,library of ,portugal 7,biblioteca ,nacional de ,portugal747 99,nota de editor399 ,devido quantidade de erros tipogrficos existentes neste texto1 foram tomadas vrias decises quanto verso final4 ,em caso de dvida1 a grafia foi mantida de acordo com o original4 ,no final deste livro encontrar a lista de erros corrigidos4 ,rita ,farinha 7,abr4 #bjjh7 ,,memoria ,,sobre ,a ,,cultura1 ,e ,,productos ,,da ,,cana ,,de ,,assucar ,,offerecida ,a ,s4 ,,alteza ,,real4 ,o ,,principe ,,regente ,,nosso ,,senhor4 ,,pela ,,mesa ,,da ,,inspec,a ,,do ,,rio ,,de ,,janeiro4 ,,apresentada ,,por ,,joze ,,caetano ,,gomes1 ,e ,,de ,,ordem ,,do ,,mesmo ,,senhor ,,publicada ,,por ,fr4 ,,joze ,,mariano ,,velloso4 ,,lisboa3 ,na ,offic4 da casa litteraria do arco do cego4 ,anno ,m4 ,d ,,ccc4 ,,senhor4 ,a ,mesa da ,inspeco do ,rio de ,janeiro1 desejando conformar-se com os ardentes desejos1 que ,v4 ,a4 ,r4 tem de fazer felices os ,habitadores do ,brasil1 por huma bem entendida ,agricultura1 e desta sorte satisfazer tambem as suas ,reaes ,ordens1 recomendou a ,jose ,caetano ,gomes1 que lhe apresentasse as reflexes1 que os seus vastos conhecimentos lhe tivessem subministrado1 sobre a factura do ,assucar nos ,engenhos do ,rio de ,janeiro1 a que elle satisfez no dia #af de ,maro do anno proxime passado de #agii41 lendo perante ella a presente ,memoria1 que1 sendo dirigida a ,v4 ,a4 ,r41 se dignou ordenar-me1 que houvesse de a fazer imprimir1 em beneficio de seus fieis vasallos dos vastos dominios1 naquelle ,continente4 ,como pois ,andr ,joo ,antonil no seu livro da ,cultura1 e opulencia do ,brasil1 no faz mais1 que dar huma simples relao do modo de cultivar a ,canna1 extrahir ,assucar no ,brasil1 creio1 ,,senhor1 ou talvez posso assegurar1 que1 sobre este objecto1 esta he a primeira cousa1 ou a unica melhor escripta em nossa linguagem pelas sabias1 e luminosas reflexes1 com que a enriquece1 e que seu ,author he digno das ,soberanas vistas de ,v4 ,a4 ,r41 a cujos ps se prostra ,o mais humilde vassallo ,fr4 ,jose ,mariano da ,conceio4 ,,proemio4 ,sendo a ,provincia do ,brasil considerada como melhor ,colonia do ,mundo1 no se sentindo em toda ella nenhum dos flagellos da natureza1 pois no h terremotos1 furaces1 volces1 fomes1 nem pestes2 gozando de hum clima benigno1 e1 excepo de poucas trovoadas1 que servem de depurar o seu r1 e concorrendo todas as causas fysicas1 com huma vegetao sempre activa1 para fazerem a felicidade dos seus habitantes1 no se poderia comprehender1 o no ter chegado este bello paiz ao maior gro de prosperidade possivel1 se se no soubesse1 que as causas moraes1 podem tanto1 ou mais que as fysicas1 para deteriorar o melhor terreno4 ,a ,agricultura1 a primeira1 a mais util das ,artes1 que nutre a todas1 e faz a base da prosperidade1 e fora dos ,estados1 no sahio ainda da infancia no ,brasil2 todas as plantas so cultivadas por costume1 e sem principios2 as luzes da ,europa culta chego c to fracas1 que no podem aclarar-nos2 as couzas mais triviaes1 de que podamos ter abundancia1 no se sabem trabalhar4 ,a ,canna de ,assucar sendo o vegetal mais precioso1 comparado o seu producto1 com o que tiro os ,estrangeiros das ,antilhas1 he menos de ametade4 ,entregue a sua cultura escravos conduzidos por hum feitor1 sem mais talentos que1 os que lhe suggere a sua ferocidade2 a manufactura do ,assucar1 e da aguardente1 executada por ignorantes1 que no sabem a razo dos factos1 nem conhecem a natureza das differentes partes1 que constituem os liquidos1 sobre que trabalho2 os donos das fbricas olhando com indifferena para todos estes objectos1 julgando-os indignos da sua applicao2 no he de admirar1 que desta sorte haja o atrazamento1 que se v na cultura1 e producto da ,cana de ,assucar4 ,conheo alguns ,senhores de engenho1 que se distinguem pela sua instruco2 para estes no he que escrevo2 a minha obra he dirigida smente1 aos que sabem ainda menos do que eu1 e que esto inteiramente entregues disposio dos seus obreiros4 ,a cultura actual1 respeito que se propem1 faz huma grande differena4 ,quem est costumado a plantar ,cana na distancia de hum1 a dois palmos1 e que assim se d bem1 difficilmente poder conceber1 que1 plantando na de seis1 lucrar mais4 ,ainda que a razo1 e a experiencia fao conhecer1 que as plantas devem ser afastadas humas das outras1 segundo a sua grandeza1 e a quantidade de succos1 de que carecem1 no pertendo que se adopte o novo methodo1 sem que cada hum se convena por si mesmo da sua efficacia4 ,plante-se hum quadrado de doze braas1 que deve conter quatrocentas covas de ,cana1 segundo o methodo que se propoem2 plante-se outro quadrado igual1 na mesma qualidade de terra1 segundo o methodo que se pratica2 faa-se assento da despeza de huma1 e outra cultura separadamente2 apure-se o producto destas duas especies de plantao2 deduzo-se-lhe as respectivas despezas e a resulta que se achar he o que se deve seguir4 ,as experiencias em pequeno no arruino a alguem1 e podem ser seguidas de grandes utilidades4 ,o que digo sobre a cultura da ,cana1 e lembro a respeito s suas dependencias1 manufactura do ,assucar1 e aguardente2 he o que me parece melhor2 porm cada hum deve ver por si mesmo1 e fazer tudo o que a experiencia lhe mostrar mais util4 ,,descrip,a ,,da ,,canna ,,de ,,assucar1 ,,segundo ,a ,,vista ,,que ,,appresenta4 ,a canna de ,assucar1 tem a apparencia das outras cannas destituidas de medulla2 he huma planta da familia das gramineas2 como ellas1 he cheia de articulaes1 ou ns1 que disto huns dos outros1 de meia at quatro pollegadas1 segundo a bondade do terreno1 produzindo huma folha em cada articulao1 ou n1 cercada de pequenas raizes1 onde h hum boto1 ou olho1 destinado a ser canna1 se se deposita na terra4 ,estes espaos entre cada articulao1 a que se chama gomos1 so cheios de huma medulla esponjosa1 elastica1 succosa1 doce1 cuberta de huma casca pouco dura1 lenhosa1 que se deixa penetrar pela unha2 destinada a se extrahir della hum sal essencial1 que se chama ,assucar4 ,o seu comprimento1 ou altura1 he de seis1 a doze palmos1 segundo o terreno1 na ,cappitania do ,rio de ,janeiro1 e de oito1 a doze linhas de diametro4 ,succede adquirir algumas braas de comprido1 se cahe1 e as raizes1 que circundo os ns1 introduzindo-se na terra1 fazem collos2 porm s o que sobe ao r depois da ultima raiz1 he que tem doura1 tudo o mais he perdido4 ,a ,natureza tem destinado dezoito mezes a esta planta para chegar sua perfeio2 se he colhida antes1 ou depois deste termo1 o rendimento he menor em proporo que delle se afasto2 porm com maior prejuizo depois1 que antes da madureza4 ,isto he relativo ,estao2 grandes sccas1 ou grandes chuvas1 accelero1 ou retardo esta colheita4 ,ainda que1 como outra qualquer planta1 a ,canna de ,assucar florea1 e d semente1 a frma de se multiplicar1 he lanar na terra pequenas estacas tiradas da parte superior da ,canna1 onde no tem doura2 porm isto s pde fazer-se1 quando a plantao he ao mesmo tempo1 que a colheita1 fra disto toda a ,cana desde a raiz he empregada em estacas4 ,como se cultiva actualmente a ,canna de ,assucar4 ,cada plantador de ,canna1 segundo as suas faculdades1 vai com dez1 vinte1 quarenta1 ou mais escravos com enxadas1 limpar de todas as hervas huma certa poro de terra1 onde quer fazer aquillo a que se chama partido4 ,as plantas1 ervas1 ou capins arrancados1 ou cortados com a enxada1 so sacudidos da terra pelos mesmos escravos1 que trabalho enfileirados1 juntos em pequenos monticulos1 para no caso de sobrevir chuva1 no pegarem as raizes na terra4 ,depois da terra capinada1 ou limpa de plantas1 vo os escravos abrir covas com a mesma enxada2 cujas covas so huma especie de regos1 de duas1 a tres pollegadas de profundidade1 na distancia huns dos outros1 de hum palmo1 a palmo e meio2 e se suppem a terra muito boa1 chego a dois palmos4 ,so lanadas nestes regos duas estacas de ,canna1 de palmo e meio de comprido1 e se cobrem com a mesma terra1 que se tirou da cova4 ,faz-se esta plantao em dois tempos2 hum quando se moe para aproveitar os olhos da ,canna1 que he a parte superior della1 de ,junho at ,setembro2 o outro em ,maro1 que se tem pela melhor plantao1 a qual se faz ento com as estacas tiradas de toda a ,canna1 que se no moeo1 com o fim mesmo de se plantar neste tempo4 ,he de costume a qualquer das duas plantaes dar duas capinas1 ou limpas4 ,a ,canna plantada de ,junho a ,setembro1 he moida no anno seguinte com doze a quatorze mezes2 a plantada em ,maro1 de dezoito a vinte mezes2 huma1 e outra se deixa ficar por no se poder moer1 para ,canna velha2 planta-se1 ou moe-se na safra subsequente4 ,da ,canna1 que se cortou1 colhe-se a scca no anno seguinte1 e dahi todos os annos as resscas1 em quanto no terreno broto ,cannas4 ,ainda que se conhea1 que estas resscas rendem progressivamente ametade1 as ultimas em respeito s antecedentes1 todos as aproveito quanto podem4 ,alguns lavradores1 rarissimos1 se tem servido do arado para fazer os regos1 e de algum estrume nas terras j canadas1 porm o numero he to diminuto1 que no merece entrar em linha de conta2 o geral he limpar a terra a brao1 ajuntar o capim1 fazer covas com a enxada sem alinhamento1 plantar sem estercar1 fazer toda a plantao em hum1 ou dois partidos1 fugindo de terras virgens1 porque1 assim como as muito estercadas1 ou estrumadas1 fazem a ,canna1 a que se chama taioba1 quero dizer1 muito aquosa1 muito oleosa1 e pouco assucarada4 ,notas sobre esta frma de plantao4 ,sendo a ,canna de ,assucar huma planta1 destinada pela ,natureza a alcanar doze1 dezaseis1 vinte1 e mais palmos de altura1 segundo o terreno1 e at pollegada e meia de diametro1 no he possivel que possa prosperar plantando-se to junta2 porque rouba huma a substancia da outra4 ,tambem as covas1 ou regos1 em que se planta1 no tem bastante profundidade2 duas1 ou tres pollegadas no basto para a suster4 ,plantando-se sem alinhamento1 em confuso1 nunca o sol1 e o vento podem aperfeioar o seu succo4 ,fazendo-se a plantao em hum1 ou dois partidos1 pde pegar o fogo em ambos1 o que succede algumas vezes1 e fica seu dono empobrecido4 ,a experiencia tem feito conhecer1 que todos os fructos doces carecem do ,sol1 e r para alcanar a sua perfeio1 e que o mesmo sol bata a nu sobre a terra1 que cobre as suas raizes2 no se reunindo estas circumstancias1 os fructos se deterioro proporo4 ,em ,portugal as uvas1 a que chamo de forcado1 so sempre imperfeitas1 porque as arvores1 que as cobrem1 lhes roubo a luz4 ,as larangeiras no ,brasil1 cubertas de erva de passarinho1 do1 pela mesma causa1 laranjas pouco doces4 ,ainda que estas larangeiras estejo limpas da mesma herva1 ainda que estejo n'hum campo solitarias2 se a terra1 por onde esto permeadas as suas raizes1 est cuberta de herva1 ou capim1 que impea a luz de bater sobre ella1 os fructos so sempre azedos4 ,nenhum author1 que trate da ,canna de ,assucar1 manda plantalla em menos distancia1 que a de tres ps1 e alguns querem seis1 e sete1 que so nove1 e dez palmos e meio de cova a cova3 isto ha de parecer hum paradoxo aos nossos lavradores1 que at tem hum ditado3 quero canna mil1 e no gentil4 ,porm da perfeio1 com que nas ,colonias estrangeiras se faz esta cultura1 a mais preciosa d',america1 he que tem procedido o gro de prosperidade1 a que se tem elevado1 e de que somos privados1 por seguirmos smente hum trilho cgo1 e sem reflexo4 ,theoria para a cultura da ,canna de ,assucar4 ,o ,que vou dizer he hum extracto do que tenho visto sobre esta materia4 ,os principios para a cultura da terra1 segundo os ,antigos1 que suppunho as raizes das plantas1 como os unicos orgos para receber a sua nutrio1 consistio em lavrar a terra com diversos instrumentos para a pr bem movel1 estrumalla1 e depois de hum certo numero de colheitas1 dar-lhe descano1 quero dizer1 conservalla limpa sem nutrir planta alguma4 ,os estercos1 e estrumes de que se servio1 era toda a especie de excrementos de animaes1 e vegetaes podres4 ,os modernos adoptando os mesmos principios1 insto por mais lavras2 do o descano nos grandes intervallos1 que deixo entre planta e planta2 estes intervallos so lavrados durante a vegetao2 alm dos estrumes de que se servio os ,antigos1 accrescentro o dos marnes1 ou terras saponaceas1 e o dos rebanhos nas terras que se propem cultivar2 e alguns ,authores no querem esterco1 que substituem com lavras1 e mais lavras1 origem da immensidade de instrumentos1 que se tem inventado a este fim4 ,estes principios so certos em parte1 e em parte diametralmente oppostos ao fim que se busca4 ,a quem ignorar os descobrimentos mais modernos1 ha de parecer paradoxo o dizer-se1 que a terra natural no concorre para a vegetao das plantas2 que estas no tiro della alimento algum1 e que s serve de alicerce para suster a sua corporedade4 ,h terra vitrescivel1 terra calcarea1 terra argillosa1 ou barro1 marne1 e humus4 ,a terra vitrescivel absolutamente esteril1 he aquella de que foi composto1 e faz a solidez do nosso ,planeta4 ,a terra calcarea he o residuo da decomposio dos corpos animaes4 ,a terra argillosa he o residuo da decomposio dos vegetaes4 ,o marne1 ou terra saponacea1 he a combinao destas duas especies de terra1 variado a infinito com a ara1 ou terra vitrescivel1 segundo as propores da sua mistura4 ,o humus1 materia to preciosa para a vegetao1 he a combinao da decomposio dos corpos organisados1 vegetaes1 e animaes de recente data1 que tem a propriedade de dissolver-se n'agua1 pelo oleo animal1 e sal do vegetal1 e com este liquido formar hum sabo1 que se transforma em seiba1 que he o sangue da planta4 ,a argilla1 ou barro de todas as especies1 e as terras calcareas1 so humus envelhecido1 a quem a decomposio dos animaes phlogisticou1 e com o seu gluten1 fez to tenazes as suas partes1 que so impermeaveis s raizes das plantas2 porm combinadas com a ara1 ou terra vitrescivel1 fico terras proprias vegetao4 ,as plantas so viventes1 que tem a faculdade de se reproduzir pela semente1 pelo tronco1 e pela raiz4 ,a experiencia de ,boyle1 milhares de vezes repetida1 e sempre confirmada1 prova com evidencia1 que tiro a maior parte da sua nutrio do r2 ellas tem vasos absorventes para receberem o alimento1 e vasos exhalantes para se alliviarem do superfluo2 ainda que estes orgos se no percebo simples vista1 a existencia delles he huma verdade4 ,assim como os animaes do pasto a differentes especies de insectos1 tambem os vegetaes sustento huma innumeridade delles2 cada hum tem os seus4 ,huma folha que cahe de qualquer planta1 causa a morte a milhares de entes invisiveis4 ,o fogo1 o r1 a agua1 o humus1 e a terra concorrem para a vegetao4 ,o fogo he o motor1 o r o agente1 a agua o vehiculo1 o humus o que faz a seiba4 ,o fogo como calor1 e como luz1 faz subir os fluidos nas plantas desde a raiz2 a frescura da noite os faz descer1 fazendo assim huma especie de circulao1 e desta sorte capazes de receber pelos vasos absorventes das suas folhas1 do seu tronco1 da sua raiz1 as partes que os meteoros atmosphericos lhe communico4 ,a agua muito composta1 como elemento1 faz com o gz1 ou r fixo1 a parte mais consideravel da planta4 ,o r como atmospherico1 e o receptaculo onde se combino todas as emanaes da natureza1 serve de todas as sortes planta2 e o humus faz as partes fixas della4 ,a terra he a matriz da semente1 ou planta1 que serve de cada1 ou alicerce para esta se desenvolver1 e suster2 e a fertilidade que se lhe suppem1 he devida smente s partes do humus1 que em si contm1 boa1 ou m1 segundo a maior1 ou menor quantidade1 que encerra desta preciosa materia1 segundo a planta2 que deve nutrir2 deve ser trabalhada1 dividida1 ter toda a facilidade para receber as aguas das chuvas1 dos orvalhos1 dos outros meteoros aquosos1 todos os principios fecundantes espalhados na atmosphera1 e deixar-se penetrar das raizes1 que se vo estendendo proporo que a planta cresce4 ,a abundancia do humus nos terrenos cubertos de mato virgem1 quando este mato se derruba1 e se pem a terra em cultura1 faz prosperar extraordinariamente os vegetaes nella cultivados4 ,este humus1 convertendo-se nas partes solidas das plantas1 vai diminuindo a pouco1 e pouco2 e passados annos fica a terra exhaurida desta preciosa materia1 e por consequencia esteril4 ,a experiencia fez conhecer em todos os tempos1 que os estrumes1 e materias estercoraes reparavo de alguma sorte esta falta1 e se usou delles com bom successo2 porm que no bastando1 era preciso dar descano a esta terra1 descobrindo-a de todas as plantas1 lavrando-a muitas vezes1 esperando que a atmosphera a fecundasse4 ,isto he hum grande erro1 porque o calor do ,sol batendo a nu sobre esta terra1 a faz arida1 e vindo depois huma chuva1 a pequena poro do humus1 que em si contm1 he levado a outra parte1 e por consequencia fica ainda mais empobrecido o mesmo terreno1 que com este methodo se quer enriquecer4 ,he evidentemente demonstrado1 que para a terra no canar1 adquirir1 e conservar o seu humus1 e fertilidade1 he preciso que esteja sempre cuberta de plantas4 ,devem cultivar-se aquellas de que se pertende utilidade2 quando estas se colherem1 lanar a semente de outras de prompto crescimento1 que tenho grandes1 e brandas raizes1 que cubro bem a terra1 taes como nabos1 rabos1 cenouras1 batatas1 aboboras1 etc4 e antes de chegarem ao seu total crescimento1 serem lavradas1 enterradas2 e quando tiverem apodrecido1 ou estiverem reduzidas a humus1 plantarem-se1 ou semearem-se aquellas1 de que se pertende redito4 ,trabalhando-se continuada1 e alternativamente desta sorte1 podem evitar-se todos os estrumes1 e estercos2 estes so inventados pelos homens1 e o humus he o da natureza4 ,as vargens que esto cercadas de serras1 collinas1 montes1 se estas eminencias se conservo coroadas de matto1 so sempre ferteis1 porque o humus1 que estes mattos esto continuadamente depositando na terra1 dissolvido pelas chuvas1 vai enriquecer as vargens4 ,as fraldas destas eminencias podem ser cultivadas para pequenos vegetaes1 se o angulo1 que fizerem1 no passar de quarenta1 e cinco gros porque ento s grandes arvores lhes convm4 ,os proprietarios destas eminencias1 que as descoroo de mattos1 empobrecem o ,estado a perpetuidade2 a coroa sendo descuberta1 apresenta huma superficie nua aos raios do ,sol1 e passados poucos tempos fico reduzidas