disponibilizada pela bib,r,i,a4 ,jaime de ,magalhes ,lima ,do que o fogo no queima ,composio e ,impresso ,emprsa ,grfica ,a ,,universal #aaa1 ,rua ,duque de ,loul1 #aca ,,porto ,,do ,,que ,o ,,fogo ,n,o ,,queima ,,jaime ,,de ,,magalh,,es ,,lima ,do que o fogo no queima ,,porto ,empresa ,grfica ,a ,,universal #aaa1 ,rua ,duque de ,loul1 #aca #aiah ,,prologo ,a guerra prossegue na sua impenitencia sinistra1 junta os seus dias em mses e os seus mses em anos1 e as heresias que a aborrecem e lhe negam a legitimidade e os beneficios1 no se rendem e nem sequer esmorecem1 no obstante a insistencia do flagelo que lhe d visos de necessidade e condio natural4 ,e eu1 que dessas heresias fiz colheita e esperana#a no primeiro momento1 suspeito a conveniencia1 seno a obrigao1 de as repetir e corroborar quando o tempo e a perseverana entre vicissitudes contrarias as fortificaram e disseminaram4 ,da este opusculo4 ,heresias no ser talvez o termo proprio2 melhor diria se lhes chamasse crenas4 ,heresia uma palavra que as tiranias do fanatismo fizeram aviltante e criminosa para justificar as atrocidades de um dominio insaciavel e da intolerancia1 sem alis alcanarem discriminar1 e muito menos provar1 onde residia a piedade e a injuria1 se em quem usava os poderes da terra para oprimir a consciencia1 se em quem se prevalecia da robustez de consciencia para afrontar os poderes do mundo4 ,no fim1 ambos encontraro porventura que fizeram acto de f a seu modo--indubitavelmente muito mais glorioso no que por acusao de heresia sofreu o martirio4 ,este ser1 na realidade1 o crente1 quem mais de perto tocou a divindade e mais inteira e fielmente lhe obedeceu4 ,aquilo que desse drama hoje vemos1 e objecto da vida politica e do estado1 no desmente o que de ontem sabemos e foi arrebatamento do dogmatismo eclesiastico absolutista4 ,duas especies de patriotismo se encontram em conflicto1 e1 nenhum conseguindo vencer ou convencer o adversario1 ambos e mutuamente se reputam herejes3--o patriotismo de servir e o patriotismo de combater3 o de espada e carabina1 que tem por acto bom afastar e eliminar o proximo1 e o de martelo e charrua1 que tem por misso e dignidade fecundar a terra e agasalhar aquele mesmo proximo que o outro abomina2 o que ama o peregrino e o que detesta o estranho2 o que um impulso de excluso e averso1 uma avareza1 e o que uma confisso de bem querer e um anseio de proteger1 uma caridade4 ,ha duas especies de patriotismo1 como ha dois modos e duas aspiraes de cultura do homem1 conduzindo a atitudes politicas divergentes1 de que as concepes do patriotismo correlativas so apenas uma das suas multiplices manifestaes3--ha uma cultura que consiste em nos aprestar para calcar e escravisar os outros1 e ha uma cultura que se esfora por nos fortalecer para calcarmos as nossas proprias paixes e as ordenarmos e disciplinarmos sob uma regra sobrehumana2 ha a cultura que olha para o cho e a que olha para os cus1 a que uma tarefa de sordidez1 em que se degrada1 e a que se eleva no desprendimento1 em que exulta4 ,o que nestes tempos de guerra se tem passado com os que por imposio da consciencia se recusaram a combater1 particularmente o procedimento dos poderes constituidos da ,inglaterra com as centenas dos seus conscientious objectors1 o patriotismo inquisitorial1 cujas torturas e penas vo desde o fusilamento puro e simples1 tanto da feio peremptoria do rigor continental1 at priso1 trabalhos forados e perda dos direitos politicos1 que so as solues predilectas1 menos severas mas por igual mortais1 da tradicional liberdade insular1--isto nos manifesta1 dolorosamente1 no s quanto so profundos os antagonismos essenciais e latentes de que as sociedades modernas se compem1 mas tambem quanto morosa a jornada no caminho e na ambio daquela liberdade e respeito mutuo1 quando amor no seja1 para os quais no ha heresias4 ,embora6 ,essa escabrosa jornada no cessa4 ,ali mesmo onde sofre terriveis assaltos inimigos1 a assinala triunfos e progressos4 ,um momento de brutalidade hunica e de baixeza desenrolando as suas ondas sobre as naes que participaram na guerra1 rebarbarisando toda a civilizao por alguns anos1 na expresso violentamente exacta de ,carlos ,liebknecht1 que paga com desoito mses de priso a audacia insubmissa das suas heresias1 isso no bastou para aterrar ou desalentar as consciencias certas dos seus direitos e imperio1 e inabalaveis na segurana de um eterno renascimento e vitoria final4 ,os sintomas so claros4 ,no conseguiu a ,camara dos ,comuns1 por uma minguada maioria1 um voto favoravel perda dos direitos politicos do conscientious objector1 sem que no tivesse de lutar com uma oposio veemente1 na qual se juntaram homens de todos os partidos politicos1 no excluindo os mais acentuadamente conservadores4 ,foi ento que1 sem embargo do seu declarado e esclarecido conservantismo1 ,lord ,hugo ,cecil1 em uma orao magistral1 combateu a idolatria do estado1 que1 tornando-o superior lei moral1 perdeu a ,alemanha na confiana das naes civilizadas2 foi ento que1 em palavras memoraveis1 se ouviu a reivindicao da preeminencia do dever perante a consciencia sobre a obrigao perante o estado4 na crena naquela regio de obediencia superior que nos impe qualquer cousa mais do que aquilo que o estado nos pde pedir1 e que nos d qualquer cousa mais do que o estado jmais nos poder dar1 que ns temos de sustentar a grande causa em que nos empenhmos4 s vezes dizemos que combatemos pela civilizao4 ,mas aquele em quem o dever da consciencia sobreleva obrigao com o estado dir antes que combatemos para que a civilizao se mantenha uma civilizao crist1 e1 por certo1 em uma civilizao crist mal violentar a consciencia dos sinceros1 mal impr-lhes uma obrigao que eles julgam corruptora e contagiosa4 ,emquanto isto se proclama em voz alta1 apaixonadamente e apaixonando as legies de crentes a que se comunica1 uma outra ordem de factos se apressa a dar-lhe uma confirmao eloquente4 ,a falencia retumbante das artes politicas dos estados que desencadearam a mais mortifera e ruinosa das guerras1 para ao fim confessarem que pela guerra no teem soluo os problemas que ela era chamada a resolver2 a derrota do intelectualismo politico1 que1 em boa logica com todo o intelectualismo e suas naturais insuficiencias1 se embriagou na vaidade das suas limitadas foras e1 desconhecendo as do caracter moral1 considerou os homens meras quantidades e energias mecanicas alheias a toda a influencia das foras intimas espirituais2 esta estreiteza que tinha de rematar na incapacidade demonstrada das diplomacias profissionais ortodoxas para assegurar1 no direi j a felicidade dos homens mas a paz das naes1 induz a procurar em outros poderes a fortuna que estes muito contingentes e mesquinhos no souberam dar-nos4 nesta angustia que mais uma vez se nos revela em seu intacto resplendor aquela lei pela qual a consciencia soube que nem s de po vive o homem1 que a historia e a garantia unica da civilizao o alargamento progressivo dos limites da espiritualidade custa da restrio dos limites das materialidades1 e que os combates a que o nosso tempo teve o triste privilegio de assistir1 no so mais do que um momento de conflicto e de violencia entre isso que no po e vida e se sente oprimido1 e aquilo que1 sendo po1 sendo repasto do corpo1 seu sustento ou seu prazer ou sua fora1 todavia e cada vez mais se mostra alento insuficiente e mesquinho para aquele outro banquete etereo e intangivel1 que os sentidos no tocam1 e se chama simpatia1 amor1 humanidade ou caridade1 e sempre e afinal essencia da vida4 ,preparemos para esse banquete o nosso animo4 ,eixo1 #ae-a-aiah4 ,do que o fogo no queima ,se da onda temerosa que comeou a assolar a ,europa e o mundo em #aiad consideramos apenas a espuma enxovalhada1 no ha maior infamia1 nem maior crime e indignidade4 uma degradao de incomensuravel profundeza1 a terra lavada em sangue pela ganancia abjecta das tiranias da sordidez4 ,um publicista de notavel merecimento e admiravel imparcialidade1 ,g4 ,lowes ,dickinson1 compreendendo a opinio de milhares de homens1 o desalento de muitos dos mais sinceros e cultos1 a revolta de alguns e o cinismo inalteravel de uma minoria poderosamente armada1 resume neste esboo a situao3 ,a guerra veio da rivalidade entre os estados na disputa do poder e da riqueza4 ,isto universalmente aceite4 ,sejam quais forem as diversidades de opinio que prevalecem nos diferentes paises interessados1 ninguem pretende que a guerra tivesse origem em qualquer necessidade da civilizao1 em qualquer impulso generoso ou ambio nobre4 ,conforme o conceito popular da ,inglaterra1 nasceu a guerra unica e exclusivamente da ambio da ,alemanha1 vinda conquista de territorio e poder2 e1 conforme o conceito popular alemo1 nasceu da ambio da ,inglaterra1 correndo a atacar e destruir a riqueza crescente da ,alemanha e a sua fora4 ,assim1 para qualquer dos beligerantes1 a guerra mostra-se como imposta por uma pura perversidade1 e sob nenhum aspecto tem justificao moral de especie alguma4 ,estes conceitos1 na verdade1 so demasiado simples quanto aos factos2 mas444 a guerra procedeu da rivalidade de imperio entre as grandes potencias1 em toda a parte do mundo4 ,a contenda entre a ,frana e a ,alemanha no governo de ,marrocos2 a contenda entre a ,russia e a ,austria no governo dos ,balkans2 a contenda entre a ,alemanha e outras naes no governo da ,turquia--foram estas as causas da guerra4 a cobia de mercados1 concesses e colocao de capitais que est por detraz da politica colonial conduzindo s guerras4 ,os estados concorrem ao direito de explorar os fracos1 e nesta concorrencia os governos so movidos e tutelados pelos interesses financeiros4 ,o ingls foi ao ,egito por causa dos prestamistas1 o francs foi a ,marrocos por causa do minerio e da riqueza4 ,em todo o ,oriente1 no mais proximo como no mais distante1 so as concesses1 o comercio e os emprestimos que levaram rivalidade das potencias1 a guerra sobre a guerra1 s expedies punitivas e1 ironia das ironias6 s indemnisaes1 extorquidas como uma nova forma1 e especial1 de roubar os povos que se levantam esforando-se por se defenderem dos roubos4 ,por um momento1 as potencias combinam suprimir a vitima comum2 no dia seguinte1 lanam-se umas sobre as outras a disputar o espolio4 ,estes so realmente na sua nudez os factos sobre as questes entre os estados a respeito da politica comercial e colonial4 ,emquanto a explorao dos paises menos desenvolvidos fr dirigida por companhias1 no tendo outro fim seno os dividendos1 emquanto os financeiros determinarem a politica dos governos1 emquanto as expedies militares acabando em anexaes forem postas aos hombros do publico por motivos que no podem confessar-se1 ho-de acabar em guerra as naes que comearam pelo roubo1 e milhares e milhes de vidas inocentes e generosas1 as melhores da ,europa1 ho-de perder-se inutilmente1 sem fim algum1 porque interesses sinistros jogaram na sombra a paz do mundo em proveito do dinheiro das suas algibeiras4#b ,sordidez1 miseria1 crueldade1 uma tirania de scelerados sacrificando a ruins paixes de dominio1 avareza e sensualidade as multides inocentes1 o trabalho1 a candura1 a honestidade e o heroismo--cifra-se nisto a historia militar do mundo4 ,estas seriam as causas da guerra1 as da ultima como as de quantas a precederam1 esta a sua unica e eterna maldio4 ,s o que se viu com as companhias de navegao1 e publico1 desilude os menos crentes nas infamias da guerra4 ,quando as familias dos que combatiam e morriam nas trincheiras1 para gloria e proveito dos que os mandavam1 sofriam fome e frio1 havia emprezas de navegao1 e tambem dos que mandavam1 que faziam dividendos de #fe por cento1 custa da anciedade e atribulaes daqueles que criaram os filhos imolados nas batalhas4 ,as monstruosidades economicas alimentam-se daquele mesmo sangue que as monstruosidades da soberba derramam desapiedadamente no cho esteril dos combates4 ,no duvidemos1 a guerra e a ignominia so filhas do mesmo ventre4 ,mas no duvidemos tambem de que1 onde a guerra se peleja e a ignominia corre a fazer as suas presas2 outras foras se erguem que as dominam e confundem4 ,e sobre os destroos da politica1 de ordinario infame1 floresce de continuo a consciencia moral1 to pura na aspirao como lenta mas inflexivel no crescer4 ,estranha sujeio das potestades6 ,essa fortaleza satanica no s por si to robusta que prescinda da proteco do bem dos povos1 da iseno1 do patriotismo1 da fortuna moral dos homens e das naes1 e de outras e infinitas sombras etereas que vivem1 desarmadas e fracas1 apenas em os nossos sonhos4 ,para que as ambies da sordidez prevalecessem e colhessem o seu quinho na guerra em que nos crucificaram1 foi-lhes necessario invocar interesses urgentes da liberdade e da dignidade humana4 ,pressentiram que s por esse compromisso levariam os exercitos s batalhas4 ,por uma singular escravido1 a sordidez sujeitou-se nobreza4 ,talvez mentindo astuciosamente1 com uma astucia vulpina1 toda de impostura2 mas sujeitou-se1 no sem ignorar de que por fora ter de cumprir muito daquilo que por mentira assegurou4 ,a sordidez tem em seu poder as armas e o fogo1 quanto necessario para devastar a terra e a embeber no sangue4 ,e essa mesma sordidez armada1 sentindo fugir-lhe o poder perante qualquer cousa que o fogo no queima1 aceitou a tutela e imperio de foras imponderaveis e jurou-lhes fidelidade4 ,a fora fisica na sua maior opulencia destrutiva no sabe combater1 sente-se insuficiente1 se no tem em seu apoio um principio moral que a legitime4 ,para que os soldados marchassem contra a ,alemanha1 tornou-se necessario convencer os povos de que a ,alemanha praticava um crime e meditava as atrocidades de um despotismo avaro1 absorvente1 insaciavel4 ,eis a o facto capital de cuja compreenso depende a determinao do caracter e mais profunda significao desta ultima fatalidade que ps as naes em guerra--no so os principios que dependem das armas1 so as armas que dependem dos principios4 ,pelo gru em que as armas dependem dos principios se afere a altura da civilizao de uma comunidade e de uma poca1 e pelo desrespeito ou pela corrupo dos principios se julgar da profundeza da sua degradao4 ,o progresso da humanidade puramente materia de desenvolvimento e natureza do espirito que a penetrou e rege4 ,disso dependem as guerras2 os seus incendios dependem do que o fogo no queima4 ,se se ateiam1 porque aquela essencia eterea lhes falece2 se abrandam ou se apagam1 foi porque ela os envolveu4 ,por muito que condenemos os chefes negligentes e as castas desapiedadas que vivem pela guerra1 a fonte real do mal o sentimento popular em que se apoiam4 ,a lio que a temos a aprender1 que as doutrinas e paixes enraizadas1 de que essas desgraas provm1 s podem ser removidas por um lento e firme labor das foras espirituais4 ,aquilo de que principalmente se carece a eliminao dos sentimentos cujas instituies alimentam a inveja e o odio1 e preparam os homens para a desconfiana e para a agresso4 7,lord ,bryce74 ,incapaz de queimar1 ou sequer prejudicar ou interromper a vitalidade essencial dos principios1 o fogo das batalhas apenas reduz a cinzas as saras que os ocultam e que por os ocultarem nos transviam2 um arrojo de sinceridade1 um processo terrivel e crudelissimo de pureza1 desprendendo os principios1 a suprema razo de ser da humanidade1 das miserias infinitas que os contrariam e envolvem4 ,alguem disse1 pondo essa aparente contradico em uma imagem feliz1 que s de noite as estrelas brilham4 ,se ha certas cousas eternamente belas que subsistiro quando a guerra passar1 tais quais eram antes da guerra comear e tais quais sero sempre1 e se o nosso dever concorrer para as manter vivas1 compreendendo-as e amando-as 7,gilbert ,murray71 a guerra que nos angusta seria talvez perante essas cousas eternamente belas uma experiencia1 um transe de morte precedendo uma ressurreio esplendida1 de esplendor mais alto que todo aquele que precedentemente as houvesse coroado4 ,porventura a guerra veio a combater pela violencia uma civilizao turbada e enlouquecida pela sensualidade1 uma civilizao que nem soube acautelar-se pela persuaso nem corrigir-se pela experiencia pacifica2 ser a febre de uma infeco que a higiene no foi capaz de prevenir1 por debilidade de animo e cegueira de inteligencia1 que no por escassez de recursos4 ,o que vimos luz desse brazeiro