,nuno ,lopes 7,projecto ,enclave7 and edited by ,rita ,farinha 99,,opusculos99 ,,por ,a4 ,,herculano ,,socio ,,de ,,merito ,,da ,,academia ,r4 ,,das ,,sciencias ,,de ,,lisboa ,,socio ,,estrangeiro ,,da ,,academia ,r4 ,,das ,,sciencias ,,de ,,baviera ,,socio ,,correspondente ,,da ,r4 ,,academia ,,da ,,historia ,,de ,,madrid ,,do ,,instituto ,,de ,,fran,a 7,,academia ,,das ,,inscrip,,es7 ,,da ,,academia ,r4 ,,das ,,sciencias ,,de ,,turim ,,da ,,sociedade ,,historica ,,de ,,nova ,,york1 ,,etc4 ,,quest,,es ,,publicas 99,,tomo ,,ii99 ,,lisboa ,,em ,,casa ,,da ,,viuva ,,bertranda ,c4a--,,chiado1 ,n4o #gc ,m ,,dccc ,,lxxiii ,,monumentos ,,patrios #ahch ,i ,diz-se que uma das mais bellas misses da imprensa defender a boa razo1 a arte1 e a honra e gloria da patria4 ,imagina-se ampla colheita de renome1 de benos1 de vantagens de toda a especie para o escriptor que alevanta a voz a favor do bom1 do justo e do bello1 se a voz do que escreve asss poderosa para se esperar que mova os animos dos seus concidados4 ,e com effeito1 indicar a estes o recto caminho1 quando transviados2 tentar affeio-los a nobres e puros sentimentos2 faz-los amar o solo natal2 despertar-lhes affectos pelo que foi grande e nobre na historia do paiz1 parece que deveria produzir fructos de beno para o escriptor que o tentasse4 ,no 1 todavia1 assim4 ,ha para isso um obstaculo quasi insuperavel2 a superstio pelas idas e tendencias do presente1 mais cega que a superstio pelas crenas do passado4 ,as paixes so mais energicas do que as reminiscencias1 as aspiraes que as saudades4 ,gloria1 lucro1 respeito1 benos so para aquelle que afaga com palavras mentidas as preoccupaes populares2 para aquelle que1 sem discrime1 louva1 adorna ou repete como echo as opinies que ao redor delle1 talvez por cima delle1 esmagando-lhe a consciencia1 passam como torrente4 ,tumultua o genero humano correndo ao longo dos seculos3 o louvador1 s vezes o promotor do tumulto1 se a natureza lhe concedeu imaginao e talento1 vai adiante como capito e guia da gerao que corre ebria3 incita-a1 arrasta-a1 deslumbra-a4 ,as coras voam-lhe do meio do tropel sobre a cabea4 ,verdade que ao cabo do tanto lidar elle se despenhar com essa gerao no abysmo do passado2 verdade que o abysmo se fechar para elle com o sllo da reprovao de cima1 e que1 porventura1 no tardar que o futuro passe por ahi a sorrir1 ou se afaste com tedio do sepulchro dealbado do erro ou da villania4 ,mais isso que importa8 ,o homem que vendeu ao seculo a consciencia e o engenho1 que ,deus no lhe deu para mercadejar com elle1 foi bemquisto e glorificado emquanto vivo2 foi antesignano do progresso1 embora este seja avaliado algum dia como progresso fatal6 ,mas que pde esperar aquelle que1 nessa longa e ampla estrada do tempo1 por onde o genero humano corre desordenado1 quizer vir1 do lado do futuro e em nome do futuro1 dizer gerao a que pertence3--parae l--8 ,embora a sua voz troveje3 embora as suas palavras devam fazer vibrar todas as cordas do corao e despertar todas as convices da alma3 no espere ser ouvido4 ,as multides continuaro a passar desattentas4 ,escarnecido1 amaldicoado talvez1 dormir esquecido na morte1 e os sabios e prudentes cultores de uma philosophia corrompida e egoista diro1 com insultuosa compaixo1 ao passar pelo que jaz no p3--,pobre louco1 recebeste o premio de querer contrastar o seculo6 ,o que havemos dito crua verdade2 mas a verdade4 ,ha nesta epocha dous caminhos a seguir2 um1 estrada larga1 batida1 plana1 sem precipicios1 mas que conduz prostituio da intelligencia2 outro1 vereda estreita1 tortuosa1 malgradada1 mas que se dirige ao applauso da propria consciencia4 ,aquelles cujas esperanas no vo alm dos umbraes do cemiterio e que ahi veem1 no o termo da sua perigrinao na terra1 mas o remate da existencia1 que sigam a facil estrada4 ,ns1 porm1 que guardmos para alm da vida as nossas melhores esperanas1 tomaremos o bordo do romeiro e iremos rasgar os ps pela vereda despinhos4 ,resignar-nos-hemos nos desprezes e1 como os soldados do eremita ,pedro1 que1 pondo a cruz vermelha no hombro para irem morrer na ,palestina1 clamavam--,deus assim o quer6 ,deus assim o quer6--diremos tambem3--soffrmos o menoscabo e o vilipendio3 soffrmos que assim o quer ,deus4 contra a indole destruidora dos homens de hoje que a razo e a consciencia nos foram a erguer a voz e a chamar1 como o antigo eremita1 todos os animos capazes de nobre esforo para nova cruzada4 ,ergueremos um brado a favor dos monumentos da historia1 da arte1 da gloria nacional1 que todos os dias vemos desabar em ruinas4 ,esses que julgam progresso apagar ou transfigurar os vestigios venerandos da antiguidade que sorriam das nossas crenas supersticiosas2 ns sorriremos tambem1 mas de lastima1 e as geraes mais illustradas que ho de vir decidiro qual destes sorrisos significava a ignorancia e a barbaridade1 e se no existe uma superstio do presente como ha a superstio do passado4 ,a mais recente quadra de destruio para os monumentos1 tanto artisticos como historicos1 de ,portugal1 pde dividir-se em duas epochas bem distinctas4 ,acabou uma3 a outra aquella em que vivemos4 ,a ultima metade do seculo ,,xviii e os annos j decorridos deste seculo tem sido um periodo de reforma ou antes de revoluo4 ,a revoluo no de hontem4 ,quasi sempre as manifestaes ruidosas e1 digamos assim1 externas das epochas de grandes transformaes vem muito depois de iniciadas estas4 ,no seio da formula social que vai fenecer ha a gestao da formula social que surge4 ,quando as labaredas rompem pelas janellas do edificio1 ha muito que o incendio lavra pelo interior dos aposentos4 ,entre ns1 as reformas comeou-as um homem grande1 mas que era homem do seu tempo4 ,genio positivo e mui pouco especulativo1 ministro de um rei absoluto1 e sabendo que1 se no caminhasse depressa1 ficaria no caminho1 o marquez de ,pombal fez resurgir de salto sciencia1 artes1 industria e administrao4 ,a maioria do paiz obedecia s reformas1 mas sem as comprehender4 ,o circulo dos individuos que alcanavam o valor dellas e o influxo que deviam ter no futuro1 era asss limitado4 ,a iniciao estava feita1 mas o fogo tinha de lavrar muito tempo debaixo da cinzas4 ,exteriormente1 a maior parte das reformas1 destoando de habitos inveterados1 repugnando no raro a opinies vulgares1 devendo ter resultados remotos1 que o commum dos espiritos no sabiam antever1 nem podiam apreciar1 definharam-se ou morreram logo que se quebrou o brao de ferro que as realisra e mantivera1 sorte ordinaria de todos os commettimentos sociaes que antecedem a diffuso das idas que representam4 ,o conde de ,oeiras1 pondo os estudos ao nivel dos do resto da ,europa1 fez acceitar o movimento scientifico desta2 mas as intelligencias reconduzidas de salto ao bom caminho1 sem transies graduaes1 acceitaram mais as frmas do que comprehenderam o espirito4 ,o que succedeu na sciencia succedeu na litteratura4 ,acabaram os acrostichos1 os restos do gongorismo1 os sermes de antitheses e argucias1 os elogios e conferencias palavrosas e retumbantes da ,academia da ,historia1 onde o proprio reformador tambem peccara3 ficmos1 porm1 com a litteratura ,luiz ,,xiv1 cuja influencia em ,portugal comeara a despontar no horisonte desde o comeo daquelle seculo e que1 depois1 os nossos innocentes ,arcades acceitaram como emanao legitima da arte grega e romana4 ,peior do que na sciencia1 a regenerao litteraria1 desprovida de nacionalidade1 alheia s tradies portuguesas1 nascia1 digamos assim1 morta4 ,o mau gosto desapparecera1 mas em logar delle ficava cousa que pouco mais valia2 a inspirao pautada1 o estro convencional e a vacuidade da ida escondida debaixo da opulencia da frma4 ,se1 em parte1 as sciencias e a industria foram introduzidas1 ou como inventadas1 no reinado do marquez de ,pombal1 as artes plasticas1 e principalmente a architectura1 cuja historia1 mais do que a de nenhuma arte1 neste momento nos importa1 j anteriormente existiam4 ,a epocha de ,d4 ,joo ,v foi uma epocha de luxo e riqueza lanados sobre um paiz miseravel1 como alfombra preciosa em pavimento carunchoso e podre4 ,esse luxo e riqueza1 que brotavam das minas da ,america1 foram favoraveis aos artistas4 ,as obras magnificas do nosso ,luiz ,,xiv1 ou antes do simia de ,luiz ,,xiv1 e mais que tudo a edificao do fradesco palacio de ,mafra fizeram apparecer estatuarios1 esculptores1 architectos4 ,achou-os o conde de ,oeiras1 e deu aos seus talentos nova applicao4 ,ao gosto corrompido da architectura italiana1 que era a seguida em ,portugal1 fez substituir um gosto mais severo1 mais util e mais mesquinho4 ,era o homem politico1 o homem da vida practica dirigindo as artes3 eram as artes reduzidas pura e simplesmente a um ramo de administrao4 ,compare-se o caracter geral do convento de ,mafra com o das grandes obras do marquez de ,pombal1 o plano da nova ,lisboa1 o ,terreiro do ,pao1 a ,alfandega1 o ,arsenal da ,marinha1 a parte moderna dos edificios da ,universidade de ,coimbra4 ,em ,mafra1 achar-se-ho a exagerao de ornatos e os primores do cinzel1 mas nenhuma inspirao verdadeiramente nobre e grande2 achar-se-ha o desmesurado supprindo o sublime3 nas obras do marquez1 s se encontram largas moles desadornadas1 edificios monotonos1 postoque uteis ou necessarios1 uma praa magnifica1 onde campeiam monolithos enormes e que seriam admiraveis se no estivessem cobertos de remendos e parches1 e cujas paredes se pintaram de ochre para poupar alguns palmos de silharia1 alguns palmos de marmore n'uma collina de marmore4 ,o plano de qualquer obra publica desta epocha dir-se-hia sempre traado na mente de um negociante hollands4 ,o despotismo ignorante e presumido estragara a arte com a puerilidade2 o despotismo illustrado estragou-a com a razo4 ,mafra um poema da ,fenix-,renascida3 a ,lisboa do marquez de ,pombal um soneto de ,diniz ou uma ode de ,garo4 ,a cidade depois do convento o ,novo-methodo do padre ,pereira expulsando das escholas latinas a grammatica do padre ,alvares4 ,morreu ,d4 ,jos ,i1 facto insignificante em si1 mas grave pelas suas consequencias4 ,com a morte desse homem desappareceu da scena politica o forte espirito que reinara em vez delle4 ,portugal soobrou ento2 apenas sobre o seu vortice de perdio boiaram por algum tempo as letras e a sciencia sustentadas ao de cima pelo brao do duque de ,lafes4 ,a architectura1 que n'um paiz pequeno e pobre1 como o nosso1 depende quasi exclusivamente do governo para existir1 no decahiu porque estava j decadente3 o que fez foi retroceder das frmas mesquinhas1 mas graves e simples1 que adoptara1 para os fogarus e burris e repolhos e espiraes e grinaldas da epocha anterior4 ,quereis saber o que ella foi d'ahi vante8 ,olhae para o mais notavel edificio do subsequente reinado1 para o convento do ,corao de ,jesus4 ,como o pensamento unico do governo era desmentir o bom1 o mau1 o indifferente1 tudo1 em summa1 quanto se fizera no antecedente reinado1 buscou-se restaurar a architectura de ,mafra1 menos a vastido1 menos a opulencia4 ,caricatura de caricatura4 ,aquelles portaes microscopicos1 aquellas columnas disformes e deformes1 encostadas portada da igreja1 especie de polypos de pedra1 guardados alli para servirem de pilares em outro monumento que delles viesse a carecer2 aquelle atrio que recorda o vomitorium dos amphitheatros romanos2 aquellas torres onde no se pouparam nem columnellos inuteis1 nem franjas e avellorios de marmore2 tudo isso amostra do gosto da epocha1 gosto que tem durado e que ainda campeia nas fachadas de varios armazens ao divino construidos nos ultimos sessenta annos e baptisados com a pomposa denominao de templos4 ,tal foi em ,portugal a architectura durante seculo e meio4 ,o renascimento1 que condemnou em peso1 como barbaras1 as origens das naes modernas e especialmente o que desdizia das diversas manifestaes da civilisao grega e romana1 envolveu n'esta condemnao1 em muitos casos injusta ou inepta1 os admiraveis monumentos de arte que a idade media legara aos tempos modernos4 ,as geraes subsequentes1 educadas n'uma adorao irreflexiva de tudo quanto viera da ,grecia e de ,roma pagans1 no podiam comprehender a sublime magestade e1 digamos assim1 o espiritualismo da arte christan4 ,os paos1 os castellos1 as pontes1 os cruzeiros1 as galils das praas1 as portas1 as torres1 os pelourinhos das cidades e villas1 construidos desde o ,,xi at o ,,xv seculo quasi que desappareceram4 ,conservaram-se alguns mosteiros e sanctuarios1 algumas cathedraes e parochias1 no por serem obras da arte1 mas por serem logares consagrados a instituies religiosas1 e talvez por terem faltado os recursos para os substituir por novas edificaes4 ,ainda assim1 restar-nos-hiam hoje em mosteiros1 em cathedraes e em outros edificios consagrados ao culto inestimaveis monumentos1 se nesta terra1 desamparada de ,deus e da arte1 tivesse havido sequer um vislumbre de gosto e de venerao pelo passado1 e no fosse justamente entre o clero1 isto 1 entre os guardadores naturaes desses mesmos monumentos1 que surgissem os seus mais funestos adversarios4 ,porm os bispos sabiam theologia e direito canonico2 os conegos e parochos1 alguns sabiam latim2 os frades1 pelo menos os membros das antigas ordens monachaes1 eram eruditos e homens de letras2 mas nem os bispos1 nem os conegos e curas d'almas1 nem os frades entendiam de architectura4 ,entregaram tudo aos architectos e mestres de obras1 que estragaram tudo4 ,quasi que escaceiava a pedra para se converter em cal4 ,os batefolhas no tinham mos a medir4 ,columnas1 capiteis1 abobadas1 torres1 portaes1 arcarias1 claustros1 tudo foi caiado1 dourado1 enfeitado1 estragado4 ,procurae na maior parte das nossas ss1 das nossas collegiadas1 das nossas velhas parochias1 um desses pilares polystylos1 desses capiteis e cimalhas rendadas1 desses bocetes e penduroes variados1 dessas gargulas s vezes insolentes1 s vezes terrificas1 s vezes finamente epigrammaticas1 e nada achareis do que foi4 ,aquelles livros de pedra1 complexos como os poemas de cavallaria1 ingenuos como os poemas do ,cid ou dos ,nibelungen1 converteram-se em palimpsestos donde se raspou a historia das crenas1 dos costumes1 dos trajos1 das alfaias de antigas eras2 onde se apagaram os vestigios de successos notaveis1 de dramas populares1 de lendas poeticas1 e at retratos unicos de vares singulares4 ,nesses livros preciosos1 em vez do seu primitivo contedo1 s achareis as rasuras que mos ineptas ahi fizeram e os caracteres que sobre essas paginas1 outrora eloquentes1 traou a peior das barbarias1 a barbaria pretenciosa e civilisada4 ,passou por l o pico do reformador1 a colher do estucador1 o mordente do dourador4 ,paredes1 pilares1 capiteis1 laarias1 ogivas esto rebocados1 alvos1 polidos1 dourados4 ,a luz do sol j no bate no pavimento do templo convertida em luz baa e saudosa pelos vidros crados das frestas esguias1 dos espelhos circulares3 agora alaga em torrentes essas paredes brancas e lisas1 que fingem s vezes absurdamente pedras impossiveis estendidas pela colher do alveneu sobre a face rugosa1 mas secular e veneranda1 da verdadeira pedra4 ,o templo de ,deus como a sala do baile1 como a sala dos legisladores1 como a sala do theatro1 como a praa publica1 sem mysterios1 sem tradies1 sem saudades4 ,mas se a culta barbaria dos nossos avs e de nossos paes forcejou por cobrir com remendado vu os monumentos dos primeiro seculos da monarchia1 deixou em muitos delles ao menos1 os seus formosos e ideaes perfis1 as suas linhas architectonicas4 ,o pensamento que inspirou essas concepes grandiosas como que se alevanta d'entre as devastaes perpetradas pelo camartlo1 pela picareta e pelos boies de cal delida1 e apesar de se haverem dirigido sem tino1 sem gosto1 sem harmonia as restauraes dos edificios que as injurias do tempo em parte haviam arruinado1 resta ainda muito que estudar e admirar nesses monstros4 ,at1 em alguns delles1 possivel supprimir1 pela imaginao1 o moderno e pr em logar deste o antigo4 ,a poesia ainda no desamparou de todo o mutilado monumento4 ,mas duraro por muito tempo esses restos da mais formosa e magnifica de todas as artes8 ,no o esperamos2 mas lavraremos aqui1 ao menos1 um protesto contra o vandalismo actual4 ,nossos paes destruiram por ignorancia e ainda mais desleixo3 destruiram1 digamos assim1 negativamente3 ns destruimos por idas ou falsas ou exageradas2 destruimos activamente2 destruimos1 porque a destruio uma vertigem desta epocha4 ,feliz quem isto escreve1 se podesse curar alguem da febre demolidora2 salvar uma pedra1 s que fosse1 das mos dos modernos hunos6 ,,ii ,falmos da decadencia da architectura durante seculo e meio2 porque as manifestaes dessa decadencia foram sempre as mesmas em to largo perido4 ,v-se a arte na sua lenta agonia rodeiada de curandeiros que se propem sar-la1 mas que a transfiguram1 sem alcanarem qual o achaque intimo que a devora3 vmos acumular columnas a proposito e desprositadamente3 vmos gesso1 ouro e talha3 vmos converter os velhos monumentos em monstros de ,horacio2 pr ao lado da torre ou do curucheu gothico zimborios ,buonaroti ou portadas ,barrozio2 enxertar a capella do seculo ,,xviii na parede de nave do seculo ,,xiv semelhante a um viveiro de cogumlos1 nascidos por entre as fisgas humidas da pedraria1 a favor da meia obscuridade daquellas profundas arcadas3 vmos alteiar edificios que representam o gosto architectonico do mercador de retalho1 e erguer templos cujo indecente e ridiculo elogio o de serem bonitos3 vmos as grandes praas de ,lisboa1 bem esquadriadas1 bem symmetricas1 bem prosaicas3 vmos igrejas1 como a da ,encarnao ou a dos ,martyres1 caiadas1 pulidas1 alindadas1 onde no mra um s pensamento de ,deus4 ,a arte entendeu-se assim por largos dias4 ,ao passo que se imprimia a ,poetica do padre ,freire1 que se coroava a ,osmia1 e que se publicavam por ordem superior as poesias1 assim chamadas1 de ,ribeiro dos ,sanctos1 encostavam-se columnas disformes pelas paredes de um pio armazem1 conhecido vulgarmente pelo nome de igreja de ,s4 ,domingos1 ladeiavam-se com ellas os portaes dos edificios publicos e as frestas do atrio tyscio do convento do ,corao de ,jesus4 ,no meio daquellas semsaborias architectonicas parecia sentir-se uma tendencia instinctiva para a regenerao2 mas essa tendencia1 que buscava uma soluo ao problema nas tradies da arte romana ou antes grega1 no podia l encontr-la4 ,fora o renascimento2 fora a admirao dessas tradies1 at certo ponto justa1 mas exagerada depois1 que dentro de pouco mais de cem annos chegara1 de modificao em modificao1 at a architectura do seculo ,,xvii1 architectura da ,s nova de ,coimbra1 do ,seminario de ,santarem1 architectura jesuita4 ,no s a regenerao litteraria e a politica1 mas tambem a da arte devia consistir em considerar o renascimento1 no como phase1 mas como lacuna na vida das naes christans1 das sociedades novas2 em descer logicamente do crer e sentir da sua idade viril4 ,embora a arte seja uma s2 embora seja sempre e em toda a parte a expresso sensivel do ideal1 tanto este como as suas manifestaes que so diversos nas diversas epochas e em sociedades differentes4 ,naquelle dilatado periodo de decadencia o que sobretudo faltava architectura era a luz1 o horisonte1 a atmosphera respiravel1 em que podesse viver e produzir4 ,a decadencia1 porm1 na epocha em que vivmos outra1 e mais profunda4 ,j no ha a corrupo do gosto1 o inapplicavel das theorias1 o erro do entendimento4 ,agora o instincto barbaro1 a malevolencia selvagem1 a philosophia da brutalidade4 ,dura ha poucos annos2 mas esses poucos annos daro maior numero de paginas negras historia da arte do que lhe deu seculo e meio4 ,o pico e o camartello s ha bem pouco tempo que podem dizer--triumphmos4 ,at ento escaliavam-se paredes1 roavam-se esculpturas1 faziam-se embrchados2 mas agora derribam-se curuchus1 partem-se columnas1 derrocam-se muralhas1 quebram-se lousas de sepulturas1 e vo-se apagando todas as provas da historia4 ,faz-se o palimpsesto do passado4 ,corre despeiado o vandalismo de um a outro extremo do reino1 desbaratando e assolando tudo4 ,comico perfeito1 desempenha todos os papeis1 veste todos os trajos4 ,aqui vereador1 alli administrador de concelho3 ora ministro1 logo deputado3 hoje escriptor1 manhan funccionario4 ,corre na carruagem do fidalgo1 faz assentos de debito e credito no escriptorio do mercador1 d syllabadas em latim de missaes1 prga nos botequins sermes d'economia politica e do direito publico1 capitaneia soldados1 vende bens nacionaes1 ensina sciencias2 em summa1 tudo e mora por toda a parte4 ,attento ao menor murmurio dos tempos que foram1 indignado pela mais fugitiva lembrana das geraes extinctas1 irrita-se com tudo que possa significar uma recordao4 ,assim excitado1 argumenta1 ora1 esbraveja1 esfalfa-se4 ,o eretismo dos nervos s pde affrouxar-lho1 como as harmonias melancholicas de harpa eolia1 o ruido de algum monumento que desabe4 ,apesar da ferocidade nervosa do vandalismo1 no se creia1 todavia1 que elle desalinhado no vestuario1 carrancudo na catadura1 descomposto nos meneios4 ,nada disso4 ,o vandalismo aprimorado no trajo1 lhano e grave a um tempo no porte1 pontual na cortezia4 ,encontr-lo-heis nas sallas requebrando as damas1 danando1 tomando ch2 no theatro palmeiando com luvas brancas os lances dramaticos4 ,entende francs e leu j ,voltaire1 ,pigault-,lebrun e os melhores tractados do wisth3 quasi que sabe ler e escrever portugus4 ,o vandalismo culto1 instruido1 civil1 affavel4 ,tirem-lhe de diante os monumentos2 ser o epilogo de todos os dotes e boas qualidades2 ser a mansido incarnada4 ,mas1 infelizmente para elle1 o velho ,portugal estava cuberto de recordaes do passado4 ,cada facto historico tinha uma igreja1 uma casa1 um mosteiro1 um castello1 uma muralha1 um sepulchro1 que eram os documentos perennes desse facto e da existencia dos individuos que nelle haviam intervindo4 ,encontrando tantas injurias mudas decadencia presente1 o vandalismo irritou-se1 ergueu-se e falou em feudos1 em dizimos1 em corrupes fradescas1 em maninhdegos1 em servos de gleba1 em direitos de osas1 em supersties2 catou1 em summa1 todas as vergonhas e deshonras do passado que pde e soube1 entresachando-as com sentenas e logares communs do cathecismo politico de ,ramon ,salas e1 por uma logica incomprehensivel1 por uma logica sua1 chamou os homens do alvio e da picareta e comeou a derribar1 victoriado pelo povo4 ,s elle1 immovel no meio da mobilidade do nosso tempo1 no meio das opinies encontradas1 das luctas1 das commoes1 tem apontado constante ao seu alvo1 a demolio indiscriminada do passado4 ,assim1 pertence a todos os bandos politicos1 acceita todos os principios1 curva-se a todos os jugos1 comtanto que o deixem roer os testemunhos da historia e da arte2 que o deixem fazer-nos esquecer da gloria nacional e de que somos um povo de illustre ascendencia4 ,este pensamento o seu pensamento unico1 perpetuo1 inabalavel4 ,ha pouco que que da villa de ,peniche nos escreviam o seguinte3 ,tendo havido quem ousasse revolver e desfazer o tumulo em que jazia o cadaver de ,d4 ,luiz de ,athaide1 na igreja do extincto convento do ,bom-,jesus desta villa1 o facto excitou nos que concorreram a observar os despojos mortaes daquelle heroe vivos desejos de ouvirem falar da sua vida e feitos4 ,no nos fallecem cartas em que se contenham noticias de analogas profanaes4 ,de todos os angulos do reino se alevantam brados de homens generosos1 que lamentam a ruina dos velhos edificios1 a profanao das sepulturas1 a destruio de todas as memorias da arte e da historia4 ,quem hoje quizesse escrever as biographias dos nossos homens illustres1 talvez j no podesse dizer onde actualmente jazem os restos da maior parte delles4 ,o brao omnipotente do vandalismo estendeu-se para os sepulchros2 as campas estalaram e os ossos de nossos avs lanaram-se aos ces e rolam pelo p das estradas e pelas immundicies das ruas4 ,as inscripes lapidares vo-se enterrando por alicerces e paredes1 no face destas1 porque ahi alguem ainda poderia l-las2 mas no fundo dos cavoucos ou no amago dos muros4 ,sem isso1 no nos vangloriariamos com inteira justia de ter completamente renegado de nossos maiores4 ,referiu-nos um respeitavel viajante hespanhol que1 entre os entulhos do convento de ,s4 ,domingos de ,lisboa1 vira uma lagea onde se lia o epitaphio de ,fr4 ,luiz de ,granada4 ,sollicitou dos demolidores que a tirassem do meio das ruinas1 porque essa pedra era valiosa memoria4 ,provavelmente os economistas da alavanca1 os philosophos da picareta riram a bom rir do desvario daquelle hespanhol fanatico4 ,a lapide sepulchral de um dos homens mais sabios e eloquentes que a ,peninsula gerou l jazer a estas horas nos fundamentos de algum edificio1 cujo rendimento1 abatidos decima e concertos1 o vandalismo e o dono acharo de certo preferivel gloria de ,fr4 ,luiz de ,granada4 ,oh1 civilisao6 ,levaram-nos a ,coimbra em #ahcd obrigaes de servio publico4 ,residiamos ahi quando foi supprimido o mosteiro de ,santa-,cruz4 ,correu ento a noticia de que se pretendia pedir ao governo que esse bello edificio fosse doado ao municipio4 ,mas1 para que8 ,para a camara o arrasar e fazer uma praa4 ,no se realisou o nefando alvitre2 mas os bons desejos no faltaram4 ,uma praa no logar onde estivera ,sancta-,cruz2 uma praa calada com os fragmentos dos rendados umbraes do velho templo1 com as lageas quebradas dos tumulos de ,affonso ,henriques e de ,sancho ,i e dos demais vares illustres que alli repousam6 ,ha ahi1 porventura1 quem avalie a sublimidade de tal pensamento e mea a incommensuravel distancia que vai d'um edificio monumento1 onde apenas ha historia1 arte1 poesia1 religio1 a um terreiro amplo1 bem amplo1 onde a vadiagem possa estirar-se regaladamente ao sol8 ,infelizmente2 a cidade litteraria1 a alma mater1 ficou privada deste documento ineluctavel da sua illustrao4 ,pelas largas que tem tomado o vandalismo1 podemos assegurar que dentro deste seculo no haver em ,portugal um monumento4 ,o ,mexico ufanar-se-ha do seu templo de ,palenque1 da sua pyramide de ,tehuantepec2 a ,india dos subterraneos de ,ellora e de ,elephanta1 e at1 os habitantes barbaros da ,australia tero que mostrar aos estrangeiros os moraes dos seus antigos deuses4 ,s ns os portugueses no lhes poderemos dizer3--eis os testemunhos indubitaveis de que fomos uma nao antiga e gloriosa4 ,correi as principaes cidades do reino2 buscae os mais veneraveis edificios4 ,ou jazem por terra ou foram applicados a usos que lhes esto produzindo a ruina4 ,a bella e grandiosa igreja de ,s4 ,francisco do ,porto1 nico monumento importante do seculo ,,xv que possuia aquella cidade1 foi consagrada a armazem da alfandega4 ,o mosteiro dos ,jeronymos em ,belem1 obra prima da architectura mdia entre ao no-gothica e a da chamada do renascimento1 edificio magnifico de uma epocha de transio na arte1 como ,sancta ,sophia de ,constantinopla o de uma epocha analoga1 foi deturpada1 no nos importa por quem1 e o seu maravilhoso claustro ludibriado com tapumes caiados e convertido em dormitorios foramente humidos e malsos4 ,a ,batalha1 ,alcobaa1 o convento da ordem de ,christo em ,thomar chem em ruinas1 e diz-se--que importa8 ,barbaros6 ,importa a arte1 as recordaes1 a memoria de nossos paes1 a conservao de cousas cuja perda irremediavel1 a gloria nacional1 o passado e o futuro1 as obras mais admiraveis do engenho humano1 a historia1 a religio4 ,vs1 homens da destruio1 dos alinhamentos1 dos terreiros1 da civilisao vandalica1 que importaes bem pouco2 porque1 semelhantes a vermes1 roeis e no edificaes2 porque no deixareis rasto no mundo depois de apagar tantos vestigios alheios2 porque nada valendo1 menoscabaes os que valeram muito2 porque se um templo1 um mosteiro1 um castello duraram seis ou oito seculos e durariam1 sem vs1 outros tantos1 as vossas picaretas1 as vossas alavancas1 os vossos camartellos estaro comidos de ferrugem e informes antes de vinte annos1 e so essas as unicas e tristes memorias da vossa ominosa passagem na terra4 ,desprezar os monumentos brutal2 persegui-los impio e sacrilego4 ,os que os desprezam fazem o que faziam os lombardos1 apoderando-se da ,italia1 s formosas obras da architectura greco-romana4 ,deixavam-nas perecer2 porm no as destruiam4 ,os que as arrasam ou mutilam so adeptos de uma velha heresia que resurge2 so iconoclastos redivivos4 ,procurae hoje1 por exemplo1 em ,lisboa as antiquissimas igrejas parochiaes de ,sancta ,marinha e de ,s4 ,martinho3 achareis os logares onde estiveram1 e ach-los-heis1 porque aos hunos encapados em lemiste no dado supprimir um fragmento do orbe terraqueo4 ,os homens desta ,lilliput da intelligencia esto desentulhando aquelles terrenos para fazerem casas4 ,onde haviam elles de morar1 seno fizessem alli mais umas casas8 ,sancta ,marinha encerrava memorias anteriores monarchia1 e a parochia de ,s4 ,martinho prendia-se com a historia da grande crise por que ,portugal passou nos fins do ,,xiv seculo4 ,mas de que momento essa considerao1 se attendermos a que l1 onde estiveram os dous templos ricos de idade e de tradies1 se podem construir duas moradas bem pintadas1 bem alvas exteriormente1 com sua beirada vermelha e seu rodap amarello8 ,que importa que se dispersem os ossos do conde ,andeiro ou se desfaa a sepultura do conde de ,alvor8 ,as cinzas dos mortos podem jazer to tranquillas debaixo do balco de uma taberna1 como aos ps de um altar1 sombra da eterna cruz4 ,bemdicta sejas tu1 gerao philosophica1 gerao arrasadora1 gerao camartelladora6 ,o futuro1 est certa disso1 ha de fazer-te justia4 ,uma das mais notaveis obras do seculo ,,xiv foi1 sem duvida1 a muralha com que el-rei ,d4 ,fernando cingiu ,lisboa4 ,todos julgavam impossivel a sua edificao1 dizem os chronistas1 porque suppunham que levaria cem annos a construir3 aquelle principe soube1 porm1 acab-la em dous4 ,os povos foram chamados de grandes distancias a trabalhar nella1 fazendo-se alis1 todas as prevenes para suavisar aquella especie de anudva extraordinaria4 ,a esta muralha deve hoje ,portugal no ser uma provincia d',hespanha1 porque salvou ,lisboa de cahir nas mos d'el-rei de ,castella4 ,se isto se tivesse realisado1 o reino estava perdido4 ,considerada a semelhante luz1 a muralha de ,d4 ,fernando era1 talvez1 o nosso mais importante monumento historico4 ,o progressivo accrescimo da capital tinha-a em grande parte destruido2 mas restava ainda1 alm de outros1 um lano importantissimo4 ,era o angulo que fechava a cidade pelo lado do bairro dos judeus4 ,por este angulo1 onde houvera uma porta e onde ainda restavam os vestigios de uma torre que a defendia1 a torre de ,alvaro ,paes1 se podia delinear quasi exactamente a direco que seguiam os dous lanos de norte e de oeste4 ,era1 assim1 uma especie de padro que indicava os limites septemtrionaes e occidentaes da povoao1 e uma reliquia que demonstrava a grossura e solidez da antiga muralha1 mui superior de outras porteriormente construidas em epochas mais ricas e mais civilisadas4 ,este angulo1 este fragmento1 testemunha do periodo mais glorioso da nossa historia1 l se est derribando para se fazer uma praa quanto possivel ampla4 ,homens gigantes1 como ns1 no cabem onde couberam nossos avs1 pygmeus conquistadores da ,africa e da ,india4 ,far-se-ha pois uma praa1 que1 se no prestar para mais nada1 poder servir de mercado de hortalia4 ,uma pyramide de repolhos substituir o adarve1 por onde1 em noite sem lua1 se viam a espaos scintillar as armaduras dos escuderos ou cavalleiros idos em sobrerolda a vigiar as roldas dos besteiros do conto da cidade1 quando pela terceira vez no reinado de ,d4 ,fernando os castelhanos a accommettiam com grande poder4 ,alli1 no sitio daquella porta1 por onde o1 depois to celebre1 ,nunalvares sairia muitas vezes nessa conjuctura a espalhar o terror e a morte entre os homens de armas inimigos1 venha a lide incruenta sobre o preo da couve1 sobre o vioso ou murcho das favas1 substituir o grito clamoroso de ,s4 ,jorge1 que chamava nosso avs1 os rudes burgueses do seculo ,,xiv1 aos combates em defesa da patria4 ,o que estes netos de ,attila1 de collarinhos e peitilhos engommados1 so1 sobretudo1 ridiculos4 ,vergonha confess-lo3 os estrangeiros tem mostrado maior venerao pelas antiguidades do nosso paiz do que os portugueses4 ,um estrangeiro salvou no convento dominicano de ,bemfica a antiga capella de ,d4 ,joo de ,castro4 ,ha pouco ouvimos outro1 em cujos olhos chammejava a indignao1 clamar altamente contra a barbaria com que se deixavam estragar no mosteiro de ,belem varios quadros magnificos de eschola portuguesa1 nos quaes os passaros1 entrando pelas frestas mal reparadas do edificio1 vo amontoando as immundicies4 ,mas estes estrangeiros so homens que sabem qual seja o valor dos monumentos da arte e da historia4 ,ns que temos perdido o sentimento e a intelligencia para apreciar essas cousas4 ,se com a nossa incuria aggressiva e com a nossa raiva assoladora desmentimos o passado1 para darmos em tudo documento de insipiencia desmentimos1 at1 essas mesmas opinies e tendencias do presente1 a que recorremos para condemnar em nome do progresso1 sem distinco nem juizo1 o mau e o bom de eras antigas4 a economia politica a sciencia do nosso tempo3 todos falam em capitaes1 em industria1 em riquezas sociaes1 em valores4 ,mas que sero os monumentos8 ,que sero essas admiraveis aggregaes de marmore ou de granito8 ,so o resultado ou producto da concepo1 da applicao e da execuo3 vem a ser1 portanto1 uma riqueza social4 ,e por qu e para qu annullaes vs essa riqueza8 ,dado que representasse um capital improductivo1 com que intuito o deitaes fra8 ,no o so1 porm1 na sua maxima parte1 os monumentos4 ,quando a arte ou os factos historicos os tornam recommendaveis1 convertem-se em capital productivo4 ,calculae quantos viajantes tero atravessado ,portugal neste seculo4 ,de certo que no vieram c para correrem nas nossas commodas diligencias pelas nossas bellas estradas1 ou navegarem nos nossos rapidos vapores pelos nossos amplos canaes2 de certo que no vieram para aprenderem a agricultar com os nossos agricultores1 nem a fabricar com os nossos fabricantes2 mas para admirarem os mosteiros da ,batalha1 de ,alcobaa e de ,belem1 a s velha ,coimbra1 a cathedral1 a igreja de ,s4 ,francisco e o templo romano de ,evora1 a matriz de ,caminha e a collegiada de ,guimares1 os castellos da ,feira e de ,almourol1 e emfim1 tantas obras primas de architectura que encerra este cantinho do mundo4 ,crdes que esses romeiros da arte voltam da romagem aos seus lares sem dispender muito ouro1 e esqueceis que esse ouro ficou por mos portuguesas8 ,e falaes de economia politica1 e anniquilaes o capital dos monumentos8 ,adoradores do camartello1 por qualquer lado que se observe a vossa obra1 no se descobre seno o absurdo4 ,quizeramos que os homens deste paiz que tem corao portugus fizessem uma associao1 cujo trabalho de patriotismo ligasse os seus membros dispersos por todo o reino2 que os residentes em ,lisboa constituissem uma especie de juncta1 qual os das provincias1 logo que sua noticia chegasse a demolio de algum monumento da historia ou da arte1 remettessem uma breve nota1 individuando as circumstancias do edificio destruido e o nome do arrasador1 quer este fosse magistrado ou funccionario publico ou municipal1 quer fosse individuo particular4 ,quizeramos depois que essa breve nota1 sem reflexes1 sem affrontas1 estampada em todos os jornaes1 se legasse posteridade4 ,nenhuma lei prohibe que se narre1 singelamente e sem o qualificar1 um facto que o seculo julga indifferente4 ,ninguem1 por certo1 teria a queixar-se de semelhante publicao4 ,eram simplesmente factos que se transmittiam apreciao da posteridade2 era apenas um trabalho historico4 ,mas isso provocava as maldices dos vindouros4--,e que importam as maldices dos vindouros ao que no cura nem da arte1 nem do passado1 nem do futuro1 nem da gloria nacional1 nem da memoria de seus avs1 nem dos sepulchros1 nem das tradies1 nem sequer1 emfim1 dos interesses materiaes que resultam e ho de resultar da conservao dos monumentos8 ,que importa isso quelles para quem os horisontes da vida so exclusivamente os horisontes da terra8 ,nada4 ,ririam desse corpo de delido de terrivel processo4 ,mas1 talvez1 seus filhos e netos no rissem1 vendo-se obrigados a renegar de um nome1 no qual geraes mais allumiadas e mais nobres haviam forosamente de imprimir o ferrete de perpetua deshonra4 ,,iii ,os xeques da tribu arabe de ,bka estavam um dia1 pela volta da tarde1 assentados juncto das columnas de um templo1 na extremidade oriental da acrpole de ,balbek4 ,d'aqui1 pondo a mo sobre os olhos para os resguardarem do sol que os deslumbrava1 os chefes da tribu de ,bka alongavam a vista para a banda do poente4 ,e o sol1 que descia rapido1 mandava a sua luz suave atravez daquellas arcarias gigantes o immensas2 daquellas columnas monolithas1 a menor das quaes os braos de dez mil rabes no valeriam a erguer4 ,a hora era de meditao e de melancholia1 e os xeques olhavam com aspecto carregado para a ossada grandiosa da erma cidade1 que como um olhar de desdem com que o mundo antigo contempla o mundo moderno1 e ao mesmo tempo demonstrao solemne da vaidade disso a que se chama poderio e gloria1 cuja durao se confunde na eternidade com a durao de um dia4 ,e por entre aquellas rumas de mrmores e de syenites viam-se passar1 buscando as suas leves e moveis habitaes1 dispersas entre as ruinas1 os arabes do deserto1 semelhantes aos gusanos que refervem no cadaver meio apodrecido do elephante abandonado pelos caadores nas margens solitarias do ,zambeze4 ,e depois de largo silencio1 um dos xeques abaixou os olhos e1 com voz presa de furor intimo1 disse para os companheiros3 ,porque consentiremos ns1 os filhos do ,propheta1 que estes gigantes de pedra estejam continuamente assoberbando a tenda humilde do arabe1 que passa livre no mundo8 ,se a nossa vida um instante1 o homem no deve construir edificios destinados a transpor seculos4 quasi blasphemia revestir o transitorio com o trajo da eternidade4 ,a eternidade no da terra2 do paraiso4 ,porque haviam de querer os que j no so immobilisar no deserto para os seus ultimos netos esse arraial quasi interminavel de tendas de pedra8 ,para que semeiaram as geraes passadas uma seara immensa de abysmos pelos pendores do ,ante-,libano1 arrancando delle pedreiras macissas1 como se fossem os gros de areia1 com que ergue collinas movedias o sopro do ,simm quando varre o deserto8 ,que temos ns com os tempos que j passaram1 para que elles venham increpar-nos com a muda insolencia dos monumentos o nosso livre e solto viver1 e instituir parallelos offensivos entre a decadencia actual e o esplendor das artes e a magnificencia laboriosa e incommoda daquellas eras de grandeza e poderio8 ,que importa que ento saissem da ,assyria os conquistadores da ,asia e as frotas que descobriam novos cus e novos mares1 ou que os poetas de ento tivessem para cantar lendas de faanhas quasi incriveis8 ,em vez das conquistas1 a liberdade4 ,hoje no ha acto que seja defeso ao arabe do deserto4 ,corremos livres por livres descampados4 ,embora o reluzir do sabre de um spahi de ,ibrahim faa fugir aterrados cem cavalleiros nossos1 e o frangue do occidente nos despreze como barbaros4 ,saboreamos quietamente o po esmolado ou arrebatado ao que o cultivou para ns4 ,da bolsa do viandante o ouro cai-nos aos ps com seu dono4 ,o nosso trabalho apenas erguer aquelle quando este cai4 ,depois de uma vida sem sacrificio1 sem amarguras1 que nenhum monumento contar aos vindouros1 dormiremos na paz do esquecimento1 porque no deixaremos vestigios da nossa jazida4 ,no se revolvem os ossos dos mortos1 quando o seu ultimo abrigo a amplido do nosso oceano de areias1 que no consente nem lapides1 nem inscripes1 nem edificios na sua face tristemente pallida4 ,porque1 pois1 continuaro eternamente erguidos estes templos1 estes palacios1 estas muralhas1 reprehenso ou antes injuria perpetua ao nosso viver8 ,que se ajunctem os filhos das profundas solides do deserto1 e que1 dia a dia1 vo esboroando uma parte1 minima que seja1 desses pannos de muros de cem covados1 formados de poucas pedras2 dessas columnatas1 sobre cujos frizos e arestas pousa noite o abutre1 como costuma pousar sobre a cumiada de longa serrania1 a que essa obra de homens se assemelha4 ,callou-se o xeque4 ,os outros abaixaram as cabeas com lento meneio1 como quem approvava o dicto4 ,se eu1 se vs1 chegassemos neste momento ao p do velho templo de ,balbek e ouvissemos o discursar do beduino1 o que diriamos no primeiro impeto de justissima indignao8 ,diriamos que o xeque era uma vibora1 que1 esmagada debaixo de vinte seculos1 queria voltar contra a historia os dentes envenenados1 como se a peonha da sua colera podesse anniquilar a historia4 ,e antes que a nefanda obra que elle traava e os demais applaudiam comeasse a ser executada1 falariamos assim quelles loucos3 ,vs outros quereis derribar a memoria das geraes que foram1 porque a magestade do passado pesa mais sobre a vossa consciencia do que pesam sobre esse cho que parece acurvar-se e gemer debaixo de tantas grandezas1 os pylones macissos1 as sphinges gigantes1 as arcarias profundas1 as pedras de dez covados inseridas em muralhas indestructiveis4 ,melhor fora que forcejasseis por ser tambem grandes1 convertendo-vos virtude antiga1 e que1 em vez de constituir um bando de miseraveis1 vos tornasseis n'uma nao illustrada e forte1 capaz de legar posteridade monumentos como estes1 quando lhe chegasse a sua ultima hora2 porque a morte abrange todas as sociedades1 todas as civilisaes1 como abrange todos os individuos4 ,credes que a luz do sol occidental1 batendo nas columnas avermelhadas do velho templo1 vos reflecte nas faces envilecidas o rubor que as tinge8 ,no sentis o sangue que estas palavras vos fazem subir do corao ao gesto8 o sangue e no o marmore2 que1 mau grado vosso1 ellas foram despertar uma voz que no podeis soffocar1 a da consciencia1 que vos reprehende da actual decadencia4 ,a vermelhido que surgiu nessas faces crestadas no reflecte da pedra lisa2 reflecte-se das almas que se rebellam contra si mesmas4 ,ouzariamos ns1 em verdade1 dizer isto aos beduinos1 sem que tambem o rubor viesse tingir-nos as faces8 ,no2 porque somos como elles2 porque1 bem como elles1 nos persuadimos de que1 varrendo todos os vestigios do ,portugal antigo1 poderemos esconder aos estranhos a nossa decadencia actual2 porque1 alm disso1 cremos que para ser deste seculo1 preciso renegar dos antepassados4 ,todavia1 ainda ha quem deplore a destruio das memorias venerandas de melhores tempos2 ainda ha quem lucte contra a torrente de barbaria que alaga este paiz to rico de recordaes1 recordaes que tantos animos envilecidos pretendem fazer esquecer4 ,sabemos que os nossos brados de indignao acham echo em muitos coraes4 ,temos visto e recebido cartas acerca deste assumpto escriptas com a eloquencia da convico e de profundo despeito4 ,so protestos solemnes de que nem todos os filhos desta terra venderam a alma ao demonio da devastao4 ,provam ellas que o ruido dos alvies e picaretas no basta para afogar os brados da razo1 da consciencia e do amor patrio4 ,lendo-as1 o sangue referve nas veias contra essa ida fatal que entrou na maioria dos espiritos1 de que tudo quanto antigo mau ou insignificante1 quando a peior cousa que ha essa ida1 a mais insignificante a cabea onde se aninha1 a mais destestavel a mo que a traduz em obras1 estampando sobre a terra da sua infancia a inscripo que o atheismo decreta para os sepulchros3--aqui a jazida do nada4 singular1 por exemplo1 a historia das recentes vicissitudes por que tem passado a collegiada de ,sancta ,maria da ,oliveira em ,guimares4 ,guimares parece fadada para victima desta especie de escandalos4 ,a igreja da collegiada de ,guimares era um dos mais bellos monumentos de architectura ogival4 ,o seu tecto de grossas vigas primorosamente lavradas constituia com o da s do ,funchal e poucas mais toda a riqueza de ,portugal neste genero1 porque1 durante a idade mdia1 empregava-se geralmente a abobada de pedra nas edificaes sumptuosas4 ,alm disso1 as bem proporcionadas arcarias1 os capiteis adornados de esculpturas variadas e subtis1 as tres naves magestosas divididas por elegantes columnas1 inspiravam em subido grau aquelle respeito melancholico e saudoso que um segredo das igrejas chamadas gothicas4 ,os annos no tinham deslisado em vo por cima do monumento3 arruinado em partes1 carecia de reparos4 ,o cabido ajunctou para isso grossas sommas4 ,chamaram-se obreiros1 e ha sete ou oito annos que estes lidam por apagar todos os vestigios da antiga arte4 ,quebraram-se os lavores dos capiteis e cornijas3 substituiram-se com pedras lisas3 estas pedras cubriram-se de madeira3 esta madeira dourou-se1 pintou-se1 caiou-se4 ,o templo do ,mestre d',aviz l est alindado2 l est cuberto de arrebiques4 ,os que deviam manter-lhe a magestade das cans2 os que deviam dispender seus thesouros accumulados1 no em remo-lo1 mas em conservar-lhe o venerando aspecto e as rugas dos seculos1 fizeram da casa do ,senhor um velha prostituta que esconde debaixo do caio e do carmim a flaccidez do gesto4 ,blasphemaram de ,deus1 no com blasphemias de palavras1 mas com a blasphemia das obras4 ,deram emfim documento indubitavel de que no havia alli quem soubesse a harmonia que existe entre a architectura e a religio2 que se lembrasse de que o livro da lei e o templo so dous typos sensiveis1 dous verbos que inspiram1 um directamente ao espirito1 outro symbolicamente aos olhos1 as relaes entre o homem e ,deus1 e de que no s impiedade negar ouvidos ao verbo escripto1 mas que tambem impio rasgar o livro de pedra4 ,e que disseram os habitantes de ,guimares durante oito annos em que os vermes andaram a roer naquelle cadaver8 ,louvaram o bonito da obra4 ,o longo tasquinhar do cabido despertou-lhes1 at1 o appetite4 ,alguns lembram-se j de demolir as muralhas da villa reconstruidas por ,d4 ,dinis4 ,talham ainda banquete mais lauto4 ,tentam arrasar as paredes que restam dos paos do conde ,henrique2 dos paos onde ,affonso ,i nasceu4 ,a gloria dos conegos de ,santa ,maria da ,oliveira1 to dispendiosamente conquistada1 offuscar-se-hia1 assim1 por pouco dinheiro1 como a luz pallida da lua nos esplendores do surgir do sol4 ,arrasados1 pois1 os muros reconstruidos pelo rei lavrador1 apagados os ultimos vestigios dos paos dos nossos primeiros monarchas1 raspado e serapintado o interior da igreja de ,santa ,maria1 ,guimares1 em vez de ficar antiga1 ficar velha garrida4 ,unicamente1 para a trahir1 lhe restar uma ruga na face3 o frontispicio da collegiada4 ,mas se a picareta do municipio pretender humilhar1 como sacrilegamente se cogita1 o colherim1 as tigellas de ochre e vermelho e as broxas canonicaes1 vingue-se o illustrissimo cabido arranjando mais alguns vintens1 e mandando custa delles picar e caiar aquelle frontispicio4 ,depois1 para esmagar de todo as audazes emulaes burguesas1 enfeite triumphantemente a frontaria da sua igreja com um rodap encarnado4 ,mas haver um governo que tolere tantos desvarios1 tantas devastaes brutaes8 ,pde haver1 e ha4 ,no seria difficil encontrar ministros e administradores geraes1 que1 se no fora o defeito de lerem sem soletrar1 symptoma altamente