,library of ,portugal 7,biblioteca ,nacional de ,portugal747 ,a ,,philosophia ,,da ,,natureza ,,naturalistas #ahid ,,homenagem ,,posthuma ,a ,,anthero ,,de ,,quental 7,,michaelense7 ,,anthero ,,de ,,quental ,a ,,philosophia ,,da ,,natureza ,,dos ,,naturalistas #ahid ,typ4 ,editora do ,,campe,o ,,popular ,s4 ,miguel--,,ponta ,,delgada--,aores ,,explica,o ,,previa ,digam o que disserem1 ,anthero de ,quental foi indubitavelmente1 um dos mais fecundos escriptores do seu paiz e da sua epocha4 ,raros1 muito raros1 foram as theorias ou problemas da actualidade1 ventilados com interesse nos dominios da ,sciencia1 da ,politica ou da ,arte que deixassem d'exercitar a penna sempre prestigiosa e sempre elegante do grande ,mestre4 ,na sua obra em prosa cabe1 porem1 um logar proeminente aos copiosos artigos de critica ou de polemica1 que1 durante quasi trinta annos1 appareceram estampados em diversos orgos da imprensa periodica portugueza1 tanto da capital como da provincia1 e nos quaes1 semelhana de ,littr e de ,taine1 elle connotou1 como n'um diario intimo1 no smente as suas opinies pessoaes sobre os homens e os successos contemporaneos1 mas ainda as correntes de influencias estranhas que actuaram no seu espirito e as impresses que d'ahi resultaram4 ,como critico e polemista1 ,anthero de ,quental no teve em ,portugal competidor2 foi unico na energia fogosa da polemica e nos processos technicos da analyse critica4 ,os seus escriptos de critica bibliographica so exemplares de methodo e de bom senso1 de finura e de erudio1 de escrupulosa imparcialidade e d'aquella serena comprehenso dos multiplices aspectos das cousas e dos homens que d ao critico a maxima authoridade e valor4 ,n'este particular1 pertence-lhe a gloria de ter sido entre ns o verdadeiro creador d'um genero litterario descurado1 para no dizermos falseado1 na sua applicao4 ,at elle a critica1 aberrando diametralmente do seu papel objectivo1 fazia-se pela antipathia ou sympathia do critico para com o nome do author2 o louvor ou a censura previam-se justamente1 dadas as relaes de sentimento d'um para com outro4 ,foi ,anthero quem iniciou a critica impessoal1 a critica objectiva1 desapaixonada1 fria1 inspirada por um sentimento de equidade e de justia--critica1 em summa1 que uma lio2 porque ensina1 e que pode fazer do criticado um adversario1 mas nunca um inimigo--e do critico um juiz1 mas nunca um louvaminheiro nem um delator4 ,os artigos criticos do grande ,mestre teem todos estes caracteres acentuadamente impressos3 no so exclusivamente laudatorios nem exclusivamente aggressivos2 so justos e por isso mesmo verdadeiros4 ,teem authoridade2 porque fallam sinceramente uma linguagem que no a do odio nem a dos affectos2 mas que a voz d'uma consciencia honrada para a qual os ,homens so o menos e a ,verdade o mais4 ,se alguns d'esses trabalhos perderam j aquelle cunho de novidade que os fez circular vertiginosamente d'um a outro canto do nosso paiz1 e se por isso no movem ao interesse e enthusiasmo que suscitaram aos primitivos leitores1 certo1 que ainda assim1 constituem documentos de summa valia1 quer sob o ponto de vista meramente litterario1 quer como subsidio para quem no futuro pretenda historiar as differentes phases do movimento das idas em ,portugal1 na ultima metade do seculo ,,xix4 ,taes elementos so1 portanto1 indispensaveis para o estudo de ,anthero e da sua epocha4 ,sem elles mal se poder comprehender a obra do grande ,mestre na sua extenso1 valor1 influencia1 e mal se poder explicar tambem a filiao ou dependencia das diversas partes d'essa obra complexa e vastissima4 ,v-se1 pois1 que quem quizer formar uma ida cabal do irrivalisavel escriptor e da sua actividade productora1 ou procurar comprehender a aco exercida sobre os seus contemporaneos1 ha de necessariamente recorrer s colleces das ,revistas e ,gazetas1 que o contaram entre os seus collaboradores1 onde elle deixou archivado pelo seu proprio punho aquillo que bem pode chamar-se a sua autobiographia mental4 ,infelizmente1 porm1 so numerosos e pouco accessiveis esses repositorios1 muitos dos quaes teem desapparecido 7como succede maior parte das revistas academicas1 publicadas em ,coimbra7 e outros tornam-se cada dia mais raros1 dada a procura dos collecionadores4 ,n'estas condies1 dentro em breve1 poucos sero os estudiosos que tenham a dita de ler e consultar os escriptos jornalisticos d',anthero4 ,esperar-se-ha que um editor tome sobre si o encargo de recolher essas numerosas especies dispersas8 ,e no ser isso1 por assim dizer1 sacrificar a obra do grande ,mestre1 deixando de recolher muitos dos escriptos da maior raridade8 ,a edio definitiva das obras completas d',anthero s poder levar-se a cabo1 quando primeiro se publiquem as reproduces d'esses escriptos avulsos4 ,aos amigos e discipulos do immortal escriptor impende1 pois1 um grande dever de gratido3-- o dever de cada um de per si ou associados1 salvar do olvidio e da destruio os trabalhos do ,mestre1 colligindo-os systematicamente e por ordem chronologica1 semelhana do que fez o sr4 ,oliveira ,martins para os ,sonetos e restantes composies poeticas4 urgente comear4 ,talvez mais tarde no seja possivel reconstituir a serie d'aquelles trabalhos ou por terem desapparecido os jornaes em que foram originalmente publicados1 ou por muitos d'elles serem anonymos e terem tambem desapparecido as pessoas que poderiam reconhecer a sua paternidade4 ,,ii ,no diario portuense--,a ,provincia--inseriu ,anthero de ,quental1 em #ahhf1 uma serie de cinco artigos1 a proposito da obra de ,vianna de ,lima1 intitulada--,exposio summaria das theorias transformistas4 ,a questo versada era e ainda das mais importantes e das mais disputadas1 tanto no terreno propriamente especulativo1 como no terreno das sciencias naturaes4 ,anthero de ,quental1 methaphysico de profisso1 no podia entrar no debate como naturalista1 embora os seus estudos tivessem fundos alicerces nas ,sciencias da natureza4 ,discutiu e argumentou como philosopho2--philosophou2 porque na materia tinha opinies originaes definidas e razes peculiarmente suas4 ,d'ahi a importancia e renome dos artigos que o publico illustrado victoriou1 como modelos acabados de analyse critica1 collocando-os do mesmo passo a par das melhores paginas de prosa portugueza4 ,tinha razo4 ,so com effeito obras primas no seu genero e em que no se sabe qual mais admirar1 se a belleza incomparavel de forma1 se a genial pujana e superioridade do pensamento que anima aquella solida construco especulativa1 communicando-lhe a maxima potencia de suggesto e de interesse4 ,mostremo-lo1 embora de relance4 ,anthero de ,quental1 partindo do principio de que a sciencia no pde ser para a philosophia mais que uma materia prima1 impugna a pretenso de fundar uma philosophia da natureza com a a simples generalisao dos dados d'um grupo de sciencias1 e sem ter em conta o indispensavel criterio das ideias4 este o thema principal que elle se esfora para estabelecer