,library of ,portugal 7,biblioteca ,nacional de ,portugal747 99,nota de editor399 ,devido quantidade de erros tipogrficos existentes neste texto1 foram tomadas vrias decises quanto verso final4 ,em caso de dvida1 a grafia foi mantida de acordo com o original4 ,no final deste livro encontrar a lista de erros corrigidos4 ,rita ,farinha 7,dez4 #bjjg7 ,,biblioteca ,,do ,s,,culo ,,xviii ,,ii ,,cartas ,s,,bre ,a ,,educa,o ,,da ,,mocidade ,,por ,a4 ,n4 ,,ribeiro ,,sanches ,,nova ,,edi,o ,,revista ,e ,,prefaciada ,,pelo ,dr4 ,,maximiano ,,lemos ,,coimbra ,,imprensa ,,da ,,universidade #aibb ,,cartas ,s,,bre ,a ,,educa,o ,,da ,,mocidade ,,biblioteca ,,do ,s,,culo ,,xviii ,,ii ,,cartas ,s,,bre ,a ,,educa,o ,,da ,,mocidade ,,por ,a4 ,n4 ,,ribeiro ,,sanches ,,nova ,,edi,o ,,revista ,e ,,prefaciada ,,pelo ,dr4 ,m,,ximiano ,,de ,,lemos ,,coimbra ,,imprensa ,,da ,,universidade #aibb ,desta edio fez-se uma tiragem especial de #ajj exemplares1 numerados e rubricados4 ,n4o ,,not,,cia ,,bibliogr,,fica ,as ,cartas sbre a educao da mocidade que a benemerncia do sr4 dr4 ,joaquim de ,carvalho hoje colocam nas mos dos estudiosos so uma das obras mais raras1 se no a mais rara1 do grande sbio que se chamou ,antnio ,nunes ,ribeiro ,sanches4 ,no admira que isto suceda1 visto que hoje se sabe que a tiragem foi apenas de cinqenta exemplares que em ,paris foram entregues a ,monsenhor ,pedro da ,costa de ,almeida ,salema que em ,frana nos representava#a4 ,a quem eram dirigidas estas cartas8 ,o sr4 dr4 ,tefilo ,braga1 na sua ,histria da ,universidade1 vol4 ,,iii1 pg4 #cdi1 afirma que o destinatrio era o principal ,almeida que fra nomeado director geral dos estudos e remetera a ,sanches o alvar de #bh de junho de #agei abolindo as classes e colgios dos jesuitas4 ,no assim4 ,as ,cartas foram dirigidas a ,monsenhor ,salema e a le se refere ,sanches ao escrever3 ,quando ,v4 ,illustrissima foi servido communicarme o ,alvar sobre a reforma dos ,estudos1 que ,s4 ,magestade ,fidelissima foi servido decretar no mez de julho passado e juntamente as ,instruoens para os ,professores de ,gramatica ,latina1 etc41 logo determinei manifestar a ,v4 ,illustrissima o grande alvoroo que me causou a real disposio sobre a ,educao da ,mocidade ,portugueza2 mas embaraado com algua dependencia que ento me inquietava e com a saude mui quebrantada ao mesmo tempo1 no pude satisfazer logo o meu dezejo4 ,camilo ,castelo ,branco no possua exemplar impresso das ,cartas1 mas tinha em seu poder uma cpia que comeou a publicar no ,ateneu1 revista conimbricense4 ,no identificava o manuscrito que possuia com as ,cartas sbre a educao da mocidade1 mas a obra era dirigida a ,pedro da ,costa de ,almeida ,salema4 ,esta idea varreu-se-lhe com o tempo4 ,nas ,noites de insmnia1 n4o #b1 de fevereiro de #ahgd num artigo intitulado ,o orculo do ,marquez de ,pombal diz3 ,o ,marquez de ,pombal1 ou no quiz1 ou apesar da sua omnipotencia no logrou assegurar repouso na patria ao seu douto oraculo1 em paga dos conselhos e projectos de boa administrao que o neto do hebreu lhe suggeriu de ,paris1 e o valido ingrato aproveitou1 occultando-lhes a procedencia4 ,a creao do ,collegio dos nobres por carta de lei de #g de maro de #agfa havia sido aconselhada por carta de ,ribeiro ,sanches1 datada em ,paris1 em #ai de novembro de #agei4 ,esta data precisamente aquela que se l no termo das ,cartas sobre a educao da mocidade4 ,publicou ,camilo alguns trechos do seu manuscrito4 ,o que sau no ,ateneu compreende as primeiras #af pginas da edio original que correspondem s primeiras #bb pginas desta2 os que apareceram nas ,noites de insmnia so transcritos das ,cartas a contar da pg4 #ajd que correspondem a pg4 #afh desta4 ,no ,perfil do ,marquez de ,pombal de novo considera ,ribeiro ,sanches o mais proficiente collaborador das reformas pombalinas e diz que le imprimiu em #agfj umas cartas sob o ttulo de ,cartas sbre a educao da mocidade1 provvelmente enviadas ao ,conde de ,oeiras4 ,esta hiptese encontra a desment-la o tratamento de ,vossa ,ilustrissima que le d pessoa a quem se dirigia4 ,estamos hoje em circunstncias de dizer dum modo incontestvel que o correspondente de ,sanches era ,monsenhor ,salema4 ,os dois documentos que pela primeira vez foram publicados no nosso livro a que atrs fizemos referncia o atestam4 ,o ,dr4 ,sanches me remetteu hoje o livro incluso com a carta junta1 obra que j insinuei a ,v4 ,ex4a e que me parece merecer a atteno de ,el ,rey ,nosso ,senhor e do seu sabio e respeitavel ministerio pelos mesmos objectos de utilidade que ella prope para a educao e ilustrao da mocidade portugueza e que a materia de varias conversaes que tive com este douto e honrado patriota2 julgando-a de grande proveito1 lhe signifiquei a quizera pr por escripto para que deste modo resultasse ao nosso reino todo o bem que se pde tirar da dita obra3 a mencionada carta narra o motivo porque pareceu mais conveniente que se preferisse a impresso do manuscripto1 estando certo que o numero de exemplares no excede o de que o autor faz meno e que amanh vem todos para meu poder#b4 ,junta vinha a carta de ,sanches a ,monsenhor ,salema com a mesma data3 ,illustrissimo e ,reverendissimo ,senhor4--,foi ,v4 ,illustrissima servido conceder-me mandar-lhe esse exemplar do manuscripto que tive a honra de communicar-lhe1 pedindo-lhe seja servido remettel-o nossa ,corte1 e das precaues que tomei para que toda a impresso viesse a ficar no poder de ,v4 ,ill4ma1 como consta da obrigao do impressor aqui junta3 to 7bem7 peo a ,v4 ,illustrissima humildemente queira declarar o motivo porque se imprimiu este papel1 reduzindo-se todo a diminuir o volume do manuscripto1 e para que se lesse o contedo com mais facilidade e egual recato4 ,espero amanh levar a ,v4 ,illustrissima os cincoenta exemplares1 porque no foi possivel estarem promptos mais do que esse unico que remetto agora4 ,se ,v4 ,illustrissima fr servido tambem de dar parte nossa ,crte que dita impresso ficar no seu poder at receber ordem para dispr della2 porque s deste modo ficar a nossa ,crte persuadida que no sendo do seu agrado este impresso ninguem o ver1 nem ler444 ,os dois documentos provam que as ,cartas foram dirigidas a ,monsenhor ,salema e que ste at tomava para si uma parte da autoria do livro1 ao menos como colaborador4 ,o livro um opsculo de #acj pginas alm de #b de ndices4 ,o frontispcio o seguinte3 ,cartas _/ sobre _/ a educao _/ da mocidade _/ 7uma vinheta7 _/ em ,colonia _/ 7um filete7 _/ ,,mdcclx4 ,na ltima pgina1 remata3 ,deos guarde a ,v4 ,illustrissima muitos anos4 ,paris #ai ,novembro #agei4 ,isto em letra de frma e em letra manuscrita1 mas no de ,ribeiro ,sanches1 a assinatura3 ,antonio ,nunes ,ribeiro ,sanches4 ,os documentos que atrs reproduzimos demonstram que a impresso foi feita em ,paris4 ,se no tivessemos esta prova irrefragvel1 tornaria muito provvel a assero de que a impresso tinha sido feita em ,frana a circunstncia de que a taboa das divisoens1 ou1 como hoje diriamos1 o ndice1 tem a seguinte indicao1 em seguida designao ,das ,escolas e dos ,estudos dos ,christos at o tempo de ,carlos ,magno1 no anno #hjj444 ,page #e ,o formato de #j1hfj1ae1 tendo cada pgina #df linhas4 ,o tipo empregado foi o elzevir de corpo #h4 ,,cartas ,,sobre ,a ,,educa,a ,,da ,,mocidade4 ,,em ,,colonia4 ,m4 ,,dcc4 ,,lx4 7,reproduo do frontispcio da #a4;a edio7 ,lendo o livro1 no se encontram nele1 seno por excepo1 as notas pessoais que tanto intersse do ao ,mtodo para aprender e estudar a medicina1 mas estas destacamos3 ,no que se intitula dos ,estudos ,mayores ou ,colegios ,reaes 7pg4 #ie da edio original2 pg4 #aed desta7 referindo-se a um dos ,colgios ,reais que se deviam fundar na ,universidade escreve3 ,mas como sou obrigado escrever do mtodo de ensinar e aprender a ,medicina1 ento he que tratarei mais particularmente desta ,escola4 ,outra passagem fez-nos descobrir uma edio de ,cames em que le colaborou3 ,e por esta razo mostrei eu a necessidade que tinho as ,escolas ,portuguezas de adoptar o ,poema de ,camoens1 para educar a ,mocidade1 como se poder ver no ,prefacio da ultima edio 7pag4 #aja74 ,a edio a que ,sanches se refere a que em #agei publicou em ,paris o editor ,pedro ,gendron e ofereceu ao nosso ministro em ,paris1 ,pedro da ,costa de ,almeida ,salema4 ,efectivamente em uma advertncia que se encontra no primeiro volume com o ttulo ,ao leitor lem-se as seguintes palavras3 ,que considerem agora aquelles que tem pela maior fidelidade de um estado a boa educao da mocidade1 que effeitos no produziria nella1 se nas escolas onde se aprende a ler e escrever ou nas do latim1 se explicassem aquelles logares em que o ,poeta exprime1 com imagens to vivas e amaveis1 a fidelidade e a obediencia devida aos ,paes e ao seu ,soberano2 a esperana e um animo invicto aos perigos2 a circunstancia das grandezas humanas e o pouco que so o illustre do nascimento1 honras e riquezas1 ao serem declaradas com a virtude1 valor1 sciencia1 industria e amor do bem publico6 ,este e outros muitos preceitos da vida civil1 que se lem neste ,poema1 formariam em tenra edade um caracter nacional to louvavel e de tanta importancia no resto da vida1 que ,portugal veria ainda renascer homens to excellentes1 como o ,poeta cantou em todas as suas obras4 ,se tivesse tanta fortuna que fizesse presente a ,portugal do mais excellente ,auctor classico para a instruco da sua mocidade2 se eu visse ainda que havia mestres to amantes da sua patria e da virtude1 que adoptassem este ,poeta para instruir e plantar no corao dos seus discipulos os fundamentos de toda a felicidade humana1 ficaria bem recompensado do trabalho que tomei em imprimil-o e da despeza que fiz imitando as edies do melhor ,elzevir para merecer esta obra 7ainda por este titulo7 o nome de primeiro ,autor classico portuguez4 ,ento ficarei satisfeito por que contribui para augmentar a gloria da nao portugueza3 e que dei motivo de lembrar-se das aces heroicas que tem obrado1 para perpetual-as por esta instruco mais dilatada posteridade4 ,dissemos no ,ribeiro ,sanches que no julgavamos fcil determinar a parte que o grande sbio tomou nesta edio do poeta por quem tinha tanta admirao4 ,pendemos1 todavia1 para acreditar que o seu papel se no limitou a escrever esta pequena advertncia e que as palavras que se lem no princpio das ,cartas sbre a educao da mocidade sbre os motivos que retardaram a escrita dste livro3 embarassado com algua dependencia que ento me inquietava se relacionam com a edio de ,cames4 ,rarssimas1 as ,cartas sbre a educao da mocidade houve uma ocasio em que se poude julgar que se tornariam mais divulgadas4 ,em #ahhb comearam elas a ser republicadas pela benemrita ,sociedade de ,instruo do ,prto na ,revista que era o seu boletim4 ,no nmero de #a de maio comearam a aparecer com esta nota3 ,estas cartas so raras1 como preciosas so publicadas por iniciativa do ,presidente d'esta ,sociedade que possue o exemplar impresso em ,colonia em #agfj na sua escolhida livraria4 ,inocencio da ,silva 7,dicc4 ,bibliogr47 declara na biographia do celebre medico conhecer apenas um unico exemplar que existia em ,lisboa4 escusado encarecer o valor scientifico das ,cartas4 ,ellas fallaro por si4 ,faremos uma tiragem parte d'ellas que daremos pelo custo aos socios e assignantes da ,revista1 e pelo dobro aos extranhos4 ,a publicao seguir ininterrupta1 dando-se cada mez #af pag4 de modo a completar-se a colleco at ao fim do anno corrente4 ,o snr4 ,presidente ,jos ,fructuoso ,ayres de ,gouva ,osorio far uma introduco especial a este notavel trabalho do medico portuguez4 ,estas promessas no foram inteiramente cumpridas4 ,neste ano de #ahhb1 o peridico publicou com toda a regularidade as ,cartas e ainda sairam no primeiro nmero de #ahhc2 a introduo de ,aires de ,gouveia nunca se escreveu e s agora1 passados qusi quarenta anos1 as famosas ,cartas reaparecem completas2 e1 coisa singular1 o mesmo exemplar que serviu para a publicao da ,revista da ,sociedade de ,instruo o que serve para esta edio4 ,esse exemplar pertence hoje ao dr4 ,jos ,carlos ,lopes1 filho do ilustre professor da ,escola ,mdica ,cirrgica do ,prto que teve o mesmo nome4 ,a reproduo faz-se com toda a exactido1 limitando-se a nossa colaborao reviso das provas e colocao dalgumas vrgulas e acentos4 ,setembro de #aibb4 ,maximiano ,lemos4 ,,cartas ,,sobre ,a ,,educa,o ,,da ,,mocidade ,illustrissimo ,senhor1 ,quando ,v4 ,illustrissima foi servido communicarme o ,alvar sobre a reforma dos ,estudos1 que ,s4 ,magestade ,fidelissima foi servido decretar no mez de ,julho passado1 e juntamente as ,instruoens para os professores da ,grammatica ,latina1 4 logo determinei manifestar a ,v4 ,illustrissima1 o grande alvoroo que me cauzou a real disposia sobre a educaa da ,mocidade ,portugueza2 mas embarassado com algua dependencia que enta me inquietava1 e com a saude mui quebrantada ao mesmo tempo1 na pude satisfazer logo o meu dezejo2 na s applaudindo o util desta ley1 mas tabem1 renovando os mais ardentes votos pela vida e conservaa de ,s4 ,magestade que ,deos guarde1 que com o seu paternal amor cuida ta efficazmente no augmento1 como tabem na gloria dos seus amantes e fieis ,subditos4 ,esta ley1 ,illustrissimo ,senhor1 incitou o meu animo1 ainda que pelos achaques abatido1 a revolver no pensamento o que tinha ajuntado da minha lectura sobre a ,educaa civil e politica da ,mocidade1 destinada a servir sua patria tanto no tempo da paz como no da guerra4 ,ninguem conhece milhor a importancia desta materia1 que ,v4 ,illustrissima1 e nesta consideraa he que determino patentear-lhe na s hua succinta historia da ,educaa civil e politica que tiveram os ,christas ,catholicos ,romanos at os nossos tempos1 mas tabem hua noticia das ,universidades1 com a utilidade ou inconvenientes1 que dellas resultara ao ,estado ,civil e ,politico1 e ,religia4 ,espero que ser do agrado de ,v4 ,illustrissima que me ocupe nesta indagaa por algum tempo1 e que admirar1 depois de ser servido l-la1 a admiravel providencia de ,s4 ,m4 ,fidelissima1 expressada neste ,alvar que venho de lr novamente4 ,ver ,v4 ,illustrissima que na temos inveja aos ,imperadores ,theodosio1 ,antonino ,pio1 ou a ,carlos ,magno2 porque ainda que todas as monarchias1 e ,republicas decretra leis para reger-se a ,educaa da ,mocidade1 na li ategora que ,soberano algum destruisse os abuzos da errada1 e que em seu lugar decretasse a mais recomendavel4 ,mostrarei pelo discurso deste papel1 que toda a ,educaa1 que teve a ,mocidade ,portugueza1 desde que no ,reyno se fundra ,escolas e ,universidades1 foi meramente ,ecclesiastica1 ou conforme os dictames dos ,ecclesiasticos2 e que todo o seu fim foi1 ou para conservar o ,estado ,ecclesiastico1 ou para augmentalo4 ,somente ,s4 ,magestade ,fidelissima foi o primeiro entre os seus ,augustos ,predecessores1 que tomou a si aquelle ,jus da ,magestade de ordenar que os seos ,subditos aprenda de tal modo1 que o ensino publico possa utilisar os seus dilatados ,dominios4 ,s este grande ,rey conheceo que como a alma governa os movimentos de todo o corpo para conservalo2 assim elle1 como alma e intelligencia superior do seu ,estado1 era obrigado 7a7 promover a sua conservaa1 e o seu augmento por aquelles meyos que concebeo mais adequados4 ,aquelle benegnissimo ,alvar nos d a conhecer que s a ,educaa da ,mocidade1 como deve ser1 he o mais effectivo e o mais necessario4 ,porque ,s4 ,magestade1 que ,deos guarde com alta providencia1 considera que lhe sa necessarios ,capitaens para a defensa2 ,conselheyros doutos e experimentados2 como tabem ,juizes1 ,justias1 e ,administradores das rendas ,reais2 e mais que tudo na situaa em que est hoje a ,europa1 ,embayxadores1 e ,ministros publicos1 que conservem a harmonia de que necessita os seus ,estados2 esta ,educaa na seria completa se ficasse somente dedicada ,mocidade ,nobre2 ,sua ,magestade tendo ordenado as ,escolas publicas1 nas ,cabeas das ,comarcas1 quer que nellas se instrua aquelles que ha de ser ,mercadores1 ,directores das ,fabricas1 ,architectos de ,mar e ,terra1 e que se introduza as ,artes e ,sciencias4 vista do referido permittame ,v4 ,illustrissima que satisfaa aquelle ardente desejo1 que conservei sempre1 ainda ta distante e por tantos annos longe de ,portugal1 de servi-lo do modo que posso1 ou que penso lhe servir de algua utilidade4 ,nem a ambia de sahir do meu estado1 nem a cobia de fazelo mais commodo1 me obriga a occupar aquelle pouco tempo1 que me deyxa os achaques1 em ajuntar neste papel tudo aquillo que tem connexa com o ,alvar que ,v4 ,illustrissima foi servido ultimamente communicarme4 ,he somente aquelle ardente zelo1 he somente aquelle amor da patria1 que ,v4 ,illustrissima acendeo de novo em mim pelo seu claro e penetrante entendimento ta judiciosamente cultivado1 pela sua clemencia1 pela sua piedade1 e por aquelle ardor de promover tudo para mayor felicidade da nossa patria2 que satisfaa que tenho neste instante6 que louvo estas virtudes1 ta raras nos nossos dias1 sem a minima adulaa1 e sem o minimo interesse servil4 ,aquelles ,portuguezes que vivem pela piedade de ,v4 ,illustrissima1 e todos1 na s confirmaria o pouco que digo1 mas augmentaria de tal modo o que agora callo1 que temeriamos ficasse offendida aquella modestia e aquella inimitavel affabilidade1 com que ,v4 ,illustrissima sabe render os nossos coraoens4 4 ,das ,escolas1 e dos ,estudos dos ,christaons at o tempo de ,carlos ,magno1 no anno #hjj ,logo que os ,santos ,apostolos sahira de ,hierusalem a prgar os preceitos do seu ,divino ,mestre1 e estabelecera ,congregaoens de fieis ,christas1 e juntamente ,escolas para ensinar a ,doutrina ,christa3 os ,mestres que nellas residia era os ,bispos1 e os ,diaconos1 e tabem alguns ,christas mais bem instruidos1 que ensinava quelles1 que queria bautisarse4 ,o ,abbade de ,fleury#c que seguiremos nestas noticias1 dis que nestes tres primeiros seculos da christandade na havia outras ,escolas publicas1 entre os ,christas1 que as referidas4 ,a doutrina que se ensinava nestas ,escolas era a explicaa das sagradas ,escrituras1 os ,mysterios da ,f1 e tudo o que conduzia para a observancia da ,religia ,christa4 ,na ,escola de ,alexandria1 ,origenes e ,clemente de ,alexandria ensinra esta doutrina1 e na lemos nas suas obras1 que ensinassem sciencia algua humana1 como tabem nas de ,santo ,athanasio1 ,san ,joo ,chrysostomo1 ,san ,cyrillo1 ou ,santo ,augustinho1 que todos ensinra1 e formra discipulos excellentes4 ,ainda que ,clemente de ,alexandria1 e quasi todos os ,santos ,padres fossem doutissimos1 e inteiramente instruidos nas sciencias humanas1 na as tinham aprendido nas ,escolas ,christas1 mas nas dos ,gentios ,gregos1 e ,romanos2 e como destes muitos se convertera ,religia ,christa1 daqui procedeo serem instruidos ta cabalmente em toda a sorte de ,litteratura2 porque naquelles tempos a ,egreja na necessitava para a sua conservaa e augmento1 que da sciencia das ,cousas ,divinas1 poisque vivia debayxo do ,dominio das ,potencias mundanas2 e se tinha enta por profanos aquelles ,ecclesiasticos que ensinava1 ou estudava outros conhecimentos1 que os sagrados4 ,o methodo de ensinar nestas ,escolas ,sagradas era primeiramente corregir e arrancar do animo daquelles que se queria bautisar1 os mos costumes1 que tinha contrahido na sua educaa2 quando hua vez chegava a sahir do caminho dos vicios1 e que nelles se observava o ardente dezejo de bautizar-se1 era admitidos s instruoens mais elevadas como sa as da ,f e das ,escrituras ,sagradas4 ,ja vemos nestas ,congregaoens dos primeiros ,christas duas sortes de ensino1 o primeiro dos bons costumes1 e o segundo dos mysterios da ,religiam4 ,do primeiro tinha cuidado dos ,inspectores ou guardas dos ,costumes2 e do segundo os ,mestres que era os ,bispos1 ,diaconos1 e os mais instruidos nas ,escrituras ,sagradas4 ,de ta limitados principios1 como veremos pelo discurso deste papel1 sahio aquelle poder que tem os ,bispos sobre todos os ,estudos e ,escolas da ,christandade1 como tabem aquella geral inspeca sobre os costumes3 veremos que os ,emperadores ,christas1 e os ,monarchas seus sucessores deyxra no seu poder e arbitrio1 estas duas obrigaoens1 que tem de mandar educar os seus ,subditos pelas suas direoens1 e de corrigir e regrar os costumes nos seos ,dominios4 ,no principio do ,,iv seculo j estava a ,religia ,christa espalhada por quasi todo o mundo conhecido2 j florecia as ,escolas ,christas em ,alexandria1 e ,hierusalem1 ,antiochia1 e em ,roma2 ja nellas se ensinava a ,grammatica1 as ,humanidades1 e a ,philosophia1 e principalmente depois que comeou a reynar ,constantino ,magno1 e seu ,filho ,constancio4 ,porque vemos que o ,imperador ,juliano ,apostata prohibio por hua ley decretada no anno #cfbd1 que nenhum ,christa ensinasse publicamente a ,grammatica ou ,philosophia1 nem outra qualquer sciencia2 sinal evidente que os ,christas naquelles tempos era j ,professores destas sciencias4 ,mas como esta prohibia na durou muito tempo1 ficra os ,professores ,christas senhores das ,escolas1 nas quais ensinava antes4 ,porque por hua ley dos ,emperadores ,valentiniano1 e ,valente1 decretada no anno #cfe entrra de posse os ,mestres das ,escolas nos seus cargos#e4 ,e para que mais facilmente se comprehenda1 que toda a ,educaa da ,mocidade ,christa ficou disposia dos ,bispos1 tanto na instrua como nos costumes1 relatarmos aqui as leys que decretou ,constantino ,magno em seu favor1 e da ,religio ,christa1 para ficarmos persuadidos do que fica dito antecedentemente4 ,relata ,baronio#f que ,constantino ,magno mandou abolir os templos da idolatria e os collegios dos seos ,sacerdotes1 que permittio aos ,bispos dar liberdade aos ,escravos que abraassem a ,religia ,christa1 authoridade que s tinha o ,pretor ,romano com muitas formalidades3 que ordenra aos ,thezoureyros1 e aos ,collectores dos ,selleyros de todo o ,imperio1 dar aos ,bispos a quantidade de trigo que lhes pedissem para distribuir por aquelles ,christas que fizessem ou tivessem feito voto de castidade2 abrogando ao mesmo tempo a ley ,julia ,papia e ,poppea de ,augusto ,cesar1 pela qual os ,celibatarios ficavam excluidos das heranas dos gros transversais4 ,que todos os ,ecclesiasticos fossem izentos de todo o cargo civil e militar2 abrogando por esta ley a do ,imperio1 no qual para entrar nos grandes cargos da ,republica era preciso estar alistado em algum collegio ,sacerdotal do ,gentilismo4 ,permitio tanto aos ,seculares como aos ,ecclesiasticos1 apellar para os ,bispos depois da final sentena nos ,tribunaes ,seculares1 e que do ,tribunal dos ,bispos na haveria apellaa#g3 que os ,bispos e os ,clerigos se vestissem da mesma sorte de vestidos1 de que uzava os ,sacerdotes da ,gentilidade3 permitio a cada qual testar bens moveis e immoveis em favor das ,igrejas1 ainda que esta ley foi abrogada pelos ,emperadores seus successores3 que as terras pertencentes ,igreja seria izentas de todas as tassas e tributos4 ,esta ley he a ultima que se l no ,codex ,theodosiano com data do anno #cae2 e a mayor parte dos ,commentadores a tem por espuria4 ,na era factivel em hum ,imperio ta dilatado1 como era enta o ,romano1 que todas estas leys se executassem como requeria o zelo dos ,ecclesiasticos2 mas he certo que no tempo do ,emperador ,theodosio o ,grande1 a mayor parte das leys referidas1 ou estava em seu vigor1 ou tinha sido reformadas em utilidade1 mais da ,religia ,christa e ,ecclesiasticos1 que do ,estado4 ,autorizados os ,bispos com a jurisdia do ,pretor1 e da divina instituia1 de ensinar e de prgar1 instituira cada qual nas suas ,igrejas1 na somente as ,escolas para aprender a ,religia ,christa1 mas ainda as sciencias humanas1 que naquelles tempos1 quasi todas se reduzia eloquencia e sciencia moral do ,evangelho e ao mesmo tempo tomra a si a incumbencia de regrar os costumes1 com tanta exactida que do tempo de ,constantino1 acabou em um seu ,tio aquelle honorifico e tremendo cargo de ,censor1 dignidade deste ,imperio1 para correca dos costumes da ,gentilidade4 ,at o tempo de ,s4 ,gregorio o ,magno1 a mais ,illustre ,escola foi a de ,roma1 ainda que existia aquella de ,alexandria e de ,constantinopla2 mas ou porque as sciencias humanas na era necessarias para o augmento da ,f1 ou por outras cauzas que relataremos1 he certo que do tempo de ,theodorico1 primeiro ,rey dos ,godos em ,italia1 no anno #did1 reynava tanta ignorancia1 que todas as lettras se extinguiria totalmente1 se os ,frades de ,s4 ,bento1 de ,s4 ,basilio1 e os ,ecclesiasticos nas suas ,ss1 na conservassem os originais ,gregos e ,romanos1 que temos ainda nos nossos tempos4 ,na somente a invasa das ,naoens barbaras no dominio do ,imperio ,romano destruio as sciencias1 mas tabem a errada economia do ,emperador ,justiniano#h4 ,este supprimio os sallarios aos ,mestres e ,professores nas ,escolas e nas ,academias tanto de ,athenas1 ,alexandria e ,roma1 como no resto do ,imperio2 porque este ,emperador1 como nos consta de ,procopio#aj e ,zonaras#i1 dispendia profusissimamente em edificar ,igrejas e muitos outros edificios2 e na bastando as rendas ,imperiais a tantas despezas1 lhe foi preciso supprimir aquellas que fazia o ,imperio com os ,mestres e ,professores das sciencias4 ,entre os ,canones do ,concilio de ,carthago1 celebrado no anno #fhfaa1 se l que dali por diante na fosse permitido a nenhum secular entrar nas ,igrejas ,cathedrais1 e que nenhum ,bispo pudesse ler livros compostos por ,autores idolatras4 ,at ao septimo seculo1 todos os frades era leygos1 e todos pela ,regra de ,s4 ,bento#ab trabalhava sete horas por dia1 e o resto do tempo gastava na meditaa dos divinos preceitos4 ,mas depois que acrescentaram o officio de ,nossa ,senhora ao grande officio ou reza1 e hum grande numero de ,psalmos1 o que tudo se cantava j pelo ,canto ,gregoriano que ,s4 ,gregorio ,magno tinha introduzido nos ,conventos e nas ,cathedrais pelos annos #fjj1 na havia mais tempo1 que para satisfazer a obrigaa do ,coro1 faltando aquelle que se empregava no trabalho corporal1 e nos estudos das letras sagradas e profanas3 como j nestes tempos havia ,conventos bem dotados com terras em ,italia1 ,allemanha e ,frana1 sempre nelles se conservra as ,escolas e persistira na ,ordem de ,s4 ,bento1 at ao anno #accg2 e neste mesmo1 o ,papa ,benedicto ,,xii lhes prohibio que ensinassem2 ordenando somente que os ,frades estudassem a ,philosophia e a ,theologia#ac4 ,no seculo ,,viii comeou a ,ordem dos ,conegos de ,s4 ,chrodegang2 vivia nos seos cabidos do mesmo modo que os ,frades nos seos ,conventos2 ensinavam publicamente a ,grammatica1 a ,rhetorica1 a ,arithmetica1 a ,musica1 a ,geometria e a ,astronomia2 mas com tam pouco conhecimento da verdadeyra sciencia1 que passa estes tempos por barbaros1 e os mais depravados nos costumes#ad4 ,nos ,capitularios de ,carlos ,magno#ae1 decretados no anno #ghg1 se ordena que se erigissem ,escolas de ler para os meninos2 e que em cada ,mosteyro1 e em cada ,s houvessem ,mestres que ensinassem a ,grammatica1 o ,canto ,gregoriano e a ,arithmetica2 esta ley na era mais que para obrigar aos ,bispos1 e aos ,prelados dos ,conventos1 a observar pontualmente o costume que tinha de ensinar na s as artes referidas neste ,capitulario1 mas tabem a ,theologia e o ,direito ,canonico4 ,do referido vemos claramente que at o ,,ix seculo somente se ensinara nos ,mosteyros e nas ,ss a ,grammatica1 a ,arithmetica1 o ,canto ,gregoriano1 a ,rhetorica1 a ,dialectica1 a ,theologia e o ,direito ,canonico2 que os ,mestres era unicamente os ,frades e os ,ecclesiasticos1 e que na havia ,escola algua onde ensinassem os ,seculares4 ,desde o anno #ejj1 quando toda a ,europa se desvastava em guerras continuas pelas barbaras ,naoens do ,norte e os ,sarracenos1 nenhum ,principe tinha outra mayor necessidade do que ter um exercito potente para resistir a ta poderosos inimigos4 ,nenhum ,secular tinha tempo de applicarse s letras1 e era raros naquelles tempos os que sabia ler1 ou escrever3 foi preciso aos ,ecclesiasticos applicaremse s letras1 na s para ensinar a ,religia ,christa1 mas tabem para servirem aquelles ,estados1 que todos por necessidade viera a ser militares4 ,necessitava os ,principes de ,ministros de ,estado1 de ,embaxadores1 e de ,medicos2 necessitava os povos de ,juizes1 de ,advogados1 de ,notarios publicos1 s nos ,conventos e nos ,cabidos achava as pessoas que podia exercitar estes cargos4 ,na nos devemos admirar que os ,frades e os mais ,ecclesiasticos servissem estes empregos meramente seculares1 considerando a ignorancia daquelles tempos1 causada pela irrupa de tantas ,naoens barbaras e conquistadoras de toda a ,europa4 4 ,reflexoens sobre as ,escolas ,ecclesiasticas ,louvemos e admiremos1 ,illustrissimo ,senhor1 a real disposia de ,s4 ,majestade1 que ,deos guarde1 de supprimir as ,escolas que estava no poder dos ,ecclesiasticos ,regulares3 alegremonos e redupliquemos os nossos ardentes e amorosos votos pela sua conservaa1 quando temos nelle hum ta amoroso ,pay como ,senhor providente no nosso bem e do nosso augmento4 ,tem visto ,v4 ,illustrissima que as ,escolas ecclesiasticas fora somente instituidas para ensinar a doutrina ,christa1 a saber os ,mysterios da ,f1 expressados nas sagradas ,escrituras e nos ,sanctos ,padres4 ,todo o fim1 e todo o cuidado daquelles primeiros ,mestres1 era de formarem hum perfeito ,christa1 e na pensava ensinar aos seos discipulos aquelles conhecimentos necessarios para viver no ,estado civil1 ou para o servir nos seos cargos3 ,estava aquelles piedosos ,christas ta fra de servir a ,republica1 que tinha enta por peccado assentar praa de soldado1 ou ser ,juiz para julgar cauzas ,civis ou de ,crime4 ,governra os ,santos ,apostolos1 e os ,bispos seus sucessores as suas ,igrejas1 ou as ,congregaoens de ,fieis2 como se governra depois os ,conventos dos ,frades2 todos uniformes na ,santa ,f1 todos unidos pela caridade ,christa2 e se havia algum entre elles que se na conformava santa doutrina que professava a ,congregaa1 lhe negava os ,santos ,sacramentos1 e lhe impedia assistir aos ,officios ,divinos4 ,assim vivera estes ,christas nos primeiros tres seculos da ,christandade1 huas vezes tolerados com clemencia pelo ,estado dominante1 outras vezes com crueldade pelos ,principes tyranos2 mas sempre fora obedecidos1 e venerados1 a pezar de sua tyrania2 porque lhes pagava os tributos como devidos1 e executava as suas leys como fieis1 e obedientes ,subditos4 ,seria naquelles tempos peccado que os ,bispos ou ,prelados pensassem a possuir bens de raiz1 a ter jurisdia temporal sobre os leigos1 e a servir cargos da ,republica4 ,repouzava no governo politico que os defendia das invasoens dos inimigos do ,estado2 porque tinha por peccado pertencerlhe para o sirvirem2 estando todos dedicados a servir somente de todo o coraa1 e com todas as suas foras1 a seu ,divino ,mestre ,nosso ,senhor ,jesus ,christo4 ,mas logo que o ,emperador ,constantino ,magno abraou o ,christianismo2 logo que mandou fechar os templos da idolatria1 izentar os ,ecclesiasticos de servir cargos da ,republica1 e ao mesmo tempo dar jurisdia aos ,bispos de julgar cauzas ,civis1 e de serem sem apellaa as suas sentenas1 immediatamente sahira os ,christas ,seculares e ,ecclesiasticos1 daquella santidade de vida1 e para fallarmos ao modo dos nossos tempos1 pode-se dizer1 que os ,christas do tempo de ,constantino voltra para o seculo3 porque pelas doaoens que fazia s ,igrejas e aos ,conventos1 ja tinha bens moveis1 e de raiz2 ja servia cargos ,civis e militares2 ja era reputados por ,subditos para servirem a sua patria4 ,mas o que he digno de reparo nesta mudana de vida1 he que na mudra nem adiantra o ensino das ,escolas que tinha antes de ,constantino2 e que adiantra com excesso aquella incumbencia de ensinar1 e de corregir os costumes2 o que veremos abayxo4 ,parece que os ,ecclesiasticos1 ,mestres das ,escolas no tempo deste ,emperador1 era obrigados a ensinar as obrigaoens com que nascem todos os ,subditos antes de ser ,christas3 porque logo que por ley do ,imperio a ,religia ,christa era a dominante1 logo que os ,christas era obrigados a concorrer com os seos bens1 ou com as suas pessoas1 a servir a sua patria2 parece era da obrigaa daquelles ,mestres educalos com tais principios1 que satisfizessem obrigaa com que nacera1 e obrigaa que contrahira1 quando se bautizara4 ,ja as ,escolas do ,gentilismo pela mayor parte estava extinctas3 j na havia outras mais que as dos ,ecclesiasticos2 e se nestas a ,mocidade na fosse educada para aprender o que havia de obrar pelo resto da vida1 ficava destituida de todos os fundamentos para viver como bom ,cidada e como bom ,christa4 ,mas que fizera os mestres das ,escolas nos ,mosteyros1 e nos ,cabidos das ,ss8 ,na ensinra outra doutrina1 nem outros conhecimentos1 que aquelles que contribuia para fazer hum bom ,christa1 ou hum bom ,ecclesiastico4 ,e que fizera os ,bispos auctorizados ja a governar e a reger os costumes8 ,extendera este poder na s dentro dos seos ,cabidos e das suas ,igrejas1 mas ainda dentro de todas as cidades e aldeas1 obrigando a viver como vivia os ,christas dentro dos ,conventos1 ou naquellas ,congregaoens da primeira ,christandade das quais dissemos assima a sua constituia e governo4 ,de tal modo que os ,ecclesiasticos quizera governar e governra o ,estado civil1 pelas regras e pelas constituoens dos ,conventos e das ,cathedrais1 onde se vivia em communidade2 onde os bens temporais era em commum1 onde as vontades e as opinioens tanto nas couzas celestes1 como nas mundanas1 era e devia ser conformes1 poisque todos vivia debaixo da regra1 e do mando de hum ,prelado4 ,mas o que deu mayor movimento a estas disposioens ecclesiasticas1 fora as leis referidas assima de ,constantino ,magno4 ,este pio ,emperador poz em execua1 como tabem seus sucessores1 ,que o ,estado civil fosse regido e governado pelas regras e constituioens dos ,conventos e dos ,cabidos2 abrogando e derogando ao mesmo tempo as leis civis1 e as politicas do ,imperio ,romano1 como vimos assima1 abolindo o cargo de ,censor1 do qual se apoderra os ,bispos3 derogando ao cargo de ,pretor1 ou ,chanceller ,mor1 o poder de dar alforria aos ,escravos1 e que as sentenas dos ,bispos fossem sem apellaa2 abolindo a natureza das couzas que ha de servir ao ,estado em todo o tempo2 dando immunidades aos ,subditos delle1 e aos seos bens de raiz1 para na servirem1 nem pagarem os tributos1 sem os quais na se pde conservar hua ,republica4 ,ainda que muitas cauzas concorrera para a destruia do ,imperio ,romano1 he evidente que estas disposioens e leys de ,constantino fora a cauza principal4 ,mas ja me apercebo que vou sahindo muito do objecto deste papel que propz a ,v4 ,illustrissima para ver o fundamento da ,educaa politica1 que deve ter hum ,estado ,christa ,catholico4 ,e como as ,universidades sa hoje os ,seminarios do ,estado politico e religioso da ,republica ,christa1 permita-me1 ,v4 ,illustrissima1 indagar a sua origem e seos objectos1 e quantas circumstancias concorrera para que os ,emperadores1 ,reys e ,republicas fossem governadas1 como sa ainda hoje1 por estas ,escolas4 4 ,contina a mesma ,materia ,j que os summos ,pontifices e os ,bispos#af se arrogra o poder absoluto da ,educaa das ,escolas da ,christandade1 e de corregir os costumes1 he preciso que indaguemos a origem d'estes poderes3 e enta veremos que ,sua ,magestade ,fidelissima he o ,senhor com legitimo ,jus de decretar leys para a ,educaa dos seos leaes ,subditos1 na s nas ,escolas da puericia2 mas tabem em todas aquellas onde aprende a ,mocidade4 ,pareceme1 ,illustrissimo ,senhor1 ser da mayor importancia esta materia1 porque ategora na achei ,autor que tratasse della1 como necessita o ,jus da ,magestade4 ,a forma1 a unia1 o vinculo do ,estado civil e politico1 e o seu principal fundamento he aquelle consentimento dos ,povos a obedecer e servir com as suas pessoas e bens ao ,soberano2 ou que este consentimento seja reciproco1 ou que seja tacito ou declarado1 sempre forma hum ,estado1 ou ,monarchico1 ou ,republicano4 ,mas o que constitue ser o ,estado hum ajuntamento1 ou corpo civil e sagrado1 he o juramento de fidelidade mutuo entre o ,soberano e os ,subditos1 tacita ou declaradamente4 ,no acto desta convena invoca os contractantes deste pacto ou contracto1 a ,divindade que mais venera por testemunha e cauam1 que ha de executar o que prometem2 sujeitandose ao premio ou ao castigo1 conforme o comprirem4 ,d'aqui vem que todos os ,estados ,soberanos esta formados por invocaa daquella ,divindade1 que mais venerava os ,povos e o ,soberano#ag4 ,daqui vem chamarse o ,estado1 sacrosanto1 e cousa sagrada4 ,daqui procede que nenhum estado civil pode formarse1 nem existir em seu vigor1 sem hua ,religia1 e sem observarse o sagrado do juramento4 ,eu bem sei que nas ,monarchias1 que se fundra conquistando1 na entreveyo nellas aquelle consentimento mutuo1 nem juramento de fidelidade1 no instante que se formra pela fora da espada4 ,mas logo que o ,conquistador quizer conservar a sua conquista1 he necessario decretar leys2 he necessario que elle d a conhecer aos povos ,conquistados1 que viver mais felizes no presente governo1 que no passado2 os povos consentem tacita ou declaradamente1 da juramento para exercitar os cargos daquelle ,estado1 e deste modo o ,conquistador e os ,conquistados1 cada qual por seu interesse proprio1 convem reciprocamente2 o ,soberano1 de os conservar1 e os ,subditos1 de obedecer1 invocando a ,divindade por caua e testemunha da convena que celebra4 ,quando os ,portuguezes no campo de ,ourique acclamara ,dom ,affonso ,henriques por seu ,rey2 quando em ,coimbra acclamara o ,mestre de ,avis por ,rey de ,portugal1 tacita ou declaradamente1 lhes dera todos ,juramento de ,fidelidade1 invocando o ,summo ,deos como testemunho e caua que lhes obedeceria e serviria com suas pessoas e bens1 com tanto que estes ,reis os governassem e defendessem1 e que vivessem mais felizes1 que no ,estado precedente4 ,deste modo ta livre e ta excellente1 ficou o ,estado de ,portugal formado3 os seos ,soberanos na conhecem superior1 mais do que a ,divindade suprema1 que invocro no acto do juramento de fidelidade1 que lhe prometia os seos povos1 prometendo tacita ou declaradamente1 de governa-los de tal modo que fossem mais felizes do que antes era4 ,daqui provem o sagrado do ,estado1 porque foi formado com invocaa do ,altissimo como testemunha e como caua dos juramentos reciprocos4 ,daqui vem1 o supremo poder dos nossos ,reis1 que tem em si vinculadas todas as jurisdioens do primeiro ,general1 que pode dar juramento1 levantalo1 alistar tropas1 e licencealas1 c4 tem a jurisdia de primeiro ,juiz1 pode condenar a penas pecuniarias1 exilio1 e de vida e morte2 he o primeiro ,vdor da fazenda do ,estado1 pode cunhar moeda1 fazer todas as leys que achar sa necessarias para promover toda a sorte de agricultura1 comercio e industria3 he o primeiro pay e conservador dos seos ,estados2 he o ,senhor de decretar todas as leis que achar necessarias para a conservaa e augmento dos seos dominios2 fundando estabelecimentos para formar toda a sorte de ,subditos na ,educaa da mocidade1 nas artes liberaes e mecanicas1 nas sciencias necessarias no tempo da paz1 e da guerra1 c4 ,est tabem incluido no ,jus da ,magestade aquelle supremo cargo de primeiro ,mestre ou de primeiro ,sacerdote da ,religia natural1 desde aquelle instante que se formou o seu ,estado civil e politico pelo juramento4 ,na se offender1 ,v4 ,illustrissima1 deste attributo1 que dou aos ,monarchas ,christas ,catholicos3 todos se convencera facilmente do que affirmo1 quando pensarem que as duas leis mais irrefragaveis de qualquer ,estado assim formado1 sa as seguintes4 ,que a conservaa do ,estado civil he a primeira e a principal ley4 ,que cada subdito est obrigado a obrar com os outros1 como elle quizera que obrassem como elle4 ,em quanto os homens vivia como feras1 e como vivem ainda hoje muitos povos da ,america e da ,affrica1 o mais esforado1 e o mais valente era o que caando e matando1 tinha o mayor dominio2 porque estes homens1 ou vivia e vivem da caa1 ou dos frutos1 conchas1 peyxes da borda do mar3 e o mais experimentado seria1 e he ainda hoje1 o maioral daquelles ranchos4 ,ja se sabe que a mayor parte destes povos vivem sem nenhum conhecimento da ,divindade1 como na ,ilha de ,s4 ,loureno1 e em outros muitos lugares do mundo habitado4 ,mas tanto que os homens se ajuntra por pacto e consentimento mutuo de se ajudarem e soccorrerem entre si1 ja nem o mais valente1 nem o mais ouzado1 ha de ser o primeiro4 ,porque os homens no ponto daquelle contracto mutuo depusera no poder e na disposia do ,soberano ou ,mayoral1 todas as acoens voluntarias que obrava antes que se ajuntassem em ,sociedade2 depusera nas suas mas aquelle poder que tinha1de matar1 de furtar1 e todas aquellas acoens que seria nocivas1 e destruidoras da ,sociedade4 ,ficou enta em deposito na ma do ,soberano aquelle poder dos ,subditos para obrar acoens exteriores2 ficou sua disposia regralas por leis1 prevenir que se na cometesse insulto que alterasse ou corrompesse a unia e harmonia que deve ,reynar no ,estado ,civil2 ficou no seu poder castigalas como achasse conveniente para a sua conservaa4 ,duas couzas ficra somente no poder dos ,subditos1 mesmo naquelle instante que dera juramento de fidelidade ao seu ,soberano4 ,a primeira3 a ,propriedade dos seus bens1 com obrigaa tacita ou declarada1 que parte da sua renda seria para sustentar o ,estado4 ,a segunda3 ,aquella liberdade interior de querer1 na querer1 amar1 aborrecer1 julgar1 ou na julgar1 ver1 ou na ver3 que sa as acoens interiores que passa dentro de ns1 e que se na mostra por acoens exteriores1 que todo o mundo possa observar visivelmente4 ,deste estado da ,sociedade civil1 assim formado1 resultra logo a igualdade entre todos os ,subditos1 e a subordinaam aos magistrados4 ,porque todos os ,subditos1 em quanto ,subditos1 em quanto esta ligados por aquelle juramento de fidelidade1 todos sa iguais2 e a maior ruina de hum ,estado1 he que entre elles haja diversidade1 huns com obrigaa de obedecer1 e outros absolutos2 huns sujeitos s justias1 e outros sem nenhum ,imperio#ah4 ,como o ,principe ,soberano na pode exercitar todos os cargos dos seos exercitos1 e das suas armadas2 como na pode julgar todos os processos e demandas2 como he impossivel a pessoa humana comprir com todos os cargos que requer a fazenda ,real e os tributos para sustento do ,estado1 o que faz he dar estas varias incumbencias quelles ,subditos que forem mais capazes de as exercitar1 e comprir4 ,assim que cada hum destes condecorado com parte1 ou pora do ,poder da ,magestade4 ,daqui vem que toda a distina1 subordinaa1 preeminencia que houver entre os ,subditos1 provem somente do ,jus da ,magestade4 ,aquella distina de ,nobreza1 e da ,fidalguia1 provem somente do ,poder do ,soberano1 e na da ascendencia1 nem