disponibilizada pela bib,r,i,a4 ,d4 ,,joanna ,,de ,,portugal 7,a ,,princeza ,,santa7 ,,esbo,o ,,biographico ,,por ,,marques ,,gomes4 ,,aveiro ,imprensa ,commercial4 #ahgi4 ,d4 ,,joanna ,,de ,,portugal 7,a ,,princeza ,,santa7 ,,esbo,o ,,biographico ,,por ,,marques ,,gomes4 ,,aveiro ,imprensa ,commercial4 #ahgi4 ,,obras ,,do ,,mesmo ,,auctor ,,memorias ,,de ,,aveiro 7esgotada74 ,d4 ,,duarte ,,de ,,menezes1 esboo biographico4 ,o ,,districto ,,de ,,aveiro1 noticia geographica1 estatistica1 chorographica1 heraldica1 archeologica1 historica e biographica da cidade d',aveiro e de todas as villas e freguezias do seu districto4 ,a ,,mulher ,,atravez ,,dos ,,seculos1 estudo historico sobre a condio politica1 civil1 moral e religiosa da mulher2 #a4 parte sociedades primitivas4 ,china1 ,india1 ,persia1 ,assyria1 ,egypto e ,israel4 ,a seis de ,fevereiro de #adeb nasceu em ,lisboa1 no pao d',alcaoba1#a ,d4 ,joanna de ,portugal4 ,a nova do nascimento foi alegre e enthusiasticamente celebrada1 a ponto da recordao do tristissimo drama de ,alfarrobeira ser quasi que totalmente deslembrada4 ,os laos conjugaes entre ,affonso ,v e ,d4 ,izabel de ,lencastre estreitaram-se de forma1 que murcharam de todo as esperanas alimentadas pelos inimigos do ,infante ,d4 ,pedro1 de verem realisado o divorcio por elles to aconselhado#b e sempre to nobremente repellido pelo futuro vencedor d',arzilla4 ,affirmam os seus biographos que ,d4 ,joanna foi no bero jurada princeza herdeira pelos ,tres estados do reino4 ,a falta de successores cora1 obrigou el-rei seu pae1 diz ,caetano de ,sousa1 a que no bero fosse jurada em crtes ,princesa herdeira do reino1 titulo com que sempre foi conhecida1 ainda depois de nascido o ,principe ,d4 ,joo#c4 ,e foi logo jurada por ,princeza por todos os estados do reino1 que acertaram achar-se juntos na conjunctura do seu nascimento1 refere fr4 ,luiz de ,souza4#d ,as chronicas do tempo no sanccionam esta affirmativa4 ,ruy de ,pina e ,dameo de ,goes nem sequer noticiam tal juramento2 aquelle diz apenas que ella sempre se chamou ,princeza at #adee1 em que nasceu o ,principe ,d4 ,joo2 este1 que depois do nascimento do ,principe ella teve o titulo de ,infante1 por no lhe pertencer j o que primeiro usara4#e ,talvez que fosse jurada ,princeza pelos fidalgos e mais pessoas que compunham a crte1 no obstante d'isso no restar memoria escripta2 por quem de certo no o foi e pelos ,tres estados porque estes nem estavam reunidos1 nem se reuniram n'esse anno1 nem nos dois annos que se lhe seguiram4#f ,nem mesmo pela delegao d'elles1 ella foi jurada tambem1 porque esta deputao permanente1 como lhe chama o sr4 ,oliveira ,marreca1 no existia j4#g ,amamentada por ,d4 ,mecia de ,sequeira1 ,d4 ,joanna ficou orph de me aos cinco annos de edade4 ,a rainha ,d4 ,izabel1 que1 com o nascimento do ,principe ,d4 ,joo1 havia alfim alcanado sepultura para seu pae sob as abobadas da ,batalha1 cahiu fulminada em ,evora pelo veneno ministrado pelos partidarios do duque de ,bragana1 em #b de dezembro de #adee4h ,poucos dias depois do falecimento de ,d4 ,izabel1 ,d4 ,affonso ,v ordenou que todos os officiaes1 damas e donzeis que estavam ao servio da finada rainha1 passassem para o de ,d4 ,joanna1 a quem deu casa1 como aquella a trazia4#i ,pelo que se deprehende da narrao de ,d4 ,bernarda ,pinheiro#aj1 ,d4 ,joanna1 depois do fallecimento da rainha1 sua me1 assistiu n'um palacio1 separado do de seu pae e irmo1 talvez o de ,s4 ,bartholomeu1 que anteriormente havia sido occupado por suas thias as infantas ,d4 ,leonor1 ,d4 ,catharina1 e ,d4 ,joanna4#aa ,entre as damas mais intimas da rainha ,d4 ,izabel#ab conta-se ,d4 ,beatriz de ,menezes1 senhora de nobre linhagem e elevados dotes do corao e do espirito2 foi a ella que ,d4 ,affonso confiou a educao moral da filha4 ,para seu mordomo-mr nomeou-lhe ,ferno ,telles de ,menezes1 e para governador de sua casa ,d4 ,joo de ,lima1 segundo visconde de ,villa ,nova da ,cerveira4#ac ,o lugar de camareira-mr foi dado a ,d4 ,izabel de ,menezes1 a ,formosa1 que tambem havia sido dama da rainha ,d4 ,izabel4#ad ,se outras provas no tivessemos para avaliarmos os talentos de ,d4 ,joanna1 o espirito esclarecido de seu pae era bastante para nos fazer acreditar que ella recebeu uma educao esmeradissima1 pouco vulgar n'aquelles tempos4 ,no s cultivava com esmero a lingua materna1 mas a latina tambem1 que ento1 alem de ser propriamente dita a lingua da sciencia1 era-o igualmente dos altos dignatarios da egreja e da crte4 ,refere ,d4 ,bernarda ,pinheiro1 que ,d4 ,joanna aos nove annos1 sabendo j grammatica1 comeou com grande cuidado a aprender letras1 e a querer entender latim2 estando no convento de ,jesus trabalhava por haver e mandar copiar muitos livros1 tanto em linguagem1 como em latim1 dando preferencia a estes1 porque ella muito bem o sabia4 ,d4 ,affonso ,v1 que havia tido por mestre o celebre ,matheus ,pisano1 e que sustentava n'um documento publico que as sciencias e a sabedoria a nenhum outro dom podem ser comparadas decerto no deixou de chamar para junto da filha1 afim de lhe cultivarem o espirito1 as maiores celebridades d'ento4 ,d4 ,filippa de ,lencastre1 filha do ,infante ,d4 ,pedro1 havia tambem de necessariamente concorrer immenso para a educao de ,d4 ,joanna1 j com os seus prudentes conselhos de thia extremosssima1 j com as luzes do seu elevado talento e do seu apurado gosto litterario e artistico1 pois esta senhora1 alem de varias obras que traduziu do latim1 escreveu coplas e foi uma notavel illuminadora de manuscriptos4#ae ,d4 ,joanna imitou-a4 ,a sua maravilhosa formosura prestava mais um encanto1 diz ,ferdinand ,dinis1 predileco que no deixou de mostrar por tudo quanto se referia cultura da intelligencia4#af ,fr4 ,luiz de ,sousa diz que ella lia e considerada as vidas e martyrios das virgens1 e tanto se agradava da lico que no queria fallar nem ouvir fallar d'outra cousa1 etc4 ,ao historiador monastico decerto pareceu profana outra qualquer leitura que no fosse a mystica narrao dos feitos das heroinas do christianismo1 e por essa raso limitou a ellas os livros compulsados por ,d4 ,joanna2 parece-nos1 porem1 que no disse toda a verdade4 ,a filha d'um monarcha to illustrado como foi ,affonso ,v1 a mulher que havia recebido uma to apurada educao como ella recebeu1 decerto no se limitava s a lr vidas de santas1 que por signal escaceavam na rgia livraria4#ag ,d4 ,joanna passou o abril da vida instruindo-se e soccorrendo os indigentes4 ,onde houvesse lagrimas para enchugar1 ou orphos para arrancar s garras da miseria1 a sua sombra protectora l estava4 ,milhares de infortunios foram suavisados por ella4 ,aos carceres e hospitaes chegava tambem a sua beneficencia4 ,alli1 pelos seus servidores mais fieis levava o remedio do corpo e a esperana da alma1 o po para a fome e a f para lenitivo s grandes dres4 ,a sua caridade era conhecida de ,lisboa e de ,portugal inteiro2 aquillo a que podia chamar propriamente seu distribuia-o pelos necessitados2 quanto tinha era dos pobres e para os pobres4 ,mereciam-lhe sempre particular compaixo os desgraados que1 havendo sido grandes outrora1 cahiam em pobreza2 e nos soccorros que a estes ministrava que o seu animo compassivo e bondoso melhor se reflectia1 pois protegia-os sem lhes ferir o pondunor1 sem sequer lhes fazer pensar d'onde lhe vinha o inesperado auxilio4 ,do mesmo modo que seu pae1 apparecia ao povo nos lugares publicos1 e escutava com semblante prasenteiro e bom as supplicas dos subditos obscuros1 afim de as depr e advogar perante o regio throno4 ,honrava sempre com todo o pessoal de sua casa as festas e solemnidades da crte4 ,nos seus paos orava e fazia orar ,suas damas pela prosperidade do paiz4 ,recolhida ao seu oratorio particular1 ahi se demorava longas horas em oraes1 e entregue leitura dos livros sagrados1 merecendo-lhe particular estima o ,evangelho de ,s4 ,joo4 ,os trances afflictivos da vida do ,redemptor eram para ella objecto de serias e profundas meditaes1 e em memoria d'elles tomou por divisa uma cora de espinhos4 ,estavam ento muito em uso as divisas1 costume cavalleiresco com que os nobres exprimiam as tendencias do seu espirito4 ,a ,princeza1 segundo fr4 ,luiz de ,souza1 no se quiz desobrigar d'este uso commum2 mas no costume do mundo buscou empreza do cu1 que foi uma cora de espinhos4 ,esta mandou pintar em todos os seus aposentos1 esmaltar em suas joias1 e gravar em sua porta4#ah ,no reinado de ,d4 ,affonso ,v era tal o esplendor das festas da crte portugueza1 que embaixadores estrangeiros confessavam espontaneamente que em paiz algum da ,europa poderiam ser escedidas em magnificencia4#ai ,os saraus eram muito frequentes2 comeavam de ordinario por lautas ceias1 servidas em custosas baixellas de prata1 e terminavam por danas e momos de exquisita inveno4 ,debaixo dos tectos e das abobadas artezoadas1 lavradas de oiro nos pendures e bocetes1 acotovelavam-se as damas1 diz ,rebello da ,silva1 riam pagens1 atravessavam figuras de momos1 pulavam anes ou corcovados1 e teniam os cascaveis dos maninellos e trues4#bj ,d4 ,joanna no permittia que no seu pao1 diz ,d4 ,bernarda ,pinheiro1 se fizessem jogos nem momos de vaidades2 se queria ter sarau1 fazia-o quando seu pae e irmo lh'o vinham dar e ter com ella4 ,e com elles1 duques1 marquezes1 condes e todos os outros senhores e fidalgos1 os quaes como a pao d'uma princeza1 no tendo outra1 vinham assim desenfadar4 ,e tomava muito prazer em seus saraus com el-rei n'estes dias festivos1 e com suas damas e donzellas1 com as quaes a dita senhora ,infante e ,princeza sahia a recebel-os1 toda coberta de sua pompa e reaes vestidos e toucado1 por satisfazer sempre com a vontade e mandado de el-rei seu pae4 ,parece que n'estas festas1 em que sempre danava com el-rei1 ou com o infante ,d4 ,fernando1 seu thio1 ,d4 ,joanna occultava com cuidado1 sob as sedas dos seus vestidos e os brilhantes dos seus colares1 a camisa de grosseira estamenha e os asperos celicios4 99 99 99 99 99 ,a ,africa a terra promettida de ,d4 ,affonso ,v1 diz ,schoeffer1 o objecto de seus desejos1 dos seus planos favoritos e de seus sonhos1#ba finalmente alli1 refere ,rebello da ,silva1 que elle corta uma palma1 que ,d4 ,joo ,i mesmo no julgaria impropria da sua cora militar4#bb ,a conquista d',arzilla1 uma das melhores possesses dos mouros1 n'aquella parte do globo4 ,em #adga depois de haver mandado observar por ,pedro de ,alcaoba e ,vicente ,simes1 o meio mais facil de levar a effeito a desejada conquista1 ,d4 ,affonso preparou a expedio1 composta de quatrocentos e setenta o sete navios e vinte e quatro mil homens de desembarque4 ,contra o voto quasi unanime do seu conselho1 o rei commetteu uma d'aquellas leviandades em que to facilmente se deixava cahir4 ,consentiu que seu filho1 o ,principe ,d4 ,joo1 o acompanhasse1 aventurando assim aos azares da guerra os destinos da cora de ,portugal4 ,por governador do reino ficou o duque de ,bragana1 ,d4 ,fernando4#bc ,alguns escriptores1 entre elles fr4 ,luiz de ,souza1 querem que ,d4 ,joanna fosse a regente1 opinio que alem de no ser seguida por ,dameo de ,goes1 ,ruy de ,pina e outro qualquer chronista1 cahe pela base em presena da carta patente de ,d4 ,affonso ,v1 em que se incumbe a governana do reino ao velho duque de ,bragana4 ,a propria ,d4 ,bernarda ,pinheiro no diz explicitamente que ella