from the ,google ,print project47 99,notas do transcritor993 ,foram detectados e corrigidos diversos erros de impresso4 ,foram adicionadas aspas a fechar algumas citaes1 e que no apareciam no original4 ,a ,,politica ,,intercolonial ,e ,,internacional e o tratado de ,,louren,o ,,marques ,additamento ,influencia ,europea na ,africa por ,carlos ,testa ,capito de ,mar e ,guerra--,lente da escola ,naval ,ce qu'un homme doit aux autres hommes1 une ,nation le doit1 sa manire1 aux autres ,nations4 ,,vattel4 ,,lisboa ,typographia ,universal ,de ,thomaz ,quintino ,antunes1 ,impressor da ,casa ,real ,rua dos ,calafates1 #aaj #ahha ,,advertencia ,quem ainda no tiver o espirito dominado por um completo scepticismo1 e d'ahi lhe resulte a convico de que tem deveres moraes a cumprir1 encontra na vida occasies em que1 mo grado seu1 preciso desagradar quelles pelos quaes se tem dedicao1 desde que assim se lhes presta melhor servio e favor1 do que faltando verdade1 ou deixando-a occulta4 ,indicar a existencia de erros commettidos e de males d'ahi resultantes1 no crear esses males2 assim como o negal-os no seria o meio de corrigir uns e de evitar outros4 ,mau seguir aquella escola de apologistas1 que imaginam defender qualquer entidade fazendo mentir a historia2 e tanto mais quando s a verdade que pde ser util politica1 moral1 e sociedade4 ,ora a politica o governo2 a moral1 o homem2 e a harmonia entre os direitos e deveres d'estes elementos1 que constitue a sociedade4 ,mas desde que uns e outros ou se tem enganado1 ou tem sido enganados1 um dever dizer a verdade1 sem receio1 sem rebuo1 sem hypocrisia1 no em verso altaneiro e insolente1 mas em prosa ch e franca4 ,a uns como aviso1 a outros por lastima1 e aos poderes que regem a sociedade1 como homenagem de patriotica dedicao4 ,quem assim procede de boa f1 e movido por sentimentos que s lhe so ditados por amor no de qualquer partido1 mas sim do seu paiz1 tem jus a que justia seja feita s suas intenes1 desde que por esta frma cuida ter cumprido com os deveres de cidado1 e com a lealdade de subdito4 ,tal o motivo e o fim que n'esta publicao teve ,o ,auctor4 ,lisboa1 #ca de maio de #ahha4 ,i ,todo o systema harmonico1 tanto na ordem physica como moral1 est subordinado a regras e preceitos a que deve obedecer1 afim de que n'elle se no deem perturbaes embora accidentaes1 que tendam a affectal-o ou destruil-o4 muitas vezes problema de difficil soluo1 o explicar as causas que pdem dar logar a taes perturbaes na ordem physica4 ,na ordem moral porm1 encontra-se as mais das vezes a sua origem1 j na leso de interesses1 e no antagonismo entre direitos e deveres reciprocos1 j na errada maneira de apreciar uns e outros4 ,essas desharmonias que accidentalmente occorrem nas relaes reciprocas dos diversos elementos componentes de um ,estado1 acham nos codigos de direito publico interno um recurso para onde appellar1 afim de sanar os conflictos que d'ellas se originam4 ,vae porm mais longe o alcance malefico1 o grande perigo que de taes perturbaes resultam1 sempre que o pretexto ou o objectivo que se invoca e que lhes d causa1 tem uma relao no circumscripta aos membros de um unico ,estado1 mas sim extensiva a assumptos de um caracter internacional4 ,em tal caso a apreciao tanto dos aggravos que possam affectar os interesses do ,estado1 como dos conflictos que d'ahi pdem sobrevir1 e bem assim a maneira de os sanar1 no cousa que possa ficar merc e ao mero arbitrio de quaesquer individuos indistinctamente1 por isso que no s os codigos de direito publico interno1 mas tambem as praxes do direito publico externo1 que estabelecem a conducta a seguir1 e definem a maneira de resolver esses conflictos bem como designam as entidades a quem compete a sua deciso4 obedecendo a estes preceitos1 que se regulam os procedimentos internacionaes4 ,seguir outro caminho1 deixar-se levar smente pela opinio individual ou collectiva1 quando incompetente1 mal fundada e sujeita a errar1 fugir a taes preceitos1 estabelecer uma desharmonia tendente a confundir todas as regras de conducta1 offender direitos e faltar a deveres4 ,em todos os ,estados constituidos e civilisados e onde as leis se incumbem de regular as relaes dos individuos entre si1 e dos individuos para com o principio da autoridade1 a diviso do trabalho1 das profisses e das diversas occupaes sociaes1 constitue uma das condies indispensaveis para a boa ordem economica e para a publica prosperidade4 ,a vida humana to limitada em sua durao1 e as exigencias do estado social so to variadas em seus concebimentos1 que seria difficil ou alias impossivel que cada individuo se achasse habilitado para provr por si s1 a todas as necessidades ou gzos a que uma tal condio social lhe pde fazer aspirar4 da diviso do trabalho que nascem1 o engrandecimento das industrias1 a dilatao do commercio1 o adiantamento das sciencias de applicao1 a especialidade technica nos officios1 a perfectibilidade nos differentes misteres e occupaes profissionaes1 elementos estes aos quaes a sociedade tem que recorrer em vantagem commum4 ,ora essas relativas perfectibilidades1 essas habilitaes especiaes1 s se obteem1 desde que cada qual se limita ao exercicio d'aquella profisso1 arte ou ramo de conhecimentos1 que mais lhe fr apropriado1 e que lhe d uma certa competencia1 a qual portanto se torna exclusiva de uns e no extensiva a outros individuos4 ,assim se o medico o competente para conhecer das doenas e sua cura1 se o jurisconsulto o adequado para pugnar pelos direitos civis1 se o maritimo o que entende das cousas navaes1 se o engenheiro o competente para avaliar das obras d'arte1 se o chimico o que distingue a composio dos corpos1 se o operario finalmente o que melhor decide dos seus artefactos1 e cada um designadamente na sua profisso ou sciencia1 tambem certo que cada um d'elles melhor juiz ser de sua especialidade1 do que todos os outros reunidos quando pretenderem discutir sobre esta4 ,a opinio sobre um assumpto qualquer1 para que seja digna de atteno1 mister que parta de quem tiver habilitaes para opinar4 isto o que diz o proloquio popular cada qual no seu officio4 ,ha porm uma sciencia1 profisso1 ou funco1 ou como melhor possa designar-se1 que a mais difficil de ser acertadamente exercida1 por isso que tem que se relacionar com todas as variadas tendencias e aspiraes de todos os individuos que compe a sociedade1 e attender aos multiplos interesses que os affectam4 ,tal sciencia da politica administrativa1 ou a pratica da governao do ,estado2 sciencia que tem por objecto e por fim1 manter integras as relaes entre os differentes poderes do ,estado1 e de conciliar a vantagem e bem estar do maior numero1 com o respeito pelas praxes estabelecidas pelo direito publico interno e externo4 ,pois ahi1 n'essa difficil tarefa1 n'esse mais complicado mecanismo de procedimentos1 n'esse melindroso exercicio de attribuies1 ahi que todos pretendem ter ingerencia directa1 todos se suppem com conhecimento de causa para julgar e decidir1 todos se arrogam o direito de intervir1 de discutir e impr a opinio1 sem attender a que1 a mesma difficuldade e transcendencia d'aquelle exercicio1 deveria ser causa de que com maior raso do que em qualquer outro1 n'elle no houvesse de ser feita uma excepo s conveniencias dictadas pelo principio da diviso do trabalho4 ,desde que cada individuo susceptivel de errar no seu officio1 como no erraro todos1 quando pretenderem dar sentena peremptoria sobre o que no fr da sua competencia1 e que at para os competentes se torna s vezes difficil de resolver6 d'ahi que provm as erradas idas1 as infundadas opinies1 os desvarios e o desaccordo que s vezes se nota na apreciao e julgamento dos assumptos1 que dizendo respeito a interesses vitaes do ,estado1 se tornam de uma importancia e especialidade tal1 que a sua deciso no pde rasoavelmente ser commettida aos que para tanto no esto habilitados4 ,d'ahi provm egualmente os perigos a que a causa publica fica exposta1 quando a opinio popular1 menos conscienciosa e menos competente1 ampliada e excitada pela ignorancia de uns e malevolencia de outros1 segue uma senda errada e vae do animo obcecado1 a ponto que o transigir com ella equivaleria em tal caso a transigir com o erro1 e soffrer as funestas consequencias d'este4 ,o nosso paiz tem ultimamente passado por uma d'estas phases da politica especulativa1 em que a cegueira da opinio explorada pelos intuitos dos que com esta especulam1 o tem conduzido a um estado social em que se manifesta a presena dos perigos apontados1 desde que a obcecao apaixonada das massas1 as hesitaes menos desculpaveis dos poderes publicos1 e as manifestaes as mais contradictorias nos procedimentos dos partidos1 tem sido de natureza a comprometter aquelle bom conceito de que uma nao carece1 e que uma condio indispensavel para que ella seja digna do convivio das outras naes civilisadas4 ,custa a dizel-o1 mas uma triste verdade1 que entre os assumptos que tem dado origem a este estado de cousas sobresahe a questo do tratado celebrado em #cj de maio de #ahgi entre ,portugal e ,inglaterra1 cujo titulo e objecto sendo ,tratado para regular as relaes das suas respectivas possesses na ,africa ,sul e ,africa ,oriental1 comtudo j no tem outra designao para ser conhecido1 seno a de--,tratado de ,loureno ,marques4 ,sem renovar consideraes tendentes a comprovar a sua legalidade quanto sua essencia e frmulas1 occorrem todavia algumas com relao s phases pelas quaes tem passado1 e ao modo como tem sido julgado4 ,,ii ,aquelle objectivo to ciosamente invocado agora1 at pelos que nunca d'antes ouviram mencionar tal nome1 e ignoravam a existencia d'aquelle ponto do globo1 ,loureno ,marques1 um districto dependente do governo geral de ,moambique1 possuindo uma extensa bahia1 que constitue o melhor porto da ,africa ,oriental1 e que foi descoberta desde os principios do seculo ,,xvi pelos portuguezes que a denominaram bahia de ,lagoa1 at que em #aedd explorada por um navegador e explorador tambem portuguez passou a ser designada pelo nome d'este4 ,d'aquelle dominio1 encontra-se grande parte sujeito a differentes regulos cafres1 de modo que a colonisao europea quasi se limita rea occupada pela villa ou presidio d'aquelle nome2 e apezar da sua posse datar de to longe1 o estado de atrazo em que se acha um contraste com o que elle n'outras condies poderia ser4 ,privado de recursos e sem vida propria1 assim jazeu quasi de todo esquecido1 sem aproveitamento e sem que nenhum enthusiasmo popular da metropole se manifestasse em pr da sua importancia1 nem se exaltasse perante as variadas e alternativas invases de europeus ou correrias de cafres1 a que andou sujeito desde o seculo passado at quasi primeira metade do actual4 ,tanto assim 1 que o escriptor ,bordallo1 na sua publicao official dos ensaios estatisticos das possesses portuguezas1 consignava em #ahei que ,loureno ,marques pouco se differenava de uma aldeia de cafres1 e computava a populao de todo aquelle districto em #aheg1 como constando de um total de #hhj individuos de todas as edades1 e religies1 sendo s #gc portuguezes1 soldados ou degredados1 e incluindo n'aquelle total #chd escravos4 ,n'aquella data1 a sua importancia commercial era designada pelo rendimento da alfandega que de #ahef a #aheg fra de #a3iiciei ris4 ,vinte annos mais tarde1 depois que algumas disposies legislativas1 bazeadas n'um systema commercial e aduaneiro menos restrictivo1 e outras provises locaes foram adoptadas1 algum incremento adveio quelle districto1 e por isso vemos que em #ahgg para #ahgh1 o rendimento aduaneiro de importao e exportao se elevou a um conjuncto de #ci3dhabdj ris4 ,ainda assim1 a sua populao constava ainda n'esse anno1 apenas de #deh individuos brancos1 incluindo sob esta designao europeus e seus descendentes1 aziaticos1 baneanes1 gentios1 mouros1 parses e africanos mulatos4 ,extremando d'este total os portuguezes propriamente ditos1 eram estes smente #gg homens e #i mulheres6 ,isto passados tres seculos e meio depois da nossa occupao6 ,no titulo de recommendao que abone o estado d'aquella possesso1 e muito menos a considerao que se lhe deu durante to longo periodo4 ,a par d'este progresso negativo1 v-se que a colonia ingleza do ,natal1 confinante a oeste de ,loureno ,marques1 e cuja existencia como tal data de uns quarenta annos1 contm em si uma populao branca de #be3jjj individuos1 e o commercio alli de tal vulto que no anno de #ahhj1 a receita cobrada em suas alfandegas1 attingiu em #i mezes a #ahc3bae1 o que corresponde a cerca de #a3jjj contos de ris de rendimento annual1 devido em grande parte ao commercio de transito para as regies do ,transvaal1 feito com grandes dificuldades1 e despezas1 como se no dariam se elle se derivasse para ,loureno ,marques4 ,quanto a este ponto1 este j agora historico pomo de discordia1 a nomeada que nos ultimos tempos obteve1 proveio no da sua riqueza propria1 nem de ser apto para uma colonisao improvisada ou cerebrina1 que lhe desse vida propria e robusta2 mas sim foi devida sua relativa situao geographica1 visto que sua extensa e segura bahia se presta para vir a ser o grande porto que se torne o interposto para aquelle importante commercio com o interior d',africa1 facilitando-o1 uma vez que se construa o caminho de ferro n'aquella direco1 e por se prestar a isso muito mais idoneamente do que o porto de ,durban1 no ,natal4 ,aquelle crescido commercio do ,natal teve o seu maior desenvolvimento1 desde que os boers ou familias rusticas descendentes dos hollandezes da colonia do ,cabo1 internando-se n',africa vieram estabelecer-se no ,transvaal1 de cujas fronteiras apenas a bahia distar umas #dj milhas4 ,a no ser esta circumstancia1 esta perspectiva de um aproveitamento1 filho de condies locaes1 a sorte de ,loureno ,marques em nosso poder1 no seria outra seno ficar condemnado a permanecer qual tem estado at hoje1 isto 1 um presidio sem importancia1 um territorio inculto1 sem industria1 sem commercio1 com uma populao estacionaria e de todas as castas1 e luctando com a escassez de recursos1 e a insalubridade do clima4 pois aquella vantagem da situao geographica1 junta pretenso da ,inglaterra de ter direito posse de uma parte da bahia1 que para esta resultou o ser desde ha cerca de #cj annos um objecto de discusso1 e de ser em parte contestada entre ,portugal e ,inglaterra a sua soberania territorial4 ,essas discusses1 e as correspondencias a tal respeito trocadas entre os dois governos1 acham-se publicadas desde varios annos nos livros brancos apresentados s crtes2 todavia parece que ninguem as l1 ou pelo menos parece que no as tem lido1 muitos dos que mais se tem esfalfado nas apreciaes aggressivas a que o assumpto tem dado causa4 ,o estabelecimento dos boers no ,transvaal1 tendo alli dado logar a constituirem um ,estado independente1 deu causa a que elles pretendessem estreitar relaes com a auctoridade portugueza afim de obterem facilidades para o seu commercio exterior1 mediante a faculdade de estabelecerem o transito entre o seu territorio e a bahia de ,loureno ,marques4 ,j desde #ahfh o ,argus1 jornal publicado no ,transvaal1 sugeria que ,portugal devia alienar aquelle seu dominio1 e o pouco escrupulo com que isto se aventava1 dava logar a que em abril de #ahfi o presidente ,pretorius publicasse uma proclamao1 declarando pertencer sua republica o territorio confinante com a bahia1 vindo porm posteriormente a caducar esta arrojada preteno1 quando em julho de #ahfi se celebrou o tratado de paz1 amisade1 commercio e limites1 que regulava estes1 e fixava as regras de reciprocidade commercial4 ,a colonia ingleza do ,natal1 no podia sympathisar com uma verso que viria affectar o seu commercio com o interior da ,africa1 por isso que o desviava do porto ,natal1 fazendo-o affluir a ,loureno ,marques4 ,a preteno at ento mantida pelos dois governos1 de ,portugal e ,inglaterra1 crca da posse da parte contestada da bahia1 passou a ser submettida a uma arbitragem de terceira potencia por accordo reciproco2 e o principio da arbitragem sendo acceite1 foi confiada a sua deciso ao marechal ,mac-,mahon1 presidente da republica franceza1 e sabido que deu em resultado a sentena de #bd de julho de #ahge favoravel aos direitos de ,portugal1 ao que a ,inglaterra nobremente deu prompta execuo4 ,desde que em virtude d'esta sentena ficou definida a favor de ,portugal a posse de ,loureno ,marques1 poude em seguida e desaffrontadamente effectuar-se o tratado de #aa de dezembro de #ahge entre ,portugal e o ,transvaal1 no qual se consignavam os principios geraes1 de paz1 amisade1 liberdade de commercio e livre transito e residencia1 e fazendo-se referencia s eventualmente possibilidade de estabelecer os meios para o transporte de mercadorias do ,transvaal a ,loureno ,marques1 pois que em tal caso1 seriam cedidos gratuitamente por parte de ,portugal1 os terrenos para a construco de abrigos e armazens4 ,seguiram-se as tentativas para a construco de um caminho de ferro4 ,era este o grande desideratum1 j para o ,transvaal como meio de poder dirigir seu commercio para um porto facilmente accessivel1 j para ,loureno ,marques1 como sendo o unico e o mais efficaz aproveitamento das suas condies geographicas4 ,por parte de ,portugal1 fez-se a concesso a mr4 ,moodie para a construco da linha ferrea no territorio portuguez4 ,moodie1 vendeu a concesso por #ae3jjj ao governo do ,transvaal cujo presidente1 mr4 ,burgers1 vindo ,europa contractar um emprestimo de #cjj3jjj que s em parte realisou1 empregou o producto em compra de material n'um valor de #ij3jjj1 material que desembarcou em ,loureno ,marques1 mas s para alli ficar jacente e ser arruinado pela aco do tempo1 pois ou por falharem os calculos feitos ou por escassearem os meios1 ficou assim annulada a realisao do que era o grande desideratum4 ,ficava critica a situao financeira e politica do ,transvaal1 ameaado pela bancarrota e pela anarchia4 ,a guerra da ,zululandia e as contingencias a que ella deu logar1 tornaram mais precaria a sua situao4 ,enfraquecido e exposto s correrias dos negros1 seguiu-se a occupao do seu territorio pelas foras inglezas1 sendo declarada a sua annexao aos dominios britannicos em abril de #ahgg1 acto este1 devido menos aos designios do governo inglez1 que para com elle