suspeito para os eleitores1 dariam excellentes vereaes aos concelhos desta terra1 onde o sangue dos conquistadores suevos parece ter ficado predominando nas veias dos seus habitantes4 ,mais de um governo tem disputado s camaras municipaes primores de barbaridade4 ,j alludimos igreja de ,s4 ,francisco do ,porto convertida em armazem da alfandega2 ao claustro de ,belem convertido em dormitorio2 ao abandono dos conventos de ,thomar1 da ,batalha e de ,alcobaa4 ,ha1 porm1 mais4 ,vede essa igreja de ,s4 ,domingos de ,santarem4 ,as suas velhas e grossas portas esto fechadas e o convento est vazio dos seus antigos habitadores4 ,no 1 todavia1 provavel que o templo mandado edificar pelo malfadado ,sancho ,,ii e de cuja primitiva fabrica ainda resta inteira a capella mor1 ficasse deserto de culto1 como o convento ficou ermo de frade4 ,a suppresso das ordens monasticas no foi a abolio das solemnidades religiosas4 ,vede1 pois1 o templo1 que1 se agora est fechado1 no tardar a ecchoar com oraes e psalmos4 ,transportae-vos pela imaginao para o interior da igreja na hora em que os canticos e o incenso se alevantam ante o altar2 em que o orgam slta a sua voz melancholica2 em que a nave est cheia de povo e o sacerdote ora por elle e com elle2 na hora em que o sol coado atravs das esguias janellas reflecte pelas pedras que o tempo amarelleceu uma luz suavemente pallida2 imaginae essa hora1 e vereis que1 se o convento se despovoou1 nem por isso ficou despovoado o templo4 ,a orao do dominicano no necessaria nas solemnidades da igreja4 ,no o abandonou soledade a pia sollicitude dos fieis4 ,de noite1 as lampadas1 penduradas ao longo da nave1 ou brilhando na escurido das capellas1 como estrellas engastadas em cu profundo1 despedem frouxos raios que vo quebrar-se por cima de campas onde se divisam1 em caracteres confusos e gastos nomes de vares illustres que alli vieram repousar das lidas da vida sombra da cruz4 ,l esto os sepulchros de ,gil e de ,martim d',ocem1 cuja voz exprimia a summa razo e a summa sciencia nos conselhos dos reis2 l alveja o jazigo do infante ,d4 ,affonso1 filho de ,affonso ,,iv1 e o de ,fernando ,sanches1 a quem ,fr4 ,luiz de ,sousa chama bastardo querido de ,d4 ,dinis4 ,por ahi dormem muitos pobres frades1 cuja vida obscura1 mas cuja morte foi invejada4 ,misturam-se alli os ossos dos que foram grandes na terra com os dos que reputamos grandes no cu2 e uns e outros so como testemunhas que tornam mais solemne o culto1 esse lao que liga ao cu a terra4 ,mas as portas do edificio sagrado rangem nos quicios de ferro1 para se abrirem de par em par4 ,ondas de povo vo precipitar-se pelo estreito dito e espraiar-se at juncto do altar4 ,o sacerdote vai comear o sacrificio incruento1 e o orgam acompanhar as oraes com as suas harmonias4 ,entremos4 ,no6 ,refujamos6 ,oraes1 psalmos1 harmonias1 luzes1 incenso1 sacerdotes1 povo1 nada disso ha ahi4 ,h s as trevas da nave pesando sobre as trevas dos sepulchros4 ,o velho templo um palheiro do ,commissariado444 ,e quem fez isso8 ,foi o vereador boal de um concelho obscuro8 ,no4 ,foi o governo de uma nao que se diz civilisada1 ou que pelo menos toma assento no convivio das naes da ,europa4 ,quasi contiguo igreja palheiro existe outra1 modelo em muitas cousas da mais elegante architectura ogival4 a do extincto convento de ,s4 ,francisco4 ,l1 na parte da nave sobposta ao cro1 o tumulo da infanta ,d4 ,constana1 cujos lavores se vo diariamente quebrando e oblitterando1 serve de cabide a sellins e arreios de cavallaria4 ,applicao igual e igual fim vai tendo o del-rei ,d4 ,fernando1 que anteriormente os frades tinham transferido da nave para o cro4 ,com estes exemplos do governo no de admirar que ahi mesmo em ,santarem se derribem as portas das velhas muralhas para calar as ruas1 ou que na antiga villa da ,torre-de-,moncorvo1 hoje ,moncorvo s1 a antiquissima torre que dera origem e nome povoao1 fosse deitada por terra com o mesmo intuito2 que1 emfim1 se tracte de dar s muralhas da ,guarda identico destino4 ,aqui o vandalismo confunde-se com a demencia4 ,na ,guarda1 ninho d'aguias1 collocado no cimo de um cerro de granito1 a pedra vai calar a pedra4 ,d'antes1 no inverno1 o viver alli era bem duro1 quando os edificios estavam abrigados atraz da solida cerca4 ,agora1 o vento gelado que passa pelas cumiadas da serra da ,estrella vir precipitar-se rugindo por aquellas ruas meio desertas e tornar inhabitavel a povoao4 ,a ,guarda1 que em si propria um monumento1 e que encerra uma cathedral magnifica1 estar no decurso1 talvez1 de poucas dcadas convertida n'um covil de fras4 ,dos males que os seculos passados legaram ao presente nenhum foi tal fatal como a ignorancia em que deliberadamente se conservavam as multides4 ,essa ignorancia que ha de levar annos1 talvez seculos1 a dissipar1 era incomparavelmente menos nociva em epochas de servido1 quando o poder absoluto1 concentrado em poucas mos1 podia facilmente reunir n'um foco as luzes intellectuaes do paiz e aproveit-las desassombradamente na soluo das questes de administrao4 ,hoje que o vassalo se converteu em cidado2 hoje que os erros e preoccupaes das intelligencias incultas se despenham de todos os lados na torrente da opinio publica e se confundem de modo inextricavel com as idas sensatas2 hoje1 finalmente1 que necessario no afrontar essa torrente1 nem querer faz-la refluir fora1 os resultados fataes da ignorancia so incomparavelmente mais difficeis de evitar e remediar4 ,se as portas dos ministerios estivessem fechadas para os arrasadores professos1 e fosse exigivel dos pretendentes a pastas uma justificao de que1 nem pelo lado paterno1 nem pelo materno1 descendiam de algum soldado de ,genserico1 ainda assim1 dada a competencia dos magistrados municipaes1 e o valor moral que resulta para os seus actos da sua origem electiva1 um governo illustrado1 mas que no quizesse ultrapassar os limites da propria auctoridade1 no poderia talvez reduzir completamente ao silencio o fragor das demolies que reboa por todos os angulos do reino4 ,o camartello o enlevo1 o bezerro d'ouro1 o ,moloch1 o ,baal da nossa burguesia4 ,um camartello deitado sobre uma ara de pedra em frente dos paos do concelho deveria substituir os seculares pelourinhos 7tambem j1 em parte1 roidos ou despedaados71 como symbolo do poder municipal4 ,imaginemos1 de feito1 cinco1 seis1 ou mais figures assentados ao redor d'uma banca1 falando sem juizo1 s vezes sem decencia1 sempre sem grammatica1 sobre a administrao do municipio1 e ponderando os proveitos e aformoseamentos que para este ho-de resultar da destruio de um monumento da arte ou da historia4 ,l pede a palavra um delles1 logista gordo1 ensebado1 vermelho1 quasi-virtuoso1 e cujas unhas e cuja barba esto accusando a tesoura e a navalha de vergonhoso desleixo no desempenho das respectivas funces4 o ,demosthenes do conciliabulo4 ,aprendeu a ler pela ,historia de ,carlos ,magno e dos ,doze ,pares1 e assignante das traduces de ,paul de ,kock1 para se exercitar4 ,um palacio1 um muro1 uma igreja de eras remotas fazem-no estremecer de horror4 ,ao lado de cada ameia do castello ermo lhe parece enxergar um cavalleiro cuberto de armas ferrugentas2 em cada torre cr ouvir soar as badaladas da campa feudal4 ,escutam com assombro os outros cidados vereadores o ,mirabeau logista4 ,os animos commovem-se3 os cabellos arripiam-se4 ,a sentena contra o monumento vai ser fulminada4 ,ha um instante de terrivel silencio4 ,o presidente pede votos4--,a terra3--diz o homem gordo4--,a terra3--vo repetindo com voz solemne os outros membros do sanhedrim4 ,ento o secretario lavra o fatal accordam4 ,por entre aquellas letras1 logo nascena amarellas1 e escriptas com penna de duvidosa classificao ornithologica1 surge magestosa no meio de cada palavra uma letra capital1 como que protegendo as que a precedem e seguem4 ,acabou-se emfim a magistral composio3 o erudito secretario estende o papel ao presidente1 que1 enlevado na voz melodiosa da consciencia a asseverar-lhe que fez desmarcado servio patria1 o recebe s avessas1 e lhe lana no topo1 com ademan desdenhoso1 a cruz de seu signal4 ,passa aos outros juizes a acta fulminante4 ,o logista que1 por incessantes exercicios gymnasticos nas paginas de ,paul de ,kock1 j soletra com rapidez vertiginosa1 e conhece n'um relance o erro do presidente1 cujo pundonor litterario no ousa1 alis1 ferir advertindo-o do lapso1 escreve o proprio nome1 em menos de dez minutos1 no seu devido logar1 e debaixo da garatuja do ,mirabeau burgus1 os outros magistrados municipaes vo plantando as respectivas cruzes n'um devoto calvario4 ,emfim1 o secretario assigna1 e o crime est consummado4 ,torre1 muro1 pao1 ou o que quer que sejas1 cuja ruina foi decretada1 para ti j no ha salvao4 ,amanhan1 nos teus lanos desconjunctados1 no teu cimento desfeito1 nas tuas pedras estouradas1 nos teus fundamentos revoltos1 estar escripto ponta de picareta e de alavanca a palavra fatal--a terra6--extrahida do calvario municipal4 ,mas--dir-se-ha--que quereis que se faa cerca dos monumentos8 ,que queremos que se faa86 ,que se deixem em paz4 ,no pedimos museus2 porque estes no so1 digamos assim1 seno necropoles1 em relao architectura4 ,depois1 em muitos casos1 os monumentos no se transportam1 nem cabem l4 ,os fragmentos de um edificio1 tirados do seu logar1 sem destino1 sem unio1 so mortos2 so cinza e p de cadaveres4 ,reunam-se em bibliothecas e em galerias os livros e os quadros que no foram roubados1 estragados ou abandonados por ignorancia crassissima2 mas as pedras s pedem repouso4 ,que os representantes do paiz lhe salvem os seus titulos mais nobres4 ,haja no seio do parlamento uma voz que se alevante energica a favor do passado4 ,essa voz achar eccho em todos os districtos do reino1 porque em todos elles h homens sisudos e peitos generosos4 ,apparea uma lei cerca do assumpto1 efficaz pela sanco do castigo1 j que1 n'um seculo corrompido e de decadencia1 as palavras--pundonor e gloria--vo insensivelmente passando para o glossario dos archaismos4 ,entenda-se1 emfim1 que nenhum monumento historico pertence propriamente ao municipio em cujo ambito jaz1 mas sim nao toda4 ,por via de regra1 nem a mo poderosa que o ergueu rega s esse municipio1 nem as sommas que ahi se despenderam sairam delle s1 nem a historia que transforma o monumento em documento a historia de uma villa ou cidade1 mas sim a de um povo inteiro4 ,se1 por exemplo1 aos habitantes de ,guimares1 de ,coimbra1 do ,porto ou de ,lisboa no importa que desappaream as mudas testemunhas dos factos que ahi se deram1 dos homens que ahi passaram2 se no lhes importa que o viajante v examinar os monumentos que os livros dizem existir ahi1 e que1 achando-os convertidos em pavimentos das ruas1 fuja espavorido temendo alguma frchada ou azagaiada1 suppondo-se1 por illuso momentanea1 nos sertes invios da ,cafraria2 se no curam da propria reputao1 consentindo que os seus eleitos vo assentar praa posthuma nas extinctas legies d',attila1 e que o seu clero se filie na seita dos modernos iconoclastas1 ao menos que o governo e o parlamento no deem ao mundo documento de igual ignorancia e barbaria1 mas acudam ao que ainda resta4 ,que uma lei salvadora aposente de vez os pices e alvies e alavancas que tantas esculpturas tem roado1 tantas campas profanado1 tantas columnas quebrado e tantas torres1 muros1 ameas1 campanarios1 arcarias1 galils derribado e desfeito4 ,,da ,,propriedade ,,litteraria ,e ,,da ,,recente ,,conven,o ,,com ,,fran,a ,,ao ,,visconde ,d',,almeida ,,garrett #ahea ,,appendice #ahgb ,senhor ,visconde4--,ha dias que no ,diario do ,governo se publicaram varios documentos assignados por v4 ex4a1 entre os quaes um1 cujo verdadeiro nome e indole ignoro pela minha pouca noticia dos ritos diplomaticos e formulas officiaes4 ,neste documento1 no meio de graves ponderaes dirigidas ,soberana por v4 ex4a cerca da conveno recentemente celebrada com a republica francesa1 vem citado o meu nome em abono1 se no daquella triste conveno1 ao menos do decreto que creou e legitimou em ,portugal a propriedade litteraria4 ,a honra que v4 ex4a me faz citando o meu nome1 e citando-o conjunctamente com o do illustre ,silvestre ,pinheiro1 exigiria da minha parte o mais vivo reconhecimento1 se eu podera acceit-la4 ,infelizmente prohibe-m'o a consciencia4 ,enganaria os meus conscidados2 enganaria a v4 ex4a1 se com o silencio dsse a minha fraca sanco doutrina da propriedade litteraria1 a qual considero mais que disputavel1 ou conveno com ,frana1 que1 alm de consagrar opinies que reputo profundamente inexactas1 prejudicialissima por diversos modos aos interesses da nossa terra4 ,e torna-se tanto mais indispensavel esta minha manifestao1 quanto certo que1 no s em conversaes particulares1 mas tambem pela imprensa1 desapprovei altamente a feitura desse ruinoso convenio4 ,n'um jornal1 em que eu collaborava1 appareceram varias consideraes1 que supponho no serem de desprezar1 contra os ajustes celebrados com ,frana a semelhante respeito4 ,essas consideraes eram minhas3 adopto-as hoje1 como ento as exarei1 sem lhes ajunctar a minha assignatura1 porque um nome no d nem tira fora a um raciocinio1 e um absurdo no fica mais ou menos absurdo quando ou deixa de ser adoptado por um engenho grande ou pequeno4 ,todos sabiam que o artigo do ,paiz contra a conveno litteraria era meu3 foi1 at1 por isso1 accidentalmente me constou a publicao do papel dirigido por v4 ex4a a ,s4 ,m4 a ,rainha2 foi por isso1 e s por isso1 visto que nunca leio o ,diario1 e nomeiadamente a parte official1 com temor de chegar a esquecer a grammatica geral1 e a indole e propriedade da nossa lingua4 ,por alguem1 que supps ver ahi uma refutao do que eu tinha escripto1 soube da existencia de tal papel1 que1 no entender dessa pessoa1 affectava com arte ser uma especie de preveno contra objeces futuras4 ,busquei o ,diario1 e desenganei-me de que haviam dado ao documento uma interpretao inexacta e malevola4 ,lendo-o1 convenci-me de que a alta razo de v4 ex4a reluctava contra a obra fatal do convenio1 e de que a voz dos sophistas1 que v4 ex4a suppunha ouvir do lado do futuro1 era a da propria intelligencia1 que condemnava a illuso em que se transviara4 ,tentando persuadir a ,soberana1 v4 ex4a1 sem talvez o saber1 persuadia-se a si proprio4 ,era malevola e injusta1 portanto1 a significao que se dava quelle e aos outros documentos publicados no ,diario a este proposito4 ,se v4 ex4a intentasse refutar as consideraes do ,paiz1 te-lo-hia feito directamente1 francamente1 lealmente3 sobejam-lhe para isso recursos4 ,v4 ex4a teria apreciado as razes dos que condemnam a conveno1 e no se limitaria a qualific-los de sophistas1 sem mostrar que o sophisma estava do lado delles4 ,v4 ex4a uma intelligencia demasiado superior1 para no recorrer a essa pobre argumentao ad odium1 de que contra mim mesmo a hypocrisia ignorante e irritada ainda ha pouco tempo deu nesta terra to deploraveis exemplos4 ,s nas circumstancias em que v4 ex4a escrevia1 quando a imprensa no tinha interposto o seu voto sobre a materia1 e quando v4 ex4a estava provavelmente persuadido de que s doutrinas em que se funda o tractado e s provises delle se no opporiam seno sophismas2 s nessas circumstancias1 digo1 v4 ex4a poderia empregar as duras phrases com que condemnou os adversarios possiveis da conveno litteraria4 ,persuadido de que isto era assim1 e de que os termos geraes1 em que v4 ex4a se expressava1 no destruiam na minima cousa as minhas posteriores observaes1 eu teria evitado o para mim1 por muitas razes1 ingratissimo trabalho de escrever a v4 ex4a sobre o assumpto1 se v4 ex4a me no houvera1 at certo ponto1 chamado auctoria sobre a doutrina que serve de fundamento tanto ao decreto de #h de ,julho1 como conveno1 que se reputa seu corollario4 ,mas1 podendo concluir-se das palavras com que v4 ex4a quiz honrar-me1 que eu commungo nas suas idas sobre a propriedade litteraria1 o que no sera exacto1 devo rectificar os factos a que v4 ex4a allude1 e expr depois as duvidas que tenho contra a legitimidade das doutrinas de v4 ex4a nesta materia1 bem como os inconveniente que1 na minha opinio1 resultam para ,portugal da applicao de taes doutrinas feitura do tractado ou conveno1 em que v4 ex4a foi um dos plenipotenciarios4 ,diz v4 ex4a que eu e ,silvestre ,pinheiro tinhamos approvado e aperfeioado o trabalho de v4 ex4a sobre o direito de propriedade litteraria1 o qual hoje se acha convertido em lei do reino4 ,pelo que me toca1 posso assegurar a v4 ex4a que de tal approvao e aperfeioamento no conservo outra memoria que no seja a seguinte3 estando eu e v4 ex4a na camara dos deputados na legislatura de #ahdj1 tinha v4 ex4a apresentado um projecto de lei sobre aquella materia4 ,pertencia eu minoria da camara1 e no seu zelo por fazer passar uma providencia1 que1 sinceramente o creio1 reputava util e justa1 v4 ex4a teve a bondade de falar comigo e com outros membros da opposio1 para que no a fizessemos a esse projecto sobre que a deliberar-se4 ,d'entre os individuos com quem v4 ex4a tractou o assumpto1 recordo-me de quatro1 dos srs4 ,soure1 ,ferrer1 ,marreca e ,seabra1 o ultimo dos quaes1 conforme minha lembrana1 reluctou antes de acceder aos desejos de v4 ex4a ,eis a memoria que conservo de semelhante negocio4 ,se v4 ex4a me mostrou ento o seu projecto1 e se eu lhe props a alterao ou o accrescentamento de algum artigo1 nem o affirmo1 nem o contesto4 ,so cousas que completamente me esqueceram4 ,mas1 se o fiz1 que se deduz d'ahi a favor ou contra o pensamento da lei2 a favor ou contra o direito de propriedade litteraria8 ,esses additamentos ou observaes podia submett-los considerao de v4 ex4a1 acceitando hypotheticamente a doutrina1 sem a fazer minha2 podia prop-los em atteno ao desenvolvimento logico do projecto1 ou s circumstancias externas que devessem modific-lo1 sem adoptar a ida geradora delle4 ,se1 porm1 v4 ex4a quer que por esse facto eu mostrasse seguir ento as idas de v4 ex4a1 declaro que sou agora contrario a ellas1 e demitto de mim qualquer responsabilidade que de tal facto1 se o foi1 possa provir-me4 ,dez annos no passam debalde para a intelligencia humana1 e eu no me envergonho de corrigir e mudar as minhas opinies1 porque no me envergonho de raciocinar e aprender4 ,o que me traria o rubor s faces seria alterar doutrinas e crenas para promover os meus interesses2 duvidaria1 at1 de o fazer1 se tal mudana1 por caso fortuito1 se ligasse com vantagens para mim4 ,merc de ,deus1 nessa parte tenho sido feliz4 desgraa que ainda me no succedeu4 ,permitta-me v4 ex4a que1 antes de lhe expr as duvidas que tenho cerca da propriedade litteraria1 eu invoque1 para desculpar a minha descrena1 o scepticismo d'uma das primeiras intelligencias de ,portugal neste seculo1 que v4 ex4a mesmo4 ,parecendo sustentar como incontroversa a doutrina que serviu de fundamento ao decreto e conveno1 affirmar que a moral e o direito seriam offendido se essa doutrina no se reduzisse practica legal1 equiparar a contrafaco fraude1 ao roubo e falsificao1 considerar como blasphemos e sophistas os que duvidam da legitimidade moral da sua theoria1 v4 ex4a assevera1 comtudo1 que no estipularia definitivamente o artigo #h4o do convenio1 que fere os interesses provenientes da contrafaco1 nem as mais provises que delle se deduzem1 se no houvera verificado que era minima a somma das nossas importaes de livros da ,belgica4 ,v4 ex4a1 consinta-me diz-lo1 calumniar-se-hia a si proprio se houvessemos de dar a estas proposies encontradas um valor absoluto4 ,se v4 ex4a estivesse perfeitamente convencido das nequicias e immoralidades que lhe apraz atribuir contrafaco1 e da legitimidade sacratissima que presuppe na propriedade litteraria1 v4 ex4a no poderia hesitar na estipulao do artigo #h4o1 fossem quaes fossem os proveitos que tirassemos da sua eliminao2 porque nas doutrinas indisputaveis de moral e de justia quem capaz1 no digo de deixar de proceder em conformidade d'ellas1 mas sequer de hesitar1 tambem capaz de trahir o seu dever1 e v4 ex4a nunca por certo o seria4 ,se v4 ex4a1 para resolver o negocio1 julgou opportuno examinar a questo d'interesse1 para admittir ou repellir o artigo #h4o da conveno1 cumpre-me acreditar que reputava duvidosa a legitimidade da sua doutrina4 ,examinemos a essencia dessa doutrina4 ,o que o direito propriedade8 o direito transmissivel de possuir e transformar um valor creado pelo trabalho do que o possue1 ou transforma4 ,esse direito complexo existe desde o momento em que o homem applicou o trabalho intelligente materia1 e creou assim um valor4 ,as modificaes1 os limites que a sociedade lhe impe vem da indole e das necessidades della2 no so inherentes ao mesmo direito4 ,a propriedade litteraria 7abstrahindo das obras d'arte para simplificar a questo7 no pde ser seno o direito sobre um valor creado pelo trabalho dos que o crearam2 sobre a representao material da ida2 porque esse valor est ligado a um objecto que se chama o livro1 na accepo vulgar e sensivel desta palavra4 ,o que o livro8 ,um complexo de phrases unidas entre si para representarem uma certa somma de idas1 fixadas no papel para se transmittirem intelligencia1 e repetidas certo numero de vezes para aproveitarem a muitos individuos2 mas para aproveitarem ainda mais ao auctor4 ,como nasce o livro8 ,pelos esforos combinados do escriptor1 do capitalista que empregou o capital para a sua publicao1 do fabricante de papel1 do compositor1 do impressor1 etc4 ,so estes esforos junctos que criam o valor do livro1 valor que1 antes ou depois de trocado1 se reparte pelos que trabalharam em cre-lo4 ,qual a parte que pertence ao auctor nesse complexo de esforos8 ,a correspondente ao seu trabalho1 no sentido vulgar da palavra1 porque s o trabalho material1 embora dirigido pela intelligencia1 como todo o trabalho productivo1 pde crear verdadeiramente um valor de troca4 ,esta quota1 indeterminada em si1 fixada em cada um dos casos pelas convenes espontaneas e livres entre os individuos que concorreram para a existencia do valor venal que o livro representa4 ,como se procede ordinariamente nessa operao economica8 ,o editor1 seja o proprio auctor1 seja pessoa diversa que subministre o capital1 retribue o trabalho de todos os outros individuos e realisa o valor da mercadoria1 conjunctamente com a renda do capital1 por meio da venda4 ,todos esses esforos e factos economicos que delles derivam foram calculados1 avaliados4 ,a totalidade dos exemplares de qualquer publicao representa a totalidade desses diversos valores2 determinada por elles e determina-os ao mesmo tempo1 porque ha uma condio extranha que a restringe1 a das probabilidades maiores ou menores da procura no mercado4 ,estas phases que se do na industria dos livros1 na sua fabricao e commercio1 so as mesmas que se do n'outra qualquer industria4 ,as leis civis que a protegem devem1 portanto1 ser as mesmas que protegem as outras4 ,a igualdade civil no consente que sejam nem mais nem menos4 ,o direito de propriedade litteraria1 como v4 ex4a o entende1 cria1 porm1 um valor ficticio para crear uma propriedade que no o menos4 ,de feito1 o que que se transfere de uma edio para outra8 ,unicamente as idas1 as phrases1 as palavras1 combinadas deste ou daquelle modo4 ,pois isso pde ser propriedade de ninguem8 ,menos ainda1 se possivel1 que o ar1 o calorico1 a chuva1 a luz do sol1 a neve1 ou o frio4 ,como cada um destes phenomenos naturaes1 essas idas1 essas phrases1 essas palavras podem ser uteis2 mas a utilidade no o valor2 porque nada d'isso susceptivel de uma apreciao de troca4 ,o professor1 por exemplo1 no vende as suas doutrinas e as formulas com que as exprime2 vende o tempo e o trabalho que emprega em ensin-las2 vende o tempo e o trabalho que emprega em ensin-las2 vende o tempo e o trabalho que consumiu em adquiri-las4 ,o discipulo que as ouviu uma ou mais vezes1 e que as decorou1 pde ir repeti-las1 ensin-las a outros1 sem que ninguem se lembre de o considerar como um contrafactor4 ,onde est a razo para se darem naturezas diversas concepo escripta e concepo falada8 ,a lei1 para ser logica1 deve prohibir a repetio do discurso proferido seja onde fr1 na cadeira1 no pulpito1 nas assemblas consultivas e deliberantes1 uma vez que o acto da repetio possa produzir lucro4 ,se a ida que se manifesta se torna pelo simples facto da manifestao uma propriedade1 preciso que assim se verifique sempre e em todas as hypotheses2 porque a qualidade de escriptor no d a ninguem melhor direito do que ao resto dos cidados4 ,permitta-me v4 ex4a que eu procure um exemplo onde se possa bem sentir o diverso modo por que cada um de ns concebe a questo4 ,um individuo quis edificar uma habitao mais ou menos sumptuosa1 mais ou menos commoda1 para negociar o predio depois de acabado4 ,chamou um architecto e ajustou com elle retribuir-lhe o desenho na proporo do lucro da venda4 ,o architecto delineou o edificio3 o edificador reuniu o cimento1 a pedra1 as madeiras e os outros materiaes para a edificao4 ,veio ento o mestre d'obras com os seus obreiros3 lanaram-se os fundamentos2 altearam-se as paredes2 travaram-se os madeiramentos2 assentaram-se os tectos2 dividiram-se e adornaram-se os aposentos2 ps-se1 emfim1 remate ao edificio4 ,vendeu-se este depois1 e o architecto recebeu a retribuio do seu trabalho4 ,em rigor que tinha elle feito8 ,manifestara o seu pensamento2 escrevera um livro1 e imprimira-o n'um unico exemplar1 para haver uma quota1 proporcional e livremente ajustada1 do producto da venda desse exemplar4 ,quanto a mim1 recebida esta quota1 a especie de co-propriedade que elle tinha no predio cessou4 ,o comprador podia fazer reproduzir o edificio tal qual n'outra ou n'outras partes2 podiam reproduzi-lo todos que o vissem4 ,se1 porm1 fosse verdadeira a doutrina de v4 ex4a era necessario que se chamasse o architecto a cada nova edificao que se emprehendesse1 e que de novo se lhe pagasse o desenho1 como lho pagara o primeiro emprezario4 ,a theoria da propriedade applicada s manifestaes da intelligencia para ser lgica comsigo mesma tem de ir at o absurdo4 ,e seno1 imaginemos outras hypotheses4 ,um marceneiro ideou uma cadeira elegante e commoda2 deu depois existencia e vulto sua concepo1 fabricando uma duzia ou um cento de cadeiras1 em que essa concepo se manifestou1 e vendeu-as com um lucro mais ou menos avultado4 ,os que crem na propriedade das idas devem invocar o direito de propriedade para a concepo do marceneiro1 porque o marceneiro to cidado como o escriptor3 devem declarar contrafactor outro qualquer individuo da mesma profisso1 que1 vendo a procura no mercado daquella frma de moveis1 os imitou sem licena do inventor2 sem lhe pagar o preo da ida1 o preo da sua propriedade intellectual4 ,um cultivador1 fora de observaes e de meditao1 tendo unido ao estudo da sciencia de agricultar o da natureza do solo e das condies do clima em que habita1 achou emfim um systema de rotao e um methodo de cultura muito mais perfeito que o dos seus vizinhos4 ,esses methodo e systema1 applicados terra1 produziram-lhe1 em vez de dez sementes1 vinte2 em vez de uma colheita annual1 duas4 ,os vizinhos1 convencidos da utilidade das idas do cultivador1 applicaram o novo systema de rotao1 o novo methodo de amanhos aos proprios campos3 contrafizeram o livro do lavrador1 escripto a ferro de charrua nas vastas paginas da terra4 ,venha uma lei que vde este attentado contra a propriedade sacratissima das idas4 ,e essa lei protectora que se estenda a tudo quanto o espirito humano pde conceber3 prohiba-se a luz que o trabalho da intelligencia derrama no meio da sociedade1 e que se chama a civilisao2 annulle-se a obra de ,deus que ps no mundo os homens summos como apostolos da sua sabedoria eterna1 como instrumentos da sua providencia2 neguem-se os destinos de perpetuo progresso1 que so os do genero humano1 e cujo mais poderoso mobil a imitao1 se essa luz1 se essa civilisao1 se esse progresso no for comprado na praa publica2 se no se respeitar o direito da propriedade litteraria1 que no 1 que no pde ser seno o direito de propriedade das idas manifestadas1 no importa com que formulas2 materialisadas1 no importa por que meio1 nos objectos sensiveis4 ,todavia1 dir-se-ha1 o trabalho dos auctores com essa proteco dada ao livro s como uma especie de manufactura para que elles contribuiram1 no fica dignamente retribuido4 ,depois1 no isso fazer descer o homem de talento ao nivel do rude obreiro8 ,no envilecer o nobre mister de escriptor8 ,absurdo tudo isso6 ,desde que pondes a retribuio do engenho merc da procura no mercado1 necessario que elle se submetta s condies do mercado4 ,quem o reduz unicamente qualidade de fabricante de livros sois vs com as vossas leis de propriedade4 ,se o quereis recompensar como recompensado o lavrador1 o industrial1 no exijaes para elle um direito diverso4 ,o auctor de um volume1 que custou um anno de trabalho1 realisada a venda de mil exemplares que se imprimiram1 lucrou1 supponhamos1 #cjjjjj ris4 ,que meio tendes para verificar que o seu trabalho no est pago8 ,que outra cousa1 seno o mercado1 regula o valor dos servios8 ,quem vos disse1 que1 attribuindo ao auctor o direito exclusivo de reimprimir o livro1 elle ou seus herdeiros1 tantas vezes quantas o exigir a procura1 durante a sua vida e mais trinta annos depois da sua morte1 nem mais um mez1 nem menos um mez1 que a retribuio correspondeu ao lavor8 ,onde est a vossa balana1 o vosso metro8 ,respondei4 ,e cabe aqui repetir uma observao a que por parte dos defensores da propriedade litteraria nunca se deu resposta que tivesse o senso commum4 ,se as idas e as phrases de um livro constituem uma propriedade1 um valor1 um capital accumulado e fixo2 se esta propriedade sacratissima1 ou por outra1 se sagrada entre as mais sagradas1 porque lhe recusaes a vantagem que o direito assegura sem excepo a todo o outro capital accumulado e activo1 a perpetuidade8 ,porque espoliaes os herdeiros do auctor no fim de trinta annos8 ,o capital no se consummiu1 porque o livro ahi est4 ,em virtude de que principio moral ou juridico ho-de elles ser privados de uma herana sacratissima8 ,em virtude da utilidade publica8 ,mas as expropriaes de outra qualquer propriedade menos sagrada1 em proveito commum1 por mais remota que seja a origem desse capital accumulado1 pagam-se4 ,a expropriao publica no mais do que uma troca regulada1 como todos os valores1 pelo preo do mercado4 ,o que me parece ineluctavel1 sr4 visconde1 vista destas ponderaes1 que o escriptor1 ao mesmo tempo homem de trabalho e evangelisador da civilisaco e do progresso1 exerce na terra um duplicado mister4 ,na feitura de um livro ha dous phenomenos distinctos3 um material1 outro immaterial4 ,o material o lavor visivel que essa feitura custou4 ,o auctor consumiu horas e horas sobre os livros1 emprehendeu viagens1 trabalhou nos laboratorios1 revolveu bibliothecas e archivos1 penetrou nas minas e subterraneos1 herborisou por valles e serras1 observou os ceus1 sondou os mares1 e depois1 encerrado no seu gabinete1 durante dias inteiros1 no ardor da canicula2 durante longas noites nos rigores do inverno1 ennegreceu o papel com a traduco visivel das reflexes ou dos factos que o seu espirito havia coordenado4 ,em todas estas occupaes1 em todos estes phenomenos exteriores no houve da parte delle seno a obediencia lei commum do genero humano2 a condio do trabalho imposta a nossos primeiros paes4 ,exteriormente1 a sua situao a mesma do official mechanico1 que1 depois de cinco annos de aprendizagem1 obteve meios de trabalhar de sol a sol para ganhar um salario4 ,nenhum principio de moral1 de justia lhe d melhor direito que ao operario que funde o ferro1 que acepilha a madeira1 que ara a terra4 ,sob este aspecto1 a sociedade nada mais lhe deve do que as garantias da retribuio do seu trabalho dentro das regras ordinarias de apreciao4 ,ao lado1 porm1 de esforos grosseiros houve outros immateriaes e inapreciaveis pela craveira commum4 ,so os da cogitao1 da inspirao1 do genio2 so os que elevam o engenho acima do vulgo2 so os que trazem terra as centelhas da infinita sciencia1 da immensa sabedoria de ,deus2 so os que attingem os mysterios1 as harmonias do universo1 que o escriptor vem revelar2 so aquelles com que aspiramos estas perennes emanaes do ,verbo que se espargem sobre a humanidade1 transfusas pela intelligencia1 e que se chamam a civilisao2 so os que do ao homem de letras uma especie de sacerdocio1 o sacerdocio da imprensa4 ,estes esforos immateriaes no se apreciam1 no se medem1 no se recompensam como a creao e o transporte ao mercado d'alguns saccos de trigo1 ou como o covado de chita produzido pelo tear do operario fabril4 ,no6 ,se a imprensa um sacerdocio1 no confundamos o que ha nella elevado e espiritual com o trabalho venal e externo2 no instituamos a simonia como um direito2 no equiparemos a ida pura1 que vem de ,deus ao homem como os raios do sol que nos illuminam1 como o ar que respirmos1 como todas as utilidades gratuitas que a ,providencia nos concede2 no a equiparemos ao ouro amoedado1 geira de terra2 no meamos a obra onde predomina a inspirao pela bitola com que medimos aquella em que predominam os esforos dos musculos4 ,para os que no so capazes de apreciar a priori as antinomias que ha na applicao do direito de propriedade material aos trabalhos do espirito ser til examinar os resultados practicos dessa applicao4 ,a propriedade material1 o capital accumulado e activo produz uma renda3 esta renda maior ou menor conforme a importancia desse capital4 ,se #a3jjjjjj ris em terras produz #ejjjj ris1 #bj3jjjjjj ris ho-de produzir #a3jjjjjj ris2 se #bjjjjj ris empregados na agiotagem produzem #djjjj ris1 #fjjjjj ris ho-de produzir #abjjjj ris3 esta lei constante e uniforme1 quando circumstancias accidentaes e extranhas no a modificam4 ,nas letras succede exactamente o contrario4 ,supponde que cogitaes1 que contenso d'espirito1 que calculos1 que raciocinios1 que observaes custaram a ,pedro ,nunes1 a ,leibnitz1 a ,newton1 a ,vico1 a ,brotero1 a ,kant os livros que nos deixaram4 ,que thesouros accumulados1 que capital d'estudo1 ideas6 ,e todavia1 protegidos pela lei da propriedade litteraria1 esses homens summos1 esses homens cujos nomes so immortaes1 teriam com ella morrido de fome2 porque os seus escriptos publicados1 os seus meios de obter uma renda1 seriam lentos e insufficientes4 ,comparae agora com elles os romancistas modernos1 os ,arlincourts1 os de ,kocks1 os ,balzacs1 os ,sues1 os ,dickens4 ,estes homens1 cujos estudos se reduzem a correr os theatros1 os bailes1 as tabernas1 os lupanares1 a viajar commodamente de cidade para cidade1 de paiz para paiz1 a gosar os deleites que cada um delles lhes offerece1 a adornar os vicios1 a exaggerar as paixes1 a trajar ridiculamente os affectos mais puros1 a corromper a mocidade e as mulheres2 estes homens1 que s buscam produzir effeitos que subjuguem as multides2 que espreitam as inclinaes do povo para as lisonjeiarem1 os seus gostos depravados para os satisfazerem2 a estes operarios da dissoluo e no da civilisao1 a estes sim1 aproveitam as doutrinas da propriedade litteraria6 ,para elles a recompensa do mercado2 para elles os grossos proventos do industrialismo litterario1 que o grande incitamento dos seus infecundos trabalhos4 ,a litteratura-mercadoria1 a litteratura-agiotagem1 tem na verdade progredido espantosamente sombra de to deploraveis doutrinas6 ,um dos nossos escriptores modernos1 que mais abusou do talento1 e que mais proventos auferiu do systema ignobil do industrialismo nas letras1 o padre ,macedo1 disse1 no me recordo em que escripto1 que a folhinha era e seria sempre a desesperao dos auctores1 porque nenhum livro tinha ou teria nunca tantas edies4 ,neste dicto est resumida toda a critica do falso direito de propriedade litteraria4 ,silvestre ,pinheiro1 o grande pensador portugus deste seculo1 com cujo nome v4 ex4a acaba de me fazer a honra de associar o meu1 e ,joo ,pedro ,ribeiro1 o restaurador dos estudos historicos em ,portugal1 morreram n'uma situao vizinha da penuria4 como teriam morrido sob o regimen da propriedade litteraria2 porque para elles foi como se esse regimen j existisse3 ninguem lhes contrafez1 ninguem lhes contrafar os seus livros4 ,sabe v4 ex4a quem ganharia immensamente em viver hoje8 ,o auctor do ,carlos-,magno4 ,as edies daquelle celebre rol de semsaborias e despropositos ainda no cessaram de repetir-se4 ,que propriedade ser esta1 em que os terrenos de alluvio1 cuidadosamente cultivados1 s geram espinhos1 e as gredas inferteis produzem messes opulentas1 sem nenhum cultivo8 ,permitta-me1 sr4 visconde1 que eu duvide da inteireza da sua f na doutrina da propriedade litteraria4 ,v4 ex4a cedeu antes a um generoso e nobre impeto de corao do que a reflectidas convices4 ,n'uma situao elevada1 v4 ex4a no esqueceu os seus antigos companheiros nesta rude peregrinao das letras1 em que o seu glorioso exemplo foi incitamento a ns todos4 ,no se envergonhou de nos estender a mo aos que pouco podemos e valemos diante dos grandes do mundo4 ,pensou que uma lei de propriedade litteraria nos seria grandemente util2 util1 sobretudo quelles que1 desvalidos e pobres1 vem no verdor dos annos associar-se a ns os que j podemos chamar-nos os veteranos da imprensa4 ,v4 ex4a no previu todos os inconvenientes de ordem moral e litteraria que do novo direito introduzido no paiz podem provir4 ,mas sejam quaes forem os tristes desenganos que elle nos traga1 nem eu me queixo1 nem creio que ninguem deva queixar-se das intenes de v4 ex4a2 do-me s1 devemos doer-nos todos de que em materia to grave falhasse uma to bella intelligencia4 ,o direito de propriedade litteraria1 sr4 visconde1 j existia virtualmente entre ns nos tempos da censura e da inquisio2 j viveu largos annos nessas ms companhias4 ,aquelle direito vigorava de certo modo em resultado dos nossos usos administrativos4 ,no seculo ,,xvi ou ,,xvii os privilegios de impresso creavarn os mesmos factos juridicos que resultam da lei aconselhada por v4 ex4a ,a differena estava em ser uma jurisprudencia que assentava em praxes administrativas e no em lei geral4 ,dava-se ao auctor ou editor auctorisao exclusiva para publicar uma edio de qualquer livro3 esgotada a edio1 repetia-se igual concesso1 e os que no a tinham ficavam inhibidos de o reproduzir4 ,fazia-se mais3 almotaava-se o genero2 taxava-se o preo de cada exemplar4 ,applicavam-se-lhe as idas economicas d'ento sobre as transaces do mercado4 ,j se v que a theoria de propriedade litteraria1 do industrialismo applicado misso elevada e pura do escriptor1 no nova4 ,succede-lhe o que succede a muitas das providencias legaes1 que1 com rotulos trocados1 nos andam ahi a carrear de ,londres e de ,paris1 sirvam ou no para c4 ,foi debaixo desse regimen do privilegio de impresso1 que um genio a quem ,portugal deve em gloria quanto uma nao pde dever a um homem2 foi com duas edies dos ,lusiadas feitas dentro do mesmo anno1 e defendidas pela garantia de obra grossa chamada privilegio1 ou propriedade litteraria1 que ,luiz de ,cames foi morrer entre as angustias da miseria e do abandono na pobre enxerga d'um hospital4 ,pouco depois os jesuitas1 imprimindo aos milhares em diversos formatos e typos as ,cartas do ,japo1 lisonjeiando o gosto popular com as narrativas dos prprios milagres no oriente1 mettiam nos cofres de ,s4 ,ignacio bons cruzados extorquidos credulidade1 e1 especulando na superstio1 faziam as vezes dos ,balzacs e de ,kocks1 que especulam nas paixes ms e viciosas de sociedades corrompidas e gastas4 ,porm--dir-se-h--se essa mesma recompensa1 que retribue na razo inversa do merito1 se tirasse ao cultor da sciencia1 reduzido a receber o preo do seu trabalho como simples obreiro2 se as concepes uteis e civilisadoras do espirito2 se as grandes e nobres idas1 que encerram os elementos do progresso futuro1 no tivessem premio condigno1 as fontes desse progresso estancar-se-hiam na sua origem2 e o homem d'engenho preferiria o trabalho braal1 que fortifica os membros e prolonga a vida1 s contenses do espirito que a devoram4 ,d'accordo4 ,mas1 em logar de estabelecer recompensas1 identicas na essencia1 na frma1 nas condies para esforos perfeitamente heterogeneos1 que se movem em espheras absolutamente distinctas1 eu concebo e desejo retribuies diversas para os diversos casos4 ,pague o mercado o trabalho material2 mas retribua a sociedade a obra do espirito1 que no destinada ao commodo d'um ou d'outro individuo1 mas sim utilidade commum4 ,e ella retribue2 ha de retribui-la sempre1 com leis de propriedade literaria ou sem ellas2 com o poder publico ou apesar delle4 ,que a gloria8 ,que so a considerao1 os respeitos1 as distinces com que a sociedade tracta o homem que perante o seu tribunal deu provas indubitaveis de talento ou de genio2 que collocou algumas pedras no immenso e interminavel edificio da civilisao8 ,que essa voz da opinio publica1 que esmaga tantas invejas1 que faz calar tantos odios1 e que os pune com a irriso1 quando ousam manifestar-se2 que vos cria amigos nos logares onde nunca estivestes1 entre individuos que nunca vos viram2 que transpe os mares2 que se dilata por toda a parte1 em que o vosso livro fez bater um corao1 ou saciou um espirito sedento de sciencia8 ,quanto dariam s vezes os ricos e os felizes e os poderosos para comprarem ou imporem essas affeies mysteriosas que o escriptor pobre e desvalido vai despertar1 por uma aco invisivel1 no seio das multides8 ,a consciencia1 que vos assegura que tendes tudo isso em grau mais ou menos subido1 recompensa-vos dos vossos esforos intellectuaes4 ,vaidade ou orgulho legitimo1 essa persuaso um goso1 e o goso a causa final de todas as ambies1 de todo o trabalho humano4 ,so na verdade diversas as utilidades que provm da riqueza das que provm do engenho4 ,predominam naquellas os commodos materiaes1 nestas a satisfao interior2 mas por isso mesmo2 tanto n'umas como n'outras1 ha a homogeneidade1 a harmonia entre os esforos e as recompensas4 ,se v4 ex4a1 interrogando a propria consciencia1 volver os olhos para a sua carreira litteraria1 ha de forosamente convir na exaco destas observaes4 ,quando1 por exemplo1 um dos dramas1 a que no faltou seno a fortuna de ser escripto em alguma das duas linguas principaes da ,europa1 o francs ou o allemo1 para ser um dos mais notaveis monumentos litterarios da nossa epocha2 quando ,fr4 ,luiz de ,sousa fazia correr as mudas lagrymas de um auditorio extasiado1 ou lhe arrancava ruidosos applausos d'enthusiasmo1 pensava acaso v4 ex4a nas edies legitimas ou contrafeitas1 no honorarios da representao1 nas provises da lei de propriedade litteraria8 ,atrevo-me a protestar que no3 atrevo-me a jurar que v4 ex4a se reputava sobejamente pago com sentir-se grande1 com fazer vibrar as cordas da dor e da piedade em tantas almas2 com essas manifestaes ardentes que respondiam ao verbo de seu genio1 digamos assim1 incarnado n'um espectaculo scenico4 ,mas--arguir-se-ha novo--se o trabalho do escriptor duplo e heterogeneo1 tambem a sua existencia o 4 ,se a mente o eleva acima do vulgo2 se o illumina mais do que ao vulgo um raio da intelligencia divina1 os seus ps rasgam-se tambem1 como os delle1 nos abrolhos da vida4 ,a dor1 as privaes1 todos os males humanos1 todas as necessidades pesam do mesmo modo sobre o engenho4 ,a virtude da abnegao1 o animo para luctar com a miseria e ainda para viver na estreiteza no so mais communs no homem de letras do que nos outros homens4 ,limitados a uma retribuio de ordem moral pelo lavor litterario1 e equiparados ao operario pelo trabalho material1 muitos abandonariam o seu ingrato mister1 com detrimento do progresso e civilisao do paiz1 e da propria sciencia4 ,torno a repetir que concordo plenamente nessa parte4 ,o remedio1 porm1 para taes inconvenientes no est na lei de propriedade litteraria4 ,creio t-lo provado4 ,a civilisao de qualquer povo no um negocio d'individuos1 uma questo da sociedade1 de que depende o seu futuro3 uma religio que tem ministros1 e estes ministros so os homens de letras ou de sciencia4 ,se estabeleceis distinces1 privilegios1 subvenes para o sacerdocio do culto externo1 porque no haveis de subministrar os commodos da vida1 as recompensas1 reguladas pela jerarchia intellectual1 para o sacerdocio da imprensa8 por este arbitrio que as retribuies materiaes se tornam possiveis1 no pela falsa medida da procura commercial4 ,a sociedade1 creando uma existencia aprazivel quelle que lhe util1 no estabelece equaes impossiveis entre as idas e os cruzados novos2 mas proporciona os gosos do individuo aos gosos que elle lhe deu4 ,em vez da anarchia deleteria e repugnante que o regimen da propriedade litteraria produz1 e em que o homem de talento1 mas immoral1 envenena as multides para se locupletar1 emquanto o genio de sciencia e consciencia morre de fome1 um systema de recompensas publicas prudentemente organisado traria a ordem e a justia1 e substituiria o verdadeiro progresso s orgias intellectuaes1 veniaga da corrupo moral1 resultado infallivel da converso das idas em capital productivo4 ,o direito de propriedade litteraria6 ,que aproveita esse direito ao mancebo desconhecido1 em cuja alma se eleva a sancta aspirao da arte ou da sciencia1 e para quem1 no bero1 a fortuna se mostrou avara8 ,como entrar elle nesse mercado do espirito1 onde a marca de um nome illustre necessaria para se tentarem com vantagem as luctas da concorrencia8 ,esse direito1 que se diz protector do talento e das fadigas do espirito1 como que protege os neophytos das letras1 aquelles que mais carecem de proteco8 ,suppre elle alguma das instituies que realmente fazem progredir a cultura do espirito humano8 ,uma lei de recompensas nacionaes seria a verdadeira lei protectora dos tabalhos da intelligencia4 ,nos paizes onde existe a jurisprudencia introduzida agora em ,portugal existem ao lado della fundaes poderosissimas1 que so as que suscitam os livros realmente uteis4 ,em ,frana o premio ,monthyon e os outros analogos1 as penses academicas1 as empresas litterarias ou scientificas do governo1 o professorado1 os provimentos de certos cargos destinados1 inventados talvez1 unicamente para dar po aos homens de letras1 tem sido os incitamentos mais efficazes para se escreverem as obras graves e civilisadoras4 ,a lei de propriedade litteraria1 ou antes a lei d'envilecimento1 que pendura a idea no mercado entre o barril da manteiga e a sacca de algodo1 essa o que produz em regra os taes livros absurdos1 frivolos1 prejudiciaes1 que1 na opinio de v4 ex4a1 so quasi os unicos cujas contrafaces nos subministra a ,belgica4 ,quando1 ex4mo sr41 o direito creado neste paiz pelo decreto de #h de julho no tivesse contra si as precedentes consideraes1 e outras que omitto para no fazer um livro em vez de uma carta1 bastaria um facto para condemnar esse decreto1 e conseguintemente a conveno com ,frana1 que1 embora anterior1 se estriba no pensamento daquelle decreto e fica sendo um corollario delle4 ,toda a lei inutil m1 e esta inutilissima4 ,desejaria que se me apontasse uma contrafaco1 uma unica1 feita entre ns2 um exemplo desses delictos que as provises do decreto tendem a cohibir4 ,se existe1 to obscuro que no chegou minha noticia4 ,examinada a pouca solidez de alicerce em que assenta a