,,c>los ,,p>reira ,,santa ,,rita ,,p9tor 3,,9-,,memoriam3 ,,mcmxix ,compo/o e impresso na ,impr5sa de ,manuel ,lucas ,torres ,rua d ,di>io de ,noticias1 #ei a #fa--,lisboa ,,c>los ,,p>reira ,,santa ,,rita ,,p9tor 3,,9-,,memoriam3 ,,mcmxix ,,guilh]me ,,de ,,santa ,,rita ,maquete em t]ra-cota ,guilh]me de ,santa ,rita1 que o despeito c>aba de um jornal1 no peixe-e-c>ne de um dos seus m5us necrologicos1 apo/ila jogralm5te de um dos mais entusia/icos cultores d'essa coisa a que se *ama p>a ahi o futurismo1--,guilh]me de ,santa ,rita era por d5tro e por fra um ,arti/a1 um repres5tante legitimo d'essa especie de exilados1 sempre f]ido pelo gume das c\sas circundantes1 sobrepair&o numa atmosf]a de ab/res e desd5s1 ao mesmo tempo flhos e complexos1 argila e *amma1 que a ,vida pulv]iza1 como z creanz malignas z azas das borboletas4 ,com a sua figura grcilm5te exangue de fim de raa1 com a sua voz que ora p>ecia t] remorsos de fal>--voz de himoptise1 a ext+uir-se2 ora fazia p>> na rua1 no mosaico dum caf1 no simulacro de gruta dum hall de exposies1 onde c]tos visitantes vo e veem como peixes mortos boi&o flr d'agua duma pisc9a1--fazia det]1 com timbres angulosos de cri/aes a p>tir-se1 anatomias rum9antes de bons-s5hores eff>s2 com o seu p]fil de caule em que z &a9as-sacos de kappelmei/] maniaco1 ac9tosam5te mal aprumadas1 evocavam c]imoniaes my/icos de catafalco2 com os seus cabelos dum ca/anho tranzido de escuro1 dir-se-iam molhados sobre a fronte dum palr de camelia branca1 como aves da noite que congelassem contra uma e/atua de ephebo num j>dim2 com os seus ge/os hip]9quietos1 e/rid5tes1 *>ivricos1 ilu/r&o os dialogos com a v]tigem dum ,claude ,monet fix&o na tla o bailado loe-full]esco dos tons2--,santa ,rita era a demon/rao viva1 a contraprova faiscante de/e a=ismo de ,baudelaire3 on peat vivre trois j\rs sans pa91 mais on ne peut pass] um j\r sans posie4 ,quem uma vez tocasse o tub]naculo da sua intimidade1 aceitasse o convite que elle cavalheirescam5te fazia p>a um passeio d',arte por entre z acacias da ,av5ida1 nalgum ent>dec] de lca de ,flor5a ou1 s noites1 qu&o os v5tos ullam os seus leit-motivos de pavor1 =osam5te havia de reconhec] que calcurreava a p> d'alguem muito dif]5te d homo vulg>is1 saco de comida que ,v9ci lanou s f]as dos seus s>casmos teognicos e n'e/e paiz dos ceus de porcelana1 patria bem amada da mesmice1 os ari/os das letras re$itam2 d'alguem que nos dom9ios da ,emoo e d ,p5sam5to os fados sagr>am gran-s5hor e que era como uma antna plurivibratil1 haluc9atoria1 aonde pr5diam todos os fios de todas z exquisitezes da s5sibilidade mod]na4 ,nota d ,transcritor3 ,aqui surge uma fotografia de ,santa ,rita ,p9tor4 ,,santa ,,rita ,,p9tor ,,cli* ,,p$ro ,,lima ,,/udio ,,av5ida ,,da ,,lib]dade ,elle era1 como quase todos os espiritos in$itos1 um intoxicado d',arte1 possesso da necessidade de drapej> aos quatro v5tos a tox9a que o esp]ecia4 ,razo porque muitos dos seus conhecidos o a*avam extravagante1 biz>ro e manife/avam ante a sua expansibilidade radiosa o espanto col]ico da mosca que no pode atravess> a placa flamejante dum vitral e no sabe porqu4 ,que fsse possivel exi/ir quem nesse asylo da m5dicidade que 1 em ,lisba1 a *amada roda dos intelectuaes1 e/alactites de caf1 onde a sua intelig5cia1 uma vez ou outra condesc5dia em ap>ec]1 talvez p>a se docum5t> sobre no sei que humori/ica compilao dos usos e co/umes dos fsseis1--que fsse possivel exi/ir quem1 entre os sup]iores e ideali/as1 disp5sasse la posie nas #bd horas *loroticas ou conge/ivas d dia-a-dia1 eis contra que ,santa ,rita prote/ava com z mais agudas das suas int]jeies1 agit&o em elypses de mfa os longos d$os piciolados de viol9i/a tisico1 os seus d$os de ba l9hagem1 *eios de expresso1 vozeantes d'alma1 feitos1 como os de ,jean ,lorra91 p>a o ritual lum9ico das joias444 ,e nada mais div]tido d que assi/ir ento aos es=os dos sapos t5t&o alc&or>-se aos cimos