e que no viamos claramente antes que ele se acendesse1 embora surdamente minasse a terra e a felicidade1 como uma aurora de redeno e esperana1 como uma certeza divina4 ,agora vemos1 como nunca vimos1 que de que o mundo carece1 no de inteligencia1 de caracter4 ,de que o mundo carece no de uma nova ordem nas cousas e nas instituies e inventos que as regulam2 a antiga muito bem lhe satisfazia todas as necessidades4 ,de que o mundo carece de melhor ordem nos coraes2 o passado lho revelou pela sua historia e o presente lho confirmou pelas provaes4 ,de que o mundo carece1 para sua luz e ventura1 de mansido1 dessa eternidade que o fogo no queima2 no de oficinas que as chamas arrazam e o fumo lana ao vento4 ,de facto1 uma lei de identidade inviolavel faz que a guerra no possa gerar seno a guerra1 por mais subtil que seja o esforo para a transmudar em benignidade4 ,a paz1 como obra politica1 ou diplomatica1 ou militar1 ficar por nascimento sujeita concepo inseparavel do ventre de soberba e avareza que a gera2 smente ser efectiva e fecunda quando derivar de um renascimento da politica1 da diplomacia e dos exercitos no espirito religioso que se lhes insinuar4 ,fra disso ser uma fico e uma iluso1 transitorias e mentirosas como todas as fices e iluses que os cataclismos infernais das criaes humanas se encarregam de dissipar com a maior dureza4 inutil cogitar combinaes1 tribunais e semelhantes subterfugios para protelar em esperanas vs o que s ao espirito pertence e s ele pde dar4 ,as civilizaes vulgarmente chamadas decadentes e decadas1 porque minguaram em poder militar ou de todo o perderam1 so bastas vezes as que predominam1 embora destituidas de bens e foras temporais4 ,avassalaram pelo espirito aqueles e aquilo que pelas armas as venceram4 ,nos individuos como nas raas so os mortos que governam1 como o filosofo pretende4 ,a eternidade das ideias e das aspiraes1 e das energias morais em que essa eternidade se revela1 sobrepe-se s vicissitudes efemeras do tempo e completamente as subordina1 ainda que essas vicissitudes importem a morte de milhares de homens e a aniquilao de riquezas inumeraveis4 ,a ,grecia inspirando-nos a liberdade1 ,roma disciplinando-nos na ordem ou ,israel prostando-nos na piedade foram superiores a toda a corrupo1 ruina ou escravido1 governam hoje mais ampla e firmemente do que na hora em que o poder politico as servia2 como1 modernamente1 a ,frana no fulgor da sua inteligencia1 ou a ,inglaterra na acuidade dos instintos morais1 ou a ,russia na abdicao religiosa1 ou a ,alemanha na intuio das temporalidades1 so imperios fundados de uma vez para sempre1 insubmersiveis no dominio do nosso espirito e na pratica da nossa existencia1 sejam quais forem as vicissitudes politicas que o futuro lhes tenha reservadas4 ,a vida dos estados nada1 um instante passageiro1 comparada com a vida das civilizaes que1 se realmente o so1 se realmente significam o desenvolvimento e afirmao progressivos de uma alma1 de uma relao com o infinito na existencia sensivel1 no admitem perda nem retrocesso1 e nem sequer quebra de expanso4 ,a riqueza do espirito1 porque no deste mundo1 embora neste mundo habite1 no depende das contingencias politicas das naes2 a todas superior1 e porque superior1 por nenhuma foi ou ser vencida4 ,s pela riqueza do espirito os povos se engrandecem e vencem ou sero vencidos2 o resto acidental4 ,o que o espirito ganhou nas batalhas sangrentas em que a politica ultimamente precipitou os estados e as naes qualquer cousa como um terramoto4 ,o abalo moral confunde pelos efeitos proximos e remotos as ruinas de que os canhes cobriram a terra4 ,uma revoluo social se efectuou durante a guerra4 ,o direito de propriedade foi de todo abolido por instancia de interesses colectivos4 ,e o que mezes antes parecia a maior iniquidade e levantaria as pedras das caladas1 subitamente foi admitido como o mais justo e natural dos acontecimentos4 ,o estado monopolisou o po e o fogo1 e os povos submeteram-se2 todos os interesses individuais e de classe foram indistintamente imolados a obrigaes sociais1 demonstradas ou hipoteticas1 e1 embora no tumulto proprio de semelhante radicalismo se insinuassem as torpezas inseparaveis do remexer das riquezas1 os povos consentiram pacientemente na dolorosa e inaudita expoliao4 ,naufragaram na tormenta liberdades que haviam custado o sacrificio de geraes inumeraveis e o martirio de centenas e centenas de vidas1 e as vitimas desta renovao de despotismos curvaram-se sem lamentos fatalidade que lhes vinha em nome da salvao publica4 ,evidentemente1 se no houve a criao instantanea de novos deveres1 houve1 pelo menos1 uma reviso pratica e efectiva da escala e amplitude dos deveres e dos direitos1 a qual no pode fundar-se em outra cousa seno na transformao da consciencia moral das sociedades4 ,foi um progresso que nos abre reinos novos de grandeza economica e moral1 ou uma ruina na qual vo sepultar-se os melhores sonhos que nos alentavam a coragem para suportar as miserias do mundo8 ,o conde ,hermann ,keyserling1 em um artigo publicado na ,atlantic ,monthly de abril de #aiaf1 e intitulado ,juizo de um ,filosofo sobre a ,guerra1 responde a esta interrogao com uma preciso e profundeza devras notaveis4 ,quanto dessa lucida apreciao das duvidas angustiosas que a guerra provocou veio ao meu conhecimento1 pela transcrio feita na ,public ,opinion#c onde as fui buscar1 aqui procurarei traduzir e guardar1 pois melhor condensao da suprema e decisiva influencia dos problemas morais deste momento da nossa civilizao no encontrei na torrente de escritos que a preocupao dos aspectos morais da guerra suscitou1 interessando os mais altos e nobres espiritos do nosso tempo4 ,a causa dos ,alliados vencer1 diz o conde ,hermann ,keyserling1 de uma forma ou de outra1 mais tarde ou mais cedo1 mediata ou imediatamente4 inconcebivel que possa sobreviver o sistema de politica internacional que provocou esta catastrofe2 inteiramente inverosimil que os novos tratados que teem de se fazer1 no sejam uma reflexo das aspiraes e esperanas de todo o mundo2 o purgatorio desta guerra ter de consumar a decadencia1 transmudar em novas as velhas formas1 acelerar o seu desenvolvimento1 aclarar o espirito-das naes4 ,nem mesmo uma ,alemanha vitoriosa1 no seu antigo modo1 ousaria ditar a paz em termos reaccionarios2 jmais seria aceite pela opinio publica1 e no duraria se a violentasse4 ,mas a ,alemanha de amanh ser muito diferente da ,alemanha de ontem2 a experiencia deste transe te-la-ha mudado muito4 ,como a ,frana1 como a ,inglaterra1 como a ,russia1 ou ter encontrado a sua nova alma ou1 pelo menos1 no estar longe de a encontrar4 ,e essa alma ser a de uma nao intensamente democratica4 ,no ha pois razo para pessimismo1 apesar do horror da situao presente4 ,a guerra no pde ser seno horrenda1 quando pelejada nas propores gigantescas e com a intensidade de paixo que agora se mostraram4 ,se os melhores entendimentos parecem cegos e os melhores coraes se deixaram turvar pelo odio1 a condio da maioria deve ser pavorosa4 ,mas os factos1 por mais angustiosos que eles sejam1 significam muito pouco1 desde que os homens durante a febre no so o que so2 e a maior parte dos horrores sero logo esquecidos1 tal qual como com as pessoas mais sadias que1 depois de terem escapado de uma doena mortal1 pensam pouco nos sofrimentos por que passaram4 ,no esqueamos nunca que esta guerra significa uma crise constituicional e que nesta conformidade temos de a julgar4 ,s ento seremos capazes de compreender as suas fases4 ,digo que a causa dos ,aliados tem a vitoria certa4 ,isto no implica1 todavia1 que seja consumado1 qualquer dos fins concretos que ela se props4 ,ser impossivel assegurar uma paz de tal modo duradoura que de uma vez para sempre impea a violao dos tratados2 uma nao ssinha no ter possibilidade de decidir a sua propria sorte mais livremente do que um individuo pde desprender-se dos laos sociais e de parentesco e seguir exclusivamente a sua boa vontade2 o principio nacionalista no tem possibilidade de triunfar desde que a maior parte dos paises esto habitados em comum por diferentes raas4 ,mas1 em vez disto1 teremos melhoria em outras cousas4 ,muito provavelmente1 a ideia tradicional de um estado que autorisava uma nao a oprimir outras naes1 ser condenada1 dando logar a uma nova ideia1 baseada exclusivamente sobre consideraes economicas e militares1 e deixando plena independencia a todas as naes quanto aos termos da sua cultura4 ,muito provavelmente1 o equilibrio futuro da ,europa depender1 mais do que dantes1 da colaborao sobrepujando a oposio1 o que s por si tornar menos frequentes as guerras4 ,mas so inuteis as profecias sobre o que desconhecemos4 ,a unica cousa certa que esta guerra do mundo1 sendo uma crise constituicional1 ha-de acelerar na vida interna das naes e nas relaes internacionais aquelas transformaes que cada ano se teem mostrado mais urgentes e cujas formulas ninguem1 por agora1 pde encontrar4 ,ha uma inteno no labor cego da ,historia4 ,no quero dizer que todos os resultados desta guerra hajam de ser bons2 muito longe disso4 ,os seus efeitos materiais imediatos no podem deixar de ser desastrosos4 ,a morte prematura de milhes dos mais robustos e melhores no poder beneficiar o remanescente4 ,os odios e ressentimentos semeiados ho-de estorvar por algum tempo toda a convivencia internacional4 ,o que ,romain-,rolland disse1 mostrar-se-ha muito verdadeiro no primeiro momento3--,quelque soit le vainqueur1 c'est l',europe qui ser la vaincue4 ,a um to longo e terrivel esforo ha-de seguir-se uma reaco1 uma depresso temporaria tanto mais acentuada quanto maior fr o levantamento4 ,podemos perder por algum tempo tudo aquilo que moralmente ganhamos nas horas de perigo4 ,no primeiro instante1 todos os efeitos imediatos desta guerra podero ser francamente negativos4 ,todavia1 no retirarei uma s das palavras de esperana que escrevi1 nem que eu soubesse que nos esto reservados acontecimentos peiores ainda do que aqueles por que temos passado4 ,porque o progresso que realmente importa o progresso no idealismo1 e este no pde ser suspenso por periodos de retrocesso material1 por mais longos que eles sejam4 ,em que sentido promoveu o bem o advento de ,cristo ou o da ,revoluo ,francesa8 ,materialmente no1 nem em principio nem depois4 ,ainda mais3 mesmo hoje se pde pr em duvida se consideravel o beneficio da condio material do mundo derivado de qualquer daqueles acontecimentos4 ,mas mudaram o espirito dos homens1 mudaram a sua consciencia das cousas2 e isto que superiormente importante1 porque s uma mudana de consciencia das cousas capaz de mudar intimamente as proprias cousas4 ,o espirito afeioa a materia muito lentamente4 isso certo4 ,mas1 por isso tambem1 nenhuma outra cousa a afeioa absolutamente4 ,a lei s comeou a ser o reflexo da rectido no dia em que os homens comearam a conceber o que a rectido significava4 ,as instituies1 s por si1 so nada4 ,as mais perfeitas que se possam imaginar1 so meramente uma crosta prestes a cair ao mais pequeno impulso da paixo1 se no exprimem um grau correspondente de compreenso espiritual4 ,assim1 a civilizao perfeita da antiga ,roma no pde subsistir porque apenas exprimia uma compreenso limitada2 e1 pelo contrario1 o germen de uma penetrao mais profunda lanado pelo ,evangelho de ,cristo nas almas barbaras tornou-as aptas para um infinito progresso4 ,nunca como agora se encontraram em o mesmo nivel a penetrao espiritual e a exteriorisao4 ,no principio da nossa era a penetrao era profunda1 mas o estado de cultura externa era inferior2 hoje1 esta parece infinitamente superior quela4 ,isto explica o incomparavel horror desta guerra4 ,isto revelou a disparidade monstruosa entre a nossa civilizao externa e o estado das nossas almas4 ,mas este horror abre-nos os olhos do espirito4 ,nunca mais e em parte alguma a opinio publica suportar os processos tradicionais e profundamente imorais das relaes internacionais2 nunca mais admitir conscientemente que o poder o direito4 ,a nossa consciencia das cousas ha-de mudar1 e esta a unica especie de progresso a tomar em conta4 ,no ha desastres materiais que anulem essa conquista4 ,s o progresso no idealismo cria uma base segura de desenvolvimento material4 ,demais1 tarde ou cedo esse progresso se exprimir1 por si mesmo1 em sua face externa4 ,ora esse progresso ha-de inquestionavelmente caber-nos depois da guerra1 seja qual fr o caminho que os acontecimentos materiais tomem4 ,ns1 os contemporaneos da guerra mais destruidora que o mundo viu1 julgamos muitas vezes injusto que fossemos ns os escolhidos para esta terrivel experiencia4 ,console-nos a ideia da retribuio deste sacrificio4 ,no fossem os nossos sofrimentos1 no fosse a desgraa que ns ao mesmo tempo padecemos e causamos1 e aqueles que ho-de vir depois de ns no seriam capazes de conhecer nem de viver vida melhor do que a nossa4 ,se o conhecimento ha-de incarnar um dia1 inevitavelmente1 em aco e vida1 no menos verdade que s as aces consumadas do origem1 em regra1 a novas realizaes4 ,um mundo novo nunca nasceu seno da agonia do que o precede4 ,nem porventura ser necessario esperar o fim da guerra e das suas calamidades1 para que possamos sentir o alvorecer da transformao salutar que a rapida mas profunda analise do conde ,hermann de ,reyserling agoura em termos de evidencia4 ,alguma cousa ha mudada desde j2 alguma cousa dessa redeno se mostra j fundada e inabalavel4 ,se o mundo se acha ainda entregue violencia estupida e cruel da fora puramente fisica1 se ainda abundam os que nela crem com um fetichismo barbaro1 e a tomam pela prova ultima da civilizao1 entretanto a propagao de um sentimento vigoroso de desprestigio da fora a condena1 seno miseria de um facto de abominao1 pelo menos a um estado de sujeio e escravido sob o dominio de poderes mais altos4 ,no ser propriamente o desprestigio da fora esse julgamento dos seus feitos e crimes ao qual temos assistido1 mas desde j1 e claramente1 o sentimento das responsabilidades da fora4 ,o imperialismo e as suas armaduras de ao e as suas tiranias e magistraturas vo a retemperar-se em um novo baptismo4 ,secretas leis da alma dos povos lhe exigem1 por titulo de admisso1 que de apanagio e privilegio1 instituido em proveito da riqueza e do orgulho dos estados1 das dinastias e das classes1 se converta em instrumento da paz e da prosperidade dos povos4 ,depositario da fora1 e no o seu livre possuidor1 o imperialismo moderno1 para legitimar e manter a sua existencia e o seu poder1 cede a impulsos que j de longe lhe vinham turvando a liberdade e o absolutismo1 e tem de cohonestar a ambio do dominio1 e os interesses dos que dominam e regem1 com a consciencia zelosa e praticamente fecunda das responsabilidades impreteriveis que ele importa para a alegria e fortuna das naes e das gentes que compreender no seu ambito e tiver1 mais sob a sua proteco e guarda do que sob a sua autoridade retribuida4 ,de um simples instrumento de mandar e de usufruir riquezas1 de um processo de avareza ter de passar1 por efeito do progresso moral e das obrigaes politicas correlativas1 a um modo de servir isentamente4 ,e essa transformao que a evoluo moral das sociedades vinha reclamando lentamente1 incitando e conquistando a custo1 foi agora subita e singularmente apressada pela violencia da guerra1 pelas suas dores1 pela experiencia e desenganos de que ela se tornou portadora sinistra1 todas inclinando a crr que o imperialismo1 para ser um processo de ordem politica e como tal escapar aos impetos de uma reaco anarquica1 ter de fundar-se em nobreza1 probidade1 desinteresse e inspirao de altos e generosos deveres4 ,s por estes e pela fidelidade com que os observar1 s pela actividade e pela soma de bens concretos que importar para a felicidade dos povos1 ser aceite e querido4 ,confiado apenas ao prestigio das armas e ostentao da soberba e da crueldade1 da avidez e da injustia1 erguidas estas em seus tronos de riqueza1 jmais ir alm das criaes gigantescas que a historia nos mostra dissolvendo-se invariavelmente na corrupo do seu proprio sangue4 ,a desiluso tornou-se completa no meio da catastrofe4 ,a atrocidade dos combates imprimiu com uma profundeza desconhecida esta feio de servio do proximo1 no s ao imperialismo politico1 ao que usa canhes1 palmas e estandartes e aterra pela morte1 mas tambem a