ficou regente1 mas sim que el-rei lhe deixou seu reino e tudo ordenado e recommendado como convinha4 ,em #ae de agosto levantou ferro a esquadra com direco a ,africa1 e a #bd do mesmo mez dava-se o assalto1 hasteando-se1 passadas algumas horas de sanguinolento combate em que ,d4 ,affonso ,v combateu com o seu incontestavel valor1 a bandeira da cruz nos miranetes das mesquitas e eirados das torres d',arzilla4 ,tanger1 que resistira a tantos assaltos1 e que vira do alto dos seus muros1 no reinado de ,d4 ,duarte1 o desastre dos infantes1 e o captiveiro d'um d'elles1 ,tanger cortada de temor1 despejou-se repentinamente1 e ,d4 ,joo1 depois marquez de ,montemr1 recebia das mos victoriosas do rei os estandartes portuguezes1 para os hastear n'aquellas ameias desamparadas4#bd ,a feliz nova de que ,affonso ,v engastara na sua dupla cora de rei e de cavalleiro duas joias de to pura agua como eram ,tanger e ,arzilla1 foi em ,portugal alegremente recebida4 ,d4 ,joanna que na capella dos seus paos havia mandado fazer preces publicas pelo bom exito da expedio1 communicou logo camara e cidade de ,coimbra o resultado d'ella4#be ,regulada a administrao e defeza das praas conquistadas1 o rei voltou ao reino1 onde o esperava a mais brilhante recepo que at ento entre ns se havia presenciado4 ,os vencedores1 diz ,dameo de ,goes1 foram recebidos com procisses e grandes festas1 que em louvor de ,deus1 e lembrana de to assignalada victoria por muitos dias se celebraram por todo o reino4#bf ,d4 ,joanna1 vestindo um habito de rico veludo verde1 e ostentando na cabea e no collo os melhores brilhantes do real thesouro1 foi esperar el-rei ao desembarque4 ,acompanhava-a sua thia ,d4 ,filippa e bem assim todas as damas1 donzellas e fidalgas de sua casa4 ,contava ento desoito annos1 e a tradico e a historia apresentam-nol-a formosissima4 ,vastos cabellos loiros naturalmente annelados1 presos em redor da cabea por uma fita de seda cravejada de rubis cahiam-lhe soltos pelas costas abaixo segundo a moda d'ento4 ,o rosto era oval1 alvo1 ainda que um pouco rosado2 os olhos eram verdes e formosos2 o nariz digno rival da estatuaria grega e a bocca1 pequena1 entreabria-se n'uns labios purpurinos4 ,a estatura era um pouco alta1 mas donairosa2 o seu trajar simples1 mas sempre elegante4#bg ,alguns mezes depois eram taes as necessidades do estado que se pensou na conveniencia de reduzir as despezas a que ,d4 ,joanna era obrigada a fazer1 tendo casa como se fosse rainha4 ,foram diversos os alvitres apresentados1 resolvendo-se afinal que ella entrasse num mosteiro em habito secular1 em quanto no casava1#bh indo-se assim de accordo no s com as suas tendencias asceticas1 mas tambem com os desejos que mais uma vez havia manifestado1 de trocar a purpura pela estamenha4 ,no era novo o exemplo4 ,as ,infantas ,thereza1 ,sancha1 ,mafalda1 ,branca e ,maria1 aquellas filhas de ,d4 ,sancho ,i1 e estas de ,d4 ,affonso ,,iii1 haviam trocado tambem a crte pelo claustro4 ,alem d'isto acto de abnegao praticado por ,d4 ,izabel a santa rainha de mistura com a repentina resoluo de algumas damas mais illustres1 que n'esta poca abandonaram ,lisboa a fim de professarem nos differentes mosteiros do paiz1 fez com que ,d4 ,joanna recebesse jubilosa a resoluo do real conselho4 ,escolhido o mosteiro de ,odivellas1 para residencia da ,princeza1 por ahi viver sua thia ,d4 ,filippa1 diz ,dameo de ,goes que el-rei a foi visitar com o ,principe1 e lhe disse o que no conselho se ordenara cerca da ordem de sua casa e modo do estado da sua pessoa1 pelo que ella lhe beijou a mo1 dizendo-lhe que n'isto lhe fazia grande merc1 porque sua teno e vontade fra sempre de servir a ,deus em religio4#bi ,resolvida a deixar para sempre a crte1 ,d4 ,joanna distribuiu entre as damas de sua casa os seus vestidos e joias1 e despachou com el-rei os fidalgos e officiaes1 com a maior vantagem e favor que poude1 diz fr4 ,luiz de ,souza4#cj ,em #adgb entrou no mosteiro de ,odivellas1 onde foi recebida com todas as honras inherentes ao seu alto nascimento4 ,foi porem curta aqui a sua estada4 ,logo que sahiu do pao deu a conhecer que o mosteiro em que queria viver era o de ,jesus de ,aveiro e no aquelle1 porem por motivos que nos so desconhecidos no poude logo realisar o que desejava4 ,o convento de ,jesus havia ento poucos annos que fra fundado2 podia-se apresentar como exemplo de pobreza e austeridade e ao mesmo tempo como asylo das damas mais illustres de ,portugal1 em cujo numero se contavam ,d4 ,leonor de ,menezes1 filha do segundo conde de ,vianna ,d4 ,duarte de ,menezes1 que ahi professou e veio a ser mais tarde prioreza4 ,parece ser esta senhora a causa principal de ,d4 ,joanna preferir ,aveiro a ,odivellas1 pelo menos essa a opinio mais seguida4 ,obtida a permisso para vir para o convento de ,jesus1 ,d4 ,joanna deu-se pressa a communical-a prioresa ,dona ,beatriz ,leito4 ,nos fins de julho de #adgb chegou a ,princeza a ,aveiro2 acompanhavam-a1 alem da crte1 o rei e o principe1 ,d4 ,filippa de ,lencastre1 e soror ,mecia d',alvarenga1 religiosa de ,odivellas1 e ,d4 ,mecia de ,sequeira1 sua ama4 ,no dia #d de agosto1 teve lugar a entrada no mosteiro1 que foi com a maior solemnidade e lusimento4 ,el-rei e o ,principe foram os unicos que entraram1 acompanhando-a1 precedidos da communidade1 at aos aposentos que lhe estavam destinados1 que eram a casa denominada das finadas1 por ento no haver outra devoluta1 nem melhor1 diz ,d4 ,bernarda ,pinheiro4 ,era o mosteiro mui estreito1 refere fr4 ,luiz de ,sousa1 para aposentar uma ,princeza1 mas ella entrou to humildemente1 que tudo lhe parecia grande2 concertaram-lhe uma casa1 que ficava junto capella-mr2 aqui fez logo armar um oratorio1 e na parede abriu uma pequena fresta que lhe servia de tribuna para ouvir os officios ,divinos4#ca ,seu trajo era j dominico1 quando entrou1 vasquinha branca e saio preto1 de panno pouco custoso2 os cabellos ennastrados1 recolhidos em coifa de leno1 e toalha lanada2 como tudo era to honesto1 no mudou nada4 ,nas festas descia muitas vezes ao cro1 e tomava assento no esquerdo1 entre as novias1 e nas ultimas cadeiras4#cb ,soror ,mecia d',alvarenga ficou vivendo no convento com ,d4 ,joanna2 ,d4 ,filippa de ,lencastre e ,d4 ,mecia de ,sequeira1 essas ficaram tambem por algum tempo em ,aveiro1 mas fra da clausura4 ,algumas creadas que havia trasido comsigo de ,odivellas1 mandou-as ficar na villa1 mais por amor e para lhes fazer bem e merc1 que por necessidade do seu servio1 diz fr4 ,luiz de ,sousa4 ,d4 ,filippa visitava-a amiudadas vezes e parece que tambem algumas vezes o fizera o ,principe ,d4 ,joo antes della tomar o habito1 o que muito lhe recommendara que no fizesse4 ,nos primeiros dias de #adge2 ,d4 ,joanna mostrou immensos desejos de tomar o habito4 ,discutido o assumpto pela communidade reunida em capitulo1 determinou ella que a solemnidade tivesse lugar em #be de janeiro1 por n'esse dia a egreja resar da converso de ,s4 ,paulo4 ,chegou o dia1 e bem podemos dizer1 diz fr4 ,luiz do ,souza1 que foi o mais formoso1 e o mais alegre1 que nunca aquella casa teve4 ,viu-se n'elle uma ,princeza jurada de um reino1 sendo encontrada de pae rei1 e irmo ,principe1 thios ,infantes1 e a despeito de toda uma provincia1 buscar a pobreza e humildade de ,christo1 lanar-se por terra1 e aos ps de uma pobre mulher1 pedir-lhe por misericordia uma mortalha4 ,comeou a cerimonia depois do uma devota pratica da ,prioreza1 com se chegar a ella a ,princeza1 e offerecer-lhe a cabea para dar os cabellos de ouro em penhor1 e primicias do sacrificio1 que se fazia a ,deus4 ,cortou-lh'os a ,prioreza1 mas com tantas lagrimas1 que quasi que nem os olhos viam1 nem as mos acertavam o que faziam4 ,no eram menos as de toda a communidade1 nem as da novia2 porem com esta differena1 que as da novia eram de consolao e alegria1 as da ,prelada1 subditas de devoo1 de espanto e de compuno4 ,com as mesmas lhe foi vestido o habito4 e no remate1 abraando e dando paz com humildade a todas1 se foi com ellas em procisso ao altar4#cc ,comeou a ,princeza desde este dia um mui austero1 e esquivo genero de vida1 no s por qualidade to alta e compleio to delicada1 como era a sua1 mas para quem no nascimento tivera humilde sorte1 e nas foras muita robustez1 espelho em que se deviam vr1 e a elle compr vidas e costumes1 todos os sugeitos que buscam a religio4 ,os que nasceram grandes para se saberem humilhar1 e os pequenos para se lembrarem sempre da pobreza do seu p1 e no pretenderem elevar-se onde os maiores se abatem4444444444444444444444444444444444 44444444444444444444444444444 4444444444444444444444444444444444444444 44444444444444444444444444444 ,famoso exemplo nos deixou esta ,princeza2 do dia que vestiu o santo habito1 nunca mais se deixou visitar1 nem tractar de nenhum senhor1 nem outro secular do reino2 nunca mais trouxe pea de ouro1 nem de prata1 e at o titulo de ,infante quizera deixar1 7porque o de ,princeza muito tempo havia que o tinha deixado7 se a ,prioreza lh'o no tolhera4 ,no habito1 nas tunicas1 na cama e em todo o trajo2 no servio de casa1 e communidade1 nenhuma differena fazia da mais pequena e humilde novia4 ,habito curto1 e sem fralda1 tunicas de sarja1 cama sem nenhum genero de leno1 pantufos baixos de inverno1 sapatas de sola no vero 7quem crra isto hoje1 ainda em uma mulher ordinaria74 ,no cro fazia todos os officios das mais novias1 assim como lhe cabia por seu turno3 dizia versos1 7antiphonas71 registrava as horas1 cantava kalendas1 accendia vellas1 levava os ceriaes1 cruz e agua benta2 no refeitorio servia quando lhe tocava1 ajudando a companheira quanto suas foras1 quando no eram mui fracas1 abrangiam4 ,ao comer1 tomava sua pitana como cada uma das outras novias2 se lhe juntavam diante mais alguma cousa1 como era fazer differena em respeito da sua pessoa1 ou a dava freira mais visinha1 ou a deixava sem lhe tocar4 ,para no faltar em nenhuma occupao da communidade1 aprendeu a fiar1 e a coser e lavrar4 ,e como o sangue nobre para tudo mais habil se se applica1 sahiu grande mestra2 e do seu fiado se faziam corporaes para os altares4 ,chegou a amassar o po1 lavar a roupa1 varrer as casas1 para que corresse o trabalho egualmente por todas2 e se acontecia metter-se lenha em casa1 ou trigo1 e ainda que fosse tijollo1 telha e barro1 que as religiosas1 por no entrarem dentro seculares1 e por que no usavam ainda ento servidoras1 nem de escravas1 costumavam por suas mos acarretar1 accudia com alegre rosto a ajudar1 e levar sua parte1 louvando umas1 animando outras1 e dando exemplo de humildade a todas4 ,veio-se a saber na villa1 e logo por todo o reino1 que estava novia1 com cabellos cortados e habito vestido4 ,foi estrondo1 e nunca visto o sentimento1 que por toda a parte causou4 ,entre os moradores da villa houve pranto geral4 ,os criados1 e criadas se encerraram1 e vestiram de pano de d1 como se a viram enterrar4 ,a senhora ,d4 ,felippa no quiz mais visital-a1 ou de sentida do feito1 ou de receiar ser havida por consentidora d'elle2 e poucos dias depois se foi da ,villa2 e deu ordem com a ,prelada de ,odivellas1 que lhe tirasse a amiga ,d4 ,mecia d',alvarenga4#cd ,mal se divulgou nas provincias que ,d4 ,joanna havia tomado o habito1 muitas e importantes povoaes mandaram a ,aveiro representantes seus afim de protestarem contra uma tal deliberao4 ,chegados