos1 radicalmente contrria aos sonhos de liberdade que inflamaram os seus incendios e precipitaram as suas hecatombes4 ,mas determinou uma renovao da conscincia1 uma filosofia1 uma moral1 um modo de ser economico1 um renascimento ntimo1 que so de durar e crescer1 invulnerveis s artes dos imperadores e ao poder dos vendilhes1 superiores ao seu domnio4 ,a catstrofe de #aiad no foi na realidade um acontecimento que mudou o mundo4 ,foi uma grande mudana do mundo que rematou em um grande acontecimento1 cujo final ainda no conhecido de homem algum#a4 ,foi essencialmente uma agonia espiritual perante a qual importam pouco e sero transitrias as alteraes ou a persistncia da ordem material do mundo4 ,o poder de revelao deste cataclismo excede muito a fora de destruio das edificaes materiais que pulverisou4 ,a verdade que entramos em relaes com um novo mundo que at aqui nos foi desconhecido4 ,poderes espirituais at hoje invisiveis aparecem no seu ambiente4 ,digo invisiveis1 smente porque a sua aco se ocultava aos homens emquanto les andavam imersos nos cuidados do bem-estar material4 ,e agora1 neste mesmo momento em que o mundo se alaga em sangue1 e uma tormenta de fogo1 destruindo tudo na sua passagem1 ameaa converter em p e cinzas o nosso bem-estar--eis que os cegos vem e os surdos comeam a ouvir4 ,obscuramente pressentimos a aproximar-se a vitoria do esprito sbre o cos4 ,quasi podemos dizer que uma scentelha desprendendo-se da tempestade universal nos revelou subitamente um novo aspecto do mundo444 ,alm do inferno que se desencadeou sbre a terra1 distinguimos a presena de um ,poder mais alto1 sbre o qual o inferno no prevalece2 e a ste poder mais alto que o futuro pertence4 ,a sua aco sempre a mesma--no indivduo1 na nao e na humanidade4 ,afirma a vida contra a morte e a integridade daquilo que vive contra as foras que o dissolveriam4 ,vimos ste ,poder incarnando em uma longa sucesso de aparies que nos surpreendem4 precisamente nesta antecipao da sua conquista final no futuro que encontramos a inolvidvel significao da guerra presente#b4 ,progresso1 s no esprito existe4 ,o materialismo de que a ,alemanha foi neste momento um estupendo representante1 esplendido em seu gnero1 valer tanto ou to pouco nas cousas da terra como nos reinos do puro pensamento4 ,parecia dominar como filosofia na hora presente4 ,tinha a seu favor uma certa fora4 ,estamos em um mundo material1 e os que estudam o organismo corporeo andam sujeitos a virem gradualmente a uma espcie de concluso de que le a existncia inteira4 ,por isso erram4 ,a matria muito importante1 mas por modo algum a totalidade do universo4 ,h dois aspectos do universo1 o espiritual e o material1 e um tem de ser aproveitado pelo outro4 ,no pde admitir-se que o aspcto material domine2 tem de servir as necessidades do esprito4 ,a nota do universo material repetio2 a nota do universo espiritual ou psiquico no 1 porm1 repetio1 mas progresso4 ,isto se v na histria do nosso prprio mundo--primeiro os animais inferiores1 depois os animais superiores1 e por fim o homem4 ,o que depois disto vir1 no o sabemos ainda1 mas estamos longe da perfeio4 ,deve ser qualquer cousa melhor4 ,o prprio homem se tornar melhor sbre a terra4 ,e1 assim como para o indivduo1 o progresso da evoluo no tem fim4 ,temos de compreender que somos todos seres eternos1 que temos um destino infinito deante de ns1 ou para cima ou para baixo1 conforme o nosso caracter e atributos4 ,esta a nota do universo espiritual4 ,o seu resultado a vida1 e a vida cada vez maior4 ,a soma de vida no universo parece crescer continuamente1 emquanto a soma de matria e energia no cresce2 esta constante4 ,a inteligncia pde crescer2 pde crescer a felicidade2 pde o conhecimento espiritual atingir alturas presentemente inacessiveis#c4 ,apliquemos crise presente stes princpios1 que so universais4 ,procuremos um balano exacto e consciencioso das alteraes que a guerra trouxe e nos deixou4 ,logo veremos a profundeza do seu alcance e os seus lucros positivos um desenvolvimento de sensibilidade moral e religiosa nas sociedades cultas1 como jmais se viu1 uma acentuao de tendncias de liberdade1 de justia1 de amor e de religiosidade que acrescentram em propores assombrosas os tesouros da vida do esprito1 nico progresso possvel1 nico que importa o domnio da matria1 mesmo quando a materialidade se reputa fortalecida e inexpugnvel pela solidez das suas filosofias e sistemas1 pelo poder das armas e da riqueza1 e pela prepotncia triunfante e orgulhosa sbre as infinitas escravides que a servem e so a sua mais funda aspirao e o seu mais eficaz instrumento de reinar4 ,mais prolongada no tempo e nas conseqncias1 sobretudo infinitamente mais fecunda do que a breve e incerta jornada militar1 poltica e econmica em que tiver de rematar os combates1 ser a jornada moral e religiosa a que a guerra nos conduziu4 ,no h poderes do mundo que a perturbem4 ,porventura ser mais activa quando les menos a favorecerem4 ,a necessidade de reaco acelera-a e fortifica-a4 ,talvez ento1 quando fr a seu termo1 as guerras nos paream1 alm da futilidade que hoje so1 uma infantilidade cruel1 de que nos lembraremos com a mesma opresso do corao que nos mortifica1 se na mente nos passa a recordao dos ninhos que na meninice destruimos e das vidas que por capricho sacrificamos4 ,e na humanidade chegada edade da razo a ,eneida ser porventura um conto para crianas1 e os herois que nos exaltaram perder-se-o em trevas distantes como aquelas em que entrevemos a rudeza da edade da pedra4 ,convulses dum enfrmo ,quando em #bi de julho de #aiad a ,alemanha enviou ,russia uma declarao de guerra1 o mundo1 acordando tragicamente da sordidez indolente e gananciosa dos interesses baixos e das corrompidas comodidades1 enervado por longos anos de paz empregados em abrandar a fria insacivel dos seus prazeres e complexas sensualidades1 julgou no auge da indignao que um pensamento monstruosamente scelerado meditra e consumava um crime contra a civilizao1 o maior e o mais odioso que jmais se sonhra e praticra na histria da humanidade4 ,declaradamente se armavam1 havia qusi meio sculo1 os grandes poderes militares da ,europa2 engrandeciam os exrcitos1 acrescentavam as armadas1 acumulavam os canhes1 amontoavam munies e edificavam fortalezas por modo nunca visto4 ,mas a confiana na autoridade e eficcia do velho preceito que nos mandava preparar para a guerra se queriamos a paz1 sustentava uma segurana profunda e a tranquilidade1 como certeza1 de que to dispendioso e aturado forjar dos arsenais era apenas um cro de louvores glria da paz1 soberana1 possuindo o mundo1 conquistando-o dia a dia pela sua fascinao e ainda pelos engenhos de guerra que prometiam uma inviolabilidade formidvel a quem os soubesse fabricar e usar4 ,depois1 no estava demonstrado que a guerra importava a ruina de vencedores e vencidos1 e era de todo incompatvel com a sustentao e prosperidades das riquezas industriais e mercantis que a custo e com enorme esfro haviamos criado e nos absorviam8 ,os pensadores1 os economistas e os homens de boa f e melhor razo no tinham provado que s por demncia1 e jmais por convenincia ou glria de uma nao1 fsse ela qual fsse1 se poderiam desencadear ou consentir to insensatos e pavorosos cataclismos8 ,a paz era reconhecidamente o mais lucrativo dos negcios1 emquanto as armas significavam a mais slida das garantias da amizade entre os povos4 ,apesar dos vaticinios de profetas tenebrosos impenitentes1 que tambm os havia e no cessavam de agourar desgraas1 tendo por fatal a hora terrvel de uma guerra europeia1 o mundo ia remexendo os seus oiros e os seus estercos1 os seus bens e as suas devassides1 convencido de que a bonana1 uma perene bonana orgiaca1 era de ora em diante a lei da vida4 ,de facto1 a guerra1 lanando o fogo subitamente a todos os paioes1 surpreendia-o4 ,era a subverso das suas melhores crenas4 ,no podia cr-la4 ,quem ousava lanar a terra inteira nessa insondvel voragem86444 ,a guerra1 no primeiro momento dsse aflitivo e desvairado despertar1 era unicamente o fruto amargo da soberba lugubre dos que governam as naes1 alimentada na obscuridade das chancelarias1 moralmente obtusas e empedernidas e ignobilmente vidas e crueis1 de todo desprendidas do zelo e respeito da fortuna dos povos que um desapiedado egoismo lhes fazia ignorar2 e a traio aos arrebatamentos da ventura em que viviamos era executada e proclamada pelo brao e pela bca de trs imperadores1 um caduco na senilidade prpria dos seus anos1 o outro demente de raa e de vaidade1 e o terceiro no muito so1 sujeito a acessos de melancolia4 ,eram les que na mais atroz loucura gerada de imaginrias ambies lanavam uns contra os outros homens de todos os continentes1 por igual escravos do trabalho1 que realmente se amavam e no tinham motivos para se desamarem1 e antes sentiam razes poderosas para se auxiliarem e unirem4 ,eram les os reus da atrocidade estupenda que ia cobrir de desolao e de cadveres o cho que ,deus nos dera e ns queriamos para criar e cultivar o po1 e os filhos e a arte e a religio1 toda a fortuna1 toda a dignidade e toda a glria da nossa espcie4 ,poucos dias1 porm1 haviam decorrido desde a primeira hora de espanto e averso1 e uma vaga conscincia comeou a mostrar que sob o impulso e comando dos imperadores e dos generais1 sob as cobias das castas militares e dos seus chefes1 inflamando-as e explicando-as1 seno legitimando-as1 entre o estrpito dos cavalos e dos canhes1 havia o conflito das raas1 uma diversidade e uma incompatibilidade de aspiraes que se excluiam e por condio estavam sem remisso destinadas a chegarem agudeza dos combates em que se encontravam4 ,bastaram as primeiras batalhas e as primeiras vitrias dos alemes na ,blgica para que uma luz sbita mudasse todos os apectos4 ,as primeiras atrocidades que os exrcitos da ,alemanha cometeram1 perante o desrespeito dos tratados confessado com um extremo impudor e a perfdia cnica em sua hedionda nudez1 perante a hospitalidade trada1 construndo fortalezas ocultas e pondo espies onde com amizade eram acolhidos1 perante o morticnio de velhos e crianas1 o insulto e injria das mulheres e a destruo e saque dos mais preciosos tesouros do esprito humano1 mal se revelou a animalidade barbara que alimentava a fria germanica1 compreendeu-se a que tremendo duelo eramos chamados4 ,e1 assistindo ressurreio dos sentimentos e processos que ha longos sculos tinham movido as hordas teutnicas1 de tenebrosa e amaldioada fama1 e se julgavam para sempre condenados e banidos1 e confrontando-os com o esprito religioso de abnegao e bondade que animava o slavo1 com o respeito1 decro e dignidade que honra e brazo do mundo britnico1 e com a gentileza e rectido que em toda a conjunctura caracteriza o esprito gaulez1 estremados assim fundamente os campos ao fim de um ms de hostilidades1 a experincia estava feita e o desengano acabado1 e o primeiro ministro da ,inglaterra1 ,asquith1 no discurso magistral que pronunciou no ,guildhall1 podia dizer com o aplauso retumbante da ,gr ,bretanha e de todo o mundo culto3--,no um conflito meramente material1 tambm um conflito espiritual4 ,das suas ltimas conseqncias se ver que mais tarde ou mais cedo dependem tudo o que contm promessa e esperana1 que conduz emancipao e mais completa liberdade de milhes que constituem a massa do gnero humano4 ,quem tinha olhos para ver1 entendimento para considerar e sbretudo corao para sentir1 logo sem a menor sombra se convenceu de que1 envolvido no tropel das ambies polticas e das rivalidades militares1 o que rialmente as precipitava em um embate temeroso era a incompatibilidade1 irreconcilivel e ardente1 entre a fra e o direito1 entre a brutalidade e o respeito1 moderao e tolerncia1 entre as cobias da sordidez e o desprendimento da nobreza1 entre o cinismo e a crena1 entre a liberdade e o despotismo1 entre a boa f e a deslealdade1 entre o orgulho e a modstia1 entre a candura e a corrupo1 entre o ,deus do sacrificio caridade e bondade e o ,deus das batalhas1 da avareza e do dio4 ,nem sequer era uma disputa de doutrinas e de sistemas2 era e uma oposio violenta de temperamentos1 uma divergncia de modos de ser sociais1 morais e religiosos entre si antipticos at excluso mtua4 ,era ,tolstoi contra ,strauss1 ,ruskin contra ,bismarck1 ,voltaire contra ,treitschke1 o monismo degradante de um ,ernesto ,haeckel contra o dualismo espiritualista1 nobre1 credor inflexvel de responsabilidades1 de um ,alfredo ,wallace2 era a f1 a graa1 a justia e a liberdade contra o scepticismo1 a bruteza e o despotismo1 embora os primeiros se apresentassem desprotegidos de previso e astucia e os ltimos viessem servidos pelo estudo1 pelo metodo e por subtil engenho4 ,aos pensadores e erditos no foi difcil esclarecer-nos1 demonstrando que vinham de longe as incompatibilidades cujas energias contrrias1 agravadas e acumuladas no correr dos anos1 chegavam em uma hora angustiosa a um combate de vida ou de morte4 ,reeditaram-se e notaram-se1 com a aureola das profecias1 palavras de ,ruskin nas quais a intuio penetrante do gnio muito cedo apontou a distncia que havia entre o carcter germnico e as tendncias britnicas4 ,j em #ahei ,ruskin falava1 em carta a um amigo1 do intenso egoismo e ignorncia do pintor alemo moderno 7na sua obra7 que era indizvel no que tinha de ofensivo4 ,a eterna vaidade e vulgaridade mascarando-se de piedade e poesia1 a surdez profunda a toda a beleza rial1 inchada em abominveis caricaturas daquilo que les imaginam ser o carcter germnico1 a absorpo de todo o amor de ,deus ou do homem na impacincia de aplauso feriam-no e repugnavam-lhe4 ,na ,frana ainda le achava certa paixo de beleza1 embora no fsse seno na faina de um aougue ou na concupiscncia2 mas o alemo era por demais vo para se deliciar no quer que fsse4 ,nem tinha mudado de sentir em #ahgd1 no obstante muito haver mudado a reputao do valor alemo nas coisas do mundo4 ,ento escrevia3--,as benos so apenas para os dces e misericordiosos1 e um alemo no pode ser uma coisa nem outra2 nem sequer compreende o que essas palavras signifiquem4 ,egoista nos mais puros estados de virtude e moralidade1 no ha sma de saber que possa jmais fazer modesto um alemo4 ,de modo que1 quando os alemes se apossam da ,lombardia1 bombardeiam ,veneza1 roubam-lhe os quadros 7de que no podem compreender nem um trao71 e inteiramente arruinam o pas moral e fsicamente1 deixando atraz de si misria1 vicio e dio profundo1 onde quer que os seus malditos ps hajam pisado4 ,foi precisamente o mesmo que fizeram em ,frana--esmagaram-na1 roubaram-na1 deixaram-na na misria do desespero e da vergonha1 e fram para casa a lamber os beios e a cantar ,te-,deus4 ,o almirante ,von ,tirpitz1 interrogado pelo senador ,beveridge1 homem pblico muito popular nos ,estados ,unidos da ,amrica1 disse-lhe que o povo alemo se tornra feliz e prospero pelos velhos mtodos de duro trabalho1 vida limpa e pensamento claro4 ,tomra os mercados da ,inglaterra1 porque o ingls insistia nas suas frias1 nos seus dias livres em cada semana e nos sports4 ,querendo glorificar o temperamento alemo e explicar as suas conquistas1 depreciando ao mesmo tempo a vida inglesa1 estabelecia um confronto no qual se definiam admiravelmente o caracter e tendncias dos dois povos em guerra4 ,vive um para enriquecer2 nisso se absorve e consome absolutamente1 empregando um talento e arte que so maravilha4 ,quer o outro frias que lhe so indispensveis para a contemplao e intimidade da natureza e para cultivar aspiraes apolineas2 e disto fez uma religio4 ,renovaram-se as lies do passado2 e pelos factos presentes compreendem-se hoje em toda a extenso os clamores1 escritos e pregaes dos profetas1 guias e educadores da ,alemanha moderna1 entre os quais ficar de triste celebridade a obra de ,bernhardi1 cujo pensamento fundamental de uma simplicidade incomparvel3--,a ,alemanha tem nos destinos do mundo uma alta e divina misso1 espalhar a sua cultura1 levar a cabo o renascimento dos homens e das sociedades na cultura germnica e pela cultura germnica1 e o processo nico de cumprir sse destino religioso o ferro e o fogo1 o poder militar e a aniquilao radical de todos os povos que no sejam da opinio do missionario vencedor ou no se sujeitem sua desptica vontade e imprio4 ,a cultura1 no seu derramamento1 comearia esmagando a ,frana que1 sendo a inimiga mais inquieta e perigosa pela agilidade e fascinao do seu esprito1 a primeira que ,alemanha cumpre suprimir para capazmente desimpedir o caminho4 ,rematava nisto o bismarkismo1 talvez interpertrado muito lm ou fora dos seus princpios4 ,concluia pela prussificao de toda a ,alemanha1 afagada1 soprada e insinuada no sangue teutnico e nos afins por nascimento ou inclinao1 por todas as universidades1 todos os prlos e todos os mestre-escolas1 e divulgada aos quatro ventos1 em todo o globo1 por enxames de caixeiros viajantes transportados em navios sumptuosos com matrcula em ,hamburgo4 ,levou tempo a fazer e deu muito trabalho essa nova ,alemanha4 ,para isso foi necessrio arrazar1 como alegremente se arrazou1 at aos alicerces1 aquela outra ,alemanha gloriosa1 dos tempos em que militarmente era vencida1 a ,alemanha de ,kant1 de ,lessing1 de ,goethe e de ,beethoven1 do tempo em que1 toda impregnada de idealismo1 de sabedoria1 arte1 ingenuidade1 simplicidade e anceios de liberdade1 tinha menos scincia de laboratrio e mais scincia do corao1 e no sabia mentir1 intrigar1 corromper e oprimir4 ,mas isso se fez completamente4 ,no falta entre os seus filhos quem1 vendo maguadamente e sem paixo a situao1 termine por confessar que os alemes deixaram de ser uma nao de pensadores1 poetas a sonhadores e agora s procuram o domnio e explorao da natureza444 ,conservaram um harmonioso equilbrio entre o desenvolvimento econmico e o desenvolvimento moral como algum dia sucedeu com os gregos8 ,no2 com o enorme crescimento da riqueza negras sombras caram sbre a vida nacional4 ,na nao como no indivduo1 vemos com o crescimento da riqueza o decrescimento do sentimento moral4 ,nem mesmo ,nietzsche1 que1 isento de sentimentalismos e branduras1 no adorou pouco a fra e uma robustez pag1 nem sse poupou cultura alem o mais amargo desdem1 insurgindo-se contra essa sua obscuridade e nausea1 que todos os deuses aprenderam a temer4 ,se alguem quizesse vr a alma germnica demonstrada ad oculos1 que observasse o gosto germnico1 as artes e os modos germnicos4 ,que grosseira indiferena pelo gosto6 ,para todo o leitor que tivesse um terceiro ouvido1 dizia1 eram uma tortura os livros escritos em alemo1 sem tom1 sem ritmo nem cadncia4 ,o prprio alemo lia mal1 negligentemente arrastado4 ,para ser lgico1 o alemo tinha de descer a toda essa dureza e de varrer do esprito tudo o que no significasse meramente a fra e poder de subjugar fsicamente4 ,outra coisa no era de prevr4 ,as virtudes da caserna aborrecem e cortam o desenvolvimento dos subtis e eternos encantos das academias1 embora sse comrcio de sentir e pensar e dizer1 que s em si se alegra e alimenta e se atribui a delicadeza da vida e muito da sua grandeza1 valha muito no conceito dos homens e na sua felicidade1 sem embargo de ser ignorado pelo militarismo1 merc da sua natural rebeldia no conhecimento de qualquer coisa estranha arte da brutalidade e da chacina sbiamente organizadas e condecoradas4 ,e esta ,alemanha bismarkina1 militarisada at medula dos ossos1 materialisada em todo o sentido1 purgada1 em absoluto1 de influncias idealistas1 fazendo da disciplina1 obedincia1 ordem e comodidades a razo ltima da nossa existncia1 reduzida a um rebanho de animais bem ensinados e bem mantidos1 de plo luzidio e msculos titnicos1 prontos voz e dceis ao chicote1 esta ,alemanha edificada de fresco e tendo posto na caserna a bandeira que arriou da catedral gtica e dos paos da cidade1 tingindo-a de novas cres1 surpreende-se1 muito sincera e candidamente1 se o mundo lhe significa pela inimizade que detesta a sua cultura4 ,no sabe a ,alemanha explicar que haja naes civilizadas contra ela unidas com os povos da ,rssia1 semi-brbaros no seu conceito4 ,como sujeitam a ,europa ao risco da sua invaso e predomnio1 chamando-os e admitindo-os1 em p de igualdade1 de portas a dentro dos seus velhos palacios86444 ,pasma desta infidelidade sua cultura e outra cousa no compreender1 pois1 destituda de todo o sentimento verdadeiramente cristo1 no percebe os laos que juntam os povos educados no ,evangelho1 fazendo do ,evangelho a razo suprema da existncia2 e outros no h que mais profundamente o sigam e nle creiam do que a ,gr-,bretanha e a ,rssia1 apezar de viverem sob institues polticas opostas em largussima escala4 ,porque deixou apagar todos os impulsos ntimos do amor1 trocados pelos regalos do estomago1 no atinge que aquilo que os povos aliados seus visinhos e inimigos correm a combater1 exactamente a cultura alem1 esta aspirao que reduziu a fortuna e contentamento da humanidade a comer bem1 beber melhor1 dormir quente e descansado1 andar agasalhado1 ter uma velhice farta e tranquila1 remdios1 mdicos e bons hospitais nas doenas1 habitaes esmeradas1 e gaz1 electricidade1 caminhos de ferro1 muitas oficinas1 cinematgrafos1 telefones e gramofones1 e quanto1 e smente quanto1 se paga a dinheiro nos mercados e se encomenda nas fbricas1 sendo tudo isso regido por uma poltica e por uma mecanica administrativa que na preciso matemtica em nada difere das mquinas de ao e que pelas suas potentes alavancas reduziu o homem msera condio de matria prima1 questo de nmero1 volume e qualidades fsico-qumicas1 tal qual o minrio que se tirou das profundezas da terra4 ,no concebe que foi o extremo fastio dessa cultura1 em que tudo foi cultivado menos a liberdade e o amor entre os homens1 sse reino incontestado da alma1 o que impeliu para a guerra as raas que o adoram1 outro no suportam e o vem ameaado3 no concebe que entre exrcitos que1 como o alemo1 deixam1 por onde passam1 uma esteira infinita de garrafas vasias1 e os que1 como o da ,russia1 probem o alcool entre as suas gentes1 sacrificando para isso os melhores rendimentos do tesouro pblico1 no concebe que s isso seja informao suficiente de que interesses morais esto em jogo no que aparentemente os incautos tomaro apnas pela guerra das ambies dos reis e das castas polticas e militares4 ,nem por sombras imaginar que estas lutas de vida ou de morte so as convulses de uma civilizao enferma de inanidade religiosa e de gso1 cansada do peso da cultura absurda das materialidades1 cada em um desespero febril de libertao dos germens mrbidos que lhe invadiram o sangue e lhe converteram a vida em tormento4 ,se me quizerem contraditar1 dir-me ho que a religio1 e muito em especial o cristianismo1 tem na ,alemanha os seus historiadores mais profundos e os estudiosos mais penetrantes4 ,no pouco tero les concorrido para manter acesos1 ao abrigo dos vendavais da filosofia racionalista1 os fachos do mais sublimado idealismo4 ,o que incontestvel1 reconhea-se4 ,simplesmente convm advertir e ponderar que a scincia religiosa alem1 alis assombrosa1 uma cousa1 e a emoo religiosa inglesa e o ascetismo russo so outra cousa2 e o que nas margens do ,reno um valor intelectual1 concluso de silogismos1 demonstrao de textos e arquivos1 elemento de compreenso do mundo e dos homens1 fora dali1 em terras suas inimigas1 um valor moral1 fundamento e motivo de proceder nas relaes individuais e sociais4 ,de modo que o que algures se tornou objecto de curiosidade1 sem duvida salutar e benfica1 que se cultiva de mistura com todas as outras culturas1 em paragens prximas uma fra to misteriosa como soberanamente poderosa1 obedecida superiormente a todas as outras fras a que o homem est sujeito4 ,e ai estar a razo pela qual a ,alemanha1 sendo pas de muita religio e teologia escolstica1 prticamente pouca religio encontrou1 e essa muito acanhada e escassa1 frtil em disciplina e activa em poltica1 mas to pobre de f que autorizou e reclamou1 em proclamao dos seus sacerdotes mais graduados1 a vingana a que a ustria devia sujeitar a ,srvia porque um principe fra assassinado4 ,um nosso prelado que conhece o serto africano e a tem exercido a sua misso sacerdotal com uma dedicao exemplar1 contava-me h pouco que o negro prefere o domnio portugus ao domnio alemo1 porque1 no lcido instinto que o no engana1 considera que1 quando o preto tem culpa1 ajoelha1 pe as mos1 e o branco1 se portugus1 perda1 e1 se alemo1 castiga sem d nem piedade1 como se perdo no lhe houvesse implorado4 ,isto compreendeu o negro e no o compreendeu o alemo no aviltamento moral da sua maravilhosa cultura1 em que a misericrdia no teve lugar2 e por isso bem de crr que o negro compreenderia o que o alemo no alcana1 quando lhe dissessem que a guerra que se espalhou no mundo e o inunda de sangue e de dr1 a guerra entre os que perdoam1 quando os delinqentes ajoelham1 e os que no sabem perdoar1 nem mesmo em face da mais submissa humildade e contrio4 ,alguma cousa nos diz que no esto em rro aqueles