,,boletim ,,da ,,real ,,associa,o ,central da ,agricultura ,portugueza ,,separata ,o credito agricola em ,portugal 7,conferencia realisada na ,real ,associao ,central da ,agricultura ,portugueza7 ,,por ,,jayme ,,de ,,magalh,,es ,,lima #ahii ,,typ4 ,,estev,o ,,nunes ,,filhos ,r4 d',assumao1 #ah a #bd ,,lisboa ,,boletim ,,da ,,real ,,associa,o ,central da ,agricultura ,portugueza ,,separata ,o credito agricola em ,portugal 7,conferencia realisada na ,real ,associao ,central da ,agricultura ,portugueza7 ,,por ,,jayme ,,de ,,magalh,,es ,,lima #ahii ,,typ4 ,,estev,o ,,nunes ,,filhos ,r4 d',assumao1 #ah a #bd ,,lisboa ,separata do ,boletim da ,real ,associao ,central da ,agricultura ,portugueza ,o credito agricola em ,portugal ,conferencia realisada na sde da ,associao em a noite de #ai de abril por ,,jayme ,,de ,,magalh,,es ,,lima ,,meus ,,senhores3 ,encontrando-me n'este logar por virtude d'um convite da ,real ,associao ,central da ,agricultura ,portugueza1 a minha primeira obrigao agradecer a honra que esse convite para mim significa4 ,essa obrigao cumpro-a com devoo1 no s pelo respeito que me merecem as pessoas que me convidaram mas ainda pela superior considerao que ha muito votei classe a que pertencem4 minha convico que1 se ha possibilidade de consolidao e desenvolvimento nacional1 nenhuma classe est destinada a ter n'essa grande obra maior e mais proveitosa influencia do que a dos agricultores e proprietarios ruraes2 porque em nenhuma outra mais intimo e constante o contacto de grandes e pequenos1 a penetrao das diversas condies n'um labor conjugado e solidario e1 por conseguinte1 em nenhuma outra dever manifestar-se mais intensamente esta harmonia social1 este equilibrio moral e economico que a cora de toda a grandeza politica e que a condio fundamental da paz e da verdadeira prosperidade4 ,mostrou a direco d'esta ,real ,associao desejos de que me occupasse do credito agricola4 ,at por este lado o convite me foi agradavel6 ,o credito agricola uma questo sempre e para todos interessante1 mas particularmente para ns1 n'este momento1 da maior opportunidade4 ,estudado ha muito pelos trabalhos dos publicistas e pelas tentativas dos legisladores1 no se pde dizer ainda uma questo resolvida mas pde affirmar-se que nunca como hoje se approximou tanto d'uma soluo pratica e efficaz1 d'uma soluo1 direi mesmo1 iniciada com grandes beneficios e com esperanas ainda maiores4 ,oxal a minha capacidade correspondesse magnitude do problema6 ,bem sei que infelizmente no corresponde e que d'elle se distancia de modo incommensuravel4 ,por isso no confiado n'ella que venho aqui mas pura e unicamente na certeza de que o saber e a indulgencia dos que me ouvirem supprir a insufficiencia dos meus conhecimentos e a estreiteza do meu pensamento4 ,o credito agricola 1 meus senhores1 uma questo estudada pelos nossos publicistas4 ,entre os seus trabalhos1 que so numerosos e de valor1 avultam o que em #ahhh publicou o illustre agronomo sr4 ,joo ,achilles ,ripamonti e as longas paginas que no seu ultimo livro1 ,a ,terra1 o sr4 ,anselmo d',andrade consagrou a este assumpto2 ambos conquistaram logar privilegiado na litteratura agricola nacional1 o primeiro pelos elementos que colligiu sobre as instituies do reino e o segundo pela profundeza e pela multiplicidade d'aspectos com que encara o problema4 ,seria offender a illustrao dos que me ouvem fallar-lhes dos bancos da ,allemanha1 da ,escocia e da ,italia que fazem descontos lavoura ou por qualquer outro modo lhe prestam servios4 ,so do conhecimento de todos2 a sua organisao est descripta innumeras vezes e as suas vantagens teem sido to largamente apregoadas como reconhecidas4 ,demais1 uma outra razo me obriga a ser breve n'este ponto4 que temos uma instituio nacional que nada fica a dever em beneficios aos bancos populares estrangeiros e que1 no sei bem por que capricho1 muito pouco conhecida entre ns4 ,refiro-me ,caixa ,economica d',aveiro4 ,a ,caixa ,economica d',aveiro foi fundada ha cerca de quarenta annos 7em #aheh7 pelo fallecido sr4 ,nicolau de ,bettencourt que1 servindo n'aquella cidade o logar de governador civil e tendo fundado nos ,aores1 d'onde era natural1 uma caixa inteiramente igual1 quiz assignalar a sua passagem