fundamentalmente4 ,analysando as duas noes que formam a base da doutrina ,haeckeliana--o movimento e a evoluo--mostra que a primeira insufficiente1 e segunda falta a generalidade scientifica2 visto como no intervem1 seno onde o elemento historico representa um papel proeminente4 ,por outro lado demonstra que ha contradico flagrante entre a ida da espontaneidade da materia1 como a admitte a escola monista1 e a theoria da conservao do movimento1 que domina nas sciencias physicas e em grande parte nas sciencias da organisao4 ,e sobre estas premissas logicas1 conclue que a doutrina da evoluo1 formulada por ,haeckel1 longe de ser1 como se pretende1 uma doutrina positiva1 baseada nas sciencias e fluindo d'ellas como sua consequencia natural1 implica1 pelo contrario uma extenso abusiva da induco scientifica e a illegitima generalisao d'uma hypothese1 que1 se perfeitamente fundada no terreno de determinadas sciencias1 s ahi e s n'esse ponto de vista tem authoridade scientifica4 ,a ida da finalidade1 combatida pela escola monista1 sustentada por ,anthero d'um modo superior e original4 ,a evoluo1 diz elle1 implicando a ida d'um typo1 que as formas evolvendo1 tendem a realisar1 implica por isso mesmo uma finalidade4 ,quem diz evoluo1 diz progresso4 ,ora progresso que no tende para cousa alguma que no tem um typo e um fim1 no se comprehende4 ,no preciso mais para se ver a importancia e o valor do trabalho que se segue4 ,poderiamos fazer aqui algumas approximaes entre as doutrinas d',anthero e as doutrinas de ,hartmann1 ,lang e ,stallo--seus authores predilectos e mais compulsados4 ,poderiamos tambem mostrar que os bellos artigos sobre as tendencias da moderna philosophia1 dados a lume na ,revista de ,portugal1 so o desenvolvimento logico do pensamento dominante nas paginas adiante reproduzidas4 ,mas fallece-nos a authoridade e competencia para tanto1 e demais1 o trabalho d',anthero no carece nem de criticas1 nem de commentarios elucidativos3--impe-se por si e tem em si a necessaria lucidez para convencer a uma simples leitura4 ,reproduzindo-o hoje temos apenas em vista render1 no anniversario do seu passamento1 uma derradeira homenagem de respeito e estima ao filho d'esta ilha que uma das maiores glorias das letras patrias1 e ao mesmo tempo facilitar aos estudiosos a leitura d'um dos trabalhos philosophicos d'elle em que mais claramente se patenteiam o seu subtil engenho dialectico1 a originalidade das suas concepes especulativas e as maravilhosas qualidades didacticas da sua prosa expositiva e analytica4 ,e d'est'arte fica explicada a presente publicao4 ,ponta ,delgada1 #aa ,setembro de #ahic4 ,eugenio ,vaz ,pacheco do ,canto e ,castro ,,primeiro ,,artigo,a ,um livro sobre as modernas theorias transformistas1 publicado em ,paris e em francez1 e firmado por um nome portuguez1 facto to extraordinario1 que por si s bastaria para attrahir as attenes4 ,mas no livro do snr4 ,vianna de ,lima1 no s a extranheza do facto que deve chamar a nossa atteno3 ainda o seu valor intrinseco4 ,esta ,exposio summaria das theorias transformistas 1 como o titulo indica1 uma especie de summa das doutrinas professadas sobre a philosophia da natureza por uma escola consideravel1 cuja cabea1 ,e4 ,haeckel1 um dos nomes mais illustres1 e justamente illustres1 da ,allemanha intellectual1 na segunda metade do nosso seculo3 e a obra do adepto no indigna1 nem pela intelligencia nem pelo saber1 da escola nem do mestre4 ,no sou naturalista e1 tendo a consciencia da minha incompetencia1 no me atreveria a escrever sobre a obra do sr4 ,vianna de ,lima1 se o seu livro fosse propriamente um livro de sciencias naturaes1 e se os quatro estudos1 de que se compe1 se conservassem escrupulosamente nos limites rigorosos do campo scientifico4 ,o livro1 porem1 do snr4 ,vianna de ,lima1 apezar da modestia do titulo1 aspira de facto a ser um livro de philosophia da natureza1 e1 n'esse terreno1 creio poder1 sem temeridade1 emittir algumas opinies fundamentadas4 ,prestarei1 assim uma homenagem ao moo portuguez 7portuguez pelo nome e pelo sangue3 ouo que brazileiro7 que to galhardamente nos representa no grande mundo da intelligencia1 aproveitando ao mesmo tempo o ensejo para dizer alguma cousa sobre uma escola philosophica1 cujos chefes respeito e cuja importancia no desconheo2 mas cujas tendencias esto muito longe1 em meu entender1 de serem satisfactorias4 ,alexandre de ,humboldt1 o naturalista encyclopedico e quasi legendario do primeiro quartel d'este seculo1 costumava dizer causticamente1 referindo-se philosophia da natureza puramente especulativa1 que ento deslumbrava com os clares do genio de ,schelling e ,hegel1 no s a ,allemanha pensadora1 mas ainda a ,allemanha scientifica1 que achava singularissimos aquelles naturalistas que pretendiam fazer chimica sem molhar a ponta dos dedos4 ,tinha razo4 ,hoje1 ns outros metaphysicos1 podemos com igual razo dizer que so singulares estes philosophos1 que1 com os dedos mais que ensopados em chimica1 pretendem fazer philosophia sem nunca se terem dado ao trabalho de reflectir4 ,com effeito1 a philosophia 1 de sua natureza1 especulativa1 e a sciencia no pde ser para ella mais que uma materia prima4 ,um homem de sciencia1 por encyclopedico que seja1 se no tiver ao mesmo tempo reflectido muito e profundamente sobre as questes puramente racionaes1 que a sciencia suscita e no pde por si resolver1 reflectido sobre as ideas abstractas1 que so1 umas1 postulados para as differentes sciencias1 outras1 principios ordenadores d'uma explicao geral das cousas1 um tal homem de sciencia1 apesar do seu encyclopedismo1 no poder nunca aspirar ao titulo de philosopho4 ,pode dizer que sabe1 mas no que entende1 porque o problema do universo1 como problema total e concreto1 ser para a sua intelligencia1 alis opulenta de factos1 to obscuro1 como para a intelligencia d'um simples e ignorante4 ,a philosophia no o mero ajuntamento ou ainda o quadro empiricamente ordenado dos factos do universo3 a comprehenso e explicao racional e total d'esse grande quadro4 ,ora1 uma tal explicao s possivel no ponto de vista das ideias ultimas e fundamentaes da raso 7substancia1 causa1 fim7 e essas ideias teem por isso de ser tomadas em si1 pesadas e analysadas4 ,no faz outra cousa a metaphysica1 e sem metaphysica no ha philosophia1 porque no ha verdadeira comprehenso racional1 nem verdadeira e total explicao4 ,metaphysica 7ou especulao7 e sciencia 7ou observao7 so duas series convergentes1 que partem de pontos oppostos e com leis de desenvolvimento diversas2 mas1 como so convergentes1 encontram-se3 o ponto onde se encontram e1 sem se fundirem1 reciprocamente se penetram1 que a philosophia4 ,a philosophia tem pois por materia a sciencia1 por forma a metaphysica2 ou ainda1 a philosophia a observao 7quero dizer1 os seus resultados7 considerada no ponto de vista absoluta da raso4 ,o desconhecimento d'estas verdades e o desdem pela metaphysica1 filho em grande parte da reaco1 alis