a escalvados2 porm a perda que no se repara mais1 he a das chuvas1 que os grandes vegetaes tem a propriedade de chamar4 ,o humus no basta s para conduzir as plantas sua perfeio2 ellas carecem ainda da luz1 #c1 do r renovado1 #d1 de ter a superficie da terra at onde podem extender-se as suas raizes1 despida de plantas2 esta mesma terra revolvida1 bem dividida1 e haver entre planta1 e planta huma certa distancia1 proporcionada aos succos1 de que carecem1 segundo a sua natureza2 haver huma escolha escrupulosa na semente1 ou planta1 e conhecer qual he o tempo proprio para se lanar na terra1 etc4 etc4 ,como se deve cultivar a ,cana de ,assucar4 ,a ,experiencia tem feito conhecer1 que o melhor tempo de plantar a ,canna na ,capitania do ,rio de ,janeiro1 he de ,dezembro a ,maro1 para ser moida de ,junho a ,septembro do anno subsequente1 com dezoito mezes de idade4 ,como nestes mezes no h olhos de ,canna1 usa-se cortar da ,canna1 que se deixou para velha1 pequenas estacas2 porm esta ,canna velha1 que est deteriorada por ter passado do ponto da sua madureza1 tem sim bastante doura1 porm os botes1 ou olhos dos seus ns1 ou articulaes1 que he o que deve ser ,canna1 huns esto j murchos1 outros podres1 e por consequencia perdidos2 e s a parte superior da ,canna1 que sempre conserva verdura1 pouca doura1 e mesmo acidez1 he o que nasce facilmente4 ,ainda que os botes estejo em bom estado1 devem desprezar-se as ,cannas velhas1 porque em quanto tem doura1 no nascem1 e he preciso hum mez1 e mais tempo para a perderem4 ,para se fazer huma plantao perfeita1 he preciso fazer a planta4 ,no principio da moagem1 devem plantar-se os olhos1 ou parte superior da ,canna1 n'huma terra de muita substancia1 lodosa mesmo1 em terreno virgem1 que tenha bem humus1 ou seja bem estercado1 para a ,canna1 que nascer1 ser bem ataiobada1 ou selvagem4 ,desta ,canna sem doura1 e bravia1 he que se tiro as estacas para fazer a plantao2 cujas estacas devem ter o comprimento1 que alcancem quatro ns1 que segundo a distancia de n a n1 sero mais compridas1 ou mais curtas4 ,esta ,canna plantada n'hum terreno to pouco proprio para se lhe extrahir o ,assucar1 no he perdida2 alm da utilidade da boa planta1 no fim de dois1 ou tres cortes1 pde servir para ,assucar2 porm deve haver o cuidado de renovar a ,canna para a planta4 ,a ,canna de ,assucar cresce em todas as especies de terra2 porm as que so gordas1 fortes1 baixas1 lodosas1 novamente roteadas1 quero dizer1 donde se derrubou matto virgem1 a pezar do comprimento1 ou altura1 que alcano1 tem o succo aquoso1 oleoso1 pouco assucarado1 difficil de cozer1 de purificar1 sem rendimento4 ,hum terreno ligeiro1 poroso1 profundo1 inclinado at quinze gros1 he aquelle que a natureza tem destinado a este rico vegetal4 ,deve-se dividir o terreno destinado para a ,canna em tres partes1 e cada huma destas partes1 subdividir-se em pequenos quadrados de doze braas cada hum2 qualquer que seja a exposio do terreno1 sempre estes pequenos quadrados ho de ser alinhados de ,norte a ,sul1 de ,leste a ,oeste4 ,veja-se a ,estampa ,i4 ,cultivo-se estes pequenos quadrados1 deixando os lados de cada hum delles para todas as partes1 livres da planta da ,canna2 porm podem occupar-se em mandioca1 cars1 batatas1 feijo1 milho1 aboboras1 ervilhas1 etc4 ,cada hum dos quadrados1 se tiver doze braas de frente1 e doze de fundo1 deve conter quatrocentas covas1 na distancia humas das outras de seis palmos4 ,para se fazerem estas cvas1 no he preciso que todo o quadrado esteja descuberto de capim1 basta que seja limpo pouco mais que o tamanho dellas1 que devem ter dois palmos de comprido1 hum palmo de largo1 e seis pollegadas de fundo4 ,comparadas estas covas com as que se fazem actualmente1 ho de parecer muito grandes1 e muitos fundas2 e na realidade o no so1 respeito s que fazem os ,colonos das ,antilhas1 e o mesmo digo sobre a distancia dellas2 pois elles chego a afastallas humas das outras1 at dez palmos e meio1 e a dar-lhe dezoito pollegadas de comprido1 doze de largo1 e oito de fundo4 ,o milho para prosperar de serra acima1 para os seus cultores colherem duzentos por hum1 he preciso fazerem as covas na distancia de cinco a seis palmos1 nas quaes lano quatro1 ou cinco gros2 ora este vegetal no tem o corpo da ,canna de ,assucar1 nem como ella carece de tanta substancia1 e alimento2 a cova de milho he para quatro1 ou cinco ps1 a da ,cana para oito1 ou dez1 que tantas so as que devem nascer1 dos olhos1 os botes das duas pequenas estacas1 que se deito nas covas1 e se devem conservar1 cortando todas as que demais nascerem1 porque como ladres lhe roubo a substancia4 ,he certo que com a enxada1 que se usa no ,brasil1 que he talvez a primeira que se inventou1 e onde no chegou ainda a enxada de ,luca1 ,franceza1 ou ,ingleza1 he hum pouco difficil fazer esta especie de covas2 so precisas de vinte a trinta golpes1 quando com qualquer das mencionadas1 basto tres1 ou quatro4 ,a nossa enxada he fatigante1 o trabalhador anda curvado2 e tendo o ferro de cinco a seis libras1 elle carrega com vinte1 ou mais nas cadeiras2 nesta especie de servio o homem baxo tem vantagem ao homem alto1 a quem he preciso maior curvatura1 e por consequencia dobrado esforo4 ,na ,republica de ,luca1 e em algumas ,provincias de ,frana1 no se usa de arado1 nem de charrua1 porque a sua enxada equivale ao trabalho destes instrumentos1 e fica a terra mais bem trabalhada4 ,no ,brasil onde os mesmos instrumentos pouco uso podem ter1 he de huma grande vantagem o adoptarmos a enxada ,luqueza1 ou outra com pouca differena1 que he huma especie de p1 com dez pollegadas de altura1 nove de largura em cima1 oito em baxo1 com a grossura de meia pollegada1 a acabar em huma linha1 bem temperada de ao1 com hum alvado de seis pollegadas1 quatro a meio ferro1 e duas sobresahindo1 e com a vacuidade de pollegada e meia de diametro1 que vai diminuindo insensivelmente1 com dois furos no alvado1 para com huma cavilha se fazer firme o cabo1 que deve ter oito palmos de comprido4 ,veja-se a ,estampa ,,ii4 ,fig4 ,i4 e ,,ii4 ,o trabalhador com este instrumento tem o corpo direito1 virado para o ,norte1 os calcanhares afastados pouco mais de meio palmo2 a enxada afastada quasi hum palmo do p esquerdo2 a mo esquerda por todo o comprimento do brao1 pegando no cabo2 e a mo direita pegando no mesmo cabo1 quasi no hombro direito ,fig4 ,,iii4 ,a mo esquerda levanta a enxada at onde pde hir1 sem que o antebrao se desuna do corpo4 ,fig4 ,,iv4 ,a mo direita da altura1 a que chegou1 impelle a enxada com toda a fora1 e a esquerda deixa escorregar o cabo1 segundo a ferida que a enxada fez na terra4 ,para se tirar esta terra1 serve de apoio a mo esquerda1 e a direita carregando no cabo1 levanta a p1 e ambas a guio para lanar a terra a qualquer parte2 porm deve ser regularmente para ,oeste1 ou ,leste4 ,no segundo movimento1 deve chegar-se o calcanhar do p esquerdo ao do direito1 e este ladear para a direita tanto quanto a enxada cava1 e assim progressivamente4 ,designados os quadrados para a plantao da ,canna1 vo a cada hum vinte trabalhadores2 o seu feitor os deve pr enfileirados olhando para ,oeste1 na distancia de seis palmos huns dos outros2 manda-os andar direita para ficarem virados para o ,norte2 manda-lhe passar o p direito a perfilar com o esquerdo1 na distancia pouco mais que meio palmo2 e desta sorte principio o trabalho1 abrindo as covas de ,oeste para ,leste1 de manh at ao meio dia1 servindo de guia a sombra do corpo2 e do meio dia para a noite virados para o ,sul fazem o mesmo2 ou tambem podem trocar as mos1 porque se trabalha para o lado direito1 assim como para o esquerdo2 devendo buscar-se de qualquer sorte o alinhamento perfeito das covas de ,norte a ,sul1 e de ,leste a ,oeste1 o que he essencial para a perfeio da cultura deste rico vegetal4 ,feitas as covas1 devem lanar-se nellas duas estacas de ,canna1 que no tenho menos de quatro1 nem mais de cinco botes1 para quando nascerem1 fazerem huma soqueira de oito1 ou dez ,cannas4 ,cobrem-se estas estacas com duas pollegadas de terra1 e quando tem nascido a ,canna1 e alcanado dois palmos pouco mais de altura1 enchem-se as covas com o resto da terra4 ,limpo-se as ,cannas de todas as hervas que podem roubar-lhe a substancia1 proporo que forem nascendo4 ,esta plantao deve fazer-se de ,janeiro at ,maro1 e no antes1 nem depois4 ,qualquer que seja a qualidade da terra1 no deve pretender-se mais1 que dois cortes2 o primeiro dahi a dezoito mezes1 o segundo a que se chama sca1 dahi a quinze1 ou dezaseis mezes4 ,depois deste segundo crte1 deve occupar-se o terreno em que esteve a ,canna1 com aboboras de todas as especies1 que tem a propriedade de cubrir bem a terra1 para que as raizes da ,canna apodreo1 e depois de convertidas em humus1 ficar a terra apta para receber nova ,canna1 que dahi a mais de hum anno se lhe pde confiar4 ,de ,janeiro a ,maro do segundo anno1 cultiva-se a segunda diviso1 e no anno seguinte a terceira4 ,a quarta plantao faz-se nos mesmos quadrados da primeira2 a quinta1 nos segundos1 a sexta nos terceiros1 a setima nos primeiros da primeira1 a oitava nos da segunda1 a nona nos da terceira1 e assim alternativamente2 de sorte que a ,canna de cada quadrado tenha intervallo bastante1 que a livre de plantas1 que lhe roubem a luz4 ,esta frma de plantao pde variar-se a infinito1 segundo a quantidade de terreno1 e intelligencia do cultor4 ,em lugar de quadrados perfeitos1 podem ser quadrados longos etc41 com tanto que se busque sempre o dar ,canna1 a maior quantidade de r1 e luz possivel2 porque a experiencia faz ver com evidencia1 que s a dos aceiros1 que recebe continuadamente a influencia destes dois agentes1 he que alcana perfeio no seu succo2 a que est para dentro1 fica sempre esverdeada1 o seu succo mal digerido1 difficil de cozer1 e de purificar2 por consequencia o fim do lavrador deve ser quanto lhe for possivel1 fazer todo o ,canaveal em aceiro4 ,vantagens desta frma de plantao4 ,se h fogos por accidente1 he moralmente impossivel1 que passem de huns a outros partidos1 tendo to grande separao entre si4 ,nunca os carros1 nem animaes pizo o ,cannaveal1 quando se conduz a ,canna fbrica4 ,h facilidade para se verem as ,cannas de todos os pequenos partidos1 para se cortarem os filhos que broto1 que como ladres lhe roubo a substancia4 ,quasi todo o ,cannaveal est em aceiro1 quero dizer1 est apto para receber a influencia1 e nutrio1 que lhe communica a atmosphera4 ,a renovao1 e correnteza do r impede a gerao1 e propagao de insectos1 taes como baratas1 e outros1 que a sua corrupo tem a propriedade de chamar4 ,pelo alinhamento de ,norte a ,sul1 de ,leste a ,oeste1 recebem as ,cannas os raios da luz1 que o ,sol pde communicar-lhes1 e que lhes so to precisos para a depurao do seu succo4 ,facilita o tarefar o trabalho1 etc4 etc4 ,crte das ,cannas4 ,a ,canna de ,assucar gasta dezoito mezes a chegar ao seu ponto de perfeio1 porm se h seccas1 anticipa-se2 o gosto1 e a vista he que decidem a colheita2 quando est bem doce1 e tem a cr amarellada1 he tempo de cortar4 ,he sabido de todos1 que principia a ser doce do p1 e que esta doura vai diminuindo gradualmente para a parte superior1 e que junto bandeira1 ou olho1 no s no tem doura1 porm mesmo tem acidez1 e he por consequencia hum erro1 o aproveitalla at s folhas4 ,deve sim cortar-se bem rente terra sem ferir as raizes1 porm o palmo junto s folhas1 deve-se desprezar4 ,segundo a sua grandeza1 se ha de cortar em huma1 duas1 e talvez tres partes1 servindo de ballisa1 o no ter mais de cinco1 ou seis palmos1 para se appresentar moenda4 ,usa-se1 quando se corta1 fazer feixes de seis1 ou oito ,cannas1 segundo a sua grossura1 cujos feixes so amarrados com os olhos das ,cannas que se cortro4 ,esta especie de atilhos he tirada dos feixes de ,canna1 quando se appresento moenda1 porm escapo muitos1 que se espremem com a ,canna2 ora1 tendo elles acidez1 vo deteriorar o sumo1 de que se ha de fazer ,assucar1 gastar mais decoada1 e lenha1 alm do tempo1 e servio que se perde2 porque no acto de cortar a ,canna1 so precisas quasi tantas pessoas para amarrar1 como para cortar2 e para a conduco tanto importa estar em feixes1 como solta1 e o mesmo para se meter na moenda1 onde o trabalhador pde regular o pegar em seis1 ou oito1 doze1 ou dezaseis1 para as appresentar4 ,deve haver cuidado de no se cortar mais ,canna1 que a que pde moer-se em vinte e quatro horas1 principalmente se o calor he intenso1 porque o sumo fermenta na mesma ,canna1 o que arruina a sua qualidade4 ,construco dos engenhos actuaes4 ,todos os engenhos de fazer ,assucar na ,capitania do ,rio de ,janeiro1 qualquer que seja a potencia1 agua1 bestas1 ou bois1 tem a mesma construco1 excepo de tres modernamente feitos1 que reunem algumas vantagens1 todos os mais he hum grande pio1 que faz fazer huma casa de sessenta palmos livres1 acabando em varandas roda1 algumas subdivididas2 cujas varandas so maiores1 ou menores1 segundo o destino1 que se lhes d1 de picadeiro1 casa de caldeiras1 casa de purgar1 casa de encaixe1 casa de aguardente1 fornalhas1 e varandas de carros2 com algumas trapeiras para dar sahida ao fumo1 e luz4 ,no centro desta grande casa de sessenta palmos1 se o engenho he moido por animaes1 est a meza com as moendas2 na moenda do meio1 vulgarmente chamada a moenda grande1 que pela sua dentadura faz moer as dos lados1 h quatro aspas1 ou almanjarras1 a cada huma das quaes puxo dois animaes1 formando hum circulo roda da meza1 de cincoenta e seis palmos de diametro1 vindo a ter as almanjarras por onde puxo os oito animaes1 vinte e oito palmos de comprido2 os dois palmos que falto para os trinta1 ou quatro para sessenta da capacidade da casa1 he folga para os animaes1 que no devem roar pelas paredes4 ,se o engenho he de agua1 na moenda do meio h huma grande roda1 de trinta e seis a quarenta palmos de diametro1 a qual est n'hum eixo horisontal1 e nelle huma roda vertical1 de trinta a trinta e seis palmos1 que nos cubos da sua circumferencia recebe a agua1 que he a potencia4 ,h hum engenho de agua com rodizio1 ou roda horisontal1 que reunindo a vantagem de tocar dois ternos de moendas1 e ser obra to perfeita neste genero1 no tem tido imitadores1 por parecer primeira vista1 ser a roda vertical de maior fora que a horisontal1 o que he engano1 como farei ver4 ,notas sobre esta frma de construco4 ,para se fazer huma casa de sessenta palmos livres1 so precisas vigas de sessenta e quatro palmos de comprido1 que fico fracas1 se no tiverem dois palmos por cada face2 he custoso achar estes madeiros1 difficultosa a sua conduco1 perigoso o levallos acima do edificio1 que fica sobrecarregado com este desmarcado pso1 e por consequencia fraco4 ,as trapeiras1 de que uso para dar sahida ao fumo1 e entrada luz1 so insufficientes1 e h occasies1 em que quasi se he suffocado pela fumaa1 e sempre he precisa a canda para se verem os objectos4 ,os animaes no seu giro1 circulando as moendas1 estorvo a passagem1 aos conductores da ,canna1 que algumas vezes succede serem atropellados2 os picadeiros de sobrado1 que se fizero n'hum engenho1 para evitar estes accidentes1 no tivero imitadores2 e o mesmo engenho os abolio por incommodos4 ,o sumo1 que sahe das ,cannas pela expresso das moendas1 he conduzido por huma calha ao parol1 a que chamo de caldo frio2 no circulo1 que fazem as bestas1 atravesso esta calha1 o que fra plla junto terra1 e o dormente dos moendas com pouca altura1 e por consequencia o no se poder moer ,canna1 como deve ser4 ,ainda que o engenho seja de agua1 como estas fbricas foro feitas por imitao de humas a outras1 o prospecto he o mesmo1 e no tem os commodos1 que se devio buscar2 multiplica-se servio1 por ser preciso usar de ptes1 e barris para levantarem os liquidos1 que devio ser conduzidos por bicas1 ou calhas1 at cahirem nos alambiques4 ,nova construco de engenhos4 ,em mechanica o ser senhor da potencia1 para augmentar1 diminuir1 e modificar a fora ao seu arbitrio2 ajuntar a estas vantagens a da elegancia1 commodo1 e economia1 parece que he tudo1 quanto se pde desejar4 ,o engenho1 que se propem para modello1 no tem hum po de maior comprimento1 que o de quarenta e quatro palmos1 com huma face de palmo e meio1 e outra de hum palmo1 e estes so os tirantes2 todos os mais pos so de hum palmo1 tres quartos1 meio palmo1 com menos comprimento1 excepo dos esteios1 com palmo e meio de face1 e de quarenta para cima de comprido4 ,o edificio por dentro1 debaxo de huma cumieira1 tem cento e sessenta palmos de comprido1 quarenta e dois palmos de largura1 e trinta e tres de altura em p direito4 ,na altura de trinta palmos est hum segundo frechal1 que cinge todo o edificio1 e serve smente1 para encabear os caibros das varandas1 e deixar hum claro de tres palmos1 para dar luz1 e sahida ao fumo4 ,este engenho he para o trabalho de bestas1 ou bois1 porm a sua construco he1 como se fosse para agua1 girando tudo sobre pio4 ,na moenda do meio tem huma roda com oito aspas1 a que se chama bolandeira1 com trinta e seis palmos de diametro de centro de dente1 a centro de dente1 e noventa e seis dentes na sua circumferencia1 que fico na distancia de pouco mais de palmo huns dos outros2 os dentes desta roda so de coroa4 ,esta roda he movida por hum rodete estrellado de trinta e dois dentes1 cujo eixo em pio tem duas almanjarras2 da ponta de cada huma das quaes ao centro do eixo1 so quatorze palmos4 ,os animaes trabalho nesta mquina1 em huma especie de po calado1 com oito palmos de profundidade 7pde ser mais1 ou menos7 cercado com huma varanda4 ,esta especie de po he formada pelo aterro da casa1 onde gira a mquina1 e esto as moendas4 ,j se v que1 tendo o rodete a tera parte da bolandeira1 he preciso que d tres voltas para a bolandeira dar huma2 e1 como os animaes puxo na distancia de quatorze palmos do centro1 devem fazer tres circulos de vinte e oito palmos de diametro1 que fazem oitenta e quatro palmos1 para as moendas darem huma volta1 o que faz puxar por huma almanjarra1 ou alavanca de quarenta e dois palmos4 ,he certo que oitenta e quatro palmos de diametro fazem oitenta e quatro passos de circumferencia2 e1 tendo os engenhos communs as suas almanjarras em cincoenta e seis palmos de diametro1 que fazem cincoenta e