conveno litteraria com ,frana1 consinta-me v4 ex4a que eu passe a fazer algumas ponderaes cerca dessa mesma conveno4 ,no sei se as razes que me obrigam a consider-la como um acto diplomatico deploravel tem algum valor1 ou se me condemnam a entrar na categoria dos sophistas1 contra os quaes v4 ex4a quiz prevenir de antemo a ,soberana no papel que lhe dirigiu4 ,seja v4 ex4a o meu juiz4 ,j tomei a liberdade1 sr4 visconde1 de dizer que duvidava da inteireza da sua f no direito de propriedade litteraria4 ,agora comearei por dizer que no acredito na dos homens d'estado da ,frana1 que mandam sollicitar nos paizes pequenos e atrazados convenes em que seja sanctificado esse mais que controverso direito4 ,ha nisto1 a meu ver1 a arte vulpina de quem quer fazer triumphar uma ida em cuja energia e legitimidade no cr4 ,se a ,frana estivesse convencida da justia e moralidade do principio que pretende introduzir no direito publico da ,europa1 no vinha tractar comnosco1 nem com o ,piemonte3 dirigia-se aos dous grandes focos da imprensa2 aos dous paizes seus rivaes na sciencia1 e tambem no industrialismo litterario1 a ,allemanha e a ,inglaterra4 ,era caminhar direito ao alvo2 era provar uma convico sincera4 ,a falta desta convico deduz-se tambem do exame dos motivos immediatos do convenio4 ,o que fere sobretudo os interesses da ,frana a contrafaco belga3 e esse convenio uma phase da guerra declarada ao industrialismo litterario da ,belgica pelo industrialismo litterario da ,frana4 ,os franceses poseram-nos nas mos1 a ns e aos piemonteses1 os riffles dos seus arsenaes1 e lanam-nos em atiradores para a frente do inimigo4 ,se os homens de estado daquelle paiz estivessem persuadidos de que a propriedade litteraria a mais inquestionavel de todas as propriedades1 como a v4 ex4a apraz chamar-lhe1 no procederiam assim2 porque o seu procedimento sera indigno de uma grande nao4 ,segundo a nova doutrina1 centenares1 talvez milhares de franceses esto sendo roubados pelos belgas no mais legitimos e sagrados dos seus haveres4 ,bruxellas o ,alger do mundo litterario4 ,supponhamos agora que este facto escandaloso se verificava em haveres menos sagrados2 que1 durante annos e annos1 ,lamartine1 ,dumas1 ,sue1 ,thiers1 e cem1 e mil outros personagens influentes e respeitados1 passando por aquella ,achem da ,europa1 por aquella horrenda spelunca latronum1 eram constantemente desvalijados porta das hospedarias por grupos dos chananeos bruxellenses1 sem que os magistrados ou a fora publica interviessem a favor dos espoliados estangeiros4 ,cr v4 ex4a que nesta hypothese a ,frana nos viria pedir que no comprassemos a matalotagem daquellas illustres victimas2 que fechassemos os nossos portos aos adellos das margens do ,senne8 ,no4 ,reclamaes instantes1 ameaadoras e violentas partiriam de ,paris para ,bruxellas1 e fariam entrar o gabinete e a nao belgas no caminho da moralidade e da justia4 ,se essas reclamaes fossem desattendidas1 veriamos as esquadras de ,rochefort e de ,brest navegarem para a foz do ,scalda1 e as brigadas francesas passarem a fronteira4 ,porque no succede isto n'um caso que se diz mais grave8 porque os que proclamam em ,frana a sanctidade do industrialismo litterario no acreditam na validade moral das proprias theorias4 ,o governo francs1 actuado pelas poderosas influencias da imprensa1 desejoso de conciliar a benevolencia dos fabricantes do genero litteratura1 protege pelos meios que pde uma industria importante3 e faz bem4 ,ns que no sei se o fazemos1 ajudando-o nesse empenho com prejuizo proprio4 ,se conveno de #ab de abril falta a base moral em que se quis fundar1 falta-lhe ainda mais a base racional e de conveniencia2 porque1 se primeira se pde dar certa plausibilidade com pretextos e phrases1 que no admira illudam as comprehenses vulgares1 quando1 at1 illudiram a alta intelligencia de v4 ex4a1 no vejo necessidade1 circumstancia1 utilidade1 ou considerao alguma que favorea a segunda4 ,por esta parte a conveno1 sem nos trazer um unico bem1 acarreta-nos muitos males1 sobre os quaes1 com permisso de v4 ex4a1 offerecerei aqui varias ponderaes1 alm daquellas que j exps no jornal ,o ,paiz4 ,as principaes que ento expendi foram1 em resumo1 que1 ainda admittindo que fabricao dos livros contrafeitos se associasse um acto immoral1 seria cousa inaudita que uma nao prohibisse a entrada de qualquer objecto industrial s porque no acto da sua produco concorresse alguma circumstancia menos conforme com as regras da ethica e do direito2 que1 se tal principio se houvesse de estabelecer1 sera necessario ordenar um inquerito moral sobre a industria e o commercio estrangeiros1 e fechar depois os nosses portos a tudo aquillo em que achassemos esse vicio de origem2 que1 no se contrafazendo em ,frana os nossos escriptos1 nem comprando aquelle paiz seno por excepo algum livro portugus contrafeito ou no contrafeito1 no pde haver neste caso reciprocidade entre ,portugal e ,frana2 e de feito1 n'um commercio puramente passivo1 todo e qualquer tractado1 que no seja para o ligar com outro commercio activo1 ser sempre inconveniente2 que1 creando embaraos diffuso da leitura em ,portugal1 a conveno contrariava poderosamente os progressos da civilisao entre ns2 que1 pelas condies actuaes do nosso trafico de livros com o ,brazil1 para cujo movimento no contribuem s as publicaes portuguesas1 mas tambem as reexportaes de livros estrangeiros2 o tractado1 tornando estas geralmente inexequiveis1 longe de favorecer os auctores portugueses1 os privaria em boa parte dos beneficios da concorrencia no mercado brazileiro2 que o sello ordenado no artigo #ac4o da conveno para legitimar a posse das contrafaces1 no s era injusto1 punindo quem comprou na boa f do direito existente1 mas tambem involvia a imposio de um tributo1 que1 embora se considerasse vlido como acto da dictadura1 traria o absurdo de no poder ser annullado pelo parlamento1 visto achar-se estatuito n'um convenio feito com um paiz estrangeiro2 que1 finalmente1 esse imposto do sello era exigido antes de se verificar1 pelos meios que a propria conveno assignala1 quaes so os livros contrafeitos1 o que o torna inexequivel4 ,taes foram as objeces que me occorreram ao escrever o artigo do ,paiz1 e que no so talvez metade das que poderiam fazer-se quelle infeliz tractado1 se o comportassem os breves limites das columnas d'um jornal politico1 mas que me pareceram s por si sufficientes para pensarmos desde logo em remediar um tal erro1 apenas expire o praso durante o qual somos forados a respeitar a conveno litteraria4 ,entretanto no leve v4 ex4a a mal que n'uma publicao avulsa eu aponte varias outras provises dessa conveno que reputo inconvenientes ou injustas4 ,move-me a faz-lo o desejo de no passar aos olhos de v4 ex4a por um daquelles sophistas contra que v4 ex4a invectiva no papel em que se congratula com o ,chefe do ,estado pela concluso de um negocio1 que a meus olhos o mais deploravel que ha muitos annos temos concluido com um paiz estrangeiro1 embora a nossa historia diplomatica no seja a mais gloriosa do mundo4 ,considerados em geral os ajustes celebrados entre v4 ex4a e mr4 ,barrot1 affigura-se-me a mim que v4 ex4a cahiu n'uma singular illuso4 ,a sua mente era1 se no me engano1 que esta conveno1 ao passo que consagrava os principios da moral e do direito1 fosse favorecer aquelles--que trabalham no silencio do gabinete1 rodeiados da penuria e da fome tantas vezes1 victimas da sciencia1 martyres da civilisao1 que no poucas o tem pago com a vida1 que pela maior parte sacrificam fortuna1 saude1 o futuro de seus filhos gloria das letras1 do seu paiz1 e da especie humana4--,eis-aqui os que v4 ex4a queria que fossem protegidos por um tractado que vai ferir os contrafactores1 e sobretudo os contrafactores belgas4 ,isto dizia v4 ex4a soberana3 dizia-o sinceramente1 na minha opinio1 arrastado por um nobre e generoso1 embora inexacto1 pensamento4 ,mas que dizia tambem v4 ex4a ao ministro do reino no seu officio de #bh de maio cerca deste mesmo assumpto8--,as nossas quasi unicas importaes da livraria belga so de maus livros1 de romances absurdos1 de quanto ha mais frivolo e prejudicial na litteratura francesa contemporanea2 pois todos os outros livros1 os bons1 os uteis1 os civilisadores1 directamente os havemos de ,frana1 e os lemos nas edies legitimas1 sem prejuizo de seus proprietarios4 ,se1 porm1 v4 ex4a supunha que isto era assim1 como possivel que associasse o seu illustre nome quella fatal conveno8 ,para os escriptores franceses de livros bons1 uteis1 civilisadores1 ella perfeitamente inutil4 ,a sua propriedade1 na opinio de v4 ex4a1 est segura e defendida no estado actual das cousas4 ,a quem pois favorece o tractado8 ,que propriedade vai elle garantir1 admittindo tal propriedade8 ,a dos maus livros1 a dos romances absurdos1 a de quanto ha mais frivolo e prejudicial na litteratura francesa contemporanea4 ,que triste illuso foi esta1 sr4 visconde1 que levou v4 ex4a a convencionar favores exclusivos para a insensatez1 para a corrupo e para a immoralidade8 ,felizmente por um lado e infelizmente por outro1 o presupposto de v4 ex4a1 quanto s contrafaces da ,belgica1 no todavia exacto4 ,se v4 ex4a verificasse quaes tem sido no ultimo decennio as importaes dos livros belgas2 se examinasse os catalogos dos livreiros de ,lisboa1 ,porto e ,coimbra1 comparando-os com os catalogos dos diversos estabelecimentos typographicos de ,bruxellas1 convencer-se-hia de que no compramos s livros maus ,belgica2 de que nem sempre o trabalho da imprensa alli apllicado s obras de simples distraco1 e de que no raro os prelos belgas reproduzem os escriptos graves e uteis1 postoque1 na verdade1 em proporo inferior1 e provavelmente mais de uma vez com perda4 ,mas a superioridade numerica dos livros inuteis e insignificantes encontra do mesmo modo nas publicaes legitimas de todos os paizes1 e o resultado1 no da contrafaco1 mas sim do industrialismo litterario1 industrialismo que as doutrinas da propriedade1 mal applicadas ao pensamento1 no fazem seno promover4 ,ao redor de mim1 no momento e no logar onde escrevo1 tenho muitos volumes datados de ,bruxellas1 que no me parecem nem insignificantes nem inuteis1 e estou certo de que v4 ex4a me faz a justia de acreditar que no me entretenho demasiado com leituras frivolas4 ,estes livros de edio belga 7que por signal no estou inclinado a mandar sellar1 collocando-me assim em manifesta rebellio7 preferi-os por serem mais baratos1 circumstancia attendivel para mim1 que no sou abastado1 e muito mais attendivel para os que1 menos felizes do que eu1 rodeiados de penuria1 victimas da sciencia1 e martyres da civilisao tem de cortar pelo necessario vida physica para comprarem o alimento da vida immaterial4 ,para estes quizera eu1 no convenes litterarias que1 accrescentando afflices ao afflicto1 lhes tolham satisfazer a primeira necessidade do homem de letras1 a dos livros1 mas instituies que os amparassem na aspera peregrinao em que vo consumindo a existencia4 ,quando mancebos desta gerao que vem aps ns1 e que confio em ,deus ser a todos os respeitos melhor do que a nossa1 desprezados1 esquecidos1 e tanto mais desprezados e esquecidos1 quanto mais um nobre orgulho os conserva arredados do grande receptaculo de corrupes chamado o poder1 luctam debalde com a pobreza para crearem pelos esforos da intelligencia uma situao no mundo6 ,como eu1 v4 ex4a no ignora quantas vezes essas almas predestinadas1 e que annunciam a este paiz a aurora de melhor futuro1 se vem constrangidas a ir vender por vil preo ao minotauro da imprensa periodica escriptos imperfeitos1 na lingua1 no estylo1 no desenho1 no pensamento1 mas onde centelham as faiscas do genio4 ,e ns1 ns que fazemos tractados1 cujo resultado1 se fosse possivel t-lo1 seria grangeiar para os romancistas1 para os poetas1 para os especuladores litterarios da ,frana mais uma noite de orgias1 ou os meios de dar mais uma vez por anno verniz nas suas carruagens1 sorrimo-nos das faltas grammaticaes1 das incorreces d'estylo1 dos erros de sciencia dos pobres desvalidos1 que nasceram como ns nesta terra1 sem nos lembrarmos de que no seu balbuciar litterario lhes serve frequentemente de musa a urgente necessidade1 quando no a miseria6 ,ns1 os homens feitos1 que temos centenares de contos de ris para construir theatros1 que sejam ao mesmo tempo aleijes artisticos e escandalos administrativos1 e que no temos vinte contos1 dez contos1 cinco contos para dar po aos talentos desafortunados1 vamos em troco d'isso priv-los dos meios d'instruco2 vamos priv-los de livros6 ,e no exaggero quando assim me exprimo4 ,prouvera a ,deus que exaggerasse6 ,a conveno litteraria1 pelas provises que encerra1 tende a combater1 no em especial o commercio das contrafaces1 isto 1 dos livros baratos1 mas sim em geral o commercio dos livros4 ,qual ser o livreiro que no trema das provises dos artigos #i4o e #aj4o1 e que ouse fazer encommendas para essa mesma ,frana1 que1 em vez de prgar sermes aos belgas1 nos manda converter moral pelo orgam de mr4 ,barrot8 ,conforme a doutrina daquelles artigos1 a contrafaco fica equiparada ao contrabando1 e1 como meio de verificar e punir o delicto1 estatue-se que quaesquer remessas de livros sejam acompanhadas de um attestado passado em ,frana pelo prefeito ou sub-prefeito da localidade d'onde se faz a remessa4 ,essa attestado deve especificar o titulo1 volumes e exemplares de cada obra4 ,se na alfandega se achar que uma dellas no vem descripta no attestado ser confiscada1 e o livreiro que fez o despacho multado em oitenta mil ris1 afra as perdas e damnos a que possa ser condemnado por demanda que sobre isso lhe movam4 ,estas disposies so inqualificaveis4 ,nada mais facil do que escapar ao magistrado francs o mencionar um dos artigos da remessa no attestado2 nada mais facil do que haver erro na nota dada pelo livreiro francs ao mesmo magistrado2 nada mais facil do que mo inimiga aqui1 em ,frana1 ou no transito1 introduzir na caixa que contiver a remessa um livro no incluido no attestado3 tudo pde ser1 menos ter culpa de contrabando o que tem de ser multado1 espoliado1 demandado por contrabandista1 que o livreiro de ,portugal4 ,as minhas idas de justia1 sr4 visconde1 ficam inteiramente baralhadas vista de taes disposies1 na verdade incomprehensiveis para intelligencias fracas4 ,mas o que1 sobretudo1 me espanta a severidade de taes providencias sobre remessas feitas directamente de ,frana4 ,a conveno leva-nos a rondar os proprios boulevards de ,paris para guardarmos a propriedade litteraria contra os communistas belgas4 ,o objecto do tractado exclusivamente manter o chamado direito dos auctores franceses e obstar aos contrafactores das suas obras3 que1 portanto1 se exigissem na alfandega facturas que provassem vir a remessa integralmente de ,frana1 e que no se dsse despacho aos livros no contidos na factura1 ainda se entende2 mas sujeitar o livreiro portugus a severo castigo1 porque daquelle paiz lhe veio um livro cerca do qual se no cumpriram l certas formalidades1 faz crer que tambm ahi ha belgas4 ,seria por isso prudente que o governo francs1 antes de guerreiar fra os contrafactores1 os expulsasse de casa4 ,o segundo membro do artigo #aj4o no para mim menos incomprehensivel4 ,podem1 vista delle1 vir de qualquer paiz a ,portugal livros escriptos em francs4 ,ho-de1 porm1 diz a conveno1 ser acompanhados de attestados analogos das auctoridades competentes do paiz d'onde provm1 declarando que so todos publicao original do dicto paiz1 ou de qualquer outro onde as mesmas obras foram impressas e publicadas4 ,se a mentira e a fraude podessem ser remedio para alguma cousa1 esta disposio deixaria o caminho aberto para se remediarem em boa parte os inconvenientes da conveno4 ,pelo artigo #aa4o a admisso nas alfandegas depende unicamente do preenchimento das formalidades do artigo #aj4o ,s a contraveno dellas importa o delicto de contrabando1 e ao que no fr contrabando ha-de dar-se despacho4 ,se os contrafactores belgas1 por exemplo1 se accordassem com as auctoridades competentes do seu paiz1 sejam quaes forem1 para os favorecerem1 e imitando em tudo as edies originaes francesas1 remettessem para aqui exemplares contrafeitos1 acompanhados do respectivo attestado1 dar-lhes-hiam1 ou no1 despacho8 ,mais3 embora o auctor francs houvesse preenchido as formalidades dos artigos #b4o e #c4o para garantir a sua chamada propriedade1 poderia elle fazer demandar nunca o livreiro portugus1 ou os agentes da alfandega1 por terem introduzido em ,portugal uma contrafaco8 ,depois1 quem so essas auctoridades competentes para passar attestados na ,belgica ou na ,inglaterra1 na ,italia ou na ,allemanha8 ,so todas1 ou no nenhuma4 ,a competencia vem das funces atrribuidas pela lei ao funccionario2 e a conveno que estabelece um ponto de direito internacional unicamente entre a ,frana e ,portugal1 no d nem tira funces aos magistrados de outra qualquer nao que no interveio nesse pacto4 ,como ho-de os nossos agentes fiscaes verificar se o attestado de uma auctoridade competente8 ,eu j alludi n'outra parte inexequibilidade do artigo #ac4o1 e flagrante injustia que nelle se estatue2 mas consinta-me v4 ex4a que diga ainda algumas palavras cerca desse deploravel artigo4 ,a retroactividade das suas disposies manifesta4 ,a entidade contrafaco no existia legalmente para ns antes da promulgao do convenio3 os livros franceses reimpressos na ,belgica eram o mesmo que os legitimos3 eram o mesmo que os livros italianos1 allemes1 hespanhoes1 ou ingleses1 impressos em ,paris pelos summos sacerdotes da religio da propriedade litteraria4 ,as nossas alfandegas despachavam-n'os como outros quaesquer3 vendiam-se publicamente3 compravam-n'os os magistrados judiciaes e administrativos1 os agentes fiscaes1 os membros do parlamento1 os ministros da cora4 ,e todavia1 ao exarar-se o tractado1 assevera-se que existiam j detentores de uma cousa que no existia4 ,detentores86 ,mas esta palavra significa o que retem o alheio1 e eu que comprei os meus livros n'um logar publico1 luz do meio dia1 perante a policia1 os tribunaes e o governo1 sem offender lei alguma1 sou um detentor do alheio8 ,sou1 e no o sou impunemente3 a conveno castiga-me2 a conveno impem-me uma multa a titulo de sello1 para me ensinar o respeito das leis futuras e contingentes4 ,se possuir mil volumes belgas1 cuja propriedade original se haja justificado como francesa1 custar-me-ha o delicto quarenta mil ris4 ,isto1 sr4 visconde1 affigura-se-me que no tem defesa possivel4 ,supponhamos que o homem de letras1 apesar da escaceza dos seus recursos1 e por causa dessa mesma escaceza1 colligiu1 custa de sacrificios e de tempo1 uma colleco de livros uteis1 mas baratos1 mas dessa contrafaco que legalmente no existia3 supponhamos que no pde ou no quis sujeitar-se dentro do praso fatal dos tres meses marcados no artigo #ac4o a estender a bolsa para pagar um tributo que nenhum parlamento votou3 supponhamos mais que a necessidade ou a miseria1 que to frequentemente visitam o talento e a sciencia n'esta terra1 ,babylonia do desterro para o engenho1 obriga daqui a seis meses a converter os seus livros em po8 ,no pde faz-lo4 ,veda-lh'o a conveno2 veda-lh'o a lei que protege a propriedade das idas em ,frana1 e destroe em ,portugal a propriedade material do pobre homem de letras4 ,nem se diga que as disposies do artigo #ac4o se referem exclusivamente aos mercadores de livros3 no isso que importa o texto1 e semelhante interpretao s serviria para ajuntar a iniquidade injustia e violencia4 ,o artigo #c4o relativo s traduces1 ao passo que revela at que ponto de absurdo se pde levar o principio de propriedade litteraria1 1 a meu ver1 sr4 visconde1 profundamente illogico4 ,estatue-se ahi a prohibio de traduzirmos as obras francesas dentro do anno immediato sua publicao e ao cumprimento das formalidades que se exigem do auctor para se lhe garantir o seu chamado direito4 ,se1 passado um anno1 elle no tiver publicado a traduco em portugus1 qualquer a pde fazer4 ,mas perguntarei uma cousa3 o auctor tem a propriedade do livro3 obteve o titulo legal de posse e dominio3 o facto tornou-se indubitavel2 e essa propriedade sacratissima1 quando a outra apenas sagrada4 ,no fim do anno acabou o direito8 ,anniquilou-se a propriedade8 ,sorveu-a a terra8 ,em virtude de que maxima juridica ou moral auctorisado o traductor portugus a assenhoreiar-se do alheio8 porque o auctor nega a ,portugal a utilidade das suas idas8 ,mas algum1 pde algum ser obrigado a ir vender o producto do seu trabalho1 a sua propriedade1 no mercado de um paiz estrangeiro8 ,se em ,portugal escaceiassem as victualhas durante um anno1 convencionaria a ,frana comnosco que os nossos armadores fossem aos depositos de cereaes1 de legumes1 de batatas das suas cidades maritimas1 expirado esse anno1 e que1 carregando a bordo dos proprios navios o que lhes conviesse1 o vendessem nos mercados portugueses1 tomando para si o lucro8 ,passe1 porm1 esta violencia contra a propriedade sacratissima das idas1 que1 na material e profana1 sera intoleravel1 impossivel4 ,recorrer-se-ha ao subterfugio da expropriao por utilidade publica1 e unio hypostatica de portugueses e franceses1 para fazerem bolo commum de progresso e civilisao8 ,mas1 nesta hypothese1 cumpre indemnisar o expropriado3 cumpre dar-lhe o equivalente do que lhe havia de valer a verso do seu livro3 assim que se practca crca da propriedade material1 onde quer que ella se respeite4 ,depois1 o ultimo paragrapho deste artigo1 deficiente e muitas vezes inexequivel1 manifesta claramente o espirito de industrialismo grosseiro applicado s obras da intelligencia1 que predomina em toda a conveno4 ,previu-se ahi a publicao das obras extensas que se imprimirem gradualmente aos volumes1 ou por fasciculos1 para se contar o anno de morto desde o cumprimento das formalidades legaes cerca de cada um desses volumes ou fasciculos4 ,no se previu1 porm1 a publicao feita por uma vez das obras volumosas1 e cuja traduco no se poderia concluir n'um anno4 ,quanto a estas1 o servio da guarda municipal de ,lisboa no se estende at as ruas de ,paris4 ,no se attendeu1 sobretudo1 aos livros de sciencia1 entre os quaes ha1 no digo obras vastas1 mas simples volumes1 mas resumidos compendios1 cuja verso daria tanto trabalho como deu o escrev-los1 e para a qual um anno sera insufficiente4 ,no se attendeu1 sequer1 aos nobres filhos da musas4 ,concluir-se-hia n'um anno uma traduco1 digna do original1 do ,jocelyn de ,lamartine1 ou do ,cames de v4 ex4a8 ,o que esto revelando provises desta ordem8 ,que ao exarar-se o tractado se pensava s nesses escriptos inuteis1 frivolos1 ephemeros1 contra os quaes v4 ex4a com tanta razo declama2 que se pensava s no ignobil industrialismo litterario que devora a intelligencia e os costumes da ,frana2 que se pensava s nas fabricas parisienses de novellas1 dramas1 viagens1 comedias1 romances1 folhetins1 physiologias moraes ou immoraes1 e no sei de que outros productos2 nas fabricas de ,balzac1 ,sue1 ,sand1 ,dumas1 ,scribe1 ,arlincourt e ,c4a4 ,eis1 sr4 visconde1 as consequencias de um principio falso3 cada phase da sua applicao trahe a vaidade delle4 o industrialismo litterario portugus1 ainda felizmente balbuciante e debil1 atirado para debaixo das rodas do opulento industrialismo litterario da ,frana4 este o espirito1 a inteno do convenio 7no digo a inteno de v4 ex4a1 que se deixou illudir pelo seu amor s letras72 o espirito1 e a inteno1 repito2 porque o resultado real delle ha-de ser o entorpecimento das nossas relaes litterarias com a ,europa1 a difficultao da leitura e do estudo1 e os embaraos ao progresso intellectual1 e1 portanto1 civilisao do paiz4 ,no terminarei1 ex4mo sr41 sem accrescentar algumas palavras relativas aos dous documentos publicados no ,diario de #g de novembro ultimo1 a que j me referi1 isto 1 ao officio de v4 ex4a de #bh de maio1 e representao de #bi de junho1 documentos que se podem considerar como um commentario conveno4 ,ha ahi cousas sobre que eu desejaria chamar a atteno de v4 ex4a ,publicando uma nota official da alfandega cerca das importaes de livros da ,frana e da ,belgica1 affirma v4 ex4a que1 vista della1 se conhece ser insignificante o nosso commercio de livros com este ultimo paiz1 excedendo-o no dobro a importancia do que fazemos com aquell'outro4 ,mas essa nota diz-nos que a importao de livros belgas foi em #ahdi de #d3bfgdjj ris1 e em #ahej de #d3gciijj ris1 o que produz nos dous annos a somma total de #i3jbgcjj ris4 ,a duplicao desta verba1 que deve1 segundo a affirmativa de v4 ex4a1 representar a nossa importao de ,frana1 de #ah3jedfjj ris4 ,ora1 por essa mesma nota sabemos que a importao do ultimo paiz foi #ahdi de #d3hghfjj ris1 e em #ahej de #f3gdaajj ris1 o que perfaz um total de ris #aa3faigjj4 ,j se v1 pois1 que a opinio de v4 ex4a est um pouco longe de ser exacta4 ,lamenta v4 ex4a que as especies subministradas pela alfandega no sejam de um estatisfica mais individuada2 tambem eu o lamento1 mas lamento ainda mais1 que v4 ex4a no quizesse applicar a estes factos a natural perspicacia do seu alto engenho4 1 na verdade1 triste que1 tractando-se de uma questo commercial asss grave1 se no buscasse averiguar quaes foram as importaes dos ultimos oito ou dez annos4 ,d'ahi se poderia tirar um termo medio seguro2 mas as de tres annos eram rigorosamente indispensaveis para o calculo ainda mais imperfeito4 ,os algarismos relativos a #ahdi provam que as importaes dos dous paizes so quasi iguaes1 e os relativos a #ahej que as de ,frana excedem quasi um tero as da ,belgica3 dos dous factos um tende a mostrar igualdade1 outro excesso4 ,era1 portanto1 indispensavel que1 pelo menos1 um terceiro facto1 o facto do terceiro anno1 viesse dar razo a um delles4 ,mas a questo deve ser considerada sob um aspecto muito mais importante1 que esqueceu a v4 ex4a ,aquelles algarismos representam o dinheiro que dmos1 e no os livros que recebemos2 representam o nosso passivo e no o nosso activo4 ,a questo no caso presente que pores de volumes entraram em ,portugal nesses annos1 e no que dinheiro saiu delle4 ,todos sabem que as reimpresses belgas custam metade do que custam as edies francesas1 e por isso que1 se a ,belgica nos levou quatro contos de ris por seis mil volumes1 a ,frana levou-nos oito pelo mesmo numero delles4 vista do mappa da alfandega e destas consideraes1 qual commercio de livros ser mais importante para ,portugal1 o da ,frana ou o da ,belgica8 ,se v4 ex4a foi menos exacto na apreciao comparativa do nosso commercio de livros com esses dous paizes1 tambem me parece que1 declarando insignificante o que fazemos com o ultimo1 no avaliou devidamente esta especie de trafico4 ,transaces de vinte ou trinta contos de ris sobre algodes fabricados1 ou sobre cereaes seriam insignificantes2 sobre gutta-percha ou sobre rhuibarbo seriam no s importantes1 mas tambem excessivas4 ,a importancia de qualquer ramo de commercio no depende s do valor absolutos das mercadorias4 ,n'um paiz pequeno1 pouco povoado1 e onde a instruco e os habitos de leitura no se acham diffundidos1 a introduco de perto de seis mil volumes annualmente1 que tanto representar o termo medio de #d3ejjjjj ris que damos ,belgica em troca de livros1 tem alguma significao4 ,quero que destes seis mil volumes seja um tero para reexportar1 e que dos que ficam metade pertenam categoria das obras frivolas e absurdas1 o que talvez seja a avaliao mais justa4 ,restam dous mil volumes uteis1 que cada anno se espalham no paiz1 e que n'um decennio subiro a vinte mil4 ,por cinco pessoas que1 termo medio1 leiam cada um desses volumes no mesmo decennio1 imagine v4 ex4a que somma d'ideas uteis1 civilisadoras1 progressivas tero no fim delle entrado em circulao6 ,ser este facto insignificante8 ,ser indifferente um acto que o destroe1 ao passo que longe de facilitar a importao das edies francesas1 a difficulta8 ,calcular a importancia de uma mercadoria que se usa sem se consummir1 como se calcularia a sacca de arroz ou a caixa de assucar1 1 na minha opinio1 pelo menos uma singular leveza6 ,v4 ex4a1 lanando immerecidamente o desfavor sobre uma parte dos commerciantes de livros em ,portugal1 aos quaes nenhum acto criminoso se pde attribuir1 salvo se culpa negoceiar em objectos cuja importao at agora nenhuma lei vedava1 suppe1 todavia1 que ainda haver nesta terra livreiros que representem as tradies dos impressores celebres dos tempos passados1 como os ,craesbecks1 os ,estevams1 os ,elzevirios1 os ,didots4 ,no me parece que elles devam apreciar demasiado essas comparaes4 ,v4 ex4a havia de ter algum trabalho em demonstrar1 por exemplo1 a moralidade dos ,elzevirios1 de cujos prelos sahiram tantos livros ignobeis1 e que essas nitidas reimpresses dos escriptores franceses do seculo de ,luiz ,,xiv1 feitas jouxte l'dition de ,paris1 eram padres levantados por aquelles celebres typographos sua creana ardente na religio da propriedade litteraria4 ,ha1 finalmente1 no papel dirigido ,soberana por v4 ex4a uma circumstancia que1 se no fosse a epocha em que v4 ex4a o escreveu muito anterior data do meu artigo publicado no ,paiz1 pareceria uma reprehenso indirecta contra a rudeza 7a que sou na verdade propenso7 com que falei do assumpto4 ,se no fosse o obstaculo da chronologia1 eu imaginara que v4 ex4a me oppunha1 como accusao muda contra a rustica sinceridade com que tractei a questo1 o nome illustre do senador piemonts ,cibrario--cuja reputao liberal e scientifica 1 diz v4 ex4a1 to geralmente reconhecida e confessada entre os nossos mesmos--1 e que fui encarregado de estipular uma conveno analoga entre o ,piemonte e a ,frana4 ,na hypothese 7que se no d7 de v4 ex4a oppr s minhas phrases rudes e severas a auctoridade d'um nome por mim venerado1 eu diria a v4 ex4a1 que se o caracter um pouco intractavel que ,deus me deu me consentisse medir as palavras quando falo de offensas feitas aos interesses legitimos do meu paiz1 no precisaria do peso de altas reputaes estrangeiras para guardar silencio neste caso1 quando tinha em ,portugal um nome ante o qual com mais gosto me curvaria--o nome de v4 ex4a ,unem-me a ,luiz ,cibrario a amizade pessoal1 e a confraternidade de historiadores da mesma eschola1 e de membros d'um mesmo corpo litterario1 a ,academia das ,sciencias de ,turin4 ,reputo-o um dos grandes escriptores de ,italia1 e respeito-o como um nobre caracter4 ,liga-nos1 at1 a identidade das ideas fundamentaes das nossas crenas politicas2 a convico que ambos temos de que a liberdade verdadeira1 o regimen do paiz pelo paiz1 sem democracia1 sem socialismo1 sem repetir inuteis e tormentosas experiencias1 s se realisar pela descentralisao administrativa e por uma forte organisao municipal2 utopia horrenda para todos aquelles que sabem achar na concentrao do poder1 quando lhes cai nas mos1 incognitas douras1 bem diversas dos martyrios de que certos utopistas suppoem esse poder rodeiado4 ,apesar1 porm1 de tantas affinidades e sympathias que deve haver e ha entre mim e o historiador do ,piemonte e da ,economia ,politica da ,idade-,media1 se a situao da ,sardenha em relao ao commercio de livros era analoga de ,portugal2 se as condies do convenio negociado por ,cibrario foram as mesmas e assentaram sobre os mesmos principios de industrialismo litterario que caracterisam a conveno de #ab de abril1 s me resta accrescentar que foram dous homens eminentes1 em logar d'um s1 que no anno do ,senhor de #ahea fizeram1 no obstante as mais puras intenes1 um altissimo desservio s suas respectivas patrias4 ,digo-o1 porque estou intimamente convencido de que digo uma grande verdade4 ,,appendice ,dez annos depois de escripta e publicada a precedente carta1 pertencia eu commisso encarregada de rever e corrigir o projecto de codigo civil1 que o governo intentava submetter approvao do parlamente4 ,achava-se consagrada nesse projecto a doutrina da propriedade litteraria1 e a commisso acceitou-a sem hesitar1 modificando apenas uma ou outra das disposies tendentes a reduzir a theoria praxe4 ,pela minha parte1 abstive-me absolutamente de intervir na discusso1 e limitei-me a declarar que votava pela suppresso completa de todos os artigos relativos ao assumpto4 ,esta absteno era aconselhada pela prudencia4 ,a unidade de pensamento ente tantos e to distinctos jurisconsultos e publicistas fazia-me1 na verdade1 duvidar da solidez da propria opinio4 ,o debate sobre o principio que rege no codigo esta materia poderia ter-me esclarecido1 e at convertido1 talvez2 mas entendi que se conciliava mal com o meu dever suscitar tal debate4 ,no tinha probabilidade alguma de reduzir as intelligencias superiores dos meus collegas a admittirem como orthodoxa a heresia da mais fraca de todas as que alli concorriam1 e a minha converso era de to pouco momento para o paiz1 que no valia a pena de protrahir por causa della o longo e difficil trabalho da commisso4 ,continuei1 pois1 na heterodoxia4 ,no meu modo de ver1 a propriedade litteraria1 emquanto reside nas regies da theoria1 um paradoxo bom para se bordarem nelle periodos scientillantes de imagens phantasionas2 paradoxo inoffensivo1 como o 1 absolutamente falando1 um milagre da ,virgem de ,lourdes ou da ,senhora da ,rocha4 ,mas1 bem como o milagre1 que s se inventa para fins mundanos1 o paradoxo no deixa de ter inconvenientes se transfundem no positivo1 se o incorporam nas leis4 ,em tal caso1 passam ambos1 um a ser negocio dos sacerdotes do altar1 outro a ser negocio dos sacerdotes da imprensa4 ,negociar1 porm1 com milagres ou com doutrinas sempre mau4 ,como texto de oraes pro domu sua1 que incessantemente se reproduzem na republica das letras com variadas frmas e cres variegadas1 a propriedade litteraria tem certo valor3 como dogma vale pouco mais ou menos o mesmo que os recentes dogmas do ,vaticano4 ,o que1 porm1 certo que para defend-lo no faltam1 nem faltaro nunca os ,ciceros4 ,achar um unico ,hortensio que o combata1 eis o que parece difficil4 ,entre os milagres que voltam a habitar entre ns e o novo dogma juridico precursor dos novos dogmas theologicos ha1 todavia1 uma differena digna de notar-se4 que o milagre sabe para onde vai4 ,a propriedade litteraria que no sei se conhece para onde caminha4 ,conceber uma especie de propriedade que1 conforme veremos1 escapa apreciao dos sentidos2 pr o objecto de um direito fra do objectivo attribuir ao vocabulo--propriedade--um valor por tal modo indefinivel1 associar-lhe uma ida to nebulosa1 que deixa atrs de si as nebulosidades da eschola hegeliana4 ,de feito1 nem proprio ,hegel concebe o direito de propriedade seno como uma aco da vontade sobre qualquer cousa1 que por esse facto se torna minha1 determinando-lhe a destinao substancial1 ou que por indole no tinha#a4 ,n'uma epocha em que os cortesos das multides chamam como rus ao pretorio do cesarismo analphabeto e lutulento todos os principios1 todas as maximas fundamentaes da sociedade1 perigoso introduzir na noo clara1 precisa1 inconcussa da propriedade um desses gongorismos das idas abstrusas de que vivem os seus adversarios2 perigoso que das fendas da sepultura do antigo direito divino brote uma nova e singular especie desse mesmo direito1 e que ao per me reges regnant1 mal interpretado1 succeda o per me scriptores scribunt4 ,tinham passado outros dez annos sobre a minha impenitente incredulidade4 ,quasi esquecera o debate que o convenio celebrado com ,frana sobre este assumpto suscitara na imprensa1 debate em que a consciencia me fizera acceitar um papel talvez odioso2 o de adversario1 no da causa das letras1 mas da causa da industria litteraria4 ,no fim1 porm1 de to largo periodo1 uma publicao recente feita em ,paris por um compatricio nosso#b1 veio avivar-me a recordao dessa lucta em que tive a honra de combater com uma das mais bellas e altas intelligencias que ,portugal ha gerado1 ,almeida ,garrett4 ,li com avidez o novo opusculo1 que o auctor me enviara com expresses mais que benevolas4 ,era possivel que ahi surgisse para mim a luz1 que por escrupulo1 talvez execessivo1 eu deixara ficar debaixo do meio alqueire na commisso do codigo civil4 ,infelizmente1 porm1 o opusculo no allumiou as trevas da minha impiedade4 ,este escripto1 vindo aps tantos outros relativos ao assumpto1 tende principalmente a propugnar uma ida que me parece indubitavel1 supposta a existencia de um direito originario de propriedade litteraria4 a ida da sua perpetuidade4 ,todas as legislaes que consagram aquelle singular direito restringem-no1 recusando-lhe uma condio inherente a qualquer propriedade absoluta4 ,o auctor combate vantajosamente as razes que de ordinario se allegam para tornar incompleta uma especie de dominio que os seus defensores reputam o mais sagrado de todos4 ,no era difficil a tarefa4 ,j na carta precedente havia eu feito notar to evidente absurdo4 ,indaga depois o auctor as causas por que os legisladores em todos os paizes estatuem o dominio temporario em relao propriedade litteraria1 e acha1 como origem da contradico1 no sei que preoccupaes2 no sei que concesses ao socialismo4 ,permitta-me o auctor que substitua a sua hypothese por outra4 ,eu explicaria o facto presuppondo que no espirito desses legisladores reinava a mesma incredulidade que reina no meu4 ,as leis relativas ao assumpto affiguram-se-me leis de circumstancia ou de conveniencia4 ,n'uma epocha em que a imprensa exerce immensa influencia na opinio1 igual ou superior que a opinio exerce em todos os corpos do estado1 uma doutrina1 ou antes pretenso1 a que1 com raras excepes1 subscrevem o commum dos escriptores e que defendem com a energia do proprio interesse1 ha-de forosamente influir1 no direi na consciencia1 mas nos calculos e previses dos homens publicos4 ,cede o legislador de mau grado2 mas1 de certo1 no ao socialismo que cede4 ,nas restrices1 o que se revela a sua repugnancia4 ,como que diz ao escriptor3--aproveita esta fico de direito1 e que a aproveitem os teus herdeiros4 ,os herdeiros dos teus herdeiros1 esses ser-te-ho provavelmente desconhecidos e indifferentes3 s-lo-ho tambem para a lei que te favorece4 ,toma l isso1 e cala-te4--,d'ahi nasce1 a meu ver1 a antinomia2 d'ahi o illogico2 d'ahi a affirmao de um direito absoluto para depois se affirmar o transitorio delle4 ,achar a negao da propriedade litteraria nas mesmas leis que a affirmam1 e ver nisto uma transaco1 uma condescendencia com o socialismo 1 de feito1 absolutamente infundado4 ,ampliar a tal ponto a noo de propriedade1 lev-la para regies onde ella no cabe1 imaginar1 em summa1 a realisao do direito no ideal1 na abstraco1 que1 sob outro aspecto1 pde dar vantagem s doutrinas philosophicas do socialismo4 ,a generalisao1 que no seno uma formula do ideal1 da abstraco1 a sua grande arma e a fonte principal dos seus erros4 ,porque no transigem com elle os legisladores cerca de toda a outra propriedade8 porque toda a outra propriedade tangivel1 real1 positiva1 e por consequencia objecto possivel do direito de propriedade4 ,as leis de propriedade litteraria1 consideradas correlativamente legislao sobre os novos inventos1 longe de conterem o menor vestigio das exaggeraes do socialismo1 no chegam sequer a respeitar um dos dogmas fundamentaes da eschola liberal1 a igualdade civil4 ,a ida formulada1 traduzida1 representada no invento manifestao perfeitamente analoga da ida formulada1 traduzida1 representada no livro4 ,para aproveitarem ao auctor e ao publico1 a condio da reproduco identica n'um e n'outro4 ,o invento pde ter at exigido mais trabalho1 mais energia intellectual1 mais sciencia do que o livro2 e todavia1 s por privilegio1 isto 1 por uma excepo do direito commum1 alcanar ser propriedade1 o que radicalmente equivale a no o ser4 ,se1 porm1 o invento mais humilde2 se apenas o melhoramento concebido pelo official mechanico em alfaia vulgar1 a lei nem sequer o conhece1 nem por privilegio entra na categoria da propriedade4 ,tudo isto faz lembrar o desembargador ou fidalgo da minha casa da velha ,ordenao1 em questes de adulterio4 ,propriedade completa na intensidade1 e s incompleta na durao1 para os fidalgos da minha casa das letras e das boas artes2 propriedade apenas legal1 determinada pela apreciao1 ou o que vale o mesmo1 pelo arbitrio do governo1 para uma especie de burguesia1 para os homens que no escrevem1 mas que fazem servir as sciencias de applicao aos progressos da civilisao material2 absolutamente no propriedade para as modestas manifestaes dos entendimentos que dirigem e aperfeioam o trabalho vulgar e plebeu4 ,de certo leis de tal indole no so socialistas3 no chegam sequer a ser liberaes1 no chegam sequer a ser mediocremente sensatas4 ,tem a sua razo de ser na soberania do alphabeto2 no a tem na natureza humana4 ,at certo ponto o auctor do opusculo reconhece isto mesmo4 ,na serie das consequencias inevitaveis que derivam de se attribuir ida formulada ou formula da ida1 em abstracto1 a natureza objectiva de propriedade1 foi logicamente muito alm d'aquella em que os legisladores pararam2 mas por fim parou tambem4 ,e parou porque chegava a uma consequencia que demonstrava por absurdo quanto van a doutrina da propriedade litteraria4 ,depois de reconhecer que o invento1 em relao ao direito1 deve entrar ineluctavelmente na mesma categoria do livro1 estabelece em favor do invento addicional uma theoria que1 no seu systema1 seria o privilegio da espoliao1 embora tente palli-lo4 ,desde que a ida1 completa ou incompleta1 realisada por frma nova1 se converta em propriedade1 ficar immovel ou quasi immovel o progresso da civilisao4 ,parece isto obvio2 mas o auctor do opusculo entende que no passa de um conjuncto de palavras cas4 ,na sua opinio1 o progresso nada padece com a perpetuidade do dominio em qualquer invento4 ,basta que a propriedade pre diante do melhoramento4 ,o melhoramento pde invadi-la sem que o direito seja offendido4 ,para isso ha uma condio extremamente simples4 a de se aperfeioar1 de se corrigir sem se copiar4 ,a condio no tem seno um defeito3 o de ser theorica e practicamente impossivel4 ,aperfeioar1 corrigir1 ou melhorar significa manter a substancia ou o todo1 e alterar o accidente ou a parte4 ,se a substancia e os accidentes forem completamente substituidos2 se as partes de que se compe o todo foram totalmente subrogadas1 no ha melhoramento3 ha uma cousa nova1 um invento novo4 ,melhorar e no copiar excluem-se invencivelmente4 ,quando1 para regularisar os movimentos differenciaes1 ,watt e ,evans inventaram os respectivos parallelogrammos1 e applicaram a sua nova ida s machinas de vapor1 copiaram-nas como existiam em tudo aquillo que no interessava a translao do movimento4 ,a substituio do helice s rodas1 na navegao a vapor1 no alterou seno n'uma pequena parte a mais perfeita construco dos navios4 ,nestas1 como em milhares de hypotheses analogas1 no se comprehende por que modo1 intentado o melhoramento1 se evitaria a copia1 isto 1 a offensa da propriedade dos inventos4 ,se isto verdade2 se inevitavel que no aperfeioamento se reproduza o que se no altera na cousa aperfeioada1 a doutrina do opusculo ou conduz immobilidade no progresso1 ou ha-de levar-nos a negar a propriedade litteraria que o auctor confessa no ser de indole diversa da propriedade dos inventos4 ,se1 no livro1 bem pensado e bem escripto1 achei uma subdiviso1 um artigo qualquer delle a que faltem esses predicados1 no offendo direito algum em corrigi-lo e aprimor-lo4 ,removida1 como impossivel1 a condio com que se imaginou restringir-me a liberdade de melhorar1 para mim acto licito reproduzi-lo1 depois de corrigida a parte defeituosa4 ,mas1 em tal caso1 onde ficou a propriedade litteraria8 ,que se diria daquelle que1 possuindo um pequeno mas fertil campo contiguo a vasto predio rural em que andasse incorporada improductiva charneca1 declarasse que desaggregava esta do predio1 substituindo-a pelo seu campo1 e que em virtude desse acto arbitrario1 exigisse uma quantia avultada na renda total da herdade8 ,a logica forar-nos-hia a dar razo ao pretensor1 se o direito de propriedade real podesse assimilar-se ao supposto direito de propriedade litteraria4 ,o auctor comeando a defesa deste singular direito parece extasiar-se diante de uma phrase de ,karr com aspiraes a agudeza4 ,ha certa eschola litteraria1 vulgar sobretudo em ,frana1 que1 se no faz grande consumo de idas1 vive sempre com grande opulencia de phrases4 ,no so estes escriptores os menos ciosos dos seus suppostos direitos4 ,eis a phrase3-- evidente que a propriedade litteraria uma propriedade--4 ,em consciencia1 a agudeza no tinha jus a grandes admiraes4 ,nas aulas de logica a uma agudeza destas chamam os rapazes petio de principio3 entre os homens feitos chama-se-lhe puerilidade4 ,a phrase vale o mesmo que valeria a seguinte3-- evidente que a propriedade da quadratura do circulo uma propriedade4 ,no opusculo repete-se o argumento que por diversas maneiras se tem feito cem vezes1 e que parece impossivel ainda se repita3 ,ha--diz-se ahi--no direito do auctor1 as condies essenciaes de qualquer propriedade1 a extenso relativa e a extenso absoluta4 ,que differena se d entre o creador de uma casa e o creador de um livro8--,a resposta simples e facil4--,nenhuma4--,no tem o auctor do livro o mesmo direito que tem o da casa de dispor da sua obra8--,a resposta nem mais difficil1 nem mais complexa4--,de certo4 ,paremos aqui4 ,quer o direito de propriedade se realise unicamente1 como creio1 nos productos do trabalho intelligente do homem1 quer se funde na faculdade que elle tem de apoderar-se dos objectos capazes de servirem realisao dos seus fins racionaes1 certo que a propriedade presuppe sempre dous elementos1 ou antes dous factores1 materia e espirito1 objecto actuado e intelligencia actuando1 indispensaveis para a sua manifestao no mundo real4 ,esta condio necessariamente commum a toda a especie de propriedade3 ao livro1 como casa2 alfaia1 como terra individualisada2 ao artefacto1 como ao instrumento que ajudou a fabric-lo4 ,para que a sociedade a proteja e os individuos a respeitem1 cumpre que exista no positivo2 que os sentidos possam transmittir a sua existencia s consciencias para que estas guardem com relao a ella as respectivas noes do dever4 ,os direitos em abstractos1 puros1 existem no ideal1 subjectivamente3 em concreto1 realisados1 s podem existir no real1 objectivamente4 ,a propriedade a realisao de um direito3 s pde dar-se no concreto1 no existente1 e no no possivel1 no ideal4 ,os defensores da propriedade litteraria assentam a machina dos seus discursos n'uma ambiguidade4 ,esperem-na sempre quando elles figuram hypotheses2 quando instituem comparaes4 ,a confuso do sentido natural com o metaphorico encerra toda a philosophia juridica da propriedade litteraria4 s perguntas1 intencionalmente fulminantes1 que se fazem aos incredulos do direito divino dos escriptores1 ficam dadas respostas to simples como completas4 ,entre o creador de uma casa e o de um livro 7dizem7 no ha differena3 um e outro tem igual direito a dispor da sua obra4 ,quem o duvida8 ,mas o que um livro no mesmo sentido natural em que empregaes a palavra casa1 que alis tambem tem significaes metaphoricas8 ,um livro uma poro de parallelogrammos de papel dobrados e cozidos de certo modo1 formando folhas e paginas que