,library of ,portugal 7,biblioteca ,nacional de ,portugal747 ,christovam ,ayres ,manuel da ,maya e os engenheiros militares portugueses no ,terremoto de #agee ,com os retratos de ,manuel da ,maya1 ,carlos ,mardel e ,j4 ,frederico ,ludovici ,,lisboa ,imprensa ,nacional #aiaj ,christovam ,ayres ,manuel da ,maya e os engenheiros militares portugueses no ,terremoto de #agee ,com os retratos de ,manuel da ,maya1 ,carlos ,mardel e ,j4 ,frederico ,ludovici ,,lisboa ,imprensa ,nacional #aiaj benemerita corporao dos engenheiros portugueses1 militares e civis ,consagra ,christovam ,ayres ,,manuel ,,da ,,maya ,e ,,os ,,engenheiros ,,militares ,,portugueses ,,no ,,terremoto ,,de #agee ,interessante no estudo relativo ao seculo ,,xiii ver1 embora summariamente1 o papel que tiveram os nossos engenheiros militares na restaurao da cidade de ,lisboa1 aps o terremoto de #agee1 sobretudo o engenheiro-mor ,manuel da ,maya e os que mais directamente foram incumbidos dos monumentaes trabalhos1 que honram a engenharia portuguesa4 ,na ,revista da ,sociedade de ,instruco do ,porto 7vol4 ,,ii1 #ahhb1 pag4 #bga7 a eminente escritora ,d4 ,carolina ,michalis de ,vasconcellos1 tratando da impresso que na ,allemanha produzira esse memoravel terremoto1 refere-se a tres estudos que1 logo em seguida1 apresentou o grande philosopho ,kant1 e que se ligam com outra obra mais consideravel por elle publicada no mesmo anno3 ,allgemeine ,naturgeschichte und ,theorie des ,himmels4 ,d'esses tres estudos1 o segundo o que mais nos interessa2 porque descreve o terremoto1 trata das suas causas physicas1 e sobre elle faz consideraes scientificas de grande alcance2 e a illustre escritora1 dando noticia do seu conteudo1 observa3 ,lendo este estudo de ,kant acudiu-nos memoria aquella carta1 cheia de bom senso1 que ,gil ,vicente mandou de ,santarem a ,el-,rei ,d4 ,joo ,,iii estando ,sua ,alteza em ,palmella1 sobre o tremor de terra que foi a #bf de janeiro de #aeca4 ,o philosopho allemo leva a vantagem ao poeta nacional#a quanto a saber o ponto de vista critico2 entre um e outro ha dois seculos de estudos scientificos2 mas o nosso ,gil ,vicente no lhe fica atrs na inteireza do juizo e verdade do sentimento4 provavel que as numerosas relaes contemporaneas sobre o terremoto1 que ,kant teve vista1 no fossem todas igualmente fieis2 comtudo1 o philosopho1 armado com uma sciencia superior1 positiva1 e com um criterio elevado1 soube distinguir claramente entre os casos impossiveis1 inventados1 e as verdades provaveis1 tomando estas para base dos seus estudos4 ,teria o grande ,marqus de ,pombal1 na epoca em que delineava o novo plano de ,lisboa1 noticia do seguinte importante conselho do illustre philosopho3 que as arterias das grandes cidades ameaadas no se devem construir paralelas s vias fluviaes 7isto 1 emquanto a ,lisboa1 do ,occidente para o ,oriente71 porque o movimento do tremor segue essa direco e prolonga-se pelo curso dos rios8 7pag4 #djd74 ,a sciencia j ento tinha feito esta e outras descobertas4 ,a estas observaes da illustre escritora acrescentaremos que1 se realmente se obedeceu a esse principio scientifico1 no se pode regatear ao grande ,pombal a gloria de mais essa forma superior por que a sua obra foi executada2 mas de justia igualmente reconhecer que os engenheiros que tal obra executaram conheceram e souberam applicar esse importante preceito4 ,figura3 ,manuel da ,maya ,os engenheiros encarregados da reedificao de ,lisboa foram1 pela sua ordem1 ,eugenio dos ,santos1 ,carlos ,mardel1 ,reinaldo ,manoel#b e ,manoel ,caetano4 ,de todos estes d noticia ,jacome ,ratton1 um contemporaneo1 nas suas ,recordaes#c1 onde se encontram interessantes pormenores relativos cidade de ,lisboa depois do terremoto4 ,de ,eugenio dos ,santos diz3 ,a planta e prospecto 7para a reedificao7 foi dado pelo primeiro architecto da cidade1 chamado ,eugenio dos ,santos1 da escola das obras de ,mafra4 ,nesta planta se conservaram as praas e largos quasi com as mesmas dimensoens que dantes tinho1 alargando-se1 e endireitando-se as ruas que ero nimiamente estreitas e tortuosas2 e nestas se assignou1 quanto possivel foi1 o cho de cada proprietario1 para edificarem1 dentro em prazos determinados1 por si ou por outrem1 sob pena de os perderem2 prasos que se foram prorogando2 por maneira que me no consta que alguem perdesse o seu terreno4 ,a ,inspeco taxou o preo de cada palmo de frontaria1 conforme a situao das ruas1 para que no querendo ou no podendo o proprio dono do cho edificar1 podesse qualquer outro edificador comprallo ,inspeco1 a qual entregava o dinheiro da compra ao dono do cho4 ,ouvi que fora o projecto de se no consentir1 em raso dos terremotos1 que as casas da cidade nova tivessem mais do que lojas e dois andares2 mas que em atteno s representaoens dos edificantes1 que no podio ter interesse algum em edificar casas de to poucos andares1 veio o ,governo a consentir que se edificassem de tres e agoas furtadas2 e ento se principiou a edificar segundo o prospecto que dera ,eugenio dos ,santos1 consistindo em #a4o andar de sacadas1 #b4o e #c4o1 e agoas furtadas de janelas de peito2 excepo das casas da ,praa do ,rocio1 as quaes tem1 no sei porque1 no #a4o andar janellas alternadas de sacada e de peito2 o que faz com que esta praa perca huma grande parte da bellesa que podia ter4 ,as agoas dos telhados ero recebidas em meios canaes praticados no cimo das paredes1 e conduzidas rua por canaes praticados nestas1 o que dava hum ar de nobreza s frontarias1 no se vendo as biqueiras2 e muito commodo aos viandantes4 ,este risco veio depois a alterar-se no successivo reinado1 no s praticando-se #d4os e #e4os andares sem sacadas1 ou com sacadas em todos elles1 mas deixando-se cair por biqueiras as agoas rua2 e para mais depravado gosto1 estabelecero varandas1 e sobre varandas nos #d4os e #e4os andares1 cuja enxelharia he lavrada a maneira de telha e pintada da mesma cr4 ,parece impossivel que tal reedificao viesse lembrana dos habitantes de huma ,cidade sujeita a terremotos1 e que tinha soffrido os effeitos do de #agee4 ,he verdade que as casas construidas de madeira do #a4o andar para cima1 crescendo depois as paredes de pedra e cal1 como accessorias1 so hum abrigo aos desastres que podem resultar de hum terramoto1 para as pessoas que se acharem dentro dellas1 e no tiverem o desacordo de sahir para a rua2 mas desgraados dos que se acharem nas ruas1 se o abalo derrubar as paredes2 porque a enxelharia dos #d4os e #e4os andares no deixar nenhum vivo4 ,ao primeiro risco da cidade baixa1 e ruas principaes ajuntou o architecto os necessarios e utilissimos passeios2 e no sei porque fatalidade deixa de os haver na maior parte das ruas de ,lisboa que os podem admittir2 comtudo no lhe louvo a bordadura dos colonellos1 que alem da despeza1 e extravagante configurao1 occupo hum lugar nos passeios tirado aos viandantes1 devendo s existir nas esquinas1 para impedir que os carros e carroagens passem1 ao voltar1 por cima dos pavimentos4 ,mas o que he imperdoavel nesta nova reedificao1 he que todas as ruas no tenho canos1 e todas as casas1 cloacas1 para o despejo das primeiras immundicias2 he verdade que o dito architecto deo o risco dos canos que se acho em algumas ruas da cidade nova2 mas to dispendiosas pela pedra lavrada que nelles se empregou1 que julgo ser esta a causa de os no haver nas mais ruas2 e to defeituosas na sua configurao que no preenchem1 ou preenchem mui mal os fins para que so destinados4 ,primeiramente por terem pavimentos chatos subindo as paredes lateraes em angulos rectos1 nos quaes se depoem as immundicias2 e em segundo lugar por darem entrada s agoas da mar1 diffundindo-se nas casas hum fedor tal1 que as torna quasi inhabitaveis1 o que tudo se pode emendar em aquelles que de novo se fizerem3 #a4o construindo-se de tijolo1 por ser mais barato1 e em forma eliptica para se no estagnarem as immundicias2 #b4o ficando suas desembocaduras superiores s agoas das enchentes do ,tejo2 #c4o encanando-se-lhes as agoas dos telhados1 ruas e cosinhas1 para os conservar sempre lavados2 providencias que se devem igualmente estender a toda a cidade velha1 e sem as quaes a fedorenta cidade de ,lisboa1 ser sempre hum manancial de molestias1 a vergonha da nao1 e hum objecto ascaroso pelos montes de immundicias accumuladas nas ruas1 por effeito do descuido inveterado de se no varrerem1 e se no tirarem com a devida regularidade1 no obstante as rendas que ha destinadas para isso4 um interessante quadro de ,lisboa do seculo ,,xviii1 antes do terremoto4 ,quem o quizer conhecer completo leia o livro de ,ratton4 ,seguem-se consideraes que por extensas no transcrevemos1 mas que1 com o trecho que deixamos reproduzidos1 serviro para confrontar as ideias do tempo e o que ,ratton indica como realisado1 attribuindo-o ao executor ,eugenio dos ,santos1 com o que na importante memoria inedita1 que adeante publicamos1 ,manuel da ,maya apresenta como plano dos diversos servios a executar1 revindicando para este engenheiro a legitima gloria de as haver preconizado e indicado aos poderes publicos4 ,continuando1 diz ,jacome ,ratton3--,succedeo a ,eugenio dos ,santos hum architecto allemo 7alis hungaro7 chamado ,carlos ,mardel1 o qual seguiu o mesmo plano do seu antecessor para a reedificao da cidade4 ,ignoro se foi por algum destes1 ou por ambos suggerida a ideia de se construir o ,palacio ,real no sitio de ,campo de ,ourique2 mas sei que foi no tempo de ,mardel que se levantou a planta1 e se collocaro os marcos1 dos quaes ainda existem alguns junto ,igreja de ,st4 ,isabel1 ,fonte ,santa1 ,prazeres e ,s4 ,joo dos bem casados4 ,muito tempo se trabalhou nos desenhos1 e cuido que ainda existem na casa do risco4 ,entrava tambem no projecto fazer-se navegavel o rio ,alcantara para nelle entrarem os ,escaleres ,reaes at o ,palacio2 mas depois do fallecimento do sr4 ,rei ,d4 ,jos no se cuidou mais neste projecto1 e depois do incendio do ,palacio da ,ajuda1 se adoptou aquelle sitio para a construco de hum novo ,palacio4 ,tambem neste particular do sitio onde se devia construir o palacio real de interesse a leitura da referida memoria de ,manuel da ,maya4 ,o livro de ,jacome ,ratton hoje raro2 estimaro por isso os especialistas em assuntos de engenharia1 a quem este nosso trabalho particularmente destinado1 conhecer estes trechos que reproduzimos1 sem terem de recorrer aos reservados das bibliotecas2 a outros abrir o apetite de conhecer a obra4 ,segue se a informadora narrativa de ,ratton3 ,a ,carlos ,mardel succedeu ,reinaldo ,manoel1 e deste no sei cousa notavel1 a no ser o desenho e estabelecimento do passeio publico em #agfd1 sobre humas hortas1 que alli existio1 chamadas as hortas da cera1 nas quaes se deitaro os entulhos das ruinas da ,cidade baixa2 e fui eu que dos meus viveiros da ,barroca d',alva dei todas as arvores freixos que se acho no dito passeio444 ,a ,reinaldo ,manoel succedeu1 em architecto da ,cidade e da ,casa ,real1 ,manoel ,caetano1 se me no engano1 que ouvi ter sido canteiro1 e tinha algumas luzes de desenho1 sem comtudo possuir os estudos da arte de architectura1 nem a disposio natural para isso1 como provo as obras que dirigio como architecto2 entre as quaes especificarei a ,igreja da ,incarnao de fronte do ,loreto2 obra de muito custo1 mas de nenhum gosto1 nem ordem alguma de architectura2 a casa do ,mantegueiro na rua da ,horta seca1 chamada pelo seu dono ,domingos ,mendes1 ,palacete2 e a sua propria casa edificada no sitio que se destinou para o ,erario novo1 a qual era muito parecida com a torre que o tendeiro da ,esperana mandara construir junto rua da ,procisso1 na ,cotovia de cima4 ,esta casa foi demolida e paga pelo ,governo1 ficando ao architecto os materiaes2 e dando-lhe o mesmo ,governo hum cho de fronte da ,fabrica da seda1 onde construio huma nova casa excessivamente maior do que a primeira1 mas to destituida de ordem e gosto que basta olhar para ella para se julgar do merecimento do author4 ,penso ter sido elle o introductor da moda de figurar andares de casas sobre telhados contra todo o senso commum4 ,tambem julgo ter tido parte na planta do palacio novo da ,ajuda1 que pouco depois se confiou aos dous architectos de profisso ,jos da ,costa e ,silva1 e ,francisco ,xavier ,fabri2 o primeiro ,portuguez1 o qual aprendeo em ,roma1 e deo provas do seu talento na construco do theatro de ,s4 ,carlos em ,lisboa1 e na do hospital de ,runna mandado construir por ,sua ,alteza a ,serenissima ,princeza do ,brasil viuva3 o segundo ,italiano de nao1 que fez a planta pela qual se construio o ,porto franco2 e que supponho ficou com aquella que eu fiz1 de que j fallei4 ,tambem no ,ministerio do ,conde de ,linhares dirigio o accrescentamento que se fez na cordoaria para accommodao de tiares de lonas1 e segundo ouvi foi quem fez o risco1 e dirigio a construco do palacio do ,marquez de ,castello ,melhor1 junto ao passeio publico4 ,embora se no trate de construces militares1 tem interesse estas informaes de um contemporaneo que assistiu ao terremoto e reconstruco da cidade que1 segundo elle informa1 se reduzia a hum recinto que abrangia o bairro de ,alfama1 bairro do ,castello1 ,mouraria1 rua nova1 ,rocio1 bairro alto1 ,mocambo1 ,andaluz1 ,anjos e ,remulares2 toda a mais extenso que foi convertida em cidade1 como campo de ,st4a ,clara e suas visinhanas1 campo de ,st4a ,anna1 ,salitre1 ,cotovia de baixo e de cima1 ,boa ,morte e ,alcantara1 