no governo do districto com uma creao cujos beneficios j por experiencia conhecia4 ,para isso pediu1 instou e conseguiu a cooperao de todos os principaes proprietarios e capitalistas da terra que no eram muitos4 ,esses proprietarios reuniram-se e por escriptura publica formaram uma associao destinada a receber depositos em conta corrente com o juro de #e ao anno1 no podendo as respectivas entradas serem superiores a #cjjjj ris nem inferiores a #ajj ris e no podendo a somma total de cada depositante exceder a quantia de #djjjjj ris4 ,para garantia d'estas operaes os socios obrigavam-se por determinada importancia com que podiam ser obrigados a entrar1 no vencendo todavia essas importancias juro algum4 ,o fundo constituido pelos depositos e pelas entradas dos socios seria negociado em emprestimos sobre penhores d'ouro1 prata1 objectos de valor e facil venda e ainda sobre lettras garantidas por firmas acreditadas4 ,a organisao era e simples3 tres directores1 presidente1 secretario e thesoureiro1 eleitos annualmente e que so ao mesmo tempo a mesa da assembla geral1 assembla geral que pde funccionar e deliberar validamente estando presente a quarta parte dos socios4 ,actualmente1 como os accionistas no chegam a cincoenta1 a assembla geral funcciona com treze socios4 ,na ,caixa ,economica d',aveiro1 tudo comeou por favor e emprestimo2 no sei mesmo se o papel para o primeiro expediente foi um favor da repartio do governo civil e se o cofre que guardava toda a carteira commercial era o simples cuidado da pessoa que tomou isso a seu cargo4 ,pois essa instituio iniciada e continuada n'um regimen que em materia bancaria se pde dizer archaico1 sem ter mudado de estatutos e com a sua administrao patriarchal1 estava em #ca de dezembro de #ahih na seguinte situao3 ,tinha #bjf3gjijjj ris em #b4jab depositos1 dos quaes #a4dbf1 ou seja #gj1i no excediam a #ajjjjj ris4 ,n'um movimento de ris #idg3dchijj em lettras1 #b4bij em #b4gjj ou #hd4h no so superiores a #ajjjjj ris1 emquanto em #d4jja penhores1 representando um movimento de #abd3ihadbj ris1 #c4jga ou #gf1g no excedem #ajjjj ris4 ,se a isto accrescentarmos que a maior parte do movimento em lettras resulta de transaces com proprietarios e lavradores1 escusamos dizer mais para mostrar o que a ,caixa ,economica d',aveiro1 que beneficios presta1 que classes ajuda e que significao lhe podemos attribuir como instituio servindo a agricultura4 ,no creio que estabelecimento algum estrangeiro merea mais o nosso estudo e atteno do que esta singela instituio nacional4 ,seria agora occasio de me referir aos celleiros communs1 to bellamente estudados no livro do sr4 ,ripamonti4 ,sobre elles direi apenas que1 sem embargo1 prestaram servios mas a sua hora passou2 os caminhos de ferro1 a intensidade da vida economica que resulta da facilidade de communicaes exigem hoje qualquer cousa mais larga e mais geral do que poderiam ser esses estabelecimentos minusculos1 disseminados desigualmente1 sem relao entre si1 sujeitos unicamente a condies locaes4 ,no se restauram facilmente instituies que caducaram por condies de vida nova que no podiam preencher4 ,no ha cousa mais captivante que uma cidade medieval e todavia no nos seria possivel crear um s organismo social d'esse typo4 ,e assim em tudo o mais3 outros tempos1 outras necessidades4 ,do estudo1 que os publicistas teem feito entre ns do credito agricola1 tres concluses parecem deduzir-se que nos ho de servir de guia para o que de futuro possamos resolver3 #a4 ,a descentralisao dos capitaes4 necessario que os estabelecimentos de credito comprehendam uma pequena rea2 s assim se poder conhecer inteiramente a solvabilidade dos que contractarem1 o seu valor pessoal e o destino que do aos seus capitaes1 a sua vida moral e o seu tino economico1 e s assim1 por conseguinte1 o credito poder alargar-se com confiana4 ,d'outro modo o capital retre-se e deve retrair-se porque no pde correr aventuras4 ,os melhores estabelecimentos extrangeiros assim como a ,caixa ,economica d',aveiro1 todos funccionam n'uma estreitissima rea2 a ,caixa ,economica pde dizer-se que no vae alm dos concelhos de ,aveiro e ,ilhavo e ainda um pouco d'aquelles que lhes so immediatamente visinhos4 #b4 ,a promiscuidade