que anunciam como fruto desta guerra tremenda uma renovao de todo o nosso modo de ser social4 ,ousarei at acrescentar que essas conseqncias ltimas da guerra1 mais do que esboadas1 acentuando-se j clarissimamente em pontos essnciais1 so certas e inevitveis1 independentemente da vitria das armas4 ,desde a lio formidvel da queda do imprio romano1 abdicando das suas velhas fras morais1 das que considerava fundamentos da sua austra e cruel grandeza1 e entregando as rendidas a um poder mais alto1 inspirao crist1 desde ento nunca mais o materialismo1 culto ou inculto1 e o idealismo1 ingnuo ou refletido1 se encontraram em conflito sem que1 tarde ou cedo1 o idealismo1 erguendo-se de todas as derrotas1 no acabasse por arrastar os homens e os conduzir alegria e felicidade em reinos superiores sordidz do mundo1 mesmo quando essa sordidz fsse abundantemente doirada e inteligentemente regrada4 ,desde que esta alma acorde1 confundir1 por fra ou por arte1 pela irresistibilidade que a sua essncia1 aquela outra alma de baixa servido terrena que lhe repugna4 ,anunciam os augures polticos que esta guerra traz comsigo a libertao das pequenas nacionalidades4 ,mas1 entrevendo em semelhante empreza mais do que uma conquista de meras liberdades polticas e de independncia dos povos1 recordando a dissoluo do imprio romano1 seguida da fragmentao medieval1 e aproximando-a da revoluo iminente dos imprios modernos nas suas tendncias descentralisadoras1 j amplamente e brilhantemente exemplificadas na ,inglaterra1 no estar muito afastado da realidade quem supozer a poltica levada neste pendor pelo surdo impulso de fras morais e religiosas1 pela presso das exigncias da mentalidade caracterstica da nossa era4 liberdade do pensamento1 emancipada de toda a espcie de dogmatismo1 exaltada e avigorada pelo estudo1 pela experincia e pela reflexo1 corresponde a pulverizao das crenas e das aspiraes1 a infinita variedade do modo de ser intelectual1 moral1 religioso e esttico do nosso tempo1 demandando com a legitimidade da reviso e contestao de toda a f a legitimidade e direitos de tolerncia de todo o esprito nas suas manifestaes especulativas e concretas4 ,dentro de grandes linhas psicolgicas fundamentais1 a diversidade extrema e reclama liberdades correlativas1 a assegurar-lhe a expanso4 ,quando1 por exemplo1 e o mais vulgar1 uns pedem ,deus1 ,ptria e ,rei e outros exigem ,liberdade1 ,igualdade e ,fraternidade1 podemos estar certos de que de cada lado no se apuram algumas centenas de homens que vejam ,deus no mesmo altar1 que amem na ptria as mesmas feies1 que dem ao rei o mesmo trono1 que encerrem a liberdade nos mesmos limites1 repartam pela mesma medida a igualdade e sintam pelo mesmo corao a fraternidade4 ,ora desagregao do pensamento tem de corresponder1 naturalmente1 a pulverisao dos poderes polticos que no podem subsistir na antiga integridade e extenso sem a unidade de tendncias mentais1 constantemente contrariados1 minados e trados por obscuras mas indomveis rebeldias4 ,se vmos um estupendo imprio1 como o da ,gr-,bretanha1 englobando sob a mesma bandeira1 irmmente querida e amada1 as raas mais diversas e as mais diversas aspiraes1 porque para sse milagre poltico1 sem precedente na histria1 se criou um povo em cujo gnio1 por uma arte que maravilha de espontnea perfeio1 se conciliam praticamente as maiores e desusadas liberdades com a coincidncia em uma unidade1 para a qual provavelmente s se encontrar justificao na comunidade de amor prpria liberdade e no propsito ntimo de a manter e defender4 ,sendo1 porm1 excepcional este modo de ser e sendo ao mesmo tempo evidente que no conseguiu le at hoje reproduzir-se1 particularmente no continente da ,europa1 onde extrema desagregao do pensamento1 de todo carecido de unidade1 se junta a extrema opresso dos imprios1 de todo avessos a suportarem independncias1 o conflito tem de seguir seus trmites para abolir uma unidade forada que a unidade psicolgica no autoriza2 e para satisfazer a diversidade pela liberdade h de encontrar as solues convenientes4 ,os ingleses no exageram1 quando dizem que combatem tanto pela ,inglaterra como pela ,alemanha4 ,de facto1 preparam a vitria de princpios1 por cujo triunfo anseiam todos os povos chegados idade da razo4 ,o que sses povos vo fazer dssa liberdade1 at onde a levam1 para que a querem e em que a aplicaro1 o que ela vai demolir e o que ela vai construir1 no fcil prev-lo1 como no fcil prever que destino as estaes reservam planta que hoje nasce bafejada do sol e manh se verga e esmorece aoitada do temporal4 ,mas dsde j se torna manifesto que estamos em vsperas de uma profunda reaco1 pois que por efeitos de reaco chegmos convulso presente4 ,desde j se adivinha que a negao da cultura alem1 e negada est seja qual fr a sorte das armas1 sendo ela a cultura e a ambio meditada e tenaz de toda a especie de materialidades1 implica um largo desprendimento de infinitas materialidades com que agora sobrecarregamos e afligimos a vida4 ,o dr4 ,inge1 prgando h pouco em ,londres1 na abadia de ,westminster1 e discorrendo sobre as conseqncias da guerra1 definiu o que entre os pensadores comea a distinguir-se nitidamente1 dizendo3 ,teremos de nos contentar no futuro com uma vida mais ch e1 espero1 com um mais alto pensar4 ,se assim fr1 veremos a verdade daqule velho e belo proverbio espanhol1 de que ,deus nunca bate com ambas as mos4 ,as nossas perdas seriam ganhos4 ,mesmo entre ns1 alguma coisa se passar de conseqncias talvez larguissimas1 e porventura altamente benficas1 apezar da crise dolorosa a que nos sujeitam4 sabido que os rendimentos das alfndegas chegaram a baixar em propores assustadoras4 ,significa isso a privao de muita coisa que sempre nos ser indispensvel e que por qualquer modo teremos de criar ou substituir1 e significa tambm a absteno de muita outra coisa que sempre nos foi suprflua1 s por vcio se divulgou e urgente suprimir4 ,se esta situao persistir1 a que modificaes obrigar a economia do pais e respectivamente a economia de cada um8 ,acontecer que por urgncia das presses econmicas cheguemos a um nacionalismo e a uma simplicidade aos quais nenhum incentivo moral pde levar-nos1 e em favor dos quais se esfalfaram em vo a arte mais s1 o mais bem inspirado patriotismo e mais modesto bom senso8 ,evidentemente1 a alma dos povos no se vence e aniquila e transmuda com aquela prontido que os canhes mostram ceifando os exrcitos e arrazando as cidades4 ,no consente mutaes instantneas4 manh1 finda a guerra1 os povos que nela combateram e os estranhos que comovidamente foram testemunhas das suas vicissitudes1 continuaro no seu trabalho1 nas suas paixes1 nos seus vcios e nas suas virtudes1 como se lhes permanecesse intacto e sem alterao o carcter4 ,mas novos stros se ergueram1 brilham e lentamente iluminaro e penetraro o mundo com a sua luz1 e nele criaro inumerveis vidas novas4 ,o materialismo com todas as suas edificaes e fortalezas afunda-se no occaso1 e o idealismo1 renascido das profundezas onde jazia sepultado1 mas no morto1 surge glorioso a revestir a terra desolada4 ,ganhos e perdas ,os factos da conscincia no esperam os feitos das armas para reconhecerem e declararem as suas vitrias e derrotas4 ,pondo em pouco as conseqncias militares e polticas da guerra1 desenhe-se como houver de se desenhar a diviso da terra1 reparta-se como houver de se repartir a distribuio da fra e dos canhes1 muito antes disso e independentemente dos seus destinos e designios j as aspiraes e crenas dos homens definiram e anunciaram tendncias e propsitos que da guerra nasceram ou na guerra encontraram terreno propcio1 j marcaram no seu rol vencedores e vencidos1 j proclamram suas determinaes inflexiveis4 ,no so poucos1 e sbre tudo no so pequenos1 os vencidos da conflagrao tremenda em que o mundo se agita4 ,dela sai j gravemente ferido1 arrastado e vexado1 perdida a cora e desprestigiado1 o poder magnifico do socialismo que durante longos anos fez proslitos1 adeptos1 martires1 herois1 em torrentes1 por milhes1 apaixonou as multides1 dominou1 convenceu e pz ao seu servio os reis e os sapientes1 toda a grandeza e autoridade poltica e moral1 o saber1 a virtude e a fra4 ,chamado a dar conta dos seus compromissos de humanidade1 a dizer como1 por que modos e at onde influia na felicidade dos homens e com a abastana assegurava a paz1 a alegria e o amor do proximo1 que invocra para base dos seus direitos e legitimidade dos seus triunfos1 mostrou-se o companheiro e o aliado submisso de todos os despotismos e de todas as crueldades4 ,no nos poupou nem um golpe1 nem uma lagrima1 nem uma injuria2 a todo o morticinio1 a toda a opresso e a todo o insulto o temos visto associado1 sem um lamento1 sem um gesto de repulso1 escravo dedicado de um patriotismo todo constituido e s constituido de cobias e odios1 por completo desconhecendo o que seja e para que sirva a fraternidade1 a magnanimidade1 o respeito da liberdade estranha1 todo o ,decalogo4 ,doutrina de autoritarismo e de despotismo econmico moralmente acanhada1 reduzindo a vida a uma repartio de comodidades e a uma cevadeira de necessidades fsicas e apetites meramente sensuais1 o socialismo podia importar1 e de facto importou1 maravilhas de ordem1 de previdncia1 de agasalho e bom trato1 grandes contentamentos do estomago e grandes regalos1 mas era uma mecanica que s considerava o corpo1 deixava intacto isto que chamamos alma e1 nada dizendo ao nosso corao1 consentia-lhe que alimentasse a ruindade de sentimentos cujas furias a guerra soltou2 at mesmo assistiu1 mais do que indiferente1 complacente1 seno contente1 prolongada cultura dessa ruindade1 que as obsesses de grandeza poltica reputavam um auxiliar eficaz de seus desvairados sonhos4 ,na verdade1 o socialismo1 sendo reconhecidamente e de antiga data um despotismo1 a abdicao voluntria ou forada da liberdade individual na omnipotncia do estado1 no tinha razo para desamar quaisquer despotismos seus irmos2 tudo poderia sentir1 sincero e coerente nas suas afirmaes1 menos a palavra liberdade4 ,mas a liberdade no lhe perdoava1 jmais lhe perdoou1 cedo comeou a apontar-lhe e a exprobar-lhe a infidelidade aquilo sem o que a vida pura miseria1 embora dourada2 e agora1 vendo-o arregimentado com o despotismo e a opresso militar1 passa-o ao bando das traidores e herejes4 ,as sombras dos ,proudhon1 dos ,bakounine1 dos ,tolstoi1 dos ,rclus1 como a figura profetica de ,kropotkine sorriem tristemente desgraa presente e ruina1 mais do que nunca confiadas em que s a gloria da sua crena poder resgatar-nos da mortificao4 ,quantos apregoavam que os governos so essncialmente um mal1 seja qual fr a frma em que pretendam ocultar seus maleficios1 quantos abominaram a coaco e por a abominarem foram crucificados e sofreram nas enxovias e na perseguio e no desprezo dos homens1 quantos s esperaram a felicidade das sociedades e a redeno das suas penas fundando-as no imperio da conscincia moral isenta de toda a violncia e constrangimento1 sentem renovada e avigorada a sua f e exaltam-se na vitria que lhe facultam as calamidades1 espalhadas pelos seus adversarios das alturas dos seus tronos e dos seus tribunais1 semeando a ferro e fogo a fome1 a morte1 o luto e a desolao1 com uma impiedade inflexivel1 obedientemente e brilhantemente servida pelo esforo irado dos exrcitos e pela soberba enfatuada e corrompida das magistraturas4 ,filho legitimo do liberalismo dos nossos avs1 o anarquismo1 na sua alta expresso filosfica1 que no nas suas aberraes criminosas1 v de sbito a sua bandeira erguida e iluminada de uma nova luz1 flutuando sbre o naufrgio e confuso da inconsistente e ilusria bondade do socialismo4 ,nem para ns1 na estreiteza da nossa descurada mentalidade1 novo o problema4 ,ha muito lhe ouvramos o rebate a que responderam as imprecaes impacientes daqueles a quem le surpreendia1 pondo-lhes em risco bens e grandezas4 ,h vinte anos1 ,antnio de ,serpa1--um talento culto1 homem de superior e nobre capacidade1 a que poucos mas os mais eminentes dos seus contemporneos fizeram justia e que o desleixo ptrio se apressou a esquecer1--escrevia um opusculo sobre ,o ,anarquismo4 ,foi quase um escndalo4 ,comentado o propsito1 antes da publicao1 com o indignado pavor de muitos aos quais se figurava heresia monstruosa1 mal se compreendeu e aceitou mesmo depois da publicao1 quando se tornou possivel examinar as doutrinas que expunha em seus termos1 alis muito chos e claros4 ,o chefe de um partido conservador arvorava-se em advogado do mais perigoso pensamento revolucionrio6 ,muita gente o imaginou e lamentou1 sem poder explicar sse estranho desvairamento4 ,o estudioso e observador da evoluo poltica1 que outra coisa no foi nesse incidente o antigo ministro do ,estado e o mais moderado dos ministros1 o mais avesso a radicalismos1 verificando o desenvolvimento das doutrinas e referindo-as aos factos e s lies da experincia1 determinando posies1 relaes e conseqncias1 desapaixonadamente e lucidamente1 com inteiro conhecimento de causa e aturada reflexo1 em um esprito de pura justia1 perfeita sinceridade e elevado idealismo1 sse passava ignorado das multides que apenas o tinham visto e compreendido nas secretarias do ,estado1 referendando decretos de nomeao de funcionrios pblicos4 ,entre o antigo e o novo homem a distncia era grande e a incompatibilidade profunda1 e os que haviam servido e amado o ministro1 no estavam dispostos a seguir ou aplaudir o pensador1 a quem por ltima homenagem reservavam todavia certo respeito1 aquilatando-lhe o valor pela posio social que ocupava e no pelos merecimentos que o engrandeciam4 ,nessa conjuntura1 ,antonio de ,serpa encontrou1 porm1 um amigo e contraditor notavel1 de prodigiosa fecundidade1 saber e vastido de esprito1 grande autoridade moral e intelectual1 que foi1 1 e est para durar--,oliveira ,martins4 ,a sse tempo1 era ste o adepto e propagandista do muito falado e querido socialismo do ,estado1 grande progresso fabricado nas universidades da ,alemanha1 frtil em promessas de renovao das sociedades1 grande organizador e disciplinador4 ,o retardatrio seria ,antonio de ,serpa com o seu liberalismo dissolvente1 todo penetrado de negaes4 ,vieram para a imprensa as discusses dsses dois ilustres antagonistas1 aplicando as suas teorias ao regimen econmico1 e no foram sem influncia nas vicissitudes polticas e na administrao pblica dessa poca e nas que at nossos dias se lhes teem seguido4 ,o socialismo venceu1 profundamente penetrou e se mantem na constituio poltica nacional1 embora o mais das vezes se revele to pobre de ideais como incapaz na aplicao4 ,quase s temos a agradecer-lhe a boa vontade1 perdoando-lhe os agravos4 ,se hoje1 porm1 relermos o opusculo de ,antonio de ,serpa e considerarmos as suas simpatias pela aspirao essncial do anarquismo1 e a coragem com que1 sem receio das interpretaes equivocas1 veiu em defeza dos seus principios fundamentais1 aquilo que algum dia levantou rumor de blasfmia e escndalo no se nos afigura mais do que uma tnue apologia de verdades quase axiomaticas1 uma vaga e frouxa inclinao1 timida e at nem sempre isenta de injustia4 ,outros e inesperados aspctos se nos deparam4 ,ao fim destes vinte anos1 o anarquismo1 que com fortuna vria insistentemente proseguia no seu eterno duelo com o socialismo1 reaparece-nos revestido de nova e resplendente armadura4 ,perante uma horrorosa fatalidade de que o seu inimigo cumplice1 descobre-lhe as deformidades e aponta-as maldio dos povos4 ,as munies dos exercitos converte-as le em punhais terrivelmente agudos para quem as fabricou e emprega4 ,o principio da maxima liberdade social e poltica1 e correlativamente a reduo ao minimo dos poderes do ,estado e das sujeies do govrno poltico1 isso que na realidade o princpio anarquista na sua pureza1 conseqncia lgica de toda a aspirao liberal que criou as sociedades modernas1 avigorou-se na guerra com extraordinrias foras4 ,a ,revoluo ,francesa recrudesce exaltada em novas glrias e a sua bandeira de ,liberdade1 ,igualdade e ,fraternidade1 que ha perto de cincoenta anos andava esfarrapada1 escarnecida e vilipendiada pelos filsofos do absolutismo1 pelos comandantes das casernas1 pelos prgadores e ditadores dos parlamentos e pelos profetas da lei da luta pela vida1 ei-la de repente restituida sua unidade1 beleza e caridade1 reanimando em esperana as multides prostradas pelas agonias1 dres e impotncia que foram a obra sinistra dos seus inimigos4 ,o que no disseram da ,revoluo ,francesa o imperialismo restaurado pelo prussianismo triunfante de #ahgj1 pelo realismo literrio inflamado pelo baixo materialismo que desnaturou e atraioou as teorias evolucionistas1 e pelo positivismo1 solicito demolidor de altares e de teologias1 todo zeloso das coisas prticas do mundo86444 ,liberdade1 ,igualdade e ,fraternidade1 idealismos e realismos1 tudo eram utopias1 doenas1 fraquezas a que urgia acudir com a proscrio do sentimentalismo1 levando de tropel toda a nobreza1 e com a glorificao da cobia e sensualidade1 desdenhando de toda a obrigao de generosidade e pureza4 ,uns nasciam para mandar e outros para obedecer1 dizia-se ento2 e todos para se banharem e deleitarem em um mar de infinita sordidez1 cuja navegao o socialismo organizava com inexcedivel engenho e superior segurana para um alto e ponderado comrcio de carregaes de prosperidades1 regalos1 comodidades e mercncias4 ,nessa construo1 era a ,scincia que lhe animava e inspirava o impulso1 emquanto lhe traava os planos1 libertando de toda a debilidade da ,religio que arruinra1 segundo ela cria1 os edifcios de outras eras tenebrosas1 barbara1 nociva1 perigosssima superstio com sua fatal insnia de ascetismos1 desprendimentos e estril consagrao ao que no dste mundo4 ,hoje1 os exrcitos que por suas paixes e crenas cobrem de sangue a terra e sacrificam milhes de vidas1 clamam alto que combatem pela liberdade1 pela independncia das pequenas nacionalidades1 pela aniquilao do despotismo militar e seus consortes e derivados1 pelo reino do cristianismo entre os homens4 a rehabilitao total do esprito que inflamou a ,revoluo ,francesa2 a justificao ardente e cara do idealismo poltico e religioso amaldioado e acusado de sentimentalismos mrbidos e por demais esquecido e atraioado2 a ressurreio e louvor de todo sse romantismo brilhantemente e exuberantemente fecundo1 que afinal1 atravs de todos os seus fulgores e errores1 significou com uma eloqncia inaudita o descontentamento do imprio da sordidez na humanidade1 a viso de sociedades melhores e de almas mais elevadas do que aquelas muito mesquinhas e imperfeitas que dolorosamente nos dominavam e turbavam--dsse romantismo que1 em obras de gnio1 foi acto de ,f1 ,esperana1 ,caridade e ,beleza1 por vezes louco mas jmais vil4 ,por essas crenas que h um sculo cobriram de vtimas a ,europa e que afadigamente1 desde a reaco de #ahgj1 renegmos e esquecemos1 morrem hoje alguns milhes de soldados4 ,um incidente histrico que da capacidade militar da ,prssia fez a lei do mundo culto1 corrompendo o senso moral e poltico dos povos estranhos e pervertendo aqueles mesmos que lhe deram causa1 interrompeu a civilisao iniciada pela ,revoluo ,francesa1 fundada nos seus evangelhos e durante oitenta anos conquistada passo a passo1 heroicamente1 entre mil desastres e infinitas penas4 ,fecha-se agora o perodo de quarenta anos de reaco4 parte condies tcnicas e a magnitude de uma organizao de fras militares que o industrialismo moderno sabiamente aparelhado produziu e ostenta1 a situao do principio do sculo ,,xix e a do principio do sculo ,,xx inteiramente coincidem4 ,o impulso ntimo no mudou2 apenas se encontra robustecido pela experincia recente e aturada e tambm pelo desengano da convenincia e insolncia do despotismo armado a primor e acautelado com talento e saber1 mas nem por isso mais humano1 antes muito mais brutal e pedante do que o absolutismo anmico1 mais estpido e senil do que cruel1 que pelas crtes apodrecidas da ,europa a ,revoluo ,francesa desapiedadamente combateu e derrubou4 ,escutemos o que a ,inglaterra nos diz4 ,de pronto compreenderemos para onde caminhamos1 para onde ela nos quer levar e nos leva1 porque nesta cruzada1 evidentemente1 vai na frente4 ,se no foi a sua espada mais poderosa1 foi de certeza a sua conscincia mais penetrante4 ,o dio alemo no se ilude2 apontando apopltico ,inglaterra1 aponta ao inimigo4 ,pela palavra dos seus sacerdotes mais venerados1 sem duvidar da vitria nem um s instante1 prga a guerra santa4 uma batalha de ideias e de ideais1 diz-nos o dr4 ,clifford1 um velho1 que foi um dos mais eloqntes adversarios da guerra da frica do ,sul e h cincoenta e seis anos pastor protestante de uma igreja de ,londres4 ,krupp pde fazer armas1 mas no pde fazer homens4 ,estes professores de chacina1 prgadores da barbaria como um dogma1 estes homens que se apoiam em bases scientficas e advogam a runa das catedrais e o terror dos no-combatentes1 homens1 mulheres e crianas--estes homens trabalharam durante quarenta anos e o resultado da sua obra que ns combatemos4 ,e o reverendo ,orchard1 da ,king's ,weigh ,house ,church1 moo de talento e justa fama1 por sua vez nos diz que se h qualquer cousa vital na nacionalidade e no imprio1 no h derrota que os 7aos ingleses7 esmague4 ,a vitria no ser decidida pelas massas dos homens ou pelo tamanho dos canhes1 mas por uma certa concepo da nacionalidade e do imprio4 ,os imprios morrem1 no por um perigo externo1 mas porque o corao do imprio no suficientemente forte para lhes sustentar o corpo4 ,podem os homens queixar-se de que a tica crist frouxa1 mas no podem tirar-lhes do sangue a influncia crist4 ,no somos uma nao crist1 mas no podemos negar o nosso amor por ,cristo4 ,ha certa essncia de cristianismo no sangue ingls que lhe deu domnio sbre os outros povos1 sentimento de justia e magnanimidade1 que o faz sorrir no seu humorismo contradio das cousas resolvida e conciliada na uno de uma perene bondade4 ,e a filosofia e a histria1 o meditado conhecimento dos factos1 confirmando a intuio do sacerdote1 como ste confirmra as afirmaes do poltico que pela bca do primeiro ministro da ,inglaterra assegurar ao mundo que no se tratava de um conflito meramente material1 mas tambm de um conflito espiritual1 no nos induziro em sentimentos diversos dos que as igrejas e as chancelarias nos insinuam4 ,o pensador fortalecido por aturado estudo e acreditado por trabalhos valiosos que ,benjamim ,kidd1 resumindo as concluses dos mestres da sua classe1 julga que a ,alemanha s poder ser vencida por um idealismo mais alto e uma crena e uma determinao que sejam mais fortes do que aquelas que nesta guerra a sustentam4 ,o ideal que anima a ,alemanha moderna representa a mais antiga doutrina poltica do mundo--a doutrina do estado predatrio como encontrou a sua expresso histrica mais subida no imprio da ,roma pag4 ,exprime1 em resumo1 a negao dos princpios caractersticos com os quais os progressos e liberdade do ,ocidente se identificaram desde que o mundo antigo cau4 ,mas exprime essa negao protegida com scincia1 recursos e organizao1 como ,roma nunca possuiu4 ,todavia1 a histria da civilisao ocidental durante dois mil anos no seno a histria do esmagamento e pulverizao desta doutrina1 em toda a frma por que ela procurou encorporar-se no estado aliada ao poder militar4 ,a significao subjacente de todas as frmas do progresso no ,ocidente durante vinte sculos que sse progresso ergueu a concepo do direito a uma altura que universal1 ,fez o direito independente e superior a todos os interesses do estado1 seja qual fr a pretenso ou misso em que possam basear-se1 seja qual fr a escala em que possam representar-se1 e seja qual fr a fra em que possam apoiar-se4 ,a doutrina oposta1 reclamando a superioridade do estado sobre o direito1 foi sempre o desafio s lutas estupendas que constituem a histria da civilisao ocidental1 e sempre cau sob o impulso de uma civilisao mais alta4 ,cabem ,inglaterra as maiores responsabilidades na crise presente4 ,a sua histria e o seu domnio fizeram da ,gr-,bretanha a mais complexa psicologia poltica e a mais poderosa fra do mundo moderno4 ,a natureza da sua fra escapa inteiramente compreenso dos espritos presos no absolutismo fechado das castas militares da ,alemanha moderna4 ,foi ela que em contacto com o mundo durante sculos e nas suas humilhaes e desastres1 como nas vitrias de um imprio de #dej milhes de individuos da raa humana1 aprendeu a grande lio universal--isto 1 que h uma s raa1 uma s cr e uma s alma na humanidade1 posto que para o saber queimasse s vezes a carne4 ,foi ela que ergueu o sentimento da responsabilidade humana acima de todas as teorias dos intersses dos estados e dos imprios4 ,foi ela que1 por sua glria e fortuna da humanidade1 amou1 guardou e enalteceu com uma devoo invencvel aquele intolervel pso da moralidade de escravos da tica civilisada que ,nietzsche flagelou2 e foi ela tambm que mais do que nenhuma outra nao1 e esplendidamente1 nos deu um exemplo