da geraa3 porque todos os ,subditos pelo juramento de fidelidade sa iguais1 como fica demonstrado4 4 ,ida das ,obrigaoens da ,vida ,civil1 e do ,vinculo da mesma ,sociedade ,ja vimos o ,estado ,civil formado pelo juramento de fidelidade1 j vimos que o ,soberano1 como alma1 e superior intelligencia deste corpo civil1 era aquelle que moderava1 que movia1 e retinha as acoens delle para a sua conservaa1 e seu augmento2 auctorizado com o poder de todas as acoens exteriores dos ,subditos1 de fintalos naquella parte dos seos proprios bens para conservaa do ,estado1 de obrigalos a servir pessoalmente para o mesmo fim1 e por ultimo a nomear os ,subditos mais capazes para executarem as varias obrigaoens da ,magestade4 ,ponhamos agora em exercicio esta ,sociedade ,civil1 este ,reyno1 esta ,republica1 assim formada e unida2 mandemo-la apparecer em hua feyra1 ou em hua praa4 ,huns traria ali fazendas a vender1 outros para trocar1 ou comprar3 ,huns quereria comprar hum campo1 hua caza1 fretar hum navio3 outros quereria buscar hum ,amo3 era necessario que cada hua destas pessoas fallassem em hua lingoa1 para se entenderem2 e que cada hum que procurava sua utilidade estivesse persuadido que o que adquiria neste trato lhe pertencia em propriedade4 ,ali seria necessaria a affabilidade1 a verdade1 a f1 a pontualidade2 o ouvir facilmente1 o responder com agrado2 a cada hum era necessaria hua certa igualdade2 em fim todas aquellas qualidades1 e virtudes civis que sa necessarias para o trato1 e para o comercio da vida1 sem o qual na pode subsistir o vigor de hua ,republica4 ,supponhamos que todos os que apparecera nesta feira ou praa1 que conservava ainda aquelles costumes silvestres1 duros1 e barbaros2 que em lugar de contractar1 que roubassem2 que em lugar de persuadir com razoens1 que pelejassem1 se debatessem1 ou ferissem2 que allegassem1 que por serem filhos de fulano1 e fulano que na devia pagar pelo que comprava2 que por pertencerem a certo ,senhor1 que podia tomar o que lhes agradasse3 ja toda a ,sociedade1 ja toda a feyra se revolveria1 e acabaria por desordem e confuza4 ,deste tosco retrato da vida civil posta em aca1 se v claramente1 que para a conservaa de cada qual1 lhe sa necessarios tais habitos1 e tais virtudes1 que dependa do principio seguinte4 ,todas as acoens que na forem uteis a si1 e ao ,estado1 e ao mesmo tempo que na forem decentes1 sa viciosas1 destruidoras da conservaa propria1 e por consequencia da vida civil4 ,todas as leis que decretar o mais excelente ,legislador1 todo o trabalho e industria de cada particular1 se na levar a utilidade por ultimo fim1 vem a ser a destruia do ,subdito1 e do mesmo ,estado3 assim que a utilidade publica e particular vem a ser o vinculo e alma da vida civil#ai2 esta utilidade deve ser sempre acompanhada com a decencia1 que he aquella virtude que modera os excessos1 ainda aquelles da mesma virtude1 por que de outro modo seria vicio4 ,em quanto as ,republicas da ,grecia e a ,romana1 conservra as virtudes referidas com a frugalidade1 a f particular1 e publica nos ,tratados2 o respeito1 e a observancia do juramento de fidelidade2 a verdade1 a sinceridade1 a constancia1 e aquela subordinaam admiravel entre os ,subditos1 e os ,magistrados sempre se conservara potentes1 e conquistara seos inimigos com gloria4 ,ainda que tinha ,religia1 e mui varias sortes de ,sacerdotes adorando muitas ,divindades1 estes ,ministros ,gentios na tinha incumbencia algua de ensinarem as virtudes referidas1 nem o minimo cuidado da consciencia3 ,s4 ,augustinho1 e ,lactancio ,firmiano#bj o affirma claramente3 o seu officio era declarar aos povos os dias de festa1 celebrarem os seos sacrificios1 presidirem nas procissoens1 e mais spectaculos publicos1 em jantares1 em danas1 e outras acoens1 que todas era exteriores2 somente os ,philosophos1 e os mais velhos tinha este cuidado1 como lemos nas obras de ,marco ,aurelio4 ,de tudo o referido se v claramente que he do jus da ,magestade fomentar e promover a utilidade publica e particular1 com decencia2 e que nenhua requer maior attena no animo do ,soberano1 do que a ,educaam da ,mocidade1 que deve toda empregar-se no conhecimento1 e na practica das virtudes sociaveis referidas1 e em todos os conhecimentos necessarios para servir a sua patria4 ,mas antes de entrar no plano d'esta educaa1 satisfaremos o promettido assima1 que he mostrar mais circumstanciadamente4 4 ,a ,constituam ,fundamental da ,sociedade ,christa ,eu sei que os livros1 que tratam da ,origem do poder ,ecclesiastico1 como sa as obras do ,abbade de ,fleury1 de ,gianoni1 ,natal ,alexandre e outros mais1 sa prohibidos pela ,inquisia2 que o ,direito ,canonico1 que se contem no ,decreto1 ,decretais1 ,sexto1 e ,clementinas1 se ensina1 e se cr como de f nas ,universidades1 e que quasi todos aquelles que esta empregados nos cargos publicos tomara o seu gro n'aquella ,faculdade2 e que todos aquelles que o toma na ,universidade de ,coimbra1 que jura defender as leis d'ella1 que sa as ,ecclesiasticas3 bem sei que se achra muitos ,graduados em ,portugal1 tanto ,ministros ,seculares1 como ,ecclesiasticos1 levados do ensino que tivera em ,coimbra1 e da lectura do ,direito ,canonico1 e ,concilio de ,trento1 que duvidra se ,s4 ,magestade tem poder para ordenar ,escolas1 e ,universidades2 porque esta materia dependia ategora dos ,bispos1 e do ,summo ,pontifice4 ,considere ,v4 ,illustrissima1 que bem executadas sera as ,ordens de ,s4 ,magestade ordenadas pelo ,alvar referido1 se esta sorte de ,doutores forem os executores8 ,bem v ,v4 ,illustrissima ja as consequencias1 e tabem a indispensavel obrigaa que tenho de tratar com clareza1 da origem do ,poder dos ,ecclesiasticos1 que se arrogra fundar as ,escolas1 as ,universidades1 como tabem a correa dos costumes4 ,deos seja louvado que me chegou ainda a tempo que os ,,pp4 da ,companhia de ,jesus1 na sa ja ,confessores nem ,mestres2 porque se conservassem ainda aquella acquisia1 ta antiga1 nenhua das verdades1 que se ler neste papel poderia ser caracterizadas com outro titulo1 que de herezias6 ,a ,deos seja dadas as graas1 que pela infatigavel providencia de ,s4 ,magestade1 todos estes obstaculos se dissipra1 e que como no tempo de ,nerva posso dizer com ,tacito3 ,rara temporum felicitate1 ubi sentire quae velis1 quae sentias dicere licet#ba4 4 ,contina a mesma materia ,o ,fundamento da ,religia ,christa1 he aquella charidade1 aquelle amor do proximo que obriga por preceito divino1 nam s a perdoar as offensas1 mas ainda soccorrer e fazer bem a quem offendeo4 ,he certissimo que a ,igreja fundada por ,christo1 e os seos ,apostolos tem jurisdia sobre as consciencias1 sobre todas as acoens mentais1 do mesmo modo que a jurisdia civil tem todo o poder sobre todas as acoens exteriores humanas4 ,esta sagrada jurisdia deu ,christo aos seos ,apostolos1 dizendo-lhes#bb3 ,andai e ensinai todas as ,naoens1 e tambem as bautizareis en nome do ,padre1 do ,filho e do ,espirito ,santo1 ensinandoas a observar tudo o que vos ordenei4 ,v-se claramente que toda a jurisdia que ,christo deu sua ,igreja1 se reduz a ensinar os preceitos do seu ,evangelho1 e a administrar os ,sacramentos1 incluindose todos na base delles1 que he o bautismo4 ,mas esta jurisdia toda se redz aos bens espirituais1 graa1 santificaa das almas1 e vida eterna2 porque ,christo declarou elle mesmo que o seu ,imperio nam era deste mundo1 nem sobre as acoens exteriores dos homens4 ,recuzou ser arbitro entre dois ,irmas que queria repartir a sua herana1 dizendo3 ,e quem me autorizou a mim para vos julgar#bc4 ,deu tambem auctoridade aos ,apostolos de absolver os peccados1 e de negar a absolviam aos peccadores impenitentes#bd4 ,esta he a base e o fundamento essencial da ,religia ,christa4 ,se os ,ecclesiasticos conservassem esta santa doutrina1 se considerassem que o seu poder se reduzia todo dentro da ,igreja sobre os ,fieis que espontaneamente queria participar aos ,mysterios divinos1 jamais pensaria castigalos com penas corporais1 como se tivessem cometido crimes contra o ,estado civil3 disproporcionando o castigo1 contra o que ,christo e os seus ,apostolos ensinra ta clara e ta evidentemente3 confundira os peccados do ,christa com os crimes do ,subdito3 os peccados de ,christa sa culpas mentais contra a f1 contra a esperana e contra a charidade christa1 que ,christo ordenou se castigassem smente com penas espirituais1 isto he a penitencia ecclesiastica ou a privaa da ,congregaa ,christa e divinos ,mysterios3 estas acoens peccaminosas sa mentais1 e o seu castigo ha de ser espiritual4 ,pelo contrario os crimes do ,subdito do ,estado civil sa aces exteriores1 como matar e roubar1 sa acoens que perturba o vinculo do ,estado civil1 e o castigo proporcionado ha de ser nos bens1 na honra e na vida4 ,mas esta santa policia ecclesiastica logo se alterou tanto1 que ,constantino ,magno e os seos successores dera jurisdia aos ,bispos1 e dotra as ,igrejas com bens moveis e de raiz3 tanto que lhes concedera ensinar publicamente nas escolas do ,estado1 logo tomra a si a reforma dos costumes da ,republica1 e todo o ensino da ,mocidade4 ,mas quem dissera no principio do ,,iv seculo que do ,sacramento da penitencia havia de sahir aquelle poder dos ,ecclesiasticos que fundra pouco a pouco at o seculo ,,xii hua ,monarchia dentro do ,estado civil8 ,quem pensaria enta que do mesmo ,santo ,sacramento havia de sahir os abuzos das ,indulgencias1 as ,romarias1 as ,cruzadas1 para conquistar a ,terra ,santa1 as ,ordens ,militares1 os desterros1 excommunhoens1 com aquellas terriveis clauzulas1 confiscaam de bens1 incapacidade de servir cargo publico1 nota de infamia1 prizam1 relaxar ao brao ecclesiastico8 ,mas qual seria a causa porque os ,principes consentira a tanta usurpaa da sua auctoridade e jurisdia8 ,permitame ,v4 ,illustrissima1 indagar com algum cuidado1 as cauzas de ta notaveis alteraoens no ,estado civil e na policia ,ecclesiastica desde o seculo ,,iv at o ,,xii porque me parece necessario esteja informados d'ellas na s aquelles que ha-de executar as ,ordens de ,s4 ,majestade em consequencia do seu ,alvar sobre os ,estudos1 mas tabem os que ha de estudar o que n'elle se ordena4 ,todos confessa pellos monumentos que temos na historia1 que o ,imperio ,romano foi subjugado e despedaado pelas ,naoens ,barbaras do ,norte1 e que destes destroos se formra as ,republicas de ,italia1 e as ,monarchias de ,frana e ,espanha4 ,a politica destas ,naoens1 antes da ,conquista1 e depois que fundra os seos ,estados1 se reduzia a premiar o mais valente e o mais ouzado com os primeiros cargos do exercito1 com propriedades de terras1 e com as primeiras honras daquellas ,monarchias2 estas ,naoens por natureza caadoras1 vivia do roubo e de rapina2 na conhecia a agricultura1 o comercio1 as artes1 nem as sciencias como base do ,estado civil3 estas ,monarchias se governava como hum exercito sempre acampado1 prompto para acometter1 subjugar e conquistar1 porque a sua conservaa e o seu augmento dependia do que conquistava sobre as ,naoens vencidas1 que era aquellas que dependia do ,imperio ,romano3 assim a valentia e o esforo1 era a sua base fundamental4 ,todas as suas leis e costumes tendia para conservar e augmentar aquella fora e aquella ouzadia1 para vencer e conquistar4 ,depois de feita a conquista1 tinha seos concelhos gerais que chamava ,parlamentos1 que em ,espanha se chamra ,cortes1 nas quais tinha assento os ,generais e os ,officiais da primeira distina4 ,ali se repartia as terras1 as ,provincias1 as ,comarcas1 as ,cidades1 e as ,villas1 com os seos termos1 pelo ,monarcha e pelos ,generais4 ,pelas leis decretadas n'aquellas ,cortes1 ao ,senhor da terra ou ,cidade se dava poder soberano nos povos que a habitava3 tinha a ,jurisdiam de vida e morte1 na honra e nos bens2 de tal modo que ficava despido o ,monarcha de toda a ,jurisdia que devia ter naquelles ,subditos2 que vemos ainda hoje em ,frana de algum modo1 e em ,castella e ,portugal ainda se conserva o nome ,senhor de barao e cutello4 ,dava estas ,cortes aquellas terras em ,feudo1 que quer dizer que o ,possuidor seria obrigado em tempo de guerra vir em pessoa servir com os seos villoens no numero1 propora das terras de que era ,senhor3 smente os descendentes ,varoens depois de fazer nova omenagem ou obediencia1 podia possuir estas terras4 ,ellas era consideradas pertencerem ao ,estado2 e pagava somente no servio da guerra2 e nenhua outra decima1 peita1 nem sisa pagava ao ,monarcha1 nem ao ,estado4 ,a nossa ,ley ,mental teve aqui a sua origem3 s permittia possuirem as terras da ,coroa1 aquelles que podia servir na guerra2 depois por graa e favor dos ,reys1 veyo o sexo a gozar destes dons da ,coroa1 como os ,varoens4 ,os ,bispos e os ,prelados os possuem hoje sem irem guerra1 como hia at o anno #adjj2 e ainda na paga couza algua estas terras ao ,estado4 ,os costumes destes ,imperios ,godos todos se reduzia a fazer o corpo robusto pela caa1 por escaramuas1 alcancias1 torneos e justas1 festas onde a ambia de ser applaudido pelo sexo teve muita parte3 na necessitava a constituia do ,imperio simplesmente militar1 naquelles tempos sem polvora1 e sem fortificaoens regulares1 de outra sciencia1 mais do que do valor e da fora2 e para adquirir estas qualidades se empregava toda a ,mocidade3 na sabia ler nem escrever1 e desprezava todas as sciencias3 as superstioens1 os agouros1 os vas prognosticos da ,astrologia1 como prosapia legitima da ignorancia1 occupava geralmente os animos do povo e da ,nobreza1 apezar de tantos ,concilios que prohibira todos estes abusos4 ,he hoje maxima incontestavel que os bons ou maos costumes de hua ,naa1 a sua sciencia e valor dependem das leis da ,monarchia1 do trato e do emprego dos ,grandes1 e da ,corte que os domina4 ,muitos destes ,monarchas1 logo no principio da conquista do ,imperio ,romano1 abraara a ,religia ,christa2 pelo discurso do tempo todas estas ,naoens ,barbaras1 que ou era ,gentias1 ou infectadas com a heresia de ,arius1 viera ,christas ,catholicas2 como dominava e governava aos ,christas antigos1 entrava a possuir os cargos da ,igreja1 sem repugnancia dos ,bispos2 todos era ,christas1 e hum ,bispo ,godo ou ,clerigo1 era de ta bom sangue1 como um ,italiano ou ,castelhano4 ,mas os ,bispos1 os ,clerigos e os povos conquistados tomra os costumes dos ,monarchas e dos ,grandes daquellas ,monarchias4 ,os ,bispos tivera tabem terras do ,estado em lotaa1 e tabem muitos ,prelados de ,conventos2 tinha a jurisdia ou mero ,imperio1 sobre os seos villoens1 do mesmo modo que a tinha os ,nobres3 tinha tabem assento em ,cortes porque era ,senhores de terras e soubera nellas adquirir o primeiro assento2 viera ,condes e ,duques1 como se v hoje em ,allemanha1 e no ,conde d',arganil ,bispo de ,coimbra2 viera os ,bispos e os ,prelados ,guerreyros1 porque aceitava os ,senhorios com essa condia de servir pessoalmente na guerra com os seos villoens1 o que comprira at anno #adjj2 as suas terras na pagava couza algua ao ,estado1 na porque pertencia ,igreja2 mas porque era dadas com obrigaa de servir na guerra o ,possuidor1 do mesmo modo que os ,senhores ,seculares as possuia4 ,viera os ,bispos e os ,prelados caadores1 dissipadores1 banqueteando1 sustentando ,cavallos1 conservando numerosa familia2 e como lhes era preciso fazer frequentes jornadas1 huas vezes para assistir nas ,cortes1 outras nos ,concilios1 que at o anno #hjj se celebrava cada anno1 e as vezes duas1 no mesmo espao de tempo conforme o primeiro ,concilio de ,nicea no principio do ,,iv seculo1 tal excesso dissipra os bens da ,igreja que tinha em feudo1 ou por esta obrigaa de fazer jornadas1 ou pela vida dissoluta militar1 que foi prohibido por ,concilios que os bens da ,igreja fossem inalienaveis1 e desta origem he que veyo aquelle destrutivo invento para o ,estado de se estabelecerem os ,morgados1 cujas terras applicadas a hua capella sa inalienaveis1 como as dos ,cabidos e dos ,conventos4 ,a ignorancia destes ,monarchas na politica1 considerando todos as ,naoens vizinhas por inimigas1 e na conhecendo nenhum ,direito das ,gentes2 a ignorancia dos ,generais1 e dos seos ,conselheyros na conhecendo principio algum do ,estado civil1 nem das obrigaoens da ,sociedade1 na sabendo ler1 nem escrever1 se espalhou pelos ,ecclesiasticos2 ficra estes por tanto com os conhecimentos necessarios para administrar os ,sacramentos1 ensinar os povos na doutrina christa1 e ensinar nas ,escolas das ,ss1 e dos ,conventos2 isto he que sabia ler1 escrever2 e aquella lingoa latina corrupta1 que se extendeo at o anno #addj2 porque nesta se escrevia at o anno #abbj todas as resoluoens das ,cortes1 todos os processos1 e demandas2 e el ,rey ,dom ,dinis foi o primeyro ,rey de ,portugal que ordenou se processasse em ,portugues1 e na na lingoa latina4 ,esta superioridade no saber1 ainda que mui limitada1 comparada com o saber dos ,reis e dos seos ,grandes1 valeo aos ,ecclesiasticos serem ,senhores de todas as disposioens das ,monarchias em ,frana1 ,italia e ,espanha1 e mais particularmente1 porque tinha ,escolas donde toda a ,mocidade era educada4 ,vejamos os rodeos que fes nestas ,monarchias o viciozo circulo da ignorancia1 e na nos admiraremos enta do atrevimento que tivera os ,ecclesiasticos de dominar os ,reis e de deplos4 ,como nestas ,monarchias cada anno se celebrava ,cortes1 e como nellas se deliberava o que era necessario para conservalas e augmentalas2 como ali se nomeava os ,embayxadores2 se despachava as graas1 se resolvia os castigos1 era necessarios ,conselheyros1 ,secretarios e outros cargos que soubessem ler e escrever1 e aquellas leis e costumes que se observava naquelles ,imperios4 ,mas entre todos os que tinha assento naquellas ,cortes1 somente os ,bispos1 e os ,prelados1 porque sabia escrever1 podia servir estes empregos3 daqui he que vemos aquelles ,concilios de ,toledo1 de ,sevilha e de ,mila1 serem hua compilaa de leis civis e ecclesiasticas2 porque os ,bispos era os unicos que redigia por escrito estes actos2 nada se fazia sem seu parecer1 e tudo se publicava e decretava pelo seu voto e approvaa#be2 mas na somente nas ,cortes tinha o primeiro logar e voto os ,ecclesiasticos1 elles era os primeiros ,conselheiros nas ,cortes dos ,reis1 os ,chanceleres1 os ,juizes1 os ,medicos1 os ,embayxadores2 os ,clerigos era ,secretarios1 os ,notarios publicos1 os ,advogados2 emfim tudo o que era necessario escrever nestas ,monarchias at o seculo ,,xii o administrava e executava os ,ecclesiasticos4 ,no ,concilio de ,toledo terceyro celebrado no anno #ehi1 no tempo del ,rey ,recaredo1 se ordena que os ,bispos celebrem hua vez por anno ,concilio1 e que nelle assista os ,intendentes del ,rey1 para aprenderem da boca dos ,bispos1 como devia governar os povos1 e que elles seria os ,inspectores#bf4 ,como era costume d'aquelles tempos mandarem os ,reys criar seos ,filhos nos ,conventos dos ,frades1 j se sabe que os ,filhos dos ,cortezoins teria o mesmo ensino e educaa2 e como toda a ,nobreza por costume1 por vangloria1 e sobre tudo por interesse1 imita com gosto1 ainda os mesmos vicios dos ,monarchas1 bem se pode considerar1 que se reputria felizes os ,nobres que tiviessem aquella educaa3 j vimos assima o que se ensinava nestas ,escolas3 no tempo de ,carlos ,magno e de seos ,filhos estava tanto em voga o ,canto ,gregoriano que nelle se consumia a mayor parte do tempo2 houve repetidos dezafios entre os ,musicos ,italianos e ,francezes#bg1 e na se desprezra os ,reis entrar nesta contenda1 porque a sua educaa tinha sido a mayor parte neste exercicio4 ,enta he que viera os ,reis e as suas ,cortes ignorantissimas1 crueis1 falsas e supersticiozas3 o ensino na tinha sido mais1 que fazer o corpo robusto e ouzado2 e as potencias da alma embebidas somente para venerarem os ,ecclesiasticos que tinha sido seus ,mestres2 estes ja ignorantes1 como vimos1 ja soberbos1 poisque era e que vivia como ,senhores1 j ,senhores das resoluoens das ,cortes e de todas aquellas que occorria em todo o ,reyno1 bem podemos ver claramente a origem de todas aquellas contendas que houve entre os ,ecclesiasticos1 e os ,reis e ,imperadores at o anno #acej4 ,deploremos com o ,imperador ,diocleciano#bh1 o ,estado dos ,reis que tem maos ,conselheiros1 mas ainda muito mais aquelles que tivera somente por ,mestres os ,ecclesiasticos naquelle tempo que havia de aprender a obrigaa de ,rey e de ,subdito4 4 ,contina a mesma ,materia ,ja os ,ecclesiasticos era os arbitros nos ,gabinetes dos ,reis e dos ,emperadores ,christas1 ja era ,soberanos nas ,cortes1 onde por direito da ,monarchia tinha assento2 ja tinha jurisdia civil nos povos dos seos ,bispados#bi2 ja todos os ,clerigos estava empregados nos cargos civis2 ja tinha universalmente a educao de toda a ,mocidade1 at os filhos dos ,reis sua conta2 tinha a correa dos ,costumes1 como do seu cargo e da sua obrigaa decretada1 por varios ,concilios ,provinciais1 quais sa os de ,braga1 ,toledo#cj1 ,sevilha1 ,saragoa1 e infinidade de outros celebrados em ,frana1 ,inglaterra1 ,allemanha e ,italia2 mas estes ,concilios na era universais1 nem servia de ley na ,igreja2 era necessario aos ,ecclesiasticos leis universais que toda a christandade venerasse1 que toda a christandade temesse1 e que cada christa1 fosse castigado se as quebrantasse3 ja a ,monarchia ,ecclesiastica estava estabelecida1 mas na tinha leis politicas para governarse3 appareceo no fim do ,,viii seculo ,isidoro ,mercator1 com as suas falsas ,decretais#ca que todos os ,ecclesiasticos seguira por verdadeyras naquelles tempos1 a tal excesso que ,graciano no seu ,decreto na s se funda nellas1 mas ainda enxirio e adiantou aquella doutrina4 ,vejamos esta jurisprudencia nova desconhecida aos santos ,apostolos e seos successores1 at o fim do ,,viii seculo4 ,que na he permittido celebrar ,concilio algum sem permisso do ,papa#cb4 ,que os ,bispos na podia ser julgados definitivamente que pelo ,papa somente#cc4 ,que na somente qualquer ,bispo1 mas todo o ,clerigo1 ou ,christa leygo1 que se vio vexado por potencia alguma secular1 ou ecclesiastica1 pde em todas as occasioens appellar para o ,papa#cd4 ,o ,decreto de ,graciano adiantou mais estas prerogativas1 dizendo3 ,que os ,papas na estava1 nem devia estar sometidos aos ,canones da ,igreja#ce4 ,que os ,clerigos na podem ser julgados pelos ,juizes leygos em nenhum cazo#cf4 ,que o ,sacramento da ordem imprime hum caracter indelevel no ,clerigo ou ,sacerdote1 sendo que pelos ,canones dos ,apostolos#cg o ,clerigo ladra ou manchado com crimes publicos1 era deposto do ,sacerdocio1 e ficava no estado de leygo1 como qualquer ,subdito do ,estado2 practica da ,igreja ,grega at o dia de hoje4 ,he verdade que as referidas leis nunca fora conhecidas nem seguidas pelos ,tribunais de ,frana at o dia de hoje2 mas nos ,dominios de ,italia e das ,espanhas esta nova jurisprudencia foi abraada e seguida nos seos ,tribunais at os nossos tempos4 ,ja a ,monarchia ,ecclesiastica estava defendida e fortificada por estas leis1 e os ,bispos cada dia adiantava esta auctoridade nos seos ,bispados de mil modos2 todas as cauzas onde podia haver peccado1 todos os contractos ou ,tratados de paz entre ,principes1 onde concorria juramento2 todas as promessas ou votos1 onde se podia incorrer em peccado1 todas dependia do ,tribunal ,ecclesiastico3 desta origem viera aquellas cauzas mixtifori que recebem e seguem as nossas ,ordenaoens#ch4 ,e deste modo ficra os ,tribunaes seculares1 para executar o que os ,ecclesiasticos sentenceava#ci4 ,at o anno #adjj1 lemos na ,historia ,ecclesiastica e ,profana tantas contendas e tantas disputas entre os ,papas1 e os ,reis e ,emperadores3 se hum ,rey tirava as terras a hum ,bispo que tinha em ,feudo1 ou foro1 porque na compria com a obrigaa de ir a guerra2 se o obrigava a pagar algum equivalente1 o ,bispo appellava para o ,papa2 o summo ,pontifice ou nomeava hum ,legado1 ou mandava hum a latere1 para decidir a contenda2 daqui as concordias#dj sempre feitas com diminuia do ,direito da ,magestade4 ,na entrarei na desolaa que cauzava hum ,legado a latere1 por onde passava com ,comitiva de ,principe sustentado1 custa dos povos1 por onde passava1 presenteado pelos contendores1 e bem pagos exorbitantemente os seos ,cancellarios4 ,se os ,reis queria defender os seos povos das vexaoens das excommunhoens dos ,parrochos e daquellas dos ,bispos1 estes appelava para o ,papa2 nova contenda1 e logo trazia consigo os ,legados1 e cada contendente da sua parte ,theologos1 que fora de syllogismos provava que os ,reis na tinha raza#da1 e que o summo ,pontifice era o ,rey dos ,reis1 e que lhe fora dadas duas ,espadas1 huma para julgar as cauzas espirituais1 e outra para as temporais4 ,desta pretendida auctoridade veyo ser o ,emperador ,henrique ,,iv1 e nosso ,rey ,dom ,sancho segundo chamado o ,capello1 deposto do throno1 e os seos ,subditos absolvidos do juramento de fidelidade4 ,no anno #fhj se celebrou o ,concilio de ,toledo ,,xii4 ,nelle foi deposto el ,rey ,vamba por #ce ,bispos1 quatro ,abbades e #ae ,senhores4 ,era o costume que se hum cahia enfermo1 e perdia conhecimento1 deitava-lhe o habito de ,frade por penitencia2 se vinha a si1 ficava ,frade2 assim sucedeo a el ,rey ,vamba3 vendose ,frade declarou por successor a ,ervigio1 e foi reconhecido por ,rey neste ,concilio#db4 ,mas na acabaria ta depressa1 ,illustrissimo ,senhor1 se quizesse abreviar o que se l na ,historia ,ecclesiastica desde o seculo oitavo at o anno #adjj3 deyxo esta materia a quem quizer ler com cuidado1 les ,discours sur l',histoire ,ecclsiastique1 par ,m4 l',abb de ,fleury4 ,paris4 #b vol4 in #h4o 4 ,como os ,ecclesiasticos introduziram governar os ,estados ,catholicos1 pelas ,congregaoens dos primeiros ,christaons1 e pelas ,regras dos ,conventos ,bem me persuado1 ,illustrissimo ,senhor1 considerando o claro juizo de ,v4 ,illustrissima que me na accuzar1 que tomo mais a peito relatar os abuzos dos ,ecclesiasticos1 do que tratar da ,educao ,politica1 que prometi no principio deste papel3 porque o meu intento sendo para demonstrar que he perjudicial ao ,jus da ,magestade e ao bem do ,reyno1 que os ,ecclesiasticos seja os ,mestres da ,mocidade1 destinada a servir a sua patria no tempo da paz e da guerra1 pareceome mui necessario tratar1 tabem que assim1 como os ,ecclesiasticos na tem legitimamente poder algum nem jurisdia que no espiritual sobre os ,fieis dentro da ,igreja1 que do mesmo modo1 na tem auctoridade alguma para ensinar a ,mocidade1 que puramente na doutrina christa3 porque ,v4 ,illustrissima vio assima que a jurisdia1 que ,christo deu aos ,apostolos foi somente espiritual2 que os mandou prgar o ,evangelho1 isto he ensinar a doutrina christa1 e a bautizar1 isto he administrar os sacramentos1 com poder de ligar e desatar conforme entendessem3 e que como he abuzo notorio que os ,ecclesiasticos extendessem a jurisdia espiritual que lhes pertence1 at suffocar e absorber quasi toda a jurisdia politica e civil1 assim he abuzo1 e perjuizo ,monarchia1 que elles ensinem a ,mocidade destinada a servir a sua patria4 ,e para que ,v4 ,illustrissima julgue se tenho fundamento no que digo1 quero em breves palabras mostrar-lhe que todo o mal que temos experimentado desde o principio da ,monarchia provem3 ,que os ,ecclesiasticos quizera1 como ,constantino ,magno1 governar os ,reynos e os ,imperios1 pelas regras e leis das primeiras ,igrejas e ,conventos1 que sa puramente espirituaes2 na attendendo ao ,sagrado do ,estado civil1 nem sua independencia3 na attendendo que todo o seu poder he sobre os ,christas1 e nunca sobre os ,subditos do ,estado4 ,a principal maxima que servio aos ,ecclesiasticos de extender a sua jurisdio sobre os leigos1 foi a seguinte3 ,que a ,igreja em virtude do poder das chaves de ,san ,pedro1 tem direito de conhecer1 e julgar de tudo aquillo que he peccado1 para estar inteirada se deve absolver delle o peccador1 ou negar-lhe a absolvia3 e como 7contina l',abb de ,fleury1 ,discours ,,vii1 page #bbd7 em qualquer contestao por interesses temporais1 ordinariamente hua das duas partes defende hua pretena injusta1 e as vezes ambas ellas2 e que esta injustia he peccado2 daqui he que conclia que pertencia esta cauza ao ,tribunal ,ecclesiastico3 por esta maxima os ,bispos viera 7a ser7 os ,juizes de todas as demandas e de todos os processos dos seus ,bispados1 e os ,papas de todas as guerras entre os ,soberanos2 quer dizer que deste modo o ,papa era o unico ,soberano no mundo#dc4 ,isto he quererem os ,ecclesiasticos governar as ,monarchias pelas leis do ,sacramento da ,penitencia2 o castigo dos peccados sa as penitencias ecclesiasticas#dd3 os castigos aqui sa espirituais1 que os ,fieis va buscar dentro da ,igreja para remirem os seos peccados3 confundira os ,ecclesiasticos a jurisdia espiritual1 com a jurisdia civil1 e quizera governar o ,reyno pela auctoridade daquella3 como os ,bispos depois do ,,vi seculo viera 7a ser7 ,senhores de terras com jurisdia civil nos povos dos seus ,bispados1 como vimos assima1 tinha cadeas e julgava as cauzas ecclesiasticas com penas corporais4 ,desta mistura de jurisdia ecclesiastica e secular nos mesmos ,bispos ou ,prelados1 veyo aquelle poder que se arrogra serem tutores dos orphas e das viuvas1 ainda mesmo das ,rainhas e dos ,principes4 ,no principio da ,christandade custumava os ,bispos por caridade amparar os orphas e as viuvas1 na somente soccorrendoas com os alimentos de que necessitava1 mas defendendoas das vexaoens que lhes intentava os seculares4 ,estendera esta caridade christa a reduzila em direito de pr em depozito e a sua ordem os bens das viuvas e dos orphas1 e 7a7 estarem debayxo da sua tutela1 que mantinha pelas leis civis4 ,tinha o mesmo poder nos bens dos ,romeiros e no dos ,cruzados ,terra ,santa1 e nos hospitais dos leprosos1 e nos bens destes que ficava ordinariamente s ,igrejas se vinha a morrer os legitimos proprietarios4 ,a santa e exemplar vida dos primeiros ,bispos fez nacer a veneraa que tinha nelles os primeiros ,christas3 se entre elles havia contendas1 porque huma das partes na comprio o pacto1 ou contracto que concordra2 nas alteraoens que sobrevem nos ,matrimonios1 ou na execua dos ,testamentos1 escolhia estes ,prelados por arbitros1 que achava ta justos1 que fora preferidas as suas sentenas1 quellas das justias dos ,emperadores1 debayxo do qual ,dominio vivia4 ,as leis de ,constantino1 de ,arcadio1 de ,theodosio e ,justiniano1 permitira esta practica1 e a fortificra por leis a seu favor3 mas quando os ,bispos se vira ,senhores de terras com jurisdia civil1 viera arbitros na por caridade1 mas por direito1 e decretra em muitos ,concilios1 que no mesmo tempo era ,cortes1 que em todos os ,contractos1 ,matrimonios e testamentos1 adonde havia juramento1 ,sacramentos1 ou promessa de obras pias1 que todas estas transacoens era da sua jurisdia2 tinha a seu cargo ter cuidado dos dottes e das arras em cazo de adulterio1 e no estado dos filhos que procedia deste matrimonio1 para julgar se era espurios ou legitimos4 ,por cauza das obras pias expressadas nos testamentos1 estava determinado nas ,cortes de judicatura ecclesiastica1 que todos fossem feitos diante dos ,parrochos2 e os ,bispos obrigava aos testamenteyros darlhes conta se estava executados1 e todas as mandas satisfeitas2 daqui vinha que os ,ecclesiasticos fazia todos os inventarios1 e que levantava os sellos nos depositos1 c4 ,dilatara e estendera a jurisdia ,ecclesiastica1 que s tinha legitimamente dentro da ,igreja1 a castigar com penas civis todas as acoens criminozas que offendia a ,religia2 a herezia1 a blasphemia1 a schisma1 a uzura1 o concubinato1 e outros mais cazos chamados mixtiffori 7sic7#de4 ,ja notamos assima que estes mesmos tinha naquellas ,congregaoens dos ,christas sua conta a inspeca dos costumes3 depois que os ,emperadores ,romanos abraara o ,christianismo1 por varias leis1 e principalmente pelas do ,codigo#b ficra debayxo da sua direca os ,costumes1 e a honestidade publica4 ,se os ,pais ou os ,senhores queria prostituir as suas filhas ou ,escravos1 podia estes implorar a protea do ,bispo1 para conservar a sua inocencia3 os ,bispos juntamente com o ,magistrado conservava a liberdade aos ,engeitados4 ,na se podia eleger ,tutores ou ,curadores dos menores ou dos ,mentecaptos sem intervena dos mesmos ,prelados3 era tabem da sua obrigaa visitar huma vez por semana as prizoens2 informarem-se da cauza da priza1 e advirtirem os ,magistrados de comprir com elles a sua obrigaa1 e em cazo de negligencia darem parte ao ,emperador4 ,j vimos de que modo os ,bispos e os ,papas quizera governar as ,monarchias pelas leis e pelas regras dos ,conventos2 agora veremos com que penas os castigava2 se era com aquellas primitivas espirituais1 que se reduzem a penitencia1 ou as corporais1 nos bens1 na honra e na vida1 como castiga o ,estado ,civil4 ,ja notei assima1 fundado nos ,auctores ,ecclesiasticos1 que quando o peccador espontaneamente buscava o ,sacramento da penitencia1 que compria aquella que o ,confessor lhe impunha2 e que deste modo reconciliado tornava a gozar da communicaa dos ,fieis1 e participaa dos ,divinos mysterios4 ,nestes primeiros tres seculos da ,christandade1 estava na livre vontade de cada ,christa confessarse3 os ,bispos1 ou ,parrochos na obrigava1 nem tinha poder algum para obrigalos a desobrigaremse da quaresma1 nem em outro qualquer tempo1 somente no cazo que este peccador cauzasse escandalo ,congregaa dos fieis1 ou que dogmatizasse contra a ,religia revelada e establecida1 nesse cazo os ,bispos lhe negava a entrada naquelles santos lugares1 para impedir o contagio que se podia communicar aos mais3 rarissimas vezes excommungava1 e antes consentia com caridade que tornasse para o gentilismo1 do que chegar a tal excesso de excommungar hum peccador que escandalizava4 ,mas logo que os ,bispos se vira com ,jurisdia que lhes concedera os ,emperadores ,romanos1 logo que se vira ,senhores de terras com ,jurisdia ,civil1 dilatara aquella penitencia espiritual1 convertendo-a em castigo corporal1 com perda de bens1 com infamia4 ,no ,,vii ,seculo os ,bispos de ,espanha#dg vendo que muitos peccadores na vinha someterse ao ,tribunal da penitencia1 se queyxra nas ,cortes desta omissa1 e supplicra aos ,monarchas de os forar pelo brao secular4 ,practica desconhecida at li na ,igreja1 e que ainda na he conhecida hoje em ,frana3 e com raza1 porque deste modo de proceder1 se seguem cada anno infinitos sacrilegios4 ,em ,portugal e ,castella he obrigaa de desobrigarse todo o adulto pela ,quaresma2 se na se desobriga he perseguido por monitorios1 e por ultimo excomungado2 se continua hum anno neste estado1 he reputado pelo ,tribunal ,ecclesiastico por hereje1 enta toma conhecimento deste cazo a ,inquizia1 processando-o segundo as disposioens do seu ,directorio4 ,deste modo he que do ,sacramento da ,penitencia fizera hum ,tribunal ,civil1 governando o ,estado pelas leis das ,congregaoens dos ,fieis1 e dos ,conventos4 ,mostrase mais vizivelmente esta intena dos ,ecclesiasticos em ,portugal e ,castella1 e em alguas partes de ,italia1 pelo que vou a relatar4 ,custumava a antiga ,igreja impr penitencias por muitos annos por hum peccado habitual1 como vimos assima1 e s deste modo he que se conciliava com a ,congregaa dos fieis4 ,mas no cazo que reincidisse no mesmo peccado1 no cazo que este peccador espontaneamente fosse buscar o remedio a sua culpa no ,sacramento da ,penitencia1 a disciplina daquelles tempos lhe refusava totalmente confessarse3 dali por diante se lhe negava a ,communicaa dos ,fieis1 e participar aos ,mysterios ,divinos4 ,mas este peccador fra da ,igreja na era vexado1 nem perseguido1 nem ficava excommungado4 ,correra os tempos1 mitigouse a severidade desta disciplina1 e j se admitia os que reincidia nas mesmas culpas1 ao ,sacramento da ,penitencia1 como tabem aos mais ,sacramentos4 ,no ,,xiii seculo1 pelo ,concilio de ,narbone#dh1 os ,inquisidores observra com os ,albigenses herejes1 a mesma severidade da ,primitiva ,igreja1 na admitindo ,confissa ,sacramental o peccador que reincidisse no mesmo peccado2 mas aquelle ,tribunal1 como hoje o de ,portugal e ,castella1 na se contentava uzar com aquelles relapsos da mesma piedade e moderaa1 como uzava os antigos ,prelados4 ,relaxava ao brao secular com infamia e perda de bens1 como fazem hoje as ,inquizioens de ,castella e ,portugal1 privandoos mesmo na ora da morte do ,sacramento da ,eucharistia1 ainda que protestem morrer na ,ley de ,christo4 ,de onde se v claramente que os ,ecclesiasticos governa ainda hoje o ,estado ,civil pelas ,regras das ,congregaoens ,christas1 v-se claramente que s no ,tribunal da ,inquisia ficou esta practica de na admitir a penitencia1 o que reincidio no peccado1 porque este ,tribunal tem por executores1 sem vistas dos ,autos e das ,sentenas1 os ,magistrados#di4 ,governa o ,estado ,civil1 tabem com as ,regras das primitivas ,igrejas e ,conventos admitindo a ,intolerancia ,civil1 pondoas em todos os ,tribunais ,ecclesiasticos e ,seculares1 como base e fundamento da ,religia e da ,monarchia4 ,vejamos os fundamentos desta ,ley ta auctorizada1 contra a qual nenhum ,magistrado1 nem ,rey ,catholico jamais se atreveo fazer a minima objeca4 ,era justo1 era santo que naquellas primitivas ,igrejas do ,christianismo1 nas quais os ,christas vivia em communidade1 todos conformes pela ,ley de ,christo na mesma f1 caridade1 e pureza de coraa1 com os bens em commum1 como he a practica dos ,conventos1 vivessem todos nas mesmas ideas1 e pensamentos sobre os ,mysterios de f1 conhecendo1 e reverenciando a ,missa de ,jesus ,christo3 era justo que aquelle christa que na pensava assim1 que dogmatizava contra a ,doutrina estabelecida1 ou que na frequentava a ,igreja1 vivendo ao mesmo tempo em peccado publico1 que se lhe negasse a entrada naquella ,congregaa1 e a participaa aos soccorros caritativos1 e aos ,mysterios ,divinos4 ,que assim vivia os ,christas1 ,clemente de ,alexandria1 ,origenes1 e ,tertuliano1 e outros muitos ,padres o relata3 ,plinio mesmo ,gentio#ej1 em hua carta que escreve ao ,emperador ,trajano o diz ta claramente1 que he o mayor elogio da primitiva ,christandade3 era justo ento que fossem os ,christas intolerantes1 e que entre elles na consentissem algum ou ,scismatico1 ou ,hereje4 ,do mesmo modo que hoje approvariamos que hum ,guardia mettesse em hum carcere1 a pa e agoa1 aquelle ,frade que na compria com a ,regra1 e que a contrariasse de palavra1 e por escripto3 esta ,intolerancia1 ,ecclesiastica1 ,fraternal e christa he fundada na natureza das sociedades feitas por contracto1 adonde todos mutuamente se prometera crer1 obrar1 e exercitar as mesmas cousas1 que neste cazo era os artigos da f1 e os dez ,mandamentos4 ,mas que os ,ecclesiasticos queyra governar o ,estado ,civil e ,politico1 por esta ,intolerancia ,ecclesiastica1 e que os ,reis corroborem1 e fortifiquem por leis e penas corporais estas ,regras das primeyras ,congregaoens dos ,christas1 he o mesmo que dissolver e arruinar o ,estado ,civil1 e quebrar o fundamento e base da sua instituia4 ,vimos assima que quando o subdito d juramento de fidelidade ao seu ,soberano1 clara ou tacitamente1 quando d todo o seu consentimento para ser regido1 e governado1 que s depem no seu poder todas as suas acoens exteriores1 isto he aquella fora e vigor1 com que podia ferir1 matar1 furtar1 offender2 fica estes poderes no ,soberano1 para uzar delles como achar que convem milhor conservao dos seos ,subditos2 mas nenhum ,subdito se despio daquellas acoens interiores mentais1 que sa querer1 na querer1 aborrecer1 crer1 julgar1 ou na julgar2 nem jamais ficra no poder do ,soberano1 quando recebeo o consentimento universal de ser obedecido4 ,porque da natureza do ,estado ,civil1 somente as acoens exteriores violentas sa aquellas que o altera1 e que o podem destruir4 ,o amar1 aborrecer1 julgar1 ou ser mentecapto1 no mesmo ,estado1 se reputa como se nunca existira2 porque se na demonstram com acoens1 que perturbem e arruinem a concordia da ,sociedade ,civil4 ,no contracto entre ,christa e ,christa na mesma ,igreja se estipulou serem todos concordes na mesma crena1 na mesma f1 recitarem as mesmas oraoens1 celebrarem com o mesmo coraa os mesmos ,divinos ,mysterios4 ,pois se as convenoens do ,estado ,civil e da ,igreja sa ta differentes1 como pde ser justo e util para ambas1 que a ,intolerancia ,christa1 se estenda a ser ,intolerancia civil8 ,se os ,ecclesiasticos venerassem mais os ,estados ,civis do que fizera atgora1 se os considerassem como cousa ,sacrosanta1 porque foi formado com a caua da ,suprema ,divindade1 e invocada como testemunha1 na havia de assentar por maxima a ,intolerancia ,civil1 que he a sua ruina e a sua destruio4 ,mas que hade ser1 ,illustrissimo ,senhor1 o ,papa ,gregorio ,,vii1 no seculo ,,xii1 nas suas ,bullas e breves affirma1 e defende as maximas seguintes contra os ,soberanos e contra as ,monarchias#ea4 ,que a ,igreja tendo toda a ,jurisdia das couzas espirituais1 que com mais forte raza a tem de julgar as temporais4 ,que o minimo ,exorcista he ,superior aos ,emperadores1 pois que elle tem mando sobre os ,demonios2 e que a ,soberania1 ou o officio dos ,reis he obra do ,demonio1 fundada na soberba humana2 em lugar que o ,sacerdocio he obra de ,deos2 e que o minimo ,christa virtuozo1 he mais verdadeyramente ,rey1 que um ,rey criminozo1 porque este ,principe logo fica despido da ,soberania1 que j na he ,rey legitimo1 mas que vem naquelle instante ,tyranno1 4 ,a intolerancia com que uzou ,castella com os ,moiros depois da conquista de ,grenada1 formara aquellas potencias da ,africa que com os seos ,corsarios cada dia persecuta a ,religia1 e as ,monarchias ,catholicas4 ,relatar aqui os males que fez a ,intolerancia1 seria deyxar de mostrar o que me propuz2 mas de passo direi que aquella que ,portugal desde el ,rey ,dom ,joa o ,,iii praticou com os ,,xx4 ,,nn4 foi a origem da perda das ,indias ,orientais1 do ,estabelecimento da ,republica de ,hollanda1 das marquezas de ,hamburgo1 e da grandeza do commercio de ,inglaterra4 ,ainda tenho mais provas incontestaveis para mostrar a ,v4 ,illustrissima que os ,ecclesiasticos governra1 e ainda governa pela ignorancia dos ,magistrados1 o estado ,civil com as suas regras1 e constituioens da ,primitiva ,igreja1 e dos ,conventos4 ,bem se v claramente pelo que referi do ,papa ,gregorio ,,vii que elle se considerava ,superior a todos os ,reis1 e que todos devia pagar tributo ao ,solio ,romano1 porque s deste ,potentado tinha as suas ,dignidades4 ,viviam os ,christas1 como j dissemos tantas vezes1 em commum1 somente os verdadeyros fieis1 como era justo1 participava as esmolas daquella ,congragaa ou ,convento4 ,se este ,christa pela sua vida1 pelas suas palavras1 ou acoens escandalizava seos ,irmas1 se lhe negava os soccorros temporais e espirituais4 ,daqui sahio que com justia1 somente aos ,santos e aos ,justos