apenas tinham algumas casas1 aqui e acol1 borda de caminhos que atravessavam por terras cultivadas4 tradio1 embora no a encontremos confirmada1 que os arcabouos 7gaiolas7 de madeira1 innovados para a construco dos edificios1 foram entre ns adoptados ento para dar s paredes maior flexibilidade e equilibrio1 cabendo evidentemente aos engenheiros que trabalharam na obra da reedificao essa iniciativa4 ,ao engenheiro ,carlos ,mardel1 que to largo quinho teve nesses trabalhos1 sobretudo depois da morte do engenheiro ,eugenio dos ,santos e ,carvalho#d1 attribuida essa innovao#e2 mas no ha1 que nos conste1 documento que o prove4 ,na importante dissertao inedita de ,manuel da ,maya1 que adeante publicamos1 relativa aos trabalhos para a reedificao de ,lisboa1 ha referencia a edificios de madeira e aos de pedra e cal1 e se fala do horror em q se achava o publico contra edificios q no fossem de simples madeira1 o que parece evidente no se referir adopo das gaiolas de madeira para a edificao2 mas s barracas de madeira que se tinham construido4 ,seria dessa preferencia pelas construces de madeira1 principalmente empregadas para resistir aos embates do mar1 nas praias1 que teria vindo originariamente1 entre ns1 a ideia da armao de madeira p4a as nossas edificaes1 independentemente do que se passava noutros paises8 ,e porque no8 ,temos geralmente tendencia para desluzirmos as nossas iniciativas proprias1 querendo attribuir a sua paternidade a estrangeiros2 mas em cerebros portugueses tambem germinam ideias novas1 como o prova o nonio1 o aerostato de ,bartholomeu de ,gusmo1 e tantas outras4 ,mas tambem pode ser que fosse realmente experiencia por ,carlos ,mardel adquirida na ,hollanda que se devesse a innovao4 ,carlos ,mardel1 natural da ,hungria1 como diz a tradio1 ou de origem francesa1 como suspeita o ,sr4 ,sousa ,viterbo#f1 deixou o seu nome ligado aos trabalhos da reconstituio da cidade1 como o ligou tambem a outras importantes obras publicas e particulares2 pois que1 alem de architecto das ,aguas ,livres1 dos paos reaes e das tres ordens militares1 e de varias obras religiosas1 como veremos1 foi medidor das fortalezas da barra1 fallecendo no posto de coronel de infantaria com exercicio de engenheiro4 ,entre as obras notaveis que traou esto as da reconstruco do ,real ,collegio de ,s4 ,paulo de ,coimbra em #ageb4 ,figura3 ,carlos ,mardel ,em novembro de #agee foi o engenheiro ,carlos ,mardel encarregado pelo ,cardeal ,patriarcha de ,lisboa de ver o estado em que estava a ,igreja de ,s4 ,bento depois do terremoto1 sobre o que elle informou que achou toda a igreja em muito bom estado1 sem ter recebido damno algum e em excellente estado de servir2 porem a sacristia he a peyor e incapaz de servir1 e em lugar della achei hum grande refeitorio e casa de profundis diante do ,refeitorio1 ambas escusadas para os ,padres do dito ,mosteiro1 as quaes so misticas ao lado da ,epistola da ,capella mr2 e abrindo-se porta para a ,igreja no mesmo lado1 temos tudo o que for mister para accommodar a ,patriarchal1 e ainda com mais abundancia do que aonde estava antes4--,em vista disso passaram para aquella igreja os officios da ,patriarchal4 ,succedeu porem que sendo a informao de ,carlos ,mardel de #ag de novembro1 no dia #ai desse mesmo mez ia o capito engenheiro ,eugenio dos ,santos e ,carvalho informar o ,patriarcha de que1 embora concordasse com o parecer do seu collega quanto segurana do corpo e cruzeiro da referida ,igreja1 se lhe fazia suspeitosa uma parede da ,capella que1 sendo ordinaria1 se pode reparar com modica despeza4--,foi este parecer seguido2 e fez-se a obra completa sob a direco do ento tenente coronel ,carlos ,mardel e do capito ,eugenio dos ,santos#g4 ,entre as curiosidades apresentadas na ,exposio de ,cartographia da ,sociedade de ,geographia1 em #aijc1 figurava uma ,planta topographica da cidade de ,lisboa arruinada1 e tambem segundo o novo alinhamento dos architectos ,eugenio dos ,santos e ,carvalho e ,carlos ,mardel1 feito por ,joo ,pedro ,ribeiro4 ,pertence ,direco dos ,trabalhos ,geodesicos#h4 ,figura3 ,joo ,frederico ,ludovici1 ,architecto-mor ,mas embora os nomes de ,eugenio dos ,santos e ,carvalho e ,carlos ,mardel1 que ,manuel da ,maya considerava alem de engenheiros de profisso1 os primeiros architectos na architectura civil1 sejam os que mais soam e mais elevado quinho representam nesses memoraveis trabalhos herculeos1 muitos foram os engenheiros militares que nelles tiveram parte sob a direco de ,manuel da ,maya4 ,na importante ,memoria d'este celebre engenheiro-mor1 que em seguida publicamos1 veem citados1 alem dos nomes de ,mardel e ,eugenio dos ,santos1 os do capito ,elias ,sebastio ,pope e ,pedro ,gualter da ,fonseca1 e praticantes ,francisco ,pinheiro da ,cunha e ,jos ,domingos ,pope1 como tendo sido por elle eleitos para o auxiliarem na monumental obra da reconstruco da cidade4 ,reynaldo ,manuel se chamava1 como vimos1 o engenheiro nomeado p4a substituir ,carlos ,mardel nas obras da reconstruco de ,lisboa1 quando este morreu em #agfc4 ,jacome ,ratton fala com encarecimento de um engenheiro militar1 estrangeiro mas que muitos servios prestou entre ns4 ,e ,joo ,frederico ,ludovici1 o celebre architecto de ,mafra1 e que ,ratton apresenta como sendo o que mais geito e arte mostrou na traa e edificao das casas particulares em ,lisboa4 ,j tinha fallecido quando foi do terremoto2 mas a cidade j se embellezara com a sua arte4 ,se pelas obras que os architectos edifico para sua propria habitao1 escolhendo a localidade1 e sem outra sugeio que as suas foras1 se pode julgar do seu merito1 diz ,ratton1 indicarei as que entro neste caso1 relativas aos quatro architectos do meu tempo1 empregados pelo ,governo4 ,joo ,pedro 7alis ,joo ,frederico7 ,ludovici1 que j era architecto no ,reinado do ,senhor ,d4 ,joo ,v1 e o continuou a ser at depois do terremoto de #agee1 construiu para sua morada aquella barraca1 na calada da ,ajuda1 aonde assistio ,martinho de ,mello e ,castro1 e edificou huma casa de fronte da torre de ,s4 ,roque que tem todo o ar de nobre2 e creio que em razo desta obra se construiu a muralha de ,s4 ,pedro de ,alcantara com o pretexto de se fazer alli hum passeio1 o qual se no chegou a realizar2 mas que seria bem util pelo ponto de vista que offerece4 ,tambem supponho que foi este architecto quem projeitou e deo o plano das obras dos arcos das aguas livres2 mas se no foi elle1 foi pelo menos o que as continuou4 ,eugenio dos ,santos que deo a planta da reedificao da cidade construio humas grandes casas de cimo da calada da ,estrella1 com muito m serventia para carroagens1 e sem outra luz na escada que a que entra pelas sobrepostas4 ,carlos ,mardel edificou para a sua habitao aquella casa que se acha ao lado oriental da ,igreja de ,st4a ,isabel junto ao cemiterio1 e por baixo da torre dos sinos4 ,manoel ,caetano edificou as de que j fallei4 vista do que todos conviro comigo que o que tinha melhor tino era ,joo ,pedro ,ludovici4 ,joo ,frederico ,ludovice1 o notavel architecto do convento de ,mafra1 era desde #aa de setembro de #agej architecto-mr do reino com patente1 soldo e graduao de brigadeiro de infantaria1 na primeira plana da ,crte2 nascera na ,allemanha1 de familia francesa1 e naquelle pas exercia a profisso de engenheiro militar1 tendo porem vindo para ,portugal chamado pelos jesuitas pela sua especial pericia de ourives1 metallista2 mas os seus variados talentos postos em aco entre ns lhe deram o justo galardo de se reconhecer que sua doutrina se devem o grande adiantamento em que se achavam as artes em ,portugal#i4 ,e no s em ,lisboa1 mas em outros pontos do pas eram requeridos os servios dos nossos engenheiros militares1 quer na sua especialidade1 quer noutros ramos do servio4 ,assim1 tendo o terremoto arrasado a villa de ,setubal1 foi ,joo ,alexandre de ,chermont1 coronel de infantaria com exercicio de engenheiro1 mandado em #ad de novembro de #agee tomar conta d'aquella villa1 com jurisdio completa1 para adoptar as providencias necessarias#aj4 ,e nesse calamitoso periodo1 e antes e depois1 e sempre1 de engenheiros militares se valeu o governo para os servios da maior responsabilidade4 ,de tres engenheiros1 encarregados em #agfa da demarcao das quatro leguas exclusivas do districto concedido ,companhia da ,agricultura das ,vinhas do ,alto ,douro1 roda da cidade do ,porto1 temos noticia3 so o sargento-mor de infantaria e engenheria ,francisco ,xavier do ,rego1 e os seus ajudantes1 o tenente ,ado ,wencelao ,hetsk e ,francisco ,pinheiro da ,cunha4 ,por curiosidade reproduziremos adeante o resultado d'essa demarcao1 que em manuscrito se conserva na ,academia ,real das ,sciencias de ,lisboa#aa4 ,e de quantos outros no poderiamos dar aqui informao4 ,de grande numero d'elles daremos noticia na nossa ,historia da ,engenharia ,militar4 99 99 99 99 99 ,quando1 das ruinas d'esse horrivel terremoto1 a energica vontade do ,marqus de ,pombal fez erguer1 alinhada1 garrida e bella1 a nova cidade1 os engenheiros militares foram os auxiliares principaes d'essa vontade de ferro4 ,o engenheiro-mor ,manuel da ,maia e os seus officiaes dirigiram e executaram as principaes obras4 ,por decreto de #bi de novembro de #agee era ordenado que os ,ministros1 que se achavam encarregados da inspeco de cada um dos bairros da capital1 de commum accordo com os officiaes de ,infantaria com exercicio de ,engenheiros1 destinados para esta deligencia1 fizessem logo1 e sem perda de tempo1 cada qual delles uma exacta discripo do respectivo bairro de que se achava encarregado1 declarando-se nella distincta e separadamente a largura e comprimento de cada uma das praas1 ruas1 beccos e edificios publicos1 que nelle se continham2 e cada uma das propriedades particulares que existam nas sobreditas ruas1 praas e beccos1 com a especificao da frente e do fundo que a ellas pertencia1 comprehendendo nessa medio os quintaes1 onde os houvesse1 com as elevaes ou alturas de cada uma das propriedades1 e com especificao das paredes que fossem ou proprias de cada edificio1 ou commum a ambos os dois visinhos confrontantes4 ,assim se conseguiu evitar as reclamaes e pleitos que decerto depois levantariam os proprietarios com respeito aos limites das suas propriedades1 sem que houvesse maneira de saber se as baseavam na verdade4 ,por ,aviso de #aa de dezembro de #agee foi ordenado ao ,engenheiro-mor ,manuel da ,maya que chamando sua presena os officiaes de ,infantaria com exercicio de engenheiros1 que lhe parecessem mais habeis e expeditos1 os mandasse passar os liveis necessarios para se conhecer e calcular com clareza os declivios que ha dos ,mosteiros da ,boa ,hora1 do da ,annunciada1 do de ,corpos ,christi1 da ,igreja da ,magdalena1 e ,s4 ,sebastio da ,padaria1 at s cortinas do ,terreiro do ,pao e da ,ribeira2 tinha isto por fim acommodar os entulhos em logares mais baixos4 ,por ,aviso de #bb do mesmo ms e anno foi ordenado a ,manuel da ,maya que na conformidade das reaes ordens fizesse apalpar e abalizar pelos officiaes1 que achasse mais expeditos e exactos1 os terrenos de que se tratava1 em forma que ficassem distinctamente demarcados os logares que se houvessem de entulhar e as alturas dos entulhos que nelles se haviam de lanar1 para que fossem lanados com a devida proporo1 onde mais conviesse e sem o perigo de se tornarem a mover1 etc44 ,outro ,aviso da mesma data ao ,duque ,regedor das ,justias 7,duque de ,lafes7 para se nivelar a parte da cidade que ia entre a rua ,nova do ,almada e a ,padaria1 e para se prem marcos e balizas nas covas e declives1 afim de se encherem com os desentulhos e ficar nivelado o ,terreiro do ,pao com as mesmas duas ruas em beneficio da reedificao da cidade1 ordenava ao mesmo ,engenheiro mor que1 pelos officiaes que achasse mais expeditos1 fizesse pr as sobreditas balizas com a brevidade que requeria a urgencia#ab4 ,so estas umas simples amostras do grande trabalho e da misso importante que aos engenheiros militares coube na reedificao da cidade1 como lhes continua a caber no decurso dos tempos2 pois que nomes de engenheiros do exercito muito distinctos esto ligados1 no s a obras militares1 mas civis1 na historia do nosso pas4 99 99 99 99 99 ,e melhor do que o poderiamos dizer1 falar agora do grande papel que ,manuel da ,maia teve nesse grave momento da nossa existencia social a memoria 7dissertao7 que em seguida publicamos1 por elle apresentada sobre a reedificao da capital1 e que pela primeira vez damos estampa4 dividida em tres partes3 as duas primeiras conservam-se nos papeis de ,jos ,baptista de ,castro na ,biblioteca ,publica de ,evora2 a terceira encontra-se1 remettida do ,archivo ,militar1 na ,torre do ,tombo4 ,devia ter uma quarta parte1 que o auctor deixou de escrever#ac4 ,damos aqui publicidade s tres partes que pudemos felizmente reunir1 na certeza de que encontraro o apreo e a estimao do leitor4 ,ao ,duque de ,lafes1 na sua qualidade de ,regedor das ,justias1 era dirigida essa dissertao1 e do conceito e apreo em que foi tida reza o seguinte officio1 cuja copia guarda a ,biblioteca de ,evora3 ,ex4mo ,sr4 ,agradeo muito a ,v4 ,ex4a a ateno de partecipar-me a segunda parte da ,disertao que tem escrito sobre a renovao da cidade de ,lisboa destruida1 e agora repito a ,v4 ,ex4a o que a respeito destes papeis tenho representado a ,el,rey meu ,snr41 porque achei que ,v4 ,ex4a comprehendeo com vastido1 discorreo com profundidade1 e