no mostrou as maiores sympathias1 mas sim promovido por sir ,theophilus ,shepstone1 commissario especial1 e auctoridade predominante na ,colonia do ,natal2 o que permitte explicar a consummao do mesmo acto1 como sendo devida ao indicado antagonismo e ciume manifestado n'esta colonia contra a realisao do caminho de ferro entre ,transvaal e ,loureno ,marques1 em vista dos auspiciosos resultados que d'ahi proviriam para este ponto1 em detrimento do ,natal4 ,esta nova phase politica e economica1 vinha annullar todas as perspectivas de realisar aquelle grande e importante meio de prosperidade para ,loureno ,marques qual era a construco do caminho de ferro4 ,dois annos se passaram n'este estado de coisas indeciso1 e que no deixava antever seno a annulao de todas as anteriores tentativas1 e isto com grande sentimento dos governos de ,portugal e do ,transvaal4 ,no escapou porm perspicacia do ministro portuguez dos negocios estrangeiros e do ,ultramar1 o sr4 ,corvo1 a conveniencia de persistir nas suas anteriores vistas4 ,a questo vital a resolver era a de estabelecer uma communicao facil atravez de uma nesga de terra sem cultura e sem vida como a de ,loureno ,marques1 ligando o accesso ao mar1 com um paiz immenso e fertil1 mas sem saida1 como o ,transvaal4 ,effectivamente a annexao d'este aos dominios britannicos era um facto consummado e reconhecido4 ,como consequencia d'este facto1 o tratado preexistente com o ,transvaal havia ipso facto caducado4 ,succedia o mesmo1 como caeteris paribus poderia acontecer a quaesquer tratados com o ,hanover1 ,toscana1 ,napoles1 ,meklemburgo ou ,hamburgo1 desde que perderam sua autonomia4 ,le trait s'vanouit1 diz ,vattel1 si l'une des nations perd par quelque cause qui ce soit sa qualit de nation ou de socit politique indpendante4 ,e diz mais3 ,quand un tat est dtruit ou quand il est subjugu par un conqurant1 toutes ses alliances1 toutes ses traits prissent avec la puissance publique qui les avait contrats4 ,o tratado com o ,transvaal tinha pois caducado4 ,mas desde que o que fra pactuado com aquelle ,estado quando independente1 era o meio de salvar ,loureno ,marques1 e de o transformar de uma alda de cafres1 em um grande emporio commercial1 melhor perspectiva d'este resultado se offerecia1 desde que o mesmo objectivo fosse estatuido e garantido em um tratado com uma potencia tal como a ,gr-,bretanha1 visinha nas possesses africanas1 bem como alliada de longa data na communho europea4 ,era isto conciliar o direito com a conveniencia4 ,negociar pois o tratado com a ,gr-,bretanha era realisar legalmente o que as circumstancias sobrevindas tinham d'antes impedido4 isto o que se praticou4 ,entaboladas as negociaes1 estas proseguiram1 e quando em janeiro de #ahgi se abriu o parlamento portuguez1 no discurso da cora se annunciava o seguinte3 ,com o fim de melhorar e desenvolver o commercio das nossas possesses da ,asia1 e para as pr em communicao directa e rapida por meio de um caminho de ferro com a ,india ,ingleza1 celebrou-se um tratado com o governo de ,sua ,magestade ,britanica4 ,com a mesma potencia se occupa o meu governo de celebrar outro tratado no intuito de estreitar as nossas relaes com a regio do ,transvaal1 pela construco de outro caminho de ferro na provincia de ,moambique1 engrandecendo por este modo o porto de ,loureno ,marques4 ,espero que examinareis attentamente estes documentos quando vos forem apresentados1 e folgarei que possam ter o vosso assentimento4 pois o tratado de ,loureno ,marques aquelle que a tanta celeuma tem dado causa1 um acto publico no smente j annunciado desde #ahgi1 mas at authorisado pela responsabilidade solidaria de um governo que o proclamou em to solemne documento2 assim como era a realisao d'aquella importantissima vantagem pela qual j anteriormente se havia sempre suspirado4 ,os factos que posteriormente tiveram logar1 as excitaes politicas que d'ali mais modernamente se originaram1 as diversas feies que assumiu este importante assumpto internacional1 as contradies nos procedimentos officiaes a que as successivas mudanas de governo deram causa1 a falsa opinio que no publico se pretendeu propalar e se conseguiu incutir a tal respeito1 so circumstancias que obrigam a ter que lamentar o mau fado de um paiz1 que antepe comprehenso das suas vantagens reaes1 o aproveitamento de quaesquer incidentes que se prestem a ser explorados como campo de batalha das questes partidarias1 e com tanto mais e maior prejuizo quando se recorre para tal fim a fazer jogo com questes internacionaes1 sem considerar o perigo que d'ahi resulta1 mas smente por serem estas as que mais se prestam a excitar a opinio das massas1 desde que do ensejo para se invocar1 embora falsamente1 o sentimento patriotico1 como sendo aquelle que mais se presta para deprimir os adversarios politicos4 ,erro este1 crime quasi se poderia chamar1 desde que por tal meio se sacrifica o bem do paiz1 vantagem ephemera de qualquer politica partidaria4 ,,iii ,o tratado de ,loureno ,marques1 cuja negociao foi annunciada na falla do throno na sesso de #ahgi juntamente com o da ,india j negociado em #ahgh1 era como sequencia d'este1 e como antecedencia de outro que annuindo s reiteradas instancias do governo portuguez1 depois viria1 definir os limites1 e regular as relaes reciprocas nas regies do ,zaire1 e sendo assim parte de um systema completo e harmonico1 tendente a estreitar as relaes1 evitar conflictos1 terminar controversias1 e desenvolver os interesses mutuos de ambas as naes contractantes1 nos seus dominios coloniaes1 e dando logar ao mesmo tempo consolidao de uma alliana que quaesquer que sejam as perturbaes por onde haja passado1 indubitavelmente uma das melhores garantias da nossa independencia4 ,portugal e ,inglaterra1 nos seus vastos dominios coloniaes so naes visinhas4 este um facto que se no pde recusar4 ,e desde que assim 1 toda a vantagem est em ser bons visinhos1 em vez de viver constantemente em susceptibilidades4 ,o ministro e o governo que concebeu este plano procedeu com vistas bem largas1 e traou um caminho a seguir1 que revella no s a ida de um grande alcance politico1 mas tambem altas e patrioticas vistas1 com o fim de fazer face pelo futuro ao porfiado empenho com que diversas naes da ,europa e ,america pretendem disputar um quinho na sua ingerencia ou influencia nos negocios d',africa1 em detrimento de nossos interesses4 ,a facilidade porm com que entre ns as paixes partidarias lanam mo de quaesquer pretextos que se lhe afigurem aptos para seus fins1 deu logo causa a que se levantassem censuras contra um e outro tratado4 ,o sentimentalismo patriotico invoca-se em taes casos1 no pela justa apreciao das cousas1 mas como explorao politica4 ,ha ento recurso para toda a especie de insinuaes1 forjam-se invectivas1 faz-se alarde de melindres infundados1 e lana-se o stygma sobre os que conceberam e estudaram tal plano1 incitando contra elles o odio das turbas4 ,assim aconteceu com os dois tratados4 ,tudo se disse e se allegou para os desconceituar4 ,inculcaram-se como sendo alienao de territorio1 venda de dominio1 indignidade e vilipendio nacional4 ,mas antes que sta propaganda detractora tomasse o corpo que depois assumiu1 foi votada em crtes a ratificao do tratado da ,india2 e j hoje um facto indisputavel1 que os seus prosperos resultados excedem as perspectivas que mais ajuizadamente se formavam a seu respeito4 ,ficou em campo o tratado de ,loureno ,marques1 assignado pelos legaes negociadores plenipotenciarios em #cj de maio de #ahgi1 ao tempo em que largava o poder o ministerio que o havia convencionado4 ,o novo governo passou a ser constituido d'aquelle partido politico que at quella data fra opposio1 e que como tal se tinha valido d'aquella arma de invectiva para combater a administrao que vinha de cair4 ,d'ahi resultava para o novo governo um embarao moral em submetter o tratado sanco legislativa1 e n'um periodo em que a sesso parlamentar estava a findar4 ,como porm nos pactos que so relao de ,estado a ,estado1 e no assumptos de mra politica interna1 subsiste sempre a entidade governo1 independente da personalidade dos ministros1 no seria curial o faltar f dos contractos j estipulados segundo as praxes internacionaes2 e d'ahi resultou que1 para no trahir este preceito1 o novo governo no duvidou posteriormente submetter o tratado sanco do corpo legislativo4 ,assim aconteceu1 sendo apresentado na sesso de #ahhj1 quasi ao findar d'esta2 e o resultado foi que os escrupulos d'aquelles que por ter ouvido apregoar o tratado como uma infamia1 tinham repugnancia em o sanccionar por bom1 levaram a maioria da camara electiva a votar o addiamento da sua discusso4 ,entrou pois o tratado de ,loureno ,marques n'uma nova phase4 ,subtrair s devidas formulas de sanco um pacto internacional combinado entre duas naes1 e com as formalidades prescriptas pelas regras do direito publico externo1 de si um procedimento melindroso1 e tanto assim que n'este caso mereceu ser taxado pelo ,times de acto de pouca cortezia4 ,no que diz porm respeito questo de direito interno1 ninguem pde duvidar da competencia legal do parlamento1 at mesmo para lhe rejeitar a sanco4 ,o addiamento porm que se fundasse na preteno de modificar as estipulaes j estatuidas1 significaria implicitamente uma rejeio1 toda a vez que se no admittisse a hypothese do assentimento da outra parte contratante4 ,o governo que succedera ao que negociara o tratado1 afim de conciliar as difficuldades da sua situao1 solicitou do governo inglez1 o introduzir algumas modificaes4 ,assim a delimitao do praso da durao1 e outras insignificantes alteraes propostas pelo governo portuguez1 foram objecto de novas tratativas1 e a annuencia do governo britannico em acceital-as1 fez com que de novo se apresentasse s crtes na sesso de #ahha o tratado assim renovado1 e em cujas novas negociaes1 segundo se deprehende dos documentos officiaes1 fra estatuido e promettido que elle seria um dos primeiros actos a ser submettido considerao do parlamento4 ,ainda assim a morosidade e lentido que em muitas occasies significa incuria1 n'este caso significou uma inconveniencia1 e pouca homenagem ao respeito pelos compromissos internacionaes2 pois deu lugar a que s em principios de maro que fosse submettido o tratado discusso4 ,ahi comearam novas contrariedades4 ,a politica partidaria a esse tempo j aggredia o governo por varios de seus actos administrativos1 e a opposio tornava-se activa e persistente4 ,a administrao publica era discutida no s no seio da representao nacional1 mas era trazida para o julgamento dos meetings1 convocados para esse fim partidario1 mas aproveitando como um meio efficaz de actuar nas massas1 o invocar de novo o sentimentalismo patriotico contra o tratado1 alcunhando-o de pacto infame1 traio e venda da patria1 e de tudo quanto de mais monstruoso podia occorrer mente d'aquelles julgadores de praa publica1 muitos dos quaes e talvez a maioria d'elles1 na vespera talvez suppozessem que ,loureno ,marques era um individuo2 outros s viam alli o meio de angariar proselitos nos seus ataques ao governo1 ou de preparar os elementos conducentes a attingir outros fins politicos4 ,assim foi que um partido at ento abstracto1 e sem importancia notoria1 o republicano1 logrou1 habilmente para seus fins1 lanar mo d'este pretexto1 innundando as praas e ruas com seus jornaes de todos os formatos mas de baixo preo2 e especulando com aquella avidez do vulgo em colher noticias nos periodos anormaes1 d'est'arte pretendeu imbuir-lhe a convico de que1 a monarchia era a submisso ,inglaterra2 sta sujeio a causa do tratado2 e o tratado a venda e o vilipendio do paiz4 assim que um assumpto de alta transcendencia por seu caracter internacional1 e cuja resoluo s compete s leis de direito tacito1 expresso e consuetudinario que constituem o codigo de direito das gentes2 que pelo seu alcance economico e politico era de tanta seriedade e gravidade que s podia ser bem apreciado por quem com indispensavel competencia o houvesse bem estudado em suas origens e resultados1 passou a ser trazido para a discusso das ruas1 sujeito ao bestunto dos menos avisados1 ao julgamento do tumulto1 e alada da gritaria1 arrastando-o para esse campo1 afim de contra elle excitar a opinio popular1 assim formada pela insciencia das massas1 e pelo ardil dos especuladores1 s para dar alento s animosidades dos partidos1 embora menos escrupulosos do que sensatos n'este modo de proceder4 ,para isto no ser verdade1 seria preciso admittir1 que n'uma hora dada a instruco publica1 o nivel intellectual1 e a sabedoria universal1 se elevara a tal ponto1 que qualquer analfabeto da vspera se havia subitamente transformado n'um erudito estadista1 habilitado para julgar de assumptos que alis os mais atilados nem sempre acham faceis de resolver4 ,dir-se-hia1 ao ouvir certos assomos contra a supposta venda de ,loureno ,marques1 que alli tinham grandes interesses1 ou vivos desejos de ir habitar aquella colonia1 muitos dos que nunca d'antes haviam tido noticia d'ella6 ,era assim1 que um acto internacional j annunciado ao parlamento desde dois annos1 se trazia para o soalheiro das praas1 sujeito s vias de quem n'isso quizesse fazer affronta insciente ou malevola6 ,,iv ,a importancia politica do tratado dito de ,loureno ,marques reconhece-se logo de um modo generico e independentemente de suas estipulaes1 desde que se considerar que um tal acto s por si1 constitue para as naes contratantes1 um documento da sua independencia e da liberdade que lhes assiste para celebrar taes pactos1 de onde lhes resulta a confirmao de seus respectivos direitos de igualdade2 vindo assim as naes pequenas1 quando tal praticam1 a ficar politica e moralmente equiparadas em seus direitos e regalias1 s naes mais poderosas2 e por tanto1 bem longe de offender a dignidade e a independencia de um paiz1 vem antes exaltar este no conceito das demais naes4 ,esta importancia politica do tratado de ,loureno ,marques ainda se encontra no facto de vir elle ratificar e no alienar a posse de um dominio de ,portugal1 n'um territorio d'antes contestado entre este paiz e a ,gran-,bretanha1 assim como d'antes cubiado sem cerimonia pelos visinhos do ,transvaal4 isto o que acontece1 desde que a concesso de reciprocas vantagens e usufruies1 tem no proprio sentido da palavra1 a prova de que se reconhece no consentidor1 o direito de negar ou facultar tal concesso4 ,mas quando no bastasse esta considerao para inferir a importancia politica que elle tem1 bastaria notar que um pacto d'esta natureza entre ,portugal e ,inglaterra1 mais uma garantia de perpetuar e conservar firme e efficaz uma alliana to inveterada1 e que quaesquer que tenham sido os conflictos occasionaes que tenham occorrido eventualmente nas relaes dos dois paizes1 e devidos a causas que hoje no tem razo de se renovarem1 certo que tal alliana uma das garantias da nossa independencia1 e um recurso constante para onde appellar1 quando possam surgir dificuldades nas evolues da politica europa4 ,pelo lado economico1 o tratado alm de ser um meio de definir e estatuir definitivamente muitas das relaes reciprocas entre as duas naes europas que mais extensos dominios e interesses possuem na ,africa1 o meio conducente a tornar proficua1 pelo unico modo possivel1 a posse de ,loureno ,marques1 e a dar em resultado1 que um ponto do globo hoje quasi to abandonado como na epoca do seu descobrimento1 passe a ser um centro de grande actividade commercial1 e um dos metos mais eficientes para a grande obra da civilisao da ,africa2 obra no s de transcendente alcance para o ,mundo civilisado1 como tambem de merito e de renome para as naes que para ella contribuirem4 ,e o renome de um paiz vale a par de outras vantagens materiaes4 realmente incomprehensivel como apezar d'isso1 haja a audacia de mentir aos factos1 desfigurando-os1 antepondo a falsidade verdade2 audacia nos que assim mentem e enganam1 simplicidade nos que to grosseiramente se deixam enganar4 ,o tratado de ,loureno ,marques1 se as suas clausulas fossem lidas pelos que to fallazmente d'elle se serviram como pretexto politico1 no poderia ser alcunhado como maliciosa e levianamente o foi1 de cesso de territorio1 indignidade nacional1 traio e venda6 ,accusaes que para serem to ridiculas como ousadas1 bastaria notar a indecente contradio1 de assacarem injuria a quem mais pugnra pela reivindicao de ,loureno ,marques6 ,mas1 quantas contradies1 quantas inconveniencias1 quantos erros nos deixa vr1 a subsequente maneira como foi explorado este delicado assumpto6 ,ainda ha poucos annos1 olhava-se para ,loureno ,marques como uma possesso sem importancia1 mas que no futuro a poderia adquirir1 se se abrisse uma estrada carreteira para o paiz dos boers4 ,to pouca atteno merecia aquella colonia1 que quasi passou desapercebido e sem ser festejado1 o resultado da arbitragem que nos adjudicou a sua posse4 ,depois1 o tratado de #ahge com o ,transvaal foi applaudido como deixando antever a construco de um caminho de ferro1 cuja realisao passou a ser a ida mais bem acceite por todos4 ,veiu depois a annexao do ,transvaal aos dominios britannicos1 e d'ahi as lamentaes1 no pelo facto1 mas pela consequencia que seria o impedir aquelle desideratum1 desde que o tratado caducra4 ,celebrou se em seguida1 o tratado com a ,gran-,bretanha tendente a levar a effeito o que tanto se appetecia1 e todas as iras e invectivas so poucas contra o tratado e seus negociadores6 ,o que era bom com os boers do ,transvaal1 tornou-se mau com o governo de uma grande potencia que passra a ser dominante n'aquella regio1 e cuja alliana e boas relaes nos garantem interesses mais vastos4 na verdade surprehendente6 ,fez-se alarmante questo da concesso de passagem de tropas e munies em transito pelo caminho de ferro1 questo que para ser deslocada e infundada1 bastaria lembrar que nem um revolver que se deposite nos armazens1 deixa de ser guardado por uma sentinella portugueza2 e por outra parte esquece-se que ainda ha poucos annos desembarcou em ,loureno ,marques artilharia1 metralhadoras e munies que o governo dos boers tinha comprado na ,europa2 e que tentou debalde conduzir pelo territorio portuguez fora da traco de bois1 vindo a perder por abandonado no caminho quasi todo