pertencia os bens temporais1 e espirituais1 e que os impios e os peccadores estava privados delles4 ,levantasse na ,africa a herezia dos ,donatistas e a peditorio de ,s4 ,augustinho se executa as ,leis ,imperiais contra os ,hereges2 fica privados dos seos bens1 e das suas ,igrejas3 queyxase e clama1 e o mesmo ,santo lhes responde#eb1 levado de hum santo zelo1 sem pensar mais do que ,constituia da ,religia ,christa1 e a ,disciplina ,ecclesiastica que se tinha observado nos primeiros seculos1 sem pensar ,ley ,regia do ,imperio1 nem ,constituia da ,republica de quem era subdito1 d-lhes por toda a raza que com justia os privara dos seos bens1 e das suas ,igrejas1 porque s os ,justos sa os legitimos possuidores1 e que os impios na possuem couza algua a justo titulo1 e confirma esta decisa arguindoos3 os fundamentos que tendeis para defender bens e ,igrejas sa a ,ley ,divina1 ou a dos ,emperadores3 por ,ley ,divina estais privados de todo bem porque sois hereges2 pelas ,leis dos ,emperadores ta bem e deste modo na tendes de que vos queyxar que de vs mesmos4 ,aqui temos a decisa de confiscar os bens aos hereges1 que seguio ,gratiano no seu ,decreto1 que se ensinou e ensina nas ,universidades1 que por elle se sentencea as cauzas ,ecclesiasticas1 e mixtifori em todos os ,tribunaes de ,portugal e ,castella4 ,admira-se todos que ,s4 ,augustinho sendo ta douto1 na distinguisse n'esta occasia a ,constituia do ,estado ,civil1 daquella do ,estado ,christa1 governado por ,bispos1 e por ,prelados nos primeiros tres seculos4 ,dis claramente que a propriedade dos bens1 7que o mesmo que a propria conservaa71 depende ou da auctoridade ,divina1 ou da auctoridade dos ,emperadores3 o que intoleravel4 ,a propriedade dos bens1 he anterior a todas as ,sociedades2 ella he de ,direito ,natural1 como he defender a sua vida e a sua honra2 na depende a legitima posse1 e disposia do seu proprio bem1 de ley algua positiva4 ,he verdade que os primeiros christas peccadores devia ser privados dos seos bens logo que o seu peccado era publico2 porque tinha contractado viver em commum1 e tinha cedido tudo o que tinha communidade1 quando entrava nella1 practica hoje dos ,conventos1 onde se conservou este modo de contractar4 ,mas no ,estado ,civil ninguem fez cessa de bens ao mesmo ,estado antes de dar juramento de fidelidade2 logo incoherente que se julguem as cauzas civis pelas leis dos ,conventos1 e das ,igrejas da primitiva ,christandade2 logo aquellas ,leis que priva os herejes dos seos bens1 pertencendo ao ,estado como subditos1 na sa ,leis ,civis1 sa ,leis ,ecclesiasticas prevertidas4 ,na entrarey na especificaa daquelle proceder violento que tivera os ,papas com os ,emperadores ,christas depois do ,,xii seculo2 bem pode ,v4 ,illustrissima considerar1 o que resultaria das maximas de ,gregorio ,,vii1 que referi assima2 bem poder considerar como seria tratados os ,monarchas por ,innocencio ,,iii1 do seculo ,,xiii1 quando escrevia que ,deos crira duas ,luzes no ,universo1 hua mayor e outra menor1 que pela primeira se entendia o poder ,pontifical1 e pela segunda o poder ,real4 ,que ,christo dera a ,s4 ,pedro duas espadas1 hua para governar o espiritual1 e outra o temporal4 ,com semelhantes allegorias1 que he arbitrario concedellas1 ou negallas1 porque na tem outro fundamento do que a imaginaa viva1 e as vezes viciada1 de quem as applica s couzas sensiveis1 estava instruidos os ,mestres que ensinava nas ,escolas1 estava instruidos os ,tribunaes1 e disgraadamente os ,reis1 que vexados e despidos da sua ,real autoridade1 brotava em contendas funestas cada dia com os ,ecclesiasticos1 e por ultimo com os ,papas1 do que temos bastantes monumentos na nossa ,historia naquellas concordias feitas com os ,reis de ,portugal desde el ,rey-,d4 ,alfonso ,,ii1 at ,d4 ,phelipe terceyro1 que selem em ,gabriel ,pereyra de ,castro#ec como ta bem que el ,rey ,dom ,sebastia por ,alvar seu deu tal poder aos ,ecclesiasticos que absorbera o ,jus da ,magestade#ed4 ,na considerra atgora os ,ecclesiasticos a distinguir entre o ,sagrado da ,magestade e entre o bauptismo de ,christa3 como ,monarcha depende somente do ,altissimo ,deos1 porque he a cabea do ,estado1 formado com o consentimento dos ,povos que o invocara no acto do juramento de fidelidade como testemunha e caua d'aquelle facto2 na teve1 nem ter jamais o ,papa1 nem o ,christianismo1 intervena algua neste acto de formar o ,estado4 ,a pessoa do ,rey he ,christa1 e como tal depende da ,igreja1 e por consequencia do ,papa que he a ,suprema ,cabea3 todo poder que tem neste ,christa1 he semelhante ao que tem em qualquer outro4 ,bem sei que na admittem esta necessaria distina2 mas que me digam1 quando um ,fisico ,mor ordena ao seo ,rey que lhe sarjem o lado doloroso de hum pleuris1 e que o ,rey obedece e se deyxa cortar1 e banhar em sangue1 perguntase8 ,a quem ordenou o ,physico ,mor1 fazer aquella operaa8 foi a el ,rey8 ao ,christa8 ou ao ,homem8 ,el ,rey obedeceo ao seu ,fisico ,mor1 na como ,rey1 mas como ,homem1 como hua parte da natureza humana2 e que o ,medico sendo ,ministro da natureza tem autoridade de governalla do modo mais a proposito para conservar a vida4 ,todos approvra esta distina3 e porque na querem admittir aquella que ha entre o ,rey1 e o ,christa4 ,acha o ,rey a sua consciencia gravada2 chega aos pes do ,confessor1 e confessasse3 perguntase1 quem se est ali confessando1 he el ,rey1 ou o ,christa8 ,quem souber que o ,confessor na he ,deos1 quem souber que elle he somente naquelle acto hum ,ministro da ,religia1 dir logo3 ali se est confessando hum ,christa2 porque el ,rey na adora1 nem deve adorar mais que a ,deos em quem cr1 e de quem somente depende na terra2 porque do mesmo modo que o ,fisico ,mor ordenou a el ,rey que o sargem para curallo1 assim o ,confessor ordenou a el ,rey que fassa penitencia2 obedece o ,rey ao ,confessor como ,christa1 do mesmo que obedeceo ao ,fisico ,mor1 porque he ,homem4 ,pareceme que tenho mostrado com bastante clareza o que prometi no titulo deste paragrapho2 e he facil tirar dali a consequencia que ja os ,ecclesiasticos tinha fundado hua ,monarchia a seu modo dentro da ,monarchia ,civil3 ja tinha decretado leis para sustela1 e fortificala2 ja os tribunais1 e as ,cortes dos ,reis as observava1 e ja o ,estado ,civil estava governandose no ,,xii seculo1 pelas falsas ,decretais de ,isidoro ,mercator1 e pelo ,decreto de ,graciano3 ja se ensinava nas ,escolas1 mas ainda nellas na estava introduzidos aquelles gros de ,doutor1 e de ,bacharel2 ainda na estava decorados com dignidades aquelles que estudava o ,direito ,canonico1 e achara no seculo ,,xiii os ,papas todos os meyos para os decretarem1 fortificando deste modo o seu novo poder de tal modo que ficra as ,monarchias dependentes da ,corte de ,roma1 tanto no espiritual como no temporal2 e he o que mostrarei no paragrapho seguinte4 4 ,das ,universidades ,na he o meu intento tratar aqui das ,universidades1 que para mostrar a ,v4 ,illustrissima1 se as que existem actualmente sa uteis ao ,estado1 e se nellas se ensina todas as sciencias necessarias ao seu governo civil e politico2 se nellas a ,mocidade destinada a servir a sua ,patria1 podera ser educada para servila no tempo da paz e da guerra1 no tempo em que estiver occupada1 e tempo do descano4 ,sucintamente declararei se fora instituidas e auctorizadas a ensinar e graduar aos que nellas estuda pelo poder ,real1 ou do ,papa1 na intena de mostrar evidentemente que ,s4 ,magestade he o ,senhor de abolir e de instituir as ,escolas e ,universidades que achar sa perjudiciaes ou uteis conservaa dos seos dilatados ,dominios4 ,ja vimos assima que pelas leis do ,codex ,theodosiano podia os ,ecclesiasticos ensinar publicamente2 e pelos ,capitularios de ,carlos ,magno foi ordenado que nas ,igrejas ,cathedrais1 e nos ,conventos se ensinassem as sciencias conhecidas naquelles tempos3 vimos tabem que j os ,ecclesiasticos tinha estabelecido leis reconhecidas pelos ,parlamentos e ,cortes1 e que os ,tribunais tanto seculares1 como ,ecclesiasticos julgava por ellas3 agora veremos que logo que ,graciano ,frade ,bento de ,bolonia publicou a sua ,colea intitulada1 ,concordia ,discordantium ,canonum1 no anno #aaea2 e que ,gregorio ,,ix no anno #abcj publicou os cinco livros das suas ,decretais2 e o ,papa ,bonifacio ,,viii o sexto livro1 que he a continuaa1 no anno #abii2 e que ,clemente ,v no anno #acaa augmentou esta colleca com as suas ,constituioens1 chamadas ,clementinas1 que ficou mais que nunca estabelecida a ,monarchia ,ecclesiastica2 porque o ,decreto1 as ,decretais e as ,clementinas referidas comeara a ser ensinadas nas ,universidades#ee4 ,at o anno #abcj pouco mais ou menos1 nenhua das ,escolas estabelecidas na ,cathedral de ,paris1 de ,bolonia1 de ,roma1 e outros ,conventos1 nenhua se chamou ,universidade3 este nome tivera as ,escolas publicas1 logo que os summos ,pontifices instituira n'ellas aquellas dignidades ou ,gras de ,bacharel1 ,licenciado e ,doutor nas quatro ,faculdades de ,theologia1 ,canones1 ,leis1 e ,medicina3 indicio certo que estas ,escolas com gros sa da instituia ,pontificia4 ,m4 ,boulaeus1 na ,historia da ,universidade de ,pariz#ef1 affirma que pelos annos #aaej todos os ,estudantes que estudava em ,bolonia o ,direito1 se applicava a ouvir as lioens de ,irnerio1 que naquelle tempo ensinava ali o ,direito ,civil1 com universal applauso2 e que ,graciano vendo que os ,estudantes na estudaria o ,direito ,canonico que se continha no seu ,decreto1 que pouco tempo depois recorrera ao ,papa ,eugenio ,,iii1 propondolhe que instituisse alguas honras academicas1 com as quais fossem condecorados aquelles que estudassem os ,canones2 e que ,pedro ,lombardo1 chamado o mestre das ,sentenas1 fora o primeiro que na ,universidade de ,paris as introduzio4 ,o mesmo ,m4 ,boulaeus affirma que na consta pelos registros da ,universidade em que anno comeara estes ,gros mas que j no anno #abcf se acha assentos de ,estudantes que tinha sido condecorados com elles4 ,que as ,universidades sa ,corpos ,ecclesiasticos2 e que ,phelipe ,augusto no anno #abjj1 dera um ,decreto a favor dos ,estudantes matriculados na de ,paris1 que se fossem prezos pelas suas justias1 que seria entregues a ,justia ,ecclesiastica4 ,que os mesmos ,estudantes1 na somente goza das immunidades dos ,clerigos1 mas que andam vestidos do mesmo vestido4 ,que os gros de ,bacharel1 e de ,doutor sa dados pelo ,cancellario que he o ,legado do ,bispo2 porque os ,bispos sa considerados os ,juizes ordinarios das ,universidades4 ,que aquellas insignias1 quando se doutorara os ,estudantes1 de habito talar1 capello1 livro1 anel1 e beijo de paz1 fora instituidas1 como se o ,doutorado entrasse no ,estado sacerdotal1 ainda que seja leygo1 tomando o gro de ,doutor em ,leis ou em ,medicina3 e que estas honras provem originalmente do summo ,pontifice1 e jamais de ,principe ou ,monarcha4 ,parece que ,nicolao ,,iv foi aquelle que instituio estas insignias1 porque elle foi o primeiro que ordenou que os ,cardeiaes trouxessem chapeo forrado de seda vermelha2 e como os doutores mesmo de ,theologia vestem a roba tallar d'esta cr forrada de arminhos1 7este he o costume da ,universidade de ,paris1 com o capello do mesmo forro71 parece que delle veyo esta introduca4 ,a tradia o mostra claramente1 por que em ,frana e em ,italia antigamente chamava a todos os ,doutores1 ,clerigos2 e os ,medicos da ,faculdade de ,paris na lhes era permitido casaremse1 ainda que fossem leygos at o anno #adej1 pouco mais ou menos1 quando o ,cardeal de ,estoutiville1 como ,legado do ,papa1 os dispensou desta obrigaa#eg2 e que os ,reis de ,frana somente depois do anno #aegc comera a ter auctoridade sobre a ,universidade de ,paris1 porque de antes somente dependia do ,papa4 ,quando hum destes estudantes toma o gro de ,doutor jura nas mas do ,cancellario que ser sempre fiel e constante a defender os ,direitos da ,universidade1 e a ,doutrina que se ensina nella1 de tal modo que todo aquelle assim graduado1 que fallar ou escrever contra os dogmas e doutrina d'ella1 ficar perjuro1 e por consequencia excomungado2 e que sena retractar1 que ser persecutado como herege4 ,eu na achei prova mais authentica para provar o que pensa a nossa ,universidade de ,coimbra do poder do ,papa e da sua ,jurisdia1 do que a approvaa que ella deu ,sendo ,reytor ,nuno da ,silva ,telles no anno #agag1 ,bulla unigenitus1 em claustro pleno1 assinando aquellas decisoens todos os ,doutores ,seculares e ,ecclesiasticos#eh4 ,lamentemos1 ,illustrissimo ,senhor1 o estado de hum ,monarcha1 que na tem1 nem pode ter hum ,conselheyro1 hum ,juis1 nem hum ,procurador da ,coroa1 que na esteja ligado por juramento defender todo o que tem decretado hua ,potencia ,extrangeyra1 hua ,potencia que fundou na sua ,monarchia1 outra que faz os mesmos effectos que aquellas plantas chamadas parasitas que se sustenta do succo da arvore1 adonde esta pegadas2 lamentemos que est ,s4 ,majestade1 e cada hua das suas villas1 sustentando a nossa ,universidade1 para diminuir o ,poder ,real1 para absorber-lhe a jurisdia que tem nos seos ,subditos1 e em ,portugal hum em vinte1 pela doutrina da ,universidade1 fica subtrahidos d'aquella indispensavel obrigaa3 e assim he que se considera os ,ecclesiasticos4 ,vejamos agora se sam uteis ou perniciosas ao ,estado ,civil8 ,para satisfazer a esta questa1 he necessario declarar aqui summariamente o que se ensina na nossa ,universidade1 e de que modo se ensina4 ,bem vejo que na serei exacto1 mas com tudo na deyxarei de satisfazer em geral ao que pede este papel4 4 ,dos ,estudos da ,universidade de ,coimbra1 depois da sua ,renovaam no anno #aeec ,v4 ,illustrissima me excuzar facilmente se omittir aqui as mudanas que teve a ,universidade de ,coimbra desde el ,rey ,dom ,dinis seu fundador1 e em que tempo foi transferida de ,lisboa1 para aquella cidade e desta para ,lisboa1 at que tomou o assento que hoje tem no tempo del ,rey ,dom ,joa o ,,iii4 ,este ,monarcha sustentava em ,paris no ,collegio de ,santa ,barba desde o anno #aecj1 pouco mais ou menos1 alguns ,estudantes ,portuguezes1 na inteno de formar ,missionarios para as ,indias ,orientais2 destes ,estudantes como fora os dois ,gouveas e ,diogo de ,teyve1 e alguns extrangeyros ,francezes1 e ,buchanan ,escosses1 se compoz a ,universidade de ,coimbra nesta sua renovaa2 e podemos dizer que ella he filha da ,universidade de ,paris2 porque em ambas se ensina a mesma doutrina4 ,no que toca a ,disciplina ,ecclesiastica1 ,v4 ,illustrissima sabe o que se entende pour les ,liberts de l',eglise ,gallicane4 ,v4 ,illustrissima sabe muito milhor do que eu1 de que modo se ensina a ,theologia1 e o ,direito ,canonico na ,universidade de ,coimbra4 ,mas na he deste papel mencionar estas sciencias3 por essa reza na fallarei nellas1 porque tomra que se aprendessem separadamente em tres ,collegios3 v4 g4 em ,braga1 ,lisboa1 e ,evora1 separados de todos os outros1 ou da ,universidade onde se devia ensinar as ,sciencias humanas1 de que necessita o ,estado ,civil4 ,estudasse a ,jurisprudencia1 ou as ,leis ,romanas1 e ,v4 ,illustrissima sabe que rarissimo he o ,estudante que toma o gro nesta ,faculdade3 muitas sa as cauzas2 mas na callarei todas2 ainda que todas era necessarias1 se este papel fosse hum livro4 ,entra hum estudante na ,universidade1 instruido bem ou mal na ,lingoa ,latina1 matriclase em ,leis ordinariamente para ouvir1 ou saber a aula1 onde se explica as ,instituioens de ,justiniano4 ,contina quatro annos o ,direito ,civil1 escrevendo o que o seu ,lente lhe dicta2 chega ao quinto anno1 e faz a sua conta2 que lhe ser mais util fazer as suas concluzoens em ,canones1 ou o seu ,bacharel2 porque sendo canonista3 #a4o ,pode ler no ,pao para seguir as varas2 #b4o ,opporse aos ,beneficios das ,ordens ,militares1 e dos ,cabidos2 #c4o ,ser ,pregador2 #d4o ,ser ,vigario ,geral1 ,provisor1 ou ,promotor de algum ,bispado2 #e4o ,advogar4 ,e que faz enta8 faz petia ao ,reytor1 pedindo que se lhe commutem os annos1 que estudou em ,leis1 nos cursos do ,direito ,canonico2 e sahe despachado como pede4 ,isto he o commum1 e igualmente mui notorio4 ,mas o que hade ser8 ,a ,universidade he ,ecclesiastica2 augmentar o numero dos ,canonistas he servila1 he augmental-a4 ,o ,estado serve-se delles porque todas as suas ,leis esta restrictas pelas ,leis do ,decreto1 das ,decretais1 e mesmo das ,clementinas4 ,mas concedamos que estudou leis por sete annos1 e que nesta ,faculdade fez os seos ,actos approvado1 nemine discrepante4 ,que me diga em que poder servir ao ,estado este ,bacharel1 ou este ,doutor em ,jurisprudencia8 ,sabe ,deos se comprehendeo as ,instituioens de ,justiniano1 com ,minsingero1 ou ,vinnio3 porque na creyo que o commum destes ,estudantes vira jamais as ,pandectas4 ,estudou por sete annos para ser letrado1 ou ,juis1 e na estudou naquelle tempo as ,ordenaoens do ,reyno4 ,mas hum ,juis1 e um ,letrado1 que ha de servir a sua patria1 necessita ter um conhecimento na ordinario da ,historia ,romana1 do ,governo daquella ,republica1 da sua ,religia1 e dos seos costumes2 como tabem ter igual noticia dos seculos barbaros1 da ,historia patria1 e de ,castella1 porque de outro modo na entender jamais as ,leis das ,pandectas1 nem as das nossas ,ordenaoens4 ,mas na ,universidade de ,coimbra na ha taes ,cadeyras2 como tabem na ha aquella para ensinar o ,direito publico com a ,historia da ,europa1 sendo absolutamente necessarias a hum ,juis1 e a hum ,letrado que ha de servir os empregos e os ,cargos na sua patria4 ,mas esta ,universidade he ,pontificia como as mais da ,europa2 e na convem1 e seria castigado aquelle que votasse1 que tais conhecimentos se ensinassem publicamente4 ,deyxo por agora aquelles dois abuzos notaveis1 introduzidos pela barbaridade das ,escolas scolasticas1 defender concluzoens1 e fazer os exames1 por ,syllogismos2 aquellas lioens de ponto1 e as ostentaoens1 a abertura das ,pandectas1 ou do ,direito ,canonico1 subir cadeyra1 e discutilo ex tempore4 ,persuadome que desta vez sahio fra dos ,dominios de sua ,magestade aquella ,philosophia das ,escolas depois que se publicou o seu ,alvar sobre a reforma dos ,estudos3 e por essa cauza na allegarei tudo aquillo que tinha determinado escrever contra ella2 por tanto na callarei tres males que cauza4 ,o primeiro1 que se um rapas tem boa letra1 que perde esta bella prenda1 escrevendo em sima do joelho por tres annos1 o que seu ,mestre lhe dicta4 ,o segundo1 que se apprendeo algum pedao de ,latim nativo de ,cicero1 ,quinto ,curcio1 ou ,virgilio1 que o perde por aquella ,lingoa destas ,escolas1 com nomes1 e frzes ta barbaras1 que nem sa ,latim1 nem ,lingoa algua conhecida4 ,o terceyro1 que depois de estudar esta ,filosofia1 que o ,estudante saye1 ou com o juizo torto1 ou que fica incapas de estudar1 e de applicarse por toda a vida4 ,se este ,estudante tem boa capacidade1 se se applicou seriamente1 e comprehendeo aquella giria filosophica1 ficou destituido de todo o juizo natural1 e na pode fallar que por syllogismos2 contradiz tudo1 e tudo prova com a sua dialectica1 ainda mesmo aquellas nooens commuas1 o total he mayor que a sua parte2 fica inchado e desvanecido de hua soberba insoportavel1 porque ninguem o pode convencer2 e fica o seu coraa mais depravado do que o seu juizo4 ,mas no cazo que o pobre ,estudante na aprendeo1 nem concebeo aquella lingoa de giria1 esmorece1 na estuda1 aborrece a applicaa porque na tem gosto algum na lectura1 adquirio habito de na indagar couza algua2 occupa o tempo em aprender a ,musica1 a jugar as cartas1 a espada preta1 e queyra ,deos que na occupe aquelle tempo destinado para aprender1 em vicios que o fara inhabel para si1 e para a sua patria4 ,ninguem que passou por aquellas ,escolas negar o referido3 esta ,filosofia he a produa dos seculos da ,ignorancia1 do ocio dos ,frades depois que deixra o trabalho de mas que ordenava a sua regra2 he a produa da ,monarchia ,gothica onde o vener1 e ignorar as leis da humanidade1 era o seu fundamento4 ,o fructo1 que deve pretender o ,legislador dos estudos da ,mocidade1 he que saya das escolas com o conhecimento das primeyras nooens das couzas naturais1 e das couzas civis2 com o juizo tabem formado que saiba o que he util a si e a sua patria1 o que he licito1 o que he decente3 e quem sahio com estes elementos das ,escolas1 os adiantar facilmente na ,sociedade ,civil pela lectura1 e pelo trato dos homens instruidos4 ,mas das ,escolas de ,filosofia que havia em ,coimbra tudo se observava em contrario2 e se he licito dizer outro tanto dos ,estudos da ,universidade1 he certo que merecem igual reforma1 como ,s4 ,magestade ordenou nos estudos das ,classes4 4 ,resume do ,referido ,tenho mostrado a ,v4 ,illustrissima1 me parece1 com a brevidade e clareza que me foi possivel1 a ,constituiam da ,monarchia ,civil1 e tabem aquella da ,monarchia ,ecclesiastica1 establecida dentro da mesma4 ,mostrei o ,sagrado da primeira1 fundada1 especialmente ,portugueza pelo consentimento geral dos ,povos1 pelo juramento de ,fidelidade aos ,reis que invocra a mesma ,divindade1 que os seos ,povos1 como testemunha e como caua daquella convena1 e solemne pacto4 ,mostrei que todos os ,monarchas1 e com especialidade os nossos1 tem em si incluido todos os poderes1 que tinha os seos subditos antes daquella solemne transaca2 e que ,nelles existe a ,jurisdiam do ,primeiro ,juis1 do ,primeyro ,general2 do ,primeyro ,pay1 do ,primeyro ,censor2 auctorizado 7a7 decretar todas as leis que forem uteis para a conservaa e augmento do seo ,estado4 ,mostrei tabem que pelos primeiros tres seculos da ,christandade1 vivia os ,christas em commum debayxo do ,governo dos ,bispos1 ligados em ,congregaoens1 como aquellas ,sociedades de ,christas hereges em ,hollanda1 e ,alemanha chamadas ,hurrenhutters1 permitidas e s vezes persecutadas pelo ,estado ,civil4 ,que os ,christas nestas primeyras ,congregaoens1 como os frades de ,st4 ,basilio1 e ,st4 ,bento vivia em communidade de bens1 de vontades1 de crena1 na ,f1 e na charidade christa4 ,que os bens destas ,igrejas consistia em esmolas dos ,fieis1 das quaes se sustentava os ,sacerdotes1 os pobres1 e conservava edificios1 onde se celebrava os ,divinos ,mysterios4 ,que o officio dos ,bispos consistia a ensinar os ,mysterios ,divinos1 a administralos1 e a inculcalos pelos sermoens1 e practicas espirituais2 e tabem a ordenar e a formar ,parrochos1 e ,diaconos para exercitarem as mesmas funoens4 ,que na tinha poder algum coactivo nos ,christas1 conforme a doutrina do ,evangelho2 que castigava somente refuzando os ,sacramentos aos ,peccadores escandolozos1 ou que recahia no mesmo peccado1 e s vezes at ora da morte3 que impunha penitencias graves por muitos annos1 aquelles que espontaneamente procurava aliviar a sua consciencia pelo ,sacramento da ,penitencia4 ,mostrei que ,constantino ,magno foi o primeiro que governou o ,estado ,civil1 por estas ,leis e regras das ,congregaoens ,christas1 e dos ,conventos2 dando ,jurisdia aos ,bispos de ,pretores1 e de ,censores2 premiando a continencia1 e abrogando as ,leis ,civis do ,imperio2 e que deste modo ficra os ,bispos e os ,prelados1 ,senhores das ,escolas da ,mocidade1 e ,censores dos ,costumes ,civis4 ,que os ,bispos augmentra a sua auctoridade no temporal tanto que os ,monarchas ,godos ja ,christas lhes dera terras1 e villas em propriedade1 e com ,jurisdia de vida e morte2 ainda que com obrigaa de irem guerra com os seos villoens4 ,que esta auctoridade no civil cresceo pelas ,leis das dittas ,monarchias1 nas quais todos aquelles que era ,senhores de terras com ,jurisdia1 tinha assento nos ,parlamentos1 e nas ,cortes que celebrava frequentemente4 ,que como a ignorancia era universal1 que ninguem sabia ler nem escrever1 exceptuando os ,ecclesiasticos2 que por essa cauza elles era os ,concelheyros dos ,principes1 os ,chanceleres1 os ,embayxadores1 os que redigia os actos das ,cortes1 os que era ,secretarios1 ,juizes1 ,notarios1 ,advogados1 e os ,medicos4 ,que os mesmos ,reis cahira na ignorancia que reynava1 porque os seos filhos1 e da ,nobreza1 era educados nos ,conventos4 ,que todo o ensino que houve na ,europa at perda do ,imperio ,grego no anno #adec estava nas ,ss1 nos ,conventos e ,universidades1 adonde todos os ,mestres era ,ecclesiasticos1 ou que vivia conforme a ,disciplina ,ecclesiastica estabelecida por muitos ,concilios1 e principalmente os de ,toledo1 que durra at o anno #gja2 pelas falsas ,decretais de ,isidoro ,mercator1 e sobre tudo pelo ,decreto de ,graciano1 pelas ,decretais1 e pelas ,clementinas4 ,que as ,monarchias ,godas era totalmente ignorantes da sua ,jurisdia3 que dava villas e cidades com ella a seos filhos e molheres1 e outros subditos que na conhecia outra que de primeiros ,generais2 e que por essa cauza os ,ecclesiasticos1 nesta ignorancia dos ,direitos da ,magestade1 os absorbera1 e uzra delles1 como ,senhores4 ,que na distinguira nunca entre o ,christa e o ,rey1 e o ,homem2 que tinha por maxima1 e que ainda se conserva hoje1 que o ,estado de ,christa apaga o ,estado de ,rey1 de ,magistrado e de ,homem2 e que deste modo elles era os ,senhores de tudo que dependia do ,christa1 do ,homem1 do ,subdito1 ou do ,soberano4 ,e para que se comprenda como foi governada a ,europa ,catholica por treze seculos1 trarei um exemplo que o mostrar evidentemente4 ,pareceme que vejo um ,sachrista ensinando a doutrina christa1 rodeado de meninos3 por cada erro1 ou falta que algum1 ou por ignorancia ou por inadvertencia1 fez1 o castigo he immediato1 sem distina se he filho de ,nobre1 ou plebeo1 ou se he livre ou escravo3 todos estes ouvintes recebem aquelle castigo com a mayor submissa4 ,mostrei que as ,universidadas ,catholicas so de ,instituia ,ecclesiastica1 e que nellas se ensina smente aquelles conhecimentos1 que conserva e augmenta a auctoridade e primazia dos ,ecclesiasticos2 e que sendo smente da sua obrigaa ensinar nas ,igrejas1 e nas ,ss a ,doutrina ,christa1 a ,theologia1 e as ,escrituras ,sagradas1 que por sua auctoridade e direa ordenra ensinar as sciencias humanas1 sobre as quais na tem nem devem ter inspea algua2 que os ,privilegios dos primeyros ,emperadores ,christas aos ,bispos1 a ignorancia dos ,reys ,godos1 e ,visigodos1 o terem assento em ,cortes1 e possuirem terras com jurisdia civil1 foi a cauza que os mesmos uzurpra governar pelas leis da ,igreja o ,estado1 como tabem ensina as sciencias humanas1 ainda que ta precariamente1 que vem ser inuteis ao mesmo2 que nas ,universidades na se ensina a ,physica1 a ,historia ,natural1 as ,mathematicas1 a ,astronomia1 a ,philosophia ,moral1 o ,direito das ,gentes1 nem as nossas ,ordenaoens1 ,sciencias das quais necessita o ,estado para o seu bom governo1 e augmento3 e que s ao ,soberano pertence fundar estes ,estudos1 e aos ,mestres ,seculares ensinar nelles2 do mesmo modo que s he da ,competencia dos ,ecclesiasticos ensinar a ,theologia1 ,escritura ,sagrada e ,canones1 e a elles mesmos estudar estas sciencias4 ,que ,sua ,magestade he o ,soberano ,senhor de fundar ,universidades ou ,escolas onde se ensinem as sciencias naturais1 e as ,civis1 na dependendo estas por nenhum principio da auctoridade ,ecclesiastica3 que tem a mesma para decorar com honras aos que tiverem estudado com applauzo1 sem intervena do ,summo ,pontifice1 ou dos ,bispos4 ,he o que por agora ouzo prezentar a ,v4 ,illustrissima2 e se achar que foi do seo agrado o que acabo de escrever1 continuarei o que tenho meditado sobre a ,educaa da ,mocidade ,portugueza1 e a dar as mais incontestaveis provas do mayor respeito que conservo para ,v4 ,illustrissima1 que ,deos guarde muitos annos4 ,illustrissimo ,senhor3 ,na introdua assima vio ,v4 ,illustrissima1 que toda a ,educaa que tivemos at os nossos tempos1 foi conforme as maximas ,ecclesiasticas1 tanto nas ,escolas do ,latim e ,philosophia1 como nas ,universidades4 ,agora mostrarei os seos effeitos3 mostrarei as ,leis que sahira deste ensino2 e tabem os costumes que sahira destas ,leis3 mostrarei de passo o prejuizo que recebeo o ,reyno1 e a ,religia2 e que se o ,reyno se podia conservar com aquella ,educaa em quanto havia conquistas1 e podia conquistar1 que actualmente na as havendo j1 que se deve mudar aquella antiga ,educaa que tinhamos2 e que por existir ainda hoje1 que vem a ser mui prejudicial ao ,estado4 ,ajunta-se a estes inconvenientes que o nosso ,estado actualmente he hua mistura da ,constituia ,gothica1 e da ,constituia daquellas ,monarchias1 das quais a base consiste no trabalho e na industria3 porque conservando as conquistas1 e as ,colonias que temos1 somos obrigados 7a7 conserval-as pela agricultura e pelo commercio2 e para fundar estes empregos1 e conservalos1 como base do ,estado1 necessitamos derogar as ,leis ,gothicas que temos1 que se reduzem aos excessivos ,privilegios da ,nobreza e s ,immunidades dos ,ecclesiasticos1 as quais contrarira sempre todo o bom ,governo ,civil4 ,em quanto existirem estes obstaculos1 que sa firmados pelas ,leis das nossas ,ordenaoens1 he impossivel introduzir-se hua ,educaa universal da ,mocidade destinada a servir a sua patria no tempo da occupaa e do descano1 no tempo da paz e da guerra4 ,eu bem sei1 ,illustrissimo ,senhor1 que nem tudo se pode fazer de hua vez2 bem sei que os obstaculos que impedem o bem1 devem ser attendidos muitas vezes com mayor ponderaa1 do que o proveito e utilidade que se vai buscar1 quando forem vencidos3 mas se tudo se na pode fazer1 he da obrigaa do juiso humano prever tudo1 e conhecer as cauzas das desordens presentes1 para evitalas1 ou supprimilas pelo discurso do tempo4 ,espero do claro entendimento de ,v4 ,illustrissima que na accuze o meu obediente e fervoroso animo no servio de ,s4 ,magestade1 se adiantar algua decisa que indique erigirme em ,legislador1 ou que reprovo as ,leis fundamentais do ,reyno4 ,o meu intento he declarar ,v4 ,illustrissima o que tenho pensado e penso sobre o ,estado de ,portugal2 huas vezes lendo1 outras escrevendo1 e meditando depois de muitos annos3 na pretendo que se siga o que o meu reverente animo ouza communicar ,v4 ,illustrissima2 nem confio de mim tanto1 que me persuada seja irrefragavel o que digo4 ,no cazo que me engane1 ser um proveito para a ,patria1 que tenha ,subditos que com milhores e mais acertadas razoens1 me contradiga2 porque esses mesmos aceitara com milhor methodo1 de propor as ,leis pelas quais se deve governar o ,reyno e a ,educaa da ,mocidade4 4 ,effeitos que cauzram em ,portugal as ,escolas1 e as ,universidades da ,europa e do mesmo ,reyno ,vio1 ,v4 ,illustrissima1 na introduca assima a total ignorancia dos povos ,christas da ,europa desde o anno de #fjj1 at o de #adjj3 e que s os ,ecclesiasticos por saberem ler1 e escrever a ,lingua ,latina1 e alguas sciencias1 tinha no seu poder a ,legislaa dos ,reynos ,christas1 e toda a ,educaa da ,mocidade1 e ainda aquella dos mesmos ,reis1 educados nos ,conventos e sempre ensinados por ,ecclesiasticos4 ,vio1 ,v4 ,illustrissima1 tabem que toda a ,christandade foi governada pelos ,papas1 e pelos ,bispos1 e que sem a menor repugnancia obedecia1 na s a abraar a doutrina1 mas ainda o castigo4 ,deste modo he que fizera ,leis de ,disciplina que existem no ,decreto1 e ,decretaes2 erigia-se ,universidades com os seus ,estatutos ,ecclesiasticos1 adonde aprendia aquelles ,subditos que havia de servir hum dia a sua patria1 nos ,cargos de ,conselheyros de ,estado1 de ,secretarios de ,estado1 de ,magistrados1 ,juises1 ,advogados1 ,embayxadores1 ,enviados1 etc4 ,e que estes na tendo aprendido outra sciencia nem conhecimento scientifico1 7como tabem os ,reis dos seos ,mestres7 que nas ,universidades dittas1 era fora que tudo o que fizessem publica e particularmente1 fosse conforme as ,leis decretadas pelas ,decretais1 e ensinadas nas ,universidades4 ,desta ,origem vieram as nossas ,leis e as nossas ,ordenaoens4 ,joa das ,regras1 ensinado na ,universidade de ,bolonia por ,bartholo1 ordenou em hum volume as ,leis de ,portugal1 que andava dispersas1 e lhes ajuntou as ,leis do ,codigo1 com as ,interpretaoens de ,bartholo e ,acursio1 que valeria por leis1 e assim as publicou no anno de #adbe4 ,no tempo del ,rey ,dom ,affonso o ,quinto1 o ,infante ,dom ,pedro sendo ,regente1 fora reformadas3 el ,rey ,dom ,manoel1 no anno de #aead1 as mandou publicar com este titulo1 ,ordenaoens do ,reyno de ,portugal3 foram reimpressas com augmentaoens por mandado dos ,reis ,dom ,joa o ,,iii1 ,dom ,sebastia1 ,dom ,felipe o ,primeiro1 e ,terceiro1 ,dom ,joa o ,quarto1 ,dom ,pedro1 e ,dom ,joa o ,quinto4 ,e em tantas e ta variadas impressoens sempre esta obra constou de cinco livros1 e cada hum de diversos titulos1 que se fora augmentando ou diminuindo conforme os directores da impressa1 como diz ,diogo ,barbosa ,machado na sua ,bibliotheca ,lusitana1 no articulo ,joam das ,regras4 ,a primeira ,educaa regular de que temos noticia da ,historia1 comeou no tempo del ,rey ,dom ,dinis2 elle mesmo foi educado por ,mestres ,francezes1 e particularmente por ,dom ,aymerico1 que foi ,bispo de ,coimbra1 que seu pay ,affonso ,terceiro tinha visto em ,frana1 quando estava cazado com a ,condessa ,mathilde4 ,este ,principe assim educado1 tanto que possuio o throno1 erigio hua ,universidade1 onde se ensinava o ,direito1 e a ,medecina2 porque a ,theologia se ensinava nos ,conventos de ,s4 ,domingos e ,s4 ,francisco4 ,continuou esta ,universidade huas vezes em ,lisboa1 outras em ,coimbra1 at os nossos tempos2 e sem embargo que nella aprendia a ,mocidade ,portugueza1 sempre aquella que mais se queria distinguir sahia aprender em ,bolonia1 ,florencia1 e ,paris1 como era costume no tempo del ,rey ,dom ,joa o ,segundo1 el ,rey ,dom ,manoel1 e ,dom ,joa o ,terceiro1 particularmente em ,paris4 ,o ,chanceller ,mor ,joa ,teyxeyra1 e seu filho ,luiz ,teyxeyra1 ,jurisconsultos doutissimos1 tinha aprendido em ,florencia1 e este ultimo com ,angelo ,policiano4 ,as sciencias que se ensina e ensinava nestas ,universidades desde o seu establecimento tanto em ,portugal1 como no resto da ,europa ,catholica1 sempre fora as mesmas2 e as decisoens do ,decreto1 das ,decretais e das ,clementinas fora ta observadas e ensinadas como as decisoens do ,concilio de ,trento3 a ,mocidade na podia aprender outra doutrina2 e quando vinha a ser ,magistrados ,dezembargadores do ,pao1 e em outros ,tribunaes1 na podia propor lei algua nova1 ou abrogar algua velha1 que na fosse conforme doutrina recebida que aprendera nas ,universidades ,catholicas2 e como os ,reis na tinha outra sorte de ,mestres1 nem de ,conselheyros1 firmava tudo o que se lhes propunha1 julgando-o util para a conservaa do ,estado4 ,deste modo he que se compuzera as ,ordenaoens2 e vemos nellas aquellas leis em favor dos ,ecclesiasticos1 como se na fossem reputados ,subditos do ,estado4 ,que sejam exemplos1 e excusos de pagarem decima1 portagem1 siza1 do que comprarem e venderem1 elles e todos os seos domesticos4 ,ord4 liv4 #b4 tit4 ,,xi4 ,julgam todas as cauzas ,mixtifori1 na sendo preventos pelas justias seculares 7o que succede rarissimas vezes74 ,ord4 liv4 #b4 tit4 ,,ix4 ,que as ,justias do ,reyno executem tudo o que a inquisia lhes ordenar4 ,ibi4 tit4 ,,vi4 e outras mais immunidades1 e ,jurisdia em materias quando ouver peccado1 como podera ver mais particularmente os que amarem esta indigaa1 nas mesmas ,ordenaoens4 ,como os ,dezembargadores que propuzera as ditas ordenaoens na tinha aprendido a differena entre hua ,monarchia fundada e conservada com a espada1 e entre aquella fundada pelo trabalho e industria1 seguira cegamente na sua composia1 mesmo at os nossos tempos1 as maximas da nossa antiga ,monarchia1 que essencialmente he a ,gothica2 conservra nellas aquelles exorbitantes privilegios aos ,fidalgos1 e aos ,dezembargadores4 ,que os seus domesticos1 lavradores1 criados1 na paguem peitas1 fintas1 pedidos1 nem talhas4 ,ord4 liv4 #b4 tit4 #eh #ei4 ,as suas pessoas na podem ser prezas por dividas nem venderem-se os ,morgados1 nem serem prezos por crimes leves4 ,ibi4 liv4 #e4 tit4 #abj4 liv4 #c4 tit4 #ed4 4 #ae4 liv4 #e4 tit4 #acd1 tit4 #be4 e outros muitos que se lem em muitos logares das mesmas ,ordenaoens4 ,desta ,origem aquellas ,leis1 destrutivas da agricultura1 e do ,comercio sobre os ,reguengos2 almotaar as carnes1 o peyxe1 os frutos1 e o pa2 prohibirem que se possa negocear com os frutos e sementes1 como se faz comercio com os panos de ,linho e de ,lam3 he verdade que os ,reis igualmente instruidos fizera1 de seu moto proprio1 ,leis destruidoras do ,estado e da ,agricultura4 ,el ,rey ,dom ,joo o segund por hum mal entendido zelo ordenou que se executassem as ,bullas dos ,summos ,pontifices1 sem serem revistas pelos seos ,ministros2 o que estava em uzo de antes1 e establecido por muitas ,concordias ou ,concordatas entre os nossos ,reis e os ,papas4 ,el ,rey ,dom ,manoel estando em aragoa decretou hua ,lei1 de seu moto propio1 sem intervena das ,cortes1 pela qual eximio todos os ,ecclesiasticos 7de7 pagarem peitas1 sisas1 e outros tributos1 que pagavam de antes1 como os ,leigos1 como diz o seu ,cronista ,damia de ,goes4 ,e o mesmo ,rey decretou outra1 com summa perda da nossa agricultura1 que os frutos e sementes que desembarcassem nos portos do ,reyno4 sendo estrangeiros1 na pagassem tributo1 portagem1 nem outro qualquer direito4 ,a ignorancia do ,jus da ,magestade1 da obrigaa que tem todas as terras1 rios1 portos1 mares1 e enseadas de pagarem ao ,estado a propora do seu rendimento2 a ignorancia da obrigaa que todos os subditos tem de pagarem1 ou com os seos bens1 ou com o servio pessoal1 tassas ao ,estado1 foi a causa daquellas ,leis das ,ordenaoens1 e ,leis decretadas por estes ,reis4 4 ,contina a mesma ,materia4 ,effeitos que causaram nos costumes as ,leis referidas ,estes privilegios e immunidades fora a cauza dos ,custumes depravados1 e por consequencia da m ,educaa1 fora os que perdera a igualdade entre os ,subditos1 considerados unicamente como ,subditos de hum ,estado ,civil2 e destruida esta igualdade1 ja na pode haver justia1 propriedade de bens1 respeito aos ,magistrados1 nem subordinao4 ,e eu1 ,illustrissimo ,senhor1 na escrevo este papel que para introduzir esta ,educaa3 na emprego tanto tempo para propor meyos que facilite a ,mocidade ,portugueza ser douta2 o meu intento he propor1 e persuadir mesmo que seja boa1 e util a sua patria1 considerando as sciencias que ha de aprender como meyos1 mas na por ultimo fim4 ,eu bem sei que para conservar a ,constituia da ,monarchia ,gothica1 que era necessarios tantos privilegios como tem hoje a ,fidalguia1 porque at o tempo del ,rey ,dom ,joa o terceyro1 conservandose o ,reyno pela conquista1 e conquistando1 era indispensavel enta premiar ta prodigiozamente aquelles que se empregava naquellas guerras4 ,mas como trato agora dos effeitos que cauzra estes privilegios nos ,custumes e na ,educaa1 pouco importa que seja fundados em justia1 ou na sem raza4 ,o ,fidalgo estando costumado aver criados e villoens nas suas terras que pertencem ,coroa1 e nos seos ,morgados1 os trata em escravos2 isto he que o criado1 nem o villa diante do ,fidalgo na he proprietario do seu corpo1 porque o senhor o maltrata quando quer2 nem dos seos bens1 nem da sua honra2 todo o bem deste ,subdito he precario4 ,daqui procede que no animo do ,fidalgo na ha justia1 porque na attende a igualdade que deve existir entre elle e o seu criado1 ou villa2 destruido este vinculo da ,sociedade1 j na ha excesso que na possa ser cometido por quem assim foi criado4 ,como pela ,ley do ,reyno na pode ser prezo por dividas1 como os seos bens na podem ser vendidos para pagal-as1 daqui vem que este ,senhor he dissipador1 nem sabe o que tem1 nem o que deve2 perde toda a idea da justia1 da ordem1 da economia2 pede prestado com mando1 maltrata1 e arruina aquem lhe refuza2 os seos domesticos imita este proceder1 e cometem propora as mesmas faltas3 o povo nas cidades1 nas villas1 e nas aldeas imita em todo o mundo1 o trato e os costumes dos ,senhores das terras2 e basta dois delles em hua ,comarca establecidos1 para fazerem perder nella toda a idea da equidade e da justia4 ,estes sa os effeitos destes ,privilegios da ,fidalguia nos ,custumes dos ,criados1 e dos ,villoens2 mas o peyor he que fica frustrado o ,cargo dos ,magistrados1 e o ,jus da ,magestade4 ,a ,fidalguia por estes ,privilegios despreza as ,justias do ,reyno1 e pelo menos dentro de si as considera para castigar somente os seos inferiores que sa o povo2 resiste1 e insulta a todo o ,magistrado que quer executar a incumbencia do seu cargo3 considerem-se estas consequencias1 e que as ,leis das nossas ,ordenaoens sa a cauza dellas4 ,mas as immunidades dos ,ecclesiasticos1 expressadas nas nossas ,ordenaoens1 destroem toda a subordinaa1 toda a igualdade1 e toda a justia do ,estado ,civil3 que a pessoa do ,ministro da ,religia seja respeitada1 considerada1 que fique isenta de todo o cargo publico1 e de servir pessoalmente ao ,estado1 he da obrigaa do ,estado ,civil ,christa2 mas que os seos criados1 e familia1 as suas terras1 o que compra e vendem1 esteja privilegiados1 na pagando as alfandegas1 etc41 como paga os ,leigos1 isso he arruinar o ,estado ,civil1 e por ultimo destruir a ,santidade da ,religia4 ,na necessito outra vez pr deante dos olhos de ,v4 ,illustrissima1 que os bens da ,coroa1 que dera os nossos ,reis s ,ordens ,militares1 aos ,bispos1 e aos ,prelados1 como aquelles que dero aos ,senhores1 era com expressa obrigaa de irem guerra1 e fazella aos ,mouros que era inimigos de dia e noite pois que estava ainda establecidos em ,portugal3 fora por ultimo expulsados2 acabouse a obrigao que tinho os ,ecclesiasticos1 ficra lhe as terras sem nenhua e por consequencia ficou o ,estado defraudado daquelle ,servio ,militar1 ou dos rendimentados daquelles bens4 ,os ,ecclesiasticos por estas immunidades1 e pelas ,leis do ,direito ,canonico1 e pelos ,privilegios dos nossos ,reys se considera huma certa ,monarchia1 cuja cabea he o ,papa2 independente del ,rey para obedecer lhe1 e para servilo1 nem com os seos bens1 nem com os seos domesticos3 considera-se superiores s ,justias do ,reyno1 e a todos os que os servem2 que os bens que tem1 e os tributos que no paga1 que lhes so devidos1 como um tributo ,igreja1 e na por favor e graa dos ,reis4 ,basta apparecer hum ,frade na ,alfandega1 para tirar a mercancia que quer2 porque o respeito que est de posse do animo dos ,guardas e do ,provedor1 e o medo da excomunha em que incorreria se lhe resistissem1 deyxava fazer o ,frade e o ,clerigo ousado2 e com raza1 porque sabe que ninguem se atrever a tocar-lhe3 nas ,provincias conserva o mesmo despotismo com os ,juizes1 com os ,meyrinhos1 e com todos os ,subditos1 quando querem exercitar os seus cargos4 ,os effeitos que cauza estas prerogativas nos animos dos ,subditos sa perderem o habito de exercitarem a sua obrigaa nos seos cargos1 contra