justissima1 provocada pelos excessos e intoleravel dogmatismo da especulao1 na ,allemanha1 e pela sua insignificancia e convencionalismo1 em ,frana2 e1 por cima d'isso ainda1 o maravilhoso desenvolvimento das sciencias naturaes1 durante os ultimos #dj annos1 deram de si o apparecimento d'uma pseudo-philosophia da natureza que se pretende positiva e puramente filha das sciencias e que julga ingenuamente poder resolver os intrincados problemas das idas1 sem ter o incommodo de reflectir e s com grande somma de physica1 chimica e physiologia4 ,d'estes naturalistas philosophos o mais eminente1 tanto pelo saber como pelo genio1 o apostolo de ,darwin na ,allemanha1 o illustre autor da ,historia natural da ,criao1 ,ernesto ,haeckel4 entre os discipulos de ,haeckel que vem tomar logar1 com o seu livro1 o snr4 ,v4 de ,lima4 ,profano1 no me dado conhecer e dizer at que ponto a rigorosa verdade e o rigoroso methodo scientificos tem sido violentados pelo sabio e engenhoso1 mas no menos phantasioso e temerario professor de ,munich,b1 para se dobrarem e acommodarem s suas doutrinas geraes4 ,sei s que outros mestres eminentes1 como ,virchow1 ,helmholtz1 ,huxley e ,du ,bois-,reymond esto longe de se darem por inteiramente satisfeitos com a orthodoxia scientifica de muitas das affirmaes do padrinho do monero batybio4 ,a mim s me permittido occupar-me com as ideias e tendencias propriamente philosophicas da escola monista-evolucionista1 cuja cabea ,haeckel2 e o livro do discipulo1 que se propoz resumir a doutrina1 ser-me-ha occasio para fazer sobresahir 7embora s em dois pontos1 mas capitaes ambos7 a confuso e deficiencia na analyse das ideias1 que impedem1 a meu juizo1 que a pretendida philosophia da natureza monista-evolucionista1 apezar da imponente massa de sciencia sobre que assenta1 attinja a verdadeira altura d'uma philosophia da natureza4 ,monismo e evoluo so as duas noes que formam a base da doutrina ,haekeliana4 ,comecemos por indagar que ideia precisa envolve esta palavra--monismo4 ,parece-me que a palavra que nova1 no a ideia4 ,tanto valeria dizer pantheismo1 ou ainda materialismo1 pois no encontro no fundo d'aquella expresso nada mais do que n'estas duas outras2 a saber3 uma concepo unitaria da substancia4 ,esta concepo1 porem1 7na sua simplicidade e em quanto no fr definida d'uma maneira particular7 propriedade commum de muitas escolas antigas e modernas e precisa sahir d'essa generalidade e indeterminao para poder caracterisar uma maneira especial de comprehender as cousas3 assim o atomismo1 assim o pantheismo de ,spinoza1 assim o idealismo realista de ,hegel etc4 ,ora1 justamente essa falta de definio precisa1 essa vaga de generalidade e indeterminao1 que eu noto no monismo de ,haeckel4 ,monismo parece-me apenas uma palavra nova 7e muito dispensavel7 e no a mais4 ,com effeito1 affirmar abstractamente a unidade de substancia 1 no terreno da philosophia da natureza1 pouca cousa3 o que importa definil-a4 ,definil-a apresental-a nas suas relaes com a realidade1 caracterisal-a na sua maneira de ser positiva1 mostrar1 no como a concebemos em si 7pertence isso metaphysica71 mas como a concebemos realisavel4 ,uma materia abstracta1 una e simples1 apenas vagamente susceptivel de se manifestar por omnimodas modalidades1 uma base insufficiente para a philosophia da natureza2 porque uma base insufficiente para a sciencia4 ,o que a sciencia exige e o que preciso philosophia da natureza determinar n'essa infinidade de moralidades1 qual a fundamental ou elementar1 aquella a que se reduzem todas as outras4 ,ora isso justamente o que as sciencias da natureza teem feito1 reduzindo todas as modalidades da materia ao elemento primordial movimento4 ,os monistas1 sempre que fallam como homens de sciencia1 adoptam 7e no podiam deixar d'adoptar7 esta concepo4 ,mas1 como philosophos1 em vez de receberem das mos da sciencia este resultado1 para o elaborarem e desenvolverem1 caem no vago e em inextrincaveis confuses4 assim que o nosso auctor comea por se declarar anti-materialista e pretende repellir o atomismo4 affirmando que a materia no pde ser definida per esta ou aquella propriedade1 mas que para o monismo1 a materia o que in situ4444 aquillo que se manifesta aos nossos sentidos e ao nosso entendimento por modos diversissimos1 sob forma de phenomenos infinitamente variados4444 pretender isolar 7d'este conjuncto7 certas propriedades1 abstrahir certas qualidades1 grande erro4444 para elle 7o monista7 qualidades1 propriedades especificas ou funccionaes1 funces1 etc4 so inherentes materia em que se manifestam e formam com ella um todo indissoluvel4 ,entretanto1 meia pagina abaixo1 d a entender que todas as propriedades da materia so frmas do movimento e se reduzem a movimentos elementares3 a fora a propriedade ou a maneira de ser mais geral da materia4444 todas as foras so reductiveis a movimentos4444 uma fora no mais do que materia em movimento4 ,mas1 se isto assim1 a materia no j tudo o que in situ as suas propriedades no so j inisolaveis e indissoluveis1 nem grande erro abstrahir do conjuncto d'ellas certas propriedades1 visto que1 de facto1 a materia caracterisada por uma propriedade fundamental1 o movimento1 da qual todas as outras no so mais do que modalidades1 ou1 mais terminantemente1 grupos e combinaes de movimentos simples elementares4 ,seriamos assim levados ao dynamismo1 concepo j mais precisa e mais pratica do que o vago e indeterminado monismo1 e que1 depois de ,leibnitz1 cada vez mais tem ido penetrando1 ou antes1 impondo-se philosophia das sciencias4 ,j por aqui comeamos a ver quanto a concepo monista da materia confusa e mal definida e1 por conseguinte1 pouco philosophica4 ,mas no o s por isto4 ,a confuso primeira faz-se sentir em todos os aspectos da ideia de materia4 impossivel1 com effeito1 passar-se naturalmente da noo d'uma substancia una1 simples e apenas virtualmente susceptivel d'omnimodas modalidades1 para a rica e quasi infinita variedade dos seres e qualidades de que se compe a universal realidade4 ,que importa que essa doutrina sibyllina nos diga que a sua substancia una e simples virtualmente susceptivel de toda a variedade de formas e qualidades8 ,a questo est justamente em se saber como que1 sendo una e simples1 tal substancia pde effectivamente dar de si o movimento e a variedade4 ,sobre isto 7e isto justamente o n vital da questo7 muda a doutrina4 ,como que essa substancia una e simples se determina8 como que1 sendo una e simples1 se pde dar n'ella opposio1 diversidade1 movimento8 ,a concepo monistia implica continuidade--e tudo no universo descontinuo2 implica simplicidade--e tudo no universo complexo3 implica inalterabilidade e indistinco--e tudo no universo perpetua mudana1 differenciao e instabilidade4 ,o nosso auctor levanta se desdenhosamente contra o atomismo4 ,entretanto o seu monismo1 ou cousa nenhuma1 ou tem de se resolver na ideia de atomo4 ,pois o que est no fundo da concepo atomista8 ,a ideia da