de operaes4 ,todas as boas instituies de credito popular descontam indifferentemente ao commercio1 lavoura ou industria1 a todos aquelles que do garantia de satisfao dos seus compromissos4 ,no ha situaes privilegiadas2 o credito s um4 ,nem convm que as haja3 no se comprehende como os differentes ramos da actividade economica d'uma sociedade devam ter credito differente se todos so igualmente lucrativos e igualmente uteis pois d'outro modo no devem subsistir4 ,pde a natureza das operaes exigir differentes condies de contractos1 conforme uma liquidao mais ou menos rapida1 conforme o maior ou menor risco e consequente necessidade de amortisao1 mas essas como muitas outras circumstancias s attingem propriamente a administrao bancaria e nunca o credito1 a possibilidade fundamental de desconto4 ,ainda n'este ponto1 instituies nacionaes e extrangeiras nos indicam a boa regra4 #c4 ,a interferencia do ,estado4 uma concluso muito particularmente para o nosso paiz esta interveno do ,estado que os trabalhos dos publicistas nos indicam como a iniciadora do credito agricola e de todo o credito popular2 uma condio nacional1 mas parece-me ser uma condio4 singular que at a ,caixa ,economica d',aveiro1 to prospera e to bellamente mantida e administrada1 por iniciativa particular1 fosse creada por esforo e deligencia d'um homem que juntava sympathia pessoal que merecia a qualidade de alto funccionario administrativo1 que no foi nem podia ser indifferente ao bom resultado da sua tentativa4 ,os celleiros communs foram na sua quasi totalidade de creao e administrao ou das corporaes municipaes ou dos juizes de direito ou de qualquer outra entidade relacionada com os poderes do ,estado4 ,administrao livre e independente caso raro1 rarissimo4 ,e este facto deve1 a meu vr1 tirar-nos quaesquer illuses e esperanas que possamos ter sobre a instituio do credito agricola por iniciativa individual4 ,no essa a tradio nacional nem1 digamol-o de passagem1 se vem presentemente meios e tendencias de entrar em novos costumes4 ,disse que o credito agricola estava tambem estudado entre ns pelas tentativas dos legisladores4 ,attentemos agora um momento n'este segundo ponto4 ,d'essas tentativas tres so notabilissimas1 j pela alta capacidade dos homens que a ellas presidiram1 j pelos elementos d'estudo que nos fornecem4 ,o projecto de ,alexandre ,herculano em #ahee1 as leis de ,andrade ,corvo em #ahff e #ahfg e finalmente o projecto do homem superior que foi o meu querido mestre e que at agora no tem successor1 o projecto de ,oliveira ,martins em #ahhg1 constituem um fundo de subsidios para o estudo da questo que pe a nossa litteratura agricola ao par das melhores que se teem occupado da materia4 ,o projecto ,herculano est n'uma proposta da ,camara municipal de ,belem1 de que era presidente1 ao parlamento para que lhe permittisse crear uma ,caixa de ,soccorros ,agricolas nas condies que lhe designava4 ,esse projecto vem precedido d'um relatorio que hoje um documento precioso para estudarmos as necessidades e o caracter das nossas populaes ruraes2 a grandeza do mestre at alli transparece com uma inegavel evidencia4 ,pretendia a ,camara municipal de ,belem crear um fundo destinado a subministrar capitaes baratos aos cultivadores e para isso reservaria annualmente tres quartos do producto do imposto sobre a farinha fabricada at completar a somma de #ce3jjjjjj ris4 ,depois1 esse capital assim creado passaria por emprestimo s mos dos cultivadores em condies altamente vantajosas que a lei indicava4 ,esta lei1 se tivesse sido votada1 seria uma concesso ,camara de ,belem1 mas evidentemente deixava a porta aberta para o estabelecimento do credito agricola no paiz porque no havia motivo para que no fosse applicada d'uma maneira generica4 ,estabelecia-o por um processo do mais rematado socialismo2 isto 1 a ,camara reservava para si1 por todos os meios coercitivos de que dispe1 uma parte da riqueza particular1 e em seguida distribuia-a para beneficiar uma classe que carecia d'auxilio4 ,nada mais captivante1 mas logo se pergunta onde vamos por este caminho4 ,porque um beneficio lavoura com excluso do commercio e da industria8 ,no so porventura todos esses factores d'igual valor na sociedade que os