of public domain material from ,google ,book ,search7 ,a ,,harpa ,,do ,,crente4 ,,tentativas ,,poeticas ,,pelo ,,auctor ,,da ,,voz ,,do ,,propheta4 99 99 99 99 99 ,,lisboa--#ahch ,,na ,,typ4 ,,da ,,sociedade ,,propagadora ,,dos ,,conhecimentos ,,uteis4 ,rua direita do ,arsenal--n4 #ee4 ,a ,,harpa ,,do ,,crente4 ,,tentativas ,,poeticas ,,pelo ,,auctor ,,da ,,voz ,,do ,,propheta4 ,,primeira ,,serie4 ,,lisboa--#ahch ,,na ,,typ4 ,,da ,,sociedade ,,propagadora ,,dos ,,conhecimentos ,,uteis4 ,rua direita do ,arsenal--n4 #ee4 99,a ,semana ,sancta499 ,a ,s4 ,ex4 ,o ,,marquez ,,de ,,resende4 ,em testemunho de amisade e venerao ,offerece o ,auctor4 ,a ,semana ,sancta4 ,der ,gedanke ,gott weckt einen furchterlichem ,nachbar auf1 sein ,name heisst ,richter4 ,schiller4 ,i4 ,tibio o sol entre as nuvens do occidente ,j l se inclina ao mar4 ,grave e solemne ,vai a hora da tarde6--,o oeste passa ,mudo nos troncos da lameda antiga1 ,que j borbulha voz da primavera3 ,o oeste passa mudo1 e cruza a porta ,ponteaguda do templo1 edificado ,por mos rudes de avs1 em monumento ,de uma herana de f1 que nos legaram1 ,a ns seus netos1 homens de alto esforo1 ,que nos rimos da herana1 e que insultamos ,a cruz e o templo e a crena de outras eras3 ,ns1 homens fortes1 servos de tyrannos1 ,que sabemos to bem rojar seus ferros ,sem nos queixar1 menospresando a ,patria ,e a liberdade1 e o combater por ella4 ,eu no6--eu rujo escravo2 eu creio e espero ,no ,deus das almas generosas1 puras1 ,e os despotas maldigo4--,entendimento ,bronco1 lanado em seculo fundido ,na servido de goso ataviada1 ,creio que ,deus ,deus1 e os homens livres6 ,,ii4 ,oh sim6--rude amador de antigos sonhos1 ,irei pedir aos tumulos dos velhos ,religioso enthusiasmo1 e canto novo ,hei-de tecer1 que os homens do futuro ,entendero3--um canto escarnecido ,pelos filhos dest' pocha mesquinha1 ,em que vim peregrino a vr o mundo1 ,e chegar a meu termo1 e repousar-me ,depois sombra de um cypreste amigo4 ,,iii4 ,passa o vento os do portico da ,igreja ,esculpidos umbraes3 correndo as naves ,sussurrou1 sussurrou entre as columnas ,de gothico lavor3 no orgam do coro ,veio em fim murmurar e esvaecer-se4 ,mas porque sa o vento8--,est deserto1 ,silencioso ainda o sacro templo3 ,nenhuma voz humana ainda recorda ,os hymnos do ,senhor4 ,a natureza ,foi a primeira em celebrar seu nome ,neste dia de lucto e de saudade6 ,trvas da quarta feira eu vos saudo6 ,negras paredes1 velhas testemunhas ,de todas essas oraes de mgoa1 ,ou esperana1 ou gratido1 ou sustos1 ,depositados ante vs nos dias ,de uma crena fervente1 hoje enlutadas ,de mais escuro d1 eu vos saudo6 ,a loucura da cruz no morreu toda ,apoz dezoito seculos6--,quem chore ,do sofrimento o ,here existe ainda4 ,eu chorarei--que as lagrymas so do homem-- ,pelo ,amigo do povo1 assassinado ,por tyrannos1 e hypocritas1 e turbas ,envilecidas1 barbaras1 e servas4 ,,iv4 ,tu1 ,anjo do ,senhor1 que accendes o estro2 ,que no espao entre o abysmo e os ceus vagueas1 ,d'onde mergulhas no oceano a vista2 ,tu que do trovador na mente arrojas ,quanto ha nos ceus esperanoso e bello1 ,quanto ha no inferno tenebroso e triste1 ,quanto ha nos mares magestoso e vago1 ,hoje te invoco6--oh vem6--lana em minha alma ,a harmonia celeste e o fogo e o genio1 ,que dm vida e vigor a um carme pio4 ,v4 ,a noite escura desce3 o sol de todo ,nos mares se afogou3 a luz dos mortos1 ,dos brandes o claro fulgura ao longe1 ,no cruzeiro somente e em volta da ara3 ,e pelas naves comeou rudo ,de compassado andar4 ,fiis acodem ,a visitar o ,eterno1 e ouvir queixumes ,do vate de ,sion4 ,em breve os monges ,lamentosas canes aos ceus erguendo1 ,sua voz uniro voz desse orgam1 ,e os sons e os cchos reboar no templo4 ,mudo o cro depois1 neste recinto ,dentro em bem pouco reinar silencio1 ,o silencio dos tumulos1 e as trevas ,cubriro por esta rea a luz escassa ,despedida das lampadas1 que pendem ,ante os altares1 bruxuleando frouxas4 ,imagem da existencia6--,em quanto passam ,os dias infants1 as paixes tuas1 ,homem1 qual ento s1 so debeis todas3 ,cresceste3--ei-las torrente1 em cujo dorso ,sobrenadam a dor1 e o pranto1 e o longo ,gemido do remorso1 a qual lanar-se ,vai1 com rouco estridor1 no antro da morte1 ,l onde tudo horror1 silencio1 noite4 ,da vida tua instantes florescentes ,foram dous1 e no mais3 as cas e rugas1 ,breve1 rebate de teu fim te deram4 ,tu foste apenas som1 que o ar ferindo ,se esvau pelo espao immensuravel4 ,e a casa do ,senhor ergueu-se6--o ferro ,cortou a penedia2 e o canto enorme4 ,polido alveja alli no espesso panno ,do muro collossal1 que ha visto as eras ,velhas chegar1 e adormecer-lhe ao lado3 ,a faia e o sobro no car rangeram ,sob o machado3 a trave affeioou-se2 ,l na cimo pousou3 restruge ao longe ,de martellos fragor1 e eis ergue o templo1 ,por entre as nuvens1 bronzeadas grimpas4 ,homem1 do que s capaz6 ,tu1 cujo alento1 ,se esve1 como da cerva a leve pista ,no p se apaga ao respirar da tarde1 ,do seio dessa terra em que s estranho ,sar fazes as moles seculares1 ,que por ti1 morto1 fallem3 ds na ida ,eterna durao s obras tuas6 ,tua alma immortal1 e a prova a dste6 ,,vi4 ,anoiteceu3--nos claustros resoando ,as pisadas dos monges ouo3 eis entram2 ,eis se curvaram para o cho beijando ,o pavimento1 a pedra3 oh sim1 beijai-a6 ,igual vos cubrir a cinza um dia1 ,talvez em breve--e a mim4 ,consolo ao morto a pedra do tumulo4 ,se-lo-ia ,mais se do justo s a herana fora2 ,mas tambem ao malvado dada a campa4 ,e o criminoso dormir quieto ,entre os bons sotterrado6--,oh no6 em quanto ,no templo ondeam silenciosas turbas1 ,exultaro do abysmo os moradores1 ,vendo o hypocrita vil1 mais mpio que elles1 ,que escarnece do ,eterno1 e a si se engana2 ,vendo o que julga que oraes apagam ,vicios e crimes1 e o motejo e o riso ,dado em resposta s lagrymas do pobre2 ,vendo os que nunca ao infeliz soltaram ,de consolo palavra1 ou de esperana3 ,sim3--malvados tambem ho-de pisar-lhes ,os frios restos que separa a terra1 ,um punhado de terra1 a qual os ossos ,destes ha-de cubrir em tempo breve1 ,como cubriu os seus1 qual vai sumindo ,nos mysterios da campa a humanidade4 ,porm a turba esvae-se3 ermam bem poucos ,do templo na amplido3 s l no fundo ,de affumada capella1 o justo as preces ,ergue pio ao ,senhor1 as preces puras ,de um corao que espera1 e no mentidas ,de labios de impostor1 que engana as turbas ,com seu meneio hypocrita1 calcando ,na alma lodosa da blasphemia o grito4 ,ento exultaro os bons1 e o mpio1 ,que passou1 tremer4 ,em fim1 de vivos1 ,da voz1 do respirar o som confuso ,vem-se verter no sussurrar das praas1 ,e pela galil s ruge o vento4 ,em trevas no ficou silenciosas ,o sagrado recinto3 os candieiros1 ,no gelado ambiente ardendo a custo1 ,espalham debeis raios que reflectem ,das pedras pela alvura2 o negro mocho1 ,companheiro do morto1 horrido pio ,solta l da cornija2 pelas fendas ,dos sepulchros deslisa um fumo espesso1 ,onda pela nave--esvi-se3 um longo ,suspiro no se ouviu6--,olhai6 l se erguem ,de umas espectros palidos1 medonhos1 ,a quem bao claro da luz dos mortos ,ainda custa a soffrer3--eis de outras surgem ,radiosos espiritos que o premio ,da virtude1 nos ceus1 ho recebido3 ,alli treme ante o pobre o rico1 e o forte ,ante o humilde1 que nelle os olhos fita ,severo3--oh que tormento6 infernaes dores ,so doces para o mu1 a par do aspecto ,do bom1 que mudo lhe recorda os crimes4 ,ai6--nem paz cabe nos mortos6 ,entre as campas ,ainda habita o remorso4 ,embalde1 espectro1 ,te curvas ante as aras que insultaste3 ,debalde imploras o perdo celeste4 ,expiraste3 o perdo morreu comtigo4 ,infeliz para sempre1 a mo levanta ,a essa fronte gelada2 entre teus olhos ,de azulado fulgor ampla rajada ,toca--eterno signal que no perverso ,do cherubim da morte a dextra estampa3 ,toca-a444 ,deus reprovou-te2 a herana tua ,volveu-se em maldico3 luz de esperana ,para ti apagou-se3 o abysmo evoca ,o filho seu2 despenha-te no abysmo6 ,,vii4 ,vaga meditao onde arrojaste ,minha imaginao6--s horas mortas ,de alta noite1 no templo solitario1 ,e em congresso de mortos1 quando o espanto ,os resguarda co'as azas acurvadas ,da vista do que vive6--,alli corria ,minha mente1 qual vaga a mente do homem1 ,que em febre ardente desvairou por sonhos1 ,onde se ajunctam troos de existencias1 ,em nebuloso quadro2 ou como ondea1 ,entre a esperana e o susto1 o moribundo1 ,a quem do passamento o vu j cinge ,a amarellada fronte1 e a quem j pesam ,sobre os olhos as palpebras1 que affrouxa ,do anjo da morte o resonante grito4 ,,viii4 ,mas troa a voz do monge1 e no meu seio ,o corao bateu4 ,eia1 retumbem ,pela abobada aguda os sons dos psalmos1 ,que em dia de afflico ignoto vate ,teceu1 banhado em dr3 talvez foi elle ,o primeiro cantor que em varias cordas1 sombra das palmeiras da ,idumea1 ,soube entoar melodioso um hymno4 ,deus inspirava ento os trovadores ,do seu povo querido1 e a ,palestina1 ,rica dos meigos dons da natureza1 ,tinha o sceptro tambem do enthusiasmo4 ,virgem o genio ainda1 o estro puro ,louvava ,deus somente1 luz da aurora1 ,e ao esconder-se o sol entre as montanhas ,de ,bethoron3--agora o genio morto ,para o ,senhor1 e os cantos dissolutos ,do lodoso folguedo os ares rompem1 ,ou sussurram por paos de tyrannos1 ,assellados de putrida lisonja1 ,por preo vil1 como o cantor que os tece4 ,,ix4 ,o ,psalmo4 ,quanto grande o meu ,deus6444 ,t onde chega ,o seu poder immenso6 ,elle abaixou os ceus1 desceu1 calcando ,um nevoeiro denso4 ,dos cherubins nas azas radiosas ,sentado elle voou3 ,e sobre turbilhes de rijo vento ,o mundo rodeou4 ,se lana terra o olhar1 a terra treme1 ,e os mares assustados ,bramem ao longe1 e os montes lanam fumo1 ,da sua mo tocados4 ,se pensou no ,universo1 ei-lo patente ,todo perante o ,eterno3 ,se o quiz1 o firmamento os seios abre1 ,abre os seios o inferno4 ,dos olhos do ,senhor1 homem1 se podes1 ,esconde-te um momento3 ,v onde encontrars logar que fique ,da sua vista isento3 ,sobe aos ceus1 transpe mares1 busca o abysmo1 ,l teu ,deus has-de achar2 ,elle te guiar1 e a dextra sua ,l te ha-de sustentar3 ,desce sombra da noite1 e no seu manto ,involver-te procura2 ,mas as trvas para elle no so trvas2 ,nem a noite escura4 ,no dia do furor1 em vo buscras ,fugir ante o ,deus forte1 ,quando do arco tremendo1 irado1 impelle ,setta em que pousa a morte4 ,mas o que o teme dormir tranquillo ,no dia extremo seu1 ,quando na campa se rasgar da vida ,das illuses o vu4 ,x4 ,callou-se o monge3 sepulchral silencio sua voz seguiu-se3 e um som soturno ,de orgam partiu-o2 som que assemelhava ,o suspiro saudoso1 e os ais de filha1 ,que chora solitaria o pe1 que dorme ,seu ultimo1 profundo e eterno somno4 ,harmonias depois soltou mais doces ,o instrumento suave2 e ergueu-se o canto1 ,o lamentoso canto do propheta1 ,da patria sobre o fado4 ,elle1 que o vra1 ,sentado entre ruinas1 contemplando ,seu avto esplendor1 seu mal presente1 ,a quda lhe chorou3 l na alta noite1 ,modulando o ,nebel1 via-se o vate ,nos derrubados porticos1 abrigo ,do immundo stellio e gemedora poupa1 ,extasiado--e a lua scintillando ,na sua calva fronte1 onde pesavam ,annos e annos de dor3 ao venerando ,nas encovadas faces fundos regos ,tinham aberto as lagrymas3 ao longe1 ,nas margens do ,kedron1 a ra grasnando ,quebrava a paz dos tumulos4 ,que tumulo ,era ,sion6--o vasto cemiterio ,dos fortes de ,israel4 ,mais venturosos ,que seus irmos1 morreram pela patria2 ,a patria os sepultou dentro em seu seio3 ,elles1 em ,babylonia1 as mos em ferros1 ,passam de escravos miseranda vida1 ,que ,deus pesou seus crimes1 e1 ao pes-los1 ,a dextra lhe vergou4 ,no mais no templo ,a nuvem repousra1 e os ceus de bronze ,dos prophetas aos rogos se amostravam1 ,o vate de ,anathoth a voz soltra ,entre o povo infiel1 de ,eloha em nome3 ,ameaas1 promessas1 tudo inutil2 ,de ferro os coraes no se dobraram4 ,vibrou-se a maldico3 bem como um sonho ,jerusalem passou3 sua grandesa ,somente existe em derrocadas pedras4 ,o vate de ,anathoth1 sobre seus restos1 ,com tal lamento se doeu da patria3 ,canto de morte alou3 da noite as larvas ,o som lhe ouviram3 squallido esqueleto1 ,rangendo os ossos1 d'entre a hera e musgos ,do portico do templo erguia um pouco1 ,alvejando1 a caveira3--era-lhe alivio ,do sagrado cantor a voz suave ,desferida ao luar1 triste1 no meio ,da vasta solido que o circumdava3 ,o propheta gemeu3 no era o estro1 ,ou o vivido jbilo que outrora ,inspirra ,moyss3 o sentimento ,fui sim pungente do silencio e morte1 ,que da patria lhe fez sobre o cadaver ,a elegia da noite erguer1 e o pranto ,derramar da esperana e da saudade4 ,,xi4 ,a ,lamentao4 ,como assim jaz e solitaria e quda ,esta cidade outrora populosa6 ,qual viuva ficou e tributaria ,a senhora das gentes4 ,chorou durante a noite3 em pranto as faces ,sosinha1 entregue dr1 nas penas suas ,ninguem a consolou3 os mais queridos ,contrarios se volveram4 ,as amplas ruas de ,sion so ermas1 ,e cubertas de relva3 os sacerdotes ,gemem3 as virgens pallidas suspiram ,involtas na amargura4 ,dos filhos de ,israel nas cavas faces ,est pintada a macilenta fome2 ,mendigos vo pedir1 pedir a estranhos1 ,um po de infamia eivado4 ,o tremulo ancio1 de longe1 os olhos ,volta a ,jerusalem1 della fugindo2 ,v-a1 suspira1 ce1 e em breve expira ,com seu nome nos labios4 ,que horror6--as proprias mes os seus filhinhos ,despedaaram3 barbaras quaes tygres1 ,os sanguinosos membros palpitantes ,no ventre sepultaram4 ,grande ,deus1 nosso opprobrio olha piedoso6 ,cessa de ,te vingar6 ,v-nos escravos1 ,servos de servos em paiz estranho2 ,adoa nossos males6 ,acaso sers ,tu sempre inflexivel8 ,esquecste de todo a nao tua8 ,o pranto dos hebreus no ,te commove8 s surdo a seus lamentos8 ,,xii4 ,doce era a voz do velho3 o som do ,nablo ,sonoro3 o ceu sereno3 clara a terra ,pelo brando fulgor do astro da noite3 ,e o propheta parou3 erguidos tinha ,os olhos para o ceu1 onde buscava ,um raio de esperana e de conforto3 ,e elle calra j1 e ainda os ecchos1 ,entre as minas sussurrando1 ao longe ,iam os sons levar de seus queixumes4 ,,xiii4 ,chro piedoso1 o chro consagrado s desditas dos seus4 ,honra ao propheta6 ,oh margens do ,jordo1 paiz to lindo1 ,que fostes e no sois1 tambem suspiro ,dodo vos consagro6--,assim fenecem ,imperios1 reinos1 solides tornados6444 ,no3--nenhum deste modo3 o peregrino ,pra em ,palmyra e pensa3 o brao do homem ,a sacudiu terra1 o fez dormissem ,o seu ultimo somno os filhos della-- ,e elle o veio dormir pouco mais longe3 ,mas se chega a ,sion treme1 enxergando ,seus lacerados restos4 ,pelas pedras1 ,aqui e alli dispersas1 ainda escripta ,parece vr-se uma inscripo de agouros1 ,bem como aquella que aterrou um mpio ,quando1 no meio de ruidosa festa1 ,blasphemava dos ceus1 e mo ignota ,o dia extremo lhe apontou de crimes4 ,a maldico do ,eterno est vibrada ,sobre ,jerusalem6--,quanto terrivel ,a vingana de ,deus6 ,o ,israelita1 ,sem patria1 e sem abrigo1 vagabundo1 ,odio dos homens1 neste mundo arrasta ,uma existencia mais cruel que a morte1 ,e que vem terminar a morte e inferno4 ,desgraada nao6--aquelle solo ,onde manava o mel1 onde o carvalho1 ,o cedro e a palma o verde1 ou claro ou torvo1 ,to grato vista1 em bosques misturavam3 ,onde o lyrio e a cecem nos prados tinham ,crescimento espontaneo entre as roseiras1 ,hoje1 campo de lagrymas1 s cria ,humilde musgo de escalvados cerros4 ,,xiv4 ,ide vs a ,mambr3--l1 bem no meio ,de um valle1 outrora de verdura ameno1 ,erguia-se um carvalho magestoso3 ,debaixo de seus ramos1 largos dias ,abraho repousou3 na primavera ,vinham os moos adornar-lhe o tronco ,de capellas cheirosas de boninas1 ,e coras gentis traar-lhe em roda4 ,nasceu com o orbe a planta veneravel1 ,viu passar geraes1 julgou seu dia ,final fosse o do mundo1 e quando airosa ,por entre as densas nuvens se elevava1 ,mandou o ,nume aos aquiles rugssem4 ,ei-la por terra6 ,as folhas1 pouco a pouco1 ,murcharam-se cando1 e o rei dos bosques ,servio do pasto aos tragadores vermes3 ,deus estendeu a mo3--no mesmo instante ,a vinha se mirrou3 juncto aos ribeiros ,da ,palestina os platanos frondosos ,no mais cresceram1 como d'antes1 bellos3 ,o armento1 em vez de relva1 achou nos prados ,somente ingratas1 espinhosas urzes4 ,no ,golgotha plantada1 a ,cruz clamra ,justia3 a seu clamor horrido espectro ,no ,moriah sentou-se2 era seu nome ,assolao--e despregando um grito1 ,cau com longo som de um povo a campa4 ,assim a herana de ,judah1 outrora ,grata ao ,senhor1 existe s nos ecchos ,do tempo que j foi1 e que ha passado ,como hora de prazer entre desditas4 ,minha ,patria onde existe8 l somente6 ,oh lembrana da ,patria acabrunhada ,um suspiro tambem tu me has pedido3 ,um suspiro arrancado aos seios d'alma ,pela offuscada gloria1 e pelos crimes ,dos homens que ora so1 e pelo opprobrio ,da mais illustre das naes da terra6 ,a minha triste ,patria era to bella1 ,e forte1 e virtuosa6 e ora o guerreiro ,e o sabio e o homem bom acol dormem1 ,acol1 nos sepulchros esquecidos1 ,que a seus netos infames nada contam ,da antiga honra e pudor e eternos feitos4 ,o escravo portuguez agrilhoado ,carcomir-se-lhes deixa juncto s lousas ,os decepados troncos desse arbusto1 ,por mos delles plantado liberdade1 ,e por tyrannos derrubado em breve1 ,quando patrias virtudes se acabaram1 ,como um sonho da infancia4 ,o vil escravo ,immerso em vicios1 em bruteza e infamia ,no erguer os macerados olhos ,para esses troncos1 que destroem vermes ,sobre as cinzas de heres1 e1 acceso em pejo1 ,no surgir jmais8--,no ha na terra ,corao portuguez1 que mande um brado ,de maldico atroz1 que v cravar-se ,na vigilia e no somno dos tyrannos1 ,e envenenar-lhes o prazer nos braos ,das prostitutas vs1 e em seus banquetes ,de embriaguez1 lanar fel e amarguras8 ,no6--,bem como um cadaver j corrupto1 ,a nao se dissolve3 e em seu lethargo ,o povo1 involto na miseria1 dorme4 ,,xv4 ,oh1 talvez1 como o vate1 ainda algum dia ,terei de erguer ,patria hymno de morte1 ,sobre seus mudos restos vagueando6 ,sobre seus restos8--,nunca6 ,eterno1 escuta ,minhas preces e lagrymas3--se em breve1 ,qual jaz ,sion1 jazer deve ,ulissea3 ,se o anjo do exterminio ha-de risc-la ,do meio das naes1 que d'entre os vivos ,risque tambem meu nome1 e no me deixe ,na terra vaguear1 orpham de ,patria4 ,,xvi4 ,cessou da noite a gro solemnidade ,consagrada tristeza1 e a memorandas ,recordaes3--os monges se prostraram ,a face unida pedra3 a mim1 a todos ,correm dos olhos lagrymas suaves ,de compunco4 ,atheu1 entra no templo2 ,no temas esse ,deus1 que os labios negam1 ,e o corao confessa3 a corda do arco ,da vingana1 em que a morte se debrua ,frouxa est2 ,deus bom2 entra no templo4 ,tu para quem a morte ou vida frma1 ,frma smente de mais puro barro1 ,que nada crs1 mas nada esperas1 olha1 ,olha o conforto do christo3 se o calis ,da amargura a provar os ceus lhe deram1 ,elle se consolou3 balsamo sancto ,dentro no corao a f lhe entorna ,deus piedade ter6--,eis seu gemido3 ,porque a esperana lhe sussurra emtorno3 ,aqui--ou l--a ,providencia justa4 ,atheu1 a quem o mal fizera escravo1 ,teu futuro qual 8 ,quaes so teus sonhos8 ,no dia da afflico emmudeceste ,ante o espectro do mal4 ,e a quem alaras ,o gemente clamor8--,ao mar1 que as ondas ,no altera por ti8--,ao ar1 que some ,pela sua amplido as queixas tuas8 ,aos rochedos alpestres1 que no sentem1 ,nem sentir podem teu gemido inutil8 ,tua dr1 teu prazer existem1 passam1 ,sem porvir1 sem passado1 e sem sentido4 ,nas angustias da vida1 o teu consolo ,o