,,olisipo ,,todos ,,os ,,direitos ,,reservados ,nota do ,transcritor3 ,aqui surge a assinatura do autor4 ,a ,,inven,o ,,do ,,dia ,,claro ,escripta de uma s maneira para todas as espcies de orgulho1 seguida das dmarches para a ,inveno e acompanhada das confidencias mais intimas e geraes4 ,ensaios para a iniciao de portuguezes na revelao da pintura ,com um retrato do autor por elle-proprio primeiro milhar ,,lisb,a ,,olisipo1 ,,apartado #ade #aiba ,,nous ,,savons ,,donner ,,notre ,,vie ,,toute ,,enti,,re ,,tous ,,les ,,jours4 ,b,,nnissons ,,la ,,vie6 ,,saluons ,,la ,,naissance ,,du ,,travail ,,nouveau4 ,,le ,,monde ,n',a ,,pas ,d',,ges1 ,l',,humanit ,,se ,d,,place ,,tout ,,simplement4 ,,je ,,ne ,,suis ,,pas ,,prisonnier ,,de ,,ma ,,raison4 ,,dieu ,,fait ,,ma ,,force ,,et ,,je ,,loue ,,dieu4 ,,splendeurs ,,des ,,villes4 ,,point ,,de ,,cantique--,,tenir ,,toujours ,,le ,,pas ,,gagn4 ,rimbaud ,nota do ,transcritor3 ,aqui surge o retrato do autor por ele prprio4 ,,ao ,,meu ,,amigo ,,fernando ,,amado ,o ,,livro ,entrei numa livraria4 ,puz-me a contar os livros que ha para ler e os anos que terei de vida4 ,no chegam1 no duro nem para metade da livraria4 ,deve certamente haver outras maneiras de se salvar uma pessoa1 seno estou perdido4 ,no entanto1 as pessoas que entravam na livraria estavam todas muito bem vestidas de quem precisa salvar-se4 99 99 99 99 99 ,comprei um livro de filosofia4 ,filosofia a sciencia que trata da vida2 era justamente do que eu necessitava--pr sciencia na minha vida4 ,li o livro de filosofia1 no ganhei nada1 ,me6 no ganhei nada4 ,disseram-me que era necessario estar j iniciado1 ora eu s tenho uma iniciao1 esta de ter sido posto neste mundo imagem e semelhana de ,deus4 ,no basta8 99 99 99 99 99 ,imaginava eu que hava tratados da vida das pessoas1 como ha tratados da vida das plantas1 com tudo to bem explicado1 assim parecidos com o tratamento que ha para os animaes domesticos1 no 8 ,como os cavalos to bem feitos que ha6 ,imaginava eu que havia um livro para as pessoas1 como ha hostias para cuidar da febre4 ,um livro com tanta certeza como uma hostia4 ,um livro pequenino1 com duas paginas1 como uma hostia4 ,um livro que dissesse tudo1 claro e depressa1 como um cartaz1 com a morada e o dia4 99 99 99 99 99 ,no achas1 ,me8 ,por exemplo4 ,ha um co vadio1 sujo e com fome1 cuida-se deste co e ele deixa de ser vadio1 deixa de estar sujo e deixa de ter fome4 ,at as crianas j lhe fazem festas4 ,cuidaram do co porque o co no sabe cuidar de si--no saber cuidar de si ser co4 ,ora eu no queria que cuidassem de mim1 mas gostava que me ajudassem1 para eu no estar assim1 para que fosse eu o dono de mim1 para que os que me vissem dissessem3 ,que bem que aquele soube cuidar de si6 99 99 99 99 99 ,eu queria que os outros dissessem de mim3 ,olha um homem6 ,como se diz3 ,olha um co6 quando passa um co2 como se diz3 olha uma arvore6 quando ha uma arvore4 ,assim1 inteiro1 sem adjectivos1 s de uma pea3 ,um homem6 99 99 99 99 99 ,mas eu andei a procurar por todas as vidas uma para copiar e nenhuma era para copiar4 ,como o livro1 as pessoas tinham principio1 meio e fim4 ,a principio o livro chamava-me1 no meio o livro deu-me a mo1 no fim fiquei com a mo suada do livro de me ter estendido a mo4 ,talvez que nos outros livros444 mas os titulos dos livros so como os nomes das pessoas--no quere dizer nada1 s para no se confundir444 99 99 99 99 99 ,na montra estava um livro chamado ,o lial conselheiro4 ,escrito antigamente por um ,rei dos ,portuguezes6 ,escrito de uma s maneira para todas as especies de seus vassalos6 ,bemdito homem que foi na verdade ,rei6 ,o ,mestre que quere que eu seja ,mestre6 ,eu acho que todos os livros deviam chamar-se assim3 ,o lial conselheiro6 ,no achas1 ,me8 ,o ,mestre escreveu o que sabia--por isso ele foi ,mestre4 ,as palavras tornaram presentes como o ,mestre fazia ateno4 ,estas palavras ficaram escritas por causa dos outros tambem4 ,os outros aprendiam a ler para chegarem a ,mestres--era com esta inteno que se aprendia a ler antigamente4 99 99 99 99 99 ,sonhei com um paz onde todos chegavam a ,mestres4 ,comeava cada qual por fazer a caneta e o aparo com que se punha escuta do universo2 em seguida1 fabricava desde a materia prima o papel onde ia assentando as confidencias que recebia directamente do universo2 depois1 descia at ao fundo