que foram aqui1 dirigiram-se ao convento1 onde foram recebidos na ,casa da ,roda pela ,prioreza ,d4 ,beatriz ,leito1 a quem asperamente censuraram1 chegando a ameaal-a com o lanarem o fogo ao convento se ella no fizesse com que ,d4 ,joanna despisse o habito4 ,d4 ,beatriz desculpou-se o melhor que poude1 dizendo que no tinha feito mais do que obedecer s ordens da ,princeza2 estas explicaes satisfizeram em parte os representantes dos concelhos1 que se retiraram em seguida1 depois de haverem feito lavrar instrumentos publicos pelos tabelies que comsigo haviam trazido1 pelos quaes o ,convento se obrigou a no pr estorvo algum nem demora sahida da ,princeza em qualquer tempo que se tornasse necessario para bem do reino4 ,veio depois o ,principe ,d4 ,joo1 trazendo em sua companhia alguns dos principaes fidalgos e varios bispos1 dos quaes um era o d',evora1 ,d4 ,garcia de ,menezes4 ,entrou iradissimo no convento1 e sahindo-lhe ao encontro a ,prioreza1 reprehendeu-a asperamente tambem1 perguntando-lhe como a tal se atrevera4 ,ella toda cheia de humildade1 mas humildade que no avilta1 antes enobrece1 respondeu-lhe3 ,senhor1 a senhora ,princeza1 jurada herdeira do throno1 por ns todas obedecida1 como se fosse ,rainha de ,portugal3 a senhora ,princeza mandou1 senhor1 e soror ,beatriz cumpriu4 ,d4 ,joo1 surprehendido com esta to respeitosa submisso1 passou aos aposentos de ,d4 ,joanna1 que sahiu a recebel-o1 fazendo-se fora1 diz ,sousa1 por mostrar alegria com sua vinda3 porm elle1 pondo os olhos n'ella1 e quando lhe viu o rosto secco1 pallido e enfiado1 effeitos do rigor com que vivia1 e notou a pobreza do vestido1 a novidade do toucado1 no poude conter as lagrimas2 e trocada a paixo pela ira1 com que vinha1 em uma no cuidada brandura1 fallou-lhe amorosamente1 pedindo-lhe que deixasse aquelle genero de vida e trajo1 com que tinha desgostado a seu ,pae1 e a elle1 inquietado e alterado todos os ,estados do ,reino3 que lhe lembrasse a necessidade que havia da sua pessoa para na falta d'elle ,principe3 caso em que estava obrigada1 no s a cortar por seu gosto1 pelo dar a tantos1 mas ainda a sacrificar-se4 ,que folgasse de agradar a um ,pae velho1 que muito lhe queria2 fazer a vontade a um irmo enfermo1 e sem filhos1 e no desprezar os requerimentos de um ,reino inteiro4 ,respondeu a ,princeza com poucas1 e humildes palavras1 como a ,principe1 que reconhecia por ,senhor1 e como a irmo1 que muito amava2 que bem sabiam ,el-,rei seu ,pae1 e elle1 que era to antigo n'ella o amor da vida religiosa1 como o uso da raso2 que a esta conta de beneplacito de ambos1 e com sua licena1 de longo tempo requerida1 viera para aquella casa4 ,e sendo assim1 bem deviam entender1 que no podia estar bem a sua pessoa1 entrando em companhia de professas de estado austero1 e rigoroso estar vista de seus trabalhos1 sem tomar parte n'elles2 e viver em casa de religio1 isempta das obrigaes d'ella3 que fazendo conta1 que ambos d'isso eram contentes1 comeara aquella vida1 vida que buscara com vontade1 e proseguia com gosto2 e ajudando-a ,deus levaria ao cabo1 com a firmeza1 e constancia1 que devia a seu sangue3 e assim pedia a sua alteza fosse servido parecer-lhe bem4 ,estas rases e as lagrimas piedosas1 com que as acompanhava1 atalharam o principe de sorte1 que no mais fez instancia4 ,mas tomando a ,princeza pela mo levou-a para uma varanda4 ,alli chamou o bispo de ,evora ,dom ,garcia de ,menezes1 que com outros senhores o viera acompanhando1 e queixou-se-lhe da dureza1 que achara n'ella4 ,tomou ento o bispo a mo1 e como era dotado de singular eloquencia1 de que at nossa edade chegaram vestigios 7devia cuidar1 que esperava o ,principe elle dsse fim a esta empreza7 comeou a propor-lhe com elegantes1 e bem pensadas palavras toda a substancia das que o principe tinha dito1 e ajuntando outras rases de vivo e esperto engenho3 e emfim resolvendo com termo demasiado livre1 que se todavia insistisse em proseguir um genero de vida1 que tinha mais de apetite1 e meninice1 que de prudencia de ,princeza1 e em querer passar os termos da obediencia1 que devia a el-rei1 como filha a seu pae1 e como qualquer vassallo a seu rei1 e senhor natural1 que para isso estava alli o ,principe para lhe no soffrer1 que tivesse mais habito1 nem religio1 nem mosteiro4 ,viu-se n'este passo o que tanto de antemo avisou ,christo a seus discipulos no santo ,evangelho2 quando por causa sua se achassem diante dos reis1 e grandes do mundo1 no se matassem por estudar respostas a seus ditos1 que elle se obrigava a dar-lh'as feitas1 e postas nas linguas4 ,revestiu-se a ,princeza de um brio real e valor senhoril1 que bem pareceu communicado do cu1 e respondeu-lhe assim3 ,bispo reverendo1 tudo o que me tendes dito1 devo1 e quero crer por obrigao de christ1 que vol-o faz dizer o zelo que tendes do servio de el-rei meu senhor1 e pae1 e do bem de seus povos1 e por esta parte no mereceis reprehenso2 mas que conta haveis de dar a ,deus1 sendo successor de ,christo ,jesus seu filho no habito de sacerdote1 e profisso de prelado atreverdes-vos a persuadir-me uma cousa to encontrada com as obrigaes1 que prometestes1 que jurastes8 ,como havieis de desculpar com vossa consciencia atissardes o fogo da ira do ,principe meu senhor1 e irmo1 com rases mais apparentes1 que verdadeiras1 mais artificiosas1 que bem fundadas1 s porque vos parece1 que o agradaes n'isso8 ,vs1 que tinheis obrigao1 como padre espiritual1 de o mitigar1 e trabalhar1 que no chegasse a colera a inficcionar-lhe a alma1 e commetter culpa contra ,deus3 vs1 que como outro ,ambrosio deverieis aconselhal-o1 que temesse entrar por estes claustros sagrados1 se no fosse a honral-os1 e veneral-os2 e fazei-o tanto ao revs1 que em sua presena1 e minha1 tendes bocca para fallar em tirar habito1 e religio2 e no tendes considerao para vr1 que o haveis com um ,deus1 que vos pode castigar 7e temei-o muito7 s pelo que dizeis2 e a el-rei meu senhor s por me conservar n'este estado1 que com sua licena busquei1 havieis de ter por f 7se sentis bem d'ella7 que dar vida e honra1 e novas victorias3 e ao ,principe muitos filhos1 e ntos1 e saude e vida para os vr e lograr4 ,se os ecclesiasticos no discursam1 como ecclesiasticos1 no fallam como ecclesiasticos1 que se ha de esperar do vulgo8 ,se a vossa theologia vos ensina1 que nem nas cousas humanas se move a folha d'uma arvore sem vontade de ,deus1 como nas divinas1 e no que foi inspirao do cu1 e quasi nascida comigo1 haveis de pr nome de apetite8 ,estando escripto1 que nem o nome de ,jesus podemos pronunciar1 nem vs1 nem eu1 sem especial movimento do ,espirito ,santo4 ,se isto ignoraveis1 no merecieis de mim resposta2 e se o sabieis1 como sei que sabeis1 mereceis nome de adulador para com o ,principe1 e de enganador para comigo4 ,e qualquer que seja vossa teno e entendimento1 sabei de certo 7e com isto concluo7 que a causa de ,deus1 que se no sujeita a poderes humanos3 e pela mesma raso no haver nenhum na terra1 que me tire o proseguil-a3 e se elle fr servido1 que me custe a vida tal demanda1 isso terei por ventura1 por reino e por imperio4 ,assim concluiu a ,princesa1 e com a ultima palavra fez signal de se querer recolher1 porque enxergava no gesto do irmo enfiado ondas de nova paixo4 ,parece que houve por dito contra si tudo o que a ,princeza respondeu ao ,bispo2 sentiu-se1 e desconfiou de vr sua inteireza e liberdade2 e vr juntamente ficar o ,bispo corrido1 e pouco airoso com o que ouvira4 ,dizem que soltou contra ella muitas palavras pesadas1 e foi uma1 que em pedaos lhe havia de tirar o habito1 e assim a deixou4 ,desbaratam muito a saude corporal desgostos da alma1 e se estes cahem sobre vida acossada de trabalhos1 como acham materia disposta1 so os effeitos maiores1 e mais nocivos4 ,tinha esta ,senhora passado alguns mezes de novia com to rigoroso tractamento de sua pessoa1 que toda a communidade havia por impossivel chegarem ao cabo do anno membros to fracos1 e compleio to delicada4 ,e com tudo a fora do espirito1 e gosto1 que tinha de se dar a ,deus1 fazia1 que levasse alegremente tudo1 e se vencesse a si mesma4 ,mas como se juntou o sobresalto dos povos1 e desamparal-a sua thia1 e a indignao do ,principe1 rendeu-se1 e acurvou a natureza1 opprimida de tantos males juntos3 como acontece sossobrar o navio com demasiado pezo1 e arrebentar a pea de bronze1 se lhe lanam mais carga daquella com que pode4 ,passados poucos dias depois de ido o ,principe1 adoeceu gravemente4 ,a noticia da doena chegou aos ouvidos de ,d4 ,affonso ,v4 ,differentes prelados e physicos distinctos foram logo enviados a ,aveiro1 e1 chegados aqui1 decidiram em conferencia que ,d4 ,joanna no podia continuar a vida que at ento levara1 pois a sua existencia corria grave risco se continuasse a insistir em querer professar4 ,d4 ,joanna1 tendo conhecimento do que se havia deliberado a seu respeito1 consultou o ento vigario geral da ordem1 fr4 ,anto de ,santa ,maria1 homem de grande saber e ainda de maior virtude1 se devia continuar o seu anno de provao1 se despir o habito4 ,o sabio religioso1 ouvidos os padres mais qualificados1 fez-lhe vr que1 visto estar to debilitada pela doena e ser de natureza to franzina1 como manifestamente se via1 no poderia cumprir com os encargos e austeridades da ordem1 ficava em consciencia obrigada a deixar a pretenso1 que tinha de professar n'ella4 ,d4 ,joanna recebeu pesarosa a ordem do ,geral2 o seu espirito estava j de todo absorto em sensaes mysticas1 para no lhe parecer cruel uma tal determinao4 ,mas humilde como sempre obedeceu de prompto ao que se lhe havia ordenado4 ,reunida a communidade no seu oratorio particular1 apresentou-se ,prioreza1 e de joelhos e banhada em lagrimas1 declarou-lhe que por obediencia e no por vontade desistia de professar2 e tirando o habito collocou-o sobre o altar1 tudo com um respeito to devoto1 que revelava bem quanto lhe custava deixal-o1 diz fr4 ,luiz de ,sousa4 ,passados que foram alguns dias1 tornou a vestir o habito1 mostrando assim que o trazia por devoo e no por obrigao4 ,nos fins da primavera de #adgi a peste oriental que havia annos j assolava ,portugal1 entrou em ,aveiro com o seu funebre cortejo de calamidades4 ,havendo-se desenvolvido em ,esgueira1 de uma maneira verdadeiramente assustadora1 principiou a fazer sentir aqui os seus horrorosos effeitos1 ainda que com menos intensidade4 ,infelizmente1 todas as condies hygienicas de ,aveiro1 eram de forma para fazer receiar o desenvolvimento do fatal contagio4 ,a villa1 como a maioria das povoaes de ento1 com as suas altas muralhas e fossos profundos1 com as suas ruas e viellas estreitas e immundas1 cerrada por todos os lados de pantanos1 estava adquada sobremaneira para a epidemia se desenvolver espantosamente1 como com effeito se desenvolveu4 ,d4 ,affonso ,v1 vendo o risco eminente que corria sua filha1 permanecendo aqui1 ordenou que sem demora abandonasse o convento e a villa e se dirigisse ao ,alemtejo1 ainda no inficcionado1 e aos ,bispos1 de ,coimbra e do ,porto1 bem como a varios fidalgos visinhos que se lhe apresentassem para a acompanharem4 ,tendo ella escrupulisado em dar cumprimento quella determinao1 diz ,d4 ,bernarda ,pinheiro1 e chegando isto ao conhecimento do ,provincial1 veio aqui com alguns religiosos mais auctorisados1 e lhe fizeram vr1 que devia cumprir o que lhe era ordenado2 pois