escolheo1 a meu entender1 com acerto1 o modo que deve seguir-se4 ,s4 ,mg4e vai mostrando que segue o parecer de ,v4 ,ex4a2 ainda que a sua modesta escrupulosidade o duvide1 e verdadeiramente s nesta parte me no parecem solidos os fundamentos da desconfiana de ,v4 ,ex4a4 ,v4 ,ex4a he um vasalo to util1 como bom compatriota1 e asim se percebe no zelo com que vigia sobre a saude publica1 lembrando-se de que se deve dar correnteza s aguas estagnadas na ,praa do ,rocio e na ,rua ,nova dos ferros4 ,el,rey meu ,snr4 foi servido encarregarme de evitar aquele perigo1 e pela medeao dos ,ministros da justia ,inspectores dos ,bairros desta ,cidade1 com bem ordenado trabalho1 se vencero muitas defficuldades1 e entre grandes perigos no sucedeo a menor disgraa1 achando-se desde a somana pasada esgotados completamente hum e outro lugar4 ,tenho entrado a recear nos posso agora prejudicar as muitas lamas que a cada paso se encontro pelas ruas e o descuido que ha1 e ouve sempre1 em extrahir da superficie da terra quantidade de animaes mortos que se acho expostos3 porem como esta incumbencia me no foi recomendada poupo-me ao maior pezar que seria o que me resultase de se poder acuzar a minha omio1 o que para mim s era sensibilisimo4 ,d4s ,g4e a ,pesoa de ,v4 ,ex4a m4tos an4s4 ,cerca das ,necessidades a #e de ,maro de #agef4 ,ex4mo ,snr4 ,manoel da ,maya4 ,mais attento serv4or de ,v4 ,e4 ,duque de ,lafes#ad4 ,eis agora o trabalho apresentado por ,manuel da ,maia1 e que1 embora pouco nitido sob o ponto de vista litterario1 honra e justifica a alta reputao do engenheiro1 pois representa todo um complexo plano de obras de aterramento1 de esgotos1 de hygiene1 de alinhamento de ruas e travessas nas partes da cidade a reconstituir ou a construir de novo1 de construco de edificios publicos1 entre elles os ,paos ,reaes1 a ,biblioteca e as ,alfandegas1 e tambem particulares1 nas devidas condies de segurana contra tremores de terra e de isolamento do fogo2 da forma dos predios1 sem passagens cobertas para evitar attentados nocturnos2 da salvaguarda dos terrenos destinados a servides militares junto s fortificaes da cidade1 e de tantos outros assuntos importantes que curioso seguir entre o emmaranhado da prosa do illustre militar1 e que1 como vimos j1 lhe vem dar a primazia de muitas iniciativas que lhe no eram attribuidas4 ,a parte #c4;a da dissertao muito interessante1 porque trata dos servios de limpeza da cidade1 esgotos1 abastecimento de agua1 bocas de incendio1 reconstruco dos edificios do ,terreiro do ,pao1 largura e estructura das ruas1 laia das de ,inglaterra1 com as respectivas plantas traadas por ,manuel da ,maia1 e que pena se no saiba onde param1 para ver se foram realmente seguidas1 quando taes edificios e ruas se fizeram4 ,debaixo de muitos pontos de vista ha de esta memoria interessar aos estudiosos4 ,diz o seguinte3 99#a4;a ,dissertao sobre a renovao da ,cidade de ,lisboa por ,manoel da ,maya1 ,engenhr4o mor do ,r4no99 #a4--,reconhecida1 e observada a destruio da cid4e de ,lix4a 7no #a4o de ,nov4 de #agee7ae he precizo intentar-se a sua renovao1 e como esta se pode executar por diversos modos1 parece tambem precizo que estes se preponderem p4a entre elles se fazer eleio do q se conhecer com mais ventagens1 e menos inconvenientes4 ,os modos que me occorrem so os seguintes4 #b4--,o primr4o restituila ao seu antigo estado1 levantando os edificios nas suas antigas alturas1 e as ruas nas suas mesmas larguras4 ,este #a4o modo suppoem1 q o terremoto passado no he pronostico de outro2 e que assim como em m4tos annos ant4es seno experimentou outro sem4e assim se no pode esperar subsequente2 e q por esta forma se restituir ,lix4a promptissimam4te ao seu antigo estado1 e com edif4os melhorados por novos2 recebendo e acomodando o mesmo n4o de gente1 e obtendo os proprietarios os seus antigos rendim4tos ficando ,lix4a deste modo com algua melhora do q dantes era2 servindo os mesmos destroos1 e ruinas p4a a ereco dos edif4os evitando o trab4o e despeza dos dezentulhos2 cuja acomodao se faz mui dificil1 e talvez de prejuizo1 onde os quizerem acomodar1 ou seja no mar ou na terra4 #c4--,o #b4o modo1 levantando os edificios nas suas antigas alturas1 e mudando as ruas estreitas em ruas largas4 ,este #b4o modo tambem despreza a precauo do terremoto1 e attende em pr4o logar a melhor serventia do publico pela largura das ruas1 e conservando nas alturas das cazas abundantes commodos p4a os habitadores1 q restaro livres do horrivel flagello1 e p4a os proprietarios a mayor p4te dos rendim4tos1 ficando a cid4e mais formosa do q d'antes era1 com boas entradas1 q p4a ella se podero fazer no terr4o do ,pao1 evitandose passagens cobertas1 e melhorandose alguns edificios mayores arruinados2 ficando deste modo ,lix4a com conhecidas ventagens1 e conservandose em m4ta p4te os interesses dos prejudicados nas ruinas1 o q no deixa de merecer atteno4 #d4--,o #c4o modo1 diminuindo as alturas a dous pavim4tos sobre o terreo1 e mudando as ruas estreitas em largas4 #e4--;,este #c4o modo se acautela contra sem4es assaltos1 diminuindo as alturas dos edif4os por se temerem nos mais altos as ruinas mais certas1 e de mayores prejuizos3 como p4lo contr4o nas ruas mais largas mayor facilid4e p4a se escapar dos destroos1 q nas estreitas serve de grande impedim4to ao retiro4 #f4--,o #d4o modo1 arrazando toda a cid4e baixa1 levantandoa com os entulhos1 suavizando assim as subidas p4a as p4tes altas1 e fazendo descenso p4a o mar com melhor correnteza das aguas1 formando novas ruas com liberd4e competente1 tanto na largura1 como na altura dos edif4os q nunca poder exceder a largura das ruas4 ,este #d4o modo no s attende1 como o terceiro1 a preveno de sem4e flagello1 assim na observao da altura das cazas1 como na largura das ruas1 mas a facilitar a difficil acomodao dos dezentulhos1 servindose delles p4a suavizar a aspereza das serventias da cid4e baixa p4a a alta1 e expelindo tambem as aguas com melhor exito p4a o mar1 livrando ,lix4a baixa das inundaoens q padece em occasioens de mar chea4 #g4--,o #e4o modo1 desprezando ,lix4a arruinada1 e formando outra de novo desde ,alcantara at ,pedrouos2 com permisso porem de q os donos das cazas de ,lix4a arruinada as podesse levantar como quizessem4 ,este #e4o modo se facilita mais q todos2 porq em pr4o lugar no tem q vencer dificuld4es de dezentulhos1 e suas acomodaens3 offerece campo docil1 e livre das emin4as de ,lix4a antiga1 sem necessid4e de averiguar o estado das cazas q se devam conservar ou derribar1 nem ouvir clamores dos donos das q inteiram4te se desprezarem1 e sobre tudo a grande despeza1 q na compensao destes prejuizos se far por qualquer modo q se pretenda fazer4 ,edificarse com mais gosto pelas melhoras que geralm4te se reconhecem no terreno e prayas do sitio de ,bellem1 e suas vizinhanas1 livrando os habitadores do horror q concebero na destruio da cid4e arruinada2 e com incomparavel brevid4e e boa organizao de ruas e de edif4os q formar hua ,lix4a nova1 sem q os dominantes dos edif4os de ,lix4a destruida tenho de q se queixar1 pois se lhe no faz viol4a algua1 nem se lhes impede a reedificao dos seus edif4os p4a se valerem delles sua vontade4 ,acrece mais1 q ainda q se lanse mo de qualquer dos ant4es modos1 #b4o1 #c4o e #d4o em q as ruas se alargo1 sempre hade ser precizo estenderse ,lix4a at ,bellem1 ou ainda a mayor dist4a p4a acomodao da m4ta gente q ficar necessitada de commodo por causa da diminuio das cazas2 pois q as de quatro e sinco pavim4tos ficaro convertidas som4te em dous2 e em hu sitio em q havia quatro ou #e ruas1 ou mais1 se convertero em duas ou #c ao m4to3 e se depois de vencer m4tas dificuld4es com grandissimo trabalho1 dispendio1 e dilao de tempo1 se hade procurar o asylo de ,bellem1 melhor parecia buscarse logo p4a mayor facilid4e satisfao do publico1 e escuza de despeza4 ,tambem a sumerso do novo caes da ,alfandega do tabaco1 parece estar aconselhando q se no avezinhem a hum lugar q mostra estar combalido de contr4o fortissimo1 q poder continuar em o perseguir1 e a tudo q o acompanhar4 ,tambem parece favorecer esta opinio o acharemse em ,portugal alguas cid4es e povoaoens q conservo os nomes de outras destruidas1 cujas ruinas se percebem ainda em dist4as proximas1 sem se especificar a razo daquella repitio de nomes1 e de lugares2 mas discorrendo qual poderia ser1 nenhua razo me occorre mais propria e competente p4a este efeito do q outra sem4e a q temos diante dos olhos1 fazendo antes eleio de formar hua cid4e e povoao nova em sitio mais favoravel1 do q renovar hua destruida por sem4e accidente4 ,tambem pode fazer pezo nesta eleio a observao de ser mais violento e eficaz o efeito do terremoto na p4te mais repleta de habitantes cujos excretos1 penetrando e permeando mais os poros da terra1 posso concorrer com mayor adjutorio p4a a formatura do terremoto1 ou atrair a si os seus efeitos com mais sem4e e abund4e simili4 ,o q podendo ser assim tambem aviza1 q se evite q4to for possivel a continuao de hum tal atractivo4 ,persuado-me ter lido q j ,lix4a padeceo perseguio de terremotos por tempo de um anno2 e como o fogo me consumiu todo o adjutorio de q me valia p4a narrar com segurana1 no poderei determinar o tempo nem o vigor de seu principio1 nem alguas mais especialid4es que occorrero2 mas sempre pode servir de exemplo1 de q a communicao dos taes excretos possa servir de alim4to p4a sem4e destroo4 ,a multiplicidade de terremotos1 que tem padecido ,constantinopla cid4e populosissima parece corroborar esta supposio3 quae sola non profunt1 multa collecta juvant4 #h4--;,atqui o q me occorreo dizer a favor de cada hum dos sinco modos possiveis p4a a renovao de ,lix4a2 resta-me declarar o q se poder dizer em contr4o p4a ver se com estas ponderaoens me poderei determinar a tomar algum partido em forma q se no possa dizer q o fiz sem estas antecedencias4 #i---,no #a4o modo encontro a falta de ateno ao melhoram4to de hua cid4e que se edifica de novo conservandolhe as ruas estreitas1 o q as fas de aborrecivel uzo1 e as cazas m4to altas com o horror que das suas alturas se tem concebido2 no obstante poderse dizer1 q este horror hade ser de pouca durao1 porq em fazendo algua pessoa veneranda edif4o de mayor altura de dous pav4tos logo outras de qualquer venerao a iro imitando1 e consequentem4te todas as q tiverem com q o fazer2 porq ao mesmo passo q vai esquecendo o horror do terremoto1 se ir esquecendo o da ley dos dous pavim4tos4 ,sirva de exemplo a ley do alinham4to p4a q as cazas q se renovassem1 se recolhessem at q as ruas ficassem em certa largura1 como a da rua dir4ta das portas de ,s4 ,c4na onde se executou ath certo tempo1 e se no continuou em algua das cazas q depois se renovaro ou se edificaro de novo4 #aj4--,o #b4o modo1 ainda q attende formosura da cid4e p4lo q toca a largura das ruas1 tem o defeito de se no acautelar contra o flagello dos terremotos nas alturas dos edificios2 e posto q favorece aos donos dos edif4os restantes em lhes conservar o n4o dos moradores1 e consequentem4e os rendimentos1 e tambem posso dizer q a ley dos dous pavim4tos ter o mesmo efeito q a ley do alinham4to1 no so razoens subsistentes por dependerem do futuro4 #aa4--,o #c4o modo q parece mais admissivel1 porq attende assim a formosura da cid4e no espaozo das ruas1 e precauo dos terremotos nos dous pavim4tos s permitidos1 tem contra si os clamores dos donos dos edif4os extinctos1 e outros diminutos de rendim4tos pela diminuio dos inquilinos1 entre cujos clamores1 sero m4to distintos os dos ,morgados1 ,eccles4os e ,irm4des que costumo ser m4to attendidos2 como tambem tem contra si a acomodao dos dezentulhos1 porq alem dos q se acho j occupando as ruas largas e estreitas1 hade acrecer o de todas as casas q se ho de extinguir inteiram4te e mais q tudo a gravissima despeza com q se hade substituir a diminuio dos edificios extinctos ou em p4te ou em todo4 #ab4--,o #d4o modo1 posto q vence ao #c4o em evitar o embarao dos duzentulhos1 e em dar melhor serventia cid4e1 sempre fica com o grave pezo de dar a cada hum a justa satisfao do q lhe pertencer4 #ac4--,o #e4o modo1 q parece o mais facilitado1 no deixar de ter contra si o interesse dos donos das casas edificadas nas ruas principaes de ,lix4a1 receando q se lhes diminuo o rendimento dos seus alugueis1 aumentandose m4to o n4o das habitaoens em p4tes de differente eleio4 #ad4--,o q assim ponderado1 resta fazer escolha de algum dos sinco modos de q se no possa seguir arrependim4to1 no q encontro grande dificuldade1 e p4a poder sair della1 me tem occorrido1 q s a eleio q ,s4 ,mag4e fizer do sitio p4a o seu ,real ,palacio poder fazer pezar a opinio q lhe for mais apropriada2 porq se ,s4 ,mg4e for servido querer o seu novo e real ,palacio no sitio de ,bellem1 fica o modo n4o #e4o infalivelmente adoptado e preferido a todos os outros2 porem se ,s4 ,mag4e fr servido querer lanar mo de hum sitio salutifero1 e superior apropriado p4a cabea de ,corte com boas #d communicaes p4a a cid4e e p4a o campo1 aproveitando-se primr4am4te do beneficio da agua livre de ,bellas1 e terreno firme e solido com bom livelam4to e capacidade p4a edificar com grandeza1 he este o sitio entre ,s4 ,joo dos ,bemcasados e o conv4to de ,n4 ,sr4a da ,estrella com #d communicaoens de bom uso2 a #a4;a p4a o campo1 interior do paiz por ,campolide1 e ,sete rios3 a #b4;a pelo ,rato1 ,noviciado da ,cotovia etc4 a #c4;a p4la rua nova de ,s4 ,bento1 