dos rochedos por causa da tinta negra dos chcos2 gravava letra por letra o tipo com que compunha as suas palavras2 e arrancava da arvore a prensa onde apertava com segurana as descobertas para irem ter com os outros4 ,era assim que neste pas todos chegavam a ,mestres4 ,era assim que os ,mestres iam escrevendo as frases que ho-de salvar a humanidade4 99 99 99 99 99 ,quando eu nasci1 as frases que ho-de salvar a humanidade j estavam todas escritas1 s faltava uma coisa--salvar a humanidade4 --,o pequeno como o grande4 --,o que est em cima analogo ao que est em baixo4 --,o interior como o exterior das coisas4 --,tudo est em tudo4 ,,hermes ,,trimegista ,i ,,parte ,,andaimes ,e ,v,,speras ,a ,,conferencia ,,improvisada ,minhas ,senhoras e meus ,senhores3 ,mulheres e homens so as duas metades da humanidade--a metade masculina e a metade feminina4 ,ha coisas inteiras feitas de duas metades e aonde no se pode cortar ao meio para separar essas duas metades4 ,exemplo3 a humanidade com a metade masculina e a metade feminina4 ,so duas metades que deixam1 cada uma1 de ser uma metade se no houver a outra metade4 ,a linha que passa por entre estas duas metades parecidissima com o ar por dentro de uma esponja do mar1 sca4 ,,cerca ,,do ,,homem ,e ,,da ,,mulher ,lembro-me de uma oleografia que havia em minha casa4 ,a oleografia estava cheia de amarello do ,deserto4 ,o amarello do ,deserto era mais comprido do que a vida de um homem se no fsse o galope do cavallo onde o arabe rapta a menina loira4 ,na oleografia havia uma palmeira4 ,a palmeira era to pequena como a esmeralda do anel da menina loira4 ,a palmeira era assim to pequena porque estava muitissimo longe4 ,era em direco palmeira que a a correr o cavallo4 ,havia outra oleografia quando j tinham chegado sombra da palmeira4 ,o cavallo estava como morto por terra4 ,o arabe1 sse1 ainda nunca tinha estado canado--tinha a menina loira nos braos1 como a esmeralda estava no anel4 ,eram trez as oleografias4 ,na terceira oleografia estava ssinha a menina loira a dar de mamar a um menino verdadeiro4 ,,cerca ,,das ,,tres ,,oleografias ,estas trez oleografias explicam muito bem como se pode ser senhora e como se deve ser homem4 ,as senhoras como a menina loira4 ,os homens como o arabe4 ,um homem--saber raptar2 uma senhora--merecer ser raptada4 ,exemplo de homem que soube raptar3 o arabe4 ,exemplo de senhora que mereceu ser raptada3 a menina loira da oleografia4 ,ser o arabe para desencantar a menina loira2 ser a menina loira para que haja o arabe4 ,,aten,o ,mas no fallmos sem alicerces4 ,ns no estamos algres4 ,ns estamos aqui dentro d'esta sala1 onde eu estou a dizer a conferencia--o cho1 o tecto1 e quatro paredes4 ,vocs e eu4 ,para nos orientarmos melhor1 aqui onde estou fica sendo o ,norte1 l no fundo da sala o ,sul1 ste ali e ,oste d'aquelle lado4 ,que isto fique assim bem combinado entre ns1 de tal maneira que1 quando eu chamar ,sul aqui ao logar onde estou1 vocs se levantem1 protestem1 e digam que no1 que o ,sul l no fundo da sala4 ,,as ,,palavras ,o preo de uma pessa v-se na maneira como gosta de usar as palavras4 ,l-se nos olhos das pessas4 ,as palavras danam nos olhos das pessas conforme o palco dos olhos de cada um4 ,,viagens ,,das ,,palavras ,as palavras teem moda4 ,quando acaba a moda para umas comea a moda para outras4 ,as que se vo embora voltam depois4 ,voltam sempre1 e mudadas de cada vez4 ,de cada vez mais viajadas4 ,depois dizem-nos adeus e ainda voltam depois de nos terem dito adeus4 ,emfim--toda essa tourne maravilhosa que nos pe a cabea em agua at ao dia em que j smos ns quem d corda s palavras para ellas estarem a danar4 ,,historia ,,das ,,palavras ,as mulheres e os homens estavam espalhados pela ,terra4 ,uns estavam maravilhados1 outros tinham-se canado4 ,os que estavam maravilhados abriam a bocca1 os que se tinham canado tambem abriam a bocca4 ,ambos abriam a bocca4 ,houve um homem ssinho que se poz a espreitar esta diferena--havia pessoas maravilhadas e outras que estavam canadas4 ,depois ainda espreitou melhor3 ,todas as pessoas estavam maravilhadas1 depois no sabiam aguentar-se maravilhadas e ficavam canadas4 ,as pessoas estavam tristes ou alegres conforme a luz para cada um--mais luz1 alegres--menos luz1 tristes4 ,o homem ssinho ficou a pensar n'esta diferena4 ,para no esquecer fez uns signaes n'uma pedra4 ,este homem ssinho era da minha raa--era um ,egypcio6 ,os signaes que elle gravou na pedra para medir a luz por dentro das pessas1 chamaram-se hieroglifos4 ,mais tarde veiu outro homem ssinho que tornou estes signaes ainda mais faceis4 ,fez vinte e dois signaes que bastavam para todas as combinaes que ha ao ,sol4 ,este homem ssinho era da minha raa--era um ,phenicio6 ,cada um dos vinte e dois signaes era uma lettra4 ,cada combinao de lettras uma palavra4 ,,centenario ,,das ,,palavras ,todos os dias faz annos que foram inventadas as palavras4 preciso festejar todos os dias o centenario das palavras4 ,,valor ,,das ,,palavras ,ha palavras que fazem bater mais depressa o corao--todas as palavras--umas mais do que outras1 qualquer mais do que todas4 ,conforme os logares e as posies das palavras4 ,segundo o lado d'onde se ouvem--do lado do ,sol ou do lado onde no d o ,sol4 ,cada palavra um pedao do universo4 ,um pedao que faz falta ao universo4 ,todas as palavras juntas formam o ,universo4 ,as palavras querem estar nos seus logares6 ,n,s ,e ,,as ,,palavras ,ns no somos do seculo d'inventar as palavras4 ,as palavras j foram inventadas4 ,ns somos do seculo d'inventar outra vez as palavras que j foram inventadas4 ,,as ,,palavras ,e ,,eu ,gsto os dias a experimentar logares e posies para as palavras4 uma paciencia de que eu gsto4 o meu gsto4 ,tudo se passa aqui pelas palavras--todos os gstos4 ,collei algumas d'estas paciencias com palavras4 ,so estas as palavras que trago aqui4 ,ainda no esto promptas--so pedaos de coisas1 aqui e alli1 como um rapaz novo1 como uma rapariga nova4 ,como os cavallos quando ainda so petizes--v-se j que se trata de um cavallo1 mas tambem se v que ainda no est concluido4 ,as pernas cresceram mais depressa do que a espinha4 ,a cabea muito grande que j est do tamanho em que ha-de ficar4 ,tudo se aguenta de p provisoriamente--ainda no est prompto1 v-se perfeitamente que ainda no tudo4 ,agarrei uma mancheia de palavras e espalhei-as em cima da meza4 ,ficaram n'esta posio3 ,,parabola ,a humanidade abriu alas--as duas grandes alas da humanidade4 ,uma direita1 a outra esquerda4 ,em baixo a ,terra1 em cima o ,sol4 ,vae acontecer qualquer coisa--os que passam vo mais depressa1 os outros j esto espreita4 ,as duas grandes alas da humanidade l esto as duas em frente uma da outra4 ,no levantem os braos6 no virem as cabeas6 ,em baixo a ,terra1 em cima o ,sol6 ,ainda no chegou o homem-que-sabe-viver6 ,as duas grandes alas da humanidade querem ver com olhos da cara o homem-que-sabe-viver6 ,as duas grandes alas da humanidade no querem seno ver com os olhos da cara o homem-que-sabe-viver6 ,em baixo a ,terra1 em cima o ,sol6 ,jesus-,christo desce ssinho por entre as duas grandes alas da humanidade4 ,as duas grandes alas da humanidade estendem os braos para ,jesus-,christo4 ,uma das duas alas accusa a outra ala1 e esta accusa aquella4 ,jesus-,christo desce ssinho por entre as duas grandes alas da humanidade1 sem se approximar de uma nem da outra4 ,as duas grandes alas da humanidade4 ,jesus-,christo acabou de passar por entre as duas grandes alas da humanidade1 sem se ter approximado de uma nem da outra4 ,as duas grandes alas da humanidade4 ,em baixo a ,terra1 em cima o ,sol4 ,,uma ,,cruz ,,na ,,encruzilhada ,quando acabou a parabola1 as duas grandes alas da humanidade desconjunctaram-se4 ,havia uma cruz na encruzilhada4 ,a cada um que passava dizia o ,christo de pedra3 ,em vez de ter morrido n'uma cruz1 por ti1 antes tivesse pegado na lana que me abriu o peito1 para com ella te rasgar os olhos da cara4 ,para deixar entrar claridade para dentro de ti pelos buracos dos teus olhos rasgados4 ,tudo quanto eu te disse ficou escrito e tudo ainda hoje tenho para te dizer4 ,se me fiz crucificar para t'o dizer porque no te deixas crucificar para sabres como eu t'o disse8 ,no posso1 por mais que tente1 livrar uma das mos1 pregaram-m'as bem1 como se prega um crucificado2 no posso1 por mais que tente1 livrar uma das mos1 para te sacudir a cabea quando vires ajoelhar-te aqui aos ps da minha cruz4 ,se fsse o teu orgulho de joelhos1 ainda era o teu orgulho1 mas so as tuas pernas dobradas com o pezo do ar4 ,no tenho uma das mos livre para te empurrar d'aqui da minha cruz at ao teu logar l em baixo na terra4 ,levanta-te1 homem6 ,no dia em que tu nascste1 nasceu no mesmo