mechanicamente se cobrem de palavras escriptas4 ,a operao1 tambem puramente mechanica1 pela qual se repetem1 em mil ou duas mil pores iguaes de parallelogrammos identicos e identicamente unidos1 as mesmas palavras escriptas1 constitue o que chamamos uma edio1 que o complexo de mil ou dois mil livros4 ,a propriedade do livro tem todos os caracteres da outra propriedade4 ,o dono pde dispor dos exemplares a seu talante1 como o ourives pde dispor de cem ou mil colheres de prata de certo feitio4 ,o direito commum protege-a do mesmo modo2 os tribunaes punem o roubo della como outro qualquer roubo4 ,os productores de livros esto perfeitamente equiparados aos demais productores4 ,a propriedade litteraria isto8 ,no1 por certo4 ,se o fosse1 a expresso seria uma tautologia pueril4 cousa mais alta1 mysteriosa1 que se bamboleia no possivel1 que no habita na terra1 e que s desce a ella para auferir alguns lucros4 ,pura condescendencia com as fraquezas humanas4 ,busquemo-la1 a ver se a encontramos entre os mortaes4 preciso no esquecer nunca o principio de que na constituio da propriedade intervem sempre1 em grau maior ou menor1 a intelligencia4 ,supposta a theoria da apropriao1 no me aproprio de qualquer cousa sem ter achado pelo raciocinio aquillo para que serve1 sem lhe dar pela vontade um destino e alma1 na phrase de ,hegel#c4 ,na theoria economica1 a propriedade nasce sempre do trabalho associado intelligencia para produzir um valor1 quer a intelligencia e o trabalho sejam de um individuo1 quer sejam de diversos2 quer o valor seja de utilidade quer de troca4 ,assim1 toda a propriedade contm em si um ou mais actos do espirito que vem incorporar-se1 manifestar-se no objectivo1 no real4 ,que ha n'um escripto impresso1 nisso a que chamamos livro sem figura de rherica1 que no entre nesta regra commum2 que tenha alguma cousa acima ou alm della8 ,na edio de um escripto ha a idea e a materia1 como em todas as obras humanas3 ha multiplicao do objecto livro1 como nos productos de uma fabrica de tecidos ha a multiplicidade das peas de fazenda do mesmo padro4 ,escuso de repetir o que disse na precedente carta4 ,no sou eu que rebaixo as inspiraes do genio altura dos productos da industria3 so aquelles que as medem pela bitola da cousa mais positiva1 mais vulgar1 mais vezes apreciada pelo seu valor venal1 a propriedade4 ,acceitemos a comparao feita pelo auctor do opusculo entre os edificios e os livros4 ,nos edificios1 como nos livros1 ha a concepo geral e as concepes das particularidades1 que vem do espirito1 e ha a incorporao na materia1 que vem do trabalho material4 ,estabelecer comparaes entre o edificio1 manisfestao complexa da aco de dous factores1 e o livro1 quando se d a esta palavra um sentido metaphorico para representar s um dos factores1 isto 1 as ideas concebidas por certa ordem e com certas frmas subjectivas1 traduzidas depois1 por um acto material1 no objectivo1 a meu ver um triste paralogismo4 ,o que corresponderia ao exclusivo1 a esta especie de estanco1 de monopolio de idas formuladas no entendimento e depois estampadas no papel1 a que se chama propriedade litteraria1 seria1 no edificio1 o estanco1 o monopolio das linhas e propores do propecto1 da combinao entre a distribuio das janellas e portas e a dos aposentos1 da collocao dos corredores e escadas1 do tamanho e communicaes das quadras1 dos ps direitos dos andares1 das inclinaes dos tectos1 das mil combinaes1 em summa1 com que o trabalo da intelligencia deu alma e destino pedra1 ao ferro1 ao cimento1 s madeiras e aos demais elementos exigidos para a construco de um edificio4 ,equiparado ao homem de letras1 o que teria a reivindicar o edificador da casa sera o exclusivo1 o monopolio sobre a combinao das suas ideas2 teria o direito de obstar a que alguem fizesse outro predio urbano inteiramente irmo do seu1 em toda a superficie do territorio que a lei de propriedade intellectual abrangesse4 ,o auctor do opusculo illude-se a si proprio applicando a factos identicos vocabulos diversos para assim parecerem factos distinctos4 ,a differena que ha--diz elle--entre as duas propriedades 7a da casa e a do livro7 que uma representa um objecto unico e palpavel2 ao passo que a outra se manifesta ao publico por milhares de exemplares4 ,porque representa uma1 e manifesta a outra8 ,a verdade que ambas constituem propriedade palpavel4 ,a que proposito vem ser a casa uma e os livros mil8 ,mil peas de chita irman saidas de uma estamparia so tanto do fabricante1 como os mil volumes de uma edio do editor ou auctor1 como a casa do edificador4 ,o dono dos volumes1 como o do edificio1 pde do-los1 troc-los1 vend-los1 leg-los1 destrui-los2 como o das peas de chita pde ajunt-las n'um cubo ou n'um fardo1 e alhei-las1 como se alheia um predio urbano ou rural1 por qualquer especie de contracto4 ,a lei reconhece e legitma todos esses actos de igual modo4 ,a propriedade movel e a de raiz distinguem-se nos seus effeitos economicos e portanto no seu modo de ser civil1 mas1 na essencia1 e em relao ao direito absoluto de propriedade1 ha entre ambas identidade perfeita4 ,quanto mais cavamos nas profundezas da propriedade litteraria1 mais a noo della1 desse quid divinum1 escapa nossa comprehenso4 ,apertemos ainda a analyse dos factos2 sigamos o escripto impresso nas suas ultimas evolues4 ,commummente o producto producto total da venda de uma edio distribue-se em tres quotas proporcionaes1 uma para as despesas da publicao1 outra para recompensar o trabalho do editor1 o juro do seu capital e do risco1 as commisses que paga1 etc41 outra finalmente para o auctor4 ,que vendeu este8 ,alguma cousa que era producto do trabalho material dirigido pela intelligencia1 como o era o trabalho do compositor1 do impressor1 do fabricante do papel1 do fabricante de typos1 em que e com que se imprimiu a obra4 ,supponhamos a edio esgotada1 e o seu valor liquidado e distribuido4 ,todos os interessados houveram o producto do seu tabalho2 mais ou menos4 ,questo de mercado1 questo de concorrecia4 ,parece que a propriedade do producto desappareceu para todos1 porque todos o venderam integralmente4 ,pois no assim4 ,o auctor1 em cujo dominio1 bem como no dos seus collaboradores1 no resta o minimo vestigio dos mil1 dos dous mil volumes completamente alienados2 o auctor que vendeu o que ahi tinha1 e o que tinha era o trabalho de escrever palavras e phrases1 dispostas e ordenadas com certo e determinado intuito1 conservou ainda1 em virtude da sua propriedade litteraria1 um dominio extrahido da cousa alienada4 ,no o jus in re2 no o jus in rem2 mas um jus qualquer4 ,no se manifesta aos sentidos2 no est em parte nenhuma na terra4 um fumosinho que se elevou do escripto impresso1 que se adelgaou1 que se esvaiu no contingente1 no possivel1 no ideal1 e que est l4 ,c'tait l'ombre d'un cocher ,avec l'ombre d'une brosse1 ,brossant l'ombre d'un carrosse4 ,no de espantar que ns os iconoclastas1 os bagaudas da propriedade litteraria no possamos topar com ella neste mundo sublunar4 ,os seus defensores tambem no parecem muito adiantados sobre o assumpto4 ,o auctor do opusculo fluctua a cada passo3 a propriedade litteraria ora consiste na ida formulada1 ora s na frma da ida4 ,independentemente da noo da propriedade1 que presuppe sempre a aco do espirito sobre a materia1 do ideal sobre o real1 no como possivel1 mas como existente1 admittamo-la no subjectivo2 supponhamo-la incorporea2 supponhamos que o seu objecto no-objecto a concepo complexa das idas antes e depois de manifestada1 e de vendida a sua manifestao feita sobre o papel4 ,essa concepo formulou-se n'uma serie de vocabulos e phrases pensados e no escriptos4 ,cada vocabulo e cada phrase o molde1 a frma de uma ida simples ou complexa4 ,a concepo disso a que metaphoricamente se chama uma obra1 um escripto1 um livro1 nada mais 1 pois1 do que a juxtaposio1 em tal ou tal ordem1 das idas revestidas das suas frmas particulares que esto catalogadas no diccionario da lingua para uso commum4 ,ainda luz da mais exaggerada doutrina da subjectividade1 e admittindo que seja applicavel s frmas das idas a theoria de ,kant de que o direito de propriedade o direito ao uso exclusivo 7,privatgebrauch7 de qualquer cousa que originariamente era do dominio commum1 evidente que para se ter esse direito totalidade1 quer das idas formuladas1 quer s das respectivas formulas1 necessario que se tenha igualmente direito a cada uma dellas4 ,donde se deduz que qualquer individuo que usar do termo ou da phrase que outrem j empregou rouba a propriedade alheia4 ,levar-se-ha at os apices da subtileza a defenso desta propriedade inaccessivel e inconcebivel1 que vamos seguinte por entre os nevoeiros do ideal8 ,deixemo-la ir at l4 ,supponhamos que ella consiste s no acto de ajunctar successivamente 7o espirito no pde operar de outro modo7 as idas formuladas1 e cujas formulas 7palavras ou phrases7 se acham colligidas no diccionario da lingua4 ,a difficuldade continua a subsistir e s muda de logar4 ,dez mil actos desses que sero necessarios para coordenar o livro 7sentido metaphorico7 no constituiro melhor direito do que tres ou quatro4 ,o direito no questo de algarismos1 nem se mede aos palmos4 ,quem sobre o papel repetir tres ou quatro phrases que succedam umas s outras n'um livro1 um salteador de estrada4 ,taes so os absurdos a que a logica nos arrasta quando vamos collocar a propriedade na abstraco1 no ideal4 ,o auctor do opusculo diz-nos que ficaram para sempre celebres certas palavras de ,lamartine1 que transcreve4 ,triste celebridade4 ,quanto melhor fora que o altissimo poeta em vez de se entreter com estas questes1 se dedicasse a illustrar ainda mais o seu nome1 dando ,frana um novo ,jocelyn6--,ha homens que trabalham com as mos--diz ,lamartine--e ha homens que trabalham com o espirito4 ,so differentes os resultados1 mas igual o jus de uns e de outros444 ,gasta certo individuo as foras em fecundar um campo3 firmaes-lhe a posse delle para todo o sempre444 ,consome outro a vida inteira1 descuidoso de si e dos seus1 para opulentar o genero humano com alguma obra prima1 ou com algum pensamento que v transformar o mundo4 ,nasceu a obra prima3 surgiu a ida2 apoderam-se delias as intelligencias2 aproveita-as a industria2 negoceia-as o commercio2 convertem-se em riqueza444 todos tem jus a ellas1 menos o seu creador444 ,isto no tem defesa4 ,o que no tem defesa que em to poucas phrases se accumulem tantos desacertos4 ,em que obra humana que tenha um fim racional1 e portanto um valor de utilidade ou de troca1 se d essa distinco completa do trabalho da intelligencia e do trabalho physico8 ,preponderar um ou outro2 mas separ-los e omittir um delles1 eis o que impossivel4 ,o que ser facil determinar as dses1 digamos assim1 que a obra ha de conter de cada um4 ,para fazer um livro 7sentido metaphorico7 ou hei de escrev-lo1 ou hei de dict-lo4 ,no mundo real que elle no entra sem o exercicio dos meus orgos4 ,por outro lado1 o trabalho physico sem a direco da intelligencia no trabalho3 chama-se movimento4 ,o rolar da pedra pela ladeira1 o correr do regato1 a agitao desordensada do febricitante1 o estorcer do epileptico1 o andar e murmurar do somnambulo1 nada disso trabalho4--,gasta as foras o individuo que fecunda o campo--pondera o poeta francs4 ,mas quaes foras8 ,as mesmas que gasta o que faz o livro2 as do corpo e as do espirito4 ,a charneca ou o paul no se convertem em vinha1 em olival1 em folhas de semeadura1 em prados1 sem a direco intelligente do arroteador4 ,qual custaria a ,matheus de ,dombasle mais vigilias1 mais cogitaes1 mais dispendio de foras intellectuaes2 converter o solo ingrato de ,roville em modelo admiravel de boa cultura1 ou escrever os ,annaes daquella granja exemplar8 ,porque no havia de ser exclusivo de ,dombasle e dos seus herdeiros o applicar o systema de transformao e cultura de ,roville a outro qualquer solo8 ,nada ha mais obviamente inexacto do que affirmar que o auctor da obra prima litteraria o unico que no tem direito a ella4 ,pois no vende a edio quando a publica2 no a reimprimir quantas vezes quizer8 ,no tem a vantagem de poder fazer nova edio melhorada que mate as edies chamadas contrafaces8 ,onde e como elle excluido do direito de reimpresso8 ,agora pelo que toca a esse escriptor que consumiu a vida1 esquecido de si e dos seus1 s com o intuito de augmentar o thesouro commum do espirito humano1 isso poesia4 ,seria uma entidade capaz de nos subministrar um ,jocelyn das letras3 no mundo real que duvido muito que exista4 ,e se existe1 o maior favor que lhe podem fazer reproduzir-lhe o escripto4 ,mais depressa se realisaro os seus intuitos2 os fins da sua incomparavel abnegao2 do seu immenso sacrificio4 ,confundir a evoluo economica da propriedade movel com as condies da immovel1 e depois argumentar desta para aquella e daquella para esta1 um dos eternos paralogismos dos defensores da propriedade litteraria4 ,na propriedade do campo que o individuo fecundou ha um capital incorporado1 capital de trabalho intellectual e physico1 que1 associado com a terra e com a renovao annual do trabalho1 ajuda este e as foras naturaes e gratuitas da terra e da atmosphera a serem productivos4 ,a renda representa a quota proporcional que no producto corresponde ao capital incorporado1 e no a differena da qualidade da terra1 como o pretende certa eschola de economistas ingleses4 ,os volumes1 porm1 de uma edio de qualquer obra so um producto completamente1 foradamente1 movel e venal3 no possivel convert-lo em capital immovel sem o transformar4 ,vendido o ultimo volume1 o auctor pde inverter o preo da edio1 no todo ou em parte1 n'uma cousa immovel ou immobiliaria4 o que succede com outro qualquer producto que constitua uma propriedade movel4 ,mas o fabricante principal do livro 7sentido natural7 no se contenta com isto2 quer gastar at o ultimo ceitil a sua quota do producto1 e que todavia fique uma abstraco1 a possibilidade de um acto2 a reproduco contingente do livro 7sentido figurado7 constituindo uma propriedade analoga ao capital incorporado no baldio reduzido a solo productivo4 ,dizer isto ser socialismo8 possivel que eu tenha estado a fazer socialismo1 como mr4 ,jourdain fazia prosa1 sem o saber4 ,o auctor do opusculo lana a suspeita dessa heresia politica sobre todos os que combatem com vigor o phantasma de uma propriedade que se reputa capaz de preo fra da esphera da apreciao1 fra do mundo real1 onde1 e s onde1 se movem e actuam os direitos e os valores4 ,dir-se-hia que combater o absurdo era cousa defesa antes de surgir o socialismo1 e que foi este que inventou a logica e a severa exposio dos factos4 ,no conheo o livro ,majorats ,littraires de ,proudhon1 citado no opusculo1 mas se este combateu ahi a propriedade litteraria1 no ser por isso que o senso commum o condemne s gemonias4 ,no se me afigura que chamar socialista a quem discute1 que impor um labu mais ou menos affrontoso desfaa um argumento1 nem que seja demonstrao concludente e irresistivel o affirmar que taes ou taes theorias so ms porque so socialistas1 e que o socialismo mau porque propaga essas theorias4 ,as escholas socialistas 7nem eu sei j quantas so hoje7 tem doutrinas positivas e critica negativa4 ,as doutrinas positivas parecem-me longos rosarios de despropositos3 a critica negativa1 embora frequentemente exaggerada1 a meu ver uma cousa sria4 ,ha ahi indicaes de males profundos e dolorosos no corpo social1 que fazem estremecer as consciencias2 que fazem cogitar tristemente os espiritos liberaes e sinceros4 ,no so desses males1 por certo1 as leis de propriedade litteraria3 so apenas uma fraqueza2 so a subserviencia dos poderes publicos a uma classe preponderante1 mas em cujo gremio no rara a pobreza1 e ainda menos rara a necessidade de se rodeiar de gosos e esplendores1 que muitas vezes accendem a imaginao e inspiram os arrojos do engenho4 ,entretanto os damnos que provm ao mundo da doutrina da propriedade litteraria1 no deixam de ter certa gravidade4 ,o maior mal que os livros frivolos1 corruptores ou que representam pouco e facil trabalho so os que ella mais favoneia3 o menor o inconveniente moral de associar a uma cousa sria1 ao complexo de direitos originarios do homem1 uma esperteza sophistica4 por isso que me no permitte a consciencia1 apesar do consenso dos legisladores1 ver no ru de contrafaco um criminoso4 ,ha1 todavia1 na sua especulao o que quer que seja que repugna4 ,os sentimentos delicados no entram na esphera juridica1 mas tem na sociedade seu preo e valia1 e quem os menospreza faz mal4 ,a usura no hoje um delicto1 porque os interesses legitimos do capital no se podem determinar priori4 ,a lei justa e sensata substituiu nesta parte a lei irreflectida4 ,mas1 que homem digno e honrado deixaria de receber como offensa a qualificao de usurario8 ,dos defensores de propriedade litteraria s conheo um que soubesse evitar a confuso do ideal com o real4 ,foi ,tommaseo#d4 ,o que pede para os escriptores a immunidade1 o privilegio de s elles poderem reimprimir as proprias obras4 ,eis o que admissvel4 ,funda-se em razes de equidade1 de conveniencia social1 de merecida benevolencia4 ,se nem sempre os seus argumentos so concludentes1 a maior parte delles so dignos de atteno4--,no distingo--diz ,tommaseo quasi no comeo do seu opusculo--o pensamento da frma que o reveste para affirmar que um venal1 outro no4 ,a frma parte viva do pensamento em si2 no cousa commercial4--,destroe assim pela base a philosophia jurdica da propriedade litteraria4 ,pouco depois prosegue3--,por certo que se o paiz podesse recompensar com justia os escriptos de merito por via de moderados estipendios1 deixando livres para todos as reimpresses1 sera esta a applicao mais nobre dos tributos4 ,mas onde ha dinheiro para isso8 ,onde se acharo os juizes8 ,para discernir os grandes dos mediocres 7escriptores7 seria preciso um congresso dos grandes1 e que fossem1 alm disso1 desapaixonados2 um congresso de deuses4 ,a doutrina verdadeira a que ,tommaseo indica1 e que eu indiquei na precedente carta2 a recompensa nacional dada ao escriptor que com um bom livro foi por qualquer modo util patria4 ,mas o obice practico posto pelo critico italiano realisao da doutrina igualmente verdadeiro4 ,os homens de letras teriam de aquilatar as obras uns dos outros1 e o excesso de indulgencia1 ou os excessos de severidade seriam inevitaveis4 ,em todos os paizes a classe dos homens de letras est sujeita1 como as outras1 talvez mais do que as outras1 violenta das paixes4 ,as malevolencias que muitas vezes gera a lucta das idas1 os resentimentos que deixam enraizados no corao as feridas do amor proprio1 a mutua hostilidade das escholas e dos corrilhos1 as invejas roedoras2 tudo1 emfim1 quanto pde viciar as apreciaes humanas actuaria na apreciao do livro4 ,o indefinido progresso da civilisao trar porventura um estado de cousas em que se torne possivel a applicao da theoria4 ,por emquanto1 sou o primeiro em reconhecer que ella inexequivel4 ,entretanto1 se nem a recompensa publica realisavel1 nem a inveno de um direito absoluto e originario de propriedade litteraria admissivel1 ninguem1 por certo1 nega a utilidade de favorecer o trabalho litterario e scientifico1 principal elemento do progresso social4 ,busquem-se os meios de o fazer4 ,outros lembraro melhores alvitres1 mas seja-me permittido propor o que me occorre4 ,na minha opinio1 o livro deve descer categoria dos inventos4 esta a justia1 porque a igualdade civil4 ,nessa categoria no ha o direito absoluto4 ,a propriedade ahi apenas legal1 porque deriva do privilegio1 da lei de excepo 7privata lex71 e portanto existe com as condies e limites que ella lhe impe4 ,nas doutrinas liberaes geralmente recebidas o privilegio s legitimo quando se estriba na utilidade publica4 pois necessario que na propriedade creada pelo privilegio se d essa caracteristica4 ,eis a condio impreterivel de todas as leis que declararem propriedade privada os inventos1 as obras de arte e os livros4 ,a apreciao para distinguir os uteis dos inuteis1 os engenhosos dos insignificantes1 os beneficos dos nocivos1 portanto inevitavel1 e todavia1 justamente neste ponto que surge a mais grave difficuldade4 ,como resolv-la8 ,o supposto direito de propriedade litteraria domina em todos os paizes civilisados2 quer dizer1 em todos os paizes onde os que escrevem e imprimem constituem um poder irresistivel4 ,esse poder tem actuado nas relaes internacionaes1 como nas legislaes4 ,os tractados sobre o assumpto prosperam a olhos vistos4 ,ns proprios no podemos esquivar-nos a celebrar um que pela natureza das cousas era a negao completa da reciprocidade que nelle se ostentava4 ,creio t-lo demonstrado na carta a que estas ponderaes servem de appendice4 ,quizera eu1 porm1 que este accesso de febre diplomatica se aproveitasse para fazer em favor dos homens de sciencia e de letras alguma cousa mais sensata e sobretudo mais moral do que uma imaginaria propriedade1 que por via de regra d maior favor ao livro nocivo ou1 pelo menos1 frivolo1 que ao livro util e grave4 ,na peninsula hispanica habitam duas naes irmans que falam duas linguas irmans4 ,navegadoras ambas1 descobriram out'ora a ,america e colonisaram-na em grande parte4 ,as colonias portuguesas vieram a transformar-se no vasto e opulento imperio do ,brazil2 as hespanholas nas varias e turbulentas republicas que medeiam entre o ,brazil e os ,estados ,unidos4 ,como as indoles1 a religio1 os costumes e as tradies juridicas das duas naes peninsulares se transmittiram s suas colonias de outr'ora1 assim as duas linguas so as linguas faladas e escriptas dessas amplas regies1 onde uma populao1 j numerosa1 cresce rapidamente4 ,na ,peninsula o portugus mediocremente instruido l o livro castelhano sem sentir mais vezes a necessidade de um diccionario bilingue do que sente a de consultar o do proprio idioma para conhecer a accepo de alguns vocabulos ou phrases dos escriptores vernaculos4 ,por muito tempo se reputou entre ns luxo litterario escusado um diccionario da lingua castelhana4 ,quantos no lem jornaes e livros dos nossos vizinhos sem delles se aproveitarem1 e ignorando at a sua existencia8 ,o mesmo succede em ,hespanha com a publicaes portuguesas4 ,um hespanhol e um portugus1 ambos com certo grau de educao1 conversam horas inteiras1 falando cada qual no proprio idioma1 sem se desentenderem4 ,os mesmos phenomenos se reproduzem necessariamente na ,america4 ,podem fazer-se longas e eruditas dissertaes sobre a indole diversa das duas linguas1 sobre os elementos varios que intervieram na respectiva formao e desenvolvimento1 sobre as suas distinctas primazias2 mas os factos actuaes1 positivos1 practicos1 observados por todos so estes4 ,uma conveno entre os diversos estados onde domina qualquer das duas linguas resolveria a grande difficuldade e serviria para favorecer as manifestaes superiores da intelligencia1 quer nas letras e na sciencia pura1 quer nas boas artes1 quer nos inventos4 ,para isto fora necessario que em todos elles se considerasse o exclusivo da reproduco como um direito positivo1 instituido a favor do homem de letras1 do artista1 do inventor1 mas tendo por principal motivo o progresso intellectual1 moral e material da sociedade4 ,a concesso do privilegio representaria ento uma conveniencia social1 que lhe daria solidos fundamentos4 ,em virtude do tractado1 todo aquelle que obtivesse tal concesso na maioria dos paizes ligados por essa conveno1 exceptuado o seu1 teria direito de exigir immediatamente do seu governo o diploma que lhe assegurasse o respectivo privilegio4 ,logo que o auctor ou inventor fizesse reconhecer pelo governo do proprio paiz o direito exclusivo de reproduco ou a propriedade legal do seu livro ou invento1 em virtude das concesses obtidas1 ella deveria ser mantida no resto dos estados contractantes1 embora extranhos concesso4 ,as demais provises do tractado1 como por exemplo1 o gratuito das concesses1 o encargo imposto aos consules geraes de sollicitarem ex officio a expedio dos negocios desta especie em que interessassem os seus concidados1 dando-se assim a esses negocios um caracter publico2 tudo1 em summa1 que tendesse a torn-lo de facil e segura execuo seria mais ou menos importante2 mas as bases do convenio consistiriam necessariamente naquellas disposies fundamentaes4 ,com esta confederao1 com esta especie de amaphyctionia consagrada a manter a religio do progresso1 obter-se-hiam tres grandes resultados em relao s letras3 #a4o1 tornar quasi impossiveis as apreciaes apaixonadas e injustas1 alis quasi certas no systema das recompensas nacionaes2 #b4o1 deixar neste assumpto legislao de cada paiz confederado o seu caracter autonomo2 porque1 repudiado o principio do direito absoluto de propriedade1 e adoptado o da propriedade legal1 a durao e extenso do privilegio1 a escolha dos corpos scientificos e litterarios ou a instituio de jurys1 incumbidos de resolver os negocios de semelhante ordem ou de propor a sua resoluo1 as solemnidades necessarias para se obter a concesso1 os meios de se realisar o exclusivo da reproduco1 tudo ficaria a arbitrio dos legisladores de cada estado2 #c4o1 os livros frivolos ou deleterios1 que o direito absoluto de propriedade protege tanto como os bons e uteis e uteis1 e que infelizmente o mercado protege sem comparao mais1 ficariam expostos sem defesa especulao dos contrafactores1 e na propria procura do mercado achariam para seus auctores o instrumento do castigo4 ,estas tres consideraes deviam bastar1 creio eu1 para mover o governo a entabolar negociaes sobre essas bases com a ,hespanha1 com o ,brazil e com as republicas da antiga ,america hespanhola1 ou ao menos com as principaes dellas4 ,seria favorecer os homens de verdadeira sciencia ou de verdadeiro engenho1 melhor do que confundindo gratuitamente nas leis com o direito absoluto de propriedade a singular inveno da propriedade litteraria absoluta4 ,,carta ,,assembl,a ,,geral ,,da ,,academia ,,das ,,sciencias ,,recusando ,o ,,auctor ,a ,,reelei,o ,,de ,,vice-,,presidente #ahef ,senhores4--,uma commisso vossa acaba de me fazer saber que me quizestes dar um novo testemunho de apreo1 pedindo-me por interveno della que volte ao vosso gremio1 e reassuma o cargo de vice-presidente1 de que me dimitti na sesso de #ca de maro4 ,subsistindo ainda as causas que me inspiraram aquella resoluo1 era constrangido a resistir1 no s aos desejos manifestados pela ,academia1 mas tambem aos impulsos do meu corao2 era constrangido a deixar completo um desses asperos sacrificios1 que1 nas pochas de grande devassido1 e dadas certas circumstancias1 ao homem de bem cumpre fazer1 ao menos como um protesto de que no seu paiz no expiraram de todo as tradies moraes1 e o sentimento da dignidade humana4 ,resolvido a manter a dimisso que dera da vice-presidencia da ,academia1 precisava comtudo de explicar o meu procedimento4 ,devia-o a esta corporao1 de quem tenho recebido demonstraes de benevolencia taes1 que o zelo com que creio hav-la servido1 est longe de me libertar d'uma grande divida de agradecimento4 ,em semelhante presupposto1 pedi licena commisso para me abster da resposta vocal1 e para a dirigir por escripto ao illustre gremio1 ao qual1 depois da sua ultima reforma1 tanto me ufano de ter pertencido4 necessario que comece por uma advertencia indispensavel4 ,compellido a justificar-me perante os meus antigos collegas de desobedecer pela segunda vez sua vontade1 manifestada j unanimemente na sesso em que me dimitti1 e a mostrar que no podia1 sem deshonrar-me1 tolerar em submisso silencio os recentes actos do governo em relao ,academia1 terei de examinar e julgar esses actos conforme as minhas idas1 e ajudado pela maior ou menor capacidade que ,deus me deu para apreciar as cousas4 ,quem d'entre vs as afferir por outras idas1 e com mais subido grau de intelligencia1 chegar1 acaso1 a concluses diversas4 ,taes concluses sero to legitimas como as minhas2 e dessa legitimidade derivar a do procedimento de cada um dos membros da ,academia4 ,em materias de honra e dignidade no desejaria que alguem acceitasse a minha opinio sem a avaliar1 nem eu acceitaria sem isso nem voto alheio1 por mais auctorisado que fosse1 para me guiar por elle4 ,que se me permitta resumir aqui o negocio que me forou a tomar uma resoluo extrema1 resoluo talvez a mais custosa que na minha vida me tenha imposto a voz da consciencia4 ,eis os factos3 ,o secretario geral perpetuo da ,academia recebera desta um voto de censura por falta voluntaria no cumprimento dos seus deveres4 ,irritado por aquella censura1 elle reincidiu1 recusando exercitar seu officio nas assembleas geraes e nas sesses do conselho administrativo1 mas reservando as outras attribuies do cargo4 ,a ,academia no toleraria to insolita resoluo em qualquer socio que exercesse funces gratuitas3 menos a podia tolerar ao socio que era funccionario pago4 ,procurou cham-lo razo1 e no foi escutada4 ,era1 portanto1 indispensavel completar a meia suspenso que o secretario imposera a si proprio4 ,f-lo por votao unanime4 ,todavia no privou o empregado suspenso do seu vencimento1 porque procedia sem paixo4 ,se obrara severamente1 fora a isso compellida pela necessidade de manter as leis e a disciplina da corporao4 ,seguia-se dar conta deste grave successo ao governo pelo ministerio do reino4 ,a ,academia f-lo tambem4 ,a representao de #aj de julho de #ahee expunha lealmente o que havia occorrido1 e pedia providencias decisivas que terminassem por uma vez os continuos embaraos que suscitava o secretario perpetuo4 vista dos factos ponderados nessa representao1 se o ministro quizesse respeitar um instituto que em todas as pochas foi tido na mais subida considerao pelos poderes publicos1 e a quem elle devera a honra de ser admittido no seu seio1 a unica resoluo possivel era a aposentao do secretrio4 ,a sua provecta idade1 os longos annos que exercera o secretariado1 e os conflictos que diariamente se alevantavam entre aquelle funccionario e o corpo academico1 tornavam no s plausivel1 mas tambem necessaria semelhante providencia4 ,a perpetuidade do officio importava vantagens e encargos para o secretario3 a aposentao conservava-lhe as primeiras1 e libertava-o dos segundos4 ,o corpo academico satisfazia-se com isto3 comprava a paz com um sacrificio pecuniario1 e podia dedicar aos trabalhos litterarios o tempo que consummia em cohibir um empregado absolutamente incorrigivel4 ,alguns membros da ,academia1 em relaes mais estreitas com o ministro do reino1 parece terem-no aconselhado a assim proceder4 ,ignoro o que a este respeito se passou4 ,o que sei que1 por uma grosseria singular1 a representao de #aj de julho ficou sem resposta ou deciso durante alguns mezes1 bem como o ficou a de #c de dezembro1 em que a ,academia dirigia ao governo novas e vivas instancias sobre o assumpto4 ,uma circunstancia dgna de notar-se dava1 porm1 uma tendencia offensiva ao proceder do ministro4 ,havia muito que circulavam boatos pouco honrosos para o caracter moral do secretario perpetuo4 ,falava-se cerca de abusos practicados no exercicio das attribuies demasiado amplas que lhe facultavam os estatutos e regulamentos academicos4 ,nunca eu tinha dado credito a taes boatos3 eleito1 porm1 vice-presidente da ,academia1 e achando-me por isso membro do conselho administrativo1 conheci que esses boatos no careciam de fundamento4 ,membro como eu do conselho1 o digno presidente da primeira classe tambem sabia das circunstancias que justificavam as suspeitas4 ,amigo pessoal e politico do ministro do reino1 e havendo-se encarregado do sollicitar extra officialmente uma resposta representao de #aj de julho1 falou-lhe com a lealdade e franqueza que o caracterisam1 e ponderou-lhe as particularidades que foravam o governo1 por seu proprio decoro1 a tomar uma resoluo accorde com os desejos da ,academia4 ,evitava-se assim um escandalo1 e que a deshonra viesse a cahir algum dia sobre a cabea encanecida d'um homem de letras1 consequencia que a necessidade de obstar para o futuro aos desconcertos passados mais tarde ou mais cedo havia de produzir4 ,o ministro pareceu tomar em conta essas consideraes amigaveis1 e s4 ex4a o sr4 presidente da primeira classe referiu n'uma reunio de academicos o que se passara4 por isso que cito aqui semelhante facto4 ,pela sua elevada jerarchia como par do reino1 s4 ex4a tinha direito a esperar que as palavras do ministro houvessem sido graves e sinceras3 como membro da maioria de uma das camaras tinha ainda maior direito a fazer ouvir os seus conselhos1 visto que diante do paiz acceita um quinho de responsabilidade moral pelos actos do poder4 ,no succedeu1 porm1 assim4 ,contra a razo1 contra todas as indicaes da decencia1 o secretario perpetuo da academia1 suspenso por ella com justos fundamentos n'uma votao unanime1 manchado por suspeitas pouco honrosas1 conhecidas do ministro do reino1 e que o ministro do reino tinha obrigao de verificar1 se que o individuo que lhas communicava no merecia a sua plena confiana2 o secretario perpetuo1 que1 collocando-se n'uma posio illegal1 respondera com o desprezo s advertencias moderadas da sua corporao1 e se mostrara alheio ao sentimento do proprio dever2 esse homem1 para quem a ,academia desejava1 na sua immensa indulgencia1 a obscuridade e a paz dos ultimos dias da vida1 foi nomeiado guarda-mr da ,torre do ,tombo1 cargo importante1 porque presuppe1 no s elevados dotes litterarios1 mas tambm inconcussa probidade4 ,era a unica e definitiva resposta do governo s respeitosas representaes de #aj de julho e de #c de dezembro1 e aos conselhos prudentes e amigaveis de um homem que o ministro devera respeitar4 ,honrado com a confiana do supremo poder1 vingado do desar que recebera1 o successor de ,gomes ,eannes de ,azurara1 de ,rui de ,pina1 de ,damio de ,goes1 ,joo ,pinto ,ribeiro1 de ,jos de ,seabra1 de ,d4 ,francisco de ,s4 ,luiz1 atirou ,academia com os seus diplomas de secretario e de socio4 ,o governo tinha-lhe dado outro que para elle1 e talvez para o mundo1 era de maior valia4 ,pelas minhas faces no roaram esses diplomas2 porque na sesso da vespera depusera perante a ,academia o cargo de vice-presidente1 convertido agora n'uma cruz de vilipendio com que os meus hombros no podiam3 no roaram pelas minhas faces1 nem pelas dos numerosos membros desse respeitavel instituto1 que na mesma sesso declararam estarem resolvidos a retirarem-se como eu1 se a corporao a que pertenciam no fosse plenamente desaggravada de uma offensa immerecida4 ,sei que houve quem dissesse que essa dimisso voluntaria do secretario perpetuo1 despachado pelo ministro na constancia da sua suspenso1 importava um desaggravo para a ,academia1 como se a injuria do poder acumulada ao desprezo do agraciado equivalessem a uma reparao6 ,disse-se tambem1 creio eu1 que no havia lei para a aposentao do secretario perpetuo1 como se no valessem nesta hypothese os principios geraes de justia e as regras de administrao2 seno houvesse por um lado a perpetuidade do cargo e por outro a impossibilidade physica ou moral do individuo1 e se emfim1 o governo1 nimiamente escrupuloso1 no podesse obter sobre isso do parlamento qualquer declarao legislativa4 ,no qualificarei taes desculpas3 s direi que deploro tamanha aberrao d'espirito4 ,havia1 porm1 no acto do governo uma circumstancia que particularmente feria a segunda classe4 ,sabe a ,academia quo vasto e difficil trabalho ella emprehendeu na publicao dos monumentos historicos do nosso paiz1 e que a parte principalissima desse trabalho tem sido e deveria continuar a ser feita na ,torre do ,tombo4 ,o ministro1 collocando frente daquelle estabelecimento o empregado suspenso pela ,academia1 fechava as portas do ,archivo geral do reino1 no s a mim1 que mais particularmente estava encarregado da empresa1 mas tambem a qualquer socio que houvesse de succeder-me2 porque creio firmemente que todos elles tem bastante dignidade e amam asss a propria reputao1 para nunca mais cruzarem os umbraes do archivo nacional emquanto o ex-secretario da ,academia se achar frente daquella repartio4 ,o governo pde entregar a quem quizer a guarda dos documentos do estado1 e de outros em que se estriba a fortuna de muitas familias1 conservados na ,torre do ,tombo4 ,livre a sua aco administrativa2 sua a responsabilidade perante o parlamento e perante o paiz4 ,sem o aggravo que lhe foi feito1 a ,academia nada teria com esse acto4 ,os membros1 porm1 da segunda classe1 e nomeiadamente os da seco de historia1 alm da offensa commum1 receberam outra mais grave2 foram virtualmente expulsos do archivo publico4 ,o governo condemnou-os inaco2 porque1 no estado actual dos conhecimentos humanos1 nenhuns estudos serios sobre a historia de ,portugal1 sobre a sua jurisprudencia1 e ainda sobre um certo numero de questes economicas e litterarias relativas ao nosso paiz se podem fazer dignamente sem o exame dos monumentos acumulados naquelle vasto repositorio1 que hoje se acha ainda mais enriquecido pelos esforos1 e at custa da ,academia4 ,ha perto de oitenta annos que todos os governos se tem mostrado sollicitos em favorecer taes estudos1 e em facilitar aos membros da primeira sociedade litteraria do reino os meios de cultivarem as letras patrias4 o actual o primeiro que quebra essas tradies1 e que os fora pelos sentimentos mais nobres do homem1 pelo pundonor1 e ainda mais1 pelo receio de comprometter a propria honra em qualquer extravio que possa occorrer de documentos publicos1 a considerarem como vedado para elles o accesso da ,torre de ,tombo4 ,este procedimento na verdade inexplicavel4 ,o ministro do reino1 socio da ,academia ,real das ,sciencias1 homem de letras1 e entendimento claro1 avaliava bem quo doloroso devia ser para os seus consocios1 no s a demonstrao de desprezo1 que o governo lhes dava1 mas tambem o verem-se em parte banidos da republica das letras pela coaco moral4 ,entre elles ha amigos pessoaes e politicos do ministro1 ha homens inoffensivos1 exclusivamente dedicados sciencia1 ha individuos cujos propenses os impellem para trabalhos litterarios sem connexo com as indagaes historicas2 mas1 infelizmente1 em outros davam-se1 alm dessas1 outras condies4 ,o ministro sabia-o1 calculava o alcance do que fazia1 a consciencia no podia deixar de accus-lo1 e apesar disso1 no recuou diante de uma nomeiao1 deploravel em si1 e evidentemente hostil ,academia4 ,se a razo nos assegura que o ministro obrava mal deliberadamente1 um facto significativo vem confirmar de mais directo modo a induco do raciocinio4 ,se lanardes os olhos para as columnas do ,diario do ,governo1 onde se lem a cada passo os diplomas de nomeiao dos empregados ainda mais obscuros1 no busqueis l o do novo guarda-mor da ,torre do ,tombo1 porque no o haveis de encontrar4 ,sabeis o que este silencio8 a voz da consciencia do ministro4 ,e depois1 no ouvistes segredar pelos cantos no sei que intervenes da cora neste deploravel negocio8 ,a deslealdade e a inconstitucionalidade parece terem substituido a doutrina que faz responsaveis s os ministros4 ,acaso nesta quadra que vamos atravessando1 e que tantas vezes nos recorda as paginas mais tristes da historia do ,baixo ,imperio1 deixou de acatar-se j1 no direi a personificao de um supremo principio politico1 impeccavel e sancto1 mas1 ao menos1 a innocencia e a probidade dos dezoito annos1 em que ainda todos cremos na justia publica e na lealdade dos homens8 ,nem sequer uma fronte pura escapar ao lodo que para ns espadana do charco das paixes politicas8 ,a calumnia1 murmurada em voz baixa1 ha de negar-se a si propria4 ,bem o sei2 porque sei que a certos individuos falta at o esforo das grandes covardias4 ,mas que me importa isso1 se o murmurio da calumnia nem s por mim foi ouvido8 ,o que me parece evidente que se practicou um acto mau com determinada inteno2 que a injuria que recebestes foi friamente dirigida1 e que1 tanto por dignidade propria1 como por dignidade da corporao a que tive a honra de presidir1 no posso acceitar o vosso to apreciavel convite4 ,custa-me1 e muito1 pens-lo assim4 ,accordes em geral n'um s vontade1 forcejavamos todos para restituir ,academia o seu primitivo esplendor4 ,pela minha parte no poupei incommodos e esforos de mais de um genero para que ,portugal podesse associar-se ao resto da ,europa1 de um modo digno de ns1 no empenho da publicao dos seus monumentos historicos4 ,se o alcancei ou no1 emquanto m'o consentiram1 di-lo-ha a ,academia3 o que eu sei dizer que a nenhum outro paiz1 nem ao nosso em casos analogos1 foi to pouco dispendioso tanto trabalho como o que se acha feito4 ,levo saudades desta empresa1 porque era um documento de pundonor academico e de patriotismo4 ,outros a continuaro melhor algum dia1 postoque no com maior zelo4 ,como sabeis1 ahi fica impressa a legislao do bero da monarchia1 e fic-lo-ha igualmente1 conforme vos prometti1 o primeiro fasciculo das antigas chronicas e memorias de ,portugal1 que neste momento se imprime4 ,esto colligidos e em parte promptos para entrarem no prelo muitos monumentos narrativos1 toda a legislao patria at os fins do seculo ,,xiii1 os foraes primitivos do reino e o seu direito consuetudinario1 alm de muitos centenares de diplomas importantes do seculo ,,viii at o ,,xi4 ,dos socios da segunda classe que entenderem ser-lhes licito continuar a pertencer ao quadro effectivo da ,academia1 os que se houverem de encarregar da empresa acharo sempre em mim boa vontade para lhes subministrar as especies de que carecerem relativas a esse assumpto4 ,no meu moveu resoluo que tomei1 no me move a mant-la agora nenhum capricho pueril1 nenhum sentimento de malevolencia para com pessoa alguma4 ,move-me a convico de que cumpro os deveres de homem honesto que presa o proprio caracter4 ,no abandono smente por estes deveres a honra de vos ajudar nos vossos encargos academicos2 abandono os meus interesses privados1 materiaes e litterarios4 ,para mim a carreira de historiador cessou1 e o mais provavel que cessasse definitivamente2 porque quando uma vez nos afastamos de certa ordem de ideas1 de certos estudos1 que requerem sobretudo paciencia e constancia1 difficil e raro que voltemos depois a elles4 ,esses em que mais me comprazia ahi ficam truncados1 incompletos4 ,se o poder se gloria com isso1 que folgue3 gloria que ha de durar mais do que eu e do que elle4 ,estareis lembrados do que vos disse depondo em vossas mos a dignidade de que me havieis revestido por duas vezes1 erro que1 a meu ver1 vos acarretou os dissabores do insulto official4 ,se o receio de um compromettimento de honra me no fechasse as portas da ,torre do ,tombo1 fechava-m'as a minha situao especial4 ,o accesso dos archivos do reino s pde ser franqueiado ou pela benevolencia e confiana do seu chefe responsavel1 ou por ordem expressa do governo4 ,como membro da ,academia e para servio publico poderia acceitar e at sollicitar essa ordem3 como individuo particular nem to insignificante merc receberia dos homens que nos regem4 ,do chefe actual do archivo1 desse obvio que no posso desejar nem a confiana nem a benevolencia4 ,o sacrificio que imps a mim mesmo como simples cidado abona a sinceridade do que fao como membro da ,academia4 ,debaixo da affronta collectiva senti a aggresso individual contra o adversario politico2 aggresso dissimulada1 tortuosa1 mesquinha1 e todavia pungente1 como cumpria que fosse vinda de que vinha2 porque os habeis so sobretudo os que sabem aproveitar bem e me todas as relaes as conjuncturas propicias4 ,inutil classe por inactividade forada1 a minha conservao na vice-presidencia no seria seno a origem de novos aggravos a uma corporao to respeitavel como inoffensiva4 ,bastava esta considerao para me afastar da vice-presidencia da ,academia4 ,terminarei fazendo votos pela prosperidade desse instituto3 para que haja de contribuir poderosamente para o progresso do espirito humano e para a gloria litteraria e scientifica da terra em que nasci4 ,o que no sei se isto vos ser possivel n'uma epocha e n'uma situao em que por caminhos tenebrosos se ferem os adversarios leaes1 no no corpo1 mas na alma2 em que se calcula de antemo que a honestidade e o pundonor da propria victima a ageitaro ferida2 em que para punir as opinies se mutilam ou atrophiam as intelligencias4 a grande differena que vai da decadencia das sociedades antigas decadencia das sociedades actuaes4 ,os ,sejanos de ,tiberio1 servidos pelo ferro e pelo veneno1 accordes com o cesar n'uma s vontade1 eram materialistas e grosseiros na satisfao dos seus odios4 ,hoje a falta de um ,tiberio no incommoda os ,sejanos modernos3 ser-lhes-hia inutil o velho de ,caprea4 ,tem horror ao sangue3 so tolerantes1 espiritualistas1 delicados1 subtis4 ,ou corrompem1 ou assassinam o espirito4 ,no vai mais longe a sua tyrannia4 ,depois1 os ,sejanos d'outrora acompanhavam com rir feroz os gemidos dos martyres3 os de hoje respondem ao grito que nos arranca a dor da angustia moral1 com espremer duas lagrymas sobre as faces1 e com murmurar queixumes1 em voz sentida e flebil1 contra os que calumniam as suas intenes mais innocentes e puras4 ,,mousinho ,,da ,,silveira ,,ou ,,la ,r,,volution ,,portugaise #ahef ,la ,providence1 qui fait aux nations des origines et des destines diverses1 ouvre aussi la justice et la libert plus d'une voie pour entrer dans les gouvernements4 ,guizot1 ,hist4 des ,origin4 du ,gouvern4 ,reprs41 ,prface ,i ,vous me demandez1 mon cher ,f4441 quelques notes sur ,mousinho da ,silveira1 sur ce personnage1 qui n'a t ni agioteur1 ni baron1 ni noble1 ni gnral1 ni acadmicien1 ni journaliste1 et que1 cependant vous avez entendu vanter comme l'un des hommes les plus remarquables de notre poque1 comme le plus remarquable1 peut-tre1 de notre pays4 ,si je vous envoyais les notes rclames1 je ne pourrait vous dire que ce qu'il vous est loisible lire dans sa biographie1 crite1 si je ne me trompe1 par ,m4 ,d',almeida-,garrett4 ,je ne connais1 en effet1 d'autres particularits sur sa vie1 que celles qui sont consignes1 dans cet crit4 ,mais ce que je puis1 c'est essayer de vous faire comprendre1 d'une manire peut-tre plus claire et plus prcise1 pourquoi ceux qui voient les choses d'une certaine hauteur regardent ,mousinho da ,silveira comme un homme suprieur1 je dirai plus1 un gnie4 ,la raison en est que ,mousinho fut un verbe1 une ide faite chair3 il a t la personnification d'un grand fait social1 d'une rvolution qui est sortie de sa tte1 et qui1 bouleversant la socit portugaise de fond en comble1 a tu notre pass et cr notre avenir4 ,il a pris au srieux la libert du pays1 et1 en l'asseyant sur des bases inbranlables1 il a rendu impossible le rtablissement du despotisme1 ou tout du moins d'un despotisme durable4 ,sur un petit thtre1 il a fait plus que ,robert ,peel en ,angleterre2 car la rvolution de ,mousinho ne fut pas seulement conomique2 elle fut aussi politique et sociale4 ,lui et ,d4 ,pedro1 voil1 pendant la premire moiti de ce sicle1 les deux hommes publics du ,portugal1 qui ont laiss sur cette terre une empreinte jamais ineffaable4 ,l'un tait la pense1 l'autre le coeur et le bras4 ,avant l'poque o le duc de ,bragance prit en main les rnes d'un pouvoir contest et choisit ,mousinho pour ministre1 les essais de gouvernement reprsentatif1 chez nous1 n'avaient abouti rien1 car