todos os demais imperialismos seus parceiros1 parentes e aderentes1 aos imperialismos das oficinas como at aos simples imperialismos domesticos4 ,por fora da dolorosa eloquencia de um momento que revelou na sua nudez a miseria de todo o isolamento orgulhoso dos homens e das naes1 sucede a urgencia da solidariedade e da cooperao quele apetite de dominio1 explorao1 sujeio e posse que tem sido a alma de todas as escravides e servides4 ,nesta lugubre escola1 o capito de armas aprendeu a respeitar o soldado1 como o patro o operario1 e o amo o seu servo4 ,a ideia de propriedade1 dos homens como das cousas1 a razo do dominio pulverizou-se para ser refeita em nova liga4 ,isentou-se de estranheza o clamor de ,tiberio ,graco1 quando clamava s multides que o cercavam3 ,os animais bravios que esto espalhados pela ,italia teem suas tocas e cavernas onde podem abrigar-se1 e os que combatem1 que derramam o seu sangue em defesa da ,italia1 no teem outra propriedade seno a luz e o ar que respiram2 sem casa1 sem morada certa1 vagueiam por todos os lados com as mulheres e com os filhos4 ,os generais enganam-se quando os exortam a combater pelos seus tumulos e pelos seus templos4 ,em to grande numero de romanos haver um s que tenha um altar domestico e um tumulo em que os seus antepassados repousem8 ,no combatem e no morrem seno para manter o luxo e a opulencia dos outros2 chamam-lhes os senhores do universo1 e no teem de seu um palmo de terra4 ,vinte sculos passaram desde que o mundo jazendo na servido desmentiu na ironia e na crueldade dos factos a violenta aspirao do tribuno2 mas1 feita daquelas cousas que o fogo no queima1 prevalecia e durava atravez de toda a derrota1 e hoje vemos o que a justia das geraes lhe guardava4 ,porque as plebes do nosso tempo1 caminhando para a guerra1 j aprenderam a preguntar porque e para que que l vo1 e os que as mandam j no sentem em seu poder arte de engano ou energia de captao que lhes d segurana bastante para negar e roubar aos que combatem o seu quinho na patria4 ,com pasmo vimos a ,inglaterra estabelecer o servio militar obrigatorio1 mas talvez na surpreza muitos se esquecessem de considerar que essa violencia feita s liberdades tradicionais daquele pas era a democracia continental com o seu cortejo de igualdades passando o ,estreito1 e1 se no derrubava de um golpe o remanescente do feudalismo insular1 o que o futuro dir1 suspendia-lhe1 pelo menos1 todas as garantias de estabilidade4 ,o exercito deixou de ser o servidor assoldadado dos governos e das aristocracias1 obediente sua voz2 tornou-se em obrigao de defesa1 comum a todas as classes e para cumprir a qual se confundiram nas fileiras os plebeus e os nobres1 e imediatamente1 de burgo em burgo1 alguma voz misteriosa apregoou a nova lei3--,cada homem1 cada voto4 a igualdade do poder politico1 preludio certo e sabido das reivindicaes igualitarias continentais1 ameaando as desigualdades monstruosas da fortuna economica1 que na ,inglaterra1 com a liberdade de testar e a liberdade mercantil1 mantinham o poder das velhas aristocracias e criavam aristocracias novas1 diferentes pela origem das antigas mas com elas emparceirando no dominio politico4 ,meses depois de estabelecido o servio militar obrigatorio1 aparecia na camara dos comuns uma proposta abolindo todos os privilegios hereditarios1 e o ,times dava fros de cidade discusso da conveniencia da constituio de um partido republicano na ,inglaterra1 que esse jornal alis combatia mas discutia1 o que s por si sinal dos tempos4 ,por outro lado1 a presso dos confrontos proprios de toda a angustia em que as provaes nos incitam a considerar a sorte dos que de semelhantes desgraas teem sido menos atormentados1 levava-nos a verificar1 em sentimentos menos platonicos dos que aqueles que at agora prevaleciam nas academias1 que emquanto a ,europa se enleiava em tradies e prejuizos1 com um passado tanto mais pesado para a liberdade do seu espirito quanto mais longo e acidentado nos anos e nas vicissitudes insinuando-lhe o tumulto e turvao do conflicto de diversissimas aspiraes1 algures a situao era diferente4 ,emquanto a ,europa arrastava entre fadigas e penas infinitas esse fardo que a sua gloria e a sua grandeza1 e tambem1 bastas vezes1 o residuo morto da sua vida e o estorvo fatal da sua vitalidade1 alm do ,atlantico filhos seus1 que ela criou e amamentou com o melhor do seu sangue1 tinham fundado naes opulentas de riqueza e felicidade1 e regendo-se por principios assz diferentes dos que nos preocupam e governam1 e emancipadas em larga escala do que a ns nos causa dano4 ,ns1 europeus aferrados a todas as aristocracias1 de espirito como de bens1 destituidos de elasticidade moral e economica1 facilmente nos envergonhando da pobreza1 tardos em sentir como sem prejuizo da dignidade e at da alegria um homem passa de magistrado a caixeiro e de caixeiro a magistrado1 no raro inclinados a tomar por honra a hierarquia social e a profisso1 rebeldes a perceber que a honra um facto de consciencia e no depende da condio economica e da classe1--com qualquer coincide e a todas pde ser alheia1--temos visto com frequente desconfiana o desenvolvimento da grande ,republica ,norte-,americana1 suspeitando da sua nobreza e temendo1 seno mesmo aborrecendo1 a rudeza das suas energias violentas1 desprendidas de todos os moderadores que entre ns lhes minguariam a expanso e os impetos4 ,o governo da multido e a paixo mercantil afiguram-se-nos por vezes uma degradao1 quando os referimos s hierarquias tradicionais e hereditarias que nos andam no sangue1 e a velhas e equivocas fidalguias de desprendimento dos bens da terra que essas fidalguias desprezam por ignominiosos1 sem embargo de consentirem que o seu desprezo sirva tanto elevao da alma e generosidade como ociosidade indigente e ao desamor do trabalho4 ,mas1 chegados a um momento de calamidade1 como o presente1 e atentando mais uma vez na condio dos que nos aparecem melhor armados de espirito e corpo para afrontarem as horas de desvairamento e ansiedade1 no podemos furtar-nos a duvidas1 e preguntamos se de facto no haver constituio social mais simples e feliz do que esta1 muito confusa1 das velhas civilizaes europeias1 e se aqueles nivelamentos e liberdades democraticas que desde ,plato tivemos por portadores de depresso1 no redundam afinal na supresso de todas as superioridades e excepes1 compensando-a amplamente pela elevao economica e mental da mediania e do comum4 ,sem embargo dos muitos descontos que necessariamente ha a fazer em todas as prosperidades1 o certo 1 e evidente1 que os ,estados-,unidos da ,america1 dentro das suas formulas democraticas e seja qual fr o muito mal que das democracias possa dizer-se e verificar-se1 alcanaram uma situao politica admiravel1 emquanto os ,estados-,unidos da ,europa1 to orgulhosos de saber1 experiencia1 ordem1 categorias e tradies1 so ainda do reino da utopia1 para o maior numero1 e uma vaga esperana1 para um reduzido optimismo que teima em no descrr do progresso moral da humanidade4 ,no sem boas razes1 a democracia europeia pregunta-nos se o imperialismo capitalista transatlantico1 precario1 a praso1 sujeito sorte da inteligencia e dos bons negocios1 ser mais funesto e menos cruel do que o imperialismo militar dinastico1 nascido e mantido por ordem do acaso hereditario1 sem obrigao de capacidade mental nem dependencia das contingencias mercantis4 ,alguem mesmo quereria saber dos mestres da sciencia social e politica das nossas terras se os ,estados-,unidos da ,america viveriam entre si na paz em que vivem se1 em logar de se organisarem democraticamente1 tivessem fundado monarquias com as respectivas dinastias4 ,e os factos recentes1 particularmente o que se tem passado nos ,balkans1 e estes opressivos e indeclinaveis confrontos semeiam perplexidades1 demasiado bastas para nos deixarem caminho aberto e plano pelo qual possamos sair afoitamente de semelhante labirinto4 ,nem mesmo ser de prevalecer o argumento usual contra a legitimidade da comparao da ,europa e da ,america1 alegando que as tradies da ,europa e a juventude da ,america no autorisam aproximaes4 ,no1 as tradies da ,europa so as tradies da ,america1 e a idade da consciencia e da razo de um e outro continente a mesma2 quem fundou as naes de alm do ,atlantico foram europeus repassados do que as civilizaes europeias tinham de mais profundo4 ,a diferena1 onde a haja1 depende apenas de descriminarmos em que ramos da tradio1 que muitos eram1 se fundou a civilizao americana1 e em que ramos da tradio se manteve a civilizao da ,europa4 ,e1 feito isto1 teriamos ainda1 para tirar as ilaes praticas do confronto1 de saber se foi a ,europa ou a ,america que se desenvolveu nos ramos sadios1 qual dos dois continentes teve a infeliz sorte de se aferrar aos ramos decrepitos1 invadidos de toda a casta de musgos e liquenes1 continuamente sujeitos a inumeraveis doenas parasitarias4 ,em todo o caso1 para os de mais desdenhosa ufania da civilizao europeia1 imaginando a ,america demasiado moa ainda para muito poder sentir e pensar1 para quem apenas tenha observado na ,america a torrente do seu mercantilismo e a julgue destituida da alta espiritualidade que o nosso brazo1 convm notar que os livros de ,tolstoi se vendem aos milhes nos ,estados-,unidos da ,america1 e os de ,ruskin so lidos mais largamente na ,america do que na ,inglaterra4#d ,a mais alta elevao da alma de que a ,europa foi capaz no sculo ,,xix e que esta personificou esplendidamente em seus profetas1 comum na sua disseminao e influencia s praias de aquem e de alm-mar1 porventura mais querida na terra virgem do que no cho exausto4 ,e quem hoje reler ,a ,americanisao do ,mundo1 do extraordinario jornalista que foi ,w4 ,t4 ,stead1 ir encontrar ensejos de aplauso e de admirao de uma larga previdencia1 nas mesmas paginas por onde ha alguns anos passou os olhos estimulado apenas pela curiosidade de conhecer os sonhos e devaneios dos publicistas4 ,na bagagem militar dos ,estados-,unidos da ,america que os seus navios desembarcam na ,europa1 vem envolvida uma outra e muito volumosa bagagem politica e moral4 ,tenhamos isso como inevitavel e feito em grande parte4 ,no se amiudaram os momentos em que as palavras do presidente ,wilson teem sido o texto da politica dos ,aliados e nelas juraram os estadistas encanecidos do velho mundo86444 ,destas divagaes do espirito em busca de melhores dias1 uma cousa se salva1 porm1 intacta--a condenao da violencia como processo politico4 ,em toda a hipotese chegamos certeza--e essa certeza constituir um poder politico de suprema importancia--de que para a prosperidade dos estados e das naes valer sempre mais organisar do que armar2 mais se fortalecem as naes pelo desenvolvimento e coordenao das suas relaes internas e externas do que pela invulnerabilidade restrictamente militar4 ,nas naes como nos individuos1 a saude politica1 como a saude fisiologica1 ser mais um facto de equilibrio e ponderao das suas energias do que o desenvolvimento sumo de qualquer delas1 seja qual fr1 fora militar ou capacidade muscular4 ,se os ,estados ,unidos da ,america no nos facultassem elementos decisivos nessa demonstrao1 bastaria para nos induzir em semelhantes concluses o confronto da soberba e prolongada expanso pacifica da ,alemanha antes da guerra com os destroos de varia especie1 economica e moral1 acumulados pela cegueira da sua febre guerreira1 desde o dia em que se julgou capaz de manter e acrescentar a grandeza por efeito e graa da violencia militar4 ,o seu imperio e prestigio1 cujo alargamento participava da natureza dos prodigios do engenho humano1 dissipou-se em uma extenso incalculavel na hora em que1 desprendendo-se de toda a simpatia pelos povos que a acolhiam em termos de fraternidade1 preferiu a arrogancia da fora insinuao do amor1 ou mesmo ao simples comercio das comodidades mutuas4 ,na hora em que a ,alemanha ateiou o incendio infernal que prostrou a terra e os nossos coraes na desolao1 nessa hora brilhou com um novo e imperecivel esplendor e que o fogo no queima2 nessa hora nos convencemos1 subjugados pela dr e esclarecidos pela experiencia1 que a essencia da vida das naes1 o que torna os seus povos eleitos ou condenados1 dignos ou infames1 felizes ou desgraados1 ou at mesmo ricos ou pobres1 a sua alma1 a sua aspirao1 a sua f e a sua crena1 o seu caracter moral e religioso1 perante o qual o saber e a fora so unicamente uma iluso e uma insidia1 uma traio tarde ou cedo destinada a conduzi-los vergonha e miseria1 se um instinto salvador no lhes ensinou a disciplinar e conter esse saber e essa fora na obediencia a uma aspirao superior4 ,a fortuna dos povos em ultima analise questo moral1 questo de psicologia1 traduco do idealismo de cada um e de cada epoca1 acidente positivo de uma alma4 ,um publicista eminente da ,inglaterra1 professor da ,universidade de ,londres1 o sr4 ,l4 ,t4 ,hobhouse1 examinando as causas da guerra e as suas consequencias1 assim como as possibilidades e probabilidades de uma paz imediata e duradoura1 acentuou este aspecto essencial de derivao psicologica da fortuna das naes em dois livros#e1 que1 a meu vr1 so das lies mais lucidas e serenas que o tremendo conflicto provocou4 ,segundo o seu pensar e dizer1 a culpa da calamidade que pagamos caro1 com rios de sangue1 e da qual as geraes futuras tero de resgatar por meio de incalculaveis e prolongados sacrificios as naes modificadas e de todo empobrecidas1 no foi o ,kaiser nem a diplomacia1 modestos colaboradores e interpretes de sinistros desvairamentos4 ,a guerra proveio das tendencias e desordens da psicologia dos povos2 as cogitaes da filosofia e as inquietaes morais e politicas correlativas que precederam a catastrofe e se amiudaram durante largo tempo antes da guerra1 traziam claramente no ventre as convulses em que haviam de rematar4 ,durante estes ultimos doze anos1 imediatamente antes de #aiad1 juntaram-se e cresceram na ,europa os elementos de desgraa--um grupo de estados inflamados pela consciencia da sua nacionalidade1 avidos de grandes presas1 descontentes com cada distribuio1 emancipados de todo o senso do direito pelos seus novos guias espirituais1 endoutrinados em todos os sistemas eticos da violencia1 prontos a sujeitar-se disciplina e s fadigas por amor de esmagar os outros1 e1 se a confiana agressiva abrandava1 sustentados na sua propenso pelo medo dos rivais que eles despresavam e todavia provocavam4 ,esta foi a dilatada condio de combate moral que vimos tomar corpo em sua traduco fisica1 nos factos4 ,aqueles que ha trinta anos saram das escolas impregnados de naturalismos1 lutas pela vida e ambies e processos politicos consequentes1 sabem perfeitamente a que especie de direitos e deveres essa sciencia e essa moral conduziam1 e o que logicamente preparavam ,europa1 quando das bibliotecas e dos compendios universitarios1 todos revestidos da dignidade do amor verdade1 passassem a ser trocadas em moeda corrente na pratica da vida publica e do comportamento individual1 em toda a escala das relaes com o proximo1 ou o proximo fosse uma nao de alguns milhes de habitantes1 ou um simples mendigo que se nos atravessasse na estrada e despedissemos por vencido e inferior1 ou um mercador que nos acotovelasse no caes da alfandega e atropelassemos para dar a precedencia ao nosso fardo4 ,a sciencia e a filosofia1 legitimando toda a casta de soberba e avareza1 acharam natural a brutalidade4 ,era o colapso absoluto da simpatia1 do respeito1 da caridade e da justia1 de todos os velhos bordes1 apoiados nos quais tinhamos feito uma jornada honesta de mais de vinte e cinco sculos1 para fundarmos as criaes singulares a que chamamos a familia1 a nao e a religio do amor dos homens4 ,simplesmente1 a sciencia e a filosofia1 na rajada da invaso materialista1 esqueceram1 porm1 que a arvore tinha raizes e que1 por muitos ramos que lhe partissem e queimassem1 as raizes ficavam na terra1 e ao primeiro alento da primavera novos ramos iam crescer do tronco e florir1 em tudo semelhantes aos antigos4 ,esqueceram que as naes1 como a nossa alma1 teem uma historia e instintos alimentados e avigorados no correr dos tempos1 e no haver foras de raciocinio nem impetos de destruio que os arranquem do seu temperamento2 esqueceram que a nossa civilizao tem um caracter e esse caracter1 residuo da fermentao de uma longa vida1 constante em sua