esse material6 ,de sobejo est j demonstrada a inconsistencia e futilidade d'aquelle melindre cerca do transito1 o qual sendo referido exclusivamente ao caminho de ferro1 ficaria este considerado como uma grande arteria de trafico e communicao1 como uma via neutralisada politicamente1 mas destinada economicamente aos mais prosperos resultados para uma nossa possesso1 que ahi teria o unico expediente pratico para se transformar de uma aldeia de cafres 7como dizia ,bordallo7 em um centro de actividade1 o mais importante da ,africa austral4 ,equivaleria materialmente a estabelecer condies do trafico to facil e to livre1 como se em logar de um caminho de ferro devido arte1 alli houvesse a natureza collocado um grande rio como o ,danubio ou o ,amazonas4 ,seria egualmente como se em vez de um rio de curso natural1 se houvesse cortado um canal maritimo como o de ,suez1 aberto a todas as naes1 e por onde navios de guerra e mercantes de todas as bandeiras transitam com ou sem tropas de transporte4 ,nem por isso o ,egypto receiou pela sua independencia ou se considerou lesado na sua dignidade1 desde que por este meio1 pde vr convertidas as margens limitrophes1 de arees que eram e desertos1 em terrenos cheios de vida4 ,os lagos ,amargos e de ,timsah1 d'antes imagem da natureza inerte1 hoje do accesso a novas e buliosas cidades como ,ibraila e ,port-,said6 ,e sob quantos pontos de vista se poderiam estabelecer a confrontao entre o canal de ,suez em seus immensos resultados1 e os que adviriam do caminho de ferro1 via continental cujo ,port ,said seria ,loureno ,marques1 e cujo ,suez e ,mar ,vermelho seriam as hoje incommunicaveis regies da ,africa central6 ,o canal de ,suez e o caminho de ferro de ,loureno ,marques1 differiriam materialmente em serem via maritima ou continental2 mas as condies de soberania e independencia territorial seriam identicas e sem nada soffrerem em ambos os casos4 ,entre ns impugnou-se o tratado1 recorrendo s diffamaes e invocando razes de melindre e de ciume1 s pela circumstancia de ser celebrado com a ,inglaterra1 visto ser nao poderosa prepotente e cubiosa6 allegaes to extemporaneas1 to futeis e to gratuitas que s podem ser explicadas por um sentimento de antipathia1 de acrimonia e de rancor1 paixes estas que podem s vezes actuar nas questes individuaes1 mas que tem altos inconvenientes no trato internacional4 ,e todavia innegavel que taes sentimentos foram os que dominaram o espirito d'aquelles1 que nas suas declamaes e nos seus exforos1 procuraram excitar e arrastar a opinio do vulgo1 para tomar parte n'essa opposio ferrenha e inconsiderada contra um acto internacional1 que ainda havia pouco ou era olhado com plena indifferena1 ou alis eram almejados os seus resultados como sendo a aurora dos melhores dias para ,loureno ,marques6 verdade que o odio ou a simpathia tomam s vezes a feio de moda4 moda mostrar-se cheio de rancor contra a ,inglaterra1 com a mesma facilidade como d'outra vez moda ir render homenagem e tocar musica esquadra franceza surta casualmente no ,tejo1 e sem haver quem explique o motivo da serenta4 questo de simpathia ou antipathia onde1 como diz o rifo1 cada qual come do que gosta2 mas no deve ir a ponto de provocar os mais a terem indigestes perigosas4 ,a linguagem e as moes apresentadas e votadas entre a vozeria dos meetings transudava esse rancor inconsiderado4 ,declamaes de patriotismo1 embora infundadas e baseadas em to falsas apreciaes1 sempre acham echo nos que se deixam imbuir pelo que ouvem1 e no pelo que discorrem2 e por isso crearam vulto1 as que denunciavam o tratado1 como cesso ou venda de territorio1 attentado contra a integridade e independencia nacional1 ignominia1 traio1 infame entrega de uma colonia ambiciosa ,inglaterra1 crimes de que alis o tratado era innocente4 ,mas a inconveniencia foi mais longe1 desde que no proprio parlamento se aventuraram opinies e phrases menos comedidas1 e que para terem imputao1 s lhes valia a respeitabilidade do logar onde eram proferidas1 o que no impediu de as tornar muito mais para estranhar4 ,alli se apresentou uma moo1 propondo que o tratado se no discutisse1 em quanto estivesse fundeada no ,tejo a esquadra ingleza66 ,seria difficil de acreditar1 se isto no fosse um acto to publico1 pois a preteno era to disparatada1 que importaria o postergamento de todas as regras de procedimento entre naes cultas e livres2 e significaria um acto de aviltamento desde que fizesse suppor que a presena eventual e habitual de uma esquadra n'um porto aberto a todas as naes1 podesse actuar pressivamente no procedimento de um corpo legislativo2 preteno emfim que se podesse ser adoptada como regra1 e n'este caso como excepo1 estabeleceria um meio indirecto mas desconhecido entre naes1 para obstar aco regular dos poderes do ,estado4 ,tal foi o espectaculo que infelizmente se desempenhou n'esta to inconveniente maneira de tratar um assumpto grave4 ,e o que mais aggravou este singular episodio foi que uma tal moo1 que por insolita e impertinente merecia ser desde logo repellida como uma opinio exotica1 passou a ter fros de tolerada1 desde que em logar de ser in limine escarmentada e regeitada1 foi addiada para quando se discutisse o assumpto do tratado6 ,o correctivo veio1 embora tarde1 quando o presidente do conselho1 ministro dos negocios estrangeiros1 dias depois expressava a sua plena regeio quella proposta1 e aos sentimentos que a dictavam4 ,melhor fra porm que ella tivesse sido estrangulada logo nascena1 como merecia2 assim no faria incorrer os que a no repelliram1 na suspeita de cumplices na inconsiderao de quem a apresentara4 ,e ainda bem que houve um deputado1 que na sesso de #ba de maro1 poucos dias antes de ser elevado aos conselhos da cora como ministro da marinha1 soube com nobre desassombro e recto juizo redarguir a analogas declamaes de outro deputado1 expressando-se por este modo3 ,se o que se disse a respeito da ,inglaterra1 fosse pensado e dito por toda a assembla1 haveria dentro em pouco uma reclamao da parte d'aquella potencia4 ,mas no assim1 o bom senso da ,inglaterra est acima das arguies que s4 ex4 lhe dirige4 ,em parte nenhuma se falla de uma potencia estrangeira principalmente de uma potencia alliada1 com a censura e aspereza com que fallou o illustre deputado4 ,a ,frana1 a ,frana republicana1 impediu a sua imprensa de censurar a ,russia na questo do ,oriente1 e a imprensa no tem tanta responsabilidade individual como qualquer membro de uma assembla legislativa4 ,as naes devem-se reciprocamente o mesmo que se devem os homens1 a delicadeza e a cortezia4 ,a alliana com a ,inglaterra no pde ser bandeira de nenhum partido1 porque se o fosse1 esse partido teria na sua ascenso ao poder1 de romper uma alliana consagrada pela tradio de seculos e talvez pozesse em perigo a integridade do nosso territorio4 ,no vejo perigo nenhum na nossa alliana politica e colonial com a ,inglaterra4 ,ns necessitamos d'essa alliana para o desenvolvimento das nossas colonias4 ,quando a ,inglaterra se estender pelo interior da ,africa1 a nossa aco fiscal e aduaneira em ,moambique hade fazer-se de accordo com aquella potencia1 e o commercio que tem de passar por esses portos1 levando a riqueza para o interior1 ser egualmente proveitoso aos nossos dominios4 ,no esqueamos que nos prendem a esta potencia os mais estreitos vinculos4 ,aceitemos a cooperao d'aquelle povo para que se no diga l fra1 como se diz nos periodicos estrangeiros1 que aonde comeam as colonias portuguezas1 acaba a civilisao ao sul da ,africa4 ,para se avaliar a pouca seriedade e nenhuma consciencia1 e em alguns casos a supina inopia com que se procedia1 no intento de fundamentar as deliberaes tomadas nos meetings1 e nas assemblas de declamadores contra o tratado1 basta ler as representaes que a titulo de expressar a opinio publica1 eram levadas ao parlamento1 como sendo o acto complementar das vozerias e declamaes1 que s viam venda de territorio1 ignominia nacional1 e procedimento infame1 onde s havia o unico meio e fim de tirar um ponto d'esse territorio nacional da sua vergonhosa situao de atrazo1 mais vergonhosa ainda desde que sta significava a incuria no aproveitamento das suas condies especiaes4 ,n'uma d'essas representaes1 elaboradas n'um meeting em nome do partido republicano1 faziam-se allegaes to pueris e descabidas1 que parece incrivel que partissem de gente adulta4 ,ahi se atacavam os primeiros artigos do tratado1 cujo objecto consignar a faculdade reciproca para os subditos das duas naes contratantes1 poderem residir1 transitar1 commerciar1 possuir bens1 e outras analogas disposies que so de uso entre naes cultas independentemente de tratados2 e inculcavam-se como sendo uma cesso da ,africa ,inglaterra1 como um attentado1 um grande capitulo de accusao1 e isto sem perceberem que a doutrina d'esses artigos a que se consigna geralmente em todos e quaesquer tratados de commercio entre naes amigas1 e que eram por assim dizer stereotypadas de todos os tratados j existentes1 no s com a ,inglaterra1 mas ainda nos que ,portugal tem celebrado com outros ,estados4 ,tal se tornou a phase predominante nos acontecimentos1 desde que por esta frma se levou a opinio publica do vulgo1 a no querer acceitar nem ouvir explicao alguma em contrario4 ,a venda1 a cedencia de ,loureno ,marques prepotente ,inglaterra1 essa mentira grosseira tornada em axioma indiscutvel1 era a unica resposta a qualquer observao em contrario1 o unico argumento empregado contra quem ousasse interpor sua voz em abono da verdade e da fiel interpretao dos factos4 ,dir-se hia a reproduco d'aquella tumultuaria assembla dos ,ephesios1 quando1 sem quererem ouvir a palavra que ,s4 ,paulo lhes dirigia1 elles a tudo smente replicavam exclamando sem cessar e em continua berraria magna ,diana ,ephesiorum2 e assim surdos a qualquer exhortao1 obrigaram o apostolo das gentes a reduzir-se ao silencio1 et vox facta una est omnium1 quasi per horas duas clamantium1 magna ,diana ,ephesiorum4 ,um tal procedimento dos nossos ,ephesios1 justifica o rifo que diz no ha peior surdo que o que no quer ouvir4 ,v ,apezar da turbulenta excitao promovida pelos meetings e pelos jornaes apregoadores do systema republicano1 que para formar partido recorriam a aggredir o tratado sob pretextos do mais puro patriotismo anglo-phobo1 a camara dos deputados no cedeu a taes intimidaes e o tratado foi sanccionado por grande maioria4 ,nem outra verso poderia ser plausivel1 desde que o governo portuguez o havia negociado1 e depois sollicitado e obtido uma modificao de accordo com as suas exigencias4 ,a annuencia a estas obrigava a nao que as propozera1 a sustentar o que se havia mutuamente pactuado1 sob pena de incorrer n'esse justo stygma de m f ou de leviandade em assumptos dos mais serios1 e que se ligam s relaes entre ,estados1 independentemente da politica interna do governo4 ,um facto porm extraordinario1 e inesperado que ento occorreu1 e que a muita gente surprehendeu1 foi que a minoria da camara electiva1 e representante do partido que fizera o tratado1 saiu da sala das sesses recusando-se a votal-o4 ,deu isto logar a que se dissesse que os autores e defensores de hontem foram os indifferentes ou cumplices de hoje6 ,em verdade1 sem querer prescrutar intenes1 difficil cousa seria o comprehender e explicar um tal procedimento1 que1 pelo menos apparentemente vinha collocar os representantes d'aquelle partido que fizera o tratado1 em contradio com os seus anteriores actos e tendencias2 pois mediante esta maneira de proceder1 embora mirassem ao fim de hostilisar o governo1 se collocaram praticamente como auxiliares ao lado d'aquelle outro partido1 que para fazer proselitismo no duvidra aggredir ferozmente aquelle acto internacional1 que d'esta frma era agora tambem repudiado pelos que mais afastados deviam estar do partido d'esses novos aggressores4 ,se o fim de tal absteno ou recusa1 era como um desforo vingativo para deixar a plena responsabilidade da approvao aos que d'antes o haviam impugnado1 e para assim os fazer passar por contradictorios1 impunham-se a si mesmos uma pena de ,talio2 ou se um tal procedimento era ardil tendente a captar as simpathias dos declamadores em nome do que diziam ser opinio publica1 em qualquer das verses o conseguimento do fim1 no poude plausivelmente justificar taes meios2 pois renegar as convices da vspera s pelo engodo de uma popularidade ephemera1 equivale a antepr o interesse de faco ao interesse da causa publica4 ,qualquer portanto que fosse a causa de taes viravoltas1 a situao dos partidos ficou desde ento anormal4 ,e na difficuldade de explicar plausivelmente aquella absteno1 e a causa que a motivou1 poder acceitar-se a apreciao que d'ella fez o ,times1 quando em linguagem grave e no atrabiliaria1 discutiu o assumpto de um modo que contrastava com o que era usado por grande parte do jornalismo portuguez1 que menos discutia do que imprecava4 ,o ,times notava que o partido que d'antes havia repellido o tratado1 e que portanto menos se distanciava dos republicanos que violentamente o aggrediam e ,inglaterra1 appellando para a federao iberica1 era o que se apresentra agora firme na sustentao da boa f internacional e n'um assumpto que interessava s boas relaes com a ,gr-,bretanha2 emquanto que o partido do qual nascera o tratado com sta potencia e que por suas tradies representava no s as idas mais conservadoras1 mas toda a intransigencia com qualquer frma de iberismo1 era o que vinha a ficar como que alliado dos republicanos nas suas aspiraes a pr de parte o tratado6 ,notando mais que quando dias depois1 uma moo de censura na camara alta1 dava logar a cair o ministerio1 impedindo assim de ser alli votado o tratado1 subiu ao poder um novo governo tirado do partido que at ao momento fra opposio e d'onde originariamente saira aquelle pacto2 governo que subindo ao poder em taes circumstancias poderia suppr-se compromettido com seus novos auxiliares a pr de parte o mesmo tratado1 ou a estrangulal-o6 ,tal era a linguagem do jornal politico mais importante do ,mundo1 que punha assim em relevo a maneira pela qual1 um acto internacional de summa importancia por seu valor economico e alcance de politica internacional1 ficra sujeito s contingencias d'esta emaranhada situao1 onde difficil seria descriminar quem menos erradamente tivesse andado em to contradictorios procedimentos6 ,no ha passo inconsiderado1 ou procedimento leviano1 que no encontre um subterfugio a que se recorra como sendo a mitigao para lhe cohonestar a causa ou atenuar o alcance4 ,para este caso1 serviu a circumstancia contemporaneamente sobrevinda da revolta dos boers do ,transvaal contra a authoridade soberana da ,inglaterra4 ,este acontecimento1 que em direito publico no significa seno uma sedio interna n'um paiz sem affectar as suas relaes externas1 quiz-se interpretar como sendo uma nova phase que vinha actuar sobre as condies do tratado entre ,portugal e ,inglaterra6 ,fallou-se em respeitar a neutralidade6 ,reconhecer o direito de qualquer partida de insurgentes n'um ,estado constituido e reconhecido2 dar-lhe fros de belligerantes1 e conseguintemente reconhecer-lhe direitos de neutros1 doutrina que importaria uma innovao na sciencia da diplomacia e na pratica do direito das gentes4 ,porventura constituem os boers uma potencia reconhecida ou um ,estado independente8 ,qual no ,transvaal a soberania reconhecida internacionalmente8 ,existe alli guerra publica e publicamente notificada8 ,teem elles os direitos dos partidos belligerantes8 ,quem lh'os reconheceu e por qual acto publico8 ,quem authorisa uma nao qualquer a reconhecer n'aquella sublevao uma guerra de ,estado a ,estado8 ,quem contestasse a estas perguntas1 dizendo que o que se proclama a manuteno da neutralidade1 avanaria uma doutrina audaciosa1 commetteria um erro que em certas contingencias diplomaticas e de politica internacional1 poderia at dar logar a conflictos resultantes de tal apreciao1 e ao agastamento da potencia soberana que visse assim seus direitos intimos serem invadidos pelo arbitrio alheio1 o que equivale a intervir nos assumptos internos de um paiz cujos direitos de soberania o pe a salvo d'essa interferencia4 ,pois durante a grande luta entre os ,estados do ,norte e do ,sul da ,unio ,americana1 pelos annos de #ahfd e #ahfe1 no se viu1 que emquanto os vasos de guerra em que fluctuava a bandeira listrada da grande republica1 fundeavam e permaneciam surtos nos nossos portos como navios de nao amiga e reconhecida1 ao mesmo tempo os vasos dos insurgentes do ,sul1 cuja bandeira no era reconhecida1 apenas tinham o direito de refugio temporario e limitado1 e eram intimados para deixar as nossas aguas8 ,pois no conhecida a maneira como foi mal aceite e como deu logar a notas cheias de ressentimento1 o facto de serem pelo governo inglez e francez1 restringidos egualmente aos navios do ,norte e do ,sul os prazos de demora nos portos1 equiparando-os n'esta parte nas condies de admisso e de permanencia1 embora no chegassem aquellas duas potencias a reconhecer officialmente a neutralidade dos confederados do ,sul8 ,indo mais longe1 no vimos no seculo passado por occasio da luta da independencia da ,america1 que a ,inglaterra declarou a guerra ,frana porque esta reconhecera como belligerantes e concedra os direitos de neutros aos americanos revoltados8 ,como poder pois razoavelmente e sem offensa de direito das gentes consuetudinario1 ir mais longe1 fazer politica aventuroza ou de simpathia a pr de uma populao insurgida1 quando n'isto se offende a potencia que reconhecida internacionalmente como unica soberana no territorio onde a insurreio tem logar8 ,no estamos no caso de fazer politica platonica nem romantica2 nem estamos no direito de intervir s por simpathias mais ou menos merecidas1 nos assumptos domesticos de qualquer paiz4 ,a sublevao dos boers est n'este caso4 ,pde ser que sejam muito dignas de simpathia as pretenes que allegam e que defendem1 mas muitos exemplos se poderiam produzir analogos1 que nunca deram logar a taes manifestaes4 ,um bem recente4 ,pde ser que fosse simpathica a causa dos ,cubanos pugnando pela sua emancipao2 mas nem por isso1 e quando assim fosse1 restava a qualquer nao em paz com a ,espanha1 a faculdade de pr de parte