les moyens qu'on employait pour l'obtenir taient impuissans ou plutt ridicules4 ,avant ces deux hommes1 les institutions librales en ,portugal ressemblaient ces arcs de triompbe qu'ont btit1 les jours de fte1 avec des branches d'arbres touffues1 qui tombent fanes au bout d'une semaine4 ,les deux robustes pionniers firent autrement4 ,sur un sol imbib de sang ils passrent la charrue et1 retournant les racines des bruyres parasites1 deposrent au fond des sillons les germes d'institutions durables4 ,entre nous soit dit1 mon cher ,f4441 avant et aprs les venements de #ahca #ahcd1 l'histoire du libralisme en ,portugal n'est qu'une comdie de mauvais got1 qui s'lve ou descend quelque-fois 7je ne sais trop quel est le mot propre7 au ton du mlodrame4 ,du ,shakespeare de bon aloi1 on n'en trouve qu' cette poque1 et1 dans notre drame shakespearien1 n'apparaissent que deux grandes et nobles figures3 ,mousinho et le fils de ,jean ,,vi4 ,le reste1 et je le dis en toute humilit de coeur1 ne vaut pas la peine qu'on en parle4 ,ce sont des financiers1 des barons1 des vicomtes1 des comtes1 des marquis de frache et mme d'ancienne date1 des commandeurs1 des grands cordons1 des conseillers1 qui glapissent1 qui se ruent1 qui se pressent1 qui se culbutent1 qui se renversent et se relvent1 qui rongent cette maigre proie qu'on appelle le budget1 ou qui crient au voleur quand ils ne peuvent pas prendre part la cure4 ,j'cris la hte ces lignes1 remplies probablement d'autant de fautes de franais qu'il y a de billeveses dans la tte de nos hommes d'tat4 ,je n'ai pas le temps de les corriger2 il suffit que vous puissiez me comprendre4 ,en vous faisant un rsum historique de la naissance et des progrs du systme libral dans ce pays1 il est possible que le croquis devienne caricature3 ce ne sera pas ma faute4 ,sous la plume de l'crivain1 la forme s'adapte1 parfois l'insu de l'auteur1 la nature du sujet4 ,je tcherai de respecter les individus vivants1 car la biensance l'exige4 ,pour ce qui regarde les groupes1 les coteries1 les factions1 les partis1 je me moque de leurs colres6 ,j'ai le courage de mes opinions1 ,dieu merci6 ,ce croquis vous fera apprcier dment1 je l'espre1 ce que c'tait que ce mtore appel ,mousinho da ,silveira2 car il ft un mtore1 qui1 apparu un moment dans les horizons politiques1 a presque aussitt disparu1 en laissant aprs lui une trane lumineuse1 que toutes nos folies et toutes nos fautes n'ont put effacer du sol de la patrie4 ,je commence un peu de loin2 vous verrez que ce n'est pas inutile4 ,imbus des ides librales1 que les livres et les journaux franais ont1 pendant un demi-sicle1 inculques partout dans l'esprit des hommes des classes moyennes1 nos pres prparrent1 dans des socits secrtes1 une rvolution librale1 qui clata en #ahbj4 ,a dire vrai1 cette rvolution rpondait de grands besoins sociaux et politiques4 ,le ,portugal1 ce vieux conqurant des plages maritimes de l',afrique et de l',asie1 ce colonisateur d'une partie de l',amrique1 tait devenu1 son tour1 une colonie singulire dans son genre4 conomiquement parlant1 nous tions des colons do ,brsil1 o un gouvernement corrompu1 les ministres de ,jean ,,vi1 espce de roi ,rn affubl du chapeau crasseux de ,luiz ,,xi1 dpensaient sottement les impts ou les volaient pour s'enrichir ou pour enrichir des parvenus sans mrite ou de nobles abtardis4 ,politiquement parlant1 nous tions des colons anglais4 ,notre arme tait une arme anglaise1 dont les soldats1 et presqu'uniquement les soldats1 taient ns dans ce pays4 ,un gnral anglais nous gouvernait au moyen d'une rgence servile1 qui tait cense reprsenter en ,portugal le roi retenu ,rio-de-,janeiro4 ,on avait mme pouss l'impudence jusqu'au point d'imprimer ostensiblement au front de nos pres le sceau de la servitude1 en mettant un diplomate anglais au nombre de ces rgents de comdie4 ,un trait malheureux avait plac notre commerce la remorque du commerce anglais1 et notre industrie avait t absolument sacrifie l'industrie anglaise4 ,il ne nous manquait que d'tre forcs exprimer le peu d'ides que l'absolutisme regardait comme viables dans le baragouin celto-saxo-normand1 qu'on appelle la langue anglaise et dont1 depuis deux cents ans1 on s'efforce de faire un langage humain1 un moule littraire4 ,ce n'tait pas l'action1 ou1 si on le veut1 la pression qu'exerce une grande1 riche et puissante nation sur un peuple pauvre1 petit et faible1 quand la marche des vnements et des sicles a tabli entre les deux socits des rapports intimes4 ,celle-l1 on la souffre1 car elle est invitable1 fatale4 ,non1 ce n'tait pas cela4 ,c'tait une domination insolente et brutale2 c'taient la honte1 la misre1 l'abrutissement de l'esclave4 ,il fallait bien sortir de l ou mourir4 ,si les ides librales n'eussent pas engendr la rvolution de #ahbj1 une autre mche quelconque et fait sauter la mine4 ,mme extnus et moribonds1 les peuples1 comme les individus1 tressaillent toujours l'aspect du trpas4 ,la rvolution s'accomplit1 et les besoins moraux les plus pressants du pays furent satisfaits4 ,le roi revint ,lisbonne1 et la tache de colonie brsilienne s'effaa du front de la mtropole4 ,cela amena plus tard l'mancipation du ,brsil4 ,ce ft un mal pour nous peut-tre1 mais notre avilissement antrieur tait pire4 ,du reste1 le ,brsil1 en s'affranchissant1 tait dans son droit4 ,le proconsul anglais1 ,carr-,beresford1 s'en alla en ,angleterre triller ses grooms et ses chevaux de race1 inspecter ses tonneaux de bire et dfendre1 au nom de je ne sais combien de statuts1 les livres de ses glens des empitements des braconniers4 ,les officiers anglais de ,portugal suivirent le noble lord4 ,on renvoya ,jean ,,ii1 dans son cercueil1 la charle de l'absolutisme1 et ,jean ,,iii1 galement dans le sien1 la bulle de l'inquisition4 ,on brla de la cire et de l'huile foison en des illuminations splendides1 et l'on s'habilla de drap national horriblement grossier et passablement cher4 ,ce fut un feu crois de banquets1 de processions1 de fuses1 de discours1 d'arcs-de-triomphe1 de revues1 de ,te ,deum1 d'lections1 d'articles de journaux1 et de coups de canon4 ,chaque jour amenait sa fte nouvelle2 on en raffolait4 ,ctait une pluie battante d'hymnes1 de sonnets1 de chansons1 de drames1 de coupes d'habits1 de formes de souliers libraux4 ,les loges maoniques se multipliaient3 des sots y allaient en foule verser leur argent en l'honneur du ,suprme ,architecte de l',univers1 et les habiles y allaient aussi manger pieusement le susdit argent1 toujours en l'honneur du susdit ,architecte4 ,c'tait en crever de plaisir et d'enthousiasme4 ,les corts s'assemblrent4 ,on fit une constitution peu prs republicaine1 mais parfaitement inapplicable au pays4 ,on rpta1 mot pour mot1 traduits en portugais1 ou peu s'en fallait1 les discours les plus saillants du ,choix des ,rapports1 ou les pages les plus excentriques de ,rousseau et de ,bentham2 ce que l'on faisait avec la probit littraire la plus scrupuleuse l'gard des ides1 en n'omettant que le nom des auteurs4 ,le peuple tait bahi de se trouver si grand1 si libre1 si riche en droit thorique1 car pour ce qui tait de la ralit1 c'est--dire les faits palpables1 matriels de la vie conomique1 ils taient rests1 bien peu de chose prs1 les mmes4 ,cela dura deux bonnes annes4 ,tandis que les libraux babillaient1 l'absolutisme1 qui s'tait t1 pensait2 et quoique1 comme chacun sait1 il ne soit point un trs-fort penseur1 il raisonna juste1 car il en avait bsoin4 ,la rvolution1 prise dans son ensemble1 n'offrait qu'un ct srieux4 ,c'tait ce qui avait quelque rapport avec ses causes les plus efficaces1 ce qui tait la consquence de ces causes2 l'affirmation de son ide negative4 ,il n'y avait plus d'anglais dans l'arme1 ni1 d'une manire ostensible1 dans le gouvernement2 le roi n'tait plus au ,brsil4 ,l'inquisition1 vieille mgre aux dents brches1 aux ongles briss1 qui ne faisait plus peur1 quand on la tua1 qu' quelque femmelette assez sotte pour se croire sorcire1 ou quelque moine lascif assez fou pour afficher publiquement ses vices1 avait cess d'exister1 c'est vrai2 mais l'absolutisme pouvait1 sans gne1 se passer de ses services4 ,en laissant les anglais en ,angleterre1 le roi ,ajuda ou ,bemposta1 et l'inquisition la voirie1 la raction n'avait rencontrer sur sa route aucune ide morale assez grande pour lui offrir un obstacle de quelque poids1 aucuns intrts matriels nouveaux crs1 pour le peuple et parmi le peuple1 qu'il fallt heurter4 ,quant ces intrets1 la rvolution n'avait song qu'aux draps1 et les draps taient chose morte4 ,nos amis d',angleterre nous avaient fourni du drap national meilleur et plus bas prix4 ,le patriotisme de re vestiaria avait dj dsert pour le camp anglais4 ,il ne restait rien combattre que les criailleries des beaux parleurs4 ,mais la raction1 en fermant les corts et en mettant leur place la censure et la police1 en aurait aisment raison4 ,voil ce qu'on pensait et ce qui tait d'un bon sens admirable4 ,aussitt que l'absolutisme trouva le fruit mur1 il le dtacha de l'arbre presque sans secousse4 ,l'arme1 qui avait fait la rvolution1 la dfit4 ,d'un coup de pied1 l'on envoya la constitution rouler la voirie o gsait l'inquisition4 ,elles y restrent paisiblement toutes les deux1 cte cte1 dormant le sommeil du juste4 ,le roi se trouva matre absolu du pays4 ,permettez-moi que je vous parle un peu de ce bon ,jean ,,vi1 qui tail1 peut-tre1 le plus brave homme de son royaume4 ,quoiqu'il ft trs laid1 nos vieux libraux1 avec quelques grains de bon sens1 en auraient fait l'un des plus beaux types de roi constitutionnel qui ft jamais4 ,philosophe et thologien sa manire1 les questions tant soit peu creuses et mystiques du droit divin et de la souverainet populaire ne semblent lui avoir donn done beacoup de souci4 ,il n'tait pas mme en trs-bonne odeur de saintet auprs des vritables amis du trne et de l'autel4 ,on l'accusait de pencher du ct des francs-maons1 ce qui peut faire honneur sa bont1 mais pas du tout son intelligence4 ,il aimait ses aimait presqu'autant que ses bonnes pices d'or1 qu'il encaissait avec une tendresse vraiment paternelle2 presqu'autant que ses moines franciscains la voix de ,stentor1 avec lesquels il psalmodiait1 ,mafra1 des ,oremus4 ,les libraux lui avaient ponctuellement pay je ne sais combien de millions de francs de sa dotation royale1 et le chant des moines avait retenti1 sans interruption1 sous les votes du couvent-palais de ,mafra1 ,il ne pouvait raisonablement pas garder rancune de si honntes gens4 ,du reste1 ces dmocrates de #ahbj1 empess1 raides1 la cravate blanche1 l'habit noir1 aux manires respectueuses et poses1 prenant normement de tabac1 cuirasss de droit romain1 et ne parlant des rois-jadis qu'en faisant claquer devant leurs noms la formule sacrmentelle le seigneur roi un tel1 ne pouvaient inspirer moulte crainte ,jean ,,vi1 qui avait toute cette finesse proverbiale des campagnards de la banlieue de ,lisbonne1 o il tait n4 ,aprs la chte de la constitution1 quelques bonnes mes voulaient1 toute force1 qu'il ttt un peu de la tyrannie2 mais ce n'tait pas un mts de son got2 il prfrait les poules grasses que ses compres1 les campagnards de la banlieue1 lui vendaient le plus cher possible1 et que1 bien assaisonnes1 sa majest se plasait dpecer1 sans couteau ni fourchette1 de ses royales mains4 ,c'tait sa cruaut lui6 ,on insista1 croyant que1 parcequ'il portait un chapeau trou et rapic comme ,luiz ,,xi1 il devait porter aussi un coeur de tyran4 ,le roi riait dans sa barbe de cette trange bvue4 ,s'il portait ce chapeau1 c'est qu'il ne voulait pas en acheter un autre1 car un chapeau n'est pas chose qu'on achte avec des mots4 ,il le portait aussi pour une autre raison1 tout juste et absolument contraire aux dsirs de ces bons messieurs les tyranneaux4 ,de sa vie1 il n'avait eu qu'une seule fois l'envie de faire le ,nron4 ,ce fut props d'un superbe manteau de drap bleu tout neuf1 qui lui avait cot une douzaine au moins de belles et bonnes pices d'or1 et qu'on lui vola dans son carrosse1 un jour qu'il s'tait rendu l'glisse patriarchale1 pour entendre beugler des antiennes je ne sais plus quel basso clbre venu1 tout exprs1 dans ses tats1 pour chanter1 moyennant un prix fabuleux1 le nom du ,seigneur4 ,sa colre lui avait fait mal2 les ides de vengeance et de sang qui lui avaient trott par la cervelle1 en se trouvant vol1 le remplissaient d'horreur4 ,or1 s'il achetait un chapeau neuf1 ne pourrait-on pas le lui voler aussi1 et ne pourrait-il pas lui1 la colre l'emportant1 envoyer1 propos d'un chapeau vol1 quelque pauvre diable au gibet8 ,c'est l ce qui lui faisait passer outre le chapitre des chapeaux neufs4 ,l'histoire du roi ,jean ,,vi finit comme finissent toutes les biographies3 par la mort4 ,les libraux en furent dsols4 ,je n'tais alors qu'un enfant2 mais je garde encore bien vif le souvenir de cet vnement4 ,mon pre1 libral de vieille roche1 ma mre1 mon aeule1 toute la famille pleurait chaudes larmes3 je pleurais aussi1 car j'etais n un peu pote et j'avais l'instinct de l'harmonie4 ,il est vrai que je n'y comprenais rien1 car pour moi ces mots--,le roi est mort6--signifiaient tout bonnement que je ne verrais plus un gros et laid vieillard1 l'oeil terne1 aux joues basanes et flasques1 au dos vot1 aux jambes enfles1 enfonc dans un carrosse et suivi d'un escadron de cavalerie4 ,si donc je pleurais1 c'tait pour l'ensemble2 car1 pour parler franchement1 ne pouvant apprecier le moral du roi1 son physique me faisait horriblement peur4 ,le vieux dicton franais ,le roi est mort1 vive le roi6 a1 quoiqu'on dise1 un sens profond4 ,c'est que la monarchie1 lment et symbole de l'unit sociale1 ne peut pas plus avoir une solution de continuit dans la succession des temps1 que s'parpiller1 dans sa vie d'actualit1 aux mains de deux ou trois individus4 ,la royaut1 mon cher rpublicain1 n'a pas de fissures4 ,les empereurs ne s'y glissent pas comme des chenilles3 il faut qu'ils ouvrent une troue bien large1 en face de tout le monde et beaux coups de canon1 ce qui n'est pas facile1 attendu que les vieilles royauts ont la peau et les os assez durs4 ,c'est ce qu'on a compris ,lisbonne en #ahbe1 mieux qu' ,paris en #ahdh3 je vous en demande bien pardon4 ,tout le monde cria donc3--,le roi est mort1 vive le roi6--et tout le monde aussi tomba d'accord que le roi tait ,d4 ,pedro1 le fils an de ,jean ,,vi4 ,cela1 du moins1 semblait clair4 ,pour les uns ,d4 ,pedro signifiait l'espoir du gouvernement absolu1 pour les autres le retour aux institutions librales4 ,il fallait bien que quelqu'un se trompt4 ,on envoya au ,brsil une dputation charge de porter au prince la vieille couronne portugaise et les serments d'allgeance de son peuple4 ,d4 ,pedro1 en acceptant la couronne1 drouta les esprances de ceux qui avaient compt sur lui ou1 du moins1 sur son indiffrence suppose touchant les affaires du ,portugal1 pour tayer1 en son nom1 l'difice vermoulu du pass4 ,il octroya une charte ses nouveaux sujets1 charte qui avait sur la constitution dmocratique de #ahbb la supriorit incontestable d'tre possible2 puis il abdiqua la couronne en faveur de sa fille la reine ,d4 ,maria4 ,en suite de ces actes l ,d4 ,pedro devint1 comme de raison1 de roi on ne peut plus lgitime1 furieusement illgitime4 ,je ne sais si ce que je vais vous dire est un fait en ,france2 chez nous1 c'est la rgle4 ,dans tous procs1 il est d'usage que les parties fassent parvenir au juge chacune son factum extra-judiciaire1 o elles exposent leur droit1 et o l'on dclare avoir pleine et entire confiance dans les lumires1 l'impartialit1 la justice et les autres incontestables vertus du magistrat4 ,la cause juge1 il faut bien que l'un des deux plaideurs reste sur le carreau4 ,alors1 le moins dont le vaincu accuse le ci-devant intgre et savant personnage1 c'est d'tre un voleur ou un ignorant4 ,je trouve cela1 sinon trs philosophique1 du moins trs humain4 ,en octroyant la charte1 ,d4 ,pedro devint ex-lgitime au mme titre que le juge devient ex-intgre et ex-savant4 ,ce fut un fait qui porta ses fruits4 ,la charte fut donc proclame en ,portugal4 ,les vieux libraux reprirent leur cravate blanche1 leur habit noir1 leur tabatire1 sans oublier de remettre galement sous le bras leur digeste1 leur ,choix de ,rapports1 leur ,rousseau et leur ,bentham4 ,les illuminations1 les fuses1 les arcs-de-triomphe1 les journaux1 les hymnes1 les revues militaires1 les franc-maons1 les banquets1 les discours patriotiques tombrent1 comme une rose bienfaisante1 sur le sol aride de la patrie4 ,mme1 se j'en garde bon souvenir1 le drap national1 fabriqu ou non en ,angleterre1 grimpa en pantalons jusques aux hanches de ces messieurs4 ,le drame allgorique alla son train sur les thtres1 et l'ode patriotique remplaa le vieux sonnet2 car on avait fait des progrs en littrature4 ,les deux chambres1 qui avaient pris la place des corts1 s'ouvrirent4 ,on parla1 on dclama1 on fit des rapports et d'autres choses qui avaient la prtention de ressembler des lois4 ,on se garda bien1 cependant1 de toucher la vieille machine sociale4 ,tous les abus1 toutes les institutions poudreuses1 vermoulues1 branlantes1 qui servaient1 tant bien que mal1 de bquilles la monarchie pure dans sa lourde marche gouvernementale1 restrent sur pied4 ,l'absolutisme1 qui1 sous le soufflet de ,d4 ,pedro1 tait tomb la renverse1 se releva1 secoua les basques de son habit de velours1 rajusta sa perruque1 se tta le pouls1 et trouva qu'en bonne conscience il y avait loin de cette rechte constitutionnelle une apoplexie foudroyante4 ,il drogea une fois encore ses habitudes de non-penseur1 et se mit se creuser la tte comme le premier manant venu4 ,la rflexion est la mre du bon conseil4 ,aprs deux annes d'hymnes et de discours1 on ne peut plus libraux1 les institutions reprsenlatives s'en allrent de nouveau1 chasses1 cette fois1 un peu plus rudement1 car le libralisme voulut se dfendre et il fut battu plate couture4 ,comme dans les ,templiers de ,raynouard3 444444les chants avaient cess2 car le bon roi ,jean ,,vi dormait dans son cercueil4 ,il y eut des larmes mles de sang4 ,je ne vous rappellarai pas ce qui se passa en ,portugal pendant quatre annes3 l',europe en a retenti4 ,ce fut admirable selon les uns2 ce fut repoussant selon les autres4 ,chacun a ses gouts4 ,quelques libraux perscuts1 traqus comme des btes fauves1 allrent se cramponner sur un rocher au milieu de l'ocan4 ,d'autres cherchrent un asile en ,france1 en ,angleterre et en ,belgique4 ,ils oublirent un peu les sonnets et les odes2 ils devinrent moins loquents et plus taciturnes4 ,l'air de l'exil est bon quelque chose2 a retrempe les nerfs4 ,d'ailleurs1 pendant dix ans1 la mort et la vieillesse avaient clairci les rangs des dmocrates de #ahbj4 ,dj la cravate noire empitait scandaleusement sur la cravate blanche4 ,la gnration nouvelle surgissait grave et pensive1 au milieu de ces bonnes gens la face rebondie1 l'enthousiasme ronflant1 graneis admirateurs de la fausse libert romaine1 lents1 ventrus1 solennels1 comme un ancien abb de ,alcobaa ou de ,clairvaux4 ,on attaqua les constitutionnels dans leur le3 ils se dfendirent bravement et repoussrent l'assaut4 ,aprs cela1 ils tchrent d'organiser une petite arme4 ,l'migration ne cessait pas4 ,des hommes hardis et dvous allaient1 travers des prils innombrables1 et luttant avec des difficults presqu'insurmontables1 se runir eux et grossir les rangs de cette arme naissante4 ,en dpit de la vigilance du gouvernement de ,lisbonne1 les constitutionnels qui taient rests en ,portugal envoyaient ,terceira des secours et surtout des promesses4 ,ds lors1 on songea agrandir l'asile que la libert avait trouv au milieu des mers et o1 de prime abord1 on avait pens qu'elle trouverait sa tombe4 ,on emporta de vive force quelques unes des autres les des ,aores4 ,on y trouva des ressources en hommes et en argent4 ,la lutte devenait srieuse4 ,ce fut au milieu de ces vnements que ,d4 ,pedro1 par des causes biens connues1 revient en ,europe et prit en main la direction des affaires de la reine sa fille4 ,ce fut alors1 aussi1 qu'en organisant un ministre1 le duc de ,bragance jeta les yeux sur ,mousinho et l'appela dans son conseil4 ,,ii ,si vous1 mon cher ,f4441 eussiez connu ,mousinho da ,silveira1 vous l'auriez pris au premier abord pour un homme vulgaire4 ,il n'y avait1 dans sa figure1 dans son regard1 rien qui dnonat ce gnie audacieux et bouillant1 cette ame aux penses mles et nergiques1 allant droit au but comme la balle la cible4 ,ces penses brisaient les obstacles1 semaient la douleur droite et gauche1 troublaient le bonheur de maintes familles1 voire mme de classes entires2 mais elles taient toujours rformatrices1 fcondes1 pleines d'avenir4 ,je n'ai connu personnellement ,mousinho que quelques annes aprs son ministre aux ,aores et ,porto4 ,a cette epoque1 simple soldat l'arme de ,d4 ,pedro1 passablement ignorant1 et dpassant peine l'ge de vingt ans1 je ne me souciais gure des ministres de l'ex-empereur1 ni de leurs ordonnances rvolutionnaires4 ,pour moi1 comme pour mes camarades1 il n'y avait parmi tous ces gens qui nous menaient qu'un personnage pour lequel nous eussions une admiration sans bornes4 ,c'tait ce duc de ,bragance1 ce prince qui1 en tombant du trne1 s'tait relev hros2 c'tait ce fils de ,jean ,,vi le roi dbonnaire1 que le jour du combat nous voyions au milieu des balles qui pleuvaient1 donnant des ordres avec sa voix vibrante1 ou pointant un canon comme le plus habile artilleur2 car1 je vous le jure1 mon cher rpublicain1 cet ex-roi de ,portugal1 cet ex-empereur du ,brsil1 ce petit-fils de tant de rois savait se battre pour la libert beaucoup mieux que bon nombre de libraux et de dmocrates de notre connaissance4 ,or ,mousinho ne se battait pas1 lui2 c'tait un pkin1 qui barbouillait du papier1 qui griffonnait des rapports et des dcrets2 sourd1 gauche1 trs-peu soign dans sa mise1 n'ayant jamais senti l'odeur de la poudre1 ni degust le rack1 et par dessus le march un peu fou1 ce qu'on disait4 ,il est vrai qu'au bivouac et sous la tente dresse avec des branches de chne et de marronnier recouvertes de paille1 durant les longues veilles d'un hiver rigoureux1 nous autres les soldats nous nous oubliions quelquefois au point de parler politique4 ,alors un vieux docteur de rgiment en capote grise1 la barbe touffue1 aux moustaches retrousses1 se levait1 fourrait la main gauche dans sa ceinture de cuir1 tirait de sa poche la ,chronica 7journal officiel71 et1 en secouant par saccades sa giberne luisante1 il lisait haute voix quelque nouveau dcret de dmolilion sociale accroch un de ces rapports1 caustiques et srieux la fois1 pleins de fautes de grammaire1 mais toujours graves dans leur but et donnant toujours penser4 ,il y avait de vieux soudards1 qui drogeaient jusqu'au point d'peler quelque ,premier-,porto1 o l'on rappelait1 en style diablement faux et embrouill1 les lois dictatoriales dj promulgues pour dtruire l'ancienne organisation politique du royaume1 en les mettant au rang de nos plus puissans moyens de triomphe4 ,en coutant ces fadaises1 nous haussions les paules de piti1 et nous regardions le bout de nos fusils1 en frappant de la main sur nos gibernes4 ,ces dcrets1 ces rapports et ces longs articles nous inspiraient un souverain mpris4 ,une charge la baonnette1 ou une bonne douzaine de voles de balles taient1 notre avis1 des moyens infiniment plus fficaces que tout ce fatras de lois ridicules1 faites pour un pays o nous ne possdions que trois ou quatre lieues carres1 et qu'il fallait conqurir sur des soldats aussi fanatiques dans leurs croyances que nous l'tions dans les ntres4 ,et cependant c'tait le rapport barbare de la loi2 c'taient mme1 helas6 les bavardages du journaliste qui avaient raison4 ,en effet1 faites vous l'ide la plus exagre que vous pourrez1 du courage1 du dvouement1 de la discipline1 de l'enthousiasme de ce petit corps d'arme dont le duc de ,bragance tait l'ame3 sans un fort branlement moral du pays en sa faveur1 elle eut pu accomplir les plus hauts faits d'armes1 qu'elle n'aurait abouti qu' se faire tailler en pices4 ,si ce n'est en ,chine1 il ne sera jamais possible qu'une arme de moins de huit mille hommes fasse la conqute d'un royaume dfendu par quatre vingt mille4 ,et quels soldats1 bon ,dieu1 taient ceux de l'arme royaliste6 ,nous qui les avons vus de prs1 nous savons ce qu'ils valaient4 ,leurs chefs1 leurs officiers n'galaient point les notres2 tant s'en faut2 mais les soldats nous surpassaient peut-tre4 ,cependant ils se laissrent battre presque toujours3 et ces forces1 disciplines1 superbement quipes1 fanatises par les prtres et les moines1 qui payaient de leur personne1 et que j'ai vus moi-mme deux ou trois fois1 au milieu de la fusillade1 les habits retrousss1 le crucifix la main1 les haranguant et leur montrant la victoire ou le ciel au about de leurs efforts2 ces forces s'amincissaient1 s'parpilaient1 disparaissaient pendant que les ntres grossissaient1 s'levant la fin de la guerre civile jusqu' soixante mille hommes4 ,ce fait1 qui frappait les esprits1 a donn carrire des explications de tout genre4 ,en gnral1 les royalistes n'y ont vu que des trahisons2 les libraux que la grandeur de leurs exploits1 que leur activit et leur courage4 ,pour chacun des vnemens partiels dont se compose l',iliade de cette poque sanglante1 on trouva des motifs1 bons ou mauvais1 tout juste suffisans pour satisfaire le court raisonnement des petits-esprits4 ,c'tait une brigade1 un rgiment1 une compagnie s'branlant ou ne s'branlant pas propos2 c'tait un courier arrivant ou n'arrivant pas en tems et lieu2 c'tait un gnral1 un colonel1 un capitaine imprudent ou peureux4 ,au dessus de tous ces motifs ou d'autres semblables planait la trahison des chefs3 la trahison expliquait tout en dernier ressort4 ,j'aime autant croire que le triomphe definitif des libraux a eu des causes plus hautes et plus gnrales4 ,parmi ces causes les lois de ,mousinho furent vraiment les plus fficaces1 car ces lois touchaient aux plus graves questions sociales4 ,on abolit la dme ecclesiastique et les droits seigneuriaux3 par l la proprit rurale et les travail agricole1 la petite industrie et le petit-commerce se trouvaient librs des deux tiers des impts dont ils taient grvs1 et dont peine un mince lambeau revenait au fisc4 ,on spara les fonctions judiciares des fonctions administratives4 ,on organise les tribunaux de justice en harmonie avec la charte4 ,on adopta le systme administratif franais1 ce qui fut1 disons-le en passant1 une erreur pratique1 et un contre-sens politique4 ,les emplois publics devinrent personnels et non-transmissibles par hrdit4 ,la deuxime et troisime lignes de l'arme furent abolies4 ,on laissa tout le monde de droit d'enseigner ce qu'un chacun savait1 sous certaines restrictions raisonnables1 mais sans les entraves qu'en ,france1 mme aprs la rvolution de juillet1 on n'a jamais os briser4 ,on entama la vieille et anti-conomique institution des majorats par la suppression de tous ceux dont le revenu ne dpassait pas la somme de mille francs4 ,les corporations de main-morte furent attaques par la scularisation d'un certain nombre de couvens1 et dans le rapport de l'ordonnance que l'on rendit ce sujet1 l'on jeta des bases rationnelles pour la suppression totale1 et cependant graduelle1 des tablissemens de ce genre et des autres corps ecclsiatiques non compris dans la vritable hirarchie de l'glise4 ,cette suppression1 il est vrai1 fut ralise depuis avec une imprvoyance et une brutalit inouies1 et1 ce que pis est1 inutiles4 ,l'impt sur ventes et achats 7sisas7 fut limit aux transactions sur des biens fonds3 encore dans ce cas fut-il rduit de moiti1 et mme de plus dans certaines hypothses1 car les sisas taient assez variables en vertu du droit coutumier4 ,on dtruisit1 enfin1 quelques monopoles1 tels que ceux de la fabrication de savon1 de la vente l'tranger du vin de ,porto1 etc4 ,ainsi le cabinet dont ,mousinho tait l'me menait de front la rvolution politique et la rvolution conomique4 ,en effet1 presque toutes les lois dictatoriales du duc de ,bragance tenaient d'un ct la premire1 et de l'autre seconde4 ,elles n'avaient pas autant le caractre d'une dification nouvelle1 que celui d'une effrayante dmolition4 ,mais la dmolition1 vu l'tat du pays1 tait bien plus importante que l'organisation4 ,il faudrait avoir connu fond la vieille masure o la nation s'abritait1 pour savoir apprcier combien il y avait de force et d'audace1 et surtout de bon sens1 dans ce travail gigantesque de dblai4 ,il fallait arracher la gorge du peuple aux griffes de l'absolutisme qui l'treignaient4 ,pour y arriver1 le plus sur et le plus certain tait de les couper1 et chacune des ordonnances du duc de ,bragance tait un terrible coup de hache4 ,si elles pouvaient une fois devenir lois du pays1 les anciennes institutions tombaient aussitt pour ne plus se relever4 ,croyez vouz que le peuple ne comprit pas cela8 ,quand je dis le peuple je n'entends pas parler de la populace1 qui ne rflchissait point2 qui n'avait presque pas d'intrts matriels ou moraux attachs aux mesures du cabinet ,mousinho2 qui journellement tait prche1 excite1 fanatise par des prtres et par des moines4 ,cette partie de la nation tait alors ce qu'elle aujourd'hui1 ce qu'elle sera demain4 ,elle aimait mendier aux portes des couvens et des abbayes1 et s'enrler parmi la valetaille des donatarios da cora1 des commendadores1 des capites-mres1 de tous ceux qui vivaient du produit des vieilles taxes1 que les institutions et les lois rendaient lgales1 mais que la justice1 la raison1 et l'humanit rendaient illgitimes4 ,non1 ce n'est pas de ces gens-l que je vous parle3 j'en laisse le soin aux dmocrates4 ,pour moi1 le peuple est quelque chose de grave1 d'intelligent1 de laborieux2 ce sont ceux qui possdent et qui travaillent1 depuis l'humble mtayer1 ou le laboureur de son propre champ1 jusqu'au grand propritaire2 depuis le colporteur et le boutiquier jusqu'au marchand en gros2 depuis l'homme de mtier jusqu'au fabricant4 ,c'taient ceux-ci que les lois de ,mousinho regardaient de plus prs2 c'tait eux qu'elles s'adressaient4 ,toutes les mesures du parti royaliste pour empcher l'effet moral de ces ordonnances sur l'esprit des gens qu'elles favorisaient1 taient inutiles3 les libraux les faisaient circuler partout3 on les lisaint2 on les commentait2 on comparait leurs rsultats ncessaires avec les lourdes charges qui crasaient les classes laborieuses1 et qui empchaient tout progrs matriel3 car1 pour vous donner une ide de l'tat de notre agriculture et de notre industrie il y a vingt ans1 il suffira de vous dire que ce pays1 qui maintenant exporte des crales1 des pommes de terre1 de l'huile1 de la viande1 n'avait pas de quoi manger pendant deux ou trois mois de l'anne1 et se trouvait oblig d'acheter des subsistances prix d'or2 il vous suffira de savoir que dans ce pays1 o voyez pulluler tant d'industries1 surtout de petites industries1 on ne tissait pas une pouce de cotonnade1 et qu'on vendait le lige de nos chnes aux anglais1 qui nous le renvoyaient faconn en bouchons4 ,ces faits rsument et reprsentent notre histoire agricole et industrielle pendant les trente premires annes du dix-neuvime sicle4 ,les doctrines proclames et dvelopes dans les rapports et sanctionnes dans les ordonnances du cabinet ,mousinho1 la religion du bien-tre matriel1 du progrs conomique1 taient le seul moyen que le parti liberal eut opposer l'habile emploi que le parti contraire faisait de l'ignorance et de la crdulit de la populace4 ,on avait mis les intrts du gouvernement absolu sous la sauvegarde des croyances religieuses2 on avait accroch le salut des ames au bout de la lance de l'tendard bleu et rouge3 ,mousinho mit le salut du corps des gens taillables et corvables sous la bannire bleue et blanche4 ,les deux partis usaient de leur droit1 mais avec des rsultats divers4 ,l'avantage apparent restait du ct rouge et bleu2 l'avantage rel restait du ct bleu et blanc4 ,tout le monde assure qu'on aime son ame plus que son corps1 et tout le monde ment ou se trompe4 ,peu de gens en tombant malades appellent le confesseur avant le mdecin4 ,cette observation trs simple et d'une exactitude admirable1 comme presque toutes les vrits fcondes1 faisait le fond de la politique de ,mousinho4 ,voil1 ce me semble1 ce que explique1 non pas absolument1 je le sais1 mais en grande partie1 ce manque d'nergie et d'ensemble1 ces dcouragemens profonds aprs des excs d'enthousiasme1 ces tiraillemens et ces hsitations qui travaillaient le parti royaliste1 et qui l'on perdu4 ,l'ide progressive et l'esprance d'un meilleur avenir se trouvaient face face avec l'ide de l'immobilit dans la gne et avec le malaise gnral4 ,il y avait l'arme absolutiste tant d'individus qui gagnaient tre battus1 qu'il eut t vraiment tonnant que beaucoup d'entre eux n'eussent pas cherch de leur mieux se faire battre4 ,c'tait la trahison1 mais non celle des chefs3 c'tait la trahison des miliciens1 des volontaires1 voire mme des capites de ordenanas1 marmottant tous bas1 et dans un autre sens1 le refrain de ,branger--vivent nos amis2 nos amis les ennemis--aprs avoir cri tue-tte--vive la religion2 vive le ri4--,il fallait bien que l'ide progressive triompht1 car c'tait la loi historique4 ,cependant comme ceci est un fait qu'on ne mesure pas l'aune2 qui n'est ni blanc ni rouge2 qu'on ne touche pas du doigt1 presque personne n'y croyait alors1 vu qu'il n'est pas donn tout le monde1 nommment ceux qui admettent comme des oracles les plus grosses sottises1 de croire ces choses l4 ,mais cet immense dblai d'institutions vermoulues fait par ,mousinho a t surtout une oeuvre d'avenir4 ,la dme1 les droits seigneuriaux1 l'organisation militaire du pays1 la confusion de l'administratif et du judiciaire1 les majorais1 l'hrdit des emplois1 la censure1 la puissance du haut clerg et des ordres monastiques2 toutes ces vieilles choses1 qui arretaient la sve de la vie sociale1 formaient les arcs-boutants du gouvernement absolu4 ,si quelques rvolutionnaires en herbe jetaient bas la vote1 on prenait les mollons tombs et on la rebatissait du soir au matin4 ,ce fut ce qui arriva aux poques de #ahbj-c et de #ahbf-h4 ,en rasant tout1 en brisant les pierres de l'difice1 en les mettant en poussire1 et en jetant cette poussire au vent de ,dieu1 la rdification devenait impossible4 ,la monarchie pure a vcu pendant plus de trois sicles1 parce qu'elle s'harmonisait avec l'tat de la socit2 parce qu'elle tait entre dans les moeurs4 ,pour renverser tout fait cet ,ante politique1 il fallait bien lui oter le sol de dessous les pieds4 ,le despotisme appuy sur les baonnettes1 sur la force et sur la terreur1 est possible aujourd'hui1 comme il l'a t1 comme il le sera1 tant qu'il y aura sur la terre des armes permanentes1 institution sans avenir1 et qui videmment commence se dtacher des socits1 comme les chairs corrompues d'une plaie en voie de gurison4 ,mais le despotisme-mous-tache1 s'il arrive1 ne durera1 juste1 que le temps ncessaire pour puiser sa violence4 ,l'absolutisme1 chose possible1 chose viable avec certaines donnes sociales1 et partant plus craindre1 il ne reviendra point chez nous1 je vous l'assure4 ,il lui manque l'atmosphre pour respirer1 car autour de lui est le vide que les lois de ,mousinho ont fait4 ,pour vous donner une ide de la force que la royant absolute puisait dans l'ancienne organisation sociale1 il me suffira de faire un peu d'histoire1 et de vous dire quelques mots touchant deux ou trois de ces vieilleries4 ,prenons la dme4 ,la dme chez nous1 comme partout1 s'est tablie peu peu pendant les poques tnbreuses du moyen-ge4 ,aux ,,xii et ,,xiii sicles1 elle prit le rang d'une institution2 on la regarda comme de droit divin4 ,c'tait une erreur1 vous le savez1 mais ce n'tait pas une chose absolument draisonnable4 ,il fallait bien qu'on maintint le clerg1 qu'on pourvut au matriel du culte1 qu'on secourut les pauvres4 ,selon la doctrine d',innocent ,,iii1 voil les trois causes finales de la dme4 ,pendant les poques suivantes1 les nobles1 les courtisans1 les moines convoitrent un peu ce plat succulent1 que le clerg hirarchique et les pauvres devaient manger tout-seuls4 ,on imagina des expdiens1 on inventa des prtextes1 et pour sanctionner ces expdiens et ces prtextes on acheta des bulles au grand march de ,rome4 ,au bout de cinq sicles la dme tait devenue une chose peu-prs sculire4 ,il est vrai qu'on garda1 jusqu' un certain point1 les apparences4 ,c'tait aux ordres religieux et militaires1 et aux instituts monastiques que revenait la meilleure partie de cet impt1 qui se rapportait1 non la rente de la terre1 mais au produit brut de la culture4 ,de plus1 les ordres militaires et les couvens avaient l'obligation de subvenir aux dpenses du culte dans les paroisses dont ils mangeaient la dme4 ,et ils le faisaient avec une parcimonie admirable2 je dirais presque touchante4 ,le bas clerg1 les curs1 pour ne pas mourir de faim1 taient obligs de se faire payer le service paroissial par leurs ouailles1 ce qu'on appelait1 et qu'on appele encore1 le pied d'autel4 ,au temps des aptres on l'aurait appel simonie2 mais ces temps ne sont plus4 ,le ciel tait devenu trop cher4 ,le haut clerg1 les vques et les chapitres n'y voyaient pas de mal3 on leur avait fait la part du lion1 et l'on avait respect cette part1 attendu que1 si par leurs fonctions ils appartenaient la vraie hirarchie ecclsiastique1 par leur position sociale ils tenaient aux nobles et aux puissans4 ,a la fin1 cependant1 mme de ce ct1 on trancha dans le vif4 ,on inventa un patriarche de ,lisbonne et une glise patriarchale avec force principaux1 monseigneurs1 chanoines1 etc4 espce de caricature de la cour papale1 qui servait gayer ce fameux loup-cervier appel le roi ,jean ,v1 dont les dgts parmi les vierges du ,seigneur forment peu prs l'histoire de son rgne4 ,au fond1 l'glise patriarchale n'tait qu'un rang de nonveaux couverts mis la table de la dme1 couverts destins surtout au cadets des nobles familles4 ,en un mot1 pour vous faire comprendre quelles bouches on prenait depuis long-temps cette table1 il suffira de vous dire que d'une seule fois le roi ,emmanuel attacha l'ordre du ,christ quatre-cents paroisses2 c'est--dire qu'il mit au rgime broussaisien quatre-cents pauvres curs pour engraisser quelques douzaines de commandeurs l'gal de ces esturgeons et de ces lamproies mirifiques qu'on savourait avec dlices aux banquets romains4 ,or ,mousinho savait par coeur son catchisme3 il y avait lu parmi les commandemens de l'glise2 tu paieras la dme et les prmices ,dieu notre seigneur4 ,alors il flaira de loin ces gros abbs mitrs et crosss1 ces bnficiers maris1 ou pire1 ces commandeurs des ordres militaires1 braves gens1 qui mangeaient1 jouaient ou ronflaient sur les deux oreilles1 se souciant fort peu de savoir si les infidles1 turcs ou algriens1 faisaient ramer des chrtiens sur les bancs de leurs galres4 ,aprs avoir flair1 il lui vint d'ide que ces messieurs n'taient pas prcisement le ,dieu notre seigneur du catchisme4 ,il devint colre4 ,en sa qualit de fou 7je crois avoir eu dj l'honneur de vous prvenir que ,mousinho tait fou1 ce qu'on disait7 il les envoya au diable1 et1 renversant d'un coup de pied la sainte table1 il dit aux bonnes gens dcims3 ,gardez votre bien2 car on vous vote4 ,il aimait dire de ces btises l4 ,on lui prouva que cette ripaille1 qui durait depuis trois ou quatre sicles1 tait chose legale et partant lgitime3 il haussa les paules4 ,on l'appela assassin1 hrtique1 satan3 il envoya derechef les tapageurs tous les diables4 ,plus tard1 quand l'ordonnance qui avait dtruit ce grande abus1 devint loi de droit et de fait pour tout le pays1 il y eut encore par ci par la des ames timores1 d'honntes laboureurs qui empilrent le dixime de leurs rcoltes au bout d'un champ1 et mettant un croix dessus y laissrent pourrir la dme du ,seigneur4 ,ceci dura peu4 ,en voyant que la foudre ne frappait ni la cave1 ni le cellier de leur voisins moins scrupuleux2 que la sant de ceux-ci n'tait pas pour cela moins florissante1 ni leur rcoltes moins riches1 ni leur btail plus maigre1 ils se ravisrent4 ,par le temps qui court1 mon cher ,f4441 si l'on vous a sali l'habit de quelqu'un de ces brimborions qu'on appele commanderies de ,saint-,jacques1 du ,christ1 ou d'autres1 je ne vous conseille pas d'aller recueillir les pieux dpts sur les terres qui payaient des dmes votre ordre4 ,hls6 vous retourneriez les mains vides2 car l'abomination de la dsolation s'est niche dans tous les coins de ce royaume1 et l'on n'y pense plus l'engraissement des commandeurs4 ,maintenant1 pour vous consoler1 prenons les revenus de la couronne1 les ,direitos ,reaes1 comme on les appelait1 par antiphrase1 je pense4 ,c'tait quelque chose de plus absurde encore que la dme4 ,imaginez-vous toutes les exactions1 tout ce que la rapacit fiscale du moyen-ge1 tout ce que son ignorance des principes conomiques avaient invente pour frapper la proprit territoriale1 pour pressurer le travail1 pour se faire une part magnifique dans les profits commerciaux1 et vous saurez ce que signifiaient avant #ahcb ces mots de ,biens de la ,couronne1 de ,droits ,royaux1 de ,contributions des ,foraes1 que vous aurez entendus bourdonner vos oreilles dans les conversations1 et que vous aurez lus dans les journaux1 o il faut quelquefois en parler1 car au bout de quatorze ans on a rtabli ce qu'il tait possible de rtablir de toutes ces absurdits-l4 ,les ,biens de la ,couronne1 ou ,droits ,royaux1 choses identiques en fait et en droit1 se composaient des biens-fonds1 qui taient censs appartenir intgralement l'tat2 des droits sur des fermes1 possdes bail emphytotique1 ou grves de cens trs lourds1 comme1 par exemple1 le quart du produit brut1 impos sur les terres 7reguengos7 que par une fiction historique et lgale on supposait avoir t destines1 l'occasion de la conqute du pays sur les maures1 l'apanage du roi2 des anciens octrois des villes2 des amendes pour les dlits2 des mille sources1 enfin1 de revenu de notre vieux systme d'impts1 analogue celui des autres contres de l',europe pendant le moyen-ge4 ,toutes ces exactions1 presque innombrables dans ses varits aux noms barbares1 jetes ingalement sur le pays1 frappant aveuglement sa vie conomique1 formaient un joli pt propre allumer l'apptit de tous les ,falstaffs1 de tous les ,hudibras du bon vieux temps d'allonger sournoisement le bras1 et de mettre sans bruit la main sur l'apptissant pt1 et de ler percer du bout de l'ongle1 et de tirer soi quelques miettes1 et d'y retourner1 et d'y engouffrer tous les doigts1 et de tirer de nouveau soi1 et de rpter ce mange jusqu' ce qu'il ne restt que quelques morceaux de crote brule4 ,ces messieurs qui faisaient ce beau travail s'appelaient nobles1 s'appelaient vques1 s'appelaient abbs1 s'appelaient juges1 s'appelaient serviteurs du roi4 ,aussi le roi tait-il cens distribuer tout ceci ces braves gens3 on l'crivait du moins sur des parchemins1 aux quels on apposait le sceau royal4 ,on trouva un mot lastique1 inpuisable1 pour expliquer ces parchemins3--les services4 ,il est vrai qu'on payait des soldes aux nobles pour se battre 7le peuple se battait gratis71 des dmes ou du moins des subventions aux prtres pour dire des messes et chanter des oremus1 des appointemens aux juges pour faire pendre les assassins et les voleurs 7de grand-chemin71 des honoraires aux serviteurs du roi pour ne rien faire2 mais les services se dressaient toujours insatiables1 impayables4 ,ils s'attachaient aux gnrations comme la chemise de ,nessus la peau d',hercule4 ,les ,droits ,royaux taient partout1 except aux mains du roi4 ,la royaut tait devenue mendiante4 ,en consquence elle tendit la main aux communes pour attraper quelque argent3 les communes temptrent4 ,on les apaisa par de belles paroles3 on fit1 mme1 une loi qui semblait rendre chose prissable ces rcompenses ternelles3 les communes payrent4 ,on mangea ce qu'elles avaient donn et on leur demanda de nouveaux subsides4 ,nouvelles criailleries3 nouvelles promesses3 nouvelles concessions de la bourgeoisie4 ,on vcut ainsi pendant de longues annes4 ,au milieu de tout ce brouhaha1 on tablit peu peu un autre systme de finances bas sur des impots gnraux1 tant directs qu'indirects4 ,c'eut t un vritable progrs1 si l'on en eut fini en mme temps avec les anciennes redevances des hameaux et des villes4 ,on n'en fit rien3 les gens aux services ne voulaient pas dmordre4 ,mesires ,hudibras et ,falstaff veillaient l'honneur de la noblesse1 ses prrogatives4 ,comme le peuple1 cet enfant dentition ternelle1 pleurnichait toujours et quelquefois criait1 on oublia peu peu de convoquer les tats ,gnraux 7,cortes7 et tout fut dit4 ,on prouva que la fable de l'ne1 qui ne se souciait gure de choisir entre deux matres1 car1 disait l'ne1 il ne porterait jamais deux bts1 n'tait au fond qu'une nerie4 ,le peuple les porta tous les deux jusqu' nos jours sans se plaindre4 ,il tait dument baillonn et bt1 et on le disait tranquille4 ,or ,mousinho savait tout cela2 un peu confusement1 la vrit2 mais il le savait4 ,c'tait pour lui chose incomprehensible que l'immutabilit1 l'ternit1 l'infini des rcompenses pour des services trs contestables4 ,en revanche1 il comprenait trs bien qu'il serait absolument impossible de relever l'agriculture du pays1 languissante1 arrire1 misrable1 tant que dans la cour de chaque ferme1 dans d'aire de chaque champ1 sur le seuil de chaque cave on verrait les agens du commandeur ou de l'vque1 du chapitre ou de l'abb1 du donatario ou de l'alcaide-mor demandant1 l'un la dme1 l'autre le quart1 l'autre le huitime du rendement total des crales1 du vin1 du lin1 de l'huile1 de presque tous les produits de la terre2--tant qu'on verrait lesdits agens1 supputant ici combien de charretes de mas le laboureur devait1 en vertu d'un foral d',alphonse ,i1 un gros monsieur jouflu1 joyeux compagnon1 illustre fainant1 issu de nobles aieux1 mais qui certainement n'avait pas hrit la couronne dudit ,alphonse ,i2 l dnombrant une kirielle de redevances1 aux noms htroclites et barbares1 exigibles du hameau ou de la ferme2 tant qu'on verrait encore1 quand le pauvre cultivateur tombait puis1 le cosur navr de douleur1 sur les restes du fruit de son travail1 venir l'exacteur fiscal lui demander1 au nom du roi vivant1 des nouveaux diximes1 et d'autres impts dont tait redevable tout ce qui ne lui avait pas t enlev au nom des rois morts4 ,ce spectacle soulevait aussi la colre de ,mousinho4 ,domin par l'indignation1 il ne savait plus se contenir4 ,d'un coup de poing il fit voler en clats la vieille machine pressurer les laboureurs4 ,les droits royaux s'en allrent4 ,tous ceux qu'y vivaient attachs1 comme les huitres aux roches crevasses de la mer1 tombrent ventre terre en criant3 au voletir6 ,sa colre passe1 ,mousinho se contenta de rpondre3 ,prenez garde1 messieurs1 que ce ne soit votre cho4 ,et il passa outre3 car il tait press1 le terrible dmolisseur4 ,,iii ,il serait trop long1 et presque impossible dans une lettre1 de vous exposer en dtail la porte de toutes les mesures du cabinet ,mousinho1 ou de vous faire connatre tous les vieux abus qu'elles dracinrent1 abus puissans1 devant lesquels avaient jusqu' alors trembl les rvolutionnaires aux grands mots