deve manter sos e vigorosos n'uma boa economia8 ,a poucos passos estariamos n'um perfeito communismo1 o ,estado recebendo e distribuindo os capitaes da communa2 no era facil pr limites a esta socialisao da riqueza uma vez iniciada1 tanto mais que as reclamaes no tardariam a surgir instantes1 maneira que as necessidades se mostrassem4 ,depois1 quem administra esses capitaes8 ,a camara municipal1 uma corporao eleita por todos os que teem capacidade politica8 ,aqui estamos pois chegados a todos os males da politica e das eleies que infelizmente sabemos bem o que so4 ,quando as assemblas geraes dos bancos e companhias so j perturbadas to frequentemente por ambies de toda a casta e da mais duvidosa legitimidade1 o que seriam essas assemblas geraes do banco communal em que se confundiam as cobias da politica e os interesses da suprema distribuio do capital8 ,evidentemente1 o caminho era perigoso2 ou por isso ou por quaesquer outros motivos que desconheo1 o projecto no teve seguimento4 ,outro tanto no succedeu a ,andrade ,corvo que viu convertido em lei o seu pensamento sobre o credito rural4 ,deu aos hospitaes1 misericordias1 confrarias e identicas corporaes a faculdade de formarem com os seus capitaes bancos provinciaes ou districtaes de credito agricola e industrial com privilegios e garantias que os incitavam a aproveitar-se das concesses da lei4 ,e todavia muito poucos usaram os beneficios da lei2 quasi todos continuaram na antiga vida4 ,porque8 ,essas corporaes tinham por certo os seus capitaes collocados e toda a transformao iria ferir interesses ou1 pelo menos1 trazer incommodos que haviam de ser um estorvo ao novo estado que se pretendia crear4 ,deus sabe mesmo at que ponto1 com os abusos que so inseparaveis da administrao da fazenda commum1 os proprios gerentes d'essas corporaes seriam os interessados em as manter no estado em que se encontravam6 ,mas1 quando assim no fosse1 quando a lei1 alis to bem pensada1 d',andrade ,corvo tivesse operado a transformao que ambicionava1 ainda assim a questo no estaria resolvida4 ,ficava de p o que tem sido uma das grandes chagas da economia nacional1 a diversidade do preo dos capitaes que vae de #d at #aj ou #bj4 ,quem era rico1 ficava rico2 quem era pobre1 ficava pobre4 ,cada um viveria sobre si1 por isso que os bancos se constituiam com os recursos locaes e operariam n'uma pequena rea2 haveria regies de superabundancia e regies de extrema miseria4 ,e1 depois1 talvez succedesse que esses capitaes que se pretendia chamar lavoura j na lavoura estivessem2 ao tempo em que a lei foi publicada1 a estreiteza do commercio e da industria era entre ns tamanha que fra de ,lisboa no haveria collocao segura de capitaes que de perto ou de longe no interessasse agricultura4 ,era depois d'estas experiencias e tentativas que apparecia o projecto de lei de fomento rural de ,oliveira ,martins1 tendo1 como no podia deixar de ter em obra de tamanha vastido e alcance1 um capitulo consagrado ao credito rural4 ,creava um banco com o capital de #aj3jjj contos de ris1 especialmente destinado a proporcionar capitaes1 quer lavoura1 quer propriedade rustica1 no s para o desbravamento dos terrenos incultos como para o melhoramento dos cultivados4 ,o banco teria uma agencia em cada concelho de populao igual ou superior a #dj3jjj habitantes1 ou em cada grupo de concelhos de #ej a #fj3jjj habitantes4 ,o ,estado constituia o banco administrador legal de todos os bens actuaes e futuros1 comprehendendo os fundos consolidados1 das seguintes pessoas moraes3 igrejas1 corporaes religiosas1 irmandades1 confrarias1 misericordias e quaesquer outros estabelecimentos de beneficencia ou pidade4 ,ao banco competiam varias obrigaes1 entre as quaes se comprehendia a fiscalisao pelos seus agentes da applicao do dinheiro1 e eram-lhe concedidos privilegios que iam at garantia do juro pelo ,estado4 ,completava-se d'este modo a lei d',andrade ,corvo1 tornando obrigatorio o que fra facultativo e trazendo lavoura d'uma maneira segura os capitaes das corporaes2 e1--ponto capital do projecto em que transparecia o genio do mestre1--realisava-se por meio d'uma centralisao1 seguida d'um derramamento uniforme1 essa distribuio igual de capitaes em todo o paiz de que