essencia1 que afinal ha-de marcar-lhe a linha de progresso atravez de todas as contingencias4 ,mas no o esqueceu quem1 desconfiando das indicaes dos tubos de laboratorio e de todas as estreitezas que muito vaidosamente chamamos sciencia1 procurou uma mais larga e exacta concepo da vida no exame da consciencia e nos livros do passado1 a descobrindo as razes do presente e as possibilidades e probabilidades do futuro4 ,para esse1 o passado assegura-lhe que as civilizaes no morrem por calamidades externas1 mas quando no intimo se lhes finou a alma4 ,a civilizao romana cau1 no porque os invasores eram mais fortes1 mas porque no seu corao estava fraca4 ,antes disso1 o genio do helenismo morrra nas longas guerras intestinas que paralisaram as cidades livres e lhes arrancaram o corao daquela vida civica que era simultaneamente a fonte de inspirao do poeta1 do artista e do filosofo4 ,o que criou o conflicto da ,alemanha com as naes do ,ocidente e com a ,russia1 foi uma divergencia de alma1 porventura um atrazo4 ,na realidade1 a ,alemanha pouco participou daquele novo impulso democratico1 humanisante1 que se ergueu na ,inglaterra do sculo ,,xvii e ainda mais vivamente na ,frana do sculo ,,xviii4 ,por differentes vezes e por diversos lados1 desde a ,holanda do sculo ,,xvi at ,blgica de #aiad1 as naes da ,europa ocidental e os povos que delas vieram1 contribuiram para este espirito de liberdade1 democracia e humanidade4 ,povos pequenos e grandes deles tiveram a sua parte2 pensadores1 homens publicos e filantropistas para a deram o seu quinho4 ,mas este espirito a criao do ,ocidente1 e foram elementos da sua escola que em maior ou menor gru levedaram a estrutura politica e social da ,europa central e oriental4 ,tocam tambem a estrutura da sociedade alem1 mas no se tem ponderado suficientemente que o corpo principal do pensamento alemo se conservou alheio a este movimento desde o comeo do sculo ,,xix4 ,no foi assim ao principio3 ,kant1 o maior dos pensadores alemes1 manteve uma inteira simpatia com o humanitarismo do sculo ,,xvii1 e ,fichte foi um idealista cujas lies representavam uma fora de peso a favor da liberdade na luta com ,napoleo4 ,mas1 com o advento da filosofia hegeliana1 o pensamento academico na ,alemanha associou-se1 e cada vez mais1 com os poderes estabelecidos4 ,o liberalismo que havia na ,alemanha morreu em #ahdh4 ,a ,alemanha fundou ento uma cultura propriamente sua1 baseada em uma noo do estado e das suas exigencias1 do individuo e dos seus direitos sobre o resto do mundo1 que a civilizao ocidental repudiava4 ,ora1 olhando pelas naes do mundo1 com excepo da ,alemanha1 no vemos sinais alguns de quebra de f naqueles principios4 ,pelo contrario1 vemos que as naes1 uma a uma1 atentam no facto de que so aqueles principios que esto em risco4 ,e1 se assim 1 no se trata de uma civilizao mortalmente enferma por falta de crena nos seus principios1 por falta de confiana em si1 pelo pecado mortal de se atraioar4#f ,de facto1 nas trevas da catastrofe sentiu-se desde o comeo o poder de uma aspirao que vem de longe e no se engana no rumo2 sentiu-se a obediencia a um evangelho espiritual e moral1 de que a politica com o seu cortejo de ambies e degradaes ser apenas um turvado espelho1 um acidentado esforo de realisao1 sujeito aos vaevens de toda a traduco concreta dos sonhos de nossa alma1 da de cada homem como da de cada raa e da de cada momento da civilizao1 ora deformada e oprimida por virtude dos seus combates1 ora vitoriosa e prospera1 mas afinal1 em derradeira sumula1 invariavelmente progredindo e progressiva4 ,um alto e profundo idealismo determina muito daquilo que1 no primeiro movimento de repulso e de horror perante a guerra1 nos poder parecer smente a assolao de uma torrente de abjeces e vilanias4 ,clutton ,brock1 cuja autoridade de pensador cresceu com as consideraes de elevado caracter moral que publicou sobre a guerra1 incita o seu pas a fortalecer-se na disciplina de uma filosofia1 de que o acha desprovido4 ,por esse motivo e com o fim de traar os fundamentos essenciais dessa renovao espiritual escreveu um opusculo#g1 onde pretende que uma das grandes vantagens da ,alemanha na guerra foi encontrar-se robustecida pela insinuao organica de uma filosofia que inteiramente lhe repassou todas as actividades--uma filosofia m1 pervertida1 conduzindo ao crime em vez de conduzir ao bem1 mas1 sem embargo1 uma filosofia1 a concepo de um sistema das relaes do mundo e dos homens1 crente na sua justia e nobreza1 e s por isso uma fonte incomparavel de energia1 uma arma formidavel de combate1 seno a mais eficaz das armas de combate1 aquela sem a qual todas as demais so frouxas4 ,e isso teria faltado aos ,aliados4 ,os alemes fizeram um estado que um perigo para o mundo1 porque o fim desse estado ruim2 mas o estado da ,inglaterra no tem um fim4 ,usaram todas as suas virtudes com um fim material1 e no viram que ele era material2 mas ns 7os inglses7 deixamos as nossas virtudes ao acaso4 ,se os alemes veem no seu pas um absoluto falso1 ns no temos absoluto algum1 nem verdadeiro nem falso4 ,ha gente1 e no s alem1 que cr que a cultura alem pde salvar o mundo e que por isso anseia por uma vitoria alem4 ,para ela1 a cultura alem qualquer cousa positiva1 qualquer cousa na qual os homens se esqueceram de si por amor do estado1 e1 procedendo assim1 se erguem acima das suas foras naturais2 e crem que os alemes podem ensinar-nos todo este segredo de abandono do interesse meramente individual1 de modo que todos ns faremos a nossa obra to sistematica e completamente como os alemes4 ,mas em ns no encontram inteiramente nada de positivo1 e parecemos-lhes combater meramente pelos metodos do passado1 da mo boca1 e com esses metodos4 ,no teem razo1 sem duvida2 combatemos1 pelo menos1 contra um egotismo que o mundo nunca suportar1 seja qual fr a limpeza que ele possa trazer2 porque com essa limpeza impe a escravido4 ,mas carecemos de tornar bem claro ao nosso entendimento que combatemos por um abandono do interesse puramente individual muito mais alto e completo do que o que prepondera no espirito alemo4 ,os alemes pem o valor da ,alemanha acima de todas as cousas2 mas ns1 o que que ns aprendemos a apreciar acima de todas as cousas8 ,toda a nossa sociedade sofre da falta de valores1 de uma desvairada mundaneidade que nem sempre est contente comsigo4 ,este descontentamento e este desvairamento envolve esperanas1 mais esperanas do que a intencional perversidade da ,alemanha2 mas nem o descontamento nem o desvairamento so bons s por si1 e no conduziro ao quer que seja1 se ns no formos capazes de encontrar valores1 e os justos valores4#h ,na verdade1 embora a afirmao categorica de que carecemos de uma filosofia da vida se ache singularmente moderada onde o exame do moralista reconheceu que carecemos de tornar bem claro ao nosso entendimento que combatemos por um abandono do interesse puramente individual muito mais alto e completo do que o que prepondera no espirito alemo1 a acusao no ser de admitir-se em toda a extenso4 ,as suas proprias palavras a combatem1 confessando que a questo de clareza de entendimento e de consciencia1 e no de escassez de causa intima ou ausencia de uma filosofia fundamental4 ,essa filosofia1 que o critico quereria sentir na gente da sua patria1 de facto subsiste desde j e activamente4 ,trazemo-la no sangue1 neste sangue que o legado de muitas geraes1 e no qual se fundiram e consubstanciaram1 em uma tenacissisima aspirao1 aquela liberdade que a ,grecia sonhou1 a ordem que ,roma fundou1 e1 coroao maravilhosa do pensamento politico constituido pela antiguidade greco-romana1 o nacionalismo acalentado pela ,renascena1 movendo-se e medrando dentro daquela catolicidade que uma vez nascida do poder e governo do imperio romano viveu na igreja catolica1 prevalecendo-se de um momento de unidade religiosa1 e hoje se prolonga nas aspiraes do internacionalismo1 fundando na comunidade humanitaria o que algum tempo foi resultado da unidade religiosa--sem muito querer persuadir-se1 diga-se de passagem1 que1 ou se fale em nome de ,deus1 ou em nome da ,humanidade1 ou se invoque a ,razo1 ou nos inflamemos na ,f1 a concluso moral em toda a hipotese una e invariavel1 e o racionalismo e o cristianismo juntam-se na mesma concepo da ordem humana1 nas mesmas liberdades e responsabilidades1 nas mesmas aspiraes e deveres de igualdade e amor4 ,de filosofia no carecemos1 realmente4 ,temos enraizada no peito toda aquela1 e profundissima1 que a tradio e a experiencia de muitos sculos nos legaram4 ,o que nos afasta da ,alemanha no a mingua de uma razo intima1 da mesma natureza daquela que a alenta e move2 o que nos afasta apenas o grau de consciencia e a forma pratica correlativa em que o mundo latino e o mundo germanico sentem essa razo e os termos em que lhe obedecem4 ,a ,alemanha cultivou e definiu a sua filosofia1 aparentemente oposta de todo nossa1 em circunstancias apontadas por ,hobhouse nas passagens que acima traduzi1 mas entretanto ns1 descuidadamente1 sem nos esforarmos por definir e sistematisar os motivos do nosso esforo1 fomos vivendo a nossa vida e seguimos por instinto o nosso caminho1 sem o errarmos1 no obstante no preguntarmos para onde iamos e porque4 ,ao fim1 quando o conflicto nos iluminou tragicamente a jornada1 que vimos onde estvamos e que especie de filosofia nos tinha conduzido at ali4 ,claro est que mais seguros se encontravam em seus baluartes os que com mais paciencia e metodo os haviam edificado2 mas nem por isso os nossos reductos deixaram de se mostrar inexpugnaveis4 ,se o no fossem1 se uma filosofia muito diversa da que animou a ,alemanha e lhe deu fora e coeso no nos inspirasse1 se aspiraes muito diferentes no nos arrebatassem1 a guerra ter-se-hia reduzido a uma marcha triunfal dos exercitos teutonicos1 portadores de um genero de civilizao pelo qual todos os povos da terra estavam suspirando1 ansiosos por abdicarem das suas aspiraes ingenitas no seio do povo eleito4 ,a invaso alem teria sido uma beno recebida de joelhos e com hinos de louvor2 no significaria a violencia1 para nos libertarmos da qual sacrificamos vidas e bens1 o melhor da nossa riqueza e da nossa alegria1 e comprometemos por largos anos a sorte dos que nos vo suceder e nos ho-de herdar encargos tremendos4 ,ainda mais4 ,no s traziamos no peito uma filosofia e lhe obedeciamos1 embora o prolongado habito de a seguir nos tivesse em grande parte dispensado de lhe reconhecer e cultivar intencionalmente o poder1 mas o desenvolvimento dessa filosofia no deixou de se operar de continuo e nos termos da sua essencia4 ,e chegados ao momento de dar contas do passado no presente1 de revelar as ideias e paixes em que nos criamos e mostrar pelos resultados ultimos a sua legitimidade1 verifica-se que temos sido fidelissimos servos dos principios da nossa civilizao1 bastas vezes contrariados e oprimidos pela adversidade do destino mas sempre renovados1 e ressurgidos e maiores1 pela constancia da nossa crena4 ,para compreendermos como atravez de todas as obscuridades e reaces de uma fermentao mental e material prodigiosa houve um progresso1 uma logica1 uma direco e um adiantamento em uma linha invariavel1 bastar considerarmos esta lenta renovao psicologica que graduou em diferente altura o valor militar e o valor do trabalho1 por virtude da expanso dos germens inoculados em a nossa organisao pelo pensamento democratico tradicional4 ,j aprendemos1 disse ,w4 ,j4 ,bryan1 antigo secretario de estado nos ,estados-,unidos da ,america1 que mais vantajoso alargar a terra que possuimos1 duplicando-lhe a produco1 do que acrescentar-lhe por conquista uma nova rea4 444 ,ha mais inspirao em uma vida nobre do que na morte heroica4 ,entre tantas cousas que as convulses politicas e militares destruiram e arruinaram no correr dos sculos1 sempre cresceram aquelas que o fogo no queima1 certa essencia espiritual1 a razo de ser e proceder das sociedades1 que inflexivelmente as encaminha1 quer na paz1 quer na guerra1 ainda mesmo quando a sua aco se ignora ou parece aniquilada para sempre4 ,heroismos de hoje1 todos constituidos pela fora de servir e criar1 expresso ultima de uma actividade de amor e de uma compreenso da virtude dos homens1 lentamente elaborada dos germens da nossa civilizao1 vo a eclipsar as glorias de ontem1 inflamadas no impeto de conquistar e no arrebatamento de esmagar e vencer1 paixes do odio1 por vezes fecundas e grandes pela coragem e at pela iseno que significaram1 mas invariavelmente barbaras pela crueldade dos impulsos1 inseparavel da sua fora intima4 ,o trabalho que algum dia foi vileza e escravido e arrastou o carro dos capites de armas em seus triunfos1 converteu-se agora em uma religio1 e ele que pouco a pouco vae subjugando os capites de armas ao servio da sua defesa e culto4 ,emquanto as balas cobriam de cadaveres as trincheiras de ,verdun1 fumegavam as fabricas no seu labor sob a metralha1 os arados sulcavam o cho sem temor da morte que pairava sobre as leivas1 e a consciencia duvidava1 sem saber a quem mais glorificar e engrandecer1 se aos que sucumbiam heroicamente nas batalhas da morte1 se aos que1 no menos sagradamente1 ofereciam o peito e o sangue nas batalhas da vida4 ,alguma cousa sentimos1 seno mudada1 pelo menos crescida1 por certo apenas crescida1 visto que nasceu comnosco1 com a nossa civilizao1 em todos os seus modos a encontramos vivaz e alargando-se1 a dizer-nos que1 to digno ser ferido ou morto trabalhando pela saude e bem-estar de uma nao como combatendo por ela4#i ,a gloria militar s pode ser iniqua4 ,por cada heroi que ela regista1 quantos morrem desconhecidos1 e todavia to grandes que nem sequer tiveram a ideia da gloria444 ,o heroi maior o que no conhece o seu valor4 ,morre sem a si mesmo se conhecer1 desconhecido dos homens1 e a terra absorve o seu corpo anonimo4 ,mas quanto grande a grandeza de ser humilde6 ,o soldado mais humilde o maior1 aquele que se submeteu regra at morte1 sem imaginar que notavel o que ele fez4 ,faz o que tem de ser feito4 ,faz o seu oficio de soldado4 ,a pura grandeza do homem reduz-se sempre a bem fazer o seu oficio4 ,o que necessario1 no o entusiasmo2 a consciencia profissional4 ,o entusiasmo apenas uma desigualdade de temperamento4 ,os combates que o trabalho combateu em ,frana durante a guerra1 igualam1 onde no sobrepujam1 toda a sua estupenda gloria militar4 ,atravs da morte1 atravs do fogo1 os trabalhadores consumam tenazmente a sua tarefa4 ,este heroismo do trabalhador encerra uma grande esperana porque a fora eterna da nao reside no trabalho4 ,a guerra no mais do que uma desordem momentanea4 ,sempre ha-de acabar pelo regresso ao trabalho4 ,o campo1 o trigo1 o moinho conteem uma invencibilidade que a guerra no subjugar4 ,nem as ceifeiras tiveram medo dos obuses1 nem o moleiro teve medo de servir de alvo4 ,sob a violencia passageira1 a terra prossegue na sua eternidade1 e vemos as mos das ceifeiras ligarem as paveias com um gesto que sempre o mesmo desde o comeo do mundo4 ,ha na humanidade foras que a colera do homem nunca ser capaz de prostrar1 e delas que se alimenta4 ,que poder domina tudo aquilo8 ,o soldado sabe vencer o soldado4 ,o trabalhador sabe vencer a morte4 ,ha um patriotismo guerreiro que sublime1 porque afronta a morte4 ,todos devemos inclinar-nos perante ele4 ,ha um patriotismo trabalhador que ir para o trabalho4#aj ,esse patriotismo que combate imperturbavel os combates do trabalho e que o critico comovido contemplou com orgulho na sua patria1 esse foi e invulneravel a toda a injuria do fogo1 e1 sentindo-o crescer na nossa alma e atravs da historia1 sentindo-o avassalar-nos a consciencia1 ilumina-nos e alenta-nos a esperana de que1 sendo a maior fora e o supremo padro da gloria humana1 s a esse est reservado todo o imperio em que as naes e as raas vivero para melhores destinos4 ,isso que permanece sob as cinzas1 e no as cinzas que o vento leva1 isso ser o sustento e a razo de ser da humanidade4 mais do que uma esperana2 uma certeza e a mais vivificante das muitas que a guerra deixa erguidas entre os seus destroos4 ,o scepticismo desdenhoso1 mais propenso a lidar com a miseria1 de que faz seu lucro1 do que a exaltar-se em vises que no lhe matam a sua fome de prazeres caracteristicos1 est pronto a advertir-nos de que pouco importa que nos homens haja impulsos eternos