mesmo que quizesse fazer sacrificio da sua vida1 cuidando que ,deus lha aceitaria1 tal sacrificio no era meritorio1 por lhe faltar a devida obediencia1 a qual devia muito escrupulisar1 de no satisfazer1 principalmente sendo o preceito to justo1 pois vinha de quem podia mandal-a e tinha por fim prevenir o gravissimo prejuizo1 que poderia seguir-se ao reino se a sua pessoa fosse victima da peste2 e podia levar comsigo1 as religiosas que quizesse1 mesmo a ,prioreza2 e n'esta occasio o dito ,provincial as intimou por santa obediencia para que nenhuma se recusasse4 ,feitos os necessarios preparativos1 ,d4 ,joanna deixou o convento de ,jesus em #bg de setembro1 e dirigiu-se a ,aviz4 ,alem dos ,bispos do ,porto e ,coimbra1 e varios fidalgos e escudeiros1 acompanharam-n'a ,d4 ,beatriz ,leito e mais algumas religiosas1 e bem assim sua ama ,d4 ,mecia de ,sequeira4 ,viajava sempre em andas#ce cerradas1 cobertas de panno azul escuro1 pois ento entre ns ainda se no havia introduzido o uso das carruagens4 ,depois de alguns mezes de residencia em ,aviz1 partiu para ,abrantes1 aonde em #c de agosto de #adhj falleceu a ,prioreza ,d4 ,beatriz que comsigo levara1 e passados alguns dias depois de haver orvalhado com muitas lagrimas a sepultura d'aquella virtuosa senhora1 voltava ao convento de ,jesus1 por haver noticia que a peste havia finalmente abandonado ,aveiro4 ,no anno seguinte de #adha perdia el-rei seu pae1 fallecido a #bh de agosto no pao de ,cintra1 na propria camara que em que havia nascido4 ,feitas que foram na egreja do convento as exequias solemnes pelo eterno descano do que fra seu pae e rei1 mandou alli alguns frades do convento de ,nossa ,senhora da ,mizericordia e differentes fidalgos1 cumprimentar o novo monarcha1 e prestarem-lhe em seu nome juramento de fidelidade4 ,d4 ,joo ,,ii recebeu prasenteiro e agradecido os emissarios de sua irm1 e por elles mesmos lhe fez saber que procuraria ministrar-lhe1 to depressa as circumstancias do real thesouro o permitissem1 os meios de que carecesse para poder sustentar1 como era mister1 o decoro inherente sua pessoa4 ,d4 ,affonso ,v havia declarado em seu testamento1 que no instituia sua filha herdeira em cousa alguma porque1 segundo o costume do reino1 tudo o que possuia o rei passava a seu filho primogenito1 o qual tinha o encargo de manter e agasalhar todos os outros irmos4#cf ,o novo rei cumpriu cavalheirosamente as disposies testamentarias de seu pae1 como mostraremos1 e se no o fez logo porque lhe foi totalmente impossivel fazel-o4 ,a nobreza estava senhora absoluta de ,portugal inteiro2 quasi que todos os rendimentos do estado eram absorvidos por ella2 taes haviam sido as doaes1 tenas e moradias concedidas por ,d4 ,affonso ,v4 ,de seu filho pode-se dizer com justificada raso1 que herdou de seu pae unica e simplesmente1 as estradas de ,portugal4 ,antes poucos dias de ,d4 ,joo subir ao throno1 nasceu-lhe um filho illegitimo1 ,d4 ,jorge de ,lencastre1 de ,d4 ,anna de ,mendona1 mulher muito fidalga1 e moa formosa de mui nobre gerao1 diz ,garcia de ,rezende4#cg ,os primeiros vagidos de ,d4 ,jorge despertaram logo no corao de ,d4 ,joo ,,ii aquelle intenso amor que mais tarde o levaram a tentar legitimal-o1 para lhe poder succeder no throno1 o que no se chegou a realisar pela resistencia tenacissima que a isso oppoz a rainha ,d4 ,leonor4 ,por escusar desgostos caseiros--escreveu fr4 ,luiz de ,souza1--determinou 7el-rei7 tirar diante dos olhos o ,principe4 ,este meio de tirar deante dos olhos para evitar desgostos caseiros vulgar1 diz o sr4 ,alberto ,pimentel1 em reis e vassallos4 ,o que no vulgar encontrarem os bastardos de uns e outros1 educadora to carinhosa e meiga como a ,princeza ,santa ,joanna1 que no mosteiro de ,aveiro recebeu e educou o sobrinho4#ch ,o pedido de ,d4 ,joo ,,ii para que o futuro ,mestre de ,s4 ,thiago fosse educado no convento de ,jesus1 foi feito a ,d4 ,joanna por o ento ,provincial dos ,dominicos e que em tempo fra tambem confessor de el-rei seu pae4 ,obtidas as licenas necessarias1 mandou ,d4 ,joanna preparar-lhe aposentos por cima da casa da roda1 para onde veio1 no tendo ainda trez mezes1 diz ,d4 ,bernarda ,pinheiro1 no trazendo em sua companhia ninguem mais do que a ama que lhe dava leite1 mulher d'aqui natural4 ,em #adhe desenvolveu-se de novo a peste em ,aveiro1 e ,d4 ,joanna viu-se obrigada a deixar o seu convento4 ,todos os seus biographos1 incluindo mesmo ,d4 ,bernarda ,pinheiro1 affirmam que ella se retirou para o mosteiro das religiosas dominicas da cidade do ,porto4 ,parece-nos que no dizem toda a verdade4 ,alli no havia nem nunca houve mosteiro algum de religiosas dominicas2 alem d'isto1 no archivo da camara de ,coimbra existe uma carta autographa de ,d4 ,joanna1 datada de #ad de janeiro d'aquelle anno1 em que agradece aos vereadores d'aquella cidade a boa vontade que tinham ao seu servio1 e lhes offerece tambem a sua para com a cidade1 na villa de ,monte-mr 7velho7 para onde el-rei a mandara ir4#ci ,de ,monte-mr dirigiu-se a ,alcobaa onde el-rei ento estava1 deixando comtudo alli seu sobrinho ,d4 ,jorge4 ,diz-se geralmente que fra o chamamento de ,d4 ,joo ,,ii que alli a levara1 e a causa d'isto as negociaes d'um projectado casamento com ,ricardo ,,iii de ,inglaterra4 ,todos os biographos de ,d4 ,joanna so concordes em que ella fosse pedida em casamento por differentes ,principes da ,europa1 e bem assim nos successos milagrosos que foram a causa principal na sua opinio1 d'elles1 de se no chegarem a realisar4#dj ,a historia sria1 debaixo do ponto de vista humano1 a historia1 como no seculo ,,xix se escreve1 e como diz o sr4 ,pinheiro ,chagas1 no acceita nem regeita estes factos milagrosos1 passa-lhe de largo2 por isso abster-nos-hemos de apreciar aquillo que em materia de to alta transcendencia se no basear em documentos sobre cuja autenticidade no haja a maior duvida4 ,no existe documento algum1 ou ainda mesmo qualquer referencia nos chronistas contemporaneos1 por onde se prove que ,d4 ,joanna foi pedida em casamento4 ,todos os escriptores que se occuparam de ,d4 ,joanna1 e que foram muitos1 principalmente os que escreveram anteriormente ao seculo ,,xviii1 affirmam que ,luiz ,,xi e ,carlos ,,viii1 de ,frana1 ,frederico ,,vi1 d',allemanha1 e ,henrique ,,viii1 de ,inglaterra1 a pretenderam para esposa4 ,aquellas affirmativas1 em quanto a ns1 baseam-se unica e simplesmente na tradio1 mas na tradio adulterada pelo espirito dos chronistas monachaes1 cujo fim principal era sempre referir s o bem1 e admittir facilmente prodigios1 de forma que na mr parte das chronicas regulares1 como diz um dos mais brilhantes luminares que o episcopado portuguez tem tido1#da se destacam tantos milagres absurdos em muitos casos para no dizer ridiculos1 recebidos sem exame1 abraados com pouco credito do entendimento1 propostos ou antes apregoados com mais boa f e singeleza do que discripo#db4 ,os biographos de ,d4 ,joanna sahidos com rarissimas excepes dos claustros1 no podiam talvez deixar de cercar de successos milagrosos o vulto sympathico da filha de ,affonso ,v1 e s assim que se explica a sua convico1 alis na apparencia sincera1 com que relatam factos1 que de forma alguma podiam ter lugar1 como so os do casamento com alguns d'aquelles monarchas4 ,seria demasiado longo1 e at mesmo fastidioso1 o rebater1 n'esta parte1 os biographos1 cada um de per si1 e mesmo porque todas as suas affirmativas esto compendiadas na ,historia de ,s4 ,domingos1 pelo classico e brilhante chronista d'esta ordem4 ,fr4 ,luiz de ,sousa1 seguiu verdade1 pela vereda dos mais chronistas1 mas fel-o to primorosamente1 escreveu num estylo to arrebatador1 que a elle s podemos e devemos pedir as narraes dos factos de que nos estamos occupando e que temos de condemnar como absurdos4 ,escreve fr4 ,luiz de ,souza3 ,entraram n'esta conjunco em ,lisboa embaixadores de el-rei de ,frana ,ludovico ,undecimo4 ,era a misso da embaixada1 que el-rei houvesse por bem1 que para mais firmeza de amor1 e1 paz1 que entre as duas coras havia1 interviesse novo vinculo de sangue1 contrahindo-se matrimonio entre a ,princeza ,dona ,joanna1 e o ,delfim de ,frana 7tal o titulo dos ,principes d'aquelle reino74 ,no havia quem duvidasse em estar bem o negocio a el-rei ,d4 ,affonso seu pae1 e ao reino1 e mesma ,princesa2 s ella1 quando seu pae lho communicou para saber sua vontade1 ficou dentro em sua alma com sobresalto1 e desconsolao4 ,mas sem dar a entender o que sentia1 desviou o tracto com rases to sabias1 que el-rei ficou satisfeito d'ellas1 e de sua teno1 no descontente4 ,disse1 que o ,principe ,dom ,joo seu irmo era moo1 e enfermo2 e parecia temeridade1 em quanto no tinha edade para casar1 nem disposio1 e saude firme1 desterrarem-n'a a ella para to longe1 sendo1 como era herdeira e successora do reino2 que se podia responder aos francezes com palavras geraes de boa amizade1 e gosto do parentesco2 porem differindo a resoluo1 e dando por causa os poucos annos do ,delfim1 que no eram mais de quinze1 e tambem os d'ella2 que havia mister ser mais crescida1 e ter mais pratica do que lhe convinha saber para tal estado1 e para em terras estranhas4 ,instou el-rei todavia1 e porfiou1 porque no tinha por acertado perder tal occasio4 ,mas emfim1 considerando de vagar a resposta da ,princeza1 foi julgada por mais conveniente1 e seguida por todos os do conselho4 ,era rei dos romanos ,miximiliano1 filho do imperador ,frederico1 e da infanta ,d4 ,leonor1 irm de el-rei ,d4 ,affonso1 diz fr4 ,luiz de ,souza2 como nascido de portugueza1 e affeioado ao reino1 desejou casar n'elle4 ,houve da sua parte muitas instancias1 que a ,princeza rebateu com seu valor1 e emfim as desviou outro casamento1 que se offereceu ao pretensor1 e teve effeito com herana do senhorio de ,borgonha e ,flandres2 porem1 no tardaram outras que lhe deram maior cuidado4 ,estava herdado el-rei ,carlos ,,viii1 de ,frana1 para quem fra pedida em vida de seu pae ,luiz ,,xi1 como atraz escrevemos2 pediu-a agora de novo4 ,pareceu a el-rei que convinha muito a seu reino a alliana1 com to poderoso principe para continuao da paz antiga1 e segurana das navegaes portuguezas4#dc 4444444444444444444444444444444444444444 444444444444444444444444444444444 ,tinha-se feito rei1 e senhor de ,inglaterra1 e conde ,henrique de ,rixemont1 vencendo em batalha ao duque de ,clucestra1 ,ricardo1 que1 contra elle injustamente se levantara4 ,presava-se de portuguez1 porque trazia sua descendencia da casa real de ,portugal4 ,tanto que se viu rei pacifico1 desejou renovar o parentesco1 e juntamente a paz e amizade1 que seus antecessores tinham com este reino4 ,despacha embaixadores1 offerece pazes com particularidades de importancia1 e para firmeza pede a ,princeza ,d4 ,joanna por mulher4#dd ,com relao a todos estes projectos de casamento1 cumpre-nos dizer1 que no tiveram nem podiam ter lugar4 ,a boa f de fr4 ,luiz de ,souza1 foi illudida mais uma vez1 com as narraes dos chronistas que o antecederam1 e que por santa obediencia teve de seguir e imitar4 ,d4 ,joanna no podia casar com nenhum d'aquelles principes1 no s porque a polygamia no estava em pratica n'aquelles paizes1 como tambem porque no podia ter por maridos homens que nem sequer haviam ainda nascido4 ,luiz ,,xi no pediu1 nem podia pedir1 a mo de ,d4 ,joanna para o ,delfim1 que depois foi ,carlos ,,viii4 ,pelo