devia resultar a uniformidade na taxa do desconto4 ,era uma obra verdadeiramente nacional1 destruindo toda a desigualdade de mercado de capitaes1 fazendo acudir os centros de plethora s regies de miseria4 ,se exceptuarmos a garantia de juro pelo ,estado1 que entre ns tem dado sempre uma confuso de contos onerosissima para o thesouro publico1 o projecto de ,oliveira ,martins era o que de mais captivante se tem apresentado ao parlamento portuguez sobre este assumpto4 ,embora abandonado1 por motivos que no quero saber1 o tempo veiu dar-lhe raso2 esse projecto est hoje realisado1 em parte1 por via de circumstancias inteiramente alheias questo4 agora occasio de dizer em que razes me fundo para affirmar que o credito agricola tem em ,portugal um inicio de soluo4 ,depois da apresentao do projecto de fomento rural de ,oliveira ,martins1 deu-se na vida economica portugueza um facto da maior grandeza destinado a ter em toda a nossa actividade as mais largas e fecundas consequencias4 ,estabeleceu-se o ,banco emissor4 ,o ,estado1 para accrescentar as suas receitas1 segundo creio1 contractou com o ,banco de ,portugal o privilegio da emisso fiduciaria1 recebendo em troca varias e complexas vantagens4 ,em virtude d'esse contracto1 o banco ficava sendo o thesoureiro do ,estado e d'aqui provinha que1 para o cumprimento das suas obrigaes1 tinha de estabelecer agencias em todas as capitaes de districto4 ,creio que o fim primitivo d'essas agencias era unicamente realisar as operaes do ,estado1 mas o certo que uma vez estabelecidas nenhuma razo havia para que no fizessem simultaneamente operaes commerciaes3 em #ca de dezembro de #ahih apparecem-nos com #a3ded contos de ris de lettras descontadas em carteira1 ao mesmo tempo que se mostra que o banco emissor teve no reino e ilhas adjacentes um movimento de transferencias commerciaes por meio de lettras que sommou #af3bdi contos4 ,est assim realisada a aspirao de ,oliveira ,martins2 temos um banco dispondo de largos capitaes e descontando por preo uniforme em todo o paiz1 fazendo essa operao no s sem subsidio mas antes com beneficio do thesouro4 ,e temos ainda mais uma facilidade de cobranas baratas sem precedentes1 o dinheiro viajando de ,melgao a ,villa ,real de ,santo ,antonio por um preo unico1 por uma tabella uniforme4 ,todas as vantagens fundamentaes d'uma economia bem organisada possuimos2 s falta que a lavoura d'ellas participe como do seu interesse e do interesse do paiz4 ,multiplicar as agencias do banco emissor1 exactamente n'aquella proporo que ,oliveira ,martins estabelecia1 isto 1 uma agencia por cada #ej a #fj3jjj habitantes1 e reservar para a lavoura uma parte da emisso1--n'isto reside1 a meu vr1 a soluo do problema do credito agricola4 ,no o digo eu1 alguem com mais competencia do que eu o disse j1 antes de mim4 ,o sr4 ,anselmo d',andrade1 com a profundeza e lucidez que caracterisam o seu bello livro1 ,a ,terra1 escreveu3 444 a uma economia no emprego da moeda deveriam corresponder reduces na circulao fiduciaria que permittissem ao banco apartar um fundo de capitaes disponiveis para agricultura4 ,poderia essa disponibilidade constituir o capital para desconto e redesconto do papel dos ,syndicatos agricolas1 merecedores de confiana pela qualidade das pessoas que os compozessem e dirigissem1 no sendo muito que nos contractos do ,governo com o banco emissor1 e em conta do preo da emisso1 entrasse como clausula obrigatoria a reserva d'uma importancia a fixar1 e a juro que tambem se fixasse1 para desconto d'esse papel agricola4 ,esta frma de proteco saa1 por assim dizer1 de graa ao ,estado1 e bastaria como meio de fomento para que as associaes de credito se desenvolvessem e generalisassem no paiz1 sombra de uma frma proteccionista que lhe garantisse1 a juro modico1 o desconto do seu papel4 verdade que pelo seu contracto tem o ,estado uma participao nos lucros do banco1 mas se certo que o banco deve ao ,estado o seu privilegio1 tambem certo que deve ao mundo dos negcios os seus lucros1 sendo por isso justo e necessario que elle multiplique os seus servios tornando-os extensivos a cathegorias de clientes1 que actualmente pouco se aproveitam d'elles1 como so os agricultores444 ,a commercialisao dos agricultores