seis passos de circumferencia1 parece que faro em menos tempo virar as moendas2 porm no he assim2 porque a pezar de serem oito os animaes1 que puxo estas almanjarras1 e poderem s quatro1 e menos puxar as outras1 por ter a sua alavanca mais quatorze palmos de comprido2 attendendo s paradas1 que os oito animaes fazem a cada passo1 para vencer a resistencia1 e suavidade1 com que os quatro andar1 sem nunca achar obstaculo1 que faa retardar o seu passo natural1 fica igualado o servio1 e talvez superior o dos quatro3 alm disto1 ainda que eu no conhea no ,rio de ,janeiro1 quem possa occupar sempre1 e no seu devido tempo1 esta mquina trabalhando assim1 mettendo ,canna como deve metter-se2 quem quizer andar mais veloz1 encurte as almanjarras1 e augmente o numero de bestas1 e pde levar isto ao ponto1 que lhe parecer2 vantagem de que so privados os engenhos actuaes1 que ho de restringir-se ao numero de oito smente4 ,por esta nova frma cada hum pde trabalhar1 segundo as suas foras3 se em lugar do rodete pela tera parte1 o fizer pela quarta1 conservando as almanjarras no seu comprimento1 faz puxar as bestas por huma alavanca de cincoenta e seis palmos1 e se ha de moer com quatro1 pde fazello com duas1 e mesmo huma4 ,assim como pde diminuir2 se fizer o rodete por ametade1 augmenta o movimento1 e fica a almanjarra de vinte e oito palmos1 e tem a vantagem de meter oito1 dez1 doze1 dezaseis bestas1 o que no pde fazer na construco actual2 porque ento no terio passagem os carregadores de ,canna para as moendas1 que esto sempre desembaraadas na construco1 que se propem2 porm a proporo da tera parte1 he1 segundo o meu clculo1 a mais ajustada4 ,veja-se a ,estampa ,,iii4 ,sobre o movimento das moendas4 ,eu no tenho noticia de que houvesse ainda quem regulasse o movimento das moendas1 para fazerem o maior effeito possivel n'hum termo dado1 sendo isto hum objecto1 que merece toda a ponderao4 ,vendo que em hum engenho movido por bois1 do as moendas huma volta por minuto2 n'hum por bestas quasi volta e meia2 nos de agua duas1 tres1 quatro1 e mais voltas2 pensando todos geralmente1 que quanto maior numero de voltas der em menos tempo1 mais moer1 fiz exame a este respeito1 e achei que o movimento de duas voltas por minuto1 he o ponto de perfeio2 e que tanto menos se moer1 quanto se afastarem delle para mais1 ou para menos4 ,quando boas bestas1 e descanadas1 excitadas pelo aoite puxo pelas almanjarras a trote1 e fazem dar s moendas duas voltas e meia por minuto1 a ,canna fica esmagada1 e no espremida2 porque o sumo no tem tempo da cahir1 e passa em cima da ,canna para a outra parte2 e como ella he hum corpo esponjoso1 e elastico1 logo que cessa o aperto1 torna a beber o mesmo sumo1 do qual s numa pequena parte cahe na meza2 e se em duas voltas e meia succede isto1 peior em tres1 quatro1 e mais4 ,n'hum engenho movido por bestas1 no pde haver excesso no movimento1 poderia talvez prejudicar por defeito1 se houvesse quem tivesse foras para fazer de dez a doze mil arrobas de ,assucar annualmente1 o que nunca succedeo2 porm havendo quem possa fazellas1 ou ainda mais1 pde pr dois ternos de moendas1 que o mesmo rodete faz moer1 segundo o modello que se propem4 ,com a roda vertical dos engenhos de agua1 he hum pouco dificultoso regular o movimento das moendas2 s se a agua he muito alta1 o que raras vezes succede2 sendo baxa1 e muita1 que possa dar-se-lhe toda a fora que se precisa1 o rodete he muito grande1 e faz que a bolandeira d tres1 e quatro voltas por minuto1 o que retarda o servio1 como acima se diz2 s se a roda vertical tivesse de cincoenta a sessenta palmos de diametro1 o que no pde ser sem muito incommodo4 ,com a roda horisontal1 vulgarmente chamada rodizio1 he facil graduar o movimento4 ,o maior1 ou menor declivio na bica de ferir as pennas2 maior1 ou menor diametro no rodete1 ou no mesmo rodizio1 faz conseguir o que se quer sem custo4 ,comparao da roda vertical com a horisontal4 ,he sabido de todos1 que em qualquer mquina1 a agua obra smente pelo seu pso4 ,supponho ter huma bolandeira com trinta e seis palmos de diametro1 movida por hum rodete de oito2 a roda vertical de trinta e seis2 a agua na altura de vinte palmos1 com quatro pollegadas cubicas1 que so sessenta e quatro1 e peso quasi tres libras4 ,onde a vertical recebe o impulso com a maior fora1 he no semidiametro1 e fim da linha horisontal do eixo1 em dezoito palmos2 a agua cahe com dois palmos de ferida1 e doze libras de pso no principal cubo2 nos que se enchro1 psa com tres libras em linhas mais curtas4 ,se os cubos tem capacidade para receber mais agua1 e o pso desta nos mesmos he preciso para o movimento1 fica a mquina vagarosa1 e sem o effeito que se quer4 ,tem mais o defeito de ficarem as moendas baxas2 no se poderem dar as propores que se preciso2 estar tudo cheio de agua1 e a roda afeiando o edificio1 estorvando passagens1 etc4 ,o mesmo diametro na bolandeira1 e na horisontal1 quero dizer1 trinta e seis palmos o diametro da bolandeira1 e trinta e seis o do rodizio1 o rodete deve ter a oitava parte1 ou doze dentes estrelados1 tendo a bolandeira noventa e seis de coroa1 e a agua na mesma quantidade1 e altura4 ,vinte palmos que a agua tem de altura1 so quarenta vezes tres libras1 ou cento e vinte libras1 que pso sobre as pennas do rodizio com hum jacto de quasi vinte palmos1 se sahisse horisontalmente1 porm como deve ter quinze gros de declivio para ferir as pennas1 fica em dezaseis4 ,este jacto de quinze gros communica hum movimento mui veloz ao rodizio1 que pde ser moderado1 segundo a necessidade1 e o podemos levar at quarenta e cinco gros com toda a vantagem4 ,podemos augmentar o diametro do rodizio2 diminuir1 ou accrescentar o do rodete2 levantar1 ou abaxar as moendas nossa vontade1 fazendo mais curto1 ou mais comprido o eixo do rodizio2 cujas pennas1 sendo feitas de pos firmes1 tudo cerne1 com tres palmos de comprido1 e hum em quadro1 as cavas em meia lua1 para receber a agua1 com seis pollegadas pelo comprimento da penna1 cinco na largura1 e cinco em profundidade1 tem toda a solidez1 e durao possiveis2 quando pelo contrario a roda vertical1 composta de muitas taboinhas1 e pequenas juntas1 em poucos tempos fica fra de servio4 ,o modello1 que se propem1 para moerem bestas1 serve para o de agua com rodizio1 s com a differena do rodete ser mais pequeno1 e a especie de po ser cuberta de sobrado1 que d passagem ao eixo2 reunindo esta frma de mquina alm das mais vantagens1 a de poder ser movida por animaes1 se por accidente falta a agua1 o que succede algumas vezes1 e causa prejuisos4 ,no fallo nos engenhos de vento para moer ,canna1 porque a instabilidade1 e irregularidade deste agente no ,brasil1 o faz inutil4 ,ainda mesmo os de agua1 se esta for difficultosa1 ou que faa precisar grandes despesas2 pondo-se em prtica o modello1 no causar muito pesar o moer sem ella4 ,a ,estampa ,,iii4 mostra o interior1 o plano1 e o exterior da casa do engenho4 ,preciso sobre a dentadura das rodas4 ,a falta de conhecimento de mechanica nos mestres de engenhos do ,rio de ,janeiro1 aos quaes com mais propriedade se pdem chamar curiosos1 excepo de alguns1 e bem poucos1 que tem merecimento1 me faz dizer o que sei a este respeito1 por me parecer que ser de alguma utilidade4 ,quero fazer huma roda grande1 que tenha trinta e seis palmos de diametro1 de centro de dente1 a centro de dente2 sabe-se que a devo armar de oito curvas1 ou cambtas1 que tenho de testa1 a testa trinta e sete palmos2 porque a dentadura devendo estar no centro da cambta1 para esta ficar com fortaleza1 deve ter meio palmo para dentro1 e meio para fra4 ,huma roda com este diametro no se pde fazer sem oito aspas4 ,devo repartir o circulo em oito partes perfeitamente iguaes1 que assignallo2 e como quero pr neste circulo noventa e seis dentes1 j se v que pertencem doze a cada oitavo4 ,o sintel tem feito descrever a linha onde devem ser postos2 reparto em doze partes o oitavo1 e assignallo cada huma com seu ponto1 que serve de centro ao furo para o dente1 cujos pontos fico distando huns dos outros nove pollegadas e meia com pouca differena4 ,deve haver o maior cuidado1 em que estes pontos fiquem perfeitamente iguaes1 e que no desminto nem a grossura de hum cabello2 e que os furos1 que se fizerem para os dentes1 fiquem perpendiculares4 ,o circulo deve ser fixo nas aspas por cavilhas2 quatro destas aspas o sustem1 e as outras quatro prendem-no4 ,estas aspas devem assentar no circulo entre os dentes com huma medida perfeitamente justa1 para a roda no ficar com o que se chama peito4 ,se quero fazer huma roda mais pequena1 que no carea de oito aspas1 e sim de seis1 reparto o circulo em seis partes iguaes1 e procedo da mesma sorte que para a antecedente2 lembrando-me sempre de no fazer os pontos para os dentes em menos de nove pollegadas1 e podem hir a dez1 que he erro fazellos mais proximos1 porque fica a cambta fraca2 e que nunca deve haver dente1 onde a aspa assentar4 ,regra geral1 o numero das aspas1 he o das divises1 e em cada diviso hum numero certo de dentes1 o que faz ver que nenhuma roda1 tomada no todo1 tem os dentes impares4 ,he sabido de todos1 que duas rodas1 tendo huma de fazer mover a outra1 ainda que as dentaduras sejo certas1 se forem perfeitamente iguaes1 no podem trabalhar2 he preciso que aquella1 que est unida potencia1 tenha huma certa folga nos dentes1 que devem ficar mais largos1 que os da outra1 para trabalharem suavemente2 a esta folga1 ou maior distancia dos dentes de huma1 respeito aos dentes da outra1 he ao que os mestres chamo compasso4 ,ora para acharem este compasso nas medidas1 que fazem1 uso das maiores extravagancias2 e o que tem encontrado melhor1 depois de muitos erros1 encobrem-no com mysterio at aos seus aprendizes4 ,depois de ter feito a roda1 e graduado os seus dentes1 para compassar os do rodete1 ou roda que trabalha com a potencia1 abro o compasso 7cujas pontas devem ser bem agudas7 e com toda a certeza as assento nos pontos de dois dentes1 o que me d a distancia de dente a dente4 ,no centro de huma regoa comprida trao huma linha1 e por esta linha messo1 ou conto quinze compassos2 a distancia destes quinze compassos deve ser signalada por dois pontos4 ,abro agora o compasso mais1 e a linha descripta dos quinze divido em quatorze2 esta pequena differena de quatorze a quinze he o apartamento1 ou folga1 que devem ter de mais os dentes do rodete1 respeito aos da roda4 ,se tenho graduado o rodete primeiro1 fao o mesmo que na roda2 msso pelo compasso a distancia de hum dente a outro2 na linha traada conto quatorze compassos1 aperto o compasso hum tanto1 para que a distancia dos quatorze se reduza a quinze3 esta pequena diminuio he1 o que devem ter de menos distancia1 os dentes da roda aos do rodete4 ,devo lembrar1 que estas medidas devem ser exactas1 e que os pontos signalo o centro dos dentes4 ,se as rodas1 ou rodetes tem os dentes em coroa1 a medida1 ou compasso deve ser tomado na cambta2 se os dentes so em estrella1 deve o compasso ser tomado no centro da ponta do dente4 ,segundo o destino da mquina1 que se quer fazer1 pde o rodete ser pequeno1 e a roda grande2 o rodete ser grande1 e a roda pequena1 ou ambos de igual tamanho2 porm he regra geral1 que a roda1 onde trabalha a potencia1 seja grande1 ou pequena1 he a que deve ter folga nos dentes1 quero dizer1 serem mais apartados1 o que vai de quatorze a quinze1 que a outra roda1 qualquer que seja a grandeza4 ,os dentes das rodas podem ser todos de coroa1 e todos estrelados2 em humas1 de coroa1 e em outras estrelados2 porm observando-se as regras dadas1 he facil fazellos de qualquer sorte4 ,he indifferente1 que os dentes de qualquer roda sejo delgados1 ou grossos1 com tanto que sejo iguaes em grossura4 ,hum terno de moendas com tres palmos de diametro1 e oito dentes cada huma1 graduados estes dentes pelo centro da sua ponta1 regidos pela moenda do meio1 que he a motora1 e a que deve ter a folga1 podem ser os dentes de cada huma desiguaes1 respeito s outras1 sem defeito no trabalho2 todos os dentes da moenda do meio podem ser muito grossos2 menos grossos os da de hum dos lados1 e mais delgados os da outra1 e assim mesmo podem trabalhar com perfeio4 ,os dentes das rodas de coroa devem ser redondos a torno2 os em estrella tambem a sua ponta deve ser redonda1 acabando em semicirculo1 segundo o seu diametro4 ,o aguilho do eixo1 onde anda o rodete1 no deve ser fixo nelle1 ha de andar junto n'huma caixa de bronze2 porque1 como se ha de gastar pelo movimento1 para o recalar1 basta levantar com huma alaprema o mesmo eixo1 e logo o aguilho cahe1 oppem-se-lhe outro1 que deve haver de sobrecellente4 ,as almanjarras ho de ficar n'huma altura tal1 que os tirantes1 por onde puxo as bestas1 corro em linha horisontal ao seu peito2 puxo mais desta sorte1 e fatigo-se menos4 ,a besta puxa com o seu pso1 e o esforo dos seus musculos serva para renovar este pso1 se os tirantes esto muito baxos1 o pso1 que devia empregar-se a puxar1 perde-se em levantar o eixo1 e se esto muito altos1 a besta he levantada por diante1 e as suas mos no acho na terra hum apoio sufficiente para renovar o seu movimento4 ,como se moe ,canna actualmente4 ,as moendas1 de que actualmente se usa na ,capitania do ,rio de ,janeiro1 tem de tres a quatro palmos de diametro1 e outro tanto1 pouco mais de altura4 ,a sua dentadura he no meio da moenda2 alguns engenhos1 rarissimos1 tem as moendas dentadas na parte superior1 e aguilhes inteiros de ferro2 porm o commum he terem os dentes no meio do corpo da moenda1 e meios aguilhes de ferro1 e na parte superior hum pescoo1 que faz as vezes de meio aguilho1 feito de hum po solido4 ,sa chapeadas de ferro meio largo3 estas chapas tem hum palmo de comprido1 e so afastadas humas das outras a quarta parte de huma pollegada1 ou tres linhas2 e pregadas no madeiro da moenda com seis pregos curtos1 e grossos4 ,a meza1 em que esto assentadas estas moendas1 no tem mais altura1 que a de quatro a cinco palmos4 ,qualquer que seja a potencia que as faa mover1 a ,canna he sempre mettida nellas da mesma sorte4 ,hum ,escravo appresenta hum feixe de ,canna pela sua ponta em linha horisontal1 entre a moenda do meio1 e huma das dos lados2 continua a metter segundo1 terceiro1 quarto1 quinto1 e sexto e outro ,escravo da parte opposta1 proporo que os feixes de ,canna passa1 depois de espremidos na primeira1 os appresenta da mesma sorte segunda3 torno a passar pela primeira1 e repassar pela segunda1 o que faz que esta ,canna seja espremida quatro vezes1 sempre em linha horisontal4 ,em alguns engenhos chego a passar cinco1 e seis vezes1 porm o commum so quatro4 ,sobre estas quatro passagens1 e suppond tres palmos de diametro nas moendas1 he que eu fao o meu clculo2 e tambem supponho1 que hum carro de ,canna contm cento e cincoenta feixes2 de seis ,cannas1 se so grossas1 de oito1 se sa delgadas1 e do comprimento de seis palmos4 ,tres palmos de diametro so nove de circumferencia1 dando quatro voltas a moenda1 tem passado1 e repassado os seis feixes2 dando outras quatro voltas1 tem feito passar os seis feixes reduzidos a bagao1 por consequencia1 para se espremerem seis feixes de ,canna1 he preciso que as moendas dem oito voltas1 as quaes n'hum engenho de bestas bem corrente se no do em menos de seis minutos1 o que faz precisar duas horas e meia para se moer hum carro de ,canna1 com o numero de feixes1 e comprimento acima ditos1 e nove para dez carros1 em vinte e quatro horas4 ,notas sobre esta frma de moer ,as moendas tem pouca altura da dentadura para baxo1 onde anda a chapeao1 e pde metter-se ,canna1 que no deve chegar aos dentes2 e para isto se conseguir1 he preciso que os feixes se appresentem moenda em linha horisontal4 ,a meza he muito baxa1 e como o ,escravo1 curvando-se hum pouco1 chega com as mos moenda1 onde as costuma ter para amparar1 e empurrar as partes minimas da ,canna1 a que se chama bagao1 he causa de accidentes1 e de muitos ,escravos ficarem sem mos1 o que todos os annos succede em hum1 ou outro engenho4 ,a chapeao das moendas he grande erro2 huma moenda de tres palmos de diametro1 que fazem nove de circumferencia1 precisa de vinte chapas2 a seis pregos1 so cento e vinte pequenas cunhas1 que mettidas com muita fora pelo comprimento do madeiro da moenda1 a faz abrir em pequenas raxas1 onde pde introduzir-se alguma pora de sumo de ,canna1 e no pde chegar a lavagem2 porque he agua simplesmente lanada1 e a quem falta o aperto1 que soffre o sumo da ,canna entre as moendas4 ,esta pequena poro de sumo huma vez introduzida nestas raxas1 azda1 e serve de fermento para fazer desmerecer o sumo que se espreme2 e todos sabem1 que huma mui pequena poro de acido impede o fazer ,assucar1 e deteriora a sua qualidade4 ,ainda mesmo que o madeiro esteja perfeito1 sempre o sumo se introduz por baxo das chapas1 e a agua da lavagem no pde l chegar4 ,esta chapeao no impede que as moendas sejo torneadas todos os annos1 ou todos os dois annos2 he preciso arrancar as chapas1 e depois de torneado o madeiro1 repregallas em outro lugar1 tapando com tornos1 os buracos1 onde estivero os pregos2 por mais solido que elle seja1 no pde resistir a tres1 ou quatro operaes destas1 sem que fique fra de servio4 ,vinte chapas1 de mais de duas linhas de grossura1 so quarenta angulos1 ou cunhas1 que corto1 ou mordem as ,cannas1 que terceira passagem fico reduzidas a partes minimas1 cujo bagao1 para passar a quarta vez1 he preciso que o ,escravo o empurre1 e ampare com as mos entre as moendas1 para poder espremer-se1 e ainda nesta quarta passagem sahe humido4 ,as ultimas vezes1 que este bagao passa nas moendas1 faz tanta resistencia1 que se so de meios aguilhes1 succede aluirem para os lados1 e se so inteiros1 quebrarem4 ,o bagao1 quasi reduzido a p1 s serve para estrume depois de ter apodrecido na bagaceira1 o que infecta o r1 que se respira roda da fbrica1 e faz sempre sentir hum mo cheiro4 ,nova frma de moer4 ,as moendas devem ter tres palmos1 e pouco mais de altura1 at dentadura2 devem ter tres palmos de diametro1 ser feitas de hum po bem firme1 e bem lisas1 sem chapeao4 ,a meza deve dar pelos peitos de hum homem1 e ter cinco palmos de largura1 inclusos os taboleiros4 ,a ,canna ha de ser appresentada moenda em linha