inegualvel dessa democracia que hoje proclama retumbantemente os seus incontestados direitos e h pouco no passava de uma falncia e uma vergonha1 no conceito presunoso e insolente dos administradores e senhores da caserna besuntada de metafsica que fica para l do ,reno1 segundo a sugestiva expresso de ,ea de ,queiroz1 to pitoresca como profunda e vagamente proftica4 ,ferido na guerra o socialismo1 gravemente ferido pelas suspeies que o desprestigiam empanando-lhe o resplendor de mensageiro humanitrio1 amesquinhado pela insuficincia da aspirao que o alenta e acusado de intimidades manifestas com o despotismo1 de que se revelou amigo e instrumento dcil1 havendo quebrado a espinha dorsal1 nos termos em que exprime o seu desastre um publicista cujo diagnstico tem corrido na imprensa--e sendo o socialismo a mais scientfica das concepes de governo e a mais engenhosa arte de governar os homens e os trazer contentes1 com le caem por terra e se desfazem volumosas bibliotecas de estudos e teorias1 qual delas a mais subtil1 complexa e eficaz para dar a abastana1 a felicidade e a posse de todos os bens do corpo e da alma4 ,se grande e edificante a humilhao do orgulho militar1 frustrado na sua omnipotncia pela averso dos povos1 no menor nem nos ensina menos a humilhao do orgulho scientfico e filosfico que com le se emparceirra em uma s jactancia e o apoiava e instruia4 ,a ,alemanha afrontava a terra inteira com o seu saber1 to arrogante1 poderoso e altivo como as armas com que ameaava levar diante de si e sumir nos arrebatamentos invencveis da sua cultura as naes e as gentes de todo o globo4 ,arvorou-se em emprio de todo o saber e de todo o pensar4 ,s dali nos viria essa mercadoria preciosa1 e porventura excessivamente a procurmos em suas terras e a pagmos por exagerados preos4 ,de facto1 nunca se viu um povo to bem preparado com aquilo que a razo pode facultar-nos1 senhora do mais profundo conhecimento das foras em aco no universo4 ,nunca ninguem penetrou to lucidamente os segredos das coisas1 nunca ninguem soube to completamente as suas qualidades1 e nunca ninguem as aproveitou em igual extenso e com mais minucioso e sbio metodo4 ,a preparao militar da ,alemanha1 to falada e to gabada e temida1 era apenas uma das faces da sua preparao em absoluto4 ,estava preparada militarmente1 como preparada estava socialmente1 nas escolas1 nas instituies1 no comrcio1 nas oficinas1 sbre tudo nas suas oficinas4 ,era um prodgio sem precedentes1 um inaudito fenmeno de previso1 de ordem1 de ateno1 compreenso e satisfao de todas as necessidades1 das maiores s mais pequeninas1 de antecipao de todos os confortos1 de extremo desenvolvimento de toda a capacidade mental1 de toda a riqueza econmica1 de toda a fra concebivel e possivel dos indivduos e das comunidades4 ,e nada disto1 que era e um assmbro1 impediu que o mundo inteiro1 ou pouco menos1 se revoltasse contra ela1 lhe abalasse o edifcio formidvel1 e para o fazer se sujeitasse ao maior e mais angustioso dos sacrificios4 ,imaginou a ,alemanha que o mundo se revoltava contra a sua grandeza porque1 incapaz de a atingir1 a invejava e odiava4 ,mas na realidade apenas se revoltou contra a natureza meramente material da sua grandeza4 ,foi isso que le odiou1 foi isso que o ofendeu e fez lanar no combate1 incitado por uma vaga mas impetuosa intuio da urgncia de certa necessidade de humilhao do orgulho da razo1 da scincia1 da filosofia1 e das vaidades1 e bastas vezes inanidades1 das suas multplices tradues prticas4 ,fabricra a ,alemanha robustissimos animais com todos os merecimentos de presa1 de actividade e de presteza1 que podem competir a uma esmerada animalidade4 ,mas o que esqueceu e o mundo pedia1 foi criar homens com todas as qualidades de liberdade e bondade que o corao no dispensa4 ,o resultado ser que1 levado o conflito agudeza em que de perto o sentimos1 ficmos desconfiados para largos anos1 provavelmente para largos sculos1 de que aquelas escolas1 aqueles laboratrios1 aquela scincia1 aquela filosofia1 aquelas armas1 aquela disciplina1 e toda aquela ordem material1 intelectual e moral1 de uma tenue moralidade sem nobreza1 que admirmos1 copimos e nos era afianada como a ltima e definitiva palavra da civilizao1 sero bem pouco1 os mseros vencidos de uma outra civilizao muito mais ingnua1 muito menos sbia1 muito menos preparada1 meditada e armada1 mas apaixonada de liberdade e amor1 muito mais crist1 numa palavra4 ,e a glria imarcescvel desta civilizao confundiu totalmente o orgulho daquela outra1 inconsistente e fraca1 embora erguida em dourados baluartes4 ,facto singular e notvel--h muito a ,alemanha se queixava de pobreza de homens pblicos e diplomatas2 at mesmo no estava segura de abundar em capacidades militares4 ,isso diziam1 sem reservas1 entre os seus1 os que mais autoridade e experincia tinham para o afirmar1 e isso era confirmado pelos estranhos que estavam em circunstancias de conhecerem a situao poltica do ,imprio2 e isso se acentuou com uma evidncia concludente nas negociaes que precederam a guerra e em todas as que se lhes seguiram1 revelando da parte da diplomacia alem uma incapacidade suma1 ao passo que a ,inglaterra ostentava nas mesmas diligncias uma pleiade de homens pblicos a par do seu passado e da sua fama1 em tudo altura das dificuldades assombrosas da conjuntura1 e a ,frana e a ,russia nada lhe ficavam devendo em demonstraes brilhantes de inteligncia e carcter daqueles que conduzem os seus destinos1 quer nos campos de batalha1 quer de portas a dentro das secretarias do ,estado4 ,parece que toda a scincia alem1 com a exactido matemtica dos seus apurados clculos e processos1 abandonou ou ignorou qualquer factor essencial1 e por isso foi incapaz de criar homens nesta inteireza1 equilibrio e beleza de faculdades que s o latino nas suas tradies1 mesmo negligentemente cuidadas1 sabe produzir e produz com uma expontaneidade1 com uma naturalidade que so maravilha e a mais solida presuno da sua eternidade4 ,aqueles que jmais descreram das humanidades contra a scincia1 que o mesmo dizer da vida contra a mecnica1 da ordem moral contra a ordem material1 da dignidade humana na sua plenitude contra o seu rebaixamento em um simples valor econmico1 renovaram a f entre as vicissitudes desta guerra1 e bem de crer que vo privar o germanismo do lugar que usurpara s humanidades1 e tem de lhes restituir1 na educao das novas geraes4 ,scincia era ainda1 e na derrota da scincia vai envolvida1 toda aquela psicologia entrincheirada em fortalezas histricas que havia de justificar a guerra1 o militarismo1 e a arquitectura social e poltica que lhes convem4 ,e respectivamente os sonhos de paz eram utopia1 romantismo1 sentimentalismo1 negao do esprito scientfico1 filosofia da cobardia1 desgraa e atrofia das raas que os deixassem prevalecer e s pela guerra alcanariam manter a energia4 ,a prpria guerra se encarregou1 porm1 de desvanecer toda a velha lenda da necessidade e benefcios das guerras4 ,no primeiro mpeto da insnia em que se precipitou1 foi como uma pesadissima nuvem que escurecesse e dissipasse todas as esperanas de um mundo para sempre livre de batalhas sanguinrias1 tal qual o viamos j prximo1 ditando a lei do alto dos tribunais de paz e apregoando o advento da idade de ouro pelos profetas e apstolos que nos convenciam e fascinavam4 ,a persuaso que ultimamente se divulgara de que a guerra significava1 lm duma aco crudelissima1 um negcio pssimo1 a grande iluso2 toda a erdita e rigorosa analise que reduziu a guerra a uma futilidade1 quando no era puramente a cobia sordida e cega dos que mandavam e no tinham medida nem lei em suas ambies2 essa aurora de tempos novos pareceu escurecida para no mais brilhar1 quando os primeiros fumos dos canhes atoldaram4 ,desenganassem-se os ingnuos1 pensou-se2 a guerra era condio imprescindivel e insubstituivel das sociedades humanas e1 por melhores que fssem as razes e o sentimento que a condenavam1 mais podiam os instintos que a alimentavam4 ,o presente era a demonstrao clara da subsistncia dessa doutrina de morte4 ,mas bastaria que isto se disputasse1 ainda mesmo que no fsse com aquela universalidade e largueza com que se discutia1 bastava a insistncia na dvida e a inflexibilidade na rebeldia para assegurar que alguma coisa nova agitava o mundo4 ,imediatamente a reflexo reanimou e fortaleceu as tendncias dominantes antes da guerra4 ,logo se viu e foi certo--facto primacial e de extremas conseqncias1 que a guerra1 ainda h cem anos uma actividade natural1 e nessa qualidade admitida e aceita unanimamente1 tornra-se no pensamento dos nossos dias uma monstruosidade1 uma aberrao e um crime1 to indignadamente apontados e abominados hoje como outrora exaltadamente louvados e aplaudidos4 ,nem todo o bem provido arsenal que a moralidade da guerra usa em sua defesa pde dominar a rebelio dos que a detestam e esperam ban-la4 ,no esqueceu todas as alegaes a seu favor que colhera no correr dos sculos2 todas aduziu e nenhuma pde prevalecer4 ,corrigia o egoismo1 avigorava a disciplina1 evitava a debilidade1 unia os povos1 inflamava o sentimento da honra1 engrandecia no heroismo1 fortalecia para a adversidade1 para a tristeza e para a dr1 desenvolvia a obedincia ao dever1 semeava a coragem1 a dedicao e a generosidade8 ,nem assim conseguia restaurar o imprio perdido6 ,poderes mais altos lentamente se haviam constituido1 e ao mais pequeno spro a piramide1 que parecia invulnervel a toda a injria dos tempos1 como os tumulos dos faraoos1 esboroava-se desfeita4 ,perante a prova da vida1 a prova do fogo e do sangue1 a prova da morte1 tornou-se insuficinte e insignificante para julgar os homens4 ,a escala dos valores toda se havia alterado2 quanto era primacial para a grandeza e dignidade e se buscava e costumava encontrar na guerra1 tudo se viu e conheceu em muito maior e mais nobre amplitude nas inevitveis e constantes provaes da vida4 ,se o desprendimento1 a coragem1 a honra1 o estoicismo1 a tenacidade1 o esfro1 a consagrao ao dever1 amizade1 ptria e ao lar eram virtudes sem as quais os homens se despenhavam na abjeco1 no careciamos1 para as possuir1 de as cultivar no dio1 na cobia1 na brutalidade1 na impiedade1 na ruina e nas atrocidades sanguinrias2 o trabalho1 a desgraa1 a fatalidade das coisas1 a cegueira do destino e do mundo csmico1 o sentimento da responsabilidade religiosa bastavam para nos experimentar e educar4 ,a adversidade de todos os dias1 que no cessa de nos acompanhar1 era o suficiente para nos ensinar e pr em prova toda a robustez do corpo e toda a nobreza da alma1 se de uma e de outra eramos capazes4 ,o ,cavador do ,millet1 no seu campo safaro1 s com a sua enxada e o peito descoberto1 amesquinhra e derrubra dos seus pedestais os ,hercules e herois de todos os tempos1 e profeticamente apregora que era chegado o tempo de converter as espadas em charruas4 ,aps as hesitaes do primeiro momento1 a guerra1 sem embargo da largueza e ferocidade com que vai devastando a terra1 sentiu-se vencida e aquela mesma futilidade1 aquela mesma maldio1 desgraa e estril crueldade que anteriormente a deshonravam e lhe lavravam sentena de proscrio no conceito dos homens empenhados em nos libertarem dos seus trgicos horrores4 ,fossem quais fossem os canhes que tivessem de orgulhar-se de soltar o ltimo grito de morte1 vencida estava e est aquela espcie de civilizao que nos conduziu a esta catstrofe infernal e a preparou e pretende justific-la4 ,pde essa civilizao restabelecer-se da desordem em que agonisa e1 cobrando nimo1 restaurar cidades1 oficinas e governos1 com todos os seus enganos1 traies e angstias1 com todas as suas fadigas1 prazeres1 ruins ambies e opresses2 pde1 claudicante e ignorando a prpria misria1 continuar incerta e cega na jornada dos seus muitos e lgubres progressos at de novo naufragar na imensidade dos seus inumerveis desastres4 ,mas acordou um inimigo que no lhe perdoar2 despertou a conscincia das suas terrveis enfermidades1 e com ela descerrou a viso de reinos de liberdade1 de amor e de simplicidade que fascinam4 ,aps a guerra1 o mundo ser outro1 seno de facto1 porque os factos so lentos em render-se1 ao menos pelo sentir que tenaz e seguro nas conquistas4 ,porque1 na realidade1 esta guerra no foi apenas a conflagrao dos poderes da terra1 por tremenda que essa conflagrao nos parea2 no foi unicamente um incidente histrico da expanso das raas1 ainda que muitas envolvesse e apaixonasse4 ,foi muito mais do que isso1 e acima de tudo isso1 um acto de contrio dos erros do nosso desvairado corao1 por muito distante e obscuro que parea o seu domnio sbre o tumulto dos exrcitos2 mais do que desengano e desiluso de uma traioeira paz e ventura1 foi o castigo da confiana em fras mentirosas1 foi um profundo peccavi cuja expiao sofremos no mais angustioso dos transes e cuja absolvio temos de procurar em um mundo fundado em uma outra alma muito diferente daquela1 por demais corrompida1 a que loucamente nos haviamos entregado4 ,outras aspiraes1 outras crenas e todo o seu modo de ser externo tero de nos inspirar para nossa fortuna e alegria4 ,muita coisa que criamos morta ha de resuscitar2 e muita coisa que supunhamos eterna ha de desvanecer-se para sempre4 ,reviso de valores ,o facto mais notvel da guerra nos mezes1 j longos1 por que se tem dilatado1 no de certo nem a novidade da ttica e da estrategia1 nem as subtilezas e primores dos engenhos de matar1 que eficazmente aproveita e emprega com xito brilhante1 nem o calibre dos canhes1 ou a rapidez dos movimentos1 ou a audcia e artes dos que voam nos ares e se perdem nas nuvens to facilmente como navegam por baixo das ondas e se ocultam nas profundezas do mar4 ,tudo isso muito curioso1 sem embargo1 para as imaginaes infantis1 mas difere do que antigamente se fazia apenas naquelas minguadas propores em que os brinquedos das lojas de ,paris diferem dos que alegravam as mocinhas de ,corinto antes de ,cristo vir ao mundo4 ,as jornadas de ,joffre em automvel no sero cousa muito diversa no carcter e conseqncias das que na mesma ,galia1 igualmente insubmissa e ardente1 algum dia foram feitas pelas legies de ,cesar com seus estupendos pulmes aquecidos a trigo e centeio1 e em certo modo sobrepujando aos pulmes de ao nutridos de essncias explosivas que hoje repetem e acrescentam as maravilhas de outrora4 ,mais molas1 rodas e engrenagens fomos ns capazes de ajustar e pr em movimento1 com espanto das multides ingnuas e alegria e proveito1 no exguo1 dos fundidores e capitalistas e fabricantes1 possuidores de privilgios registados e possudos por uma febre e uma impudncia de especular e ganhar to despejadas e poderosas que no carecem de registo1 nem de garantias especiais do estado1 para ser ignominiosa e funestamente soberanas4 ,mas no final1 apezar de toda a complexidade em que nos embrenhmos1 no ostentamos ambies e talentos superiores aos muitos e famosos que fizeram a guerra qusi exclusivamente fiados na fra do seu brao2 e nem to pouco consagramos as proezas e chacina a fins mais nobres do que aqueles de estreme e insacivel cobia que exaltaram os generais de outras eras4 ,como guerreiro1 o mundo o que sempre foi desde que se conhece histria1 um assassino cruel e sordido4 ,ser mesmo um pouco mais vil4 ,se neste capitulo da vida social houve alterao de valores1 foi toda em proveito de aptides degradantes4 ,com uma guerra feita a poder de submarinos1 trincheiras e espies1 a astcia1 a dissimulao e a habilidade de ferir sem correr risco de ser ferido tomaram em larga extenso o logar que era ocupado pela coragem1 pela firmeza de nimo1 pela deciso1 pela energia1 pela grandeza e lealdade da luta a peito descoberto4 ,o carcter de negcio1 conta1 e clculo e previso1 alis de supremo alcance1 apagou muita beleza da imprudncia1 da ousadia e do desprendimento4 ,as batalhas no so j o heroismo espetaculoso do passado1 disse um general celebre pelos seus escritos1 ,homero ,lea4 ,os exrcitos de hoje e os de manh so uma sombria mquina gigantesca destituida de heroismo melodramtico444 uma mquina que leva anos a formar em suas partes separadas1 que leva anos a uni-las em seu conjunto1 e que leva anos para funcionar doce e irresistivelmente4 ,o mais seguro dos combates modernos obra de trevas1 um requinte de traies e de surprezas1 uma mecnica annima1 acautelada e perversa1 que raro consente um gesto de generosa magnanimidade1 raro conduz a revelar quem oferea com uma clara abnegao a prpria vida1 quem se inflame procurando dar a morte ao inimigo da sua ptria e da sua crena4 ,entre a guerra moderna1 intima e exteriormente mascarada de couraas1 e a guerra dos tempos heroicos1 fundada na fortaleza do mpeto1 ha a distancia que vai de um arrebatamento a uma cilada1 de um problema a uma orao1 e de um negcio a um sacrifcio4 ,sempre a ganncia1 a soberba1 a perfidia1 o dio e a baixeza andaram na guerra involtos e confundidos com a nobreza e a iseno2 certo4 ,mas a influncia relativa do valor de cada um dsses diversos elementos modificou-se em nossos dias em prejuzo da glria das batalhas4 ,o vulgar e o nfimo prevalecem4 ,at nisto teria havido a insinuao de um certo materialismo que invariavelmente prefere a torpeza lucrativa s contingncias de uma franca e determinada honestidade4 ,isso1 porm1 so cambiantes superficiais que no atingem a essncia da guerra1 pois esta nos seus aspectos fundamentais1 em galeras ou em couraados1 com catapultas ou com canhes de #db1 continua a ser a mesma multido de dedicaes e de abjeces1 a mesma jornada da honra escoltada de infmias1 em regra mais rendosa para a ignomnia do que gloriosa para a dignidade4 ,facto de superior significao que esta guerra tenha a considerar e a guardar como ensinamento1 seno como profecia divina1 um s teremos a apontar1 e sse de incalculvel magnitude--a amizade em que no dia de ,natal se fundiram os dios dos adversarios que momentos antes friamente se trucidavam e que1 sem escritos do protocolo nem ordens dos generais1 por espontaneidade do corao1 decretaram um armistcio1 to rpido no tempo como douradouro na inspirao1 para soltarem palavras de paz e afeio1 que lhes transbordavam do peito1 e para converterem em olhares de intimidade e ternura1 de que estavam sequiosos1 a hostilidade sanguinaria em que um tresloucado fetichismo os trazia empenhados4 ,os soldados voltaram s fileiras1 o fogo recomeou1 o sangue jorrou1 e de novo se cobriu de cadaveres a terra4 ,mas alguma cousa indestructvel se edificra e permanecia de p1 inviolvel2 uma luz se acendra1 que no podia apagar-se1 de paz1 de comunho e de carinho2 uma saudade se ateira precipitando as naes e os exrcitos em caminhos novos1 para outros combates4 ,no foi1 sem dvida1 o internacionalismo cegamente nivelador que ali venceu e aniquilou o nacionalismo nas suas estreitezas e prejuzos1 que lhe encobrem a sua legitimidade1 lgica1 elevao e grandeza1 e por vezes as pervertem1 transmudando em averso o amor do prximo e a amizade do vizinho4 ,no foi o desfazer das naes1 das fronteiras e dos lares1 a absorpo e a utopia em uma patria indistincta da humanidade4 ,foi todavia a graduao do internacionalismo na escala dos valores em uma altura superior quela que anteriormente lhe havia sido designada2 foi a consagrao de uma abenoada exaltao que cresceu e pde mais do que a insnia sanguinria de aniquilao mtua1 foi um prego eloqnte lanado aos quatro ventos da terra1 e sobretudo aos senhores da terra1 a repetir-lhes que os homens no querem a guerra e a aborrecem1 e unicamente pela avidez dos que os governam1 escravisam1 fascinam e iludem so arrastados s batalhas que o corao amaldia4 ,foi a confisso tcita1 mas iniludvel e de uma eficcia incalculvel1 das determinaes de uma conscincia que sente dissipar-se a diviso das raas e das naes--no porque a suprime1 mas exactamente porque1 reconhecendo a diversidade1 liberdade e beleza das feies das raas1 a ama no vizinho como em ns mesmos1 unindo-nos na comunidade de interesses e afeies por aquilo que o nosso comum amor1 em vez de nos massacrar na concorrncia das ambies1 no desrespeito da individualidade tnica especfica1 na intolerancia1 em tudo quanto pde distinguir-nos e de facto nos distingue1 sem que por isso tenha de nos separar e tornar inimigos4 ,os menos desconfiados das aparncias e incitamentos da primeira impresso1 vendo soltas as furias da guerra1 imediatamente disseminando calamidades e atrocidades sem numero e sem nome1 desde o morticnio das mulheres e das crianas at ruina das catedrais--que jmais podero ressurgir na inteireza do seu esplendor e poesia1 jmais podero rehaver os bafejos dos alentos msticos que em extasis divinos as sonharam e ergueram e pelo sangue de mrtires e pelo gnio dos obreiros lhes haviam dado a aureola de uma arte e tradies irreparveis1 das que vivem uma s vez1 filhas de uma s alma1 e no renascem1 se as ultrajou a malvadez dos homens atnitos na turbao de um mpeto sinistro6--os menos desconfiados dos incitamentos da primeira impresso de pronto descreram dos sinais de paz que h pouco viam com alvoroo no horisonte4 ,logo se abandonaram ao desalento e tiveram como no subsistentes a solidez e progressos daquele internacionalismo que era a vitria da conscincia dos interesses comuns dos povos prevalecendo sobre os conflitos das suas diversas tendncias1 necessidades e divergncias1 e conduzindo a uma lenta substituio da hostilidade pela cooperao que1 paulatinamente mas incessantemente1 se infiltrra no esprito das raas e se traduzia em ligaes cada vez mais estreitas1 em um comrcio material e moral cada vez mais assduo e penetrante1 e na dissoluo paralela de suas reservas1 dissenes1 temores e inimizades4 ,devia esclarecer-lhes muitas hesitaes o que no dia de ,natal se passou entre exrcitos inimigos em campanha1 de sbito tornados irmos por mandados desconhecidos1 mais altos do que a voz dos generais rutilantes de gales2 mas1 se a grandeza milagrosa dsses comandos invisveis no lhes assegura que alguma causa de novo se fundou na terra e que no foi apenas um sonho de visionarios a convico dos que antes da guerra encontravam na expanso do internacionalismo os fundamentos e a esperana do renascimento poltico e social das comunidades1 meditem paralelamente o que na escala dos valores sofreram o patriotismo e a diplomacia1 e isso lhes dir por outra forma e por outras palavras o que a trgua e os sorrisos do dia de ,natal no lhes tiverem significado4 ,a seu modo e precisamente1 pela anlise da histria1 pelo exame dos factos polticos e pela verificao das ideias e opinio dominantes1 isso lhes dir o que porventura lhes haja escapado na inspirao misteriosa e vaga dos transportes do corao1 nsse desdenhado e at execrado sentimentalismo que1 no conceito dos seus inimigos sendo nada1 uma futilidade doentia1 quando no a desgraa1 a dissoluo da energia1 teve todavia a fra de desarmar exrcitos e transpor trincheiras que os corajosos e prudentes1 indemnes de debilidades afectivas1 haviam juntado e edificado para uma obra de extermnio4 ,o patriotismo reconhece hoje penitentemente os seus desvarios e crimes1 e novo e singular que se atribuam crimes a quem andava protegido por um resplendor de pureza4 ,eivado de infinitos temores1 dios e egoismos1 corrompeu-se1 ou melhor1 no tem sabido purgar-se de faltas grandes e crueis1 como aconteceu religio do cristianismo1 embora as faltas do patriotismo no sejam usadas pelos agnosticos contra le1 do mesmo modo por que les procedem para as faltas da religio1 o que talvez possa derivar de que os agnosticos esto compreendidos nas faltas do patriotismo e so alheios s faltas da religio4 ,compreenderam-se em uma s divindade e apostolado as virtudes e as degeneraes e deformidades do patriotismo2 porque o patriotismo pode tornar-se no moral1 ou definitivamente imoral e ateu4 ,os estados1 como as igrejas1 podem comear por uma cobia de fra1 por impulsos de infalibilidade1 e da passarem1 atravs de uma perverso de lealdade1 perda conseqnte da honra e ao esfacelamento da etica4 ,um cristo no pode pedir a sua moral ao estado ou tomar os diplomatas como seus directores espirituais2 o unico patriotismo que le pode respeitar o que obedece ao ,deus da verdade e da rectido4 ,e este patriotismo1 porque moral1 capaz de ser internacional4 ,um patriotismo que no pode ser internacional que no pode encontrar logar para uma mais larga lealdade humanidade ou uma mais profunda lealdade igreja1 acaba sempre por ser criminoso4 ,no fundo de todas as doenas do patriotismo h sempre o esprito do dio4 ,o verdadeiro patriota o que cr1 no em um s patriotismo1 mas em todos1 que respeita a nacionalidade dos outros e sada a lealdade onde quer que a encontre4 ,no fomos suficientemente patriotas no passado4 ,realmente1 no acreditamos no patriotismo4 insensato1 mesquinho e despiedoso o patriotismo que antes de bem combater no soube bem viver1 que s na guerra sente as obrigaes e todas as esquece e desconhece na paz4 ,nos anos angustiosos de sombria luta de classes que ns chamamos os anos caquticos da paz1 