suicidio s1 que te promette ,rica messe de goso1 a paz do nada6-- ,e ai de ti1 se buscaste1 em fim1 repouso1 ,no limiar da morte indo assentar-te6 ,alli grita uma voz no ultimo instante ,do passamento3 a voz atterradora ,da ,consciencia ella3 e has-de escut-la ,mau grado teu3 e tremers em sustos1 ,desesperado aos ceus erguendo os olhos ,irados1 de travez1 amortecidos-- ,aos ceus1 cujo caminho a ,eternidade ,co'a vagarosa mo te vai cerrando1 ,para guiar-te solido das dores1 ,onde maldigas teu primeiro alento1 ,onde maldigas teu extremo arranco1 ,onde maldigas a existencia e a morte4 ,,xvii4 ,calou tudo no templo3 o ceu puro3 ,a tempestade ameaadora dorme4 ,no espao immenso os astros scintillantes ,o ,rei da creao louvam com hymnos1 ,no ouvidos por ns1 nas profundezas ,do nosso abysmo4 ,e aos cantos do ,universo1 ,ante milhes de estrellas1 que recamam ,o firmamento1 ajunctar seu canto ,mesquinho trovador8--,que vale uma harpa ,mortal1 no meio da harmonia etherea1 ,no concerto da noite8 ,oh1 no silencio1 ,eu pequenino verme irei sentar-me ,aos ps da ,cruz1 nas trvas do meu nada4 ,assim se apaga a lampada nocturna ,ao despontar do sol o alvor primeiro3 ,por entre a escurido deu claridade1 ,mas do dia ao nascer1 que j rutila1 ,as torrentes de luz vertendo ao longe1 ,da lampada o claro sumiu-se inutil ,nesse fulgido mar1 que inunda a terra4 ,lisboa--#ahbi4 99,,notas499 ,,notas4 ,eis o poema da minha mocidade3 so os unicos versos que conservo desse tempo1 em que nada neste mundo deixava para mim de respirar poesia4 ,se hoje me dissessem3 faze um poema de quinhentos versos cerca da ,semana ,sancta1 eu olharia ao primeiro aspecto esta proposio como um absurdo3 entretanto eu mesmo ha nove annos realizei esse absurdo4 ,no esta a primeira das minhas contradicces1 e espero em ,deus1 e na minha sincera consciencia1 que no seja a ultima4 ,quando compuz estes versos1 ainda eu possuia toda a vigorosa ignorancia da juventude2 ainda eu cria conceber toda a magnificencia do grande drama do christianismo1 e que a minha harpa estava affinada para cantar um tal objecto4 ,enganava-me2 a ,semana ,sancta do poeta no sau semelhante ,semana ,sancta da ,religio4 ,o que esta1 de feito8--,um poema representado1 um drama1 cuja essencia um facto universal1 o maior de todos2 o que veio mudar idas1 civilisao1 e destinos do genero humano inteiro4 ,tinha eu foras para o tractar8 ,no por certo2 porque at hoje s houve um ,klopstock2 talvez s um haver at a consummao dos seculos4 ,assim1 eu corri as memorias do passado1 e as esperanas do fucturo2 chorei sobre ,jerusalem1 e sobre a minha patria2 subi aos ceus1 e desci aos infernos2 saudei o sol1 e as trvas da noite2 em tudo1 e em toda a parte busquei inspiraes1 menos onde as devia buscar2 por que acima da minha comprehenso estava o meu objecto--a redempo1 e as suas consequencias4 ,foi disto justamente que eu no tractei2 e era disto que eu devia tractar1 se o podesse ou soubesse fazer4 ,porque1 pois1 no acompanharam estes versos os outros da primeira mocidade no caminho da fogueira6 ,porque publco um poema falho na mesmissima essencia da sua concepo6 ,porque tenho a consciencia de que ha ahi poesia2 e porque no ha poeta1 que1 tendo essa consciencia1 consinta de bom grado em deixar nas trvas o fructo das suas vigilias4 ,pag4 #i4 ,a loucura da ,cruz no morreu toda ,verbum enim ,crucis pereuntibus quidem stultitia est4 ,paul4 ,ad ,corinth4 #a4--a4 ,pag4 #ae4 ignoto vate ,teceu ,ainda que os ,psalmos se attribuam geralmente a ,david1 ha cerca disso muita incertesa1 e o que1 ao menos1 parece indubitavel que alguns lhe no pertencem1 por fallarem no captiveiro de ,babylonia1 e trazerem alluses a pochas mais recentes4 ,verdade que se chegou a crer heretica semelhante opinio2 mas os ,padres gregos1 e com elles ,sancto ,hilario1 e ,s4 ,jeronymo1 julgam absurdo attribui-los todos a ,david4 ,esdras voltando do captiveiro foi quem reuniu estes hymnos1 e nessa colleco provavel fizesse entrar todas os poesias hebraicas deste genero lyrico e religioso4 ,pag4 #af4 ,e ao esconder-se o sol entre as montanhas ,de ,bethoron ,bethoron inferior1 cidade situada perto de ,gadara ou ,gazara e de ,bethel1 e todas ellas em uma serie de montanhas no extremo da ,tribu de ,ephraim1 ao occidente de ,jerusalem4 ,cumpre no a confundir com a outra ,bethoron ou ,bethra1 a quatro milhas de ,jerusalem para o norte1 no caminho de ,sichem ou ,naplusa4 ,pag4 #af4 ,o ,psalmo4 ,commota est1 et contremuit terra3 fundamenta montium conturbata sunt1 et commota sunt1 quoniam iratus est eis4 ,ascendit fumus in ira ejus3 et ignis facie ejus exarsit3 carbones succensi sunt ab eo4 ,inclinavit coelos et descendit3 et caligo sub pedibus ejus4 ,et ascendit super cherubim1 et volavit3 volavit super pennas ventorum4 ,psalm4 #ag--v4 #h--i--aj--aa4 ,qu ibo a spiritu tuo8 et qu facie tua figiam8-- ,si ascendero in coelum1 tu illic es3 si descendero in infernum1 ades4 ,si sumpsero pennas meas diluculo1 et habitavero in extremis maris3 ,etenim illuc manus tua deducet me3 et tenebit me dextera tua4 ,et dixi3 ,forsitan tenebrae conculcabunt me3 et nox illuminatio mea in deliciis meis4 ,quia tenebrae non obscurabuntur a te1 et nox sicut dies illuminabitur3 sicut tenebrae ejus1 sicut et lumen ejus4 ,psalm4 #ach--v4 #g--h--i--aj--aa--ab4 ------- arcum suum tetendit et paravit illum4 ,et in eo paravit vasa mortis1 sagittas suas ardentibus effecit4 ,psalm4 #g--v4 #ac--ad4 ,pag4 #ah4 ------ e um som soturno ,do orgam partiu-o3 ,o orgam um instrumento propriissimo para acompanhar os hymnos religiosos4 ,os protestantes1 apartando-se da communho romana1 e fazendo voltar o culto quasi simplicidade primitiva1 conservaram nos seus templos este instrumento1 cujos sons melodiosos1 e ao mesmo tempo severos1 se adaptam to bem s idas que suscitam os cantos da ,igreja4 ,o primeiro orgam1 que se viu no occidente da ,europa1 foi o que mandou1 em #geh1 ,constantino ,copronymo1 imperador de ,constantinopola1 a ,pepino1 pae de ,carlos-,magno4 ,depois o seu uso se tomou quasi exclusivo nos templos4 ,pag4 #ah4 ,modulando o ,nebel ,o ,nebel1 que os gregos traduzem por ,psalterion ou ,nablon1 era entre os hebreus um instrumento proprio da musica religiosa1 como entre os christos o orgam4 ,a sua frma triangular1 e o ser instrumento de cordas1 fez com que na ,vulgata se vertesse a palavra hebraica ,nebel1 umas vezes por lyra1 outras por cythara1 sem ser nenhuma das duas cousas4 ,veja-se a ,dissertao de ,calmet cerca da musica dos hebreus4 ,pag4 #ah4 ,do immundo ,stellio ,o ,stellio o lagarto da #a4 especie1 ou a salamandra de ,lacepede4 ,stellio manibus nititur et moratur in aedibus regis4 ,prov4 #cj v4 #bh--,migale1 et chamaeleon1 et stellio1 et lacerta1 et talpa4 ,levit4 #aa--v4 #cj4 ,pag4 #ai4 ,nas margens do ,kedron a ra grasnando ,a torrente de ,kedron1 que passa entre ,jerusalem e o monte ,olivete1 ao oriente da cidade1 scca inteiramente no estio1 e no hynverno as suas aguas so torvas e avermelhadas4 ,d'ahi o seu nome1 que sa como--torrente da tristeza--4 ,alguem lhe chamou--torrente dos cedros1 tomando a palavra hebraica ,kedron pelo plural grego ,kedron4 ,pag4 #ai4 ,o vate de ,anathoth ,jeremias era natural de ,anathoth cidade sacerdotal na ,tribu de ,benjamim4--,verba ,jeremiae filii ,helciae1 de sacerdotibus qui fuerunt in ,anathoth1 in terra ,benjamim4 ,jer4 #a--a4 ,pag4 #ai4 ,entre o povo infiel1 de ,eloha em nome ,eloha ou ,elah--,nome de ,deus em hebraico1 ou antes chaldaico1 e palavra asss commum na ,biblia4 ,o auctor do ,genesis usa do plural ,elohim ou ,elahim para significar1 ora o ,deus uno1 ora os deuses dos pagos4 ,consulte-se ,volney1 ,recherches sur l'histoire ancienne4 ,cap4 #ag4 ,pag4 #ai4 ,inspirra ,moyss ,alluso ao cantico depois da passagem do mar roxo4 ,pag4 #bj4 ,a ,lamentao4 ,quomodo sedet sola civitas plena populo6--,facta est quasi vidua ,domina ,gentium3 princeps provinciarum facta est sub tributo4 ,plorans ploravit in nocte1 et lachrymae ejus in maxillis ejus3 non est qui consoletur eam ex omnibus caris ejus3 omnes amici ejus spreverunt eam1 et facti sunt ei inimii4 ,viae ,sion lugent1 e quod non sint1 qui veniant ad solemnitatem3 omnes portae ejus destructae3 sacerdotes ejus gementes3 virgines ejus squallidae1 et ipsa oppressa amaritudine4 ,threni c4 #a--v4 #a--b--d4 ,omnis populus ejus gemens1 et quaerens panem3 dederunt pretiosa quaeque piro cibo ad refocilandum animam4 ,c4 #a--v4 #aa4 ,a ,egypto dedimus manum1 et ,assyriis ut saturaremur pane4 ,oratio ,jerem4 #f4 ,jacuerunt in terra foris puer1 et senex4 ,threni c4--v4 #ba4 ,manus mulierum misericordium coxerunt filios suos3 facti sunt cibus earum in contritione filiae populi mei4 ,thren4 #d4--v4 #aj4 ,recordare ,domine quid acciderit nobis3 intuere et respice opprobrium nostrum4 ,haereditas nostra versa est ad alienos2 domus nostrae ad extraneos4 ,servi dominati sunt nostri3 non fuit qui redimeret de manu eorum4 ,quare in perpetuum oblivisceris noatri8 derelinques nos in longitudine dierum8 ,orat4 ,jer4 v4 #a--b--h--aj4 ,pag4 #bb4 ,bem como aquella que atterrou um mpio4 ,baltasar rex facit grande convivium optimatibus suis mille2 et unusquisque secundm suam bibebat aetatem4 ,praecepit ergo jam temulentus ut afferrentur vasa aurea et argentea1 quae asportaverat ,nabuchodonosor pater ejus de templo1 quod fuit in ,jerusalem1 ut biberent in eis rex et optimates ejus1 uxoresque ejus1 et concubinae4 ,tunc allata sunt vasa aurea et argentea1 quae asportaverat de templo1 quod fuerat in ,jerusalem3 et biberunt in eis rex1 et optimates ejus1 uxores et concubinae illius4 ,bibebant vinum el laudabant deos suos aureos1 et argenteos1 aereos1 terreos1 ligneosque et lapideos4 ,in eadem hora aparuerunt digiti1 