dia um logar para ti1 l em baixo na terra4 ,esse logar o teu6 o teu logar a tua fortuna6 o teu logar a tua gloria4 ,no deixes o teu logar vazio1 nem te deixes pr'hi sem logar4 ,no te aleijes a procurar outras fortunas que no ters1--ha uma s para ti-- a unica que ha para ti1 no serve seno para ti1 no serve para os outros1-- por isto que ella a tua fortuna6 ,porque viste ajoelhar-te aqui aos ps da minha cruz8 ,foi porque a tua cabea se encheu de duvida8444 ,tanto melhor6 ,aproveita agora que tens a duvida dentro da tua cabea1 aproveita a sorte de tres a duvida dentro da tua cabea4 ,no te cances de ter esta sorte6 ,no tenhas mdo de estares a ver a tua cabea a ir directamente para a loucura1 no tenhas mdo6 ,deixa-a ir at loucura6 ajuda-a a ir at loucura4 ,vae tu tambem pessoalmente1 co'a tua cabea at loucura6 ,vem ler a loucura escripta na palma da tua mo4 ,fecha a tua mo1 com fora4 ,agarra bem a loucura dentro da tua mo6 ,seno444 se tens mdo da duvida e te pes a fugir d'ella por mr da loucura que j est vista1 se no comeas desde j a desbastar a fantasia que cresceu no logar marcado para ti1 l em baixo na terra2 se no pretendes transformar essa fantasia em imaginao tranquilla e creadora444 444 um dia a loucura vir plo seu proprio p bater tua porta1 e tu1 desprevenido1 e tu sem mos para a esganar1 porque a loucura j ser maior do que na palma da tua mo1 porque a loucura ser maior do que as tuas mos1 porque a loucura poder mais do que tu com as tuas mos2 e ella far de ti o pior de todos1 por no teres sabido servir-te d'ella como tu devias sabe-lo querer6 ,,fim ,,de ,,dia ,um por um1 toda a humanidade ouviu a ,cruz da encruzilhada1 e a cada um parecia-lhe reconhecer aquelle modo de fallar4 ,havia oliveiras beira da estrada para a gente se encostar4 ,antes de cada um chegar a casa havia um chafariz para matar a sde4 ,eu no sabia que o chafariz tinha tanto que vr--havia muitos soldados por causa das raparigas a encher as bilhas6 ,depois o ,sol comeou a ficar muito encarnado e cada vez maior por detraz das dunas1 muito encarnado1 e deixou-me ssinho em cima do muro4 ,do lado do mar ouvia-se uma nra a puxar agua4 ,o boi tinha os olhos guardados para no entontecer4 ,os alcatruzes da nra subiam por um lado e desciam plo outro lado--como hontem6 ,a musica da nra s tem uma volta4 ,todos os dias4 manh tambem1 os alcatruzes da nra vo subir por aqui e descer por l4 ,todos os dias4 ,em baixo a ,terra1 em cima o ,sol4 ,quando olharam para traz1 a ,cruz da encruzilhada j estava muito longe4 ,era necessario acertar a vista para a reconhecer4 ,mas1 era sem duvida ella1 a cruz inconfundivel--aquella onde cabe um homem inteiro e de p6 ,,fim ,,da ,,primeira ,,parte ,,confidencias ,me6 a oleografia est a entornar o amarello do ,deserto por cima da minha vida4 ,o amarello do ,deserto mais comprido do que um dia todo6 ,me6 eu queria ser o arabe6 ,eu queria raptar a menina loira6 ,eu queria saber raptar4 ,d-me um cavallo1 me6 ,at palmeira verde esmeralda6 ,e o anel86 ,a minha cabea amollece ao sol sobre a areia movedia do ,deserto6 ,a minha cabea est molle como a minha almofada6 ,ha uns signaes dentro da minha cabea1 como os signaes do ,egypcio1 como os signaes do ,phenicio4 ,os signaes d'estes j teem antecedentes e eu ainda vou para a vida4 ,no ha muros para que haja estrada6 ,no ha muros para pr cartazes6 ,no est a mo de tinta preta a apontar--por aqui6 ,s ha sombra do ,sol nas larangeiras da outra margem2 e todas as noites o somno chega roubado6 ,me6 ,as estrellas esto a mentir4 ,luzem quando mentem4 ,mentem quando luzem4 ,esto a luzir1 ou mentem8 ,j ia a cuspir para o ceu6 ,me6 a minha estrella doida6 ,coube-me nas sortes a ,estrella-doida6 ,me6 d-me um cavallo6 ,eu j sou o gallope6 ,ha uma palmeira1 ,me6 ,o que quer dizer um anel8 ,tem uma esmeralda4 ,me6 eu quero ser as trez oleografias6 99 99 99 99 99 ,me6 ,em cima das estatuas est o verbo ganhar1 ,me6 ser para mim8 ,quando passo pelas estatuas fico parado4 ,a olhar para cima das estatuas4 ,fico parado a subir4 ,no sei quem me agarra para me levantar ao ar4 ,agarram-me por debaixo dos braos para me levantar ao ar4 ,para eu ver o verbo ganhar em cima das estatuas4 99 99 99 99 99 ,me6 eu no sei nada6 ,eu no me lembro de nada6 ,ah6 lembro-me6 ,lembro-me de ter ajudado a levar pedras para as pyramides do ,egypto6 ,tambem me lembro