obliqua1 fazendo hum angulo de quarenta e cinco gros1 com pouca differena1 e perto da dentadura4 ,assim que esta ,canna passou1 o ,escravo da parte opposta deve dobralla1 e appresentalla moenda pela sua curvatura1 tambem em linha obliqua4 ,com estas duas passagens fica a ,canna melhor espremida1 que com as quatro1 ou mais1 que actualmente se uso4 ,para que este servio continue sem interrupo1 he preciso que o ,escravo1 que mette ,canna1 appresente moenda de doze a dezaseis de cada vez1 segundo a sua grossura2 o ,escravo1 da parte opposta1 pega em seis1 ou oito destas ,cannas1 dobra-as1 e appresenta-as moenda pela sua curvatura1 e faz o mesmo s outras seis1 ou oito1 e assim continua o servio2 porque tendo a ,canna seis palmos de comprido1 dobrada fica em tres1 e he preciso que as moendas estejo sempre cheias4 ,por mais molle que seja hum po proprio para moendas1 sempre he muito mais duro que a ,canna1 que1 sendo hum corpo esponjoso1 deprime-se facilmente2 o muito uso poder gastallo1 e ser preciso torneallo1 porm creio certamente1 que ha de precisar muito mais tarde deste beneficio1 que as moendas chapeadas1 e ha de conservar mais annos a sua solidez4 ,conheo huma fbrica de ,estampas1 que imprime de oito a dez mil todos os annos1 e trabalha h mais de vinte2 que os dois cilindros1 que fazem a fieira1 e aperto entre duas taboas a chapa da impresso1 ainda no foro torneados1 nem o preciso2 accrescendo ser isto hum trabalho de po contra po1 muito differente da ,canna1 que he hum corpo muito mais molle4 ,a ,canna1 appresentada em linha horisontal1 faz aperto n'huma parte da moenda smente1 e1 appresentada em linha obliqua1 trabalha com todo o corpo4 ,he certo que as moendas de po so hum remedio2 devio ser tambores1 ou cilindros de ferro1 assim como se pratica nas ,antilhas1 despesa que se faz por huma vez1 porm em quanto se no pem em prtica1 deve degradar-se a chapeao1 por ser desnecessaria1 e nociva4 ,comparao da moagem actual com a que se propem4 ,pelo methodo usado1 dando a moenda quatro voltas2 so trinta e seis palmos de superficie2 tendo os feixes seis palmos de comprido1 e1 appresentando-se em linha recta1 ou horisontal1 passa1 e repasso seis feixes2 dando outras quatro voltas1 passo1 e repasso em bagao1 so precisas oito voltas para moer seis feixes de ,canna1 o que no pde fazer-se em menos de seis minutos4 ,he certo que estes feixes de ,canna s tem os seis palmos de comprido na primeira1 e segunda passagem1 ficando reduzidos a pequenas partes para a terceira1 e quarta1 o que far parecer gastarem menos tempo nas duas ultimas2 porm isto deve considerar-se nullo1 pelas paradas que nestas occasies fazem as bestas1 por ser preciso redobrar o seu esforo para vencer a resistencia1 que o bagao1 ou ,canna1 reduzida a pequenas partes1 lhe offerece4 ,pelo methodo proposto1 appresentando-se a ,canna moenda em linha obliqua1 tendo seis palmos de comprido1 fica reduzida a quatro e meio1 e he preciso nas quatro voltas fazer oito entradas1 para ganhar a superficie das moendas1 cujas entradas sendo de doze a dezaseis ,cannas1 que so dois feixes1 fazem dezaseis2 e como passo1 e repassao simplesmente1 em quanto nos seis minutos1 pelo methodo usado se moem seis feixes2 moem-se pelo methodo proposto trinta e dois1 e por consequencia hum carro de cento e cincoenta feixes em menos de trinta minutos1 que em vinte e quatro horas faz mais de cincoenta carros4 ,pelo methodo usado1 hum feixe de ,canna1 appresentado moenda em linha horisontal1 o aperto que soffre faz1 que estas ,cannas fiquem sobrepostas humas acima das outras2 ellas1 que tem huma pollegada pouco menos de diametro1 fico bem espremidas1 passando por huma fieira de huma a duas linhas2 porm do sumo que espremem1 que tem de circumdar a superficie de quasi todas as ,cannas1 s huma pequena parte cahe na meza1 e a maior parte1 fluctuando por cima dellas1 logo que cessro de soffrer a compresso1 sendo de natureza esponjosa1 e elastica1 torno a beber o sumo espremido4 ,na segunda passagem pouco aperto percebem2 porque passo por huma fieira igual primeira1 e por consequencia he preciso que sejo reduzidas pela chapeao a partes minimas1 para se lhe aproveitar o sumo4 ,pelo methodo proposto1 appresentando-se a ,canna em linha obliqua1 quando recebe o aperto1 d sahida ao sumo pela mesma ,canna1 e deposita na meza todo1 o que espreme4 ,quando acabou de passar a ,canna1 e o ,escravo da parte opposta a dobra ao meio1 para a appresentar na mesma linha obliqua2 pelo seu angulo1 ou curvatura1 recebe na fieira da moenda hum aperto maior que o primeiro2 porque em igual ou superior volume1 tem partes mais solidas que comprimir1 faz ficar o bagao scco1 inteiro1 apto para se fazer em feixes1 que podem servir para as fornalhas2 o que he impossivel no methodo usado1 porque fica reduzido quasi a p4 ,a differena de hum a outro methodo he de nove a cincoenta1 vantagem inapreciavel em semelhantes fbricas4 ,eu no sei que haja em todo o ,brasil1 quem reuna foras para moer esta quantidade de ,canna de ,junho a ,setembro1 que he o verdadeiro tempo1 e so cem dias de servio2 talvez no haver meia duzia de fbricas1 que posso fazer ametade1 porque ento fario de seis a sette mil arrobas de ,assucar4 ,vejo que h engenhos1 que para tres1 ou quatro mil arrobas1 principio em ,maio1 e acabo em ,dezembro1 por no poderem mais1 empregando dia1 e noite neste trabalho1 e assim mesmo perdem ,canna1 que no podem moer4 ,trabalhando-se desta sorte1 os homens1 e os animaes se estrago1 o dia he para trabalhar1 e a noite para descanar1 esta a ordem da natureza1 que se no inverte impunemente4 ,adoptando-se esta frma de moer1 pde a noite ficar salva4 ,principia-se das quatro horas da manh at ao meio dia1 das duas horas da tarde at s dez da noite2 nestas dezaseis horas de servio1 cada hum pde trabalhar1 segundo as suas foras4 ,suppondo que quer moer dezaseis carros de ,canna1 faa appresentar moenda s seis1 ou oito ,cannas 7que he hum feixe7 continuadamente1 na repassagem faa dobrar tres1 ou quatro1 tudo como acima se diz1 e desta sorte pde augmentar1 e diminuir1 segundo as suas foras1 e vontade4 ,nestas duas horas depois do meio dia1 e s dez da noite1 basta que sejo lavadas s moendas1 menos que o calor no seja intenso1 ou que haja trovoadas2 porque ento todas as vezes que se enche o cocho1 devem ser lavadas4 ,veja-se a ,estampa ,,iv4 ,descripo do que contm a casa de caldeiras actualmente4 ,a ,casa de caldeiras1 onde se fabrica o ,assucar1 he de cinco a oito palmos1 mais baxa que a do engenho1 e contm o que se segue4 ,parois de caldo frio1 ,parois de caldo quente1 ,rominhois1 ,espumadeiras1 ,batedeiras1 ,repartideiras1 ,caldeira1 e ,coxinha1 ,bangu com suas tachas1 ,esfriadeira1 ,frmas para lanar a calda1 de que se faz o ,assucar bruto1 ,carcanha1 ,massa de ,mamono1 ,espatulas1 ,tanque de preparar o barro1 que ha de clarificar o ,assucar1 ,vasos com decoada1 e ,vasos com agua4 ,parol de caldo frio1 he hum cocho1 ou especie de tanque1 feito de taboas1 e pelo commum cavado n'hum grosso madeiro1 com maior1 ou menor comprimento1 e largura1 e capacidade de conter tanto liquido1 quanto encha a caldeira1 sem sobejar4 ,h alguns engenhos1 que j os tem de cobre4 ,parol de caldo quente1 he o mesmo que de caldo frio1 porm maior1 por ser destinado a receber o liquido depurado da caldeira1 huma1 e mais vezes1 donde passa para as tachas4 ,rominhol he huma especie de cassarola de cobre1 que pde conter de quatro a seis libras de agua2 quando tem hum cabo comprido1 e com elle se tira o liquido da caldeira para o parol de caldo quente1 toma o nome de pomba4 ,espumadeira1 todos sabem o que he1 a que serve nos engenhos1 tem hum cabo at dez palmos4 ,batedera1 he huma chapa de cobre circular1 com pouco mais de hum palmo de diametro1 huma concavidade de duas pollegadas no centro1 que vai diminuindo para a circumferencia1 com hum cabo comprido4 ,repartideira1 he huma especie de cassarola de cobre1 que pde conter at dez libras de agua4 ,a ,caldeira1 he pelo commum de ferro1 tem de cinco a seis palmos de diametro na boca1 outro tanto de altura1 sendo menos larga no fundo2 he assentada de frma1 que fica a sua boca pouco mais alta que a superficie do terreno1 sendo este ladrilhado roda della1 com huma pequena inclinao1 que faz correr as espumas que a ,caldeira lana a hum receptaculo1 a que se chama ,cochinha4 ,a ,cochinha1 he hum pequeno tanque de taboas1 que tem seu registo2 o liquido que recebe1 que no so espumas1 torna a passar para a ,caldeira2 as espumas por huma calha coberta1 vo depositar-se ao seu receptaculo na casa da aguardente4 ,bangu1 he huma fornalha comprida1 com quatro palmos de altura1 que contm tres1 quatro1 e cinco tachas de ferro1 de tres a quatro palmos de diametro1 da maior menor1 que se distinguem com os nomes1 quando so tres 7o que he o mais commum7 de tacha de receber1 de cozer1 e de bater4 ,no mesmo bangu est outra tacha encravada1 que no recebe fogo1 que se distingue com o nome de bacia1 ou esfriadeira1 e he de cobre1 para onde passa a calda de ,assucar em ponto1 e desta bacia he que vai para as frmas4 ,as frmas so feitas de barro1 de figura conica1 de dois palmos pouco mais de diametro na boca1 acabando para o fundo quasi agudas1 com hum buraco de meia pollegada4 ,a ,espatula1 he huma especie de p de taboa1 que serve de mexer o ,assucar nas frmas1 e impedir a sua mui prompta condensao4 ,a ,carcanha1 he o aparelho de fazer a decoada1 que se faz com a cinza de toda a lenha1 preferindo a de gorarema1 ou po de alho1 que se tem reconhecido ser rica em alcali2 a esta cinza misturo algumas hervas acres1 para augmentar o que chamo queimo da decoada2 enchem com esta cinza1 e hervas1 doze a vinte frmas1 que fico levantadas do cho alguns palmos1 enfiadas em buracos proporcionados feitos em taboas2 lano em cima destas frmas agua quente1 que1 filtrando-se por entre as hervas acres1 e a cinza1 cahe pelo furo da frma gotta a gotta1 n'hum recipiente1 donde se tira para o uso4 ,a massa de ,mamono1 so as sementes deste vegetal bem pizadas4 ,o tanque de preparar o barro1 he hum cocho1 no qual se deita muita agua1 e barro1 que com hum rodo se faz dissolver1 ficando n'huma especie de lodo1 que se lana em cima das frmas de ,assucar bruto4 ,os vasos1 onde est a decoada1 e agua para o uso1 so frmas com algum defeito1 a que se tapa o buraco que tem no fundo4 ,como se trabalha na fbrica do ,assucar4 ,cheio que seja o parol de caldo frio1 do sumo das ,cannas espremidas nas moendas 7o que actualmente se no faz em menos de quatro a seis horas7 corre por huma calha para a caldeira1 que fica hum palmo por encher4 ,esta caldeira1 que tem sua fornalha particular1 e hum ,escravo1 que a serve com lenha1 principia a receber hum fogo violento2 proporo que o liquido aquece1 sobe sua superficie huma especie de gusmo1 a que se chama cachassa1 que he tirada com a espumadeira pelo obreiro1 que governa a caldeira1 e lanada na cochinha para por huma calha ser conduzida casa da aguardente4 ,esta operao1 a que se chama descachassar a caldeira1 dura tanto tempo1 quanto tarda o ferver o liquido1 o que pelo commum1 segundo o grande calor que recebe1 no chega a meia hora4 ,logo que ferve1 principia o uso da decoada2 lano-lhe mais1 ou menos rominhois della1 segundo que o sumo da ,canna contm mais1 ou menos partes oleosas1 e tem maior1 ou menor densidade2 e se he muito denso1 e rico em sal1 interpoladamente se lhe lana agua1 e decoada4 ,esta decoada1 combinando-se com o oleo1 faz hum sabo1 que nda na superficie do liquor em frma de espuma1 que he tirada proporo1 que se ajunta4 ,quando a violencia do fogo1 dilatando o liquido1 o faz sublevar acima das bordas da caldeira1 s vezes hum1 e dois palmos2 huma pitada de massa de ,mamono1 lanada em cima1 instantaneamente o faz abater1 e reduz a mais de hum palmo abaixo das bordas della4 ,o signal1 para se conhecer se o liquor desta caldeira tem o cosimento preciso1 a que chamo estar limpa1 ou ajudada1 he hum segredo1 de que fazem mysterio os ,mestres de ,assucar2 ora isto he huma gente1 pretos1 pardos1 ou ,indios1 que pelo commum no sabem lr1 e1 em quanto a mim1 no tem outro merito1 e sciencia1 que a de serem fiis1 duros ao somno1 e terem hum pouco de cuidado1 por ser preciso nestas fbricas trabalhar de dia1 e de noite4 ,quando se julga limpo o liquido da caldeira1 passa ao parol de caldo quente1 onde he lanado a brao1 pelo caldeireiro1 com a pomba4 ,continua o trabalho com mais caldo frio2 estando prompto1 passa ao parol de caldo quente1 e quando neste parol h quantidade sufficiente para passar s tachas1 e1 que depois destas trabalharem1 no posso parar falta delle1 enche-se a primeira tacha1 chamada de receber1 depois de ter aqui engrossado alguma cousa1 passa della a brao para a de coser1 e desta para a de bater4 ,assim que o liquido passou da tacha de receber para a de coser1 enche-se a de receber1 e assim progressivamente1 de sorte que as tachas no fiquem paradas4 ,todas estas tachas so espumadas1 e levo massa de ,mamono4 ,a frma de bater na ultima tacha1 he levantar o liquido1 que j est em calda1 com a batedeira1 e virallo com inclinao sobre huma parede alta1 forrada de tijolo1 que borda1 e circumda1 mais que ao meio1 a mesma tacha1 e quando suppem ter alcanado o ponto necessario1 he1 desta tacha de bater1 passado para a bacia de esfriar1 e daqui com a repartideira vai para as frmas1 que esto no que se chama tendal1 que he huma especie de anteparo1 cheio de bagao de ,canna1 em cima de cujo bagao esto as frmas1 que so no numero de sete1 a que chamo huma venda2 no se enchem de huma vez1 he repartida a calda por todas2 e como a quantidade1 que se apurou1 no chega para as encher1 completo-se com o segundo1 e terceiro cosimento4 ,esta calda1 lanada nas frmas1 he mexida com a espatula1 para impedir a condensao1 e agregao mui prompta da gran do ,assucar1 a que chamo coalhar4 ,quando as frmas fico cheias1 e o ,assucar coalha1 tira-se a rolha1 que tapa o buraco do fundo1 para dar sahida ao mel1 ou ,assucar decomposto1 cujo mel he conduzido por huma calha ao seu receptaculo4 ,o ,assucar mui trigueiro1 que contm estas frmas1 he o que se chama ,assucar bruto4 ,passo agora do tendal para a casa de purgar4 ,esta casa he assobradada1 e nas taboas do soalho h muitos buracos redondos1 de seis pollegadas de diametro1 onde se firmo as frmas1 para serem barreadas4 ,a coxia1 ou casa1 que fica por baxo deste sobrado1 he ladrilhada com inclinao das paredes ao centro1 onde h hum canal1 que recebe o mel1 que as frmas de si lano1 e o conduz a hum tanque1 donde se tira para o uso4 ,do tanque de preparar o barro1 se tira em huma vasilha1 a especie de lodo1 a que he reduzido1 e se lana em cima das frmas3 este lodo1 que conserva a agua em si1 a vai largando a pouco1 e pouco1 a qual1 introduzindo-se por entre o ,assucar1 precipita o mel1 para sahir pelo buraco do fundo da frma4 ,scco que seja este barro1 tira-se da frma1 lana-se segundo1 e ainda terceiro4 ,com estes tres barros1 se suppem ficar a frma1 como chamo1 lavada4 ,succede poucas vezes ser o ,assucar desta frma todo branco1 o commum he ser branco da superficie1 at huma tera parte da frma1 menos branco a segunda tera parte1 trigueiro1 dos dois teros para o fundo4 ,estas tres especies de ,assucar1 se distinguem com os nomes de fino1 ou redondo1 batido1 e mascavado2 este ultimo he ainda subdividido em diversos mascavados1 segundo1 que he mais1 ou menos trigueiro4 ,o ,assucar1 assim trabalhado1 diminue huma tera parte1 pouco mais1 ou menos1 em quantidade de sorte1 que1 se as frmas contm tres arrobas de ,assucar bruto1 fica reduzido a duas de todas as qualidades4 ,depois que o ,assucar se suppem purgado1 passa da casa de purgar para o terreiro1 ou eira1 onde he tirado das frmas1 e com hum faco divididas as qualidades2 e depois de reduzido a pequenas partes1 he lanado em differentes toldos1 ou lenoes de panno grosso1 para que o calor do ,sol lhe faa evaporar a humidade1 e desseque4 ,he dalli conduzido casa do encaixe1 onde se deita em caixas1 que podem conter de quarenta a cincoenta arrobas2 e socado a piles2 e pregadas as caixas1 conduzidas ao armazem1 ou trapiche1 onde1 depois de julgadas as qualidades pela ,meza da ,inspeco1 he vendido4 ,notas sobre esta frma de fazer ,assucar4 ,por no se saber moer ,canna1 gasta muito tempo o parol a encher-se4 ,nestas quatro1 e mais horas1 que o sumo da ,canna1 liquido mui composto1 se deixa em repouso1 fermenta2 o que deprava o liquor1 e diminue a quantidade de ,assucar1 e sua qualidade4 ,se o parol he de madeira1 conserva sempre em si hum fermento1 que ajuda extraordinariamente esta deteriorao4 ,quando o caldo da ,canna passa do parol para a caldeira1 vai frio2 esta1 que he de ferro coado1 e est muito quente1 recebendo repentinamente huma impresso to estranha1 pde rachar1 o que muitas vezes succede4 ,hum calor moderado1 que faz subir superficie do liquor1 as partes impuras1 a que se chama cachassa1 no dura o tempo que he preciso2 logo que a caldeira levanta fervura1 todas as partes so confundidas3 a decoada1 que se lhe lana1 tem a propriedade de se combinar com as partes oleosas1 e acidas1 e de nenhuma sorte com este gusmo1 que incorporando-se com o ,assucar1 o faz trigueiro1 e perder a qualidade4 ,o obreiro1 que governa esta caldeira1 ainda que o descachassalla no dure meia hora1 faz hum trabalho fatigante1 pela postura curva1 em que he preciso estar2 e mais se fatiga ainda1 quando1 julgando-a limpa1 lana o liquido a brao com a pomba1 no parol de caldo quente4 ,os parois de caldo quente1 tem o mesmo defeito1 que os de caldo frio1 se so de madeira2 e se o liquido1 que nelles se deposita1 chega a esfriar1 o que quasi sempre succede4 ,o bangu1 he proporcionado ao pouco1 que se trabalha4 ,a construco desta fornalha1 he positivamente m1 o fogo faz o seu effeito inversamente4 ,a tacha1 chamada de receber1 que pde com mais calor1 por ser o liquido que contm1 menos denso1 he a ultima proxima chamin2 a de cozer1 est no meio1 a de bater1 e apurar o ,assucar1 he junto boca da fornalha4 ,para que a tacha de receber tenha maior calor1 descobrem-lhe mais o fundo1 menos a de cozer1 e muito pouco de bater4 ,ainda que o liquido1 que contm estas tachas1 esteja a ferver1 a voz do ,mestre de ,assucar no cessa