sob tal pretexto quaesquer tratativas1 nem o direito de se interpr na resoluo das pendencias entre entidades1 para as quaes s reconhecemos uma bandeira1 um titulo de nacionalidade1 e de soberania4 ,cubanos e castelhanos1 para ns1 em direito1 todos so espanhoes4 ,boers ou bretes1 para ns em direito s ahi vemos subditos inglezes4 ,se em direito internacional1 mesmo quando se proclama a neutralidade1 so reconhecidos eguaes os direitos dos belligerantes no que diz respeito aos effeitos da guerra1 certo todavia que ainda assim a justia da guerra sempre em direito se considera duvidosa de parte a parte4 ,no pois pelos variados sentimentos a que a simpathia ou antipathia pde dar logar1 que se regulam os procedimentos das naes estranhas s pendencias entre ,estados ou partidos em luta4 ,deixmos de tratar com a ,espanha porque sustentava a guerra civil em ,cuba1 ou mesmo nas ,vascongadas8 ,houve alguma absteno no trato1 fundada em simpathias8 ,impde que discutamos um tratado com a ,frana o estar sta em operaes contra os ,krumirs de ,tunis8 ,mas1 a eventualidade da luta6 ,a este argumento de previso capciosa1 respondem uma asserso1 e um dilemma4 ,a asserso 1 que em politica internacional1 o direito funda-se no existente e no no problematico4 ,o dilemma 2 se o ,transvaal ficar independente da ,inglaterra1 caducar ipso facto o tratado preesistente onde se torne irrealisavel1 e n'esse caso competeria ,inglaterra o denunciar essa impossibilidade sobrevinda1 para se livrar do compromisso resultante2 e decerto1 no vale a pena antes de tempo1 affrontar quem comnosco pactuou quando frua o direito do uti possidetis4 ,se o ,transvaal submettido1 nenhuma razo obsta a sanccionar o que foi legitimamente pactuado1 por quem tinha direito de o fazer2 e no ha razes especulativas que moralmente possam justificar a recusa em o submetter s formulas de sanco4 ,faltar sob pretextos cerebrinos1 palavra de um contracto1 aco reprovada entre individuos4 desdouro1 pouco nobre1 quando entre naes4 ,nem se diga que a approvao do tratado em questo1 implicitamente influiria na lucta pendente1 attenta a concesso n'elle inserida de transito de tropas2 pois um tal transito smente se refere ao uso do caminho de ferro1 e no indistinctamente ao territorio2 e alm d'isso foi officialmente participado em crtes pelo presidente do conselho e ministro dos negocios estrangeiros1 que o governo britannico de seu motu proprio e independentemente de solicitao1 havia declarado que quaesquer disposies do tratado no seriam aproveitadas no que podesse influir na lucta travada com os ,boers4 ,deviam pois cahir por terra todos os escrupulos os mais comesinhos4 ,,vi ,commetem-se s vezes indiscries1 quando se deixa ao sentimentalismo o que se no soube ou no quiz subordinar rectido e justa apreciao das cousas4 ,talvez a este motivo se possa attribuir uma feio incidente1 que embora revestida de toda a suavidade na sua forma pathetica1 veio como que deitar novo combustivel no fogacho que j escandecia as iras dos impugnadores do tratado4 ,a sociedade de geographia de ,lisboa1 uma associao respeitavel por sua misso scientifica1 cujo fim contribuir para o estudo1 diffuso e adiantamento dos conhecimentos geographicos1 e dar toda a amplitude e auxilio aos meios que para to importante conseguimento podem depender da direco1 conselho1 e pratica dos homens de sciencia e de aco1 tomou a seu cargo manifestar-se a respeito do tratado de ,loureno ,marques1 no tanto pelo que das disposies e resultados d'este podiam provir de vantagem e de lustre para a sciencia geographica1 ou para a civilisao colonial1 porm mais sob um aspecto que daria razo aos que1 illudindo se cerca da misso propria d'aquelle gremio scientifico1 o denominassem ,sociedade de ,geographia ,politica4 ,manifestando n'uma sua representao aos poderes publicos o desejo de que o tratado fosse addiado em vista da lucta empenhada no ,transvaal1 apoz varios considerandos formulava as suas concluses por esta forma3 ,a sociedade espera que os poderes publicos portuguezes1 mantendo como de uso e de direito a mais escrupulosa neutralidade1 meditar na conveniencia de addiar qualquer resoluo definitiva cerca do tratado de ,loureno ,marques4 ,a considerao que merece uma associao to distinta pelos seus propositos e pela illustrao de seus membros1 no impede todavia1 que em vista da s e verdadeira doutrina internacional cerca da neutralidade1 haja quem avaliar possa aquellas suas aspiraes como menos bem cabidas1 e de conveniencia menos meditada2 j porque no caso em questo no de uso nem de direito nem sera escrupulosa a neutralidade1 j porque d lugar supposio1 de que um mro sentimento de simpathia se antepoz recta e imparcial apreciao das circumstancias e considerao das vantagens economicas e politicas1 cujas o tratado o incentivo e o instrumento4 ,e ainda mais para notar o escorregadio terreno em que se collocou1 desde que1 passados dias e em homenagem a um delegado do comit dos boers em ,londres1 recebido em sesso plena1 foi feita solemne profisso de voto em favor d'aquelles insurgentes1 augurando-lhes victoria na sua lucta1 isto 1 quiz-se moralmente dar alento a uma insurreio no territorio de uma nao amiga1 fazendo implicitamente votos contra a authoridade soberana d'essa nao1 unica reconhecida n'aquelle territorio insurrecto4 ,no este um exemplo que sirva de lio ou norma1 para quem desejar manter a fiel observancia1 no j da extemporaneamente recommendada neutralidade escrupulosa1 mas nem mesmo de uma opportuna imparcialidade ou politica de absteno4 ,visto ser a simpathia pelos ,boers a feio predominante nos procedimentos indicados1 justo considerar at que ponto poderia ser justificado um tal affecto1 to excepcional e como no fra d'antes professado a pr de outros povos quando trataram de reagir contra um dominio mais oppressor e menos transigente do que aquelle contra o qual elles agora se insurgiram e tomaram a offensiva4 ,o que so os ,boers8 ,so os descendentes d'aquelles ,hollandezes que se apoderaram do ,cabo de ,boa ,esperana no seculo ,,xvii1 e que depois de haver esta possesso passado ao dominio ,inglez1 j n'este seculo emigraram para o ,nordeste1 desgostosos de um regimen que lhes restringia a plena liberdade de pastagens1 que igualava os direitos civis da populao1 e que estabelecia leis repressivas do trafico de escravos4 ,augmentou o seu odio contra aquelle dominio1 a questo da emancipao dos hottentotes em #ahcg e a dos negros dois annos mais tarde4 ,d'ahi resultou a emigrao dos ,boers1 uns para as margens do rio ,orange1 outros para o territorio do ,natal1 d'onde depois passaram para alm do ,vaal1 e ahi se constituiram independentes desde #aheb proclamando um governo sob a frma republicana4 ,o estimulo simpathia que elles nos merecem pde attribuir-se1 ou ao seu amor pela independencia1 sentimento que se no condemna1 ou alis pelos seus antecedentes para comnosco1 ou pelas suas aspiraes actuaes1 e pelas que tem em vista quanto ao seu futuro4 ,pelo passado so elles descendentes1 como se notou1 dos que foram os nossos maiores inimigos no ,oriente1 os hollandezes2 pelo presente1 so os que teem declarado que ,loureno ,marques hade ser d'elles1 e que a ,africa desde o ,zambeze at ,simon's bay sua e s d'elles1 doutrina sustentada nos seus jornaes1 e proclamada pelos seus chefes1 analogamente de ,monroe na ,america1 por isso que sustentam que a ,africa austral s pde pertencer aos ,africanders1 isto 1 os indigenas brancos1 descendentes dos ,europeus que primeiro a colonizaram4 ,l est ,loureno ,marques arrolado no seu pretendido patrimonio1 como um dominio do qual no prescindiro4 ,e se essa mira de conquista no basta como um titulo de simpathia para os actuaes zeladores de ,loureno ,marques1 ainda outros se podem apresentar respectivos primitiva origem d'aquelles pretendentes1 e que a historia nos fornece para lhes no dar grande direito nossa gratido4 ,pois para estimular este sentimento1 annuncia de ,paris o telegrapho1 em maro ultimo o seguinte3 ,foi publicada a mensagem das notabilidades politicas e litterarias francezas em favor dos ,boers4 ,diz que os ,boers so no smente filhos da ,hollanda1 antiga alliada da ,frana1 mas descendem dos protestantes francezes expulsos pelo edito de ,nantes4 ,que alm da fraternidade de sangue1 existe a fraternidade de pensamento4 ,so pois os ,boers1 segundo o comit1 os descendentes dos huguenotes1 e como taes os recommenda simpathia das naes4 ,mas visto que a historia registro de factos1 e estudo confrontativo da vida das geraes que se succedem1 vejamos que especie de argumento aquelle4 ,a historia que julgue4 ,abram-se os ,annaes da ,marinha ,portugueza pelo vice-almirante ,i4 da ,costa ,quintella1 obra publicada pela academia das sciencias em #ahci4 ,alli se relata como em #aegj1 ,d4 ,luiz de ,vasconcellos fra nomeado governador do ,brazil1 e saiu de ,lisboa em #e de junho com sete navios em que levava muitas familias e sacerdotes que iam estabelecer-se n'aquelle paiz4 ,chegando altura da ,madeira partiu adiante o navio ,s4 ,thiago1 cuja viagem descreve assim ,depois de varios contrastes de tempo que o obrigou a perder alguns dias1 achou-se a #ae de julho defronte de ,porto ,palma1 e vista de cinco navios de corsarios da ,rochella1 de que era chefe ,jacques de ,soria1 almirante da rainha de ,navarra4 ,este com o seu navio grande1 bem guarnecido e artilhado1 abordou o ,s4 ,thiago1 cujo capito e equipagem se defenderam valorosamente1 animados pelas exhortaes do veneravel padre ,ignacio de ,azevedo1 da ,companhia de ,jesus1 e dos seus quarenta companheiros que iam para as misses do ,brazil2 mas como era to desigual a contenda1 foi o navio entrado1 e todos os religiosos feitos em pedaos ou arrojados vivos ao mar2 tanta era a raiva dos huguenotes6 ,no pra aqui a narrativa de ,quintella1 que descreve como ,d4 ,luiz de ,vasconcellos depois de varias tentativas de emprehender a viagem e soffrendo grandes contrariedades1 arribou ,terceira1 d'onde partiu em setembro para o ,brazil2 e a esse respeito narra1 que ,chegando altura de ,canarias1 foi atacado por quatro navios francezes saidos da ,rochella1 cuja esquadra commandava ,joo de ,cadeville4 ,d4 ,luiz ainda que no duvidava do resultado de uma aco entre foras to desiguaes1 determinou vender cara a sua vida4 ,as abordagens de ,cadeville foram tres vezes rechaadas1 e mesmo depois de entrado o seu navio1 fizeram os ,portuguezes desesperada resistencia4 ,d4 ,luiz atravessado de uma balla e com as pernas quebradas de outra1 mas sem render-se1 acabou de uma lanada4 ,os franceses mataram na peleja1 ou deitaram ao mar dois dias depois1 treze religiosos da ,companhia1 que iam de passagem para as misses1 como os outros companheiros do padre ,azevedo4 ,ora visto que o comit de ,paris1 promotor das simpathias pelos descendentes d'aquelles heroes1 no esquecia de ir buscar questes de intolerancia ou de fraternidade1 ahi fica indicado um valioso titulo1 para o reconhecimento das naes2 mas no dos que tiveram seus compatriotas trucidados pelos antecessores dos que tanto se recommendam1 em nome de to sanguinaria fraternidade de sangue6 ,no valem de muito argumentos d'esta especie1 e postos n'este terreno4 ,vale porm alguma cousa no deixar correr revelia a carta de recommendao do comit de ,paris4 ,,vii ,quando se considera nos resultados a que pde dar causa o olvido de todas as conveniencias1 que qualquer entidade1 e mormente uma nao1 deve saber guardar em sua vantagem e em seu decoro2 quando se analysa a maneira desastrosa como em seus procedimentos se houveram os adversarios do tratado de ,loureno ,marques entre ,portugal e ,gran-,bretanha1 destinado a regular as relaes entre as suas possesses na ,africa ,austral antepondo-se a este grande conseguimento1 o attender de preferencia a receios fingidos ou banes1 ou ao mero interesse de politica partidaria1 confundindo todos os elementos de hombridade em homenagem a vantagens eventuaes de partidos e no do ,paiz2 quando se contempla a exaltao dos animos1 a aberrao do bom senso1 as vociferaes atrabiliarias e as diatribes violentas que d'ahi se suscitaram em prejuizo da ordem interna1 e em tom desdenhoso e insultante para com uma nao alliada e poderosa1 que prestra sua annuencia a entrar de mo dada e no aos repelles1 n'uma senda larga e franca para uma confraternisao e garantia reciproca na politica intercolonial1 chega-se quasi a lamentar que a arbitragem do ,marechal ,mac ,mahon fosse tal1 que no tivesse cortado o mal pela raiz1 tirando-nos da mo aquillo que por estar em nossa mo1 havia de passar a ser um fco de discordia1 e transformar-se mais em elemento ruinoso do que proveitoso4 ,seria caso de dizer ha bens que vem para mal6 verdade que se a arbitragem nos fosse desfavoravel1 perderiamos o que podia vir a ser de grande aproveitamento2 mas tambem certo que teriamos evitado males maiores1 por isso que melhor perder um diamante bruto e que nada rende1 do que possuil o por lapidar1 mas sujeito a fazer-nos soffrer maiores prejuizos e causar-nos mais sobresaltos do que o seu valor compensaria4 ,loureno ,marques1 sem o caminho de ferro para o ,transvaal1 e sem a garantia da psse que o salve das pretenes dos ,boers1 ou permanecer como est hoje1 sem importancia1 ou ficar sempre arriscado a ser por elles disputado4 ,melhor seria no o possuir1 do que mantel-o nas condies como at ao presente1 mas isto a troco de uma situao desfavoravel perante aquella potencia qual nos liga uma antiga alliana1 constituindo para a nossa independencia uma garantia da qual nunca deveriamos prescindir1 e que no se pde facilmente substituir appellando para aquella federao ,iberica que nos apontada como um salvaterio1 pelo partido que teme menos o leo de ,castella do que o leopardo ,britannico4 ,a esse partido e s suas aspiraes politicas poder convir a substituio4 ,mas1 poder esta plausivelmente ser preterida por quem v na monarchia e nos seus sustentaculos internos e externos1 um penhor mais seguro para a nossa independencia como nao8 ,no4 ,o verdadeiro patriotismo no est em segregar um ,estado de outros1 de cujo convivio pde resultar a manuteno de suas instituies1 em detrimento dos que aspiram a derribal-as para as substituir por outras1 s a titulo1 mas sem fundamento1 do que aquellas so a causa de muitos males4 ,tambem o patriotismo1 no est nas declamaes que o apregoam1 afrontando os amigos de hontem e de ha mais tempo1 s para captar benevolencia dos inimigos de hoje4 ,e traz-se para a discusso das praas1 um tratado internacional1 em cuja celebrao s entra a entidade da nao seja qual fr a sua frma politica de governo1 e faz-se d'ahi pretexto para recommendar a republica como a sanao dos inconvenientes ou defeitos que gratuitamente se lhe assacam8 ,insulta-se em prosa e em verso a monarchia1 aponta-se para a republica como um bello ideal2 mas os que aspiram a esta verso nem ao menos se lembram de que onde a republica existe to festejada1 passam-se as cousas de modo1 que quem recorre a analogos expedientes de affrontrar quem no merece affronta1 soffre as consequencias d'essa ousadia2 ousadia que alias se torna em tibieza1 quando praticada contando com aquella impunidade que encontra1 onde vigoram as instituies por elles condemnadas4 ,em #bf de maro ultimo1 um membro do governo da republica franceza1 respondia na camara a um deputado interpellante cerca de processos instaurados ao jornalismo que o governo no podia tolerar uma linguagem compromettedora para as relaes internacionaes3 ,e a camara approvou4 ,e n'aquelle paiz to invocado como modelo de liberdade1 s por ser republicano1 foram multados fortemente varios jornaes1 e condemnados e postos em priso sem fiana os responsaveis1 por haverem commettido aquillo que impunemente commettem sob o regimen monarchico que tanto invectivam4 ,ainda assim para taes queixas poderia aqui haver facil deferimento4 ,bastaria para lhes fazer a vontade1 sujeital-os multa e cadeia1 como sendo a maneira de gozar uma parte1 j que no pde ser do todo1 de suas aspiraes politicas6 ,n'estes certamens em que as conveniencias da politica partidaria se pertendem antepr quellas que se devem guardar na politica internacional1 certamens que no caso presente levam a dirigir ultrages ,inglaterra1 e a menosprezar sua amisade1 a troco de uma republica federal com a ,iberia1 vae to longe a cegueira1 a ponto de que os ciumes por ,loureno ,marques1 no deixam vr os perigos a que sujeitam a patria em sua nacionalidade4 ,antepe-se um falso zlo pela parte1 ao amor do todo4 ,v-se a formiga e no se quer vr o elephante6 ,n'um tal procedimento1 e em tal maneira de raciocinar1 chegam alguns a impugnar o tratado com a ,inglaterra1 no porque possam mostrar a sua ruindade1 mas unicamente por um sentimento rancoroso1 allegando razes odientas1 buscando recriminaes passadas1 e recorrendo aos logares communs que sempre se apresentam mo1 aos que antepe um odio cego1 razo clara e mente serena4 ,querem malquistar-nos com a potencia alliada de antiga data2 que economica e politicamente tem sido sempre a que mais relaes comnosco entretem1 e que a historia1 por muitos factos1 confirma ter sido por mais de uma vez a egide da nossa independencia6 ,verdades so estas que no pdem ser destruidas s porque eventualmente1 e no decurso de largos periodos tenham sobrevindo atrictos nas suas relaes comnosco1 devidos principalmente a causas transitorias e faceis de sobrevir1 taes como eram as difficuldades de conciliar interesses reciprocos na grande questo de suppresso do trafico de escravos2 conflictos em que se descobria como causa principal e excepcional1 no tanto uma tendencia hostil da nao d'onde provinham1 mas sim a politica sobranceira de uma individualidade governativa1 que sua parte os promovia1 no s contra ns1 mas tambem como systematicamente1 contra outros ,estados com cuja politica no simpathisava4 ,e todavia1 n'essa epoca1 em que mais razo haveria para o nosso ressentimento1 no foi este to longe e to infundadamente como hoje1 pois at a camara dos deputados portuguezes votou uma mensagem de pezames pelo fallecimento do personagem politico que individualmente mais incitra aquelles elementos de aggravo6 ,a imparcialidade de quem ento no approvava taes homenagens de simpathia1 a mesma com que hoje se devem condemnar os excessos