que se inscrevessem nos registos commerciaes1 a interveno dos ,syndicatos agricolas e associaes de credito rural na distribuio de capitaes pelos associados1 e a creao de um fundo especial destinado no ,banco de ,portugal ao credito agricola1 so portanto condies de vida nova1 capazes de egualar perante o credito a agricultura e o commercio444 ,so1 sem duvida1 condies de vida nova1 d'uma infallivel prosperidade para a agricultura2 encerram para ns a soluo do problema e encerram tambem a prova do desatino governativo da nao4 ,porque preciso saber-se e repetir-se1 para que se lhe d remedio1 se esperanas de remedio pde haver1 que o ,banco emissor fechava o anno de #ahih tendo nas suas agencias #a3ded contos de ris em lettras descontadas quando em #ahig fechava a sua conta com #a3fhd contos sob igual rubrica4 ,baixou #bcj contos e1 se to pouco baixou1 deve-o s instancias do commercio1 da lavoura e da industria e nunca ao zelo do ,estado4 ,como se explica este retrocesso1 se a prosperidade do paiz vae crescendo e se o interesse do banco alargar as suas operaes8 ,unica e exclusivamente1 todos o sabem e o proprio relatorio do banco o confessa aos accionistas1 pela abusiva interveno do ,estado1 pela absorpo1 com uma avidez insaciavel1 de toda a nova emisso fiduciaria na conta do thesouro4 ,de frma que esse mesmo ,estado que devia ser o maior propulsor da actividade economica o seu maior inimigo1 pela desenfreada concorrencia que lhe faz no mercado dos capitaes4 ,assim1 toda a tentativa de credito agricola ou de qualquer outra especie de credito v1 trabalho baldado4 ,o ,estado levou todo o dinheiro do ,brazil no tempo em que elle de l vinha com abundancia2 consumiu mais tarde todo o oiro estrangeiro quando o credito das praas europeias nos trazia em constante abundancia2 absorve toda a emisso fiduciaria agora que os instrumentos de circulao nos pertencem4 ,emquanto ao mercado concorrer um cliente assiduo que tem mais de #ej3jjj contos de ris de rendimento por anno e outros que no teem #ejjjj ris1 desenganemo-nos1 a victoria ser sempre do mais rico1 tanto mais que esse tem na sua mo uma arma formidavel e vem a ser3 que elle que faz a lei para si1 para os outros1 para aquelles proprios que lhe devem4 ,ouvi que o ,estado ia renovar o seu contracto com o ,banco de ,portugal e que d'ahi tiraria um accrescimo de receita no valor de trezentos contos de ris4 ,se alguma cousa me fosse dado pedir1 pediria que1 uma vez ao menos1 o ,estado abrandasse a sua voracidade e1 em logar de exigir mais trezentos contos para si1 exigisse a multiplicao das succursaes do ,banco de ,portugal1 dotadas de capital bastante e administradas em condies idoneas ao servio da lavoura4 ,iria mesmo mais longe4 ,ainda mais uma vez commungando nas ideias do sr4 ,anselmo d',andrade1 acceitaria o alvitre que esse illustre publicista propunha n'um artigo publicado no ,jornal do ,commercio de #ae de maro ultimo4 ,no veria o menor perigo n'um pequeno alargamento da circulao fiduciaria com tanto que esse alargamento fosse unica e exclusivamente destinado ao desconto mercantil e agricola2 pelo contrario1 tanto enfraquece o banco a emisso absorvida pelo ,estado como refora a sua solidez e o seu credito a emisso transformada em carteira commercial4 ,quando o banco tivesse creado cem agencias1 estava realisada a ambio de ,oliveira ,martins1 distribuidos os estabelecimentos de credito n'aquella proporo com a populao que elle indicava4 ,pois essas cem agencias no demandariam uma despeza inicial superior a #bjj contos1 despeza que com o tempo havia de annular-se completamente e at mesmo converter-se em beneficio4 ,fossem essas agencias dotadas com trinta contos de ris cada uma1--e no consentiria em que nos primeiros annos tivessem maior dotao porque a collocao de capitaes s lentamente pde realisar-se com inteiro proveito1 e os exaggerados alargamentos de desconto so mais nocivos economia nacional que um desmedido retraimento2--fossem essas agencias dotadas com trinta contos e no hesito em affirmar que to estreita somma1 e to barata para a administrao publica1 havia de produzir milagres de prosperidade4 ,j no so pequenos os que produzem os miseros #a3ded contos de ris que o banco emissor tem na carteira