de robustez1 paz e nobreza4 ,outros1 e de baixeza1 os combatem2 nestes temos de confiar1 e destes havemos de nos socorrer1 porque sempre os encontramos arrogantes e muitas vezes os vimos dominar1 e sempre lhes sentimos a crueldade atroz4 ,esse scepticismo no desistir de procurar convencer-nos de que toda a aurora de justia e amor conhecida dos homens1 e muitas teem sido1 invariavelmente entenebrecida por uma ruindade ingenita indomavel que logo a confunde em uma noite cerrada4 ,no ha que esperar paraisos da bondade humana2 sempre existiu e nunca governou o mundo4 isso o que o scepticismo nos assegura1 tal qual como se nos dissesse que no vale a pena semeiar a floresta nem crr no seu crescer1 porque sempre houve tempestades e as tempestades derrubaram muitas arvores1 e sempre houve vermes e os vermes muitas outras corromperam1 s vezes das mais frondosas e melhores4 ,em socorro dos scepticos e da sua filosofia comoda1 isentando de muita obrigao1 esforo e dever1 viriam os homens praticos1 esses de que ,cristo foi a negao1 quando julgou pratico morrer na cruz para ressurgir em espirito1 no mais activo e criador espirito da humanidade4 ,os homens praticos no se convencem com semelhante loucura1 e esses pretendem que o unico modo eficaz de salvar a humanidade organisar a sua vileza em vez de invocar a sua nobreza4 ,fazendo o inventario comparado das guerras e das aspiraes de paz1 acharo que as guerras teem prevalecido sobre as aspiraes de paz e1 porque assim aconteceu1 no poder acontecer diferentemente4 ,no seu obstinado entender1 a guerra para ser fecunda ter de preparar novas guerras1 cogitando de continuo na fora futura dos exercitos e no seu poder4 ,tudo o mais utopia4 ,homo hominis lupus4 ,a unica esperana de sustentao dos homens avigorar-lhes as queixadas1 afiar-lhes os dentes e banir-lhes do peito a piedade4 ,devorar e ser devorado ser o ciclo infernal em que a politica tem de penar4 ,amar e ser amado iluso contraria natureza e1 mais do que perigosa1 mortal4 ,nem lhes abalar a firmeza o proprio testemunho da ,historia que eles invocam e que alis demonstra o progressivo desenvolvimento da boa vontade entre os povos e as naes1 um declinar constante de averses e incompatibilidades1 at mesmo entre aqueles que ainda ha pouco eram inimigos e cruzavam armas4 ,no fundo do desenvolvimento politico das sociedades humanas ha um alargamento e fortalecimento constante das suas faculdades de afeio1 mas1 como esse desenvolvimento um facto de evoluo e conquista gradual e no uma revoluo ou um fenomeno de cataclismo1 nunca poder isentar-se totalmente de um remanescente de barbaria e crueldade que s progressiva e lentamente dece4 ,e porque esse remanescente persiste1 o scepticismo1 e a avareza1 ambies1 e at mesmo certo heroismo1 que todos so os seus acolitos1 exaltam-se na iluso de que os homens no mudam2 e por isso fazem da m vontade reciproca entre os povos uma lei e um sistema politico e uma moral publica4 ,mas1 sem embargo1 os factos frequentemente desrespeitam as suas profecias tenebrosas4 ,quando terminaram as guerras napoleonicas1 todo o mundo imaginou que a paz era apenas uma tregua entre a ,inglaterra e a ,frana2 no tardaria a renovao dos combates entre estas duas naes4 ,um dia1 um homem publico eminente da ,inglaterra repetia esses temores diante do duque de ,wellington1 e o duque1 respondendo-lhe1 aconselhou que se mais tarde ou mais cedo tinham de entrar outra vez em combate1 fizessem por todos os meios que fosse o mais tarde possivel4 ,o proprio guerreiro desejava a paz e suscitava uma politica conforme os seus desejos2 e o futuro deu-lhe razo4 ,guerra no tornou a haver entre a ,frana e a ,inglaterra4 ,passados cem anos1 encontramo-las aliadas4 ,a soluo pacifica mostrou-se mais pratica do que a soluo belicosa4 ,entre a maior violencia das batalhas ouviro agouros de paz aqueles que os quizerem ouvir4 ,ao fim de dois anos de guerra entre a ,inglaterra e a ,alemanha1 na hora de suma inimizade1 o professor ,munsterberg1 alemo de uma alta autoridade1 lembrava que a liberdade dos mares poderia ser eficazmente assegurada por uma aliana da ,inglaterra1 da ,alemanha e dos ,estados-,unidos da ,america4 ,e a imprensa inglsa1 respondendo-lhe1 abstinha-se de dar opinio sobre a justia e praticabilidade de semelhante insinuao1 advertindo apenas que as incompatibilidades suscitadas pela guerra eram um obstaculo formal a essa soluo--o que equivale a dizer que1 apagadas essas incompatibilidades1 no ser talvez uma utopia o alvitre4 ,pelo visto1 o obstaculo apenas de natureza moral1 outro no ha de natureza politica ou economica4 ,no ser de todo ilegitimo pr esperanas em hipotese to ousada1 sobretudo se nos lembrarmos de quanto foi breve a inimizade entre a ,frana e a ,inglaterra1 e se cremos1 com muita boa gente1 que1 se no houvesse esse espinho da questo da ,alsacia1 talvez a ,alemanha e a ,frana fossem hoje aliadas em vez de inimigas1 apesar da guerra de #ahgj4 ,depois1 a fatalidade da propenso logica insistentemente pregunta porque que o internacionalismo1 sendo um facto culminante do nosso tempo1 no ha-de estender-se politica1 ou melhor1 como que a politica ha-de conservar-se alheia ao seu espirito e aco4 ,internacionalisou-se a sciencia1 a arte1 a religio1 o capital e o proprio comercio1 apesar das suas infinitas rivalidades2 no se concebe que este impulso exclua a politica4 ,pelo contrario1 sabido at que ponto o internacionalismo penetrou nas oficinas1 no so segredo nem pouca cousa as tendencias de solidariedade que por l se insinuaram e medram4 ,admitamos que da oficina trasbordem e se espalhem nos campos1 onde a sua disseminao tem de ser lenta por virtude da inercia caracteristica do espirito rural1 sempre moroso em seus movimentos1 cautelosamente conservador1 mas nem por isso menos tenaz nas inclinaes4 ,e mais no carecemos para sinal de tempos novos1 mais ou menos proximos1 talvez mais proximos do que remotos1 se considerarmos a intensidade da actividade mental dos nossos dias1 a renovao da consciencia que ela importa1 e a ordem social a que essa nova consciencia conduz inevitavelmente4 ,o progresso1 sendo como unicamente fundado na fortaleza do espirito e no seu desenvolvimento incessante1 indestructivel em sua constituio e nos seus orgos1 em toda a amplitude da sua expresso e expanso4 ,o que nos d a iluso de retrocesso ou de irreductibilidade da barbaria1 so as desordens de funco1 no uma leso essencial organica1 que no existe2 so as enfermidades acidentais1 passadas as quais as sociedades voltam a ser o que eram anteriormente ao acidente morbido--tal qual o homem doente recuperando o equilibrio normal quando findou o delirio da febre1 reatando a vida no ponto em que a tinha no momento de ser perturbada1 naquela edade1 estatura fisica e capacidade mental que lhe eram proprias e caracteristicas4 ,nem porque adoeceu e se curou voltar o velho a ser moo e o adolescente ressurgir criana4 ,uma identidade especifica se mantem com seus momentos de eclipse1 ao fim vitoriosa de qualquer opresso passageira que por acaso sofreu4 ,e assim o entendeu um esclarecido internacionalismo1 pela voz dos seus chefes mais autorisados insistindo em nos assegurar que no renunciou1 nem tem razo para renunciar1 s suas aspiraes e esforos4 ,negando que a guerra o houvesse enfraquecido1 tira das responsabilidades que lhe exigem e dos feitos que lhe atribuem a demonstrao da sua fora e vitalidade4 ,as acusaes de falencia com que a diplomacia dos politicos de profisso procura estigmatisa-lo e afasta-lo do caminho1 no qual essa diplomacia serve as cobias dinasticas e capitalistas1 seriam em ultima analise um tributo importancia que lhe assiste nas relaes entre os povos e ao alargamento e amplitude progressiva do seu poder4 ,confessando que o nacionalismo agressivo teve um impeto de tresloucada ambio envolvendo nas suas paixes o mundo inteiro1 cr cada vez mais profundamente na misso de paz que o zelo profetico dos seus mestres e o trabalho paciente dos discipulos tem exercido nestes ultimos cincoenta anos com to religioso ardor como manifesta eficacia4 ,as dificuldades que o assaltavam e os transes por que passou no desvairamento momentaneo dos seus apostolos e soldados1 iludidos pela astucia dos que governam1 no lhe abalou o fundamental optimismo1 proprio da f com que prosegue nos seus combates e vitorias4 ,depois ainda1 esta ultima guerra veio demonstrar com uma clareza terminante que j no ha neutrais possiveis nos conflictos das civilizaes4 ,no se arrasaram fronteiras nem ser possivel1 e muito menos necessario1 arras-las1 porque a natureza e a historia as ergueram por longos sculos1 seno para sempre2 mas cresceu a intensidade de transito atravs dessas fronteiras1 e com ela cresceu a simpatia mutua e a comunho politica dos que nelas transitam4 ,as relaes dos povos estreitaram-se de tal modo que1 se uma calamidade flagelou uma nao1 todas as demais sofrem nos seus interesses e afeies4 ,ora por ,deus1 ora por ,satanaz1 ora por amor do espirito1 ora por ambio mundana1 a terra vai a converter-se em propriedade de um possuidor unico--o homem1 um s e no muitos1 como no passado encontravamos e distinguiamos1 sobretudo quando os viamos em combate4 ,e1 se o possuidor um s e a propriedade se acha portanto indivisa1 o conflicto impossivel onde a unidade organica se tornou essencial4 ,a propria insolvencia da guerra pelos feitos militares1 que em mais de trez anos de combates atravs de mil esforos1 vitorias e derrotas no foram capazes de dar soluo ao conflicto e1 pelo contrario1 demonstraram a sua inanidade como processo de soluo dos antagonismos em oposio violenta1 isso que fez que se chegasse concluso de que as naes teem fora para fazer a guerra1 mas no teem fora para fazer a paz1 isso significa um golpe profundo na doutrina da confiana militarista4 ,sobretudo a vitalidade dos interesses economicos mostrou-se superior a toda a ruina por mera violencia4 ,por seu poder e relaes no tiveram fora bastante para evitar a guerra1 mas ficou de uma vez para sempre certo que a economia das naes1 fruto da paz1 e da inteligencia e dos afectos1 no pde ser arrasada pela guerra4 ,essa economia subsiste apesar da guerra e durante a sua propria aco2 no ha exercitos que possam com ela1 e nem a dos aliados nem a dos imperios centrais fraquejaram e deram sinais de se submergir nesta pavorosa catastrofe1 constituindo por essa maravilhosa resistencia uma prova formidavel do caracter de ociosidade cruel de todas as guerras na fortuna dos povos1 que vivem de po1 no vivem de polvora4 ,a arte de ser util emancipou-se das supostas necessidades de violencia1 que algum tempo a fascinaram4 ,a violencia seduz porque nos dispensa de um esforo de reflexo1 de um trabalho de razo4 ,porque necessario um esforo para desfazer um n4 mais facil cort-lo4#aa ,mas desde que os homens e as sociedades chegaram idade da razo1 no s a sua honra mas tambem os seus interesses temporais os induzem a esperar da razo o que erradamente pediam violencia4 ,debalde essa tendencia1 de que resulta a unidade de aspirao dos povos e o consequente declinar das guerras1 tem at hoje procurado orgos adequados que lhe sirvam eficazmente as funces4 certo4 ,preponderante apenas em um mundo moral limitado1 carece ainda da largueza de disseminao que lhe ha-de assegurar a consistencia1 embora essa disseminao progressiva se mantenha na historia das sociedades cultas com uma constancia manifesta4 ,muitos tratados e tribunais de arbitragem1 muitos compromissos de paz se reduziram a pedacinhos de papel1 e logo se inflamaram e arderam mal se ouviram clarins de guerra4 ,outros1 porm1 se mostraram consistentes e rebeldes ao fogo em iguais circunstancias4 ,tambem certo4 ,aqueles que se rasgaram ou arderam1 foi porque1 significando unicamente uma esperana e uma tendencia1 uma ambio e um fim1 ainda no eram de facto uma lei1 embora escritos fossem4 ,uma lei1 para o ser com fora executiva e real1 carece de um estado de espirito em que se haja fundado e estabelecido antes de se estampar e consignar na definio verbal e nos contractos selados4 ,essa a razo pela qual no se cumprem muitas leis que j foram cumpridas1 e ainda no se cumprem outras que j foram apregoadas1 e vigoram algumas que jmais foram traduzidas para o papel4 que as leis1 antes de o serem e para o serem1 ho-de viver no mero estado de aspirao do espirito2 smente so leis e prevalecem emquanto as aspiraes dos povos as querem e confirmam4 ,como poder de criar o quer que seja nas sociedades e na consciencia dos homens1 a lei escrita1 nacional ou internacional1 de um valor nimiamente hipotetico2 a lei ser1 muito mais do que isso ou muito diferentemente disso1 uma verificao e explicao daquilo que natural e expontaneamente se criou4 ,quando vem antes da criao que pretendem representar1 ou quando lhe sobrevivem1 as leis vergam1 cedem e anulam-se ao mais leve movimento contrario4 ,ora1 em materia de guerra entre os povos1 as propenses pacificas1 que so alis uma fora manifesta e crescente1 no vo to adiantadas que possam constituir-se em tribunais e sancionar-se em sentenas4 ,foi esta antecipao do desenvolvimento de um principio e de uma alta realidade que1 mostrando-se o que na realidade era1 revelando a fragilidade propria de uma constituio incipiente1 deu a muitos a iluso de que esse principio e essa realidade no existiam em absoluto e no eram uma fora em aco1 e1 porque acontecera que se mostraram incapazes de afrontar as injurias de um momento adverso1 jmais poderiam subsistir4 ,quizemos talvez comear a casa pelos telhados1 em vez de lhe dar principio pelos alicerces4 ,e1 muito provavelmente1 o radicalismo socialista acerta quando1 reconhecendo que o internacionalismo organisado anteriormente guerra foi impotente para a conter1 explica o desastre e confia no futuro1 dizendo que1 emquanto os governos andarem divorciados dos povos1 emquanto eles forem autocracias e plutocracias1 emquanto os homens forem governados pela corrupo1 pela violencia e pelo engano1 no haver garantia real de que a paz1 mesmo quando nominalmente observada entre as naes1 produza os frutos ou assegure as liberdades da paz de ,deus4 ,emquanto os povos no dirigirem a politica dos governos1 emquanto a democracia no for uma realidade1 no haver paz permanente1 externa ou domestica2 e1 quando esse dia chegar1 pouca necessidade haver de uma fora de policia internacional4#ab ,se assim 1 e a observao dos factos decorridos nestes ultimos anos de profundissimas convulses sociais e progressiva consciencia das suas origens e remedios de todo confirma a esperana dos apostolos da renovao politica do mundo1 se assim 1 no podem vir longe os tempos de paz4 ,porque a vitoria da democracia1 ainda que na revoluo da ,russia no se houvesse mostrado triunfante ou no fosse carregao inevitavel dos navios vindos dos ,estados-,unidos da ,america1 republicanos e livres pensadores1 afeitos incorrigivelmente liberdade politica e religiosa1 e naturalmente propensos a comunica-la aos povos aos quais se unirem por amizade1 a vitoria da democracia tornou-se a sumula deste terramoto que foi a guerra de #aiad4 ,obedecendo a impulsos politicos originarios da civilisao1 mantidos e medrados em uma evoluo muitas vezes secular1 grande legado das cogitaes filosoficas do sculo ,,xviii e da abundantissima experiencia do sculo ,,xix1 a democracia da essencia constituicional do latinismo e de quanto ele de perto ou de longe criou ou tocou1 sem distinco de gentes ou de latitude para onde se transportasse4 ,diferentemente se organisar conforme as necessidades e tradies e acidentes da existencia dos povos sobre os quais impera2 poder ser aqui um sistema de fragmentao comunista1 acol a constituio de centralisaes colossais1 e alm o livre jogo do individualismo2 poder ser na estrutura e na hierarquia das funces uma monarquia1 ou uma republica1 ou um imperio1 uma arregimentao despotica das plebes ou a associao livre das actividades sociaes4 ,mas em todo o mundo se tornou a tendencia irrefragavel e invencivel da constituio dos governos para servir os povos e a recusa indomavel da subjugao dos povos para servir os governos4 ,no espirito das comunidades decaiu a ideia de serem possuidas e a obediencia correlativa1 e a essa ideia sobrepoz-se1 vencendo-a e condemnando-a1 o pensamento de possuirmos a terra em comum e em comum obedecermos1 no queles a quem a