vivemos vidas baixas1 egoistas1 acanhadas e crueis4 ,de ano para ano as cidades alargam horrivelmente as suas ruas e tocas nesta linda ,inglaterra1 7como de resto em todo o mundo71 que nossa1 pela qual somos capazes de morrer1 mas pela qual no estamos prontos a viver2 de ano para ano so oprimidos os pobres1 rebaixados os humildes e quebrantados os fracos1 e ergue-se aos cus o clamor de milhes que se submergem emquanto ns opulentamente nos divertimos4 ,e imaginamos ser patriotas6 ,at no tributo da vida humana a chacina da guerra pequena1 comparada com os acidentes constantes que resultam das doenas que se podiam evitar1 da mortandade de crianas a que se podia atalhar1 de industrias perigosas desnecessarias1 da ignorncia1 da pobreza1 da embriaguez e vicio4#d ,companheira e a melhor serva dsse patriotismo e nacionalismo de antagonismos sangrentos1 rapacidade e conquista--misria e orgulho dos govrnos destitudos de senso moral e religioso1 a diplomacia1 principal responsvel da desolao e luto que cobrem a ,europa1 sofre hoje na guerra uma completa derrota4 ,vexada pela enormidade do desastre1 para sempre convencida de uma monstruosa traio a ,deus e aos homens1 paz e riqueza da terra1 condenada e confundida pelo cataclismo que na sua corrupo e debilidade fundamentais provocou1 aplaudiu e consumou1 perdeu o prestgio dos seus concilibulos e segredos1 e so mais os incrdulos que a proscrevem do que os fieis que a amparam4 ,h muito suspeita1 por isso mesmo que1 dissimulada e tenebrosa nas maquinaes1 isso induzia a desconfiar da sua justia e boa f1 embora fsse o meio de lhe ocultar os propsitos e habilidades1 e no raro as cobias1 a sordidez1 as vaidades e ignobeis fins de que era instrumento mais ou menos consciente e nunca escrupuloso--agora1 ao dar conta pblica das suas faanhas1 estas confirmaram e agravaram todas as suspeitas anteriores4 ,singular ironia do destino e no sem uma particular significao1 um dos homens que muito antes da guerra se identificra mais inteiramente com o movimento que1 falta de melhor expresso1 poderemos chamar anti-diplomtico1 era um hereje da sua igreja1 um deputado do parlamento ingls1 ,arthur ,ponsonby1 aristocrata criado na atmosfera mais puramente aristocrtica que pde conceber-se1 nascido em um palacio rial1 filho do secretrio particular da rainha1 descendente de fidalgos com uma elevada posio na crte e no seu pas1 pagem de honra da rainha durante cinco anos e em seguida1 durante qusi dez anos1 dedicado ao servio diplomtico no estrangeiro e no ministerio dos negcios estrangeiros da ,gr-,bretanha4 ,mais perfeito conhecimento de causa no podia exigir-se para discutir a situao1 valor e tramites da diplomacia1 seus beneficios e seus males e agravos4 ,ora ste homem1 que se distinguira j por duas obras de valor1 ,o ,camelo e o ,fundo da ,agulha1 severo estudo da degradao que a posse da riqueza importa1 e a ,decadncia da ,aristocracia1 onde ps a claro a fraqueza da prpria classe a que pertencia1 sse publicista de sinceridade e talento provados escrevera em #aiab um panfleto1 a que intitulou ,democracia e ,fiscalizao dos ,negcios ,estrangeiros4 ,a procurava acautelar-nos contra os perigos a que a cerrada e voluntria obscuridade da diplomacia trazia sujeitos os destinos1 aspiraes e esforos das democracias4 ,no creio1 escrevia ento1 que na poca presente haja questo mais importante do que a considerao do problema que resolver como que a opinio pacfica1 moderadora e progressiva da democracia pde penetrar tanto nos negcios internacionais como nos negcios nacionais1 e como que um estado democrtico pde descobrir os meios prprios para se exprimir no governo da nao4 ,at que ponto fram profticos os seus pressentimentos e temores1 qual a importancia do problema que le punha acima de todos os outros problemas polticos1 demonstrou-o a guerra4 ,e1 interrogado h pouco por um redactor de ,the ,christian ,commonwealth1 pde renovar o seu pensamento com a autoridade e desenvolvimento prprios de quem o viu justificado por factos de uma trgica evidncia4 ,no supe que tivesse havido um cataclismo moral na vida do mundo4 ,o desastre foi devido principalmente a erros polticos4 ,mesmo depois que a guerra comeou1 temos tido muitas provas de que realmente no houve quebra na boa vontade do povo deste pas ou de qualquer outro4 ,as narraes pateticas1 feitas pelos homens em campanha1 das relaes afetuosas entre les e o inimigo no dia de ,natal mostram claramente que a guerra no entre os povos2 sentem a necessidade de ser amigos e facilmente seriam amigos1 se os que os governam no estivessem em guerra4 ,o sentimento do povo perfeitamente so2 a guerra no foi causada por dio ou clera que o povo de um pais sentisse contra o povo de outro pais4 ,foi causada pela inferioridade do que se chama a moralidade internacional e que realmente a moralidade intergovernamental4 ,baseia-se neste facto a sua oposio guerra4 ,a sua crtica principalmente poltica4 ,contesta que haja uma quebra moral da parte do povo444 carecemos de nos libertar do segredo diplomtico e garantir a fiscalisao democrtica nos negcios estrangeiros1 o que s por intermdio do parlamento pde fazer-se4 ,diplomacia aberta em certo modo uma frase que no convm4 ,do que o pas carece de conhecer inteiramente os seus compromissos e obrigaes com os pases estrangeiros e ter informao definida das linhas gerais da poltica que se segue relativamente s relaes com o estrangeiro4 ,no precisa de interferir na responsabilidade do executivo444 ,h na diplomacia uma tradio de segrdo1 um ar de guardar segrdos misteriosos do estado1 que nos veio de idade-mdia e que tem por efeito deixar as cousas inteiramente nas mos de homens pblicos ciumentos de toda a interveno estranha4 ,o que mais lastima1 todavia1 a poltica do silncio oficial sobre materias que se tornam de uma importncia vital4 ,um completo segrdo em nossos dias praticamente impossvel4 ,o povo sustenta-se de palestras ociosas1 rumores e falsas referncias dos jornais4 ,no est sem informaes mas est mal informado4 ,a culpa no dos ministros1 dos prprios parlamentos que se movem em um crculo vicioso3 porque os seus membros no so informados dos negcios externos1 poucos se interessam por les e os estudam1 cem cada vez mais nas mos dos grupos que os regulam4 ,mas a guerra abalou a confiana nestes grupos1 e a ocasio oportuna para mudanas que os acontecimentos mostraram de tal modo imperativas4 ,as questes de poltica estrangeira esto destinadas a prender a ateno dos povos nos anos mais prximos1 e toda a considerao de senso-comum e de prudncia1 para nada dizer da democracia1 prescreve uma alterao do sistema que caiu4 ,no que a direco dos negcios estrangeiros tenha de ser tirada aos respectivos ministros ou que deixe de haver negociaes que necessitem de reserva emquanto proseguem4 ,mas carecemos de mais bastas oportunidades de discusso1 de submetter ao parlamento todos os tratados1 compromissos e obrigaes1 de democratisar o servio diplomtico4 ,porque a exiguidade da retribuio dsses servios tornaram-nos praticamente o apangio de reduzidissimas classes abastadas1 e homens de talento1 criados na f democrtica1 que compreendem e podem interpretar o sentimento popular1 so excluidos justamente por no possuirem aquelas qualificaes adventcias4 ,precisamos de alargar a rea da seleco4 ,evidentemente1 a guerra no importou a falncia absoluta da diplomacia4 ,entre as naes ter de haver as inteligncias e ajustes que so indispensveis1 essenciais1 em toda a ordem da vida social da humanidade1 e essas relaes no podem deixar de ter seus interpretes prprios e instruidos1 e seus planos e modos de proceder4 ,no est inutilisada a engrenagem porque funcionou mal1 pessimamente1 com grande perda de vidas e bens e com infinita cpia de atribulaes e de dres4 ,mas est humilhada1 desacreditada1 a sua reservada altivez1 e por sua insensatez1 egoismo1 estreiteza de entendimento e estreiteza ainda maior do corao ter de dar o lugar a quem a substita com menos soberba1 mais modstia1 e sobretudo mais conhecimento e respeito das aspiraes dos povos que a sua arte est destinada a servir e que ela cegamente sacrificou s ambies pervertidas de reduzidas aristocracias e voracidade insondvel das oligarquias mercantes4 ,porque a democracia um facto4 ,j nem h fra nem astcia interessada que lhe estorvem a expanso4 ,a diplomacia que vivia encerrada em seus palcios1 fra de toda a promiscuidade e contacto com as plebes que arregimentava apenas para seu uso e capricho1 ter de descer a este campo comum onde cada um vive na franqueza sem refolhos das suas aspiraes e das tendncias dos homens e dos povos seus irmos4 ,de soberana passa a cativa1 ao cativeiro das obrigaes polticas e morais que so a condio da dignidade e da utilidade1 da arte de ser e viver nobremente1 em paz e dando a paz4 ,um artigo do ,daily ,chronicle1 procurando as razes por que a ,inglaterra e os ,estados ,unidos da ,amrica teem vivido em paz h cem anos1 emquanto a ,europa era devastada por guerras sobre guerras1 julgava explicao insuficiente do notabilssimo facto os laos de parentesco que unem os povos dessas duas naes4 ,embora sem dvida concorram para essa extraordinaria fortuna1 certo que a identidade da raa dos ,estados ,unidos e da ,inglaterra est profundamente limitada e prejudicada pela insinuao de sangue estranho1 e no pde dar razo bastante de to slida e prolongada amizade4 ,causa mais eficaz poder encontrar-se nestas ideias de liberdade pessoal1 direitos civis1 obedincia lei e confiana nos mtodos judicirios1 que so a herana comum do passado do povo americano e do povo britnico4 ,ambos sses pases realisaram os processos de pacificao dentro das suas fronteiras1 e esto por conseguinte imediatamente mais prontos e mais habilitados a experimentrem os mesmos processos em relao aos negcios externos4 ,ambos sses pases1 posto que viris e marciaes1 esto livres do militarismo que escurece a vida civil em muitos pases europeus4 ,estes foram1 indubitavelmente1 factores que contribuiram para a paz de cem anos4 ,h entretanto para ste grande resultado uma outra causa muito mais importante e decisiva do que aquelas que fram apontadas4 que de facto1 a ,gr-,bretanha e os ,estados-,unidos1 ambos so na realidade governados pela opinio pblica4 ,e essa mesma opinio pblica1 hoje mais do que nunca pacfica1 conquistando progressivamente o governo das naes1 reclama o seu direito de assistncia na diplomacia e promete imprimir-lhe o caracter que brilhantemente revelou onde tem podido dominar4 ,na verdade1 por muito poderosas foras que a diplomacia e o internacionalismo nos paream1 afinal so instrumentos doceis de fras superiores das quais dependem1 como todos os demais elementos da constituio social das naes e as suas afirmaes4 ,o internacionalismo dissemina-se e avigora-se1 e a diplomacia muda de modos1 gestos e processos1 aparentemente2 no fundo no so senhores dos seus destinos1 jmais o fram1 e apenas o esprito cristo que os autorisa ou condena e lhes prescreve novas obrigaes4 ,a poltica em todos os seus aspectos muitas vezes se convence de que pde ignor-lo1 fugir-lhe e desobedecer-lhe1 mas no h crise nem convulso social que o no desperte e no lhe revele imediatamente a eternidade da aco1 seu invencvel poder e a sua indomvel expanso4 ,e esta guerra mais evidentemente do que nenhuma outra o demonstrou4 ,longe de representar a bancarrota do cristianismo1 representa realmente grande adeantamento na sua conquista do mundo2 porque foi a primeira guerra de que muita gente disse que ela marcava o desfalecimento da nossa religio4 ,por outras palavras1 s agora a ,europa compreendeu que1 se as naes so crists1 no pde haver guerra entre elas4 ,isto bem o souberam ,atanasio e ,tertuliano e a igreja primitiva2 mas desde o tempo de ,constantino at agora esqueceu-se4 ,quando o mundo tomou sob a sua proteco a igreja e1 largamente1 sob o seu governo1 no acontecimento conhecido como a converso de ,constantino1 muitos dos princpios do ,evangelho se obscureceram4 ,durante sculos1 a igreja estava pronta a abenoar exrcitos e armadas4 ,shakespeare julgou apropriado fazer proeminentes os bispos entre aqueles que aconselharam ,henrique ,v a declarar guerra ,frana4 ,mas em nossos dias diz-se que um papa1 instado para abenoar as armas1 respondera3--,dou a minha beno paz4 ,e um arcebispo--alterius orbis papa--solenemente declarava toda a guerra obra do demnio4 ,crentes e descrentes1 todos afinal achamos igualmente que toda a guerra contraria ao esprito e animo de ,cristo4 um lucro efectivo4 ,no foi1 portanto1 o cristianismo que faliu1 porque o cristianismo nunca foi aplicado s relaes internacionais4 ,o que faliu foi uma civilisao que no era crist#e4 ,romain-,rolland1 nos artigos que publicou no ,journal de ,genve e correram mundo vertidos em diferentes linguas1 anunciados como um prego proftico1 disse que as duas fras morais cuja fraqueza esta guerra mostrou mais claramente1 fram o cristianismo e o socialismo4 ,estes apstolos rivais do internacionalismo religioso e secular mudaram-se de repente nos mais ardentes nacionalistas4 ,herv1 os socialistas alemes1 e ,frank1 morto em combate1 por amor do militarismo1 ele que era o campeo da unio franco-alem1 todos sem excepo se pozeram disposio dos seus governos e lhes coadjuvaram as mentiras e os odios tendo a coragem de morrer pela f alheia1 os que no tiveram animo de morrer pela sua prpria f4 ,os representantes do ,principe de ,paz1 sacerdotes1 pastores e bispos1 foram para as batalhas aos milhares1 a levar-lhes1 mosquete em punho1 os divinos mandamentos3--,no matars e amars o prximo4 ,em cada vitoria1 ou seja de austriacos1 alemes ou de russos1 o vencedor louva a ,deus pelo favor1 ,cada um tem o seu ,deus e cada ,deus1 velho ou novo1 tem os seus levitas para o defenderem e destruirem o ,deus dos outros4 ,no exrcito francs andam vinte mil sacerdotes1 os jesuitas pem-se disposio do govrno alemo1 os cardeais lanam proclamaes de guerra1 e o os jornais contam1 sem qualquer expresso de pasmo1 a scena paradoxal na estao do caminho de ferro de ,pisa em que os socialistas italianos saudaram os moos ordinandos que iam para os seus regimentos1 cantando todos juntos a marselheza4 ,pio ,x1 a quem o rompimento de guerra apressou a morte1 segundo se cr1 que no poupou os seus anatemas aos sacerdotes inofensivos que acreditaram em a nobre quimra do modernismo1 que fez le contra aqueles prncipes e criminosos governantes cuja ambio desmedida votou o mundo misria e morte8 ,tudo isso seriam1 em seu juzo1 sinis de fraqueza do cristianismo1 porventura a demonstrao da sua falncia1 pela incapacidade manifesta de resolver em seus termos e aspiraes o conflito tremendo a que se associou1 atiando-o em vez de o apagar4 ,eu creio1 porm1 que no elevado talento e superior inspirao de ,romain-,rolland houve talvez uma injusta identificao entre o cristianismo e as suas igrejas1 compreendendo na fraqueza e deficincia da organizao das igrejas e nos seus muitos rros a decadncia do imprio de um princpio cuja expanso e penetrao teem sido constantes desde a hora da sua revelao1 cujo poder mais do que nunca nos domina e fascina1 e cuja lei cada vez mais lucidamente se mostra a soluo unica e a unica redeno dos males e angstias que afligem a humanidade4 ,havendo-se mostrado inferiores misso que as crira e fra sua razo de ser1 seu alicerce1 e glria dos seus templos e mrtires1 as egrejas crists veem-se sujeitas em nossos tempos a gravssimas provaes4 ,por todo o mundo associadas com o mando1 ainda mesmo com o mais desptico e deshumano2 tolerando de boa mente o capitalismo e o militarismo1 abenoando-os bastas vezes e trabalhando para lhes acomodar o esprito dos fiis1 de ordinrio prontas em promover o culto da riqueza e do podr2 qusi invariavelmente afastadas1 seno inimigas1 do desenvolvimento da democracia que1 sendo a traduo poltica dos seus princpios1 elas insistiram em desconhecer1 aceitando-a em ltimo extremo e deplorando-a com mgoa1 como indisciplina1 subverso1 opresso e derrota1 negando-lhe o parentesco1 suscitando-lhe dvidas1 temores e embaraos2 mais desvanecidas nos favores dos grandes1 e partilhando-lhes do luxo1 do que afeioadas s fadigas e penas dos humildes1 e amparando-lhes a cruz2 mal preparadas para a contingncia da emancipao das graas dos poderes polticos que as propenses do pensamento moderno impozeram1 privando-as dos benefcios de uma antiga absorpo da autoridade civil1 subsistente durante longos sculos e por diversos modos efectiva1 expressa ou tacitamente1 nas leis e nos costumes1 no forum e no templo2 mais combatentes1 coercitivas1 do que apostlicas1 mais amigas de mandar1 e de facto mandando1 entre errios e espadas1 do que confiadas em cativar pela pobreza1 pela iseno de toda a violncia1 pela verdade e pelo amor2 de uma scptica complacncia com o fariseismo e hipocrisia que se lhes roja pelos altares1 inteiramente descuidadas em corrigir as supersties dos seus rebanhos2 afeioadas a uma caridade realmente abundante de deligncias1 desinteresses e esmolas1 mas intimamente e logicamente inseparvel de todas as aristocracias e hierarquias1 muitssimo avara de concesses de direitos e de quanto possa facultar uma nova ordem que venha a dispensar-lhe a interveno2 no tendo prevenido a pobreza1 em logar de a deixar medrar para depois lhe dar remdio merc de incertas generosidades to prdigas em paliativos como timidas em prevenes2 havendo deixado que os ritos predominem sobre o esprito e que do esprito se desprenda o simbolismo cuja suprema beleza e alta necessidade se esvai e arrefece1 se de expresso da alma os convertemos em feitios2 mais zelozas em apurar regras e manter uma disciplina estreita e mecanica do que exaltadas em respeitar1 defender e propagar a pureza dos princpios2 desatentas ao inimigo que lhes invadia os domnios1 no percebendo ou tomando em pouco o que o desenvolvimento da imprensa diria lhes importava1 pois1 trazendo-nos a casa todos os dias o po espiritual que cada um escolhe ao seu paladar1 assim afasta do templo onde outrora o procurvamos1 nos dias de descanso das fadigas profissionais3--as igrejas1 no geral1 decairam por inrcia e atrofiaram-se em uma dureza estril1 quando1 por desgraa ainda maior1 no se transviaram totalmente cedendo cegueira de aspiraes traioeiras1 esquecidas da f e da esperana divinas e da adorao dos homens1 que para as servirem as tinham edificado e cimentado com o seu sangue4 ,devotos no lhes faltavam2 muitos tiveram e teem4 ,faltaram-lhes crentes1 o que diferente2 e1 chegadas a uma conjuntura como a presente1 porque crentes no tinham1 quedaram-se impotentes1 com grande copia de bons desejos1 palavras excelentes e muitas lagrimas1 mas sem nenhuma influncia de aco4 ,di a ,deus o que de ,deus1 e a ,cesar o que de ,cesar foi talvez o preceito fatal a que por demais se aferraram e que lhes abalou os fundamentos e desvairou as gentes4 ,da corrompida interpretao dsse princpio veio que1 devidido o mundo e a conscincia em duas metades1 uma para ,deus e outra para ,cesar1 completamente se perdeu a noo da dependncia em que ,cesar estava de ,deus1 e impensadamente se dispensou a observncia das obrigaes correlativas2 no mais se cuidou de subordinar ,cesar a ,deus1 7os imperadores contam com o auxilio de ,deus para os seus negcios e invocam-no como quem est seguro da honestidade e pontualidade do almoxarife71 deu-se-lhe um reino seu1 prprio e para todo o sempre1 admitiu-se-lhe como prerogativa da cora o desregramento1 a violncia1 a soberba e a ira1 e apagou-se a lembrana de que1 se ,cristo se fez homem1 foi para revelar a possibilidade de uma humanidade redimida em ,cristo1 para operar uma perptua e infinita renovao do mundo1 para sobrepr o reino de ,deus ao reino de ,cesar1 at onde a fraqueza humana pde consentir que le seja sobreposto4 ,assim cairam no rgido convencionalismo dogmtico e em uma moral inaltervel1 fixa1 excelente e eterna em muitos pontos mas em outros filha do tempo e a le adaptada1 sempre tarda em se aperfeioar1 por demais segura da sua sumidade1 por vezes propensa a indulgncias com a cobardia religiosa1 sem mesmo hesitar em abenoar exrcitos que1 sendo portadores do dio e da morte1 so a negao de ,cristo1 e at mesmo pondo sob a proteco da cruz as mquinas dos caminhos de ferro que so levitas e servidores horrendos de desapiedadas cobias4 ,mas1 porque isto acontecia s igrejas prisioneiras da sua debilidade religiosa e de uma timidez mental singular1 freqentemente tambm e infelizmente muito preocupadas dos seus privilgios1 comodidades1 pompas e domnio1 nem por isso o cristianismo e a religio esmoreciam1 nem por isso cessavam na conquista da terra que sua e les possem cada vez mais inteiramente2 a presso dos factos1 facultando insistentemente o reconhecimento da sublimidade da sua verdade1 realisava o que a misso sacerdotal1 mal entendida e mal cumprida1 desprovida do animo dos primeiros dias1 no tinha fras para indicar1 derramar e1 muito menos1 manter4 ,os horrores da guerra presente fizeram que muitos desesperassem do cristianismo e da cultura4 ,sentem que esta espcie de cristianismo e esta espcie de cultura que pdem produzir uma guerra terrivel como aquela de que estamos sendo testemunhas1 deve ser qualquer cousa da natureza da impostura4 ,mas1 por muito ms que as cousas sejam1 no h necessidade de desesperar4 ,um novo cristianismo e uma nova cultura surgem--o cristianismo do simples ,evangelho de ,cristo e a cultura dos profetas e dos poetas4 ,se esto contados os dias de uma falsa religio1 no direi que a religio morreu4 ,se os combates e a crueldade tomam o logar da cultura1 procurarei outra na nascente4 ,foi nestes termos que ,mauricio ,a4 ,canney definiu os desenganos e as esperanas da hora presente4 ,de todas as amarguras1 misrias1 ansiedades e combates das sociedades modernas1 agora lugubremente acordadas do torpor em que uma embriagada sensualidade as tinha anestesiadas1 o que resultou1 no foi a falncia do cristianismo e da religio frouxamente guardados em suas igrejas onde durante prolongados sculos e por fortuna se acolheram1 tiveram acesos os altares e espalharam a sua luz4 ,quer em esprito e abstraco1 quer na soluo dos problemas prticos1 o que dos conflitos sociais do nosso tempo resulta a vitria da religio e do cristianismo em toda a latitude1 como promessa unica de salvao4 ,cresceram fra das suas igrejas1 com diferentes nomes e diferentes rubricas1 sob diversissimas invocaes1 mesmo sob as que se propunham nega-los e1 inscientemente1 imaginando afugenta-los1 destrui-los e substitui-los1 os propagavam e defendiam2 cresceram1 porm1 continuamente e1 sendo divinos1 nunca como agora se mostraram necessidade terrena mais urgente e remdio mais seguro das nossas enfermidades1 nunca como agora se levantaram a maior altura1 erguidos no s pelos impulsos ingnuos do amor1 que e sempre foi todo o seu ser e substncia1 mas tambm pela fra da razo e da logica1 pela meditao e pela reflexo1 pelas concluses da inteligncia e pela investigao das leis da vida1 pelas demonstraes da experincia1 pelas lies da histria desapaixonada e isenta de toda a obsecao de sectarismo4 ,a f e a razo1 durante dilatados sculos inimigas1 identificaram-se em iguais aspiraes e certezas1 e transformaram a velha oposio e discordia em auxlio mtuo1 no servio da mesma paixo de verdade1 no reconhecimento da mesma indigncia do poder de conhecer1 na contemplao do mesmo mistrio1 na justificao do mesmo amor e no respeito da mesma regra que dsse princpio deriva4 ,religio1 scincia e filosofia que fram atrozmente irreconciliveis1 resolvendo nas fogueiras1 nas masmorras1 nos cadafalsos e nas praas suas divergncias e conflictos1 caminham hoje na mesma estrada e mutuamente se amparam para uma mesma jornada4 ,j a ninguem surpreende que um publicista de superior reputao se detenha a proclamar o valor religioso do livre pensamento1 significando por livre pensamento a livre e honesta actividade do esprito4 ,a igreja catlica da idade-mdia1 disse le justificando a sua tse1 a igreja protestante da ,reforma1 consideravam a scincia seu inimigo4 ,raciocinar sbre as cousas santas era uma espcie de impiedade4 ,tinham de ser aceites como inquestionveis desde que vinham de uma igreja infalvel1 em um caso1 e de um livro infalvel1 em outro caso4 ,o pensamento no tinha parte na religio1 e o livre pensamento ainda menos1 por modo algum2 a religio era inteiramente uma f1 e receiava que essa f podesse definir-se como um estudante a definiu--aquela qualidade pela qual cremos em cousas que sabemos serem totalmente destitudas de verdade4 ,mas a igreja de hoje1 no seu melhor modo1 acolhe bem o pensamento porque com le est mais segura de si4 ,abandonando muita da sua bagagem tradicional1 sabe que a que lhe resta est fra de questo4 ,olhando mais ao esprito do que letra1 considera o pensamento no meramente um neutral mas um aliado4 ,comea a vr que voltar as melhores fras do esprito cndida e reverentemente para as profundezas da crena s por si um acto religioso4 ,e esta nova amizade foi auxiliada por uma mudana de atitude da propria scincia444 ,um sinal da realidade da nossa f que no mais nos arreceiamos de a trazer para o campo largo da razo444 ,vemos as maiores fras do mundo1 a religio e a scincia1 levadas para qualquer cousa como um terreno comum4 ,a religio tornou-se objecto mais do esprito que da letra4 ,as materias de menor importncia1 ritos e formas do governo da igreja e muitos dogmas1 vo perdendo a sua fra porque nada tem da essencia da vida2 mas as cousas grandes1 os artigos cardiais da nossa f1 a crena na sabedoria e no amor de ,deus e na divina mediao de ,cristo1 a crena em o nosso dever com os nossos irmos1 so1 pensa ele1 mais profundamente sentidos e mais sinceramente possudos do que nunca4 ,a scincia abdicou da sua velha arrogancia e est preparada para se apresentar de cabea curvada1 como um humilde investigador nos palcios do ,oculto4 ,so aos feixes os depoimentos dos homens que nas escolas1 na imprensa e no govrno das naes testemunham esta unidade da scincia e da religio e o seu valor social4 ,to numerosos j que claramente se juntam em uma torrente1 no meio da qual o mais subido parecer pequenino e vulgar4 ,se um homem da estatura mental de ,keir ,hardie1 ao fim de uma dilatada vida de apostolado poltico1 o mais nobre e religioso que pde conceber-se1 confessa publicamente que1 se voltasse a ser um rapaz1 abandonaria a poltica e se consagraria a prgar o ,evangelho de ,cristo1 ouvimos nas suas palavras1 no o desengano de um profeta mas a desiluso de uma poca que1 ardentemente empenhada em livrar a terra e os homens dos martrios que os crucificam1 errou a estrada e foi procurar em mesquinhas artes e em artificios estreitamente humanos uma salvao que les no continham4 ,so a condemnao final de toda a idolatria materialista dos valores econmicos e a certeza de que s a inspirao religiosa capaz de nos oferecer a fortuna que a pobreza da nossa inteligncia e as suas dbeis construces no fram capazes de fundar4 ,ha poucos anos1 em #aiaa1 um escritor ingls1 ,a4 ,e4 ,fletcher1 antigo director de um dos grandes jornais de ,londres1 publicou um pequeno livro1 de sumo interesse e eloquente clareza1 intitulado ,o ,sermo da ,montanha e a ,poltica prtica4 ,pretendia que no podemos realizar imediatamente os ideais mais altos1 mas podemos mover-nos em direco da sua realizao1 e os nossos movimentos podem estar de harmonia com as leis da natureza humana4 ,e afirmava e defendia que essas leis foram supremamente compreendidas por ,jesus ,cristo1 e so totalmente falseadas pelos que adoram ,mamon e ,belial4 ,depois1 passando a mostrar mais desinvolvidamente como o ,evangelho uma lei prtica1 realizvel e progressivamente realizada nas cousas da terra1 e em particular na poltica1 examinando a possibilidade de aplicao das bemaventuranas do cristianismo confiando a terra simplicidade1 misericrdia e doura1 e demonstrando-o1 no por engenhosos sistemas e subtis abstraes mas pelos exemplos histricos mais vulgares1 vinha por fim a afirmar que possivel governar uma nao pelos princpios estabelecidos no ,sermo da ,montanha e que smente em quanto assim procedemos que a sociedade pde elevar-se dos tipos mais baixos aos mais altos4 ,podemos ir para diante no esprito do cristianismo1 ficar estacionarios ou retroceder4 ,a sua opinio que vamos para diante4 ,cr que em tempo algum da histria do seu pas 7e dos demais pases1 porque no diremos ns871 a legislao social proseguiu de modo que mais satisfaa do que durante os ultimos anos4 ,os homens pblicos podem no ter tido a conscincia de que1 adoptando uma legislao humana1 emergem da barbaria para o cristianismo1 mas subsiste o facto de que essa evoluo prosegue4 ,para o compreendermos bastar lembrar o que a legislao social e poltica tem sido desde o como do sculo desenove--o que ela fez protegendo as crianas1 de que infernos vem arrancando os trabalhadores1 como repartiu a riqueza e acrescentou a dignidade1 que lutas titnicas sustentou para isso1 que barreiras formidveis de prejuzos e vis intersses lhe foi necessrio transpr e vencer4 ,e que princpio1 que fra realizava sses milagres seno o cristianismo que dos livros sagrados se derramra nos cdices das doutrinas e das instituies polticas8 ,se em matria de cristianismo a guerra determinou alterao de valores1 seria sem dvida para ampliar1 se amplivel fsse1 a preponderncia daquele valor inabalvel e eterno que no cristianismo se contem1 sobretudo para o fazer repassar mais profundamente a conscincia dos homens1 definitivamente convencidos da necessidade de um predomnio maior ainda1 infinitivamente mais profundo1 dos princpios do ,evangelho considerados na sua influncia prtica1 na sua ilimitada aplicao disciplina e conduta da vida4 ,um dos chefes mais graduados do partido do trabalho na ,inglaterra1 ,filipe ,snowden1 dirigindo-se aos seus eleitores dizia que pensou que as fras unidas da democracia e das igrejas da ,europa poderiam ter evitado a catstrofe da presente guerra4 ,mas os acontecimentos precipitaram-se por tal forma que as fras da democracia1 da religio e dos pacifistas no tiveram tempo de mobilisar-se antes que as intrigas dos militaristas1 monarcas e diplomatas soltassem as frias da guerra4 ,sempre acreditra e confessra que1 se as naes da ,europa continuassem na poltica internacional dos ultimos quinze anos1 provocando hostilidades por uma concorrncia doida nas despezas de armamentos1 o resultado no podia ser seno a guerra4 ,mas1 fsse qual fsse a causa da guerra1 eram as classes trabalhadoras da ,europa que dela tinham a responsabilidade4 ,desinteressando-se das questes internacionais1 deixaram que a seu modo as regulassem os kaisers1 os czares1 os militaristas e os diplomatas1 todos destitudos de simpatia pelas aspiraes democrticas e levados por interesses econmicos e outros opostos aos trabalhadores do mundo4 ,tivessem-se os trabalhadores apossado do govrno das relaes internacionais1 e debalde se teria provocado a guerra e as suas calamidades1 de cuja responsabilidade os trabalhadores no podiam livrar-se4 ,sem dvida1 o argumento do poltico experimentado e habituado a confiar no podr da organizao poltica ter seu fundamento e verdade4 ,no est longe de se conformar com a opinio dos que viram na guerra o naufrgio dos partidos socialistas1 como garantia e propulsores de paz entre as naes4 ,mas para os estranhos s artes da actividade poltica prtica1 medianamente propensos a esperar das suas tramas a fortaleza que s no vigor das tendncias do esprito encontram1 o mais provvel ser que no fsse a deficincia de direco dos trabalhadores que deixou proseguir a guerra2 antes teria acontecido que a insuficincia do esprito anti-militarista entre os trabalhadores no permitiu que les se acautelassem e defendessem o mundo contra essa inqualificvel monstruosidade4 ,para os que mais esperam da inspirao interior que do engenho prtico1 a responsabilidade dos trabalhadores est amplamente atenuada pela sua misria material e indigncia moral correlativa4 ,a civilizao moderna1 fazendo-os escravos de uma escravido de que a custo e com muitas penas se vo libertando1 tudo lhes podia ensinar menos o cristianismo de cuja negao eram as vtimas revoltadas4 ,faltou-lhes a fra ntima que havia de pressentir e combater os manejos srdidos das chancelarias1 dos palcios e das casernas4 ,teria sido a debilidade religiosa1 inevitvel na sua condio1 e no um simples erro de organisao1 que deu causa sua inrcia e sua rendio perante poderes que abominam4 ,a previso que os ha-de salvar e salvar-nos de iguais catstrofes no futuro s subsistir quando a energia religiosa a guiar e exigir4 ,no ha capacidade prtica1 seja ela qual fr1 que seja suficiente para a substituir4 ,quando um poeta da lucidez moral e peregrino talento que enalteceu ,eduardo ,carpenter1 encanecido em sua inquebrantvel misso de amor1 quando o gnio bafejado pela santidade nos diz firme e docemente1 de todo isento de ira injuriosa dos tmidos e vacilantes1 que1 para pr termo a esta peste da guerra1 no h seno um remdio1 e o geral abandono dste sistema de vivermos do trabalho dos outros1 poder parecer-nos que simplifica em extremo e reduz a propores demasiado mesquinhas um conflicto de propores gigantescas que uma dr e uma agonia para o mundo inteiro4 ,suspeitaremos capricho da destreza do filsofo ou uma violncia sagaz nesta segurana com que le pretende fazer entrar na regra comum o que por mil modos se mostra uma anormalidade to complexa como estupenda4 ,mas1 se reflectirmos1 ligeiramente que seja1 de pronto nos convencemos de que nem a afirmao do profeta se afasta dos limites e da lgica dos factos averiguados1 nem os seus vaticnios so outra cousa seno a voz deste cristianismo que em renascimento assombroso se faz ouvir e juz em todo o sistema das relaes sociais1 desde a nfima humildade de um servo que nos comove at soberba das potestades da terra que nos ameaam4 ,essa a causa da guerra1 este sistema de viver do trabalho dos outros1 negao formal do cristianismo1 ou se siga entre os indivduos ou entre as naes1 e isso mesmo o tem sido desde o princpio do mundo4 ,fram para isto as primeiras guerras primitivas1 para apreender gados e colheitas1 para apanhar escravos de cujo trabalho os conquistadores podessem subsistir2 e so a mesma cousa as ultimas guerras4 ,adquirir concesses de borracha1 minas de ouro1 minas de diamantes em que o trabalho de gente de cr seja explorado at ao extremo mais amargo2 apossar-se de colonias e terras distantes1 onde empresas capitalistas gigantes 7com o trabalho de brancos ou de gente de cr7 possam realisar dividendos imensos1 pela subida do minrio ou de outros productos industriais2 esmagar qualquer outro poder que nos estorve no caminho destas avidas e deshumanas ambies3--tais so os fins das guerras de hoje4 ,e ns no vemos a causa do mal porque le est to perto de ns1 porque nos anda no sangue4 ,toda a vida particular das classes capitalistas e comerciais1 que hoje so os representantes das naes1 se funda em o mesmo princpio4 ,como indivduos1 o nosso unico fim encontrar algum trabalhador ou grupo de trabalhadores cujo trabalho valorse o que ns podemos apropriar444 ,um parasitismo sem disfarce e sem vergonha a ordem1 ou a desordem dos nossos dias4 ,a rapacidade dos animais de preza mal se oculta em a nossa vida social1 transparentemente velada todavia por uma aguada de sentimento cristo e por uma rede de instituies filantrpicas para suposto benefcio das muitas vtimas que ns espoliamos4 ,que h pois que admirar se ste princpio de rapacidade e guerra intestina que governa a nossa condio1 se esta cobia vulgar que nos cobre o corpo de jias e peles1 e nos cobre a meza de alimentos caros1 sem considerar aqueles a quem arrancmos sses confortos1 que h pois que admirar se por fim resultam na rapacidade e violncia sbre o vasto teatro do drama das naes1 e nas letras vermelhas da guerra e do conflito1 escritas atravs dos continentes8 ,de nada serve dizermos com uma presumida piedade que estamos em campo para banir a guerra e o militarismo1 animando ns entretanto em nossa prpria vida e em a nossa igreja1 ligas do imprio e outras instituies1 o mais sordido e egoista mercantilismo1 que em si essncialmente uma guerra1 apenas uma guerra de um gnero muito mais insignificante e mais cobarde do que aquele que se assinala no embate das tropas ou na furia das espingardas e dos canhes4 ,no1 no h outro meio2 e s pelo abandono geral do sistma comercial e capitalista presente ser banida a peste da guerra#f4 stes so os acanhados e mseros termos a que as frias da guerra se reduzem1 esta a palpitao do seu imundo ventre--uma derrogao do princpio cristo1 perfeitamente idntica em suas causas e efeitos a qualquer outra das que quotidianamente praticamos em nossa existncia e que o hbito nos velou com uma empedernida inconscincia4 ,apont-la em uma tal simplicidade uma revelao salutar1 grande e fecunda esmola4 ,acusados e pelo prprio pungir da acusao saberemos o que o cristianismo significa na hora presente1 at onde chegam as suas benos e anatemas1 e conheceremos1 com um profundo suspiro de alvio1 que influncias imponderveis nos subjugam1 que novas fras lenta e latentemente se criaram1 e que espcie de revoluo1 ou1 melhor1 de resurreio nos anunciam4 spero e obscuro se mostra1 porm1 o caminho da vitria1 porque ao mesmo tempo que um cataclismo nos revela a inanidade da nossa presumida fortaleza1 deixa-nos incertos sbre o valor das fras que podem edific-la4 ,e aquilo de que mais espervamos1 a razo1 o desenvolvimento da inteligncia na humanidade1 o conhecimento da histria e a observao minuciosa e exacta da evoluo das sociedades1 todo sse honesto labor das universidades1 da imprensa1 dos pensadores1 dos poetas1 de quantos por qualquer meio se tornaram verdadeiros pastores das nossas almas1 tudo isso que um assombro da capacidade mental dos homens1 tudo foi vo para evitar as provaes a que um destino sinistro nos conduziu4 ,se a razo s por si podesse vencer1 um libelo contra a guerra como sse que ,norman ,angell ofereceu ao mundo culto na ,grande ,iluso1 largamente comentado pelo autor e pelos estranhos1 e recentemente acrescentado e renovado no ,prussianismo e a sua ,destilao1 isso bastava para que a paz e a guerra fssem um pleito findo4 ,compendiando muitos sculos da histria da humanidade e os factos essnciais da vida poltica e econmica dos nossos dias1 definindo e conjugando o que vaga e fragmentriamente todos sentiamos e pensavamos1 o prego de ,norman ,angell mostrou-nos que a doutrina que constitue a grande iluso a crena de que as cousas de maior valor na vida1 aquelas que representam os fins das sociedades humanas1 s podem alcanar-se pelo desenvolvimento da fra poltica e militar dos estados1 pela extenso do seu territrio e pelo domnio dos seus govrnos4 ,esta doutrina1 proeminente e caracterstica na ,prussia1 tornra-se afinal comum a toda a ,europa por virtude de um deplorvel contgio4 ,para a debelar no bastavam combinaes diplomticas e a reviso de fronteiras2 nascida de certas tendncias de esprito1 s por tendncias opostas poderia ser vencida4 ,foram os professores1 as academias e os publicistas que durante cinqenta anos a propagaram2 e s por um trabalho de identica natureza poderia ser afastada4 ,no seria pelo ferro e pelo fogo que haviamos de nos libertar da sua calamitosa sujeio4 ,era vr o que tinha acontecido com as guerras da religio2 debalde sacrificaram milhes de vidas1 quando tentaram sustentar as crenas pela fra1 e s terminaram1 dando a toda a f a liberdade1 quando o esprito a conquistou1 quando a fermentao intelectual e a estimativa dos valores morais1 a sua discusso pacfica e a sua comparao1 demonstraram a inanidade da fra na sustentao dos altares4 ,assim acontece e se verifica que o combate pelos ideais no pde mais tomar a forma de combate entre as naes1 porque as questes morais esto dentro das prprias naes e cruzam as fronteiras polticas4 ,no h estado algum moderno que seja completamente catlico ou protestante1 liberal ou autocrtico1 aristocrtico ou democrtico1 socialista ou individualista4 ,as lutas espirituais e morais do mundo moderno proseguem entre os cidados do mesmo estado em uma cooperao intelectual inconsciente com os grupos correspondentes dos outros estados1 e no entre os poderes publicos dos estados rivais4 ,poltica e economicamente se tem estabelecido uma situao paralela em que a estratificao das sociedades se sobrepe aos artificios das divises nacionais4 ,o mundo tende a repartir-se1 no pela fra das espadas mas pela coeso dos espritos e dos intersses4 impossivel1 diz ,baty1 citado por ,norman ,angell1 ignorar a significao dos congressos internacionais no s do socialismo mas do pacifismo1 do esperantismo1 do feminismo1 de toda a espcie das artes e scincias1 que to claramente marcam os seus sinais nas pocas de frias4 ,a nacionalidade1 como fra de limitar1 cede perante o cosmopolitismo444 ,encontramos a aproximar-se uma situao em que a fra da nacionalidade ser distintamente inferior coeso de classe1 e na qual as classes se organizaro internacionalmente de forma a aproveitarem os efeitos da sua fra4 ,o que ,norman ,angell repete1 acentuando que por mil modos a associao atravessa os limites dos estados1 que so puramente convencionais1 e torna uma inpcia scientifica a diviso biolgica do gnero humano em estados independentes e combatentes4 ,ningum pensa em respeitar um mujik russo porque pertence a uma grande nao1 ou em desprezar um fidalgo escandinavo ou belga porque pertence a uma nao pequena4 ,viremos a compreender que as divises reais psquicas e morais no so entre as naes1 mas entre as concepes opostas da vida4 ,dada a lei de acelerao a que as sociedades humanas evidentemente obedecem1 a predominancia e imprio da nova concepo das relaes entre os povos ser em breves anos uma realidade4 ,e a aco dessa lei efectua-se com uma rapidez vertiginosa4 ,a idade do homem sbre a terra tem sido diversamente reputada entre trinta mil e trezentos mil anos4 ,a certos respeitos1 desenvolveu-se mais nestes ltimos duzentos anos do que em todas as pocas precedentes4 ,vemos hoje maiores mudanas em dez anos do que primitivamente em dez mil4 ,quem pde prevr os desenvolvimentos de uma gerao84 ,nem se diga que o mundo foi sempre o mesmo e no muda1 nem que a natureza humana no susceptvel de mudar4 ,a histria a negao radical de semelhante afirmao1 que no passa de refugio infantil de retardatrios4 ,do canibalismo cooperao1 do duelo aos tribunais1 dos autos de f liberdade religiosa1 do heroismo divinisado ao esprito militar combatido como um crime1 a humanidade renasceu2 e1 se exteriormente bem diferente do que foi na sua origem1 intimamente anima-a um esprito que desconhece e repele aquele de pura animalidade que algum dia foi sua razo de ser4 ,civilisou-se2 de bandos famintos1 devastadores e crueis1 passou comunidade moral e religiosa1 e a civilisao desenvolveu-se na razo inversa da fortaleza do esprito militar4 medida que os homens perdem a tendncia de combater1 cresce-lhes a tendncia para trabalhar1 e trabalhando juntos1 e no combatendo-se1 que os homens progridem4 ,s pelo hipnotismo de uma terminologia que se tornou obsoleta o esprito militar1 muito a custo e decando1 continuamente se sustenta4 ,de resto1 h muito sabido e demonstrado que as guerras so instrumento de degradao das raas4 ,matam os melhores1 a flr da espcie1 os mais sos e corajosos1 e deixam confiada aos dbeis e menos aptos a procriao das novas geraes4 ,na guerra com a ,alemanha1 a prpria ,inglaterra1 apezar de toda a resistncia do esprito da sua raa1 corre o risco de perder as suas melhores qualidades4 ,combatendo o prussianismo pde prejudicar-se na diligncia de o vencer pela adopo das suas armas e pelo abandno das virtudes que a tornaram grande1 a aptido de iniciativa1 a confiana no prprio esfro1 a sua obstinada resistncia interveno do estado 7j enfraquecida71 a sua impacincia com a burocracia e a lista vermelha 7tambm j a decar71 tudo o que se involve na sua geral rebeldia de arregimentao4 ,a fra empregada para aperfeioar a cooperao entre as partes1 para facilitar a troca1 promove o progresso2 a fra que combate essa cooperao1 que procura substitur pela coaco o benefcio mtuo da troca1 que em certo modo uma frma de parasitismo1 promove o retrocesso4 ,a luta entre as naes um anacronismo4 ,poucos compreendem at que ponto a fra fsica foi substituda nas cousas humanas pela presso econmica--usando ste termo no seu justo sentido1 no s como a disputa do dinheiro1 mas compreendendo quanto nisso se involve1 bem-estar1 considerao social e tudo o mais4 ,o esprito primitivo no compreendia um mundo em que as cousas no fssem todas reguladas pela fra4 ,mesmo os grandes espritos da antiguidade no acreditavam que o mundo podesse ser laborioso1 seno quando a grande massa se tornasse laboriosa pelo uso da fra fsica1 isto 1 pela escravatura4 ,tres quartas partes dos que nos dias mais florescentes de ,roma povoavam o que agora a ,itlia1 eram escravos1 acorrentados no campo quando trabalhavam1 acorrentados noite nos dormitrios e1 os que eram porteiros1 acorrentados aos portais4 ,era uma sociedade de escravos--escravos para combate1 escravos para trabalhar1 escravos para cultivar1 escravos oficiais e1 acrescenta ,gibbon1 o prprio imperador era um escravo1 o primeiro escravo nas cerimnias que le prescrevia4 ,sendo grandes e penetrantes muitos dos espritos da antiguidade1 nenhum deles mostrou uma larga concepo de uma condio social em que a coaco fsica fsse substituda pelo impulso econmico4 7,aristoteles sentiu todavia um lampejo de verdade1 quando disse que1 se o martelo e a lanadeira podessem mover-se por si1 a escravido seria desnecessria74 ,dissessem-lhes que havia de chegar tempo em que o mundo trabalharia muito mais activamente sob o impulso de uma causa abstracta chamada interesse econmico1 e les considerariam semelhante assero como a de meros tericos sentimentais4 ,nem temos necessidade de irmos to longe2 se ha sessenta anos afianssemos a um senhor de escravos americanos que pelo trabalho livre le havia de ter mais algodo do que pela escravatura1 por certo se riria da nossa credulidade4 ,sem dvida1 por efeito da lei de acelerao a que as sociedades humanas andam sujeitas1 de todos os tempos1 mas principalmente da nossa poca1 esta derrota da guerra pela economia1 esta substituio do combate pela coadjuvao1 que se tornou o meio mais seguro e rendoso no s de vivermos em paz1 o que j seria muito1 mas tambm de acrescentarmos os bens e multiplicarmos as riquezas1 o que1 por isso mesmo que satisfaz a ambio1 por isso comum e abrange o esprito mais elevado e o mais mesquinho1 por isso se torna uma fra universal em todo o sentido4 ,do anacronismo e futilidade da guerra foi j convencido por mestres competentes todo o mundo culto1 qusi todo o mundo que sabe lr4 ,e todavia a guerra persiste1 porque1 para a banir1 a razo no basta1 s o corao purificado e exaltado pelo esprito cristo capaz de consumar sse prodigioso renascimento4 ,mas como1 por que modo podero essas foras prevalecer8 ,por que meios poder tornar-se efectiva na vida nacional e internacional dos povos sse esprito cristo que agora despertado por uma catstrofe estupenda se ergue como uma aurora de redeno8 ,onde encontrar armas para combater o inimigo1 a satnica sensualidade que fundou o mundo moderno em ambies trpes e em materialidades e que1 evidente1 no abdicar do seu reino passada a tormenta8 ,como que um pensamento religioso s por si ha-de destroar os poderes da terra enriquecidos1 armados e incessantes na avidez8 ,pelas ligas e tribunais de paz1 pelos ajustes diplomticos1 pela reduo dos armamentos1 por todos sses retalhos de papel que se rasgam ao primeiro mpeto1 como a ,alemanha rasgou o compromisso que a obrigava a respeitar a neutralidade da ,blgica86444 ,no todo sse impulso cristo um arrebatamento de idealismo destinado a naufragar no mar imenso e tormentoso das realidades8 ,se as igrejas em suas fortalezas seculares no poderam subjugar os homens e sujeita-los lei de ,cristo1 como que de esforos dispersos e boas intenes h-de tirar-se uma fra que domine os estados e lhes trace a sua regra8 ,ferrero1 o historiador da ,grandeza e ,decadncia de ,roma1 diz-nos no ltimo volume de sua obra que1 emquanto em ,roma1 volta de ,augusto1 a pequena oligarquia dos dominadores1 que julgava que tudo1 mesmo o futuro1 dependia dela1 se exgotava em discrdias furiosas e em tentativas contraditrias para afeioar o futuro a seu modo1 sse futuro por si mesmo se fazia no grande imprio1 e muito diferente daquilo que se tinha pensado4 ,emquanto ,augusto se dava a tantas penas para reorganizar em ,roma o govrno aristocrtico1 acontecia que por si mesmas1 pouco a pouco1 e pelos esforos de milhes de homens inconscientes do resultado final1 as regies do imprio que mais diferiam pela lngua1 pela raa1 pelas tradies1 pelo clima1 mtuamente se penetraram e chegaram a uma unidade econmica muito compacta2 interesses materiais que infinitamente se encadeavam1 tinham-nas mais estreitamente ligadas do que o podiam fazer as leis e as legies de ,roma ou a vontade do senado e dos imperadores4 ,era por sse trabalho interior1 invisivel1 de que ningum tinha conscincia1 que o ajuntamento acidental dos territrios feito pela conquista e pela diplomacia se tornava verdadeiramente um s corpo1 animado de uma vontade nica4 ,solues congneres e paralelas dos problemas da vida das naes e da constituio psicolgica dos povos vem apontadas e defendidas com uma grande clareza em um pequeno livro ultimamente publicado na ,inglaterra4 ,dedicado ,workers' ,educational ,association1 e por isso posto em termos de ser compreendido alm do mundo dos letrados e erditos1 colaborado por professores eminentes das universidades de ,cambridge e ,oxford1 mais cingido aos factos do que enlevado na seduo de abstraes e idealismos1 procura sse excelente trabalho esclarecer-nos sbre a crise que a guerra representa nos destinos da