descontinuidade da materia4 ,e tal ideia impe-se3 impe-se como um facto sensao2 impe-se como um postulado sciencia1 que1 sem presuppor a descontinuidade1 incapaz d'avaliar e exprimir por numeros 7e esse o typo e a forma perfeita do conhecimento scientifico7 seja o que fr na successo dos phenomenos2 impe-se finalmente especulao1 que no pde conceber movimento onde no ha distinco1 opposio e successo1 e no pde pensar a distinco sem pensar ipso facto a descontinuidade4 ,foi precisamente esta objeco que encontrou deante de si e contra a qual veio desmanchar-se a physica cartesiana com a sua ideia da materia-extenso4 ,como se concebe o movimento numa tal materia8 perguntava-lhe o atomista ,gassendi4 ,e ,boileau1 com o seu solido bom senso1 resumia a questo nos dois versos celebres3 ,c'est en vain que ,rohault sche pour concevoir ,comment1 tout tant plein1 tout a pu se mouvoir ,o snr4 ,v4 de ,lima1 levantando-se1 com os seus mestres1 contra o atomismo1 e acceitando ao mesmo tempo1 com as sciencias physicas1 a reduco da ideia de materia de movimento1 mostra mais uma vez a inconsistencia do monismo no terreno das ideias geraes da natureza e a falta de analyse segura que patenteia a concepo fundamental sobre que assenta4 ,declamar contra o atomismo facil3 evitar com uma palavra vaga e ao mesmo tempo pomposa as difficuldades que envolve a concepo da materia1 mais facil ainda3 mas no isso o que se espera de verdadeiros philosophos2 e uma tentativa de philosophia da natureza1 s merecer este nome1 quando sobre a analyse das ideias de substancia1 fora e movimento se assente uma doutrina da materia que satisfaa ao mesmo tempo s exigencias puramente racionaes da especulao e as mais praticas da indagao scientifica4 ,nada d'isto encontro no monismo de ,haeckel e seus discipulos3 o terreno sobre que pretendem construir est1 quanto a mim1 muito longe de ser solido4 ,,segundo ,,artigo,c ,falta-me ainda encarar1 n'esta esphera da ideia de materia1 a concepo monista1 sob um outro ponto de vista4 o da espontaneidade da materia4 ,o snr4 ,vianna de ,lima affirma1 por assim dizer1 dogmaticamente1 nas suas ,observaes preliminares1 essa espontaneidade e protesta contra a physica da inercia3 entretanto1 todo o seu livro1 toda a sua maneira de comprehender a evoluo presupe a inercia da materia4 que d'uma affirmao a uma theoria vae uma certa distancia1 e no me consta que algum dos mestres do monismo tentasse ainda formular essa theoria4 ,o assumpto envolve com effeito uma difficuldade1 que me parece exceder a capacidade especulativa dos doutores monistas4 ,a ideia da espontaneidade da materia 7ideia puramente especulativa1 em que peze s pretenses do positivismo dos nossos naturalistas philosophos7 parece estar em contradico com a theoria da conservao do movimento1 que domina nas sciencias physicas e j em grande parte nas sciencias da organisao4 ,no vejo que a doutrina monista resolva1 como ella pde ser resolvida1 n'uma esphera superior1 esta contradico4 ,pelo contrario1 no livro do sr4 ,v4 de ,lima1 pela maneira por que o principio da conservao do movimento applicado1 sem a menor reserva ou explicao1 desde a physica at psychologia1 e a evoluo apresentada como o exclusivo resultado do puro mechanismo1 a espontaneidade da materia1 praticamente e apesar das affirmaes preliminares1 constantemente desconhecida1 ou antes1 negada implicitamente a cada instante4 ,de facto1 como se o livro todo no tivesse outro fim seno destruir a these estabelecida nos prolegomenos--these que todavia 1 philosophicamente1 o seu fundamento4 ,com effeito1 se havemos de entender que todo o movimento1 seja de que ordem fr1 no s condicionado por um movimento anterior1 mas realmente e exclusivamente uma transformao d'esse movimento anterior1 claro que tal concepo do movimento exclue in limine a ideia de espontaneidade4 ,a condio passa a ser causa3 o effeito1 mera prolao da causa1 uma apparencia sem ser proprio1 sem autonomia4 ,consideremos mais de perto a contradico que d'aqui resulta4 ,se1 por um lado1 a materia em geral dotada d'espontaneidade1 isto 1 se o movimento lhe inherente2 mas se1 por outro lado1 qualquer movimento particular e todo e qualquer movimento se reduz no fundo1 a uma simples transformao das aces anteriores que o condicionam2 pergunta-se3 como se consegue ento a espontaneidade geral e theorica da materia8 ,se o movimento 99,a99 se reduz a uma simples transformao do movimento 99,b991 que o condiciona e no 9999 por isso espontaneo1 o movimento 99,b99 est para com o movimento 99,c991 que por seu turno o condiciona1 exactamente na mesma relao1 assim como o movimento 99,c99 para com o movimento ,d1 o movimento 99,d99 para com o movimento 99,e99 e assim indefinidamente--de sorte que em parte alguma se encontra movimento espontaneo4 ,o que significa1 pois1 a espontaneidade attribuida theoricamente materia8 ,e1 sobre tudo1 como se explica o proprio facto do movimento1 que d'este modo est em toda a parte sem estar em parte alguma8 que por toda a parte effeito1 sem ter causa em parte alguma8 como se concebe esse modo de ser1 que1 no tendo autonomia em nenhum dos pontos onde se realisa e realisando-se universalmente1 parece ser e no ser ao mesmo tempo8 ,ainda por este lado1 se me no engano1 a ideia da materia1 segundo os monistas1 est muito longe de apresentar a definio e consistencia necessarias4 ,ora essa ida tem de ser a pedra mestra de toda a construco philosophica na esphera da natureza4 ,a final de contas bem apertada e espremida1 a doutrina da materia1 segundo a philosophia monista1 reduz-se1 como creio ter mostrado1 s noes correntes1 nas sciencias physicas1 de atomo e fora4 ,no s no ha n'ella originalidade alguma1 mas o que peior1 apresentam-se nos aquellas noes envolvidas nevoentamente n'uma concepo vaga1 d'onde necessario extrahil as e1 no fim de tudo1 em vez de esclarecidas e aprofundadas1 obscurecidas por forma tal que nada ha de lucido e fecundo a tirar d'ellas para uma comprehenso superior e verdadeiramente philosophica dos phenomenos da natureza4 ,com as observaes que acabo de fazer no pretendo de modo algum contestar o valor e a legitimidade1 na esphera das sciencias physicas1 das noes de materia1 atomo1 fora e movimento1 nos limites em que a sciencia emprega estas noes3 ellas no so1 com effeito1 para a sciencia mais de que hypotheses1 restrictas a um determinado campo e no tendo por fim seno a coordenao racional d'uma determinada ordem de phenomenos1 d'um determinado aspecto da phenomenalidade4 ,a sciencia1 usando d'estas noes1 no pretende impol-as fra da sua esphera1 nem dal-as em absoluto1 como explicao ultima e irreductivel das cousas4 ,a conservao do movimento1 scientificamente1 um facto3 um facto1 que pela sua generalidade1 envolvendo a explicao de innumeros outros factos1 tem o valor d'uma theoria1 mas d'uma theoria puramente scientifica4 ,se a conservao do movimento implica o determinismo1 implica-o s nos limites e no ponto de vista do puro mechanismo1 no