quasi manus hominis scribentis contra candelabrum in superficie parietis aulae regiae3 et rex aspiciebat articulos manus scribentis4 ,tunc facies regis commutata est1 et cogitationes ejus conturbabant eum2 et compages renum ejus solvebantur1 et genua ejus ad se invicem collidebantur4 ,haec est autem scriptura1 quae digesta est3 ,mane1 ,thecel1 ,phares4 ,et haec est interpretatio sermonis3 ,mane3 numeravit ,deus regnum tuum et complevit illud4 ,thecel3 appensus es in statera1 et inventus es minus habens4 ,phares3 divisum est regnum tuum1 et datum est ,medis1 et ,persis4 ,danielis ,proph4 c4 #e--v4 #a a #f--be a #bh4 ,pag4 #bc4 ,hoje1 campo de lagrymas1 s cria ,humilde musgo de escalvados cerros4 ,varios passos1 cem vezes citados1 de ,tacito e de outros escriptores gravissimos da antiguidade1 nos provam que a ,judea foi um paiz feracissimo4 ,os viajantes modernos no-la descrevem como uma regio arida e inculta4 ,o despotismo1 que ha seculos tem opprimido a ,syria1 e a rapacidade dos arabes2 so em grande parte causa da aniquilao da agricultura na ,palestina2 porm a sua esterilidade no se pde attribuir1 por certo1 a uma causa politica4 ,os sectarios do ,crucificado no podem deixar de vr neste phenomeno os effeitos da maldico de ,deus sobre a terra que bebeu o sangue do ,filho do ,homem4 ,pag4 #bc4 ,ide vs a ,mambr3 ,o valle de ,mambr estava situado juncto de ,kariath-,arb ,hebron na tribu de ,judah1 e ao ,meio-dia de ,jerusalem4 ,o carvalho ou terebintho de ,abraho1 que1 segundo o testemunho de ,s4 ,jeronymo1 ainda existia no tempo de ,constantino1 o tornava notavel4 cerca desta arvore clebre existem muitas tradies entre os ,judeus2 e at para os christos dos primeiros seculos era o valle de ,mambr um logar de devoo e romagem4 ,sozomeno nos descreve o ,valle de ,terebintho como um sitio de festivas reunies1 e foi a sua narrao quem suscitou este pedao de ,poema4 ,pag4 #bc4 na primavera ,vinham os moos adornar-lhe o tronco ,aqui em ,mambr ha um logar que hoje chamam ,terebintho1 distante de ,chebron1 que lhe fica ao meio-dia1 #ae stadios1 e de ,jerusalm quasi #bej4--,os habitantes deste sitio1 no tempo do estio1 fazem uma feira a que concorrem os vizinhos do valle1 e ainda povos mais remotos1 como os ,palestinos1 os ,arabes1 e os ,phenicios4 ,sozom4 ,histor4 ,eccles4 ,pag4 #bd4 ,no ,golgotha plantada a cruz clamra ,o monte ,golgotha ou ,calvario foi o logar onde crucificaram ,j4 ,c4--,esta palavra significa3 ,logar onde repousam os craneos dos mortos4 ,pag4 #bd4 ,no ,moriah sentou-se3 ,o monte ,moriah1 onde estava o templo de ,salomo1 levantava-se no meio de ,jerusalem1 e ficava-lhe ao norte o monte ,sion4 ,diz-se que neste logar estivera ,abraho para sacrificar seu filho4--,calmet ,diction4 ,a ,,harpa ,,do ,,crente4 ,,tentativas ,,poeticas ,,pelo ,,auctor ,,da ,,voz ,,do ,,propheta4 ,,segunda ,,serie4 ,,lisboa--#ahch ,,na ,,typ4 ,,da ,,sociedade ,,propagadora ,,dos ,,conhecimentos ,,uteis4 ,rua direita do ,arsenal--n4 #ee4 99,a ,arrabida499 ,a ,,rodrigo ,,da ,,fonseca ,,magalh,,es1 ,,ornamento ,,da ,,tribuna ,,portugueza1 ,em testemunho da sincera amizade1 ,offerece o ,auctor4 ,a ,arrabida4 #ahcj4 ,i4 ,salve1 oh valle do sul1 saudoso e bello6 ,salve1 oh terra de paz1 deserto sancto1 ,onde no chega o sussurrar das turbas6 ,slo sagrado a ,deus1 podesse o bardo ,ser um dos teus1 e no voltar ao mundo6 ,,ii4 ,suspira o vento no alamo frondoso2 ,as aves soltam matutino canto2 ,late o lebreu na encosta1 e o mar sussurra ,nos rochedos da concava bahia3 ,eis o ruido de ermo6--,ao longe o negro1 ,insondado oceano1 e o ceu ceruleo ,se abraam no horizonte3 immensa imagem ,da eternidade e do infinito1 salve6 ,,iii4 ,oh1 como surge magestosa e bella1 ,com vio da creao1 a naturesa1 ,no solitario valle6--,e o leve insecto1 ,e a relva1 e os matos1 e a fragrancia pura ,das boninas da encosta esto contando ,mil saudades de ,deus1 que os ha lanado1 ,com mo profusa1 no regao ameno ,da solido1 onde se esconda o justo4 ,e l campeam no alto das montanhas ,os escalvados pincaros1 severos1 ,quaes guardadores de um logar que sancto3 ,atalaias que ao longe o mundo observam1 ,cerrando at o mar o ultimo abrigo ,da crena viva1 da orao piedosa1 ,que se ergue a ,deus de labios innocentes4 ,sobre esta scena o sol verte em torrentes ,da manhan o claro2 a brisa esvae-se ,por esses matos de alecrim flordo1 ,embalsamando o ar de brando aroma3 ,o roco da noite rosa agreste ,no seio derramou frescor suave1 ,e 'inda existencia lhe dar um dia6 ,formoso ermo do sul1 outra vez1 salve6 ,,iv4 ,negro1 esteril rochedo1 que contrastas1 ,na mudez tua1 o placido sussurro ,das arvores do valle1 que verdecem1 ,ricas d'encantos1 co'a estao propicia2 ,suavissimo aroma1 que manando ,das variegadas flores1 derramadas ,na sinuosa encosta da montanha1 ,do altar da solido subindo aos ares1 s digno incenso ao ,creador erguido2 ,livres aves1 vs filhas da espessura1 ,que s teceis da natureza os hymnos2 ,o que cr1 o cantor1 que foi lanado1 ,estranho ao mundo1 no bulicio delle1 ,vem saudar-vos1 sentir um goso puro1 ,dos homens esquecer paixes e opprobrio1 ,e vr1 sem ver-lhe a luz prestar a crimes1 ,o sol1 e uma s vez pura saudar-lha4 ,comvosco eu sou maior3 mais longe a mente ,pelos seios dos cus se immerge livre1 ,e se desprende de mortaes memorias ,na solido solemne1 onde1 incessante1 ,em cada pedra1 em cada flor se escuta ,do ,sempiterno a voz1 e v-se impressa ,a dextra sua em multiforme quadro4 ,v4 ,escalvado penedo1 que repousas ,l no cimo do monte1 ameaando ,ruina s matas de alecrim e murta1 ,que nesta encosta ondeam1 meneadas ,pelo vento do sul1 foste j lindo1 ,j te cubriram cespedes virentes2 ,mas o tempo voou1 e nelle involta ,a tua formosura3 as grossas chuvas1 ,despedidas das nuvens1 se arrojaram ,sobre ti1 oh rochedo1 arrebatando ,a terra e o vio1 que te ornava o cimo4 ,eis-te n esqueleto6--o sol queimou-te3 ,tua alvura passou3 to negro s hoje1 ,quanto de mar erguido escuras vagas4 ,cveira da montanha1 ossada immensa1 tua campa o ceu3 sepulchro o valle ,um dia te ser4 ,quando sentires ,rugir com som medonho a terra ao longe1 ,na expanso dos volces1 e o mar bramindo1 ,lanar praia vagalhes cruzados2 ,tremer-te a larga base1 e sacudir-te ,do vasto dorso1 o fundo deste valle ,te ve servir de tumulo3 e os carvalhos ,do mundo primogenitos1 e os freixos1 ,arrastados por ti l da collina1 ,comtigo ho-de jazer4--,de novo a terra ,te cubrir o dorso sinuoso3 ,outra vez sobre ti nascendo os lyrios1 ,do seu puro candor ho-de adornar-te3 ,e tu1 ora medonho1 e n1 e triste1 ,ainda bello sers1 vestido e alegre4 ,mais que o homem feliz6--,quando eu no valle ,dos tumulos cair2 quando uma pedra ,os ossos me esmagar1 se me fr dada1 ,no mais reviverei3 no mais meus olhos ,vero o pr do sol1 em dia estivo1 ,se em turbilhes de purpura1 que ondeam ,pelo extremo dos cus sobre o occidente1 ,ve provar que um ,deus ha a estranhos povos1 ,e alem das ondas tremulo sumir-se2 ,nem1 quando1 l do cimo das montanhas1 ,com torrentes de luz inunda as veigas3 ,nem mais verei o refulgir da lua ,no irrequieto mar1 na paz da noite1 ,por horas em que vla o criminoso1 ,a quem ntima voz rouba o socego1 ,e em que o justo descana1 ou1 solitario1 ,ergue ao ,senhor um hiymno harmonioso4 ,,vi4 ,hontem1 sentado n'um penhasco1 e perto ,das aguas1 ento qudas1 do oceano1 ,eu tambem o louvei1 sem ser um justo3 ,e meditei--e a mente extasiada ,deixei correr pela amplido das ondas4 ,como abrao materno1 era suave ,a aragem fresca do car das trvas1 ,em quanto1 involta em gloria1 a clara lua ,sumia em seu fulgor milhes d'estrellas4 ,tudo calado estava3 o mar somente ,as harmonias da creao soltava1 ,em seu rugido2 e o freixo do deserto ,se agitava1 gemendo e murmurando1 ,ante o sopro de oeste3--alli dos olhos ,o pranto me correu1 sem que o sentisse1 ,e aos ps de ,deus se derramou minha alma4 ,,vii4 ,oh1 que viesse o que no cr1 comigo1 vecejante ,arrabida1 de noite1 ,e se assentasse aqui sobre estas fragas1 ,escutando o sussurro incerto e triste ,das movedias ramas1 que povoa ,de saudade e de amor nocturna brisa2 ,que visse a lua1 o espao oppresso de astros1 ,e ouvisse o mar soando3--elle chorra1 ,qual eu chorei1 as lagrymas do goso1 ,e adorando o ,senhor detestaria ,de uma sciencia van seu vo orgulho4 ,,viii4 aqui neste valle1 ao qual no chega ,humana voz e o tumultuar das turbas1 ,onde o nada da vida sonda livre ,o corao1 que busca ir abrigar-se ,no futuro1 e debaixo do amplo manto ,da piedade de ,deus3 aqui serena ,vem a imagem da campa1 como a imagem ,da patria ao desterrado3 aqui1 solemne1 ,brada a montanha1 memorando a morte4 ,essas penhas1 que1 l no alto da encosta1 ,negras1 despidas1 dormem solitarias1 ,parecem imitar da sepultura ,o aspecto melancholico1 e o repouso ,to desejado do que em ,deus confia4 ,bem semelhante paz1 que se ha sentado ,por seculos1 alli1 nas serranias1 o silencio do adro1 onde reunem ,os cyprestes e a cruz o cu e a terra4 ,como tu vens cercado de esperana1 ,para o innocente1 oh placido sepulchro6 ,juncto das tuas bordas pavorosas ,o perverso reca horrorisado3 ,aps si volve os olhos2 na existencia ,deserto rido s descobre ao longe1 ,onde a virtude no deixou um trilho4 ,mas o justo chegando meta extrema1 ,que separa de ns a eternidade1 ,transpoem-a sem temor1 e em ,deus exulta4 ,o infeliz e o feliz l dormem ambos1 ,tranquillamente3 e o trovador mesquinho1 ,que peregrino vagueou na terra1 ,sem encontrar um corao de fogo1 ,que o entendesse1 a patria de seus sonhos1 ,ignota1 por l busca2 e quando as eras ,vierem juncto s cinzas collocar-lhe ,tardios louros1 que escondra a inveja1 ,elle no erguer a mo mirrada1 ,para os cingir na regelada fronte4 ,justia1 gloria1 amor1 saudade1 tudo1 ,ao p da