de me ter chamado ,jos1 antigamente1 com meus irmos e uma mulher6 ,me6 ,estou a lembrar-me6 ,tu j fste a menina loira6 ,eu j fui o menino verdadeiro a quem tu davas de mamar6 ,eu j estive comtigo na terceira oleografia6 ,lembro-me exactamente6 ,quando tu me beijavas1 o sol no doa tanto na minha pelle6 ,me6 ,estou a lembrar-me6 ,e as tardes quando iamos todos juntos soltar palavras no caes e vr chegar mais laranjas6 ,outras vezes juntavamo-nos na praia para nadar melhor do que os outros e deixar o sol queimar quem mais merecsse4 ,j as laranjas estavam contentes com o que chegasse primeiro6 ,o melhor jovem ganhava a melhor rapariga4 ,os outros sabiam aquella que tinham ganhado4 ,eu tinha ganho a minha6 ,de uma vez1 quando deixavamos o caes1 entornou-se o csto das tangerinas4 ,foi a alegria6 ,e uma das raparigas pz-se a cantar o succedido s tangerinas a rolar pr mar3 tam tam-tam tanque estanque tangerina bola tangerina boia tangerina ina tangerininha pacote rto batuque n quintal da nra e o dique e o ,duque e o acqueducto do ,cco ,rei ,carmim e tamarindos e amarellos de ,mahomet alli e l e acol 444 99 99 99 99 99 ,me6 ,vem ouvir a minha cabea a contar historias ricas que ainda no viageie4 ,traze tinta encarnada para escrever estas coisas6 ,tinta cr de sangue1 sangue6 verdadeiro1 encarnado6 ,me6 passa a tua mo pela minha cabea6 ,eu ainda no fiz viagens e a minha cabea no se lembra seno de viagens6 ,eu vou viajar4 ,tenho sde6 ,eu prometo saber viajar4 ,quando voltar para subir os degraus da tua casa1 um por um4 ,eu vou aprender de cr os degraus da nossa casa4 ,depois venho sentar-me a teu lado4 ,tu a cosres e eu a contar-te as minhas viagens1 aquellas que eu viagei1 to parecidas com as que no viagei1 escritas ambas com as mesmas palavras4 ,me6 ata as tuas mos s minhas e d um n-cego muito apertado6 ,eu quero ser qualquer coisa da nossa casa4 ,como a meza4 ,eu tambem quero ter um feitio1 um feitio que sirva exactamente para a nossa casa1 como a meza4 ,me6 passa a tua mo pela minha cabea6 ,quando passas a tua mo na minha cabea tudo to verdade6 ,,ii ,,parte ,a ,,viagem ,,ou ,o ,,que ,n,o ,,se ,,pode ,,prev,r ,a ,eternidade existe mas no to devagar6 7,,quadrado ,,azul1 #aiag74 ,,paris ,e ,,eu ,um dia foi a minha vez de ir a ,paris4 ,foi necessario um passaporte4 ,pediram a minha profisso4 ,fiquei atrapalhado6 ,pensei um pouco para responder verdade e disse a verdade3 ,poeta6 ,no acceitaram4 ,tambem pediram o meu estado4 ,fiquei atrapalhado4 ,pensei um pouco para responder verdade e disse a verdade3 ,menino6 ,tambem no acceitaram4 ,e para ter o passaporte tive de dizer o que era necessario para ter o passaporte1 isto --uma profisso que houvsse6 e um estado que houvsse6 ,,partida ,,para ,,paris despedida os vizinhos deram-me o melhor conselho3 ,juizo6 ,,paris ,em ,paris tudo de carne e osso1--,o ,sacr-,coeur1 ,o ,sna e a ,torre ,eiffel--as casas1 as pessoas1 os domingos e os outros dias4 ,ha em ,paris uma ,rocha ,tarpeia que no feita de rocha1 feita de domingos e dos outros dias4 ,,eu ,quando digo ,eu no me refiro apenas a mim mas a todo aquelle que coubr dentro do geito em que est empregado o verbo na primeira pessa4 ,,liberdade ,quando entrei na cidade fiquei ssinho no meio da multido4 ,em redor as portas estavam abertas4 ,a multido entrava naturalmente pelas portas abertas4 ,por cima das portas havia taboltas onde estava collada aquella palavra que sbe--,liberdade6 ,entrei por uma porta4 ,entrei como uma farpa6 ,era uma ratoeira1 ,me6 era uma ratoeira6 ,se eu tivesse entrado como uma agulha podia ter sahido como uma agulha1 mas entrei como uma farpa1 fiz sangue verdadeiro1 j no me esquece4 ,aconteceu exactamente4 ,dei um mau geito nos rins por causa da ratoeira6 ,ainda me lembro da palavra--,liberdade6 ,me6 ,vou contar-te como foi4 ,havia dois vazos iguaes4 ,um tinha um licor bonito4 ,o outro parecia ter agua simples4 ,um tinha a felicidade1 o outro no tinha a felicidade4 ,era sorte4 ,a casa estava cheia de gente4 ,ninguem queria ser o primeiro a comear4 ,depois1 comearam a beber o licor4 ,diziam coisas to felizes6 ,coisas quentes que enchem a cabea toda e deixam os olhos escancarados6 ,eu vi-os1 ,me6 estavam a augmentar a olhos vistos1 juro-te6 ,os que beberam do outro vazo no divertiam ninguem4 ,iam-se logo embora4 ,e ninguem j se lembrava d'elles4 ,s ficaram