que se deprehende da narrao de fr4 ,luiz de ,souza1 este pedido deveria ter lugar antes da conquista de ,arzilla 7#adga71 poca em que o ,delfim ainda no era nascido1 ou se o era j1 poucos mezes contava ainda1 no podendo por forma alguma ter quinze annos1 como affirma o chronista1 pois nasceu em #adgj4de ,tambem no tem minimo fundamento a vinda a ,lisboa n'aquella poca de embaixadores de ,luiz ,,xi1 porque o unico embaixador enviado por este monarcha a ,d4 ,affonso ,v1 foi ,ollivier ,le ,roux1 e isto em #adhe4df ,diz mais fr4 ,luiz de ,souza1 que ,carlos ,,viii1 j rei1 pedira em casamento ,d4 ,joanna2 poderia ser que assim fosse1 porm1 de taes negociaes no resta memoria4 ,na ,carta ,patente de #f de setembro de #adhc1 em que aquelle monarcha renova as antigas allianas e amisades que desde antigos tempos existiam entre ,portugal e a ,frana no ha a mais leve referencia com relao a este objecto4#dg ,o que se torna completamente inadmissivel e chega at a tocar as raias do ridiculo1 a causa assentada por ,souza de se no chegar a realisar o casamento4 ,diz que ,d4 ,joanna1 respondeu a el-rei seu irmo1 que consentia no matrimonio1 se n'aquelle dia e hora1 que tal consentimento dava1 estivesse el-rei ,carlos vivo2 mas em caso1 que fosse morto1 houvesse sua alteza por bem deixal-a livre para em nenhum tempo mais se lhes fallar em mudanas de estado4 ,deu-se el-rei por satisfeito1 contentou o embaixador com palavras de matrimonio1 como quem ignorava o que a sua irm fra manifestado4 ,mas no passaram muitos dias1 que lhe viesse nova de ser morto o que j tinha por cunhado2 e que acabara de morte subita1 e antes do termo1 em que a ,santa dera seu consentimento4#dh ,fr4 ,luiz de ,souza foi aqui o verdadeiro chronista monastico2 julgou ser ensejo de arranjar um milagre1 e no recuou perante cousa alguma2 cremos mesmo que elle conhecia sufficientemente a historia de ,frana e que sabia muito bem que ,carlos ,,viii sobrevivera a ,d4 ,joanna1 pois1 fallecera s em #adihdi mas narrou o facto d'aquella forma1 no s porque se tornava necessario povoar a historia de successos milagrosos1 no talvez por convico propria1 mas sim por lho haverem ordenado1 porque elle1 como diz o douto prelado por ns j citado1 escreveu porque o mandaram escrever1 e escreveu o que lhe mandaram4#ej ,maximiliano tambem no podia pedir a mo de ,d4 ,joanna1 pois havia j casado em #adgg com ,maria de ,borgonha2 ,henrique ,,vii esse podia pretender desposal-a1 pois s veio a casar em #adhf com ,izabel ,york1 o que no podia era morrer a fim de impedir de se realisar o casamento1 como quer fr4 ,luiz de ,souza1 que faz dizer ,d4 ,joanna a ,d4 ,joo ,,ii que era morto e enterrado o mesmo para quem a buscava#ea pois s conseguiu passar d'esta para melhor vida em #bb de abril de #aeji4 ,estes factos foram j combatidos por ,caetano de ,souza que1 dizendo que elles padecem muito na verdade da historia1 demonstra com dados irrecusaveis que no podiam ter lugar4#eb ,fr4 ,antonio da ,silveira1#ec tentou corrigir os erros de ,souza e dos escriptores que o precederam historiando a vida de ,d4 ,joanna1 os quaes elle proprio confessa que cahiram em no pequenos descuidos1 mas fel-o de forma1 que no podem tambem as suas affirmativas merecer credito algum1 pois no nos apresenta um unico documento em que se baseie4 ,entre os erros que tenta corrigir1 conta-se o do casamento com o rei da ,inglaterra1 que elle affirma ser ,ricardo ,,iii e no ,henrique ,,vii4 ,com ,ricardo ,,iii no havia verdade a inverosimilhana que se dava com aquelle1 por seu fallecimento ter lugar em #adhe1 mas ainda assim no podemos acceitar a emenda1 pois no ha nada que a auctorise4 ,na primeira e unica colleco diplomatica que possuiamos#ed1 ha uma leve referencia a este casamento1 mas basea-se tambem apenas num s documento1 se documento se pode chamar a um manuscripto avulso1 alis contemporaneo que pouco ou nenhum valor pode ter attendendo-se sua ignota procedencia4 ,parece-nos que se o visconde de ,santarem reflectisse por um momento no elogio que a ,ricardo ,,iii faz ,dameo de ,goes1#ee no faria meno de tal casamento1 pois mais que provavel1 dado o caso de haver aquelle projecto1 que este chronista no fallasse to desabridamente de um monarcha1 que simplesmente por uma circumstancia inesperada1 deixou de desposar uma princeza portugueza4 ,quanto a ns a causa do chamamento de ,d4 ,joanna a ,alcobaa1 no foi nenhum projecto de casamento1 mas sim o desejo que ,d4 ,joo ,,ii tinha de dar cumprimento promessa que havia feito por occasio da morte de seu pae de lhe proporcionar meios condignos da sua alta posio4 ,por carta datada d'alli1 de #ai de agosto de #adhe1 concedeu-lhe a villa de ,aveiro1 com todos os seus terrenos1 e todas as rendas e direitos reaes1 e as dizimas do pescado nova e velha1 com a cisa e imposio do sal da mesma villa e dos lugares de ,mortgua1 ,eixo1 ,requeixo1 ,paus1 ,ois1 ,quinta de ,villarinho e de ,bellazaima1 com todos os seus reguengos4#ef ,d4 ,joo ,,ii fez s agora esta concesso por lhe ser impossivel fazel-a antes1 pois estas terras estavam em poder do conde de ,faro a quem haviam sido concedidas por ,d4 ,affonso ,v1 por carta passada em ,salvaterra em #bj de maio de #adfg4 ,a conspirao do duque de ,bragana1 em que o conde era um dos conjurados1 que as fez voltar novamente cora4 ,no foi longa a demora de ,d4 ,joanna em ,alcobaa2 regressando a ,monte-mr1 passou a ,coimbra1 indo-se aposentar conjuntamente com seu sobrinho nos paos que ,d4 ,izabel edificara junto do mosteiro de ,santa ,clara4 ,nos primeiros dias de fevereiro de #adhf1 informada de que a peste havia novamente abandonado ,aveiro regressou ao convento de ,jesus1 tendo por essa occasio por parte dos habitantes da villa1 que sairam a esperal-a a grande distancia1 uma recepo brilhantissima4 ,d4 ,joanna logo que se viu senhora de todas estas terras1 tractou de empregar o rendimento d'ellas1 isto 1 o que lhe sobrava dos soccorros que prodigamente distribuia pelos necessitados1 hospitaes e egrejas pobres1 em augmentar consideravelmente o mosteiro de ,jesus4 ,diz ,d4 ,bernarda ,pinheiro que as idas de ,d4 ,joanna1 com relao a esta obra1 eram mandar construir com a maior grandeza1 egreja1 casa do capitulo1 dormitorio e mais officinas1 para o lado do mar1 por lhe assegurarem que1 collocado d'esta forma o convento1 ficava muito mais ventilado e sadio4 ,chegou mesmo a mandar abrir os alicerces para a nova egreja1 para o que obteve licena do bispo de ,coimbra ,d4 ,jorge d',almeida1 porm1 a doena que a levou ao tumulo1 no lhe permittiu levar a cabo to desejado commettimento4 ,depois do seu regresso de ,alcobaa1 ,d4 ,joanna comeou a soffrer horrorosamente1 at que em dezembro de #adhi cahiu prostrada pela doena que a arrastou ao tumulo4 tradico geralmente seguida1 que a causa principal e unica da molestia foi veneno que uma dona que ella expultura da villa que em poder de fazenda1 era do melhor do lugar pelo seu devasso comportamento1 lhe ministrou n'um copo d'agua1 durante o trajecto d'aquella viagem4 ,diz ,d4 ,bernarda ,pinheiro que pelo motivo d'ella desejar1 por causa da salvao das almas1 evitar erros e peccados1 em especial nos clerigos e mulheres de m vida1 lhe foi ordenada e dada a morte4 ,nada conseguiu debelar a doena1 nem lagrimas nem supplicas do povo1 que n'ella via o seu mais desvelado protector1 nem to pouco os esforos desesperados da sciencia e as preces do clero de ,portugal inteiro obtiveram uma melhora sequer2 o mal recrudescia sempre4 ,d4 ,joo ,,ii enviou-lhe o seu physico-mr mestre ,rodrigo1 e sua thia ,d4 ,filippa1 acompanhada de ,d4 ,mecia de ,alvarenga1 e mais duas religiosas veio d',odivellas1 afim de velar junto d'ella4 ,accudiram tambem1 diz fr4 ,luiz de ,souza1 o arcebispo de ,braga1 ,d4 ,jorge da ,costa1 e o bispo de ,coimbra1 ,d4 ,jorge de ,almeida1 e o do ,porto1 ,d4 ,joo d',azevedo4 ,da visita d'estes prelados1 porque tinham licena para entrar na clausura1 mostrou agradar-se muito4 ,fallavam-lhe de ,deus1 e ella1 como se sentia acabar1 no consentia que de outra cousa se tractasse em sua presena4#eg ,na noute de #ai de maro1 dictou madre ,catharina da ,silva o seu testamento1 em que institue por seu herdeiro o mosteiro de ,jesus e d liberdade a alguns escravos com que seu pae a presenteara quando regressou da conquista d',arzilla4#eh ,escripta que foi a sua ultima e derradeira vontade1 assignou-o e rubricou-o por seu proprio punho1 e lacrando-o1 sellou-o com um sllo d'ouro que1 segundo diz ,d4 ,bernarda ,pinheiro1 fra da rainha sua me1 objecto com que ella costumava sempre sellar as suas cartas e cousas de mais substancia4 ,em #f de maio pediu para que se celebrasse missa na sua propria camara1 e havendo em seguida recebido todos os sacramentos1 mandou que levassem sua presena seu sobrinho ,d4 ,jorge1 a quem1 depois de haver abraado com effuso1 disse3--,filho1 peo-vos muito que vos lembreis sempre1 que vieste para esta casa de tres mezes1 e n'ella vos criei1 chorando e cantando1 vestida de burel2 tende sempre d'ella lembrana1 porque ella a minha alma1 e tambem o so estas madres1 que vos ajudaram a criar1 como se cada uma fra vossa me4#ei ,resignada e feliz esperou a morte4 ,havendo-se despedido de todas as religiosas1 a quem pediu perdo de toda e qualquer offensa que d'ella tivessem1 pediu ,prioreza ,d4 ,maria de ,athayde1 que lhe mandasse dar sepultura no cro de baixo1 pois os seus maiores desejos era dormir o eterno somno junto d'aquellas que em vida lhe fizeram to agradavel companhia4 ,na noute de #aa de maio1 reunidas que foram em volta do seu leito a communidade1 os bispos do ,porto e ,coimbra1 e o prior dos dominicos fr4 ,joo ,dias1 pediu que a acompanhassem com as oraes e canticos com que a egreja se despede de seus filhos no momento final4 ,chegava-se a derradeira hora1 diz fr4 ,luiz de ,souza1 e eram quasi duas horas depois da meia noute4 ,disse ento baixo1 digam a ladainha3 comeou o prior em voz alta1 respondiam as madres1 e seu companheiro2 quando chegaram a dizer3 ,omnes sanctis ,innocentes1 abriu os olhos e levantando-os por um pequeno espao ao cu1 despediu a innocente alma em companhia dos sanctos innocentes4#fj ,o dobre plangente dos sinos do mosteiro a que se seguiram os do convento de ,nossa ,senhora da ,mizericordia1 e os da matriz1 ,s4 ,miguel1--annunciaram logo ao romper d'alva1 que ,d4 ,joanna dormia j o eterno somno4 ,a noticia propalou-se rapida1 a ponto de em poucos momentos a egreja de ,jesus estar apinhada de fieis2 a povoao inteira1 despertada por to cruel nova1 correu presurosa ali1 afim de se certificar da veracidade do acontecimento1 to irremediavel e immensa era a perda4 ,na villa1 diz um bispo do ,porto1 chegavam ao cu os prantos1 e procuravam chegar as lagrimas2 como todo aquelle povo ficou desamparado1 todo ficou choroso2 clamavam ao cu na sua saudade e na sua perda1 porque no cu estava o alivio da sua perda1 e a causa da sua saudade4#fa ,amortalhado que foi o cadaver com o habito dominico1 collocaram-o algumas religiosas sobre um estrado levantado no meio da cella1 convertida em camara ardente1 onde se conservou at ao dia seguinte4 ,feitos os officios funebres na egreja do convento1 pelas religiosas de ,s4 ,domingos a que assistiu todo o clero da villa e lugares circumvisinhos1 bem como um grande concurso de fieis1 entraram no convento os bispos do ,porto e ,coimbra1 