fortuna ou a audacia deu a fora de mandar1 mas smente queles a quem a consciencia deu o talento e a obrigao de ser util e de proceder isentos de interesse proprio1 em beneficio do proximo4 ,uma democracia1 aquela democracia que persiste1 cresce e ha mais de vinte sculos ressurge de cada revez mais poderosa do que era antecedentemente1 no uma mera forma de governo4 ,no depende de urnas ou de leis de sufragio popular ou de qualquer maquinismo4 ,isso apenas o seu adorno4 ,a democracia um espirito e uma atmosfera1 e a sua essencia a confiana nos instintos morais do povo4 ,um tirano no um democrata1 porque cr no governo pela fora2 como no democrata o demagogo porque cr no governo pela lisonja4 ,um pas democratico um pas onde o governo tem confiana no povo e o povo tem confiana no governo e em si1 e onde todos se unem na f de que a causa do seu pas no materia apenas de interesse individual ou nacional1 mas est de harmonia com as grandes foras morais que governam os destinos do genero humano4#ac ,essas foras morais que governam a humanidade1 no as queima o fogo4 ,e essas so as que ho-de fazer a paz1 a presente como a futura1 e a futura mais robusta do que a presente4 ,uma noite1 em uma igreja1 ficaram alguns soldados de sentinela a guardar a urna de uma eleio politica4 ,havia no altar mr dois anjos magnificos1 empunhando tocheiros1 e a sua grandeza e resplendor dominavam o templo4 ,para encurtar o enfado da vigilia1 os soldados vestiram de guerreiros os anjos4 ,poseram-lhes aos hombros o capote e a mochila1 cingiram-lhes as correias1 ocultaram-lhes os cabelos no capacete e trocaram os tocheiros por carabinas4 ,ao fim1 alguem deu a voz de sentido1 militarmente1 e a companhia perfilou-se em continencia4 ,havia alguma cousa de escarneo sinisiro no gracejo4 ,era um templo transmudado em caserna1 a dureza expulsando a graa e a crueldade banindo a piedade4 ,mas1 quando amanheceu1 o sonho de ,satanaz havia passado1 e os anjos1 recuperando a liberdade das suas azas1 de novo se ergueram quela gloria que o menospreso desconhecera e ocultra sem poder destrui-la1 porque era de sua condio indestructivel4 ,at sob o manto da injuria persistira4 ,no diferente desta a historia da humanidade--desta humanidade qual todas as naes pertencem e que os tempos mostraram susceptivel de nobreza1 de f e de amor1 de quanto constitue a gloria dos anjos4 ,pde um impulso impio perverte-la e tranfigura-la por um momento4 ,muitas vezes o tem feito e no poucas ter ainda1 por certo1 de o repetir4 ,mas a manh sempre volta1 porque o mover dos astros no cessou e1 quando volta1 logo fulge a gloria dos anjos4 ,nunca o fogo a queimou4 ,valores restaurados ,renascimento da educao classica ,i ,em breves anos1 veremos renascidos e florescentes a educao e o ensino classicos4 ,no tenhamos duvidas4 ,os sinais de resurreio so manifestos1 a germinao da nova ideia vigorosa2 e nestes tempos em que toda a transformao rapida e a circulao do pensamento to activa como a propagao da electricidade1 manda a experiencia e a lgica contar em curto prazo com uma profunda reforma dos programas escolares1 subordinada nova aspirao1 orientando-se em rumo diverso daquele estreitamente positivo e scientifico em que com tanta incerteza e naufragio navegamos ha uns bons vinte e cinco anos4 ,as humanidades e a cultura classica retomam seu logar e imperio4 ,o clamor geral4 ,ser ouvido dos que o podem converter em uma fora activa eficaz4 ,tem todos os modos de reclamao de verdade1 justia e necessidade pratica4 ,no pode encontrar resistencia que prevalea sobre elementos de tamanha fora e duma tal natureza4 ,as sociedades teem destas crises que1 uma vez lanadas1 logo se lhes presente a soluo e os triunfos4 ,e a crise presente do ensino dsse gnero4 ,no uma novidade1 realmente4 ,no uma aventura de ensaios e tentativas para inventar homens novos1 de novas aptides e estranhas tendencias psicolgicas4 no fundo o desengano de uma aventura1 empreendida com muito boas esperanas e rematada com muita desiluso1 a reposio das coisas do espirito e da ordem da vida concreta naquelas condies em que durante sculos se haviam mantido e prosperado4 ,ha cerca de vinte e cinco anos disseminou-se na ,europa1 na ,america1 e por todo o mundo culto uma verdadeira mania de realidades1 coisas praticas1 utilidades1 vaga e implicita negao de outras coisas1 areas em semelhantes conceitos1 com que os homens se haviam preocupado at ento4 ,e essas coisas no praticas1 isso que se chamava beleza1 ordem1 justia1 aspiraes do puro espirito1 passou ento categoria de inutilidades1 toleradas apenas como enfado e desfastio1 adorno e deleite de curiosos e ociosos diletantismos4 ,o ensino amoldou-se a essa preocupao4 ,pr uma engrenagem onde estava uma ideia1 uma ideia aritmetica onde havia um silogismo1 uma fabrica onde estava uma esttua1 e um apito de vapor onde se ouvia um canto de poeta1 tornou-se imediatamente a quinta essencia da sabedoria das naes e dos seus estadistas1 e o sonho de perfeio e grandeza dos pedagogos progressistas e progressivos1 dos que iam na frente e se propunham ir muitissimo mais longe4 ,o ensino classico pareceu ento uma abominavel e esteril velharia2 dessorava o crebro1 atrofiava os musculos1 tinha por vezes um cheiro detestavel a crte e sacristia4 ,as famosas humanidades trocaram-se de bom grado por abundantes animalidades4 ,no homem considerou-se quasi unicamente o animal e no mundo viu-se muito restritamente um processo de multiplicao de comodidades4 ,para isso se teriam criado a terra e as sociedades4 ,tudo o mais seria1 na classificao mais benigna1 pelo menos antiquado4 ,que olhassemos para a ,alemanha1 prgava-se4 ,l que se sabia4 ,as suas vitrias e prosperidades eram uma questo de escola1 e de sciencia1 dessas muito faladas e desejadas e louvadas coisas prticas4 ,era o mestre escola que tinha vencido em ,sadowa4 ,o germanismo e as suas glrias teriam sido apenas questo de laboratorios1 retortas1 lentes1 microscopios1 raizes quadradas e taboas de logaritmos4 ,sciencia1 muita sciencia1 sempre sciencia4 ,estava a o elixir da vida1 a fortuna das naes e a felicidade dos homens4 ,latim1 grego1 ,aristofanes e ,cicero e ,tito ,livio respeitaveis massadores que tomavam o tempo rapaziada e no lhes deixavam lucro que valesse um real4 ,abaixo as inutilidades4 ,passassem aos museus respectivos4 ,l encontrariam conservadores habilitados que as guardassem no logar que lhes competia1 para recreio de eruditos4 ,para o comum dos mortais no tinham nada de aproveitavel4 ,assim fomos andando1 nesta f1 de reforma em reforma1 a dar ar e luz aos nossos institutos e liceus1 sempre espera de vermos sair de l os atletas que haviam de renovar as naes4 ,mas os atletas tardavam4 ,em seu logar1 apareciam mesmo muitos enfermos4 ,comeamos a desconfiar de que a sciencia no dava o que prometia1 e a suspeitar de que tinhamos errado na escolha1 passando ao deposito das inutilidades um arsenal de belas armas4 ,coisa curiosa6 ,a primeira vez que ha dois ou tres anos encontrei um escrito moderno atacando abertamente os abusos do ensino chamado scientifico e o abandono das letras classicas e das antigas humanidades1 foi em um jornal socialista radical4 ,os que vo na frente do movimento politico1 os que reclamam e exigem mais profundas reformas1 as pedem em nome da justia1 e pelo seu radicalismo bota-abaixo pareceriam os mais propensos a banir todas as velharias das sociedades contemporaneas e futuras1 seriam esses os primeiros a advogar a restaurao de processos e intuitos da educao e ensino1 postos de parte e condenados por empecilhos do progresso4 ,a educao classica refugiando-se nas fortalezas do socialismo radical1 que se poderia muito logicamente supr todo impregnado de radicalismos scientificos1 era fenmeno para estranhar2 e1 na minha ignorancia e despreocupao1 de facto estranhei1 no primeiro momento4 ,mas em poucas linhas me desvanecia a confuso aquele artigo que acabava de lr4 ,o qu86 dizia4 ,as humanidades eram ms8 ,onde se formaram os homens da ,revoluo ,francsa8 ,onde aprenderam os principios de liberdade1 igualdade e justia que proclamaram e por que se sacrificaram at ao martirio1 para nolos transmitir triunfantes e para nos remir de aviltada condio8 ,donde brotou e onde firmava as suas raizes essa seara unica da literatura romantica8 ,no1 as humanidades no eram ms4 ,eram excelentes e suficientes4 ,os homens que nos deram foram bons1 entre os melhores de que fala a historia1 e nem outros de superior grandeza podemos desejar e sonhar4 ,o discurso convencia-me4 ,desde o momento em que os homens se criam para os homens1 os conhecimentos essenciais do seu espirito e os modos mais nobres do seu caracter ho-de ser humanidades4 ,preferir-lhes animalidades1 reduzir o homem a um vulgar organismo sem diferena fundamental dos seus semelhantes nas espcies animais1 ou mais simplesmente ainda passa-lo categoria mecanica de motor e alavancas conjugadas1 destinado a diversas operaes de produo e consumo1 era uma degradao4 ,evidentemente1 tornava-se necessario ser homem antes de ser bicho ou maquina4 ,dependia disso a dignidade4 ,sempre assim se havia entendido4 ,depois1 o ensino classico1 se era classico1 de sua natureza era essencial1 partindo do principio que por classico se entende aquilo que em sucessivos sculos e sucessivas geraes se reputou invariavelmente bom ou belo4 ,abandonar o que de certeza assim era1 para o trocar por vantagens incertas1 teria sido insensatez4 ,a mais passageira reflexo no poderia deixar de concluir pelo predominio do ensino classico4 ,admitiria que se acrescentasse4 ,que se eliminasse ou reduzisse1 nunca4 ,de que todavia agora se trata e o que provoca a campanha incipiente1 no de apreciaes abstractas1 dos desenganos da experiencia4 ,no sou to moo que no tivesse conhecido os homens educados puramente nas escolas classicas da primeira metade do sculo ,,xix4 ,conheci at alguns desses professores de latim espalhados a capricho pelo pas1 regendo cadeiras singulares dessa disciplina1 s quais as vilas1 que as possuiam1 atribuiam orgulhosamente o valor duma universidade4 ,ali se aprendia tudo1 imaginavam2 e quem de l saia com louvor do mestre1 tinha-se na conta de homem instruido e culto4 ,entre os meus proximos parentes os encontrei4 ,meu pai no teve outra escola nem outra educao literaria4 ,aprendeu o latim com o professor da vila em que nasceu1 e com essa reduzida bagagem escolar foi para o ,brazil1 aos dezoito anos4 ,se mais tarde estudou a lingua francsa e modernismos correlativos1 de que careceu para se pr a par do seu tempo1 nunca lhes criou tanto amor que1 quando entrou em mar de comprar livros1 deixasse de se fazer forte em classicos portugueses1 e dos modernos apreciasse sobretudo aqueles que de classicos tinham carregadas tintas4 ,conheci muitos dos seus amigos e companheiros1 camaradas da escola e outros de educao identica1 que todos conservavam vivas as tendencias que na mocidade haviam tomado4 ,possuo mesmo muitas cartas de discipulos dessas escolas1 e incidentemente tenho tido ensejo de apreciar as ideias que revelam e os caracteres que traduzem4 ,sem matematicas e sem quimicas e fisicas e mais ferramenta dos apuros scientificos modernos1 no descubro em que pontos e por que lados os antigos eram inferiores aos modernos como homens praticos1 como conhecedores das coisas da terra e seus administradores1 como capacidade de reger os homens e lhes tratar os bens4 ,foram esses1 os classicos1 os discipulos das humanidades to desprezadas pelos seus filhos1 que iniciaram a renovao economica da ,europa 7e por sinal que com muita coisa excelente iniciaram muita coisa tragica72 foram eles que organizaram a fbrica e traaram a via frrea1 que deificaram a maquina a vapor e os teares mecanicos1 e tudo isso fizeram no s com uma percepo clarissima dos fins e meios e consequencias1 mas com uma f e um entusiasmo que a prodigalidade de invenes e as maravilhas da industria da nossa era jmais encontraram em igual grau entre os contemporaneos4 ,no tiveram nem sombra de educao scientifica2 nas suas escolas1 as declinaes dos verbos e nomes tinham uma importancia suprema sobre as quatro operaes aritmeticas4 ,no foi isso1 porm1 impedimento a que calculassem com preciso e justeza1 quando isso se lhes tornou necessario4 ,meu pai1 latinista apaixonado e aferindo todos os valores literarios pelo classicismo1 no deixou por essa qualidade de ser um comerciante previdente1 habil e seguro e um belo administrador das instituies economicas em que serviu4 ,deu boas provas disso4 ,pois em matria de literatura dessa especialidade no cansou a vista1 quando alis muito costumava lr4 ,no seu espolio1 entre algumas centenas de volumes1 smente um peregrino codigo comercial1 ali perdido1 lembrava o comerciante4 que a gente do seu tempo tinha uma concepo muito diferente das necessidades da vida pratica4 ,julgava-a muito mais acessivel do que hoje a julgamos2 parecia-lhe que era questo de simples bom senso1 a que todo o homem medianamente educado pde chegar1 e muita ferramenta e metralha que ns supomos apuradissima sciencia1 deixava-a puramente a cargo da oficina4 ,guardava-se para aproveitar ou desprezar os inventos que as oficinas lhe ofereciam1 segundo as relaes de conveniencia ou inconveniencia que lhes encontrasse com os muitos e variadissimos elementos sociais que iam tocar4 ,para ste ultimo papel se destinava4 ,e1 como le era uma coisa essencialmente humana1 como a humanidade era o ponto ultimo de referencia de todos os progressos e invenes1 o ensino das humanidades lhe bastava1 o conhecimento do passado dos homens a inspirava1 sempre confiando em que o melhor mestre da vida era a experiencia e da experiencia rezavam abundantissimamente os alfarrabios gregos e latinos4 ,no direi que a gente sada das escolas classicas pensasse isto to nitidamente1 como hoje se nos apresenta4 ,mas sentia-o e punha-o em pratica1 o que foi sem dvida muito melhor e mais til4 ,da sua utilidade colhemos ns os frutos1 ns que1 cheios de prosapia1 emendamos1 corrigimos e em grande parte abandonamos por suprfluo o ensino dos nossos pais--esse mesmo ensino que foi tanto ou to pouco mesquinho1 estreito e infecundo que deu de si uma transformao politica como a ,revoluo ,francsa1 uma revoluo literaria como o romantismo1 e uma revoluo industrial como a fbrica moderna4 ,o que todos ns poderemos verificar passando os olhos pela correspondencia vulgar dos homens daqueles tempos e daquelas escolas1 o primor de linguagem4 ,qualquer morgado das selvas mandava um recado ao feitor em termos mais concisos1 mais claros e mais belos do que aqueles que hoje usa muitas vezes um professor dirigindo-se ao reitor da sua universidade4 ,os documentos oficiais1 a correspondencia entre as autoridades e a exposio de suas narraes e reflexes so pedra talhada e polida1 duma finura de arestas em que no ha linha tremida ou apagada2 as ambiguidades1 as confuses1 os pleonasmos1 a arrastada negligencia de quem no sabe ao certo o que diz1 eram provavelmente pecados to graves que um fino instinto adquirido no correr dos sculos os evitara sem mais esforo4 ,escrevia-se bem2 escrevia-se com clareza4 ,adivinha-se a resposta da sciencia4 ,vir clamar que o importante saber1 no dizer4 ,cheira-lhe a rap1 a alfazema1 a crte e a convento esse cuidado na expresso4 ,aborrece-o por artificial1 pretencioso e vo4 ,mas outros pretendero que1 se o bem pensar deve preceder o bem dizer1 nem por isso deixa de ser certo que para bem dizer necessario pensar bem1 e emquanto apuramos a linguagem e procuramos os melhores termos e a melhor ordem1 submetemos o pensamento a um minucioso exame1 de caminho o corrigimos1 acabando bastas vezes por lhe descobrir erros e faltas de logica que afinal o alteram profundamente e subvertem4 ,por mais que o modernismo scientifico me pregue e fale das suas glrias1 eu sempre me sentirei envergonhado das minhas desordenadas prosas perante o falar correntio e limpido dsses velhotes fradscos que em duas linhas sabiam dizer o que queriam dizer e por nenhuma outra forma se podia traduzir mais lucidamente4 ,e verificado o milagre e desejando repeti-lo1 e convencido dos seus beneficios1 no sei que haja modo de o reproduzir sem beber das mesmas aguas que o criaram4 ,smente me palpita que1 por muito que nos apressemos na jornada1 quando chegarmos fonte j l encontramos uma multido4 ,tudo o