ou nova colonia2 a #d p4lo cam4o do ,s4r da boa ,morte1 ,fonte ,santa1 ,n4 ,sr4a das ,necessidades etc4 at o mar1 caminhos todos de bom livelam4to e correntezas de aguas p4a limpeza dos edif4os e ruas depois de terem servido nas fontes e tanques do ,real ,palacio1 e de hum ,hospital na quebrada da cerca de ,s4 ,bento p4a a p4te do nascente1 cuja pozio j escolhi q4do se tratou do sitio p4a o ,hospital real de todos os ,santos1 por o reconhecer melhor no prez4te tempo do q o de junto a ,s4 ,d4os no rocio4 ,tambem no posso deixar de lembrar q no tal novo e real ,palacio se poder formar hua ,biblioteca publica por evitar o justo reparo de a no haver na ,corte de ,portugal1 e junto a ella a casa do ,real ,archivo1 q ainda q o terremoto o no destruisse1 sempre necessitava de hua tal acomodao imitao do ,archivo ,romano1 pera o qual se entra pela ,biblioteca do ,vaticano4 ,e p4a o duplicado1 de q tambem ha grande preciso1 se escolher sitio separado4 #ae4--;,e determinado e escolhido este lugar d'entre ,s4 ,joo dos ,bem casados e o conv4to de ,n4 ,sr4a da ,estrella p4a o novo e real ,palacio1 me parece se deve principiar a renovao da cid4e de ,lix4a pelos edificios publicos1 que so fabricados por conta da real fazenda1 por serem os pr4os fundam4tos dos reaes subsidios quasi todos na marinha1 p4a o q largar ,s4 ,mag4e o seu ,palacio antigo1 assim como os ,sr4es ,reys seus antecessores havio largado os em q habitavo1 q se acho hoje servindo de outros uzos3 e poder tambem formarse a caza da bola do neg4o e tudo com as direcoens1 e formalid4es no s segundo as not4as das outras ,cortes1 mas com as melhoras q occorrerem1 e o bom discurso alcanar4 #af4--;,as communicaoens da #a4;a praa do terr4o do ,pao p4a dentro da cid4e se devem abrir as #a4;as em correspond4a s duas ruas dos ourives do ouro e da prata1 evitando todas as pasagens cubertas q so incidiosas de noite4 #ag4--;,as ruas de cazas q de novo se fabricaro p4a a communicao do novo ,palacio com a cid4e antiga se emprendero depois das d4as reaes obras2 mas ou sejo edificadas de madr4a ou de pedra e cal1 nunca a altura das cazas exceder a largura das ruas1 e q4do as ruas forem mais largas q a altura dos dous pavim4tos sobre as logeas1 nem por isso as cazas podero subir a terceiro pavimento4 #ah4--;,e pelo q pertence a renovao da cid4e arruinada me acomodo ao #d4o modo j assinado1 valendome de conservar os entulhos p4a dar mayor altura ao pav4to da cid4e baixa1 principiando a alteala do adro do conv4to da ,annunciada1 do adro do conv4to de ,n4 ,sr4a da ,boa ,hora1 do adro da ,ermida de ,n4 ,sr4a da ,assumpo da rua dos ourives da prata1 e a esta imitao todas as mais ruas q estiverem no mesmo livelam4to formandose hua tal descida p4a o mar q v fenecer pela porta da ,alfandega do tabaco4 #ai4--,p4a se poderem dirigir as ruas na forma mais regular se sinalaro primr4o com bandeirolas firmes todas as ruas destruidas p4a se reconhecer por este modo o terreno q occupavo as cazas e ruas1 e poderse emmendar com clareza1 o q se julgar necessr4o evitando-se deste modo o perigo q pode haver q4do unicam4te se guiarem por plantas1 como j tem sucedido1 e poderse sobre esta not4a pratica e palpavel tomar a rezoluo de como se ho de suprir as diminuioens q houverem nas propried4es1 o q necessita de m4to especial atteno4 #bj4--,parece porem preciso determinarse se nas ruas principaes deste bairro baixo e plano se devem formar columnatas como havia na rua nova dos ferros e confeitaria p4a comodid4e da passagem da gente em tempo de inverno1 e chuvoso1 no excedendo porem a altura das cazas os d4os dous pavim4tos hum dentro das columnatas1 e outro sobre ellas4 #ba4--;,declaro q o reservar p4a ultimo lugar esta operao he p4a dar tempo a q o grande n4o de corpos immersos pelos entulhos no posso produzir algua corrupo no ar1 descobrindose1 e pela mesma razo procuro tambem altear as ruas p4a no haver tanta necessid4e de os revolver2 pertendendo tambem com esta dilao suspender o horror em q o publico se acha contra os edif4os q no so de simples madr4a alem de que por falta de meyos receyo m4to que haja grande difficuld4e em edificar de outro modo1 porq os incendios extinguiro quasi todos os cabedaes dos habitantes de ,lix4a4 #bb4--,nesta pr4a parte da prez4te ,dissertao procurei expressar em generalid4e o q na imaginao embaraada com hum to raro caso me foi possivel revolver1 sujeitandome de m4to boa vont4e a toda a correco judiciosa1 q emmende melhor ou reprove o q achar q o merece1 porq do mesmo modo q estimaria tivesse boa aceitao o que proponho1 igualm4te estimarei a justa reprovao antes q a execuo o embarace2 com a differena som4te que deixarei de me empregar em segunda e individual parte1 se na pr4a me tiver afastado do q for mais conveniente ao ,real serv4o e bem do publico2 pois q nas individuaoens periga m4to mais o acerto q4do a generalid4e se tem afastado da rectido4 #d de ,dez4o de #agee4 ,lix4a ,m4el da ,maya#af4 99,segunda p4te da ,dissertao sobre a renovao da ,cid4e de ,lisboa por ,manoel da ,maya ,mestre de campo general1 ,engenheir4o mor do ,r4no e ,guarda mor da ,torre do ,tombo99 #a4--,visto parecer que vai tendo algua aceitao a #a4;a p4te da minha ,dissertao sobre a renovao da ,cid4e de ,lix4a he precizo animarme a individuar a #b4;a1 como prometi no ult4o da #a4;a1 no obstante terlhe reconhecido m4to mayor dificuld4e4 ,valerme-hei porem do mesmo methodo q segui na #a4;a1 indagando por p4tes a natureza de todas as que me propuzer p4a fazer eleio1 p4a q q4do no chegue a determinarme inteiram4te1 ao menos mostre q as ponderei at onde a minha possibilid4e pode alcanar1 ficando assim aberto o cam4o p4a q4m com melhor vista possa reconhecer distintamente as ventagens e os defeitos q eu no chegar a perceber4 #b4--,procedo na suposio de ,s4 ,mag4de fazer eleio do sitio medio entre ,s4 ,joo dos ,bem casados e o ,conv4to de ,n4 ,sr4a da ,estrella p4a o seu novo e real ,palacio1 ficando aquelle sitio cabea e parte principal da ,corte e ,cid4e de ,lix4a1 ao q precizam4te se hade seguir a renovao do corpo da mesma cid4e destruida1 p4a o q se mostra m4s apropriado o #d4o modo da renovao da cid4e expressado no #f da d4ta #a4;a parte q diz assim etc4 #c4--,que se queira renovar a cid4e baixa he p4a mim indubitavel2 porq ainda sem haver occazio to forosa1 se tem mostrado esta vont4e assim na rua nova do ,almada q se formou q4do o bairo alto no tinha melhor serventia que a rua1 ou beco dos ,fornos1 as ruas dos ourives de prata1 e do ,ouro1 por onde no podia passar mais q hum carro1 e proximam4te a preparao p4a se alargar mais a d4ta rua nova do ,almada at a rua larga das portas de ,s4 ,c4na1 formada assim em sincoenta e quatro palmos de largo pela ley do alinhamento q no teve procurador q a fosse fazendo executar em todas as p4tes em q houvesse renovacens de cazas3 e vista dos referidos exemplos parece indubitavel a renovao de ,lix4a baixa4 ,o que porem resta he eleger o meyo mais ajustado p4a se conseguir este muy louvavel benef4o1 p4a o que declaro q q4do expuz aq4le #d4o modo da renovao de ,lix4a1 arrazando a sua p4te baixa1 foi na expectao de q ,s4 ,mag4de poderia escolher o meyo de tomar a si todos os edificios de tal p4to da cid4e depois de avaliados no estado emq se achassem1 p4a q depois de derribados e extintos1 formadas novas ruas e novos logares p4a os edificios novos1 e repartida por elles a import4a ou valor das cazas destruidas1 e conhecido o que correspondia a cada palmo1 vara ou braa quadrada1 cada acredor de edificio recebesse em terreno a avaliao q se lhe havia feito1 e q4do lhe no agradasse1 se vendesse aq4m desse a sua importancia p4a a receber o acredor3 e no cazo q ainda nisto houvesse algua duvida1 mandasse ,s4 ,mag4de edificar por sua conta p4a recolher a seu patrimonio o rendimento por me parecer este o modo mais dezembaraado e mais prompto1 persuadindome q assim se haveria observado em ,turim e em ,londres1 q4do alli se fizero semelhantes renovaoens2 o que porem no posso segurar1 porque o fogo me despojou de todos os meyos de que me costumava valer em occasioens sem4es ,e q4do eu vi que se mandava formar hua especie de ,tombo dos edif4os da cid4e de ,lisboa com as suas avaliacoens me pareceo estar adoptado este #d4o modo de renovao2 mas porq bem pode suceder q a mesma especie de ,tombo possa tambem servir para outra diversa forma de renovao1 segundo a nova ordem com q se vo acomodando os entulhos1 cada hum ao edificio de q sahio1 p4a que cada dono se possa aproveitar dos materiaes que nelles achar1 reedificando sua custa1 parece no se querer ,s4 ,mag4e servir do dito #d4o modo na forma deq eu o havia proposto1 derribando1 e destruindo a ,cid4e baixa1 levantandoa no que fosse proveitoso com os seus entulhos1 p4a q depois com novos e melhores materiaes e nova forma1 se reedificasse a cid4e cuja idea parece desvanecida com a nova deligencia da accomodao dos entulhos e dos materiaes q comprehende4 #d4--,mas porq se no pode entender q4ra ,s4 ,mag4e mandar conservar a cid4e baixa com a mesma forma das ruas q tinha1 mas q sempre hade querer q os donos dos edificios as reduzo a melhor forma1 me parece ser o tal modo o de conservar alguas ruas no seu proprio estado1 como as ruas dos ourives do ,ouro da ,prata1 a rua nova dos ferros1 e ainda a dos ,escudr4os e ,odreiros2 mas que as ruas da correaria1 das arcas1 cutelaria1 espingardr4os1 ,m4l ,gonalo1 ,pixilr4os1 esteiras1 e ,mercadores1 por detras de ,s4 ,julio p4a a ,conceio1 e a rua nova da ,palma se alarguem por hua p4te ficando a outra conservandose no estado emq se acha1 mas q esta p4te1 conservada pela melhora q alcana e sem detrim4to1 na tal largura1 concorra p4a compensar a p4te contraria o detrimento q experimenta1 assim na diminuio do valor da propriedade como da despeza da obra aque fica sujeita cuja resoluo directamente pertence aos ,ministros de ,s4 ,mg4de4 ,o que assim vencido resta saber se hade passar a mais a renovao da cid4e baixa1 formando-se ruas novas1 como de ,s4 ,nicolau p4a a rua nova dos ferros2 do largo da ,igr4a da ,victoria p4a o ,tronco1 e dahi ao meyo da calcetaria2 e outras q se podero formar de novo1 destruindo m4tas cazas inteiram4te e cortando outras com m4ta irregularidade1 noq me parece se encontraro embaraos muy dificeis de ajustar e de compensar e q sero mayores q os proveitos q se podero tirar das taes innovaoens de ruas3 pelo q me parece q nesta forma de innovao seria mais conveniente q seno entendesse1 alem de alargar as ruas estreitas1 conservadas por hum lado2 porq o despedaar becos e cazas q os acompanho s me parece praticavel q4do se arruinasse a cid4e baixa inteiram4te e se uzasse da sobred4a compensao expressada no #c4 ,he preciso tambem determinar se as ruas q se conservarem inteiras1 como a rua nova dos ferros1 a dos ,douradores1 a dos ,escudr4os1 a dos ,odreiros1 q no so inteiram4te em linha recta1 se se ho de obrigar seus donos a q as emmendem1 oq tambem hade causar grande viol4a e m4tos requerim4tos e deprecaoens1 pelo q dos #c modos da renovao da cid4e baixa1 o #a4o arrazandoa toda e renovandoa toda1 tenho por superior e melhor2 o #b4o de conservar as ruas largas1 e alargar as estreitas mencionadas tenho por mediado2 e o #c4o de querer tambem accrescentar ao #b4o a reduco dos becos e travessas a ruas largas tenho por infimo4 ,o abrir serventia descoberta e larga do terreiro do ,pao p4a a rua nova1 em todos os tres casos he indispensavel2 se for hua s1 poder sair ao meyo da rua nova2 e se forem duas1 poder ser a #b4;a em frente da rua dos ourives do ouro4 ,a rua nova do ,almada sempre se deve adoar1 no s p4a facilitar a subida do ,bairro ,alto1 mas p4a dar melhor saida s aguas1 onde se junta com a calcetaria e p da calada de ,s4 ,franc4o e largo da ,patriarcal4 ,a calada do ,pedro de ,novaes tambem est pedindo q a facilitem1 principiando este beneficio da rua e largo detras da ,igr4a de ,n4 ,s4a da ,vitoria1 travessa dos ,espingardr4os e caladinha que sobe p4a a ,cruz do ,carmo1 fazendo-se logo calada em tudo o q se for entulhando1 p4a q a agua da chuva no descomponha logo o entulho4 ,esta rua de ,pedro de ,novaes tambem necessita de se alargar por hu lado e tambem a comq se entra do largo da ,victoria p4a o q se lhe segue em frente das cazas altas da congregao do ,oratorio1 dando por ella principio a melhora da d4a calada de ,pedro de ,novaes1 como tambem necessita m4to de alargada a q fas serventia da rua das ,flores p4a a cruz de ,catequefars4 #e4o ,para se reformar a cid4e baixa na forma apontada no d4o pr4o modo dos #c1 expressados nesta #b4;a p4te 7a q me inclino7 a pr4a dilig4a consiste em q1 feitas as avaliaoens de todas as propried4es de casas q se ho de derribar1 cada hua de per si com o nome de proprietario1 qualid4es de suas obrigaoens1 ou sejo morgados1 cap4as ou foros1 p4a q a compensao q se der a cada proprietario1 fique com as mesmas obrigaoens primitivas2 e sobre hua planta nova da cid4e baixa com as ruas livrem4te desenhadas1 conservando porem as ,igr4as ,paroquiaes1 ,ermidas e ,conv4tos e as extensoens das ,freg4as nas suas mesmas situaoens o mais ajustado q fr possivel1 se calcule q4tos palmos superficiaes vo comprehendidos nas areas determinadas para serem occupadas de edificios2 e sabido ao todo o valor de todas as casas derribadas1 se reparta este pelo n4o de palmos superficiaes comprehendidos nas d4as areas1 e desta repartio se conhecer o valor que compete a cada palmo1 e segundo