democracia1 e com um exito manifesto muito instrue os menos versados nas questes polticas1 mas nem por isso menos interessados e dedicados na determinao final de uma situao das naes da ,europa1 que ter de ser de larguissimas conseqncias na fortuna ou na desgraa dos povos que elas compreendem4 ,considera sse livro que na tarefa em que nos propomos fundar o domnio da lei1 direitos civis universais e a abolio da guerra1 h dois processos4 ,um consiste na presso dos governos e nos seus ajustes e convenes1 em tudo isso que anda sonhado e fragmentado em criaes e aspiraes de tribunais de paz1 em planos de desarmamento1 em tratados de arbitragem e em muitas outras ingenuidades correlativas1 to cativantes na candura da sua f como dbeis na eficcia4 ,evidentemente1 todas naufragam na impossibilidade de serem sancionadas pela fra1 quando a loucura ou a perversidade dos homens as desrespeitarem4 ,quando os conflitos surgirem1 onde esto os exrcitos que tornam soberanas e uma realidade as decises dos tribunais8 ,quando uma nao1 armada e grande1 afrontar as obrigaes dos retalhos de papel e os rasgar1 quem tornar de bronze a vontade dos tribunais e converter em mrmore a precria consistncia do papel8 ,um revoltado bastar para atraioar as intenes mais firmes e felizes1 e para inundar a terra de uma chuva de sangue e de fgo4 ,todos sses engenhosos contratos podem ser alivio por algum tempo e preparar o caminho para progressos ulteriores1 mas s por si no podem dar segurana alguma permanente1 nenhuma justificao satisfatria para o abandno de meios defensivos1 da parte dos vrios govrnos soberanos e em bem das suas naes4 ,sem dvida1 embora encontrem dificuldades irredutiveis para se manterem1 nem por isso so de desprezar sses ajustes e contratos4 ,pelo contrrio1 merecem ser promovidos e aproveitados4 ,smente convm no lhes atribuir valr que no comportam1 ou esperar da sua aco uma fortaleza que as suas faculdades no atingem4 ,pois1 de resto1 significam altos beneficios2 pressupem a supremacia do ,direito sbre a ,fra no esprito colectivo da humanidade civilisada1 uma supremacia definitiva daquilo que pde chamar-se o ideal civil contra o ideal militar1 no em a maioria dos estados mas em todos os estados suficientemente poderosos para desafiar a violncia4 ,pressupem um mapa do mundo traado definitivamente em linhas que satisfaam as aspiraes nacionais dos povos4 ,pressupem um status quo que se mantem1 no simplesmente1 como o de #aiae1 porque um facto legal e a sua perturbao seria inconveniente para os govrnos existentes1 mas porque meramente equitativo4 ,pressupem uma base democrtica de direitos civis e representao idntica entre todos os estados componentes4 ,pressupem1 finalmente1 uma opinio pblica educada1 incomparavelmente menos egoista1 menos ignorante1 menos flutuante1 menos materialista1 e menos estreitamente nacional do que aquela que at aqui tem prevalecido4 ,o outro processo pode parecer1 nesta hora de sonhos e desastre1 de extremos de esperana e desiluso1 um trilho longo e enfadonho4 ,e a velha estrada larga da civilisao1 no os atalhos atravs dos campos4 ,espera resultados duradouros1 no da cooperao mecnica dos govrnos1 mas do crescimento de um direito civil orgnico1 pela educao das prprias naes no sentimento do dever e da vida comum4 ,espera1 no o estabelecimento definido do ,estado do mundo em nossos dias1 mas smente uma refutao definida da perniciosa teoria da incompatibilidade mtua das naes4 ,espera a expresso do govrno do mundo na ordem externa1 daquilo que podemos chamar o princpio da ,repblica1 do grande princpio de lord ,acton1 do estado composto de naes livres1 do estado como um corpo vivo1 que vive pela unio orgnica e livre actividade dos seus diversos membros4 ,e encontra o seu imediato campo de aco no alargamento da profundeza e extenso das obrigaes civis entre os povos das grandes1 livres1 justas1 supranacionais repblicas1 cujo patriotismo foi edificado1 no por preceito e doutrina1 mas sbre o firme fundamento das mais antigas lealdades4 ,os problemas derivados do contacto das raas e das naes nunca podem ser resolvidos nem pela aco prudente dos indivduos nem por conflito e guerra2 s tem soluo em uma poltica deliberada e recta no seio de cada estado1 no reconhecimento por ambas as partes de exigncias mais altas do que os seus interesses seccionais--as exigncias de direitos civis comuns e do intersse da civilisao4 ,nisto1 na unio e colaborao das diversas raas e dos diversos povos1 que o princpio da ,repblica encontra o seu campo peculiar de operao4 ,sem ste princpio444 o mundo ser o caos que hoje #g4 ,eis a a lei suprema da histria--a preponderncia da actividade interior e inconsciente dos povos sobrepondo-se s lucubraes1 aos decretos1 s legies1 vontade e vaidade e inanidade dos capites e dos imperadores1 e preterindo-os inexoravelmente em todos os grandes movimentos da humanidade4 ,roma e a constituio jurdica e moral do mundo latino que dela nasceu e seu espelho1 foi apenas o maior exemplo da inflexibilidade dessa lei do desenvolvimento das raas1 duas vezes repetido naquele lugar1 primeiro criando a unidade poltica da civilisao1 e depois refazendo-a1 quando1 decrpita1 carecia de ser renovada pela unidade religiosa4 ,a face das cousas parece mudar mas smente a sua face muda2 em sua essncia permanecem sujeitas mesma lei1 idntica e constante nos grandes feitos como nos mais pequenos1 de fronteiras a dentro das naes como em toda a largueza dos continentes4 ,se o cristianismo tem de prevalecer e redimir das suas misrias o mundo1 ser nicamente por sses esfros de milhes de homens inconscientes do resultado final1 por sse trabalho interior1 invisvel1 de que ningum tem conscincia1 por efeito dessa misteriosa disseminao4 ,quando as leis escritas a definirem e reconhecerem1 ser porque de facto a sua vitria a isso as obrigou4 ,no sero elas que lhe ho-de dar ou roubar o seu domnio4 ,quarenta anos de materialismo brutal1 inflamado por um mesquinho e desvairado orgulho scientfico1 terminam hoje na guerra a sua obscurecida fama e glria1 aquela por demais terrena que ao seu esprito correspondia e que era a nica a que a sua fascinao podia conduzir4 ,esse materialismo ci pela fragilidade das suas edificaes1 porque s produzia dres onde prometia alegrias1 s acumulava ruinas onde ostentra traioeiras prosperidades4 ,mas1 antes que um cataclismo inaudito lhe demonstrasse a estreiteza e inconsistncia1 um trabalho subtil lhe minra os fundamentos3 aniquilivam-no aqules mesmos que o haviam gerado e nutrido1 os apstolos e os seus fiis1 os filsofos e os pensadores1 a inspirao dos poetas1 as academias1 e sobretudo as multides que os ouviam1 sentiam e interpretavam1 fatigadas de errores e de desprendimento religioso e moral2 e1 verificando pela experincia de agudos instintos os benefcios e os males das doutrinas e das crenas1 conforme a verdade e felicidade que lhes trazem ou lhes roubam1 assim as amaldiam ou engrandecem4 ,so sses poderes invisveis e imponderveis1 que habitam no corao das multides annimas1 que nos dirigem e do a vida e a morte1 nos indivduos como nas sociedades4 ,s sses podero libertar-nos da guerra ou eternisar a sua danao2 e as igrejas valero ento o que valer a sua obedincia ao princpio cristo1 e os estados sero um flagelo1 se em aco o negarem1 ou uma fortuna1 se o respeitarem e traduzirem nas cousas da terra e nas relaes entre as naes4 ,da arte de gastar e suas responsabilidades ,uma crise grave ilumina e descobre perigos que se no suspeitavam2 hbitos que anteriormente nos pareciam to inocentes e naturais que nenhum mal encerravam1 mostram-se com uma dupla face nos seus efeitos4 ,parece que se torna necessaria mais reflexo2 e1 posto que nos seja impossvel achar remdio simples para ruins efeitos1 sabemos que1 comeando a pensar honestamente1 teremos probabilidades de achar o caminho de melhores hbitos4 ,ser esperar muito que entre outras cousas boas que podem resultar desta negra crise1 venha a nascer um certo acordar1 da nossa parte1 quanto futilidade1 assim como quanto ao perigo1 de muitas das nossas despesas8 ,no bem para uma nao que uma quarta parte dos seus rendimentos se gaste de um modo inconstante4 ,no bem para uma nao que a quarta parte da sua capacidade de trabalho se especialise a produzir cousas que se vem e sentem destitudas de valor1 mal uma crise o vem pr em prova4 ,de resto1 os ricos no so os nicos que no seu gastar esto em falta2 tambm os pobres teem os seus poucos luxos inuteis4 ,mas so os ricos1 e no os pobres1 que individualmente teem maior responsabilidade na errada direco do trabalho1 emquanto so les que individualmente possuem maior poder de gastar e so1 por conseguinte1 os que gozam de maior liberdade para escolherem o modo por que ho-de usar sse poder4 ,a isto vem1 em suas concluses finais1 o opsculo precioso que1 sob o titulo de ,spending in ,war ,time1 o professor ,e4 ,j4 ,urwick publicou1 em ,oxford1 na coleco de ,papers for ,war ,time1 dirigida por ,w4 ,temple4 ,inspirada na convico de que esta guerra o resultado e a revelao dos princpios anti-cristos que dominaram a vida da cristandade do ocidente1 e dos quais tanto as igrejas como as naes carecem de se arrepender1 essa coleco uma crtica penetrante e serena de muitas angustias em que a indigncia e a perverso religiosa nos lanaram1 e simultneamente um estudo magnifico de diversos problemas que a ansiedade de melhores dias definiu e pz1 no sem esperana de solues por igual prprias a satisfazer as investigaes da conscincia moral e as necessidades da vida prtica4 ,os que seguem a ,cristo1 esto unidos entre si em uma comunho superior a todas as divises de nacionalidade e de raa2 os deveres cristos e de amor e de perdo prendem-nos tanto em tempo de guerra como em tempo de paz4 ,e os cristos teem de reconhecer a insuficincia da mera compulso para vencer o mal1 e de guardar a confiana suprema nas fras espirituais1 particularmente no poder e no mtodo da ,cruz4 ,disso depende1 no conceito dos que se associaram misso de que os opusculos daquela coleco so inteligente testemunho e instrumento eficaz1 disso depende uma paz duradoura4 ,para o conseguirmos1 torna-se necessario um novo esfro com o fim de aplicarmos em todas as relaes da vida a aspirao de comunho e fraternidade2 e neste pensamento cada um1 examinando os seus recursos1 vir a considerar o que faz e o que deve fazer dos meios econmicos que o destino lhe facultou1 como serve ou contrara os princpios cristos e o seu reino na terra1 e especialmente como favorece ou embaraa a soluo dos conflitos econmicos que a guerra exacerbou e revelou com uma dolorosissima evidncia4 ,o problema ser de minguado alcance para todos aqueles a quem a exiguidade de meios determina e restringe imperiosamente a natureza e extenso das despesas4 ,esses gastam o que no podem deixar de gastar para se sustentarem1 quando freqntemente1 e por desgraa1 no so reduzidos ao extremo de no gastarem sequer aquilo de que careciam para o seu parco sustento1 porque de todo lhes faltam os meios indispensveis4 ,mas no acontece assim com outros1 ainda numerosos1 de facto representando uma fra poderosa na actividade das sociedades2 e stes1 tendo mais do que o necessrio para o sustento1 ficam por isso com uma larga margem para a livre distribuio de grande parte dos seus haveres pelas despesas que lhe aprouverem1 e paralelamente esto sujeitos s responsabilidades que a sua abundancia e liberdade implica4 ,e stes o que fazem1 sobretudo o que devem fazer na crise presente8 ,continuam as suas despesas de luxo e a sua prodigalidade de futilidades em prejuizo de despesas de necessidade social urgente1 continuam em seus regalos1 ignorando a indigncia dos oprimidos e famintos8 ,ou1 para acudirem aos necessitados1 derivam das suas dissipaes habituais as somas que nelas empregavam1 e para isso criam novas legies de indigentes1 condenando misria1 pela cessao do trabalho1 aqules que lhes serviam as dissipaes1 provendo-lhes o luxo e as futilidades1 disso auferindo o po de cada dia e para isso tendo sido educados por longos anos de prtica e especialisao1 que no raro os tornaram inaptos para outras profisses8 ,a situao de uma agudeza extrema4 ,para qualquer lado que se movam os que teem disponibilidades a empregar1 ou persistam nos antigos hbitos ou tomem por caminho novo1 j no fugiro a semeiar privaes1 alongando-as a uns porque no lhes do o po que deveriam dar-lhes1 e causando-as a outros se1 para acudirem aos primeiros1 se apartam dos ultimos1 negando-lhes o que at a lhes davam e em certo modo prometiam dar-lhes1 pela invariabilidade do que lhes pediam4 ,a conjuntura opressiva1 e fmos ns1 por nossa vontade1 que lhe demos causa1 por nossa pobreza de senso moral1 por um deplorvel abandono a toda a casta de apetites4 ,organisamos e distribumos as nossas despesas sem cuidarmos das responsabilidades econmicas que elas importam1 constantemente de profundo alcance e agora cruelmente postas a n pela perturbao em que a guerra desfez muita fico e muita iluso4 ,seriam as nossas despesas como essas doenas latentes1 graves1 fatais1 que se escondem em aparncias de sade e artes de bem trajar1 e que uma febre acidental revela aos que em sua negligncia no as tinham previsto nem sentido1 aterrando-os ento pela iminncia de perigos mortais e pela presena de prpria misria4 ,por uma incria que o indcio da lastimosa leveza de conscincia moral e religiosa de que nos deixamos possuir1 viemos a regular ordinriamente as despesas e toda a distribuio dos nossos bens segundo o volume dos meios de que dispomos e segundo os apetites que nos incitavam e cuja legitimidade nem de longe discutiamos4 ,desprendemos-nos da considerao das conseqncias ulteriores da aplicao dos nossos haveres2 jmais ponderamos1 como obrigao e dever1 que gnero de trabalho les criavam1 quantos trabalhadores alimentavam e em que condio os mantinham1 que influncia social exerciamos por sse modo1 que bem-estar ou que misria dependia de ns1 que instabilidade e perigos conseqntes eram os companheiros obrigados das nossas obras e tendncias4 ,vamos em uma leviana e traioeira certeza de que gastando1 seja como fr1 beneficiamos o comrcio e acrescentamos a riqueza e o trfego1 unicamente porque demos emprego a muitos braos4 ,na verdade1 assim acontece2 o nosso luxo e a nossa dissipao significam o sustento de muita gente4 ,smente esquecemos1 e o mais das vezes ignoramos inteiramente1 porque1 falta de vigor moral bastante1 isso escapa nossa ateno e nem de longe nos toca1 e muito menos preocupa a conscincia1 smente no perguntamos que especializao de trabalho e de capital os nossos hbitos determinam1 que espcie de constituio econmica criam e sustentam1 e de que enfermidades ela padece e faz padecer os homens que lhe esto sujeitos4 ,pois evidente que ser1 por exemplo1 muito diversa em seus riscos a situao de costureiras empregadas a fazer vestidos de baile1 para sse trabalho amestradas1 e a situao dessas mesmas costureiras empregadas a coserem blusas de trabalhadores4 ,ao mais pequeno alvoroo mercantil ou qualquer outro1 cessam os bailes1 as costureiras ficam sem trabalho e anula-se o capital que lhes era destinado1 desaparece2 emquanto s em ultima misria e na maior calamidade deixam de ser necessarias as blusas dos trabalhores1 e cessa de se aproveitar o capital de que o seu fabrico carece1 e se suspende ou interrompe o pagamento do trabalho que reclamam4 ,so infinitamente e manifestamente menos numerosas as contigncias de retribuio do cavador do que do ourives2 entre les h toda a distancia que vai das necessidades essnciais da existncia aos caprichos acidentais de adorno e de prazer4 ,e dada a dificuldade1 e em muitos casos a impossibilidade de mudar de profisso ao sabor dos mercados1 porque o desenvolvimento de certas aptides implica1 em geral1 o afrouxamento1 e em breve a atrofia completa1 de outras capacidades1 compreender-se- quanto importa para a fortuna dos trabalhadores o gnero de trabalho que lhes reclamamos e o gnero de mercadoria que lhes pedimos e1 porque lho pedimos1 os convidamos e na realidade obrigamos a produzir4 ,ns1 os da gente fina e boa gente1 lisongeamos-nos1 diz o sr4 ,urwick1 crendo que1 s pelo simples acto de gastarmos dinheiro1 prestamos um assinalado servio indstria1 beneficiando o comrcio e dando emprego4 ,isto1 como todo o economista sabe1 realmente um sofisma4 ,mas o mais plausivel dos sofismas e muito popular2 e a sua plausibilidade reside no facto de conter uma semi-verdade4 essa semi-verdade que agora temos a considerar2 o sofisma apreci-lo hemos dentro em breve4 indubitavelmente verdadeiro que todo o dispendio de dinheiro significa a inclinao da indstria para certa via4 ,quem gasta uma libra em sapatos1 estimula por isso os patres e os operrios a fazerem sapatos e a proseguir no fabrico dos sapatos1 em vez de produzirem qualquer outra cousa4 ,no sustenta ou mantm a indstria dos sapatos no sentido rigoroso da palavra2 mas faz que o trabalho e o capital se consagrem espontaneamente ao fabrico dos sapatos de preferncia a fazerem sacos4 ,no momento presente vemos isto operando em larga escala2 uma soma enorme de dinheiro se est gastando em panos de khaki1 resultando da que correspondentemente uma larga quantidade de trabalho e capital 7incluindo a de alguns antigos fabricantes de calado7 dirigida para a produo dos uniformes de khaki4 ,ora esta direco do trabalho e do capital involve alguma cousa mais do que puramente se lhes dar ordem para fazerem isto em vez daquilo4 ,usualmente significa que d causa a que os trabalhadores e o capital dos patres se tornem altamente especialisados para o trabalho particular que lhes pedem2 tornam-se1 por conseguinte1 aptos para este trabalho e para nenhum outro4 ,isto ainda mais verdadeiro na direco do trabalho devido s despezas da gente rica2 em geral1 requer-se por exemplo maior especializao da parte dos fabricantes de vestidos ou de sapatos muito caros do que da parte dos fabricantes de vestidos ou sapatos mais baratos4 ,ora a dificuldade com todos os trabalhadores de uma alta especialisao 7e com o capital altamente especialisado e a habilidade de dar emprego que com les operam7 que no podem facilmente adaptar-se a fazer qualquer outro trabalho4 ,o costureiro hbil no pode mudar e coser khaki2 o ourives hbil no servir de muito para fabricante de espingardas ou para construtor de cabanas4 por isso que hoje os grupos de pacientes mais dignos de d so justamente aqueles trabalhadores que durante anos dependeram da freguezia da gente fina4 ,na realidade1 dependeram e dependem literalmente de ns1 neste sentido--fmos ns que os convidamos a abrirem lojas e a exercerem um comrcio prprio para satisfazer as nossas necessidades1 e a ganharem a sua vida por este modo e s por este modo4 ,so1 por conseguinte1 os nossos trabalhadores1 os nossos dependentes1 to literalmente como se fssem os nossos criados2 e no momento em que cessamos ou altermos os nossos hbitos de gastar1 esto arruinados4 ,de modo que1 chegados a uma conjuntura como a presente1 muito bom dizer3--,reduzam-se as despezas ao essencial2 suprimam-se todas as despezas suprfluas4 ,mas logo surgem duvidas e perguntam3--,e os trabalhadores que criamos para satisfazerem as nossas despezas suprfluas de que ho-de viver8444 ,a dificuldade vem de habitos de gastar que se baseiam em um sofisma perigoso4 ,os embaraos economicos presentes so a derivao lgica de uma errada constituio econmica anterior4 ,talvez pelas condies do indstrialismo moderno1 que apartou em um desligamento profundo os trabalhadores e quem les servem e os emprega1 talvez por essa mecnica de uma absurda diviso do trabalho1 que fez que de ordinario no saibamos onde se criou o po que comemos1 nem quem o fabricou1 nem quem fiou e teceu o linho e a l que nos cobrem1 o certo que absolutamente se obliterou o sentimento da responsabilidade na arte de gastar1 e de todo deixamos que prevaleam nesta materia tendncias1 principios e processos que resultam no s em desamor dos que de ns dependem imediatamente1 mas at na instabilidade e muita dissipao da prpria riqueza4 ,imaginamos que sustentamos os trabalhadores gastando dinheiro com as cousas que les fazem4 ,ora nenhum gasto de dinheiro ou consumo de fazenda fornecida em troca de dinheiro gasto sustenta alguem1 a no ser a pessoa que adquire a fazenda e a consome4 ,trabalhadores e indstria so em geral sustentados s por um modo--pela criao actual de riqueza real para les usarem e viverem dela4 ,se cavamos um campo e criamos trigo1 acrescentamos realmente o sustento de todos os trabalhadores4 ,se meramente compramos o trigo e o comemos1 s a ns nos sustentamos1 custa de quem criou o po1 seja le quem fr4 ,e isto aplica-se a toda a compra ou gasto4 ,muita gente tem dificuldade em o conceber2 mas a materia bastante simples4 ,os dois processos de fazer riqueza1 em a nossa capacidade de produtores ou trabalhadores1 e de a consumir1 em a nossa capacidade de gastadores de dinheiro1 so exactamente anlogos aos dois processos de cosinhar os alimentos e de os comer depois de cosinhados4 ,se o nosso cosinheiro nos prepara um jantar1 a seqncia natural dos acontecimentos que ns ou outros o havemos de comer4 ,mas comer o jantar no habilita1 de modo algum1 o cosinheiro a preparar outra refeio1 e no o sustenta1 a le1 nem sua cosinha4 ,isso s se consegue fornecendo-lhe novos materiais para cosinhar4 ,ou podemos comparar a despeza exploso de uma arma4 ,a exploso a conseqncia natural da carga1 e foi para isso que a arma foi carregada2 mas a exploso no concorre para carregar de novo a arma1 isso s se obtem produzindo novas munies4 ,se a exploso tem algum valor1 pertence le a um resultado totalmente diferente1 que por sua vez est inteiramente dependente do seu fim ou direco4 ,assim com os nossos gastos4 ,podem ter efeitos benficos1 se so bem dirigidos1 isto 1 na proporo em que procuram satisfazer as necessidades reaes de gente realmente necessitada4 ,mas1 s pelo facto de gastar1 no contribuem no quer que seja para sustentar a gente cujas mercadorias compramos4 ,se pretendemos sustenta-la1 ento toda a nossa pretenso deve assentar no facto de que previamente ganhamos por um trabalho util o dinheiro que gastamos e por sse trabalho acrescentmos realmente os recursos dos outros trabalhadores4 ,gastando o dinheiro ganho1 no acrescentaremos o quer que seja a sse bom resultado4 ,assim1 no ha virtude alguma em a nossa aco como gastadores444 ,muitas vezes1 pelo contrrio1 haver um resultado definitivamente pernicioso onde fr excessiva a soma do que se comprou e consumiu4 ,porque os trabalhadores ou os fabricantes de riqueza so em numero limitado1 e1 com todo o seu duro trabalho1 a soma de cousas que podem fabricar1 ou a soma de servios que podem prestar em um ano1 severamente limitada1 mesmo que possa crescer gradualmente medida que os anos vo correndo4 ,e em uma terra que de modo algum anda inundada de mel e de leite1 nenhum individuo e nenhuma classe pode tirar com muita largueza da proviso total produzida sem deixar algures uma falta4 ,isto por tal forma verdadeiro e obvio que podemos ir at afirmar que por cada cem libras que gastamos1 alm das primeiras quinhentas ou seiscentas libras dos nossos rendimentos1 ha necessariamente algures alguma familia da nossa comunidade coagida a viver com menos de duas libras por semana1 muitas vezes com menos de trinta ou de vinte e cinco shillings4 ,ora nos tempos bons1 quando o clamor dos indigentes no muito alto1 nem de longe atentamos nisto1 e por conseguinte gastamos de corao leve os rendimentos4 ,mas vem uma crise e reflectimos2 vagamente sentimos a relao entre a nossa abundancia e a indigncia dos outros1 suficientemente para nos inclinar a no dispender o nosso dinheiro como antigamente4 ,nestas lucidas asseres1 que so afinal versiculos capitais de um breve e fecundo evangelho moral e econmico1 com to elevado talento definido por um esprito e por um caracter manifestamente superiores1 no quer o seu autor que se lhe atribua a afirmao de que os nossos habitos de gastar so egoistas1 ou indignos1 ou extravagantes1 ou maus1 salvo no caso unico em que les involvem realmente um perigo grande para o sistema actual da indstria4 ,e que les na verdade so nste sentido habitos maus1 est provado pelo facto--e sse o sinal de todo o habito mu--de que presentemente involvem todo o sistema em dificuldades1 mal sofreram um choque4 ,por ste modo1 pelo perigo da instabilidade que lhes inerente1 sses habitos de gastar da gente fina parecem ser elemento e parte daquele arriscado processo em que se procura equilibrar a pirmide da indstria no vertice dos desejos e necessidades de uma pequena classe1 em vez de a assentar na larga base das necessidades universais4 ,no so cousa simples as obrigaes de caridade com os nossos dependentes1 e muito menos o so o conhecimento e arte de a exercer pela nossa aco em criar a riqueza onde um proceder leviano apenas se imagina autorizado a dispend-la1 na boa f de que