da injuria extemporanea4 ,esta assim injusta1 e como tal perigosa4 ,querem que ,portugal fique sem allianas1 deixando as antigas e j provadas1 para ir aventurar-se a outras1 no continente europeu ou alm do ,atlantico1 to faceis de imaginar como difficeis e incompativeis de serem efficaz e valiosamente mantidas8 ,veja se qual o estado da politica da ,europa1 do ,mundo1 a facilidade com que se fazem e desfazem allianas inverosimeis1 como se amalgamam naes1 como se derribam monarchias1 como se movem guerras por pretextos frivolos e s para dar largas a ambies1 e finalmente como a fora decide1 mais do que o direito e a justia6 ,e diga se depois1 se pde um paiz pequeno e sem largos recursos1 campear de sobranceiro1 confiando unicamente no seu direito1 sem se importar com o conceito que d'elle formem os outros1 e assim queira arrostar impunemente contra as insidias ou violencias dos que o olhem com indifferena ou com desdem8 ,a ,espanha1 que sob a frma monarchica1 homogenisa o que antigamente eram ,estados e hoje so suas provincias1 apesar dos numerosos partidos politicos que a dividem1 tem para todos estes uma bandeira commum1 como os mahometanos tem no estandarte do propheta2 a unio ,iberica4 ,a ,espanha uma nao militar1 um povo valente e aguerrido e a sua alliana pde ser cobiada e j o tem sido1 e talvez ainda hoje o seja1 por alguma potencia em caso de guerra ,europa4 ,quem negoceia com a propria fora1 fica-lhe em quinho o dispr tambem d'ella em seu proveito4 ,todo o cuidado pouco1 e no basta para nos precavermos1 o ouvir as philarmonicas tocar o hymno da restaurao1 nem admirar os discursos da sociedade #a4 de ,dezembro4 ,do-se s vezes factos que parecem insignificantes mas que podem ser simptomas de outros menos insignificantes4 ,veja-se como na ,allemanha se dispensam attenes excepcionaes1 se fazem recepes imponentes1 se embandeiram quarteis1 se banqueteiam entre vivas e saudaes cordiaes1 para honrar os delegados do exercito ,espanhol que em seu caracter militar e officialmente vo tomar parte na solemnidade matrimonial do principe1 futuro herdeiro da cora imperial6 ,fique ,portugal indifferente a tudo2 pense s nos ,boers e em no desmamar ,loureno ,marques1 e ver que poderoso alliado encontrar nos futuros possuidores do seu presidio e bahia1 quando tiver dispensado e affrontado a alliana da ,inglaterra1 e prescindido de fazer tratados para regular as relaes das suas respectivas possesses6 ,nada d'isto4 ,a ordem a invectiva2 chamam-lhe orgulhosa1 prepotente e ambiciosa1 e n'isto se concentra1 a isso se reduz o que entre ns se denomina patriotismo2 e a quem no segue nem acompanha n'esta imprecao1 desde logo se atira com o epitheto de antipatriota6 ,no ha outro argumento2 no ha outra logica4 ,nada do tratado2 no porque ,loureno ,marques nos aproveite sem elle1 mas porque a ,inglaterra prepotente6 por isso que o tratado infame1 e antipatrioticos todos que o defendem1 apesar de que bem poderiam applicar a si o bene est pro patria mori4 ,ser commoda1 no exige grande esforo intellectual uma tal maneira de discorrer4 ,mas quem d'ella se aproveita1 porque no tem repugnancia de ficar em divorcio com a justia1 com o bom senso e com a verdade4 ,invectivar de prepotente a potencia que aceita a arbitragem submettendo-se a ella e cumprindo lealmente a sua deciso1 e largando de mo o territorio disputado1 pelo menos to extemporaneo e to iniquo como insinuar de traidor patria1 e de doador subserviente de uma provincia1 aquelle a cujos esforos se deveu a sua reivindicao4 ,no cabe bem o epitheto de prepotente a quem1 se quizesse usar da fora1 no se curaria de respeitar o direito4 ,no merecida a accusao1 a quem ao tratar do assumpto no campo das convenes1 no lhe impe o cumprimento peremptorio1 e pelo contrario atura a pachorrenta maneira1 a discordante opposio1 e a insultante linguagem com que se retribue sua hombridade4 ,n'esta ordem de assumptos1 nem sempre predomina a mesma feio4 ,ha quem se engasgue hoje com um mosquito1 tendo hontem tragado uma caravana de camellos6 ,passaram desapercebidos1 ou olhados com frieza estoica alguns factos1 onde certamente se podiam ver maiores elementos e pretextos para dar pasto s exaltaes do espirito e indignao dos paladinos do pundonor nacional4 ,ha exemplos e bastantes que assim o confirmam4 ,vejamos4 ,,viii ,em #ahca1 dois subditos francezes residentes em ,portugal1 commetteram crimes bem graves contra as leis geraes do paiz4 ,foram por tal motivo processados e sentenciados a soffrerem penas1 que eram legaes1 desde que as regras de direito e de jurisdico internacional1 estabelecem que a justia penal sempre territorial1 isto 1 so os crimes sempre sujeitos s leis do paiz em cujo territorio foram commettidos4 ,apesar d'isso1 o governo francez pugnou pela immunidade dos seus subditos criminosos1 exigiu satisfao e indemnisaes1 as quaes no sendo desde logo concedidas1 deu isto em resultado vir uma forte esquadra de quatorze navios commandada pelo almirante ,roussin1 exercer represalias1 aprehendendo navios portuguezes e mais do que isso1 bloquear a foz do ,tejo sem guerra declarada1 apesar de ser o bloqueio um acto de guerra publica4 ,as intimaes do almirante francez1 impostas com peremptorios prazos de resposta1 e que attentavam contra a independencia do poder judicial e contra os direitos que a independencia de um paiz garante1 no foram desde logo attendidas2 e a esquadra bloqueadora na paz1 forou o ,tejo em tom de guerra no dia #aa de julho1 e dictou a lei ao governo ento constituido1 no s obrigando a declaraes aviltantes1 mas tambem exigindo de indemnisaes perto de meio milho de cruzados1 alem da ameaa peremptoria de que se at s #f horas da tarde do dia seguinte no se houvesse annuido a tudo o que se exigia1 a esquadra romperia as hostilidades contra a cidade de ,lisboa6 ,a proza foi notavel4 ,a fora venceu4 ,tudo lhe foi concedido4 ,a entrada de uma esquadra de quatorze navios de guerra n'um porto desguarnecido de defensa1 e sem que a bordo tivesse tido nem um morto nem um contuzo1 foi no obstante cantada como uma notavel victoria1 da qual o proprio ,mr4 ,jurien de la ,gravire1 escreveu na ,revista dos ,dois ,mundos de #ahfj quelle marine a jamais tent rien de plus vigoureux6 rien de plus tmraire que l'entre de vive force d'une escadre voiles1 dans le ,tage8 ,je connais peu de faits d'armes maritimes1 comparables celui-l4 ,taes gabos1 no dignificam tal feito1 e s para extranhar que partissem de um to eminente escriptor e illustrado official de marinha4 ,vejamos mais4 ,em #ca de agosto de #ahce1 celebrou se um tratado entre as coras de ,portugal e de ,espanha para a livre navegao do ,douro1 um de cujos artigos estipulava que uma commisso mixta faria o regulamento da dita navegao1 como effectivamente aconteceu no anno seguinte1 isentando de direitos as mercadorias que seguissem pelo ,douro para ,espanha4 ,o governo portuguez poz duvidas execuo1 e d'ahi seguiram-se explicaes1 notas1 lutas de ms vontades e de lentido1 protrahindo-se a resoluo do assumpto1 e seguindo-se novos governos em ,portugal1 menos pressurosos em dar execuo ao tratado4 longa a historia1 mas basta saber que tambem ento houve addiamentos de discusso1 reconsideraes de novos governos1 e exigencias repetidas de novas concesses1 o que tudo protrahiu a ratificao da conveno1 antepondo-lhe outros assumptos2 e isto foi a ponto1 que em #b de dezembro de #ahdj1 o governo espanhol intimou o portuguez em uma nota ultimatum mui altiva1 que se dentro de vinte cinco dias no recebsse noticia de ter o governo portuguez mandado pr em execuo o regulamento ajustado1 mandaria marchar o ,duque de ,victoria frente de #ej3jjj homens sobre o ,porto para o fazer executar1 e que aquelle exercito seria sustentado custa do paiz emquanto n'elle permanecesse4 ,o governo portuguez pensou nos meios de se preparar para a defeza chamando s fileiras do exercito todas as baixas dadas depois da ultima guerra civil2 mas appellou para a interveno e apoio da ,gr-,bretanha1 cuja alliana invocou4 ,seguidamente1 em janeiro de #ahda o governo portuguez annunciava ao hespanhol que ia submetter ao parlamento o regulamento disputado1 e considerando-o questo ministerial4 ,os bons officios e a interveno diplomatica da ,gr-,bretanha fizeram com que o governo de ,madrid retirasse a sua nota offensiva e dsse satisfao de uma phrase em que se via offensa ao pundonor nacional4 ,a conveno foi approvada no parlamento1 e assim que terminou esta grave pendencia por um modo digno e cordato1 mas que o no seria1 se houvesse de ser submettida discusso das ruas1 ou aos dislates de uma opinio que se diz publica por ser dos jornaes ou dos meetings1 mas em todo o caso1 menos competente para apreciar e menos apta para resolver questes d'esta ordem e magnitude4 ,em #aheh1 o assumpto conhecido pela questo ,charles ,george1 foi resolvido entre ,portugal e ,frana1 no diplomaticamente1 mas por meio de duas naus de linha1 com suas baterias abertas1 ao mando do almirante ,lavaud1 que em portuguez quasi se pronuncia la vou4 ,e veiu1 exigindo entrega peremptoria do navio ,charles ,george e uma indemnisao pecuniaria4 ,as naus la foram1 com o navio e a esportula4 ,antes da pendencia chegar quelle estado1 o governo portuguez no notificou ao britannico pedindo seus bons officios para a resolver4 ,basta confrontar datas4 ,as naus ,austerlitz e ,donawerth entraram no ,tejo a #c de outubro4 ,a #h d'esse mez o ,visconde de ,paiva1 ministro em ,paris1 dirigia nota ao governo francez invocando a mediao da terceira potencia1 de accordo com o tratado de ,paris de #ahef e seus protocolos4 ,era n'essa mesma data que o governo portuguez dava noticia ao britannico1 do negocio ,charles ,george6 ,mas logo no dia #i j o ,visconde de ,paiva telegraphava de ,paris3 ,mdiation refuse2 exigence nergique de remise de btiment4 ,ordres dans ce sens expdies sans dlai4 ,e com officio de #aj1 melhor se explicava1 dizendo que instruces eram expedidas para que a reclamao da ,frana fosse satisfeita no praso de #dh horas1 e que no caso da menor demora em ceder exigencia1 legao e consulado de ,frana se retirariam para bordo das naus1 interrompendo relaes diplomaticas e commerciaes com ,portugal1 depois do que se seguiriam immediatamente as hostilidades4 ,fra em ,paris1 na capital da ,frana1 que em #ahef se reuniu aquelle celebre congresso das potencias1 onde foram proclamados certos principios a seguir nas relaes internacionaes1 e entre estes o da mediao4 ,apenas dois annos e meio eram decorridos quando a nao em cuja capital o congresso se effectura1 e a lei internacional fra proclamada1 era a primeira que renegava a sua obra1 e tomava por fundamento um prepotente no quero1 acompanhado de duas naus de linha6 ,voltaram-se as queixas ento contra a ,inglaterra porque no nos acudiu4 caso1 como se o individuo cuja casa foi assaltada1 se queixasse menos dos assaltantes do que da policia que s tarde e fra de tempo fra prevenida4 ,mas tudo se esquece1 quando se deseja esquecer4 ,surgem1 no ha muito no ,tejo outras naus da mesma nao1 com a mesma bandeira1 mas sob o regimen da republica2 fazem-se e annunciam-se os convites publicos1 para ir junto de seus costados1 prestar-lhes homenagem de simpathia4 ,esqueceram1 e ainda bem1 todos os anteriores feitos dos ,roussins e dos ,lavauds1 feitos que no vimos imitados por aquelles cujos soldados trajam fardas vermelhas4 ,mas a estes da-se nome de prepotentes1 desde que se lhes concede passarem em transito por um nosso deserto ,africano1 no uso restricto e eventual de um isthmo de ferro1 que atravessando regies desoladas1 communique ,loureno ,marques1 com as ferteis planuras do interior da ,africa6 ,esquece-se a prepotencia que o foi1 e d-se tal qualificao ao que o no 6 ,tanto melhor se se desvaneceram quaesquer ressentimentos2 mas tanto peior se infundadamente se promovem outros com menos fundamento6 ,um pouco mais4 ,pelos fins de #ahfd1 um subdito americano exigia das auctoridades portuguezas em ,lisboa1 ser indemnizado de prejuizos que allegava ter soffrido1 pelas difficuldades que encontrara em lhe ser despachada pela alfandega uma escuna ,a4 ,eells1 que entrara no ,tejo em estado de innavigabilidade1 pelo que aquella repartio lhe negara o passe4 ,no sendo prompto o deferimento1 recorreu ao seu ministro em ,lisboa mr4 ,harvey1 por cujo intermedio liquidou uma indemnisao de ,rs4 #b4diecib1 a titulo de despezas1 prejuizos e juros4 ,mas1 apezar d'isso1 tendo sido diplomaticamente informado do occorrido o governo americano1 este deu-se pressa em pr embargo a titulo de represalias nos navios portuguezes ,beatriz1 ,deslumbrante e outros ento surtos no porto de ,new-,york6 ,explicaes e annuencias subsequentes1 que fizeram levantar o embargo2 mas assim cordatamente que o governo da grande republica procede1 sem que por isso ns lhe chammos prepotente6 ,ainda mais4 ,quasi contemporaneamente1 em maro de #ahfe1 surgiram no ,tejo dois vazos de guerra1 pertencentes aos dois differentes partidos em lucta na ,america4 ,a bandeira dos confederados do ,sul1 no sendo reconhecida1 deu logar a que as regras do direito de asylo1 no tornassem extensiva ao navio confederado a permisso de permanencia4 ,o navio federal cuja bandeira era a dos ,estados ,unidos1 e como tal reconhecida1 moveu-se do seu fundeadouro1 no com fim aggressivo apesar da presena do seu adversario1 mas sim para melhorar a sua amarrao4 ,todavia no preveniu de seus movimentos as authoridades locaes4 ,d'ahi1 uma errada interpretao do facto1 deu logar a que da bateria maritima de ,belem lhe fossem feitos alguns tiros inoffensivos4 certo que uma explicao do caso repararia este erro de apreciao2 mas a nossa lentido official demorou qualquer expediente4 ,o resultado foi que o ministro americano ,harvey exigiu uma satisfao1 que foi nada menos de que1 a torre de ,belem issar a bandeira americana1 e saudal-a com #ba tiros4 ,assim se fez1 e tudo foi visto com fria indifferena6 ,quem diria que o monumento que recorda as glorias maritimas de uma nao1 serviria de pste para o opprobrio d'esta6 ,quando a uma nao amiga se impe um aviltamento d'esta ordem1 isso que prepotencia e orgulho4 ,mas1 no se qualificou de prepotente a grande republica4 ,pelo contrario1 ha ainda cerebros onde se engendra a ideia1 e donde sahe a indicao1 de deitar vistas para aquelle ponto transatlantico do horisonte1 afim de ir procurar novas allianas que nos compensem da quebra de outras j existentes66 ,olhemos para o que na actualidade se passa na politica activa do ,mundo1 e veja-se como procedem aquelles a quem poupamos taes epithetos4 ,a ,frana republicana1 envia uma expedio a ,tunis a pretexto de punir umas tribus aggressivas1 embora rebeldes authoridade soberana d'aquella ,regencia4 ,affugentam-se aquellas1 mas invade-se esta2 e um general d'este modo triumphante1 bate pela manh de certo dia s portas do ,bey ,mahomed el ,sadok1 e apresenta-lhe na ponta da espada um tratado para que assigne1 dando-lhe para isso o prazo at s #f horas da tarde do mesmo dia4 ,vejamos um caso quasi similhante nas causas1 mas no nos effeitos4 ,ainda ha poucos annos1 os negros mossorongos do ,zaire1 praticaram ataques1 e commeteram depredaes sobre um navio inglez1 que ia commerciar com as feitorias nas margens d'aquelle rio1 onde ,portugal tem direitos reservados1 mas onde no tinha occupao effectiva nem authoridade que representasse o dominio territorial4 ,o commandante das foras navaes inglezas1 commodoro ,hewett1 informado do attentado e da sua impunidade1 accorreu ao local afim de punir os que o haviam praticado a salvo1 e n'esse intuito incendiou as limitrophes sanzalas dos negros4 ,limitou-se a isso a sua aco1 que consistia em fazer policia em sitio onde no era feita por quem lhe competia4 ,sobre este acontecimento trocaram-se seguidamente notas e explicaes entre os dois governos ,portuguez e ,inglez4 ,todavia porque os negros selvagens praticaram seus attentados n'um territorio cujos direitos ,portugal se reservou1 mas onde sua authoridade no era exercida1 nem por isso o commodoro inglez seguiu para ,loanda1 a impor um tratado por parte do seu governo e para ser rectificado de prompto4 ,se compararmos as circumstancias de ambos os casos1 os negros das margens do ,zaire esto nas condies dos ,krumirs2 o commodoro ,hewett representa o general ,breart2 s falta para a analogia ser completa1 um tratado imposto pela manh para ser ratificado tarde1 no no ,bardo em ,tunis1 mas no palacio de ,loanda4 sta seria a hypothese1 mas aquelle o facto4 ,e todavia1 por homenagem no se sabe a qual regra de imparcialidade1 a qualificao de prepotente1 reservada pela opinio publica1 s para aquelles que teem estado desde ha dois annos olhando pacientemente para o desatinado e indolente protrahimento com que um tratado1 ora se addia1 ora se pretende modificar1 ora se abandona1 ora se pretende pr de parte sem nunca lhe dar o andamento que as praxes internacionaes prescrevem1 para ter ou no ter sanco6 ,para merecer justia1 mister comear por ser justo4 ,a justia diz que temos errado n'esta maneira de proceder1 como na de avaliar o procedimento alheio4 uma triste verdade1 que at custa a dizer2 mas nada ha peior do que negar o erro conhecendo-o4 ,ha assumptos que mesmo quando importassem um certo prejuizo em absoluto na soluo1 ainda assim este seria de mui menor alcance1 do que o damno que resulta de os conduzir de um modo em que a leviandade fica a dever tudo seriedade4 ,os factos como se tem passado com relao ao tratado de ,loureno ,marques1 authorisam a dizer isto4 ,frivolo pretexto seria aquelle de que se lanasse mo para faltar lealdade internacional1 invocando a reconsiderao s a titulo de uma das partes no concordar com o que j foi estipulado2 e mais frivolo ainda aquelle que allegasse como motivo de hesitao em submetel-o s formalidades da sanco1 no a falta de concordancia com as estipulaes1 mas sim o receio de ter que ir contra as manifestaes da opinio publica1 sem attender ao modo como sta foi formada1 e ao valor em que merece ser tomada4 ,,ix ,quando a opinio publica no a expresso de um sentimento justo e sensatamente adquirido1 mas a que a insciencia de uns1 ou a conveniencia dos especuladores formam e incitam1 n'esse caso1 seguir a opinio assim manifestada1 transigir com o erro2 e