sepultura1 som perdido ,de harpa eolia esquecida em brenha ou selva3 ,o despertar um pae1 que saborea1 ,entre os braos1 da morte o extremo somno1 ,j no dado ao filial suspiro3 ,em vo o amante1 alli1 da amada sua ,de rosas sobre a c'roa debruado1 ,rega de amargo pranto as murchas flores ,e a fria pedra3 a pedra sempre fria1 ,e para sempre as flores se murcharam1 ,,ix4 ,bello ermo6 eu hei-de amar-te1 em quanto est'alma1 ,aspirando o futuro alm da vida1 ,e um halito dos ceus1 gemer1 atada columna do exilio1 a que se chama1 ,em lingua vil e mentirosa1 o mundo4 ,eu hei-de amar-te1 oh valle1 como um filho ,dos sonhos meus4 ,a imagem do deserto ,guarda-la-hei no corao1 bem juncto ,com minha f1 meu unico thesouro4 ,qual pomposo jardim de verme illustre1 ,chamado rei ou nobre1 ha-de comtigo ,comparar-se1 oh deserto8--,aqui no cresce ,em vaso de alabastro a flor captiva1 ,ou arvore educada1 por mo do homem1 ,que lhe diga3 s escrava3 e erga um ferro1 ,e lhe decepe os troncos4 ,como livre ,a vaga do oceano1 livre no ermo ,a bonina rasteira1 e o freixo altivo3 ,no lhes diz3 nasce aqui1 ou l no cresas3 ,humana voz4 ,se baqueou o freixo1 ,deus o mandou2 se a flor pendida murcha1 que o rocio no desceu de noite1 ,e da vida o ,senhor lhe nega a vida4 ,ceu livre1 terra livre1 e livre a mente1 ,paz ntima1 e saudade1 mas saudade ,que no doe1 que no mirra1 e que consola ,so as riquezas do ermo1 onde sorriem ,das procellas do mundo os que o deixaram4 ,ahi1 na branda encosta1 hontem de noite1 ,alvejava por entre as azinheiras ,do solitario a habitao tranquilla3 ,e eu vagueei por l3 patente estava ,o pobre alvergue do eremita humilde1 ,onde jazia o filho da esperana1 ,sob as azas de ,deus1 luz dos astros1 ,em leito1 duro sim1 no de remorsos1 ,oh1 com quanto socego o bom do velho ,dormia6--,a leve aragem lhe ondeava ,as raras cas na fronte1 onde se lia ,a bella historia de passados annos4 ,de alto choupo atravez passava um raio ,da lua--astro de paz1 astro que chama ,os olhos para o ceu1 e a ,deus a mente-- ,e em luz pallida as faces lhe banhava3 ,e talvez neste raio o ,pae celeste ,da patria eterna lhe enviava a imagem1 ,que o sorriso dos labios lhe fugia1 ,como se um sonho de ventura e gloria ,na terra de antemo o consolasse4 ,e eu comparei o solitario obscuro ,ao inquieto filho das cidades2 ,comparei o deserto silencioso ,ao perptuo ruido que sussurra ,pelos palacios do abastado e nobre1 ,pelos paos dos reis2 e condo-me ,do corteso suberbo1 que s cura ,de honras1 haveres1 gloria1 que se compram ,com maldices e perennal remorso4 ,gloria6--,a sua qual 8--,pelas campinas1 ,cubertas de cadaveres1 regadas ,de negro sangue1 elle segou seus louros2 ,louros que vo cingir-lhe a fronte altiva1 ,ao som do choro da viuva1 e do orpham2 ,ou1 dos sustos senhor1 em seu delirio1 ,os homens--seus irmos--flagella e opprime4 ,l o filho do p se julga um nume1 ,porque a terra o adorou3 o desgraado ,pensa1 talvez1 que o verme dos sepulchros ,nunca se ha-de chegar1 para traga-lo1 ,ao banquete da morte1 imaginando ,que uma lagem de marmore1 que esconde ,o cadaver do grande1 mais duravel ,do que esse cho sem inscripo1 sem nome1 ,por onde o oppresso1 o misero1 procura ,o repouso1 e se atira aos ps do throno ,do ,omnipotente1 a demandar justia ,contra os fortes do mundo--os seus tyrannos4 ,x4 ,oh cidade1 cidade1 que trasbordas ,de vicios1 de paixes1 e de amarguras6 ,tu l ests1 na tua pompa involta1 ,suberba prostituta1 alardeando ,os theatros1 e os paos1 e o ruido ,das carroas dos nobres1 recamadas ,de ouro e prata1 e os praseres de uma vida ,tempestuosa1 e o tropear contnuo ,dos frvidos ginetes1 que alevantam ,o p e o lodo corteso das praas2 ,e as geraes corruptas de teus filhos ,l se revolvem1 qual monto de vermes ,sobre um cadaver putrido6--,cidade1 ,branqueado sepulchro1 que misturas ,a opulencia1 a miseria1 a dr e o goso1 ,honra1 infamia1 pudor1 e impudicicia1 ,ceu e inferno1 que s tu8--,escarneo ou gloria ,da humanidade8--,o que o souber que o diga6 ,bem negra avulta aqui1 na paz do valle1 ,a imagem desse povo1 que reflue ,das moradas rua1 praa1 ao templo1 ,que a noite sorve1 e que vomita o dia1 ,que ri1 e chora1 e folga1 e geme1 e morre1 ,que adora ,deus1 e que o pragueja1 e o teme2 ,absurdo mixto de baixesa extrema ,e de extrema ousadia2 vulto enorme1 ,ora aos ps de um vil despota estendido1 ,ora surgindo1 e arremessando ao nada ,as memorias dos seculos que foram2 ,e depois sobre o nada adormecendo4 ,v-lo1 rico de opprobrio1 ir assentar-se ,em joelhos1 nos atrios dos tyrannos1 ,onde1 entre o lampejar de armas de servos1 ,o servo popular adora um tigre8 ,esse tigre o idolo do povo6 ,saudae-o2 que elle o manda3 abenoae-lhe ,o ferreo sceptro3 ide folgar em roda ,de cadafalsos1 povoados sempre ,de victimas illustres1 cujo arranco ,seja como harmonia1 que adormente1 ,em seus terrores1 o senhor das turbas4 ,passae depois4 ,se a mo da ,providencia ,esmigalhou a fronte tyrannia2 ,se o dspota cau1 e est deitado ,no lodaal da sua infamia1 a turba ,l vai buscar o sceptro dos terrores1 ,e diz-- meu--2 e assenta-se na praa2 ,e involta em roto manto1 e julga e reina4 ,se um mpio1 ento1 na affogueada boca ,de volco popular sacode um facho1 ,eis o incendio que muge1 e a lava sobe1 ,e referve1 e trasborda1 e se derrama ,pelas ruas alm3 clamor retumba ,de anarchia impudente1 e o brilho de armas ,pelo escuro transluz1 como um presagio ,de assolao2 e se amontoam vagas ,desse mar d'abjeco1 chamado o vulgo2 ,desse vulgo1 que ao som de infernaes hymnos1 ,cava fundo da ,patria a sepultura1 ,onde1 abraando a gloria do passado ,e do futuro a ultima esperana1 ,as esmaga comsigo1 e ri morrendo4 ,tal s cidade1 licenciosa ou serva6 ,outros louvem teus paos sumptuosos1 ,teu ouro1 teu poder3--sentina impura ,da corrupo1 eu no serei teu bardo6 ,,xi4 ,cantor da solido1 eu me hei sentado ,juncto do verde cespede do valle2 ,e a paz de ,deus do mundo me consola4 ,avulta aqui1 e alveja1 entre o arvoredo1 ,um pobre conventinho4 ,homem piedoso ,o alevantou ha seculos1 passando1 ,como orvalho do ceu1 por este sitio1 ,de virtudes depois to rico e fertil4 ,como um pae de seus filhos rodeado1 ,pelos matos do outeiro o vo cercando ,os tugurios de humildes eremitas1 ,onde o cilicio e a compunco apagam ,da lembrana de ,deus passados erros ,do peccador1 que reclinou a fronte ,penitente no p4 ,o sacerdote ,dos remorsos lhe ouviu as amarguras2 ,e perdoou-lhe1 e consolou-o em nome ,do que espirando perdoava1 o ,justo ,que entre os humanos no achou piedade4 ,religio6 do misero conforto1 ,abrigo extremo de alma1 que ha mirrado ,o longo agonisar de uma saudade1 ,da deshonra1 do exilio1 ou da injustia1 ,tu consolas aquelle1 que ouve o verbo1 ,que renovou o corrompido mundo1 ,e que mil povos pouco a pouco ouviram4 ,nobre1 plebeu1 dominador1 ou servo1 ,o rico1 o pobre1 o valoroso1 o fraco1 ,da desgraa no dia ajoelharam ,no limiar do solitario templo4 ,ao p desse portal1 que veste o musgo1 ,encontrou-os chorando o sacerdote1 ,que da serra descia meia-noite1 ,pelo sino das preces convocado3 ,ahi os viu ao despontar do dia1 ,sob os raios do sol1 ainda chorando4 ,passados mezes1 o burel grosseiro1 ,o leito de cortia1 e a fervorosa ,e contnua orao foram cerrando ,nos coraes dos miseros as chagas1 ,que o mundo sabe abrir1 mas que no cura4 ,aqui1 depois1 qual halito suave ,da primavera1 lhes correu a vida1 ,at sumir-se no adro do convento1 ,debaixo de uma lagem tosca e humilde1 ,sem nome1 nem palavra1 que recorde ,o que a terra abrigou no somno extremo4 ,eremiterio antigo1 oh se podesses ,dos annos que l vo contar a historia2 ,se ora1 voz do cantor1 possivel fosse ,transsudar desse cho1 gelado e mudo1 ,o mudo pranto1 em noites dolorosas1 ,por naufragos do mundo derramado ,sobre elle1 e aos ps da cruz6444 se vs podesseis1 ,broncas pedras1 fallar1 o que dirieis6 ,quantos nomes mimosos da ventura1 ,convertidos em fabula das gentes1 ,despertariam o eccho das montanhas1 ,se aos negros troncos do sobreiro antigo ,mandasse o ,eterno sussurrar a historia ,dos que vieram desnudar-lhe o cepo1 ,para um leito formar1 onde velassem ,da magoa1 ou do remorso as longas noites6 ,aqui veio talvez buscar asylo ,um poderoso1 outr'ora anjo da terra1 ,despenhado nas trvas do infortunio3 ,aqui1 talvez1 gemeu o amor trahido1 ,ou pela morte convertido em cancro ,de infernal desespero3 aqui soaram ,do arrependido os ultimos gemidos1 ,depois da vida derramada em gosos1 ,depois do goso convertido em tedio4 ,mas quem foram8--,na terra1 onde deixaram ,suas vestes mortaes1 nenhum vestigio ,resta dos nomes seus4--,e isso que importa1 ,se ,deus os viu2 se as lagrymas dos tristes ,elle contou1 para as pagar com gloria8 ,ainda em curvo outeiro1 ao fim da senda1 ,que dos montes alm conduz ao valle1 ,sobre o marco de pedra a cruz se eleva1 ,como um pharol de vida1 em mar de escolhos3 ,ao christo infeliz acolhe no ermo1 ,e consolando-o1 diz-lhe3 a patria tua l no ceu3--abraa-te comigo3 ,juncto della esses homens1 que passaram ,acurvados na dr1 as mos ergueram ,para o ,deus1 que perdoa1 e que conforto ,dos que aos ps deste symbolo da esp'rana ,vem derramar seu corao afflicto3 do deserto a historia a cruz e a campa2 ,e sobre tudo o mais pousa o silencio4 ,,xii4 ,feliz da terra1 os monges no maldigas2 ,do que em ,deus confiou no escarneas6-- ,folgando segue a trilha1 que ha juncado1 ,para teus ps1 de flores a fortuna1 ,e sobre a morta crena1 em paz descana4 ,que mal te faz1 que goso vae roubar-te ,o que ensanguenta os ps nas bravas urzes1 ,e sobre a fria pedra encosta a fronte8 ,que mal te faz uma orao erguida1 ,nas solides1 por voz sumida e frouxa1 ,e que1 subindo aos cus1 s ,deus escuta8 ,oh1 no insultes lagryimas alheias1 ,e deixa a f ao