o valor de cada edificio derribado se lhe commutar o tal valor com o n4o de palmos superficiaes q lhe competirem2 com advertencia porem q sempre se attender a qualidade dos sitios1 recompensando o sitio de cada acredor com outro sitio semelhante3 ao que fosse mais proximo ao mar1 com sitio mais proximo ao mar1 e ao q fosse mais proximo ao rocio1 com sitio m4s proximo ao rocio2 e assim aos mais acredores2 e a todos se determinar tempo certo para darem principio ao edif4o p4a o terem tambem completo a tempo determinado1 seg4do os desenhos q lhes forem communicados p4lo ,architecto de senado o ,cap4am ,eugenio dos ,santos e ,carv4o1 p4a que cada rua conserve a mesma simetria em portas1 janellas e alturas2 e pelo q toca a cotas me parece sejo todas de dous pavim4tos sobre as logeas2 porem q as paredes que dividem os edificios excedo a altura das paredes das frontarias pelo que se julgar bastante p4a q o fogo seno possa communicar de huns telhados a outros1 como costuma suceder por no haver esta cautela1 e no deixa de ser bem empregada a despeza q demais se faz naquella poro de parede1 pela defeza comq cada edif4o se prepara contra hum tal inimigo4 ,disse asima1 p4a que cada rua conserve a mesma simetria em portas e janellas e alturas1 porq me parecia melhor que cada rua ou cada ,freg4a tivesse algua diversid4e ao menos na cr da pintura do que por toda a cid4e baixa inteiram4te uniforme1 at p4a no ficarem to distintas as outras p4tes da ,cid4e que se conservaro na mesma forma em q se acho1 porq tenho moralm4te por impraticavel a renovao inteira de ,lix4a em todas as suas ,freg4as2 mas esta minha imaginao no impede q depois de vencida a reformao da cid4e baixa1 se possa com melhor segurana emprender o q agora tanto se me difficulta4 #f4 ,e posto que se reprez4te este projecto o mais expedito1 e mais livre dos embaraos q nos outros dous concorrem1 e a ventagem de ser o q depois de conseguido no padecer a desgraa de arrependimentos porq como vae acompanhado de todas as melhoras possiveis1 no fica lugar aq se lhe notem os defeitos q nos outros se podero notar4 ,resta ainda vencer o embarao deq como p4a q as casas conservem hua boa simetria1 devem todas conservar entre si correspondencia1 e ser m4to rara a occasio emq o n4o de palmos superficiaes ou areas q corresponder pelo preo estimado a hu acredor p4lo edif4o em haver diferena de mais ou de menos area2 p4a vencer esta dificuldade ser precizo q determinados na nova planta os novos edificios com a sua ajustada simetria se ponho estes em venda1 preferindo p4a a compra os acredores com a condio que no caso q a area q cada hu receber tiver mayor valor q aq deixou1 entregue o excesso p4a com elle se ir satisfazendo a outro credor que receber area de menor valor q a que deixou1 e nesta formalid4e de entregarem os acredores em dinh4o o excesso da area q receberem de mayor preo do q lhes competia ou recebendo em dinh4o aquelle q completar o valor da area que deixou no caso de no querer lanar mo de mayor area1 se ajustar a compensao2 e q4do sobejarem areas que os credores no queiro comprar1 se vendero aos q no forem credores1 p4a os acredores receberem em dinh4o oq lhes pertencer2 e se houver credores q queiro comprar mais areas das q lhes pertencerem1 com esta extenso de compras poder ser prejudicial a outros acredores q quizerem tambem areas1 e no dinh4o2 neste caso se suspender o d4o excesso de compras1 q s lhes ser permittido qd4o faltarem acredores q queiro antes dinh4o do que areas4 #g4 ,e p4a vencer o receyo de faltar q4m queira comprar alguas areas1 nem acredores recebelas pelas q deixaro1 me occorre responder q como a todos os homens de neg4o he m4to conveniente terem as suas habitaoens proximas aos ,tribunaes deq dependem1 a principiar ,s4 ,mg4de a renovao de ,lx4a como j apontei no #ae4o da minha #a4;a parte1 pelos edificios publicos1 que so fabricados por conta da ,real ,fazenda quasi todos na ,marinha1 me faz persuadir q com este atractivo procuraro todos os q tiverem depend4a dos taes tribunaes alcanar sitios e areas p4a edificar1 no reparando em dar por hua vez hua s quantia ainda q grande em esperana deq com o tempo recuperaro abundantem4te nas habitaoens proximas aos tribunaes1 deq quotidiam4te dependem p4a os seus interesses1 e q com hu tal atractivo se facilitar m4to a reedificao de ,lix4a baixa com as vantagens premeditadas no d4o modo de a renovar1 arrazando-a2 mas emq4to me conservo na esperana de q possa ter effeito o projecto proposto com o atractivo dos ,tribunaes publicos feitos1 em #a4o lugar me lembro deq o ,tribunal da ,alfandega q costuma occupar m4to sitio1 e diversas estaoens1 segundo a variedad4e de fazendas q nellas se despacho1 se podia reduzir a hua summa abreviatura imitao da ,inglaterra1 emq as fazendas despachadas ainda dentro dos navios1 vo dalli p4a casa de seus donos1 determinando-se caes prprios p4a o dezembarque e conferencia dos despachos1 evitando o trabalho dobrado de as levar primeiro a ,alfandega1 e os perigos q alguas vezes na mesma ,alfandega experimento de agua1 fogo e roubos2 e no posso persuadirme q os ,inglezes cuido menos no interesse dos dir4tos reaes1 q os ,portugueses2 e como a casa da ,alfandega se acha to arruinada parecia boa occasio de mudar de estilo1 poupando tempo e dinh4o que na sua creao se ha de gastar4 #h4 ,atqui me tenho aplicado a individuar a renovao da cid4e baixa1 e como na supposio em q procedo de ,s4 ,mag4e lanar mo do sitio de ,s4 ,joo dos ,bemcasados e o convento de ,n4 ,sr4a da ,estrella1 toda a ,freg4a de ,s4 ,isabel fica inclusa na cid4e e ,corte de ,lx4a emq se vae edificando sem ordem nem simetria1 oq j no tempo do ,sr4 ,rey ,dom ,joo ,v se havia principiado a fazer1 sobre o que fiz hua representao ao mesmo ,rey e ,sr41 p4a q quizesse ser servido ordenar ao senado da ,camara dsse forma innovaco das ruas q se hio aumentando nos suburbios determinandolhes as larguras q havio de ter assim as principaes como as travessas1 determinando p4a estas #be palmos ao menos1 e p4a as ruas principaes a largura da rua dos ,ourives de ,ouro e de ,prata4 ,determinando tambem lugares mayores p4a praas e mercados2 e foi o mesmo ,rey e ,sr4 servido ordenalo assim per seu ,real ,decreto q ficou registado na ,secretr4a de ,estado1 e no cartorio do d4o ,senado no pode tambem deixar de estar registado2 e no posso nomear o dia nem o anno1 porq no tenho hoje memorias deq me valer1 e agora no prez4te tempo emq vo crescendo tanto os edif4os sem regulam4to algum1 me parece ainda mais necessario regulam4to mais ajustado1 q bem entendido deve ser1 q o senado1 com o seu ,arquitecto e ,mestres1 v demarcar e balizar os comprimentos e larguras das ruas q se vo acrecentando cid4e antiga1 e ao mesmo tempo formando a planta das ruas novas1 porq deste balizam4to depende a boa ordem que as ruas novas podem observar ficando as plantas servindo p4a tirar alguas duvidas q depois das demarcaes podem sobrevir4 ,advertindo q p4a esta innovao de ruas he mais proprio o balizam4to e demarcao sobre o terreno aq se deve seguir a planta p4a memoria1 doq fazer pr4o a planta ideada p4a a demarcao do terreno4 #i4 ,e porq depois de determinadas as ruas e praas he conveniente q os edif4os observassem simetria na altura das casas1 forma das janellas e portas1 seria tambe justo q o mesmo ,arquitecto do senado1 assim como ha de dar desenhos para a renovao da cid4e baixa arruinada1 os d tambe p4a esta p4te q de novo se edifica4 #aj4 ,tambem se me faz preciso advertir q se devem aclarar os limites da fortificao de ,lix4a p4a q os novos fabricadores de edificios no vo occupando terreno prohibido1 cuja incumbencia poder ter o sarg4to mor ,filippe ,rodrigues de ,olivr4a acompanhado do ,vedor ,geral das ,fortificaoens1 e de seu escrivo1 assim porq j a andou observando na averiguao das fazendas q p4a a d4a fortificao foram compradas1 como tambem por ter sido privilegiado do fogo q lhe no roubou os seus papeis1 entre os quaes conserva o da d4a fortificao2 e p4a esta diligencia ser completa se poro balizas firmes nos lugares prohibidos1 assim dentro1 como fora da fortificao1 que determinem os lugares exceptuados p4a se no fazerem nellas obra algua de pedr4o1 e algua q houver j de carpintr4o no possa ter posse de conservao1 com a obrigao feita na ,vedoria p4a a derribarem todas as vezes q for ordenado1 sem se poder requerer satisfao algua1 antes pagaro na mesma ,vedoria1 q o he tambem da ,fortificao1 oq este lhe ordenar em reconhecimen4to de vassalagem4 ,e ao ,marquez ,estribr4o mor ,gov4or das ,armas da ,provincia da ,extremadura e ,corte1 como ,superintendente das ,fortificaoens me parece pertencer mandar executar esta dilig4a ordenando-lhe assim ,s4 ,mag4e4 #aa4 ,e he q4to me occorre dizer nesta #b4;a p4te reservando p4a a #c4;a o q depende de planta1 p4a cuja execuo me tenho achado m4to falto de preparativos e comodid4e porq a destruio experimentada que penetrou os lugares ainda mais reservados1 como se fosse enviada p4a destruir q4to pudesse ter algum uso aos viv4tes que restaro1 ficando por este modo extinctos nos seus exercicios1 ainda q vivos p4a se lembrarem do q perdero1 tambem fez caso de mim p4a mostrar q lhe no escapou cousa algua1 por diminuta que fosse4 ,a mat4a q se trata1 ainda q no seja to nova que deixe de ter havido outras semelh4tes1 he comtudo necess4o ponderarlhes as differenas das occasioens em que se fizero1 porq nem em ,londres1 nem em ,turim se achavo os povos flagelados como os de ,portugal quando se reformaro aquellas cortes1 e vae m4ta diferena de obras em tempo mais ou menos calamitozo p4a ser mais ou menos facilitada a execuo4 ,p4a esta se conseguir sempre ser hu grande adjutorio a saude bem conservada3 as aguas corruptas1 e sem movim4to1 assim na rua nova dos ferros como no ,rocio1 sem despejo1 no deixo de correrem perigo de corromper o ar2 he ponto pertencente ao ,tribunal da ,saude e do ,senado da ,camara1 q o governa1 e entendo seno deve desprezar sem ofensa do bom regimen4 ,lix4a #af de ,fevr4o de #agefag4 99,terceira parte da ,dissertao sobre a renovao de ,lisboa ,lisboa#ah99 #a4o ,no ultimo da segunda parte da ,dissertao sobre a renovao de ,lisboa1 prometi esta terceira muy dependente de plantas1 e desenhos que no posso executar como costumava fazer1 sendome preciso valerme de outras pessoas sem ser em minha prezena por falta de commodo que ainda me no tem sido possivel conseguir1 consequencia dos fatalissimos flagelos q se tem manifestado nossa admirao3 ,valendo me porem dos officiaes ,engenheiros e ,praticantes da ,academia ,militar1 de que me pareceo fazer eleio1 e communicandolhes a planta da parte baixa de ,lisboa destruida que s me escapou da voracidade por se achar fora da minha mo1 lhes expliquey a mudana que pretendia mostrar por plantas novas em que se podesse fazer conceito dos remedios premeditados1 intimando ao ,ajudante ,pedro ,gualter da ,fonceca1 acompanhado do ,praticante ,francisco ,pinheiro da ,cunha1 tomasse por sua conta expressar em huma planta sobre a representao da parte baixa de ,lisboa destruida1 a emmenda das ruas estreitas1 de mais uzo1 e algum melhoramento nas largas1 para que se se quizer lanar mo d'esta emmenda proposta no principio do #d4o da segunda parte1 se antevisse a melhora que se conseguia3 e que tambem sobre os becos miudos apontace novas ruas1 para que se podesse sobre ellas observar se seria escuzado aquelle melhoramento1 ou inevitavel1 conservando nos seus proprios sitios os ,templos1 ,ermidas e ,freguezias com o seu terreno competente2 e mudando a largura do terreiro do ,pao em comprimento1 extendendo-se para a parte do mar the emparelhar com o comprimento#ai da ponte da ,caza da ,india1 ficando sendo#bj a sua largura desde o ,forte the face do poente da ,alfandega do ,tabbaco1 e formando a caza da bola dos homens de negocio entre a dita ,alfandega e o arco do ,assougue1 separada por duas ruas1 huma da parte da mesma ,alfandega1 e outra da parte do mesmo ,assougue para darem serventia para a praa restante1 entre a dita bola e ,caza dos ,contos1 que servir para os uzos q costumava servir1 mas sem inficionar a praa principal1 derribando-se o baluarte1 e sua cortina1 e fazendo-se no extremo do comprimento desta nova praa escadas para dezembarcar em toda a mar sem necessidade de pranchas1 e dando-se commodo para a ,vedoria e ,academia ,militar entre a ponte da ,caza da ,india1 e o ,forte1 o q vay representado na planta n4o #a4 #b4o ,ao capito ,elias ,sebastio ,pope acompanhado de seu filho o ,praticante ,joze ,domingos ,pope entreguey outra planta da parte baixa de ,lisboa destruida intimando-lhe outra 7planta da7 renovao 7para o mesmo fim7#ba1 com a differena porem q no tratasse de melhorar ruas estreitas1 nem aproveitar-se das largas inteiramente1 mas que com a liberdade q julgasse apropriada formasse huma nova planta com as mais condies apontadas na primeira intimao3 ,o que apprezento executado na planta n4o #b4 #c4o ,ao ,capito ,eugenio dos ,santos de ,carvalho1 acompanhado do ,ajudante ,antonio ,carlos ,andreas1 entreguey outra planta da parte de ,lisboa baixa destruida1 para que sobre o terreno que occupara formasse outra nova planta com toda a liberdade inteiramente1 e sem sogeio nem preceito algum mais que a conservao dos ,templos1 ,ermidas e ,freguezias3 o que vay executado na planta n4o #c4 ,recommendando geralmente a todos tres formassem algumas praas em lugares convenientes#bb para q nestes