o juramento que dera quando entrara nelles3 depois perdem aquella inviolavel veneraa que devem ter para as ,ordens do seu ,soberano1 vicio o mayor que pode haver em hua ,monarchia1 perdese toda a idea da igualdade1 da justia1 e do bem comum1 que deve existir no animo do mais infimo ,subdito4 ,deste modo cada ,portuguez quer ser ,senhor no seu estado2 reprehende ao rapas que vae cantando pela rua1 porque lhe na agrada2 e julga que tem authoridade para fazello emmudecer4 ,est em companhia1 observa algua aco que lhe na agrada1 com a mesma fantastica authoridade o reprehende e o maltrata1 porque se imagina ,senhor1 e porque o ,fidalgo faz o mesmo1 e o ,ecclesiastico1 ainda muito mais nas acoens que na sa da sua competencia4 ,por estes privilegios e immunidades fica hua ,naa ta dividida entre ella mesma1 que vem a ser insociavel2 por isso sempre armada1 sempre em defensa1 como se os seos compatriotas fossem seos inimigos declarados4 ,mas o mayor mal que cauza estas ,leis vem a ser1 que cada dia esta sahindo do estado de villa e de cidada muitos e muitos ,subditos1 para entrarem naquelle da ,nobreza1 e dos ,ecclesiasticos4 ,todos os homens leva por objecto nas acoens que fazem1 ou no trabalho que emprendem1 o proveito1 a distinca1 e a honra2 e se lhes falta estas esperanas1 esmorecem1 e perdem todos os estimulos para obrar4 ,em ,portugal todo o que na nasceo ,nobre1 ou na he ,ecclesiastico1 dezeja vir a ser menbro destes dois ,corpos respeitaveis1 adonde a conveniencia1 a honra1 a distina e o proveito tem ali o seu assento3 o ,lavrador1 o ,obreyro1 o ,official trabalha dia e noyte para fazerem hum ,clerigo1 hum ,abbade1 e hum ,cavalheyro do ,habito de ,christo2 hua viva e tres ou quatro filhas esta fiando dia e noyte para meterem um filho ,frade1 pela honra que dar familia1 e porque vindo a ser ,pregador ou ,provincial a establecer toda com honra e cabedais4 ,todo o ,comum do ,reyno est continuamente trabalhando1 e forcejando para sahir do estado em que naceo2 todo se considera violentado1 porque lhe falta aquelle ,senhorio que v no ,nobre1 e no ,ecclesiastico3 para isto servem as ,leis que temos1 e para isto somente he que gasta o ,reyno tanto1 na ,educaa das ,escolas e das ,universidades4 ,pezame1 ,illustrissimo ,senhor1 ser obrigado a dizer aqui sem rebuo1 que naquelles ,estados que tem por base a sua conservao no trabalho1 e na industria1 no ha nelles nenhuma sorte de ,subdito mais perniciozo a sua harmonia1 do que he hum ,nobre1 ou hum ,fidalgo com os ,privilegios que lhe permettem as nossas ,ordenaoens4 ,a ,nobreza he essencial naquellas ,monarchias ,gothicas como a nossa1 em quanto dependia a sua conservao de conquistar e de subjugar os seos inimigos2 mas logo que se acabou a conquista1 logo que no houve que conquistar1 he necessario que o ,legislador mude as leis3 o ,estado que tem terras e largos dominios1 e que delles ha de tirar a sua ,conservao1 necessita decretar ,leis para promover o trabalho e a industria1 e derogar ou abrogar aquellas que se establecera no tempo que adquiria com a espada4 ,deste modo podia ficar os ,ecclesiasticos possuidores das villas1 e terras que tem2 podia ,alcobaa ficar com as suas trinta e duas villas1 e a ordem de ,malta com quatorze ou quinze3 mas que pagassem aquelles bens de raiz do mesmo modo que os dos villoens2 que os mesmos lagares1 moinhos1 e azenhas no tivessem privilegios2 que a jurisdia que tem tornasse ,coroa de donde sahio1 e que o equilibrio entre os bens do ,subdito se restablecesse1 para fundar-se aquella to natural ,ley da propriedade dos bens1 base da ,monarchia fundada no trabalho e na industria1 entre as quais entrou a nossa1 depois que no temos que conquistar1 o que veremos pelo discurso deste papel4 ,no anno de #aejj pouco mais ou menos1 ,henrique ,septimo de ,inglaterra queria diminuir os privilegios da ,nobreza 7que gozava dos mesmos como a nossa71 e ao mesmo tempo queria introduzir a agricultura e o comercio1 desconhecido antes naquelle ,reyno2 sem violentar nenhum ,nobre1 sem tirar-lhe nenhum privilegio executou o que quiz1 e foi a base da grandeza daquella ,monarchia4 ,decretou huma ley3 ,que cada ,baro1 ou ,senhor de terras vinculadas1 ou pertencentes ,coroa1 ou a ,morgados1 ficava authorisado de as vender1 alienar1 ou arrendar1 dispondo-se de toda a posse e uzo-fruto dellas4 ,o que succedeo que foi como naquelles tempos comeava o luxo1 os ,senhores pouco a pouco fora vendendo1 e alienando as suas terras1 as quais comprava aquelles que tinha dinheyro2 deste modo viera os bens livres e se introduzio a igualdade e a justia naquelle ,reyno1 e foi conhecida a propriedade dos bens de cada ,subdito4 4 ,contina a mesma materia4 ,e sobre a ,escravidam1 e sobre a intolerancia ,civil ,temos visto que da ,educaa das ,escolas e ,universidades procedera as nossas ,ordenaoens2 temos visto que das ,leis que temos1 procedem os nossos custumes3 agora veremos que dos privilegios da ,fidalguia concedida pela constituia da ,monarchia ,gothica1 se seguio a escravidam4 ,he facil conceber esta consequencia3 porque todas as ,naoens conquistadoras como as do ,oriente1 os ,gregos1 ,romanos1 e ,godos1 conhecera1 e uzara dos povos vencidos por escravos4 ,esta pratica se conservou em ,portugal pela conquista do ,reyno contra os ,mahometanos2 e se continuou pela conquista de ,guin e de ,angola4 ,hoje he permitida em todo o ,dominio ,portuguez2 e na creyo que at agora ninguem cuidou ponderar os males que causa ao ,estado1 ,religia1 e ,educaa da ,mocidade4 ,a escravida sem termo1 como he a que se practica em ,portugal1 he pernicioza ao ,estado4 ,porque no recupra pelos ,escravos1 os ,subditos que perde na conquista1 na navegaa e nos establecimentos que tem na ,africa4 ,j disse que os ,romanos permitia aos escravos cazaremse1 mesmo ainda com as molheres ,romanas1 e que os seus netos vinha a ser cidadoens1 e deste modo cada anno recuperava a ,republica pela escravida1 o que perdia pela conquista4 ,portugal na tem sena a perda dos ,subditos por estas victorias e acquisioens4 ,eu no posso conceber como os ,ecclesiasticos no tem remorsos de consciencia em permitirem que fique escravo o menino que naceo de ,pay ou ,may escrava1 no meyo do ,reyno e da ,religio ,catholica4 ,que o adulto que foi captivo1 ou comprado na ,affrica1 ou na ,isla de ,s4 ,loureno1 fique escravo depois que foi bautizado1 passe por razoens politicas1 e na por aquellas do ,evangelho2 mas que o mesmo se uze com seu filho nacido nos ,dominios ,portuguezes1 e bauptizado nos braos da ,may ,christa1 isto he para mim incomprehensivel6 ,aqui s sa incoherentes as maximas ,ecclesiasticas3 ellas governra a ,republica ,christa e ,civil1 estendendo o seu poder fora da ,igreja1 e governando a ,sociedade ,civil em todo o ,dominio da ,monarchia como vimos3 mas pela ,religio ,christa todos os ,fieis sa iguais em quanto observa os ,mandamentos da ,igreja2 porque consentem os ,ecclesiasticos esta desigualdade de ,escravo e ,homem livre entre os mesmos ,christos2 porque na estendem fora da ,igreja esta igualdade1 e fazem entrar os ,escravos ,christos na classe do ,subdito livre1 e cidado8 ,esta contradia he notoria2 e indigna de conservar-se na ,christandade1 pela honra1 pela ,santidade1 e pela veneraa que devemos ter para a ,religia ,christa4 ,se eu pretendera smente que a ,mocidade ,portugueza fosse perfeitamente instruida1 como ja disse assima1 no havia de reprovar a ,escravidam introduzida em ,portugal3 o meu intento he que seja dotada de humanidade1 de aquelle amor de conservar os seos semelhantes1 e de promover a paz e a unia da sua familia1 como aquella de toda a sua patria4 ,mas no he possivel que se introduza estas virtudes em quanto hum ,senhor tiver hum ,negro a quem d hua bofetada pelo menor descuido2 em quanto cada menino1 ou menina1 rica1 tiver o seu negrinho1 ou negrinha4 ,aquella ,companhia ta intima pela criaa altera o animo daquelles ,senhorinhos1 que fica soberbos1 inhumanos1 sem idea alguma de justia1 nem da dignidade que tem a natureza humana4 ,eu vivi muitos annos em terras adonde a escravida dos ,subditos he geral1 e vi e observei que nellas na se concebe idea da humanidade1 e corao maviozo1 capas de obrar acoens de justia1 de ordem1 com aquelle amor para a especie humana4 ,por esta raza na creyo que se poder establecer jamais educaa boa nem perfeita naquelle ,estado1 adonde a ,escravida estiver introduzida1 ou a tempo1 ou sem termo4 ,esta materia he ta clara que com razoens ninguem se poder convencer1 se elle mesmo na reflectir interiormente1 lembrandose do que vio1 e ouvio nesta materia1 e cada ,portugues ter muitas provas do que digo assima4 ,como dos ,privilegios dos ,fidalgos e da ,nobreza procedeo a ,escravidam1 assim das ,immunidades ,ecclesiasticas1 procedeo a ,intolerancia ,civil4 ,mas aqui1 ,illustrissimo ,senhor1 necessito eu mais o seu favor e a sua benignidade1 para permittirme que diga alguma couza de hua materia1 da qual ninguem ouzou mesmo fallar onde o poder ,ecclesiastico teve o menor ascendente nas monarchias4 ,nem persuado1 nem aconcelho nos nossos dias1 a ,liberdade da consciencia nos ,dominios de sua ,magestade3 nem escreverei contra as decisoens da ,igreja universal1 s quais sempre me submeto1 sendo hua das principaes1 que fora da ,igreja no ha salvaa2 nem contra os ,politicos que assentra1 ha #bjj annos1 que a donde existirem muitas ,religioens com liberdade de consciencia no mesmo ,estado1 que haver sublevaoens1 guerras civis1 traioens1 e ruina total do ,estado1 que he o mayor mal que pode succeder ao genero humano em ,sociedade4 ,eu no farei agora sobre as referidas decisoens1 mais do que alguas observaoens fundadas no conhecimento das cousas ordinarias1 e na experiencia que tenho dos ,estados onde a liberdade de consciencia he permitida e premiada3 nem me valerei de authoridades1 nem ainda daquellas sagradas1 nem dos ,santos ,padres1 a favor da ,tolerancia1 mesmo ,christa2 e por ultimo mostrarei a ,v4 ,illustrissima1 o prejuizo e o dno que cauza boa educao a ,intolerancia1 e que parece impossivel introduzir-se o trabalho e a industria1 como base de hua ,monarchia1 onde existir esta ,lei4 ,que nas ,congregaoens dos primeyros ,christas1 que nos ,conventos no fosse nem seja permitido ,christa ou ,frade1 que no seja da mesma ,religio1 he justo e he necessario1 porque a sua ,constituio e consentimento comum assim o requeria3 mas que estas ,congregaoens1 ou ,conventos queyra obrigar com prizoens e excomunhoens aos ,subditos do ,estado que seja ,christas1 he contra a ,ley ,christa1 que ordena na violentar as consciencias de quem na he ainda ,christa3 a questa agora he se estas ,congregaoens1 ou ,igrejas ,christas tem poder coactivo para obrigar hum ,christa bauptizado ja1 continuar na pratica da mesma ,religia no cazo que na queyra observala1 ou mesmo declamar e escrever contra ella8 ,nenhum ,bispo1 nem ,prelado tem poder coacitvo1 nem mesmo por auctoridade divina3 todo o seu poder he espiritual4 ,os ,emperadores ,romanos do quarto e quinto seculo concedera algum poder aos ,ecclesiasticos sobre os ,seculares ,christas2 e este poder se augmentou quando os ,bispos viera em ,frana1 e em ,espanha ,senhores de terras com jurisdio1 como vimos assima4 ,mas este poder de que uzra1 e uza ainda os ,bispos1 e o seu ,appendix que he a ,inquisia1 he hua uzurpao da ,jurisdia da ,magestade2 e he contrario instituia da ,religia ,christa4 ,o ,poder ,ecclesiastico he e deve ser sobre aquelle ,christa que vai espontaneamente offerecerse ,igreja para satisfazer sua consciencia3 mas no tem direito nenhum sobre aquelle christa1 ou ,gentio que no quer entrar na ,igreja4 ,logo os ,ecclesiasticos no podem assentar por maxima universal que a ,tolerancia1 ou ,liberdade de consciencia1 he ,contraria ,conservao da ,religio4 ,he contraria na verdade naquellas ,congregaoens ,christas1 e ,conventos2 he contraria entre os mesmos socios1 e que vivem de comum consentimento em communidade de bens1 mas de nenhum modo he contraria conservao do ,estado ,civil4 ,ponhamos diante dos olhos o que se practica em ,hollanda1 e sobre tudo em ,russia3 nestes dois ,estados tem livres exercicios todas as ,religioens1 que na sa contrarias s ,leis fundamentais delles4 ,em ,hollanda1 como em ,russia ha ,igrejas ,catholicas ,romanas2 os ,catholicos que vivem ali va espontaneamente ,igreja1 e se conforma doutrina e disciplina ,christa ,catholica3 hum destes1 por exemplo1 se na quiz confessarse1 se quiz mudar de ,religia1 ser ,calvinista1 ou da ,religia ,grega1 que he a dominante de ,russia1 o ,parrhoco1 ou ,missionario na tem que fazer com este ,apostata2 negalhe os sacramentos1 e obriga-o a sahir da ,igreja1 se quer entrar nella3 mas na tem outro poder4 ,mas se este ,apostata cometeo algum crime1 ou fez aca contraria ,ley civil da terra1 he castigado por ella4 ,deste modo se v o que he a intolerancia ,christa e o que he a tolerancia civil3 esta pode existir sem prejuiso algum da ,religia ,christa2 mas aquella na1 por que o ,apostata poder persuadir a seus antigos ,irmas em communidade de largar a ,religia1 como elle fez4 ,a experiencia de quasi trezentos annos a esta parte mostrou estes dois principios1 incriveis1 e mesmo absurdos no tempo de ,carlos quinto e de ,phelipe segundo2 sa estes1 #a4o ,que nos ,reynos adonde ha liberdade de consciencia1 cada dia sahem das ,religioens toleradas1 que deyxa e abjura1 para abraarem a ,religia dominante4 #b4o ,que em todos os ,reynos onde existe a intolerancia civil1 que cada dia perdem ,subditos1 que abjura a ,religia dominante1 para abraarem outra1 ou tolerada no mesmo ,reyno1 ou dominante nos outros ,reynos4 ,no ,imperio dos ,turcos cada dia os ,christas ,gregos1 ,armenios1 e de outras ,religioens abraa a ,religia ,mahometana3 em ,inglaterra os ,christas chamados ,quakers ou ,tremedores e ,anabaptistas1 e outros1 abraa a ,religia ,anglicana4 ,em ,russia do mesmo modo tem feito muitos ,protestantes1 ,catholicos1 e ,mahometanos abraando a ,religia dominante que he a ,grega4 ,pelo contrario em ,italia1 ,frana1 ,castella e ,portugal1 adonde existe a intolerancia civil1 ta severamente observada1 cada dia sayem ,italianos a ser ,protestantes1 ,socinianos1 e s vezes ,turcos4 ,de ,frana se conta que cada anno sayem entre quatro a cinco mil para abraarem o ,calvinismo4 ,de ,castella e ,portugal na quero dizer quantos sayem abraar o ,judaismo1 o ,mahometismo1 e o ,protestantismo3 mas he certo que na ,suissa1 ,inglaterra e em ,hollanda ha muitos destas ,naoens que na sa ,catholicos ,romanos4 ,a intolerancia dos nossos ,bispos e ,missionarios nas ,indias ,orientais foi a original cauza que os indios bautisados se fizera ,calvinistas1 que ficara na ,dominaa dos ,hollandezes1 dos ,inglezes e ,dinamarquezes3 a intolerancia dos ,reis ,catholicos1 do ,cardeal ,cyreiros1 e do ,frade ,torquemada fez hum prodigioso numero de ,judeos e de ,mouros1 que viera a ser os ,corsarios de ,tunes1 ,argel e ,sale1 que tem feito arrenegar tanto ,christa1 e destruido tanta riqueza nos resgates e nos navios1 que vem da ,america1 e que negoceam4 ,em ,hollanda1 ,russia1 e ,prussia1 jamais houve a minima discordia1 levantamento1 traia por cauza da ,religia1 em quanto por ,leis esteve establecida a liberdade de consciencia universal a todas as ,religioens4 ,de onde se v que a differena das ,religioens na he contraria paz1 nem concordia1 nem caridade que deve reynar no ,estado ,civil bem unido e bem governado4 ,na he deste lugar1 ,illustrissimo ,senhor1 considerar aqui a ,intolerancia ,civil nos ,reynos que conquistamos na ,affrica e na ,asia1 porque vou applicar o referido ,educaa da ,mocidade3 mas de passo direi que era impossivel conservar o que conquistara os ,portuguezes1 sendo intolerantes das ,religioens daquellas ,naoens conquistadas3 ,naoens1 tanto a ,mahometana ou ,indiana1 que na conhecem tal maxima1 qual he a ,intolerancia3 toda a ,asia e toda ,affrica sa tolerantes2 e ns queriamos fundar nestes povos subjugados ,imperio ,portuguez4 ,como a ,escravidam cauza distina e preeminencia entre os ,subditos1 assim a ,intolerancia ,civil poem hum muro de separaa entre o ,christa da ,religia dominante1 e o persecutado1 ou o intolerado3 com raza o ,christa ,catholico em ,portugal1 ou ,castella1 se considera milhor que o ,calvinista1 ou o ,judeo de sinal1 fallalhe com agrado pelo interesse1 e na alma o despreza1 e o tem como couza danada1 indigno da humanidade e ,caridade ,christa1 porque na cr como elle4 ,assim se vai criando naquelle animo hua aversa para a humanidade2 hum odio para os ,homens que na esta sujeitos s mesmas ideas que elles crem1 e adora2 daqui viera aquellas tyranas inhumanidades1 que exercitra os ,castelhanos na conquista da ,america1 e nos ta bem em alguns lugares de ,affrica4 ,se a escravida faz perder aquella igualdade civil que faz o vinculo e a fora do ,estado1 a intolerancia faz perder aquella humanidade1 que he o dezejo de a conservar para imitar o ,supremo ,creador1 que tudo creou1 e tudo est continuamente conservando4 ,estes sa os males que couza a ,escravidam e a ,intolerancia civil ,educaa da ,mocidade2 quem mais tiver a peito a sua perfeia e adiantamento1 pensar de que modo se devem exterminar estes obstaculos4 4 ,que a nossa ,monarchia se podia conservar com a ,educaam ,ecclesiastica1 que tinhamos1 em quanto conquistava3 mas que nam he sufficiente depois de acabadas as ,conquistas ,se as ,leis se devem mudar1 tanto que muda as circumstancias nas quaes se conservava o ,estado ,politico civil2 assim he necessario mudar a ,educaa da ,mocidade no mesmo ,governo4 ,como todo o intento do ,legislador deve ser1 conservalo e augmentlo1 no hesitra jamais de comear a reformar o que se pode emmendar1 sem que da emmenda ou reforma resulte mayor dano que beneficio4 ,as urgentes necessidades da ,monarchia ,gothica se reduzia ter bons ,soldados e ,generais sempre promptos a guerrear1 como um exercito acampado3 as ,leis politicas e civis se continha no limitado circulo das ,assembleas geraes da ,naa ou ,cortes2 a propriedade dos bens1 os conctratos e as successoens1 sendo os povos ,escravos1 era raras vezes postas em litigio1 exceptuando no ,tribunal das ,cortes1 nas quais os ,juises1 os ,conselheiros1 os ,secretarios1 os ,letrados era os ,ecclesiasticos4 ,deste modo na necessitva o ,estado mayores conhecimentos1 nem establecimentos para conservarse2 e seria enta inutil 7at o anno de #adej pouco mais ou menos7 haver hum ,tribunal para a ,navegaa e o ,comercio4 ,e como a ,monarchia ,gothica na conhecia o ,direito das ,gentes1 considerando as mais ,potencias como inimigas1 daqui vem que na necessitava ter ,escolas1 para aprender a ,historia antiga e moderna1 as ,lingoas que se falla hoje1 aquellas sciencias que ensina a governar os ,estados e a conservalos por allianas e a dirigirem-se para perpectuar hua paz com reputaa da ,monarchia4 ,mas estas circumstancias em que se conservou a ,monarchia acabra1 e se levantra em toda a ,europa outras mui differentes1 e tabem no ,reyno1 o que mudou totalmente o ,estado ,politico e ,civil do mundo ,christa conhecido4 ,d4 ,affonso o ,v1 e ,dom ,joa o segundo1 fora os primeiros ,reis ,portuguezes que da conquista das ,ilhas de ,guin e de ,angola tivera riquezas1 e os ,subditos comeara a ter cabedais3 trinta annos depois descobre ,christova ,colombo a ,america1 e o nosso ,pedro ,alvares ,cabral poucos annos depois o ,brazil3 e no anno de #adig descobrio ,vasco da ,gama a ,india ,oriental4 ,as riquezas que viera destes ,continentes descobertos1 em ouro1 prata1 pedras preciozas1 especiarias1 sedas1 roupas1 e outras commodidades da vida para o luxo e para as artes1 mudara a face da ,europa totalmente4 ,e foi preciso a ,portugal1 e a ,espanha acrescentar constituia ,gothica1 com que se governava1 aquella do trabalho e da industria1 que na subsiste sem artes e sciencias4 ,como em ,portugal nem em ,castella havia todos os materiaes para fazer navios1 em ta grande numero1 para navegar para os novos mundos1 os comprava em ,genova e no ,norte3 como na tinha fabricas1 nem para todo o vestido1 nem para o luxo1 comprava estas mercancias em ,flandres1 em ,frana1 ,inglaterra e ,allemanha1 e tabem em ,veneza e ,florena1 ,reynos que estava ja com mais artes e fabricas do que nos tinhamos e os ,castelhanos4 ,lisboa e ,sevilha viera as feiras de todo o mundo2 ali se trocava as mercancias da ,europa1 pelas riquezas do ,oriente e da ,america1 como em ,portugal na havia fabricas sufficientes1 passavam de ma em ma aquelles thesouros at irem parar na ma de quem trabalhou1 o que passava a ,india1 o que succedia igualmente com ,castella4 ,deste modo toda a ,europa mudou de face3 de antes se conservava roubando e conquistando1 depois das ,descobertas dos novos mundos comeou a conservarse pelo trabalho e industria1 base da ,navegao e do ,comercio4 ,outra novidade na menos notavel alterou o ,governo ,gothico da ,europa1 e fora as sciencias e o conhecimento da ,historia ,antiga4 ,mahomet ,,ii subjuga o ,imperio ,grego1 e toma ,constantinopla no anno #adec1 dezampra muitos ,gregos1 homens doutos1 a sua patria1 acha refugio em ,italia1 e protea no ,papa ,nicolau ,v1 na casa de ,medicis1 e na de ,este3 communica aos ,italianos a ,lingoa ,grega1 e as sciencias que nella se continha2 e como de toda a ,europa hia estudar a ,bolonia1 ,padua e ,florena1 em poucos annos se espalhou por toda ella1 pelo menos aquelle conhecimento das ,historias da antiguidade1 a ,eloquencia e a ,philosophia ,moral de ,plata e de ,aristoteles1 e fora bastantes estes conhecimentos1 para que toda a ,europa mudasse o modo de pensar1 em que tinha vivido quasi por #ae seculos4 ,desde aquelle tempo comera os ,europeos a conhecer ,direitos da ,magestade2 a ,jurisdiam ,ecclesiastica2 a ,subordinaam aos ,magistrados3 e desta origem disputada e agitada com mil controversias1 sempre com mayor animozidade1 que caridade christa1 resultou o ,lutheranismo e o ,calvinismo1 e outras iguais transaoens1 mostrandose que nenhum bem succede ta puro aos homens na sociedade1 que na vinha abrindo a porta a algua desventura4 ,neste mesmo tempo se descobrio a arte da ,impressam1 ou em ,francofort1 ,strasburgo ou ,harlem1 e se communicou por este meyo a sciencia ta rapidamente1 que vinte annos depois j muitos ,europeos era celebres nas ,sciencias ,divinas e humanas4 ,j se tinha descoberto a polvora1 e com a ajuda da ,geometria edificrase fortalezas conforme as regras daquella sciencia2 e mudou esta preparao chimica o modo de fazer a guerra em todo o mundo4 ,todos estes conhecimentos descobertos no espao de pouco mais de um seculo dera fundamento a formarse ,europa como hua grande ,republica2 a communicarem-se as suas ,potencias1 como amigas1 e a conhecerem as obrigaoens da humanidade1 como he da obrigao de cada homem com outro1 conservaremse mutuamente em quantos ambos tem daquella amizade a sua conservaa4 ,desde aquelle tempo comeou a minarse e a desfazerse a constituio da ,monarchia ,gothica1 fundada na fora e na violencia2 e no mesmo comeou abrotar o fundamento da ,monarchia ,politica e ,civil1 que tantas vezes dissemos1 consiste na igualdade dos ,subditos 7no das condioens7 na propriedade dos bens1 no trabalho e na industria4 ,necessitava tanto ,portugal comear a mudar as ,leis do ,reyno no tempo del ,rey ,dom ,manoel e de ,dom ,joa o ,terceyro1 que ainda na supposia que ,inglaterra e ,flandres1 e de algum modo ,frana as no mudasse 7como mudra71 era-lhe preciso tomar esta necessaria precaua4 ,porque tendose acabado as guerras com os povos ,conquistados1 estava na indispensavel obrigao de conservar estas conquistas2 e para conservalas1 nenhum outro meyo lhe ficava do que pelas disposioens seguintes4 ,nas conquistas adonde os povos era benignos e mansos1 adonde na havia temor que se levantassem1 estabelecer ali a agricultura e as artes que necessariamente dependem della3 naquellas onde os povos era feroces1 e que levava mal o jugo1 o comercio com a agricultura devia ser promovido entre elles3 nenhua couza faz os homens mais humanos e mais doceis1 do que o interesse3 o comercio tras consigo a justia1 a ordem e a liberdade3 e estes era os meyos1 e o sa ainda1 de conservar as conquistas que temos4 ,agricultura e ,comercio sa as mais indissoluveis foras para sustentar e conservar o conquistado3 mas esta vida de ,lavradores1 de ,officiaes1 de ,mercadores1 de ,marinheiros e ,soldados1 no se conserva com privilegios dos ,fidalgos1 com immunidades e jurisdia civil dos ,ecclesiasticos1 com escravida e com a intolerancia civil4 ,na se conserva com a educaa de saber ler e escrever1 as quatro regras da ,arithmetica1 latim1 e a lingoa patria1 e por toda a sciencia o catechismo da doutrina ,christa2 na se conserva como ocio1 dissolua1 montar a cavallo1 jugar a espada preta1 e ir a caa3 he necessaria ja outra educaa1 porque j o ,estado tem mayor necessidade de ,subditos instruidos em outros conhecimentos3 ja na necessita em todos elles aquelle animo altivo1 guerreyro1 aspirando sempre a ser nobre e distinguido1 at chegar a ser ,cavalheyro ou ,eclesiastico4 4 ,objecto que devia ter a ,educaam da ,mocidade ,portugueza1 no tempo del ,rey ,dom ,joam ,o ,terceyro1 e parece que ainda hoje ,todos sabem que o objecto da ,educaa da ,mocidade deve ser proporcionado s leis e aos costumes do ,estado a quem ella pertence3 he superfluo relatar aqui a ,educao dos ,persas1 dos ,lacedemonios e dos ,romanos4 ,as ,leis destas ,monarchias1 era militares1 o seu objecto era vencer e conquistar1 como era o das ,monarchias ,gothicas2 e a sua educao era militar4 ,para determinarmos o objecto da ,mocidade ,portugueza naquelle tempo desde o anno de #aejj at #aehj1 quando ,portugal cahio debayxo do jugo ,castelhano1 vejamos em que estado se achava enta1 e os ,reynos seos vizinhos da ,europa4 ,el ,rey ,dom ,manoel e el ,rey ,dom ,joa o ,terceiro nunca tivera guerra na ,europa3 e este ,rey foi o que deyxou aquella conquista da ,affrica1 conservando somente tres ou quatro portos ou praas naquelle ,continente3 resoluo parece acertada1 ja que tinha determinado destruir todos aquelles que na era ,catholicos ,romanos1 ou convertelos3 as riquezas da ,affrica e de toda a ,india ,oriental 7porque do ,brazil1 exceptuando papagayos1 algua madeyra1 e asucar1 na chegava a ,portugal outro rendimento7 cobria as prayas de ,lisboa3 estas immensas riquezas a mayor parte dellas procedidas da conquista de mar e terra1 outra dos tributos dos ,regulos conquistados se distribuia pelo ,soberano1 pelos ,fidalgos e valentes ,soldados1 e pelos ,ecclesiasticos3 tanta riqueza nos primeyros trouxera o mayor luxo que jamais tinha visto ,portugal3 el ,rey ,dm ,manoel com pessimo concelho foi o primeiro que deyxou o vestido ,portuguez nas ,solemnidades1 vestindose huas vezes ,flamenga1 e outras ,franceza3 prodigiosa quantidade de ,conventos se edificra de novo por estes annos1 de ,capellas e de ,oratorios1 mas he reparar que na se augmentra as parrhochias3 crescera as immunidades dos ,bispos e dos ,prelados2 a sua jurisdia pelo novo ,tribunal da ,inquizia e poderem por sua ordem por seos ,meyrinhos e ,familiares prender os leigos3 porque esta ,monarchia j formada tinha para fazer os gastos nas suas pretenoens4 ,mas no ,reyno na se fabricava nenhua materia de luxo1 nem ainda tudo o necessario para viver1 pois que no anno de #aeai1 libertou el ,rey ,dom ,manoel os trigos e mais sementes estrangeiras de pagarem direitos da alfandega3 indicio certo que faltava gente que cultivasse4 ,era preciso que todas aquellas riquezas fossem parar em ,inglaterra1 ,italia1 ,frana1 e em ,flandres2 muita parte tabem em ,roma4 ,como o povo ,portuguez na entrava na ,legislaa da ,monarchia ,gothica1 nenhua parte d'aquellas riquezas se distribuia por elle2 e exceptuando alguns ,palacios em ,lisboa e quintas1 e coutadas dos ,arredores1 ,igrejas e ,conventos1 nada ficava mais em ,portugal destas riquezas3 assim vemos ainda o ,reyno sem caminhos1 sem pontes1 com os portos e fozes dos rios entupidas1 sinal certo que na se espalhra aquellas riquezas pelos officiaes1 nem pelos ,mercadores do ,reyno4 ,se el ,rei ,dom ,joo o ,terceyro fosse ta tolerante com os seos ,subditos1 como ,carlos ,quinto com ,castella e ,flandres1 poderia repartirse muita parte destas riquezas das ,indias por todo o ,reyno3 havia naquelle tempo em ,lisboa milhares da descendencia dos ,judeos bautizados1 que comerava com as ,naoens ,estrangeiras3 a ,inquizia desde o anno de #aedd ou #aede1 fez tal estrago nestes ,mercadores1 que a mayor parte se foi establecer em ,anveres1 ,londres e ,hamburgo1 e no s levra ,cabedais immensos1 mas ensinra quellas ,naoens mercadoras ja1 o comercio da ,navegao ,portugueza2 e desta origem veyo aquella potente ,companhia das ,indias de ,hollanda e a de ,inglaterra fundadas pelos annos de #afjj pouco mais ou menos4 ,quando considero as imensas riquezas que chegra aos portos do ,reyno1 quasi por oitenta annos1 e que todas hia parar nas mas de quem trabalhava o que dispendia os ,portuguezes1 pareceme que era impossivel conservarse ,portugal por hum seculo mais1 ainda que na viesse a cahir 7como veyo7 debayxo do dominio ,castelhano3 porque estas riquezas fizera os ,inglezes1 os ,hollandezes1 os ,hamburguezes1 e muita parte da ,italia1 ricos e potentes1 augmentandose na agricultura1 nas artes e nas sciencias1 e do estado em que estava antes bem moderado e mesmo abatido1 viera depois da descoberta dos dois mundos1 poderosos e altivos a poder molestar os seos ,descobridores4 ,hua como epidemia affligio e transtornou o juizo quasi de toda a ,europa desde o anno de #aebj1 quando ,luthero em ,saxonia comeou a pregar contra as indulgencias1 em ,suissa ,zuinglio1 e ,calvino em ,frana1 contra a ,eucharistia1 primazia do ,papa1 e celibado dos ,clerigos1 que poz em confuza estes ,estados1 e tabem ,flandres e ,inglaterra4 ,como todos estes ,potentados era ,catholicos1 e pelas suas ,leis1 a heresia era condenada com penas de bens1 cargos1 honras1 e mesmo da vida1 desta origem se augmentou o trabalho e a industria prodigiosamente3 porque as familias persecutadas ficando pobres1 s no trabalho tinha o seu sustento4 ,muitos mais ouzados se fizera pyratas1 assaltara as nossas frotas e as ,castelhanas1 e buscra remedios a sua persecuo3 deste modo passara de ,frana muitos milhares para ,inglaterra no tempo da ,reyna ,izabel1 e tabem de ,flandres1 quando ,phelipe ,segundo1 bem differente de proceder de seu pay1 e seu ,tio o ,emperador ,fernando1 persecutou e destruio tantos ,flamengos4 ,nestes tempos he que se estabelecera ta immensas e ricas manufacturas em todo o genero de mercancia por todos aquelles que abraara o ,protestantismo que at infectou muitos lugares de ,italia1 donde sahira muitas artes para se cultivarem no ,norte4 ,este incidente do ,protestantismo1 junto com a severidade das ,inquizioens de ,castella e de ,portugal em todos os seos ,dominios1 fizera estas ,naoens mais pobres1 e mais faltas de ,subditos uteis4 ,parece que o ,concelho de ,estado de ,dom ,joa o ,terceyro e de el ,rey ,dom ,sebastia tomava de proposito as resoluoens mais contrarias conservaa de ,portugal e da ,india4 ,nesta parte do mundo queria establecer a ,religia1 pela fora e pela intolerancia2 o ,estado ,militar e ,civil pela tyrania e pelas ,leis ,civis3 establecera ,bispados1 ,cabidos1 ,conventos e ,seminarios1 ,tribunaes ,civis2 a mesma constituia da ,monarchia ,gothica1 com privilegios aos ,fidalgos1 e com immunidades aos ,ecclesiasticos1 conservando a ,escravido e a intolerancia3 o que tudo era ignorancia ou insano zelo dos ,conselheyros1 porque o objecto de conservar e de augmentar aquellas conquistas e ,colonias1 devia ser a navegaa1 o comercio1 a agricultura1 a igualdade dos ,subditos2 hua ,justia ,civil1 para julgar as couzas do comercio1 onde os ,mercadores fossem os ,juizes1 sem ,letrados1 nem ,procuradores2 hua justia para o crime1 semelhante do ,auditor de um exercito em ,campanha2 para manter e espalhar a ,religia1 ,somente ,missionarios ,portuguezes 7e na ,estrangeyros como foi e he de costume7 sem ,jurisdia1 poder nem auctoridade1 nem nas ,igrejas1 nem nos ,christas ,portuguezes nem ,indios2 e cada um destes ,missionarios devia ter a sua parrhochia2 e se houvesse mais ,missionarios que ,igrejas1 ficaria determinado o numero exorbitante nas mesmas parrhochias sem poder de adquirir bens de raiz3 na era necessarios ,bispos1 nem aprender ,latim1 nem ter impressoens2 muito menos ,tribunal da ,inquizia para castigar feyticeiros e embusteyros ,indios1 practicas de ,castella na ,america1 e que nos imitmos risca nos nossos ,dominios4 ,no tempo referido de el ,rey ,dom ,joa o ,terceiro chegou a constituia do ,reyno a tal estado1 que no cazo mesmo que no estivessem descubertas tantas ,ilhas e tantos portos das tres partes do mundo1 era de boa politica mudar o systema das ,leis3 a constituia da nossa ,monarchia sendo s para guerrear e ,conquistar1 era fora que acabasse logo que hua paz durasse por #hj ou cem annos3 porque nenhua ,lei1 nem ,educaa da mocidade1 havia para se empregar a ,nobreza neste tempo do descano4 ,esta foi a causa1 porque nestes tempos chegra os vicios ao cume de toda a perversidade2 a ,nobreza rica1 era soberba1 ocioza1 e por consequencia sepultada nos vicios de toda a dissoluo1 do jogo1 de comidas e trages3 e gastando sempre mais que as suas riquezas1 cometia mil extorsoens1 arruinando deste modo aquella regularidade que deve haver nos portos do comercio4 ,nesta situao pertencia ao ,legislador establecer por degros alguas ,leis que serviam de fundamento a hua ,monarchia mista de ,militar e de ,civil2 isto que conservaria hum exercito1 e hua frota1 onde na haveria destina algua do nascimento1 mais que aquella que daria o gro ,militar2 e ao mesmo tempo1 imitando ,henrique ,septimo de ,inglaterra1 que por hua ,ley ordenou era livre a cada ,senhor ,bara ou ,morgado1 vender ou alienar as suas terras1 e supprimirlhe os privilegios de na serem vendidas por dividas3 abolindo e suprimindo todos os ,monopolios dos lagares1 moinhos1 etc41 como do comercio2 e prohibindo que ninguem pagasse o que devia em frutos1 exceptuando os dizimos4 ,deste modo se extinguira igualmente aquelles privilegios da ,nobreza1 como ella se vai extinguindo pelo ocio e pelos vicios2 pois que no tempo del ,rey ,dom ,manoel havia duzentas cazas de ,fidalgos1 e hoje na chega a sesenta4 ,resultaria daqui que os ,cidadoens1 que tinha adquirido ,cabedaiz ganhados com as mercadorias das conquistas1 entraria sem privilegios naquelles bens2 j estes pagaria tassas e os seus ,criados1 como os bens dos ,villoens2 e comearia pelo comercio1 e agricultura establecerse a igualdade1 o trabalho e a industria no ,reyno1 como se estableceo desde ,henrique ,,vii em ,inglaterra4 ,todas as ,ordenaoens devia ser reformadas2 supprimir alguns ,tribunais que enta existia1 e em seu lugar erigir outros para establecer e conservar1 ou pr em execua1 as novas ,leis que devia decretarse para establecer a agricultura1 o comercio e a ,educao da ,mocidade proporcionada quellas ,leis4 ,determinadas e decretadas assim as ,leis do ,reino para sustentar um exercito e hua frota para defensa dos ,dominios proprios e adquiridos1 e ao mesmo tempo1 para establecer o trabalho e a industria1 seria j necessario mudar a ,educaa da ,mocidade ,portugueza1 apercebendose facilmente o ,legislador1 que na tinha ,subditos para executar esta segunda parte da ,constituia da ,monarchia4 ,sempre a ,educaa das ,escolas ,seguio a ,legislaa do ,potentado a donde esta establecidas3 e o ,poder1 ,jurisdia ,real estava enta reduzida aos dois ,tribunaes do crime e do ,civil1 e todo o seu objecto e exercicio1 era castigar os delitos1 e metter cada hum na posse dos seos bens4 ,mas faltava naquella situaa hum ,tribunal de economia universal no ,reyno e nos seos ,dominios3 faltava um ,tribunal do ,comercio1 com jurisdia especial para que as suas cauzas se processassem de modo mui differente e mais summario1 do que he a practica do ,direito ,civil3 faltava um ,tribunal ta bem que tivesse a seu cuidado a ,educaam da ,mocidade1 e a correa dos costumes2 couza na verdade desconhecida na ,legislaa dos ,reynos ,catholicos1 porque os ,ecclesiasticos tinha tomado sua conta estas incumbencias3 mas apezar do seu zelo na vemos que naquelles tempos se prevenia nem os crimes1 nem os maos costumes1 nem os erros da ,f2 porque aquelle seculo foi o mais estragado e luxurioso1 que conheceo ,portugal2 e como a ,inquizia castigou mais de cinco mil apostatas ,portuguezes1 era fora que fossem muito mal instruidos na ,religia ,christa4 ,j vimos assima1 ,senhor ,illustrissimo1 a que se reduz a sciencia com que sahimos das ,escolas1 e que toda se reduzia a sentencear hum matador ou ladra1 ou meter deposse a cada um no seu bem3 agora veremos que ja do tempo del ,rey ,dom ,joa o ,terceyro necessitava o ,reyno de outra ,sorte de ,educaa1 e necessitar sempre logo que tiver ,ilhas1 ,colonias e ,dominios de ,ultramar2 logo que for obrigado a ter allianas com ,espanha1 com ,frana1 ,hollanda ou ,inglaterra4 4 ,da ,natureza da ,educaam da ,mocidade1 e do ,objecto que deve ter no ,estado onde he nacida ,na tratarei aqui daquella ,educaa particular1 que cada ,pay deve dar a seos filhos1 nem daquella que ordinariamente tem a ,mocidade nas ,escolas4 ,seria superfluo este trabalho vista do perfeito livro que compz aquelle ,vrro ,portuguez ,martinho de ,mendona de ,pina e de ,proena1 intitulado ,apontamentos para a ,educaa de hum ,menino ,nobre e de varios ,autores que tratra da ,educaa nas ,escolas1 que relata ,morhofio no seu ,polyhiflor ,litterarius4 ,o meu intento he propor tal ensino a toda a ,mocidade dos dilatados ,dominios de ,sua ,majestade1 que no tempo da occupaa e do trabalho1 e no tempo do descano lhe seja util1 e a sua patria#ei3 propondo a virtude1 a paz e a boa f1 por alvo desta educaa1 e a doutrina e as sciencias1 como meyo para adquirir estas virtudes sociaveis e christas4 ,nunca me sahir do pensamento formar hum ,subdito obdiente e deligente a comprir as suas obrigaoens1 e hum ,christa resignado a imitar sempre1 do modo que alcanamos aquellas immensas acoens de bondade e de misericordia4 ,a ,educaa da ,mocidade no he mais que aquelle habito adquirido pela cultura e direa dos ,mestres1 para obrar com facilidade e alegria acoens uteis a si e ao ,estado onde naceo4 ,mas para se cultivar o animo da ,mocidade1 para adquirir a facilidade de obrar bem e com decencia1 na basta o bom exemplo dos ,paes1 nem o ensino dos ,mestres2 he necessario que no estado exista tais ,leis que premem a quem for mais bem creado1 e que castiguem aquem no quer ser util1 nem a si1 nem sua patria4 ,logo me perguntra se toda a mocidade do ,reyno deve ser educada por ,mestres1 se o ,estado ha de contar entre esta ,mocidade o filho do ,pastor1 do ,jornaleyro1 do ,carreteyro1 do ,criado1 do ,escravo e do ,pescador8 ,se convem que nas ,aldeas e lugares de vinte ou trinta fogos1 haja escolas de ler e de escrever8 ,se convem ao ,estado que os ,curas1 os ,sachristaens1 e alguns ,devotos1 cujo instituto he ensinar a ,mocidade a ler e a escrever1 tenha escolas publicas ou particulares de graa ou por dinheyro1 para ensinar a ,mocidade1 que pelo seu nascimento1 e suas poucas posses1 he obrigada a ganhar a vida pelo trabalho corporal8 ,com tanta miudeza me detenho nesta classe de ,subditos1 porque observo nos ,autores ta pouca ponderaa do seu estado2 e he por tanto donde depende o mais forte baluarte da ,republica1 e o seu mayor selleiro e armazem4 ,os que querem e persuadem que a classe dos ,subditos referidos aprenda todos a ler e a escrever1 e arithmetica vulgar1 dizem para provar a sua resolua que tanto mais se cultiva o entendimento1 tanto mais se abranda o coraa2 que a piedade e a clemencia sa tanto mayores virtudes1 quanto sa mayores os conhecimentos das obrigaoens com que nascemos1 de adorar o ,supremo ,creador1 de obedecer a nossos ,paes e ,superiores1 e de amar os nossos iguais#fj4 ,he verdade mas estes ,auctores levados do seu bom coraa assentam estas maximas como se todos os homens houvessem de habitar no paraizo terrestre1 ou na lhe ser necessario ganhar toda a sua vida1 o seu limitado sustento1 com o trabalho de suas mas1 e com o suor do seu rosto4 ,que filho de ,pastor querer ter aquelle officio de seu pay1 se idade de doze annos soubesse ler e escrever8 ,que filhos de ,jornaleyro1 de ,pescador1 de ,tambor1 e outros officios vis e mui penozos1 sem os quaes na pode subsistir a ,republica1 querera ficar no officio de seos pais1 se souberem ganhar a vida em outro mais honrado e menos trabalhoso8 ,o ,rapas de doze ou quinze annos1 que chegou a saber escrever hua carta1 na querer ganhar a sua vida a trazer hua ovelha canada s costas1 a roar depella manha at noyte1 nem a cavar4 ,ha poucos annos que nos ,estados del ,rey de ,sardenha se promulgou hua ley1 que todos os filhos dos lavradores fossem obrigados a ficarem no officio de seos pays2 dando por raza1 que todos dezemparava os campos1 e que se refugiava para as cidades adonde aprendia outros officios3 ,ley que parece mal concebida1 e que jamais ter execua4 ,se os filhos dos lavradores dezempara a casa de seos pais1 he porque tem esperana de ganharem a sua vida com a sua industria e intelligencia2 e j lhe na sa necessarias as simples maons para sustentarse2 sabem ler e escrever2 tivera nas aldeas onde nascera escolas pias de graa ou por mui vil preo1 e do mesmo modo as molheres1 que ensina os seos filhos a escrever1 quando na tem dinheiro para pagar ,mestres2 e esta he a origem porque os filhos dos ,lavradores fogem da caza de seos pais3 o remedio seria abolir todas as escolas em semelhantes lugares4 ,queyxase em ,frana que depois cento e trinta annos se despovoa os campos1 e que todos busca as cidades ou se expatria a buscar fortuna em outros climas3 a cauza he a infinidade de ,escolas de ler e escrever na minima aldea de dez ou doze cazas2 ha certas ordens ,religiozas sem clausura espalhadas por cada parrhochia que tem esta incumbencia2 todo o rapaz1 e rapariga1 sabe ler1 escrever o seu catechismo e o ,testamento novo na ,lingoa ,materna3 vendo-se com esta educaa idade de doze ou quinze annos na querem ficar em hum officio laborioso1 penivel e s vezes infame4 ,por isso1 dizia o ,cardeal de ,richelieu ja do seu tempo1 que todo o proveito que retirava o ,estado de tanta ,escola de ler e de escrever1 consistia no rendimento do ,correyo4 ,nenhum ,reyno necessita de mayor rigor na suppressa total do ensino de ler e escrever1 nem ainda permittido aos ,ecclesiasticos de graa1 do que o nosso3 o clima cria aquelles espiritos altivos1 mais para dominar1 que para servir2 at nos animais domesticos se observa esta indocilidade4 ,a may do ,jornaleyro na cessar cada dia que ve ir seu filho escola de lembrar-lhe que tem um ,tio1 ,frade ou cura em tal lugar3 o rapaz j quer ser ,frade3 e como s no ,ecclesiastico