et aux petites oeuvres des deux poques librales de #ahbj et de #ahbf1 et que quelques esprits chagrins opposent encore comme des beauts administratives aux sottises qu'on a faites depuis1 et que je suis loin de nier4 ,vous aurez entendu1 par exemple1 vanter l'ancienne organisation militaire du ,portugal4 ,c'est qu'il y a des gens1 qui oublient vite4 ,cette organisation n'aurait en rien empch l'anantissement de notre indpendance1 si la politique gnrale de l',europe n'eut t intresse la soutenir4 ,il y avait1 sans doute1 quelque chose de bon dans l'ide de l'institution des milicias et des ordenanas1 mais pas assez dans le fait pour compenser les maux qui dcoulaient de cette organisation militaire1 dont l'treinte embrassait toute la population mle du pays4 ,se je vous faisais la description de ce que c'tait un capito-mor1 c'est dire le chef militaire de la troisime ligne dans chaque localit1 vous en frmiriez4 ,dans ses mains existaient mille moyens d'opprimer une population de soldats1 soldats pour souffrir des avanies1 et pour acheter le repos par des prsens1 par des services indus1 par le des honneur mme2 mais non soldats pour se battre1 car ils n'taient arms que de piques et ne recevaient aucune instruction militaire srieuse4 ,les capites-mores taierit des pachas turcs1 devant lesquels les villageois tremblaient4 ,c'tait l'oppression journalire organise partout2 c'tait un phantme menaant qui se dressait matin et soir au seuil de chaque porte1 sur le toit de chaque famille4 ,figurez-vous maintenant si tous ces donatarios da cora1 ces commandeurs1 ces alcaides-mores1 ces capites-mores1 ces opulens vques1 ces gros chanoines1 ces abbs puissans1 qui tous1 plus ou moins1 tenaient leurs richesses du bon plaisir du roi1 c'est--dire de ses ministres1 ne prchaient point partout une obissance sans bornes aux volonts royales2 s'ils ne mettaient pas en usage toutes leurs ressources matrielles et morales pour empcher de crier ceux qui pouvaient en avoir envie4 ,ils eussent support toutes les injustices1 toutes les tyrannies1 la honte et le deshonneur1 plutt que de perdre les gros bnfices de ces vieilles exactions1 qu'on leur gardait et que le gouvernement pouvait leur ter d'un jour l'autre sans sortir de la lgalit4 ,imaginez quelles tendances de basse servitude on devait imprimer aux populations2 comme les ides de dignit morale1 de libert1 de justice1 devaient tre journellement calomnies1 mprises1 conspues4 ,une anecdote curieuse vous fera comprendre dans quelle fange on tait tomb quand on arriva au milieu du dix-huitime sicle4 ,pendant l'interrogatoire des nobles qui tentrent d'assassiner le roi ,joseph1 quand le tour du duc d',aveiro fut venu1 craignant les tortures de la question1 il avoua que la cause du crime tait la vengeance des ,tavoras contre le roi1 qui avait dshonor leur famille4 ,les juges restrerit bahis3 cela passait leur croyance4 ,ils firent observer au prvenu que ce motif tait absurde1 monstrueux1 impossible2 parce que1 disaient-ils1 dans ce cas1 la tradition1 le principe1 le droit serait de se laisser dshonorer humblement1 ou tout au plus d'abandoner le pays sans souffler un mot sur les royales fredaines4 ,c'est1 peut-tre1 la partie la plus horrible de cet horrible procs4 ,cela peint cette poque de dcadence morale1 pire cent fois que le relchement actuel1 et dont le retour est maintenant devenu impossible2 car1 du moins1 les agens de la pression gouvernementale1 les agens de l'ordre 7mot1 qui1 selon ,mr4 ,guizot1 est le prtexte de toutes les tyrannies7 ne sont plus en rgle les riches1 les nobles1 les hommes d'influence morale1 mais de pauvres diables1 mal retribus1 obscurs1 qui maintes fois pressurent le peuple1 mais qui ne se frottent pas volontiers la richesse1 l'intelligence1 au courage civil du citoyen qui connait son droit1 et surtout la presse4 ,voil le bon vieux temps1 que vous aurez entendu vanter des gens qui se tiennent pour senss et qui vous auront gravement dbite un millier de billeveses sur l'imprudence des rformes de ,d4 ,pedro1 sur les ruines qu'on a amonceles1 sur les moyens de gouvernement qu'on a dtruits4 ,tout ceci est souverainement bte2 mais qu'importe8 ,on fait le prudent1 on fait le capable1 on fait l'homme d'tat bon march4 ,et les badauds d'admirer et d'applaudir4 ,dieu en soit lou6 ,entendons-nous1 mon cher ,f444 ,je ne regarde point notre organisation actuelle comme un type de perfection4 ,loin de l4 ,mon dfaut n'est point de m'extasier devant les hommes ni devant les choses de notre temps4 ,personne ne dteste plus cordialement que moi la manie qui nous possde d'imiter la ,france dans toutes ses ides de gouvernement1 et dans toutes ses institutions4 ,je dplore profondement cette abdication honteuse de la raison nationale4 ,rien de plus contraire1 je ne dis pas seulement l'autonomie portugaise1 je dis aussi l'autonomie pninsulaire1 que cette espce d'absolutisme hypocrite1 affubl du manteau libral1 qu'on appelle centralisation1 que les csars sans-culottes de votre premire rvolution ont lgu au csar la couronne de fer appel ,buonaparte1 et qu'il a perfectionn l'usage de son despotisme-moustache1 pour le lguer1 ensuite1 la restauration1 et1 ce qu'il semble1 toutes les restaurations1 et rvolutions1 et rpubliques1 et monarchies1 et empres1 que vous avez faits et que vous avez dfaits2 que vous ferez et que vous dferez jusqu' la consommation des sicles4 a peut vous convenir3 mais a ne nous va pas4 ,j'aime le pass de mon pays1 et ses traditions primitives4 ,je lui dsire une manire d'tre logique avec ses origines1 parce que dans les formules sociales de chaque nation son berceau tout vient naturellement2 les institutions dcoulent des instincts de libert inns dans le coeur de l'homme1 de ses besoins matriels et moraux1 que la force alors mprise et qu'elle rduit quelquefois au silence1 mais que personne ne songe sophistiquer4 ,il y a1 cette poque de la vie des peuples1 beaucoup de choses incompltes1 barbares2 il y a beaucoup d'absurdits de dtail2 mais1 passez moi le mot1 la charpente de la socit n'est jamais absurde4 ,ces poques son en gnral trop grossires pour avoir des lgislateurs songe-creux1 des faiseurs de systmes1 des jurisconsultes chargs d'embrouiller les usages simples du peuple4 ,je voudrais qu'on rattacht la libert moderne la libert antique4 ,j'aime les choses anciennes2 mais je n'aime pas les vieilleries4 ,de ce que je sais que1 en tudiant les institutions de notre moyen-ge on y dcouvre presque tous les principes de libert qu'on croit avoir dcouverts de nos jours2 de ce que je vois l des garanties plus rlles1 plus solides au fond que celles dont nous jouissons1 il ne s'ensuit point que je mconnaisse l'exprience des sicles1 les avantages de la civilisation et les vrits acquises aux sciences sociales4 ,puis1 quel passe cherche-t'on pour lapider le prsent et pour tuer l'avenir1 comme si l'on pouvait le tuer8 ,ce qu'on veut entourer des respects dus la tradition nationale1 ce qu'on oppose la corruption actuelle n'est que de la corruption vieillie1 laide1 puante1 quoique demi voile par l'ombre sainte des tombeaux1 dore par le soleil de milliers de jours3 car le soleil teint la tour lzarde et croulante l'gal de la pyramide compacte et ternelle4 ,je dfie1 qui que ce soit1 de me prouver que les institutions que ,mousinho a renverses aient exist avant le seizime sicle1 ou que1 dans le cas affirmatif1 elles soient arrives au commencement du dix-neuvime sans avoir t dnatures1 au point d'tre devenues compltement mconnaissables2 je le dfie de me prouver que cette epoque elles remplissaient en aucune faon leur destination primitive2 de me prouver1 enfin1 que ce qu'on appele des moyens de gouvernement tait autre chose que des moyens d'absolutisme4 ,y a-t-il une boutade de mauvaise humeur dans ce que je viens d'crire8 ,peut-tre4 ,mais notez bien ceci3 je ne fais point allusion ceux que des intrts cruellement blesss1 des affections froisses1 des croyances acceptes comme une religion pendant la jeunesse1 et qu'ils n'ont jamais discutes pendant l'ge mur1 attachent immuablement aux souvenirs d'un pass trop moderne4 ,je m'explique l'amour pre et colre avec lequel ils dfendent leur foi politique4 ,je comprends leur haine profonde contre toutes les ides de libert4 ,le malheur reserre les liens de nos affections1 parce que dans l'intensit mme de ces affections nous puisons du courage pour souffrir4 ,non1 je ne fais pas d'allusion ceux-ci3 la foi ne discute point1 ou si elle discute1 elle ne veut jamais savoir quels sont les faits1 ou ce que les faits prouvent3 elle ne les accepte1 que pour se prouver soi-mme3 autrement1 elle les rejette ou les oublie4 ,ce qui me blesse c'est de voir les capables du parti libral1 les soi-disants sages1 les hommes d'tat au petit-pied foudroyer de leur sourire ddaigneux ces deux gans qui dorment dans la tombe1 et qu'on appele ,mousinho et ,d4 ,pedro4 ,c'est chose curieuse que de les entendre1 amoncelant des tas de lieux communs pour nous prouver1 aux applaudissemens des sots1 que la dmolition de la vieille masure de l'absolutisme n'a t qu'une insigne folie4 ,puis ils vous analysent un article de telle loi qui n'est pas clair3 ils vous citent une ordonnance o il manque un paragraphe dont l'absence dpare l'ensemble2 ils s'apitoient sur l'imperfection du style et du langage1 sur le dsordre des ides et sur je ne sais plus quels dfauts1 qui pullulent dans les rapports et dans les textes des lois de ,mousinho4 ,c'est faire dresser les cheveux sur la tte4 ,aprs ces graves considrations1 on conclut que tout a ne vaut rien4 ,c'tait un vrai botien que ce pauvre ,mousinho6 ,sont-ils pas savans ces messieurs8 ,quelle piti6 ,il faut le rpter3 je ne vante pas le peu d'organisation positive qu'on trouve dans l'oeuvre de la dictature de ,d4 ,pedro2 pas plus que ce qu'on a fait aprs elle4 ,ce que je vante c'est la dmolition1 car la dmolition tait la liberte1 tait le progrs1 tait la suret des nouvelles institutions politiques1 et partant tait virtuellement la possibilit d'une bonne organisation pour l'avenir4 ,si ,mousinho eut gard le pouvoir plus longtemps1 son gnie aurait compris que ce n'tait pas avec des imitations batardes des institutions et des lois trangres qu'on pouvait rajeunir ce peuple rappel la vie4 ,il aurait compris qu'il fallait tudier ses origines1 ses moeurs1 ses habitudes1 ses institutions civiles1 ses conditions conomiques1 ses traditions lgitimes1 et modifier tout cela1 mais seulement modifier1 par les vrits acquises irrvocablement aux sciences sociales1 non parce qu'elles sont ou ne sont pas acceptes en ,france ou en ,angleterre1 mais parce qu'elles sont des vrits incontestables4 ,il n'a pas eu le temps de faire ceci4 ,les vieux libraux la cravate blanche1 vieillerie qu'on avait oubli de dmolir1 frappaient en foule la porte du ministre1 presss qu'ils taient de jouir du pouvoir4 ,homme suprieur1 il ne savait point se cramponner un buffet de ministre1 ou attacher son bonheur aux cartons d'un portefeuille4 ,il sortit1 et ce fut pour ne jamais rentrer4 ,les liliputiens politiques craignaient1 en marchant ct de lui1 que par mgarde il ne les crast sous son pied4 ,on pouvait le calomnier2 on pouvait le perscuter2 on fit mieux3 on l'oublia1 et il disparut dans l'obscurit4 ,on dit qu' son heure dernire ,mousinho se souvint de ce qu'il avait fait pour le salut de son pays1 et que1 comme ,cames1 il mourut avec la conviction de sa gloire4 ,il avait raison3 nous pouvons l'oublier2 mais l'histoire ne l'oubliera pas4 ,,carta ,,aos ,,eleitores ,,do ,,circulo ,,de ,,cintra #aheh ,senhores eleitores do circulo eleitoral de ,cintra4--,acabaes de me dar uma demonstrao de confiana1 escolhendo-me para vosso procurador no parlamento3 sinto que me no seja permittido acceit-la4 ,se tal escolha no foi um daquellas inspiraes que vem ao mesmo tempo ao espirito do grande nmero1 o que altamente improvavel1 porque o meu nome deve ser desconhecido para muitos de vs2 se alguem1 se pessoas preponderantes nesse circulo1 pelo conceito que vos merecem1 vos apresentaram a minha candidatura1 andaram menos pr,udentemente1 fazendo-o sem me consultarem1 e promovendo uma eleio nutil4 ,ha annos que os eleitores de um circulo da ,beira1 na sua muita benevolencia para comigo1 pretenderam fazer-me a honra que me fizestes agora4 ,um delles1 um dos mais nobres1 mais puros e mais intelligentes caracteres dos muitos que conheo1 sumidos1 esquecidos1 nessa vasta granja da capital chamada--as provincias1 encarregou-se de vir a ,lisboa consultar-me4 ,respondi-lhe como a consciencia me disse que lhe devia responder1 e o meu nome foi posto de parte4 ,de ,cintra a ,lisboa mais perto1 e a communicao mais facil1 do que dos remotos e quasi impervios sertes da ,beira4 ,duas vezes nos comicios populares1 muitas na imprensa tenho manifestado a minha intima convico de que nenhum circulo eleitoral deve escolher para seu representante individuo que lhe no pertena2 que por larga experiencia no tenha conhecido as suas necessidades e miserias1 os seus recursos e esperanas2 que no tenha com os que o elegerem communidade de interesses1 interesses que variam1 que se modificam1 e at se contradizem1 de provincia para provincia1 de districto para districto1 e s vezes de concelho para concelho4 ,esta doutrina1 postoque tenha vantagens no presente1 reputo-a sobretudo importante pelo seu alcance1 pelos seus resultados em relao ao futuro4 1 no meu modo de ver1 o ponto de ,archimedes1 um fulcro de alavanca1 dado o qual1 as geraes que vierem depois de ns podero lanar a sociedade n'um molde mais portugus e mais sensato do que o actual1 inutilisando as copias1 ao mesmo tempo servis e bastardas1 de instituies perigrinas1 que em meio seculo tem dado sobejas provas na sua terra natal do que podem e do que valem para manterem a paz e a ordem publicas1 e mais que tudo uma honesta liberdade4 ,durante meses1 no decurso de dous annos1 tive de vagar pelos districtos centraes e septemtrionaes do reino4 ,pude ento observar amplamente quantas miserias1 quanto abandono1 quantos vexames pesam sobre os habitantes das provincias1 principalmente dos districtos ruraes1 como o vosso1 que constituem a grande maioria do paiz4 ,vi com dor e tristeza definhados e moribundos os restos das instituies municipaes que o absolutismo nos deixara3 vi com indignao essas solemnes mentiras a que impiamente chammos a agricultura1 a verdadeira industria de ,portugal1 lidando inutilmente por desenvolver-se no meio da insufficiencia dos seus recursos2 vi1 em resultado dos erros economicos que pullulam na nossa legislao1 a m organisao da propriedade territorial e a desigualdade espantosa na distribuio das populaes ruraes1 procedida da mesma origem1 e dando-nos ao sul do reino uma imagem das solides sertanejas das ,america1 e ao norte uma ,irlanda em perspectiva3 vi a injusta repartio e a peior applicao dos tributos e encargos3 vi a falta de segurana pessoa e real1 especialmente nos campos1 onde o homem obrigado a confiar s em si e em ,deus para a obter3 vi um systema administrativo mu por si e pessimo em relao a ,portugal1 com uma jerarchia de funccionarios e uma distribuio de funces que tornam remotas1 complicadas1 gravosas1 e at impossiveis1 a administrao e a justia para as classes populares1 e incommodas e espoliadoras para as altas classes3 vi1 sobretudo1 a falta da vida pblica1 a concentrao do homem na vida individual e de familia1 que ao mesmo tempo causa e effeito da decadencia dos povos que se dizem livres3 vi todos esperarem e temerem tudo do governo central2 confiarem nelle1 como se fosse a ,providencia2 maldizerem-no1 como se fosse o principio mu3 idas completamente falsas1 postoque bem desculpaveis num paiz de centralisao2 idas que significam uma abdicao tremenda da consciencia de cidado1 e da actividade humana1 e que so o symptoma infallivel de que os males pblicos procedem1 no da vontade deste ou daquelle individuo1 da indole particular desta ou daquella instituio1 mas sim do estado moral da sociedade e da indole em geral da sua organisao4 ,e isto que vi perspicuamente1 apesar de uma observao transitoria1 vem-no todos os dias1 palpam-no1 e1 o que mais 1 padecem-no centenares de homens honestos e intelligentes que vivem obscuramente por essas villas e aldeias de ,portugal4 ,como os seus vizinhos1 elles so victimas da nossa absurda organisao2 disso a que por antiphrase chamamos administrao e governo4 entre taes homens que os circulos deveriam escolher os seus representantes3 entre elles que os escolhero por certo no dia em que comprehenderem que o direito eleitoral uma espada de dous gumes com que os cidados esto armados para se defenderem a si e a seus filhos1 mas com que tambem podem assassinar-se e assissin-los4 ,foi o que disse a todos aquelles1 e no foram poucos1 que durante a minha peregrinao pareceram confiar1 seno no valor das minhas opinies1 ao menos na sinceridade d'ellas4 ,interrogado cerca do lenitivo que suppunha possivel para os males que presenciava1 indiquei sempre1 no como remedio definitivo1 mas como preparao para elle1 como instrumentos de uma reforma futura1 a eleio exclusivamente local e os esforos constantes para obter1 contra o interesse das faces1 dos partidos e dos governos1 a reduco dos grandes circulos a circulos de eleio singular1 que um dia possam servir restaurao da vida municipal1 da expresso verdadeira da vida publica do paiz1 e de garantia da descentralisao administrativa1 como a descentralisao administrativa a garantia da liberdade real4 ,fortes tendencias para a eleio da localidade se manifestam j por muitas partes1 e os governos e as parcialidades vem-se constrangidos a transigir com esse instincto salvador4 ,se no me licito gloriar-me de ter contribuido para elle se desenvolver1 ser-me-ha licito1 ao menos1 applaudi-lo4 o primeiro passo dado no caminho do verdadeiro progresso social3 cumpre no recuar4 ,mas1 pensando assim1 como poderia eu1 sem desmentir a minha consciencia e as minhas palavras2 sem trahir a verdade1 sem vos trahir a vs proprios1 acceitar em silencio o vosso mandato8 honroso merecer a confiana dos nossos concidados1 mas mais honroso viver e morrer honrado4 ,no haver no meio de vs um proprietario1 um lavrador1 um advogado1 um commerciante1 qualquer individuo1 que1 ligado comvosco por interesses e padecimentos communs1 tenha pensado na soluo das questes sociaes1 administrativas e economicas que vos importam2 um homem de cuja probidade e bom juizo o tracto de muitos annos vos tenha certificado8 ,ha1 sem dvida4 ,porque1 pois1 no haveis de escolh-lo para vosso mandatario8 ,os que no vem como eu nesta ida da representao exclusivamente local o primeiro lo de uma cadeia de transformaes1 que sero ao mesmo tempo administrativas e politicas1 podem1 sem desdouro1 no s acceitar1 mas at sollicitar os vossos votos4 ,ninguem deve afferir os seus actos livres seno pelas proprias opinies1 pelas doutrinas que tem propugnado4 ,afferir pelas minhas idas o meu proceder o que unicamente fao4 ,recusando o vosso favor1 nem por isso vo-lo agradeo menos2 e a prova que vo-lo retribuo com estes conselhos1 que no sero bons1 mas que evidentemente so desinteressados4 ,da confiana que mostrastes ter em mim deriva o meu direito a dar-vo-los4 ,aconselho-vos1 como acabaes de ver1 uma cousa para a qual os estadistas de profisso olham com supremo desprezo1 a eleio de campanario1 s a eleio de campanario1 a eleio de campanario1 permitti-me a expresso1 at a ferocidade4 ,no sei se podereis soffrer o affrontoso ridiculo que anda associado doutrina que vos inculco4 ,eu posso4 ,em mim este alto esforo o habito que resulta do longo tracto4 ,a aguda e graciosa invectiva de deputado de campanario tem cs veneraveis4 ,conheo-a ha muitos annos4 ,alm dos ,pyrenos andava j em servio dos ambiciosos1 dos officiaes de politica ha bem meio seculo4 ,os nossos politicos encartados traduziram-na para seu uso4 que1 assim como traduzem leis1 traduzem o mais1 postoque1 se me licito diz-lo1 o faam mal1 muito mal1 de ordinario4 ,indubitavelmente este paiz trasborda de homens grandes1 de profundos estadistas4 ,aqui o estadista nasce1 como nasce o poeta3 precede a escla3 dispensa-a1 at4 ,sou o primeiro em confess-lo4 ,e a paixo dos homens grandes1 dos profundos estadistas1 a salvao da patria3 a sua vocao1 o seu destino1 a sua suprema felicidade4 ,esses vares illustres pertencem1 porm1 ao paiz3 do paiz que devem ser deputados4 ,entendem-no elles assim1 e parece-me que entendem bem4 ,em tal caso1 eleja-os o paiz4 ,quando algum vos mendigar de porta em porta1 e com o chapu na mo1 os vossos votos1 respondei-lhe1 como os eleitores dos diversos circulos do reino lhe responderiam1 se o so juizo fosse uma cousa desmesuradamente vulgar3 ,somos uma pobre gente1 que apenas conhecmos as nossas necessidades1 e quermos por mandatario quem tambem as conhea e que n'ellas tenha parte2 quem seja verdadeiro interprete dos nossos desejos1 das nossas esperanas1 dos nossos aggravos4 ,se os deputados dos outros circulos procederem de uma escolha analoga1 entendemos que as opinies triumphantes no parlamento representaro a satisfao dos desejos1 o complemento das esperanas1 a reparao dos aggravos da verdadeira maioria nacional1 sem que isto obste a que se attenda aos interesses da minoria1 que ahi se acharo representados e defendidos como se representa e defende uma causa propria4 ,na vulgaridade da nossa intelligencia1 custa-nos a abandonar as supersties do nossos pes3 cremos ainda na arithmetica1 e que o paiz no seno a somma das localidades4 ,homem do absoluto1 das vastas concepes1 se a vossa abnegao chega ao ponto de sollicitar a deputao do campanario1 fazei com que vos elejam aquelles que vos conhecem de perto1 que podem apreciar as vossas virtudes1 o vosso caracter4 ,certamente vs habitaes n'alguma parte4 ,se no quereis abater-vos tanto1 arredae-vos da sombra do nosso presbyterio1 que offusca o brilho do vosso grande nome4 ,sde1 como razo que sejaes1 deputado do paiz4 ,no temos para vos dar seno um mandato de campanario4 ,a resposta dos eleitores aos estadistas parece-me que deveria ser esta4 ,a eleio de campanario o symptoma e o preambulo de uma reaco descentralisadora1 a descentralisao a condio impreterivel da administrao do paiz pelo paiz1 e a administrao do paiz pelo paiz a realisao material1 palpavel1 effectiva da liberdade na sua plenitude1 sem anarchia1 sem revolues1 de que no vem quasi nunca seno mal4 ,para obter este resultado1 necessario comear pelo principio2 necessario que a vida pblica renasa4 ,na verdade1 a doutrina de que o excesso de aco administrativa1 hoje acumulada1 deve derivar em grande parte do centro para a circumferencia repugna aos partidos1 e irrita-os4 ,sei isso1 e sei porque4 ,os partidos1 sejam quaes forem as suas opinies ou seus interesses1 ganham sempre com a centralisao4 ,se no lhes d maior numero de probabilidades de vencimento nas luctas do poder1 concentra-as n'um ponto1 simplifica-as1 e obtido o poder1 a centralisao o grande meio de o conservarem4 ,nunca esperem dos partidos essas tendencias4 ,sera o suicidio4 ,d'ahi vem a sua incompetencia1 a nenhuma auctoridade do seu voto n'esta materia4 preciso que o paiz da realidade1 o paiz dos casaes1 das aldeias1 das villas1 das cidades1 das provincias acabe com o paiz nominal1 inventado nas secretaras1 nos quarteis1 nos clubs1 nos jornaes1 e constituido pelas diversas camadas do funccionalismo que 1 e do funccionalismo que quer e que ha de ser4 ,a centralisao tem ido at as saturnaes4 ,a jerarchia administrativa chegou j1 por exemplo1 a arrogar-se o direito de declarar suspensas ou em vigor as leis civs e criminaes do reino e a aco dos tribunaes4 ,lde o artigo #ceg4o do codigo administrativo e estudae a sua jurisprudencia1 que haveis de ficar edificados4 ,vde se algum governo1 se algum grande estadista1 sado de qualquer parte1 props a sua revogao4 ,no o espereis jmais4 ,o poder que pela immunidade do funccionario criminoso1 que pelo monopolio na distribuio de todas as funces retribuidas1 que pela monstruosa inveno do contencioso administrativo1 que pelas mais ou menos disfaradas dictaduras1 cuja necessidade elle mesmo cria1 que por mil concesses arrancadas fraqueza ou condescendencia parlamentar1 acha grandes facilidades para penetrar na esphera dos outros poderes1 deve ir longe na propria esphera4 ,e vai4 ,quereis encontrar o governo central8 ,do bero cova encontrae-lo por todas as phases da vossa vida1 raramente para vos proteger1 de continuo para vos incommodar4 ,nada1 a bem dizer1 se mover na vida collectiva do povo1 que no venha de cima o impulso1 ou que pelo menos o governo se no associe a esse impulso4 ,entrae1 por exemplo1 no presbyterio da primeira aldeia que topardes4 ,vereis ahi um homem enchendo a pia da agua benta1 apagando ou accendendo as vlas1 arrumando os cereaes4 o governo central4 ,o sacristo1 exornado com o titulo pomposo de thesoureiro1 seu funccionario2 a mo delle estendida at o gaveto das vestimentas4 ,esse personagem tem carta pela secretaria de estado4 ,isto impossivel que seja racional1 sensato4 ,essa immensa tutela de milhes de homens por seis ou sete homens forosamente absurda4 ,deve haver um dia em que a sociedade1 como os individuos1 chegue maioridade4 ,no receeis que a descentralisao seja a disgregao4 ,o governo central ha de e deve ter sempre uma aco poderosa na administrao pblica2 ha de e deve cingi-la2 mas cumpre restringir-lhe a esphera dentro de justos limites1 e os seus justos limites so aquelles em que a razo pblica e as demonstraes da experiencia provarem que a sua aco inevitavel4 ,o ambito desta no deve dilatar-se mais4 ,a centralisao1 na cpia portuguesa1 como hoje existe e como a soffremos1 o fidei-commisso legado pelo absolutismo aos governos representativos1 mas enriquecido1 exaggerado2 1 desculpae-me a phrase1 o absolutismo liberal4 ,a differena est nisto3 d'antes os fructos que d o predominio da centalisao suppunha-se colh-los um homem chamado rei3 hoje colhem-nos seis ou sete homens chamados ministros4 ,d'antes os cortezos repartiam entre si esses fructos1 e diziam ao rei que tudo era d'elle e para elle3 hoje os ministros reservam-nos para si ou distribuem-nos pelos que lhes servem de voz1 de braos1 de mos2 pelo partido que os defende1 e dizem depois que tudo do paiz1 pelo paiz1 e para o paiz4 ,e no mentem4 ,o paiz de que falam o seu paiz nominal2 a sua clientella1 o seu funccionalismo2 o proprio governo2 a traduco moderna da phrase de ,luiz ,,xiv l'tat c'est moi1 menos a sinceridade4 ,no accuso alguem em particular2 descrevo um facto geral2 no sirvo1 nem combato nenhum partido3 pago-vos com a franqueza um pouco rude da minha linguagem a vossa benevolencia4 ,se accusasse1 accusava-me tambem a mim1 e talvez a vs4 ,ninguem est acima das paixes1 dos preconceitos1 das frmulas1 da indole da sua pocha4 ,nem sequer1 e muito 1 os estadistas o esto1 se me concedido avaliar essas altas capacidades4 ,a carne fraca4 ,sejam quaes forem as nossas aspiraes1 as nossas theorias1 e se quizerem1 os nossos sonhos quanto ao futuro1 vivemos no presente1 e quando no nos abstemos da politica1 enfileiramo-nos nos partidos1 s vezes1 at1 sem o querermos1 sem o sabermos4 ,como tive a honra de vos fazer notar1 a questo da liberdade na sua plenitude e na sua existencia real est fra1 ou antes1 acima dos partidos4 ,se1 conforme creio1 a eleio na qual quizestes que eu tivesse uma parte honorifica manifesta as vossas propenses para manter o ministerio actual1 no se deduz do que vos digo a necessidade de mostrar propenses contrarias4 ,por ora no se tracta seno de adoptar um principio1 uma regra1 cujas consequencias verdadeiramente importantes viro mais tarde4 ,no importa1 em relao a essas consequencias1 que escolhaes n'este ou n'aquelle partido3 o que importa que escolhaes d'entre vs2 o que importa que os circulos ruraes no obriguem algum homem grande a consummir dez minutos em procurar no mappa do reino a situao relativa do districto que representa1 e muitas horas em soletrar os nomes romanos1 gothicos1 mouriscos1 barbaros1 que n'esse mappa designam rios1 montes1 logarejos1 aldeias1 freguezias1 concelhos1 em que nunca ouviu falar4 ,pelos recostos das vossas pintorescas montanhas1 pelos vossos valles frondosos1 pelas quintas e granjas mais remotas1 no campo ou nas povoaes1 deve habitar algum amigo de ministerio que merea os vossos votos4 ,dae-lh'os1 se entendeis que os homens que esto no poder so menos mus do que os seus adversarios4 ,no me consentindo a brevidade do tempo e a urgencia de outras occupaes expr-vos todos os motivos por que dou tanta importancia doutrina eleitoral que submetto vossa considerao1 no tenho direito a insistir em que a sigaes com a inabalavel firmeza com que intimamente creio que a deverieis seguir4 ,n'essa hypothese1 se vos apresentarem candidaturas de individuos extranhos ao vosso circulo1 cujo caracter no possaes avaliar por vs mesmos1 consenti em que vos lembre um arbitrio para no serdes ludibriados4 ,consultae aquelles que pessoalmente os conhecerem1 mas s aquelles1 que1 pagando tributos1 e no disfructando-os1 viverem no meio de vs ha longos annos do producto do seu trabalho ou da sua propriedade1 e que gosarem de solida reputao de intelligencia e de probidade4 ,como homens de bem1 e como tendo interesses analogos aos vossos e confundidos com os vossos1 elles no podem enganar-vos4 ,escolhei o que elles escolherem2 regeitae o que elles regeitarem4 ,vena qual partido vencer1 tereis ao menos um procurador honesto2 porque todos os partidos tem no seu seio gente honrada4 ,escusado dizer-vos o que n'isso haveis de ganhar4 ,depois1 quando alguem1 que accidentalmente se ache no meio de vs1 sem casa1 sem bens1 sem familia1 sem industria destinada a augmentar com vantagem propria a riqueza commum1 e s porque o seu talher na mesa do tributo ficou posto para esse lado1 se mostrar demasiado sollicito em nobilitar o vosso voto pela escolha de algum celebre estadista1 em que nunca talvez ouvistes falar1 ou em livrar-vos de elegerdes algum mu cidado1 cujas malfeitorias escutaes da sua bca pela primeira vez1 voltae-lhe as costas4 ,padre1 militar1 magistrado1 funccionario civil1 seja quem for1 esse homem que tanto se agita1 afflicto pela vossa honra eleitoral1 pelos vossos acertos ou desacertos politicos1 pde ser um partidario ardente e desinteressado2 mas mais provavel que seja um hypocrita1 um miseravel1 que j tenha na algibeira o preo do vosso ludibrio1 ou que1 por servios abjectos1 espere obter1 ou dos que so governo1 ou dos que querem fazer o immenso sacrificio de o serem1 a realisao de ambies que a consciencia lhe no legitima1 e cerca das quaes s podeis saber uma cousa3 que as haveis de pagar4 ,permitti-me1 senhores eleitores1 que termine esta carta1 j demasiado extensa1 reiterando-vos os protestos da minha gratido pela vossa bondade para comigo1 e assegurando-vos que1 se me fallece ambio para acceitar os vossos votos contradizendo as minhas opinies1 sobeja-me avareza para buscar no perder jmais um ceitil da vossa estima4 ,,manifesto ,,da ,,associa,o ,,popular ,,promotora ,,da ,,educa,o ,,do ,,sexo ,,feminino ,,ao ,,partido ,,liberal ,,portugu,s #aheh ,muitos cidados de ,lisboa pertencentes s diversas fraces do partido liberal1 movidos por um sentimento de perigo commum1 tendo-se congregado para deliberarem sobre o modo de obviar a esse perigo1 que reputam mais ou menos grave1 mais ou menos imminente1 mas indubitavel1 resolveram constituir uma associao1 que1 crescendo e dilatando-se pelo reino1 possa combat-lo com vantagem4 ,o lao principal d'esta associao consiste na unidade de idas1 e na unidade de esforos para annullar1 sem sair da estricta legalidade1 as tentativas de reaco anti-liberal1 cuja manifestao mais importante o empenho de transviar a educao popular1 entregando-a a congregaes religiosas1 no s estrangeiras1 mas tambem regidas por principios oppostos s instituies do estado4 ,a ,associao1 desejando firmar bem a sua bandeira1 e habilitar o paiz para a favorecer1 ou para a condemnar1 ordenou que em seu nome se publicasse o presente escripto1 onde amplamente se exposessem os motivos da sua existencia e o alvo em que pe a mira4 ,os acontecimentos de #ahdh1 que agitaram a ,europa1 deram origem a exaggeraes e desconcertos1 que1 ferindo no s os interesses ligados manuteno do passado1 o que pouco importava1 mas tambem1 o que era mais grave1 os interesses das numerosissimas classes que unicamente vem o progresso no lento e prudente desenvolvimento das idas e das instituies representativas1 produziram temores que1 podendo justificar-se a principio1 no tardaram a ultrapassar os limites do justo e a precipitar-se n'um systema de reaco1 que se confundiu com o dos partidos anterior e absolutamente adversos liberdade legitima e honesta1 procedimento no menos absurdo que o d'aquelles que se haviam declarado inimigos da sociedade4 ,no meio do estampido das revolues1 das peripecias dos thronos e das gentes1 das luctas e das desgraas publicas1 algumas naes1 ancoradas no porto das instituies liberaes1 e forcejando pacificamente por obterem o progresso pelos meios que subministra o governo parlamentar1 haviam-se abstido de se associarem ao movimento revolucionario da ,europa1 visto que disso no careciam para assegurar os seus destinos futuros4 ,tal fora a ,inglaterra1 a civilisadora do mundo1 esse paiz modelo1 essa terra da nobre raa anglo-saxonia1 defensora natural dos povos livres menos poderosos3 taes haviam sido ,portugal e a ,belgica4 ,outras1 por um accordo generoso entre o soberano e os subditos1 souberam tirar da grande agitao europa s as consequencias justas1 e vieram associar-se1 emfim1 pacificamente ao gremio das sociedades livres4 ,tal foi o ,piemonte1 to moderado nos dias prosperos1 como tinha sido nobre nos da adversidade1 e que a ,providencia collocou nos pendores dos ,alpes e dos ,apeninos como pharol e ultima esperana da ,italia4 ,ha annos que estas naes respondem triumphantemente com a eloquencia dos factos s accusaes da reaco contra a liberdade3 ha annos que apontam a povos que se reputavam mais allumiados do que ellas1 e que s sabemos terem sido ou mais imprudentes ou mais infelizes1 a lei moral do futuro1 as condies impreteriveis de vitalidade para as instituies representativas2 isto 1 a moderao e a firmeza4 ,foragidos de todos os paizes1 que no seio dellas tem vindo reclinar a cabea e respirar a atmosphera da liberdade1 voltando algum dia patria no esquecero as salutares lices que receberam1 e amestraro os menos experientes para no confundirem o desacato do direito com o direito1 a revolta com a resistencia legitima1 a licena com a liberdade4 ,protesto vivo contra a reaco1 a frma da existencia politica d'estas naes devia ser profundamente odiosa aos que sonham na restaurao do passado4 ,absorv-las1 affeio-las pelo proprio pensamento1 desmentir a sua muda linguagem1 era para a reaco um postulado importante4 ,na ,gr-,bretanha a empreza seria impossivel4 ,do mar das ,hebridas a canal da ,mancha1 a luz da liberdade que fulgura no cu da ,inglaterra demasiado intensa4 ,a reaco ficaria deslumbrada passando alm da penumbra do continente4 ,mas a ,gr-,bretanha1 physicamente insulada1 podia s-lo moralmente1 se lhe destruissem as affinidades continentaes que ainda conserva4 ,no ,piemonte a reaco apresentou-se audaz1 e a lucta foi renhida2 mas a firmeza moderada dos poderes constitucionaes tem bastado para a reprimir4 ,no evitou a ,belgica ser convertida em campo de batalha1 postoque o partido liberal alevantasse energicamente a luva que se lhe atirava s faces4 ,a prudencia1 porm1 de um monarcha verdadeiramente constitucional1 grande pelos dotes da intelligencia1 mas ainda maior pela sabedoria que d a longa experiencia1 impediu at agora que o fogo1 nem sempre latente1 se convertesse em assolador incendio4 ,portugal no podia fugir sorte commum4 ,ha annos que os annuncios da procella assomavam nos horisontes2 que nuvens fugitivas offuscavam os ares4 ,no faltou quem o advertisse2 mas a advertencia passou despercebida4 ,debalde em publicaes asss conhecidas se chamou a atteno do paiz para certas tendencias que se manifestavam3 debalde a imprensa periodica mais de uma vez as assignalou tambem4 ,foi necessario para o espirito publico despertar1 que essas tendencias assustadoras se convertessem em actos demasiado positivos e palpaveis1 e que1 com o pretexto de se crearem os meios de dirigir melhor a educao publica1 se fizesse uma grave injustia moralidade e intelligencia nacionaes1 introduzindo-se em ,portugal mestras estrangeiras1 pertencentes a uma corporao do sexo feminino1 que1 conservando a sua organisao actual1 incompativel com as leis e instituies do paiz4 ,deste despertar da atteno publica nasceu esta ,associao4 ,no foi o pensamento de um ou de alguns homens que a creou4 ,foi uma ida que brotara ao mesmo tempo no commum dos espiritos2 uma destas illuminaes subitas que o povo tem s vezes na hora dos grandes perigos4 ,o que se chama de ordinario o instincto do povo no seno um raciocinio2 mas raciocinio obvio1 simples1 claro1 accessivel a todos os entendimentos1 e irresistivel para a consciencia de todos4 ,a reaco ameaava a liberdade1 no s no presente1 mas tambem no futuro2 dava um dos passos mais importantes para a conquista1 seno da sociedade que 1 ao menos da sociedade que ha de ser4 ,e o partido liberal uniu-se e marchou ao encontro do inimigo no terreno em que elle lhe apresentava o combate4 ,de certo que nem todas as pessoas envolvidas nesta deploravel manifestao dos planos reaccionarios podem com justia ser taxadas de favorecerem de proposito deliberado os intentos da reaco4 ,no tendo provavelmente estudado a historia dos progressos desta na ,europa1 dos seus esforos e artificios1 dos seus triumphos e dos seus desastres nos ultimos trinta ou quarenta annos1 deixaram-se embar pela sua linguagem devota1 pelos seus ademanes modestos1 pelo seu apparente zlo da moral e da ordem publica4 ,ignoravam quantas vezes ella tem soltado rugidos de colera e de ameaa2 quantas vezes se tem trahido a si propria1 e revelado o seu intimo pensamento3 ignoravam como certos homens1 cujo caracter religioso e austero1 e cuja moderao de opinies politicas esto acima de qualquer suspeita1 tem julgado o partido cujas tendencias esta ,associao destinada a combater1 e que por toda a parte se manifestam principalmente no desvelado affinco com que esse partido procura apoderar-se dos animos feminis e de affeioar aos seus intuitos as geraes novas4 ,cremos que eram nobres e puras as intenes das pessoas sinceramente liberaes que1 sem o saberem1 sem o quererem1 ampararam com o seu nome1 com a sua bolsa1 e com a sua influencia o pensamento da reaco1 ou della se tornaram instrumentos4 ,mas nem a respeitabilidade do seu caracter as tornaria infalliveis1 ainda em materias nas quaes fossem mais competentes1 nem essa respeitabilidade pde obrigar-nos a submetter-lhes o nosso alvedrio1 a nossa intelligencia e a livre manifestao das proprias convices4 ,o nosso unico dever para com ellas uma justia indulgente2 no accusar as suas intenes1 que no o merecem1 nem reputar irremissivel o seu erro4 ,a essas pessoas s pediriamos1 quando certos resentimentos infundados chegassem a acalmar1 que reflectissem n'um phenomeno que tem diante dos olhos2 que1 digamos assim1 as rodeia por todos os lados1 e que de uma significao indubitabel e immensa4 ,depois de terem reflectido1 pedir-lhes-hiamos smente que seguissem1 no o que lhes dictasse o peior dos conselheiros1 o amor proprio offendido1 mas a voz intima de uma honesta consciencia4 ,existe em ,portugal um partido numeroso1 dirigido por homens intelligentes1 que ha vinte e cinco annos est organisado e disciplinado2 partido moralmente to legitimo como o partido liberal1 mas que professa francamente o seu amor exclusivo ao passado1 e cujos escriptores1 usando dos fros de cidados de um paiz livre1 affirmam ha vinte e cinco annos perante ,deus e o mundo o direito de o no serem1 ou1 para melhor dizer1 o direito de no se lhes tolerar que o sejam4 ,na grande questo agita o paiz1 e que ns cremos importar uma grave manifestao do pensamento reaccionario1 ninguem mais do que esse partido tem mostrado zlo ardente pela educao peregrina1 e por tanto lanado com mais violencia o stygma de incapacidade moral e intellectual sobre as pessoas do sexo feminino nascidas nesta terra que possam dedicar-se ao magisterio4 ,no symbolo daquelle partido1 uma adorao supersticiosa da nacionalidade figurara entre os seus artigos fundamentaes por vinte e cinco annos2 e quando1 no esta ou aquella mulher1 mas a mulher portuguesa1 em geral1 vilipendiada1 amaldicoada1 condemnada na sua capacidade moral e intellectual de me 7porque a educadora verdadeira me da infancia que lhe confiada71 esse partido apaga aquelle artigo fundamental do velho symbolo1 e sada a invaso estrangeira6 ,e no a sada s2 declara-a a tboa de salvao das novas geraes4 ,no acha que apoderarem-se de orphos adoptados pela patria seis mulheres e dous ou tres frades estrangeiros seja um facto insignificante ou indifferente4 que os homens eminentes desse partido tem estudado a historia4 ,no seio delle no ha uma voz que se alevante para protestar contra a suppresso da mais exaggerada sentena do seu credo2 no ha quem no marche alegremente ao combate4 ,no meio das profundas fileiras do lazarismo1 ou do jesuitismo1 ou do ultramontanismo1 ou como quizerem chamar-lhe1 os vultos liberaes apenas raramente se descortinam1 perdidos entre a multido dos combatentes que detestam a liberdade4 ,sera o partido que sempre se mostrou to leal1 to francamente e1 no duvidamos diz-lo1 to nobremente reaccionario1 porque pde haver nobreza at no erro e no mal1 seria esse partido asss insensato para fazer sacrificios taes1 se no estivesse empenhado nisso o seu dogma supremo1 a reaco8 ,valeria para elle a pena de se agitar1 colerico e impaciente1 por causa de seis mulheres e dous frades1 e de combater com tanto azedume os que repellem essa importao estrangeira2 elles1 os homens da nacionalidade exaggerada8 ,se tal facto no disser nada aos transviados do campo liberal1 ento s nos resta deplorar a sua irremediavel cegueira4 ,ha tres seculos que tambem dous frades de um instituto novo1 chamado a ,companhia de ,jesus1 entravam ssinhos em ,portugal4 ,um delles abandonava logo este paiz para atravessar o oceano e ir embrenhar-se entre as gentilidades da ,asia4 ,ficou o outro4 ,foi o que bastou para nucleo de uma associao1 que em breve dominou tudo4 ,a mocidade amiga de novidades4 ,mancebos sados do seio das mais nobres familias1 outros nascidos entre o povo e entre a burguesia correram a alistar-se no gremio nascente1 ao passo que os reforos estrangeiros chegavam pouco a pouco4 ,vinham1 dizia-se1 moralisar o paiz e instrui-lo pela religio4 ,homens de estado conspicuos1 a universidade de ,coimbra1 a parte mais illustrada da sociedade era-lhes adversa1 e fazia sinistras predices1 que o tempo se encarregou de justificar4 ,o poder estava1 porm1 nas mos do fanatismo1 da hypocrisia1 e sobretudo da imbecilidade intellectual4 ,a liberdade da palavra1 a liberdade do pensamento escripto1 a liberdade de associao no existiam4 ,ponderavam-se os fins to uteis do sancto instituto1 o bem que tinha feito fra do paiz1 como por toda a parte o acolhiam4 ,as reluctancias1 estereis porque sem nexo1 esmoreceram e calaram-se4 ,a instituio estrangeira venceu1 enraizou-se1 dilatou-se e dominou4 ,a historia politica1 social e litteraria do paiz durante duzentos annos est ahi para responder aos que perguntarem quaes foram os resultados da influencia incontrastada e incontrastavel dos jesuitas4 ,este exemplo memoravel e de triste recordao domestica deve ser inutil para ns8 ,as apprehenses actuaes sero menos justificadas do que as dos homens instruidos1 sisudos e experientes do meiado do seculo ,,xvi8 ,ha quem diga que sim2 ha quem pense que a historia serve s para pasto de uma curiosidade van2 quem supponha que as leis da humanidade no so sempre as mesmas2 que onde se derem causas identicas no se ho de repetir os mesmos effeitos4 ,deploremos a intelligencia dos que assim pensam4 ,dizem-nos que o espirito das congregaes religiosas diverso do que foi2 que ellas no exercero a perniciosa influencia que exerceram n'outras epochas1 ao passo que podem ser grandemente uteis illustrao e moralidade4 ,affirmam-nos que preciso retemperar os antigos instrumentos de religiosidade para os oppor irreligio do indifferentismo que invadiu as sociedades1 e para fortificar o elemento christo1 unico que pde combater com vantagem os delirios das novas escholas que poem em questo a propriedade e a familia1 principios vitaes da existencia civil4 ,a educao1 dizem-nos1 est fra da esphera dos partidos3 educae e instrui s por educar e instruir1 e no cureis de saber qual ser o destino politico das novas geraes4 ,ensinae-lhes os elementos da instruco geral1 a religio e a moral1 de modo que depois se adaptem a todas as frmas de governo1 a todas as situaes da sociedade4 ,diz-se isto1 escreve-se1 proclama-se4 ,os que assim falam so os reaccionarios occultos1 os transfugas do campo liberal1 e tambem aquelles que devemos considerar como suas victimas1 os que se deixam illudir pelos sophismas desses homens de trevas1 que1 no tendo a nobre ousadia de declarar lealmente que abandonaram os seus estandartes1 calumniam a liberdade para a trahirem sem trahirem os proprios intuitos1 e sem sacrificarem os proventos que lhes resultam da sua supposta permanencia na fileiras em que andavam alistados4 ,comparada com a linguagem destes1 a dos reaccionarios puros nobre1 porque franca e sincera4 ,o mal1 na sua opinio1 no consiste nas aberraes do liberalismo2 consiste no proprio liberalismo4 ,as doutrinas liberaes conduzem logicamente1 foradamente1 os povos aos desvarios anarchicos1 negao absoluta da ordem social4 precioso restaurar o passado nas frmas mais absolutas1 nas maximas extremas da igreja e do estado2 expungir todos os axiomas1 todas as idas de progresso civil e politico dos ultimos dez ou doze lustros1 todas as instituies d'ahi derivadas4 ,os progressos materiaes deste seculo so acceitaveis3 nada mais4 ,o molde social novo cumpre quebr-lo1 repondo as sociedades no antigo1 unico em que podem salvar-se4 ,entre este partido e o nosso est dicto tudo4 ,somos radicalmente adversarios4 ,podemos combater sem mutuamente nos desprezarmos2 podemos ser mais ou menos violentos na lucta1 sem que1 em regra1 em principio1 nos accusemos de deslealdade4 ,no esse partido1 que nos obriga a defender esta ,associao1 e a expr na imprensa os motivos da sua existencia1 a sua indole1 o pensamento que dirige todos os seus actos4 ,as accusaes d'alli vindas sero o seu melhor titulo para grangeiar a confiana do partido sinceramente liberal2 porque os dous campos esto estremados e circumscriptos4 ,o que importa precaver-nos contra o mal que lavra nos proprios arraiaes2 contra os inimigos que nos querem introduzir nelles como alliados4 ,o fim dos nossos esforos deve ser repellir doutrinas que se vo pedir emprestadas s theorias dos adversarios para se nos darem como idas progressivas2 deve ser repellir taes doutrinas principalmente nas suas applicaes practicas4 ,dizem-nos que estamos n'uma pocha