vazios tivesse o ar commodos em que produzisse os seus bons effeitos4 #d4o ,e porque entre os tres pensamentos propostos se acho diversidades que podero ser mais ou menos agradaveis1 e o meu intento he somente apontalos1 no duvidando q 7ainda sobre os trs modos propostos7#bc se posso sinalar outros melhores1 para o que podero servir de grande#bd adjutorio estas tres reprezentaes1 porque vista das diversas configuraes de hum objecto1 he q milhor se pode observar a sua propriedade1 ou impropriedade1 aproveitando-me do mesmo soccorro1 noto na planta n4o #c4o que o terreiro do ,pao nella desenhado excede quanto a mim a grandeza de praa2 mas q o molhe q forma na ,alfandega para que os barcos carregados e nelle recolhidos posso com toda a commodidade descarregar dentro da mesma ,alfandega1 sem adjutorio da ponte1 me parece muito bem advertido4 #e4o ,suppondo 7porem7 que se acceita algum dos planos propostos1 resta ainda depois de demarcados os sitios edificandos1 e determinada a commutao dos destruidos1 escolher com antecedencia o modo com que se devem preservar as ruas livres dos embaraos que as fazem immundas1 fazendo elleio do mais apropriado para este fim2 e porque sobre o ordinario de que se custuma uzar1 q consiste em serem conduzidas pellos carretes#be em cargas de bestas todas as superfluidades q se lano das janelas1 ha somente tres q podem concorrer para a elleio1 declaro que o primeiro 7de que se tem uzado alguns paizes7#bf consiste em que1 fabricadas pello meyo das ruas 7principaes7#bg cloacas com capacidade para receberem as agoas e 7todas as7#bh superfluidades dos edificios1 sayo destes os conductos subterraneos pellos quais os edificios se aliviem nas cloacas3 alguns conductos destes se fizero em ,conventos e edificios particulares d'esta ,cidade1 e se introduziro nos canos reais1 mas tem sido em pouco numero2 advertindo que os canos reais q so as cloacas antigas de ,lisboa1 pella mayor parte se no acho capazes de bom servio por estarem muito corruptos e pella mudana das ruas1 que provavelmente se seguir1 poder ser preciso haver mudana nas suas situaes#bi4 #f4o ,consiste o segundo em reconhecer que em algumas partes se uza de carretas que vezitando de manh as ruas1 e recolhendo os lixos e superfluidades solidas1 as alivio1 e defendem do mayor embarao1 ficando s sogeitas s agoas q com facilidade se dicipo4 #g4o ,consiste o terceiro em deixar livre entre cada duas ruas1 e as duas ordens de edificios q as formo por hua de suas partes huma rua estreita de sinco ou seis palmos que chamo1 alfugere1 sem que hajo para ella portas1 mas s janelas de que se lancem nella as tais superfluidades1 que no ,outono costumo ser extrahidas pellos carretes1 para serem lanadas em lugares determinados2 e em algumas partes desta ,cidade1 se achavo as tais alfugeres1 posto que com o inconveniente de inficionarem o olfato dos moradores daquellas cazas a que fico contiguas1 q necessito de vidraas para moderarem aquelle inconveniente1 ou custumarem-se a sofrello2 pello que dos quatro modos referidos1 sempre o do conductor subterraneo para as cloacas me parece o milhor onde as houver3 o dos carros1 ou carretas1 havendo a quantidade sufficiente1 estimo em segundo lugar2 e em terceiro1 o commum e uzados carretes1 e ultimamente o das ,alfugeres1 q alem do seu perpetuo inconveniente1 deminuem o terreno dos edificios4 ,a considerao porem da diversidade das despezas1 poder alterar muito este meu parecer1 que sempre como tudo o mais deixo pendente da melhor ponderao4 #h4o ,a esta considerao de conservar as ruas de ,lisboa livres dos embaraos que as fazem immundas1 para o que concorrer muito a mayor largura das ruas1 e a menor altura dos edificios1 no excedendo de dous pavimentos sobre as loges1 se segue necessariamente outra no menos importante1 e consiste em determinar melhor lugar em que posso os tais embaraos ser lanados com menores inconvenientes2 e por que me occorre hum mais livre delles do que os j observados1 e promete huma grande conveniencia ao bem publico1 sejame licito prezentalo neste lugar4 ,consiste elle em q os tais embaraos se vo lanar dentro do ,rio de ,sacavem1 para que com este adjutorio se chegue a formar nelle hum valle imitao do de ,cheias1 em que as agoas salgadas chegavo em algum tempo ao templo das ,virgens ,vestaes1 hoje ,convento de relligiozas de ,sancto ,agostinho2 por q se este pequeno ,valle soccorre to agradavelmente a ,corte com as suas hortalias e frutas1 quanto melhor o far o ,valle de ,sacavem com a sua muitas vezes mayor grandeza1 e sem se poder dizer que os embaraos ali lanados podem cauzar algum impedimento na barra1 como se pode temer de qualquer dos outros modos em que se no lano em terra3 pode esta considerao ter contra si o embarao do refugio das embarcaes no tempo em que se recolhem a buscalo2 mas a isso se pode responder q nem as embarcaes necessito de todo o esteyo de ,sacavem para se refugiarem1 nem seria justo q inteiramente se lhe impedice o refugio1 mas que s se formasse em ,valle aquillo que lho no impedice q sempre ser de grandeza muy proveitoza4 #i4o ,tambem parece precizo attenderse com antecedencia aos conductos da agoa para as fontes de que he muito justo se milhore esta cidade baixa destruida1 para alimento dos povos para extinco dos incendios1 e para adorno das praas3 no terreiro do ,pao pode servir a agoa q vem das ,cruzes da ,s3 na praa do ,rocio1 pode o seu chafariz receber mayor agoa1 e mais segura do bairro alto1 ficando a que de prezente lana ao ,desterro de donde traz a sua origem1 onde tambem he necessaria para acodir ao muito povo que naquella circumvezinhana tem crescido3 ,o ,hospital ,real de todos os ,santos pellos seus grandes privilegios se faz acredor de toda a agoa q lhe necessaria3 ,o largo da ,victoria est pedindo com muita razo ao bairro alto hum soccorro de agoa3 o bairro de ,s4 ,jos o imita com a mesma justia1 por que ali a viro buscar do ,campo do curral onde no ha a sufficiente3 e estes lugares da ,cidade baixa que tenho apontado1 so os inexcuzaveis deste soccorro1 porque se fosse possivel q em cada rua houvesse huma fonte1 ou cada caza tivesse huma chave de agoa1 nunca se poderia chamar superfluo este melhoramento3 mas pois que o no pode ser em todo1 para q ao menos o possa ser em parte1 se devia fazer alguma deligencia1 para se convocarem1 e ajuntarem mais agoas1 pois para isso foro formados dous encanamentos no ,acqueducto q conduz a agoa para o bairro alto1 no que se no tem posto th o prezente aquella applicao q a materia merece1 e com que se podero conseguir1 segundo os apontamentos que para esse fim foro feitos1 q posto o fogo os consumice todos1 ainda se acharo alguns vestigios na ida4 #aj4;a ,e porque a agoa sem instromentos com q se applique he como espada sem brao1 e as bombas o custumo ser1 devem estas acharse repartidas em lugares convenientes1 e ao menos hua em cada freguezia1 e junto da mesma ,igreja para o que se determinar edificio particular de que poder ter a chave o andador da ,irmandade do ,santissimo ,sacramento1 por se achar ordinariamente assistindo na ,igreja1 ou perto della3 ,os baldes de couro em bom numero so inseparaveis das bombas1 para com promptido e segurana ajudarem neste conflicto3 cuja repozio deve ser muito observada por meyo de alguma horroroza penna contra quem tiver o desacordo de os no repor em seu lugar1 achandose em qualquer mo fra delle4 #aa4;a ,no posso deixar de acrescentar aqui ser muito preciza huma especial atteno na elleio das pessoas que hajo de ter por sua conta a execuo desta difficultosa obra da renovao de ,lisba baixa1 para a guiarem livre dos embaraos q se podero encontrar1 ou incluir entre a correspondencia do antigo com o moderno1 no cazo de haver alguma commutao do velho1 com o novo que he aonde consiste a mayor difficuldade2 para cuja soluo no julgo inteiramente sufficientes os adjutorios das plantas1 e se faz muito precizo que se vo observando no terreno com todo o genero de precaues q a materia merece2 por que sendo certo q se no uza de petip nos planos das cidades antigas to irregulares como custumo todas ser1 no se pode uzar delles como de hum plano regular de hum ,convento ou de hum ,palacio3 ,e ainda q a nossa planta de ,lisba antiga se avantage em se lhe ter assignado petip1 nem por isso se deve caminhar por ella1 sem ser como com huma continuada sonda reta por cauza da dita commutao2 porque o formar huma ,cidade de novo sem attenco mais que a ella propria1 unindoa a outra antiga como em ,turim1 ser mais divertimento que trabalho2 para esta execuo me persuado estarem em primeiro lugar o ,tenente ,coronel ,carlos ,mardel e o ,capito ,eugenio dos ,santos de ,carvalho1 porque lem de serem ,engenheiros de profio1 so tambem na ,architectura ,civil os primeiros ,architectos4 #ab4;a ,e como ath o prezente se no sabe o modo de commutao q se uzar com os donos das cazas destruidas1 e a conjectura q eu fazia era na suppozio de que na deligencia q em forma de tombo se executava pellos bairros1 se incluia a avaliao dos edificios1 o que com effeito no he assim1 mas s consiste na medio das areas1 e algumas clarezas q no comprehendem a avaliao1 me vejo obrigado a entender que1 ou esta avaliao se far separadamente por segunda deligencia1 prezentes os mesmos edificios ou no prezentes1 ou que se no quer uzar mais que de medies das ,areas1 para serem commutadas por areas2 porque como na renovao da ,cidade baixa por ruas largas1 se mudo totalmente os sitios dos edificios que no so mandados avaliar1 parece poder ser o intento da commutao por ,areas correspondentes1 assim aos sitios mais ou menos proximos do mar1 como grandeza mayor ou menor1 correspondente do edificio destruido2 mas como se no pode entender q por cauza da mayor largura das ruas restem areas para suprir as dos edificios destruidos1 segue-se deste conhecimento que commutando-se as areas com igualdade1 ho de faltar areas para completar as de muitos edificios antigos1 que ou se ho de suprir com areas em outros sitios novamente determinados1 ou em dinheiro no cazo dos donos dos tais edificios se no conformarem com a tal commutao4 ,se porem se julgar licito que se faa huma commutao de areas proporcionada de outro modo1 isto he1 sabendo ao todo a area de todos os edificios destruidos1 e sabendo tambem ao todo a area dos terrenos edificandos1 e observando a proporo entre estas duas areas totais2 e fazendo sobre ella1 e sua imitao1 a commutao das areas particulares1 no seria necessario suplemento de areas1 e ficario todos com areas correspondentes1 ainda que menores das que tinho2 no que serio mais intereados os das ruas estreitas extinctas pellas vantagens das ruas largas2 e no cazo de no servir de obstaculo esta diversidade para se fazer a compensao1 resta ainda averiguar como se h de suprir o mais ou menos de area que a alguns acredores faltar1 ou crescer para bem edificar2 o que j no #f4o da segunda parte desta dissertao supriamos por meyo das avaliaes que suppunha se fazio3 mas como j reconheo se no tem feito1 e q sem ellas me no occorre suplemento para os tais cazos1 parece q para elles so as avaliaes inevitaveis se se houver de abraar o dito modo de compensao2 e no cazo de se fazerem seria bom que fosse prezentes os edificios e renovadas as medies1 para se fazer correco em algumas de que tenho noticia necessito della1 pois nem sempre as principaes pessoas as prezenciavo4 #ac4o ,o ,sennado de ,lisboa que j cultivou esta materia nas ruas dos ourives da prata1 e do ouro1 e dos douradores1 no achou melhor meyo q tomar a si as cazas avaliadas que queria emmendar1 e fazendo a obra sua custa1 vendel-as a quem mais dce1 para satisfazer aos credores2 e poder ser q avaliados os edificios destruidos de huma freguezia1 e formados os edificios novos da mesma1 e postos depois em venda1 possa o seu producto satisfazer assim o valor dos edificios destruidos1 como a obra dos edificios novos3 e como a ,cidade baixa destruida1 se no pode reedificar toda ao mesmo tempo1 parecia justo que a experiencia se fizesse em huma de suas partes1 que poderia ser em parte da freguezia de ,s4 ,julio no sitio incluzo entre a rua dos ourives do ouro e a rua nova do ,almada1 por haver nelle muitos beccos e ruas estreitas q he onde pode haver a mayor duvida--1 advertindo parecer conveniente que o ,sennado determinace os arruamentos1 para que segundo elles se formassem logo os edificios com os commodos proporcionados4 #ad4;a ,as duas renovaes mais celebres das ,cortes da ,europa1 tem sido a de ,londres1 e a de ,turim2 e dezejando eu saber o como se procedo com os particulares na sua execuo1 sem ter ,livro de que me valer1 nem ,bibliotheca publica q nunca mais preciza me pareceo que na prezente occazio1 nem occazio mais propria para se lhe dar principio que esta1 ainda q no seja logo tam numeroza como hoje so as mayores q no principiaro to grandes1 me achey obrigado a mendigar huma historia de ,inglaterra que incluice o anno de #afff em q no consegui noticia de proveito2 e vendo no ,diccionario ,geografico de ,martiniere a descripo de ,londres1 em que lhe delinea as ruas como as nossas da ,villa de ,thomar1 tambem no achey nelle clareza de que me service2 o que poderia conseguir se tivesse mais q revolver4 ,a renovao da ,corte de ,turim1 no he como alguns dizem1 q fora arrazando ,turim ,velho1 para fazer ,turim novo1 porque s foi acrescentar ,turim novo a ,turim velho1 fazendo em hum sitio plano contiguo a ,turim1 hum aditamento a ,turim1 no que no havia difficuldade que vencer2 donde venho a concluir q a renovao de ,lisba destruida tem muito mais que ponderar que o augmento da de ,turim acrescentada4 ,o que resta ainda determinar he se as ruas mais principais se devem dividir em tres partes como as de ,inglaterra2 e se se ho de fazer porticos1 ou columnatas em algumas ruas como havia na rua nova dos ferros1 e na ,confeitaria3 sobre o que me parece dizer q nas obras do terreiro do ,pao as columnatas sejo de bom uzo1 e bom adorno1 mas que nas ruas de logeas me parece mais conveniente que no haja columnatas e que as antigas da rua nova dos ferros serviro aos homens de negocio por falta do edificio da bola1 q fazendo-se no terreiro do ,pao como espero1 he escuzado suplemento em outra parte2 declaro q as ruas de ,inglaterra so formadas de trez divizes1 a do meyo mais larga para as carruagens1 e as duas dos lados para a gente de p2 aquella calada de pedra miuda1 e as duas de enchelharias groas com seus postes que as separo da do meyo1 para que as carroagens no vo embaraar os dous passeyos2 as principais so de larguras excessivas1 o que ns poderiamos suprir com quarenta e cinco ou cincoenta palmos de largo1 dando dez palmos a cada hum dos dous passeyos1 ficando o resto no meyo para uzo das carroagens3 mas no me inclino a esta divizo de ruas1 porque nas occazies de festas1 e de concuros1 se no podero concervar bem em seu estado proprio1 no sendo de huma largura muito mayor1 o que no grande comprimento de algumas ruas de ,inglaterra se faz mais adequado1 e na nossa ,cidade de ,lisba baixa destruida consumir muito terreno1 em prejuizo dos donos dos edificios que obrigados a no levantar mais q dous pavimentos sobre as logeas1 clamaro contra a maior largura das ruas do que as tres divizes sero cauza4 ,na planta n4o #d4o apresento mais huma renovao da cidade baixa arruinada expressada pello ,ajudante ,pedro ,gualter da ,foncca com toda a liberdade possivel1 sem attender conservao dos sitios das ,igrejas ,parroquiais para no cazo de no servir de embarao a tal mudana possa tambem entrar na conta dos pensamentos ponderados4 #ae4;a ,em #e4o lugar offereo a planta de huma rua de #fj palmos de largo imitao de algumas da de ,londres dividida em tres partes1 a do meyo de #dj palmos de largo para carruagens1 e gente de cavalo1 e as duas dos lados de dez palmos de largo cada huma para a gente de p e ,cadeirinhas1 com a separao de pilares e pavimento que o profil mostra1 e no mesmo profil a figura da ,cloaca1 ou ,cano ,real para serventia das agoas dos montes e limpeza dos conductos1 que dos edificios se lhe introduzem4 #af4;a ,em #f4o lugar offereo o primeiro prospecto em que se mostra a altura e simmetria dos edificios com dous pavimentos sobre as logeas com janelas rasgadas no primeiro1 e com janelas de peitoris no segundo1 e divizes de paredes altas sobre os telhados para deffensa da communicaco dos incendios4 #ag4;a ,em #g4o lugar offereo o segundo prospecto1 em que se mostra a altura1 e simmetria dos edificios com dous pavimentos sobre as logeas1 ambos de janelas rasgadas1 e com divizes de paredes altas para diffensa da communicao dos incendios4 #ah4;a ,em #h4o lugar offereo o #c4o prospecto1 em que se mostra a altura1 e simmetria dos edificios1 com seus porticos1 ou columnatas1 contra as inclemencias do tempo com dous pavimentos sobre as logeas1 e ambos de janelas rasgadas1 e divizes de paredes altas sobre os telhados para impedimento dos incendios4 #ai4;a ,em #i4o e ultimo lugar offereo huma forma de edificio mais nobre para o ,terreiro do ,pao com seus porticos com mezaninos contra as inclemencias do tempo1 dous pavimentos de janelas rasgadas 7dos quais hum se poder abater parecendo grande a altura7 e outro pavimento de mezaninos junto aos telhados2 e divizes de paredes altas para deffensa da communicao dos incendios2 e todas estas sinco ultimas reprezentaes so expressadas pello ,capito ,eugenio dos ,santos e ,carvalho4 ,e he quanto me foi possivel unir nesta #c4;a parte1 guardando o restante para a quarta4 ,lx4a #ca de maro de #agef4 99,additamento99 ,em decimo lugar offereo a planta n4o #e p4a a renovao da cidade de ,lisboa baixa arruinada sem atteno conservao de sitios de templos ideada pello ,cap4m ,eugenio dos ,santos e ,carvalho na qual a cor amarela mostra o que se far de novo1 e o vermelho o que se conserva do antigo4 ,em undecimo lugar offereo a planta n4o #f4o p4a a renovao de ,lisba baixa arruinada sem attender conservao dos sitios antigos1 ideada pelo ,capito ,elias ,sebastio ,pope4 ,lx4a #ai de abril de #agef4--,manuel da ,maya#cj4 99 99 99 99 99 ,basta este trabalho para mostrar a competencia e autoridade de ,manuel da ,maya como um verdadeiro engenheiro1 na mais ampla accepo d'esta palavra1 e com as mais largas vistas sobre os complexos assuntos que se prendem com a sua profisso e nella exigem os conhecimentos mais profundos sobre as necessidades capitaes da organizao social4 ,no admira por isso que o seu nome cresa no respeito dos vindouros1 como fra respeitado e querido pelos seus contemporaneos4 ,do conceito e estima em que era tido pela gente do seu tempo1 reza por exemplo o seguinte trecho do #ad4o volume do ,theatro de ,manuel de ,figueiredo1 repositorio importante de informaes e noticias com que entramos no conhecimento do meio portugus no seculo ,,xviii1 por uma forma por vezes pittoresca e palpitante3 virtuoso1 constante e distincto ,portugus ,manuel da ,maya6 ,quanto no soffrerias para nos deixar aquelle incomportavel thesouro1 que hoje desfrutamos6 7e at os mesmos ,gallegos7 fallo do manancial das ,agoas-,livres1 obra de principios to solidos e plano to exacto1 imaginada e conhecida por ti2 aquella abundancia que tanto tem concorrido para a sustentao da extensa cidade de ,lisboa3 tua sabedoria e ao teu genio se deve este bem6 ,no empregaste as mathematicas nos utilissimos fins de nos matarmos huns aos outros com mais presteza1 mas sim em evitar o morrermos sde4 ,nunca ouvi gabar estes teus cuidados e lembrana original2 custou-me a saber quem teria sido a origem deste to grande bem1 que nos deixaste4 grande ,patriota ,manuel da ,maya6 ,o ceu te remunere as tuas grandes virtudes quanto utilizou nellas o teu grande ,discipulo6 ,que originaes lhe no deixaste impressos no corao e no entendimento6 ,aonde tiveste a satisfao de presencear o quanto foro respeitadas pela ,providencia aquellas obras no grande abalo terrestre de #a de novembro de #ageeca4 ,da considerao em que os planos de ,manuel da ,maya foram tidos nas regies officiaes1 diz o officio do ,duque de ,lafes que atraz deixmos publicado2 mas aqui temos outro documento1 este official1 em que1 poucos dias depois da data da terceira parte do relatorio do eminente engenheiro1 o governo manda pr em execuo em grande parte as suas ideias3 ,manoel da ,maya ,m4e de ,campo ,gn4al e ,engenhr4o mor do ,r4no4 ,em virtude de hua ordem de ,s4 ,mag4e a mim dirigida e partecipada ao ,ex4mo ,s4r ,duq4e ,rej4or ordeno ao ,ten4e ,coronel ,carlos ,mardel e aos ,cap4es ,eugenio dos ,santos1 ,elias ,seb4am ,pope acompanhado do ,ajud4e ,ant4o ,carlos ,andrey1 e do ,prat4e ,jos ,dom4es ,pope tomem por sua conta fazer1 delinear1 demarcar e balisar o terreno q jas entre os terrenos de ,lisboa edificada e o lineam4o de sua ,fortef4am principiando a delig4a desde a porta do carro da casa professa de ,s4 ,roque1 continuando por defronte de ,s4 ,p4o de ,alcantara1 ,noviciado da ,cotovia1 toda estrada fronteira1 a bica das aguas livres at ,anjos ao ,arco do ,carvalho tudo q4to fica a p4te direita4 ,as ruas1 praas1 e mercados1 q no d4o terreno se poderem em boa forma distribuir1 assim p4a o bom uso e comodid4e do publico como p4a enobrecer a d4a ,cid4e com este augm4to da melhor eleio1 reduzindo ao mesmo tempo em planta o q se for demarcando debaixo do petip que vay sinalado a margem p4a se ajustar com a da renovao de ,lisboa baixa arruinada1 empregandose nas ruas mais principaes1 e de mayor comprim4o a largura de #fj palmos1 e nas menos principaes de #dj p4mos e nas travessas de #cj1 no servindo de embarao ao tal balizam4o e demarcao muros de quintas1 nem valados de faz4as1 desenhando tambem prospectos de casas de dous pavim4os sobre as lojas1 o #a4o com janellas rasgadas1 o #b4o com peitoris1 ou 44444 diversificando as ruas pelas cores em q as portas e janelas sero pintadas3 ,para as casas nobres se formaro prospectos de diversos portados com mais n4o de janelas mas no de mayores alturas1 por no alterar a principal regularid4e4 ,as paredes q dividirem os edificios excedero a altura das paredes das frontarias pelo q se julgar bast4e para q o fogo se no comunique de hum telhado p4a outros3 ,as ruas mais principaes q recebem as aguas dos montes1 ou das fontes devem conter cloacas por onde possa andar hum cav4o digo hu homem a cav4o1 com os quaes edificios ho de ter comunicao por seus aqueductos1 o q ser representado em hum perfil das mesmas cloacas1 pois he o modo de melhor preservao p4a q os edificios se aproveitem delle com anteced4a q4do as cloacas se formo1 de q tudo se far impresso p4a se distribuir1 e comunicar aos interessados para q se execute este projecto com a promptido q4 ,s4 ,mag4e ordena4 ,o d4o ,ten4e ,cor4el avisar as pessoas nesta ordem mencionadas p4a lhes comunicar em certo dia a ordem1 como he costume1 e pelo q toca s despesas q neste projecto se faro1 o d4o ,ten4te ,cor4el com o rol q apresentar ao d4o ,ill4mo e ,ex4mo ,snr4 ,duque ,reg4or alcanar promptam4e o desp4o p4a a satisfao da import4a--,lisboa #i de abril de #agefcb4 99 99 99 99 99 amabilidade do digno par do reino ,sr4 ,francisco ,simes ,margiochi devemos o ter conhecimento de uma preciosa colleco de manuscritos referentes a ,manuel da ,maya1 reunidos por seu pae1 uns da letra do grande engenheiro1 outros1 documentos officiaes a seu respeito1 d'onde tiraremos desde j algumas informaes1 guardando a publicao d'esses documentos para outro logar1 principalmente para quando noutro logar nos occuparmos da biographia do reedificador de ,lisboa4 ,no seu testamento datado de #bg de junho de #agfd diz ,manuel da ,maya3--,declaro que sou natural d'esta cidade de ,lisboa1 baptisado na freguesia de ,sam ,julio em cinco de ,agosto de mil seis centos settenta e sette1 sendo meu ,padrinho o muito ,reverendo ,padre ,pedro de ,vargas capello da ,capella ,real do ,senhor ,rey ,dom ,pedro o segundo1 filho legitimo de ,francisco da ,maya e de sua segunda mulher ,paula de ,almeyda1 recebidos na freguezia de ,santiago da ,villa de ,almada1 de donde passaro para a freguesia de ,so ,julio desta corte1 onde vivero at o fim de sua vida e foro enterrados no convento de ,so ,francisco da mesma ,corte1 em cuja ,religio ero terceiros4 ,no fui casado e no tenho herdeiro algum forado ascendente ou descendente1 e se houver alguem que proue lhe sou deuedor de alguma couza ordeno seja attendido como fr justo4 ,nomeyo por meus testamenteiros em prim4o lugar ao ,reverendo ,beneficiado da ,santa ,igreja ,patriarchal ,pedro do ,valle ,maya1 em segundo lugar a seu 787 tio ,theodoro da ,silva ,maya a quem rogo queyram por caridade e amor de ,deus dar a execusso o que aqui determino4 ,ser meu corpo leuado no esquife ou tumba da minha ,veneravel ,irmandade dos ,clerigos pobres com o titulo de caridade e proteco da ,santissima ,trindade cita no hospital ,real de todos os ,santos e acompanhado pella mesma ,veneravel ,irmandade 7 qual87 offereo dez moedas de ouro como j offereci na minha entrada1 e ser sepultado no mesmo convento de ,sam ,pedro de ,alcantara das ,religiosas ,arrabidas cuja communidade toda no dia seguinte dir missas pela minha alma de corpo presente444 ,mais adeante diz3--,declaro que o fogo que se seguiu ao terramoto do primeiro de ,novembro de mil sete centos sincoenta e sinco me queimou o edificio em que morava na travessa do ,salema1 freguezia do ,santissimo ,sacramento desta corte e me destruhio quanto nelle tinha em que entravam todas as minhas memorias conseguidas em largos annos com documentos1 plantas e instrumentos da minha principal profissam e da minha fabrica1 e noticias procedidas de diversos empregos do ,real ,servio assim diurnas como nocturnas1 e que ao depois fiz algumas nouas dissertaoens1 discursos e reparos e principalmente pertencentes ao lugar de ,enginheiro mor do ,reyno e ao de ,guarda mor da ,torre do ,tombo conducentes ao ,real servio e bem publico1 dos quaes alguns tem sido por mim propostos ainda que nem todos attendidos e que os primeiros se acharo na minha casa de visitas e os segundos na casa em que tenho os liuros1 e pesso ao ,reverendo ,beneficiado ,pedro do ,valle ,maya meu testamenteiro primeiro que com os dous destes ,reverendissimos ,padres ,frey ,antonio de ,santa ,anna e ,frey ,anastacio dos ,santos os revejo e observem com atteno 7pois que eu com a diminuio de potencias e sentidos e de mais de outenta e seis de idade me no acho em termos de o fazer71 separando o que lhe parecerem util para se entregarem da minha parte aos meus dous successores que lhe daro a prouidencia que melhor lhes parecer444 ,na carta regia de #i de dezembro de #ageh em que a ,manuel da ,maya se faz merc de doze mil reis de tena annual1 vem os seguintes dados biographicos3 ,fao saber aos que esta minha carta de ,padro virem que tendo respeito aos servios de ,manoel da ,maya filho de ,francisco da ,maya natural desta cidade feitos pello espao