transigir com o erro um grande mal em todos os casos1 mas muito maior quando influe na publica administrao dos ,estados4 ,no mister recorrer historia de todos os tempos e de todos os povos para encontrar exemplos que confirmem esta verdade4 ,abundam taes exemplos de casa1 para pr em relevo como1 infelizmente a opinio do vulgo1 erronea em suas apreciaes sobre assumptos menos vulgares1 se deixa levar cegamente at ao excesso de voltar suas iras contra aquelles mesmos1 que por seguirem melhor conselho e mais ajuizados alvitres que a experiencia lhes suggere1 e o estudo lhes adquiriu1 lhes paga a sua dedicao com injustias e affrontas1 chegando a tornal-os victimas de attentados criminosos4 ,na primeira invaso franceza em ,portugal pelo anno de #ahji1 o general ,junot1 havia proclamado3 ,toute ville ou village1 dans lesquels on aura pris les armes contre mon arme1 et dont les habitantes feront feu sur la troupe franaise1 seront livres au pillage1 dtruits de fond en comble1 et les habitants passs au fil de l'pe4 ,tout individu pris1 les armes la main1 sera fusill sur le champ4 ,apesar d'isso1 em seguida batalha de ,vimeiro era obrigado a capitular2 mas o ,reino era novamente ameaado pela segunda invaso1 commandada por ,soult1 o qual pela ,galliza avanava sobre o ,norte de ,portugal4 ,preparavam-se os elementos de resistencia e organisavam-se as foras militares1 sendo para esse fim pela ,regencia nomeado general do exercito do ,norte o marechal ,bernardim ,freire de ,andrade4 ,habil1 e possuido dos mais patrioticos sentimentos1 mas dotado da mais sensata prudencia1 a par de reconhecida bravura e pericia1 procurava elle com a maior solicitude cobrir as fronteiras e fazer alli toda a resistencia ao exercito francez que se dispunha a invadil-as1 e isto at que podesse organisar outras foras com que sustentasse o ,porto1 objectivo de ,soult4 ,mas a prudencia que o levava a no arriscar uma batalha campal mas sim a distrahir as foras inimigas fatigando-as e batendo-as em detalhe1 essa prudencia e bom senso mal interpretados e inscientemente condemnados pela opinio publica1 deu logar a que o manejo da intriga assacasse ao general1 o ser jacobino1 attribuindo o seu procedimento a ser partidario francez4 ,d'esta suspeio passou-se ao insulto1 e do insulto affronta4 ,comearam os gritos de traio como sendo o ecco da opinio desvairada do povo ignaro e da intriga malevola4 ,sobranceiro a tudo proseguia o general no seu empenho1 com grande exforo1 quando acompanhado de pequena escolta foi encontrado pelas ordenanas de ,toboza4 ,preso por estas1 por entre a vozeria e o tumulto de um povo ignaro e cobarde1 foi conduzido a ,braga1 e ahi arrastado cadeia1 apoz os maiores insultos1 foi barbaramente assassinado1 partilhando de egual sorte outros officiaes do seu estado maior e pessoas respeitaveis de sua comitiva1 que todos a opinio publica apodava de traidores ,patria6 ,um conselho de guerra mandado formar pela regencia para investigar da conducta do infeliz general e das causas d'aquella atrocidade1 veio posteriormente provar o seu zelo1 actividade e patriotismo1 e as difficuldades com que luctra4 ,era j tarde2 a consequencia da insubordinao1 da falsa opinio popular1 e da affronta gratuita1 foi que a anarchia facilitasse o passo aos invasores4 ,a #bi de maro ,soult entrava no ,porto1 que era o seu objectivo2 e so conhecidas as horrorosas scenas do saque d'aquella cidade pelos francezes1 e a horrivel catastrofe da ponte do ,douro1 onde milhares de pessoas acharam a morte por quererem fugir ao feroz inimigo1 victimas dos effeitos da opinio popular4 ,d'este modo foi que tal opinio contribuiu por seus desvarios para to funesto desenlace1 cuja sanao j no era possivel1 embora a verdade viesse fazer justia a quem no seu empenho para se oppr a taes desvarios1 fra victima de seus patrioticos sentimentos4 ,infelizmente no so raros os casos analogos a este no seu modo de ser e nos seus effeitos4 ,aproximando-nos de tempos mais recentes1 est ainda na lembrana aquella anarchia que ,lisboa presenciou1 quando a ignorancia de grande numero explorada pela malevolencia de alguns especuladores1 levou a tal opinio publica a pronunciar-se contra os fabricantes de po1 pretendendo achar justo1 plausivel e conducente ao fim de embaratecer aquelle artigo1 o meio que adoptaram1 qual foi o de atacar a propriedade e destruir a industria que o produzia1 isto ao passo que por outra parte tambem a opinio reagia contra a lei permanente sobre commercio de cereaes1 e instava pela manuteno de um systema restrictivo1 que fazia depender de contingencias to variaveis como imprevistas1 a possibilidade do abastecimento de um producto o mais essencial vida1 alimentao geral e ao desenvolvimento de todas as industrias4 ,e a tal opinio esteve em campo1 altiva e ameaadora2 faziam-se comicios1 apodando de malvados egoistas aquelles a quem talvez se devia o no serem maiores os males1 de que os exprobrava de serem causadores4 ,e poude por acaso haver transigencia com essa opinio assim ouca de bom senso1 to estulta como atrevida8 ,seria erro mais imperdoavel o transigir com ella1 do que o proprio erro dos que a manifestavam e queriam impor4 ,sigamos a considerar epocas mais proximas e encontraremos uma phase bem triste nos annaes das nossas commoes politicas1 quando nos recordarmos d'aquelles lugubres dias1 em que a morte ceifava as vidas preciosas de um ,rei amado1 e de principes queridos2 e quando dr se seguia a anciedade1 a sta seguia-se o desvairamento e o desnorteado juizo popular1 que pretendia explicar por crimes tamanhas desgraas1 s para saciar sua paixo encontrando victimas que os expiassem4 ,lisboa viu que aos gritos de morras1 era ameaada a vida e pedida a morte de quem frente do governo1 no podia conter os impetos de uma opinio1 originada talvez n'um sentimento de justa dr1 mas depois exaltada pelas declamaes dos tribunos4 ,quem poderia ir offerecer o peito ao punhal dos vociferantes1 s por transigir com a tal opinio publica1 que em altos brados assim se manifestava exigente e decidida8 ,e ha quem diga que tudo deve obedecer opinio publica6 ,como se se houvesse de obedecer aos que em nome d'ella vo incendiar as ,tulherias e o ,hotel de ,ville6 ,e que temos ns visto nos ultimos tempos1 com relao opinio publica cerca do tratado de ,loureno ,marques8 ,reproduzem se scenas1 que pe identicamente em relevo o conceito que ella merece quando assim desvairada4 ,multiplicam-se os escriptos1 os ultrajes1 especula-se com as diatribes as mais audaciosas em prosa desaforada1 e em verso insolente2 fazem-se correr de mo em mo1 espalham-se pelo soalheiro das praas1 pelos portaes das officinas1 e pelas explanadas dos quarteis1 leem-se nas mezas das tabernas1 nos balces das tendas1 e nas casernas dos soldados1 insinuando que a causa de todos os males em todos os elementos sociaes1 est s na monarchia6 ,e estas doutrinas assim propagadas por entre as massas1 imbuidas por uma parte da imprensa sem outra continencia1 seno a que lhe resulta da arrogante confiana que tem na impunidade1 podero taes doutrinas quando assim manifestadas1 constituir a opinio publica e tornal-a digna de ser tomada em considerao8 ,no1 que ella no a opinio sensata dos competentes avaliadores das circumstancias1 nem pode ser a legitima expresso das conveniencias1 nem o elemento que possa intervir na soluo de questes graves1 nem farol que conduza a causa publica a porto e salvamento4 ,a resoluo dos problemas de que depende o bem do ,estado1 no pode nem deve ser confiada agitao das ruas1 nem ficar subordinada expresso dos sentimentos intolerantes e obcecados que a annunciam e que com ella especulam4 ,no ser inabalavelmente firme em pr dos dictames da verdade1 querer transigir com a opinio que se diz publica por ser formada na rua ou praa publica1 annuir a que ella haja de influir nas questes do ,estado1 ir buscar por tal preo uma popularidade ephemera1 sacrificando a ella os interesses do ,paiz1 no condescendencia prudente1 com as conveniencias sociaes2 no sera regra de boa governao1 sera erro e cobardia2 no juizo dos mais austeros1 sera quasi um crime4 ,x ,o tratado de ,loureno ,marques1 constitue hoje o resultado de uma negociao internacional1 devida ao accordo entre duas naes1 no uso pleno do seu direito da independencia e da egualdade4 ,como tal e para produzir suas legitimas consequencias s lhe falta o ser submettido s formalidades de sanco que o direito publico interno prescreve4 do cumprimento d'essas formalidades que depende1 ou o elle tornar-se um compromisso internacional estatuindo direitos e deveres reciprocos entre as naes contractantes1 ou alis1 no caso de rejeio1 passar a ser letra morta4 ,tendo j sido sanccionado na camara electiva s lhe resta sel-o pela camara dos pares4 ,a mudana de governo occorrida entre ns em maro ultimo1 motivando por conveniencias da politica interna o addiamento da actual sesso legislativa1 fez com que se protrahisse a sua deciso final4 ,depende pois smente d'esta a sorte d'aquelle tratado4 ,ora1 se no licito impor a qualquer nao o voto que sobre assumptos d'esta ordem tem de ser dado pelos seus poderes independentes1 taes como o parlamento1 tambem por outro lado no licito pr vto impeditivo1 afim de pr de parte o assumpto1 recorrendo absteno de o sujeitar s formalidades d'onde depende a sua confirmao ou rejeio4 ,uma conveno solemne pactuada entre naes1 no brinquedo que fique indefinidamente merc do quero no quero de uma das partes4 ,a justia e o pundonor interpr-se-hiam na apreciao desfavoravel de uma tal maneira de proceder4 ,n'uma sociedade civil1 em um contracto estipulado entre dois individuos1 depois da palavra dada1 no se pde moralmente faltar a ella1 sob pena de uma qualificao menos airosa4 ,e certo que a responsabilidade legal dos pactuantes s existe depois do contracto ser submettido s formalidades da sanco2 mas por isso mesmo1 que no pde sem desdouro1 uma das partes esquivar-se a submettel-o a essa condio4 ,no pde sanar a recusa do individuo1 a allegao de que ainda no levou a escriptura ao notario4 ,essa coarctada1 quer filha da indolencia1 quer da m vontade1 compromete tanto como um acto de m f4 ,ora estas consideraes que tem cabimento entre individuos cuja responsabilidade se limita a entidades pessoaes1 com maior razo so applicaveis entre naes constituindo entidades collectivas1 e cujos reciprocos procedimentos tem um caracter moral de mais definida e ampla solidariedade4 ,n'este caso um tratado publico um acto de direito convencional1 pactuado de nao a nao na sua collectiva responsabilidade1 e no de governo a governo n'uma restricta significao de politica partidaria4 ,qualquer mudana operada nos individuos ou na politica dos governantes1 no exhime a entidade moralmente immutavel governo1 dos deveres contrahidos de subordinar o pacto ratificao4 ,s quando legalmente esta seja negada1 que pde ipso facto ser annullado em seus effeitos4 ,exhimir-se a assim proceder1 exigir modificaes no que est estipulado sob pretexto da mutabilidade dos individuos ou differena de suas vistas politicas1 seria caso analogo1 porm em escala mais grave1 como se entre dois individuos nunca se realizasse um ajuste1 por isso que ao saldar das contas1 uma das partes sempre em tal occasio quizesse regatear sobre o que j fra ajustado4 ,desde que se pactuou de nao a nao1 podem succeder-se os governos2 mas os que se succedem so herdeiros dos compromissos internacionaes tomados em nome da nao pelos que os precederam4 ,um exemplo a proposito o que aconteceu com respeito ao tratado com a ,hollanda sobre demarcao de limites no archipelago de ,timor4 ,em #aheb o governo portuguez nomeou o conselheiro ,lopes de ,lima governador de ,timor1 e simultaneamente plenipotenciario para celebrar em ,batavia o alludido tratado1 com a clausula ad referendum4 ,celebrou elle o tratado de demarcaes em que se fazia a cesso de ,larantuka1 ponto ao ,norte de ,timor1 em compensao de outras clausulas4 ,o negociador1 tendo em parte dado execuo ao tratado antes de ser confirmado1 foi demittido1 com ordem de vir prezo para ,lisboa1 mas em viagem falleceu em ,batavia4 ,ficou tudo pendente sem resoluo at que em #ahed a reclamao do governo hollandez se abriram novas negociaes em ,lisboa1 sendo plenipotenciarios por ,portugal o visconde de ,athouguia1 e pela ,hollanda mr4 ,van ,rost1 dando em resultado um novo tratado1 que sendo apresentado s camaras para ratificao ahi foi combatido com acrimonia pela opposio1 e a imprensa desencadeou suas furias contra a cesso de ,larantuka4 ,a esse respeito1 diz o auctor de uma memoria sobre ,timor1 o sr4 ,affonso de ,castro1 e que foi ,governador d'aquella possesso1 o seguinte3 ,escreveu-se muito n'essa occassio1 a proposito d'aquelle canto de uma das ilhas da ,malazia1 que poucos escriptores conheciam1 e disse-se por consequencia muita cousa desarrasoada4 ,a ouvil-os1 dir-se-ia que ,larantuka era um notavel ponto nas melhores condies commerciaes e politicas1 um grande centro de populao1 uma forte praa de guerra1 sde de um governo importante1 morada de habitantes illustrados e industriosos4 ,e no era nada disto4 ,larantuka no passava de uma miseravel alda1 com sua tranqueira em ruinas1 artilhada com meia duzia de peas velhas e incapazes de fazer um tiro1 e guarnecida por oito ou dez timores esfarrapados e descalos4 ,como isto faz lembrar1 caeteris paribus1 ,loureno ,marques e os zelozos propugnadores do seu statu quo6 ,pois aquelle tratado foi apresentado e approvado nas camaras ,portuguezas1 apezar dos clamores alli levantados1 e de que a politica se servia para combater o ,governo4 ,mas no parlamento hollandez acontecia o contrario1 pois foi alli regeitado1 tomando-se por pretexto para dar um cheque no ministerio que se pretendia derrubar4 ,o estado indeciso da questo de limites deu logar a que continuassem os dois governos a trocar notas1 e s passados dois annos1 como o governo hollandez reclamasse1 teve o governo portuguez de entabolar novas negociaes1 sendo nomeado plenipotenciario o sr4 ,fontes ,pereira de ,mello1 e o baro de ,aarsen e depois1 por obito d'este mr4 ,heldwier4 ,mudanas de governos1 e dissolues de crtes1 retardaram a sua concluso1 que teve logar em abril de #ahei1 mas no impediram que tanto n'este como nos anteriores casos1 o tratado fosse submettido sanco do parlamento1 sendo finalmente ratificado em agosto de #ahfj4 ,outro exemplo mais recente nos confirma na opinio de que no licito illudir as formalidades de sanco1 nem fugir s praxes que so de uso a tal respeito4 ,em #ahff estava pendente de sanco uma conveno consular entre o governo portuguez e o hespanhol4 ,em officio de #e de junho1 o ministro de ,portugal em ,madrid1 dizia para ,lisboa ao ministro dos negocios estrangeiros que o ministro d',estado ,bermudes de ,castro1 pedira explicaes do motivo que induzira o governo portuguez a retirar das crtes a conveno j negociada1 e accrescentava3 no consegui acalmar o sr4 ,bermudes de ,castro1 o qual considra o acto da retirada da conveno sem a submetter approvao ou rejeio das crtes1 como uma affronta feita ao governo de ,sua ,magestade ,catholica4 ,consignada esta doutrina como a unica admissivel em direito1 a perspectiva pois que na actualidade se apresentaria plausivel1 no podia ser seno a apresentao do tratado camara dos ,pares4 ,approvado ou rejeitado n'esta instancia ultima1 ficaria legalmente finda a questo4 ,qualquer que fosse o resultado1 ter-se-iam por fim salvado as conveniencias1 que a dignidade internacional suggere e exige4 ,mas quando esta soluo devia parecer imminente1 surge outra verso1 qual 1 que por accordo entre o governo portuguez e o inglez1 fora decidido ou fora concedido adiar indefinidamente o tratado de ,loureno ,marques6 ,como assim8 ,de quem partiu a iniciativa para este abandono do tratado8 ,qual o que concedeu1 e qual o que obteve8 ,comprehender-se-ia1 e seria at certo ponto para recear1 que na eventualidade de dar a ,inglaterra plena independencia ao ,transvaal1 ella desejasse da sua parte vr-se desligada de um anterior compromisso1 do qual j no lhe resultariam vantagens que lhe compensassem os encargos2 mais opportuna se lhe tornaria a occasio de satisfazer s aspiraes da colonia do ,natal1 cuja assembla legislativa ciosa de se vr prejudicada por ,loureno ,marques1 votou ha mezes uma auctorisao para um emprestimo de #a4bjj4jjj1 afim de proseguir o caminho de ferro de ,durban at ao ,transvaal4 ,no seria portanto para admirar1 que um pedido de addiamento indefinido partisse da ,inglaterra1 pedido ao qual todavia s nos conviria acceder quando sta potencia allegasse a impraticabilidade de cumprir o tratado1 attentas as modificaes que por ventura ella houvesse soffrido no seu dominio territorial4 ,seria ssa a hypothese onde teria applicao o que diz ,martens4 ,l'impossibilit physique dans laquelle une nation se trouverait d'accomplir un trait conclu par elle1 le rend non obligatoire4 ,e ,wheaton1 consigna ser caso de findar um tratado quand la constitution intrieure de l'un ou de l'autre des tats est tellement change qu'elle rend le trait inapplicable dans les circonstances diffrentes de celles en vue desquelles il a t conclu4 ,no poderia certamente ,portugal fundar-se n'esta doutrina afim de fazer um pedido de addiamento indefinido4 ,se um tal pedido houvesse de partir de ,portugal1 elle s poderia ser baseado na allegao de qualquer circumstancia especial que o justificasse1 e que importasse alguma razo impeditiva de sujeitar o tratado n'uma dada conjunctura ratificao do ,parlamento4 sta verso1 embora parecesse capcisa1 ainda poderia ser interpretada como uma homenagem boa doutrina1 e ao desejo de cumprir os deveres resultantes dos compromissos tomados1 e das promessas feitas1 obtendo para isso a mra1 mas no a dispensa4 ,seria a maneira de no incorrer n'aquellas condies que ,vattel indica4 ,en droit naturel1 celui qui promet quelqu'un1 lui confre un vritable droit d'exiger la chose promise1 et par consquent1 ne point garder une promesse faite1 c'est violer le droit d'autrui2 c'est une injustice aussi manifeste que celle de dpouiller quelqu'un de son bien4 ,mas1 a no ser aquelle o pretexto do pedido e se pelo contrario s se teve em vista fugir diante das imposies da opinio adversa1 tal como ella campeou altiva1 em