em que o meu qu]ido p9tor goticisava vos4 ,ine/imaveis melh>ucos de sonetos lusitanos1 po$res mecanicos de v]sos colori/as1 mais ignorantes d que caval>ios1 qu]5do vr no analfabetismo a m>ca da orig9alidade e com desd5s de gu>das-portes pelos que e/udam2 prosadores de noticias d'annos2 p9turrcos sem paleta1 que en*em os godets1 qu&o muito de anil9a2 rod9s de f>9ha triga1 que qu&o fazem bonzos pret5dem que os aceitmos como bronzes e qu&o contornam musculos sug]em ap5as meias-gravidezes444 ah1 como toda e/a companha de surdos-mudos d espirito1 se no ad]gava conv5c-lo de que no disp5sava o tal ideal1 tirava depois a fem9il v+ana1 trat&o-o de maluco e de lunatico1 em conciliabulos de ma/9s6 ,guilh]me de ,santa ,rita e/ud\ em ,p>is como p5sioni/a d ,e/ado1 tag>ela um ganim$es de folha d'alface4 ,p>ab5s1 seu compadre6 ,deix\ ,santa ,rita1 como p9tor1 alguma obra de peso1 um consid]avel quadro1 uma insexual po*ade1 a famosa maqu9a pictural1 em summa1 de horroroso e/ylo pompi]1 que tanto repugnava sua apurada e/esia e p>a cuja execuo o ,e/ado o p5sionava8 ,no1 amigos4 ,de re/o1 disp]sava =a neurica demais em projectos m>avilhosos1 em concepes imprevi/as1 em imag9aes falhantes p>a pod] mat]ialis> o que projectava1 o que concebia1 o que imag9ava4 ,diz ali1 na m9ha e/ante1 o ,homem de g5io obscuro1 de ,fialho3 ,entre a intrepidez dos meus ideaes arti/icos e a mesqu9h>ia dos meus recursos picturaes1 ha um abysmo de impot5cia de que no qu]o d> prova aos meus contemporaneos4 ,e ouo a voz de ,osc> ,wilde1 seu viz9ho de prateleira1 a respond]-lhe1 com esse ge/o de des5canto apol9eo1 to p]v]so1 que punha azas de grifo no lirismo azul dos seus olhos3 ,v\lez-v\s savoir1 de>1 le gr& drame de ma vie8--,c'e/ que j'ai mis mon gnie dans ma vie2 je n'ai mis que mon tal5t dans mes uvres4 ,o seu culto entusia/ico por essa coisa a que se *ama p>a ahi o futurismo6 ,encantadoras irrev]5cias da inepcia6 99 99 99 99 99 ,uma noite1 na brass]ie d ,l>go de ,santa ,ju/a1 esp]avamos ambos1 com duas cons]vadoras *av5as de caf1 v] surgir a silhueta em95tem5te c>act]i/ica d ,f]n&o ,pessa1 em que se ju/apem e quase se int]scionam bem inequivocas rem9isc5cias da velha ,mademoiselle1 da ,g]m9ie ,lac]teux e d ,adri5 ,sixte1 de ,b\rget4 ,santa ,rita1 fixos em mim1 anciosam5te1 os seus olhos de p$ra preciosa1 t9ha-me revelado j a sua adorao pelo futuri/a hespanhol ,picassso2 esse ,bonap>te da rclame1 gr&e indu/rial d ,g5io2 de ,sev]9i1 de ,boccioni1 de ,russolo1 d seu admiravel quadro ,a ,revolta1 v]dadeira epopeia p>oxi/ica d ,movim5to1 toda em l9has-=z de uma int5sidade jamais egualada1 de ,rob]t ,delaunay e das suas plan*es to ruivam5te russies2 das pr$ileces futuri/as1 evid5tes no ultimo livro d'essa bac*ante scnica de ,d',annunzio1 ,=se *e si1 =se *e no1 duma fantasia rica de tapete d',ori5te444 ,eu1 que lra na vesp]a os manife/os de ,m>9etti1 extasiava-me ante a frase celebre1 ar*etypica desse rapsd presci5te d ,hoje d9amico da ,arte3 ,um automovel de aluguel mais =moso que a ,victoria de ,samotracia4 ,mas ,f]n&o ,pessa no ap>ecia a d>-nos o bonbon fondant da sua conv]sa1 to eleganciada de flexuosidades m5taes1 p]spectiv&o ceus typhicos de inauditismos1 como a dum ,walt] ,pat] que praticasse a horoscopia444 ,j na desp$ida3--at manh--1 um de ns lanou o nome de ,paul ,czanne1 o precursor odiado e vilep5diado4 ,meu pobre ,santa ,rita6 ,ne/e mom5to em que t5to em vo1 com a gr$a das palavras1 esculpir o teu p]fil na memoria dos que te e/im>am e procuro1 p>a o complet>1 na gal]ia dolorosa dos teus ,antepassados d ,p9cel1 um equival5te d teu espirito e da tua emoo1-- o nome de ,paul ,czanne que pronuncio4 ,como elle1 ,*ri/o resignado d insuccesso1 vjo-te morr5do1 na ante-manh da exi/5cia1 entre os *ascos v]melhos da canalha4 ,maio de #aiah4 ,c>los ,p>reira4 ,,portugalia--,,editora ,,lisboa--#gc1 ,,rua ,,d ,,c>mo1 #ge --,,rio ,,de ,,janeiro--,,rua ,,bu5os ,,aires1 #adf