de dizer3 ,fornalheiro1 deita lenha4 ,este fogo demasiado decompem o ,assucar1 transforma-o em mel1 ou ,assucar queimado4 ,em algumas fbricas h j bangus1 em que quatro1 e cinco tachas recebem o fogo directamente2 porm os obreiros1 que as fazem1 gente material1 e sem principios2 os ,mestres de ,assucar1 tirados do seu trilho1 sem capacidade para moderar o fogo1 que pela fornalha direta1 se augmenta muito2 huma boca mui pequena1 que nellas se pz1 e faz precisar o rachar-se lenha1 ou servir-se s de lenha miuda2 hum crivo desproporcionado1 a boca da fornalha aberta1 todas estas cousas fazem1 com que a maior parte use das antigas4 ,a bacia1 ou esfriadeira1 he inutil4 ,as frmas de barro tem pequena base1 e muita altura2 ainda que estes defeitos no fossem bastantes1 a sua fragilidade devia fazellas desprezar4 ,a decoada1 e frma de a fazer1 no pde ser mais defeituosa2 as hervas acres1 s servem de a tingir1 e a cr1 que lhe communico1 se incorpora com o ,assucar4 ,tenho visto parar engenhos1 e bem notaveis1 por falta de decoada2 ainda que haja cinza1 so precisos dois1 e tres dias para se fazer2 no h regra1 humas vezes he forte1 outras fraca4 ,a massa de ,mamono1 quasi sempre he podre1 ao menos conserva hum cheiro detestavel4 ,no h escolha no barro para clarificar o ,assucar2 qualquer serve1 he sempre de hum cinzento escuro1 e quando1 depois de scco1 se tira de cima da frma1 deixa encostrado sobre o ,assucar1 hum sedimento negro4 ,a frma de seccar o ,assucar no terreiro1 he pessima2 alm de ser preciso ter sentinela1 ainda que quem o vigia1 seja hum ,argos1 no impede1 que se furte muita parte2 a formiga1 a galinha1 o co1 o porco1 todos o comem2 o vento faz depositar nelle mil impuresas2 se h chuvas continuadas1 o que succede muitas vezes1 no podendo as frmas sahir da casa de purgar1 mlla o ,assucar nellas2 a estufa salta aos olhos1 porm ninguem a pz ainda em prtica4 ,o bater a calda1 levantando-a da tacha na batedeira1 com inclinao sobre huma parede1 onde cahe muita parte della1 no sei que isto possa servir para fazer ,assucar1 vejo que se faz hum encostramento na parede1 que he preciso fao para o arrancar2 esta especie de ,assucar encostrado1 a que se chama rapadura1 para ter algum valor1 he preciso tornar primeira tacha1 e antes que a ella v1 tem mil descaminhos4 ,o tanque do mel1 alm de ser huma verdadeira sentina1 hum aggregado de mil imundicias1 o mel faz apodrecer o tijolo1 a que faz perder pela terra muita parte1 que bem acondicionada1 se aproveitaria em aguardente4 ,principios1 que devem conduzir o fabricante de ,assucar4 ,quando de hum todo1 ou composto1 se quer extrahir huma parte1 he preciso conhecer esta parte1 e as mais1 que com ella fazem o mesmo todo1 e saber a frma de as separar4 ,o ,assucar purificado1 segundo ,cartheuser1 he hum corpo concreto1 salino1 formado de huma terra soluvel1 de hum acido subtil 7de que huma parte he intimamente unida a huma base alcalina1 e calcarea7 e de huma substancia oleosa inflammavel4 ,o sumo1 ou caldo de ,canna1 que contm este sal delicioso1 he hum composto de agua1 mel1 oleo1 e acido2 e das materias extractivas1 da casca1 dos ns1 e das fibras longitudinaes da mesma ,canna4 ,deve-se buscar na fbrica do ,assucar1 o separar estas tres especies de materias extractivas1 rezinosas1 ou feculas 7que fazem o que se chama cachassa7 o oleo1 e acido superabundantes1 e evaporar a agua4 ,estas operaes1 que so chymicas1 sendo bem feitas1 constituem o bom ,mestre de ,assucar4 ,o unico meio1 at agora conhecido1 para separar as tres feculas1 que fazem a cachassa1 he hum calor1 que a mo no possa supportar1 porm que de nenhuma frma chegue ao gro de fervura4 ,para separar o oleo1 e acido superabundantes1 no se sabe de outro meio mais1 que os alcalis1 vegetal1 e calcareo1 quero dizer1 as decoadas de cinza1 e de cal1 combinadas4 ,qualquer destas duas decoadas por si1 tem a propriedade de se unir aos oleos1 e acidos1 e fazer com elles hum sabo1 que se mostra na frma de espuma2 porm ,bergman observou1 que o alcali calcareo prefere o acido1 e o alcali vegetal o oleo2 o que faz precisar a combinao destas duas especies da alcalis1 para a depurao do ,assucar4 ,se o sumo1 ou caldo de ,canna he muito aquoso1 oleoso1 acido1 pouco assucarado1 quero dizer1 produzido por huma ,canna taiba1 ou selvagem1 deve ser servida a caldeira com decoada pura1 no ponto1 em que fica1 segundo a frma de a fazer1 que logo direi4 ,se1 pelo contrario1 he rico em sal1 pouco aquoso1 muito denso1 produzido por huma ,canna de boa qualidade1 deve a decoada ser enfraquecida com agua pura4 ,esta maior1 ou menor fora da decoada1 he relativa ao sumo1 ou caldo de ,canna1 por ser preciso ter1 onde se empregue1 para deteriorar o ,assucar1 e communicar-lhe hum gosto lexivial4 ,a evaporao da agua deve ser feita por hum fogo graduado1 e poupado2 por ser fysicamente demonstrado1 que qualquer liquido1 chegando a levantar fervura1 tem alcanado o maior gro de calor1 de que he capaz1 e que he em pura-perda1 toda a mais lenha1 que se lana na fornalha4 ,este calor demasiado1 perdido para a evaporao1 decompem o ,assucar1 e o reduz a mel1 ou ,assucar queimado4 ,a evaporao de qualquer liquido1 he em raso da sua superficie2 para esta se augmentar1 he preciso levantar o liquido1 e deixallo cahir em columna2 tanta he a superficie desta1 quanta a augmentao da evaporao1 respeito que tinha na tacha simplesmente fervendo4 ,todo o liquido mucoso1 doce1 tendo fluidez sufficiente1 ajudado pelo calor1 e influxo do r1 entra promptamente em fermentao4 ,esta fermentao decompem o ,assucar1 que tranforma em espirito1 de sorte1 que certa quantidade de liquido1 que produziria vinte1 se chega a fermentar1 pde dar smente quinze1 dez1 e mesmo nada1 e esse menos que se fizer1 ha de ser de m qualidade4 ,o gro de frio1 que gla a agua1 impede a fermentao1 porm este meio s a natureza o pde dar1 e no ,brasil he impossivel2 o que temos na nossa mo1 e facil1 he darmos1 e conservarmos hum calor ao liquido1 que quasi o faa ferver4 ,a raso porque se diz1 ser bom trabalhar em quente1 e muito mo em frio1 he por este frio ser o do r1 que no ,brasil ajuda prodigiosamente a fermentao1 e o quente1 he o liquido quasi fervendo1 que a impede4 ,ora1 sahindo o caldo quasi fervendo da caldeira1 e passando s tachas quasi com esta quentura1 trabalha-se bem1 e apura-se o mais possivel2 esfriando no parol1 assim que alcana o calor1 que favorece a fermentao1 entra logo nella1 porque a natureza no pra2 e quanto mais tempo assim se conserva1 tanto mais se deteriora1 perde o rendimento1 e custa a trabalhar4 ,preparo para manufacturar o ,assucar4 ,dois parois de cobre bem estanhados1 que no tenho mais de dois palmos de altura1 com sufficiente largura1 e comprimento1 para conter cada hum tanto liquido1 quanto caiba na caldeira1 sem sobejar4 ,devem ser cubertos de taboas1 para impedir o mui livre contacto do r2 com hum furo na tampa1 para dar entrada a hum grosso1 e comprido funil1 que recebe da calha o sumo da ,canna1 e o deposita no fundo do parol4 ,devem ter na parte mais commoda do fundo hum grosso furo1 onde he soldado1 hum curto tubo1 que hum comprido torno tapa1 para1 quando for tempo1 dar sahida ao liquido1 que huma calha conduz caldeira4 ,devem ter sua fornalha1 que pde ser commua a ambos1 e serem assentados nella com huma pequena inclinao1 para facilitar a sahida do liquido4 ,duas caldeiras1 cada huma com sua fornalha2 assentadas o mais alto possivel1 bordadas de ladrilho1 com sua cochinha para receber smente espumas4 ,dois funis grandes de folha de flandres1 com altura1 que posso chegar ao fundo das caldeiras4 ,hum bangu de tres tachas1 cuja proporo1 e frma adiante descreverei4 ,quatro esfriadores4 ,o esfriador1 he huma especie de caixo1 com dois palmos de altura1 oito de comprido1 e tres de largo1 feito de cossueiras de boa madeira1 bem aplainadas4 ,cem frmas4 ,a frma tem a figura de prisma triangular1 deve ser feita de cossueiras de boa madeira1 bem aplainadas1 de quatro palmos de comprido1 dois1 ou mais de largura1 fazendo huma abertura de dois palmos1 fechando em baxo1 e deixando aberta huma fenda de duas linhas2 aplainadas no fundo1 para fazerem hum assento de tres a quatro pollegadas2 as cabeas ho de ser malhetadas1 e feitas com toda a solidez4 ,a ,figura ,,ii4 da ,estampa ,,vii41 mostra a frma vista com a boca para cima2 e a ,figura ,,iii4 mostra a mesma frma com o fundo para cima1 e a fenda aberta para esco do mel4 ,tres baldes de valvula em pol1 hum para servir as caldeiras1 outro as duas primeiras tachas1 e o terceiro he para servir smente a tacha1 chamada de bater4 ,estes baldes devem ser de estanho1 a valvula1 do mesmo metal1 assentada em boa solla2 a ponta desta valvula deve conter hum pequeno aro1 onde jogue hum arame grosso de dois palmos1 e meio de comprido2 neste arame1 que acaba tambem em aro1 prende huma delgada corda1 que1 passando na pol1 chegando mo do obreiro1 facilita-lhe o levantar a valvula1 e deixar cahir o liquido em columna1 ou sobre huma calha1 segundo a necessidade4 ,o balde tem dois palmos de altura1 e palmo e meio por cada face1 e pde conter noventa libras de agua2 a valvula tem pouco mais de hum palmo quadrado1 e a columna de liquido1 que descarrega1 he de hum palmo4 ,o apoio da pol est em tres palmos1 a alavanca he de seis1 e como psa mais1 o obreiro balanceia o pso do balde cheio1 com trinta e tantas libras4 ,a ,estampa ,,vi4 mostra o trabalho do balde4 ,huma estufa4 ,esta casa to util1 absolutamente precisa1 que a negligencia1 a ignorancia1 a falta de economia tem despresado1 deve ter at vinte palmos em quadro1 feita de paredes mestras1 cuberta de abobada reforada2 com duas aberturas da altura de hum homem1 e cada huma com duas portas1 feitas de cossueiras2 huma destas aberturas communica com a casa de purgar1 e a outra com a casa de encaixe4 ,deve ter tambem huma janella alta com dobradas portas1 para se abrirem defra1 quando for preciso refrescar o r da estufa4 ,todas estas portas devem ter boas chaves4 ,dentro desta casa1 sobre pontaletes1 se fazem tres taboleiros1 com taboas bem sccas1 bem desempenadas1 bem lisas1 unidas com meio fio1 que fiquem acima huns dos outros1 de seis a oito palmos4 ,o soalho desta casa1 deve ser feito sobre abobada1 ou aterrado sobre ella4 ,na parte exterior1 que communica com a varanda1 tem esta abobada huma abertura1 que d passagem ao calor1 communicado por huma fornalha1 a huma chapa de cobre circular bem grossa1 de tres palmos de diametro4 ,esta fornalha tem seu cinzeiro1 e he servida com lenha pelo fornalheiro do ,bangu4 ,quatro ensinhos para os esfriadores4 ,este ensinho tem vinte dentes1 dezoito em prisma quadrangular1 e os dois dos lados1 em prisma triangular1 afastados huns dos outros1 duas linhas1 e cada dente tem dois palmos de altura4 ,a ,figura ,,ii4 da ,estampa ,v41 mostra os dentes vistos de topo1 com a disposio1 figura1 e distancia1 que devem ter no seu estado natural2 o escuro da ,figura1 he a espiga1 que se introduz no taboo1 onde se firma o cabo porque puxa o obreiro4 ,alguns pannos1 para servir de coadores4 ,espumadeiras1 ,rominhois1 ,repartideiras1 ,manteiga de caco1 ou qualquer oleo doce1 para impedir a sublevao do liquido4 ,vasilhas de barro para decoada1 porque as de madeira communico-lhe cr4 ,quatro raspas de ferro1 que tenho a frma de enchs de martello4 ,frma de fazer a decoada4 ,peneira-se meio alqueire de cal1 para separar todas as partes no calcinadas2 deita-se em huma frma1 ou qualquer vasilha de bom barro1 eleva-se a hum forno de telha1 ou tijolo1 ou a qualquer parte1 onde receba grande fogo2 o calor1 que aqui recebe1 faz evaporar a agua da sua extinco1 e a reduz a cal viva1 ou virgem4 ,deita-se esta cal virgem n'huma caldeira1 que contenha doze vezes o seu volume de agua2 depois de se demorar hum quarto de hora1 tira-se esta agua com hum rominhol1 e se ca para outra caldeira4 ,tomo-se duas partes de cinza1 que he hum alqueire 7porque a cinza deve ter dobrada poro da cal7 e deita-se tambem n'huma caldeira1 que contenha doze vezes o seu volume de agua1 mexe-se bem com huma espatula1 deixa-se assentar1 tira-se esta agua impregnada do sal da cinza1 e ca-se para a mesma caldeira1 onde est a agua de cal4 ,faz-se fogo a esta agua2 a evaporao concentra os alcalis da cinza1 e cal1 faz-se de vez em quando a prova1 tirando n'hum rominhol huma pouca desta decoada1 deitando-lhe hum ovo fresco em cima2 quando este ovo no vai ao fundo1 que sobrenada huma parte delle1 e descobre meia pollegada1 pouco mais1 ou menos1 est feita a decoada no seu ponto4 ,a cinza que ficou1 tambem no he perdida2 deitada1 e espalhada debaxo de hum alpendre1 ou telheiro1 o r1 em poucos mezes1 communica-lhe novos saes1 e queimada de novo1 produz mais alcali4 ,descripo1 e propores do ,bangu4 ,o ,bangue deve conter tres tachas1 a primeira1 a que chamo de receber1 tem quatro palmos de diametro na boca1 a segunda tres e meio1 e a terceira tres4 ,a primeira tacha1 tem a boca quatro palmos acima da superficie da casa1 chamada de caldeiras2 a segunda tacha1 seis palmos1 e meio1 e a terceira oito palmos1 e meio2 o que faz precisar haver degros da primeira para a segunda1 e desta para a terceira2 e huma rampa da ultima1 para a conduco da calda4 ,a disposio das tachas desta frma1 he para a columna do fogo arrastar pelo seu fundo1 por huma linha de trinta gros4 ,a boca da fornalha tem palmo1 e meio1 ou hum p quadrado1 deve ser feita de ferro vergalho bem grosso1 e ter huma porta de ferro1 que s deve abrir-se1 quando se servir com lenha4 ,da porta desta fornalha1 pela abobada1 que cobre o cinzeiro1 se descreve huma linha de quinze gros1 at dez palmos do interior della1 onde frma hum resalto de dois palmos1 e dahi se descreve outra linha de trinta e cinco gros1 que tambem tem dez palmos de comprido1 e acaba na parede1 que frma a chamin4 ,esta chamin he hum quadrado de oito pollegadas por cada face1 que corresponde ao centro da fornalha4 ,na abobada1 que cobre o cinzeiro1 h hum buraco de seis pollegadas em quadro1 que corresponde ao centro do fundo da primeira tacha1 e deve ser formado por huma barra de ferro vergalho grosso1 quadrilaterado4 ,a boca deste cinzeiro1 deve ter dois palmos quadrados1 e elle ser ladrilhado4 ,a ,estampa ,v4 ,fig4 ,i4 mostra o bangu com as paredes dos lados abatidas1 para se ver facilmente todo o seu interior1 e propores4 ,num4 #a1 #b1 e #c1 as tres tachas2 #d1 a boca da fornalha2 #e1 o vo da fornalha2 #f1 o resalto de dois palmos2 #g1 a boca da chamin2 #h1 a boca do cinzeiro2 #i1 o vo do cinzeiro2 #aj1 a communicao do cinzeiro1 com a fornalha4 ,a linha de #d a #g1 he de #cj gros3 ,a linha de #f a #g1 he de #ce gros3 ,a linha de #d a #f1 he de #ae gros3 ,o cheio1 so paredes de tijolo3 ,o ponteado he o aterro4 ,esta fornalha he a de ,macquer1 adoptada no modo possivel fbrica do ,assucar4 ,servida com lenha1 o fogo accso1 a boca tapada1 o r rarificado dentro pelo calor1 com to prompta sahida pela chamin1 absorve1 pelo canal do cinzeiro1 huma columna de r1 com maior1 ou menor rapidez1 segundo a sahida que tem4 ,este r1 alimentando o fogo1 o faz subir tambem em columna ao centro do fundo da primeira tacha1 e daqui corre1 arrastando o fundo da segunda1 e terceira1 para sahir pela chamin4 ,esta sahida1 que he de sessenta e quatro pollegadas quadradas1 respeito da entrada1 pelo cinzeiro1 que he de trinta e seis1 augmenta extraordinariamente o movimento1 e por consequencia1 a intensidade do calor4 ,este calor1 com dois tijolos na boca da chamin1 modera-se1 segundo a preciso4 ,estando todo o vacuo da chamin aberto1 e a fornalha com lenha sufficiente1 he o maior calor possivel2 e com a mesma quantidade de lenha1 tapando-se mais1 ou menos1 a boca da chamin1 diminue proporcionalmente4 ,a frma de alimentar o fogo desta fornalha1 he lanar-lhe dentro hum po1 que tenha at seis pollegadas de diametro1 pouco mais1 ou menos1 com oito palmos de comprido1 cuja ponta se faz chegar at ao resalto1 e alguns feixes de bagao2 este po se puxa com hum gancho de ferro1 a chegar a ponta a cobrir a communicao do cinzeiro1 com a fornalha1 proporo1 que o fogo a devora2 e assim se continua1 ,a ,estampa mostra tambem o fogo4 ,preparo do barro para clarificar o ,assucar4 ,o tanque de preparar o lodo1 com que se ha de clarificar o ,assucar1 he o actualmente praticado2 porm em lugar de barro cinzento escuro1 deve1 usar-se de barro branco1 de que h abundancia em todas as partes1 com o cuidado de o depurar da ara1 e pirites4 ,piza-se1 que fique em p1 huma poro de barro branco bem scco1 deita-se este p n'hum cocho cheio de agua1 agita-se com hum rodo1 e d-se tempo a que as pirites1 e aras como mais pesadas1 se precipitem ao fundo4 ,esta agua impregnada das particulas barrentas1 tira-se com hum rominhol para o tanque de preparar o lodo4 ,continua-se o mesmo servio1 torna-se a passar a agua impregnada do barro2 e quando h sufficiente quantidade1 deixa-se assentar1 e tira-se a agua superabundante2 e deste barro assim purificado1 he que se frma o lodo1 para clarificar o ,assucar4 ,se a agua1 depois de precipitado o barro1 conserva alguma cr1 deve-se tirar1 e lanar outra1 e agitar com o barro precipitado1 at que fique cristallina1 para que no v incorporar1 com o ,assucar1 a cr1 que o barro pde communicar-lhe4 ,isto he trabalho1 que se faz por huma vez1 porque este barro pde durar sempre4 ,methodo para trabalhar na fbrica do ,assucar4 ,assim que o caldo da ,canna espremida nas moendas cahe da bica no funil1 que o conduz ao fundo do parol1 accende-se logo fogo na sua fornalha1 cujo fogo se entretem gradualmente1 de sorte1 que o liquido nunca chegue a levantar fervura2 porm que a mo no possa supportar o seu calor1 o qual se conserva1 em quanto os parois contiverem liquido4 ,quando1 depois de cheio o primeiro1 passa a bica para encher o segundo1 trata-se este segundo da mesma sorte que o primeiro4 ,cheio o segundo parol1 passa o liquido para a primeira caldeira1 por huma calha1 que se ajusta ao seu fundo1 na parte1 onde est o tubo de descarga2 e antes do torno se tirar1 pem-se hum coador sobre a calha1 para no passar caldeira mais que o liquido2 devendo haver o maior cuidado1 quando se aproximar ao fundo o gusmo1 a que se chama cachassa1 que o calor fez subir superficie1 de