anuncia4 ,felizes os que forem na frente4 ,,ii ,isto escrevi ha seis anos#ad1 e1 se agora tenho a indiscrio de o desenterrar1 no para fazer registo1 em meu beneficio1 de antecipaes1 mas smente para lembrar como vinha de longe aquela corrente de reaco contra o desvario do ensino meramente scientifico1 da qual nas minhas breves tarefas de jornalista fui um passageiro e modestissimo interprete4 ,quanto ento dizia no era meu2 era do tempo4 ,hoje o encontramos no seu natural desenvolvimento1 esclarecido e animado por uma experiencia terrivel1 envolvido e singularmente revelado no conflicto das naes armadas e em guerra sangrenta1 representando a ,alemanha1 pelos acasos da sua sorte1 um gru maravilhoso de cultura e organisao scientifica1 significando a ,frana1 com os povos que lhe esto aliados1 aquela velha cultura classica que foi tida por insuficiente e ineficaz para realisar as aspiraes modernas da civilizao1 e resultando da oposio destas duas correntes a necessidade de escolha e reforma dos principios fundamentais da educao4 ,um artigo magnifico1 publicado no ,times em fevereiro de #aiag e assinado por ,um oficial ferido1 pe em termos de perfeita clareza1 que convm registar1 esta dualidade em conflicto4 ,so desse artigo estes periodos que vou transcrever3 ,a guerra ps em evidencia certas alternativas espirituais2 tornou-as inteligiveis encorporando-as em personalidade4 ,fez que muitos mil homens1 inteiramente isentos de odio contra a ,alemanha1 preguntem3--,o que que na atitude alem perante a vida ha que no-la torna intoleravel8 ,porque que ns sentimos que a causa da ,frana e da ,inglaterra a causa da humanidade8 ,isto preguntam1 e1 se so francses ou inglses1 7latinos ou latinisados1 diremos ns71 respondem que o que intoleravel na ,alemanha1 o que pretere as multiplices excelencias do seu saber e espirito publico1 que ha nela qualquer cousa que grava sinais de morte naquilo que ela toca2 qualquer cousa que a antitese da individualidade1 das aspiraes pessoais e esforo e sacrificio espontaneo2 um espirito que organisa os homens mas no os inspira1 que os cultiva mas no os ama1 que faz um estado poderoso mas no faz uma democracia nem uma igreja1 e que1 emquanto os pecados caracteristicos da ,frana e da ,inglaterra so os dos homens1 fraqueza1 paixo e leviandade1 os pecados caracteristicos da ,prussia1 como ela hoje1 so os do demonio1 a arrogancia intelectual1 a frieza do corao1 e o desprezo pelo que digno de piedade e amor1 e ridiculo em a natureza humana444 ,temos de reconhecer que a luta real1 de que esta guerra apenas um episodio1 no meramente entre o nosso pas 7a ,inglaterra7 e qualquer cousa to instavel e transitoria como a ,alemanha moderna1 mas entre as exigencias permanentes e irreconciliaveis da alma dos homens1 e que o que tornou perigoso o espirito germanico que ele no alheio mas horrivelmente identico ao de quase todo o mundo moderno4 ,porque o espirito do imperialismo germanico com demasiada frequencia o espirito do industrialismo ingls e americano1 com todo o seu culto do poder como um fim s por si1 com os seus padres materiais grosseiros1 a sua subordinao da personalidade ao maquinismo1 o seu culto de uma organisao complicada e mortal para a alma2 e o materialismo1 que na ,prussia se revela na adorao do poder do estado1 revela-se na ,inglaterra na adorao do poder do dinheiro4 ,no mais nobre este ultimo1 mais ignobil1 porque menos desinteressado que o primeiro4 ,no to violento1 mais maliciosamente corrupto1 e1 pelo que respeita massa do genero humano1 quase igualmente tiranico4 ,mas1 ou tome a forma de violencia militar ou a de cobia mercantil1 o espirito do materialismo um s1 e um s tambem o espirito que lhe resiste4 ,e1 se ns sentimos que os direitos absolutos da personalidade1 a conservao e desenvolvimento da liberdade espiritual1 so dignos de sacrificio em tempo de guerra1 igualmente sentiremos que so dignos de sacrificio em tempo de paz4 ,ora a esfera em que os direitos da personalidade mais claramente esto envolvidos1 e onde o que os ameaa mais evidentemente obra de motivos materialistas1 a esfera da educao4 ,a educao oferece1 todavia1 uma especie de experimentum crucis1 uma conjuntura na qual se podem pr em prova as causas pelas quais afirmamos ter pegado em armas4 ,pois1 por fim1 os meritos de uma guerra teem de ser julgados1 no pela correspondencia diplomatica que a precedeu1 no pelos esforos que se empregam para a ganhar1 mas pela especie de civilizao que dela deriva1 pela habilidade do vencedor em estabelecer1 no s sobre o inimigo mas sobre si mesmo1 a autoridade dos principios pelos quais alega ter combatido4 ,se1 como ns pretendemos1 a causa da ,inglaterra a causa de todas as mais altas possibilidades do espirito humano1 ento teremos de perpetuar essa mesma causa em as nossas instituies sociais1 cujo caracter depende do caracter da educao que dermos aos nossos filhos e filhas4 ,uma calamidade sem nome obrigou-nos a preguntar nossa consciencia para que que criamos os filhos4 ,da resposta que ela nos dr1 esclarecida pela mais cruel das experiencias1 dependero os fins e processos dessa criao4 ,o que a experiencia nos diz1 ao fim de quase meio seculo de educao impetuosamente scientifica1 que a vida imporia mais pelo que pensamos e sentimos1 pelo repouso ou pela inquietao do nosso espirito1 do que pelo que dominamos1 compreendemos e possuimos1 pelo que a nossa aco apreende e pelo que a nossa inteligencia alcana4 isto o que de todo temos trazido esquecido1 naquela sujeio dos homens s cousas que foi a paixo cega da educao scientifica moderna e da especie de cultura que ela produziu2 e foi por muito evidente se haver tornado esta subalternisao dos valores morais perante as conquistas materiais que ,m4me ,montessori1 com uma penetrao profetica1 muito antes que a guerra o manifestasse pelas suas angustias1 julgou que o homem que to maravilhosamente transforma o seu ambiente e curva o universo sua vontade1 no conseguiu transformar-se a si mesmo4 ,nem se imagine que este modo de vr o preconceito tradicional do latino e seus derivados e afins1 todos impregnados de aspiraes de nobreza e heroismo1 facilmente trocando o dinheiro e toda a riqueza e a propria existencia fisica pela dignidade do caracter e pela gloria4 ,alm do ,reno1 onde a fora criou o seu imperio e o administrou e acrescentou em menoscabo de qualquer cousa eterea que teve por sentimentalismo e enfermidade1 tambem o desengano encontrou os seus arautos4 ,e ,eucken1 o filosofo cuja elevao de espirito e profundeza de inteligencia so de apreciar e respeitar em todo o mundo culto1 sem embargo das paixes de patriotismo que o possam perturbar1 no nega a falencia da utopia materialista4 ,discorrendo sobre as experiencias da guerra e as exigencias do futuro1 confessou que a guerra revelou um predominio geral de egoismo1 falsidade e cobia entre todas as naes nela interessadas1 mais largamente disseminado do que at aqui se suspeitra4 ,em seu conceito1 a crena na bondade fundamental da humanidade recebeu golpes profundos4 ,a ,alemanha orgulhava-se do seu trabalho1 mas este orgulho do trabalho1 organisao e educao carecia talvez de cousas fundamentais da vida que ele preteriu2 em vez de cultivar essas cousas mais profundas e imponderaveis1 o alemo acrescentou s ambies do trabalho as cobias do prazer4 ,os desejos do corpo tomaram o logar dos desejos do espirito1 e essencial para uma nao a cultura do senso responsavel dos valores morais1 o desenvolvimento de um sentimento que a habilite a distinguir entre o bem e o mal1 entre o real e o ilusorio1 entre a verdade e a falsidade1 entre a grandeza e a mesquinhez4 ,no hesitava em dizer que quanto mais cresceu a perfeio do trabalho1 mais pequena se tornou a alma444 ,um homem tem de ser julgado unicamente pelo que de humanidade nele houver4 ,quereria vr a nao mais ardente no apreo daqueles altos e grandes valores da alma1 sem os quais nao alguma pde ser verdadeiramente grande1 sem os quais nao alguma pode cumprir a sua misso no mundo4 ,o desprezo a que chegaram esses altos e grandes valores da alma1 que so a medida da dignidade do homem1 todos o sabemos e magoadamente o sentimos nas relaes quotidianas ordinarias4 ,de facto1 a experiencia da guerra1 embora de uma eloquencia suprema1 era desnecessaria para reconhecer a miseria moral a que haviamos baixado2 no comercio moral das sociedades ha muito se acumulavam os sinais de depresso4 ,visitassemos ns um liceu ou uma universidade1 preguntassemos pelas suas aspiraes aos rapazes que l andassem1 e este queria ser engenheiro1 aquele queria ser medico1 aqueloutro advogado1 e ainda alguem preferiria ser comerciante1 mas todos sonhavam proventos de muitos contos de reis e a isso referiam o valor da carreira4 ,nem um s nos responderia que a sua ambio era viver de pouco1 honestamente1 engrandecendo o espirito e servindo o proximo4 ,nenhum se dedicaria a professar naquela classe de homens1 de que ,plato falou1 onde disse que pequena1 rara por sua natureza e o produto de uma educao ideal aquela classe de homens que voltam a face firmemente para a moderao1 quando sentem uma necessidade ou um desejo1 que so sobrios quando teem ensejo de fazer uma larga fortuna1 que preferem os lucros moderados aos grandes4 ,mais uma vez podiamos dizer com o filosofo grego que a massa do genero humano exactamente o contrario1 desmedida nas suas necessidades e insaciavel no desejo de arranjar dinheiro1 quando tem ao seu alcance um proveito moderado4 ,muito poucos encontrariamos nas escolas1 se alguns tinhamos de achar1 que estivessem inclinados a adoptar o preceito antigo que1 para sermos ricos1 queria no que acrescentassemos as riquezas mas que diminuissemos as necessidades2 e muito menos tinhamos possibilidades de descobrir quem estivesse disposto a considerar o desengano do ,evangelho e a preguntar que utilidade ha para um ser humano em possuir o mundo inteiro se perdeu a alma4 7,s4 ,mateus1 c4 #af1 v4 #bf74 ,as riquezas da terra constituiram-se em finalidade humana2 no distinguindo mais o que se deve aos bens do mundo e o que devemos s pessoas1 as pessoas mudaram-se em instrumento da conquista dos bens do mundo1 em vez de serem morada da beleza divina e do seu culto4 ,a educao toda se enlevava no poder de servir a bolsa ou a vaidade1 na arte eficaz de captar as cousas ou de possuir as almas4 ,no1 no era a moderao platonica1 nem a nobreza romana1 nem o desprendimento1 o que iamos buscar s escolas4 ,as vitorias alems de #ahgj1 corroborando impulsos de uma filosofia materialista florescente1 lanaram o mundo1 a exemplo da ,alemanha1 na superstio ignominiosa e aviltante da riqueza1 da fora e da cobia4 ,assistimos agora demonstrao tremenda da inanidade dessa ambio4 ,vinha1 porm1 de longe a desconfiana1 e at a averso1 da cegueira da brutalidade divinisada1 metodica e intencionalmente aprendida e cultivada4 ,desde o seu inicio1 ainda quando ela imperava e crescia1 de tal modo agravava1 no direi j a tradio humanitaria1 mas sobretudo o nosso modo de ser psicologico que1 revendo a historia do seu nascimento e progressos1 enxameiam as lembranas da primeira hora1 quando ,mathew ,arnold--e basta para testemunho este agouro de um alto e sereno espirito--escrevia1 em #ahga1 que o imperio alemo seria apenas um despotismo doirado1 politicamente fraco apesar do seu poder militar1 barbaro apesar das suas escolas e universidades4 ,e vinha de longe a ameaa da preterio da civilizao de qualidade pela civilizao de quantidade4 ,com que clareza pressentiu a calamidade esse extraordinario espirito1 que tanto engrandeceu o genio da ,frana e que teve neste mundo o nome de ,j4 ,joubert6 ,em #ahji1 apreciando uma ,memoria sobre a ,instruo ,publica na ,holanda1 j ele afoitamente exprimia apreenses que hoje se tornaram caso julgado por uma experiencia rematada em demonstraes dolorosissimamente irrefragaveis4 ,aquela boa gente que havia escrito a ,memoria1 dizia ento esse notabilissimo pensador francs1 pensava que o fim da educao literaria e deve ser1 no tornar o espirito mais belo1 o gosto mais puro1 a percepo mais justa1 a lingua mais adornada1 a alma mais delicada e a memoria mais feliz1 mas smente dar ao espirito um maior numero de aptides para toda a especie de conhecimentos4 ,choravam o estado do seu pas a este respeito3 ,os estudos das matematicas1 da fisica1 da historia natural andavam ali muito desprezados4 ,os auditorios em que estas sciencias se ensinavam1 eram pouco frequentados1 mesmo quase desertos1 em alguns logares4 ,disso coravam1 e no isso1 diziam1 o que o estado actual das luzes e da sociedade exige4 ,para se porem pois de nivel com o estado actual das luzes e da sociedade1 grande cavalo de batalha daqueles que1 no encontrando nunca as suas razes no interior das cousas1 porque tm o espirito pouco penetrante1 procuram-nas sempre externamente1 porque emfim tm olhos1 desejariam eles que se ensinasse tudo mocidade1 mesmo infancia1 para a tornar capaz de saber tudo4#ae ,o conflicto das diversas aspiraes da educao1 sentiam-no aproximar-se os homens superiores de ha cem anos4 ,o que seria esse desapego da beleza do espirito e da delicadeza da alma1 trocadas pela multiplicidade de aptides tecnicas e pela abundancia do conhecimento da exterioridade das cousas1 sabemo-lo ns agora4 ,despejadamente no-lo disse o prussianismo cultivado com esmero e consciencia durante cincoenta anos e terminando por dar ao mundo o espectaculo de todas as desolaes de uma brutalidade1 no fundo da qual se distingue uma apostasia clamorosa e contente na sua soberba1 a negao altiva do helenismo e do cristianismo que fundaram a civilizao1 foram o seu leite e so o seu sustento1 a sua substancia4 ,em todo o acanhamento das minhas faculdades1 mas em pleno vigor da sensibilidade1 eu1 que no posso gabar-me de haver sido educado no latinismo1 porque no educao que se tome em conta a arrastada e desordenada negligencia com que usamos passar pelas escolas1 mas que fui nascido no latinismo1 o que para a constituio psicologica sobrepuja a educao1 no escapei s apreenses de ,m4 ,arnold relativamente ao germanismo tumido de sciencia e to minguado de humanidade4 ,em #ahhh1 algum demonio me seduzia quando1 passando por ,berlim1 escrevi nas minhas notas3 ,sobre a cidade pesa um brao de ferro1 a multido abdicou nas mos de uma vontade2 s ela a move4 ,a graa e a elegancia1 a vivacidade e o riso foram banidos2 o povo vai taciturno e lento4 ,a ,alemanha1 que ,berlim nos mostra1 afigura-se-me um elefante1 a inteligencia e a fora em um corpo informe4 ,toda a sua alma cristalisou nesta aspirao--ser forte1 invencivel4 ,conseguiu ser forte4 ,as doutrinas dos filosofos1 de mos dadas com o genio militar1 alcanaram emfim dar-lhe uma rara fora4 ,pde viver-se assim8 esta a ultima palavra da civilizao1 ou simplesmente uma gloria efemera1 saida da coincidencia das aptides de um povo com as necessidades do momento historico8 ,a ,revoluo ,francesa1 iniciando-nos no conhecimento dos direitos individuais1 simultaneamente deu aos estados constituies que conduzem fraqueza e impotencia politicas2 a ,alemanha mostrou-nos novas vias conduzindo ao plo oposto4 ,assim como s ns pudemos vr os povos educados nas instituies derivadas da ,revoluo1 s os nossos filhos podero saber o que um pas educado na admirao da fora4 ,todas as profecias sero prematuras1 embora vagamente pressintamos que a civilizao mais alguma cousa do que a fora4 ,isto preguntei e era de preguntar ha vinte e nove anos4 ,hoje1 porm1 toda a duvida cessou4 ,convencemos-nos de que a civilizao tem de ser mais alguma cousa do que a fora1 e de que1 por maior fora de remexer a terra e dominar os seus elementos que ela atinja1 negou a sua aspirao e atraioou-a1 se com a fora no coincidiu o desenvolvimento moral do homem e das sociedades1 naquelas bases de amor1 respeito1 liberdade1 desprendimento e generosidade que o genio greco-latino concebeu e fundou de uma vez para sempre4 ,guiados pelo passado e alvoroados pelo presente1 logo sabemos1 sem a menor duvida ou hesitao1 onde e como aquela aspirao de outrora rediviva ha-de realisar-se1 por que meios ho-de criar-se e educar-se os homens que a ho-de servir e manter em corpo e aco4 ,entre a educao classica e a aspirao da dignidade sobrelevando a pura aspirao da fora1 ha uma relao intima e imediata4 ,aquele mesmo ,mathew ,arnold que cedo nos acautelava contra a