que no tem mais nada6444 ,e se estes versos te contristam--rasga-os4 ,teus menestreis te vendero seus hymnos1 ,nos banquetes opiparos1 em quanto ,o negro po repartir comigo1 ,seu trovador1 o pobre anachoreta1 ,que no te inveja as ditas1 como aos bardos ,do prazer dissoluto eu no invejo ,essas cras1 que s vezes cingem frontes1 ,onde1 por baixo1 se escreveu--,infamia6-- 99,a ,voz499 ,a ,voz4 to suave ess'hora1 ,em que nos foge o dia1 ,e em que suscita a lua ,das ondas a ardentia2 ,se em alcants marinhos ,nas rochas assentado1 ,o trovador medita1 ,em sonhos enleiado6 ,o mar azul se encrespa ,co' a vespertina brisa1 ,e no casal da serra ,a luz j se divisa4 ,e tudo em roda cala1 ,na praia sinuosa1 ,salvo o som do remanso1 ,quebrando em furna algosa4 ,alli folga o poeta ,nos desvarios seus2 ,e nessa paz que o cerca ,bemdiz a mo de ,deus4 ,mas despregou seu grito ,a alcyone gemente1 ,e nuvem pequenina ,ergueu-se no occidente2 ,e sbe1 e cresce1 e immensa1 ,nos ceus negra fluctua1 ,e o vento das procellas ,j varre a fraga nua4 ,turba-se o vasto oceano1 ,com horrido clamor3 ,do vagalho nas ribas ,expira o vo furor4 ,e do poeta a fronte ,cubriu vu de tristesa3 ,partiu-se luz do raio ,seu hymno naturesa4 ,feia alma lhe vagava ,um negro pensamento1 ,da alcyone ao gemido1 ,ao sibillar do vento4 ,era blasphema ida1 ,que triumphava em fim3 ,mas voz soou ignota1 ,que lhe dizia assim3 ,cantor1 esse queixume ,da nuncia das procellas1 ,e as nuvens1 que te roubam ,myriadas de estrellas2 ,e o fremito dos euros1 ,e o estourar da vaga1 ,na praia1 que revolve1 ,na rocha1 onde se esmaga2 ,onde espalhava a brisa ,sussurro harmonioso1 ,em quanto do ether puro ,descia o sol radioso1 ,typo da vida do homem1 do universo a vida2 ,depois do afan repouso1 ,depois da paz a lida4 ,se ergueste a ,deus um hymno ,em dia de amargura2 ,se te amostraste grato ,nos dias de ventura1 ,seu nome no maldigas1 ,quando se turba o mar3 ,no ,deus1 que pae1 confia1 ,do raio ao scintilar4 ,elle o mandou3--a causa ,disso o universo ignora-- ,e mudo est3--seu nume1 ,como o universo1 adora6 99 99 99 99 99 ,oh sim3 torva blasphemia ,no manchar seu canto6 ,brama procella embora2 ,pese sobre elle o espanto2 ,que de su' harpa os hymnos ,derramar o bardo1 ,aos ps de ,deus1 qual oleo ,de recendente nardo4 ,lea da ,palmeira #ahce 99,a ,victoria e a ,piedade499 ,a ,victoria e a ,piedade4 ,eu nunca fiz soar meu canto humilde ,nos paos dos senhores3 ,eu jmais consagrei hymno mentido ,da terra aos oppressores4 ,mal haja o trovador que vae sentar-se porta do abastado1 ,o qual com ouro paga a alha infamia1 ,o cantico aviltado4 ,o filho das canes1 da gloria o bardo ,no manchou o alaude2 ,o ingenho seu ha consagrado ,patria2 ,seu canto da virtude4 ,ingenho6--dom dos ceus1 consolo ao triste ,nos dias de afflico1 ,qual solto vento em areal deserto1 ,livres teus cantos so4 ,no despontar da vida1 do infortunio ,murchou-me o sopro ardente3 ,pela terra natal1 na flor dos dias1 ,eu suspirei ausente4 ,o solo do desterro1 ah1 quanto ingrato para o foragido2 ,ennevoado o ceu2 arido o prado2 ,o rio adormecido6 ,eu l chorei1 na idade da esperana1 ,da patria a dura sorte3 ,esta alma encaneceu2--e antes de tempo ,ergueu hymnos morte4 ,e que infeliz ha hi1 a quem no ria ,da sepultura a imagem8 ,alli que se afferra o porto amigo1 ,depois de ardua viagem4 ,mas1 quando o pranto me queimava as faces1 ,o pranto da saudade1 ,deus escutou dos profugos as preces1 ,teve de ns piedade4 ,armas6--bradaram do desterro os filhos3 ,bem-disse-os o ,senhor3 ,e vencer ou morrer juncto com elles ,jurou o trovador4 ,pelas vagas do mar correndo affoutos1 gloria nos votmos2 ,e1 nos campos nataes1 pendo invicto ,os livres1 ns1 plantmos4 ,fanatismo1 ignorancia1 odio fraterno2 ,de fogo cus toldados2 ,a fome1 a peste1 o mar avaro1 as hostes ,de innumeros soldados2 ,um futuro sem raio de esperana2 ,ouvir o vo lamento ,de infante1 a vida incerta conduzido ,por mo do soffrimento2 ,comprar com sangue o po1 com sangue o fogo ,em regelado inverno2 ,eis contra o que1 por mezes de amargura1 ,nos fez luctar o inferno4 ,mas constancia e valor tudo ha vencido3 ,ganhou-se eterna gloria2 ,e dos tyrannos apesar1 colhemos ,os louros da victoria4 ,tea-se1 pois1 o cantico subido ,aos fortes vencedores4 ,livres somos6--,sumiram-se qual fumo ,da ,patria os oppressores4 ,sobre essa encosta1 sobranceira aos campos1 ,de sangue ainda impuros1 ,onde o canho troou1 por mais de um anno1 ,contra invenciveis muros1 ,eu1 tomando o alade1 irei sentar-me2 ,pedir inspiraes ,a amiga noite1 o genio que me ensina ,suavissimas canes4 ,reina em silencio a lua1 o mar no brame1 ,os ventos nem bafejam44444 ,mas que ossadas so estas1 que na encosta1 ,aqui e alli1 alvejam8 ,esses8--,so ossos vs1 que no resguarda ,o sussurrar da gloria2 ,herdeiros s das maldices das gentes1 ,das maldices da historia3 ,so os restos dos homens1 que luctaram1 ,valentes no seu crime1 ,contra ns1 contra a mo da ,providencia1 ,que os maus derruba e opprime4 ,mas quem por padro que aos evos conte1 ,seus feitos derradeiros6 ,quem dir--aqui dormem portuguezes2 ,aqui dormem guerreiros--8 ,quem vir na alta noite erguer por elles ,resas de salvao8 ,quem ousar pedir para o vencido ,um ai de compaixo8 ,viro1 acaso1 alevantar seus filhos ,o pranto solitario1 ,pelo que lhes legou de avs o nome ,involto em vil sudario8 ,ser a esposa1 que lhes cubra as cinzas ,com orao piedosa8 ,no6--nenhuma ousar dizer1 chorando1 ,eu fui do escravo esposa4 ,ser a amante8--,em tremedaes a pura ,rosa nascer no sabe3 ,a mais bella paixo no de servos2 ,vil goso s lhes cabe4 ,de me o amor tentra1 unicamente1 ,sobre os corpos gelados1 ,vir chorar a esperana1 em flor colhida1 ,de seus annos cansados3 ,mas o espanto lh'o veda1 e o rouco grito ,do rude velador2 ,da noite os medos2 de armas1 j sem donos1 ,nas trvas o esplendor4 ,quem1 pois1 consolar gementes sombras1 ,que ondeam juncto a mim8 ,quem seu perdo da ,patria implorar ousa1 ,seu perdo de ,elohim8 ,eu3--o christo3--o trovador do exilio1 ,contrario em guerra crua1 ,mas que no sei cuspir o fel da affronta ,sobre uma ossada nua4 ,o misero pastor desceu dos montes1 ,abandonando o gado1 ,para as armas vestir1 dos cus em nome1 ,por phariseus chamado4 ,de um ,deus de paz hypocritas ministros ,os tristes enganaram3 ,foram elles1 no ns1 que estas caveiras ,aos vermes consagraram4 ,maldicto sejas tu1 monstro do inferno1 ,que do ,senhor no templo1 ,a virtude insultando1 ao crime incitas1 ,ds do furor o exemplo6 ,sobre os restos da ,patria1 tu bem creste ,folgar de nosso mal1 ,e1 sobre as cinzas de cidade illustre1 ,soltar riso infernal4 ,tu1 no teu corao insipiente1 ,disseste--,deus no ha6-- ,elle existe1 malvado6--e ns vencemos3 ,treme4444 que tempo j4 ,mas esses1 cujos ossos espalhados ,no campo da peleja ,jazem1 exoram a piedade nossa2 ,piedoso o livre seja6 ,eu pedirei a paz dos inimigos1 ,mortos como valentes1 ,ao ,deus nosso juiz1 ao que distingue ,culpados de innocentes4 ,perdoou1 expirando1 o ,filho do ,homem ,aos seus perseguidores3 ,perdo1 tambem1 s cinzas de infelizes6 ,perdo--oh vencedores6 ,no insulteis o morto4 ,elle ha comprado ,bem caro o esquecimento1 ,vencido adormecendo em morte ignobil1 ,sem dobre ou monumento4 ,que resta aos desditosos8--,somno eterno1 ,da ,patria a maldico1 ,a justia de ,deus1 tremenda1 ignota1 ,e a humana execrao4 ,mas ns1 saibamos esquecer os odios ,de guerra lamentavel2 generoso o forte1 e deixa ao fraco ,o ser inexoravel4 ,oh1 perdo para aquelle1 a quem a morte ,no seio agasalhou6 ,elle mudo3--pedi-lo j no pde2 ,o da-lo a ns deixou4 ,da lei a espada puna o criminoso1 ,que v a luz dos cus3 ,o que legou terra o p da terra1 ,julga-lo cabe a ,deus4 ,e vs1 meus companheiros1 que no vistes ,nossa inteira victoria1 ,no precisaes do trovador o canto2 ,vosso nome da historia4 ,eu do vencido consolei a sombra2 ,eu perdoei por vs4 ,filhos da infamia os desgraados eram2 ,ricos de gloria ns4 ,porto--,agosto de #ahcc ,,nota4 ,este fragmento1 que segue1 e que servir para intelligencia dos precedentes versos1 pertence a um livro j todo escripto no entendimento1 mas de que s alguns capitulos esto trasladados ao papel4 ,a guerra da restaurao de #ahcb a #ahcc o acontecimento mais espantoso e mais poetico deste ,seculo4 ,entre os soldados de ,d4 ,pedro havia poetas3 militava comnosco o ,auctor de ,d4 ,branca1 do ,cames1 de ,joo ,minimo2 o ,sr4 ,lopes de ,lima1 e outros3 mas a politica engodou todos os ingenhos1 e levou-os comsigo4 ,os homens de bronze1 os sete mil de ,mindello no tiveram um cantor2 e apenas eu1 o mais obscuro de todos1 salvei em minha humilde prosa1 uma diminuta poro de tanta riquesa poetica4 ,oxal que esse mesmo trabalho1 ainda que de pouca valia1 no fique esmagado e sumido debaixo do ,leviathan da politica4 ,todos ns temos vendido a nossa alma ao espirito immundo do ,jornalismo4 ,e o mais que poucos conhecem uma cousa3 que polilica de poetas vale1 por via de regra1 tanto como poesia de politicos4 ,fragmento4 ,o combate da antevespera estava ainda vivo na minha imaginao3 eu cria vr ainda os cadaveres dos meus amigos e camaradas1 espalhados ao redor do fatal reducto1 em que estava assentado3 ainda me soavam nos ouvidos o seu clamor de enthusiasmo ao accommette-lo1 o sibillar das ballas1 o grito dos feridos1 o som das armas caindo-lhes das mos1 o gemido doloroso e longo da sua agonia1 o estertor de moribundos1 e o arranco final do morrer4 ,os dentes me rangeram de clera1 e a lagryma envergonhada de soldado me escorregou pelas faces4 ,o ,porto estava descercado2 mas quantos valentes cairam nesse dia6 ,eu ia amaldioar os cadaveres dos vencidos1 que ainda por ahi jaziam2 porm pareceu-me que elles se alevantavam e me diziam3--,lembra-te