commercial das suas agencias2 tanto me basta para avaliar do futuro4 ,quando o ,estado tivesse assim cumprido a sua misso1 estaria1 a meu vr1 terminada a sua tarefa4 ,cessava aqui a soluo do problema por parte dos poderes publicos1 a questo ia mudar d'aspecto e de questo economica converter-se-ia n'uma questo moral4 ,o ,estado poz capitaes disposio dos lavradores1 a estes que agora compete darem garantia bastante para o levantamento d'esses capitaes4 ,luzzati1 cuja principal gloria est em ter iniciado e propagado os bancos populares na ,italia1 exclamava apreciando-os3 ,mas o que seriam as nossas casas de credito sem os bons costumes dos seus socios6 ,entre ns1 pelo que sabemos da ,caixa ,economica d',aveiro1 poderiamos dizer outro tanto4 facil a constituio de casas de desconto3 o que parece mais difficil a creao d'esses bons costumes que ho de fazer que ellas funccionem com inteiro proveito para a riqueza publica e particular1 para a boa ordem social4 ,o penhor nas mos do mutuante ou do mutuario1 a garantia na alfaia e nos fructos pendentes1 a associao de qualquer especie como intermediaria e principal responsavel entre os bancos e os lavradores1 a simples fiana pelo acceite em lettras de cambio1 tudo so processos que podem utilmente ser aproveitados e a nenhum d'elles ousarei contestar valor benefico4 ,mas sempre direi que tudo o que no seja a singela assignatura em uma letra de cambio garantida com duas firmas que1 pelos seus bens e principalmente pelo seu tino e honestidade1 meream confiana1 mais um signal de descredito do que de credito4 ,ai d'aquelle cuja reputao no basta e precisa ser amparada por qualquer cousa d'ordem material6 ,ha muito o commercio e a industria assim o comprehenderam e no sei nem posso attingir1 a no ser que os procure em viciosos costumes1 os motivos porque um industrial pde levantar dinheiro n'um banco na supposio de que no dispor das mercadorias fabricadas sem satisfazer os seus compromissos e outro tanto no pde fazer o lavrador que tambem fabricante de productos commerciaveis4 ,no sei por que ao commerciante se entregam capitaes n'um ajuste tacito de que a elles ficam obrigados os generos que guarda na loja1 e no se pde fazer outro tanto com o lavrador que tem celleiro e adega onde guarda objectos igualmente commerciaveis4 muito facil a um negociante de cereaes ou de vinhos encontrar credito1 mas difficil alcanal-o o lavrador que primitivamente produziu e possuiu aquellas mesmas mercadorias4 ,administrei a ,caixa ,economica d',aveiro durante cinco annos1 ha cerca de seis annos que sou agente do ,banco de ,portugal2 quer n'um quer n'outro logar tenho contractado muito com lavradores por meio de lettras de cambio4 ,pois no exaggero dizendo que nunca com elles perdi um real e que a ,caixa ,economica d',aveiro d o primeiro logar na sua carteira commercial ao papel firmado por lavradores4 ,tudo est unicamente no tino de quem administra esses estabelecimentos1 no zelo com que procura averiguar da applicao a que o dinheiro se destina e das qualidades pessoaes de quem o procura4 ,a fiana1 o simples acceite n'uma lettra de cambio1 a equiparao do lavrador e do commerciante1 eis o que a minha estreita experiencia me indica como o processo mais facil1 mais prompto1 e porventura mais seguro1 de operaes de credito1 quer agricola quer de qualquer outra especie4 ,para isso porm1 torna-se necessario que proprietarios e lavradores comprehendam as suas obrigaes de patronato4 ,da maneira como ellas so ignoradas permitta-se-me que recorde um exemplo que caracteristico4 ,conheci uma regio no districto de ,coimbra1 terra fertil1 feracissima1 abundantemente regada1 com um magnifico clima1 em que o primeiro dos quarenta maiores contribuintes pagava de contribuio predial #djjjjj ris1 o quarto #djjjj ris1 o quadragesimo #acjjj ris4 ,calcule-se por ahi a distribuio da propriedade1 monopolisada nas mos dos poucos de que dependia uma basta legio de arrendatarios4 ,as rendas eram exageradissimas1 raro o anno em que1 o arrendatario as podia pagar por completo4 ,estranhei este systema a um proprietario que1 na melhor boa f e julgando provar assim capacidade de administrar1 me respondeu2-- muito bom4 ,d'este modo esto sempre em divida e pagam o mais