tapar logo1 para que caldeira no v parte alguma delle4 ,deita-se ento agua neste parol1 e lava-se1 cuja agua se mistura com o gusmo1 e o ajuda a correr por huma calha1 ao seu receptaculo1 na casa da aguardente4 ,depois de cheio segunda vez o primeiro parol1 passa o liquido do segundo para a segunda caldeira1 com as mesmas precaues do primeiro1 e assim continua o trabalho1 no se despejando nunca hum1 sem que o outro esteja cheio4 ,ficando a caldeira quasi hum palmo por encher1 lana-se fogo na fornalha1 para fazer ferver o liquido1 havendo sempre a lembrana1 que1 chegando a levantar fervura1 he escusado deitar mais lenha1 porque he perdida2 porm esta fervura deve-se entreter4 ,principia agora o uso da decoada4 ,introduz-se na caldeira hum dos dois grandes funis1 e por elle he que se lana a decoada1 para os alcalis fazerem subir do fundo superficie1 o oleo1 e acido superabundantes1 em frma de espuma1 que se separa1 assim que aparece4 ,quando se no vem mais espumas escuras1 julga-se limpa a caldeira1 e principia a simples evaporao2 porm o liquido desta caldeira no passa s tachas1 sem que a outra caldeira esteja tambem com o seu liquido depurado4 ,estando o liquido de ambas as caldeiras prompto1 passa s tachas o da primeira1 para renovar o trabalho com o segundo liquido do primeiro parol1 e assim vai continuando2 de sorte1 que as caldeiras tem tres usos3 so vasos depuratorios1 vasos evaporatorios1 e parois de caldo quente4 ,o liquido da caldeira1 sobe no balde de valvula1 que por huma calha o conduz primeira1 e segunda tacha2 este balde serve tambem de augmentar a evaporao1 levantando o liquido1 e deixando-o cahir em columna1 se h necessidade de accelerar este servio nas caldeiras4 ,as tres tachas do ,bangu1 devem ser consideradas1 como vasos evaporatorios4 ,a primeira1 chamada de receber1 e a segunda de coser1 recebem o liquido da caldeira2 depois de engrossar nellas hum pouco1 passa para a tacha1 chamada de bater2 nesta ultima he1 que o liquor alcana a sua perfeio2 para o concentrar1 deve ser levantado no balde muitas vezes1 e deixallo cahir em columna4 ,quando desta frma tem alcanado o ponto1 passa para o esfriador4 ,estas tres tachas podem ser todas1 de receber1 de coser1 e de bater1 tendo cada huma seu balde1 e passar a calda de cada huma dellas para o esfriador2 porm1 como a primeira tacha recebe mais fogo1 que a segunda1 e esta1 que a terceira1 e o fogo1 se he violento1 queima o ,assucar1 que reduz a mel1 he melhor fazer a concentrao na terceira tacha1 sempre com o cuidado1 de que a fornalha no tenha mais fogo1 que o preciso para levantar fervura4 ,distingue-se o ponto da calda de ,assucar em tres estados1 que so ponto fraco1 ponte forte1 e ponto muito forte4 ,conhece-se o ponto fraco1 quando1 tomando huma pouca de calda com o dedo indes1 e unindo esta calda ao pollegar1 e apartando estes dedos1 a calda no faz fios4 ,o ponto muito forte he1 quando1 tomando a calda da mesma sorte1 e ella se estende em fios por todo o apartamento dos dedos1 sem quebrar4 ,o ponto forte1 ou bom ponto he1 quando se frmo estes fios1 e1 antes de chegarem a todo o apartamento dos dedos1 quebro a duas1 tres1 ou quatro pollegadas4 ,a grossura dos olhos1 que frma a calda1 fervendo na tacha1 mais1 ou menos grossos1 indica a sufficiente concentrao4 ,isto he huma cousa conhecida1 e facil1 porm que o uso ensina mais1 que todos os discursos4 ,estando a calda no ponto forte1 passa em repartideiras para o esfriador4 ,o r1 que bate na superficie desta calda1 e refresca continuadamente as paredes do esfriador1 faz coalhar o ,assucar n'huma especie de costra1 a qual se engrossa cada vez mais1 at incorporar tudo o que he ,assucar1 deixando apartada a parte melosa2 porm este ,assucar1 coalhado to promptamente1 alcana tanta dureza1 e a sua gran he to unida outra1 que faz impossivel a passagem da agua para a sua clarificao4 ,a espatula1 de que se usa1 para o remexer nas frmas conicas1 no sendo sufficiente1 he indispensavel o uso do ensinho j descripto2 hum obreiro com este util instrumento1 em huma das cabaas do esfriador1 puxando-o a si1 e impulsando-o para a outra cabea2 encostando-o no puxar1 a huma das paredes1 no impulsar outra1 impede a aggregao mui prompta da gran do ,assucar1 para a agua1 que o barro largar1 fazer o seu effeito4 ,este esfriador1 segundo a sua grandeza1 no pde encher-se com o primeiro cosimento1 e carece1 que se lhe ajuntem outros2 porm o uso do ensinho principia desde o primeiro1 at se encher1 e sahir o ,assucar para as frmas4 ,no h necessidade1 de que o obreiro esteja sempre com o ensinho na mo2 deve trabalhar de vez em quando1 porm sem descuido4 ,he essencial1 que o ,assucar no v para as frmas frio1 e sim n'hum gro de quentura1 que permitta o meter-lhe o dedo4 ,as frmas molhadas1 assentadas n'huma taboa desempenada1 podem receber o ,assucar1 sem que pela fenda de duas linhas1 que tem no seu fundo1 elle possa cahir4 ,o ,assucar deve ser deitado nellas com espumadeiras grandes2 esta operao deve ser prompta1 e ao mesmo tempo vagarosa2 prompta1 em que he preciso varias espumadeiras1 sem descuido no trabalho2 e vagarosa1 porque tirando as espumadeiras o ,assucar1 carece demorado algum tempo sobre o esfriador1 para deixar cahir dentro muita parte do mel1 de sorte que para as frmas v o menos possivel4 ,a frma deve ficar meia pollegada1 por encher1 e depois de esfriar nella o ,assucar1 tirada da sua taboa1 e esgotado o mel1 que ajuntou no seu fundo1 passa para a casa de purgar1 em paviola4 ,esta casa basta que tenha quarenta e dois palmos de largura1 e sessenta de comprido2 o seu sobrado na altura de doze palmos2 as vigas de hum palmo de grossura1 afastadas humas das outras1 quatro palmos1 e meio2 as taboas do soalho1 da largura de dois palmos1 ou mais1 com o vo entre taboa1 e taboa1 de duas pollegadas4 ,a coxia desta casa pde ser ladrilhada1 para mais aceio4 ,se parecer fraco o vigamento1 pontaletes o fazem firme4 ,esta coxia deve estar bem munida de calhas1 para cahir o mel das frmas4 ,as calhas so mui simples1 e podem ser feitas de taboas de seis pollegadas de largura1 e duas de grossura1 cavado o centro na profundeza de huma pollegada a diminuir para os lados2 so firmadas na viga1 defronte da abertura de duas pollegadas do apartamento das taboas do soalho1 com declivio a acabar na altura de hum barril1 que recebe o mel que nellas cahe1 e o leva a huma pipa1 que o guarda4 ,cada barril1 que deve ter seu funil de folha com rallo1 recebe o de duas calhas1 e estas1 o de muitas frmas4 ,as calhas assim dispostas1 fazem a vista de zigzag vertical4 ,chegando a frma casa de purgar1 he assentada entre viga1 e viga1 que fique a fenda de duas linhas do seu fundo1 no meio do apartamento de duas pollegadas1 que tem as taboas do soalho4 ,raspa-se a superficie desta frma1 para igualar o ,assucar2 enche-se do lodo branco1 que est preparado2 e quando este lodo scca1 tira-se1 para diluido tornar a servir4 ,com huma raspa se tira desta frma o ,assucar embranquecido1 e quando vai ficando trigueiro1 sobre este mais escuro se lana novo lodo2 raspa-se outra vez1 e torna-se a lanar mais lodo1 e assim at ficar o ,assucar desta frma todo branco4 ,o fim desta operao he impedir1 que ao ,assucar j branco no passe mais agua2 porque1 no tendo partes melosas1 que precipitar1 dissolve o ,assucar1 que confunde com o mel1 e o faz esvaido1 ou sem fora1 e ainda que fique muito alvo1 no indemniza a perda4 ,o ,assucar raspado passa estufa1 e he lanado nos taboleiros della1 para seccar4 ,o calor desta estufa deve ser mais forte que1 o que communica o ,sol1 que no excede a quarenta e cinco gros do thermometro de ,reaumur2 e na estufa se pde levar at sessenta gros1 porm no mais1 porque ento o far trigueiro4 ,se no houver thermometro1 deve regular1 o poder-se entrar dentro1 e demorar algum tempo2 porm se no se puder entrar1 ou parar1 he preciso moderar o calor1 porque he forte4 ,quando o ,assucar est scco1 o que succede em oito a doze horas1 segundo o calor que recebeo1 cessa o fogo2 abre-se a janella1 tira-se para a casa de encaixe1 sca-se1 etc4 ,como se trabalha na fbrica da aguardente4 ,todos os ,mestres de aguardente sabem1 que hum liquido doce fermenta1 que esta fermentao o faz vinhoso1 e que este vinho destilado1 produz aguardente1 em maior1 ou menor quantidade1 segundo o gro de doura1 que em si contm este liquido4 ,segundo este principio1 a cachassa1 ou fezes do caldo da ,canna2 as espumas da caldeira1 e tachas1 que so materias por si bastantemente doces1 so recebidas em parois2 e como levo comsigo muito caldo de ,canna puro1 tem bastante fluidez1 para que1 cheio o parol1 entre logo em fermentao4 ,estes parois1 ou especies de tanques so cavados n'hum grosso madeiro1 e fico quasi hum1 palmo por encher4 ,geralmente so descubertos2 e alguma excepo que h1 com esteiras he1 que lhe tiro a maior communicao com o r4 ,assim que a fermentao se estabelece1 o movimento1 que em si faz o liquido1 com hum certo zunido1 faz subir superficie1 huma cdea de materias impuras1 que vai engrossando cada vez mais2 porm abre-se de vez em quando1 para dar passagem ao gs1 ou r fixo1 que se desprende1 e foge do mesmo liquido em fermentao4 ,quando o zunido cessa1 e que a costra se desfaz1 e mistura com o vinho1 que neste estado toma o nome de guarpa1 he o ponto1 para passar ao alambique4 ,alguns espero ainda1 que huma luz se no apague no vo1 que occupa o gs1 da superficie do liquido borda do parol4 ,no havendo mais cachassa1 misturo huma tera parte de mel com duas de agua1 para se seguir o mesmo effeito2 ou misturo mel1 cachassa1 e agua1 porque estas cousas em si so indifferentes1 e seguem-se os mesmos effeitos4 ,se succede algumas vezes estar a guarpa em ponto1 e o alambique occupado1 deito agua na guarpa1 para no passar1 segundo dizem1 e quando h occasio1 vai para o alambique4 ,nestes alambiques no h regra1 cada hum tem os seus2 porm nas fbricas mais modernas1 o commum he1 srem os chamados1 tromba de elephante4 ,recebem o fogo pelo fundo1 at huma tera parte da altura da cucurbita1 ou caldeira2 outros recebem pelo fundo1 e pelas paredes1 onde se pratica huma espiral1 que acaba na chamin4 ,todos tem serpentina de cobre1 e j vi alguma de estanho1 e nada de refrigerante4 ,o primeiro liquido1 que sahe pela serpentina1 que he fleuma1 he lanado fra2 e assim que principia a correr o espirito1 vai para o recipiente1 a que chamo balsa2 esta cheia1 he levada para a pipa1 ou tonel4 ,a serpentina1 que he huma espiral de quatro1 cinco voltas1 est firme n'huma grande tina cheia de agua1 sempre quente1 devendo ser bem fria4 ,todo este trabalho he feito sem principios2 se alguns se gabo de fazer muita aguardente1 no he1 porque saibo aproveitar1 sim porque he feita custa do ,assucar4 ,principios1 que devem conduzir o ,mestre ,aguardenteiro4 ,he efficazmente demonstrado1 que s a parte doce1 ou assucarada de qualquer liquido1 he que pela fermentao se pde mudar em vinho1 de que se tira o espirito ardente4 ,esta mudana1 que a fermentao faz1 he em mais1 ou menos tempo1 segundo a densidade do liquido1 quero dizer mais1 ou menos assucarado4 ,se he pouco doce1 fermenta mais deprssa1 e assim relativamente2 de sorte que se chega a ter a consistencia de mel1 no h fermentao1 ou ao menos no he sensivel4 ,h tres especies de fermentao2 fermentao espirituosa1 fermentao acida1 e fermentao podre1 ou alcalina2 ou antes1 s h a fermentao podre1 que passa pelos dois primeiros estados1 de espirituosa1 e acida4 ,quando hum liquido mucoso doce1 pela fermentao se faz vinhoso1 toda a parte assucarada he decomposta1 e mudada em espirito4 ,se no se aproveita no alambique1 e passa fermentao acida1 he decomposto este vinho1 e mudado em vinagre2 se ento vai ao alambique1 sahe hum acido4 ,se se deixa continuar a fermentao1 e passa alcalina1 alcana o liquido hum cheiro detestavel1 e pelo alambique sahe smente alcali volatil1 ou o producto das materias podres4 ,estas mudanas1 ou decomposies1 accelero-se1 ou retardo-se1 segundo o maior1 ou menor calor do r1 que he o principal agente da fermentao4 ,no gro de frio1 que gla a agua1 no h fermentao1 ou ao menos no he sensivel2 e o mesmo succede n'hum gro de calor de sessenta gros para cima1 do thermometro de ,reaumur1 quero dizer1 que a mo no pde supportar4 ,quando o calor da atmosphera1 ou do lugar1 onde se faz a fermentao1 chega a dez gros do mesmo thermometro1 ella se estabelece1 e se augmenta cada vez mais at aos trinta e cinco1 que he o maximum2 de trinta e cinco para cima1 entra a enfraquecer proporcionalmente1 at aos sessenta em que pra4 ,estes sessenta gros para a fermentao so iguaes ao zero1 ou glo de ,reaumur4 ,nunca o gro do frio no ,rio de ,janeiro pde impedir a fermentao1 por ser o calor da atmosphera1 de vinte a trinta gros2 e so raros os dias no ,inverno1 onde chega a quatorze1 e nunca menos4 ,quando hum liquido entra em fermentao espirituosa1 no a soffre ao mesmo tempo em toda a sua massa2 j algumas partes tem fermentado1 e vo passando a acidas1 quando outras ainda no principiro2 o que faz precisar hum fermento1 que excite o movimento em todas as suas partes1 ao mesmo tempo4 ,este fermento1 a natureza o d na espuma1 e costra1 que se frma sobre hum primeiro liquido1 que fermentou1 que mesmo se pde desseccar para o uso4 ,ajudando o calor da atmosphera to poderosamente a fermentao1 deve o ,mestre ,aguardenteiro impedir1 quanto lhe for possivel1 que com o gs1 que se desprende do liquido1 se no dissipem partes espirituosas2 para o que ha de conservar os vasos1 onde ella se faz1 com pouca communicao com o r2 e em lugar de cochos1 e abertos1 sirva-se de pipas1 e ainda melhor de dornas1 com o fundo largo1 a boca estreita1 com sua tampa1 e nella hum pequeno furo1 e de grandeza proporcionada aos alambiques4 ,deve ter tambem o maior cuidado1 em determinar o seu trabalho de sorte1 que no tenha mais guarpa que destilar1 que os alambiques no posso vencer2 e que he melhor1 que estes esperem1 que aquella1 por no haver meio de impedir a sua depravao4 ,o ponto principal1 donde depende toda a felicidade1 ou o maior producto possivel da fermentao espirituosa1 he1 o saber conhecer precisamente o instante1 em que a guarpa deve passar ao alambique4 ,o signal infallivel1 que designa este instante1 foi descuberto por ,m4 ,gentil1 ,prior de ,fontenet1 e membro de muitas ,academias1 ,o sabor1 diz este grande homem1 he huma qualidade1 que he o objecto do gosto1 e este sentido no pde enganar-se entre o sabor vinhoso1 e o sabor assucarado2 e como o cheiro vinhoso acompanha sempre o sabor vinhoso1 he impossivel errar sobre a relao destes dois sentidos4 ,no he preciso suppr estes sentidos bem delicados1 e bem exquisitos1 nem hum grande discernimento para fazer a distinco2 todo o homem organisado1 como o commum dos homens1 distinguir o sabor vinhoso1 do sabor assucarado1 com tanta facilidade1 quanta poderia distinguir a cr vermelha1 da cr verde4444 ,o signal determinado1 e infallivel1 que designa de huma maneira invariavel1 o momento1 em o qual1 a fermentao tem chegado ao gro preciso1 e a que he unida a maior perfeio de vinho2 o momento1 no qual o vinho no he asss feito1 e depois do qual vem a ser aspero1 grosseiro2 he o momento mesmo1 onde1 depois de muitas degustaes successivas1 nas quaes temos sentido a diminuio do sabor assucarado4 ,este sabor1 depois de se ter enfraquecido gradualmente1 desaparece subitamente2 ento he o signal preciso1 fixo1 e seguro para se tirar o vinho da dorna3 isto he huma ordem irrevogavel1 que a natureza prescreve arte1 e que signala o momento fatal1 a que he unida a perfeio deste liquor4444 ,fura-se a dorna no meio da altura1 que occupa o liquor1 e tapa-se com hum pequeno torno2 logo1 que a fermentao se estabelece1 tira-se o torno1 e deixa-se correr o liquor n'hum pequeno copo para o provar4 ,assim1 que se percebe huma diminuio1 marcada no sabor assucarado1 e huma augmentao no sabor vinhoso1 que so inseparaveis1 deve haver cuidado na dorna1 fazer a prova com frequencia1 ter os vasos promptos para receber o liquor2 e se o signal aparece no meio da noite1 no differir para o outro dia o aproveitallo2 esta noite segura huma recompensa1 que deve fazer esquecer a necessidade do repouso4 ,este signal commum1 he proporcionado intelligencia de todos2 he ainda identico1 e invariavel1 para hum mosto de excellente qualidade1 como da mais mediocre2 para huma grande quantidade de liquido1 como para huma pequena2 para huma fermentao viva1 forte1 tumultuosa1 e prompta1 como para huma fraca1 lenta1 etc4 ,ou seja o calor do r proporcionado1 ou intenso1 sempre he o mesmo2 he preciso smente1 se a fermentao tem sido mui rapida1 ter mais cuidado na dorna1 porque chega mais deprssa ao ponto1 e he de maior prejuiso passagem4 ,at aqui ,m4 ,gentil4 ,quando a guarpa indica este ponto1 a costra1 que a fermentao produzio1 est sobre ella2 no tempo que gasta a desfazer-se1 misturar-se com o vinho1 dissipar-se o gs1 que a sobrenadava para no apagar a luz1 tem-se evaporado muito espirito1 e outro tem passado a acido1 pela fermentao acetosa1 que immediatamente segue a espirituosa1 porque a natureza no pra hum instante2 e daqui se pde inferir1 o quanto se perde1 pela frma de tomar o ponto1 no estado actual4 ,depois da boa fermentao com o seu ponto tomado a tempo1 nada concorre tanto para huma boa distilao1 como a abundancia de agua1 na casa d'aguardente4 ,se no refrigerante no corre sempre agua fria1 para a condensao do vapor1 e na tina da serpentina1 para fazer cahir frio o liquor no recipiente1 h huma diminuio incalculavel1 na quantidade1 e qualidade d'aguardente4 ,a falta de principios1 nos fabricantes deste genero1 no lhe deixa conhecer esta perda1 porque lhe no he sensivel simples vista4 ,olha-se com tanta indifferena para este objecto1 que eu j vi n'huma fbrica1 cujo dono no passa por ignorante1 querer hum individuo tomar banho com a agua da tina da serpentina1 suppondo-a fria1 ou ao menos tepida2 e1 tirando a torneira1 para lhe cahir no corpo1 estava to quente1 que quasi levantou vessiculas4 ,considere-se1 quanto espirito se dissiparia1 sendo refrescado com agua neste estado4 ,se o engenho he de agua1 tem a tina da serpentina sua bica1 porm to pequena1 que eu nunca vi1 que a aguardente deixasse de correr com quentura4 