para isso tem moralmente inteira liberdade1 isenta de grave responsabilidade pessoal4 ,mas1 se houve beneficios na guerra e nos transes por que nos faz passar1 a seu activo teremos de lanar as profundas lies sociais que nos deixa e o poder1 seno o terror1 com que nos obriga a escut-las4 ,porque1 no dizer de um jornalista ingls1 a guerra ensinou a certa gente1 pela primeira vez1 exactamente o que significa viver em uma sociedade4 ,mostrou que a nossa sociedade1 em lugar de estar bem organizada1 est mal organizada e frouxissimamente unida1 e quanto as pretenses individuais esto em conflito com os interesses de todo o povo4 ,da vem que a guerra est desenvolvendo uma agudissima srie de problemas sociais e1 ousarei acrescentar1 da vem conjuntamente que1 sendo a maior das calamidades1 poder resultar em uma fecunda angstia1 se por sua instigao houver o bom senso e coragem de dar a sses problemas as solues evidentes que les reclamam1 e que de resto continuamente conhecemos e entrevemos pela voz de interpretes eloquentes4 ,viu o nosso tempo uma terrivel desgraa que no pde evitar e o tortura2 mas viu tambm uma gerao que1 esclarecida como nenhuma outra igual que a histria nos mostrasse1 sabe julgar conscienciosamente as suas dres e delas tirar ensinamento para emendar os seus rros e para acautelar a justia e a paz das geraes futuras4 ,honesta e delicadamente se apressa a aproveitar e meditar as lies de uma experincia cruel4 isso a sua honra e o seu dever1 e afinal o interesse imediato do seu contentamento e felicidade4 ,o ,cavador e o ,profeta ,algum tempo meu criado1 hoje apenas um companheiro da minha morada1 porque a edade e as enfermidades o isentaram de toda a obrigao de assiduidade e servio efectivo1 o velho que vive comigo um caracter irreductivel em seus moldes4 ,feito lei da natureza1 do que ela deu e do que o destino quiz1 em uma liberdade intransigente1 por uma rebeldia infinita constituido fra de toda a presso da vontade e intenes de estranhos1 no h nada que o vergue1 nem h contingncia que o amedronte1 nem mesmo fora que facilmente o modere4 ,o seu brao e a conscincia so a sua fortuna1 e isso lhe basta4 ,um secreto orgulho o domina e conduz4 ,tem a sua aspirao1 sua crena1 regra e necessidade1 a sua linha1 como o modernismo usa dizer1 e dela no se afasta4 ,no h insinuao alheia que lhe modifique a opinio ou que lhe abrande a teimosia2 e o vigor da afirmao tanto mais seguro quanto pura e estreme a ingenuidade4 ,no conhece duvidas1 como por certo as ignoram as raizes que alimentam os lirios e as saras que se cobrem de espinhos4 ,cavador e servo por condio e nascimento1 desde a infncia at velhice adeantada e insubmissa em que vae arrastando os anos1 uma destas creaturas que nasceram para tirar da terra o po com o suor do rosto1 comendo as migalhas e abandonando o principal aos seus senhores1 e que1 por sua grandeza e nobreza1 no maldizem semelhante estado e nem sequer o evitam4 ,toda a metralha filantrpica e seus condimentos e acessorios sociolgicos e socialistas1 que se traduzem em bibliotecas infindas e em odios1 guerra e sangue1 toda essa ambiciosa disputa e repartio da riqueza1 e seus venenos1 astucias1 e engenhosas e subtis iluses1 tudo isso se teria afigurado futil e vo a sse velho pobre1 se le fsse capaz de definir em teses1 discursos e combates o que lhe vai no ntimo4 ,subjugado1 provavelmente1 por aquele mesmo principio que no permite que as rolas discutam o motivo pelo qual umas andam magras e outras gordas e uns ninhos esto altos e outros baixos1 uns em logar seguro e outros em risco1 por sse motivo se julgaria impedido de se atormentar estudando as desgraas do mundo e a sua redeno4 ,para o meu cavador1 a servido seria uma cousa que acontece1 como o crepsculo1 a aurora1 a chuva e o vento4 ,umas vezes seria doce e outras penosa1 umas vezes seria a fartura e outras a fome1 e invariavelmente seria lgica e aceitvel1 porque nessa natureza com que lida de perto1 no encontra injustias1 nem resignaes1 nem sofismas1 e apenas h uma ordem eterna e intransgressivel que s a natureza determina e conhece4 ,um fatalismo vago ser talvez um dos bordes da humildade4 ,e talvez fosse por isso que o velho tomou tanto amor sua condio4 ,a melhor condio seria a primeira e a mais proxima para que o destino o lanra4 ,porque se deixou induzir na tentao de descobrir onde mora a riqueza e onde se nos entrega1 foi duas vezes a ,lisboa1 a p1 por sses caminhos fra1 vendo terras e homens1 transpondo descuidadamente as sessenta leguas que tinha a calcar da aldeia at cidade4 ,mas em nenhuma dessas aventuras encontrou cousa que o prendesse1 deleite que o seduzisse1 luxo que o deslumbrasse ou salario que o convencesse4 ,e depressa voltou enxada e escravido do amo a quem cavava as terras1 e que em troca lhe dava o po4 ,a experincia do mundo1 quando o via de perto1 inflamava-lhe logo um obstinado desejo e contentamento da pobreza4 ,maior aventura que as duas jornadas a ,lisboa foi o casamento4 ,porque tambm se casou2 tambm um dia foi egreja maila a sua aucena1 como diz1 rememorando com uma pitoresca ironia e sorridente indulgncia sses malfadados passos4 ,deu-se mal4 ,era de prevr4 ,no sei o que seria a mulher2 no creio muito que primasse pela doura4 ,e1 como le pelo seu lado no personificava a brandura nem a flexibilidade1 o conflicto era certo e o apartamento a sua conseqncia4 ,pesava-lhe pouco sse apartamento em que rehavia a independncia1 dando-a tambm mulher e aos filhos4 ,porque1 como sbre os bens no havia questo1 como1 prescindindo dos poucos que possuia1 se conformava maravilhosamente com as suas propenses1 o divrcio tornava-se1 e de facto se tornou1 em extremo simples4 ,no precisava de juiz nem escrivo4 ,era deixar mulher e aos filhos a casa1 o lar1 o campo1 e mais toda a poesia1 graas e confortos que l no encontrou1 e mais todas as inquietaes que l o mortificaram1 e ir-se le embora1 a cavar nas terras de alguem que lhe desse o po e o socgo4 ,e foi o que le fez1 serenamente1 tranquilamente1 em uma tranquilidade de vencedor4 ,deixou-lhes tudo1 sem mesmo reservar algumas moedas que herdra de um fidalgo a quem serviu por muitos anos e que1 consciente da sua condio e da bondade a que ela obriga1 contemplou no testamento todos os seus criados e servidores4 ,separou-se da mulher e mais dos haveres o cavador rebelde4 ,a felicidade e a paz1 pagava-as com a iseno2 no as pressentia nas cobias1 por elas no se afreimava4 ,cavar e servir1 eis a suprema felicidade qual obedecia4 ,no se detinha a verific-lo1 nem o confessava1 nem o apregoava1 nem talvez o pensava claramente4 ,mas demonstrava-o em seu sangue e exemplo1 o que seria a mais penetrante arte de persuadir4 ,cavar1 servir444 e tambm amar4 ,servir com um to arrebatado desprendimento j significaria muito amor1 mas sse amr1 que lhe andava no nimo1 tinha traduco ampla e ardente em um outro modo4 ,morria pelos animais4 ,afagava-os1 beijava-os1 cuidava-os carinhosamente1 com um zlo terrivel4 ,por les se afligia1 irritava-se e praguejava1 se o pasto era escasso ou se a avareza do amo ou do feitor no alargava as raes at onde era mister para uma ostentosa prosperidade do estbulo4 ,algum anjo ou demnio lhe mandaria guardar para aqueles seres mudos e pacficos a afeio e a dedicao que os homens pagavam mal2 advinhava-lhes superioridades na inconscincia1 e com ternura as reconhecia4 ,entretanto1 acrescentava em seu esprito e lembrana o compndio dos ensinamentos da vida1 e1 pobre de bens porque os outros lhos tinham levado1 no era indigente de opinies4 ,tinha a sua filosofia1 consistente1 slida1 de largos e singelos alicerces1 e de resto rematadamente singular4 ,assim1 entre as lies que lhe ouvi1 aprendi que no casamento a questo de idade s importa ao homem4 ,a mulher a todo o tempo pde casar2 o homem que precisa de ser novo4 --,porque8 --,porque86444 ,ora essa6 ,porque o homem que tem de o ganhar1 precisa de ter fras para isso4 ,a mulher s para o governar e gastar4 ,e trabalhava1 trabalhava continuamente1 e sempre que pde ainda trabalha1 com uma tenacidade indomvel4 ,no para se enriquecer nem para enriquecer o amo2 as riquezas e o amo confunde-os na mesma indiferena4 por trabalhar2 o trabalho pelo trabalho1 impulso essencial1 significao nica da vida1 nica razo de ser da existncia na terra4 ,cria como as rosas florescem4 ,e no seu sistema moral e econmico trabalhar usar dos braos para criar o po4 ,no concebe outra cousa4 ,austeridade1 ascetismo1 de todo os ignora1 como ignora ou despreza a poupana e a previdncia4 ,onde que le viu isso nas plantas que semeia e nos animais que estremece8 ,no pde1 evidentemente1 caber na sua lgica o que no coube na lgica da natureza4 ,por isso a dissipao da taberna e do alcool1 exaltando-lhe os nervos e extasiando-o1 lhe parecero um facto to natural e legtimo como as correrias dos potros na pastagem4 ,quanto tem para beber1 e a sua mgua que eu lhe d muito pouco para sse fim4 ,se lhe dizem que um vicio e a causa da sua misria1 recebe com um desdem altivo a advertncia4 ,no seu conceito1 a embriaguez apenas uma alegria1 abenoada como todas as alegrias4 ,quem sabe86444 ,talvez na rudeza da sua ingenuidade1 inflamada pelas provaes do mundo1 tivesse fechado a abbada de uma grande filosofia4 ,a vida seria uma obrigao e uma orgia1 uma disciplina e uma liberdade1 uma sujeio de toda a nossa actividade ao esfro de criar o po e uma independncia de todos os instinctos na suma vibrao das suas energias--uma religio em que o mesmo amor1 e por igual1 servia a ,deus e aos homens1 terra e aos cus1 porque a terra e os cus eram as duas grandes verdades iniciais1 duas emanaes sublimes de um s esprito misterioso4 ,ora eu gosto de ouvir sse homem4 ,sendo maior do que eu1 tendo feito aquilo que eu no fui capaz de fazer1 tendo vivido na intensidade de vida que eu no fui capaz de atingir1 indubitvelmente h-de saber o que eu no sou capaz de saber4 ,perguntei-lhe pela guerra4 ,que me dizia desta loucura de matar que cobre de sangue o mundo8 --,a guerra1 respondeu-me1 por causa dos que querem comer sem trabalhar4 ,olhe1 quando eu vou cidade e vejo por l os soldados1 bem agasalhados1 bem mantidos1 bem engraixados1 escovados e a luzir1 digo comigo que essa gente que faz a guerra4 ,porque quer andar assim1 de costa direita1 quer comer sem trabalhar4 ,ai est uma opinio6 ,opinio de um cavador1 que o 1 honestamente1 h mais de sessenta anos2 mas1 sem embargo1 uma opinio4 ,e como tem seus apstolos1 como h-de ser prgada na taberna1 entre os cavadores1 caveant consules6 tomem nota os generais e os seus imperadores1 andam-lhes inimigos na fortaleza4 ,disse-me ,tolstoi1 quando o visitei1 que da ,russia emigram familias inteiras1 e em uma simples carroa levam todos os seus bens1 e vo muito longe1 ,sibria1 quasi ,china1 a fazerem as colheitas4 ,depois por l ficam1 por l engenham suas cabanas1 criam uma lavoura nos desertos incultos1 e so felizes at que os governos as descobrem para lhes pedir impostos e os filhos para a guerra4 ,dar-se hia o caso que o cavador1 em toda a sua obscura ingenuidade1 e o gnio1 em todo o seu resplendor de glria1 soletrassem ambos as mesmas palavras nas mesmas aces8 ,foi o cavador que falou pela bca do profeta ou foi o profeta que incarnou no cavador8 ,e1 se se juntaram e identificaram1 que mundo novo prometem a sua conformidade e consubstanciao em uma nica viso86444 ,aparies ,mazzini condio ingnita dos homens sofrer para conhecer4 ,a experincia e o que ela ensina no passa sem mguas4 ,a dr ilumina e revela o caminho da salvao4 ,porventura tanto nos elevamos e robustecemos1 no entendimento e no caracter1 pelos desenganos dos erros e pelas atribulaes que eles importam como nos cegamos1 desvairamos e enfraquecemos pelos bafejos de uma fortuna fcil e prolongada4 ,se benefcios teve a guerra1 o mais alto seria acordar1 at s suas mais remotas profundezas1 a conscincia dos povos1 o sentimento do seu destino e responsabilidades na vida4 ,perdidos nas mais pungentes incertezas1 em labirintos de ruinas inundadas de sangue e habitadas pela morte1 pela fome e pela desgraa1 perguntam entre agonias se na terra haver refgio de to agudas penas e calamidades2 anciosos1 interrogam os cus e a imensidade1 rogando que lhes mandem uma voz que seja o prego do resgate1 um alento onde respirem a fortaleza e paz4 ,profetas que a embriaguez das paixes votra mudez dos seus tumulos e a quem o seu tempo desconhecra ou apenas suspeitra a grandeza1 erguem-se das cinzas aureolados de poderes divinos4 confuso tenebrosa do tumulto em que os homens se despenham nos abismos que a prpria loucura cavou1 sucedem aparies que os guiam na estrada da redeno4 ,so remorso e esperana1 remorso da infidelidade em que as esquecemos e que pagamos cara1 e esperana da glria a que nos conduzem4 ,poucos dias apz a declarao da guerra1 encontrei em uma folha inglesa o nome de ,mazzini4 ,como o mais inculto1 mal conhecia essa sombra quasi apagada pela obsesso do realismo e pela torrente de realidades que haviam dominado os espritos e edificado os imprios do nosso tempo1 alvoroando o assombro da nossa imaginao e inflamando-nos traioeiras vaidades4 ,revolucionrio1 poeta e sonhador1 incarnao de idealismos que haviam ganhado fama de estreis e perigosos1 e a negao daquela espcie de homem prtico em que a sordidez se converteu em suprema virtude1 ,mazzini jazia no manso olvido e proscrio a que uma poca toda enlevada e confiada na ordem1 na scincia1 na razo e no positivismo havia votado a legio inquieta dos descontentes1 crentes e videntes1 pensadores rebeldes e apstolos intemeratos1 qual le pertencera e dera todo o fulgor do seu gnio4 ,ia na onda que varrera da nossa presena e da nossa f as vises romanticas que um entendimento prtico at aos aviltamentos da brutalidade usava acoimar de ridculas e vs4 ,era surpreza que algum desse bando exilado voltasse1 e exactamente na hora em que menos deveria poder1 quando a violncia estava senhora do mundo e nle corria solta1 em momento sem dvida nada favorvel contemplao de vises que o ferro e fogo no fsse capaz de desfazer4 ,mas por isso mesmo que a surpreza me incitava1 por isso mais depressa e atentamente corri a ouvir os clamores da apario4 ,que dizia8#h ,em que arrebatamentos se exaltava e nos induzia86444 ,no compreendia ,mazzini a subsistncia do mundo e da razo s por si1 independentes de um princpio superior a que se subordinassem4 ,o universo pertncia a ,deus4 ,a terra era apenas um degrau para os cus1 uma linha no poema imenso do universo1 uma nota na harmonia da ideia divina4 ,da conformidade das nossas obras com essa harmonia dependia o triunfo final1 toda a paz1 toda a ventura1 toda a dignidade e grandeza das sociedade humanas4 ,sendo um sonho1 uma aspirao1 uma essncia impalpvel1 era isso a sumula1 regra1 condio da vida de todas as realidades em que a nossa vontade podia influir1 o fundamento1 nico consistente1 de todas as edificaes que tentassemos construir4 ,quando o profeta cuidou de traduzir a f na soluo dos problemas do seu tempo e do seu pas1 no ardor de mrtir a que consagrra a vida1 sentiu que duas doenas corrompiam as classes que preponderavam no govrno dos estados--o maquiavelismo e o materialismo4 ,a primeira1 mesquinho disfarce de um homem grande mas infeliz1 leva-nos para longe do amor e de uma franca1 corajosa e leal adorao da verdade2 a segunda1 atravs do culto do intersse prprio1 precipita-nos no egoismo e na anarquia4 ,eram essas as doenas sociais e polticas que ameaavam e embaraavam uma renovao poltica da ,itlia1 e que hoje1 tristemente manifesto1 de todo perturbaram a fortuna da ,europa4 ,por completo nos desprendemos da lei1 e no h vida sem uma lei4 ,onde a vida existir1 existe em certo modo1 conforme certas condies1 sob uma certa lei4 ,uma lei de agregao governa os minerais2 uma lei de crescimento governa as plantas2 uma lei de movimento governa as estrelas2 uma lei nos governa1 a ns e nossa vida1 lei mais nobre e mais elevada do que aqueloutras1 por isso que ns estamos superiores a todas as outras cousas criadas na terra4 ,desenvolver-nos1 proceder1 viver conforme a nossa lei1 sse o nosso primeiro1 e at mesmo o nosso nico dever4 ,a ordem do progresso clara e evidente4 ,revela-se-nos pela histria como pela conscincia4 ,mostra-se na grande distncia entre a crena do presente e a f que foi a base da moralidade das geraes que nos precederam4 ,os primeiros homens sentiram ,deus1 mas sem o compreenderem1 sem mesmo procurarem compreend-lo na sua lei2 sentiram-no no seu poder1 no no seu amor2 tiveram uma vaga concepo de certa relao entre ,deus e o homem1 mas nada mais4 ,foi longa1 durou dilatados sculos a insinuao do esprito que nos havia de levar a compreender que h um s ,deus e todos os homens so filhos de ,deus4 ,foi a promulgao destas duas grandes verdades que mudou o aspecto do mundo1 e s ento o homem soube que onde encontrar um companheiro est um irmo1 dotado de uma alma imortal como a sua1 destinada a erguer-se ao seu criador1 um irmo a quem deve amor1 participao na sua f1 e auxilio de conselho e aco quando o carecer4 ,s ento se ouviram nos lbios dos apstolos palavras sublimes1 profticas de outras verdades contidas em germen no cristianismo1 palavras ininteligiveis para a antiguidade e mal compreendidas ou desprezadas pelos sucessores dos apstolos4 ,porque da maneira que em um corpo temos muitos membros1 mas no teem todos uma mesma funco1 assim1 ainda que muitos1 somos um s corpo em ,cristo1 e cada um de ns membros uns dos outros4 7,s4 ,paulo1 ,ep4 aos ,romanos1 c4 ,,xii1 vv4 #d1 #e74 ,e haver um s rebanho e um s pastor 7,evangelho de ,s4 ,joo1 c4 ,x1 ver4 #af74 ,a poltica era a traduco dessa lei suprema no govrno das naes1 em toda a extenso dos princpios que da se deduzem4 ,seria uma aco religiosa e moral1 e jmais era lcito degrad-la em uma disputa de egoismos ou em uma conveno de intersses4 ,o govrno do pais tem de ser baseiado pelo nosso trabalho sbre o culto dos princpios1 no sbre o culto idlatra dos intersses e da oportunidade4 ,h pases na ,europa onde a liberdade sagrada no intimo1 mas sistematicamente violada externamente2 povos que dizem que a verdade uma cousa e a utilidade uma outra cousa1 que a teoria uma cousa e outra a prtica4 sses pases teem necessariamente de expiar a sua culpa em longo isolamento1 opresso e anarquia4 ,a educao1 que a insinuao da lei e a integrao das geraes na sua substncia1 assume1 nesse sistma1 uma misso e poderes capitais4 ,o indivduo um renovo da humanidade1 e alimenta e refaz a sua prpria fra na fra da humanidade4 ste trabalho de alimentao e renovao opera-se pela educao1 que directa ou indirectamente transmite ao indivduo os resultados do progresso de toda a raa humana4 ,por conseguinte1 no s porque uma necessidade da nossa vida1 mas tambm porque uma espcie de santa comunho com todos os nossos companheiros e com todas as geraes que viveram1 isto 1 que pensaram e trabalharam antes de ns1 por isso carecemos de nos educar1 o mais possvel1 em uma educao moral e intelectual que compreenda e cultive todas as faculdades que ,deus nos deu1 como semente para produzir fruto1 e forme e mantenha um lao entre a nossa vida individual e a vida colectiva da humanidade4 ,e para que sse trabalho de educao se realise o mais rapidamente1 e para que a nossa vida individual se ligue mais segura e intimamente com a vida colectiva de todos1 com a vida da humanidade1 por isso ,deus nos fez essencialmente seres sociais4 ,toda a espcie de ser inferior pde viver por si1 sem outra comunho alm da que tivr com a natureza1 com os elementos do mundo fsico4 ,ns no4 ,a cada passo temos necessidade dos nossos irmos2 e no podemos satisfazer as necessidades mais simples da vida sem nos socorrermos do seu trabalho4 ,infelizmente1 estvamos e estamos longe de atribuir educao o seu valr religioso4 ,vai desvairada e em erro1 semeiando muitos males e produzindo escassissimos e contaminados bens4 ,hoje1 na ,europa1 a instruco1 desacompanhada de um gru correspondente de educao1 um grave mal2 mantem a desigualdade entre as diversas classes de um mesmo povo e inclina o esprito ao calculo1 ao egoismo1 a compromissos entre a justia e a injustia1 e a toda a falsa doutrina4 ,comunho uma palavra santa4 ,ensinou aos homens que eles eram uma famlia nica de irmos em ,deus1 e uniu o senhor e o escravo no mesmo pensamento de salvao1 na mesma esperana e no mesmo amor do cu4 ,smbolo da igualdade entre os homens1 cumpre humanidade desenvolver toda a verdade que nela se encerra4 ,a egreja no o fez e no pde faz-lo4 ,tmida e incerta no seu comeo1 mais tarde aliada com os prncipes e com o poder temporal1 embebida no prprio intersse1 com uma tendncia aristocrtica alheia ao esprito do ,fundador1 vagueou na estrada direita e retrogradou at diminuir o valor da comunho1 limitando-a para os seculares s ao po1 e reservando para os sacerdotes a comunho nos dois gneros4 ,no era materialista4 ,os moos de inteligncia estreita e educao superficial1 mas excessivamente inflamados e irritados contra um passado morto que ainda quer dominar o presente2 cuja vaidade lisongeada pela ideia da ousadia intelectual2 que carecem de capacidade para descobrir naquilo que foi a lei daquilo que ha-de ser1 so levados a confundir a negao de uma forma gasta da religio com a negao daquela religio eterna que inata na alma humana4 ,neles o materialismo assume o aspecto de uma rebelio generosa1 e muitas vezes acompanhado pelo poder de sacrifcio e pelo respeito sincero da liberdade4 ,difundido1 porm1 entre os povos1 o materialismo1 pelo culto exclusivo do bem-estar material1 tenta mais infalivelmente1 extingue o fogo de um pensamento alto e nobre1 assim como toda a scentelha de vida livre1 prostrando-os finalmente perante a violncia triunfante1 perante o despotismo do fait accompli4 ,fra le que em ,roma extinguira toda a virtude republicana4 ,porque no era materialista1 s acusava a egreja onde a julgava infiel sua misso espiritual e divina2 no porque ela se fundasse em uma misso que havia deixado de ser a aspirao da humanidade1 a sua religio4 ,pois a vida era uma misso1 e a existncia aquela parte dessa misso que ns temos a cumprir na terra4 ,descobrir1 compreender e intelectualmente dominar aquele fragmento da lei divina que acessivel s faculdades humanas1 transmud-lo em aco 7at onde as foras humanas o permitem7 aqui1 onde ,deus nos pz1 o nosso fim1 o nosso dever4 ,cada um de ns e todos ns estamos sujeitos ao esforo de incarnar na humanidade aquela poro de verdade eterna que nos foi dado perceber1 de converter em uma realidade terrena to grande parte do reino dos cus1 da concepo divina que repassa a vida1 quanto nos foi dado compreender4 ,no era ingrato egreja1 nem irreverente perante as suas grandes ruinas4 ,no esquecia que lhe deviamos no s a ideia da unidade da famlia humana1 da igualdade e emancipao das almas1 mas tambm a salvao das relquias da nossa anterior civilisao latina4 ,a salvao do cristianismo e por le a salvao da civilisao europeia1 pela unidade da hierarquia durante um perodo de anarquia e trevas2 o esprito de amor com os pobres e os prias aflictos da sociedade que inspirou os primeiros bispos e papas2 a luta severa sustentada por les em nome da lei moral contra o poder arbitrrio e a ferocidade dos senhores feudais e dos reis conquistadores2 a grande misso 7desconhecida em nosso tempo por aqueles que nada sabem ou compreendem da histria7 cumprida por sse gigante da inteligncia e da vontade1 ,gregorio ,,vii1 e a fecunda vitria que le ganhou em auxilio do govrno do esprito sbre as armas reais1 do elemento italiano sbre o elemento germanico2 a misso da conquista civilisadora entre povos semi-brbaros levada a cabo pela egreja2 o impulso dado agricultura pelos monjes durante os tres primeiros sculos1 a conservao da linguagem de nossos pais1 a poca esplendida de arte inspirada no dogma1 as obras eruditas dos beneditinos1 o comeo da educao gratuita1 a fundao de instituies de benevolncia1 nossas irms de misericrdia--tudo isso ,mazzini lembrava e respeitava na vida da egreja4 ,mas acusava a egreja da insania de pretender que um facho1 aceso h desoito sculos para lhe iluminar a jornada atravez de uma nica poca1 estava destinado a ser uma nica luz no caminho do infinito4 ,acusava-a de desconhecer a santidade da alma de ,jesus1 superior a toda a outra em inspirao e amor fraterno1 transformando-o1 a despeito dos seus mais sublimes pressentimentos1 em um vulgar e eterno tirano das almas4 ,uma religio expirava1 se perdia o poder de sacrifcio4 ,e o catolicismo podia ainda1 com o auxlio dos enganos dos seus ministros e da pompa dos seus ritos1 juntar em volta de si o concurso numeroso de fieis1 aparentemente dedicados1 e assim continuar fazendo1 emquanto a nica escolha dsses fieis est entre as recordaes de uma f1 outrora grande e fecunda em bens1 e as negaes ridas de um materialismo embrutecedor4 ,mas pedissem a esses fieis para morrerem pela egreja e pela f que ela representava1 e no se encontraria