barbaria da ,alemanha1 prevalecendo apesar das suas escolas e universidades1 esse1 distinguindo entre o estudo das letras1 que o estudo da aco da fora humana1 da actividade e da liberdade humana1 e o estudo da natureza1 que o estudo das foras no-humanas1 da restrico e da passividade humana1 julgou que o fim e cargo da instruco444 habilitar o homem a conhecer-se a si e ao mundo4 ,imagino mesmo que s isto a que vagamente chamamos letras1 e que afinal compreende toda a filosofia e toda a moral e estetica1 imagino que s isto demandar cultura e rigorosamente objecto de educao4 ,a outra educao1 a que na essencia aprendizagem scientifica1 essa1 como a sciencia importa de ordinario alterao da condio material das cousas1 depressa entra na categoria do facto quotidiano1 e desse modo1 por efeito de contacto e presena fisica1 se torna de conhecimento inevitavel4 ,as leis e progressos da fisica1 da quimica e de toda a mecanica correlativa so faceis de conhecer desde que tm como resultado imediato e patente o para-raios1 a maquina a vapor e o telegrafo e o telefone e os submarinos e os aeroplanos e toda a infinita mudana correlativa ou afim4 ,so cousas que se vem e no podem deixar de ser vistas e consideradas pelo seu volume e presso continua4 ,os estados da alma que no so assim palpaveis2 a mais pequena obra de arte demanda1 para ser compreendida e sentida1 uma susceptibilidade fisica e mental que1 a no ser em aptides de excepo1 s por educao1 s por uma insinuao persistente e adequada se alcana4 ,e da a diversissima natureza do ensino scientifico e da educao classica1 seno o facto capital que faz que a educao seja propriamente aquela cultura literaria1 moral e estetica que constitue a aspirao classica4 ,o resto1 com o rotulo espaventoso de sciencia1 ser porventura questo de conhecimento e ensino a acrescentar educao1 que uma s1 onde as exigencias profissionais o exigirem4 ,ora ns por demais estudamos a natureza e os modos e termos de a sujeitar e aproveitar em beneficio da fora1 e simultaneamente1 e por demais tambem1 desaprendemos as letras e os modos e termos de as converter em instrumento do conhecimento e disciplina da nossa alma4 ,entre agonias o verificamos4 ,o desengano profundo4 ,e1 ao senti-lo e na ansia de rehaver o perdido1 de pronto a logica nas sugere os meios de resgate e nos manda voltar aquela antiga e segura estrada pela qual a ,renascena caminhou1 confundindo com boas razes em um s estudo o ,humanismo1 a cultura do homem1 e a antiguidade classica1 na qual essa cultura atingira uma beleza sem precedentes4 ,por certo1 no podemos reviver aquele mundo grgo em que os poetas eram soldados1 os politicos generais e cada homem um membro do parlamento4 ,nem o deveremos desejar4 ,mas podemos experimentar a apreenso de uma parte do seu espirito4 ,essa existencia1 fossem quais fossem as suas faltas1 no tinha a especialisao dissolvente do mundo moderno4 ,ali ninguem era absorvido pelo seu comercio e pelo seu ganha-po2 um homem conservava-se em primeiro logar um ser humano e exercia as faculdades e experimentava os prazeres proprios da natureza humana4 ,o artifice no se tornava uma maquina1 nem o lavrador um vilo4 ,o soldado1 o mercador1 o homem de letras no resvalavam no profissionalismo estreito4 ,o historiador derivava das horas passadas nas assembleias e no campo o seu conhecimento da politica e da guerra4 ,o poeta e o filosofo haviam estado em contacto com aquela natureza humana sobre a qual moralisavam e escreviam4#af ,evidentemente1 uma nova constituio economica das sociedades e o seu proprio desenvolvimento mental determinaram adaptaes e sujeies que nos foram a ser diferentes do que fomos no mundo grego4 ,mas dentro dessa nova constituio subsiste qualquer cousa essencial que s a ,grecia e ,roma souberam penetrar1 definir e fundar2 subsiste aquela aspirao de perfazermos um tipo humano que atravez de todos os cataclismos humanos e cosmicos se mostrou eterno1 intangivel1 no susceptivel de melhoria ou correco4 ,percorreu a ,grecia toda a extenso do pensamento humano que at hoje nos tem sido acessivel1 enquanto ,roma experimentou--e essa foi a sua inexcedivel fortaleza--toda a extenso da disciplina moral at hoje concebivel e realisada2 e essas duas civilizaes1 conjugadas e ungidas pelo idealismo judaico1 fundiram-se e completaram toda a forma superior da actividade humana em espirito e aco1 deram o homem na sua integridade1 e assim se tornaram a aspirao daquilo que chamamos civilizao1 ou melhor1 a medida da civilizao4 ,o que se seguiu apenas o processo do seu desenvolvimento1 ora tumultuoso1 ora coerente1 regrado e continuo1 ora crescendo1 ora quebrando-se em depresses passageiras1 mas jamais se desligando do seu impulso inicial e razo de ser1 isto 1 conservando em toda a contingencia1 propicia ou adversa1 a imutabilidade do seu fim e vontade4 ,nem mesmo cessa quando nos aterra um conflicto como esse que ps o mundo todo em guerra4 ,pelo contrario1 se temos serenidade de animo bastante para em meio da angustia apreciarmos os erros que a suscitaram1 acharemos1 como ,eucken achou julgando o seu pas e no obstante o fervor com que o ama1 que todo o mal proveio de uma exagerada adorao da fora fisica e de uma inadmissivel preponderancia das cobias de uma animalidade insaciavel1 ofendendo aquela integridade do homem na sua ponderao fisico-moral de que a ,grecia e ,roma nos legaram os exemplos sublimados4 ,por esta lio crudelissima voltaremos educao classica1 por ela seremos levados mais uma vez quelas fontes de pureza de espirito de cujas aguas uma obcecada dissipao nos tornou to indigentes como sequiosos4 ,seja qual fr a sorte das armas e o ajuste maquiavelico das chancelarias1 ao fim encontraremos que a vitoria foi unicamente da civilizao1 dessa fora constante que nos anima e superior a todas as raas e a todas as naes1 quer lhes julgue a prosperidade transitoria1 quer as alente entre a decadencia a mais profunda4 ,porque os estados1 seja qual fr a sua capacidade politica1 podero disciplinar os povos1 arregimenta-los para qualquer empreza de construco ou demolio1 mas no criam a civilizao1 que uma aspirao psicologica etnica1 prevalecendo sobre toda a contingencia e ressurgindo de todo o abatimento4 ,os povos servem a civilizao conforme as suas aptides1 no a inventam2 e sero nobres ou vs1 vencedores ou vencidos1 conforme a serviram bem ou mal1 fiel ou deslealmente4 ,baptizar-nos nas fontes da vida que a antiguidade classica descobriu e onde miraculosamente se fortaleceu e engrandeceu--eis o verdadeiro inicio da civilizao4 ,e essa iniciao tornou-se tanto mais urgente quanto certo que1 chegados a um momento de vitorias esplendidas da democracia1 o futuro das sociedades mais do que nunca deixou de depender da vontade e do caracter dos que governam1 mais do que nunca se acha confiado liberdade dos homens1 e1 por conseguinte1 mais do que nunca tambem fica absolutamente dependente da capacidade moral desses mesmos homens4 ,esse futuro ser ou uma orgia mansa1 quando fr regrado1 em que o zelo da boa distribuio e nivelamento das meras comodidades1 tornando-se absorvente1 s por essa absorpo avilta a nossa alma e a expe s degradaes proprias da animalidade estreme1 para as quais o alcoolismo o sumo pontifice e o mais activo carrasco2 ou um culto da beleza e da dignidade humana na sua integridade e gloria1 para o qual a unica habitao conveniente so o templo em que ,plato orou1 e os logares em que o estoicismo se ouviu1 e aqueles outros1 altissimos1 que a graa crist ilumina4 ,fra disto1 o futuro das sociedades1 por mais abundante e generoso que ele seja das diversas fortunas materiais que as constituies democraticas possam outorgar-lhes1 no passar na essencia de uma brutalidade1 mais ou menos feliz e duradoura1 mas a breve trecho condenada a afundar-se na decrepitude1 apodrecimento1 vergonha e ruina que so o termo inevitavel de todas as brutalidades4 ,no so outras em materia de educao as concluses da guerra4 ,nem a ,alemanha escapa sua evidencia e aco1 embora por um instante se tivesse arvorado em apostolo da fora4 ,no s os sinais de renovao so ali to claros como em qualquer outra parte do mundo1 mas o seu passado garantia1 alis magnifica1 da robustez do seu idealismo4 ,um vento de loucura fez perder a cabea a um povo forte1 e julgou-se deus444 no imaginando1 posto que muito sabio seja1 que esta infatuao da sua pessoa precisamente o sinal de uma moralidade inferior1 de uma mentalidade de primitivos4 7,a4 ,loisy74 ,a ,alemanha1 que foi um lar sagrado da espiritualidade no seculo ,,xviii e ainda em grande parte do seculo ,,xix1 tornou-se por uma fatalidade armazem de meras ideias1 invenes e munies2 os seus valores de alma1 os que se davam e recebiam por amor1 foram trocados por valores mundanos comerciaveis1 pelos que se transmudam por dinheiro1 ou se negoceiam por astucia e odio1 ou se arrebatam por conquista4 ,mas cousa alguma induz a crr no caracter incuravel da doena1 nenhum sintoma pde em boa f apontar-se que demonstre a corrupo insanavel daquela excelente materia prima1 da qual foi feita1 em tempos no remotos1 a gloria espiritual da sua gente1 e da qual tambem vieram humanidade bens preciosos e inolvidaveis4 ,para as geraes que nos sucederem1 nem sequer poder ser surpreza uma reconciliao da ,alemanha com uma parte daqueles que impetuosamente ela tem combatido1 e uma reconciliao to completa que lhe d ingresso na unio latina4 ,as afinidades espirituais e historicas da ,alemanha so muito mais proximas do mundo latino do que de qualquer outra especie de mentalidade1 particularmente daquela que domina nas civilizaes orientais e nas que com elas tm parentesco2 a sua paixo presente da fora1 onde conciliao possa ter e no seja puramente uma rebeldia cega contra toda a insinuao de idealismo1 mais de pronto encontrar termos de identidade na simpatia humanitaria activa1 propria do latinismo ocidental1 do que no quietismo mistico e no desprendimento passivo que o ,oriente infundiu e alimenta no slavo4 ,de facto1 mais de vinte e cinco seculos de historia demonstraram que no ha seno duas civilizaes--a que cristalisou na sobriedade atica1 na austeridade moral romana e na graa crist1 fundidas e disciplinadas1 e a que vagueia nos arrebatamentos do ,oriente1 to de pronto erguidos em extasis de desprendimento como inflamados na opulencia insondavel da sensualidade4 mesmo esta oposio de temperamentos e a diuturnidade dos conflitos que ela causa na ansia mutua de absorpo1 na paixo violenta de transmudar o antagonismo em uma unidade politica e mental estavel1 que de continuo esperamos e nunca chega1 esta atraco reciproca do ,ocidente europeu e do ,oriente1 protelando-se em guerras infinitas e conquistas efemeras sem jmais lograrem unir e fundir suas aspiraes originarias1 esta incompatibilidade at agora irredutivel1 quer seja por amor1 quer seja por despotismo1 tudo o que tem experimentado e por muitos modos1 este confronto1 de ordinario penoso e raro contente1 que1 mais do que as vicissitudes do desenvolvimento interno proprio dessas duas civilizaes1 constitue o drama supremo da historia da humanidade e suas epopas4 ,at mesmo perante esse dualismo tragico1 o que nestes ultimos quatro anos se tem passado no mundo e que nos seus males nos parece tamanho1 no passar talvez de um acidente do desenvolvimento interno da civilizao ocidental1 porventura uma simples desproporo entre a civilizao de quantidade1 por demais avolumada1 e a civilizao de qualidade1 a necessidade de reduzir essa desproporo a termos de equilibrio consentaneo com os nossos fins1 tradies e vontade4 ,no havendo idealismo de consequencias praticas fra destas duas almas e no se concebendo a vida fra de qualquer idealismo imanente1 a ,alemanha ter por fatalidade logica de se consubstanciar com uma dessas duas almas1 e adivinha-se sem maior esforo para onde se inclinar1 tanto mais que se sabe donde veio1 onde foi buscar a trama da sua civilizao4 ,a experiencia da vida 1 em uma larguissima extenso1 a reduco ao absurdo de uma grande parte da propria vida2 um fabrico incessante de rebutalho de aspiraes4 ,o que na infancia se nos afigurou grande1 no raro se mostra mesquinho na virilidade e detestavel na velhice2 o que a creana cobiou e achou belo1 achou-o indiferente a adolescencia e despresou-o a idade da razo4 ,esta constante e progressiva reviso e eliminao de valores1 que praticamente conduz simplicidade e psicologicamente acrescenta e engrandece a espiritualidade1--isto constitue a civilizao1 se o consideramos na historia dos povos1 e por igual uma parte1 e muito grande1 da educao1 se o observamos no desenvolvimento individual4 ,a cultura e a educao do homem e das sociedades no so outra cousa seno o processo e a aco dessa reviso de valores iniciais1 que teve o seu primeiro padro em ,esparta e a sua ultima medida1 e a mais alta1 em ,jerusalem1 no ,calvario4 ,perante esta lei de sucesso de valores1 verificada na historia e de continuo renovada em nossa consciencia1 aquilo que se passou no mundo nestes ultimos cincoenta anos1 e de que a ,alemanha foi o mais perfeito exemplo e o mais retumbante porta-voz1 esta paixo de materialidades e a crena em suas virtudes1 que para suprema eficacia deu a escravido do homem perante o estado1 a abdicao na abstraco perigosa e despotica que se chama o governo2 essa ambio de fora fisica1 em cujos fundamentos alguem entreviu uma supersticiosa mitologia1 no teria sido mais do que a expresso de um momento infantil do desenvolvimento dos povos civilizados1 que o tempo ha-de corrigir pelos proprios impulsos do crescimento1 tal qual est demonstrado na historia das naes latinas4 ,direi mesmo que quem observar com simpatia e serenidade o conflito de opinies que a guerra inflamou1 ter repetidas vezes encontrado entre os homens mais exaltados na admirao da ,alemanha e dos seus feitos1 at a defesa das crueldades da sua cultura1 caracteres da mais profunda pureza e da mais cativante ingenuidade4 ,so crianas grandes1 crianas excelentes1 preciosa materia prima da bondade e da justia1 apenas e passageiramente dominadas pelo que melhor corresponde pujana da sua juventude1 naturalmente turbulenta1 ainda avida de dominio1 como proprio da sua fora1 aprestando-se entretanto para aquelas eliminaes que lhe ho de transformar os impetos em anseios de liberdade e de desprendimento1 visto que esta a qualidade humana por excelencia4 ,demos pois ao tempo o que do tempo1 e1 enquanto esperamos por dias menos agrestes1 invoquemo-los pelo nosso esforo1 por essa arte divina que as geraes glorificaram sob o titulo de educao classica4 ,,fim #a ,a ,guerra4 ,depoimentos de ,herejes4 7,f4 ,frana ,amado2 ,coimbra1 #aiae74 #b ,the ,european ,anarcky1 7,allen ,unwin74 #c ,n4 #bhdc1 de #af de abril de #aiaf4 #d ,j4 ,bryce4 ,the ,american ,commonwealth1 #c4 edio1 vol4 ,,ii1 pag #ghh4 #e ,the ,world in ,conflict e ,questions of ,war and ,peace4 7,t4 ,fisher ,unwin2 ,londres1 #aiae e #aiaf74 #f ,l4 ,f4 ,hobhouse1 ,the ,world in ,conflict4 ,pag4 #ih4 #g ,the ,ultimate ,belief4 7,constable ,company2 ,londres1 #aiaf74 #h ,clutton ,brock4 ,l4 c4 ,pag4 #aje e #ajf4 #i ,g4 ,lansbury4 ,your ,part in ,poverty4 7,g4 ,allen ,unwin2 ,londres74 ,pag4 #dh4 #aj ,pierre ,hamp4 ,le ,travail invencible4 7,edition de ,la ,nouvelle ,revue ,franaise2 ,paris1 #aiaf74 #aa ,l4 ,tolstoi4 ,journal intime1 #ahie-aiaj4 7,paris3 ,e4 ,flammarion1 #aiag71 ,pag4 #ag4 #ab ,the ,herald1 #bh outubro de #ahaf4 #ac ,the ,war and ,democracy4 7,macmillan ,c42 ,londres1 #aiae74 ,pag4 #a e #b da ,introduco1 por ,a4 ,zimmern4 #ad ,na ,educao ,nacional1 #b4 serie1 n4os #di e #eg1 de #ae e #bd de junho de #aiaa4 #ae ,j4 ,joubert4 ,correspondance4 7,perrin ,c4e2 ,paris1 #aiad47 ,pag4 #aij e #aia4 #af ,r4 ,w4 ,livingstone4 ,a ,defence of classical ,education4 7,macmillan2 ,londres1 #aiaf47 ,pag4 #gg4 ,,indice ,pag4 ,prologo ,v ,do que o fogo no queima #a ,valores restaurados--,renascimento da educao classica #eg ,,do ,,mesmo ,,autor 99 ,sonho de ,perfeio1 #aija1 romance4 99 ,vozes do meu ,lar1 #aijb4 99 ,na ,paz do ,senhor1 #aijc1 romance4 99 ,reino da ,saudade1 #aijd1 romance4 99 ,via ,redemptora1 #aije4 99 ,apostolos da ,terra1 #aijf4 99 ,s4 ,francisco d',assis1 #aijh4 99 ,jos ,estevo1 #aiji4 99 ,alexandre ,herculano1 #aiaj4 99 ,rogaes de ,eremita4 99 ,salmos do ,prisioneiro1 #aiae4 99 ,a ,guerra1 ,depoimentos de ,herejes1 #aiae4