trazendo vestidas1 diz ,d4 ,bernarda ,pinheiro1 grandes lobas e capelos de d1 e quatro religiosos dominicos1 dos mais antigos e qualificados1 que foram os que levaram o cadaver4 ,quando o prestito funebre se dirigia ao cro de baixo1 diz a tradico que1 na occasio de atravessar por entre os canteiros que ,d4 ,joanna cultivava por suas proprias mos1 as flres cahiram murchas sobre a haste1 exprimindo tambem assim a sua saudade4 ,a sepultura1 cujo lugar havia sido por ella designado em vida1 foi aberta junto dos degraus do commungatorio4 ,em #aegg1 a prioreza ,d4 ,jeronima de ,castro1 mandou abrir a sepultura e trasladar os restos mortaes de ,d4 ,joanna1 d'onde haviam sido sepultados1 para um caixo de ebano em forma de tumulo1 marchetado de bronze dourado4 ,o caixo era resguardado por uma balaustrada do mesmo pu1 e coberto por uma rica tapearia1 dadiva da duqueza de ,caminha ,d4 ,anna ,manrique de ,lara4 ,as religiosas de ,jesus1 e bem assim o povo de ,aveiro que1 desde a morte de ,d4 ,joanna a appelidaram sempre de ,princeza ,santa1 e1 confiados na sua intercesso1 a ella recorriam nos trances afflictivos da vida1 pediram ao ,papa em #afbf que d'ella se podesse resar1 e que o seu nome fosse inscripto no catalogo dos santos4 ,em setembro de #afbf requereu a camara da villa de ,aveiro1 representada pelos vereadores ,antonio da ,cruz ,botelho1 ,raphael de ,figueiredo e ,manuel de ,almeida1 e as religiosas do convento de ,jesus1 representadas tambem pela sua prioreza ,soror ,marianna de ,belem1 ao bispo de ,coimbra ,d4 ,joo ,manuel1 afim de se procederem s justificaes necessarias da virtuosa vida e santa morte da ,princeza ,d4 ,joanna1 filha de el-rei ,d4 ,affonso afim de se obter a sua beatificao e canonisao4 ,d4 ,joo ,manuel1 por despacho de #bg do mesmo mez e anno1 ordenou ao provisor do bispado o dr4 ,bernardo da ,fonseca ,saraiva1 viesse pessoalmente a ,aveiro e dsse andamento ao processo requerido2 que levado a final1 o mesmo prelado mandou subir presena do ,papa ,urbano ,,viii1 por sentena de #h de outubro de #afbg4 ,por causas hoje desconhecidas1 s passados sessenta e dois annos1 que de novo se tractou de obter a beatificao de ,d4 ,joanna4 ,em #afgf1 sendo prioresa do convento de ,jesus ,d4 ,filippa de ,menezes1 fr4 ,manuel ,mascarenhas1 prior do convento de ,s4 ,domingos1 indo pessoalmente a ,roma1 conseguiu que se expedissem as bulas para o bispo de ,coimbra1 ento ,d4 ,joo de ,mello1 vir a ,aveiro examinar os restos mortaes da ,santa ,princeza1 e o que havia de verdadeiro nos milagres que se diziam obtidos por intercesso sua4 ,d4 ,joo de ,mello1 por proviso de #aa de maro de #afhi1 delegou todos os seus poderes no promotor do bispado o dr4 ,manuel ,spinola de ,vasconcellos1 e notario apostolico ,francisco ,alvares da ,costa1 os quaes vieram aqui1 e depois de haverem inquerido algumas testemunhas1 e visto os cabellos que cortaram a ,d4 ,joanna quando lhe lanaram o habito1 e bem assim o escapulario e a camisa com que falleceu1 que ento1 e ainda hoje se guarda no convento com a maior venerao1 examinou tambem os seus restos mortaes4 ,aberto o tumulo1 em #bi de junho d'aquelle anno1 onde se guardavam to venerandas reliquias1 na presena de todas as religiosas1 e dos superiores dos tres conventos de frades d'aqui1 fr4 ,manuel ,mascarenhas1 fr4 ,joo das ,chagas1 e fr4 ,ignacio de ,espozende1 e dos priores das collegiadas de ,nossa ,senhora da ,oliveira1 e de ,s4 ,miguel1 ,d4 ,pedro de ,souza e fr4 ,thom de ,sequeira1 foi verificado pelo dr4 ,manuel ,spinola de ,vasconcellos1 que envoltos em toalha de linho estavam os ossos 7completos7 d'um corpo humano que pelo auto que se achava junto se julgaram ser o de ,d4 ,joanna4 ,enviados1 finalmente1 todos os processos a ,roma1 a instancias de el-rei ,d4 ,pedro ,,ii1 e alguns grandes de ,portugal1 o ,papa ,innocencio ,,xii beatificou solemnemente ,d4 ,joanna1 por bulla de #d de abril de #afic1 designando o dia #ab de maio para a sua festividade4#fb ,por decreto da congregao dos ritos1 de #i de julho de #afid1 ordenou-se que se rezasse da ,beata ,joanna em todo o reino de ,portugal e suas conquistas2 debaixo do rito semi-duplex2 e por outro decreto da mesma congregao de #f de abril de #agae se concederam lies e orao para o seu officio4 ,poucos annos depois de ter lugar a beatificao1 o prior do convento de ,nossa ,senhora da ,mizericordia 7,s4 ,domingos7 fr4 ,pedro ,monteiro1 obteve de el-rei ,d4 ,pedro ,,ii os meios necessarios para a construco dum tumulo mais sumptuoso do que aquelle em que se guardavam as santas reliquias4 ,foi incumbido da obra o architecto da ,casa ,real ,joo ,antunes1#fc que lhe deu principio em #afii4 obra digna de immortalisar um artista distincto1 e esta a raso porque se tem attribuido a estranhos1 chegando-se a affirmar com convico que ella viera da ,italia4 ,o seu custo foi de #d3hjjjjj ris4 ,fr4 ,lucas de ,santa ,catharina descreve-o assim3 o tumulo quadrado e alteroso1 lavrado de jaspes finissimos com variedade de embutidos primorosos1 e em cada remate um anjo2 sobre o tumulo se vem as ,quinas ,portuguezas1 e na face a cora de espinhos1 que a ,santa escolheu para gloriosa empreza1 e teve por estimavel troca4 ,toda a obra respira magestade1 e saudosas lembranas4 ,a descripo nada tem de exagerado2 fiel1 tanto quanto possivel4 ,em #bh de agosto de #agaa ordenou ,d4 ,joo ,v ao bispo de ,coimbra1 ,d4 ,antonio de ,vasconcellos e ,sousa1 que viesse trasladar as cinzas da ,santa ,princeza1 para o novo tumulo4 ,em #aj de outubro d'este anno entrou o bispo no convento e abrindo o caixo onde se guardavam os restos da ,santa1 verificou a sua identidade1 do que lavrou o competente auto4#fd ,depois d'um solemne triduo1 celebrado na egreja do convento1 teve finalmente lugar no dia #be a trasladao4 ,o cofre em que guardavam as cinzas1 foi levado procissionalmente pelas ruas da villa1 pelos abbades benedictinos1 fr4 ,ignacio de ,athayde1 fr4 ,antonio de ,s4 ,bento1 fr4 ,bento de ,mello1 e fr4 ,bernardo ,telles4 ,formavam o prestito os religiosos dos tres conventos que aqui havia1 todo o cabido da s de ,coimbra1 e mais de trezentos clerigos seculares4 ,no couce ia o bispo ,d4 ,antonio de ,vasconcellos1 o senado e um grande numero de nobres4 ,chegado que foi o cofre ao convento1 foi deposto pelos quatro abbades dentro do tumulo que o bispo em seguida fechou e lacrou4 ,em #agbi representou a ,d4 ,joo ,v a communidade do convento de ,jesus para que se obtivesse de ,roma a canonisao4 ,o monarcha acedeu de prompto1 e alem da representao que enviou ,santa ,s1 mandou entregar ao procurador do convento1 fr4 ,ignacio do ,amaral1 #b3fjjjjj ris para custeamento das despezas que se houvessem de fazer4 ,n'esse mesmo anno expediu a commisso dos ritos ordens para se proceder ao inquerito rigoroso das virtudes da ,santa4 ,em #a de junho de #agej foi novamente aberto o tumulo pelo bispo de ,coimbra1 que remetteu para ,roma o auto do seu exame1 bem como o processo que por essa occasio instauraram por ordem do mesmo prelado os drs4 ,antonio ,vicente de ,vasconcellos e ,manuel ,coimbra ,soeiro d',almeida4 ,a morte de ,d4 ,joo que n'este anno teve lugar1 foi causa de que at hoje se no alcanasse ainda a desejada e promettida canonisao1 mas no obstante isto o povo de ,aveiro1 que v na ,beata ,joanna o seu maior titulo de gloria1 jmais deixou e decerto deixar de a appellidar a ,,princeza ,,santa4 ,,documento ,n4#a ,dom ,affonso1 por graa de ,deus rei de ,portugal1 e do ,algarve1 senhor de ,cespta e de ,alcazer em ,africa1 etc4 ,a quantos esta carta virem1 fazemos saber que considerando ns como ora prasendo o nosso ,senhor ,deos himos por seu servio em as partes de ,africa1 e o ,princepe meu sobre todos muito amado1 e presado filho comnosco1 pelo que he necessario buscarmos em estes nossos ,regnos alguma pessoa que nosso logar em nossa obsencia delles tenha1 e faa ordens e mande em nosso nome por nosso servio e boa justia1 e bem do poboo1 o que ns fariamos1 ordenariamos1 e mandariamos ser presente fossemos1 e confiando ns de muita bondade1 virtudes e lealdade1 sizo e descripo do ,duque de ,bragana1 ,marquez de ,villa ,viosa1 este meu muito amado e presado ,primo1 e do exprimentado amor que a ns1 e nosso servio tem1 o escolhemos de antre os outros de nossos ,regnos1 pra lhe este carrego leixar1 e encommendar1 e porm o fazemos nosso logo teente geral em todolos ditos nossos ,regnos1 e lhe damos poder1 e auctoridade que elle por nos1 e em nosso nome em quanto ns1 e o dito ,principe meu filho delles formos absentes possa ordenar1 fazer1 e mandar assy na justia1 como na fazenda1 e em outra qualquer cousa acerca da guarda1 e defensom destes nossos ,regnos todo o que a elle bem1 razom1 e justia parecer1 assy como o nos poderiamos ordenar1 fazer1 e mandar se presente fossemos1 e possa punir os delinquentes1 e malfeitores1 e darlhe1 e mandarlhes dar aquellas penas que lhe razom1 e justia parecer assi nos haveres1 como nos corpos ata morte inclusivamente1 sem delle outra alguma apellao1 nem agravo2 e isso mesmo possa mandar despender de novos averes1 e rendas todo o que por nosso servio1 e bem do nosso poboo entender que compre de ser despeso2 e tambem possa entrar em quaesquer fortalezas das ,cidades1 e ,villas de nossos ,regnos1 e estar em ellas1 e as ter de sua mo quanto lhe aprouver1 e entender que compre a nosso servio4 ,e porem mandamos a todolos offiiaes1 que polo tempo forem das ,cidades1 ,villas1 e ,lugares de nossos ,regnos1 e a todolos moradores delle1 e a todolos ,juizes1 e ,justias1 ,regedores das ,casas da ,sopricao1 e do ,civel1 e ,desembargadores dellas1 ,corregedores da ,corte1 e ,comarcas1 e aos que carrego teverem de ,veedores da nossa fazenda1 e aos ,contadores1 e outros offiiaes della1 e a outros quaesquer que outros officios alguns em nossos ,regnos tem1 que fao1 e cumpro tudo o o que lhes o dito ,duque em nosso nome mandar assi1 e to compridamente1 como o fario se lho nos per nossa pessoa mandassemos1 e isso mesmo mandamos a todolos ,alcaydes das fortalesas de nossos ,regnos que o acolha1 e reeba em ellas seu fato emparelhado1 e o leixem hi estar como1 e quanto lhe prouver1 sem alguma duvida1 ou pejo que a ello ponha1 sendo certos todolos sobreditos1 e cada hum delles1 que nom comprindo em todo o que lhe aqui mandamos1 ou em alguma cousa nom obedecendo ao dito ,duque1 ou contrariando os seus mandados1 que nos lho estranharemos muj gravemente1 e lhe mandaremos per ello dar asi graves penas1 como se nossos proprios mandados nom comprissem1 ou a elles contradissessem2 e hum1 e outros al nom faades4 ,dada em a nossa ,cidade de ,lixboa aos #b d',agosto4 ,christova de ,bairros a fez anno de ,nosso ,senhor ,jesu ,christo de mil1 e quatrocentos1 e settenta1 e hum4 ,e eu ,joa ,gares ,cavaleiro da ,casa do dito ,snor1 e seu ,escrivo da fazenda do ,cepta1 de ,alcaer1 e de sua ,camara1 ,contador1 e ,arrendador polo ,principe nosso ,snor em o mestrado de ,avis a fis escrever1 e aqui sobescrevi4 ,el-,rey4 ,,documento ,n4#b ,juizes vereadores procurador fidalgos cavaleiros e escudeiros e poboo4 ,eu a ,ifante vos enujo muyto saudar1 por conhecer as boas vontades e lealdade que tendes ao seruio del,rey meu ,sor e porque sey que nos alegrarees com a vitorea que nosso ,sor lhe deu vollo fao saber que ele tomou a villa darzilla per fora e tomou a cidade de tanger a quall lhe os