se acha honra sem fazer o ,pay despeza1 basta as inquirioens para chegar aquelle ,estado1 e ficar a caza do ,pay sem successor4 ,todo o rapaz ou rapariga que aprendeo a ler e a escrever1 se ha de ganhar o seu sustento com o seu trabalho1 perde muito da sua fora em quanto aprende2 e adquire um habito de perguia e de liberdade deshonesta4 ,como sa os ,mestres de ler e escrever1 homens rudes1 ignorantes1 sem criaa1 nem conhecimento algum da natureza humana1 tem aquelles meninos tres horas pela manha e tres de tarde1 assentados1 sem bolir1 sempre tremendo e temendo3 perdem a fora dos membros1 aquella desenvoltura natural1 porque a agitaa1 o movimento e a inconstancia he propria da idade da meninisse3 e na convem hua educao ta molle a quem ha de servir ,republica de ps e de maons1 por toda vida4 ,assim o ,ministro ou o ,tribunal que havia de ter inspeca da ,educao da ,mocidade1 parece havia de ordenar ,que em nenhua ,alda1 ,lugar1 ou ,villa onde na houvessem duzentos fogos1 na fosse permittido a ,secular1 nem ,ecclesiastico1 ensinar por dinheyro ou de graa a ler ou a escrever4 ,mas j vejo que clamaria os ,bispos e os ,parrhocos1 e tabem muitos devotos1 que1 pela ley proposta1 era tratar a mocidade plebea em bestas sylvestres1 destituida do ensino da ,religia ,christa1 na podendo ler1 nem entender o ,catechismo2 e que ficava sem principio algum de humanidade1 nem de virtude ou obediencia4 ,se estes que assim arguirem1 soubessem a obrigaa dos ,parrhocos e ,sachristaens1 se soubessem que o trabalho corporal1 ter o animo occupado1 he a mayor virtude3 se soubessem que adquirindo aquelle habito de trabalhar desde a primeira meninisse que lhe serviria da melhor instruca por toda a vida1 se retractaria1 e na clamaria4 ,nos ,domingos e dias de ,festa devia o ,parrhoco e o ,sachrista ensinar a doutrina ,christa a estes meninos2 e com a sua diligencia ficaria o menino instruido na obrigaa de ,christa2 e na seria necessaria a escola1 para aprender o catechismo2 porque esta obrigaa pertence ,igreja1 e na ao ,mestre de ler1 nem de escrever2 ainda que abayxo se lhe impor esta obrigaa4 ,se hua vez o ,estado abraar fazer executar a ,ley assima1 conceber no mesmo instante que o trabalho e a industria se deve considerar como base do ,estado ,civil3 helhe necessaria a providencia de procurar pela agricultura e pelas artes onde o povo adquira o seu sustento3 helhe necessario establecer pelo menos hum comercio interior1 e communicaa de villa a villa1 de comarca a comarca1 para promover a circulaa1 que sem ella na continuar o trabalho do povo1 nem a industria2 em hua palavra1 era necessario para establecer a prohibia das ,escolas de ler nas ,aldeas1 gastar o ,estado hua certa parte do seu rendimento na erea1 e fundamentos do trabalho e da industria4 ,na necessitaria esta classe do povo de outra educaa do que os ,paes e ,maens estivessem empregadas no trabalho1 e seos filhos1 na tendo outro recurso para ganharem a vida1 seguiria aquelle caminho que exercitava os proginitores e os tutores4 ,quem trabalha faz hum acto virtuoso1 evita o ocio2 vicio o mayor contra a ,religia e contra o ,estado3 e ,st4 ,bento achou o trabalho de maons de tanta virtude que o poz por regra de sete oras cada dia4 ,isto he o que basta para a boa educaa da mocidade plebea4 ,alem disso o povo na faz boas nem mas acoens1 que por costume e por imitaa2 e rarissimas vezes se move por systema nem por reflexa2 ser corts ou grosseyro1 sesudo ou ralhador1 pacifico ou insultador1 conforme for tratado1 pelo seu ,cura1 pelo seu ,juis1 pelo ,escudeyro ou ,lavrador honrado4 ,o povo imita as acoens dos seos mayores2 a gente das ,villas imita o trato das ,cidades a roda2 as ,cidades o trato da ,capital1 e a ,capital da ,corte3 deste modo que a mocidade plebea tenha ou na tenha mestre1 os costumes que tiver sera sempre a imitaa dos que vivem nos seos mayores1 e na do ensino que tivera nas escolas4 ,todo o ponto1 he que as ,leis do ,estado esteja de tal modo decretadas1 que na falte mais infima classe dos ,subditos o trabalho1 e que se dispenda nisto1 o que se dispende nos ,hospitaes geraes1 e nas ,confrarias4 ,mas na se imaginem os ,bispos1 nem os ,devotos1 que pela ,ley assima ficam excluidos de aprender a ler e a escrever os filhos dos ,lavradores e officiaes que tiverem cabedal1 para sustentallos nas pensoens ou seminarios que proporemos abaixo erigidos nas villas ou lugares que excederem duzentos vizinhos3 com esta providencia1 seria louvada a ,ley1 que na houvesse escolas nas ,aldeas4 4 ,qualidades dos ,mestres1 para ensinar a ler e a escrever1 ,o ,mestre que ensina a ler e a escrever1 he hum cargo publico1 na de ta pouca consequencia para a ,republica como vulgarmente se considera3 ordinariamente sa empregados neste ministerio homens ignorantes1 muitas vezes com vicios notorios1 que escandaliza4 ,para exercitar este officio basta hua informaa de vita moribus1 e com ella alcana do ,bispo a permissa de ensinar2 alguas vezes ouvi que se requerem as inquirioens de sangue1 para o mesmo emprego4 ,nem as ,camaras das ,villas1 nem das ,cidades1 nem as ,justias ,reais1 tem mando ou inspeca nestas ,escolas2 e com raza1 porque na tem nenhum sallario publico2 o proveito destes ,mestres he ta tenue que apenas os tira fora do estado da miseria4 ,hum ,mestre de escola na deve ter defeito vizivel no seu corpo1 nem vesgo1 torto1 corcovado1 nem coxo2 porque se viu por experiencia hua escola de meninos serem vesgos1 porque o seu ,mestre tinha aquelle defeito4 ,imitamos o que vemos1 e sem nos apercebermos do que fazemos1 adquirimos o habito1 antes de pensar que he vicioso3 somos dotados desta admiravel propriedade1 que influe tanto em todas as acoens da vida humana2 e por isso no convem que tenha aquella tenra idade ta apta a imitar e ta subcetivel das impressoens extraordinarias1 ter por objecto continuado hum ,mestre no corpo defeituoso1 e muito menos no animo2 e por essa raza devia ser de costumes approvados e conhecidos com louvor4 ,mas nem estas qualidades1 nem a sua capacidade no que devia ensinar1 seria bastantes para exercitar este emprego4 ,nenhum ,mestre poderia ter escola 7do modo que propomos7 sem ser cazado1 condia sem a qual na obstante todas as mais qualidades1 na poderia exercitar esta funa2 e no cazo que ficasse viuvo1 seria obrigado cazarse dentro de pouco tempo ou obrigado a deyxar a ,escola4 ,este mestre he o primeiro que v a ,mocidade destinada pela mayor parte a servir a sua patria2 desde aquella mais tenra idade dever ter por objecto hum cidada3 alem disso os homens cazados1 se tem filhos1 sa mais carinhosos e maviosos1 com os meninos1 do que os solteyros4 ,deyxo consideraa de quem conhece o que he hum homem que sahio do recto caminho da virtude1 se convem neste perigo1 que hum homem solteyro seja ,mestre de meninos e rapazes8 e se ser acertado que o publico ponha nas maons do ,celibato a inocencia da primeira idade8 ,mas o bem publico e o sagrado do ,estado me favorece nesta occazia mais que nunca4 ,todos os ,subditos empregados no servio ,civil1 como ,mestres1 ,juizes1 ,notarios1 ,secretarios1 e todos aquelles que tivessem sallario do ,estado1 devia ser cazados2 condia sem a qual na poderia exercitar ,cargo algum ,civil1 como ,medico ou ,letrado1 com sallario do ,reyno3 ,somente os ,sexagenarios1 tendo filhos1 seria dispensados desta condia sem excepa4 ,este ,mestre para ser admitido a ter escola publica1 tendo as qualidades e requesitos referidos1 devia fazer petia ao ,director dos ,estudos e das ,escolas da ,provincia1 para ser examinado3 e no exame havia de constar3 #a4o ,que sabia a ,lingoa ,latina1 e a ,materna1 com propriedade2 #b4o ,que sabia bem escrever2 #c4o ,como tabem a ,arithmetica1 pelo menos as quatro ,regras2 e seria conveniente com a de tres1 e as fraoens1 ou dos quebrados2 #d4o ,que sabia de que modo se tem pelo menos o livro de conta e raza1 pelo do deve e hade haver1 com index ou alphabeto1 ou de cayxa dos ,mercadores4 ,constando pelo exame proposto1 que satisfizesse ao que se pretendia delle1 o ,director lhe passaria provisa para exercitar o emprego de ,mestre de ,escola1 com obrigaa de alcanar outra do ,bispo1 por cuja ordem seria examinado no ,catechismo da ,religia ,christa3 e munido com estas duas provisoens se presentaria1 no lugar adonde havia de ensinar1 ao ,delegado do ,direitor dos ,estudos e ,escolas1 para exercitar o seu cargo4 ,seria necessario que estivessem compostas e impressas as ,direoens1 s quais cada ,mestre de ,escola se devia conformar no seu emprego3 e na visita que devia fazer hua ou duas vezes por anno nestas ,escolas pelos ,delegados dos lugares1 onde estava establecidas1 se tomaria conta se o ,mestre satisfazia as dittas instrucoens4 ,este ,mestre alem de paga de cada discipulo devia ter sallario do publico1 ta sufficiente que bastasse para sustentarse com decencia2 attendendo a carestia e ao trato da ,villa1 onde ensinara4 ,estes sallarios ta pouco a cargo do ,estado1 faria sollicitar estes empregos homens mais capazes do que hoje se emprega nelles3 seria tabem mais respeitados1 o que convem aquem ha de ensinar publicamente4 4 ,do que haviam de aprender os ,mininos alem de ler1 escrever e contar1 etc4 ,bem sei1 ,illustrissimo ,senhor1 que me accuzra de gastar assim o tempo nestas particularidades que pertencem a meninisse1 de hum modo ta rasteiro1 e fora de todo o discurso que ninguem que pretende a algum gro de litteratura gastar o seu tempo em ler o que escrevo2 mas no o julgou assim ,plutarcho#fa ,quintiliano#fb nem aquelles restauradores das letras humanas ,erasmo#fc1 nem ,luis ,vives em muitas das suas obras ainda que decorado com o honroso cargo de ,mestre de ,phelipe ,segundo3 estes referidos ,authores puzera todo o seu cuidado na educaa da primeira infancia1 porque daquelles principios depende a disgraa ou a felicidade de toda a vida4 ,que auctoridade na acharia eu para provar o que digo8 ,mas que provas so necessarias1 quando a propria experiencia nos convence2 e a alheya nos admoesta que ponhamos todo o nosso cuidado nestes principios do ,estado e da ,religia4 ,queyxasse ,david ,hume e l',abb de ,st4 ,pierre1 que nas ,escolas se enchem os juisos da ,mocidade de muita instrua1 e que nenhum cazo fazem os ,mestres de formar os costumes1 nem de fazer o menino bom3 todo o seu disvello he que saiba muito1 que recitem de memoria muitas laudas de proza1 e outras tantas de versos4 ,seria ta necessario que os meninos que sayem da escola1 ficassem tabem instruidos na obrigaa que tem de serem homens de bem1 como na de ,christa4 ,cada menino naquelle tempo aprende o seu catechismo3 seria necessario que no mesmo tempo aprendesse outro1 para saber as obrigaoens com que naceo4 ,se houvesse hum livrinho impresso em ,portuguez1 por onde os meninos aprendessem a ler 7e na por aquelles feitos de letra tabalioa71 onde se incluissem os principios da ,vida ,civil1 de hum modo ta claro que fosse a doutrina comprehendida por aquella idade2 e ao mesmo tempo1 que o ,mestre a fizesse praticar na classe com castigos e com premios1 costumando aquella idade1 mais a obrar conforme a raza1 do que a discorrer2 me parece que se na sahissem dali com outro ensino1 que teria aproveitado mais1 do que se aprendessem tudo aquillo que os ,pais dezeja4 ,se neste livrinho e catechismo da ,vida ,civil estivessem declaradas as propriedades do homem no estado natural1 que consiste em buscar o que lhe he necessario para conservarse1 satisfazendo fome e a sede1 e que naturalmente temos1 aquella propriedade de imitar o que vemos com amor e com admiraa1 que temos naturalmente2 a piedade e a compaixa de ver soffrer e maltratar os nossos semelhantes#fd1 e que destes dois principios provem todas as acoens que obramos1 em quanto na forem suffocados pelos maos exemplos de soberba1 de tyrania1 de crueldade1 que da os ,pays1 as ,maens1 e os que cria aquella aurora da humanidade#fe4 ,quanto cuidado devia ter os ,pays e os ,magistrados1 que as maens e as amas soubessem criar as crianas at sahirem do seu colo8 ,em outro lugar se tocar o mal que redunda a hua ,naa de na criarem as ,maens os seos ,filhos4 ,se o ,mestre destas ,escolas explicasse com exemplos este ,compendio que proponho da vida civil2 se o fizesse observar por acoens1 e habituar aquella infancia a obralas1 e a fazelas1 e ao mesmo tempo lhes inculcasse1 e lhes fizesse applicar este principio em todas as suas acoens3 ,que o homem nacido entre os homens devia obrar e fazer tudo conforme as ,leis estabelecidas entre elles2 que a ninguem era licito viver conforme a sua vontade1 conforme o seu prazer e fantasia4 ,no mesmo ,compendio queria eu que estivessem escritas as obrigaoens com que nacemos3 como devemos venerar a ,deos3 como somos obrigados honrar nossos ,pays1 e a quem tem o seu lugar3 que temos a mesma obrigaa de respeitar os mais velhos3 que devemos ser amigos fieis3 guardar-lhe segredo1 palavra1 cuidar do seu bem1 como do nosso propio3 e como nos amamos naturalmente a nossa patria1 assim devemos ser-lhe fieis2 cuidar em tudo do seu bem1 que he o nosso3 e como el ,rey he a cabea della1 que a este1 como a nosso primeyro ,pay na terra1 devemos respeytar e honrar4 ,aquella tenra idade poderia comprehender quando os castiga 7na barbaramente com aoutes e palmatoadas71 que na adversidade ninguem se deve abater3 que sempre ha de ficar a esperana ou de se emmendar1 ou de melhor fazer3 quando for premiado1 fazer-lhe notar o principio do ,catechismo1 que ninguem na prosperidade e na grande alegria se deve desvanecer nem ensoberbecer3 porque somos nacidos para viver hua vida cerceada sempre pela alegria e pela tristeza2 que nenhum bem he sem mistura de mal1 nem nenhum mal sem mistura de bem4 ,a meninisse he capas desta instruca1 se o mestre lhe fallar na lingoa e na frase que he propria aquella idade4 ,he admiravel o juizo humano3 na idade de tres annos aprendeo hum menino a sua lingoa2 fallar sem saber o que fas1 com o nominativo1 com o verbo no singular1 ou plural1 no tempo1 no modo1 etc4 ,o que he ta difficil aos adultos que aprendem as lingoas doutas ou estrangeiras4 ,pode o menino aprender no dia1 de trez ou quatro ,mestres1 sem confundir o que aprende4 ,mas abayxo mais distintamente trataremos desta materia4 ,pareceome advirtir aqui que necessitava o ,director1 ou o ,concelho da ,educao1 mandar compr hum piqueno livro em #h4o de #aej a #bjj paginas1 com o titulo ,arte de ter livros de conta e razam4 ,este seria o modelo para que cada qual soubesse governar a sua casa1 onde haveria exemplos de alguas cartas de rois1 de quitanas1 de letras de cambio e de procuraoens3 fazendo copear a cada ,discipulo hum livro semelhante1 ditado pelo seu ,mestre4 ,bem sei a difficuldade de achar ,mestres nas ,provincias que possa pr em practica o que conter o livro proposto3 he a difficuldade que encontra sempre os nossos establecimentos4 ,mas he necessario hum principio2 e os homens pelo uzo1 com o premio1 e a esperana1 e pelo medo de perda1 e pela deshonra1 augmenta os seos conhecimentos1 e instiga as potencias da alma a penetrar e vencer as difficuldades do seu officio4 4 ,das ,escolas da ,lingoa ,latina e da ,grega1 ,humanidades1 e da ,lingoa ,materna ,na he o meu intento1 ,illustrissimo ,senhor1 indicar aqui a minima instruca para aprender as ,lingoas1 ,latina1 ,grega1 e ,hebraica1 nem as ,humanidades1 por que j ,s4 ,magestade que ,deos guarde1 foi servido ordenar aos ,professores seguirem aquellas1 que decretou neste anno1 e que fora impressas em caza de ,miguel ,rodrigues4 ,o meu intento he somente de mostrar qual deve ser o fim destas ,escolas2 como devem ser dirigidas para serem de utilidade ao ,estado2 que qualidades devia ter os ,mestres que havia de ensinar nestas1 e aquellas que havia de ter os discipulos2 e as duas differentes classes delles2 e como dos mesmos ,mossos ali educados1 havia de sahir ,mestres para ensinar nas ,escolas onde faltassem4 ,porque como1 ,v4 ,illustrissima sabe que deve o ,estado retirar hum proveito proporcionado despeza que fizer com este ensino2 e essa he a razo que me move a satisfazer este objecto4 ,a ,lingoa ,latina he necessaria a todos os ,ministros da ,religio ,catholica ,romana1 a todos os ,conselheyros de ,estado1 ,ministros publicos1 ,magistrados1 ,juizes1 ,letrados e ,medicos3 e outros empregos1 e cargos que hoje na temos ainda em ,portugal4 ,representarei aqui todos os males que fazem o grande numero das ,escolas do ,latim1 e particularmente gratuitas3 mostrarei claramente que vem a servir de escolas do ocio1 da dissoluo1 e de toda a desordem civil1 ta commua como se observou atgora4 ,entra cem ,meninos a aprender ,latim1 e o estdara at idade de quatorze at desaseis annos4 ,ponderemos quantos fora que aprendera esta ,lingoa1 capazes de se matricularem na ,universidade1 ou de entender hum ,autor ,latino8 ,acharemos que apenas sahir a tera parte4 ,mas quero que cincoenta aproveitassem o seu tempo3 vejamos a destinao destes cincoenta at estarem establecidos4 ,veremos que trinta delles vira a ser ,ecclesiasticos1 ds viro a ser ,juizes ou ,letrados1 e outros ds vira a ser ,medicos4 ,os cincoenta que1 ou por lhes faltar quem os sustentasse1 no acabra os seos ,estudos1 ou por serem ta rudes1 e de maos custumes1 que no se aplicra1 sahira ignorantes1 e incapazes de proseguir os ,estudos2 sigamos a sua destinao4 ,o raps que no pode aprender ,latim1 fica impossibilitado para aprender hum officio3 naquelle tempo que devia aprendelo se costumou ao ocio nas ,escolas1 adquirio a soberba e a vaidade2 despreza hum officio mechanico1 e quer ganhar a sua vida a cavalheyra4 ,desta origem vem aquella multida de individuos sem officio1 nem beneficio4 ,desta classe de ,estudantes reprovados sayem os jugadores1 os alborcadores1 os tratantes1 os que tem titulo de page1 ,mestre sala1 os escreventes1 os tendeyros1 tanto ,frade ,leygo1 e sobre tudo1 tantos e tantos1 que passa ultramar a buscar fortuna4 ,so estes ,subditos pela mayor parte perdidos para o ,estado4 ,este he hum dos menores males que cauzava as ,escolas do ,latim demasiadas1 e principalmente aquellas gratuitas4 ,mas o mayor a meu ver1 he que so a cauza de tanto ,ecclesiastico sem vocao3 o ,pay e a ,may querem pela mayor parte1 entre a gente ordinaria1 hum filho ,ecclesiastico para honrar a familia2 o mesmo filho entra naquelle intento1 e para ter a sua subsistencia com honra e sem trabalho1 sempre se achara devotos que da o que basta1 ainda por titulos falsos1 para fazer o patrimonio3 para entrar nas ,communidades ,religiosas ,mendicantes1 ainda ha mayores facilidades4 ,he couza notavel que para que hum official possa ter logea aberta que necessite aprender por seis ou sete annos1 sustentando-o seus ,paes1 ou pagando o ensino1 e que hum raps que aprendeo o ,latim nas ,escolas gratuitas1 sem gasto algum1 que ser vestido e sustentado por seos ,paes1 que possa adquirir um establecimento1 e que a sua patria o perca2 e que seja educado este ,subdito at idade de #ba annos para entrar debayxo de outra ,monarchia1 que he a ,ecclesiastica6 ,philipe ,quarto no anno de #afbcff1 attendendo aos males que cauzava tantas ,escolas de ,latim decretou1 hua ,ley1 que copiarei aqui4 ,porque de haver en tantas partes destos ,reynos ,estudios de ,grammatica1 se consideran algunos inconvenientes1 pues ni en tantos lugares puede aver comodidad para ensenarla1 ni los que la apprenden1 quedan con el fundamento necessario para otras facultades3 ,mandamos que en nuestros ,reynos no pueda aver1 ni aya ,estudios de ,grammatica1 sino es en las ciudades1 y villas donde ay ,corrigidores1 en que entren tambien ,tenientes ,governadores1 y ,alcaides ,mayores de lugares de las ,ordenes1 y solo uno en cada ,ciudad1 ,villa3 y que en todas las fundaciones de particulares ,colegios1 que ay encargo de leer ,grammatica1 cuya renta no llega a trecientos ducados#fg no se puede leer4 ,y prohibimos el poder fundar ningun particular estudio de ,grammatica1 con mas ni menos renta de trecientos ducados1 sino fuere como dicho es en la ciudad y villa1 donde huviere ,corrogimiento1 o ,tenencia3 y se se fundre no se poder leer2 sino es que en el no aya otro2 porque en tal cazo permitimos1 que se pueda fundar1 y instituir1 siendo la renta en cantidad de los dichos trecientos ducados1 y no menos4 ,y assi mismo mandamos que no pueda aver estudios de ,grammatica en los ,hospitales donde se crian nios expuestos e desamparados1 y que los ,administradores y ,superintendentes tengan cuidado de applicarlos a otros actos y particularmente al exercicio de la ,marineria1 en que seran mui utiles1 por la falta que ay en estos ,reynos de ,pilotos3 pero queremos que se conserven los ,seminarios que conforme al ,santo ,concilio de ,trento ha de haver4 ,mas esta ,ley produzio effeitos contrarios1 ou que pretendia prohibir4 ,observra os ,seculares esta ,ley1 e faltava as ,escolas nas villas e nas cidades3 neste cazo vendo as ,communidades ,religiosas1 que tantos meninos no aprendia ,latim por falta de ,escolas1 ou por caridade ou por interesse comeara a ensinar ,latim2 e succedeo que hoje em todo aquelle ,reyno ha mais destas ,escolas1 que no tempo de ,phelipe ,quarto4 ,deste modo1 pois que pelo ,decreto de sua ,magestade se determina o numero das ,escolas1 e os lugares onde ho de ser fundadas1 havia de haver defensa expressa que nenhua ,communidade ,religiosa1 nenhum ,ecclesiastico1 ou ,secular pudesse ensinar publicamente1 ou ter ,escola da ,lingoa ,latina1 sem permissa do ,director dos ,estudos4 ,nesta ,ley se concedem aos ,bispos os seos ,seminarios establecidos pelo ,concilio de ,trento1 que acceitra ,portugal e ,castella4 ,neste cazo podia cada ,bispo fundar a sua vontade muitos ,seminarios no seu ,bispado com mui pouca despeza3 conservariam hum ,mestre de ,latim e trez ou quatro ,seminaristas em cada ,seminario1 e daria liberdade a cada ,pay de mandar aprender o ,latim naquellas ,escolas a seos filhos1 e deste modo ficaria frustradas as utilissimas disposioens de ,s4 ,magestade1 e a sua clementissima ,ley4 ,mas se fosse do ,real agrado de ,s4 ,magestade decretar hum ,supplemento a ditta ,ley2 que os ,bispos conservassem os seos ,seminarios1 e que nelles mandassem aprender e que ordena o ,concilio de ,trento2 mas que na servissem as ,escolas dos ,seminarios1 mais que para os ,seminaristas educados e sustentados a custa do mesmo ,seminario2 prohibindo admitirem nelle a ,mocidade que he sustentada e educada em caza de seos ,pays3 pondo obrigaa s ,justias do ,reyno1 e aos ,delegados do ,inspector dos ,estudos1 de manter a observancia desta ,ley4 ,allegaria os ,bispos e os ,provinciais das ,ordens ,monasticas e ,mendicantes1 que determinando ,s4 ,majestade o numero das ,escolas ,latinas1 e prohibindo o exercicio de todas as mais que havia de antes2 que no haveria ,sacerdotes bastantes1 para servir as ,parrhochias1 nem ,frades para povoar os ,conventos4 ,estas to apparentes difficuldades se podia vencer1 e ficar no seu vigor a ,ley de ,s4 ,magestade4 ,no tinha os ,bispos mais do que calcular quantos ,parrochos lhes serio necessarios nos seos ,bispados1 e a propora logo saberia quantos ,clerigos simplices lhes era necessarios no mesmo ,bispado3 e se na bastasse hum ,seminario1 para formar estes ,ministros da ,religia1 que fundassem dois1 ou mais se necessarios fossem4 ,se as rendas do ,bispado fossem sufficientes1 para sustentar os ,seminaristas propostos1 o ,bispo faria essa despeza2 quando na1 se podia transmutar muitas ,igrejas collegiadas em simples ,parrochias1 e applicar aquellas rendas para o sustento dos ,seminarios3 do mesmo nas ,abbadias e ,priorados do rendimento alem de mil cruzados2 ,vigarios serviria estas ,abadias1 e os rendimentos primitivos seria applicados aos dittos ,seminarios4 ,assim haveria ,parrochos mais bem educados e instruidos2 nem tanto ,clerigo ,simples1 que na conheceo a primitiva ,igreja2 por que todo o que vinha a ser ,sacerdote era para ser ,cura de almas3 e esta he hua innovao de haver ,clerigos tonsurados com beneficios1 e ,sacerdotes simplices1 que os ,bispos introduzira1 tanto que os ,papas lhes tirra a ,jurisdia espiritual nos seos ,bispados4 ,muito mais facilmente se podia responder aos ,provinciais das ,ordens3 he notorio que depois do ,noviciado1 que tem os ,frades que aprendem a ,philosophia e a ,theologia dos ,collegios ou ,conventos3 e porque na aprendera a ,lingoa ,latina depois de terem professado8 ,este he o modo mais efficaz de entrarem as ,ordens ,regulares no seu primitivo instituto3 todos os ,frades era ,leygos1 e a sua occupaa era orar1 e trabalhar trabalho de mas2 e s um ou dois ,sacerdotes tinha em cada communidade para administrar-lhe os sacramentos2 e deste modo he que hoje dia se governa os ,conventos de ,s4 ,basilio na ,igreja ,grega4 ,mas depois que os ,frades usurpra o officio dos ,parrochos2 depois que os ,papas os isentra da visita e da dominaa dos ,bispos1 e que dependem smente da ,s ,apostolica1 exceptuando para confessar e prgar1 no puzera termo s suas pretenes4 ,pdia aprender ,latim depois de professos como aprendem a ,philosophia e a ,theologia1 e ainda lhes ficaria muito mais tempo1 para aprender esta lingoa1 para trabalhar e confessar1 como j fica dito se faz em ,napoles1 se lhe fosse prohibido absolutamente prgar qualquer sorte de ,sermo1 fra dos seus ,conventos3 ficando somente aos ,parrochos esta incumbencia1 ou lendo de pulpito para bayxo sermes impressos1 ou aquelles que elles compuzessem3 he certo que mui poucos ,frades enta estudaria nem ,philosophia1 nem ,theologia3 porque faltando-lhes o proveito1 lhes faltaria a vontade de estudarem4 ,he couza notavel que pretenda os ,bispos e os ,frades1 que esteja sustentando e educando os ,subditos a seos filhos at a idade de dezoito annos1 para ir fazer presente delles ,monarchia ,ecclesiastica1 da qual somente o ,estado tem necessidade na pessoa dos ,bispos1 e dos ,parrochos6 4 ,dos ,mestres e dos ,discipulos das ,escolas do ,latim etc4 ,este cargo de ensinar a ,rhetorica e as ,humanidades1 era no tempo dos ,gregos e dos ,romanos1 hum dos principaes daquellas ,republicas1 como vemos pelas ,leis ,romanas a seu favor4 ,pela destruio do ,imperio ,romano do ,occidente1 e pela fundao das ,universidades no ,seculo ,,xiii1 ficara os ,grammaticos ou ,humanistas excluidos das honras e dos premios com que foram decoradas as quatro ,faculdades2 e ainda que no ,,xv e ,,xvi seculo ,loureno ,vala1 ,angelo ,policiano1 ,joviano ,pontano em ,italia1 e outros muitos por toda a ,europa1 como ,erasmo1 ,luiz ,vives1 ,turnebo1 e os nossos ,gouveas illustrara as letras humanas1 sempre os ,mestres das ,lingoas ,latina e ,grega ficra excluidos daquellas honras1 e emolumentos das ,universidades1 e principalmente depois que se erigira as ,escolas gratuitas das ,ordens ,regulares4 ,sua ,majestade ,fidelissima pelo seu ,alvar a favor destas ,escolas restableceo este importante cargo da ,republica ao seu antigo esplendor1 installando-o nas honras1 com que as ,leis ,romanas o decorava4 ,estou persuadido que o ,director dos ,estudos do ,reyno1 para satisfazer piedade com que ,sua ,magestade favorece os seos povos1 empregar ,mestres to ,capazes1 que seja superfluas todas as consideraoens tocante o exercicio de seos cargos3 o meu dezejo fora que tomassem mais a peito formar o animo dos seos discipulos do que amontoar na sua memoria todos aquelles conhecimentos que se ensina nestas ,escolas4 ,desejara todos os bons ,portuguezes que tenha por alvo as suas fadigas e o seu disvello1 formarem discipulos que seja capazes de obrar tais acoens1 que merea ficar conservadas na historia1 ou terem de escreve-las com tal energia1 que fique a sua memoria vencedora do esquecimento3 que pensassem que o perfeito conhecimento da ,lingoa ,latina e da ,grega1 da ,historia ,sagrada e profana1 e das ,antiguidades d'estas ,naoens1 etc41 no so o fim do seu emprego1 que sa somente os meyos para vir no conhecimento do que he util e decente1 que sa somente meyos1 para pensar e obrar com justia1 equidade e amor das suas familias1 do seu ,rey e da sua ,patria2 que pensem frequentemente que o ,estado deve ser recompensado com servios reais e importantes1 pelas grandes despezas1 e cuidado que toma na sua propria conservaa1 e no seu ensino3 que evitem na cahirem na vangloria1 vaidade1 e sufficiencia1 com que sahia infectados aquelles que estudava nas ,escolas felismente extinguidas4 ,no referido ,alvar no se determina a condia dos referidos ,mestres1 se sera ,seculares ou ,ecclesiasticos4 ,nessa consideraa propuzra que havia de ser cazados1 pelas mesmas razoens que indiquei asima1 quando fallei dos ,mestres das ,escolas de ler e escrever3 alm disso1 como ,escolas do ,latim1 etc41 devem ser erigidas em forma de ,collegio1 como proporemos abayxo1 crece a necessidade de que estes ,mestres seja cazados1 e que jamais seja admitido algum no estado do celibato4 4 ,necessidade que tem o ,reyno de ,escolas em modo de ,seminarios ,tratarei primeiramente daquellas ,escolas que havia de ser establecidas em forma de ,seminarios1 ou ,pensoens como dizem em ,frana3 e para mostrar a necessidade que temos dellas1 e a sua utilidade geral1 serei algum tanto mais difuso do que permite este papel4 ,dissemos acima que seria necessario1 vendo a grande necessidade que o ,reyno tem de habitantes1 que ,s4 ,magestade ordenasse ,que na houvesse ,escolas publicas nem particulares1 por dinheyro ou de graa1 nas ,aldeas e nos ,lugares que contassem somente de duzentos fogos4 ,nesta ,supposia que se decretasse esta ,ley1 supponhamos que vivia em hua ,aldea de cincoenta vizinhos hum ,escudeyro1 ou hum lavrador rico1 e que quizessem educar seos filhos a aprender a ler e a escrever3 nesse cazo estes ,pays se veria embarassados e afflictos3 na seria talvez ta ricos para ter ao seu servio em casa hum ,mestre3 na villa onde estivesse establecida a ,escola publica no teria parentes para viver seos filhos em sua caza3 clamaria contra a dita ,ley estes bons e fieis ,subditos1 ou a defraudaria fundando hua ,escola na dita ,aldea4 ,em ,frana1 ,inglaterra e ,hollanda1 e em toda a ,alemanha1 ou ,catholica ou ,protestante1 he costume haver ,mestres de ler e escrever1 etc41 tendo a sua custa hua grande caza1 ordinariamente nos arrabaldes das ,villas ou ,cidades1 onde sustenta muitos discipulos1 com tudo o necessario para viver e aprender1 por hum tanto por anno1 que ordinariamente sa preos mui razoaveis4 ,bem sei as difficuldades de introduzir hoje nas ,provincias estes seminarios 7que daqui por diante chamaremos ,pensoens1 para na confundilos com os dos ,bispos74 ,os ,pays e as ,maens ,portuguezas ama tanto seos filhos1 que na os querera mandar a aprender fora de caza4 ,alem disso os nossos ,mestres ,portuguezes na quereria1 ou na saberia governar estes meninos em communidade1 ou sustentallos1 como se fossem seos filhos4 ,mas estas difficuldades se podem vencer tomando as seguintes precauoens3 ,que o ,mestre tivesse salario publico3 que se lhe pagasse a caza ou cazas1 onde estaria a pensa3 que o ,delegado do ,director dos ,estudos tivesse esta incumbencia de formar estas pensoens primeiramente na ,corte e nas ,cidades capitais2 e tanto que hua ou duas estivesse establecida1 se deveria imprimir instruoens1 para se establecer nas mais ,villas e ,cidades4 ,deyxo a considerao de quem deseja ver augmentado o numero dos ,subditos1 por seu nacimento e estado serem as maons e os ps da ,republica1 se entrar na utilidade publica o establecimento d'estas pensoens3 todo o custo seria no establecimento das primeiras quatro ou cinco2 e em pouco tempo muitos ,mestres1 sem serem obrigados1 as fundaria com permissa e approvaa sempre do ,delegado ,director dos ,estudos e ,educaa4 4 ,contina a mesma ,materia1 e das ,pensoens das ,escolas do ,latim no ,reyno1 por cauza da ,educaam da ,mocidade das ,colonias e das ,conquistas de ,ultramar ,as nossas ,colonias esta fundadas pelas maximas da ,monarchia ,gothica e ,ecclesiastica1 e por nenhua da ,monarchia ,civil3 cada ,colonia ou ,conquista he hum parto de ,portugal3 porque na ,india1 por exemplo1 se instituio hua ,relaa1 como a de ,lisboa e com a mesma ,jurisdia e modo de processar3 os mesmos ,corregedores e ,juizes dos ,orphas3 hum ,arcebispo1 com seu ,cabido composto de muito ,conego para cantar1 em hum porto ganhado com tanto sangue1 para comerciar2 hum ,tribunal do ,santo ,officio1 emfim hum pequinino ,portugal4 ,fundra ,conventos1 ,escolas de ,latim1 ,theologia1 ,philosophia3 l pode a ,mocidade tomar as ,ordens ,sagradas2 l mesmo tem os ,vice-,reis e ,governadores auctoridade e ,jurisdia para dar cargos1 honras e preminencias1 e me parece que podem dar o gro de ,nobreza3 e deste modo parece que ,portugal1 desde el ,rey ,dom ,manoel1 na fez mais que parir outros ,reynos1 e desfazer-se para crealos e conservalos4 ,quem sabe de que modo os ,romanos fundava as suas ,colonias1 e de que modo as conservava1 achar quasi tudo o contrario ao que fizemos nas nossas2 quem sabe o que fizera os ,castelhanos1 os ,francezes1 os ,inglezes e as mais ,naoens dos nossos tempos que tem ,dominios na ,america1 na ,affrica e na ,asia1 o dano ou o proveito que tivera pelo governo que dera a estes ,dominios de ,ultramar1 poder julgar se as maximas seguintes sa necessarias s nossas ,colonias ou ,conquistas1 ou se lhe sa perniciozas4 #a4o ,que o unico objecto das ,colonias e das ,conquistas1 7falando como ,cidada7 deve ser a agricultura universal1 e o commercio2 mas com tal precaua que a agricultura e commercio do ,reyno na fique prejudicado4 #b4o ,somente os ,lavradores1 os ,pescadores1 os ,officiais ,mechanicos1 os ,professores das artes liberais1 os ,mercadores devia ser os legitimos habitantes das ,colonias1 os ,senhores das terras1 engenhos1 moinhos1 fabricas1 cazas e outros bens de raiz4 ,deste modo na haveria ,morgados1 ,bens ecclesiasticos1 ,nobreza herdada nem establecida com terras3 porque hua ,colonia deve se considerar no ,estado politico1 como hua ,aldea a respeito da ,capital4 ,nenhum ,governador1 ,magistrado1 nem ,ecclesiastico com ,cargo1 ou ,jurisdia1 poderia ser ,senhor de terras4 #c4o ,que seria prohibido ensinar a ,lingoa ,latina1 ,grega e ,philosophia a nenhum ,secular1 mesmo ainda dentro dos ,cabidos ou ,conventos2 que somente seria permitidas as ,escolas de ler e de escrever1 da arte de ensinar os livros de conta e raza1 e tudo o mais que se ensinasse nas ,escolas de ler e de escrever establecidas no ,reyno4 ,na he deste lugar alongarme mais no que pertence s ,colonias2 bastame o referido1 para mostrar a necessidade que tem ,portugal de fundaremse nelle ,pensoens ou ,escolas collegiadas1 onde possa vir aprender ,latim e ,humanidades aquelles nacidos nas ,ilhas1 e nos ,continentes dos ,dominios de ,ultramar4 ,prohibemse as ,escolas do ,latim1 etc41 nas ,colonias1 para evitar o summo prejuizo que causa ao ,reyno1 que nellas os ,subditos nativos posso adquirir honras1 e tal estado que saya da classe dos ,lavradores1 ,mercadores1 e ,officiaes4 ,porque todas as honras1 cargos e empregos devia sair somente da auctoridade e da ,jurisdia do ,soberano1 para ficar dependente a dita ,colonia da ,capital3 mas nenhum methodo mais effectivo para este fim1 do que criarse a ,mocidade dos ,dominios de ,ultramar no ,reyno3 e considerando o ,estado a summa utilidade deste intento1 havia de establecer todos os meyos em ,lisboa1 no ,porto e em outros lugares a roda1 onde pudessem vir aprender tudo o necessario1 para entrar no ,estado ,ecclesiastico1 e matricularemse nas ,universidades ,reais4 ,se nos referidos lugares se estabelecessem ,pensoens1 para aprender ,latim1 etc41 na tinha raza de se queyxarem os habitantes dos ,dominios de ,ultramar1 que ficava excluidos seos filhos da ,educaa ingenua1 porque lhes ficava a porta aberta para sobirem aos cargos honrosos de todo o ,reyno4 ,o ,estado ganharia a circulaa do dinheyro das ,colonias para a ,capital1 e tabem a circulaa dos ,subditos2 porque muitos nacidos em ,ultramar educados assim no ,reyno se estableceria nelle1 mandaria vir as suas riquezas2 e nestas mudanas ganharia sempre a agricultura e o commercio3 se voltassem para a sua ,colonia natal1 sempre conservaria mayor amor para o lugar onde foi criado2 por esta circulao se augmentaria o amor dos povos para a sua patria1 e principalmente se outras instituioens1 que no so deste lugar1 se entroduzissem no ,governo dos ditos ,dominios1 incluindo nelles todas as ,ilhas4 ,temos visto o bem que resultaria ao ,reyno1 determinandose hum certo numero de ,escolas1 para aprender a ler e a escrever1 como tabem para aprender a ,lingoa ,latina3 temos visto que neste cazo sa necessarias estas ,escolas com ,pensoens1 para serem sustentados e educados aquelles discipulos que quizerem aprender a sua custa4 ,de que modo devia ser governadas estas ,pensoens1 quem havia de ter incumbencia dentro dellas1 da economia1 ensino1 no he deste lugar4 4 ,das tres ,classes de ,discipulos das ,escolas ,latinas1 etc4 ,todos aquelles que querem em ,portugal aprender a ,lingoa ,latina1 a ,philosophia1 estudar os ,canones1 a ,jurisprudencia e a ,medicina1 o podem fazer sem o menor obstaculo3 todos estes ,estudantes sa tidos e havidos por ,subditos do ,estado2 e a ,igreja na lhes refuza os ,santos ,sacramentos4 ,mas esta liberdade he cauza da destruio e desolao de muitas familias honradas2 he causa da mais inintelligivel contradio entre a ,igreja e entre o ,estado3 ponhamos dois ,estudantes1 por exemplo1 seculares1 hum matriculado em ,leys1 e outro em ,medicina1 e sigamolos nos seos estudos2 tabem e depois que tomarem os seos gros na universidade4 ,o estudante ,legista j formado chega a sua terra1 que supporemos ser hua villa com ,juis de fora1 ou cabea de comarca1 e pretende ser letrado da ,camara3 ordinariamente tem por despacho1 que tire primeyro as suas ,inquirioens de limpeza de ,sangue1 e que ser deferido3 se este ,bacharel em ,leys1 ou ,licenciado no se determinou a advogar1 e quis ler no ,dezembargo do ,pao1 para seguir as varas1 he obrigado em primeiro lugar tirar as suas ,inquirioens1 e presentalas juntamente com o seu requerimento4 ,mas se o mesmo ,bacharel em ,leys no quis seguir o exercicio da sciencia que aprendeo1 nem na ,advocacia1 nem na ,magistratura1 e quis somente ser ,cavalheyro do habito de algua ,ordem ,militar1 ou pelos servios de seus antepassados1 ou pelo seu nacimento nobre1 he obrigado pela meza da consciencia presentar as suas ,inquirioens1 juntamente com o seu requirimento4 ,sigamos agora o ,estudante ,medico3 este no primeiro ou no segundo anno dos seos ,estudos1 se quer opporse a aquelles partidos que d a ,universidade aos ,estudantes benemeritos1 he necessario que tire as suas inquirioens1 e que os prezente com o seu requirimento ,universidade4 ,supponhamos este ,estudante j formado em ,medicina1 que chega sua terra1 onde ha partido da ,camara1 de que goza hum ,,xn ,medico3 neste caso o novo ,medico se tirar as suas inquiries de limpeza de sangue1 alcanar o partido que pretende2 e o ,medico que na pode tirar ,inquirioens limpas fica rejeitado delle1 ainda que servisse a dita ,camara por quarenta annos4 ,ja se v que este ,medico rejeitado na pode ter cargo honroso2 como ser ,medico de hum ,hospital famoso2 ser familiar do ,santo ,officio1 nem ser de nenhuma ordem ,militar1 nem mesmo ser ,terceyro do ,habito de ,san ,francisco4 ,todo o referido he a constante pratica em ,portugal2 este ,legista e este ,medico formados1 at o tempo que quizera ter algum cargo honroso ou proveitozo1 era conhecidos pelo ,estado1 como bons e como fieis ,subditos2 tivera nelle toda a protea2 e esto condecorados com as honras dos gros da ,universidade3 por todo o tempo dos seos ,estudos e depois de formados1 a ,igreja os conheceo1 e teve por verdadeyros ,christas1 a quem nunca refuzou os ,sacramentos4 ,porque cauza logo se refuzara os cargos e honras do ,estado a estes dois ,licenciados em ,jurisprudencia e ,medicina8 ,que crime cometera8 ,se o cometera8 porque na fora castigados pela ,igreja e pelo ,estado8 ,neste modo de proceder anda incoherentes tanto o ,tribunal secular1 como o ,ecclesiastico4 ,se estes ,estudantes sa indignos de honras1 porque os decorou a ,universidade com os seos gros8 porque consente o ,estado1 que os ,letrados1 sem terem ,inquirioens de ,sangue1 advoguem publicamente1 defendendo e acuzando a honra1 os bens1 e a vida dos ,subditos8 ,porque consente que semelhantes ,medicos tenha as vidas e a honra dos seus ,subditos no seu poder4 ,porque raza a ,igreja da f s suas attestaoens que os seos enfermos podem comer carne na quaresma8 e ao mesmo tempo o ,estado e a ,igreja tem estes ,cidadoens e ,christas por indignos de exercitar cargos honrosos1 e entrar no ,estado ,ecclesiastico4 ,para evitar tantos absurdos seria indispensavel determinar o ,concelho da ,educaa da ,mocidade1 que todo aquelle que quizesse aprender ,latim1 que fosse obrigado trazer hua certida de vita moribus1 com outra semelhante de seos ,pays firmada pelo ,vereador mais velho1 ou juiz de ,fora1 tabem pelo seu ,parrocho1 sem as quais certidoens no seria permitido a ninguem de se matricular n'estas ,escolas ,reais4 ,acabados os ,estados destes ,estudantes1 a cada hum se daria hua attestaa authentica do que estudou e que louvores mereceo nos estudos que fez1 da qual ficaria o original no ,cartorio3 sem esta attestaa nenhum estudante poderia ser matriculado na ,universidade nem em nenhum dos ,estudos que chama mayores2 e com a mesma attestaa poderia pretender a todos os cargos1 honras1 e dignidades a que os conduzem os seos estudos1 tanto ,seculares1 como ,ecclesiasticos1 sem outro acto algum com titulo de ,inquirioens de ,sangue1 ,limpeza de ,sangue1 ou outra qualquer invena disturbadora e destruidora do ,estado4 ,e na creyo que haver homem sensato que tema por esta providencia que se introduza a superstia judaica 7porque na ha outro ,judasmo em ,portugal7 ou o mahometismo3 porque he evidentissimo que nenhum ,juiz ou ,magistrado1 nenhum ,parrocho1 nem vigario dara jamais a hum menino attestaa de vita moribus1 e de seos ,pays1 se estes forem tidos e havidos por ,christas novos1 ou algum delles tivesse estado na ,inquizia2 e deste modo ficaria excluidos de aprender nestas ,escolas todos os filhos dos ,christas novos2 e estes se acabaria deste modo1 e muita parte do ,reyno recobraria a honra de ser ,christa ,velho1 que tinha perdid pelas ,inquirioens1 e invento diabolico forjado em ,castella por ,joo ,martins ,silicius1 ,arobispo de ,toledo#fh4 4 ,contina a mesma ,materia ,para que estas ,escolas seja permanentes1 e que as despezas que com ellas fizer o ,estado seja recompensadas com utilidade publica e gloria da ,monarchia1 devese considerar logo na sua fundaa1 se habitaria os ,mestres com suas familias porque necessariamente havia de ser cazados7 e hum certo numero de estudantes1 no numero de quinze at vinte1 sustentados e mantidos