excepo de alguns engenhos1 que tem ao p huma pequena fonte1 o commum he1 o ser a agua carregada s costas1 e s vezes de bem longe4 ,era natural a lembrana de mandar abrir hum po1 e com huma bomba tirar a agua que se precisasse1 principalmente neste paiz1 onde em menos de vinte palmos se acha a quantidade que se quer1 porm s tenho visto hum2 quando a despesa1 que com elle se fizesse1 bem paga ficava na primeira safra4 ,o que se vai dizer sobre o gro de calor para a distilao1 he theoria de ,macquer1 sobre a dos espiritos ardentes4 ,he huma verdade chymica1 que a quantidade de fogo para a distilao1 deve ser em razo da coherencia1 ou apgo das partes1 que se querem fazer evaporar1 aquellas1 que so compostas de principios mais fixos4 ,se se expem aco do fogo1 compostos1 que contenho principios volateis1 e principios fixos2 os primeiros1 rarificados pelo calor1 procurro separar-se dos segundos2 e se o esforo que para isto fizerem1 for superior ao seu apgo1 a separao ter lugar1 e a evaporao se far4 ,se se querem distilar substancias mui compostas1 mui capazes de ser alteradas pelo calor1 e que contenho principios da maior volatilidade1 taes como so muitas plantas cheirosas1 os liquores espirituosos1 e outros desta natureza1 he preciso usar do alambique guarnecido de hum banho de maria1 quero dizer1 que o alambique no receba mais calor1 que o que pde communicar-lhe hum vaso com agua fervendo1 sobre a qual se assenta o mesmo alambique4 ,como na distilao que se faz no alambique1 os vapores dos corpos volateis sobem verticalmente1 e se condenso na sua parte superior1 ou capello1 esta sorte de distilao tem sido chamada per ascensum4 ,podem fazer-se distilar mui commodamente desta sorte1 todas as materias bem volateis1 que posso subir ao gro de calor1 que no exceda o da agua fervendo2 taes so os espiritos rectores1 o espirito ardente1 a agua1 e todos os oleos essenciaes1 etc4 ,o que se passa na distilao em geral1 he mui simples1 e mui facil de conceber4 ,as substancias volateis1 se fazem especificamente mais ligeiras1 quando soffrem hum gro de calor conveniente1 reduzem-se em vapores1 e se dissipario debaxo desta frma1 se no fossem retidas1 e determinadas a passar a lugares mais frios1 onde se condenso1 e tomo a frma de liquores1 se so dessa natureza4 ,como a distilao se faz sempre em vasos fechados1 falta o concurso do r exterior s materias1 que se levanto nesta operao1 o qual he com tudo muito proprio para augmentar1 e accelerar a subida dos corpos volateis4 ,mas pde-se dizer1 que esta lentura1 occasionada pelo defeito do r1 he antes util1 que desavantajosa2 porque em geral1 quanto mais huma substancia volatil1 que se separa da outra substancia mais fixa1 se separa com lentura1 tanto mais esta separao he exacta4 ,por esta razo1 quando se quer distilar1 segundo as regras d',arte1 se he obrigado a conduzir a distilao de sorte1 que a substancia volatil soffra s o gro de calor necessario para a separar2 e isto he sobre tudo indispensavel2 quando no h grande differena no gro de volatilidade dos principios dos corpos1 que se querem decompr pela distilao4 ,pde-se estabelecer1 como regras geraes1 e essenciaes distilao2 que se deve smente applicar o gro de calor necessario1 para fazer subir as substancias1 que se devem destilar2 e que a lentura he to vantajosa1 quanto a precipitao he prejudicial nesta operao1 etc4 ,comparando o que diz este grande ,chymico1 com a quantidade de fogo1 que se ata na fornalha do alambique1 para distilar aguardente1 parece impossivel1 que entre tantos distiladores no ,brasil1 no houvesse ainda hum1 que1 abrindo os olhos da raso1 e guiando-se por ella1 se afastasse da trilha dos mais1 o que augmentaria consideravelmente a quantidade1 e qualidade deste genero1 sem ser custa do ,assucar1 nem com a perda de huma immensidade de lenha4 ,a fornalha1 que se propem desenhada na ,estampa ,,vii41 he a do mesmo ,macquer1 adoptada a esta manufactura4 ,communica-se ao cinzeiro1 por hum buraco de seis pollegadas de comprido1 e duas de largo4 ,o vo da chamin1 he de quatro pollegadas em quadro2 a boca da fornalha tem hum palmo em quadro1 e sua porta de ferro4 ,na ,estampa tem as paredes dos lados abatidas1 para se ver a construco por dentro1 e o petip faz conhecer as suas dimenses4 ,o fogo se entretem1 e modera da mesma sorte1 que no bangu do ,assucar4 ,discurso sobre o alambique ,na h instrumento chymico1 em que se tenha tanto trabalhado1 como no alambique4 ,grandes homens tem buscado em todos os tempos a sua perfeio1 e continuar-se ainda hoje este trabalho1 prova que ainda no se achou4 ,parecer temeridade1 o arriscar eu as minhas idas1 depois dos maiores ,chymicos terem fallado2 porm lembra-me1 que hum grande homem pde procurar huma cousa1 e no a achar1 e hum rustico1 ou outro de intelligencia mui limitada1 vla4 ,tem-se usado de refrigerantes1 e vio-se1 que quando a agua desta bacia era fria1 parava a distilao1 e que s se restabelecia1 quando alcanava huma certa quentura4 ,a raso convincente deste facto he1 que os vapores subindo superficie interna do capello1 e condensando-se repentinamente pela frieza1 engrossavo muito1 e pelo seu pso cahio em gottas na superficie do liquido2 e que a agua hum tanto quente1 impedindo esta condensao to prompta1 permittia1 que os vapores menos engrossados1 se encaminhassem ao canal praticado na circumferencia do mesmo capello1 para sahirem pelo seu bico4 ,daqui se concluio1 que os refrigerantes ero inuteis4 ,entro agora as theorias4 ,huns1 crendo1 que a condensao se fazia na serpentina1 fazem subir a ella o vapor por hum gargalo1 em frma de tromba de elephante2 outros modifico esta especie de tromba1 e do hum grande diametro caldeira do alambique1 com mui pouca altura2 e fazem principiar a serpentina com hum grande diametro1 e acabar n'hum mui pequeno2 outros1 em fim1 augmento a superficie do capello2 porm he geral em todos1 o fazerem hum pescoo caldeira1 maior1 ou menor1 segundo a sua fantazia1 e s ,chaptal quer1 que a caldeira seja hum cilindro perfeito1 porm nada de refrigerante4 ,todos estes alambiques obro com maior1 ou menor proveito2 e eu tenho visto distilar sem refrigerante1 nem serpentina1 o que me prova1 que o contacto do r no capello do alambique1 tem bastante fora para condensar o vapor2 no se aproveita tanto1 como com a serpentina1 porm he pela dissipao do liquor1 por sahir mui quente do bico do alambique4 ,sendo a evaporao em razo da superficie1 e subindo os vapores perpendiculares1 de que ninguem duvida1 s ,chaptal acertou1 tirando o pescoo sua caldeira1 e fazendo-a cilindrica2 porque a abobada abatida1 que nasce das paredes da caldeira1 at onde frma o pescoo1 exposta ao contacto do r1 condensa o vapor que nella toca1 e a unica sahida que tem1 he tornar para a caldeira2 he por consequencia preciso mais tempo1 e maior fogo1 para que o vapor se enfie por este pescoo1 segundo a maior1 ou menor superficie que o r toca1 e o maior1 ou menor diametro do pescoo1 mais1 ou menos longitude da superficie1 onde se faz a evaporao1 parte onde1 condensando-se1 pde encaminhar-se serpentina4 ,o refrigerante he preciso1 e indispensavel para huma boa distilao4 ,se a frieza da agua condensa mui promptamente o vapor1 e as gttas engrossadas so precipitadas na caldeira pelo seu pso1 he porque a abobada do capello1 sendo muito abatida1 no lhe d huma facil correntesa2 a que eu tenho visto mais levantada1 he a do capello de ,baum1 que faz hum angulo de cincoenta gros2 ora hum angulo de cincoenta gros facilita tanto a cahida1 como a correntesa2 ha de correr1 e cahir indistinctamente2 porm se este angulo for de sessenta e cinco gros1 por mais grossas que sejo as gttas1 tem mais facilidade para correr1 que para cahir1 e por consequencia1 quanto vapor subir1 tanto se aproveitar4 ,a caldeira do alambique1 que se propoem1 he hum cilindro de quatro palmos de altura1 e quatro de diametro4 ,o capello1 que he de figura conica1 deve ter de altura o diametro da sua base1 tirado da superficie externa do canal1 ou goteira1 que acaba no bico1 para fazer hum angulo de sessenta e cinco gros4 ,este capello deve ser de estanho puro1 porque o espirito come o cobre2 e para ficar mais barato1 e mais duravel1 pde ser o estanho ligado em partes iguaes com o zinco4 ,proximo sua base1 tem hum tubo de pollegada e meia de diametro1 que huma tampa do mesmo metal fecha em rosca1 pelo qual se introduz na caldeira o vinho para distilar2 e he cercado de huma chapa de cobre1 soldada na circumferencia1 na parte1 onde principia o calor1 que se ha de introduzir na caldeira2 cuja chapa frma hum cilindro da altura do cone1 e serve de bacia1 para conter a agua que esfria o capello1 onde se condensa o vapor1 e o canal1 que o conduz ao bico4 ,esta bacia1 ou refrigerante1 tem n'huma das paredes1 proximo sua base1 hum pequeno tubo de pollegada de diametro1 para dar sahida agua1 que continuadamente deve correr sobre a ponta do cone2 e tambem d passagem ao tubo1 por onde se carrega de vinho a caldeira do alambique4 ,a caldeira tem seu tubo de descarga1 para sahirem as fzes depois da distilao1 cujo tubo deve fechar em rosca na caldeira1 para1 no caso de ser preciso tiralla1 no desmanchar a parede da fornalha2 porm que o tape hum simples torno4 ,a4 ,veja-se a ,estampa ,,vii4 ,fig4 ,i4 ,a serpentina de oito linhas de diametro1 em espiral de oito voltas4 ,eu no posso comprehender as rases que se do1 para ella principiar com hum grande diametro1 e acabar n'hum to pequeno2 creio1 que a condensao do vapor se faz no capello1 que a frieza d'agua1 batendo nelle1 a favorece prodigiosamente1 e que a serpentina serve s de refrescar o liquor1 para cahir frio no recipiente2 ora este effeito consegue-se melhor com o pequeno1 que com o grande diametro2 porque a agua tem huma pequena columna de r que esfriar1 e toca o liquor de mais perto em todas as partes do canal4 ,se dou quatro palmos de diametro caldeira do alambique1 he para que o seu fundo seja de huma chapa de cobre inteira1 e sem emendas2 a altura1 qualquer que seja o diametro1 nunca deve passar de quatro palmos4 ,tambem1 se o diametro for muito grande1 fica incommodo o capello1 por ser preciso levantar o cone em proporo3 e eu no conheo fbrica1 que1 trabalhando bem1 possa occupar sempre dois alambiques assim construidos4 ,os alambiques1 que contm pipa e meia1 e duas pipas de guarpa1 servem mais de ostentao1 que de utilidade2 o seu rendimento em espirito1 no equivale1 proporo guardada1 ao dos mais pequenos4 ,a materia da serpentina1 merece a maior atteno1 no deve ser de cobre1 nem de metal com elle ligado2 o espirito corroe o cobre1 dissolve o zinabre1 e com a aguardente se engole hum veneno2 eu bem sei1 que o espirito o disfara alguma cousa1 e que he em pequena quantidade respeito sua massa2 porm o ser pouco1 e sem os terriveis effeitos1 que causa dissolvido pelos acidos1 no impede1 que ataque a economia animal1 e pouco a pouco a destrua4 ,desejava que fosse de prata pura1 sem liga alguma de cobre4 ,os ,artistas1 que trabalho em prata1 tem mais pericia que os caldeireiros2 podem fazer as chapas de prata com a grossura da folha de ,flandres1 reforada2 e1 se lhe for mais cmodo1 formar a espiral em poligono de cinco1 ou mais angulos2 o effeito he o mesmo4 ,esta despesa no he to grande1 que qualquer ,senhor de engenho no possa com ella1 e a durao exceder da sua vida4 ,talvez haver1 quem tenha esta ida por extravagancia1 que a escarnea1 e teime em usar de serpentina de cobre2 porm o miseravel que isto fizer1 se no for por ignorancia1 merece a maior compaixo1 por ter huma alma gangrenada pela avareza1 que lhe faz olhar com despreso1 para a saude1 e vida dos homens4 ,quizera tambem1 que o recipiente fosse hum garrafo1 e nada de complicaes1 nem torneiras de chave1 faceis de desmanchar1 e difficultosas de concertar1 porque me lembro das pessoas1 que lido nestas fbricas4 ,ordem do trabalho para fazer aguardente4 ,tres quartas partes de agua1 huma quarta parte de mel1 so lanados na drna1 a qual deve conter smente1 tanto desta especie de mosto1 quanto caiba em dois alambiques1 ficando elles hum palmo por encher4 ,deita-se neste mosto bastantes fzes de huma fermentao antecedente1 que se mistura bem com todo o liquido2 tapa-se a dorna1 deixando aberto o pequeno furo da tampa1 para a communicao do r1 e que a mesma drna fique ao menos dois palmos por encher4 ,assim que principia a fermentao1 prova-se o liquor1 e continua-se a prova1 at chegar ao ponto determinado por ,m4 ,gentil4 ,ainda que o vinho neste ponto se considere claro1 e se tire por huma torneira1 que a dorna tem no fundo1 no deve passar ao alambique1 sem que seja por hum coador1 para que no vo nelle partes grosseiras2 porque estas1 hindo ao fundo da caldeira1 e recebendo o fogo immediatamente1 queimo-se1 e communico ao espirito1 o empireuma1 ou gosto de queimado1 que he indistructivel4 ,j se v1 que esta dorna deve estar n'huma altura tal1 que o seu vinho possa correr por huma calha1 que o lana no alambique pelo tubo da sua carga2 em cujo tubo est hum funil de folha proporcionado1 e neste funil he1 que se deve pr o coador4 ,como a fermentao se fez com pouca communicao com o r1 e o gs1 que se soltou1 e fugio do mosto1 se conserva na mesma dorna1 e causa promptamente a morte a todo o animal1 que o inspirar1 no1 porque elle em si seja veneno1 mas porque1 sendo incompressivel1 e inelastico1 o afoga1 assim como a agua2 deve haver todo o cuidado1 para prevenir qualquer funesto effeito4 ,antes do vinho hir para o alambique1 j o refrigerante deste est cheio de agua1 assim como a tina da serpentina2 cuja agua contina sempre a correr n'huma1 e outra parte1 e a sahir pelos seus respectivos tubos1 em quanto dura a distilao4 ,principia esta1 lanando logo bastante fogo debaxo do alambique1 para sahir a fleuma1 que se despreza2 e assim que entra a correr o espirito1 modera-se o fogo1 e entretem-se smente o que he preciso2 havendo sempre a lembrana de perder antes por menos1 que por mais1 e que a lentura he to proveitosa para a quantidade1 e qualidade1 quanto a precipitao he prejudicial4 ,assim que cessa de correr o espirito1 ou corre smente1 o que se chama agua fraca1 tira-se o fogo ao alambique1 e descarrega-se das suas fzes pelo tubo de descarga2 muda-se a bica do refrigerante1 e a da tina para cahirem dentro delle1 e desta sorte ser lavado2 e de dia1 tira-se-lhe o capello1 para se fazer este beneficio mais individualmente4 ,no fallo nas qualidades1 que deve ter a aguardente para ser perfeita1 porque he desconhecido neste paiz o areometro4 ,a forma de a escolher1 he agitalla n'hum pequeno copo1 e a maior1 ou menor demora da espuma1 que faz1 he1 o que lhe mostra a bondade2 e qualquer que ella seja1 toda tem sahida4 ,sobre o tratamento do gado1 e bestas4 ,todos os animaes de servio no ,brasil comem no pasto2 ainda se tivessem pastos abundantes1 como h muito gado1 e bestas baratos 7porque estas nunca excedem a dezaseis1 e os bois a oito mil reis7 poderia supprir a quantidade1 qualidade1 e fora2 porm no succede assim4 ,qualquer engenho tem cem bois1 e quarenta bestas2 como a moagem he no tempo da secca1 e no h diviso de pastos1 e estes foro feitos trinta1 cincoenta1 e mais annos1 e nunca renovados1 a herva1 ou capim1 que nelles nasce1 no tem substancia1 o ,sol a desscca2 e os animaes canados1 e inanidos vo aos brejos1 onde vem alguma verdura1 e com o capim1 que pde ser-lhe util1 engolem plantas venenosas1 que os mato4 ,dizem que isto he peste1 porm a fome he1 que lhe faz comer1 o que lhe he nocivo4 ,h annos1 em que a mortandade he tal1 que paro engenhos de moer4 ,a este respeito1 assim como de outros1 a abundancia he que faz a miseria4 ,se hum boi custasse cincoenta mil reis1 huma besta oitenta2 vinte de huns1 doze de outras1 fario melhor servio1 sustentados com o car1 batata1 mandioca1 guandu1 abobora1 e outras muitas cousas1 de que com curiosidade pde haver abundancia1 sem contar a mansido1 que alcano estes animaes assim tratados1 podendo-se fazer delles1 o que se quizer a qualquer hora4 ,ainda no vi hum curral calado1 nem cuberto2 enterrados os bois at barriga he o commum4 ,depois de passarem assim a noite1 vo para o carro em jejum2 trabalho muitas horas1 sahem esfalfados1 e a fome faz-lhe devorar o que encontro4 ,tenho visto gastar horas a meter bois em carros1 e bestas nas almanjarras dos engenhos2 se estes animaes sahissem da estrebaria com a barriga cheia1 hirio para o servio mansamente1 no haverio marradas1 nem coices1 o que evitaria accidentes que sempre h1 alm do adiantamento do trabalho1 que a sua braveza estorva4 ,ao menos devera ser o campo dividido em quatro partes1 passando o gado de humas para outras1 no se demorar mais de dez dias em cada huma1 e no entrar na ultima1 de que sahio1 seno depois de trinta1 ou mais dias4 ,desta sorte teria tempo de crescer a herva1 seria o seu succo melhor digerido1 e por consequencia mais nutritivo para o animal4 ,se em lugar do pasto estar dividido em quatro1 fosse dividido em oito partes1 e que o gado se demorasse em cada huma s quatro1 ou cinco dias1 ainda seria melhor4 ,talvez parecer1 simples vista1 esta multiplicidade de pastos divididos1 superfluidade1 porm he hum ganho real1 porque1 alm de prosperar o gado extraordinariamente assim tratado1 sendo as divises com crcas vivas1 podem servir os seus galhos para o fogo das fornalhas2 e os mesmos pequenos pastos1 reduzidos a terras lavradas1 plantar-se nelles ,canna4 ,os curraes serem calados1 e cubertos1 e recolhidos nelles os animaes1 que devessem trabalhar de noite1 ou de madrugada1 os quaes terio sua rao1 no de olhos de ,canna1 sim dos fructos acima mencionados4 ,crcas vivas1 e mortas4 ,he notavel o servio1 que se perde em crcas1 quasi continuado1 e sempre insufficiente4 ,os moires so da madeira1 que se encontra1 o mesmo as varas1 amarradas a cip1 que antes de seis mezes apodrece4 ,se aparece algum bocado de crca viva1 he para fazer conhecer a facilidade de se naturalisar em todas as partes1 onde o seu uso pde ser util4 ,no h paiz1 como o ,brasil com tantas arvores1 e arbustos1 de que se posso fazer crcas vivas4 ,as de limo1 e cidra1 so conhecidas1 porm aparecem como amostra4 ,todos os pos brancos de casca leitosa1 e grande miolo1 pego bem de estaca1 e so de prompto