mouros leixarom liuremente e tem a pose della4 ,e espera lhe vyr fallar mulcaxequ porem nos daaee muytos louuores a nosso ,sor encomendandelhe em nosas boas oraees o sobre dito ,sor e estaaee prestes pera se o caso o rrequerer e noso seruio lhe for necesario como eu espero que farees continoando em nosas lealdades e bo custume como os naturaaees purtuguezes senpre custumar4 ,e ele e o ,sor principe meu irmaa som saas e em boa desposi e asar alegres seg4o o caso rrequere louuores a ds4 ,e este meu moo destrebeira uos contaria as nouas mais per extenso como se pasar4 ,escripta em lixboa a vy de setembro4 ,e o dito ,sor ,rey me escrepueo todo per sua carta4 ,iffante ,por a ,ifante ,aos ,juizes vereadores procuradores fidalgos caual4os e escudeiros e poboo da muy nobre e leall cidade de ,coynbra4 ,,documento ,n4 #c ,dom ,joham ,a quantos esta nossa carta virem fazemos saber que esguardando nos como a ,infante ,d4 ,joana minha sobre todas muito preada e amada ,irma nam est asy provida de fazenda pera que se posa governar e manter como a sua homrra e estado e servio noso e seu pertence e deshy olhando nos a gramde obrigaom em que lhe somos pera ello1 e querendo-lhe fazer graa e merce2 nos de noso moto proprio1 e certaciemcia1 poder absolluto sem ella nem outrem por ella nollo requerer4 ,teemos por bem e lhe fazemos pura e ,imrrevogavel doaam antes vivos valledoura pera em dias de sua vyda da nossa villa d aveiro com seus termos e com todollas remdas e direitos ,reees da dita ,villa e da dizima nova e velha do pescado della1 ficando pera nos somente a dizima da ,caza da alfandega da dita villa e asy as nossas sizas e ,impossisam do sal e ,jurdiam da dita villa4 ,outro sy lhe damos a nosa villa de mortaguoa e os lugares d eixo e requeixo e paaos e hoees e a quinta de vallarinho1 e de ballazaima com todos seus reguengos1 foros remdas1 e trebutos asy e per aquella guiza e maneira que ellas a ns e coroa dos nosos regnos de direito pertemcem1 e pertemcer devem1 e esto com toda a ,jurdicam civel e crime1 mero mixto ,imperio1 e que posa poer em as ditas villas e lugares seu ,ouvidor ou ,ouvidores e officiees pera da dita ,jurdicam averem de conhecer hordenadamente e delles virem a nosa corte ssuas appellaes e bem asy possa dar os oficios dos direitos ,reees e remdas que lhe aquy asy damos asy da dita minha villa daveiro como de mortaguoa e dos outros sobredittos lugares4 ,outro sy lhe fazemos doaam asy em sua vida da aprezentacam de todollas ,igrejas das ditas villas e lugares sobredittos asy com a nos pertence pera ella mandar apresentar quem lhe aprouver na vagua das ditas ,igrejas4 ,outro sy lhe damos poder e autoridade que ella ditta ,infamte minha ,irma possa aforar1 aremdar e emprazar as ditas rendas e maninhos das ditas villas e terras sobreditas per sy e per quem lhe aprouver em vida e em pesoas e as marinhas pera sempre todo per aquelles preos e coudicees que ella quizer sem eses a que os ditos beens e direitos mandar aforar ou emprazar serem obrigados de averem dello cartas de nosas comfirmacees1 porque queremos que somente abaste o que se fizer niso per seus oficiees com sua confirmacam della dita ,infamte minha irma1 e bem asy as ,ilhas da dita villa daveiro4 ,e porem mandamos a todollos nosos comtadores das comarquas das ditas villas e lugares sobredittos que logo metam a ditta ,infante minha ,irma em posse das dittas villas e remdas e direitos dellas ou s pesoas que ella pera iso era seu nome mandar e lhe leixem todo teer e aver e recadar pera sy e fazer d ellas e em ellas o que lhe aprouver como de sua couza paopria e ,real possisam asy o per a maneira que as tinham e pesoyam aquellas pesoas que as ate ora tiveram de ns e melhor se as ella com direito melhor poder teer e aver e a ajam d'aquy em diamte per ,senhora de todo como e na maneira que ditto he4 ,e asy mandamos aos nosos corregedores das dittas ,comarquas1 e a todollos outros oficiees e pesoas a que esta carta for mostrada e o conhecimento della pertencer1 que a guardem e cumpra como se nella contem1 porque asy he nosa vontade e merce sem outro embargo que uns e outros a ello ponham1 e os dittos nosos comtadores e cada um em sua comarqua far registar esta nosa carta em o ,livro do ,tombo della pera se por elle a todo tenpo saber como e em que maneira esto asy temos dado ditta ,infamte minha ,irma4 ,dada em o ,mosteiro d alcobaa a #ai dias do mez d'agosto antonio carneiro a fez anno de nosso ,senhor ,jeshu ,christo de #adhe annos4 ,,documento ,n4 #d ,esta he a minha deradeira vontade4 ,fao herdeira minha alma de tudo o que me pertence e pode pertencer4 ,em esta maneira que deixo tudo no ,mosteiro de ,jesus1 e as devooens que com este se acharo escritas por mim comprirase e asim as dividas que for certo que devo e aos que tenha dado ,alvarais de cazamento denlhos e aos que forem tomado por mim des que estou em ,aveyro e mais deste tempo a ,joo ,lopes o ,doutor e a minha ,ama ,beatriz ,alvares1 e ,jorge da ,silya que am moradias de ,el,rey meu ,senhor a todos asim os que tomei como estes paguemse por cada anno o que monta no tero de suas moradias e ,escravos e ,escravas seus filhos e filhas e descendentes os ,christaos1 e ,christaus deixo forros1 e o ,rubi grande do anel ao ,principe meu ,senhor1 e a meu ,sobrinho o pendente das tres pedras1 e o pendente da esmeralda e a ,senhora minha thia o bulto e fao o meu testamento ,joo ,lopes e demlbe mais vinte mil reisdo corpo faase o que mandar a ,perlada1 e pela ,alma faa o a que agora for as que virem o que lhe parecer rezo1 e as suas charidades quizeres que em mim no sinto mericimento e pesso a ,el,rey meu ,senhor se falcar algua couza pera se comprir esta derradeira minha vontade que me faa merce por onde se tudo possa comprir e nosso ,senhor lhe de a sua beno o asim lhe pesso que ampare alguns moos que criei e no tem moradias1 que todo o dinheiro que recebeo ,joo ,lopes1 e asim as outras cousas que avia de pagar algumas pessoas de todo por mim tomei conta e a achei boa pera se encaminhar2 e a ,margarida ,agostinha1 e ,maria a cada hu della dez mil reis e que aqui convenha por direito alguas sutilezas ei as eu por supridas1 e porque por mim nem por outrem no posso abranger a pedir a todos perdo aqui geral e a cada hum especial pesso por amor de ,deos a que passo me julgue no segundo as ofensas1 mas segundo a sua misericordia feito a #ai de ,maro era de #adij estando em todo a meu sizo e sem couza que possa embargar a esto no ser valioso4 ,achado foi em hua arquinha mandando que o entregasem a ,fr4 ,joo ,dias seu ,confessor4 ,,documento ,n4 #e ,antonio das ,vasconcellos e ,souza1 por merce de ,deos1 e da ,santa ,s ,apostolica ,bispo de ,coimbra1 ,conde de ,arganil1 ,senhor de ,coja1 do ,conselho de ,sua ,magestade1 e seu ,sumiler de ,cortina1 c4 ,aos que esta nossa ,carta de attestao visem4 ,fazemos saber1 que sendonos encomendado por ,sua ,magestade1 que ,deus guarde1 o ,senhor ,rey ,d4 ,joo o ,v de gloriosa memoria fizessemos a trasladao das ,reliquias do ,corpo da ,princeza ,santa ,joanna1 para o novo sepulchro1 que a ,real grandeza de seu ,pay o ,senhor ,rey ,d4 ,pedro ,,ii1 que santa gloria haja1 for servido dar para deposito de to ,santas ,reliquias1 que para sabermos era as proprias1 que o ,illustrissimo ,senhor ,d4 ,joo ,mello1 nosso predecessor1 vio1 e examinou no tempo1 em que informou ,s ,apostolica para a ,beatificao da dita ,santa1 entrmos no convento de ,jesus1 desta villa de ,aveiro1 de ,religiosas ,dominicas1 em #aj4 de ,outubro de #agaa4 em companhia do ,reverendissimo ,provincial da ,ordem dos ,prgadores1 e mais ,religiosos1 e ,religiosas abaixo nomeadas1 com quem fomos casa do ,antecoro do dito ,convento1 e ahi sobre um altar portatil estava um caixo com toda a venerao1 cuberto com um pano de tela branca1 que mandmos descobrir1 e vimos ser o caixo de pao santo1 quadrado1 e a tampa oitavada4 ,tinha de comprido quasi cinco palmos1 e dous e uma mo travessa de largo1 com sua guarnio de bronze1 e sobre a tampa uma maaneta do mesmo2 e sendonos apresentada pela ,madre ,prioreza do dito ,convento1 e mais ,communidade a chave do dito caixo1 o abrimos1 vendo ser forrado de tafet azul com guarnio amarella4 ,dentro do dito caixo estava outro mais antigo pelo mesmo feitio1 que o acima declarado1 tendo na tampa umas pinturas brancas1 a modo de ,estrellas2 e em cima uma pera pequena de ferro1 por onde se abrio1 sem ter fechadura1 por ser de encaixe2 e sendo por ns tambem aberto1 o achmos todo forrado de tafet cramezim2 e tirando de de dentro uma caixa de castanho lizo1 a modo de gaveta1 do comprimento do segundo caixo1 e de altura de uma mo travessa1 sem tapadoura alguma1 donde estavam depositadas as ,santas ,reliquias1 cozidas em uma toalha de linho com uma espeguilha por guarnio1 e por fra da dita gaveta tinha uma rede1 feita com fita de nastro branco1 que impedia tirar-se a toalha1 em que estavam as ditas ,santas ,reliquias1 que por ns foi mandada desatar1 e descozer a toalha4 ,vimos a caveira com queixo1 e as canas dos braos1 e pernas1 e as mais reliquias dos ossos insignes1 e a mayor parte dos pequenos4 ,o que tudo por ns foy bem visto1 e examinado2 como tambem a grande devoo nas ,religiosas1 a quem demos a beijar a ,santa ,reliquia da cabea3 e para se haver de fazer a trasladao para o novo cofre1 e sepulchro1 as mudmos para uma toalha de ,cambray1 com guarnio de frocos1 cingindo-a com dous listoens de fita de seda encarnada1 e azul1 para segurana das ditas ,santas ,reliquias2 e para que a todo o tempo conste desta verdade1 e saberem so estas ,reliquias do corpo da ,princeza ,santa ,joanna1 como tambem ficarem dentro deste cofre a cabea1 braos1 pernas1 e costellas e mais ,reliquias insignes do ,santo ,corpo1 mandmos passar esta attestao1 para que se lhe d inteiro credito1 em que interpomos nossa authoridade ,apostolica1 e jurisdico ,ordinaria1 sendo presentes testemunhas de vista o ,reverendissimo ,padre ,mestre ,fr4 ,manuel da ,encarnao1 ,provincial da ,ordem dos ,prgadores4 ,o ,reverendo ,padre ,presentado ,fr4 ,jos de ,jesus ,maria1 ,secretario da ,provincia4 ,o ,reverendo ,conego ,miguel de ,sottomayor1 ,veador da nossa casa1 e ,recebedor da nossa ,mitra4 ,o ,reverendo ,fr4 ,luiz de ,s4 ,bento1 ,prior do ,convento de ,s4 ,domingos d'esta ,villa1 e ,vigario do ,convento das ,religiosas4 ,o ,padre ,prgador ,fr4 ,pedro das ,chagas4 ,o ,padre ,prgador geral ,fr4 ,joo do ,rosario4 ,o ,padre ,prgador geral ,fr4 ,antonio do ,espirito ,santo4 ,o ,padre ,prgador ,fr4 ,manuel da ,conceio1 ,confessor das ,religiosas4 ,o ,padre ,prgador ,fr4 ,joo ,gomes1 e o ,padre ,fr4 ,miguel de ,santa ,rosa1 ,procurador das ,religiosas4 ,a ,madre ,izabel da ,visitao1 ,prioreza4 ,a ,madre ,d4 ,lourena4 ,a ,madre ,soror ,lourena ,maria1 ,sub-,prioreza4 ,a ,madre ,d4 ,izabel ,bautista4 ,a ,madre ,d4 ,marianna da ,coroa1 e a ,madre ,catharina da ,coroa1 e todas as mais ,religiosas do ,convento1 que estavo presentes2 em f1 do que mandmos passar a presente1 por ns assinada1 e sellada com o sllo das nossas ,armas4 ,dada em ,aveyro1 aos #aj4 de ,outubro de #agaa4 ,e eu ,antonio de ,noronha e ,andrada1 ,secretario do ,illustrissimo ,senhor ,bispo ,conde1 e ,notario ,apostolico por ,sua ,santidade1 a fiz de seu especial mandado4,bispo ,conde,lucas ,sigili,e esta he a verdadeira copia1 que eu ,fr4 ,jos de ,jesus ,maria tirey do original1 para ficar no deposito do ,mosteiro1 e para constar a todo o tempo do contheudo nessa attestao4 ,s4 ,domingos de ,aveyro1 aos #dg4 de ,outubro de #agaa4 ,fr4 ,jos de ,jesus ,maria1 ,presentado1 companheiro1 e ,secretario4 ,,documento ,n4 #f ,,clemente ,,papa ,,xii ,ad futurum rei memoriam4 ,o cuidado do apostolado sacrosanto que a inscrutavel alteza da ,divina ,sabedoria e ,bondade teve por fim chegar nossa humildade1 ainda que muito desigual nas foras e merecimentos1 nos obriga a que de boa vontade demos accenso aos pios votos dos ,reis ,catholicos que na ,egreja de ,deus brilham com grande resplendor de merecimentos para augmentar na terra a louvavel venerao das ,sagradas ,virgens que reinam com o ,divino ,esposo na perpetua bemaventurana1 principalmente d'aquellas que nos dias da sua peregrinao1 posto que fossem collocadas na sublimidade das cousas humanas1 no pozeram sua esperana no caduco das riquezas1 mas seguiram o conselho apostolico com o auxilio do ,divino ,espirito para serem santas1 no s no corpo1 mas na alma4 ,finalmente1 como aos dez dias de julho de mil seis centos e oitenta e oito a ,congregao dos ,veneraveis ,irmos ,nossos ,cardeaes da ,santa ,romana ,egreja1 examinou os processos1 acabados e feitos com auctoridade ordinaria1 e virtudes da ,beata ,joanna1 em quanto viveu1 nascida do illustre ,rei de ,portugal e dos ,algarves ,dom ,affonso ,v1 e religiosa da ,ordem de ,s4 ,domingos1 cognominada a ,santa ,princeza1 fallecida no dia doze de maio de mil quatro centos e noventa1 e admittida a commisso da introduco da causa da ,beatificao ou canonisao da mesma ,beata ,joanna1 e essa mesma depois designada por ,innocencio1 de feliz memoria1 ,papa ,,xii1 nosso predecessor1 com o vigor das letras remissorias1 outros processos se fabricaram em ,coimbra1 ,evora1 e ,lisboa1 a respeito do culto immemoravel dado mesma ,beata ,joanna1 e o caso exceptuado nos decretos de ,urbano ,,viii1 nosso predecessor1 declarados com auctoridade apostolica na ,congregao da ,santa ,inquisio2 e o ,veneravel ,bispo de ,coimbra1 ,juiz ,delegado da dita ,congregao dos ,cardeaes1 deu sentena sobre o culto immemoravel dado mesma ,beata ,joanna1 com sciencia e tolerancia dos ,ordinarios3 finalmente1 aos continuos rogos do nosso ,carissimo ,filho em ,christo1 ,pedro1 ,rei de ,portugal e dos ,algarves1 e bem assim s supplicas dos veneraveis ,irmos ,bispos1 e tambem dos amados ,filhos ,religiosos1 dos ,senados1 ,collegios e ,universidades do ,reino de ,portugal1 e s repetidas instancias do amado ,filho ,paulino ,bernardino1 ,irmo ,professo da ,ordem dos ,prgadores1 mestre em santa ,theologia1 que pede a mesma ,beatificao e ,canonisao2 na mesma ,congregao dos ,cardeaes1 proposta e admittida a sentena sobre a dita sentena1 confirmada no caso e para o effeito do que se tratava2 verificadas todas as cousas contheudas no dito processo1 e com toda a diligencia discutidas e examinadas1 a dita ,congregao dos ,cardeaes1 ouvido por escripto o nosso amado ,filho ,promotor da ,f1 julgou que constava do culto immemoravel1 que devia ser confirmada a dita sentena4 ,com que1 desejando ns satisfazer aos pios e devotos rogos do dito ,illustre ,rei1 com tanta humildade proferidos2 com a ,authoridade ,apostolica confirmamos e approvamos o decreto declarado da ,congregao dos ,cardeaes1 como se profere que consta do culto immemoravel da dita ,beata ,joanna1 e lhe damos toda a fora da inviolavel firmeza ,apostolica1 da sua sempre nas premissas1 a authoridade da dita ,congregao dos ,cardeaes2 determinando que as mesmas presentes letras1 que so firmes1 validas e officiaes1 e que o hode ser1 e que devem sortir os seus plenarios e integros effeitos1 egualem plenissimamente quelles1 a quem pertence1 e ao futuro pertencer1 e que inviolavelmente as devem observar1 e assim nas premissas devem ser julgadas e definidas por quaesquer juizes ordinarios1 e delegados1 ainda ,ouvidores das causas do ,palacio ,apostolico1 e temos por nullo1 e irrito se d'outra maneira acontecer acommetter-se sobre e-las por qualquer authoridade1 ou por ignorancia1 ou com sciencia3 ,no obstando as ,constituies1 e ,ordenaes ,apostolicas1 e outras quaesquer cousas contrarias4 ,queremos que se tenha a mesma f no ,juizo e fra d'elle nos traslados das presentes letras1 ainda impressas1 escriptas pela mo de algum notario publico1 e munidas com o sllo de pessoa ou dignidade ecclesiastica constituida1 a qual f se teria1 ellas presentes1 se fossem exhibidas4 ,dado em ,roma1 apud ,sanctam ,mariam ,majorem sub annulo ,piscatoris1 aos #d de abril de #afic1 no anno de nosso ,pontificado4 ,por ,cantarellio1 ,secretario da ,congregao ,j4 ,p4 ,card ,albano4 ,,pre,o #bjj ,,reis ,o producto d'esta obra reverte em beneficio da ,real irmandade da ,,santa ,,princeza4 #a ,foi esta a residencia habitual de nossos monarchas1 em ,lisboa1 desde ,d4 ,diniz at ,d4 ,manuel4 ,arch4 ,pit4 vol4 #d1 pag4 #afg4 #b ,chronica de ,d4 ,affonso ,v1 por ,ruy de ,pina1 capitulo #aad4 #c ,historia ,genealogica da ,casa ,real1 tom4 #c41 paginas #hj4 #d ,historia de ,s4 ,domingos1 part4 #b41 liv4 #e4 cap4 #a4 #e ,chronica de ,d4 ,affonso ,v1 cap4 #acd4--;,idem do ,principe ,d4 ,joo1 cap4 #c4 #f ,memorias de ,litteratura ,portugueza1 nas d',academia ,r4 das ,sciencias1 t4 #c4 #g ,panorama vol4 #c4 da #b4 srie43--,memoria para a historia e theoria das crtes geraes etc4 pelo ,v4 de ,santarem1 part4 #a4 pag4 #e #h ,chronica de ,d4 ,affonso ,v1 por ,ruy de ,pina1 capitulo #acg4 #i ,chronica do ,principe ,d4 ,joo1 cap4 #cc4 #aj ,breve memorial da mui excellente ,princeza a mui virtuosa senhora ,infanta ,d4 ,joanna1 nossa senhora1 filha do mui catholico e christianissimo rei ,d4 ,affonso ,v e da rainha ,d4 ,izabel1 sua mulher4--,manuscripto do convento de ,jesus contemporaneo de ,d4 ,joanna e existente no archivo do extincto mosteiro de ,jesus sob o n4 #hgb4 #aa ,estudos historicos e archeologicos por o sr4 ,i4 de ,vilhena ,barbosa1 t4 #b1 pag4 #gi4 #ab ,d'ella faz menso no seu testamento4--,h4 ,geneologica1 t4 #c4 das ,provas1 pag #ei4 #ac ,hist4 ,geneal41 t4 #c41 pag4 #hj4 #ad ,poetas ,palacianos1 pelo sr4 ,teophilo ,braga1 pagina #baa4 #ae ,historia de ,portugal1 do sr4 ,pinheiro ,chagas1 vol4 #b41 pag4 #cci4--,poetas ,palacianos1 por ,teophilo ,braga1 pag4 #agf1 e ,portugal1 por ,f4 ,diniz1 pag4#ajb4 #af ,portugal1 pag4 #gb4 #ag ,os catalogos das livrarias de ,d4 ,duarte e ,d4 ,affonso ,v vem transcriptos na introduco ,historia da ,litteratura ,portuguesa do sr4 ,t4 ,braga1 a pag4 #bad1 #beb1 #beh e #bfj4 #ah ,historia de ,s4 ,domingos1 part4 #b41 liv4 #e41 capitulo #a4 #ai ,estudos ,historicos e archeologicos1 por o sr4 ,i4 de ,vilhena ,barbosa1 vol4 #b41 pag4 #fa a #ig4 #bj ,historia de ,portugal1 t4 #e44 pag4 #ed4 #ba ,hist4 de ,port4 tr4 fr4 pag4 #eji4 #bb ,rebello da ,silva--,d4 ,joo ,,ii e a ,constituio da ,nobreza1 no ,diario de ,lisboa de #bd de setembro de #ahfj4 #bc ,documento n4 #a4 #bd ,d4 ,joo ,,ii e a ,conspirao da ,nobreza1 no ,diario de ,lisboa de #bb de setembro de #ahfj4 #be ,documento n4 #b4 #bf ,chronica do ,principe ,d4 ,joo1 cap4 #ca4 #bg ,descrevendo as feies e trajar de ,d4 ,joanna1 no fizemos mais que reproduzir o que sobre tal assumpto escreveu o nosso guia inseparavel ,d4 ,bernarda ,pinheiro4 #bh ,dameo de ,goes--,chronica do ,principe ,d4 ,joo cap4 #cc4 #bi ,chronica do ,principe ,d4 ,joo1 cap4 #cc4 #cj ,historia de ,s4 ,domingos1 liv4 #e41 part4 #b41 capitulo #b4 #ca ,esta casa hoje a sacristia do convento4 #cb ,historia de ,s4 ,domingos1 liv4 #e41 part4 #b42 capitulo #c4 #cc ,diz ,d4 ,bernarda ,pinheiro1 que ,d4 ,joanna quando lhe foi lanado o habito1 tirou uma cruz de ouro que trazia ao pescoo1 e o anel de esmeralda1 e lanou no aafate1 mostrando que no queria mais usar de taes objectos4 ,diz tambem n'outro lugar que ella desde que entrou no convento no usou mais luvas1 nem trouxe outros anneis a no ser aquelle4 #cd ,historia de ,s4 ,domingos1 part4 #b41 liv4 #e41 capitulo #e4 #ce ,dava-se o nome de andas a um taboleiro ou leito1 sem caixa nem cobertura de qualidade alguma2 e com varaes para ser conduzido por homens ou cavalgaduras4--,i4 de ,vilhena ,barbosa1 ,estudos historicos e archeologicos tom4 #b41 pag4 #de1 nota #a4 #cf ,hist4 ,geneol4 da ,casa ,real1 tom4 #b4 das ,provas--prova n4 #d4 #cg ,chronica de ,d4 ,joo ,,ii1 cap4 #aac4 #ch ,o ,cenaculo1 revista contemporanea de litteratura portugueza1 pag4 #bai4 #ci ,indice e summario dos livros e mais documentos mais antigos e importantes do archivo da camara municipal de ,coimbra4--,segunda parte do inventario do mesmo archivo1 fasciculo #a41 pag4 #cg4 #dj ,so muitos os escriptos em que se narra a vida de ,d4 ,joanna1 tanto em portuguez como em outras linguas4 ,em hespanhol citam-se fr4 ,jeronymo de ,santo ,agostinho 7#aeie71 fr4 ,joo ,lopes 7#afac72 em italiano ,s4 ,pio ,v 7#afbj71 padre ,pedro ,francisco ,tresileo1 da ,companhia de ,jesus1 7#affd7 e ,marchesi1 bispo de ,pozuelo 7#afgj72 em francez1 fr4 ,thomaz ,sovegio 7#afhf72 em latim o padre ,antonio de ,vasconcellos 7#afba72 fr4 ,abraham ,brovio 7#afbd71 ,mons4 ,carumel 7#afci71 o padre ,daniel ,papebrochio 7#afhh71 fr4 ,diogo do ,rosario 7#afda71 e fr4 ,antonio de ,senna 7#aehe74 ,em portuguez temos1 entre outras publicaes1 a ,vida da serenissima ,princeza ,d4 ,joanna1 filha de el-rei ,dom ,affonso o quinto de ,portugal etc4 por fr4 ,nicolau ,dias1 ,lisboa1--#aeid4 ,virtuosa vida e santa morte da ,princeza ,d4 ,joanna etc4 por ,d4 ,fernando ,corra de ,lacerda1 ,lisboa1 #afgd4--;,estrella dominicana1 novamente descoberta no cu da ,egreja1 historia panegyrica etc4 por fr4 ,lucas de ,santa ,catharina1 ,lisboa1 #agjc4 #da ,d4 ,francisco ,alexandre ,lobo1 bispo de ,viseu4 #db ,obras de ,d4 ,francisco ,alexandre ,lobo1 tom4 #b41 pag4 #aec4 #dc ,hist4 de ,s4 ,domingos1 parte #b41 liv4 #e41 cap4 #g4 #dd ,hist4 de ,s4 ,domingos1 parte #b4 liv4 #e41 cap4 #h4 #de ,bouillet--,dictionnaire universel d'histoire et de geographie4--,charles4 #df ,quadro elementar das relaes politicas e diplomaticas de ,portugal etc41 pelo ,v4 de ,santarem1 tomo #c41 pag4 #aae4 #dg ,quadro ,elementar etc4 pelo ,v4 de ,santarem1 tomo #c41 pag4 #aeg4 #dh ,hist4 de ,s4 ,domingos1 parte #b41 liv4 #e41 cap4 #g4 #di ,bouillet4--,obr4 cit4--,charles4 #ej ,d4 ,francisco ,a4 ,lobo4--,obras t #c41 pag4 #aea4 nota #a4 #ea ,hist4 de ,s4 ,domingos1 parte #b41 liv4 #e41 cap4 #h4 #eb ,h4 ,geneologica1 tomo #c41 pag4 #hi4 #ec ,epitome da vida de ,santa ,joanna etc41 traduzida do italiano em portuguez1 e accrescentada por um seu devoto4--,lisboa1 #agee4 #ed ,quadro ,elementar das relaes politicas e diplomaticas de ,portugal etc41 por o ,visconde de ,santarem4--,tom4 #ad4 #ee ,chronica do ,principe ,d4 ,joo1 cap4 #bj4 #ef ,documento n4 #c4 #eg ,fr4 ,luiz de ,souza4 ,h4 de ,s4 ,domingos1 parte #b41 liv4 #e41 cap4 #i4 #eh ,documento n4 #d4 #ei ,hist4 de ,s4 ,domingos4 #fj ,hist4 de ,s4 ,domingos1 parte #b41 liv4 #e41 cap4 #aj4 #fa ,d4 ,fernando ,corra de ,lacerda--,virtuosa vida e santa morte da ,princeza ,d4 ,joanna etc41--,lisboa1 #afgd4 pag4 #bei4 #fb ,documento n4 #e4 #fc ,joo ,antunes foi nomeado architecto da ,casa ,real1 por fallecimento de ,francisco da ,silva ,tinoco1 em #ah de julho de #affi4--;,dictionnaire historique e artistique de ,portugal par le conde de ,raczynchi4 #fd ,documento n4 #f4