de que tambem fomos soldados3 lembra-te de que fomos vencidos6--,e eu bem sabia que inferno lhes devia ter sido1 no momento de expirarem1 as idas de soldado e de vencimento1 conglobadas n'uma s1 como tremenda e indelevel ignominia1 estampada na fronte do que ia transpor os umbraes do outro mundo4 ,ento ore a ,deus por elles3 antes de irmo de armas eu tinha sido christo2 e ,jesu-,christo perdora1 entre as affrontas da ,cruz1 aos seus assassinos4 ,a ida de perdo parecia me consolava da perda de tantos e to valentes amigos4 ,havia nessa ida torrentes de poesia2 e eu te devi ento1 oh crena do ,evangelho1 talvez a melhor das minhas pobres canes4 7,da ,minha ,mocidade--,poesia e ,meditao ,cap44447 ,a ,,harpa ,,do ,,crente4 ,,tentativas ,,poeticas ,,pelo ,,auctor ,,da ,,voz ,,do ,,propheta4 ,,terceira ,,serie4 ,,lisboa--#ahch ,,na ,,typ4 ,,da ,,sociedade ,,propagadora ,,dos ,,conhecimentos ,,uteis4 ,rua direita do ,arsenal--n4 #ee4 99,deus499 ,deus4 ,nas horas do silencio-- meia-noite-- ,eu louvarei o ,eterno6 ,ouam-me a terra1 e os mares rugidores1 ,e os abysmos do inferno4 ,pela amplido dos cus meus cantos soem1 ,e a lua prateada ,pare no gyro seu1 em quanto pulso ,esta harpa1 a ,deus sagrada4 ,antes de tempo haver1 quando o infinito ,media a eternidade1 ,e s do vacuo as solides enchia ,de ,deus a immensidade1 ,elle existiu--em sua essencia involto2 ,e1 fra delle1 o nada3 ,no seio do ,creador a vida do homem ,estava ainda guardada3 ,ainda ento do mundo os fundamentos ,na mente se escondiam ,do ,omnipotente1 e os astros fulgurantes ,nos cus no se volviam4 ,eis o ,tempo1 o ,universo1 o ,movimento ,das mos se do ,senhor3 ,surge o sol1 banha a terra1 e desabrocha ,uma primeira flor3 ,sobre o invisivel eixo range o globo3 ,o vento o bosque onda3 ,retumba ao longe o mar3 da vida a fora ,a naturesa anca6 ,quem1 dignamente1 oh ,deus1 ha-de louvar-te1 ,ou cantar teu poder8 ,quem dir de ,teu brao as maravilhas1 ,fonte de todo o ser1 ,no dia da creao2 quando os thesouros ,da neve amontoaste2 ,quando da terra nos mais fundos valles ,as aguas encerraste86 ,e eu onde estava1 quando o ,eterno os mundos1 ,com dextra poderosa1 ,fez1 por lei immutavel1 se librassem ,na mole ponderosa8 ,onde existia ento8 ,no typo immenso ,das geraes futuras2 ,na mente do meu ,deus4 ,louvor a ,elle ,na terra e nas alturas6 ,oh1 quanto grande o ,rei das tempestades1 ,do raio1 e do trovo6 ,quo grande o ,deus1 que manda1 em secco estio1 ,da tarde a virao6 ,por sua ,providencia nunca1 embalde1 ,zumbiu minimo insecto2 ,nem volveu o elephante1 em campo esteril1 ,os olhos1 inquieto4 ,no deu ,elle avezinha o gro da espiga1 ,que ao ceifador esquece2 ,do norte ao urso o sol da primavera1 ,que o reanima e aquece8 ,no deu ,elle gazella amplos desertos1 ,ao cervo o bosque ameno1 ,ao flamingo os paues1 ao tigre um antro1 ,no prado ao touro o feno6 ,no mandou ,elle ao mundo1 em lucto e trvas1 ,consolao e luz8 ,acaso1 em vo1 algum desventurado ,curvou-se aos ps da cruz8 ,a quem no ouve ,deus8 ,smente ao mpio1 ,no dia da afflico1 ,quando pesa sobre elle1 por seus crimes1 ,do crime a punio4 ,homem1 ente immortal1 que s tu perante ,a face do ,senhor8 s a juna do brejo1 harpa quebrada ,nas mos do trovador6 ,olha o negro pinheiro1 campeando ,dos ,alpes entre a neve3 ,quem arranca-lo de seu throno ousra1 ,quem destruir-lhe a seve8 ,ninguem6 ,mas ai do abeto1 se o seu dia ,extremo ,deus mandou6 ,l correu o aquilo3 fundas raizes ,aos ares lhe assoprou4 ,suberbo1 sem temor1 sau na margem ,do caudaloso ,nilo1 ,o corpo monstruoso ao sol voltando1 ,medonho crocodilo4 ,de seus dentes em roda o susto mra3 ,v-se a morte assentada ,dentro em sua garganta1 se descerra ,a boca affogueada4 ,qual duro arnez de intrepido guerreiro seu dorso escamoso2 ,como os ultimos ais de um moribundo ,seu grito lamentoso3 ,fumo e fogo respira quando irado3-- ,porm1 se ,deus mandou1 ,qual do norte impellida a nuvem passa1 ,assim elle passou6 ,teu nome ousei cantar6--,perdoa1 oh ,nume2 ,perdoa ao teu cantor6 ,dignos de ti no so meus frouxos cantos2 ,mas so cantos de amor4 ,embora vs hypocritas te pintem ,qual barbaro tyranno2 ,mentem1 por dominar1 com ferreo sceptro1 ,o vulgo cego e insano4 ,quem os cr um mpio6--,arrecear-te maldizer-te1 oh ,deus3 o throno dos despotas da terra ,ir collocar nos cus4 ,eu1 por mim1 passarei entre os abrolhos ,dos males da existencia ,tranquillo1 e sem terror1 sombra posto ,da tua ,providencia4 ,plymouth--,setembro de #ahca4 99,a ,tempestade499 ,a ,,ant,,nio ,,feliciano ,,de ,,castilho4 ,alma affinada pelas harpas de anjos2 ,rei das canes--entenders meu hymno6 ,o ,auctor4 ,a ,tempestade4 ,sibilla o vento3--os torrees de nuvens ,pesam nos densos ares3 ,ruge ao largo a procella1 e encurva as ondas ,pela extenso dos mares3 ,a immensa vaga ao longe vem correndo1 ,em seu terror involta2 ,e1 d'entre as sombras1 rapidas centelhas ,a tompestade slta4 ,do sol1 no occaso1 um raio derradeiro1 ,que1 apenas fulge1 morre1 ,escapa nuvem1 que1 appressada e espessa1 ,para apaga-lo corre4 ,tal nos affaga em sonhos a esperana1 ,ao despontar do dia1 ,mas1 no acordar1 l vem a consciencia ,dizer que ella mentia4 ,as ondas negro-azues se conglobaram2 ,serras tornadas so1 ,contra as quaes outras serras1 que se arqueam1 ,bater1 partir-se vo4 ,oh tempestade6--eu te saudo6 oh nume1 ,da naturesa aoite6 ,tu guias os bulces1 do mar princesa2 ,e teu vestido a noite6 ,quando no pinheiral1 entre o granizo1 ,ao sussurrar das ramas1 ,vibrando sustos1 pavorosa ruges1 ,e assolao derramas1 ,quem porfiar comtigo1 ento1 ousara ,da gloria e poderio2 ,tu que fazes gemer pendido o cedro1 ,turbar-se o claro rio8 ,quem me dera ser tu1 por balouar-me ,das nuvens nos castellos1 ,e vr dos ferros meus1 em fim1 quebrados ,os rebatidos los6 ,eu rodera1 ento1 o globo inteiro3 ,eu sublevra as aguas3 ,eu dos volces1 com raios accendra ,amortecidas frguas3 ,do robusto carvalho e sobro antigo ,accurvaria as frontes2 ,com furaces1 os areaes da ,lybia ,converteria em montes3 ,pelo fulgor da lua1 l do norte ,no polo me assentra1 ,e vra prolongar-se o gelo eterno1 ,que o tempo amontora4 ,alli eu solitario1 eu rei da morte1 ,ergura meu clamor1 ,e dissera3 sou livre1 e tenho imperio3 ,aqui1 sou eu senhor6 ,quem se poder erguer1 como estas vagas1 ,em turbilhes incertos2 ,e correr1 e correr--troando ao longe-- ,nos liquidos desertos6 ,mas entre membros de lodoso barro ,a mente presa est64444 ,ergue-se em vo aos cus3--precipitada1 ,rapido1 em baixo d4 ,oh morte6--amiga morte6-- sobre as vagas1 ,entre escarceus erguidos1 ,que eu te invoco1 pedindo-te feneam ,meus dias aborridos3 ,quebra duras prises1 que a naturesa ,lanou a esta alma ardente2 ,que ella possa voar1 por entre os orbes1 ,aos ps do ,omnipotente3 ,sobre a nau1 que me estreita1 a prenhe nuvem ,desa1 e estourando a esmague2 ,e a grossa proa1 dos tufes ludibrio1 ,solta1 sem rumo vague6 ,porm1 no6--,dormir deixa os que me cercam ,o somno do existir3 ,deixa-os2 vos sonhadores de esperanas ,nas trvas do porvir4 ,dce me do repouso--extremo abrigo ,de um corao oppresso-- ,que ao ligeiro prazer1 dor canada ,negas no seio accesso1 ,no despertes--oh no--os que abominam ,teu amoroso aspeito2 ,febricitantes1 que se abraam1 loucos1 ,com seu dorido leito6 ,tu1 que ao misero ris com rir to meigo1 ,calumniada morte2 ,tu1 que entre os braos teus lhe ds azilo ,contra o furor da sorte2 ,tu que esperas s portas dos senhores2 ,do servo ao limiar2 ,e eterna corres1 peregrina1 a terra1 ,e as solides do mar1 ,deixa1 deixa sonhar ventura os homens2 ,j filhos teus nasceram3 ,um dia acordaro desses delirios1 ,que to gratos lhes eram4 ,e eu1 que vlo na vida1--e j no sonho1 ,nem gloria1 nem ventura2 ,eu1 que esgotei to cedo1 at as fezes1 ,o calis da amargura2 ,eu1 vagabundo e pobre1 e aos ps calcado ,de quanto ha vil no mundo1 ,morrer sentindo inspiraes de bardo1 ,do corao no fundo2 ,sem achar sobre a terra uma harmonia ,de alma1 que a minha entenda2 ,porque seguir1 curvado ante a desgraa1 ,esta espinhosa senda8 ,torvo o oceano vae6--,qual dobre soa ,fragor da tempestade2 ,psalmo de mortos1 que retumba ao longe2 ,grito da eternidade64444 ,pensamento infernal6--,fugir cobarde ,ante o destino iroso8 ,lanar-me1 involto em maldices celestes1 ,no abysmo tormentoso8 ,nunca6--,deus poz-me aqui para apurar-me ,nas lagrymas da terra2 ,guardarei minha estancia attribulada1 ,com meu desejo em guerra4 ,o fiel guardador ter seu premio1 ,o seu repouso1 em fim2 ,e atalaiar o sol de um dia extremo ,vir outro apoz mim4 ,herdarei o morrer6--,como suave ,beno de pae querido1 ,ser o despertar2 vr meu cadaver1 ,vr o grilho partido4 ,um consolo1 entretanto1 resta ainda ,ao pobre velador3 ,deus lhe deixou1 nas trvas da existencia1 ,doce amisade e amor4 ,tudo o mais ,sepulchro1 branqueado ,por embusteira mo2 ,tudo o mais vos prazeres1 que s trazem ,remorso ao corao4 ,passarei minha noite a luz to meiga1 ,at o amanhecer2 ,at que suba patria do repouso1 ,onde no ha morrer4 ,a bordo da ,juno1 na ,bahia da ,biscaya--,maro de #ahec4 99,o ,soldado499 ,o ,soldado4 ,i4 ,veia tranquilla e pura ,do meu paterno rio3 ,dos campos1 que elle rega1 ,mansissimo armentio3 ,roco matutino3 ,prados tao deleitosos3 ,valles1 que assombram selvas ,de sinceiraes frondosos3 ,terra da minha infancia3 ,tecto de meus maiores3 ,meu breve jardimzinho3 ,minhas pendidas flores3 ,harmonioso e sancto ,sino do presbyterio3 ,cruzeiro venerando ,do humilde cemiterio1 ,onde os avs dormiram1 ,e dormiro os paes2 ,onde eu talvez no durma1 ,nem rese1 talvez1 mais3 ,eu vos sado6--,e o longo ,suspiro amargurado ,vos mando4-- quanto pde ,mandar pobre soldado4 ,sobre as cavadas ondas ,dos mares procellosos1 ,por vs j fiz soar ,meus cantos dolorosos4 ,na