a ,custa ,real1 como filhos adoptivos do ,estado8 ,e bem se poder considerar que para adquirir hua adopa ta ,illustre1 que devia ser bem examinados na capacidade1 e no talento2 e que se na aproveitassem1 o que se veria por cada exame annual1 que seria rejeitado1 conforme as ,instruoens1 e o ,alvar de ,sua ,majestade4 ,a destinaa destes ,estudantes internos seria para serem ,mestres nas ,escolas onde faltassem3 seria para passarem a estudar a ,jurisprudencia1 a ,phisica1 as ,mathematicas1 e a ,medicina3 e ultimamente para viajarem pela ,europa1 e informandose e aprendendo conforme as instruoens impressas1 s quais cada hum delles devia conformarse4 ,a necessidade que tem o ,estado destes ,estudantes internos1 educados do modo proposto1 e destinados para perpetuar as sciencias humanas na sua patria1 he evidentissima a todo aquelle que conhece a difficuldade de adquirir estas sciencias sua custa4 ,no bastar o ensino de ,portugal1 ainda que tenha os mais perfeitos ,mestres1 para ensinar e governar estas ,escolas4 ,seria necessario que viajassem por quatro ou cinco annos1 pelos ,potentados onde se ensina as sciencias humanas4 ,he certo que s em ,hollanda1 ,alemanha1 ,inglaterra e ,frana existem hoje as humanidades1 o perfeito conhecimento das ,lingoas doutas1 a ,sciencia da ,physica geral1 as ,mathematicas1 a ,jurisprudencia universal1 a ,philosophia e a ,medicina1 e que s nas suas ,escolas e ,universidades se tem achado o melhor methodo de aprender e de ensinar estas sciencias4 ,tanto que houvesse o numero de quatro ou cinco ,discipulos internos das mais capazes destas ,escolas ,reais1 o ,director dos ,estudos lhes daria a cada hum sua instruca impressa para continuar os seos ,estudos nas ,universidades da ,europa1 principalmente nas seguintes3 ,edimburgo em ,escocia1 ,utrecht e ,leyde em ,hollanda1 ,gottingue e ,leypsic em ,alemanha1 e ,strasburgo e ,paris em ,frana3 nas quais devia notar de que modo se governa1 de que modo ensina os ,professores1 de que modo aprendem os ,discipulos1 por quantos annos estuda1 e como fazem os seus actos4 ,cada hum destes ,estudantes havia de corresponder-se com hum ,mestre das ,escolas ,reais a quem mandaria o jornal das suas observaoens1 e a conta dos seos ,estudos2 deste modo pela practica1 e pelo estudo1 viria a ser homens consumados para ensinar e para governar as ,escolas2 tanto que estes primeyros quatro ou cinco ,estudantes tivessem viajado por quatro ou cinco annos1 voltaria para ,portugal1 e outros seria mandados em seu lugar1 para que sempre e sem intermissa houvesse fora no mesmo emprego quatro ou cinco destes discipulos4 ,j fica evidente que deste modo na poderia jamais ficarem dittas ,escolas sem ,mestres dignos de ta excellente instrua4 ,o resto destes discipulos internos1 acabados os seos ,estudos1 deveria passar a viver nos ,collegios onde se ensinara as ,sciencias1 ou ,estudos ,mayores1 que indicaremos abaixo2 nestes mesmos seria educados e sustentados ,custa ,real1 na s para virem a ser ,mestres dos mesmos ,estudos1 mas tabem para servirem o publico4 ,a segunda sorte de ,discipulos de que se devia compor esta ,escola ,real1 seria ,pensionarios1 ou ,porcionistas4 ,mostramos assima a necessidade que tem o ,reyno desta instituio das ,pensoens tanto nas ,escolas de escrever e ler1 mas tabem nas do ,latim2 necessidade indispensavel1 se se prohibirem as ,escolas nas ,aldeas1 e nos piquenos lugares ou villas1 e tabem aquellas da ,grammatica e do ,latim em todos os ,dominios de ,ultramar4 ,esta ,educaa dos ,collegios he utilissima ,mocidade1 e por consequencia a sua patria3 ali perdem aquelle mimo e regalo que tem ordinariamente na caza de seos ,pays2 adquirem pelo trato e communicaa dos condiscipulos mayores conhecimentos da vida civil2 estando sempre guardados e observados pelos seos ,mestres e ,inspectores1 na se estraga com vicios2 adquirem hum animo de patriotismo1 e se considera pertencerem ao ,estado3 o animo he mais elevado1 o trato civil mais livre e facil pelo costume de estarem sempre em grande ,sociedade4 ,por estas vantagens de que carece hoje a ,mocidade ,portugueza1 devia o ,director dos ,estudos pr todo o disvelo de introduzir no ,reyno estas pensoens cada qual a sua custa1 que todos louvaria1 principalmente1 se o ,estado augmentasse mais ,cargos ,civis do que hoje tem1 para serem servidos por estes ,pensionarios1 e como esta materia requer mayor evidencia1 della fallaremos em outro lugar aqui abayxo4 4 ,digressam sobre as ,pensoens e sobre a ,lingoa ,latina tanto no ,reyno1 como nas ,colonias ,para que todos conhea a impossibilidade de estabeleceremse ,pensoens de ,escolas de ler e escrever1 e aquellas propostas das ,escolas do ,latim1 ouamos fallar na sua ,aldea hum ,lavrador honrado1 sobre esta ley que prohibio as ,escolas nas povoaoens limitadas4 ,queyxarse hia este ao seu ,cura do modo seguinte3 ,ora que farei eu com esses dois rapazes que tenho8 querem por fora fazernos tontos1 e que na saibamos fazer mais que hua crus no fim do ,testamento4 ,deytra fora da nossa ,aldea o ,mestre que ensinava os ,meninos1 e nos fazem saber por hum edital1 que na ,villa daqui tres legoas poderemos l mandar aprender os rapazes a ler e a escrever1 e outras muitas couzas da moda2 e vivira em pensa em casa do ,mestre1 a condia que lhe paguem por cada ,menino trinta mil ris por anno1 e a metade adiantado4 ,mas quem me dar tanto dinheyro1 para fazer estes gastos8 ,recolhi quinhentos sacos de trigo e centeyo1 e ,deos sabe onde elles vo2 paguei ao ,ferreyro pelo concerto das relhas pedoas e roadouras quarenta sacos2 ao ,barbeyro paguei des2 ao apateiro paguei vinte2 ao ,mayoral e aos ,mossos paguei cincoenta2 como me morrera dois bois e a minha egoa1 foi necessario gastar cem sacos de trigo que dei por estes animaes2 he necessario guardar para semear1 e sustentar a caza com aquelles que me fica1 e na tenho nem para vender1 nem dar a esse ,senhor ,mestre de ler que vive na ,villa1 porque diz que na aceita mais que dinheyro1 e na est pelo acordo do ,mestre que tinhamos aqui a quem davamos por ensinar cada rapas hum saco de centeyo4 ,quis assim dar a entender que os alimentos em ,portugal servem de dinheyro1 e que na sa mercancia3 quis mostrar que na poder subsistir jamais o ,estado ,civil em quanto nelle na estiver em vigor aquella ,ley1 que se fassa comercio com os alimentos1 como se faz com os panos1 com as baetas1 e outras mercancias2 porque as ,leis das nossas ,ordenaoens1 e o errado das nossas ,alfandegas1 sa a cauza d'estas desordens4 ,no livro quinto das ,ordenaoens1 tit4 #gf e #gg se leem ,leis contrarias ao augmento da ,agricultura e circulaa que deve continuar no ,estado ,civil3 ali se defende que pessoa alguma compre trigo1 farinha1 centeyo1 cevada1 nem milho para tornar a vender444 ,que ninguem atravesse o po que de fora do ,reyno vier1 e que s quem o trouxer o possa vender2 que todos os que trouxerem po de ,castella o possa vender livremente onde quizerem2 o mesmo se determina ali com o vinho e azeite para revender4 ,pela practica constante1 e contraria totalmente a estas ,leis1 que tem hoje ,inglaterra e ,frana1 se v que na poder jamais ,portugal ter agricultura em quanto se observarem2 como tabem em quanto os ,almotaceis#fi almotaarem os frutos1 as sementes1 o peyxe do ,reyno1 e as carnes3 s hum bem tem estas almotaarias1 que he almotaarem o bacalhao1 e o peyxe salgado dos estrangeyros3 deste modo fazem que nos na levem mais de dois milhoens por anno1 como se as costas dos nossos mares na tivessem peyxe4 ,de tudo o referido se ve que os ,lavradores na tem1 nem podem ter dinheyro1 nem os ,ferreyros1 ,barbeyros1 ,medicos das ,provincias1 ,lettrados1 ,officios1 e outros ,cargos3 porque todos sa pagos com os frutos1 que servem de dinheyro2 havendo de servir em boa politica de mercancia1 com tanta liberdade de compralos e de vendelos1 como se faz com tudo o que he fabricado no ,reyno4 ,em quanto as rendas das terras se pagarem em fructos1 e na em dinheyro1 o que havia de ser posto por ,ley2 em quanto se permittir entrem trigos de fora do ,reyno por mar e terra sem pagar ,direito algum1 ou sem fazer ,selleyros destes gras estrangeyros para se venderem somente na falta do trigo nacional2 prohibindo a todo o ,estrangeyro de vender o seu trigo mais que ao ,director do ,selleyro daquelle porto1 sempre haver miseria no lavrador1 e na ter dinheyro1 nem para educar seos filhos nem para augmentar a sua lavoura4 ,esta introduca de pagarem os ,lavradores1 os ,rendeyros e os ,senhores de terras as suas dividas com os frutos1 he antiquissima no ,reyno2 mas isso mesmo prova que o povo era enta escravo do ,senhor da terra3 prova que na havia agricultura1 que para satisfazer a necessidade2 prova tabem que na havia comercio2 daqui viera aquelles perniciozos costumes da mayor parte das terras dadas a foro1 que se paga em sementes1 em galinhas1 em ovos1 em porcos1 em prezuntos e em gado miudo e em vacum4 ,ainda muitos ,commendadores arrenda as suas commendas1 com as clausulas expressas de serem pagos em parte com alimentos e com provisoens4 ,muitos ,conventos1 ,hospitais paga com frutos e com poroens alimenticias2 o que tudo devia ser reduzido a dinheyro e obrigar por este modo ao ,lavrador vender nas praas publicas os frutos da sua agricultura4 ,na he necessaria almotaaria1 porque havendo muitos que vendem no mesmo lugar1 o concurso de tantos vendedores regra o preo do que vendem3 deste modo se promove a circulaa2 o ,lavrador sempre tem que vender2 tem com que sustente a sua familia e educala1 com que compre animais1 para augmentar a sua lavoura2 ou das terras incultas1 fazelas ferteis4 ,he natural a todo ,pay de familias pensar a establecer seos filhos naquelle estado que lhe sirva para passar a vida com honra1 com proveito e com descanzo4 ,hum ,pay em ,portugal que tem tres filhos1 homem ordinario1 mas cidada1 official por exemplo1 ou que tem cem mil reis de renda da sua vinha1 olival e jardim1 ve-se na mayor preplexidade1 se se achar nas circumstancias seguintes3 primeyramente se vive em alguma villa de ,provincia2 #b4o ,se na podem tirar seos filhos as suas ,inquirioens limpas2 #c4o ,se sa ta estupidos ou extravagantes1 que jamais aprendera ,latim4 ,estes rapazes seria somente capazes de aprender hum officio mechanico2 mas o ,pay vendo que na ser bastante para adquirir o seu sustento2 vendo o estado abatido e desprezado dos officiaes1 a miseria em que vivem1 jamais se determina sena na ultima necessidade1 a fazer aprender seos filhos algum officio3 porque na havendo comercio interno algum em ,portugal1 nem com os frutos1 nem com as fabricas1 os officios mechanicos e todas as artes1 fica no mayor abatimento e miseria4 ,mas se estes rapazes podessem tirar as suas ,inquirioens1 que faria todo o pay naquellas circunstancias8 he natural que dissesse1 que aprenda ,latim2 se na forem ,clerigos1 sera ,frades2 se aprenderem mal1 tenho amigos que se empenham para entrarem na ,ordem dos ,capuchos2 e se na aprenderem cousa alguma1 sero ,frades ,leygos1 ou ,donatos3 tera que comer1 e ficar a minha caza honrada com estes ,religiozos4 ,deste modo todos va aprender ,latim1 porque o ,latim he o passaporte para entrarem no ,paraizo terrestre1 onde se come sem trabalhar1 onde ha tantos establecimentos em cada ,villa e ,aldeas1 como sa os ,conventos e ,capellas1 faltando s vezes as ,parrhochias4 ,logo a cauza porque a mayor parte da ,naa aprende o ,latim1 provem porque no ,reyno ha poucos establecimentos para ganhar a vida2 falta muitos ,cargos publicos que puderamos ter1 se tivessemos commercio interior1 e a agricultura como commercio1 e como base do commercio2 provem que o ,soldado1 o ,general1 o ,juis de ,fora1 e o ,dezembargador na somente he pago em sua vida1 mas ainda depois de morto1 o ,estado recompensa mais grandiozamente2 os filhos destes ,soldados e ,magistrados1 e outros que servira a patria1 requerem tenas1 honras1 commendas1 officios de escriva da ,camara1 dos ,orfas1 das ,alfandegas a perpetuidade 7s vezes7 pelos servios de seos ,pays1 como se jamais fossem pagos1 ou recompensados em quanto servira2 o que he certo1 que o ,estado defere s pretenoens e supplicas destes filhos e herdeyros4 ,daqui vem o ocio1 e o querer viver ,cavalheyra2 porque muitos destes premiados fica ,cavalheyros das ,ordens ,militares4 ,daqui vem tanta gente inutil1 que se na fora aquellas recompensas1 serviria como seos ,pais ou aprenderia hum emprego1 ou officio4 ,deste modo o ,reyno em lugar de ter na sua ma aquella clemencia de fazer trabalhar e agenciar os ,subditos1 s tem para promover o torpe ocio1 a vaidade e a dissolua4 ,isto he o que confirma o principio assima3 ,que das boas ou ms ,leis de um ,reyno dependem os bons ou maos costumes delle2 e que todos os ,sermoens1 ,missoens1 ,novenas1 ,vias ,sacras1 ,romarias1 ,irmandades e ,confrarias sa inuteis para fazer bons ,christas e bons ,cidadoens1 em quanto existirem as mesmas ,leis ,politicas e ,civis no mesmo ,reyno4 ,como em ,portugal ha tantos establecimentos no ,estado ,ecclesiastico1 onde residem a honra1 e a subsistencia1 e que o ,latim he a porta para entrar nelles1 he natural que todos queyra aprender esta ,lingoa4 ,como os premios se da a quem na servio o ,estado1 e s aos ,herdeyros que na fizera servio algum1 daqui vem o odio1 e o desprezo para o trabalho1 e para a industria4 ,se o ,estado na puzer por alvo a honra e a conveniencia em outro lugar que no ,ecclesiastico e na ,nobreza1 todos os plebeos querera ser ,ecclesiasticos ou ,nobres4 ,dispenda o ,estado a instituir ,cargos para promover a agricultura como commercio e a industria2 occupe os ,soldados com dobre e triple paga a fazer caminhos de carros2 mande desentupir as fozes dos rios que entra do mar1 para se desalagarem os campos convertidos em alagoas1 atoleyros e pales2 logo sera necessarios ,architectos1 ,engenheyros1 ,machinistas1 ,contadores1 ,inspectores1 ,escrivaens e ,secretarios1 e outro grande numero de gente empregada nestas obras para haver ,comercio interior e agricultura2 sem ellas na he possivel que haja industria1 nem trabalho no ,reyno4 4 ,da terceyra ,classe de ,estudantes que aprenderia nas ,escolas ,reais a ,lingua ,latina1 ,grega1 etc4 ,pois que em ,portugal est introduzido que os ,meninos e rapazes saya todos os dias da casa de seos ,pays ir aprender nas ,escolas publicas ler1 e escrever1 e o ,latim1 seria mui censurada a resoluo de prohibir esta sorte de ,discipulos e ,estudantes4 ,admirome por tanto do ,santo zelo e fervor1 que tantos bons e pios ,ecclesiasticos mostrra para promover a ,santidade dos bons ,costumes1 que na reparassem atgora na origem de tanto vicio e dissoluo da ,mocidade ,portugueza1 para dar-lhe o remedio mais efficas6 ,he impossivel que na esteja persuadidos que nas ,escolas publicas aprendem muita ruimdade e maldade3 a sua propria experiencia os convenceria4 ,disgraadamente quem poder remedear este dano na foi educado nas ,escolas publicas3 porque a primeira ,nobreza e a ,fidalguia todos da ,mestres particulares a seos filhos1 que aprendem em caza dos ,pays2 e na podem jamais vir no conhecimento da destruio dos bons costumes1 que se adquire em quanto os ,meninos e os ,rapazes frequenta as ,escolas do modo referido4 ,sahindo cada dia de caza duas vezes tem occazio estes ,estudantes de se communicarem1 e de aprenderem todos os maos costumes do povo1 e queyra ,deos que na aprenda tabem os vicios2 o certo que naquella liberdade em que va ,escola1 e volta para suas cazas1 adquirem desobediencia1 perguia1 rudz e obstinaa que observa nelles os ,mestres1 talves faltando s classes por sua culpa1 talves desculpandose com mil mentiras por semelhantes faltas4 ,se fosse possivel que todos os ,estudantes das ,escolas ,reais vivessem em clauzura1 seria o melhor methodo de receber aquella tenra idade a melhor educaa possivel3 as ventagens que tem esta educaa em commum direi adiante1 quando tratar da ,escola ,militar4 4 ,dos ,estudos ,mayores1 ou ,collegios ,reais ,dilateyme mais tempo nas observaoens sobre as ,escolas ,reais1 por me parecer necessario dar a conhecer os inconvenientes que impediria a sua utilidade1 e algum methodo para evitalos4 ,he certo que o fim ordinario destas ,escolas do ,latim1 tem ordinariamente por objecto estudar as ,sciencias e exercitalas para utilizar o ,estado3 vejamos primeyramente que necessidade tem dellas1 e as que devem aprender aquelles subditos destinados a servir a sua ,patria4 ,pareceme que todas as ,sciencias de que necessita hum ,reyno christa nos nossos tempos se podia ensinar em trez ,escolas4 ,na primeyra4 ,toda a ,historia da ,natureza ,universal1 da ,natureza humana2 as produoens que resulta da combinaa de varios ,corpos2 as suas propriedades e virtudes2 e a applicaa dellas para uzo e utilidade da vida humana1 e vida civil4 ,nesta ,escola se ensinaria a ,historia natural1 a ,botanica1 a ,anatomia1 a ,chimica1 a ,metallurgia1 e a ,medecina com todas as suas partes4 ,mas como sou obrigado escrever do methodo de ensinar e aprender a ,medecina1 ento he que tratarei mais particularmente desta ,escola4 ,na segunda ,escola4 ,todos os conhecimentos que necessita o ,estado ,politico e ,civil para governarse e conservarse1 e viverem os subditos naquella felicidade a que pode conduzir a intelligencia humana4 ,nesta se ensinaria a ,historia ,universal1 ,profana e ,sagrada2 a ,philosophia ,moral1 o ,direito das ,gentes1 o ,direito ,civil1 as ,leis ,patrias3 a economia civil1 que se reduz ao ,governo interior de cada ,estado4 ,na terceyra ,escola4 ,todas as couzas que pertencem ,sagrada ,religia e ao seu exercicio4 ,mas como s os ,ecclesiasticos devem ensinar1 e aprender estas ,divinas ,sciencias1 no me pertence a mim indicar o que nellas se devia aprender4 ,na ,universidade de ,coimbra se ensina a ,theologia1 o ,direito ,canonico1 a ,jurisprudencia e a ,medecina1 que compoem as quatro ,faculdades2 e na verdade que este ensino ainda que com vinte e quatro ,lentes1 e muitos ,conductarios1 no he suffuciente para se educarem os ,subditos1 de que tem necessidade o ,reyno2 porque nestas quatro ,faculdades no entra a ,sciencia ,natural1 que indicamos assima na primeira ,escola4 ,porque a ,faculdade de ,medecina que existe em ,coimbra he insufficiente para aprender o que necessita o ,naturalista1 o ,physico1 o ,chimico1 o ,medico e o ,anatomista4 ,a ,jurisprudencia1 e o ,direito ,canonico que se ensina actualmente na nossa ,universidade1 na sa bastantes para formar ,conselheyros de ,estado1 ,secretarios de ,estado1 ,embayxadores1 ,generais1 ,almirantes1 etc4 ,necessita o ,estado d'esta sorte de ,cargos1 servidos por ,subditos que aprendessem o que indiquei assima na segunda ,escola ,mayor4 ,com esta clareza o ,director dos ,estudos poderia representar a ,s4 ,magestade1 que como as sciencias que se ensinava na ,universidade de ,coimbra era insufficientes para a ,educaa da ,mocidade1 destinada a servir o ,estado1 que necessariamente devia ser reformada2 e que deyxava disposia de ,s4 ,magestade a execua da proposta seguinte4 ,que a ,faculdade de ,theologia1 e o ,direito ,canonico1 sendo ,sciencias ,ecclesiasticas1 e que somente os ,ecclesiasticos as seguia e as ensinava1 devia ser separadas das sciencias humanas1 especificadas aqui assima na primeyra e na segunda ,escola ,mayor2 que s aos ,bispos pertencia governar estas ,sciencias ,sagradas1 e que a elles ficaria toda a incumbencia de conservar estes ,estudos4 ,que ,s4 ,magestade lhes determinaria hua ,cidade do ,reyno1 por exemplo ,evora1 ,lisboa1 ,coimbra1 ou ,braga1 para establecerem ali a ,universidade ,ecclesiastica1 restricta somente a ensinar as duas ,faculdades de ,theologia1 e do ,direito ,canonico4 ,onde nenhua concluza1 livro1 nem escrito1 ou deciso daquellas duas ,faculdades1 sahiria a publico1 sem approvao de dois ,fiscais ,seculares auctorizados por ,s4 ,magestade a reverem1 e a approvarem tudo o que se imprimiria1 ou se decretaria naquella ,universidade1 para que nella se na ensinasse maxima algua contra as ,leis do ,estado2 e que estes dois ,fiscais seria os primeiros perante os quais fossem prezentados os ,escritos que se havia de imprimir1 e que somente com sua approvaa poderia passar a ser revistos pelos ,censores1 ,qualificadores1 ou ,vigarios ,gerais dos ,bispos e da ,inquizio4 ,o ,conservador1 ou ,fiscal que ,s4 ,magestade tem em ,coimbra para a inspeca que se no imprima concluzoens1 ou outros quaisquer actos contra as ,leys do ,reyno1 vem inutil e de nenhum exercicio4 ,por hum abuzo ininteligivel tudo aquillo que se imprime em ,coimbra o primeiro ,tribunal1 onde se pede a licena para imprimir-se1 he no do ,santo ,officio1 tanto que as concluzoens1 por exemplo1 ou outro qualquer acto1 ou livro saye com as licencias deste ,tribunal2 vai enta diante do ,conservador assima ou ,fiscal2 este vendo as ,licenas da ,inquizia firma e consente que se imprima tudo4 ,este mesmo abuzo se practica em ,lisboa3 quem tivesse que imprimir algum escrito devia em primeiro lugar supplicar ao ,dezembargo do ,pao1 como ao primeiro ,tribunal do ,reyno1 que julgaria se contem algua proposio contra a authoridade ,real2 depois devia o ,autor do livro supplicar ao ,ordinario1 o qual julgaria se havia nelles couza contra a ,religia e bons ,costumes1 que he a quem toca de direito esta materia2 e em ultimo lugar 7pois que assim o quizera os ,bispos7 iria ,inquisia1 a quem toca somente inquirir da heresia4 ,este he o methodo natural e juridico2 em lugar que hoje pela confuza das jurisdioens tudo he pelo contrario4 ,que havendo tantos ,cabidos e ,collegiadas1 e tantas ,abbadias das ,ordens ,monasticas dotadas com tantas rendas que podia parte destas servir a manter estas duas ,faculdades1 com tanta mais razo1 porque s os ,sacerdotes ,seculares e os ,frades ensinaria e estudaria nesta ,universidade4 ,que ,s4 ,magestade a imitaa de ,frederico ,segundo ,emperador e ,rey de ,napoles1 e ,francisco ,primeyro1 ,rey de ,frana1 poderia1 sem intervena algu da ,corte de ,roma1 fundar as duas ,escolas ,mayores1 ou ,collegios ,reais3 a primeyra para se ensinar tudo o que pertence natureza universal e humana1 e a segunda para se ensinar tudo o que pertence ao ,governo da ,monarchia4 ,na consideraa que as nossas ,ordenaoens devia ser reformadas1 he que insisto que a ,theologia e o ,direito ,canonico fique unicamente no poder dos ,ecclesiasticos1 e que somente estes devia aprender estas duas ,faculdades2 mas no cazo que na se reformem1 na necessita ainda os ,seculares tomar gro algum na ,faculdade de ,canones1 porque os ,seculares que estudarem na ,universidade ,real proposta1 as ,leis ,civis e as ,leis ,patrias1 por si mesmo se podera instruir do ,direito ,canonico1 como dos ,concilios1 e da ,historia ,ecclesiastica2 e como nas ,universidades actuais nenhum ,secular nem ,ecclesiastico toma gro na ,historia ,ecclesiastica1 ou na dos ,concilios1 assim he couza superflua que os ,seculares conhea tal ,faculdade chamada ,canones1 no cazo que os ,ecclesiasticos quizessem conservar aquelles uzos actuais tomando gros de ,doutor em ,canones com capello verde1 seria os arbitros1 com tanto que fosse custa das suas rendas4 ,aquellas pessoas a quem ,s4 ,magestade cometteria reformar as nossas ,ordenaoens1 necessariamente devia ter estado alguns annos em ,frana1 e principalmente em ,turim2 para verem e aprenderem as ,leis destes ,reynos1 e que poder e auctoridade tem o ,direito ,canonico nelles2 porque na he possivel os nossos ,jurisconsultos1 ainda que doutissimos1 sendo educados na ,universidade de ,coimbra1 possa julgar nesta materia4 ,que estes dois ,collegios ou ,escolas ficaria establecidas no lugar que parecesse o mais conveniente a sua destinaa2 que na devia ficar na mesma cidade1 onde ficassse a ,universidade de ,theologia e ,direito ,canonico1 por evitar muitas contendas que se levantaria indispensavelmente pelo concurso dos ,estudos ,ecclesiasticos e ,seculares1 regrados ta differentemente4 ,as rendas e os emolumentos da ,universidade de ,coimbra sa ta consideraveis1 que fica cada anno em deposito muitos mil cruzados4 ,se forem administradas com intelligencia e integridade1 se a agricultura se augmentar1 e se se der a providencia que se sustente o ,reyno unicamente das suas produoens1 sera muito mais consideraveis1 e sera bastantes no somente as duas ,escolas ,mayores1 mas de conservalas com o mayor lustre1 e igual utilidade do ,reyno4 ,bem se podera prever os obstaculos que oppora os ,ecclesiasticos com a ,corte de ,roma1 que estes bens da ,universidade actual1 sendo pela mayor parte ,ecclesiasticos1 que na podera ser applicados a fundar e manter ,collegios ,seculares1 onde os ,lentes sero forosamente cazados4 ,mas como ja os ,papas permitira que a ,faculdade de ,medicina fosse sustentada com os mesmos bens1 na obstante ser toda secular1 bem podera as mais sciencias gozar da mesma approvaa e consentimento3 alem que sendo os bens ,ecclesiasticos destinados para sustentar e manter a ,igreja1 e os pobres1 e para educar a ,mocidade1 com tanta justia1 como para resgatar os ,escravos2 e por final raza que a conservaa do ,estado he a principal ,ley2 e nenhu couza poder conservar mais efficasmente do que a boa ,educaa da ,mocidade4 ,nestas duas ,escolas ,mayores ou ,collegios1 que daqui por diante chamaremos o da ,physica e da ,legislaam1 deviao viver os ,lentes com suas familias1 porque todos devia ser cazados1 juntamente com quinze at vinte ,discipulos internos1 ou mayor numero1 conforme se achassem os rendimentos1 todos sustentados e entretidos a custa ,real2 e acabados os seos ,estudos1 alguns daquelles mais capazes devia viajar1 e ir aprender nas mais celebres ,universidades da ,europa1 com instruoens e occupaa semelhantes a aquelles que insinuei assima quando fallei das ,escolas ,latinas2 de tal modo que de cada ,escola ,mayor estivesse sempre viajando e aprendendo quatro de seos ,discipulos4 ,quando tratar do methodo de ensinar e de aprender a ,medecina1 ento entrarei na obrigaa e no exercicio dos ,lentes e dos ,estudantes tanto internos como externos1 como dos seos gros1 ou ,licena ,real1 para exercitarem as ,sciencias que aprendera2 e nessa consideraa he que agora supprimirei o que parecia aqui necessario4 4 ,sobre o ensino que deve preceder as ,escolas ,mayores1 quer dizer1 da ,physica e da ,legislaam ,parece necessario que fiquem informados todos aquelles1 que tiverem a ,educaa da ,mocidade a seu cargo1 daquelles estudos intermedios que precedem as sciencias das escolas mayores4 ,atgora se ensina em certos ,collegios1 e vinha a ser aquella ,philosophia ,barbara das ,escolas1 com o nome de ,logica1 ,physica1 ,metaphysica1 nas quais perdia o tempo de tres ou quatro annos4 ,agora mostraremos quais devem ser estes estudos4 ,de cinco modos illustramos o nosso entendimento1 o primeyro he pela ,observaam1 que he aquella percepo ou conhecimento das couzas que occorrem na vida ordinaria1 ou estas couzas seja intellectuais1 ou seja das pessoas1 ou das couzas materiais1 ou de nos mesmos4 ,o segundo he pela ,liam2 pela qual illustramos o nosso entendimento com que os nossos ,mayores aprendera e experimentra1 como se nos valessemos das riquezas que ajuntra nossos antepassados4 ,o terceyro1 pelo ,ensino dos ,mestres de viva vz1 e na por postilas1 nem themas1 explicando o que deve inculcar no animo dos discipulos1 perguntando1 orando1 s vezes1 e arguindo1 no por sillogismos1 mas em forma do dialogo4 ,o quarto pela ,conversaam1 na qual aprendemos o que outros sabem3 promovemos as foras do nosso entendimento1 imitando sem nos apercebermos o judiciozo1 que ouvimos e que admiramos2 e com agrado e amor da ,sociedade transformamos o nosso entendimento1 naquelle com quem tratamos4 ,o quinto pela ,meditaam1 lendo1 escrevendo ou meditando3 ,neste ultimo se encerra todos os quatro modos assima3 e este ultimo he a chave de todos os referidos3 sem reflexa1 sem hua attena madura do que sabemos1 nenhua aco seria regular1 nenhua operaa da alma seria sem defeito4 ,deviamos cultivar a memoria naquella edade1 quando he mais vigorosa1 pela observao1 lectura1 ensino e conversao4 ,a historia seria o primeiro ensino3 e como resulta hum particular gosto saber quando succedeo tal cousa1 e em que lugar1 d'aqui vem necessidade de estudar a ,geographia e a ,chronologia4 ,mas esta historia no se ha de incluir a quantos ,reis teve hua ,monarchia2 quantas vezes foi conquistada1 e quantos ,reynos conquistou4 ,na historia se incluem o conhecimento das couzas naturais1 que contem aquella obra de ,plinio ,segundo3 entramos em hum ,cabinete de ,couzas ,naturais3 ali notamos o globo terrestre e o celeste3 ali notamos os systemas planetarios onde se veem o sitio onde existe o sol1 os planetas e a terra1 o lugar das estrellas fixas e o zodiaco2 ali vemos de que modo se movem e em que lugar os vemos2 deste modo com a explicaa de um intelligente ,mestre ter o ,menino hua idea clara1 o que he a ,geographia e a ,astronomia4 ,neste ,cabinete vemos as ,aves1 os ,peyxes1 os ,animais1 os ,insectos1 as ,arvores1 e as ,plantas da ,affrica1 da ,asia e da ,america2 e pela mesma separao vamos notando os ,minerais1 as ,pedras1 os marmores1 as ,pedras preciosas1 os ,sais1 os ,bitumes1 os ,balsamos1 e as differentes terras e barros2 esta he a ,historia ,natural1 e como he ta natural saber para que servem estas produoens da ,natureza1 o ,mestre lhes dir as propriedades e seu uso na ,medicina e nas artes mechanicas e liberais4 ,l em hum lugar separado e espaciozo1 v hua ,pompa pneumatica1 hum ,telescopio1 hum ,microscopio1 hum prisma1 hum modelo de hum moinho de vento1 hum ,relogio3 mostra o ,mestre o uzo destes instrumentos1 e de outros mais ou menos complicados2 ali adquirir o ,discipulo as primeiras idas das propriedades dos ,elementos1 da ,optica1 das ,mechanicas e da ,statica3 a curiozidade que he ta natural puericia dotada de boa indole1 o incitar a perguntar a cauza d'aquelles effeitos1 que ve obrar por aquelles instrumentos1 e ficar informado a no ter por milagres o que so effeitos da natureza2 ficar informado daquelles primeiros conhecimentos1 que lhe servira por toda a vida em qualquer estado que a fortuna o puzer na ,sociedade ,civil4 ,mas na basta para a vida civil ter a memoria enriquecida destes conhecimentos da ,historia ,sagrada1 ,profana1 ,fabuloza e ,natural2 necessitamos para ser exactos pezarmos1 midirmos e contarmos tudo aquillo que temos adquirido pela observaam1 lectura e ensino1 4 ,a ,arithmetica1 ,algebra1 ,geometria1 ,trigonometria plana1 sa necessarias para medirmos as alturas1 os comprimentos1 as distancias e as profundidades4 ,alem desta utilidade1 tem estas ,sciencias outro bem necessario ,mocidade3 ellas costuma a serem attentivos e exactos no que fazem1 a na crer de leve1 a ficar convencido pela sua raza2 instiga a seguir e indagar o que he evidente1 ou pelo menos certo1 e a descansar1 quando se achou a verdade4 ,falta ainda a este ensino aquella arte de dizer e representar1 por palavras1 e pela escriptura1 o que queremos que outros saibam1 e fiquem persuadidos1 tanto pela arte de excitar as payxoens da alma1 como pela perspicuidade1 elegancia e urbanidade do discurso4 ,esta arte de saber dizer ensina a ,rhetorica em ,prosa2 e em verso a ,poesia4 ,duvidra alguns ,mestres da ,educao se a ,poesia devia entrar no seu ensino3 as razoens seguintes sa em seu favor4 ,todos os homens se determina a afrontar os mayores perigos e os mayores trabalhos1 pela esperana1 que tem de descanarem e viverem felizes3 alem disso sem repouzo1 na pode haver trabalho1 nem fadiga por muito tempo2 evitaria os homens muitas desgraas se no tempo do descanso1 do repouzo e da tranquilidade1 pudessem viver consigo4 ,quem foi bem instruido na ,mocidade1 na historia e na lectura dos bons ,poetas1 tem esta vantagem sobre os homens ordinarios1 que podem estar ss1 e divertirem-se sem companhia2 porque augmenta a sua felicidade com o que penso1 ou com a lectura em que fora educados2 divertese a fantasia2 o juizo aproveita1 e fortificase a virtude3 e deste modo evita mil disgostos1 mil desordens1 que succedem no curso da vida por na poder estar s hum instante1 como vemos fazem aquelles que na tivera huma educaa ingenua1 e que vivem pela vontade1 e pelo parecer dos outros3 o que ,horacio#gj pinta com tanta vivacidade e elegancia4 ,e por esta razo mostrei eu a necessidade que tinha as ,escolas ,portuguezas de adoptar o ,poema de ,camoens1 para educar a ,mocidade1 como se poder ver no ,prefacio da ultima edia feita em ,paris4 ,entra nestes estudos intermedios a ,logica e a ,metaphysica2 porque o seu objecto he de discorrer com methodo e ordem2 ter uma idea clara tanto das palavras e das couzas1 distinguindo e separando o que nellas ha de commum com as outras1 e de particular2 estas duas partes da ,philosophia se reduzem a ter methodo e ordem em tudo que se diz e escreve4 ,na se entende aqui por ,logica e ,metaphysica1 aquella das ,escolas2 ja se tem por absurdo gastar tres annos em aprendellas4 ,a ,logica e a ,metaphysica hoje explicadas por hum bom ,mestre he estudo de quatro meses1 se se explicarem os ,compendios que destas sciencias se tem escrito em muitas partes da ,europa4 ,a ,physica exprimental entra na mesma classe2 e como ja temos na nossa ,lingoa a obra intitulada1 ,recreaam ,philosophica1 na necessito de nomear o seu objecto4 ,estes sa os conhecimentos preliminarios1 para entrar nas ,escolas mayores2 e ja estou ouvindo que tantas sciencias confundira o animo dos meninos e rapazes1 que ou ficara estupidos1 ou que tudo que aprendera ser ta superficialmente1 que toda esta instrua lhe venha a ser inutil4 ,mas ,quintiliano ja respondeo a esta difficuldade1 e o nosso ,martinho de ,mendona1 nos seos ,appontamentos para a ,educaam de hum ,menino ,nobre1 livro tantas vezes citado3 a difficuldade na est na capacidade dos meninos2 toda ella residir nos ,mestres2 e se dissipra1 se souberem ensinar com methodo e com ordem2 explicando de viva vs hum compendio de cada sciencia que ensinarem2 pondo diante dos olhos1 humas vezes em mappas1 outras em taboas chronologicas1 outras em modelos e instrumentos1 e com a inspeca das mesmas couzas que ensinarem2 deste modo pergunta7n7do1 capacitando o auditorio1 e ficando elle mesmo inteirado que comprehendem1 adiantar o seu ensino4 ,este modo de ensinar explicando de viva vs1 e perguntando pelo compendio ou compendios da sciencia que aprendem os ouvintes1 he o mais efficaz1 para comprehenderem huma materia inteira4 ,se estivessemos dentro da salla de hum palacio1 na veriamos mais que os objectos1 onde se terminava a vista3 mas na teriamos nenhuma ideia da sua grandeza1 da sua propora1 da sua elevaa2 mas se estivessemos fora1 postos a huma certa distancia1 e em tal sitio que descubrissemos o frontispicio1 a sua elevaa1 contemplando as proporoens entre o corpo do palacio e das mais partes1 ento he que podiamos formar juizo da sua grandeza1 utilidade e magestade2 na saberiamos aquellas miudezas da distribuia dos aposentos1 da claridade das gallarias1 mas o juizo que formariamos de todo elle1 seria superior ao conhecimento acanhado que teriamos1 ficando dentro4 ,assim para compreender primeira vista huma sciencia1 he necessario ver somente as suas principaes partes3 explique o ,mestre o que faltar naquella inspeo que o discipulo observa2 e deste modo se evitar aquella confusa que se teme4 ,fallo com experiencia3 hum ,menino pode por dia tomar quatro lioens de materias differentes com summa utilidade da sua educaa4 4 ,em que lugar se haviam de ensinar as sciencias referidas ,os ,grammaticos ,gregos e ,romanos ensinava na mesma ,escola as sciencias assima3 he verdade que na tinha tanta difficuldade1 como nos temos1 para aprender as ,lingoas em que esta as sciencias escritas2 porque posto que os ,romanos aprendessem a ,grega1 mais a aprendia pelo exercicio1 havendo tantos ,gregos misturados com os ,romanos1 que por regras e ,diccionarios4 ,para evitar muita desordem1 gastos1 bulhas litterarias1 e para proveito da ,educaa da ,mocidade1 seria mui acertado que nas mesmas ,escolas ,reaes1 onde se aprendem a ,lingoa ,latina1 ,grega e a ,rhetorica1 se aprendessem as sciencias referidas1 que sa como ja disse a ,historia ,profana e ,sagrada1 a ,fabulosa1 com a ,natural1 a ,geographia1 ,chronologia1 ,astronomia1 a ,arithmetica1 ,algebra1 ,trigonometria1 ,logica1 ,metaphysica1 e a ,physica ,experimental4 ,estas sciencias intermedias ou preparatorias1 para se matricularem os estudantes nas ,escolas ,mayores1 ou ,universidade ,real1 podia ensinarse nas tres ,escolas ,reaes do ,latim e do ,grego1 establecidas pelo ,alvar de sua ,magestade1 em ,coimbra1 ,lisboa e ,evora1 para ficarem no lugar daquellas onde se aprendia a ,philosophia ,escolastica4 ,nas mais ,escolas do ,reyno establecidas nas ,cabeas das ,comarcas1 bastaria o ensino alem das ,lingoas ,latina e ,grega1 os ,principios da ,philosophia ,moral1 a ,rhetorica1 a ,historia e a ,geographia4 ,convem ao ,estado que todo o ,estudante que aprender ,latim e ,grego1 fique instruido das obrigaoens de ,christa e de ,cidada1 que fique instruido na ,historia e na ,geographia1 que entenda a ,poesia1 e que saiba escrever ou na ,lingoa ,latina1 ou na sua1 com elegancia e propriedade3 porque o ,estado na somente tem necessidade de ,letrados1 ,jurisconsultos e ,medicos1 mas tabem de ,secretarios1 de ,notarios publicos1 de ,intendentes1 de ,conselheyros e ,assessores1 nos ,tribunaes ou ,collegios que devem governar a economia politica e civil do ,reyno4 ,tanto mais instruidos sahirem estes ,estudantes das ,escolas referidas1 tanto melhor exercitara os cargos em que sera empregados1 e occupara o tempo do descano com mayor utilidade e satisfaa4 ,todo o ponto est que haja ,mestres ta capazes1 que saiba plantar no animo dos ,discipulos destas ,escolas as sementes destas sciencias4 ,elles mesmos fara crecer estes principios pela sua applicaa1 levados do gosto que cauza1 quando se comprehendra clara ou distinctamente4 ,se eu na fosse obrigado1 ,illustrissimo ,senhor1 tratar do ,methodo de ensinar e aprender a ,medicina em obra separada1 havia de tratar aqui das ,escolas ,mayores ou da ,universidade1 onde se deve ensinar a ,jurisprudencia universal1 e a ,medicina1 a sua forma1 o lugar onde se estableceria1 o que nella se devia ensinar com especialidade1 e com que gros ,academicos seria decorados os que tinha estudado com applauzo1 etc4 ,mas como tratarei da ,medicina especialmente1 enta he que tratarei da forma dos ,estudos da ,jurisprudencia2 e occuparei agora aquelle espao com materia1 poder ser1 igualmente util para o servio da patria que he tratar da ,educaa da ,mocidade ,nobre4 4 ,da ,educaam da ,fidalguia e dos ,fidalgos1 que tem ,assentamento e ,foro na ,caza ,real ,vimos assima que desde o anno de #aejj at o anno de #aegj1 existio o mayor luxo que jamais vio ,portugal4 ,el ,rey ,dom ,manoel o introduzio na ,corte1 e foi o primeiro que se vestio humas vezes ,franceza e outras ,flamenga2 como na teve guerra na ,europa nem seu ,filho1 nem seu ,bisneto el ,rey ,dom ,sebastia1 com as riquezas do ,oriente cahio a ,fidalguia no mayor luxo1 e por consequencia naquelle total esquecimento da boa educaa1 que tinha ou no ,pao dos ,reis antigos1 ou em caza de seos ,pays4 ,no tempo del ,rey ,dom ,pedro o ,justiceyro1 tanto que se sabia no ,pao tinha nascido algum filho a algum ,fidalgo1 mandava logo el ,rey a sua caza a provisa da moradia ou foro1 que deyxava em poder da ,may ou da ,ama que criava o ,menino2 e nestes tempos se chamava os ,reys ,pays de seos ,vassallos#ga4 ,depois crescendo o numero1 se ordenou que somente se uzasse desta graa1 com o primogenito2 e desta resolua1 veyo a descahir aquelle amor da patria1 porque faltou a boa educaa1 que tinha no ,pao todos os filhos dos ,fidalgos com moradia4 ,no tempo del ,rey ,dom ,joa o ,segundo1 lhe representra em ,cortes1 que ordenasse se criassem os ,fidalgos no ,pao1 como era costume antigamente3 sinal certo que se educava ali a primeira ,mocidade do ,reyno4 ,ja dissemos assima que a educaa da ,nobreza toda se reduzia a fazer o corpo robusto e fortissimo1 o animo ouzado e destemido2 alem daquelle agrado que reynava no galanteo e servio das ,senhoras1 na deyxava de instruir o animo com aquelles poucos conhecimentos scientificos que se conhecia3 somente na familia do ,infante ,dom ,henrique foi esta educao mais consideravel1 porque sahira muitos do ,pao daquelle famozo ,principe1 excellentemente instruidos nas ,mathematicas e boas letras1 como foi o ,grande ,albuquerque e ,dom ,joo de ,castro4 ,el ,rey ,dom ,manoel1 como refere ,alvaro ,ferreyra de ,vera#gb1 aperfeioou os estados dos ,ricos ,homens e ,infanoens1 e deu a cada hum em sua ,caza ,real o lugar que por sua qualidade merecia1 fazendo tres sortes de gente4 ,no primeiro lugar pz os ,ricos ,homens2 no segundo os ,infanoens2 no terceyro os ,plebeos1 com esta distina na moradia3 aos ,filhos dos ,ricos ,homens tomou por ,moos ,fidalgos com mil reis de ,fro#gc cada mes1 e alqueyre e meyo de cevada por dia2 e daqui os acrescentava a ,fidalgos ,cavalleyros1 sobindolhe a moradia t quatro mil reis1 o que era despois de serem armados ,cavalleyros1 por algum feito honrozo que fazia na guerra4 ,aos ,filhos dos ,infanoens tomou por ,moos da ,camara1 com quatrocentos e seis reis2 e tres quartas de cevada por dia3 e da mesma maneira lhes acrescentava a moradia1 que a mayor subia t mil e quinhentos reis com o titulo de ,cavalleyro ,fidalgo1 a que hoje muitos no querem subir por ficar antes no foro de moos do servio1 pelas mays entradas que tem na casa e servio do seu ,rey4 4444444444444444444444444444444444444444 4444444444444444 ,os ,plebeos tabem admittio no seu servio1 tomando-os por moos da ,estribeira2 e daqui os acrescentava a ,escudeyros e ,cavalleyros razos 7que he ,cavalleyros sem ,nobreza71 e os que queria1 que gozassem de alguns ,privilegios se chamava ,cavalleyros confirmados3 no que havia muita ordem4 ,quem quizer saber o que he a ,nobreza ,natural e ,politica1 como se adquire e como se perde1 e outras mais propriedades1 que tem a origem dos titulos em ,portugal1 poder ler este excellente ,autor1 esquecido nos nossos tempos1 e que merecia ser conhecido de todos os ,nobres ,portuguezes1 para saberem as suas obrigaoens4 ,vejase tabem ,noticias de ,portugal de ,manoel ,severim de ,faria1 ,discurso ,,iii1 e o ,prologo s ,memorias ,historicas e ,genealogicas dos ,grandes de ,portugal por ,antonio ,caetano de ,sousa4 ,lisboa #agdb4 ,do referido se collige que os ,reys de ,portugal sempre tivera especial cuidado da ,educao da ,fidalguia1 e que dahi veyo chamaremse creados de caza ,real1 estendendose este nome por corrupo aos que servem4 ,em quanto houve guerras continuadas1 em quanto tinha necessidade da ,fidalguia1 para guerrear e conquistar1 sempre houve a ,educaa no ,pao3 acabouse aquella urgente necessidade1 e achou el ,rey ,dom ,manoel a proposito de desobrigarse da ,educaa1 e de pagarlhe huma certa quantia1 como vimos assima1 para serem educados em caza de seos ,pays4 ,em quanto se continura as ,conquistas da ,india1 e a florecente navegaa1 empregava-se neste servio os ,fidalgos1 e na se apercebia o ,estado da falta da ,educaa no ,pao3 mas no tempo del ,rey ,dom ,joa o ,terceyro acabou a ,conquista da ,affrica1 e da ,india2 ja na havia mais guerra1 que para conservar o conquistado3 e como as riquezas era immensas1 introduziose o luxo na ,fidalguia1 e ja se apercebia o ,estado da falta da sua ,educaa1 porque foi o mayor que se conheceo na ,europa4 ,a constituia ,gothica do ,reyno1 determinava a ,fidalguia serem guerreyros forozamente no tempo da guerra2 e acabada ella ficarem nas suas terras1 e cuidarem da agricultura2 na tinha outro intento no tempo da paz que conservarse vivendo do producto das suas terras2 na cultivava para vender nem comerciar com os fructos2 e deste costume viera as nossas ,leis das ,ordenaoens1 que defendem fazer comercio com os gras1 vinho e azeite4 ,mas tanto que os ,reys tivera mays que dar que as terras da ,coroa2 tanto que tivera ,commendas1 ,governos e ,cargos lucrativos1 tanto nas ,conquistas1 como no ,reyno1 logo os ,fidalgos comeara a cercar os ,reys1 e ficarem na ,corte2 porque pela adulaa1 pelo agrado1 e pelas artes dos ,cortesoens sabia ganhar as vontades dos ,reys1 na tendo aquellas occasioens forozas de obrarem acoens illustres para serem premiados por ellas4 ,isto vemos succedeo no tempo del ,rey ,d4 ,duarte1 quando ordenou que todo o ,fidalgo que na tivesse ,cargo na ,corte1 que fosse a viver nas suas terras4 ,logo que todos os ,fidalgos fixara a sua assistencia na ,corte no tempo da paz1 logo que seos filhos era educados em suas cazas1 ja ricas e poderosas pelas dadivas dos ,reys em ,commendas1 ,pensoens1 ,governos e ,cargos1 necessariamente se havia de seguir huma educaa estragada1 a ,meninice entregada na ma das amas e de mulheres commuas1 a puericia entre as mas dos ,criados e dos ,escravos2 at o tempo del ,rey ,d4 ,sebastia poucos sabia mais que ler e escrever2 porque ja a ,escola do ,infante ,dom ,henrique estava acabada2 e toda a educaa se reduzia a saber os ,mysterios da ,f1 porque os seos ,mestres sendo ,ecclesiasticos e ignorantes da obrigao de ,subdito1 de ,filho e de ,marido1 chegava idade da adolescencia com o animo depravado1 sem humanidade1 porque na conhecia igual2 sem subordinaa1 porque era educados por escravas e escravos2 ficava aquelle animo possuido de soberba1 vangloria1 sem conhecimento da vida civil1 nem com a minima idea do bem commum3 assim degenerou aquella educaa do ,pao na qual pelo menos aprendia a obedecer1 na mais insolente tyrania de todos aquelles com quem tratava4 ,a questa agora he somente1 se ser do ,real agrado de ,s4 ,magestade continuar nesta piedosa e utilissima intena1 e no cazo que assim determinasse1 ficava a saber que sorte de educaa convinha ,fidalguia existente8 em que lugar devia ser educada8 e quais devia ser os ,mestres8 ,discutirei estes tres pontos com a clareza que me for possivel4 4 ,que sorte de ,educaam convem ,fidalguia ,portugueza1 que seja util a si e sua ,patria8 ,quem melhor conhecer a ,constituio do ,estado de ,portugal actual1 resolveria melhor esta importante questa4 ,tanto quanto eu pude alcansar1 por informaa e por lectura1 acho que he ,reyno pelo seu sitio1 entre tres ,mares1 nos quaes navega o comercio de todo o mundo1 totalmente maritimo2 bordado1 pela sua mayor parte1 do ,mar ,oceano com oito portos navigaveis1 ainda que alguns damnificados1 e que com custo e trabalho podia ser restaurados2 que tem ,ilhas e ,continentes vastissimos e riquissimos nas tres partes do mundo conhecidas4 ,que por ,tratados e ,allianas de ,comercio e boa amizade est ligado com muitas ,potencias2 humas que o podem offender por mar1 e huma s por terra4 ,estes limitados conhecimentos determinara logo a quem pensar na conservaa da nossa ,monarchia1 que necessita de ,officiais de ,mar e ,terra2 isto he1 de hum exercito1 e de hua frota4 ,he certo que s entre a ,nobreza se acha as pessoas mais aptas para exercitar estes ,cargos2 e na necessito aqui de amontoar lugares communs para provar o que todos sabem por experiencia4 ,mas ao mesmo tempo todos assentara que a ,educaa que se deve dar ,nobreza e ,fidalguia ,portugueza1 deve proporcionar-se necessidade e ao estado actual da sua patria4 ,antes que se usasse da polvora1 e que se fortificassem as ,prazas pelas ,leis da ,geometria e ,trigonometria1 na necessitava o ,general do exercicio das ,mathematicas e de algus partes da ,physica3 a fora1 o animo ouzado e a valentia ja na sa bastantes para vencer1 como quando faziamos a guerra expulsando os ,mouros da patria4 ,a ,arte da guerra hoje he sciencia fundada em principios que se aprendem e devem aprender1 antes que se veja o inimigo3 necessita de estudo1 de applicaa1 de attena e reflexa2 que o ,guerreyro tome a penna e saiba tabem calcular e escrever1 como he obrigado combater com a espada e com o esponta3 o verdadeyro ,guerreyro he hoje hum misto de homem de letras e de soldado4 ,deste modo adquirio nos nossos tempos immortal fama o ,marechal de ,saxe1 e por este caminho vai com igual gloria el ,rey da ,prussia4 ,mas hum ,almirante1 ou hum ,capita de ,mar e ,guerra na somente deve ter toda a instrua de que necessita hum ,general1 mas ainda aquella de mandar no mar3 na somente necessita da instrua das ,mathematicas1 ,astronomia e ,sciencia ,nautica1 mas de muitos e muitos conhecimentos politicos para comprir os seos importantes ,cargos4 ,deste modo necessita os que ha de governar hum ,regimento1 ou hum ,exercito1 hum ,navio de ,guerra1 ou huma armada1 ter tal educaa1 que seja capazes de obrarem acoens illustres1 e de as escrever1 como fez ,xenophonte1 ,cesar1 e o ,marechal de ,saxe nos nossos tempos1 e outros muitos dignos destes importantes ,cargos4 ,no tempo de ,philippe ,quarto presentra ao ,conde ,duque de ,olivares hum retrato do ,estado ,politico de ,castella1 e das ,cauzas da sua decadencia#gd3 e huma das principais que allega1 se reduz seguinte discussa2 que a ,cauza da decadencia daquella ,monarchia foi que o valor e a fora no fora conduzida nem ajudada pela sciencia1 nem pela arte2 que confiandosse na riqueza da ,monarchia1 que desprezra os ,tratados de ,allianas3 e que nas ,embayxadas empregava os ,senhores mais authorizados e ricos1 sem atteno alguma da sua capacidade2 que tomava por ,secretarios aquelles homens que estava de antes ao seu servio1 ou debayxo da sua proteco1 sem dependencia alguma da ,corte1 e ignorantes dos negocios politicos2 que deste modo1 tudo o que se tratou com as ,potencias ,estrangeyras1 foi com prejuizo do ,reyno1 como se experimenta nos ,tratados de paz1 e de comercio1 e nos regramentos dos ,correyos1 e outras estipulaoens publicas3 que semelhantes ,secretarios devia ser educados conforme pedia o seu emprego2 porque estes sa aquelles que pem em ordem os despachos1 e tudo aquillo que o ,embayxador ou o ,enviado considera ou nota ser necessario sahir da ,secretaria2 e que do bem ordenado1 ou bem escrito1 he que depende mui frequentemente o feliz successo4 ,o ,duque de ,lorena1 ,generalissimo dos ,exercitos do ,emperador ,leopoldo#ge1 reprezentou a este ,monarcha que na podia subsistir aquelle ,imperio por falta da ,educaa da ,nobreza1 sendo incapaz de servir os ,cargos publicos1 ou na guerra ou em tempo de paz2 e que para occorrer total ruina do ,estado1 que propunha huma ,escola que se devia erigir a propozito para satisfazer esta necessidade4 ,o ,historiador ,conestagio#gf relatando a desordem e a pobreza em que estava o ,reyno antes da infeliz expedio del ,rey ,dom ,sebastia para ,affrica1 diz que nunca ,portugal fora ta feliz1 que tivesse hum homem dotado de tanta capacidade e intelligencia que soubesse governar as rendas ,reais3 porque o ,cargo de ,veador da fazenda se dava sempre por favor1 e para gratificar os ,cortezas1 sem attenderem a nenhum merecimento2 e por essa cauza1 no havendo nem cuidado1 nem conhecimento daquelle emprego1 que todos os rendimentos se gastava nos sallarios dos ,ministros1 nos dos ,magistrados1 e dos ,governadores2 que o ,estado estava ta pobre que os ,ecclesiasticos pagra enta cento e cincoenta mil ducados2 e os ,christas novos duzentos e vinte cinco mil1 com promessa que se fossem prezos pela ,inquisia que no seria os seos bens confiscados4 ,do referido se ve a necessidade que tem o ,reyno da ,educaa da ,fidalguia1 no s nas letras humanas1 mas tabem na ,politica e nas ,mathematicas1 para servir a sua patria1 nos cargos da guerra1 e nos da paz2 e que por faltar semelhante ,educaa1 chegara tantas ,monarchias na ,europa quella decadencia desde o anno de #aejj1 que parece impossivel relevarse1 se no se reformar esta omissa ta consideravel4 4 ,continua a mesma ,materia4 ,em que lugar devia ser educada a ,fidalguia e ,nobreza de ,portugal ,todos reprovara o ensino da ,mocidade1 que vive em caza de seos ,pays1 e que va duas vezes por dia a aprender nas ,escolas publicas4 ,ja vimos assima que este modo de aprender he o mais prejudicial2 e como he notorio a cada hum1 que aprendeo assim1 este dano1 na necessito outra vez repetir o que mostrei assima4 ,milhares de tratados se tem impresso da ,educaa domestica1 e o mais excellente1 a meu ver1 he o de ,martinho de ,mendoa e ,pina1 que citei assima3 esta educaa pode fazer hum rapaz hum pio ,christa2 poder ser instruido naquelles conhecimentos que dependem da simplez memoria1 mas sempre lhe faltar a emulaa1 que eleva o juizo1 para se adiantar aos seos iguais2 sempre lhe faltar a imitaa1 pelo qual se forma as ideas mais completas das acoens e das obras dos ,mestres e ,governadores publicos1 que sempre influem no animo muito mais1 do que tudo o que disser ou obrar o ,mestre domestico2 deste modo ficar sempre o natural destes meninos acanhado e encolhido1 faltando lhe o trato e o conhecimento da vida civil2 quando acaba aquelles estudos domesticos1 ou fica ignorantes1 ou nos costumes da vida civil meninos1 ou com o animo depravado3 felicidade grande ser que no fiquem estragados os costumes1 pela companhia dos ,criados e dos ,escravos3 se os ,pays fora ta cautelozos que evitra este ordinario precipicio1 cayem em outro1 ta contrario ao bem commum1 como a perda dos bons costumes1 a sua consciencia e a sua conservaa2 fica estupidos1 cheyos de vaidade1 na conhecem por superior mais que seos ,pays1 porque no tem a minima idea da subordinaa que deve ter como ,subdito e como ,christa4 ,d'esta origem provem que a ,nobreza e ,fidalguia he hoje empregada nos cargos e nos governos1 quando chega quella idade1 onde comea a descahir as foras1 e a constituia com achaques4 ,na idade de quinze ou vinte annos1 como a sua educaa foi domestica1 tem da vida civil tanto conhecimento como hum menino3 entra1 como dizem1 no mundo2 e sua custa1 e por muitos annos adquirio algua experiencia1 e essa lhe serve de toda a instrua para servir a sua patria3 mas no he conhecida a sua capacidade1 que da idade de quarenta annos2 enta he que o ,soberano o emprega nos cargos publicos1 e s vezes de idade mais crescida2 mas nesta idade ou as foras comea a enfraquecer ou a constituia2 daqui he que os ,estados hoje onde a ,criaa he domestica se servem sempre de pessoas a quem falta aquelle vigor1 altives1 ambia1 e animo da adolescencia e da idade viril4 ,admiramonos hoje quando lemos que ,pompeo e ,scipio ,affricano commandava exercitos de idade de vinte e hum annos2 e que os ,romanos dessem os ,cargos de ,questor1 de ,pretor1 de ,proconsul ,mocidade da ,nobreza ,romana2 mas o que mais deviamos admirar he que naquella primeira idade obrava acoens ta illustres1 que se observa na historia3 na verdade que de vinte e cinco annos1 at trinta ou quarenta1 est o corpo mais apto para obrar as mais elevadas acoens2 e por isso me parece1 quando comparo a ,republica ,romana com os ,reynos dos nossos tempos1 que nestes1 aquelles que os servem1 todos sa velhos e decrepitos1 e que naquella ,republica todos era ,varoens nas armas e velhos no ,concelho4 ,mas se quizermos saber a cauza desta immensa desigualdade1 inquiramos a ,educaa da ,nobreza ,romana1 e logo parar a nossa admiraa4 ,o seu ensino1 no tempo da puericia1 se reduzia a ,philosophia ,moral e trato da vida1 que lhes ensinava os ,philosophos2 mas esta instrua era practica2 entrava no ,senado com seos ,pays ou ,tutores1 como ouvintes2 ali ouvia practicar o que aprendia em caza2 de tal modo que hum ,menino da idade de desasete annos estava instruido na eloquencia1 na arte de saber escrever1 porque sabia fallar1 nas ,leis ,patrias1 no ,sacerdocio1 nas ,leis ,civis e ,politicas1 que pela practica aprendia2 e vendo diante de si aquelles ,senadores1 hum que tinha triumphado1 outro que tinha ganhado hum ,reyno1 outro que tinha decretado leis como ,consul1 enchiase o coraa daquelles illustres objectos1 para imitar aquellas acoens ordenando1 mandando e obrando4 ,assim vemos que ,cesar de desasete annos orava com tanto applauso1 que entrou no cargo do ,sacerdocio4 ,lemos a ,educaa de ,marco ,aurelio ,emperador1 que elle mesmo relata logo no principio das suas obras1 que so os pensamentos da sua vida4 ,nos nossos tempos el ,rey de ,danamarca ordenou que em cada ,tribunal assistisse hum certo numero de ,moos ,nobres1 somente para serem ouvintes1 e para aprenderem ali pella practica as ,leis ,patrias1 e o que he a vida ,civil2 os ,magistrados tem poder de lhes fazerem perguntas de tempo em tempo para obrigar esta ,mocidade a attenderem ao que ouvem4 ,o mayor proveito que retiraria o ,estado desta ,educaa1 seria que pensasse e que reflectisse maduramente1 e que na passasse a vida naquella variedade1 e encadeamento de divertimentos1 caas1 jogos1 dansas1 bayles e outros semelhantes4 ,nenhua couza poderia fixar a volatilidade daquella idade1 do que destinala1 logo que estivesse instruida1 a assistir nos ,tribunaes como ouvintes1 e de responderem por escrito ou de palavra1 quando fossem perguntados pellos ,magistrados3 alem de que lhes na ficaria tanto tempo para empregar naquella vida area1 se costumaria a pensar e a reflectir1 que he a mayor difficuldade que se encontra naquella idade1 e o mayor bem que se pode alcanar na sua educaa4 ,sem que eu o diga1 todos vera que se se tomarem taes meyos com esta mocidade1 que poder ser empregada nos cargos e postos do ,estado1 de idade de vinte1 e de vinte e cinco annos1 e que evitaria o ,rey no ser servido1 ou por velhos1 ou por achacados nos cargos que necessita vigiar1 andar a ,cavallo1 navegar1 inquirir1 ver1 observar1 e despachar4 ,pareceme que vistos os notaveis inconvenientes da ,educaa domestica1 e das ,escolas ordinarias1 que na fica outro modo para educar a ,nobreza e a ,fidalguia1 do que aprender em ,sociedade1 ou em ,collegios2 e como na he couza nova hoje em ,europa esta sorte de ensino1 com o titulo de ,corpo de ,cadetes1 ou ,escola ,militar1 ou ,collegio dos ,nobres1 atrevome a propor minha ,patria esta sorte de ,collegios1 na somente pella summa utilidade que tirar desta ,educaa a ,nobreza1 mas sobre tudo1 o ,estado e todo o povo4 4 ,o que sam as ,escolas ,militares ,he huma ,escola ,militar hum ,corpo de ,guarda1 onde os ,soldados sa os meninos e moos ,nobres ou ,fidalgos3 estes sa os que fazem as sintinellas e as rondas dentro da ,escola3 ali se exercita na ,arte ,militar2 e toda ella he governada por esta disciplina2 e aquelle tempo que os ,soldados nos ,corpos de ,guarda consomem a jugar1 a fumar tabaco1 e a zombar1 occupa os moos ,nobres destas ,escolas nos estudos ingenuos1 que sa aquelles que servem para servir e mandar na sua ,patria4 ,no anno #agca1 o ,feld-,marechal ou ,capita ,general ,conde de ,munnich no servio do ,imperio da ,russia1 sendo obrigado buscar ,officiais ,majores por toda a ,europa pella falta que delles havia em ,russia1 props ,imperatriz ,anna ,juanowna hum ,collegio ,militar ou ,escola para se educarem nella quatrocentos meninos ou moos ,nobres1 destinados a servir nos exercitos e nos ,cargos civis4 ,esta ,escola se abrio naquelle tempo1 e continua ainda hoje1 e com tanta utilidade daquelle ,imperio que desde o anno #agdj1 rarissimo he o ,official ,estrangeyro que se acha alistado no servio daquelle ,imperio4 ,foi facil a este ,grande ,general achar estudantes para entrarem naquella ,escola2 porque por huma ley de ,pedro ,primeiro1 ,emperador daquelle ,imperio no anno #agjg1 todos os filhos dos ,nobres chegados a idade de treze annos sa obrigados virem assentar praa na ,vedoria de ,guerra1 ou na ,vedoria da ,marinha1 ,ley que se observa ainda inviolavelmente3 e tanto que huma vez est este menino matriculado naquellas vedorias na pode entrar em ,convento algum de ,frades1 sem licena especial do ,soberano3 7porque em ,russia nenhum ,nobre entra no ,estado de clerigo1 por serem estes tirados somente das familias do povo74 ,por ,director desta ,escola ficou o mesmo ,conde de ,munnich1 que procurou todos os ,officiais ,militares das tropas de ,prussia e os ,mestres para as ,sciencias1 e ,lingoas1 de toda a ,alemanha1 e dos ,cantoens ,suissos4 ,no anno #agdb pouco mais ou menos1 ,s4 ,majestade ,imperial a ,rainha de ,hungria1 ou por lembrarse do projecto do ,duque de ,lorena assima referido1 ou pela sua alta intelligencia1 instituio em ,viena de ,austria o ,collegio ,thereziano para o mesmo fim1 mas mui poucos aprovro a ,escola dos ,jesuitas por ,mestres1 e que se admitissem nelle ,pensionarios2 e por esta cauza1 ou pela pouca disposia1 na se tem visto atgora daquelle magnifico instituto aquella utilidade que se esperava4 ,no anno #agea se estabeleceo em ,paris a ,escola ,real ,militar3 a sua instituia he para educarse nella quinhentos ,gentis homens a custa ,real2 os ,militares sa os ,mestres para ensinar a arte da guerra1 e os seculares ,homens de ,lettras as artes e as sciencias3 mas como na ,encyclopedia impressa em ,paris1 se acha hua exacta descripo desta famoza ,escola no articulo cole ,militaire1 tome cinquime1 na necessito entrar aqui em mayor explicao2 e s farei algumas observaoens sobre o que se podia imitar de louvavel em ,portugal desta instituio4 ,em ,dinamarca1 em ,suecia e em ,prussia1 se institura e conserva ,escolas ,militares ,semelhantes1 instituidas depois de poucos annos2 e no fallo da ,escola ,real de ,madrid1 porque parece que a sua destinaa na he para que os seos ,estudantes sirva o ,estado4 ,parece que ,portugal est hoje quazi obrigado1 na s a fundar huma ,escola ,militar1 mas de preferila a todos os establecimentos litterarios1 que sustenta com ta excessivos gastos4 ,o que se ensina e tem ensinado atgora nelles1 he para chegar a ser ,sacerdote e ,jurisconsulto2 e como j vimos assima1 na tem a ,nobreza ensino algum para servir a sua patria1 em tempos de paz nem da guerra4 ,proporei aqui o que achar mais necessario1 para establecer esta ,escola2 e no cazo que seja acceite o meu trabalho e o dezejo da execuo1 supprirei as omissoens1 que de proposito cometo por na ser porlixo com a mayor exactida1 se me for ordenado4 4 ,propoemse huma ,escola ,real ,portugueza1 para ser nella educada a ,nobreza e a ,fidalguia ,,economia ,,interior ,quando se comprehender o intento com que se propoem esta ,escola1 poder ser que se louve a sorte da economia interior que ha de servir para conseguilo4 ,he educar subditos amantes da ,patria1 obedientes s ,leis1 e ao seu ,rey2 intelligentes para mandar1 e virtuozos para serem uteis a si1 e a todos com quem devem tratar4 ,ser facil conceber a quem estiver inteyrado deste intento1 que esta ,escola ,real deve ficar affastada tanto da ,corte1 que nem ,estudantes nem os ,mestres esteja distrahidos pellas visitas dos parentes e amigos1 e muito menos pellos divertimentos de huma capital4 ,seria facil acharse edificio j feito1 ou dois ou tres edificios1 juntos1 reparados1 e concertados para se establecer esta escola2 deyxando para melhor occasia fazer hum aproposito1 ou occupar algum que prezentar o acazo4 #a4o ,que na habitaria dentro d'este edificio ,governador1 ,mestre1 ou outro qualquer empregado no servio desta ,escola1 sem ser cazado4 #b4o ,que na seria permitido a nenhum estudante ter criado em particular4 #c4o ,que para o servio dos mesmos ,estudantes1 quer dizer1 barrer os seos quartos1 alimpallos1 fazerlhe a cama1 e outros servios domesticos1 haveria huma molher de idade de cincoenta annos para diante1 destinada a servir a cada cinco1 de tal modo que nenhum destes ,educandos se considerasse que tinha criado ou criada em particular#gg4 #d4o ,todos os quartos1 salas1 camaras1 tanto do ,governador1 ,officiais1 ,mestres1 como dos educandos1 seria adornados da mesma sorte de alfayas sem distino de pessoa#gh1 e todas ellas devia ser feitas no ,reyno4 #e4o ,tudo o que servisse de alimento e de bebida nesta ,escola ,real devia ser produa do ,reyno1 e dos dominios de ,s4 ,magestade1 como tabem tudo aquillo que vestissem1 calassem2 ainda mesmo as espingardas1 espadas1 bandoleyras1 e tudo que servisse no manejo1 e na cozinha#gi4 #f4o ,como estes educandos havia de estar alistados em companhias cada hu de vinte1 ou vinte e quatro1 governadas pella disciplina militar1 ja se ve que devem vestirse com uniformes2 e do mesmo modo os ,officiais1 e ,inspectores1 cada qual com distina do seu gro#hj4 #g4o ,todos estes educandos devia comer em communidade1 e no serlhe permitido nenhuma sorte de alimento no seu quarto#ha4 #h4o ,de sol nacido at sol posto1 sempre haver huma companhia de educandos de ,guarda3 sera os que estara de sintinella dentro do edificio nos lugares que o ,commandante achar aproposito4 ,e como para a guarda de todo o edificio deve haver huma companhia de ,soldados tirada do regimento da guarnia mais chegada1 estes sera os que estara de sintinella s portas de entrada e sahida dia e noyte4 #i4o ,a nenhum destes educandos seria permitido entrar no quarto ou camara dos seos collegas2 nem dos ,officiais de guerra1 ,mestres1 ou ,officiais de economia sub pena de rigoroza prizo4 #aj4o ,ao tenente del ,rey1 ou ,commandante d'esta ,escola ,real1 ,intendente ,director dos ,estudos1 ,officiais de ,guerra1 e ,mestres1 e outros ,officiais economicos lhes seria dada a cada hum sua particular instrua para exercitarem o seu cargo4 #aa4o ,na seria permitido aos ,mestres1 nem aos ,officiais de ,guerra castigar com castigo corporal3 s poderia mandar prender2 e dar por escrito a falta1 ou culpa do educando ao ,conselho economico da ,escola1 que se teria huma1 ou duas vezes por semana1 no qual se determinaria o castigo4 ,o ,mayor que sente a ,nobreza h a deshonra3 o ser condenado a na frequentar as classes3 o estar de p em parada sem espada1 e sem espingarda vista dos ,mestres e de seos iguais1 serviria da mais efficas correa#hb4 ,vejase a dita ,encyclopedia tom4 ,v1 no lugar citado assima4 4 ,em que idade deviam entrar os ,educandos na ,escola ,real ,militar8 ,se os educandos entrassem nesta ,escola na unica intena de sahirem instruidos nas lingoas e nas sciencias1 nenhum deveria entrar antes da idade de doze1 ou quatorze annos4 ,mas o intento principal he que seu animo saya destas escolas tabem informado na virtude1 no amor da ,patria1 e na obediencia s ,leis2 que pella imitao da boa companhia1 e pella practica das boas acoens1 fiquem instruidos nestas ta importantes obrigaoens3 pelo que bem podera entrar os educandos desde a idade de oito ou nove annos1 e se fosse possivel ainda mais cedo pellas razoens seguintes4 ,tanto que as riquezas da ,affrica e do ,oriente entrara em ,portugal1 logo comeou a mostrarse o luxo nos vestidos1 comidas1 e mais commodidades estrangeiras2 comeou a esfriarse o amor das familias1 e por ultimo da ,patria4 ,el ,rey ,dom ,joo o ,terceyro1 foi o ultimo ,rei que foi criado com ama ,nobre2 e ja seos ,filhos1 nem seu ,neto el ,rey ,d4 ,sebastia1 tivera amas mais que da classe plebea3 indicio certo que as ,senhoras na criava ja seos filhos1 como nos tempos anteriores4 ,introduziose este destruitivo costume da raa humana1 do amor filial e dos bons costumes2 e a pezar de tanto serma1 missoens1 e practicas espirituais1 nenhuma ,senhora quer sacrificar a sua formozura criaa de seos filhos1 que ho de ser a cauza da felicidade1 ou dos infortunios do resto da sua vida4 ,seria loucura persuadir o que ninguem quer abraar#hc4 4 ,consequencias por nam criarem as ,mays seos filhos ,tem para si estas ,mays1 que na cria1 que conservara por mais tempo a formozura1 e que dilatara a vida com mais vigor e foras1 e que perderia a sua boa constituia1 criando por dezoito mezes ou dois annos4 ,mas he engano manifesto2 e o contrario se sabe pela experiencia1 e pela boa ,physica4 ,a molher que pario1 e que na cria o seo parto1 em pouco tempo vem a conceber de novo3 a prenhs de nove mezes he huma enfermidade1 que enfraquece mais o corpo do que criar aos peitos por anno e meyo3 e como concebem antes que as partes da geraa adquirissem pelo repouzo a sua natural consistencia1 succede que estas ,senhoras aborta mais frequentemente3 enfermidade ta consideravel1 que muitas ou perdem a vida1 ou fica achacadas1 perdendo em poucos annos o idolo da sua belleza1 ficando frustradas do seu intento1 e expostas a viverem por toda a vida a mil desgostos e pezares4 ,a molher que cria o seu parto fortifica o seu corpo2 porque a natureza inclinandose a lanar para os peitos muita parte dos alimentos1 nesse mesmo tempo as partes da geraa se alimpa dos humores que estivera detidos por nove mezes1 e alimpandosse cada dia adquirem o seu vigor natural2 e deste modo a molher que cria o seu parto1 e que o sustenta s com o seu leite por hum anno1 na concebe1 que difficilmente2 se concebem de antes1 he por que na da leite na quantidade necessaria1 temendo estas ,mays e ,amas enfraquecerse1 o que he engano manifesto4 ,este o mal que cauza s ,mays na criarem seos filhos1 vejamos agora os danos a que esta expostos os partos viventes e ainda os mais vivazes4 ,a molher que concebeo dentro do anno em que pario1 na deu tempo para que as partes da gerao adquirissem aquelle vigor natural1 que lhe he natural3 a prole concebida na ter tanto espao para se estender2 ficar mais fraco1 porque o lugar onde vai crescendo est relaxado1 e fatigado pela prenhs1 e parto antecedente3 daqui he que sahir luz com menos vigor e com menos esforo para crescer4 ,e ser esta a causa que nos nossos seculos a especie humana he mais piquena e mais fraca1 que nos seculos anteriores8 pelo menos parece ser huma cauza desta pequenhs4 ,atgora os danos que sofrem as ,mais e os seos partos no corpo2 mas os mais consideraveis e lamentaveis sa aquelles que se imprimem no animo das crianas criadas por amas4 ,se foramos nacidos para viver nos desertos da ,affrica1 ou nos bosques da ,america1 pouco importava que as amas imprimissem no nosso animo aquellas ideas de terror1 de feitios1 de feiticeyras1 de duendes1 de crueldade1 e de vingana2 mas somos nacidos em sociedade civil1 e christa2 aquellas ideas que nos da as amas sa destrutivas de tudo o que devemos crer1 e obrar3 fica aquellas crianas expostas ao ensino de molheres ignorantes1 superstiziozas2 sa os primeyros ,mestres da lingoa1 dos dezejos1 dos apetites1 e das payxoens depravadas4 ,chegou o menino a fallar1 ja esta cercado de duas ou tres molheres1 mais ignorantes1 mais superstiziozas1 do que a ama2 por que estas sa mais velhas1 e sabem mais destruir aquella primeira intelligencia do menino2 chega a idade de caminhar1 ja tem seu mocinho1 ordinariamente escravo1 e como fora pelas ,mays criados por taes amas1 e velhas1 sa os terceyros ,mestres at a idade de seis ou sete annos3 e se o mo exemplo do ,pay e da ,may pem o sello a esta educaa fica o menino embebido nestes detestaveis principios1 que mui difficilmente os milhores ,mestres podem arrancar aquelles vicios pelo discurso da idade pueril4 ,ser impossivel introduzirse a boa educaa na ,fidalguia ,portugueza em quanto na houver hum ,collegio1 ou ,recolhimento1 quero diser huma ,escola com clauzura para se educarem ali as meninas ,fidalgas desde a mais tenra idade2 porque por ultimo as ,maens1 e o sexo femenino sa os primeyros ,mestres do nosso2 todas as primeyras ideas que temos1 provem da criaa que temos das mays1 amas1 e ayas2 e se estas forem bem educadas nos conhecimentos da verdadeyra ,religia1 da vida civil1 e das nossas obrigaoens1 reduzindo todo o ensino destas meninas ,fidalgas ,geographia1 ,historia sagrada e profana1 e ao trabalho de mas senhoril1 que se emprega no risco1 bordar1 pintar1 e estofar1 na perderia tanto tempo em ler novellas amorozas1 versos1 que nem todos sa sagrados3 e em outros passatempos1 onde o animo na s se dissipa1 mas s vezes se corrompe2 mas o peyor desta vida assi empregada he que se communica aos filhos1 aos irmas1 e aos maridos4 ,daqui vem1 que sendo na mesma ,naa1 da mesma familia1 e da mesma caza1 esta introduzidas duas sortes de lingoa1 ou modos de fallar1 a conversaa que se deve ter com as senhoras1 no ha de ser sobre materia grave1 sria2 estas conversaoens judiciosas fica reservadas para algum velho1 ou para algum notado de extravagante3 e assim succede que fica as ,senhoras por toda a vida 7ordinariamente7 meninas no modo de pensar2 e com ta miseraveis principios vem ellas1 as suas amas1 as suas ayas1 e donas1 a serem os ,mestres daquelles destinados a servir os ,reis4 ,na me acuze ,v4 ,illustrissima1 que sahi fora do intento que lhe prometi4 ,achei que tratar da educaa que deva ter meninas ,nobres e ,fidalgas merecia a mayor attena porque por ultimo vem a ser os primeyros ,mestres de seos filhos1 irmans e maridos4 ,v4 ,illustrissima sabe muito melhor do que eu1 aquelles monumentos que temos na ,historia ,romana1 e tabem na nossa1 de tantas ,mays que por criarem e ensinarem seos filhos fora os que salvara a ,patria1 e a illustrara3 houve em ,roma muitas ,cornelias1 como em ,portugal muitas ,phelipas de ,vilhena4 ,mas naquelle tempo ainda o luxo ou a dissolua na se tinha apoderado do animo ,portugues1 porque as riquezas na era ta apetecidas4 ,a connexa que tem a educaa da ,mocidade ,nobre que prometi a ,v4 ,illustrissima1 me obriga a ponderar1 se no seria mais util para a conservaa e augmento da ,religia ,catholica1 transformarse tantos ,conventos de ,freyras e das ,ordens1 principalmente ,militares sem exercicio algum da sua destinaa1 nestes establecimentos que proponho1 tanto para a ,mocidade ,nobre ,masculina1 como ,femenina8 ,com o exemplo das educandas1 ou ,filles de ,saint ,cyr1 fundaa perto de ,versailles1 e com o da ,escola ,real ,militar1 se poderia fundar no ,reyno outros ainda mais ventajozos1 para a mesma ,nobreza1 e para conservaa e augmento da ,religia e do ,reyno4 ,mas espero ainda ver nos meos dias establecimentos semelhantes em tudo1 ou em parte1 que satisfaa todo o meu dezejo4 4 ,dos ,mestres da ,escola ,real ,militar1 para a ,arte da ,guerra e das ,sciencias ,ainda que na ,encyclopedia citada1 no articulo ,escola ,militar se contem o que devem aprender os ,educandos da ,escola ,militar1 julguei aproposito aplicar o que contem de util ,escola proposta em ,portugal2 sendo essa a razo1 que me move a notar o que se deve seguir ou evitar1 deyxando para os que a dirigirem entrar nas particularidades do ensino1 que s com a experiencia e com o tempo se pode fixar hua ,ley constante e universal2 bem entendido que subsista as mesmas circunstancias4 ,o primeyro e quotidiano ensino desta ,escola deve ser a ,religio1 para comprirmos a brigaa de ,christa3 esta ,escola devia considerarse como hua ,parrochia debayxo da ,jurisdia immediata do ,ordinario que presentaria o ,parrhoco e hum ou dois ,vigarios1 na s para administrar os ,sacramentos1 mas para instruir nos ,domingos e dias de ,festa na ,religia3 mas sem ,novenas1 ,irmandades1 ,confrarias1 e outras ,instituioens1 que na sa essenciais ,religia ,catholica3 este mesmo ,parrhoco e ,vigarios1 ja se sabe que inculcara na s o que sa obrigados a ensinar1 mas a serem os milhores ,subditos1 porque sa os mais bem premiados do ,estado4 ,a segunda sorte de ,mestres1 seria os ,militares e todos aquelles que ensinaria os exercicios corporais1 para fortificar o corpo1 faze-lo agil e endurecido ao trabalho e fadiga que requer a guerra4 ,he necessario considerar-se em ,portugal se achara ,officiais ,militares1 que ensinem o manejo das armas1 as ,evoluoens e a ,tactica3 he necessario ponderar qual sorte de ,officiais devem ser preferidos para ensinar nesta ,escola1 se os ,estrangeyros1 se os ,nacionais8 ,parece que o fim e o principal objecto desta ,escola deve ser1 ,que a ,nobreza e a ,fidalguia fique tabem instruida1 e tabem morigeradas quo obedea s ,leis ,patrias1 subordinaa dos ,mayores1 e que perca aquella idea que devem ser premiados por descenderem de tal ou tal caza3 e que fiquem no habito de pensarem1 que s pelo seu merecimento chegara aos postos e s honras a que aspira a sua educaa4 ,se este for o intento de sua ,magestade1 ficar facil decidir que devem ser preferidos os ,officiais ,militares ,estrangeyros aos ,nacionais3 o ,official ,portuguez1 que ensinar ou instruir na sua obrigaa hum ,menino ,fidalgo1 sempre lhe mostrar huma distina ou sumissa1 e no se atrever a executar com elle1 o que pede a disciplina ,militar3 esta he e deve ser cega para mandar a ,nobreza1 ainda da mayor esphera3 e deste modo parece que s os ,officiais ,militares ,estrangeyros podia cabalmente satisfazer esta ta essencial parte do ensino que se pretende4 ,seis at oito ,officiais ,mayores1 como1 por exemplo1 hum ,mayor1 hum ,vice-,mayor1 tres ou quatro ,capitaens1 e outros tantos ,tenentes ,estrangeyros seria bastantes2 porque o ,commandante1 ou ,tenente del ,rey1 a cujo cargo estaria a dita ,escola1 sendo ,official ,geral devia ser ,nacional1 e dos mesmos educandos podia sahir os ,sargentos de numero1 de supra1 os ,cabos de esquadra1 etc4 e por muitas consideraoens que na pertencem aqui1 devia ser estes ,estrangeiros da ,naa ,suissa1 na sendo obstaculo para este effeito a ,religia ,protestante que seguem aquelles ,republicanos pela mayor parte4 ,o dia da quinta feyra seria destinado enteyramente para o exercicio militar1 o manejo da ,espingarda1 as ,evoluoens ,militares e a ,tactica4 ,assima fica proposto que cada companhia constaria de vinte ou vinte e quatro ,educandos1 o que se deve entender no principio deste establecimento2 mas podia estenderse este numero at cem em cada companhia1 e poderiase completar os ,officiais de cada huma dellas1 como ,alferes e ,tenentes1 com ,officiais ,educandos4 ,seria util que o resto dos ,mestres1 para ensinar todos os exercicios do corpo1 como so a dansa1 a esgrima1 montar a cavallo e nadar1 fossem ,portuguezes1 com aquellas qualidades necessarias para ensinar2 estes exercicios seria quotidianos e distribuidos no tempo que indicaremos abayxo1 quando tratarmos da instrua nas ,lingoas e ,sciencias4 ,os ,mestres para ensinar a ,lingoa ,castelhana1 ,franceza e ,ingleza1 necessariamente devia ser ,estrangeiros2 e na ,escola ,militar de ,paris os serventes sa ,alemaens e ,italianos1 para que1 pelo uzo1 aprenda aquelles ,educandos estas ,lingoas1 alem do ensino1 que tem dos ,mestres3 methodo que se devia imitar4 ,igualmente seria necessario haver mais ,mestres ,estrangeiros1 para ensinar as sciencias1 ou na ,lingoa ,franceza1 ou na ,latina1 e mesmo de ,religia ,protestante1 o que na sei1 se ser bem aceita esta proposta4 ,mas considerando que s entre os ,alemaens e os ,suissos sa bem conhecidas a ,philosophia ,moral1 ,origem do ,direito das ,gentes e do ,civil1 a ,historia ,antigua e a ,politica dos nossos tempos1 ninguem duvidar escolher os ,homens doutos destas ,naoens1 para este ensino4 ,na he novo ensinarem os ,protestantes nas ,escolas publicas ,catholicas3 a ,universidade de ,padua teve ,lentes de ,mathematica ,protestantes1 como foi ,m4 ,herman ,suisse1 ,autor da ,phoronomia4 ,em muitos ,estados ,catholicos de ,alemanha he a practica ordinaria1 porque cada ,mestre ou ,lente se contem a ensinar unicamente a ,sciencia que professa1 e como os ,educandos sera instruidos cada dia pelos ,ecclesiasticos da mesma ,escola1 e pelos ,mestres ,portuguezes ao mesmo tempo1 na se poder temer com raza1 que o ensino dos ,estrangeiros possa prejudicar a ,educaa no que toca ,religia1 nem santidade dos costumes4 ,as leis da economia interior desta ,escola1 e a sua exacta observancia1 as instruoens que cada ,mestre havia de receber1 quando entrasse no seu cargo1 com juramento de as observar1 conforme sua ,religia1 seria o methodo effectivo da boa ordem e da utilidade desta ,escola4 ,porque como toda ella devia depender immediatamente de ,s4 ,magestade1 e ficar na dependencia do ,secretario do ,estado1 por o ,governo interior do ,reyno1 seria mui facil obviar a qualquer desordem1 e executar tudo o que estivesse decretado4 4 ,das ,lingoas e ,sciencias que se deviam ensinar nesta ,escola1 e em que tempo8 ,nos cinco dias1 vem a saber1 secunda feira1 tera feira1 quarta feira1 sexta feira1 e sabado poderia estes ,educandos occuparse em vinte lioens4 ,cinco lioens de ,grammatica da sua propria lingoa2 escrevela e compr nella com propriedade e elegancia2 a lingoa ,latina1 ,castelhana1 ,franceza e ,ingleza4 ,tres lioens de ,arithmetica1 ,geometria1 ,algebra1 ,trigonometria1 ,secoens conicas1 etc4 ,tres lioens de ,geographia1 ,historia profana1 sagrada1 e militar4 ,duas ou tres do ,risco1 ,fortificaa1 ,architectura militar1 naval1 civil1 com os instrumentos e modelos necessarios para aprender estas ,sciencias4 ,duas de ,hydrographia1 ,nautica1 com os instrumentos4 ,cinco dos exercicios corporaes3 dana1 esgrimir1 manejo da espingarda1 montar a cavallo1 e nadar4 ,ja se v que ao passo que os educandos souberem a sua lingoa1 a ,latina1 e a ,franceza1 a ,geographia1 a ,chronologia1 e os ,elementos da ,historia1 que devem passar a outras classes onde se ensinara as sciencias que dependem destes conhecimentos4 ,alem das referidas necessariamente se devia ensinar3 ,a ,philosophia ,moral por theoria e practca3 ,o ,direito das ,gentes1 os ,principios do ,direito ,civil1 ,politico e ,patrio1 que devia ser as nossas ,ordenaoens reformadas1 imitaa daquellas de ,turin publicadas e decretadas por ,victor ,amadeo no anno de #agba e #agbd3 ,a ,economia ,politica do ,estado1 isto he o conhecimento da ,agricultura universal3 a ,navigaa1 e o ,commercio nos ,mares conhecidos4 ,pode se duvidar com raza se todos os educandos devem aprender sem distina a ,lingoa ,latina1 e as ,sciencias mais elevadas4 ,he certo que devia haver excepa nesta materia2 e conformar o ensino ao genio1 inclinaa e engenho dos educandos2 sem embargo desta precaua todos seria obrigados aprender sem distina o seguinte3 ,saber escrever a sua lingoa com propriedade1 e com a mesma fallar a ,castelhana 7de que injustamente fazemos pouco cazo71 a ,franceza1 e a ,ingleza4 ,a ,geographia1 sem a qual na saberemos nem ainda a nossa ,historia que devia todos saber1 com a de ,castella1 de ,frana1 ,inglaterra1 e o principal da ,ecclesiastica3 pelo menos aquelles ,discursos de l',histoire ,ecclsiastique de ,m4 l',abb de ,fleury4 ,a ,arte de ,guerra e da ,nautica2 esta tambem por practica1 embarcandose em cada viagem de ,navios de ,guerra para as nossas ,colonias alguns destes educandos4 ,todos os ,estatutos ,militares1 e ,nauticos2 mas na superficialmente1 como he mo costume2 mas com exactido e intelligencia4 ,todos os exercicios do corpo referidos2 e saber arte de conhecer os cavallos1 os seus petrechos1 o seu sustento1 e tudo que toca ao ,inspector ,general da ,cavallaria2 necessaria precauo para ser official perfeito nesta parte do exercito3 do mesmo modo se devia aprender tudo que pertence a hum navio de guerra3 e na ,artilharia1 e ,architectura ,militar4 ,o que se contem naquelle livrinho1 que dissemos assima se est compondo tocante s ,obrigaoens1 que sa os ,principios da ,philosophia moral practica4 ,no cazo que o juizo de algum educando fosse ta estupido que no seja caps de aprender o referido1 pelas instruoens ,reais para as ,escolas1 devia ser rejeitado desta ,escola ,real2 e como lhe ficassem ainda braos para manejar huma espingarda1 ou para defender o seu posto em hum navio de guerra1 esta seria sua distinaa2 servindo de utilissimo monumento esta piedoza resolua para o ,estado e para esta ,escola ,real ,militar2 que assim sabia tratar os educandos menos habeis4 4 ,ponderaam sobre a ,lingoa ,latina ,entender e saber a ,lingoa ,latina com algua perfeia na se estima ordinariamente por qualidade necessaria3 mas he notado de m creaa e he reputado por ignorante1 quem a na entende2 tantos ,authores que escrevera era inutil a hum ,militar1 a hum ,capita de ,mar1 e outros ,cargos publicos1 na tem outro fundamento mais1 do que mostrarem que tem na sua propria ,lingoa todas as ,sciencias e ,artes escriptas1 e que sabendoa com perfeia aproveita o tempo em aprendellas1 que perdia certamente em quanto estudava o ,latim3 mas he engano manifesto4 ,quem assim escreve1 e assim declama1 sabe ,lingoa ,latina1 e na se apercebe que se a na soubesse1 teria milhares de occasioens de dezejar sabla4 ,notou ,m4 de ,voltaire que ,louis ,quatorze1 e ,m4 ,colbert seu ,secretario de ,estado na sabia ,latim1 e que elles promovera as ,sciencias mais que os ,reis1 e ,ministros que foram doutos2 e que ,m4 ,colbert1 sendo ja ,ministro aprendia esta ,lingoa4 ,carlos ,quinto1 ,henrique ,terceyro de ,frana lamentrase muitas vezes que a ignorarem3 todos aquelles de quem se pode esperar tivera boa creaa1 sa reputados saberem latim3 porque todos os ,mysterios da nossa ,religia1 todos os actos ,religiosos della sa nesta ,lingoa1 e ser couza lamentavel que hum ,gentilhomem na ,igreja intenda tanto como o ,villa1 ou hua criada4 ,no trato do mundo occorrem mil occazioens de saber ,latim1 hua sentena que se dis nesta ,lingoa em conversaa2 o titulo de hum livro latinizado1 ou em latim2 estando nos ,cargos ou civis ou politicos1 ou nos da guerra ha milhares de occazioens onde o ,latim he necessario2 de outro modo fica o ,ministro1 ou o ,general envergonhado1 e confuzo4 ,para resolver se hum mosso ,nobre1 nesta ,escola que se propoem1 devia aprender o ,latim ou na1 na devia ser aquelle que o sabe4 ,pelo contrario devia ser hum ,gentilhomem1 ou ,fidalgo com conhecimentos da vida civil e politica1 que o na soubesse3 estou certo que o seu voto nesta materia seria pela affirmativa1 porque ter experimentado quanta confuza1 vergonha1 e mortificaa lhe cauzou s vezes no entender o ,evangelho1 os textos dos ,prgadores2 os ,hymnos1 as ,sentenas1 e palavras ,latinas encadeadas na lectura da ,lingoa vulgar1 e sobre tudo na conversaa4 ,alem do referido1 que he a nossa ,lingoa1 acharemos que a ,castelhana1 a ,italiana1 a ,franceza1 e muita parte da ,ingleza1 na he mais que a ,lingoa ,latina1 ou corrupta1 ou com terminaoens differentes3 como he possivel que hum ,portugues