de progresso1 e no podemos retrogradar2 que a publicidade1 a discusso1 a liberdade bastam para preservar a sociedade das aggresses da reaco4 ,so phrases oucas1 sem valor1 nem alcance na questo que deu origem a esta ,associao1 porque no determinam nenhum facto especial4 ,de certo que o genero humano progride no seculo presente2 porque o progresso uma condio impreterivel da sua existencia3 progride neste seculo1 como progrediu em todos desde as mais remotas eras4 ,nem os tempos tormentosos das invases dos barbaros deixaram de ser uma pocha de progresso4 ,demonstra-o a historia4 ,mas tem esse grande facto de genero-humano impedido que1 n'um ou n'outro paiz1 domine a tyrannia depois da liberdade2 que os fros do homem tenham sido desprezados2 que as naes tenham sido individualmente opprimidas1 desmoralisadas1 barbarisadas1 dissolvidas1 anniquiladas como entidades politicas8 ,concluir do progresso constante da civilisao geral que um povo no pde retrogradar1 e que portanto no deve premunir-se contra a reaco que o aggride1 aconselhar ao homem que se no previna contra as causas ordinarias da morte1 porque a raa humana tem por condio a perpetuidade4 ,a liberdade do pensamento1 a discusso1 a publicidade1 as garantias1 em summa1 de um paiz livre bastam defesa da sociedade4 ,mas ento porque se acha extranho que pensemos livremente1 que discutamos1 que nos associemos1 que usemos1 dentro da estricta legalidade1 d'esses meios que as instituies facultam aos cidados1 para affastarmos um perigo que cremos srio e imminente8 ,porque a injuria1 a colera1 a calumnia8 ,dir-se-hia1 ao ver os sanctos furores que se alevatam em regies mais que suspeitas1 que os nossos temores no so to infundados1 as nossas prevenes to inuteis como se affirma1 e que o perigo verdadeiro e real4 ,a reaco no pde vencer-nos3 cruzemos os braos6 ,como se julgaria o homem1 que n'uma praa sitiada1 mas defendida por centenares de canhes e por uma guarnio numerosa e aguerrida1 clamasse aos soldados no momento do ataque3--,no assesteis a artilheria3 no marcheis para as muralhas2 confiae na efficacia dos nossos recursos2 cruzae os braos1 porque a praa inexpugnavel4--,este homem no chegaria a ser reputado traidor3 te-lo-hiam apenas por mentecapto4 ,dizem-nos que a aggresso no existe2 que a importao de um instituto estrangeiro1 repugnante pela sua indole1 pela sua regra1 s instituies do paiz1 no um symptoma1 e mais do que um symptoma1 um acto de reaco organisada4 ,examinemos esse facto em si3 procuremos a sua causa4 ,uma calamidade publica determinou subitamente na capital do reino a existencia de um grande numero de orphos1 que foram perfilhados pela compaixo publica4 ,sem aquella calamidade1 esses individuos teriam recebido a educao no seio das suas familias1 ou nos estabalecimentos de educao j existentes1 e a sociedade no teria visto n'isso um grande mal4 ,eram os estabelecimentos publicos e privados1 j instituidos no reino1 e destinados educao da infancia e da puericia1 radicalmente incapazes de preencher o seu fim8 ,onde esto as provas8 ,cumpria crear um estabelecimento de educao diversamente organisado8 ,se assim era1 as pessoas que tinham dirigido1 mantido1 protegido parte dos j existentes1 o parlamento e o governo que mantinham e dirigiam outra parte1 todos se haviam enganado1 ou enganavam o paiz4 ,em perto de um milho de mulheres portuguesas1 no havia cinco ou seis que se podessem encarregar da sancta e nobre misso de serem as mes adoptivas dos orphos tutelados pela commiserao publica8 ,a sciencia da educao inspira-a ,deus por metade ao corao da mulher1 porque o destino providencial desta a maternidade3 a outra metade do-lh'a as tradies domesticas1 as recordaes dos primeiros annos1 o ensino dos livros e dos mestres e a observao da sociedade4 ,tinha-se ,deus esquecido de ns8 ,a mulher portuguesa ignorava1 porventura1 esses delicados affectos1 essa arte instinctiva1 com que o espirito feminil attrahe para o bem a infancia desprevenida1 e lhe suavisa as asperezas inevitaveis do primeiro ensino8 ,dir-se-hia1 acaso1 que o typo da mulher me e mestra no existia em ,portugal1 ou existia em regies to elevadas1 e por excepo to singular1 que descobrir no paiz quem podesse desempenhar as graves funces de educadora seria um problema insoluvel8 ,se assim fosse1 a familia no existiria entre ns seno por excepo1 porque1 a primeira e impreterivel qualidade da me de familia possuir o instincto e os dotes de educadora4 ,onde se no d essa condio1 a familia no passa de uma juxta-posio de pessoas4 ,acreditar que esta fosse a nossa situao2 que poderia ser a situao de alguma povo1 seria presuppor um absurdo4 ,no se partiu1 de certo1 de semelhante hypothese para a introduco em ,portugal das irms de caridade francesas4 ,e se assim foi1 digam-nos que meios empregaram para verificar a existencia de to monstruoso facto8 ,foi essa introduco apenas um capricho1 uma puerilidade8 ,capricho1 leveza pueril1 poderia ter-se reputado1 se a indignao1 manifestada desde logo pelo sentimento nacional ferido1 houvera ensinado a prudencia4 ,mas o sentimento publico s despertou coleras indiscretas e declamaes apaixonadas4 ,isto prova que o facto no nascera de irreflexo2 que fora calculado1 discutido1 apreciado1 nos seus motivos e nas suas consequencias4 ,buscava-se o bem ou o mal2 mas buscava-se alguma cousa importante4 ,podiam as pessoas que figuravam naquelle empenho no medir o seu alcance2 mas atraz dellas estava decerto quem o medisse1 e que talvez guardasse para si previses e esperanas que no lhes revelava4 ,nasceria o facto do desejo de dar a conhecer ao paiz systemas e methodos mais perfeitos de educao physica e intellectual8 ,cremos que se devem estudar os systemas de educao estrangeira1 e adoptar aquillo que nelles for verdadeiramente util e applicavel a ,portugal4 ,mas para isto no bastam nem servem algumas irms de caridade francesas collocadas frente de um asylo-eschola4 ,suppondo que a ,frana fosse o paiz classico da pedagogia1 o que mais que duvidoso#e1 seria das escholas normaes de metras que alumnas nossas poderiam trazer a ,portugal os aperfeioamentos de que carecessemos1 ou alumnas dessas escholas vir introduzi-los1 no n'um asylo-eschola1 mas n'uma eschola normal4 ,a lei francesa de #ae de maro de #ahej1 promulgada no meio do terror do socialismo1 lei organica do artigo constitucional que proclamava a liberdade do ensino1 permittiu s congregaes religiosas o magisterio sem a habilitao das escholas publicas4 ,queria-se oppr o ensino clerical ao do professorado secular1 que1 na escala inferior1 tendia1 conforme se affirmava1 para as idas socialistas4 ,o titulo de capacidade das irms de caridade francesas para o magisterio est nas prescripes dessa lei de reaco fundada no medo1 prescripes que1 alis1 qualificam do mesmo modo os individuos de ambos os sexos pertencentes a quaesquer outras cengregaes religiosas4 ,especialmente1 as irms de caridade no tem habilitao alguma official como educadoras3 tem apenas as provises geraes da sua regra2 mas nem essa regra indica systema algum de ensino1 nem temos meio nenhum de verificar a bondade dos que seguem1 se alguns seguem1 a no ser a auctoridade da congregao lazarista1 e as vagas affirmativas dos partidarios da educao clerical4 ,que se pde esperar das congregaes religiosas como instrumentos da educao8 ,a circular do ministro de instruco publica em ,frana1 de #ai de agosto de #ahej1 diz3--,pelo que respeita creao de mestras1 as escholas normaes e os cursos normaes que existem tem feito servios asss positivos para no se poder duvidar de que os recursos para manter essas escholas sejam facilmente votados--e o commentador da lei de #ae de maro4 ,rendu1 accrescenta3--,a utilidade destas escholas normaes tanto mais apreciada quanto certo que em quasi todos os departamentos ha falta de mestras1 falta provada pela experiencia diaria4--,o governo1 portanto1 que procurou entregar quanto fosse possivel a educao ao clero1 appella especialmente para os antigos institutos seculares1 e pe nelles a sua esperana de poder subministrar ,frana mestras habeis1 ao passo que um dos homens mais competentes na materia nos revela que ellas faltam em quasi todos os districtos administrativos do imperio4 ,mas que fazem essas vinte ou trinta congregaes a quem se tiram todas as restrices no ensino1 e que devem salvar as geraes futuras da impia educao secular8 ,a regra de ,s4 ,vicente de ,paulo no excluiu o patriotismo4 ,enviando a este paiz inhospito e barbaro seis irms de caridade habilitadas para educadoras1 o geral dos lazaristas privou a ,frana dos seus servios e trahiu o prprio dever1 seno para com ,deus1 de certo para com a patria4 ,o que1 porm1 na realdade a circular do ministro e as palavras de ,mr4 ,rendu provam que o progresso da educao em intensidade e em extenso no ha de nem pde vir de se entregar o magisterio s corporaes religiosas1 cuja impotencia no meio da liberdade de ensino que se lhes concedeu1 sem garantias sequer para a sociedade1 os factos esto demonstrando4 ,pde e ha de vir de institutos seculares liberal e fortemente organisados4 ,a civilisao gradual e crescente das sociedades pela educao popular uma das primeiras questes de governo1 e no uma intriga de sacristia4 ,se ha paizes onde as paixes politicas a reduzissem a essas dimenses1 deploremos os seus destinos1 mas abstenhamo-nos de os imitar4 ,assim1 considerada pelo lado pedagogico1 a introduco das irms de caridade francesas no correspondeu a nenhuma ida de progresso2 no satisfez a nenhuma necessidade da educao popular4 ,fugir-se-ha desta questo suprema para a de simples caridade8 ,dir-se-ha que o estabelecimento que serviu de pretexto introduco desses frades e dessas mulheres no propriamente um instituto de ensino1 mas de beneficencia8 ,todos os absurdos se podem dizer quando se defende uma ruim causa1 mas1 em tal caso1 porque excluir a mulher portuguesa8 ,porque reput-la incapaz de carinho1 de aceio1 de religio1 de moralidade8 licito1 porm1 admittir-se que o asylo entregue ao lazarismo seja apenas um abrigo para a indigencia material8 ,as casas de asylo so essencialmente insttutos de educao4 ,o mais superficial exame da sua indole o est provando4 ,se os homens da reaco ignoram at isso1 citar-lhes-hemos uma auctoridade insuspeita para elles1 a do actual governo francs4 ,o decreto do imperador ,napoleo de #ba de maro de #ahee diz3--,as casas de asylo1 quer publicas1 quer livres1 so institutos de educao1--e a circular de ,mr4 de ,fortoul de #ah de maio do mesmo anno declara-as--casas de educao primeiro que tudo4--,de certo no seriam nem o senso commum1 nem a opinio que prevalece em ,frana que auctorisariam os fautores de educao lazarista a considerar o asylo confiado s irms de caridade como simples instituto de beneficencia4 ,se accusar as mulheres de um paiz em peso de falta de capacidade natural para a educao da infancia equivale a negar a possibilidade da existencia da familia1 e portanto da sociedade1 proposio de tal modo absurda que por si propria se refuta2 se manifestaes inequivocas nos provam que a introduco das irms de caridade francesas no foi um acto de capricho ou de inconsiderao2 se nem as doutrinas nem os factos relativos a to grave assumpto legitimam aquella importao estrangeira no interesse do progresso do ensino1 que resta para a explicar seno um pensamento de reaco social1 pensamento que se tem1 em assumptos analogos1 manifestado na ,belgica e no ,piemonte1 e que triumpha por outras partes8 ,mas o que quer esta reaco8 ,para onde caminha8 ,at onde vai8 o sentimento christo que se pretende avivar1 restaurando por elle a moral positiva e practica8 a f amortecida no animo das multides1 que por um impulso sublime de caridade se lhes quer restituir em toda a sua benefica energia1 com guia1 consolao e esperana1 no meio das miserias da vida8 ,no nada d'isso4 ,se o fosse1 esta ,associao1 justamente porque composta de liberaes sinceros1 de homens de ordem1 de justia e de paz1 seria tambem reaccionaria4 ,a reaco o catholicismo posto ao servio dos interesses mundanos2 uma parte importante do clero que se deixa assoldadar pelo absolutismo com a esperana de que fazendo retroceder os povos at o estado social que precedeu a liberdade1 poder um dia recuar ainda mais longe e restabelecer a supremacia clerical sobre o poder civil4 1 por outro lado1 o absolutismo1 que1 servindo-se dessa parte do clero1 e da poderosa arma da religio1 procura restaurar o proprio predominio1 persuadido de que1 depois de obtido o triumpho1 conter o seu perigoso alliado pelos mesmos meios que outr'ora empregou para o domar1 a resistencia energica s suas pretenes1 e a participao generosa nos proventos dos abusos1 violencias1 espoliaes e vexames com que por seculos flagellou a humanidade4 ,a reaco o abrao refalsado de dous poderes que se hostilisaram1 que se perseguiram1 que alternadamente se esmagaram muitas vezes durante seculos1 e cuja paz nos ultimos tempos era apenas uma tregua que tacitamente ajustara a corrupo4 ,o direito divino da monarchia absoluta e a supremacia do chefe da igreja sobre os monarchas so duas idas que repugnam entre si2 que ainda hoje mutuamente se condemnam na regio das theorias1 como durante sete seculos os seus representantes se tinham amaldicoado1 injuriado1 despedaado mutuamente1 em nome de dous principios contradictorios1 que se diziam ambos emanados do cu4 ,o absolutismo e o ultramontanismo1 dando um abrao fraterno dimittiram a historia4 ,a desgraa aconselhava-lhes a unio4 ,guardaram para tempos mais prosperos os odios mutuos1 filhos de mutuos aggravos1 e no vacuo que lhes deixava nos coraes aquelle antigo sentimento ficou mais larga o rancor contra a liberdade4 ,na lucta gigante que emprehenderam1 para fazer retroceder a torrente impetuosa das geraes e das idas1 empregam a arte e a dissimulao onde lhes falta a fora2 a fora onde a arte e a dissimulao se escusam4 ,onde e quando cumpre1 o absolutismo prostitue e compromette a monarchia em servio do recente alliado2 o ultramontanismo prostitue e compromette a religio em vantagem do seu implacavel adversario de outr'ora4 ,os defensores do throno absoluto somem cuidadosamente debaixo dos degraus delle os processos1 as sentenas1 as providencias1 as leis1 com que1 unanimes1 os tribunaes catholicos e os soberanos da ,europa fulminaram e anniquilaram a sociedade dos jesuitas1 como um gremio de homens corruptos e criminosos3 o jesuitismo esconde nos recssos mais escusos das casas-professas as vastas bibliothecas da litteratura do regicidio1 os volumes pulverulentos de ,bellarmino1 de ,suares1 d',escobar1 de ,molina1 de ,juvenci1 de ,busenbum1 de ,lacroix1 de ,mazotta1 e dos outros escriptores1 dos bons tempos da companhia de ,jesus4 ,a sancta alliana pde no ser duradoura1 porque as reservas casuisticas esto atraz della2 mas intima e forte4 ,abonam-na os custosos sacrificios feitos pelos dous alliados sobre o altar da concordia4 ,um homem de estado dos maiores da ,europa1 o maior talvez do seu paiz1 cujos destinos dirigiu largos annos1 to probo e moderado como escriptor1 quanto o foi na vida publica1 descreveu com rapidos traos1 n'um livro recentissimo1 o caracter da reaco clerical e absolutista a que impiamente foi sacrificado o sentimento religioso que renascia em ,frana4 ,o mal que ainda dura--diz ,mr4 ,guizot-apesar de tantas procellas e de tanta luz vertida1 a guerra declarada por uma poro consideravel da igreja catholica de ,frana sociedade francesa actual1 aos seus principios1 sua organisao plitica e civil1 s suas origens e s suas vocaes444 ,em nenhum tempo houve guerra de tal natureza mais desarrazoada e inopportuna444 ,o movimento que reconduzia a ,frana para o christianismo era sincero e mais grave do que parecia444 ,entregue a si1 e sustentado pela influencia de um clero que s se preoccupasse de renovar a f e a vida christ1 aquelle movimento teria grandes probabilidades de se propagar1 e de restituir religio o seu legitimo imperio4 ,mas1 em vez de se conservarem nesta alta esphera1 muitos membros do clero catholico e seus cegos partidarios desceram a questes mundanas1 e mostraram-se mais ardentes em repr no antigo molde a sociedade francesa1 com o intuito de restituir igreja a anterior situao1 do que em reformar e dirigir moralmente os espiritos#f4 ,esta sentena fulminada por uma altissima intelligencia1 por um nobre caracter1 collocado por muitos annos n'uma posio sem igual para ajuizar com segurana das tendencias e fins de todas as parcialidades do seu paiz2 esta affirmativa tremenda de um homem de bem assentado na borda do tumulo1 to verdadeira1 como triste para ns os que1 sem intenes reservadas1 amamos o catholicismo1 como crena de nossos paes1 como religio unica na constancia e unidade de doutrina1 e cujos dogmas1 precisos1 indubitaveis1 completos1 se tem conservado immutaveis por mais de dezoito seculos1 desde os tempos apostolicos at agora1 no meio das heresias1 das variaes1 das supersties1 nascidas hoje para se desmentirem1 se alterarem ou desapparecerem manh4 ,o facto descripto pelo grande historiador da civilisao repete-se em ,portugal4 ,perverteram-se aqui como l as tendencias christs1 que se manifestaram depois dos graves acontecimentos de #ahcc1 para se ir tentando gradualmente a restaurao de certas formulas sociaes e politicas1 de certos abusos escandalosos condemnados e destruidos irrevogavelmente4 ,faz-se guerra sociedade portuguesa actual1 aos seus principios1 sua organisao politica e civil1 s suas origens e s suas vocaes4 ,faz-se intervir a religio em questes mundanas1 e pensa-se mais em repr no antigo molde a sociedade portuguesa do que em reformar e dirigir moralmente os espiritos4 ,a corrupo de uma parte preponderante do clero1 a sua participao nas rapinas1 nas violencias1 nas extorses fiscaes dos antigos tempos1 a sua devassido1 o seu luxo1 e por fim os seus esforos insensatos a favor do absolutismo1 levados at a cooperao armada1 fizeram com que elle se achasse debaixo das ruinas do edificio que a liberdade desmoronou no dia assignalado pela justia de ,deus4 ,o partido liberal no desejava encontrar l o clero2 mas tambem no perguntou quem tinha ido abrigar a cabea debaixo do tecto maldicto4 ,confundem facilmente os espiritos vulgares a ida com a manifestao1 a doutrina com o homem4 ,o povo confundiu at certo ponto o altar com o ministro1 e confundiu-o1 justamente1 porque por muitos annos a poro corrupta do clero fizera escudo do altar4 ,o sentimento religioso esmorecera4 ,a mocidade intelligente ousou ento pedir paz para o innocente1 perdo para o culpado1 respeito para a cruz4 ,uma parte dos vencedores riram-se1 e todavia a supplica era justa4 ,suspeitosos de ns1 os vencidos sorriram tambem2 e todavia a supplica era sincera4 ,ouviu-a ,deus4 ,no fim de tempos o sentimento christo dominava no liberalismo4 ,a litteratura de quinze annos1 e a imprensa periodica desta pocha ahi esto para responder por ns quando o futuro tiver de julgar a reaco e a liberdade4 ,os espiritos mais nobres e mais illustrados do partido do progresso social comprehendiam1 emfim1 uma verdade simples1 que as paixes haviam offuscado2 comprehendiam que o christianismo e a liberdade eram a prolao do evangelho2 eram dous irmos que os maus tinham inimizado1 e que cumpria reconciliar4 ,de todas as obras do pregresso1 a mais grave1 a mais fecunda1 a mais civilisadora era esta4 ,mas1 incorrigivel aqui1 como em ,frana1 como por toda a parte1 o velho partido da corrupo na igreja1 que fizera j uma vez paz com o absolutismo1 porque o absolutismo tinha ouro1 tinha grandezas1 tinha esplendores para o saciar1 apertou mais energicamente os laos que o ligavam a elle4 ,aterrava-o a ida de que a religio podesse erguer-se pura e illesa do seio das revolues sociaes4 ,rendia pouco uma religio assim4 ,correi as publicaes chamadas religiosas feitas n'este paiz ha vinte cinco annos2 vereis que as suas tendencias1 as suas manifestaes de sympathia so1 talvez sem excepo1 para o ultramontanismo1 isto 1 para o despotismo na igreja1 e para a monarchia de direito divino1 isto 1 para o despotismo na sociedade4 ,excluem-se os dous principios em theoria2 excluiram-se por seculos nos factos3 mas que importa isso aos grandes incredulos chamados os defensores da religio8 ,se gosarem dous dias n'este mundo1 que lhes importam os males futuros dos povos8 ,que lhes importa que d'aqui a cem annos a thiara role no lodo aos ps do throno dos reis1 ou que as coroas se revolvam no p aos ps do solio pontifical8 ,d'ahi veio a guerra implacavel e tenaz feita liberdade4 ,onde esta se debilitou pelo excesso temporario de vida1 at degenerar em licena e em ameaa sociedade1 a reaco1 que fora at ento vencida1 venceu a final4 ,e to completamente venceu1 que j nos horisontes apparecem1 como consequencias inevitaveis dessa victoria1 os primeiros signaes da lucta entre o sacerdocio e o imperio1 ou antes entre os dous despotismos1 que1 por fora da propria indole1 so obrigados a aggredir-se desde que se equilibram4 ,nos paizes onde a liberdade forte1 porque moderada1 como na ,belgica1 no ,piemonte e em ,portugal1 o definitivo triumpho ser mais difficil para os reaccionarios1 se o partido liberal1 sejam quaes forem as suas dissenses intestinas1 no cahir nas exaggeraes politicas1 e se conservar unido em frente da reaco4 ,por muito tempo foi esta apreciada mal entre ns1 porque as suas manifestaes eram desconnexas1 intermittentes4 ,appareceram1 desappareceram1 renovaram-se certas confrarias e associaes do sexo feminino1 nas quaes um singular perfume de mysticismo se accommoda aos habitos e costumes luxuarios que d a opulencia4 ,a devoo ahi diverso de certas classes1 a quem o bero e a fortuna habilitaram para se esquivarem dura comminao do trabalho imposta no ,gnesis4 ,publicaes devotas e quasi romanticas1 traduzidas do francs1 e onde nem1 sempre a pureza severa da crena catholica respeitada1 feitas com a elegancia typographica dos prelos franceses vieram expulsar do mercado aristocratico o antigo livro de resas portugus1 grosseiro na frma1 rude no aspecto1 singelo na phrase4 ,a reaco civilisa-se4 ,alguns dos verdadeiros amigos do altar e do throno1 que1 refugiados em ,paris1 vertiam ou architectavam1 em lingua proximamente portuguesa1 essas maravilhas do mysticismo francs1 j foram recompensados por prelados nossos dos seus servios boa causa politica e boa causa religiosa4 ,aquelles vares apostolicos no recusaram o amplexo fraterno igreja lusitana arrependida4 ,esperemos que os mais colericos e pertinazes no continuem a negar ao arrependimento o osculo de paz4 ,o povo no esqueceu reaco3 a caridade desta estende-se a todos e a tudo4 ,trovejando contra a sociedade moderna1 missionarios analphabetos sobem aos pulpitos dos povoados e dos campos1 e ora se occultam1 ora resurgem como fogos fatuos4 ,os milagres tinham militado no campo da reaco em ,frana1 na ,allemanha1 e na ,italia3 no podiamos por isso dispens-los4 ,os milagres1 porm1 entre ns foram de mu gosto3 os fabricantes eram inexpertos1 e a impiedade da sciencia inutilisou a obra#g4 ,reconheceu-se que eram soldados de pouco prestimo4 ,mas a agencia da associao francesa da propagao da f fazia alistamento de tropas mais solidas2 e se inferirmos da verba total da contribuio paga por ,portugal quelle instituto1 attendendo exiguidade da quota1 no se podem calcular os seus adeptos neste paiz em menos de quatorze ou quinze mil individuos#h4 ,o nexo apparente que une esta vasta associao a contribuio para as misses francesas e a leitura dos ,annaes da ,propagao da ,f1 tecido de embustes1 j desmascarado por um missionario1 o padre ,gabet1 e por outros escriptores4 ,os ,annaes1 especie de ,carlos-,magno da reaco1 servem para manter com patranhas a confiana dos adeptos na influencia da associao1 na grandeza dos seus recursos1 e no zlo dos seus missionarios1 mas ainda mais lhe devem servir para calcular as foras de que pde dispor em cada paiz1 e para manter sem custo por toda a parte uma jerarchia de agentes1 cujos servios utilize nas occasies opportunas1 como1 por exemplo1 em grangeiar assignaturas a favor de alguma tentativa reaccionaria4 ,estes meios1 sem exceptuar os proprios milagres1 e alm delles outros1 taes como os trabalhos occultos da sociedade cujos gremios se denominam capellas1 especie de maonaria ao divino1 de ha muito organisada1 ou como as invectivas diarias de certa parte da imprensa ignobil e da imprensa politica1 dirigidas contra as instituies liberaes1 e ainda alguns desabafos1 mais ou menos violentos1 na imprensa litteraria1 a proposito deste seculo ferreo1 que no desconjuncta no potro1 no pendura no patibulo1 no esquarteja nem queima ninguem pelos erros ou acertos da sua intelligencia2 tudo isso eram e so manifestaes da reaco que vai lavrando2 mas o partido liberal podia e devia toler-las1 embora nem sempre fossem alheias sanco do codigo penal4 ,era ao governo que pertencia submetter esses factos apreciao dos tribunaes2 e todavia1 no queremos invectiv-lo pelo seus desleixo ou indolencia nesta parte4 ,se ha alguma circumstancia em que aos magistrados se deva perdoar a frouxido no cumprimento de leis1 s vezes demasiado severas1 quando a applicao dessas leis pde comprometter aos olhos da consciencia publica a doutrina evangelica e liberal da tolerancia4 ,mas ao lado destas diversas manifestaes ostensivamente desconnexas1 e mais ou menos particulares1 appareceram outras de maior gravidade1 porque mostravam que o mal havia invadido tambem as regies officiaes4 ,uma das primeiras em data e em ponderao foi o convenio de #ba de outubro de #ahdh1 monumento de subserviencia1 onde o plenipotenciario portugus tolerava que o ministro do governo papal escrevesse a insolente qualificao de odiosa em relao a uma lei vigente do reino2 onde se pactuava um compromisso vergonhoso cerca do arcebispo de ,goa1 que se houvera com valor repellindo as doutrinas subversivas e as espoliaes brutaes dos agentes da ,propaganda na sua provincia do oriente2 onde a curia ousava fixar1 no s congruas a membros da jerarchia ecclesiastica da igreja portuguesa1 mas1 at1 a remunerao de simples funccionarios2 onde se estatuia a manuteno de corporaes religiosas e a faculdade de novas profisses1 em contraposio s leis do reino2 onde1 finalmente1 se consentia que o nuncio chamasse escandalo a annunciar-se a venda dos bens nacionaes1 que tinham pertencido s corporaes de mo morta1 acceitando-se a validade das doutrinas ultramontanas a tal respeito1 e conculcando-se a auctoridade legitima do poder civil4 ,neste acto1 porm1 a reaco no medira bem a extenso dos seus recursos4 ,o governo viu-se constrangido a enganar o parlamento1 escondendo-lhe as condies mais repugnantes desta deploravel negociao#i4 ,entretanto a curia romana e com ella o partido reaccionario tinham dado um grande passo2 tinham feito amaldicoar os principios que haviam presidido grande revoluo social de #ahcd1 por um governo cuja legitimidade moral e1 portanto1 cuja fora derivavam justamente do predominio desses principios4 ,seguir com prudencia a victoria de general habil4 ,o arcebispo de ,goa foi compellido a condemnar perante o papa tudo quanto dissera e fizera na ,india em defesa dos seus irrefragaveis direitos metropoliticos1 comprando por esse preo a coadjutoria e futura successo da mitra de ,braga4 ,estatuira-se que se creasse uma delegao da nunciatura em todas as camaras ecclesiasticas1 e esta novidade realisou-se1 ao menos em parte4 ,os proventos moraes da bulla da cruzada1 das dispensas de ,roma1 e de outras concesses igualmente importantes cahiram como chuva benefica sobre o solo arido de ,portugal4 ,os proventos materiaes1 esses cahiram c e em ,roma1 mas com a devida seleco de favorecidos4 ,o ultramontanismo ganhara muito1 e as cousas ficavam encaminhadas para novos triumphos2 mas era preciso contar com um elemento indispensavel1 o tempo4 ,era preciso deixar funccionar o mysticismo francs1 as confrarias romantico-religiosas1 a imprensa temente a ,deus1 os milagres1 os padres emigrados1 a associao da propagao da f3 era preciso augmentar o producto bruto da bulla da cruzada1 e o producto liquido das sanaes e dispensas2 a reaco bem sabia para que#aj4 ,era preciso1 sobretudo1 ir viciando1 gangrenando systematicamente o partido liberal1 adquirindo nelle patronos e agentes occultos1 illudindo os bons e inexpertos com as esperanas da restaurao da moralidade1 e comprando os ambiciosos1 que estavam nesta campo s porque no estavam no outro1 com o prospecto de uma victoria definitiva1 que1 restabelecendo os vexames e espoliaes do povo1 e as sinecuras e esplendores que a revoluo de #ahcc tinha destruido1 podesse amplamente satsfazer tanto as grandes como as pequenas cubias4 ,quando todo este conjuncto de elementos deleterios tivesse produzido sufficiente effeito1 ento poder-se-hia arrojar a mascara1 e no se passar1 como em #ahdi1 pela humilhao de calar diante do parlamento as vantagens adquiridas4 ,uma tentativa que por muito tempo ficou occulta1 apesar do seu bom resultado1 deu reaco1 tempo depois1 a medida dos progressos que havia feito nas regies officiaes4 ,a audacia dessa tentativa1 pura e exclusivamente ultramontana1 est indicando que era uma experiencia4 ,acertando o golpe1 a reaco clerical tirava d'ahi duas vantagens2 obter uma nova victoria1 e obt-la no mesmo terreno onde sempre fora repellida pelo seu recente alliado1 o absolutismo1 quando o absolutismo era o poder civil4 ,ficava assim este advertido de que no dia do commum triumpho1 se tal dia tivesse de raiar1 lhe cumpria ser mais docil para com as pretenses do ultramontranismo4 ,achava-se vaga a diocese de ,aveiro1 no existia alli cabido1 a nomeiao do vigario capitular devolvia-se1 por isso1 ao metropolitano1 o arcebispo de ,braga4 ,appareceu ento uma bulla pontificia auctorisando o metropolita como delegado da s apostolica para fazer aquella nomeiao4 ,uma tal bulla1 que constituia um attentado contra o direito canonico recebido no reino1 que offendia por mais de um modo as liberdades da igreja portuguesa1 que vilipendiava a primeira1 a mais illustre metropole do reino1 apresentada ao governo na epocha do absolutismo1 teria dado em resultado a sada do nuncio de ,lisboa dentro de quarenta e oito horas2 no governo liberal teve a confirmao regia1 o placet4 ,placet a derogao virtual do direito ecclesiastico2 placet a quebra dos fros da igreja portuguesa2 placet a affronta do soberano protector e defensor dessa igreja2 placet a confisso de que ,roma triumphou emfim n'uma lucta de sete seculos4 ,politicamente1 o governo que sanccionou semelhante escandalo1 era responsavel por elle2 moralmente no4 ,no ha responsabilidade desta especie onde no existe a faculdade de apreciao4 ,coincidindo com este facto1 facto gravissimo1 no tanto pelo seu objecto como pela sua significao1 caminhava-se nas trevas para se realisar outro de igual significao1 mas cuja importancia material era sem comparao maior4 ,falamos da concordata sobre o nosso padroado do ,oriente4 um facto asss recente e asss estrondoso para estar na memoria de todos4 ,na imprensa e no parlamento fez-se conhecer de modo innegavel a monstruosidade dessa conveno desastrosa4 ,nunca o ultramontanismo havia obtido mais decisivas vantagens4 ,repetir aqui as ponderaes que opportunamente se fizeram a este respeito fora escusado4 ,o que importa agora notar com certa individuao o que nas discusses que ento se alevantaram e que induziram a camara dos deputados a inutilisar a concordata1 rejeitando algumas das suas provises mais escandalosas1 no se fez sentir seno accidentalmente1 isto 1 a influencia que tinha na politica geral da ,europa aquella nova e mais audaz tentativa da reaco ultramontana4 ,o pensamento da concordata reduzia-se1 na sua expresso mais simples1 a deixar subsistir na incerteza o exercicio do nosso direito de padroado nas igrejas catholicas da ,india1 e a privar-nos desse direito nas regies transgangeticas1 especialmente na ,china4 ,na ,india1 as luctas do clero portugus com o clero ultramontano perturbavam a paz publica no territorio ingls1 e as decises dos tribunaes ingleses1 quando questes dessa ordem eram levadas perante elles1 decididas sempre a nosso favor e conforme a justia1 no podiam obstar repetio das desordens1 que a associao da propagao da f de ,paris e ,lyo e a ,propaganda de ,roma indirectamente alimentavam e alimentam com toda a especie de auxilios que enviam aos seus agentes naquellas partes4 ,na ,india1 a conservao do statu quo era uma vantagem para a reaco1 porque as turbulencias que suscita a contenda tem tres resultados importantes3 disfructar o partido ultramontano1 por pouco ou por muito tempo1 os bens e rendimentos de igrejas numerosas e em grande parte opulentas1 incommodar uma nao liberal e catholica no exercicio de um direito que com justia se lhe no pde disputar1 e manter mais um elemento de desordem nos estados indicos da ,gr-,bretanha liberal e protestante4 ,na ,china1 a questo revestia-se de outras circumstancias1 e tomava diversa frma4 ,ahi era necessario destruir a influencia moral dos nossos bispos e missionarios2 influencia antiga1 radicada e at acceita na propria crte de ,pekin1 onde mais de uma vez esses bispos e missionarios tinham sido revestidos de cargos importantes na jerarchia dos funccionarios civis4 ,a nossa influencia na ,china no podia de certo ser util ao anglicanismo2 mas era-o sem duvida aos interesses materiaes da ,inglaterra4 ,nao pequena e por consequencia inhabilitada para disputar preponderancia e preferencias politicas naquella vasta e populosa regio1 que se acaba de abrir ao commercio e s combinaes diplomaticas dos estados da ,europa1 no podia a influencia moral que alli houvessemos de exercer por meio da religio ser adversa aos intuitos commerciaes e politicos da ,inglaterra4 ,a alliana sincera de ,portugal com a patria de ,nelson e de ,wellington indestructivel1 porque procede1 no s das tradies historicas e da analogia de instituies politicas1 mas tambem da fora das circumstancias actuaes4 ,a origem dessa intima alliana tem a data escripta no mais grandioso monumento do paiz4 ,a ,batalha recorda-nos que ha um pacto perpetuo asselado com sangue entre ,portugal e a ,inglaterra4 ,quando o povo portugus deixar de ser o irmo e o amigo do povo ingls1 tem que derribar primeiro o templo de ,sancta ,maria da ,victoria1 e de l1 de cima das suas ruinas1 sobre os ossos de ,d4 ,joo ,i1 o arauto da discordia1 tem a annunciar ao mundo que esse velho pacto expirou4 ,ha perto de quatro seculos1 nos campos de ,aljubarrota e em frente dos esquadres franceses e castelhanos1 a invencivel infanteria inglesa jurava com os cavalleiros portugueses que esta terra seria livre1 e uns e outros cumpriam heroicamente o seu voto4 ,nesta pocha1 porm1 de actividade1 de industria1 de trabalho ligam-nos aos alliados do mestre d',aviz1 do rei mais nobre e mais portugus da nossa historia1 no s as reminiscencias do passado1 mas tambem os interesses materiaes do presente4 ,a ,inglaterra a consumidora dos nossos productos2 ns os consumidores de uma pequena parte da immensa produco industrial inglesa3 ns levamos ao mercado de vinte e sete milhes de individuos a melhor parte do que nos sobeja da nossa produco agricola2 elles entregam n'um mercado de quatro milhes de homens em productos da sua industria ou em metaes preciosos o equivalente do que nos convem vender-lhes4 ,a nossa vida economica tem uma relao to intima com a vida economica da ,gr-,bretanha1 que no se comprehende sequer como se poderiam hostilisar os interesses dos dous povos na extremidade da ,asia1 ainda suppondo que coubesse nas nossas foras contrastar ali o poder collossal da ,inglaterra4 ,assim a reaco sabia que as influencias religiosas1 influencias mais efficazes naquellas regies remotas do que geralmente se cuida1 no as podia empregar em damno da ,gr-,bretanha1 da sua mortal inimiga1 se o nosso direito de padroado nas igrejas catholicas da ,china fosse respeitado4 ,espoliava-nos1 pois1 desse direito1 com a acquiescencia dos seus adeptos em ,portugal1 emquanto centenares de lazaristas1 de jesuitas e no sabemos de que outras congregaes italianas e francesas velejavam para o oriente ao lado das esquadras britannicas que iam abrir aquelle immenso mercado s especulaes da ,europa4 ,se o governo de ,inglaterra no comprehendeu ento o que significava a espoliao do padroado do ,oriente feita ao seu antigo alliado1 o povo ingls ficar algum dia sabendo sua custa a connexo que esse negocio tinha com os seus futuros interesses4 ,taes foram os mais notaveis factos do que ha muito denunciavam a obra reaccionaria nas regies do poder4 ,estas tendencias ultramontanas e anti-liberaes tem tal permanencia1 constituem uma serie de actos to logicos e concatenados entre si1 atravez de todas as modificaes de homens e de partidos proprias do governo representativo1 que se torna facil chegar a uma triste illao4 que esses factos no procederam das diversas administraes que tem succedido umas s outras no decurso de dez ou doze annos4 ,a culpa real dos individuos a quem cabe a responsabilidade politica de tantos erros e vergonhas unicamente a de terem ambicionado ou de terem acceitado funces superiores sua capacidade4 ,a ida1 o intuito inflexivel e fatal residia e reside forosamente em funccionarios menos elevados1 porm mais permanentes1 ou em influencias occultas1 que actuam constantemente na gerencia dos negocios publicos1 e que reproduzem ahi de modo mais serio as outras manifestaes1 na apparencia irregulares e desconnexas1 da reaco4 d'estes precedentes que principalmente deriva a gravidade do facto da introduco das irms de caridade francesas em ,portugal1 introduco que1 segundo j mostrmos e continuaremos a mostrar1 no se pde reputar alheia conspirao organisada neste paiz contra a liberdade2 que no 1 que no pde ser seno uma nova phase della4 ,nada mais logico da parte dos reaccionarios do que1 ao passo que aggrediam a sociedade actual1 comearem a preparar o terreno para futuras victorias apoderando-se da educao4 ,havia tempos que se dera principio empreza inspirando a pessoas piedosas e collocadas em alta jerarchia o desejo de sollicitarem do governo1 no a permisso de augmentar e organisar melhor o instituto portugus das irms de caridade1 porque este apenas serviria para satisfazer aos preceitos de utilidade practica da regra de ,s4 ,vicente de ,paulo1 mas sim a admisso de irms de caridade francesas1 instrumentos cegos dos lazaristas1 muitos dos quaes pouco depois se dirigiam ao ,oriente para recolher o fructo da expulso do clero portugus de uma parte das nossas igrejas da ,asia4 ,o mais difficultoso do negocio era que essas pobres mulheres deviam1 em conformidade com a disciplina da ordem1 ser acompanhadas de alguns daquelles membros da congregao das misses que se no tinham reputado necessarios para combater em regies longinquas o nome portugus e os direitos da cora de ,portugal1 paiz que alis a corte de ,roma declarava officialmente schismatico1 n'uma especie de circular aos vigarios apostolicos da ,india#aa1 na mesma conjunctura em que1 por interveno do seu nuncio em ,lisboa1 negociava comnosco a famosa concordata que tinha por fim principal hostilisar o predominio da ,inglaterra na ,asia4 ,diz-se que houve resistencias nova pretenso1 mas cedeu-se por fim a poderosas influencias1 e as irms de caridade francesas1 acompanhadas dos seus mentores1 no tardaram em chegar a ,portugal1 em parte para tomarem conta do novo asylo de orphos que se creara1 em parte com o pretexto do servio dos hospitaes4 ,a reaco ganhara outra victoria1 na apparencia mais obscura1 mas a mais importante de todas nos seus resultados4 ,temendo1 todavia1 a irritao publica1 o partido ultramontano appellava para a imprensa1 no s para a imprensa ignobil e para a imprensa politica1 mas tambem para a litteraria4 ,apotheoses das irms de caridade e dos lazaristas franceses precediam e acompanhavam a sua entrada no reino1 e essas apotheoses1 espalhadas pelas columnas dos jornaes1 tomavam s vezes a frma de livro1 e apresentavam-se ao mundo com pretenses de estylo e de philosophia4 ,ahi o liberalismo1 verberado despiedadamente1 era confundido e anniquilado4 ,ponderavam-se os servios das irms de caridade nos tumultos de ,paris e nos arraiaes da ,crima1 e dessas premissas concluia-se1 com logica admiravel1 que ninguem era mais apto do que ellas para educar a infancia e regenerar a mulher em ,portugal4 ,taes escriptos no passavam de um tecido de puerilidades2 mas provavam ao menos1 pela data em que comearam a apparecer1 e pela pocha em que se espalharam debaixo de outra frma1 que1 se reaco faltavam recursos intellectuaes para tornar plausiveis as suas doutrinas1 no lhe falleciam bons desejos de as inculcar4 ,apesar de ter esse lado ridiculo1 a questo no perdia nem a sua importancia1 nem a sua gravidade4 ,certas associaes1 compostas de pessoas respeitaveis pela pureza das suas intenes1 mas altamente incompetentes para apreciarem o valor dos factos luz dos grandes interesses sociaes1 tinham experimentado subitamente1 synchronicamente1 e em logares do reino asss remotos entre si1 um sentimento1 uma convico profunda e irresistivel da urgentissima necessidade da introduco do lazarismo em ,portugal4 ,se no supposermos quasi um milagre1 como acreditar na espontaneidade desta inspirao simultanea8 ,evidentemente na penumbra dessas diversas associaes havia uma entidade1 uma ida1 um designio1 que as illudia e as inspirava4 ,e o que podia ser1 seno a reaco1 j em tantas questes e por tantos modos manifestada8 ,no a esta ,associao que pertence accusar1 nem pedir a responsabilidade das diversas administraes que serviram de doceis instrumentos ao partido ultramontano4 ,essa responsabilidade vem de longe4 ,temos f nas instituies4 ,incumbe ao parlamento manter a fiel execuo das leis do reino2 pertence-lhe a manuteno dos principios politicos que o regem4 ,no nos associmos para o substituir4 ,o partido liberal o que faz preparar-se para uma lucta a que foi longamente provocado1 e que as instituies lhe permittem acceitar4 ,se os parlamentos passados1 se o parlamento presente tem at hoje julgado opportuno oppr apenas resistencia passiva s entreprezas da reaco1 possivel que manh se erga tremendo e inexoravel para punir mais de um culpado4 ,como cidados1 os membros desta ,associao so tambem juizes dos representantes do paiz na imprensa e juncto da urna2 mais como corporao1 os seus deveres e os seus direitos esto limitados1 circumscriptos pelos fins que se proposeram4 ,a reaco est illudida1 se pensa1 com os seus clamores1 fazer-nos ultrapassar esta meta4 ,entretanto a historia do dominio commum1 e os factos consummados so do dominio da historia4 ,as leis do reino e o instituto das irms de caridade francesas so antinomicos1 antinomicos na letra1 e ainda mais na espirito4 ,antes de deferir s supplicas em que se pedia que as leis fossem infringidas1 o governo consultou alguns prelados4 ,era uma exorbitancia4 ,o governo no tinha que consultar seno o codigo dos seus deveres1 que imprudentemente rasgou vista das informaes dos bispos4 ,deploramos o procedimento do poder executivo3 no deploramos menos que as consultas dos prelados fossem publicadas1 porque nos doe que o clero hierarchico1 que os legitimos pastores possam subministrar malevolencia suspeitas de fraqueza diante de influencias mundanas4 ,dizendo ao governo que as irms de caridade francesas no vinham estabelecer um instituto regular1 os prelados no previam que os factos haviam em breve de desmenti-los4 ,affirmando que os membros da congregao da misso1 visto prestarem obediencia ao ordinario1 e delle receberem jurisdico quanto aos actos externos do officio sacerdotal1 podiam ser admittidos neste paiz1 ultrapassavam os limites da sua competencia1 invadiam as attribuies do procurador geral da cora1 e enredavam-se a si e ao governo n'um sophisma cujas consequencias tambem no previam4 ,a questo no era se os lazaristas reconheciam a auctoridade do diocesano4 ,fazem-no assim hoje1 porque sempre o fizeram4 ,impe-lhes o cumprimento desse dever a propria regra#ab2 e se tanto bastasse1 poderiam admittir-se no reino os jesuitas1 cujo instituto igualmente os obriga a reconhecer a jurisdico diocesana#ac4 ,a questo era se a base dos estatutos dos lazaristas e da congregao do sexo feminino1 que elles dirigem1 ou no a obediencia cega1 illimitada1 absoluta1 a uma chefe para ns estrangeiro2 se os individuos que professam esses estatutos podem entender a sujeio aos diocesanos de outro modo que no seja at o ponto em que ella se no ache em colliso com a vontade1 ou simplesmente com os intuitos do geral1 que para elles deve ser como um ,deus na terra#ad4 ,a questo era se a lei que aboliu em ,portugal os regulares1 e entre elles a congregao da misso1 no offendida quando se admittem neste paiz1 para nelle permanecerem1 homens que publicamente se proclamam membros de uma sociedade abolida1 que publicamente usam dos trajos e de todos os signaes externos da sua ordem1 e que assim affirmam a existencia de uma sociedade que a lei nega4 ,o direito natural e a constituio do estado dizem que a manifestao do pensamento livre1 livres todas as aces que no penetram na esphera da livre aco dos outros1 que a lei civil destinada a garantir2 e a existencia dos lazaristas no meio de ns uma affirmao publica de que so licitos pactos de escravido mental contrarios ao direito natural e aos nossos principios constitutivos4 ,o estrangeiro que vem viver no meio desta sociedade tem jus sua proteco1 mas tem tambem a obrigao de a reconhecer e de a respeitar4 ,no foro intimo1 na vida domestica1 estrangeiros e portugueses podem ser jesuitas1 mormons1 lazaristas1 ou o que bem lhes parecer3 o foro intimo e a vida domestica so sanctuarios onde os poderes publicos no penetram4 ,mas essa condio fundamental da existencia de um povo livre no auctorisa ninguem para sar rua1 proclamando com as suas declaraes officiaes1 com os seus actos1 e at com os seus trajos1 que o direito natural no imprescriptivel1 que a constituio e as leis no tem validade moral4 ,a providencia legislativa que supprimiu as corporaes regulares no aboliu s os gremios compostos de um certo numero de individuos3 aboliu a instituio1 aboliu os estatutos1 aboliu as regras4 ,quem se accingir publicamente a esses estatutos1 a essas regras1 seja um1 sejam mil1 est em contraveno com a lei4 ,nem se diga que um ou muitos membros de congregaes religiosas podem ter necessidade de vir a este paiz sem que o poder publico haja de lhes tolher a entrada1 ou de os obrigar a sairem antes de concluirem os negocios que os compelliram a habitar temporariamente entre ns4 ,de certo1 nenhum governo de nao civilisada procederia de tal modo2 mas o primeiro cuidado desses individuos1 se forem prudentes e honestos1 ser absterem-se de contrastar por manifestaes externas as leis e os costumes da nao cujos hospedes so4 ,se procedessem de diversa maneira1 o executivo1 que tem o dever e o direito de exercer vigilancia sobre a ordem publica e sobre a execuo das leis1 teria o dever e o direito de os cohibir ou de os expulsar do paiz4 ,pde1 porm1 a existencia de lazaristas e de irms de caridade francesas em ,portugal considerar-se como um facto accidental e temporario8 ,os prelados1 nas