tal caso custaria a comprehender como se podessem inverter os papeis1 de modo que a supplica para sustar um contracto partisse de quem lucra com elle1 e o consentimento fosse dado por quem n'elle mais est sugeito a perder6 ,pelo tratado de #cj de maio1 ficaria segura a construco do caminho de ferro1 com grande probabilidade de ser feita de um modo no oneroso para ,portugal1 por isso que tinha por fim garantir o notavel rendimento aduaneiro do ,natal1 que em grande parte convergiria para aquella nova e melhor via4 ,mas se o tratado ficar addiado para as kalendas gregas1 quem construir no futuro o caminho de ferro de ,loureno ,marques8 ,seremos ns1 e com os nossos recursos8 ,no1 que no podemos nem para tanto podem valer quaesquer collectas devidas a exforos de enthusiasmo1 alis passageiro1 e que equivalero a gotas de agua deitadas no ,oceano4 ,sero os ,boers8 ,esses sim4446 ,valer para tanto1 o antigo tratado com o ,transvaal8 ,no1 que elle caducou4 letra morta4 ,mas ainda quando elle resuscitasse1 e com elle revivessem as finanas como foram ao tempo do presidente ,burgers1 no veriamos cotao de fundos publicos do ,transvaal1 capaz de tornar esquecida a bancarrota a que o levaram as anteriores tentativas4 ,o mais provavel que tudo ficar como at hoje2 e ,loureno ,marques s ter ganho1 no o proveito1 mas a honra de ter sido o assumpto de tanta rhetorica brava1 e de tanta poesia sanhuda1 dos impugnadores do tratado4 ,portugal dispensado de ganhar1 e ,inglaterra annuindo a no ter que perder1 ,loureno ,marques continuar a ser1 o que 2 no um emporio de vida actividade e riqueza1 mas sim um padro de vergonha4 o que acontece quando previdente deciso no proceder1 se antepe o medo frivolo d'aquillo a que impropriamente se considera1 designando-se como opinio publica4 ,qualquer que possa ser a explicao que se adopte1 ha todavia um inconveniente que no facil de remover2 um mal que pde ser de difficil cura1 e do qual se pde dizer como ,metastasio2 dopo il male fatto1 il pentirsi non giova4 ,esse mal de alcance incalculavel1 ser aquelle1 de sermos por nossa teimosia e lentido julgados como um paiz com o qual no possivel ter trato2 uma nao que cana quem a afaga2 um ,estado que afugenta rudemente quem d'elle se aproxima2 um povo finalmente 7j que moda fallar em nome do povo7 que prefere viver s e isolado politica e economicamente1 e que assim n'um orgulho injustificado1 cuida poder1 na poca presente1 viver vida de exclusivismo1 afastado da communho dos outros povos e repellindo os dictames que a civilisao1 e o progresso da humanidade aconselham e exigem4 ,mal vae a quem mal procede4 ,esse o grande perigo1 cuja presena para lamentar4 ,,xi ,em vista de todas as ponderaes feitas1 o tratado1 de #cj de maio de #ahgi entre ,portugal e ,gran-,bretanha1 para regular as relaes das suas respectivas possesses na ,africa ,sul e ,oriental1 poder ser considerado como um objecto de to mediocre importancia e to limitado alcance1 que para o tornar effectivo1 seja indifferente sacrificar os seus previstos resultados1 s para no affrontar a opinio que lhe seja adversa8 ,sero suas consequencias politicas e economicas de transcendencia s restricta quelle at hoje abandonado tracto de terra ,africana que se denomina ,loureno ,marques8 ,ainda quando assim fosse1 nunca poderia d'ahi inferir-se ser regra de bom procedimento1 antepr o que o capricho exige1 ao que a raso e a conveniencia aconselha4 ,sbe porm de ponto o valor que o recommenda1 quando se considera a circumstancia de ser elle1 no s um assumpto de alcance local e de benefico influxo para aquelle de si pobre dominio1 mas sim um dos elementos de uma previdente politica colonial de alliana e cooperao entre ,portugal e a ,inglaterra1 de mais vasta e importante transcendencia4 elle a sequencia do principio e a antecedencia do fim n'uma grandiosa concepo de um genio esclarecido1 obedecendo a um plano systematico1 a uma generosa e patriotica ida1 qual a de levar o extenso dominio colonial ,portuguez1 altura a que s pde attingir pelos meios que a civilisao indica1 e que a boa politica internacional aconselha4 ,se as restrices1 os monopolios1 os exclusivos1 e todos os egoismos da velha escola prohibitiva1 poderam em passadas epocas constituir um systema nas relaes commerciaes do ,mundo1 certo que os progressos materiaes e as tendencias moraes das sociedades modernas1 no podem tolerar esse systema de desconfiana1 de afastamento e como de animosidade entre naes1 pois sombra de uma supposta vantagem resultante d'esse isolamento1 s poderia conseguir uma enfsada e rachitica explorao dos seus recursos1 difficultar ou impedir a troca de seus productos1 que a ,providencia distribuiu variadamente por todos os climas e povos1 como para lhes dictar como lei1 o trato fraternal1 impondo-lhe assim a conveniencia de as tornar dependentes umas das outras no que concerne ao usofructo das produces da natureza4 ,por outro lado1 se as ambies de conquistas1 os ciumes de supremacia1 podiam dar logar n'outras eras a rivalidades e acirramentos entre potencias1 ou entre ,estados com interesses analogos1 certo que a boa politica entre naes com essa analogia de interesses1 no est em manter esse perenne antagonismo4 ,harmonia nos exforos em commum vantagem1 preferem a repellencias1 com detrimento de todos4 ,n'este intuito1 o tratado da ,india1 baseado n'uma unio aduaneira1 foi o inicio d'esta grande obra2 o tratado de ,loureno ,marques era o meio util e unico de realisar importantes vantagens para esta possesso1 e para as regies do ,transvaal2 seguir-se-hia n'essa senda de confraternisao e solida alliana com uma grande potencia1 uma outra conveno internacional para nos assegurar a posse das regies do ,congo e ,zaire1 pondo-as ao abrigo das tentativas que franca ou insidiosamente empregam outras naes que porfiadamente pretendem ter quinho ou exercer influencia na ,africa1 e por isso querem contraminar o nosso dominio1 ou disputar os nossos direitos1 mediante influencias adversas aos nossos interesses4 ,seria esta a realisao de um grande desideratum1 tendente no s a evitar conflictos originados pela m definio e demarcao de nossos direitos1 mas era alm d'isso um grande passo politico1 que consolidando a nossa alliana com a ,inglaterra por uma cordeal cooperao1 vinha dar-nos uma poderosa garantia em favor do nosso dominio ultramarino2 e da nossa independencia como nao1 removendo muitos perigos a que hoje esto sujeitas aquellas naes1 que primam mais pelo direito do que pela fora4 ,quando assim1 com esta mira1 com esta harmonia de interesses1 e com aquelle proposito sincero de leal cooperao1 nos achassemos solidamente possuidores de um incontestado e immenso dominio colonial1 teriamos dado no s material e economicamente1 mas tambem moral e politicamente um grande passo no caminho do nosso engrandecimento1 e na consolidao da nossa entidade politica como nao1 independente1 livre1 digna e forte4 ,poderiamos at aspirar a outros vos mais altos1 que levassem mais longe o nosso prestigio to abatido1 habilitando-nos a tomar um logar mais distincto entre as naes civilisadas1 e mais saliente no convivio d'estas4 ,assim deixaria ,portugal de estar quasi merc das apreciaes suggeridas pela ignorancia1 que a seu respeito affectam os extranhos1 devida sta ao abatimento em que as colonias tem permanecido1 mais como documento de incuria e impotencia1 do que garantia e elemento de to auspiciosos resultados4 ,mas se alguma cousa justifica tal juizo dos extranhos1 a errada maneira como a opinio se frma1 e a fraqueza com que a ella assim errada se subordinam as praticas4 ,o mallogro do tratado de ,loureno ,marques no significar s uma perda actual1 porquanto tudo permanece como d'antes com relao a este questionado ponto4 ,nada se ganha1 nem se perde com relao ao passado e ao presente4 ,ficamos com o diamante bruto como est1 e mal seguro4 ,mas ser uma grande perda com relao ao futuro1 e proximo1 porque l se vae a melhor occasio de se possuir o valioso diamante1 mas lapidado e bem engastoado4 ,satisfez-se opinio popular8 quanto basta6 ,a cora de ,portugal continuar a ter no seu diadema aquella pedra1 mas sem brilho e em risco de se perder por mal segura1 quando alis poderia tornal-a uma joia de grande vala e fulgor1 bem guardada e garantida1 ella e as restantes1 contra quem lhes lanasse vistas cubiosas6 ,se um tal mallogro podesse affectar smente os que d'elle so culpados1 seria caso de se dizer1 soffra as consequencias da culpa1 quem foi delinquente4 ,infelizmente porm1 soffrem no s os culpados1 mas tambem os que no commetteram culpa1 mas a denunciaram1 e a deploraram1 sem poder impedil-a4 ,portugal tem sido um paiz das occasies perdidas4 sta ter sido uma d'ellas1 e das mais funestas4 ,,xii ,o bello ideal1 esse sentimento que faz com que muitas vezes o nosso espirito se assemelhe a uma bussola moral1 que percorre um horisonte cujos rumos so os vos da nossa phantazia2 esse bello ideal que em muitos casos como um sonho passageiro que a reflexo bem depressa dissipa1 tambem algumas vezes nos sorri ida com a perspectiva de o ver tornado em realidade4 ,o bello ideal que mais caro se apresenta a quem tenha corao que pulse com amor patrio1 ser decerto aquelle que permitte phantasiar o engrandecimento do seu paiz1 seu bem estar1 e seu renome4 ,entre os elementos conducentes a conseguir tal resultado1 estaria decerto uma s e perspicaz politica1 que levasse ,portugal a firmar em bases solidas a sua independencia1 seu progresso material e moral1 e a sua posio digna1 elevada e considerada entre as naes civilisadas4 ,a perspectiva d'estas aspiraes1 ser pois um vo de imaginao de breve durao e desengano certo1 ou poder ter visos de se tornar um pensamento persistente e uma feio susceptivel de realidade8 ,a deciso pertence ao futuro2 mas para que possa ser favoravel1 ella dependeria da maneira de proceder no presente4 ,depende d'aquella s e perspicaz politica que tivesse vontade1 fora e coragem1 na tentativa de chegar a to grandioso resultado4 ,lancemos um olhar sobre o mappa do ,mundo1 e folheemos a historia do passado2 e depois meditemos um pouco nos commetimentos de outras eras1 e nas tendencias e praticas da epocha presente2 e com estes elementos proponhamos-nos a evocar as eventualidades do futuro4 ,era limitada a area do ,mundo conhecida na antiguidade4 ,abrangia ella na velha ,europa o grande tracto desde as regies ,boreaes at ao ,atlantico3 na ,asia as vastides que desde a ,scythia vo at ,india ,trasgangetica para o ,oriente1 e at ,arabia pelo ,occidente3 e na ,africa o vetusto ,egypto1 e seguindo a orla septentrional d'este continente1 a ,lybia1 ,numidia at ,mauritania1 banhadas em seus littoraes pelo mare internum1 ou ,mediterraneo1 at findar nas columnas de ,hercules4 ,a historia1 sua parte1 durante milhares de annos1 desde os tempos heroicos da ,grecia1 desde as nacionalidades mais remotas1 ,egypcias1 ,chaldas1 e ,assyrias1 deixa-nos ver as emigraes dos primeiros povos1 a vida das geraes que se succedem1 as navegaes dos ,phenicios1 a grandeza de ,carthago1 a vastido do poderio ,romano1 as invases dos ,barbaros1 a destruio d'aquelle imperio collossal1 a formao de novas nacionalidades1 as invases dos ,sarracenos da ,asia sobre os vandalos da ,africa1 e depois d'alli sobre a ,europa1 e mais tarde as cruzadas seguindo do ,occidente sobre o ,oriente4 certo todavia que essas grandiosas luctas de antagonismo1 esses aturados conflictos1 onde se debatiam os elementos constitutivos e as aspiraes successivas da humanidade1 tinham por ambito geographico aquella limitada poro do ,mundo1 cujo centro de actividade1 cujo campo de seus mais notaveis feitos1 por assim dizer1 era aquelle mar1 que por sua situao bem lhe cabia o nome que os geographos lhe deram1 de ,mediterraneo4 ,mas ao findar da edade media1 ha apenas pouco mais de tres e meio seculos1 a geographia veiu alargar os horisontes do ,mundo4 ,novos continentes1 novas regies1 novos mares e archipelagos se revellaram1 e ainda antes que um seculo decorresse1 j o ,mundo conhecido dobrava em extenso1 o que por tantos seculos constituira a theatro dos feitos humanos4 ,se n'aquella limitada rea do antigo ,mundo que se agitavam as questes vitaes para a humanidade1 e que se decidiam pelo poder da fora e pelo enthusiasmo das crenas1 as questes e luctas em que ora o ,norte assoberbava o ,meio ,dia1 ora o ,oriente invadia o ,occidente1 ora se trocavam as invases em sentido inverso1 tambem por outro lado digno de atteno o notavel e importante papel que n'estes dramas da humanidade coube quelle mar o ,mediterraneo1 cujas agoas banhavam littoraes das tres partes do ,mundo conhecido3 ,europa1 ,asia e ,africa4 ,mas a obra dos seculos passou por successivas transformaes4 ,iniciada a epoca dos descobrimentos1 e alargados os horisontes da geographia1 abriu-se o caminho que devia levar s regies at ha pouco ignoradas1 a nova civilisao1 a que o renascimento das artes1 e das sciencias havia de dar impulso4 ,hoje o mappa do ,mundo assim desdobrado1 deixa-nos ver uma transformao completa no sentido no s geographico1 mas tambem na sua diviso politica1 ao passo que a historia nos diz at onde foi a revoluo operada no modo de ser social da humanidade4 ,comparem-se os mappas que nos fornecem a antiga e moderna geographia4 ,d'ahi poderemos ver1 como essa obra dos seculos1 ao passo que mudava a face do ,mundo novo1 deixava que parte do antigo permanecesse quasi nas condies primitivas1 ou quasi que esquecida e desattendida pelos obreiros da civilisao e do progresso4 ,as margens d'aquelle mar interno1 no littoral d'aquella antiga ,africa que o ,mediterraneo banha1 passaram quasi que incolumes na grande transformao que o ,mundo experimentou desde uma dezena de seculos4 ,e todavia foi ahi1 n'essa zona do globo terraqueo1 que mais se disputaram os pleitos em que a humanidade andou por tanto tempo empenhada4 ,sem remontar s guerras ,punicas1 quando ,carthago e ,roma disputavam a supremacia do mar e o dominio da ,sicilia2 quando a posse de ,sagunto contestada1 levava ,annibal ,espanha e d'alli a passar os ,alpes e a bater s portas de ,roma2 ou quando ,scipio passava ,numidia e ia destruir os muros de ,carthago2 sem ir buscar exemplos dessas insistentes luctas no norte da ,africa s expedies de ,belisario ou s sangrentas invases dos mahometanos sobre as ,espanhas1 s detidos quando achavam nas ,gallias a barreira que lhes oppunham as hostes de ,carlos ,martel2 sem ir to longe emfim1 basta partirmos de epocas mais recentes1 para ver como aquellas antigas regies ao ,septentrio do ,saharah1 constituiram o objecto e o alvo de renhidas luctas1 e de aturados esforos em que se acharam empenhadas as naes do velho continente4 ,figura j na edade media o ,mediterraneo e o seu littoral1 nas tentativas do ,soldo do ,egypto contra a christandade2 na ultima cruzada capitaneada por ,s4 ,luiz1 o ,,ix de ,frana1 e j no seculo ,,xvi na expedio do ,imperador ,carlos ,v contra ,tunis1 sendo auxiliado n'essa empreza por ,portugal1 um de cujos galees foi o que com seu talhamar de ao cortou a grossa cadeia que fechava o porto de ,goleta4 ,figura o ,mediterraneo e o littoral ,africano1 nos reiterados ataques que as potencias maritimas dirigiam e sustentavam contra o ,estado de ,argel1 valhacouto de piratas1 ataques que por vezes representaram grandes expedies1 e formidaveis bombardeamentos4 ,figura ainda e notavelmente na expugnao de ,ceuta emprehendida e effectuada por ,portugal na cavalheirosa epoca de ,d4 ,joo ,i e de seus heroicos filhos4 ,foi este o ponto de partida1 o signal de execuo1 o toque de avanar1 que teve por complemento aquella grandiosa obra que dotou o ,mundo com o dobro da sua superficie conhecida4 ,sagres1 d'onde sahiram as primeiras expedies de navegadores1 e ,ceuta1 onde provaram seu exforo os denodados guerreiros que iam com suas lanas abrir as portas do ,mundo desconhecido1 so dous pontos ligados por uma ida4 ,essa ida a base onde assenta aquella prodigiosa epopa que j foi uma realidade2 ida que j teve um periodo de desempenho1 e que soffreu interrupo4 ,essa ida tambem a que pde alimentar nas suas variadas concepes e consequencias1 as aspiraes que constituem o bello ideal1 com que o futuro nos poderia sorrir6 ,e porque8 ,em quanto que pelas regies transatlanticas ou sul equatoriaes1 onde ha quasi quatro seculos tudo era ignoto1 j o progresso da humanidade implantou suas leis e suas praticas2 ainda s portas da velha ,europa em frente das naes civilisadas do antigo continente2 adjacente a esse mar que banha seus littoraes n'aquella orla septemptrional da ,africa1 contemplavam-se ha pouco1 e ainda hoje em parte se contemplam ,estados1 cuja condio politica e social1 cujas leis e cujo fanatismo fatalista1 formam a antithese mais completa1 entre a civilisao e a barbarie4 ,j era decorrido um quartel do seculo ,,xix e ainda a margem africana do ,mediterraneo jazia sujeita em toda a sua amplitude1 aos sectarios de um obscurantismo invencivel1 e de um fanatismo intransigente com a nova lei das naes2 e as regencias barbarescas de ,tripoli1 ,tunis1 ,argel1 e o imperio ,marroquino1 constituiam em seu conjuncto1 a vergonha dos ,estados cultos1 desde que estes toleravam que aquelle mar1 que fra desde outras eras o centro das relaes entre povos maritimos1 ainda se conservasse como sendo o campo de depredaes systematicas1 rea da mais authorisada ou tolerada pirateria1 flagello da navegao pacifica1 e objecto constante de fadigosa lide para a vigilancia e para a aco repressiva das potencias maritimas e fronteiras d'aquem mar4 ,ao findar do primeiro quartel do corrente seculo1 quando j no se offereciam novas regies do ,mundo para descobrir1 e poucas por explorar2 quando j o novo hemispherio dava largo campo para n'elle implantar a civilisao1 via-se ainda a dous dias da ,europa1 como era possivel tolerar a existencia de taes ,estados1 vivendo da pilhagem1 e da exaco1 e subsistindo nas mesmas condies como quando ha tres seculos ,carlos ,v lhes fra inflingir castigo1 e ,d4 ,sebastio de ,portugal se ia aventurar mallograda mas grandiosa tentativa de dilatar para alm mar1 a conquista e o dominio j realisado e s interrompido1 dos ,algarbes d'aquem mar4 ,ao ultimo rei de ,frana do ramo directo de ,bourbon1 estava reservada a empreza de comear