que podem4 ,quando se chegava a junho ou julho1 o mais tardar1 o arrendatario j no tinha po e ia procurar um homem que invariavelmente lhe accudia4 ,esse homem retratava-o ,herculano1 no relatorio que precede o seu projecto de credito agricola1 com uma fidelidade e um relevo que a mais aperfeioada machina photographica nunca alcanar3 homem cho1 modesto1 exacto no cumprimento dos seus deveres civis1 laborioso1 valedor3 quasi um bom homem4 ,ignora as partidas dobradas e repugnam-lhe por via de regra no s os juros exorbitantes1 mas at o juro legal4 ,quando empresta o seu dinheiro ao agricultor por d d'elle2 para lhe acudir n'um apuro4 ,o que quer assegurar o reembolso da somma mutuada4 ,tendo horror s demandas1 se o lavrador proprietario no lhe acceita o predio como hypotheca1 porque conhece a imperfeio das nossas leis hypothecarias2 se o no 1 nem por isso quer abandonal-os4 ,n'esta situao que faz8 ,empresta sem juro2 mas exige um contracto que lhe d a certeza do reembolso4 ,o cultivador ha de pagar em genero na eira4 ,e como ha de ser o pagamento8 ,os cereaes regular-se-ho pelos preos mais inferiores do genero n'essa conjunctura4 uma precauo4 ,para os riscos das baixas possiveis1 que depois sobrevenham1 de uma venda anterior1 d'uma divida desconhecida1 de uma colheita insignificante1 etc41 o mutuario promette o abatimento de um1 de dois1 de tres vintens ou mais em alqueire4 outra precauo4 ,o usurario compassivo1 benevolo para com a sua victima1 mas precisa de ser prudente4 ,o contracto fica secreto1 no se escreve porque o mutuante conta com a probidade do mutuario1 ou para melhor dizer1 com o temor que este ter de achar em novos apuros condies mais onerosas1 e esses apuros so quasi inevitaveis desde que o pobre cultivador cahiu uma vez nas suas mos4 ,este homem bemfazejo1 na regio a que me refiro1 contenta-se com pouco2 empresta em junho uma moeda para receber em setembro ou outubro o capital e mais um alqueire de trigo e at s vezes de milho4 ,preo modico1 um juro que oscilla entre #bj e #cj ao anno4 ,conheci um que1 no tendo propriedades1 tinha um celleiro para receber444 os juros4 ,est assim fechado o cerco2 onde no chega o proprietario com as suas brutaes exigencias accode galhardamente o usurario4 ,que fica ao agricultor8 ,o direito de emigrar8 ,no1 que tambem no ha dinheiro para a passagem4 ,servo da gleba1 miseria e humildade1 a astucia deshonesta para accrescentar o que o trabalho no d1--eis o seu triste destino4 ,pensando bem1 talvez ninguem tivesse lucrado4 ,o proprietario desvalorisa a propriedade tendo-a em meio d'uma populao indigente e anniquillando assim o mercado em que a podia negociar por bom preo2 o agricultor tem a sorte que sabemos2 e at o usurario444 no1 o usurario esse accrescenta a sua fortuna rapidamente4 ,alguem havia de capitalisar o trabalho do lavrador de cujo producto este s usufrue uma parte minima4 ,emquanto taes costumes se mantiverem1 emquanto as obrigaes e os interesses do patronato1 de auxilio e proteco aos humildes no entrarem na vida corrente dos proprietarios e dos mais abastados1 emquanto no se comprehender que uma parte da nossa fortuna consiste sempre em a possuirmos entre gente rica e por isso enriquecendo o visinho nos enriquecemos tambem1 emquanto assim fr1 as loucuras da administrao do ,estado encontraro digna imagem na incapacidade individual4 ,mas que a boa razo1 quer d'um quer d'outro lado1 comece de prevalecer e o problema do credito agricola em ,portugal no tardar a ter soluo4 ,uma derradeira abservao4 ,eu acceitei o alvitre do sr4 ,anselmo d',andrade quando propunha que o banco emissor descontasse aos syndicatos que seriam os fiadores e principaes pagadores dos creditos individuaes2 mas1 entenda-se bem1 isto ser unicamente um dos processos de negociar4 ,o desconto directo ao lavrador porm uma necessidade sempre que o credito d'este o permitta4 ,porque1 d'outro modo1 os intermediarios1 sejam elles quaes forem1 ho de reclamar o preo do seu risco e do seu trabalho e aqui temos iniciado um caminho perigoso que deixa margem a muito negocio escuro4 ,tal 1 meus senhores1 sobre a questo do credito agricola o meu pensamento1 na exposio do qual abusei talvez da vossa bondosa atteno que1 reconhecido1 agradeo4