crescimento4 ,todas as especies de figueiras bravas1 so excellentes2 com ellas em dois1 ou tres annos1 podem ficar as crcas impenetraveis1 e o decte annual1 servir de lenha para as fornalhas4 ,plantem-se as estacas alinhadas na distancia de dez palmos1 que fiquem na altura de seis4 ,cortem-se os pimpolhos1 ou brotas1 que nascerem para a parte de fora1 ou de dentro1 conservando as dos lados1 ou comprimento da crca1 nas quaes se prender algum pso1 para as fazer dobrar brandamente2 quando cruzarem1 faz-se huma ferida na casca das duas brotas1 enxerto-se1 e fazem-se firmes com hum pequeno espeque1 assim como mostra a ,figura ,i4 da ,estampa ,,viii4 ,mergulho-se os galhos na terra1 onde tomo raiz1 e fazem a vista1 que se mostra na ,figura ,,ii42 haja hum pouco de cuidado1 e em poucos tempos se ver o effeito4 ,as crcas assim feitas1 ho de ser de arvores da mesma especie2 e de qualquer que sejo mesmo das fructiferas1 podem servir1 ainda que com mais demora4 ,como h partes1 onde as crcas vivas se far impraticaveis2 para se fazerem as crcas mortas com aceio1 solidez1 e sem perder muito tempo1 quando se fizer alguma derrubada1 devem torrar-se os pos de madeira firme1 taes como de gorauna1 ip1 e brasil1 etc4 no comprimento de doze palmos para moires2 e os pos de boa qualidade proprios para varas1 no de onze4 ,quando os trabalhadores se recolhem do servio1 trazem estes pos1 que deposito n'hum armazem4 ,em tempo de chuva1 parte dos escravos falquejo estes moires dos dois lados1 ou os quadrejo2 outros lhe fazem buracos1 distantes por huma bitola de dois palmos1 que passem de parte a parte1 e cada moiro deve levar quatro1 principiando de meio palmo da cabea para baxo2 e outros escravos proporciono as pontas das varas1 a caber nos buracos dos moires at meio po2 cujos buracos no devem ter menos de duas pollegadas em quadro4 ,depois de haver huma boa proviso de moires1 e varas1 querendo-se fazer qualquer crca1 mando-se fazer os buracos na terra alinhados1 e na distancia de dez palmos livres1 com dois e meio de fundo4 ,quando estiverem feitos1 no acto de hirem os trabalhadores para o servio1 carrego as varas1 e moires1 lanando estes cada hum em seu buraco2 fico s dois escravos endireitando-os1 e firmando-os na terra4 ,he visivel1 que desta sorte tem as crcas outra durao4 ,a ,figura ,,iii4 mostra os moires1 e varas4 ,lenhas4 ,he quasi geral a falta da lenha nos engenhos dos suburbios do ,rio de ,janeiro2 alguns j a compro1 e outros no tardar a fazello4 ,nos campos dos ,goitacazes1 antes de dez annos parar mais de ametade das fbricas falta della4 ,se h paiz1 onde isto se no devra temer1 he todo o ,brasil1 pela immensidade de arvores1 que pego bem de estaca1 e em poucos annos alcano a maior grandeza4 ,o caj1 o cabui1 a mangueira1 as figueiras1 geralmente todos os pos brancos pego com a maior facilidade4 ,os pinheiros1 que so espontaneos de serra acima1 nascem bem de serra abaxo1 semeando-se os pinhes de vez1 e em poucos annos se fazem grandes arvores1 que podem servir a infinitos usos4 ,o guandu1 ou hervilha de ,angla1 arbusto1 que tem a propriedade de nascer1 e prosperar em toda a qualidade de terreno1 mesmo no que se suppem peior2 depois de colhido o fructo1 de ,junho at ,agosto1 que he excellente legume1 pde decotar-se pelo p1 operao de que carece1 para a reproduco de outro2 de cujas folhas so avidos todos os animaes herbivoros1 e cujos troncos1 e ramos1 podem servir para as fornalhas4 ,deve haver o cuidado de tirar as estacas para plantar1 de hum terreno analogo quelle1 onde se devem plantar2 se o terreno for scco1 devem ser tiradas de sequeiro1 e o mesmo1 se for humido4 ,ainda que haja mattos virgens1 sempre as lenhas se devem plantar2 os pos de matto virgem fazem s brazas1 e para as caldeiras1 onde se precisa hum fogo activo1 os ramos1 os galhos so melhores2 ap mesmo feito em feixes1 o bagao da ,canna1 do hum calor mais forte1 que madeira dura1 principalmente se he em grossos tros1 como se usa commummente4 ,talvez parecer isto paradoxo a quem no tem ida do como se queima em ,portugal o tijolo1 a telha1 a cal1 onde se emprega smente tojo1 carqueja1 rama de pinho1 e mattos carrasqueiros4 ,as estacas1 para plantar1 tambem podem ser tiradas das raizes das arvores1 fazendo-as de hum palmo de comprido1 havendo o cudado de no ferir a sua casca1 e de as plantar n'hum terreno bem estrumado2 desta sorte no falho4 ,carros4 ,ainda no lembrou a ninguem na ,capitania do ,rio de ,janeiro1 o fazer uso da carreta1 em lugar do carro1 sendo a vantagem to visivel4 ,as rodas do carro1 tem o trilho de huma a duas pollegadas1 com cinco a seis palmos de altura2 o trilho das da ,carreta1 he de quatro a cinco pollegadas1 com nove a dez palmos de altura4 ,ora n'hum paiz de caminhos no calados1 pantanosos1 he infinitamente melhor a carreta1 cujas do tanta folga aos animaes1 alm de no se enterrarem tanto1 e facilitarem o virar de hum para outro lado1 sem forcejar no cabealho2 custando menos na sua construco1 por haver maior quantidade de madeiras que lhe sirvo1 no precisar tanto ferro1 e mesmo se pde fazer sem elle2 e onde dois bois puxo mais sem tanta fadiga1 que os seis do ,carro4 ,devo lembrar1 que os raios da roda da ,carreta1 no devem ser inclinados para fra1 como os das rodas de sege2 ho de ser perpendiculares ao cubo1 o que lhe conserva toda a fortaleza4 ,capinas4 ,hum dos objectos1 que merece toda a ateno1 e que d grande trabalho aos ,lavradores do ,brasil1 so as capinas1 ou limpas das hervas gulosas1 que pullulo extraordinariamente1 e roubo a substancia destinada s plantas1 de que pretendem utilidade4 ,a frma de fazer esta limpa1 he muito defeituosa2 a enxada1 de que se usa1 no d bastante expedio2 o seu ferro fere a terra1 formando hum angulo de mais de sessenta gros1 e no tem a propriedade de arrancar as pequenas raizes1 sem a perda de muito tempo4 ,em lugar da enxada1 deve-se adoptar hum raspador1 cujo ferro tenha seis pollegadas de alto1 e doze de comprido1 temperado de ao1 e cortante2 que tenha o cabo reforado1 e encavado de sorte1 que na mo do obreiro faa formar ao corte hum angulo at quinze gros4 ,o trabalhador pega com a mo esquerda na ponta do cabo1 e com a direita na altura a que chega1 carrega sobre o mesmo2 e tendo o corpo de perfil1 com inclinao para a direita1 balanca-o para a esquerda1 forcejando sobre o raspador1 e faz arrastar o seu corte quasi dois palmos1 e assim continua1 sem nunca o levantar2 parece1 que desta sorte cortar mais capim1 que dez enxadas4 ,para arrancar as pequenas raizes1 se h preciso de o fazer1 tem mais propriedade hum ensinho1 com seis dentes de ferro curvos1 firmados n'hum grosso madeiro1 onde prenda hum cabo reforado2 cujos dentes devem sobresahir at tres pollegadas1 e serem afastados1 huns dos outros1 duas2 he visivel1 que arrancar mais raizes1 que muitas enxadas4 ,a ,figura ,,ii4 da ,estampa ,,vi4 mostra o raspador4 ,a ,figura ,,iii41 o mesmo raspador visto de perfil com o seu cabo4 ,a ,figura ,,iv41 he o ensinho com dentes de ferro curvos para arrancar pequenas raizes4 ,,notas ,,que ,,pertencem ,a ,,esta ,,obra4 ,,nota ,i4 ,pag4 #d4 ,na ,provincia do ,minho1 e em outras partes1 h muita uva1 que no pode amadurecer1 porque as cpas so encostadas a arvores1 cujas folhas impedindo1 que a luz toque nos cachos1 no se pode aperfeioar o seu succo1 nem alcanar doura1 condio1 sem a qual se no pode fazer vinho generoso4 ,estas uvas so sempre azdas1 e o seu vinho quasi no tem valor1 por aspero1 e inexportavel4 ,he enriquecer aos seus habitantes1 e por consequencia ao ,estado1 o dizer a forma1 porque podem fazer vinho generoso1 e com todas as qualidades1 que lhe adquirem grande valor1 e exportao4 ,o meio simples1 innocente1 e infallivel1 para conseguir esta perfeio1 he ajuntar ao mosto mo1 antes da fermentao1 huma certa quantidade de ,assucar1 maior1 ou menor1 segundo a qualidade do mosto2 porm que nunca poder exceder a huma arroba por pipa1 por mais verde1 que elle possa ser2 e governar-se a fermentao1 assim como se diz nos principios para fazer aguardente4 ,esta despeza ha de ser compensada com usura na venda do vinho1 pelo excesso de verde1 a maduro1 e bom4 ,macquer chegou a fazer vinho de verjus1 que he huma uva1 que nunca amadurece1 e se servem della em ,frana para tempero acido1 assim como nos nos servimos do limo4 ,fez tambem1 com uva muito m1 vinho liquoroso1 vinho como o de ,tockay1 que he feito de uva muito doce1 quasi em passa1 simplesmente com a addico do ,assucar4 ,no he preciso1 que o ,assucar seja branco1 basta o mascavado1 e mesmo o mel1 se houver em abundancia4 ,,nota ,,ii4 ,pag4 #g4 ,boyle pesou huma pouca de terra vegetal1 de que encheo hum caixo2 depositou nesta terra huma semente de buxo1 e a regava1 quando era preciso4 ,passados annos1 pesando este buxo1 achou1 que tinha cento e tantas libras1 e a terra s tinha diminuido algumas onas4 ,,nota ,,iii4 ,pag4 #i ,a luz depura as emanaes dos vegetaes1 prepara com ellas o elemento1 que respiro os animaes1 e rehabilita o que a sua respirao tem corrompido2 porque o animal inspira r1 e expira gs3 o vegetal1 pelo contrario1 absorve gs1 e transpira r puro2 porem este r sombra1 e de noite1 corrompe-se1 se a luz o no purifica4 ,a materia1 que vive nos animaes1 e nos vegetaes1 tem huma dependencia absoluta da luz2 ella tem a faculdade de penetrar os corpos que toca1 produzir nelles calor1 desenvolver o que tem no seu seio1 e aperfeioar os seus succos4 ,as plantas1 que so privadas da luz1 por muito juntas1 fico delgadas1 as folhas1 e as hastes de hum verde desmaiado1 por consequencia enfermas1 e sem darem o producto1 que se devia esperar4 ,,nota ,,iv4 ,ibid4 ,o ar he absolutamente preciso para entreter a vida animal1 e vegetal4 ,se he corrompido1 se no se renova1 os animaes1 e os vegetaes padecem1 deperigo1 e morrem4 ,j se disse em a nota antecedente1 que os animaes inspiravo r1 e expiravo gs2 e que os vegetaes absorvio gs1 e transpiravo r puro4 ,esta troca reciproca1 estabelecida pelo ,author da natureza1 he a que faz ser o r1 que se respira no campo1 to saudavel1 e nocivo1 o das grandes povoaes4 ,no campo h toda a facilidade para se fazer esta troca1 que tanto se difficulta nas ,cidades4 ,o gs1 ou r fixo1 que os animaes expiro1 e os vegetaes absorvem1 he hum liquido incompressivel1 que1 no sendo misturado com sufficiente quantidade de r puro1 mata os animaes1 que o inspiro1 afogando-os1 assim como faz a agua1 ou qualquer liquido que nos seja visivel2 porm elle se conhece so pelos effeitos1 nas victimas que faz perecer1 e no simples vista4 ,,nota ,v4 ,pag4 #da4 ,franklin navegando em frota na ,america do ,norte1 vio serem maltratados por huma tempestade1 todos os ,navios1 e so dois novamente concertados1 e alcatroados1 sentiro muito pouco os seus effeitos4 ,vio tambem algumas gttas de azeite lanado no mar1 cuja reunio encheria apenas huma colher1 temperar as ondas a mais de cem toezas1 com huma celeridade de expano to maravilhosa1 como a sua diviso2 e que este effeito do azeite1 ou qualquer oleo1 principalmente do vegetal1 era sobre tudo efficaz1 para evitar o perigo dos mares encapelados4 ,todas as pessoas1 que tem sentido no mar grandes tormentas1 sabem1 que os mares encapelados procedem de huma grande serra de mar1 que agitado pelos ventos1 forma huma horrorosa columna1 a qual dobrando1 ou encapelando1 se por desgraa encontra alguma embarcao1 seja ella a maior ,no1 lanando-lhe dentro milhares de toneis de agua1 a faz sossobrar4 ,a pezar de ser ,franklin quem isto diz1 eu1 que sabia o que ero mares encapellados1 suspendi a minha crena1 parecendo-me impossivel1 que huma to pequena quantidade de materia1 fizesse cessar hum to terrivel effeito3 porm a primeira vez1 que vi fazer ,assucar1 e que hum grande fogo lanado debaxo de huma caldeira1 fazendo sublevar acima das bordas della alguns palmos o liquido1 que continha1 e que huma pitada de massa de ,mamono1 reduzia repentinamente este liquido sua altura natural1 lembrei-me logo da observao de ,franklin1 e ainda que eu no possa conceber o porque isto se faz2 se huma pitada de massa de ,mamono1 que poder conter apenas meio gro de azeite1 e azeite crasso1 he capaz de impedir a sublevao1 e fuga do liquido de huma caldeira abrazada1 creio certamente1 que algumas oitavas de azeite bem expansivel1 tal como o de amendobi1 de que h abundancia em ,angola1 lanado por huma seringa de delgado canudo1 contra o maior mar encapelado1 o reduzir a onda simples1 que no tem perigo de consequencias para os ,navios4 ,,nota ,,vi4 ,pag4 #fi4 ,o ponto indicado por ,m4 ,gentil1 he para se fazer o vinho da uva2 porm como todos os mostos so compostos dos mesmos principios1 com mui pequenas modificaes1 o que succede no mosto da uva1 he commum ao da maan para a cidra1 ao da cevada para a cerveja1 ao sumo1 e productos da ,canna de ,assucar1 para se fazer aguardente4 ,a passagem da dorna1 ou cuba para a pipa1 com os acidos mineraes1 para impedir a fermentao ulterior2 como do vinho de ,canna1 ou guarpa1 o que se pretende he aguardente1 tambem he o ponto desta guarpa1 passar ao alambique para a distilao4 ,,explica,o ,,das ,,estampas4 ,,estampa ,i4 ,,fig4 ,i4 ,forma dos partidos para a ,canna1 com doze braas em quadro1 e o mesmo de intervallo entre cada partido4 ,,fig4 ,,ii4 ,quadrados longos1 que frmo tambem partidos1 com menos intervallo4 ,,fig4 ,,iii4 ,quadrados longos1 com outra direco4 ,a agulha1 que est no centro1 he para mostrar o alinhamento1 que devem ter os pequenos partidos1 para a ,canna ser plantada de ,norte a ,sul1 e de ,leste a ,oeste4 ,,estampa ,,ii4 ,,fig4 ,i4 ,a folha da enxada sem cabo4 ,,fig4 ,,ii4 ,a mesma enxada encavada4 ,,fig4 ,,iii4 ,o trabalhador com a enxada prompto a trabalhar4 ,,fig4 ,,iv4 ,o mesmo trabalhador1 trabalhando4 ,,estampa ,,iii4 ,,fig4 ,i4 ,he a vista exterior da casa do engenho1 tomada ao longo4 ,,fig4 ,,ii4 ,he a vista plana da mesma casa4 ,,fig4 ,,iii4 ,he a vista exterior da entrada da casa do engenho1 que mostra tambem as varandas para picadeiros1 e outras serventias4 ,,estampa ,,iv4 ,mostra a frma de moer ,canna1 pelo methodo que se propem4 ,,estampa ,v4 ,,fig4 ,i4 ,mostra o bangu de tres tachas1 com as paredes dos lados abatidas1 para se ver o interior2 e o fogo fazendo o seu effeito4 ,,fig4 ,,ii4 ,mostra os dentes em prisma para o ensinho1 vistos de topo1 com a grossura1 e frma1 que devem ter1 e distancia de huns a outros2 o mais escuro he a espiga1 que deve entrar no madeiro1 onde prende o cabo4 ,a4 e ,b4 figura dos dezoito dentes do centro do mesmo ensinho4 ,c4 figura dos dois dentes1 que devem fazer os lados4 ,,estampa ,,vi4 ,,fig4 ,i4 ,mostra hum trabalhador1 cavando com a enxada1 como se pratica em ,frana1 ,inglaterra1 etc4 ,,fig4 ,,ii4 ,frma do raspador para as limpas1 ou capinas4 ,,fig4 ,,iii4 ,o mesmo raspador de perfil1 para mostrar a direco1 que deve ter encavado4 ,,fig4 ,,iv4 ,figura do ensinho1 para arrancar pequenas raizes4 ,,fig4 ,v4 ,mostra o balde de valvula trabalhando2 a pol pde ser feita de taboas1 assim como o sexto circulo1 onde se vem os sinaes dos fuzelos1 que sustem as duas cordas que prendem o balde1 e tambem a corda1 que levanta a valvula4 ,o apoio da balana est em tres palmos1 e o trabalhador puxa por huma alavanca de seis4 ,,fig4 ,,vi4 ,pessa onde joga a pol1 e que facilita o seu movimento para todas as partes4 ,,estampa ,,vii4 ,,fig4 ,i4 ,he o alambique na sua fornalha com o fogo aczo4 ,o refrigerante deixa ver a figura do capello1 fazendo hum angulo de #fe gros1 e o petip mostra as dimenses do alambique1 e fornalha4 ,,fig4 ,,ii4 ,he a frma de ,assucar1 vista com a boca para cima4 ,,fig4 ,,iii4 ,he a mesma frma1 deixando ver a abertura do seu fundo4 ,,estampa ,,viii4 ,,fig4 ,i4 ,faz ver como se fazem crcas vivas4 ,,fig4 ,,ii4 ,mostra os ramos entrelaados1 e mergulhados na terra4 ,,fig4 ,,iii4 ,mostra os moires1 e varas para as crcas mortas4 ,,fig4 ,,iv4 ,he hum quarto circulo1 para dar a conhecer1 o que so gros de elevao4 ,na linha horisontal do mesmo1 se vem duas pollegadas1 repartidas em linhas4 ,huma pollegada tem doze linhas1 hum palmo tem oito pollegadas1 hum p tem doze pollegadas4 ,,indice ,,do ,,que ,,contem ,,esta ,,memoria4 ,descripo da ,canna de ,assucar1 segundo a vista que appresenta4 ,pag4 #a ,como se cultiva actualmente a ,canna de ,assucar4 #b ,notas sobre esta frma de plantao4 #d ,theoria para a cultura da ,canna de ,assucar4 #e ,como se deve cultivar a ,canna de ,assucar4 #aj ,vantagens desta frma de plantao4 #af ,crte das ,cannas4 ,ib4 ,construco dos engenhos actuaes4 #ag ,notas sobre esta frma de construco4 #ai ,nova construco de engenhos4 #bj ,sobre o movimento das moendas4 #bb ,comparao da roda vertical com a horisontal4 #bd ,preciso sobre a dentadura das rodas4 #bf ,como se moe ,canna actualmente4 #cj ,notas sobre esta frma de moer4 #cb ,nova frma de moer4 #cc ,comparao da moagem actual com a que se propem4 #ce ,descripo do que contm a casa de caldeiras actualmente4 #ch ,como se trabalha na fbrica do ,assucar4 #dj ,notas sobre esta frma de fazer ,assucar4 #dd ,principios1 que devem conduzir o fabricante de ,assucar4 #dg ,preparo para manufacturar o ,assucar4 #ej ,frma de fazer a decoada4 #ec ,descripo1 e propores do ,bangu4 #ed ,preparo do barro para clarificar o ,assucar4 #ef ,methodo para trabalhar na fbrica do ,assucar4 #eg ,como se trabalha na fbrica da aguardente4 #fc ,principios1 que devem conduzir o ,mestre ,aguardenteiro4 #fe ,discurso sobre o alambique4 #gc ,ordem do trabalho para fazer aguardente4 #gh ,sobre o tratamento do gado1 e bestas4 #hj ,crcas vivas1 e mortas4 #hb ,lenhas4 #hd ,carros4 #he ,capinas4 #hf ,notas4 #hh ,explicao das ,estampas4 #ib ,,fim4 ,figura3 ,est4 #a ,figura3 ,est4 #b ,figura3 ,est4 #c ,figura3 ,est4 #d ,figura3 ,est4 #e ,figura3 ,est4 #f ,figura3 ,est4 #g ,figura3 ,est4 #h ,lista de erros corrigidos ,aqui encontram-se listados todos os erros encontrados e corrigidos3 ---------------------------------------- ------------- ,original ,correco ---------------------------------------- ------------- pg4 #bd hnm hum pg4 #bh ou ou ambos ou ambos pg4 #db ,quaudo ,quando ---------------------------------------- ------------- ,a numerao das pginas foi alterada no ndice de forma a corresponder numerao real das pginas do livro original4