essa liquidao de contas4 ,o ,argel submettido ,frana por conquista1 foi o primeiro passo na realisao da obra de limpar o ,mediterraneo d'aquelles fautores do latrocinio barbaresco4 ,tunis1 a herdeira geographica da antiga ,carthago1 est hoje com apparencia de seguir a mesma sorte que ,argel1 ou de a imitar nas consequencias4 ,tripoli ser depois1 ou o pomo de discordia entre as naes do ,mediterraneo que se disputam alli a supremacia de sua influencia2 ou ser quinho que venha servir de compensao para a ,italia1 j que a ,frana se antecipou sobre ,tunis4 ,o que se passa n'aquelle mar1 em tudo leva apparencia de que as naes maritimas cujas aguas por elle so banhadas1 veem o seu futuro prestigio dependente de alli terem dominio ou influencia1 como nos tempos de ,roma e ,carthago4 ,mas tambem se deixa perceber que a influencia da aco politica ,europea de onde quer que ella venha1 ou quaesquer que sejam os interesses que alli a chamem1 o meio conducente a modificar a feio moral e a estagnao material de que tem sido causa o impassivel fanatismo mahometano4 ,como ultimo dos ,estados em que o dominio da raa ,agarena ainda se perpeta1 rsta ,marrocos1 esse imperio da ,mauritania ,tingitina1 que deu aos ,sarracenos ingresso na ,peninsula1 e que mais tarde foi d'elles o refugio1 quando ao baquear do califado de ,cordova e do reino de ,granada elles foram de todo expulsos da ,europa para as plagas d'alm mar2 e onde ainda assim por mais de uma vez ,portugal conseguiu pr p1 e dar sequencia conquista sobre seu slo4 ,e conquista ra sta1 que no tinha o mar por limite1 mas o tivera como motivo de lhe retardar o proseguimento4 ,em vista das lies da historia1 e das evolues da politica1 ninguem pde hoje duvidar1 que um imperio nas condies de ,marrocos1 esteja destinado a ter contados os dias que ho de conduzil-o a um desmoronamento4 ,alli rge uma administrao a mais despotica e brutal2 as leis so a vontade do ,sulto2 as finanas so as extorses tributarias e o absurdo fiscal2 a justia o basto dos alguazis1 movido ao capricho dos ,pachs e dos ,cads2 o estado moral a ignorancia a mais rude1 de mo dada com o fanatismo mais intransigente4 ,em toda a extenso do seu fecundo slo1 no existe aberta nem uma unica estrada rodada1 nem uma psta1 nem uma obra d'arte4 ,inutil fallar em telegrafo ou locomotiva4 ,presses externas e continuas agitaes internas1 umas provindas de desforos dos extranhos1 e outras devidas intermitente anarchia1 e s periodicas correrias das tribus kabylas1 alli perpetuam a desordem1 a instabilidade dos fracos elementos de vida social1 e promovem as fmes1 a miseria e as epidemias4 assim que aquelle ,imperio1 que olha para a ,europa pelo horisonte dos dois mares1 ,mediterraneo e ,atlantico1 pelo seu estado politico1 social e economico1 justifica plenamente as previses que ainda ha pouco consignava uma ,revista ,militar ,espanhola1 isto 1 que com seu systema de governo vexatorio e repugnante s leis da humanidade1 elle vive smente pela apathia das naes civilisadas2 porm a gangrena que o devora pouco a pouco1 to alarmante que ameaa exterminal-o4 ,todos quantos conhecem das cousas intimas do imperio ,marroquino1 consideram como um axioma aquella previso fatal1 que para os menos conhecedores do seu estado1 pareceria uma mera opinio pessimista4 ,n'essa previso de uma tal eventualidade1 disputam alli porfia as naes do ,mediterraneo1 a manuteno de uma influencia e prestigio1 para que lhes possa melhor aproveitar quando chegar a hora do dies magna4 ,a ,espanha fronteira1 senhora de ,melilla e de ,ceuta1 ainda no ha muitos annos fez alli ensaio da sua pujana militar1 ostentando n'uma guerra a fora do seu poder1 e revelando as vistas da sua politica previdente4 ,a ,frana1 senhora de ,argel1 e confinante nas suas fronteiras1 interessa-se como tal1 em manter aquella preponderancia que sempre resulta1 quando os aggravos recebidos nos conflictos de m visinhana1 so liquidados por um processo1 como em ,isly ou ,mogador1 quando seus canhes1 em terra ou no mar1 impozeram aquelle respeito que leva submisso4 ,a ,inglaterra1 que no ,mediterraneo possue dominios taes como1 ,gibraltar guardando-lhe a porta1 ,malta e ,chypre como postos avanados1 tem n'essas outras tantas ,gres do seu caminho aquatico1 seguros os vinculos que lhe garantem a influencia no ,egypto4 ,no carece de dominar em ,marrocos quem abandonou ,tanger2 mas a grande potencia do mar1 no pde descurar-se de que a influencia de outras no seja alli contrabalanada pela sua propria4 ,a ,allemanha1 potencia continental1 mas avida e solicita em no descurar sua ostentao1 tambem tornou alli saliente a sua nova vitalidade1 correspondendo com uma representao diplomatica permanente1 embaixada que recebeu em sua crte4 ,a ,italia1 tambem no se descura de por este meio1 dar alli amostra da sua solicitude como nao do ,mediterraneo4 ,e assim que todas as potencias europas1 ou como ciosas do seu prestigio1 ou por vigiar seus interesses presentes ou futuros1 mantem suas legaes permanentes1 estabelecidas na cidade maritima de ,tanger1 que assente graciosa e alvejante nas faldas septentrionaes da cordilheira do ,atlas1 banhadas pelas aguas do ,estreito1 parece ser como a guarita onde esto postadas as vedtas europas1 que porfia entre si combinam a vigilancia1 ou at certo ponto disputam a tutella1 sobre aquella regio1 d'onde mourama ainda permittido contemplar de longe as costas da ,europa1 povoadas de espao em espao pelas torres em ruinas1 que recordam as epocas em que o crescente dominava onde hoje se ergue a cruz6 ,quem da bahia que d ingresso cidade mourisca1 estender um olhar por sobre o alvejante monto de casas que pelas encostas vo apinhadas desde a porta do mar ao alto do castello ,el-,kasbah1 ver fluctuar em varios pontos1 sobre edificios mais salientes1 as bandeiras das differentes naes que alli mantem seus representantes1 tornando assim ,tanger1 cidade diante da qual se unem os dois mares1 como sendo o latego politico das relaes diplomaticas entre a ,europa e o imperio de ,marrocos4 ,por entre aquellas divisas das naes que alli policiam e espreitam os paroxismos sociaes dos ultimos restos da velha ,mauritania1 tambem l se descobre a bandeira de ,portugal4 ,e onde ha tradies historicas de to subido valor como as que recordam as proezas do immortal infante ,d4 ,henrique1 e a heroica abnegao do ,santo ,infante ,d4 ,fernando1 haveria incentivo para que a patria de taes heroes1 no descurasse quaesquer elementos conducentes a manter alli seu renome a par de outras que menos fizeram pelo passado1 mas que mais ambicionam no presente4 ,e todavia para lamentar que ainda hoje a cathegoria official do representante de ,portugal1 esteja inferior que alli mantem os que representam aquell'outros paizes1 que no tem mais motivos do que o nosso1 nem nos titulos que possuem nem nas razes que o aconselham1 para ter bem accentuado e definido o alcance politico e diplomatico da sua misso4 ,suppre em parte a esta lacuna1 a este esquecimento de nossas conveniencias e interesses n'aquelle imperio1 a considerao pessoal e o merecido conceito de que alli goza entre nacionaes e estranhos1 o chefe da antiga familia ,colao1 familia na qual se tem perpetuado de ha muitos annos aquelle cargo1 e em cujo desempenho1 o patriotico zelo e a influencia individual do representante1 um penhor que por si garante as consideraes e vantagens do representado4 ,bem conceituada portanto l se arvora a nossa bandeira1 como de nao1 que tendo j posto de parte os velhos ressentimentos1 alli se apresenta e concorre1 como mantendo um benevolo trato de amisade e reciproca estima4 ,um facto occorrido ha menos de um anno1 confirma sta verdade2 pois quando em setembro de #ahhj alli aportou o actual representante de ,portugal1 a bordo de um navio de guerra1 quando recolhia a seu posto depois de alguns mezes de ausencia1 as honrarias com que foi oficialmente recebido foram to distinctas e ruidosas1 que bem demonstraram o quanto deve influencia pessoal e local d'aquelle funccionario1 o prestigio e bom nome que ,portugal ainda alli conserva4 ,ha impresses moraes que no escapam at quelles cujo viver quasi subordinado ao regimen brutal da fora que lhes atrophia o espirito4 ,conhecem os mouros marroquinos que se ns fomos os primeiros em ir n'outras epocas combatel-os no seu ninho africano1 a isso fomos com titulos mais legitimos e mais justificados1 do que outros que mais pelo adiante e at em nossos dias os tem ido molestar1 s vezes mais por pretextos de prepotencia frivola1 do que por justo desaggravo de offensas4 ,entre populaes faceis de impressionar pelo apparato material das cousas1 convm no faltar s praticas que tendem a dar fora moral aproveitando aquelle meio4 ,mas1 estando as costas ,marroquinas do ,oceano1 a menos de dois dias de distancia das nossas1 dezenas de annos so decorridos sem que um nosso vaso de guerra1 em misso pacifica1 mas ostentosa e imponente1 percorra de tempo a tempo aquelles tantos portos onde outr'ora abordmos em tom guerreiro4 ,valeria bem1 que para exaltar alli o nosso prestigio entre os naturaes1 e simultaneamente animar os nossos brios nacionaes1 a bandeira das ,quinas alli comparecesse1 e permittisse aos nossos marinheiros contemplar aquellas muralhas de tantas praas maritimas1 onde ainda esto salientes as armas de ,portugal1 e que recordam o valor portuguez1 que alli se amestrou para poder cumprir os grandes feitos no remoto ,oriente4 ,os velhos ressentimentos e antagonismos extinguiram-se de ha muito1 cedendo o logar s relaes pacificas4 ,j no seculo passado1 reinando ,d4 ,jos ,i1 a embaixada que em #aggc foi enviada a ,marrocos assentar pazes1 recebeu alli demonstraes de deferencia1 e honrarias1 que a outras naes no eram concedidas4 ,mantidas essas relaes durante o seguinte reinado de ,d4 ,maria ,i1 ainda ellas se perpetuaram regendo el-rei ,d4 ,joo ,,vi a ponto que1 querendo a crte de ,vienna pr termo s desavenas que entre ella e o imperio ,marroquino se suscitaram1 recorreu aquella ao governo ,portuguez1 como medianeiro para as compor amigavelmente4 ,as relaes pacificas e o trato commercial entre ,portugal e ,marrocos nunca mais foram alterados4 ,no ser pois a ,portugal que convenha ou pertena o rompel-as prepotentemente4 ,mas o que no deve esquecer1 nem perder-se de vista1 a ida1 de que quando o destino d'aquelle ,estado tiver de obedecer a outras influencias que hajam de promover o seu desmembramento1 existe um conjuncto de circumstancias politicas que constituem outras tantas disposies aproveitaveis1 para que sem ser a causa directa d'essa verso1 no seja indifferente aos seus resultados4 ,quem j foi adiante de outros e no quizer ficar atraz d'elles1 deve pelo menos ir a par4 ,a epoca das conquistas1 tomando por pretexto unico o antagonismo de crenas ou o ressentimento de armas1 j passada4 ,hoje esto em campo na politica outras luctas de interesses e de preponderancia4 ,vae decorrido o tempo em que a guerra se considerava mais um fim do que um meio4 ,estamos porm vendo adoptar uma politica nova1 que como meio conducente a seus fins1 acceita os factos e d'elles faz regra de direito pela medida da conveniencia1 e entre essas regras1 vemos entrar como admittido o systema de fazer partilha da presa4 ,quando os presentimentos que cerca do destino de ,marrocos se vo fundando no s em supposies1 mas em probabilidades que se hajam de realisar2 quando houvesse de soar a hora da partilha como resultado de uma expropriao inevitavel1 ao menos que ella seja effectuada de modo que a equidade no tenha a queixar-se da justia4 ,e ,portugal sob o ponto de vista historico1 geographico e politico1 deveria e poderia preparar-se para estar no caso de aspirar competencia a que seus titulos possam dar-lhe direito4 ,a historia o ensina1 a geographia o indica1 a boa politica o aconselha4 ,a historia1 porque fomos os primeiros que alli assentmos dominio como alargamento do nosso territorio1 e como um servio ento prestado humanidade pelos resultados que d'ahi advieram4 ,ceuta o padro que diz tudo d'essa gloria passada4 ,a geografia o indica1 porque as columnas de ,hercules1 onde o ,mediterraneo termina e o ,atlantico comea1 marcam e dividem o limite at onde as naes fronteiras d'aquem mar1 teriam razes para disputar preferencia e competencia2 e l esto ,arzila1 ,larache1 ,azamr e afi1 todas no ,atlantico e ao nascente do ,spartel1 mostrando ainda em seus derrocados baluartes1 que aquelle era territorio de ,portugal6 ,a politica o aconselha1 no s porque a geografia o indica1 mas tambem por isso que1 se as questes de supremacia entre as naes do ,mediterraneo1 podessem dar a estas competencia para promover um desenlace que trouxesse o delenda ,mauritania1 como ha vinte seculos ellas sentencearam o delenda ,carthago1 outro elemento de politica internacional e de preponderancia de naes1 no toleraria facilmente que o engrandecimento de alguma d'aquellas se estendesse sobre o ,atlantico1 dando logar formao de um vasto dominio que traria a reproduco e os perigos do summum jus1 summa injuria4 ,a ,inglaterra1 que no ,mediterraneo tem seus postos de vigilancia1 no poderia ver com bons olhos1 que a sua preponderancia maritima e continental houvesse de ser contrabalanada por uma tal dilatao de imperio que fizesse de qualquer nao um potentado1 e que assim justificasse seus ciumes e suas rivalidades4 ,mas haveria uma verso que as poderia evitar2 um desenlace1 que neutralisaria aquelle desequilibrio2 uma partilha que no encontraria taes perigos4 ,essa verso seria1 a que restituisse a ,portugal o que j fra seu por conquista de armas sobre inimigos1 mas que n'estas condies seria restituio pelo pacifico assentimento de amigos1 e pela cooperao nas conquistas da influencia ,europea na ,africa1 contribuindo para o progresso e bem estar da humanidade4 certo que em todas as concepes especulativas1 quer grandiosas quer cmesinhas1 ha pontos de partida1 escalas no caminho e rumos obrigados1 e a que indispensavel attender para a segurana da derrota4 ,o ponto de partida1 n'este caso seria a observancia de uma conducta em politica internacional franca1 sensata1 solicita e previdente1 e por modo que os planos concebidos com largas vistas e meditados com discernimento1 no houvessem de ficar merc dos estorvos1 dos comprometimentos e dos perigos1 provenientes dos desvarios da opinio que se diz publica s por ser gritada em publico2 e ainda menos expostos s consequencias das volubilidades dos que tibiamente transigem com ella2 no porque ella lhes merea conceito1 mas a troco de outros interesses que mais podem servir s exigencias partidarias do que vantagem do paiz4 ,como ponto obrigado para se chegar a bom termo n'este caminho1 seria condio indispensavel o firmar a nossa situao politica internacional em bases solidas1 por um accordo mutuamente sincero1 e uma leal cooperao com a potencia maritima e colonial1 a ,gr-,bretanha1 que por muitos compromissos de longa data1 por analogia de interesses nos respectivos dominios ultramarinos1 e pelas relaes intimas no s politicas mas commerciaes1 aquella com cuja alliana poderemos melhor manter incolumes1 no s aquelles dominios e promover o desenvolvimento de seus recursos1 mas tambem assegurar efficazmente a posse d'elles1 e ter garantida a nossa independencia1 isto a par de uma posio digna1 desassombrada1 e considerada na communidade politica ,europea4 ,se procedermos differentemente1 se nos desviarmos d'este rumo na nossa derrota1 se fugirmos de antigas allianas1 se ficarmos ss1 sem amigos1 ou buscando outros de fresca data1 no smente perderemos qualquer contingencia de elevar o nosso conceito como nao considerada1 mas at poderemos incorrer no perigo de ficar um dia abandonados1 desde que por nosso procedimento dermos causa a que todos nos olhem1 no com simpathia ou interesse1 mas com indifferena ou despeito4 ,para attingir a uma tal posio assim desassombradamente firme e definida1 essencial que a maneira de conduzir as praticas da politica externa1 seja tal que as duvidas1 as hesitaes1 a lentido1 as erradas apreciaes1 a subserviencia a estas1 e todas as inconveniencias resultantes d'esta aco combinada de ruins elementos1 no hajam de offuscar os bons creditos de que uma nao no pde prescindir3 n'uma palavra1 essencial que no demos exemplos analogos aos que entre ns se tem dado444 na questo do tratado de ,loureno ,marques4 mais digno1 o confessar os erros1 e emendal-os1 de que insistir n'elles e repetil-os4 ,adoptando e seguindo uma politica nobre e elevada que ,portugal poder acertar no caminho a que o poderiam levar aspiraes mais grandiosas1 como as que constituem o ideal acima indicado4 este como se viu um ponto mui vago para exame2 uma ida d'onde pdem germinar mais amplos concebimentos2 um calculo politico que pde subordinar-se a muitas probabilidades e eventualidades4 ,pde mesmo ser um sonho2 mais do que isso1 um delirio de visionario4 ,mas se o festejado ,calderon de la ,barca diz em seus versos sublimes1 la vida es sueo1 tambem ha sonhos que sem serem delirios1 podem ser justas aspiraes de quem tem vida4 ,o bello ideal ahi fica assim consignado1 no como imagem poetica1 antes como caso para meditao prosaica4 ,poderia ser1 e poder no ser6 ,mas1 na dependencia em que elle est de tantas eventualidades1 ha um ponto que se tornaria obrigado e imprescindivel1 para no destruir de todo a sua melhor perspectiva de ser4 ,e esse 1 ou antes1 esse seria1 o ter sempre em lembrana1 que o futuro bom ou mau1 depende de que1 todos os partidos em que o nosso paiz possa estar dividido nos manejos da sua politica interna1 pactuassem entre si o seguirem um systema harmonico em tudo quanto diz respeito sua politica externa2 e de modo a que sejam sempre tratados com seriedade1 discernimento1 hombridade1 e sem espirito faccioso mas smente patriotico1 aquelles assumptos que dizem respeito s relaes internacionaes2 pois so elles os que em si involvem consequencias muito mais transcendentes e de mais lato alcance1 do que o successo ou a fallencia de qualquer questo de politica local ou partidaria4 ,para este fim1 com este nobre e elevado intuito1 seria mister adoptar e respeitar uma divisa commum1 qual que acima dos individuos e dos partidos1 est o bem da ,patria e da ,humanidade2 e acima de ,patria e ,humanidade1 s ,deus4