de vinte e hum annos quatro mezes e hum dia nos postos de ,apontador das fortificaoens1 ,ajudante de ,ingeneiro1 ,capp4am1 ,sargento ,mayor1 e no de coronel de ,infantaria com o mesmo exercicio de ,ingineiro desde vinte e sete de ,mayo de seiscentos noventa e oito at vinte e sete de ,mayo deste anno de mil setecentos e dezanove2 no de mil setecentos e hum assistir s obras da marinha e das batarias da banda de ,alem1 tomando as alturas e examinando os materiaes e fazer os riscos das plantas das ditas obras com muito acerto e ajudando em todas ellas ao ,lente das fortificaes1 ,francisco ,pimentel1 com o qual foy a ,extrems para examinar o que faltava fortificao da ,praa2 no de mil sete centos e quatro conduzir p4a ,abrantes hum ,regimento de ,olandezes1 e despois voltar1 tornar para a dita ,villa obra da fortificao fazendo a medio planta do armazem e a informao doque convinha para a de ,tancos na ,campanha do ditto anno2 acompanhar ao ,conde ,apozentador mor que foy aquartelar a munto alto e munto poderoso ,rey ,dom ,pedro segundo de boa memoria1 meu ,rey e ,senhor que ,deus foy servido levar para sy1 servindo de quartel ,mestre da ,corte2 no de mil sette centos e sinco1 ser mandado para ,elvas1 e sahindo no exercito assistir obra de huns reductos que se fizero a 787 da da ,godianha para guarda da ponte das barcas1 hindo muitas vezes vizitar os ataques e batarias por ordem do mesmo senhor2 traduzir dous livros ,francezes que trato da fortificao1 que foro recebidos com geral acceitao pello estillo e f da traduo e pello seu bom prestimo e intelligencia ter sido muntas vezes occupado em varias diligencias do ,real serv4o e por ordem expecial fazer a planta de ambas as cidades de ,lisboa1 occidental e oriental1 com toda a individuao de ,praas1 ,palacios1 ,templos1 ,mosteiros1 ,freguezias1 ,irmidas1 ruas e travessas com os nomes de todas estas couzas em to boa forma e to ajuizado ao ,terreno que accreditou o seu estudo e trabalho de sinco annos444 ,por este documento se v que ,manuel da ,maya entrou nos servios da engenharia em #h de setembro de #agcg1 como apontador2 nelle vemos tambem as diversas datas das suas variadas occupaes como engenheiro1 tanto em tempo de paz como na guerra4 ,os seus vencimentos em #agfd constam do seguinte decreto3 ,a ,junta da ,caza e ,estado de ,bragana manda fazer novo assentamento a ,manuel da ,maya ,m4e de ,campo ,general de meus exercitos e guardamor da ,torre do ,tombo de hum conto duzentos oitenta e oito mil reis1 que deve haver em cada hu anno pelo ,thesoureiro da mesma ,caza1 que so de sinco parcellas1 que levava na folha d'ella1 a saber quatrocentos e oito mil reis1 que antecedentem4te lhe ero concedidos de ordinaria sem abatimento de quatro e meyo por cento2 duzentos mil reis de tena com o encargo de pagar quatro e meyo por cento2 sento e sessenta mil reis de ordenado como chronista2 cento e vinte mil reis para aluguer de casa1 por aviso de #ah de ,dezembro de #aged1 e quatrocentos mil reis mais de ordinaria1 que lhe mandei continuar por ,alvar do d4o dia #ah de ,dezembro de #aged4 ,belem #cj de ,julho de #agef4 ,rubrica del ,rey ,n4 ,s4--,reg4da a fl4 #ef4 ,manoel da ,maya foi nomeado mestre de campo general por carta patente de #bd de janeiro de #ageh1 e sargento mor de batalha pela carta patente de #ab de janeiro de #agfj4 ,entre os trabalhos que ao distincto engenheiro foram confiados1 esto os do hospital das ,caldas da ,rainha4 ,d'isso d noticia esta carta que se conserva na propria lettra de ,manuel da ,maya4 ,senhor ,no anno de #agjf se entregaro no ,tribunal da ,meza da ,consciencia que tem o governo do ,hospital das ,caldas da ,raynha1 quarenta mil cruzados em fazendas p4a do seu producto se formar a convalecenca p4a os doentes pobres1 que se vo curar ao d4o hospital1 e com effeito chegou a haver dous mil cruzados de renda por anno produzidos da reduo que se fez das taes fazendas2 mas no anno de #agej ultimo em que a ,mag4de ,fidelissima ,s4or ,rey ,d4 ,joo ,quinto quiz continuar aquelle remedio1 seno achava fabricada a convalecena1 o que o ,mesmo ,senhor determinou se executasse2 e com esta firmeza principiei a mandar conduzir alguns materiaes p4a a tal obra2 e por q o dito ,tribunal mandou ao seu ,architecto fizesse planta p4a a tal convalecena1 e este a fizesse1 e se formasse consulta pella ,mesa da ,conciencia1 desta consulta se me deo vista p4a eu responder o que me parecesse2 e porq achei q se devia regeitar huma janela que se queria abrir em huma casa pertencente ao commodo das ,religiosas1 e o haver que nas janelas de tal convalecena se intentara fazer de mais despesa e feitio q o da ,frontaria do ,hospital1 o declarei assim na minha resposta declarando os inconvenientes que havia nas ditas duas couzas3 e entendo q esta consulta se acha detida na ,secretaria do ,estado1 de que foi secretario ,diogo ,mendona ,corte ,real1 que hoje habita em ,mazago1 na qual secretaria se pode procurar esta consulta p4a se lhe dar a providencia necessaria1 assim p4a bem dos pobres convalecentes1 como p4a o d4o ,tribunal dar cumprimento a obra de que se encarregou4 ,v4 ,mag4de mandar o que for servido4 ,lisboa #b de #i4;bro de #agfa4 ,manoel da ,maya4 ,autographo4 ,importantes foram os servios prestados por ,manuel da ,maya ,torre do ,tombo como guarda-mor1 no s no que respeita ordenao e catalogao dos documentos1 mas por occasio do terremoto de #agee em que1 em vez de acudir sua casa1 que deixou arder1 procurou no que poude salvar os thesouros do ,archivo4 ,falleceu em #ag de setembro de #agfh1 e foi1 conforme a sua vontade1 sepultado na casa de capitulo do convento de ,s4 ,pedro de ,alcantara4 ,passava dos noventa e um annos2 e toda a vida manteve severamente um voto de castidade que fizera aos doze4 ,a sua exagerada devoo levou-o a ser denunciante do ,santo ,officio1 o que nesse tempo era tido como virtude4 ,denunciou em #h de julho de #agee um allemo das relaes do ,p4e ,cardone por transmudar o azongue em prata1 reputando-o um illuminado1 e denunciou um cunhado de ,mangin1 abridor de cunhos da ,casa da ,moeda1 como mao#cc4 ,que ominosos tempos aquelles em que at os espiritos mais lucidos enfermavam d'estas aberraes moraes6 99 99 99 99 99 ,a titulo de curiosidade daremos noticia da orao congratulatoria que os engenheiros militares e assistentes da ,torre do ,tombo1 e o superior de uns e outros1 ,manoel da ,maya1 offereceram a ,el-,rei ,d4 ,jos ,i por haver escapado ao attentado contra elle havido1 e foi recitada em ,s4 ,antonio de ,lisboa pelo ,p4e ,fr4 ,manoel de ,sam ,boaventura1 religioso carmelita descalo4 ,conserva-se inedita1 e noutro lugar a publicaremos1 por no ter cabimento neste estudo de natureza militar4 ,mas no resistimos a dar uma amostra na parte em que explica como especialmente a congratulao pertence aos engenheiros militares e aos empregados do ,archivo3 ,todas as gerarquias de pessoas sam obrigadas a este gratulatorio obsequio2 mas com muita especialidade pertence esta acam de graas aos nobilissimos congressos dos ,engenheiros militares1 e ao dos guardas assistentes ao ,archivo da ,torre do ,tombo4 ,unem se estas duas gerarchias em hua mesma potencia motrix1 que os governa3 e he identico em ambos estes nobilissimos congreos1 a obrigao1 e por isso he simultaneo o seu agradecimento que patenteo neste solemne ,te-,deum ,laudamus4 ,occorre especial obrigao aos ,engenheiros militares e aos assistentes do arquivo da torre do ,tombo1 por huma identica congruencia das suas proprias ocupaoens4 ,aos ,engenheiros militares pertence a fortificao das praas2 assim como aos assistentes do arquivo a conservao das memorias q nelle se deposito3 e como o arquivo em que melhor se guarda a memoria dos beneficios recebidos seja a acam de graas1 sendo como he este agradecimento huma fortaleza ou hum lugar bem disposto recepo de mayores petrechos para a defensa1 a quem pertence a delimitao d'esse lugar ou fortaleza8 ,a quem se hade recommendar a guarda d'esta memoria to importante8 ,no ha duvida que aos assistentes do arquivo1 e aos ,engenheiros militares do ,reino4 ,a estes pois he obrigatorio com especialidade o obsequio do ,louvor1 que dedicam ,majestade ,divina2 com este agradecimento desempenham dos seus officios4 ,uns1 guardando no arquivo da gratido a insistencia do beneficio2 outros ampliando a praa1 em que hade entrar multiplicidade de socorros ,divinos4 ,e assim ser todo o meo empenho mostrar que as vozes do ,te-,deum ,laudamus que a ,deus se offerecem1 so huma maquina de ingenho militar1 com que se agradecem ao mesmo ,deos os beneficios feitos na pessoa do nosso ,fidelissimo ,rey1 a todo o ,reyno2 maquina de industria tam artificioza1 que he o arquivo em que melhor se conservo os padroens da recesso e continuao dos favores ,divinos#cd4 ,pode-se chamar a isto rhetorica engenheira6 ,notas3 #a ,refere-se a ,goethe1 que tambem se impressionou com o terremoto1 contando ento seis annos4 #b ,reinaldo ,manoel de ,sousa4 #c ,recordaes de ,jacome ,ratton4 #fe4 #d ,em alguns documentos ,eugenio dos ,santos de ,carvalho4 #e ,deste ponto1 entre outros muito interessantes1 tratou o nosso estimavel camarada1 capito de engenharia1 ,francisco ,luis ,pereira de ,sousa numa conferencia que realizou na ,associao dos ,engenheiros ,civis1 e que est imprimindo1 tendo tido a extrema amabilidade de nos mostrar as provas relativas a esta parte1 pelo que lhe deixamos aqui os nossos agradecimentos e o nosso apreo pelo seu valioso trabalho4-- muito interessante a apreciao das razes que justificam a construco da gaiola para a maior estabilidade dos edificios relativamente aos abalos sismicos1 o que apoiado com argumentos tirados da experiencia dentro e fora do pas4 ,o titulo da obra que1 desenvolvendo a sua conferencia1 traz no prelo o nosso illustre camarada e distincto engenheiro 3 ,effeitos do terremoto de #agee nas construces de ,lisboa4 #f ,annuario da ,sociedade dos ,architectos1 #aijh4 #g ,providencias sobre o terremoto de ,lisboa1 p4 #bjj e anteriores4 #h ,catalogo da ,cartographia ,nacional1 p4 #ajh4 #i ,decreto de #aa de setembro de #agej1 que nomeou ,ludovice architecto-mor do reino4 #aj ,providencias sobre o terremoto de ,lisboa1 p4 #aca4 #aa ,colleco ,trigoso1 tomo #af1 p4 #aaf4--,vide ,doc4 ,e4 #ab ,mem4 das principaes providencias que se dero no ,terremoto que padeceo a ,corte de ,lisboa no anno de #agee1 por ,amador ,patricio de ,lisboa4 ,pag4 #cah4 #ac ,entre os papeis de ,joo ,baptista de ,castro1 e pela letra d'este1 conserva a ,biblioteca de ,evora as copias completas da primeira e segunda d'estas dissertaes1 e do principio da terceira at #f4o--,no tomo ,,xix do supplemento do ,diccionario ,bibliographico informa o ,sr4 ,brito ,aranha que os herdeiros de ,antonio ,ferreira ,simas possuiam copia d'estas ,dissertaes1 tendo no fim a seguinte nota3--,deixou o autor de fazer a quarta parte no se sabe porque4 #ad ,cod4 ,c_/#b-bj ,no #ac4--;,bibl4 d',evora4 #ae ,entrelinha do ,padre ,joo ,baptista de ,castro4 #af ,nota de ,joo ,baptista de ,castro3 ,sobre o dezenho de renovar a cid4e de ,lix4a se pode accomodar o epigramma daq4le ,poeta1 fallando de ,roma destruida e depois reedificada1 em q disse q se ,roma no se tivesse arruinado1 ficaria menos grandiosa4 ,et tanti cecidissi tuum1 ,roma inclyta tanti6 ,si stares1 esses1 ,roma superba1 minor4 ,igual a este pensam4to he o q disse ,cicero lib #d in ,verrem fallando do incendio do capitolio depois da morte de ,sylla1 e diz q aquellas chamas parecio vir do ceo1 no p4a destruir o templo de ,jupiter mas p4a lhe pedir outro melhor1 e mais magnifico4 ,et illa flamma divinitus extitisse videatur non quae deleret ,jovis optimi maximi templum sed quae praeclarius1 magnificentius que deposceret4 ,v4e ,penses ingenieuses pag4 #bjh e o pigr4 de ,oven #ab4 ,liv4 #b4 ,ex cinere ut ,phoenix ,phenicis nascitur alter1 ,lisbon et ,troyae prodiit ex cinere4 ,vid4 ,ruinas de ,j4 ,h4 de ,mattos1 pag4 #abf4 #ag ,peculio #i do ,p4e ,joam ,baut4a de ,castro ,cl41 ,beneficiado da ,s4 ,basilica ,patriarchal de ,lisboa4 ,an4 de #agfj4 ,cod4 ,,cxii_/#b-i1 fl4 #fff a #fhj1 da ,bibl4 de ,evora4 ,segue-se a ,terceira ,p4te que est copiada apenas at ao #f1 incompleto1 fl4 #fha a #fhc4 #ah ,na ,biblioteca de ,evora1 em continuao das duas partes anteriores1 vem esta #c4;a parte1 at principio do n4o #g1 com variantes4 ,d'ellas daremos em notas as mais importantes4 ,ha ainda a notar que1 decerto por lapso do copista1 no existem na copia de ,evora algumas palavras que esto na da ,torre do ,tombo4 #ai ,a copia de ,evora no traz as palavras comprimento da4 #bj ,na copia de ,evora at em vez de sendo4 #ba ,as palavras entre parentheses1 que completam o sentido1 so da copia de ,evora4 #bb ,apropriados1 na copia de ,evora4 #bc ,estas palavras entre parentheses so da copia de ,evora4 #bd ,algu em vez de grande na copia de ,evora4 #be ,carretas1 na copia de ,evora4 #bf ,da copia de ,evora as palavras entre parentheses4 #bg ,idem4 #bh ,idem4 #bi ,na copia de ,evora est nos canos e cloacas1 em vez de nas suas situaes4 #cj ,t4 do ,tombo4 ,m4o da ,guerra--,mao n4o #bgj da remessa de #bf de dezembro de #ahia4 #ca ,theatro de ,manuel de ,figueiredo1 tomo ,,xiv1 p4 #fcj4 #cb ,biblioteca ,nacional--,col4 ,pombalina1 mss4 #deg1 fl4 #cdj v4 #cc ,t4 do ,tombo4 ,cad4 #aad dos promotores da ,inquisio de ,lx4a fl4 #baj4--;,communicao do ,sr4 ,pedro de ,azevedo4 #cd ,no ,archivo particular do digno par ,simes ,margiochi4