consultas que dirigiam ao governo sobre este assumpto1 buscavam attenuar1 sem effectivamente o conseguirem1 os graves inconvenientes da entrada simultanea dos lazaristas e das irms de caridade1 o que indica no julgarem possivel a separao dos dous factos4 ,e de feito1 geralmente sabido que essa entrada se negociou primeiro com o geral dos lazaristas2 que elle veio a este paiz tractar do assumpto2 que delle partiu a permisso da vinda daquellas mulheres4 ,emfim1 o prelado de ,lisboa dizia expressamente na sua consulta1 que as irms de caridade francesas esto sujeitas ao geral da congregao da misso4 ,os defensores do lazarismo asseveram1 portanto1 com fundamento1 que os dous institutos so inseparaveis4 ,a existencia1 a permanencia1 a perpetuidade dos lazaristas em ,portugal so consectarios forados da existencia1 da permanencia1 da perpetuidade da congregao lazarista do sexo feminino4 ,assim a questo simplifica-se4 ,reduz-se a uma pergunta3--,a admisso e a residencia em ,portugal das irms de caridade do instituto francs accidental e temporaria1 ou importa o estabelecimento de um instituto permanente8 ,se uma residencia accidental e temporaria1 onde esto as vossas magnificas promessas de regenerao moral para esta terra1 onde a educao para a infancia1 a converso para a degenerada mulher portuguesa1 a luz para ns todos1 povo de ignorantes1 de impios1 de barbaros8 com seis mulheres que haveis de fazer essas maravilhas8 ,ou quereis que o geral da congregao da misso despovoe successivamente a ,frana das irms de caridade e dos seus directores para nos restituir a luz da f1 a pureza dos costumes1 a educao christ1 que1 segundo parece1 os successores dos apostolos1 os successores dos discipulos1 os representantes dos doutores primitivos1 os pastores1 em summa1 de instituio divina deixaram perder1 e que so1 conforme dizeis1 incapazes de restaurar8 ,no2 vs no quereis collocar o chefe do lazarismo na dura colliso de arriscar a patria a novas invases de impiedade1 para dedicar os inexgotaveis thesouros do seu amor do proximo a gente peregrina e rude1 que talvez no lh'o agradea4 ,no2 vs quereis plantar entre ns ao mesmo tempo ambos os institutos de ,s4 ,vicente de ,paulo2 quereis edificar para os seculos4 a modestia que vos obriga a envolver no mysterio os vossos generosos designios4 ,a salvao das geraes futuras merece-vos tanta sollicitude como a das geraes presentes4 ,um facto decisivo demonstra que isto assim1 e que os prelados comprometteram a propria veracidade affirmando o contrario4 ,entre ns existia uma congregao de irms de caridade sujeitas auctoridade diocesana e s a ella1 em conformidade das leis do reino4 ,o titulo da sua instituio era legitimo1 viviam em commum1 tinham habito proprio1 bens proprios4 ,era uma casa regular no rigor do termo4 ,esta congregao desappareceu4 ,nem a auctoridade civil nem a ecclesiastica podiam aboli-la4 ,s a lei o podia1 e no a aboliu4 ,dissolveu-se1 extinguiu-se por si8 ,ento a fazenda nacional deve ter tomado posse da casa da rua de ,santa ,martha e dos poucos bens a ella annexos4 ,no aconteceu nada disso4 ,foi s que transformaram a congregao portuguesa em congregao francesa1 e incorporaram aquellas pobres mulheres com as recem-vindas4 ,commetteram simplesmente um crime#ae4 ,que o fizeram1 que o que constituiram1 seno uma casa regular8 ou no essa casa sujeita ao geral dos lazaristas franceses8 ,a lei qualifica de rebellio o acto de se reconhecer em qualquer corporao religiosa um prelado maior que no seja o bispo diocesano1 e impe aos contraventores a pena da sua rebeldia4 ,o crime aqui aggravado pela circumstancia de ser esse prelado um estrangeiro4 ,a reaco amotinou-se contra as leis2 estamos em plena revoluo4 ,a pocha de #ahcb a #ahcd foi condemnada1 e amaldicoado o nome do grande principe que a fez surgir4 ,velhos soldados do duque de ,bragana1 sois j poucos para defender as suas cinzas2 sois ainda sobejos para morrer ao p dellas4 ,soldados de ,mindelo rodeiae o tumulo do imperador6 ,a capital deste paiz1 remido para a liberdade ha vinte e cinco annos custa de torrentes de sangue1 presenciou com assombro um espectaculo digno dos bons tempos da tyrannia4 ,quando em carruagens esplendidas passavam1 commodamente reclinados1 os confrades daquelles que1 no extremo ,oriente1 andam occupados em apagar os vestigios dos nossos martyres2 quando1 ao lado delles1 se viam essas pobres mulheres enviadas de ,paris para instrumentos dos planos de ultramontanismo1 o lodo das ruas espadanando debaixo das suas carruagens ia salpicar a estamenha monastica1 o grosseiro crucifixo de metal de outras mulheres que perpassavam com a fronte inclinada para o cho1 com as faces retinctas na pallidez que ahi tinha imprimido o longo padecer de longas miserias4 ,eram as irms de caridade portuguesas1 declaradas schismaticas pelo synedrio da rua de ,s4 ,lazaro em ,paris1 como a sua patria era declarada schismatica pela congregao da ,propaganda1 no sabemos de que rua de ,roma4 ,as irms portuguesas estavam irregulares3 tinham obedecido aos bispos instituidos apenas por ,christo1 e no ao geral dos lazaristas creado por ninguem menos do que por ,urbano ,,viii3 tinham apenas seguido risca por trinta ou quarenta annos os preceitos da caridade evangelica2 mas no tinham chegado a comprehender todos os aperfeioamentos do evangelho1 que as cartas patentes de ,luiz ,,xiv haviam em #afeh revelado ,frana#af4 ,vacillavam quasi borda do atheismo4 ,era por isto que o zelo com que haviam sido instituidas esfriara em quasi todos os animos devotos3 era por isto que1 porta dos palacios sumptuosos1 raramente o lacaio grosseiro lhes atirava ao regao alguma esmola mesquinha4 ,as economias da devoo era necessario enthesour-las para tornar commodas as carruagens que tinham de servir aos verdadeiros agentes da exaltao da f4 ,vinha a ser o mesmo que enthesour-las no cu4 ,o povo soltou um gemido de dor e de indignao olhando para suas irms2 porque as mulheres macilentas que passavam a p1 ao lado das carruagens dos lazaristas1 eram irms do povo4 ,do alto da tribuna respondeu-lhe a injuria4 ,houve quem receiasse que o gemer se convertesse em rugido4 ,enganavam-se4 ,o povo paciente1 porque christo1 e porque tem a fora4 ,calumniaram-no ento4 ,affirmaram que elle insultara as mulheres estrangeiras4 ,a regra de ,s4 ,vicente de ,paulo diz3 ,se a congregao ou qualquer das pessoas a ella sujeitas for perseguida ou calumniada1 abster-nos-hemos cuidadosamente de tirar disso a menor vingana1 de maldizermos o offensor1 e at do minimo queixume4 ,conseguintemente o lazarismo foi a casa da policia1 denunciou intenes1 e pediu vingana4 ,a policia saiu1 correu1 espreitou1 inquiriu e veio1 desconsolada e triste1 declarar ao lazarismo que mentia4 ,a policia tornava-se evidentemente impia4 ,era deploravel4 ,os adeptos consolaram-se com um grande e honrado triumpho que haviam entretanto obtido4 ,a auctoridade ecclesiastica descera ao humilde retiro das mulheres macilentas1 e com gesto severo imposera-lhes o dever de vestirem o novo trajo que chegara de ,frana4 ,era a salvao4 ,obedeceram caladas4 ,aquelle escapulario1 que bebera tantas vezes o suor da agonia na fronte do moribundo encostada ao peito da mulher do evangelho2 aquella vestidura1 cuja fimbria tinham regado tantas lagrymas de creancinhas abraadas aos joelhos da mulher macilenta1 ao p da enxerga da me expirante2 aquella estamenha1 thesouro das pobres enfermeiras dos desvalidos1 porque lhes era esperana no ceu e mortalha na terra1 disseram-lhes que a despissem1 porque sem certos trajos franceses no havia irms de caridade4 ,trinta ou quarenta annos de privaes1 de insomnias1 de abnegao1 de preces1 de lagrymas1 tudo isso fora vo e mentido diante de ,deus4 ,no sabemos se aquelles velhos habitos se venderam vantajosamente para a congregao4 ,sabemos s que o homem do povo1 quando os for encontrar no mercado dos andrajos1 deve salv-los1 guardando-os como uma memoria sancta entre as memorias dos seus1 sob pena de ser ingrato4 ,as pobres mulheres do evangelho tinham tido o seu pretorio1 a sua chlamyde coccinea e a sua cora de espinhos4 ,ignoramos se1 antes disso1 lhes haviam apontado para as carruagens esplendidas do lazarismo1 e repetido em voz baixa as palavras de um livro chamado a ,biblia1 de que possivel terem noticia certos defensores da religio3 ,haec omnia tibi dabo1 si cadens adoraveris me4 ,as leis1 os poderes publicos1 a auctoridade administrativa1 tudo curva a cabea1 tudo se esconde para deixar desembaraado o caminho reaco1 que no seu impeto revolucionario passa radiosa4 ,vilipendiado o direito canonico recebido nestes reinos1 em que se estriba a jurisdico immediata dos prelados diocesanos nas respectivas dioceses1 violadas as leis que mantem esse direito e punem como criminosos d'estado os seus infractores1 abrogadas pela vontade privada as condies legaes com que as irms de caridade existiam entre ns como corporao reconhecida1 restava escarnecer das leis1 que regem a educao publica1 e que no so1 na sua essencia1 seno a expresso das doutrinas dominantes nas leis analogas de uma grande parte dos paizes civilisados4 ,as leis e regulamentos de instruco publica exigem habilitao para o magisterio1 tanto publico como livre1 e fixam as condies1 as frmas dessa habilitao4 ,os governos relaxados que ha muito dirigem os negocios do paiz haviam tolerado abusos na educao privada1 que1 sem deixarem de ser perniciosos1 no tinham1 todavia1 inconvenientes politicos4 ,no relatorio dos fins de #ahef o commissario geral dos estudos em ,lisboa assignalava esses abusos1 e pedia a sua represso3 ,os mestres e mestras das casas de asylo da infancia desvalida--dizia elle--exercem alli o magisterio sem prvio exame feito perante esta commisso4 ,quem os pde exemptar dessa obrigao8 ,ninguem3 a lei clara e terminante4 ,e no vir daqui em grande parte o nenhum progresso de taes escholas8 ,creio que sim4 ,inquieto com as manifestaes do desgosto publico1 o governo ordenava em setembro de #aheh quelle zeloso funccionario que visitasse as escholas do asylo dos orphos da ,ajuda1 dos asylos da infancia desvalida#ag e do hospicio de ,sancta ,martha1 e que posesse ahi em vigor as leis e regulamentos d'instruco publica4 ,devia terminar o exame1 que alis era obrigao do seu cargo1 por um relatorio1 em que proposesse as providencias que excedessem a sua alada1 e fossem precisas para se verificar o exacto cumprimento da lei4 ,fez-se o exame3 os abusos existiam2 o relatorio no podia deixar de ser accorde com as instantes representaes feitas pelo commissario dous annos antes4 ,se o mal era profundo at ahi por falta de sufficientes habilitaes litterarias nos mestres e mestras das casas de asylo1 os inconvenientes actuaes1 ainda abstrahindo de todas as consideraes politicas1 eram sem comparao maiores4 ,as irms de caridade no s careciam de habilitaes legaes1 mas tinham1 at1 sido exemptas de concurso4 ,chegavam de ,paris para ensinar a ler e escrever portugus3 vinham explicar infancia as verdades fundamentaes da religio n'uma lingua que lhes era extranha1 quando sabido que na doutrina catholica uma palavra trocada1 uma phrase inexactamente empregada podem converter um dogma n'uma heresia4 ,no excesso do abuso associava-se o perigoso ao ridiculo1 o illegal ao inconveniente4 ,o relatorio do habil funccionario fez de certo sentir ao governo toda a extenso do mal4 ,o commissario dos estudos sera indigno das funces que exercitava1 trahiria ignobilmente a sua consciencia1 se1 pondo de parte as doutrinas de legalidade que invocava dous annos antes1 no ordenasse1 dentro da esphera das sua attribuies1 remedio a tantos desconcertos1 e no sollicitasse do governo as providencias que ultrapassavam a sua jurisdico4 ,por certo ordenou3 por certo pediu4 ,e todavia a situao monstruosa e illegal dos estabelecimentos da ,ajuda e de ,sancta ,martha no mudou4 ,os preceitos do commissario dos estudos no foram respeitados1 a lei no se cumpriu1 e o governo1 que a mandara executar rigorosamente1 abaixou a cabea em profundo silencio4 ,como explicar phenomenos taes1 seno pela vontade energica da reaco1 preponderante j1 postoque occulta1 na esphera dos poderes politicos8 diante dos factos que temos ponderado2 diante de signaes to evidentes1 de manifestaes to positivas de uma vasta conspirao contra a liberdade2 e quando as descargas cerradas da reaco fuzilam na imprensa periodica1 nos livros1 nas associaes1 nas secretarias1 na tribuna1 nas regies diplomaticas1 nas alturas da jerarchia civil e da jerarchia ecclesiastica1 nos pulpitos das aldeias e nas escholas da infancia1 que a insipiencia e a perfidia nos accusam de combater contra seis mulheres e dous frades6 ,quando apontamos para as leis rasgadas1 para os principios postergados1 para os canones e para as liberdades da igreja nacional vilipendiados1 para a mulher portuguesa insultada e calumniada1 accusam-nos de rancorosos e de violentos6 ,a violencia est da nossa parte4 ,a ,europa indigna-se1 porque o fanatismo rouba um filho a seu pae para o educar n'uma religio1 embora verdadeira1 em que este no cr4 ,a ns no nos permittida a indignao quando aos que dormem debaixo da terra1 feridos pelo flagello de ,deus1 se lhes entregam os filhos1 que elles no podem defender1 a que affeioe aquelles espiritos innocentes aos intuitos da reaco ultramontana e absolutista2 aos intuitos desses mesmos homens1 cuja audacia fanatica a ,europa solemnemente acaba de condemnar4 ,no nos licito oppormo-nos a que as novas geraes se eduquem no odio dos principios que regem a terra patria1 e pelos quaes a gerao presente padeceu e combateu longamente4 ,no valero1 proventura1 nada os principios1 quando se tracta da innocencia desamparada1 depois que sobre os labios frios dos seus naturaes defensores se estampou o sello da morte8 ,no meio de tantos delirios1 uma das cousas que repugnam mais razo1 consciencia e verdadeira piedade1 a blasphemia que se encobre debaixo do diluvio de phrases com que se exaltam1 sobre as ruinas da jerarchia ecclesiastica e da divina misso dos pastores1 essas congregaes religiosas de ambos os sexos nascidas ha dous dias1 jesuitas1 lazaristas1 irms de caridade1 e no sabemos que mais invenes modernas do ultramontanismo1 desconhecidas durante quinze seculos da igreja4 ,o bispo1 o parocho1 aquelles que o ,salvador instituiu para ensinarem a lei e a salvao2 aquelles que o ,divino ,mestre julgou sufficientes para manterem a pureza da f1 para serem o sal da terra e a luz do mundo1 so declarados inhabeis ou insuficientes para exercerem as funces que exclusivamente lhes foram commettidas1 e muitos delles no hesitam em subscrever ao pensamento impio1 escondido como o aspide nos morraaes da algaravia devota4 ,a congregao tende irresistivelmente a supprimir o episcopado e a ordem inferior dos pastores1 como uma inutilidade4 ,do mesmo modo que dimitte a historia1 a reaco dimitte a igreja4 ,se escapa aquelle que ns todos reconhecemos como o primeiro entre os seus irmos1 como o metropolita dos metropolitas1 como o chefe espiritual do catholicismo1 para o converterem n'um despota2 para precipitarem o reino ,deus das alturas do cu no abysmo da terra2 para collocarem a thiara1 nas relaes temporaes1 acima do poder civil2 para1 emfim1 resolverem de modo definitivo o tremendo problema proposto por ,gregorio ,,vii sociedade christ4 ,a estes intuitos a existencia ou1 pelo menos1 a auctoridade da ordem superior e da ordem inferior do clero legitimo h-de ser sempre um obstaculo1 seno insuperavel1 ao menos altamente incommodo4 ,sempre ha-de haver uma parte delle que saiba a sua origem1 que creia na sua misso divina1 e que ouse protestar contra o despotismo da curia romana4 ,se a influencia dos chefes das congregaes sobrepujar a dos prelados1 no resta a estes seno uma energica e legitima resistencia1 a no quererem a desauctorao do proprio caracter e a dissoluo da igreja4 ,aquelles chefes1 porm1 cujos subditos devem ser diante delles como o cadaver1 como o baculo na mo do cego1 como a lima na mo do obreiro1 e cujo despotismo1 no podendo estribar-se no cu1 foi buscar sanctificao em ,roma2 esses1 de certo1 nunca ho-de protestar contra a applicao sociedade christ e sociedade civil de um principio que a essencia do proprio poder4 ,o antigo monachato1 na singeleza da sua origem1 nem era um perigo para as instituies sociaes1 nem seria uma ameaa para a liberdade4 ,o monachato1 como elle nos apparece nos primeiros seculos christos1 representava os profundos desenganos1 o cansao e o tedio do viver civil4 ,o monge desposando a solido firmava um acto de divorcio com a sociedade4 ,esta no seria nem tolerante nem justa se perguntasse ao que se collocava alm della1 que nada lhe pedia1 nem impunha1 nem offerecia1 nem acceitava1 qual era a norma da sua existencia4 ,o mosteiro nos desvios selvaticos devia ser uma sanctuario talvez ainda mais immune que a familia4 ,nesses tempos1 nem sequer existia nexo entre cenobio e cenobio1 embora ente elles houvesse uma regra commum4 ,para adquirir o alimento pelo trabalho e o cu pelo sacrificio no era preciso transportar para o deserto o mechanismo de uma organisao complicada1 nem vestir a cogulla ao despotismo4 ,um chefe electivo mantinha em cada gremio a disciplina indispensavel para a quietao de todos4 ,nas relaes puramente espirituaes1 esses homens pios nem sequer imaginavam que o sacerdocio devesse associar-se como o ermo1 e se abandonavam a sociedade civil1 no deixavam por isso de acceitar e reconhecer a igreja4 ,nunca se persuadiram de que a instituio divina dos pastores fosse insufficiente para apascentar o rebanho4 ,na sinceridade do seu corao no suspeitavam1 sequer1 que viriam tempos1 em que os homens achassem incompleto o christianismo1 e quizessem aperfeioar a jerarchia e o governo da igreja1 immutaveis na essencia1 como a sua doutrina4 ,os institutos monasticos dilataram-se1 prosperaram1 degeneraram regressando ao mundo social1 decahiram e pereceram1 ou vejetam apenas n'um triste crepusculo4 ,o liberalismo olha-os com suspeitas que os factos justificam4 ,entretanto a sua condemnao completa no se escreveu ainda4 ,talvez um dia1 quando a liberdade for por toda a parte uma condio impreterivel da civilisao e da existencia das naes christs1 o monachato resurja na sua primitiva pureza4 ,ha dores para as quaes a vida civil no tem balsamo1 desalentos para que no tem conforto1 desesperanas para que no tem illuses1 amarguras que no cabem nella4 ,alm das suas fronteiras1 dos seus asylos para os infortunios vulgares1 porque se no deixar construir um refugio de preces e de lagrymas para as miserias moraes incuraveis1 e para as situaes insoluveis e extremas8 ,mas que ha commum entre isto e as congregaes modernas1 que se organisam pelo ideal do despotismo1 e que1 regidas por esse principio1 to odioso e brutal como energico1 penetram no amago da sociedade como o ferro do machado no cerne do roble8 ,quando ellas pedirem ao povo o corao da mulher para o dirigir1 e a debil intelligencia da infancia para a affeioar1 o povo1 se no for insensato1 h-de forosamente replicar-lhes3--,para que pedis isso8 ,vindes do despotismo3 no podeis seno arrast-los para o despotismo2 para o despotismo na igreja1 e para o despotismo no estado4 ,a introduco das irms de caridade francesas no seno o prodromo do restabelecimento das congregaes1 que1 longe de buscarem os ermos1 s tem em mira apoderar-se da sociedade4 ,a reaco sabe que s vezes melhor ir de roda para chegar mais depressa4 ,n'um documento official allegaram-se os servios das irms de caridade francesas no ,oriente1 principalmente nos arraiaes da ,crima1 para legitimar a admisso daquelle instituto no reino1 quando o principal fim ostensivo dessa admisso era o gravissimo negocio de educao da infancia4 ,vinha a ser a melhor allegao1 sendo pessima4 ,naquelle documento dimittia-se a logica2 e convertia-se a enfermaria em eschola normal4 ,a reaco1 to astuta de ordinario1 tem suas puerilidades4 ,a capacidade das irms de caridade francesas para o magisterio talvez ainda venha a inserir-se como dogma no catecismo4 ,por emquanto est sujeito discusso4 ,a regra de ,s4 ,vicente de ,paulo no encerra em si a demonstrao de tal capacidade1 e os factos ainda tambem no a demonstraram4 ,ensinar no synonimo de ensinar bem4 ,permittam-nos1 pois1 que entretanto duvidemos da virtude pedagogica dessa regra1 virtude que seria mais um milagre dos officiaes deste genero de producto1 porque no resulta de nenhuma das sua disposies positivas4 ,a caridade poder1 talvez1 s por si fazer uma boa enfermeira2 o que de certo no faz uma boa mestra4 ,o instituto das irms de caridade cerca-se de uma aurola facticia1 porque um instrumento de reaco4 ,admitti que a dedicao1 alis louvavel1 dessas mulheres seja um titulo que suppra a sciencia1 que inutilise a interveno do estado na educao1 e diante do qual devam ceder os principios1 as leis1 os regulamentos1 e achar-vos-heis em breve nas regies do jesuitismo4 ,que vale a historia1 mais ou menos exaggerada1 dos sacrificios1 do zelo1 da constancia das irms de caridade ao lado dos sacrificios1 do zelo1 da constancia dos jesuitas1 no neste ou naquelle paiz da ,europa1 mas no mundo conhecido8 ,depois1 o jesuitismo tem titulos de sciencia bem diversos do que podem invocar as irms de caridade e a ordem que as dirige4 ,entregae1 portanto1 a educao e a instruco1 no s da puericia1 mas tambem da mocidade1 companhia de ,jesus4 ,l chegaremos1 se no estivermos precavidos contra os sophistas4 ,o furor dimissorio da reaco no pra1 nem na historia1 nem na jerarchia christ1 nem nos canones da logica3 vai at a ,providencia e at o ,evangelho4 ,que ha particular e exclusivo na regra de ,s4 ,vicente de ,paulo para produzir os resultados beneficos daquella associao como est constituida em ,frana8 ,a fora impulsiva da vontade absoluta de um s homem na verdade um elemento efficaz1 postoque vulgar4 ,o despotismo produz s vezes o bem1 aindaque em regra s produza males4 ,mas os effeitos dessa organisao1 innegavelmente poderosa1 acabam ahi4 ,o resto operam-no a indole da mulher e a luz immortal do ,evangelho4 ,quem ha que no visse1 ao menos alguma vez1 na obscuridade da vida domestica1 uma irm de caridade assentada beira do leito da dor ou da ultima agonia8 ,onde est a mulher est a irm de caridade4 ,o seu espirito adeja em volta do padecer humano1 para se precipitar nelle1 como a mariposa roda da luz4 o seu instincto1 a sua indole1 o seu destino4 ,o amor1 a amizade1 a affeio filial ou fraterna1 a maternidade escondem aos olhos dos outros e a seus proprios olhos as tendencias irresistiveis que a arrastam para levar um affecto aonde quer que sa um gemido4 ,acima de todos os votos que se lhe podem ou pedir ou impor em nome do cu1 ella tem dous1 escriptos l dentro1 que a seguem do bero ao tumulo1 a piedade e a paixo do sacrificio4 ,impellidas pelo sentimento religioso1 essas tendencias vo at o sublime da abnegao3 vo mais longe do que a irm de caridade2 vo at a mulher que se precipita na fogueira dos funeraes do ,indosto4 ,essa mulher1 como a irm de caridade na ,europa1 representa a suprema devoo pelo sacrificio4 ,a differena1 porm1 no est na regra de ,s4 ,vicente de ,paulo3 est em que na ,europa a mulher educa-se luz esplendida do ,evangelho2 no ,indosto ao crepusculo triste dos ,vdas4 ,sem a sujeio aos lazaristas1 o que a regra de ,s4 ,vicente de ,paulo pde fazer dar unidade e ordem aos admiraveis instinctos da mulher sanctificados pela religio2 estender o que ha mais bello no mundo1 as consolaes do affecto domestico juncto de um leito de dores1 aos que no tem familia que lhas possa dar1 ou aos que a miseria e a doena entregaram caridade official4 ,mas attribuir virtude do instituto o que principalmente provm da natureza e da religio1 depr a ,providencia e o ,christianismo para enthronisar um homem3 suppor que a sua obra vale mais que a obra de ,deus3 a blasphemia da superstio4 ,com o predominio1 porm1 do lazarismo2 com uma obediencia cega a individuos que abnegam1 diante de um chefe supremo1 a vontade1 a razo e a consciencia1 as irms de caridade no so seno mais um perigo para a sociedade debaixo de apparencias illusorias4 ,o bem que ainda assim fazem nem remotamente compensa os males que podem produzir4 ,instrumentos1 provavelmente inscientes1 do ultramontanismo1 so como os maus actores1 que se limitam a estudar o respectivo papel1 sem conhecerem nem o enredo1 nem os effeitos do drama4 ,os servios feitos humanidade na guerra do ,oriente pelas irms de caridade francesas1 texto fecundo das pareneses da imprensa reaccionaria1 e que to pouco a proposito figuram em documentos que deveriam ser graves1 tem acaso o valor e a significao que se lhes attribue8 ,a guerra do ,oriente foi emprehendida por duas das mais poderosas naes1 uma d'ellas a mais opulenta e illustrada da ,europa4 ,as miserias e desgraas ordinarias da guerra so faceis de prever1 e os governos dessas naes tinham-nas previsto3 tnham-se preparado para ellas4 ,facultativos1 hospitaes1 enfermeiros1 remedios1 os confortos1 em summa1 que so compativeis com a dura e aventurada vida do soldado1 no tinham sido predispostos com mo avara4 ,aquelles para quem esses immensos soccorros se destinavam eram homens no vigor da existencia1 educados para affrontar virilmente as privaes1 a dor e a morte4 ,as calamidades imprevistas no foram1 nem podiam ser combatidas com menor energia4 ,as inspiraes da simples humanidade eram avivadas pelo interesse de manter a fora material e moral dos exercitos1 n'uma campanha onde se decidia o duello entre as sociedades do ,occidente e os netos de ,attila4 ,quanto a sciencia1 a industria1 a riqueza e a actividade administrativa podiam suggerir e applicar para allivio dos males inseparaveis da guerra1 tudo se achava ao lado do homem robusto que padecia nos arraiaes da ,crima4 ,imaginar que cincoenta ou cem mulheres distribuidas pela vastido dos hospitaes militares1 suppriam1 modificavam sequer as privaes e os incommodos nascidos da falta accidental de recursos1 ou das desordens imprevistas da natureza1 um paradoxo1 que pedimos licena para no acreditar1 embora tenha a seu favor o testemunho insuspeito de generaes que haviam metralhado a liberdade por conta da reaco1 e que se ufanavam com a intimidade dos chefes do jesuitismo2 embora se estribe nos elogios gratuitos de funccionarios collocados n'uma situao elevada1 mas dependente desses pios generaes1 e que nada perdiam em exaggerar1 vontade delles1 os servios dos jesuitas1 dos lazaristas1 das irms de caridade1 ou de outras quaesquer corporaes1 que elles pretendessem exaltar4 ,os pomposos relatorios das maravilhas practicadas pelas irms de caridade no ,oriente o que provam de modo peremptorio que a reaco hbil4 ,sabeis o que se passava ento no paiz que ellas abandonavam para supprir as insufficiencias dos governos da ,inglaterra1 da ,frana1 da ,sardenha e da ,turquia8 ,dir-vo-lo-hemos4 ,em ,frana1 dos doze milhes de desgraados cuja alimentao consiste apenas em centeio1 batatas e agua1 e que em grande parte vivem em casebres infectos#ah1 morriam de fome e de miseria oitenta mil pessoas1 s no decurso de #ahee6 uma auctoridade insuspeita1 o chefe actual da repartio de estatistica em ,frana1 que no-lo assegura#ai4 ,onde era o posto da irm de caridade francesa no meio de tantos infortunios8 ,era na patria1 ou nos acampamentos do ,oriente8 ,era ao p do soldado1 ferido ou doente1 mas de constituio robusta e de animo fro1 vigiado1 acariciado pela previdencia sollicita dos poderes publicos1 ou na aldeia1 no casal solitario1 na agua furtada do operario fabril1 ao p da enxerga do velho1 da mulher1 do infante1 ns1 esfaimados1 esquecidos do mundo1 abandonados pela caridade publica1 e enviando1 talvez1 no ultimo alento um grito de maldico sociedade8 ,se1 educadas antes de se descobrir em ,frana1 que toda a mulher deve aprender nos primeiros annos a executar os artefactos proprios do seu sexo1 no podiam trabalhar de noite e dia para ministrar aos extenuados e quasi moribundos1 no confortos1 no carinhos1 no suavidades1 mas simplesmente um bocado de po negro que devorassem assentados no atrio da morte1 podiam ao menos forcejar para que o ultimo suspiro delles no fosse um grito de desespero1 mas um murmurio de resignao2 podiam ir pelas portas do palacios sumptuosos implorar a piedade dos ricos2 pelas moradas da devoo opulenta pedir-lhe que fechasse por minutos o ,mez de ,maria1 para ler algumas paginas d'um livro plebeu chamado o ,evangelho1 que bastou para inspirar todas as virtudes1 todos os heroismos do mais ardente amor do proximo nos seculos primitivos do christianismo4 ,os preceitos do livro plebeu podiam cumprir-se em ,frana4 ,no sabemos se foram cumpridos no ,oriente4 ,o que sabemos que a piedade com o infortunio1 exercida obscuramente1 no casebre1 na mansarda1 nos recssos onde se occultam as grandes miserias1 v-a smente ,deus4 ,a ,crima1 ,athenas1 ,varna1 ,gallipoli eram proscenios diante quaes se assentava espectadora a ,europa1 e a reaco sabe o que valem as artes scenicas4 ,o theatro tentava6 ,se no servia excessivamente a humanidade enviando as irms de caridade ao ,oriente1 o lazarismo escrevia um magnifico thema para as pareneses dos seus missionarios1 quando tractasse de as introduzir e de se introduzir1 sombra dellas1 em qualquer paiz1 onde a reaco carecesse do seu auxilio4 ,aggredida1 no s desde o primeiro dia da sua existencia1 mas1 at1 ainda antes de se constituir1 a ,associao ,popular ,promotora da ,educao do ,sexo ,feminino precisava de mostrar a sua opportunidade1 a sua indole e os seus fins4 ,para isto cumpria traar rapidamente a historia da reaco nos ultimos dez annos4 ,essa historia revela o progresso constante da ida reaccionaria1 a sua pertinacia e as suas victorias4 ,os factos provam que o partido liberal necessita1 emfim1 de acordar do seu longo torpor1 e essa necessidade justifica a existencia desta ,associao4 ,os anteriores triumphos dos sectarios de toda a especie de despotismo tem sido daquelles que um governo firme e esclarecido pde facilmente inutilisar em qualquer tempo4 ,a perverso1 porm1 das geraes novas1 sobretudo a perverso do espirito das mulheres1 produz consequencias fataes1 duradouras1 e difficeis de extirpar4 ,no homem1 a instruco superior e a experiencia do mundo corrigem s vezes as idas falsas1 as ms tendencias da primeira educao4 mulher faltam de ordinario esses dous auxilios4 ,vehiculo seguro da peonha que lhe instilou no entendimento a maldade1 vai1 sem o saber nem o querer1 propin-la no seio da familia aos que entranhavelmente ama4 ,persuadida uma vez de que as abuses e os actos mais contrarios indole grave e servera do christianismo so condies da vida religiosa1 no ha superstio1 nem crendice que no imprima1 com a quasi indestructibilidade das primeiras impresses1 em animos innocentes1 que ella1 na sinceridade do seu corao1 cr guiar pelo caminho do cu4 ,corrompe1 logo a dous passos de bero1 o infante regenerado pelo baptismo2 torna moralmente rachitico o que1 como christo e como homem social1 deve ser moralmente forte4 ,da juventude at a velhice vai semeando na terra o mal e o erro1 e morre tranquilla4 ,morre tranquilla com razo2 porque foi apenas o baculo na mo do cego1 a lima na mo do obreiro1 o punhal na mo do assassino4 da educao que pde dar e receber a mulher que a reaco tende a apoderar-se introduzindo em ,portugal as irms de caridade francesas4 ,nos asylos da primeira infancia a mestra substitue a me2 na eschola do sexo feminino educam-se as que ho de ser mes4 ,entregae esse asylo e essa eschola influencia de congregaes fortemente constituidas1 e hoje arregimentadas para combater o liberalismo1 e calculae como pensaro daqui a vinte annos as geraes novas1 e o que ser feito1 d'ahi a outros vinte1 da liberdade politica e do verdadeiro christianismo4 ,a ,associao ,popular ,promotora da ,educao do ,sexo ,feminino deplora a fraqueza dos poderes publicos diante dessa tentativa audaz2 lamenta que no haja nesta terra quem fale em nome do direito natural1 da constituio1 das leis e da sociedade2 que os ,thoms ,pinheiro da ,veiga1 os ,joss de ,seabra1 os ,pereira ,ramos no tivessem successores2 que no se alevante uma voz auctorisada pelo seu cargo para revocar os governos e os funccionarios ao sentimento do proprio dever4 ,pessoa moral particular1 composta de simples cidados1 esta ,associao no pde nem quer substitui-los2 limita-se a repellir o empenho ultramontano na esphera de aco que as instituies lhe concedem4 ,busca oppor o asylo liberal1 a eschola liberal1 ao asylo ultramontano1 eschola ultramontana4 ,a lucta no nem facil1 nem ingloria4 ,independente das suas allianas1 publicas e secretas1 e do pensamento politico que servem1 os humildes missionarios de ,s4 ,vicente de ,paulo no so adversarios de desprezar4 ,se no brilham1 como nunca brilharam1 pela sciencia1 tem outra fora que a vale4 ,rotschilds das congregaes religiosas1 dispem de milhes1 prudentemente empregados nos fundos publicos de diversas naes da ,europa1 e adquiridos nas pias especulaes do commercio e da industria#bj4 ,no inglria a lucta para manter o escandalo de no ser representada nas assemblas geraes da congregao lazarista a provincia de ,portugal#ba4 ,dizem-nos que viemos tarde2 que outras associaes nos precederam no empenho da educao4 ,cremos1 apesar disso1 que viemos a ponto4 ,no temos a pretenso de havermos inventado a eschola2 no temos mais enthusiasmo pelas escholas do que por outro qualquer meio de civilisao moral ou material4 ,no nos associmos at aqui para as fundar1 pela mesma razo porque no nos associmos para construir estradas1 ou caminhos de ferro1 ou caixas economicas1 ou bancos ruraes1 ou presepes da infancia no bero4 ,a lei do paiz impe a todos os cidados o dever de mandar seus filhos eschola1 e obriga1 portanto1 o estado a subministrar-lha4 ,pagamos os tributos1 e nunca prohibimos aos nossos mandatarios que votassem amplamente os recursos pedidos para quaesquer institutos de educao publica que reputassem necessarios ou uteis4 ,fimo-nos nas leis1 nos governos1 nos parlamentos4 ,podiamos instituir escholas como especulao3 no quizemos especular no genero4 ,se intentamos fund-las hoje1 como instrumento politico2 porque a reaco caminha ha dez annos de conquista em conquista1 e aggride agora a liberdade por um lado perigosissimo4 ,o procedimento dos poderes publicos durante dez annos e as suas tristes hesitaes na actual conjunctura legitimam1 sanctificam a nossa resoluo2 porque se tracta do envenenamento moral da sociedade pelo envenenamento moral da familia4 ,uma lei desta terra1 uma lei de sete seculos1 uma lei cuja durao representa um profundo sentimento de honra1 diz que se pde ser homicida sem crime quando a prostituio do adulterio vai ennodoar o seio da familia#bb4 que a familia a molecula social1 e gangrenada ella1 a sociedade esphacela-se n'um monte de podrido4 ,vamos muito menos longe que a lei4 ,e todavia o perigo maior2 porque nos seminarios da reaco no se hostilisa s a liberdade3 ensina-se tambem a revelar donzella e me de familia delictos mais monstruosos que o adulterio4 ,defendemos nossas mulheres1 nossas irms nossas filhas3 defendemos as mulheres1 as irms e as filhas dos que ho de vir depois de ns4 ,onde estar aqui o crime1 a violencia1 o erro1 o motivo sequer de suspeio8 ,no dissimulamos1 no tergiversamos2 a nossa linguagem simples e explicita como as nossas intenes4 ,e diz-se-nos que eduquemos por educar1 e instruamos por instruir2 que instituamos cidados aptos para todas as frmas de governo2 que ensinemos a ler e escrever e a doutrina christ1 e no curemos de mais nada4 ,todos esses conselhos no chegam a ser absurdos3 ficam aqum2 na demencia4 ,educar por educar6 ,instruir por instruir6 ,s ha uma cousa nas obras humanas que tenha em si mesma a sua causa final2 a arte4 ,tudo o mais tem por objecto a sociedade ou o indivduo4 ,a educao no nenhum poema1 nenhum quadro1 nenhuma partitura3 a educao e a instruco so o acto pelo qual uma gerao transmitte a outra os thesouros de progresso moral e intellectual que herdou e augmentou2 so uma grande questo social1 e por isso que o estado exerce nellas interveno to ampla4 ,se no fosse assim1 a lei que1 em todos os paizes cultos1 fra os individuos a receberem na eschola esse baptismo da civilisao1 fora tyrannia2 fora tyrannia a inspeco do estado na educao livre4 ,crear cidados aptos para todas as frmas de governo6 ,mas ha frmas de governo que vos pedem vassalos1 que vos pedem servos1 que vos pedem escravos1 mas que no vos acceitam cidados4 ,se quereis subministrar-lhes o que elles pedem1 fazei-o3 ns no queremos4 ,ns forcejamos para que a gerao que vier aps ns seja uma nobre raa de homens livres2 que odeie1 no o reaccionario1 que pde estar involutariamente no erro1 mas o despotismo e a servido2 queremos affeioar uma gerao nova rancorosa1 mais rancorosa do que ns4 ,que ensinemos a ler1 a escrever1 a contar1 e a doutrina christ smente4 ,ensinae-o1 se podeis1 a uma creana sem lhe imprimir no espirito1 cincoenta1 cem1 mil vezes mais idas do que as necessarias para possuir esses elementos de cultura4 ,metade do que conhece do mundo material e moral a mais vasta intelligencia adquiriu-o na infancia4 nessa pocha da vida que a torrente das idas1 boas ou ms1 exactas ou inexactas1 accumuladas pela tradio humana1 se precipita com mais fora no nosso espirito4 ,o ensino voluntario e previsto 1 sem comparao1 menor do que o involuntario e desapercebido1 que do educador ou do mestre recebe o educando ou o discipulo4 ,as preoccupaes e os erros de facto ou de apreciao passam1 com a mesma facilidade que as idas sans1 de um para outro espirito1 e passam1 a cada hora1 a cada momento1 com uma auctoridade1 com um prestigio1 que no tem as transmittidas pelos outros individuos que revelam ao homem na infancia o mundo em que vai viver4 ,estas verdades triviaes1 elementares1 s as ignora quem as quer ignorar4 ,a reaco pde fazer com que as affoguem em phrases oucas e em paradoxos2 mas prva de sobejo1 pelos seus actos1 que sabe o que ellas valem4 ,tambem ns o sabemos2 e nessas phrases e nesses paradoxos no vemos seno uma injuria recta razo do paiz4 ,no meio das puerilidades1 das affrontas1 das calumnias1 das maldices1 ns proseguiremos vante nesta cruzada sancta da civilisao e da liberdade4 ,chamamos a ella todos os homens sinceramente liberaes1 que no esto resolvidos a transigir com genero algum de absolutismo1 nem no estado1 nem na igreja4 ,esses homens so os que querem as consequencias da restaurao de #ahcc1 restaurao que foi ao mesmo tempo uma grande revoluo1 ou antes a unica revoluo verdadeiramente importante deste paiz4 ,a guerra da reaco dirigida ainda mais contra as conquistas sociaes que ento fizemos do que contra o governo parlamentar1 embora tambem este seja aggredido4 ,querem-se os dizimos1 os bens da cora1 os direitos de foral1 os privilegios de casta ou de classe1 os officios hereditarios1 as rendosas capitanias-mres1 as mitras opulentas1 as ricas abbadias1 os beneficios patriarchaes1 a magestade do throno calumniada pela rapacidade cortez1 a suppresso da imprensa1 methodo facil de moralisar1 que consiste em fazer silencio ao redor da corrupo4 ,a liberdade tornou-se incommoda1 no s para os que perderam com os successos de #ahcc1 mas tambem para muitos daquelles que mais ganharam com elles4 ,os que esgotaram o que a nova situao tinha para dar1 vem agora que o absolutismo dispunha de instrumentos mais efficazes para sugar da riqueza publica1 do fructo do trabalho honesto1 a quota do luxo e da devassido dos escolhidos4 ,todas essas deploraes sobre a decadencia da moral e da religio2 todos esses esforos para restaurar instituies derrocadas1 so calculos de cubia4 ,o fanatismo raro3 o que est sendo vulgar a hypocrisia4 ,as comparaes que se fazem do presente com o passado so falsas4 ,sem desconhecer que os costumes esto corrompidos1 protestamos1 com a historia nas mos1 que a decadencia moral dos seculos de absolutismo era muito maior do que a nossa4 ,o remedio do mal presente no est em approximarmo-nos delles1 est em affastarmo-nos4 ,os que pensam o contrario illudem-se2 os que fingem pens-lo so os que querem lucrar com as especulaes ao divino4 ,deploramos que1 semelhantes s faces religiosas do ,baixo-,imperio1 anathematisando-se mutuamente dentro dos muros de ,constantinopola assediada pelos mussulmanos1 as parcialidades liberaes no ouam1 no meio das suas discordias1 o estrepito da reaco que marcha de victoria em victoria4 ,extranha a essas parcialidades1 sem compromisss anteriores1 esta ,associao a nenhuma tem de servir1 nem de combater4 ,no busca para si um logar no meio dos grupos que pleiteiam na urna1 no parlamento1 e na imprensa um poder ephemero4 ,no tem ninguem a quem o offerecer4 ,que o partido liberal no abdique2 ficar satisfeita4 ,todos os governos devem estar tranquillos cerca da influencia maior ou menor que ella possa exercitar1 porque no ha de empreg-la seno contra os homens que se mostrarem deliberadamente favoraveis s tentativas reaccionarias4 ,esses1 se um dia se acharem no poder1 contem com uma hostilidade implacavel da parte della4 ,persigam-na1 que do seu interesse faz-lo4 ,hoje constitue-se para fundar escholas e asylos2 pde amanh alargar a esphera da sua aco1 ou transformar-se4 ,as phases da lucta determinaro o seu proceder4 ,se por emquanto s tracta de atalhar o perigo presente1 porque gravissimo1 no se infira d'ahi que cruzar os braos quando qualquer outro perigo igualmente grave ameaar a sociedade nova1 e a aggredir nas suas tendencias1 na sua indole1 ou nas suas tradies4 ,se a aggresso ainda mais social que politica1 a defesa hade ter os mesmos caractres4 ,como os antigos templarios1 cujas preceptorias se collocavam nos confins dos paizes remidos para o christianismo e na frontaria dos sarracenos1 ns vamos plantar as nossas tendar de guerra juncto aos marcos que dividem os dominios da reaco dos dominios da liberdade4 ,vigiaremos emquanto outros dormem3 combateremos emquanto outros disputam4 ,quando algum de ns cahir1 os seus companheiros perguntaro quem rege os arraiaes da liberdade2 pergunt-lo-ho para pedir sete palmos de terra livre que d asylo ao que cahiu4 ,se os houver para no-los darem1 no indagaremos como se chamam os que no-los concederam4 ,sabemos que esses sete palmos no podem estar encravados em terra de servos4 ,eis o facto importante1 e o fim supremo desta ,associao4 o titulo da melhor herana que temos de legar a nossos filhos4 ,notas #a ,die ,person hat das ,recht in iede ,sache ibren ,willen zu legen1 welche dadurch die ,meinige ist1 zu ihrem substantiellen ,zwecke1 da sie eine solchen nicht in sich selbst hat1 etc4 ,sache1 em contraste com ,person1 exprime a cousa physica e que capaz de ser possuida1 e contrape-se a ,idee1 ,gedanken4 #b ,etude sur la proprit littraire1 par ,f4 de ,azevedo4 #c ,ihrer ,bestimmung und ,seele meinen ,willen erhlt4 #d ,studj critici1 tom4 ,,ii1 pag4 #ddd 7,delle ristampe74 #e ,o artigo #dh4o da lei de #ae de maro de #ahej1 que hoje rege a instruco publica em ,frana1 prescreve que nas escholas primarias do sexo feminino se ensinem os trabalhos de agulha4 ,segundo o commentador ,rendu1 esta disposio da lei uma feliz innovao4 ,saibam as mestras portuguesas que os legisladores franceses descobriram em #ahej1 que as meninas devem aprender a coser1 a bordar1 etc4 ,as irms de caridade introduzidas em ,portugal em #aheh foram de certo educadas antes de #ahej4 ,sabero ellas fazer uma camisa8 ,cremos que licito pergunt-lo4 #f ,memoires1 tom4 #a4o1 pag4 #bgb 7#aheh74 #g ,a maravilha da serva de ,deus1 que fazia milagres de dysuria1 adornados pelas cores do prisma1 incommodou a policia de ,lisboa4 ,recolhida ao hospital a sancta mulher1 os facultativos descubriram com facilidade a origem da maravilha4 ,o negocio supitou-se para evitar o escandalo4 ,entretanto a auctoridade do districto de ,coimbra applicava a um sancto vivo1 que comeava a disparar milagres naquelle districto1 o celebre distico4 ,de par le roi1 dfense ,dieu ,de faire miracles dans ce lieu4 #h ,a quota dos membros da associao da propagao da f no excede a #dhj ris annuaes1 e o producto destas quotas remettidas para ,frana tem subido alguns annos a #h3jjjjjj ris4 #i ,no relatorio feito s cortes pelo ministro dos negocios estrangeiros em #ahdi vem o texto mutilado do convenio de #ba de outubro de #ahdh1 donde foi transcripto para a ,colleco de ,tractados do sr4 ,borges de ,castro 7tom4 #g1 pag4 #bba74 ,o texto por integra appareceu no jornal ,o ,paiz1 em agosto de #ahea4 #aj ,nas especulaes de exportao da bulla da cruzada o nimio zelo dos corretores trahiu-se imprudentemente no confessionario1 annos depois1 o que obrigou o sr4 ,seabra1 sendo ministro dos negocios ecclesiasticos e de justia1 a tomar severas providencia para reduzir aquelle commercio aos seus limites naturaes4 #aa ,veja-se a circular da congregao ,de ,propaganda ,fide de #d de junho de #aheh a p4 #ge do ,additamento s ,reflexes sobre o padroado portuguez no ,oriente4 #ab ,constitutiones ,communes ,congreg4 ,miss4 cap4 #e4o1 #a4o1 e cap4 #aa4o1 #d4o e #e4o4 #ac ,cm igressi fuerint loca ea1 in quibus ,ordinarii resident1 eos quam primm adeant1 suamque operam illis submiss offerant1 et facultatem ad exercenda societatis ministeria modest ac religios petant4 ,institutum societ4 ,jesu1 vol4 ,i1 pag4 #cgf4 #ad ,non solum quoad ejus voluntatem nobis notificatam1 sed etiam quoad ejus intentionem4 ,const4 ,com4 ,congreg4 ,mission41 cap4 #e4o1 #b4o1--tenebit pro certo voluntatem ,dei sibi significari per voluntatem superioris4 ,ibid1 #d4o4 #ae ,vide decreto de #i de agosto de #ahcc4 #af ,o instituto das irms de caridade foi auctorisado em ,frana em #afeh4 #ag ,nestes asylos1 de que o commissario dos estudos se queixava em #ahef1 os logares de magisterio eram providos por concurso na frma dos respectivos estatutos approvados pelo governo4 ,em #aheh1 porm1 as mestras j haviam sido substituidas por irms de caridade francesas por mero arbitrio das pessoas que os dirigiam4 #ah ,de ,lavergne1 ,l',agriculture et la ,population1 pag4 #cii4 7,note ,f47 #ai ,legoyt1 ,journal des ,economistes1 mars de #aheg2 ,de ,lavergne1 ibid41 pag4 #ccg4 #bj ,les lazaristes ont plus de vingt millions placs en rentes sur differents tats1 de manire qu' tout vnement leurs ressources et leurs moyens d'action ne leur manquent jamais4 ,gnin1 ,ou l'glise ou l'tat1 pag4 #bac4 ,tous les journaux1 et notamment l',univers1 ont t remplis d'annonces et de prospectus de la caisse militaire et des distilleries du ,nord1 et parmi les noms des administrateurs destins faire arriver l'actionnaire1 le public lisait avec dification3 ,mr4 l'abb tienne1 procureur gnrale des prtres de ,s4 ,lazare444 ,mr4 ,j4 ,b4 ,nozo1 suprieur gnral des lazaristes4 ,les lazaristes marchands d'hommes et fabricants d'eau de vie6 ,id4 ,ibid4 #ba ,except l'infortune ,pologne1 l',espagne1 le ,portugal1 toutes les provinces de l'ordre y sont reprsentes4 ,l',univers cit4 por ,gnin1 pag4 #baa4 #bb ,ord41 liv4 #e4o tit4 #ch4 ,,indice ,monumentos ,patrios ,da ,propriedade ,litteraria ,appendice ,carta ,academia das ,sciencias ,mousinho da ,silveira ,carta aos ,eleitores do ,circulo de ,cintra ,manifesto da ,associao ,popular ,promotora da ,educao do ,sexo ,feminino