ponto de vista da realidade como systema de movimentos--sem que a sciencia possa ou pretenda concluir d'ahi para um outro ponto de vista1 que no o seu1 e em que o mechanismo j no apparece como o limite e termo ultimo do conhecimento4 ,sciencia e especulao 7volto a repetil-o7 so cousas muito diversas1 embora dependentes uma da outra1 e o que basta sciencia no sufficiente para a especulao4 ,ideias1 que no terreno scientifico bastam e so por isso1 n'esse terreno1 muito legitimamente consideradas irreductiveis1 no bastam j nas regies da especulao1 onde com effeito so reductiveis a categorias mais transcendentes4 ,se o conjunto das sciencias no pde1 como todos os verdadeiros pensadores reconhecem1 supprir a philosophia ou substituir-se a ella1 justamente porque o conjuncto das ideias geraes das sciencias1 no inclue em si a totalidade dos elementos racionaes da comprehenso do universo1 mas apenas o conjuncto d'esses elementos no ponto de vista da phenomenalidade4 ,ora o monismo1 attribuindo ao ponto de vista das sciencias physicas um caracter absoluto1 arvorando as ideias geraes d'um grupo de sciencias em ideias ultimas e irreductiveis1 exorbitou da sciencia sem ao mesmo tempo fazer acto de philosophia4 o que talvez consiga mostrar ainda mais claramente1 fazendo a critica da ideia de evoluo segundo os monistas4 ,,terceiro ,,artigo,d ,a theoria geral da evoluo1 diz o snr4 ,vianna de ,lima 7e so estas as primeiras palavras do seu livro7 no um systema2 a synthese comparativa1 a concluso que sae do conjuncto de todos os factos positivos que o espirito humano tem podido at agora abraar4444 a unica concepo racional e verdadeiramente scientifica do mundo4 necessario fazer aqui uma distinco importante4 ,a evoluo no 1 com effeito1 um systema no dominio circumscripto de cada uma d'aquellas sciencias onde esta ideia1 por assim dizer1 se impe1 onde mil factos a confirmam e onde fra d'ella seria impossivel encontrar-se um principio geral de coordenao4 ,ahi1 sem duvida1 a evoluo no um systema1 mas propriamente uma theoria scientifica4 ,mas estaro n'este caso todas as sciencias8 ,de modo algum4 ,a ideia de evoluo no intervem seno onde o elemento historico representa um papel proeminente1 isto 1 acima de tudo1 nas sciencias da organisao 7incluindo n'este grupo a anthropologia e fazendo participar d'elle as sciencias sociaes1 nos limites em que estas teem um caracter biologico7 e depois ainda1 mas d'uma maneira menos necessaria e menos definida1 na astronomia1 ou propriamente1 astrogenia4 s ahi que a diviso do trabalho se exerce1 differenciando gradualmente e como que analyticamente as formas contidas virtualmente e1 por assim dizer1 envolvidas n'um germen ou facto primeiro1 que o ponto da partida de toda a serie4 ,a physica e a chimica1 porem1 esto completamente fra dos dominios da ideia de evoluo4 ,a chimica parece reduzir-se toda atomicidade1 e a maior ou menor complexidade de composio no foi nunca considerada como um desenvolvimento1 assim como a irredectubilidade dos corpos chamados simples1 se no um dogma1 certamente um facto que se impe sciencia e que1 emquanto assim se impozer1 obstar a toda a theoria geral evolucionista dos phenomenos chimicos4 ,por outro lado1 entre as foras physicas1 no ha hierarchia1 mas parallelismo1 e a reductibilidade d'umas s outras implica unidade1 mas no evoluo1 cousas bem distinctas4 ,onde est1 pois1 a generalidade scientifica da ideia de evoluo8 ,a verdade que uma theoria positiva da evoluo1 como o sonham os monistas1 essa synthese comparativa que sae do conjuncto de todos os factos positivos s seria possivel se se dessem duas condies capitaes3 #a4o que a ideia de evoluo se impozesse a toda a ordem de phenomenos1 ou 7o que para ns vale o mesmo7 presidisse superiormente a todas as sciencias3 #b4o que alem de explicar1 dentro do districto de cada sciencia1 os factos n'elle comprehendidos1 explica-se tambem a passagem evolutiva de cada uma d'essas ordens para a sua immediata1 sem ter de recorrer a nenhuma ideia nova e superior4 ,ora1 nenhuma d'estas condies se realisa4 ,a ideia d'evoluo 7como j indiquei1 e por isso no insisto n'este ponto7 s impera em certas sciencias e1 por conseguinte1 n'uma esphera limitada da phenomenalidade4 ,em segundo logar1 a passagem d'uma determinada ordem de phenomenos para outra no se pde explicar evolutivamente1 no terreno rigorosamente scientifico1 porque1 n'esse terreno1 o elemento commum d'essas varias ordens s um elemento abstracto1 o movimento1 que pela sua mesma abstraco1 no capaz de dar razo do que ha de especial em cada uma d'ellas e a caracterisa1 isto 1 a forma ou funco especial que representa4 assim1 por exemplo1 que embora os phenomenos vitaes se reduzam1 em ultima analyse1 ao movimento1 isto 1 a grupos e combinaes complexas de movimentos elementares1 nem por isso a vida pode ser satisfactoriamente definida como um modo de ser do movimento2 porque uma tal definio1 pela sua mesma abstraco1 nada define2 nem o quadro de todos esses movimentos pde ser dado como equivalente ideia synthetica da vida2 nem1 finalmente1 a concepo mechanica da vida representar outra cousa mais do que um aspecto da phenomenalidade da vida e nunca a concepo mesma da vida4 ,parece-me claro1 em vista d'isto1 que a doutrina de evoluo formulada por ,haeckel e seus discipulos no de modo algum1 como se pretende1 uma doutrina positiva1 fundada nas sciencias e sahindo d'ellas como a sua natural consequencia4 ,creio ter mostrado que essa doutrina implica uma extenso abusiva da induco scientifica e a illegitima generalisao d'uma hypothese1 que se perfeitamente fundada no terreno de determinadas sciencias1 s ahi e s n'esse ponto de vista tem authoridade scientifica4 ,a doutrina monista tem1 pois1 em despeito das suas pretenses de positividade1 um caracter especulativo e propriamente um systema1 uma construco philosophica em que o a priori representa um papel preeminente3 n'uma palavra1 apezar dos elementos scientificos que contem1 no uma doutrina scientifica1 mas uma hypothese philosophica4 ,resta agora ver se1 como hypothese philosophica1 a ideia d'evoluo1 tal como a concebem os monistas1 apresenta aquella definio e consistencia sem as quaes a mais ampla e brilhante hypothese muito mais um producto da imaginao1 do que da razo4 ,creio que no apresenta4 ,especulativos inconscientes1 os monistas especulam mal4 ,tal como a concebem1 a evoluo1 destituida de todos aquelles elementos de analyse racional1 que s lhe poderiam dar um verdadeiro cunho philosophico1 no um principio3 seria apenas 7se as suas pretenses de positividade fossem fundadas7 um facto2 facto culminante e universal1 mas simples facto e no principio4 ,ora os factos so apenas a materia prima da philosophia3 so aquillo que se pretende explicar1 em quanto que s os principios fornecem o criterio e o ponto de vista d'essa explicao2 e a doutrina monista da evoluo1 que1 como doutrina positiva1 como generalisao scientifica dos factos da natureza1 est