os que gostavam do licor4 ,eu fiquei com estes4 ,eu tambem bebi do licor4 ,no imaginas1 ,me6 nunca subi to alto6 ,ainda mais alto do que o verbo ganhar6 ,havia uma r que tinha entrado comigo ao mesmo tempo4 ,a r tambem estava a augmentar4 ,depois1 quando j estava quasi do tamanho de um boi1 a r estoirou4 ,coitada6 ,como antigamente1 em latim4 ,ento1 puz-me logo a escorregar desde l de cima1 at aonde eu j tinha amarinhado2 desde mais alto do que o verbo ganhar4 ,a escorregar1 a ser necessario escorregar1 a querer por fora escorregar1 a custar immenso escorregar1 a fazer doer escorregar1 a escorregar4--,o verbo desinchar6 ,o verbo desinchar dura muito tempo4 ,no fim do verbo desinchar outra vez a terra1 c em baixo4 ,,fim ,,da ,,segunda ,,parte ,,confidencias ,me6 doe-me o peito4 ,bati com o peito contra a estatua que tem em cima o verbo ganhar4 ,ainda no sei como foi4 ,eu ia to contente6 eu ia a pensar em ti e no verbo saber e no verbo ganhar4 ,estava tudo a ser to facil6 ,j estava a imaginar a tua alegria quando eu voltsse a casa com o verbo saber e o verbo ganhar1 um em cada mo6 ,doe-me muito o peito1 ,me6 passa a tua mo pela minha cabea6 ,me6 ,j no volto cidade sem ir comtigo6 para a cidade ser bonita4 ,irmos os dois juntos de brao-dado1 e andarmos assim a passear2 para ver como tudo est psto na cidade por causa de ti e de mim e por causa dos outros que andam de brao-dado4 ,me6 dize essa metade que tu sabes do que necessario saber1 dize essa metade que tu sabes to bem6 para eu pensar na outra metade4 ,se no houvsse seno homens e saltimbancos eu ia buscar a outra metade1 mas os saltimbancos esto vestidos como os homens1 e os homens esto vestidos como os saltimbancos1 ambos esto vestidos de uma s maneira1 no sei quaes so os homens nem os saltimbancos1 elles tambem no o sabem1--no ha seno losangos de arlequim6 ,me6 ,quando eu vinha para casa a multido ia na outra direco4 ,tive de me fazer ainda mais pequeno e escorregado1 para no ir na onda4 ,perguntei para onde iam to unidos1 assim1 com tanto balano4 ,responderam-me3 ,para deante6 para a frente6 ,iam para deante6 iam para a frente6 ,fiquei a pensar na multido4 ,o meu anjo da guarda disse-me3 ,prompto6 ,a multido j passou1 levou um quarto d'hora a passar4 ,a multido no seno aquillo que levou um quarto d'hora a passar4 ,prompto6 j est vista6 anda d'ahi6 ,o meu anjo da guarda est sempre dizer-me3 ,de que ests espera8 ,v1 anda6 ,comea j6 ,comea j a cuidar da tua presena6 ,no sei o que o meu anjo da guarda quer que eu advinhe em taes palavras4 ,outras vezes1 o meu anjo da guarda pede-me para que seja eu o anjo da guarda d'elle4 ,me6 ,hoje acordei todo virado para deante4 ,assim1 como tu o compreendes1 ,me6 ,vi as coisas do ar que havia1 as coisas que estavam focadas com o ar de hoje4 ,as lembranas j esto inteiras1 muito poucos os minutos falsos4 ,fiz todas as horas do ,sol e as da sombra4 ,ao chegar a noite estive de accordo com o ,sol no que houve desde manh at ser bastante a luz por hoje4 ,depois veiu o somno4 ,e o somno chegou a horas4 ,antes do somno ainda houve uma imagem--um leo a dormir6 ,na verdade1 no ha somno mais bem ganho do que o de um leo a dormir com restos de sangue ainda no focinho1 como os lees de pedra que ha nas escadarias por onde se sobe depois da batalha6 ,,retrato ,,da ,,estrella ,,que ,,guiou ,o ,,filho ,,prodigo ,,na ,,volta ,,casa ,,paterna ,na praia uma menina perguntou-me se eu era rico4 ,estava de gatas e muito longe1 a perguntar-me se eu era rico4 99 99 99 99 99 ,todas as manhs ia brincar com os vizinhos para a sombra da egreja4 ,depois do almoo a sombra era do outro lado4 99 99 99 99 99 ,quando as meninas corriam no jardim1 os cabellos e os vestidos ficavam para traz4 99 99 99 99 99 ,a rapariga das laranjas tinha uma linda voz para vender laranjas4 ,as pessoas ficavam co'as laranjas na mo a ouv-la4 99 99 99 99 99 ,a larangeira ao p da nra j me conhecia--punha-se a fingir que era o vento que a fazia mexer4 99 99 99 99 99 ,acho mais sinceros os dias de chuva4 ,nos dias em que chove ponhome a pensar que no sou eu s que vivo arreliado4 ,depois1 o cheiro da terra molhada que me faz de novo animar4 99 99 99 99 99 s vezes ponho-me a pensar em coisas que eu nunca vi4 ,naturalmente s ha muito longe1 nas outras terras6 99 99 99 99 99 ,estou a espera de ser grande para ver se o que eu penso