entre eles um s mrtir4 ,no se enganasse a egreja6 ,em volta dela a f agonisava4 ,como scentelhas derradeiras de um fogo que se apaga1 a f1 em nossos dias1 desfalecendo encontra expresso nas oraes murmuradas perante os nossos altares1 por fora do hbito1 em momentos breves e determinados4 ,evapora-se porta da egreja1 e no mais governa ou guia a vida quotidiana dos homens4 ,do uma hora para os cus e o dia para a terra1 para os seus clculos e intersses materiais1 ou para estudos e ideias estranhos a toda a concepo religiosa4 ,a f em ,deus determinava uma economia1 uma constituio e uma repartio da riqueza1 assim como determinava uma regra de liberdade e amor nas relaes civs e polticas4 ,fra ela que lentamente fizera crescer no esprito dos homens o sentimento do dever social com as classes trabalhadoras1 que se tornra preponderante na poltica do nosso tempo e fizera da liberdade de concorrncia um espectro de crueldade4 ,para aqueles que nada possuem1 para aqueles que so incapazes de poupar o quer que seja no salrio quotidiano e no teem1 por conseguinte1 cousa alguma para comearem qualquer empreza comercial1 a liberdade de concorrncia era uma mentira1 como a liberdade poltica era uma mentira para aqueles que por falta de educao1 instruo1 oportunidade e tempo no podem exercer os seus direitos4 ,o progresso seria essencialmente um estado de conscincia4 ,realiza-se passo a passo1 por virtude de leis que nenhum poder humano pode dominar1 por desenvolvimento1 pela modificao perptua dos elementos que manifestam a actividade da vida4 ,muitas vezes os homens1 em certas pocas1 em certos pases e sob a influncia de certos erros e prejuzos1 deram o nome de elementos1 de condies da vida social1 a cousas que no teem a sua raiz em a natureza1 mas smente nas convenes e costumes de uma sociedade iludida1 e que desaparecem fora dessa poca particular ou alm dos limites prprios dsses pases4 ,mas podemos descobrir quais so os verdadeiros elementos inseparveis da natureza humana1 interrogando os instinctos das nossas almas e verificando em face das tradies de todos os tempos e de todos os pases se sses instinctos nossos so como sempre fram os instinctos da humanidade4 ,e1 evidentemente1 desde que o progresso sse desenvolvimento1 sujeito a leis fra do alcance do poder humano1 o remdio para a deplorvel condio presente no podia encontrar-se em qualquer organizao geral arbitrria1 feita segundo o plano de certo esprito e estabelecida por decretos4 ,tudo isso resultava em iluses por diversos modos destinadas a naufragarem e a dissiparem-se4 ,o remdio tinha de ser qualquer outra cousa que no significasse a criao de uma humanidade nova1 mas que continuasse a humanidade nas suas tendncias essenciais e indestructiveis4 ,algum dia fomos escravos1 depois servos1 depois assalariados2 no tardar que sejamos1 se o quizermos ser1 livres produtores e irmos na associao--associao livre e voluntria1 por ns mesmos organizada em certas bases1 entre homens que mutuamente se conhecem1 amam e estimam1 no a associao obrigada1 imposta pela autoridade que governa e ordenada sem respeito pelos laos e afeies individuais1 tratando os homens mais como mquinas de produzir do que como seres de livre e espontnea vontade4 ,s pela renovao moral dos homens se alcanar a renovao das sociedades4 ,essa a condio de toda a reforma social4 ,o progresso s eficaz e duradouro se o fundou a capacidade de progredir4 ,a sorte de um homem no se altera renovando e embelezando a casa em que le vive4 ,onde s respira o corpo de um escravo e no a alma de um homem1 todas as reformas so inuteis2 a morada limpa1 luxuosamente mobilada1 um sepulcro branco1 nada mais4 ,s os princpios edificam4 ,onde quizermos realizar um dos grandes feitos chamados revolues1 temos sempre de ir ao conhecimento e pregao dos princpios4 ,o verdadeiro instrumento do progresso dos povos tem de se procurar no factor moral4 ,no suprimiremos o factor econmico nem possvel suprim-lo1 mas subordinmo-lo ao factor moral1 porque fora do govrno da sua influncia1 desligado dos princpios e abandonado s teorias do individualismo que hoje o governam1 resultar em egoismo bruto1 na luta perptua entre homens que devem ser irmos1 na expresso dos apetites da espcie humana4 ,a cada estado do progresso devia corresponder uma melhoria positiva da condio material do povo2 mas sustentava que os intersses materiais no podem desenvolver-se ssinhos1 dependem dos princpios1 no podem ser a mira e o fim da sociedade4 ,porque sabiamos que semelhante teoria destri a dignidade humana1 porque nos lembramos que1 quando o factor material comeou a apossar-se de ,roma1 e o dever com o povo se reduziu a dar-lhe po e jogos1 ,roma e o seu povo apressaram-se na prpria destruio2 porque viamos hoje em ,frana1 na ,espanha1 em todos os pases1 a liberdade calcada aos ps ou atraioada1 precisamente em nome dos intersses comerciais e daquela doutrina servil que separa dos princpios o bem-estar material4 ,so as ideias que governam o mundo e os seus acontecimentos4 ,uma revoluo a passagem de uma ideia da teoria prtica4 ,digam os homens o que disseram1 os intersses materiais nunca causaram e nunca causaro uma revoluo4 ,a pobreza extrema1 a ruina financeira1 a tributao opressiva e desigual1 podem provocar levantamentos que so mais ou menos ameaadores e violentos1 mas nada mais4 ,as revolues teem a sua origem no esprito1 nas prprias raizes da vida2 no no corpo1 no organismo material4 ,na base de toda a revoluo h uma religio e uma filosofia4 uma verdade que pode provar-se por toda a tradio histrica da humanidade4 ,acreditassem os seus camaradas revolucionarios da ,italia nas palavras de um homem que1 durante trinta anos1 estudou o curso dos acontecimentos na ,europa e na hora do triunfo viu perdidas pela imoralidade dos homens as emprezas mais santas e uteis4 ,no venceriam seno tornando-se1 les mesmos1 melhores2 no conquistariam o exerccio dos seus direitos seno merecendo-os pelo sacrifcio1 pelo engenho e pelo amor4 ,se os procurassem em nome de um dever cumprido ou para ser cumprido1 alcan-los hiam2 mas1 se os procurassem em nome do bem-estar que os materialistas lhes tinham ensinado1 apenas alcanariam triunfos momentaneos1 seguidos de desiluses tremendas4 ,atraioavam-nos aqueles que lhes falavam em nome do bem-estar1 da felicidade material4 ,tambm sses procuravam o seu bem-estar e para o obterem queriam unir-se com eles1 como um elemento de fra1 emquanto tinham obstculos a vencer2 mas1 logo que com o seu auxlio tivessem obtido o bem estar1 abandon-los hiam para que tranquilamente podessem gozar a conquista4 ,era essa a histria do ltimo meio sculo e o nome dsse meio sculo era materialismo4 ,as sociedades nunca poderiam renovar-se pelo conhecimento1 estudo e organizao dos intersses econmicos4 ,as classes abastadas1 no conforto da sua prosperidade1 nunca experimentam privao ou sofrimento4 ,por vezes1 vem a misria do pobre1 mas facilmente se habituam a consider-la uma triste necessidade1 e deixam s geraes futuras o cuidado de lhe encontrar remdio4 ,a indiferena e o esquecimento so doces para o homem que se sente no santurio da sua famlia1 cercado de faces sorridentes1 emquanto l fra sopram as rajadas do inverno e a neve1 ligeira e bela1 lhe bate nas vidraas da janella dupla4 ,esperareis erguer da sua apatia estes favorecidos do mundo pela simples expresso da situao econmica e do que deva substitu-la em uma sociedade bem organizada8 ,esperareis arranc-los do seu repouso egoista meramente pela anlise do que acontece em uma esfera na qual eles nunca penetraram8 ,talvez em teoria aprovem as vossas doutrinas utilitrias2 no lhes peam1 porm1 que promovam a sua aplicao4 ,porqu8 ,falam-lhes em nome de intersses4 ,no o gozo o primeiro dos intersses8 ,e les gozam4 ,a nacionalidade e o patriotismo que a sustenta1 serve e fortalece1 ser tambm um facto de conscincia moral e religiosa e nunca1 por mais habilmente desfigurada que ela seja1 pode fundar-se e manter-se pela delimitao do territrio1 pelo agregado e conjugao das fras econmicas e por qualquer combinao de actividades polticas4 ,a nacionalidade a crena em uma origem e um fim comum4 ,se hoje fr fundada em um intersse1 pode ser derrubada amanh por outro intersse mais ousado e mais poderoso4 ,s quando o evangelho da fraternidade de todos os homens de uma nao fez da alma santurio de virtude e amor1 quando a grande concepo da nacionalidade deixou de se encontrar reduzida a propores mesquinhas1 quando procura para base dos seus direitos alguma cousa mais que o intersse material1 intersse que sempre tem o seu rival444 s ento teremos uma nao como nunca ser possvel t-la dos sofistas que podem achar uma nacionalidade sem ,deus4 ,o progresso um acto de f4 ,a cada passo no pensamento religioso correspondia um progresso na vida civil4 ,deus assim o quer seria o grito eterno de todo o movimento que tem por fundamento o sacrifcio1 por instrumento os povos1 e por fim a humanidade4 ,o pensamento religioso o alento da vida da humanidade1 a um tempo a sua vida e alma1 o seu esprito e o sinal externo4 ,a humanidade s existe na conscincia da sua prpria origem e no pressentimento dos seus prprios destinos4 ,fora do trabalho da reforma moral toda a organizao poltica estril1 e iluso esperar triunfos se do nosso trabalho banirmos a ideia religiosa4 ,s a conscincia liberta os povos4 ,o elemento religioso universal e imortal4 ,em toda a grande revoluo est marcado o seu sinal1 revela-o na sua origem e fim4 ,acreditava em um ,deus1 autor de quanto existe1 o pensamento absoluto vivo1 de que o nosso mundo um raio e o universo a incarnao4 ,acreditava em uma lei1 geral e imutvel1 que constitue o nosso modo de existir1 que compreende toda a srie possivel de fenmenos e exerce uma influncia continua sbre o universo e sbre tudo aquilo que le contm1 no seu aspecto fsico como no seu aspecto moral4 ,e a lei da vida1 para ,mazzini1 era por igual essencial e simples4 ,cristo disse3--,amae primeiro a ,deus e amae-vos uns aos outros com afeio fraterna4 ,e disse tambm3--,entre vs ser o primeiro aqule que fr o servo de todos4 ,toda a essncia do cristianismo se compreende nestas palavras4 ,unidade de f1 mtuo amor1 fraternidade humana1 actividade nas boas obras1 a doutrina do sacrifcio1 a afirmao da doutrina da igualdade1 a abolio de toda a aristocracia1 o esforo de perfeio no indivduo e a liberdade1 sem a qual nem o amor nem a perfeio podem existir--tudo assim se resume naqueles dois preceitos4 ,toda a revoluo social essencialmente religiosa4 ,toda a poca tem a sua crena4 ,sem unidade de f1 a associao impossivel2 prgar a humanidade1 a ptria1 o povo1 essas grandes frmulas da associao que superiormente dominam o nosso tempo1 emquanto negamos ou despresamos o sentimento religioso1 desconhecer a significao dessas palavras1 querer o fim sem os meios1 a obra sem os instrumentos necessrios4 ,como frem as nossas crenas1 assim elas nos ho-de dar a regra de aco4 ,em seu corao amava a viso de uma f1 no de uma escola4 ,os direitos em que a ,revoluo ,francesa se fundou1 involviam a mais traioeira das aspiraes de uma sociedade4 ,foi glria do ,profeta1 talvez a mais alta das muitas que o coroaram1 a intuio e o ardor com que opz o dever ao direito1 em um momento em que apaixonadamente se combatia e morria pelo fetichismo do direito1 sem que das hecatombes que provocou podesse resultar nem a fortuna nem a tranquilidade dos homens1 arrastados de escravido em escravido1 de misria em misria1 de tormento em tormento1 de incerteza em incerteza4 ,um erro inicial os transviava e perdia2 ignoravam que o unico padro da vida a ideia do dever1 santa1 inexorvel1 dominante4 ,fazer da poltica uma arte e apart-la da moralidade1 como os estadistas e diplomatas reais desejavam1 era um pecado perante ,deus e uma destruio perante os povos4 ,o fim da poltica era a aplicao da lei moral constituio civil de uma nao na sua dupla actividade1 domstica e estranha4 ,o fim da economia era a aplicao da mesma lei organizao do trabalho no seu duplo aspecto de produo e distribuio4 ,no pregassem1 no trabalhassem em nome de direitos que apenas representavam o indivduo1 mas em nome do dever que representava o fim de todos4 ,no havia direitos alguns1 salvo os que eram conseqncia dos deveres cumpridos2 podiam resumir-se em um s direito--que os outros cumpram comnosco o dever que ns cumprimos com les4 ,no dissessem que a soberania est em ns4 ,a soberania est em ,deus4 ,a vontade do povo s sagrada quando interpreta e aplica a lei moral4 ,quando dela se afasta1 impotente ou nula e no representa outra cousa seno tirania4 ,a sociedade de ,rousseau1 como a de ,montesquieu1 apenas uma sociedade de seguros mtuos4 ,partindo da filosofia da liberdade individual1 destituiu de fecundidade ste princpio baseando-o1 no sbre um dever comum a todos1 no sbre a definio do homem como uma criatura social por essncia1 no sbre a concepo de uma autoridade divina e de um designio providencial1 no sbre o lao que une o indivduo humanidade do qual le um factor1 mas sob a simples conveno1 confessada ou subentendida4 ,carecemos de ensinar no o direito1 mas o dever1 acordar para melhores cousas a natureza degenerada1 a alma semi-exausta1 o entusiasmo decrescente2 carecemos de possuir a conscincia do valor humano e da misso dos homens na terra1 e por a erguer a fra de proceder1 que at agora est esmagada pela indiferena4 ,e isso obra de princpios1 de crena1 de pensamento religioso1 de f4 ,foi a obra de ,jesus4 ,no procurou le salvar pela crtica um mundo moribundo4 ,no falou de intersses a homens cujas almas estavam envenenadas pelo culto dos intersses4 ,prgou no santo nome de ,deus certas verdades at ento desconhecidas4 ,estas poucas verdades que agora1 desoito sculos depois da sua passagem1 procuramos esforadamente realizar1 mudaram a face da terra4 ,trs cousas eram sagradas--tradio1 progresso1 associao4 ,a tradio histrica tinha de ser considerada1 no com a ignorncia presunosa dos materialistas modernos1 mas com a ateno reverente devida a uma representao da nossa vida colectiva1 nico padro onde podemos deduzir e verificar a concepo da lei que a governa4 ,a verdade encontrar-se hia no estudo severo da tradio universal que a manifestao da vida na humanidade4 ,a humanidade1 dizia1 invocando e desenvolvendo o pensamento de ,pascal1 um homem que aprende continuamente4 ,os indivduos morrem2 mas a verdade que pensaram e o bem que produziram1 no se perdem com eles4 ,a humanidade junta-o1 e os homens que passam sbre as suas sepulturas aproveitam-no4 ,cada um de ns nasce hoje em uma atmosfera de ideias e crenas que so a obra de toda a humanidade antes de ns2 cada um de ns traz inconscientemente algum elemento1 mais ou menos valioso1 para a vida da humanidade que se lhe segue4 ,a educao da humanidade cresce como aquelas piramides orientais a que cada viandante junta a sua pedra4 ,passamos1 viajantes de um dia1 chamados a completar a nossa educao individual em outro lugar2 a educao da humanidade brilha por scentelhas em cada um de ns mas o seu inteiro resplendor descobre-o lentamente1 progressivamente1 continuamente1 na humanidade4 ,de uma a outra tarefa1 de uma a outra f1 passo a passo1 a humanidade conquista uma viso mais clara da sua vida1 da sua misso1 de ,deus e da sua lei4 ,onde a tradio e a intuio se completam e consubstanciam1 onde encontramos a voz permanente da humanidade harmonisando-se com a voz da nossa conscincia1 a teremos ao nosso alcance alguma cousa com absoluta verdade4 ,o homem no 1 porm1 apenas o investigador da verdade4 pensamento e aco4 ,as teorias podem modificar o primeiro2 no podem criar o ultimo4 ,e1 fielmente obedecendo ao prprio esprito1 em ,mazzini confundiram-se o profeta e o homem da aco1 o apostolado e a viso1 o poeta e o revolucionrio4 ,desde a adolescncia selando com o sangue os juramentos da sua f1 conspirador e camarada certo em todas as inumerveis e prolongadas revolues que sonharam e fundaram a ,itlia unificada1 muitas vezes o seu chefe audacioso e nobre1 a sua alma1 inspirao1 e o seu brao executor1 no houve risco a que se esquivasse1 no houve penas que no experimentasse1 desde o aturado exlio que em condies de pobreza1 s vezes extrema1 o apartou da famlia1 da ptria e dos amigos1 at condemnao morte e porventura tentativa de assassinato que o perseguiram como milhafres4 ,no houve contrariedade ou ameaa que lhe vencessem o desprendimento e o ardor1 uma vaga sde de martrio4 ,particularmente aborrecia o egoismo1 to popular com a gente de hoje4 ,no gastava o seu tempo cantando1 orando e clamando a ,deus que lhe salvasse a alma4 ,nem se entregava ao estudo e cultura para lhe salvar o esprito4 ,sempre cuidava do esprito e da alma1 mas era sempre do esprito e da alma dos outros4 ,e foi conspirador porque era muito fiel a ,deus e ao ,povo para que consentisse em os vr atraioados1 muito honesto para que vivesse submetido ao mal1 muito bravo para que aceitasse a paz sem honra#i4 ,nem por isso lhe faltaram inimigos4 ,no podiam faltar a quem1 na lgica inevitvel dos princpios que se deduziam da sua f1 viu classes perigosas nos eclesisticos ociosos1 de que h muitos mil1 e nos ricos que com o seu dinheiro no faziam bem4 ,um instinto seguro os advertia de que quem tudo confiava do povo era naturalmente o adversrio perigoso dos apangios e privilgios que ensoberbeciam as aristocracias polticas e eclesisticas4 ,cavour e ,luiz ,napoleo ,bonaparte eram irmos nos sentimentos com que detestavam ,mazzini1 e nem outra cousa se compadecia com o conflito de ideais que o amor do apstolo e a ambio do aristocrata e do imperador em confronto necessariamente inflamavam4 ,o profeta era apenas o co da voz do cristianismo1 e o cristianismo a negao radical e a ruina de quantas aristocracias1 hierarquias1 divises de classes e servides o egoismo e a perverso dos homens teem inventado para contentar e engrandecer a paixo de mandar e as suas cobias4 ,todos sses sistemas de dependncias morais1 polticas e econmicas partilharam daquela decadncia das divindades pags que o monoteismo cristo confundiu e afugentou4 ,foram1 na verdade1 a traduo1 em diferentes modos da vida social1 de uma concepo moral e religiosa que caducou2 foram deuses adorados por multides submissas e inumerveis1 tiveram o seu culto1 e absorvente1 nos homens e nas cousas1 no corao e nos bens da terra2 mas1 lentamente1 outra e mais alta religio os destituiu do seu poder e prestigio1 inspirando-nos e mostrando-nos uma outra razo da vida1 adjudicando toda a nossa actividade intima e externa a um outro esprito4 ,no faz sentido ter e invocar como princpio de aco e dedicao o meu senhor1 ou le seja rei1 ou sacerdote1 ou fidalgo ou capito de industria1 quando senhores e vassalos de toda a casta e ordem e categoria todos teem de invocar e seguir o seu ,deus1 aqule perante o qual so irmos igualmente humildes e sujeitos1 dle recebendo igualmente uma s e nica lei de comunho e coadjuvao4 ,a obedincia comum nivelou1 e de facto destruiu s porque as nivelou1 todas as gradaes e distncias em que as comunidades brbaras se ordenaram e estratificaram1 todos os despotismos e dogmatismos1 mais ou menos benignos e fecundos1 em que primitivamente se fundaram e viveram1 tomando por eternidade a convenincia poltica ou religiosa de uma hora4 ,se em nossos dias essa ordem se mantm ainda por muitos modos e em diversos lugares1 se persistem e so uma fra espiritual efectiva aqules sentimentos de fidelidade1 lealdade1 dedicao e sujeio que eram seus vnculos e instrumentos1 se essa ordem e todo o seu cortejo mental e espiritual sobrevivem quando j terminou a religiosidade ntima que era a sua essncia e alma1 smente porque1 convertida em tradies polticas1 estticas1 morais e eclesisticas1 senhora de altos monumentos e fortalezas que edificou1 pde representar1 e em muitos casos representa1 uma utilidade prtica1 um sistema de conjuno e organizao oportuno e cmodo1 o remanescente de hbitos tardos em mudar e fiadores de uma estabilidade que a primeira das condies de um desenvolvimento seguro4 ,mas1 sem embargo1 o imprio de ,deus arruinou virtualmente o imprio dos cesares1 desde os que so coroados em tronos magnificos at aos que teem seus escudos nos cofres prova de fogo2 e aquela simples virtualidade de um princpio de efeitos prticos incomensurveis e invencveis4 ,a conscincia de uma escravido eterna que a todos nos involve e subjuga1 obliterou e perdeu aquela outra conscincia de escravides mortais1 condicionadas1 contingentes e transitrias1 por longos sculos decisivas e supremas4 ,mazzini1 que por ser fiel primeira e lhe sujeitar a poltica denunciou as ultimas e as combateu e teve por calamitosas1 no podia merecer-lhes seno anatemas4 ,assim devia ser4 ,vinha antes da sua hora4 ,e condio do profeta4 ,tinha de ser apedrejado e consagrado pela averso e pela ira dos fariseismos absolutistas e demaggicos que disputavam o domnio do seu tempo4 ,amaldioado dos despotismos1 por isso que pedia a liberdade1 no podia ser amado do demagogismo1 por isso que invocava ,deus1 religio e dever perante aqueles que em sua estreiteza e cegueira smente viam e queriam o mundo1 a materia e os direitos do homem1 quanto a sordidez sugere e aponta1 e na sordidez e nos seus enganos e dres tripudia1 mente e se desfaz4 ,quando morreu1 a #aj de maro de #ahgb1 deixava a terra inteira1 e sobretudo a ,europa1 atnita e prostrada na adorao daqule materialismo da fra e da riqueza que vencera em ,sdan e nas escolas e academias1 cimentando os alicerces de um grande imprio e a se oferecendo imitao das naes1 emquanto se insinuava nos laboratrios e nas bibliotecas e a endurecia o corao e envenenava o esprito das novas geraes4 ,nesse momento1 ,mazzini era um vencido2 com o seu dbil corpo se sepultavam as suas iluses4 ,liberdade1 religio e o povo que inconscientemente as guarda e serve1 iam de tropel calcados e esmagados no culto de multplices escravides1 no desprendimento de ,deus e da sua lei1 na f vil de que o mundo era um banquete do qual s ao nosso ventre tinhamos a dar contas4 ,dsse banquete do materialismo robusto e convicto1 reflectido1 astuto1 sabedor e previdente1 to abundante de servos envaidecidos da prpria servido como prdigo de vitualhas e orgias e orgulhoso dos seus anfitries desvairados na grandeza do mando e dos bens1 ,mazzini viu as primeiras horas gloriosas4 ,ento1 o apstolo era apenas uma sombra que se afundava naqule crepsculo em que o romantismo sonhador anoitecia1 escarnecido satanicamente dos fortes que o apontavam irriso e condenao das multides1 por muito ter amado a liberdade e os homens4 ,quarenta anos vo passados4 ,o banquete degenerou no ajuntamento trgico das frias da morte e da ruina4 ,e eis que ,mazzini volta1 na aurola da sua glria1 a repetir-nos que sem ,deus e sem dever e sem amor a terra ser eternamente o inferno ensanguentado a que descemos4 ,,fim4 #a ,artigo do ,manchester ,guardian4 #b ,principe ,troubetzkoy1 professor de ,direito na ,universidade de ,moscou1 no ,hibbert ,journal4 #c,millgate ,monthly1 maro de #aiae4 ,notcia de um discurso de ,oliver ,lodge1 em ,bradford4 #d ,percy ,dearmer4 ,patriotism4 ,humphrey ,milford3 ,oxford ,unversity ,press1 #aiae4 #e ,william ,temple4 ,cristianity and ,war4 7,humphrey ,milford2 ,oxford ,university ,press1 #aiad74 #f ,e4 ,carpenter1 ,what will ,stay the ,plague8 ,artigo publicado em ,the ,christian ,commonwealth1 de #i de dezembro de #aiad4 #g,the ,war and ,democracy1 por ,w4 ,seton--,watson1 ,j4 ,dover ,wilson1 ,alfredo ,e4 ,zimmern e ,arthur ,greenwood4 7,londres2 ,macmillan1 #aiab74 ,pag4 #cgd e seg4 #h ,o pouco que sei do pensamento e vida de ,mazzini colhi-o principalmente1 quasi exclusivamente1 em dois volumes da ,everyman's ,library4 7,londres2 ,j4 ,m4 ,dent ,sons71 um que contm verses dos escritos de ,mazzini1 ,the ,duties of ,man and ,other ,essays1 e o outro que a narrao da sua vida e a crtica das suas doutrinas1 intitulado ,the ,life of ,mazzini1 escrito por ,bolton ,king4 ,esses dois volumes constituem s por si uma lio moral e poltica e uma inspirao de dignidade e nobreza de um altissimo valor4 ,quem os divulgasse em linguagem portuguesa1 prestaria excelente servio s letras ptrias1 e sobretudo educao das novas geraes1 to desiludidas das seguranas e presunes materialistas que encontram no ocaso1 como apressadas em descobrir novos e mais serenos horizontes para que se encaminhem4 #i ,h4 ,demarest ,lloyd4 ,mazzini and other ,essays4 ,pag4 #d e #f4 ,indice ,prologo ,convulses dum enfrmo ,ganhos e perdas ,reviso de valores ,da arte de gastar e suas responsabilidades ,o ,cavador e o ,profeta ,aparies ,,do ,,mesmo ,,autor ,vozes do meu lar1 #a vol4 ,na paz do ,senhor1 romance1 #a vol4 ,reino da ,saudade1 romance1 #a vol4 ,via ,redentora1 #a vol4 ,apostolos da ,terra1 #a vol4 ,sonho de ,perfeio1 romance1 #a vol4 ,s4 ,francisco d',assis1 #a vol4 ,jos ,estevo1 #a vol4 ,alexandre ,herculano1 #a vol4 ,rogaes de ,eremita1 poemetos em prosa ,salmos do ,prisioneiro1 #a vol4