muito longe de ser rigorosa e fundada1 pecca por outro lado gravemente1 como hypothese philosophica1 como doutrina especulativa1 pela falta d'analyse das ideias sobre que1 para merecer o nome de philosophia da natureza1 se deveria apoiar4 ,com effeito1 se o universo evolve porque que evolve8 ,se a sciencia nada tem que vr com esta questo1 a philosophia que tem muito e tudo--e j mostrei que smente como tentativa philosophica de explicao que o evolucionismo monista deve ser considerado4 ,uma theoria geral philosophica do desenvolvimento das cousas implica1 pois1 uma theoria da razo de ser d'esse desenvolvimento4 ,sobre esta questo essencial o monismo peior do que mudo2 absurdamente negativo4 ,a ideia de evoluo implica necessariamente a de finalidade2 esta contem a explicao racional d'aquella1 que1 s por si1 inintelligivel e at contradictoria4 ,se o movimento1 acto essencial da materia1 autonomo 7e esta a these monista fundamental7 tal movimento no pde ser concebido seno como um impulso espontaneo1 por conseguinte1 como uma verdadeira determinao voluntaria3 ora onde ha determinao voluntaria sem mobil1 sem fim8 ,pois no precisamente o fim que determina a vontade1 e que explica o acto8 ,um movimento autonomo1 que no tende a um fim1 perfeitamente inconcebivel3 pois se no ha fim porque e para que o movimento8 ,a ideia de finalidade a pedra angular de toda a construco philosophica no terreno da natureza4 ,assim o comprehendeu ,leibnitz na sua ,monadologia1 assim o comprehenderam ,schelling e ,hegel1 os verdadeiros paes da moderna philosophia da natureza4 ,o horror pueril metaphysica e a pretenso chimerica de fundar uma philosophia da natureza positiva e exclusivamente architectada no terreno da sciencia levou ,haeckel 7e muitos outros atraz d'elle e com elle7 a desconhecerem a importancia capital da ideia de finalidade e a minarem aquillo que justamente lhes deveria servir de primeiro fundamento para o edificio que levantavam4 o que espero deixar suficientemente provado no meu proximo artigo4 ,,quarto ,,artigo,e ,o ,snr4 ,vianna de ,lima consagra as ultimas #ajj paginas do seu volume a combater a ideia de finalidade nos dominios da natureza e triumpha facilmente dos theologos ou simili-theologos1 que1 despojando a materia das suas propriedades espontaneas e da sua infinita virtualidade1 veem em tudo os effeitos d'uma direco exterior e se extasiam diante das harmonias intencionaes da ,criao4 ,era facil o triumpho4 ,smente1 o snr4 ,vianna de ,lima tomou a nuvem pela deusa1 tomou a concepo infantil e anthropomorphica da finalidade pela propria ideia metaphysica de finalidade4 ,se o snr4 ,vianna de ,lima se despojasse por algum tempo dos seus habitos de pensamento de puro naturalista e estudasse um pouco os to abominaveis metaphysicos1 no s ,leibnitz e ,hegel1 mas ainda o representante nosso contemporaneo da alta especulao1 ,hartmann 7que 1 no menos do que foram aquelles dois1 profundamente versado nas sciencias da natureza7 veria que a ideia de finalidade no se reduz1 como lhe parece1 quella concepo anthropomorphica1 que com to facil felicidade refuta no seu livro4 ,veria que a finalidade pde ainda ser concebida como immanente materia e como aquelle segundo elemento que vem integrar1 juntando-se ao movimento1 a noo da realidade2 que1 n'este caso1 longe de ser contradictoria com a espontaneidade do movimento1 justamente a explicao do movimento2 que o que parece effeito1 no ponto de vista do puro mechanismo1 causa no ponto de vista da finalidade1 sem que uma cousa repugne outra1 porque so duas espheras do conhecimento1 que ao mesmo tempo que se oppem1 reciprocamente se completam4 ,perceberia ento uma cousa1 e que1 no s o movimento em geral 7o movimento em si1 independentemente de qualquer ideia de desenvolvimento7 racionalmente inexplicavel e1 por conseguinte1 inconcebivel sem a ideia de finalidade ou de causa-final1 mas que mais particularmente a evoluo1 isto 1 o movimento como hierarchia ou desenvolvimento1 implicando a ideia d'um typo1 que as formas evolvendo1 tendem a realisar1 implca por isso mesmo uma finalidade4 ,o typo realisado na serie1 no um producto d'ella3 pois1 se fosse um producto1 como se explicaria a serie8 ,quem diz evoluo diz progresso4 ,ora1 progresso que no tende para cousa alguma1 que no tem um typo e um fim1 no se comprehende4 ,se no ha typo1 no ha medida ou termo de comparao na serie1 no ha1 por conseguinte1 hierarchia3 ha variedade de formas parallelas e equivalentes2 mas no desenvolvimento4 ,no meio d'essa multido de formas inexpressivas1 tudo ser igualmente perfeito ou imperfeito3 haver ainda transformismo2 mas no haver evoluo progressiva4 assim que o ultimo capitulo do livro do snr4 ,vianna de ,lima deita por terra a doutrina estabelecida laboriosamente nos que o precedem4 assim que metade da doutrina de ,haeckel deita por terra a outra metade4 assim que uma philosophia da natureza que pertende no ser uma philosophia especulativa1 acaba por no ser cousa alguma4 ,que concluiremos de toda esta critica8 ,concluiremos em primeiro logar1 que os naturalistas1 quando no so ao mesmo tempo philosophos1 no podem construir uma philosophia da natureza que se sustenha de p4 ,concluiremos1 em segundo logar1 que no pde haver1 por muito que se apregoe1 philosophia da natureza positiva 7puramente scientifica71 assim como em geral no pde haver philosophia positiva4 ,o erro commum em que laboram os positivistas das differentes communhes 7so varias1 e todas egualmente positivas7 este3 que o conhecimento scientifico o typo do conhecimento1 o conhecimento ultimo e perfeito2 e que1 por conseguinte1 esgotando o ponto de vista scientifico a comprehenso da realidade1 basta reunir em quadro as concluses de todas as sciencias1 ou generalisar as ideias fundamentaes communs a todas ellas para se obter a mais alta comprehenso das cousas1 a que nos dado aspirar4 ,d'aqui a chimera d'uma philosophia positiva4 ,no seria chimera1 se com effeito o conhecimento scientifico representasse o conhecimento supremo e definitivo1 e no apenas uma determinada esphera do conhecimento4 ,nesse caso a generalisao dos dados scientificos corresponderia a uma verdadeira synthese e a abstraco suprema dos elementos da realidade tomaria o logar das ideias da razo4 ,infelizmente ou felizmente 7que isso importa pouco7 a razo subsiste e com ella o ponto de vista das ideias metaphysicas de substancia1 causa e finalidade s quaes tem de ser referidas1 em ultima instancia1 as concluses da sciencia4 ,e porque8 ,porque essas concluses1 ainda nas suas mais vastas e deslumbrantes generalisaes1 no se explicam a si mesmas e1 representando apenas as grandes linhas e como que a estructura abstracta do mundo phenomenal1 precisam ellas mesmas de ser explicadas4 ,com o seu caracter abstracto so ainda factos1 e os factos precisam do reflexo da razo para se tornarem intelligiveis4 ,o conhecimento scientifico constitue apenas a regio media do conhecimento1 entre o senso commum1 