tenha hua idea distincta1 clara e completa destas palavras3 ,conceder1 sujeitar1 reservar1 resolver1 publicar1 exceder1 promover1 etc41 sem saber a ,lingoa ,latina8 ,ainda que aprenda a ,grammatica da nossa ,lingoa1 ainda que venha ,bluteaus novos de ,irlanda a fazernos ,dicionarios#hd1 jamais a saberemos bem1 sem ter primeiro aprendido o ,latim1 e na creyo que jamais ,portugues sem ella a escrever rectamente1 apezar das orthographias ,italiana que comea a vogar nas pennas dos ,noveleiros e de quem se preza saber antes a ,lingoa ,estrangeyra do que a sua propria4 ,por estas razoens1 parece que he indispensavel que esta ,lingoa entre na educaa da ,mocidade ,nobre3 todo o ponto est que quando a aprenderem lhes na ensinem ,grammatica em lugar da ,lingoa ,latina2 a ,grammatica ou se deve ensinar explicando a ,lingoa materna1 ou depois de saber mediocremente a ,latina2 e o primeiro dia que comearia a aprender esta1 nesse mesmo comearia a traduzir ou algum ,evangelho1 ou os ,proverbios de ,saloma1 por ser o ,latim mais commum1 como sa ordinariamente todas as versoens1 ou interpretaoens4 4 ,empregos e ,honras com que haviam de sahir os ,benemeritos desta ,escola ,chegados os educandos quelle tempo que podem ter algum emprego fora da ,escola ,militar1 devia ser empregados conforme o genio1 a capacidade1 as foras1 e os seos ,estudos3 o ,director dos ,estudos daria conta ao ,conselho desta ,escola1 onde presidiria hum ,secretario do ,estado1 na s do proveito que cada educando adquirira nos seos ,estudos1 mas que tal e tal poderia ser util nos ,negocios ,estrangeyros2 outro nos ,tribunais economicos do interior do ,reyno2 outro no servio da frota1 e outro no exercito4 ,antes de serem decorados com ,cargos publicos1 seria conveniente1 que se exercitassem aquelles destinados a navegar nos ,navios de ,guerra expedidos a combater os ,corsarios1 ou a conduzir as frotas3 outros assistirem em certos ,tribunais1 e ,conselhos1 como ouvintes1 outros fazendo campanhas1 ou ficando por alguns mezes nas ,praas fronteyras do ,reyno2 e tabem algum numero delles no servio da ,corte2 mas sempre com obrigaa de voltar a viver na ,escola ,militar1 onde devia conservar o seu posto at sahirem empregados nos ,cargos publicos1 e com tenas procedidas de alguma ,ordem ,militar1 ou ja establecida ou que devia establecerse para este fim4 ,os ,educandos que sayem da ,escola ,militar de ,russia depois de rigurozo exame no que aprendera1 sa empregados primeiramente no exercito no posto de ,tenentes1 de ,capitaens1 de primeiro e de segundo ,mayor3 outros sa destinados a sirvirem no ,collegio dos ,negocios ,estrangeyros1 outros nos ,collegios de ,justia e ,rendas ,reais4 ,como naquelle ,imperio o ,almirantado tem huma ,escola de ,nautica1 com ,pensionarios ou ,guardas ,marinhas1 todos igualmente ,nobres1 nenhum ,educando da ,escola ,militar he empregado no ,almirantado4 ,os ,educandos da ,escola ,militar de ,paris1 sayem para ser empregados no exercito1 e tem por premio do seu aproveitamento nos ,estudos1 os postos de ,tenentes1 ,capitaens e segundos ,mayores3 alem disso sahem decorados com huma ,ordem ,militar1 e huma pensa por toda a vida de #cj4jjj reis1 at #dh4jjj reis1 paga s vezes pela mesma ,escola1 e outras custa da ,ordem ,militar que professa4 ,assim somos feitos3 ,se na conservamos a esperana fundada na honra1 no proveito e na distina glorioza1 he impossivel forar a nossa natureza a trabalhar1 nem a cultivar o entendimento1 sorte de trabalho mais penivel1 e que requer mais constancia1 do que o corporal4 4 ,utilidades que resultariam tanto ao ,reyno1 como ao ,soberano do exacto exercicio desta ,escola ,militar1 que se propoem4 ,tenho mostrado por todo este papel1 ,illustrissimo ,senhor1 que o trato e os costumes de huma ,naa provem originalmente daquelles que tem os ,senhores das terras1 e os que exercita os ,cargos do ,estado4 ,que me conceda que os ,generais1 os ,almirantes1 os ,magistrados1 e todos os ,cargos da ,corte seja administrados por homens educados em huma escola1 como a que acabo de propor1 estou certo que ser hum ,reyno bem governado1 com tanto que o ,soberano preme e castigue risca1 conforme as leis decretadas4 ,isto he facil de conceber3 mas se pelo contrario os mesmos ,generais e ,cargos da ,corte forem administrados por homens educados em caza de seos ,pays 7como he hoje costume71 onde os ,mestres temem de advirtir e castigar os seos discipulos2 onde a ,ama ou a ,aya1 o ,criado e o ,page so os ,companheyros dos ,meninos1 os seos ,manos1 toda a sua companhia1 os seos confidentes em todos os seos dezejos e apetites1 enta poderemos julgar que este menino conservar em quanto viver aquelles pessimos habitos1 que adquirio com os seos inferiores3 na saber repartir o tempo para exercitar o seu emprego1 para descansar1 nem para dormir3 buscar em quanto viver todos os meyos para divertirse1 e jamais considerar occuparse1 e muito menos cumprir com a sua obrigaa4 ,os louvaveis effeitos da boa educaa nesta ,academia ser o primeiro de saber regrar cada qual o seu tempo em todo o dia3 costumados a levantarse cedo1 ficalhes tempo para applicarse e para se divertir honestamente4 ,todas aquellas maravilhas que obrou ,pedro ,primeiro1 ,emperador da ,russia1 acho que no tivera outra origem que saber regrar o seu tempo4 ,este raro e grande ,principe1 era o primeiro homem que se levantava no seu ,imperio1 e o primeiro que se deitava a dormir4 ,levantavase de vera e de inverno s tres horas da manha1 ou estivesse na ,corte1 ou em campanha1 ou viajando2 tanto que se levantava estava presente o ,secretario do ,cabinete1 com as petioens e papeis1 que necessitava de despacho2 punhase a despachl-as at as quatro ou cinco horas da manha3 sahia dali e partia sem ceremonia na carruagem de vera ou de inverno1 acompanhado somente de dois ,dragoens a cavallo3 entrava no ,almirantado1 onde j estava l os ,almirantes e os cargos do ,conselho d'aquelle ,tribunal2 e aquelle que faltava era apontado o sallario d'aquelle dia1 pela primeira vs4 ,ali prezidia despachando com huma ta ordenada actividade que admirava1 mesmo quelles os mais practicos naquelle cargo4 ,ali ficava das seis at s sete da manha4 ,sahia daquelle ,tribunal e chegava ao ,senado1 que he o ,tribunal supremo que corresponde1 me parece1 ao nosso ,dezembargo do ,pao3 com a mesma ordenada exactido despachava1 e as nove horas da manha estava j na sua ,corte3 onde achava o ,gran ,chanceller1 ou primeiro ,secretario de ,estado1 com dois mais1 que lhe presentava os ,negocios ,estrangeiros1 que ouvia e despachava3 depois deste tempo dava audiencia aos ,ministros ,estrangeiros1 e a todos os mais que lha pedia4 s onze horas sem falta jantava ou na ,corte ou em caza de algum ,grande ou de algum ,ministro ,estrangeyro3 recolhiase a meyo dia2 e at s tres da tarde1 tudo estava na ,corte no mais recatado silencio1 porque sempre durmio a sesta4 ,sahia s tres horas a examinar o que se passava no ,collegio de ,guerra2 outras vezes hia ao ,collegio do ,commercio e das ,minas2 outras1 a ver as ,fabricas que tinha erigido2 outras1 a ver as obras publicas que tinha ordenado2 ceava entre as seis e as sete1 e s sete horas da noite se deitava3 apagava-se as luzes na ,corte2 o silencio era igual ao de hum ,convento3 e deste modo conheci eu muitos ,senhores ,russos1 e o ,feld-,marechal ,conde de ,munnich1 que vivia do mesmo modo1 educados no servio daquelle gran ,monarcha4 ,este foi todo o segredo daquelle ,emperador1 para obrar em trinta e seys annos que reynou2 que parece1 pelas incriveis couzas que fes1 que viveo duzentos4 ,em saber distribuir e aproveitarse do tempo1 consistio todo este artificio1 que s com a educaa masculina se aprende4 ,se consultarmos os monumentos da ,historia1 acharemos que a gloria e augmento dos ,reynos na lhes veyo dos numerozos exercitos1 nem das riquezas2 acharemos que fora illustres pela ,educaa dos seos ,monarchas e dos seos ,subditos4 ,relata ,diodoro de ,sicilia#he1 que o ,pay de ,sesostris1 ,rey do ,egypto1 vendo que lhe nacera hum filho ordenou que todos os ,meninos que nacera no mesmo dia1 fossem creados e educados com tanto cuidado e doutrina1 que viessem capazes de serem ,companheyros e ,mestres por habito e companhia do ,principe2 e que este viera ta excellente e ta admiravel1 pelas virtudes daquelles ,companheyros1 que na s na ,mocidade conquistra as ,arabias1 mas em idade avanada1 sendo ja ,rey conquistra desde a ,india at o ,mar ,negro4 ,excellente modo de educar os ,principes1 pela companhia dos iguais na idade1 nas inclinaoens1 e divertimentos1 e seria bem aventurados os nossos tempos1 se esta sorte de ensino resuscitasse nelles4 ,educaa que teve el ,rey ,dom ,dinis devemos tanta gloria como alcanou o ,reyno em ser povoado1 rico1 potente e respeitado2 el ,rey ,d4 ,duarte ta cheyo de virtudes1 como vexado por disgraas1 sendo educado por sua ,may a ,raynha ,dona ,phelipa1 mostrou quanto as ,mays podem contribuir para a felicidade dos filhos4 ,o poder a que chegou ,frana no tempo de ,luis ,quatorze1 e gloria que conserva ainda1 teve origem na boa educaa de ,henrique o ,quarto e do seu ,ministro o ,duque de ,sully2 ambos nascidos de ,pais ,protestantes1 ambos educados austeramente1 com ,mestres excellentes nas sciencias e nos costumes1 formara o animo deste ,rey e deste seu privado1 que toda a sua vida foi hum modelo da ordem nos negocios e na applicaa4 ,o ,duque de ,sully sendo de huma familia ta ,nobre na era a pessoa para administrar as ,rendas ,reais1 porque estes cargos andra sempre exercitados pelos ,rendeyros da ,fazenda ,real3 mas a necessidade em que se achava ,henrique ,quarto pedia hum amigo para remedila1 e na achou outro que o duque de ,sully1 o qual na reparando bayxarse para levantar o seu ,rey1 com o ,reyno1 dezempenhou o ,estado1 ajuntou thezouros1 destruio os inimigos1 resuscitou a agricultura do ,reyno que estava perdida1 introduzio o comercio1 e instituio a cultura das sedas1 e fabricas destas e das lans4 ,que se leam as ,memorias#hf deste grande ,ministro1 e ento ficara todos persuadidos que o segredo de adquirir immortal fama nos postos e nos cargos com utilidade publica1 consiste na distribuia do tempo1 na ordem da vida e regra de viver2 o que smente se aprende na primeira idade1 como habito que fica por toda a vida4 ,dizia ,socrates1 que era couza notavel que havendo ,mestres1 e ,escolas para aprender tudo o que era necessario para ser rico1 considerado1 e auctorizado1 que s na conhecia huma onde os homens e os meninos fossem a aprender a ser bons4 ,eu sem tantos conhecimentos1 e com menor virtude acho que em ,portugal ter a ,nobreza e a ,fidalguia ,mestres a milhares que lhes ensinem as lingoas1 danar1 esgrimir1 montar a cavallo1 e sobre tudo as ,genealogias1 mas na posso considerar que haja hum1 que lhes ensine que he obrigado a obedecer aos ,magistrados1 e a todos aquelles empregados no servio do ,estado1 como seja seos ,mayores2 na posso considerar que possa a ,fidalguia perder aquella soberba com que nace1 e aquella independencia1 do que em huma ,escola ,militar1 governada pella disciplina ,militar1 que na conhece outra ,genealogia1 nem ,sangue ,real1 do que o cargo e o merecimento4 ,se esta mocidade desde a idade de nove ou ds annos estiver costumada ser mandada1 e posta em priza por hum ,tenente1 ou ,capita nobre1 ou na ,nobre2 se for castigada por ter insultado o seu ,mestre1 ou hua criada ou servente da dita ,escola1 perder aquelle habito que contrahio em caza em companhia das ,ayas1 e dos creados graves1 e queyra ,deos1 que no fosse contrahido com domesticos de esfera mais inferior8 ,esta disciplina ,militar1 esta ordem1 e saber repartir o seu tempo1 se espalharia por todas as tropas1 e por toda a armada1 porque ja dissemos que todos os subalternos imita os vicios1 ou as virtudes1 o trato1 e o modo de viver dos superiores4 ,que ,escolas temos no ,reyno onde a ,fidalguia na primeyra idade possa aprender a moderar as suas payxoens8 a ser constante nas adversidades1 e nos perigos8 ,felis seria a ,corte que constasse dos que foro assim educados6 ,as ,leis teria vigor1 porque os ,subditos as executaria2 e estando autorizados1 as observaria2 conhecendo interiormente terem superior1 e que sa nacidos ,subditos4 ,em que ,escola se aprende hoje no ,reyno amar a sua ,patria8 na consiste este amor perder a vida por ella1 atacando hum ,corsario1 ou subindo por hua brecha2 a gloria que redunda destas acoens1 recompensa bem o perigo3 este amor consiste em serlhe util1 e em augmentar por todos os meyos a sua conservaa1 e a sua grandeza3 ama a sua ,patria o ,senhor de terras1 que as faz ferteis1 que multiplica por cazamentos as aldeas1 contribuindo com o seu1 e com as suas terras a sustentar estes ,subditos1 e os que ha de vir desta unia3 ama a sua ,patria aquelle que podendo comprar hum vestido de pano de ,inglaterra o manda fazer de covilha2 estes sa os ,patriotas1 e aquelles que conhecem no que consiste a sua conservaa1 e a sua ruina4 ,smente na ,escola proposta se podera adquirir estes conhecimentos1 e adquirir estes habitos virtuozos4 ,admiramonos da temeridade del ,rey ,dom ,sebastia1 na s por expor-se cotidianamente aos perigos mais iminentes1 mas de passar a ,affrica como hum aventureyro2 accuzamos1 ainda que com raza seos ,mestres os ,jesuitas1 e sobre todos ,pedro ,gonsalves da ,camara1 e na accuzamos os costumes estragados1 e a ignorancia da ,fidalguia daquelles tempos4 ,e nenhum incentivo mayor tera jamais os ,nossos ,reys para cuidarem da severa educaa da sua ,fidalguia do que a catastrophe do referido ,rey2 porque he certo que se fosse como pedia o seu nacimento1 que na cahiria o ,reyno naquelle ta lamentavel abatimento4 ,os ,reys que tiverem particular cuidado da educaa dos ,nobres e dos ,fidalgos1 he o mesmo que fortificar praas1 fazer frotas1 e multiplicar a felicidade dos seos dominios1 fim de toda a ,legislao de qualquer ,estado4 ,relata ,m4 ,ricaut#hg que a grandeza e a conservaa do ,imperio de ,turquia depende totalmente da educaa que o ,gran ,senhor d no ,seraillo mocidade1 que elle adopta e cria sua custa4 ,o referido ,auctor no lugar citado dis assim#hh ,o ,gra ,senhor na considera nos seos ,ministros1 nem o nacimento1 nem as riquezas3 elle tem por maxima empregar aquelles que fora educados a sua custa2 e como elles na tem outro arrimo1 nem outra esperana1 daqui he que sa obrigados gratida e a servirem com a mayor fidelidade444444444444444444444444444444 4444 ,os meninos destinados a servir os mayores ,cargos daquelle ,imperio1 que os ,turcos chama ,ichoglans1 forozamente ho de ser filhos de ,christas tomados na guerra1 e de terras distantes da capital44444444444 ,antes que estes meninos entrem no lugar destinado para se criarem os prezenta ao ,gra ,senhor2 e os envia ou ao serrail de ,pera1 ou ao de ,adrianopoli1 ou ao de ,constantinopla4 ,ali sa doutrinados naquelles tres ,collegios1 ou pensoens com toda a severidade pelos ,eunuchos2 ali aprendem todos os exercicios militares1 escrever1 e a sua ,religia1 e as ,lingoas ,persiana1 e ,arabiga3 e nestes filhos adoptivos se provem todos os ,cargos do ,imperio2 estes sa aquelles que vem a ser ,bachas1 ,vizires1 etc4 ,he facil prever que sendo educados assim todos aquelles que ha de servir hum ,estado1 que sera os mais gratos1 e os mais fieis ao seu ,soberano1 que sempre considerara como piissimo ,pay4 ,se fossem educados ingenuamente com os conhecimentos da ,europa1 e com as maximas da ,religia ,christ1 ta excellentes para conservar a paz1 a humanidade1 e cordialidade entre os iguais e superiores1 sentiria aquelle ,estado muito mayor utilidade daquella excellente educaa1 porque na he possivel considerar outro melhor methodo para conservar huma monarchia1 e para promover a felicidade de hum ,rey4 ,tenho acabado o que prometi a ,v4 ,illustrissima1 e sem embargo que esteja persuadido que na satisfis a tudo que pertence materia que tratei1 na duvido ser de algua utilidade1 e ser a mayor1 a meu ver1 haver mostrado a necessidade que tem o ,reyno de huma educaa universal da ,mocidade1 governada por hum novo ,tribunal1 dependente de hum ,secretario de ,estado4 ,os defeitos1 ou omissoens que ,v4 ,illustrissima notar neste papel1 ou cauzados pela auzencia de tantos annos da ,patria1 ou pela ignorancia das circunstancias1 facilmente se remedeara1 se ,v4 ,illustrissima for servido notalos1 porque enta me ser mais facil acertar com a idea da perfeita educaa da ,mocidade ,portugueza4 ,fico para obedecer a ,v4 ,illustrissima com o mayor respeito4 ,deos guarde a ,v4 ,illustrissima muitos annos ,paris1 #ai ,novembro #agei4 ,antonio ,nunes ,ribeiro ,sanches4 ,,taboa ,,das ,,divisoens ,das ,escolas1 e dos ,estudos dos ,christaons at o tempo de ,carlos ,magno1 no anno #hjj1 ,page #d ,reflexoens sobre as ,escolas ,ecclesiasticas1 #ab ,contina a mesma ,materia1 #ag ,ida das ,obrigacoens da ,vida ,civil1 e do ,vinculo da mesma ,sociedade1 #bc ,a ,constituiam ,fundamental da ,sociedade ,christa1 #bf ,contina a mesma ,materia1 #bg #cg ,como os ,ecclesiasticos introduziram governar os ,estados ,catholicos1 pelas ,congregaoens dos primeiros ,christaons1 e pelas ,regras dos ,conventos1 #db ,das ,universidades1 #ei ,dos ,estudos da ,universidade de ,coimbra1 depos da sua ,renovaam no anno #aeec1 #fe ,resumo do ,referido1 #fi ,effeitos que cauzram em ,portugal as ,escolas1 e as ,universidades da ,europa e do mesmo ,reyno1 #gg ,contina a mesma ,materia4 ,effeitos que causaram nos costumes as ,leis referidas1 #ha ,contina a mesma materia4 ,e sobre a ,escravidam1 e sobre a ,intolerancia ,civil1 #hh ,que a nossa ,monarchia se podia conservar com a ,educaam ,ecclesiastica1 que tinhamos3 em quanto conquistava3 mas que nam he sufficiente depois de acabadas as ,conquistas1 #if ,objecto que devia ter a ,educaam da ,mocidade ,portugueza1 no tempo del ,rey ,dom ,joam ,o ,terceyro1 e parece que ainda hoje1 #aja ,da ,natureza da ,educaam da ,mocidade1 e do ,objecto que deve ter no ,estado onde he nacida1 #ajh ,qualidades dos ,mestres1 para ensinar a ler e a escrever1 1 #aae ,do que haviam de aprender os ,mininos alem de ler1 escrever e contar1 1 #aah ,das ,escolas da ,lingoa ,latina e da ,grega1 ,humanidades1 e da ,lingoa ,materna1 #abd ,dos ,mestres e dos ,discipulos das ,escolas do ,latim 1 #aca ,necessidade que tem o ,reyno de ,escolas em modo de ,seminarios1 #acc ,contina a mesma ,materia1 e das ,pensoens das ,escolas do ,latim no ,reyno1 por cauza da ,educaam da ,mocidade das ,colonias e das ,conquistas de ,ultramar1 #ace ,das tres ,classes de ,discipulos das ,escolas ,latinas1 1 #ach ,contina a mesma ,materia1 #adb ,digressam sobre as ,pensoens e sobre a ,lingoa ,latina tanto no ,reyno1 como nas ,colonias1 #adf ,da terceyra ,classe de ,estudantes que aprenderia nas scolas ,reais a ,lingua ,latina1 ,grega1 1 #aeb ,dos ,estudos ,maiores1 ou ,collegios ,reais1 #aec ,sobre o ensino que deve preceder as ,escolas ,mayores1 quer dizer1 da ,physica e da ,legislaam1 #afj ,em que lugar se haviam de ensinar as ,sciencias referidas1 #aff ,da ,educaam da ,fidalguia e dos ,fidalgos1 que tem ,assentamento e ,foro na ,caza ,real1 #afh ,que sorte de ,educaam convem ,fidalguia ,portugueza1 que seja util a si e sua ,ptria81 #agd ,continua a mesma ,materia4 ,em que lugar devia ser educada a ,fidalguia e ,nobreza de ,portugal1 #agh ,o que sam as ,escolas ,militares1 #ahb ,propoemse huma ,escola ,real ,portuguesa1 para ser nella educada a ,nobreza e a ,fidalguia4 ,economia interior1 #ahe ,em que idade deviam entrar os ,educandos na ,escola ,real ,militar81 #ahh ,consequencias por nam criarem as ,mays seos filhos1 #ahi ,dos ,mestres da ,escola ,real ,militar1 para a ,arte da ,guerra e das ,scencias1 #aid ,das ,lingoas e ,sciencias que se deviam ensinar nsta ,escola1 e em que tempo81 #aih ,ponderaam sobre a ,lingoa ,latina1 #bjj ,empregos e ,honras com que haviam de sahir os ,benemeritos desta ,escola1 #bjc ,utilidades que resultariam tanto ao ,reyno1 como ao ,soberano do exacto exercido desta ,escola ,militar1 que se propoem1 #bjd 99_/ ,,fim ,,da ,,taboa 99,publicados399 ,,cavaleiro ,,de ,,oliveira4--,discours ,pathtique au sujet des calamits prsentes1 arrives en ,portugal4 ,nova ed4 seguida duma notcia bibliogrfica pelo ,dr4 ,joaquim de ,carvalho4 ,,ribeiro ,,sanches4--,cartas sobre a educao da mocidade4 ,ed4 prefaciada e revista pelo ,dr4 ,maximiano ,lemos4 99,no prlo399 ,,cavaleiro ,,de ,,oliveira4--,reflexoens de ,felix ,vieyra ,corvina de ,arcos1 ,christam ,velho ,ulissyponense sobre a ,tentativa ,theologica1 composta pello ,reverendo e douto ,padre ,antonio ,pereyra da ,congregaam do ,oratorio de ,lisboa4 ,,jos ,,da ,,cunha ,,brochado4--,memorias particulares1 ou anedotas da ,corte de ,frana apontadas no tempo que servio de ,enviado naquella ,corte4 ,notas3 #a ,maximiano ,lemos--,ribeiro ,sanches1 doc4 #bc e #bd a pg4 #cde e #cdf4 #b ,ofcio de ,monsenhor ,salema de #g de janeiro de #agfj4 #c ,discours sur l',histoire cclesiastique1 ,discours ,,ii4 ,,xiii4 ,paris1 #agej4 in-#h4o #d ,apud ,baronium1 tom4 ,,iv4 pag4 #ajg #ajh4 ,ed4 ,romanae1 ex ,epistol4 #db ,julian4 ,apostat4 #e ,apud ,baronium1 tom4 ,,iv pag4 #agb4 ,si quis erudiendis adolescentibus vita pariter facundia idoneus erit1 vel novum instituat auditorium1 vel repetat intermissum4 ,dat4 ,,iii4 ,id4 ,januar4 ,divo ,jovian4 ,varroniano4 ,coss4 #f ,tom4 #c4 ,editionis ,romanae1 per totum4 #g ,no ,decreto de ,graciano4 ,part4 ,,ii4 ,causa ,,xi4 ,cap4 #b #c4 #cf #cg4 ,vid4 ,fleury1 ,histoire ,eccles4 liv4 #ei4 n4o #bh4 les ,discours ,,vii sur l',histoire ,ecclesiastique4 #h ,apud ,herm4 ,conringium de antiquitatibus ,academicis1 editionis ,heumanni1 ,dissert4 ,,vii4 ,gotingae1 #d4o ibi pag4 #cc4 ,dissert4 prima4 ,o ,emperador ,justiniano viveo no anno #efe4 #i ,in arcana ,historia1 pag4 #aac4 #aj ,tom4 #c4 #aa ,trait des ,ecoles ,episcopales ,ecclsiastiques1 par ,claude ,joly1 ,paris1 #afgh4 ibi1 pag4 #ib1 #aab #aac4 #ab ,escrita por este ,patriarcha1 no anno #ecj4 #ac ,joly1 ibi1 cap4 ,,xxi4 #ad ,discours sur l',histoire ,eccls4 de ,m4 l'abb de ,fleury4 ,discours ,,iii4 #ae ,apud ,joly1 ,trait des ,ecoles ,episcopales1 cap4 #ah4 #af ,decretalium lib4 ,v4 tit4 #cc4 de ,privilegiis ,cap4 super specula4 ,sane licet ,sancta ,ecclesia legum secularium non respuat famulatum444 firmiter interdicimus districtius inhibemus1 ne ,parisiis1 vel in civitatibus1 seu aliis locis vicinis1 quisquam docere vel audire jus civile praesumat4 ,gregor4 ,,ix4 ,praefat4 lib4 ,i1 ,decretal4 ,volentes igitur ut hac tantum compilatione ,universi utantur in ,judiciis in ,scholis1 districtius prohibemus1 ne quis praesumat aliam facere absque autoritate ,sedis ,apostolicae speciali4 ,e o ,papa ,joam ,,xxii4 no anno #acaf no ,prefacio s ,clementinas1 feitas para a ,universidade de ,bolonha1 dis ,universitati vestrae per ,apostolica ,scripta mandantes1 quatenus eas promptu affectu suscipiatis1 studio alacri1 eis1 sic vobis1 manifestatis1 cognitis1 usuri de caetero in ,judictis1 in ,scholis4 #ag ,concilio de ,trento1 ,sess4 ,,xxv4 de ,reformat4 ,cap4 ,,ii4 #ah ,plata lib4 ,v4 de ,republica4 #ai ,atque ipsa utilitas justi prope mater aequi4 ,horat4 ,i4 ,sermon4 #c4 ,v4 #ih4 #bj ,de civitate ,dei lib4 ,,ii4 cap4 ,,vi4 ,alii religionis antistites per quos sapere non aditur1 apparet1 nec illam esse veram sapientiam1 nec hanc veram ,religionem4 ,lactant4 lib4 v ,divin4 ,institit4 cap4 ,,iii4 n4o #a4 ,nihil ibi definitur quod proficiat ad mores excolendos1 vitamque formandam2 nec habet inquisitionem aliquam veritatis1 sed tantummodo ritum colendi1 qui non officio mentis1 sed ministerio corporis constat4 #ba ,footnote #a3 ,histor4 lib4 ,i1 cap4 ,i4 #bb ,math4 #bg1 ,v4 #ah4 ,data est mihi omnis potestas1 in caelo in terra3 ,euntes ergo1 docete omnes gentes1 baptizantes in ,n4 ,p4 ,f4 ,s4 ,s4 docentes eos servare omnia quaecumque mandavi vobis4 #bc ,joann4 ,,xviii1 ,v4 #cf4 e ,luc4 ,,xii4 #ad4 #bd ,matth4 ,,xviii4 ,v4 #ah4 #be ,quando os ,reis de ,portugal decretava alguma ley sem conhecimento dos ,bispos1 estes se queyxava aos ,papas1 e os summos ,pontifices defendia as pretensoens daquelles4 ,daqui aquella concordia de el ,rey ,d4 ,affonso #c4o1 onde promete3 ,quod omnibus negotiis contingentibus statum bonum ,regni1 cum ,consilio ,praelatorum1 vel aliquorum eorum procedam1 qui convenienter vocari poterunt4 secundum tempus locum1 bona fide4 ,com el ,rey ,d4 ,joa o ,i1 succedera as mesmas queyxas1 e el ,rey por huma concordia responde3 ,que quando ha alguma couza grande1 que se cumpre a bom estado do ,reyno1 e a seu servio1 sempre uza chamar os ,prelados1 c4 ,vejase ,gabriel ,pereira de ,castro de ,manu ,regia4 ,lugduni #afgc4 fol4 pag4 #cbj e #cie3 e mais concordias dos ,nossos ,reis no mesmo lugar4 #bf ,fleury1 ,hist4 ,eccles4 liv4 #cd4 n4o #ef4 #bg ,canendi artificium ecclesiasticum hoc seculo 7era o oitavo7 obtinuisse1 eumque pro insigni ,philosopho1 viroque eruditissimo reputatum fuisse1 qui optime omnium cantasset444 ,in vita ,caroli ,m4 narrat ,monachus ,engolis mensis4 ,ecce orta est contentio per dies festos ,paschae inter ,cantores ,romanorum ,gallorum3 ,dicebant ,galli melius se cantare pulchrius1 quam ,romani4 ,dicebant se ,romani doctissime ,cantilenas ,ecclesiasticas proferre444 quae contentio ante ,dominum ,regem ,carolum pervenit4 ,non afferemus reliqua1 quibus narrat1 quomodo ,gallorum cantum ad normam ,gregoriani cantus reformaverit ,imperator4 ,videndus ,launoius de ,scholis celebrioribus1 cap4 ,i4 ,bruckerus1 ,histor4 ,critica ,philosophiae1 tom4 ,,iii1 p4 #ega #gb1 ,lipsiae1 #agdc1 #d4o #bh ,dixisse1 nihil esse difficilius quam bene imperare4 ,colligunt se quatuor vel quinque1 atque unum consilium ad decipiendum ,imperatorem capiunt2 dicunt quid probandum sit4 ,imperator qui domi clausus est1 vera non novit3 cogitur hoc tantum scire1 quod illi loquuntur3 facit judices quos fieri non oportet1 amovet1 ,republica quod debebat obtinere2 quid multa8 ut ,diocletianus ipse dicebat2 ,bonus1 cautus1 optimus1 venditur ,imperator4 ,haec ,diocletiani verba sunt4 ,flavius ,vopiscus in ,aureliano pag4 #ccj4 ,historia ,augusta edit4 ,causabon4 ,parisiis1 #afjc1 #d4o #bi ,pelo ,concilio ,,xiii1 celebrado no tempo de ,ervigio1 no anno #fha1 se decretou que nenhuma ,rainha viuva se podesse cazar2 quazi todos os seos canones consta de materias temporais4 #cj ,no ,concilio ,,xi de ,toledo1 anno #fge1 se decretou pela primeira vez que os ,bispos tivessem o poder de mandar prender1 e de desterrar4 #ca ,vide ,epistolaram ,decretalium ,isidori ,mercatoris figmenta a ,blondel4 ,genevae #afce1 #d4o #cb ,fleury1 ,hist4 ,eccles41 lib4 #dd4 n4 #bb1 ,discours #g4 #cc ,fleury1 ,hist4 ,eccles41 lib4 #dd4 n4 #bb1 ,discours #g4 #cd ,ibid4 #ce ,fleury1 ,hist4 ,eccles41 liv4 #gj4 n4 #bh4 #cf ,ibid4 #cg ,apostolorum ,canon4 #bd4 ,episcopus1 aut ,presbyter1 aut ,diaconus in fornicatione1 aut perjurio1 aut furto deprehensus1 deponitor2 non tamen a ,communione excluditor4 ,dicit enim scriptura3 bis de eodem delicto vindictam non exiges4 #ch ,liv4 #b4 tit4 ,,ix4 #ci ,ibi4 tit4 ,,vi4 #dj ,pereyra de ,castro de ,manu ,regia3 tras todas as concordias feitas entre os ,nossos ,reis1 e os ,papas ali se podera ver de que modo absorbia os ,ecclesiasticos o ,poder ,real4 ,vejase da pag4 #cac1 ate #dca1 da edia de ,lea de ,frana4 #da ,o ,cardeal ,baronius dis ao anno #ajgc1 que no ,concilio de ,worms convocado pelo ,emperador ,henrique ,,iv1 e pelo ,arobispo de ,colonia1 e outros ,prelados1 vinha acompanhados de ,theologos4 ,stipatus uterque magno grege ,philosophorum1 immo ,sophistarum1 quos ex diversis locis summo studio consciverant1 ut ,canones sibi non pro rei veritate1 sed pro ,episcopi voluntate interpretarentur4 #db ,fleury1 ,hist4 ,eccl41 liv4 #dj1 n4 #bi4 ,mariana1 ,historia de ,espanha1 lib4 #g1 cap4 #ad4 #dc ,discours sur l',histoire cclesiastique1 vol4 #b4o ,paris1 in-#h4o #dd ,era estas nos primeiros seculos da ,christandade privar aos peccadores dos ,sacramentos por quinze1 e por vinte annos1 e algumas vezes por toda a vida2 humas vezes ficava debaixo do alpendre fora da ,igreja2 outras vezes dentro1 mas deytados de bruos3 obrigava 7a7 jejuar pa e agoa1 7a7 trazer cilicios1 cinzas sobre a cabeza1 deyxar crecer a barba1 e o cabelo1 ficar encerrado1 e renunciar ao comercio do mundo3 existe ainda hoje hum ,tribunal adonde os culpados sa forados 7a7 sofrer estas penitencias3 apartandose do costume da ,igreja primitiva que somente as impunha aquem pedia espontaneamente perda dos seus peccados1 e os confessava4 #de ,ordenaoens1 liv4 #b1 tit4 ,,ix4 ,para que cessem duvidas que pdem haver sobre quaes sa os ,cazos1 e delitos ,mixtifori1 em que os ,prelados1 e seus ,officiaes1 podem conhecer contra ,leygos444 os dittos cazos ,mixtifori so seguintes4 ,quando se procede contra publicos adulterios1 barregueiros1 concubinarios1 alcoviteiros1 e os que consentem as molheres fazerem mal de sy em suas cazas1 incestuozos1 feiticeyros1 benzedeiros1 sacrilegos1 blasphemos1 perjuros1 onzeneiros1 simoniacos444 tabolagens de jogo444 posto que neste cazo ouvesse duvida1 se era mixtifori1 ou na1 c4 #df ,apud ,fleury1 ,discours ,,vii1 sur l',histoire ,ecclsiastique1 pag4 #cbj4 #dg ,fleury1 ,discours troisime de l',histoire ,ecclsiastique1 tom4 ,i1 pag4 #bcc #bcd4 #dh ,fleury1 ,hist4 ,eccles41 liv4 #hj1 n4 #ea4 #di ,ordenaoens1 liv4 #b4 tit4 ,,vi4 lib4 ,v4 tit4 ,i4 #ej ,lib4 ,x4 ,epistol4 ,,xcvii4 ,cognitionibus de ,cristianis interfui nunquam444 adfirmabant autem hanc fuisse summam1 vel culpae suae1 vel erroris1 quod essent soliti stato die ante lucem convenire3 carmenque ,christo1 quasi ,deo1 dicere secum invicem3 seque ,sacramento non in scelus aliquod obstringete1 sed ne furta1 ne latrocinia1 ne adulteria committerent1 ne fidem fallerent1 ne depositum appellati abnegarent3 quibus peractis morem sibi discedendi fuisse1 rursusque coundi ad capiendum cibum1 promiscuum tamen innoxium1 quod ipsum facere desisse post edictum meum1 quo secundum mandata tua haeterias1 7so sociedades1 ajuntamentos ou confrarias71 esse vetueram4 #ea ,lib4 ,,vi4 ,epist4 #b4 apud ,fleury1 ,discours sur l',histoire ,ecclesiastique1 tom4 ,i4 pag4 #bdf4 ,e na ,historia deste ,autor1 liv4 #fb4 n4 #cf4 #eb ,jam ver prudenter intueamur1 quod scriptum est1 fidelis hominis totus mundus divitiarum est1 infidelis autem nec obolus 7este texto no se l assim nos ,proverbios de ,salama71 nonne omnes1 qui sibi videntur gaudere licite conquisitis1 eisque uti nesciunt1 aliena possidere convincimus8 ,hoc enim certe alienum est quod jure possidetur3 hoc autem jure1 quod juste1 hoc juste quod bene3 omne igitur quod male possidetur1 alienum est444 donec fideles pii quorum jure funt omnia4 ,epistol4 #ed4 vulg tom4 ,,ii1 vel #aec4 ,et quamvis res quaeque terrena non recte quoquam possideri non possit nisi vel jure divino1 quod cuncta justorum sunt1 vel jure humano1 quod in potestate ,regum est terrae444 ,epist4 #ic4 7vulgo #dh7 in ,joannis ,evang4 tract4 ,,vi4 4 #be4 ,de todos estes lugares se aproveitou ,gratiano ,distinct4 ,,viii4 ,caus4 ,,xxiii4 ,quaest4 ,,vii4 para seguir a doutrina que relatamos para confiscaremse os bens dos hereges com justia4 ,vejase nesta materia ,barbeyrac1 ,trait de la ,morale des ,peres4 ,amst4 #agbh4 #d4o pag4 #bib1 seguintes4 #ec ,de ,manu ,regia1 p4 #dcd4 edit4 ,lugdun4 #ed ,ibi4 ,part4 segunda1 pag4 #aei444 ,regio ,diplomate ,sebastiani ,regis emanato anno #aefi1 per quod ,praelatis fid libera facultas capiendi1 puniendi ,laicos1 illis casibus1 quibus a sacro ,concilio ad permissum imperatum est4 ,ali tras o ,alvar2 que certamente foi ordido pelos ,padres jesuitas que enta governava o animo do ,cardeal ,henrique1 que naquelle tempo era ,regente do ,reyno3 os mesmos jesuitas governva enta ,portugal como hum convento de ,frades2 porque prohibira todo o luxo1 determinara a quantidade de ,comida nas mezas1 e outras severidades ,monachais4 ,vide ,conestagio1 ,historia de ,portogallo4 ,gabriel ,pereyra de ,castro diz1 depois de copear o ditto ,alvar3 ,an ,rex per se solus sine publicis comitiis hoc potuisset facere vid4 etc4 #ee ,gregorius ,,ix1 in ,praefatione ,i4 ,decretalium4 ,et ,joann4 ,,xxii4 ann4 #acaf1 ,praefatione ad ,clementinas4 #ef ,historia ,universitatis ,pariensis1 ,a ,caesare ,hagasio ,bulsaeo ,parisiis #affe1 fol4 tom4 ,,ii1 secul4 ,,iv1 pag4 #bee1 ad annum #aaej4 ,siguiremos este ,autor1 e ,coringio de ,antiquitatibus ,academicis1 ,dissertationes ,,vii1 cum ,supplementis1 recognovir ,christianus ,aug4 ,heummannus4 ,gottingae #agci1 #d4o1 e a ,historia ,ecclesiastica de ,m4 l',abb de ,fleury4 #eg ,vide ,pancirollum variat4 ,lectionum lib4 ,i4 cap4 apud ,coringium ,dissertat4 ,,iv4 4 ,,viii4 #eh ,sensus ,sacrae ,facultatis ,theologiae ,conimbriensis circa ,constitutionem1 quae incipit ,unigenitus ,dei ,filius4 ,conimbricae #agag1 #d4o ,ibi pag4 ,,xvii4 #a4 ,romanum ,pontificem1 etiam extra ,concilium1 supra quod est1 de re dogmatica1 sive de rebus1 ad ,fidem mores pertinentibus e ,cathedra docentem ,universae ,ecclesiae ,fideles habere assistentiam infallibilem ,spirits ,sancti1 proindeque1 nec decipi1 nec decipere posse4 #b4 ,constituitiones ,pontificias non indigere1 ad suum robur ac vigorem obtinendam1 fidelum populorum acceptationem1 aut consensu1 nec proinde talem acceptationem1 aut consensum aliquo modo authoritativum4 #c4 ,sentire omnes ad valorem alicujus ,bullae ,pontificiae ,dogmaticae1 multo minus requiri acceptationem aut consensum alicujus particularis ,ecclesiae1 sed sufficere solum locutionem ,pontificis ex ,cathedra universam ,ecclesiam docentis4 #d4 ,omnes testati sunt se non causa acceptandi1 praedictam ,constituitionem convenisse1 quasi ipsa tali acceptatione indigeret ad suum valorem1 sed tantum ad eam venerandam1 ac debitam eam obedientiam praestandam4 ,quapropter censuerunt omnes ,sacrae ,theologicae2 ,facultatis ,magistri ,doctores4 #e4 ,oportere ut omnes1 non solum ,sacrae ,theologicae ,facultatis1 sed aliorum etiam ,doctorum1 ,magistri444 se jurejurando obstringerent ad praedictam ,bullam1 c4 ,e toda a ,universidade jurou estas proposioens assima1 e a ,bulla igualmente4 #ei ,aristoteles ,polit4 ,lib ,,viii1 per totum4 #fj ,clemens clementia1 a colere mentem cultura mentis proveniunt4 #fa ,de ,liberis educandis4 #fb ,instit4 ,orator4 lib4 ,i4 cap4 ,i4 e comea assim ,igitur nato ,filio ,pater4444 ,desde o bero comeou a ,educaa do ,orador1 do ,orador que ha de ser huns dos principaes ,subditos do ,estado4 #fc ,de ,civilitate morum puerilium4 ,parisiis #aecg4 #h4o e nas suas obras em #aj volumes in fol4 ,edit4 ,lugd4 ,batavorum4 ,marco ,antonio ,muretto escreveo para um sobrinho que tinha1 a sua ,institutio ,puerilis1 que comea assim3 ,dum tener es1 ,murette1 avidis haec auribus hauri1 ,nec memori modo conde animo1 sed exprime factis3 ,mentiri noli1 c4 #fd ,a natureza nos deu esta propriedade do coraa maviozo e piedozo que se afflige do mal que ve sofrer ao seu semelhante1 porque parte delle3 ,juvenal1 ,satyre ,,xv1 ,v4 #aca4 4444444444444444,molissima corda ,humano generi dare se naturu fatetur ,quae lacrymas dedit haec nostri pars optima sensus3 ,plorare ergo jubet caussam dicentis amici1 ,squallorem que rei4444444444444444 ,naturae imperio gemiamus1 cum funus adultae ,virginis occurrit1 vel terra clauditur infans4 ,esta piedade e ternura do coraa se mostra pelas lagrimas1 que sa ta proprias ao homem3 s elle chora1 e he tudo o que pode fazer quando nace3 ,ja que na posso pintar este estado como ,plinio1 valerme-ei das suas palavras3 ,hominem tantum nudum1 in nuda humo natali die abjicit ad vagitus statim ploratum444 ,itaque feliciter natus jacet manibus1 pedibusque devinctis1 flens animal ceteris imperaturum4 7,praef4 lib4 #g1 ,hist4 ,mundi74 ,mas este principio pela m educaa ordinariamente fica sepultado em ns4 #fe ,sei que se est compondo este compendio para satisfazer este intento1 e estou persuadido que se executar com summa utilidade conforme o dezejo de cada bom patriota4 #ff ,recopilacion de las ,leyes destos ,reynos1 por ,philipe ,quinto4 ,madrid #agbc1 fol4 ,i1 tit4 #g1 ,ley ,,xxxiv4 #fg ,hum ducado ,castellano de onze rales era naquelles tempos do valor de #fej reis1 que multiplicados por #cjj ducados1 fazia #aie4jjj reis3 e como o valor da prata augmentou do anno #afbc a quasi a metade1 vem a ser estes #cjj ducados nos nossos tempos quasi #djj4jjj reis4 ,he defeito de se darem os salarios pelo valor numerario2 seria mais estavel que fossem determinados por marcos de prata3 essa he a cauza porque as cadeyras das ,universidades valem hoje to pouco4 ,no tempo del ,rey ,dom ,joo o ,terceyro estava o marco a #b4fjj reis1 e hoje #fj4jjj reis3 assim a cadeyra que tinha de renda ento #bjj4jjj reis1 valeria hoje pouco mais ou menos #dej4jjj reis3 e por essa razo seria mais justo quando se fundo tais cadeyras de determinar-lhe o salario em marcos de prata1 por ser o pezo inalteravel4 #fh ,mestre de ,phelipe segundo ordenou ,ne quis e ,stirpe gentis ,hebraeae opimis ,ecclesiae ,toletanae ,sacerdotiis potiretur3 quamobrem invidiam sed constanti animo sustinuit1 ,judaeorumque apologiam ,lutetiae editam1 calumniam elusit4 ,bibliotheca ,hispanica ,andreae ,schotti1 tom4 ,,iii1 pag4 #ega4 ,em outro lugar mostrei que o costume de tirar ,inquirioens de ,sangue na he ley das ,ordenaoens1 nem da ,igreja universal2 e que este abuso he contrario ao ,concilio de ,bazilea3 que foi invento ,castelhano1 que abraamos quando o ,reyno foi uzurpado por ,phelipe ,segundo2 que servio para multiplicar a superstio ,judaica1 a deshonra das familias nobres1 para destruir a harmonia e a paz entre os ,subditos do mesmo ,estado1 e que deve reynar nos ,coraoens ,christas4 #fi ,ibid4 ,liv4 ,i4 tit4 #fh4 #aj1 #aa #ab4 #gj 44444444444444444444444,adde quod idem ,non horam tecum esse potes1 non otia recte ,ponere1 teque ipsum vitas fugitivus1 erro2 ,jam vino quaerens1 jam somno faltere curam4 ,frustra2 nam comes atra premit1 sequiturque fugacem4 ,,ii4 ,sertn4 #g1 vers4 ,,iii4 #ga ,manoel de ,sousa ,faria1 ,europa ,portugueza1 ,tom4 ,,iii1 ,part4 ,,iv1 cap4 ,i1 ,pag4 #bae4 #gb ,origem da ,nobreza politica4 ,lisboa #afca1 #d4o1 cap4 #b1 pag4 #c4 #gc ,o marco de prata valia1 no tempo del ,rey ,dom ,manoel1 #bcdj reis e como os ,fidalgos ,cavalleyros tinha da sua moradia #d4jjj reis por mes1 e por anno #dh4jjj reis1 e que o marco de prata amoedado vale hoje #f4jjj reis1 os #dh4jjj reis daquelle tempo valem hoje #ia4ibj reis1 e como tabem recebia alqueyre e meyo de cevada por dia1 contando somente a #abj reis por alqueyre1 valia no tempo presente #fc4bdj reis1 que juntos com os #ia4ibj reis assima1 fazia toda a soma #aee4afj reis4 ,e como tabem os ,cavalleyros ,fidalgos tinha moradia que chegava a #a4ejj reis por mes1 e por anno #ah4jjj reis1 com tres quartas de cevada1 regulada por anno tabem a #abj reis por alqueyre1 valia pelo preo de hoje #cb4djj2 e como os #ah4jjj naquelle tempo1 estando o marco de prata a #b4cdj reis1 e hoje a #f4jjj reis1 valem hoje a soma de #fa4ibj reis1 que juntos aos #cb4djj de cevada1 fazia #id4cbj reis4 ,ajuntando agora estas duas moradias de ,fidalgo ,cavalleyro e de ,cavalleyro ,fidalgo em huma soma e repartindoas1 acharseha que cada huma destas moradias vale hoje a soma de #abd4gdj reis1 soma sufficiente para sustentar e educar em huma ,escola ,militar hum ,moo ,fidalgo4 #gd ,indisposizione generalle della ,monarchia di ,spagna1 sue cause e remedi4 ,esta representaa se le no fim da ,historia della ,desunione del ,regno di ,portogallo dalla ,corona di ,castiglia1 dal ,dottore ,gio4 ,bapt4 ,birago4 ,amsterdam1 #afdg1 #h4o #ge ,testament ,politique1 da ,edia de ,leipsic1 e na daquella de ,paris #age444 7sic74 #gf ,hieron4 ,conestagii 7alguns dizem que ,joa da ,silva ,conde de ,portalegre fora o ,a4 verdadeyro desta ,historia7 de ,portugalliae ,castellae ,conjunctione1 ,tom ,,ii1 ,hispan4 ,illustrat4 ,tradua da ,lingoa ,italiana na ,latina1 page #ajff #ajgj4 #gg ,bem se pode considerar a necessidade da observancia destas disposioens4 ,evitar os crimes que sa contra a ,religia1 e que pelas nossas ,ordenaoens sa castigados1 he da obrigaa do ,legislador3 mas neste cazo1 sendo el ,rey o ,pay desta ,educaa da ,nobreza1 deve haver enta mais effectiva providencia2 todos entendem esta materia e os males que resulta da dissolua da ,mocidade2 permitte a ,disciplina ,ecclesiastica aos ,parrhocos terem amas de cincoenta annos em suas cazas2 e podia a ,escola ,militar imitar esta instituio3 no livro ,i1 tit4 #id das ,orden4 ,sam obrigados os que tem officio de julgar e de escrever serem cazados3 e quanto mais sera obrigados os que ha de governar e ensinar a ,mocidade8 #gh ,no intento que aprenda os ,educandos a viver com o necessario1 e na haver distina nesta materia naquella ,escola1 e tabem para que aprenda amar a sua patria1 e na ficarem desde meninisse imbebidos que tudo que na he estrangeyro1 he mao e mal feito4 #gi ,era huma ,ley dos antigos ,reis da ,persia e do ,egypto4 ,s deste modo mostra hum patriota que ama a sua patria1 e que faz estimaa della2 quem assim na for educado nem saber o que he o bem commum1 nem as obrigaoens com que naceo4 ,estes dois articulos se observa risca na ,escola ,militar de ,paris4 #hj ,no collegio ,thereziano de ,vienna cada educando se veste como quer3 a distina entre os mesmos ,socios1 todos filhos adoptivos do ,estudo faz perder o objecto da instituia4 #ha ,he para exercitar a ley deste ,instituto1 ,que ninguem ha de viver por sua vontade1 mas conforme ,ley4 #hb ,o castigo que da os quatro ,collegios ,mayores de ,salamanca aos ,novios1 7que todos so ,nobres71 he ordenarlhes que fiquem de p arrimados aos lados das portas dos ,claustros1 e s vezes por hum dia enteyro1 a vista de todos os que entra e sayem2 e por experiencia se sabe que tem produzido este castigo admiraveis mudanas nos costumes4 #hc 444444444,desperat tractata nitescere posse1 relinquit et quae4 ,horat4 de ,art4 ,poet4 ,v4 #aej4 #hd ,o ,dictionario de ,bluteau1 em tantos volumes em folio1 merecia correa de muitos lugares1 por algum douto ,portuguez para ser verdadeyramente util4 #he ,lib4 ,i4 ,historiarum1 p4 #di4 ,ed4 ,francof4 #hf ,mmoires du ,duc de ,sully4 ,m4 de ,rosny4 #d ,vol4 #d4o ,paris4 #hg ,histoire de l',etat prsent de l',empire ,ottoman4 ,lib4 ,i4 ,cap4 ,v4 ,paris1 #afgj1 #h4o #hh ,pag4 #hc4 ,lista de erros corrigidos ,aqui encontram-se listados todos os erros encontrados e corrigidos3 ---------------------------------------- ---------- ,original ,correco ---------------------------------------- ---------- pg4 ,,viii m os mesmos pg4 ,,ix flcar ficar pg4 #cj ,eccleslastica ,ecclesiastica pg4 #cg ,ecelesiasticos ,ecclesiasticos pg4 #acb eonservaa conservaa pg4 #adb quo tinha que tinha pg4 #agi conhocem conhecem pg4 #aia aqueilas aquellas pg4 #aii ma mo nota #fg determinar-lhe determinar-lhe e salario o salario ---------------------------------------- ----------