proa resonante ,eu me assentava mudo1 ,e aspirava ancioso ,o vento frio e agudo2 ,porque em meu sangue ardia ,a febre da saudade1 ,febre que s minora ,sopro de tempestade2 ,mas que se irrita1 e cresce1 ,quando tranquillo o mar2 ,quando da ,patria o cu ,cu puro vem lembrar1 ,quando1 l no occidente1 ,a nuvem vaporosa ,a frouxa luz da tarde ,tinge de cr de rosa2 ,quando1 qual globo em brasa1 ,o sol vermelho crece1 ,e paira sobre as aguas1 ,e em fim desapparece2 ,quando no mar se estende ,manto de negro d2 ,quando ao quebrar do vento1 ,noite e silencio s2 ,quando sussurram meigas ,ondas que a nau separa1 ,e a rapida ardentia ,em torno a sombra aclara4 ,,ii4 ,eu j ouvi1 de noite1 ,no pinheiral fechado1 ,um fremito soturno ,passando o vento irado3 ,assim o murmurio ,do mar1 fervendo pra1 ,com o gemer do afflicto1 ,sumido1 accorde soa3 ,e o scintillar das aguas ,gera amargura e dr1 ,qual lampada1 que pende ,no templo do ,senhor1 ,l pela madrugada1 ,se o oleo lhe escaca1 ,e a espaos expirando1 ,affrouxa e bruxula4 ,,iii4 ,bem abundante messe ,de pranto1 e de saudade1 ,o foragido errante ,colhe na soledade6 ,para o que a patria perde o universo mudo2 ,nada lhe ri na vida2 ,mra o fastio em tudo2 ,no meio das procellas2 ,na calma do oceano2 ,no sopro do galerno1 ,que enfuna o largo panno2 ,e no entestar co'a terra ,por abrigado esteiro2 ,e no pousar sombra ,do tecto do estrangeiro4 ,e essas memorias tristes ,minha alma laceraram2 ,e a senda da existencia ,bem agra me tornaram3 ,porm nem sempre ferreo ,foi meu destino escuro2 ,sulcou de luz um raio ,as trvas do futuro3 ,do meu paiz querido ,a praia ainda beijei2 ,e o velho castanheiro ,no valle ainda abracei6 ,nesta alma regelada ,surgiu ainda o goso2 ,e um sonho lhe sorriu ,fugaz1 mas amoroso4 ,oh1 foi sonho da infancia ,desse momento o sonho6 ,paz e esperana vinham ,ao corao tristonho4 ,mas o sonhar que monta ,se passa1 e no conforta8 ,minh'alma deu em terra1 ,como se fosse morta1 ,foi a esperana nuvem1 ,que o vento some tarde4 ,facho de guerra acceso ,em labaredas arde6 ,do fratricidio a luva ,irmo a irmo lanra2 ,e o grito3 ai do vencido6 ,nos montes retumbra4 ,as armas se ho cruzado3 ,o p mordeu o forte3 ,caiu3 dorme tranquillo3 ,deu-lhe repouso a morte4 ,ao menos1 nestes campos ,sepulchro conquistou2 ,e o adro do estrangeiro ,seus ossos no tragou4 ,elle herdar1 ao menos1 ,aos seus honrado nome3 ,paga de curta vida ,ser-lhe-ha largo renome4 ,,iv4 ,e a balla sibillando1 ,e o trom da artilharia1 ,e a tuba clamorosa1 ,que os peitos accendia2 ,e as ameaas torvas1 ,e os gritos de furor1 ,e desses1 que expiravam1 ,som cavo de estertor2 ,e as pragas do vencido1 ,do vencedor o insulto1 ,e a palidez do morto1 ,nu1 sanguento1 insepulto1 ,eram um chos de dores1 ,em convulso horrivel1 ,sonho de accesa febre1 ,scena tremenda e incrivel6 ,e suspirei3--nos olhos ,me borbulhava o pranto2 ,e a dor1 que trasbordava1 ,pediu-me infernal canto4 ,oh1 sim6--maldisse o instante1 ,em que buscar viera1 ,por entre as tempestades1 ,a terra em que nascra4 ,que 1 em fraternas lides1 ,um canto de victoria8 um prazer mesquinho2 triumphar sem gloria4 ,maldicto era o triumpho1 ,que rodeava o horror1 ,que me tingia tudo ,de sanguinosa cr6 ,ento olhei saudoso ,para o sonoro mar2 ,da nau do vagabundo ,meigo me riu o arfar4 ,de desespero um brado ,soltou1 impio1 o poeta4 ,perdo6--chegra o misero ,da desventura meta4 ,v4 ,terra infame6--de servos aprisco1 ,mais chamar-me teu filho no sei3 ,desterrado1 mendigo serei2 ,de outra terra meus ossos sero6 ,mas a escravo1 que pugna por ferros1 ,que herdar s maldicta memoria1 ,renegando da terra sem gloria1 ,nunca mais darei nome de irmo6 ,largo o mundo ahi 'st ante o livre2 ,que este mundo a patria do forte3 ,sobre os plainos gelados do norte1 ,luz do sol tambem mana do cu3 ,tambem l se erguem montes1 e o prado ,de boninas1 em maio1 se veste2 ,tambem l se mena um cypreste ,sobre o corpo que terra desceu6 ,que me importa o carvalho da encosta8 ,que me importa da fonte o ruido8 ,que me importa o saudoso gemido ,da rollinha sedenta de amor8 ,que me importam outeiros cubertos ,da verdura da vinha1 no estio8 ,que me importa o remanso do rio1 ,e1 na calma1 da selva o frescor8 ,que me importa o perfume dos campos1 ,quando passa de tarde a bafagem1 ,que se embebe1 na sua passagem1 ,na fragrancia da flor do alecrim8 ,que me importa8 ,pergunta do inferno6 meu bero6--,a minh'alma est l6 ,que me importa84444 esta boca o dir86 ,maldico1 maldico sobre mim6 ,combatamos6--,o ferro se cruze1 ,assobie o pelouro nos ares2 ,estes campos convertam-se em mares1 ,onde o sangue se possa beber6 ,larga a valla6--que1 apoz a peleja1 ,ns e elles seremos unidos6 ,l1 vingados1 e do odio esquecidos1 ,paz faremos4444 depois do morrer6 ,,vi4 ,assim1 entre amarguras1 ,me delirava a mente6-- ,e o sol a fugindo ,no termo do occidente4 ,e os fortes l jaziam ,co'a face ao cu voltada2 ,sorria a noite aos mortos1 ,passando socegada4 ,porm1 a noite delles ,no era a que passava6 ,na eternidade a sua ,corria1 e no findava4 ,contrarios ainda ha pouco1 ,irmos em fim l eram6 ,o seu thesouro de odio1 ,mordendo o p1 cederam4 ,no limiar da morte1 ,assim tudo fenece6 ,inimisades callam1 ,e at o amor esquece6 ,meus dias rodeados ,foram de amor outr'ora2 ,e nem um vo suspiro ,terei1 morrendo1 agora3 ,nem o apertar da dextra ,ao desprender da vida3 ,nem lagryma fraterna ,sobre a feral jazida4 ,meu derradeiro alento ,no colhero os meus8 ,por minha alma atterrada ,quem pedir a ,deus8 ,ninguem6--,aos ps o servo ,meus restos calcar2 ,e o riso do despreso ,vaidoso soltar4 ,o sino luctuoso1 ,no lembrar meu fim3 ,preces1 que o morto affagam1 ,no se erguero por mim6 ,o filho dos desertos1 ,o lobo carniceiro ,ha-de escutar alegre ,meu grito derradeiro6 ,oh morte6--o somno teu ,s somno mais largo3 ,porm1 na juventude1 o dormi-lo amargo4 ,quando na vida nasce ,essa mimosa flor1 ,como a cecem suave1 ,delicioso amor3 ,quando a mente accendida ,cr na ventura e gloria3 ,quando o presente tudo1 inda nada a memoria2 ,deixar a cara vida1 ,ento1 doloroso2 ,e o moribundo terra ,lana um olhar saudoso4 ,a taa da existencia ,no fundo fezes tem2 ,mas os primeiros tragos ,doces--bem doces--vem4 ,e eu morrerei agora1 ,sem abraar os meus1 ,sem jubiloso um hymno ,alevantar aos cus8 ,morrer6--,e isso que importa8 ,final suspiro1 ouvi-lo ,ha-de a patria4 ,na terra ,eu dormirei tranquillo4 ,dormir8--,s dorme o frio ,cadaver1 que no sente2 ,a alma va1 e se abriga ,aos ps do ,omnipotente4 ,tambem eu para o throno ,accorrerei do ,eterno3 ,crimes no so meu dote2 ,erros no pune o inferno4 ,e vs entes queridos1 ,entes que tanto amei1 ,dando-vos liberdade ,contente acabarei4 ,por mim livres chorar ,vs podereis um dia1 ,e s cinzas do soldado ,erguer memoria pia4 ,porto--,julho de #ahcb4 99,d4 ,pedro499 ,d4 ,pedro4 ,pela encosta do ,libano1 rugindo1 ,o nto furioso ,passou um dia1 arremessando terra ,o cedro mais frondoso2 ,assim te sacudiu da morte o sopro ,do carro da victoria1 ,quando1 ebrio de esperanas1 tu sorrias1 ,filho caro da gloria4 ,se1 depois de procella em mar de escolhos1 ,a combatida nave ,v terra e o vento abranda1 o porto aferra1 ,com jubilo suave4 ,tambem tu demandaste o cu sereno1 ,depois de uma ardua lida3 ,deus te chamou3--o premio recebeste ,dos meritos da vida4 ,que esta8 ,um ermo de espinhaes cortado1 ,d'onde foge o prazer3 ,para o justo ella existe alm da campa3 ,teme o mpio o morrer4 ,plante-se a acacia1 o symbolo do livre1 ,juncto s cinzas do forte3 ,elle foi rei--e combateu tyrannos-- ,chorae1 chorae-lhe a morte6 ,regada pelas lagrymas de um povo1 ,a planta crescer2 ,e sombra della a fronte do guerreiro ,placida pousar4 ,essa fronte das ballas respeitada1 ,agora a traga o p3 ,do valente1 do bom1 do nosso ,amigo ,restam memorias s2 ,mas estas1 entre ns1 com a saudade ,perennes vivero1 ,em quanto1 voz de patria e liberdade1 ,ancear um corao4 ,nas orgias de ,roma1 a prostituta1 ,folga1 vil oppressor3 ,folga com os hypocritas do ,tibre2 ,morreu teu vencedor4 ,involto em maldices1 em susto1 em crimes ,fugiste1 desgraado3 ,elle1 subindo ao cu1 ouviu s queixas1 ,e um choro no comprado3 ,encostado na borda do sepulchro1 ,o olhar atraz volveu1 ,as suas obras contemplou passadas1 ,e em paz adormeceu3 ,os teus dias tambem sero contados1 ,covarde foragido2 ,mas ser de remorso tardo e inutil ,teu ultimo gemido3 ,do passamento o calis lhe adoaram ,uma filha1 uma esposa3 ,quem1 tigre cru1 te cercar o leito1 ,n'essa hora pavorosa8 ,deus1 tu s bom3--e o virtuoso em breve ,chamas ao goso eterno1 ,e o mpio deixas saciar de crimes1 ,para o sumir no inferno8 ,alma gentil1 que assim nos has deixado1 ,entregues alta dr1 ,anjo das prces nos sers1 perante ,o throno do ,senhor3 ,e quando1 c na terra1 o poderoso ,as ,leis aos ps calcar1 ,juncto do teu sepulchro ir o oppresso ,seus males deplorar2 ,assim1 no ,oriente1 de ,alboquerque s cinzas ,o desvalido indiano ,mais de uma vez foi demandar vingana ,de um despota inhumano4 ,mas quem ousra patria tua e nossa ,curvar nobre cerviz8 ,quem roubar ao lusitano povo ,um povo ser feliz8 ,ninguem6 ,por tua gloria os teus soldados ,juram livres viver4 ,ai do tyranno que primeiro ousasse ,do voto escarnecer6 ,n'esse abrao final1 que nos legaste1 ,legaste o genio teu3 ,aqui--no corao--ns o guardmos2 ,teu genio no morreu4 ,jaz em paz3 essa terra1 que te esconde1 ,o monstro abominado ,s pisar ao baquear sobre ella ,teu ultimo soldado4 ,eu tambem combati3--nas patrias lides ,tambem colhi um louro3 ,o prantear o ,companheiro extincto ,no me ser desdouro4 ,para o ,sol do ,oriente outros se voltem1 ,calor e luz buscando3 ,que eu pelo bello ,sol1 que jaz no occaso1 ,c ficarei chorando4 ,porto--,novembro de #ahcd4