d'um lado1 e o conhecimento metaphysico1 do outro4 pois a raso que tem1 em ultima instancia1 de se pronunciar sobre o valor e o logar1 na comprehenso total do universo1 dos dados quer do senso commum quer da sciencia4 ,essa comprehenso total que a philosophia3 edificio sempre em construco1 sempre renovado nos seus materiaes 7que o progresso dos conhecimentos positivos lhe vae fornecendo dia a dia7 sempre instavel e ao mesmo tempo sempre de p1 e que sendo sempre incompleto nunca se pode dizer insufficiente1 porque1 tal como 1 corresponde s mais altas faculdades do espirito humano1 abriga as mais sublimes aspiraes1 tormento e gloria ao mesmo tempo1 d'este mysterioso animal racional chamado homem4 ,e eis ahi porque uma philosophia positiva uma chimera4 ,quem diz philosophia diz idealismo4 ,s o systema das ideias contem inteira a explicao do systema das cousas4 ,o movimento no esgota o ser3 o ser implica movimento e ideia4 ,os naturalistas1 desprezando ou ignorando as ideias1 ignoram metade das cousas e a sua philosophia s meia philosophia1 ou antes1 s um arremedo da philosophia4 ,tudo quanto 1 racional1 disse ,hegel4 ,pretender amputar a razo pretender amputar a realidade4 dentro da razo1 no fra d'ella1 que teem de ser marcados os limites do conhecimento4 ,s no ponto de vista total da razo se resolvem as contradices que a realidade apresenta1 como outras tantas esphinges intelligencia indagadra4 ,materia e espirito1 determinismo e liberdade1 evoluo e finalidade1 no so ideias contradictorias seno na apparencia3 de facto1 so s duas espheras differentes da comprehenso1 these e antithese1 cuja synthese a razo4 ,assim1 uma philosophia da natureza1 tal como a concebo1 uma philosophia da natureza altura1 no s do grande seculo das sciencias naturaes1 mas do grande seculo de ,kant e ,hegel1 no tem que regeitar o determinismo universal e a evoluo como uma forma mechanica d'esse determinismo3 mas o que no pde ficar ahi4 ,determinismo e evoluo sero apenas o seu ponto de partida1 a forma universal da phenomenalidade1 que a generalisao scientifica lhe fornece e que ella1 a philosophia1 ter d'analysar e interpretar luz das ideias4 ,s assim ter satisfeito no s raso especulativa1 mas s exigencias no menos imperiosas da consciencia humana4 ,digo da consciencia humana2 e este um outro aspecto1 e aspecto capital da questo que necessario por em evidencia4 ,muitos diro3--que tem que ver a philosophia com a consciencia humana8 ,responder-lhes-hei3--tem tudo4 ,por uma singular aberrao1 so justamente os que mais falam de positivismo e factos positivos os que parecem esquecer ou ignorar que a consciencia humana um facto1 que a sua actividade1 expressa e objectivada em milhares de manifestaes1 desde os codigos at poesia1 e atravez de milhares d'annos1 constitue uma ordem de factos to positivos e to irrecusaveis como os da physica ou da astronomia4 ,e estes factos no so s positivos e evidentes3 so ainda culminantes1 pois os phenomenos sociaes e moraes1 tendo atraz de si todas as outras ordens de phenomenos e apoiando-se n'ellas1 constituem o ponto mais alto da serie evolutiva das cousas4 ,os factos da consciencia humana so1 pois1 no s factos positivos1 mas os factos positivos culminantes4 ,ora que diriamos d'uma philosophia1 que no podesse explicar1 mais1 que estivesse em contradico com os factos da physica1 por exemplo1 ou de chimica8 ,diriamos ser uma philosophia no s incompleta1 mas falsa4 ,e que pensaremos ento d'uma philosophia1 que no s consegue explicar1 mas est em flagrante contradico com factos to positivos como aquelles1 e1 alem de positivos1 superiores e culminantes8 ,a consciencia humana 1 pois1 verdadeiramente um criterio philosophico1 n'este sentido que uma philosophia incapaz de explicar satisfactoriamente os phenomenos da consciencia1 ou em contradico com elles1 uma philosophia incompleta1 ou errada1 por deixar de fra1 ou contradizer1 uma parte e justamente a parte mais importante da realidade4 ,este criterio bastaria s por si 7alem de tudo que atraz fica dito7 para condemnar toda a philosophia puramente materialista1 sob qualquer forma em que se apresente3--mecanismo atomico1 determinismo scientifico1 monismo ou pantheismo naturalista4 ,sob qualquer destas formas1 o materealismo envolve1 o que a sua essencia1 a reduco de toda a ordem de phenomenos a foras elementares1 sujeitas a uma determinao cega1 mechanica e sem fim intelligivel3 envolve a negao de todo o elemento racional nas cousas1 reduzindo ao mesmo tempo as affirmaes da consciencia a puras illuses subjectivas4 ,a critica do materialismo1 n'este ultimo ponto de vista1 tem sido mil vezes feita e no preciso reproduzil-a aqui4 ,o que quero fazer sentir quanto o monismo evolucionista da escola de ,haeckel 7que no mais do que uma forma do materialismo7 cuja maior pretenso ser uma philosophia positiva da natureza1 ainda por este lado no positivo1 por no poder explicar uma ordem inteira e a mais importante dos factos do universo4 ,declarar que a liberdade e o sentimento moral so meras illuses subjectivas1 e que os mais intimos e mais autonomos phenomenos da consciencia resultam apenas d'aces mechanicas e so a transformao d'essas aces-- facil4 ,agora o que no facil1 porque simplesmente impossivel1 explicar e fazer comprehender 7como ha poucos annos ainda ,du ,bois-,reymond perguntava a ,haeckel7 como que o movimento1 um grupo de movimentos por mais complexo que o supponhamos1 pode produzir1 no j os factos superiores da vida do pensamento1 mas o mais elementar1 a simples sensao8 ,deante d'esta simples pergunta desaba todo o edificio do monismo4 ,a vida moral no cousa que se decomponha em retortas1 nem se descobrir jmais o equivalente mechanico do genio ou da virtude3 ,there are more things in heaven and earth1 ,horatio1 ,than are dreamt off in your philosophie ,,quinto ,,artigo,f ,pretenderei eu accaso com esta critica1 contestar o valor dos trabalhos da escola monista1 ou ainda a sua importancia philosophica8 ,de modo algum4 ,o que eu contesto o valor do seu systema1 como systema1 o que eu censuro a pretenso de fundar uma philosophia da natureza com a simples generalisao dos dados d'um grupo de sciencias1 e sem ter em conta o indispensavel criterio das ideias4 ,mas abstrahindo d'estas pretenses1 a tentativa de ,haeckel1 considerada em si1 tem um alto valor4 ,tem-no1 sobre tudo1 como symptoma da tendencia1 que cada vez mais se manifesta na esphera da sciencia para uma unidade de comprehenso1 que assentando rigorosamente no terreno scientifico1 saia ao mesmo tempo da analyse e abstraco inherententes sciencia1 procurando como formula1 uma ideia de caracter synthetico1 isto 1 uma ideia propriamente philosophica4 ,esta tendencia sem duvida alguma1 o facto intellectual mais importante do seculo actual e um d'aquelles em que mais se traduz d'um lado1 a influencia d'ora em deante cada vez mais predominante do criticismo de ,kant1 e do outro1 a feio eminentemente positivista do espirito moderno4 ,se uma philosophia positiva e ser sempre1 como j mostrei1 uma chimera1 a aco e authoridade directa da sciencia na philosophia ser d'aqui em deante 7quero dizer depois da ,critica da ,raso pura7 um facto que tem de se impor a todos os pensadores4 ,mas aco e auctoridade da sciencia na philosophia uma cousa1 e philosophia positiva1 outra4 ,as ideias syntheticas da philosophia no saem das sciencias1 no so simples generalisaes scientificas3 so um producto da especulao e quando chegam a apparecer no terreno scientifico infiltradas para ali das regies da especulao1 porque a especulao as forneceu1 sob forma de hypothese1 sciencia4 ,no cabe em escrito d'estas dimenses expor a theoria da hypothese4 ,bastar mostrar como a theoria geral da evoluo1 hoje com tanto vigor e brilho formulada por ,haeckel e seus concorrentes ou discipulos1 longe de ser1 como vulgarmente se imagina1 uma descoberta das sciencias naturaes e um resultado directo da analyse scientifica1 1 pelo contrario1 uma verdadeira hypothese philosophica1 que1 producto da elaborao especulativa de perto de trez seculos1 acabou por se manifestar no dominio das sciencias4 ,com effeito so mais fundas as suas raizes1 mais longiqua a sua procedencia4 ,essa ideia no saiu das sciencias naturaes1 mas penetrou n'ellas pela influencia 7obscura1 certo e indirecta1 mas muito real7 das noes metaphysicas lentamente elaboradas1 a partir da renascena1 dentro da ideia fundamental de natureza4 ,a maneira dynamica1 autonomica1 realista1 de conceber a natureza o que mais radicalmente distingue o pensamento moderno do antigo4 ,a natureza para o pensamento antigo1 e ainda para o mais genial dos seus intrepretes e o mais objectivo1 ,aristoteles1 era concebida como abstracta1 inerte1 passiva3 longe de parecer concreta e espontanea1 era considerada apenas como um reflexo1 acto ou emanao d'um ser ou seres transcendentes e perfeitos3 as ideias de ,plato1 a intelligencia de ,anaxagores1 o motor immovel e as formas substanciaes de ,aristoteles etc47 exteriores a ella e s verdadeiramente autonomos4 ,esta maneira de conceber manteve-se pela ,escolastica e pela ,theologia christ1 at ,renascena4 ,a partir dos ultimos tempos da ,edade-media1 com a dissoluo da philosophia escolastica e as revolues de toda a especie1 intellectuaes1 sociaes religiosas1 que annunciam a aurora dos tempos modernos1 d-se nas regies mais profundas da intelligencia humana uma fermentao extraordinaria1 que se exprime1 ainda com pouca consciencia do seu proprio alcance1 nas creaes da astronomia e da physica modernas 7,kopernico1 ,keppler1 ,galileo1 ,torricelli7 e nas reformas philosophicas de ,bacon e ,descartes2 que se avigora com ,leibnitz e ,spinosa e com os primeiros trabalhos de physiologia1 botanica e sciencias sociaes 7,gesner1 ,harvey1 ,malpighi1 ,boerhaave1 ,hobbes1 ,grocio1 ,vico1 ,lessing1 etc47 para acabar1 plenamente consciente no seculo ,,xix1 por se affirmar1 no j n'esta ou n'aquella ordem de phenomenos1 mas em todas as espheras da actividade humana1 nas sciencias1 na philosophia1 na sociedade civil e politica e na propria arte e poesia contemporaneas4 ,o naturalismo para os tempos modernos o que foi o racionalismo para a ,antiguidade3--a formula mais geral da sua actividade4 ,a doutrina da evoluo apenas uma das determinaes1 a mais recente e porisso a mais intensa1 e intima1 do naturalismo moderno4 ,e convir notar que o seu apparecimento simultaneo na astronomia1 na geologia1 na biologia1 na linguistica e na historia3 ,lamarck1 ,laplace1 ,werner1 ,goethe1 ,geoffroy ,sainte-,hilaire1 ,herder1 ,saint-,simon1 ,bopp1 ,adelung1 so contemporaneos1 ou proximamente contemporaneos4 ,o evolucionismo dentro das sciencias da natureza no mais do que a applicao a uma ordem de factos do principio fundamental do pensamento moderno1 uma das suas determinaes particulares4 ,mas esse principio uma hypothese geral e1 como todas ideas syntheticas1 um resultado da especulao1 no um facto positivo4 ,se apparece no dominio das sciencias1 como hypothese philosophica1 no como lei scientifica4 ,se as sciencias da natureza e da sociedade convergem hoje no sentido da evoluo1 convergem movidas pelo influxo intimo do estado mental-metaphysico que as envolve1 no pela fora exclusiva e independente do seu desenvolvimento proprio4 ,no ha1 como se pretende1 a eliminao do elemento metaphysico pelo elemento scientifico3 ha uma mutua penetrao2 penetrao da especulao na sciencia1 pela hypothese que a vem fecundar2 penetrao da sciencia na especulao1 pelo correctivo imposto1 em nome da realidade1 dos factos positivos1 ao -priorismo inherente ao pensamento especulativo4 ,e por isso que o concurso da sciencia e da especulao indispensavel para a constituio definitiva da philosophia moderna 7da qual todos os systemas1 desde ,bruno e ,bacon at aos nossos dias so apenas esboos e prenuncios71 para a organisao systematica do pensamento moderno em todas as suas determinaes4 ,creio com ,haeckel1 assim como com ,schelling1 ,hegel1 ,hartmann1 ,comte e ,spencer1 que no terreno da evoluo que essa grande synthese tem de ser construida1 e que1 depois do seculo ,,xviii e depois de ,kant1 j no possivel uma philosophia que no seja essencialmente uma theoria geral do desenvolvimento1 isto 1 uma philosophia da evoluo4 ,mas creio tambem que a organisao da ideia d'evoluo n'essa theoria geral do desenvolvimento problema que excede muito a capacidade especial das sciencias da natureza1 quero dizer1 a esphera theorica d'essas sciencias1 porque excede os limites e alcance do puro espirito scientifico4 ,a metaphysica do seculo ,,xix apezar do descredito em que momentaneamente parece ter caido1 no disse ainda a sua ultima palavra1 nem abdicou4 ,se a concluso final das sciencias tem de ser1 como creio1 o mechanismo universal1 a concluso final do pensamento metaphysico tem por seu lado de ser o universal idealismo4 ,mas j hoje se comea a comprehender que entre estes dois termos no ha contradico essencial e que esta these e antithese reductivel a uma synthese1 que satisfaa plenamente tanto a sciencia como a especulao4 ,essa synthese em que o idealismo apparecer com complemento necessario do mechanismo j hoje se deixa entrever2 e creio que nem a todos parecer temeridade e paradoxo1 concebel-a1 como eu a concebo1 nem idealista nem materialista no antigo e mais usual sentido das palavras1 mas num sentido novo e mais profundo1 como um materalismo idealista4 ,,fim ,tiragem de #bjj exemplares numerados ,,typographia ,,do ,,campe,o ,,popular ,rua da ,graa n4o #ae--,ponta ,delgada 99,estabelecimento fundado em #ahhi99 99,notas399 ,a ,a ,provincia--,n4o #dh1 ,,ii anno--,porto1 #a de maro de #ahhf4 ,b ,alis de ,iena4 7,e4 ,p47 ,c ,a ,provincia--,n4o #di--;,,ii anno--,porto1 #b de ,maro de #ahhf4 ,d ,a ,provincia--,n4o #ej--;,,ii anno--,porto1 #c de maro de #ahhf4 ,e ,a ,provincia--,n4o #ea--;,,ii anno--,porto1 #d de maro de #ahhg4 ,f ,a ,provincia--,n4o #eb--;,,ii anno--,porto1 #e de maro de #ahhg4