verdade ou no4 ,se no fr1 mato-me6 99 99 99 99 99 ,gsto mais dos bois de barro que dos bois verdadeiros4 99 99 99 99 99 ,o gabo do jardineiro era forrado d'azul6 99 99 99 99 99 ,a rosa encarnada cheira a branco4 99 99 99 99 99 ,quando vejo o cr-de-rosa parece que se referem a mim4 ,,confidencias ,bom-,dia1 ,me6 ,bem nos tinham dito6--,esprem6 foi o que nos tinham dito4 ,e ns espermos4 ,ah6 que sempre tive a certeza que havia de chegar o descerrar do escuro6 7,,anthero1 ,sonetos47 ,a eternidade e um instante a mesma coisa4 ,,santo ,,agostinho4 ,bom-,dia1 ,me6 ,senta-te ao meu lado1 que eu vou contar-te a viagem que eu fiz4 ,dme a tua mo para que eu a conte bem6 ,dei a volta ao mundo1 fiz o itinerario universal4 ,tudo consta do meu diario intimo onde memoravel a viagem que eu fiz desde e universo at ao meu peito quotidiano4 ,vim de muito longe at ficar dentro do meu proprio peito e defendido pelo meu proprio corpo4 ,durante a viagem encontrei tudo disposto de antemo para que nunca me apartasse dos meus sentidos4 ,e assim aconteceu sempre desde aquelle dia inolvidavel em que reparei que tinha olhos na minha propria cara4 ,foi precisamente n'esse dia inolvidavel que eu soube que tudo o que ha no universo podia ser visto com os dois olhos que esto na nossa propria cara4 ,no foi1 portanto1 sem orgulho que constatei que era precisamente por causa de cada um de ns que havia o universo4 ,e assim foi que1 todas as coisas que a principio me pareciam to estranhas1 comearam logo desde esse dia inolvidavel a dirigirem-se-me e a interrogarem-me1 quando ainda hontem era eu que lhes preguntava tudo4 ,foi-me facil comprehender que o universo era precisamente o resultado de haver quem tivesse olhos na propria cara4 ,muito maior foi o meu orgulho1 portanto1 quando tive a certeza de que hoje o universo esperava anciosamente por cada um de ns4 ,hontem1 cada um de ns viajava por todas as partes do universo1 com aquelle desejo legitimo de se encontrar1 e se a viagem demorou mais do que devia porque no seria facil acreditar immediatamente que cada um de ns estava1 na verdade1 em todas as partes do universo4 ,confesso que no pude supr logo d'entrada que o papel de que seriamos incumbidos c na terra fsse precisamente o mais importante de todos4 ,ainda hontem o universo me parecia um gigante colossal capaz de me atropellar sem querer2 e emquanto eu procurava a maneira de no ficar espesinhado plo gigante1 quem poderia1 ,me1 ter-me convencido de que eramos ns-proprios o gigante8 ,todas as coisas do universo aonde1 por tanto tempo1 me procurei1 so as mesmas que encontrei dentro do peito no fim da viagem que fiz pelo universo4 ,,iii ,,parte ,o ,,regresso ,,ou ,o ,,homem ,,sentado ,,ao ,,joaquim ,,gra,a ,a ,,flor --,je travaille tant que je peux et le mieux que je peux1 toute la journe4 ,je donne toute ma mesure1 tous mes moyens4 ,et aprs1 si ce que j'ai fait n'est pas bon1 je n'en suis plus responsable2 c'est que je ne peux vraiement pas faire mieux4 ,henri ,matisse4 ,pede-se a uma creana4 ,desenhe uma flor6 ,da-se-lhe papel e lapis4 ,a creana vae sentar-se no outro canto da sala onde no ha mais ninguem4 ,passado algum tempo o papel est cheio de linhas4 ,umas n'uma direco1 outras n'outras2 umas mais carregadas1 outras mais leves2 umas mais faceis1 outras mais custosas4 ,a creana quiz tanta fora em certas linhas que o papel quasi que no resistiu4 ,outras eram to delicadas que apenas o pezo do lapis j era demais4 ,depois a creana vem mostrar essas linhas s pessas3 ,uma flr6 ,as pessas no acham parecidas estas linhas com as de uma flr6 ,comtudo1 a palavra flr andou por dentro da creana1 da cabea para o corao e do corao para a cabea1 procura das linhas com que se faz uma flr1 e a creana pz no papel algumas d'essas linhas1 ou todas4 ,talvez as tivesse psto fra dos seus logares1 mas1 so aquellas as linhas com que ,deus faz uma flr6 ,,cerca ,,da ,,pintura ,,de ,c,,zanne ,e ,,de ,,matisse3 ,elle vous donne la scurit4 ,charles ,pquin4 ,scurit--,m4 f4 7lat4 securitas7 ,confiance1 tranquilit d'esprit resultant de l'ide1 qu'il n'ya de pril craindre3 l'industrie a besoin de scurit4 ,petit ,larousse4 ,a ,,minha ,,vez ,tu separeras la terre du feu1 le subtil de l'pais--doucement-avec grande industrie4 ,,hermes ,,trimegista ,o desenho das creanas como o das pessas que no sabem desenhar--ambos dizem1 mas no sabem o que dizem4 ,no sabem desembaraar as linhas de uma coisa das linhas das outras coisas que veem ao mesmo tempo dentro da mesma palavra4 ,a prova que no so capazes de imitar o que da primeira vez lhes escorregou do corpo pela mo para o papel4 ,eu-proprio1 apenas agora comeo a saber recordar o que foram os meus desenhos de ha dez e vinte annos1 quando fiz uns traos em pedaos de papeis que guardaram4 ,escuto estes desenhos como a um homem1 do campo que diz1 sem querer1 coisas mais importantes do que o que est a contar1 e que pe tudo mostra sem dar por isso4 ,atravez d'estes desenhos sigo grafologicamente o meu instincto espera da minha vontade1--a minha querida ignorancia a aquecer ao sol e a transformar-se na minha vez c na terra4 ,,fim ,,da ,,terceira ,,parte ,,uma ,,frase ,,que ,,sobejou ,quando copiei pela ultima vez a ,inveno do ,dia ,claro1 sobejou uma frase que no me recordo a que alturas pertence4 ,a frase esta3 ,ha systemas para todas as coisas que nos ajudam a saber amar1 s no ha systemas para saber amar6 ,,nota--,seguem-se as dmarches para a ,inveno4 ,foi-nos completamente impossivel incluir na presente edio as dmarches4 ,no entanto1 reproduzimos como specimen a mais antiga de todas para que o leitor se convena do seu interesse quotidiano e imediato4 ,n'esta1 como em todas as outras dmarches para a ,inveno flagrante a maneira como se representa a fortuna que nos rodeia todos os dias4 ,a ,,verdade ,je ne crois que les histoires dont les tmoins se feraient gorger6 ,,pens,,es1 ,,pascal4 ,eu tinha chegado tarde escola4 ,o mestre quiz1 por fora1 saber porqu4 ,e eu tive que dizer3 ,mestre6 quando sahi de casa tomei um carro para vir mais depressa mas1 por infelicidade1 deante do carro cahiu um cavalo com um ataque que durou muito tempo4 ,o mestre zangou-se comigo3 ,no minta6 diga a verdade6 ,e eu tive de dizer3 ,mestre6 quando sahi de casa444 minha me tinha um irmo no extrangeiro e1 por infelicidade1 morreu hontem de repente e ns ficmos de luto carregado4 ,o mestre ainda se zangou mais comigo3 ,no minta6 diga a verdade66 ,e eu tive de dizer3 ,mestre6 quando sahi de casa 444 estava a pensar no irmo de minha me que est no extrangeiro ha tantos annos1 sem escrever4 ,ora isto ainda peor do que se elle tivesse morrido de repente porque ns no sabemos se estamos de lucto carregado ou no4 ,ento o mestre perdeu a cabea comigo3 ,no minta1 ouviu8 diga a verdade1 j lh'o disse6 ,fiquei muito tempo calado4 ,de repente1 no sei o que me passou pela cabea que acreditei que o mestre queria effectivamente que lhe dissesse a verdade4 ,e1 creana como eu era1 puz todo o pezo do corpo em cima das pontas dos ps1 e com o corao solta confessei a verdade3 ,mestre6 antes de chegar ,escola ha uma casa que vende bonecas4 ,na montra estava uma boneca vestida de crde-rosa6 ,mestre6 a boneca estava vestida de cr-de-rosa6 ,a boneca tinha a pelle de cra4 ,como as meninas6 ,a boneca tinha os olhos de vidro4 ,como as meninas6 ,a boneca tinha as tranas cahidas4 ,como as meninas6 ,a boneca tinha os dedos finos4 ,como as meninas6 ,mestre6 ,a boneca tinha os dedos finos444 ,,jos ,,de ,,almada-,,negreiros 99 99 99 99 99 ,o ,,moinho #a ,,acto #bc1 #b4,o ,,andar #c ,,actos ,,antes ,,de ,,come,,ar #a ,,acto ,,os ,,outros #c ,,actos 99 99 99 99 99 ,o ,,mendes--,a ,,engomadeira--,,hercules ,,da ,,silva ,a ,,scena ,,do ,,odio ,,saltimbancos--,,mima ,,fat,,xa--,,la ,,femme ,,lectrique ,o ,,quadrado ,,azul 99 99 99 99 99 ,d,,marches ,,para ,a ,,inven,o ,,do ,,dia ,,claro ,,da ,,arte ,,de ,,atravessar ,a ,,multid,o1 ,,com ,,apontamentos ,,sobre ,o ,,que ,,eu ,,quiz ,,dizer4 ,,pobreza ,,voluntaria ,,dados ,,arbitrarios ,,para ,a ,,futfura ,,aristocracia 99 99 99 99 99 ,,as ,,trez ,,idades ,,de ,,cada ,,um --,,as ,,trez ,,idades ,,de ,,cada ,,um ,o ,,ovo ,,de ,,colombo6 ,dr4 ,f4 ,alves de ,azevedo4 99 99 99 99 99 ,o ,,menino ,d',,olhos ,,de ,,gigante ,,feito ,,com ,a ,,preten,o ,,de ,,poema ,,universal4 ,,com ,,uma ,,posi,o ,,geografica ,,portugueza ,,na ,,forma ,,poetica ,,da ,,tonteria ,,popular4 ,,acabada ,d',,imprimir ,,aos ,,trinta ,,dias ,,do ,,mez ,,de ,,novembro ,,de ,,mil ,,novecentos ,e ,,vinte ,e ,,um1 ,,nas ,,oficinas ,,da ,,sociedade ,,nacional ,,de ,,tipografia1 ,,rua ,,do ,,seculo1 #ei1 ,,ficando ,,depositaria ,,portugal ,e ,,brazil1 ,,rua --,,garrett1 #eh1 #fj1 ,,lisboa4--